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8152979 #
Numero do processo: 10835.002099/2004-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 30 00:00:00 UTC 2010
Ementa: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/07/1970 a 31/07/1990 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. OBRIGAÇÕES DA ELETROBRÁS. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO DE VALORES PAGOS A TÍTULO DE EMPRÉSTIMO COMPULSÓRIO. COMPETÊNCIA DE JULGAMENTO. Compete à 1ª Seção do CARF julgar os recursos voluntários de decisão de primeira instância sobre indeferimento de pedidos de restituição e de compensação de valores pagos a título de empréstimo compulsório, referentes a Obrigações da Eletrobrás. Declinada a competência para julgamento em favor da 1ª Seção do CARF.
Numero da decisão: 3202-000.111
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declinar competência para julgamento em favor da 1ª Seção do CARF, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Irene Souza da Trindade Torres

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ementa_s : OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/07/1970 a 31/07/1990 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. OBRIGAÇÕES DA ELETROBRÁS. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO DE VALORES PAGOS A TÍTULO DE EMPRÉSTIMO COMPULSÓRIO. COMPETÊNCIA DE JULGAMENTO. Compete à 1ª Seção do CARF julgar os recursos voluntários de decisão de primeira instância sobre indeferimento de pedidos de restituição e de compensação de valores pagos a título de empréstimo compulsório, referentes a Obrigações da Eletrobrás. Declinada a competência para julgamento em favor da 1ª Seção do CARF.

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Numero do processo: 15956.720144/2018-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Mon Mar 23 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2016 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. DUPLO GRAU DO CONTENCIOSO TRIBUTÁRIO. JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE. CONHECIMENTO PARCIAL. MATÉRIA NÃO CONSTANTE NA IMPUGNAÇÃO QUE INSTAUROU O LITÍGIO. PRECLUSÃO. Em procedimento de exigência fiscal o contencioso administrativo instaura-se com a impugnação, que delineia especificamente a matéria a ser tornada controvertida, considerando-se preclusa a matéria que não tenha sido diretamente indicada ao debate. Inadmissível a apreciação em grau de recurso voluntário de matéria nova não apresentada para enfrentamento por ocasião da impugnação. Nos termos do art. 17 do Decreto 70.235, considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada em impugnação, verificando-se a preclusão consumativa em relação ao tema. Impossibilidade de apreciação da temática, inclusive para preservar as instâncias do processo administrativo fiscal. Não conhecimento do recurso voluntário neste particular. ADITAMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO DOS SOLIDÁRIOS. PROCESSUAL. PRECLUSÃO CONSUMATIVA. INOVAÇÃO DA CAUSA DE PEDIR APÓS A INTERPOSIÇÃO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. AUSÊNCIA DE HIPÓTESE AUTORIZATIVA ARROLADA NAS ALÍNEAS DO § 4.º DO ART. 16 DO DECRETO 70.235 QUE SÃO INTERPRETADAS COMO NORMAS GERAIS DO PROCESSO FISCAL. IMPOSSIBILIDADE DO ADITAMENTO. O pedido deve ser compreendido, e limitado, pela causa de pedir efetivamente deduzida pelo contribuinte na primeira oportunidade legalmente prevista, conforme previsão contida no art. 17 do Decreto 70.235 combinado com o art. 33 do mesmo diploma legal. Neste sentido, somente se autoriza a inovação recursal, isto é, o aditamento do recurso voluntário, dentro das situações expressamente autorizadas pelas alíneas do § 4.º do art. 16 do mesmo diploma processual administrativo, que são normas gerais do processo fiscal. Não estando demonstrada situação autorizativa, não se conhece do aditamento ao recurso voluntário da parte, sendo, portanto, conhecido em parte o recurso, pela não admissibilidade do aditamento com efeito integrativo. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. LEI DE CUSTEIO DA SEGURIDADE SOCIAL. REGIME GERAL DE PREVIDÊNCIA SOCIAL. LANÇAMENTO. CONFIGURAÇÃO DO FATO GERADOR. DEVER DE OFÍCIO DA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional da autoridade administrativa, competindo-lhe privativamente constituir o crédito tributário. Observando hipótese sujeita ao lançamento de ofício, fica obrigado a efetivá-lo. Se o Relatório Fiscal e os demais elementos probatórios dos autos demonstram de forma precisa a origem dos elementos da regra-matriz de incidência das contribuições previdenciárias e de Terceiros, não há que se falar em nulidade do lançamento fiscal, nem em lançamento fiscal insubsistente. Não há que se falar em nulidade quando a autoridade lançadora indicou expressamente a infração imputada ao sujeito passivo e propôs a aplicação da penalidade cabível, efetivando o lançamento com base na legislação tributária aplicável. Inteligência do art. 142 do CTN e do art. 10 do Decreto 70.235, de 1972. ENFRENTAMENTO DE TODOS OS ARGUMENTOS SOBRE DETERMINADA QUESTÃO. DESNECESSIDADE. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A decisão administrativa não precisa rebater, um a um, todos os argumentos trazidos na peça recursal, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão sobre as questões controvertidas no processo, principalmente quando os fundamentos expressamente adotados são suficientes para afastar a pretensão da parte recorrente e arrimar juridicamente o posicionamento adotado. DECADÊNCIA. NÃO OCORRÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PEJOTIZAÇÃO DOS RENDIMENTOS. FRAUDE OBJETIVA. SIMULAÇÃO. APLICAÇÃO DO ART. 173, INCISO I, DO CTN. CONTAGEM A PARTIR DO PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE AQUELE EM QUE O LANÇAMENTO PODERIA SER EFETUADO. SÚMULA CARF N.º 101. O lançamento é efetuado de ofício pela Administração tributária quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, simulação ou fraude objetiva por meio do fenômeno da pejotização dos rendimentos (interposição de pessoa jurídica) pagos aos segurados empregados e contribuintes individuais. No caso de tributo sujeito ao lançamento por homologação, restando caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, deixa de ser aplicada a primeira parte do § 4.º do art. 150, para a aplicação da regra geral contida no art. 173, inciso I, ambos do CTN. O reconhecimento de condutas previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502, de 1964, enseja a aplicação da regra decadencial encartada no inciso I do art. 173 do CTN, que prevê o prazo de cinco anos. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial é o “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado” correspondendo, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2016 PAGAMENTOS REALIZADOS POR INTERMÉDIO DE CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS INEXISTENTE COM A COLABORAÇÃO DE INTERPOSTAS PESSOAS JURÍDICAS VINCULADAS AOS SEGURADOS COM EMISSÃO DE NOTAS FISCAIS INIDÔNEAS. ANUÊNCIA DA COMPANHIA AUTUADA. CESSÃO DE CRÉDITOS. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL COM DENOMINAÇÃO DISTINTA DA EFETIVA NATUREZA. VERBA INTITULADA NA CONTA CONTÁBIL DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS (PLR) OU EM OUTRA SITUAÇÃO VERBA ALEGADA COMO SENDO BÔNUS DE CONTRATAÇÃO E EM OUTRA OCASIÃO DE VERBA DE INDENIZAÇÃO POR DESLIGAMENTO. NATUREZA REMUNERATÓRIA DE TAIS VERBAS. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS E DE TERCEIROS. INTEGRAÇÃO AO SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÃO. No caso dos autos, da análise das razões da Administração Tributária, conjugada com a documentação trazida à colação, restou comprovada/demonstrada a existência de verbas de natureza remuneratória e distinta da natureza inserida nas notas fiscais inidôneas de prestação de serviços e distinta da natureza como escriturada em conta contábil da Companhia. A parcela paga ao segurado empregado ou ao contribuinte individual, a título de PLR ou de bônus de contratação, intermediada por interposta pessoa jurídica, suportada por notas fiscais inidôneas de prestação de serviços, com crédito cedido pela suposta prestadora do serviço para recebimento direto pelo segurado com anuência da Companhia autuada, intitulada a verba em conta contábil como participação nos lucros ou resultados, possui natureza remuneratória integrando o salário-de-contribuição. A Lei 10.101 não autoriza o pagamento da denominada PLR com intermédio de interposta pessoa jurídica. Verbas pagas em desacordo com a lei específica integram o salário-de-contribuição. Não caracteriza bônus de contratação, caracterizando-se como verba remuneratória e integrando o salário-de-contribuição, a parcela paga com intermédio de interposta pessoa jurídica e, ademais, escriturada em conta contábil de PLR e efetivada no curso da relação de trabalho. Não caracteriza indenização por desligamento, caracterizando-se como verba remuneratória e integrando o salário-de-contribuição, a parcela paga por liberalidade, inclusive com intermédio de interposta pessoa jurídica. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. OCORRÊNCIA DE SONEGAÇÃO, SIMULAÇÃO E FRAUDE OBJETIVA. PRESENÇA DE INTERPOSTA PESSOA JURÍDICA PARA REALIZAR PAGAMENTOS DE RENDIMENTOS. NOTAS FISCAIS INIDÔNEAS E CESSÃO DE CRÉDITOS. MANUTENÇÃO. É cabível, por expressa disposição legal, a aplicação da multa decorrente do lançamento de ofício quando formalizada a exigência de crédito tributário pela Administração Tributária, ademais a multa deve ser qualificada, fixando-a, em definitivo, em 150%, quando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadra-se nas hipóteses tipificadas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei 4.502, de 1964. Havendo nos autos provas contundentes da conduta dolosa do contribuinte, decorrentes do conjunto de ações irregulares que levaram a lavratura do lançamento tributário, mantém-se a qualificação da multa. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. SÚMULA CARF N.º 108. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. SUJEIÇÃO PASSIVA. ART. 135, III, DO CTN. ADMINISTRADORES DIRETORES. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ANÁLISE INDIVIDUAL DE CADA RESPONSABILIDADE. Evidenciado um conjunto fático-probatório de atos tendentes a impedir, retardar, total ou parcialmente, excluir ou modificar o preciso conhecimento da regra-matriz de incidência tributária, ou a correta formação da matéria tributável, com prejuízo à Fazenda Pública, isso configura a prática de atos com violação aos limites da lei e aos limites estatutários ou contratuais de sua atuação, a teor do inciso III do artigo 135 do CTN, devendo-se investigar caso-a-caso a participação de cada Administrador, sendo individual a análise. Cabe à responsabilização solidária/pessoal dos administradores diretores da Companhia autuada que, consciente e voluntariamente, de forma individualmente comprovada, permitiram ou toleram práticas de ilicitude tributária dentro da empresa, ora com fraude objetiva, ora com sonegação de informações da relação jurídica estabelecida no pagamento de parcela dos rendimentos dos segurados, por meio de interposta pessoa jurídica, para obter os resultados decorrentes do fato gerador sonegado. Observando-se que para um dos diretores não é possível, face ao conjunto probatório dos autos, imputar-lhe a responsabilidade, exonera-se unicamente àquele para quem não há provas do cometimento dos ilícitos. Para os demais, que foram identificadas as condutas específicas e individualizadas apontadas pela fiscalização, mantém-se a responsabilidade.
Numero da decisão: 2202-006.087
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso do contribuinte e dos solidários, não conhecendo do aditamento integrativo do recurso dos solidários e não conhecendo, em ambos os recursos, do tema “Da limitação das contribuições previdenciárias devidas aos Terceiros”; quanto à parte conhecida, no mérito, acordam, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso do contribuinte e, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso dos solidários para afastar a responsabilidade do sujeito passivo solidário Jeremiah Alphonsus O’Callaghan, vencido o conselheiro Caio Eduardo Zerbeto Rocha. (documento assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente (documento assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Hermes Soares Campos, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Caio Eduardo Zerbeto Rocha, Leonam Rocha de Medeiros, Juliano Fernandes Ayres e Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Nome do relator: LEONAM ROCHA DE MEDEIROS

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso do contribuinte e dos solidários, não conhecendo do aditamento integrativo do recurso dos solidários e não conhecendo, em ambos os recursos, do tema “Da limitação das contribuições previdenciárias devidas aos Terceiros”; quanto à parte conhecida, no mérito, acordam, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso do contribuinte e, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso dos solidários para afastar a responsabilidade do sujeito passivo solidário Jeremiah Alphonsus O’Callaghan, vencido o conselheiro Caio Eduardo Zerbeto Rocha. (documento assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente (documento assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Hermes Soares Campos, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Caio Eduardo Zerbeto Rocha, Leonam Rocha de Medeiros, Juliano Fernandes Ayres e Ronnie Soares Anderson (Presidente).

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ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2016 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. DUPLO GRAU DO CONTENCIOSO TRIBUTÁRIO. JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE. CONHECIMENTO PARCIAL. MATÉRIA NÃO CONSTANTE NA IMPUGNAÇÃO QUE INSTAUROU O LITÍGIO. PRECLUSÃO. Em procedimento de exigência fiscal o contencioso administrativo instaura-se com a impugnação, que delineia especificamente a matéria a ser tornada controvertida, considerando-se preclusa a matéria que não tenha sido diretamente indicada ao debate. Inadmissível a apreciação em grau de recurso voluntário de matéria nova não apresentada para enfrentamento por ocasião da impugnação. Nos termos do art. 17 do Decreto 70.235, considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada em impugnação, verificando-se a preclusão consumativa em relação ao tema. Impossibilidade de apreciação da temática, inclusive para preservar as instâncias do processo administrativo fiscal. Não conhecimento do recurso voluntário neste particular. ADITAMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO DOS SOLIDÁRIOS. PROCESSUAL. PRECLUSÃO CONSUMATIVA. INOVAÇÃO DA CAUSA DE PEDIR APÓS A INTERPOSIÇÃO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. AUSÊNCIA DE HIPÓTESE AUTORIZATIVA ARROLADA NAS ALÍNEAS DO § 4.º DO ART. 16 DO DECRETO 70.235 QUE SÃO INTERPRETADAS COMO NORMAS GERAIS DO PROCESSO FISCAL. IMPOSSIBILIDADE DO ADITAMENTO. O pedido deve ser compreendido, e limitado, pela causa de pedir efetivamente deduzida pelo contribuinte na primeira oportunidade legalmente prevista, conforme previsão contida no art. 17 do Decreto 70.235 combinado com o art. 33 do mesmo diploma legal. Neste sentido, somente se autoriza a inovação recursal, isto é, o aditamento do recurso voluntário, dentro das situações expressamente autorizadas pelas alíneas do § 4.º do art. 16 do mesmo diploma processual administrativo, que são normas gerais do processo fiscal. Não estando demonstrada situação autorizativa, não se conhece do aditamento ao recurso voluntário da parte, sendo, portanto, conhecido em parte o recurso, pela não admissibilidade do aditamento com efeito integrativo. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. LEI DE CUSTEIO DA SEGURIDADE SOCIAL. REGIME GERAL DE PREVIDÊNCIA SOCIAL. LANÇAMENTO. CONFIGURAÇÃO DO FATO GERADOR. DEVER DE OFÍCIO DA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional da autoridade administrativa, competindo-lhe privativamente constituir o crédito tributário. Observando hipótese sujeita ao lançamento de ofício, fica obrigado a efetivá-lo. Se o Relatório Fiscal e os demais elementos probatórios dos autos demonstram de forma precisa a origem dos elementos da regra-matriz de incidência das contribuições previdenciárias e de Terceiros, não há que se falar em nulidade do lançamento fiscal, nem em lançamento fiscal insubsistente. Não há que se falar em nulidade quando a autoridade lançadora indicou expressamente a infração imputada ao sujeito passivo e propôs a aplicação da penalidade cabível, efetivando o lançamento com base na legislação tributária aplicável. Inteligência do art. 142 do CTN e do art. 10 do Decreto 70.235, de 1972. ENFRENTAMENTO DE TODOS OS ARGUMENTOS SOBRE DETERMINADA QUESTÃO. DESNECESSIDADE. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A decisão administrativa não precisa rebater, um a um, todos os argumentos trazidos na peça recursal, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão sobre as questões controvertidas no processo, principalmente quando os fundamentos expressamente adotados são suficientes para afastar a pretensão da parte recorrente e arrimar juridicamente o posicionamento adotado. DECADÊNCIA. NÃO OCORRÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PEJOTIZAÇÃO DOS RENDIMENTOS. FRAUDE OBJETIVA. SIMULAÇÃO. APLICAÇÃO DO ART. 173, INCISO I, DO CTN. CONTAGEM A PARTIR DO PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE AQUELE EM QUE O LANÇAMENTO PODERIA SER EFETUADO. SÚMULA CARF N.º 101. O lançamento é efetuado de ofício pela Administração tributária quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, simulação ou fraude objetiva por meio do fenômeno da pejotização dos rendimentos (interposição de pessoa jurídica) pagos aos segurados empregados e contribuintes individuais. No caso de tributo sujeito ao lançamento por homologação, restando caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, deixa de ser aplicada a primeira parte do § 4.º do art. 150, para a aplicação da regra geral contida no art. 173, inciso I, ambos do CTN. O reconhecimento de condutas previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502, de 1964, enseja a aplicação da regra decadencial encartada no inciso I do art. 173 do CTN, que prevê o prazo de cinco anos. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial é o “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado” correspondendo, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2016 PAGAMENTOS REALIZADOS POR INTERMÉDIO DE CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS INEXISTENTE COM A COLABORAÇÃO DE INTERPOSTAS PESSOAS JURÍDICAS VINCULADAS AOS SEGURADOS COM EMISSÃO DE NOTAS FISCAIS INIDÔNEAS. ANUÊNCIA DA COMPANHIA AUTUADA. CESSÃO DE CRÉDITOS. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL COM DENOMINAÇÃO DISTINTA DA EFETIVA NATUREZA. VERBA INTITULADA NA CONTA CONTÁBIL DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS (PLR) OU EM OUTRA SITUAÇÃO VERBA ALEGADA COMO SENDO BÔNUS DE CONTRATAÇÃO E EM OUTRA OCASIÃO DE VERBA DE INDENIZAÇÃO POR DESLIGAMENTO. NATUREZA REMUNERATÓRIA DE TAIS VERBAS. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS E DE TERCEIROS. INTEGRAÇÃO AO SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÃO. No caso dos autos, da análise das razões da Administração Tributária, conjugada com a documentação trazida à colação, restou comprovada/demonstrada a existência de verbas de natureza remuneratória e distinta da natureza inserida nas notas fiscais inidôneas de prestação de serviços e distinta da natureza como escriturada em conta contábil da Companhia. A parcela paga ao segurado empregado ou ao contribuinte individual, a título de PLR ou de bônus de contratação, intermediada por interposta pessoa jurídica, suportada por notas fiscais inidôneas de prestação de serviços, com crédito cedido pela suposta prestadora do serviço para recebimento direto pelo segurado com anuência da Companhia autuada, intitulada a verba em conta contábil como participação nos lucros ou resultados, possui natureza remuneratória integrando o salário-de-contribuição. A Lei 10.101 não autoriza o pagamento da denominada PLR com intermédio de interposta pessoa jurídica. Verbas pagas em desacordo com a lei específica integram o salário-de-contribuição. Não caracteriza bônus de contratação, caracterizando-se como verba remuneratória e integrando o salário-de-contribuição, a parcela paga com intermédio de interposta pessoa jurídica e, ademais, escriturada em conta contábil de PLR e efetivada no curso da relação de trabalho. Não caracteriza indenização por desligamento, caracterizando-se como verba remuneratória e integrando o salário-de-contribuição, a parcela paga por liberalidade, inclusive com intermédio de interposta pessoa jurídica. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. OCORRÊNCIA DE SONEGAÇÃO, SIMULAÇÃO E FRAUDE OBJETIVA. PRESENÇA DE INTERPOSTA PESSOA JURÍDICA PARA REALIZAR PAGAMENTOS DE RENDIMENTOS. NOTAS FISCAIS INIDÔNEAS E CESSÃO DE CRÉDITOS. MANUTENÇÃO. É cabível, por expressa disposição legal, a aplicação da multa decorrente do lançamento de ofício quando formalizada a exigência de crédito tributário pela Administração Tributária, ademais a multa deve ser qualificada, fixando-a, em definitivo, em 150%, quando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadra-se nas hipóteses tipificadas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei 4.502, de 1964. Havendo nos autos provas contundentes da conduta dolosa do contribuinte, decorrentes do conjunto de ações irregulares que levaram a lavratura do lançamento tributário, mantém-se a qualificação da multa. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. SÚMULA CARF N.º 108. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. SUJEIÇÃO PASSIVA. ART. 135, III, DO CTN. ADMINISTRADORES DIRETORES. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ANÁLISE INDIVIDUAL DE CADA RESPONSABILIDADE. Evidenciado um conjunto fático-probatório de atos tendentes a impedir, retardar, total ou parcialmente, excluir ou modificar o preciso conhecimento da regra-matriz de incidência tributária, ou a correta formação da matéria tributável, com prejuízo à Fazenda Pública, isso configura a prática de atos com violação aos limites da lei e aos limites estatutários ou contratuais de sua atuação, a teor do inciso III do artigo 135 do CTN, devendo-se investigar caso-a-caso a participação de cada Administrador, sendo individual a análise. Cabe à responsabilização solidária/pessoal dos administradores diretores da Companhia autuada que, consciente e voluntariamente, de forma individualmente comprovada, permitiram ou toleram práticas de ilicitude tributária dentro da empresa, ora com fraude objetiva, ora com sonegação de informações da relação jurídica estabelecida no pagamento de parcela dos rendimentos dos segurados, por meio de interposta pessoa jurídica, para obter os resultados decorrentes do fato gerador sonegado. Observando-se que para um dos diretores não é possível, face ao conjunto probatório dos autos, imputar-lhe a responsabilidade, exonera-se unicamente àquele para quem não há provas do cometimento dos ilícitos. Para os demais, que foram identificadas as condutas específicas e individualizadas apontadas pela fiscalização, mantém-se a responsabilidade.

