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Numero do processo: 15578.720065/2011-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/12/2007
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. APARENTE VÍCIO DE CONTRADIÇÃO. INCONFORMISMO DA PARTE RECORRENTE. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA QUALIFICADA. FALSIDADE DA DECLARAÇÃO APRESENTADA. HIPÓTESE DE CABIMENTO. COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE TRIBUTOS. FALSIDADE CARACTERIZADA POR DECLARAÇÃO DA EXISTÊNCIA DE CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO QUE NA REALIDADE INEXISTENTE.
Cabível a imposição da multa isolada qualificada, no percentual de 150%, em virtude de débitos indevidamente compensados quando comprovada a conduta dolosa em razão da falsidade da declaração apresentada por parte da pessoa jurídica nos termos do art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003, com redação dada pelo art. 18 da Lei nº 11.488, de 2007. Assim, se o contribuinte declara possuir crédito líquido e certo que, na realidade, não revelam ter tais qualidades, está caracterizada a falsidade, a informação diversa da realidade jurídica.
Numero da decisão: 1402-002.315
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher em parte os embargos de declaração para dirimir a contradição e ratificar a decisão proferida no Acórdão 1402-001.794.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto, Demetrius Nichelle Macei, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luís Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves e Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira.
Nome do relator: LUCAS BEVILACQUA CABIANCA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/12/2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. APARENTE VÍCIO DE CONTRADIÇÃO. INCONFORMISMO DA PARTE RECORRENTE. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA QUALIFICADA. FALSIDADE DA DECLARAÇÃO APRESENTADA. HIPÓTESE DE CABIMENTO. COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE TRIBUTOS. FALSIDADE CARACTERIZADA POR DECLARAÇÃO DA EXISTÊNCIA DE CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO QUE NA REALIDADE INEXISTENTE. Cabível a imposição da multa isolada qualificada, no percentual de 150%, em virtude de débitos indevidamente compensados quando comprovada a conduta dolosa em razão da falsidade da declaração apresentada por parte da pessoa jurídica nos termos do art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003, com redação dada pelo art. 18 da Lei nº 11.488, de 2007. Assim, se o contribuinte declara possuir crédito líquido e certo que, na realidade, não revelam ter tais qualidades, está caracterizada a falsidade, a informação diversa da realidade jurídica.
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APARENTE VÍCIO DE CONTRADIÇÃO. INCONFORMISMO DA PARTE RECORRENTE. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA QUALIFICADA. FALSIDADE DA DECLARAÇÃO APRESENTADA. HIPÓTESE DE CABIMENTO. COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE TRIBUTOS. FALSIDADE CARACTERIZADA POR DECLARAÇÃO DA EXISTÊNCIA DE CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO QUE NA REALIDADE INEXISTENTE. Cabível a imposição da multa isolada qualificada, no percentual de 150%, em virtude de débitos indevidamente compensados quando comprovada a conduta dolosa em razão da falsidade da declaração apresentada por parte da pessoa jurídica nos termos do art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003, com redação dada pelo art. 18 da Lei nº 11.488, de 2007. Assim, se o contribuinte declara possuir crédito líquido e certo que, na realidade, não revelam ter tais qualidades, está caracterizada a falsidade, a informação diversa da realidade jurídica. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher em parte os embargos de declaração para dirimir a contradição e ratificar a decisão proferida no Acórdão 1402001.794. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 57 8. 72 00 65 /2 01 1- 79 Fl. 876DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto, Demetrius Nichelle Macei, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luís Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves e Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira. Fl. 877DF CARF MF Processo nº 15578.720065/201179 Acórdão n.º 1402002.315 S1C4T2 Fl. 1.167 3 Relatório Tratase de embargos de declaração opostos em 13 de março de 2015 por BRAZIL TRADING LTDA. (fls. 11961211) em face do acórdão nº 1402001.794, julgado na sessão de 27 de agosto de 2014. O contribuinte foi cientificado de tal decisão em 10 de março de 2015. A matéria de fundo do presente Recurso Voluntário é a imposição de multa isolada qualificada de 150% (art.18, Lei n.10.833) pela ausência de homologação de pretensão de direito de crédito da Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) ante falsidade declaração na medida em que as DCOMP apresentadas utilizaram créditos inexistentes de pagamentos indevidos ou a maior de PIS, criados artificiosamente por meio de retificações de Declarações de Créditos e Débitos Tributários Federais (DCTFs). Em sede do Recurso Voluntário alegou a contribuinte em suma que não restou comprovada a falsidade nem mesmo demonstrado o dolo do contribuinte a permitirse a aplicação de multa qualificada e, subsidiariamente, seu caráter confiscatório. Esta Eg.2ºT.O., da 4ªCâmara, da 1ªSecção, entendeu pela improcedência do recurso restando o acórdão assim ementado: MULTA DE OFÍCIO ISOLADA QUALIFICADA. FALSIDADE DA DECLARAÇÃO APRESENTADA. HIPÓTESE DE CABIMENTO. COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE TRIBUTOS. FALSIDADE CARACTERIZADA POR DECLARAÇÃO DA EXISTÊNCIA DE CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO QUE NA REALIDADE JURÍDICA NÃO EXISTE. Cabível a imposição da multa isolada qualificada, no percentual de 150%, em virtude de débitos indevidamente compensados quando comprovada a conduta dolosa em razão da falsidade da declaração apresentada por parte da pessoa jurídica nos termos do art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003, com redação dada pelo art. 18 da Lei nº 11.488, de 2007. Assim, se o contribuinte declara possuir crédito líquido e certo que, na realidade, não revelam ter tais qualidades, está caracterizada a falsidade, a informação diversa da realidade jurídica. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO ISOLADA. CARÁTER DE CONFISCO. INOCORRÊNCIA. A multa de lançamento de ofício isolada é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V, do art. 150 da Constituição Federal INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). Alega a embargante que o acórdão padece de omissão e contradição quando registra que “...nas situações em que se comprova a falsidade da declaração, independente se no crédito ou no débito, admitese a aplicação de multa qualificada de 150% sem que haja necessidade de se comprovar a fraude fiscal dado que a mesma não foi eleita pelo legislador como requisito de admissibilidade" Fl. 878DF CARF MF 4 Essa é a aparente contradição indicada pela Embargante na medida em que para o recorrente no processado não restou averbado expressamente a prática de falsidade de documento algum. Requer, assim, que os presentes embargos sejam acolhidos para que seja suprida a contradição da decisão afastandose a multa isolada qualificada. Fl. 879DF CARF MF Processo nº 15578.720065/201179 Acórdão n.º 1402002.315 S1C4T2 Fl. 1.168 5 Voto Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Conforme juízo de admissibilidade realizado pela Presidência desta turma, a partir das informações antes prestadas, somos pela admissibilidade dos presentes embargos na medida em que tempestivamente opostos. Sustenta a embargante que a não homologação de sua pretensão de compensação deuse exclusivamente em função da ausência de direitos creditórios não restando demonstrada falsidade de documento algum a permitir a aplicação de multa isolada qualificada. Os embargos tiveram seu processamento admitidos dada aparente contradição quanto a exigência da demonstração da falsidade de declaração de crédito enquanto sabidamente inexistente tais créditos a consubstanciar, assim, dolo. Assim sendo, impende aclarar se a caracterização da falsidade do art.18 da Lei n.10.833 se refere à mera de declaração de crédito inexistente ou demanda evidente intuito de fraude com apresentação de documento falso ponderando o contribuinte que a autoridade fiscal não fez qualquer referência dos documentos, "concluindo tratarse de compensações não homologadas por inexistência de direito creditório." A prática reiterada do contribuinte em declarar créditos que não correspondem a realidade jurídica configura dolo em lesar ao fisco, elemento bastante a justificar a imposição da multa qualificada. Senão outro foi o entendimento desta mesma turma em julgamento de relatoria do Conselheiropresidente Leonardo Couto Andrade no qual o contribuinte reiteradamente contabilizada movimentações sabidamente inexistentes: (...) Destarte, quanto à qualificação da penalidade, está configurado que, indubitavelmente, apesar de a contribuinte ter plena consciência de suas obrigações tributárias, optou, reiteradamente, por prestar ao fisco federal informações inverídicas, com o escopo de eximirse do pagamento do valor dos tributos devidos. [...] Notese que os chamados erros escusáveis se distinguem daqueles cometidos intencionalmente e de forma sistemática. O contribuinte que, reiteradamente, escritura notas fiscais inidôneas em sua contabilidade, emitidas por diversas empresas inexistentes de fato, afasta a possibilidade de desatenção eventual e enquadrase no tipo descrito no art. 72 da Lei nº 4.502/64. Tratase de prova direta, portanto, e não de presunção ou indícios, como afirma a interessada. (Acórdão n.º 1402001.266) A falta da contribuinte foi muito além da incúria na medida em que após declarar inexistentes ou reduzidos os débitos de PIS (DCTFs) retificadoras) transmitiu de modo deliberado DCOMPs utilizandose como crédito os supostos pagamentos indevidos decorrentes da retificação dos débitos originários. Fl. 880DF CARF MF 6 As declarações falsas foram prestadas reiteradamente, na medida em que várias foram as DCOMPs consubstanciadas em créditos sabidamente inexistentes, o que torna evidente o dolo do contribuinte que assumiu conscientemente o risco na contramão do que previsto na lei com vistas à apropriarse deliberadamente de crédito sabidamente inexistente, portanto, a decisão hostilizada deve ser mantida incólume. Isso posto, voto pela admissão parcial dos embargos opostos por BR TRADING LTDA e, no mérito, pelo seu improvimento na medida em que ausentes contradições quaisquer na decisão desta turma. (assinado digitalmente) – Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Fl. 881DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.721285/2008-14
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Sep 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Nov 03 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. PESSOAS NÃO VINCULADAS. COMPRADORES NÃO VINCULADOS. DIMENSÕES. PESSOAL, SOCIETÁRIAS, FAMILIARES, COMERCIAIS. PRODUTIVA. SITUAÇÕES NORMAIS DE MERCADO.
O conceito de pessoas vinculadas, para efeitos de preço de transferência, deve ser construído em face de interpretação sistemática mediante análise dos arts. 18 e 23 da Lei n° 9.430/96). A análise do preço do insumo objeto de controle do preço de transferência não deve restringir o princípio do arm's lenght apenas quanto a aspecto subjetivo mediante análise de vínculos societários, familiares ou comerciais entre as pessoas envolvidas. Há que se apreciar outra dimensão, produtiva, e compreender que não há motivos, em situações normais de mercado, para que a pessoa responsável pela importação atribua ao insumo preço superior (preço praticado) do que aquele atribuído pela pessoa responsável pela sua transformação e posterior revenda (preço parâmetro). Deve-se verificar se um ciclo produtivo entre pessoas do mesmo grupo econômico se operacionaliza sob as mesmas circunstâncias daquelas entre pessoas independentes.
IN/SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA.
Não há que se falar em ilegalidade na IN SRF nº 243/2002, cujo modelo matemático é uma evolução das instruções normativas anteriores. A metodologia leva em conta a participação do valor agregado no custo total do produto revendido. Adotando-se a proporção do bem importado no custo total, e aplicando-se a margem de lucro presumida pela legislação para a definição do preço de revenda, encontra-se um valor do preço parâmetro compatível com a finalidade do método PRL 60 e dos preços de transferência.
Numero da decisão: 9101-002.444
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte. E, no mérito, (1) quanto ao conceito de pessoa não vinculada para o método PRL, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado) e Demetrius Nichele Macei (suplente convocado), que lhe deram provimento; (2) quanto à ilegalidade da IN SRF nº 243, de 2002, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado) e Demetrius Nichele Macei (suplente convocado), que lhe deram provimento. Solicitaram apresentar declaração de voto os conselheiros Cristiane Silva Costa e Rafael Vidal de Araújo.
(assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício), André Mendes de Moura, Adriana Gomes Rego, Rafael Vidal De Araújo, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Demetrius Nichele Macei (suplente convocado em substituição à conselheira Nathália Correia Pompeu), Luis Flavio Neto e Cristiane Silva Costa.
Nome do relator: ANDRE MENDES DE MOURA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003 PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. PESSOAS NÃO VINCULADAS. COMPRADORES NÃO VINCULADOS. DIMENSÕES. PESSOAL, SOCIETÁRIAS, FAMILIARES, COMERCIAIS. PRODUTIVA. SITUAÇÕES NORMAIS DE MERCADO. O conceito de pessoas vinculadas, para efeitos de preço de transferência, deve ser construído em face de interpretação sistemática mediante análise dos arts. 18 e 23 da Lei n° 9.430/96). A análise do preço do insumo objeto de controle do preço de transferência não deve restringir o princípio do arm's lenght apenas quanto a aspecto subjetivo mediante análise de vínculos societários, familiares ou comerciais entre as pessoas envolvidas. Há que se apreciar outra dimensão, produtiva, e compreender que não há motivos, em situações normais de mercado, para que a pessoa responsável pela importação atribua ao insumo preço superior (preço praticado) do que aquele atribuído pela pessoa responsável pela sua transformação e posterior revenda (preço parâmetro). Deve-se verificar se um ciclo produtivo entre pessoas do mesmo grupo econômico se operacionaliza sob as mesmas circunstâncias daquelas entre pessoas independentes. IN/SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em ilegalidade na IN SRF nº 243/2002, cujo modelo matemático é uma evolução das instruções normativas anteriores. A metodologia leva em conta a participação do valor agregado no custo total do produto revendido. Adotando-se a proporção do bem importado no custo total, e aplicando-se a margem de lucro presumida pela legislação para a definição do preço de revenda, encontra-se um valor do preço parâmetro compatível com a finalidade do método PRL 60 e dos preços de transferência.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte. E, no mérito, (1) quanto ao conceito de pessoa não vinculada para o método PRL, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado) e Demetrius Nichele Macei (suplente convocado), que lhe deram provimento; (2) quanto à ilegalidade da IN SRF nº 243, de 2002, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado) e Demetrius Nichele Macei (suplente convocado), que lhe deram provimento. Solicitaram apresentar declaração de voto os conselheiros Cristiane Silva Costa e Rafael Vidal de Araújo. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente em Exercício (assinado digitalmente) André Mendes de Moura - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício), André Mendes de Moura, Adriana Gomes Rego, Rafael Vidal De Araújo, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Demetrius Nichele Macei (suplente convocado em substituição à conselheira Nathália Correia Pompeu), Luis Flavio Neto e Cristiane Silva Costa.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 27; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2202; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 1.614 1 1.613 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10283.721285/200814 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9101002.444 – 1ª Turma Sessão de 21 de setembro de 2016 Matéria IRPJ PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA Recorrente KEIHIN TECNOLOGIA DO BRASIL LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. PESSOAS NÃO VINCULADAS. COMPRADORES NÃO VINCULADOS. DIMENSÕES. PESSOAL, SOCIETÁRIAS, FAMILIARES, COMERCIAIS. PRODUTIVA. SITUAÇÕES NORMAIS DE MERCADO. O conceito de pessoas vinculadas, para efeitos de preço de transferência, deve ser construído em face de interpretação sistemática mediante análise dos arts. 18 e 23 da Lei n° 9.430/96). A análise do preço do insumo objeto de controle do preço de transferência não deve restringir o princípio do arm's lenght apenas quanto a aspecto subjetivo mediante análise de vínculos societários, familiares ou comerciais entre as pessoas envolvidas. Há que se apreciar outra dimensão, produtiva, e compreender que não há motivos, em situações normais de mercado, para que a pessoa responsável pela importação atribua ao insumo preço superior (preço praticado) do que aquele atribuído pela pessoa responsável pela sua transformação e posterior revenda (preço parâmetro). Devese verificar se um ciclo produtivo entre pessoas do mesmo grupo econômico se operacionaliza sob as mesmas circunstâncias daquelas entre pessoas independentes. IN/SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em ilegalidade na IN SRF nº 243/2002, cujo modelo matemático é uma evolução das instruções normativas anteriores. A metodologia leva em conta a participação do valor agregado no custo total do produto revendido. Adotandose a proporção do bem importado no custo total, e aplicandose a margem de lucro presumida pela legislação para a definição do preço de revenda, encontrase um valor do preço parâmetro compatível com a finalidade do método PRL 60 e dos preços de transferência. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 12 85 /2 00 8- 14 Fl. 1614DF CARF MF Processo nº 10283.721285/200814 Acórdão n.º 9101002.444 CSRFT1 Fl. 1.615 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte. E, no mérito, (1) quanto ao conceito de pessoa não vinculada para o método PRL, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado) e Demetrius Nichele Macei (suplente convocado), que lhe deram provimento; (2) quanto à ilegalidade da IN SRF nº 243, de 2002, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado) e Demetrius Nichele Macei (suplente convocado), que lhe deram provimento. Solicitaram apresentar declaração de voto os conselheiros Cristiane Silva Costa e Rafael Vidal de Araújo. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão – Presidente em Exercício (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício), André Mendes de Moura, Adriana Gomes Rego, Rafael Vidal De Araújo, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Demetrius Nichele Macei (suplente convocado em substituição à conselheira Nathália Correia Pompeu), Luis Flavio Neto e Cristiane Silva Costa. Relatório Tratase de Recurso Especial (efls. 1407 e segs.) interposto pela KEIHIN TECNOLOGIA DO BRASIL LTDA (Contribuinte) em face da decisão proferida no Acórdão nº 110200419 (efls. 1293 e segs), pela 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Primeira Seção, na sessão de 30/03/2011, no qual foi negado provimento ao recurso de ofício e ao recurso voluntário da contribuinte. Fl. 1615DF CARF MF Processo nº 10283.721285/200814 Acórdão n.º 9101002.444 CSRFT1 Fl. 1.616 3 Resumo das matérias A autuação fiscal relativa a preços de transferência resultou na aplicação do método PRL60 com base na fórmula prevista pela IN SRF nº 243, de 2002, com lançamentos de ofício de IRPJ e CSLL, relativos ao anocalendário de 2003. Na primeira instância (DRJ) a impugnação foi julgada procedente em parte. Foram afastados da base de cálculo aqueles insumos submetidos a operações de revenda a pessoa vinculadas à Contribuinte residentes no exterior. Por sua vez, foram mantidos na apuração do preço parâmetro os insumos que foram objeto de operação de revenda no mercado interno. Em razão do crédito tributário exonerado, o Presidente da Turma recorreu de ofício. A segunda instância (Turma Ordinária do CARF) manteve a decisão da DRJ na integralidade, para negar provimento ao recurso de ofício e negar provimento do recurso voluntário da contribuinte. Foram interpostos embargos pela Contribuinte que foram acolhidos parcialmente para reratificar a decisão sem efeitos infringentes. A Contribuinte interpôs recurso especial e a PGFN apresentou contrarrazões. O recurso foi admitido por despacho de exame de admissibilidade, sendo as matérias devolvidas a (1) conceito de pessoas não vinculadas para apuração do preço parâmetro no método PRL e (2) ilegalidade da IN SRF nº 243, de 2002. A seguir, maiores detalhes sobre a autuação fiscal e a fase contenciosa. Da Autuação Fiscal Relata a autoridade autuante que, ao intimar a Contribuinte a apresentar memórias de cálculo relativas à apuração de preços de transferência de produtos importados de sua controladora no Japão, foram relacionados apenas o cômputo de uma quantidade reduzida de insumos adotandose o método PIC. Assim, para aqueles insumos no qual a Contribuinte não apresentou apuração, a Fiscalização empregou o método PRL60 para averiguar possíveis ajustes de preços de transferência. Após interações com a Contribuinte, apurou a autoridade autuante diferenças entre preço praticado e preço parâmetro para vários insumos, que foram objeto de lançamento de ofício de IRPJ e CSLL. Da Fase Contenciosa A contribuinte apresentou impugnação (efls. 620 e segs), que foi julgada procedente em parte pela 1ª Turma da DRJ/Belém, nos termos do Acórdão nº 0113.455 (e fls. 733 e segs.). Discorreu o colegiado que as operações de revenda de mercadorias produzidas com os insumos importados pela Contribuinte de sua controladora no Japão, objeto da autuação fiscal tiveram destinos diferentes: (1) parte para empresa vinculada sediada no exterior, KEIHIN EUA, e (2) outra parte para empresas do mesmo grupo econômico da Contribuinte domiciliadas no Brasil. Entendeu que os insumos importados aplicados na produção de mercadorias que foram revendidas para a KEIHIN EUA não poderiam ter sido objeto de apuração do preço parâmetro, vez que se trata de empresa vinculada com sede no exterior (art. 18, § 3º da Lei nº 9.430, de 1996). Por sua vez, manteve a autuação relativa aos insumos importados aplicados na produção de mercadorias que foram revendidas para as demais empresas domiciliada no Brasil, por serem operações de mercado interno. A decisão foi ementada nos termos a seguir. Fl. 1616DF CARF MF Processo nº 10283.721285/200814 Acórdão n.º 9101002.444 CSRFT1 Fl. 1.617 4 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003 Ementa: DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. São improfícuos os julgados administrativos trazidos pelo sujeito passivo, pois tais decisões não constituem normas complementares do Direito Tributário, já que foram proferidas por órgãos colegiados sem, entretanto, urna lei que lhes atribuísse eficácia normativa, na forma do artigo 100, li, do Código Tributário Nacional. INSTRUÇÃO NORMATIVA. ILEGALIDADE. As Delegacias de Julgamento da Receita Federal do Brasil não possuem competência para apreciar a ilegalidade da Instrução Normativa editada pela autoridade hierárquica superior. INSTRUÇÃO NORMATIVA. OBSERVÂNCIA. As Instruções Normativas gozam de presunção de legalidade e são de observância obrigatória pelos servidores subordinados à autoridade que expediu o ato normativo. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 Ementa: PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL. VEDAÇÃO. Os preços de vendas praticados com compradores vinculados não integram o cálculo do preço parâmetro pelo método PRL (art. 18, § 3°, Lei n° 9.430/96). PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. PESSOAS VINCULADAS. O conceito de pessoas vinculadas, para efeitos de preço de transferência, se restringe àquelas domiciliadas no exterior (art. 23 e incisos, Lei n° 9.430/96). PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. ACORDOS INTERNACIONAIS. Não há contradição entre as disposições da Lei nº 9.430/96 e os acordos internacionais para evitar a bitributação, firmados pelo Brasil, em matéria relativa ao principio arm's length. Foi interposto recurso voluntário (efls. 750 e segs) pela contribuinte, apreciado pela 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Primeira Seção do CARF, na sessão de 30/03/2011. Decidiu o Acórdão nº 110200.419 (efls. 1293 e segs) negar provimento ao recurso de ofício e negar provimento ao recurso voluntário, conforme ementa a seguir. PAF RECURSO DE OFÍCIO REMESSA NECESSÁRIA CONHECIMENTO Conhecese de recurso de oficio interposto nos termos do art. 34 do Dec. n.° 70.235, de 1972, com a Fl. 1617DF CARF MF Processo nº 10283.721285/200814 Acórdão n.º 9101002.444 CSRFT1 Fl. 1.618 5 redação dada pelo art. 64 da Lei n.° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, quando os valores exonerados extrapolam o limite consignado na Portaria MF n.° 3, de 03 de janeiro de 2008. PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL.VEDAÇÃO Correta a exclusão procedida pela autoridade e primeiro grau, nos termos do art. 18, § 3º da lei 9430/1996. PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. PESSOAS VINCULADAS O conceito de pessoas vinculadas, para efeitos de preço de transferência, se restringe àquelas domiciliadas no exterior (art. 23 e incisos, Lei n° 9.430/96). PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. ACORDOS INTERNACIONAIS Nos termos da solução de consulta COSIT 06 de 23/11/2001, não há contradição entre as disposições da Lei n 9.430/96 e os acordos internacionais para evitar a bitributação, firmados pelo Brasil, em matéria relativa ao principio arm's length. A Contribuinte opôs embargos de declaração (efls. 1339 e segs), que foram acolhidos parcialmente para reratificar a decisão sem efeitos infringentes, conforme Acórdão nº 1102001.152 (efls. 1339/1350) proferido pela 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Primeira Seção, na sessão de 30/07/2014, nos termos da ementa a seguir: PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL. IN SRF 243/2002. LEGALIDADE. O cálculo dos preços de transferência pelo método do preço de revenda menos lucro de 60% (PRL60), tal como estabelecido pela Instrução Normativa SRF nº 243/2002, resulta em adições ao lucro líquido, para fins de determinação do lucro real, sempre iguais ou inferiores àquelas calculadas com base no art. 18, II, “d”, item 1, da Lei nº 9.430/96. Desta forma, não havendo o mencionado ato normativo aumentado o IRPJ e a CSLL que seriam devidos segundo a referida lei, não há que se falar em afronta ao princípio da legalidade tributária. Foi interposto pela Contribuinte recurso especial (efls. 1407 e segs.), no qual protesta sobre duas matérias: (1) impossibilidade de adoção do PRL nas vendas para pessoas vinculadas, e (2) ilegalidade da IN SRF nº 243, de 2002 em face da Lei nº 9.430, de 1996. Sobre o primeiro ponto, discorre que as matériasprimas importadas de sua controladora no Japão foram utilizadas na produção de (a) carburadores para motocicletas e foram vendidos exclusivamente para a MOTO HONDA, empresa sediada no Brasil e (b) carburadores para quadriciclos que foram vendidos exclusivamente para a KEIHIN EUA com sede nos EUA. Discorda da decisão da DRJ que apenas afastou a autuação relativa ao item (b) e defende que caberia também afastar da base de cálculo o item (a). Esclarece que ela (Contribuinte) e a MOTO HONDA são sociedades vinculadas, vez que tem em comum o sócio HSA. Analisa os arts. 18 e 23 da Lei nº 9.430, de 1996, para concluir que o conceito de vinculação para fins de preço de transferência aplicase apenas às operações de importação e exportação praticadas pelos contribuintes, e não tem repercussão nas operações de revenda objeto da apuração do preço parâmetro. Por isso, equivocouse a autoridade fiscal ao considerar as vendas realizadas pela Contribuinte para empresa vinculada com sede no Brasil, a MOTO HONDA, já que o art. 18, § 3º da Lei nº 9.430, de 1996 determina que para o cálculo do PRL somente serão considerados os preços de revenda praticados com compradores não vinculados. Discorre que Fl. 1618DF CARF MF Processo nº 10283.721285/200814 Acórdão n.º 9101002.444 CSRFT1 Fl. 1.619 6 tal interpretação é resultado da decorrência lógica da análise de legislação dos preços de transferência, e que operações realizadas com pessoas jurídicas vinculadas devem ser desconsideradas porque se trata de situação em que estará presumida a prática de preços fora de mercado. Transcreve entendimento do Acórdão nº 1103000.787 (também indicado como paradigma) para demonstrar que a manipulação dos preços de revenda empreendida entre empresas vinculadas pode corromper o sistema tributário nacional e distorcer as regras do preço de transferência, para reforçar argumento de que o conceito de vinculação descrito no art. 23 da Lei nº 9.430, de 1996 não se aplica nas operações de revenda do qual se toma base para apuração do preço parâmetro. Quanto à ilegalidade da IN SRF nº 243, de 2002, discorre que inovou, extrapolou os limites legais e encontrase em desacordo com a Lei nº 9.430, de 1996. O Despacho de Exame de Admissibilidade de efls. 1547/1554 deu seguimento ao recurso em relação às duas matérias suscitadas pela Contribuinte. Foram apresentadas contrarrazões pela PGFN (efls. 1556/1566), no qual discorre sobre o preço de transferência, o art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996 e a aplicabilidade do método PRL 60 conforme interpretação da IN SRF nº 243, de 2002 e o conceito de pessoa vinculada. Entende que o conceito de pessoa vinculada é aquele contido no art. 23 da Lei nº 9.430, de 1996, que o cerne do preço de transferência envolve hipóteses de vinculação entre uma pessoa residente e outra não residente, e que eventuais alocações de lucro entre empresas de um mesmo grupo situadas em território nacional dizem respeito a Distribuição Disfarçada de Lucros (DDL). É o relatório. Voto Conselheiro André Mendes de Moura Em relação à admissibilidade, adoto as razões do Despacho de Admissibilidade de efls. 1547/1554, com fulcro no art. 50, § 1º da Lei nº 9.784, de 1999 1, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, para conhecer do Recurso Especial da Contribuinte. Pessoas não vinculadas. Compradores não vinculados. A normatização dos preços de transferência no Brasil inserese no contexto do fenômeno da globalização, em que a competição se desenvolve em escala global, e por consequência as empresas vem empreendendo esforços no sentido de reduzir a tributação das operações internacionais. Nesse contexto, vem sendo desenvolvidos mecanismos de 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (...) V decidam recursos administrativos; (...) § 1º A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 1619DF CARF MF Processo nº 10283.721285/200814 Acórdão n.º 9101002.444 CSRFT1 Fl. 1.620 7 planejamento, nem sempre adequados, dentre os quais o conhecido como transfer pricing, no qual são realizadas operações de compra e venda entre empresas vinculadas com sítio em países diferentes, no qual as fiscalizações tributárias tem verificado, em determinadas ocasiões, a utilização de preços artificiais, de modo a deslocar a tributação para países com carga tributária menor. Não por acaso, a OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico) editou convençãomodelo sobre os preços de transferência, no sentido de que, uma vez não observado o preço arm’s length nas transações entre empresas vinculadas em diferentes países, tem o Fisco a prerrogativa de tributar o lucro que teria sido obtido pela empresa em condições regulares de negociação, a preço de mercado. O assunto também foi tratado pela Organização das Nações Unidas, no Conselho Econômico e Social, resultando na elaboração do UN Practical Manual for Developing Countries 2. No Brasil, a matéria referente aos preços de transferência foi introduzida pelo legislador por meio dos artigos 18 a 24 da Lei nº 9.430, de 1996, dispondo sobre operações relativas à importação e exportação de bens, serviços e direitos. Certamente que o legislador brasileiro, ao positivar a matéria, levou em consideração a realidade e as particularidades do país, mas não se pode deixar de verificar a adoção das diretrizes das organizações internacionais, principalmente sob a égide do princípio do arm's length. Sem, contudo, olvidarse do escopo do controle do preço de transferência, no sentido de verificar se as transações no exterior entre empresas com determinada espécie de vinculação poderiam ser utilizadas para manipular a transferência de carga tributária de um país para outro. Nesse contexto, o art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996, trata do assunto: Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: (...) II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: (Vide Medida Provisória nº 563, de 2012) a) dos descontos incondicionais concedidos; (Vide Medida Provisória nº 563, de 2012) b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; (Vide Medida Provisória nº 563, de 2012) c) das comissões e corretagens pagas; (Vide Medida Provisória nº 563, de 2012) 2 United Nations Practical Manual on Transfer Pricing for Developing Countries, http://www.un.org/esa/ffd/documents/UN_Manual_TransferPricing.pdf. Acesso em 15/03/2016. Fl. 1620DF CARF MF Processo nº 10283.721285/200814 Acórdão n.º 9101002.444 CSRFT1 Fl. 1.621 8 d) da margem de lucro de: (Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) (Vide Medida Provisória nº 563, de 2012) 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; (Incluído pela Lei nº 9.959, de 2000) 2. vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda, nas demais hipóteses. (Incluído pela Lei nº 9.959, de 2000) (...) § 1º As médias aritméticas dos preços de que tratam os incisos I e II e o custo médio de produção de que trata o inciso III serão calculados considerando os preços praticados e os custos incorridos durante todo o período de apuração da base de cálculo do imposto de renda a que se referirem os custos, despesas ou encargos. (Vide Medida Provisória nº 563, de 2012) (...) § 3º Para efeito do disposto no inciso II, somente serão considerados os preços praticados pela empresa com compradores não vinculados (...) (grifei) O caput do artigo deixa claro que as operações de importação (ou seja, com residentes no exterior) com pessoa vinculada serão objeto de controle dos preços de transferência. É precisamente a situação onde se verifica a manipulação de preços que pode ser empreendida pela empresa. Empresa do grupo sediada no exterior (País A) pode aplicar ao preço de um produto valor muito superior ao do mercado e vender a empresa do mesmo grupo no País B. A empresa no País B arca com o custo maior e tem uma base de cálculo menor a apurar. Vantagem: carga tributária no País B é mais elevada. No cômputo geral, o grupo econômico, com empresas no país A e B, mediante manipulação dos preços, viabiliza pagamento de tributos a menor. E, para se buscar um parâmetro de comparação entre o que seria o preço manipulado e o preço de mercado, um dos métodos empregados é o PRL, que toma como base as operações de revenda dos produtos importados no mercado interno, em situações consideradas imparciais. Por isso, o § 3º do artigo em análise predica que os preços praticados devem ser aqueles de transações com compradores não vinculados. Mas o que seriam compradores não vinculados? O que se quer dizer com a expressão "não vinculados"? Fato é que o art. 23 dispõe sobre o conceito de pessoa vinculada: Art. 23. Para efeito dos arts. 18 a 22, será considerada vinculada à pessoa jurídica domiciliada no Brasil: I a matriz desta, quando domiciliada no exterior; II a sua filial ou sucursal, domiciliada no exterior; Fl. 1621DF CARF MF Processo nº 10283.721285/200814 Acórdão n.º 9101002.444 CSRFT1 Fl. 1.622 9 III a pessoa física ou jurídica, residente ou domiciliada no exterior, cuja participação societária no seu capital social a caracterize como sua controladora ou coligada, na forma definida nos §§ 1º e 2º do art. 243 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976; IV a pessoa jurídica domiciliada no exterior que seja caracterizada como sua controlada ou coligada, na forma definida nos §§ 1º e 2º do art. 243 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976; V a pessoa jurídica domiciliada no exterior, quando esta e a empresa domiciliada no Brasil estiverem sob controle societário ou administrativo comum ou quando pelo menos dez por cento do capital social de cada uma pertencer a uma mesma pessoa física ou jurídica; VI a pessoa física ou jurídica, residente ou domiciliada no exterior, que, em conjunto com a pessoa jurídica domiciliada no Brasil, tiver participação societária no capital social de uma terceira pessoa jurídica, cuja soma as caracterizem como controladoras ou coligadas desta, na forma definida nos §§ 1º e 2º do art. 243 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976; VII a pessoa física ou jurídica, residente ou domiciliada no exterior, que seja sua associada, na forma de consórcio ou condomínio, conforme definido na legislação brasileira, em qualquer empreendimento; VIII a pessoa física residente no exterior que for parente ou afim até o terceiro grau, cônjuge ou companheiro de qualquer de seus diretores ou de seu sócio ou acionista controlador em participação direta ou indireta; IX a pessoa física ou jurídica, residente ou domiciliada no exterior, que goze de exclusividade, como seu agente, distribuidor ou concessionário, para a compra e venda de bens, serviços ou direitos; X a pessoa física ou jurídica, residente ou domiciliada no exterior, em relação à qual a pessoa jurídica domiciliada no Brasil goze de exclusividade, como agente, distribuidora ou concessionária, para a compra e venda de bens, serviços ou direitos. Diante do conceito de pessoa vinculada expresso no art. 23, aplicado para fins de interpretação dos arts. 18 a 22, resta evidente entendimento de que todas as demais pessoas jurídicas poderiam ser consideradas como não vinculadas. Ou seja, o conceito de pessoa vinculada, nos termos postos pela lei em análise, compreenderia o atendimento de dois requisitos cumulativos: (1) de ordem negocial, sob aspecto societário, em sentido amplo, pessoa (jurídica ou física) do mesmo grupo econômico ou com vínculo familiar ou representação exclusiva, e de (2) ordem territorial, ou seja, a sede da empresa deve ser no exterior. Fl. 1622DF CARF MF Processo nº 10283.721285/200814 Acórdão n.º 9101002.444 CSRFT1 Fl. 1.623 10 Uma primeira constatação permite interpretar que, nas operações de revenda para fins de apuração do PRL, ainda que as transações ocorreram entre empresas do mesmo grupo econômico, caso seja entre pessoas jurídicas sediadas no Brasil, não haveria que se falar em pessoa vinculada. Foi a interpretação dada pelas decisões de primeira instância (DRJ) e pela turma ordinária do CARF. No caso concreto, a autoridade autuante tomou como base para a apuração do preço parâmetro pelo método PRL operações de revenda da Contribuinte em dois cenários: (1) com pessoa do mesmo grupo econômico com sede no exterior, a KEIHIN EUA, e (2) com pessoa do mesmo grupo econômico com sede no Brasil, a MOTO HONDA. No que concerne às transações com a KEIHIN EUA, o entendimento das instâncias a quo foi no sentido de que não poderiam compor a base de cálculo do método PRL, vez que se trata de pessoa (1) do mesmo grupo econômico e (2) com sede no exterior. Ora, foram atendidos os requisitos para caracterizar a pessoa como vinculada. Por isso, tal parte foi afastada da autuação fiscal. Por outro lado, quanto às transações com a MOTO HONDA, o entendimento das instâncias a quo foi de que se tratava de pessoa não vinculada, vez que, apesar de ser do mesmo grupo econômico, tinha sede no Brasil (requisito não atendido). Tratase precisamente da matéria devolvida ao presente Colegiado. Vale transcrever fundamento da decisão recorrida: O escopo do controle dos preços de transferência consiste em evitar a transferência de lucros para o exterior, com o intuito de evitar a erosão da base tributável nacional. Em outras palavras, a busca pelo preço de mercado, livre de interferência, não é um fim em si mesmo. Buscase o preço de mercado para impedir que os lucros da empresa nacional sejam transferidos a outro país, via manipulação de preços nas operações com partes vinculadas. Se a manipulação de preços ocorre entre empresas vinculadas situadas no Brasil, não há erosão da base tributável nacional, uma vez que o lucro será devidamente tributado em uma das partes da operação (IRPJ e CSLL, além do PIS e da Cofins). Portanto, não há razão para excluir da apuração do PRL 60 as revendas efetuadas para empresa brasileira vinculada. (grifei) Entendo que o entendimento apresentado merece considerações complementares, ainda que, tomandose por base uma interpretação literal dos dispositivos legais em debate, não mereça reparos. Cabe verificar, novamente, a redação do § 3º do art. 18 da lei em debate: § 3º Para efeito do disposto no inciso II, somente serão considerados os preços praticados pela empresa com compradores não vinculados (...) (grifei) Fl. 1623DF CARF MF Processo nº 10283.721285/200814 Acórdão n.º 9101002.444 CSRFT1 Fl. 1.624 11 Para efeito da apuração do preço parâmetro pelo método PRL, somente serão considerados os preços de revenda praticados pela Contribuinte com os compradores não vinculados. O art. 23, ao definir pessoa vinculada como aquela cumulativamente (1) do mesmo grupo econômico e (2) com sede no exterior, permite, em tese, interpretação de que a pessoa não vinculada seria, por consequência, aquela do mesmo grupo econômico com sede no Brasil e aquela de grupos econômicos diferentes, independente de sua localização, conforme quadro a seguir. Art. 23 Lei nº 9.430, de 1996 Pessoa Vinculada e Não Vinculada Brasil Exterior Mesmo Grupo Econômico PJ Não vinculada PJ Vinculada Diferente Grupo Econômico PJ Não vinculada PJ Não vinculada O conceito de pessoa vinculada deve ser analisado sob duas perspectivas. Quanto à investigação do preço praticado, não há dúvidas quanto ao contexto em que se insere a pessoa vinculada: é aquela situada no exterior e do mesmo grupo econômico da empresa importadora. Tratase da essência do controle dos preços de transferência. Fica claro, portanto, porque não se pode falar de pessoa jurídica não vinculada quando se trata de empresa do mesmo grupo econômico e residente no exterior. Por sua vez, sob o enfoque da apuração do preço parâmetro, poderia soar estranho, a princípio, admitir que empresas do mesmo grupo econômico, só porque tem sede no Brasil, poderiam ser utilizadas no método de comparação de preços, principalmente diante do princípio arm's lenght que predica um cotejo entre operações com associadas (que negociam o preço praticado) e operações entre pessoas independentes (preço parâmetro). Contudo, há que se considerar que, a depender do insumo a ser analisado, caso se trate de uma produção especializada, seja fabricado apenas por determinado grupo econômico, sendo objeto de comparação impossível com outros produzidos por diferentes empresas. Inclusive, tal argumento é utilizado em várias oportunidades pelas empresas objeto de fiscalização de preços de transferência, no qual, quando intimadas a apresentar memórias de cálculo de composição de custos, relatam dificuldades e respondem de que seus produtos são únicos no mercado e não se encontram similares que poderiam ser objeto de comparação. A busca para se aferir o preço parâmetro deve ser otimizada, tanto para a pessoa jurídica quanto para o Fisco. Obviamente que a situação ideal seria aquela em que se encontrasse uma transação com o mesmo insumo envolvendo pessoas diferentes sem nenhuma Fl. 1624DF CARF MF Processo nº 10283.721285/200814 Acórdão n.º 9101002.444 CSRFT1 Fl. 1.625 12 natureza de associação. Contudo, não há como se negar a especificidade de determinados insumos, sobre os quais em razão de sua singularidade não é possível encontrar nada similar no mercado. É precisamente nesse contexto que se deve relativizar a aplicação dos princípios, que devem nortear, mas não inviabilizar o propósito da norma, que é o de se buscar uma base de comparação entre o preço praticado e o preço parâmetro. Assim, não há razões para se restringir o conceito de pessoa jurídica não vinculada para aquela residente no Brasil, ainda que do mesmo grupo econômico da empresa objeto de controle do preço de transferência. Outro aspecto é melhor apresentado mediante um exemplo. Considerese situação na qual a empresa B, no Brasil, importa insumo X da empresa A, sua controladora no exterior. Em seguida, utiliza o insumo X para produção e revende para empresa C, também no Brasil e do mesmo grupo empresarial. Ora, uma fiscalização sobre as operações das três empresas, sob perspectiva de comparação de preços para apuração de possíveis desvios a título de preços de transferência em nada poderia prejudicar a contribuinte. Tratase de comparação entre o preço praticado na importação para o insumo X, e o mesmo insumo X transformado e revendido para empresa do mesmo grupo, ou seja, duas operações, de importação e de revenda, comparadas dentro de um mesmo ciclo produtivo. Podese dizer que é um cotejo realizado dentro de uma situação ideal sob a perspectiva do ente fiscalizado. E obviamente, numa situação como a descrita, entre operações do mesmo grupo econômico, se for constatado um preço de importação distorcido para o insumo X, altamente elevado, fato comprovado em face de sua revenda em valor inferior para outra empresa, repitase, do mesmo grupo econômico, resta evidenciada de maneira irrefutável a manipulação do preço. Tudo o que foi dito para concluir que a análise do preço do insumo sob a perspectiva do arm's lenght não deve se restringir apenas quanto ao aspecto subjetivo, ou seja, mediante análise apenas de vínculos societários, familiares ou comerciais entre as pessoas envolvidas. O teste da realidade demonstra que pode, sim, ser visto sob outra dimensão, qual seja, a produção, o procedimento de transformação do insumo em análise. Etapa 1 é a importação. Etapa 2, sequência da anterior, é a utilização do insumo, sua transformação e posterior revenda dentro de um produto. E, a partir da premissa apresentada, situação normal, regular, dentro dos parâmetros de mercado, não admitiria que a parte responsável pela Etapa 1 atribuísse ao insumo do preço de 100 unidades, e a parte responsável pela Etapa 2 o preço de 50 unidades. Ora, a manipulação do preço de importação é incontestável (de 50 unidades para 100 unidades). Nos parâmetros do arm's lenght, entre pessoas independentes, o preço do insumo na Etapa 1 seria de 50 unidades, e seria o mesmo na Etapa 2, para fins de apuração do preço de revenda. A comparação que se busca, portanto, é se um ciclo produtivo entre pessoas do mesmo grupo econômico se operacionaliza sob as mesmas circunstâncias daquelas que seriam entre pessoas independentes. Nesse sentido, entendo não haver reparos na decisão proferida pela DRJ e pela Turma Ordinária do CARF, que extraíram a melhor interpretação dos arts. 18 e 23 da Lei nº 9.430, de 1996. Fl. 1625DF CARF MF Processo nº 10283.721285/200814 Acórdão n.º 9101002.444 CSRFT1 Fl. 1.626 13 Deve ser mantida, portanto, a apuração do preço parâmetro com base nas operações com a MOTO HONDA. IN SRF nº 243, de 2002. Sobre a ilegalidade de IN SRF nº 243, de 2002, em face do art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996, tratase de assunto já bastante debatido, sendo objeto de profundas análises pela jurisprudência e pela doutrina. Delimitando a discussão do presente voto às operações de importação, tratadas no caso concreto, observase que foram adotados pelo legislador brasileiro os métodos PIC (Preços Independentes Comparados), PRL (Preço de Revenda Menos Lucro) e CPL (Custo de Produção mais Lucro), inspirados, respectivamente, nos métodos internacionais Comparable Uncontrolled Price (CUP), Resale Price Method e o Cost Plus Method. Especificamente em relação ao método PRL, vale transcrever a redação em vigor à época dos fatos objeto da autuação: Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: (...) II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: (Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; (Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) 2. vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda, nas demais hipóteses. (Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) Foram empreendidas grandes discussões em torno dos limites que a administração tributária teria que obedecer para encontrar um modelo matemático compatível com as diretrizes estabelecidas pela lei. E de fato, em razão da complexidade da matéria, foram editados vários atos administrativos, buscando encontrar um modelo adequado para a devida apuração do preço parâmetro. Fl. 1626DF CARF MF Processo nº 10283.721285/200814 Acórdão n.º 9101002.444 CSRFT1 Fl. 1.627 14 Debates intensos se sucederam analisando se os atos administrativos, editados com base no art. 100, inciso I do CTN 3, extrapolaram os limites da lei. Assunto tratado pela jurisprudência e doutrina, pelo vênia para transcrever as valiosas lições de Luís Eduardo Schoueri 4 : 3.11 Em certas circunstâncias, a regulamentação dos preços de transferência pode, sim, exigir a edição de ato administrativo para que se torne viável sua aplicação. (...) 3.12.2 Com efeito, a mera leitura dos dispositivos que tratam dos preços de transferência na Lei nº 9.430/96 revela que sua disciplina foi bastante enxuta. O legislador limitouse a definir os métodos aplicáveis e as consequências de os preços praticados superarem os limites legais. (...) 3.12.2.2 Obviamente, se a Instrução Normativa extrapolar a lei, será esta, e nunca aquela, que prevalecerá. Mas como saber se a Instrução Normativa ultrapassou a lei? 3.12.3 Surge, aqui, a importância do princípio do arm's lenght. Como já ficou esclarecido, é este princípio o bastião de constitucionalidade da Lei nº 9.430/96 5 Os ajustes impostos por esta lei se consideram constitucionais porque concretizam aquela princípio. 3.12.4 Nesse passo, surge a seguinte regra: a regulamentação da Lei nº 9.430/96 estará conforma a própria lei se estiver concretizando o princípio arm's length. 3.12.5 Quando, por outro lado, a regulamentação da Lei nº 9.430/96 emprestarlhe interpretação que se afaste do referido princípio, então há que se investigar a existência de outro princípio que justifique tal construção normativa. O desvio poderá indicar a concretização de outro valor constitucional, igualmente prestigiado pelo Ordenamento. Tal será o caso, por exemplo, quando a norma, desviandose do princípio arm's length, tiver sua justificativa em sua função indutora, ao buscar fomentar o desenvolvimento da economia nacional. 3.12.6 Não se encontrando a norma assim construída apoiada nem no princípio arm's length nem em outro fundamento constitucional, então tal interpretação será repudiada, denunciandose a ilegalidade da Instrução Normativa. Exemplos de tal afastamento não faltam. (grifei) 3 Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; (...) 4 SCHOUERI, Luís Eduardo. Preços de Transferência no Direito Tributário Brasileiro 3. ed. rev. a atual. São Paulo : Dialética, 2013, p. 5759 5 Cf. Ricardo Lobo Torres, "O Princípio Arm's Length, os Preços de Transferência e a Teoria de Interpretação do Direito Tributário", Revista Dialética de Direito Tributário nº 48, setembro de 1999, pp. 122135 (123) Fl. 1627DF CARF MF Processo nº 10283.721285/200814 Acórdão n.º 9101002.444 CSRFT1 Fl. 1.628 15 Não obstante o autor, no decorrer de sua obra, entender pela ilegalidade da IN SRF nº 243, de 2002, entendo que a premissa colocada, no sentido de se verificar se o ato normativo concretizou o princípio do arm's length, mostrase como uma referência a ser prestigiada. A redação do artigo em debate foi construída de maneira a amparar diferentes modelos matemáticos, desde que estejam em consonância com o princípio arm's length. E é precisamente o que se verifica no decorrer das instruções normativas editadas visando regulamentar o previsto no art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996. De fato, optou o legislador, ao positivar a matéria, dispor sobre diretriz a ser seguida pelo método, e não adentrar na fórmula matemática, que, por consequência, foi tarefa delegada a tarefa para o ato administrativo complementar. Natural, portanto, movimento no sentido de se buscar um modelo matemático adequado à realidade e ao espírito da norma. Tanto que a lei primeiro foi regulamentada pela IN SRF nº 113, de 2000, depois pela IN SRF nº 32, de 2001, e, sem seguida, pela IN SRF nº 243, de 2002. Discussões foram empreendidas no sentido de compreender com quem a expressão do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção estaria fazendo referência, se à redação dada pelo art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996 (1) do caput do inciso II, PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos:, ou (2) da alínea "d", "1", sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e (...). No primeiro caso, discorreuse que se trataria de erro técnica legislativa inapropriada, ou seja, a expressão do valor agregado estaria correta, mas deveria estar inserida como uma nova alínea. Na segunda situação, falouse em erro gramatical, no sentido de que não se quis dizer do valor agregado, e sim o valor agregado, que estaria concordando com a expressão deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e (...) 6. Aplicandose as orientações do modelo matemático proposto pela IN SRF nº 32, de 2001, quaisquer das interpretações conduziram a uma distorção na apuração do preço parâmetro, principalmente em razão do tratamento conferido ao valor agregado, considerado de maneira isolada, completamente desconectado do processo produtivo. Admitindose a técnica legislativa inapropriada, a fórmula teria os seguintes contornos: PP = PL 0,6xPL VA Desenvolvendo a equação, terseia: PP = 0,4xPL VA onde PP: preço parâmetro, PL: preço líquido de revenda, VA: valor agregado no país. 6 GREGÓRIO, Ricardo Marozzi. Preços de Transferência: uma avaliação da sistemática do método PRL. In: Tributos e Preços de Transferência. 3º vol. São Paulo: Dialética, 2009. p. 170195. Fl. 1628DF CARF MF Processo nº 10283.721285/200814 Acórdão n.