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Numero do processo: 16561.720186/2013-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 02 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 28 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 31/12/2008
PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. IN/SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA.
Não há ilegalidade na IN SRF n° 243/2002, cuja metodologia busca proporcionalizar o preço parâmetro ao bem importado aplicado na produção.
EXCLUSÃO DO VALOR CORRESPONDENTE A FRETES, SEGUROS E IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA.
Na apuração do preço parâmetro devem ser incluídos os valores correspondentes a frete, seguro e imposto sobre importação, cujo ônus tenha sido do importador.
REGIME ESPECIAL DE CRÉDITO PRESUMIDO. PIS. COFINS. INCIDÊNCIA. DEDUÇÃO DO PREÇO DE VENDA.
É cabível a dedução dos valores correspondentes ao PIS e à COFINS da média aritmética ponderada dos preços de revenda praticados para fim de fixação do preço parâmetro apurado de acordo com o método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL), mesmo que a pessoa jurídica tenha aderido ao regime especial de crédito presumido, estabelecido pela Lei n° 10.147/2000 ao importador ou fabricante de medicamentos nela previstos.
LANÇAMENTO REFLEXO.
Quanto ao lançamento reflexo de fatos apurados para o lançamento do IRPJ, são aplicáveis as mesmas razões que deram fundamento ao lançamento de IRPJ, quando não houver alegação específica no tocante ao auto reflexo.
Numero da decisão: 1402-002.131
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente.
(assinado digitalmente)
FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LEONARDO DE ANDRADE COUTO, LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, DEMETRIUS NICHELE MACEI, FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, PAULO MATEUS CICCONE e FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO.
Nome do relator: FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2008 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. IN/SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA. Não há ilegalidade na IN SRF n° 243/2002, cuja metodologia busca proporcionalizar o preço parâmetro ao bem importado aplicado na produção. EXCLUSÃO DO VALOR CORRESPONDENTE A FRETES, SEGUROS E IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Na apuração do preço parâmetro devem ser incluídos os valores correspondentes a frete, seguro e imposto sobre importação, cujo ônus tenha sido do importador. REGIME ESPECIAL DE CRÉDITO PRESUMIDO. PIS. COFINS. INCIDÊNCIA. DEDUÇÃO DO PREÇO DE VENDA. É cabível a dedução dos valores correspondentes ao PIS e à COFINS da média aritmética ponderada dos preços de revenda praticados para fim de fixação do preço parâmetro apurado de acordo com o método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL), mesmo que a pessoa jurídica tenha aderido ao regime especial de crédito presumido, estabelecido pela Lei n° 10.147/2000 ao importador ou fabricante de medicamentos nela previstos. LANÇAMENTO REFLEXO. Quanto ao lançamento reflexo de fatos apurados para o lançamento do IRPJ, são aplicáveis as mesmas razões que deram fundamento ao lançamento de IRPJ, quando não houver alegação específica no tocante ao auto reflexo.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2008 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. IN/SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA. Não há ilegalidade na IN SRF n° 243/2002, cuja metodologia busca proporcionalizar o preço parâmetro ao bem importado aplicado na produção. EXCLUSÃO DO VALOR CORRESPONDENTE A FRETES, SEGUROS E IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Na apuração do preço parâmetro devem ser incluídos os valores correspondentes a frete, seguro e imposto sobre importação, cujo ônus tenha sido do importador. REGIME ESPECIAL DE CRÉDITO PRESUMIDO. PIS. COFINS. INCIDÊNCIA. DEDUÇÃO DO PREÇO DE VENDA. É cabível a dedução dos valores correspondentes ao PIS e à COFINS da média aritmética ponderada dos preços de revenda praticados para fim de fixação do preço parâmetro apurado de acordo com o método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL), mesmo que a pessoa jurídica tenha aderido ao regime especial de crédito presumido, estabelecido pela Lei n° 10.147/2000 ao importador ou fabricante de medicamentos nela previstos. LANÇAMENTO REFLEXO. Quanto ao lançamento reflexo de fatos apurados para o lançamento do IRPJ, são aplicáveis as mesmas razões que deram fundamento ao lançamento de IRPJ, quando não houver alegação específica no tocante ao auto reflexo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 01 86 /2 01 3- 24 Fl. 14415DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720186/201324 Acórdão n.º 1402002.131 S1C4T2 Fl. 14.416 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente. (assinado digitalmente) FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LEONARDO DE ANDRADE COUTO, LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, DEMETRIUS NICHELE MACEI, FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, PAULO MATEUS CICCONE e FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO. Fl. 14416DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720186/201324 Acórdão n.º 1402002.131 S1C4T2 Fl. 14.417 3 Relatório Bayer S.A. recorre a este Conselho contra decisão de primeira instância proferida pela 1ª Turma da DRJ Ribeirão Preto/SP, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): “Em ação fiscal levada a efeito no contribuinte acima identificado, constatou se que ele, no ano calendário de 2008, apurou o IRPJ pela sistemática do lucro real e importou insumos junto a pessoas vinculadas, razão pela qual é necessária a apuração do preço parâmetro desses insumos, consoante as regras que regulam os preços de transferência, para avaliar a dedutibilidade dos custos incorridos com eles. Conforme descrito no "Termo de Verificação Fiscal e Encerramento" de fls. 1417314193, o contribuinte foi intimado a apresentar memórias de cálculo da apuração dos preços praticados e preços parâmetros nas operações sujeitas às regras de controle de preços de transferência para o anocalendário de 2008, além de demonstrativo das pessoas físicas ou jurídicas consideradas vinculadas e demonstrativo das pessoas físicas ou jurídicas residentes ou domiciliadas em países com tributação favorecida, com as quais a empresa tenha efetuado operações de importação no ano fiscalizado. Após a análise das informações prestadas, diversas outras intimações foram realizadas, a fim de esclarecer fatos relacionados à apuração dos preços de transferência. Finalmente, depois de concluir as verificações necessárias, constatou a autoridade autuante que, nas importações realizadas em 2008, sujeitas às regras de preços de transferência, o contribuinte adotou o método dos Preços Independentes Comparados (PIC) para alguns itens e o Preço de Revenda Menos Lucro (PRL) para outros. Porém, ao efetuar os cálculos pelo método PRL, valeuse da sistemática prevista na Instrução Normativa SRF n° 32/20001, embora à época da ocorrência do fato gerador já estivesse vigente a regulamentação prevista na Instrução Normativa SRF n° 243/2002. Afirma a autoridade autuante que a aplicação do método PRL às empresas industriais, que agregam valor às matériasprimas e produtos importados, somente foi possível a partir das alterações introduzidas no art. 18 da Lei n° 9.430/1996 pelo art. 2° da Lei n° 9.959/2000. Esclarece que, ao prescrever o cálculo da margem bruta de lucro, o texto legal determina que seja considerado 60% sobre o valor líquido de revenda, ou seja, daquela parcela que foi importada e, posteriormente, revendida, de modo que é equivocada a interpretação no sentido de que esta norma teria estabelecido margem de 60% sobre o valor integral do preço líquido de venda do produto menos o valor agregado no País. A Instrução Normativa SRF n° 243/2002 detalhou a sistemática de apuração do PRL. Fl. 14417DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720186/201324 Acórdão n.º 1402002.131 S1C4T2 Fl. 14.418 4 Assevera a autoridade autuante que o cálculo dos preços praticados nas importações de vinculadas e de países com tributação favorecida, sujeitas às regras de preços de transferência, partiu das informações constantes da planilha gerada a partir das informações obtidas no Siscomex, devidamente retificada e ratificada pelo contribuinte. O custo total de importação de cada produto foi apurado a partir do valor FOB, acrescido dos valores de frete, seguro e imposto de importação. Conforme determina o § 3° do art. 12 da IN SRF n° 243/2002, para efeito de cálculo da média ponderada dos preços praticados, foram computados também as quantidades e os valores dos estoques de cada produto existentes no início do período de apuração, obtendose, assim, o preço praticado para cada item importado. Na apuração do preço parâmetro pelo método PRL, a autoridade autuante partiu das informações de vendas constantes da planilha de Vendas apresentada pelo contribuinte. Constatou que diversos itens dessa planilha indicavam PIS e COFINS zerados e, ao analisar a DACON, verificou que parte das receitas estava sujeita às alíquotas de 1,65% e de 7,6%, respectivamente para o PIS e COFINS, e parte estava sujeita às alíquotas, respectivamente, de 2,1% e de 9,9%, havendo, ainda, elevado montante de deduções a título de crédito presumido medicamentes, com base no art. 3° da Lei n° 10.147/2000. Afirma a autoridade autuante que a Lei n° 10.147/2000, com as redações dadas pelas Leis n° 10.548/2002 e 10.865/2004, instituiu alíquotas diferenciadas do PIS e da COFINS para determinados produtos farmacêuticos, bem como regime especial de crédito presumido para as pessoas jurídicas que, atendidas determinadas condições, procedam à industrialização e importação de produtos farmacêuticos. Conclui que não houve alteração no campo de incidência do PIS e da COFINS. Assim, tendo em conta que, nos termos do art. 18, II, "b", da Lei n° 9.430/1996, na apuração do preço padrão pelo método PRL, devem ser excluídos dos preços de revenda dos bens ou direitos os impostos e contribuições incidentes sobre as vendas, concluiu a autoridade autuante que, na planilha de vendas, deveriam ser incluídos o cálculo do PIS e da COFINS de acordo com o disposto no art. 1°, I, "a", da Lei n° 10.147/2000, com as redações dadas pelas Leis n° 10.548/2002 e 10.865/2004. Como conseqüência, aplicou as alíquotas de 2,1% e de 9,9%, respectivamente para o PIS e a COFINS, nos casos de produtos farmacêuticos em que há incidência desses tributos e que constavam zerados na planilha apresentada pelo contribuinte. Na apuração do preço parâmetro pelo método do Preço de Revenda menos Lucro com margem de 20%, aplicável às hipóteses em que não há agregação de valor ao custo dos bens, serviços ou direitos importados, foi adotada a metodologia assim descrita pela autoridade autuante: · Partido do Valor Bruto das vendas, excluímos os descontos incondicionais, as comissões, o ICMS, o PIS e a COFINS e obtivemos o Valor Líquido das Vendas. · Aplicamos a margem de lucro de 20% sobre o valor bruto das vendas diminuído apenas dos descontos incondicionais. · Do valor líquido das vendas, subtraímos a margem de lucro e encontramos o preço parâmetro. · O preço parâmetro unitário foi obtido a partir da divisão do preço parâmetro pela quantidade vendida e pelo fator de conversão de unidade. Fl. 14418DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720186/201324 Acórdão n.º 1402002.131 S1C4T2 Fl. 14.419 5 Na apuração do preço parâmetro pelo método do Preço de Revenda menos Lucro com margem de 60%, foi adotada a metodologia assim descrita pela autoridade autuante: · Inicialmente, em uma planilha, ao lado de cada insumo importado, listamos os bens produzidos que utilizam tal insumo em sua composição e as respectivas relações insumo produto. · Extraímos a quantidade vendida e o valor líquido das vendas de cada bem produzido. · A seguir listamos o custo unitário do insumo importado, que é o preço praticado na importação, e calculamos a quantidade utilizada do insumo importado no bem produzido, a qual é obtida multiplicandose a relação insumo produto pela quantidade vendida do bem produzido. · O custo total do insumo importado foi então obtido multiplicando o custo unitário do insumo importado pela quantidade utilizada do mesmo. · Em seguida, apresentamos o custo unitário do bem produzido, que foi extraído da planilha "Custos Totais". Calculamos o custo total do bem produzido multiplicando o seu custo unitário pela quantidade vendida. · O percentual de participação do insumo no custo do bem produzido foi obtido dividindose o custo total do Insumo importado pelo custo total do bem produzido (Inciso II do § 11 do artigo 12 da IN 243). · Aplicamos o percentual de participação do insumo importado sobre o valor líquido das vendas do bem produzido para calcular a participação dos bens importados no valor líquido das vendas do bem produzido (Inciso III do § 11 do artigo 12 da IN 243). · A seguir foi calculada a margem de lucro de 60%, que foi obtida mediante a aplicação do percentual de sessenta por cento sobre a participação do insumo importado no valor líquido das vendas do bem produzido (Inciso IV do § 11 do artigo 12 da IN 243). · O preço parâmetro é a diferença entre o valor da participação do insumo importado no valor das vendas do bem produzido e o valor da margem de lucro de 60% (Inciso V do § 11 do artigo 12 da IN 243). · Nos casos em que determinado insumo importado é aplicado na produção de diversos bens finais, são gerados preços parâmetros distintos para cada bem final produzido e por fim é calculado o preço parâmetro médio ponderado. Nos casos em que determinado item importado de vinculada foi, ao mesmo tempo, utilizado como insumo de algum bem produzido e revendido diretamente, foi calculado um preço parâmetro ponderado, utilizando para isso as metodologias do PRL 20 e do PRL 60. Para o cálculo do preço praticado dos itens submetidos ao método Preços Independentes Comparados PIC, a autoridade autuante partiu da planilha do Siscomec, utilizando o preço FOB. No cálculo dos preços parâmetro pelo método PIC, a autoridade autuante partiu da planilha constante das memórias de cálculo do Fl. 14419DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720186/201324 Acórdão n.º 1402002.131 S1C4T2 Fl. 14.420 6 contribuinte, mas somente foram utilizadas invoices de anos anteriores nos casos de itens para os quais não havia invoice de 2008, válida, que pudesse ser utilizada como parâmetro. Após realizar esses cálculos, foram apurados os ajustes no lucro real e na base de cálculo da CSLL decorrentes da aplicação das regras pertinentes aos preços de transferência, realizandose os lançamentos de ofício do IRPJ e da CSLL sobre as diferenças apuradas, com imposição de multa de ofício de 75%, conforme se observa nos autos de infração de fls. 14.19514.200 (IRPJ) e de fls. 14.20114.205 (CSLL). Inconformado, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 14.21214.241, na qual deduz as alegações a seguir resumidamente discriminadas: A autoridade autuante, ao lavrar os autos de infração incide em equívoco na apuração do preço parâmetro por (1) pretender deduzir contribuições de PIS e de COFINS que não integram o preço de venda; (2) inserir indevidamente os valores de frete e seguros no preço praticado; (3) desconsiderar a existência dos estoques iniciais e finais no cálculo do preço médio de aquisição, para efeito de cálculo da margem de valor agregado; (4) desnaturar o cálculo da margem de lucro, por meio da estipulação de médias proporcionais, que resulta na aplicação indistinta da margem de lucro arbitrada de 60% também aos valores agregados no país. A BAYER S/A não recolhe as contribuições ao PIS e à COFINS sobre seus medicamentos, por força do disposto nos artigos 1° e 3° da Lei n° 10.147/2000, motivo pelo qual o valor dessas contribuições não integra os preços dos medicamentos. O crédito presumido do PIS e da COFINS previsto nas referidas normas tem a finalidade de desonerar a fabricação e/ou importação dos medicamentes dessas contribuições, de forma a que elas não repercutam nos preços de venda. As normas da Receita Federal que regulamentam as regras de preços de transferência são claras e expressas ao determinar que somente são considerados tributos incidentes na venda aqueles que integram o preço de venda, tal como previsto no art. 12, § 7°, da IN SRF n° 243/2002. Como o PIS e a COFINS não integram o preço de venda, o valor da receita bruta informado à fiscalização em nas declarações é líquido dessas contribuições. Por essa razão, no cálculo dos preços de transferência, relativamente ao item "MÉDIA ARITMÉTICA DOS PREÇOS DE REVENDA", foi utilizado o valor líquido dos preços de venda. Caso se entenda que no cálculo do preço parâmetro devem ser deduzidos os valores de PIS e de COFINS que "incidiram" sobre a venda, devese, também, pelo mesmo critério, adicionar os valores dessas contribuições à "MÉDIA ARITMÉTICA DOS PREÇOS DE REVENDA", para fins de cálculo de preços de transferência. Há incongruência no fato de a autoridade autuante utilizar o critério da "incidência" para justificar a dedução do PIS e da COFINS no cálculo e, ao mesmo tempo, utilizar os valores líquidos das vendas, sem a "incidência". Esse equívoco na apuração do preço parâmetro macula a base de cálculo das exigências fiscais, de modo que é necessária a realização de diligência para o respectivo recálculo, caso contrário os autos de infração devem ser declarados nulos. Na apuração do preço praticado realizada pela autoridade autuante foi considerado o preço contido no documento de importação, ao qual foram acrescidos os valores relativos a frete, seguro e impostos não recuperáveis, conforme dispõe o art. 4°, § 4°, da Instrução Normativa SRF n° 243/2002. Ocorre que a inclusão dos valores de frete, seguro e tributos não recuperáveis no conceito de preço praticado não encontrava fundamento na Lei n° 9.430/1996. A disciplina dessa matéria somente foi introduzida pela Lei n° 12.715/2012, que deu nova redação ao art. 18 da Fl. 14420DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720186/201324 Acórdão n.º 1402002.131 S1C4T2 Fl. 14.421 7 Lei n° 9.430/1996. Tendo em conta que a definição dos valores que poderiam ser incluídos no conceito de preço praticado era meramente interpretativa, a disciplina da matéria introduzida pela lei n° 12.715/2012 deve ser aplicada retroativamente, com base no disposto no art. 106, I, do CTN. Tendo em conta que as regras relativas a preços de transferência têm por fim evitar a manipulação de preços entre partes vinculadas, obstando a indevida transferência de lucros não tributados ao exterior, é descabida a utilização dos valores de frete, seguro e impostos não recuperáveis na importação na apuração do preço praticado e dos custos relativos ao preço parâmetro, quando se verificar que o pagamento dos seguros e fretes foi feito a partes independentes e que são domiciliadas no país. A Lei n° 9.430/1996, ao estabelecer regras relativas aos preços de transferência previa, em sua redação original, que a apuração do preço parâmetro pelo método Preço de Revenda menos Lucro corresponderia à média aritmética dos preços de revenda dos bens ou insumos importados, diminuídos: 1 dos descontos incondicionais concedidos; 2 dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; 3 das comissões e corretagens pagas; e 4de margem de lucro de 20%, calculada sobre o preço de revenda. Em seguida, a Lei n° 9.959/2000 estabeleceu que, para os insumos importados destinados à produção de novo bem em território nacional, aplicase o método Preço de Revenda menos Lucro com margem de 60%, com dedução do valor agregado no país ao preço final do método PRL. A possibilidade de dedução do valor agregado no país é uma medida lógica, pois visa abrandar a margem de lucro nominal de 60%, tornando a margem efetiva inferior ao valor de 60% quanto maior for o quociente de agregação de valor no país. Tratase de medida para incentivar a produção local e a geração de valor no país. A Instrução Normativa SRF n° 32/2001, ao regulamentar a matéria, alocou, corretamente, o fator "valor agregado no país" diretamente na fórmula do cálculo do preço parâmetro. Porém, a Instrução Normativa SRF n° 243/2002 pretendeu dar nova interpretação à Lei n° 9.430/1996, para que a margem de lucro de 60% fosse calculada conforme a participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido. Pela nova regulamentação, o cálculo do preço parâmetro não é mais influenciado diretamente pelo valor agregado no país e é sempre garantida a aplicação da margem de lucro arbitrada em 60%, independentemente do valor agregado no país. A IN SRF n° 243/2002, ao pretender dar nova interpretação à Lei n° 9.430/1996, inovou ao criar um modelo matemático baseado em proporções, que objetiva evitar o uso direto do fator "valor agregado no país" na metodologia de cálculo, de forma a garantir a aplicação de uma margem de lucro fixa de 60%. Por essas razões, há, na regulamentação da matéria constante da IN SRF n° 243/2002, flagrante violação ao princípio da legalidade. A edição da Medida Provisória n° 478/2009, não convertida em lei, que pretendeu reproduzir em texto legal a metodologia de cálculo do PRL 60 prevista na IN SRF n° 243/2002, é o reconhecimento da ilegalidade por esta perpetrada. Posteriormente, a Lei n° 12.715/2012, cuja origem é a Medida Provisória n° 563/2012, estabeleceu o cálculo do preço parâmetro de acordo com o custo médio ponderado e a média aritmética ponderada, tal como previsto na IN SRF n° 243/2002, em mais uma demonstração da falta de fundamento legal da regulamentação do PRL 60 prevista neste diploma normativo. Há, inclusive, decisões do CARF afastando a regulamentação dada à matéria pela IN SRF n° 243/2002. Há, nos autos de infração lavrados, equívocos na apuração do preço parâmetro consistentes em: (1) pretender deduzir contribuições de PIS e de COFINS que não integram o preço de venda; (2) inserir indevidamente os valores de frete e seguros no preço praticado; (3) desnaturar o cálculo da margem de lucro, por meio da estipulação de médias proporcionais e de médias aritméticas, alijando da fórmula os valores agregados no país. Por conta desses equívocos, os autos devem ser baixados Fl. 14421DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720186/201324 Acórdão n.º 1402002.131 S1C4T2 Fl. 14.422 8 em diligência para que a exigência fiscal seja recalculada, caso contrário haverá nulidade. Caso se entenda que os elementos constantes dos autos não são suficientes para elucidar a questão, pede a recorrente, com base no art. 16, IV, do Decreto n° 70.235/1972, a realização de perícia técnico contábil acerca dos produtos e matérias primas importadas, a fim de comprovar que seus cálculos de preços de transferência estão em consonância com o disposto na Lei n° 9.430/1996. Protesta a recorrente pela apresentação posterior de novos documentos, provas e alegações, para a elucidação dos fatos. Por fim, pede que os autos de infração sejam julgados improcedentes.” A decisão de primeira instância, representada no Acórdão da DRJ nº 14 50.896 (fls. 4.30614.327) de 11/06/2014, por unanimidade de votos, considerou procedente o lançamento. A decisão foi assim ementada. “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2008 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. IN/SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA. Descabe a arguição de ilegalidade na IN SRF n° 243/2002 cuja metodologia busca proporcionalizar o preço parâmetro ao bem importado aplicado na produção. Assim, a margem de lucro não é calculada sobre a diferença entre o preço líquido de venda do produto final e o valor agregado no País, mas sobre a participação do insumo importado no preço de venda do produto final, o que viabiliza a apuração do preço parâmetro do bem importado com maior exatidão, em consonância ao objetivo do método PRL 60 e à finalidade do controle dos preços de transferência. EXCLUSÃO DO VALOR CORRESPONDENTE A FRETES, SEGUROS E IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Como decorrência de disposição legal e da necessidade de se comparar grandezas semelhantes, na apuração do preço parâmetro devem ser incluídos os valores correspondentes a frete, seguro e imposto sobre importação, cujo ônus tenha sido do importador. REGIME ESPECIAL DE CRÉDITO PRESUMIDO. PIS. COFINS. INCIDÊNCIA. DEDUÇÃO DO PREÇO DE VENDA. É cabível a dedução dos valores correspondentes ao PIS e à COFINS da média aritmética ponderada dos preços de revenda praticados para fim de fixação do preço parâmetro apurado de acordo com o método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL), mesmo que a pessoa jurídica tenha aderido ao regime especial de crédito presumido, estabelecido pela Lei n° 10.147/2000 ao importador ou fabricante de medicamentos nela previstos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 31/12/2008 Fl. 14422DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720186/201324 Acórdão n.º 1402002.131 S1C4T2 Fl. 14.423 9 AUTO REFLEXO. Quanto à impugnação de auto de infração lavrado como reflexo de fatos apurados para o lançamento do IRPJ, são aplicáveis as mesmas razões que deram fundamento à decisão acerca da impugnação a este, quando não houver alegação específica no tocante ao auto reflexo.” Contra a aludida decisão, da qual foi cientificada em 02/07/2014 (termo de fl. 14.332) a interessada interpôs recurso voluntário em 31/07/2014 (fls. 14.33414.365) onde repisa os argumentos apresentados em sua impugnação. É o relatório. Fl. 14423DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720186/201324 Acórdão n.