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RECURSO VOLUNTÁRIO. DUPLO GRAU DO CONTENCIOSO TRIBUTÁRIO. JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE. CONHECIMENTO PARCIAL. MATÉRIA NÃO CONSTANTE NA IMPUGNAÇÃO QUE INSTAUROU O LITÍGIO. PRECLUSÃO. Em procedimento de exigência fiscal o contencioso administrativo instaura-se com a impugnação, que delineia especificamente a matéria a ser tornada controvertida, considerando-se preclusa a matéria que não tenha sido diretamente indicada ao debate. Inadmissível a apreciação em grau de recurso voluntário de matéria nova não apresentada para enfrentamento por ocasião da impugnação. Nos termos do art. 17 do Decreto 70.235, considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada em impugnação, verificando-se a preclusão consumativa em relação ao tema. Impossibilidade de apreciação da temática, inclusive para preservar as instâncias do processo administrativo fiscal. Não conhecimento do recurso voluntário neste particular. ADITAMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO DOS SOLIDÁRIOS. PROCESSUAL. PRECLUSÃO CONSUMATIVA. INOVAÇÃO DA CAUSA DE PEDIR APÓS A INTERPOSIÇÃO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. AUSÊNCIA DE HIPÓTESE AUTORIZATIVA ARROLADA NAS ALÍNEAS DO § 4.º DO ART. 16 DO DECRETO 70.235 QUE SÃO INTERPRETADAS COMO NORMAS GERAIS DO PROCESSO FISCAL. IMPOSSIBILIDADE DO ADITAMENTO. O pedido deve ser compreendido, e limitado, pela causa de pedir efetivamente deduzida pelo contribuinte na primeira oportunidade legalmente prevista, conforme previsão contida no art. 17 do Decreto 70.235 combinado com o art. 33 do mesmo diploma legal. Neste sentido, somente se autoriza a inovação recursal, isto é, o aditamento do recurso voluntário, dentro das situações expressamente autorizadas pelas alíneas do § 4.º do art. 16 do mesmo diploma processual administrativo, que são normas gerais do processo fiscal. Não estando demonstrada situação autorizativa, não se conhece do aditamento ao AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 95 6. 72 01 44 /2 01 8- 00 Fl. 10018DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2202-006.087 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15956.720144/2018-00 recurso voluntário da parte, sendo, portanto, conhecido em parte o recurso, pela não admissibilidade do aditamento com efeito integrativo. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. LEI DE CUSTEIO DA SEGURIDADE SOCIAL. REGIME GERAL DE PREVIDÊNCIA SOCIAL. LANÇAMENTO. CONFIGURAÇÃO DO FATO GERADOR. DEVER DE OFÍCIO DA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional da autoridade administrativa, competindo-lhe privativamente constituir o crédito tributário. Observando hipótese sujeita ao lançamento de ofício, fica obrigado a efetivá-lo. Se o Relatório Fiscal e os demais elementos probatórios dos autos demonstram de forma precisa a origem dos elementos da regra-matriz de incidência das contribuições previdenciárias e de Terceiros, não há que se falar em nulidade do lançamento fiscal, nem em lançamento fiscal insubsistente. Não há que se falar em nulidade quando a autoridade lançadora indicou expressamente a infração imputada ao sujeito passivo e propôs a aplicação da penalidade cabível, efetivando o lançamento com base na legislação tributária aplicável. Inteligência do art. 142 do CTN e do art. 10 do Decreto 70.235, de 1972. ENFRENTAMENTO DE TODOS OS ARGUMENTOS SOBRE DETERMINADA QUESTÃO. DESNECESSIDADE. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A decisão administrativa não precisa rebater, um a um, todos os argumentos trazidos na peça recursal, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão sobre as questões controvertidas no processo, principalmente quando os fundamentos expressamente adotados são suficientes para afastar a pretensão da parte recorrente e arrimar juridicamente o posicionamento adotado. DECADÊNCIA. NÃO OCORRÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PEJOTIZAÇÃO DOS RENDIMENTOS. FRAUDE OBJETIVA. SIMULAÇÃO. APLICAÇÃO DO ART. 173, INCISO I, DO CTN. CONTAGEM A PARTIR DO PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE AQUELE EM QUE O LANÇAMENTO PODERIA SER EFETUADO. SÚMULA CARF N.º 101. O lançamento é efetuado de ofício pela Administração tributária quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, simulação ou fraude objetiva por meio do fenômeno da pejotização dos rendimentos (interposição de pessoa jurídica) pagos aos segurados empregados e contribuintes individuais. No caso de tributo sujeito ao lançamento por homologação, restando caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, deixa de ser aplicada a primeira parte do § 4.º do art. 150, para a aplicação da regra geral contida no art. 173, inciso I, ambos do CTN. Fl. 10019DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2202-006.087 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15956.720144/2018-00 O reconhecimento de condutas previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502, de 1964, enseja a aplicação da regra decadencial encartada no inciso I do art. 173 do CTN, que prevê o prazo de cinco anos. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial é o “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado” correspondendo, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2016 PAGAMENTOS REALIZADOS POR INTERMÉDIO DE CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS INEXISTENTE COM A COLABORAÇÃO DE INTERPOSTAS PESSOAS JURÍDICAS VINCULADAS AOS SEGURADOS COM EMISSÃO DE NOTAS FISCAIS INIDÔNEAS. ANUÊNCIA DA COMPANHIA AUTUADA. CESSÃO DE CRÉDITOS. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL COM DENOMINAÇÃO DISTINTA DA EFETIVA NATUREZA. VERBA INTITULADA NA CONTA CONTÁBIL DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS (PLR) OU EM OUTRA SITUAÇÃO VERBA ALEGADA COMO SENDO BÔNUS DE CONTRATAÇÃO E EM OUTRA OCASIÃO DE VERBA DE INDENIZAÇÃO POR DESLIGAMENTO. NATUREZA REMUNERATÓRIA DE TAIS VERBAS. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS E DE TERCEIROS. INTEGRAÇÃO AO SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÃO. No caso dos autos, da análise das razões da Administração Tributária, conjugada com a documentação trazida à colação, restou comprovada/demonstrada a existência de verbas de natureza remuneratória e distinta da natureza inserida nas notas fiscais inidôneas de prestação de serviços e distinta da natureza como escriturada em conta contábil da Companhia. A parcela paga ao segurado empregado ou ao contribuinte individual, a título de PLR ou de bônus de contratação, intermediada por interposta pessoa jurídica, suportada por notas fiscais inidôneas de prestação de serviços, com crédito cedido pela suposta prestadora do serviço para recebimento direto pelo segurado com anuência da Companhia autuada, intitulada a verba em conta contábil como participação nos lucros ou resultados, possui natureza remuneratória integrando o salário-de-contribuição. A Lei 10.101 não autoriza o pagamento da denominada PLR com intermédio de interposta pessoa jurídica. Verbas pagas em desacordo com a lei específica integram o salário-de-contribuição. Não caracteriza bônus de contratação, caracterizando-se como verba remuneratória e integrando o salário-de-contribuição, a parcela paga com intermédio de interposta pessoa jurídica e, ademais, escriturada em conta contábil de PLR e efetivada no curso da relação de trabalho. Fl. 10020DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2202-006.087 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15956.720144/2018-00 Não caracteriza indenização por desligamento, caracterizando-se como verba remuneratória e integrando o salário-de-contribuição, a parcela paga por liberalidade, inclusive com intermédio de interposta pessoa jurídica. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. OCORRÊNCIA DE SONEGAÇÃO, SIMULAÇÃO E FRAUDE OBJETIVA. PRESENÇA DE INTERPOSTA PESSOA JURÍDICA PARA REALIZAR PAGAMENTOS DE RENDIMENTOS. NOTAS FISCAIS INIDÔNEAS E CESSÃO DE CRÉDITOS. MANUTENÇÃO. É cabível, por expressa disposição legal, a aplicação da multa decorrente do lançamento de ofício quando formalizada a exigência de crédito tributário pela Administração Tributária, ademais a multa deve ser qualificada, fixando-a, em definitivo, em 150%, quando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadra-se nas hipóteses tipificadas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei 4.502, de 1964. Havendo nos autos provas contundentes da conduta dolosa do contribuinte, decorrentes do conjunto de ações irregulares que levaram a lavratura do lançamento tributário, mantém-se a qualificação da multa. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. SÚMULA CARF N.º 108. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. SUJEIÇÃO PASSIVA. ART. 135, III, DO CTN. ADMINISTRADORES DIRETORES. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ANÁLISE INDIVIDUAL DE CADA RESPONSABILIDADE. Evidenciado um conjunto fático-probatório de atos tendentes a impedir, retardar, total ou parcialmente, excluir ou modificar o preciso conhecimento da regra-matriz de incidência tributária, ou a correta formação da matéria tributável, com prejuízo à Fazenda Pública, isso configura a prática de atos com violação aos limites da lei e aos limites estatutários ou contratuais de sua atuação, a teor do inciso III do artigo 135 do CTN, devendo-se investigar caso- a-caso a participação de cada Administrador, sendo individual a análise. Cabe à responsabilização solidária/pessoal dos administradores diretores da Companhia autuada que, consciente e voluntariamente, de forma individualmente comprovada, permitiram ou toleram práticas de ilicitude tributária dentro da empresa, ora com fraude objetiva, ora com sonegação de informações da relação jurídica estabelecida no pagamento de parcela dos rendimentos dos segurados, por meio de interposta pessoa jurídica, para obter os resultados decorrentes do fato gerador sonegado. Observando-se que para um dos diretores não é possível, face ao conjunto probatório dos autos, imputar-lhe a responsabilidade, exonera-se unicamente àquele para quem não há provas do cometimento dos ilícitos. Para os demais, que foram identificadas as condutas específicas e individualizadas apontadas pela fiscalização, mantém-se a responsabilidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 10021DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2202-006.087 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15956.720144/2018-00 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso do contribuinte e dos solidários, não conhecendo do aditamento integrativo do recurso dos solidários e não conhecendo, em ambos os recursos, do tema “Da limitação das contribuições previdenciárias devidas aos Terceiros”; quanto à parte conhecida, no mérito, acordam, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso do contribuinte e, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso dos solidários para afastar a responsabilidade do sujeito passivo solidário Jeremiah Alphonsus O’Callaghan, vencido o conselheiro Caio Eduardo Zerbeto Rocha. (documento assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente (documento assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Hermes Soares Campos, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Caio Eduardo Zerbeto Rocha, Leonam Rocha de Medeiros, Juliano Fernandes Ayres e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Relatório Cuida-se, o caso versando, de Recurso Voluntário do contribuinte (e-fls. 9.758/9.802) e de Recurso Voluntário dos solidários (e-fls. 9.805/9.858), tendo os Solidários aditado o recurso voluntário deles (e-fls. 9.866/9.890) com efeito suspensivo e devolutivo ― autorizado nos termos do art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal ―, interpostos pelos recorrentes, devidamente qualificados nos fólios processuais, relativo ao inconformismo com a decisão de primeira instância (e-fls. 9.603/9.638), proferida em sessão de 30/04/2019, consubstanciada no Acórdão n.º 03-084.570, da 5.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília/DF (DRJ/BSB), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente às impugnações do contribuinte e dos solidários (e-fls. 9.441/9.469 – Contribuinte; e-fls. 9.516/9.548 – Solidários), mantendo-se o crédito tributário originalmente lançado no valor de R$ 122.451.777,52 (e-fls. 9.411/9.412) decorrente de fiscalização referente às contribuições destinadas à Seguridade Social da parte da empresa, do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência da incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT) e das Outras Entidades e Fundos (Terceiros), cujo acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2016. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. APLICAÇÃO ART. 173, INCISO I, DO CTN. Na ocorrência de simulação ou de fraude tributária aplica-se a regra decadencial do inciso I do art. 173 do CTN, que prevê o prazo de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. PRINCÍPIO DA PRIMAZIA DA REALIDADE. No tocante à relação previdenciária, os fatos devem prevalecer sobre a aparência que, formal ou documentalmente, possam oferecer. Fl. 10022DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2202-006.087 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15956.720144/2018-00 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PREVISÃO LEGAL. RECLASSIFICAÇÃO DA RELAÇÃO JURÍDICA. PEJOTIZAÇÃO DOS RENDIMENTOS. FRAUDE OBJETIVA. SIMULAÇÃO. O lançamento é efetuado de ofício pelo Fisco quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, simulação ou fraude objetiva por meio do fenômeno da pejotização dos rendimentos (interposição de pessoa jurídica) pagos aos segurados empregados e contribuintes individuais. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. PAGAMENTO EM DESACORDO COM A LEI. INCIDÊNCIA. As verbas a título de Participação nos Lucros e Resultados, pagas em desacordo com as regras fixadas pela legislação, pertinente integram o salário de contribuição para fins de incidência de contribuições previdenciárias e de terceiros. BÔNUS DE CONTRATAÇÃO. PARCELA DE NATUREZA REMUNERATÓRIA. INCIDÊNCIA. O pagamento do bônus de contratação ocorre como forma a retribuir os trabalhos prestados na empresa contratante, com determinação contratual de que o mesmo substitui e engloba todas as vantagens que o segurado empregado poderia auferir no exercício de suas funções junto ao contratante, é de se reconhecer à natureza remuneratória da verba, devendo compor a base de cálculo das contribuições previdenciárias lançadas. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. SONEGAÇÃO OU FRAUDE OBJETIVA. PREVISÃO LEGAL. É aplicável a multa de ofício qualificada (150%) quando caracterizada a prática de sonegação ou fraude objetiva, com o propósito de impedir ou retardar o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. LEGALIDADE. São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ADMINISTRADORES. OCORRÊNCIA. CONJUNTO FÁTICO-PROBATÓRIO DOS AUTOS. Diante do conjunto fático-probatório evidenciado nos autos, cabe à responsabilização solidária/pessoal dos administradores e diretores da empresa autuada que, consciente e voluntariamente, permitiram ou toleram práticas de ilicitude tributária dentro da empresa, ora com fraude objetiva, ora com sonegação de informações da relação jurídica estabelecida no pagamento de parcela dos rendimentos dos segurados, por meio de interposta pessoa jurídica, para obter os resultados decorrentes do fato gerador sonegado. INTIMAÇÃO. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. Os avisos, intimações e notificações ao contribuinte devem ser efetuados no domicílio tributário do sujeito passivo, que corresponde ao endereço fornecido pelo próprio contribuinte à Secretaria da Receita Federal do Brasil para fins cadastrais. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Do lançamento fiscal O lançamento, em sua essência e circunstância, no Procedimento Fiscal n.º 0816500.2017.01144, tangenciado pela Equipe Especial de Fiscalização 201512 (Operação Lava Jato), para fatos geradores ocorridos nos períodos de apuração de 01/01/2013 a 31/12/2016, com procedimento iniciado em 11/12/2017 (e-fl. 5), com auto de infração juntamente com as peças integrativas devidamente lavrado (e-fls. 9.060/9.077 – Contribuição Previdenciária da Empresa e do Empregador, incluindo GILRAT; e-fls. 9.079/9.112 – Contribuição para Outras Entidades e Fundos, Terceiros), contendo responsáveis tributários conforme demonstrativo de responsabilidade solidária (art. 135, CTN) por excesso de poderes, infração de lei e Estatuto (e- Fl. 10023DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 2202-006.087 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15956.720144/2018-00 fls. 9.062/9.063 – Contribuição Previdenciária da Empresa e do Empregador, incluindo GILRAT; e-fls. 9.082/9.083 – Contribuição para Outras Entidades e Fundos, Terceiros), com Relatório Fiscal – Termo de Verificação Fiscal juntado aos autos (e-fls. 9.116/9.409), com Termo de ciência de lançamentos e encerramento total do procedimento fiscal (e-fls. 9.411/9.412), tendo o contribuinte sido notificado em 30/11/2018 (e-fl. 9.431), com Termo de ciência de lançamentos e encerramento total do procedimento fiscal – Responsabilidade Tributária lavrado na mesma data do relativo ao da empresa e com mesmo valor de crédito tributário lançado (e-fls. 9.414/9.416 – Wesley Mendonça Batista; e-fls. 9.418/9.420 – Eliseo Santiago Perez Fernandez; e-fls. 9.422/9.424 – Jeremiah Alphonsus O’Callaghan; e-fls. 9.426/9.4228 – Francisco de Assis e Silva), tendo o solidário Wesley Mendonça Batista sido notificado em 30/11/2018 (e-fl. 9.437, o solidário Eliseo Santiago Perez Fernandez sido notificado em 30/11/2018 (e-fl. 9.436), o solidário Francisco de Assis e Silva sido notificado em 30/11/2018 (e-fl. 9.435), o solidário Jeremiah Alphonsus O’Callaghan sido notificado em 18/12/2018 (e-fls. 9.434 e 9.438/9.439, após transcurso de edital), foi bem delineado e sumariado no relatório do acórdão objeto da irresignação (e-fls. 9.603/9.638), pelo que passo a adotá-lo: Trata-se de lançamento de crédito efetuado por meio de Autos de Infração por descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições destinadas à Seguridade Social, parte patronal (Empresa/empregador) e à parcela do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/GILRAT/FAP) incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados e contribuintes individuais, bem como as contribuições destinadas a outras Entidades e Fundos (Terceiros), consolidados em 28/11/2018, como segue. Tributo Período Valor (R$) Contribuição Previdenciária Patronal (Empresa/Empregador) 01/2013 a 12/2016 97.257.269,77 Contribuição Risco Ambiental SAT/GILRAT/FAP 01/2013 a 12/2016 4.396.860,08 Contribuição destinada a outras Entidades e Fundos (Terceiros) 01/2013 a 12/2016 25.194.507,75 Total do Tributado Lançado 126.848.637,60 Do Termo de Verificação Fiscal (TVF) Informa o TVF acerca da origem, natureza e bases de cálculos das contribuições apuradas, o que segue. Relata a fiscalização que a JBS S/A pagou aos seus segurados empregados, celetistas, diretores e gerentes, assim como aos segurados contribuintes individuais, remunerações por meio de contratos simulados com Pessoas Jurídicas vinculadas a estes segurados, de forma a fraudar e sonegar o pagamento correto de suas obrigações previdenciárias. E com o intuito de disfarçar, simular tais pagamentos lançou os valores na sua contabilidade em uma conta contábil com a denominação de PLR – programa de Participação nos Lucros e Resultados. Todavia esses pagamentos não têm qualquer conexão com a verdadeira natureza da rubrica PLR. A JBS simulava contratos de prestação de serviços com empresas vinculadas a seus segurados empregados e contribuintes individuais, ou diretamente como sócios, ou como empresas de aluguel, que cediam os direitos creditícios dos valores pagos pela JBS a esses segurados. Esses pagamentos com a denominação de PLR – programa de Participação nos Lucros e Resultados realizados por meio de contratos simulados com Pessoas Jurídicas vinculadas aos segurados empregados e contribuintes individuais da JBS S/A foram realizados a margem da legislação que rege a PLR (Lei n.º 10.101/2000). Fl. 10024DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 2202-006.087 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15956.720144/2018-00 Os registros contábeis simulando verbas de Participação nos Lucros e Resultados têm a finalidade de ocultar fatos geradores de contribuições previdenciárias, acobertados por uma falsa aparência de normalidade, porque na essência os valores pagos correspondem à remuneração definida como salários de contribuição para fins de incidência de contribuições previdenciárias, na forma do art. 22, incisos I, II e III da Lei n.º 8.212/91. Durante o procedimento fiscal, em resposta apresentada pela JBS, a própria empresa admitiu a irregularidade, qual seja, a simulação dos pagamentos efetuados a seus segurados empregados e contribuintes individuais por meio de PJ, “supostas” prestadoras de serviços. Registra que apesar de a JBS S/A utilizar o termo “programa de Participação nos Lucros e Resultados” o recebimento dos valores objeto deste lançamento não encontra respaldo nas normas que regulamentam o Pagamento de Lucros e Resultados para segurados empregados e não há dispositivo legal que ampare pagamento de PLR a contribuintes individuais. Acrescenta que a própria JBS S/A dispõe de um programa de Pagamento de Lucros e Resultados no qual estes mesmos funcionários listados no TVF foram beneficiados, com contabilização correta, declaração em DIRF, recolhimentos do imposto de renda retido na fonte e lançamento nas folhas de pagamento destas rubricas. Conforme discriminado no TVF, as bases de cálculo foram apuradas a partir dos valores das notas fiscais de prestação de serviços emitidas pelas pessoas jurídicas que se relacionaram de forma simulada com a empresa autuada, conforme conta contábil com a denominação de PLR – programa de Participação nos Lucros e Resultados. A JBS apresentou 3 (três) Acordos Coletivos de Trabalho – Programa de Participação nos Resultados referentes aos anos-calendário 2012 e 2013; 2014 e 2015; e 2016 celebrados entre o Sindicato dos Empregados em empresa de Industrialização Alimentícia de São Paulo e Região, para sustentar a alegação de que o pagamento feito a seus diretores, gerentes, administradores aqui relacionados foi a título de PLR. Verificou-se que a JBS pagou a estes segurados empregados, dentro do programa estipulado pelos acordos com o sindicato acima estabelecido, verbas a título de PLR, diretamente pela JBS, sem a intermediação de pessoas jurídicas, e também contabilizado e tributado pela JBS como PLR. Esses valores, por sua vez, também foram informados e corretamente tributados como rendimentos tributáveis nas correspondentes DIRPF, destes segurados e não são objeto deste lançamento. Já os valores pagos pela JBS S/A para as pessoas jurídicas indicadas pelos seus segurados empregados não sofreram a tributação relacionada como pagamento a pessoas físicas, e mais, estes segurados informaram os valores recebidos em suas DIRPF como Lucros e Dividendos distribuídos, e alguns casos, nem informaram estes recebimentos. A JBS também encaminhou 06 (seis) arquivos referentes à apresentação “Programa de Participação nos Resultados – Liderança” (2011 a 2016), programa que teve como característica principal o pagamento ilícito através de contratos simulados com pessoas jurídicas vinculadas a seus segurados empregados. As apresentações supracitadas tratam, em suma, do objetivo, elegibilidade, regras gerais e metas do programa de cada ano. Ressalta-se que as referidas apresentações fazem menção a BÔNUS e não a PLR. No TVF (item 5 e subitens 5.1 a 5.49), a fiscalização discorreu individualmente sobre os pagamentos efetuados pela JBS a cada um de seus segurados empregados (diretores e gerentes) simulando verbas de Participação nos Lucros e Resultados que, na verdade, são salários de contribuição. Foram listados: nome do segurado empregado, cargo que ocupa na JBS e a pessoa jurídica (e CNPJ) vinculada a cada segurado e os valores pagos. A fiscalização individualizou também a situação de cada segurado contribuinte individual (item 6 do TVF), discorrendo sobre os pagamentos efetuados pela JBS a cada um deles simulando verbas de participação nos lucros e resultados. No Auto de Infração foi aplicada a multa de ofício qualificada (150%), em relação aos pagamentos de PLR intermediados por outras pessoas jurídicas, na forma do art. 35-A da Lei 8.212/1991 c/c o § 1.º do art. 44 da Lei 9.430/1996. Fl. 10025DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 2202-006.087 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15956.720144/2018-00 Foi imputada responsabilidade solidária e pessoal aos diretores/administradores da empresa autuada Srs. Wesley Mendonça Batista (CPF 364.873.921-20), Eliseo Santiago Perez Fernandez (CPF 412.811.954-72), Jeremiah Alphonsus O’Callaghan (CPF 012.266.188-55) e Francisco de Assis e Silva (CPF 545.102.019-15), nos termos do inciso III do art. 135 do CTN, por atos praticados por excesso de poderes ou infração de leis. Houve a elaboração de Representação Fiscal Para Fins Penais (RFFP), pela ocorrência, em tese, do delito de sonegação fiscal de contribuição social, capitulado no art. 337-A, inciso III, do Código Penal Brasileiro (com a redação dada pela Lei 9.983, de 14/07/2000). Da Ciência do Lançamento Fiscal. O sujeito passivo autuado tomou ciência do lançamento em 30/11/2018, por meio de sua Caixa Postal (fls. 9.432). As pessoas físicas qualificadas como responsáveis solidárias foram cientificados do lançamento e dos respectivos termos de sujeição passiva solidária, via postal, em 30/11/2018: Eliseo Santiago Perez Fernandez; Wesley Mendonça Batista; Francisco de Assis e Silva. Já Sr. Jeremiah Alphonsus O’Callaghan, tomou ciência em 18/12/2018. Da Impugnação ao lançamento A impugnação, que instaurou o contencioso administrativo fiscal, dando início e delimitando os contornos da lide, foi apresentada pelo contribuinte em 26/12/2018 (e-fls. 9.441/9.469) e pelos solidários, estes de forma conjunta (Wesley Mendonça Batista, Francisco de Assis e Silva, Jeremiah Alphonsus O’Callaghan e Eliseo Santiago Perez Fernandez), em 28/12/2018 (e-fls. 9.516/9.548). Em suma, controverteu-se, contribuinte e solidários, na forma apresentada nas respectivas razões de inconformismo (e-fls. 9.441/9.469 – Contribuinte; e-fls. 9.516/9.548 – Solidários), conforme bem relatado na decisão vergastada (e-fls. 9.603/9.638), pelo que peço vênia para reproduzir: Das Impugnações Em 26/12/2018, foi apresentada impugnação da empresa autuada (fls. 9.443/9.469). Em 28/12/2018, foi apresentada impugnação conjunta dos responsáveis solidários, instrumento de fls. 9.516/9.566. As impugnações aduzem, em síntese, o que segue. Impugnação da Empresa JBS S/A Importa registrar que, em essência, no tocante aos tópicos a seguir, tem-se argumentos comuns nas razões e fundamentos das impugnações apresentadas pela empresa JBS S/A e pelos responsáveis solidários. Da Preliminar Da Alegada Afronta ao art. 142 do CTN e Não Incidência de Contribuições Previdenciárias Alegam que os lançamentos são insubsistentes por clara afronta ao artigo 142 do CTN e, portanto, devem ser cancelados. Discorrem sobre o princípio da “prevalência da essência sobre a forma” e concluem que, para fins de tributação, devem ser alcançados os fatos efetivamente praticados pelo contribuinte (ou seja, a “realidade fática” ou a “verdade material”), e não os que “aparentam” terem sido praticados. E, no caso concreto, dizem que [...] (i) na essência, os pagamentos foram efetuados pela Impugnante a título de PLR para segurados empregados e contribuintes individuais, e (ii) que a fiscalização não questionou o programa de Participação nos Lucros e Resultados da Impugnante, de modo que a conclusão é peremptória e categórica: não deve ser admitida a tributação pretendida pelo auto de infração em discussão. Fl. 10026DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 2202-006.087 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15956.720144/2018-00 Acrescentam que o suposto "ilícito" indicado no Termo de Verificação Fiscal, por si só, não constitui motivação adequada e suficiente para afastar a isenção legal prevista para a PLR e fundamentar a exigência de contribuições previdenciárias, de modo que o auto de infração afronta o disposto no artigo 142 do CTN. Seguem, argumentando que, em homenagem aos princípios da "prevalência da essência sobre a forma" e da "verdade material", a "forma" adotada pela JBS S/A para o pagamento de parte da PLR é absolutamente irrelevante. Pedem que sejam providas as impugnações para cancelar integralmente os autos de infração lavrados. Do Mérito Da Inexigibilidade de Contribuições Previdenciárias sobre a PLR paga pela JBS Sustentam que a natureza jurídica de todos os pagamentos, embora intermediados por outras pessoas jurídicas, é de PLR e, em relação às pessoas físicas cujos CPFs foram listados nas peças de defesa, o pagamento ocorreu uma única vez nos anos de 2013, 2014, 2015 e 2016 (ou receberam um valor inicial mais um complemento) observando as regras da Lei n.º 10.101/00, de modo que deve ser cancelada a exigência de contribuições previdenciárias. Dizem que os pagamentos efetuados a título de PLR pela JBS S/A foram um só, tendo uma parte sido paga diretamente pela autuada (a parte que foi informada na folha de salários) e a parte remanescente intermediada por outras pessoas jurídicas. Aduzem que mesmo no caso em que os pagamentos foram integralmente intermediadas por outras pessoas jurídicas, as pessoas físicas receberam participação nos lucros e resultados apenas em um único mês dos anos de 2013, 2014, 2015 e 2016. E, uma vez demonstrado que a parcela representativa dos pagamentos observou a periodicidade e o limite previstos na Lei n.º 10.101/00, deve ser reconhecida à isenção prevista na alínea “j” do § 9.º do artigo 28 da Lei n.º 8.212/91. Alegam que em todos os casos foram observadas as regras da Lei n.º 10.101/00, de modo que [...] (i) os pagamentos foram efetuados a título de PLR; (ii) o programa de PLR da Impugnante não foi questionado pela fiscalização; e (iii) as referidas pessoas físicas receberam uma única PLR nos anos de 2013, 2014, 2015 e 2016 (valor inicial + complemento), deve ser cancelada a exigência de contribuições previdenciárias. Da PLR Paga aos Contribuintes Individuais Em relação aos 04 contribuintes individuais, alegam que as pessoas físicas (CPF’s ns.º 601.694.359-20, 273.208.668-11, 048.516.828-67 e 024.961.187-24), receberam Participação nos Lucros e Resultados apenas em um único mês do ano de 2014, tendo sido integralmente intermediada por pessoas jurídicas. Sustentam que, embora os pagamentos tenham sido intermediados por pessoas jurídicas, o pagamento da PLR observou as regras da Lei n.° 10.101/00 o que afasta a incidência de contribuições previdenciárias. Argumentam que a PLR paga a contribuintes individuais também está amparada pela regra de isenção prevista na alínea “j” do § 9.º do artigo 28 da Lei n.º 8.212/91, porque não há qualquer restrição ou limitação no artigo 7.º da Constituição Federal de 1988 e na Lei n.º 10.101/00. Da Não Incidência de Contribuições Previdenciárias Sobre Bônus de Contratação e Indenização por Desligamento Postulam o afastamento da incidência de contribuição previdenciária sobre os valores pagos diretamente pela JBS S/A, uma única vez em 2014, às pessoas físicas: CPF n.º 818.019.639-91, que recebeu diretamente da autuada bônus de contratação e CPF n.º 195.530.718-05, que recebeu indenização pelo seu desligamento da empresa. Para fundamentar tal pretensão, afirmam que tais pagamentos não têm natureza remuneratória do trabalho, os valores pagos a esses segurados não se referem à Participação nos Lucros e Resultados e não foram pagos de forma habitual, de modo que a exigência da contribuição previdenciária deve ser afastada. Dizem que tanto o bônus de contratação, quanto à indenização pelo desligamento, não são frutos de contrato que os relacione com a contraprestação do exercício do trabalho. Informam que [...] o Bônus de contratação é a indenização oferecida pela empresa a um empregado que ela tenha interesse de contratar, pelo abandono que este empregado teria de expectativa de ganhos na atividade anterior. Representa um convite Fl. 10027DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 2202-006.087 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15956.720144/2018-00 de risco com prévia indenização para que este empregado aceite a contratação já previamente indenizado, justamente em razão do aceite desse risco, de largar algo estável e certo, ou até mesmo sua autonomia por algo novo (relação de emprego). Em conclusão, dizem que em razão da ausência de habitualidade e por não configurar remuneração advinda do exercício de um trabalho, a CLT não trata do bônus de contratação e o § 9.º do artigo 28 da Lei n.º 8.212/91 não determina que o bônus de contratação e a indenização pelo desligamento devam compor o salário-de-contribuição. Da Multa de Ofício Qualificada em 150% Alegam a ausência de prova, nos autos, dos fatos necessários para ensejar a qualificação da multa de ofício em 150%. Dizem que a conduta da JBS S/A em assumir a existência de pagamentos efetuados a título de PLR por intermédio de outras pessoas jurídicas e prontamente disponibilizar à fiscalização todas as informações e documentos necessários para a lavratura do auto de infração, não se enquadra nos tipos penais previstos nos artigos 71 (sonegação), 72 (fraude) e 73 (conluio) da Lei n.º 4.502/64. Seguem argumentando que o suposto ilícito, apontado pela fiscalização, não tem impacto no recolhimento de contribuições previdenciárias e não constitui motivação adequada e suficiente para a lavratura de auto de infração, e, com mais razão, para a qualificação da multa de ofício em 150%, a qual deve cancelada. Traz jurisprudência do CARF sobre a matéria. Pedem que seja cancelada a qualificação da multa de ofício em 150%. Da Decadência As Impugnantes afirmam que promoveram o recolhimento de contribuições previdenciárias sobre a folha de salários de modo que os autos de infração estão a exigir supostas diferenças. E, uma vez afastada a acusação fiscal de prática de condutas previstas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502/64, impõe-se a observância do § 4.º do artigo 150 do Código Tributário Nacional, já que se trata de tributo sujeito ao lançamento por homologação, com pagamento antecipado. Reforçam seus argumentos aduzindo que [...] (i) com o cancelamento da qualificação da multa de ofício em 150%; (ii) havendo pagamento antecipado, nos termos exigidos pela Súmula CARF n.º 99, e (iii) tendo em vista que o auto de infração foi lavrado em 30/11/2018, e tem por objeto supostos fatos geradores dos meses de janeiro a dezembro de 2013, deve ser aplicada a regra do § 4.º do artigo 150 do Código Tributário Nacional, reconhecendo-se parcialmente a extinção dos créditos tributários pela decadência. Da Incidência de Juros de Mora sobre a Multa de Ofício Sustentam que não tem fundamento legal a exigência dos juros de mora sobre a multa de ofício quando esta for exigida em conjunto com o tributo supostamente devido (e não isoladamente). Asseguram que, a considerar a cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício, quando exigida em conjunto com o tributo, seria admitir contradição aos próprios termos do artigo 161 do Código Tributário Nacional, pois este dispositivo, em sua parte final, além da cobrança dos juros de mora sobre o crédito inadimplido, resguarda a "imposição das penalidades cabíveis" sobre este crédito inadimplido. Frisam que, como parte do crédito tributário autuado versa sobre a cobrança de multa de ofício, é certo que sobre esta penalidade pecuniária não devem ser exigidos os juros de mora, ante a inexistência de dispositivo legal neste sentido. Dos Pedidos Requerem o recebimento e provimento das Impugnações, para cancelar integralmente os autos de infração lavrados. Requerem ainda que, durante todo o curso do presente processo, todas as publicações e intimações sejam realizadas em nome de FABIO AUGUSTO CHILO, OAB/SP 221.616, com escritório profissional sito à Avenida Marginal Direita do Tietê, 500, Vila Jaguara, São Paulo/SP, CEP 05.118-100. Impugnação dos Responsáveis Solidários (art. 135, inciso III do CTN) Os Srs. Wesley Mendonça Batista, Eliseo Santiago Perez Fernandez, Jeremiah Alphonsus O’Callaghan e Francisco de Assis e Silva, qualificados, nos autos, como Fl. 10028DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 2202-006.087 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15956.720144/2018-00 responsáveis solidários, apresentaram impugnação em conjunto, por meio da qual alegam que não pode prosperar a responsabilidade solidária a eles imputada pela Fiscalização, haja vista que não há provas de que os Impugnantes teriam praticado atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, de modo que não há que se falar em obrigação tributária resultante de “seus atos”, o que afasta a responsabilidade preconizada no inciso III do art. 135 do CTN. Seguem argumentando que é indevida a responsabilidade solidária a eles imputada (inciso III do art. 135, do Código Tributário Nacional) porque não há provas, nos autos, de que eles teriam praticado os fatos alegados pela Fiscalização, de modo que não devem ser responsabilizados pelo crédito tributário formalizado contra a pessoa jurídica. Afirmam que não houve qualquer descrição individual e específica das condutas de cada administrador que pudesse caracterizar quaisquer das hipóteses descritas no art. 135 do CTN; que não restou demonstrada de forma clara e precisa a participação efetiva, exclusiva e dolosa dos Impugnantes no sentido de agir pessoalmente/individualmente para a prática das condutas elencadas no relatório; que o não pagamento de tributo não é suficiente para ensejar a responsabilidade pessoal dos administradores. Trazem julgados do STJ e do CARF sobre a matéria. Seguem argumentando que para responsabilizar aqueles que exercem administração da sociedade, nos termos do dispositivo supracitado, é necessária a comprovação de que tenha efetivamente praticado atos com excesso de poder ou infração de lei, contrato social ou estatutos, o que não ocorreu no caso concreto. Pedem que seja dado provimento a Impugnação para determinar a exclusão dos impugnantes do polo passivo como devedores solidários. Dos Pedidos Requerem o recebimento e provimento da Impugnação para cancelar integralmente o auto de infração lavrado. Também requerem que, durante todo o curso do presente feito, todas as publicações e intimações sejam realizadas em nome de FABIO AUGUSTO CHILO, OAB/SP 221.616, com escritório profissional sito à Avenida Marginal Direita do Tietê, 500, Vila Jaguara, São Paulo/SP, CEP 05118-100. Do Acórdão de Impugnação As teses da defesa não foram acolhidas pela DRJ (e-fls. 9.603/9.638), primeira instância do contencioso tributário. Na decisão a quo foram refutadas cada uma das insurgências do contribuinte e dos solidários por meio de razões baseadas nos seguintes tópicos: a) Preliminar de Decadência; b) Preliminar de Afronta ao art. 142 do CTN e Não Incidência de Contribuições Previdenciárias; c) Do Lançamento Relativo aos Segurados Empregados e Contribuintes Individuais; d) Da PLR paga aos Segurados Empregados; e) Da PLR paga aos Contribuintes Individuais; f) Dos Pagamentos Realizados a Título de Bônus de Contratação e Indenização por Desligamento. Alegação de não Incidência de Contribuições Previdenciárias; g) Da Multa de Ofício Qualificada em 150%; h) Da Incidência de Juros de Mora sobre a Multa de Ofício; i) Da Sujeição Passiva Solidária (art. 135, inciso III do CTN); e j) Das intimações. Encaminhamento. Ao final, consignou-se que votava no sentido de rejeitar as preliminares e, no mérito, em julgar Improcedentes as Impugnações do contribuinte (JBS S.A.) e dos responsáveis solidários, mantendo-se o crédito tributário exigido e a sujeição passiva solidária imputada aos administradores (inciso III do art. 135 do CTN). Do Recurso Voluntário do Contribuinte No recurso voluntário do Contribuinte, interposto em 05/06/2019 (e-fls. 9.758/9.802), o sujeito passivo reitera termos da impugnação e postula, primeiro, a nulidade da Fl. 10029DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 13 do Acórdão n.º 2202-006.087 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15956.720144/2018-00 decisão de piso. Subsidiariamente, a reforma da decisão de primeira instância, a fim de cancelar os autos de infração. Na peça recursal aborda os seguintes capítulos para devolução da matéria ao CARF: a) Da preliminar de nulidade da decisão por cerceamento do direito de defesa – Ausência de apreciação de argumentos do contribuinte (afronta ao inciso II do art. 59 do Decreto n.º 70.235, de 1972); b) Da insubsistência do lançamento tributário – Afronta ao artigo 142 do CTN; c) Da PLR paga pela recorrente aos segurados empregados; d) Da PLR observância de periodicidade e limite previstos na Lei n.º 10.101, de 2000 (Pessoas físicas receberam PLR apenas em um único mês, sendo uma parcela informada na folha de salários e a parcela remanescente foi intermediada por PJ; Pessoas físicas receberam PLR apenas em um único mês, tendo sido integralmente intermediada por PJ; Pessoas físicas receberam PLR em um determinado mês e o valor complementar em mês subsequente; Pessoas físicas receberam duas vezes PLR, observando o prazo de três meses; PLR paga a contribuintes individuais); e) Não incidência de contribuições previdenciárias sobre bônus de contratação (Hiring Bonus) e indenização por desligamento; f) Da limitação das contribuições previdenciárias devidas aos Terceiros – Art. 4.º, § 1.º, da Lei n.º 6.950, de 1981; g) Improcedência da qualificação da multa de ofício em 150%; h) Da decadência; e i) Subsidiariamente, não incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Do Recurso Voluntário dos Solidários No recurso voluntário apresentado em conjunto pelos Solidários, interposto em 06/06/2019 (e-fls. 9.805/9.858), os responsáveis tributários reiteram termos da impugnação e postulam, primeiro, a nulidade da decisão de piso. Subsidiariamente, a reforma da decisão de primeira instância, a fim de cancelar os autos de infração. Na peça recursal abordam os seguintes capítulos para devolução da matéria ao CARF: a) Da ausência de prova dos requisitos necessários para aplicação do art. 135, III, do CTN; b) Da insubsistência do lançamento tributário – Afronta ao artigo 142 do CTN; c) Da PLR paga pela JBS aos segurados empregados; d) Da PLR observância de periodicidade e limite previstos na Lei n.º 10.101, de 2000 (Pessoas físicas receberam PLR apenas em um único mês, sendo uma parcela informada na folha de salários e a parcela remanescente foi intermediada por PJ; Pessoas físicas receberam PLR apenas em um único mês, tendo sido integralmente intermediada por PJ; Pessoas físicas receberam PLR em um determinado mês e o valor complementar em mês subsequente; Pessoas físicas receberam duas vezes PLR, observando o prazo de três meses; PLR paga a contribuintes individuais); e) Não incidência de contribuições previdenciárias sobre bônus de contratação (Hiring Bonus) e indenização por desligamento; f) Da limitação das contribuições previdenciárias devidas aos Terceiros – Art. 4.º, § 1.º, da Lei n.º 6.950, de 1981; g) Improcedência da qualificação da multa de ofício em 150%; h) Da decadência; e i) Subsidiariamente, não incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Do Aditamento do Recurso Voluntário dos Solidários No Aditamento do recurso voluntário (e-fls. 9.866/9.890), apresentado em conjunto pelos Solidários, com documentos (e-fls. 9.893/9.990), em 10/07/2019, os responsáveis tributários alegam questões de ordem pública e o esclarecimento da verdade material. Requerem o reconhecimento da(s) nulidade(s) e a aplicação do REsp Repetitivo n.º 1.101.728 para reconhecer que a responsabilidade veiculada no art. 135 do CTN é subsidiária e não solidária. Fl. 10030DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 14 do Acórdão n.º 2202-006.087 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15956.720144/2018-00 Superadas as preliminares, reconhecer que os recorrentes não possuíam competência para deliberar sobre pagamentos ou forma de pagamento. Subsidiariamente, se necessário, considerando que os documentos estão na posse da empresa, converter o julgamento em diligência para apurar a realidade dos fatos. Subsidiariamente, afastar, ao menos, o lançamento relativo a contribuintes individuais. Na peça de Aditamento abordam os seguintes capítulos: a) Do cabimento do aditamento; b) Preliminar de nulidade por indevida inovação do critério jurídico da autuação fiscal na decisão da DRJ; c) Preliminar de nulidade por falta de indicação de conduta específica; d) Preliminar de nulidade por incorreto enquadramento da natureza da responsabilidade prevista no art. 135, III, do CTN; e) Improcedência dos argumentos da DRJ – Impossibilidade de imputação de responsabilidade com base no art. 135, III, do CTN, indivíduos que não poderiam deliberar sobre a forma de pagamento do PLR; f) Os pagamentos de PLR para empregados; e g) Os pagamentos de PLR para contribuintes individuais. Demais atos do processo e encaminhamento ao CARF Estes autos estão sendo julgados na mesma sessão de julgamento do Processo n.