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Numero do processo: 36624.000805/2007-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Mar 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/1999 a 31/12/2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. DECADÊNCIA. COMPETÊNCIAS NÃO ABRANGIDAS PELO LANÇAMENTO FISCAL.
Acolhem-se os embargos declaratórios para corrigir o vício apontado, sem atribuir-lhes efeitos modificativos, para o fim de sanar a contradição no julgado. Retifica-se o ato decisório para extirpar o reconhecimento da decadência do crédito tributário, por abranger competências estranhas ao lançamento fiscal.
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. VÍCIOS. INEXISTÊNCIA.
Não se acolhem os embargos declaratórios quando inexistentes os demais vícios formais de julgamento apontados pela embargante.
Embargos Acolhidos em Parte.
Numero da decisão: 2401-004.598
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos declaratórios, para, no mérito, dar-lhes provimento parcial, sem efeitos infringentes, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Márcio de Lacerda Martins e Andréa Viana Arrais Egypto.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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IMUNIDADE/ISENÇÃO Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado ISCP SOCIEDADE EDUCACIONAL S.A. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/1999 a 31/12/2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. DECADÊNCIA. COMPETÊNCIAS NÃO ABRANGIDAS PELO LANÇAMENTO FISCAL. Acolhemse os embargos declaratórios para corrigir o vício apontado, sem atribuirlhes efeitos modificativos, para o fim de sanar a contradição no julgado. Retificase o ato decisório para extirpar o reconhecimento da decadência do crédito tributário, por abranger competências estranhas ao lançamento fiscal. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. VÍCIOS. INEXISTÊNCIA. Não se acolhem os embargos declaratórios quando inexistentes os demais vícios formais de julgamento apontados pela embargante. Embargos Acolhidos em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 36 62 4. 00 08 05 /2 00 7- 48 Fl. 601DF CARF MF Processo nº 36624.000805/200748 Acórdão n.º 2401004.598 S2C4T1 Fl. 602 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos declaratórios, para, no mérito, darlhes provimento parcial, sem efeitos infringentes, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Márcio de Lacerda Martins e Andréa Viana Arrais Egypto. Fl. 602DF CARF MF Processo nº 36624.000805/200748 Acórdão n.º 2401004.598 S2C4T1 Fl. 603 3 Relatório Cuidamse de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional, às fls. 532/543, contra o Acórdão nº 2401003.867, da relatoria do Conselheiro Igor Araújo Soares, o qual está juntado às fls. 515/530. 2. O crédito tributário diz respeito à Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) nº 37.014.2365, concernente ao período de 09/1999 a 09/2000 e 09/2003 a 12/2005, lavrada para a exigência de contribuições previdenciárias relativas à parte da empresa e às destinadas ao financiamento do Grau de Incidência de Incapacidade Laborativa Decorrente dos Riscos do Ambiente de Trabalho (GILRAT), além das contribuições devidas a terceiros. A ciência da NFLD ocorreu em 28/12/2006 (fls. 3/30) 3. Alega a embargante a existência de omissão e/ou contradição no v. acórdão, sob os seguintes fundamentos: (i) em relação às competências lançadas até 11/2001, consideradas extintas devido ao reconhecimento da decadência, o acordão recorrido deixou de pronunciarse sobre a existência de pagamento parcial para cada competência excluída do lançamento; (ii) houve falta de exame e pronunciamento do julgado acerca dos efeitos do Ato Cancelatório de Isenção nº 02/2007, emitido em virtude do não cumprimento dos requisitos previstos nos incisos III e V do art. 55 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991; e (iii) ausência de exame do disposto no § 3º do art. 11 da Lei nº 11.096, de 13 de janeiro de 2005, o qual, segundo a recorrente, prevê que o Certificado de Entidade de Assistência Social (Ceas) concedido pelo Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS), com base na legislação do Programa Universidade para Todos (Prouni), apenas possibilita a requisição pela pessoa jurídica de um novo pedido de isenção/imunidade junto ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e, caso deferido o pleito, o benefício fiscal passaria a produzir efeitos a contar da data da entrada em vigor da novel legislação, isto é, 10/9/2004. 4. Os autos digitais foram enviados à Procuradoria da Fazenda Nacional em 13/5/2015, que interpôs os embargos de declaração em 18/5/2015 (fls. 531 e 544). 5. Tendo em vista que o conselheiro relator originário não mais integra a Turma, o processo foi sorteado no âmbito da 1ª Turma da 4ª Câmara, na sessão de 13/4/2016, para análise da admissibilidade dos embargos. Fl. 603DF CARF MF Processo nº 36624.000805/200748 Acórdão n.º 2401004.598 S2C4T1 Fl. 604 4 6. Os aclaratórios foram admitidos por meio de despacho do presidente da Turma, Conselheira Miriam Denise Xavier Lazarini, cujo processo foi devolvido para relatoria e inclusão em pauta de julgamento (fls. 590/591) 7. Ressalto que consta manifestação do contribuinte a respeito dos embargos declaratórios opostos pela Fazenda Nacional. Em síntese, o interessado defende a correção do julgado proferido no âmbito do colegiado e requer a negativa de provimento ao recurso (fls. 556/570). É o relatório. Fl. 604DF CARF MF Processo nº 36624.000805/200748 Acórdão n.º 2401004.598 S2C4T1 Fl. 605 5 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator 8. Preenchidos os requisitos de admissibilidade dos embargos de declaração, passo ao exame de mérito (art. 65, § 1º, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015). 1 9. Antes, porém, novamente saliento que a minha designação como relator, por intermédio de sorteio, foi devida à circunstância de o relator originário não mais compor o colegiado. 9.1 À vista disso, incumbeme a emissão de opinião sobre a necessidade de saneamento do Acórdão nº 240103.867, submetendo as questões à apreciação da Turma. Tal juízo não implica, contudo, anuência ou discordância com os fundamentos e as conclusões da decisão embargada. 10. Pois bem. Para melhor explanação das razões de decidir, analisemos em separado os vícios apontados pela Fazenda Nacional: a) falta de análise por competência com relação aos pagamentos antecipados do período decadente; b) ausência de pronunciamento sobre o Ato Cancelatório de Isenção nº 02/2007; e c) omissão do colegiado no exame do conteúdo do art. 11, § 3º, da Lei nº 11.096, de 2005. a) Decadência 11. No que tange ao reconhecimento da decadência, até a competência 11/2001, a Fazenda Nacional alega omissão e/ou contradição no acórdão recorrido, dada a inexistência nos autos de qualquer comprovação acerca das competências em que os recolhimentos antecipados ocorreram. 11.1 Em outras palavras, tornase insuficiente apenas a indicação de forma genérica pelo acórdão embargado que a fiscalização, conforme o Termo de Encerramento da Auditoria Fiscal (TEAF), examinou os comprovantes de recolhimentos, na medida em que o documento de encerramento não lista as competências em que teria havido a antecipação parcial do pagamento. 1 Tempestividade, conforme §§ 3º, 5º e 6º do art. 7º da Portaria MF nº 527, de 9 de novembro de 2010. Fl. 605DF CARF MF Processo nº 36624.000805/200748 Acórdão n.º 2401004.598 S2C4T1 Fl. 606 6 12. Passo a análise do vício. Por ocasião da decisão de primeira instância, consubstanciada no Acórdão nº 1624.513, proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I, conforme fls. 332/351, foi reconhecida a decadência parcial do lançamento fiscal, com exclusão definitiva dos valores referentes às competências 09/1999 a 09/2000, com base no inciso I do art. 173 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, que veicula o Código Tributário Nacional (CTN). 12.1 O relatório do acórdão embargado assim resumiu o feito (fls. 519): (...) Sobreveio, então o julgamento de primeira instância, quando foram excluídos do lançamento as contribuições relativas às competências de 09/1999 a 09/2000, em razão do reconhecimento da decadência com base no art. 173, I, do CTN.. (...) 13. Por sua vez, em análise do recurso voluntário, o acórdão recorrido ampliou o período do lançamento alcançado pela decadência, considerando extintas as competências lançadas até 11/2001, agora com aplicação da regra do § 4º do art. 150 do CTN, tendo em conta a ciência do lançamento em 28/12/2006 (fls. 521/523). 14. Acontece que o período do crédito tributário objeto do lançamento fiscal, como antes mencionado, corresponde às competências 09/1999 a 09/2000 e 09/2003 a 12/2005 (fls. 14/18 e 58/61, da NFLD nº 37.014.2365). 14.1 De fato, o Conselheiro Igor Araújo Soares realça as competências do lançamento fiscal no seu relatório (fls. 517): (...) O lançamento compreende as competências de 09/1999 a 09/2000 e 09/2003 a 12/2005, tendo sido o contribuinte dele cientificado em 28/12/2006 (fls. 01). (...) 15. Uma vez que não houve interposição de recurso de ofício, dado que o valor exonerado não excedeu ao limite de alçada, restou para exame no recurso voluntário, exclusivamente, os fatos geradores a partir da competência 09/2003, constituindose a análise da ampliação da decadência até 11/2001, sob qualquer fundamento, uma matéria estranha à controvérsia instaurada pelo apelo recursal do contribuinte e desprovida de efeitos práticos ao caso em apreço. 16. Impõese, desse modo, considerar os declaratórios opostos pela Fazenda Nacional, nessa matéria específica, como recurso de saneamento e integração relativamente ao acórdão embargado, cujo propósito consiste na eliminação da contradição gerada pelo reconhecimento da decadência do crédito tributário, por ocasião da análise do recurso voluntário. 17. Nesse sentido, devem ser acolhidos os embargos declaratórios para restaurar a saúde formal do acórdão, desse modo: Fl. 606DF CARF MF Processo nº 36624.000805/200748 Acórdão n.º 2401004.598 S2C4T1 Fl. 607 7 (i) excluir o trecho específico do voto que analisou a decadência, no âmbito do recurso voluntário, o qual consta às fls. 521/523 dos autos; (ii) adequar a conclusão do voto do Conselheiro Igor Araújo Soares, compatibilizandoa com o inteiro teor do voto, mediante a adoção da redação abaixo (fls. 530): "Ante todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para julgar improcedente o lançamento nas competências remanescentes de 09/2003 a 12/2005." (iii) ajustar o dispositivo do acórdão embargado, conforme texto a seguir mencionado (fls. 516): "ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário." (iv) eliminar a ementa do julgado, na parte específica da decadência, abaixo reproduzida (fls. 515): "ISENÇÃO. ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. DECADÊNCIA. SÚMULA 08/STF. PRAZO DE 05 (CINCO) ANOS. SALÁRIO INDIRETO. HORAS EXTRAS. O prazo decadencial para o lançamento das contribuições previdenciárias é de 05 (cinco) anos. Em havendo recolhimentos parciais, há que ser aplicado, in casu, o disposto no art. 150, §4º do CTN. Incidência da Sumula CARF 99." 18. Cabe reafirmar que os embargos de declaração são acolhidos sem efeitos modificativos quanto ao resultado do julgamento, porquanto há manutenção da improcedência do crédito tributário objeto do lançamento fiscal, conforme decidido no Acórdão nº 2401 03.867. b) Ausência de pronunciamento sobre o Ato Cancelatório de Isenção nº 02/2007 19. Prossegue a Fazenda Nacional alegando que o acórdão embargado foi omisso acerca dos efeitos do Ato Cancelatório de Isenção nº 02/2007, retroativos a 1º de janeiro de 1998. 19.1 Para o órgão da União, o supracitado Ato Cancelatório havia deixado bastante claro que a entidade não cumprira todos os requisitos do art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991, independentemente da discussão se a entidade era possuidora ou não do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social. 19.2 Segundo ainda a embargante, a motivação do lançamento, conforme bem registrou a decisão de primeira instância, não se encontrava atrelada a determinado e específico Ato Cancelatório. Vale dizer, há necessidade de análise da isenção não só sob o prisma do Fl. 607DF CARF MF Processo nº 36624.000805/200748 Acórdão n.º 2401004.598 S2C4T1 Fl. 608 8 requisito do inciso II do art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991 (Ato Cancelatório nº 01/2005), mas também quanto ao atendimento das exigências enumeradas nos incisos III e V do citado artigo (Ato Cancelatório nº 02/2007). 20. Pois bem. Como se sabe, a oposição dos declaratórios tem cabimento limitado, somente para atacar vícios formais previamente tipificados na legislação. 21. A petição de embargos da Fazenda Nacional tem como pretensão um novo pronunciamento sobre matéria já analisada, com nítido propósito de rediscutir a questão de fundo decidida, por unanimidade, pelo colegiado. A toda a evidência, o inconformismo com os fundamentos adotados no julgamento no concernente à delimitação da acusação fiscal não significa a existência de omissão no acórdão. 22. O acórdão embargado é incisivo e unívoco quanto à matéria suscitada pela Fazenda Nacional, não havendo que se falar em omissão de pronúncia sobre questões que deveriam ser apreciadas pelo julgado. 23. Com efeito, o votocondutor do julgado manifestase de forma ostensiva que o lançamento fiscal decorreu tão somente da emissão do Ato Cancelatório nº 01/2005, tendo descumprido o contribuinte exclusivamente o disposto no inciso II do art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991. 23.1 Logo, tendo sido deferida a concessão do certificado para o período de 09/2000 a 09/2003, em face da Resolução CNAS nº 49/2005, não haveria, consoante entendimento acatado pela unanimidade dos conselheiros, como manter o lançamento relativamente a tal período. 23.2 De maneira análoga, também produziu efeitos para a improcedência do lançamento tributário a renovação do Certificado de Entidade de Assistência Social para o período de 09/2003 a 09/2006, por meio da Resolução CNAS nº 11/2009, datada de 9 de fevereiro de 2009. 24. Nesse sentido, reproduzo os correspondentes trechos do Acórdão nº 2401 03.867, ora combatido (fls. 523/530): MÉRITO Inicialmente, da análise detida dos autos do presente processo, a meu ver, fazse necessário esclarecer que o motivo único ensejador o presente lançamento foi o fato da recorrente não ser portadora do CEBAS. E faço tal afirmação em razão das alegações de recurso, bem como das informações constantes no relatório fiscal complementar no sentido de que durante a presente fiscalização, fora emitida nova informação fiscal, através da qual verificouse o descumprimento de outros dois incisos do art. 55 da Lei 8.212/91, agora, o III e IV. Referida informação (descumprimento dos incisos III e IV) sequer constou no relatório fiscal original, de sorte que somente veio aos autos, quando da elaboração do novo relatório. Fl. 608DF CARF MF Processo nº 36624.000805/200748 Acórdão n.º 2401004.598 S2C4T1 Fl. 609 9 E no relatório fiscal complementar, assim se manifestou a fiscalização ao apontar a motivação que justificou o lançamento: 2. O levantamento foi realizado em virtude do Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais no. 01/2005, emitido em 23/03/2005, nos autos do Processo n°. 35462.02444/200469, em virtude do não cumprimento do requisito previsto no inciso II, do art. 55, da Lei n°. 8.212/91 (ausência do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social). 3. Para esclarecer a razão da constituição do crédito e do Ato Cancelatório, um breve histórico da instituição. Somente quando do breve histórico é que houve o apontamento da lavratura da nova informação fiscal para cassação da isenção da recorrente. Contudo, mesmo que no relatório conste referida informação, resta claro que os apontados descumprimentos dos incisos III e IV do art. 55 da Lei 8.212/91 não foram adotados, em nenhum momento, como a razão da constituição do crédito tributário objeto do presente processo. Dessa forma, passo a analisar os demais fundamentos de recurso. Da renovação do certificado no período de 09/2000 a 09/2003 Conforme já relatado, o presente lançamento decorreu tão somente da emissão do Ato Cancelatório n. 01/2005, através do qual se apurou que a ora recorrente não era possuidora do CEAS a partir do ano de 1998, tendo descumprido, portanto, aquilo o que disposto no art. 55, II, da Lei 8.212/91, não lhe sendo reconhecido, portanto, o direito de usufruir da isenção das contribuições patronais a cargo das entidades beneficentes de assistência social. (...) Defende [a recorrente], sobre este aspecto, ter o fiscal autuante incorrido em erro, na medida em que, inobstante as conclusões do Ato Cancelatório n. 01/2005, teve o restabelecimento do seu CEAS pela adesão ao PROUNI, nos termos do artigo 11, parágrafo 2º, da Lei n. 11.096, de 13 de janeiro de 2005 para o período de 18/09/2000 a 17/09/2003 (processo 71010.000437/2005095). (...) Percebese, pois, que a legislação supra permitiu ao contribuinte que teve o seu pedido de renovação do CEAS indeferido pelo não atendimento do percentual mínimo de gratuidade exigido pela legislação, que requeresse a concessão de novo certificado, a partir do momento de sua adesão as regras do PROUNI (Lei 11.096/05), para, então, posteriormente viesse a requerer a isenção das contribuições ao Ministério da Previdência. Fl. 609DF CARF MF Processo nº 36624.000805/200748 Acórdão n.º 2401004.598 S2C4T1 Fl. 610 10 E em razão da promulgação de referida legislação, assim o fez a recorrente, lhe tendo sido deferida a expedição do CEAS para o período de 09/2000 a 09/2003 pela Resolução n. 49/2005 do CNAS, conforme se percebe da informação do fiscal autuante constante no relatório fiscal complementar, verbis: (...) Ou seja, diante de tais informações, vislumbro que antes mesmo da formalização do presente Auto de Infração (algo em torno de um ano e meio antes de tal evento) a recorrente já possuía em seu favor o Certificado de Entidade de Assistência Social – CEAS, devidamente válido para o período em questão. E a concessão do CEAS resta comprovada, também, pela certidão concedida à parte pelo CNAS, cujo teor transcrevo a seguir: (...) Ou seja, tendo em vista que a motivação adotada para o lançamento fora exclusivamente a de que a recorrente não era portadora do CEAS, sem que qualquer outra tenha sido considerada pelo fiscal autuante, não vejo como considerar que tenha a mesma descumprido o disposto no art. 55, II, da Lei 8.212/91. Se a questão central do presente processo é saber se a recorrente possuía ou não o CEAS, de modo a que possa ou não usufruir da isenção da cota patronal, esta fica esclarecida, a meu ver, em face da Resolução CNAS n. 49/2005, que deferiu de forma expressa a concessão do certificado para o período de 09/2000 a 09/2003. Logo, não vejo como manter o lançamento relativamente a tal período. Da renovação do certificado no período de 2003 a 2006. Outro ponto que necessariamente deve ser analisado por esta Turma referese aos argumentos da recorrente no sentido de que também era possuidora do CEAS válido para o triênio posterior ao período de 09/2003. (...) E diante de tal preceito legal, aponta a recorrente que em fevereiro de 2009 fora publicada a Resolução CNAS n. 11/09, deferindolhe a renovação do CEAS para o período de 09/2003 a 09/2006, cujo teor segue transcrito: (...) Em face de tais constatações, vejo, mais uma vez, que o fundamento adotado pela fiscalização para levar a efeito o lançamento das contribuições previdenciárias não se sustenta, na medida em que a condição de não possuidora do CEAS não mais se verifica, pois sua renovação fora deferida em decorrência de autorização legal expressa. (...) Fl. 610DF CARF MF Processo nº 36624.000805/200748 Acórdão n.º 2401004.598 S2C4T1 Fl. 611 11 Assim, do mesmo modo que para o período de 09/2000 a 09/2003, entendo que a recorrente possui certificado válido para o período de 09/2003 a 09/2006, motivo pelo qual, a meu ver, resta insustentável o lançamento efetuado. Em face do entendimento supra abarcar a totalidade do período objeto do presente lançamento, tenho por prejudicados os demais argumentos trazidos no recurso voluntário. (...) 25. Como consequência, descabe acolher o vício de omissão apontado pela Fazenda Nacional. c) Falta de exame da norma jurídica contida no art. 11, § 3º, da Lei nº 11.096, de 2005 26. Nesse ponto, a Fazenda Nacional sustenta que o acórdão embargado centralizou a sua atenção no § 2º do art. 11 da Lei nº 11.096, de 2005, deixando de apreciar, por outro lado, o disposto no § 3º do mesmo artigo, preceptivo essencial ao deslinde da controvérsia trazida a debate nos autos. 26.1 Para compreensão da legislação questionada, transcrevo abaixo o inteiro teor do art. 11 da Lei nº 11.096, de 2005: Art. 11. As entidades beneficentes de assistência social que atuem no ensino superior poderão, mediante assinatura de termo de adesão no Ministério da Educação, adotar as regras do Prouni, contidas nesta Lei, para seleção dos estudantes beneficiados com bolsas integrais e bolsas parciais de 50% (cinqüenta por cento) ou de 25% (vinte e cinco por cento), em especial as regras previstas no art. 3º e no inciso II do caput e §§ 1º e 2º do art. 7º desta Lei, comprometendose, pelo prazo de vigência do termo de adesão, limitado a 10 (dez) anos, renovável por iguais períodos, e respeitado o disposto no art. 10 desta Lei, ao atendimento das seguintes condições: I oferecer 20% (vinte por cento), em gratuidade, de sua receita anual efetivamente recebida nos termos da Lei nº 9.870, de 23 de novembro de 1999, ficando dispensadas do cumprimento da exigência do § 1º do art. 10 desta Lei, desde que sejam respeitadas, quando couber, as normas que disciplinam a atuação das entidades beneficentes de assistência social na área da saúde; (Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) II para cumprimento do disposto no inciso I do caput deste artigo, a instituição: (Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) a) deverá oferecer, no mínimo, 1 (uma) bolsa de estudo integral a estudante de curso de graduação ou seqüencial de formação específica, sem diploma de curso superior, enquadrado no § 1º do art. 1º desta Lei, para cada 9 (nove) estudantes pagantes de curso de graduação ou seqüencial de formação específica regulares da instituição, matriculados em cursos efetivamente Fl. 611DF CARF MF Processo nº 36624.000805/200748 Acórdão n.º 2401004.598 S2C4T1 Fl. 612 12 instalados, observado o disposto nos §§ 3º, 4º e 5º do art. 10 desta Lei; (Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) b) poderá contabilizar os valores gastos em bolsas integrais e parciais de 50% (cinqüenta por cento) ou de 25% (vinte e cinco por cento), destinadas a estudantes enquadrados no § 2º do art. 1º desta Lei, e o montante direcionado para a assistência social em programas não decorrentes de obrigações curriculares de ensino e pesquisa; (Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) III gozar do benefício previsto no § 3o do art. 7o desta Lei. § 1º Compete ao Ministério da Educação verificar e informar aos demais órgãos interessados a situação da entidade em relação ao cumprimento das exigências do Prouni, sem prejuízo das competências da Secretaria da Receita Federal e do Ministério da Previdência Social. § 2º As entidades beneficentes de assistência social que tiveram seus pedidos de renovação de Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social indeferidos, nos 2 (dois) últimos triênios, unicamente por não atenderem ao percentual mínimo de gratuidade exigido, que adotarem as regras do Prouni, nos termos desta Lei, poderão, até 60 (sessenta) dias após a data de publicação desta Lei, requerer ao Conselho Nacional de Assistência Social CNAS a concessão de novo Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social e, posteriormente, requerer ao Ministério da Previdência Social a isenção das contribuições de que trata o art. 55 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. § 3º O Ministério da Previdência Social decidirá sobre o pedido de isenção da entidade que obtiver o Certificado na forma do caput deste artigo com efeitos a partir da edição da Medida Provisória nº 213, de 10 de setembro de 2004, cabendo à entidade comprovar ao Ministério da Previdência Social o efetivo cumprimento das obrigações assumidas, até o último dia do mês de abril subseqüente a cada um dos 3 (três) próximos exercícios fiscais. § 4º Na hipótese de o CNAS não decidir sobre o pedido até o dia 31 de março de 2005, a entidade poderá formular ao Ministério da Previdência Social o pedido de isenção, independentemente do pronunciamento do CNAS, mediante apresentação de cópia do requerimento encaminhando a este e do respectivo protocolo de recebimento. § 5º Aplicase, no que couber, ao pedido de isenção de que trata este artigo o disposto no art. 55 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. (GRIFEI) 27. Diz a embargante que, conquanto tenha havido o deferimento do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, referente ao período de 09/2000 a 09/2003, pela Resolução nº 49/2005 do CNAS, a falta de pronunciamento sobre o § 3º acarretou omissão no Fl. 612DF CARF MF Processo nº 36624.000805/200748 Acórdão n.º 2401004.598 S2C4T1 Fl. 613 13 julgado, porque a concessão do documento com base no art. 11 da Lei nº 11.096, de 2005, apenas tinha o condão de viabilizar um novo pedido de isenção junto ao INSS, a qual, se deferida, produziria efeitos a partir de 10/9/2004. 28. Outra vez pretende a Fazenda Nacional a rediscussão de questão devidamente examinada e decidida no acórdão embargado. O eventual equívoco na interpretação da legislação pelo julgador que pode levar ao erro de julgamento, ao qual faço alusão tão somente para possibilitar o desenvolvimento do meu ponto de vista, não configura hipótese capaz de ser corrigida por meio dos embargos de declaração. 29. Como já afirmado alhures, na visão do relator originário a motivação adotada para o lançamento fora exclusivamente a falta do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social. 30. Tendo em conta o raciocínio esquadrinhado pelo relator originário, entendo não haver vazio na fundamentação utilizada no acórdão recorrido, dispensandose, à vista disso, a necessidade de complementação da decisão pelo exame da aplicação ao caso concreto da norma jurídica contida no § 3º do art. 11 da Lei nº 11.096, de 2005, conforme defende a Fazenda Nacional. 31. Sublinho que o julgador "ad quem" não está obrigado a enfrentar e/ou refutar todos os fundamentos do acórdão de primeira instância que deram esteio à manutenção da autuação fiscal. O decisório recorrido apreciou, de modo fundamentado, as questões relevantes trazidas ao debate pelas partes, com base nos fatos e no direito que entendeu aplicável à questão controvertida. 32. Mais uma vez, portanto, cabe rejeitar a alegação de omissão no acórdão suscitada pela embargante. Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER dos embargos declaratórios e, no mérito, DARLHES PARCIAL PROVIMENTO para sanar a omissão/contradição existente no Acórdão nº 240103.867. Acolhemse os aclaratórios, sem efeitos modificativos quanto ao resultado do julgamento que deu provimento ao recurso voluntário do contribuinte, para tão somente proporcionar o saneamento e a integração do acórdão embargado na parte referente à decadência das contribuições previdenciárias: (i) excluir o trecho específico do voto que analisou a decadência, no âmbito do recurso voluntário, o qual consta às fls. 521/523 dos autos; (ii) adequar a conclusão do voto do Conselheiro Igor Araújo Soares, compatibilizandoa com o inteiro teor do voto, mediante a adoção da redação abaixo (fls. 530): "Ante todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para julgar Fl. 613DF CARF MF Processo nº 36624.000805/200748 Acórdão n.º 2401004.598 S2C4T1 Fl. 614 14 improcedente o lançamento nas competências remanescentes de 09/2003 a 12/2005." (iii) ajustar o dispositivo do acórdão embargado, conforme texto a seguir mencionado (fls. 516): "ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário." (iv) eliminar a ementa do julgado, na parte específica da decadência, abaixo reproduzida (fls. 515): "ISENÇÃO. ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. DECADÊNCIA. SÚMULA 08/STF. PRAZO DE 05 (CINCO) ANOS. SALÁRIO INDIRETO. HORAS EXTRAS. O prazo decadencial para o lançamento das contribuições previdenciárias é de 05 (cinco) anos. Em havendo recolhimentos parciais, há que ser aplicado, in casu, o disposto no art. 150, §4º do CTN. Incidência da Sumula CARF 99." É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess. Fl. 614DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16004.720068/2014-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2013
PROCESSO JUDICIAL E PROCESSO ADMINISTRATIVO. CONCOMITÂNCIA.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo (Súmula CARF nº 1).
