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Numero do processo: 15374.949183/2009-39
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 30/11/2004
INOVAÇÃO DOS ARGUMENTOS DE DEFESA. SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece de matérias em sede recursal fundamentada em argumentos díspares daqueles apresentados na fase de defesa administrativa anterior, por preclusão, pois viola o princípio da dialeticidade e suprime instância, exceção cabível apenas quanto àquelas de ordem pública, o que não é o caso nos autos sob exame.
Numero da decisão: 3001-000.546
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Francisco Martins Leite Cavalcante e Marcos Roberto da Silva.
Nome do relator: ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 30/11/2004 INOVAÇÃO DOS ARGUMENTOS DE DEFESA. SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de matérias em sede recursal fundamentada em argumentos díspares daqueles apresentados na fase de defesa administrativa anterior, por preclusão, pois viola o princípio da dialeticidade e suprime instância, exceção cabível apenas quanto àquelas de ordem pública, o que não é o caso nos autos sob exame.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/11/2004 INOVAÇÃO DOS ARGUMENTOS DE DEFESA. SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de matérias em sede recursal fundamentada em argumentos díspares daqueles apresentados na fase de defesa administrativa anterior, por preclusão, pois viola o princípio da dialeticidade e suprime instância, exceção cabível apenas quanto àquelas de ordem pública, o que não é o caso nos autos sob exame. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Francisco Martins Leite Cavalcante e Marcos Roberto da Silva. Relatório Cuidase de recurso voluntário (efls. 119 a 130) interposto em face do Acórdão 1449.032, da 4ª Turma Delegacia da Receita Federal do Brasil em Ribeirão Preto DRJ/RPO (efls. 96 a 101), que, em sessão de julgamento realizada em 27.02.2014, julgou AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 94 91 83 /2 00 9- 39 Fl. 240DF CARF MF Processo nº 15374.949183/200939 Acórdão n.º 3001000.546 S3C0T1 Fl. 241 2 improcedente a manifestação de inconformidade apresentada contra o Despacho Decisório que indeferiu o pedido formulado por meio do Per/Dcomp 23884.03444.10806.1.3.048976. Da síntese dos fatos Como forma de elucidar os fatos ocorridos, adoto, por sua clareza e precisão, a narrativa constante do relatório do acórdão vergastado, ipsis litteris: Trata o presente processo de Pedido Eletrônico de Restituição de crédito da Contribuição para o PIS de novembro de 2004, no valor de R$ 449.386,09, e Dcomp 23884.03444.10806.1.3.04 8976. A DERAT/Rio de Janeiro, por meio do despacho decisório de fl. 43, indeferiu o pedido, em razão do recolhimento indicado ter sido utilizado para quitação de débitos da contribuinte no Processo 16645.000010/200784: "A partir das características do DARF discriminado no PERD/COMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PERD/COMP" Cientificada do despacho, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 45/66. Preliminarmente, entende que a decisão é nula, pois não atendeu aos Princípios da Legalidade e da Moralidade: Encadeando as percepções acima expostas, verificase que a Recorrida, no exercício da função pública, excedeu a estes dois princípios, eis que (i) considera e transforma a simples declaração do contribuinte como ato administrativo, infringindo o principio da legalidade e (ii) quando não informa quais as razões que embasam a não homologação da Declaração de compensação, colidindo com o principio da moralidade e (iii) não informa quais os débitos que foram compensados com o crédito, pois não pode dispôlos ao contribuinte, por normas internas, acima expostas. Também, como preliminar discorre sobre a motivação nas decisões administrativas e alega que não ocorreu a oportunidade para exercer o contraditório e a ampla defesa. No mérito, alega decadência dos débitos no momento da declaração pelo contribuinte e que esta fora realizada sob a égide da Lei Federal nº 8.212/1991: Vale dizer: apenas em atendimento ao que estabelecia a legislação federal à época, o contribuinte procedeu declaração de compensação e, desta forma, declarou como válido um débito que já estava decaído e que não poderia nem mais ser cobrado pelo próprio Fisco, uma vez que o prazo para a sua constituição encerrarase em 15/08/2006. Fl. 241DF CARF MF Processo nº 15374.949183/200939 Acórdão n.º 3001000.546 S3C0T1 Fl. 242 3 Alega que não tem acesso às informações: Ademais, há que se frisar que a Recorrente não tem ciência de quais débitos foram extintos pela compensação, eis que a SRFB não fornece o aludido extrato de compensação, para saber exata e corretamente quais os débitos alocados no crédito. E concluiu que: Desta forma, a Recorrente requer a nulidade e conseqüente extinção da PER/DCOMP, eis que o valor cobrado não é aquele válido, uma vez que parte, dos valores que embasam o despacho decisório encontramse decaídos. Isso vale dizer que o r. despacho decisório encontrase com valor divergente, eis que não exclui os débitos decaídos, nos termos do artigo 11 do DecretoLei nº 70.235/1972. Ainda, caso, não seja este o entendimento mantido por Vossa Excelência, que ao menos seja extinto em parte, cobrandose proporcionalmente a multa e juros. Repete que não lhe foi dada a oportunidade da defesa: No entanto, ao lhe ser negado o direito de compensação de seus créditos, sem se especificar por quais razões este direito está sendo negado, também lhe é tolhido o direito A ampla defesa, asseverado no artigo 5º, inciso LV da Constituição da Republica, eis que a própria declaração do contribuinte foi levada a termo como se ato administrativo fosse em prejuízo do próprio contribuinte. (...) Portanto, nulo é o ato jurídico que permitiu Recorrida não homologar a declaração de compensação de crédito tributário com outros tributos, sem se basear nos princípios constitucionais norteadores da Administração Pública. Ao encerrar a peça recursal, há o seguinte pedido: Por fim, requer que todas as publicações e intimações e demais atos processuais relativos ao presente feito sejam realizadas EXCLUSIVAMENTE em nome do Dr. LUIZ HENRIQUE DE BRITO PRESCENDO, inscrito na Ordem dos Advogados do Brasil, Secção São Paulo, sob o nº 242.377, com escritório sito à Rua Cardoso de Almeida, nº 60, 06º andar, conjuntos 61 e 63, CEP 05013000, São Paulo/SP. Da ementa do acórdão de 1ª instância Sua ementa encontrase vazada nos seguintes termos, verbis: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/11/2004 PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO. Fl. 242DF CARF MF Processo nº 15374.949183/200939 Acórdão n.º 3001000.546 S3C0T1 Fl. 243 4 A prova documental do direito creditório deve ser apresentada na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de o contribuinte fazêlo em outro momento processual sem que verifiquem as exceções previstas em lei. NULIDADE. Tratandose de Despacho Decisório lavrado por pessoa competente, não tendo havido preterição do direito de defesa da contribuinte e não tendo sido feridos os artigos 10 e 59 do Decreto nº 70.235/72, não cabe o acatamento de nulidade. INTIMAÇÃO. REPRESENTANTE LEGAL. ENDEREÇAMENTO. Dada a existência de determinação legal expressa, as notificações e intimações devem ser endereçadas ao sujeito passivo no domicílio fiscal eleito por ele. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Do recurso voluntário Com a ciência da decisão a quo, o contribuinte interpõe recurso voluntário, no qual aduz que: 1 o crédito informado no Per/Dcomp decorre de pagamento a maior, em virtude de decisão desfavorável proferida nos autos do MS nº 1999.61.000138195, impetrado para discutir a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins, prevista no parágrafo 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 1998; 2 que a referida matéria foi objeto de apreciação pelo STF, que pacificou o entendimento da jurisprudência acerca da inconstitucionalidade da base das referidas contribuições, nos moldes do parágrafo 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 1998, não devendo mais se submeter à referida sistemática legal, o que tornou indevido o pagamento realizado a tal título; 3 com a uniformização da referida jurisprudência, também obteve decisão favorável, transitada em julgado, proferida nos autos da ação judicial nº 0012663.43.2010.403.6100; 4 a eventual insuficiência de crédito decorre do fato de a autoridade fiscal não haver excluído da base de cálculo do débito de PIS os valores que extrapolavam seu faturamento; 5 que a decisão a quo deveria, ao menos, ter reconhecido a extinção dos débitos pelo pagamento (art. 156 do CTN) ou pela compensação (art. 156 do CTN, inciso II), posto que fez uso do mesmo Darf de crédito utilizado na compensação para proceder à alocação dos valores em seus sistemas, não devendo, portanto, prevalecer o entendimento de que não há crédito disponível para a presente compensação; 6 conforme o MPF nº 0819000/0407703, a autoridade fiscal objetiva a cobrança do PIS referente ao período de apuração de junho a dezembro de 2000, outubro de Fl. 243DF CARF MF Processo nº 15374.949183/200939 Acórdão n.º 3001000.546 S3C0T1 Fl. 244 5 2001 e abril a setembro de 2003, decorrente das alterações introduzidas no ordenamento jurídico pelo artigo 3º da Lei nº 9.718, de 1998. Por seu turno, o presente Per/Dcomp objetiva compensar créditos de PIS com débitos da mesma natureza, relativos aos períodos de março de 1999 a fevereiro de 2004. Logo, mantida a decisão a quo, a cobrança restará duplicada, em face daquela já efetuada no processo 19515.001812/200432, relativamente ao período de apuração coincidente; 7 na solução do litígio instaurado na fase administrativa, deve a autoridade competente promover a busca da verdade material, em conformidade com o princípio da legalidade, não restringindose a aspectos formais, de modo a não exigir do contribuinte valor que não tem respaldo na legislação. Pelo exposto, requer a reforma da decisão a quo, com a consequente homologação da compensação em sua integralidade e, por conseguinte, o cancelamento da cobrança dos débitos vinculados a estes processos, realizada por meio do processo 15374.950922/200935. É o relatório. Voto Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Relator Da tempestividade O recorrente foi cientificado do acórdão vergastado em 12.09.2014 (sexta feira), por ocasião do recebimento do Aviso de Recebimento AR (efls. 107). Em 13.10.2014 (segundafeira) junta o recurso voluntário, é o que depreende se do "Protocolo de Recepção de Petições" (efl. 119). Na hipótese dos autos, em face da legislação processual aplicável (Decreto 70.235 de 1972) e do disposto no RICARF de 2015, o termo ad quem para a apresentação do referido recurso era 14.10.2014 (terçafeira). Contudo, não obstante tratarse de petição recursal tempestiva, suas razões recursais não serão conhecidas, em face do que a seguir restará demonstrado. Do juízo de admissibilidade Do cotejo dos termos da manifestação de inconformidade com os argumentos do recurso voluntário emerge absolutamente claro que nenhum dos motivos que culminaram com a não homologação da compensação declarada e consequente manutenção dos termos do despacho decisório Nº de Rastreamento 844657424, corroborados pela decisão a quo, que julgou improcedente e não reconheceu o crédito informado no Per/Dcomp 23884.03444.10806.1.3.048976 foi contestado. De outro modo dizendo, os argumentos recursais apresentados em sede de recurso voluntário, sintetizados no presente relatório, constituem em evidente e integral inovação da tese de defesa, porquanto ofertados somente nesta fase recursal, é o que revela a Fl. 244DF CARF MF Processo nº 15374.949183/200939 Acórdão n.º 3001000.546 S3C0T1 Fl. 245 6 simples leitura das mencionadas peças defensivas, importando em questão de envolve o necessário reexame de matéria fáticojurídica, uma vez que não foi dado oportunidade de a instância de julgamento a quo apreciála, representando verdadeiro óbice, na medida que importou em evidente impedindo de a Fazenda Federal manifestarse na ocasião apropriada, maculando, por conseguinte, o princípio do contraditório. É defeso ao recorrente modificar o pedido ou invocar outra causa petendi (causa de pedir) nesta fase do contencioso administrativo, sob pena de violar o princípio da congruência e ofender aos preceitos ínsitos nos artigos 16 e 17 do Decreto nº 70.235 de 1972, bem assim também, nos artigos 141, 223, 329 e 492 do Código de Processo Civil, mormente quando falece razão para somente nesta ocasião aduzir tais novos argumentos e/ou questionamentos. Por oportuno, faço observar a impropriedade de aventarse, na hipótese destes autos, a observância do princípio da verdade material, pois tal nada tem a ver com a preclusão temporal aplicada ao caso, com fulcro na norma processual pertinente (acima citada), sendo que eventual óbice a superar com suporte em tal princípio não é de natureza probatória, mas sim procedimental. Em outros termos, estamos a tratar aqui do regime da preclusão referente à apresentação de argumentos e provas documentais, mais especificamente a chamada regra da concentração ou da eventualidade, determinante para o bom andamento do procedimento tendente a permitir o avançar em busca de uma solução. Por decorrência, a matéria ventilada no recurso voluntário deve limitarse àquela abordada pelo recorrente em sua manifestação de inconformidade, não podendo a parte contrária ser surpreendida com novos argumentos nesta fase processual, sob pena de violar o princípio do contraditório e da ampla defesa, da supressão de instância e da lealdade processual, que deve vigorar entre as partes e ser incentivada e supervisionada pelo órgão julgador. Da conclusão Ante o exposto, com base nos fundamentos acima expendidos, concluo que a matéria apresentada é preclusa, não podendo, por isto mesmo, dela se conhecer. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 245DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.902877/2010-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3401-001.436
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem aguarde a conclusão da diligência determinada em relação ao processo administrativo nº 10865.000243/2011-92, reenviando os autos ao CARF em conjunto com o referido processo.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Tiago Guerra Machado - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Mara Cristina Sifuentes, Cássio Schappo, Lázaro Antonio Souza Soares e Tiago Guerra Machado.
Relatório
Nome do relator: TIAGO GUERRA MACHADO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem aguarde a conclusão da diligência determinada em relação ao processo administrativo nº 10865.000243/2011-92, reenviando os autos ao CARF em conjunto com o referido processo. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente. (assinado digitalmente) Tiago Guerra Machado - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Mara Cristina Sifuentes, Cássio Schappo, Lázaro Antonio Souza Soares e Tiago Guerra Machado. Relatório
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Numero do processo: 10280.905323/2011-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/2001
FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. RECONHECIMENTO.
Se o sujeito passivo, embora não tenha retificado a DCTF, demonstrar, por meio de prova cabal, a existência do crédito alegado, a referida formalidade pode ser relevada.
INCONSTITUCIONALIDADE. ART. 3º, §1º DA LEI Nº 9.718/98. REPERCUSSÃO GERAL. FATURAMENTO. CONCEITO. RECEITAS OPERACIONAIS.
Nos julgamentos no âmbito do CARF é obrigatória a reprodução do conteúdo de decisão definitiva de mérito proferida pelo STF e pelo STJ na sistemática dos arts. 543-B e 543-C do CPC/1973 ou dos arts. 1.036 a 1.041 do CPC/2015.
Conforme decidido pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral no RE 585.235/MG, é inconstitucional a ampliação da base de cálculo das contribuições de PIS/Pasep e Cofins efetuada pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98.
O faturamento, para fins de incidência dessas contribuições, corresponde à totalidade das receitas da pessoa jurídica, fruto de todas suas atividades operacionais, principais ou não.