º 1402002.131 S1C4T2 Fl. 14.424 10 Voto Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele, portanto, tomo conhecimento. Da dedução do PIS/COFINS dos preços de venda Afirma a recorrente que a autoridade autuante deduziu indevidamente o PIS/COFINS dos preços de venda para fins de cálculo do preço parâmetro. Sustenta que a tributação diferenciada do PIS/COFINS prevista na Lei n° 10.147/2000, que prevê a apuração de crédito presumido dessas contribuições, faz com que não sejam acrescidos aos preços de venda o gravame decorrente dessas contribuições, de modo que, ao deduzilas, a autoridade autuante acabou por reduzir o preço parâmetro, gerando indevidos ajustes. Com efeito, entendo que a decisão recorrida bem apresentou os fundamentos para o deslinde dessa matéria. Vejase: O diploma legal mencionado pela recorrente não corrobora sua alegação, uma vez que os artigos 1° e 3° da Lei n° 10.147/2000, com as redações dadas pelas Leis n° 10.548/2002 e 10.865/2004, apenas instituíram alíquotas diferenciadas de contribuições para determinados produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador e de higiene pessoal, bem como um regime especial de crédito presumido às pessoas jurídicas que, atendidas determinadas condições, procedessem à industrialização e importação de produtos farmacêuticos: Art. 1 A contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/Pasep e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, devidas pelas pessoas jurídicas que procedam à industrialização ou à importação dos produtos classificados nas posições 30.01, 30.03, exceto no código 3003.90.56, 30.04, exceto no código 3004.90.46 e 3303.00 a 33.07, nos itens 3002.10.1, 3002.10.2, 3002.10.3, 3002.20.1, 3002.20.2, 3006.30.1 e 3006.30.2 e nos códigos 3002.90.20, 3002.90.92, 3002.90.99, 3005.10.10, 3006.60.00, 3401.11.90, 3401.20.10 e 9603.21.00, todos da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada pelo Decreto n 4.070, de 28 de dezembro de 2001, serão calculadas, respectivamente, com base nas seguintes alíquotas: I incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de: a) produtos farmacêuticos classificados nas posições 30.01, 30.03, exceto no código 3003.90.56, 30.04, exceto no código 3004.90.46, nos itens 3002.10.1, 3002.10.2, 3002.10.3, 3002.20.1, 3002.20.2, 3006.30.1 e 3006.30.2 e nos códigos 3002.90.20, 3002.90.92, 3002.90.99, 3005.10.10, 3006.60.00: Fl. 14424DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720186/201324 Acórdão n.º 1402002.131 S1C4T2 Fl. 14.425 11 2,1% (dois inteiros e um décimo por cento) e 9,9% (nove inteiros e nove décimos por cento); b) produtos de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal, classificados nas posições 33.03 a 33.07 e nos códigos 3401.11.90, 3401.20.10 e 96.03.21.00: 2,2% (dois inteiros e dois décimos por cento) e 10,3% (dez inteiros e três décimos por cento); II sessenta e cinco centésimos por cento e três por cento, incidentes sobre a receita bruta decorrente das demais atividades. §1º Para os fins desta Lei, aplicase o conceito de industrialização estabelecido na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI. § 2º O Poder Executivo poderá, nas hipóteses e condições que estabelecer, excluir, da incidência de que trata o inciso I, produtos indicados no caput, exceto os classificados na posição 3004. § 3º Na hipótese do § 2o, aplicase, em relação à receita bruta decorrente da venda dos produtos excluídos, as alíquotas estabelecidas no inciso II. Art. 2º São reduzidas a zero as alíquotas da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda dos produtos tributados na forma do inciso I do art. 1°, pelas pessoas jurídicas não enquadradas na condição de industrial ou de importador. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica às pessoas jurídicas optantes pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples. Art. 3° Será concedido regime especial de utilização de crédito presumido da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins às pessoas jurídicas que procedam à industrialização ou à importação dos produtos classificados na posição 30.03, exceto no código 3003.90.56, nos itens 3002.10.1, 3002.10.2, 3002.10.3, 3002.20.1, 3002.20.2, 3006.30.1 e 3006.30.2 e nos códigos 3001.20.90, 3001.90.10, 3001.90.90, 3002.90.20, 3002.90.92, 3002.90.99, 3005.10.10 e 3006.60.00, todos da TIPI, tributados na forma do inciso I do art. 1°, e na posição 30.04, exceto no código 3004.90.46, da TIPI, e que, visando assegurar a repercussão nos preços da redução da carga tributária em virtude do disposto neste artigo: I tenham firmado, com a União, compromisso de ajustamento de conduta, nos termos do § 6° do art. 5° da Lei n° 7.347, de 24 de julho de 1985; ou Fl. 14425DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720186/201324 Acórdão n.º 1402002.131 S1C4T2 Fl. 14.426 12 II cumpram a sistemática estabelecida pela Câmara de Medicamentos para utilização do crédito presumido, na forma determinada pela Lei n° 10.213, de 27 de março de 2001. § 1º O crédito presumido a que se refere este artigo será: I determinado mediante a aplicação das alíquotas estabelecidas na alínea a do inciso I do art. 1£ desta Lei sobre a receita bruta decorrente da venda de medicamentos, sujeitas a prescrição médica e identificados por tarja vermelha ou preta, relacionados pelo Poder Executivo; II deduzido do montante devido a título de contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins no período em que a pessoa jurídica estiver submetida ao regime especial. § 2º O crédito presumido somente será concedido na hipótese em que o compromisso de ajustamento de conduta ou a sistemática estabelecida pela Câmara de Medicamentos, de que tratam, respectivamente, os incisos I e II deste artigo, inclua todos os produtos constantes da relação referida no inciso I do § 1, industrializados ou importados pela pessoa jurídica. §3º É vedada qualquer outra forma de utilização ou compensação do crédito presumido de que trata este artigo, bem como sua restituição. A regulamentação desse regime especial de tributação, no âmbito da Receita Federal, prevista na IN SRF n° 594, de 26 de dezembro de 2005, não conduz a uma interpretação da Lei n° 10.147/2000 no sentido de excluir do campo de incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a receita bruta auferida por importador ou industrial em operações de venda dos produtos farmacêuticos nela mencionados: IN SRF n° 594/2005 Art. 1º Esta Instrução Normativa dispõe sobre a Contribuição para o PIS/Pasep, a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), a Contribuição para o PIS/Pasep incidente na Importação de Produtos Estrangeiros ou Serviços (Contribuição para o PIS/PasepImportação) e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social devida pelo Importador de Bens Estrangeiros ou Serviços do Exterior (CofinsImportação) incidentes sobre a comercialização no mercado interno e sobre a importação de: (...) VII produtos farmacêuticos classificados nos seguintes códigos da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (Tipi), aprovada pelo Decreto nº 4.542, de 26 de dezembro de 2002: a) 30.01, 30.03, exceto no código 3003.90.56; b) 30.04, exceto no código 3004.90.46; Fl. 14426DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720186/201324 Acórdão n.º 1402002.131 S1C4T2 Fl. 14.427 13 c) 3002.10.1, 3002.10.2, 3002.10.3, 3002.20.1, 3002.20.2, 3002.90.20, 3002.90.92, 3002.90.99, 3005.10.10, 3006.30.1, 3006.30.2 e 3006.60.00; (...) Art. 2º São contribuintes nas operações de comercialização no mercado interno dos produtos referidos no art. 1º: I o fabricante, o produtor ou o importador desses produtos; (...) Art. 12. Na determinação do valor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, incidentes sobre a receita bruta auferida em operações de venda dos produtos farmacêuticos de que trata o inciso VII do art. 1, aplicamse as alíquotas de: 2,1% (dois inteiros e um décimo por cento) e 9,9% (nove inteiros e nove décimos por cento), respectivamente, no caso de venda efetuada por fabricante ou por importador; e 0% (zero por cento), no caso de venda efetuada por pessoa jurídica não enquadrada na condição de fabricante ou importador. (...) Art. 17. As alíquotas de que tratam os arts. 9° a 16 aplicamse a todas as pessoas jurídicas que aufiram receitas decorrentes da venda dos produtos relacionados no art. 1°, exceto àquelas optantes pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples). Art. 24. Na determinação do valor da Contribuição para o PIS/PasepImportação e da CofinsImportação aplicamse, sobre a base de cálculo apurada na forma do inciso I do art. 22, as alíquotas de: (...) §2º Estão reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da Contribuição para o PIS/PasepImportação e da Cofins Importação incidentes sobre a importação dos produtos farmacêuticos de que trata o inciso VII do art. 1. Dos créditos decorrentes de importações Art. 29. Na determinação da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a pagar no regime de nãocumulatividade, do valor das contribuições incidentes sobre a receita bruta decorrente de suas vendas, a pessoa jurídica importadora pode descontar créditos, calculados mediante a aplicação das alíquotas de 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento) e 7,6% (sete Fl. 14427DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720186/201324 Acórdão n.º 1402002.131 S1C4T2 Fl. 14.428 14 inteiros e seis décimos por cento), respectivamente, sobre as bases de cálculo de que tratam os incisos I e II do art. 22, conforme o caso, na hipótese: I de importação: a) de bens ou produtos para revenda, observadas as disposições dos arts. 30 a 31; b) de bens, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumo na prestação de serviços ou na produção de bens destinados à venda; c) de energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica; e (...) Art. 33. Somente gera direito ao desconto de créditos, na forma dos arts. 29 a 32, as importações efetuadas: I a partir do mês em que se iniciar o regime de não cumulatividade das contribuições; e II com o efetivo pagamento da Contribuição para o PIS/PasepImportação e da CofinsImportação. Do regime especial de crédito presumido para os produtos farmacêuticos Art. 39. Sem prejuízo do disposto nos arts. 26 e 29, pode requerer a fruição de regime especial de utilização de crédito presumido, observada a legislação específica aplicável à matéria, a pessoa jurídica que proceda à industrialização ou à importação de produtos farmacêuticos sujeitos à incidência das contribuições na forma do inciso I do art. 12, classificados na Tipi: I na posição 30.03, exceto no código 3003.90.56; II na posição 30.04, exceto no código 3004.90.46; III nos itens 3002.10.1, 3002.10.2, 3002.10.3, 3002.20.1, 3002.20.2, 3006.30.1 e 3006.30.2; e IV nos códigos 3001.20.90, 3001.90.10, 3001.90.90, 3002.90.20, 3002.90.92, 3002.90.99, 3005.10.10 e 3006.60.00. Conforme exposto, em regra, apenas a pessoa jurídica que não se reveste da condição de importador ou industrial está dispensada do recolhimento das contribuições incidentes sobre a receita bruta auferida em operações de venda dos produtos farmacêuticos apontados pela Lei n° 10.147/2000, uma vez que a tributação destes se processa à alíquota zero, ao passo que os fabricantes e importadores se sujeitam às alíquotas de 2,1% (dois inteiros e um décimo por cento) e 9,9% (nove inteiros e nove décimos por cento), respectivamente, para a Contribuição para o PIS/Pasep e para a Cofins. Fl. 14428DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720186/201324 Acórdão n.º 1402002.131 S1C4T2 Fl. 14.429 15 Por sua vez, o crédito presumido dos produtos farmacêuticos sujeitos a esse regime especial é determinado mediante a utilização dessas mesmas alíquotas sobre a receita bruta decorrente da venda de medicamentos sujeitos a prescrição médica e identificados por tarja vermelha ou preta relacionados pelo Poder Executivo, consoante previsto no art. 3° da Lei n° 10.147/2000, que poderá ser deduzido do montante devido das mencionadas contribuições, sem prejuízo das demais formas de aproveitamento dos créditos gerados em razão de outras aquisições e pagamentos no mercado interno ou externo no regime da nãocumulatividade, nos termos do art. 39 da IN SRF n° 594/2005. Portanto, diferentemente do que alegado pela recorrente, o regime especial de utilização de crédito presumido da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins não exime o contribuinte do recolhimento dessas contribuições. Assegurase a ele a faculdade de deduzir créditos extras dos valores devidos das contribuições, tendo como contrapartida o compromisso de promover uma diminuição nos preços dos medicamentos proporcionalmente à redução de sua carga tributária. Esclareçase, finalmente, que a dedução dos créditos de PIS e de COFINS por esta sistemática é operação que logicamente sucede a venda dos medicamentos, de modo que, para a apuração dos preços parâmetro, deve a autoridade autuante considerar os valores de venda, a despeito de, como alegado pela recorrente, o posterior creditamento influir na formação do preço de venda. Desta forma, agiu corretamente a autoridade fiscal ao reconhecer que a contribuinte estava sob a fruição do regime especial de crédito presumido estabelecido pela Lei n° 10.147/2000 e, assim, para fins de determinação do preço parâmetro, deduziu dos preços de venda de cada um dos medicamentos os valores devidos a título de contribuição para o PIS e para a COFINS. Da inclusão de frete, seguro e tributos na apuração do preço praticado Alega a recorrente que a inclusão dos valores de frete, seguro e tributos não recuperáveis na apuração do preço praticado, prevista no art. 4°, § 4°, da Instrução Normativa SRF n° 243/2002, não encontra fundamento na Lei n° 9.430/1996. Aduz que a disciplina dessa matéria somente foi introduzida pela Lei n° 12.715/2012, que deu nova redação ao art. 18 da Lei n° 9.430/1996, concluindo que essa nova disciplina deve ser aplicada retroativamente, tendo em conta o disposto no art. 106, I, do CTN. Pondera que é descabida a utilização dos valores de frete, seguro e impostos não recuperáveis na importação para a apuração do preço praticado e dos custos relativos ao preço parâmetro, quando se verificar que o pagamento dos seguros e fretes foi feito a partes independentes e que são domiciliadas no país, pois as regras relativas a preços de transferência têm por fim evitar a manipulação de preços entre partes vinculadas. As alegações não procedem. A inclusão, na apuração do preço praticado, dos valores relativos a frete e seguro, cujo ônus tenha sido do importador, e dos tributos incidentes na importação está expressamente prevista no art. 18, § 6°, da Lei n° 9.430/1996, em sua redação original. Posteriormente, esta norma sofreu sucessivas alterações, promovidas pela Medida Provisória n° 478/2009 e pela Lei n° 12.715/2012. Fl. 14429DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720186/201324 Acórdão n.º 1402002.131 S1C4T2 Fl. 14.430 16 Porém, tendo em conta que o lançamento é regido pela lei vigente à data da ocorrência do fato gerador (art. 144 do CTN) e que os autos de infração lavrados no presente processo administrativo tratam de fato gerador ocorrido em 31/12/2008, concluise que é aplicável o já referido art. 18, § 6°, da Lei n° 9.430/1996, em sua redação original. Não se pode olvidar que, para efeito de preços de transferência, a comparação deve ocorrer entre grandezas semelhantes. Ora, se tais valores são computados na apuração do preço de revenda, não se justificaria a respectiva exclusão no preço praticado. Acerca desse tema, convém citar os fundamentos expostos no Acórdão 105 1671, prolatado pela antiga 5ª Câmara do 1° Conselho de Contribuintes, nos seguintes termos: ... A inclusão ou não dos valores do frete, seguro e dos impostos não recuperáveis dependerá do método utilizado: PIC, PRL ou CPL. c. Os valores do frete, seguro e dos impostos não recuperáveis alteram de acordo com a variação do preço, das distâncias a serem percorridas,do tipo de transporte a ser utilizado, do peso transportado, entre outras variáveis. Desta maneira, nos casos de comparação direta entre os preços praticados na operação de importação de bens entre pessoas vinculadas e não vinculadas, como no método PIC, a inclusão dos valores mencionados alteraria a comparabilidade entre os preços praticados. d. Neste mesmo sentido, teríamos a opção de não computar os referidos valores, quando da utilização do método CPL. e. Não é o caso do PRL inscrito na legislação brasileira. Este método parte de um preço pelo qual o produto adquirido de uma pessoa vinculada é revendido a uma pessoa não vinculada. A partir deste preço de revenda são efetuados os ajustes deduzindo os valores legalmente especificados. Após o ajuste é deduzida uma margem legalmente estabelecida de 20%. O empresário agrega ao Prego de Revenda os custos correspondentes ao frete, seguro e os impostos não recuperáveis. Desta maneira, se desconsiderarmos no Custo da Importação os valores relativos ao frete, seguro e dos impostos não recuperáveis a comparabilidade para fins de prego de transferência estaria prejudicada. (...) Registrese, finalmente, que a recorrente, em seu recurso, apenas afirma que a autoridade autuante desconsiderou a existência dos estoques iniciais e finais no cálculo do preço médio de aquisição, para efeito de cálculo da margem de valor agregado, mas não demonstra que isso, de fato ocorreu. Contrariamente ao alegado, a autoridade autuante esclarece que "Conforme determina o § 3° do art. 12 da IN n° 243/2002, para efeito do cálculo da média ponderada dos preços praticados, computamos também as quantidades e os valores (em R$) dos estoques, de cada produto, existentes no início do período de apuração e assim obtivemos o 'Preço Praticado' para cada item importado". Da utilização da Instrução Normativa n° 243/2002 Quanto às objeções apresentadas pela recorrente no tocante à regulamentação dada pela Instrução Normativa n° 243/2002 para a metodologia de cálculo dos preços parâmetros conforme o método Preço de Revenda menos Lucro com margem de 60%, ressalto Fl. 14430DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720186/201324 Acórdão n.º 1402002.131 S1C4T2 Fl. 14.431 17 que a improcedência dessas alegações é assente neste Colegiado, conforme se observa dos seguintes excertos extraídos do Acórdão n° 1402001.467, de relatoria do i.Conselheiro Leonardo de Andrade Couto, proferido por esta 2ª Turma da Primeira Seção de Julgamento do CARF: [...] No que se refere ao método PRL, a determinação de margens de lucro mínimas nas revendas voltadas ao controle da dedutibilidade dos custos de aquisição dos bens importados, tem como escopo dificultar a transferência artificial dos lucros das empresas brasileiras para pessoas vinculadas no exterior. Sob essa ótica, se, por exemplo, uma empresa aqui domiciliada pratique uma margem de lucro bruto de 15% (quinze por cento) sobre as revendas de bens produzidos com insumos importados, os custos de aquisição desses insumos devem ser ajustados via adição ao lucro líquido, com o objetivo de assegurar a margem de lucro bruto de 60% sobre as revendas, em observância ao art. 18 da Lei n° 9.430/96. A primeira conclusão a que se chega quanto ao tema, e que não pode ser olvidada em nenhum momento nesta análise, consiste no fato de que a fórmula de cálculo deve ser capaz de apurar o preço parâmetro do bem importado insumo no caso considerado individualmente e no limite da margem de lucro legalmente estabelecida. Na interpretação equivocada que se dá ao art. 18 da Lei n° 9.430/95, o preço parâmetro do bem importado seria obtido após a subtração da margem de lucro de 60% do preço líquido de venda do produto final, sendo que a margem de lucro seria calculada sobre o próprio preço líquido de venda menos o valor agregado no País. Lembrando que a operação a ser submetida ao ajuste é a importação do insumo, ao se excluir do preço líquido de venda a margem de lucro calculada sobre o preço líquido de venda menos o valor agregado, obtémse o custo do insumo acrescido de percentual da margem de lucro praticada na revenda, mas não se alcança o custo do bem importado. Num exemplo hipotético teríamos (Exemplo 1): Preço líquido de venda (PLV) = 500,00 Custo total (custo do bem importado + valor agregado) = 230,00 Bem importado = 80,00 Valor agregado (VA) = 150,00 Margem de lucro 60% sobre (PLV VA) = 60% (500,00150,00) = 210,00 Preço parâmetro = PLV ML 60% (PLV VA) PP = 500,00 210,00 Preço parâmetro = 290,00 Pareceme claro que nesse cálculo o preço parâmetro obtido não guarda relação com o custo efetivo do bem importado. A questão é a exclusão indevida do valor agregado na apuração da margem de lucro, reduzindoa e aumentando artificialmente o preço parâmetro. A distorção trazida por essa sistemática permitiria manipulação da margem de lucro na revendas dos bens produzidos com os insumos importados. No mesmo exemplo, a cada vez que se diminuísse a margem de lucro em desacordo com a norma mesmo implicando em aumento indevido no custo do insumo, o preço parâmetro obtido não geraria qualquer ajuste a ser feito (Exemplo 2): Fl. 14431DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720186/201324 Acórdão n.º 1402002.131 S1C4T2 Fl. 14.432 18 Preço líquido de venda (PLV) = 500,00 Margem de lucro efetiva de 20% (exemplo hipotético) sobre o PLV = 100,00 Custo total (custo do bem importado + valor agregado) = 400,00 Bem importado (custo manipulado) = 250,00 Valor agregado (VA) = 150,00 Margem de lucro 60% sobre (PLV VA) = 60% (500,00150,00) = 210,00 Preço parâmetro = 500,00 ML 60% (PLV VA) Preço Parâmetro = 290,00 O correto, para se alcançar o preço parâmetro do insumo importado, consiste em excluir do preço líquido de venda a margem de lucro de 60% e o valor agregado o País, sendo que a margem de lucro deve ser calculada exclusivamente sobre o preço líquido de venda. No mesmo exemplo teríamos (Exemplo 3): Preço líquido de venda (PLV) = 500,00 Custo total (custo do bem importado + valor agregado) = 230,00 Bem importado = 80,00 Valor agregado (VA) = 150,00 Margem de lucro 60% sobre (PLV ) = 60% (500,00) = 300,00 Preço parâmetro = PLV ML 60% (PLV) VA PP = 500,00 300,00 150,00 Preço parâmetro = 50,00 (haveria um ajuste de 30,00) Ressaltese que nesse cálculo ainda não se leva em consideração a proporcionalidade do preço do bem importado no preço líquido de venda, o que daria ainda mais precisão ao cálculo, conforme se verá posteriormente neste voto. Confirase abaixo como a aplicação correta do método impediria a manipulação da margem de lucro. Nos termos do exemplo supra citado com margem de lucro de 20%, fora do padrão (Exemplo 4): Preço líquido de venda (PLV) = 500,00 Margem de lucro efetiva de 20% sobre o PLV = 100,00 Custo total (custo do bem importado + valor agregado) = 400,00 Bem importado (custo manipulado) = 250,00 Valor agregado (VA) = 150,00 Margem de lucro 60% sobre (PLV) = 60% (500,00) = 300,00 Preço parâmetro = PLV ML 60% (PLV) VA PP = 500,00 300,00 150,00 Preço parâmetro = 50,00 (haveria uma ajuste de 200,00) Em recente trabalho sobre o tema, a PGFN justifica o porquê da apuração nos termos supra estipulados em detrimento à sistemática suscitada pelo sujeito passivo, e esclarece que pela leitura do art. 18, da Lei n° 9.430/96 já se poderia chegar a essa conclusão: Fl. 14432DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720186/201324 Acórdão n.º 1402002.131 S1C4T2 Fl. 14.433 19 É importante ressaltar, nesse passo, que a fórmula mencionada pode ser extraída da leitura do art. 18 da Lei n° 9.430/96, considerando a falta de clareza na redação do item 1 do inciso II, in verbis: II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: dos descontos incondicionais concedidos; dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; das comissões e corretagens pagas; da margem de lucro de: 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; (grifos nossos) De fato, é possível interpretar o texto legal no sentido de que o parâmetro seria obtido a partir da "média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos (i) dos descontos incondicionais concedidos, (ii) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas, (iii) das comissões e corretagens pagas, (iv) da margem de lucro de sessenta por cento, e (v) do valor agregado no País" A margem de lucro de sessenta por cento, por sua vez, seria calculada exclusivamente "sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores". Nesse sentido, vale transcrever as observações de Ricardo Marozzi Gregorio acerca da falta de clareza do texto legal: "Neste ponto, um importante aspecto deve ser observado. Tratase da falta de clareza do texto introduzido no item "1" da nova alínea "d". Com efeito, afirmase que a margem de lucro de 60% deve ser "calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País" Ora, uma primeira leitura deste trecho faz pressupor que houve erro gramatical na utilização da preposição "de" juntamente com o artigo "o" antes da expressão "valor agregado". Assim, para que ficasse gramaticalmente correta, ao invés de "do valor agregado" deveria se assumir que a lei quis dizer "o valor agregado". [...] Quanto à primeira investigação, já se mencionou que uma possível premissa para a interpretação da falta de clareza do texto introduzido no item "1" da nova alínea "d" do artigo 18, inciso II, da Lei n° 9.430/96, é a aceitação de que houve um erro gramatical na utilização da preposição "de" juntamente com o artigo "o" antes da expressão "valor agregado". Pois bem, uma outra possível premissa é a que sustenta que não houve erro gramatical, mas técnica redacional inapropriada. Para melhor esclarecimento, vale a pena reproduzir a íntegra do novo texto do artigo 18, inciso II, depois da alteração introduzida pela Lei n° 9.959/00: [...] A técnica redacional inapropriada, identificada por Victor Polizelli, decorre da percepção de que a expressão "do valor agregado" não se refere à palavra "deduzidos", presente no mesmo item "1" da alínea "d", mas sim à palavra "diminuídos", que consta no caput do próprio inciso II. Esta técnica seria justificada pela intenção de se evitar a inserção de uma alínea "e", pois a exclusão do valor agregado só se aplicaria na hipótese de bens aplicados à produção. [... ] Fl. 14433DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720186/201324 Acórdão n.