PROCESSO JUDICIAL E PROCESSO ADMINISTRATIVO. IDENTIDADE DE OBJETO. INTELIGÊNCIA DA SÚMULA CARF nº 1.
Somente se verifica identidade de objeto quando as demandas judiciais e administrativas ostentem as mesmas partes, a mesma causa de pedir (fundamentos de fato - ou causa de pedir remota - e de direito - ou causa de pedir próxima) e o mesmo pedido (postulação incidente sobre o bem da vida). Interpretação sistêmica da Súmula CARF nº 1.
MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO. COMPROVAÇÃO DA CONDUTA DO SUJEITO PASSIVO. NECESSIDADE.
As condutas que justificam a imposição de multa de ofício qualificada estão elencadas nos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/64, sendo dever do Fisco comprová-las para a aplicação da alíquota majorada.
Numero da decisão: 2201-003.488
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer parcialmente o recurso voluntário e na parte conhecida dar provimento parcial para afastar a qualificadora da multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%. Vencidos os conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim (Relator) e José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira.
Assinado digitalmente
CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente.
Assinado digitalmente
RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM - Relator.
Assinado digitalmente
CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Redator designado.
EDITADO EM: 12/04/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Daniel Melo Mendes Bezerra, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado), Marcelo Milton da Silva Risso e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim
Nome do relator: RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
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FUNRURAL Recorrente FRIGORIFICO COFERCARNES LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2013 PROCESSO JUDICIAL E PROCESSO ADMINISTRATIVO. CONCOMITÂNCIA. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo (Súmula CARF nº 1). PROCESSO JUDICIAL E PROCESSO ADMINISTRATIVO. IDENTIDADE DE OBJETO. INTELIGÊNCIA DA SÚMULA CARF nº 1. Somente se verifica identidade de objeto quando as demandas judiciais e administrativas ostentem as mesmas partes, a mesma causa de pedir (fundamentos de fato ou causa de pedir remota e de direito ou causa de pedir próxima) e o mesmo pedido (postulação incidente sobre o bem da vida). Interpretação sistêmica da Súmula CARF nº 1. MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO. COMPROVAÇÃO DA CONDUTA DO SUJEITO PASSIVO. NECESSIDADE. As condutas que justificam a imposição de multa de ofício qualificada estão elencadas nos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/64, sendo dever do Fisco comproválas para a aplicação da alíquota majorada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer parcialmente o recurso voluntário e na parte conhecida dar provimento parcial para afastar a qualificadora da multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%. Vencidos os conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 72 00 68 /2 01 4- 12 Fl. 1613DF CARF MF Processo nº 16004.720068/201412 Acórdão n.º 2201003.488 S2C2T1 Fl. 1.614 2 Amorim (Relator) e José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira. Assinado digitalmente CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Presidente. Assinado digitalmente RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM Relator. Assinado digitalmente CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Redator designado. EDITADO EM: 12/04/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Daniel Melo Mendes Bezerra, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado), Marcelo Milton da Silva Risso e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relatório Cuidase de Recurso Voluntário de fls. 1.565/1.595, interposto contra decisão da DRJ em Ribeirão Preto/SP, de fls. 1.543/1.549, que julgou improcedente a impugnação apresentada pela RECORRENTE, mantendo o lançamento de Contribuições Previdenciárias de fls. 1.392/1.421 dos autos, lavrado em 31/03/2014, relativo aos anoscalendário 2012 e 2013 (fatos geradores ocorridos no período entre 01/01/2012 e 31/12/2013), com ciência da RECORRENTE em 14/04/2014 (fl. 1.500). As Contribuições Previdenciárias foram lançadas com fundamento nos arts. 25 e 30, IV, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei n° 10.256/2001, e são decorrentes da comercialização da produção do produtor rural pessoa física empregador e do segurado especial, cujas retenção e recolhimento estão a cargo da RECORRENTE, por se tratar da pessoa jurídica adquirente dessa produção, em decorrência da subrogação prevista em Lei. Assim, foram lavrados dois autos de infração (ambos objeto do presente processo), quais sejam: (i) Debcad 51.025.1650, relativo às contribuições devidas pelo produtor rural pessoa física, na alíquota de 2%, bem como a alíquota RAT de 0,1%, ambas incidentes sobre a comercialização da sua produção, cujo recolhimento está a cargo da RECORRENTE na condição de adquirente, em virtude da subrogação prevista no art. 30, IV da Lei n° 8.212/91 (FUNRURAL); e Fl. 1614DF CARF MF Processo nº 16004.720068/201412 Acórdão n.º 2201003.488 S2C2T1 Fl. 1.615 3 (ii) Debcad 51.025.1668, relativo à contribuição ao SENAR, na alíquota de 0,2%, conforme art. 6º da Lei nº 9.528/97, incidente sobre os mesmos fatos geradores objeto do Debcad 51.025.1650 O crédito tributário objeto do presente processo administrativo foi apurado no valor total de R$ 4.211.356,10, já inclusos juros de mora (até o mês da lavratura) e a correspondente multa de ofício qualificada no percentual de 150%. Conforme o Termo de Constatação e Descrição dos Fatos (fls. 1.422/1.428), as contribuições lançadas “são decorrentes da comercialização de produto rural (compra de gado) adquirido de produtores rurais pessoas físicas”. Neste sentido, mediante análise das informações constantes em livros e registros contábeis da empresa RECORRENTE, a fiscalização elaborou planilha contendo o valor de todas as notas fiscais de aquisição (fls. 1.429/1.495) e apurou, mensalmente, a base de cálculo das referidas contribuições. Válido mencionar que a autoridade fiscal afirma no Termo de Constatação e Descrição dos Fatos o fato de a RECORRENTE ter fornecido informações acerca do mandado de segurança nº 000583372.2012.4.03.6106, cujo objeto é o não recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre o valor de aquisição dos produtos rurais. Ainda de acordo com a fiscalização, a RECORRENTE informou que não foi concedida liminar, assim como houve a interposição de recurso ao TRF da 3ª Região (pendente de julgamento) em face da sentença que denegou a segurança. Ainda de acordo com o Termo de Constatação e Descrição dos Fatos, a autoridade lançadora decidiu aplicar a multa qualificada de 150%, cuja motivação foi “a forma sistemática e reiterada do procedimento adotado pelo contribuinte, que no período de 01/2012 a 23/2013 deixou de informe em GFIP a comercialização de produto rural adquirido de produtor rural pessoa física, com o único intuito, em tese, de sonegar, através de ato voluntário e consciente”. A fiscalização entendeu que tal postura da RECORRENTE enquadra se na situação prevista no art. 71 da Lei nº 4.502/64 (sonegação), o que impõe a qualificação da multa, nos termos do art. 44, §1º, da Lei nº 9.430/96. Consequentemente, foi emitida Representação Fiscal para Fins Penais (processo nº 16004.720089/201438, anexo aos presentes autos). DA IMPUGNAÇÃO A RECORRENTE apresentou, tempestivamente, a Impugnação de fls. 1.503/1.530, por meio da qual alegou, em síntese: que o STF decidiu, por meio do RE 363852, que seria inconstitucional a exigência da contribuição dos empregadores rurais por subrogação, prevista no art. 30, IV, da Lei nº 8.212/91; a Lei nº 10.256/2001 (após a EC 20/98), a despeito de ter dado nova redação do art. 25 da Lei nº 8.212/91, não revigorou os efeitos da subrogação, declarada inconstitucional. Assim, no seu entendimento, caso devida a contribuição ao FUNRURAL, o seu recolhimento ficaria a cargo do próprio produtor rural, pois não mais existe a obrigatoriedade da empresa adquirente em reter e recolher as respectivas contribuições por sub rogação; Fl. 1615DF CARF MF Processo nº 16004.720068/201412 Acórdão n.º 2201003.488 S2C2T1 Fl. 1.616 4 alegou que a contribuição ao FUNRURAL e ao SENAR prevalecem somente em relação aos segurados especiais, sendo certo que os empregadores rurais – pessoas físicas e jurídicas – continuam desonerados dessa contribuição; discorreu sobre a inconstitucionalidade da incidência da contribuição sobre o resultado da comercialização do empregador rural pessoa física, o que difere da expressão “faturamento” prevista no art. 195, I, da CF. Tal forma de exigência somente se aplica aos segurados especiais definidos no §8º do art. 195 da CF. Assim, afirmou que o segurado especial não se enquadra no perfil dos seus fornecedores de gado. defendeu a tese de que a Lei nº 10.256/2001 não dá direito à cobrança da contribuição ao FUNRURAL, visto que apenas deu nova redação ao caput do art. 25 da Lei nº 8.212/91 (dispositivo que contém apenas os sujeitos da obrigação tributária), nada dispondo acerca dos incisos I e II, que também foram declarados inconstitucionais pelo STF e que dispõem acerca da alíquota e da base de cálculo da contribuição. a fim de sustentar sua tese, cita diversas decisões proferidas em processos judiciais. DA DECISÃO DA DRJ A DRJ de origem julgou procedente o lançamento, através de acórdão com a seguinte ementa (fls. 1.543/1.549): “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2013 PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. SEGURADO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÃO SOBRE A RECEITA BRUTA DA COMERCIALIZAÇÃO DE SUA PRODUÇÃO RURAL. SUBROGAÇÃO DA PESSOA JURÍDICA ADQUIRENTE. São devidas pelo produtor rural pessoa física empregador e pelo segurado especial, as contribuições incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção rural, ficando a pessoa jurídica adquirente responsável pela retenção e recolhimento dessas contribuições em virtude da subrogação prevista no artigo 30, IV da Lei n° 8.212. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGÜIÇÃO. AFASTAMENTO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE. INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. A instância administrativa é incompetente para afastar a aplicação da legislação vigente em decorrência da argüição de sua inconstitucionalidade ou ilegalidade. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Fl. 1616DF CARF MF Processo nº 16004.720068/201412 Acórdão n.º 2201003.488 S2C2T1 Fl. 1.617 5 Nas razões do voto do referido julgamento, a autoridade julgadora rebateu, uma a uma, as alegações da RECORRENTE, e findou por julgar procedente o lançamento, mantendo a exigência do crédito tributário. DO RECURSO VOLUNTÁRIO A RECORRENTE foi intimada da decisão da DRJ em 06/02/2015, conforme AR de fl. 1.564, e apresentou o recurso voluntário de fls. 1.565/1.595, postado via Correios em 10/03/2015 (fl. 1.602). Em suas razões de recurso, a RECORRENTE reiterou as razões de sua impugnação. Ademais, afirmou que obteve decisão judicial favorável por meio da Ação Declaratória de Inexistência de Relação Jurídica nº 000154572.2013.8.26.0189, movida em face da União pela indevida exigência de contribuição ao FUNRURAL por subrogação. Alegou que, a despeito da tutela ter sido indeferida (o que motivou a lavratura do auto de infração), foi proferida sentença favorável em 18/06/2014, cuja cópia encontrase acostada às fls. 1.596/1.600. Posteriormente, foram apresentados recursos recebidos nos efeitos suspensivo/devolutivo (fl. 1.601). Com isso, requereu a nulidade da autuação ou, subsidiariamente, a suspensão do presente processo até final decisão do Poder Judiciário. Este recurso voluntário compôs lote, sorteado para este relator, em Sessão Pública. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. Observo que tanto a RECORRENTE como a autoridade fiscal apontam para a existência de processos judiciais, movidos pela RECORRENTE, com identidade de partes e objeto em relação ao presente processo administrativo. No Termo de Constatação e Descrição dos Fatos, a autoridade fiscal afirma ter conhecimento do Mandado de Segurança nº 000583372.2012.4.03.6106, impetrado pela RECORRENTE perante a 1ª vara Federal em São José do Rio Preto/SP e que “visava o não recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre o valor de aquisição dos produtos rurais”. Ainda de acordo com a fiscalização, a RECORRENTE informou que não foi concedida liminar, assim como houve a interposição de recurso ao TRF da 3ª Região (pendente de julgamento) em face da sentença que denegou a segurança (vide fls. 1.422/1.423). Fl. 1617DF CARF MF Processo nº 16004.720068/201412 Acórdão n.º 2201003.488 S2C2T1 Fl. 1.618 6 Agora, no Recurso Voluntário, a RECORRENTE alega a existência de Ação Declaratória de Inexistência de Relação Jurídica nº 000154572.2013.8.26.0189, movida em face da União “pela indevida exigência de contribuição ao FUNRURAL por subrogação, da inexistência da obrigatoriedade de recolher por subrogação, e declaração de inconstitucionalidade do art. 1º da lei nº 8.540/92, inc. IV, da Lei nº 8.212/91” (vide fl. 1.569). Continuou afirmando que a tutela antecipada foi indeferida e que, por esta razão, foi efetuado o presente lançamento. No entanto, houve sentença favorável proferida em 18/06/2014 e que, por esta razão, deveria ser anulada a presente autuação ou suspenso o curso do processo. A RECORRENTE, em seu Recurso Voluntário, reconhece expressamente que a Ação Ordinária por ela ajuizada possui o mesmo objeto de fundo do caso em análise. Em pesquisa realizada nos sites do TJSP e da JFSP, constatei que ambas as ações se encontram, atualmente, no Tribunal Regional Federal da 3ª Região. O Mandado de Segurança, impetrado pela RECORRENTE em 28/08/2012, foi inicialmente distribuído para a 1ª Vara Federal em São José do Rio Preto/SP. Posteriormente, foi remetido ao Tribunal Regional Federal da 3ª Região para apreciação do Recurso de Apelação interposto pela RECORRENTE. Da leitura do relatório da sentença proferida em 1º grau, bem como do acórdão proferido pelo Egrégio Tribunal, percebese que a matéria de fundo discutida na referida ação judicial possui o mesmo objeto principal do presente lançamento, bem como da matéria de defesa apresentada pela RECORRENTE conforme trechos abaixo transcritos: Sentença de primeiro grau “SENTENÇA 1. Relatório. Frigorífico Cofercarnes Ltda., empresa qualificada na inicial, impetrou o presente mandado de segurança, com requerimento de concessão de liminar, contra o Delegado da Receita Federal do Brasil de São José do Rio Preto, visando livrarse da obrigação de retenção da contribuição prevista no artigo 25, I e II, da Lei 8.212/91, por subrogação, quando adquire bovinos para abate (produção rural) de seus fornecedores, empregadores rurais, pessoas físicas, determinando à autoridade coatora que se abstenha de quaisquer atos tendentes a exigir o pagamento da contribuição social atacada ou sua inscrição em dívida ativa até que seja definitivamente julgado este processo. (...) Esclareceu que, ultimada essa operação circulatória, a impetrante fica obrigada a reter e recolher, ou, ainda que não retendo, fica obrigada a recolher por subrogação a contribuição social FUNRURAL, de 2,1%, destinada à seguridade social, prevista em lei ordinária, incidente sobre a receita bruta resultante da comercialização de produtos rurais pelos seus fornecedores. Sustentase que a contribuição é inconstitucional, por haver criação de nova fonte de custeio sem lei complementar, além de ofender o princípio da isonomia e incorrer em bis in idem. Por fim, pedese a declaração de Fl. 1618DF CARF MF Processo nº 16004.720068/201412 Acórdão n.º 2201003.488 S2C2T1 Fl. 1.619 7 inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, V e VII, 25, I e II, e 30, IV, da Lei 8.212/91, com redação atualizada pelas Leis nº 9.528/97 e 10.256/2001, de modo a desobrigála da retenção e recolhimento da contribuição incidente sobre as aquisições de empregadores rurais. (...)” Acórdão proferido pelo TRF3 “RELATÓRIO O SENHOR DESEMBARGADOR FEDERAL NINO TOLDO (Relator): Tratase de apelação interposta por FRIGORÍFICO COFERCARNES LTDA. em face de sentença proferida pela 1ª Vara Federal da Subseção Judiciária de São José do Rio Preto/SP que, em mandado de segurança, denegou a ordem em que a impetrante visava afastar a obrigação de retenção da contribuição prevista no art. 25, I e II, da Lei nº 8.212/91, por subrogação, quando adquire bovinos para abate (produção rural) de seus fornecedores, empregadores rurais, pessoas físicas. Sem condenação em honorários advocatícios. Custas na forma da lei. Em suas razões, alega a parte impetrante a inconstitucionalidade do art. 30, IV, da Lei nº 8.212/91, bem como quem deve a contribuição é o produtor rural e não a empresa adquirente. Alega, ainda que a Lei nº 10.256/91 não renovou a obrigatoriedade do recolhimento, se a contribuição restar devida, ser recolhida pelo próprio produtor rural. (...)” O acórdão proferido pelo TRF3 na ocasião possui a seguinte ementa: “CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. "FUNRURAL". MANDADO DE SEGURANÇA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE ART. 22A, I E II DA LEI Nº 8.212/91. NOS MOLDES DA LEI Nº 10.256/2001. EMPRESA ADQUIRENTE DE PRODUÇÃO RURAL. ART. 30. IMPROCEDÊNCIA DA DEMANDA. 1. O Supremo Tribunal Federal, ao apreciar o Recurso Extraordinário nº 363.852/MG, em 03.02.2010, decidiu pela inconstitucionalidade da alteração promovida pelo art. 1º da Lei nº 8.540/92, por infringência ao § 4º do art. 195 da Constituição Federal. 2. Apenas com a promulgação da Emenda nº 20/1998, que deu nova redação ao art. 195, foi criada nova fonte de custeio da Seguridade Social. A Lei nº 10.256/2001, por sua vez, dando nova redação ao art. 25 da Lei nº 8.870/94, previu que a contribuição do empregador rural incidiria sobre a receita bruta. A partir de então, a exigência da contribuição tornouse constitucional. 3. Portanto, a pretensão da parte impetrante é improcedente. Fl. 1619DF CARF MF Processo nº 16004.720068/201412 Acórdão n.º 2201003.488 S2C2T1 Fl. 1.620 8 4. Por fim, observase que nos termos do artigo 30, III, da Lei n° 8.212/91, com a redação da Lei n° 11.933/2009, cabe à empresa adquirente, consumidora ou consignatária e à cooperativa a obrigação de recolher a contribuição de que trata o artigo 25, da Lei n° 8.212/91 até o dia 20 do mês subsequente ao da operação de venda ou consignação da produção. 5. Apelação improvida.” Referido mandado de segurança está, desde 02/12/2015, sobrestado por decisão da vicepresidência do TRF3, aguardando o julgamento do RE 718.874/RS pelo STF: Importante destacar também que em 19/02/2013, a RECORRENTE ajuizou a Ação Declaratória de Inexistência de Relação Jurídica nº 000154572.2013.8.26.0189 perante a 2ª Vara Cível Fernandópolis/SP. Conforme informado pela própria RECORRENTE no Recurso Voluntário, houve sentença favorável à sua pretensão (fls. 1.596/1.600). Analisando referida sentença, constatase que a matéria da referida ação (dentre tantas outras) é inexistência da obrigatoriedade de recolher a contribuição ao Funrural por subrogação: “Tratase de Ação Declaratória de Inexistência de Relação Jurídica, com Pedido de Tutela Antecipada proposta por Frigorífico Cofercarnes Ltda., em face da União Fazenda Nacional, alegando a indevida inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, da inconstitucionalidade da Lei n. 9.718/1998, do cálculo por dentro ou por fora do IPI e/ou ICMS, da inexistência de norma obrigando a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/COFINS, do direito ao crédito de insumos nas contribuições para o PIS e a COFINS não cumulativas, da indevida incidência de PIS sobre receita percebida sobre prestação de serviços, direito ao crédito quando da aquisição de veículos e maquinário destinados ao ativo fixo, do direito ao crédito PIS/COFINS sobre bens para revenda, do direito ao crédito presumido PIS/COFINS sobre atividade agroindustrial, da indevida incidência de tributos sobre verbas indenizatórias, do aviso prévio e décimo terceiro indenizado, da indevida exigência de contribuição ao Funrural por subrogação, da inexistência da obrigatoriedade de recolher por subrogação, Fl. 1620DF CARF MF Processo nº 16004.720068/201412 Acórdão n.º 2201003.488 S2C2T1 Fl. 1.621 9 da declaração de inconstitucionalidade do Artigo 1º da Lei n. 8.540/92, inciso IV, da Lei n. 8.212/91. Dá à causa o valor de R$ 210.000,00.” Conforme fundamentação da sentença, proferida em 18/06/2014, a autoridade julgadora entendeu, com base na decisão do STF (RE 363.852/MG) pela inconstitucionalidade da contribuição do FUNRURAL exigida com base no art. 25 da Lei nº 8.540/1991, com sua redação atualizada pelas Leis nº 9.528/1997, nº 8.540/1991 e nº 10.256/2001: 8) Com relação a declaração de inconstitucionalidade da contribuição social (FUNRURAL) exigida com base no Artigo 25 de Lei n. 8.212/91, com sua redação atualizada pelas Leis n. 9.528/1997, n. 8.540/1991 e n. 10.256/2001, o Supremo Tribunal Federal a declarou inconstitucional, desobrigando os recorrentes da retenção e do recolhimento da contribuição social ou do seu recolhimento por subrrogação sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovinos para abate (RE n. 363.852/MG, Rel. Min Marco Aurélio, j. em 32 2010). Outrossim, deve ser o Requerente desobrigado do pagamento da contribuição social (FUNRURAL) nos termos acima explanados. Após a interposição dos recursos, referido processo foi enviado ao TRF3 onde permanece concluso ao Desembargador Relator: Entendo que a propositura de ação judicial com mesmo objeto do processo administrativo importa em renúncia à instância administrativa, nos termos da Súmula nº 01 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. O processo administrativo fiscal não encara a concomitância de caso judicial e administrativo como conexão de feitos, razão pela qual não há que se falar em sobrestamento desse último, como requereu a RECORRENTE. Conforme acima apresentado, em pesquisa nos sites do TJSP, da JFSP e do TRF3, é possível verificar que a RECORRENTE ajuizou ações com o mesmo objeto do lançamento ora analisado (inconstitucionalidade da subrogação prevista no art. 30, IV, da Lei nº 8.212/91, para retenção e recolhimento das contribuições incidentes sobre a aquisição de bovinos para abate de seus fornecedores, empregadores rurais pessoas físicas). Ambas as ações Fl. 1621DF CARF MF Processo nº 16004.720068/201412 Acórdão n.