Recurso voluntário provido em parte
Direito Creditório Reconhecido em Parte
Numero da decisão: 3402-005.572
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito creditório no montante certificado na diligência. Os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Cynthia Elena de Campos votaram pelas conclusões quanto às bonificações e aos descontos incondicionais, por não serem objeto do Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado em substituição a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz). Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. RECONHECIMENTO. Se o sujeito passivo, embora não tenha retificado a DCTF, demonstrar, por meio de prova cabal, a existência do crédito alegado, a referida formalidade pode ser relevada. INCONSTITUCIONALIDADE. ART. 3º, §1º DA LEI Nº 9.718/98. REPERCUSSÃO GERAL. FATURAMENTO. CONCEITO. RECEITAS OPERACIONAIS. Nos julgamentos no âmbito do CARF é obrigatória a reprodução do conteúdo de decisão definitiva de mérito proferida pelo STF e pelo STJ na sistemática dos arts. 543B e 543C do CPC/1973 ou dos arts. 1.036 a 1.041 do CPC/2015. Conforme decidido pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral no RE 585.235/MG, é inconstitucional a ampliação da base de cálculo das contribuições de PIS/Pasep e Cofins efetuada pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. O faturamento, para fins de incidência dessas contribuições, corresponde à totalidade das receitas da pessoa jurídica, fruto de todas suas atividades operacionais, principais ou não. Recurso voluntário provido em parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito creditório no montante AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 53 23 /2 01 1- 15 Fl. 315DF CARF MF Processo nº 10280.905323/201115 Acórdão n.º 3402005.572 S3C4T2 Fl. 0 2 certificado na diligência. Os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Cynthia Elena de Campos votaram pelas conclusões quanto às bonificações e aos descontos incondicionais, por não serem objeto do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado em substituição a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz). Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz. Relatório Versa o processo sobre pedido de restituição de crédito de COFINS,o qual foi indeferido pela DRF de origem, em razão de o recolhimento indicado ter sido integralmente utilizado para quitação de débito confessado pela contribuinte em outro PER/DCOMP. A interessada apresentou a manifestação de inconformidade, sustentando seu direito creditório na inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/1998 (RE nº 390.840/MG e RE nº 585.235 com repercussão geral). O julgador de primeira instância não acolheu as razões de defesa da interessada, sob os seguintes fundamentos: Inexiste saldo passível de restituição. Seria necessário que, no mínimo, a interessada houvesse retificado sua DCTF até a transmissão do seu PER/DCOMP, fazendo constar o suposto débito inferior ao declarado, o que faria exsurgir a possibilidade de se alegar pagamento a maior. Como não o fez, não havia saldo de pagamento sobre o qual a autoridade fiscal tivesse que se manifestar. Sobre a revogação do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718 pela Lei nº 11.941, apenas deve ser esclarecido que tal revogação não tem efeitos retroativos e, portanto, não atinge o período a que se refere o PER/DCOMP em análise. Ainda que os óbices quanto à utilização integral do recolhimento não existissem, e que fosse possível estender os efeitos do julgado do STF para o presente caso, a interessada não se desincumbiu de demonstrar e provar o suposto recolhimento a maior. A cópia parcial do balancete apresentada permite vislumbrar tão somente as receitas financeiras do período, mas não o faturamento da empresa. Assim, não haveria como se apurar o total da base de cálculo e a contribuição devida, para comparála com o recolhimento efetuado e concluirse pela eventual existência de recolhimento a maior, e em que montante. E mais, não tendo a interessada apresentado provas de seu suposto crédito, precluiu do direito de fazêlo em outro momento, a teor do disposto no art. 16 do Decreto nº 70.235/72. Cientificada desta decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário tempestivo, alegando e requerendo o que se segue: Fl. 316DF CARF MF Processo nº 10280.905323/201115 Acórdão n.º 3402005.572 S3C4T2 Fl. 0 3 a) Requer a recorrente a reunião dos processos apontados de modo a haver seu julgamento conjunto em face da existência de conexão entre os mesmos. b) Houve falta de aprofundamento da investigação dos fatos, o que contraria o contido no art. 76 da IN RFB nº 1300/12. A DCTF não é o único meio hábil de prova da existência de crédito passível de restituição. Nem o art. 165 do CTN e nem o art. 74 da Lei nº9.430/96 condicionam o reconhecimento do crédito à retificação de declarações, tratandose de formalidade, a qual não pode se sobrepor ao direito substantivo. c) Os documentos colacionados são suficientes para a comprovação do direito de crédito alegado. O valor recolhido indevidamente sobre as receitas financeiras está devidamente lastreado nessas receitas destacadas no balancete em anexo à manifestação de inconformidade, documento este obrigatório paras as pessoas jurídicas, possuindo, inclusive, força probante para recolhimento de estimativas em caso de pessoa jurídica optante pelo lucro real mensal, nos termos do art. 230 do RIR/99. d) Com relação à preclusão da produção da prova, a alínea "c" do §4º do art. 16 do Dec. nº 70.235/72 possibilita a produção de provas em outro momento processual, quando se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Nesse passo, para corroborar os fatos já demonstrados pela documentação carreada à manifestação de inconformidade, e também com vistas a contrapor os argumentos da decisão recorrida, requer a juntada do livro Razão, o qual, por si só, tem o condão de comprovar o direito creditório ora postulado. e) Quanto ao mérito, a discussão encontrase totalmente superada na jurisprudência do STF que, em sessão plenária, declarou a inconstitucionalidade do parágrafo 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 no julgamento do RE nº 390840/MG em 9.11.2005. Mediante a Resolução nº 3402001.078– 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, este Colegiado determinou a realização de diligência para que a Unidade de Origem verificasse a composição da base de cálculo adotada pela contribuinte ao recolher a Contribuição, levando em conta as notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerasse pertinentes, elaborando, ao final, Relatório Conclusivo com a discriminação dos montantes totais tributados e, em separado, os valores de outras receitas tributadas com base no alargamento promovido pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, de modo a se apurar os valores devidos, com e sem o alargamento, e confrontálos com o recolhido, apurandose, se for o caso, o eventual montante de recolhimento a maior em face do referido alargamento da base de cálculo das contribuições. Na diligência concluiu a fiscalização que houve recolhimento a maior, sendo possível o reconhecimento do direito creditório para a compensação pleiteada. Intimada a manifestarse em face do resultado da diligência, a recorrente nada acrescentou aos autos. É o relatório. Fl. 317DF CARF MF Processo nº 10280.905323/201115 Acórdão n.º 3402005.572 S3C4T2 Fl. 0 4 Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.569, de 25 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10280.900096/201212, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402005.569): "A admissibilidade do recurso voluntário já foi aferida na conversão do julgamento em diligência, ocasião em que ele foi conhecido. Quanto ao pedido da recorrente de reunião de processos, tendo em vista que se referem a diversos períodos de apuração e, portanto, a fatos jurídicos tributários diferentes, não há obrigatoriedade de vinculação por conexão. Não obstante isso, o recurso de que trata o presente processo foi definido como paradigma, representativo da controvérsia para múltiplos recursos com fundamento em idêntica questão de direito, tendo a recorrente sido atendida, se não em tudo, em parte de seu pleito. No que concerne à possibilidade de reconhecimento do direito creditório independentemente da retificação da DCTF, deve aqui ser aplicado o mesmo entendimento adotado no Acórdão nº 3302004.623 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de 27 de julho de 2017, no interesse da contribuinte em situação semelhante, nestes termos: "(...) ainda que o sujeito passivo não tenha retificado a DCTF, mas demonstre por meio de prova cabal a existência de crédito, a referida formalidade não se faz necessária. No caso em análise, com a baixa do processo à unidade para que se verificasse a base de cálculo sob o novo prisma do reconhecimento da inconstitucionalidade, entendese que a referida argumentação foi superada". Quanto ao mérito, valem aqui as considerações já expedidas na Resolução que determinou a conversão do julgamento em diligência, a seguir transcritas: Como se sabe, é obrigatória aos membros deste CARF a reprodução do conteúdo de decisão definitiva de mérito proferida pelo STF e pelo STJ na sistemática dos arts. 543 B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a Fl. 318DF CARF MF Processo nº 10280.905323/201115 Acórdão n.º 3402005.572 S3C4T2 Fl. 0 5 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil. Também não se desconhece que foi declarada a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98 pelo Supremo Tribunal Federal, tendo sido reconhecida a repercussão geral, para reafirmar a jurisprudência do Tribunal nesse sentido. Em consequência, para as empresas que se dedicam à venda de mercadorias comerciais e industriais e/ou à prestação de serviços, é ao total das receitas oriundas dessas atividades que corresponde a base de cálculo das contribuições do PIS e da Cofins enquanto aplicável aquele ato legal. Assim, em face da declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98, relativamente ao alargamento da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins, deve ser aplicado neste julgamento o entendimento do Supremo Tribunal Federal proferido em regime de repercussão geral no Recurso Extraordinário nº 585.235/MG. Como bem esclareceu a fiscalização na diligência, devem ser excluídos do conceito de faturamento os aportes financeiros estranhos à atividade desenvolvida pela empresa: 7. No anexo da Nota PGFN/CRJ nº 1.114, de 30/08/2012, está delimitado o julgado pelo STF no RE n° 585.235, nos seguintes termos: “DELIMITAÇÃO DA MATÉRIA DECIDIDA: O PIS/COFINS deve incidir somente sobre as receitas operacionais das empresas, escapando da incidência do PIS/COFINS as receitas não operacionais. (...)” 8. A delimitação da matéria decidida é também fruto dos julgados do STF, que entendem que o conceito de faturamento abrange a receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços das empresas, e todas as receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. Esta é a interpretação dada pelo RE n. 371.258 AgR (Segunda Turma, Rel. Min. Cezar Peluzo, julgado em 03.10,2006), pelo RE n. 400.4798/RJ ( Segunda Turma, Rel. Min. Cezar Peluzo, julgado em 10.10,2006) e pelo RE n 527.602/SP (Tribunal Pleno, Rel Min Eros Grau, Rel. p/ acórdão Min. Marco Aurélio, julgado em 05.08.2009), sendo que neste último ficou estabelecido que somente são excluídos do conceito de faturamento “os aportes financeiros estranhos à atividade desenvolvida pela empresa”. Assim, o faturamento corresponde à totalidade das receitas da pessoa jurídica, fruto de todas suas atividades operacionais, principais ou não. Com efeito, adotando tal entendimento, a fiscalização excluiu do faturamento, para fins de incidência das contribuições, as receitas que não se enquadravam como Fl. 319DF CARF MF Processo nº 10280.905323/201115 Acórdão n.º 3402005.572 S3C4T2 Fl. 0 6 operacionais, resultando num recolhimento a maior, passível de reconhecimento de crédito para compensação no valor mencionado no relatório acima. Não obstante tenha sido devidamente intimada, a recorrente não se manifestou em face do resultado da diligência, pelo que se pressupõe que com ele concordou. Ademais, na diligência foram acolhidos, em grande parte, os demonstrativos/memórias de cálculo elaborados pela própria contribuinte em resposta à intimação da fiscalização, ressalvadas poucas divergências, quanto às receitas originadas das bonificações recebidas e das recuperações de despesas, como se vê nos seguintes trechos da Informação fiscal: 9. Concorda o contribuinte, conforme seus demonstrativos, que devem ser incluídas na base de cálculo da Cofins as seguintes receitas operacionais (líquidas das devoluções/deduções): vendas de veículos novos (de fev/03 e mar/03), vendas de veículos usados, instalação e vendas de peças e acessórios, instalação e vendas de Kits de conversão Gás, prestação de serviços da oficina, vendas de outras mercadorias e outras prestações de serviços (outras atividades). 10. Também devem ser incluídas na base de cálculo da Cofins as bonificações recebidas das montadoras, mesmo que em mercadoria (contas 37201.00001 Bonificação MBB Veículos, 37201.00002 Bonificação MBB Sprinter e 37202.00001 Bonificação MBB Peças e Motores) e a recuperação de despesas com veículos e peças em garantias (contas 37202.00009 Recup. Desp. c/ Garantia e 37204.00009 Recup. Desp. c/ Garantia), pelo que segue. Nada há a reparar no entendimento da fiscalização no sentido de que as "recuperações de despesas também constituem receitas operacionais, conforme determina o inciso III do art. 44 da Lei nº 4.5061, de 30 de novembro de 1964, base legal do inciso II do art. 392 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999)", sobre as quais há a incidência do PIS/Pasep e da Cofins. Quanto às bonificações, embora em algumas situações específicas elas possam configurar descontos incondicionais, o que, se fosse o caso, poderia ensejar a exclusão de tais receitas do conceito de faturamento, nos termos das Soluções de 1 Art. 44. Integram a receita bruta operacional: I O produto da venda dos bens e serviços nas transações ou operações de conta própria; II O resultado auferido nas operações de conta alheia; III As recuperações ou devoluções de custos, deduções ou provisões; IV As subvenções correntes, para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais. Fl. 320DF CARF MF Processo nº 10280.905323/201115 Acórdão n.º 3402005.572 S3C4T2 Fl. 0 7 Consulta Cosit nºs 291/2017 e 34/20132, não há qualquer argumentação da recorrente nesse sentido, no recurso voluntário ou na diligência do presente processo, razão pela qual deve ser mantido o resultado do direito creditório apurado na diligência com base na declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98, que é o mérito do recurso voluntário e do pedido de restituição da interessada. Assim, pelo exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório no montante certificado na diligência, determinando a homologação das compensações vinculadas na medida correspondente." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado deu provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório no montante 2 Solução de Consulta nº 291 Cosit Data 13 de junho de 2017 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP NÃO CUMULATIVIDADE. BONIFICAÇÕES EM MERCADORIAS. DOAÇÃO. VENDA. INCIDÊNCIA. Bonificações em mercadorias entregues gratuitamente, a título de mera liberalidade, sem vinculação a operação de venda, são consideradas receita de doação para a pessoa jurídica recebedora dos produtos (donatária), incidindo a Contribuição para o PIS/Pasep sobre o valor de mercado desses bens. A receita de vendas oriunda de bens recebidos a título de doação deve sofrer a incidência da Contribuição para o PIS/Pasep, na forma da legislação geral das referidas contribuições. Dispositivos Legais: Lei nº 10.406, de 2002 (Código Civil), art. 538; Lei nº 10.637, de 2002, art. 1º e art. 3º, §2º, II; Parecer Normativo CST nº 113, de 1978. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS NÃO CUMULATIVIDADE. BONIFICAÇÕES EM MERCADORIAS. DOAÇÃO. VENDA. INCIDÊNCIA. (...) Dispositivos Legais: Lei nº 10.406, de 2002 (Código Civil), art. 538; Lei nº 10.833, de 2003, art. 1º e art. 3º, §2º, II; Parecer Normativo CST nº 113, de 1978. Solução de Consulta nº 34 Cosit Data 21 de novembro de 2013 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ BASE DE CÁLCULO. DESCONTOS CONDICIONAIS E INCONDICIONAIS. Os descontos incondicionais consideramse parcelas redutoras do preço de vendas, quando constarem da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos; esses descontos não se incluem na receita bruta da pessoa jurídica vendedora e, do ponto de vista da pessoa jurídica adquirente dos bens ou serviços, constituem redutor do custo de aquisição, não configurando receita. Os descontos condicionais são aqueles que dependem de evento posterior à emissão da nota fiscal, usualmente, do pagamento da compra dentro de certo prazo, e configuram despesa financeira para o vendedor e receita financeira para o comprador. Dispositivos Legais: Lei nº 8.981, de 1995, art. 31; Decreto nº 3.000, de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999), arts. 373 e 374; Instrução Normativa SRF nº 51, de 1978, item 4.2. (...) Fl. 321DF CARF MF Processo nº 10280.905323/201115 Acórdão n.º 3402005.572 S3C4T2 Fl. 0 8 certificado na diligência, determinando a homologação das compensações vinculadas na medida correspondente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Fl. 322DF CARF MF
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Numero do processo: 13888.724349/2011-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO.
É de se manter a autuação por descumprimento de obrigação acessória quando ausente o rebate ao mérito e superada a discussão em relação à exclusão da sitemática do SIMPLES, que resultou no lançamento do crédito tributário em relação à obrigação principal.
Numero da decisão: 2201-004.684
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA
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DESCUMPRIMENTO. É de se manter a autuação por descumprimento de obrigação acessória quando ausente o rebate ao mérito e superada a discussão em relação à exclusão da sitemática do SIMPLES, que resultou no lançamento do crédito tributário em relação à obrigação principal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente (Assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 72 43 49 /2 01 1- 13 Fl. 548DF CARF MF Processo nº 13888.724349/201113 Acórdão n.º 2201004.684 S2C2T1 Fl. 549 2 Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto, Acórdão 1440.493 da 7ª Turma, que julgou a impugnação improcedente. A autuação e a impugnação foram assim descritas no relatório do acórdão recorrido: Compõem o presente processo os seguintes lançamentos: Auto de Infração de Obrigações Principais AIOP n° 37.338.3410, Auto de Infração de Obrigações Principais AIOP n° 37.338.3428, o Auto de Infração de Obrigações Principais AIOP n° 37.338.3436 e o Auto de Infração de Obrigações Acessórias AIOA n° 37.338.3401. Também é parte integrante do presente processo, todo o procedimento efetuado pela fiscalização e Delegacia da Receita Federal do Brasil RFB em Piracicaba, relativamente à exclusão da empresa dos sistemas simplificados de tributação, SIMPLES FEDERAL SF regido pela Lei n° 9.317/96 e SIMPLES NACIONAL — SN regido pela Lei Complementar n° 123/2006. Conforme Representação Fiscal emitida pela auditoria propondo a exclusão da autuada dos sistemas chamados de SIMPLES FEDERAL e SIMPLES NACIONAL, a empresa, que estava enquadrada como optante do SF de 01 a 06/2007 e do SN a partir de 01/07/2007, não apresentou à fiscalização escrita contábil e também o Livro Caixa com informações sobre sua movimentação financeira, inclusive bancária (a que estaria obrigada na falta de escrituração regular), apesar de solicitados através do Termo de Intimação Fiscal n° 01, apresentando, inclusive, declaração emitida pelo próprio contribuinte (anexa ao processo, fls. 187) de que a empresa é optante do SIMPLES NACIONAL e que não possui escrituração contábil. Informa ainda o RF que a autuada não pôde apresentar o Livro Caixa em razão da sua receita bruta declarada ser inferior ao valor da compra de mercadorias mais a folha de pagamento, portanto, operando em flagrante subfaturamento, tendo a auditoria fiscal autuante elaborado o Anexo II onde demonstra tal procedimento. Desta forma, conclui a fiscalização, que a pessoa jurídica incorreu em hipótese de exclusão de ofício do sistema SIMPLES FEDERAL, prevista na Lei n° 9.317/96, incisos II e V do art. 14 e de exclusão de ofício do sistema SIMPLES NACIONAL, prevista na LC n° 123/06, art. 29, inciso II, V e VIII e no art. 5 o incisos V e VIII da Resolução CGSN n° 15, de 23 de julho de 2007 e alterações. Na seqüência, foi emitido pela DRF Piracicaba o Despacho Decisório n° 0760, de 21/11/2011, dispondo que restou caracterizado que a empresa incidiu em prática reiterada de infração tributária, com a proposta de emissão de Atos Declaratórios Executivos ADE de exclusão da empresa do SF e SN. Fl. 549DF CARF MF Processo nº 13888.724349/201113 Acórdão n.º 2201004.684 S2C2T1 Fl. 550 3 Em prosseguimento, a DRF Piracicaba emite os ADE n° 077 e 078, ambos de 21/11/2011, que fazem parte deste processo, excluindo a empresa do SF e SN respectivamente, com efeitos a partir de 01/01/2007 a 30/06/2007 no caso do SF e a partir de 01/07/2007 para o SN, constando ainda no processo que a ciência à empresa destes ADE foi dada juntamente com os Autos de Infração constituídos na mesma ação fiscal e abaixo listados, em 01/12/2011. Diante da exclusão da empresa dos sistemas simplificados de tributação desde as datas supra, passa o contribuinte a ser tributado como as empresas em geral e, com base nas folhas de pagamento, foram emitidos os lançamentos que fazem parte deste processo e que referemse a: Auto de Infração de Obrigações Principais AIOP de contribuições referentes à parte da empresa e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho — RAT, incidentes sobre os valores pagos a segurados empregados, além da parte da empresa incidente sobre a remuneração paga aos contribuintes individuais. O crédito tributário assim constituído, relativo às competências 01/2007 a 12/2008, inclusive décimos terceiros salários 2007 e 2008, importa em R$ 320.108,12 (trezentos e vinte mil, cento e oito reais e doze centavos), valor consolidado em 29/11/2011. Auto de Infração de Obrigações Principais AIOP , no valor de R$ 50.936,25 (cinqüenta mil, novecentos e trinta e seis reais e vinte e cinco centavos), referente a diferenças apuradas nas contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais sócios gerentes. O lançamento refere se às competências 01/2007 a 10/2008 e foi consolidado em 29/11/2011. Auto de Infração de Obrigações Principais AIOP , de contribuições destinadas às entidades terceiras, quais sejam, FNDE Salário Educação, INCRA, SENAC, SESC e SEBRAE, incidentes sobre os valores pagos a segurados empregados. O crédito tributário assim constituído, relativo às competências 01/2007 a 12/2008, inclusive décimos terceiros salários 2007 e 2008, importa em R$ 83.106,57 (oitenta e três mil, cento e seis reais e cinqüenta e sete centavos), valor consolidado em 29/11/2011. Auto de Infração de Obrigações Acessórias — AIOA n° 37.325.0061, Código de Fundamentação Legal CFL 68, lavrado em razão de ter sido constatado que a autuada apresentou GFIP Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, com dados não correspondentes a todas as contribuições previdenciárias devidas, uma vez que não foram ali declaradas as contribuições da empresa incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais, ficando caracterizado o descumprimento de obrigação acessória, o que constitui infração às disposições contidas no art. 32, inc. IV, da Fl. 550DF CARF MF Processo nº 13888.724349/201113 Acórdão n.º 2201004.684 S2C2T1 Fl. 551 4 Lei n° 8.212, de 24.07.91, com a redação dada pela Lei n° 9.528/97. Dispõe ainda que, em atendimento ao contido no art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN, para as competências até 11/2008, foi efetuada comparação entre a multa aplicável com base na legislação vigente à época dos fatos geradores e a introduzida pela MP 449/2008, transformada na Lei n° 11.941/2009, e esta se mostrou mais benéfica ao contribuinte na competência 07/2007, onde foi aplicada a multa de oficio de 75% nos AIOP conexos lavrados na mesma ação fiscal. Apresenta planilha comparativa, Anexo I. Também nas competências posteriores à entrada em vigor da MP 449/2008, aplicase a multa de ofício de 75%. Neste contexto, para as demais competências objeto deste processo, foi aplicada a multa neste ATOA CFL 68, pelo montante de R$ 70.123,78 (setenta mil, cento e vinte e três reais e setenta e oito centavos) com base no disposto na Lei n° 8.212/91, artigo 32, parágrafo 5o, acrescentado pela Lei n° 9.528/97, limitada por competência pelo contido no § 4o deste mesmo artigo, e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, artigo 284, inciso II (com a redação dada pelo Decreto n°. 