º 9101002.444 CSRFT1 Fl. 1.629 16 Percebese PP e VA na condição de grandezas inversamente proporcionais. Com um VA elevado, o preço parâmetro poderia atingir um valor negativo. Ao ser tratado de maneira isolada, descontextualizada do processo produtivo, conferiuse ao valor agregado um peso desproporcional na equação. Ou seja, o modelo matemático não se prestaria a refletir a realidade da situação em análise. Por outro lado, admitindose um erro gramatical, terseia a fórmula: PP = PL 0,6x(PL VA) Desenvolvendo a equação: PP = 0,4xPL + 0,6xVA onde PP: preço parâmetro, PL: preço líquido de revenda, VA: valor agregado no país. Neste caso a distorção seria tão evidente quanto a anterior, mas para um outro extremo. O PP e o VA estariam na condição de grandezas diretamente proporcionais. Da mesma maneira que na equação anterior, foi conferido ao valor agregado um peso desproporcional na equação. Percebese que, agregandose valor ao produto produzido no país, eventual distorção no preço do produto importado seria completamente neutralizada. O resultado implicaria em ausência de ajuste do preço do preço parâmetro mesmo diante da manipulação dos preços de produtos importados, quando o valor agregado respondesse por uma proporção significativa do produto. Várias demonstrações foram elaboradas, visando credenciar ou descredenciar a validade das fórmulas diante de vários casos concretos. Fato é que, com a IN SRF nº 243, de 2002, a nova fórmula desenhada mostrouse, indiscutivelmente, mais adequada e apta a refletir com maior realidade a metodologia do PRL, levando em consideração que a diminuição do valor agregado, a ser aplicada sobre o preço de revenda do bem ou direito, darseá de maneira proporcional, na medida da participação do custo do bem importado em relação ao preço do custo total do bem. Define com clareza que o valor agregado é parte da composição do custo total do bem, e não uma grandeza isolada, como na equação da IN SRF nº 32, de 2001. Não poderia ser diferente. O custo total é resultado da soma do custo do bem importado e do valor agregado no país. O valor agregado integra o custo, vez que agrega ao produto uma qualidade, um diferencial, que, por consequência, irá compor o custo total7. Assim, construiuse a fórmula no sentido de encontrar a proporção do custo do bem importado em relação ao custo total, dividindose o custo do bem importado pela soma do custo bem importado e o valor agregado: (custo do bem importado) / (custo do bem importado + valor agregado). A proporção encontrada foi aplicada para o cômputo do preço de transferência. Vale transcrever o § 11, do art. 12, da IN SRF nº 243, de 2002: § 11. Na hipótese do § 10, o preço parâmetro dos bens, serviços ou direitos importados será apurado excluindose o valor agregado no País e a margem de lucro de sessenta por cento, conforme metodologia a seguir: 7 Ver Acórdão nº 9101002.175 (p. 22), do Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão. Fl. 1629DF CARF MF Processo nº 10283.721285/200814 Acórdão n.º 9101002.444 CSRFT1 Fl. 1.630 17 I preço líquido de venda: a média aritmética ponderada dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; II percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido: a relação percentual entre o valor do bem, serviço ou direito importado e o custo total do bem produzido, calculada em conformidade com a planilha de custos da empresa; III participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido: a aplicação do percentual de participação do bem, serviço ou direito importado no custo total, apurado conforme o inciso II, sobre o preço líquido de venda calculado de acordo com o inciso I; IV margem de lucro: a aplicação do percentual de sessenta por cento sobre a " participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido" , calculado de acordo com o inciso III; V preço parâmetro: a diferença entre o valor da " participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido" , calculado conforme o inciso III, e a margem de lucro de sessenta por cento, calculada de acordo com o inciso IV. (grifei) O modelo matemático proposto pode ser apresentado na seguinte equação: PP = PLxPPart 0,6xPLxPPart Considerando PLxPPart = PBProd, então a fórmula seria: PP = PBProd 0,6xPBProd, ou PP = 0,4 x PBProd onde PP: preço parâmetro; PL: preço líquido de venda, PPart: percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido e PBProd: participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido. Destrinchando os elementos da equação, o PL (preço líquido de venda) é definido nos seguintes termos: PL = média aritmética ponderada de PV D I C onde PV: preços de venda do bem produzido, D: descontos incondicionais concedidos, I: impostos e contribuições sobre as vendas, C: comissões e corretagens pagas, e N: quantidade de produtos importados Por sua vez, o PPart (percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido), é definido por: Fl. 1630DF CARF MF Processo nº 10283.721285/200814 Acórdão n.º 9101002.444 CSRFT1 Fl. 1.631 18 CII PPart = CTBP ou, ainda, por: CII PPart = CII + valor agregado onde CII: custo do valor do bem, serviço ou direito importado e CTBP: o custo total do bem produzido, resultado da soma entre o CII e o valor agregado. A diminuição do valor agregado, pretendida pela lei, foi modelada na equação pela introdução do valor agregado no denominador da divisão. Quanto maior a participação no valor agregado, obviamente, menor a participação do preço do produto importado na composição do custo total e, por isso, menor a sua colaboração na composição do preço de transferência. Observase que, numa situação limite, se não houvesse valor agregado (que receberia o valor zero), o percentual de participação do produto importado seria CII dividido por CII, resultando em 1, ou seja, 100%. Registrese que se trata de situação hipotética, que se presta a mostrar a validade do modelo proposto, isso porque a legislação trata da situação em que não há agregação de valor no art. 18, inciso II, alínea "d", item 2 da Lei nº 9.430, de 1996. Retomando à equação, de acordo com a definição da instrução normativa, a PBProd (participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido) é assim definida: CII PBProd = (média aritmética ponderada de PV D I C) x CTBP Enfim, o Preço Parâmetro, definido no inciso V, § 11, do art. 12, da IN SRF nº 243, de 2002, é a diferença entre a PBProd e o percentual de margem de lucro aplicado sobre o PBProd. Ou seja: PP = PBProd margem de lucro x PBProd Desenvolvendo a fórmula, temse: PP = PBProd x (1 margem de lucro) Observase que o PBProd é o preço de revenda do produto importado, calculado a partir de sua participação no preço de revenda do produto produzido que teve agregação de valor no país. E, aplicandose o percentual de presunção de margem de lucro de 60%: PP = PBProd x (1 0,6) PP = 0,4 x PBProd Fl. 1631DF CARF MF Processo nº 10283.721285/200814 Acórdão n.º 9101002.444 CSRFT1 Fl. 1.632 19 No mencionado UN Practical Manual for Developing Countries 8, ao discorrer sobre o Resale Price Method (que se trata do PRL), a fórmula empregada é a mesma. Vale transcrever o item 6.2.6.3 do documento: 6.2.6.3. . Consequently, under the RPM the starting point of the analysis for using the method is the sales company. Under this method the transfer price for the sale of products between the sales company (i.e. Associated Enterprise 2) and a related company (i.e. Associated Enterprise 1) can be described in the following formula: TP = RSP x (1 GPM), where: TP = the Transfer Price of a product sold between a sales company and a related company; RSP = the Resale Price at which a product is sold by a sales company to unrelated customers; and GPM = the Gross Profit Margin that a specific sales company should earn, defined as the ratio of gross profit to net sales. Gross profit is defined as Net Sales minus Cost of Goods Sold. Na equação TP = RSP x (1 GPM), TP é o preço praticado, RSP é o preço de revenda do produto importado, e o GPM o percentual de presunção de lucro aplicado sobre o preço de revenda. Vale transcrever, novamente, a fórmula empregada pela IN SRF nº 243, de 2002: PP = PBProd x (1 margem de lucro), onde PP é o preço praticado, PBProd é o preço de revenda do insumo importado levandose em consideração sua participação no preço de revenda total do produto, e a margem de lucro é o percentual de presunção do lucro aplicado sobre o preço de revenda. Aplicandose nas fórmulas o percentual de presunção de lucro de 60%, temos: UN Practical Manual for Developing Countries IN SRF 243, de 2002 TP = RSP x (1 0,6) TP = 0,4 x RSP, onde RSP é o preço de revenda do produto importado e o TP é o preço de transferência. PP = PBProd x (1 0,6) PP = 0,4 x PBProd, onde PBProd é o preço de revenda do produto importado e PP é o preço de transferência. 8 United Nations Practical Manual on Transfer Pricing for Developing Countries, http:www.un.org/esa/ffd/documents/UN_Manual_TransferPricing.pdf. Acesso em 15/03/2016. Fl. 1632DF CARF MF Processo nº 10283.721285/200814 Acórdão n.º 9101002.444 CSRFT1 Fl. 1.633 20 Percebese que o modelo matemático adotado pela IN SRF nº 243, de 2002, guarda consonância com os padrões internacionais, e não foge das diretrizes estabelecidas pelo art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996. Na realidade, a normatização empreendida pela instrução normativa foi uma evolução do modelo matemático perseguido pela lei. Primeiro, porque considerou, acertadamente, que a apuração do custo total do produto revendido consiste na soma do preço produto importado e mais o valor agregado no país, tornado possível calcular a efetiva participação do preço do produto importado na composição do custo total do produto revendido, base sobre a qual se aplica o preço de revenda e a margem de lucro presumida. Segundo, tratase de modelo em harmonia com as diretrizes internacionais, estabelecidas com sob a égide do princípio do arm's length. Tampouco há que se falar que os preços de transferência, no Brasil, tiveram como outro objetivo, além do princípio do arm's length, ser instrumento de fomento à indústria nacional, razão pela qual se poderia recepcionar entendimento de que teria havido o erro gramatical na redação da lei, o que conduziria o preço parâmetro à fórmula "PP = PL 0,6x(PL VA)". A exposição de motivos da Lei nº 9.430, de 1996, ao discorrer sobre os artigos 18 a 24, esclarece que a norma é instrumento de combate à elisão internacional: As normas contidas nos artigos 18 a 24 representam significativo avanço da legislação nacional face ao ingente processo de globalização experimentado pelas economias contemporâneas. No caso específico, em conformidade com as regras adotadas da OCDE. São propostas normas que possibilitem o controle dos denominados “Preços de Transferência”, de forma a evitar a prática, lesiva aos interesses nacionais, de transferências de recursos para o Exterior, mediante a manipulação dos preços pactuados nas importações ou exportações de bens, serviços ou direitos, em operações com pessoas vinculadas, residentes ou domiciliadas no Exterior. De qualquer maneira, há que se considerar que o modelo preconizado pela OCDE trata de diretrizes, sem o condão de retirar a autonomia que cada país tem para dispor sobre a matéria em seu ordenamento jurídico. (grifei) Tratase de norma com objetivo primordial de corrigir distorções entre o preço praticado nas operações de uma empresa e suas vinculadas, adotandose como parâmetro o preço de mercado negociado entre empresas independentes, em referência clara ao princípio do arm's length. Não há, portanto, que se falar em ilegalidade da IN SRF nº 243, de 2002, em face do disposto no art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996. A jurisprudência vem ratificando tal entendimento. Recentemente, na sessão de janeiro de 2016, o presente Colegiado julgou, por maioria de votos, pela legalidade da IN SRF nº 243, de 2002, tendo o Acórdão nº 9101002.175 apresentado a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Fl. 1633DF CARF MF Processo nº 10283.721285/200814 Acórdão n.º 9101002.444 CSRFT1 Fl. 1.634 21 Anocalendário: 2003 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. AJUSTE, IN/SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA. Descabe a argüição de ilegalidade na IN SRF nº 243/2002 cuja metodologia busca proporcionalizar o preço parâmetro ao bem importado aplicado na produção. Assim, a margem de lucro não é calculada sobre a diferença entre o preço líquido de venda do produto final e o valor agregado no País, mas sobre a participação do insumo importado no preço de venda do produto final, o que viabiliza a apuração do preço parâmetro do bem importado com maior exatidão, em consonância ao objetivo do método PRL 60 e à finalidade do controle dos preços de transferência. O voto faz referência a jurisprudência judicial, como, por exemplo, da Terceira Turma Tribunal Regional Federal da 3ª Região, que decidiu rever seu entendimento anterior e decidir pela legalidade da sistemática do PRL 60 estabelecida na IN SRF nº 243/2002, por unanimidade de votos, no julgamento do processo nº 2003.61.00.0173814/SP: APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA. MÉTODO DE PREÇO DE REVENDA MENOS LUCRO PRL. LEI Nº 9.430/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 243/02. APLICABILIDADE. 1. Caso em que a impetrante pretende apurar o Método de Preço de Revenda menos Lucro PRL, estabelecido na Lei n.º 9.430/96, sem se submeter às disposições da IN/SRF n.º 243/02. 2. Em que pese sejam menos vantajosos para a impetrante, os critérios da Instrução Normativa n. 243/2002 para aplicação do método do Preço de Revenda Menos Lucro (PRL) não subvertem os paradigmas do art. 18 da Lei n. 9.430/1996. 3. Ao considerar o percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido, a IN 243/2002 nada mais está fazendo do que levar em conta o efetivo custo daqueles bens, serviços e direitos na produção do bem, que justificariam a dedução para fins de recolhimento do IRPJ e da CSLL. 4. Apelação improvida. (Divulgado no Diário Eletrônico da Justiça Federal da 3ª Região, em 18/2/2011. A Terceira Turma rejeitou os embargos opostos contra o acórdão, e manteve a orientação pela legalidade da IN nº 243/2002, em 5/5/2011.) Vale também transcrever ementa de decisão do processo nº 2003.61.00.0061258/SP, da Sexta Turma do TRF3: TRIBUTÁRIO TRANSAÇÕES INTERNACIONAIS ENTRE PESSOAS VINCULADAS MÉTODO DO PREÇO DE REVENDA MENOS LUCRO PRL 60 APURAÇÃO DAS BASES DE CÁLCULO DO IRPJ E DA CSLL EXERCÍCIO DE Fl. 1634DF CARF MF Processo nº 10283.721285/200814 Acórdão n.º 9101002.444 CSRFT1 Fl. 1.635 22 2002 LEIS NºS. 9.430/96 E 9.959/00 E INSTRUÇÕES NORMATIVAS/SRF NºS. 32/2001 E 243/2002 PREÇO PARÂMETRO MARGEM DE LUCRO VALOR AGREGADO LEGALIDADE INOCORRÊNCIA DE OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DEPÓSITOS JUDICIAIS. 1. Constitui o preço de transferência o controle, pela autoridade fiscal, do preço praticado nas operações comerciais ou financeiras realizadas entre pessoas jurídicas vinculadas, sediadas em diferentes jurisdições tributárias, com vista a afastar a indevida manipulação dos preços praticados pelas empresas com o objetivo de diminuir sua carga tributária. 2. A apuração do lucro real, base de cálculo do IRPJ, e da base de cálculo da CSLL, segundo o Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL, era disciplinada pelo art. 18, II e suas alíneas, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 9.959/00 e regulamentada pela IN/SRF nº 32/2001, sistemática pretendida pela contribuinte para o ajuste de suas contas, no exercício de 2002, afastandose os critérios previstos pela IN/SRF nº 243/2002. 3. Contudo, ante à imprecisão metodológica de que padecia a IN/SRF nº 32/2001, ao dispor sobre o art. 18, II, da Lei nº 9.430/96, com a redação que lhe deu a Lei nº 9.959/00, a qual não espelhava com fidelidade a exegese do preceito legal por ela regulamentado, baixou a Secretaria da Receita Federal a IN/SRF nº 243/2002, com a finalidade de refletir a mens legis da regramatriz, voltada para coibir a evasão fiscal nas transações comerciais com empresas vinculadas sediadas no exterior, envolvendo a aquisição de bens, serviços ou direitos importados aplicados na produção. 4. Destarte, a IN/SRF nº 243/2002, sem romper os contornos da regramatriz, estabeleceu critérios e mecanismos que mais fielmente vieram traduzir o dizer da lei regulamentada. Deixou de referirse ao preço líquido de venda, optando por utilizar o preço parâmetro daqueles bens, serviços ou direitos importados da coligada sediada no exterior, na composição do preço do bem aqui produzido. Tal sistemática passou a considerar a participação percentual do bem importado na composição inicial do custo do produto acabado. Quanto à margem de lucro, estabeleceu dever ser apurada com a aplicação do percentual de 60% sobre a participação dos bens importados no preço de venda do bem produzido, a ser utilizada na apuração do preço parâmetro. Assim, enquanto a IN/SRF nº 32/2001 considerava o preço líquido de venda do bem produzido, a IN/SRF nº 243/2002, considera o preço parâmetro, apurado segundo a metodologia prevista no seu art. 12, §§ 10, e 11 e seus incisos, consubstanciado na diferença entre o valor da participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido, e a margem de lucro de sessenta por cento. Fl. 1635DF CARF MF Processo nº 10283.721285/200814 Acórdão n.º 9101002.444 CSRFT1 Fl. 1.636 23 5. O aperfeiçoamento fezse necessário porque o preço final do produto aqui industrializado não se compõe somente da soma do preço individuado de cada bem, serviço ou direito importado. À parcela atinente ao lucro empresarial, são acrescidos, entre outros, os custos de produção, da mão de obra empregada no processo produtivo, os tributos, tudo passando a compor o valor agregado, o qual, juntamente com a margem de lucro de sessenta por cento, mandou a lei expungir. Daí, a necessidade da efetiva apuração do custo desses bens, serviços ou direitos importados da empresa vinculada, pena de a distorção, consubstanciada no aumento abusivo dos custos de produção, com a consequente redução artificial do lucro real, base de cálculo do IRPJ e da base de cálculo da CSLL a patamares inferiores aos que efetivamente seriam apurados, redundar em evasão fiscal. 6. Assim, contrariamente ao defendido pela contribuinte, a IN/SRF nº 243/2002, cuidou de aperfeiçoar os procedimentos para dar operacionalidade aos comandos emergentes da regra matriz, com o fito de determinarse, com maior exatidão, o preço parâmetro, pelo método PRL60, na hipótese da importação de bens, serviços ou direitos de coligada sediada no exterior, destinados à produção e, a partir daí, comparandoseo com preços de produtos idênticos ou similares praticados no mercado por empresas independentes (princípio arm's length), apurarse o lucro real e as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. 7. Em que pese a incipiente jurisprudência nos Tribunais pátrios sobre a matéria, ainda relativamente recente em nosso meio, temna decidido o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, do Ministério da Fazenda, não avistando o Colegiado em seus julgados administrativos qualquer eiva na IN/SRF nº 243/2002. Confirase a respeito o Recurso Voluntário nº 153.600 processo nº 16327.000590/200460, julgado na sessão de 17/10/2007, pela 5ª Turma/DRJ em São Paulo, relator o conselheiro José Clovis Alves. No mesmo sentido, decidiu a r. Terceira Turma desta Corte Regional, no julgamento da apelação cível nº 001738130.2003.4.03.6100/SP, Relator o e. Juiz Federal Convocado RUBENS CALIXTO. 8. Outrossim, impõese destacar não ter a IN/SRF nº 243/2002, criado, instituído ou aumentado os tributos, apenas aperfeiçoou a sistemática de apuração do lucro real e das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, pelo Método PRL60, nas transações comerciais efetuadas entre a contribuinte e sua coligada sediada no exterior, reproduzindo com maior exatidão, o alcance previsto pelo legislador, ao editar a Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 9.959/2000, visando coibir a elisão fiscal. [...] (Divulgado no Diário Eletrônico da Justiça Federal da 3ª Região, em 1/9/2011. Grifos nossos) Portanto, não há que se falar em ilegalidade na IN SRF nº 243/2002, cujo modelo matemático é uma evolução das instruções normativas anteriores. A metodologia leva em conta a participação do valor agregado no custo total do produto revendido. Adotandose a proporção do bem importado no custo total, e aplicando a margem de lucro presumida pela Fl. 1636DF CARF MF Processo nº 10283.721285/200814 Acórdão n.º 9101002.444 CSRFT1 Fl. 1.637 24 legislação para a definição do preço de revenda, encontrase um valor do preço parâmetro compatível com a finalidade do método PRL 60 e dos preços de transferência. Aplicase à CSLL o decidido no IRPJ, vez que compartilham o mesmo suporte fático e matéria tributável. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de conhecer e negar provimento ao recurso da Contribuinte. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Relator Declaração de Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araújo. Acompanho o relator, adicionando algumas reflexões. Faço considerações a respeito dos §§ 2º e 3º do art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996, que têm a seguinte redação: § 2º Para efeito do disposto no inciso I, somente serão consideradas as operações de compra e venda praticadas entre compradores e vendedores não vinculados. § 3º Para efeito do disposto no inciso II, somente serão considerados os preços praticados pela empresa com compradores não vinculados. É sabido que o método PIC inadmite que sejam utilizados preços que não são independentes, ou seja, no caso do método PIC não podem ser utilizados preços entre pessoas vinculadas, sejam vinculadas no exterior (art. 23 da Lei nº 9.430/96), sejam vinculadas no mercado nacional ou interno. Sabendose que o §2º do art. 18 apenas menciona “compradores não vinculados”, ao invés de “compradores não vinculados no exterior”, e aplicando a regra geral de Direito da não distinção (ubi lex non distinguir, nec nos distinguere debemus: onde a lei não distingue, não pode o intérprete distinguir), então o intérprete, mal conduzido por esse caminho, poderia pensar que o §2º do art. 18 comporta exceção (ou talvez uma complementação) ao art. 23. Esse entendimento estaria corroborado pelo que diz o art. 8º, parágrafo único, inciso I, da Instrução Normativa SRF nº 243, de 11/11/2002, que traz expressamente o termo “não residente”: Fl. 1637DF CARF MF Processo nº 10283.721285/200814 Acórdão n.º 9101002.444 CSRFT1 Fl. 1.638 25 Art. 8º A determinação do custo de bens, serviços e direitos, adquiridos no exterior, dedutível na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, poderá ser efetuada pelo método dos Preços Independentes Comparados (PIC), definido como a média aritmética ponderada dos preços de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, apurados no mercado brasileiro ou de outros países, em operações de compra e venda, em condições de pagamento semelhantes. Parágrafo único. Por esse método, os preços dos bens, serviços ou direitos, adquiridos no exterior, de uma empresa vinculada, serão comparados com os preços de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares: I vendidos pela mesma empresa exportadora, a pessoas jurídicas não vinculadas, residentes ou nãoresidentes; II adquiridos pela mesma importadora, de pessoas jurídicas não vinculadas, residentes ou nãoresidentes; III em operações de compra e venda praticadas entre outras pessoas jurídicas não vinculadas, residentes ou nãoresidentes. Ademais, a partir daí, podese erroneamente pensar que o §2º do art. 18 seja a base legal do art. 8º, parágrafo único, inciso I, da IN SRF nº 243/2002. O próximo passo em falso é a extensão do raciocínio para o PRL da forma a seguir. Tendo em vista que o §2º do art. 18 traz ampliação do art. 23 para o PIC, incluindo os não vinculados no mercado nacional (essa a realidade para o PIC), então não haveria justificativa para não se aplicar a mesma lógica para o PRL, constante no §3º do art. 18. Em outros termos, dado que o art. 23 não teve o condão de retirar dali os não vinculados no mercado nacional para o §2º do art. 18; então, já que ambos os dispositivos trazem a mesma construção (o §2º do art. 18 e o §3º do art. 18 não especificam expressamente os não vinculados apenas para o exterior), então será necessário entender que o art. 23 não tem o condão de retirar dali os não vinculados no mercado nacional também para o §3º do art. 18. Consequentemente, para essa tese (que não foi a vencedora), também para aplicação do PRL não devem ser consideradas venda a pessoas jurídicas vinculadas no mercado nacional; sendo, portanto, improcedente o lançamento. Não obstante a aparente coerência dessa tese, há que se reconhecer aqui que a conclusão obtida está equivocada porque há falha no nexo causal. A realidade de que o PIC também veda as vendas a vinculadas no mercado interno não é extraída do §2º do art. 18 (ou do fato de ele não especificar expressamente o exterior), e sim da própria natureza do método PIC; que, como o seu próprio nome assevera, é um método de Preços Independentes Comparados; e que, por ser independente, excetua as vinculadas, sejam no exterior sejam no mercado interno. Ou ainda, a vedação às vendas a vinculadas no mercado interno para o PIC não é consequência do §2º do art. 18, e este dispositivo não comporta uma exceção ao art. 23. Ao contrário, o art. 23 vem exatamente para delimitar quem são as vinculadas dos §§2º e 3º do art. 18; é apenas questão de técnica legislativa: ao invés de delimitar no próprio dispositivo, delimitou através de outro artigo, mas fazendo expressa referência ao dispositivo que pretendeu delimitar. Art. 23. Para efeito dos arts. 18 a 22, será considerada vinculada à pessoa jurídica domiciliada no Brasil: Esclareço mais uma vez: a manutenção da vedação dos não vinculados no mercado nacional não é resultado da conciliação de normas entre o §2º do art. 18 e o art. 23, pois a força Fl. 1638DF CARF MF Processo nº 10283.721285/200814 Acórdão n.º 9101002.444 CSRFT1 Fl. 1.639 26 normativa do §2º do art. 18 também é apenas para os não vinculados no exterior. O que traz a extensão para os não vinculados no mercado nacional, para o PIC, é a natureza deste método (está na sua gênese), é o fato dos preços serem independentes; não é o §2º do art. 18. Daí porque não há que estender essa realidade do PIC ao PRL. Quanto à finalidade da norma, que tem por objetivo controlar os preços de transferência evitando a exportação de lucros para o exterior, faz sentido que o PIC não admita o envolvimento de pessoa vinculada no mercado nacional, mas o mesmo não se pode dizer para o PRL. Pois, caso seja utilizada uma pessoa vinculada no mercado nacional no PRL e esteja havendo algum planejamento tributário que vise a transferir o lucro de uma pessoa jurídica para outra, o lucro permanecerá no território nacional, ou seja, o lucro não será exportado; as normas de preços de transferência não têm por objeto tratar de situações como esta. Discutese que, caso o §3º do art. 18 não englobe as não vinculadas do mercado interno, então seu âmbito de atuação seria restrito e somente teria aplicação em uma única operação: a de drawback (em que há importação para a exportação). E, como não se pode admitir que haja letra morta na lei, então não há que se interpretar desta forma, devendo então ser admitida a possibilidade das não vinculadas do mercado interno. Ora, âmbito restrito não é nenhuma aplicabilidade, não retira sua validade jurídica o fato de a lei em tese se encaixar a uma única operação prática (é possível se identificar outras operações; mas, ainda que não identifiquemolas neste momento, a conclusão será a mesma). Por fim, alegase que o §1º do art. 12 da Instrução Normativa SRF nº 243, de 2002, reforçaria o caráter de não se tratar apenas de operações de exportação, pois os termos operações de venda a varejo e no atacado somente são apropriados à venda no mercado interno. MÉTODO DO PREÇO DE REVENDA MENOS LUCRO (PRL) Art. 12. A determinação do custo de bens, serviços ou direitos, adquiridos no exterior, dedutível da determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, poderá, também, ser efetuada pelo método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL), definido como a média aritmética ponderada dos preços de revenda dos bens, serviços ou direitos, diminuídos: (...) § 1º Os preços de revenda, a serem considerados, serão os praticados pela própria empresa importadora, em operações de venda a varejo e no atacado, com compradores, pessoas físicas ou jurídicas, que não sejam a ela vinculados. A isso se responde que, de início, esse dispositivo tem por base legal exatamente o §3º do art. 18; portanto, deve atrair tudo quanto ali disposto, especificamente o fato de que houve uma direcionada delimitação desta norma pelo art. 23. Ademais, não é o fato de uma venda ser a varejo ou no atacado que obriga a venda a ser no mercado interno. Isso são modalidades de vendas; só existem esses dois tipos: todas as exportações também são venda a varejo ou no atacado. O zelo da Instrução Normativa não pode ser entendido como garantindo uma significação diferente da pretendida pela lei. Era o que tinha para complementar. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Fl. 1639DF CARF MF Processo nº 10283.721285/200814 Acórdão n.º 9101002.444 CSRFT1 Fl. 1.640 27 Declaração de Voto Conselheira Cristiane Silva Costa. Conforme art. 63, §§ 6º e 7º do Anexo II do RICARF 9, tendo em vista que não foi apresentada no prazo regimental, considerase não formulada a declaração de voto. 9 Art. 63. As decisões dos colegiados, em forma de acórdão ou resolução, serão assinadas pelo presidente, pelo relator, pelo redator designado ou por conselheiro que fizer declaração de voto, devendo constar, ainda, o nome dos conselheiros presentes e dos ausentes, especificandose, se houver, os conselheiros vencidos e a matéria em que o foram, e os impedidos. (...) § 6º As declarações de voto somente integrarão o acórdão ou resolução quando formalizadas no prazo de 15 (quinze) dias do julgamento. § 7º Descumprido o prazo previsto no § 6º, considerase não formulada a declaração de voto. Fl. 1640DF CARF MF
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Numero do processo: 13876.000367/2003-27
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Sep 19 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1998, 1999, 2000
SALDO NEGATIVO DE IRPJ/CSLL. DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO.
Só pode ser homologada a compensação que se sustente em saldos negativos de IRPJ e CSLL devidamente comprovados e respeitados os seus limites. Valores não confirmados não se revestem destas características e, por isso, devem ser excluídos; igualmente, sob pena de aproveitamento em duplicidade, valores já compensados pelo próprio contribuinte não podem compor o saldo negativo para aproveitamento em outras compensações.
Numero da decisão: 1402-002.275
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (presidente), Demetrius Nichele Macei, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1998, 1999, 2000 SALDO NEGATIVO DE IRPJ/CSLL. DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO. Só pode ser homologada a compensação que se sustente em saldos negativos de IRPJ e CSLL devidamente comprovados e respeitados os seus limites. Valores não confirmados não se revestem destas características e, por isso, devem ser excluídos; igualmente, sob pena de aproveitamento em duplicidade, valores já compensados pelo próprio contribuinte não podem compor o saldo negativo para aproveitamento em outras compensações.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (presidente), Demetrius Nichele Macei, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1998, 1999, 2000 SALDO NEGATIVO DE IRPJ/CSLL. DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO. Só pode ser homologada a compensação que se sustente em saldos negativos de IRPJ e CSLL devidamente comprovados e respeitados os seus limites. Valores não confirmados não se revestem destas características e, por isso, devem ser excluídos; igualmente, sob pena de aproveitamento em duplicidade, valores já compensados pelo próprio contribuinte não podem compor o saldo negativo para aproveitamento em outras compensações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (presidente), Demetrius Nichele Macei, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Caio Cesar AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 87 6. 00 03 67 /2 00 3- 27 Fl. 558DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 10/09/2016 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 13876.000367/200327 Acórdão n.º 1402002.275 S1C4T2 Fl. 559 2 Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Fl. 559DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 10/09/2016 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 13876.000367/200327 Acórdão n.º 1402002.275 S1C4T2 Fl. 560 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada em face de decisão exarada pela 5ª Turma da DRJ/RJ1, em sessão de 29 de setembro de 2010 (fls. 528/533)1, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada perante aquela Turma Julgadora, excluindo valores já compensados pelo próprio contribuinte ou não confirmados na composição dos saldos negativos de IRPJ e CSLL, em Acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 1998, 1999, 2000 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO CREDOR. DIREITO CREDITÓRIO Devese homologar a compensação que registra como crédito o saldo credor de IRPJ devidamente apurado, até o seu limite, devendo ser excluído deste os valores já compensados pelo próprio contribuinte. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Consta do Despacho Decisório DRF/SOR/SEORT/nº 54/2008 (fls. 310/319)2: Inconformada com o reconhecimento apenas parcial do pleito, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade à DRJ/Rio de Janeiro (fls. 413/419), com posterior aditamento às fls. 482/483. Segundo relatório da decisão recorrida, aqui adotado, consta da MI: “O presente processo tem origem na Dcomp de fl. 1/2, que tem por objetivo ver reconhecida a compensação de direito creditório referente a saldos credores de IRPJ, anocalendário de 1998, 1999 e 2000, e de CSLL, anocalendário de 2000. 2. Consta apensado ao presente processo os processos de n.° 10855.901291/200651 e 10855.901292/200604 que agrupam as Per/Dcomp apresentadas com os mesmos créditos objeto da Dcomp referida. Também, foi apensado o de n.° 13876000322/200191, que versa sobre um pedido de restituição, fl. 1 e de declarações de compensação, fls. 2 e 77, com o crédito constante do pedido. 3. As Dcomp e o pedido de compensação foram analisados pela Seort da DRF Sorocaba/SP, que exarou os Despachos 1 Numeração digital 2 numeração digital Fl. 560DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 10/09/2016 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 13876.000367/200327 Acórdão n.º 1402002.275 S1C4T2 Fl. 561 4 Decisórios juntado aos autos deste processo, fls. 302/311 e o de fls. 81/82, juntado aos autos do processo n.° 13876000322/2001 91. Quanto ao pedido de restituição constante deste processo referido, a autoridade tributária indeferiu o pedido motivado no fato de não haver previsão de restituição de fonte devidamente retida. Quanto as Dcomp, estas foram analisadas e homologadas em parte. 4. Consoante A.R.(aviso de recepção) de fl. 384, a interessada foi cientificada em 05/05/2008 dos Despachos Decisórios. 5. A interessada, em 04/06/2008, apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 403/409, para os processos administrativos 13876.000367/200327, 13876.000322/200191, 10855901291/200651 e 10855901292/200604, arguindo, em síntese, que: 5.1. Quanto ao IRPJ do anocalendário de 2000: o valor pleiteado foi R$ 111.200,50; o valor R$ 1.480,74, que não foi confirmado pela SRF, corresponde ao pagamento indevido do ano de 1997 e que fora regularmente compensado no ano de 2000; 5.2. Quanto à CSLL do anocalendário de 2000: o valor pleiteado foi R$ 35.887,93; O valor R$ 2.122,28, que não foi confirmado pela SRF, corresponde ao pagamento indevido do ano de 1997 e que fora regularmente compensado no ano de 2000; O valor R$ 452,06 que teria sido compensado sem apresentação de Per/Dcomp, foi alcançado pela decadência, não podendo a SRF exigir tal montante, com fulcro no art. 150, §4°e 173 do CTN. 6. A interessada juntou aos autos os documentos de fls. 410/470. 7. Em 05/06/2008, a interessada apresentou um aditamento à sua manifestação de inconformidade apresentada, fls. 471/472, arguindo, em síntese: 7.1. apresentou algumas Dcomp onde o débito já havia vencido. A exigência de multa e juros sobre os débitos já vencidas apresentados em Dcomp é descabida, uma vez que até o advento da IN n.° 360/2003 não havia qualquer regulamentação sobre a questão do prazo para a entrega da Dcomp e dos débitos nela incluídos”. DA DECISÃO RECORRIDA Analisando o DD e a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte, a 5ª Turma da DRJ/RJ1 decidiu: “9.3. O litígio constante deste processo se resume às seguintes alegações da interessada: Fl. 561DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 10/09/2016 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 13876.000367/200327 Acórdão n.º 1402002.275 S1C4T2 Fl. 562 5 verificar se o valor R$ 1.480,74, que não foi confirmado pela SRF, corresponde ao pagamento indevido do ano de 1997 e que teria sido regularmente compensado, no cômputo da apuração do saldo de IRPJ do ano de 2000; verificar se o valor R$ 2.122,28, que não foi confirmado pela SRF, corresponde ao pagamento indevido do ano de 1997 e que teria sido regularmente compensado no cômputo da apuração do saldo da CSLL do ano de 2000; observar se o valor R$ 452,06, que teria sido compensado sem apresentação de Per/Dcomp, teria sido alcançado pelo instituto da decadência. Assim, não poderia mais SRF exigir tal montante, com fulcro no art. 150, §4° e 173 do CTN. 9.3.1. DO VALOR R$ 1.480,74 NÃO CONFIRMADO NA ESTIMATIVA DE FEVEREIRO/2000 9.3.1.1. Consoante Despacho Decisório, fl. 307, quanto às estimativas mensais apuradas pela interessada que geraram conjuntamente com o IRRF o saldo credor do anocalendário de 2000, a Autoridade Tributária não aceitou a compensação feita quanto à estimativa de fevereiro no valor de R$ 1.480,74, uma vez que o valor não teria sido confirmado pela SRF como também já estaria inscrito em divida ativa, fls. 220/221. A interessada, em sua defesa de fl. 404, esclarece que o referido valor é o pagamento indevido efetuado no anocalendário de 1997 e que fora regularmente compensado no ano de 2000. 9.3.1.2. Conforme fl. 480, a interessada apurou base negativa para a estimativa de fevereiro de 1997. Assim, o pagamento efetuado em 31/03/1997 é indevido. Ocorre que consultando o sistema da SRF Sief, fls. 481/482, verificase que o pagamento indevido está alocado a dois débitos, um do PB 12/1997 e o outro 02/2000. Conforme DCTF apresentada para o 4° trimestre de 1997, fls. 483/484, se confirma a utilização, por compensação, de parte do pagamento indevido efetuado em fev/1.997. Assim, conforme fl. 181, remanesce o valor R$ 5.038,02 a ser compensado. Como o compensado foi R$ 6.518,76, fl. 485, a diferença R$ 1.480,74, deve ser excluída do cômputo do saldo credor do anocalendário de 2000, uma vez que este valor, que integra a estimativa de fevereiro de 2000, não foi quitado por compensação ou pagamento. 9.3.1.3. assim, considero correto o procedimento da Autoridade Tributária. 9.3.2. DO VALOR R$ 2.122,28 NÃO CONFIRMADO NA ESTIMATIVA DE MARÇO/2000 9.3.2.1. Segundo Despacho Decisório, fl. 309, do saldo credor do ano calendário de 2000 foi excluído o valor R$ 2.122,28, referente à estimativa de março de 2000 pelo fato do valor não ter sido confirmado pelos sistemas da SRF e este já estar inscrito em dívida ativa da União, conforme informação de fls. 234/235. A interessada em sua manifestação de inconformidade, fl. 404/405, argüiu que este valor é pagamento indevido do ano de 1997, devidamente compensado em 2000. 9.3.2.2. Conforme DCTF, fl. 486, a interessada confessou a estimativa do mês de março/2000 no valor de R$ 4.717,87, fl. 486, quitando com Fl. 562DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 10/09/2016 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 13876.000367/200327 Acórdão n.º 1402002.275 S1C4T2 Fl. 563 6 pagamento indevido e/ou a maior, fl. 487. Segundo a Autoridade Tributária, parte desta estimativa, RS 2.122,28, não teria sido confirmada, assim entende que não pode compor o saldo credor apurado. Tal informação pode ser constatada, pela consultas feitas ao sistema Sief, fls. 488/489, uma vez que do pagamento indevido somente não tinha, ainda, sido utilizado o valor R$ 169,82, fls. 488/490. E de se ressaltar que as compensações estão confirmadas consoante DCTF de fls. 491/492. Assim, deve ser excluído do saldo credor o valor R$ 2.122,28. 9.3.3. DA EXCLUSAO DO SALDO CREDOR NO VALOR DE R$ 548,04. 9.3.3.1. A Autoridade excluiu do saldo credor a ser deferido o valor R$ 548,04, pelo fato de já ter sido utilizado em compensação de março de 2002, confirmado pela compensação feita em DCTF, fl. 493. 9.3.3.2. Em sua petição, a interessada alega a decadência do direito de exigir o valor R$ 452,06. A interessada está fazendo confusão, uma vez que não se está alterando a compensação feita, o procedimento consiste em excluir do saldo do anocalendário de 2000, aqueles valores que já foram utilizados em outras compensações, que foi exatamente o que fez a Autoridade Tributária. Assim, não há que se falar em decadência, visto que a referida não modificou a compensação feita pela interessada, o que não pode é a interessada se beneficiar 2(duas) vezes do mesmo crédito. 9.4. CONCLUSÃO 9.4.1. Pelo exposto, mantenho o que foi decidido no Despacho Decisório de fls. 302/311, homologando em parte as Dcomp apresentadas. Devendo a Delegacia da Receita Federal seguir na cobrança dos débitos apresentados nestas compensações que não foram quitados por compensação”. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Cientificada do R. decisum em 09/12/2010 (fls. 537)3, a recorrente interpôs Recurso Voluntário em 07/01/2011 (fls. 544/550), no qual, basicamente, repisa os argumentos expendidos na manifestação de inconformidade e acrescenta: Quanto ao IRPJ anobase 2000 do valor de RS 1.480,74: a) que, “as premissas adotadas pelo Julgador no sentido que o pagamento indevido estaria alocado a outros débitos, resultando em diferença de R$ 1.480,74 a ser excluída do saldo credor, são equivocadas”; b) que, “a alocação do período 02/2000 representa justamente a compensação em questão. Os documentos citados pelo Julgador não condizem com os fatos que relata, demonstrando, ao contrário, que o saldo negativo de 1997, objeto de pagamento indevido, foi plenamente suficiente à compensação pretendida, devendo ser computadas as atualizações dos valores compensado”; 3 numeração digital Fl. 563DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 10/09/2016 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 13876.000367/200327 Acórdão n.º 1402002.275 S1C4T2 Fl. 564 7 c) que, “neste sentido, notese que o auditor fiscal indicou que a recorrente pleiteou um crédito de R$ 118.994,48, quando na verdade o valor correto é R$ 111.200,50, gerando outros equívocos quanto à inclusão de valor corrigido (R$ 15.523,55 ao invés de R$ 11.062,96) e de valor em duplicidade (R$ 3.333,39 que, uma vez retificado, passou para R$ 3.137,06)”; d) que, “tais equívocos acarretaram a virtual apuração de excesso de compensação que deverá ser absolutamente refutado”; e) que, “o valor de R$ 1480,74 perfaz o crédito de IRPJ do ano calendário de 1997, devendo ser aceito na compensação ora debatida”. Quanto à CSLL anobase 2000 e decadência do valor RS 548,04 f) que, “segundo o acórdão, estaria correto o posicionamento da autoridade tributária de glosar R$ 2.122,38 dos R$ 4.717,00 referente à estimativa de março de 2000 quitada com pagamento indevido, por não ter sido encontrado no sistema da Receita Federal”; g) que,“ocorre que o valor integral de R$ 4.717,87 faz frente integralmente à compensação pretendida, da qual se utilizou crédito de pagamentos indevidos do ano de 1997”; h) que, “portanto, não há razão para glosa de parte deste valor bem como não há justificativa plausível para a alegação de que o valor de R$ 2.122,38 não constaria como pago no sistema da Receita Federal já que os registros de pagamentos indevidos corroborados na fl. 487 superam a compensação do citado valor”; i) que, “no mais, o auditor fiscal indicou que a recorrente teria pleiteado um crédito de R$ 38.182,73 quando na verdade o valor correto é R$ 35.997,93 tendo em vista que o montante pleiteado no processo 13876.000367/200327 corresponde, originalmente, a R$ 5.691,46 e não a R$ 7.986,26 que é o valor até então atualizado”; j) que, “neste contexto, é perfeitamente correto o aproveitamento de créditos realizado pela recorrente”; k) que, “a decisão ora combatida também equivocouse em não acatar a decadência”; l) que, “em abril de 2008, a autoridade homologadora glosou a compensação do ano calendário 2000 após o decurso do prazo qüinqüenal previsto no art. 150 § 4° e 173 do CTN, restando, então, o respectivo lançamento homologado tacitamente”. Conclui requerendo o provimento do RV. É o relatório do essencial, em apertada síntese. Fl. 564DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 10/09/2016 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 13876.000367/200327 Acórdão n.º 1402002.275 S1C4T2 Fl. 565 8 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone O Recurso Voluntário é tempestivo e dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que o recebo e dele conheço. Remanescem litigiosos apenas os valores de R$ 1.480,74 (IRPJ) e R$ 2.122,38 (CSLL), ambos do anocalendário 2000, além de R$ 548,04, ainda da CSLL. Cabe vêlos, de per si. Ø Sobre o valor de R$ 1.480,74. Alega a recorrente que “as premissas adotadas pelo Julgador no sentido que o pagamento indevido estaria alocado a outros débitos, resultando em diferença de R$ 1.480,74 a ser excluída do saldo credor, são equivocadas”; que, “a alocação do período 02/2000 representa justamente a compensação em questão. Os documentos citados pelo Julgador não condizem com os fatos que relata, demonstrando, ao contrário, que o saldo negativo de 1997, objeto de pagamento indevido, foi plenamente suficiente à compensação pretendida, devendo ser computadas as atualizações dos valores compensado”; que, “o auditor fiscal indicou que a recorrente pleiteou um crédito de R$ 118.994,48, quando na verdade o valor correto é R$ 111.200,50”, e que, “o valor de R$ 1480,74 perfaz o crédito de IRPJ do ano calendário de 1997, devendo ser aceito na compensação ora debatida”. Para melhor entendimento, vejase o dizer do Despacho Decisório nº 54/2008, de lavra do SEORT/DRF/Sorocaba, acerca do fato e do mencionado valor (fls. 314): “O interessado solicitou o direito creditório no valor de R$ 118.994,48 como saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2.000. Este valor foi composto pela soma dos créditos originais utilizados nas compensações conforme listadas na tabela abaixo”: Para continuar: Fl. 565DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 10/09/2016 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 13876.000367/200327 Acórdão n.º 1402002.275 S1C4T2 Fl. 566 9 E concluir (fls. 315/316): “Destarte, na folha 205, constatamos que os valores declarados em DIRF onde o interessado consta como beneficiário foram suficientes para validarmos o Imposto Retido na Fonte no valor de R$ 31.248,73. Quanto ao imposto de renda mensal pago por estimativa, demonstramos as informações obtidas nos sistemas da RFB na tabela abaixo, sendo que o recolhimento no valor de R$1.480,74 não foi confirmado e está inscrita em dívida ativa, folha 221, destarte é necessário que façamos a subtração do seu valor na apuração do saldo negativo de 2000. (destaquei). (...) Ao recalcularmos a apuração do imposto de renda anual, corrigindo o montante do imposto de renda mensal pago por estimativa, teremos: De sua parte, a decisão recorrida demonstrou: Fl. 566DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 10/09/2016 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 13876.000367/200327 Acórdão n.º 1402002.275 S1C4T2 Fl. 567 10 “9.3.1.2. Conforme fl. 480, a interessada apurou base negativa para a estimativa de fevereiro de 1997. Assim, o pagamento efetuado em 31/03/1997 é indevido. Ocorre que consultando o sistema da SRF Sief, fls. 481/482, verificase que o pagamento indevido está alocado a dois débitos, um do PB 12/1997 e o outro 02/2000. Conforme DCTF apresentada para o 4° trimestre de 1997, fls. 483/484, se confirma a utilização, por compensação, de parte do pagamento indevido efetuado em fev/1.997. Assim, conforme fl. 481, remanesce o valor R$ 5.038,02 a ser compensado. Como o compensado foi R$ 6.518,76, fl. 485, a diferença R$ 1.480,74, deve ser excluída do cômputo do saldo credor do ano calendário de 2000, uma vez que este valor, que integra a estimativa de fevereiro de 2000, não foi quitado por compensação ou pagamento”. (destaques acrescidos). Como visto, o Despacho Decisório não afirmou que o saldo negativo da recorrente seria R$ 118.994,48, mas, sim, R$ 111.200,50. Isto está claro nos autos e não foi esta divergência que levou ao não reconhecimento do direito creditório em disputa (R$ 1.480,74), como entendeu a recorrente. A diferença entre o pedido formulado e o SN de IRPJ, ou seja, R$ 7.793,98 (R$ 118.994,48 – R$ 111.200,50), foi parcialmente compensada “utilizando créditos de saldo negativo de IRPJ do anocalendário 1998”, citado no DD, fls. 315. No exprimir literal do DD: Na verdade, o indeferimento de parte do direito creditório buscado, no caso, R$ 1.480,74, teve origem e fundamentação em outras variáveis, a primeira delas, como alertado pela decisão recorrida, o fato de ter havido sua alocação a DOIS DÉBITOS, um do mês 12/1997 e outro do mês 02/2000. Confirase (fls. 493 e 494): O saldo a ser compensado seria R$ 5.038,02 (cf. abaixo – fls. 493) e na DCTF alocouse R$ 6.518,76 (fls. 497), resultando na diferença de R$ 1.480,74: Fl. 567DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 10/09/2016 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 13876.000367/200327 Acórdão n.º 1402002.275 S1C4T2 Fl. 568 11 Valor que se ratifica às fls. 494: Em outro cruzamento, a partir dos dados de fls. 224 e 226: Confirase a diferença: Ø Na DCTF os créditos vinculados informados: R$ 16.926,20. Fl. 568DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 10/09/2016 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 13876.000367/200327 Acórdão n.º 1402002.275 S1C4T2 Fl. 569 12 Ø No Sistema SIEF, os valores confirmados: R$ 15.445,46. Ø Diferença: R$ 1.480,74: (R$ 16.926,20 – R$ 15.445,46). Somente pelo exposto, o entendimento exarado no Despacho Decisório nº 54/2008, do Seort/DRF/Sorocaba não mereceria reparo. Há mais, porém. Conforme consta de fls. 228/229 (e esta é a segunda variável que levou ao não deferimento do direito creditório pleiteado de R$ 1.480,74), é que tal montante encontrava se inscrito em dívida ativa junto à PGFN. Ora, se o débito está sob cobrança é porque não foi adimplido e, nestas condições, não pode ser utilizado em compensação com outros débitos. A reprodução abaixo estampa o cenário: Pelo acima relatado, mantenho o entendimento exarado no Despacho Decisório e ratificado pela decisão recorrida. Ø Sobre o valor de R$ 2.122,38. O pensamento alinhavado acima, em relação ao IRPJ, aplicase, com os devidos ajustes, ao valor de R$ 2.122,38 na área da CSLL. Fl. 569DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 10/09/2016 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 13876.000367/200327 Acórdão n.º 1402002.275 S1C4T2 Fl. 570 13 Para melhor entendimento, vejase o dizer do Despacho Decisório nº 54/2008, de lavra do SEORT/DRF/Sorocaba, acerca do fato e do mencionado valor (fls. 316/317 – destaques acrescidos): “O interessado solicitou o direito creditório no valor de R$ 38.182,73 como saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2.000. Este valor foi composto pela soma dos créditos originais utilizados nas compensações conforme listadas na tabela abaixo: Para analisarmos as informações contidas na apuração anual da CSLL do ano calendário de 2.000, transcrevemos abaixo os campos que possuem valores declarados na Ficha 17 da DIPJ 2001, conforme folha 129: Quanto à CSLL mensal paga por estimativa, demonstramos na tabela abaixo as informações obtidas nos Sistemas da RFB, sendo que o recolhimento no valor de R$2.122,28 não foi confirmado e está inscrita em dívida ativa, folha 234 e 235, destarte é necessário que façamos a subtração do seu valor na apuração do saldo negativo. (...) Logo, há que se considerar o saldo negativo original de R$33.765,65, entretanto este valor sofrerá redução em função das compensações que já foram efetuadas em sua contabilidade sem apresentação de processo administrativo ou PER/DCOMP, de acordo com a declaração prestada pelo interessado na folha 258 e ilustrado abaixo: Fl. 570DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 10/09/2016 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 13876.000367/200327 Acórdão n.º 1402002.275 S1C4T2 Fl. 571 14 Pois bem, em relação ao valor de R$ 2.122,34, não sendo confirmado seu recolhimento, não há como aceitálo para compensação de tributos, valendo aqui as mesmas observações feitas em no caso do IRPJ, ou seja, se o montante encontravase inscrito em dívida ativa junto à PGFN é porque não foi adimplido e, nestas condições, não pode ser utilizado na compensação com outros débitos. Vejase (fls. 241/242): Confirmação que se faz às fls. 502: Fl. 571DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 10/09/2016 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 13876.000367/200327 Acórdão n.º 1402002.275 S1C4T2 Fl. 572 15 Pelo acima relatado, mantenho o entendimento exarado no Despacho Decisório e ratificado pela decisão recorrida. Ø Sobre o valor de R$ 548,04 e decadência. Já sobre o valor de R$ 548,04, a glosa procedida pela Autoridade Tributária baseouse em informação da própria recorrente mediante resposta a intimação fiscal protocolizada em 05/07/2007, fls. 265, na qual a contribuinte literalmente declara: Ora, tendo sido tal importe já utilizado (cf. registros contábeis da recorrente), inaplicável possa novamente sêlo na composição de saldo negativo de CSLL para subsequente aproveitamento em outras compensações. Nesta linha, como bem apontado pela decisão recorrida, labutou em erro a recorrente quando arguiu ter havido decadência do valor de R$ 452,06 (que tem origem na glosa do valor de R$ 548,04). Na verdade, o que a Autoridade Tributária que exarou o DD fez foi, simplesmente, excluir do saldo do anocalendário de 2000, valores que já foram utilizados em outras compensações. Dizendo de outro modo, não se modificou a compensação feita pela interessada nem se alterou qualquer data da ocorrência do fato que pudesse levar ao nascimento de eventual decadência. Apenas e tão somente, por absoluta e elementar lógica, impediuse que a recorrente se beneficiasse em duplicidade do mesmo crédito. Fl. 572DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 10/09/2016 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 13876.000367/200327 Acórdão n.º 1402002.275 S1C4T2 Fl. 573 16 Em suma, não há reparos a fazer ao despacho decisório e à decisão recorrida. Não se olvide, por fim, que só se permite compensação com a utilização de créditos dotados de liquidez e certeza (art. 170, do CTN): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) Valores não comprovados ou com utilização em dobro não possuem estes requisitos. A jurisprudência administrativa é pacífica em torno do tema: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. (Acórdão nº 10323579, sessão de 18/09/2008) PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ E CSLL. Os saldos negativos apurados nas declarações de IRPJ/CSLL não se submetem à homologação tácita, devendo ser regularmente comprovados quando integrarem pedidos de restituição/compensação. (Acórdão nº 110300.434, sessão de 30 de março de 2011) Por todo o exposto, VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo a decisão recorrida. É como voto. Brasília (DF), em 10 de agosto de 2016. (documento assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone – Relator Fl. 573DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 10/09/2016 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 13876.000367/200327 Acórdão n.º 1402002.275 S1C4T2 Fl. 574 17 Fl. 574DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 10/09/2016 por PAULO MATEUS CICCONE
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Numero do processo: 10530.723807/2009-26
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Aug 26 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
RECONHECIMENTO DE OFÍCIO DE VÍCIO MATERIAL. IMPOSSIBILIDADE.