º 2201003.488 S2C2T1 Fl. 1.622 10 judiciais estão pendentes de julgamento definitivo no TRF3, estando uma delas sobrestada até o julgamento do RE 718.874/RS pelo STF, conforme exposto. Esclareçase que a interposição de ação judicial, seja qual for sua modalidade, não têm o condão de impedir o lançamento de oficio, vez que se trata de atividade vinculada e obrigatória, fazendose necessária sempre que presentes os pressupostos do art. 142 e parágrafo único do CTN, abaixo transcrito: "Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do falo gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional." Portanto, não cabe a nulidade do presente lançamento, como requereu a RECORRENTE, visto que o Fisco não pode ficar aguardando o pronunciamento definitivo do Poder Judiciário sobre determinada questão, pois é seu dever (sob pena de responsabilidade funcional) realizar o lançamento do crédito tributário, inclusive para evitar a decadência do direito. A RECORRENTE não apresentou em sua defesa quaisquer alegação de fato capaz de afastar/alterar o presente lançamento e se ateve unicamente a defender a inconstitucionalidade da subrogação nas contribuições do empregador rural pessoa física incidentes sobre a comercialização de sua produção. Neste sentido, devese esclarecer que, de acordo com o disposto na Súmula nº 02 deste órgão julgador administrativo, esta é matéria estranha à sua competência, a conferir: “SÚMULA CARF Nº 02 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Sendo assim, o presente processo administrativo deve seguir a sorte da ação judicial interposta pela RECORRENTE, pois o que restar definido pelo Poder Judiciário é o que prevalecerá para as partes envolvidas, em razão do instituto da coisa julgada. Conforme leciona Fredie Didier Jr., “a coisa julgada é instituto jurídico que integra o conteúdo do direito fundamental à segurança jurídica, assegurado em todo Estado Democrático de Direito, encontrando consagração expressa, em nosso ordenamento jurídico, no art. 5º, XXXVI, da CF. Garante ao jurisdicionado que a decisão final dada à sua demanda será definitiva, não podendo ser rediscutida, alterada ou desrespeitada – seja pelas partes, seja pelo próprio Poder Judiciário” (DIDIER JR., Fredie. BRAGA, Paula Sarno. OLIVEIRA, Rafael. Curso de Direito Processual Civil. 2 ed. Salvador: Edições jusPODIVM, 2008, v. 2. P. 552). Fl. 1622DF CARF MF Processo nº 16004.720068/201412 Acórdão n.º 2201003.488 S2C2T1 Fl. 1.623 11 Portanto, no caso concreto, se a decisão judicial porventura deferir o pleito da RECORRENTE (seja para reconhecer a inconstitucionalidade da contribuição ao FUNRURAL calculada sobre a receita do empregador rural pessoa física, mesmo após o advento da Lei nº 10.256/2001; seja para reconhecer a inconstitucionalidade da subrogação definida no art. 30, IV, da Lei nº 8.212/91), não terá mais sentido esse órgão julgador administrativo debater as questões adjacentes ao recolhimento do tributo. De igual modo, em caso de o Judiciário denegar o pleito da RECORRENTE, não restarão questões passíveis de apreciação por este órgão julgador administrativo, visto que toda a matéria de defesa alegada no presente processo diz respeito a inconstitucionalidade da subrogação nas contribuições do empregador rural pessoa física incidentes sobre a comercialização de sua produção, e que foi justamente questão principal levada à juízo. Ademais, a análise dessa questão não é competência do CARF. Em outras palavras, havendo coisa julgada que determine a obrigação, pela RECORRENTE, de retenção da contribuição prevista no artigo 25, I e II, da Lei 8.212/91, por subrogação, quando adquire bovinos para abate de seus fornecedores, empregadores rurais pessoas físicas, não poderá este CARF debater se o tributo é ou não devido. Em razão do exposto, voto por NÃO CONHECER do recurso voluntário, em virtude da concomitância com o Mandado de Segurança nº 000583372.2012.4.03.6106 e com a Ação Ordinária nº 000154572.2013.8.26.0189. Por fim, entendo que o Tribunal Regional Federal da 3ª Região deve ser informado acerca da possível identidade do pedido e da causa de pedir objetos das duas ações acima mencionadas, o que acarretaria a litispendência, pois, conforme acima relatado, a sentença que julgou procedente o pedido da RECORRENTE (proferida na Ação Ordinária nº 000154572.2013.8.26.0189) foi proferida após ter sido denegada a segurança objeto do Mandado de Segurança nº 000583372.2012.4.03.6106. Portanto, a unidade preparadora deve informar ao Tribunal Regional Federal da 3ª Região a possibilidade de litispendência das ações, a fim de evitar decisões conflitantes. Assinado digitalmente Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator Fl. 1623DF CARF MF Processo nº 16004.720068/201412 Acórdão n.º 2201003.488 S2C2T1 Fl. 1.624 12 Voto Vencedor Carlos Henrique de Oliveira Redator designado Em que pesem os lógicos argumentos e o costumeiro acerto do ilustre Relator, ouso, com a devida vênia, discordar da concomitância apontada. Entende, o nobre Conselheiro que, por ter o contribuinte impetrado mandado de segurança, em junho de agosto de 2012, e em face da negativa da liminar da segurança pleiteada, proposto em fevereiro de 2013, ação declaratória buscando autorização judicial para afastar a incidência de contribuição previdenciária devida por subrrogação pelo adquirente de produção rural de produtor pessoa física, verificase a existência de concomitância entre as instâncias administrativa e judicial, o que, em face da legislação aplicável, implica em renúncia ao processo administrativo tributário. São suas palavras: "Observo que tanto a RECORRENTE como a autoridade fiscal apontam para a existência de processos judiciais, movidos pela RECORRENTE, com identidade de partes e objeto em relação ao presente processo administrativo. No Termo de Constatação e Descrição dos Fatos, a autoridade fiscal afirma ter conhecimento do Mandado de Segurança nº 000583372.2012.4.03.6106, impetrado pela RECORRENTE perante a 1ª vara Federal em São José do Rio Preto/SP e que “visava o não recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre o valor de aquisição dos produtos rurais”. Ainda de acordo com a fiscalização, a RECORRENTE informou que não foi concedida liminar, assim como houve a interposição de recurso ao TRF da 3ª Região (pendente de julgamento) em face da sentença que denegou a segurança (vide fls. 1.422/1.423). Agora, no Recurso Voluntário, a RECORRENTE alega a existência de Ação Declaratória de Inexistência de Relação Jurídica nº 000154572.2013.8.26.0189, movida em face da União “pela indevida exigência de contribuição ao FUNRURAL por subrogação, da inexistência da obrigatoriedade de recolher por subrogação, e declaração de inconstitucionalidade do art. 1º da lei nº 8.540/92, inc. IV, da Lei nº 8.212/91” (vide fl. 1.569). Continuou afirmando que a tutela antecipada foi indeferida e que, por esta razão, foi efetuado o presente lançamento. No entanto, houve sentença favorável proferida em 18/06/2014 e que, por esta razão, deveria ser anulada a presente autuação ou suspenso o curso do processo. A RECORRENTE, em seu Recurso Voluntário, reconhece expressamente que a Ação Ordinária por ela ajuizada possui o mesmo objeto de fundo do caso em análise. Em pesquisa realizada nos sites do TJSP e da JFSP, constatei que ambas as ações se encontram, atualmente, no Tribunal Regional Federal da 3ª Região. Fl. 1624DF CARF MF Processo nº 16004.720068/201412 Acórdão n.º 2201003.488 S2C2T1 Fl. 1.625 13 O Mandado de Segurança, impetrado pela RECORRENTE em 28/08/2012, foi inicialmente distribuído para a 1ª Vara Federal em São José do Rio Preto/SP. Posteriormente, foi remetido ao Tribunal Regional Federal da 3ª Região para apreciação do Recurso de Apelação interposto pela RECORRENTE. (...) Portanto, no caso concreto, se a decisão judicial porventura deferir o pleito da RECORRENTE (seja para reconhecer a inconstitucionalidade da contribuição ao FUNRURAL calculada sobre a receita do empregador rural pessoa física, mesmo após o advento da Lei nº 10.256/2001; seja para reconhecer a inconstitucionalidade da subrogação definida no art. 30, IV, da Lei nº 8.212/91), não terá mais sentido esse órgão julgador administrativo debater as questões adjacentes ao recolhimento do tributo." (destacamos) Exsurge, nos destaques da transcrição, o ponto de dissenso ensejador do presente voto. Segundo o insigne Relator, verificase concomitância toda vez que o contribuinte buscar o judiciário e da decisão resultante, poder restar prejudicado, pelo sucesso da lide judicial, o lançamento tributário objeto da discussão no âmbito administrativo. Entre outros fundamentos, apóiase o Conselheiro na dicção da Súmula CARF nº 1. Vejamos seus termos: "Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial." (destaques nossos) Claríssima a disposição que consolidou entendimento praticamente unânime deste Colegiado: há tácita renúncia ao processo administrativo a propositura, antes ou depois do lançamento, de medida judicial com o mesmo objeto do processo administrativo. Assim, mister entendermos o que é o objeto do processo administrativo e cotejálo com o objeto do processo judicial que se analisa. Segundo o dicionário Michaelis 'online', publicado no sitio uolBusca (http://dic.busca.uol.com.br/result.html?q=objeto&group=0&t=10), o verbete objeto, em sua acepção jurídica: "objeto •sm(lat objectu) Tudo que se oferece aos nossos sentidos ou à nossa alma. Coisa material:Havia na estante vários objetos.Col: bateria,trem(quando agrupados para o mesmo fim). Motivo, causa. Tudo que constitui a matéria de ciências ou artes. Assunto, matéria. Intenção, desígnio, mira. Fim a que se mira ou que se tem em vista. FilosAquilo que é pensado, por oposição ao próprio ato de pensar. Fl. 1625DF CARF MF Processo nº 16004.720068/201412 Acórdão n.º 2201003.488 S2C2T1 Fl. 1.626 14 DirTudo aquilo sobre que recai um direito, ou uma ação, ou obrigação." (sublinhamos) Também no mesmo sentido, um tanto amplo para os fins do nosso estudo, caminha o dicionário jurídico. Para objeto do processo, encontramos a seguinte significação (Diccionario Básico Jurídico, 7ª ed. Comares Editorial): "Conjunto de fatos que integrando o processo, o levam a conseguir as diversas finalidades que o mesmo persegue (...)" Das significações apresentadas, podemos inferir que o objeto da demanda processual é aquilo que com ela se pretende obter, o que se quer alcançar. Porém, somente tal entendimento é suficiente para se verificar a concomitância, como entende o Relator? Não nos parece a melhor doutrina. O Professor Moacyr Amaral Santos, no clássico Primeira Linhas de Direito Processual Civil ( 1º Vol., Ed. Saraiva, 20ª ed., p. 163), leciona que objeto da ação: "é o pedido do autor (Cod Proc. Civil, art 282, IV), ou seja, o que ele solicita que lhe seja assegurado pelo órgão jurisdicional. (...) Assim, o objeto, isto é, o pedido (res, petitum) é imediato ou mediato. O pedido imediato consiste na providência jurisdicional solicitada: sentença condenatória, declaratória, constitutiva ou mesmo providência executiva, cautelar ou preventiva. O pedido mediato é a utilidade que se quer alcançar pela sentença, ou providencia jurisdicional, isto é, o bem material ou imaterial pretendido" Continuando sua lição, o emérito Professor das Arcadas, ensina que o pedido deve estar sempre apoiado, deve sempre corresponder a uma causa de pedir, pois "quem invoca uma providência jurisdicional quanto a um bem pretendido, cumpre dizer no que se funda seu pedido" (ob. cit., pag. 164). Recorda o Mestre que o Códex Processual exige que o autor exponha na inicial não só o seu pedido, mas também os fundamentos jurídicos deste. Com tal exigência, a lei processual requer a exposição não só a causa próxima de pedir os fundamentos jurídicos como também a causa remota o fato gerador do direito. No caminhar de sua lição, com a didática exemplar que sempre o caracterizou, o Professor Moacyr Amaral, explica que a identificação de ações ( o cerne de nosso problema) exige que se examine detalhadamente a identidade, a individualidade de uma demanda. Para tanto, leciona o saudoso Professor: "(...) duas ações são idênticas quando em ambas seus elementos são os mesmos. Assim, duas ações são idênticas quando entre elas há: a) identidade de partes (eadem personae); b) identidade Fl. 1626DF CARF MF Processo nº 16004.720068/201412 Acórdão n.º 2201003.488 S2C2T1 Fl. 1.627 15 de objeto (eadem res); c) identidade de causa de pedir (eadem causa petendi)." Exsurge a distinção. Temse identidade entre ações quando as mesmas, intrinsecamente, coincidem, ou seja, são iguais. Para tanto, necessariamente convergem para a mesma solução a partir de divergências sobre o mesmo bem da vida mas forçosamente com essa divergência decorrente do mesmo motivo, da mesma causa. Tal exigência decorre não só de um imperativo processual, mas também de um imperativo lógico. Não basta a demanda reunir mesmas partes, sobre o mesmo bem em discussão: o motivo da disputa deve ser o mesmo. Por exemplo se pode entender melhor. Dois senhores podem discutir sobre um imóvel, mais acuradamente sobre a posse e propriedade de um imóvel. Imaginemos que se trate de um imóvel comercial, onde o proprietário, por contrato de locação, passou a posse do imóvel a um comerciante. Tempos depois, o comerciante propôs a compra do imóvel. Firmam um contrato de compra e venda, com pagamento parcelado. Ajustam que durante o pagamento parcelado da compra, o locatório, agora promitente comprador, continuaria a pagar o aluguel. Iniciados os pagamentos, o comprador, agora em dificuldades financeiras, atrasa algumas parcelas. O vendedor, opta pela resolução contratual unilateral e vende, à vista, o imóvel a outrem, porém ajustando com o novo comprador, que entregará o imóvel desocupado. Ingressa com medida judicial, ação de despejo, visando a retomada do imóvel. Nesse caso o objeto é a posse do imóvel. O locatário, aqui ainda promitente comprador, inconformado com o desfazimento do contrato de promessa de compra e venda, ingressa com ação judicial buscando fazer valer seu direito decorrente do contrato de compra e venda firmado e portanto anular a segunda venda. Objeto da ação: a propriedade do imóvel. Partes envolvidas: as mesmas. Resultado, objeto , de uma e de outra: o imóvel. Importante recordar que se o direito de promitente comprador for reconhecido, por óbvio que a segunda decisão terá seu resultado impactando na primeira, na ação de despejo. Mesmo assim, há coincidência de ações? Por óbvio que não. A distinção é flagrante quanto à causa de pedir. Em uma e em outra ação, embora o objeto seja o mesmo, o fundamento jurídico do pedido é distinto. Esses requisitos para que se reconheça a identidade de ações e portanto, a concomitância também é reconhecido por Julio Fabbrini Mirabete (Processo Penal, Ed. Atlas, 10ª ed., p. 217), processualista de renome que explicita, ao examiniar a litispendência: "Os elementos que identificam a demanda, impedindo outra por litispendência são: a) o pedido (petitum), o que o autor pede; b) as partes (personae), são as partes em litígio; a causa de pedir (causa petendi), a razão de fato pela qual o autor pede a condenação, no processo penal o fato criminoso. Numa expressão bem simples, se o mesmo autor, com o mesmo Fl. 1627DF CARF MF Processo nº 16004.720068/201412 Acórdão n.º 2201003.488 S2C2T1 Fl. 1.628 16 fundamento de fato, faz o mesmo pedido, contra o mesmo réu, a demanda é a mesma que a anterior" (destacamos) Não é outra a lição de Cândido Rangel Dinamarco, outro ícone da Faculdade de Direito do Largo São Francisco, que em sua importantíssima obra, Instituições de Direito Processual Civil ( Vol III, 2ª ed. Ed. Malheiros p. 136), assevera: "Didaticamente e seguindo uma linha tradicional no processo civil brasileiro, o Código de Processo Civil afirma que uma ação é precisa reprodução de outra quando em ambas coincidem os três elementos constitutivos, tendo elas as mesmas partes, a mesma causa de pedir e o mesmo pedido (...)" (destacamos) Outro simples raciocínio demonstra a importância da causa de pedir como traço elementar, e portanto distintivo, de uma ação. Pensemos agora em hipótese de lide tributária clássica, ou seja, insurgência contra a tributação. Decerto que nessas ações tributárias, dois elementos serão sempre coincidentes: i) as partes, pois sempre se analisará a demanda de determinado contribuinte contra a Administração Tributária; ii) o pedido, o próprio objeto, pois sempre o contribuinte buscará se esquivar da exação como pretendida pelo Fisco. Ora, nesses casos, ao prevalecer a questão como posta pelo Relator, ou seja, há concomitância quando o contribuinte pode alcançar na via judicial o mesmo resultado que teria na esfera administrativa, qualquer tipo de lide judicial afastaria qualquer demanda na fase administrativa, uma vez que pelo nosso pressuposto ao conseguir judicialmente o afastamento da pretensão fiscal como pretendida pela Administração Tributária, a esfera administrativa nunca teria função. Imaginemos que o contribuinte tenha ingressado com uma ação de inexistência de relação tributária acerca de determinado tributo. Tempos depois, ao perceber que aquele contribuinte não estava recolhendo os valores devidos sobre aquele determinado tributo, o Fisco inicia procedimento fiscalizatório. Ao ser cientificado da existência da demanda judicial, a autoridade fiscal, visando cumprir a determinação legal, opta por lançar o tributo em litígio somente para prevenir a decadência. Na impugnação, o contribuinte se insurge sobre o lançamento tributário em razão da existência, em sua opinião, de nulidade no procedimento do lançamento. A prevalecer a posição aqui atacada, por ser certo que o resultado da lide judicial pode ser a declaração da inexistência da relação tributária entre o Fisco e o contribuinte, a processo administrativo tributário não poderia ser conhecido pois se observaria a concomitância, com consequente renuncia. Resultado: a Administração Tributária deixou de examinar, de controlar, a legalidade de determinado ato por ela produzido, expondo assim ao mundo um ato eivado de ilegalidade, nulo portanto, realizado por quem está adstrito ao princípio da legalidade, que determina que a Administração Pública só pode fazer o que a lei permite. Por óbvio que não pode ser esse o conceito de concomitância. Fl. 1628DF CARF MF Processo nº 16004.720068/201412 Acórdão n.º 2201003.488 S2C2T1 Fl. 1.629 17 Ao aplicarmos aos exemplos acima a clássica doutrina processualista, que exige para que se tenha identidade de ações a presença dos três elementos essenciais da ação (mesmas partes, mesma causa de pedir e mesmo pedido), não se verificaria a concomitância havendo, portanto, o exame dos processos por serem distintos. Outro não é o entendimento da própria Administração Tributária. Vejamos o trecho do conteúdo do Parecer Normativo Cosit nº 7, de 22 de agosto de 2014, que versa exatamente sobre o tema aqui analisado: "Da identidade de objetos dos processos administrativo e judicial 9. Poderseia questionar quanto à definição da expressão “mesmo objeto” a que se reportam o ADN Cosit nº3, de 1996, a Súmula nº1 do CARF e a Portaria MF nº341, de 2011. Aqui, fazse mister diferenciar o objeto da relação jurídica substancial ou primária do objeto da relação jurídica processual. Aquele consiste no bem da vida sobre o qual recaem os interesses em conflito, in casu, o patrimônio do contribuinte; este, por sua vez, diz respeito ao serviço que o Estado tem o dever de prestar, e nos procedimentos de que este se utiliza para tanto, resultando no proferimento de decisões administrativas ou judiciais em cada processo, guardando relação de instrumentalidade com a real demanda do autor (JUNIOR, Nelson Nery; NERY, Rosa Maria de Andrade. Constituição Federal Comentada. 2. ed. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2009. p. 179). 9.1. Assim, só produz o efeito de impedir o curso normal do processo administrativo a existência de processo judicial para o julgamento de demanda idêntica, assim caracterizada aquela em que se verificam as mesmas partes, a mesma causa de pedir (fundamentos de fato – ou causa de pedir remota e de direito – ou causa de pedir próxima) e o mesmo pedido (postulação incidente sobre o bem da vida) a chamada teoria dos três eadem, conforme definida no art. 301, § 2ºda Lei nº5.869, de 11 de janeiro de 1973 (Código de Processo Civil – CPC), o qual ora se aplica por analogia. 9.2. Levase em consideração o objeto da relação jurídica substancial; se a discussão judicial se refere a questões instrumentais do processo administrativo, contra as quais se insurge o sujeito passivo da obrigação tributária, não há que se falar em desistência da instância administrativa nem em definitividade da decisão recorrida, quando nesta se discute alguma questão de direito material. Se, no entanto, a discussão administrativa gira em torno de alguma questão processual, como a tempestividade da impugnação, por exemplo, questão esta também levada à apreciação judicial, configurase a renúncia à esfera administrativa quanto a este ponto específico. 9.3. Seguindo esse raciocínio, encontrase entendimento na doutrina e na jurisprudência de que só se caracteriza a identidade de ações quando se verificam as mesmas partes, o mesmo pedido e a mesma causa de pedir: Fl. 1629DF CARF MF Processo nº 16004.720068/201412 Acórdão n.º 2201003.488 S2C2T1 Fl. 1.630 18 19. Identidade de ações: caracterização. As partes devem ser as mesmas, não importando a ordem delas nos pólos das ações em análise. A causa de pedir, próxima e remota [...], deve ser a mesma nas ações, para que se as tenha como idênticas. O pedido, imediato e mediato, deve ser o mesmo: bem da vida e tipo de sentença judicial. Somente quando os três elementos, com suas seis subdivisões, forem iguais é que as ações serão idênticas. (JUNIOR, Nelson Nery; NERY, Rosa Maria de Andrade. Código de Processo Civil Comentado. 11. ed. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2010. p. 595) Litispendência. Identidade de pedidos. A identidade de pedidos não caracteriza a litispendência. Somente se verifica a litispendência com a identidade de ações: as mesmas partes, o mesmo pedido e a mesma causa de pedir. (TRF5ª, 1ª T., Ap 17299RN, rel. Juiz Ridalvo Costa, v.u., j. 10.12.1992, JSTJ 47/583) 9.4. Vale reproduzir o seguinte excerto do Parecer PGFN/Cocat nº2/2013: 49. Dito disso, conferimos ao instituto da concomitância no PAF o mesmo tratamento da litispendência no processo civil, pois a verificação da ausência desses dois pressupostos negativos têm como finalidade precípua evitar o processamento de causas iguais quando houver: (i) identidade das partes, (ii) da causa de pedir e (iii) do pedido (art. 301, §§ 1ºe 2º, do CPC; e Súmula nº1/CARF). 