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Numero do processo: 16327.720508/2013-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
IRPJ. AJUSTE ANUAL. IMPOSTO RETIDO NA FONTE. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO RECEBIDO. ANTECIPAÇÃO DO DEVIDO. AUTORIZAÇÃO LEGAL. CONFIRMAÇÃO QUE O RENDIMENTO FOI OFERECIDO A TRIBUTAÇÃO
A Legislação tributária autoriza que o IRRF incidente sobre Juros sobre Capital Próprio seja considerado como antecipação do devido no ajuste anual, ou compensado com o retido por ocasião do pagamento ou crédito da remuneração a mesmo título.
A autorização legal pressupõe o oferecimento à tributação do correspondente rendimento, situação a qual restou confirmada no presente caso.
Numero da decisão: 1302-003.000
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 IRPJ. AJUSTE ANUAL. IMPOSTO RETIDO NA FONTE. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO RECEBIDO. ANTECIPAÇÃO DO DEVIDO. AUTORIZAÇÃO LEGAL. CONFIRMAÇÃO QUE O RENDIMENTO FOI OFERECIDO A TRIBUTAÇÃO A Legislação tributária autoriza que o IRRF incidente sobre Juros sobre Capital Próprio seja considerado como antecipação do devido no ajuste anual, ou compensado com o retido por ocasião do pagamento ou crédito da remuneração a mesmo título. A autorização legal pressupõe o oferecimento à tributação do correspondente rendimento, situação a qual restou confirmada no presente caso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do Relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 05 08 /2 01 3- 16 Fl. 843DF CARF MF Processo nº 16327.720508/201316 Acórdão n.º 1302003.000 S1C3T2 Fl. 844 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face da decisão de 1ª instância, que negou provimento a Impugnação interposta pela recorrente, a qual foi autuada por insuficiência de recolhimento do ajuste do Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ do ano calendário 2008 (código de arrecadação 2390), nos termos do artigo 841, IV, do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99 (Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999). Para a devida síntese do processo, adoto o relatório da decisão da DRJ/SPO, litteris: Fl. 844DF CARF MF Processo nº 16327.720508/201316 Acórdão n.º 1302003.000 S1C3T2 Fl. 845 3 Fl. 845DF CARF MF Processo nº 16327.720508/201316 Acórdão n.º 1302003.000 S1C3T2 Fl. 846 4 Fl. 846DF CARF MF Processo nº 16327.720508/201316 Acórdão n.º 1302003.000 S1C3T2 Fl. 847 5 Fl. 847DF CARF MF Processo nº 16327.720508/201316 Acórdão n.º 1302003.000 S1C3T2 Fl. 848 6 Fl. 848DF CARF MF Processo nº 16327.720508/201316 Acórdão n.º 1302003.000 S1C3T2 Fl. 849 7 Fl. 849DF CARF MF Processo nº 16327.720508/201316 Acórdão n.º 1302003.000 S1C3T2 Fl. 850 8 Fl. 850DF CARF MF Processo nº 16327.720508/201316 Acórdão n.º 1302003.000 S1C3T2 Fl. 851 9 A 8ª Turma Julgadora da DRJ São Paulo (SP) ao apreciar a impugnação do contribuinte, entendeu por sua improcedência. Vejamos a ementa a seguir transcrita (fls. 664/676): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2008 IRPJ. AJUSTE ANUAL. IMPOSTO RETIDO NA FONTE. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO RECEBIDO. ANTECIPAÇÃO DO DEVIDO. AUTORIZAÇÃO LEGAL. A Legislação tributária autoriza que o IRRF incidente sobre Juros sobre Capital Próprio seja considerado como antecipação do devido no ajuste anual, ou compensado com o retido por ocasião do pagamento ou crédito da remuneração a mesmo título. A autorização legal pressupõe o oferecimento à tributação do correspondente rendimento. IRPJ.ESTIMATIVA NÃO PAGA. MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. Impõese a aplicação da multa no percentual de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do imposto de renda mensal calculado sobre base estimada (IRPJ Estimativa) que deixar de ser recolhido, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal, no anocalendário correspondente. Cabe trazer a baila trechos da decisão da DRJ, litteris: Fl. 851DF CARF MF Processo nº 16327.720508/201316 Acórdão n.º 1302003.000 S1C3T2 Fl. 852 10 (...) Fl. 852DF CARF MF Processo nº 16327.720508/201316 Acórdão n.º 1302003.000 S1C3T2 Fl. 853 11 Fl. 853DF CARF MF Processo nº 16327.720508/201316 Acórdão n.º 1302003.000 S1C3T2 Fl. 854 12 Fl. 854DF CARF MF Processo nº 16327.720508/201316 Acórdão n.º 1302003.000 S1C3T2 Fl. 855 13 Fl. 855DF CARF MF Processo nº 16327.720508/201316 Acórdão n.º 1302003.000 S1C3T2 Fl. 856 14 Cientificada da decisão (fls.682/703), a interessada interpôs recurso voluntário de fls. 682/703 suscitando o seguinte: Fl. 856DF CARF MF Processo nº 16327.720508/201316 Acórdão n.º 1302003.000 S1C3T2 Fl. 857 15 Fl. 857DF CARF MF Processo nº 16327.720508/201316 Acórdão n.º 1302003.000 S1C3T2 Fl. 858 16 Fl. 858DF CARF MF Processo nº 16327.720508/201316 Acórdão n.º 1302003.000 S1C3T2 Fl. 859 17 Fl. 859DF CARF MF Processo nº 16327.720508/201316 Acórdão n.º 1302003.000 S1C3T2 Fl. 860 18 Fl. 860DF CARF MF Processo nº 16327.720508/201316 Acórdão n.º 1302003.000 S1C3T2 Fl. 861 19 Fl. 861DF CARF MF Processo nº 16327.720508/201316 Acórdão n.º 1302003.000 S1C3T2 Fl. 862 20 (...) Fl. 862DF CARF MF Processo nº 16327.720508/201316 Acórdão n.º 1302003.000 S1C3T2 Fl. 863 21 Fl. 863DF CARF MF Processo nº 16327.720508/201316 Acórdão n.º 1302003.000 S1C3T2 Fl. 864 22 Fl. 864DF CARF MF Processo nº 16327.720508/201316 Acórdão n.º 1302003.000 S1C3T2 Fl. 865 23 (...) Fl. 865DF CARF MF Processo nº 16327.720508/201316 Acórdão n.º 1302003.000 S1C3T2 Fl. 866 24 Na sessão de março de 2017, este colegiado resolveu por converter o julgamento em diligência, objetivando maiores esclarecimentos acerca da existência (ou não) de retenção de R$ 658.847,70 à título de IRRF, sobre R$ 4.392.318,02 pago pela Cia. Créd. Fin. Inv. Renault do Brasil (CNPJ 61.784.278/000191) ao Banco Comercial e de Investimentos Sudameris S.A, à título de juros sobre capital próprio, além do oferecimento da correspondente receita (JCP) à tributação no AnoCalendário de 2008 por esta, hoje sucedida pela Recorrente (vide fls. 775/803 dos autos). A unidade preparadora após a análise dos autos e intimações dirigidas a recorrente, produziu relatório de diligência conclusivo (fls. 819/828). O contribuinte manifestouse acerca do relatório de diligência às fls. 836/839. É o relatório. Voto Conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Relator. Como se pode inferir do relatado acima, o cerne da controvérsia reside na (i) existência (ou não) de retenção de R$ 658.847,70 à título de IRRF, sobre R$ 4.392.318,02 pago pela Cia. Créd. Fin. Inv. Renault do Brasil (CNPJ 61.784.278/000191) ao Banco Comercial e de Investimentos Sudameris S.A, à título de juros sobre capital próprio, além do (ii) oferecimento da correspondente receita (JCP) à tributação no AnoCalendário de 2008 por esta, hoje sucedida pela Recorrente. A DRJ bem constatou que a DIRF constante na fl. 660, de fato, confirma que a instituição financeira Banco Comercial e de Investimento Sudameris S/A recebeu, no ano Fl. 866DF CARF MF Processo nº 16327.720508/201316 Acórdão n.º 1302003.000 S1C3T2 Fl. 867 25 calendário de 2008, a título de Juros sobre Capital Próprio, da Cia Créd. Fin. Inv. Renault do Brasil (CNPJ 61.784.278/000191), o rendimento bruto no valor de R$ 4.392.318,02, tendo sido retido IRRF de R$ 658.847,70 sobre esta cifra. No entanto, aquele órgão julgador reconhece que, em suas declarações, o contribuinte não informa nenhum valor à título de juros sobre capital próprio (JCP), o que confere razão ao lançamento. Aqui, faço um breve registro do motivo da autuação que, segundo a própria decisão recorrida é o seguinte: Fica claro, portanto, que o lançamento de ofício se deu em função da insuficiência de recolhimento de IRPJ, que gerou um total de R$ 535.105,18 de diferença entre o imposto recolhido e o efetivamente devido. Com efeito, à época da impugnação, o contribuinte afirmou que, apesar de não ter informado em linha própria de sua DIPJ do anocalendário 2008 da receita proveniente de juros sobre capital próprio, o valor de R$ 4.392.318,02, que teria sido pago à título de JCP, e de onde proviria o pagamento antecipado do IRRF, estaria contido no valor de R$ 12.450.675,20 informado na linha 47 (Outras receitas operacionais) da Ficha 06B da DIPJ 2009. Para comprovar suas alegações, anexou aos autos deste processo o Balancete Patrimonial Analítico (doc. 10 – fls. 581/612) e a DRE Analítica (doc. 11 fls. 613), em que podem ser facilmente constatadas todas as receitas que compõem os R$ 12.450.675,20. Da análise dessa documentação a primeira instância administrativa constatou o seguinte, litteris: Fl. 867DF CARF MF Processo nº 16327.720508/201316 Acórdão n.