Não cabe o reconhecimento de nulidade, por eventual vício material, quando a matéria não tiver sido devidamente admitida, como objeto do recurso especial.
IRPF. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA.
Incide o IRPF sobre os valores de natureza remuneratória, ainda que classificados como indenizatórios pela fonte pagadora.
Precedentes do STF e do STJ.
IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE.
Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543-B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizando-se o regime de competência.
Recurso especial provido em parte.
Numero da decisão: 9202-004.028
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em não conhecer a preliminar de nulidade por vício material suscitada de ofício pela Conselheira Ana Paula Fernandes, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López. Por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, pelo voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento integral. Votaram pelas conclusões os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Gerson Macedo Guerra.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
EDITADO EM: 16/08/2016
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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IMPOSSIBILIDADE. Não cabe o reconhecimento de nulidade, por eventual vício material, quando a matéria não tiver sido devidamente admitida, como objeto do recurso especial. IRPF. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA. Incide o IRPF sobre os valores de natureza remuneratória, ainda que classificados como indenizatórios pela fonte pagadora. Precedentes do STF e do STJ. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizandose o regime de competência. Recurso especial provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 72 38 07 /2 00 9- 26 Fl. 291DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10530.723807/200926 Acórdão n.º 9202004.028 CSRFT2 Fl. 23 2 Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em não conhecer a preliminar de nulidade por vício material suscitada de ofício pela Conselheira Ana Paula Fernandes, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López. Por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, pelo voto de qualidade, em darlhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento integral. Votaram pelas conclusões os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Gerson Macedo Guerra. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator EDITADO EM: 16/08/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10580.720254/200964. O presente Recurso Especial trata de pedido de Análise de Divergência motivado pelo Contribuinte, em face de Acórdão proferido em julgamento de recurso voluntário. Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física dos exercícios 2005, 2006 e 2007, anoscalendário 2004, 2005, e 2006, em razão de a autoridade fiscal ter classificado como rendimentos tributáveis, valores declarados como isentos ou não tributáveis tal como informado pela Fonte Pagadora Tribunal de Justiça do Estado da Bahia. Referidos rendimentos correspondem a diferença entre a transformação de Cruzeiros Reais para Unidade Real de Valor – URV, reconhecidas e pagas em 36 meses, de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, com base na Lei Estadual nº 8.730/2003 do Estado da Bahia. As diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas Fl. 292DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10530.723807/200926 Acórdão n.º 9202004.028 CSRFT2 Fl. 24 3 quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, consequentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. Foi interposta impugnação foi indeferida em sede de julgamento de primeira instância. O Contribuinte interpôs Recurso, ao qual foi dado parcial provimento ao recurso para tão somente excluir a multa de ofício. O Contribuinte apresentou Recurso Especial ao qual foi dado parcial seguimento, para reapreciação apenas da matéria questão da natureza indenizatória, ou não. Em reexame, o exame de admissibilidade foi confirmado pelo Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Apresentadas contrarrazões pela Fazenda Nacional, vieram os autos conclusos. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.026, de 21/06/2016, proferido no julgamento do processo 10580.720254/200964, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto vencedor proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.026): Em primeiro lugar, não conheço da preliminar de nulidade do lançamento, por vício material, suscitada de ofício pela Sra. Conselheira relatora. Com efeito, esta matéria não tendo sido admitida em sede de recurso especial, não está em discussão e, portanto, dela não conheço. Além disso, apenas para fins de esclarecimento, registrese que não vejo qualquer nulidade no lançamento da forma que ele foi realizado. Com efeito, o lançamento foi realizado com base em dispositivo vigente, cuja interpretação não havia sido considerada à época inconstitucional. Portanto, não há que se falar em nulidade. Entrando, agora, no mérito propriamente dito, entendo que a verba recebida tem caráter remuneratório e, assim, deve ser tributada. Questão dessa natureza já foi trazida, em 03/03/2015, Fl. 293DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10530.723807/200926 Acórdão n.º 9202004.028 CSRFT2 Fl. 25 4 à 2ª Turma desta Câmara Superior, no acórdão 9202003.585. Naquela ocasião, acompanhei o voto do relator Alexandre Naoki Nishioka, entendendo tratarse de verba de natureza remuneratória, e por isso peço vênia para adotar aqui os mesmos argumentos como razão de decidir, assim transcrevendoos: (...) Conforme dispõe o art. 2º da referida Lei, tais valores são relativos a “diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor – URV”. Da leitura do artigo, denotase que o pagamento de tais valores deveuse à necessidade de manutenção do valor real do salário, de forma a corrigir erros anteriores no cálculo da conversão da moeda nacional. A lei estadual acima citada não buscou, por meio do pagamento das diferenças, a recomposição de um prejuízo, ou dano material, sofrido pelo contribuinte, mas a compensação em razão da ausência de oportuna correção no valor nominal do salário, verificada quando da alteração da moeda. Portanto, tais valores integram a remuneração percebida pelo contribuinte, constituindo parte integrante de seus vencimentos. Estáse diante, pois, de acréscimo patrimonial tributável pelo Imposto de Renda, nos termos do art. 43 do Código Tributário Nacional, entendimento que fora inclusive salientado pelo acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (BA). Buscando reforçar o argumento, requereu o contribuinte a aplicação da Resolução n.º 245 do STF, assim como de consulta administrativa realizada pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, os quais disporiam acerca da remuneração dos magistrados. No entanto, mencionadas normas não se aplicam ao fim pretendido pelo contribuinte, ao contrário do que decidiu o acórdão recorrido. Inicialmente, cumpre salientar que a dita resolução dispôs acerca da forma de cálculo do abono salarial variável e provisório de que trata o art. 2º e parágrafos da Lei n.º10.474/2002, considerandoo como de natureza indenizatória. Neste sentido, o inciso I do art. 1º trouxe a forma de cálculo deste abono: “I apuração, mês a mês, de janeiro/98 a maio/2002, da diferença entre os vencimentos resultantes da Lei nº 10.474, de 2002 (Resolução STF nº 235, de 2002), acrescidos das vantagens pessoais, e a remuneração mensal efetivamente percebida pelo Magistrado, a qualquer título, o que inclui, exemplificativamente, as verbas referentes a diferenças de URV, PAE, 10,87% e recálculo da representação (194%)”. A própria redação da Resolução excluiu do valor integrante do abono as verbas referentes à diferença de URV, de onde Fl. 294DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10530.723807/200926 Acórdão n.º 9202004.028 CSRFT2 Fl. 26 5 se interpreta que esta não tem natureza indenizatória, mas de recomposição salarial. Tal tema inclusive já foi enfrentado pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça, tendo este reconhecido as diferenças entre o abono salarial tratado pela norma e a diferença da URV, conforme se verifica de voto da Ministra Eliana Calmon: “Na jurisprudência desta Casa, colho os seguintes precedentes, que sempre distinguiram as hipóteses de percepção das diferenças remuneratórias da URV do abono identificado na Resolução 245/STF: (...)” (STJ, Recurso Especial n.º 1.187.109/MA, Segunda Turma, Ministra Relatora Eliana Calmon, julgado em 17/08/2010) E tal também foi o entendimento do Ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, em decisão monocrática proferida nos autos do Recurso Extraordinário n.º 471.115, do qual se colaciona o seguinte excerto: “Os valores assim recebidos pelo recorrido decorrem de compensação pela falta de oportuna correção no valor nominal do salário, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. As parcelas representativas do montante que deixou de ser pago, no momento oportuno, são dotadas dessa mesma natureza jurídica e, assim, incide imposto de renda quando de seu recebimento. No que concerne à Resolução no. 245/02, deste Supremo Tribunal Federal, utilizada na fundamentação do acórdão recorrido, temse que suas normas a tanto não se aplicam, para o fim pretendido pelo recorrido (...)” (STF, Recurso Extraordinário n.º 471.115, Ministro Relator Dias Toffoli, julgado em 03/02/2010) Concluise, portanto, pelo caráter salarial dos valores recebidos acumuladamente pelo Recorrente, razão pela qual deverão compor a base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, nos termos do art. 43 do Código Tributário Nacional. Assim, com base na argumentação exposta, sendo verbas remuneratórias as diferenças de URV recebidas, sobre elas incide imposto de renda da pessoa física. Todavia, cumpre verificar o quantum devido. Entendo que o tributo devido deva ser calculado de acordo com as tabelas vigentes à época em que seriam devidas as diferenças recebidas. Sobre o tema, cabe referir a discussão travada no processo 11040.001165/200591, com voto vencedor da lavra do conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, cujos fundamentos, abaixo reproduzidos, acompanho. Fl. 295DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10530.723807/200926 Acórdão n.º 9202004.028 CSRFT2 Fl. 27 6 Verifico, a propósito, que a matéria em questão foi tratada recentemente pelo STF, no âmbito do RE 614.406/RS, objeto de trânsito em julgado em 11/12/2014, feito que teve sua repercussão geral previamente reconhecida (em 20 de outubro de 2010), obedecida assim a sistemática prevista no art. 543B do Código de Processo Civil vigente. Obrigatória, assim, a observância, por parte dos Conselheiros deste CARF dos ditames do Acórdão prolatado por aquela Suprema Corte em 23/10/2014, a partir de previsão regimental contida no art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Reportandome ao julgado vinculante, noto que, ali, se acordou, por maioria de votos, em manter a decisão de piso do STJ acerca da inconstitucionalidade do art. 12 da Lei no. 7.713, de 1988, devendo ocorrer a "incidência mensal para o cálculo do imposto de renda correspondente à tabela progressiva vigente no período mensal em que apurado o rendimento percebido a menor regime de competência (...)", afastandose assim o regime de caixa. Todavia, inicialmente, de se ressaltar que em nenhum momento se cogita, no Acórdão, de eventual cancelamento integral de lançamentos cuja apuração do imposto devido tenha sido feita obedecendo o art. 12 da referida Lei nº 7.713, de 1988, notese, diploma plenamente vigente na época em que efetuado o lançamento sob análise, o qual, ainda, em meu entendimento, guarda, assim, plena observância ao disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional. A propósito, de se notar que os dispositivos legais que embasaram o lançamento constantes de efl. 12, em nenhum momento foram objeto de declaração de inconstitucionalidade ou de decisão em sede de recurso repetitivo de caráter definitivo que pudesse lhes afastar a aplicação ao caso in concretu. Deflui daquela decisão da Suprema Corte, em meu entendimento, inclusive, o pleno reconhecimento do surgimento da obrigação tributária que aqui se discute, ainda que em montante diverso daquele apurado quando do lançamento, o qual, repitase, obedeceu os estritos ditames da legalidade à época da ação fiscal realizada. Da leitura do inteiro teor do decisum do STF, é notório que, ainda que se tenha rejeitado o surgimento da obrigação tributária somente no momento do recebimento financeiro pela pessoa física, o que a faria mais gravosa, entendese, ali, inequivocamente, que se mantém incólume a obrigação tributária oriunda do recebimento dos valores acumulados pelo contribuinte pessoa física, mas agora a ser calculada em momento pretérito, quando o contribuinte fez jus à percepção dos rendimentos, de forma, assim, a restarem respeitados os princípios da capacidade contributiva e isonomia. Fl. 296DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10530.723807/200926 Acórdão n.º 9202004.028 CSRFT2 Fl. 28 7 Assim, com a devida vênia ao posicionamento do relator, entendo que, a esta altura, ao se esposar o posicionamento de exoneração integral do lançamento, se estaria, inclusive, a contrariar as razões de decidir que embasam o decisum vinculante, no qual, reitero, em nenhum momento, notese, se cogita da inexistência da obrigação tributária/incidência do Imposto sobre a Renda decorrente da percepção de rendimentos tributáveis de forma acumulada. Se, por um lado, manterse a tributação na forma do referido art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, conforme decidido de forma definitiva pelo STF, violaria a isonomia no que tange aos que receberam as verbas devidas "em dia" e ali recolheram os tributos devidos, exonerar o lançamento por completo a esta altura significaria estabelecer tratamento antiisonômico (também em relação aos que também receberam em dia e recolheram devidamente seus impostos), mas em favor daqueles que foram autuados e nada recolheram ou recolheram valores muito inferiores aos devidos, ao serem agora consideradas as tabelas/alíquotas vigentes à época, o que deve, em meu entendimento, também se rechaçar. Pelo exposto, voto no sentido de conhecer do RE do contribuinte na matéria admitida, por darlhe provimento em parte, para determinar o cálculo do crédito tributário devido, considerando o regime de competência. Em face do acima exposto, voto no sentido de não conhecer da preliminar de nulidade por vício material suscitada, conheço do Recurso Especial do Contribuinte para, no mérito, darlhe provimento parcial, para determinar o cálculo do tributo de acordo com o regime de competência. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 297DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 13808.000596/95-93
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Contribuição Social sobre o Lucro Liquido - CSLL
Ano-calendário: 1992
Ementa:
CSLL E IR FONTE - DIFERENÇA IPC/BTNF — LEI N° 8.200/91 —
CORREÇÃO MONETÁRIA — O Supremo Tribunal Federal reconheceu a
constitucionalidade da Lei n° 8.200/91, no julgamento do RE n° 201.465-6, entendendo tratar-se a utilização do [PC como índice de correção monetária das demonstrações financeiras de um beneficio concedido à contribuinte, sendo válidas as determinações contidas no Decreto n° 332/91 a respeito do
escalonamento do aproveitamento de seus efeitos.
IMPOSTO DE RENDA - FONTE - ART. 35 DA LEI N°7.713/88 - É devida
a exigência do Imposto de Renda Sobre o Lucro Liquido instituída pelo art. 35 da Lei n° 7.713/88, quando não restar provada pela contribuinte a inexistência no Contrato Social de cláusula de automática distribuição do lucro no encerramento do período-base. Entendimento do Supremo Tribunal Federal (RE n° 172058-1 SC, de 30/06/95), nonnatizado pela administração
tributária por meio da IN SRF n°63/97.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1202-000.230
Decisão: Acordam os membros do colegiada, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Nelson Lósso Filho
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Recorrida 5' TURMAJDRJ-SÃO PAULO/SP Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Liquido - CSLL Ano-calendário: 1992 Ementa: CSLL E IR FONTE - DIFERENÇA IPC/BTNF — LEI N° 8.200/91 — CORREÇÃO MONETÁRIA — O Supremo Tribunal Federal reconheceu a constitucionalidade da Lei n° 8.200/91, no julgamento do RE n° 201.465-6, entendendo tratar-se a utilização do [PC como índice de correção monetária das demonstrações financeiras de um beneficio concedido à contribuinte, sendo válidas as determinações contidas no Decreto n° 332/91 a respeito do escalonamento do aproveitamento de seus efeitos. IMPOSTO DE RENDA - FONTE - ART. 35 DA LEI N°7.713/88 - É devida a exigência do Imposto de Renda Sobre o Lucro Liquido instituída pelo art. 35 da Lei n° 7.713/88, quando não restar provada pela contribuinte a inexistência no Contrato Social de cláusula de automática distribuição do lucro no encerramento do período-base. Entendimento do Supremo Tribunal Federal (RE n° 172058-1 SC, de 30/06/95), nonnatizado pela administração tributária por meio da IN SRF n°63/97. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiada, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado NELSON LOS FIL 1 Presidente e Relator EDITA B O EM: .11 I7 A. A e n ÍVU-.LV lu Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Filho (Presidente de turma). Cândido Rodrigues Neuber, Valéria Cabral Géo Verçoza, Orlando José Gonçalves Bueno (Vice presidente de turma).José Sergio Gomes(suplente convocado) Silvana Rescigno Guerra Barreto(suplente convocadao 2 Processa n° 13808.000596/95-93 SI-C2T2 Acórdão n.° 1202-00.230 Fl. 2 Relatório Contra a empresa Assivalo Comercial e Representações Ltda., foram lavrados autos de infração do IR Fonte, fis. 20/23, e CSLL, fls. 24/27, ainda em litígio após o acatamento da exigência do IRPJ pela contribuinte, petição de fis. 152, por ter a fiscalização constatado a seguinte irregularidade no ano-calendário de 1992, descrita às fls. 23 e no Termo de Verificação n°01 de fls. 11/12: "1- DESPESA INDEVIDA DE CORREÇÃO MONETÁRIA — Exclusão indevida, na apuração do lucro real, na base de cálculo da contribuição social e na base de cálculo do ILL, da correção monetária complementar — diferença 1PC/BINF. Exclusão indevida do Lucro Real, da base de cálculo da contribuição social e da base de cálculo do ILL, da parcela da correção monetária que trata o art. 3 inciso 1 da Lei 8200/91, gerando uma diminuição nas bases de cálculo destes impostos, que deverá ser adicionada para efeito de tributação. - Exclusão indevida do Lucro Real, da base de cálculo da contribuição social e do ILL da parcela dos encargos de depreciação que trata o art. 3 0 da Lei 8200191, Decreto 332/91 e Lei 8682/93." Inconformada com a exigência, apresentou impugnação protocolada em 18 de julho de 1995, em cujo arrazoado de fls. 30/37 contesta o lançamento. Em 25 de março de 2002 foi prolatado o Acórdão n° 00603, da 5 4 Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo, fls. 116/123, que considerou procedente em parte o lançamento, expressando seu entendimento por meio da seguinte ementa: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica — IRPJ Exercício: 1993, 1994 Ementa: DIFERENÇA IPC/BTNE Os ajustes na correção monetária do balanço, relativamente à diferença entre IPC e BTIVF do ano de 1990, devem ser reconhecidos tributariamente a partir de 1993 e até 1998, conforme preceitua a legislação. Assim, é indevida a exclusão dos encargos antes desse prazo. GLOSA DE DESPESAS DE DEPRECL4ÇÃO. A parcela dos encargos de depreciação referente ao exercício de 1992 que corresponder à diferença de correção monetária entre IPC e BINE, somente poderá ser deduzida a partir do exercício de 1994, período-base de 1993, nos termos da legislação de regência. 3 AUTOS REFLEXOS— ILL. CSLL. A procedência do lançamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica implica manutenção das exigências fiscais dele decorrentes. MULTA PROPORCIONAL. Reduz-se, de oficio a 75% (setenta e cinco por cento), urna vez que a lei que comine penalidade menos severa aplica-se a retroativamente aos atos e fatos não definitivamente julgados. Lançamento Procedente em Parte." Cientificada em 21 de junho de 2002, AR de fls. 126, e novamente irresignada com o Acórdão de Primeira Instância, apresenta seu recurso voluntário protocolado em 19 de julho de 2002, em cujo arrazoado de fls. 131/142, alega, em apertada síntese, o seguinte: 1- a inconstitucionalidade já se revelara no artigo 3°, inciso I, da Lei n° 8.200/91, quando pretendeu diferir no tempo o aproveitamento da correção monetária complementar, 'distribuindo-a' ao longo de seis anos, para fins do imposto de renda, sendo ainda mais patente é a injuridicidade representada pela pretensão fazendária no sentido de não se permitir que se considere para fins de apuração da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro — CSLL e do ILL a diferença inflacionária relativa às despesas de depreciação e ao custo dos bens baixados; 2- ao disciplinar os reflexos fiscais decorrentes da disparidade nas variações do BTN fiscal e do IPC em 1990, não se reporta de maneira específica a Lei n° 8.200/91 à Contribuição Social e ao ILL, donde a conclusão de que, em se compondo tais valores (saldo devedor/despesas de depreciação/custos dos bens baixados) a base de cálculo da aludida exação, na medida em que integram a operação que conduz à definição do lucro líquido contábil, sua exclusão seria normal e sem qualquer óbice; 3- as autoridades governamentais ao disciplinarem a forma de se efetuar o registro contábil da diferença relativa às despesas de depreciação/custos baixados, acabaram por vedar, ao arrepio de qualquer fundamentação legal, a dedução do seu valor quando da apuração da Contribuição Social sobre o Lucro — CSLL e do ILL Tal proibição decorre de mero texto regulamentador da Lei n° 8.200/91, o artigo 41 do Decreto n° 332/91. Em se tratando de mero texto regulamentador de lei não poderia o mencionado Decreto dispor sobre esse assunto não tratado na norma pretendidamente regulamentada; 4- o Decreto 332/91, partindo do nada, pretende alterar a base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido e do ILL, para que a exação recaia sobre um resultado distorcido que não é lucro, que não configura disponibilidade, que não representa acréscimo patrimonial; 5- no tocante ao ILL, ainda que ilegítima fosse a dedução, no seu cálculo, da despesa de correção monetária em tela, a sua norma instituidora foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, bem como foi promulgada Resolução pelo Senado Federal, suspendendo a execução do art. 35, da Lei n° 7.713/88, para os acionistas, tendo a jurisprudência se manifestado no sentido de que o citado IR Fonte Mão incide sobre o lucro dos quotistas, quando não há pelos mesmos disponibilidade imediata de lucros. É o Relatório. 4 Processo n° 13808.000596/95-93 51-C2T2 Acórdão n.° 1202-01E230 Fl. 3 Voto Conselheiro NELSON LOSS° FILHO O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. As matérias em litígio, no âmbito do ILL e da CSLL ante a desistência do recurso relativo ao IRPS, dizem respeito à exclusão da diferença de correção monetária do índice do IPC/BTNF no ano de 1992 e seus efeitos no valor do encargo de depreciação. Em relação à exclusão indevida da correção monetária no ano de 1992 e dos encargos de depreciação, pela utilização do índice do IPC/BTNF, vejo que o Supremo Tribunal Federal se manifestou a respeito da eonstitucionalidade da Lei n° 8.200/91, entendendo que ela contém um beneficio aos contribuintes, admitindo como válida, portanto, a restrição temporal de dedução dos valores de saldo devedor de correção monetária relativa à diferença IPC/BTNF porventura apurado e seu escalonamento contido no Decreto n° 332/91, conforme podemos observar pela ementa do Recurso Extraordinário n° 201465-6 abaixo transcrita: "EMENTA: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. DEMONSTRAÇÕES FINAIVCEIRAS CORREÇÃO MONETÁRIA. LEI 8.200/91 (ART. 3°, L COMA REDAÇÃO DADA PELA LEI 8.682/92). CONSTITUCIONALIDADE. A Lei 8.200/91, (1) em nenhum momento, modificou a disciplina da base de cálculo do imposto de renda referente ao balanço de 1990, (2) nem determinou a aplicação, ao período-base de 1990, da variação do IPC; (3) tão somente reconheceu os efeitos económicos decorrentes da metodologia de cálculo da correção monetária. O art. 3°, I (L. 8.200/91), prevendo hipótese nova de dedução na determinação do lucro real, constituiu-se como favor fiscal ditado por opção política legislativa. Inocorrência, no caso, de empréstimo compulsório. Recurso conhecido e provido". Assim, com o posicionamento da mais alta corte deste país quanto à Lei n° 8200/91 e, por conseqüência, o reconhecimento da legalidade das determinações contidas no Decreto n° 332/91, constata-se que a recorrente estava impossibilitada de excluir da base tributável no ano de 1992 valores a titulo de correção monetária pela aplicação da diferença do índice do IPC/BTNE, bem como da sua influência no encargo de depreciação do período. Além disso, quanto à CSLL e o ILL, o artigo 456 do RIR199, cuja matriz legal é o artigo 3° da Lei n° 8.200/91 e art. 11 da Lei if 8.682/93, estabelece a limitação temporal para a dedutibilidade do saldo devedor da diferença IPC/ETNIF, e identifica claramente que o beneficio autorizado pelo legislador atingia apenas a apuração do Lucro Real, base de cálculo do Imposto de Renda, in verbis: "Art. 456. A parcela da correção monetária das demonstrações financeiras, relativa ao período-base de 1990, que corresponder 1à diferença verificada entre a variação do índice de Preços ao s Consumidor - IPC e a variação do BTN Fiscal, nos termos do Decreto n° 332, de 4 de novembro de 1991, terá o seguinte tratamento fiscal (Lei n°8.200, de 28 de junho de 1991, art. 3°, e Lei n°8.682, de 14 de julho de 1993, art. 11): 1 - poderá ser excluída do lucro liquido, na determinação do lucro real, em seis anos-calendário, a partir de 1993, à razão de vinte e cinco por cento em 1993 e de quinze por cento, ao ano, de 1994 até 31 de dezembro de 1998, quando se tratar de saldo devedor; (Omissis) § 1° A exclusão de que trata o inciso 1 poderá ser efetuada em • qualquer período de apuração do ano-calendário ou distribuída pelos respectivos trimestres, a critério da pessoa jurídica. (Omissis)" Também o artigo 1° da Lei n° 8.200/91 delimita o beneficio ao Imposto de Renda, ao afirmar que "para efeito de determinar o lucro real - base de cálculo do imposto de renda das pessoas jurídicas - a correção monetária das demonstrações financeiras anuais, de que trata a Lei n° 7.799, de 10 de julho de 1989, será procedida, a partir do mês de fevereiro de 1991, com base na variação mensal do índice Nacional de Preços ao Consumidor —INPC". Regulamentando a matéria, o Decreto n° 332/91 dispôs que o resultado da correção monetária da Diferença IPC/BTNF/90 não terá influência no cálculo da CSLL. Este artigo está assim redigido: "Art. 41. O resultado da correção monetária de que trata este capítula não influirá na base de cálculo da contribuição social (Lei n° 7.689/88 e do imposto de renda na fonte sobre o lucro líquido (Lei n°7.713/88, art. 35). § 1° Caso o resultado seja credor, sua distribuição a sócio ou acionista pessoa física acarretará a cobrança do imposto de renda na fonte, calculado segundo o previsto no art. 25 da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988, devendo essa incidéncia ocorrer, também, na hipótese da redução do capital aumentado com parcela do referido resultado, na proporção do valor da redução. § 2° Os valores a que se refere o art. 39, computados em conta de resultado) deverão ser adicionados ao lucro liquido na determinação da base de cálculo da contribuição social (Lei n° 7.689/88) e do imposto sobre o lucro liquido (Lei n° 7.713/88, art. 35)." Claro está que a Lei n° 8.200/91, ao admitir a existência da diferença do índice IPC/BTNF, tratou de escalonar a dedutibilidade da despesa de correção monetária em seis anos-calendário, de 1993 até o ano de 1998, no âmbito do Imposto de Renda, e sendo esta dedutibilidade um beneficio, como reconheceu o Supremo Tribunal Federal, não há que falar em possibilidade de sua utilização na apuração da base de cálculo da CSLL e do ILL no ano- calendário de 1992, na forma de exclusão direta da base tributável ou como encar o de depreciação. . 6 Processo n° 13808.000596/95-93 81-C2T2 Acórdão n.' 1202-00.230 F/. 4 No que conceme à alegação de inconstitucionalidade do Imposto de Renda Retido na Fonte tributado pela alíquota de 8% prevista no artigo 35 da Lei n.° 7.713/88, vejo que sua incidência já foi submetida ao crivo do Supremo Tribunal Federal que, em decisão de seu pleno, no julgamento do RE n° 172.058-1/SC, considerou ser o art. 35 da Lei n°7.713/88 inconstitucional para as sociedades anônimas e, quando não ocorrer a automática distribuição de lucros, para as sociedades por cotas de responsabilidade limitada. Cabe aqui transcrever a síntese conclusiva constante do voto do Ministro MARCO AURÉLIO, relator de tal Recurso Extraordinário no Tribunal Pleno, sessão de 30/06/95: "Diante das premissas supra, concluo: a) o artigo 35 da Lei n° 7.713/88 conflita com a Carta Política da República, mais precisamente com o artigo 146, Hl, a, no que diz respeito às sociedades anônimas e, por isso, tenho corno inconstitucional a expressão "o acionista" nele contida; 1)) o artigo 35 da Lei n°7.713/88 é harmônico com a Carta, ao disciplinar o desconto do imposto de renda na fonte em relação ao titular da empresa individual, uma vez que o fato gerador está compreendido na disposição do artigo 43 do Código Tributário Nacional, recepcionado como lei complementar; c) o artigo 35 da Lei n° 7.713/88 guarda sintonia com a Lei Básica Federal, na parte em que disciplinada situação do sócio cotista, quando o contrato social encerra, por si só, a disponibilidade imediata, quer econômica, quer jurídica, do lucro liquido apurado. Caso a caso, cabe perquirir o alcance respectivo." Como afirma a recorrente, a própria administração tributária, por meio da IN SRF n° 63/97, admitiu, normatizando o entendimento fixado pelo Supremo Tribunal Federal no RE n° 172058-1, de 30/06/95, a revisão do lançamento do ILL nas hipóteses de sociedades por quotas de responsabilidade limitada, guando o contrato social da empresa não atribua disponibilidade imediata do lucro aos sócios, no término do período-base. No caso em tela, a autuada é uma sociedade por quotas de responsabilidade limitada, não constando dos autos Contrato Social da recorrente, vigente em 1992, que pudesse demonstrar a inexistência de cláusula atribuindo disponibilidade imediata dos lucros apurados aos sócios cotistas, deixando a recorrente de comprovar essa condição fundamental para o cancelamento da exigência fiscal. Pelos fundamentos expostos, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. , NELSON LO2Seg,F24 7
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Numero do processo: 12268.000061/2007-08
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jan 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2002 a 31/05/2007
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DECADÊNCIA. DECISÃO DEFINITIVA DO STJ SOBRE A MATÉRIA. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO. DECADÊNCIA ART. 173, I DO CTN.
O Superior Tribunal de Justiça em decisão vinculante - Resp nº 973.733/SC, firmou entendimento de que a homologação do art. 150, §4º do CTN refere-se ao pagamento antecipado realizado pelo contribuinte.
Hipótese em que, não havendo nos autos comprovação do pagamento do tributo, ainda que parcial, deve-se aplicar a decadência segundo a norma do art. 173, I do CTN.
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
Havendo lançamento apenas da obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35-A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96.
Recurso Especial da Fazenda Provido
Numero da decisão: 9202-005.105
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencida a conselheira Patrícia da Silva, que lhe deu provimento parcial.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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DECADÊNCIA. RETROATIVIDADE BENIGNA. FATO GERADOR ANTERIOR A MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI 11.941/2009 Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado SIAL CONSTRUÇÕES CIVIS LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2002 a 31/05/2007 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DECADÊNCIA. DECISÃO DEFINITIVA DO STJ SOBRE A MATÉRIA. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO. DECADÊNCIA ART. 173, I DO CTN. O Superior Tribunal de Justiça em decisão vinculante Resp nº 973.733/SC, firmou entendimento de que a homologação do art. 150, §4º do CTN refere se ao pagamento antecipado realizado pelo contribuinte. Hipótese em que, não havendo nos autos comprovação do pagamento do tributo, ainda que parcial, devese aplicar a decadência segundo a norma do art. 173, I do CTN. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Havendo lançamento apenas da obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Recurso Especial da Fazenda Provido AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 8. 00 00 61 /2 00 7- 08 Fl. 498DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencida a conselheira Patrícia da Silva, que lhe deu provimento parcial. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Contra o Contribuinte lavrouse Notificação Fiscal de Lançamento de Débito por meio da qual foi apurado e constituído crédito para a Secretaria da Receita Federal do Brasil, relativo à retenção de 11% (onze por cento) de Contribuição Previdenciária, incidente sobre notas fiscais/faturas de prestação de serviços emitidas por empresas prestadoras de serviço, contra a autuada, no período de 04/2002 a 05/2007. Relatório fiscal de fls. 74/79. Esclareceu a Autoridade Fiscal que todos os valores lançados na NFLD não foram reconhecidos pela empresa notificada, como passíveis de sofrer a retenção de 11% (onze por cento). Entretanto, esta deixou de apresentar os contratos celebrados com as prestadoras de serviço, impossibilitando a conclusão sobre o tipo de serviço prestado. O Contribuinte foi intimado pessoalmente em 12/11/2007 e apresentou impugnação (fls. 222/280) a qual julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba. Contra a decisão foi interposto Recurso Voluntário de fls. 307/375 reiterando todos os pontos levados na impugnação, acrescentando que a multa de mora prevista no art.35 da Lei n 8.212/91 seria inconstitucional. Por meio do acórdão nº 2403000.768 a 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária da 2ª Seção de Julgamento deste Conselho decidiu, nas preliminares, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, reconhecendo a decadência das competências 04/2002 a 10/2002 com base no art.150, §4° do CTN; e no mérito, por maioria de votos em dar provimento parcial ao recurso, de modo que a cobrança seja mantida com o recálculo da multa Fl. 499DF CARF MF Processo nº 12268.000061/200708 Acórdão n.º 9202005.105 CSRFT2 Fl. 499 3 de mora previsto no art.35, caput, da Lei n 8.212/91, com base na redação dada pela Lei n 11.941/2009, prevalecendo a mais benéfica ao contribuinte. O acórdão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2002 a 31/05/2007 PRELIMINARMENTE. DECADÊNCIA PARCIAL. QUINQUENAL. SÚMULA VINCULANTE N 8. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. APLICAÇÃO. ART.150, § 4º. CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. O STF, em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Tratandose de contribuição social previdenciária, tributo sujeito ao lançamento por homologação, aplicase a decadência do art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional. REGIMENTO INTERNO DO CARF. ART.62A. VINCULAÇÃO À DECISÃO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. RESP N 973.733/SC. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OBRIGATORIEDADE DE RECOLHIMENTO. INEXISTÊNCIA. APLICAÇÃO DO ART.173, I , CTN. Considerando a exigência prevista no Regimento Interno do CARF no art.62A, esse Conselho deve reproduzir as decisões do Superior Tribunal de Justiça proferidas em conformidade com o art.543C do Código de Processo Civil. No caso de decadência de tributo sujeito ao lançamento por homologação, o RESP n 973.733/SC decidiu que o art.150,§ 4º do Código Tributário Nacional só será aplicado quando for constada a ocorrência de recolhimento antecipado, caso contrário, será aplicado o art.173, I, do Código Tributário Nacional. MPF. PRORROGAÇÃO. IRREGULARIDADE. NÃO CONSTATADA. Fl. 500DF CARF MF 4 Tratandose o Mandado de Procedimento Fiscal de uma ferramenta interna utilizada pela fiscalização, sua prorrogação pode ocorrer quantas vezes for necessária para que seja verificada a ocorrência do fato gerador da obrigação tributaria fiscalizada, não havendo necessidade do sujeito passivo ser notificado deste ato, que não produz nenhuma irregularidade. CORRESPONSÁVEIS. SÓCIOS. NOTIFICAÇÃO FISCAL. SIMPLES INDICAÇÃO. AUSÊNCIA DE VÍCIO. A indicação de sócios na Notificação Fiscal não pode ser interpretada como conduta prejudicial ao sujeito passivo, tendo em vista que tal ato constitui em simples relação dos sócios da empresa à época da autuação, não havendo qualquer tipo de consequência para esses sóciosgerentes, o que só ocorrerá em sede de execução fiscal, após serem preenchidos os requisitos legais autorizadores. CESSÃO DE MÃODEOBRA. DEFINIÇÃO LEGAL. LEI 8.212/91. CONSTATAÇÃO.RETENÇÃO 11% SOBRE O VALOR BRUTO DA NOTA FISCAL OU FATURA DE SERVIÇOS. LEGALIDADE E CONSTITUCIONALIDADE A cessão de mãodeobra é conceituada segundo a Lei n 8.212/91, e que, uma vez constatada, obriga o contratante de serviços, executados mediante cessão de mãodeobra, a reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de serviços, nos termos do art. 31 da Lei 8.212/91, na redação da Lei n.º 9.711/98, sistemática interpretada como legal e constitucional pelos Tribunais Superiores. Recurso Voluntário Provido em Parte. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial questionando duas matérias: 1) Decadência: diante da inexistência de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias referentes às rubricas lançadas, individualmente consideradas, o prazo para constituição do respectivo crédito tributário regese pelo contido no art. 173, I do CTN. 2) Multa: o critério adotado na aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Requer seja dado total provimento ao recurso a fim de que prevaleça o entendimento de que deve ser verificada qual a norma mais benéfica ao contribuinte: se a multa anterior (art. 35, II, da norma revogada) ou o art. 35A da MP nº 449/2008, atualmente convertida na Lei nº 11.941/2009. O Contribuinte apresentou contrarrazões e Recurso Especial ao qual foi negado seguimento nos termos do despacho de admissibilidade. É o relatório. Fl. 501DF CARF MF Processo nº 12268.000061/200708 Acórdão n.º 9202005.105 CSRFT2 Fl. 500 5 Voto Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Vejamos cada uma das matérias devolvidas a esse Colegiado. Da decadência: No que tange ao reconhecimento da decadência, lembramos que a autuação referese a NFLD por meio da qual foi apurado e constituído crédito para a Secretaria da Receita Federal do Brasil, relativo à retenção de 11% (onze por cento) de Contribuição Previdenciária incidente sobre notas fiscais/faturas de prestação de serviços emitidas por empresas prestadoras de serviço, contra a autuada, no período de 04/2002 a 05/2007. Contribuinte foi intimado em 12/11/2007 (fls. 01). Discutese por meio do presente recurso se haveria nos autos comprovação de pagamento, ainda que parcial, do tributo cobrado. Tal discussão é relevante na medida em que, após exaustivo debate, a jurisprudência se posicionou no sentido de que para aqueles tributos classificados na modalidade de lançamento por homologação o prazo decadencial aplicável é o do art. 150, §4º do CTN, salvo nas hipóteses em que o contribuinte tenha agido com dolo, fraude ou simulação, ou se restar comprovado que não ocorreu a antecipação de pagamento. O Superior Tribunal de Justiça em decisão vinculante Resp nº 973.733/SC, firmou entendimento de que a homologação do art. 150, §4º do CTN referese ao pagamento antecipado realizado pelo contribuinte, nas palavras do Ministro Luiz Fux: "Assim é que o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito". Referido julgado recebeu a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, Fl. 502DF CARF MF 6 DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original) A doutrina se manifestava neste mesmo sentido, valendo citar o posicionamento da Doutora Christiane Mendonça, no artigo intitulado "Decadência e Prescrição em Matéria Tributária", publicado livro Curso de Especialização em Direito Tributário: estudos analíticos em homenagem a Paulo de Barros Carvalho, editora Forense: Fl. 503DF CARF MF Processo nº 12268.000061/200708 Acórdão n.º 9202005.105 CSRFT2 Fl. 501 7 Nos lançamentos por homologação o prazo de cinco anos é contado da data da ocorrência do fato gerador, art. 150, §4º. Ocorre que quando o contribuinte não cumpre o seu dever de produzir a norma individual e concreta e de pagar tributo, compete à autoridade administrativa, segundo art. 149, IV do CTN efetuar o lançamento de ofício. Dessa forma, consideramos apressada a afirmação genérica que sempre que for lançamento por homologação o prazo será contado a partir da ocorrência do fato gerador, pois não é sempre, dependerá se houve ou não pagamento antecipado. Caso não haja o pagamento antecipado, não há o que se homologar e, portanto, caberá ao Fisco promover o lançamento de ofício, submetendose ao prazo do art. 173, I do CTN. Nesse sentido, explica Sacha Colmon Navarro Coelho: "A solução do dia primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado aplicase ainda aos impostos sujeitos a homologação do pagamento na hipótese de não ter ocorrido pagamento antecipado... Se tal não houve, não há o que se homologar." Também a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é firme no mesmo sentido de que na hipótese de ausência de pagamento de tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo decadencial para constituição do crédito tributário segue a regra do art. 173, I do CTN, contandose os cinco a anos a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em o lançamento poderia ter sido efetuado. Destacase que tendo o REsp nº 973.733/SC sido julgado sob a sistemática do Recurso Repetitivo deve este Conselho, por força do art. 62, §2º do seu Regimento Interno, reproduzir tal entendimento em seus julgados. Ocorre que, embora não haja mais dúvidas de que para se considerar a data do fato gerador como termo inicial da decadência é necessário verificar acerca da ocorrência de antecipação do pagamento do tributo, permanece sob debate qual seria a abrangência do termo 'pagamento' adotado por aquele Tribunal Superior. Em outras palavras, quais pagamentos realizados pelo contribuinte devem ser considerados para fins de aplicação do art. 150, §4º do CTN? No que tange as contribuições previdenciárias entendo que a resposta já foi construída por este Conselho quando da edição da Súmula CARF nº 99, que dispõe: Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Embora a referida Súmula não seja aplicada ao caso pois a mesma contempla lançamento cujo objeto é cobrança da Contribuição Social incidente sobre Fl. 504DF CARF MF 8 pagamentos de salários tidos como indiretos o entendimento ali exposto é compatível com o caso em questão. Assim, a verificação da ocorrência de pagamento para fins de atração da regra o art. 150, §4º do CTN deve se dar pela análise de ter o contribuinte recolhido ao longo do período autuado contribuição previdenciária decorrente do mesmo fato gerador objeto do lançamento, ainda que os respectivos recolhimentos não se refiram propriamente aos fatos cujas hipóteses de incidência tenham sido questionadas pela fiscalização. Devese entender por 'mesmo fato gerador' as hipóteses de incidência que possuem identidade entre os critérios que compõem a respectiva regra matriz de incidência, ou seja, tributo previsto no mesmo dispositivo legal com coincidência de sujeito passivo e base de cálculo, ainda que esta última não tenha sido quantificada corretamente. Ora a contribuição previdenciária devida em razão da contratação de serviços mediante cessão de mão de obra é tributo recolhido na condição de substituto tributário (pagamento em favor de terceiros) e portanto possuiu fato gerador distinto da contribuição eventualmente devida e recolhida pelo Contribuinte em relação aos seus segurados com ou sem vínculo de emprego. Assim eventual adimplemento dessa última se quer seria suficiente para atrair a regra decadencial prevista pelo art. 150, §4º do CTN. Destacamos que também não há nos autos provas de que os valores cobrados foram efetivamente ou parcialmente recolhidos pelas empresas prestadoras dos serviços, fato ao meu ver seria relevante e justificaria a aplicação do art. 150, §4º do CTN. Assim, diante da total ausência de provas quanto ao recolhimento do tributo lançado, o início da contagem do prazo decadencial deverá ser postergado para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o referido lançamento poderia ser efetuado, nos termos do art. 173, I do CTN. No presente caso considerando que o lançamento compreende o período de 01/04/2002 a 31/05/2007 e que o Contribuinte foi intimado em 12/112007, não há que se falar em decadência. Da multa: Afastada a decadência, nos resta a discussão acerca do critério adotado pelo Colegiado a quo em relação a retroatividade das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; Fl. 505DF CARF MF Processo nº 12268.000061/200708 Acórdão n.º 9202005.105 CSRFT2 Fl. 502 9 II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) Apesar de não ter sido o entendimento inicial desta relatora, após exaustivos debates sobre o tema, a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. Assim, é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Fl. 506DF CARF MF 10 Para ilustrar o entendimento cito, os fundamentos do voto proferido pela Ilustre Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, no acórdão nº 9202003.909, os quais adoto como razões de decidir: No presente caso, os fatos geradores ocorreram à luz de legislação posteriormente alterada, de sorte que a aferição acerca de eventual retroatividade benigna deve ser levada a cabo mediante comparação da redação da Lei nº 8.212, de 1991, à época dos fatos geradores, com a sua nova redação, conferida pela Medida Provisória nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009: Redação da Lei nº 8.212, de 1991, à época dos fatos geradores “Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Fl. 507DF CARF MF Processo nº 12268.000061/200708 Acórdão n.º 9202005.105 CSRFT2 Fl. 503 11 b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). § 1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar.(Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo.(Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº11.941, de 2009) § 4o Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento.” (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações da Medida Provisória nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009: “Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Fl. 508DF CARF MF 12 (...) Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” Esclareçase que, independentemente da denominação que se dê à penalidade, há que se perquirir acerca do seu caráter material, e nesse sentido não há dúvida de que, mesmo na antiga redação do art. 35, da Lei nº 8.212, de 1991, estavam ali descritas multas de mora e multas de ofício. As primeiras, cobradas com o tributo recolhido após o vencimento, porém espontaneamente. As últimas, cobradas quando do pagamento por força de ação fiscal, tal como ocorria com os demais tributos federais, nos lançamentos de ofício. Além disso, tanto os demais tributos como as contribuições previdenciárias têm seu regramento básico estabelecido pelo Código Tributário Nacional, que não só determina que a exigência tributária tem de ser formalizada por meio de lançamento, como também especifica as respectivas modalidades: lançamento por homologação, lançamento por declaração e lançamento de ofício. Cada uma dessas modalidades está ligada ao grau de colaboração verificado por parte do sujeito passivo. No caso dos tributos e contribuições federais, foi adotado de forma genérica o lançamento por homologação, que atribui ao sujeito passivo o dever de calcular o valor devido e efetuar o seu recolhimento, independentemente de prévia ação por parte da Autoridade Administrativa. Por outro lado, se o sujeito passivo deixa de cumprir com essas obrigações, o Fisco pode exigir o tributo por meio de lançamento de ofício. Nesta sistemática, qualquer que seja o tributo ou contribuição, e independentemente da denominação atribuída ao lançamento, claramente são visualizadas duas formas de recolhimento fora do prazo estabelecido: aquele efetuado espontaneamente, passível de aplicação de multa de mora; e aquele efetuado por força de ação fiscal, aplicável aí a multa de ofício, mais onerosa. Assim, embora a antiga redação do artigo 35, da Lei nº 8.212, de 1991, tenha utilizado apenas a expressão “multa de mora” para as contribuições previdenciárias, não há dúvida de que os incisos componentes do dispositivo legal já continham a descrição das duas condutas tipificadas nos dispositivos legais que regulavam os demais tributos federais: pagamento espontâneo e pagamento efetuado por força de ação fiscal, conforme os ditames do CTN. Nesse sentido, para aplicação da retroatividade benigna com base no art. 106 do CTN, quando da execução do julgado deverá a autoridade preparadora comparar a multa do art. 35, II da Lei nº 8.212/91 (com a redação dada pela Lei nº 9.876/99) e a 'nova' multa prevista no art. 35A a qual nos remete ao art. 44 da Lei nº 9.430/96. Diante de todo o exposto dou provimento ao Recurso da Fazenda para afastar a decadência e determinar a aplicação, se for mais benéfico ao contribuinte, da multa prevista no art. 34A da Lei nº 8.212/91. Fl. 509DF CARF MF Processo nº 12268.000061/200708 Acórdão n.º 9202005.105 CSRFT2 Fl. 504 13 (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 510DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13971.722505/2011-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jan 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 21/06/2006
DECADÊNCIA. INFRAÇÕES ADUANEIRAS. NORMA ESPECIAL.