50. Com efeito, na linha do que foi afirmado no item 26, tanto a concomitância quanto a litispendência constituem requisitos de validade objetivos extrínsecos da relação processual. São pressupostos negativos, ou seja, fatos que não podem ocorrer para que o procedimento se instaure validamente. Representam acontecimentos estranhos à relação jurídica processual (daí o adjetivo "extrínseco") que, uma vez existentes, impedem a formação válida do processo (procedimento). (grifos conforme original) 9.5. Feitos esses esclarecimentos, e à vista da terminologia utilizada nos normativos retromencionados, adotarseá, neste parecer, o entendimento de que a expressão “mesmo objeto” diz respeito àquilo sobre o qual recairá o mérito da decisão, quando sejam idênticas as demandas. Portanto, temse como critérios de aplicação da impossibilidade do prosseguimento do curso normal do processo administrativo, em vista da concomitância com processo judicial, tanto o pedido como a causa de pedir, e não somente o pedido. 9.6. Seguindo essa lógica, caso o processo administrativo fiscal contenha pedido mais abrangente que o do processo judicial, ele deve ter seguimento somente em relação à parte que não esteja sendo discutida judicialmente. Se, por exemplo, a ação judicial requer a anulação de um lançamento em relação a determinada multa, mas nada diz sobre a base de cálculo do tributo, e a impugnação administrativa tratar também da discussão sobre a Fl. 1630DF CARF MF Processo nº 16004.720068/201412 Acórdão n.º 2201003.488 S2C2T1 Fl. 1.631 19 base de cálculo, esta parte deverá ser objeto de julgamento administrativo. 10.A prevalência, nesses casos, do curso do processo judicial se deve ao princípio constitucional da unicidade de jurisdição, insculpido no art. 5º, inciso XXXV, da Constituição Federal (“a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito;”), segundo o qual o Poder Judiciário detém o monopólio do controle jurisdicional, não sendo necessário que se configure a efetiva lesão a direito, bastando a simples ameaça para que se dê o ingresso em juízo. Ademais, o caráter de não definitividade das decisões administrativas consiste na possibilidade de sua apreciação pelo Judiciário. Registrese, ainda, a desnecessidade do esgotamento da via administrativa para o acesso ao Poder Judiciário, como ocorria no sistema constitucional revogado (CF/1967, art. 153, § 4º). (CINTRA, Antônio Carlos de Araújo; GRINOVER, Ada Pellegrini; DINAMARCO, Cândido Rangel. Teoria Geral do Processo. 26. ed. São Paulo: Malheiros, 2010. p. 312). 10.1. Outra justificativa que se pode invocar para a inadmissibilidade da concomitância entre as discussões sobre a mesma matéria nas instâncias judicial e administrativa, sob pena de se admitir um dispêndio desnecessário de recursos públicos, além do risco de se obterem decisões conflitantes, passa pelo princípio da economia processual, o qual, segundo lecionam Cintra, Grinover e Dinamarco (CINTRA, Antônio Carlos de Araújo; GRINOVER, Ada Pellegrini; DINAMARCO, Cândido Rangel. Teoria Geral do Processo. 26. ed. São Paulo: Malheiros, 2010. p. 79), “preconiza o máximo resultado na atuação do direito com o mínimo emprego possível de atividades processuais”. Tratase do mesmo princípio que inspira os efeitos do instituto da litispendência no processo civil (arts. 219, 267 e 301 do CPC)." (destaques não constam do Parecer mencionado) Nesse mesmo caminho segue o STJ. Afirma o voto condutor da decisão proferida no Ag Rg no Agravo em Recurso Especial nº 702.892SP, de Relatoria do Min Sérgio Kukina, julgado em 15/03/16 pela Primeira Turma. "Há litispendência quando se repetem ações em curso com as mesmas partes, a mesma causa de pedir e o mesmo pedido; ainda que sejam causas de natureza diversa, como são mandado de segurança e processo de conhecimento, induvidosa a réplica proibida pela lei processual." Assentes quanto ao conceito de concomitância entre a ação judicial e o processo administrativo tributário, passemos ao caso concreto. No caso em apreço, a determinação da identidade de ações se torna ainda mais necessária e, com a devida vênia, o desacerto do entendimento esposado no voto do Relator ainda mais flagrante. Como bem apontado pelo nobre Relator, o contribuinte impetrou Mandado de Segurança, em agosto de 2012, porém não obteve decisão favorável. Fl. 1631DF CARF MF Processo nº 16004.720068/201412 Acórdão n.º 2201003.488 S2C2T1 Fl. 1.632 20 Posteriormente, em fevereiro de 2013, novamente se socorreu do poder judiciário com a interposição de ação declaratório de inexistência de relação jurídica, visando afastar o dever do adquirente de produtos rurais de pessoas físicas de reter e recolher a contribuição previdenciária incidente sobre o valor da comercialização da produção, o chamado FUNRURAL. Durante o procedimento fiscal, iniciado em 28 de janeiro de 2014, posteriormente portanto à propositura das ações judiciais mencionadas, não tinha nenhuma tutela ao seu favor. Ressaltese que o lançamento tributário que aqui se analisa foi efetuado justamente pela ausência de retenção e recolhimento dos valores devidos sob a denominação de FUNRURAL. Vejamos a questão da concomitância. Para tanto, destaquemos as controvérsias existentes. No plano judicial, encontramos um mandado de segurança e uma ação declaratória propostos pelo Recorrente em face da Administração Tributária ambas com objeto da desoneração da obrigação do adquirente de produção rural de produtor pessoa física de reter e recolher a contribuição previdenciária incidente sobre tal comercialização. No plano administrativo, observamos que o Recorrente se insurge contra o lançamento tributário decorrente de glosa de compensação indevida, no entender do Fisco. Ao buscarmos os elementos essenciais das duas demandas encontraremos: Administrativo Judicial Partes Recorrente e Fisco Recorrente e Fisco Pedido Nulidade/Cancelamento lançamento/Cancelamento da multa de ofício qualificada Desoneração do dever de subrrogação Causa de pedir Nulidade/ existência de tutela judicial Inconstitucionalidade da Lei A simples leitura do quadro acima demonstra a inexistência de coincidência entres os elementos caracterizadores das lides, o que torna despiciendo que o contribuinte possa a vir obter a improcedência do lançamento como resultado da demanda judicial proposta. Assim, mister que se conheça do recurso apresentado, uma vez que não se pode, sob ofensa ao primado da lógica jurídica, aplicarse a Súmula CARF nº 1 ao caso em apreço, vez que nem mesmo o objeto, o pedido em si, é o mesmo. Na via judicial, se discute a obrigação de reter e recolher. Na via administrativa o pedido é cancelamento do lançamento, seja por nulidade, seja por existência de tutela judicial, além da insurgência contra a multa de ofício aplicada. Fl. 1632DF CARF MF Processo nº 16004.720068/201412 Acórdão n.º 2201003.488 S2C2T1 Fl. 1.633 21 Não obstante o exposto, mister realçar que o entendimento esposado pela maioria dos Conselheiros, ao qual me curvo no caso concreto, foi no conhecimento parcial do recurso voluntário em face da concomitância com a segunda medida judicial proposta. Explico. A ação declaratória de inexistência de relação jurídica interposta pelo Contribuinte, que tem por objeto, entre outros, o afastamento pela autoridade judicial da obrigação de retenção e recolhimento, imposta pela Lei nº 8.212/91, com a redação vigente à época dos fatos (dada pela Lei nº 10.256/01), incidente sobre o valor da comercialização da produção rural. Tal ação judicial, diferentemente do MS anteriormente interposto, tem o condão de sendo atendida afastar de maneira cabal o Recorrente da esfera de atuação da Administração Tributária, quanto ao tributo em discussão. Ora, como consta da própria peça vestibular, o pedido da Recorrente, foi no sentido da determinação que a Autoridade Tributária se abstenha de qualquer ato tendente a exigir o pagamento da referida contribuição, o que, por óbvio, inclui o lançamento de ofício. Nesse sentido, ao obter a tutela pretendida, há a eleição pelo contribuinte, da via judicial para o deslinde da questão. Ressalta que tal escolha foi manifestada pelo próprio Recorrente, como mencionado pelo Relator. Recordemos a decisão exarada no curso do processo judicial: Assim, estando a questão da própria existência do crédito tributário constituído sob a análise do Poder Judiciário, inclusive no tocante ao fundamento legal vigente à época dos fatos geradores do lançamento, entendeu a maioria da Turma que os pontos que versam sobre a obrigação principal em si, não podem ser objeto de apreciação por este Colegiado, posto que, aqui sim, cabe a aplicação da Súmula CARF nº 1 acima transcrita e mencionada. Em consequência, entendo pelo conhecimento parcial do recurso, em razão da concomitância parcial reconhecida. Passemos a analisar o lançamento à luz das matérias que devem ser conhecidas de ofício, em face dos argumentos recursais estarem centrados na questão da judicialização da discussão e da inconstitucionalidade da Lei de Custeio da Previdência, que com determinado na Súmula CARF nº 2, não é matéria de competência deste Conselho Administrativo. Fl. 1633DF CARF MF Processo nº 16004.720068/201412 Acórdão n.º 2201003.488 S2C2T1 Fl. 1.634 22 Verifico às folhas 1426, no Relatório Fiscal, que a Autoridade Lançadora entendeu por cabível a qualificadora da multa de ofício. Segundo o Auditor Fiscal, ao deixar de informar em GFIP, sistematicamente e reiteradamente (de janeiro de 2012 até dezembro de 2013), a comercialização de produto rural adquirido de produtor pessoa física, o Contribuinte demonstrou o único intuito em tese segundo a Autoridade de sonegar a partir do ato voluntário e consciente de omitir as contribuições devidas da declaração mencionadas, incidindo assim na conduta prevista no artigo 44, § 1º da Lei nº 9.430/96. Não observo a questão como posta. Não há a pratica dolosa, pelo sujeito passivo, como prevista nos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/64. Vejamos. O dolo, leciona Luiz Regis Prado (Curso de Direito Penal Brasileiro, 6ª ed. Ed. Revista dos Tribunais, p. 113), se observa quando "(...) age dolosamente o agente que conhece e quer a realização dos elementos da situação fática ou objetiva, sejam descritivos, sejam normativos, que integram o tipo legal do delito." (negritamos) Transportando para a seara tributária, podemos dizer que age dolosamente o contribuinte que conhecendo a incidência tributária, sabendo que determinada conduta enseja o fato gerador, dela procura se afastar, não com vista a não praticar o fato ensejador da incidência, mas sim, buscando de alguma forma, se escusar ao cumprimento da obrigação tributária. Nesse sentido a dicção da Lei nº 4.502/64, que conceitua fraude como sendo toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador ou a reduzir as suas características essenciais de modo a reduzir o montante do tributo devido. Já a sonegação, nos dizeres legais, é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador ou das condições pessoais do contribuinte ou do crédito tributário. Claro resta que a intenção do agente, do contribuinte é determinante para caracterização da fraude e da sonegação nos termos da Lei nº 4.502/64. E mais, deve ser provada pela Fisco. Mas como a Autoridade Fiscal pode verificar a intenção do contribuinte, se a verificação do cumprimento das obrigações tributárias é realizada, praticamente sempre, tempos após o surgimento dessas obrigações? Luís Eduardo Schoueri (Direito Tributário, 3ªed., Saraiva, pág. 790), ensina que sonegação, nos dizeres da Lei 4.502, pressupõe: "falsidade: nesses casos, o que se pune não é o não pagamento, mas a declaração falsa, a omissão de informação ou declaração, (...) Fl. 1634DF CARF MF Processo nº 16004.720068/201412 Acórdão n.º 2201003.488 S2C2T1 Fl. 1.635 23 No tocante à fraude, a lição de Vasco Branco Guimarães, reproduzida por Paulsen (Direito Tributário Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência, 15ª ed., Livraria do Advogado Editora, p. 1117), nos auxilia: "A fraude fiscal pode ser definida como a conduta ilegítima tipificada que visa a obtenção indevida de vantagem mediante: não liquidação, entrega ou pagamento de prestação tributária; aquisição de benefício fiscal indevido; aquisição de qualquer outra vantagem patrimonial à custa de receitas tributárias" No caso em apreço, é mister não olvidar que o contribuinte, já havia interposto duas medidas judiciais com o fito de ver tutelado seu entendimento sobre a matéria. Não posso concordar que alguém que vise dolosamente fraudar ou sonegar busque, antecipadamente, a tutela do Poder Judiciário no sentido daquilo que entende como correto. Vejo como um direito do contribuinte a insurgência contra a exação, quanto mais ao observar que tal insurgência foi levada ao conhecimento do Judiciário antes mesmo de qualquer ato emanado da Administração Tributária. Recordese que a primeira ação judicial foi proposta em agosto de 2012 e a segunda, em fevereiro de 2013, tendo a ação fiscal se iniciado em janeiro de 2014. O fato do contribuinte não ter quando da ação fiscalizatória a prestação jurisdicional no sentido de sua pretensão, não pode ser considerada como fator de qualificação da multa de ofício, posto que se houvesse tal tutela não se estaria discutindo nenhuma multa de ofício, uma vez que o lançamento tributário, se realizado, visaria no máximo a prevenção da decadência do direito creditório pelo Fisco. Necessário realçar que é dever da autoridade fiscal demonstrar a ocorrência de conduto dolosa fraudulenta, sonegadora ou em conluio, para que haja a qualificadora da multa decorrente do lançamento de ofício. Logo, ausentes os motivos previstos na Lei nº 9.430/96 que determinam o lançamento tributário com multa de ofício dobrada, reconheço de ofício por ser o fundamento legal questão de ordem pública a inaplicabilidade ao parágrafo 1ª do artigo 44 da Lei nº 9.430/96 ao caso concreto. Ressalto, por amor à clareza, que é cabível a multa de ofício uma vez que o Recorrente não tinha à época do lançamento tutela judicial que assegurasse seu procedimento tributário. CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto por conhecer parcialmente do recurso voluntário para, na parte conhecida, afastar a qualificadora da multa de ofício constante do lançamento. Assinado digitalmente Carlos Henrique de Oliveira Redator designado Fl. 1635DF CARF MF Processo nº 16004.720068/201412 Acórdão n.º 2201003.488 S2C2T1 Fl. 1.636 24 Fl. 1636DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13805.008664/98-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3201-002.582
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Mércia Helena Trajano DAmorim, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Ausentes justificadamente a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, bem como o Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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PIS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. DEVESE CONHECER DE OFÍCIO. SÚMULA VINCULANTE N° 8 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. Ocorrendo a decadência, esta deve ser conhecida de ofício. O Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91 através da Súmula Vinculante n° 8, logo, há que se reconhecer a decadência, em conformidade com o disposto no Código Tributário NacionalCTN. Assim, o prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário referente ao PIS decai no prazo de cinco anos fixado pelo CTN, sendo, com fulcro no art. 150, § 4°, caso tenha havido antecipação de pagamento, inerente ao lançamento por homologação, ou art. 173,1, em caso contrário. Recurso a que se dá provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 5. 00 86 64 /9 8- 53 Fl. 165DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Mércia Helena Trajano DAmorim, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Ausentes justificadamente a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, bem como o Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP. Por bem descrever os fatos ocorridos até o julgamento da impugnação, transcrevese o relatório da instância a quo, seguido da ementa da decisão recorrida e das razões do Recurso Voluntário ora examinado: Em ação fiscal levada a efeito em face do contribuinte acima identificado foi apurada falta de recolhimento da contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, relativa ao fato gerador de abril de 1991, razão pela qual foi lavrado o auto de infração de fls. 2022, integrado pelos termos, demonstrativos e documentos nele mencionados, com o seguinte enquadramento legal: art. 3º, alínea “b”, da Lei Complementar 7/70, c/c art. 1º, parágrafo único, da Lei Complementar 17/73, c/c art. 69, inciso IV, “b”, da Lei 7.799/89, com a nova redação dada pelo art. 5º da Lei 8.019/90. 2. Conforme descrito no “Termo de Constatação” de fl. 16, o contribuinte excluiu da base de cálculo do PIS, no período de abril de 1991 a janeiro de 1993, os valores referentes ao ICMS destacado. Para o fato gerador de abril de 1991 foi realizado, nos autos da medida cautelar 91.06636233, depósito judicial parcial do valor do PIS incidente sobre a parcela da base de cálculo excluída, em face do deferimento da liminar pleiteada, que, posteriormente, foi revogada. Diante destes fatos, a autoridade autuante constituiu de ofício o crédito tributário correspondente à parcela depositada, com suspensão da exigibilidade. 3. O crédito tributário lançado, constituído pela contribuição, pela multa proporcional, e pelos juros moratórios, calculados até 30/06/98, perfaz o total de R$ 10.723,27 (dez mil setecentos e vinte e três reais e vinte e sete centavos). (obs. depósito realizado em 11/07/1991) 4. Inconformado com a autuação, da qual foi devidamente cientificado em 16/07/98, o contribuinte protocolizou, em 14/08/98, a impugnação de fls. 29 40, na qual deduz as alegações a seguir resumidamente discriminadas: 4.1. O auto de infração é nulo, tendo em vista que foi lavrado com a imposição de multa de ofício a despeito de haver suspensão da exigibilidade do crédito tributário e, ademais, a base de cálculo foi determinada com erro. 4.2. As medidas liminares, de qualquer espécie, têm o condão de suspender a exigibilidade do crédito tributário, já que todas são conseqüências do poder de cautela atribuído ao Poder Judiciário. A menção, no art. 151, inciso IV, do CTN, apenas à liminar concedida em mandado de segurança devese ao fato de que à época da publicação desta Lei o ordenamento jurídico não Fl. 166DF CARF MF Processo nº 13805.008664/9853 Acórdão n.º 3201002.582 S3C2T1 Fl. 166 3 previa outros meios processuais similares. Daí a conclusão de que, no caso de que cuida o presente processo administrativo, em face da concessão de liminar na medida cautelar 91.00636233, o crédito tributário tinha sua exigibilidade suspensa. Portanto, a impugnante não cometeu nenhuma infração que justifique a aplicação de multa e sua imposição viola a garantia constitucional de acesso ao Poder Judiciário, sobretudo tendo em conta que houve depósito judicial do valor lançado. 4.3. Os juros de mora só são devidos na hipótese de atraso no pagamento de tributos, sendo descabidos quando houver suspensão da exigibilidade do crédito tributário e depósito judicial da exação. Devese aplicar analogicamente a regra prevista no art. 161, § 2º, do CTN, que afasta a incidência de juros moratórios enquanto a matéria estiver pendente de decisão em processo de consulta. Só após o trânsito em julgado de decisão final na esfera judicial poderão incidir os juros moratórios. Antes disso, não há que se falar em mora. 4.4. O crédito tributário lançado foi apurado considerandose a base de cálculo do próprio mês em que ocorreu o fato gerador, em afronta ao disposto no § único do art. 6º da Lei Complementa 7/70, que prescrevia como base de cálculo do PIS o faturamento relativo ao sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador. Esta regra não trata do prazo de vencimento da exação, mas da própria materialidade da hipótese de incidência, mais especificamente de sua base de cálculo. Portanto, houve equívoco na quantificação da contribuição lançada. 4.5. Por fim, pede a impugnante, após alertar que a matéria impugnada não se confunde com aquela submetida a apreciação do Poder Judiciário, que seja declarada a nulidade do auto de infração e, quanto ao mérito, seja reconhecida sua improcedência. O pleito foi julgado improcedente, no julgamento de primeira instância, nos termos do Acórdão DRJ/SPO I no 5.638, de 27/07/2004, proferido pelos membros da 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP, cuja ementa dispõe, verbis: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 30/04/1991 Ementa: DEPÓSITO JUDICIAL MULTA DE OFÍCIO JUROS MORATÓRIOS SEMESTRALIDADE DO PIS O depósito judicial só suspende a exigibilidade do crédito tributário quando realizado no montante integral do tributo devido. A multa de ofício é conseqüência, determinada pela lei, da constatação de inexistência de recolhimento do tributo devido. O depósito judicial, quando convertido em renda da União Federal, é considerado, para fins de extinção do crédito tributário, um recolhimento na data em que efetuado. A indicação dos juros moratórios no auto de infração decorre da constatação de inexistência de recolhimento do tributo no prazo legal. A base de cálculo do PIS é o faturamento do mês da Fl. 167DF CARF MF 4 ocorrência do fato gerador, sendo descabida a tese que sustenta dever ser considerado o faturamento do sexto mês anterior. Lançamento Procedente O julgamento de primeira instância concluiu, nos seguintes termos: I) Quanto à aplicação da multa de ofício: ...... 6.7. Com mais razão, é descabida a alegação de que não houve infração que pudesse dar ensejo à aplicação da multa de ofício. A penalidade aplicável é conseqüência direta da verificação pela autoridade autuante de que o contribuinte não efetuou o recolhimento da contribuição devida. Não se trata de penalizar a impugnante por haver recorrido ao Poder Judiciário, mas de aplicar a lei ao caso concreto. Em outras palavras, uma vez constatada no curso de uma ação fiscal a ausência de recolhimento do tributo devido, deve a autoridade administrativa constituir de ofício o crédito tributário respectivo e aplicar a multa cabível. É precisamente esta a situação verificada no presente processo administrativo, de modo que andou bem a autoridade autuante ao impor a multa de ofício. II) Sobre juros: ..... 7.4. Ocorre que a determinação da conversão em renda compete exclusivamente ao juiz que preside o processo, de forma que não pode a autoridade administrativa supor que haverá conversão em renda da União Federal do depósito judicial efetuado, ainda que a sentença seja favorável à Fazenda Nacional, razão pela qual cabe a aplicação dos juros moratórios nos casos de lançamentos, mesmo em face da existência de depósitos judiciais. Porém, repitase, havendo a conversão em renda, e tratandose de depósito judicial do montante integral efetuado dentro do prazo de vencimento do tributo, o crédito tributário estará extinto, não havendo mais razão para falarse em exigência dos juros moratórios relativos ao lançamento de ofício. 