º 1402002.131 S1C4T2 Fl. 14.434 20 Assumindo essa premissa para as hipóteses de produção local, uma outra fórmula de apuração do preço parâmetro pode ser identificada: PP = PL 0,6 x PL VA." (Preços de Transferência: uma avaliação da sistemática do método PRL.In: Tributos e Preços de Transferência. 3° vol. São Paulo: Dialética, 2009. p. 170195) Nessa linha de raciocínio, notase que a expressão "do valor agregado" se refere ao termo "diminuídos" (inciso II), e não à palavra "deduzidos" (item 1 da alínea d). Como apontado no trecho citado, cuidase de técnica redacional inapropriada, voltada a evitar a inclusão de mais uma alínea no inciso II do art. 18, hipótese que se visualiza abaixo: II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores, na hipótese de bens importados aplicados à produção; 2. vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda, nas demais hipóteses. e) e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção. Por outro lado, a tese de que o valor agregado deve ser incluído no cálculo da margem de lucro não está em sintonia à própria dicção do dispositivo legal. Para abrigar a interpretação proposta pela contribuinte, o item 1 do inciso II do art. 18 da Lei n° 9.430/96 deveria ser redigido nos seguintes termos: "1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e o valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção." ou "1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após a dedução dos valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção." Aliás, a revogada IN SRF n° 32/01 trilhou caminho similar à segunda alternativa, o que originou a fórmula de cálculo do PRL 60 defendida pela recorrente: Método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL) Art. 12. (omissis) §10. O método de que trata a alínea "b" do inciso IV do caput será utilizado na hipótese de bens aplicados à produção. Fl. 14434DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720186/201324 Acórdão n.º 1402002.131 S1C4T2 Fl. 14.435 21 §11. Na hipótese do parágrafo anterior, o preço a ser utilizado como parâmetro de comparação será a diferença entre o preço líquido de venda e a margem de lucro de sessenta por cento, considerandose, para este fim: I preço líquido de venda, a média aritmética dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; II margem de lucro, o resultado da aplicação do percentual de sessenta por cento sobre a média aritmética dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas, das comissões e corretagens pagas e do valor agregado ao bem produzido no País. (grifos nossos) Notese que a redação do art. 12, inciso II, da IN SRF n° 32/01 difere do texto legal, uma vez que a construção gramatical foi modificada para possibilitar a concordância da expressão "do valor agregado" com a palavra "diminuídos", ou seja, para inserir o valor agregado no cálculo da margem de lucro. Por consequência, não é correto afirmar que a fórmula prevista na IN SRF n° 32/01 [PP = PLV ML 60% (PLV VA)] corresponde à "fórmula da Lei n° 9.430/96". Na realidade, essa é apenas uma das possíveis interpretações construídas a partir da Lei. Em resumo, é necessário deixar claro que a interpretação meramente gramatical do art. 18 da Lei n° 9.430/96 pode resultar em diferentes fórmulas de cálculo do PRL 60, o que denota que não há uma única fórmula "pronta e acabada" no diploma legal. Assim como em qualquer texto, a interpretação da Lei n° 9.430/96 é plurívoca, o que dá margem a dúvidas que devem ser esclarecidas pela regulamentação administrativa. Foi exatamente nessa linha que se manifestou a IN n° 243/2001 através do § 11, do art. 12, transcrito na decisão recorrida que, além de introduzir a fórmula supra mencionada pela qual não se deduz o valor agregado da margem de lucro, mas diretamente do preço líquido de venda., estabeleceu que a margem de lucro deveria ser calculada não sobre a diferença entre o preço líquido de venda do produto e o valor agregado no País, mas sobre a parcela do preço líquido de venda que corresponde ao bem importado, ou seja, a participação do bem importado no preço de venda do bem produzido, o que possibilita a apuração do preço parâmetro do bem importado com maior exatidão, em consonância ao objetivo do método PRL 60 e à finalidade do controle dos preços de transferência. No exemplo já utilizado neste voto (Exemplo 5): Preço líquido de venda (PLV) = 500,00 Custo total (custo do insumo importado + valor agregado) = 230,00 Bem importado = 80,00 Valor agregado (VA) = 150,00 % de participação do insumo importado no custo total do bem: 34,78% Particip. do insumo no preço líquido de venda do produto final (PBI): 173,90 Preço parâmetro = PBI ML 60% (PBI) PP = 173,90 104,34 Preço parâmetro = 69,56 (haveria um ajuste de 10,44) Fl. 14435DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720186/201324 Acórdão n.º 1402002.131 S1C4T2 Fl. 14.436 22 A aplicação da proporcionalização do bem no preço final nos termos determinados pela IN 243/202, geraria um valor de ajuste menor (RS 10,44 contra R$ 30,00, obtida no exemplo 3). Assim, as regras da norma levandose em consideração a participação do insumo importado no preço de venda do bem produzido não implica necessariamente, em ajuste maior. No âmbito do Poder Judiciário, manifestações recentes pugnam pela inexistência de qualquer mácula. Vejase, por exemplo, o TRF da 3a Região (os destaques foram acrescidos): APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA. MÉTODO DE PREÇO DE REVENDA MENOS LUCRO PRL. LEI N° 9.430/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 243/02. APLICABILIDADE. 1. Caso em que a impetrante pretende apurar o Método de Preço de Revenda menos Lucro PRL, estabelecido na Lei n° 9.430/96, sem se submeter às disposições da IN/SRFn°243/02. 2. Em que pese sejam menos vantajosos para a impetrante, os critérios da Instrução Normativa n°. 243/2002 para aplicação do método do Preço de Revenda Menos Lucro (PRL) não subvertem os paradigmas do art. 18 da Lei n° 9.430/1996. 3. Ao considerar o percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido, a IN 243/2002 nada mais está fazendo do que levar em conta o efetivo custo daqueles bens, serviços e direitos na produção do bem, que justificariam a dedução para fins de recolhimento do IRPJ e da CSLL. 4. Apelação improvida. (Divulgado no Diário Eletrônico da Justiça Federal da 3a Região, em 18/2/2011. A Terceira Turma rejeitou os embargos opostos contra o acórdão, e manteve a orientação pela legalidade da IN n° 243/2002, em 5/5/2011). Em pronunciamento mais recente, a Sexta Turma desse Tribunal confirmou esse entendimento: TRIBUTÁRIO TRANSAÇÕES INTERNACIONAIS ENTRE PESSOAS VINCULADAS MÉTODO DO PREÇO DE REVENDA MENOS LUCROPRL60 APURAÇÃO DAS BASES DE CÁLCULO DO IRPJE DA CSLL EXERCÍCIO DE 2002 LEIS N°S. 9.430/96 E 9.959/00 E INSTRUÇÕES NORMATIVAS/SRF N°S. 32/2001 E 243/2002 PREÇO PARÂMETRO MARGEM DE LUCRO VALOR AGREGADO LEGALIDADE INOCORRÊNCIA DE OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DEPÓSITOS JUDICIAIS. 1. Constitui o preço de transferência o controle, pela autoridade fiscal, do preço praticado nas operações comerciais ou financeiras realizadas entre pessoas jurídicas vinculadas, sediadas em diferentes jurisdições tributárias, com vista a afastar a indevida manipulação dos preços praticados pelas empresas com o objetivo de diminuir sua carga tributária. 2. A apuração do lucro real, base de cálculo do IRPJ, e da base de cálculo da CSLL, segundo o Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL, era disciplinada pelo art. 18, II e suas alíneas, da Lei n° 9.430/96, com a redação dada pela Lei n° 9.959/00 e regulamentada pela IN/SRFn° 32/2001, sistemática pretendida pela contribuinte para o ajuste de suas contas, no exercício de 2002, afastandose os critérios previstos pela IN/SRF n° 243/2002. Fl. 14436DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720186/201324 Acórdão n.º 1402002.131 S1C4T2 Fl. 14.437 23 3. Contudo, ante à imprecisão metodológica de que padecia a IN/SRF n° 32/2001, ao dispor sobre o art. 18, II, da Lei n° 9.430/96, com a redação que lhe deu a Lei n° 9.959/00, a qual não espelhava com fidelidade a exegese do preceito legal por ela regulamentado, baixou a Secretaria da Receita Federal a IN/SRFn° 243/2002, com a finalidade de refletir a mens legis da regra matriz, voltada para coibir a evasão fiscal nas transações comerciais com empresas vinculadas sediadas no exterior, envolvendo a aquisição de bens, serviços ou direitos importados aplicados na produção. 4. Destarte, a IN/SRF n° 243/2002, sem romper os contornos da regra matriz, estabeleceu critérios e mecanismos que mais fielmente vieram traduzir o dizer da lei regulamentada. Deixou de referirse ao preço líquido de venda, optando por utilizar o preço parâmetro daqueles bens, serviços ou direitos importados da coligada sediada no exterior, na composição do preço do bem aqui produzido. Tal sistemática passou a considerar a participação percentual do bem importado na composição inicial do custo do produto acabado. Quanto à margem de lucro, estabeleceu dever ser apurada com a aplicação do percentual de 60% sobre a participação dos bens importados no preço de venda do bem produzido, a ser utilizada na apuração do preço parâmetro. Assim, enquanto a IN/SRF n° 32/2001 considerava o preço líquido de venda do bem produzido, a IN/SRF n° 243/2002, considera o preço parâmetro, apurado segundo a metodologia prevista no seu art. 12, §§ 10, e 11 e seus incisos, consubstanciado na diferença entre o valor da participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido, e a margem de lucro de sessenta por cento. 5. O aperfeiçoamento fezse necessário porque o preço final do produto aqui industrializado não se compõe somente da soma do preço individuado de cada bem, serviço ou direito importado. À parcela atinente ao lucro empresarial, são acrescidos, entre outros, os custos de produção, da mão de obra empregada no processo produtivo, os tributos, tudo passando a compor o valor agregado, o qual, juntamente com a margem de lucro de sessenta por cento, mandou a lei expungir. Daí, a necessidade da efetiva apuração do custo desses bens, serviços ou direitos importados da empresa vinculada, pena de a distorção, consubstanciada no aumento abusivo dos custos de produção, com a consequente redução artificial do lucro real, base de cálculo do IRPJ e da base de cálculo da CSLL a patamares inferiores aos que efetivamente seriam apurados, redundar em evasão fiscal. 6. Assim, contrariamente ao defendido pela contribuinte, a IN/SRFn° 243/2002, cuidou de aperfeiçoar os procedimentos para dar operacionalidade aos comandos emergentes da regra matriz, com o fito de determinarse, com maior exatidão, o preço parâmetro, pelo método PRL60, na hipótese da importação de bens, serviços ou direitos de coligada sediada no exterior, destinados à produção e, a partir daí, comparandose o com preços de produtos idênticos ou similares praticados no mercado por empresas independentes (princípio arm's lenght), apurarse o lucro real e as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. 7. Em que pese a incipiente jurisprudência nos Tribunais pátrios sobre a matéria, ainda relativamente recente em nosso meio, temna decidido o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, do Ministério da Fazenda, não avistando o Colegiado em seus julgados administrativos qualquer eiva na IN/SRF n° 243/2002. Confirase a respeito o Recurso Voluntário n° 153.600 processo n° 16327.000590/200460, julgado na sessão de 17/10/2007, pela 5a Turma/DRJ em São Paulo, relator o conselheiro José Clovis Alves. No mesmo sentido, decidiu a r. Terceira Turma desta Corte Regional, no julgamento da apelação cível n° Fl. 14437DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720186/201324 Acórdão n.º 1402002.131 S1C4T2 Fl. 14.438 24 001738130.2003.4.03.6100/ SP, Relator o e. Juiz Federal Convocado RUBENS CALIXTO. 8. Outrossim, impõese destacar não ter a IN/SRFn° 243/2002, criado, instituído ou aumentado os tributos, apenas aperfeiçoou a sistemática de apuração do lucro real e das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, pelo Método PRL60, nas transações comerciais efetuadas entre a contribuinte e sua coligada sediada no exterior, reproduzindo com maior exatidão, o alcance previsto pelo legislador, ao editar a Lei n° 9.430/96, com a redação dada pela Lei n° 9.959/2000, visando coibir a elisão fiscal. [...] (Divulgado no Diário Eletrônico da Justiça Federal da 3a Região, em 1/9/2011.) A alegação de que a sistemática prevista na IN SRF n° 243/2002 representaria aumento de carga tributária também não merece crédito, eis que parte da premissa equivocada no sentido de que a interpretação dada pelo sujeito passivo ao art. 18 da Lei n° 9.430/96 seria a correta e a única possível. Em face do exposto, Voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator Fl. 14438DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 18108.000373/2007-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jun 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/2001 a 28/02/2005
GRUPO ECONOMICO. CONFIGURAÇAO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA.
Os grupos econômicos podem ser de direito e de fato, podendo estes se dar pela combinação de recursos ou esforços para a consecução de objetivos comuns. A partir do exame da documentação apresentada pelas empresas, bem como através de outras informações obtidas, é possível, à fiscalização, a caracterização de formação de grupo econômico de fato.
GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDARIA
As empresas integrantes de grupo econômico respondem entre si, solidariamente, pelo cumprimento das obrigações previstas na legislação previdenciária, nos termos do inciso IX, art. 30, da Lei n° 8.212/91.
NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Presentes os requisitos legais da notificação e inexistindo ato lavrado por pessoa incompetente ou proferido com preterição ao direito de defesa, descabida a argüição de nulidade do feito. A cientificação regular e eficaz de todas as empresas integrantes do grupo econômico permite o exercício pleno do contraditório e ampla defesa.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-004.131
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negar-lhe provimento, nos termos do relatório e voto.
André Luis Marsico Lombardi - Presidente
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: André Luis Marsico Lombardi, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Arlindo da Costa e Silva, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Henrique de Oliveira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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CONFIGURAÇAO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Os grupos econômicos podem ser de direito e de fato, podendo estes se dar pela combinação de recursos ou esforços para a consecução de objetivos comuns. A partir do exame da documentação apresentada pelas empresas, bem como através de outras informações obtidas, é possível, à fiscalização, a caracterização de formação de grupo econômico de fato. GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDARIA As empresas integrantes de grupo econômico respondem entre si, solidariamente, pelo cumprimento das obrigações previstas na legislação previdenciária, nos termos do inciso IX, art. 30, da Lei n° 8.212/91. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Presentes os requisitos legais da notificação e inexistindo ato lavrado por pessoa incompetente ou proferido com preterição ao direito de defesa, descabida a argüição de nulidade do feito. A cientificação regular e eficaz de todas as empresas integrantes do grupo econômico permite o exercício pleno do contraditório e ampla defesa. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 10 8. 00 03 73 /2 00 7- 22 Fl. 975DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 5/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negarlhe provimento, nos termos do relatório e voto. André Luis Marsico Lombardi Presidente Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: André Luis Marsico Lombardi, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Arlindo da Costa e Silva, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Henrique de Oliveira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Fl. 976DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 5/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI Processo nº 18108.000373/200722 Acórdão n.º 2401004.131 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Período de apuração: 01/10/2001 a 28/02/2005 Data de lavratura (NFLD): 30/06/2005. Data de ciência (NFLD): 17/07/2005; 10/01/2007; 09/01/2007 e 08/01/2007 Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela 8ª Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo II/SP que julgou improcedente a impugnação oferecida pelo sujeito passivo do crédito tributário lançado por intermédio, especificamente em relação a este Processo Administrativo Fiscal, incluído no seguinte Autos de Infração: NFLD DEBECAD n° 35.715.0666 – Obrigação Principal crédito tributário de contribuições sociais destinadas à Seguridade Social e a devida ao Serviço Nacional de aprendizagem Rural — SENAR, descontadas de segurados empregados e de produtores rurais pessoas físicas, incidentes sobre as remunerações de empregados e comercialização de produtos rurais adquiridos, e não repassadas ao Instituto Nacional do Seguro Social — INSS – Valor Total: R$ 357.778,10 A presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD DEBCAD nº 35.715.0660, referese a contribuições sociais destinadas à Seguridade Social e a devida ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural SENAR, descontada de empregado e de produtor rural pessoa física, provenientes de remunerações de empregados e comercialização de produtos rurais adquiridos, e não repassadas ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS. O débito lançado inclui contribuições e sua respectiva base de cálculo informada e não lançada na Guia de Recolhimento do FGTS e informações à Previdência Social GFIP. Os fatos geradores das contribuições sociais lançadas são: A) remuneração paga, devida ou creditada, no decorrer do mês, a segurados empregados que lhe prestaram serviços no EstabelecimentoMatriz CNPJ 04.503.5031000130, consideradas pela empresa no cálculo da contribuição previdenciária descontada dos mesmos; B) comercialização de bovinos para abate adquiridos de produtores rurais pessoas físicas pelo estabelecimento CNPJ 04.503.5031000130. A auditoria fiscal relata que se trata de um grupo econômico de fato, administrado pelos sócios e familiares da empresa Frigorífico Jales Ltda., detentores do capital envolvido nas transações, das seguintes empresas: A) Frigorífico Jales Ltda., CNPJ. 49.683.8731000135; B) Grandes Lagos Comércio de Carnes Ltda., CNPJ. 02.960.5251000102; C) APR Comércio de Alimentos Ltda., CNPJ. 04.171.3451000169; D) Luan Comércio de Alimentos Ltda., CNPJ. 04.503.5031000130; E) Frigorífico 3J Ltda., CNPJ. 02.314.9361000112; F) Comércio e Representação Times Ltda., CNPJ. 58.590.399100019.8 Fl. 977DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 5/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI 4 Em relatório distinto, feito especificamente para demonstrar a existência do grupo econômico (fls. 123/143), a autoridade fiscal expôs os motivos e as provas documentais que a levaram a tal conclusão, a partir da constatação da existência de um poder de controle único, e incessante transferência de despesas e receitas. A primeira empresa ré, Luan Comércio de Alimentos LTDA, Cientificada da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD em 13/07/2005, na pessoa de seu sócio (fls. 691), dentro do prazo regulamentar impugnou o lançamento através do instrumento de fls. 693/703. Nesse sentido, compulsando os autos constatouse que as demais empresas pertencentes ao grupo econômico não foram cientificadas da lavratura desta Notificação, contrariando o disposto no art. 54, § 4 1, da OI INSS/DIREP n° 7/2004, foi lavrado o termo de cientificação de fls. 721/722, o qual foi encaminhado e recebido pelas empresas (AR de fls. 745, 746, 749), à exceção da empresa APR COMÉRCIO DE ALIMENTOS LTDA, que não foi localizada (fls. 747/748v). Sobre o referido TERMO DE CIENTIFICAÇÃO, manifestaramse as empresas: FRIGORÍFICO JALES LTDA (fls. 724/732) e COMÉRCIO E REPRESENTAÇÃO TIMES LTDA (fls. 751/753) e deixaram de se manifestar as empresas: GRANDES LAGOS COMÉRCIO DE CARNES LTDA e FRIGORÍFICO 34 LTDA. Estando os autos nesta DRJ, para julgamento, foi verificado que ainda não havia sido cientificada a empresa APR COMÉRCIO DE ALIMENTOS LTDA, como sujeito passivo solidário pelo cumprimento da obrigação, foi solicitado à origem que desse cumprimento àquela formalidade, o que foi feito, conforme comprovam os documentos de fls. 769/772 e a manifestação da interessada às fls. 775/776. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II (SP), lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 1730.586 8ª Turma da DRJ/SPOII, às fls. 895/923, julgando procedente o lançamento e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. Nesse descortino, foi enviado AR às empresas notificadas no intuito de cientificalas da decisão proferida em 1º instância, no entanto, apenas o AR da empresa Comércio e Representação Times LTDA, CNPJ nº 58.590.399/000198, foi devolvido com cumprimento as fls. 945. As demais empresas foram cientificadas por intermédio do Edital nº 009/2009 às fls. 952. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão julgador a quo, apenas a empresa Comércio e Representação Times LTDA interpôs Recurso Voluntário a fls. 961/969, ratificando parte de suas alegações anteriormente expendidas e respaldando sua inconformidade em argumentação desenvolvida nos termos a seguir expostos: No mérito alega a nulidade da notificação e do acórdão recorrido, já que esse não teria invocado quaisquer fundamentos a justificar o relacionamento da Recorrente com o Grupo econômico, de maneira que, evidenciaria cerceamento de defesa; afirma que seria nula a cientificação da empresa por estar desacompanhada de cópia integral do processo, como foi enviada a outras empresas rés; aduz que a aquisição do parque industrial no qual funcionou o Frigorifico Jales Ltda, ocorreu perante o Juízo da 5ª Vara Cível da Comarca de São PauloCapital, em Fl. 978DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 5/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI Processo nº 18108.000373/200722 Acórdão n.º 2401004.131 S2C4T1 Fl. 4 5 processo executivo que culminou na expropriação do imóvel situado na Avenida Salustino Pupim, em favor da Recorrente; por fim, alega que o fato dos sócios da empresa em momento oportuno não terem traduzido a sua efetiva riqueza perante as autoridades ficais, não permitiria aos agentes fiscais desconsiderarem uma aquisição judicial que repousa sobre o manto da coisa julgada. Enfim, repete os argumentos expendidos na Instância Regional para ao final requer o acatamento do recurso de modo a alterar a decisão recorrida, objeto do Acórdão 17 10.596, para fins de declaração da insubsistência da autuação com sua total improcedência. Após, sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 979DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 5/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI 6 Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa, Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O Recorrente foi cientificado da r. decisão em debate no dia 06/04/2008, conforme AR juntado às fls. 945, e o presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, no dia 06/05/2009, razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. 2. DO MÉRITO Incialmente é importante registrar que os fatos e/ou as matérias que não foram contestados expressamente, tanto em sede de Impugnação como em fase de Recurso Voluntário, são considerados verdadeiros, restando preclusa eventual arguição em sede de sustentação oral, nos termos da legislação que rege a matéria, razão pela qual não serão objeto de apreciação por este Colegiado. Impendese ainda ratificar que qualquer questão de fato ou de direito, estranhas ao presente lançamento, ou não oferecidas à apreciação perante o Órgão Julgador de 1ª Instância, não serão objeto de apreciação por esta Corte de Julgamento Administrativa, em face ao que dispõe o art. 17 do Decreto nº 70.235/72. 2.1. DO TERMO DE CIENTIFICAÇÃO No tocante a alegação de cerceamento de defesa, eis o que a Instrução Normativa INSS/DC n° 100/2003 prevê que na hipótese do lançamento de crédito previdenciário de grupo econômico, todas as empresas serão cientificadas da NFLD, possibilitando a cada integrante (como responsável solidário) a apresentação de defesa, sendo ainda, assegurada a cada uma das impugnantes a vista do processo administrativo fiscal. Vejamos: Art. 779. Quando do lançamento de crédito previdenciário de responsabilidade de empresa integrante de grupo económico, as demais empresas do grupo, responsáveis solidárias entre si pelo cumprimento das obrigações previdenciárias na forma do art. 30, inciso IX, da Lei n°8.212, de 1991, serão cientificadas da ocorrência. §1 Na cientificação a que se refere o caput, constará a identificação da empresa do grupo e do responsável, ou representante legal, que recebeu a cópia dos documentos constitutivos do crédito, bem como a relação dos créditos constituídos. §2° É assegurado às empresas do grupo econômico, cientificadas na forma do §1 'deste artigo, vista do processo administrativo fiscal. Fl. 980DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 5/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI Processo nº 18108.000373/200722 Acórdão n.