Em se tratando de infrações aduaneiras, a decadência segue o regramento especial previsto no art. 139 do Decreto-lei nº 37/66, que dispõe que o prazo de decadência para impor penalidades é de 5 anos a contar da data da ocorrência da infração.
MULTA REGULAMENTAR DO IPI. CONSUMO. INTRODUÇÃO REGULAR. CONFLITO APARENTE DE NORMAS.
A multa regulamentar pela introdução irregular ou clandestina de mercadorias estrangeiras no País, prevista no art. 87, I, da Lei nº 4.502/64, tem caráter residual, somente sendo aplicável na hipótese de não haver tipificação mais específica. No caso, tendo ocorrido hipótese de subfaturamento, revela-se mais específica a infração punível com a multa administrativa pela diferença entre o preço declarado e o preço praticado.
DANO AO ERÁRIO. OCULTAÇÃO DO RESPONSÁVEL PELA OPERAÇÃO. DESNECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PREJUÍZO AO ERÁRIO.
O dano ao Erário é presumido quando se configura as infrações tipificadas no art. 23, V, do Decreto-lei nº 1.455/76, não havendo necessidade de se comprovar o efetivo prejuízo ao Erário. Tendo ocorrido o cometimento da infração de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros na importação, veiculada pelo art. 23, V, do Decreto-lei nº 1.455, de 1976, está caracterizado o dano ao Erário.
SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. EFEITOS.
Responde pela infração, conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática ou dela se beneficie, bem como o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, por intermédio de pessoa jurídica importadora.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3402-003.674
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, não tomar conhecimento do recurso voluntário interposto pelos responsáveis solidários Érica Debossan Reinert e Caio Marcelo Debossan em conjunto com a D&A, em virtude de sua intempestividade. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Carlos Augusto Daniel Neto, que votaram no sentido de conhecer desse recurso e dar provimento integral. Quanto aos recursos voluntários tempestivos, pelo voto de qualidade, deu-se provimento parcial da seguinte forma: (i) para exonerar a multa pelo consumo de mercadorias estrangeiras introduzidas fraudulentamente no país, prevista no art. 83, I, da Lei nº 4.502/64; (ii) em face da decadência, exonerar, parcialmente, a "multa administrativa decorrente do subfaturamento" e à "multa equivalente ao perdimento em face da interposição fraudulenta", exonerando-se a parcela relativa à importação registrada até 23/11/2006 (no caso a DI nº 06/0897931-1, 2052, registrada em 01/ago/06, no valor de R$ 3.546,05; e (iii) manter como responsáveis solidários a empresa R.S.I. TEXTIL LTDA e o Sr. CAIO MARCELO DEBOSSAN, CPF nº 936.292.659-87 e Sra. ÉRICA DEBOSSAN Reinert, CPF nº 919.869.829-04. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto que votaram no sentido de dar provimento integral. O Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto apresentou declaração de voto.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Proferiu sustentação oral pela Recorrente o Dr. Nelson Antonio Reis Simas Júnior, OAB/SC nº 22.332.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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E EXP. LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 21/06/2006 DECADÊNCIA. INFRAÇÕES ADUANEIRAS. NORMA ESPECIAL. Em se tratando de infrações aduaneiras, a decadência segue o regramento especial previsto no art. 139 do Decretolei nº 37/66, que dispõe que o prazo de decadência para impor penalidades é de 5 anos a contar da data da ocorrência da infração. MULTA REGULAMENTAR DO IPI. CONSUMO. INTRODUÇÃO REGULAR. CONFLITO APARENTE DE NORMAS. A multa regulamentar pela introdução irregular ou clandestina de mercadorias estrangeiras no País, prevista no art. 87, I, da Lei nº 4.502/64, tem caráter residual, somente sendo aplicável na hipótese de não haver tipificação mais específica. No caso, tendo ocorrido hipótese de subfaturamento, revelase mais específica a infração punível com a multa administrativa pela diferença entre o preço declarado e o preço praticado. DANO AO ERÁRIO. OCULTAÇÃO DO RESPONSÁVEL PELA OPERAÇÃO. DESNECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PREJUÍZO AO ERÁRIO. O dano ao Erário é presumido quando se configura as infrações tipificadas no art. 23, V, do Decretolei nº 1.455/76, não havendo necessidade de se comprovar o efetivo prejuízo ao Erário. Tendo ocorrido o cometimento da infração de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros na importação, veiculada pelo art. 23, V, do Decretolei nº 1.455, de 1976, está caracterizado o dano ao Erário. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. EFEITOS. Responde pela infração, conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática ou dela se beneficie, bem como o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 25 05 /2 01 1- 54 Fl. 1076DF CARF MF 2 adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, por intermédio de pessoa jurídica importadora. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, não tomar conhecimento do recurso voluntário interposto pelos responsáveis solidários Érica Debossan Reinert e Caio Marcelo Debossan em conjunto com a D&A, em virtude de sua intempestividade. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Carlos Augusto Daniel Neto, que votaram no sentido de conhecer desse recurso e dar provimento integral. Quanto aos recursos voluntários tempestivos, pelo voto de qualidade, deuse provimento parcial da seguinte forma: (i) para exonerar a multa pelo consumo de mercadorias estrangeiras introduzidas fraudulentamente no país, prevista no art. 83, I, da Lei nº 4.502/64; (ii) em face da decadência, exonerar, parcialmente, a "multa administrativa decorrente do subfaturamento" e à "multa equivalente ao perdimento em face da interposição fraudulenta", exonerandose a parcela relativa à importação registrada até 23/11/2006 (no caso a DI nº 06/08979311, 2052, registrada em 01/ago/06, no valor de R$ 3.546,05; e (iii) manter como responsáveis solidários a empresa R.S.I. TEXTIL LTDA e o Sr. CAIO MARCELO DEBOSSAN, CPF nº 936.292.65987 e Sra. ÉRICA DEBOSSAN Reinert, CPF nº 919.869.82904. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto que votaram no sentido de dar provimento integral. O Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto apresentou declaração de voto. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Proferiu sustentação oral pela Recorrente o Dr. Nelson Antonio Reis Simas Júnior, OAB/SC nº 22.332. Relatório Tratase os presentes autos, de recurso voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I (DRJ/SP1), que julgou improcedente a impugnação da D&A COMERCIO E SERVIÇOS IMP. E EXP. LTDA (doravante denominada de D & A) e do responsável solidário R.S.I. TEXTIL LTDA e como responsáveis Solidários Pessoais (Sócios de Fato/Administradores da D&A), o Sr. CAIO MARCELO DEBOSSAN, CPF nº 936.292.65987 e Sra. ÉRICA DEBOSSAN REINERT, CPF nº 919.869.82904. Fl. 1077DF CARF MF Processo nº 13971.722505/201154 Acórdão n.º 3402003.674 S3C4T2 Fl. 1.077 3 O presente processo trata de auto de infração, lavrado em nome da Recorrente em 18/11/2011, sendo formalizado a exigência de multa do controle administrativo, multa proporcional ao valor aduaneiro, IPI e Contribuições para o PIS e Cofins, acrescidos de multa proporcional e juros de mora, além da multa regulamentar do IPI no valor de R$ 72.704,16, em virtude dos fatos a seguir descritos: (...) A fiscalização apurou que a empresa em epígrafe não é a real adquirente das mercadorias importadas através da Declarações de Importação nº 06/08979311, de 21/jul/06, 06/14437983 de 15/nov/06 e 07/04905242, de 30/mar/07, registradas em nome da empresa D&A COMERCIO E SERVICOS IMP E EXP LTDA. A empresa operava como interposta pessoa em comércio exterior para a empresa R.S.I. TEXTIL LTDA, praticando assim infração de ocultação do sujeito passivo, com previsão de pena de perdimento às mercadorias transacionadas. Face ao que determina o art. 23, c/c o §3º, do Decreto Lei n° 1.455, de 07 de abril de 1976, foi lavrado o presente Auto de Infração para a aplicação de multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas pela impossibilidade de apreensão de tais mercadorias. Como responsável solidário: R.S.I. TEXTIL LTDA. Como Responsáveis Solidários Pessoais (Sócios de Fato/Administradores da D&A): CAIO MARCELO DEBOSSAN, CPF 936.292.65987; e ÉRICA DEBOSSAN REINERT, CPF 919.869.82904. Cientificado do auto de infração, via Aviso de Recebimento, em 28/11/2011 (fls. 400, do processo digital), o contribuinte R.S.I. TEXTIL LTDA apresentou impugnação, de folhas 476 a 481, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. Alegou que: PRELIMINARMENTE. DA PROVA EMPRESTADA Como se verifica no auto de infração emitida investigação que deu origem ao processo administrativo supra citado tomou emprestadas provas r aduzidas no processo n° 2006.72.00.0105049 que tramita perante à Vara Federal Criminal de Florianópolis (SC), sendo que a prova em questão foi a interceptação de ligações telefônicas. Junta textos da doutrina de Guilherme de Souza Nucci a respeito do assunto. A impugnante não é parte na ação judicial em que foi deferida a produção da prova emprestada à Secretaria da Receita Federal do Brasil e utilizada pelos Auditores Fiscais quando de sua investigação sobre os fatos que deram origem ao auto de infração lavrado. Utilizar provas produzidas à revelia da impugnante significa ignorar a existência dos princípios do contraditório e da ampla defesa e também do devido processo legal. Fl. 1078DF CARF MF 4 Destarte, a autuação realizada não produz nenhum tipo de efeito perante a impugnante, não se podendo atribuir a ela qualquer tipo de atividade que contrarie o ordenamento jurídico vigente se as únicas provas relativas aos supostos ilícitos cometidos são documentos existentes em poder de terceiro. Assim sendo, nula é autuação feita contra a impugnante. Diante do exposto, requerse: . A anulação da autuação realizada com a conseqüente extinção do crédito tributário arbitrado no ato viciado; . A suspensão da exigibilidade do crédito tributário, com fundamento no art. 151, inciso III do Código Tributário Nacional; . Que todas as intimações sejam dirigidas aos advogados que esta subscrevem, sob pena de nulidade; . Provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidas, especialmente a pericial, documental (inclusive novos documentos que se fizerem necessários) e testemunhal, se for o caso. Cientificado do auto de infração, pessoalmente, em 24/11/2011 (fls. 467 do processo digital), os contribuintes D&A COMERCIO E SERVIÇOS IMP. E EXP. LTDA, CAIO MARCELO DEBOSSAN e ÉRICA DEBOSSAN REINERT protocolizaram impugnação conjunta, tempestivamente em 21/12/2011, na forma do artigo 56 do Decreto nº 7.574, de 2011, de fls. 485 à 551. Alegouse que: PRELIMINARMENTE. ILICITUDE E IMPRESTABILIDADE DAS PROVAS EMPRESTADAS AUSÊNCIA DE PROVAS NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO Os documentos e HDs apreendidos no Mandado de Busca e Apreensão jamais poderiam ter sido utilizados como provas para o presente procedimento fiscal, eis que: O compartilhamento dos documentos apreendidos (que jamais foram submetidos ao contraditório e ampla defesa), somente poderia ter sido realizado ao término do Inquérito Policial, o que até hoje não ocorreu; A grande maioria dos documentos apreendidos eram da empresa Debossan Despachos Aduaneiros e não da D&A Comércio Exterior, e; As Infrações apuradas no presente auto de infração não guardam qualquer relação com os crimes apurados no inquérito policial, razão pela qual se tornam imprestáveis para tanto. COMPARTILHAMENTO DE PROVAS INOBSERVÂNCIA DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA INOBSERVÂNCIA DE CONDIÇÃO PARA O COMPARTILHAMENTO NULIDADE DO PROCEDIMENTO FISCAL Para fins de aplicação da pena de perdimento e da e das supostas infrações apontadas no Auto de Infração, a Autoridade Fiscal se valeu EXCLUSIVAMENTE de provas (invasão domiciliar para apreensão de documentos e quebra de sigilo Fl. 1079DF CARF MF Processo nº 13971.722505/201154 Acórdão n.º 3402003.674 S3C4T2 Fl. 1.078 5 bancário e telemático) que não merecem respaldo jurídico, vez que ilícitas. Qualquer prova obtida com violação a essas ou outras garantias ndi duais, constitucionalmente asseguradas, não podem ser admitidas. Junta textos da Jurisprudência Judicial a respeito do assunto: STF, Voto do Rel. Min. Ilmar Galvão na AP 3073DF, DJU 13/10/95. No caso concreto, as provas utilizadas foram "emprestadas" dos autos do INQUÉRITO POLICIAL N° 2006.72.00.081320 (2005.72.00.0134793)que tramita na Justiça Federal da Comarca de Florianópolis/SC. A D&A não faz parte daquele processo! Nunca teve acesso àqueles autos! Sequer lhe foi dado o direito ao contraditório e à ampla defesa sobre as provas colhidas naquele inquérito. Não merece qualquer respaldo jurídico a prova que não é submetida ao contraditório e à ampla defesa, devendo ser rechaçada, pois ilícita! Junta textos da Jurisprudência Administrativa a respeito da a validade da "Prova Emprestada". Tais provas, ainda que pudessem ser admitidas para o presente processo fiscal, somente poderiam ter sido utilizadas "após o sucesso das investigações policiais", ou seja, após o trânsito em julgado daquele processo, pois, sem isso, não se pode verificar o "sucesso" das investigações Outra irregularidade nas provas emprestadas. Conquanto o sigilo tenha sido quebrado "pelos últimos 5 anos" daquele despacho (digase, de 08/Ago/2000 a 08/Ago/2005). Verificase que as TODAS as provas juntadas ao presente processo fiscalizatório possuem datas POSTERIORES ao ano de 2005! Aliás, o próprio MPFF menciona que o período das apurações é de 2006 a 2008. ‘Logo, resta cristalino que a autoridade fiscal excedeu os poderes que lhe foram conferidos para a quebra dos sigilos daquelas empresas relacionadas no despacho judicial, evidenciando ainda mais a ilicitude da prova, imprestável, portanto, ao fim que se destina. Por essas razões, IMPUGNAMSE, desde já, TODAS as provas juntadas no presente procedimento que tiveram origem do Mandado de Busca e Apreensão em questão. APREENSÃO DE DOCUMENTOS EMPRESA DIVERSA DA INVESTIGADA AUSÊNCIA DE MANDADO JUDICIAL ESPECÍFICO ILICITUDE DAS PROVAS NULIDADE Não obstante as ilegalidades apontadas no item anterior, outro ponto ainda mais abjeto quanto às provas utilizadas no presente Fl. 1080DF CARF MF 6 procedimento fiscal é que muitas delas foram colhidas na empresa Debossan Despachos Aduaneiros Ltda., empresa para a qual as autoridades fiscais e policiais não detinham Mandado Judicial para realizar as apreensões. Todos os documentos referentes à etapa 'pré importação', tais como planilhas de custo de importação, licenciamentos de importação, certificados de conformidade de produtos, laudos, bem como aqueles referentes ao despacho aduaneiro além de CPU's (dentre os itens 1 a 12 do Auto de Apreensão) estavam na posse e propriedade da empresa Debossan Despachos Aduaneiros e não da D&A Comércio Exterior. Embora a empresa Debossan Despachos Aduaneiros prestasse serviços de desembaraço de mercadorias para a empresa D&A Comércio Exterior (dentre outras empresas), certo é que na época dos fatos, a Debossan Despachos Aduaneiros funcionava em endereço contíguo ao endereço da D&A Comércio Exterior Ltda, ambas no Edifício Tóquio, um ré comercial situado na Rua General Osório, n° 880 com diversas salas comercia. ;. Enquanto a D&A estava localizada na Rua General Osório, n° 880, sala L, Dbossan Despachos Aduaneiros funcionava na sala ao lado, ou seja, no endereço Rua General Osório, n° 880, s. 05. Vejase que a autorização judicial não especificou em qual sala do Edifício Tóquio, na Rua General Osório, 880, funcionava a empresa D&A, mas apenas fez referência que seria no andar térreo. Ocorre que o Mandado de Busca e Apreensão, expedido única e exclusivamente para diligências na empresa D&A Comércio Exterior, foi levado a cabo também nas dependências da empresa Debossan Despachos Aduaneiros. Tal fato ocorreu, provavelmente porque o endereço constante do Mandado não especificava a sala, mas apenas que a empresa funcionava no andar 'térreo'. Ao invés de certificarse de que no andar térreo funcionavam duas empresas distintas, o que fez a autoridade policial foi utilizarse daquela 'ambiguidade' constante da autorização judicial para fazer uma devassa não somente nos computadores da D&A Comércio Exterior, como também da empresa Debossan Despachos Aduaneiros. (...) APREENSÃO DE DOCUMENTOS INVESTIGAÇÃO CRIMINAL INEXISTÊNCIA DE CORRELAÇÃO ENTRE OS CRIMES INVESTIGADOS E AS INFRAÇÕES APURADAS ILICITUDE DAS PROVAS NULIDADE Para se conseguir que aquela investigação alcançasse a empresa Impugnante, alegouse que a D&A estaria envolvida com o Grupo Roger Tur, efetuando remessas cambiais às margens oficiais com o fim de subfaturamento de mercadorias. Contudo, em que pese toda a devassa realizada contra a Impugnante, com a quebra do seu sigilo fiscal, bancário, invasão Fl. 1081DF CARF MF Processo nº 13971.722505/201154 Acórdão n.º 3402003.674 S3C4T2 Fl. 1.079 7 domiciliar através da busca e apreensão de documentos sem mandado de procedimento fiscal, quebra de sigilo de dados, dentre outros, nenhuma prova ou qualquer indício de prova foi encontrado que pudesse ligar a D&A Comércio Exterior com o Grupo Roger Tur originalmente investigado. Por outro lado, de posse de todos aqueles dados, a autoridade fiscal lavrou o presente Auto de Lançamento apurando supostas infrações administrativas no controle aduaneiro, como a multa por prestação de informações incorretas no comércio exterior, suposta ocultação do real adquirente de mercadorias ou, em alguns casos, multas por embarques de mercadorias sem o licenciamento de importação prévio. Ocorre que, de todas as infrações apuradas pela autoridade fiscal ao longo desses anos de fiscalização, nenhuma possui correlação com os crimes investigados no 'processo mãe' do grupo Roger Tur. As penalidades aplicadas contra a Impugnante fogem à finalidade para a qual o Mandado de Busca e Apreensão fora concedido: apurar a evasão de divisas ou prática cambial às margens oficiais! Por esse motivo, não se pode aceitar como lícita a prova utilizada no presente processo pois não se presta ao fim a que se destinava. (...). AUSÊNCIA DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL DE FISCALIZAÇÃO (MPFF) FISCALIZAÇÃO IRREGULAR NULIDADE DO PROCEDIMENTO FISCAL E DO AUTO DE INFRAÇÃO O procedimento fiscal em comento foi instaurado sem o prévio e necessário Mandado de Procedimento Fiscal de Fiscalização MPFF, o que causa evidente e manifesta ilegalidade, por inobservância dos arts. 2o e 3o da Portaria RFB nº 3.014/2011. À época em que a Autoridade Fiscal deu início ao Procedimento de Fiscalização, dispunha apenas e tão somente de um Mandado de Procedimento Fiscal de Diligência, que, de acordo com a própria legislação que trata da matéria, não se presta para a realização de procedimento fiscal. Aliás, o próprio relatório do Auto de Infração ora impugnado demonstra claramente que somente em 16 junho de 2011 houve a conversão do Mandado de Procedimento Fiscal de Diligência em Mandado de Procedimento Fiscal de Fiscalização (Doc. 53 e fls. 18/19 do Auto de Infração). Ou seja, todos os atos de fiscalização praticados pelas Autoridades entre 21/10/2010 e 16/06/2011 são manifestamente nulos, por ausência de MPFF. Fl. 1082DF CARF MF 8 EXCESSO DE PRAZO NA CONCLUSÃO PROCEDIMENTAL AUSÊNCIA DE NOTIFICAÇÃO SOBRE AS PRORROGAÇÕES DO MPFF NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. O lançamento tributário é um ato administrativo de ofício, e como tal, somente poderá se aperfeiçoar se forem seguidos todos os seus requisitos essenciais, procedimentos imprescindíveis à sua perfectibilidade. Da mesma forma, o sujeito contra o qual foi procedido o conjunto de atos, deve tomar a devida e regular ciência dos mesmos. No caso concreto, além do vício formal por falta de MPF Fiscalização para realizar o Procedimento Fiscal em questão, a autoridade fiscalizadora também extrapolou os prazos legais para a realização da fiscalização instaurada, além de não ter intimado regularmente os Impugnantes acerca das prorrogações dos prazos do MPF. (...). DOIS SUJEITOS PASSIVOS NO MESMO AUTO DE INFRAÇÃO AUSÊNCIA DE INDIVIDUALIZAÇÃO DO LANÇAMENTO NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO O lançamento não está individualizado. O Auto de Infração aplicou pena de perdimento às mercadorias importadas sob o argumento de que a empresa RSI seria a real adquirente das mercadorias, apesar de oculta. A conversão do perdimento cm multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias ocorreu porque os produtos já "teriam sido" consumidos. Como se sabe, o perdimento caracterizase pela pessoalidade e intransmissibilidade da pena e, por isso mesmo, só pode ser aplicado em face do proprietário da mercadoria, até porque, logicamente, ninguém pode ser condenado a "perder", ou melhor, ter subtraído do seu patrimônio, bem ou direito que nunca o compôs. Transcreve o artigo 100 do Decreto Lei nº 37/66. Junta textos da Jurisprudência Administrativa e Judicial a respeito do assunto. (...) ILEGITIMIDADE DE CAIO MARCELO DEBOSSAN E ERICA DEBOSSAN REINERT PARA FIGURAREM SOLIDARIAMENTE NO PÓLO PASSIVO DO AUTO DE INFRAÇÃO Aspectos Fáticos Relevantes da Empresa D&A (Impugnante). O impugnante faz um relato sobre a constituição da empresa D&A Comércio Exterior Ltda. Ao se consultar o histórico de importações da empresa D&A, poderseá constatar que as importações em seu nome iniciaram efetivamente a partir de Junho de 2005, justamente por conta do benefício fiscal que lhe fora concedido naquele mês. Das Motivações da Autoridade Fiscal para Inclusão de Caio Marcelo Debossan e Erica Debossan Reinert como Reponsáveis Solidários. Fl. 1083DF CARF MF Processo nº 13971.722505/201154 Acórdão n.º 3402003.674 S3C4T2 Fl. 1.080 9 Pelo que se depreende do Relatório do Auto de Infração, conjuntamente do que a autoridade fiscal denominou "Anexo Probante da Sociedade de Fato Caio Érica", a razão que levou à inclusão dos Despachantes Aduaneiros e sócios da Debossan Despachos Aduaneiros (Sr. Caio Debossan e Erica Debossan) a figurarem como responsáveis solidários dc p _„ente Auto, foi que a AFRFB entendeu serem eles "sócios ocultos" da empresa D&A. Acontece que a Autoridade Fiscal, data venia, parte de uma premissa totalmente equivocada para chegar a tal conclusão. (...). ILEGITIMIDADE PASSIVA DA D&A PARA APLICAÇÃO DA PENA DE PERDIMENTO E MULTA DE CONVERSÃO Ainda que se admitisse como correta a aplicação da pena de perdimento e a multa de conversão dela decorrente, mesmo nessa hipótese o Auto de Infração deve ser anulado, diante da manifesta ilegitimidade passiva da D&A. É que a pena de perdimento da mercadoria importada, quando constatada a ocultação do real importador, mediante fraude ou interposição fraudulenta, é sanção que visa punir o real encomendante/adquirente da mercadoria, e não o importador ostensivo, pois este deve ser punido apenas com multa de 10% pela cessão de nome. (...) AUSÊNCIA DE PROVA DO CONSUMO DAS MERCADORIAS MERA PRESUNÇÃO CERCEAMENTO DE DEFESA IMPOSSIBILIDADE DE CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO EM MULTA. É de fácil percepção, portanto, que a conversão da pena de perdimento em multa equivalente ao valor aduaneiro pressupõe a prova da impossibilidade de localização das mercadorias ou de que foram consumidas. Acontece que, no caso concreto, a Autoridade Fiscalizadora aplicou a multa em questão por mera presunção pessoal, pois, pelo que consta nos autos, não foram realizadas diligências nem constatações suficientes, conclusivas, que apontassem claramente que as mercadorias não foram encontradas, ou que já foram consumidas. (...) INEXISTÊNCIA DE SONEGAÇÃO, FRAUDE E CONLUIO. A pena de perdimento das mercadorias é sanção aplicável aos casos de comprovada fraude na operação de importação ou de exportação. O próprio art. 23, V do DL 1.455/1976, no qual a Autoridade Fiscal embasa sua autuação, pressupõe a existência de fraude para que reste caracterizado o dano ao Erário. Fl. 1084DF CARF MF 10 (...) INEXISTÊNCIA DA QUEBRA DA CADEIA DO IPI Com efeito, a Autoridade Fiscal aduz, em síntese, que a D&A e a ARD Teriam deliberadamente ocultado o real encomendante das mercadorias em questão, ao pretexto de deixar de recolher IPI, mesmo que proporcionalmente. (...), EXTINÇÃO DO DIREITO DE REALIZAR A REVISÃO ADUANEIRA TRANSCURSO DO PRAZO DE 5 ANOS DECADÊNCIA O caso em tela é emblemático e não deixa dúvidas. A decadência operouse após a inércia da Administração Pública ao longo de 5 anos, não havendo como aquelas importações (digase ainda: de terceira empresa) ressoarem na esfera jurídica da Impugnante agora, depois de ultrapassado o prazo decadencial previsto no Regulamento Aduaneiro e no Decreto Lei n° 37/66. (...) INOCORRÊNCIA DE OCULTAÇÃO OU DE SIMULAÇÃO INEXISTÊNCIA DE BURLA AOS CONTROLES ADUANEIROS IMPORTAÇÃO DIRETA PARA REVENDA REGULARMENTE CARACTERIZADA Junta textos da doutrina de Hugo de Brito Machado e Heleno Taveira Tôrres a respeito do assunto. No presente caso, verificase que a Autoridade Fiscal fundamenta a aplicação da penalidade de perdimento das mercadorias ao argumento de que se estaria diante de uma interposição fraudulenta. E esta, por sua vez, seria realizada ao propósito de burlar os controles aduaneiros e quebrar a cadeia de incidência de IPI. (...). INAPLICABILIDADE DA MULTA POR CONSUMO DE MERCADORIAS ESTRANGEIRAS "INTRODUZIDAS FRAUDULENTAMENTE NO PAÍS" ENQUADRAMENTO LEGAL INCORRETO VÍCIO MATERIAL ANULAÇÃO DO AUTO DE INFRAÇÃO A Autoridade Fiscal, presumindo que a mercadoria objeto do auto de infração anexo havia sido "consumida", autuou a Impugnante duplamente com multa ”de 100% do valor da mercadoria". Assim o fez com base nos arts. 631 e no Art. 618, XXII c/c seu §1°, ambos do Antigo Regulamento Aduaneiro, vigente à época dos fatos (Dec. 4.543/02). Contudo, ainda que fosse o caso de aplicação da pena de perdimento da mercadoria (o que se admite apenas para efeitos de argumentação), jamais poderiam ter sido aplicadas ambas as multas conjuntamente.(...). NÃO INCIDÊNCIA DE TRIBUTOS SOBRE MERCADORIAS OBJETO DE PENA DE PERDIMENTO O IPI, a PIS e a COFINS incidentes nas operações de comércio exterior têm em comum normas de estrutura que modificam a regramatriz de incidência desses tributos, suprimindo do critério material da hipótese de incidência nos casos em que a mercadoria importada tiver sido objeto de pena de perdimento. Fl. 1085DF CARF MF Processo nº 13971.722505/201154 Acórdão n.º 3402003.674 S3C4T2 Fl. 1.081 11 Assim, toda vez que uma mercadoria estrangeira for apenada com o perdimento, tal importação se subsumirá à regra isentiva, impedindo a incidência tributária. Transcreve o artigo 1º, §4°, III, do Decreto Lei 37/66, com redação dada pelo art. 77 da Lei 10.833 de 2003. (...). AUSÊNCIA DO ELEMENTO DANOSO RELEVAÇÃO DA PENA DE PERDIMENTO As importações sob análise, ainda que se entendesse irregulares, não foram realizadas dessa forma com o intuito de fraude. Pelo contrário, o contribuinte agiu de boa fé, entendendo ser correta sua conduta, baseada na interpretação da legislação aduaneira em vigor. Vejase que o legislador tratou de relevar a pena de perdimento, nos casos em que o infrator, voluntariamente, comunique eventual erro ou equívoco ocorrido nos seus procedimentos, pois são casos nos quais não há o elemento danoso, nem intenção do agente em cometer a infração. (...). NECESSIDADE DE APLICAÇÃO DA PENALIDADE MAIS FAVORÁVEL Caso se entenda que houve irregularidades na importação, imperioso se reconhecer que estas foram de ordem meramente formal o que ensejaria a aplicação da multa comumente conhecida como "multa por erro", do art. 711 do R.A., ao invés da pena de perdimento. Aliás, insta frisar a existência de conflito entre a pena de perdimento por "ocultação do real comprador", fundamentada no art. 23, V do Decreto Lei 1.455/76, com a pena de multa por "omissão do adquirente comprador" fundamentada no art. 711, inciso III, §1°, do Regulamento Aduaneiro. DOS PEDIDOS: (...). É o relatório A referida ação fiscal originouse da análise do material apreendido quando da realização da operação denominada “Ouro Verde”, desencadeada em 30/03/2007, em diversos pontos do território nacional, inclusive na sede da empresa D&A COMÉRCIO SERVIÇOS IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA., em Blumenau/SC, em cumprimento ao Mandado de Busca e Apreensão expedido pela Vara Federal Criminal de Florianópolis/SC, nos autos do processo nº 2006.72.00.0105049 (IPL n.º 285/2006/DPF/JVE/SC), aberto para investigação da empresa D&A, onde também é determinado o compartilhamento dos objetos apreendidos que contenham informações úteis na apuração de ilícitos fiscais com a RFB. Em síntese, a investigação policial constatou que o grupo bancário clandestino (Grupo Roger) oferecia dentre outros serviços de remessa de divisas ao exterior à margem do controle oficial por parte do Banco Central, tendo várias empresas como clientes, entre elas a D&A, que por seu turno, prestava serviços de comércio exterior a outros clientes, Fl. 1086DF CARF MF 12 servindo tais remessas ao pagamento de fornecedores no exterior, de forma a enviar a diferença de valores em importações subfaturadas. No decorrer da "Operação Ouro Verde” foram apreendidos vários documentos e objetos, dentre eles, um Conjunto de Carimbos de fornecedores estrangeiros encontrados em uma caixa, na empresa D&A, rotulados no momento da apreensão como "item 15", inclusive o da "Câmara de Comércio de Taiwan”, responsável pela emissão de certificados de origem daquele país (fls. 278/282 do Termo de Continuação Anexo ao Auto de Infração). Consta dos autos que foram apuradas irregularidades (infrações) em operações de comércio exterior, como as especificado às fls. 270/361, abaixo relacionadas: 001. IPI, Cofins e PIS/Pasep incidentes na importação, todos acompanhados de juros de mora e multa proporcional (150%) DIs 2052 e 2293 (de valor tributável calculado em função das mercadorias nãoentregues, cfe. coluna “M” da Planilha I, i.e., para a DI 2052, o valor de R$ 3.546,05, para a DI 2293, o valor de R$ 17.183,46); 002. Multa Administrativa (100% da diferença apurada entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado), prevista no art. 169, II, e § 6º do DecretoLei n.º 37/66, com a redação dada pelo art. 2º da Lei n.º 6.562/197834, regulamentados à época dos fatos pelo art. 633, I, do Decreto n.º 4.543/200235 – DIs 2052 e 2293 (calculados em função das mercadorias nãoentregues, cfe. coluna “N” da Planilha I, i.e., para a DI 2052, o valor de R$ 1.757,63, para a DI 2293, o valor de R$ 8.492,51); 003. Multa pelo consumo de mercadorias estrangeiras introduzidas fraudulentamente no país (valor da mercadoria), prevista no art. 83, I, da Lei 4.502/64 DIs 2052 e 2293. Logo, com base no quadro exposto no item 5, para a DI 2052, temos um valor de R$ 3.546,05; para a DI 2293, temos um valor de R$ 17.183,46 (i.e., R$ 19.423,38 – R$ 2.239,93 de mercadorias entregues); 004. Multa pela conversão da pena de perdimento das mercadorias importadas através da Interposição Fraudulenta de pessoas (Art. 23, § 3º, do DecretoLei 1.455/76, com a redação dada pelo art. 59 da MP 66/2002 convertida na Lei 10.637/2002, regulamentado pelo art. 618, XXII e § 1.º do Decreto n.º 4.543/02, posteriormente sucedido pelo art. 689, XXII e § 1º, do Decreto n.º 6.759/2009 Regulamento Aduaneiro). Assim, com base no quadro exposto no item 5 (fl. 293), a partir de um total de R$ 45.067,06, subtraímos o valor total das mercadorias entregues, de R$ 9.213,34, e chegamos ao valor de R$ 35.853,72. Foram as seguintes as DIs analisadas e objeto deste Auto de Infração: 06/08979311 2052 01/ago/06 3.546,05 06/14437983 2293 28/nov/06 19.423,38 07/04905242 2693 17/abr/07 22.097,63 Como já relatado, foram arrolados como responsáveis solidários a empresa R.S.I. TEXTIL LTDA (doravante R.S.I) e como Responsáveis Solidários Pessoais (Sócios de Fato/Administradores da D&A), o Sr. CAIO MARCELO DEBOSSAN, CPF nº 936.292.659 87 e Sra. ÉRICA DEBOSSAN Reinert, CPF nº 919.869.82904. A empresa responsável solidária R.S.I, apresentou sua impugnação, sob os seguintes argumentos: da impossibilidade de ser autuada em razão do uso de prova emprestada Fl. 1087DF CARF MF Processo nº 13971.722505/201154 Acórdão n.º 3402003.674 S3C4T2 Fl. 1.082 13 para instrução do procedimento fiscal; que ao utilizar provas produzidas à revelia da impugnante, significa ignorar a existência dos princípios do contraditório e da ampla defesa e também do devido processo legal; que a autuação realizada não produz nenhum tipo de efeito perante a impugnante, não se podendo atribuir a ela qualquer tipo de atividade que contrarie o ordenamento jurídico vigente se as únicas provas relativas aos supostos ilícitos cometidos são documentos existentes em poder de terceiro. Assim é nula a autuação contra a impugnante. A Recorrente D&A e os responsáveis CAIO MARCELO DEBOSSAN e ÉRICA DEBOSSAN REINERT, protocolizaram impugnação conjunta, alegando, em síntese: 1. a existência de ilicitude das provas emprestadas; 2. ocorrência de cerceamento de defesa; 3. nulidade por ausência de Mandado de Procedimento Fiscal de Fiscalização; 4. nulidade por excesso de prazo e ausência das prorrogações do MPFF; 5. nulidade por ausência de individualização do lançamento fiscal; 6. ilegitimidade passiva tributária de Caio e Erica; 7. ilegitimidade passiva da D&A na aplicação da pena de perdimento convertida em multa; 8. impossibilidade de presunção de consumo das mercadorias e a consequente impossibilidade de aplicação da pena de perdimento convertida em multa; 9. inocorrência de fraude, sonegação ou conluio; 10. inexistência de quebra da cadeia do IPI; 11. inocorrência de interposição fraudulenta; 12. enquadramento incorreto e inaplicabilidade da multa por consumo das mercadorias introduzidas fraudulentamente no país; 13. ausência de elemento danoso; e 14. necessidade de aplicação da penalidade mais favorável ao contribuinte. Mediante o Acórdão nº 1650.674, da 23ª Turma da DRJ/SP1, de 25/09/2013, as impugnações foram julgadas improcedentes, conforme ementa abaixo (fls. 719/827): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 21/06/2006 Dano ao Erário por infração de ocultação do verdadeiro interessado nas importações, mediante o uso de interposta pessoa. Pena de perdimento das mercadorias, comutada em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria. A atuação da empresa interposta em importação tem regramento próprio, devendo observar os ditames da legislação sob o risco Fl. 1088DF CARF MF 14 de configuração de prática efetiva da interposição fraudulenta de terceiros. A aplicação da pena de perdimento não deriva da sonegação de tributos, muito embora tal fato possa se constatar como efeito subsidiário, mas da burla aos controles aduaneiros, já que é o objetivo traçado pela Receita Federal do Brasil possuir controle absoluto sobre o destino de todos os bens importados por empresas nacionais. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Já a responsável solidária R.S.I. TEXTIL LTDA, apresentou seu recurso voluntário, em 19/11/2013 (fls. 1.061/1.068), alegando em síntese: (a) que a utilização isolada de provas emprestadas para atribuir conduta antijurídica à Recorrente, fere o direito de defesa desta, pois não participou da produção de tais meios de prova; (b) requer a declaração de nulidade da decisão proferida por não ter enfrentando os argumentos expedidos pela ora Recorrente em sua impugnação, com a conseqüente devolução dos autos ao órgão recorrido para proferir nova decisão, enfrentando tais argumentos; (c) alternativamente, a reforma da decisão proferida pela DRJ, com a anulação da autuação realizada e a conseqüente extinção do crédito tributário arbitrado no ato viciado; (d) a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, com fundamento no art. 151, inciso III, do Código Tributário Nacional; (e)que todas as intimações sejam dirigidas aos advogados que esta subscrevem, sob pena de nulidade, e (f) provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidas, especialmente a pericial, documental (inclusive novos documentos que se fizerem necessários) e testemunhais, se for o caso. Os recorrentes D&A, e os responsáveis solidários CAIO MARCELO DEBOSSAN e ÉRICA DEBOSSAN REINERT, protocolizaram recurso voluntário conjunto, em 18/11/2013, alegando, em síntese (fls. 972/1.055): 2.1. ILICITUDE E IMPRESTABILIDADE DAS PROVAS EMPRESTADAS – AUSÊNCIA DE PROVAS –NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO; 2.2. AUSÊNCIA DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL DE FISCALIZAÇÃO (MPFF) FISCALIZAÇÃO IRREGULAR – NULIDADE DO PROCEDIMENTO FISCAL E DO AUTO DE INFRAÇÃO; 2.3. EXCESSO DE PRAZO NA CONCLUSÃO PROCEDIMENTAL – AUSÊNCIA DE NOTIFICAÇÃO SOBRE AS PRORROGAÇÕES DO MPFF – NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO; 2.4. DOIS SUJEITOS PASSIVOS NO MESMO AUTO DE INFRAÇÃO AUSÊNCIA DE INDIVIDUALIZAÇÃO DO LANÇAMENTO – NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO; [não há o item 2.5 no recurso voluntário]. 2.6. ILEGITIMIDADE DE CAIO MARCELO DEBOSSAN E ERICA DEBOSSAN REINERT PARA FIGURAREM SOLIDARIAMENTE NO PÓLO PASSIVO DO AUTO DE INFRAÇÃO; 2.7. ILEGITIMIDADE PASSIVA DA D&A PARA APLICAÇÃO DA PENA DE PERDIMENTO E MULTA DE CONVERSÃO; Fl. 1089DF CARF MF Processo nº 13971.722505/201154 Acórdão n.º 3402003.674 S3C4T2 Fl. 1.083 15 2.8. AUSÊNCIA DE PROVA DO CONSUMO DAS MERCADORIAS – MERA PRESUNÇÃO –CERCEAMENTO DE DEFESA IMPOSSIBILIDADE DE CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO EM MULTA; 2.9. INEXISTÊNCIA DE SONEGAÇÃO, FRAUDE, CONLUIO; 2.10. INEXISTÊNCIA DE QUEBRA DA CADEIA DO IPI; 2.11. EXTINÇÃO DO DIREITO DE REALIZAR A REVISÃO ADUANEIRA – TRANSCURSO DO PRAZO DE 5 ANOS – DECADÊNCIA; 2.12. INOCORRÊNCIA DE INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA; 2.13. NÃO INCIDÊNCIA DE TRIBUTOS SOBRE MERCADORIAS OBJETO DE PENA DE PERDIMENTO; 2.14. INOCORRÊNCIA DE OCULTAÇÃO OU DE SIMULAÇÃO INEXISTÊNCIA DE BURLA AOS CONTROLES ADUANEIROS –IMPORTAÇÃO DIRETA PARA REVENDA REGULARMENTE CARACTERIZADA; 2.15. AUSÊNCIA DO ELEMENTO DANOSO – RELEVAÇÃO DA PENA DE PERDIMENTO; e 2.16. NECESSIDADE DE APLICAÇÃO DA PENALIDADE MAIS FAVORÁVEL. Os autos, então, foram encaminhados a este CARF para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra Relator Da Admissibilidade dos Recursos Conforme os esclarecimentos efetuados pelo SACAT da a DRF em Blumenau (SC) em seu Desacho à fl. 1.074, os recursos da D&A e RSI, são tempestivos. Confirase: (...) Analisando o contido nos presentes autos, constatamos a tempestividade do recurso voluntário apresentado pelo sujeito passivo D&A Comércio, Serviços de Importação e Exportação Ltda (CNPJ nº 05.630.873/000100), tendo em vista que a ciência do Acórdão nº 1650.674, proferido pela 23ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I, ocorreu em 21/10/2013 (fls. 830/946 e 966), e o protocolo do questionamento, em 20/11/2013 (fls. 972/1.058) (...). Por sua vez, o sujeito passivo solidário RSI Têxtil Ltda (CNPJ nº 00.566.534/000180) apresentou tempestivamente o recurso voluntário contra a decisão supracitada, tendo em vista que a ciência de referida decisão ocorreu em 22/10/2013 (fls. 959/964 Fl. 1090DF CARF MF 16 e 967) e o protocolo de seu recurso, em 19/11/2013 (fls. 1.061/1.069). Os documentos comprobatórios de regular representação nestes autos foram oportunamente apresentados pelos contribuintes supracitados, de acordo com o contido no despacho de fls. 685/686. (...). Atendidos aos requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento dos recursos voluntários da D&A Comércio, Serviços de Importação e Exportação Ltda e do o sujeito passivo solidário RSI Têxtil Ltda. Da Intempestividade verificada Verificase nos autos que os sujeitos passivos solidários Érica Debossan Reinert (CPF nº 919.869.82904) e Caio Marcelo Debossan (CPF nº 936.292.65987) interpuseram recurso voluntário em conjunto com a Recorrente D&A, porém, fora do prazo legal de 30 dias, uma vez que a ciência do Acórdão recorrido ocorreu, para ambos, em 19/10/2013 (fls. 947/952, 953/958, 965 e 968), e o protocolo do Recurso em conjunto com a D&A, ocorreu em 20/11/2013 (fls. 972/1.058). Confirase o Despacho do SACAT da a DRF em Blumenau (SC) à fl. 1.074: "(...) Informamos, outrossim, que os sujeitos passivos solidários Érica Debossan Reinert (CPF nº 919.869.82904) e Caio Marcelo Debossan (CPF nº 936.292.65987) interpuseram recurso voluntário em conjunto com o contribuinte supracitado, porém, fora do prazo legal, uma vez que a ciência de mencionado Acórdão ocorreu, para ambos, em 19/10/2013 (fls. 947/952, 953/958, 965 e 968), e o protocolo do questionamento, em 20/11/2013 (fls. 972/1.058)". Pois bem. O Decreto nº 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal, estabelece que o prazo para a propositura de Recurso Voluntário é de 30 (trinta) dias: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Considerando que de acordo com o artigo 35, do Decreto nº 70.235/1972, cabe ao órgão de segunda instância julgar a perempção de recursos interpostos, e tendo os contribuintes apresentado Recurso Voluntário fora do trintídio legal, não há dúvidas que o presente Recurso é intempestivo, razão pela qual voto no sentido de não conhecêlos. DAS PRELIMINARES Primeiramente, ressaltese que a análise e julgamento dos argumentos apresentados nos Recursos Voluntários (da D&A e da R.S.I), foram reunidas e agrupadas por temas semelhantes, de forma lógica e sistematizada, com o fito de, a uma, elencar todos os pontos impugnados; a duas, evitar duplicidades ou redundâncias temáticas e, a três, permitir a congruência dos diversos argumentos articulados. Do alegado conflito aparente de normas (bis in idem) Fl. 1091DF CARF MF Processo nº 13971.722505/201154 Acórdão n.º 3402003.674 S3C4T2 Fl. 1.084 17 Aduz a Recorrente em seu recurso que "(...) Da simples leitura das tipificações legais apresentadas acima, de plano já se percebe que a autoridade fiscal incorreu em erro em seu lançamento, vez que impôs duas vezes a multa de 100% do Valor Aduaneiro da mercadoria importada (itens 3 e 4), o que não é lógico nem mesmo legalmente cabível, embora o acórdão de 1º grau não tenha assim reconhecido" (fl. 977). E prossegue "(...) A Autoridade Fiscal, presumindo que a mercadoria objeto do auto de infração anexo havia sido “consumida”, autuou a Impugnante duplamente com multa “de 100% do valor da mercadoria”. Assim o fez com base nos arts. 631 e no Art. 618, XXII c/c seu §1º, ambos do Antigo Regulamento Aduaneiro, vigente à época dos fatos (Dec. 4.543/02). Contudo, ainda que fosse o caso de aplicação da pena de perdimento da mercadoria (o que se admite apenas para efeitos de argumentação), jamais poderiam ter sido aplicadas ambas as multas conjuntamente" (fl. 1043). Pois bem. Esta matéria já foi muito bem enfrentada por este Colegiado em outros autos, na relatoria da Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, quando do julgamento do processo nº 13971.722502/201111, dessa mesma empresa (D&A), a qual subscrevo as considerações tecidas no Acórdão, adotandoas como razão de decidir, com forte no § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784/99, procedendose algumas adaptações ao caso sob análise. Embora a vedação ao bis in idem não esteja expressamente prevista na Constituição Federal, o princípio do non bis in idem é reconhecido pela doutrina como decorrência direta dos princípios constitucionais da legalidade, da tipicidade, do devido processo legal e da proporcionalidade. Da mesma forma que “ninguém pode ser condenado ou processado duas ou mais vezes por um mesmo fato” no direito penal, não pode a Administração impor uma segunda sanção administrativa a quem já sofreu uma outra sanção em face da mesma conduta1. Quando há uma única conduta para a qual parece haver a possibilidade de aplicação de duas normas tipificadoras, para que não haja bis in idem, é imprescindível que se verifique qual delas deve ser aplicada ao caso concreto, o que pode ser resolvido com o instituto do "conflito aparente de normas" do direito penal. O reconhecimento de um "conflito aparente de normas" no Direito Penal se dá pelos seguintes elementos: unidade de fato, pluralidade de normas, aparente aplicação de todas as normas e efetiva aplicação de somente uma delas. O conflito de normas é apenas “aparente”, vez que deve existir regras gerais no próprio ordenamento jurídico para determinação de qual deve ser a única norma tipificadora aplicável àquela conduta. Conforme esclarece Julio Fabbrini Mirabete2, a doutrina tem se utilizado para solucionar o conflito aparente de normas penais dos seguintes princípios: especialidade, subsidiariedade, consunção (ou absorção) e alternatividade. No presente caso, observase que a conduta que caracterizou o subfaturamento foi duplamente penalizada: (i) pela multa administrativa de 100% da diferença entre o preço declarado e o preço praticado e (ii) pela multa pelo consumo de mercadorias introduzidas fraudulentamente no país. 1 MELLO, Rafael Munhoz de. Princípios Constitucionais de Direito Administrativo Sancionador. São Paulo: Malheiros, 2007, p. 210/211. 2 Manual de Direito Penal – Parte Geral, 19ª ed., São Paulo: Atlas, 2003, p. 120/121. Fl. 1092DF CARF MF 18 Por certo, o que se penaliza com a segunda multa, prevista na legislação do IPI, é a introdução clandestina da mercadoria no País e não o seu posterior consumo, o qual seria perfeitamente lícito não fosse a importação irregular da mercadoria. Conforme se vê abaixo, a multa administrativa, prevista no art. 88, parágrafo único da Medida Provisória nº 2.15835, que diz respeito à diferença entre o preço declarado e o praticado, é muito mais específica para designar a prática de subfaturamento do que a segunda multa, que pune qualquer tipo de introdução fraudulenta ou clandestina de mercadorias no País. Vejase: Art. 88. No caso de fraude, sonegação ou conluio, em que não seja possível a apuração do preço efetivamente praticado na importação, a base de cálculo dos tributos e demais direitos incidentes será determinada mediante arbitramento do preço da mercadoria, em conformidade com um dos seguintes critérios, observada a ordem seqüencial: (...) Parágrafo único. Aplicase a multa administrativa de cem por cento sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação ou entre o preço declarado e o preço arbitrado, sem prejuízo da exigência dos impostos, da multa de ofício prevista no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996, e dos acréscimos legais cabíveis. Nesse sentido, releva mencionar o art. 704, parágrafo único, do Regulamento Aduaneiro de 2009, embora não vigente à época dos fatos, que orienta no sentido de que a referida multa, proveniente da legislação do IPI, tem caráter residual, sendo aplicável somente quando não haja outra infração mais específica para a introdução irregular da mercadoria estrangeira no País: "Art. 704. Sem prejuízo de outras sanções administrativas ou penais cabíveis, incorrerão na multa igual ao valor comercial da mercadoria os que entregarem a consumo, ou consumirem mercadoria de procedência estrangeira introduzida clandestinamente no País ou importada irregular ou fraudulentamente ou que tenha entrado no estabelecimento, dele saído ou nele permanecido sem que tenha havido registro da declaração da importação, ou desacompanhada de Guia de Licitação ou nota fiscal, conforme o caso (Lei nº 4.502, de 1964, art. 83, inciso I; e DecretoLei no 400, de 30 de dezembro de 1968, art. 1o, alteração 2ª). Parágrafo único. A pena a que se refere o caput não se aplica quando houver tipificação mais específica neste Decreto". Assim, entendo que deve ser exonerada "a multa pelo consumo de mercadorias estrangeiras introduzidas fraudulentamente no país (valor da mercadoria) 003", prevista no art. 83, I, da Lei 4.502/64, constante da infração (003) abaixo descrita: 003. Multa pelo consumo de mercadorias estrangeiras introduzidas fraudulentamente no país (valor da mercadoria), prevista no art. 83, I, da Lei 4.502/64 e art. 1.º, alteração 2ª, do DecretoLei n.º 400/68 por Subfaturamento DIs 2052 e 2293. Logo, com base no quadro exposto no item 5 (fl. 293), para a DI 2052, temos um valor de R$ 3.546,05; para a DI 2293, temos um valor de R$ 17.183,46 (R$ 19.423,38 R$ 2.239,93 de mercadorias entregues). Fl. 1093DF CARF MF Processo nº 13971.722505/201154 Acórdão n.