7.5. Com base em tais fundamentos, é de se concluir que a objeção apontada pela impugnante não infirma a inclusão dos juros moratórios no lançamento de ofício de que cuida o presente processo, já que a autoridade autuante apenas deu cumprimento à lei. A mora decorre da simples constatação de inexistência de recolhimento da contribuição devida no prazo legal. Os juros são a remuneração do dinheiro no tempo e a Fazenda Nacional viuse privada dos recursos, ainda que depositados judicialmente. Acresçase que, conforme atesta o documento de fl. 52, foi determinada a conversão em renda da União Federal do depósito judicial efetuado, de modo que, consoante os fundamentos já aduzidos, este depósito será considerado, para fins de extinção do crédito tributário, como um pagamento na data em que realizado. A depender de sua Fl. 168DF CARF MF Processo nº 13805.008664/9853 Acórdão n.º 3201002.582 S3C2T1 Fl. 167 5 suficiência, os juros moratórios serão exigidos apenas para a parcela do crédito tributário que não restar extinta. 7.6. A pleiteada aplicação analógica do disposto no art. 161, § 2º, do CTN, que afasta a incidência de juros moratórios enquanto a matéria estiver pendente de decisão em processo de consulta, é descabida, tendo em vista que o lançamento, nos termos do art. 142, parágrafo único, do CTN, é atividade vinculada e obrigatória, estando vedado à autoridade administrativa omitirse de aplicar a lei em razão da aplicação de analogia. III) Sobre Semestralidade do PIS: ..... 8.11. Logo, não procede a tese da semestralidade na apuração da base de cálculo do PIS, de modo que não houve qualquer equívoco na apuração do crédito tributário lançado. Inconformado, o recorrente apresenta recurso voluntário, tempestivamente onde repisa basicamente os termos da impugnação. Ressalta, dentre outros: deixouse de recolher o PIS sobre o ICMS ( o que não ocorreu pois houve o depósito, convertido posteriormente em renda à União), objeto da medida cautelar em referência; requer a reforma da decisão da DRJ; a fim de que seja julgada improcedente o Lançamento do valor da multa de oficio sobre o imposto apurado em abril de 1991, tempestivamente depositado (inclusive a maior, se considerado a semestralidade da sua apuração). Registrese que consta Certidão de objeto e pé (da Medida Cautelar) à efl. 52, com trânsito em julgado em 24/11/1999, onde se encontra arquivada, tendo em vista a extinção do processo com posterior conversão do depósito efetuado pela recorrente em favor da União, conforme informação à efl. 55. A PGFN solicitou conversão em renda da União em 23/02/2000 à efl.56. O processo foi redistribuído a esta Conselheira, de forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Fl. 169DF CARF MF 6 Foram lavrados dois autos de Infração, um com exigibilidade suspensa (que é este, com fins de resguardar os efeitos da decadência), cuja parcela foi depositada em juízo relativa ao mês de abril de 1991, através da medida cautelar de n° 91.06636233 (art. 151, inc. IV do CTN), depósito judicial este, parcial, do valor do PIS incidente sobre a parcela da base de cálculo excluída, em face do deferimento da liminar pleiteada, que, posteriormente, foi revogada, com conversão do depósito em renda em favor da União. Assim como foi lavrado o outro auto de infração exigível quanto aos meses de abril de 1991(da parcela não depositada em juízo) a Janeiro de 1993, com fulcro no art. 3°, alínea b da Lei Complementar n° 7/70 c/c o art. 1° § único da Lei Complementar n° 17/73; Titulo 5, capítulo 1, alínea b, itens I e II do Regulamento do PIS/ PASEP, aprovado pela Portaria MF 142/82, confeccionado através do processo de n° 13805.008665/9816. Este processo já teve julgamento, através do acórdão de n° 20181.573, de 07/11/2008, de relatoria do Conselheiro Maurício Taveira e Silva, que decidiu, nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/1991 a 31/01/1993 PIS. DECADÊNCIA. NA OCORRÊNCIA DEVESE CONHECER DE OFÍCIO. Caso tenha ocorrido a decadência, esta deve ser conhecida de ofício, consoante o art. 210 do Código Civil. Uma vez que o STF, por meio da Súmula Vinculante n° 8, considerou inconstitucional o art. 45 da Lei n° 8.212/91, há que se reconhecer a decadência, em conformidade com o disposto no Código Tributário Nacional. Assim, o prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário referente ao PIS decai no prazo de cinco anos fixado pelo CTN, sendo, com fulcro no art. 150, § 4°, caso tenha havido antecipação de pagamento, inerente aos lançamentos por homologação, ou art. 173,1, em caso contrário. Recurso voluntário provido. Em sendo assim, o processo (o que se discute), o recorrente, amparado em liminar, deixou de incluir na base de cálculo do PIS os valores referentes ao ICM, efetuando em juízo o depósito correspondente. O lançamento incluiu juros e multa de ofício, daí o mesmo alegar, em síntese, que o crédito tributário, estava com a sua exigibilidade suspensa em virtude do depósito judicial, sendo incabível a aplicação de multa de ofício e juros de mora, bem como argumenta, a tese da semestralidade na apuração da base de cálculo do PIS. Pelo relato, já houve conversão do depósito em renda à União. PRELIMINAR Preliminarmente, cabe analisar a ocorrência de decadência do período lançado. Nada obstante, essa circunstância não tenha sido alegada, deve ser conhecida de ofício. Verificase do auto de infração, que é decorrente da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS, no mês de abril de 1991, cuja ciência deuse em 16/07/1998 (efl.23). Como relatado, a recorrente ingressou com medida judicial cautelar n° 91.06636233 objetivando a exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS, obtendo liminar para realização de depósito judicial da diferença do PIS (data do depósito em 11/07/1991), que, todavia, foi cassada quando da prolação da sentença. Fl. 170DF CARF MF Processo nº 13805.008664/9853 Acórdão n.º 3201002.582 S3C2T1 Fl. 168 7 É de conhecimento, que embora a matéria encontrarse sub judice, à época, não impede a constituição do crédito tributário pelo lançamento. Ao contrário, até que haja sentença judicial transitada em julgado, não há impedimento do crédito tributário correspondente ser devidamente constituído, sob inclusive pena de responsabilidade funcional. O crédito tributário inexiste sem o respectivo lançamento. Antes dele só existe a obrigação tributária, pois ela depende apenas da ocorrência do fato gerador. O crédito tributário, para passar a existir (com os atributos e garantias que a lei estipula, por exemplo, com a sua exigibilidade suspensa ou não, conforme o caso), precisa de um procedimento administrativo de formalização, que é o lançamento, o que foi realizado no caso, para evitar a decadência. Com efeito, a suspensão determinada pelo artigo 151 impede o exercício do poder de execução, a prática de atos como a inscrição em dívida e a penhora de bens do contribuinte, mas não suspende a efetivação do ato administrativo de lançamento, que aliás, nos termos do artigo 142 do CTN, é atividade vinculada e obrigatória, necessária para evitar a decadência do direito de constituir o crédito. Verificase que, à época, o auto de infração foi confeccionado com base no prazo decadencial para constituição das contribuições destinadas a financiar a seguridade social disciplinado pelo artigo 45 da Lei nº 8.212, de 1991, que dispõe sobre a organização da Seguridade Social. Logo, com base no art. 45 da Lei n° 8.212/90, cujo prazo decadencial era de dez anos para constituição do crédito tributário, o mesmo foi realizado; no entanto; surgiu a edição da Súmula Vinculante n° 8 (abaixo reproduzida), pelo STF, publicada em 20/06/2008, considerando inconstitucional o art. 45 dessa Lei, havendo que se reconhecer a decadência do PIS em conformidade com o disposto no Código Tributário NacionalCTN. Pois bem, como o Supremo Tribunal FederalSTF declarou e reconheceu a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91, o que culminou na edição da Súmula Vinculante n° 8, in verbis: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5o do Decreto lei n° 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei n. 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Desse modo, o prazo para constituição do crédito tributário regese pelo art. 150, § 4°, ou pelo art. 173, I, ambos do CTN, consoante, respectivamente, ter havido pagamento antecipado ou não. Tendo em vista que em relação ao período lançado houve pagamento/recolhimento a menor, a decadência se verifica com fulcro no art. 150, § 4°, do CTN. Destarte, tendo em vista que a ciência do auto de infração ocorreu em 16/07/1998 (efl. 23), todos os períodos anteriores a janeiro de 1993 já se encontravam alcançados pela decadência. Portanto, considerandose os ditames do art.150, § 4o do CTN, que se aplica às contribuições sociais, por força do entendimento veiculado pela Súmula Vinculante n° 8, é de se reconhecer, no sentido de que o período de abril de 1991 (período deste processo), foi atingido pela decadência. Fl. 171DF CARF MF 8 MÉRITO Analisada a preliminar acima, os argumentos de mérito da recorrente ficam prejudicados. Ressaltese que o processo estava com exigibilidade suspensa e pela informação nos autos, já houve a conversão de depósito em renda da União. Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso, para reconhecer a decadência para o período de abril de 1991, objeto deste processo. CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO AO RECURSO, tendo em vista, aplicação da Súmula Vinculante de n° 8 do STF, já que a Fazenda Pública não pode exigir contribuições sociais com o aproveitamento do prazo de 10 anos previstos nos dispositivos dos arts. 45 e 46 da Lei de n ° 8.212/91, declarados inconstitucionais. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 172DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.722465/2010-62
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2007 a 31/12/2009
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-004.867
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 24 65 /2 01 0- 62 Fl. 689DF CARF MF Processo nº 10980.722465/201062 Acórdão n.º 9202004.867 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10380.005876/200753. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.792, de 12/12/2016, proferido no julgamento do processo 10380.005876/200753, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.792): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 690DF CARF MF Processo nº 10980.722465/201062 Acórdão n.º 9202004.867 CSRFT2 Fl. 0 3 Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 691DF CARF MF Processo nº 10980.722465/201062 Acórdão n.º 9202004.867 CSRFT2 Fl. 0 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Fl. 692DF CARF MF Processo nº 10980.722465/201062 Acórdão n.º 9202004.867 CSRFT2 Fl. 0 5 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 693DF CARF MF Processo nº 10980.722465/201062 Acórdão n.º 9202004.867 CSRFT2 Fl. 0 6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há Fl. 694DF CARF MF Processo nº 10980.722465/201062 Acórdão n.º 9202004.867 CSRFT2 Fl. 0 7 que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 695DF CARF MF Processo nº 10980.722465/201062 Acórdão n.º 9202004.867 CSRFT2 Fl. 0 8 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 696DF CARF MF Processo nº 10980.722465/201062 Acórdão n.º 9202004.867 CSRFT2 Fl. 0 9 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 697DF CARF MF Processo nº 10980.722465/201062 Acórdão n.º 9202004.867 CSRFT2 Fl. 0 10 Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Em face do acima exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 698DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.906395/2009-63
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/05/2005
ESTIMATIVA. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE.
Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação (Súmula CARF nº 84).
Numero da decisão: 9101-002.611
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento, com retorno dos autos à Unidade de origem para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário.
[assinado digitalmente]
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação (Súmula CARF nº 84). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento, com retorno dos autos à Unidade de origem para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário. [assinado digitalmente] Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Tratase de Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 180100.862, que julgou o recurso voluntário interposto pela contribuinte acerca da possibilidade de compensação de créditos de pagamentos de estimativas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 90 63 95 /2 00 9- 63 Fl. 247DF CARF MF Processo nº 10166.906395/200963 Acórdão n.º 9101002.611 CSRFT1 Fl. 3 2 O Acórdão recorrido deu provimento parcial ao recurso voluntário para afastar o argumento jurídico da não homologação, entendendo ser possível a compensação de créditos de pagamentos de estimativas. Em seguida, para comprovar a divergência de interpretação necessária ao conhecimento do seu recurso, a Fazenda Nacional interpôs o presente recurso especial de divergência, por entender que a decisão de reconhecer a possibilidade de compensação do valor indevidamente pago, ou pago a maior, de estimativa é fruto de interpretação da legislação tributária que conflita com a interpretação adotada no acórdão paradigma colacionado aos autos. O recurso foi admitido por meio do despacho do Presidente da Câmara. Após, sobrevieram contrarrazões em que o sujeito passivo defende o acerto da decisão questionada e pugna pela sua manutenção. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9101002.610, de 16/03/2017, proferido no julgamento do processo 10280.900603/200912, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9101002.610): O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento, na forma como foi admitido. O contribuinte apresentou DCOMP apontando indébito oriundo de pagamento a maior de estimativa. Ao apreciar a referida declaração, a Receita Federal não homologou a compensação, sob o fundamento de que o pagamento de estimativa não é passível de compensação, devendo compor a apuração anual do tributo. A decisão recorrida foi no sentido oposto, reconhecendo o direito de o contribuinte compensar o indébito de estimativa, devolvendo os autos para a unidade de origem, para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário pleiteado, vez que essa matéria ainda não sofreu apreciação pela Administração Tributária. O recurso especial veio para que esta Câmara Superior reforme a decisão recorrida, restabelecendo a declaração de impossibilidade de o contribuinte compensar crédito de estimativa, nos termos da legislação infralegal então em vigor. Fl. 248DF CARF MF Processo nº 10166.906395/200963 Acórdão n.º 9101002.611 CSRFT1 Fl. 4 3 Todavia, a IN RFB nº 900, de 2008, retirou a referida proibição do ordenamento tributário e é pacífico na jurisprudência administrativa o entendimento de que seus efeitos devem retroagir para alcançar as compensações pendentes de decisão administrativa. Esse entendimento é adotado pela própria Administração Tributária, exteriorizado por meio da Solução de Consulta Interna Cosit n° 19, de 05/12/2011, assim ementada: ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. Caracterizase como indébito de estimativa inclusive o pagamento a maior ou indevido efetuado a este título após o encerramento do período de apuração, seja pela quitação do débito de estimativa de dezembro dentro do prazo de vencimento, seja pelo pagamento em atraso da estimativa devida referente a qualquer mês do período, realizado em ano posterior ao do período da estimativa apurada, mesmo na hipótese de a restituição ter sido solicitada ou a compensação declarada na vigência das IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005. A nova interpretação dada pelo art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, aplicase inclusive aos PER/DCOMP retificadores apresentados a partir de 1º de janeiro de 2009, relativos a PER/DCOMP originais transmitidos durante o período de vigência da IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005, desde que estes se encontrem pendentes de decisão administrativa. No âmbito deste Tribunal Administrativo, a matéria foi pacificada por meio da Súmula CARF nº 84: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial da Procuradoria, com retorno dos autos à unidade de origem para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial da Fazenda Nacional, e, no mérito, negolhe provimento, com retorno dos autos à unidade de origem para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário. assinado digitalmente Fl. 249DF CARF MF Processo nº 10166.906395/200963 Acórdão n.º 9101002.611 CSRFT1 Fl. 5 4 Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 250DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.007871/2004-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/1989 a 31/10/1989, 01/03/2002 a 30/06/2002, 01/03/2004 a 31/07/2004
Ementa:
COMPENSAÇÃO HIPÓTESE DE EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO COMPROVAÇÃO -
Necessário que seja comprovada a existência dos créditos e da implementação da compensação para que ocorra a extinção dos débitos escriturados.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3301-003.459
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
José Henrique Mauri - Presidente substituto
Valcir Gassen - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. José Henrique Mauri - Presidente substituto Valcir Gassen - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/1989 a 31/10/1989, 01/03/2002 a 30/06/2002, 01/03/2004 a 31/07/2004 Ementa: COMPENSAÇÃO — HIPÓTESE DE EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO — COMPROVAÇÃO Necessário que seja comprovada a existência dos créditos e da implementação da compensação para que ocorra a extinção dos débitos escriturados. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. José Henrique Mauri Presidente substituto Valcir Gassen Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 78 71 /2 00 4- 60 Fl. 794DF CARF MF Processo nº 11080.007871/200460 Acórdão n.º 3301003.459 S3C3T1 Fl. 795 2 Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte face a decisão consubstanciada no Acórdão nº 1016874 (fls. 170 a 173), de 14 de agosto de 2008, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre – DRJ/POA, que julgou, por unanimidade de votos, por desconhecer da impugnação quanto aos argumentos levados ao poder judiciário, declarando a definitividade da discussão na esfera administrativa e, no mérito, considerou procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido. Visando a elucidação do caso e a economia processual adoto e cito o relatório do referido Acórdão: Trata o presente processo de impugnação tempestiva a auto de infração relativo ao PIS, onde foi apurado um crédito tributário no valor de R$ 73.773,54, com juros de mora atualizados até 30/09/2004. De acordo com o Relatório da Ação Fiscal (fis.77/84), constatou a fiscalização que o contribuinte não ofereceu à tributação receita decorrente da aquisição de precatórios com deságio; bem como a receita financeira decorrente da atualização desses precatórios. Foram declarados ainda valores em DCTF em montante inferior ao escriturado na contabilidade da empresa. A autuada adquiriu precatórios no valor total de R$ 1.200.000,00, pagando por eles o valor de R$ 384.000,00. Tal fato gerou uma receita no montante de R$ 816.000,00, a qual foi escriturada como receita não operacional e não foi oferecida à tributação do PIS. Com relação à atualização do valor dos precatórios, a empresa efetuou a correção, conforme preconiza o art. 100 da Constituição Federal, com base na variação do IGPM mais 1% de juros, segundo entendimento firmado pelo Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul. Entretanto, referida receita financeira foi oferecida à tributação desde a data de aquisição dos precatórios até fevereiro de 2004. A partir desta data a empresa passou a não incluir as receitas financeiras decorrentes da atualização dos precatórios na base de cálculo do PIS, tendo estornado da contabilidade da empresa a atualização escriturada desde dezembro de 2002. Entretanto, para o período janeiro de 2003 a fevereiro de 2004, em que pese ter estornado as correções de sua contabilidade, declarou em DCTF o PIS incidente sobre tal receita. Sendo assim, o auto de infração em tela abarca o lançamento sobre a receita financeira da correção dos precatórios com base no IGPM e juros de 1% ao mês nos períodos de março a julho de 2004, uma vez que com a edição da Lei n° 10.865/2004 e do Decreto 5.164/2004, a partir de agosto de 2004, a alíquota incidente sobre as receitas financeiras foi reduzida a zero. Houve recomendação da fiscalização para que fosse corrigido o estorno efetuado na contabilidade da empresa referente às receitas financeiras do período janeiro de 2003 a fevereiro de 2004. Fl. 795DF CARF MF Processo nº 11080.007871/200460 Acórdão n.º 3301003.459 S3C3T1 Fl. 796 3 Já nos períodos de apuração março a junho de 2002, constatou a fiscalização que a empresa declarou em DCTF apenas 10% do PIS efetivamente devido e escriturado em sua contabilidade. Em sua impugnação, alega a autuada que deixou de atualizar o valor dos precatórios após tomar conhecimento de que o pagamento havia sido suspenso por ordem judicial, tendo em vista que a parte devedora, Estado do Rio Grande do Sul, teria ingressado com Exceção de PréExecutoriedade, invocando matéria de ordem pública (cópia da decisão fls. 129/131). Afirma que o valor do precatório constitui uma receita não operacional sobre a qual não haveria incidência da contribuição. Passa a atacar o conceito de faturamento definido pela Lei n° 9.718/1998, invocando o disposto no art. 110 do Código Tributário Nacional. Afirma que a ampliação do conceito de faturamento teria extrapolado o disposto no art. 195, b da Constituição Federal de 1988. Informa a intenção de impetrar Mandado de Segurança pleiteando a declaração de inexistência da relação jurídicotributária sobre a exação. Com relação às divergências encontradas entre os valores declarados em DCTF nos períodos de março a junho de 2002 e o montante constante da escrituração contábil e fiscal da empresa, afirma que as diferenças teriam sido devidamente quitadas via compensação. (Diário Geral — fls. 46, 47, 48, 223, 234, 313 e 395). Verificase que a empresa impetrou Mandado de Segurança, onde discute a inconstitucionalidade da Lei n° 9.718/1998, tendo obtido sucesso em seu pleito (fls. 141/157). Diante da decisão proferida pela DRJ/POA, de julgar procedente o lançamento, o Contribuinte ingressou com Recurso Voluntário (fls. 391 a 398), em 13 de novembro de 2008. É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen O Recurso Voluntário (fls. 391 a 398), de 13 de novembro de 2008, interposto pelo Contribuinte em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 10.16874 (fls. 170 a 173), de 14 de agosto de 2008, é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. O ora analisado Recurso visa reformar decisão que possui a seguinte ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/1989 a 31/10/1989, 01/03/2002 a 30/06/2002 e 01/03/2004 a 31/07/2004 Ementa: CONCOMITÂNCIA DE AÇÃO JUDICIAL Fl. 796DF CARF MF Processo nº 11080.007871/200460 Acórdão n.