º 15956.720241/2017-11, que decorre do mesmo procedimento fiscal (0816500.2017.01144), tendo sido juntado no caderno processual o Termo de Ciência de Lançamentos e Encerramento Parcial daquele procedimento fiscal (e-fls. 6/7). Consta nos autos Termo de Apensação deste feito ao Processo n.º 15956.720145/2018-46 (e-fl. 9.433), Representação Fiscal para Fins Penais. Consta nos autos informação sobre não ter havido requisição dos autos para apresentação de contrarrazões pela PGFN, conforme dossiê 10040.000014/1016-22 (e-fl. 9.991). Em 28/02/2020, próximo ao julgamento, o recorrente principal requereu a juntada aos autos de “parecer” técnico jurídico, tendo sido deferida a juntada. Desde logo, consigno que o parecer será entendido como memoriais. Nele são reiterados os termos da defesa. Os autos foram encaminhados para este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), sendo distribuído por sorteio público e eletrônico para este Conselheiro Relator. É o que importa relatar. Passo a devida fundamentação analisando, primeiramente, o juízo de admissibilidade e, se superado este, o juízo de mérito para, posteriormente, finalizar com o dispositivo. Voto Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, Relator. Admissibilidade do Recurso Voluntário do Contribuinte O Recurso Voluntário não atende a todos os pressupostos de admissibilidade. Fl. 10031DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 15 do Acórdão n.º 2202-006.087 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15956.720144/2018-00 O recurso é tempestivo (notificação do Contribuinte em 07/05/2019, e-fl. 9.750, protocolo recursal em 05/06/2019, e-fls. 9.758/9.760, e despacho de encaminhamento, e-fl. 9.860), tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o Processo Administrativo Fiscal, bem como resta adequada a representação processual, inclusive contando com advogado regularmente habilitado, de toda sorte, anoto que, conforme a Súmula CARF n.º 110, no processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo, sendo a intimação destinada ao contribuinte. Todavia, existe fato extintivo do poder de recorrer relativo à preclusão consumativa que se operou quanto à matéria não apresentada na impugnação, não controvertida tempestivamente nos autos e constante como inovação no recurso voluntário, qual seja, a alegação relativa ao pedido subsidiário, caso mantido o lançamento, “Da limitação das contribuições previdenciárias devidas aos Terceiros (art. 4.º, § 1.º, da Lei n.º 6.950, de 1981)”. É que na impugnação essa temática não é questionada. Não há uma só linha tratando do assunto e a DRJ não se pronunciou sobre a matéria. Ora, os arts. 14, 16 e 17 do Decreto n.º 70.235, de 1972, dispõem que: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. (...) Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei n.º 8.748, de 1993) (...) Art. 17. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei n.º 9.532, de 1997). Desta forma, nos termos dos arts. 14 a 17 do Decreto n.º 70.235/72, acima transcritos, a fase litigiosa do processo administrativo fiscal somente se instaura se apresentada a impugnação contendo as matérias que delimitam expressamente os limites da lide, sendo elas submetidas à primeira instância para apreciação e decisão, tornando possível a veiculação de recurso voluntário em caso de inconformismo com as matérias julgadas, não se admitindo conhecer de inovação em sede de recurso. A competência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) circunscreve-se ao julgamento de “recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial”, de forma que não se aprecia a matéria não impugnada ou não julgada para enfrentamento em sede de revisão. Se determinada matéria não foi impugnada ocorreu a preclusão consumativa, tornando inviável aventá-la em sede de recurso voluntário como uma inovação e, por isso mesmo, a DRJ não se pronunciou sobre tema não suscitado. Sendo assim, conheço em parte do recurso voluntário (e-fls. 9.758/9.802), deixando de apreciar, se necessário for, a alegação relativa ao pedido subsidiário, caso mantido o lançamento, “Da limitação das contribuições previdenciárias devidas aos Terceiros (art. 4.º, § 1.º, da Lei n.º 6.950, de 1981)”. Fl. 10032DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 16 do Acórdão n.º 2202-006.087 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15956.720144/2018-00 Admissibilidade do Recurso Voluntário dos Solidários, integrado por Aditamento O Recurso Voluntário dos solidários (e-fls. 9.805/9.858), integrado por aditamento (e-fls. 9.866/9.890), não atende a todos os pressupostos de admissibilidade. O recurso voluntário principal dos solidários (e-fls. 9.805/9.858) é tempestivo (notificação do Solidário Eliseo Santiago Perez Fernandez em 09/05/2019, e-fl. 9.752, do Solidário Wesley Mendonça Batista em 10/05/2019, e-fl. 9.757, do Solidário Jeremiah Alphonsus O’Callaghan em 04/06/2019, e-fls. 9.753/9.756, do Solidário Francisco de Assis e Silva em 10/06/2019, e-fl. 9.863, protocolo recursal em 06/06/2019, e-fl. 9.805, e despacho de encaminhamento, e-fl. 9.860), tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o Processo Administrativo Fiscal, bem como resta adequada a representação processual, inclusive contando com advogado regularmente habilitado, de toda sorte, anoto que, conforme a Súmula CARF n.º 110, no processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo, sendo a intimação destinada ao contribuinte. No entanto, o ADITAMENTO (e-fls. 9.866/9.890) apresentado em conjunto pelos Solidários não deve ser admitido, tendo em vista a preclusão consumativa que decorreu da interposição do recurso voluntário originariamente interposto pelos solidários (e-fls. 9.805/9.858). Veja-se que a Súmula CARF n.º 71 permite que todos os arrolados como responsáveis tributários na autuação possam recorrer, no entanto, se o exercício já foi exercido por um deles, então, para este, opera-se a preclusão consumativa. Neste sentido, conferir: Acórdão n.º 1302-003.356, datado de 23/01/2019 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Ano-calendário: 2007 OMISSÃO – FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO PARA DESCONSIDERAÇÃO DE TESE TRAZIDA COMO ADITAMENTO À RECURSO VOLUNTÁRIO. A falta de declinação dos motivos de fato e direito encerra o acolhimento de embargos de declaração a fim de se construir a respectiva fundamentação e assim sanar a omissão apontada. PROCESSUAL – PRECLUSÃO CONSUMATIVA – INOVAÇÃO DA CAUSA DE PEDIR APÓS A INTERPOSIÇÃO DE RECURSO VOLUNTÁRIO FORA DAS HIPÓTESES DO ART. 16, § 4.º, DO DECRETO 70.235 – IMPOSSIBILIDADE. O pedido deve ser compreendido, e limitado, pela causa de pedir efetivamente deduzida pelo contribuinte na primeira oportunidade legalmente prevista, conforme previsão contida no art. 17 do Decreto 70.235, somente se autorizando a inovar dentro das situações expressamente autorizadas pelo art. 16 do mesmo diploma processual administrativo. A despeito de alegar que o aditamento traria exclusivamente questões de ordem pública e temas pertinentes a fatos, no escopo de aclarar a verdade material, os tópicos do aditamento demonstram (conferir parte específica do relatório delineado em linhas pretéritas) que o objetivo do recorrente, através de novo patrono e banca de advocacia, é “reapresentar” o recurso em substituição ao originalmente interposto. Fl. 10033DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 17 do Acórdão n.º 2202-006.087 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15956.720144/2018-00 Demais disto, para o recurso voluntário originalmente apresentado pelos solidários (e-fls. 9.805/9.858), existe fato extintivo do poder de recorrer relativo à preclusão consumativa que se operou quanto à matéria não apresentada na impugnação dos solidários, não controvertida tempestivamente nos autos e constante como inovação no recurso voluntário dos solidários, qual seja, a alegação relativa ao pedido subsidiário, caso mantido o lançamento, “Da limitação das contribuições previdenciárias devidas aos Terceiros (art. 4.º, § 1.º, da Lei n.º 6.950, de 1981)”. É que na impugnação dos solidários essa temática não é questionada. Não há uma só linha tratando do assunto e a DRJ não se pronunciou sobre a matéria. Sendo assim, conheço em parte do recurso voluntário dos solidários (e-fls. 9.805/9.858), deixando de conhecer do aditamento (e-fls. 9.866/9.890) e deixando de apreciar, se necessário for, a alegação relativa ao pedido subsidiário, caso mantido o lançamento, “Da limitação das contribuições previdenciárias devidas aos Terceiros (art. 4.º, § 1.º, da Lei n.º 6.950, de 1981)”. De toda sorte, eventuais verdadeiras questões efetivamente de ordem pública ou matérias exclusivamente de fato, serão enfrentadas naturalmente na análise do recurso voluntário originário dos solidários (e-fls. 9.805/9.858), assim como se analisará eventual aplicação do Recurso Repetitivo REsp 1.101.728. Apreciação de preliminar antecedente a análise do mérito em relação ao Recurso Voluntário do Contribuinte e dos Solidários - Preliminar de nulidade do lançamento por vício material insanável (Da insubsistência do lançamento tributário – Afronta ao artigo 142 do CTN) Observo que a recorrente e os solidários requereram o cancelamento integral dos autos de infração lavrados, sob o argumento de que os fatos apontados pela fiscalização não seriam suficientes para legitimar e provar a acusação fiscal, isto porque os lançamentos seriam manifestamente insubsistentes por afronta ao art. 142 do CTN. Em suma, entendo que se postulou, em realidade, seja reconhecida a nulidade e cancelados os lançamentos. Alega a defesa, de forma mais direta, invocando o princípio da “prevalência da essência sobre a forma” e da “verdade material”, que o suposto ilícito não constitui motivação adequada e suficiente para afastar a isenção [imunidade] legal prevista para a PLR e fundamentar a exigência de contribuições previdenciárias. Assevera que a autuação se deu por pagamentos efetuados pela JBS (e questionados pela fiscalização), os quais foram intermediados por pessoas jurídicas interpostas. Diz a JBS que: “Na essência, a Recorrente efetuou o pagamento de uma parte da PLR sem o desconto do IRRF. Por isso, o pagamento de parte da PLR foi formalizada e documentada por intermédio de outras pessoas jurídicas.” (e-fl. 9.772; e e-fl. 9.824, solidários) Acrescenta a JBS que (e-fl. 9.773; e e-fl. 9.824, solidários): [O] que precisa ficar absolutamente claro é que, tanto os pagamentos que foram informados nas folhas de salários (e igualmente não tributados pelas contribuições previdenciárias), quanto os pagamentos que, apenas para formalização e documentação, foram intermediados por outras pessoas jurídicas, têm a mesma natureza jurídica e estão Fl. 10034DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 18 do Acórdão n.º 2202-006.087 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15956.720144/2018-00 inseridos no mesmo programa de participação nos lucros e resultados mantido pela JBS S/A. Assim, indaga-se: Por qual motivo os pagamentos a título de PLR informados nas folhas de salários estariam sujeitos à isenção de contribuições previdenciárias (como reconhecido pela fiscalização), e os pagamentos a título de PLR que, apenas para fins de formalização e documentação, foram intermediados por outras pessoas jurídicas, não estariam sujeitos à regra de isenção prevista na alínea “j” do § 9º do artigo 28 da Lei nº 8.212/91? As ilações indicadas pela fiscalização (e encampadas na r. decisão recorrida) não respondem essa indagação de forma convincente e suficiente. Continua, ainda, sustentando que (e-fl. 9.776; e e-fl. 9.827, solidários): [E]m homenagem aos princípios da “prevalência da essência sobre a forma” e da “verdade material”, a “forma” adotada pela Recorrente para o pagamento de parte da PLR é absolutamente irrelevante e também não encontra óbice na Lei n.º 10.101. Além disso, a conduta consistente na formalização e documentação de parte da PLR por intermédio de outras pessoas jurídicas, quando muito, teria implicado o não recolhimento de IRRF e, desse modo, deve repercutir nas pessoas físicas, não constituindo, portanto, causa suficiente para exigência de contribuições previdenciárias da Recorrente, até porque, repita-se, o programa de participação nos lucros e resultados mantido pela Recorrente não foi questionado pela fiscalização. Cabe repetir que a Recorrente tem notícia de que as pessoas físicas sofreram a lavratura de autos de infração (o que, aliás, pode ser confirmado pela própria Receita Federal do Brasil), justamente para formalizar a exigência do IRPF sobre a parte da PLR intermediada por outras pessoas jurídicas, inclusive acrescida da multa de ofício qualificada em 150% e dos juros de mora. Se assim é, o suposto “ilícito” já teria sido reparado mediante a lavratura de autos de infração contra as pessoas físicas e a exigência do único imposto que incidia nos pagamentos efetuados a título de PLR pela Recorrente. Pois bem. Inicialmente, afirmo que a “participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa”, regulamentada atualmente pela Lei n.º 10.101, de 2000, com suas alterações, é de vital importância à integração entre capital e trabalho. A referida verba denominada abreviadamente de PLR tem nascedouro, inclusive, antes mesmo da Constituição de 1988. Aliás, no momento antecedente a sua regulamentação, a partir da Medida Provisória n.º 794, de 1994, inexistia não incidência da contribuição previdenciária sobre a referida verba 1 , de toda sorte, o constituinte originário, objetivando incentivar ainda mais a prática pelos empregadores, previu a possibilidade de lei regulamentadora instituir a benesse aos empregados com não incidência da contribuição previdenciária. Dito isto, afirmo que a fiscalização constatou (e o fato não é negado pela defesa) que alguns segurados empregados e alguns segurados contribuintes individuais receberam “pagamentos” via pessoas jurídicas interpostas e tais valores tiveram suas saídas escrituradas contabilmente na escrita da JBS como PLR, ainda que suportadas em notas fiscais das interpostas pessoas. 1 Deveras, o Supremo Tribunal Federal, no RE n.º 569.441 (Tema 344 da Repercussão Geral/STF), confirmou a eficácia limitando ao consolidar o entendimento da não incidência da contribuição previdenciária sobre a referida verba somente após a regulamentação do artigo 7.º, inciso XI, da Constituição Federal, o que se deu após o advento da MP n.º 794, de 1994, a qual, após sucessivas reedições, inclusive com mudança de numeração, foi, finalmente, convertida na Lei n.º 10.101, de 2000, atualmente em vigor. Foi firmada a tese: "Tema 344 da Repercussão Geral/STF. Incide contribuição previdenciária sobre as parcelas pagas a título de participação nos lucros no período que antecede a entrada em vigor da Medida Provisória 794/1994, que regulamentou o art. 7.º, XI, da Constituição Federal de 1988." Fl. 10035DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 19 do Acórdão n.º 2202-006.087 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15956.720144/2018-00 Tais pagamentos de PLR ocorreram via pessoas jurídicas interpostas (chamadas pela fiscalização de “noteiras”), as quais emitiam notas fiscais de prestação de serviços (que não ocorreram e não tinham suporte em qualquer contrato) 2 tendo a JBS (Recorrente) como tomadora dos serviços e esta efetuava os pagamentos para os segurados (empregados ou contribuintes individuais) por “suposta conta e ordem das noteiras”, uma vez que “era apresentado para o setor financeiro da JBS” um “instrumento particular de cessão de direitos creditícios”, firmado entre o segurado e a respectiva noteira relacionada, tudo com anuência da JBS (da sua Administração). Mesmo o caso do suposto pagamento de Bônus de Contratação (Hiring Bonus), que a defesa diz estar correto e ser igualmente objeto do lançamento, a resposta dá conta também do pagamento da tal PLR intermediado por interposta pessoa jurídica para o segurado recebedor do dito bônus (e-fls. 5.981/6.001, 6.006/6.007 e 6.019/6.020 – Segurado “Gilmar Schumacher”) e o tal bônus foi contabilmente escriturado na conta contábil destinado aos tais pagamentos de PLR. Diante de tais apontamentos e face aos autos de infração com a descrição dos fatos relacionados à apontada infração, substanciados por seus elementos integrativos, como, por exemplo, o fundamento legal, o demonstrativo de apuração, o demonstrativo de multa e juros de mora, o demonstrativo dos responsáveis tributários (solidários) e o relatório fiscal, além dos documentos colacionados, entendo que inexiste nulidade. É que estando à fiscalização, em procedimento administrativo regular, convencida da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária (pagamentos que a autoridade administrativa entende serem sujeitas à incidência de contribuições) e tendo, a partir desta ótica, determinado a matéria tributável, calculado o montante do tributo devido, identificado o sujeito passivo e os responsáveis e proposto a aplicação da penalidade cabível, então agiu conforme lhe ordena a lei na sua atividade privativa, vinculada e obrigatória, aliás, se não o fizesse, estaria sujeita a pena de responsabilidade funcional. Se o lançamento deve ser cancelado, ou não, é caso de análise meritória a ser enfrentado em breve no decorrer deste voto. De mais a mais, obiter dictum, não há que se falar em nulidade ou mesmo em cerceamento ou preterição do direito de defesa quando a autoridade lançadora indicou expressamente as infrações imputadas ao sujeito passivo e observou todos os demais requisitos constantes do art. 10 do Decreto n.º 70.235, de 1972, reputadas ausentes às causas previstas no art. 59 do mesmo diploma legal, ainda mais quando, efetivamente, mensurou motivadamente os fatos que indicou para imputação, estando determinada a matéria tributável, tendo identificado o “fato imponível”. O relatório fiscal, em conjunto com os documentos acostados, atendeu plenamente aos requisitos estabelecidos pelo art. 142, do CTN, bem como pela legislação federal atinente ao processo administrativo fiscal (Decreto n.º 70.235/1972), pois descreve os fatos que deram ensejo à constituição do apontado crédito tributário, caracterizando-os como fatos geradores e fornecendo todo o embasamento legal e normativo para o lançamento. 2 Simulação de serviços. Fl. 10036DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 20 do Acórdão n.º 2202-006.087 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15956.720144/2018-00 Ou, em outras palavras, o auto de infração está revestido de todos os requisitos legais, uma vez que o fato gerador foi minuciosamente explicitado no relatório fiscal, a base legal do lançamento foi demonstrada e todos os demais dados necessários à correta compreensão da exigência fiscal e de sua mensuração constam dos diversos discriminativos que integram a autuação. Além disto, houve a devida apuração do quantum exigido, indicando-se os respectivos critérios que sinalizam os parâmetros para evolução do crédito constituído. A fundamentação legal está posta e compreendida pelo autuado e pelos responsáveis, tanto que exerceram seus respectivos direitos de defesa bem debatendo o mérito do lançamento. A autuação e o acórdão de impugnação convergem para aspecto comum quanto às provas que identificam a subsunção do caso concreto à norma tributante, estando os autos bem instruídos e substanciados para dá lastro a subsunção jurídica efetivada. Os fundamentos estão postos, foram compreendidos e a recorrente e os solidários exerceram claramente o direito de defesa rebatendo-os, a tempo e modo, em extenso arrazoado para o bom e respeitado debate. Discordar dos fundamentos, das razões do lançamento, não torna o ato nulo, mas sim passível de enfrentamento das razões recursais no mérito. Em suma, não é acertado afirmar que houve violação ao art. 142 do CTN, tampouco é razoável alegar que não há motivação adequada e suficiente ao apontar os fatos geradores indicados nos autos de infração. Além disto, não resta comprovado nos autos qualquer prejuízo para a defesa. Sendo assim, rejeito a preliminar de nulidade. - Preliminar de nulidade da decisão por cerceamento de defesa – Ausência de apreciação de argumentos do contribuinte (afronta ao inciso II do art. 59 do Decreto n.º 70.235, de 1972) Observo que a defesa requer a declaração da nulidade do acórdão de piso, sob alegação de cerceamento de defesa, por não enfrentamento de supostas todas questões postas ao debate. Diz que comprovou a observância da Lei 10.101 e a periodicidade, assim como a ausência de habitualidade e não teria havido pronunciamento sobre os tópicos específicos. Pois bem. Entendo que não assiste razão ao recorrente. Primeiro, eventual erro no julgamento, na interpretação do direito, seria caso, se efetivamente existisse, de reforma da decisão, não de nulidade, sendo tema de mérito. Segundo, o julgador não está obrigado a responder, um a um, a todos os argumentos apresentados pelo interessado, contanto que se baseie em motivo suficiente para fundamentar a decisão, tendo encontrado motivo suficiente para a posição adotada. Aliás, lendo o Termo de Verificação Fiscal juntado aos autos, bem como a impugnação e confrontando-se eles e os demais elementos dos autos com a decisão de piso, constato que, diante do litígio instaurado, a decisão hostilizada enfrentou todas as questões postas a sua apreciação externando as suas razões para firmar sua livre convicção e tecer seu dispositivo. Aliás, entendeu-se que os pagamentos realizados não tem natureza jurídica de PLR, apesar da alegada natureza. Fl. 10037DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 21 do Acórdão n.º 2202-006.087 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15956.720144/2018-00 Não observo error in procedendo do julgador de piso ou mesmo da fiscalização no ato de efetivar o lançamento, aliás a fiscalização bem fundamentou o ato exarado e a decisão de piso apreciou a lide nos pontos fundamentais para tecer seu julgamento. Quando muito, as alegações do recorrente estão ligadas a um suposto error in iudicando da decisão de piso, no que seria um possível equívoco no interpretar o direito positivo face as provas coligidas no caderno processual, portanto não é caso de nulidade da decisão de primeira instância, mas sim, se for a hipótese, de reforma da decisão. Nesta toada, o eventual error in iudicando é enfrentado no debate traçado quanto ao mérito recursal, frente aos argumentos de mérito delineados pela defesa no seu recurso voluntário bem concatenado com muitas laudas de exposição argumentativa. Outrossim, registro que, conforme lição da jurisprudência uníssona do STJ, o julgador não está "obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão." (AgInt no REsp 1662345/RJ, Rel. Ministra REGINA HELENA COSTA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 13/06/2017, DJe 21/06/2017). Isto é, a decisão administrativa não precisa enfrentar todos os argumentos trazidos na peça recursal sobre a mesma questão, principalmente quando os fundamentos expressamente adotados são suficientes para afastar a pretensão da parte recorrente e arrimar juridicamente o posicionamento adotado para a questão enfrentada. Ou, em outras palavras, o julgador não está obrigado a responder, um a um, a todos os argumentos apresentados pelo interessado, contanto que se baseie em motivo suficiente para fundamentar a decisão da respectiva questão. Veja-se que a matéria controvertida foi totalmente julgada pelo juízo a quo, inexistindo, inclusive, qualquer omissão. Eventual inconformismo é caso de debate no mérito. O fato é que inexiste nulidade, não há cerceamento de defesa ou violação ao devido processo legal. Aliás, a autuação e o acórdão de impugnação convergem para aspecto comum interpretativo quanto as provas analisadas, estando os autos bem instruídos e substanciados para a dá lastro a subsunção jurídica efetivada. Em suma, não observo preterição ao direito de defesa, nos termos do art. 59, II, do Decreto n.º 70.235, de 1972. Não constato qualquer nulidade, pois verifico, isto sim, que, pela motivação consignada na decisão recorrida, é possível aferir as razões pelas quais acolheu ou rejeitou as pretensões deduzidas. Depreende-se do acórdão que houve o pronunciamento de forma adequada e suficiente sobre as razões de defesa suscitadas pelo recorrente na impugnação, adotando-se decisão bem delineada quanto as suas conclusões. Portanto, trata-se de decisão adequadamente motivada e fundamentada. Entendeu-se que sequer natureza de PLR possuíam os pagamentos, tampouco natureza de hiring bonus ou de indenização por desligamento. Este é o ponto com o qual não quer se conformar a defesa. De acordo com a peça recursal, a recorrente demonstrou pleno conhecimento dos fundamentos fáticos e jurídicos aduzidos no voto condutor da questionada decisão. Não há error in procedendo, eis a conclusão preliminar. Sem razão o recorrente neste capítulo, rejeito a preliminar. Doravante, passo a analisar o mérito e capitular os temas de enfrentamento, a meu modo, sem prejuízo ao enfrentamento de todas as questões necessárias ao julgamento. Fl. 10038DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 22 do Acórdão n.º 2202-006.087 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15956.720144/2018-00 Mérito em relação ao Recurso Voluntário do Contribuinte e dos Solidários Quanto ao juízo de mérito, passo a apreciá-lo. Inicialmente, conheço da temática envolvendo a decadência, por ser uma prejudicial de mérito. - Decadência A defesa advoga que se operou a decadência. Informa-se que os autos de infração foram lavrados em 30/11/2018 e tem no incluso objeto da autuação supostos fatos geradores dos meses de janeiro a dezembro de 2013. Alega-se que deve ser aplicado ao caso concreto o § 4.º do art. 150 do CTN 3 , pois houve pagamento antecipado e o tributo é sujeito a lançamento por homologação, não podendo se reconhecer condutas previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502, de 1964. Especificamente, relato que a JBS foi notificada em 30/11/2018 (e-fl. 9.431), os solidários Wesley Mendonça Batista, Eliseo Santiago Perez Fernandez e Francisco de Assis e Silva foram notificados em 30/11/2018 (e-fls. 9.437; 9.436; 9.435; respectivamente) e o solidário Jeremiah Alphonsus O’Callaghan foi notificado em 18/12/2018 (e-fls. 9.434 e 9.438/9.439, após transcurso de edital). Os fatos imponíveis são das competências 01/2013 a 12/2016. A tese da decadência é alegada para englobar apenas as competências 01/2013 a 12/2013. Pois bem. Conforme se lê na preliminar exposta em linhas pretéritas, que, doravante, deve ser parte integrante deste capítulo, observa-se que a JBS ordenou a segurados com ela relacionados (empregados e contribuintes individuais) que obtivessem “notas fiscais” junto a interpostas pessoas jurídicas (terceiras) relacionadas a eles (segurados empregados e contribuintes individuais), a fim de “efetu[ar] o pagamento de uma parte da PLR sem o desconto do IRRF. Por isso, o pagamento de parte da PLR foi formalizada e documentada por intermédio de outras pessoas jurídicas.” (e-fl. 9.772; e e-fl. 9.824, solidários) Por conseguinte, a própria JBS reconhece que os pagamentos efetivados, que denomina de PLR, foram formalizados e documentados por intermédio de outras pessoas jurídicas. Some-se a este fato a circunstância da JBS admitir ser a “tomadora dos serviços” em tais “notas fiscais” e anuir com a suposta ordem das “noteiras” para efetuar o pagamento do valor diretamente as partes relacionadas com a JBS (seus empregados e contribuintes individuais), por força de vários contratos denominados de “instrumento particular de cessão de direitos creditícios”, firmado este entre o segurado (empregados e contribuintes individuais ligados a JBS) e a respectiva noteira relacionada. Com a devida vênia, tais anatematizados procedimentos, sempre adotados com anuência e determinação da JBS, apresentam-se dentro dos contornos das normas que se nega a incidência (arts. 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502, de 1964). 3 Art. 150, § 4.º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Fl. 10039DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 23 do Acórdão n.º 2202-006.087 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15956.720144/2018-00 Veja-se, durante a fiscalização, a quase totalidade dos segurados instados a se manifestar confirmaram que recebiam a tal “PLR” por intermédio de terceiras pessoas jurídicas (conferir como exemplo da referida resposta às e-fls. 5.565/5.566 e 5.579/5.581 – resposta de um dos administradores da JBS, Francisco de Assis e Silva, arrolado como responsável solidário, inclusive, que, também, recebia tal rubrica sob o referido impróprio procedimento) e a maior parte afirmou que o ocorrido se deu por diretriz da JBS e que não se sabe o motivo da Companhia ter tomado tal decisão (e-fls. 4.049/4.050; 4.153/4.154; 4.307/4.308; 4.319/4.321; 4.369/4.370; 4.470/4.471; 4.554/4.555; 4.659/4.660; 5.244/5.245; dentre diversas outras respostas com igual ou similar conteúdo). Na parte da suposta indenização de desligamento, o beneficiado também fez uso de terceiras pessoas jurídicas e diz ter sido por ordem da JBS (e-fls. 4.269/4.270; 4.276/4.279). Para mera exemplificação, veja-se o teor das seguintes respostas: e-fls. 5.565/5.566: e-fls. 5.244/5.245: Fl. 10040DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 24 do Acórdão n.º 2202-006.087 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15956.720144/2018-00 Houve quem respondesse que a JBS reconhecerá em seus assentamentos tratar-se de PLR pagos por atingimento de metas e que retificará a DIRF, bem como recolherá ou compensará o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) com juros e multa (75%) e que a pessoa jurídica interposta retificará sua apuração, excluindo os lançamentos contábeis relativos às notas fiscais de serviços não efetivamente prestados e retificará as obrigações acessórias e, ao seu turno, o segurado pessoa física retificará a Declaração de Ajuste Anual, conforme novo informe de rendimentos a ser disponibilizado pela JBS (conferir como exemplo da referida resposta às e-fls. 5.270/5.271 – resposta de um dos administradores da JBS, Eliseo Santiago Perez Fernandez, arrolado como responsável solidário, inclusive, que, também, recebia tal rubrica sob o referido impróprio procedimento). Interessante observar uma das respostas dada para a fiscalização, por uma das empresas noteira (e-fls. 5.708/5.709), leia-se, verbo ad verbum: Item 01: Cópia em meio digital, arquivo em PDF, do Contrato Social e respectivas Alterações; Item 02: Esclarece que não houve serviços prestados a JBS S/A; Item 2.1: Cópia em meio digital, arquivo em PDF de notas fiscais emitidas pela empresa conforme discriminado abaixo: NF n. Data Valor R$ Destinatário CNPJ 142 31/03/2012 50.000,00 JBS S/A 02.916.265/0109-80 143 04/04/2012 45.000,00 JBS S/A 02.916.265/0109-80 144 04/04/2012 45.000,00 JBS S/A 02.916.265/0109-80 466 30/04/2013 100.000,00 JBS S/A 02.916.265/0027-07 Item 2.2: Não existe contrato de prestação de serviços; Item 2.3: Como não houve prestação de serviços não temos descrição detalhada de serviços; Item 2.4: Não tendo sido contratados os serviços, não há relação por serviços, também não temos profissionais da JBS S/A responsáveis pela contração e nem o recebimento por serviços prestados; Item 2.5: Não há relação de valores recebidos, pois os serviços não foram prestados; Item 2.6: Não há documentos que comprovem o ingresso, pois os serviços não foram prestados e os valores não foram recebidos; A empresa desde sua abertura em 11/07/1988 nunca emitiu um só documento que não tenha respaldo em serviços prestados, com exceção a estes acima relacionados a pedido do SR. GERSON ANTONIO BALENA, CPF 460.218.339-53, com o qual foi firmado INSTRUMENTO PARTICULAR DE CESSÃO DE CRÉDITO (não temos cópia) para o mesmo receber o valor correspondente junto a JBS S/A, tendo o mesmo reembolsado os custos dos impostos devidamente recolhidos referente a emissão das Notas Fiscais. Grifo adicionado Como alhures asseverado, mesmo o caso do suposto pagamento de Hiring Bonus, que a defesa pondera ser acertado, a resposta dada para a fiscalização informa o pagamento da tal PLR intermediado por interposta pessoa jurídica para o segurado recebedor do mencionado bônus (e-fls. 5.981/6.001, 6.006/6.007 e 6.019/6.020 – Segurado “Gilmar Schumacher”) e o chamado “bônus de contratação” foi escriturado na conta contábil dos pagamentos de PLR, o que destoa de um “bônus de contratação”. Por conseguinte, o escrutínio efetivado demonstra que as notas fiscais inidôneas, emitidas pelas interpostas pessoas jurídicas prestadoras de serviços, não se coadunam com a Fl. 10041DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 25 do Acórdão n.º 2202-006.087 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15956.720144/2018-00 mens legis e tampouco podem ser desconsideradas. Tais documentos fiscais foram, de modo bastante evidente, lançados dolosamente, pretendendo dissimular rendimentos de trabalho assalariado (segurados empregados) ou pagamentos para pessoas físicas sem vínculo empregatício (segurados contribuintes individuais), tendo simulado a prestação de serviços por várias empresas, a fim de impedir ou retardar o conhecimento do fato gerador ou o conhecimento por parte da autoridade fazendária. Observa-se que, enquanto a escrita fiscal da JBS, apontava o pagamento efetivado nas condições acima como “PLR”, a documentação fiscal anuída pela Companhia e que dava lastro a efetivar a escrituração contábil e fiscal informava a prestação de serviços para interpostas pessoas jurídicas, sem que qualquer serviço tivesse sido tomado, pagando-se aos segurados empregados e contribuintes individuais por força dos denominados “instrumento particular de cessão de direitos creditícios”. Disfarçava-se o recebimento das pessoas físicas por supostos e inexistentes serviços prestados por pessoas jurídicas e, também, disfarçava-se a tributação dos pagamentos para as pessoas físicas com a escrituração em conta contábil denominada de “PLR”, invocando-se condição de não incidência pela suposta natureza da verba escriturada. Por conseguinte, é acertada a conclusão da fiscalização ao apontar simulação, fraude e sonegação, bem como a decisão vergastada ao atestar a correção da autoridade fazendária, de modo que, para fins de decadência, aplica-se o art. 173, I 4 , combinado com a parte final do § 4.º do art. 150 do CTN (relativo à ressalva “salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação”). Neste sentido, inexiste decadência em relação à JBS, notificada em 30/11/2018 (e-fl. 9.431), bem como no que tange aos solidários Wesley Mendonça Batista, Eliseo Santiago Perez Fernandez e Francisco de Assis e Silva, notificados em 30/11/2018 (e-fls. 9.437; 9.436; 9.435; respectivamente), assim como para o solidário Jeremiah Alphonsus O’Callaghan notificado em 18/12/2018 (e-fls. 9.434 e 9.438/9.439, após transcurso de edital), haja vista que, se os fatos geradores são das competências 01/2013 em diante e como é aplicado o art. 173, I, do CTN, não houve atingimento pela decadência. Isto porque, conforme disciplina o Recurso Repetitivo n.º 973.733 (Tema Repetitivo 163) 5 , que interpretou as normas acima apontadas, “[o] dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial rege-se pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o ‘primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado’ corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível”. Inclusive, este é o entendimento consolidado na Súmula CARF n.º 101, na qual se observa como uns dos Precedentes o Acórdão n.º 9202-003.067, que cuida de contribuições sociais previdenciárias. Eis o teor do enunciado da Súmula CARF n.º 101, verbis: “Na hipótese de aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do 4 Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. 5 O Tema Repetitivo 163 do STJ fixou a tese jurídica: “O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito”. Fl. 10042DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 26 do Acórdão n.º 2202-006.087 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15956.720144/2018-00 exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. (Vinculante, conforme Portaria MF n.º 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018).” Logo, se o fato imponível mais antigo é relativo à competência fiscal 01/2013 (fato gerador considerado efetivado em 31/01/2013), o termo a quo é 1.º de janeiro de 2014 e o termo ad quem, para constituir o lançamento de ofício relativo a tal competência, é 31/12/2018 6 . Por conseguinte, não há decadência alguma. Sendo assim, sem razão os recorrentes neste capítulo. - Inexigibilidade de contribuições previdenciárias sobre a PLR paga aos segurados da contribuinte recorrente. Periodicidade e Limites da Lei 10.101 A defesa sustenta que os pagamentos efetuados, por intermédio de interpostas (terceiras) pessoas jurídicas, são, em verdade, PLR paga aos seus segurados. Invoca os princípios da “prevalência da essência sobre a forma” e da “verdade material”. Justifica que, independentemente da “forma utilizada”, os pagamentos têm a natureza jurídica de PLR. Argumenta que pessoas físicas apresentadas em tabela (e-fls. 9.783/9.784) receberam PLR apenas em um único mês de 2013, de 2014, de 2015 e de 2016, sendo uma parcela informada na folha de salários e a parcela remanescente foi intermediada por pessoa jurídica interposta, de modo que houve um único pagamento no ano de referência, estando respeitada a Lei n.º 10.101, de 2000. Sustenta que a parcela em folha não foi contestada pela fiscalização, de modo que a parcela intermediada por terceiros deveria ser aceita de igual modo, pois tem a mesma natureza jurídica, sendo isso que importa. Pondera que o pagamento realizado uma única vez pode ser considerado ganho eventual, o que, também, fundamenta o afastamento da tributação em espécie. Continua asseverando que pessoas físicas listadas em tabela (e-fl. 9.785) receberam PLR apenas em um único mês intermediadas por interposta pessoa jurídica, de modo que houve um único pagamento no ano de 2013, de 2014, de 2015 e de 2016, estando respeitada a Lei n.º 10.101, de 2000. Sustenta que, na essência e muito embora intermediados por outras pessoas jurídicas, os pagamentos foram efetuados a título de PLR, e que o seu programa de PLR não foi questionado pela fiscalização. Reitera que o pagamento realizado uma única vez pode ser considerado ganho eventual, o que, também, fundamenta o afastamento da tributação em espécie. Prossegue comentando que outras pessoas físicas listadas em tabela (e-fls. 9.785/9.786) receberam PLR em um determinado mês e em mês subsequente complementou o valor da PLR, intermediado através de pessoa jurídica, nos anos de 2013, de 2014, de 2015 e de 2016, deste modo não se pode alegar inobservância de periodicidade mínima de 3 (três) meses entre os pagamentos. O que teria ocorrido seria o pagamento da PLR em um determinado mês e o complemento do seu valor em mês subsequente, tendo em vista reapuração realizada. Sustenta que, na essência e muito embora intermediados por outras pessoas jurídicas, os pagamentos 6 Importante anotar que o ano fiscal, pela legislação, coincide com o ano-base ou com o exercício social ou exercício financeiro, que começa no dia 1.º de janeiro e termina no dia 31 de dezembro de cada ano. Por isso, o prazo fatal do lustro decadencial não é 1.º de janeiro de 2018, mas sim 31/12/2017 (na referida data encerra-se a contagem do quinto ano-fiscal). A contagem é por ano-fiscal e não por ano-civil em matéria tributária. Fl. 10043DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 27 do Acórdão n.º 2202-006.087 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15956.720144/2018-00 foram efetuados a título de PLR, e que o seu programa de PLR não foi questionado pela fiscalização. Reitera que o pagamento realizado uma única vez pode ser considerado ganho eventual, o que, também, fundamenta o afastamento da tributação. Aduz que pessoas físicas listadas em tabela (e-fls. 9.787) receberam duas vezes PLR nos anos de 2013, de 2014 e de 2015 intermediado por pessoa jurídica, observando, no entanto, o prazo de três meses entre os pagamentos, de modo que, igualmente, observou a Lei n.º 10.101. No mais, reitera as conclusões das colocações antecedentes. Por último, em relação aos pagamentos efetivados aos 4 (quatros) contribuintes individuais 7 , via interpostas pessoas jurídicas, mas com natureza jurídica alegada de PLR, advoga que a Lei n.º 10.101 não exclui os contribuintes individuais e que a regra da isenção da alínea “j” do § 9.º do art. 28 da Lei n.º 8.212, de 1991, de igual modo, também não o fez. A Constituição não teria feito qualquer diferença entre o segurado empregado e o contribuinte individual. Diz que não deveria haver discriminação. Pois bem. Como consignei alhures, a “participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa”, regulamentada atualmente pela Lei n.º 10.101, de 2000, com suas alterações, é essencial à integração entre capital e trabalho. A citada rubrica “PLR” teve origem antes mesmo da Carta Política de 1988 e, na época do seu nascedouro, não gozava da benesse da não incidência da contribuição previdenciária, de toda sorte, a Constituição Cidadã, pretendendo incentivar a prática pelos empregadores, prescreveu a possibilidade de lei regulamentadora instituir a benesse aos empregados com a não incidência da tributação sobre os valores pagos a tal título. Tenho que afirmar, inclusive, que a regra de imunidade tornada eficaz na combinação da alínea "j" do § 9.º do art. 28 da Lei 8.212 com a lei específica, que disciplina a PLR, é somente a Lei n.º 10.101. Após tal digressão, cabe ponderar que a lei regulamentadora, a específica Lei n.º 10.101, de 2000, com suas alterações, em nenhum momento admitiu o pagamento de PLR via pessoas jurídicas interpostas, denominadas pela fiscalização de “noteiras”, numa “estranha” sistemática de “pejotização”, não sendo o pagamento, formalmente, efetivado pelo empregador, mas pela pessoa jurídica interposta, que emitia nota fiscal inidônea e cedia o crédito com anuência da JBS, procedimento com cariz mendaz e incompreensível se for concebido a autuada como Companhia listada na B3 (Bolsa de Valores), tendo suas ações integrando o Índice Bovespa, fato que é público e notório. Ademais, a Lei regulamentadora da PLR, também, não admitiu o pagamento para segurados contribuintes individuais, haja vista que o art. 2.º do referido diploma legal prescreveu negociação apenas entre empresa e seus empregados, não compreendendo os segurados contribuintes individuais. Vale dizer, na eleição de seus beneficiários o art. 2.º do referido diploma legal determinou a celebração dos planos via negociação entre dois polos distintos "empresa" x "empregados". Decerto, neste contexto, não se aplica o benefício para contribuintes individuais, ainda que sejam partes relacionadas com os empregadores. 7 CPF’s ns.º 601.694.359-20, 273.208.668-11, 048.516.828-67 e 024.961.187-24. Fl. 10044DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 28 do Acórdão n.º 2202-006.087 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15956.720144/2018-00 Entendo, portanto, que não assiste razão a defesa, uma vez que, a despeito dos argumentos, não concordo com a tese de que a “natureza jurídica” de tais pagamentos, intermediados por interpostas pessoas jurídicas, seja de PLR ou que os segurados contribuintes individuais, ou mesmo os segurados empregados, tenham recebido um verdadeiro PLR no âmbito do objeto da autuação. Não visualizo no escopo da Lei n.º 10.101, de 2000, com suas alterações, essa permissão (de recebimento de PLR via interpostas pessoas jurídicas). Ao meu olhar, o modal deôntico para tal conduta é proibitório, inclusive ao se substanciar das demais normas integrativas do sistema jurídico tributário pátrio. O princípio da essência sobre a forma ou da verdade material, a meu sentir, não são aplicados para subsidiarem situações contrárias à boa-fé objetiva ou ao sistema jurídico. Tais princípios objetivam garantir a prevalência da boa-fé e da correta aplicação das normas. Não pode haver distorção para com base neles se pretender “criar” uma situação “cômoda” para o violador de regras e normas jurídicas tributárias. Permissa venia, não posso compreender que a emissão de notas fiscais inidôneas, que lastrearam o constatado nefasto procedimento, tenham o condão de substanciarem, ao ser retirado o seu véu e, com isso, serem “desvendados os atos” e afastada qualquer possibilidade de denúncia espontânea, uma natureza jurídica de PLR aos pagamentos efetivados nesta perfídia sistemática operacional. A pretensão dos recorrentes ao seu alvedrio argumentativo, em minha análise, com a devida vênia, não se mostra crível. Não é verossímil. Não posso compreender, respeitosamente, diante da Lei n.º 10.101, bem como face as normas jurídicas tributárias válidas e vigentes, que a importante verba da PLR seja desvirtuada a tal ponto. Neste sentido, não posso compreender como plausível empregar natureza jurídica de PLR a tais infaustos pagamentos. En passant, pode-se afirmar que tal conduta de realizar os pagamentos dos segurados por meio de simulação com notas fiscais inidôneas de serviços demonstra que o direito foi exercido em desconformidade com as normas jurídicas vigentes, especialmente o art. 32 da Lei 8.212, de 1991, e incisos I e XII do art. 216 do Decreto 3.048, de 1999. Argumentar (e até “confessar”) que o pagamento feito sob tal procedimento objetivava evitar o desconto do IRRF e que, por isso, o formalizou e o documentou por intermédio de outras pessoas jurídicas não dão margem para aceitar a tese de que a natureza jurídica do dispêndio, efetivado por interpostas pessoas e lastreado em notas fiscais inidôneas, é de uma “verdadeira PLR”, na forma regulamentada pela Lei n.