4.729/2003) e artigo 373, com valores atualizados pela Portaria Interministerial MPS/MF N° 407, de 14/07/2011, tudo conforme Folha de Rosto do AIOA e RF. Aduz também acerca da emissão de Representação Fiscal para Fins Penais lavrada pela fiscalização em decorrência da configuração, em tese, de crime de sonegação de contribuição previdenciária e de apropriação indébita previdenciária. Foram utilizados/apropriados como crédito do contribuinte todos os valores recolhidos que constam do contacorrente da empresa, bem como todos os valores declarados em GFIP, tudo conforme anexos Discriminativo do Débito DD e Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados RADA, que integram o presente processo. A autuada, cientificada dos lançamentos abaixo e dos ADE, apresenta sua tempestiva impugnação em 29/12/2011, alegando, em síntese, que: Faz um resumo de todo o procedimento fiscal, conforme disposto no Relatório Fiscal RF, parte integrante deste processo. Da exclusão do SIMPLES e do SIMPLES NACIONAL. A autoridade fiscal promove a exclusão da empresa dos sistema SIMPLES e do SIMPLES NACIONAL, porém tal fato não deve prosperar. No item 13 do RF são relacionados documentos apresentados pela fiscalizada, não incorrendo a empresa em nenhum dos artigos a ela imputados que levem a excludência do sistema SN. Conforme afirma o agente fiscal, a empresa incorreu em hipótese de exclusão por não fornecer informação contábil, Fl. 551DF CARF MF Processo nº 13888.724349/201113 Acórdão n.º 2201004.684 S2C2T1 Fl. 552 5 não apresentar escrita contábil, nem Livro Caixa e por não apresentar informações financeiras. Pela Lei Complementar n° 123/2006 fica a empresa dispensada de escrituração contábil e no item 03 do Relatório Fiscal RF a fiscalização afirma que a empresa apresentou os livros fiscais, deixando de apresentar sua escrituração contábil, através de livro diário e alega ainda que não foi apresentado o livro caixa. As razões apresentadas estão devidamente amparadas nos termos da Lei Complementar n° 123/2006. Dispõe que a fiscalização alega por presunção que sua receita bruta declarada é inferior ao valor da compra de mercadorias somada à sua folha de pagamento, operando com subfaturamento, incorrendo assim nas situações excludentes do SN. Os Autos de Infração lavrados não devem prosperar. Discorre fartamente sobre a história e situação financeira da empresa. As sócias na tentativa de salvar a empresa foram dilapidando seu patrimônio pessoal, anexa cópia de escritura de venda da apartamento, de saque de plano de aposentadoria e de comprovantes de sucessivos empréstimos junto a bancos, além de recibos de depósitos feitos por uma das sócias na conta da empresa. Não há que se falar em omissão de receitas nem de documentações para excluir a empresa do SN, a venda de bens para suporte do caixa deve ser feito via escrituração contábil da qual a empresa era dispensada nos termos da Lei Complementar n° 123/2006. Com relação ao Livro Caixa, a empresa desconhecia que deveria lançar os suportes de vendas dos bens dos sócios como receita, pois eram bens adquiridos há muitos anos. No momento oportuno, entregará os livros caixas solicitados. A inconstitucionalidade da exclusão do SIMPLES NACIONAL. Discorre fartamente sobre a garantia constitucional de tratamento diferenciado e simplificado às microempresas e empresas de pequeno porte, transcreve artigo da CF, trata da hierarquia das leis prevista também na CF, aduz que a grande maioria dos atos de exclusão do SN emitidos pela Receita Federal do Brasil RFB são inconstitucionais, assim como os incisos I e X d o art 29 da Lei Complementar n° 123/2006, aborda que o princípio constitucional da capacidade contributiva que seria violado com a exclusão da empresa do sistema SN, discorre robustamente acerca da inconstitucionalidade de se excluir a empresa do SN em decorrência de existir débitos tributários. Faculdade do contribuinte produzir prova contrária. A ameaça de exclusão do SN das empresas inadimplentes nada mais é do que um meio de compelir o contribuinte ao pagamento dos débitos que possui frente ao Fisco Federal, situação considerada inconstitucional pelo STF. Toda empresa que for notificada pela RFB de uma possível exclusão do SN em razão de débitos que possui, poderá se valer de ação judicial objetivando a sua manutenção nesse regime. Fl. 552DF CARF MF Processo nº 13888.724349/201113 Acórdão n.º 2201004.684 S2C2T1 Fl. 553 6 Da Representação Fiscal para Fins Penais. Consta do RF que a empresa por haver descontado e não recolhido as contribuições dos segurados, em tese, praticou crime de apropriação indébita previdenciária, porém, conforme documentação anexada aos autos, a mesma parcelou, em 25/11/2011, todos os valores levantados pelo Sr. Fiscal, referentes a segurados. Portanto, não há que se falar em Representação Fiscal para Fins Penais — RFFP. No mesmo item do RF, a fiscalização dispõe que a autuada não prestou informações em Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP sobre a contribuição de seus empregados, o que, em tese, configuraria a prática de crime de sonegação de contribuição previdenciária. Ocorre que a empresa já providenciou junto à Caixa Econômica Federal o parcelamento dos valores relativos ao FGTS, junta documentação. Conclui dispondo que o pagamento do tributo antes do recebimento da denuncia extingue a punibilidade. Da multa por obrigação acessória. Tal posição não se sustenta. As obrigações ou deveres instrumentais são instituídos no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos e tem o objetivo de tornar possível a realização e a verificação do cumprimento da obrigação principal. No caso da autuada, houve um erro de tipo, quando o agente desconhece ou não tem plena consciência de um dos requisitos descritivos do delito. Pensa que é permitido, o que na verdade é proibido, não há que se falar na presença de dolo, não houve máfé por parte do impugnante. A pesada multa imposta de oficio deve ser afastada, a empresa não recolheu os impostos por absoluta ignorância, já que no Termos de Intimação emitidos pela fiscalização não dão conta da necessidade do recolhimento e da consequência do seu não pagamento. Traz jurisprudências. Ante a ausência de máfé ou dolo do impugnante, requer seja afastada a pesada multa imposta, já que terá que pagar os juros moratórios. Espera ainda seja cancelado o Auto de Infração lavrado, recalculandose a contribuição devida. Protesta provar o alegado por todos os meios de provas em direito admitidas. A impugnação do sujeito passivo foi julgada improcedente e o acórdão encontrase assim ementado: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 EXCLUSÃO DA PESSOA JURÍDICA DA SISTEMÁTICA DO SIMPLES POR INICIATIVA DA AUTORIDADE FISCAL. Conforme disposto na legislação de regência, a pessoa jurídica poderá ser excluída das sistemáticas do SIMPLES FEDERAL E SIMPLES NACIONAL, por iniciativa da autoridade administrativa, quando incidir em prática reiterada de infração tributária. LEGALIDADE E CONSTITUCIONALIDADE. Fl. 553DF CARF MF Processo nº 13888.724349/201113 Acórdão n.º 2201004.684 S2C2T1 Fl. 554 7 É vedado à Administração Pública o exame da legalidade e constitucionalidade das Leis. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS (RFFP) . DEVER FUNCIONAL. LEGALIDADE. A emissão de Representação Fiscal para Fins Penais (RFFP), dirigida a autoridade competente, constitui dever funcional dos AuditoresFiscais, não cabendo, no julgamento administrativo, a apreciação do conteúdo dessa peça enviada às autoridades judiciais competentes. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. LANÇAMENTO INCONTROVERSO. Consolidase administrativamente a matéria não impugnada, assim entendida aquela que não tenha sido expressamente contestada pela impugnante Cientificada da decisão de piso em 16/05/2013 (fl.482), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls. 484/511) alegando, em apertada síntese, que: 1) Questiona a exclusão do SIMPLES e do SIMPLES NACIONAL. 2) Faculdade de produzir prova contrária. 3) Questiona a Representação Fiscal para Fins Penais. 4) Questiona as multas aplicadas. Foi exarada a Resolução nº 2403000.163 da 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária, cujo teor decisório transcrevese abaixo: Observo que a decisão recorrida julgou as questões da exclusão do SIMPLES e do SIMPLES NACIONAL e do crédito tributário. Acordam os membros da 7a Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, considerar improcedente a impugnação, mantendose a exclusão dos sistemas simplificados de tributação SIMPLES FEDERAL e SIMPLES NACIONAL conforme ADE n° 077/2011 e 078/2001 emitidos pela DRF de Piracicaba e mantendose integralmente os créditos tributários exigidos através dos AIOP n°37.338.3410 e n°37.338.343 6 e do AIOA n° 37.338.3401. Segundo o Regimento Interno do CARF a competência para julgar a questão da exclusão do SIMPLES e do SIMPLES Nacional é da Primeira Seção e a competência para julgar o crédito tributário referente às contribuições previdenciárias é da Segunda Seção. Art. 2° A Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de oficio e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: V exclusão, inclusão e exigência de tributos decorrentes da aplicação da legislação referente ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES) e ao tratamento Fl. 554DF CARF MF Processo nº 13888.724349/201113 Acórdão n.º 2201004.684 S2C2T1 Fl. 555 8 diferenciado e favorecido a ser dispensado às microempresas e empresas de pequeno porte no âmbito dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, na apuração e recolhimento dos impostos e contribuições da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, mediante regime único de arrecadação (SIMPLESNacional'); Art. 3o A Segunda Seção cabe processar e julgar recursos de oficio e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: IV Contribuições Previdenciárias, inclusive as instituídas a título de substituição e as devidas a terceiros, definidas no art. 3° da Lei n° 11.457, de 16 de março de 2007; Entendo que a decisão sobre o crédito tributário deve ser precedida pela decisão acerca da exclusão dos regimes simplificados de tributação. Voto por converter o julgamento em diligência para que a 1ª Seção do CARF julgue as questões da exclusão do SIMPLES e do SIMPLES Nacional. Após, o processo deve retomar à Quarta Câmara da 2a Seção para julgamento do crédito tributário. A exclusão do SIMPLES foi julgada pelo acórdão nº 1801002.269 1ª Turma Especial, da 1ª Seção deste CARF, consubstanciado na seguinte ementa: DELIMITAÇÃO DA LIDE. EXCLUSÃO DO SIMPLES. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. A regra que determina que o ato de exclusão do Simples e os lançamentos tributários dele decorrentes devem ser resolvidos em um único ato de jurisdição não pode ser atendida quando a distribuição de competências por matéria atribui a um órgão julgador a questão sobre a exclusão do Simples e a outro órgão julgador a questão sobre os lançamentos. É o relatório. Voto Admissibilidade O recurso voluntário apresentado preenche os requisitos de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. Da delimitação do litígio A decisão de primeira instância considerou a discussão do crédito tributário propriamente dito como definitiva na esfera administrativa, eis que não foi objeto de inconformismo por parte da contribuinte. Referida decisão está em consonância com os dipositivos legais atinentes à matéria, notadamente o art. 17 do Decreto nº 70.235/1992, razão pela qual não merece retoque. Fl. 555DF CARF MF Processo nº 13888.724349/201113 Acórdão n.º 2201004.684 S2C2T1 Fl. 556 9 No mais, a recorrente refuta a sua exclusão as sistemática do SIMPLES. Tal matéria já foi apreciada no acórdão nº 1801002.269 1ª Turma Especial, da 1ª Seção deste CARF, que dormita às fls. 530/537. Destarte, resta ser abordado na presente decisão os argumentos trazidos pela recorrente acerca da Representação Fiscal para Fins Penais e do descumprimento da obrigação acessória de exibir livros e documentos. Da Representação Fiscal para Fins Penais A emissão de Representação Fiscal para Fins Penais não comporta maiores digressões, eis que se trata de tema sumulado, nos termos abaixo. Súmula CARF nº 28 (VINCULANTE): O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Assim sendo, deixamos de apreciar as razões trazidas no recurso voluntário acerca dessa matéria. Do descumprimento de obrigação acessória Como já assinalado pela decisão de piso, a recorrente faz alegações genéricas quanto à matéria. Vejamos o que restou assinalado pela decisão a quo: Sobre a aplicação da multa por obrigação acessória através do AIOA n° 37.338.3401, discorre a empresa de forma farta acerca das obrigações acessórias e sua função, acrescentando que no caso deste Auto houve erro de tipo, quando o agente desconhece ou não tem plena consciência de um dos requisitos descritivos do delito, o que exclui o dolo. Discorre a respeito, requer o afastamento de pronto da pesada multa, aduz que os Termos de Intimação não dão conta da necessidade de recolhimento nem faz advertência sobre a conseqüência do seu não recolhimento e conclui que não houve máfé ou dolo da autuada, transcrevendo jurisprudências que entende serem aplicáveis ao caso. Na verdade, o impugnante não traz nenhuma alegação ou comprovação de que não tenha sido lavrado de forma correta este AIOA. A lei e atos normativos vigentes não excepcionam sobre existir ou não dolo ou máfé na conduta do fiscalizado para que a legislação fosse aplicada e a multa cobrada. Ao contrário, é irrelevante a argumentação de que não houve dolo ou culpa ou de que não houve máfé. Isto porque a obrigação acessória (dever instrumental) de declarar corretamente GFIP com todas os fatos geradores de contribuições previdenciárias não fica sujeita a condicionantes ou circunstâncias econômico financeiras por que passa a empresa. O descumprimento de um dever instrumental constitui fato gerador para a imposição obrigatória e vinculada de penalidade pecuniária, consubstanciada em Auto de Infração, que também é documento autônomo de crédito previdenciário. Destaco , ainda, o seguinte dispositivo do CTN: Fl. 556DF CARF MF Processo nº 13888.724349/201113 Acórdão n.º 2201004.684 S2C2T1 Fl. 557 10 “Art.136 Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato.(g. n.)” Assim, não existe fundamento legal para se afastar a multa aplicada ou reduzila ante a ausência de máfé ou ainda recalculála, conforme requer a impugnante. Tendo agido com infração à legislação previdenciária que rege a matéria, no caso, relativamente à não declaração correta de todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias em GFIP, incorreu em infração e deve ser lavrado o AIOA em questão. Se desconhecia os requisitos da lei, tal alegação não pode se contrapor ao que determina a legislação em vigor, ninguém pode alegar desconhecimento de lei em sua defesa. Referida decisão refutou os argumentos da recorrente de forma cirúrgica. Em nenhum momento a recorrente assinala que a multa foi aplicada incorretamente, limitandose a afirmar que não restou configurado o dolo. O recurso não trouxe nenhum elemento novo quanto à matéria, limitandose a transcrever os termos já esposados, razão pela qual adoto como minha razão de decidir, os termos supra declinados, constantes da decisão de primeira instância pelos seus próprios e doutos fundamentos. Destarte, mantenho a autuação pelo descumprimento da obrigação relacionada a entrega da GFIP. Dever ser assinalado, ainda, que a recorrente invoca o direito de produzir prova em sentido contrário, aduzindo que a presunção juris tantum de presunção de receita pode ser infirmada no Poder Judiciário. Quanto a este ascpecto, não se vislumbra nenhum óbice à produção de prova por parte da recorrente. Ocorre, entretanto, que não estamos tratando de omissão de receitas. A exclusão do SIMPLES já julgada através do acórdão supra referido, se deu por irregularidade na escrituração contábil da recorrente. Por derradeiro, ressaltese que a condição econômica, empresa de pequeno porte inserida em um mercado de competição acirrada, não pode ser oposta ao Fisco para justificar o descumprimento da legislação tributária, sendo a atividade fiscal plenamente vinculada, a teor do que dispõe o art. 142 do Código Tributário Nacional. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Fl. 557DF CARF MF Processo nº 13888.724349/201113 Acórdão n.º 2201004.684 S2C2T1 Fl. 558 11 Fl. 558DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.727018/2010-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2006
RECURSO DE OFICIO.
Decisão de primeira instância pautada dentro das normais legais que regem a matéria e de conformidade com o que consta nos autos não merece qualquer reparo. Recurso de oficio a que se nega provimento.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NORMAS PROCESSUAIS. RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO PARA INTERPOSIÇÃO.
É de trinta dias o prazo para a interposição de recurso voluntário, "ex vi" do art. 33, do Decreto n° 70.235/72.
Recurso de Oficio Negado.
Recurso Voluntário Não conhecido.
Numero da decisão: 1302-000.662
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de oficio eiidb conhecer do recurso voluntário por ser intempestivo
Nome do relator: IRINEU BIANCHI
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SI-C3T2 Fl. 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10580.727018/201011 Recurso n° 908.042 De Oficio e Voluntário Acórdão n° 130200.662 — 3' Câmara / 2 Turma Ordinária Sessão de 3 de agosto de 2011 Matéria IRPJ OMISSÃO DE RECEITAS Recorrentes FAZENDA NACIONAL 3G INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário: 2006 RECURSO DE OFICIO. Decisão de primeira instância pautada dentro das normais legais que regem a matéria e de conformidade com o que consta nos autos não merece qualquer reparo. Recurso de oficio a que se nega provimento. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NORMAS PROCESSUAIS. RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO PARA INTERPOSIÇÃO. É de trinta dias o prazo para a interposição de recurso voluntário, "ex vi" do art. 33, do Decreto n° 70.235/72. Recurso de Oficio Negado. Recurso Voluntário Não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de oficio eiidb conhecer do recurso voluntário por ser intempestivo. IRINEU BIANCHI - Relator EDITADO EM: 6 OUT 2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Rodrigues de Mello (presidente da turma), Irineu Bianchi (vicepresidente), Daniel Salgue da Silva, Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira e Wilson Fernandes Guimarães. 2 Processo n° 10580.727018/201011 S I-C3T2 Acórdão n.° 130200.662 Fl. 2 Relatório Contra a empresa 3G INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, devidamente qualificada nos autos, foram lavrados autos de infração, referentes ao ano-calendário de 2006, para exigência de IRPJ (fls. 3/11), de Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS (fls. 12/19), de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — COFINS (fls. 20/27), de Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL (fls. 28/33) e de Imposto de Renda Retido na Fonte — IRRF (fls. 34/39). 0 Auto de Infração de IRPJ foi proveniente da verificação de omissão de receitas, caracterizada pela não contabilização do total das receitas de vendas, enquanto que os autos de infração relativos ao PIS, A COFINS e à CSLL decorreram do lançamento de IRPJ. 0 Auto de Infração de IRRF resultou da verificação da existência de importâncias pagas pelo sujeito passivo a beneficiários não identificados e/ou pagamentos sem causa. Cientificada das exigências, a interessada apresentou a impugnação (fls. 1367/1377), inaugurando o contencioso administrativo, requerendo: a) a nulidade da ação fiscal, em razão do excesso de prazo; b) caso não acatado o pedido de nulidade, que seja decretado o cancelamento do crédito tributário, diante dos argumentos expostos, que indicam os vícios do auto de infração, no que tange A base de cálculo inconsistente e A autuação genérica do item omissão de receitas; c) seja julgada inconsistente a autuação, quanto ao item pagamentos efetuados sem causa/beneficiários não identificados; d) por fim, em não reconhecidos quaisquer dos argumentos lançados, que seja acatado o beneficio fiscal de redução de 75% de IRPJ, conforme laudo constitutivo n° 0387/2005, acostado A impugnação. Juntou documentos. A Segunda Turma da DRJ/SDR, por unanimidade de votos, julgou o lançamento procedente em parte, nos termos do Acórdão n° 1525.717 (fls. 1587/1598), cujos fundamentos acham-se consubstanciados na respectiva ementa, in verbis: NULIDADE. Verificando-se que o Auto de Infração foi lavrado por pessoa competente, e em consonância coin a legislação vigente, descabe arguir sua nulidade. AÇÃO FISCAL. INEXISTÊNCIA DE PRAZO. O decreto que regula o processo de determinação e exigência de créditos tributários da Unido não prevê a existência de prazo máximo de duração do procedimento fiscal. PEDIDO DE PERÍCIA. Devem ser negadas as solicitações de perícia consideradas desnecessárias solução do litígio. OMISSÃO DE RECEITAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DO REGIME DE COMPETÊNCIA. INEXATIDÃO NA APURAÇÃ 0 DA BASE DE CÁLCULO Restando insuficientemente comprovada a imputação de omissão de receitas, além de se verificar imprecisão quanto ao período base em que as aleigades vendas de mercadorias teriam ocorrido, bem como inexatidão na apuraão das bases de cálculo do imposto exigido, há que se afastar a tributação corres onddnte. VI 3 LANÇAMENTOS DECORRENTES. Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL Contribuição para o Programa de Integração Social PIS/Pasep Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social —Cofins. Tratando-se de lançamentos decorrentes, afastada a ocorrência dos fatos geradores que lhes deram causa, quando da apreciação do lançamento principal, há que se dar a estes igual entendimento. IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE — IRRF PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. OPERAÇÃO NÃO COMPROVADA E SEM CAUSA. 0 pagamento, contabilizado ou não, efetuado a beneficiário não identificado, ou quando não for comprovada a operação ou a sua causa, sujeita a pessoa jurídica à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, aliquota de trinta e cinco por cento. Da referida decisão, a Turma Julgadora recorreu de oficio em face do valor do crédito exonerado ser superior ao valor de alçada. Cientificada da decisão (fls. 1602), o sujeito passivo interpôs o recurso voluntário de fls. 1603/1610, alegando a nulidade do auto de infração por excesso de prazo na ação fiscal, assim como pelo indeferimento de produção de prova pericial. Quanto aos pagamentos efetuados sem causa e/ou a beneficiários não identificados, pediu a exoneração da exigência pela exibição, nesta oportunidade, das notas fiscais necessárias à comprovação do alegado. Por fim, pediu o acatamento o beneficio fiscal de redução de 75% de 1RPJ, conforme laudo constitutivo n° 0387/2005, acostado com a impugnação. o relatório. Voto Conselheiro IRINEU BIANCHI Tendo em vista que o valor do crédito tributário exonerado pela decisão recorrida ultrapassa o valor de alçada, conheço do recurso ex-officio. Para fundamentar a exoneração de parte da exigência inicial, a Turma Julgadora de primeira instancia, A. unanimidade, valeu-se dos seguintes argumentos: No tocante à omissão de receitas, não deixa de ter razão a Imp ugnante quando declara que a descrição do fato, por si sá, não mui o clara e que a base de cálculo utilizada não foi apurada de orma orreta, não restando suficientemente configurada a omissão de re&qtas apontada no Auto de Infração. 4 Processo n° 10580.727018/201011 S I -C3T2 AcOrno n.