º 1302003.000 S1C3T2 Fl. 868 26 “9.4. No documento 09 apresentado com a impugnação (“Balancete Patrimonial analítico – ref. Dezembro/2008”), à fl. 586, consta a conta 188450060047473000742988 – IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES A COMP – DECORRENTES DE ANTECIPAÇÕES – IRRF S/ TJLP – EXERC. ATUAL, na qual foi debitado o valor de R$ 658.847,70. No mesmo documento, às fls. 603/604, consta a conta 719990090052515565251071 – OUTRAS RENDAS OPERACIONAIS RECEITAS FINANCEIRAS S/ TJLP, na qual foi creditado o valor de R$ 4.392.317,02. 9.5. O documento extraído do sistema DIRF, à fl. 644, atesta que a “Cia Créd. Fin. E Inv. Renault do Brasil”, CNPJ nº 61.784.278/000191, pagou à instituição Banco Comercial e de Investimento Sudameris S/A, CNPJ nº 61.230.165/000144, a título de Juros sobre Capital Próprio, no anocalendário de 2008, o valor de R$ 4.392.318,02, tendo sido retido na fonte o imposto no valor de R$ 658.847,70. 9.6. À fl. 617, no Doc. 11“Composição DRF – analítico” consta a composição da Conta “Outras Receitas Operacionais” informada na linha 47 da Ficha 06B da DIPJ 2009 da instituição BCI Sudameris, estando inserido no valor de R$ 12.450.675,20, o valor de R$ 4.392.318,08, recebido a título de Juros sobre Capital Próprio de “Cia Créd. Fin. E Inv. Renault do Brasil”, CNPJ nº 61.784.278/000191, conforme excerto do documento abaixo: Do trecho acima, notadamente do item 9.5, onde fazse menção ao documento extraído do sistema DIRF (onde há erro na indicação da fl. 644, uma vez que o documento descrito se reporta à fl. 660), notase que a DRJ não contesta a retenção do imposto, pelo contrário, faz menção à DIRF (fl. 660) que comprova a referida antecipação. Ademais, o órgão julgador ainda traz à baila o §1º, do art. 668 do RIR/99, que autoriza o reconhecimento do IRRF sobre JCP como antecipação do devido na declaração de rendimentos. Fl. 868DF CARF MF Processo nº 16327.720508/201316 Acórdão n.º 1302003.000 S1C3T2 Fl. 869 27 Assim, resta claro que, quanto à existência de retenção na fonte sobre o valor recebido à título de JCP, em decorrência da ausência de contestação, a primeira instância administrativa aceitou como existente a referida retenção na fonte. À partir disso, a DRJ passou à análise da efetividade do oferecimento à tributação da receita correspondente aos juros sobre capital próprio, conforme trecho do item 9.7, seguinte: “9.7. Cumpre pois verificar o saldo no Balancete Analítico (fls. 603/604) de cada uma das contas acima relacionadas para poder ser considerado comprovado que a receita correspondente a juros sobre capital próprio tenha de fato sido oferecida à tributação, apesar do erro de preenchimento cometido por BCI Sudameris:” • 71930006 0052386 000730596 – RECUP ENCARGOS E DESPESAS – PRODUTOS, no valor de R$ 623,83: não encontrada a conta, nem a cifra no Balancete Patrimonial Analítico (fls. 603/604); • 71930006 0054194 000000000 – RECUPERAÇÃO CUSTAS JUDICIAIS DCL, no valor de R$ 64.648,53: o saldo dessa conta é de R$ 37.803,33 no Balancete Patrimonial Analítico (fls. 603); • 71930006 0082259 000000000 – RECUP. ENC. DESP. –PRECATÓRIOS FISCAI, no valor de R$ 779.964,14: encontrada a conta e o valor no Balancete Patrimonial Analítico à fl. 603; • 71999009 0050474 000703346 – OUTRAS RENDAS OPERACIONAIS, no valor de R$ 4.281,92: o saldo dessa conta (Outras Rendas Operacionais – Acertos Financeiros) é de R$ 531,08, conforme Balancete Patrimonial Analítico à fl. 603; • 71999009 0050474 000704377 – OUTRAS RENDAS OPERACIONAIS, no valor de R$ 1.096,99: não encontrada a subconta, nem a cifra no Balancete Patrimonial Analítico (fls. 603/604); • 71999009 0050474 000763219 – OUTRAS RENDAS OPERACIONAIS, no valor de R$ 611.339,22: o saldo dessa conta (Outras Rendas Operacionais – INVEST. AVAIB. FOR SALE TJLP) é de R$ 78.375,62, conforme Balancete Patrimonial Analítico à fl. 604; • 71999009 0052215 000759711 – OUTRAS RENDAS OPERACIONAIS, no valor de R$ 353.534,76: o saldo dessa conta (OUTRAS RENDAS OPERACIONAIS – SUDAOUT. RDAS. OPER. ATUAL. MONET) é de R$ Fl. 869DF CARF MF Processo nº 16327.720508/201316 Acórdão n.º 1302003.000 S1C3T2 Fl. 870 28 176.948,75, conforme Balancete Patrimonial Analítico à fl. 604; • 71999009 0052215 585251071 – OUTRAS RENDAS OPERACIONAIS RECEITAS FINANCEIRAS S/ TJLP: o saldo dessa conta é de R$ 4.392.318,02, conforme Balancete Patrimonial Analítico à fl. 604 (vide parágrafo 9.4 do voto); • 71999009 0055310 582652013 RECEITAS DE CORREÇÕES DE SELIC, no valor de 3.762,43: não encontrada a conta, nem a cifra no Balancete Patrimonial Analítico (fls. 603/604); • 71999009 0081969 000764556 – ATUALIZAÇÕES DE DEPÓSITOS JUDICIAIS no valor de R$ 1.479.916,67: o saldo dessa conta (DEPÓSITOS JUDICIAISFISCAIS) é de R$ 649.037,23, conforme Balancete Patrimonial Analítico à fl. 604; • 71999009 0081969 000764557 – ATUALIZAÇÕES DE DEPÓSITOS JUDICIAIS no valor de R$ 2.614.185,07: o saldo dessa conta (DEPÓSITOS JUDICIAISTRABALH.) é de R$ 1.290.994,44, conforme Balancete Patrimonial Analítico à fl. 604; • 71999009 0081969 000764558 – ATUALIZAÇÕES DE DEPÓSITOS JUDICIAIS no valor de R$ 1.664.901,62: o saldo dessa conta (DEPÓSITOS JUDICIAISTRABALH.) é de R$ 1.196.595,63, conforme Balancete Patrimonial Analítico à fl. 604; • 73920007 0080199 000000000 – RENDAS DE ALUGUEISIMÓVEIS RETOMADOS no valor de R$ 480.000,00 – o saldo dessa conta que pertence ao sub grupo de Receitas não Operacionais é de R$ 240.000,00, conforme Balancete Patrimonial Analítico à fl. 604. 9.8. Deste modo, confrontando os dados alegados na impugnação como componentes do valor informado na linha 47 (Outras Receitas Operacionais) da Ficha 06A da DIPJ 2009, com os dados do Balancete Patrimonial Analítico que estariam a comprovar a inserção da receita de juros sobre capital próprio na citada linha, os dados e documentos apresentados pela impugnante revelamse inconsistentes, conforme abaixo demonstrado: Fl. 870DF CARF MF Processo nº 16327.720508/201316 Acórdão n.º 1302003.000 S1C3T2 Fl. 871 29 9.9. Portanto, os dados alegados e documentos contábeis apresentados por se encontrarem inconsistentes entre si não demonstram de maneira inequívoca que, na linha 47 da Ficha 6A da DIPJ, está inserida a receita de juros sobre capital próprio recebida no ano calendário de 2008 de Cia Créd. Fin. e Inv. Renault do Brasil”, CNPJ nº 61.784.278/000191.” (grifos aditados) Pois bem. Os documentos contábeis reputados inconsistentes pela DRJ, são: a Composição da DRE Analítica e o Balancete referente a Dezembro do ano calendário 2008. Quanto a isso, alega a recorrente que, por ter desviado o foco sobre o real problema da autuação (que era a desconsideração indevida do crédito de IRRF sobre receitas de JCP devidamente tributadas), a DRJ equivocouse ao analisar apenas o balancete de dez/08, e não a DRE (que é composta da somatória dos Balancetes de Jun/08 e Dez/08), cujos valores das receitas auferidas pela Recorrente estão devidamente registradas na Linha 47 da Ficha 6B da DIPJ e oferecidos à tributação. Isto porque, segundo a Recorrente, o procedimento que adota é o de efetuar o levantamento de balancete semestralmente, sendo que, para demonstração de tal procedimento, anexou aos autos, juntamente com o Recurso Voluntário, o balancete analítico de 30/06/2008, 31/12/2008. Em sua peça, há excerto do referido documento, abaixo reproduzido: Fl. 871DF CARF MF Processo nº 16327.720508/201316 Acórdão n.