º 2401004.131 S2C4T1 Fl. 5 7 No caso em epígrafe, notase que o Termo de Cientificação contém os elementos necessários para que a empresa Recorrente exercesse regularmente seu direito de defesa, dentro das normas previstas pela legislação em vigor. Observase que foi facultada a vista dos autos a todos os interessados, no prazo para impugnação e posterior manifestação, sendo permitida a extração de cópias dos documentos. Assim, sendo possibilitado a Recorrente o pleno acesso aos autos do processo administrativo, fica afastada a alegação de cerceamento de defesa. 2.2. DA CARACTERIZAÇÃO DO GRUPO ECONÔMICO Da leitura do relatório fiscal (fls. 126) que foi usado como fundamento da caracterização do "grupo econômico de fato” e das disposições constantes do inciso IX do artigo 30 da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, notase que inexiste razão a recorrente. Recordese: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (...) IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei; Tal dispositivo é repetido pelo art. 222 do Regulamento da Previdência Social (Decreto n°. 3.048, de 06/05/1999): Art. 222. As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza, bem como os produtores rurais integrantes do consórcio simplificado de que trata o art. 200A, respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes do disposto neste Regulamento (redação dada pelo Decreto n'4.032, de 2001). E também pela Instrução Normativa INSS/DC n° 100, de 18/12/2003, vigente à época do lançamento: Art. 188. São responsáveis solidários pelo cumprimento da obrigação previdenciária principal: I as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza, entre si; Em face deste arcabouço legal, identificada a existência de "grupo econômico de qualquer natureza" (portanto, inclusive os "de fato"), é exigível a contribuição previdenciária de qualquer de seus integrantes, por força da responsabilidade solidária. O Código Tributário Nacional também prevê expressamente essa possibilidade. Recordese: Art. 124. São solidariamente obrigadas: Fl. 981DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 5/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI 8 I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta beneficio de ordem. Observase, que a Lei n°. 8.212/1991, seu regulamento (o Decreto n°. 3.048/1999) e a Instrução Normativa INSS/DC n° 100/2003 fazem exatamente isso: estabelecem, nos exatos termos da autorização do inciso II do artigo 124 do Código Tributário Nacional, que "as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei ". Incontroverso, que para a caracterização e identificação de "grupo econômico', importa, investigar a situação real (verificação dos vínculos entre as empresas e das circunstâncias em que se constituíram ou realizam suas atividades) e não apenas a situação meramente formal (de estarem ou não constituídas como "grupo econômico' da forma da Lei n° 6.404/76). E neste contexto constatandose a ocorrência de "confusão patrimonial" entre empresas podese, inclusive, admitir que a responsabilidade tributária por solidariedade possa também se dar com fundamento no inciso I do artigo 124 do Código Tributário Nacional ("interesse comum no fato gerador"), já que se estaria verdadeiramente diante da circunstância em que o patrimônio poderia ser considerado como se fosse "único " ( "caixa único ") e, por consequência, as obrigações (inclusive tributárias), podem ser atribuídas a todos os integrantes, diretos ou indiretos, do "grupo ". Nesse sentido, a comprovação da prática de simulação na constituição de pessoas jurídicas formalmente autônomas, mas, na realidade, sujeitas a comando único, invariavelmente se revestem das máculas do "abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade, ou pela confusão patrimonial" (art. 50, Código Civil) ou "atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos" (art. 135, CTN), justifica plenamente o procedimento de considerálas como pertencentes às mesmas pessoas e, portanto, passíveis de responsabilização, independentemente dos seus quadros societários formais ou aparentes. Assim, a possibilidade da responsabilização tributária por solidariedade entre integrantes de um "grupo econômico', seja ela "de direito' ou "de fato” tem fundamento nos incisos I e II do artigo 124 do Código Tributário Nacional (por expressa determinação legal), que nos leva ao inciso IX do artigo 30 da Lei 8.212/1991, nos casos em que se constata a "confusão patrimonial" (interesse comum no fato gerador). Finalmente, vale destacar que a responsabilidade solidária de integrantes de "grupo econômico" não representa inovação, pois a própria CLT — Consolidação das Leis do Trabalho (DecretoLei 5.452/1943) a prevê, sem fazer qualquer distinção entre "grupo econômico de fato ou de direito". Com efeito: Art. 2( .. ). ,§ 2° Sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle ou administração de outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, Fl. 982DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 5/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI Processo nº 18108.000373/200722 Acórdão n.º 2401004.131 S2C4T1 Fl. 6 9 serão, para os efeitos da relação de emprego, solidariamente responsáveis a empresa principal e cada uma das subordinadas. Feitas essas considerações, que demonstram cabalmente a viabilidade legal da existência de "grupo econômico de fato” (além dos grupos econômicos formalmente constituídos), e a consequente possibilidade da responsabilização tributária por solidariedade entre os seus integrantes e respectivos dirigentes. Notase, que no caso concreto, ao contrário do que alega a Recorrente, o reconhecimento da empresa como parte do grupo econômico não se baseou apenas na falta de apresentação formal das riquezas perante as autoridades fiscais, mas em várias outras coincidências que levaram a conclusão acertada do fiscal relator de que se trata de um Grupo Empresarial. Confiramse trechos do Relatório de Grupo Econômico que demonstrará todos os elementos que fizeram os julgados chegar a conclusão de que a Recorrente faz parte do grupo econômico: A empresa foi constituída em 0111988 pelos sócios Ismael Serafim Conde e Antônio Carlos Santo André Filho, com capital social inicial de CZ$10.000,00, equivalente a R$ 1,00 na conversão em 0512000. Ficou inativa desde sua constituição até 2001, conforme Declaração Anual de Rendimentos IRPJ. Em 07/12/2000 solicitou seu desenquadramento do Regime de Micro Empresa, mesmo sem movimento. Em 18/12/2001 foi alterado o capital social de R$ 5.000,00 para R$ 200.000,00, mesmo sem movimento. Conforme "Instrumento Particular de Cessão de Direitos e créditos, Assunção de Obrigação, Reconhecimento e Confissão de Dívida e Outras Avenças" de 021/01/2002, DOC. 176/180, constante do Processo n° 02.173.1691 da 5º Vara Cível da Comarca da Capital São Paulo, DOC. 181/184, a empresa Comércio e Representação Times Ltda adquiriu direitos de créditos da empresa Grandes Lagos Comércio de Carnes Ltda, de Edson César Bofeti, sócio da Grandes Lagos Comércio de Carnes Ltda e de Aparecido de Almeida Lara, sócio do Frigorífico 3J Ltda, sendo que os três haviam adquirido tais direitos de créditos de credores do Frigorífico Jales Ltda a partir da sua concordata em 1998. Apesar do histórico trabalhista de seus atuais sócios e de estar inativa desde sua constituição, a empresa Comércio e Representação Times Ltda adquiriu tais direitos de credito que importavam em R$ 7.900.122,66 ( sete milhões, novecentos mil, cento e vinte e dois reais e sessenta e seis centavos ) por R$ 5.357.000,00 ( cinco milhões, trezentos e cinqüenta e sete mil reais ), passando a ser a credora do Frigorífico Jales Ltda a partir de 0210112002. A empresa concordatária Frigorífico Jales Ltda agora devedora da Comércio e Representação Times Ltda, não tendo cumprido com os pagamentos acordados, teve seu imóvel industrial localizado na Av. Salustiano Pupim, 90 em Jales/SP penhorado e Fl. 983DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 5/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI 10 arrematado pela credora em 17/06/2003 pelo valor equivalente a R$ 7.536.812,49 ( sete milhões, quinhentos e trinta e seis mil, oitocentos e doze reais e quarenta e nove centavos ), em troca da divida existente, conforme escritura constante do Cartório de Registro de Imóveis de Jales — SP, matrícula n° 25.756, DOC. 1851187. Agora como proprietária do imóvel industrial, a Comércio e Representação Times Ltda arrendou o mesmo para a empresa APR Alimentos Ltda em 3110712003, conforme "instrumento Particular de Contrato de Locação de Unidade Frigorífica" apresentado, ( sem reconhecimento de firmas ou carimbos de cartórios), DOC. 192/196. Notemos no demonstrativo "QUADRO RESUMO DO TOTAL DE BOVINOS ABATIDOS POR EMPRESA", DOC. 197, expresso em R$, que não houve qualquer modificação no movimento de abate de bovinos na empresa APR Comércio de Alimentos Ltda. O volume de negócios somados com a empresa Luan Comércio de Alimentos Ltda. ficou estável na mudança de proprietário do imóvel. Foi elaborado uma planilha intitulada "Discriminativo dos vínculos dos sócios e procuradores do grupo", DOC. 19/200 , onde constam discriminados todas as pessoas, sócio e procurador, que tem vínculo com o grupo econômico,. Também foi elaborada uma planilha intitulada "Relação dos endereços dos sócios e procuradores do grupo econômico", DOC. 201/202, onde constam os endereços residenciais dos sócios e procuradores, de acordo com o banco de dados da Previdência Social Constatamos que o Sr. José Vitório Magro CRC. 97.499 SP, residente na Rua Atuai, 142, Apto 71B Vila Esperança São Paulo é o contador responsável da empresa Frigorífico Jales Ltda. desde 0110911989, e também é contador responsável das empresas: a) Frigorífico 3J Ltda.; b) Grandes Lagos Comércio de Carnes Ltda. c) APR Comércio de Alimentos Ltda.; d) Luan Comércio de Alimentos Ltda. e) Comércio e Representação Times Ltda. até 2001 Trabalhou registrado como contador do Frigorífico Jales Ltda de 01/091/989 a 03/11/1998, passando depois a prestar serviços como contador exclusivamente para as empresas acima citadas. Foi procurador da empresa APR Comércio de Alimentos Ltda a partir de 03/07/2001. Também é contador responsável da empresa Comércio e Transportadora de Carnes JLM Ltda., CNPJ 57.416.8101000140, que tem como sócios o Sr. Manuel Gonzalez Outumuro e Irene Romagnoli Gonzalez (esposa do Sr. José Luiz Gonzalez Outumuro), que presta serviços de transporte exclusivamente para as empresas do grupo. Na contabilidade de nenhuma das empresas constam pagamentos para os serviços contábeis do Sr. Vitório, o que indica que na verdade o mesmo sempre continuou sendo empregado do Frigorífico Jales Ltda. Fl. 984DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 5/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI Processo nº 18108.000373/200722 Acórdão n.º 2401004.131 S2C4T1 Fl. 7 11 O Sr. Amadeu Ribeiro Figueiredo CPF. 570.122.53800, residente na Rua Marques de Lages, 1532 Bloco 13 Apto. 53 Vila das Mercês São Paulo/SP, com escritório à Rua Dom Vilares nº 41 São Paulo SP, é contador responsável, a partir de 01/01/2002, da empresa Comércio e Representação imes Ltda.. Também é contador responsável da empresa Transportadora JL Ltda., CNPJ: 03.307.756/000176, que tem como sócios José Manuel Iglesias Outumuro e José Luis Iglesias Outumuro que são filhos do Sr. Manuel Gonzalez Outumuro; e prestam serviços de transportes exclusivamente para as empresas do grupo. Assina como testemunha na alteração contratual de 08/12/2003 da empresa Grandes Lagos Comércio de Carnes Ltda., da própria empresa Comércio e Representação Times Ltda. E As empresas Frigorífico Jales Ltda., Grandes Lagos Comércio de Carnes Ltda., APR Comércio de Alimentos Ltda. e Luan Comércio de Carnes Ltda., que detinham os maiores movimentos comercial e financeiro, tem conta bancária na mesma agência do Banco Bradesco SIA, na Penha de França São Paulo SP, que fica próxima do entreposto do Frigorífico Jales Ltda.; As empresas Grandes Lagos Comércio de Carnes Ltda., Frigorífico 3J Ltda., APR Comércio de Alimentos Ltda. e Luan Comércio de Carnes Ltda.,, estão com as sedes ou filiais num mesmo bairro que é a Penha de França, que fica muito próximo do entreposto do Frigorífico Jales Ltda.; Pelos fatos relatados e documentos anexados, as empresas Frigorífico 3J Ltda, Grandes Lagos Comércio de Carnes Ltda., APR Comércio de Alimentos Ltda., Luan Comércio de Carnes Ltda e Comércio e Representação Times Ltda. foram constituídas sempre com o objeto voltado ao ramo comercial de frigoríficos, com preparo da carne e subproduto para fins de comércio atacadista e exportação. O mesmo objeto da empresa Frigorífico Jales Ltda.. O quadro societário, na maioria das vezes, composto por pessoas que foram empregados do Frigorífico Jales Ltda., de funções simples, que não tinham capacidade financeira e nem experiência nas atividades para as quais a empresa foi criada. Em nenhum momento participaram da administração, pois sempre foi administrada por procuradores, sempre com algum vínculo com a empresa Frigorífico Jales Ltda.. Ficou comprovado que existia, entre elas, um estreito relacionamento e uma verdadeira confusão patrimonial, caracterizado por pagamento de contas ou empréstimo. A empresa APR Comércio de Alimentos Ltda. pagou as contas que era da empresa Luan Comércio de Alimentos Ltda. e LUAN pagou contas que era da APR, e assim por diante, conforme DOC.486/536. A operacionalização comercial das empresas sempre esteve sob comando dos sócios do Frigorífico Jales Ltda. ou de pessoas da família dos sócios, como vimos nas passagens Fl. 985DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 5/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI 12 aéreas e depósitos bancários. Diante de tudo isso, concluímos que se trata de um grupo econômico de fato , com administração única, exercida pelos sócios e família do Frigorífico Jales Ltda. Oscar Hirão Higuti, com período de gestão a partir de 03/09/2002, DOC. 175, procurado da Comércio e Representação Times Ltda, também é procurador com amplos poderes para administrar a empresa Luan Comércio de Alimentos Ltda.. DOC. 170. Assim, à vista destes fatos e dos documentos anexados pela Auditoria Fiscal, a despeito do que alega a Recorrente COMÉRCIO E REPRESENTAÇÃO TIMES LTDA, não resta dúvida da empresa fazer parte do Grupo Econômico, exsurgindo a responsabilidade solidária pelo cumprimento das obrigações previstas na Lei de Custeio da Seguridade Social, por força do inciso IX do artigo 30, da Lei 8.212, de 1991. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGAR PROVIMENTO, mantendo todo o crédito previdenciário em relação à todas as empresas do Grupo econômico. É como voto. Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 986DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 5/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI
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Numero do processo: 15463.722576/2013-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jul 27 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
RENDIMENTOS DE ALUGUÉIS RECEBIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. COMISSÕES PAGAS A IMOBILIÁRIAS
Para serem aceitas como dedução dos rendimentos de aluguéis pagos por pessoas físicas, deve ser provada a operação que dá origem a comissões pagas a imobiliárias incompatíveis com o valor dos rendimentos recebidos.
Numero da decisão: 2301-004.763
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
João Bellini Júnior Presidente e relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Júlio César Vieira Gomes, Alice Grecchi, Andrea Brose Adolfo, Fabio Piovesan Bozza, Marcela Brasil de Araújo Nogueira (suplente), Gisa Barbosa Gambogi Neves e Amilcar Barca Teixeira Junior (suplente).
Nome do relator: JOAO BELLINI JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2012 RENDIMENTOS DE ALUGUÉIS RECEBIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. COMISSÕES PAGAS A IMOBILIÁRIAS Para serem aceitas como dedução dos rendimentos de aluguéis pagos por pessoas físicas, deve ser provada a operação que dá origem a comissões pagas a imobiliárias incompatíveis com o valor dos rendimentos recebidos.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2009; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 68 1 67 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15463.722576/201384 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2301004.763 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 12 de julho de 2016 Matéria RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE Recorrente NORBERTO DE FRANCO MEDEIROS Recorrida UNIÃO (REPRESENTADA PELA FAZENDA NACIONAL) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2012 RENDIMENTOS DE ALUGUÉIS RECEBIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. COMISSÕES PAGAS A IMOBILIÁRIAS Para serem aceitas como dedução dos rendimentos de aluguéis pagos por pessoas físicas, deve ser provada a operação que dá origem a comissões pagas a imobiliárias incompatíveis com o valor dos rendimentos recebidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. João Bellini Júnior – Presidente e relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Júlio César Vieira Gomes, Alice Grecchi, Andrea Brose Adolfo, Fabio Piovesan Bozza, Marcela Brasil de Araújo Nogueira (suplente), Gisa Barbosa Gambogi Neves e Amilcar Barca Teixeira Junior (suplente). Relatório Tratase de recurso voluntário em face do Acórdão 1655.179, de 12/02/2014, (fls. 37 a 40). Por notificação de lançamento, lavrada em 25/11/2013, em decorrência de revisão de declaração de ajuste anual (DAA) do imposto sobre a renda da pessoa física (IRPF) referente ao exercício 2012, anocalendário 2011, foi apurado crédito tributário de R$7.907,53. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 46 3. 72 25 76 /2 01 3- 84 Fl. 68DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal (fl. 08), foi apurada omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas – aluguéis e outros pelo titular e/ou dependentes, no valor de R$15.343,18, informados na declaração de informações sobre atividades imobiliárias (Dimob) pela administradora Lucrum Imobiliária Ltda., sendo que na apuração da omissão foi considerado o valor líquido do aluguel, já deduzido da comissão correspondente. Na impugnação (fl. 02) foi afirmado que os rendimentos se referem à receita de aluguel produzida por bem comum e oferecida à tributação na declaração do cônjuge/companheiro. Foi juntado o comprovante dos rendimentos de aluguéis fornecido pela imobiliária que administra o imóvel. Às fls. 03/04, o contribuinte apresentou outra impugnação, alegando que, além dos valores de aluguéis e comissões relativas à empresa Lucrum Imobiliária Ltda, foi pago também à empresa Gafen Empreendimentos Imobiliários Ltda, conforme Nota Carioca nº 00000294, em anexo, o valor de R$15.000,00, a título de comissão pela locação do imóvel da Rua General Urquiza, 155 – apto 401 (imóvel este computado nos rendimentos declarados de aluguéis). Assim sendo, a comissão no valor mencionado foi também deduzida na apuração do valor líquido recebido, tendo sido informado no Quadro de Pagamentos e Doações Efetuados no ano calendário de 2011 com o código 71, relativo a despesas com Administração Imobiliária. A DRJ julgou a impugnação improcedente, tendo o acórdão recorrido recebido a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2012 ESTATUTO DO IDOSO. PRIORIDADE DE JULGAMENTO. É assegurada prioridade na tramitação dos processos e procedimentos e na execução dos atos e diligências judiciais e administrativas em que figure como parte ou interveniente pessoa com idade igual ou superior a 60 (sessenta) anos, em qualquer instância. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE ALUGUÉIS. DIMOB. A comprovação de rendimentos auferidos e não declarados pelo contribuinte, informados pelas fontes pagadoras na Dimob, caracteriza omissão de rendimentos. A ciência dessa decisão ocorreu em 13/03/2015 (fl. 46). Em 09/02/2012, foi apresentado recurso voluntário (fls. 49 e 50), no qual é afirmado, em síntese, que o recorrente recebeu R$72.063,85 de aluguéis provenientes de pessoas físicas (e não R$87.063,85) e que a Gafen Empreendimentos Imobiliários retificou a Dimob, informando que somente recebeu comissão de R$15.0000,00, e não pagou R$15000,00 a Regina Celia Mandarino Medeiros. É o relatório. Voto Fl. 69DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 15463.722576/201384 Acórdão n.º 2301004.763 S2C3T1 Fl. 69 3 Conselheiro João Bellini Júnior, Relator Conheço do recurso por atender aos requisitos de admissibilidade. Em suas razões de decidir,a decisão recorrida havia consignado, com acerto: Alega o Impugnante, à fl. 03, que pagou à empresa Gafen Empreendimentos Imobiliários Ltda, conforme Nota Carioca nº 00000294, em anexo, o valor de R$ 15.000,00, a título de comissão pela locação do imóvel da Rua General Urquiza, 155 – apto 401 e que tal valor foi deduzido na apuração do valor líquido recebido. Com efeito, a mencionada Nota Carioca (fl. 12) e a Dimob (fl. 36), atestam o referido pagamento de R$ 15.000,00, em favor da administradora Gafen Empreendimentos Imobiliários Ltda – ME. Também se verifica na Dimob, que os rendimentos de aluguéis recebidos de pessoas físicas pela dependente totalizaram R$ 87.063,85, que descontadas as comissões pagas às administradoras Gafen e Lucrum, no total de R$ 21.884,26 (incluído o valor de R$ 15.000,00), resultam no valor líquido de R$ 65.179,59. Desse modo, tendo a dependente recebido a título de aluguéis de pessoas físicas os rendimentos tributáveis de R$ 65.179,59 e tendo sido informado na Declaração de Ajuste Anual em questão o recebimento do valor de R$ 49.836,41, resta caracterizada a omissão de R$ 15.343,18. Por ocasião de seu recurso voluntário, o recorrente junta aos autos Dimob retificadora da Gafen Empreendimentos Imobiliários Ltda. (Gafen) (fl. 61 a 63), pela qual essa sociedade declara que recebeu da Sra. Regina Celiz (SIC) Mandarino Medeiros, esposa do recorrente, de acordo com a declaração de ajuste anual (DAA), fl. 19. Em resumo, no que tange à locação do imóvel situado à rua General Urquiza 155, apto. 401, do qual é locadora a Sra. Adriana Franco de Abreu Falcão, são os seguintes os dados constantes em Dimob, antes e depois da apresentação da Dimob retificadora pela Gafen: Declaração original (Gafen) Data Valor rendimento Comissão Declarante Locador Data do contrato fl. nov/11 15.000,00 750,00 Lucrum Adriana Franco de Abreu Falcão 1º/10/2011 55 dez/11 15.000,00 750,00 Lucrum Adriana Franco de Abreu Falcão 1º/10/2011 55 dez/11 15.000,00 15.000,00 Gafen Adriana Franco de Abreu Falcão 1º/10/2011 59 Declaração retificadora (Gafen) Data Valor rendimento Comissão Declarante Locador Data do contrato fl. nov/11 15.000,00 750,00 Lucrum Adriana Franco de Abreu Falcão 1º/10/2011 55 dez/11 15.000,00 750,00 Lucrum Adriana Franco de Abreu Falcão 1º/10/2011 55 dez/11 0 15.000,00 Gafen Adriana Franco de Abreu Falcão 1º/10/2011 62 Fl. 70DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 A análise dos dados declarados demonstra sua inconsistência. O mesmo contrato de aluguel, atinente ao referido imóvel, situado à rua General Urquiza 155, apto. 401, é declarado como intermediado por duas imobiliárias, a Lucrum Imobiliária Ltda. (Lucrum) e a Gafen. Os dados concernentes à primeira (Lucrum) são consistentes, demonstrando que essa recebe de comissão o equivalente a 5% dos rendimentos de aluguel (R$750,00 de R$15.000,00). Os dados declarados pela Gafen, a seu turno, são inconsistentes: (a) declara também receber comissão pela locação do mesmo imóvel; (b) de acordo com a declaração original, tal comissão equivaleria à totalidade dos rendimentos de aluguel (R$15.000,00); (c) segundo a declaração retificadora, receberia comissão (R$15.000,00) sem contrapartida em serviço prestado (R$0,00); (d) a comissão paga a título de locação do imóvel em dezembro de 2011, na soma das duas imobiliárias (R$15.750,00), ultrapassa o valor do aluguel (R$15.000,00). Assim, se já os dados constantes da Dimob original apresentada pela Gafen, para serem aceitos, careciam de ser ratificados por outros elementos que demonstrassem que, de fato, teria havido pagamento de comissão no montante de 100% dos rendimentos de aluguel recebidos por meio dessa imobiliária (R$15.000,00), os dados constantes na Dimob retificadora, ou seja, o pagamento de comissão no valor de R$15.000,00 sem a contrapartida em aluguéis recebidos, não merecem fé, uma vez não demonstrado que tal operação de fato ocorreu. Conclusão Com base no exposto, voto por conhecer do recurso e lhe negar provimento. João Bellini Júnior – relator Fl. 71DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
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Numero do processo: 15463.001697/2009-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Aug 05 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2202-000.702
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto (Suplente Convocada), Martin da Silva Gesto e Márcio Henrique Sales Parada.