º 3402003.674 S3C4T2 Fl. 1.085 19 Da Decadência Alega a Recorrente em seu recurso que, "(...) Vêse, portanto, que "a apuração da exatidão das informações prestadas" também não foi concluída no prazo legal de 5 anos a contar da data do registro das DIs, pois a ciência da Recorrente, nos termos do art. 638, §3º do RA, se deu apenas dia 25/nov/2011. Desta feita, é certo que, ultrapassados 5 anos do momento do pagamento dos tributos e da ocorrência da suposta infração, extinguiu se o direito da Administração aplicar a pena de perdimento e, por conseguinte, de cobrar os tributos ou multas supostamente recolhidos a menor na data do registro da DI" (fl. 1.043). Desta feita, analisemos agora a questão da decadência dos tributos e multas no presente auto de infração, para a qual a fiscalização utilizouse do prazo previsto no art. 173, I do CTN, tendo em vista a caracterização de fraude (fls. 331/336): (...) Apesar do manso e pacífico entendimento judicial e administrativo de que em casos de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial segue a regra geral estabelecida pelo artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, ou seja, iniciase no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, o fato é que há casos em que as partes autuadas buscam guerrear em sentido contrário, muitas vezes por ausência de qualquer outro apoio a se agarrar. Observando esta possibilidade de pugna, ainda que remota, consideramos relevante lavrar o presente tópico acerca do tema, conquanto notoriamente exaurido. (...) No caso concreto, não restam dúvidas acerca das práticas fraudulentas perpetradas, conforme visto à exaustão. Portanto, a partir das DIs registradas no ano de 2006, temos a contagem do prazo decadencial iniciandose em 01/01/2007 e terminando em 31/12/2011. Desta forma, haja vista que o lançamento ocorreu dentro do prazo estabelecido em lei para ser considerado válido, fica desde já espancada qualquer eventual alegação de decadência (...). No entanto, com relação especificamente às multa aduaneiras, o prazo de decadência para impor penalidades é de 5 anos a contar da data da infração, nos termos do art. 139 do Decretolei nº 37/66, regulamentado pelo art. 669 do Regulamento Aduaneiro/2002, vigente à época dos fatos: Art.139 No mesmo prazo do artigo anterior se extingue o direito de impor penalidade, a contar da data da infração. Art. 669. O direito de impor penalidade extinguese em cinco anos, a contar da data da infração (Decretolei no 37, de 1966, art. 139). Assim, deve ser regido por esse prazo especial de decadência a aplicação das multas aduaneiras, quais sejam, a "multa administrativa pela diferença entre os preços declarado e praticado" (002) e a "multa equivalente ao perdimento em face da interposição fraudulenta" (004). No caso dos autos, no que concerne à "multa administrativa pela diferença entre os preços declarado e praticado" (002) e a "multa equivalente ao perdimento em face da Fl. 1094DF CARF MF 20 interposição fraudulenta" (004), deve ser exonerada a parcela relativa às importações registradas até 23/11/2006, eis que a Recorrente foi notificada do Auto de Infração em 24/11/2011, remanescendo, portanto, na autuação para essas infrações aduaneiras, somente as importações (DIs) abaixo, registradas após essa data: 06/14437983 2293 Reg. em 28/nov/06 19.423,38 (fl. 194) 07/04905242 2693 Reg. em 17/abr/07 22.097,63 (fl. 218) Assim, há que ser exonerada parcialmente a multa equivalente ao perdimento em face da interposição fraudulenta (004) e a multa administrativa pela diferença entre os preços declarado e o praticado (002), uma vez que a Declaração de Importações nº 06/08979311 (2052), data do registro: 01/ago/2006, autuada nesta parte, está atingida pela decadência das multas aduaneiras. 002. Multa Administrativa (100% da diferença apurada entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado), prevista no art. 169, II, e § 6º do DecretoLei n.º 37/66, com a redação dada pelo art. 2º da Lei n.º 6.562/197834, regulamentados à época dos fatos pelo art. 633, I, do Decreto n.º 4.543/2002 DIs 2052 e 2293 (calculados em função das mercadorias nãoentregues, cfe. coluna “N” da Planilha I, para a DI 2052, o valor de R$ 1.757,63, para a DI 2293, o valor de R$ 8.492,51); 004. Multa pela conversão da pena de perdimento das mercadorias importadas através da Interposição Fraudulenta de pessoas (Art. 23, § 3º, do DecretoLei 1.455/76, com a redação dada pelo art. 59 da MP 66/2002 convertida na Lei 10.637/2002, regulamentado pelo art. 618, XXII e § 1.º do Decreto n.º 4.543/02, posteriormente sucedido pelo art. 68937, XXII e § 1º, do Decreto n.º 6.759/2009 Regulamento Aduaneiro). Assim, com base no quadro exposto no item 5 (fl. 293), a partir de um total de R$ 45.067,06, subtraímos o valor total das mercadorias entregues, de R$ 9.213,34, e chegamos ao valor de R$ 35.853,72. Outras preliminares suscitas pelos recorrentes D&A Tais questões preliminares a seguir aduzidas, da mesma forma também foram muito bem enfrentadas por este Colegiado, na relatoria da Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, quando do julgamento do processo nº 13971.722502/201111 (mesma empresa D&A), a qual subscrevo as considerações tecidas no Acórdão, adotandoas como razão de decidir, com forte no § 1º do art. 50 da Lei no 9.784, de 1999, procedendose as adaptações necessárias ao caso sob análise. Ressaltase que a empresa D&A é uma empresa prestadora de serviços no ramo do comércio exterior, tais como o de importação e exportação de mercadorias, contratação de seguro, frete, pesquisa de mercado internacional, etc. 2.1. ILICITUDE E IMPRESTABILIDADE DAS PROVAS EMPRESTADAS – AUSÊNCIA DE PROVAS –NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO Nos recursos, as Recorrentes alegam demonstrar a imprestabilidade das provas que abalizaram as alegações da autoridade fiscal e o próprio Auto de Infração. Aduz que "(...) Demonstrouse, em síntese, que os documentos e HDs apreendidos no Mandado de Busca e Apreensão jamais poderiam ter sido utilizados como provas para o presente procedimento fiscal (...)". "(...) Não obstante as ilegalidades apontadas no item anterior, outro ponto ainda mais abjeto quanto às provas utilizadas no presente procedimento fiscal é que muitas Fl. 1095DF CARF MF Processo nº 13971.722505/201154 Acórdão n.º 3402003.674 S3C4T2 Fl. 1.086 21 delas foram colhidas na empresa Debossan Despachos Aduaneiros Ltda" , empresa para a qual as autoridades fiscais e policiais não detinham Mandado Judicial para realizar as apreensões" (...). Sobre a preliminar de licitude das provas acostadas aos autos (subitens 2.1.1, 2.1.2, 2.1.3, do recurso da D&A), ratifico os fundamentos da decisão recorrida para acrescentar que o conjunto probatório destes autos não foi colhido para instruir única e exclusivamente o presente processo. Ao contrário, as provas foram colhidas para instruir diversos lançamentos fiscais efetuados contra a empresa D&A, nas importações diretas, e contra a D&A e os verdadeiros importadoras, nas operações de importação por conta e ordem registradas pela D&A como importação direta. Conforme já esclarecido pelo Fisco, nos autos do processo n.º 2006.72.00.0105049 (IPL n.º 285/2006/DPF/JVE/SC), da Vara Federal Criminal de Florianópolis/SC, nos autos do processo n.º 2006.72.00.0105049 (IPL n.º 285/2006/DPF/JVE/SC), ficou determinado o compartilhamento da interceptação telefônica, bem como "das provas obtidas a partir da busca e apreensão" já deferida nesses autos. Vejase trecho abaixo reproduzido: (...) No caso de uso desta prova [interceptação telefônica] pela Receita Federal para fins de instauração de procedimento administrativofiscal, entendo, na linha do que tem sido feito até agora, que este procedimento não viola a Constituição Federal.(...). Por fim, está se deferindo nesta decisão, porque este é o objeto do pedido da autoridade policial, o compartilhamento das provas obtidas a partir da busca e apreensão deferida nestes autos, bem como a participação deste órgão no procedimento de execução da busca. b) decreto a quebra do sigilo telemático e de informática, (...). Assim, as provas coletadas no referido inquérito policial, que foram compartilhadas com a RFB por expressa ordem do Poder Judiciário, podem e devem ser usadas para instruir as exigências de tributos e multas em face da empresa D&A e solidárias. A legitimidade do uso dessas provas não pode ser questionada administrativamente enquanto vigente a referida ordem judicial de compartilhamento de provas, o que, obviamente, não impede a recorrente de eventualmente contestar o conteúdo dessa decisão judicial no âmbito do próprio Poder Judiciário. Além dessas provas, foram colhidas outras no âmbito da própria RFB seja por intermédio de intimações ou de consultas aos sistemas internos, em procedimento fiscal regular, em conformidade com o disposto nos arts. 194 a 198 do CTN. Por certo, não há necessidade de se aguardar a conclusão do inquérito policial quando os elementos já coletados são suficientes à comprovação do fato gerador do tributo e do cometimento de infração administrativa, incumbindo à autoridade administrativa efetuar imediatamente o correspondente lançamento tributário, nos termos do art. 142 do CTN. Sobre a alegada ausência de contraditório e de ampla defesa, esses são garantidos com a impugnação do lançamento, mediante a qual o contribuinte tem a Fl. 1096DF CARF MF 22 oportunidade de contestar todos os fatos a ele atribuídos e apresentar todas as provas que julgue necessárias. O procedimento preparatório do lançamento, e o próprio lançamento, é ato inquisitório, não havendo que se falar em violação ao princípio do contraditório e da ampla defesa nessa fase pela não manifestação do contribuinte sobre as provas colhidas nessa fase do procedimento fiscal. Nesse sentido é a Súmula CARF nº 46, abaixo reproduzida: Súmula CARF nº 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. 2.2. AUSÊNCIA DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL DE FISCALIZAÇÃO (MPFF) FISCALIZAÇÃO IRREGULAR NULIDADE DO PROCEDIMENTO FISCAL E DO AUTO DE INFRAÇÃO Alegam as recorrentes irregularidades na conversão do Mandado de Procedimento Fiscal de Diligência MPFD em Mandado de Procedimento Fiscal de Fiscalização MPF, o que não faz qualquer sentido. Aduz em seu recurso que, "(...) pois se a própria legislação citada no Julgamento determina expressamente a necessidade do aludido Mandado, este não pode ser simplesmente ignorado. Além do mais, não se pode concordar com o entendimento, na medida em que, para se realizar procedimento fiscal ou de fiscalização, a Autoridade Fiscal necessita de um Mandado de Procedimento Fiscal de Fiscalização (MPFF), ao passo que, para realizar meras diligências, esta mesma Autoridade Fiscal necessitará apenas de um Mandado de Procedimento Fiscal de Diligência (MPFD). É a leitura nua e crua do art. 2º, parágrafo único da então vigente Portaria RFB 11.371/2007" (...). Quanto aos argumentos relacionadas ao MPFF, preliminarmente, registrese que a competência para o agente fiscal efetuar o lançamento decorre da lei e não de ato do dirigente da repartição fiscal (art. 7º da Lei nº 2.354/54 e art. 143 do CTN), existindo farta jurisprudência no CARF no sentido de que irregularidade na emissão, alteração ou prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal não acarreta a nulidade do lançamento. É o caso dos Acórdãos nº 1802001.864, de 09/10/2013; 2403002.571, de 15/04/2014; 3102001.669, de 27/11/2012; e 3401002.564, de 23/04/2014. Se o procedimento de diligência destinase justamente a as ações destinadas a coletar informações ou outros elementos de interesse da administração tributária, inclusive para atender exigência de instrução processual, nada há de mais regular que, verificando a fiscalização a necessidade de apuração mais detalhada, instaure depois o procedimento de fiscalização, obviamente com o aproveitamento das provas já coletadas. No caso vertente, o MPFF, foi emitido antes da lavratura do auto de infração e suas prorrogações foram regularmente publicadas no site da RFB, conforme sempre observado nos Termos de Intimações e comunicações elaboradas à empresa. O MPFF é de junho/2011 e o Auto de Infração é de novembro/2011. Não há nenhuma irregularidade procedimental por parte da administração da RFB. Inclusive, verificase no Termo de Ciência e Constatação de fl. 146, a informação de conversão do MPF (D) para o MPF (F). 2.3. EXCESSO DE PRAZO NA CONCLUSÃO PROCEDIMENTAL – AUSÊNCIA DE NOTIFICAÇÃO SOBRE AS PRORROGAÇÕES DO MPFF – NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO Fl. 1097DF CARF MF Processo nº 13971.722505/201154 Acórdão n.º 3402003.674 S3C4T2 Fl. 1.087 23 Aduz a Recorrente que, "(...) A respeito do tema envolvendo a nulidade do MPFF, também é importante repisar este tema, envolvendo a ausência de notificação do contribuinte acerca das constantes prorrogações do MPFF". Como se vê, reclamam também os Recorrentes que a contribuinte não foi intimada das prorrogações do MPF e que teve ciência do despacho decisório. No entanto, como já bem esclareceu a fiscalização, não há previsão na legislação para tal. Conforme determinado pelos artigos abaixo da Portaria RFB nº 11.371, de12 de dezembro de 2007, vigente à época, as informações sobre o procedimento fiscal e suas prorrogações são disponibilizadas à contribuinte por intermédio de código de acesso na Internet: Art. 4º O MPF será emitido exclusivamente em forma eletrônica e assinado pela autoridade outorgante, mediante a utilização de certificado digital válido, conforme modelos constantes dos Anexos de I a III desta Portaria. Parágrafo único. A ciência pelo sujeito passivo do MPF, nos termos do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, com redação dada pelo art. 67 da Lei nº 9.532, de 10 de novembro de 1997, darseá por intermédio da Internet, no endereço eletrônico www.receita.fazenda.gov.br, com a utilização de código de acesso consignado no termo que formalizar o início do procedimento fiscal. Art. 9º As alterações no MPF, decorrentes de prorrogação de prazo, inclusão, exclusão ou substituição de AFRFB responsável pela sua execução ou supervisão, bem como as relativas a tributos ou contribuições a serem examinados e período de apuração, serão procedidas mediante registro eletrônico efetuado pela respectiva autoridade outorgante, conforme modelo aprovado por esta Portaria. Parágrafo único. Na hipótese de que trata o caput, o AFRFB responsável pelo procedimento fiscal cientificará o sujeito passivo das alterações efetuadas, quando do primeiro ato de ofício praticado após cada alteração. Art. 18. Os MPF emitidos e suas alterações permanecerão disponíveis para consulta na Internet, mediante a utilização do código de acesso de que trata o art. 4º, parágrafo único, mesmo após a conclusão do procedimento fiscal correspondente. Nessa esteira é que a ação fiscal objeto o MPFF nº 0920400201100211, teve suas prorrogações disponibilizadas à contribuinte pela Internet, como pode ser verificado na informação constante no documento de fl. 146, conforme trecho abaixo reproduzido: "Salientamos que as informações acerca do MPF em tela, bem como eventuais prorrogações, podem ser observadas com uso de senha de acesso xxxxxxx, diretamente no sítio da RFB, ...(...). Ademais, a competência para a autoridade fiscal efetuar o lançamento decorre da lei. Nessa linha, a jurisprudência no CARF caminha no sentido de que eventual irregularidade na emissão, alteração ou prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal não Fl. 1098DF CARF MF 24 acarretaria a nulidade do lançamento (vide Acórdãos nºs 1802001.864, de 09/10/2013; 2403 002.571, de 15/04/2014; e 3401002.564, de 23/04/2014). 2.4. DOIS SUJEITOS PASSIVOS NO MESMO AUTO DE INFRAÇÃO – AUSÊNCIA DE INDIVIDUALIZAÇÃO DO LANÇAMENTO – NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO Alega a Recorrente que "(...) O tema em epígrafe, já invocado pelas Recorrentes em sede de impugnação, é deveras importante, eis que as Recorrentes entendem ser manifestamente nulo o Auto de Infração que não individualiza as condutas, bem como porque, no seu entender, não é admissível a lavratura de um mesmo Auto de Infração para duas pessoas jurídicas distintas. Vejam, Nobres Julgadores, muito embora a D&A e a empresa RSI TÊXTIL sejam pessoas jurídicas distintas, com quadros societários distintos, a Autoridade Fiscal decidiu lavrar um único Auto de Infração, constante de um único processo administrativo, contra as duas empresas". Quanto à alegação de falta de individualização do lançamento não assiste razão às recorrentes, vez que os lançamentos objeto do presente processo foram legitimamente efetuados, nos termos do art. 142 do CTN, apontando como sujeito passivo a referida contribuinte e os responsáveis solidários pelos tributos e pelas infrações, em conformidade com o disposto no CTN e com o art. 95 do Decretolei nº 37/66. Vejase: Art.95 Respondem pela infração: I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; II (...) V conjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora.(Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) VI conjunta ou isoladamente, o encomendante predeterminado que adquire mercadoria de procedência estrangeira de pessoa jurídica importadora.(Incluído pela Lei nº 11.281, de 2006) Não se vislumbra a possibilidade de se lavrar um auto de infração para cada integrante do polo passivo, vez que significaria exigir o mesmo montante, de forma independente, várias vezes, da contribuinte e dos responsáveis. As exigências tributárias são únicas, mas, em virtude do que dispõe a lei, são efetuadas em face de vários sujeitos passivos, com a reunião das provas necessárias para a caracterização dos responsáveis para a satisfação do crédito tributário, sendo que o pagamento efetuado por um dos autuados aproveita aos demais e o pedido de parcelamento deferido a um dos autuados suspende a exigibilidade do crédito tributário em relação aos demais. Pelas provas dos autos, correto o procedimento da autoridade lançadora de nomear as duas empresas para responder pelo crédito tributário lançado. 2.6. ILEGITIMIDADE DE CAIO MARCELO DEBOSSAN E ERICA DEBOSSAN REINERT PARA FIGURAREM SOLIDARIAMENTE NO PÓLO PASSIVO DO AUTO DE INFRAÇÃO Fl. 1099DF CARF MF Processo nº 13971.722505/201154 Acórdão n.º 3402003.674 S3C4T2 Fl. 1.088 25 Em seu recurso, alega que "(...) O presente Auto de Infração lançado contra a empresa Importadora das mercadorias, a D&A Comércio Serviços de Importação e Exportação Ltda., visa atingir também as pessoas físicas de Caio Marcelo Debossan e Erica Debossan Reinert, sob a presunção de que ambos seriam ‘sócios ocultos’ da Recorrente". Alegam que, afora a relação familiar entre os seus sócios, as empresas D&A e Debossan Despachos Aduaneiros Ltda., possuem objetos sociais distintos e específicos, cada uma com seu motivo negocial claro e aparente, sendo administradas cada qual pelo seu sócio administrador, não havendo o que se falar em ‘sóciooculto’ por qualquer razão que seja. No caso dos autos, está sobejamente provado a prática, pela empresa Recorrente e pela R.S.I, com a participação efetiva dos nomeados responsáveis (Caio e Érica), de interposição fraudulenta na importação, sendo inequívoca a imposição da penalidade objeto deste processo e a legitimidade passiva de ambas, conforme disposto no art. 95, inciso V, do DL nº 37/66. No entanto, essa tese não pode prosperar, conforme já decidido no Acórdão nº Acórdão nº 3302002.874– 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de 19 de março de 2015, Relator Walber José da Silva, em processo que trata de situação semelhante da contribuinte: "(...) Quanto a alegação de ilegitimidade do Sr. Caio Marcelo Debossan e Érica Debossan Reinert para figurar no pólo passivo do auto de infração, conforme demonstrado na Descrição dos Fatos que levaram à autuação, devidamente comprovado no "Anexo Probante da Sociedade de Fato CaioÉrica", os irmãos e Despachantes Aduaneiros, Sra. Érica e Sr. Caio efetivamente dirigiam a empresa D&A, praticando atos típicos de gerência da empresa, que vai desde a negociação com clientes à ascendência sobre os empregados, passando por propaganda onde eles se apresentam como executivos e sócios da D&A, inclusive no site da própria D&A (www.deacomex.com.br), conforme acima se disse. Eventuais negociações com empresas e órgãos intervenientes no comércio, que poderiam ser terceirizadas e que foram efetuadas pelos referidos Despachantes Aduaneiros, não são suficientes para desconstituir os demais atos de efetiva gestão consignados no Auto de Infração, ainda mais quando desacompanhado de contrato específico de prestação desses serviços especializados e da respectiva nota fiscal relativo ao preço do serviço contratado. Por outro lado, a farta documentação probatória juntada aos autos reflete, indubitavelmente, uma intensa atividade de gestão dos negócios da D&A pelos sócios e gestores de fato, Sra. Érica e Sr. Caio. Portanto, está sobejamente provado nos autos que os ditos responsáveis solidários conduziam tanto os negócios da empresa D&A como da empresa Debossan Despachos Aduaneiros e, externamente, as duas empresas se apresentavam como sendo do "Grupo D&A", sendo que as ações de ambas eram sobrepostas, como bem ficou provado na Descrição dos Fatos e no "Anexo Probante da Sociedade de Fato CaioÉrica". Fl. 1100DF CARF MF 26 Formalmente, na qualidade de sócios da empresa Debossan Despachos Aduaneiros, os dois atuavam pessoalmente também como despachante aduaneiro nas importações realizadas pela empresa D&A e não foi diferente com as DI objeto da autuação. Portanto, sem reforma a decisão recorrida que manteve a Sra. Érica e o Sr. Caio como responsáveis solidários do crédito tributário lançado. (...) A título de ilustração dos vários atos de gestão dessas pessoas físicas na empresa D&A que convergem no sentido de que detinham de fato poder de gerência nesta empresa, cabe transcrever alguns trechos do "Anexo Probante da Sociedade de Fato Caio Érica" com informações extraídas de arquivos digitais apreendidos e de outros documentos: (...) Érica busca fornecedores chineses para um cliente da D&A: “Bem como vc sabe trabalho com comércio exterior e além de desembaraço aduaneiro, emissão de doctos em exportação e importação. Recentemente nossa empresa vem prestando tb um tipo de assessoria em exportar e importar produtos para alguns clientes na região. Mas por que existem muitos clientes que não cadastraram ainda no RADAR e não querem perder o negócio. Gostamos da brincadeira e estamos levando a sério, não somos trading apenas fazendo uns negócinhos... Então, estou tentando localizar na China fabricantes (...) Mas aproveitando a oportunidade, meu irmão (que é meu sócio) está perguntando (...)”. (...) Érica faz as tratativas junto à empresa de aviação ABSA, para credenciamento da D&A como agente de carga. (...) Érica determina hierárquica e minuciosamente às funcionárias da D&A como devem ser operacionalizados determinados procedimentos dentro da empresa. (...). Érica faz tratativas para confecção de xícaras e canecas com o logotipo da D&A; aduz ao desenvolvedor que em sua ausência o Sr. Caio poderá resolver. (...) Caio repreende a funcionária Andressa, após erro desta junto a um cliente: “Caramba Andressa, esse erro é muito bobo. Please ATENÇÃO no que vc faz”. (...) Caio informa hierárquica e gerencialmente a todos da D&A que dá por terminado todo e qualquer trabalho com a empresa Yellow; o sócio desta, responde a Caio: “apostei bastante na sua empresa”. Fl. 1101DF CARF MF Processo nº 13971.722505/201154 Acórdão n.º 3402003.674 S3C4T2 Fl. 1.089 27 (...) O informe comercial veiculado no jornal, sobre a D&A, não deixa dúvidas (g.n.): “A empresa evoluiu de uma pequena sala de 25 metros quadrados onde atuavam os empresários Caio Marcelo Debossan e Erica Debossan Reinert, para uma sede de 400 metros quadrados, onde atuam 35 pessoas.”. (...) Os sócios da empresa, Caio Debossan e Erica Debossan Reinert, afirmam que os números são resultados de uma receita entre profissionais competentes, clientes em crescimento e a aposta em um estilo diferenciado de se trabalhar com comércio exterior. “Oferecemos um serviço com duas características primordiais: completo, já que temos desde desembaraço aduaneiro até assessoria em legislação aduaneira, e personalizado”, explica Erica. Caio completa que em 2010 a D&A diversificou mercados e cresceu em 26% o número de clientes. (...) No site de relacionamentos Facebook, o Sr. Caio Debossan informa que é sóciodiretor da empresa D&A, desde maio de 2003 até agora (11/11/2011). (...). Ademais, não prospera à alegação de que não teria sido atendido ao disposto no art. 135 do CTN, vez que, conforme demonstrado na autuação (vide trechos abaixo), Caio e Érica Debossan agiram com infração à lei (fls. 289/292): (...) No caso em comento, a participação consciente dos sócios ocultos, Sr. Caio Debossan e Sra. Érica Debossan Reinert, com poderes de fato sobre a gestão da D&A à época dos fatos geradores é de clareza solar, conforme demonstrará a documentação acostada. Como agravante, é de se considerar a réproba conduta no uso de seus respectivos cônjuges, a figurar no quadrosocietário de direito como meros “prestanomes”, ou “laranjas”, respectivamente, Sra. Josiane Debossan e Sr. Ivan Luiz Reinert. Tal arranjo ou conluio objetivava manter ocultos os sócios de fato, Caio/Érica, do impedimento legal de serem sócios administradores da importadoraexportadora D&A, por serem despachantes aduaneiros, na forma do art. 10, I, do Decreto 646/923, vigente à época c/c art. 76 da Lei 10.833/034 (o que é somente permitido a sócios de empresas comissárias de despacho, como o são da empresa Debossan Despachos Aduaneiros, CNPJ n.º 07.081.778/000111). (...) Fl. 1102DF CARF MF 28 Do exposto, concluise, em apertada síntese, que os ocultos sóciosadministradores de fato Caio e Érica Debossan também são responsáveis solidários pelo crédito tributário constituído na presente auditoria, nos termos dos arts. 124 e 135, da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional). (...) Nesse passo, considerando que o cerne restante da questão desta responsabilização tributária é a prova da administração oculta da sociedade pela dupla citada, acostamos ao presente processo todo um cabedal de provas neste sentido, que é parte integrante deste(s) Auto(s) de Infração: v. Anexo Probante da Sociedade de Fato CaioÉrica. Nesse tirocínio, o fato é que os dois sóciosadministradores ocultos emergem como principais responsáveis pessoais pelas fraudes perpetradas, carregando desta forma toda uma carteira de clientes, como é comum em uma trading deste teor. Do quadro probante, constatase o nível de minudência administrativogerencial a que descem os citados sócios de fato. Desta forma, não é crível que não soubessem ou não participassem diretamente das práticas fraudulentas. Em sentido contrário, a participação salta aos olhos, haja vista – somente para citar alguns fatos – a referência ao Sr. Caio na documentação obtida judicialmente pela Polícia Federal junto ao grupo doleiro e a farta quantidade de carimbos de fornecedores encontrada nas dependências da D&A, a servir, por óbvio, à forja documental. (...) Ao meu sentir, ficou provado nos autos que os ditos responsáveis solidários conduziam tanto os negócios da empresa D&A como da empresa Debossan Despachos Aduaneiros e, externamente, as duas empresas se apresentavam como sendo do "Grupo D&A", sendo que as ações de ambas eram sobrepostas, como bem ficou provado na Descrição dos Fatos e no "Anexo Probante da Sociedade de Fato Caio Érica". Formalmente, na qualidade de sócios da empresa Debossan Despachos Aduaneiros, os dois atuavam pessoalmente também como despachante aduaneiro nas importações realizadas pela empresa D&A e, no caso das DI objeto desta autuação, como administradores de fato da D&A, participaram das tratativas e da concretização da fraude para ocultar o real importador. Portanto, a farta documentação probatória juntada aos autos reflete, indubitavelmente, uma intensa atividade de gestão dos negócios da D&A pelos sócios e gestores de fato, Sra. Érica e Sr. Caio. Portanto, sem reforma a decisão recorrida que manteve a Sra. Érica e o Sr. Caio como responsáveis solidários do crédito tributário lançado. 2.7. ILEGITIMIDADE PASSIVA DA D&A PARA APLICAÇÃO DA PENA DE PERDIMENTO E MULTA DE CONVERSÃO Quanto a este tema alega a Recorrente que "(...) A Turma de Julgamento de 1ª Instância pretendeu responsabilizar as Recorrentes D&A, Caio e Erica, pelas supostas irregularidades promovidas pela empresa RSI TÊXTIL. Assim, aquelas acabaram sendo responsabilizadas solidariamente pela aplicação da pena de perdimento convertida em multa, fato que também é manifestamente inadmissível. Fl. 1103DF CARF MF Processo nº 13971.722505/201154 Acórdão n.º 3402003.674 S3C4T2 Fl. 1.090 29 "(...)É que a pena de perdimento da mercadoria importada, quando constatada a ocultação do real importador, mediante fraude ou interposição fraudulenta, é sanção que visa punir o real encomendante/adquirente da mercadoria, e não o importador ostensivo, pois este deve ser punido apenas com multa de 10% pela cessão de nome". Alegam os recorrentes, portanto, que contra a D&A somente poderia ter sido aplicada a multa prevista no art. 33 da Lei nº 11.488/2007, mas jamais a multa equivalente ao perdimento, em face de bis in idem. No entanto, tendo em vista que a conduta de ocultação fraudulenta da real adquirente nas importações foi praticada pela D&A, na condição de importadora ostensiva, não há como isentála da infração caracterizada pela "ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros" na importação. Quem primeiro responde por uma infração é o seu próprio agente, no caso, a importadora D&A, assim considerado, nos termos do art. 94 do Decretolei nº 37/66, a pessoa física ou jurídica que incorre na omissão ou ação, voluntária ou involuntária, que importe inobservância de norma legal estabelecida. De outra parte, a responsabilização da R.S.I., por essa infração deuse com fundamento no art. 95, I, V e VI do Decretolei 37/66. Quanto à alegação de bis in idem, também não prospera. Tratandose de infrações distintas a infração que ora se julga e aquela prevista no art. 33 da Lei 11.488/2007, que tutelam bens jurídicos diversos, não seria o caso de bis in idem. A multa prevista no art. 33 da Lei 11.488/2007 foi inserida no ordenamento jurídico com intuito de penalizar também a conduta irregular do importador ostensivo (que cedeu seu nome a outrem), a qual antes restava sem qualquer punição na hipótese de perdimento da mercadoria, penalidade esta que era suportada exclusivamente pelo importador oculto (real adquirente da mercadoria). Nesse sentido, no Acórdão n° 310100.431 1ª Camara / 1ª Turma Ordinária, de 25 de maio de 2010, Redator designadoTarásio Campelo Borges, foi decidido que "O dano ao erário nas infrações enumeradas no caput do artigo 23 do Decretolei 1.455, de 1976, com as modificações introduzidas pela Lei 10.637, de 2002, não é fato típico para a exigência da multa cominada no artigo 33 da Lei 11.488, de 2007". Também este Colegiado decidiu recentemente, por unanimidade, no Acórdão nº 3402003.008– 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de 26 de abril de 2016, Relator: Antonio Carlos Atulim, no sentido de que a multa por cessão de nome não prejudica a aplicação da pena de perdimento ou a multa equivalente substitutiva ao perdimento. 2.8. AUSÊNCIA DE PROVA DO CONSUMO DAS MERCADORIAS MERA PRESUNÇÃO CERCEAMENTO DE DEFESA IMPOSSIBILIDADE DE CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO EM MULTA Aduz que "(...) Em sua defesa apresentada em 1ª instância, as Recorrentes também demonstraram que a conversão da pena de perdimento em multa foi operada de maneira ilegal, vez que jamais restou comprovado o efetivo consumo das mercadorias objeto do perdimento, ou seja, o “consumo” se deu através de mera presunção da Autoridade Fiscal". Fl. 1104DF CARF MF 30 Conforme previsto no art. 23, §3º do Decretolei nº 1.455/76, a multa equivalente ao valor da mercadoria, em substituição à aplicação da pena de perdimento, é cabível quando a mercadoria não seja localizada ou tenha sido consumida. Como se vê, sobre a ausência de prova do consumo, para aplicação da penalidade dos autos, a lei não exige que a mercadoria seja, obrigatoriamente, consumida: basta que ela não seja localizada para haver a conversão em multa a que se refere o § 1º, do art. 689 do RA, de 2009. Do extenso relatório do Auto de Infração se extrai apenas e tão somente a seguinte passagem: [...] Em 11/10/11, a empresa autuada RSI TÊXTIL, destinatária das mercadorias, foi intimada a apresentar as mercadorias constantes das DIs sob análise, para fins de aplicação da penalidade de perdimento às mesmas (Intimação n.º 0135/11/DRF/BLU/SAANA) – v. Doc. 0133. Em resposta, em 26/10/11, através de seu procurador – o mesmo da D&A –, a RSI TÊXTIL informou em síntese, não poder apresentar as mercadorias por impossibilidade material” De forma que foi correto o procedimento adotado pela fiscalização de aplicar a multa substitutiva do perdimento em relação às importações com interposição fraudulenta, tendo em vista a não apresentação de todas as mercadorias pela R.S.I, em resposta à intimação para que o fizesse. Há que ressaltar, que tanto é fato que a empresa foi notificada para apresentação, no prazo de 10 dias, das mercadorias objetos das 03 DI autuadas (vejase a Intimação SAANA nº 0132/2011, à fl. 229), que consta dos autos que parte das mercadorias foram devolvidas pela R.S.I, conforme pode ser verificado no Termo de Recebimentos de Mercadorias (Agulhas HKS), constante documentos fl. 232 e 233, os quais em 26/10/2011, foram retidas pela fiscalização e seus valores subtraídas da autuação. Portanto, não há que se falar em presunção ou qualquer ilegalidade. 2.9. INEXISTÊNCIA DE SONEGAÇÃO, FRAUDE, CONLUIO E SUBFATURAMENTO Alega a Recorrente que "(...) Este ponto é de crucial importância. De fato, a detida análise de toda a situação envolta neste processo permite concluir com segurança que jamais houve sonegação fiscal, vez que todos os tributos incidentes na operação foram devidamente recolhidos; jamais houve a prática de fraude ou conluio, tampouco uma conduta dolosa que visasse a prática de alguma evasão fiscal, ou qualquer outro prejuízo ao Erário. Não houve nenhum dano ao Erário. Isso é um fato incontroverso". Não procede a alegação dos Recorrentes de inocorrência de sonegação, fraude, conluio, e subfaturamento e de que ocorreu importação direta para revenda, devidamente caracterizada. As provas dos autos são no sentido oposto, conforme já dito neste voto que a importação não foi direta, lastreado em vasta prova. Não desconstituiu a D&A as provas relativas aos carimbos encontrados em seu estabelecimento, às remessas de divisas feitas por meio da Roger Tur, as tratativas do Sr. Caio e da Sra. Érica da importação das mercadorias para diversos clientes dela D&A e, no caso específico, a movimentação financeiras entre ela D&A e a R.S.I. Fl. 1105DF CARF MF Processo nº 13971.722505/201154 Acórdão n.º 3402003.674 S3C4T2 Fl. 1.091 31 Não obstante a empresa D&A informasse nas Declarações de Importação que seria ela própria a adquirente das mercadorias importadas, mediante prova cabal, apurou a fiscalização que tais importações seriam por conta e ordem da R.S.I, que seria a real adquirente das mercadorias, tendo ocorrido a interposição fraudulenta na importação, além de subfaturamento. As infrações restaram comprovadas, conforme consta do minucioso Relatório de "continuação do Auto de Infração" de fls. 270/466, como mensagens trocadas entre funcionários dessas empresas com detalhes acerca das importações a serem efetivadas pela D&A, bem como acerca de valores cheios e subfaturados em 25%; arquivos com prestação de contas típicas de operação por conta e ordem repassadas da D&A para a R.S.I; depósitos na contacorrente da D&A para suprir o câmbio das importações e os custos do despacho aduaneiro; faturas proformas; confirmação de depósitos bancários na escrituração contábil da D&A; mensagens eletrônicas da D&A para a R.S.I, na qual encaminha planilha com os custos da importação e solicita o depósito do valor; solicitação de numerário pela D&A a R.S.I; solicitação da R.S.I a D&A para confirmação do fechamento do câmbio para informar ao exportador no exterior; lançamento contábeis da D&A relativos aos adiantamentos para a importação por conta e ordem sem identificar o supridor dos recursos e em data posterior a sua transferência (data posterior ao registro da DI). Em face do adiantamento de recursos para a R.S.I para a D&A, as importações são consideradas por conta e ordem, nos termos do art. 27, da Lei nº 10.637/2002. Tendo em vista as informações nos autos acerca de subfaturamento, com mensagens expressas de "valores cheios" e valores subfaturados em 25%; ocultação fraudulenta do real adquirente das mercadorias; exercício de gestão de fato na empresa D&A por despachantes aduaneiros; carimbos de vários fornecedores localizados na empresa D&A, não há que se falar em ausência de fraude. Também não é verdade que todos os tributos incidentes na operação foram regularmente recolhidos, como alegam os recorrentes, vez que do novo valor aduaneiro apurado pela fiscalização, resultou em exigência de tributos no presente auto de infração. As questões atinentes a eventual lesão das multas a princípios constitucionais, que acaso procedentes, conduziriam a inconstitucionalidade da lei que as veicula, não podem ser conhecidas na esfera administrativa, vez que o agente administrativo está vinculado à lei. Quanto à alegação de que não seria subfaturamento, mas descontos concedidos pelos exportador, além de os recorrentes não comprovarem o alegado, as provas dos autos conduzem no sentido contrário, de expresso subfaturamento. 2.10. DA QUEBRA DA CADEIA DO IPI Informa a Recorrente que "(...) Aliás, insta esclarecer, que, ao contrário do alegado pela Autoridade Fiscal em seu relatório de Auto de Infração, nem de longe há que se cogitar a fantasiosa “quebra da cadeia do IPI”. Com efeito, a Autoridade Fiscal aduz, em síntese, que a D&A e a RSI TÊXTIL teriam deliberadamente ocultado o real adquirente das mercadorias em questão, ao pretexto de deixar de recolher IPI, mesmo que proporcionalmente". Fl. 1106DF CARF MF 32 Nesse aspecto, há de se esclarecer que a fiscalização quando menciona a "quebra da cadeia do IPI" discorre, em ordem genérica, sobre alguns dos fins pretendidos pelo legislador ordinário para coibir a interposição fraudulenta nas operações de comércio exterior, entretanto, a existência de quebra do cadeia do IPI, in concreto, não integra o tipo infracional. No entanto, há que se esclarecer que, no comércio exterior e de acordo com as disposições do art. 689 do RA/2009, a interposição fraudulenta caracteriza dano ao erário, que independe de haver ou não insuficiência de recolhimento de tributos, porque o dano ao erário envolve outras variáveis, a exemplo da evasão de divisas e da concorrência desleal. Portanto, a ocorrência ou não da quebra da cadeia do IPI é irrelevante para a caracterização de ocorrência do delito fiscal "dano ao erário". Dessa forma, mesmo que, no presente caso, não ocorra a quebra da cadeia do IPI, esse fato, por si só, não socorrem os recorrentes no que concerne ao afastamento da infração cometida em conformidade com o disposto no art. 23, V do Decretolei nº 1.455/76. 2.11. EXTINÇÃO DO DIREITO DE REALIZAR A REVISÃO ADUANEIRA TRANSCURSO DO PRAZO DE 5 ANOS DECADÊNCIA A análise de decadência foi tratada no início deste Voto, em tópico específico, no que assiste razão em parte aos recorrentes. 2.12. INAPLICABILIDADE DA MULTA POR CONSUMO DE MERCADORIAS ESTRANGEIRAS “INTRODUZIDAS FRAUDULENTAMENTE NO PAÍS” ENQUADRAMENTO LEGAL INCORRETO VÍCIO MATERIAL ANULAÇÃO DO AUTO DE INFRAÇÃO A Recorrente argumenta que "(...) A Autoridade Fiscal, presumindo que a mercadoria objeto do auto de infração anexo havia sido “consumida”, autuou a Impugnante duplamente com multa “de 100% do valor da mercadoria”. Assim o fez com base nos arts. 631 e no Art. 618, XXII c/c seu §1º, ambos do Antigo Regulamento Aduaneiro, vigente à época dos fatos (Dec. 4.543/02). Contudo, ainda que fosse o caso de aplicação da pena de perdimento da mercadoria (o que se admite apenas para efeitos de argumentação), jamais poderiam ter sido aplicadas ambas as multas conjuntamente" O pleito dos recorrentes, já foi atendido em tópico específico no início deste Voto, tendo sido exonerada a parcela da autuação decorrente da multa regulamentar do IPI. 2.13. NÃO INCIDÊNCIA DE TRIBUTOS SOBRE MERCADORIAS OBJETO DE PENA DE PERDIMENTO A Recorrente alega em seu recurso que "(...) O IPI, a PIS e a COFINS incidentes nas operações de comércio exterior têm em comum normas de estrutura que modificam a regramatriz de incidência desses tributos, suprimindo do critério material da hipótese de incidência nos casos em que a mercadoria importada tiver sido objeto de pena de perdimento. Assim, toda vez que uma mercadoria estrangeira for apenada com o perdimento, tal importação se subsumirá à regra isentiva, impedindo a incidência tributária". Ao contrário do que pregam os recorrentes, conforme ressalvam os dispositivos abaixo transcritos, o Imposto sobre a Importação e as contribuições para o PIS e Cofins na importação incidem na situação em que é aplicada a multa substitutiva do perdimento da mercadoria em face da sua não localização, consumo ou revenda: Fl. 1107DF CARF MF Processo nº 13971.722505/201154 Acórdão n.º 3402003.674 S3C4T2 Fl. 1.092 33 Vejase o disposto no Decretolei nº 37/66: Art.1º O Imposto sobre a Importação incide sobre mercadoria estrangeira e tem como fato gerador sua entrada no Território Nacional. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) (...) § 4o O imposto não incide sobre mercadoria estrangeira: (Incluído pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (...) III que tenha sido objeto de pena de perdimento, exceto na hipótese em que não seja localizada, tenha sido consumida ou revendida. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) E, também na Lei nº 10.865/2004: Art. 1o Ficam instituídas a Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público incidente na Importação de Produtos Estrangeiros ou Serviços PIS/PASEPImportação e a Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social devida pelo Importador de Bens Estrangeiros ou Serviços do Exterior COFINS Importação, com base nosarts. 149, § 2o, inciso II, e 195, inciso IV, da Constituição Federal,observado o disposto no seu art. 195, § 6o. Art. 2o As contribuições instituídas no art. 1o desta Lei não incidem sobre: (...) III bens estrangeiros que tenham sido objeto de pena de perdimento, exceto nas hipóteses em que não sejam localizados, tenham sido consumidos ou revendidos; 2.14. INOCORRÊNCIA DE OCULTAÇÃO OU SIMULAÇÃO INEXISTÊNCIA DE BURLA AOS CONTROLES ADUANEIROS IMPORTAÇÃO DIRETA PARA REVENDA REGULARMENTE CARACTERIZADA Alega os Recorrentes que "(...) Assim, a aplicação da pena de perdimento de mercadoria é medida de imposição excepcionalíssima, não compatível com o caso concreto". "(...) Não obstante, não basta a existência de meros erros de forma, erros procedimentais para a aplicação da pena de perdimento. A conduta adotada pelo infrator deve ser grave em sua substância e de caráter evidentemente lesivo". "(...) A empresa Importadora (D&A) cuidou de cumprir todos os aspectos jurídicos, tributários e formais para deixar “às claras” o negócio realizado, não havendo o que se cogitar em “simulação”, como quer fazer crer a autoridade fiscalizadora em seu relatório". Apurouse que a recorrente D&A informou, em suas declarações de importação, que se trataria de importação própria, quando, em verdade, apurouse que tais Fl. 1108DF CARF MF 34 operações ocorreram por conta e ordem de terceiro, no caso, a R.S.I, tendo incorrido a contribuinte em interposição fraudulenta, por ter ocultado fraudulentamente a real adquirente. O procedimento correto que deveria ter seguido pela importadora é aquele previsto nos artigos 2º e 3º da Instrução Normativa SRF nº 225/2002, apresentando previamente à fiscalização o contrato de prestação de serviços com a outra recorrente para a sua habilitação para atuar por conta e ordem de terceiro no comércio exterior, bem como informando, em campo próprio das declarações de importação a identificação da verdadeira interessada nas mercadorias importadas, em consonância com a fatura comercial na qual também seria necessária identificála. A alegação de que não teria havido o efetivo prejuízo ao Erário ou burla aos controles aduaneiros para o cabimento da pena de perdimento não prospera. As hipóteses de "dano ao Erário", definidas pelo legislador ordinário no art. 23 do Decretolei n° 1.455/76, tratamse de autênticas presunções legais de dano ao Erário, não se fazendo necessária qualquer comprovação adicional de efetivo prejuízo financeiro ao Erário ou à atividade fiscalizatória. Quando ocorrem, no mundo concreto, as infrações tipificadas nos incisos desse dispositivo legal, está presumido o dano ao Erário. Tendo, no caso sob análise, ocorrido o cometimento da infração de "ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros" na importação, veiculada pelo art. 23, V do Decretolei nº 1.455/76, está caracterizado o "dano ao Erário". 2.15. DO ELEMENTO DANOSO RELEVAÇÃO DA PENA DE PERDIMENTO Aduz que "(...) As importações sob análise, ainda que se entendesse irregulares, não foram realizadas dessa forma com o intuito de fraude. Pelo contrário, o contribuinte agiu de boa fé, entendendo ser correta sua conduta, baseada na interpretação da legislação aduaneira em vigor. Vejase que o legislador tratou de relevar a pena de perdimento, nos casos em que o infrator, voluntariamente, comunique eventual erro ou equívoco ocorrido nos seus procedimentos, pois são casos nos quais não há o elemento danoso, nem intenção do agente em cometer a infração". Quanto ao pedido de relevação da pena de perdimento por ausência do elemento danoso, fundada no art. 737 do RA/2009, impende registrar que o CARF não tem competência para relevar penalidades, cabendo tal competência ao Ministro de Estado da Fazenda, nos termos do art. 736 do mesmo RA/2009, abaixo reproduzido. A competência para sua apreciação, atribuída originariamente ao Ministro da Fazenda através do art. 4º do DecretoLei nº 1.042/1969, foi delegada ao Secretário da Receita Federal mediante a Portaria MF nº 214/79. 2.16. DA APLICAÇÃO DA PENALIDADE MAIS FAVORÁVEL Alega em seu recurso que "(...) Caso se entenda que houve irregularidades na importação no que tange a alegada interposição fraudulenta, imperioso se reconhecer que estas foram de ordem meramente formal, o que ensejaria somente a aplicação da multa comumente conhecida como “multa por erro”, do art. 711 do R.A., ao invés da pena de perdimento". Tal alegação que devese aplicar a penalidade mais favorável porque houve mero erro formal na DI, entendo estar equivocado os Recorrentes, porque o conjunto probatório dos autos leva à conclusão que eles (D&A, Caio e Érica) conheciam toda a operação de importação e que a mesma era por conta e ordem e, mesmo assim, os Despachante Fl. 1109DF CARF MF Processo nº 13971.722505/201154 Acórdão n.º 3402003.674 S3C4T2 Fl. 1.093 35 Aduaneiros, registrou a DI como importação direta e as mercadorias foram transferidas para a R.S.I a título de venda. Portanto, não ocorreu mero "erro formal" no preenchimento da DI que enseje a aplicação da multa do art. 711 do RA/2009. Portanto, tendo sido perfeitamente configuradas as infrações objeto de autuação e não sendo o caso de mera omissão ou prestação de informação inexata ou incompleta, não há que se falar em aplicação de multa prevista no art. 711 do Regulamento Aduaneiro de 2009. DAS ALEGAÇÕES RECURSAIS DA R.S.I Por fim, quanto à alegação da Recorrente, R.S.I, em seu recurso (item 3, à fl. 1.064), aduz que "se aterá a analisar e rebater os tópicos relativos ao uso da prova emprestada e ao fato de que a fiscalização ter sido realizada em estabelecimento mantido por pessoa jurídica diversa da ora Recorrente, uma vez que os demais tópicos foram ventilados pelas demais pessoas autuadas". Afirma que deve ser anulada a decisão proferida, devolvendose os autos para que a DRJ profira nova decisão, explanando acerca dos argumento articulados pela Recorrente em sua Impugnação. Além disso, (a) que a utilização isolada de provas emprestadas para atribuir conduta antijurídica à Recorrente, fere o direito de defesa desta, pois não participou da produção de tais meios de prova; (b) a reforma da decisão proferida pela DRJ, com a anulação da autuação realizada e a conseqüente extinção do crédito tributário; (c) a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, e (d) que as intimações sejam dirigidas aos advogados que esta subscrevem, sob pena de nulidade. Como já exposto, a análise e julgamento dos argumentos apresentados nos Recursos Voluntários (da D&A e da R.SI.), foram reunidas e agrupadas por temas semelhantes, de forma lógica e sistematizada, com o fito de, a uma, elencar todos os pontos impugnados; a duas, evitar duplicidades ou redundâncias temáticas e, a três, permitir a congruência dos diversos argumentos articulados. Desta forma, quanto a matéria relativo ao uso da prova emprestada, tais questões já foram abordadas e debatidas em tópico específico deste Voto, em mesma matéria requerida pela Recorrente D&A. Quanto ao pedido de nulidade do Auto de Infração, verificase que o enquadramento legal descrito na peça vestibular que se fundamenta a autuação, há que se destacar que o Relatório Fiscal (continuidade do Auto de Infração) que é parte integrante do auto de infração, consistindolhe em parte anexa (fls. 270/466). Assim, o auto de infração distingue, objetivamente, todas as infrações que teriam sido praticadas nas operações apuradas.Desta forma, no Relatório Fiscal que é parte integrante do auto de infração, observase tópico exclusivo quanto ao "Enquadramento Legal" da conduta autuada, onde se observa a precisa indicação do tipo infracional, restando infundada a alegação da recorrente. E mais. O ato de lançamento, entendido como procedimento administrativo voltado à constituição do crédito tributário, deve obedecer a imperativos de forma que garantam a sua conformação jurídica, o que ocorre perfeitamente no caso dos autos. Fl. 1110DF CARF MF 36 O auto de infração teve origem em auditoria realizada pela Fiscalização da Receita Federal, fartamente detalhada em relatório fiscal, onde consta a motivação para o lançamento e as provas que conduziram a autoridade fazendária a lavratura do auto de infração (fls. 270/466). A Recorrente foi cientificada da exigência fiscal e apresentou impugnação que foi apreciada em julgamento realizado na primeira instância. Irresignada com o resultado do julgamento da autoridade a quo, protocolou recurso voluntário, rebatendo as posições adotadas no acórdão recorrido, combatendo as razões de decidir daquela autoridade, portanto, as motivações para o lançamento, bem como, as do julgamento na primeira instância foram claramente identificadas. Com todo este histórico de discussão administrativa, não se pode falar em cerceamento de direito de defesa ou quaisquer outros vícios no lançamento ou no julgamento da primeira instância, todo o procedimento previsto no Decreto 70.235/72 foi observado, tanto o lançamento tributário, bem como, o devido processo administrativo fiscal. Pela leitura dos autos, constatase que o Auditor Fiscal não só descreveu de forma suficientemente objetiva e cristalina os fatos o enquadramento legal e normativos, como teceu importantes lições sobre o próprio controle aduaneiro e ainda sobre o comércio internacional e as partes eventualmente envolvidas, o que contribuiu, decisivamente, para a exata compreensão da autuação. Ou seja, não verifico uma dúvida sequer relativa aos fatos narrados pela fiscalização, e tampouco sobre o enquadramento legal e/ou normativo adotado. Apenas para um melhor esclarecimento sobre o assunto, transcrevese o dispositivo que rege a matéria no processo administrativo fiscal. Prescreve o art. 59 do Decreto nº 70.235/72, com a nova redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º (...). Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. O auto de Infração devese ter como premissa indelével a necessidade de atendimento aos requisitos mínimos de formação válida do ato administrativo fiscal, requisitos estes expressamente determinados pelo artigo 142 do Código Tributário Nacional, e artigos 9º, 10 e 11 do Decreto nº 70.235/72. Deste modo, não merece guarida a alegação de nulidade, uma vez que foram cumpridos tais requisitos legais, não se enquadrando, portanto, em nenhum dos requisitos do citado art. 59 do Decreto nº 70.235/72. Por isso, rejeito a preliminar de nulidade. Também deve ser indeferido o pedido para que as intimações sejam efetuadas em nome do patrono da causa administrativa, pois, o Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, art. 23, II, com a redação que lhe foi dada pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, art. 67, determina que elas sejam feitas por via postal, ou qualquer outra via com prova de recebimento, e endereçadas ao domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. Fl. 1111DF CARF MF Processo nº 13971.722505/201154 Acórdão n.º 3402003.674 S3C4T2 Fl. 1.094 37 Quanto ao pedido de efeito suspensivo do crédito, não procede, uma vez que é efeito automático do Recurso Voluntário a suspensão da exigibilidade do crédito lançado, por força do art. 151, inciso III, do CTN, descabe qualquer providência do Órgão Julgador quanto ao pedido levado a efeito pela R.S.I nesse sentido. Por fim, e para que não se alegue omissão no julgado, ratifico e, supletivamente, adoto todos os fundamentos da decisão recorrida, que tenho por boa e conforme a lei (forte no art. 50, § 1º, da Lei no 9.784, de 1991). CONCLUSÃO Assim, por todo o exposto, voto no seguinte sentido: 1) não conhecer do recurso do sujeitos passivos solidários Érica Debossan Reinert e Caio Marcelo Debossan, que interpuseram recurso voluntário em conjunto com a Recorrente D&A, porém, fora do prazo legal de 30 dias; 2) dos recursos conhecidos, dar provimento parcial, para: i) exonerar a multa pelo consumo de mercadorias estrangeiras introduzidas fraudulentamente no país, prevista no art. 83, I, da Lei nº 4.502/64; ii) em face da decadência, exonerar, parcialmente, a "multa administrativa decorrente do subfaturamento" e à "multa equivalente ao perdimento em face da interposição fraudulenta", exonerandose a parcela relativa à importação registrada até 23/11/2006 (no caso a DI nº 06/08979311, 2052, registrada em 01/ago/06, no valor de R$ 3.546,05; e (iii) manter como os responsáveis solidários a empresa R.S.I. TEXTIL LTDA e o Sr. CAIO MARCELO DEBOSSAN, CPF nº 936.292.65987 e Sra. ÉRICA DEBOSSAN Reinert, CPF nº 919.869.82904. É como voto. (Assinatura Digital) Waldir Navarro Bezerra Relator Fl. 1112DF CARF MF 38 Declaração de Voto Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto Primeiramente, saúdo o Ilustre Relator pelo minucioso voto para, segundamente, pedir vênia para discordar sobre alguns pontos de seu arrazoado, pelas razões que serão expostas abaixo. Da tempestividade dos recursos voluntários dos responsáveis solidários. Afirma o Relator em seu voto que: Verificase nos autos que os sujeitos passivos solidários Érica Debossan Reinert (CPF nº 919.869.82904) e Caio Marcelo Debossan (CPF nº 936.292.65987) interpuseram recurso voluntário em conjunto com a Recorrente D&A, porém, fora do prazo legal de 30 dias, uma vez que a ciência do Acórdão recorrido ocorreu, para ambos, em 19/10/2013 (fls. 947/952, 953/958, 965 e 968), e o protocolo do Recurso em conjunto com a D&A, ocorreu em 20/11/2013 (fls. 972/1.058) Devese frisar, de pronto, que o processo administrativo tributário fiscal possui uma regra própria sobre a contagem de prazos no seu âmbito, presente no art. 5º do Decreto 70.235/72, verbis: Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Tal regime de contagem de prazos replica exatamente aquele veiculado pela Lei 5.869/73 (CPC), vigente à época dos fatos, pois neste constavam regras expressas sobre o dies a quo desse prazo, senão vejamos: Art. 184. Salvo disposição em contrário, computarseão os prazos, excluindo o dia do começo e incluindo o do vencimento. (...) §2o Os prazos somente começam a correr do primeiro dia útil após a intimação (art. 240 e parágrafo único). Art. 240. Salvo disposição em contrário, os prazos para as partes, para a Fazenda Pública e para o Ministério Público contarseão da intimação. Parágrafo único. As intimações consideramse realizadas no primeiro dia útil seguinte, se tiverem ocorrido em dia em que não tenha havido expediente forense. O primeiro passo é definir em que data se considera realizada a intimação: via de regra, ela se dá na data da ocorrência efetiva da intimação, todavia, quando a intimação se der em dia que "não tenha havido expediente forense" (é dizer, em dia nãoútil), determinase que ela será considerada realizada no primeiro dia útil seguinte. Por exemplo, se a Fl. 1113DF CARF MF Processo nº 13971.722505/201154 Acórdão n.º 3402003.674 S3C4T2 Fl. 1.095 39 intimação for realizada no domingo, ela será considerada como realizada apenas na segunda feira. Pois bem, definida a regra de ocorrência da intimação, é preciso determinar a forma da contagem do prazo, e sobre isso a lei é clara: iniciase a contagem no primeiro dia útil após a intimação. Logo, retomando o exemplo dado acima, se a intimação foi feita no sábado, a intimação será considerada feita na segundafeira, e o dies a quo do prazo será na terçafeira. Os prazos no processo administrativo são contados de forma idêntica, vide a similitude entre as disposições das legislações supracitadas. Retomando o caso concreto, verificase que o AR informa a data de entrega da intimação em 19/10/2013 (sábado), dia em que não há expediente normal do órgão da Receita Federal. Desse modo, a intimação considerase realizada apenas no dia 21/10/2013 (segundafeira), e iniciandose a contagem do prazo no dia útil seguinte à intimação, 22/10/2013 (terçafeira). Contados os 30 dias de prazo para recorrer, o dies ad quem será exatamente no dia 20/11/2013, data em que os Recursos Voluntários foram protocolizados. Desse modo, por se tratar de uma questão eminentemente de aplicação de regras sobre contagem de prazos, reconheço a tempestividade dos Recursos Voluntários dos sujeitos passivos solidários Érica Debossan Reinert e Caio Marcelo Debossan, devendo os mesmos serem conhecidos por este Colegiado. Quanto ao mérito, verificase nos autos que a autuação fiscal foi instruída com as provas obtidas através da operação "Ouro Verde", conforme relatório deste acórdão: A referida ação fiscal originouse da análise do material apreendido quando da realização da operação denominada “Ouro Verde”, desencadeada em 30/03/2007, em diversos pontos do território nacional, inclusive na sede da empresa D&A COMÉRCIO SERVIÇOS IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA., em Blumenau/SC, em cumprimento ao Mandado de Busca e Apreensão expedido pela Vara Federal Criminal de Florianópolis/SC, nos autos do processo nº 2006.72.00.0105049 (IPL n.º 285/2006/DPF/JVE/SC), aberto para investigação da empresa D&A, onde também é determinado o compartilhamento dos objetos apreendidos que contenham informações úteis na apuração de ilícitos fiscais com a RFB. Em síntese, a investigação policial constatou que o grupo bancário clandestino (Grupo Roger) oferecia dentre outros serviços de remessa de divisas ao exterior à margem do controle oficial por parte do Banco Central, tendo várias empresas como clientes, entre elas a D&A, que por seu turno, prestava serviços de comércio exterior a outros clientes, servindo tais remessas ao pagamento de fornecedores no exterior, de forma a enviar a diferença de valores em importações subfaturadas. No decorrer da "Operação Ouro Verde” foram apreendidos vários documentos e objetos, dentre eles, um Conjunto de Carimbos de fornecedores estrangeiros encontrados em uma caixa, na empresa D&A, rotulados no momento da apreensão como "item 15", inclusive o da "Câmara de Comércio de Fl. 1114DF CARF MF 40 Taiwan”, responsável pela emissão de certificados de origem daquele país (fls. 278/282 do Termo de Continuação Anexo ao Auto de Infração). Todavia, devese observar que a referida operação cujo inquérito foi utilizado como prova emprestada na apuração dos ilícitos tributários discutidos neste processo visava identificar os responsáveis por crimes contra o sistema financeiro nacional, especialmente os tipificados nos arts. 16 e 22 da Lei 7492/86, como se verifica no site da Justiça Federal do Rio Grande do Sul, https://www2.jfrs.jus.br/operacaoouroverde7avarafederaldeportoalegrecondena17porcrimescon traosistemafinanceiro/ , verbis: Art. 16. Fazer operar, sem a devida autorização, ou com autorização obtida mediante declaração (Vetado) falsa, instituição financeira, inclusive de distribuição de valores mobiliários ou de câmbio: Pena Reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa. Art. 22. Efetuar operação de câmbio não autorizada, com o fim de promover evasão de divisas do País: Pena Reclusão, de 2 (dois) a 6 (seis) anos, e multa. No âmbito dos procedimentos judiciais e administrativos a liberdade probatória não é plena, mas deve obedecer a regras específicas, especialmente em se tratando de prova emprestada, produzida em outro contexto investigatório. Nesse sentido, o Supremo Tribunal Federal, por meio de seu Órgão Pleno, já se manifestou, por unanimidade, no sentido de ser vedado o compartilhamento de informações do Inquérito Policial com a Receita Federal, salvo os casos em que o delito investigado seja da mesma natureza daquele apurado pelo Fisco. A ementa do Inq. 2593 AgR é bastante elucidativa a esse respeito: EMENTA: PENAL E PROCESSUAL PENAL. INQUÉRITO. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. COMPARTILHAMENTO DAS INFORMAÇÕES COM A RECEITA FEDERAL. IMPOSSIBILIDADE. AGRAVO IMPROVIDO. I Não é cabível, em sede de inquérito, encaminhar à Receita Federal informações bancárias obtidas por meio de requisição judicial quando o delito investigado for de natureza diversa daquele apurado pelo fisco. II Ademais, a autoridade fiscal, em sede de procedimento administrativo, pode utilizarse da faculdade insculpida no art. 6º da LC 105/2001, do que resulta desnecessário o compartilhamento in casu. III Agravo regimental desprovido.(Inq 2593 AgR, Relator(a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI, Tribunal Pleno, julgado em 09/12/2010) Desse modo, diante do objeto da investigação policial ser de natureza diversa daquele investigado pela fiscalização tributária, devese reconhecer a nulidade das provas que instruíram a autuação. A referida nulidade tem o condão de afastar a motivação do ato administrativo, tornandoo nulo, diante da ausência de outras provas que sustentem a autuação fiscal. Fl. 1115DF CARF MF Processo nº 13971.722505/201154 Acórdão n.º 3402003.674 S3C4T2 Fl. 1.096 41 Desse modo, dou provimento ao Recurso Voluntário, reconhecendo a nulidade do auto de infração. É como voto. Fl. 1116DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.002450/2004-05
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Sep 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jan 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/08/1998 a 31/08/1998, 01/12/1998 a 31/12/1998
01/01/1999 a 30/06/2004
DECADÊNCIA. INCONSTITUCIONALIDADE. STF. SÚMULA VINCULANTE Nº 08.
De acordo com a Súmula Vinculante n° 08, do Supremo Tribunal Federal, os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência, o prazo de 5 (cinco) anos nos termos do que dispõem o § 4º do art. 150 ou art. 173 e incisos do Código Tributário Nacional.
LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO. DECLARAÇÃO. PRAZO DE CINCO ANOS CONTADOS DA DATA DO FATO GERADOR.
Configurado o lançamento por homologação e o pagamento antecipado do tributo e/ou a declaração do Contribuinte, o prazo de decadência do direito do Fisco efetuar o lançamento de ofício rege-se pela regra do art. 150, §4º do CTN, operando-se em cinco anos, contados da data do fato gerador.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/08/1998 a 31/10/1999
BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DE VENDAS PARA ZONA FRANCA DE MANAUS A PARTIR DE DEZEMBRO DE 2000.
Por força do disposto no art. 14 da Medida Provisória n. 2.037-24, somente os fatos geradores ocorridos a partir de dezembro de 2000 devem ser excluídos da base de cálculo da Cofins.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/08/1998 a 31/10/1999
BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DE VENDAS PARA ZONA FRANCA DE MANAUS. A PARTIR DE DEZEMBRO DE 2000.
Por força do disposto no art. 14 da Medida Provisória nº 2.037-24, somente os fatos geradores ocorridos a partir de dezembro de 2000 devem ser excluídos da base de cálculo do PIS.
Recurso Especial do Procurador Negado e Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-004.250
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Érika Costa Camargos Autran, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Erika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/08/1998 a 31/08/1998, 01/12/1998 a 31/12/1998 01/01/1999 a 30/06/2004 DECADÊNCIA. INCONSTITUCIONALIDADE. STF. SÚMULA VINCULANTE Nº 08. De acordo com a Súmula Vinculante n° 08, do Supremo Tribunal Federal, os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência, o prazo de 5 (cinco) anos nos termos do que dispõem o § 4º do art. 150 ou art. 173 e incisos do Código Tributário Nacional. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO. DECLARAÇÃO. PRAZO DE CINCO ANOS CONTADOS DA DATA DO FATO GERADOR. Configurado o lançamento por homologação e o pagamento antecipado do tributo e/ou a declaração do Contribuinte, o prazo de decadência do direito do Fisco efetuar o lançamento de ofício regese pela regra do art. 150, §4º do CTN, operandose em cinco anos, contados da data do fato gerador. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/08/1998 a 31/10/1999 BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DE VENDAS PARA ZONA FRANCA DE MANAUS A PARTIR DE DEZEMBRO DE 2000. Por força do disposto no art. 14 da Medida Provisória n. 2.03724, somente os fatos geradores ocorridos a partir de dezembro de 2000 devem ser excluídos da base de cálculo da Cofins. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/1998 a 31/10/1999 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 24 50 /2 00 4- 05 Fl. 606DF CARF MF Processo nº 19515.002450/200405 Acórdão n.º 9303004.250 CSRFT3 Fl. 607 2 BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DE VENDAS PARA ZONA FRANCA DE MANAUS. A PARTIR DE DEZEMBRO DE 2000. Por força do disposto no art. 14 da Medida Provisória nº 2.03724, somente os fatos geradores ocorridos a partir de dezembro de 2000 devem ser excluídos da base de cálculo do PIS. Recurso Especial do Procurador Negado e Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Érika Costa Camargos Autran, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Erika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recursos especiais de divergência interpostos pela Contribuinte (fls. 2.327 a 2.348) e pela Fazenda Nacional, com fulcro nos artigos 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, buscando a reforma do Acórdão nº 340300.375 (fls. 406 a 412) proferido pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de julgamento, em 27 de maio de 2010, no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário, com ementa nos seguintes termos: ASSUNTO: COFINS e PIS Período de apuração: 01/08/1998 a 31/08/1998, 01/12/1998 a 31/12/1998, 01/01/1999 a 30/06/2004 DECADÊNCIA. Fl. 607DF CARF MF Processo nº 19515.002450/200405 Acórdão n.º 9303004.250 CSRFT3 Fl. 608 3 A fazenda dispõe de cinco anos para constituir o crédito tributário, decorrido este lapso temporal impõese a perda do direito de constituição do crédito tributário, conforme dispõe o parágrafo 4° do art. 150 do CTN. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. À autoridade administrativa não compete rejeitar a aplicação de lei sob a alegação de inconstitucionalidade da mesma, por se tratar de matéria de competência do Poder Judiciário, com atribuição determinada pelo art. 101, II, "a" e III, "b", da Constituição Federal. (Súmula n2 2, do 22 Conselho de Contribuintes). BASE CÁLCULO. EXCLUSÃO DE VENDAS PARA ZONA FRANCA DE MANAUS. Os fatos geradores a partir de dezembro de 2000 devem ser excluídos da base de cálculo por força da norma contida no art. 14 da Medida Provisória n. 2.03725. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento os fatos ocorridos ocorridos (sic) até outubro de 1999 em razão da decadência e para excluir os fatos geradores ocorridos a partir de dezembro de 2000, inclusive, em razão da isenção prevista no art. 14, II, § 2°, I, da MP n° 2.15834, de 2001. [...] A discussão dos presentes autos tem origem em lançamento de ofício para constituição do crédito tributário relativo ao PIS e COFINS, dos períodos de apuração de 01/08/1998 a 31/08/1998; 01/12/1998 a 31/12/1998 e 01/01/1999 a 30/06/2004, por ter apurado a Fiscalização que a empresa excluiu da base de cálculo das contribuições as receitas oriundas das vendas de mercadorias efetuadas à empresas sediadas na Zona Franca de Manaus ZFM, além de terem sido apurados erros de cálculo na apuração dos tributos. Nessa oportunidade, insurgemse a Contribuinte e a Fazenda Nacional em face da decisão de provimento parcial do recurso voluntário. A Fazenda Nacional suscita, em seu recurso especial (fls. 415 a 422), divergência jurisprudencial quanto à aplicação do art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional CTN para reconhecer a decadência do direito de lançamento dos fatos geradores ocorridos até outubro de 1999. Colaciona como paradigma o acórdão nº 910100.460, proferido pela 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF. Nas razões recursais, defende a aplicação do art. 173, inciso I do CTN por suposta ausência de recolhimentos das contribuições por parte da contribuinte. Foi admitido o recurso especial da Fazenda Nacional por meio do Despacho nº 340000.267, de 28 de maio de 2013 (fl. 428), proferido pelo ilustre Presidente Fl. 608DF CARF MF Processo nº 19515.002450/200405 Acórdão n.º 9303004.250 CSRFT3 Fl. 609 4 da Quarta Câmara da Terceira Seção de Julgamento em exercício à época, por entender comprovada a divergência jurisprudencial. A contribuinte apresentou contrarrazões (fls. 453 a 464) postulando a negativa de provimento ao apelo especial Fazendário. Na mesma oportunidade, o Sujeito Passivo interpôs recurso especial (fls. 482 a 508) insurgindose em face do reconhecimento da exclusão da base de cálculo do PIS e da COFINS das receitas das vendas para a Zona Franca de Manaus somente a partir de dezembro de 2000. Para comprovação da divergência jurisprudencial traz o acórdão nº 3801 002026, segundo o qual jamais houve a revogação da isenção do PIS e da COFINS sobre as receitas oriundas das vendas para a ZFM. Sustenta ter o art. 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias ADCT recepcionado o DecretoLei nº 288/67. O apelo especial da Contribuinte foi admitido por meio do despacho nº 3400000.385, de 05 de dezembro de 2014 (fls. 556 a 557), proferido pelo ilustre Presidente da Terceira Seção de Julgamento em exercício à época, pois existente a divergência de interpretação entre os acórdãos recorrido e paradigma. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões (fls. 559 a 562) postulando pela manutenção do acórdão recorrido. O presente processo foi distribuído a esta Relatora por meio de sorteio regularmente realizado, estando apto o feito a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora De início, necessário referir que o presente voto restou vencido quanto ao recurso especial da Contribuinte, tão somente, tendo sido vencedor no exame do recurso especial da Fazenda Nacional. Os recursos especiais de divergência interpostos pela Fazenda Nacional e pela Contribuinte atendem os pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, devendo, portanto, ser conhecidos. Superada a admissibilidade dos recursos, o exame do mérito darseá de forma individualizada para melhor compreensão das matérias que são objeto de insurgência pelas partes. Do recurso especial da Fazenda Nacional Fl. 609DF CARF MF Processo nº 19515.002450/200405 Acórdão n.º 9303004.250 CSRFT3 Fl. 610 5 A divergência a ser apreciada referese à correta aplicação do prazo decadencial, se do art. 45 da Lei 8.212/91 (dez anos) ou do § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional (5 anos). Em razão da declaração de inconstitucionalidade do art. 45 da Lei 8.212/91 pelo Supremo Tribunal Federal, ao julgar os recursos extraordinários nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que aprovou a Súmula Vinculante STF nº 08, indubitável estarse diante de hipótese de aplicação do prazo decadencial de 5 (cinco) do Código Tributário Nacional: Súmula Vinculante STF nº 08 São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto Lei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam da prescrição e decadência do crédito tributário. Esclareçase que, após a edição da Súmula Vinculante nº 08, a controvérsia a respeito do prazo decadencial para as contribuições previdenciárias cingese à aplicação dos artigos 150, §4º ou 173, inciso I, ambos do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 62A do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, e reproduzido em sua íntegra no art. 62, §2º do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, no que tange à contagem do prazo decadencial de tributos e contribuições deve ser observado o posicionamento do Superior Tribunal de Justiça firmado no julgamento do recurso especial nº 973.733, pela sistemática dos recursos repetitivos, restando superada a tese da irrelevância de ter ocorrido ou não pagamento, in verbis: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO.DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN.IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005) [...] Fl. 610DF CARF MF Processo nº 19515.002450/200405 Acórdão n.º 9303004.250 CSRFT3 Fl. 611 6 Para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, na inteligência do acórdão do STJ cuja ementa transcreveuse acima: (i) a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, inciso I, do CTN) em caso de dolo, fraude ou simulação; quando não houver pagamento antecipado ou inexistir declaração prévia do débito; ou (ii) a partir do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN) nas hipóteses de pagamento parcial ou integral do débito ou existência de declaração prévia do mesmo (pagamento às folhas 478 a 479 do processo digital). Nos presentes autos, tendo ocorrido a ciência do auto de infração em 25/11/2004, verificase que os fatos geradores ocorridos no período de 01/08/1998 a 30/08/1998, dezembro de 1998 a 31/10/1999, encontramse extintos pela decadência, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN. Por essas razões, há de ser negado provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, mantendose o acórdão recorrido quanto ao ponto. Do recurso especial da Componel Indústria e Comércio Ltda. Com relação ao recurso especial da contribuinte, delimitase a controvérsia suscitada pela contribuinte à possibilidade de incidência do PIS sobre as receitas decorrentes de vendas efetuadas para empresas domiciliadas na Zona Franca de Manaus no período anterior à dezembro de 2000. A Zona Franca de Manaus foi criada pela Lei nº 3.173/1957, funcionando, inicialmente, como área "[...] para armazenamento ou depósito, guarda, conservação beneficiamento e retirada de mercadorias, artigos e produtos de qualquer natureza, provenientes do estrangeiro e destinados ao consumo interno da Amazônia, como dos países interessados, limítrofes do Brasil ou que sejam banhados por águas tributárias do rio Amazonas" (art. 1º). Da mesma forma, nos termos do art. 5º da Lei nº 3.173/57, havia a previsão de incentivos fiscais em relação às operações efetuadas na área da Zona Franca de Manaus, ao estabelecer o não pagamento de direitos alfandegários ou quaisquer outros impostos federais, estaduais ou municipais para as mercadorias de procedência estrangeira diretamente desembarcadas naquela área. Em 26 de fevereiro de 1967, foi editado o DecretoLei nº 288 para regulamentar a Zona Franca de Manaus, estabelecendo os objetivos da política governamental para a área, os incentivos fiscais para as atividades econômicas e a criação de um órgão responsável por administrar a implementação da área de livre comércio. Posteriormente, a zona de concessão de benefício da Zona Franca de Manaus foi ampliada para a Amazônia Ocidental, abrangendo os Estados do Amazonas, Acre, Rondônia e Roraima, nos termos do DecretoLei nº 356/68. A criação e a implementação da Zona Franca de Manaus teve três pilares determinantes: (a) a necessidade de ocupar e proteger a Amazônia frente à nascente política de internacionalização; (b) a meta governamental de substituição das importações e (c) a busca pela redução das desigualdades regionais. O objetivo da sua idealização pelo Governo Federal foi de criar "no interior da Amazônia um centro industrial, comercial e agropecuário dotado de condições econômicas que permitam seu desenvolvimento, em face dos fatores locais e da Fl. 611DF CARF MF Processo nº 19515.002450/200405 Acórdão n.º 9303004.250 CSRFT3 Fl. 612 7 grande distância em que se encontram os centros consumidores de seus produtos" (art. 1º do DL nº 288/67). Com o intuito de atrair investidores e promover o crescimento econômico da região, foram criados inúmeros incentivos fiscais, dentre os quais está o art. 4º do DecretoLei nº 288/67 equiparando às exportações as vendas de produtos para a Zona Franca de Manaus, in verbis: Art 4º A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro. A Constituição Federal de 1988, ao estabelecer um novo ordenamento jurídico, expressamente prorrogou os benefícios fiscais concedidos à Zona Franca de Manaus pelo prazo de 25 (vinte e cinco) anos a partir da sua promulgação, nos termos do art. 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT): Art. 40. É mantida a Zona Franca de Manaus, com suas características de área livre de comércio, de exportação e importação, e de incentivos fiscais, pelo prazo de vinte e cinco anos, a partir da promulgação da Constituição. Parágrafo único. Somente por lei federal podem ser modificados os critérios que disciplinaram ou venham a disciplinar a aprovação dos projetos na Zona Franca de Manaus. Além de preservar a Zona Franca de Manaus como área de livre comércio, a norma transcrita acima recepcionou o DecretoLei nº 288/67, o qual equipara às exportações as vendas efetuadas àquela região. Importa mencionar ter a Emenda Constitucional nº 42/2003 prorrogado por mais 10 (dez) anos o prazo fixado no art. 40 do ADCT. Com a Emenda Constitucional nº 83/2013 referido prazo estendeuse por mais 50 (cinquenta) anos, até 2073, demonstrando o legislador constitucional que o projeto da Zona Franca de Manaus tem desempenhado seu papel para além do desenvolvimento regional, contribuindo para a preservação e fortalecimento da soberania nacional. Ainda, a receita de exportações de produtos nacionais para o estrangeiro é desonerada do PIS e da COFINS, nos termos do art. 149, § 2º, inciso I, da Constituição Federal de 1988: Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. § 2º As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo: Fl. 612DF CARF MF Processo nº 19515.002450/200405 Acórdão n.º 9303004.250 CSRFT3 Fl. 613 8 I não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação; [...] A norma constitucional que desonerou as exportações foi observada pela legislação infraconstitucional do PIS e da COFINS, conforme disposto no art. 7º da Lei Complementar nº 70/91 (COFINS) e do art. 5º da Lei nº 7.714/88, com redação dada pela Lei nº 9.004/95, reproduzido no art. 5º da Lei nº 10.637/02 (PIS). Portanto, os valores resultantes das exportações foram excluídos da base de cálculo do PIS e da COFINS e, por força do disposto no DecretoLei nº 288/67 e nos arts. 40 e 92 do ADCT, da CF/88, o benefício foi estendido às operações destinadas à Zona Franca de Manaus, uma vez equiparadas às exportações de mercadorias para o estrangeiro. No ano de 1999, com a edição da Medida Provisória nº 1.8586, objeto de sucessivas reedições, foi suprimida a isenção das exportações destinadas à Zona Franca de Manaus, nos termos do seu art. 14, §2º, inciso I, redação que constou do dispositivo até a Medida Provisória nº 2.03724/2000: Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: I dos recursos recebidos a título de repasse, oriundos do Orçamento Geral da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, pelas empresas públicas e sociedades de economia mista; II da exportação de mercadorias para o exterior; III dos serviços prestados a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; IV do fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; V do transporte internacional de cargas ou passageiros; VI auferidas pelos estaleiros navais brasileiros nas atividades de construção, conservação modernização, conversão e reparo de embarcações préregistradas ou registradas no Registro Especial Brasileiro REB, instituído pela Lei no 9.432, de 8 de janeiro de 1997; VII de frete de mercadorias transportadas entre o País e o exterior pelas embarcações registradas no REB, de que trata o art. 11 da Lei nº 9.432, de 1997; VIII de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras nos termos do DecretoLei no 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; Fl. 613DF CARF MF Processo nº 19515.002450/200405 Acórdão n.º 9303004.250 CSRFT3 Fl. 614 9 IX de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio; X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. § 1º São isentas da contribuição para o PIS/PASEP as receitas referidas nos incisos I a IX do caput. § 2º As isenções previstas no caput e no parágrafo anterior não alcançam as receitas de vendas efetuadas: I a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; II a empresa estabelecida em zona de processamento de exportação; III a estabelecimento industrial, para industrialização de produtos destinados a exportação, ao amparo do art. 3o da Lei no 8.402, de 8 de janeiro de 1992. (grifouse) Por meio de decisão liminar proferida na ADIMC nº 2348/DF, o Supremo Tribunal Federal suspendeu a eficácia da expressão "na Zona Franca de Manaus", constante do dispositivo acima transcrito: ZONA FRANCA DE MANAUS PRESERVAÇÃO CONSTITUCIONAL. Configuramse a relevância e o risco de manterse com plena eficácia o diploma atacado se este, por via direta ou indireta, implica a mitigação da norma inserta no art. 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias da Carta de 1988: Art. 40. É mantida a Zona Franca de Manaus, com suas características de área de livre comércio, de exportação e importação, e de incentivos fiscais, pelo prazo de vinte e cinco anos, a partir da promulgação da Constituição. Parágrafo único. Somente por lei federal podem ser modificados os critérios que disciplinaram ou venham a disciplinar a aprovação dos projetos na Zona Franca de Manaus. Suspensão de dispositivos da Medida Provisória nº 2.03724, de novembro de 2000. Após reedições, a Medida Provisória nº 2.03724/2000 tornouse a Medida Provisória nº 2.15835/2001, na qual foi suprimida do art. 14, § 2º, inciso I, a expressão "na Zona Franca de Manaus", restabelecendose, portanto, em definitivo, a isenção de PIS e COFINS sobre as receitas decorrentes das vendas à Zona Franca de Manaus. Quanto ao período compreendido entre 01/02/1999 a 17/12/2000, para o qual vigia a redação original do inciso I do § 2º do art. 14 da MP nº 1.8586/99 excluindo as receitas de vendas à Zona Franca de Manaus da previsão legal da isenção, entendese que, frente às disposições do art. 40 do ADCT, que recepcionou o DecretoLei nº 288/67, há de ser considerado que permanecia a isenção, nesse ponto, reformando a Relatora entendimento anteriormente proferido em outros julgados. Fl. 614DF CARF MF Processo nº 19515.002450/200405 Acórdão n.º 9303004.250 CSRFT3 Fl. 615 10 Prevalece, pois, o entendimento de que os valores resultantes de exportações devem ser excluídos da base de cálculo do PIS e da COFINS e, por extensão, em razão do disposto DecretoLei nº 288/67 e nos arts. 40 e 92 do ADCT da CF/88, às operações destinadas à Zona Franca de Manaus. Nesse sentido, é a jurisprudência do Superior Tribuna de Justiça: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. ART. 3º DA LEI COMPLEMENTAR 118/2005. PRECLUSÃO. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 282/STF. MERCADORIAS DESTINADAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. PIS E COFINS. NÃOINCIDÊNCIA. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. REVISÃO. SÚMULA 7/STJ. 1. A questão do prazo prescricional das Ações de Repetição de Indébito Tributário, à luz do art. 3º da Lei Complementar 118/2005, não foi atacada no Recurso Especial. A discussão do tema em Agravo Regimental encontrase vedada, diante da preclusão. 2. Não se conhece de Recurso Especial quanto a matéria não especificamente enfrentada pelo Tribunal de origem, dada a ausência de prequestionamento. Incidência, por analogia, da Súmula 282/STF. 3. As operações com mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus são equiparadas à exportação para efeitos fiscais, conforme disposições do DecretoLei 288/1967. Não incidem sobre elas as contribuições ao PIS e à Cofins. Precedentes do STJ. 4. A revisão da verba honorária implica, como regra, reexame da matéria fáticoprobatória, o que é vedado em Recurso Especial (Súmula 7/STJ). Excepcionamse apenas as hipóteses de valor irrisório ou exorbitante, o que não ocorreu no caso dos autos. 5. Agravo Regimental parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido. (AgRg no Ag 1.295.452/DF, Rel. Min. Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 01.07.10) (grifouse) TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. TESE DOS "CINCO MAIS CINCO". RESP 1.002.932/SP. PIS. COFINS. VERBAS PROVENIENTES DE VENDAS REALIZADAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. NÃO INCIDÊNCIA. AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. O prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, referente a pagamento indevido efetuado antes da entrada em vigor da LC 118/05, continua observando a "tese dos cinco mais cinco" (REsp 1.002.932/SP, Rel Min. LUIZ FUX, Primeira Seção, DJ 18/12/09). Fl. 615DF CARF MF Processo nº 19515.002450/200405 Acórdão n.º 9303004.250 CSRFT3 Fl. 616 11 2. A Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça declarou a inconstitucionalidade da segunda parte do art. 4º da LC 118/05, que estabelece aplicação retroativa de seu art. 3º, por ofensa dos princípios da autonomia, da independência dos poderes, da garantia do direito adquirido, do ato jurídico perfeito e da coisa julgada (AI nos EREsp 644.736/PE, Rel. Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI, Corte Especial, DJ 27/8/07). 3. Este Superior Tribunal possui entendimento assente no sentido de que as operações envolvendo mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus são equiparadas à exportação, para efeitos fiscais, conforme disposições do DecretoLei 288/67 (REsp 802.474/RS, Rel. Min. MAURO CAMPBELL MARQUES, Segunda Turma, DJe 13/11/09). 4. Agravo regimental não provido. (AgRg no REsp 1.141.285/RS, Rel. Min. Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, DJe 26.05.11) (grifouse) AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. TRIBUTÁRIO. ISENÇÃO DO PIS E DA COFINS SOBRE OPERAÇÕES ORIGINADAS DE VENDAS DE PRODUTOS PARA EMPRESAS SITUADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS (ART. 4o. DO DL 288/67). PRECEDENTES DESTA CORTE SUPERIOR. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 83/STJ. AGRAVO REGIMENTAL DA FAZENDA NACIONAL DESPROVIDO. 1. A jurisprudência deste Superior Tribunal de Justiça firmou entendimento de que a venda de mercadorias para empresas situadas na Zona Franca de Manaus equivale à exportação de produto brasileiro para o estrangeiro, em termos de efeitos fiscais, segundo exegese do DecretoLei 288/67, não incidindo a contribuição social do PIS nem a COFINS sobre tais receitas. 2. Agravo Regimental da Fazenda Nacional desprovido. (AgRg no Ag 1420880/PE, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 04/06/2013, DJe 12/06/2013) (grifouse) Diante do exposto, negase provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional dáse provimento ao recurso especial da Contribuinte. É o voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Voto Vencedor Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Redator Designado Com a devida vênia, divirjo, em parte, da il. Relatora. Fl. 616DF CARF MF Processo nº 19515.002450/200405 Acórdão n.º 9303004.250 CSRFT3 Fl. 617 12 É que, conforme ela própria reconhece, quando apreciou o recurso especial apresentado pela contribuinte, no período de 01/02/1999 a 17/12/2000, vigia a redação original do inciso I do § 2º do art. 14 da MP nº 1.8586/99, que excluía, da previsão legal da isenção, as receitas de vendas à Zona Franca de Manaus. Nesse contexto, devese compreender o dispositivo em comento como regra legal específica, que, como se sabe, em conformidade com o disposto no art. 2º do DecretoLei nº 4.657, de 1942 (a hoje denominada Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro), não revoga nem modifica a regra geral – o DecretoLei nº 288, de 1967. Assim sendo, para o período acima referido, as vendas à ZFM não estavam abrangidas pela isenção do PIS/Cofins, que, contudo, abarca o período posterior à dezembro de 2000, por força do disposto no art. 14 da Medida Provisória n. 2.03724. Ante o exposto, conheço e NEGO PROVIMENTO ao recurso especial da contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 617DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.721208/2012-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3402-000.829
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª Câmara da 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Sustentou pela recorrente o Dr. Guilherme Manier C. Monteiro, OAB/RJ nº 150.788.
Antonio Carlos Atulim - Presidente
Diego Diniz Ribeiro - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Sustentou pela recorrente o Dr. Guilherme Manier C. Monteiro, OAB/RJ nº 150.788. Antonio Carlos Atulim Presidente Diego Diniz Ribeiro Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório 1. Por bem retratar os fatos narrados nos autos, utilizo como meu parte do relatório desenvolvido pela DRJ de Belém quando da lavratura do acórdão n. 0131.468 (fls. 531/538), o que passo a fazer nos seguintes termos: Contra a interessada acima qualificada foi lavrado Auto de Infração (fls. 259/267), relativo ao Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), no montante de R$ 9.659.663,77, incluídos imposto, multa proporcional e juros de mora, estes calculados até abril de 2012. Consigna a autoridade fazendária no termo de verificação fiscal (fls. 245/253) que a autuada, estabelecimento atacadista equiparado a industrial por força da transferência de créditos a título de IPI provenientes de estabelecimento industrial da mesma firma, teria, no RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .7 21 20 8/ 20 12 -3 6 Fl. 584DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.721208/201236 Resolução nº 3402000.829 S3C4T2 Fl. 3 2 que respeita aos três decêndios de junho de 2007 e ao terceiro decêndio de outubro do mesmo ano, utilizadose de créditos indevidos, na medida em que supostamente transferidos por intermédio de: (...) notasfiscais emitidas pelo estabelecimento industrial de Jundiaí (CNPJ: 61.186.888/006558) com valores errados, divergentes dos créditos transferidos e assentados no Livro de Apuração do IPI e, inclusivamente, com referência a períodos de apuração também equivocados e que, portanto, não se prestavam a imputar valor a qualquer tipo de benefício fiscal, já que esta mercê está pautada e depende, indelevelmente, de rigorosos cumprimentos fiscais. Realmente, qualquer benécia legal que isente ou diminua o ônus fiscal do contribuinte tem de estar compreendido entre as lindes do Princípio da Literalidade. Ou seja, a outorga do "favorecimento" depende do cumprimento de formalidades ínsitas nos ditames legais concessivos, sem irregularidades formais, portanto. E a legislação de regência (citadas no parágrafo anterior), no caso vertente, exige a emissão de notafiscal para assunção do direito creditício. Sobre essa questão o Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966) é preciso em seu artigo 111: (...) Intimada a elucidar tais fatos, a fiscalizada teria apresentado cópia das notas fiscais solicitadas e respectivas cartas de correção, através das quais não teria sido possível comprovar a precisão temporal da mencionada retificação. Inconformada, em 28 de junho de 2012, apresenta a interessada impugnação (fls. 273/294), por meio da qual, em síntese, após relato dos fatos que reputa ocorridos e registro da condição de tempestiva da referida peça, ainda preliminarmente, pugna pela nulidade do auto de infração, tendo em vista equívoco quando do enquadramento legal utilizado para aplicação da multa, o qual descreveria condutas que não teriam sido por ela praticadas. (...). 2. Devidamente processada, a Impugnação apresentada pela Recorrente foi julgada improcedente nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/06/2007 a 10/06/2007, 11/06/2007 a 20/06/2007, 21/06/2007 a 30/06/2007, 21/10/2007 a 31/10/2007 IPI. CRÉDITOS. TRANSFERÊNCIA ENTRE ESTABELECIMENTOS. Consoante art. 395 do Decreto n. 7.212, de 2010 RIPI/2010, é permitida a utilização de carta de correção para regularização de erro ocorrido na emissão de documento fiscal, desde que o erro não esteja relacionado, entre outros, com o valor da operação ou da prestação, e a data de emissão ou de saída. Outrossim, conforme disposto no art. 327, §1o, do RIPI/2010, verificada qualquer irregularidade pelos fabricantes, comerciantes e depositários que receberem ou adquirirem Fl. 585DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.721208/201236 Resolução nº 3402000.829 S3C4T2 Fl. 4 3 para industrialização, comércio ou depósito, ou para emprego ou utilização nos respectivos estabelecimentos, produtos tributados ou isentos, referidos interessados comunicarão por escrito o fato ao remetente da mercadoria, dentro de oito dias, contados do seu recebimento, ou antes do início do seu consumo, ou venda, se o início se verificar em prazo menor, conservando em seu arquivo cópia do documento com prova de seu recebimento. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/06/2007 a 10/06/2007, 11/06/2007 a 20/06/2007, 21/06/2007 a 30/06/2007, 21/10/2007 a 31/10/2007 MULTA DE 75%. RECOLHIMENTO. FALTA. Uma vez procedente a glosa de créditos a título de IPI indevidamente utilizados, porquanto transferidos, ao arrepio da forma preconizada pela legislação, de estabelecimento industrial para estabelecimento atacadista equiparado a industrial da mesma firma, incorreu o autuado, ao se valer de créditos indevidos, na falta de recolhimento do imposto lançado, sujeitandose, por conseguinte, nos estritos termos do caput do art. 80 da Lei n. 4.502, de 1964, à multa de 75% do valor do imposto que deixou de ser recolhido. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/06/2007 a 10/06/2007, 11/06/2007 a 20/06/2007, 21/06/2007 a 30/06/2007, 21/10/2007 a 31/10/2007. PERÍCIA. CONHECIMENTOS ESPECIALIZADOS. PRESCINDIBILIDADE. A perícia constitui meio próprio à elucidação de aspectos que exijam conhecimentos especializados. Não se afigurando o caso versado nos autos, vez que presentes elementos suficientes ao deslinde da controvérsia, revelase prescindível a medida, a teor do art. 18 do Decreto n. 70.235, de 1972. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido. 3. Um vez intimada, a Recorrente interpôs o Recurso Voluntário de fls. 546/567, oportunidade em que repisou as alegações desenvolvidas em Impugnação. 4. É o relatório. Resolução 5. Conforme exposto no relatório alhures, a discussão em apreço diz respeito a correição ou não quanto à glosa de créditos de IPI perpetrada pela fiscalização, créditos esses que decorreram da transferência promovida entre estabelecimento industrial da Recorrente e sua filial atacadista. Fl. 586DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.721208/201236 Resolução nº 3402000.829 S3C4T2 Fl. 5 4 6. Segundo a Recorrente, referida transferência encontra guarida no disposto na Instrução Normativa n. 87/89 e, no caso em concreto, todas as exigências estabelecidas em referida IN teriam sido rigorosamente cumpridas. 7. No sentido de demonstrar a correção da transferência creditória promovida, a Recorrente apresenta, juntamente com sua Impugnação, cópias (fls. 374/527) dos seguintes documentos: Estabelecimento industrial (i) nota planilha "mapa de transferência de crédito de IPI", na qual se verifica o total de créditos transferidos no decêndio pelo estabelecimento industrial e, desse total, o quanto foi transferido especificamente para a Recorrente; (ii) termo de abertura do livro registro de apuração do IPI; (iii) resumo da apuração do IPI, no qual se verifica o estorno dos créditos transferidos na linha 012 ("Outros débitos Instrução Normativa 87 de 21/08/1989"); e, ainda (iv) termo de encerramento do livro registro de apuração do IPI. Impugnante filial atacadista (i) termo de abertura do livro registro de apuração do IPI; (ii) resumo da apuração do IPI, no qual se verifica o montante dos créditos recebidos em transferência na linha 005 ("Outros créditos Instrução Normativa 87 de 21/08/1989"); e, por fim (iii) termo de encerramento do livro registro de apuração do IPI. 8. Em tese, tais documentos são hábeis para, sob um perspectiva substancial, demonstrar a adequação ou não da correição quanto à transferência dos créditos aqui tratados. Ocorre que tais documentos foram ignorados pela DRJ ao fundamento estritamente formal, digase de passagem de que as cartas de correção referentes às correlatas notas fiscais fomentadoras do crédito não seriam o mecanismo apto a instrumentalizar tais correções, o que, por conseguinte, impediria o conhecimento do crédito em apreço e, reflexamente, macularia a sua qualidade (substância). 9. Ocorre que, não é demais lembrar que no âmbito dd processo administrativo vige o princípio da verdade material, valor normativo esse que não é aqui empregado como uma ferramenta mágica, semelhante a uma "varinha de condão" dotada de aptidão para "validar" preclusões e atecnias e transformar tais defeitos em um processo administrativo "regular". Com a devida vênia, este tipo de interpretação a respeito do princípio da verdade material só se presta a apequenar e, até mesmo, achincalhar esta importante norma. 10. Assim, quando se fala em verdade material o que se quer aqui exprimir é a possibilidade de reconstruir fatos sociais no universo jurídico por intermédio de uma metodologia jurídica mais flexível, ou seja, menos apegada à forma, o que se dá, preponderantemente, em razão da relevância do valor jurídico extraído do fato que se pretende provar juridicamente. Em outros termos, "verdade material" é sinônimo de uma maior Fl. 587DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.721208/201236 Resolução nº 3402000.829 S3C4T2 Fl. 6 5 flexibilização probante em sede de processos administrativos, o que, se for usado com a devida prudência à luz do caso decidendo, só tem a contribuir para a qualidade da prestação jurisdicional atipicamente prestada em tais processos. 11. Assim, em respeito ao aludido princípio da verdade material, tenho para mim que o presente caso não está pronto para julgamento, devendo ser convertido em diligência para que, com base nos documentos de fls. 374/527, a unidade preparadora esclareça os seguintes fatos: 12. Uma vez ofertada as respostas aos questionamentos acima, deverá o Recorrente ser intimado para, facultativamente, manifestarse em 30 (trinta) dias a seu respeito, nos termos do que prevê o art. 35 do Decreto nº 7.574/2011. 13. É a resolução. Diego Diniz Ribeiro Relator. Fl. 588DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 16561.720099/2014-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 05 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2010, 2011
EXCESSO DE DEDUÇÃO DE ROYALTIES. INDÚSTRIA DE PRODUTOS ALIMENTARES. LANÇAMENTO PROCEDENTE.
O limite de dedução dos royalties aplicável à indústria de produtos alimentares é de 4% da receita líquida de vendas do produto fabricado ou vendido. A interessada não opera como simples coletor de royalties que seriam devidos pelos subfranqueados nacionais ao detentor internacional do nome comercial e da marca explorados. A relação jurídica que obriga o franqueador master nacional (a interessada) ao pagamento dos royalties ao detentor estrangeiro do direito é travada de forma direta. O pagamento dos royalties devidos pelo primeiro ao segundo independe do recebimento, pelo primeiro, dos royalties a ele devidos pelos subfranqueados nacionais (terceiros). A recorrente, ao pagar os royalties, paga em nome próprio. O limite para dedutibilidade é calculado sobre as receitas próprias de vendas, descabendo a pretensão de calcular um limite incluindo-se as receitas de terceiros subfranqueados.