º 1302003.000 S1C3T2 Fl. 872 30 Notase, do cotejo entre este balancete analítico e as constatações ínsitas no item 9.7 do Acórdão da DRJ (fls. 673/674), que as contas 71930006 0052386 000730596 – RECUP ENCARGOS E DESPESAS – PRODUTOS; 71999009 0050474 000704377 – OUTRAS RENDAS OPERACIONAIS; 71999009 0055310 582652013 RECEITAS DE CORREÇÕES DE SELIC, cuja DRJ registrou “não ter encontrado a conta, nem a cifra no Balancete Patrimonial Analítico de fls. 603/604”, são exatamente as contas que no Balancete de dez/08 (Balancete analisado pela DRJ) encontravamse “zeradas”. Tal fato confere força ao argumento da Recorrente de que a DRJ equivocou se ao analisar apenas o balancete de dez/08, e não a DRE (composta da somatória dos Balancetes de Jun/08 e Dez/08), de forma a merecerem uma análise detida da veracidade das informações ali prestadas. Nada obstante, a Recorrente ainda alega que, mesmo que os valores fossem totalmente divergentes (e a quantia de JCP não fosse coincidente), a DRJ não poderia decidir da forma como o fez, pois a DRJ não tem competência para modificar o lançamento tributário. A esse respeito, é oportuno reforçarse que o lançamento se deu por insuficiência de recolhimento do ajuste do IRPJ do anocalendário 2008, reconhecido pela própria Recorrente que, por meio de sua Impugnação e reiterado em seu Recurso Voluntário, afirma tratarse de erro de fato no preenchimento da DIPJ. Ora, todo o procedimento de fiscalização e constituição do crédito tributário decorreu de uma insuficiência de recolhimento de IRPJ, devidamente instruída e inclusive reconhecida pela Recorrente que, em sua defesa, alega ter incorrido em erro no preenchimento da DIPJ. Fl. 872DF CARF MF Processo nº 16327.720508/201316 Acórdão n.º 1302003.000 S1C3T2 Fl. 873 31 Em virtude de tais fatos, esta turma decidiu por converter o julgamento em diligência objetivando maiores esclarecimentos sobre as questões postas a apreciação deste colegiado. Baixado os autos a unidade de origem, foi elaborado excelente relatório de diligência, digase de passagem, que passo a transcrever (vide fls. 819/828). “(...) 3 Da Diligência 3. 1 Das Intimações O BANCO SANTANDER (BRASIL) S. A. (sucessor por incorporação do Banco Comercial e de Investimentos Sudameris S. A.) foi intimado a apresentar as informações requeridas no item 1 (transcrito em Do Objeto da Diligência acima), no Termo de Início de Diligência Fiscal, entregue em 25/06/2017, que se encontra às fls. 806/807. A resposta ao citado termo se encontra às fls. 808. Vale destacar que os documentos comprobatórios entregues pelo contribuinte se encontram na pasta "Termo de Anexação de Arquivo Nãopaginável Anexo à Resposta ao Termo de Início de Diligência". Houve uma segunda intimação, em 17/08/2017, em que foram solicitados os balancetes analíticos de junho e de dezembro de 2008 do Banco Comercial e de Investimentos Sudameris S. A. E, por fim, uma terceira intimação feita em 05/09/2017 para solicitar os mesmos balancetes, de junho e de dezembro de 2008, mas, agora, com um nível maior de detalhamento das contas que os balancetes entregues anteriormente não apresentavam. Vale confessar que os balancetes de junho e de dezembro de 2008 já se encontravam nos autos às fls. 719/769, de forma que as intimações feitas em 17/08/2017 e em 05/09/2017 eram despiciendas. 3. 1 Da Análise das Solicitações da Diligência 3. 1.1 Das Preliminares Preliminarmente, é necessário fazer algumas observações acerca do Acórdão de Impugnação às fls. 664/676, a fim de se esclarecer o que acredito ser o cerne das controvérsias que, a partir de então, se estabeleceram nos autos deste processo. Para tal, peço a vênia para reproduzir um longo trecho do citado acórdão. "9.6. À fl. 617, no Doc. 11 "Composição DRF analítico" consta a composição da Conta "Outras Receitas Operacionais" informada na linha 47 da Ficha 06B da DIPJ 2009 da instituição BCI Sudameris, estando inserido no valor de R$ 12.450.675,20, o valor de R$ 4.392.318,08, recebido a título de Juros sobre Capital Próprio de 'Cia Créd. Fin. e Inv. Renault do Brasil', CNPJ no 61.784.278/000191, conforme excerto do documento abaixo: 047 Outras Receitas Operacionais 71930006 0052386 000730596 RECUP. Encargos e Despesas produtos 623,83 C 12.450.673,20 C Fl. 873DF CARF MF Processo nº 16327.720508/201316 Acórdão n.º 1302003.000 S1C3T2 Fl. 874 32 71930006 0054194 000000000 Recuperação custas judicias DCL 64.648,53 71930006 0082259 000000000 Outras Rendas Operacionais 779.964,14 71999009 0050474 000703346 Outras Rendas Operacionais 4.281,92 71999009 0050474 000704377 Outras Rendas Operacionais 1.096,99 71999009 00504 74 000763219 Outras Rendas Operacionais 611.339,22 71999009 00525150 00759711 Outras Rendas Operacionais 353.634,76 71999009 0052215 565251071 Outras Rendas Operacionais 4.392.318,02 71999009 0055310 582652013 Receitas de correções de Selic 3.762,43 71999009 0081969 000764556 Atualizações de depósitos judiciais 1.479.916,67 71999009 0081969 000764557 Atualizações de depósitos judiciais 2.614.185,07 71999009 0081989 000764558 Atualizações de depósitos judiciais 1.664.901,62 73920007 0080199 000000000 Atualizações de depósitos judiciais 480.000,00 9.7. Cumpre, pois, verificar o saldo no Balancete Analítico (fls. 603/604) de cada uma das contas acima relacionadas para poder ser considerado comprovado que a receita correspondente a juros sobre capital próprio tenha de fato sido oferecida à tributação, apesar do erro de preenchimento cometido por BCI Sudameris: · 71930006 0052386 000730596 RECUP ENCARGOS E DESPESAS PRODUTOS, no valor de R$ 623,83: não encontrada a conta, nem a cifra no Balancete Patrimonial Analítico (fls. 603/604); · 71930006 0054194 000000000 RECUPERAÇÃO CUSTAS JUDICIAIS DCL, no valor de R$ 64.648,53: o saldo dessa conta é de R$ 37.803,33 no Fl. 874DF CARF MF Processo nº 16327.720508/201316 Acórdão n.º 1302003.000 S1C3T2 Fl. 875 33 Balancete Patrimonial Analítico à fl. 603; · 71930006 0082259 000000000 RECUP. ENC. DESP. PRECOTÓRIOS FISCAIS, no valor de R$ 779.964,14: encontrada a conta e o valor no Balancete Patrimonial Analítico à fl. 603; · 71999009 0050474 0000703346 OUTRAS RENDAS OPERACIONAIS, no valor de R$ 4.281,92: o saldo dessa conta (Outras Rendas Operacionais Acertos Financeiros) é de R$ 531,08, conforme Balancete Patrimonial Analítico à fl. 603; · 71999009 0050474 0000704377 OUTRAS RENDAS OPERACIONAIS, no valor de R$ 1.096,99: não encontrada a subconta, nem a cifra no Balancete Patrimonial Analítico (fls. 603/604); · 71999009 0050474 000763219 OUTRAS RENDAS OPERACIONAIS, no valor de R$ 611.339,22: o saldo dessa conta (Outras Rendas Operacionais INVEST. AVAIB. FOR SALE TJLP) é de R$ 78.375,62, conforme Balancete Patrimonial Analítico a fl. 604; · 71999009 0052215 000759711 OUTRAS RENDAS OPERACIONAIS, no valor de R$ 353.534,76: o saldo dessa conta (Outras Rendas Operacionais SUDAOUT.RDAS. OPER. ATUAL. MONET) é de R$ 176.948,75, conforme Balancete Patrimonial Analítico a fl. 604; · 71999009 0052215 585251071 OUTRAS RENDAS OPERACIONAIS RECEITAS FINANCEIRAS S/ TJLP: o saldo dessa conta é de R$ 4.392.318,02, conforme Balancete Patrimonial Analítico a fl. 604 (vide parágrafo 9.4 do voto); · 71999009 0055310 582652013 RECEITAS DE CORREÇÕES DE SELIC, no valor de 3.762,43: não encontrada a conta, nem cifra no Balancete Patrimonial Analítico (fls. 603/604); · 71999009 0081969 000764556 ATUALIZAÇÕES DE DEPÓSITOS JUDICIAIS, no valor de R$ 1.479.916,67: o saldo dessa conta (DEPÓSITOS JUDICIAISFISCAIS) é de R$ 649.037,23, conforme Balancete Patrimonial Analítico à fl. 604; · 71999009 0081969 000764557 ATUALIZAÇÕES DE DEPÓSITOS JUDICIAIS, no valor de R$ 2.614.185,07: o saldo dessa conta (DEPÓSITOS JUDICIAISTRABALH.) é de R$ 1.196.595,63, conforme Balancete Patrimonial Analítico à fl. 604; · 71999009 0081969 000764558 ATUALIZAÇÕES DE DEPÓSITOS JUDICIAIS, no valor de R$ 1.664.901,62: o saldo dessa conta (DEPÓSITOS JUDICIAISTRABALH.) é de R$ 1.196.595,63, conforme Balancete Patrimonial Analítico à 604; · 73920007 0080199 000000000 RENDAS DE ALUGUEISIMÓVEIS RETOMADOS no valor de R$ 480.000,00 o saldo dessa conta que pertence ao subgrupo de receitas não operacionais é de R$ 240.000,00, Fl. 875DF CARF MF Processo nº 16327.720508/201316 Acórdão n.