º 3301003.459 S3C3T1 Fl. 797 4 A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto. COMPENSAÇÃO — HIPÓTESE DE EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO — COMPROVAÇÃO Necessário que seja comprovada a existência dos créditos e da implementação da compensação para que ocorra a extinção dos débitos escriturados. Lançamento Procedente O Contribuinte visando a reforma da decisão ora recorrida formula os pedidos, em preliminar, da não concomitância entre os processos administrativo e judicial, e, no mérito da não incidência da exação sobre as receitas autuadas e nulidade do auto de infração. E assim expõe quando do pedido (fl. 398): a) (...); b) seja declarado insubsistente o auto de infração no que tange às primeiras duas infrações por inexistência de relação jurídicotributária face à natureza das receitas auferidas, em respeito à decisão judicial transitada em julgado. c) seja declarado inexistente o débito lançado, face a existência de provas de pagamento, via compensação dos débitos levantados com origem na Lei 07/70, conforme planilha em anexo, como também seja declarada inválida a multa aplicada, porque incidente sobre base legal equivocada. No caso de não levantamento integral da penalidade pecuniária, seja a mesma aplicada tão somente conforme a IN SRF N° 255, porque mera infração formal. d) (...) O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais por meio da Resolução nº 3101000.154 da 1ª Câmara/1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, em 8 de julho de 2011, converteu o julgamento em diligência nos seguintes termos no voto vencedor (fl. 530 e 531): Tanto nas razões de impugnação quanto no recurso voluntário, o sujeito passivo da obrigação tributária assevera: (1) o crédito tributário da Fazenda Nacional ora exigido (PIS) teria sido extinto mediante compensação; e (2) na extinção desse crédito tributário a ora recorrente teria feito uso de valores recolhidos a maior para o PIS, porque calculados e recolhidos ao erário na forma prescrita em normas posteriormente declaradas inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal (Decretosleis 2.445 e 2.449, ambos de 1988). Nada obstante, do exame dos autos deste processo, não é possível concluir pela existência nem pela inexistência dos créditos alegados em desfavor do fisco e utilizados na alegada compensação, tampouco se tem notícia da aferição do fato nos assentamentos contábeis e fiscais da sociedade empresária. Excerto do relação da ação fiscal (folha 79, parte final do último parágrafo) corrobora essa deficiente instrução, verbis: Fl. 797DF CARF MF Processo nº 11080.007871/200460 Acórdão n.º 3301003.459 S3C3T1 Fl. 798 5 (...) Quanto à compensação de créditos de PIS, esta foi declarada nas DCTF da empresa, fato este que exclui a apreciação por esta fiscalização, que encaminhará o assunto para o setor competente dentro da estrutura organizacional da Secretaria da Receita Federal. Por conseguinte, com o objetivo de enriquecer a instrução dos autos deste processo e em respeito ao princípio da verdade material, voto pela conversão do julgamento do recurso voluntário em diligência à repartição de origem para que a autoridade preparadora emita juízo de valor concernente à: (1) existência dos créditos alegados em desfavor da Fazenda Nacional e (2) utilização e suficiência desses créditos para a extinção dos créditos tributários da Fazenda Nacional ora discutidos. Posteriormente, após facultar à recorrente oportunidade de manifestação quanto ao resultado da diligência, providenciar o retorno dos autos para este colegiado. Para o efetivo cumprimento da diligência a SECAT/DRF/POA/RS, por intermédio do Termo de Intimação n° 2.330 de 5 de junho de 2012 solicitou a) cópia dos registro contábeis para verificar a base de cálculo do PIS; b) cópia dos DARF’s relativos ao PIS recolhido com base nos Decretos n° 2.445/88 e 2.449/88 (PIS/Decretos); c) planilha demonstrando a compensação do excedente dito inconstitucional do PIS/Decretos com o PIS; e, d) cópias das decisões judiciais que declararam inconstitucionais os Decretos n° 2.445/88 e 2.449/88 que autorizaram a utilização do excedente em compensações com o próprio PIS. O Contribuinte ofertou resposta ao referido termo de intimação em 10 de agosto de 2012 (fls. 653 a 658), que em síntese concluiu: Fica plenamente demonstrado o erro parcial de aplicação das normas constitucionais pela jurisprudência passada, de modo a demonstrar o direito dos contribuintes em ver os pagamentos efetuados após 28 de fevereiro de 1996 também declarados como indevidamente recolhidos, ensejando a declaração de seu direito a utilizalos, de forma devidamente atualizada, para compensação com seus débitos próprios. Assim, atendendo à legislação vigente, a Contribuinte fez o devido Pedido de Restituição à Secretaria da Receita Federal, em 07 de novembro de 2001, no Processo Administrativo n° 11080.012067/200150 ainda sem manifestação. Neste Processo foi solicitada à restituição, conforme planilhas em anexo: PIS/VACÂNCIA OUT/95 A FEV/96 R$ 29.212,96 MAR/96 A SET/98 R$ 102.176,43 O Pedido totalizou a importância de R$ 131.389,39, em 07 de novembro de 2001, devendo ser atualizada na forma legal, até a presente data e trazido a estes autos para ser declarado inexistente o lançamento cobrado, pelos dois fundamentos: a) No que tange à incidência de PIS sobre as receitas financeiras não tributadas a prevalência do julgado em favor da contribuinte na ação judicial de n° 2005.71.00.0002047. b) No referente às compensações efetuadas, seja reconhecido seu crédito no Pedido de Restituição Proc. N° 11080_O12067/200150, com protocolo em 07/11/2011 e ainda não analisado. Fl. 798DF CARF MF Processo nº 11080.007871/200460 Acórdão n.º 3301003.459 S3C3T1 Fl. 799 6 Com o Termo de Intimação n° 2.330 e a resposta do Contribuinte, o Serviço de Controle e Acompanhamento Tributário – SECAT/DRF/POA, atendendo a Resolução nº 3101000.154 da 1ª Câmara/1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, assim se pronunciou em 4 de fevereiro de 2013 (fls. 727): Estes autos vieram encaminhados pela terceira seção de julgamento do conselho administrativo de recursos fiscais “para que a autoridade preparadora emita juízo de valor concernente à: (1) existência dos créditos alegados em desfavor da Fazenda Nacional e (2) utilização e suficiência desses créditos para a extinção dos créditos tributários da Fazenda nacional ora discutidos”. A fim de atender a diligência, procedi à intimação da interessada solicitando registros contábeis que demonstrassem a base de cálculo do PIS nos termos dos Decretos n° 2.445/88 e 2.449/88; DARF's relativos ao PIS recolhido com base nos Decretos; planilha demonstrando a compensação do excedente inconstitucional; e cópias das decisões judiciais que declararam a inconstitucionalidade dos decretos. A interessada respondeu, mas não apresentou documentos que fossem suficientes para acatar seu pleito. Entregou o diário de outubro a dezembro de 1995, entretanto os decretos vigeram até agosto de 1995; apresentou também balancete analítico de 1998; DCTF 2004, 2005 e 2006; planilha demonstrando a apuração do PIS para o primeiro semestre 'de 2006; declaração de compensação de PIS do quarto trimestre de 2005; DARF's de1995 (vencimento em 12/95), 1996, 1997 e 1998; planilha demonstrando a apuração do PIS em 2005; e cópia das resoluções do Senado excluindo do ordenamento jurídico os Decretos. Cabe ressaltar que o PIS passível de restituição referese aos PA's de janeiro de 1988 a agosto de 1995. Evidenciese também que não foram apresentados os documentos originais para atestar as cópias. Considerando todo o exposto, e em especial que a contribuinte não demonstrou as bases de cálculos do PIS nos termos dos Decretos supracitados, não é possível concluir pela quitação da dívida como desejado pela interessada. Estes autos devem ser devolvidos para a Cobrança para que dê ciência do resultado desta diligência e, após manifestação da interessada, ou sua ausência, remetidos ao conselho de recurso fiscais. Percebese às fls 779 o encaminhamento da diligência para ciência do Contribuinte, com a devida Notificação n° 016/2013 (fls 780), de acordo com o AR de 12 de março de 2013, e a sua não manifestação acerca do resultado da diligência. Entendo que foi adequado o encaminhamento da diligência formulada por intermédio da Resolução nº 3101000.154 da 1ª Câmara/1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, com a devida vênia diante do voto vencido, visto que ofertou ao Contribuinte o direito do exercício do contraditório e da ampla defesa, colacionando e demonstrando as provas necessárias ao seu pleito. Entendo que assiste razão à administração fiscal, de que não demonstrado o alegado pelo Contribuinte, no que concerne a aferição das bases de cálculo do PIS diante dos Decretos n° 2.445/88 e 2.449/88 e a consequente quitação da débito tributário, não é possível atender o pleito. Assim sendo, considerando os autos do processo e a legislação aplicável, voto em negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a decisão ora recorrida. Fl. 799DF CARF MF Processo nº 11080.007871/200460 Acórdão n.º 3301003.459 S3C3T1 Fl. 800 7 Valcir Gassen Relator Fl. 800DF CARF MF
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Numero do processo: 13864.000362/2009-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Mar 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA.
Reconhece-se a higidez da base de cálculo apurada obtida através da escrituração contábil da própria empresa, não havendo que se falar em nulidade do lançamento.
COMPETÊNCIA DO AUDITOR-FISCAL PARA VERIFICAÇÃO DA CONTABILIDADE. MATÉRIA SUMULADA.
Súmula CARF nº 8: O Auditor Fiscal da Receita Federal é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador.
PRINCÍPIO DA AUTONOMIA DOS ESTABELECIMENTOS. ART. 127, II, DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. INAPLICABILIDADE AO CASO CONCRETO.
Mostra-se correto o procedimento fiscal de lançamento no estabelecimento matriz quando a empresa deixa de apresentar documentos impossibilitando a determinação exata do fato gerador em cada estabelecimento.
ASSISTÊNCIA MÉDICA. NECESSIDADE DE EXTENSÃO À TOTALIDADE DOS EMPREGADOS E DIRIGENTES. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO.
O pagamento de assistência médica, em desacordo com a norma legal, integra a base de cálculo do salário-de-contribuição para fins de contribuição previdenciária, sendo expressamente exigido que a empresa disponibilize a participação no plano à totalidade dos seus segurados empregados e dirigentes para que deixe de incidir contribuição previdenciária sobre valores pagos a esse título.
Numero da decisão: 2301-004.945
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por conhecer do recurso voluntário, para acolher apenas, e parcialmente, a preliminar de vinculação processual para determinar a apensação do processo nº 13864.000363/2009-73 ao processo nº 13864.000362/2009-29, rejeitando as demais preliminares, e, no mérito, negar provimento ao Recurso interposto.
(assinado digitalmente)
Andrea Brose Adolfo - Presidente em exercício e Relatora.
EDITADO EM: 17/03/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Evaristo Pinto, Andrea Brose Adolfo (Presidente em exercício e Relatora), Fábio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes (suplente convocado), Julio Cesar Vieira Gomes e Maria Anselma Coscrato dos Santos (suplente convocada).
Nome do relator: ANDREA BROSE ADOLFO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Reconhecese a higidez da base de cálculo apurada obtida através da escrituração contábil da própria empresa, não havendo que se falar em nulidade do lançamento. COMPETÊNCIA DO AUDITORFISCAL PARA VERIFICAÇÃO DA CONTABILIDADE. MATÉRIA SUMULADA. Súmula CARF nº 8: O Auditor Fiscal da Receita Federal é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. PRINCÍPIO DA AUTONOMIA DOS ESTABELECIMENTOS. ART. 127, II, DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. INAPLICABILIDADE AO CASO CONCRETO. Mostrase correto o procedimento fiscal de lançamento no estabelecimento matriz quando a empresa deixa de apresentar documentos impossibilitando a determinação exata do fato gerador em cada estabelecimento. ASSISTÊNCIA MÉDICA. NECESSIDADE DE EXTENSÃO À TOTALIDADE DOS EMPREGADOS E DIRIGENTES. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. O pagamento de assistência médica, em desacordo com a norma legal, integra a base de cálculo do saláriodecontribuição para fins de contribuição previdenciária, sendo expressamente exigido que a empresa disponibilize a participação no plano à totalidade dos seus segurados empregados e dirigentes para que deixe de incidir contribuição previdenciária sobre valores pagos a esse título. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 4. 00 03 62 /2 00 9- 29 Fl. 6793DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por conhecer do recurso voluntário, para acolher apenas, e parcialmente, a preliminar de vinculação processual para determinar a apensação do processo nº 13864.000363/200973 ao processo nº 13864.000362/200929, rejeitando as demais preliminares, e, no mérito, negar provimento ao Recurso interposto. (assinado digitalmente) Andrea Brose Adolfo Presidente em exercício e Relatora. EDITADO EM: 17/03/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Evaristo Pinto, Andrea Brose Adolfo (Presidente em exercício e Relatora), Fábio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes (suplente convocado), Julio Cesar Vieira Gomes e Maria Anselma Coscrato dos Santos (suplente convocada). Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal DEBCAD nº 37.180.8421, lavrado pela fiscalização contra a empresa em epígrafe, no montante R$ 436.465,55 (quatrocentos e trinta e seis mil, quatrocentos e sessenta e cinco reais e cinquenta e cinco centavos).consolidado em 29/09/2009, relativo às contribuições previdenciárias parte patronal (20%) e para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho — RAT (3%).incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados, relativas à assistência médica e odontológica, no período de 01/2005 a 12/2005, não declaradas nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP. De acordo com o Relatório Fiscal (efls. 11/17) os fatos geradores foram agrupados no Levantamento AM2 Assistência Médico Odontológica, decorrente de verificação nos registros contábeis o pagamento de assistência médica/odontológica a apenas parte dos segurados da empresa, contrariando o disposto no art. 28, §9º, 'q' da Lei nº 8.212/1991. Conforme informação da empresa "a assistência medica é conferida a todos os funcionários, dos diferentes; estabelecimentos da empresa, situados no Estado de São Paulo, quais sejam São José dos. Campos e São Caetano do Sul, em virtude da observância da Convenção Coletiva da categoria a que está jungindo, situação esta diversa nos estabelecimentos situados nos Estados do Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, em que as Convenções Coletivas não contemplam tal auxilio aos funcionários." Intimada a apresentar a relação nominal dos beneficiários da assistência médica/odontológica/plano de saúde, discriminando por estabelecimento (CNPJ), competência (mês) e nome do empregado (nome do beneficiário e outros dados identificadores do mesmo), Fl. 6794DF CARF MF Processo nº 13864.000362/200929 Acórdão n.º 2301004.945 S2C3T1 Fl. 6.794 3 a empresa não atendeu à intimação sob a alegação de que as faturas não individualizam os funcionários eventualmente beneficiados. As bases de cálculo das contribuições previdenciárias foram obtidas através dos lançamentos contábeis nas contas de despesas com assistência médica e odontológica e atribuídas ao estabelecimento centralizador (matriz), uma vez que a empresa não forneceu as informações que permitissem a vinculação a cada um dos estabelecimentos envolvidos, estando discriminados na Planilha 2 (anexa ao AI). A contabilidade foi fornecida à fiscalização em meio digital no padrão MANAD Manual de Arquivos Digitais, conforme solicitação fiscal. Foram considerados apenas os valores despendidos pela própria empresa, excluindose os valores lançados como participação (desconto) dos segurados empregados A multa aplicada foi de 75%, nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212/1991, com redação dada pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, por mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, c, CTN) comparada às multas previdenciárias vigentes na época da ocorrência dos fatos geradores. Tal comparativo encontrase na Planilha 1 (anexa ao AI). Cientificada em 15/10/2009, a autuada apresentou impugnação de efls. 109/129, com juntada de documentos de efls. 130/6658 (dentre eles convenções coletivas de trabalho e folhas de pagamento do período fiscalizado), onde traz as alegações à seguir sintetizadas, nos termos do relatório do acórdão atacado: as normas sindicais dos Estados do Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul não dispõem sobre a assistência médica/odontológica; houve erro material na apuração da base de cálculo, como se verifica do cotejo das folhas de pagamento com a Planilha 2, parte integrante do Auto de Infração; deve ser reconhecida a incompetência material do Auditor Fiscal para proceder a análise de escrituração contábil, uma vez que o mesmo não possui vínculo junto ao Conselho de Contabilidade; há conexão do presente com os processos nº 13864.000364/200918 e 13864.000363/200973, razão pela qual devem ser julgados em conjunto; o legislador complementar, ao tratar das situações jurídicas tributárias afetas aos diferentes estabelecimentos, colacionou, no inciso II, do artigo 127 do Código Tributário Nacional, expressa autonomia e independência jurídica, sobretudo nas situações capazes de ensejar o nascimento de obrigação tributária; o inciso IV do § 2º do art. 458 da CLT afastou, expressamente, qualquer tentativa de configurar assistência médica/odontológica como resquício de salário in natura; e as decisões dos Tribunais têm sido nesse sentido, ou seja, que a assistência médica/odontológica possui natureza indenizatória. Fl. 6795DF CARF MF 4 A 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas DRJ/CPS, em sessão de 21/10/2011, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, nos termos do Acórdão nº 0535.524, assim redigido: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 ASSISTÊNCIA MÉDICA. NECESSIDADE DE EXTENSÃO À TOTALIDADE DOS EMPREGADOS E DIRIGENTES. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. O pagamento de assistência médica, em desacordo com a norma legal, integra a base de cálculo do saláriodecontribuição para fins de contribuição previdenciária, sendo expressamente exigido que a empresa disponibilize a participação no plano à totalidade dos seus segurados empregados e dirigentes para que deixe de incidir contribuição previdenciária sobre valores pagos a esse título. FISCALIZAÇÃO. AUDITORFISCAL. COMPETÊNCIA. HABILITAÇÃO EM CONTABILIDADE. EXIGÊNCIA INCABÍVEL. A competência do AuditorFiscal para o exame da contabilidade da empresa é decorrente da lei, a qual não exige habilitação para tanto. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada da decisão em 10/11/2011 (efls. 6690), apresentou Recurso Voluntário em 09/12/2011 (efls. 6700/6721), repisando as alegações da impugnação. Em 23/01/2013, os membros da 3ª Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento resolveram converter o julgamento em diligência, nos termos da Resolução nº 2803000.154 (efls. 6751/6753), para que autoridade lançadora se manifestasse "sobre o confronto informação a informação que fundamentou o lançamento com a documentação e diferenças das bases de cálculo apuradas e apontadas pela Recorrente". Em 07/01/2016 a autoridade autuante anexou Informação Fiscal de efls. 6757/6763 (e anexos efls. 6764/6775), na qual ratifica as bases de cálculo utilizadas no Auto de Infração, concluindo que "5.2. Ficou demonstrado que a determinação das bases de cálculo feita pelo AuditorFiscal possui plena correção e materialidade, pois são fiéis aos lançamentos contábeis apresentados (item 3, e seus subitens, da presente IF)." 3. Do Método de apuração das bases de cálculo pelo Auditor Fiscal, quando da ação fiscal. Uma vez que se trata de remuneração indireta, em forma de utilidades custeadas pelo contribuinte, o modo de estabelecer seu valor monetário é determinar o valor de custo para o contribuinte. Tal determinação foi obtida pela maneira tecnicamente correta e legalmente prevista: por meio da verificação das contas de despesas do contribuinte; de modo a constatarse o quanto foi reconhecido, em sua contabilidade, como despesa com a assistência médica/odontológica, fornecida aos seus empregados. Fl. 6796DF CARF MF Processo nº 13864.000362/200929 Acórdão n.º 2301004.945 S2C3T1 Fl. 6.795 5 3.1. As bases de cálculo apuradas foram explicitadas, nos autos de infração, por meio de planilha contendo lançamentos contábeis em contas relacionadas às despesas do contribuinte com o fornecimento de assistência médico/odontológica aos segurados empregados. Para facilitar a localização e a referência aos dados contidos nessa planilha de bases de cálculo, repetimos a mesma nesta IF, sob a denominação de Planilha 1 Determinação das bases de cálculo (anexa), contendo três páginas. 3.1.1. Os lançamentos contábeis foram obtidos por meio de arquivos digitais, fornecidos pelo contribuinte, contendo os lançamentos feitos em seus livrosdiário. Para maiores detalhes remetese, uma vez mais, aos Relatórios Fiscais dos autos de infração, presentes nos citados processos. 3.1.2. As contas, relacionadas às despesas com o fornecimento de assistência médico/odontológica aos segurados empregados, localizadas, foram: Cód Conta Descrição da Conta 410202001 Convenio Médico Odont. Oper 410202036 Assit. Médica Particular Custo Oper 420203074 Convênio Médico Odont. Adm 3.1.3. Para que se possa evidenciar, ainda mais, a correção e materialidade das bases de cálculo apuradas, presentes na Planilha 1, são anexadas planilhas com o razão das contas referidas no item anterior (3.1.2), extraídos a partir dos arquivos digitais fornecidos pelo contribuinte, contendo os lançamentos contábeis feitos em seus livrosdiário. Tais planilhas foram denominadas: Planilha 2 (2 páginas); Planilha 3 (1 página) e Planilha 4 (1 página). 