Fez sustentação oral, pelo Contribuinte, o advogado Vinicius Rodrigues Lacerda de Almeida, OAB/RJ nº 198.446.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada – Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto (Suplente Convocada), Martin da Silva Gesto e Márcio Henrique Sales Parada. Fez sustentação oral, pelo Contribuinte, o advogado Vinicius Rodrigues Lacerda de Almeida, OAB/RJ nº 198.446. Relatório O contribuinte em epígrafe teve sua declaração de imposto de renda das pessoas físicas, do ano calendário de 2008, exercício de 2009 revista de ofício pela Autoridade Fiscal competente, tendo sido emitida a Notificação de Lançamento de folha 08 e seguintes, que reduziu o valor do imposto a restituir, pleiteado no ajuste, de R$ 13.147,38 para R$ 7.769,27. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 54 63 .0 01 69 7/ 20 09 -1 1 Fl. 253DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03 /08/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 15463.001697/200911 Resolução nº 2202000.702 S2C2T2 Fl. 253 2 O procedimento decorreu da glosa de despesas médicas pleiteadas como dedução na declaração, relativa a dois prestadores de serviços, um no Brasil e um nos EUA, conforme discriminado na folha 10. A Autoridade Fiscal que efetuou a revisão anotou que a glosa se dava por: "despesas não consideradas pois não foi apresentada planilha de reembolso." É que o contribuinte possui plano de saúde que lhe ressarcia parcialmente as despesas incorridas. O contribuinte apresentou impugnação à exigência, anexando documentos, para comprovar a efetividade das despesas médicas. A DRJ ao analisar a impugnação, deu provimento parcial ao pedido para considerar comprovadas as despesas com o prestador de serviços no Brasil e, em relação ao prestador de serviços no exterior, disse que (fl. 61): No que tange aos documentos de fls. 19 a 32, cabe esclarecer que a juntada de documentos redigidos em língua estrangeira, desacompanhados de tradução firmada por tradutor público juramentado, contraria o disposto no Parecer Normativo CST n.º 31, de 1977, e nos arts. 156 e 157 do Código de Processo Civil, não constituindo, dessa forma, elementos de prova hábeis a comprovar as razões do Impugnante. Os documentos de fls. 33 a 43 são extratos de faturas de cartão de crédito do contribuinte e revelamse, por si sós, insuficientes para comprovar despesas médicas próprias do contribuinte e de seus dependentes, nos termos previstos na legislação tributária. Cientificado dessa decisão em 11/02/2014 (fl. 66), o contribuinte apresentou recurso voluntário, mediante procuradores constituídos, em 12/03/2014 (fl. 69). Em sede de recurso alega que as despesas realizadas no exterior são dedutíveis na forma da legislação aplicável e que anexa então toda a documentação comprobatória com tradução juramentada, que deve ser considerada em fase recursal, pelo princípio da verdade material. PEDE o provimento integral de seu recurso cancelandose a Notificação de Lançamento e efetuandose a restituição integral do imposto conforme declarado. Alternativamente, requer a conversão do julgamento em diligência para apuração dos fatos e provas. É o relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, relator. O recurso é tempestivo, conforme relatado, e, atendidas as demais disposições legais, dele tomo conhecimento. Entendo que assiste razão ao recorrente quando pleiteia a consideração de documentos, no caso a tradução juramentada, que foram anexados somente na fase recursal. Além de estarse homenageando o princípio da verdade material, em busca da correta e precisa solução da lide, é de se considerar o que foi disposto pela DRJ, que exigiu tal procedimento, que, observese, não constou da Notificação de Lançamento originalmente, apesar de ter havido interlocução prévia com o contribuinte, como demonstra o Termo de Intimação Fiscal Fl. 254DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03 /08/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 15463.001697/200911 Resolução nº 2202000.702 S2C2T2 Fl. 254 3 na folha 14. Assim, aplicase o disposto na alínea 'c', § 4º, artigo 16, do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF). Entretanto, mesmo analisando a documentação, com a devida tradução, continuase com dúvida sobre qual foi o valor ressarcido pelo Plano Bradesco Saúde S/A, em relação ao total de despesas com o Hospital Johns Hopkins, e mesmo qual foi o total das despesas efetivamente pagas a tal prestador de serviços, já que esses foram exatamente os pontos que motivaram o lançamento fiscal. O Auditor registrou: "não foi apresentada planilha de reembolso" (fl. 10/11, destaquei) e tal planilha não veio aos autos. Primeiro, na folha 100, existe a tradução de um email entre o interessado e um intermediário, onde se registra que: "até o momento, foram feitos os seguintes débitos no meu cartão de crédito VISA: .... TOTAL US$ 12.360,68" Nas folhas 104, 116, 128, 134 e 146, existem "faturas" em valores diversos que, somadas, importam mais do que os US$ 12.360,68 supracitados. Além disso, como se observa na folha 134/136, a título de exemplo, existe registro de que algumas dessas faturas foram pagas parcialmente. Vejamos na folha 136: Total de cobranças: $ 2.365,92 Menos Pagamentos: $ 2.355,46 Total devido: $ 10,46 O mesmo se repete nas folhas 145/146, com uma diferença de US$ 101,90. As despesas foram efetuadas no mês de abril de 2008. De acordo com o Regulamento do Imposto de Renda, artigo 80, § 2º: § 2º Na hipótese de pagamentos realizados no exterior, a conversão em moeda nacional será feita mediante utilização do valor do dólar dos Estados Unidos da América, fixado para venda pelo Banco Central do Brasil para o último dia útil da primeira quinzena do mês anterior ao do pagamento.(sublinhei) Houve variação do valor do dólar para venda nos meses de março, abril e maio de 2008. Assim, se a despesa efetuada em abril foi paga em abril, mesmo, aplicase a cotação da quinzena anterior, no mês de março. Entretanto, se somente foi paga com cartão de crédito, em maio, aplicase a cotação correspondente do mês de abril. Haverá diferença! Pela documentação acostada, não é possível saber como exatamente o contribuinte chegou ao valor de R$ 25.716,28, que está declarado na sua DIRPF/2009, com cópia na folha 48, para se verificar sua conformidade, já que esta foi questionada pela Autoridade Fiscal. Segundo, há registros de reembolso parcial dessas despesas por Plano de Saúde no Brasil. O artigo 80, inciso IV do mesmo Regulamento supracitado diz que: "IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro;" Fl. 255DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03 /08/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 15463.001697/200911 Resolução nº 2202000.702 S2C2T2 Fl. 255 4 O contribuinte indicou que R$ 6.302,16 do total dessas despesas teriam sido ressarcidas e, portanto, seriam indedutíveis. Mas o Auditor Fiscal questionou a demonstração desse valor, efetivamente. Esse é o ponto básico da controvérsia, a partir da Notificação de Lançamento. Na documentação apresentada, constam carimbos do Plano de Saúde Bradesco, em algumas das faturas, com a indicação de "recibo reembolsado pelo valor de R$ 428,67, Data: 23/01/2009", como se pode ver na tradução de folha 152 e no original de fl. 211, a título de exemplo. Há também carimbos com reembolsos de R$ 1.963,50, R$ 2.356,20, R$ 400,55, mas não se sabe como se chegou ao valor declarado de R$ 6.302,16, da mesma forma que não foi demonstrado ao Auditor Fiscal. Alguns desses carimbos, vide folha 211, por exemplo, estão em faturas de pagamento com cartão de crédito que não representam os totais listados acima, nas faturas emitidas pelo Hospital. Necessário, portanto, que o interessado, que teve essas despesas e seus respectivos reembolsos questionados, desde a Notificação de Lançamento, explicite as questões aqui levantadas para esclarecer, de forma inequívoca, como chegou ao valor de despesa médica declarada de R$ 25.715,28 (em reais) com o Hospital Johns Hopkins, no ano de 2008, e ao total ressarcido em relação a essas despesas, de R$ 6.302,16. O ideal é a elaboração de uma planilha, como já mencionara o Auditor Fiscal, com indicação dos valores e do documento a que se referem e, estando em moeda estrangeira, qual a taxa de conversão utilizada para a moeda nacional, a fim de que se possa verificar a correta aplicação do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999), artigo 80, § 2º. O próprio contribuinte demonstra conhecer essa necessidade, pois em 28/04/2008 manifestouse, conforme folhas 100/102, dizendo a seu interlocutor que: "Preciso receber a discriminação completa das despesas e os respectivos recibos, para que possa obter o reembolso do meu seguro no Brasil e do Imposto de renda, relativamente à parcela não reembolsada." Dessa feita, VOTO pela conversão do julgamento em diligência para que o interessado seja intimado a apresentar, no prazo de 30 dias: a) planilha com discriminação por datas dos valores pagos a título de despesas médicas ao Hospital Johns Hopkins, no ano de 2008, com indicação da folha destes autos que contém a cópia do documento comprobatório do pagamento correspondente, e a taxa de conversão para moeda nacional empregada, com a respectiva data, observando o disposto no RIR/1999, artigo 80, § 2º, a fim de que se possa chegar ao total declarado de R$ 25.716,28. b) na mesma planilha, indicar o valor ressarcido em relação a cada um dos pagamentos acima especificados, novamente com indicação da folha que contém a cópia do documento comprobatório, a fim de que se possa concluir que, de fato, o valor ressarcido foi somente aquele indicado na DIRPF (R$ 6.302,16). Podese, ainda, anexar declaração do Plano de Saúde com a discriminação dos valores ressarcidos naquele ano, onde seja possível identificar quais se referem à despesa com o Hospital aqui em caso. Após, retornem os autos a este CARF para prosseguimento do julgamento. Assinado digitalmente Fl. 256DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03 /08/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 15463.001697/200911 Resolução nº 2202000.702 S2C2T2 Fl. 256 5 Marcio Henrique Sales Parada Fl. 257DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03 /08/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
score : 1.0
Numero do processo: 16682.720578/2011-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 30 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/10/2009
MULTA DE OFÍCIO. AÇÃO JUDICIAL. SUSPENSÃO.
A interposição de ação judicial com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição.
Recurso de Ofício Negado
Numero da decisão: 3301-002.890
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente.
Luiz Augusto do Couto Chagas - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/10/2009 MULTA DE OFÍCIO. AÇÃO JUDICIAL. SUSPENSÃO. A interposição de ação judicial com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição. Recurso de Ofício Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente. Luiz Augusto do Couto Chagas - Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, e Semíramis de Oliveira Duro.
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AÇÃO JUDICIAL. SUSPENSÃO. A interposição de ação judicial com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/10/2009 MULTA DE OFÍCIO. AÇÃO JUDICIAL. SUSPENSÃO. A interposição de ação judicial com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição. Recurso de Ofício Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Andrada Márcio Canuto Natal Presidente. Luiz Augusto do Couto Chagas Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 05 78 /2 01 1- 55 Fl. 389DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29 /03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 16682.720578/201155 Acórdão n.º 3301002.890 S3C3T1 Fl. 389 2 Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, e Semíramis de Oliveira Duro. Fl. 390DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29 /03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 16682.720578/201155 Acórdão n.º 3301002.890 S3C3T1 Fl. 390 3 Relatório Tratase de lançamento de PIS e Cofins não cumulativos incidentes sobre receita de R$ 854.556.238,55, percebida pela interessada a título de juros sobre capital próprio – JCP, no mês de outubro de 2009. Por meio do mandado de segurança nº 2007.51.01.0227524 foi concedida, em 29/10/2007, medida liminar autorizando a interessada a excluir as receitas de JCP das bases de cálculo do PIS e da Cofins. A fiscalização, diante da constatação de que a interessada não havia declarado os débitos questionados, promoveu em 07/07/2011, lançamento de ofício com suspensão de exigibilidade, no intuito de prevenir a decadência das contribuições. Em 02/08/2011, constatouse que em conformidade com a decisão monocrática (fls. 170/177) proferida no Agravo de Instrumento interposto pela Fazenda Nacional, não mais subsistia, desde 14/06/2011 – data anterior ao lançamento efetuado, em 07/07/2011 , a condição de suspensão de exigibilidade do crédito tributário. Diante disso, o Delegado da DemacRJ determinou a revisão de ofício do lançamento efetuado (fl. 178), invalidando os Autos de Infração e Termo de Verificação lavrados (fls. 137/151). Em cumprimento à decisão do Delegado, foram lavrados novos Autos de Infração e Termo de Verificação (fls. 183 a 198), nos quais lançouse: Cofins, P.A. 10/2009, no valor principal de R$ 64.946.274,12, que acompanhado de multa de ofício e juros de mora perfaz R$ 124.359.125,68; e PIS, P.A. 10/2009, principal de R$ 14.100,177,93, que com multa e juros totaliza R$ 26.999.020,69. A ciência ao novo lançamento deuse em 03/08/2011. Irresignada, a interessada apresentou em 02/09/2011 a impugnação de folhas 204 a 211 na qual alega em síntese que não poderia o Fisco jamais exigir da impugnante a cobrança de multa de ofício na constância do prazo de 30 dias de que dispõe o § 2º do artigo 63 da Lei nº 9.430/96. Tanto mais que no dia 05 de agosto de 2011 a interessada ajuizou nova medida judicial Mandado de Segurança n° 2011.51.01.0117631 com fundamento na violação ao princípio da isonomia, no âmbito do qual procedeu ao depósito judicial (Doc. 3 – fl. 243) da totalidade dos valores exigidos a título de PIS e COFINS sobre JCP dos exercício de 2004 a 2009. Alegou que, nos termos do art. 151, II, do Código Tributário Nacional, o depósito suspende a exigibilidade do crédito tributário e conseqüentemente impede o lançamento da multa de ofício. Fl. 391DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29 /03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 16682.720578/201155 Acórdão n.º 3301002.890 S3C3T1 Fl. 391 4 Portanto, não poderia o Fisco jamais ter lavrado o presente auto de infração com a exigência de multa de ofício, quer na constância do prazo de que trata o § 2° do art. 63 da Lei 9.430/96, quer após o decurso deste prazo, uma vez que a Impugnante realizou o depósito do montante exigido. A 4ª Turma da Delegacia de Julgamento do Rio de Janeiro II não conheceu da impugnação em face da concomitância entre as demandas administrativa e judicial. Inconformado com a decisão da DRJ, o sujeito passivo apresentou recurso voluntário ao CARF, no qual argumenta, em síntese, que a presente demanda administrativa não versa sobre as mesmas questões ventiladas no Poder Judiciário. Enquanto lá se discute a inclusão na base de cálculo do PIS e da Cofins de valores relativos a juros sobre capital próprio, aqui se discute a ilegalidade da aplicação da multa de ofício no curso do prazo estipulado pelo art. 63, § 2º da Lei nº 9.430/96. Termina sua petição recursal pedindo a reforma da decisão combatida e o cancelamento do lançamento da multa de ofício, em razão do presente MPF ter sido lavrado antes do término do prazo de trinta dias para pagamento dos tributos. Apreciando o recurso voluntário, a 4ª Câmara da 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais proferiu acórdão unânime dando provimento parcial ao recurso, afastando a preliminar de concomitância e determinando a DRJ que aprecie as demais questões pertinentes ao caso, não integrantes da matéria controversa decidida no presente julgamento. Foram anexadas, às folhas 352 a 357, consulta ao sítio da Justiça Federal com a movimentação do mandado de segurança nº 2007.51.01.0227524. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro RJ considerou procedente a impugnação com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/10/2009 AÇÃO JUDICIAL. SUSPENSÃO. MULTA. A interposição de ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição. Impugnação Procedente. A Fazenda Nacional apresentou recurso de ofício para a apreciação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de1997, e Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008, por força de recurso necessário. É o relatório. Fl. 392DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29 /03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 16682.720578/201155 Acórdão n.º 3301002.890 S3C3T1 Fl. 392 5 Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas Relator O recurso de ofício é tempestivo, portanto, dele tomo conhecimento. A controvérsia do processo se restringe às multas de ofício lançadas nos valores de R$ 48.709.705,59 para a Cofins e R$ 10.575.133,45 para o PIS. O despacho de folha 335 traz que os valores correspondentes aos principais lançados, para os quais houve depósito judicial, são controlados pelo processo nº 16682.720765/201139 que tem como objeto o MS nº 2011.51.01.0117631. O Auto de Infração foi lavrado no curso do prazo de 30 (trinta) dias de que trata o artigo 63, § 2º da Lei n° 9.430/96, em que, em tese não seria cabível a multa de ofício: Art.63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº5.172, de 25 de outubro de 1966,não caberá lançamento de multa de ofício. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) § 1º O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. § 2º A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição. Como bem trazido pelo acórdão recorrido, a contribuinte tinha medida liminar, concedida em 29/10/2007, autorizandoa excluir as receitas de Juros sobre o Capital Próprio das bases de cálculo do PIS e da Cofins. No intuito de prevenir a decadência das contribuições, a fiscalização promoveu em 07/07/2011, lançamento de ofício do PIS e da Cofins apurados sobre as referidas receitas, com suspensão de exigibilidade. Após a ciência ao lançamento foi constatado que, em conformidade com a decisão monocrática de fls. 170/177 proferida no Agravo de Instrumento interposto pela Fazenda Nacional, não mais subsistia, desde 14/06/2011, a condição de suspensão de exigibilidade do crédito tributário. Fl. 393DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29 /03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 16682.720578/201155 Acórdão n.º 3301002.890 S3C3T1 Fl. 393 6 Diante disso, a DemacRJ determinou, em 02/08/2011, a revisão de ofício do lançamento efetuado (fl. 178), invalidando os Autos de Infração e Termo de Verificação lavrados. O novo Auto de Infração foi lavrado com multa de ofício de 75% e com ciência da contribuinte em 03/08/2011. Realmente, a decisão que retirou o efeito suspensivo à apelação em mandado de segurança foi proferida em 13/06/2011, com juntada aos autos em 14/06/2011 (fls. 175 e 176). A ciência à PFN deuse em 20/06/2011 (fl. 177). Entretanto, conforme atesta o extrato de folhas 352 a 357, a publicação da decisão deuse somente em 07/07/2011. Portanto, o prazo para pagamento dos tributos questionados, só se esgotou em 06/08/2011. Assim, não seria cabível o lançamento da multa de ofício. Considerando que a ciência ao auto de infração deuse em 03/08/2011, deve se exonerar a multa de ofício lançada. Portanto, entendo que não assiste razão à recorrente. Assim, voto por negar provimento ao recurso de ofício e para exonerar integralmente as multas de ofício relativas ao PIS e à Cofins lançados sobre receitas de Juros sobre o Capital Próprio, em outubro de 2009. Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas Relator (ASSINADO DIGITALMENTE) LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Fl. 394DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29 /03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL
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Numero do processo: 10882.003455/2002-22
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jun 02 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1998
IRPF. PROGRAMA DE DEMISSÃO VOLUNTÁRIA (PDV). DECADÊNCIA. PRAZO PARA PEDIDO DE RESTITUIÇÃO.
Consoante jurisprudência vinculante emanada do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal, é inconstitucional a parte final do artigo 4° da Lei Complementar n° 118, de 2005.
Consoante a mesma jurisprudência, em se tratando de pedido de restituição de IRPF, decorrente de pagamento indevido (tal como o recolhido sobre verbas recebidas em PDV) e deduzido anteriormente à vigência da mencionada Lei Complementar, o prazo a ser observado é de 10 (dez) anos contados da data da ocorrência do fato gerador, restando, in casu, assim, afastada a decadência.
Numero da decisão: 9202-003.953
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, com retorno à DRF de origem, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior Relator
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gérson Macedo Guerra.
Nome do relator: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 1998 IRPF. PROGRAMA DE DEMISSÃO VOLUNTÁRIA (PDV). DECADÊNCIA. PRAZO PARA PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. Consoante jurisprudência vinculante emanada do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal, é inconstitucional a parte final do artigo 4° da Lei Complementar n° 118, de 2005. Consoante a mesma jurisprudência, em se tratando de pedido de restituição de IRPF, decorrente de pagamento indevido (tal como o recolhido sobre verbas recebidas em PDV) e deduzido anteriormente à vigência da mencionada Lei Complementar, o prazo a ser observado é de 10 (dez) anos contados da data da ocorrência do fato gerador, restando, in casu, assim, afastada a decadência.