º 1302003.000 S1C3T2 Fl. 876 34 conforme Balancete Patrimonial Analítico à fl. 604; 9.8. Deste modo, confrontando os dados alegados na impugnação como componentes do valor informado na linha 47 (Outras Receitas Operacionais) da Ficha 06A da DIPJ 2009, com os dados do Balancete Patrimonial Analítico que estariam a comprovar a inserção da receita de juros sobre o capital próprio na citada linha, os dados e documentos apresentados pela impugnante revelamse inconsistentes, conforme abaixo demonstrado: Contas Alegado (fls.617) Balancete (fls.603/604) 71930006 0052386 000730596 623,83 0,00 71930006 0054194 000000000 64.648,53 37.803,33 71930006 0082259 000000000 779.964,14 779.964,14 71999009 0050474 000703346 4.281,92 531,08 71999009 0050474 000704377 1.096,99 0,00 71999009 0050474 000763219 611.339,22 78.375,62 71999009 0052215 565251071 4.392.318,02 4.392.318,02 71999009 0055310 582652013 3.762,43 0,00 71999009 0081969 000764556 1.479.916,67 649.037,23 71999009 0081969 2.614.185,07 1.290.994,44 Fl. 876DF CARF MF Processo nº 16327.720508/201316 Acórdão n.º 1302003.000 S1C3T2 Fl. 877 35 000764557 71999009 0081969 000764558 1.664.901,62 1.196.595,63 73920007 0080199 000000000 480.000,00 240.000,00 TOTAIS 12.097.038,44 8.665.619,49 9.9. Portanto, os dados alegados e documentos contábeis apresentados por se encontrarem inconsistentes entre si não demonstram de maneira inequívoca que, na linha 47 da Ficha 06A da DIPJ, está inserida a receita de juros sobre capital próprio recebida no anocalendário de 2008 de Cia Créd. Fin. e Inv. Renault do Brasil, CNPJ no 61.784.278/000191." A leitura do trecho acima transcrito leva à conclusão que o Julgador de Primeira Instância identificou inconsistência entre os fatos alegados e a contabilidade do contribuinte. No entanto, o que houve, na realidade, foi um equívoco do Julgador que, na análise que fez da contabilidade apresentada pelo contribuinte, deixou de considerar que as instituições financeiras, por serem obrigadas pelo Banco Central do Brasil a adotar o COSIF (Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional), realizam dois balanços anuais: o primeiro em junho e o segundo em dezembro. Assim, as inconsistências apontadas pelo Julgador de Primeira Instância no item 9.7 do Acórdão de Impugnação ficam todas sanadas quando se somam os valores das contas de receitas listadas do Balancete Analítico de Junho (que se encontra às fls. 719/744) aos respectivos valores do Balancete Analítico de Dezembro (que foi o único considerado pelo Julgador), conforme demonstrado no quadro a seguir. Vale destacar que os valores da coluna "Total Anual" do quadro abaixo são iguais aos valores presentes na coluna "Alegado (fls. 617)" do quadro apresentado no item 9.7 do Acórdão de Impugnação. QUADRO I Conta Balancete de Junho Balancete de Dezembro Total Anual 71930006 0052386 623,83 0,00 623,83 Fl. 877DF CARF MF Processo nº 16327.720508/201316 Acórdão n.º 1302003.000 S1C3T2 Fl. 878 36 000730596 71930006 0054194 000000000 26.845,20 37.803,33 64.648,53 71930006 0082259 000000000 0,00 779.964,14 779.964,14 71999009 0050474 000703346 3.750,84 531,08 4.281.92 71999009 0050474 000704377 1.096,99 0,00 1.096,99 71999009 0050474 000763219 532.963,60 78.375,62 611.339,22 71999009 0052215 565251071 0,00 4.392.318,02 4.392.318,0 2 71999009 0055310 582652013 3.762,43 0,00 3.762,43 71999009 0081969 000764556 830.881,44 649.037,23 1.479.918,6 7 71999009 0081969 000764557 1.323.190,63 1.290.994,44 2.614.185,0 7 71999009 0081969 000764558 468.305,99 1.196.595,63 1.664.901,6 2 73920007 0080199 000000000 240.000,00 240.000,00 480.000,00 TOTAIS 3.431.420,95 8.665.619,49 12.097.040, 44 Fl. 878DF CARF MF Processo nº 16327.720508/201316 Acórdão n.º 1302003.000 S1C3T2 Fl. 879 37 Ressaltese que o contribuinte só apresentou o Balancete Analítico de Junho de 2008 entre os documentos anexados ao Recurso Voluntário (Pasta: Planilha de Cálculo), o que pode ter induzido o Julgador de Primeira Instância ao equívoco. Portanto, a afirmação, feita no item 9.8 do Acórdão de Impugnação pelo Julgador de Primeira Instância (abaixo reproduzida), de que haveria inconsistência entre o valor informado na Linha 47 da Ficha 06A da DIPJ/2009 e os dados informados nos balancetes, não procede. 9.8. Deste modo, confrontando os dados alegados na impugnação como componentes do valor informado na linha 47 (Outras Receitas Operacionais) da Ficha 06A da DIPJ 2009, com os dados do Balancete Patrimonial Analítico que estariam a comprovar a inserção da receita de juros sobre o capital próprio na citada linha, os dados e documentos apresentados pela impugnante revelamse inconsistentes, conforme abaixo demonstrado: 3. 1.2— Da Primeira Solicitação A primeira solicitação da diligência foi reproduzida a seguir: "1. Intimar o contribuinte a decompor, analiticamente, o valor da receita de R$ 12.450.675,20 informada na Linha 47 da Ficha 68 da DIPJ já anexada aos autos destacando os valores que compõem a rubrica devidamente contabilizados (apontando as folhas do Razão) e qual o montante do Imposto de Renda Retido na Fonte no anocalendário de 2008; Como já dito no item 3.1, o contribuinte foi intimado, nos exatos termos solicitados pelo Julgador de segunda instância, a apresentar: I. Decomposição analítica do valor da receita de R$ 12.450.675,20, informada na Linha 47 da Ficha 068, da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ relativa ao anocalendário 2008 (exercício 2009), destacando os valores que compõem a rubrica devidamente contabilizados (apontando as folhas do Razão) e qual o montante do Imposto de Renda Retido na Fonte no anocalendário de 2008. A resposta encontrase na pasta "Termo de Anexação de Arquivo Não paginável Anexo II à resposta ao Termo de Início de Diligência". Para responder a primeira parte da solicitação (decomposição analítica da Linha 47 da Ficha 06B da DIPJ/2009) o contribuinte apresentou a planilha reproduzida abaixo: Fl. 879DF CARF MF Processo nº 16327.720508/201316 Acórdão n.º 1302003.000 S1C3T2 Fl. 880 38 E, na mesma planilha, apresentou as razões das contas referenciadas no quadro acima. Quanto à segunda parte da solicitação "o montante do Imposto de Renda Retido na Fonte no anocalendário de 2008" , o contribuinte apresentou apenas cópia do DARF (2) do Imposto Retido na Fonte IRRF (código de arrecadação 5706 Juros sobre o Capital Próprio), no valor de R$ 658.847,70, cujo contribuinte (aquele que pagou o DARF) é a Companhia de Crédito, Financiamento e Investimento RCI Brasil (CNPJ 61.784.278/000191). No entanto, o Julgador de primeira instância já reconhecera que tal valor de IRRF retido corresponde ao pagamento de juros sobre capital próprio ao Banco Comercial e de Investimento Sudameris S/A pela Companhia de Crédito, Financiamento e Investimento RCI Brasil, conforme transcrito a seguir. "9.1. Pesquisa ao sistema Dirf acostada à fl. 660, confirma que a instituição financeira Banco Comercial e de Investimento Sudameris S/A recebeu, no anocalendário 2008, a título de Juros sobre Capital Próprio, da Cia Créd. Fin. Inv. Renault do Brasil (CNPJ 61.784.278/000191), o rendimento bruto no valor de R$ 4.392.318,02, tendo sido retido IRRF de R$ 658.847,70." 3. 1.3 Da Segunda Solicitação A segunda solicitação da diligência foi feita nos seguintes termos: "2. Verificar se o balancete analítico de 30/06/2008 a 31/12/2008 (fls. 719/769) é válido. Ou seja, as informações ali contidas descrevem a realidade dos fatos ocorridos conforme relatado pelo contribuinte e escriturado na contabilidade;" Preliminarmente, acredito ser necessária uma pequena retificação na solicitação feita pelo Julgador de Segunda Instância. No lugar de "verificar se o balancete analítico de 30/06/2008 a 31/12/2008 ... é valido" (grifei) melhor seria dizer "verificar se os balancetes analíticos de 30/06/2008 e 31/12/2008 são válidos". Isto porque, conforme já mencionado anteriormente, as instituições financeiras, obrigadas que são às normas do COSIF, fazem balanços semestrais. Portanto, no caso em tela, só faz sentido referirse aos balanços de 30/06/2008 e 31/12/2008. Assim, levandose em consideração a observação feita, verificamos que os valores das contas de receita que compõem a Linha 47, da Ficha 06A , da DIPJ/2009 correspondem à soma dos respectivos valores constantes nos balancetes de junho e de dezembro de 2008 (vide QUADRO I do item 3.1.1). E, por sua vez, os valores constantes nos balancetes de junho e de dezembro de 2008 correspondem aos valores escriturados nas respectivas razões que se encontram na planilha entregue em resposta ao Termo de Início de Diligência, já mencionada anteriormente. 