° 130200.662 Fl. 3 Sendo, vejamos: a descrição dos fatos, no corpo do Auto de Infração, àjl. 05, registra 'Omissão de Receitas caracterizada pela não contabilização de receita de vendas na devida conta". No Termo de Verificação Fiscal, de fls. 43 a 45, parte integrante do Auto de Infração, e no qual há um relato um pouco mais detalhado dos fatos, consta que, da análise dos Livros Diário e Razão, nas contas de Receitas de Vendas estariam escrituradas receitas no valor aproximado de R$9.000.000,00, enquanto nas contas correntes relativas a diversos bancos estariam contabilizados ingressos de numerários da ordem de R$18.000.000,00 (excluindo-se as transferências entre elas). Ainda no Termo de Verificação Fiscal, o Autuante conclui que não restou esclarecida a origem de cerca de R$ 9.000.000,00 que ingressaram nas contas de movimentação bancária da Contribuinte, no ano de 2006, para, ao final, anunciar a lavratura do Auto de Infração por omissão de receitas, conforme planilha em anexo. Na verdade, tratam-se de duas planilhas, respectivamente, às fls. 380 e 381. A primeira, chamada Planilha de Omissão de Receitas, contendo os valores considerados como omitidos em cada uni dos meses do ano de 2006, alcançando o total de R$ 8.836.373,82. A segunda planilha discrimina tanto a receita omitida conio também o lucro/prejuízo contábil escriturado, inês a mês e por trimestre. Observa-se que, coin exceção dos meses de fevereiro, abril e dezembro, em todos os demais foram apurados prejuízo, resultando na apuração de prejuízo nos quatro trimestres de 2006. A tributação levada a efeito por meio do lançamento de oficio do imposto de renda incidiu sobre as receitas tidas como omitidas, compensando-se, no Demonstrativo de Apuração constante do respectivo Auto de Infração, o prejuízo de cada trimestre, apurado com base nos resultados escriturados nos livros contábeis apresentados pela Contribuinte. Por outro lado, para apurar o montante que considerou como receitas omitidas, a Fiscalização partiu da movimentação bancária escriturada no livro Razão, referente a diversas contas correntes bancárias, às lis. 912 a 1.073, apartando e relacionando todos os lançamentos concernentes aos ingressos de numerários oriundos de seus clientes, consolidados na conta "Clientes Diversos" (código n° 5902), conforme documento de fls. 382 a 436. A despeito de os referidos lançamentos reportarem-se, sent sombra de dúvida, a paganientos efetuados a Autuada por seus clientes, decorrentes da venda de mercadorias, não é razoável presumir, como fez o agente fiscal, que todos aqueles pagamentos contabilizados, não guardavani qualquer relação com as vendas devidamente escrituradqÇiI livro Razão, a titulo de "Vendas de Mercadorias" (código n° 1287),Ç à fl. 295 a 379, cujas receitas importaram no total anual de R$ 8.225.35 Ressalte-se que não estamos falando de contas bancárias não contabilizadas, hipótese essa em que a não comprovação, por parte do sujeito passivo, da origem dos recursos ingressados, em virtude da inversão do ônus da prova, autorizaria o Fisco a presumir tratar-se de receitas auferidas e mantidas a margem da escrituração, consoante expressa previsão legal. No caso concreto, estase a discutir acerca de pagamentos devidamente escriturados, cuja origem, ao contrário do declarado pelo Autuante, no Termo de Verificação Fiscal, encontra-se claramente identificada, ou seja, são oriundos dos clientes da Autuada e decorrem do pagamento das obrigações relativas a aquisição de mercadorias. Tais clientes poderiam ser perfeitamente individualizados, por meio de uma análise mais aprofundada da contabilidade da Contribuinte, revelando se essas operações de vendas deixaram de ser levadas ao resultado do exercício, como sugeriu a Fiscalização, ou então se elas são exatamente as mesmas registradas como receitas pela pessoa jurídica. Ademais, ainda que se pudesse caracterizar como omissão de receitas as movimentações a crédito das contas correntes bancárias da Autuada, discriminadas eis fls. 382 a 436, cujas contrapartidas foram "Clientes Diversos", verifica-se que tais lançamentos foram contabilizados nas datas dos respectivos recebimentos (pagamentos efetuados pelos clientes), embora nem todos se refiram a operações comerciais ocorridas no próprio ano de 2006, sendo evidente que parte deles, em especial, aqueles pagainentos efetuados nos meses iniciais do ano, correspondem a vendas realizada no ano anterior. Nesses casos, o reconhecimento de receita em período diverso daquele em que a operação de venda verdadeiramente se concretizou configura desobediência ao regime de competência dos exercícios, regra básica que não pode deixar de ser observada. Destaque-se ainda que, quando da apuração das bases de cálculo trimestrais do imposto de renda, foram compensados os prejuízos relativos aos resultados apurados a partir das receitas consideradas pelo Fisco como contabilizadas, discriminados na planilha de fl. 381. Como informado anteriormente, a Impugnante teria apurado lucro nos meses de fevereiro, abril e dezembro e prejuízo nos demais, tendo redundado em i prejuízo em todos os trimestres do ano de 2006. Entretanto, examinando as cópias do livro Razão constantes dos autos, das quais foram extraídas essas informações, mais precisamente as fls. 1.355 e 1.356, observa-se que houve equivoco da Fiscalização em relação aos resultados mensais colhidos do referido livro, visto que os resultados mensais negativos (prejuízo) são, na verdade, positivos (lucro), e viceversa. Assim, ao invés de prejuízo, apurou-se lucro em todos os trimestres do ano de 2006. Em consequência, as bases de cálculo trimestrais foram calculadas a menor no Auto de Infração, uma vez que delas foram deduzidos prejuízos inexistentes, quando se deveria, sim, acrescê-las dos resultados trimestrais positivos. Desse modo, eni face das imprecisões apontadas no procedimento fiscal, bem como da inexatidão quanto a apuração da base de cálculo do IRPJ, não há que prosperar o lançamento relativo ao imposto de renda, não .7- N obstante a constatação de que lucros tributáveis trimestrais, apurados e escriturados pela própria Autuada, deixaram de ser declarados ao Fisco e 6 das Sessões, em 3 de agosto de 2011. IRINEU BIANCHI - Relator Processo n° 10580.727018/201011 SI-C3T2 Acórdao n.° 130200.662 11. 4 Igual entendimento deve ser dado aos lançamentos da Contribuição pura o PIS, da COFINS e da CSLL, em face de decorrerem dos mesmos fidos geradores apontados para respaldar o lançamento do IRPI Logo, afasta- se a tributação de tais contribuições. Como se pode observar, a decisão recorrida compôs o litígio de forma correta, de acordo com a legislação aplicável. Assim, proponho negar provimento ao recurso de oficio. Passo à análise do recurso voluntário. Observo de pronto que o mesmo é intempestivo. Com efeito, o sujeito passivo tomou conhecimento da decisão de primeira instância na data de 4 de março de 2011, sexta feira, consoante o AR de fls. 1602. Em sendo assim, o prazo recursal iniciou no primeiro dia últil subsequente, ou seja, em 7 de março de 2011, segunda feira e findou no dia 6 de abril. Contudo, o recurso foi recepcionado na data de 11 abril de 2011 (fls. 1603), ou seja, vários dias após o transcurso da prazo para tal. Diante do exposto, oriento meu voto no sentido de: a) NEGAR PROVIMENTO ao recurso de oficio e b N AO CONHECER do recurso voluntário. 7
score : 1.0
Numero do processo: 10980.724778/2012-17
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2003 a 28/02/2008
NORMAS. REGIMENTOS. RECURSO ESPECIAL. PARADIGMA. SITUAÇÃO FÁTICA DISTINTA. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece do recurso especial de divergência quando a situação fática do acórdão paradigma não é similar á do aresto recorrido. Em concreto, o paradigma analisava a incidência de contribuição sobre receitas financeiras de instituição bancária e o acórdão a quo sobre receitas financeiras de empresa seguradora.
Numero da decisão: 9303-007.407
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2003 a 28/02/2008 NORMAS. REGIMENTOS. RECURSO ESPECIAL. PARADIGMA. SITUAÇÃO FÁTICA DISTINTA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece do recurso especial de divergência quando a situação fática do acórdão paradigma não é similar á do aresto recorrido. Em concreto, o paradigma analisava a incidência de contribuição sobre receitas financeiras de instituição bancária e o acórdão a quo sobre receitas financeiras de empresa seguradora.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
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Recorrente KIRTON VIDA E PREVIDÊNCIA S.A. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2003 a 28/02/2008 NORMAS. REGIMENTOS. RECURSO ESPECIAL. PARADIGMA. SITUAÇÃO FÁTICA DISTINTA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece do recurso especial de divergência quando a situação fática do acórdão paradigma não é similar á do aresto recorrido. Em concreto, o paradigma analisava a incidência de contribuição sobre receitas financeiras de instituição bancária e o acórdão a quo sobre receitas financeiras de empresa seguradora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 47 78 /2 01 2- 17 Fl. 1593DF CARF MF 2 Relatório Trata o presente processo de Pedidos de Restituição e Declarações de Compensação DCOMP (efls. 117 a 262) fundadas em crédito oriundo de ação judicial transitada em julgado em 04/04/2008, transmitidas pela empresa acima identificada conforme tabela de efls. 1049 a 1051. Os recolhimentos eram relativos aos períodos de abril de 2003 a fevereiro de 2008. O crédito foi parcialmente reconhecido e das compensações realizadas pela contribuinte: uma foi homologada integralmente, uma foi homologada parcialmente e todas as demais não foram homologadas, nos termos do despacho decisório de 06/02/2013, às efls. 1047 a 1085. O referido despacho incluiu à base de cálculo diversas receitas que a contribuinte não havia levado em consideração na apuração de seu faturamento, tais como: 3111111PRÊMIOS EMITIDOS 3111116PRÊMIOS RESTITUIDOS 3111121PRÊMIOS DE COSEGUROS ACEITO 3111131PRÊMIOS DE COSEGUROS CEDIDO 3111142TRANSFERÊNCIAS CEDIDAS 3112VARIAÇÕES DAS PROVISÕES TÉCNICAS 31112PRÊMIOS CANCELADOS 31118RESGATES DE SEGURO DE VIDA INDIVIDUAL/VGBL 3141OUTRAS RECEITAS OPERACIONAIS 331RENDAS DE CONTRIBUIÇÕES RETIDAS 332VARIAÇÕES DAS PROVISÕES TÉCNICAS 333DESPESAS COM BENEFÍCIOS E RESGATES 3351OUTRAS REC OPER PREVIDÊNCIA 38211OUTRAS RECEITAS NÃO OPERACIONAIS Cientificada do despacho decisório em 27/02/2003 (efl. 1087), a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 26/03/20013, às efls. 1089 a 1114. A 9ª Turma da DRJ/SPO, no acórdão nº 1665.655, prolatado em 21/08/2014, às efls. 1218 a 1243, considerou improcedente a manifestação de inconformidade. Cientificada do acórdão da DRJ em 01/09/2014 (efl. 1255), a contribuinte interpôs recurso voluntário, em 29/09/2014, às efls. 1257 a 1308. Argumentou, em síntese: a) pelo sobrestamento do processo administrativo enquanto pendente de julgamento no STF (em sede de repercussão geral) a discussão sobre a incidência das contribuições do PIS e a Cofins sobre receitas financeiras auferidas pelas instituições financeiras; b) que o fisco ignorou as decisões judiciais que afastam da equiparação ao conceito de faturamento a totalidade das receitas da pessoa jurídica, tais como as receitas financeiras e aquelas a elas equiparadas, como as securitárias, o que não foi seguido pela decisão da DRJ; c) que as receitas securitárias, prêmios, não podem ser tomadas como de contraprestação de serviços (preço de serviço), logo não sujeitas à incidência das contribuições exigidas e, além disso, a qualificação do seguro como serviços pelo Anexo sobre Serviços Financeiros do Acordo Geral sobre Comércio e Serviços (GATS) firmado pelo Brasil junto à OMC não permite tal incidência tributária, porque só aplicável ao comércio internacional, sem qualquer influência para alteração dos conceitos tributários nacionais; e Fl. 1594DF CARF MF Processo nº 10980.724778/201217 Acórdão n.º 9303007.407 CSRFT3 Fl. 1.594 3 d) que apesar de equiparada às instituições financeiras, as seguradoras não o são e por isso as receitas financeiras não seriam componentes de sua receita bruta e além disso, as receitas recebidas em face dos investimentos obrigatórios à formação das reservas técnicas, fundos e provisões não se incluiriam entre as receitas financeiras. O recurso voluntário foi apreciado pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento em 24/08/2016, resultando no acórdão nº 3302003.333, às efls. 1355 a 1370, que tem a seguinte ementa: PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS SECURITÁRIAS E DE CAPITALIZAÇÃO. AÇÃO JUDICIAL. Pela decisão judicial transitada em julgado, que considerou inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS, trazida pela Lei n. 9.718/98, conforme entendimento do STF, ficaram afastadas da base de cálculo o valor das demais receitas não decorrentes da atividade principal da empresa, não restando estabelecido, na decisão judicial, que as receitas securitárias e de capitalização e correlatas, atinentes à atividade operacional da companhia tenham sido afastadas da incidência das referidas contribuições. O acórdão teve o seguinte teor: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o Conselheiro Domingos de Sá, Relator, que dava provimento. Designada para redigir o voto vencedor, a Conselheira Lenisa Prado. Sustentou: Dra. Ana Paula Schincariol Lui Barreto OAB 183797, pela Recorrente e o Procurador Frederico Souza Barroso. O voto vencedor afirma que a decisão final do Mandado de Segurança que suporta os créditos da contribuinte não identifica especificamente quais receitas da impetrante estão efetivamente inseridas nas bases de cálculo referidas, uma vez que não foi a questão objeto de pedido naqueles autos. Além disso, a expressão prestação de serviços tem três fontes distintas: o Código do Consumidor, aquela elencada no GATT e a definição prestigiada pela jurisprudência do STF e nenhuma das definições foi adotada como premissa indiscutível, mas o conhecimento de todas levaram ao conceito médio adotado no julgamento da DRJ. O objeto social da empresa a define como instituição financeira que também presta serviços de seguros, cosseguros e resseguros e o STF exclui do conceito de faturamento somente as receitas não operacionais, ou seja, aquelas receitas que não decorrem da atividade regular explorada pela contribuinte, o que implica, por exemplo, na inclusão na base de cálculo das contribuições, de receitas financeiras para quem é instituição financeira. Embargos de declaração da contribuinte A contribuinte foi intimada do acórdão nº 3302003.333 (efl. 1372) em 07/04/2017 (efl. 1385), e manejou embargos de declaração ao acórdão em 17/04/2017, às e fls. 1388 a 1397, alegando existência de omissão e contradição. Por meio do despacho de efls. 1425 a 1427, em 24/10/2017, o Presidente da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento denegou seguimento aos embargos, por entender inexistentes omissão ou contrariedade no acórdão. Fl. 1595DF CARF MF 4 Recurso especial da contribuinte Cientificada (efl. 1431) da denegação dos embargos em 15/12/2017 (efl. 1444), a contribuinte veio a interpor recurso especial de divergência em 28/12/2017 (efls. 1447 a 1479). Apresenta quatro matérias de divergência: (i) Da divergência na interpretação quanto ao Mandado de Segurança nº 2006.70.00.0040312, decisão judicial relativa ao caso concreto. O acórdão recorrido considerou que reconhecendo a atividade da recorrente e a ação por ela ajuizada que afasta a tributação das receitas que extrapolam o conceito de prestação de serviços manteve a incidência do PIS e da Cofins sobre as receitas que não decorrem do conceito de faturamento. O acórdão paradigma nº 3402001.714 entendeu que, para situação similar, a aplicação do disposto em ação judicial transitada em julgado limitou o alcance da tributação do PIS apenas sobre as receitas oriundas da prestação de serviços e vendas de mercadorias. (ii) Da não tributação de receitas que não compõem o faturamento. Da divergência de interpretação quanto ao entendimento esposado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). O acórdão a quo admitiu a incidência de PIS e Cofins sobre receitas que não se enquadram estritamente como faturamento de venda de mercadorias e serviços ao incluir os ingressos relativos à venda das ações na receita bruta tributável quando estas receitas são oriundas da atividade principal desenvolvida pela contribuinte, assim sendo aplicável àquelas decorrentes dos seguros recebidos. Já dos acórdãos paradigmas nº 1102000.961 e nº 9303 004.138 restou consignado que o conceito de faturamento está adstrito à venda de mercadorias ou da prestação de serviços, não abrangendo quaisquer outras receitas e/ou receitas financeiras (dentre elas, se encontram as receitas de atividades securitárias e de capitalização). (iii) Da impossibilidade de aplicação da legislação tributária superveniente a fatos pretéritos. Em 11/11/2013 foi editada a Medida Provisória nº 627 que incluiu a na base de cálculo das contribuições para o PIS e Cofins das receitas da atividade ou objeto principal da pessoa jurídica, só então aplicável à situação sob análise, porém de retroação indevida, conforme entendido no acórdão paradigma nº 9303004.138. Assim o recorrido não poderia fazer incidir tributação cuja incidência só estaria prevista a partir da referida MP, posteriormente ao período aqui discutido. (iv) Da inaplicabilidade do GATS para caracterização de serviços No acórdão paradigma de nº 9303004.138, está veiculado que os conceitos previstos no GATS acerca dos serviços financeiros limitamse ao âmbito do próprio acordo inaplicável à caracterização de serviços para a contribuinte, opondose frontalmente ao disposto no acórdão recorrido, que confirmava o entendimento da autuação fiscal fundamentado também nesse acordo para classificar como prestação de serviços a atividade da recorrente. Ao final, requer o conhecimento e provimento do seu recurso especial, para que seja reformado o acórdão recorrido, integrado pelo despacho que rejeitou os embargos de Fl. 1596DF CARF MF Processo nº 10980.724778/201217 Acórdão n.º 9303007.407 CSRFT3 Fl. 1.595 5 declaração opostos pela recorrente, para homologar integralmente as DCOMPs por ela realizadas como objeto do presente processo. O Presidente da 3ª Câmara de Terceira Seção de Julgamento do CARF apreciou o recurso especial de divergência da contribuinte em 27/02/2018, no despacho de e fls. 1568 a 1571, com base nos arts. 67 e 68 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 343 de 09/06/2015, dandolhe seguimento. No despacho, entende que as quatro matérias alegadas consistiriam efetivamente em uma matéria (a inclusão das receitas financeiras de instituições financeiras na Base de Cálculo da Cofins), com quatro argumentos. Ao final, determina o encaminhamento do acórdão recorrido, do recurso especial de divergência da contribuinte e deste despacho apenas à Procuradoria da Fazenda Nacional para ciência e eventuais contrarrazões. Contrarrazões da Fazenda Nacional A Procuradoria da Fazenda Nacional foi cientificada do despacho de admissibilidade de e fls. 1034 a 1038, em 01/03/2018 (efl. 1572), e apresentou contrarrazões em 05/03/2018, às efls. 1573 a 1590, requerendo que não se conheça do recurso e, caso contrário, que seja ele desprovido. Afirma que o acórdão paradigma que, ao fim e ao cabo, deu suporte ao recurso, de nº 9303004.138, foi cunhado em face de contribuinte instituição financeira (Banco BMG) e não de seguradora, como no presente caso, por isso careceria de similitude fática para aqui ser utilizado como modelo da divergência. Junta trecho de voto do acórdão de nº 9303 004.455, desta 3ª Turma, prolatado em sessão de 08/12/2016, com as razões para esposar esse entendimento. No mérito, visita doutrina e jurisprudência, para reafirmar que receita bruta não é apenas aquela oriunda da venda de mercadorias e serviços, mas a ela se somam outras receitas decorrentes das atividades empresariais. Assim, alcança toda receita obtida através dos recursos decorrentes do desenvolvimento da atividadefim da empresa, tratandose de receita operacional. Desta forma, para apontarse concretamente, em cada caso, que tipos de receitas podem ser classificados como receita operacional, é preciso terse em vista qual a atividade da empresa. O provimento jurisdicional obtido pelo autuado nos autos do MS referido neste processo está em linha com o entendimento do STF no sentido da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da Cofins dada pelo § 1º do art. 3° da Lei 9.718/1998, sem contudo, afastar da tributação da Cofins as receitas decorrentes da atividade empresarial típica da contribuinte (operar seguros de danos e de pessoas, em qualquer modalidade, conforme seu estatuto social). A Procuradora assim conclui sua argumentação: O caráter financeiro, por si só, não é suficiente para excluir a receita da incidência da Cofins e do Pis, pois a mesma receita pode ser decorrente de operação própria da empresa, como é o caso dos autos. Esse raciocínio é válido não apenas para aquelas atividades previstas no objeto social da empresa, mas também para aquelas, por serem desenvolvidas com tamanha Fl. 1597DF CARF MF 6 regularidade, podem ser consideradas como atividadefim da empresa. Pelas razões apresentadas, a Fazenda Nacional requer que não seja conhecido o recurso especial de divergência do sujeito passivo e, caso contrário, que seja ele desprovido. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator O recurso especial de divergência da contribuinte é tempestivo. Conhecimento Quanto ao conhecimento, penso que bem andou a Procuradora em suas contrarrazões. De início, há que se apontar quem são os contribuintes dos acórdãos indicados como paradigmas: ACÓRDÃO CONTRIBUINTE 3402001.714 Banco Triângulo S/A 9303004.138 Banco BMG 1102000.961 RACE Comércio, Importação e Exportação Ltda. De fato, ao adotar como paradigmas acórdãos que tratam de entidade bancária e mesmo um que tem por sujeito passivo uma empresa comercial, entendo descumprido requisito do art. 67 do RICARF. Ausente a similaridade fática, fica dificultada a análise relativa à interpretação divergente da legislação quanto às receitas das atividades, pois são distintas e poderiam estar contidas na receita bruta para um tipo de empreendimento e não para de outro, ainda que afastado o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 no período lançado. Considerando o afastamento dessa norma para o recorrido e para o paradigma, não há como saber qual o critério jurídico que os julgamentos aplicariam nos casos de atividades empresariais distintas. Com efeito, entendo que, para caracterização de divergência jurisprudencial no caso, seria necessário que a recorrente apontasse a título de acórdão paradigma uma decisão que: (a) analisasse a atividade de uma empresa de seguros e (b) concluísse que receitas tais como as que estão em discussão não seriam decorrentes de sua prestação de serviço, compondo o faturamento. No caso, nada pode garantir que o colegiado que proferiu a decisão paradigmática, ao se deparar com o contexto fático objeto do presente processo, iria decidir de maneira diversa daquela do acórdão recorrido. Por fim, corroborando o entendimento acima, cumpre referir a jurisprudência desta Câmara Superior de Recursos Fiscais. Nos termos do voto condutor do acórdão nº 9303 004.554, da relatoria da i. conselheira Tatiana Midori Migiyama, o colegiado decidiu por não conhecer do recurso especial de divergência da Fazenda Nacional em face de situação idêntica: acórdão recorrido de companhia seguradora e paradigmas referentes a banco. Como essa decisão, também serve de esteio ao entendimento aqui apresentado, por isso transcrevo o trecho apresentado pela Procuradora em seu contrarrazoado, à efl. 1578: Fl. 1598DF CARF MF Processo nº 10980.724778/201217 Acórdão n.º 9303007.407 CSRFT3 Fl. 1.596 7 (...) Analisando os acórdãos paradigmas, os mesmos tratam da mesma instituição bancária (Banco Triângulo S.A), sendo que a discussão lá abordada se refere à incidência do PIS sobre as receitas operacionais, decorrentes da cobrança de taxas/tarifas por serviços bancários e operações de intermediação financeiras, isto é, atividades tipicamente bancárias. Foi decidido nos acórdãos paradigmas que a essência da atividade bancária reside justamente na prática de operações ativas e passivas inerentes a sua carteira comercial como por exemplo: desconto de duplicatas com percentual de deságio), carteira de crédito como por exemplo os valores depositados por clientes na instituição que são oferecidos posteriormente a outros clientes por meio de empréstimo ou na forma de cheque especial , todos com juros, e etc. Essas são atividades inerentes a instituição bancária, conforme conta no objeto social e no estatuto social da instituição bancária. Com efeito, apesar dos paradigmas entenderem que as receitas oriundas da atividade operacional das instituições financeiras compõem o faturamento dessas entidades, pois decorrentes do exercício de suas atividades empresariais, os julgados versam sobre situações fáticas e jurídicas inteiramente distintas, não se prestando os acórdãos paradigma para revelar a alegada divergência jurisprudencial no presente caso. (...) Diante disto, entendo que inexiste similitude fática e jurídica entre acórdãos recorrido e paradigmas, vez que tratam de contribuintes e receitas diversas, tratandose, por conseguinte, de relações jurídicotributárias inteiramente distintas. Dessa forma, em razão da falta de similitude fática entre o acórdão recorrido e os paradigmas, entendo não ser possível estabelecer a divergência jurisprudencial alegada e, com a devida vênia do Presidente da Terceira Câmara da Terceira Seção, voto por não conhecer do recurso especial de divergência do sujeito passivo. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por não conhecer do recurso especial de divergência da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 1599DF CARF MF 8 Fl. 1600DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10805.721766/2011-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006
INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO.