º 10.101. Por isso, entendo que não se aplica a alínea “j” do § 9.º do art. 28 da Lei n.º 8.212, de 1991. Aliás, a Lei n.º 10.101 não prevê a possibilidade de não se efetivar o desconto do IRRF, na forma dos §§ 5.º e 8.º do seu artigo 3.º. Logo, se o objetivo (até declarado em recurso) foi evitar o desconto do IRRF, então, verdadeiramente, mostra-se, de modo muito translúcido, que a Lei n.º 10.101 não foi observada. Além de tudo isto, o fato das pessoas físicas eventualmente terem sofrido autuações próprias, como afirmam os recorrentes, por conta do não recolhimento do IRPF sobre a verba paga, não afasta a autuação ora debatida por serem de naturezas distintas, já que, pelo não atendimento da Lei n.º 10.101 e considerando o contexto remuneratório de citados pagamentos, tais verbas são consideradas salário-de-contribuição. Fl. 10045DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 29 do Acórdão n.º 2202-006.087 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15956.720144/2018-00 Afinal, não é possível compreender que essa forma de efetivar o dispêndio seja isento à contribuição social previdenciária, por supostamente ser um “gasto eventual” (ganho não habitual), ainda mais quando os pagamentos foram baseados em interpostas pessoas jurídicas e substanciados em notas fiscais inidôneas e estão compreendidos dentro do contexto remuneratório das pessoas físicas relacionadas com a contribuinte recorrente, não sendo demonstrado pelos recorrentes que os pagamentos sejam realmente eventuais e desvinculados da remuneração. Demais disto, a despeito dos recorrentes alegarem que os dispêndios em xeque são PLR, não se apresentou qualquer comprovação das supostas metas cumpridas pelos recebedores, limitando-se a sustentar que a fiscalização não teria criticado o programa de participação nos lucros e resultados da Companhia. Efetivamente, a fiscalização atestou que a Companhia possui programa de participação nos lucros e resultados e, inclusive, o que foi, realmente, pago, sob o seu espectro, foi aceito, não sendo objeto da autuação. Não há lide sobre isso. A questão é que os pagamentos apontados na autuação não estão no campo de propagação do prisma do verdadeiro programa de participação nos lucros e resultados da Companhia, conforme situação já vastamente exposta neste voto. Sendo assim, se os recorrentes quisessem insistir com a tese suscitada (de que os pagamentos autuados se tratam de PLR) deveriam apresentar, pormenorizadamente, exemplos e demonstrações, ao menos amostrais, de que os pagamentos “casariam” com o programa de participação nos lucros e resultados vigente na Companhia, o que não se fez. O lançamento demonstrou os fatos geradores apresentando detalhadamente as circunstâncias que o cercam e expôs as provas de sua convicção. Ademais, no Termo de Verificação Fiscal está claro que a JBS pagou supostas verbas como PLR sem que a Administração Tributária as compreenda desta forma e, ainda que se concebessem como verdadeiros PLR, a fiscalização entendeu não cumprir a legislação da PLR. Doravante, se os recorrentes pretendem desconstituir o lançamento, alegando que se tratam de PLR, deveriam apresentar as provas de que os pagamentos se coadunam com o programa de participação nos lucros e resultados vigente na Companhia, o que não se fez. O fato da fiscalização não questionar o programa de PLR existente não significa que considera os pagamentos objeto da autuação como PLR ou que a fiscalização tivesse que rebater o programa de PLR existente para poder autuar. Ora, a fiscalização demonstrou que os pagamentos efetivados, objeto do lançamento, não se coadunam com um verdadeiro programa de PLR da Companhia, pelo que os entendeu como salário-de-contribuição. Se os recorrentes, sob a ótica da essência sobre a forma, pretendem o reconhecimento de que são verdadeiras PLR, então lhes cabe fazer a demonstração, por meio de provas idôneas que lhes sejam permitidas. Acontece que a prova não é produzida com a defesa. Os recorrentes não apresentam qualquer cotejo analítico para comprovar o que afirmam. Por exemplo, não mencionam uma eventual meta cumprida, de quaisquer dos segurados, não citam uma eventual cláusula que explique como se calcula o PLR e tampouco Fl. 10046DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 30 do Acórdão n.º 2202-006.087 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15956.720144/2018-00 confronta o trinômio “cláusula-meta-cálculo” para demonstrar uma validade dos pagamentos autuados, por supostamente se substanciarem como um verdadeiro PLR, na forma em que ao talante da defesa se sustenta a tese recursal. A autuação num corte epistemológico que se estabeleça pontuou que as verbas pagas, via interpostas pessoas, são remuneratórias por não se substanciarem em PLR ao se formalizar via notas fiscais inidôneas. Este é o ponto nodal de onde se prossegue a título complementar no Termo de Verificação Fiscal. Lembre-se que o Relatório Fiscal (e-fls. 9.116/9.409) informa que a empresa autuada se utilizou do expediente de pagar a seus segurados empregados, celetistas, diretores e gerentes, assim como a três contribuintes individuais, remunerações por meio de instrumento contratual com pessoas Jurídicas vinculadas a estes segurados, de forma a esconder o pagamento correto de suas obrigações previdenciárias. Subsidiariamente, a fiscalização pontua que, ainda que se considerasse PLR, face a escrituração da conta contábil, a Lei n.º 10.101 não foi observada, pois a lei específica não admite o procedimento praticado. Neste diapasão, já seguindo para a conclusão, importante consignar que a discussão pretendida pela defesa, quanto a periodicidade dos pagamentos, que se coadunaria com a Lei n.º 10.101, como se este fosse o único motivo para conclusão de que os pagamentos não são PLR, é secundária no contexto da autuação, pois, em primeiro momento, não restou demonstrado que se cuida de verdadeiro PLR por força da prática de se pagar via interpostas pessoas e com notas fiscais inidôneas e cessão de crédito. Logo, não vejo sequer necessidade de apreciar a questão das periodicidades dos pagamentos efetivados, objetos da autuação, vez que há argumento independente e suficiente a atestar as verbas pagas com semblante remuneratório. Afinal, a decisão administrativa não precisa rebater, um a um, todos os argumentos trazidos na peça recursal, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão sobre as questões controvertidas no processo, principalmente quando os fundamentos expressamente adotados são suficientes para afastar a pretensão da parte recorrente e arrimar juridicamente o posicionamento adotado. De mais a mais, inexistindo novos elementos entre o recurso voluntário e a impugnação, assim como estando este julgador, diante do conjunto probatório conferido nos fólios processuais, confortável com as razões de decidir da primeira instância, passo a adotar, doravante, como meus, o seguinte trecho dos fundamentos da decisão de piso, com fulcro no § 1.º do art. 50, da Lei n.º 9.784, de 1999, e no § 3.º do artigo 57 do Anexo II da Portaria MF n.º 343, de 2015, que instituiu o Regimento Interno do CARF (RICARF), verbis: No caso em foco, ao contrário das alegações de defesa, a JBS S/A não observou a legislação de regência quanto aos pagamentos em questão. Consoante relata o TVF, ditos pagamentos foram realizados com a simulação de contratos de prestação de serviços entre duas pessoas jurídicas, portanto, em total desconformidade com as regras do art. 2.º da Lei 10.101/2010. Esse conjunto fático-probatório caracteriza a fraude objetiva na maneira de realizar o pagamento da remuneração dos segurados empregados em decorrência do fenômeno da “pejotização” dos rendimentos. Os fatos contábeis mencionados no TVF evidenciam que a JBS S/A pagava aos empregados e contribuintes individuais verba salarial intermediada por pessoas jurídicas, com emissão de notas fiscais de prestação de serviços, e disfarçava a natureza desses pagamentos contabilizando em conta contábil com a denominação de PLR. Mencione-se que a legislação tributária expressamente confere atribuição à autoridade fiscal (Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil) para impor “sanções” Fl. 10047DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 31 do Acórdão n.º 2202-006.087 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15956.720144/2018-00 sobre os atos ilícitos tributários verificados no sujeito passivo, permitindo a aplicação da norma tributária material, ainda que alheia à formalidade da situação encontrada, a teor dos artigos 142 e 149, incisos I e VII, ambos do CTN. Nesse contexto, ao contrário das alegações de defesa, impõe-se reconhecer a natureza remuneratória dos valores apurados nos autos de infração para fins de incidência de contribuições previdenciários e de terceiros, na forma prevista no art. 28 da Lei n.º 8.212/91 (já transcrito neste voto). Portanto, o lançamento encontra-se correto e deve ser mantido. Por fim, retornando a questão dos contribuintes individuais, a título ilustrativo, veja-se a seguir posicionamento do Superior Tribunal de Justiça (STJ) ao interpretar o direito infraconstitucional e analisar um caso em que se estava diante de “contribuintes individuais” e de PLR paga para tais segurados e no qual se invocava a tese de não incidência de contribuições sobre os pagamentos, ocasião em que o Colendo STJ estabeleceu que a imunidade contempla apenas a PLR paga nos moldes da Lei 10.101, isto é, compreende unicamente os segurados empregados por serem estes os contemplados na forma do art. 2.º da citada lei específica, verbis: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. LEI 10.101/2000. 1. A jurisprudência do STJ é de que a parcela que não sofre a incidência de contribuição previdenciária, no que se refere aos valores pagos a título de participação nos lucros, é aquela paga nos moldes da Lei 10.101/2000. Nesse sentido: REsp 1.216.838/RS, Rel. Ministro Castro Meira, DJe 19/12/2011. 2. Na jurisprudência invocada para rejeitar a pretensão da empresa, o voto condutor do acórdão hostilizado afirma que o simples pagamento de parcela remuneratória, em favor de diretores estatutários, de parcela denominada "participação nos lucros", feito nos termos do art. 152 da Lei 6.404/1976, é insuficiente para comprovar que a empresa tenha adotado uma política efetiva de implantação de participação nos lucros por parte de todos os seus empregados, o que somente poderia ser feito mediante o regime instituído pela Lei 10.101/2000. 3. Recurso Especial não provido. (REsp 1.650.783/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 26/09/2017, DJe 19/12/2017) Sendo assim, sem razão os recorrentes neste capítulo. - Não incidência de contribuições previdenciárias sobre bônus de contratação (Hiring Bonus) e indenização por desligamento A defesa sustenta que uma pessoa física 8 recebeu diretamente da recorrente, e uma única vez em 2013 e outra em 2014, bônus de contratação, e não participação nos lucros e resultados, pelo que o valor não teria natureza remuneratória do trabalho e não seria habitual, de modo que a exigência da contribuição deve ser afastada. Trata da natureza do hiring bonus. Pondera que no Recurso Extraordinário n.º 565.160 o Supremo Tribunal Federal definiu, em sede de repercussão geral, que apenas os ganhos habituais devem sofrer a incidência de contribuições. Afirma que o bônus de contratação não é fruto de contrato que o relacione com a contraprestação do exercício do trabalho, nem sequer com o cumprimento de metas advindas da contratação, quanto menos há compensação desta verba com o salário percebido após o início da relação de emprego. 8 CPF n.º 818.019.639-91. Fl. 10048DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 32 do Acórdão n.º 2202-006.087 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15956.720144/2018-00 Diz, ainda, que um outro empregado 9 recebeu indenização por seu desligamento e tal valor, igualmente, não é tributável pelas contribuições previdenciárias e de Terceiros. A fiscalização afirmou no Termo de Verificação Fiscal (TVF) que a conclusão, após efetivação do procedimento, é de que os valores repassados diretamente, sob alegação de gratificação por contratação, são rendimentos do trabalho assalariado constituindo-se num salário-de-contribuição. De igual modo, afirmou que a suposta indenização por desligamento não tem essa efetiva natureza, sendo remuneratória e paga por liberalidade. Pois bem. A despeito de ter um pensamento, em certa medida, convergente com a defesa no que se relaciona especificamente a natureza do bônus de contratação 10 (a natureza de um “verídico e comprovado” hiring bonus), conforme externei, por exemplo, neste Colegiado, no julgamento do Acórdão n.º 2202-005.193, em sessão de 08/05/2019, entendo, pelo escrutínio efetivado neste caderno processual eletrônico, que o pagamento ora analisado, relativo ao pagamento efetivado pela recorrente, não é comprovadamente um “bônus de contratação”, remanescendo, portanto, como verba remuneratória, na forma alegada pela autuação. Ora, primeiro, o pagamento vindicado como bônus de contratação não foi informado em folha de pagamento. Segundo, não foi declarado em GFIP. Terceiro, não há documento ou contrato colacionado aos autos que atestem a suposta natureza jurídica de bônus de contratação para objetivar afastar, de forma mais efetiva, a natureza remuneratória indicada pela fiscalização; a caracterização como bônus de contratação é uma mera afirmativa. Quarto, a escrituração lançada na contabilidade da Companhia foi efetivada em conta contábil de PLR pago (e não de bônus de contratação), mas, como PLR escriturado, não se coadunou com a Lei n.º 10.101 (e, em realidade, não tem natureza de PLR; a própria parte vindica outra natureza). Quinto, os pagamentos realizados pela empresa, a partir da conta contábil de PLR, foram efetivados diretamente, mas tinham por base notas fiscais inidôneas de serviços tomados pela JBS e cujo pagamento ocorreu diretamente para os segurados em razão de cessão do crédito entre o suposto prestador (título do crédito na nota fiscal) e o segurado (recebedor direto do crédito), tudo com anuência da JBS. Sexto, o pagamento foi efetivado após o início da relação laboral e sem a comprovação documental do motivo do pagamento, excetuada as notas fiscais inidôneas. Destarte, a meu sentir, pelos elementos de prova, trata-se de verba remuneratória. Retorne-se, por fim, a afirmativa delineada alhures de que num corte epistemológico que se estabeleça a fiscalização consignou que as verbas pagas, inclusive o suposto hiring bonus, ou a indenização de desligamento, são remuneratórias por terem sido formalizadas em procedimento não autorizado pela legislação (interpostas pessoas jurídicas e notas fiscais inidôneas, além das cessões de crédito com anuência da JBS). Desta maneira, a discussão pretendida pela defesa, quanto a periodicidade única do pagamento agora em final de análise, como se este fosse o único motivo da autuação, é secundária. Em momento antecedente, não restou demonstrado que se cuida de verdadeiro bônus de contratação (a fiscalização não o aceitou, em momento primeiro, como hiring bonus) ou, no outro caso, indenização de desligamento. Apenas secundariamente, a 9 CPF 195.530.718-05. 10 Também denominado de hiring bonus, signing bonus, sign-on bonus, luvas, bônus de atração, bônus de permanência, bônus de retenção, bônus de garantia de permanência etc. Fl. 10049DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 33 do Acórdão n.º 2202-006.087 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15956.720144/2018-00 fiscalização rebate que se o fosse não lhe imprimiria o feito pretendido pela contribuinte, pelo que, partindo do momento inaugural da constatação, concordo com a autuação. Ora, o Diretor de Logística (Sr. Gilmar Schumacher) chegou a receber valores diretamente das pessoas jurídicas GILMAR SCHUMACHER SERVIÇOS ADMINISTRATIVOS LTDA ME (CNPJ 22.339.818/0001-76) e M J P CONTABILISTAS E ASSOCIADOS EIRELI EPP (CNPJ 12.669.470/0001-21), todas vinculadas ao segurado empregado em referência. Por sua vez, o Diretor Jurídico (Sr. Alexandre Tadeu Seguim) chegou a receber valores diretamente da pessoa jurídica interposta Seguim Consultoria Empresarial Ltda (CNPJ 03.166-863/0001-21), vinculada ao segurado empregado, o que afasta o alegado caráter indenizatório, apresentando-se como verba paga por mera liberalidade, com aspecto integrante da remuneração. Neste último caso, adoto, em acréscimo, as razões da decisão de piso, nestes termos: De acordo com o TVF, item 5.4: [...] Na resposta apresentada pela JBS fica claro a fraude envolvendo o pagamento simulado de uma prestação de serviços, para um empregado celetista, SR. ALEXANDRE, através de uma empresa controlada por ele, a SEGUIM. A JBS intimada não apresentou um só documento que comprove a prestação de serviços por parte da SEGUIM. Dos fatos apurados como resultado da diligência fiscal realizada junto ao Sr. Alexandre e à empresa Seguim, na resposta protocolada pela SEGUIM, a fiscalização apresentou as seguintes conclusões: a inexistência de contrato de prestação de serviços e a não apresentação de documentos que poderiam comprovar esta suposta operação; que os valores recebidos da JBS no valor de R$ 2.500.000,00 se referem ao pagamento de verbas rescisórias atreladas ao contrato de trabalho do SR. ALEXANDRE; que a JBS montou e exigiu a formatação desta operação nestes termos, que o intuito da JBS era sonegar o pagamento das contribuições previdenciárias e trabalhistas; e que tal valor não tem natureza de participação nos lucros ou resultados, mas sim de verbas rescisórias. O que se vê, nesse caso concreto, à luz da legislação trabalhista e previdenciária, é que não procede a alegação de que essa verba seja de natureza indenizatória. Registre-se que não foram apresentadas folhas de cálculo preenchidas pelo empregador ou pela Justiça do Trabalho, discriminando os rendimentos auferidos. Com efeito, uma verba não é indenizatória ou salarial simplesmente pela convenção das partes. Do mesmo modo, pouco adianta orientar-se pelo conceito de verba indenizatória ou salarial (da parcela percebida pelo trabalhador) para definir se determinada verba pode ou não ser tributada, isto porque, verbas indenizatórias são somente aquelas listadas no § 9.º, art. 28 da Lei 8.212/91. A Lei n.º 8.212, de 1991, que dispõe sobre a organização da Seguridade Social e institui o seu Plano de Custeio, por sua vez, conceitua, no art. 28, incisos I e III, o salário-de-contribuição para os segurados empregados e contribuintes individuais, sobre o qual há incidência das contribuições sociais previdenciárias. Por sua vez, o § 9.º do artigo antes citado, combinado com o § 9.º do art. 214 do Decreto n.º 3.048, de 1999, enumeram, de forma exaustiva, as parcelas que não integram o salário-de-contribuição. Como se observa, a legislação aplicável à espécie estabelece, em um primeiro momento, a regra geral de incidência das contribuições previdenciárias sobre a remuneração total do trabalhador; somente em um segundo momento é que são definidas, de forma expressa e exaustiva, porquanto excepcionais, as hipóteses de não incidência dessas exações. Por se tratar de exceção à regra, a interpretação do § 9.º do art. 28 da Lei n.º 8.212, de 1991, combinado com o § 9.º do art. 214 do Decreto n.º 3.048, de 1999, deve ser feita de maneira restritiva, de sorte que, para que determinada verba decorrente da Fl. 10050DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 34 do Acórdão n.º 2202-006.087 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15956.720144/2018-00 relação laboral não componha o salário-de-contribuição respectivo, há a necessidade de expressa previsão legal. Registre-se que em qualquer acordo trabalhista ou decorrente da relação de trabalho, a discriminação da natureza jurídica da verba deverá observar o previsto no § 9.º do artigo 28 da Lei 8.212/91. É preciso que seja discriminada a parcela que está sendo paga, e daí apontar nos termos do § 9.º do art. 28 da Lei 8.212/91, qual parcela é indenizatória e qual é parcela salarial para então apurar o valor da contribuição previdenciária. O artigo 43, § 1.º, da Lei n.º 8.212/91 prevê a incidência da contribuição previdenciária sobre o valor total do acordo homologado judicialmente quando não houver discriminação das parcelas constantes deste. (...) Não se presume, nem se convenciona que as parcelas objeto de um acordo sejam de natureza indenizatória. Portanto, nesse caso concreto, o pacto entre as partes definindo a natureza indenizatória das verbas pagas não encontra qualquer respaldo na legislação que rege a matéria. Como não foi apresentada memória de cálculos preenchida pelo ex-empregador ou pela Justiça do Trabalho, discriminando, por espécie, os rendimentos auferidos, tem- se que os pagamentos efetuados a título de verbas indenizatórias em desacordo com a legislação, na verdade são rendimentos do trabalho assalariado e constituem-se em base de incidência de contribuições previdenciárias, nos termos do art. 28, inciso I, da Lei n.º 8.212/91. Desta feita, uma vez demonstrado que os valores pagos, ao contrário do que pretendem os impugnantes, integram o salário-de-contribuição eles estão sujeitos à incidência de contribuições sociais previdenciárias e de terceiros. Nesse contexto, não há como acatar as alegações de defesa. Sendo assim, sem razão os recorrentes neste capítulo. - Improcedência da qualificação da multa de ofício em 150% Observo que a fiscalização aplicou multa de 150% com base no art. 44, inciso I, § 1.º, da Lei n.º 9.430, de 1996, com redação dada pelo art. 14 da Lei n.º 11.488, de 2007, sustentando a prática de atos enquadrados nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502, de 1964. Veja-se o que consigna a fiscalização (e-fls. 9.401/9.403): A qualificação da multa de ofício decorre da prática de sonegação, fraude e/ou conluio, ou seja, ações ilícitas definidas nos artigos 71, 72 e 73, da Lei 4.502, de 1964. À luz do que dispõe o art. 71, sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais ou das condições pessoais do contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. A fraude, conceituada no art. 72, se caracteriza em razão de uma ação ou omissão, de uma simulação ou ocultação, e pressupõe sempre a intenção de causar dano à fazenda pública, num propósito deliberado de se subtrair no todo ou em parte a uma obrigação tributária. Nesses casos, deve sempre estar caracterizada a presença do dolo, um comportamento intencional, específico, de causar dano à Fazenda Pública, onde se utilizam subterfúgios para escamotear a ocorrência do fato gerador ou retardar o seu conhecimento por parte da autoridade fazendária. O conluio, previsto no art. 73, não chega a ser uma terceira hipótese qualificadora autônoma, pois se refere à possibilidade de a sonegação e/ou a fraude serem orquestradas por meio de ajuste doloso entre duas ou mais pessoas (físicas e/ou jurídicas). No que tange à caracterização do dolo, o art. 18, inciso I, do Código Penal (Decreto-Lei n.º 2.848, de 07/12/1940), define que uma conduta é dolosa "quando o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzi-lo". Notemos que a norma penal Fl. 10051DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 35 do Acórdão n.º 2202-006.087 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15956.720144/2018-00 traz duas espécies de dolo, o dolo direto, quando o agente quis o resultado e o dolo indireto, quando o agente assumiu o risco de produzir o ilícito. Portanto, o dolo é elemento específico da sonegação e da fraude, diferenciando-os da mera falta de pagamento do tributo ou do simples erro escusável. As irregularidades apuradas pela fiscalização, corroboradas por vasto e robusto conjunto de provas carreadas para os autos, comprovam, de forma incontestável, que a JBS incorreu na prática de sonegação e fraude, previstas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502/64, mediante adoção de conduta dolosa, executada com o evidente intuito de fraude, a fim de impedir o conhecimento da ocorrência do fato gerador pelo Fisco, pois, os valores das notas fiscais emitidas de forma inidônea pelas pessoas jurídicas prestadoras de serviços aqui citadas, se referem, na realidade, a rendimentos de trabalho assalariado (segurados empregados), tendo simulado a prestação de serviços por estas empresas. Nota-se que o rendimento descrito como “PLR – Programa de Participação nos Lucros e Resultados” foi informado para os casos nos quais houve recebimentos por pessoas físicas (segurados empregados) disfarçados de serviços prestados em nome de pessoas jurídicas, conforme alegado pela própria JBS e muitas vezes pelos segurados. Diante dos fatos relatados acima, verificou-se que os valores das notas fiscais emitidas de forma inidônea pelas pessoas jurídicas prestadoras de serviços aqui citadas, se referem, na realidade, ou a rendimentos de trabalho assalariado (segurados empregados) ou a valores auferidos a trabalhadores sem vínculo empregatício pessoas físicas (segurados contribuintes individuais), tendo simulado a prestação de serviços por estas empresas. Nota-se que o rendimento descrito como “PLR – Programa de Participação nos Lucros e Resultados” foi informado para os casos nos quais houve recebimentos por pessoas físicas (segurados empregados ou contribuintes individuais) disfarçados de serviços prestados em nome de pessoas jurídicas, conforme alegado pela própria JBS e muitas vezes pelos segurados. A ação dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento, justifica a multa qualificada. Assim, como neste caso, há evidência nos autos deste processo de que a autuada utilizou um esquema de prestação de serviços simulados, através de pessoas jurídicas vinculadas a seus segurados empregados ou contribuintes individuais, ou diretamente como sócios, ou como empresas de aluguel, que cediam os direitos creditícios dos valores pagos pela JBS a estes segurados empregados. Apesar da JBS utilizar do termo “programa de participação nos lucros e resultados” o recebimento destes valores não encontra respaldo nas normas que regulamentam o pagamento de lucros e resultados para segurados empregados. Ressalta-se que tal operação só foi possível graças a um acordo prévio entre o recebedor e o repassador do recurso. De fato, sem um conluio, que é “o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando produzir os efeitos referidos nos artigos 71 e 72 da Lei n.º 4.502, de 30/11/1964”, ou seja, a sonegação e a fraude, entre a direção da JBS e seus diretores, para através de pessoas jurídicas vinculadas a estas pessoas físicas obter as notas fiscais para acobertar o pagamento destas remunerações. Portanto, em face de todos os fatos revelados nos autos que implicaram a prática, em tese, de crime de sonegação de contribuição previdenciária, e tendo em vista ainda o parágrafo 1.º, inciso I, do art. 44 da Lei n.º 9.430, de 27/12/1996, a multa de ofício apurada será qualificada (majorada) para 150%. A defesa, em suma, diz que não houve qualquer tentativa de escamotear ou sonegar informações e documentos à fiscalização, pois, logo no início do procedimento, informou a sistemática que adotava. Diz, inclusive, que “no curso da fiscalização, e já na resposta à primeira intimação sobre o tema, de forma absolutamente transparente, colaborativa e até mesmo de Fl. 10052DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 36 do Acórdão n.º 2202-006.087 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15956.720144/2018-00 boa-fé, informou a Recorrente que efetuou pagamentos à título de Participação nos Lucros e Resultados (PLR), por atingimento de metas, a segurados empregados e contribuintes individuais, mas que, apenas para fins de formalização e documentação, parte dos referidos pagamentos foi intermediada por outras pessoas jurídicas.” Pondera que se, hipoteticamente, houve algum ilícito, quando muito, isso resultou apenas no não recolhimento do IRRF e que a PLR atende a Lei n.º 10.101, logo não há motivação adequada para a multa de 150% sobre situação que não causa impacto no recolhimento de contribuições. Comunica que as pessoas físicas suportaram autuações do IRPF, o que contorna a problemática do IRRF. Por isso, suas condutas estariam longe da sonegação (art. 71), da fraude (art. 72) e do conluio (art. 73). Assevera que o CARF tem entendimentos em favor de sua tese e pede seja cancelada a qualificação. Pois bem. Com respeito a posições em contrário e as afirmações da defesa, não assiste razão aos recorrentes neste capítulo, uma vez que restou demonstrado o intuito doloso do procedimento adotado pela Companhia, contrário ao direito e a boa-fé objetiva, objetivando, especialmente, em suas palavras, deixar de reter o IRRF, o que não se coaduna com a Lei 10.101, não sendo possível pretender a vindicada natureza de PLR. Ora, adotou-se prática ardil, com utilização de interpostas pessoas jurídicas, com emissão de notas fiscais inidôneas, posteriormente objeto de cessão de créditos, decerto também inidônea, com anuência da mendaz tomadora do inexistente serviço, deixando-se, ainda, de informar fatos em GFIP e/ou em folha de pagamentos, escriturou-se verbas em conta contábil denominada de PLR, que não tinham essa verdadeira natureza conforme exposto neste voto, objetivando-se não recolher as contribuições ao escriturar como tal, deixou-se de reter o IRRF (e confessa esse fato), de modo que, após a prática de todos estes atos, ainda que tenha colaborado com a fiscalização, a qual se iniciou, exatamente, para averiguar o cumprimento da legislação tributária, a partir da análise da ECD (Escrituração Contábil Digital) do ano-calendário de 2012 11 a 2016, apresentada pela JBS no sistema SPED (Sistema Público de Escrituração Digital) e pelas GFIP (Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social), não é possível concluir que não tenha ocorrido a prática dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502, de 1964, muito menos, pelo só fato do contribuinte ter sido colaborativo com a fiscalização e ter aberto ou descortinado o véu que acobertava a situação. A colaboração com a fiscalização não afasta o contexto dos atos praticados, tampouco lhe retira a característica própria. O ato jurídico já se perfectibilizou e foi constituído com práticas e medidas da contribuinte. Veja-se que os atos narrados se enquadram no teor dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502, de 1964, demais disto, uma vez atingido o propósito que a norma sancionadora pretende proibir, não é possível pretender aplicação de intelecção de “essência sobre a forma”, pois a forma pretendida foi, exatamente, a vedada em lei. Cite-se os enunciados prescritivos de clareza solar ao contexto descortinado, litteris: Art. 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: 11 Ano-calendário 2012 teve lançamento parcial no Processo n.º 15956.720241/2017-11, anexo a estes autos e julgado na mesma sessão. Fl. 10053DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 37 do Acórdão n.º 2202-006.087 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15956.720144/2018-00 I - da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II - das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Somado a isto, a Lei n.º 4.729, de 1965, em seu art. 1.º, inciso I, aclarou ainda mais o conceito de sonegação fiscal ao prescrever: “Art. 1.º Constitui crime de sonegação fiscal: I - prestar declaração falsa ou omitir, total ou parcialmente, informação que deva ser produzida a agentes das pessoas jurídicas de direito público interno, com a intenção de eximir-se, total ou parcialmente, do pagamento de tributos, taxas e quaisquer adicionais devidos por lei; II - inserir elementos inexatos ou omitir, rendimentos ou operações de qualquer natureza em documentos ou livros exigidos pelas leis fiscais, com a intenção de exonerar-se do pagamento de tributos devidos à Fazenda Pública”. Ora, ao praticar os atos que praticou ou omitir as informações que omitiu cometeu sonegação e fraude, ademais o conluio esteve presente no contexto das notas fiscais inidôneas e das anuências, inclusive na aceitação das “cessões de crédito”. Neste contexto, entendo que deve ser mantida a multa qualificada de 150% por restar demonstrado e bastante aclarado o evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Sendo assim, sem razão os recorrentes neste capítulo. - Subsidiariamente, não incidência de juros de mora sobre a multa de ofício A defesa, subsidiariamente, sustenta não incidência de juros sobre multa de ofício. Pois bem. A matéria há muito foi superada pelo STJ ao uniformizar a interpretação do direito infraconstitucional, conforme segue: " ‘É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário.’ (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010." (AgRg no REsp 1.335.688/PR, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 10/12/2012) As razões, com as quais concordo, são que o crédito tributário (prestação pecuniária devida ao ente tributante) tem concepção mais ampla do que o conceito de tributo, inclusive a disciplina do art. 113, caput e parágrafos, do CTN, enuncia prescritivamente um regime único de cobrança para as exações e as penalidades pecuniárias fiscais, o que é extremamente necessário para a arrecadação e administração fiscal, deste modo a multa, por constituir crédito tributário, sendo dotada dos mesmos mecanismos e procedimentos aplicados aos tributos, inclusive quanto aos consectários legais, sujeita-se à incidência de juros de mora. Fl. 10054DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 38 do Acórdão n.º 2202-006.087 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15956.720144/2018-00 Destaco, outrossim, que a própria natureza da obrigação acessória representa um viés autônomo do tributo. Nessa trilha, quando se descumpre a obrigação, exsurge a possibilidade da constituição de um direito autônomo à cobrança, pois pelo simples fato da sua inobservância, converte-se em obrigação principal, relativamente à penalidade pecuniária (art. 113, § 3.º, do CTN). Isto porque, o art. 113 do CTN ao enunciar que “a obrigação tributária é principal ou acessória” estabeleceu que, para fins de cobrança, o direito de exigir o pagamento de tributo ou o direito de exigir o adimplemento em pecúnia do valor equivalente a penalidade imposta devem ser tratados de igual maneira para todos os fins de exigibilidade. Por fim, este Colendo Conselho já sumulou o assunto, nestes termos: Súmula CARF n.º 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. (Vinculante, conforme Portaria ME n.º 129, de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). Sendo assim, sem razão os recorrentes neste capítulo. Mérito em relação exclusivamente ao ponto específico individualizado do Recurso Voluntário dos Solidários O recurso voluntário dos solidários é bem semelhante ao do contribuinte recorrente, tendo sido enfrentados os seus capítulos em conjunto com o recurso do contribuinte nas linhas pretéritas, inclusive sendo mantida a multa qualificada de 150%, no entanto a temática a seguir é distinta e merece apreciação particularizada. - Da inaplicabilidade do art. 135, III, do CTN – Da ausência de prova dos requisitos necessários para aplicação do dispositivo em referência A defesa, na sua contraposição, argumenta que não há provas de que os solidários recorrentes tenham praticado os fatos apontados pela fiscalização para imputação de responsabilidade solidária. Diz que não há individualização de condutas realizadas e que não identificou os atos praticados por cada administrador. Advoga que é “necessária a comprovação de que os atos praticados por eles foram realizados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, sendo certo afirmar, que a questão da responsabilidade não é simplesmente objetiva, exigindo a comprovação do ato doloso ou culposo a fim de conduzir à responsabilidade pessoal daqueles que exercem a administração da sociedade.” Assevera que os fatos alegados pela fiscalização não estavam nem mesmo relacionados aos cargos desempenhados pelos solidários recorrentes na JBS e eles não seriam os responsáveis pelas políticas de PLR da Companhia, e muito menos pela forma adotada para pagamento da PLR e respectivo registro contábil. A responsabilidade estaria sendo imputada unicamente por terem exercido cargos executivos e baseado apenas no suposto inadimplemento. Pondera que o não pagamento de tributo não é suficiente para ensejar responsabilidade pessoal aos diretores. Tal tese vindicada é objeto, hodiernamente, do Recurso Repetitivo n.º 1.101.728 (Tema 97 do STJ). Pois bem. Entendo que assiste parcial razão a tese de defesa, mas unicamente em relação a um dos solidários, a despeito da defesa conjunta por todos eles. Explico. Fl. 10055DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 39 do Acórdão n.º 2202-006.087 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15956.720144/2018-00 Durante o Termo de Verificação Fiscal foram anotadas as práticas violadoras das normas jurídicas, como, por exemplo, pagamentos intermediados com interpostas pessoas jurídicas, com suporte em nota fiscal inidônea e cessão de crédito, escopo de não descontar o IRRF etc. Todos estes atos foram praticados pela Companhia e as respostas as intimações fiscais dão conta de que a JBS os ordenou. Então, quem foram as pessoas físicas que se envolveram e determinaram os atos? A fiscalização apontou trechos do capítulo do Estatuto Social da empresa que tratam dos órgãos da Administração da Companhia para demonstrar o escopo e quem estava à frente da Administração e, de modo resumido, ponderou que, tendo em vista as ações ilícitas praticadas pelo sujeito passivo descritas no relatório fiscal, especificava as seguintes condutas dos responsáveis (e-fl. 9.405), que se soma a todo o relato constante na exposição da fiscalização: - WESLEY MENDONÇA BATISTA, CPF nº 364.873.921-20, eleito PRESIDENTE EXECUTIVO em 09/02/2011 cargo que ocupou até 05/10/2017. Responsável como administrador da JBS em operacionalizar um esquema de prestação de serviços simulados, através de pessoas jurídicas vinculadas a seus segurados empregados ou contribuintes individuais, ou diretamente como sócios, ou como empresas de aluguel, que cediam os direitos creditícios dos valores pagos pela JBS a estes segurados. - ELISEO SANTIAGO PEREZ FERNANDEZ, CPF nº 412.811.954-72, eleito DIRETOR EXECUTIVO DE ADMINISTRAÇÃO em 24/11/2010 cargo que ocupa até o presente momento. Responsável como administrador da JBS em operacionalizar um esquema de prestação de serviços simulados, através de pessoas jurídicas vinculadas a seus segurados empregados ou contribuintes individuais, ou diretamente como sócios, ou como empresas de aluguel, que cediam os direitos creditícios dos valores pagos pela JBS a estes segurados. - JEREMIAH ALPHONSUS O’CALLAGHAN, CPF nº 012.266.188-55, eleito DIRETOR DE RELAÇÕES COM INVESTIDORES em 22/05/2009 cargo que ocupa até o presente momento. Responsável como administrador da JBS em operacionalizar um esquema de prestação de serviços simulados, através de pessoas jurídicas vinculadas a seus segurados empregados ou contribuintes individuais, ou diretamente como sócios, ou como empresas de aluguel, que cediam os direitos creditícios dos valores pagos pela JBS a estes segurados. - FRANCISCO DE ASSIS E SILVA, CPF nº 545.102.019-15, eleito DIRETOR EXECUTIVO DE RELAÇÕES INSTITUCIONAIS em 12/02/2007 cargo que ocupou até 03/08/2017. Responsável como administrador da JBS em operacionalizar um esquema de prestação de serviços simulados, através de pessoas jurídicas vinculadas a seus segurados empregados ou contribuintes individuais, ou diretamente como sócios, ou como empresas de aluguel, que cediam os direitos creditícios dos valores pagos pela JBS a estes segurados. No decorrer do Termo de Verificação Fiscal (e-fls. 9.116/9.409) observa-se, outrossim, que foram detalhadas outras condutas específicas em torno do Diretor Francisco de Assis e Silva (e-fls. 5.565/5.566 e 5.579/5.581) e do Diretor Eliseo Santiago Perez Fernandez (e- fls. 5.270/5.271), basicamente delineando que os mesmos também receberam pagamentos via interpostas pessoas jurídicas, a título de remuneração disfarçada de PLR, que, na verdade, se tratam de rendimentos do trabalho assalariado, vinculado ao contrato de trabalho (conferir em complemento capítulo acerca da “decadência”, em linhas pretéritas). Neste norte, entendo que a responsabilidade solidária dos Administradores Francisco de Assis e Silva (Diretor de Relações Institucionais) e Eliseo Santiago Perez Fernandez (Diretor de Administração) resta mais do que comprovada, assim como a Fl. 10056DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 40 do Acórdão n.º 2202-006.087 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15956.720144/2018-00 responsabilidade do Administrador Wesley Mendonça Batista (Diretor Presidente), a quem, em última medida, cabia o comando geral da JBS, some-se a isto o fato de constar nos autos a seguinte prova declaratória (e-fl. 9.024, resposta dada por uma das empresas noteiras e por um dos empregados da JBS): “A Requerente informa os profissionais responsáveis pela sua contratação são: (i) Sr. Francisco de Assis; (ii) Sr. Wesley Batista; e (iii) Sr. Eliseu Perez.” Logo, para tais administradores há especificação de condutas violadoras da lei e são as praticadas pela JBS, enquanto ente não personificado fisicamente, sendo eles os detentores do comando, além de dois deles terem, inclusive, recebido a verba via procedimento irregular. Para eles há a mesma circunstância de fato. Mas, no que tange ao Administrador Jeremiah Alphonsus O’Callaghan (Diretor de Relações com Investidores) não observo, inclusive pelos poderes dados no Estatuto Social da Companhia para o cargo diretivo, específico poder para ordenar ou concordar com tais práticas. O Estatuto Social no art. 24 estabelece competências para tal figura diretiva que não dão margem para compreensão de sua responsabilidade, veja-se: “Artigo 24 Compete ao Diretor de Relações com Investidores: (i) coordenar, administrar, dirigir e supervisionar a área de relações com investidores da Companhia; (ii) representar a Companhia perante acionistas, investidores, analistas de mercado, a Comissão de Valores Mobiliário, as Bolsas de Valores, o Banco Central do Brasil e os demais órgãos de controle e demais instituições relacionados às atividades desenvolvidas no mercado de capitais, no Brasil e no exterior; e (iii) outras atribuições que lhe forem, de tempos em tempos, determinadas pelo Diretor Presidente.” Por conseguinte, em minha análise, pelo conjunto probatório e elementos da autuação, as circunstâncias de fato não são as mesmas entre o Administrador Jeremiah Alphonsus O’Callaghan (Diretor de Relações com Investidores) e, doutro lado, os Administradores Wesley Mendonça Batista (Diretor Presidente), Francisco de Assis e Silva (Diretor de Relações Institucionais) e Eliseo Santiago Perez Fernandez (Diretor de Administração). Não me parece que estejam na mesma balança, ao menos, dentro do exame minucioso das provas e elementos da autuação. Sendo assim, com parcial razão a tese de defesa, unicamente no que se refere a afastar a responsabilidade solidária do Administrador Jeremiah Alphonsus O’Callaghan (Diretor de Relações com Investidores), mantendo-se a responsabilidade solidária dos demais administradores. Conclusão quanto aos Recursos Voluntários De livre convicção, relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, em resumo, conheço em parte do recurso do contribuinte e do recurso voluntário dos solidários, não conhecendo o aditamento integrativo do recurso dos solidários e deixando de conhecer, em ambos os recursos, o tema “Da limitação das contribuições previdenciárias devidas aos Terceiros”, rejeito a preliminar e a prejudicial de decadência. No mérito, na parte conhecida dos recursos, nego provimento ao recurso do contribuinte e, quanto a parte conhecida do recurso voluntário dos solidários, dou provimento parcial ao recurso para afastar exclusivamente a responsabilidade do Administrador Jeremiah Alphonsus O’Callaghan (Diretor de Relações com Investidores). Fl. 10057DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 41 do Acórdão n.º 2202-006.087 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15956.720144/2018-00 No mais, mantenho íntegra a decisão recorrida. Alfim, finalizo em sintético dispositivo. Dispositivo Ante o exposto, conheço parcialmente do recurso do contribuinte e dos solidários, não conhecendo do aditamento integrativo do recurso dos solidários e não conhecendo, em ambos os recursos, do tema “Da limitação das contribuições previdenciárias devidas aos Terceiros”; quanto à parte conhecida, no mérito, NEGO PROVIMENTO ao recurso do contribuinte e DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso dos solidários para afastar a responsabilidade do sujeito passivo solidário Jeremiah Alphonsus O’Callaghan. É como Voto. (documento assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Fl. 10058DF CARF MF Documento nato-digital