3. 1.4 Da Terceira Solicitação Por tudo o que foi dito no item anterior, já foi respondida a terceira solicitação da diligência, abaixo reproduzida: "3. Caso o quesito acima possua resposta positiva, responder: Existe Fl. 880DF CARF MF Processo nº 16327.720508/201316 Acórdão n.º 1302003.000 S1C3T2 Fl. 881 39 divergência entre os valores declarados na Ficha 6, Linha 47 da Composição da DRE de 2008 (fl. 617) e os valores declarados no Balancete analítico de 30/06/2008 a 31/2/2008? ” Ou seja, não existe divergência entre os valores declarados na Linha 47, da Ficha 06A, da DIPJ/2009 e a soma dos valores dos balancetes analíticos de 30/06/2008 e de 31/12/2008. 3. 1.5 Da Quarta Solicitação E, por fim, a quarta solicitação determina que: 4. A autoridade fiscal designada ao cumprimento das diligências deverá elaborar relatório fiscal demonstrando a veracidade, ou não, das indagações acima suscitadas, confirmando ou não ao final, se no valor de R$ 12.450.675,20 está contido a quantia de R$ 4.392.318,02, e que tal montante (R$ 12.450.675,20) foi efetivamente oferecido à tributação." Por todo o exposto, é possível confirmar que a quantia de R$ 4.392.318,02 está contida no montante de R$ 12.450.675,20 e foi oferecida à tributação na DIPJ/2009. (Grifei) Como se pode observar, o relatório de diligência confirmou o que foi suscitado pelo recorrente desde sua impugnação, isto é, inexiste crédito tributário a ser exigido e por decorrência lógica, base tributável para exigência da multa isolada por falta de recolhimento da base estimada. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Fl. 881DF CARF MF Processo nº 16327.720508/201316 Acórdão n.º 1302003.000 S1C3T2 Fl. 882 40 Fl. 882DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.900706/2008-08
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 09 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3001-000.085
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que o órgão julgador de 1ª instância, no caso a DRJ/BSA, tome conhecimento dos documentos (e argumentos) carreados aos autos após o Acórdão daquele órgão julgador de 1ª instância, nos termos determinados pela E. Câmara Superior de Recursos Fiscais - CSRF.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente (assinado digitalmente)
(assinado digitalmente)
Francisco Martins Leite Cavalcante - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante.
RELATÓRIO.
Nome do relator: FRANCISCO MARTINS LEITE CAVALCANTE
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Recorrente AUTOTRAC COMERCIO E TELECOMUNICAÇÕES LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que o órgão julgador de 1ª instância, no caso a DRJ/BSA, tome conhecimento dos documentos (e argumentos) carreados aos autos após o Acórdão daquele órgão julgador de 1ª instância, nos termos determinados pela E. Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) (assinado digitalmente) Francisco Martins Leite Cavalcante Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante. RELATÓRIO. Por bem resumir os fatos, transcrevo o relatório da decisão recorrida (fls.343/344), verbis. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 66 .9 00 70 6/ 20 08 -0 8 Fl. 648DF CARF MF Processo nº 10166.900706/200808 Resolução nº 3001000.085 S3C0T1 Fl. 3 2 Tratase o presente processo da Declaração de Compensação (DCOMP) de n° 00580.51727.110304.1.3.044099 (fls. 70/74), transmitida eletronicamente em 11/03/2004, com base em créditos relativos à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, tendo a contribuinte vinculado débitos no montante total de R$ 8.956,83. Em 24/04/2008, foi emitido eletronicamente o Despacho Decisório (fl. 69),fundamentado nos termos dos artigos 165 e 170 do Código Tributário Nacional e do artigo 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, cuja decisão não homologou a compensação declarada, por inexistência de crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificado, via postal, dessa decisão em 06/05/2008 (fls. 75 e 76), bem como da cobrança dos débitos compensados na Dcomp, o sujeito passivo apresentou em 04/06/2008, manifestação de inconformidade às fls. 01/08, acrescida de documentação anexa. A respeito do crédito nãohomologado, no valor de R$ 8.956,83, a manifestação de inconformidade alega, em síntese: "(..) tais créditos foram extraídos dos pagamentos efetuados a maior, através dos DARFs: R$ 360.388,13 recolhido em 14/03/2003 (valor devido R$ 352.174,01), R$ 441.873,45 recolhido em 15/04/2003 (valor devido R$ 432.306,09), R$ 421.995,45 recolhido em 13/06/2003 (valor devido R$ 416.573,69), R$ 450.730,61 recolhido em 15/07/2003 (valor devido R$ 445.424,77), R$ 588.481,94 recolhido em 15/08/2003 (valor devido R$ 587.462,18) e R$ 562.471,21 recolhido em 15/12/2003 (valor devido R$ 560.500,02), gerando saldos credores de R$ 8.214,12, R$ 9.567,36, R$ 5.421,76, R$ 5.305,84, R$ 1.019,76 e R$ 1.971,19, respectivamente. (.)"\T\I\I 2 DF CARF MF Fl. 342 Documento de 221 página(s) confirmado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.0618.11501.CKI5. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo n° 10166.900706/200808 DRJ/BSA Acórdão n.° 0330.127 Fls(. 87 ' Alega, ainda, que os valores devidos e pagos estariam também em conformidade com a DIPJ, cujos montantes teriam sido totalmente utilizados para pagamento complementar da Cofins, conforme a seguir: • débito de R$ 8.956,83 — compensação efetuada utilizando o crédito de R$ 9.567,36 em favor da Impugnante da seguinte forma: complemento da Cofins dos meses de setembro/2003 (R$ 7.294,68) e dezembro/2003 (R$ 1.662,15), adicionando os respectivos acréscimos legais, conforme restou esclarecido no PER/DCOMP mencionado. A contribuinte argumenta, também, que o PER/DCOMP estaria amparado pelos respectivos créditos, devidamente comprovados por meio do DARF e demonstrados em planilha, além de estarem ratificados pela apuração apresentada na respectiva DIPJ e documentos em anexo. Fl. 649DF CARF MF Processo nº 10166.900706/200808 Resolução nº 3001000.085 S3C0T1 Fl. 4 3 Ao final requer que seja julgado insubsistente e/ou improcedente a exigência formulada através do Despacho Decisório ora impugnado. A pretensão do recorrente foi indeferida pelo v. acórdão recorrida (fls. 344/346), pelos fundamentos sintetizados na seguinte ementa (fls. 342), verbis. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO EFETUADO A MAIOR O julgador deve buscar analisar as razões e provas apresentadas pelo ao lançamento. A contribuinte não logrou trazer aos Autos material probatório que comprovasse as alegações feitas, o que permitiria a este colegiado formar convicção sobre as mesmas alegações. Solicitação Indeferida Intimado da decisão em 07.05.2009 (fls. 349/349), o contribuinte ingressou com Recurso Voluntário em 06.06.2009 (fls. 350), ilustrado com farta documentação composta por procuração ao advogado, estatuto social e alterações, despachos decisórios diversos, recibos de entrega de DCOMP, entre outros (fls. 353/442), com os seguintes fundamentos (fls. 351/352), verbis. 1. Trata este auto de lançamento por homologação, no qual a autoridade fiscal entendeu que a recorrente, ao promover a compensação do valor da COFINS pago a maior referente ao mês de março de 2003, teria se utilizado de crédito inexistente, no valor principal de R$ 9.567,36. 2. O crédito, todavia, existiu; com efeito, na DCTF apresentada pela Recorrente referente ao mês de março de 2003, foi declarado, por estimativa, uma vez que ainda não era conhecida a base de cálculo definitiva, o débito apurado da COFINS no valor de R$ 441.873,45, conforme DARF anexo; no entanto, quando da revisão dos registros contábeis, foi constatada a diferença do imposto devido naquele mês, no montante acima indicado de R$ 9.567,36 cujo valor correto e definitivamente apurado foi de R$ 432.306,06. 