O Recurso Voluntário apresentado após o prazo de 30 (trinta) dias contados da ciência do acórdão da DRJ não deve ser conhecido, por ser intempestivo.
CIÊNCIA VIA ELETRÔNICA DO ACÓRDÃO DA DRJ. OPÇÃO PELO DTE. VALIDADE.
Se os documentos levantados junto à RFB e ao SERPRO comprovam que a empresa optou pelo Domicílio Tributário Eletrônico (DTE), a ciência via eletrônica torna-se verdadeira e eficaz.
Numero da decisão: 1401-002.742
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por sua intempestividade.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
Nome do relator: LUIZ RODRIGO DE OLIVEIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2006 INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. O Recurso Voluntário apresentado após o prazo de 30 (trinta) dias contados da ciência do acórdão da DRJ não deve ser conhecido, por ser intempestivo. CIÊNCIA VIA ELETRÔNICA DO ACÓRDÃO DA DRJ. OPÇÃO PELO DTE. VALIDADE. Se os documentos levantados junto à RFB e ao SERPRO comprovam que a empresa optou pelo Domicílio Tributário Eletrônico (DTE), a ciência via eletrônica torna-se verdadeira e eficaz.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por sua intempestividade. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 20; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1333; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 2.772 1 2.771 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10805.721766/201181 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1401002.742 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de julho de 2018 Matéria PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA / TEMPESTIVIDADE DO RECURSO (OPÇÃO PELO DTE) Recorrente DELPHI AUTOMOTIVE SYSTEMS DO BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. O Recurso Voluntário apresentado após o prazo de 30 (trinta) dias contados da ciência do acórdão da DRJ não deve ser conhecido, por ser intempestivo. CIÊNCIA VIA ELETRÔNICA DO ACÓRDÃO DA DRJ. OPÇÃO PELO DTE. VALIDADE. Se os documentos levantados junto à RFB e ao SERPRO comprovam que a empresa optou pelo Domicílio Tributário Eletrônico (DTE), a ciência via eletrônica tornase verdadeira e eficaz. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por sua intempestividade. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 72 17 66 /2 01 1- 81 Fl. 2772DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo 1 (DRJ/SP1), que, por meio do Acórdão 1638.901, de 16 de maio de 2012, julgou improcedente a impugnação apresentada pela empresa, mantendo na íntegra o lançamento fiscal. Reproduzo, por bem delineado, o relatório constante no acórdão da DRJ/SP1: (início da transcrição do relatório do acórdão da DRJ) Cuidam os autos de veicular exigências relativas ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) no importe total de R$ 17.690.731,65, então computados juros de mora até 31/08/2011 (lavratura havida em 06/09/2011, com ciência em 14/09/2011), bem que multa de ofício no patamar de 75%. Referidas exigências foram formalizadas segundo a sistemática do Lucro Real anual, com referência ao anocalendário de 2006, e sob o fundamento de falta de adição ao Lucro Líquido (no caso, R$ 23.370.737,70) de parcela de custos relativos a bens, direitos e/ou serviços adquiridos no exterior de pessoa vinculada, isto por inobservância da legislação atinente ao controle de Preços de Transferência (art. 18 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; por tudo, vide fls. 1.677/1.689). Relevante dizer, ainda que em Relatório, que o Contribuinte responde por exigências de mesmíssima natureza – IRPJ e CSLL decorrentes de adições ao Lucro Líquido à conta da sistemática de Preços de Transferência – nos autos sob nº 16643.000385/201060 e nº 10805.721765/201136, mas agora por obra e arte de ajustes assim procedidos ao Lucro Líquido respeitante aos anoscalendário de 2005 e 2006, respectivamente, da pessoa jurídica Delphi Diesel Systems do Brasil Ltda., inscrita no CNPJ sob nº 49.871.155/000192, incorporada pelo Contribuinte em fins do anocalendário de 2007. Todos os procedimentos, autos sob nº 10805.721766/201181, nº 16643.000385/201060 e nº 10805.721765/201136, recebem, por oportuno, atenção na corrente sessão de julgamento. Mas, em retorno aos presentes autos, o contexto pode ser apanhado com mais detalhe e proveito a partir do “TERMO DE CONSTATAÇÃO E ENCERRAMENTO” de fls. 1.668/1.676 (destaques do original): Cálculos dos preços de transferência – Método PRL 2 Nas aquisições efetuadas pela empresa, sujeitas às regras de preços de transferência, a Contribuinte adotou, para a maior parte dos produtos, o método do Preço de Revenda Menos Lucro com margem de 60% PRL 60%, utilizandose, no entanto, da sistemática prevista na Instrução Normativa SRF nº 32/2001, embora na época da ocorrência do fato gerador do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, vigesse a metodologia estabelecida pela Instrução Normativa SRF nº 243/2002. Fl. 2773DF CARF MF Processo nº 10805.721766/201181 Acórdão n.º 1401002.742 S1C4T1 Fl. 2.773 3 4 As razões que levaram a empresa a optar por tal procedimento foram esposadas no Mandados de Segurança nº 2007.61.00.0315183. 5 Na ação mandamental impetrada pela DELPHI não houve sentença, apenas decisão denegatória do pedido de liminar, seguida de solicitação de desistência da ação, que foi homologada pela Justiça Federal em 11/12/2008, extinguindo o processo sem análise do mérito. [...]9 O texto legal [referese ao art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação determinada pelo art. 2º da Lei nº 9.959, de 27 de janeiro de 2000] é bastante claro. Ao prescrever o cálculo da margem bruta de lucro, determina que seja considerado 60% sobre o valor líquido de revenda, portanto, daquela parcela que foi importada e, posteriormente, revendida. É extremamente importante notar que o art. 2º da Lei 9.959/2000 nunca estabeleceu que fosse considerado “60% sobre o valor integral do preço líquido de venda do produto menos o valor agregado no País”. [...]11 É fundamental perceber que a forma de cálculo, baseada na margem de lucro de 60% sobre o valor líquido de venda do produto fabricado, foi estabelecida administrativamente pela SRF e é procedimento distinto do que foi determinado no texto da Lei, ou seja, margem de 60% do preço líquido de revenda da mercadoria ou insumo importado. 12 A regulamentação trazida pela IN SRF nº 243/2002 deixou de ir além da lei, como cabe a uma boa norma administrativa. Tratase de uma sistemática de apuração dos preços e margens fundamentada no valor de revenda dos bens importados, conforme o exigido pela Lei. 14 Apuramos que alguns produtos importados foram revendidos diretamente e também utilizados na produção de outros bens. Nesses casos, ao refazermos os cálculos, conformandoos aos procedimentos previstos na IN nº 243/2002, obtivemos o preço parâmetro pela ponderação entre os preços parâmetros resultantes da aplicação das metodologias do método PRL com margem de 20% e de 60%. [...]25 Considerandose que o Método PRL é definido “como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos”, decorre a conclusão lógica de que, nos casos em que parte da importação de determinado bem se destinar à produção e parte à revenda direta, há que se proceder à ponderação de acordo com as quantidades revendidas, utilizandose a margem de 20%, ou à produção, com a observância da margem de 60%, em atenção à distinção prevista nos itens 1 e 2 da alínea “d” do inciso II do artigo 18 da Lei nº 9.430/96. 26 Idêntica metodologia foi aplicada na apuração do preço médio ponderado do PRL, relatada nos itens anteriores, nos casos em que determinado insumo importado é aplicado na Fl. 2774DF CARF MF 4 produção de diversos bens finais, podendo gerar preços parâmetros distintos para cada bem final envolvido. 27 Notamos, ainda, que a empresa não considerou os valores relativos à quantidade e a valor do estoque inicial na apuração do preço praticado. 28 A IN SRF nº 243/2002 é clara ao determinar, em seu artigo 12, §3º, que as mercadorias constantes no estoque no início do período, valorado pelo custo de importação, devem ser adicionadas às compras do ano sob análise para que se chegue ao preço a ser comparado com o preço parâmetro, proveniente das vendas do período. 29 Diferentemente dos outros dois métodos transacionais previstos na legislação de preços de transferência, destinados à avaliação de bens, serviços ou direitos adquiridos de pessoas vinculadas, nos quais os preços parâmetro e praticado devem ser construídos no período da importação ou aquisição, no PRL, a averiguação da ocorrência ou não da transferência de lucro para o exterior, em consonância com os pressupostos da legislação pátria, darseá no momento da revenda dos itens comprados do exterior. [...]Cálculos dos preços de transferência – Método PIC. 32 Para alguns produtos, a empresa preferiu adotar o método dos preços independentes comparados – PIC, já que dispunha de produtos idênticos adquiridos de partes não relacionadas. 33 De todos os produtos submetidos à avaliação pelo PIC, encontramos diferença tributável entre o preço praticado e o respectivo preço parâmetro apenas nos itens cujas memórias de cálculo integram este Termo de Constatação. 34 Devemos esclarecer que nos cálculos efetuados pela DELPHI foram tomadas todas as compras de empresa vinculadas, independentemente do período de aquisição. Retificamos a apuração, fazendo constar apenas as importações de 2006 e, na hipótese de sua inexistência, consideramos os dados de anos anteriores, de forma a atender ao disposto no artigo 11 da IN SRF 243/2002: Art. 11. Não sendo possível identificar operações de compra e venda no mesmo período a que se referirem os preços sob investigação, a comparação poderá ser feita com preços praticados em operações efetuadas em períodos anteriores ou posteriores, desde que ajustados por eventuais variações nas taxas de câmbio das moedas de referência, ocorridas entre a data de uma e de outra operação. 35 Isto posto, recalculamos os preços de transferência em consonância com a metodologia estipulada na Instrução Normativa nº 243/2002, apurando os valores constantes das planilhas que integram este Termo e cujo resumo apresentamos no anexo I. Do todo teve ciência o Contribuinte, como já se adiantou, em 14/09/2011, vindo a colacionar sua insurgência em 13/10/2011 (fls. 2.072/2.114). Argumenta: Fl. 2775DF CARF MF Processo nº 10805.721766/201181 Acórdão n.º 1401002.742 S1C4T1 Fl. 2.774 5 1. Que não obstante se discutir no Mandado de Segurança sob nº 2007.61.00.0315183 a própria legalidade da Instrução Normativa SRF nº 243, de 11 de novembro de 2002, suporte da presente autuação, o fato é que naquela sede não se chegou a assentar juízo meritório algum, isso em função de desistência da própria impetração, ao que se seguiu, ainda antes do início dos trabalhos de Fiscalização, a respectiva sentença homologatória. Outrossim, na presente insurgência vão pontos não considerados na referida espécie judicial. Nessa ordem de ideias, “não ocorreu qualquer renúncia à esfera administrativa em razão do ajuizamento do Mandado de Segurança Delphi”. 2. Ainda na mesma temática, acresce que ele, Contribuinte, Delphi Automotive Systems do Brasil Ltda., inscrito no CNPJ sob nº 00.857.758/000140, incorporou a pessoa jurídica Delphi Diesel Systems do Brasil Ltda., inscrita no CNPJ sob nº 49.871.155/000192, isso em 29/12/2007. Ocorre que esta última disputava, até então, a mesma questão atinente à suposta ilegalidade da Instrução Normativa SRF nº 243, de 2002, agora nos autos do Mandado de Segurança sob nº 2007.61.00.0340487. Mas, diferentemente da sorte havida pelo Contribuinte nos autos do Mandado de Segurança sob nº 2007.61.00.0315183, teve a incorporada a emissão de provimento judicial favorável ao seu ponto de vista já em sede de apelação, conforme julgado em Acórdão produzido pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região (sobre tal aguardase o processamento de recursos especial e extraordinário opostos pela Fazenda Nacional). Assim se registra a consideração para dizer, em adianto, que nem mesmo sob tal circunstância haverseia de ter, sob dimensão que seja, prejudicado o prosseguimento do presente feito administrativo, já que “a situação de fato e de direito levadas ao Poder Judiciário no Mandado de Segurança Diesel estão relacionadas apenas às operações da empresa Diesel e assim, em princípio, não deveriam aproveitar ou prejudicar as operações realizadas pela Delphi no período de 2006”. 3. O art. 12, §§ 11 e 12 da IN SRF nº 243, de 2002, concorreriam para uma verdadeira distorção do estritamente fixado no art. 18, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996, na redação determinada pelo art. 2º da Lei nº 9.959, de 2000, com o que ilegal a normatização trazida na citada Instrução Normativa. Equivocados, por isso, os cálculos da Fiscalização pautados na Instrução Normativa impugnada. Nesse passo, pondera sobre a possibilidade de a instância administrativa dizer da ilegalidade de atos tais. 37. Essa diferença no ajuste tributável afeta diretamente a base de cálculo de IRPJ e CSLL. É nítido, pois, que a IN nº 243/02 extrapolou sua competência, que é de norma meramente regulamentar e interpretativa, e que, portanto como norma ilegal, não deveria ser adotada pela Requerente em prejuízo do cumprimento de determinação da Lei n° 9.430/96. [...]46. Superada a questão da impossibilidade deste E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais analisar a falta de fundamento legal da IN 243/2002, [...] (destacouse) 4. No particular, a IN SRF nº 243, de 2002, seria ilegal porque teria expungido da equação pertinente ao cálculo do preço parâmetro a variável que responde por “valor agregado”, observado seja que dita variável é expressamente referida na letra do item “1” da alínea “d” do inciso II do art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996. Nesta última, a variável “valor agregado” participaria do cômputo da margem Fl. 2776DF CARF MF 6 de lucro de 60%, justamente quando na posição de subtraendo do valor líquido de revenda do produto final acabado, após o que aplicado seria o percentual presumido de 60%. Já na citada Instrução Normativa nada disso seria previsto. Ainda nesse tópico, a ilegalidade também sobreviria do uso – pela Instrução Normativa em comento – d’uma regra de proporção não alvitrada na Lei em referência. No caso, o quociente entre [1] o custo do bem, direito ou serviço importado e [2] o custo do produto final acabado, percentual assim obtido e aplicado sobre o preço líquido de revenda daquele produto. Tudo, enfim, concorrendo para um aumento de base tributável e isso por meio de Instrução Normativa, em confronto, pois, com o preceituado pelo art. 97 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional – CTN. 5. A própria Medida Provisória nº 478, de 29 de dezembro de 2009, enfim não convertida em Lei, particularmente ao tencionar modificar o art. 18, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996 (trata do Método do Preço de Revenda menos Lucro – PRL), quando trouxe em seu corpo texto quase que equivalente àquele prestigiado na criticada Instrução Normativa SRF nº 243, de 2002 (art. 12, §§ 11 e 12 da mencionada Instrução Normativa), seria revelador da necessidade de Lei para veicular tal rearranjo na metodologia de cálculo do preço parâmetro. 6. Pertinente aos cálculos mesmos levados a cabo pela Fiscalização, entende descabida a ponderação havida entre o Método do Preço de Revenda menos Lucro – PRL com margem de lucro de 60% (Lei nº 9.430, de 1996, art. 18, inciso II, mas considerado, entre os itens da sua alínea “d”, o de nº 1 – nomeiese PRL60%) e o Método do Preço de Revenda menos Lucro – PRL com margem de lucro de 20% (mesma Lei, mesmos artigo e inciso, mas considerado, entre os itens de sua alínea “d”, o de nº 2; nomeiese PRL20%). 7. Para efeito de cômputo do preço praticado (preço/custo de aquisição) dos itens então sujeitos ao controle pelo Método do Preço de Revenda menos Lucro – PRL, não se poderia nele incluir as rubricas de despesas com seguros, fretes e tributos incidentes na operação, certo que determinados estes últimos em face de terceiro não vinculado ao Contribuinte. Mais, não poderia a Fiscalização deixar de considerar no cômputo da quantidade de cada item que, enfim, se acreditou merecedor de ajustes em seus custos de importação (para efeito de limitação da respectiva dedutibilidade no cálculo do IRPJ e da CSLL), os estoques finais deles, assim formados em 31/12/2006. 101. Nesse sentido, a D. Fiscalização entendeu que o "preço praticado" sujeito a ajuste seria o preço CIF de importação, independentemente de os valores relativos a fretes e seguros internacionais terem sido pagos a terceiros não vinculados e, portanto, serem custos e despesas fora do alcance da legislação brasileira de preços de transferência. [...]105. Outra inconsistência notada no cálculo da D. Fiscalização para apuração do preço médio de aquisição foi a não desconsideração do saldo final, ou seja, a não subtração dos insumos e produtos que foram importados em 2006, mas não consumidos naquele anocalendário. 8. Agora, com respeito à retificação procedida pela Fiscalização nos ajustes feitos pelo Contribuinte quando do uso do Método dos Preços Independentes Comparados – PIC (art. 18, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996), ponderase que tal retificação, sobre considerar apenas as importações havidas no curso do ano calendário de 2006, seria descabida em face da própria redação do art. 11 da IN SRF nº 243, de 2002. Fl. 2777DF CARF MF Processo nº 10805.721766/201181 Acórdão n.º 1401002.742 S1C4T1 Fl. 2.775 7 109. Por fim, não se sustenta o argumento da D. Fiscalização no sentido de que é equivocado efetuar os cálculos do preço parâmetro por meio do método PIC usar como referência todas as compras efetuadas com empresas vinculadas em outros períodos de aquisição, pois que o próprio artigo 11 da IN 243/02 citado no Termo de Constatação e Encerramento Parcial determina que a comparação pode ser feita com períodos anteriores ou posteriores, caso não se identifique operações de compra e venda no mesmo período. 9. Ainda se equivocara a Fiscalização ao considerar que o Contribuinte, sponte propria, só teria levado a ajuste, a título de adição ao seu Lucro Líquido, o importe de R$ 34.740,49, quando o certo é que foi levado a dito ajuste o monte de R$ 493.098,29, exatamente como constaria na DIPJ referente ao anocalendário de 2006. 110. A Requerente, na ficha 34, linha 50, de sua Declaração de Informações (DIPJ) efetuou ajustes relativos a preços de transferência no montante de R$ 493.098,29, tendo como base a Lei n° 9.430/96. 111. No entanto, a D. Autoridade Fiscal, em seus demonstrativos, somente considera um ajuste de R$ 34.740,49 com relação a todos os produtos englobados na linha 50 da ficha 34 da DIPJ. A diferença de R$ 458.357,80 não foi considerada pela D. Fiscalização no cálculo de seus ajustes. 10. A multa de ofício, no patamar em que exigida, configuraria verdadeira hipótese de confisco, com imediata ofensa ao disposto no art. 150, inciso IV, da Constituição. 11. Inconstitucional seria o uso da taxa Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic para efeito de cálculo dos juros de mora. Ainda nesse ponto, sobre eventual má sorte no presente processado, a título de resguardo futuro, já pondera sobre a impossibilidade de incidência de juros de mora (no caso, estimada pela taxa em comento) sobre a multa de ofício, isso quando se vir na circunstância de solver o total do débito aqui constituído. 118. Ainda que os juros de mora incidam apenas sobre o valor dos tributos lançados, a Requerente, para assegurar que diante de um futuro resultado desfavorável a atualização do débito não será feita com a incidência de juros pela taxa SELIC sobre a multa aplicada, vem esclarecer o quanto segue. 119. A multa configura penalidade e não tem natureza tributária. Assim sendo, não há razão para ser aplicada a taxa de juros SELIC sobre o seu valor. É evidente que a multa de ofício não pode ser aumentada pela aplicação de taxa de juros, sob pena de ser caracterizado o agravamento da sanção, o que é inaceitável! (término da transcrição do relatório do acórdão da DRJ) Em julgamento, a 1ª Turma da DRJ/SP1, por meio do Acórdão 1638.901, de 16 de maio de 2012, julgou improcedente a impugnação da recorrente, conforme a seguinte ementa: Fl. 2778DF CARF MF 8 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2006 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60%. AJUSTE, IN SRF nº 243, de 2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA. PRECEDENTES DO CARF. Descabe a argüição de ilegalidade na IN SRF nº 243/2002 cuja metodologia busca proporcionalizar o preço parâmetro ao bem importado aplicado na produção. Assim, a margem de lucro não é calculada sobre a diferença entre o preço líquido de venda do produto final e o valor agregado no País, mas sobre a participação do insumo importado no preço de venda do produto final, o que viabiliza a apuração do preço parâmetro do bem importado com maior exatidão, em consonância ao objetivo do método PRL 60 e à finalidade do controle dos preços de transferência (Acórdão nº 110100610, 1ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 23 de novembro de 2011). Tal é a inteligência hodierna do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF sobre a regra de proporcionalização prevista no art. 12, § 11, da IN SRF nº 243, de 11 de novembro de 2002. PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL. PREÇO PRATICADO. FRETE, SEGURO E TRIBUTOS. Na apuração dos preços praticados segundo o Método PRL, devese incluir o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador, e os tributos incidentes na importação. PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL. PREÇOPARÂMETRO. ESTOQUES FINAIS. Na apuração dos preçosparâmetro segundo o Método PRL não há previsão de se considerar, como elemento redutor da quantidade do produto adquirido/importado enfim sujeito a ajuste, o importe registrado em estoque final. Tal possibilidade se abre, sem dúvida, com a Normativa SRF nº 243, de 2002, mas apenas sob o viés contábil. PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. PONDERAÇÃO. Na hipótese de um mesmo bem importado ser aplicado na produção de mais de um produto, o preço parâmetro final será a média ponderada dos valores encontrados mediante a aplicação do PRL com margem 60%. O mesmo caso um bem importado ser parcialmente aplicado em processo produtivo e parcialmente revendido, oportunidade em que a ponderação se dará entre os resultados apurados segundo o PRL com margem de 20% e aqueles outros computados segundo o PRL com margem de 60%. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2006 INCONSTITUCIONALIDADE. RECONHECIMENTO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. Cumpre à Administração Tributária aplicar a Lei de ofício. Por outra, em nível administrativo, não se afasta a aplicação de Lei, não se declara a sua inconstitucionalidade. Entendimento já consolidado, inclusive, no enunciado nº 02 da Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2006 JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao do vencimento. Fl. 2779DF CARF MF Processo nº 10805.721766/201181 Acórdão n.º 1401002.742 S1C4T1 Fl. 2.776 9 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Conforme informações constantes na Resolução nº 1401000.381, de 02/02/2016, exarada por esta turma ordinária (efls. 2582 a 2587), "A ciência da decisão recorrida foi processada por meio eletrônico, tendo sido disponibilizada na caixa postal do contribuinte em 06/06/2012 e configurada a ciência em 21/06/2012 (cf. Termo de Ciência por Decurso de Prazo às fls. 2324)". Como a empresa apresentou recurso voluntário na data de 24/08/2012, foi lavrado Termo de Perempção (efls. 2325), em que se afirmou a intempestividade do recurso. No recurso voluntário, a empresa alega o que segue, sobre a questão da tempestividade: ao entrar no site da RFB na internet, em 06/08/2012, foi surpreendida com uma mensagem de que as informações disponíveis perante aquele órgão seriam insuficientes para a emissão/renovação de certidão positiva com efeitos de negativa; ao acessar o portal eCAC foi novamente surpreendida ao verificar que dois processos (incluindo o presente), até então pendentes de decisão de primeira instância, constavam em situação irregular (cobrança); no dia seguinte, compareceu à Agência da RFB em São Caetano do Sul onde soube que havia sido intimado do resultado dos julgamentos pela via eletrônica (contudo, a empresa nunca fez opção por receber notificações por meio eletrônico); foi, então, instruída a acessar os arquivos correspondentes no link “Processo Digital” no portal eCAC e constatou que tais arquivos nunca foram abertos pela recorrente e, quando tentou o acesso para tomar conhecimento das decisões e imprimilas, se deparou com a informação de que a página não estava disponível (fora do ar), sendo que essa situação permaneceu inalterada até o dia 15/08/2012; no intuito de solucionar a questão, ainda no dia 07/08/2012, requereu vista aos processos para obtenção de cópias, as quais lhe foram efetivamente disponibilizadas em 10/08/2012; o documento denominado “Termo de Abertura de Documento” (fls. 2330) atesta, de forma incontestável, que a recorrente somente teve ciência da decisão de primeira instância em 07/08/2012; a suposta ocorrência de ciência digital é inválida e não atende às diretrizes das Portarias SRF nº 259/06 e RFB nº 574/09, que dispõem expressamente que a intimação por meio digital é opcional e se opera necessariamente mediante entrega de recibo ao contribuinte; ademais, devese destacar que a recorrente havia conseguido renovar sua certidão em 03/08/2012, assim, se os débitos estivessem com cobrança em aberto já nessa data, não seria possível a renovação da certidão; se é verdade que a empresa havia feito a opção pela ciência digital, todas as intimações relacionadas a seus processos deveriam ser enviadas nessa forma, contudo, isso não é o que se verifica, pois a intimação relativa ao processo nº Fl. 2780DF CARF MF 10 16651.000175/200786, que trata da mesma matéria, se deu por meio físico em 03/08/2012; portanto, resta claro que não houve opção por ciência digital e que, no presente processo, considerar a data da efetiva ciência, em 07/08/2012 (como consta no Termo de Abertura de Documento) ou em 10/08/2012 (quando lhe foram disponibilizadas as cópias), é suficiente para tornar o recurso tempestivo. Desta forma, esta turma do CARF baixou o processo em diligência requerendo o seguinte: Diante do exposto e considerando que a análise da tempestividade é condição necessária ao conhecimento do recurso e questão prejudicial ao julgamento do mérito, proponho a conversão do presente julgamento em diligência para que a unidade de origem: a) junte, se houver, cópia do Termo de Opção previsto no § 2º do artigo 4º da Portaria SRF nº 259/06, com as alterações promovidas pela Portaria RFB nº 574/09; b) pronunciese sobre a autoria e, se cabível, os efeitos pretendidos com a lavratura do “Termo de Abertura de Documento” estranhamente anexado às fls. 2330 do processo. Em resposta à diligência, a autoridade fiscal consignou o seguinte (efls. 2617 e 2618): Diante do exposto e conforme informações obtidas do setor competente informamos que: Somente a partir de 08/07/2013 as informações sobre opção do DTE estão disponibilizadas na caixa postal, portanto não há como recuperar, para o período em questão, o Termo de Opção previsto no §2º do artigo 4º da Portaria SRF nº 259/06, com as alterações promovidas pela Portaria RFB nº 574/09; • Outros processos também tiveram seus comunicados enviados eletronicamente no mesmo ano calendário do processo em questão; • Não foi encontrada outorga de procuração para acesso ao eCac no ano calendário de 2012; • A opção pelo DTE (domicílio tributário eletrônico) é facultativa, sendo possível a opção e o cancelamento desta a qualquer tempo; • Quando a anexação tem como responsável o sistema “eprocesso” significa que a anexação foi automática sem intervenção de qualquer servidor. Ante o exposto, proponho ciência da conclusão da diligência ao interessado. Cientificada da conclusão da diligência, a recorrente apresentou manifestação em que aduz ter a fiscalização confirmado que a ciência do acórdão da DRJ não havia se dado via eletrônica, razão pela qual pugna pela admissibilidade do recurso voluntário. Processo nº 16643.000385/201060 situação similar Não obstante a resposta da fiscalização, na sessão de 20 de setembro de 2017, apresentei fato novo por mim verificado. É que, em desfavor da recorrente, houve outro processo de lançamento de auto de infração processo nº 16643.000385/201060 em que a Fl. 2781DF CARF MF Processo nº 10805.721766/201181 Acórdão n.º 1401002.742 S1C4T1 Fl. 2.777 11 empresa também foi cientificada, do acórdão da DRJ, por meio eletrônico. Diferentemente do caso aqui em discussão, em resposta à referida diligência proposta pela turma do CARF, com fins de verificação da adesão pela empresa ao Domicílio Tributário Eletrônico (DTE), a delegacia de controle confirmou que a empresa havia aderido ao DTE, vejase: Fl. 2782DF CARF MF 12 Fl. 2783DF CARF MF Processo nº 10805.721766/201181 Acórdão n.º 1401002.742 S1C4T1 Fl. 2.778 13 Fl. 2784DF CARF MF 14 COLOCAR O RESULTADO NO VOTO A partir do resultado da diligência do processo nº 16643.000385/201060, a turma do CARF não conheceu do recurso voluntário daquele processo, por ser intempestivo (e fls 905 a 924 do processo nº 16643.000385/201060), vejase: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2005 RECURSO VOLUNTÁRIO PEREMPÇÃO. Não se conhece das razões de recurso voluntário que tenha sido apresentado após o decurso do prazo determinado no art. 33 do Decreto n° 70.235/72. Posteriormente, a recorrente apresentou recurso especial ao CARF (naquele processo), que não foi admitido no seu pedido inicial despacho de admissibilidade (efls. 1083 a 1085 do processo nº 16643.000385/201060) , tampouco em seu pedido de reconsideração da decisão inicial reexame de despacho de admissibilidade (efls. 1086 e 1087 do processo nº 16643.000385/201060), tendo transitado em julgado desfavoravelmente à recorrente o citado processo nº 16643.000385/201060. Desta forma, propus baixar este processo em diligência, por meio da Resolução nº 1401000.482, de 20/09/2017, para que unidade da Receita Federal juntasse a este processo os documentos que tratam da opção da empresa pelo Domicílio Tributário Eletrônico e, ainda, que a empresa fosse intimada para se manifestar sobre o teor do resultado da diligência. Nas efls. 2.700 a 2.713, a recorrente apresentou a correspondente manifestação, pedindo pelo reconhecimento da tempestividade do recurso. É o Relatório. Voto Conselheiro Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Relator Intempestividade do Recurso Voluntário Como já falado no relatório deste voto, houve um processo lavrado contra o mesmo sujeito passivo em que a ciência (eletrônica) do acórdão da DRJ se deu na mesma data deste processo administrativo fiscal, qual seja, em 06/06/2012. Fl. 2785DF CARF MF Processo nº 10805.721766/201181 Acórdão n.º 1401002.742 S1C4T1 Fl. 2.779 15 Como também já tratado, no citado processo nº 16643.000385/201060, a turma não reconheceu o recurso voluntário por concluir por sua intempestividade. Por concordar com os fundamentos do voto proferido pela Conselheira Edeli Pereira Bessa no processo nº 16643.000385/201060, por meio do Acórdão nº 1101001.222, da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, na sessão de 02 de dezembro de 2014, reproduzo e adoto como razões de decidir o quanto decidido naquele processo, sendo que adaptarei a transcrição de folhas para este processo: (início da transcrição do voto constante no acórdão nº 1101001.222) A intimação do resultado de julgamento de 1ª instância foi efetivada mediante disponibilização do acórdão de impugnação e da intimação de resultado de julgamento na caixa postal eletrônica da contribuinte, em 06/06/2012 (fl. 639). Em tais condições, diz o Decreto nº 70.235/72: Art. 23. Farseá a intimação: [...] III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) [...] § 2° Considerase feita a intimação: [...] III se por meio eletrônico, 15 (quinze) dias contados da data registrada: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) [...] § 4º Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) [...] II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 5º O endereço eletrônico de que trata este artigo somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e Fl. 2786DF CARF MF 16 a administração tributária informarlheá as normas e condições de sua utilização e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 6º As alterações efetuadas por este artigo serão disciplinadas em ato da administração tributária. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) (negrejouse) A Portaria SRF nº 259/2006, com as alterações promovidas pela Portaria RFB nº 574/2009, assim disciplina este procedimento de intimação: Art. 4º A intimação por meio eletrônico, com prova de recebimento, será efetuada pela RFB mediante: I envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou II registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. § 1º Para efeito do disposto no inciso I, considerase domicílio tributário do sujeito passivo a Caixa Postal a ele atribuída pela administração tributária e disponibilizada no eCAC, desde que o sujeito passivo expressamente o autorize. § 2º A autorização a que se refere o § 1º darseá mediante envio pelo sujeito passivo à RFB de Termo de Opção, por meio do e CAC, sendolhe informadas as normas e condições de utilização e manutenção de seu endereço eletrônico. § 3º A intimação mediante registro em meio magnético ou equivalente será efetuada nos casos de aplicação de penalidade pela entrega de declaração após o prazo estabelecido na legislação. [...] Art. 6º Considerase feita a intimação por meio eletrônico, 15 (quinze) dias contados da data: I registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo, no caso do inciso I do art. 4º; II registrada no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo, no caso do inciso II do art. 4º; ou III de publicação do edital, se este for o meio utilizado. (negrejouse) O Termo de Opção citado no § 2º do art. 4º, acima transcrito, foi criado pela Instrução Normativa SRF nº 664/2006: Art. 1º Ficam aprovados o Termo de Opção por Domicílio Tributário Eletrônico e o Termo de Cancelamento de Domicílio Tributário Eletrônico constantes, respectivamente, dos Anexos I e II. § 1º Os Termos a que se refere o caput estão disponíveis no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (eCAC), na Fl. 2787DF CARF MF Processo nº 10805.721766/201181 Acórdão n.º 1401002.742 S1C4T1 Fl. 2.780 17 página da Secretaria da Receita Federal na Internet, no endereço. § 2º Para acesso ao eCAC é obrigatória a utilização de certificado digital válido, conforme disposto no art. 1º da Instrução Normativa SRF nº 580, de 12 de dezembro de 2005. [...] ANEXO I TERMO DE OPÇÃO POR DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO ELETRÔNICO NI (dados de identificação do sujeito passivo obtidos automaticamente) Nome/Nome Empresarial Autorizo a Secretaria da Receita Federal a enviar comunicação de atos oficiais para minha caixa postal eletrônica disponibilizada no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (eCAC), no endereço , a qual será considerada domicílio tributário eletrônico.Fico ciente de que o prazo para ser considerado intimado é de 15 (quinze) dias contados da data em que a comunicação for registrada em minha caixa postal eletrônica, a qual ficará disponível pelo prazo de 5 (cinco) anos, salvo se apagada manualmente.Responsável legal perante a SRF <dados de identificação obtidos automaticamente>: NOME CPF Local e Data Fundamentação Legal: arts. 2º e 23, III, “a”, e § 4º, II, do Decreto nº 70.235 de 6 de março de 1972, com a redação do art. 113 da Lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005; e Portaria SRF nº 259, de 13 de março de 2006. (negrejouse) A Instrução Normativa RFB nº 1077/2010 consolidou as disposições acerca do Centro Virtual de Atendimento da Secretaria da Receita Federal do Brasil (e CAC), nos seguintes termos: Art. 1º O Centro Virtual de Atendimento (eCAC) tem como objetivo propiciar o atendimento de forma interativa, por intermédio da Internet, no sítio da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), no endereço <http://www.receita.fazenda.gov.br>. § 1º O acesso ao eCAC será efetivado pelo próprio contribuinte, mediante a utilização de: I certificados digitais válidos emitidos por Autoridades Certificadoras integrantes da Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira (ICPBrasil): eCPF, ePF, eCNPJ ou ePJ, Fl. 2788DF CARF MF 18 observado o disposto no art. 1º do Decreto nº 4.414, de 7 de outubro de 2002; e II código de acesso gerado na página da RFB, na Internet, no endereço constante do caput deste artigo. § 2º No caso de utilização de certificado digital, o acesso ao e CAC poderá ser feito, também: I por procurador legalmente habilitado em procuração eletrônica outorgada pelo contribuinte; II pelo representante da empresa responsável perante o Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ); III pela matriz, no caso de filial; e IV pela sucessora, no caso de sucedida. [...] Art. 2º No eCAC estão disponíveis as seguintes opções de acesso aos serviços: I por meio de certificado digital ou código de acesso, os serviços elencados no Anexo I; II exclusivamente por meio de certificado digital, os serviços elencados no Anexo II. (negrejouse) Por sua vez, referido Anexo II relaciona, dentre tais serviços, aquele que permite a ciência de comunicados e intimações por meio eletrônico: [...] [...] [...] Caixa Postal Termo de Opção pelo Domicílio Tributário Eletrônico PF e PJ Este serviço possibilita optar pelo recebimento ou cancelamento de comunicações de atos oficiais por meio eletrônico através do sistema Caixa Postal. [...] [...] [...] Consta do documento de fl. 2.330 o que segue: TERMO DE ABERTURA DE DOCUMENTO O Contribuinte tomou conhecimento do teor dos documentos relacionados abaixo, na data 07/08/2012 16:20h, pela abertura dos arquivos correspondentes no link Processo Digital, no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal eCAC) através da opção Consulta Comunicados/Intimações. Acórdão de Impugnação Intimação de Resultado de Julgamento Contribuinte: 00.857.758/000140 DELPHI AUTOMOTIVE SYSTEMS DO BRASIL LTDA.(ou seu Representante Legal) Concluise, daí, que a pessoa jurídica, ou seu representante legal, estava habilitada a acessar o Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte, e consultar Fl. 2789DF CARF MF Processo nº 10805.721766/201181 Acórdão n.º 1401002.742 S1C4T1 Fl. 2.781 19 comunicados/intimações, faculdade conferida, apenas, àqueles que apresentaram Termo de Opção pelo Domicílio Tributário Eletrônico na forma antes mencionada. A contribuinte, porém, alegou que não exercera a opção para intimação eletrônica, e o julgamento foi convertido em diligência, na qual restou confirmada a adesão do sujeito passivo ao Domicílio Fiscal Eletrônico teve lugar em 24 de fevereiro de 2012 (fl. 2.681). Em tais condições, como expresso no referido Termo antes transcrito, e disposto no art. 23, §2º, inciso III, alínea “a”, do Decreto nº 70.235/72, com a redação dada pela Lei nº 11.196/2005, considerase feita a intimação em 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo, qual seja, seu endereço eletrônico. Disponibilizada a intimação do resultado de julgamento em 06/06/2012, a ciência se verificou, por decurso do prazo legal, em 21/06/2012, de modo que o recurso voluntário deveria ter sido apresentado até 23/07/2012. Como a recorrente afirma ter sido cientificada apenas em 10/08/2012 (ou quando menos em 07/08/2012), e a petição denominada recurso voluntário foi apresentada em 24/08/2012, houve incorreta interpretação acerca do momento em que se efetivou a ciência. Porém, ao optar pelo domicílio tributário eletrônico, cumprialhe verificar com mais freqüência as postagens ali promovidas, até porque nenhuma ressalva é feita no momento da opção acerca dos tipos de atos oficiais que serão cientificadas ao sujeito passivo por meio daquela ferramenta, impedindo a exclusão, portanto, dos atos praticados em processos administrativos fiscais nos quais adotouse, antes, outra forma de ciência. Dispõe o art. 35 do Decreto nº 70.235/72 que o recurso, mesmo perempto, será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção. E, presente prova da apresentação do recurso voluntário apenas em 24/08/2012, falta lhe requisito essencial para sua admissibilidade, razão pela qual o litígio não se instaura, o que torna o órgão julgador incompetente para apreciar o mérito das alegações veiculadas na petição. Por todo o exposto, o presente voto é o sentido de NÃO CONHECER do recurso voluntário. (término da transcrição do voto constante no acórdão nº 1101001.222) Conclusão Diante do exposto, voto por NÃO CONHECER do recurso voluntário por sua intempestividade. (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Fl. 2790DF CARF MF 20 Fl. 2791DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.919498/2012-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 29 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.938