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PROGRAMA DE DEMISSÃO VOLUNTÁRIA (PDV). DECADÊNCIA. PRAZO PARA PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. Consoante jurisprudência vinculante emanada do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal, é inconstitucional a parte final do artigo 4° da Lei Complementar n° 118, de 2005. Consoante a mesma jurisprudência, em se tratando de pedido de restituição de IRPF, decorrente de pagamento indevido (tal como o recolhido sobre verbas recebidas em PDV) e deduzido anteriormente à vigência da mencionada Lei Complementar, o prazo a ser observado é de 10 (dez) anos contados da data da ocorrência do fato gerador, restando, in casu, assim, afastada a decadência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, com retorno à DRF de origem, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior – Relator (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 00 34 55 /2 00 2- 22 Fl. 319DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/ 05/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10882.003455/200222 Acórdão n.º 9202003.953 CSRFT2 Fl. 306 2 Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gérson Macedo Guerra. Relatório Em litígio, o teor do Acórdão nº 2102000.983, prolatado pela 2a Turma Ordinária da 1a. Câmara da 2a Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais na sessão plenária de 01 de dezembro de 2010 (efls. 244 a 248). Ali, por maioria de votos, deuse provimento ao Recurso Voluntário, para afastar a decadência, determinandose o retorno dos autos à autoridade julgadora de 1a. instância, na forma de ementa e decisão a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1998 IMPOSTO DE RENDA. RECONHECIMENTO DE NÃO INCIDÊNCIA. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL. No caso de reconhecimento da não incidência de tributo, a contagem do prazo decadencial do direito à restituição ou compensação tem início na data da publicação do Acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal em ADIN, ou na data de publicação da Resolução do Senado que confere efeito erga omnes à decisão proferida inter partes em processo que reconhece inconstitucionalidade de tributo, ou na data de ato da administração tributária que reconheça a não incidência do tributo em abstrato. Não tendo transcorrido entre a data do reconhecimento da não incidência pela administração tributária do IRPF sobre rendimentos recebidos em PDV (IN SRF nº. 165, de 31 de dezembro de 1998) e a do pedido de restituição lapso de tempo superior a cinco anos, é de se considerar que não ocorreu a decadência do direito de o contribuinte pleitear restituição de tributo pago indevidamente ou a maior que o devido. Decadência afastada Recurso Voluntário Provido Decisão: por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, para afastar a decadência e determinar o retorno dos autos para a unidade de origem para o exame das demais questões de mérito, vencida a Conselheira Núbia Matos Moura (relatora). Fl. 320DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/ 05/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10882.003455/200222 Acórdão n.º 9202003.953 CSRFT2 Fl. 307 3 Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos. Enviados os autos à PGFN para fins de ciência da decisão, ocorrida em 26/07/2011 (efl. 249), insurgindose contra esta, a Fazenda apresenta, em 27/07/2011 (efl. 252), Recurso Especial, com fulcro no art. 67 do anexo II ao Regimento Interno deste Conselho Administrativo Fiscal aprovado pela Portaria MF no. 256, de 22 de julho de 2009, então em vigor quando da propositura do pleito recursal (efls. 253 a 261). Alegase, no pleito, divergência em relação ao decidido, em 11/03/2010, no Acórdão CSRF 0400.810, de lavra da 4a. Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, de ementa e decisão a seguir transcritas, visto que adotado como paradigma, na forma do art. 67, §7o. do referido Anexo II ao RICARF. Acórdão CSRF 0400.810 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO – ILL – O direito de pleitear a restituição de tributo indevido, pago espontaneamente, perece com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário, sendo irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro (art. 165, incisos I e II , e 168, inciso I, do CTN, e entendimento do Superior Tribunal de Justiça). Recurso Especial do Procurador Provido Pelo voto de qualidade, DAR provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Gonçalo Bonet Allage e Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho que negavam provimento ao recurso. Alega a Fazenda Nacional, em seu recurso: a) serem inafastáveis, no caso, as previsões contidas nos arts. 156, 165, inciso I e 168, caput e inciso I da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN), que estabelecem que o direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso de prazo de 5 (cinco) anos, contado do pagamento do tributo indevido, sendo a causa do recolhimento indevido irrelevante, tese também esposada pelo paradigma colacionado pela recorrente. Entende que não pode o intérprete se afastar de tal orientação ou criar outros termos iniciais de fluência do prazo decadencial não previstos no CTN, como a publicação de ato administrativo (p. ex., in casu, a Instrução Normativa SRF no. 165, de 1999); b) Que a interpretação acima propugnada mereceu amparo legal, na forma do art. 3o. da Lei Complementar no. 118, de 09 de fevereiro de 2005, tornandose, a partir de então, indefensável considerar como dies a quo, para fins de contagem do prazo decadencial em questão, qualquer outra circunstância que não o pagamento antecipado. Ainda a propósito, entende que o mencionado art. 3o. também se aplica a ato ou fato pretérito, uma vez que trata se de norma expressamente interpretativa, conforme disciplinado no art. 4o. da mesma Lei Complementar no. 118, de 2005; c) Ressalta que a decisão recorrida baseouse em entendimento já superado no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, consoante Embargos de Divergência no REsp Fl. 321DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/ 05/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10882.003455/200222 Acórdão n.º 9202003.953 CSRFT2 Fl. 308 4 435.835SC, tese também amparada por diversos julgados administrativos deste CARF, alguns reproduzidos em sua ementa; d) Entende que interpretar diversamente de seu entendimento resultaria em insegurança jurídica, uma vez que se tornaria indefinido o termo inicial do prazo decadencial do pedido de restituição, daí ter o legislador imposto um prazo para o exercício de direitos, extinguindo os não pleiteados em tempo hábil; e) Cita o Ato Declaratório SRF no. 096, de 26 de novembro de 1999, que ampararia sua tese, ressaltando, ainda, que cabe, na forma do art. 146, III, "b" da CRFB, à lei complementar dispor sobre normas de prescrição e decadência tributária. Assim, não tendo o CTN, ao dispor sobre a matéria em seu art. 165 c/c art. 168, diferenciado os prazos decadenciais em função da motivação do pagamento indevido, não cabe ao intérprete fazer tal distinção, sendo que qualquer solução que não observe os dois dispositivos estaria desprovida de qualquer amparo jurídico ou legal. Ressalta que, no momento em que foi recolhido indevidamente o tributo, no outro dia o contribuinte já poderia ter buscado a guarida do Judiciário para pleitear a restituição dos valores. em respeito ao princípio da actio nata. Requer, assim, que o Recurso Especial seja admitido e que, no mérito, seja lhe dado provimento, reconhecendose a decadência do direito à restituição do IRPF, a partir do pagamento indevido. O recurso foi admitido pelos despachos de efls. 276/277. Encaminhados os autos ao Contribuinte para fins de ciência, ocorrida em 14/03/2013 (efl. 291), o autuado apresenta contrarrazões de efls. 294 a 303, onde: a) Ressalta que a Instrução Normativa no. 165, de 1998, marco temporal usado como dies a quo para fins de contagem do prazo decadencial pelo recorrido, foi editada pela própria Secretaria da Receita Federal, bem como que restou homologada sua desistência de feito judicial, inicialmente intentado para fins de reconhecimento do indébito em questão (ação ordinária declaratória de inexistência de relação jurídicotributária, ingressada em 06 de junho de 1997); b) Entende como inaplicável à situação fática tanto o inciso I como o inciso II do art. 165 do CTN, uma vez que quando do nascimento da obrigação tributária sob exame, bem como quando da declaração do imposto de renda do autuado, o tributo era devido, tendo sido o imposto recolhido exatamente o exigido à época. Tampouco, houve erro de identificação do sujeito passivo, quanto á alíquota aplicável, cálculos ou documentos. Assim, em seu entendimento, também de não se aplicar ao caso o art. 168 do mesmo CTN; c) Defende que não haveria que se falar em decadência, uma vez que entre o lançamento (na visão do autuado, realizado quando da declaração de rendimentos) e o ajuizamento da ação não se teriam passado cinco anos, tendo o referido ajuizamento "trancado"o prazo decadencial (ou seja, o mesmo teria permanecido suspenso até 17/09/2004, data de remessa para publicação da homologação da desistência) daí defender a posição esposada pelo recorrido, no sentido de que a decadência tenha de ser afastada e o autuado possa ser restituído do montante aqui pleiteado. É o relatório. Fl. 322DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/ 05/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10882.003455/200222 Acórdão n.º 9202003.953 CSRFT2 Fl. 309 5 Voto Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior Pelo que consta no processo quanto à tempestividade do recurso e às devidas apresentação de paradigmas e indicação de divergência, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Adentrando o mérito, reproduzo, inicialmente os principais dispositivos necessários à análise do deslinde, a saber, arts. 106, 156,inciso I, 165 e 168, do Código Tributário Nacional (Lei no. 5.172, de 1996) e arts, 3o. e 4o. da Lei Complementar no. 118, de 2005, expressis verbis: CTN (...) Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (...) Art. 156. Extinguem o crédito tributário: I o pagamento; (...) (...) (...) Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; Fl. 323DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/ 05/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10882.003455/200222 Acórdão n.º 9202003.953 CSRFT2 Fl. 310 6 II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. (...) Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário;(Vide art 3 da LCp nº 118, de 2005) II na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória. LC 118/2005 (...) Art. 3o Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966– Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1odo art. 150 da referida Lei. Art. 4o Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3o,o disposto no art. 106, inciso I, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966– Código Tributário Nacional. (...) Inicialmente, ressalto meu posicionamento pessoal no sentido de que até o advento da Lei Complementar no. 118, de 2005, em linha com o recorrido e com parte da argumentação trazida em sede de contrarrazões pelo autuado, cheguei a me convencer, em situações fáticas como a do caso sob análise (onde determinado pagamento, inicialmente tido como devido, tornase indevido posteriormente, por força de ato administrativo que reconheça a não incidência do tributo), acerca da inaplicabilidade da interpretação de caráter literal propugnada pelo recorrente e pelo paradigma (qual seja, a de que, em não havendo exceção à motivação do pagamento indevido no texto legal, teria de se contar sempre o prazo decadencial a partir do dies a quo estabelecido pelo art. 168, I do CTN, ou seja, a partir da data da extinção pretérita do crédito tributário). Baseava meu convencimento, fundamentalmente, nas inconsistências geradas, pela citada interpretação, no sistema jurídicotributário como um todo, ao permitir que, por exemplo: Fl. 324DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/ 05/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10882.003455/200222 Acórdão n.º 9202003.953 CSRFT2 Fl. 311 7 a) determinado contribuinte se visse privado de sua restituição por via administrativa, sempre que a autoridade tributária se manifestasse no sentido de determinado tributo ser indevido, somente 5 anos ou mais após seu recolhimento (extinção por pagamento), sem que, assim, tivesse havido qualquer inércia de parte do contribuinte (sendo a inércia do detentor do direito, em meu entendimento, núcleo do instituto decadencial); b) houvesse, nesta hipótese, como corolário, tratamento antiisonômico entre os contribuintes que não recolheram o tributo à época em que era considerado devido pela Administração (o qual não mais seria objeto de lançamento, a partir da posterior caracterização de não incidência) e aqueles que recolheram os tributos devidamente (que se encontrariam, como visto acima, nesta hipótese, impossibilitados de ter o montante indevidamente pago restituído, dado o lapso temporal ocorrido até o reconhecimento do indébito). Destarte, em situações como esta sob exame, em que o tributo recolhido se tornara indevido, para fins de aplicação do art. 165, I, do CTN, por ato administrativo posterior ao momento de pagamento (in casu, a Instrução Normativa no. 165, de 1998), entendia como perfeitamente defensável, repitase, até o advento da Lei no. 118, de 2005, que se entendesse que o dies a quo para fins de contagem do prazo decadencial seria o da publicação do administrativo que determinou a posterior não incidência do tributo recolhido, (no caso, da IN SRF no. 165, de 1998, a saber, 06/01/1999) convergindose, assim, para o ensinamento conceitualdoutrinário de necessidade de inércia do detentor do direito para fins de caracterização da decadência, bem como, simultaneamente, evitandose as inconsistências supramencionadas. Todavia, apesar dos sólidos fundamentos que motivam a tese acima, entendo que a esta altura, ou melhor a partir da edição da Lei Complementar no. 118, de 2005, tal posicionamento não mais merece guarida, por dois fundamentos, que passo a expor: a) Primeiro, de se observar que, contrariamente ao caso do CTN (Lei Complementar no. 5.172, de 1966), editado à época em que se torna difícil afirmar se teria ou não o legislador ponderado acerca de situações como a sob análise (repitase, onde se discute repetição de tributo inicialmente devido, posteriormente considerado indevido por força de ato administrativo emanado da autoridade tributária), cediço que, à época da edição desta nova Lei Complementar no. 118, já se encontrava bastante difundida a polêmica acerca da data inicial de contagem do prazo decadencial que aqui se aborda. Tal consideração faz com que, em meu entendimento, tenha o legislador na nova LC conscientemente optado por referendar as inconsistências acima (ou seja, na nova LC, o legislador "quis fazer" a interpretação de se considerar como dies a quo aquele do pagamento indevido antecipado) , de forma a que se deva agora abrir mão da interpretação sistemática que respaldava a interpretação acima, em prol de uma interpretação literalteleológica, a qual note se, passou também a ganhar respaldo jurisprudencial no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, conforme muito bem citado pela recorrente, através da menção aos Embargos de Divergência ao REsp 435.835SC; b) Adicionalmente, agora como razão de decidir principal do presente voto, devese notar a necessária observância dos membros deste Conselho às decisões emanadas julgados do STJ e do STF, quando da adoção da sistemática prevista, respectivamente, nos arts. 543C e 543B do Código de Processo Civil de 1973, na forma do art. 62, §2o. do Anexo II ao atual RICARF, verbis: Fl. 325DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/ 05/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10882.003455/200222 Acórdão n.º 9202003.953 CSRFT2 Fl. 312 8 RICARF Anexo II (...) Art. 62 (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Nesta seara específica, de especial relevância para o caso é o decidido pelos mencionados Tribunais Superiores no âmbito, respectivamente, do REsp 1.002.932/SP e RE 566.621/RS, com ambos os julgados já analisando especificamente os ditames da mencionada Lei Complementar no.118, de 2005, verbis. REsp 1.002.932/SP PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. AUXÍLIO CONDUÇÃO. IMPOSTO DE RENDA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. ARTIGO 4º, DA LC118/2005. DETERMINAÇÃO DE APLICAÇÃO RETROATIVA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE.CONTROLE DIFUSO. CORTE ESPECIAL. RESERVA DE PLENÁRIO. 1. O princípio da irretroatividade impõe a aplicação da LC 118, de 9 de fevereiro de 2005, aos pagamentos indevidos realizados após a sua vigência e não às ações propostas posteriormente ao referido diploma legal, posto norma referente à extinção da obrigação e não ao aspecto processual da ação correspectiva. 2. O advento da LC118/05 e suas conseqüências sobre a prescrição, do ponto de vista prático, implica dever a mesma ser contada da seguinte forma: relativamente aos pagamentos efetuados a partir da sua vigência (que ocorreu em 09.06.05), o prazo para a repetição do indébito é de cinco a contar da data do pagamento; e relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior, limitada, porém, ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da lei nova. 3. Isto porque a Corte Especial declarou a inconstitucionalidade da expressão "observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art.106, I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional", constante do artigo 4º, segunda parte, da Lei Complementar 118/2005(AI nos ERESP 644736/PE, Relator Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 06.06.2007). Fl. 326DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/ 05/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10882.003455/200222 Acórdão n.º 9202003.953 CSRFT2 Fl. 313 9 4. Deveras, a norma inserta no artigo 3º, da lei complementar em tela, indubitavelmente, cria direito novo, não configurando lei meramente interpretativa, cuja retroação é permitida, consoante apregoa doutrina abalizada: "Denominamse leis interpretativas as que têm por objeto determinar, em caso de dúvida, o sentido das leis existentes, sem introduzir disposições novas.{nota: A questão da caracterização da lei interpretativa tem sido objeto de não pequenas divergências, na doutrina. Há a corrente que exige uma declaração expressa do próprio legislador (ou do órgão de que emana a norma interpretativa), afirmando ter a lei (ou a norma jurídica, que não se apresente como lei) caráter interpretativo. Tal é o entendimento da AFFOLTER (Dasintertemporale Recht, vol. 22, System des deutschenbürgerlichen Uebergangsrechts, 1903, pág. 185), julgando necessária uma Auslegungsklausel, ao qual GABBA, que cita,nesse sentido, decisão de tribunal de Parma, (...) Compreensão também de VESCOVI (Intorno alla misura dello stipendio dovuto alle maestre insegnanti nelle scuole elementari maschili,in Giurisprudenza italiana, 1904, I,I, cols. 1191, 1204) e a que adere DUGUIT, para quem nunca se deve presumir ter a lei caráter interpretativo "os tribunais não podem reconhecer esse caráter a uma disposição legal, senão nos casos em que o legislador lho atribua expressamente"(Traité de droit constitutionnel, 3a. ed., vol. 2o., 1928, pág. 280). Com o mesmo ponto de vista, o jurista pátrio PAULO DE LACERDA concede, entretanto, que seria exagero exigir que a declaração seja inserida no corpo da própria lei não vendo motivo para desprezála se lançada no preâmbulo, ou feita noutra lei. Encarada a questão, do ponto de vista da lei interpretativa por determinação legal, outra indagação, que se apresenta, é saber se, manifestada a explícita declaração do legislador, dando caráter interpretativo, à lei, esta se deve reputar, por isso, interpretativa, sem possibilidade de análise, por ver se reúne requisitos intrínsecos, autorizando uma tal consideração. (...) ...SAVIGNY coloca a questão nos seus precisos termos, ensinando:"tratase unicamente de saber se o legislador fez, ou quis fazer uma lei interpretativa, e, não, se na opinião do juiz essa interpretação está conforme com a verdade" (System des heutigen romischen Rechts, vol. 8o, 1849, pág. 513). Mas, não é possível dar coerência a coisas, que são de si incoerentes, não se consegue conciliar o que é inconciliável.E, desde que a chamada interpretação autêntica é realmente incompatível com o conceito, com os requisitos da verdadeira interpretação (v., supra, a nota 55 ao nº 67), não admira que se procurem torcer as conseqüências inevitáveis, fatais de tese forçada, evitandose lhes os perigos. Compreendese, pois, que muitos autores não aceitem o rigor dos efeitos da imprópria interpretação. Há quem, como GABBA(Teoria della retroattività delle leggi, 3a. ed., vol. 1o., 1891, pág. 29), que invoca MAILHER DE CHASSAT (Traité de la rétroactivité des lois, vol. 1o, 1845, págs. 131 e Fl. 327DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/ 05/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10882.003455/200222 Acórdão n.º 9202003.953 CSRFT2 Fl. 314 10 154), sendo seguido por LANDUCCI (Trattato storicoteorico pratico di diritto civile francese ed italiano, versione ampliata del Corso di diritto civile francese, secondo il metodo dello Zachari, di Aubry e Rau, vol. 1o. e único, 1900, pág. 675) e DEGNI (L"interpretazione della legge, 2a ed., 1909, pág. 101), entenda que é de distinguir quando uma lei é declarada interpretativa, mas encerra, ao lado de artigos que apenas esclarecem, outros introduzido novidade, ou modificando dispositivos da lei interpretada. PAULO DE LACERDA(loc. cit.) reconhece ao juiz competência para verificar se a lei é, na verdade, interpretativa, mas somente quando ela própria afirme que o é. LANDUCCI (nota 7 à pág. 674 do vol. cit.) é de prudência manifesta: "Se o legislador declarou interpretativa uma lei, devese, certo, negar tal caráter somente em casos extremos, quando seja absurdo ligála com a lei interpretada, quando nem mesmo se possa considerar a mais errada interpretação imaginável. A lei interpretativa, pois, permanece tal, ainda que errônea, mas, se de modo insuperável, que suplante a mais aguda conciliação, contrastar com a lei interpretada, desmente a própria declaração legislativa."Ademais, a doutrina do tema é pacífica no sentido de que:"Pouco importa que o legislador,para cobrir o atentado ao direito, que comete, dê à sua lei o caráter interpretativo. É um ato de hipocrisia, que não pode cobrir uma violação flagrante do direito"(Traité de droit constitutionnel, 3ª ed., vol. 2º, 1928, págs. 274275)."(Eduardo Espínola e Eduardo Espínola Filho,in A Lei de Introdução ao Código Civil Brasileiro, Vol. I, 3a. ed., págs. 294 a 296). 5. Consectariamente, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a cognominada tese dos cinco mais cinco, desde que, na data da vigência da novel lei complementar, sobejem, no máximo, cinco anos da contagem do lapso temporal (regra que se coaduna com o disposto no artigo 2.028, do Código Civil de 2002, segundo o qual: "Serão os da lei anterior os prazos, quando reduzidos por este Código, e se, na data de sua entrada em vigor, já houver transcorrido mais da metade do tempo estabelecido na lei revogada."). (g.n.) 6. Desta sorte, ocorrido o pagamento antecipado do tributo após a vigência da aludida norma jurídica, o dies a quo do prazo prescricional para a repetição/compensação é a data do recolhimento indevido. (g.n.) 7. In casu, insurgese o recorrente contra a prescrição qüinqüenal determinada pelo Tribunal a quo, pleiteando a reforma da decisão para que seja determinada a prescrição decenal, sendo certo que não houve menção, nas instância ordinárias, acerca da data em que se efetivaram os recolhimentos indevidos, mercê de a propositura da ação ter ocorrido em 27.11.2002, razão pela qual forçoso concluir que os Fl. 328DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/ 05/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10882.003455/200222 Acórdão n.º 9202003.953 CSRFT2 Fl. 315 11 recolhimentos indevidos ocorreram antes do advento da LC118/2005, por isso que a tese aplicável é a que considera os 5 anos de decadência da homologação para a constituição do crédito tributário acrescidos de mais 5 anos referentes à prescrição da ação. 8. Impende salientar que, conquanto as instâncias ordinárias não tenham mencionado expressamente as datas em que ocorreram os pagamentos indevidos, é certo que os mesmos foram efetuados sob a égide da LC70/91, uma vez que a Lei 9.430/96, vigente a partir de 31/03/1997,revogou a isenção concedida pelo art. 6º, II, da referida lei complementar às sociedades civis de prestação de serviços, tornando legítimo o pagamento da COFINS. 9. Recurso especial provido, nos termos da fundamentação expendida.Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. RE 566.621/RS DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente Fl. 329DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/ 05/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10882.003455/200222 Acórdão n.º 9202003.953 CSRFT2 Fl. 316 12 às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade do art.4º, segunda parte, da LC118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art 543B §3o. do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. De se notar,que, ainda que tais julgados, repitase, de obediência mandatória neste Conselho, rechacem, em linha com o defendido pela PGFN, o dies a quo para contagem do prazo decadencial estabelecido pelo vergastado (publicação do ato administrativo, no caso da IN SRF no. 165, de 1998), simultaneamente, todavia, jogam por terra a necessária retroatividade incondicional do art. 4o. defendida pela Fazenda Nacional com fulcro no art. 106, II do CTN. A partir da declaração de inconstitucionalidade da parte final do referido art. 4o. da LC no. 118, de 2005, inconstitucionalidade esta que emana dos julgados vinculantes supra, a solução atualmente a ser adotada neste Conselho, a partir da edição da referida Lei Complementar no. 118, de 2005, é, no caso de repetição de indébito vinculada a pagamento indevido: a) relativamente aos pagamentos efetuados a partir da vigência da LC no. 118, de 2005 (que ocorreu em 09.06.05): o prazo para a repetição do indébito é de cinco a contar da data do pagamento indevido; b) relativamente aos pagamentos anteriores à 09.06.05: o prazo para repetição obedece ao regime previsto no sistema anterior prevalecente no STJ (tese dos 5 mais cinco), a saber, contandose um prazo de 5 anos de decadência da homologação para a constituição do crédito tributário, acrescidos de mais 5 anos referentes à prescrição da ação (perfazendo um prazo total para repetição de 10 anos, a partir do fato gerador), limitada, inicialmente, pelo STJ, ao prazo máximo de cinco anos na data de vigência da lei nova, no caso de indébito ainda não repetido nesta data, cujo fato gerador ocorrera há mais de 5 anos da vigência da referida lei, limitação, porém, posteriormente removida pelo julgado vinculante emanado do STF. Neste sentido já se manifestou inclusive o Pleno deste Conselho, de forma unânime, na forma do Acórdão Pleno 9900000.382, de 28/08/12, cuja ementa e decisão são transcritas a seguir: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1986 IRPF. PEDIDO DE DEMISSÃO VOLUNTÁRIA. REQUERIMENTO DE RESTITUIÇÃO ANTERIOR VIGÊNCIA LEI COMPLEMENTAR N° 118/2005. PRESCRIÇÃO. PRAZO Fl. 330DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/ 05/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10882.003455/200222 Acórdão n.º 9202003.953 CSRFT2 Fl. 317 13 DECENAL. TESE DOS 5 + 5. JURISPRUDÊNCIA UNÍSSONA STJ E STF. De conformidade com a jurisprudência firmada no âmbito do Superior Tribunal de Justiça e corroborada pelo Supremo Tribunal Federal, a propósito da inconstitucionalidade da parte final do artigo 4° da Lei Complementar n° 118/2005, que prevê a aplicação retroativa dos preceitos de referido Diploma Legal, tratandose de pedido de restituição de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, in casu, Imposto Sobre a Renda de Pessoa Física, incidente sobre as verbas pagas em decorrência de adesão a Programa de Demissão Voluntária PDV, formulado anteriormente à vigência de aludida LC, o prazo a ser observado é de 10 (Dez) anos (tese dos 5 + 5), contandose da data da ocorrência do fato gerador. Recurso extraordinário provido. Decisão: por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, Assim, aplicandose a solução acima ao caso em questão, verifico que o recolhimento indevido (pagamento antecipado) foi realizado durante o anocalendário de 1997, ou seja, anteriormente à vigência da Lei Complementar no. 118, de 2005, com fato gerador ocorrido em 12/1997 (consoante efl. 5). Por sua vez, o pedido de restituição (a repetição de indébito) foi protocolizado em 05/11/2002 (efl. 2). Desta forma, in casu, a partir da consideração do prazo decadencial de 10 anos a partir do fato gerador (ocorrido em/12/1997), na forma das decisões vinculantes e solução acima, o pedido, formulado anteriormente à vigência da referida LC no. 118, de 2005, foi protocolizado dentro do referido prazo de 10 anos (repitase em 05/11/2002), restando a decadência afastada, ainda que por fundamentos diversos do Acórdão guerreado. Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, devendose retornar o processo à DRF de origem, para manifestação acerca das demais questões de mérito não abordadas, por conta da declaração de decadência. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Relator Fl. 331DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/ 05/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO
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Numero do processo: 18471.002216/2003-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 1999, 2002
DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUJEITOS AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TERMOS INICIAL E FINAL. VERIFICAÇÃO.