3. Constatado o pagamento a maior, no valor de R$ 9.567,36 que, atualizado até o mês de março de 2004, atingiu o valor de R$ 11.199,55, a Recorrente promoveu a devida compensação, conforme PER/DCOMP (cópia anexa), enviada em 11/03/2004, aproveitando este crédito para a liquidação complementar da COFINS referente aos meses de setembro de 2003, no valor • de R$ 7.294,68, e de dezembro de 2003, no valor de R$ 1.662,15, totalizando R$ 8.956,83, e considerando os acréscimos legais constantes do PER/DCOMP, resulta na compensação do total do crédito atualizado de R$ 11.199,55. 4. A autoridade julgadora de 1ª instância entendeu que "o contribuinte não trouxe aos Autos material probatório que comprovasse o erro cometido no preenchimento da DCTF, o que demonstraria a existência do crédito alegado referente ao DARF recolhido, bem como a possibilidade de utilizálo para quitar os débitos apurados em outros períodos", acrescentando ainda que "apresentar apenas cópia da DIPJ, da DCTF e da planilha elaborada pela própria contribuinte, sem a devida escrituração, não é suficiente para comprovar as alegações Fl. 650DF CARF MF Processo nº 10166.900706/200808 Resolução nº 3001000.085 S3C0T1 Fl. 5 4 da contribuinte, não sendo, portanto, capaz de desconstituir o que foi constituído pelo Despacho Decisório". 5. Data vênia, tal entendimento não se sustenta; a Recorrente se preocupou, para demonstrar o seu direito, em elaborar planilha de cál culo,contendo analiticamente os valores do tributo, por entender que, na atual sistemática de comunicação entre o contribuinte e o fisco, sempre por meio eletrônico, a PER/DCOMP, documento instituído pela própria RF'B, contém as informações necessárias para a autoridade fiscal examine a regularidade do procedimento do contribuinte; a planilha anexada, portanto, teve o propósito de melhor esclarecer o fato, quanto a DIPJ esta teve como objetivo demonstrar a base de cálculo e ratificar a escrituração dos registros contábeis da Recorrente. 6. Em homenagem, todavia, aos princípios da boa fé e da vedação do enriquecimento sem causa, que com certeza ocorrerá se for mantida a decisão de P instância, obrigando a Recorrente a pagar o que não deve, ou a abrir mão de crédito cuja restituição lhe é garantida pela lei, anexase a estas razões a DCTF RETIFICADORA do período em que foi demonstrado o crédito, verificandose, na página anexa, o valor correto da COFINS devido referente ao mês de março de 2003 e declarado na DCTF do 1° trimestre de 2003, que é de R$ 432.306,09 e o pagamento, conforme DARF também anexo, no valor total de R$ 441.873,45, de cuja diferença resulta o valor de R$ 9.567,36. 7. Anexase, também, a folha do balancete do mês de março de 2003, com o registro do grupo de receitas componentes da base de cálculo da COFINS, ratificando contabilmente os valores constantes da DIPJ, bem como o valor do imposto informado na DCTF retificadora. Diante do exposto, requer seja conhecido e provido este recurso, com a reforma 010 da decisão impugnada, julgandose consequentemente procedente o pedido da Recorrente. Já neste Colegiado, foi negado provimento ao recurso voluntário do recorrente, em sessão de 28 de outubro de 2010, através do Acórdão 380300.9493ª Turma Especial, com a relatoria do Conselheiro Carlos Henrique Martins de Lima (fls. 346/349), pelos fundamentos sintetizados na seguinte ementa (fls. 345), verbis. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 24/04/2008 AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO EFETUADO A MAIOR. O julgador deve buscar analisar as razões e provas apresentadas pelo impugnante, em confronto com as documentações e fatos (comprovados) que serviram de base ao lançamento. A contribuinte não logrou trazer aos Autos material probatório que comprovasse as alegações feitas, o que permitiria a este colegiado formar convicção sobre as mesmas alegações. Solicitação Indeferida Fl. 651DF CARF MF Processo nº 10166.900706/200808 Resolução nº 3001000.085 S3C0T1 Fl. 6 5 Referido acórdão foi objeto de Embargos Declaratórios do recorrente (fls. 459/464), acolhidos através do Acórdão nº 380302.749, da 3ª Turma Especial, proferido em 24.04.2012 (fls. 459/464), e assim ementado (fls. 497), verbis. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 24/04/2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. REDISCUSSÃO DA MATÉRIA JULGADA. IMPOSSIBILIDADE. Os Embargos de Declaração são modalidade recursal de integração e objetivam, tão somente, sanar obscuridade, contradição ou omissão, de maneira a permitir o exato conhecimento do teor do julgado. ALEGAÇÕES E PROVAS APRESENTADAS SOMENTE NO RECURSO. PRECLUSÃO. Consideramse precluídos, não se tomando conhecimento, os argumentos e provas não submetidos ao julgamento de primeira instância, apresentados somente na fase recursal. Embargos Acolhidos. Direito Creditório Não Reconhecido Em 17.08.2012, o recorrente ingressa com novos Embargos Declaratórios (fls. 526/534), ilustrado com farta documentação (fls. 535/575), alegando OMISSÃO pelos fundamentos que aponta, e requerendo (i) análise consistente na documentação apresentada para provar suas alegações; (ii) sanar contradição quanto a existência de documento assinado pelo seu contabilista atestando a fidedignidade do Balancete de Verificação extraído do Livro Razão; (iii) esclarecimento porque os documentos exibidos não foram aceitos pelo colegiado para comprovar a liquidez e certeza do seu direito, como alegado no v. Acórdão, para que seja dado provimento ao seu RV; e/ou, sucessivamente, caso se entenda que não cabe a esse colegiado a análise pormenorizada da documentação, requerse seja o julgamento convertido em Diligência para que a Unidade preparadora aprecie tal documentação (fl. 534). Em 21.09.2012, foi proferido o Despacho nº 3803000.154, em 21.09.2012, pelo Presidente da 3ªTE/3ª Seção, negando seguimento aos Embargos (fls. 602/605), que assim finalizou, verbis. Inexiste no acórdão embargado qualquer omissão a reclamar o acolhimento dos presentes embargos, pois tanto os fatos quanto os fundamentos da decisão foram expostos de forma clara, concisa e nítida. Digno de nota, a decisão recorrida enfrentou expressamente a questão, ao declinar que os documentos apresentados na manifestação de inconformidade não eram hábeis e suficientes para atestar a liquidez e certeza dos créditos opostos em compensação e que a documentação aportada aos autos juntamente com o recurso voluntário, ainda insuficiente para o mesmo fim, não seria conhecida em razão de sua intempestividade. Fl. 652DF CARF MF Processo nº 10166.900706/200808 Resolução nº 3001000.085 S3C0T1 Fl. 7 6 Inexiste vício a sanar na decisão embargada. Conclusão Com essas considerações e sem mais delongas, nego seguimento aos presentes embargos. Nos termos do § 3º do art. 65 do RICARF, este despacho é irrecorrível. Intimese o embargante do seu teor. Notificado da decisão em 05.10.2012 (fls. 609/610), ingressou o contribuinte com RECURSO ESPECIAL em 11.10.2012 (fls. 616/629), encaminhado ao CARF em 01.11.2012 (fls. 639), objeto de despacho de comprovação da divergência jurisprudencial em 27.03.2015 (fls. 643/644), recebido por despacho do Presidente da 3ª Seção (fls. 645); seguindose contrarrazões da Fazenda Nacional opinando pelo não conhecimento (fl. 649/10); com julgamento na CSRF através do Acórdão 9303005.065 3ª T, de 16.05.2017 (fls. 654/664) que lhe deu provimento, para determinar o retorno dos autos ao colegiado de origem para análise de novos documentos juntados pelo sujeito passivo, pelos fundamentos resumidos na seguinte ementa (fls. 654), verbis. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Data do fato gerador: 24.04.2008. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ENFRENTAMENTO DA FUNDAMENTAÇÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO. CONHECIMENTO. O recurso especial de divergência que combate a fundamentação do acórdão recorrido, demonstrando a comprovação do dissenso jurisprudencial, deve ser conhecido, consoante art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Além disso, mesmo após complementada a decisão ora recorrida com relação à ocorrência da preclusão para a produção de provas, pela via dos embargos de declaração, não se caracterizou a hipótese de fundamentos autônomos suficientes, cada um por si só, para manutenção do julgado estando correta a insurgência pela via especial enfrentando o argumento da possibilidade de apresentação e análise de documentos novos em sede recursal. PROVAS DOCUMENTAIS NÃO CONHECIDAS. REVERSÃO DA DECISÃO NA INSTÂNCIA SUPERIOR. RETORNO DOS AUTOS PARA APRECIAÇÃO E PROLAÇÃO DE NOVA DECISÃO. Considerado equivocado o acórdão recorrido ao entender pelo não conhecimento de provas documentais somente carreadas aos autos após o prazo para apresentação da impugnação, estes devem retornar à instância inferior para a sua apreciação e prolação de novo acórdão. Recurso especial do contribuinte provido. O Relator do recurso na CSRF, embora vencido quanto ao conhecimento prevalecendo o Voto Vencedor da Conselheira Vanessa Marini Cecconello como Redatora designada assim concluiu o seu voto quanto ao mérito (fls. 659), verbis. Fl. 653DF CARF MF Processo nº 10166.900706/200808 Resolução nº 3001000.085 S3C0T1 Fl. 8 7 Todavia, como este não foi o entendimento da Turma, aderimos à tese prevalente quanto ao mérito do litígio, uma vez que, no caso, a Recorrente sequer foi intimada a apresentar provas do direito que alegava seu antes de proferido o Despacho Decisório, em desconformidade com o que preceitua o art. 3ºIII, da Lei nº 9.784, de 1999. Donde o necessário envio dos autos à câmara baixa para apreciação das provas carreadas aos autos, ainda que em sede que em sede de Recurso voluntário. É como voto. É o relatório. VOTO Conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante Relator O recorrente foi intimado da decisão da DRJ/BSA em 07 de maio de 2009 (fls. 348/349) e ingressou com Recurso Voluntário em 05 de junho de 2009 (fls. 350/493), dentro do prazo legal, representado por advogado habilitado e o apelo encontrase revestido das demais formalidades legais e processuais, pelo que dele tomo conhecimento. Para uma completa e adequada compreensão dos demais Conselheiros, mister se faz um pequeno resumo dos fatos debatidos nas 684 páginas deste longo processo, na dicção do bem elaborado Relatório do v. Acórdão recorrido, proferido pela DRJ/BSA, em 30 de março de 2009 (fls. 348/349), verbis. Trata o presente processo da Declaração de Compensação (DCOMP) de n° 00580.51727.110304.1.3.044099 (fls. 70/74), transmitida eletronicamente em 11/03/2004, com base em créditos relativos à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, tendo a contribuinte vinculado débitos no montante total de RS 8.956,83. Em 24/04/2008, foi emitido eletronicamente o Despacho Decisório (fl. 69), fundamentado nos termos dos artigos 165 e 170 do Código Tributário Nacional e do artigo 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, cuja decisão não homologou a compensação declarada, por inexistência de crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificado, via postal, dessa decisão em 06/05/2008 (fls. 75 |e 76), bem como da cobrança dos débitos compensados na Dcomp, o sujeito passivo apresentou em 04/06/2008, manifestação de inconformidade às fls. 01/08, acrescida de documentação anexa. A respeito do crédito não homologado, no valor de R$ 8.956,83, a manifestação de inconformidade alega, em síntese: "(...) tais créditos foram extraídos dos pagamentos efetuados a maior, através dos DARFs: RS 360388,13 recolhido em 14/03/2003 (valor devido RS 352.174,01), RS 441.873,45 recolhido em 15/04/2003 (valor devido RS 432.306,09), RS 421.995,45 recolhido em 13/06/2003 (valor devido RS 416.573,69), RS 450.730,61 recolhido em 15/07/2003 (valor devido RS 445.424,77), RS 588.481,94 recolhido em 15/08/2003 (valor devido RS 587.462,18) e R$ 562.471,21 recolhido em 15/12/2003 Fl. 654DF CARF MF Processo nº 10166.900706/200808 Resolução nº 3001000.085 S3C0T1 Fl. 9 8 (valor devido RS 560.500,02), gerando saldos credores de RS 8.214,12, RS 9.567,36, RS 5.421,76, RS 5.305,84, RS 1.019,76 e RS 1.971,19, respectivamente. (...)"Alega, ainda, que os valores devidos e pagos estariam também em conformidade com a DIPJ, cujos montantes teriam sido totalmente utilizados para pagamento complementar da Cofins, conforme a seguir: • débito de RS 8.956,83 compensação efetuada utilizando o crédito de RS 9.567,36 em favor da Impugnante da seguinte forma: complemento da Cofins dos meses de setembro/2003 (RS 7.294,68) e dezembro/2003 (R$ 1.662,15), adicionando os respectivos acréscimos legais, conforme restou esclarecido no PER/DCOMP mencionado. A contribuinte argumenta, também, que o PER/DCOMP estaria amparado pelos respectivos créditos, devidamente comprovados por meio do DARF e demonstrados em planilha, além de estarem ratificados pela apuração apresentada na respectiva DIPJ e documentos em anexo. DF CARF MF Fl. 444 Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.0618.11509.KKEH. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Ao final requer que seja julgado insubsistente e/ou improcedente a exigência formulada através do Despacho Decisório ora impugnado. Como relatado, ao pedido do contribuinte foi negado provimento pelos julgadores da 2ª Turma da DRJ/BSA ao fundamento de que o contribuinte não logrou demonstrar documentalmente a liquidez e certeza de suas alegações. Merece transcrição parte essencial dos fundamentos do r. acórdão recorrido (fls. 345), verbis. Conforme Luiz Henrique Barros de Arruda (apud Processo Administrativo.Fiscal, pág. 21), prova por definição, "é a demonstração de existência ou da veracidade daquilo que se alega como fundamento do direito que se defende ou que se contesta". Nesse sentido, jurisprudência da 1ª Câmara do 2° Conselho de Contribuintes, atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, dispõe ser inadmissível a simples alegação do erro no preenchimento da DCTF, de forma quer os dados informados reputamse verdadeiros até prova em contrário: DCTF ALEGAÇÃO DE ERRO NO PREENCHIMENTO AUSÊNCIA DE PROVA os dados informados em DCTF reputamse verdadeiros, até prova em contrário. Inadmissível a simples alegação de erro no seu preenchimento, desacompanhada de comprovação cabal do lapso. 1º CC. / 4a Câmara / ACORDÃO 10420.645 em 18.05.2005. Publicado no DOU em: 19.10.2005. Além disso, nos termos da IN n° 127, de 1998, a DIPJ é mera declaração informativa, de modo que não vale como confissão de dívida e nem é utilizada pela União para instrumentalizar a inscrição em dívida ativa. Tal papel, a partir de 1999, cabe à DCTF que representa instrumento hábil e suficiente para exigência do crédito Fl. 655DF CARF MF Processo nº 10166.900706/200808 Resolução nº 3001000.085 S3C0T1 Fl. 10 9 tributário, conforme dispõem a IN n° 128, de 1998, e o Decretolei n° 2.124, de 1984, art. 5°, §1°. No voto condutor do Acórdão que negou provimento ao recurso na 3ª Turma Especial, 3ª Seção de Julgamento já neste Conselho (fls. 448/449), após reproduzir parte do Acórdão da 2ª Turma da DRJ/BSA, assim concluiu o ilustre Relator, Conselheiro Carlos Henrique Martins de Lima (fls. 449), verbis. No caso em análise, a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte aponta para a possibilidade da contribuinte ter efetuado pagamento a maior através do DARF de R$ 441.873,45 recolhido em 15/04/2003 (valor devido de R$ 432.306,09), o que levaria a existência de um suposto crédito no montante R$ 9.567,36 em favor da Impugnante. Esse montante teria sido totalmente utilizado para pagamento complementar da Cofins dos meses de setembro de 2003 (R$ 7.294,68) e dezembro de 2003 (R$ 1.662,15), acrescido dos respectivos acréscimos legais. Encontramse . anexadas . ao processo: • cópia da DIPJ 2004 com dados do cálculo da contribuição para a Cofins referentes a março de 2003 (fl. 81), que demonstra que a contribuição para a Cofins apurada no período, após as deduções, foi de R$ 432.306,09; • cópia da DCTF do 10 trimestre de 2003 (fls. 82/84), que demonstra a existência de um débito apurado no valor de R$ 441.873,45, referente ao mês de março de 2003, que se encontra vinculado a um pagamento