ÁGIO. ETAPA INTERNACIONAL. PROVA. ETAPA NACIONAL. ÁGIO INTERNO. INDEDUTIBILIDADE. LANÇAMENTO PROCEDENTE.
Na etapa internacional das operações, em que a aquisição das participações societárias de empresas brasileiras se deu entre partes independentes, os documentos acostados aos autos são insuficientes para permitir a convicção acerca do valor efetivamente pago correspondente a cada uma delas, bem assim da formação de um eventual ágio ou deságio. Em decorrência, na posterior etapa nacional não se há de cogitar da transferência de um ágio anteriormente formado em condições de livre mercado. Sendo essa segunda etapa realizada exclusivamente entre sociedades sob controle societário único, sem qualquer desembolso, a mais valia assim formada, conhecida como ágio interno, se revela sem qualquer fundamento econômico.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2010, 2011
JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. PROCEDÊNCIA.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. PROCEDÊNCIA.
A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic.
MULTA DE OFÍCIO. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO CARF.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Exercício: 2010, 2011
CSLL. LANÇAMENTO REFLEXO. AUSÊNCIA DE ARGUMENTO ESPECÍFICO.
Na inexistência de argumento específico, aplica-se ao lançamento reflexo o quanto decidido para o lançamento principal.
Numero da decisão: 1301-002.154
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza e Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro que davam provimento parcial, o primeiro para afastar a incidência de juros sobre a multa de ofício, o segundo para, além disso, também afastar a infração referente a royalties.
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2010, 2011 EXCESSO DE DEDUÇÃO DE ROYALTIES. INDÚSTRIA DE PRODUTOS ALIMENTARES. LANÇAMENTO PROCEDENTE. O limite de dedução dos royalties aplicável à indústria de produtos alimentares é de 4% da receita líquida de vendas do produto fabricado ou vendido. A interessada não opera como simples coletor de royalties que seriam devidos pelos subfranqueados nacionais ao detentor internacional do nome comercial e da marca explorados. A relação jurídica que obriga o franqueador master nacional (a interessada) ao pagamento dos royalties ao detentor estrangeiro do direito é travada de forma direta. O pagamento dos royalties devidos pelo primeiro ao segundo independe do recebimento, pelo primeiro, dos royalties a ele devidos pelos subfranqueados nacionais (terceiros). A recorrente, ao pagar os royalties, paga em nome próprio. O limite para dedutibilidade é calculado sobre as receitas próprias de vendas, descabendo a pretensão de calcular um limite incluindose as receitas de terceiros subfranqueados. ÁGIO. ETAPA INTERNACIONAL. PROVA. ETAPA NACIONAL. ÁGIO INTERNO. INDEDUTIBILIDADE. LANÇAMENTO PROCEDENTE. Na etapa internacional das operações, em que a aquisição das participações societárias de empresas brasileiras se deu entre partes independentes, os documentos acostados aos autos são insuficientes para permitir a convicção acerca do valor efetivamente pago correspondente a cada uma delas, bem assim da formação de um eventual ágio ou deságio. Em decorrência, na posterior etapa nacional não se há de cogitar da “transferência” de um ágio anteriormente formado em condições de livre mercado. Sendo essa segunda etapa realizada exclusivamente entre sociedades sob controle societário único, sem qualquer desembolso, a mais valia assim formada, conhecida como “ágio interno”, se revela sem qualquer fundamento econômico. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 00 99 /2 01 4- 58 Fl. 11883DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 16561.720099/201458 Acórdão n.º 1301002.154 S1C3T1 Fl. 11.884 2 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2010, 2011 JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. PROCEDÊNCIA. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. PROCEDÊNCIA. A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. MULTA DE OFÍCIO. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO CARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 2010, 2011 CSLL. LANÇAMENTO REFLEXO. AUSÊNCIA DE ARGUMENTO ESPECÍFICO. Na inexistência de argumento específico, aplicase ao lançamento reflexo o quanto decidido para o lançamento principal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza e Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro que davam provimento parcial, o primeiro para afastar a incidência de juros sobre a multa de ofício, o segundo para, além disso, também afastar a infração referente a royalties. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Waldir Veiga Rocha. Fl. 11884DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 16561.720099/201458 Acórdão n.º 1301002.154 S1C3T1 Fl. 11.885 3 Relatório ARCOS DOURADOS COMÉRCIO DE ALIMENTOS LTDA., já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 1055.416, de 26/06/2015, da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre/RS, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito: O presente processo tem por foco a exigência do recolhimento do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL em função (1) da dedução excessiva de despesas com royalties e (2) da amortização irregular de ágio fundamentado na rentabilidade futura de investimento adquirido. Iniciarei pelo relato do primeiro caso. A autoridade lançadora, após esmiuçar a legislação a respeito da dedutibilidade dos royalties, identificou dedução excessiva por parte do contribuinte. Em resumo, a legislação aplicável à matéria tem sua matriz no art. 12 da Lei nº 4.131, de 3 de setembro de 1962, e no art. 6º do Decretolei nº 1.730, de 17 de dezembro de 1979. Segundo essas normas, o limite máximo para a dedução dos royalties é de até 5% da receita líquida das vendas do produto fabricado ou vendido. Cabe ao Ministro da Fazenda estabelecer os percentuais admissíveis de dedução em função do tipo de produção ou da atividade (§ 1º do art. 12 da Lei nº 4.131, de 1962). O limite aplicável à indústria de produtos alimentares é de 4%, consoante disposto na Portaria MF nº 436, de 30 de dezembro de 1958. A dedutibilidade dos royalties pagos pelo franqueado ao franqueador observa as normas acima referidas, consoante disposto no Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 2, de 22 de fevereiro de 2002. Quanto aos fatos que deram azo ao lançamento, a Fiscalização identificou o montante da receita líquida de vendas dos produtos alimentares apontado pelo interessado em suas declarações de rendimentos atinentes aos anoscalendário 2009 (fl. 9 c/c fl. 9.317) e 2010 (fl. 76 c/c fl. 9.319). Diante da receita líquida, a autoridade fiscal calculou o limite máximo de dedução (4%). Apurado o limite, foi efetuado o cotejo desse elemento com a dedução empreendida pelo contribuinte (fls. 8 e 74). Dessa comparação, restou identificado o excesso da dedução dos royalties nos dois anoscalendário. Confirase o resumo do cálculo (fls. 9.317 a 9.319): Anocalendário 2009 Fl. 11885DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 16561.720099/201458 Acórdão n.º 1301002.154 S1C3T1 Fl. 11.886 4 Anocalendário 2010 Quanto à amortização irregular de ágio fundamentado na rentabilidade futura de investimento adquirido, importante reprisar as operações comerciais e societárias que redundaram no ágio contestado pela fiscalização. Em julho de 2007, o McDonald’s Corporation (McDonald’s), uma sociedade norteamericana, vendeu, através de controladas, seus negócios no Brasil e em diversos países da América Latina e do Caribe para Arcos Dorados Limited, sociedade das Ilhas Virgens Britânicas, e Arcos Dorados B.V., sociedade do Reino dos Países Baixos (Arcos Dorados). O negócio em questão foi documentado através de contrato de compra e venda firmado em 28 de março de 2007 (fls. 9.548 a 9.618). Em 31 de julho de 2007, o referido contrato foi emendado, dando contornos finais à operação (fls. 8.662 a 8.670). O valor base do negócio, sujeito a ajustes, foi pactuado em US$ 690.500.000,00 (fls. 8.664 e 8.665), consoante emenda ao contato. As principais participações societárias objeto do negócio foram as detidas perante as sociedades LatAm, LLC, e McDonald’s Comércio de Alimentos Ltda. (fls. 9.552, 8.664 e 8.665). Paralelamente, o vendedor e o comprador firmaram contrato principal de franquia (“Master Franchise Agreement”), passando o comprador a exercer a posição de franqueador da cadeia de lanchonetes McDonald’s nas regiões da América do Sul e do Caribe (fl. 9.552). O adquirente arcou com a obrigação de pagar royalties ao detentor da marca McDonald’s, calculados sobre as vendas brutas dos restaurantes localizados nos mercados latinoamericano e caribenho, entre outras obrigações. Essa operação representou uma inovação para o McDonald’s, porquanto foi adotada uma nova sistemática exploração dos negócios. Para as regiões objeto do negócio foi abandonada a prática habitual da exploração direta das lanchonetes ou a Fl. 11886DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 16561.720099/201458 Acórdão n.º 1301002.154 S1C3T1 Fl. 11.887 5 contratação com franqueados para a exploração indireta, remunerada principalmente por via de royalties e aluguéis. Nesse novo modelo, o adquirente Arcos Dorados assumiu a posição de franqueador máster para a América Latina e o Caribe pelo período de 20 anos. Importante registrar, nesse passo, que essa operação internacional importou no registro de uma perda por parte do vendedor (McDonald’s). Essa perda, inclusive, deu ensejo ao registro de um benefício fiscal por parte do vendedor. Essa informação pode ser colhida da demonstração financeira do vendedor atinente ao período encerrado em junho de 2007 (fls. 10.209 e 10.218), elemento juntado aos autos pelo impugnante. No Brasil, existiam duas sociedades controladas pelo McDonald’s: a McDonald’s Comércio de Alimentos Ltda. e a Arras Comércio de Alimentos Ltda.. Essas duas sociedades tiveram o controle transferido para o comprador dos negócios transacionados. Passo a tratar das operações através das quais foi transferido o controle das referidas sociedades. A McDonald’s Comércio de Alimentos Ltda. (antiga denominação do impugnante), sociedade sediada na cidade de Barueri, SP, na Alameda Amazonas nº 253, passou a ser controlada pela Arcos Dorados B.V.. O ato societário das folhas 8.390 a 8.393 documenta a referida troca de controle. Confirase trecho do documento lavrado em 3 de agosto de 2007 (fl. 8.391): A Arras Comércio de Alimentos Ltda., sediada na cidade de Barueri, SP, na Alameda Amazonas nº 113, passou por alteração no seu quadro societário em 3 de maio de 2007 (fls. 8.292/3), como ato preparatório ao negócio internacional acima noticiado. As sociedades McDonald’s Corporation (99,99% do capital social) e McDonald’s International Holdings, LLC (0,01% do capital social), foram substituídas pelas sociedades LatAm, LLC (99,99% do capital social), e McDonald’s Caribean Development Corporation (0,01% do capital social). As duas últimas sociedades foram objeto do negócio de compra e venda finalizado em julho de 2007 (fls. 9.567, 9.552 e 8.664 – item 2.1). Efetivado o negócio, em julho de 2007, a sociedade Arras Comércio de Alimentos Ltda. passou a ser controlada pelo grupo Arcos Dorados. Em 29 de agosto de 2008, as sociedades estrangeiras Arcos Dorados B.V., Arcos Dorados Caribbean Development Corporation e LatAm, LLC, constituíram a sociedade brasileira denominada Arcos Dourados Participações Ltda. (fls. 11.513 a 11.522). A referida sociedade restou sediada na cidade de Barueri, SP, na Alameda Amazonas nº 253, 1º andar. Confirase o objeto social da nova sociedade (fl. 11.514): Fl. 11887DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 16561.720099/201458 Acórdão n.º 1301002.154 S1C3T1 Fl. 11.888 6 Segundo indica o impugnante, a nova sociedade teve por meta viabilizar “a consolidação das atividades brasileiras da rede McDonald’s sob o controle e a administração do grupo Arcos Dorados” (fl. 9.399). O capital social da referida sociedade foi inicialmente fixado em R$ 10.000,00 (fl. 11.514). Em 29 de dezembro de 2008, os detentores do capital social da sociedade Arcos Dourados Comércio de Alimentos Ltda. (Arcos Dorados B.V. e Arcos Dorados Caribbean Development Corp.) transferiram, a título oneroso, o referido capital para a sociedade Arcos Dourados Participações Ltda.. Em função dessa transferência, houve um aumento do capital social da Arcos Dourados Participações Ltda. no valor de R$ 1.605.866.529,00 (fl. 11.525), ou seja, o preciso valor do capital social Arcos Dourados Comércio de Alimentos Ltda. excetuada a participação mínima de R$ 1,00 do sócio Arcos Dorados Caribbean Development Corp. (fls. 8.414/5 e 9.325). Na mesma data (29/12/2008), os detentores do capital social da sociedade Arras Comércio de Alimentos Ltda. (LatAm, LLC, e Arcos Dorados Caribbean Development Corp.) transferiram, a título oneroso, o referido capital para a sociedade Arcos Dourados Participações Ltda. (fl. 8.174). O capital social da Arras Comércio de Alimentos Ltda. transferido para a Arcos Dourados Participações Ltda. foi de R$ 124.095.865,00 (fl. 8.176). A sociedade Arcos Dorados Caribbean Development Corp. permaneceu com a participação mínima de R$ 1,00 (fl. 8.176). Em 30 de novembro de 2010, a sociedade Arcos Dourados Comércio de Alimentos Ltda. incorporou as sociedades Arras Comércio de Alimentos Ltda. e Arcos Dourados Participações Ltda. (fls. 11.544 a 11.561). Em razão dessas incorporações, o capital social da sociedade incorporadora restou dividido entre os sócios Arcos Dorados B.V., LatAm, LLC, e Arcos Dorados Caribbean Development Corp. (fl. 11.546). As operações societárias acima descritas foram aquelas em torno das quais teria sido gerado o ágio que deu azo à dedução, pelo contribuinte, de R$ 9.055.009,15 na apuração do lucro líquido no anocalendário 2010 (fl. 78 – Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Ficha 7A, linha 50). A Fiscalização solicitou a comprovação do cabimento da dedução. Repriso trecho do relatório (fls. 9.328 a 9.330): “Questionado a respeito da origem do ágio declarado, o contribuinte informou: (fls. 3416 e 3417) "Os valores registrados pela intimada a título de ágio decorrem de operação realizada entre partes independentes, na qual o Fl. 11888DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 16561.720099/201458 Acórdão n.º 1301002.154 S1C3T1 Fl. 11.889 7 GRUPO ARCOS DORADOS adquire, com efetivo pagamento, a sociedade brasileira MC DONALD'S COMÉRCIO DE ALIMENTOS LTDA. e demais subsidiárias brasileiras, até então detidas pelo grupo MC DONALD'S. Após adquirir participação nas sociedades brasileiras até então detidas pelo grupo MC DONALD'S, o GRUPO ARCOS DORADOS contribui esse investimento para subscrever aumento de capital da sociedade brasileira ARCOS DOURADOS PARTICIPAÇÕES LTDA. Nesse momento, tendo adquirido investimento relevante avaliado pelo método de equivalência patrimonial, a ARCOS DOURADOS PARTICIPAÇÕES LTDA passa a desdobrar o custo da participação adquirida em: (i) patrimônio líquido das sociedades investidas; e (ii) ágio. O fundamento econômico dos valores apurados a tal título se justifica na expectativa de rentabilidade futura das sociedades brasileiras adquiridas pelo grupo ARCOS DOURADOS, tratando portanto, da hipótese prevista pelo art. 385, § 2°, inc. II, do RIR/99. A intimada esclarece que as informações acima, bem como a própria operação, já foram analisadas por essa divisão de fiscalização, no MPF n° 08.1.85.0020120003011, o qual foi encerrado, em 23.08.2012, sem questionamentos (DOC 06)." Com relação ao questionamento sobre o fato de ter havido ou não pagamento pelo referido ágio, o contribuinte respondeu: "Como mencionado em resposta apresentada em 15.06.2012 no MPF n° 08.1.85.002012000301 (DOC 10), o preço atribuível às operações brasileiras que posteriormente originaram o ágio registrado no Brasil foi aproximadamente 42% do total de US$ 698.823.683,00 que havia sido efetivamente pago pelo GRUPO ARCOS DOURADOS ao GRUPO MC DONALD'S (DOCS 07 E 08), ou seja, US$ 293.505.946,86 equivalentes a R$ 551.086.765,82 em 03/08/2007 , conforme evidenciado e confirmado pelos laudos de avaliação, apresentados em resposta ao item 7, acima. Tendo efetivamente incorrido nesse custo de aquisição de investimento, ele foi adotado pelo GRUPO ARCOS DORADOS, conforme expressamente autorizado pela legislação fiscal e societária brasileira, para subscrever o aumento de capital da ARCOS DOURADOS PARTICIPAÇÕES LTDA., com a consequente emissão de novas quotas dessa sociedade brasileira." Como documentação comprobatória, o contribuinte apresentou cópias dos seguintes documentos: • Termo de Encerramento da ação fiscal determinada pelo MPF de Diligência n° 08.1.85.002012000301(fl. 7240). • Relatório de avaliação econômicofinanceira do grupo Arcos Dorados na América Latina elaborado pela empresa Fl. 11889DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 16561.720099/201458 Acórdão n.º 1301002.154 S1C3T1 Fl. 11.890 8 Forrestal Capital, e entregue para a empresa Arcos Dorados Argentina em julho de 2007 (fls. 7241 a 7360). • Laudo de avaliação econômica combinada das empresas Arcos Dourados Comércio de Alimentos Ltda. e ARRAS Comércio de Alimentos Ltda., elaborado pela Macso Legate Consultores Ltda. apresentado à empresa Arcos Dourados Comércio de Alimentos em 28/10/2008 (fls. 7361 a 7707). • Cópia da 67ª alteração contratual da sociedade Arcos Dourados Comércio de Alimentos Ltda., registrada na JUCESP em 13/12/2010 (fls. 7708 a 7725). • Cópia da resposta à Intimação n° 03 feita no curso da diligência determinada pelo MPF n° 08.1.85.002012000301 (fls. 7726 e 7727). Dado que ainda não estava claro o cálculo do valor do suposto ágio e também que não havia documentação suficiente para a análise do caso em questão, foi enviada nova intimação (fls. 8036 a 8038). Citamos a seguir os questionamentos feitos e as respectivas respostas. 1. Referente ao valor declarado na Linha 27 da ficha 36E da DIPJ 2011 AC 2010 Ágios em investimentos: R$ 515.377.834,00 solicitamos demonstrar exatamente como foi calculado esse valor: A intimada informou que (fls. 8042 a 8050): "...a aquisição da operação latinoamericana do Mc Donald's Corporation Inc pela empresa Arcos Dorados BV se deu mediante o pagamento de US$ 698.823.683,00. Desse valor, aproximadamente 42% ou seja, US$ 293.505.946,86 equivaliam às operações no Brasil, conforme laudos de avaliação elaborados pelas empresas Forrestal Capital e Macso Legate Consultores Ltda., já apresentados pela intimada nas respostas aos Termos de Intimação acima mencionadas. As operações no Brasil eram desenvolvidas pelas empresas Arcos Dourados Comércio de Alimentos Ltda. ("ADC") e Arras Comércio de Alimentos Ltda. ("ARRAS"). Em setembro de 2008, as controladoras estrangeiras constituíram a Arcos Dourados Participações Ltda. ("ADP") para a centralização da gestão estratégica das empresas adquiridas. Neste, contexto, em dezembro de 2008, as sócias de ADP integralizaram e aumentaram seu capital social, em R$ 585.804.629,00 (equivalente a US$ 293.505.946,86), mediante a conferência das quotas de ADC e ARRAS. Com isso, houve o registro do ágio de R$ 515.377.834,00 na ADP, por expectativa de rentabilidade futura, referente à diferença entre o valor integralizado com quotas de ADC e ARRAS e seus respectivos Patrimônios Líquidos, constantes de Fl. 11890DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 16561.720099/201458 Acórdão n.º 1301002.154 S1C3T1 Fl. 11.891 9 seus balancetes de verificação do período de apuração mensal imediatamente anterior à data do evento.” Na mesma intimação, solicitamos também o envio dos balanços patrimoniais. 2. Enviar cópia dos Balanços Patrimoniais (já solicitados no item 07 da Intimação n° 08), devidamente assinados pelos responsáveis, das empresas envolvidas no processo de aquisição: McDonalds Comércio de Alimentos / Arcos Dourados Comércio de Alimentos e ARRAS Comércio de Alimentos na data em que o ágio foi gerado. Como resposta, obtivemos: "A intimada encaminha cópia dos balancetes de verificação do período de apuração mensal imediatamente anterior à data do evento (novembro), bem como os recibos de entrega da Escrituração Contábil Digital do período de escrituração (DOC 01), assinados digitalmente pelos responsáveis." Também voltamos a indagar sobre a questão do pagamento: 3. Informar se houve efetivo pagamento / desembolso na aquisição efetuada pela Arcos Dorados BV e, em caso positivo, enviar cópia da documentação comprobatória do desembolso (já solicitado no item 08 da intimação n° 08). O contribuinte assim respondeu: "A intimada informa que houve pagamento na aquisição das operações latinoamericanas do grupo McDonalds, efetuado pela Arcos Dorados BV no exterior. Nesse sentido, a intimada destaca que tal operação teve, à época (2007), enorme repercussão nacional e internacional, tratando se de informação pública, conforme se denota, inclusive, do "Form 10K" da McDonald's Corporation, no ano fiscal de 2008, registrado na Securitie Exchange Comission ("SEC") dos Estados Unidos da América (disponível na internet). De tal documento se extrai que a venda da chamada operação "LATAM" foi efetivamente realizada com o pagamento de valor aproximado ao ora informado." Por fim a Intimada ressalta que o contrato de compra e venda da operação em referência e respectiva tradução juramentada foram apresentados a essa I. Fiscalização quando da resposta ao primeiro Termo de Intimação (MPF n° 08.1.85.00201200030 1), em 08/03/2012. Ainda, quando da resposta ao Termo de Intimação n° 02, 24/04/2012 (MPF n° 08.1.85.002012000301),a Intimada esclareceu, na resposta ao item 2.1 que o preço final pago pela operação latinoamericana foi de US$ 698.823.683,00." Fl. 11891DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 16561.720099/201458 Acórdão n.º 1301002.154 S1C3T1 Fl. 11.892 10 Conforme verificado, não foi enviado nenhum comprovante de pagamento. Visando comprovar a operação e o pagamento, a intimada copiou trechos extraídos de artigos publicados em veículos de comunicação, e trecho do "Form 10K" da McDonald's Corporation, no ano fiscal de 2008, registrado na Securitie Exchange Comission ("SEC") dos Estados Unidos da América (fls. 8043 e 8044).” A autoridade administrativa responsável pelo lançamento destacou, ainda, que a emenda ao contrato de compra e venda pactuado entre McDonald’s e Arcos Dorados, efetivada em 31 de julho de 2007, deixou patente o valor pago pelas unidades de capital da McDonald’s Comércio de Alimentos Ltda. (antiga denominação do impugnante). O valor dessa aquisição foi de US$ 500,00 pagos à MCD Properties Inc. e US$ 13.698,00 pagos à McDonald’s International Spanish Holding S.L. (fl. 8.664). As duas beneficiárias do referido pagamento eram as únicas sócias do impugnante (fl. 8.390), motivo pelo qual forçoso concluir que o valor de US$ 14.198,00 foi o montante pago pela aquisição da referida sociedade. A tradução do laudo de avaliação do grupo Arcos Dorados na América Latina, efetuado em julho de 2007, consta das folhas 9.834/5. A data base da avaliação foi o dia 30 de junho de 2007. Esse laudo teria dado lastro à negociação internacional concluída em julho de 2007. A metodologia utilizada foi a do fluxo de caixa descontado. O documento indica que o valor de mercado total do grupo Arcos Dorados na América Latina era de US$ 776 milhões. Desse total, 42% diz respeito aos negócios no Brasil, o que significa US$ 325 milhões. Consta dos autos, também, laudo de avaliação combinada das sociedades Arcos Dourados Comércio de Alimentos Ltda., Arras Comércio de Alimentos Ltda. e Arcos Dourados Participações Ltda. (fls. 11.166 a 11.230). A data base da avaliação foi o dia 31 de agosto de 2008 (fls. 11.177, 11.226 a 11.228). A metodologia utilizada foi a do fluxo de caixa descontado (fl. 11.169). O laudo conclui pela existência de uma valor de mercado das sociedades no montante de R$ 1.696.349.812,00, em contraposição a um valor de patrimônio contábil de R$ 190.269.493,00. Assim, sob o ângulo econômico, as sociedades seriam R$ 1.506.080.319,00 mais valiosas do que montante contábil do patrimônio (fl. 11.228). A Fiscalização apresenta diversos argumentos para refutar a dedução do ágio. Contesta, inicialmente, a existência do ágio, uma vez que não comprovado o custo da aquisição efetuada internacionalmente ou a relação desse custo com as sociedades brasileiras adquiridas. Caso existente o ágio, não teria sido comprovada a sua fundamentação, tendo em vista que não houve atualização dos bens do ativo. Na hipótese de que o ágio fosse existente e devidamente comprovado, esse ágio diria respeito a sociedade residente no exterior, não sendo aplicável a ela a regra insculpida no art. 385 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, o Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99), uma vez que não é contribuinte. A sociedade estrangeira não poderia deduzir o ágio. Não haveria a possibilidade legal da transferência do ágio. Caso comprovado e existente o ágio de titularidade da sociedade nacional, não teria sido respeitado o limite de dedução de um sessenta avos. Passo a tratar de cada uma das acusações. Quanto ao custo de aquisição, a autoridade administrativa aponta incerteza quanto ao valor pago na operação internacional: US$ 690.500.000,00 (fl. 8.662), US$ 675.000.000,00 (fls. 8.044/5) e US$ 698.823.683,00 (fl. 9.328). 42% do valor pago internacionalmente diria respeito aos ativos brasileiros (fls. 9.834/5). Adotandose o valor de US$ 698.823.683,00 e a taxa do dólar americano em 31 de Fl. 11892DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 16561.720099/201458 Acórdão n.º 1301002.154 S1C3T1 Fl. 11.893 11 julho de 2007, equivalente a R$ 1,8776, teríamos o valor do negócio de R$ 1.312.111.347,20. 42% desse valor seria R$ 551.086.765,82. Ocorre, entretanto, que o adendo ao contrato que selou o negócio internacional aponta o pagamento de US$ 14.198,00 pela principal sociedade brasileira, a McDonald’s Comércio de Alimentos Ltda. (antiga denominação do impugnante). Considerando a mesma taxa antes referida, isso importaria em R$ 26.658,16. Conclui, então, pela incerteza em torno do valor da operação. Tendo em vista que o eventual ágio decorre da diferença positiva entre o valor pago pelo investimento e o valor de patrimônio líquido desse investimento, a Fiscalização solicitou a indicação do valor do patrimônio líquido das sociedades brasileiras em agosto de 2007. O contribuinte informou que havia entregue cópia dos balancetes mensais anteriores ao evento referindose ao mês de novembro de 2008 (fls. 8.069 a 8.121), ou seja, da conferência das participações societárias da Arcos Dourados Comércio de Alimentos Ltda. e da Arras Comércio de Alimentos Ltda. em aumento do capital social da Arcos Dourados Participações Ltda.. Seguem os valores indicados no balancetes e nas declarações de rendimentos (fl. 9.337): Valor do PL AD Com. de Alim. Ltda. Arras Com. de Alim. Ltda. Total 30/11/2008 99.848.780,77 11.090.418,35 88.758.362,42 31/12/2008 166.788.984,05 82.717.734,65 249.506.718,70 Assim, caso considerada a operação de compra internacional como o momento de geração do ágio, não seria possível a identificação do valor do ágio em função do desconhecimento do valor contábil do investimento. Seguindo a hipótese de geração do ágio quando da conferência das participações societárias da Arcos Dourados Comércio de Alimentos Ltda. e da Arras Comércio de Alimentos Ltda. em aumento do capital social da Arcos Dourados Participações Ltda., cotejado esse elemento com o valor econômico fixado no laudo das fls. 11.166 a 11.230, teríamos os seguintes valores: Valor de PL (Contábil) Valor Econômico (fl. 11.228) Diferença (Ágio) 30/11/2008 88.758.362,42 1.696.349.812,00 1.607.591.449,58 31/12/2008 249.506.718,70 1.696.349.812,00 1.446.843.093,30 O valor registrado na escrita é distinto: R$ 515.377.834,00 (Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ – do anocalendário 2010, Ficha 36E, linha 27, fl. 98). Questionado a respeito (fl. 8.036), o contribuinte apresentou a seguinte resposta (fls. 8.042/3): Fl. 11893DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 16561.720099/201458 Acórdão n.º 1301002.154 S1C3T1 Fl. 11.894 12 Frente a isso, a Fiscalização concluiu ser inviável calcular o ágio, uma vez que não se conhece o custo de aquisição e o valor contábil do investimento pretensamente adquirido com ágio por ocasião da aquisição (fl. 9.338). A autoridade administrativa responsável pelo lançamento contestou, também, a fundamentação do ágio. Ao analisar os laudos apresentados, concluiu que nenhum deles teria por finalidade sustentar o registro do ágio com fundamento em rentabilidade futura. O primeiro, adotado em 2007, se prestou para assistir a aquisição dos negócios do McDonald’s na América Latina. Esse trabalho não comparou o de mercado dos negócios com o respectivo valor contábil. O segundo, adotado em 2008, posterior ao pretenso pagamento do ágio, não teria determinado o fundamento econômico do ágio, não tendo qualquer serventia. A Fiscalização contestou, também, o excesso de dedução do ágio, uma vez que o valor deduzido no mês de dezembro de 2010 (R$ 9.055.009,15) supera um sessenta avos do total do ágio gerado (R$ 515.377.834,00), consoante previsto no art. 386, III, do RIR/99. Enaltece, também, que Arcos Dorados B.V., o adquirente dos negócios do McDonald’s na América do Sul e no Caribe em 2007, não é contribuinte (art. 146 do RIR/99), uma vez que não residente no Brasil. Por esse motivo, a ele não seria Fl. 11894DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 16561.720099/201458 Acórdão n.º 1301002.154 S1C3T1 Fl. 11.895 13 aplicável o art. 385 do RIR/99. Dessa forma, inviável a desejada aplicação do art. 386 do RIR/99. A transferência pretenso do ágio, uma vez que não provado, de sociedade estrangeira para sociedade nacional, por via de terceira sociedade extinta após o processo (“veículo”), não seria possível frente à legislação e à jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), que cita (fls. 9.345/6). Ademais, a operação de transferência das participações societárias ocorrida ao final de 2008 se deu dentro do mesmo grupo societário. Diz a autoridade fiscal (fl. 9.346): “Inexistiu negociação, já que se tratava de operações dos sócios com eles mesmos.” Diante disso, evoca normas contábeis que refutam o reconhecimento do ágio interno na escrita comercial, mais especificamente o item 47 do Pronunciamento Técnico nº 4 Comitê de Pronunciamentos Contábeis e a Resolução nº 1.110, de 2007, do Conselho Federal de Contabilidade. Na mesma linha, reproduz (fl. 9.347) trecho do OfícioCircular/CVM/SNC/SEP nº 1, de 14 de fevereiro de 2007, emitido pela Comissão de Valores Mobiliários, que refuta a geração de ágio em operações consigo mesmo. Como o lucro real é a resultante de apuração que parte do lucro líquido (art. 247 do RIR/99), elemento comercial, o primeiro não seria afetado pela amortização de ágio interno refutado pela legislação comercial. Não bastasse isso, a referida amortização não se enquadraria no conceito de despesa necessária, fixado no art. 299 do RIR/99. Destaca que o ágio dos autos sequer é despesa, na medida em que “não implica o sacrifício de qualquer ativo” (fl. 9.349). Nesses termos, exige o pagamento do IRPJ e da CSLL (forte no art. 57 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995) incidentes sobre o valor da amortização deduzida no mês de dezembro de 2010 (R$ 9.055.009,15 – fl. 9.351). A cientificação do lançamento ocorreu no dia 2 de dezembro de 2014 (fl. 9.378). Em 29 de dezembro de 2014, o contribuinte apresentou sua impugnação (fl. 9.384). No que diz respeito à dedução dos royalties, o interessado argumenta que os royalties pagos não se referem apenas às receitas de vendas próprias. Segundo alega, parte dos royalties são recebidos dos subfranqueados e repassados para a McDonald’s Latin America LLC (cessionária da McDonald’s Corporation). Confira se trecho da impugnação (fl. 9.386): “Essas receitas de subfranquia, ressaltese, encontramse devidamente informadas nas DIPJs e foram integralmente oferecidas à tributação pela Requerente, de modo que o efeito da dedução dessa parcela pela Requerente, além de não exceder a limitação prevista na Portaria 436/58, acabou sendo absolutamente neutra e não ensejou qualquer tipo de dano ao Erário;” Mais adiante, o impugnante alega que a exploração da marca McDonald’s na América Latina e no Caribe foi objeto de negócio celebrado em 2007. Esse negócio, válido por vinte anos, posicionou o impugnante na qualidade de franqueador Fl. 11895DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 16561.720099/201458 Acórdão n.º 1301002.154 S1C3T1 Fl. 11.896 14 principal, com capacidade para subfranquear os direitos de exploração da rede de restaurantes McDonald’s no Brasil. Nesse contexto, royalties pagos pelos subfranqueados brasileiros seriam repassados ao titular da marca. Confirase (fls. 9.396/7): “34. De acordo com esse modelo de negócios, quando há a contratação de uma subfranquia, os subfranqueados também devem pagar royalties equivalentes aos franqueados principais (no Brasil, por exemplo, seria a Requerente) que, por seu turno, repassam esses mesmos valores ao grupo McDonald’s, em adição aos seus próprios royalties, conforme expressamente determina a Cláusula 5.2.1 tanto do “Master Franchise Agreement” quanto do “Amended and Restated Master Francise Agreement”. Ou seja, quando há o subfranqueamento por um dos franqueados principais, a responsabilidade pela coleta e repasse dos recursos devidos a título de royalties ao grupo McDonald’s pelos subfranqueados é da franqueadora principal. Todos esses contratos, vale notar, encontramse devidamente averbados perante o Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (“INPI”) (docs. nº 36 a 38). 35. No caso específico da Requerente, que também possui diversos contratos de subfranquia no País, é cobrado mensalmente a título de royalties dos subfranqueadores o valor de 5% sobre o valor bruto das vendas. A requerente pede vênia para colacionar alguns dos contratos de subfranquia (docs. nº 39 a 42), assim como as páginas referentes à remuneração de outros contratos (doc. nº 43), para que fique claro que o valor recebido dos subfranqueadores é exatamente o mesmo que, de acordo com o “Máster Franchise Agreement” e com o “Amended and Restated Máster Francise Agreement”, a Requerente deve pagar ao grupo McDonald’s. 36. Em síntese, o fluxo de recursos relacionados aos royalties a serem pagos pela Requerente é o seguinte: (a) na condição de franqueada principal do grupo McDonald’s no Brasil , a Requerente celebra contratos de subfranquia, com terceiros, nas mais diversas localidades do Brasil; (b) subfranqueados pagam royalties equivalentes a 5% de suas receitas brutas para a Requerente; (c) a Requerente oferece à tributação os valores recebidos a título de royalties dos subfranqueados, como informado nas Fichas 01 e 42 de suas DIPJ (docs. nº 44 a 45); além de pagar seus próprios royalties ao grupo McDonald’s, a Requerente deve repassar os valores de royalties recebidos dos subfranqueados, também no valor de 5% das receitas brutas de vendas por eles realizadas; (e) por ter oferecido à tributação as receitas de royalties dos subfranqueados, a Requerente deduz os pagamentos realizados como mero repasse de receitas ao Grupo McDonald’s para que tais valores não estejam sujeitos a dupla tributação; já que (f) quando do repasse dos royalties próprios e de subfranqueados ao grupo McDonald’s, a Requerente efetua o recolhimento do Imposto de Renda Retido na Fonte (“IRF”) (doc. nº 46). O diagrama abaixo ilustra esses pontos:” Fl. 11896DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 16561.720099/201458 Acórdão n.º 1301002.154 S1C3T1 Fl. 11.897 15 Importante destacar, nesse passo, que o contrato referido pelo impugnante (“Master Franchise Agreement”) consta das 10.551 a 10.594. A cláusula 5.2.1 consta da 10.554. Segundo defende o impugnante, ele age como mero agente coletor de royalties devidos pelos subfranqueados ao grupo McDonald’s. Por esse motivo, não teria cabimento querer computar os royalties repassados no cálculo do limite de pagamentos dos royalties. O limite deve considerar apenas os royalties próprios, não os de terceiros (subfranqueados), que encontram limites em receitas alheias. Apresenta, então, a seguinte assertiva (fls. 9.396/7): “Ou seja, quando há o subfranqueamento por um dos franqueados principais, a responsabilidade pela coleta dos recursos devidos a título de royalties ao grupo McDonald’s pelos subfranqueados é da franqueada principal.” Diante disso, entende que a “Fiscalização se equivocou ao simplesmente considerar as receitas de vendas da Requerente e sobre esse montante aplicar a alíquota de 4%, já que na parcela deduzida constam ainda royalties repassados de subfranqueados, que se baseiam em suas respectivas vendas” (fl. 9.398). Solicita, por fim, a realização de diligência para a confirmação das informações que presta. No que diz respeito à amortização irregular de ágio, o impugnante resume suas alegações. Inicia por contestar a interpretação dada à obra de Marco Aurélio Greco pela Fiscalização. Segundo o impugnante, a autoridade lançadora não analisou o caso no seu conjunto “como um filme e não como uma fotografia” (fl. 9.387). A conduta da análise integral seria aquela adotada pelo Carf. A substância do ágio deveria ser considerada a partir da aquisição internacional das operações do McDonald’s na América Latina e no Caribe, ocorrida em 2007. Assim agindo, o Fisco não teria concluído “que o presente caso não apresentaria razões empresariais verdadeiras ou que a Requerente teria supostamente objetivado unicamente economia tributária” (fl. 9.387). Como o negócio foi verdadeiro, o grupo faria jus ao benefício da dedutibilidade do ágio relativamente às aquisições brasileiras (fl. 9.387). Alega que não ocorreu a transferência do ágio, uma vez que a Arcos Dorados B.V. adquiriu as sociedades brasileiras e, dois anos depois, conferiu esse bem em aumento de capital da sociedade Arcos Dourados Participações Ltda., tudo em linha com o art. 26, § 3º, da Instrução Normativa nº 209, de 27 de setembro de 2002, e o art. 23 da Instrução Normativa nº 1.455, de 6 de março de 2014. Mesmo que assim não fosse, a transferência não seria inválida. A legislação não vedaria a utilização do custo de aquisição de sociedades nacionais por sociedade estrangeira para fins de aumento de capital de sociedade nacional. Refere farta jurisprudência emanada do Carf. (fl. 9.388). Mesmo que interpretada a Arcos Dourados Participações Ltda. como “empresa veículo”, isso não redundaria na indedutibilidade do ágio, ainda mais levando em conta a reprovação, pelo Congresso Nacional, da limitação do registro do ágio em aquisições efetuadas com troca de participações societárias, fato Fl. 11897DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 16561.720099/201458 Acórdão n.º 1301002.154 S1C3T1 Fl. 11.898 16 ocorrido quando da apreciação da Medida Provisória nº 627, de 11 de novembro 2013. Por fim, o custo incorrido pela Arcos Dorados B.V. para adquirir as sociedades brasileiras estaria devidamente suportado pelos laudos de avaliação preparados por duas empresas independentes e especializadas nesse assunto, não existindo a obrigação desses laudos estarem fundamentados nas três hipóteses elencadas no § 2º do art. 20 do Decretolei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977. Não caberia ao Fisco lançar dúvida sobre o teor dos laudos. Quanto à comprovação do pagamento do ágio, o impugnante apresentou cópia do contrato firmado entre Arcos Dorados B.V. e instituições financeiras com a finalidade de obter recursos (empréstimo) para viabilizar a compra das operações do McDonald’s na América Latina e no Caribe. Essa operação foi realizada no dia 2 de agosto de 2007 e contemplou crédito no montante de US$ 350.000.000,00 (fls. 9.960 a 10.063, com destaque para a fl. 9.961). Apresentou, também, documento indicativo de crédito bancário realizado no dia 3 de agosto de 2007 em favor do McDonald’s Corporation no valor de US$ 349.810.088,00 (fl. 10.132). Deseja, com isso, comprovar o pagamento da compra das operações do McDonald’s na América Latina e no Caribe. Adicionalmente, apresentou cópias das demonstrações financeiras do McDonald’s Corporation apresentadas à Securities and Exchange Commission (Sec), organização norteamericana equivalente à Comissão de Valores Mobiliários no Brasil, dando conta da venda das operações do McDonald’s na América Latina e no Caribe pelo valor aproximado de US$ 690.000.000,00. Apresentou, também, prospecto de oferecimento de ações da Arcos Dorados Holding Inc., também à Sec, que aponta a aquisição das operações do McDonald’s na América Latina e no Caribe pelo valor aproximado de US$ 698.000.000,00. Essa seria a documentação exigida por meio do art. 26, § 3°, da Instrução Normativa nº 208, de 17 de setembro de 2002, e do art. 23 § 1º, da Instrução Normativa nº 1.455, de 6 de março de 2014. Não bastasse tudo isso, o impugnante informa ter submetido a operação de compra das operações do McDonald’s no Brasil ao crivo do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Juntou, também, notícias colhidas perante a imprensa na época da operação. Conclui, diante disso, que comprovado o pagamento da operação de compra das operações do McDonald’s na América Latina e no Caribe e que o negócio não tinha finalidade unicamente fiscal, uma vez que o negócio envolveu partes independentes, deu ensejo a efetivo desembolso de numerário e tinha por fundamento propósito negocial. Após essa aquisição, “seria natural que o grupo Arcos Dorados pretendesse simplificar sua estrutura societária” (fl. 9.399) local. O adquirente Arcos Dorados B.V. desejou alocar a cada jurisdição o custo respectivo. Por esse motivo houve a contratação da “empresa Macso Legate Consultores Ltda.” (fl. 9.399), que gerou um laudo de avaliação dos negócios brasileiros. Para que fosse viabilizada a consolidação dos negócios, foi constituída a Arcos Dourados Participações Ltda., que seria a responsável pelo gerenciamento das atividades locais. A holding local teria sido a responsável pela estruturação de comitê de deliberação de diretrizes locais e definição de campanhas de marketing. Essas despesas foram assumidas por ela. Posteriormente, a Arcos Dorados B.V. “transferiu para a AD Participações, pelo mesmo custo proporcionalmente incorrido na aquisição desses investimentos em 3.8.2007 (aproximadamente 42% do preço pago ao grupo McDonald’s), a participação detida na Arras e na requerente” (fl. 9.400). Segundo o impugnante, somente nesse momento ocorreu o surgimento do ágio, uma vez que desdobrado o custo de aquisição transferido em valor de patrimônio líquido (equivalência patrimonial) e ágio. Transferir custo seria figura distinta da transferência do ágio. Por fim, o impugnante incorporou a Arcos Dourados Participações Ltda. e a Arras Comércio de Alimentos Ltda., fato ocorrido em 13 de dezembro de 2010, mais de dois anos após a constituição da Arcos Dourados Participações Ltda.. Assim, Fl. 11898DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 16561.720099/201458 Acórdão n.º 1301002.154 S1C3T1 Fl. 11.899 17 sustenta que não houve transferência de ágio, mas de custo. Mesmo que tivesse havido a transferência do ágio, não haveria ilicitude nesse procedimento. Defende, ainda, a isonomia tributária das sociedades controladas por holandeses presentes no Brasil em relação às demais sociedades brasileira na mesma localidade (Tratado BrasilHolanda). Quanto à aquisição do investimento, o impugnante alega que o aumento de capital de uma sociedade mediante a conferência de bens constitui modalidade de aquisição, consoante Solução de Consulta nº 288, de 22 de novembro de 2006, e diversas decisões do Carf que refere. Aqui estaria o equívoco interpretativo da autoridade lançadora, uma vez que considerou ter ocorrido a aquisição quando da operação internacional realizada em 2007. Quanto à comprovação do valor do ágio, o impugnante afirma estar comprovado o valor em função do patrimônio líquido das sociedades brasileiras e do montante do custo de aquisição dessas sociedades (fl. 9.407). Não aponta, entretanto, o cálculo. Quanto à fundamentação do laudo de avaliação, o impugnante defende a inexistência (1) de ordem de preferência nas hipóteses do § 2º do art. 20 do Decreto lei nº 1.598, de 1977, ou (2) necessidade de alocação do ágio a mais de uma fundamentação econômica. Cabe ao contribuinte “decidir qual parcela deverá ser indicada como resultante de cada um dos fundamentos” (fl. 9.409). Somente com o advento da Lei nº 12.973, de 13 de maio de 2014, foi instituída a obrigatoriedade da análise do ágio quando do seu registro. Segundo o art. 65 da referida lei, a disposição atinente ao ágio somente se tornaria aplicável a partir de 2015. Inviável, assim, a contestação do laudo preparado por Macso Legate ou a justificativa econômica adotada. O impugnante apontou jurisprudência administrativa em seu favor. Destacou, por fim, que a avaliação não levou em conta apenas o valor das sociedades negociadas, mas a perspectiva de rentabilidade futura das mesmas. Após, o contribuinte sustentou a inexistência de vedação à transferência do ágio, bem como a improcedência da acusação de utilização de sociedade veículo. A operação envolveu partes independentes, houve desembolso efetivo de caixa e razões negociais verdadeiras. A Arcos Dourados Participações Ltda. teve razão negocial para existir, não tendo se prestado apenas de canal de passagem. Durou por mais de dois anos, estruturou comitê de diretrizes e definiu campanhas de publicidade. Mesmo que assim não fosse, a legislação admite a existência de sociedade exclusivamente com a finalidade de participar de outras sociedades. Referiu farta jurisprudência do Carf em seu favor (fls. 9.414 a 9.419). Ademais, mesmo que esses argumentos não fossem válidos, a vedação à transferência do ágio veio à lume por meio do art. 21, § 1º, da Medida Provisória nº 627, de 11 de novembro de 2013, seis anos depois dos fatos. Ou seja, quando verificados os fatos, não havia vedação. No que diz respeito ao propósito da operação, o impugnante busca alicerce no negócio internacional empreendido, que teve reflexos no Brasil. Não cabe à Administração questionar decisões gerenciais dos contribuintes. Lembrou, ainda, a inexistência de regulamentação da Lei Complementar nº 104, de 10 de janeiro de 2001, que tratou da “teoria da substância econômica”. Quanto ao ágio gerado dentro do grupo econômico e as regras contábeis respectivas, alega que a Fiscalização não entendeu o contexto em que gerado o ágio, que teve efetivo custo, envolvendo partes nãorelacionadas. Dessa forma, a legislação contábil referida pelo trabalho fiscal não seria aplicável ao caso dos autos. Salientou que o ágio gerado internamente é aquele decorrente de reavaliação Fl. 11899DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 16561.720099/201458 Acórdão n.º 1301002.154 S1C3T1 Fl. 11.900 18 espontânea de controlada, distinto do caso vertente. Mais uma vez referiu jurisprudência administrativa e a Lei nº 12.973, de 2014. Quanto ao limite de dedutibilidade do ágio (1/60), o impugnante defendeu o respeito à lei, uma vez que a Fiscalização teria dividido o ágio por sessenta e comparado o resultado com a dedução empreendida. Informa que a parcela tida por excedente referese a “outras parcelas registradas a título de ágio” (fl. 9.427), que não indica. Por fim, o contribuinte sustentou o descabimento (1) da multa de ofício e (2) da incidência dos juros de mora calculados sobre a referida multa. A multa só deve ser aplicada quando cabível (art. 142 do CTN). Como o impugnante teria agido de acordo com a legislação societária e fiscal, não seria cabível a multa. Não bastasse isso, a multa de 75% não é razoável frente ao princípio constitucional que veda o confisco. Referiu jurisprudência emanada do Supremo Tribunal Federal. Incabível, também, a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, tendo em vista manifestação da Câmara Superior de Recursos Fiscais na apreciação do Recurso de Divergência nº 202131.351. A proposta de súmula para admitir a incidência dos juros sobre a multa de ofício foi rejeitada pelo Carf. Frente a essas razões, o impugnante requer o acolhimento da sua impugnação e o cancelamento do auto de infração. A 1ª Turma da DRJ em Porto Alegre/RS analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão nº 1055.416, de 26/06/2015 (fls. 11678/11705), considerou procedente o lançamento com a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2009, 2010 EXCESSO DE DEDUÇÃO DE ROYALTIES. INDÚSTRIA DE PRODUTOS ALIMENTARES. O limite de dedução dos royalties aplicável à indústria de produtos alimentares é de 4% da receita líquida de vendas do produto fabricado ou vendido. O impugnante não opera como simples coletor de royalties que seriam devidos pelos subfranqueados nacionais ao detentor internacional do nome comercial e da marca explorados. A relação jurídica que obriga o franqueador máster nacional ao pagamento dos royalties ao detentor estrangeiro do direito é travada de forma direta. O pagamento dos royalties devidos pelo primeiro ao segundo independe do recebimento, pelo primeiro, dos royalties a ele devidos pelos subfranqueados nacionais (terceiros). O impugnante, ao pagar os royalties, paga em nome próprio. Embora não tenha constado da ementa, esclareço que a infração relacionada à glosa de amortização de ágio foi tratada em primeira instância e mantida a autuação, sob o principal fundamento de que "não houve ágio no negócio internacional, o valor pago pela principal sociedade brasileira foi de US$ 14.198,00, o ágio gerado no Brasil envolveu operação societária interna e não houve comprovação do alegado ágio, seja no plano jurídico, seja no plano calculatório" (fl. 11703). Recurso Voluntário Fl. 11900DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 16561.720099/201458 Acórdão n.º 1301002.154 S1C3T1 Fl. 11.901 19 Ciente da decisão de primeira instância em 14/07/2015, conforme termo à fl. 11712, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 12/08/2015 conforme carimbo de recepção à folha 11714. No recurso interposto (fls. 11714/11758), após expor os fatos, sob sua ótica, e detalhar o funcionamento do modelo de franquias e subfranquias adotado pelo grupo McDonald’s em todo o mundo e também particularmente no Brasil, a recorrente passa a abordar aspectos atinentes à infração de glosa de excesso de royalties. A interessada reforça que “os royalties pagos pela Recorrente ao grupo McDonald's em razão do 'Master Franchise Agreement' e do 'Amended and Restated Master Franchise Agreement' não são compostos apenas pelas receitas próprias de vendas da Recorrente; contêm parcelas de repasse de royalties devidos pelos subfranqueados, que, por sua vez, são calculadas com base nas receitas de vendas realizadas por subfranqueados”. E ainda que “a dedutibilidade dos royalties pagos pelos subfranqueados é também confirmada pelas disposições contidas no ADI 2/02 e pelos Acórdãos 10195.602 e 10195.609, de 22.6.2006, que envolviam o próprio grupo McDonald's”. A partir do entendimento firmado em primeira instância de que haveria duas relações jurídicas distintas (a primeira, entre o grupo McDonald’s e a franqueadora master, ora recorrente; a segunda entre a franqueadora master e os subfranqueados), a recorrente aduz: [...] 