Segundo o art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional, para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, a decadência do direito à constituição do crédito tributário verifica-se pelo transcurso in albis do interregno de 05 (cinco) anos, a partir da ocorrência do fato gerador e desde que haja pagamento, ainda que parcial, tendo como termo final a sua constituição, mediante auto de infração, notificação de lançamento ou documento equivalente, completado pela ciência do contribuinte.
PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INAPLICABILIDADE.
A prescrição intercorrente, que se verifica no curso do processo, não se aplica ao processo administrativo fiscal, por força do princípio da oficialidade, que determina o impulso do rito processual independente da iniciativa ou atuação dos interessados. Inteligência da Súmula CARF nº 11.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 1999, 2002
DCTF. RETIFICAÇÃO APÓS INICIADO PROCEDIMENTO FISCAL. IMPOSSIBILIDADE. ESPONTANEIDADE. AUSÊNCIA.
A DCTF, como instrumento de confissão de dívida, documento hábil e suficiente para exigência do crédito tributária nela referido, não admite a sua retificação após iniciado o procedimento fiscal correspondente, dada a exclusão da espontaneidade.
Assunto: Normas de Administração Tributária
Exercício: 1999, 2002
LANÇAMENTO. ALEGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO COMO MATÉRIA DE DEFESA. IMPOSSIBILIDADE.
A compensação configura modalidade de extinção do crédito tributário, razão que impõe sua realização por intermédio de procedimentos específicos previstos na legislação, o que não se compagina com a sustentação aleatória, em sede recursal, da existência de créditos suficientes para saldar valores exigidos em auto de infração.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3401-003.163
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Ausente o Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco..
Robson José Bayerl Presidente Substituto e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Augusto Fiel Jorge DOliveira e Waltamir Barreiros.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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ELETRICIDADE DE NOVA FRIBURGO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 1999, 2002 DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUJEITOS AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TERMOS INICIAL E FINAL. VERIFICAÇÃO. Segundo o art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional, para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, a decadência do direito à constituição do crédito tributário verificase pelo transcurso in albis do interregno de 05 (cinco) anos, a partir da ocorrência do fato gerador e desde que haja pagamento, ainda que parcial, tendo como termo final a sua constituição, mediante auto de infração, notificação de lançamento ou documento equivalente, completado pela ciência do contribuinte. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INAPLICABILIDADE. A prescrição intercorrente, que se verifica no curso do processo, não se aplica ao processo administrativo fiscal, por força do princípio da oficialidade, que determina o impulso do rito processual independente da iniciativa ou atuação dos interessados. Inteligência da Súmula CARF nº 11. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 1999, 2002 DCTF. RETIFICAÇÃO APÓS INICIADO PROCEDIMENTO FISCAL. IMPOSSIBILIDADE. ESPONTANEIDADE. AUSÊNCIA. A DCTF, como instrumento de confissão de dívida, documento hábil e suficiente para exigência do crédito tributária nela referido, não admite a sua retificação após iniciado o procedimento fiscal correspondente, dada a exclusão da espontaneidade. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Exercício: 1999, 2002 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 22 16 /2 00 3- 80Fl. 460DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 09/05/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL 2 LANÇAMENTO. ALEGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO COMO MATÉRIA DE DEFESA. IMPOSSIBILIDADE. A compensação configura modalidade de extinção do crédito tributário, razão que impõe sua realização por intermédio de procedimentos específicos previstos na legislação, o que não se compagina com a sustentação aleatória, em sede recursal, da existência de créditos suficientes para saldar valores exigidos em auto de infração. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Ausente o Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.. Robson José Bayerl – Presidente Substituto e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira e Waltamir Barreiros. Relatório Cuidase, na espécie, de auto de infração para exigir diferenças de PIS verificadas entre o valor escriturado e o declarado/pago, a partir dos dados constantes da planilha “Informações à SRF”, no período de janeiro/1999 a agosto/2002. Em impugnação o contribuinte reconheceu os débitos lançados em 1999, mas alegou compensação com créditos por recolhimento a maior e/ou retenção na fonte, o mesmo ocorrendo em 2002, sendo que para os anos de 2000 e 2001 não indicou qualquer valor compensado. Ainda na oportunidade apontou a existência de direito à compensação, nos moldes da Lei nº 9.430/96. A DRJ Rio de Janeiro I/RJ manteve o lançamento, destacando, o voto condutor, que a parte incontroversa do lançamento foi transferida para o PA 15374.000404/200464. Aduziu, ainda, que a DIPJ teria natureza eminentemente informativa, não constituindo instrumento de confissão de dívida, e, por fim, refutou a compensação como matéria de defesa. Em recurso voluntário o contribuinte defendeu a validade da compensação em DCTF, sob a égide da Lei nº 9.430/96; que a exigência da declaração de compensação somente foi introduzida com o advento da Lei nº 10.637/02; que a compensação realizada nos moldes da Lei nº 9.430/96 não dependia de prévia autorização do Fisco; que houve decadência do direito de constituir o crédito, pois transcorridos mais de 05 (cinco) anos entre a entrega das DCTFs e a decisão de primeira instância administrativa; que ocorreu a prescrição da pretensão de cobrança judicial dos valores declarados e não pagos; que é possível a retificação para Fl. 461DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 09/05/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 18471.002216/200380 Acórdão n.º 3401003.163 S3C4T1 Fl. 11 3 explicitar compensações, mesmo após a lavratura do auto de infração, não havendo qualquer obstáculo na IN SRF 695/2006; e, que possui créditos perante a Fazenda suficientes à extinção do crédito tributário exigido. Em 04/05/2010, o julgamento foi convertido em diligência para se aguardar o desfecho nos PAs 18471.002215/200335 e 18471.002214/200391. A ARF Nova Friburgo/RJ juntou extratos do sistema SINCOR/PROFISC, indicando que os débitos lá cadastrados foram extintos por pagamento, e devolveu o processo para prosseguimento. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade. Invertendo a ordem de enfrentamento proposta em recurso, principio pelas preliminares de mérito, decadência e prescrição. Tocante à decadência, cuidandose de tributo sujeito ao denominado lançamento por homologação, a forma de contagem do lapso extintivo do direito à constituição do crédito tributário vem regulado pelo art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional. Consoante o texto legal, a Fazenda Pública dispõe de 05 (cinco) anos, contados do fato gerador, para adoção das providências atinentes à formalização do crédito tributário respectivo. No caso vertente, sendo o auto de infração o instrumento que constituiu o direito da Fazenda Pública, o termo final do prazo decadencial se verificou com a aposição da ciência naquele documento, ocorrido em 10/10/2003, fls. 22/23, tendo com termo inicial, a data de ocorrência do fato gerador mais antigo, 31/01/1999 (fl. 24). A partir dos dados estampados, inferese com tranqüilidade que não ocorreu a aventada decadência, estando todos os fatos geradores lançados dentro do prazo legal para sua constituição válida. Logo, mostrase completamente infundada e sem qualquer respaldo em lei a forma de contagem defendida pelo recorrente, que toma como dies a quo a entrega da “declaração” (???) e como dies ad quem do interregno a data da decisão de primeira instância. A proposição, para buscar algum sentido jurídico ao argumento, guardaria certa equivalência com a prescrição intercorrente, que não tem qualquer relação com decadência, pois somente se verificaria quando já constituído o crédito tributário; consistindo na perda do direito de exigilo em juízo, pela fluência do prazo, já no curso do processo, entre as fases decisórias, decorrente da inércia em promover o seu desenvolvimento. Fl. 462DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 09/05/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL 4 Ocorre que a prescrição intercorrente não se aplica ao processo administrativo fiscal, por força do princípio da oficialidade, onde o impulso, o desenvolvimento, do procedimento contencioso se desenrola independentemente da atuação dos interessados, competindo a sua responsabilidade ao EstadoAdministração. Este entendimento encontrase plasmado na súmula CARF nº 11: “Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal.” Respeitante à prescrição ordinária, aduziu o recorrente a perda do direito à cobrança judicial dos valores declarados e não pagos, contudo, esta questão é estranha ao processo, haja vista que os valores informados em DCTF não foram incluídos no lançamento, como salientou o relatório de autuação. Nesse ponto, cumpre esclarecer que ao CARF não cabe a discussão acerca do direito em tese, pois não é órgão de consulta da legislação, mas tãosomente decidir questões efetivamente ocorrentes nos processos que lhe são submetidos. Assim, quanto às preliminares argüidas, afasto a ocorrência da decadência e não conheço do tema relativo à prescrição. Concernente ao mérito, sustentou o recorrente a legalidade da pretensa compensação, nos moldes da Lei nº 9.430/96. Digo “pretensa”, porque não há nestes autos qualquer elemento de prova que demonstre a sua realização. Neste passo, diversamente do que alega o recorrente, a compensação regida pelo art. 74 da Lei nº 9.430/96, em sua redação original, exigia, sim, requerimento à então Secretaria da Receita Federal, através de processo específico, como dispunha a IN SRF 21/97 e as que lhe sucederam, verbis: “Art. 74. Observado o disposto no artigo anterior, a Secretaria da Receita Federal, atendendo a requerimento do contribuinte, poderá autorizar a utilização de créditos a serem a ele restituídos ou ressarcidos para a quitação de quaisquer tributos e contribuições sob sua administração.” (destacado) Esta exigência, portanto, não foi introduzida somente pelas modificações veiculadas na Lei nº 10.637/02, como acredita o contribuinte. De outra banda, mesmo a compensação entre tributos da mesma espécie, fundada no art. 66 da Lei nº 8.383/91, cobrava a realização de registros contábeis específicos para demonstração de sua efetivação, no âmbito do lançamento por homologação, como estabelecia a IN DPRF 67/92. Na seqüência, em outra vertente defensiva, ressalvou a possibilidade de se retificar as DCTFs apresentadas para “explicitar” as compensações, mesmo durante o procedimento fiscal ou, ainda, após a lavratura do auto de infração. Sem razão o contribuinte. A uma, porque não foi coligida prova alguma desta compensação, e, a duas, porque o direito de retificação das declarações prestadas encontra limite no instituto da espontaneidade, que é lhe é inerente. Fl. 463DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 09/05/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 18471.002216/200380 Acórdão n.º 3401003.163 S3C4T1 Fl. 12 5 Segundo o art. 138 do CTN, a responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, não se considerando como tal aquela apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, condição que foi reproduzida no art. 7º, § 1º do Decreto nº 70.235/72. Nessa linha de raciocínio, tendo em conta ainda o teor do art. 5º, § 1º do Decreto nº 2.124/85, consoante o qual “o documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito”, a meu ver, mostrase incompatível com a essência do instrumento de “confissão de dívida”, como é reconhecidamente o caso da DCTF, a possibilidade da modificação substancial de seus dados, mormente quanto aos aspectos do crédito tributário, após o início do procedimento fiscal, quando já excluída a espontaneidade. Não por outro motivo o art. 12, § 2º da IN SRF 695/2006, citada pelo contribuinte em recurso, vedava, ou pelo menos desconsiderava, qualquer alteração na DCTF, quando verificada tal situação: Art. 12. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados em declarações anteriores. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. Em conclusão, a par de não dispor da livre iniciativa para modificar as informações prestadas em DCTF, após o início do procedimento fiscal, também não foi apresentado qualquer prova da realização da compensação, motivo pelo qual deve ser profligado o argumento. Por derradeiro, mostrase insubsistente a tese apresentada, de que o débito deveria ser declarado extinto em razão de suposto direito creditório, do recorrente, perante a Fazenda Federal, pois, desde há muito, este sodalício vem repudiando o argumento de compensação como matéria de defesa, o que ocorre quando o contribuinte, possuindo Fl. 464DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 09/05/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL 6 pendência fiscal, alega ser detentor de créditos junto à Fazenda Pública para eximirse da cobrança. Ora, o direito, enquanto não exercido, reflete mera expectativa, algo latente, que, no entanto, somente irradiará seus efeitos quando efetivamente fruído. Por conseguinte, pouco importa que o contribuinte seja detentor de direitos creditórios frente à Fazenda Nacional, ainda que em montante suficiente para quitar suas obrigações tributárias, não influenciando, a priori, a sua exigência, enquanto não adotar as providências necessárias à promoção do encontro de contas, haja vista que a utilização de crédito pelo contribuinte é uma faculdade que lhe assiste e, nessa condição, pode simplesmente deixar de ser exercida, ainda que não recomendável. A compensação como modalidade de extinção do crédito tributário, art. 156, II do CTN, e para que tenha validade jurídica, deve ser efetuada em consonância com o modelo fixado pelas leis, regulamentos e atos normativos pertinentes. Com estas considerações, voto por negar provimento ao recurso voluntário interposto. Robson José Bayerl Fl. 465DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 09/05/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL
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Numero do processo: 13433.720168/2013-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jun 06 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3102-000.521
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Decidem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinatura digital)
Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator
EDITADO EM: 27/05/2016
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Decidem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator EDITADO EM: 27/05/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares Araújo e Walker Araújo.
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Decidem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa – Presidente e Relator EDITADO EM: 27/05/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares Araújo e Walker Araújo. Relatório A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Natal DRF/NAT indeferiu, por meio do Despacho Decisório, de 13 de junho de 2013, folhas 27 e seguintes, pedido do contribuinte de isenção do Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou Relativas a Títulos ou Valores Mobiliários IOF incidente no financiamento para aquisição de veículo novo. O pedido foi lastreado na legislação que isenta do Imposto as operações vinculadas a aquisição de automóveis de passageiros adquiridos por pessoa pessoas portadoras de deficiência física, atestada pelo Departamento de Trânsito do Estado onde residirem em caráter permanente. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 34 33 .7 20 16 8/ 20 13 -1 0 Fl. 69DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 27/05/2016 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13433.720168/201310 Resolução nº 3102000.521 S3C1T2 Fl. 3 2 O Despacho Decisório indeferiu o pedido porque a deficiência indicada no Laudo da Junta Médica anexado aos autos, Gonartrose não especificada (CID 10 M17.9), não está não prevista no inciso IV e §§ 1º e 2º do art. 1º da Lei nº 8.989/95. Relata a Delegacia da Receita Federal de Julgamento que, na inicial, o requerente apresenta, além dos documentos relativos à espécie, laudo emitido pelo junta médica do Departamento Estadual de Trânsito do Rio Grande do Norte, onde encontrase a informação de que está apto a conduzir veículo, com a restrição de uso obrigatório de lentes corretivas e de utilização de veículo com transmissão automática. E que, apresenta, também, laudo assinado por outros três médicos da Clínica Ortopédica de Natal e declaração de que a citada clínica é integrante do SUS, conforme declaração à fl. 7, e que, junto à manifestação de inconformidade apresenta novo laudo que especifica novos códigos de doenças e acrescenta o termo “Monoparesia” na descrição da enfermidade (fl. 35). Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Ano calendário: 2013 ISENÇÃO. VEÍCULO NOVO. DEFICIENTES. LAUDO NÃO RECONHECE PLENA INCAPACIDADE. INADMISSIBILIDADE. A isenção do IOF para aquisição de veículo novo, no caso de pessoa portadora de deficiência física, visual, mental ou autista, é de caráter individual e, dessa forma, é destinada ao contribuinte que comprove preencher todos os requisitos legais. Sem prejuízo das demais exigências legais relativas à matéria, a deficiência física deve ser comprovada por meio de laudo médico de avaliação emitido exclusivamente pelo Departamento Estadual de Trânsito e que reconheça plena incapacidade de dirigir veículos convencionais, consoante art. 72 da Lei nº 8.383, de 1991. Se o laudo do Departamento de Trânsito não reconhece a incapacidade total, o benefício não poderá ser concedido. Insatisfeita com a decisão de primeira instância administrativa, o contribuinte apresenta recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. É o Relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso voluntário. Da leitura do Despacho Decisório é forçoso observar que o assunto foi abordado e decidido sob uma perspectiva completamente equivocada. Reproduzo a seguir excerto dele extraído. 2. O Laudo da Junta Médica anexado informa que o recorrente é portador de Gonartrose não especificada (CID 10 M 17.9), enfermidade não prevista no inciso IV e §§ 1º e 2º do art. 1º da Lei nº 8.989/95: Fl. 70DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 27/05/2016 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13433.720168/201310 Resolução nº 3102000.521 S3C1T2 Fl. 4 3 Ocorre que aqui se discute direito a isenção de IOF na aquisição do veículo automotor, ao passo que a Lei nº 8.989/95 trata da isenção do IPI, e não do IOF. O fato foi, inclusive, registrado na decisão de primeira instância, nos seguintes termos. A matéria é regida pela Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991: Além de tratarse de um entrave, por si só, de difícil superação, temse o fato de que a Lei nº 8.383/91 veicula exigências distintas da Lei nº 8.989/95 para concessão da isenção. Observese. Lei 8.383, de 1991: Art. 72. Ficam isentas do IOF as operações de financiamento para a aquisição de automóveis de passageiros de fabricação nacional de até 127 HP de potência bruta (SAE), quando adquiridos por: (...) IV pessoas portadoras de deficiência física, atestada pelo Departamento de Trânsito do Estado onde residirem em caráter permanente, cujo laudo de perícia médica especifique; a) o tipo de defeito físico e a total incapacidade do requerente para dirigir automóveis convencionais; b) a habilitação do requerente para dirigir veículo com adaptações especiais, descritas no referido laudo; Como se lê, a Lei sequer faz menção ao rol de doenças que dão direito ao benefício, como o faz a Lei nº 8.989/95, o que constituise em elemento essencial das razões de decidir do Despacho Decisório sub examine. Nessas condições, é incontroverso estarse diante de um erro material na decisão que originalmente negou o direito à Recorrente. Uma vez que a observância das condições estabelecidas na Lei 8.383/91 para a concessão da isenção do IOF nas operações de financiamento para a aquisição de automóveis de passageiros não tenha sido investigada, VOTO pela conversão do julgamento em diligência, para que a Unidade Preparadora verifique e decida de forma fundamentada se os Laudos carreados aos autos (a meu sentir, em especial, o que encontrase à efolha 05 do processo) atendem aos requisitos estabelecidos na Lei 8.383/91. Do resultado dêse ciência ao contribuinte e prazo de trinta dias para manifestação. Após, o processo deve retornar a este Conselho para decisão definitiva. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Relator Fl. 71DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 27/05/2016 p or RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 11850.000034/2008-75
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 28/05/2008
PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decreto-lei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-003.697
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 28/05/2008 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decreto-lei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira. Recurso Especial do Contribuinte Negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1931; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRF‐T3 Fl. 168 1 167 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11850.000034/200875 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303003.697 – 3ª Turma Sessão de 26 de abril de 2016 Matéria Denuncia espontânea multa por atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada Recorrente LUFTHANSA CARGO A G Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 28/05/2008 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decretolei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 85 0. 00 00 34 /2 00 8- 75 Fl. 168DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11850.000034/200875 Acórdão n.º 9303003.697 CSRF‐T3 Fl. 169 2 Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Auto de Infração que exige da contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. Julgando o feito, a Turma recorrida negou provimento ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão 3801005.300. No que diz respeito à denúncia espontânea, o Colegiado a quo decidiu que esse instituto é inaplicável para afastar a exigência da multa em comento. Após tomar ciência do mencionado acórdão, a Contribuinte apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea, prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei 12.350, de 2010, para afastar a multa que lhe foi imputada pelo Fisco. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º a 3º do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.552, de 26/04/2016, proferido no julgamento do processo 11128.007573/200648, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9303003.552): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para sua admissibilidade. Dele tomo conhecimento. Importante observar, quanto à comprovação da divergência, que recorrido e paradigma trataram da exigência da mesma penalidade (art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966) e foram proferidos após 28/07/2010 (data da publicação da MP 497, convertida na Fl. 169DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11850.000034/200875 Acórdão n.º 9303003.697 CSRF‐T3 Fl. 170 3 Lei 12.350, de 20/12/2010). Além disso, ambos citaram expressamente as alterações promovidas pela mencionada lei na redação do art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66, que trata da denúncia espontânea, apesar de tal consignação não ser imprescindível. Todavia, os arestos confrontados, que guardam identidade fática e jurídica, chegaram a resultados opostos quanto à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea sobre a exigência da penalidade em foco. Não há dúvida, portanto, quanto à existência de dissenso jurisprudencial. A matéria devolvida a este Colegiado cingese, exclusivamente, à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea, após a alteração promovida pela Lei 12.350/2010, para afastar a exigência da multa pelo atraso na prestações de informações sobre veículo ou carga nele transportada. Não vejo como dar razão à pretensão da Contribuinte, sob pena de aniquilar o cumprimento, com observância dos prazos estabelecidos pela legislação, do dever instrumental de prestar informação. Aplicandose o entendimento defendido pela Recorrente, os prazos estipulados pela legislação aduaneira, para prestar informações à RFB, poderiam ser descumpridos pelo sujeito passivo sem punição, tendo como única condição que a prestação das informações seja efetuada antes do início de ação fiscal. Ou seja, os prazos para a apresentação de informações seriam bastante elásticos, a depender de cada caso, e não prazos fatais, como é a regra na legislação tributária. Por concordar na íntegra com os fundamentos, e por aplicarse à solução do presente litígio, adoto o voto proferido pelo ilustre Conselheiro Solon Sehn no Acórdão 3802 002.314, de 27/11/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos: "O Recorrente alega ainda que as informações sobre o embarque foram prestadas antes da lavratura do auto de infração. Portanto, nos termos do art. 138, caput, do Código Tributário Nacional (CTN), a multa deveria ter sido excluída em razão da caracterização da denúncia espontânea: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. A aplicabilidade da denúncia espontânea às “obrigações acessórias” é sustentada por parte da doutrina com base na expressão “se for o caso”, encontrada no caput do art. 138 do CTN. Nesse sentido, cumpre destacar as lições de Hugo de Brito Machado, Luciano Amaro e Sacha Calmon Navarro Coêlho: 'Como a lei diz que a denúncia há de ser acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido, resta induvidoso que a exclusão da responsabilidade tanto se Fl. 170DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11850.000034/200875 Acórdão n.