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8178775 #
Numero do processo: 10166.725885/2017-71
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Sun Mar 29 00:00:00 UTC 2020
Numero da decisão: 2002-003.874
Decisão: Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 13686.720154/2015-96, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez – Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ

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GFIP. MULTA POR ATRASO. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de apresentar GFIP dentro do prazo fixado para a sua entrega. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO PRÉVIA. SÚMULA CARF Nº 46. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 49. A denúncia espontânea não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 02. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 13686.720154/2015-96, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez – Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 58 85 /2 01 7- 71 Fl. 58DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2002-003.874 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10166.725885/2017-71 O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos, prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2019, e, dessa forma, adoto neste relatório o relatado no Acórdão nº 2002-003.873, de 19 de fevereiro de 2020, que lhe serve de paradigma. Trata-se de Auto de Infração lavrado em nome do sujeito passivo acima identificado, onde se apurou a Multa por Atraso na Entrega de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP. O contribuinte apresentou Impugnação, a qual foi julgada improcedente pelo Colegiado a quo. Cientificado do acórdão de primeira instância, o interessado ingressou com Recurso Voluntário contendo os argumentos a seguir sintetizados. - Defende que, para a aplicação das multas elencadas no art. 32-A da Lei nº 8.212/91, faz-se necessária intimação do contribuinte para prestar esclarecimentos ou apresentar a declaração. - Aduz que, se a GFIP foi entregue espontaneamente e o tributo confessado foi pago, a própria obrigação principal está extinta. - Aponta a ocorrência de denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN, conforme entendimento da Receita Federal constante da IN 971/09 e do Manual da GFIP/SEFIP. - Alega que a motivação do Auto de Infração é inadequada, uma vez que contrária à lei que prevê a necessidade de intimação do contribuinte antes da aplicação das penalidades. - Afirma que a autuada é uma microempresa e que faz jus aos benefícios previstos no art. 55 da Lei Complementar nº 123/06. - Discorre sobre o caráter confiscatório da multa aplicada. - Indica a existência do Projeto de Lei nº 7.512/14, que propõe a anistia da cobrança de multas geradas pela falta ou atraso na entrega da GFIP. Voto Conselheira Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Relatora Das razões recursais Como já destacado, o presente julgamento segue a sistemática dos recursos repetitivos, nos termos do art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do RICARF, desta forma reproduzo o voto consignado no Acórdão nº 2002-003.873, de 19 de fevereiro de 2020, paradigma desta decisão. O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. No que concerne à ausência de intimação prévia ao lançamento, impõe-se observar o disposto na Súmula CARF nº 46, com efeito vinculante em relação à Administração Tributária Federal: Fl. 59DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2002-003.874 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10166.725885/2017-71 O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). O previsto no art. 32-A da Lei nº 8.212/91 não contraria este entendimento. A intimação somente será realizada se for necessária, ou seja, se a autoridade fiscal não dispuser de elementos suficientes para efetuar o lançamento, o que não se verifica no caso em tela, uma vez que se trata de multa pelo atraso na entrega de GFIP sem apuração de incorreções em seu conteúdo. Sobre a ocorrência de denúncia espontânea, deixo de tecer maiores considerações tendo em vista o que estabelece a Súmula CARF n° 49, também vinculante em relação à Administração Tributária Federal: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Quanto à infração apurada, equivoca-se o recorrente ao entender que esta poderia ser afastada em razão do pagamento do tributo consignado na GFIP. De acordo com o art. 32-A, II, da Lei nº 8.212/91, a multa incide sobre o montante das contribuições previdenciárias informadas no documento, ainda que tenham sido integralmente pagas pelo contribuinte. Também não pode ser acolhida a alegação de que faz jus ao tratamento diferenciado previsto no art. 55 da Lei Complementar nº 123/2006, haja vista que este dispositivo refere-se “aos aspectos trabalhista, metrológico, sanitário, ambiental, de segurança, de relações de consumo e de uso e ocupação do solo das microempresas e das empresas de pequeno porte”, como disposto em seu caput, e não se aplica ao processo administrativo fiscal relativo a tributos, conforme explicitado em seu §4º. Vale lembrar que a responsabilidade por infrações da legislação tributária é objetiva, não dependendo da intenção do agente e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, nos termos do art. 136 do Código Tributário Nacional - CTN. Além disso, segundo o art. 142 do mesmo diploma legal, a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, não cabendo discussão sobre a aplicabilidade ou não das determinações legais vigentes por parte das autoridades fiscais. Importa registrar nesse ponto que o Projeto de Lei nº 7.512/14 mencionado no Recurso permanece em tramitação no Congresso Nacional, não se tratando, portanto, de norma vigente. Quanto à alegação de que a multa aplicada teria caráter confiscatório, cabe reproduzir o entendimento consolidado na Súmula CARF n° 2, de observância obrigatória no julgamento dos Recursos: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Pelo exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, negar-lhe provimento. Fl. 60DF CARF MF Documento nato-digital https://carf.economia.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf https://carf.economia.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf Fl. 4 do Acórdão n.º 2002-003.874 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10166.725885/2017-71 Conclusão Importa registrar que nos autos em exame a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que, as razões de decidir nela consignadas, são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 61DF CARF MF Documento nato-digital