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.919481/2012-12, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10680.919481/201212, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Winderley Morais Pereira Presidente e Relator (assinado digitalmente) Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório por suposto pagamento indevido ou a maior e aproveitar esse crédito com débito de outro tributo. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da insuficiência de crédito, a compensação foi HOMOLOGADA PARCIALMENTE. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .9 19 49 8/ 20 12 -7 0 Fl. 170DF CARF MF Processo nº 10680.919498/201270 Resolução nº 3301000.938 S3C3T1 Fl. 3 2 Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresentou manifestação de inconformidade alegando que a constituição do crédito tributário é feita pela apresentação da DCTF e que não existe vedação à retificação da declaração. Discorre sobre o direito à retificação da DCTF sempre que os valores apurados não tenham sido encaminhados à PGFN para inscrição em Dívida Ativa e não houver alteração da periodicidade da declaração anteriormente apresentada. Em relação aos fatos, informa que foi realizado pagamento em relação ao período de apuração em análise e que o despacho decisório determinou o não reconhecimento do direito creditório da Manifestante em virtude de suposta utilização dos pagamentos encontrados para o Darf. Defende que ao débito apurado para o mesmo período de apuração do Darf não foi vinculado nenhum crédito, assim o pagamento efetuado mediante Darf está totalmente disponível. Pede a reforma do despacho decisório com a homologação integral da compensação e o cancelamento da cobrança dos débitos remanescentes. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento manteve integralmente o despacho decisório, julgando improcedente a manifestação de inconformidade. Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário em que, basicamente, repete os argumentos contidos na manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 171DF CARF MF Processo nº 10680.919498/201270 Resolução nº 3301000.938 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3301000.925, de 25 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10680.919481/201212, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução 3301000.925): "O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Tratase de homologação parcial de compensação de créditos da COFINS com débitos tributários federais. A DRF de origem alegou que não havia crédito suficiente. Do Despacho Decisório (fl. 73) e PER/DCOMP auditada (fls. 66 a 71) e das cópias anexadas às peças de defesa de DCTF (retificadora), DACON (original e retificadora) e guia de pagamento (fls. 2 a 64 e 88 a 136), extraio o seguinte: 1) Em setembro de 2007, foi pago o montante de R$ 225.172,22 (fl. 51), a título de COFINS do período de apuração (PA) agosto de 2007. O valor devido foi declarado no DACON original (fls. 129). Não há cópia da respectiva DCTF. 2) Em 26/03/11, foi transmitida a DCTF retificadora do mês de agosto de 2007, por meio da qual alterou o valor da COFINS devida, que passou a R$ 172.020,11 (fl. 55). o DACON também foi retificado (fl. 137). Na DCTF retificadora o débito de R$ 172.020,11 figura como se estivesse em aberto, isto é, sem crédito (pagamento ou compensação) vinculado. Em seu recurso, informou que adotou tal procedimento, pois desejava incluir o débito de R$ 172.020,11 em parcelamento. 3) Em 26/03/11, foi entregue o PER/DCOMP auditado (fls. 66 a 71), utilizando a totalidade dos R$ 225.172,02 para liquidar outros débitos tributários federais. 4) O Despacho Decisório (fl. 73) confirma o pagamento de R$ 225.172,22 e o novo valor devido da COFINS de agosto de 2007 de 172.020,11. Contudo, ao contrário do que consta na cópia da DCTF retificadora (fl. 55), vincula parte do pagamento de R$ 225.172,22 ao débito de R$ 172.020,11. Em síntese, as questões que este colegiado são as seguintes: a) Pode o contribuinte retificar a DCTF para, concomitantemente, reduzir o valor devido e desvinculálo do pagamento originariamente efetuado? b) Teria a RFB poderes para, a despeito do que foi consignado pelo contribuinte na DCTF retificadora, vincular o pagamento de R$ 225.172,22 ao débito de R$ 172.020,11? Fl. 172DF CARF MF Processo nº 10680.919498/201270 Resolução nº 3301000.938 S3C3T1 Fl. 5 4 Ao meu ver, a resposta à primeira pergunta é sim. É possível retificar, para alterar a vinculação de créditos. Senão vejamos (IN RFB n° 1.110/10 em vigor na data da retificação da DCTF): "Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. (. . .)" Por outro lado, à segunda, entendo que é não. Quando muito, identificado um crédito derivado de tributo pago a maior, poderia o Fisco realizar uma compensação de ofício. Contudo, o contribuinte teria de ser previamente consultado e, inclusive, dela poderia discordar (art. 49 da IN RFB 900/08, em vigor na data do Despacho Decisório). Contudo, não há notícia nos autos de que houve compensação de ofício. Estaria pronto para votar pelo provimento do recurso voluntário, reconhecendo o direito creditório de R$ 225.172,02, caso não tivesse identificado duas informações contraditórias: no Despacho Decisório (fl. 73), consta que os R$ 225.172,02 teriam sido vinculados ao débito de R$ 172.020,11, enquanto que na cópia da DCTF retificadora, anexa à manifestação de inconformidade (fl. 55), não consta vinculação alguma. Assim sendo, proponho que o julgamento seja convertido em diligência, para que a unidade de origem verifique na DCTF "ativa" de agosto de 2007 se o crédito de R$ 225.172,02 foi ou não vinculado ao débito de R$ 172.020,11. Deve ser elaborado relatório conclusivo e aberto prazo de trinta dias para manifestação das partes. Findo este prazo, os autos devem retornar conclusos para julgamento. É como voto." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu converter o julgamento em diligência a fim de que a Unidade de Origem verifique na DCTF "ativa" do respectivo período de apuração se o crédito informado no PER/DCOMP foi ou não vinculado ao débito constante no Despacho Decisório. Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10680.919498/201270 Resolução nº 3301000.938 S3C3T1 Fl. 6 5 Deve ser elaborado relatório conclusivo e aberto prazo de trinta dias para manifestação das partes. Findo este prazo, os autos devem retornar conclusos para julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 174DF CARF MF
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Numero do processo: 10320.006798/2008-08
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Período de apuração: 09/08/2003 a 31/05/2008
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE.
Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os julgados em confronto.
Numero da decisão: 9202-007.159
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os julgados em confronto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório Tratava o presente processo, inicialmente, de Auto de Infração exigindo Imposto de Renda na Fonte no valor de R$ 6.388.298,69, acrescido de juros de mora e multa de ofício qualificada no percentual de 150%, tendo em vista diferenças apuradas entre os AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 00 67 98 /2 00 8- 08 Fl. 5069DF CARF MF 2 valores de IRRF declarados e os escriturados e/ou pagos, no período de 09/08/2003 a 31/05/2008. Impugnado o lançamento, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ), por meio de Resolução (efls 2.894 a 2.896), converteu o julgamento em diligência, para que a Unidade de Origem se manifestasse sobre as razões de defesa apresentadas pela Contribuinte. No curso da diligência, a Contribuinte prestou esclarecimentos, admitindo a existência de diferenças de IRRF não recolhidas, entretanto em valores inferiores aos calculados na autuação. Nessa oportunidade, apresentou os quadros de efls. 2.903 a 2.908 e efetuou o recolhimento das quantias demonstradas nos DARF de efls. 2.944 a 2.964. A Unidade de Origem, por sua vez, produziu o Termo de Encerramento de Diligência (efls. 4.741 a 4.743) e quadro resumo de efls. 4.744 a 4.745. Intimada, a Contribuinte questionou as conclusões da diligência, contrapondose aos valores apurados para alguns períodos. A DRJ demandou nova diligência à Unidade de Origem (efls. 4.878 a 4.883), para que esta detalhasse, por período de apuração, o procedimento de cálculo efetuado. Em resposta, a Unidade de Origem apresentou o Relatório de Diligência Fiscal de efls. 4.887 a 4.889), declarando a impossibilidade de efetuar a diligência na forma como solicitada. De posse de todas essas informações, a DRJ julgou a Impugnação, considerando procedente em parte o lançamento, cujo valor do tributo caiu para R$ 26.894,39, acrescido de juros de mora e multa de ofício reduzida ao percentual de 75%, conforme acórdão assim ementado: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Período de apuração: 09/08/2003 a 31/05/2008 DIFERENÇAS APURADAS ENTRE DIRF, DCTF E PAGAMENTOS EFETUADOS (DARF). A falta ou insuficiência de recolhimento do IRRF apurado pelo contribuinte e informado em DIRF justifica sua exigência por meio de auto de infração, com os consectários legais, para a constituição do crédito tributário. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 09/08/2003 a 31/05/2008 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Aplicase a multa de ofício de 150% nos casos previstos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964." Da decisão acima a DRJ recorreu de ofício ao CARF, em face do valor do crédito tributário exonerado. Em sessão plenária de 19/01/2017, foi julgado o Recurso de Ofício, prolatandose o Acórdão nº 2402005.597 (efls. 5.014 a 5.025), assim ementado: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Fl. 5070DF CARF MF Processo nº 10320.006798/200808 Acórdão n.º 9202007.159 CSRFT2 Fl. 5.070 3 Período de apuração: 09/08/2003 a 31/05/2008 EXONERAÇÃO DE VALORES DECORRENTES DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. AUSÊNCIA DE ELEMENTOS NECESSÁRIOS À MANUTENÇÃO DA TOTALIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO A falta de elementos aptos a respaldar o lançamento de parte do crédito tributário impõe a exoneração dos valores correspondentes. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. INAPLICABILIDADE. A multa de ofício qualificada de 150% (cento e cinquenta por cento) somente é aplicável mediante comprovação, pelo fisco, da ocorrência de hipóteses previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964. Recurso de Ofício Negado." A decisão foi assim resumida: “Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e negar provimento ao recurso de ofício. Votou pelas conclusões o Conselheiro Ronnie Soares Anderson em relação à exclusão da qualificadora da multa.” O processo foi encaminhado à PGFN em 31/03/2017 (Despacho de Encaminhamento de efls. 5.033) e, em 04/05/2017, foi interposto o Recurso Especial de efls. 5.034 a 5.042 (Despacho de Encaminhamento de efls. 5.043), com fundamento no art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, visando rediscutir a multa de ofício qualificada valores retidos e não repassados. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme despacho de 21/06/2017 (efls. 5.045 a 5.050). Em seu apelo, a Fazenda Nacional apresenta as seguintes alegações: no caso, há provas nos autos de que a Contribuinte praticou a conduta tipificada no Código Penal como apropriação indébita previdenciária; ao deixar de repassar à Previdência Social as Contribuições recolhidas dos segurados empregados e segurados contribuintes individuais, nos prazos previstos em lei, a Contribuinte demonstrou conduta consciente de quem procura e obtém determinado resultado: enriquecimento sem causa (cita doutrina de Luiz Regis Prado e Fernando Capez); surgem como elementos da conduta a consciência e a vontade, pois que a conduta foi realizada e, mais, dirigida a uma determinada finalidade, além de ser exteriorizada; em suma, a Contribuinte praticou atividade ilícita descrita no relatório fiscal, restando configurada sua conduta dolosa; Fl. 5071DF CARF MF 4 uma vez caracterizado o dolo no presente caso, tornase forçosa a manutenção da multa de ofício qualificada, nos termos do § 1º, do art. 44, da Lei 9.430, de 1996. Ao final, a Fazenda Nacional requer seja conhecido e provido o Recurso Especial, reformandose o acórdão recorrido e mantendose a multa de ofício qualificada. Cientificada em 19/07/2017 (Termo de Ciência por Abertura de Mensagem de efls. 5.056), a Contribuinte ofereceu, em 31/08/2017 (Termo de Solicitação de Juntada de efls. 5.059), as Contrarrazões de efls. 5.061 a 5.068. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O presente Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional, trata da qualificação da multa de ofício incidente sobre o Imposto de Renda na Fonte, tendo em vista a constatação de diferenças apuradas entre os valores retidos e os recolhidos, no período de janeiro de 2007 a maio de 2008. No acórdão da DRJ reduziuse a diferença antes apurada e desqualificouse a penalidade sobre o valor remanescente, o que foi acompanhado pelo acórdão recorrido. A Fazenda Nacional, por sua vez, pleiteia o restabelecimento da qualificadora. A Contribuinte foi intimada em 19/07/2017, quartafeira (Termo de Ciência por Abertura de Mensagem de efls. 5.056), e teria até 03/08/2017, quintafeira, para oferecer Contrarrazões, o que somente foi feito em 31/08/2017 (Termo de Solicitação de Juntada de e fls. 5.059), portanto já fora do prazo de quinze dias. Assim, as Contrarrazões não podem ser conhecidas, por intempestividade. Quanto ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, este é tempestivo, restando perquirir se atende aos demais pressupostos de admissibilidade. No caso do acórdão recorrido, embora a ação fiscal tenha se iniciado pela apuração de diferenças entre valores registrados na contabilidade da empresa e valores declarados/recolhidos, ao final de duas diligências solicitadas pela DRJ foram apuradas apenas diferenças de IRRF verificadas entre DIRF e DCTF. Confirase as informações prestadas pela Fiscalização, em face da diligência solicitada pela DRJ (Relatório de Diligência de fls. 4.743): "Após análise da documentação apresentada pelo contribuinte, em consonância com seus argumentos, concluímos que, de fato, a fiscalização se limitou ao confronto dos valores declarados em DCTF com aqueles escriturados no Livro Razão, o que induziu a equívoco, tendo em vista a existência de contas transitórias (auxiliares) na contabilidade do contribuinte, tais como as contas de transição 211.401.92 Administrativos e 211.401.995 Marítimos, referentes ao IRRF próprios, o que parece ter levado à duplicação dos valores devidos. Posto isto, passamos à confrontação dos valores declarados em DCTF com aqueles constantes das DIRF, onde verificamos a existência de diferenças tanto para maior como para menor, conforme "Demonstrativos do Imposto Devido após Cruzamento DCTF x DIRF", em anexo. Fl. 5072DF CARF MF Processo nº 10320.006798/200808 Acórdão n.º 9202007.159 CSRFT2 Fl. 5.071 5 Com relação às diferenças negativas encontradas no mencionado cruzamento, que resulta dos períodos em que o IRRF foi declarada em valor inferior ao devido, tratase de débitos do contribuinte. Valores estes que foram relacionados no "Quadro Resumo do Cruzamento DCTF x DIRF IRRF Devido", em anexo, que apresenta um débito total atualizado e acrescido da multa de ofício de 75%, no montante de R$ 1.773.700,91." (grifei) Assim, a própria Fiscalização, ao limitar a exigência a diferenças entre DIRF e DCTF (e não entre valores contabilizados e informados à RFB), reduziu a multa ao percentual de 75%. A DRJ, por sua vez, fundamentou a desqualificação da penalidade exatamente pelo fato de a conduta da Contribuinte não se adequar àquelas tendentes a impedir ou retardar a ocorrência dos fatos geradores, ou a excluir ou modificar suas características essenciais, ou a impedir ou retardar o conhecimento, por parte do fisco, da ocorrência desses fatos geradores, sua natureza ou circunstâncias, ou, ainda, das condições pessoais do contribuinte. Confirase o acórdão da DRJ: "O artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, dispõe expressamente que, nos casos de lançamento de ofício, aplicamse as multas nele previstas. Sua redação original era a seguinte: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Já a redação atualmente vigente do mesmo artigo é a estabelecida pela Lei nº 11.488, de 2007, resultado da conversão da Medida Provisória nº 351, de 2007, mas sua substância não sofreu alterações, conforme se verifica pela transcrição abaixo. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Fl. 5073DF CARF MF 6 Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Consoante o preceito supra, sendo lançadas de ofício diferenças de tributo ou contribuição não pagas ou recolhidas, aplicase em princípio a multa de 75%. Mas a infração é qualificada e o percentual da multa sobe para 150% na hipótese de o fato ser enquadrado numa das circunstâncias previstas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, verbis: Art. 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Pois bem, conforme excertos transcritos na subseção antecedente deste voto, o autuante qualificou a multa de ofício 'Considerando a natureza deste tributo, uma vez comprovado o não recolhimento do mesmo a Fazenda Pública configura crime de apropriação indébita, elencado no Inciso II, artigo 2° da Lei n° 8.137/90 que regulamenta os crimes contra a ordem tributária'. Muito embora a conduta descrita pelo autuante até constitua, em tese, crime contra a ordem tributária, o certo é que, ainda que dolosa, ela não era apta nem a impedir ou retardar a ocorrência dos fatos geradores em questão, nem a excluir ou modificar suas características essenciais. Tampouco podia tal conduta impedir ou retardar o conhecimento, por parte do fisco, da ocorrência desses fatos geradores, sua natureza ou circunstâncias, ou, ainda, das condições pessoais de contribuinte. Disso se infere que o autuante não logrou demonstrar a ocorrência de sonegação, fraude ou conluio, que são as circunstâncias qualificativas da multa de ofício. Por conseguinte, o percentual da multa de ofício aplicada deve ser reduzido de 150% para 75%." (...)" O Acórdão de Recurso de Ofício, ora recorrido, por sua vez, manteve o que foi decidido pela DRJ, conforme a seguir: Fl. 5074DF CARF MF Processo nº 10320.006798/200808 Acórdão n.º 9202007.159 CSRFT2 Fl. 5.072 7 Ementa "MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. INAPLICABILIDADE. A multa de ofício qualificada de 150% (cento e ciquenta por cento) somente é aplicável mediante comprovação, pelo fisco, da ocorrência de hipóteses previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964." Voto "Desta feita, mesmo com a constatação de recolhimentos de IRRF em patamares inferiores aos devidos e, a despeito de tal conduta caracterizar a ocorrência, em tese, de crime de apropriação indébita, entendo que não restaram demonstradas as circunstâncias previstas na norma legal que autorizam a qualificação da penalidade e, por essa razão, correta a decisão de primeira instância que entendeu por reduzir o percentual da multa ao patamar ordinário de 75% (setenta e cinco por cento)." Assim, o paradigma apto a demonstrar a alegada divergência teria de ser representado por acórdão em que, mesmo tratandose de diferenças de IRRF verificadas entre DIRF e DCTF, ainda assim a qualificação da multa fosse mantida. Entretanto, o paradigma indicado pela Fazenda Nacional Acórdão nº 1803001.474 não se reveste dessas características, conforme será demonstrado. No caso do paradigma, não se tratou de mera diferença entre valores declarados em DIRF e DCTF mas sim entre a contabilidade do Contribuinte e os valores declarados à RFB, constatandose ações dolosas no sentido de dificultar a apuração por parte do Fisco. Confirase: Relatório "O IRRF incide sobre diferenças verificadas entre valores escriturados nas contas de IRRF a recolher e os declarados em DCTF e/ou pagos em DARF, o que sob a ótica do autuante configura apropriação indébita, implicando qualificação da multa de ofício e formalização de representação para fins penais, nos autos do processo n. 14041.000189/200662. Voto "No que diz respeito à multa qualificada, vislumbro que deve prevalecer a qualificação da mesma, visto tratarse de apropriação indébita dos valores referentes ao IRRF. Não se trata de provar o dolo, a fraude ou a simulação nos atos praticados pela empresa recorrente, já que resta devidamente comprovado nos autos, através da escrita contábil os valores por ela retido e não recolhido, tal como determina a norma. No caso presente, há que se atentar para o fato de que a fiscalização utilizouse dos dados contidos na contabilidade da própria recorrente, ou seja, fornecidos pela própria empresa, para autuar, comparando o que estava disposto na Fl. 5075DF CARF MF 8 contabilidade com o que efetivamente foi pago em DARF ou declarado em DCTF para constatar a apropriação do indébito, que inclusive gerou denúncia crime. Tal conduta comprova que a empresa empenhou esforços em atividades escusas, com o intuito de ludibriar a fiscalização, ensejando a multa qualificada determinada no auto. Desse modo, por entender que restou comprovado pela autoridade fiscalizadora de que a empresa recorrente efetivamente apropriouse dos valores IRRF, o presente voto é pela manutenção da qualificação da multa, de 150%." (grifei) Destarte, embora ambos os acórdãos tratem efetivamente, em tese, de apropriação indébita (reter o tributo mas não recolhêlo, ou recolhêlo com insuficiência), para efeito da matéria ora tratada qualificação da multa de ofício a situação fática retratada em cada um dos julgados foi determinante para a identificação da conduta que ensejaria a qualificadora. No caso do acórdão recorrido, tratouse de diferenças entre valores declarados em DIRF e DCTF, de sorte que não se verificou qualquer das condutas exigidas no art. 44, § 1º, da Lei nº 9.430, de 1996. Já no caso do paradigma, a fiscalização levada a cabo na contabilidade da empresa detectou o empenho em atividades escusas para a consecução da apropriação indébita, constatando que valores retidos de terceiros não eram declarados em DCTF, muito menos recolhidos. Assim, a solução diversa em face da apropriação indébita não decorreu de interpretação da lei e sim das situações fáticas constantes de cada processo. Diante do exposto, não conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 5076DF CARF MF
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Numero do processo: 13811.000794/2006-11
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
RECURSO ESPECIAL. ART. 67 DO RICARF. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA.