º 9303003.697 CSRF‐T3 Fl. 171 4 refere a infrações das quais decorra o não pagamento do tributo como a infrações meramente formais, vale dizer, infrações das quais não decorra o não pagamento do tributo. Inadimplemento de obrigações tributárias meramente acessórias' 1. 'A expressão ‘se for o caso’ explicase em face de que algumas infrações, por implicarem desrespeito a obrigações acessórias, não acarretam, diretamente, nenhuma falta de pagamento de tributo, embora sejam também puníveis, porque a responsabilidade não pressupõe, necessariamente, dano (art. 136). Outras infrações, porém, de um modo ou de outro, resultam em falta de pagamento. Em relação a estas é que o Código reclama o pagamento' 2. 'Se quisesse excluir uma ou outra, teria adjetivado a palavra infração ou teria dito que a denúncia espontânea elidiria a responsabilidade pela prática de infração à obrigação principal excluindo a assessória, ou viceversa. Ora, onde o legislador não distingue não é lícito ao intérprete distinguir segundo cediço princípio de hermenêutica' 3 Essa interpretação, porém, não foi acolhida pela Jurisprudência, consoante se depreende dos seguintes julgados do Superior Tribunal de Justiça: 'TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. 2. Agravo Regimental não provido.” (STJ. 2ª T. AgRg nos EDcl no AREsp 209663/BA. Rel. Min. Herman Benjamin. DJe 10/05/2013).' (...) A mesma interpretação foi adotada no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme Súmula CARF nº 49: 'A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na 1 MACHADO, Hugo de Brito. Curso de direito tributário. 27. Ed. São Paulo: Malheiros, 2006, p. 182 e ss. 2 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 10 Ed. São Paulo: Saraiva, 2004, p. 437. 3 COÊLHO, Sacha Calmon Navarro. Teoria e prática das multas tributárias. 2. Ed. Rio de Janeiro: Forense, 1995, p. 105106. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11850.000034/200875 Acórdão n.º 9303003.697 CSRF‐T3 Fl. 172 5 entrega de declaração', que foi fruto de reiterados julgados do Câmara Superior de Recursos Fiscais (...). A discussão, entretanto, foi reaberta em face da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988). § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). (...) De fato, a Lei nº 12.350/2010 resultou da conversão da Medida Provisória n.º 497/2010. De acordo com a exposição de motivos desta, seu objetivo foi 'deixar claro' que o instituto da denúncia espontânea aplicase a todas as penalidades pecuniárias, inclusive multas isoladas vinculadas ao descumprimento de obrigação acessória, conforme se depreende da leitura da exposição de motivos: '40. A proposta de alteração do § 2º do art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966, visa a afastar dúvidas e divergência interpretativas quanto à aplicabilidade do instituto da denúncia espontânea e a consequente exclusão da imposição de determinadas penalidades, para as quais não se tem posicionamento doutrinário claro sobre sua natureza. [...] 43. Fundamentalmente, o Linha Azul é um procedimento simplificado que propicia às empresas habilitadas um menor percentual de seleção para os canais de verificação amarelo e vermelho e conferência aduaneira das declarações selecionadas realizada prioritariamente, Fl. 172DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11850.000034/200875 Acórdão n.º 9303003.697 CSRF‐T3 Fl. 173 6 inclusive com compromisso de tempo máximo para essa conferência estipulado. Esse procedimento segue a orientação internacional de Operadores Econômicos Autorizados OEA, ou seja, de credenciamento de operadores legítimos e confiáveis para operar no comércio exterior com menores entraves burocráticos. 44. A avaliação sistêmica da empresa candidata ao Linha Azul inclui a realização, previamente à adesão, de uma auditoria de controles internos para autoavaliação de seus controles e procedimentos aduaneiros, referente, no mínimo, aos quatro últimos semestres civis. O objetivo dessa autoavaliação é induzir a empresa a verificar o cumprimento da legislação aduaneira (controles administrativos e fiscais), com reflexo na garantia da regularidade dos registros aduaneiros e do recolhimento dos tributos devidos. Exigese, sempre que a auditoria de controles internos aponte irregularidades, que sejam apresentados documentos que comprovem o seu saneamento ou a adoção das providências cabíveis para a sua solução. 45. No caso específico, o que se tem verificado é que, durante o processo de auditoria, as empresas têm constatado reiterados erros em declarações de importação registradas e desembaraçadas no canal verde de conferência e, como forma de sanear a irregularidade para cumprimento do programa, apresentado a relação desses erros na unidade de jurisdição e adotado as respectivas providências para a retificação das declarações aduaneiras. 46. Todavia, ao adotar essa providência, mesmo que a empresa não tenha que recolher quaisquer tributos, ela pode estar sujeita à imposição da referida multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria (multa isolada), disciplinada no art. 711 do Regulamento Aduaneiro, ainda que espontaneamente tenha apurado tais erros e adotado as providências para a sua regularização, o que onera por demais o processo de adesão à Linha Azul. 47. A proposta de alteração objetiva deixar claro que o instituto da denúncia espontânea alcança todas as penalidades pecuniárias, aí incluídas as chamadas multas isoladas, pois nos parece incoerente haver a possibilidade de se aplicar o instituto da denúncia espontânea para penalidades vinculadas ao nãopagamento de tributo, que é a obrigação principal, e não haver essa possibilidade para multas isoladas, vinculadas ao descumprimento de obrigação acessória.' (EMI nº 111/MF/MP/ME/MCT/ MDIC/MT). Todavia, cumpre considerar que, nas obrigações acessórias ou deveres instrumentais, o sujeito passivo está Fl. 173DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11850.000034/200875 Acórdão n.º 9303003.697 CSRF‐T3 Fl. 174 7 vinculado a um fazer ou nãofazer, sem expressão econômica, destinado a facilitar a fiscalização e a arrecadação dos tributos4. Podem assumir os conteúdos mais variados, desde a manutenção de escrituração fiscal regular, da descrição adequada do bem importado na declaração de importação, emissão de nota fiscal, bem como da apresentação de informações para a Fazenda Pública dentro dos prazos previstos na legislação tributária. Em razão disso, na aplicação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, devese analisar o conteúdo da “obrigação acessória” violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo. Essa importante distinção foi evidenciada em voto do eminente Conselheiro José Fernandes do Nascimento, no Acórdão 310200.988. 3ª SJ, C1, 2ª TO, S. de 22/08/2013: O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme 4 CARVALHO, Paulo de Barros. "Curso de direito tributário". 13. ed. São Paulo: Saraiva, 2000, p. 277349. Fl. 174DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11850.000034/200875 Acórdão n.º 9303003.697 CSRF‐T3 Fl. 175 8 expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face Fl. 175DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11850.000034/200875 Acórdão n.º 9303003.697 CSRF‐T3 Fl. 176 9 da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez. Destarte, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Exegese dessa natureza comprometeria toda a funcionalidade dos deveres instrumentais no sistema tributário. Destacase, nesse sentido, a doutrina de Yoshiaki Ichihara: 'Caso se entenda que o descumprimento de dever instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá mais infração da obrigação acessória. Seria, a rigor, uma verdadeira anistia, que somente poderá ser concedida por lei específica. Exemplificando, uma empresa que deixou de registrar e escriturar livros fiscais, com a denúncia espontânea da infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada' 5. Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. (...)" O objetivo do art. 138 do CTN é estimular o contribuinte que não pagou os tributos a fazêlo e regularizar a situação, resgatando as pendências deixadas e não conhecidas pelo fisco, que recebe o que deveria ter sido pago e cuja satisfação, não fosse a iniciativa do contribuinte, talvez jamais ocorresse. Tal norma objetiva estimular o cumprimento espontâneo das obrigações tributárias. Porém, a responsabilidade pelo cometimento das infrações restará afastada apenas com o reconhecimento e cumprimento da obrigação, preservando assim a higidez do sistema, não se podendo ver nela nenhum estímulo à inadimplência. De fato, a jurisprudência dominante em nossos tribunais não admite a configuração da denúncia espontânea ante a prática de determinados atos, que representam 5 ICHIHARA, Yoshiaki. Sanções tributárias questões sugeridas. In: MACHADO, Hugo de Brito (coord.). Sanções administrativas tributárias. São Paulo: DialéticaICET, 2004, p. 502. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11850.000034/200875 Acórdão n.º 9303003.697 CSRF‐T3 Fl. 177 10 infrações à legislação tributária. Várias são as decisões no sentido da inaplicabilidade do art. 138 do CTN no descumprimento do prazo quanto às obrigações acessórias. Vejamos: “DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. 1. Inaplicável o instituto da denúncia espontânea quando se trata de multa isolada imposta em face do descumprimento de obrigação acessória.” (STJ, 2ª T. AgRg no Resp 916.168/SP, Herman Benjamin, mar/09) No mesmo sentido do entendimento ora defendido, manifestouse recentemente o e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme se infere do enunciado da ementa e dos trechos do voto condutor do julgado, a seguir transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...]Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. [...] (BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 5005999 81.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013) (grifo acrescido) Fl. 177DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11850.000034/200875 Acórdão n.º 9303003.697 CSRF‐T3 Fl. 178 11 Importante observar que, no mesmo sentido da mencionada decisão do TRF da 4ª RF, existe a Súmula CARF nº 49 A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Todavia, não se trata aqui de aplicar a Súmula 49 para resolver o presente litígio, uma vez que proferida antes das alterações promovidas pela Lei 12.350/2010. A intransigência em matéria de controles administrativos aduaneiros se justifica, muito mais do que pela questão tributáriofinanceira, pela questão da defesa do Estado nacional. A falta de pagamento de tributo, ou de parte dele, não é o único dano que se faz aos cofres públicos e à sociedade no descumprimento das regras de controle aduaneiro. Muitas vezes, a administração tributária prioriza a arrecadação de tributos e não enfatiza as razões dos controles não tributários ou aduaneiros. Assim, pode ficar a impressão de que não havendo falta de pagamento de tributos não há dano efetivo ao erário, mas essa é uma falsa observação. Cabe a administração aduaneira cumprir as decisões dos demais órgãos do Poder Executivo e de Acordos Internacionais, relativamente à saúde, à defesa da economia, à defesa dos interesses culturais, do patrimônio histórico, da segurança pública, entre outros. São atribuições fundamentadas em conhecimentos que ultrapassam largamente aqueles necessários à excelência do trabalho de fiscalização. Ao fazer o julgamento, especialmente por que não há tantos julgadores especializados em nuances do comércio internacional, passase ao largo dos verdadeiros delitos que são cometidos à sombra da ausência de danos fiscais explícitos — quero dizer — da falta de pagamento de impostos. Por último, é de se observar que o entendimento acerca da impossibilidade de aplicar a denúncia espontânea para afastar a multa capitulada no artigo no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, alcança, indistintamente, a exigência dessa penalidade nas diversas situações nas quais é aplicada, tais como: atraso na prestação de informações sobre mercadoria embarcada, sobre atracação de embarcação, sobre vinculação de manifesto de carga, etc. Afastada a aplicação da denúncia espontânea, e diante de recurso do contribuinte, o resultado do julgamento é por negar provimento ao recurso especial, resultado que deve ser aplicado aos demais processos vinculados ao julgamento deste, na sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF (recursos repetitivos). À luz do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo, por considerar inaplicável a denúncia espontânea como excludente da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo, por Fl. 178DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11850.000034/200875 Acórdão n.º 9303003.697 CSRF‐T3 Fl. 179 12 considerar inaplicável a denúncia espontânea como excludente da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Fl. 179DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 10715.002737/2010-44
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri May 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/01/2007
PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010.
Recurso Especial Provido em Parte.
Numero da decisão: 9303-003.573
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. Recurso Especial Provido em Parte. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 27 37 /2 01 0- 44 Fl. 287DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.002737/201044 Acórdão n.º 9303003.573 CSRF‐T3 Fl. 288 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Auto de Infração que exige da contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. Julgando o feito, a Turma recorrida deu provimento ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão 3801004.790, aplicando a denúncia espontânea para afastar a exigência da multa em comento. Cientificada do acórdão mencionado o Representante da Fazenda Nacional apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à exoneração da penalidade em comento por aplicação da denúncia espontânea prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a nova redação dada pela Lei 12.350, de 2010. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e o contribuinte apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º a 3º do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.551, de 26/04/2016, proferido no julgamento do processo 10715.004458/201015, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9303003.551): "O recurso é tempestivo e, ao contrário do alegado pelo sujeito passivo em suas contrarrazões, atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isso, ser admitido. Fl. 288DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.002737/201044 Acórdão n.º 9303003.573 CSRF‐T3 Fl. 289 3 De fato, ao cotejarmos o objeto desta lide com o da discutida no acórdão paradigma, vêse que tratam exatamente da mesma matéria, in casu, a multa prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . I omissis ..................................................................................................... IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . a) omissis ....................................................................................................... e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e As situações fáticas discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, como dito anteriormente, são, exatamente, as mesmas, a entrega fora do prazo das informações previstas na alínea transcrita acima, que não faz qualquer distinção se o transporte é marítimo ou aéreo. O dispositivo legal interpretado é, absolutamente, idêntico, mas os resultados dos julgamentos foram distintos. No recorrido, aplicouse a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescentese ainda que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito. Importante frisar que recorrido e paradigma, além de tratarem da mesma matéria, foram proferidos após 28/07/2010 (data da publicação da MP 497, convertida na Lei 12.350, de 20/12/2010), portanto, posteriormente à alteração promovida no art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66, que trata da denúncia espontânea nas infrações aduaneiras. Atendido, assim, todos os requisitos de admissibilidade, é de se conhecer do apelo apresentado pela Fazenda Nacional. A matéria devolvida ao Colegiado cingese, exclusivamente, à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea após a alteração promovida pela Lei 12.350/2010, para afastar a exigência da multa pelo atraso na prestações de informações sobre veículo ou carga nele transportada. O instituto da denúncia espontânea está para o Direito Tributário assim como o arrependimento eficaz e a desistência voluntária estão para o Direito Penal. Esses institutos são como uma ponte de ouro, como diriam os penalistas, para aqueles que se encontram à margem da lei, a esses é oferecida uma oportunidade de regressar ao caminho da lei, uma ponte de ouro para a legalidade. Por essa ponte só podem passar aqueles que, voluntariamente, desistem de consumar o ato ilícito, ou, se já o praticaram, evitamlhe o resultado. Fl. 289DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.002737/201044 Acórdão n.º 9303003.573 CSRF‐T3 Fl. 290 4 Nos delitos unissubsistentes1 não se admite desistência voluntária, uma vez que, praticado o primeiro ato, já se encerra a execução, tornando impossível a sua cisão. Já os crimes de mera conduta2 e os formais3 "não comportam arrependimento eficaz, uma vez que, encerrada a execução, o crime já está consumado, não havendo resultado naturalístico a ser evitado". No direito tributário, a ponte de ouro é a denúncia espontânea que nada mais é do que o reconhecimento voluntário do ilícito, e a reparação do dano ao bem jurídico violado, o que não veio a ocorrer no caso em exame. Todavia, assim como no Direito Penal, no Tributário algumas infrações não são suscetíveis de denúncia espontânea. São aquelas em que a mera conduta, por si só, já configura o ilícito, o qual, uma vez ocorrido, não há possibilidade jurídica, ou até mesmo física, de se evitar o resultado. O exemplo mais característico desse tipo de infração, é, justamente, a referente ao atraso no cumprimento de obrigação acessória, pois, no exato momento em que se exauriu o prazo legal sem que a obrigação tenha sido adimplida, a infração está configurada e o atraso não poderá ser reparado. Em outras palavras, atendose às normas do Direito Tributário, o dano relativo ao descumprimento de obrigação principal pode ser reparado, pagandose o tributo e os consectários legais. Todavia, se se tratar de infrações referentes a obrigações acessórias autônomas, a ser prestada em determinado prazo, o dano não pode ser sanado, posto que o núcleo do bem jurídico protegido, uma vez violado, não tem como ser restabelecido. Assim, por exemplo, se a obrigação era apresentar declaração até determinada data, e se esta não foi apresentada no prazo determinado, não há como cumprir a obrigação acessória tempestivamente, salvo se se voltar no tempo, ainda não possível com a tecnologia disponível hoje. No caso dos autos, a obrigação acessória autônoma, descumprida pelo transportador ou seus representantes, consistia no dever de o sujeito passivo informar os dados de embarque de mercadorias no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Notese que, uma vez exaurido o prazo para se prestar as informações sem que elas tenham sido prestadas ao órgão competente, a infração restou configurada, não havendo mais possibilidade de se evitar o resultado. Notese que, se a sanção fosse destinada, apenas e tãosomente, a punir o não cumprimento da obrigação acessória, poderseia admitir que, o adimplemento a destempo, desde que espontâneo, poderia ser beneficiado com a norma excludente da penalidade. Entretanto, se a sanção é destinada a coibir o atraso no cumprimento da obrigação, uma vez ocorrida a mora, não há que se falar em denúncia espontânea. 1 Crime unissubsistente é aquele que é realizado por ato único, não sendo admitido o fracionamento da conduta. 2 Crime de mera conduta. Assim como nos crimes formais, no crime de mera conduta o criminoso não precisa produzir um resultado. Mas, diferente do crime formal, a lei sequer olha qual era a intenção do criminoso ou se ele poderia produzir determinado resultado: basta que o criminoso aja de uma forma que a lei considera não desejada. 3 O crime formal não exige a produção do resultado para sua consumação, ainda que possível que ele ocorra. Fl. 290DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.002737/201044 Acórdão n.º 9303003.573 CSRF‐T3 Fl. 291 5 Essa questão da denúncia espontânea envolvendo descumprimento de obrigação acessória encontravase apascentada, tanto no Judiciário4 quanto no âmbito administrativo, tendo sido, inclusive, objeto de Súmula no CARF, mais precisamente, a de nº 49, cujo enunciado transcrevese a seguir: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Todavia, com a edição da Lei nº 12.350/2010, cujo art. 405 deu nova redação ao art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, a questão foi reaberta e gerou celeuma na jurisprudência e na doutrina, mas, a meu sentir, não há razão alguma para se modificar o entendimento anteriormente firmado, pois, pela razões expostas linhas acima, a novel legislação não alcança a infração objeto destes autos. Neste sentido, impecável a decisão da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção, Acórdão 310200.988, cujo voto condutor foi da lavra do insigne Conselheiro José Fernandes do Nascimento, que, com as merecidas loas, peço licença para aqui transcrever o entendimento lá adotado, como arrimo deste voto. "O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de 4 'TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. 2. Agravo Regimental não provido.” (STJ. 2ª T. AgRg nos EDcl no AREsp 209663/BA. Rel. Min. Herman Benjamin. DJe 10/05/2013).' 5 Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988). § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). (...) Fl. 291DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.002737/201044 Acórdão n.º 9303003.573 CSRF‐T3 Fl. 292 6 natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. Fl. 292DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.002737/201044 Acórdão n.º 9303003.573 CSRF‐T3 Fl. 293 7 De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez." No mesmo sentido, posicionouse o Conselheiro Solon Sehn no Acórdão 3802002.314, de 27/11/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos: "Destarte, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Exegese dessa natureza comprometeria toda a funcionalidade dos deveres instrumentais no sistema tributário. Destacase, nesse sentido, a doutrina de Yoshiaki Ichihara: 'Caso se entenda que o descumprimento de dever instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá mais infração da obrigação acessória. Seria, a rigor, uma verdadeira anistia, que somente poderá ser concedida por lei específica. Exemplificando, uma empresa que deixou de registrar e escriturar livros fiscais, com a denúncia espontânea da infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada' 6. 6 ICHIHARA, Yoshiaki. Sanções tributárias questões sugeridas. In: MACHADO, Hugo de Brito (coord.). Sanções administrativas tributárias. São Paulo: DialéticaICET, 2004, p. 502. Fl. 293DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.002737/201044 Acórdão n.º 9303003.573 CSRF‐T3 Fl. 294 8 Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. (...)" Não destoando desse entendimento, manifestouse recentemente o e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme se infere do enunciado da ementa e dos trechos do voto condutor do julgado, a seguir transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...]Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. [...] (BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 5005999 81.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013) (grifo acrescido) Importante ressaltar que o entendimento acerca da impossibilidade de aplicar a denúncia espontânea para afastar a multa capitulada no artigo no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, alcança, indistintamente, a exigência dessa penalidade nas diversas situações nas quais é aplicada, tais como: atraso na prestação de informações sobre mercadoria embarcada, atracação de embarcação, vinculação de manifesto de carga, etc. Fl. 294DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.002737/201044 Acórdão n.º 9303003.573 CSRF‐T3 Fl. 295 9 Afastada a aplicação da denúncia espontânea, necessário verificar o efeito desse entendimento sobre o resultado do julgamento, tendo em vista que a decisão neste processo será aplicada a diversos outros, na sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF (recursos repetitivos). Como a denúncia espontânea é questão prejudicial de mérito, impede o julgamento das demais questões afetas à exigência da penalidade em foco. Portanto, ainda que o voto condutor do recorrido tenha se pronunciado sobre outras questões de mérito, tal pronunciamento não representa julgamento pelo colegiado a quo, constituindo, apenas, manifestação pessoal do relator. Por isso, afastada a denúncia espontânea, deve o processo retornar à instância a quo para que sejam enfrentadas as questões de mérito trazidas pelo Sujeito Passivo no recurso voluntário. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, dáse provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Fl. 295DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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