3.1.4. Conforme se pode constatar dos históricos dos lançamentos presentes nas planilhas citadas (3.1.3), os valores à débito, das referidas contas, correspondem aos pagamentos feitos pela empresa aos planos/fornecedores de assistência médico/odontológica. Por outro lado, os valores contábeis à crédito, das referidas contas, corresponderiam a descontos, na remuneração dos empregados, das participações dos mesmos, no custeio de parte da assistência médico/odontológica fornecida pela empresa/contribuinte. Assim, os saldos das contas (débitos menos créditos) correspondem aos valores de despesas efetivamente arcados pela empresa; com o custeio da assistência médico/odontológica, fornecida a seus empregados; ou seja, descontada a participação própria do empregado. (grifos no original) A recorrente apresentou nova manifestação (efls. 6784/6789) alegando que "o agente fiscal limitarase a ratificar o trabalho realizado ao longo do procedimento Fl. 6797DF CARF MF 6 fiscalizatório, todavia, as incongruência apresentadas pelo contribuinte e, como inclusive fora observada pelo Ilustre Relator Sr. Antonio Flávio Silveira Morato, às fls. 6.666 dos autos, no que se refere a confirmação quanto a existência de divergência entre os valores lançados pela fiscalização e as folhas de pagamentos, evidencia a existência de erro incorrido na apuração da base de cálculo jungida ao lançamento (...) resulta na hialina nulidade do levantamento fiscal". É o relatório. Voto Conselheira Andrea Brose Adolfo Relatora Admissibilidade Verificados os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto e passo à sua análise. Preliminares Nulidade da autuação. Erro na apuração da base de cálculo. Vício material. A recorrente pugna, em preliminar, pela nulidade do levantamento fiscal, em decorrência de erro material na determinação da base de cálculo das contribuições previdenciárias apurada pela fiscalização, uma vez que não teriam sido computados todos os valores descontados dos segurados referente a assistência médica/odontológica conforme folhas de pagamento. Sustenta que tal erro ficaria evidente no cotejo entre os valores lançados e os valores constantes das folhas de pagamento. Baixados os autos em diligência para manifestação do Auditorfiscal autuante, especialmente em razão da expressiva quantidade de documentos acostados junto com a impugnação, este manifestouse pela correção das bases de cálculo lançadas concluindo que : 5.1. As diferenças entre os valores de bases de cálculos apuradas pelo AuditorFiscal, quando da ação fiscal, e os apresentados pelo contribuinte, em sua impugnação, se devem exclusivamente aos valores considerados das participações dos empregados no custeio de parte da assistência médico/odontológica fornecida (item 4, e seus subitens, da presente IF). O AuditorFiscal apurouas com base em lançamentos contábeis. O impugnante com base na folha de pagamentos. 5.1.1. O contribuinte, na impugnação, apresentou os seus cálculos, alegando tomar por base as folhas de pagamentos. Entretanto, não explicitou que rubricas considerou para chegar aos valores consolidados que apresenta em sua impugnação. Face a essa omissão do contribuinte, foi necessário, para atender às determinações do Carf, que o AuditorFiscal, em um trabalho de "engenharia reversa", determinasse um conjunto de Fl. 6798DF CARF MF Processo nº 13864.000362/200929 Acórdão n.º 2301004.945 S2C3T1 Fl. 6.796 7 rubricas que permitisse chegar aos mesmos resultados que o contribuinte, quanto aos valores considerados das participações dos empregados no custeio de parte da assistência médico/odontológica fornecida. Então, nesses termos, podese afirmar que estes valores apresentados pelo contribuinte possuem materialidade no estrito sentido de que corresponderiam às folhas de pagamentos acostadas na impugnação (exceto pela divergência na competência 10/2005, citada no item 4.2.3.3, da presente IF). Entretanto, os mesmos carecem de correção, pois estão, conforme demonstrado, em desconformidade com os lançamentos contábeis. 5.2. Ficou demonstrado que a determinação das bases de cálculo feita pelo AuditorFiscal possui plena correção e materialidade, pois são fiéis aos lançamentos contábeis apresentados (item 3, e seus subitens, da presente IF). 5.2.1. Considerandose o Capítulo IV Da Escrituração, do Código Civil, artigos de 1.179 a 1.195, em especial os artigos: "Art. 1.177. Os assentos lançados nos livros ou fichas do preponente, por qualquer dos prepostos encarregados de sua escrituração, produzem, salvo se houver procedido de máfé, os mesmos efeitos como se o fossem por aquele. Parágrafo único. No exercício de suas funções, os prepostos são pessoalmente responsáveis, perante os preponentes, pelos atos culposos; e, perante terceiros, solidariamente com o preponente, pelos atos dolosos.", e "Art. 1.184. No Diário serão lançadas, com individuação, clareza e caracterização do documento respectivo, dia a dia, por escrita direta ou reprodução, todas as operações relativas ao exercício da empresa." e, também, o Art. 33 da Lei 8.212/91; fica evidente que, havendo conflito de informações entre a escrituração contábil e outras fontes, prevalecerá a escrituração contábil. De forma alguma poderia o AuditorFiscal desprezar as informações dos lançamentos contábeis, que são o objeto, por excelência, da atividade de auditoria. 5.2.2. Transcrevese a manifestação da DRJ/CPS (Acórdão 05 35.542 9a. Turma da DRJ/CPS Fl. 6663, do processo 13864.000362/200929), nos processos sob comento, que, entendese, muito bem abordou e esclareceu de forma taxativa a questão: "Nos termos do art. 1.177 da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil), a escrituração contábil, quando formalmente elaborada, observandose os princípios contábeis e requisitos essenciais de registro, tem valor probante para todos os efeitos judiciais e extrajudiciais. Com efeito, ainda que as folhas de pagamento juntadas apresentem valores diversos aos tomados pela fiscalização, isto é, diferentes dos constantes em sua escrituração contábil, como pretende fazer crer a Autuada, Fl. 6799DF CARF MF 8 temos que somente a comprovação de que promoveu a devida e necessária retificação do lançamento contábil é que permitiria modificar o lançamento, uma vez que os valores utilizados pela fiscalização foram extraídos dos registros contábeis do sujeito passivo. Entretanto, nada comprovou nesse sentido, ou seja, que promoveu retificação e/ou estorno dos lançamentos (registros) contábeis correspondentes, conforme exige a Resolução nº 596, de 14061985 (vigente à época), do Conselho Federal de Contabilidade.". 5.3. Em síntese, nos termos do que consta na presente IF, refutadas as alegações do contribuinte, restou demonstrada a integral correção e materialidade das bases de cálculo apuradas quando da ação fiscal. Notase que o lançamento foi efetuado com base nos livros contábeis apresentados pela empresa e que, apesar de o auditorfiscal ter conseguido verificar quais as rubricas compunham os valores apresentados pela recorrente, esta não demonstrou a existência dos lançamentos contábeis correspondentes. Ou seja, como bem ressaltado pela autoridade lançadora, a discrepância de valores originase na forma de apuração pela contabilidade regular ou pela folha de salários. Assim, verificada a higidez da base de cálculo apurada, uma vez que a mesma foi obtida com base na própria escrituração contábil da empresa, não há que se falar em nulidade do lançamento. Competência Do AuditorFiscal Para Verificação Da Contabilidade. Matéria Sumulada. A recorrente, apesar de reconhecer que tal matéria já está sumulada por este Conselho, insiste na alegação de nulidade por incompetência material do AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil para proceder a análise da escrita contábil por não possuir vínculo junto ao Conselho de Contabilidade. A súmula CARF nº 8 trata do assunto: Súmula CARF nº 8: O Auditor Fiscal da Receita Federal é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. Por força do Regimento Interno do CARF (art. 72, Anexo II da Portaria MF nº 343, de 2015) as súmulas são de observância obrigatória pelos seus membros. Portanto, também não acolho essa preliminar de nulidade. Apensamento dos autos Com relação a esta preliminar, cabe esclarecer que o processo nº 13864.000364/200918 (que trata das contribuições para outras entidades e fundos) já está apenso ao presente processo. Já o processo (nº 13864.000363/200973 que trata das contribuições previdenciárias dos segurados), não, e tendo em vista que os documentos acostados aos autos servem de prova para ambos os processos, entendo que os mesmos devem ser apensos. Fl. 6800DF CARF MF Processo nº 13864.000362/200929 Acórdão n.º 2301004.945 S2C3T1 Fl. 6.797 9 Todavia, estando todos os processos pautados para esta mesma sessão de julgamento, em obediência ao Regimento Interno do CARF, em especial o art. 6º, que trata da vinculação processual, não há nenhum prejuízo à recorrente. Assim, acolho a preliminar, para que seja apensado ao processo nº 13864.000362/200929, o processo de nº 13864.000363/200973. Mérito Do conceito legal de estabelecimento: intelecção do inciso II do artigo 127 do CTN. A empresa, por força de convenção coletiva de trabalho, "promove o pagamento do auxílio médico/odontológico a totalidade de seus funcionários, inclusive diretores vinculados ao estabelecimento da matriz e de São Caetano do Sul, (...) situação esta que não se repete nos estabelecimentos (filiais) instalados nos Estados do Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro (...)"(efl. 6719). Aduz que o art. 127, II do CTN consagra a independência e autonomia dos estabelecimentos, portanto a parte final do art. 28, § 9º, q, da Lei nº 8.212/1991 obrigatoriedade de extensão do benefício à "totalidade de empregados e dirigentes da empresa" deve ser interpretada como totalidade de empregados e dirigentes do estabelecimento. Entendo que não assiste razão à recorrente. A alínea ‘q’ do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/1991 dispõe que não integra o saláriodecontribuição. o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa. Ocorre que o legislador resolveu instituir hipótese de não incidência da contribuição previdenciária ao valor relativo à assistência médica ou odontológica, condicionandoa à extensão do benefício à totalidade dos empregados e dirigentes da empresa. Por sua vez, o art. 15 da Lei de Custeio da Seguridade Social conceitua empresa como a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, assim como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional, e a ela equipara: o contribuinte individual em relação a segurado que lhe presta serviço, bem como a cooperativa, a associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, a missão diplomática e a repartição consular de carreira estrangeiras. Importa salientar, ainda, que, por se tratar de regra isentiva, a norma deve ser interpretada literalmente, a teor do disposto no artigo 111, II, da Lei nº 5.172, de 1966, Código Tributário Nacional CTN, sob pena de violação aos princípios da reserva legal e da isonomia. Por seu turno, no presente caso, como registrado no Relatório Fiscal, o lançamento foi efetuado no estabelecimento matriz por falta de apresentação da relação Fl. 6801DF CARF MF 10 nominal dos beneficiários da assistência médica/odontológica/plano de saúde, discriminando por estabelecimento (CNPJ), competência (mês) e nome do empregado. Assim, ao deixar de apresentar a relação dos segurados abrangidos pela assistência médica/odontológica, a recorrente impossibilitou a correta identificação da base de cálculo pertencente a cada estabelecimento e também não apresentou os valores correspondentes a cada estabelecimento nas peças recursais. Portanto, sem razão a recorrente. Natureza Jurídica do Auxílio Assistência Médica/Odontológica. Por fim, a recorrente alega que a os valores pagos a título de assistência médica/odontológica/convênio não devem compor a base de cálculo das contribuições previdenciárias por não integrarem o conceito de verba salarial, ao contrário, possuírem natureza indenizatória. Nesta toada, cabe transcrever os ensinamentos do Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, em seu voto proferido no Acórdão nº 2401004.286 (sessão de 13/04/2016): Grassa no seio dos que operam no mètier do Direito do Trabalho a serôdia ideia de que a remuneração do empregado é constituída, tão somente, por verbas representativas de contraprestação de serviços efetivamente prestados pelos empregados. A retidão de tal concepção poderia até ter sua primazia aferida ao tempo da promulgação do DecretoLei nº 5.452/43 (nos idos de 1943), que aprovou a Consolidação das Leis do Trabalho. Hoje, não mais. (...) Registrese, por relevante, que o entendimento a respeito do alcance do termo “remuneração” esposado pelos diplomas jurídicos mais atuais se divorciou de forma substancial daquele conceito antiquado presente na CLT. O baluarte desse novo entendimento tem sua pedra fundamental fincada na própria Constituição Federal, cujo art. 195, I, alínea “a”, estabelece: Constituição Federal de 1988 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (grifos nossos) Do marco primitivo constitucional deflui que a base de incidência das contribuições em realce não é mais o salário, mas, sim, a “folha de salários”, propositadamente no plural, a Fl. 6802DF CARF MF Processo nº 13864.000362/200929 Acórdão n.º 2301004.945 S2C3T1 Fl. 6.798 11 qual é composta, segundo a mais autorizada doutrina, por todos os lançamentos efetuados em favor do trabalhador em contraprestação direta pelo trabalho efetivo prestado à empresa, acrescido dos “demais rendimentos do trabalho, pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício”, parcela esta que abraça todas as demais rubricas devidas ao trabalhador em decorrência do contrato de trabalho, de molde que, toda e qualquer espécie de contraprestação paga pela empresa, a qualquer título, aos segurados obrigatórios do RGPS encontram se abraçadas, em gênero, pelo conceito de Salário de Contribuição. Nessa perspectiva, todo e qualquer lançamento a conta de despesa da empresa representativa de rubrica paga, devida ou creditada a segurado obrigatório do RGPS, que tiver por motivação e origem o trabalho realizado pela pessoa física em favor do Contribuinte, ostentará natureza jurídica remuneratória, e como tal, base de cálculo das contribuições previdenciárias. Na prática, inexiste dificuldade em tal discernimento. Basta hipoteticamente suprimir o trabalho realizado pela pessoa física na consecução do objeto social da sociedade. A importância que deixar de ser vertida a essa pessoa corresponderá, assim, à parcela do trabalho que o obreiro dedicou à empresa. Ao revés, a fração que ainda for devida à pessoa, independentemente do eventual labor físico ou intelectual por ela realizado, representará mera liberalidade do empregador. Como visto, o próprio Legislador Constituinte honrou deixar consignado no Texto Constitucional a real amplitude da base de incidência da contribuição social em destaque: as contribuições previdenciárias incidem não somente a “folha de salários”, como também, sobre os “demais rendimentos do trabalho, pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício”. Tal compreensão caminha em harmonia com as disposições expressas no §11 do artigo 201 da Constituição Federal, que estendeu a abrangência do conceito de salário (Instituto de Direito do Trabalho) para abraçar os ganhos habituais do empregado, recebidos a qualquer título. Constituição Federal de 1988 Art. 201. A previdência social será organizada sob a forma de regime geral, de caráter contributivo e de filiação obrigatória, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial, e atenderá, nos termos da lei, a: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (...) §11. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição Fl. 6803DF CARF MF 12 previdenciária e consequente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) Assim, a contar da EC n° 20/98, todas as verbas recebidas com habitualidade pelo empregado, qualquer que seja a sua origem e título, passam a integrar, por força de norma constitucional, o conceito jurídico de SALÁRIO (Instituto de Direito do Trabalho) e, nessa condição, passam a compor obrigatoriamente o SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO (Instituto de Direito Previdenciário) do segurado, se sujeitando compulsoriamente à incidência de contribuição previdenciária e repercutindo no benefício previdenciário do empregado. (...) A norma constitucional acima citada não exclui da tributação, de maneira alguma, as rubricas recebidas em espécie de forma eventual. A todo ver, a norma constitucional em questão fez incorporar ao SALÁRIO (instituto de direito do trabalho) todos os ganhos habituais do empregado, a qualquer título. Ocorre, contudo, que o conceito de SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO (instituto de direito previdenciário) é muito mais amplo que o conceito trabalhista mencionado, compreendendo não somente o SALÁRIO (instituto de direito do trabalho), mas, também, os INCENTIVOS SALARIAIS, assim como os BENEFÍCIOS. Assim, as verbas auferidas de forma eventual podem se classificar, conforme o caso, ou como incentivos salariais ou como benefícios. Em ambos os casos, porém, integram o conceito de Salário de Contribuição, nos termos e na abrangência do art. 28 da Lei nº 8.212/91, observadas as excepcionalidades contidas em seu §9º. Leinº8.212,de24 de julho de 1991 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (grifos nossos) (...) Notese que o conceito jurídico de Salário de contribuição, base de incidência das contribuições previdenciárias, foi estruturado de molde a abraçar toda e qualquer verba recebida pelo obreiro, a qualquer título, em decorrência não somente dos serviços efetivamente prestados, mas também, no interstício em que o trabalhador estiver à disposição do empregador, nos termos do contrato de trabalho. Fl. 6804DF CARF MF Processo nº 13864.000362/200929 Acórdão n.º 2301004.945 S2C3T1 Fl. 6.799 13 Advirtase que o termo “remunerações” encontrase empregado no caput do transcrito art. 28 em seu sentido amplo, abarcando todos os componentes atomizados que integram a contraprestação da empresa aos segurados obrigatórios que lhe prestam serviços. Em verdade, até mesmo a remuneração referente ao tempo ocioso em que o empregado permanecer à disposição do empregador não escapa da amplitude do conceito de salário de contribuição. Tais conclusões decorrem de esforços hermenêuticos que não ultrapassam a literalidade dos enunciados normativos supratranscritos, eis que o texto legal revelase cristalino ao estabelecer, como base de incidência, o “total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título”. Nesses termos, compreendemse no conceito legal de remuneração os três componentes do gênero, assim especificados pela doutrina: 1 Remuneração Básica – Também denominada “Verbas de natureza Salarial”. Referese à remuneração em dinheiro recebida pelo trabalhador pela venda de sua força de trabalho. Diz respeito ao pagamento fixo que o obreiro aufere de maneira regular, na forma de salário mensal ou na forma de salário por hora. 2 Incentivos Salariais São programas desenhados para recompensar funcionários com bom desempenho. Os incentivos são concedidos sob diversas formas, como bônus, gratificações, prêmios, participação nos resultados a título de recompensa por resultados alcançados, dentre outros. 3 Benefícios Quase sempre denominados como “remuneração indireta”. Muitas empresas, além de ter uma política de tabela de salários, oferecem uma série de benefícios ora em pecúnia, ora na forma de utilidades ou “in natura”, que culminam por representar um ganho patrimonial para o trabalhador, seja pelo valor da utilidade recebida, seja pela despesa que o profissional deixa de desembolsar diretamente. Nesse novel cenário, a regra primária importa na tributação de toda e qualquer verba paga, creditada ou juridicamente devida ao empregado, ressalvadas aquelas que a própria lei excluir do campo de incidência. No caso específico das contribuições previdenciárias, a regra de excepcionalidade encontrase estatuída no parágrafo 9º do citado art. 28 da Lei nº 8.212/91, o qual, dada a sua relevância, transcrevemos em sua integralidade: (...) (grifos no original) Importa salientar, mais uma vez, que, por se tratar de regra isentiva, a norma deve ser interpretada literalmente, a teor do disposto no artigo 111, II, da Lei nº 5.172, de 1966, Código Tributário Nacional CTN, sob pena de violação aos princípios da reserva legal e da isonomia. Fl. 6805DF CARF MF 14 Apesar de reconhecer o caráter assistencialista promovido pela recorrente, somente com a extensão do benefício aos empregados e dirigentes das demais filiais poderse ia afastar a incidência das contribuições previdenciárias sobre o auxílio médico/odontológico fornecido pela empresa. Conclusão Por todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, para acolher apenas, e parcialmente, a preliminar de vinculação processual para determinar a apensação do processo nº 13864.000363/200973 ao processo nº 13864.000362/200929, rejeitando as demais preliminares, e, no mérito, negar provimento ao Recurso interposto. É como voto. Andrea Brose Adolfo Relatora Fl. 6806DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.723350/2012-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Mar 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIO OFICIAL. LIMITE DE CONTRIBUIÇÃO. DEDUTIBILIDADE.
Não existe limite para a dedutibilidade da contribuição previdenciária oficial, devendo ser admitida a dedução de contribuição realizada acima do teto.
LIVRO CAIXA. DESPESAS. CRITÉRIOS PARA DEDUTIBILIDADE.
As despesas efetivamente realizadas no decurso do ano-calendário correspondente ao exercício da declaração; que estejam relacionadas com a atividade exercida; sejam necessárias à percepção do rendimento e à manutenção da fonte produtora; e estejam escrituradas em livro caixa e comprovadas com documentação idônea, podem ser deduzidas da base de cálculo do IRPF.
Numero da decisão: 2201-003.435
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento para afastar as seguintes glosas: i) contribuições à previdência oficial em valor superior ao limite de contribuição no valor de R$ 7.230,79; ii) despesas com aluguel no valor de R$ 3.720,00; iii) despesa com internet no valor de R$ 99,80.
assinado digitalmente
CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente.
assinado digitalmente
RELATORA DIONE JESABEL WASILEWSKI - Relatora.
EDITADO EM: 23/02/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: DIONE JESABEL WASILEWSKI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2010 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIO OFICIAL. LIMITE DE CONTRIBUIÇÃO. DEDUTIBILIDADE. Não existe limite para a dedutibilidade da contribuição previdenciária oficial, devendo ser admitida a dedução de contribuição realizada acima do teto. LIVRO CAIXA. DESPESAS. CRITÉRIOS PARA DEDUTIBILIDADE. As despesas efetivamente realizadas no decurso do ano-calendário correspondente ao exercício da declaração; que estejam relacionadas com a atividade exercida; sejam necessárias à percepção do rendimento e à manutenção da fonte produtora; e estejam escrituradas em livro caixa e comprovadas com documentação idônea, podem ser deduzidas da base de cálculo do IRPF.