Deve ser conhecido o Recurso Especial da Divergência quando restar comprovado que, em face de situações equivalentes, a legislação de regência foi aplicada de forma divergente, por diferentes colegiados.
DEDUÇÃO. DEPENDENTES. SOGROS. DECLARAÇÃO EM CONJUNTO.
O sogro/sogra não pode ser considerado como dependente na Declaração Anual de Ajuste, salvo se tratar-se de declaração em conjunto, na qual seu filho/filha figure como dependente/declarante, e desde que o sogro/sogra não aufira rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção anual nem esteja declarando em separado.
Numero da decisão: 9202-007.122
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri (relatora), Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Ana Cecília Lustosa da Cruz, que lhe negaram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Redatora Designada
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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ART. 67 DO RICARF. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. Deve ser conhecido o Recurso Especial da Divergência quando restar comprovado que, em face de situações equivalentes, a legislação de regência foi aplicada de forma divergente, por diferentes colegiados. DEDUÇÃO. DEPENDENTES. SOGROS. DECLARAÇÃO EM CONJUNTO. O sogro/sogra não pode ser considerado como dependente na Declaração Anual de Ajuste, salvo se tratarse de declaração em conjunto, na qual seu filho/filha figure como dependente/declarante, e desde que o sogro/sogra não aufira rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção anual nem esteja declarando em separado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri (relatora), Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Ana Cecília Lustosa da Cruz, que lhe negaram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Redatora Designada AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 1. 00 07 94 /2 00 6- 11 Fl. 148DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo. Relatório Contra o contribuinte foi lavrado auto de infração para cobrança de imposto de renda complementar haja vista a constatação de deduções indevidas de despesas médicas no ano de 2002. Nos termos do relatório fiscal a infração foi assim caracterizada: Dedução indevida a título de despesas médicas. Dos valores declarados efetuamos glosa das despesas médicas referentes à sogra, senhora (...) porque não é dependente do contribuinte, pois sua esposa (...)não tem rendimentos tributáveis próprios e é dependente do marido. Foram feitas as seguintes glosas: (...) Enquadramento legal: art. 8% inciso II, aliena "a", e §§2° e 3% da Lei n° 9.250/95; arts. 43 a 48 da Instrução Normativa SRF n° 15/2001. Após o trâmite processual, a 1ª Turma Especial, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário entendendo no sentido de que o sogro ou sogra (pai ou mãe do cônjuge/companheira do declarante), desde que não aufira rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção mensal, pode ser considerado dependente do imposto de renda do declarante, quando cônjuge/companheira esteja igualmente incluída na respectiva declaração de rendimentos. O acórdão nº 2801002.592 recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 GLOSAS DE DESPESAS DEDUTÍVEIS. COMPROVAÇÃO DA PERTINÊNCIA DAS DESPESAS. RESTABELECIMENTO DO VALOR GLOSADO. Comprovada a pertinência da despesa dedutível, devese restabelecer o valor glosado. Recurso Voluntário Provido. Tempestivamente, a Fazenda Nacional apresenta recurso especial. Citando como paradigmas os acórdãos 10419574 e 10418936, é devolvida a este Colegiado a discussão acerca dos critérios que devem ser observados para caracterização de sogro/sogra como dependente do declarante para fins de dedução do IRPF. O entendimento da Recorrente é no seguinte sentido: Fl. 149DF CARF MF Processo nº 13811.000794/200611 Acórdão n.º 9202007.122 CSRFT2 Fl. 149 3 Da análise das hipóteses em comento, torna‑ se incabível a dedução realizada pelo contribuinte. Primeiro, porque não se trata de ascendente direto do contribuinte. Segundo, porque a única hipótese capaz de contemplar a dedução de sua sogra seria se a sua esposa apresentasse declaração de ajuste anual em conjunto com o autuado, com rendimentos, o que não ocorreu na presente hipótese. De fato, o art. 35 da Lei nº 9.250, de 1995 prevê que os pais podem ser considerados dependentes na declaração dos filhos, desde que não aufiram rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção anual. Em decorrência da análise do referido dispositivo legal, constata‑ se que, a única hipótese de a sogra ser considerada dependente ocorre quando o seu filho ou filha aufere rendimentos e opta por declarar em conjunto com o cônjuge. Intimado o contribuinte apresentou contrarrazões pugnando pelo não conhecimento do recurso por ausência cotejo analítico e falta de indicação da legislação interpretada. No mérito, requer a manutenção do julgado por seus próprios fundamentos. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Do conhecimento: Em sede de contrarrazões afirma o Recorrido que o recurso não preenche os requisitos formais do art. 67 do RICARF, primeiro por não ter havido a demonstração do cotejo analítico entre decisão recorrida a aquelas apontadas como paradigmas e segundo pelo fato de não ter sido feita menção sobre qual dispositivo legal foi interpretado de forma divergente. Inicialmente destaco que o conceito de 'cotejamento análitico' já é discussão superada neste Colegiado tendo sido firmado entendimento no sentido de que o recurso deve apresentar elementos suficientes que comprovem a alegada divergência, sendo desnecessário a realização de comparativo ponto a ponto entre acórdão recorrido e paradigma. E neste ponto, ao contrário do alegado em sede de contrarrazões, houve a correta comprovação da divergência entre o acórdão recorrido e aqueles eleitos como paradigmas. Vejamos: Para melhor evidenciar a divergência ora suscitada, vale aqui a transcrição de trecho do voto condutor dos acórdãos, na medida em que estes elencam as circunstâncias que seriam autorizadoras da dedução da sogra como dependente, Fl. 150DF CARF MF 4 circunstâncias estas que não se verificam no presente caso. Veja‑ se: Acórdão nº 104‑ 19574 "Sogra, ora , se em declaração de rendimentos em separado, são dedutíveis os pais, como dependentes, nas declarações de rendimentos em conjunto, tais deduções obviamente se somam. Desde que, obviamente, o cônjuge dependente, tenha rendimentos tributáveis na mesma declaração. Porquanto a dedução visa reduzir a base imponível do titular do rendimento, relativamente a seu dependente. Se o titular não possui renda tributável, inexiste sustentação à dedução do dependente.” (destaques acrescidos) Acórdão nº 104‑ 18936 "O recorrente insiste que faz jus a dedução, tendo em vista a informação contida no Manual do Imposto de Renda Pessoa Física 2000, que autoriza a dedução, desde que a declaração seja feita em conjunto. A decisão recorrida, contudo, entende que não houve declaração em conjunto, uma vez que o cônjuge do declarante não tinha rendimentos a declarar. (...) Dentro deste entendimento, a dedução não é admissível, tendo em vista que a esposa do recorrente figura apenas como dependente sua e não teve rendimentos declarados, não podendo assim, ser considerada declarante.” (destaques acrescidos) Portanto, concluíram os acórdãos paradigmas que inexistiu declaração em conjunto, tendo em vista que a cônjuge do declarante não auferiu rendimentos e figurou apenas como sua dependente. O mesmo posicionamento foi defendido na decisão de primeira instância, in verbis ... Observamos, portanto, que enquanto o acórdão recorrido entendeu pela caracterização da sogra do contribuinte como dependente para fins de dedução de despesas médicas da base de cálculo do Imposto de Renda pelo simples fato de ter havido a declaração em conjunto deste com sua esposa, as decisões paradigmáticas são mais restritas limitando essa circunstância apenas aos fatos em que o respectivo cônjuge também tenha declarado rendas tributadas. Neste cenário, a Recorrente defende que a melhor interpretação a ser dada ao art. 35 da Lei nº 9.250/95 é exatamente aquela adotada pelos acórdãos 10419574 e 1041893. Vejamos trechos do recurso que expressamente tratam da divergência: Dispõe o art. 35 da Lei 9.250/95, ao contemplar as hipóteses de dedução da base de cálculo do Imposto de Renda, que: "Art. 35. Para efeito do disposto nos arts. 4º, inciso III, e 8º, inciso II, alínea c, poderão ser considerados como dependentes: I ‑ o cônjuge; Fl. 151DF CARF MF Processo nº 13811.000794/200611 Acórdão n.º 9202007.122 CSRFT2 Fl. 150 5 II ‑ o companheiro ou a companheira, desde que haja vida em comum por mais de cinco anos, ou por período menor se da união resultou filho; III ‑ a filha, o filho, a enteada ou o enteado, até 21 anos, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; IV ‑ o menor pobre, até 21 anos, que o contribuinte crie e eduque e do qual detenha a guarda judicial; V ‑ o irmão, o neto ou o bisneto, sem arrimo dos pais, até 21 anos, desde que o contribuinte detenha a guarda judicial, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; VI ‑ os pais, os avós ou os bisavós, desde que não aufiram rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção mensal; VII ‑ o absolutamente incapaz, do qual o contribuinte seja tutor ou curador”. Da análise das hipóteses em comento, torna‑ se incabível a dedução realizada pelo contribuinte. Primeiro, porque não se trata de ascendente direto do contribuinte. Segundo, porque a única hipótese capaz de contemplar a dedução de sua sogra seria se a sua esposa apresentasse declaração de ajuste anual em conjunto com o autuado, com rendimentos, o que não ocorreu na presente hipótese. De fato, o art. 35 da Lei nº 9.250, de 1995 prevê que os pais podem ser considerados dependentes na declaração dos filhos, desde que não aufiram rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção anual. Em decorrência da análise do referido dispositivo legal, constata‑ se que, a única hipótese de a sogra ser considerada dependente ocorre quando o seu filho ou filha aufere rendimentos e opta por declarar em conjunto com o cônjuge. Diante de todo o exposto, observados os requisitos formais do art. 67 do RICARF, conheço do recurso da Fazenda Nacional. Do mérito: No mérito, conforme exposto, o recurso da Fazenda Nacional, tem como objetivo rediscutir o entendimento do acórdão recorrido no que tange a caracterização da sogra do contribuinte como dependente para fins de dedução de despesas médicas, uma vez que no caso concreto, embora tenha havido a apresentação da declaração conjunta, a esposa do contribuinte não declarou rendimentos tributáveis. Fl. 152DF CARF MF 6 Sobre esse tema, adoto os fundamentos do Conselheiro Gerson Macedo Guerra, que integrando essa Câmara Superior, assim se manifestou no acórdão 9202004.648: Alega a União, todavia, que apenas na hipótese em que a DIRPF é entregue de forma conjunta há a possibilidade de se incluir sogro/sogra como dependente. Vale destacar que essa matéria já fora analisada por diversas outras ocasiões por este Tribunal. Inclusive a própria Câmara Superior já se debruçou sobre o tema, conforme se pode depreender do Acórdão 9202002.882, onde, por unanimidade de votos, ficou decidido que sogro ou sogra, desde que não aufira rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção mensal, pode figurar como dependente na declaração de imposto de renda do genro, quando cônjuge ou companheira deste esteja igualmente incluída na referida declaração. Importante frisar, ainda, que no caso analisado pela CSRF a esposa do sujeito passivo e sua sogra foram declaradas dependentes suas. A razão para tal concussão é que na hipótese em que um dos cônjuges é dependente do outro, há, devido ao núcleo familiar, a possibilidade de que os pais do cônjuge dependente sejam assim listados na declaração de ajuste anual do casal. São, na verdade, pais do cônjuge, que, embora não aufira rendimentos por seu labor ou capital, é titular de parte dos rendimentos do outro. Por esse motivo, interpretase extensivamente o disposto no artigo 35, VI, da Lei 9.250/95, para ali também incluir o sogro e a sogra. Diante do exposto, nego provimento ao recurso da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Voto Vencedor Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Redatora Designada Discordo do voto da Ilustre Relatora, no mérito, por entender que ele contraria a legislação que rege o Imposto de Renda Pessoa Física. O art. 35 da Lei nº 9.250, de 1995, contém o rol exaustivo dos dependentes para o Imposto de Renda: Art. 35. Para efeito do disposto nos arts. 4º, inciso III, e 8º, inciso II, alínea c, poderão ser considerados como dependentes: I o cônjuge; Fl. 153DF CARF MF Processo nº 13811.000794/200611 Acórdão n.º 9202007.122 CSRFT2 Fl. 151 7 II o companheiro ou a companheira, desde que haja vida em comum por mais de cinco anos, ou por período menor se da união resultou filho; III a filha, o filho, a enteada ou o enteado, até 21 anos, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; IV o menor pobre, até 21 anos, que o contribuinte crie e eduque e do qual detenha a guarda judicial; V o irmão, o neto ou o bisneto, sem arrimo dos pais, até 21 anos, desde que o contribuinte detenha a guarda judicial, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; VI os pais, os avós ou os bisavós, desde que não aufiram rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção mensal; VII o absolutamente incapaz, do qual o contribuinte seja tutor ou curador. (grifei) Assim, constatase que desse rol exaustivo não consta a figura dos sogros, portanto eles não podem ser considerados como dependentes. Por outro lado, como responsável por determinar a forma e condições de apresentação da Declaração de Ajuste Anual, a Receita Federal sempre permitiu que, na constância da sociedade conjugal, quando os dois cônjuges/companheiros estão obrigados a apresentar a declaração, possam fazêlo em conjunto. É o que consta de forma claríssima no art. 8º do RIR/1999: Art. 8º Os cônjuges poderão optar pela tributação em conjunto de seus rendimentos, inclusive quando provenientes de bens gravados com cláusula de incomunicabilidade ou inalienabilidade, da atividade rural e das pensões de que tiverem gozo privativo. (...) §3º O cônjuge declarante poderá pleitear a dedução do valor a título de dependente relativo ao outro cônjuge.” (grifei) Nesse passo, no caso de opção dos cônjuges/companheiros por declaração em conjunto, deve ser assinalado o campo "Esta declaração é em conjunto", que consta do cabeçalho da Declaração de Ajuste Anual. Dessas duas normas decorre a conclusão de que um cônjuge/companheiro pode figurar da declaração do outro cônjuge/companheiro apenas em duas situações, mutuamente excludentes: apenas como dependente, por força do art. 35, incisos I ou II, da Lei nº 9.250, de 1995; ou como declarante e dependente, mediante a utilização da prerrogativa concedida pelo art. 8º do RIR/1999. Fl. 154DF CARF MF 8 Claro está que a opção pela declaração em conjunto não poderia retirar direitos que o declarante teria se apresentasse a declaração em separado, por isso mesmo lhe é garantido o direito de ter como dependentes os pais, sempre nas condições estabelecidas no art. 35, inciso VI, da Lei nº 9.250, de 1995. Nesse caso, quando se trata dos pais daquele cônjuge/companheiro que figurou na declaração em conjunto como declarante/dependente, obviamente que criase uma situação de aparente ilegalidade, já que, a rigor, aqueles dependentes são sogros do declarante em nome do qual é apresentada a declaração. Porém a aparência de ilegalidade é facilmente dissipada, já que esses dependentes figuram naquela declaração em conjunto não como sogros do declarante que apresenta a declaração, mas sim como pais do declarante/dependente. Justamente para esclarecer essa situação peculiar, a edição "Perguntas e Respostas" ("Perguntão"), elaborada anualmente pela Receita Federal, assim explica: 339 A sogra ou sogro podem ser considerados dependentes na declaração do genro ou nora? De acordo com a Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, art. 35, os pais podem ser considerados dependentes na declaração dos filhos, desde que não aufiram rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção anual (R$ 22.847,76). O sogro ou a sogra não podem ser dependentes, salvo se seu filho ou filha estiver declarando em conjunto com o genro ou a nora, e desde que o sogro ou a sogra não aufiram rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção anual (R$ 22.847,76), nem estejam declarando em separado. Assim, entende esta Conselheira que as decisões que admitem a dependência de sogros, sem que haja declaração em conjunto dos cônjuges/companheiros, ou seja, fora das condições legalmente estabelecidas, caracterizamse como contra legem, já que: alargam indevidamente a relação numerus clausus do art. 35 da Lei nº 9.250, de 1995, que nunca previu a figura do sogro; alargam indevidamente o conceito histórico do Imposto de Renda Pessoa Física, que é o conceito de declaração em conjunto, com a prerrogativa de que um dos cônjuges/declarantes figure como dependente. Importa salientar que as decisões que vêm admitindo os sogros como dependentes, sem que haja declaração em conjunto, em momento algum enfrentam os dispositivos legais ora tratados, utilizando argumentos tais como o fato de o genro/nora, ao arcar com o cônjuge/companheiro dependente, sem rendimentos, tem de arcar também com as despesas referentes aos pais deste. Ora, o declarante pode arcar com o sustento de quem bem entender, sem que o respectivo custo seja necessariamente transferido aos cofres públicos. O que se quer dizer é que há que separar aquilo que é direito legalmente reconhecido, do que é mera liberalidade. O argumento aqui vergastado contraria frontalmente o art. 35 da Lei nº 9.250, de 1995. Outro argumento constante é no sentido de que, uma vez que o cônjuge/companheiro sem rendimentos figura como dependente na declaração do genro/nora, esta declaração passa a ser automaticamente "em conjunto". Em primeiro lugar, essa conclusão vai contra a declaração do próprio genro/nora, que não assinalou o quadro de "declaração em conjunto". Ademais, tal afirmação faz tábula rasa do art. 8º do RIR/1999, que traz o conceito Fl. 155DF CARF MF Processo nº 13811.000794/200611 Acórdão n.º 9202007.122 CSRFT2 Fl. 152 9 técnico de "declaração em conjunto", e neste não se inclui a declaração em que o cônjuge/companheiro figura apenas como dependente, e não como declarante/dependente. Diante do exposto, dou provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 156DF CARF MF
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