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Numero do processo: 10280.902417/2011-24
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2005 IRRF. COMPENSAÇÃO Para fins de determinação do saldo do imposto de renda a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica pode deduzir do imposto devido o valor do imposto pago ou retido na fonte, desde que as receitas correspondentes tenham sido computadas na determinação do lucro real e ficar comprovado, mediante documentação hábil e idônea, que o contribuinte sofreu a retenção deste imposto no período correspondente.
Numero da decisão: 1001-001.689
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Sérgio Abelson – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson (Presidente), José Roberto Adelino da Silva, Andréa Machado Millan e André Severo Chaves.
Nome do relator: SERGIO ABELSON

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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2005 IRRF. COMPENSAÇÃO Para fins de determinação do saldo do imposto de renda a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica pode deduzir do imposto devido o valor do imposto pago ou retido na fonte, desde que as receitas correspondentes tenham sido computadas na determinação do lucro real e ficar comprovado, mediante documentação hábil e idônea, que o contribuinte sofreu a retenção deste imposto no período correspondente.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Sérgio Abelson – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson (Presidente), José Roberto Adelino da Silva, Andréa Machado Millan e André Severo Chaves.

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COMPENSAÇÃO Para fins de determinação do saldo do imposto de renda a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica pode deduzir do imposto devido o valor do imposto pago ou retido na fonte, desde que as receitas correspondentes tenham sido computadas na determinação do lucro real e ficar comprovado, mediante documentação hábil e idônea, que o contribuinte sofreu a retenção deste imposto no período correspondente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Sérgio Abelson – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson (Presidente), José Roberto Adelino da Silva, Andréa Machado Millan e André Severo Chaves. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 24 17 /2 01 1- 24 Fl. 171DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1001-001.689 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10280.902417/2011-24 Relatório Trata-se de recurso voluntário contra o acórdão de primeira instância (folhas 151/156) que julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade apresentada contra o despacho decisório às folhas 46/51, que homologou parcialmente a compensação constante da DCOMP 37647.01305.261206.1.3.02-4208 e não homologou a compensação constante das DCOMP 35027.41455.150107.1.3.02-2032, 10062.94251.091007.1.7.02-3500 e 37514.93542.290107.1.3.02-2027, de crédito correspondente a saldo negativo de IRPJ do ano- calendário de 2005 informado na DCOMP 22773.86459.231106.1.3.02-0857 no montante de R$ 108.539,41 e reconhecido no valor de R$ 35.617,63, tendo em vista a não confirmação de Imposto de Renda Retido na Fonte informado como retido no montante de R$ 70.468,45 e de estimativa informada como compensada no valor de R$ 2.453,31. Em sua manifestação de inconformidade (folhas 54/56), a contribuinte alegou, em síntese do necessário, que compete ao tomador do serviço efetuar o recolhimento do valor retido e proceder às informações cabíveis, anexando os comprovantes de arrecadação às folhas 57 a 138. No acórdão a quo, foi reconhecido crédito adicional correspondente a imposto de renda retido na fonte informado em DIRF no valor de R$ 10.902,93, tendo em vista, em síntese do necessário, que os documentos acostados pelo sujeito passivo às folhas 57 a 68 referem-se aos Darf cujos recolhimentos foram confirmados no Despacho Decisório (folhas 48/49); os documentos de folhas 69 a 80 são comprovantes de arrecadação de CSLL, não abarcada no processo ora sob julgamento; os documentos de folhas 81 a 138 não substituem o informe de rendimentos a que se refere o § 2º do art. 943, Decreto nº 3.000/1999, não se prestando a excluir as glosas realizadas. Ciência do acórdão DRJ em 07/12/2018 (folha 167). Recurso voluntário apresentado em 28/12/2018 (folha 161). A recorrente, às folhas 163/165, em síntese do necessário, reitera que a documentação acostada à manifestação de inconformidade é suficiente para comprovar as retenções que restaram não confirmadas e que compete ao tomador do serviço efetuar o recolhimento do valor retido e proceder às informações cabíveis, não podendo a peticionante ser prejudicada por eventual omissão, seja no recolhimento, seja na prestação de informações na DIRF, cabendo à Receita Federal diligenciar junto àqueles que efetuaram a retenção na fonte, com fins de apurar o ocorrido. É o relatório. Fl. 172DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1001-001.689 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10280.902417/2011-24 Voto Conselheiro Sérgio Abelson, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, portanto dele conheço. Analisando a documentação comprobatória acostada aos autos, observa-se que os documentos acostados pelo sujeito passivo às folhas 57 a 68 correspondem a comprovantes de arrecadação relativos a pagamentos de estimativas confirmados no Despacho Decisório (folhas 48/49). Os documentos de folhas 69 a 80 são comprovantes de arrecadação de CSLL, e aqueles às folhas 136/138 são comprovantes de arrecadação relativos ao ano calendário 2006, não abarcados no processo ora sob julgamento. Os documentos de folhas 81 a 135 correspondem a comprovantes de arrecadação em nome da recorrente, relativos ao ano calendário 2005, de código de receita 8045. Referem-se a recolhimentos por ela efetuados na qualidade de responsável, como fonte pagadora de rendimentos a prestadores de serviço, não apresentando nenhuma relação com o crédito informado na DCOMP, de mesmo código de receita, mas relativo a imposto de renda retido e recolhido por fontes pagadoras de rendimentos, tomadoras de serviço prestados pela recorrente. Na ausência de informes de rendimentos emitidos pelas fontes pagadoras, a recorrente poderia apresentar notas fiscais relativas aos serviços por ela prestados a tais fontes pagadoras, acompanhadas da comprovação de recebimento dos valores relativos a tais serviços descontados das alegadas retenções de imposto. Conforme art. 373, inciso I, do novo Código de Processo Civil – CPC (Lei nº 13.105/2015), que reproduz o art. 333, I, do antigo CPC, ao autor incumbe o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito. E de acordo com o art. 967 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR/2018 (Decreto nº 9.580/2018), que reproduz o art. 923 do antigo RIR/1999, a escrituração mantida em observância às disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis. Nesse sentido, tal qual o pagamento de tributos e contribuições, que necessita, para convalidar o recolhimento efetuado, de uma série de atos do sujeito passivo, como manter escrituração contábil, baseada em documentos hábeis e idôneos, e a partir desta documentação determinar o tributo devido e recolher o correspondente valor, a restituição ou compensação também almeja, para materializar o indébito, atividade semelhante. Por tais razões, quando a contribuinte apresenta uma Declaração de Compensação, deve, necessariamente, demonstrar um crédito tributário a seu favor, para extinguir um débito tributário constituído em seu nome, de forma que o reconhecimento do indébito tributário deve ser o fundamento fático e jurídico de qualquer declaração de compensação. A propósito do tema, cumpre destacar o informativo de jurisprudência do STJ de n° 320, de 14 a 18 de maio de 2007, que trouxe o seguinte julgado: RESTITUIÇÃO. INDÉBITO. PROVA. RECOLHIMENTOS. Fl. 173DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1001-001.689 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10280.902417/2011-24 A recorrente aduz que a eventual restituição, se cabível, haveria de ser respaldada em prova documental, acostada na inicial, dos valores efetivamente pagos com as devidas comprovações de recolhimento, e ante tal incerteza não pode ser a União condenada à restituição dos valores postulados (pela via da compensação), sob pena de infração ao princípio do enriquecimento sem causa. Isso posto, a Turma deu provimento ao recurso ao argumento de que o pressuposto fático do direito de compensar é a existência do indébito. Sem prova desse pressuposto, a sentença teria caráter apenas normativo, condicionada à futura comprovação de um fato. REsp 924.550-SC, Rei. Min. Teori Albino Zavascki, julgado em 15/5/2007. Restaria saber, ainda, caso as referidas retenções de imposto tivessem sido comprovadas, se os rendimentos a elas relativos foram regularmente oferecidos à tributação, mediante demonstração dos valores informados em DIPJ, para que as retenções pudessem ser deduzidas do resultado do período, conforme determina a Súmula CARF nº 80: Súmula CARF nº 80 Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto. Na ausência de documentação comprobatória, mantém-se, portanto, não reconhecido o alegado direito creditório remanescente em lide, no valor original de R$ 59.565,52. Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. É como voto. (documento assinado digitalmente) Sérgio Abelson Fl. 174DF CARF MF Documento nato-digital

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Numero do processo: 10120.729769/2015-95
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Mon Mar 16 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2010 AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. MULTA POR ATRASO. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de apresentar GFIP dentro do prazo fixado para a sua entrega. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 46. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 49. A denúncia espontânea não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração.
Numero da decisão: 2002-003.087
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 13603.722580/2015-37, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez – Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ

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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 13603.722580/2015-37, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez – Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.

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conteudo_txt : Metadados => date: 2020-03-13T13:56:14Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2020-03-13T13:56:14Z; Last-Modified: 2020-03-13T13:56:14Z; dcterms:modified: 2020-03-13T13:56:14Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2020-03-13T13:56:14Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2020-03-13T13:56:14Z; meta:save-date: 2020-03-13T13:56:14Z; pdf:encrypted: true; modified: 2020-03-13T13:56:14Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2020-03-13T13:56:14Z; created: 2020-03-13T13:56:14Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2020-03-13T13:56:14Z; pdf:charsPerPage: 1661; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2020-03-13T13:56:14Z | Conteúdo => S2-TE02 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10120.729769/2015-95 Recurso Voluntário Acórdão nº 2002-003.087 – 2ª Seção de Julgamento / 2ª Turma Extraordinária Sessão de 29 de janeiro de 2020 Recorrente WAINER MENDES Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2010 AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. MULTA POR ATRASO. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de apresentar GFIP dentro do prazo fixado para a sua entrega. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 46. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 49. A denúncia espontânea não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 13603.722580/2015-37, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez – Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 97 69 /2 01 5- 95 Fl. 83DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2002-003.087 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10120.729769/2015-95 Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos, prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2019, e, dessa forma, adoto neste relatório o relatado no Acórdão nº 2002-003.084, de 29 de janeiro de 2020, que lhe serve de paradigma. Trata-se de Auto de Infração lavrado em nome do sujeito passivo acima identificado, onde se apurou a Multa por Atraso na Entrega de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP. O contribuinte apresentou Impugnação, a qual foi julgada improcedente pelo Colegiado a quo. Cientificado do acórdão de primeira instância, o interessado ingressou com Recurso Voluntário contendo os argumentos a seguir sintetizados. - Suscita a nulidade do presente processo uma vez que não foi assegurado o seu direito ao contraditório e à ampla defesa. - Afirma que não foi intimado a prestar esclarecimentos ou apresentar a declaração, como determina o art. 32-A da Lei nº 8.212/91. - Aponta a ocorrência de denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN, conforme entendimento da Receita Federal constante da IN 971/09 e do Manual da GFIP/SEFIP. - Alega a modificação do critério jurídico do lançamento e a impossibilidade de se exigir tributo e multa de forma retroativa. - Defende que, conforme jurisprudência do CARF, as multas por falta de entrega de GFIP à Previdência devem seguir o rito previsto na Lei nº 11.941/09 ainda que os fatos a que se refiram sejam anteriores à vigência da norma. É o relatório. Voto Conselheiro Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Relatora. Das razões recursais Como já destacado, o presente julgamento segue a sistemática dos recursos repetitivos, nos termos do art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do RICARF, desta forma reproduzo o voto consignado no Acórdão nº 2002-003.084, de 29 de janeiro de 2020, paradigma desta decisão. O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Impõe-se observar incialmente que o lançamento foi constituído por autoridade competente e preenche todas as exigências formais previstas Fl. 84DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2002-003.087 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10120.729769/2015-95 na legislação de regência. O sujeito passivo, a descrição dos fatos, os dispositivos legais infringidos e a penalidade aplicada foram corretamente identificados no Auto de Infração, não havendo vício que enseje a sua nulidade. Cumpre ressaltar que somente a impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento fiscal, nos termos do art. 14 do Decreto 70.235/72, não havendo cerceamento do direito de defesa do contribuinte quando lhe é dada a oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos para tentar afastar a tributação contestada. Quanto à ausência de intimação prévia ao lançamento, aplica-se o previsto na Súmula CARF nº 46, com efeito vinculante em relação à Administração Tributária Federal: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). O disposto no art. 32-A da Lei nº 8.212/91 não contraria este entendimento. A intimação somente será realizada se for necessária, ou seja, se a autoridade fiscal não dispuser de elementos suficientes para efetuar o lançamento, o que não se verifica no caso em tela, uma vez que se trata de multa pelo atraso na entrega de GFIP sem apuração de incorreções em seu conteúdo. Importante salientar que a ausência de intimação prévia não causou prejuízo e não impediu o exercício do direito de defesa do interessado, uma vez que este apresentou Impugnação e Recurso Voluntário demonstrando ter pleno conhecimento das infrações que lhe foram imputadas. Sobre a ocorrência de denúncia espontânea, deixo de tecer maiores considerações tendo em vista o disposto na Súmula CARF n° 49, também vinculante em relação à Administração Tributária Federal: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Da mesma forma, não há que se falar em modificação do critério jurídico adotado no lançamento. A alteração na sistemática de aplicação de multas vinculadas à GFIP ocorreu com a inclusão do art.32-A da Lei nº 8.212/91 pela Lei nº 11.941/09, ou seja, anteriormente ao ano calendário que aqui se examina. Cabe ressaltar nesse ponto que a multa aplicada no caso em tela é justamente a prevista no art.32-A da Lei nº 8.212/91 e não a indicada em seu art. 35-A como sugere o recorrente. Vale mencionar, por fim, que a responsabilidade por infrações da legislação tributária é objetiva, não dependendo da intenção do agente e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, nos termos do art. 136 do Código Tributário Nacional. Além disso, segundo o art. 142 do mesmo diploma legal, a atividade administrativa de lançamento é Fl. 85DF CARF MF Documento nato-digital https://carf.economia.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf https://carf.economia.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf Fl. 4 do Acórdão n.º 2002-003.087 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10120.729769/2015-95 vinculada e obrigatória, não cabendo discussão sobre a aplicabilidade ou não das determinações legais vigentes por parte das autoridades fiscais. Por todo o exposto, voto por rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. Conclusão Importa registrar que nos autos em exame a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que, as razões de decidir nela consignadas, são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 86DF CARF MF Documento nato-digital

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Numero do processo: 10850.900424/2009-65
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Thu Apr 02 00:00:00 UTC 2020
Numero da decisão: 3001-000.347
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que esta tome conhecimento, analise e se pronuncie sobre a documentação exibida com o Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencido o conselheiro Luis Felipe de Barros Reche, que rejeitou o pedido de diligência. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva - Presidente. (assinado digitalmente) Francisco Martins Leite Cavalcante - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Roberto da Silva, Francisco Martins Leite Cavalcante e Luis Felipe de Barros Reche.
Nome do relator: FRANCISCO MARTINS LEITE CAVALCANTE