61. De fato, assumindo numa primeira hipótese que os valores recebidos dos subfranqueados devam receber o tratamento fiscal de meros repasses realizados pela Recorrente na condição de agente coletora, essas parcelas seriam plenamente dedutíveis sem qualquer necessidade de observância aos limites previstos na Portaria 436/58, por preencherem com os requisitos gerais de dedutibilidade previstos no artigo 299 do RIR/99 (necessidade, normalidade e usualidade). Ademais, sob a perspectiva da própria Recorrente esses "repasses" não poderiam ser considerados como "royalties" já que fruto de sublicença a terceiros que não dizem respeito diretamente a McDonald's Corporation. 62. Ainda se adotada essa premissa de que os valores transferidos pela Recorrente para o grupo McDonald's corresponderiam a meros repasses, a dedutibilidade seria ainda defensável pelo fato de esses mesmos valores terem sido tributados no nível da Recorrente. Com efeito, ao receber esses valores, ainda que seja possível defender se tratarem de meras transferências de recursos de terceiros (sem que estejam presentes os requisitos de definitividade e de incondicionalidade) e que, portanto não seriam por ela tributáveis, como já definido na doutrina e na jurisprudência, a Recorrente efetivamente ofereceu a totalidade esses valores à tributação (does. nos 44 e 45 da Impugnação). Por outro lado, destacase que a dedutibilidade desses valores também se limitou a 4%, o que significa dizer que 1% dos valores repassados foi tributado pela Reccr.ente e não deduzido. Manter a glosa dessas despesas no nível da Recorrente, portanto, levaria a uma indevida dupla tributação adicional sobre a parcela de 4%, sem qualquer base legal para tanto. 63. Por outro lado, assumindo a mesma premissa adotada pela D. Fiscalização e pela r. decisão recorrida de que esses valores assumiriam a natureza de "royalties", o resultado não seria diferente e a dedutibilidade dos valores pagos pela Recorrente ao grupo McDonald's continuaria sendo válida e legítima exatamente como feito pela Recorrente, sem qualquer violação aos limites previstos na Portaria Fl. 11901DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 16561.720099/201458 Acórdão n.º 1301002.154 S1C3T1 Fl. 11.902 20 436/58. Com efeito, nesse cenário haveria duas possíveis hipóteses para se aplicar os limites previstos na Portaria 436/58: (i) se adotadas as mesmas premissas da r. decisão recorrida (isto é, relações jurídicas distintas e independentes), os limites da Portaria 436/58 deveriam ser calculados nos termos do ADI 2/02, ou seja, de forma individualizada em relação às receitas de vendas próprias da Recorrente e em relação às receitas de vendas dos subfranqueados, não podendo ser consideradas para fins dos limites de dedutibilidade em ambos os casos apenas as receitas de vendas da Recorrente; e (ii) considerando haver apenas uma relação jurídica (Recorrente e subfranqueados de um lado, e McDonald's Corporation de outro), o valor de receita de vendas que deve ser tomado para fins do cálculo dos limites da Portaria 436/58 deve abranger o somatório tanto das vendas próprias da Recorrente, como também das vendas realizadas pelos subfranqueados, o que já chegou a ser expressamente decidido pelo antigo Conselho de Contribuintes em casos envolvendo o próprio McDonald's (MCD, denominação da Recorrente anteriormente à sua aquisição pelo grupo Arcos Dorados). Desses precedentes (Acórdãos 10195.602 e 10195.609, de 22.6.2006), aliás, vale destacar os seguintes trechos: [...] No que toca à segunda infração apontada pelo Fisco, a glosa de despesas de amortização de ágio, a recorrente também historia, em detalhes, as operações que deram origem ao ágio questionado na autuação. Por sua ótica, a decisão recorrida teria mantido o lançamento com base nas seguintes alegações: (b.1) a Recorrente não teria comprovado o valor do ágio registrado pela AD Participações; (b.2) o grupo Arcos Dorados teria "transferido" de forma indevida do exterior o ágio ora discutido por meio de uma sociedadeveículo (a AD Participações); (b.3) essa "transferência" faria com que o ágio registrado pela AD Participações fosse considerado um "ágio Interno"; e (b.4) o limite máximo de dedutibilidade do ágio de 1/60 mensais não teria sido respeitado no mês de dezembro de 2010. A recorrente passa, então, a combater cada uma dessas afirmações, com argumentos que podem ser sintetizados como segue: (b.1) Todos os requisitos formais que permitem a dedutibilidade do ágio registrado pela AD Participações foram verificados no caso em exame. A aquisição do investimento se deu no momento em que a AD participações recebeu da ADBV as quotas da recorrente e da Arras sob forma de integralização de quotas subscritas em aumento de capital. Adquirido o investimento pela AD Participações, seria obrigatório o desdobramento em subcontas de patrimônio líquido e ágio. No momento em que a recorrente incorporou a AD Participações e a Arras, passou a fazer jus à amortização fiscal do ágio. A recorrente menciona diversas decisões administrativas em situações que entende semelhantes. Fl. 11902DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 16561.720099/201458 Acórdão n.º 1301002.154 S1C3T1 Fl. 11.903 21 (b.2) A nãovedação à alocação do custo legitimamente incorrido pelo grupo Arcos Dorados e a improcedência das alegações quanto à sociedadeveículo. A recorrente combate a qualificação da AD Participações como “empresa veículo”. Diz que o ágio foi legitimamente formado entre partes independentes em 2007, com efetivo pagamento, e que não haveria óbice legal à sua transferência, como no presente caso. Não se trataria de ágio interno. Menciona jurisprudência administrativa em favor de sua tese. (b.3) Os propósitos negociais da operação. A recorrente relembra, sob sua ótica, os motivos econômicos para a reorganização societária empreendida (“a aquisição de mais de 30 sociedades em 18 jurisdições diferentes junto a um grupo independente e nãorelacionado, com a posterior reorganização societária para alocação do custo originalmente incorrido para cada jurisdição envolvida no processo”). Ainda que assim não fosse, isso não seria motivo para a desconsideração da operação unicamente por conta de suas motivações econômicas. (b.4) O valor deduzido pela Recorrente em Dezembro/2010. Acerca do suposto excesso do valor deduzido em dezembro/2010, em relação ao limite de 1/60 mensais, a recorrente reafirma que a parcela supostamente excedente diz respeito a outras parcelas registradas a título de ágio, que não estão compreendidas nos fatos ora tratados e tampouco foram objeto de questionamento pela Fiscalização nos autos de infração. Caso assim não se admita, requer a conversão do julgamento em diligência para que se possa demonstrar a inexistência de dedução a maior em dezembro/2010. A recorrente passa, então, a combater a multa de 75% aplicada ao lançamento. Sustenta que teria agido em conformidade com a legislação fiscal em vigor, de forma que a penalidade de 75% sobre o suposto crédito tributário ultrapassaria os limites da razoabilidade e proporcionalidade, devendo ser reduzida. Colaciona decisões do STF e do STJ, nas quais teria sido reconhecida ofensa aos princípios do nãoconfisco, proporcionalidade e razoabilidade. A seguir, a recorrente afirma a impossibilidade de incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Finalmente, a recorrente sustenta a impossibilidade de incidência de juros SELIC sobre os valores lançados de ofício. Contrarrazões da Fazenda Nacional A União (Fazenda Nacional), por seu Procurador, apresentou contrarrazões (fls. 11833/11871) ao recurso voluntário, com base no art. 48, § 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF. No que toca à infração de royalties pagos acima do limite legal, a Fazenda Nacional reforça os argumentos desenvolvidos pela decisão de primeira instância, no sentido de que a relação jurídica que justifica o pagamento de royalties pelo contribuinte não se confunde com aquela outra que permite o recebimento de royalties dos subfranqueados. Tratar Fl. 11903DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 16561.720099/201458 Acórdão n.º 1301002.154 S1C3T1 Fl. 11.904 22 seia de duas relações jurídicas distintas e autônomas, pelo que entende correta a decisão de primeira instância. Quanto à glosa de despesas com amortização de ágio, a Fazenda Nacional argumenta, inicialmente, que inexistiria custo de aquisição no exterior no valor de R$ 585 milhões. Em suas palavras (grifos no original): Tal como destacado pelo lançamento, e ratificado pela decisão recorrida, embora o grupo Arcos tenha entregue mais de US$ 600 milhões ao grupo McDonalds pela aquisição dos negócios da América Latina, apenas US$ 14.198,00 corresponderam à aquisição da MCD LTDA, a qual era a empresa que detinha a grande maioria dos negócios no Brasil (fato este também atestado pelo laudo da M/Legate). [...] Desta feita, no que interessa no presente tópico, demonstrase que, não tendo o grupo Arcos suportado o custo de aquisição no exterior no valor de R$ 585 milhões, como alega o recorrente, não há que se falar na legitimação do ágio registrado no Brasil na operação promovida no exterior. Como o grupo Arcos pagou somente US$ 14 mil pelos negócios no Brasil, a transferência das empresas brasileiras para a ADP por R$ 585 milhões não refletiu essa operação, mas sim propiciou o surgimento de um ágio interno. E, sendo um ágio interno, não há que se falar em sua dedução fiscal. Ainda que assim não se entenda, a Fazenda Nacional entende pela impossibilidade de transferência de ágio pago no exterior. É que a adquirente original (ADBV) é pessoa jurídica sediada no exterior, e também o evento societário lá ocorreu. Assim, seria impossível aplicar a legislação brasileira em tal situação. Não haveria como autorizar a dedução no Brasil de uma despesa que foi realizada no exterior. Subsidiariamente a esse argumento, a Fazenda Nacional sustenta que não teria sido cumprido o requisito à dedutibilidade do ágio previsto na Lei nº 9.532/1997, a saber, a confusão patrimonial entre investidora e investida. O ágio teria sido efetivamente pago pela real investidora, a ADBV, sendo investidas as sociedades MCD Ltda. e Arras. Inexistente a confusão patrimonial, o ágio seria indedutível para fins fiscais. Colaciona jurisprudência administrativa em favor de sua tese. A Fazenda Nacional discorre sobre a figura do ágio e chega ao conceito de “ágio de si mesmo”, aquele formado entre partes dependentes, sem a aquisição de um fluxo futuro que antes não possuía, consistindo apenas na reavaliação espontânea de um de seus ativos. Conclui: Destarte, no caso em apreço, tendo sido demonstrada a inexistência de custo de aquisição suportado pelo grupo Arcos no exterior correspondente ao custo registrado no Brasil, e a impossibilidade de transferência de ágio pago no exterior (caso se considere que o custo existiu), temse, então, que o ágio registrado pela ADP quando do recebimento das quotas do contribuinte (MCD LTDA) e da ARRAS se traduz em um inequívoco ágio interno. Ágio interno porque foi registrado sem corresponder a uma efetiva aquisição participação societária pela ADP no valor de R$ 585 milhões, mas sim de uma mera sequência de operações internas que promoveu a reavaliação das empresas a valor de mercado com a dedução do correspondente custo de reavaliação. Fl. 11904DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 16561.720099/201458 Acórdão n.º 1301002.154 S1C3T1 Fl. 11.905 23 Com efeito, partindo dos fatos demonstrados nos tópicos anteriores, temse que o grupo Arcos, após adquirir as empresas brasileiras MCD LTDA e ARRAS por US$ 14 mil, e sanar o patrimônio dessas empresas por meio da absorção dos prejuízos existentes em mais de um bilhão de reais (por meio de reduções de capital), adotou a estratégia de reavaliar tais participações a valor de mercado, com base em suas rentabilidades futuras, e aproveitar fiscalmente o custo dessa reavaliação como despesa de amortização de ágio. E, para tanto, o grupo criou e lançou mão da empresa ADP. Nesse sentido, após a aquisição das referidas empresas brasileiras, o grupo Arcos promoveu o aumento de capital da ADP com as suas quotas pelo valor de R$ 585 milhões pautado em laudo de rentabilidade futura. Em face da divergência entre o valor do aumento de capital e do PL das empresas, a ADP registrou um ágio no valor de R$ 515 milhões. Após dois anos desse aumento, o contribuinte incorporou a ADP e a ARRAS e, assim, passou a amortizar fiscalmente o ágio. Caso se entenda que o ágio amortizado existe e é dedutível, a Fazenda Nacional lembra a existência de um excesso em dezembro/2010. Remete ao Lalur, no qual não consta qualquer registro de amortização de ágio, e aponta que essa amortização somente foi feita na DIPJ. À falta de informações contábeis, e pela identificação de um único ágio passível de dedução fiscal, a conclusão somente poderia ser de que a amortização deduzida diz respeito a esse ágio. Haveria, pois, um excesso, tal como apontado pelo Fisco. Finalmente, a Fazenda Nacional colaciona razões em favor da incidência de juros moratórios sobre a multa de ofício. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O recurso é tempestivo e dele conheço. Na ausência de preliminares, passo ao mérito. A primeira infração diz respeito à glosa de despesas com pagamento de royalties pelo franqueado ao franqueador. Segundo o Fisco, houve excesso em relação aos limites estabelecidos pelo art. 12 da Lei nº 4.131, de 3 de setembro de 1962, e art. 6º do Decretolei nº 1.730, de 17 de dezembro de 1979. Eis os dispositivos em comento: Lei nº 4.131/1962: Art. 12. As somas das quantias devidas a título de "royalties" pela exploração de patentes de invenção, ou uso da marcas de indústria e de comércio e por assistência técnica, científica, administrativa ou semelhante, poderão ser deduzidas, nas declarações de renda, para o efeito do art. 37 do Decreto nº 47.373 de 07/12/1959, até o limite máximo de cinco por cento (5%) da receita bruta do produto fabricado ou vendido. Fl. 11905DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 16561.720099/201458 Acórdão n.º 1301002.154 S1C3T1 Fl. 11.906 24 § 1º Serão estabelecidos e revistos periodicamente, mediante ato do Ministro da Fazenda, os coeficientes percentuais admitidos para as deduções a que se refere este artigo, considerados os tipos de produção ou atividades reunidos em grupos, segundo o grau de essencialidade. § 2º As deduções de que este artigo trata, serão admitidas quando comprovadas as despesas de assistência técnica, científica, administrativa ou semelhantes, desde que efetivamente prestados tais serviços, bem como mediante o contrato de cessão ou licença de uso de marcas e de patentes de invenção, regularmente registrado no País, de acordo com as prescrições do Código de Propriedade Industrial. § 3º As despesas de assistência técnica, científica, administrativa e semelhantes, somente poderão ser deduzidas nos cinco primeiros anos do funcionamento da empresa ou da introdução de processo especial de produção, quando demonstrada sua necessidade, podendo este prazo ser prorrogado até mais cinco anos, por autorização do Conselho da Superintendência do Conselho da Superintendência da Moeda e do Crédito. DecretoLei nº 1.730/1979: Art 6º O limite máximo das deduções, estabelecido no artigo 12 da Lei nº 4.131, de 3 de setembro de 1962, será calculado sobre a receita líquida das vendas do produto fabricado ou vendido. O limite máximo de dedutibilidade dos royalties foi estabelecido em 4% para a indústria de produtos alimentares pela Portaria MF nº 436/1958. Desde a fase impugnatória, a interessada sustenta que não haveria qualquer excesso. Em suas palavras: “os royalties pagos pela Recorrente ao grupo McDonald's em razão do 'Master Franchise Agreement' e do 'Amended and Restated Master Franchise Agreement' não são compostos apenas pelas receitas próprias de vendas da Recorrente; contêm parcelas de repasse de royalties devidos pelos subfranqueados, que, por sua vez, são calculadas com base nas receitas de vendas realizadas por subfranqueados”. O litígio se estabeleceu, então, diante de peculiaridades do sistema de franquias e subfranquias adotado pelo grupo McDonald’s. Importa, então, verificar o conteúdo dos contratos firmados não apenas entre o McDonald’s no exterior e a franqueadora master (a interessada) no Brasil, mas também os contratos de subfranquias firmados entre a interessada e os subfranqueados no Brasil. Essa comparação foi feita em detalhe pela decisão de primeira instância, conforme excertos que seguem: Consta dos autos “Contrato de Franquia Principal Alterado e Consolidado” (fls. 10.551 a 10.579). Esse documento trata dos direitos adquiridos pela “Franqueada Principal Brasileira” e das respectivas obrigações frente ao cedente dos direitos, tendo em vista os negócios efetuados internacionalmente em 2007, acima noticiados. Confirase trecho do referido contrato no que diz respeito aos direitos adquiridos (fls. 10.552/3): “3. Concessão de Direitos Fl. 11906DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 16561.720099/201458 Acórdão n.º 1301002.154 S1C3T1 Fl. 11.907 25 3.1 Direitos da Franqueada Principal Brasileira. Observados os termos e as condições do presente Contrato, inclusive todos os direitos reservados McDonald’s segundo este instrumento, a McDonald’s concede à Franqueada Principal Brasileira os seguintes direitos (conjuntamente, os “Direitos da Franqueada Principal Brasileira”: 3.1.1 O direito de possuir e operar, direta e indiretamente, Lanchonetes Franqueadas no Brasil; 3.1.2 O direito e a licença para conceder subfranquias relativas a Lanchonetes Franqueadas a Subfranqueados no Brasil, em conformidade com o processo de aprovação de subfranqueada e o Contrato de Subfranquia aplicável, ficando entendido e acordado que qualquer Subfranqueada poderá constituir e operar uma Lanchonete Franqueada por cada Contrato de Subfranquia; 3.1.3 O direito de adotar e usar e de conceder o direito e licença a Subfranqueadas para adotar e usar o Sistema nas Lanchonetes Franqueadas no Brasil; e 3.1.4 O direito de anunciar ao público que é uma franqueada da McDonald’s.” Quanto à remuneração da cessão de direitos, fundamental a leitura conjunta dos itens 5.2, 5.2.1, 14.2 e 14.2.1 do contrato. Repriso: “5.2 Taxas de Franquia Contínua 5.2.1 Exceto conforme de outro modo previsto neste Contrato, a Franqueada Principal Brasileira pagará à McDonald’s Taxas de Franquia Contínua totais (“Taxas de Franquia Contínua”) com relação a cada mês civil (ou parcela proporcional do mesmo, inclusive no caso de qualquer Lanchonete Franqueada sujeita a um Fechamento Aprovado durante esse mês civil) durante o Prazo aplicável em um valor igual a 7% do equivalente em Dólares NorteAmericanos às Vendas Brutas de cada uma das Lanchonetes Franqueadas no Brasil no referido mês civil (ou a referida parcela proporcional do mesmo), menos conforme aplicável o Ajuste de Criação de Marca (o “Royalty Mínimo”);” “14.2 Pagamentos 14.2.1 A obrigação da Franqueada Principal Brasileira de pagar qualquer taxa ou de efetuar qualquer pagamento à McDonald’s em todos os momentos e em qualquer maneira exigida segundo o presente Contrato em nenhuma hipótese estará condicionada ao recebimento pela Franqueada Principal Brasileira de qualquer valor de qualquer Subfranqueada.” Os contratos pactuados entre o impugnante (franqueadora) e terceiros franqueados, pessoas que não integram o grupo Arcos Dorados, trazidos aos autos pelo impugnante, contêm cláusulas que confirmam as informações retromencionadas. Confirase a redação do item 3.1, em especial a letra “c” (fl. Fl. 11907DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 16561.720099/201458 Acórdão n.º 1301002.154 S1C3T1 Fl. 11.908 26 10.677), do contrato firmado pelo impugnante com Márcio Alves de Almeida Moreira em 16 de julho de 2010 (fl. 10.749): 3.1. – Neste ato, como fiel e legítima demonstração de sua real intenção, e como condição essencial à validade, vigência e eficácia do presente acordo, as partes, de boa fé, prestam as declarações e assumem os compromissos abaixo relacionados, a saber: (A) A McDONALD’S e suas AFILIADAS, desenvolvem uma modalidade de restaurantes (os RESTAURANTES McDONALD’S), a cuja operação se dedicam , obedecendo aos princípios que constituem o SISTEMA McDONALD’S. O SISTEMA McDONALD’S abrange direitos de propriedade com respeito a valiosos nomes comerciais, marcas de serviço e marcas registradas, incluindose, dentre outros, os nomes comerciais McDonald’s e McDonald’s Hamburgers, projetos e combinações de cores para prédios, letreiros e disposição de equipamentos (layout) para RESTAURANTES McDONALD’S, fórmulas e especificações para determinados alimentos, métodos de controle de inventário, de operação, escrituração e contabilidade, manuais acerca de práticas e políticas comercias, etc. Os RESTAURANTES McDONALD’S são operados largamente nos Estados Unidos da América e em muitos outros países; (B) A McDONALD’S e suas AFILIADAS detêm, direta e indiretamente, todos os devidos direitos para autorizar a adoção e o uso do SISTEMA McDONALD’S. A base do SISTEMA McDONALD’S é o estrito cumprimento dos PADRÕES por todas as suas franqueadas, incluindo a FRANQUEADORA e seus subfranqueados – inclusive, mas não se limitando, o FRANQUEADO , e a observância do ora disposto fornece a base para o SISTEMA McDONALD’S e seu intangível e significativo valor, assim como o estabelecimento e a manutenção, pelo FRANQUEADO, de uma relação estreita de trabalho com a FRANQUEADORA na operação do RESTAURANTE, constituem, juntos, a essência do presente contrato; (C) A McDONALD’S autorizou sua AFILIADA McD LATIN AMERICA a celebrar o MFA com a FRANQUEADORA, regularmente celebrado e averbado perante o INPI, pelo qual McD LATIN AMERICA concedeu à FRANQUEADORA os direitos de franquia máster para operar, e conceder a subfranqueados o direito de operar RESTAURANTES McDONALD’S no TERRITÓRIO;” Esse mesmo contrato trata do pagamento dos royalties em favor da franqueadora, ou seja, em favor do impugnante. Tais valores constituem um direito do franqueador e um dever do franqueado. Confirase (fl. 10.693): “10.1. – O FRANQUEADO obrigase a pagar a FRANQUEADORA, sob pena de caracterização de infração de natureza grave, conforme 23.1 abaixo, e impreterivelmente no 5º (quinto) dia útil do mês imediatamente subseqüente ao vencido, Fl. 11908DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 16561.720099/201458 Acórdão n.º 1301002.154 S1C3T1 Fl. 11.909 27 ROYALTIES mensalmente devidos no montante de 5% (cinco por cento) calculado sobre as VENDAS BRUTAS. 10.2. – O pagamento dos ROYALTIES e quaisquer outros valores devidos à FRANQUEADORA serão realizados no local e na forma que vierem a indicados pela FRANQUEADORA.” Dessas disposições, considero correta a conclusão a que chegou o julgador a quo. De fato, constatase que as relações jurídicas estabelecidas entre a interessada e o grupo McDonald’s, por um lado, e entre a interessada e os subfranqueados no Brasil, por outro, são autônomas, não se podendo falar em repasses, como pretende a recorrente. Os valores pagos pelos subfranqueados são devidos diretamente à interessada (franqueadora principal no Brasil), por disposição contratual expressa, e constituem despesas para aqueles que pagam e receitas tributáveis para a interessada. Já os valores pagos pela interessada ao grupo McDonald’s, também por disposição contratual, decorrem de relação jurídica firmada entre essas duas partes. Muito embora sejam, em parte, calculados sobre as receitas de vendas de terceiros (as subfranqueadas), independem de qualquer recebimento desses terceiros, o que reafirma seu caráter autônomo e, ademais, que não se trata de “repasses”. Não se questiona que tais pagamentos constituam despesas da interessada. Mas sua dedutibilidade não se restringe ao exame dos requisitos gerais de necessidade, habitualidade e usualidade. Aqui, por se tratar de royalties, as disposições específicas da legislação supramencionada impõem um limite de 4%, calculado sobre a “receita líquida das vendas do produto fabricado ou vendido”. Nesse sentido, não faço qualquer reparo ao quanto decidido em primeira instância. A recorrente busca desenvolver um raciocínio segundo o qual, ainda que se entenda (como é o caso) que as relações jurídicas são distintas e independentes, o correto seria calcular o limite “nos termos do ADI 2/02, ou seja, de forma individualizada em relação às receitas de vendas próprias da Recorrente e em relação às receitas de vendas dos subfranqueados, não podendo ser consideradas para fins dos limites de dedutibilidade em ambos os casos apenas as receitas de vendas da Recorrente”. O Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 2/2002 dispõe: Artigo único. A remuneração paga pelo franqueado ao franqueador é dedutível da base de cálculo do imposto de renda das pessoas jurídicas, aplicandose, cumulativamente, os limites percentuais previstos nas Portarias específicas do Ministro da Fazenda, para cada tipo de royalty contratado, classificandoos segundo as subdivisões daqueles atos administrativos. Parágrafo único. À dedutibilidade prevista no caput aplicase o limite máximo de cinco por cento previsto no art. 12 da Lei nº 4.131, de 3 de setembro de 1962, e no art. 6º do Decretolei nº 1.730, de 17 de dezembro de 1979. A pretensão da recorrente é de que existissem, no caso concreto, dois tipos de royalties contratados entre ela e o Grupo McDonald’s, um calculado sobre receitas próprias e outro calculado sobre receitas de terceiros. Não é como penso. As portarias específicas do Ministro da Fazenda (particularmente, a Portaria MF nº 436/1958, aplicável ao presente caso) apenas consideram os tipos de produção ou atividade, segundo o grau de essencialidade. Por Fl. 11909DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 16561.720099/201458 Acórdão n.º 1301002.154 S1C3T1 Fl. 11.910 28 exemplo, industria de base ou indústria de transformação. Não se faz qualquer menção a um eventual subfranqueamento. Diante do exposto, nego provimento ao recurso voluntário, quanto a esta primeira infração. Passo a analisar a segunda infração, de glosa de despesas com amortização de ágio. As operações societárias nas quais se formou e transferiu o ágio que veio, afinal, a ser amortizado pela recorrente e glosado pelo Fisco tiveram início em 2007. O primeiro grupo de operações teve como escopo a venda, por empresas do grupo McDonald’s no exterior, de diversas subsidiárias na América Latina e Caribe, entre elas a Arras Comércio de Alimentos Ltda. (Arras) e a McDonald´s Comércio de Alimentos Ltda. (MCD). A própria recorrente afirma que essa aquisição correspondia a “mais de 30 sociedades em 18 jurisdições diferentes” (fl. 11723). O adquirente, grupo Arcos Dorados, centralizou as operações na empresa Arcos Dorados B.V. (ADBV), domiciliada na Holanda. Relevante observar que a MCD pertencia diretamente a duas das empresas do grupo, a McDonald’s International Spanish Holdings (MISH, domiciliada na Espanha) e a MCD Properties Inc., sediada nos Estados Unidos. A Arras pertencia à LatAm juntamente com diversas outras subsidiárias em variado número de outros países. Por sua vez, a LatAm pertencia à McDonald’s Latin América (MLA, sediada nos Estados Unidos) A decisão de primeira instância firmou a convicção de que, já nessa etapa, não teria havido pagamento de ágio, antes teria sido apurado prejuízo pela alienante e, consequentemente, as indicações são de que teria havido deságio na operação. A recorrente combate tal assertiva, afirmando que o total pago em dinheiro montaria a US$ 698 milhões, suportado em laudo de avaliação de julho/2007, e que o valor das sociedades brasileiras (Arras e MCD) equivaleria a aproximadamente 42% do total pago. O instrumento contratual se encontra, por tradução juramentada, às fls. 8662/8721. Tratase da Emenda nº 1 de Contrato de Compra, de 31/07/2007, sendo o Contrato de Compra original datado de 28/03/2007. No que toca ao preço, à fl. 8664, a seção 2.1 estipula que o preço base de compra (correspondente ao total das sociedades objeto da compra e venda) era de US$ 690.500.000 (e não os US$ 698 milhões afirmados pela recorrente). A mesma seção contratual especifica a parcela desse valor correspondente à MCD, a ser paga pela adquirente (ADBV) às alienantes (MISH e MCD Properties Inc.): US$ 13.698 à primeira e US$ 500 à segunda, totalizando US$ 14.198. Também é estipulado o valor correspondente à aquisição da LatAm, a ser pago pela adquirente (ADBV) à alienante (MLA): US$ 678.499.500. Particularmente no que se refere à MCD, o valor da transação (comparado aos demais valores envolvidos) leva de imediato à conclusão de que não haveria qualquer ágio a ser apropriado pelo adquirente. Acerca da Arras, o referido contrato não especifica qual seria o valor a ela correspondente, mas somente o valor a ser pago pela aquisição da LatAm, a qual, lembrese, era dona não apenas da Arras mas de um grande número de subsidiárias em diversos países. Assim, apenas pelo contrato não é possível identificar o valor pago pela Arras. Os Fl. 11910DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 16561.720099/201458 Acórdão n.º 1301002.154 S1C3T1 Fl. 11.911 29 demonstrativos acostados aos autos não são claros quanto ao valor que corresponderia, na avaliação econômica, a uma e outra empresas. Registrese, ainda, que o laudo da Forrestal Capital (fls. 9834/9835) faz uma avaliação econômicofinanceira do Grupo Arcos Dorados na América Latina (US$ 776 milhões) afirmando que o Brasil corresponde a 42% ou US$ 325 milhões. No entanto, essa discriminação é por país, não se encontrando segregação por sociedade dentro do país (Arras e MCD). Ademais, o valor global afinal contratado foi substancialmente menor do que essa avaliação (US$ 690 milhões, contra US$ 776 milhões), não sendo possível, a meu ver, fazer uma aplicação meramente proporcional, principalmente diante do valor irrisório (US$ 14 mil), comparativamente, atribuído à MCD no contrato de compra afinal firmado. Foi nesse contexto que a Turma Julgadora a quo firmou seu entendimento de que não teria havido ágio, mas sim deságio. Sua análise se fez não apenas da análise dos documentos acima mencionados, mas de outros documentos constantes dos autos. Confirase (grifos no original): Quanto à existência de ágio na operação internacional, não constam elementos nos autos que comprovem esse fato. Pelo contrário, existem elementos que indicam tenha havido deságio na operação. As demonstrações financeiras (Form 10K) do McDonald’s (McDonald’s Corporation) atinentes ao anocalendário 2007, obtidas junto à Sec, elemento juntado aos autos pelo impugnante (fls. 10.198 a 10.261), indicam a existência de deságio na operação (fl. 10.237). O documento antes referido aponta que o McDonald’s registrou uma perda de aproximadamente US$ 830.000.000,00 decorrente da diferença entre o valor do investimento registrado nos livros e o valor de alienação do referido investimento, no valor aproximado de US$ 700.000.000,00. Essa perda, indica o documento, decorreu de dificuldades econômicas históricas e da volatilidade experimentada nos mercado latino americano e caribenho. Decorrência dessa perda foi o registro, pelo McDonald’s, de benefício fiscal no montante de US$ 12.800.000,00. Não bastasse isso, as sociedades brasileiras objeto do negócio internacional passaram por redução do capital social em função do acúmulo de prejuízos (fls. 8.375 e 8.461). Essa redução de capital se deu quando a Arcos Dourados Participações Ltda. já era a controladora das sociedade brasileiras. Observese que o capital social do impugnante passou de R$ 1.605.866.530,00 para R$ 164.054.032,00, enquanto o capital social da Arras Comércio de Alimentos Ltda. passou de R$ 124.095.866,00 para R$ 82.717.804,00. Esse fato corrobora a fundamentação que McDonald’s Corporation adotou ao apontar a perda com a alienação dos negócios explorados na América Latina e no Caribe. Assim, sem sentido querer alegar que tenha havido a transferência do ágio pago em operação internacional, tendo em vista que não houve ágio no negócio, mas deságio. Diante de todo o exposto, penso não haver provas suficientes acerca do valor da aquisição em 2007, pelo grupo Arcos Dorados, das operações brasileiras do McDonald’s. Especialmente por se tratar de operação totalmente conduzida no exterior, entre empresas sediadas em países diversos, haveria a necessidade de que os valores ficassem rigorosamente demonstrados e registrados, sem qualquer sombra de dúvida, para que se pudesse concluir que foi pago ágio na operação e, posteriormente, se pudesse cogitar da “transferência” desse ágio para o Brasil. Na segunda parte do negócio, diversas operações societárias foram levadas a efeito, agora em território nacional. Em síntese: foi criada a pessoa jurídica Arcos Dourados Participações (ADP); o capital social da ADP foi aumentado e integralizado com as Fl. 11911DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 16561.720099/201458 Acórdão n.º 1301002.154 S1C3T1 Fl. 11.912 30 participações da MCD (agora denominada Arcos Dourados Comércio de Alimentos – ADC, a recorrente) e da Arras; nessa operação, a ADP passou a registrar ágio nessas participações; A ACD incorporou sua controladora ADP e também a Arras, passando a amortizar o ágio para fins fiscais. Observese que, nessa segunda parte do negócio, todas as operações se deram dentro de um mesmo grupo econômico, o grupo Arcos Dorados. Todas as empresas estavam sob o controle comum da Arcos Dorados B.V., sediada na Holanda. A sustentação para a transferência do ágio, conforme levado a efeito, dependeria do preço pago e da formação inicial do ágio na etapa internacional, anteriormente analisada. E, pelas razões já declinadas, penso haver insuficiência de provas acerca desses dois relevantes pontos. Com isso, perdem relevância os extensos argumentos desenvolvidos pela recorrente sobre o cumprimento de requisitos formais, propósito negocial das operações e sociedadeveículo. Quanto aos requisitos formais, registrese que a etapa internacional das operações era aquela em que figuravam partes independentes nos polos da compra e venda de participações societárias. Dada a obscuridade e a falta de registro e documentação individualizada para as participações negociadas de empresas brasileiras, o valor pago e o suposto ágio carecem de prova e de fundamentação. Em decorrência, resta a etapa doméstica, levada a efeito a partir de 2008, quando passam a estar envolvidas tão somente empresas do grupo Arcos Dorados e não há qualquer pagamento. Eventual ágio assim formado é caracterizado como “interno”, sem a participação de uma parte independente a validar, em condições de livre mercado, as operações e valores. No entender deste relator, o laudo de fls. 11166 e segs. (M/Legate) é insuficiente, visto que sua validação decorreria da existência de partes independentes e com interesses antagônicos, uma disposta a alienar o ativo pelo valor avaliado, outra disposta a pagar o valor de avaliação para sua aquisição. Mas não houve pagamento nem outra espécie de desembolso, ocorreu tão somente integralização de capital subscrito entre empresas submetidas a um mesmo comando societário. O que de fato ocorreu, ao final, foi a reavaliação das empresas a valor de mercado e a tentativa de dedução do correspondente custo de reavaliação. Ágio interno, na acepção da expressão. Sobre o tema, transcrevo, abaixo, excerto de meu voto no Acórdão nº 1301 001.982, de 06/04/2016, que entendo aplicáveis ao caso sob exame: Em tais circunstâncias, tenho que o cerne da questão não é a possibilidade, ou não de aproveitamento do ágio, autorizado pelos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997, mas sim a própria formação dessa maisvalia, desvinculada de qualquer fundamento econômico e originada de atos meramente aparentes, sem substância ou existência real, ainda que formalmente regulares. Já me manifestei, em outras oportunidades, acerca da unicidade das legislações tributária e societária no que toca às definições pertinentes ao ágio. O art. 20 do DecretoLei nº 1.598/77 define o ágio (ou deságio) como a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor do patrimônio líquido na época da aquisição. A controvérsia surge quanto ao que seria o custo de aquisição aqui referido, em especial quando se cuida de operações societárias realizadas internamente a um grupo econômico. Fl. 11912DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 16561.720099/201458 Acórdão n.º 1301002.154 S1C3T1 Fl. 11.913 31 O Conselho Federal de Contabilidade, por meio da resolução 750/931, que dispõe sobre os princípios fundamentais da contabilidade, ao tratar do registro dos componentes patrimoniais assim estabelecia no seu art 7º (grifos não constam do original): Art. 7º Os componentes do patrimônio devem ser registrados pelos valores originais das transações com o mundo exterior, expressos a valor presente na moeda do País, que serão mantidos na avaliação das variações patrimoniais posteriores, inclusive quando configurarem agregações ou decomposições no interior da ENTIDADE. Parágrafo único – Do Princípio do REGISTRO PELO VALOR ORIGINAL resulta: I – a avaliação dos componentes patrimoniais deve ser feita com base nos valores de entrada, considerandose como tais os resultantes do consenso com os agentes externos ou da imposição destes; [...] Com base nesses princípios a Comissão de Valores Mobiliários, por meio do Ofício Circular CVM/SNC/SEP no 01/2007 condenou o reconhecimento do chamado ágio interno, ou seja, gerado dentro do mesmo grupo de empresas sob controle comum, in verbis: "20.1.7 "Ágio" gerado em operações internas A CVM tem observado que determinadas operações de reestruturação societária de grupos econômicos (incorporação de empresas ou incorporação de ações) resultam na geração artificial de "ágio". Uma das formas que essas operações vêm sendo realizadas, iniciase com a avaliação econômica dos investimentos em controladas ou coligadas e, ato continuo, utilizarse do resultado constante do laudo oriundo desse processo como referência para subscrever o capital numa nova empresa. Essas operações podem, ainda, serem seguidas de uma incorporação. Outra forma observada de realizar tal operação é a incorporação de ações a valor de mercado de empresa pertencente ao mesmo grupo econômico. Em nosso entendimento ainda que essas operações atendam integralmente os requisitos societários do ponto de vista econômicocontábil é preciso esclarecer que o ágio surge única e exclusivamente, quando o preço (custo) pago pela aquisição ou subscrição de um investimento a ser avaliado pelo método da equivalência patrimonial supera o valor patrimonial desse investimento. E mais preço ou custo de aquisição somente surge quando há o dispêndio para se obter algo de terceiros. Assim não há do ponto de vista econômico geração de riqueza 1 Essa redação foi alterada pela Resolução CFC nº 1282/2010, por conta do processo de convergência às normas internacionais de contabilidade introduzidas pela Lei nº 11.941/2009. Fl. 11913DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 16561.720099/201458 Acórdão n.º 1301002.154 S1C3T1 Fl. 11.914 32 decorrente de transação consigo mesmo. Qualquer argumento que não se fundamente nessas assertivas econômicas configura sofisma formal e, portanto, inadmissível. Não é concebível, econômica e contabilmente o reconhecimento de acréscimo de riqueza em decorrência de uma transação dos acionistas com eles próprios. Ainda que, do ponto de vista formal, os atos societários tenham atendido à legislação aplicável (não se questiona aqui esse aspecto), do ponto de vista econômico, o registro de ágio, em transações como essas, somente seria concebível se realizada entre partes independentes, conhecedoras do negócio, livres de pressões ou outros interesses que não a essência da transação, condições essas denominadas na literatura internacional como "arm's length". Portanto é nosso entendimento que essas transações não se revestem de substancia econômica e da indispensável independência entre as partes para que seja passível de registro. mensuração e evidenciação pela contabilidade." (Os grifos constam do original). A legislação tributária se integra e busca conceitos, portanto, na ciência contábil, pelo que não se pode aceitar que haja conceitos e efeitos distintos de ágio e de custo de aquisição para a contabilidade e para fins tributários. O custo de aquisição deve ser aquele resultante de efetivo desembolso (sacrifício patrimonial), em operação de mercado, em negócio realizado entre partes independentes. [...] O “ágio” assim criado, registrado e amortizado é artificial, não corresponde a uma maisvalia surgida em operações de mercado entre partes livres e independentes e confirmada mediante seu pagamento. Tratase, de fato, de uma reavaliação espontânea de participação societária, à qual não se pode atribuir o condão de reduzir o resultado tributável. Não se trata do ágio apurado nos termos do art. 20 do Decretolei nº 1.598/1977, que por sua vez deve ser reconhecido contabilmente conforme com as normas da escrituração comercial estabelecidas pela Lei nº 6.404, de 1976. Em conclusão, tenho por correta a glosa efetuada pelo Fisco, tornandose desnecessária a apreciação acerca do excesso de dedução em dezembro de 2010. No lançamento foi aplicada a multa proporcional de 75%. Contra ela se insurge a recorrente e sustenta que teria agido em conformidade com a legislação fiscal em vigor, de forma que a penalidade de 75% sobre o suposto crédito tributário ultrapassaria os limites da razoabilidade e proporcionalidade, devendo ser reduzida. Invoca, ainda, o princípio constitucional do nãoconfisco. Já se demonstrou que a conduta da recorrente não foi conforme a legislação, tanto assim que neste voto me manifestei no sentido de rejeitar os argumentos de mérito, mantendo a exigência principal. A multa de 75% decorre de previsão expressa do art. 44 da Lei nº 9.430/1996, verbis: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: Fl. 11914DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 16561.720099/201458 Acórdão n.º 1301002.154 S1C3T1 Fl. 11.915 33 I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Constatada, como o foi, a infração à legislação e a consequente insuficiência no recolhimento de tributos, a aplicação da multa de ofício de 75% é imposição da lei. Os princípios da razoabilidade e proporcionalidade são dirigidos ao legislador, que certamente os levou em conta ao redigir o texto legal. Não podem ser aplicados pela autoridade administrativa em situação para a qual a lei não dá margem à discricionariedade. Os precedentes do Poder Judiciário são aplicáveis tão somente às partes dos processos em que prolatadas as respectivas decisões. Desde que a recorrente não se inclui entre elas, e que não se trata de julgados com efeitos mais amplos, descabe sua aplicação ao presente caso. Quanto ao princípio constitucional do nãoconfisco, basta trazer à colação o teor da Súmula CARF nº 2, abaixo, de aplicação obrigatória aos membros deste Colegiado administrativo. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Na sequência, cumpre apreciar a irresignação da recorrente quanto à incidência de juros moratórios sobre a multa de ofício. A matéria tem sido objeto de discussões ao longo do tempo, comportando decisões por vezes divergentes. A incidência de juros sobre a multa proporcional, aplicada no lançamento de ofício, conforme procedimento das Autoridades Administrativas, encontra seu fundamento no artigo 61 da Lei nº 9.430/1996 e, ainda, no art. 161 c/c art. 139, ambos da Lei nº 5.172/1966 (Código Tributário Nacional – CTN), os quais transcrevo para maior clareza: Lei nº 9.430/1996: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Lei nº 5.172/1966 (CTN): Fl. 11915DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 16561.720099/201458 Acórdão n.º 1301002.154 S1C3T1 Fl. 11.916 34 Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. A polêmica gira em torno da abrangência que se há de atribuir à expressão “débitos para com a União, decorrentes de tributos”, presente no caput do art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Tenho que os débitos decorrentes de tributos não podem se restringir ao principal, mas igualmente devem abranger os débitos pelo descumprimento do dever de pagar, ou seja, as multas proporcionais aplicadas de ofício ao lançamento. Nesse sentido, a abrangência dos débitos para com a União deve ser a mesma atribuída ao crédito tributário de que trata o CTN. O débito do contribuinte para com a União, visto pela ótica do sujeito passivo da obrigação tributária, é o crédito tributário em favor da União, visto pela ótica do sujeito ativo da mesma obrigação. Essa discussão já foi travada na Câmara Superior de Recursos Fiscais. Peço vênia para transcrever, por sua clareza e por espelhar com exatidão meu pensamento sobre o assunto, excerto do voto condutor do acórdão CSRF/0400.651, de 18/09/2007, da lavra do ilustre Conselheiro Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho. Desde já, adoto seus fundamentos também aqui como razões de decidir (grifo consta do original). Consoante relatado, a matéria ora posta à apreciação deste Colegiado se circunscreve à questão atinente a incidência de juros de mora, à taxa SELIC, sobre a multa de oficio proporcional aplicada. O art. 139 do CTN determina que o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. O art. 113 do CTN, por sua vez, determina, em seu parágrafo primeiro, que a obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como da penalidade pecuniária dela decorrente. Entendo, assim, que a obrigação tributária principal compreende tanto os próprios tributos e contribuições, como, em razão de seu descumprimento, e por isso igualmente dela decorrente, a multa de oficio proporcional, que é exigível juntamente com o tributo ou contribuição não paga. Observese que tanto o tributo quanto a multa de oficio proporcional serão devidos com a consumação do fato gerador. A multa de oficio proporcional, embora seja um acréscimo ao tributo, não se trata de obrigação acessória, que se caracteriza pelo objeto não pecuniário, classificandose como uma obrigação de fazer. A obrigação tributária principal consiste, assim, em todo e qualquer pagamento devido, incluindose o tributo, a multa ou penalidade pecuniária. Em decorrência, o crédito tributário, a que se reporta o art. 161 do CTN, corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo seus acréscimos legais, notadamente a multa de oficio proporcional. O art. 61, parágrafo terceiro, da Lei n. 9.430/97, fundamento legal da multa aplicada no caso concreto, prevê a aplicação de juros de mora sobre os débitos Fl. 11916DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 16561.720099/201458 Acórdão n.º 1301002.154 S1C3T1 Fl. 11.917 35 decorrentes de tributos e contribuições cujos fatos geradores ocorreram a partir de 01 de janeiro de 1997. Dentre os débitos decorrentes dos tributos e contribuições, entendo, pelas razões indicadas acima, incluemse as multas de oficio proporcionais, aplicadas em função do descumprimento da obrigação principal, e não apenas os débitos correspondentes aos tributos e contribuições em si. Frisese, por oportuno, que dito parágrafo terceiro determina a aplicação dos juros sobre o valor dos débitos indicados no caput do artigo, e não sobre seu valor acrescido da multa de mora prevista no mesmo caput. Por outro lado, se o caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96 admite a aplicação da multa de mora sobre valor que, a depender das circunstancia do lançamento, pode (considerando, por exemplo, a espontaneidade ou não do pagamento e o beneficio da denuncia espontânea), estar acrescido da multa de oficio proporcional, cabe ao aplicador da norma afastar a respectiva concomitância, cuja eventual aplicação, contudo, não tem o condão de modificar a legislação sobre a matéria, afastando a inclusão da multa de oficio proporcional na obrigação principal. Não é correta a afirmação de que toda penalidade pecuniária que se converte em obrigação principal é decorrente da observância de obrigação acessória. Não pagar tributo é o descumprimento de uma obrigação principal, constituindo parte desta. O fato de o dispositivo legal atribuir, à penalidade por descumprimento de obrigação acessória, a natureza de obrigação principal, não significa que toda e qualquer penalidade pecuniária é, em sua origem, uma obrigação acessória. Ou seja: a multa de oficio proporcional não é resultante do descumprimento de obrigação acessória, mas de obrigação principal. É obrigação principal em sua natureza, independentemente de conversão. Ressaltese, com relação aos juros de mora, que o art. 161 do CTN determina que o crédito não integralmente pago no vencimento será acrescido de juros de mora à taxa de 1% ao mês, caso a lei não disponha de modo diverso, e a Lei n. 9430/96 determina a aplicação da taxa Selic aos casos em questão. Como dito crédito, deve ser entender, pelas razões expostas, a obrigação tributária principal como um todo, incluindo a multa de oficio proporcional. Adicionalmente, especificamente quanto ao art. 43 da Lei n° 9.430/96, invocado pelo Contribuinte em sua defesa, destaquese que esse dispõe sobre a hipótese de "Auto de Infração Sem Tributo", razão pela qual não disciplina a aplicação da juros sobre a multa de oficio proporcional, que somente é exigida com o tributo. Ao final, por maioria de votos, a Câmara Superior decidiu conforme ementa abaixo: JUROS DE MORA — MULTA DE OFICIO — OBRIGAÇÃO PRINCIPAL— A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. (Ac. CSRF/04 00.651, de 18/09/2007, proc. 16327.002231/200285, Rel. Cons. Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho) Fl. 11917DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 16561.720099/201458 Acórdão n.º 1301002.154 S1C3T1 Fl. 11.918 36 A matéria retornou à discussão na Câmara Superior em março de 2010, sendo prolatado o acórdão assim ementado, confirmando o entendimento aqui exposto: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. (Ac. 910100.539, de 11/03/2010, proc. 16327.002243/9971, Rel. Cons. Valmir Sandri, Redatora Designada Cons. Viviane Vidal Wagner) Pelas mesmas razões, nego provimento, também quanto a esta matéria, ao recurso voluntário interposto. Ainda quanto a esta matéria, ressalto que o fato de não ter sido aprovada proposta de súmula nesse sentido por este CARF tão somente indica que a matéria ainda não está suficientemente pacificada e que cada Conselheiro está livre para proferir seu voto de acordo com sua livre convicção motivada acerca do assunto, o que aqui se faz. Finalmente, resta apreciar a irresignação da recorrente com a utilização da taxa SELIC para cálculo dos juros de mora que lhe são exigidos. A matéria já foi inúmeras vezes discutida por este Colegiado, bem assim pelo extinto Primeiro Conselho de Contribuintes, e se encontra pacificada, a ponto de resultar na súmula CARF nº 4, a seguir reproduzida: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Não acolho, pois, o pedido de desconsideração dos valores decorrentes da aplicação da taxa SELIC. Em conclusão, por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário, frisando que o decidido se aplica, de igual modo, ao lançamento reflexo de CSLL, por ausência de argumentos específicos para essa contribuição. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 11918DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 16561.720099/201458 Acórdão n.º 1301002.154 S1C3T1 Fl. 11.919 37 Fl. 11919DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA
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