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LIMITE DE CONTRIBUIÇÃO. DEDUTIBILIDADE. Não existe limite para a dedutibilidade da contribuição previdenciária oficial, devendo ser admitida a dedução de contribuição realizada acima do teto. LIVRO CAIXA. DESPESAS. CRITÉRIOS PARA DEDUTIBILIDADE. As despesas efetivamente realizadas no decurso do anocalendário correspondente ao exercício da declaração; que estejam relacionadas com a atividade exercida; sejam necessárias à percepção do rendimento e à manutenção da fonte produtora; e estejam escrituradas em livro caixa e comprovadas com documentação idônea, podem ser deduzidas da base de cálculo do IRPF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento para afastar as seguintes glosas: i) contribuições à previdência oficial em valor superior ao limite de contribuição no valor de R$ 7.230,79; ii) despesas com aluguel no valor de R$ 3.720,00; iii) despesa com internet no valor de R$ 99,80. assinado digitalmente CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Presidente. assinado digitalmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 33 50 /2 01 2- 57 Fl. 203DF CARF MF 2 RELATORA DIONE JESABEL WASILEWSKI Relatora. EDITADO EM: 23/02/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão que julgou parcialmente procedente a impugnação ao lançamento de imposto sobre a renda de pessoa física, em função de glosa das deduções relativas à previdência oficial e despesas registradas no livro caixa. Contra o contribuinte, que exerce atividade médica, foi formalizada exigência por meio da Notificação de Lançamento IRPF 2010/409701610548624 (fls 32 a 37 do processo digitalizado) com a seguinte justificativa: · Dedução indevida de R$ 40.052,64 a título de Contribuição Previdenciária Oficial, por falta de comprovação. · Dedução indevida de R$ 80.071,26 a título de despesas no livro caixa, também por falta de comprovação. Após impugnação tempestivamente apresentada pelo contribuinte, foi lavrado termo circunstanciado (fls 130 a 136) no qual a autoridade fiscal identifica que a quantia deduzida a título de Contribuição Previdenciária Oficial é composta pelos seguintes valores: · R$ 8.398,19 correspondente à contribuição individual decorrente de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício; · R$ 3.061,76 referente à contribuição decorrente do trabalho com vínculo empregatício junto à Prefeitura Municipal de Piraquara (regime geral); · R$ 28.592,69 decorrente de contribuição relativa aos rendimentos do trabalho com vínculo empregatício com o Governo do Paraná. De acordo com essa autoridade, o somatório dos valores pagos na condição de contribuinte individual e em decorrência do vínculo com a Prefeitura de Piraquara ultrapassa o limite máximo de contribuição da Previdência Social para o anocalendário em questão, que seria de R$ 4.229,16. Este valor (o do limite), somado à contribuição para o regime próprio do Estado do Paraná, imporiam um limite de contribuição passível de dedução no valor de R$ 32.821,85, o que leva a uma glosa de R$ 7.230,79. Fl. 204DF CARF MF Processo nº 10980.723350/201257 Acórdão n.º 2201003.435 S2C2T1 Fl. 204 3 Ainda de acordo com esse termo, embora tenha deduzido a importância de R$ 80.071,26 a título de livro caixa, o contribuinte não o teria apresentado, limitandose a fornecer comprovantes de despesas que totalizariam R$ 15.000,00, mas que não preencheriam os requisitos de dedutibilidade: ser necessária para a percepção da receita e manutenção da fonte produtora, estar escriturada em livro caixa, estar comprovada por documentação idônea. Com isso, foi parcialmente mantida a exigência contida na Notificação de Lançamento IRPF 2010/409701610548624, exigindose o imposto suplementar de R$ 24.008,07 acrescido da multa de 75% no valor de R$ 18.006,05 (Despacho Decisório nº 668, de 03/12/2014, fls 137). Ao impugnar essa decisão, o contribuinte juntou o livro caixa recomposto e protestou pela improcedência da exigência tributária em vista da inexistência de previsão legal para a imposição de limite à dedução das contribuições para a previdência oficial e da regularidade das demais deduções pleiteadas. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte, através do Acórdão 0264.200 de sua 9ª Turma, sessão de 25 de fevereiro de 2015 (fls 156 a 163), manteve a glosa das deduções relativas à previdência oficial, por entender que caberia ao contribuinte informar à empresa contratante a incidência de contribuições de forma a ser observado o limite máximo do saláriodecontribuição. Por outro lado, em relação à glosa das demais despesas deduzidas, resumidamente, assim se manifestou: · Não acatou despesas de aluguéis por não constar dos autos o contrato de aluguel e considerar insuficiente os recibos apresentados, que fariam prova apenas entre as partes; · Não acatou notas e cupons fiscais que não continham o endereço profissional do contribuinte, além de refutar despesa de serviços turísticos que não teriam relação com a atividade desenvolvida; · Não acatou despesas com jornais por não serem necessárias à manutenção da atividade desenvolvida e não constar endereço de entrega; · Não acatou despesas com internet por não serem necessárias à manutenção da atividade desenvolvida; · Não acatou despesas com locomoção por serem expressamente vedadas, salvo se realizadas por representantes comerciais autônomos; · Acatou despesa com telefone fixo por necessárias à manutenção da atividade desenvolvida; · Acatou as despesas com pagamento da empregada (secretária) apenas em relação ao períodos em que foi juntado recibo firmado por ela. Assim, foram acatadas despesas num total de R$ 4.509,67, com a correspondente alteração no imposto exigido. Fl. 205DF CARF MF 4 Cientificado dessa decisão em 17 de março de 2015 (fls 167), o contribuinte apresentou, tempestivamente, recurso voluntário alegando, em síntese, que: · As contribuições à previdência oficial foram realizadas e comprovadas e não há qualquer limite previsto em lei que respalde a exigência fiscal; · Os recibos de aluguel são suficiente meio de prova do efetivo pagamento e da natureza da relação jurídica que os suporta; · As despesas com jornais, propaganda e imagens são necessárias para que o profissional, em especial o médico, se mantenha atualizado e para que se faça conhecido; · O acesso à internet é necessário para melhor atender aos clientes, sendo essencial para a prática de qualquer profissão; · A locomoção é indispensável para a atividade médica, pois nem sempre o paciente estará em condições de comparecer ao consultório e a permissão de dedutibilidade dessa despesa apenas aos representantes comerciais é uma afronta ao princípio da isonomia; · Não é lógico limitar a dedutibilidade das despesas com a empregada a apenas alguns meses do ano e às férias, já que para ter direito a elas (férias) seria necessário o trabalho por um período maior. Chegando a este Conselho, o processo foi inicialmente distribuído ao Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, que entendeu por bem converter o julgamento em diligência a fim de que a unidade de origem verificasse a existência de pedido de restituição das contribuições vertidas acima do limite máximo do salário de contribuição. A sugestão foi acatada por maioria de votos pelos membros do colegiado (Resolução 2201000.222 – 2ª Câmara/ 1ª Turma Ordinária – fls 194 a 198). Em resposta, a unidade informa que “o contribuinte não efetuou pedido de restituição de contribuições previdenciárias recolhidas acima do limite máximo do salário de contribuição, no ano de 2009” (fls 202). É o que havia para ser relatado. Voto Conselheiro Relatora Dione Jesabel Wasilewski Presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do recurso e passo a analisálo. Não havendo qualquer alegação em sede preliminar, são enfrentadas as questões de mérito, que se resumem a duas: a primeira relativa à dedutibilidade das Fl. 206DF CARF MF Processo nº 10980.723350/201257 Acórdão n.º 2201003.435 S2C2T1 Fl. 205 5 contribuições vertidas à previdência oficial em valor superior ao limite de contribuição; a segunda, quanto à dedutibilidade das despesas de aluguel, jornais, publicidade, internet, locomoção e empregada. Despesas com Contribuição Previdenciária Oficial acima do limite de contribuição As regras para a dedutibilidade das contribuições para a previdência oficial da base de cálculo do IRPF encontramse consolidadas no seguinte artigo do Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999 (Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999): Art. 74. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderão ser deduzidas (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, incisos IV e V): I as contribuições para a Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios; II as contribuições para as entidades de previdência privada domiciliadas no País, cujo ônus tenha sido do contribuinte, destinadas a custear benefícios complementares assemelhados aos da Previdência Social. § 1º A dedução permitida pelo inciso II aplicase exclusivamente à base de cálculo relativa a rendimentos do trabalho com vínculo empregatício ou de administradores, assegurada, nos demais casos, a dedução dos valores pagos a esse título, por ocasião da apuração da base de cálculo do imposto devido no anocalendário (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, parágrafo único). § 2º A dedução a que se refere o inciso II deste artigo, somada à dedução prevista no art. 82, fica limitada a doze por cento do total dos rendimentos computados na determinação da base de cálculo do imposto devido na declaração de rendimentos (Lei nº 9.532, de 1997, art. 11). Conforme se extrai da literalidade do texto transcrito, a legislação tributária federal autoriza a dedução da base de cálculo do IRPF dos pagamentos realizados a título de contribuição previdenciária oficial e, diferentemente do que ocorre com as contribuições para a previdência privada, não há menção a qualquer limite. É verdade que a legislação que rege o regime geral de previdência estabelece um teto para o cálculo das contribuições a ele vertidas, mas esse teto tem por objetivo definir o limite do risco que se encontra coberto pelo sistema. Dessa forma, se o contribuinte realiza contribuições em valor superior ao limite fixado, essa parcela excedente não será computada para o futuro cálculo de seu benefício. Estando ou não acima do limite, o valor pago recebe a mesma destinação pelo Estado, integrando o orçamento da seguridade social, de forma que impedir sua utilização para fins de dedução do imposto de renda implicaria ônus desproporcional ao cidadão, que já não terá um benefício previdenciário compatível com a contribuição realizada. Fl. 207DF CARF MF 6 Cumpre registrar que a possibilidade de que venha a ocorrer a restituição dos valores pagos acima do teto estabelecido não prejudica em nada esse raciocínio, uma vez que a apuração do imposto de renda das pessoas físicas regese basicamente pelo regime de caixa, sistemática que oferece solução adequada para esse problema. Assim, caso o contribuinte venha, no futuro, a receber restituição do valor pago a maior, deverá oferecêlo à tributação no ano do recebimento. Essa é a solução preconizada para situações análogas, conforme se extrai da seguinte orientação retirada do manual de perguntas e respostas publicado anualmente na rede mundial de computadores pela Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB: 367 – Como declarar o reembolso de despesa médica recebido em anocalendário posterior ao de sua dedução? O reembolso deve ser informado na ficha “Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoas Jurídicas” da Declaração de Ajuste Anual correspondente ao anocalendário de seu recebimento. (http://idg.receita.fazenda.gov.br/interface/cidadao/irpf/2016/per guntao/irpf2016perguntao.pdf) Assim, para que possa se valer da dedução relativa à contribuição previdenciária oficial, cumpre ao contribuinte fazer prova do efetivo pagamento através de documentos hábeis e idôneos. O atendimento dessas exigências não foi questionado pela autoridade fiscal, de modo que deve ser acatada integralmente a dedução realizada a esse título. Afasto, portanto, a glosa realizada em relação a essa rubrica. Dedutibilidade das demais despesas escrituradas no livro caixa A dedução de despesas escrituradas em Livro Caixa encontra amparo no art. 6º da Lei nº 8.134, de 27 de dezembro de 1990, que assim dispõe: Art. 6º O contribuinte que perceber rendimentos do trabalho não assalariado, inclusive os titulares dos serviços notariais e de registro, a que se refere o artigo 236 da Constituição, e os leiloeiros, poderão deduzir, da receita decorrente do exercício da respectiva atividade: I a remuneração paga a terceiros, desde que com vínculo empregatício, e os encargos trabalhistas e previdenciários; II os emolumentos pagos a terceiros; III as despesas de custeio pagas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. §1º O disposto neste artigo não se aplica: a) a quotas de depreciação de instalações, máquinas e equipamentos, bem como a despesas de arrendamento (redação dada pelo art. 34 da Lei nº 9.250, de 1995); b) a despesas com locomoção e transporte, salvo no caso de representante comercial autônomo (redação dada pelo art. 34 da Lei nº 9.250, de 1995); Fl. 208DF CARF MF Processo nº 10980.723350/201257 Acórdão n.º 2201003.435 S2C2T1 Fl. 206 7 c) em relação aos rendimentos a que se referem os arts. 9º e 10 da Lei nº 7.713, de 1988. § 2º O contribuinte deverá comprovar a veracidade das receitas e das despesas, mediante documentação idônea, escrituradas em livrocaixa, que serão mantidos em seu poder, à disposição da fiscalização, enquanto não ocorrer a prescrição ou decadência. A Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, por sua vez, estabelece, in verbis: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II – das deduções relativas: (...) g) às despesas escrituradas no Livro Caixa, previstas nos incisos I a III do art. 6º da Lei nº 8.134, de 27 de dezembro de 1990, no caso de trabalho nãoassalariado, inclusive dos leiloeiros e dos titulares de serviços notariais e de registro. Dentre as despesas cuja dedução é autorizada por esses artigos, a mais abrangente e também aquela que gera maior discussão quanto ao seu alcance e conteúdo é a de custeio. Entretanto, é possível extrair dessas mesmas normas os critérios para que uma despesa possa ser assim considerada. Nesse sentido, devem ser respeitados quatro requisitos cumulativos: a) estar relacionada com a atividade exercida; b) ser efetivamente realizada no decurso do anocalendário correspondente ao exercício da declaração; c) ser necessária à percepção do rendimento e à manutenção da fonte produtora; d) estar escriturada em livro caixa e comprovada com documentação idônea. Ao estabelecer esses parâmetros, a lei diminui o grau de subjetividade, reduzindo o espaço para a discricionariedade ou arbitrariedade na eleição das despesas passíveis de dedução. Apesar disso, é possível ainda identificar um elemento normativo nessa definição, que é o conceito de "necessário". Necessário pode ser lido como indispensável, ou seja, aquilo sem o que a atividade não seria viável. Contudo, entendo que essa seria uma leitura indevidamente restritiva do termo, uma visão por demais "asséptica". Para além daquilo que é indispensável, e aplicando aqui de forma analógica os critérios que são utilizados pelo imposto de renda das pessoas jurídicas, tenho que, são também necessárias, todas aquelas despesas que, consideradas em função da atividade desenvolvida pelo contribuinte, preenchem os critérios de normalidade, usualidade e pertinência. Por outro lado, importa registrar que, por documentação idônea, não se quer significar apenas a existência de comprovantes de pagamento tendo por devedor/pagador o contribuinte. É necessário demonstrar que a despesa foi efetivamente realizada em benefício da atividade profissional desenvolvida. Fl. 209DF CARF MF 8 Essas são as premissas que serão utilizadas na análise das despesas controvertidas de forma individualizada. Aluguel Parece fora de dúvida que a atividade médica deve ser realizada em local adequado para os cuidados e atenção em saúde. Dessa forma, não se questiona a necessidade de despesas dessa natureza. Na verdade, a celeuma se instaura em função da falta de contrato que formalize a avença. Sob esse aspecto, considero idôneos para fazer prova da existência do acordo e de sua efetividade os recibos acostados aos autos (fls 39/40) firmados em 05 de agosto de 2009 e 05 de setembro de 2009, no valor de R$ 1.860,00 cada. Com efeito, esses recibos estão datados, assinados, identificam as partes envolvidas, o valor pago, a natureza do ajuste, os imóveis alugados e não há qualquer documento no processo que infirme a veracidade do quanto nele contido, de forma que afasto a glosa desses valores. Jornais Em relação às despesas com jornais, entendo não estar demonstrada sua pertinência com a atividade realizada, em especial porque, como foi afirmado pela decisão de piso, não há sequer menção ao endereço de entrega. Mantenho a glosa quanto a esse item (fls 48 e 50). Publicidade Em relação à publicidade, compreendo que ela seja útil a dar maior visibilidade a profissionais que competem por espaço no mercado. Nesse aspecto, é necessária à manutenção da fonte produtora. Os recibos apresentados (fls 49 e 53), entretanto, não explicitam as razões do pagamento, não sendo possível relacionálos com a atividade desenvolvida. Internet A avaliação da normalidade, necessidade, usualidade e pertinência das despesas com internet nos dias atuais dispensa qualquer comentário. Por outro lado, os recibos, assim como os telefônicos, são autoexplicativos. Por isso, afasto a glosa das despesas com assinatura mensal de internet no valor de R$ 49,90, nos meses de agosto e setembro que foram comprovadas (fls 51 e 59). Locomoção Conforme bem apontou a DRJ/BHE em sua decisão, a dedutibilidade das despesas de locomoção (fls 60) foi expressamente afastada pela legislação, tendo sido ressalvada exclusivamente aquela realizada pelos representantes comerciais. Não socorre ao recorrente nesse caso invocar o princípio da isonomia, porque ele não se presta a igualar aqueles que são desiguais e há um abismo separando a necessidade de locomoção na atividade desenvolvida pelos médicos, da realizada por representantes comerciais. Portanto, mantida a glosa nessa rubrica. Empregada É ônus do contribuinte comprovar por documentação idônea a efetiva realização de despesas (fls 61/76). Dessa forma, a comprovação não pode ser afastada por Fl. 210DF CARF MF Processo nº 10980.723350/201257 Acórdão n.º 2201003.435 S2C2T1 Fl. 207 9 critérios lógicos como defendido por ele. Irretocável a decisão ora atacada nesse aspecto. Mantenho a glosa. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto por conhecer do recurso para lhe dar parcial provimento afastando as seguintes glosas: contribuições à previdência oficial em valor superior ao limite de contribuição no valor de R$ 7.230,79; despesas com aluguel no valor de R$ 3.720,00; despesa com internet no valor de R$ 99,80. assinado digitalmente Dione Jesabel Wasilewski Relatora assinado digitalmente Carlos Henrique de Oliveira Presidente Fl. 211DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14120.000198/2009-16
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14, DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-004.722
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14, DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 12 0. 00 01 98 /2 00 9- 16 Fl. 289DF CARF MF Processo nº 14120.000198/200916 Acórdão n.º 9202004.722 CSRFT2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10660.722287/201173. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14, de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo ofereceu contrarrazões, pugnando pela negativa de provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.650, de 12/12/2016, proferido no julgamento do processo 10660.722287/201173, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.650): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 290DF CARF MF Processo nº 14120.000198/200916 Acórdão n.º 9202004.722 CSRFT2 Fl. 4 3 Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De início, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime, pacificou o entendimento de que, na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61, da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdãonº9202004.262, de 23/06/2016, cuja ementa a seguir se transcreve: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 291DF CARF MF Processo nº 14120.000198/200916 Acórdão n.º 9202004.722 CSRFT2 Fl. 5 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, é necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o parágrafo anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106, do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA, somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP, não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que, na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991, correspondente aos 75% previstos no art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º doart. 32, da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pelaMP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas noart. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingido pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime, proferido no Acórdãonº9202004.499, de 29/09/2016: Fl. 292DF CARF MF Processo nº 14120.000198/200916 Acórdão n.º 9202004.722 CSRFT2 Fl. 6 5 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 293DF CARF MF Processo nº 14120.000198/200916 Acórdão n.º 9202004.722 CSRFT2 Fl. 7 6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há Fl. 294DF CARF MF Processo nº 14120.000198/200916 Acórdão n.º 9202004.722 CSRFT2 Fl. 8 7 que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 295DF CARF MF Processo nº 14120.000198/200916 Acórdão n.º 9202004.722 CSRFT2 Fl. 9 8 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Nesse passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 296DF CARF MF Processo nº 14120.000198/200916 Acórdão n.º 9202004.722 CSRFT2 Fl. 10 9 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 297DF CARF MF Processo nº 14120.000198/200916 Acórdão n.º 9202004.722 CSRFT2 Fl. 11 10 Em face ao exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. Em face do acima exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 298DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10855.003690/2007-36
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS
Exercício: 2003
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO.
É improcedente auto de infração (eletrônico) que pretende cobrar multa por atraso na entrega da DCTF, quando não estava a empresa autuada originariamente enquadrada no Simples no prazo final de entrega daquela mesma declaração.
EXCLUSÃO DO SIMPLES DE OFICIO.
A pessoa jurídica excluída do Simples sujeitar-se-á, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, porém não pode ser penalizada pela não entrega das declarações acessórias quando ainda estava sob a égide do sistema diferenciado de tributação.
Numero da decisão: 1803-000.857
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Turma Especial da Primeira Seção de
Julgamento, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - multa por atraso na entrega da DIPJ
Nome do relator: Sérgio Luiz Bezerra Presta
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PAYÃO ME Recorrida fazenda nacional ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Exercício: 2003 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. É improcedente auto de infração (eletrônico) que pretende cobrar multa por atraso na entrega da DCTF, quando não estava a empresa autuada originariamente enquadrada no Simples no prazo final de entrega daquela mesma declaração. EXCLUSÃO DO SIMPLES DE OFICIO. A pessoa jurídica excluída do Simples sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, porém não pode ser penalizada pela não entrega das declarações acessórias quando ainda estava sob a égide do sistema diferenciado de tributação. ACORDAM os membros da 3ª Turma Especial da Primeira Seção de Julgamento, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente (assinado digitalmente) Sergio Luiz Bezerra Presta Fl. 35DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Assinado digitalmente em 03/08/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, 08/08/2011 por SELENE FERREIRA D E MORAES 2 Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Selene Ferreira de Moraes, Benedicto Celso Benício Júnior, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Walter Adolfo Maresch, Sérgio Rodrigues Mendes e Marcelo Fonseca Vicentini. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário de fls. 23, interposto pela contribuinte J. A. L. PAYÃO — ME contra decisão da 3a Turma da DRJ em Ribeirão Preto SP, de fls.16 a 18, que julgou improcedente a impugnação apresentada pela contribuinte. Em razão de sua pertinência, transcrevo o relatório da decisão recorrida, o qual adoto, “verbis”: “Versa o presente processo sobre auto de infração (fl. 3), mediante o qual é exigido da contribuinte acima identificada crédito tributário relativo à multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários (DCTF), relativa ao 4° trimestre do anocalendário de 2003, no valor de R$ 500,00. Ciente do lançamento, a contribuinte ingressou com impugnação (fls.1/2) na qual solicita o cancelamento da exigência tributária, sob alegação de que sempre cumpriu os prazos corretos na entrega de todas as declarações necessárias, pois se encontrava enquadrada no regime do Simples Federal, tendo sido notificada do indeferimento do seu pedido de revisão de exclusão desse regime, em 08/11/2006, retroagindo ao mês de abertura”. É o relatório. Voto Conselheiro SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, dele conheço. Conforme relatado, tratase procedimento fiscal que teve como origem com o atraso da entrega da DCTF do anocalendário de 2003. A Recorrente, na impugnação, constante das fls. 2 a 6 dos autos, alegou que não entregou a declaração no prazo por estar incluída no Simples e, posteriormente, ter sido excluída dessa sistemática. No recurso voluntário, fls 23, a Recorrente alega que: “Em relação ao documento em anexo, a empresa tem a relatar o que segue: Fl. 36DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Assinado digitalmente em 03/08/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, 08/08/2011 por SELENE FERREIRA D E MORAES Processo nº 10855.003690/200736 Acórdão n.º 180300.857 S1TE03 Fl. 36 3 É fato que a empresa recebeu o Ato declaratório n.° 580.671 em 26/08/2004, mas logo em seguida foi pedido uma revisão de seu situação econômica, e relatado que o código de seu CNAE estava incorreto, conforme consta em suas atividades de fato. Tendo ingresso o com o processo de revisão ficamos no aguardo de sua conclusão, que só ocorreu em 08/11/2006, motivo pelo qual foi procedido a entrega dos documentos aplicáveis a demais pessoas jurídicas. Sendo assim, ainda discordamos do pagamento total destas multas aplicadas, solicitando seja cancelada ou cobrada somente 50% (cinqüenta por Cento), do seu valor”. Observando os argumentos do Recurso Voluntário, tenho que me filiar ao entendimento de que são improcedentes o auto de infração (eletrônico) que pretendem cobrar multas por atraso na entrega da DCTF quando não estava a empresa autuada originariamente enquadrada no Simples nos prazos finais de entrega daquelas mesmas declarações. No presente caso, os auto de infração (eletrônico) pretende cobrar multa por atraso na entrega da DCTF no exercício de 2003 em decorrência do o Ato declaratório n.° 580.671 de 26/08/2004 que exclui a Recorrente da sistemática de tributação do Simples. Assim, não resta duvida que a Recorrente não poderia observar os limites temporais da lei e cumpriu tempestivamente a obrigação tributária acessória à qual não estava sujeita, tendo em vista que estava sujeita ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) tomandose assim inaplicável a penalidade imposta. Ante o exposto voto por dar provimento ao recurso cancelando o lançamento tributário. É como voto. SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA – Relator Fl. 37DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Assinado digitalmente em 03/08/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, 08/08/2011 por SELENE FERREIRA D E MORAES
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