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IInntteerreessssaaddoo FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que esta tome conhecimento, analise e se pronuncie sobre a documentação exibida com o Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencido o conselheiro Luis Felipe de Barros Reche, que rejeitou o pedido de diligência. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva - Presidente. (assinado digitalmente) Francisco Martins Leite Cavalcante - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Roberto da Silva, Francisco Martins Leite Cavalcante e Luis Felipe de Barros Reche. Relatório A decisão recorrida assim resumiu os fatos, conforme relatório nos autos (fls. 46), verbis. Trata-se de manifestação inconformidade interposta contra despacho decisório que não homologou a compensação declarada na Declaração de Compensação (Dcomp) nº 14229.94361.150205.1.3.04-8809, às fls. 25/33, transmitida na data de 15/02/2005. A Delegacia da Receita Federal (DRF) em São José do Rio Preto não homologou a compensação declarada sob o fundamento de que o crédito financeiro utilizado na Dcomp, em discussão, foi integralmente utilizado na extinção do débito da Cofins, declarado na respectiva DCTF, conforme Despacho Decisório à fl. 34.(fl. 32). Intimada do despacho decisório, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade (02/04), insistindo na homologação da compensação, alegando, em síntese, que na DCTF foi declarado débito de Cofins, no valor de R$27.426,34, vinculados aos DARF, nos valores de R$26.693,51 (doc. 03) e R$732,83 (doc. 04). Contudo, o valor correto da contribuição é R$20.084,62, conforme consta da DCTF RE SO LU Çà O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 50 .9 00 42 4/ 20 09 -6 5 Fl. 367DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 da Resolução n.º 3001-000.347 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10850.900424/2009-65 retificadora (doc. 02), transmitida em 05/03/2009, resultando pagamento a maior de R$7.341,72, que foi utilizado na Dcomp em discussão. O acórdão recorrido julgou improcedente a manifestação de inconformidade da empresa ao fundamento de que “A DRF não homologou a compensação sob o fundamento de que o crédito financeiro declarado foi integralmente utilizado para extinção do débito da Cofins não cumulativa, declarado na respectiva DCTF”, e justificou (fls. 46), verbis. Dessa forma, não tendo a interessada apresentado documentos demonstrando e comprovando o pagamento indevido nem apresentado documentos que permitissem apurar o valor correto e, conseqüentemente, o indébito tributário resultante, para a competência de dezembro de 2004, não há que se falar em restituição/compensação do valor declarado na Dcomp. Quanto à homologação da Dcomp, segundo o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, aquela está condicionada à certeza e liquidez do crédito financeiro utilizado. No presente caso, conforme demonstrado, a recorrente não demonstrou a certeza e liquidez do crédito financeiro utilizado nem apresentou documentos fiscais e contábeis que permitissem o seu cálculo. Cientificada eletronicamente do teor da decisão de isso em 30 de setembro de 2014 (fls. 54), ingressou o contribuinte com Recuso Voluntário em 29 de outubro de 2014 (fls. 71/77), reiterando suas razões impugnatórias, resumindo os fatos, e juntando cópias do Livro Razão (fls. 89/229), Balancete Analítico (fls. 213/238), Espelho da Declaração Processada (fls. 239/240), Espelho Analítico PIS/COFINS (fls. 241/261), DACON (fls. 263/268), DIPJ 2005 (fls. 270/341). Reiterou em seu apelo a este Conselho que, por erro material, pagou o valor de R$ 27.426,34, quando o montante devido era de R$ 20.084,62, o que implicou num pagamento a maior da monta de R$ 7.341,72 (R$ 27.426,34 – R$ 20.084,62 = R$ 7.341,72). Em decorrência deste equívoco, o contribuinte transmitiu, em 05/03/2009, uma DCTF-retificadora para consignar o valor correto, R$ 20.084,62, providenciando, ainda, o PER/DCOMP nº 14229.94361.150205.1.3.04-8809, no valor da diferença, R$ 7.341,72 (fls. 72). É o relatório. VOTO Conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante – Relator. O recurso é tempestivo, uma vez que a empresa foi eletronicamente do teor da decisão de isso em 30 de setembro de 2014 (fls. 54), ingressou o contribuinte com Recuso Voluntário em 29 de outubro de 2014 (fls. 71/77), dentro do prazo legal de que trata o art. 33 do Decreto 70.235/1972. Presentes os demais pressupostos de admissibilidade, tomo conhecimento do apelo do recorrente. O conflito de interesse dos autos constantes resume-se na alegação da empresa de que equivocadamente informou pagou o valor de R$ 27.426,34, quando o montante devido era de R$ 20.084,62, o que implicou em um pagamento a maior da monta de R$ 7.341,72 (R$ 27.426,34 – R$ 20.084,62 = R$ 7.341,72). Em decorrência deste equívoco, o contribuinte transmitiu, em 05/03/2009, uma DCTF-retificadora para consignar o valor correto, R$ 20.084,62, providenciando, ainda, o PER/DCOMP nº 14229.94361.150205.1.3.04-8809, no valor da diferença, R$ 7.341,72 (fls. 72). Fl. 368DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 da Resolução n.º 3001-000.347 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10850.900424/2009-65 Como ressaltado no relatório a decisão recorrida julgou improcedente a manifestação de inconformidade da empresa (fls. 02/04) ao fundamento de que “A simples apresentação de cópias das DCTF, original e retificadora, desacompanhadas daqueles documentos, não prova o alegado erro nem permite a apuração do valor correto.”, e ementou (fls. 45), verbis. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. A homologação de compensação de débito fiscal, efetuada pelo próprio sujeito passivo, mediante a transmissão de Declaração de Compensação (Dcomp), está condicionada à certeza e liquidez do crédito financeiro declarado. CRÉDITO FINANCEIRO. CERTEZA E LIQUIDEZ. PROVA. A certeza e liquidez de crédito financeiro contra a Fazenda Nacional, objeto de compensação com débitos fiscal vencido, mediante a transmissão Dcomp, deve ser provada pelo declarante. Em seu apelo a este Conselho o sujeito passivo reitera seus argumentos impugnatórios, insistindo que o alegado (e comprovado) erro material não pode lhe tirar o direito de recuperar os R$ 7.341,72 pagos indevidamente, principalmente tendo em conta que, tão logo o erro foi detectado, cuidou a empresa retificar o Per/Dcomp e a DCTF, além de elaborar Planilha de Apuração do COFINS correspondente, exibida juntamente com o DARF comprobatório do pagamento no valor de R$ 26.693,51+R$ 769,10 = R$ 27.462,61 (documentos nos autos, fls. 23/24). Prossegue reafirmando que embora já comprovado documentalmente a ocorrência do erro e a sua correção retificadora através dos documentos exibidos, e para responder aos termos do acórdão recorrido, exibiu com o apelo a este Colegiado folhas de seu Livro Razão (fls. 89/229), Balancete Analítico (fls. 213/238), Espelho da Declaração Processada (fls. 239/240), Espelho Analítico PIS/COFINS (fls. 241/261), DACON (fls. 263/268), DIPJ 2005 (fls. 270/341). E, como visto acima, reiterou que, por erro material, pagou o valor de R$ 27.426,34, quando o montante devido era de R$ 20.084,62, o que implicou num pagamento a maior da monta de R$ 7.341,72 (R$ 27.426,34 – R$ 20.084,62 = R$ 7.341,72). Em decorrência deste equívoco, o contribuinte transmitiu, em 05/03/2009, uma DCTF-retificadora para consignar o valor correto, R$ 20.084,62, providenciando, ainda, o PER/DCOMP nº 14229.94361.150205.1.3.04-8809, no valor da diferença, R$ 7.341,72 (fls. 72). De fato, com o recurso voluntário – e para complementar os documentos já exibidos com a manifestação de inconformidade alhures referenciada – juntou o contribuinte Livro Razão (fls. 89/229), Balancete Analítico (fls. 213/238), Espelho da Declaração Processada (fls. 239/240), Espelho Analítico PIS/COFINS (fls. 241/261), DACON (fls. 263/268), DIPJ 2005 (fls. 270/341). para, mais uma vez, comprovar e atestar a liquidez e certeza de seus créditos, relacionando-os com os apontamento da Planilha de Apuração de COFINS em tela. Nota-se que, mais uma vez, nos deparamos com simples erros materiais e procedimentais a impedir o direito do contribuinte em receber valores comprovadamente pagos indevidamente, nada obstante ser pacífica a jurisprudência neste Conselho quanto a que se deve sempre dar prevalência ao fato de que a verdade material deve prevalecer sempre sobre a verdade estritamente formal. Em assim sendo, releva repisar que, nesta e em outras Câmaras e Turmas do CARF, há muito vem se consolidando o entendimento de que a verdade material deve sempre sobrepor-se aos conceitos estritamente legalistas. É a lição que se extrai do Acórdão nº 1402- 000.686, proferido em 05 de agosto de 2011 (Processo nº 11020.002050/0019), pela 4ª Câmara da 2ª Tuma Ordinária do CARF, e assim ementado, verbis. Fl. 369DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 da Resolução n.º 3001-000.347 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10850.900424/2009-65 ASSUNTO : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-Calendário : 1997, 1998 e 1999 BUSCA DA VERDADE MATERIAL. Nos processos administrativos predomina o princípio da verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador e se a obrigação teve o seu nascimento e regular constituição. Neste contexto, devem ser superados os erros de procedimentos dos contribuintes ou da fiscalização que não impliquem em prejuízo às partes, por consequência, ao processo. Em artigo intitulado “A Prova e o Princípio da Verdade Material na Aplicação da Norma Jurídica Tributária: o Estabelecimento Prestador e a Materialidade do fato Gerador na Incidência do Imposto sobre Serviços” (In “A Prova no Processo Tributário”, Ed. Dialética, 2010, p. 415), o advogado Flávio Couto Bernardes, discorrendo sobre VERDADE MATERIAL, sustenta que no âmbito do Processo Administrativo Fiscal, “especialmente por sua maior tendência à informalidade, há uma maior liberdade pela busca efetiva do chamado “princípio da verdade material”, segundo o qual se “deve apurar rigorosamente a realidade dos negócios jurídicos realizados pela pessoa fiscalizada e sua subsunção à lei, não se resumindo a critérios meramente formais (síntese de contratos ou descrições genéricas de notas fiscais) ou a presunções” e, reportando-se à decisão objeto do Acórdão CSRF nº 9101-004.110, assim arremata, verbis. O alcance do referido princípio no âmbito do processo administrativo é tema extremamente relevante, especialmente pela possibilidade de viabilizar, mediante um exame acurado dos fatos e provas, que disputas tributárias sejam encerradas ainda em âmbito administrativo evitando, assim, o desaguar de um número relevante de litígios na esfera judicial. De igual maneira, a aplicação do princípio da verdade material, de certa maneira, visa equilibrar as forças entre o Fisco e o Contribuinte. Isso porque enquanto ao primeiro são concedidos até cinco anos para revisar as operações dos contribuintes e, se for o caso, efetuar os devidos lançamentos, ao Contribuinte são concedidos meros trinta dias após a intimação para não apenas apresentar a devida impugnação, mas também providenciar toda a documentação, revisão das conclusões do Fisco, assim como, outras situações administrativas que demandam tempo e devem ser concluídas dentro dos trinta dias disponíveis à impugnação. Justamente por situações como as acima colocadas é que já destacamos neste mesmo espaço decisão proferida pela Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF, em que, em atenção ao princípio da verdade material, foi considerada válida a juntada de documentos a embasar os argumentos de defesa do contribuinte mesmo após a apresentação da devida impugnação. Nesta linha, em relação à decisão hoje trazida à baila trataremos de apresentar a aplicação do princípio da verdade material sob outro aspecto, qual seja, o da liberdade do Contribuinte de comprovar seus argumentos de defesa mesmo que por meios de prova diferentes daqueles que, em tese, são os exigidos pela legislação para comprovação das retenções de IRPJ utilizadas para apuração do imposto devido em determinado exercício e, eventualmente, na constituição de saldo negativo de IRPJ para compensações futuras. ............................................................(omissis)............................................................. O acórdão acima citado decorreu da não-homologação de compensações realizadas com créditos decorrentes de Saldo Negativo de IRPJ apurados pelo Contribuinte. Conforme narrado nos autos, o montante de Saldo Negativo foi apurado a partir da composição verificada entre os pagamentos de IRPJ feitos por estimativa ao longo de determinado exercício, somados aos valores das retenções de IRPJ realizadas pelas fontes pagadoras, nos termos em que dispõe o artigo 6º, §1º, inciso II da Lei nº 9.430/963. Fl. 370DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 da Resolução n.º 3001-000.347 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10850.900424/2009-65 No caso em questão, as compensações não foram homologadas em função da divergência entre os dados constantes do PERDCOMP e DIPJ, na medida em que não teria havido comprovação das retenções via Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte – DIRF, documento este cuja obrigação pela emissão é da fonte pagadora. Após argumentar, sem sucesso, em primeira instância que as fontes pagadoras, entre elas, diversos órgãos públicos, não emitiram os devidos comprovantes de retenção não podendo ao Contribuinte ser imposto um gravame por fato de terceiros, sobreveio decisão do CARF no sentido de que as provas auxiliares acostadas pelo Contribuinte aos autos eram suficientes para demonstrar que houve a efetiva retenção de IR alegada pelo Contribuinte. Não conformada com tal decisão, a PFN recorreu à CSRF alegando que a ausência de comprovação das retenções via DIRF implicaria em violação às disposições do art. 55 da Lei nº 7.450/85, o qual dispõe que o imposto de renda retido na fonte somente poderá ser compensado se “o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos”. Não obstante tal argumentação em sede de recurso especial, o acórdão proferido por turma do CARF foi mantido pela CSRF, sob a alegação de que, no âmbito do princípio da verdade material, o Contribuinte, atendendo ao ônus probatório que lhe é imposto, conseguiu demonstrar “por outros meios de prova a liquidez e certeza do crédito tributário”. Significativa e esclarecedora também sobre o mesmo tema, parte do voto que deu origem ao acórdão nº 9101-001.961 (publicado em 17.11.2014), verbis. Acórdão 9101-001.961 (publicado em 17.11.2014)POSTERGAÇÃO DE PAGAMENTO DE TRIBUTO. COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO. A postergação de pagamento de tributo pressupõe a prova do seu efetivo pagamento e não apenas a contabilização. O Documento de Arrecadação de Receitas Federais (DARF), pago antes do início da ação fiscal, relativo e vinculado à postergação, é prova efetiva do pagamento. Vejamos, a propósito, parte da fundamentação do Voto que resultou no Acórdão acima, e que, feitas as devidas adaptações, se amolda ao deslinde da controvérsia ora posta em apreciação, verbis. 8. Não obstante o disposto, a recorrida apresenta neste momento o DARF nº 38026736581 para comprovar o pagamento, com período de apuração de 31/12/2002 e data de vencimento de 31/01/2003; emitido, portanto, em tempo anterior à ação fiscal. (...) 8.2. Para se alcançar a harmonia entre o princípio da preclusão processual e o princípio da verdade material, outros dois princípios devem entrar em jogo, quais sejam: o princípio da proporcionalidade e o princípio da razoabilidade. Logo, assim como a verificação de um DARF não implica em um esforço demasiado por parte da administração tributária (pois esse trabalho é proporcional aos esforços envidados na participação no processo administrativo tributário), é razoável que o DARF venha a ser recebido pelo julgador, como razão de decidir, e entendido como suficiente para satisfação do crédito tributário. 8.3. Entretanto, pode-se questionar quanto à vinculação do DARF ao crédito tributário discutido, ou seja, se efetivamente o valor pago inclui o valor em discussão. Em homenagem aos deveres de veracidade, boa-fé e lealdade processual, gravados no art. 14 do Código de Processo Civil (CPC), há que se entender que a parte está cumprindo com seu dever de expor os fatos em juízo conforme a verdade. Assim é que a vinculação (no caso inclusão) do pagamento ao crédito tributário pode ser admitida, sem prejuízo de o titular da unidade da administração tributária encarregada da liquidação e execução do acórdão utilizar-se da prerrogativa do inciso V do § 1º do art. 65 do Fl. 371DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 da Resolução n.º 3001-000.347 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10850.900424/2009-65 Regimento Interno do CARF, caso proceda à análise da vinculação e constate que esta não procede. Corroborando a tese de que a verdade material deve prevalecer sobre a verdade estrita, anote-se também mais dois julgados proferidos por este Conselho, e assim ementados, verbis. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRRIO Ano calendário : 2004. EMENTA. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO MATERIAL. POSSIBILIDADE. A retificação da DIPJ quando anterior à data de conclusão da fiscalização deve ser considerada como válida à luz do princípio da verdade material. O contribuinte trouxe aos autos documentos para que fossem sanadas as falhas e omissões cometidas, afastando o fundamento que levou à negativa do pedido de compensação. (Acórdão 1301-002.192). ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. Ano-calendário : 2007. EMENTA. COMPENSAÇÃO. ERRO FORMAL. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Em busca da verdade material, em detrimento de eventuais erros formais, é possível considerar documentos que comprovem o crédito do contribuinte. Relevante repisar, em derradeiro que, como do conhecimento dos demais integrantes desta nossa 1ª Turma Extraordinária, tenho entendimento consolidado e reiterado no sentido de que meros erros materiais e procedimentais (seja por erro material propriamente dito, seja por desconhecimento da legislação, seja por ignorância tributário-fiscal, seja por formulação incompleta de suas pretensões, como o pedido de perícia por exemplo) devem ser considerados e mitigados a fim de que não impeçam que as empresas usufruam de direitos seus e fundamentais, notadamente quanto à possibilidade de produção de prova essencial e capaz de garantir a comprovação (ou não) de seus alegados direitos geradores dos perseguidos créditos. Saliente-se, em complementação, que a iterativa jurisprudência deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF e da própria Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF se orienta no sentido de que a verdade material deve prevalecer sempre sobre a verdade estritamente formal o que, implicitamente, significa dizer que todos os meios de provas pretendidas pelas empresas deverão ser aceitas e facilitadas pelos representantes da Receita Federal, na mesma medida em que também os erros materiais devem ser considerados, aceitos e mitigados, exatamente para fazer prevalecer a tão propaganda verdade material defendida pela doutrina e consagrada por iterativa jurisprudência deste Colegiado. Cita-se, a propósito, a ementa de alguns acórdãos, verbis. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRRIO Ano calendário : 2004. EMENTA. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO MATERIAL. POSSIBILIDADE. A retificação da DIPJ quando anterior à data de conclusão da fiscalização deve ser considerada como válida à luz do princípio da verdade material. O contribuinte trouxe aos autos documentos para que fossem sanadas as falhas e omissões cometidas, afastando o fundamento que levou à negativa do pedido de compensação. (Acórdão 1301-002.192). ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. Ano-calendário : 2007. Fl. 372DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 da Resolução n.º 3001-000.347 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10850.900424/2009-65 EMENTA. COMPENSAÇÃO. ERRO FORMAL. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Em busca da verdade material, em detrimento de eventuais erros formais, é possível considerar documentos que comprovem o crédito do contribuinte. ASSUNTO. NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁIA. Ano-Calendário: 2007 COMPENSAÇÃO. ERRO FORMAL. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Em busca da verdade material, em detrimento de eventuais erros formais, é possível considerar documentos que comprovem o crédito do contribuinte. (Acórdão nº 3301- 003.267). Como se pode verificar, a jurisprudência deste Conselho assentou o entendimento firme e reiterado de que a verdade material sobrepõe-se aos formalismos estritos, pois, a questão que se impõe é a legalidade da tributação. A propósito, releva destacar que Hugo de Brito Machado (Processo Tributário, 4ª ed., Atlas, p. 30), conceituando a verdade material, também conhecida como verdade real, asseverou que “a Administração não pode agir baseada apenas em presunções, sempre que lhe for possível descobrir a efetiva ocorrência dos fatos correspondentes”. Não é demais relembrar manifestação esposada pela advogada Amal Narsallah, sob o título “CARF: PODEM SER APRESENTADAS PROVAS NO MOMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO” (publicado em 21.09.2017), segundo a qual o processo administrativo é regido pelo princípio da verdade material, objetivando a busca da realidade dos fatos, e sempre desconsiderando-se as presunções. “Vale dizer ainda, que a administração deve realizar de ofício as investigações necessárias ao esclarecimento da verdade material com o objetivo de alcançar uma decisão justa.” (Destaquei). A propósito, cita-se também o magistério de Celso Antônio Bandeira de Melo no sentido de que a verdade material “consiste em que a administração, ao invés de ficar adstrita ao que as partes demonstrem no procedimento, deve buscar aqujilo que é realmente verdade, com prescindência do que os interessados hajam alegado e provado, como bem o diz Hector Jorge Escola”, e prossegue, verbis. Nada importa, pois, que a parte aceite como verdadeiro algo que não o é ou que negue a verdade do que é, pois no procedimento administrativo, independentemente do que haja sido aportado aos autos pela parte ou pelas partes, a administração deve sempre buscar a verdade substancial” (In “Curso de Direito Administrativo, 28ª edição, São Paulo: Malheiros, 2011, p. 306). ............................................................(omissis)............................................................. A limitação imposta pelo art. 16, § 4º, do Decreto 70.235/1972 tem gerado discussões no âmbito do processo administrativo, porque supostamente constituiria ofensa ao princípio da verdade material. (Destaquei). Recentemente a matéria foi apreciada em sede de Recurso Especial e a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) do CARF decidiu que por força do princípio da verdade material e do princípio da ampla defesa, as provas podem ser apresentadas também “em sede de recurso voluntário, desde que sejam documentos probatórios que estejam no contexto da discussão de matéria em litígio, sem trazer inovação, e dentro do prazo temporal de trinta dias a contar da data da ciência da decisão recorrida” (Número do Processo 16327.001227/2005-42, Data da Sessão 08/08/2017, Acórdão 9101-003.003). De acordo com o voto vencedor, a despeito do artigo 16, § 4º, do Decreto 70.235/1972 especificar que a prova documental deverá ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, “a interpretação mais Fl. 373DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 da Resolução n.º 3001-000.347 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10850.900424/2009-65 adequada não impede a apresentação das provas em sede de recurso voluntário, desde que sejam documentos probatórios que estejam no contexto da discussão da matéria em litígio, ou seja, podem ser apresentadas desde que não disponham sobre nenhuma inovação.” O voto vencedor destacou também que “a apresentação das provas, ainda que em outra fase processual, segue o mesmo rito previsto pelo art. 16 do PAF, que estabelece com clareza prazo para sua apresentação (30 dias da ciência da parte) e discorre sobre a preclusão processual ocorrida em face do descumprimento temporal”. E considerando que no processo julgado os documentos foram apresentados no momento do protocolo do recurso voluntário, não haveria impedimento para aceitar as provas apresentadas no momento do recurso. (Destaques do original). Registre-se, finalmente, que já é pacífico o entendimento neste colegiado, a partir de decisões da própria Câmara Superior de Recursos Fiscais - CSRF, quanto à possibilidade de juntada, recepção e análise de documentos em fase recursal, para comprovar argumentos sustentados pelo sujeito passivo, em busca da verdade material e para homenagear o tão festejado princípio da ampla defesa constitucionalmente a todos assegurado. A propósito, merece transcrição a ementa do Acórdão CSRF nº 9303-005.065, proferido em 16 de maio de 2017, em que se deu provimento a Recurso Especial do contribuinte, em circunstâncias semelhante àquela discutida nos presentes autos, verbis. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Data do fato gerador: 24.04.2008 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ENFRENTAMENTO DA FUNDAMENTAÇÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO. CONHECIMENTO. O recurso especial de divergência que combate a fundamentação do acórdão recorrido, demonstrando a comprovação do dissenso jurisprudencial, deve ser conhecido, consoante art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Além disso, mesmo após complementada a decisão ora recorrida com relação à ocorrência da preclusão para a produção de provas, pela via dos embargos de declaração, não se caracterizou a hipótese de fundamentos autônomos suficientes, cada um por si só, para manutenção do julgado estando correta a insurgência pela via especial enfrentando o argumento da possibilidade de apresentação e análise de documentos novos em sede recursal. PROVAS DOCUMENTAIS NÃO CONHECIDAS. REVERSÃO DA DECISÃO NA INSTÂNCIA SUPERIOR. RETORNO DOS AUTOS PARA APRECIAÇÃO E PROLAÇÃO DE NOVA DECISÃO. Considerado equivocado o acórdão recorrido ao entender pelo não conhecimento de provas documentais somente carreadas aos autos após o prazo para apresentação da impugnação, estes devem retornar à instância inferior para a sua apreciação e prolação de novo acórdão. Recurso especial do contribuinte provido. (Destaquei). Em derradeiro, não é demais relembrar que se é afirmativo o brocardo jurídico de que ‘dura lex sed lex’ (a lei é dura mas é lei), não é menos válido o que reza que “summum jus, summa injuria’ (excesso de direito, excesso de injustiça). Assim, forçoso reconhecer que mesmo rigorosa a lei deve ser aplicada, porém não se deve esquecer que a aplicação muito rigorosa da lei pode dar margem a grandes injustiças. Logo, pode-se concluir que a virtude está no meio, como já diziam os antigos, e que a justiça há de se fazer se contrapondo ao rigor da lei os devidos temperamentos. Por isto mesmo, o próprio STJ pronunciou-se no sentido de que “o direito não fica alheio às realidades sociais, nem se divorcia do bom senso, devendo a sua compreensão ser Fl. 374DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 da Resolução n.º 3001-000.347 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10850.900424/2009-65 ajustada à justiça das normas. Não pode ser desajustado, nem injusto.” (REsp 33757-8/PR, julgado em 15.3.1995, pela 1ª Turma do STJ). Em outras palavras, o que o STJ fez foi aplicar a recomendação expressa nos arts. 4º e 5º da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro, e no art. 112 do Código Civil Brasileiro, segundo os quais “as normas legais devem ser interpretadas de forma a se buscar mais a intenção do legislador do que o sentido literal da linguagem” (art. 112 do CC/2002), tendo sempre em mente que, “na aplicação da lei, o juiz atenderá aos fins sociais a que ela se dirige e às exigências do bem comum” (art. 5º da LINDB ), bem assim, que, “quando a lei for omissa, o juiz decidirá o caso de acordo com a analogia, os costumes e os princípios gerais de direito” (art. 4º da LINDB Diante de todo o exposto, considerando que as normas legais devem ser interpretadas de forma a se buscar mais a intenção do legislador do que o sentido literal da linguagem (art. 112 do Código Civil de 2002); considerando a expressa recomendação constante da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro (alteração introduzida pela Lei 12.376/2010) no sentido de que, “na aplicação da lei, o juiz atenderá aos fins sociais a que ela se dirige e às exigências do bem comum” (art. 5º), bem assim, que, “quando a lei for omissa, o juiz decidirá o caso de acordo com a analogia, os costumes e os princípios gerais de direito” (art. 4º); considerando que é pacifico neste colegiado o entendimento de que a verdade material deve sempre sobrepor-se à verdade estritamente formal; considerando que o erro do contribuinte não causou nenhum prejuízo ao erário; considerando que está evidenciado nos autos que existe grande probabilidade de que realmente a empresa seja detentora do crédito alegado, nada obstante o erro material comprovadamente cometido no preenchimento da documentação; considerando os precedentes desta própria 1ª Turma Extraordinária com a realização de Diligências sempre com vistas à busca da verdade material, para garantir o sagrado e constitucional direito de defesa dos contribuintes; considerando ainda que “o direito não fica alheio às realidades sociais, nem se divorcia do bom senso, devendo a sua compreensão ser ajustada à justiça das normas”, mas que “não pode ser desajustado, nem injusto.” (REsp 33757- 8/PR, julgado em 15.3.1995, pela 1ª Turma do STJ); e, finalmente, considerando que até os Juízes podem corrigir de ofício erros materiais constantes de suas Sentenças mesmo após serem proferidas e publicadas (NCPC, art. 494), VOTO no sentido de acolher a preliminar do sujeito passivo para converter o julgamento do processo em Diligência à Repartição de Origem, para a realização da requerida perícia, para o que deverão ser adotadas as seguintes providências. 01. Tomar conhecimento, analisar e se manifestar conclusivamente sobre os argumentos e documentos trazidos aos autos em sede de Recurso Voluntário. 02. Aferir a autenticidade da documentação exibida com a manifestação de inconformidade (fls. 05/42) e complementado em sede de recurso voluntário (fls. 89/341), inclusive esclarecendo se tais documentos corroboram (ou não) as assertivas sustentadas na impugnação e no apelo da recorrente. 03. Caso entenda necessário, conferir, in loco, a documentação e a escrita fiscal do contribuinte, e/ou solicitar que a recorrente os exiba para análise e conferência pelo técnico designado para dar cumprimento a esta diligência outros documentos, inclusive as informadas notas fiscais pertinentes. 04. Emitir relatório circunstanciado sobre o resultado do exame dos documentos (e argumentos) e demais providências objeto dos itens anteriores. Fl. 375DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 da Resolução n.º 3001-000.347 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10850.900424/2009-65 05. Concluída a diligência, dar ciência à recorrente sobre o teor e resultado dessa diligência e do relatório referido no item anterior, para se manifestar, querendo, no prazo de 30 dias. 06. Ao final, retornar os autos a este Colegiado para prosseguir com o julgamento da demanda. (assinado digitalmente) Francisco Martins Leite Cavalcante – Relator. Fl. 376DF CARF MF Documento nato-digital

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Numero do processo: 10855.723787/2015-79
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Mon Mar 09 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2010 MULTA. GFIP ENTREGUE INTEMPESTIVAMENTE. É devida a multa pelo atraso na entrega da GFIP quando o contribuinte, estando obrigado ao cumprimento da obrigação acessória, apresenta o documento após o prazo estabelecido na legislação. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. PENALIDADE. As penalidades por descumprimento de obrigações acessórias autônomas não estão alcançadas pelo instituto da denúncia espontânea grafado no art. 138, do Código Tributário Nacional. Súmula CARF nº49. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. Súmula CARF nº 46. INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº2.
Numero da decisão: 2002-001.967
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 10855.723764/2015-64, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ

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GFIP ENTREGUE INTEMPESTIVAMENTE. É devida a multa pelo atraso na entrega da GFIP quando o contribuinte, estando obrigado ao cumprimento da obrigação acessória, apresenta o documento após o prazo estabelecido na legislação. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. PENALIDADE. As penalidades por descumprimento de obrigações acessórias autônomas não estão alcançadas pelo instituto da denúncia espontânea grafado no art. 138, do Código Tributário Nacional. Súmula CARF nº49. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. Súmula CARF nº 46. INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº2. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 10855.723764/2015-64, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 72 37 87 /2 01 5- 79 Fl. 60DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2002-001.967 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10855.723787/2015-79 Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos, prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2019, e, dessa forma, adoto neste relatório o relatado no Acórdão nº 2002-001.965, de 28 de janeiro de 2020, que lhe serve de paradigma. Trata o presente processo de auto de infração consubstanciando exigência referente à multa por atraso na entrega de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP, prevista no artigo 32-A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação da Lei nº 11.941, de 2009. Cientificada da decisão do colegiado de primeira instância, a qual julgou improcedente a impugnação, a empresa apresentou recurso voluntário, alegando, em síntese: - ausência de fiscalização orientadora e de intimação prévia; anistia concedida pela Lei nº 13.097, de 2015; ausência de avaliação pelo Fisco da razoabilidade e da proporcionalidade da exigência; entrega espontânea das GFIP, antes de qualquer ação fiscal e com cumprimento da obrigação principal; violação a princípios constitucionais; benefícios previstos no artigo 38-B, da Lei Complementar nº 123, de 2006. É o relatório. Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez – Relatora Das razões recursais Como já destacado, o presente julgamento segue a sistemática dos recursos repetitivos, nos termos do art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do RICARF, desta forma reproduzo o voto consignado no Acórdão nº 2002-001.965, de 28 de janeiro de 2020, paradigma desta decisão. O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Como relatado, discute-se nestes autos a exigência referente à multa por atraso na entrega de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP, prevista no artigo 32-A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação da Lei nº 11.941, de 2009. Esclareço que a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional (art. 142 do Código Tributário Nacional - CTN, parágrafo único). Assim, constatado o atraso ou a falta na entrega da declaração/demonstrativo, a autoridade fiscal não só está autorizada como, por dever funcional, está obrigada a proceder ao lançamento de ofício da multa pertinente. Fl. 61DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2002-001.967 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10855.723787/2015-79 A exigência da penalidade independe da capacidade financeira ou de existência de danos causados à Fazenda Pública. Ela é exigida em função do descumprimento da obrigação acessória. Portanto, não assiste razão à recorrente ao pleitear a exclusão multa pelo fato de ter efetuado os recolhimentos previdenciários devidos. A autuação não aponta a falta ou insuficiência desse recolhimento. A Lei nº 13.097, de 2015, conversão da Medida Provisória (MP) nº 656, de 2014, anistiou tão-somente as multas lançadas até sua publicação (20/01/2015) e dispensou sua aplicação para fatos geradores ocorridos até 31/12/2013, no caso de entrega de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária, que não é o caso dos autos, pois o auto de infração denota que houve fato gerador das contribuições e ele foi lavrado depois da publicação da referida lei. Registre-se ainda que a referida anistia exigia ainda a entrega da declaração até o último dia do mês subsequente ao previsto para a entrega, o que também não se verifica nesses autos. No tocante à alegação de espontaneidade na entrega da Declaração, trago a Súmula CARF nº 49, de observância obrigatória por este colegiado: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Quanto à alegação de falta de intimação prévia ao lançamento, no caso em tela, não houve necessidade dessa intimação, pois a autoridade autuante dispunha dos elementos necessários à constituição do crédito tributário devido. A prova da infração é a informação do prazo final para entrega da declaração e da data efetiva dessa entrega, a qual constou do lançamento. As disposições insertas no art. 32-A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, não contrariam o entendimento manifestado acima. Em nenhum momento há imposição de prévia intimação ao lançamento tributário. Apenas nos casos em que a intimação é necessária é que a intimação deve ser realizada. Nesse sentido, é o que dispõe a Súmula CARF nº 46: Súmula CARF nº 46 O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. Acrescento que o artigo 55, da Lei nº123, de 2006, trata de fiscalizações trabalhistas, sanitárias, de segurança, de relações de consumo, entre outras, não se aplicando ao processo administrativo fiscal relativo a tributos, conforme explicitado em seu §4º. Quanto às alegações de violação a princípios constitucionais, não cabe tal discussão na esfera administrativa de julgamento, prevalecendo a vinculação à lei, que conduz à obrigatoriedade de observância e aplicação Fl. 62DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2002-001.967 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10855.723787/2015-79 das normas regularmente editadas. Acrescento a Sumula CARF nº2, de observância obrigatória por este colegiado: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. No tocante à aplicação do artigo 38-B da Lei nº 123, de 2006, registro que o benefício poderia ser solicitado no caso de pagamento da exigência no prazo de trinta dias da notificação, na forma do inciso II, do parágrafo único, do artigo 38-B, ou seja, caso a opção fosse pelo pagamento da exigência. Ao optar pela discussão da exigência na esfera administrativa, os contribuintes enquadrados nas hipóteses ali previstas perdem o direito a esse benefício. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Conclusão Importa registrar que nos autos em exame a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que, as razões de decidir nela consignadas, são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 63DF CARF MF Documento nato-digital

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8185276 #
Numero do processo: 11516.723654/2015-14
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Wed Apr 01 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2010 AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. MULTA POR ATRASO. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de apresentar GFIP dentro do prazo fixado para a sua entrega. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO PRÉVIA. SÚMULA CARF Nº 46. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 49. A denúncia espontânea não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 02. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 2002-002.778
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 13811.726461/2015-06, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez – Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ

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GFIP. MULTA POR ATRASO. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de apresentar GFIP dentro do prazo fixado para a sua entrega. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO PRÉVIA. SÚMULA CARF Nº 46. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 49. A denúncia espontânea não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 02. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 13811.726461/2015-06, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez – Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 36 54 /2 01 5- 14 Fl. 54DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2002-002.778 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 11516.723654/2015-14 Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos, prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, e, dessa forma, adoto neste relatório o relatado no Acórdão nº 2002-002.426, de 29 de janeiro de 2020, que lhe serve de paradigma. Trata-se de Auto de Infração lavrado em nome do sujeito passivo acima identificado, onde se apurou a Multa por Atraso na Entrega de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP. O contribuinte apresentou Impugnação, a qual foi julgada improcedente pelo Colegiado a quo. Cientificado do acórdão de primeira instância, o interessado ingressou com Recurso Voluntário com os argumentos a seguir sintetizados. - Alega a ocorrência de denúncia espontânea, conforme entendimento da Receita Federal constante da IN 971/09 e do Manual da GFIP/SEFIP. - Aduz que a multa em exame deveria observar os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. - Sustenta que não houve intimação do contribuinte omisso, como determina expressamente o art. 32-A da Lei 8.212/91, nem tampouco a imposição da multa no momento do recebimento da GFIP em atraso ou nos anos seguintes, tendo o fisco efetuado o lançamento nos estertores da decadência tributária. - Entende que a suposta infração de natureza acessória alcançou seu objetivo de forma plena e eficaz ante o pagamento integral do tributo consignado na GFIP antes de qualquer iniciativa fiscal. - Expõe que, ainda que tenha obedecido à regra da competência legislativa e tenha respeitado o processo legislativo, a lei será inconstitucional se atentar contra o princípio da razoabilidade. - Suscita o caráter confiscatório da multa aplicada. - Afirma que houve violação ao art. 146 do CTN. - Ressalta que não houve prejuízo ao erário, considerando que os encargos foram devidamente recolhidos. - Assevera que as multas aplicadas contrariam a jurisprudência administrativa e judicial. Fl. 55DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2002-002.778 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 11516.723654/2015-14 Voto Conselheira Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Relatora Das razões recursais Como já destacado, o presente julgamento segue a sistemática dos recursos repetitivos, nos termos do art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do RICARF, desta forma reproduzo o voto consignado no Acórdão nº 2002-002.426, de 29 de janeiro de 2020, paradigma desta decisão. O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. No que concerne à ausência de intimação prévia ao lançamento, aplica-se o disposto na Súmula CARF nº 46, com efeito vinculante em relação à Administração Tributária Federal: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). O previsto no art. 32-A da Lei nº 8.212/91 não contraria este entendimento. A intimação prévia somente será realizada quando for necessária, ou seja, quando a autoridade fiscal não dispuser de elementos suficientes para efetuar o lançamento, o que não se verifica no caso em tela, uma vez que se trata de multa pelo atraso na entrega de GFIP sem apuração de incorreções em seu conteúdo. Relativamente à alegação de denúncia espontânea, deixo de tecer maiores considerações haja vista o entendimento consolidado na Súmula CARF n° 49, também vinculante em relação à Administração Tributária Federal: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Quanto à infração apurada, equivoca-se o recorrente ao entender que a mesma poderia ser afastada em razão do pagamento integral do tributo consignado na GFIP. De acordo com o art. 32-A, II, da Lei 8.212/91, a multa incide sobre o montante das contribuições previdenciárias informadas no documento ainda que tenham sido integralmente pagas pelo contribuinte. A exigência da penalidade independe de sua capacidade financeira ou da existência de danos causados à Fazenda Pública. Também não há que se falar em alteração nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa e violação do art. 146 do Código Tributário Nacional - CTN. A alteração na sistemática de aplicação de multas vinculadas à GFIP ocorreu com a inclusão do art.32-A da Lei Fl. 56DF CARF MF Documento nato-digital https://carf.economia.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf https://carf.economia.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf Fl. 4 do Acórdão n.º 2002-002.778 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 11516.723654/2015-14 8.212/91 pela Lei 11.941/09, ou seja, anteriormente ao ano calendário que aqui se examina. Vale lembrar que, segundo o art. 142 do CTN, a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, não cabendo discussão sobre a aplicação das determinações legais vigentes por parte das autoridades fiscais. Quanto aos questionamentos acerca da violação aos princípios constitucionais e do caráter confiscatório da multa, importa reproduzir o disposto na Súmula CARF n° 2, de observância obrigatória por seus Conselheiros no julgamento dos Recursos: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Cabe mencionar, por fim, que as decisões trazidas pelo recorrente somente vinculam as partes envolvidas naqueles litígios, não podendo ser estendidas genericamente a outros casos. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, negar-lhe provimento. Conclusão Importa registrar que nos autos em exame a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que, as razões de decidir nela consignadas, são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 57DF CARF MF Documento nato-digital

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8186904 #
Numero do processo: 11516.004233/2007-72
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Thu Apr 02 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2002 IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LEI Nº 8.852/94. DEDUTIBILIDADE DE VALORES COM BASE EM EXCLUSÃO DO CONCEITO DE REMUNERAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. NECESSIDADE DE EXPRESSA PREVISÃO LEGAL. SÚMULA CARF Nº 68. As exclusões do conceito de remuneração, estabelecidas na Lei n° 8.852/94, não constituem hipóteses de isenção ou não incidência de IRPF, que requerem, pelo princípio da estrita legalidade em matéria tributária, previsão legal específica para viabilizar o seu exercício. Súmula CARF nº 68: A Lei nº 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). PAF. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. DOUTRINA. EFEITOS. As decisões administrativas, mesmo as proferidas pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e as judiciais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência senão aquele objeto da decisão, à exceção das decisões do STF sobre inconstitucionalidade da legislação. A doutrina não é oponível ao texto explícito do direito positivo, mormente em se tratando do direito tributário brasileiro, por sua estrita subordinação à legalidade. Inteligência do artigo 150, inciso I, da CF/88.
Numero da decisão: 2003-001.195
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Raimundo Cassio Gonçalves Lima - Presidente (documento assinado digitalmente) Wilderson Botto – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Raimundo Cassio Gonçalves Lima (Presidente), Sara Maria de Almeida Carneiro Silva, Gabriel Tinoco Palatnic e Wilderson Botto.
Nome do relator: WILDERSON BOTTO

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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2002 IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LEI Nº 8.852/94. DEDUTIBILIDADE DE VALORES COM BASE EM EXCLUSÃO DO CONCEITO DE REMUNERAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. NECESSIDADE DE EXPRESSA PREVISÃO LEGAL. SÚMULA CARF Nº 68. As exclusões do conceito de remuneração, estabelecidas na Lei n° 8.852/94, não constituem hipóteses de isenção ou não incidência de IRPF, que requerem, pelo princípio da estrita legalidade em matéria tributária, previsão legal específica para viabilizar o seu exercício. Súmula CARF nº 68: A Lei nº 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). PAF. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. DOUTRINA. EFEITOS. As decisões administrativas, mesmo as proferidas pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e as judiciais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência senão aquele objeto da decisão, à exceção das decisões do STF sobre inconstitucionalidade da legislação. A doutrina não é oponível ao texto explícito do direito positivo, mormente em se tratando do direito tributário brasileiro, por sua estrita subordinação à legalidade. Inteligência do artigo 150, inciso I, da CF/88.

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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LEI Nº 8.852/94. DEDUTIBILIDADE DE VALORES COM BASE EM EXCLUSÃO DO CONCEITO DE REMUNERAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. NECESSIDADE DE EXPRESSA PREVISÃO LEGAL. SÚMULA CARF Nº 68. As exclusões do conceito de remuneração, estabelecidas na Lei n° 8.852/94, não constituem hipóteses de isenção ou não incidência de IRPF, que requerem, pelo princípio da estrita legalidade em matéria tributária, previsão legal específica para viabilizar o seu exercício. Súmula CARF nº 68: A Lei nº 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). PAF. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. DOUTRINA. EFEITOS. As decisões administrativas, mesmo as proferidas pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e as judiciais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência senão aquele objeto da decisão, à exceção das decisões do STF sobre inconstitucionalidade da legislação. A doutrina não é oponível ao texto explícito do direito positivo, mormente em se tratando do direito tributário brasileiro, por sua estrita subordinação à legalidade. Inteligência do artigo 150, inciso I, da CF/88. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Raimundo Cassio Gonçalves Lima - Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 42 33 /2 00 7- 72 Fl. 63DF CARF MF Documento nato-digital http://idg.carf.fazenda.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf Fl. 2 do Acórdão n.º 2003-001.195 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11516.004233/2007-72 (documento assinado digitalmente) Wilderson Botto – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Raimundo Cassio Gonçalves Lima (Presidente), Sara Maria de Almeida Carneiro Silva, Gabriel Tinoco Palatnic e Wilderson Botto. Relatório Autuação e Impugnação Trata o presente processo, de revisão da declaração de ajuste anual do ano calendário de 2002, exercício de 2003, no valor de R$ 4.268,60, já acrescido de juros de mora e multa de ofício, em razão da omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas decorrente de trabalho com vínculo empregatício, no montante de R$ 8.100,00, referente a diferença do valor declarado e o informado em DIRF pela fonte pagadora (R$ 36.045,00 – R$ 44.145,00), conforme se depreende do auto de infração constante dos autos, culminando com a apuração do imposto suplementar no valor de R$ 1.782,00 (fls. 10/16). Por bem descrever os fatos e as razões da impugnação, adoto o relatório da decisão de primeira instância – Acórdão nº 07-16.480, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis - DRJ/FNS (fls. 35/39): Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o presente lançamento, resultante da revisão de oficio de sua declaração de ajuste anual, em razão da apuração de omissão de rendimentos tributáveis. Segundo a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, constatou-se divergência entre o valor declarado em DIRF pela fonte pagadora e o declarado pelo contribuinte em DIRPF. Em sua defesa o contribuinte inicialmente coloca conceitos sobre rendimentos do trabalho assalariado e vantagens. Após, remete à Lei n° 8.852 de 04 de fevereiro de 1994, em seu art. 1°, III, alínea "n", para alegar que o adicional por tempo de serviço está excluído da remuneração. Em relação ao o art. 43 do Decreto n° 3.000 de 26 de março de 1999 - RIR/99 argumenta o impugnante que: em momento algum se reporta à tributação do adicional por tempo de serviço; estabelece a tributação sobre a remuneração do trabalho prestado no exercício de empregos, cargos e funções, mas que a Lei n° 8.852/94 enfatiza a exclusão do adicional por tempo de serviço da remuneração. Ainda em relação a este artigo, mais adiante, argumenta ser ele a transcrição da Lei n° 4.506/64, (no caso o art. 16) do qual, todavia, foram excluídos os incisos II e III, que tratam de rendimentos sob os títulos de adicionais, extraordinários, suplementação, abonos, gratificações etc., tendo sido aproveitado o restante do dispositivo, e aduz novamente que o RIR não menciona a tributação do Adicional por Tempo de Serviço. Alega ainda que a Lei nº 8.852/94 sobrepõe a Lei nº 7.713/88 quando exclui da base de remuneração o Adicional por Tempo de Serviço, dentre outras verbas. Cita alguns dispositivos da Lei n° 8.134/90, a Lei n° 9.532/97, a Lei n° 9.887/99 e a Lei n° 9.532/97, para concluir que os fundamentos esposados pelo Ministério da Fazenda são inconsistentes por não tratarem do fundamento da discussão, ou seja, a não- tributação sobre os adicionais. A seguir, desenvolve a tese de que o adicional por tempo de serviço, no caso dos funcionários públicos, não se constitui em acréscimo patrimonial, conforme o art. 43 do Código Tributário Nacional (CTN), mas sim em indenização paga pelo Estado em virtude das vedações impostas ao servidor pela Lei nº 11.094/2005 e Lei nº 8.112/90, as quais dispõem sobre o Regime Jurídico de Servidor Público. Fl. 64DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2003-001.195 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11516.004233/2007-72 Por fim, reclama que inexiste o imposto suplementar, uma vez que recolheu em 2003, conforme DARF em anexo, o valor de R$ 39,68 a título de imposto de renda, e reitera a não-tributação dos rendimentos em questão aduzindo que a Receita Federal, ao processar a retificação da declaração, constatou a obrigação de restituir, tendo creditado o valor de R$ 1.742,32. Pede deferimento. Acórdão de Primeira Instância Ao apreciar o feito, a DRJ/FNS, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada, mantendo incólume o crédito tributário exigido. Recurso Voluntário Cientificado da decisão, em 20/08/2009 (fls. 42/43), o contribuinte, por procurador habilitado, em 17/09/2009, interpôs recurso voluntário (fls. 44/50), reportando-se e repisando os fundamentos lançados na peça impugnatória e trazendo outros argumentos, a seguir brevemente sintetizados: A própria Lei nº 8.852/94 é explicita ao considerar no seu art. 10, inciso III, e suas alíneas, especificamente a letra "n," que o adicional por tempo de serviço está excluído da remuneração. Ademais, se de um lado o Decreto nº 3.000/99 estabelece a tributação sobre a remuneração do trabalho prestado no exercício de empregos, cargos e funções, por outro lado a Lei nº 8.852/94 enfatiza a exclusão do adicional por tempo de serviço da remuneração sendo incompatível recair a tributação sobre o adicional mencionado. Neste diapasão, é necessário esclarecer que a Lei 8.852/94 além de regulamentar os arts. 37 e 39 da CF/88, ainda enfatiza a respeito da exclusão dos adicionais na remuneração, ou seja, tais adicionais e demais verbas em momento algum podem ser tributados. Mesmo que a referida lei venha regulamentar o teto salarial do servidor público também menciona a respeito da classificação das diferentes verbas devidas aos funcionários públicos, que compõe a remuneração, no momento que os adicionais e demais verbas estão excluídos da remuneração é impossível entender e aceitar a tributação. No caso em tela, estamos diante de uma lei federal (Lei nº 8.852/94) que, sem qualquer vicio de forma e em consonância com o conceito constitucional de "renda", exclui expressamente da base de incidência do IR o "adicional por tempo de serviço" auferido pelos servidores públicos federais. O “Adicional por Tempo de Serviço” pago pelo ente Público, a nosso sentir, tem natureza indenizatória em razão das restrições a que o servidor público está sujeito; já o adicional por tempo de serviço pago pelo setor privado é uma remuneração destinada a estimular a fidelidade e a produção, junto ao empregador. Desde a formação do contrato de trabalho os setores público e privado se distanciam. No setor privado empregado e empregador possuem ampla liberdade para estipular o contrato de trabalho, seja individualmente ou através de seus sindicatos, são discutidos itens como natureza do serviço, salário, horário, gratificação etc., observadas as garantias mínimas previstas na CLT. Já no setor público a contratação por concurso submete o futuro servidor aos termos previstos no respectivo edital e na Lei 8.112/90. Ainda, os julgadores afirmam que as leis 9.250/95, art. 1° a 3º, 6°, 11º e 32°, 9.532/97, art. 21°, 9.887/99 e 9.532/97, em nada contribuíram ou deixaram de contribuir quando da impugnação. Assim, não entende-se o motivo pelo qual os julgadores utilizaram tal embasamento, pois as referidas leis sim, é que tratam de matéria adversa da discussão apresentada, ou seja, a não tributação sobre os adicionais. Fl. 65DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2003-001.195 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11516.004233/2007-72 Pela legislação tributária, o IR incidirá apenas quando constatado aumento de riqueza por parte do contribuinte. Na indenização não existe aumento de riqueza, mas conforme dito, opera-se uma compensação por algum dano sofrido. Assim, em síntese, nenhuma verba indenizatória poderá sofrer a incidência do IR. Cita abalizada doutrina e jurisprudência do STJ. Alegam que a referida cobrança se dá pelo fato de o declarante ter retificado sua declaração. Entretanto, não há que se falar em dívida e muito menos juros e encargos, insisto somente pelo fato de ter retificado sua declaração. Na qual requer o que é de direito, haja vista, que o contribuinte, está sendo cobrado por uma dívida que nunca existiu. Pois requer o que é de direito, ou seja, a não tributação sobre adicional de tempo de serviço, com fulcro na Lei 8.852/94 que exclui a tributação do mesmo e o próprio Decreto Lei 3.000/99 que omite o mesmo. Portanto não havendo motivo para a cobrança, do DARF em anexo. Ademais, o Termo de Auto de Infração e o DARF lançado está prescrito, haja vista o período de apuração de 08/08/1980, no qual o fato gerador da autuação é o ano- calendário 2002 exercício 2003 está prescrito em 31/12/2007, como determina o CTN. Requer, ao final, a improcedência do lançamento e, por conseguinte, a não incidência do imposto de renda sobre as verbas reclamadas. Processo distribuído para julgamento em Turma Extraordinária, tendo sido observadas as disposições do art. 23-B, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/15, e suas alterações. É o relatório. Voto Conselheiro Wilderson Botto - Relator. Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, razões por que dele conheço e passo à sua análise. Preliminares Não foram alegadas questões preliminares no presente recurso. Mérito Da omissão de rendimentos apurada: Insurge-se, o Recorrente, contra a decisão proferida pela DRJ/FNS, que manteve a autuação em face da omissão de rendimentos apuradas em face do processamento da DAA/2003, onde foram alterados os valores declarados de rendimentos tributáveis recebidos de pessoa jurídica de R$ 36.045,00 para R$ 44.145,00, perfazendo a diferença de R$ 8.100,00, sobre o qual incidiu a autuação, buscando, por oportuno, nessa seara recursal, obter nova análise acerca do todo processado. Fl. 66DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2003-001.195 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11516.004233/2007-72 Em sua impugnação, alega que procedeu à retificação de sua declaração de ajuste anual de acordo com a Lei nº 8.852/94, e que o imposto devido no valor de R$ 39,68 já foi pago, e ao se processar sua DAA retificadora, a RFB promoveu a restituição do valor declarado de R$ 1.742,32. A DRJ/FNS, por sua vez, entendeu pela correção da autuação, porquanto a Lei nº 8.852/94, não outorga isenção ou enumera hipóteses de não incidência de imposto de renda pessoa física. Assim, não se sujeitam aos critérios de dedutibilidade da legislação do IR (fls. 35/39). Pois bem. Entendo que não há como prosperar a insurgência recursal. Assim, considerando que o Recorrente não trouxe novas alegações hábeis e contundentes a modificar o julgado de piso, me convenço do acerto da decisão proferida, pelo que adoto como razão de decidir os fundamentos norteadores do voto condutor na decisão recorrida (fls. 37/39), mediante transcrição dos excertos abaixo, à luz do disposto no § 3º do art. 57 do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015– RICARF: O litígio que ora se apresenta versa sobre a incidência, ou não, do imposto de renda sobre as verbas recebidas pelo contribuinte, a título de adicional por tempo de serviço. Em síntese, o impugnante defende a tese de que os rendimentos de trabalho assalariado, pagos sob o título de Adicional por Tempo de Serviço, não compõem a remuneração, por força da Lei nº 8.852/94, não incidindo a tributação. Também defende que o RIR/99 nada menciona sobre a tributação do rendimento em questão. A Lei no. 8.852/94, referenciada pelo impugnante, também conhecida como "Lei do Abate-Teto", foi editada como forma de regulamentar os incisos XI e XII dos artigos 37 e 39 da Constituição, os quais estabelecem limites de remuneração e subsidio dos agentes públicos, vindo a discriminar e qualificar os vários componentes do que ela denominou de "Retribuição Pecuniária". Claro está que a natureza da Lei nº 8.852/92 não é tributária e não se contrapõe à Lei 7.713/88, conforme quer crer o impugnante. Para a tributação do IRPF, importa o total dos rendimentos auferidos, sendo que o Regulamento do Imposto de Renda - RIR/1999, consolidando as disposições gerais sobre a abrangência do conceito de rendimento bruto, assim enuncia em seu artigo 37, in verbis: (...) Já o art. 38 do RIR199 não deixa margem para dúvidas quanto ao fato de que, independente da denominação que seja dada aos rendimentos ou a forma de percepção da renda ou proventos, para a incidência do imposto sobre a renda ou proventos, basta o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título: (...) Para que um rendimento, embora no campo da incidência, não seja tributado, se faz necessária uma norma explicita que o isente. Neste caso, é de se ter presente que as verbas isentas de tributação do IRPF encontram- se especificadas no art. 39 do RIR/99, salientando-se, outrossim, que os dispositivos de lei que outorguem isenção devem ser interpretados literalmente, de acordo com disposto no art. 111 do Código Tributário Nacional. No que se refere aos valores recebidos pelo impugnante a título de Adicional por Tempo de Serviço, temos que estes não se encontram contemplados pelo instituto da isenção, a teor da legislação tributária. Ainda em defesa de sua tese, o impugnante menciona que o art. 43 e seus incisos do Decreto 3.000/99 não prevêem a tributação de adicional por tempo de serviço: (...) Equivocado, portanto, o entendimento do impugnante, pois adicional por tempo de serviço constitui-se, na cristalina disposição do art. 43 do RIR/99, em rendimento proveniente do trabalho assalariado; logo, tributável. Fl. 67DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2003-001.195 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11516.004233/2007-72 Saliente-se que, à evidência, tal dispositivo não é a transcrição literal do artigo 16 da Lei n° 4.506/64 (este que é a base legal do que aquele regulamenta), sendo impertinente o entendimento que o impugnante tenta impingir de que o RIR, ao não incluir expressamente nos incisos do seu art. 43 os adicionais, como consta no inciso II do mencionado art. 16, é porque pretende que este tipo de remuneração não seja tributado. Por oportuno, mencione-se ainda que a expressão "tais como:", presente nos caputs dos mencionados artigos 43 e 16, deixa evidente que estes não listam de forma exaustiva em seus incisos todas as hipóteses possíveis de rendimentos tributáveis, mas traz várias hipóteses a título exemplificativo, pelo que o fato de o adicional por tempo de serviço não estar expressamente presente nos incisos do art. 43 do RIR não o descaracteriza como rendimento tributável. (...) Também não cabe aqui discutir a tese do contribuinte que, por último argumento, defende que a verba em questão possui caráter indenizatório em virtude das vedações impostas pelo Regime Jurídico do Servidor Público, não se constituindo em acréscimo patrimonial. As considerações expostas não possuem embasamento legal, pois, conforme exarado neste voto, o rendimento em apreço é passível de tributação, inexistindo dispositivo legal expresso que favoreça a mencionada verba com o benefício da isenção. Já o fato da Receita Federal ter processado a retificadora e creditado a restituição requerida pelo contribuinte, como é admitido pelo mesmo, não significa a aceitação definitiva das informações ali prestadas, as quais estão sujeitas à revisão de oficio, como, de fato, se processou no presente caso. Por fim, não merece ser acolhido o argumento de defesa de que inexiste o imposto suplementar, pois já teria recolhido o imposto de R$ 39,68, apurado após as alterações da revisão de oficio. É que para efeitos do presente processo tal pagamento, cuja comprovação, saliente-se, não se encontra nos autos, não opera reflexos. Isso porque, o impugnante ao apresentar a retificadora alterou sua situação fiscal, dando azo ao presente lançamento de oficio, sendo impertinente sua pretensão de, em sede de defesa, alterá-la com com o fim de afastar o valor devido apurado, total ou parcialmente. Ademais a revisão de oficio da declaração, com base na retificadora procedida pelo contribuinte, retornou aos valores originariamente declarados. Assim, se o valor do imposto levantado à época foi efetivamente recolhido, há que ser considerado para abater dos débitos do contribuinte, nestes incluídos os acréscimos legais cabíveis, devendo tal procedimento ser solicitado na Delegacia da Receita Federal do seu domicílio fiscal. Portanto, indene de dúvida que a Lei nº 8.852/94 apenas excluiu as verbas elencadas no inciso III e §1º do seu art. 1º, da mensuração e apuração do teto remuneratório do serviço público – limitado constitucionalmente ao subsídio mensal pago ao Ministros do STF, ao teor do art. 37, XI – nada se referindo, contudo, acerca da eventual isenção ou não tributação de tais rendimentos auferidos. A par dos fatos, e como bem explicitado na decisão recorrida, diante da ausência de regramento legal tributário veiculado por normativo próprio afastando a verba objurgada da incidência do imposto de renda, mantenho a glosa efetuada. Não obstante, vale salientar que a matéria já se encontra sedimentada neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: SÚMULA CARF Nº 68: A Lei nº 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018) Fl. 68DF CARF MF Documento nato-digital http://idg.carf.fazenda.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf http://idg.carf.fazenda.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf Fl. 7 do Acórdão n.º 2003-001.195 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11516.004233/2007-72 Quanto a alegada decadência do direito de lançar (e não prescrição), haja vista que o lançamento se refere a fatos geradores ocorridos no ano-calendário de 2002, exercício de 2003, não merece acolhida a pretensão recursal. Da análise dos autos, mesmo que se contasse o prazo decadencial a partir da entrega da DAA/2003 original como pretende o Recorrente – desprezando-se, diga-se de passagem, a DAA retificadora apresentada em 03/03/2007 (fls. 23/25) – o mesmo, diante da ocorrência de antecipação do IR fonte (R$ 4.5895,32 - fls. 29/31), escoaria em 31/12/2007, calhando na espécie a regra do art. 150, § 4º do CTN. E, restando certificado nos autos que o Recorrente foi notificado, via postal, em 22/08/2007 (fls. 19/20) do auto de infração lavrado (fls. 10/16), remanescia em curso o quinquênio legal original para o exercício do direito de lançar, o que, por si só, é suficiente para nortear a manutenção e subsistência da autuação. No que tange ao entendimento jurisprudencial trazido para justificar a pretensão recursal, o mesmo, nesta seara, é improfícuo, pois, as decisões, mesmo que colegiadas, sem um normativo legal que lhe atribua eficácia, não se traduzem em normas complementares do Direito Tributário, e somente vinculam as partes envolvidas nos litígios por elas resolvidos. Por fim, ad cautelam, cabe alertar à unidade preparadora de origem, com bem ressaltado na decisão de piso, que observe as cautelas necessárias para evitar a cobrança em duplicidade do débito vinculado ao processo, eis que a Recorrente já promoveu pagamento parcial no valor de R$ 39,68, apurado na DAA original (fls. 29/31). Conclusão Ante o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao presente recurso, nos termos do voto em epígrafe, para manter a autuação e as alterações constantes da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física do ano-calendário 2002, exercício 2003. É como voto. (documento assinado digitalmente) Wilderson Botto Fl. 69DF CARF MF Documento nato-digital

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Numero do processo: 10980.915463/2011-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Mon Mar 16 00:00:00 UTC 2020
Numero da decisão: 3302-001.289
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente (documento assinado digitalmente) Raphael Madeira Abad – Relator Participaram do julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente), Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Vinícius Guimarães, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Denise Madalena Green.
Nome do relator: RAPHAEL MADEIRA ABAD

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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente (documento assinado digitalmente) Raphael Madeira Abad – Relator Participaram do julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente), Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Vinícius Guimarães, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Denise Madalena Green. Relatório Trata-se de processo administrativo no qual discute-se o direito ao crédito que a Recorrente afirma possuir junto à União Federal. Por descrever com precisão os fatos até então ocorridos no presente processo, adoto e transcrevo o Relatório elaborado pela DRJ quando de sua análise dos autos. Trata o presente processo da Declaração de Compensação – Dcomp nº 07156.77093.130907.1.3.04-6037, com crédito proveniente de alegado pagamento indevido ou a maior efetuado por meio do DARF de código de receita 5856, recolhido em 20/08/2007. O valor do crédito pleiteado nesta Dcomp é de R$ 3.370,87. Após análise dos elementos constitutivos do crédito pleiteado, foi emitido Despacho Decisório eletrônico que não homologou a compensação declarada, por inexistência de crédito, tendo em vista que o pagamento indicado como indevido ou a maior não oferecia saldo disponível para compensação. Regularmente cientificado do Despacho Decisório o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade cujo teor é resumido a seguir. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .9 15 46 3/ 20 11 -0 4 Fl. 125DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 da Resolução n.º 3302-001.289 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.915463/2011-04 Inicialmente o interessado faz um breve relato dos fatos e, após, alega erro na DCTF relativamente ao débito de Cofins de julho de 2007. Sustenta, entretanto, que recalculou a contribuição devida do mencionado mês e constatou que o valor da mesma era de R$ 216,90, pois lançou como receita crédito de contribuição previdenciária não sujeito à incidência da Cofins reconhecido em seu favor no âmbito da Ação Ordinária nº 2000.70.00.029724-2. Informa que o crédito encontra-se demonstrado no Livro Razão e que para corrigir o erro de informação e formalizar a existência do crédito procedeu a retificação da DCTF, bem como do respectivo Dacon. Defende o direito à compensação do excesso de pagamento em relação ao DARF indicado, posto que procedeu de forma correta na entrega da DCOMP, e corrigiu as informações equivocadas, realizando a entrega dos documentos retificadores (DCTF e Dacon). Por fim, diz que o erro cometido pela empresa não pode impedir o reconhecimento do direito creditório, alega que uma vez demonstrada a existência do crédito a compensação pleiteada deve ser homologada e pugna pela aplicação dos princípios da legalidade, do informalismo, da proporcionalidade, da razoabilidade e da verdade material. Ante ao exposto, pede a reforma do despacho decisório e a homologação da compensação. Da análise da DRJ resultaram as seguintes ementas: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO NO PER/DCOMP. Inexistindo comprovação do direito creditório informado no PER/DCOMP, é de se considerar não-homologada a compensação declarada. RETIFICAÇÃO DE DCTF POSTERIOR À NÃO HOMOLOGAÇÃO DA DCOMP. A retificação de declaração já apresentada à RFB somente é válida quando acompanhada dos elementos de prova que demonstrem a ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração original. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao próprio sujeito passivo o ônus de provar as alegações contidas na manifestação de inconformidade apresentada. Isto porque a própria Recorrente reconhece que até a data da Dcomp não havia pagamento indevido ou a maior que respaldasse o crédito utilizado na compensação, ao menos que tenha sido comprovado pela Recorrente, pois como verificado nos autos e apontado na decisão da DRJ, (e-fls. 67) “. “ o contribuinte não logrou êxito em comprovar materialmente o erro de fato cometido, pois não juntou ao processo cópia da documentação contábil comprovando a ocorrência do indébito tributário, tampouco dos documentos que comprovam o valor da base de cálculo do Cofins de julho de 2007. Juntou ao processo, somente cópia da retificação da DCTF entregue após a ciência do despacho decisório, de excertos da Ação Ordinária nº 2000.70.00.029724-2 e planilhas de apuração do pretenso crédito, documentos os quais por si sós, não fazem prova do direito ao crédito. A própria Recorrente afirma que errou ao preencher a Dcomp, apontando um crédito inexistente e em sua defesa sustenta que encontra-se respaldado nos princípios da legalidade, formalismo moderado, proporcionalidade, razoabilidade e verdade material, requerendo diligência fiscal para apurar os valores. É o Relatório. Fl. 126DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 da Resolução n.º 3302-001.289 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.915463/2011-04 Voto Como afirma a própria Recorrente, trata-se de pedido de compensação (Dcomp nº 07156.77093.130907.1.3.04-6037) denegado em razão de erro quando da elaboração da DCTF de julho de 2007. A Recorrente afirma que recalculou os valores da DCTF e apurou o crédito. A questão passa exatamente por analisar qual é a documentação que um contribuinte deve trazer aos autos para demonstrar a existência de um crédito tributário que alega possuir junto à União. Neste sentido admite-se que o pretenso credor deva trazer aos autos não apenas os documentos unilateralmente produzidos por ele, como os escritos contábeis e DCTF, mas também a documentação que comprova a origem de tais lançamentos. Efetivamente, tratando-se de um procedimento administrativo por meio do qual o contribuinte pleiteia um direito, aplica-se a regra geral segundo a qual cabe a quem alega um direito o ônus de prova-lo. Sendo um despacho eletrônico, este Colegiado admite uma relativização do Decreto 70.235/72, segundo o qual a fase probatória deve ser realizada antes da decisão da DRJ, aceitando-se que o Recorrente complemente, quando da interposição do Recurso Voluntário, a documentação que foi trazida quando da apresentação da Manifestação de Inconformidade. Tratando-se de despacho decisório eletrônico que não homologa PER/DCOMP, no qual não é dada ao Contribuinte a possibilidade de estabelecer uma dialeticidade razoavelmente adequada, flexibiliza-se a regra do Artigo 16 do D. 70.235/72, DESDE QUE em sua manifestação de Inconformidade a contribuinte traga: (i) argumentos objetivos acerca do motivo pelo qual entende que possui direito ao crédito e (ii) documentos que embasam os referidos argumentos e que tenham o condão de estabelecer, no julgador, uma “relativa certeza” em um standard probatório pouco rígido (fumus boni iuris), acerca da probabilidade da veracidade dos argumentos trazidos na Manifestação de Inconformidade, por exemplo planilhas e notas fiscais. Para fins de estabelecer este referido standard probatório NÃO se consideram documentos unilateralmente produzidos pelo próprio contribuinte, como DARF, PERD/COMP, DACON e DCTF pois não servem como prova dos crédito. Este já mencionado fumus boni iuris, ou relativa certeza segundo um standard probatório pouco rígido é estabelecido por meio deste binômio “argumentos e provas dos argumentos” de forma relativamente subjetiva de acordo com o teor e o peso atribuído a cada argumento e documento. Ultrapassada esta primeira fase probatória, ou seja, satisfeita a regra do fumus boni iuris, permite-se que a Recorrente, a partir do que foi decidido ao seu desfavor pela DRJ, excepcione as regras gerais contidas no Dec. 70.235/72 e possa, extraordinariamente, trazer documentos em sede de Recurso Voluntário que, definitivamente não é fase processual apta à produção de provas, razão pela qual a prova realizada neste momento deve estar completa. Neste momento é importante destacar que a diligência não se presta à complementação de provas que poderiam e deveriam ter sido produzidas pelo contribuinte que pleiteia o reconhecimento do Fl. 127DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 da Resolução n.º 3302-001.289 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.915463/2011-04 direito ao crédito, segundo a regra geral segundo a qual o ônus probatório recai a quem alega. A diligência, pelo contrário, serve para permitir que a Receita Federal do Brasil possa aferir a prova produzida pelo contribuinte. Existe entendimento no sentido de dispensar a retificação da DCTF antes do despacho decisório, todavia este Colegiado possui entendimento firme no sentido de que é ônus do contribuinte, ao requerer o reconhecimento de um crédito, a apresentação da documentação que comprove o seu direito, documentação esta que não deve ser entendida tão somente como os livros contábeis e DCTF por ele unilateralmente produzidos, mas também os documentos que os embasam. Caso contrário, estar-se-ia transferindo à União o dever de apurar a liquidez e certeza dos créditos, obrigando-a obter notas fiscais e outros documentos que se encontram em posse da Recorrente. Considerando (i) que o presente processo decorre de despacho decisório eletrônico, (ii) que o sujeito passivo apresentou, na impugnação, os elementos e as explicações que entendeu como suficientes para comprovar seu direito, (iii) que houve apresentação de robusta documentação contábil-fiscal no recurso voluntário, como forma de contrapor os argumentos levantados na decisão de primeira instância – o que dá, ao meu ver, ensejo à exceção de não aplicação da preclusão probatória prevista no art. 16, §4º, “c” do Decreto nº. 70.235/72, (iv) que os elementos probatórios trazidos apontam para a verossimilhança das alegações da recorrente, em homenagem ao princípio da verdade material, voto por converter o presente julgamento em diligência para que a Unidade de Origem tome as seguintes providências: 1. Verificar a consistência das alegações e documentos apresentados pela recorrente, adotando todos os procedimentos cabíveis e requerendo todos os documentos que julgar necessários à aferição da correta base de cálculo do PIS controvertido, identificando se, de fato, houve indevida inclusão, na base de cálculo da referida contribuição, de valores atinentes ao IPI sobre vendas; 2. Apurar, a partir da verificação descrita no item anterior, a existência e disponibilidade do direito creditório alegado; 3. Proceder à aferição e análise da compensação discutida no presente processo, levando em consideração os documentos apresentados pela recorrente, assim como a análise de consistência do crédito referida no item anterior. Especial atenção deverá ser dada ao controle de eventual duplicidade no aproveitamento do crédito postulado; 4. Apresentar relatório com parecer conclusivo, no qual sejam apresentados todos os fundamentos e documentos aptos para justificar as análises realizadas e conclusões alcançadas, trazendo, ao processo, todos os documentos essenciais para fundamentar seu parecer - como, por exemplo, cópias de DCTF´s originais e retificadoras, cópias de páginas de livros de registros contábeis, extratos de sistemas de controle de arrecadação, etc.; 5. Dar ciência à recorrente desta Resolução e, ao final, do resultado desta diligência, abrindo-lhe o prazo previsto no Parágrafo Único do art. 35 do Decreto nº. 7.574/11. (documento assinado digitalmente) Raphael Madeira Abad Fl. 128DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 da Resolução n.º 3302-001.289 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.915463/2011-04 Fl. 129DF CARF MF Documento nato-digital

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