efetuado por meio de DARF de mesmo valor; • planilha elaborada pela própria contribuinte (fl. 80) demonstrando as alegações feitas. No entanto, a contribuinte não trouxe aos Autos material probatório que comprovasse o erro cometido no preenchimento da DCTF, o que demonstraria a existência do crédito alegado referente ao DARF recolhido, bem como a possibilidade de utilizálo para quitar os débitos apurados em outros períodos. Apresentar apenas cópias da DIPJ, da DCTF e da planilha elaborada pela própria contribuinte, sem a devida escrituração, não é suficiente para comprovar as alegações da contribuinte, não sendo, portanto, capaz de "desconstituir o que foi constituído" pelo Despacho Decisório. Diante ao exposto voto por NEGAR PROVIMENTO a pretensão aduzida no recurso voluntário. Ressaltese, ademais, que a Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, através do Acórdão 9303005.065, de 16 de maio de 2017 (fls. 654/664), deu provimento ao Recurso Especial do contribuinte, "com o retorno dos autos ao colegiado de origem para análise de novos documentos juntados pelo sujeito passivo" (fls. 655), e para determinar "o envio dos autos à câmara baixa para apreciação das provas carreadas aos autos, ainda que em Fl. 656DF CARF MF Processo nº 10166.900706/200808 Resolução nº 3001000.085 S3C0T1 Fl. 11 10 sede de Recurso voluntário" (fls. 659), pelos argumentos sintetizados na seguinte ementa (fls. 654), verbis. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Data do fato gerador: 24.04.2008 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ENFRENTAMENTO DA FUNDAMENTAÇÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO. CONHECIMENTO. O recurso especial de divergência que combate a fundamentação do acórdão recorrido, demonstrando a comprovação do dissenso jurisprudencial, deve ser conhecido, consoante art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Além disso, mesmo após complementada a decisão ora recorrida com relação à ocorrência da preclusão para a produção de provas, pela via dos embargos de declaração, não se caracterizou a hipótese de fundamentos autônomos suficientes, cada um por si só, para manutenção do julgado estando correta a insurgência pela via especial enfrentando o argumento da possibilidade de apresentação e análise de documentos novos em sede recursal. PROVAS DOCUMENTAIS NÃO CONHECIDAS. REVERSÃO DA DECISÃO NA INSTÂNCIA SUPERIOR. RETORNO DOS AUTOS PARA APRECIAÇÃO E PROLAÇÃO DE NOVA DECISÃO. Considerado equivocado o acórdão recorrido ao entender pelo não conhecimento de provas documentais somente carreadas aos autos após o prazo para apresentação da impugnação, estes devem retornar à instância inferior para a sua apreciação e prolação de novo acórdão. Recurso especial do contribuinte provido Verificase, porém, que a documentação e os fundamentos que foram trazidos com o apelo a este Colegiado e posteriormente reiterados e complementados nos Embargos Declaratórios subsequentes não passaram pelo crivo e apreciação da 2ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Brasília Distrito Federal, prolatora da primitiva decisão colegiada proferida através do v. Acórdão 0330.127, da 2ª Turma da DRJ/BSB, de 30 de março de 2009 (fls. 342/346). Entendo que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), criado para suceder o 1º, 2º e 3º Conselhos de Contribuintes, é composto pela própria Câmara Superior de Recursos Fiscais, pelas 1ª, 2ª e 3ª Seções de Julgamento e por suas respectivas Câmaras,Turmas Ordinárias e Extraordinárias, como se depreende da leitura do art. 15 do Regimento Interno do CARF, in verbis: Art. 15. A presidência da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, das respectivas turmas e do Pleno será exercida pelo Presidente do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Registrese, por outro lado, que o Recurso Especial do contribuinterecorrente foi provido, à unanimidade, pela CSRF, determinandose o "retorno dos autos ao colegiado de origem para análise de novos documentos juntados pelo sujeito passivo" (fls. 655); e, no voto vencido, o relator aderiu à decisão da maioria, e, assim, concluiu o seu voto (fls. 659) : "Donde Fl. 657DF CARF MF Processo nº 10166.900706/200808 Resolução nº 3001000.085 S3C0T1 Fl. 12 11 o necessário envio dos autos à Câmara baixa para apreciação das provas carreadas aos autos, ainda que em sede de recurso voluntário.". Diante do exposto, coerente com o voto condutor do v. Acórdão da CSRF (fls. 654/659), tendo em conta principalmente a parte final da ementa do mencionado Acórdão (fls. 654), e para que não se alegue futuramente que houve supressão de instância, VOTO pela conversão do julgamento em Diligência para que o órgão julgador de 1ª instância, no caso a DRJ/BSA, tome conhecimento dos documentos (e argumentos) carreados aos autos após o Acórdão por ele proferido, nos termos determinados pela E. Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, através do Acórdão 9303005.065 3ª Turma (fls. 654/664). (assinado digitalmente) Conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante Relator Fl. 658DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.938359/2011-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/2004
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO.
Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de restituição. Além disso, é indispensável a retificação da DCTF.
Numero da decisão: 3401-005.269
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da Turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente da Turma), Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Cássio Schappo e Lázaro Antônio Souza Soares.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de restituição. Além disso, é indispensável a retificação da DCTF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da Turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente da Turma), Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Cássio Schappo e Lázaro Antônio Souza Soares. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 93 83 59 /2 01 1- 80 Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10980.938359/201180 Acórdão n.º 3401005.269 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Cuida o presente processo de Pedido de Restituição referente a Pagamento Indevido ou a Maior de contribuição para o COFINS, solicitado através do PER/DCOMP. O Interessado foi cientificado de que, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. O Interessado apresentou Manifestação de Inconformidade, onde sustenta que o Despacho Decisório deixou de analisar a questão principal do Pedido de Restituição apresentado, qual seja, a restituição dos valores recolhidos indevidamente a título de contribuição para o COFINSem face da inconstitucionalidade da Lei nº 9718/98, uma vez que a referida contribuição incidiu sobre Receitas Financeiras e Outras Receitas. A DRJ/BHE, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, constatando que não houve omissão do Despacho Decisório quanto ao mérito da demanda, uma vez que a fundamentação para o indeferimento do Pedido de Restituição indica que o Darf foi utilizado integralmente para fazer face a débito confessado pelo contribuinte em DCTF. Informa também que, para modificar o fundamento desse ato administrativo, cabe ao recorrente demonstrar erro no valor declarado ou nos cálculos efetuados pela RFB. Porém, na situação dos autos, o contribuinte não apresentou nenhuma prova de que, na apuração de COFINSdo período analisado, incluiu receitas financeiras ou outras receitas indevidamente na base de cálculo, de forma a caracterizar o pagamento indevido ou a maior de tributo. Irresignada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário, no qual repisa toda a argumentação já exposta na sua Manifestação de Inconformidade sobre a inconstitucionalidade do art. 3º, §1°, da Lei n° 9.718/98, que alargou a base de cálculo do PIS e da Cofins. No entanto, desta feita requer a juntada de demonstrativos e documentos contábeis, os quais alega fazerem prova do pagamento indevido ou a maior de tributo, pedindo sua apreciação em respeito ao Princípio da Verdade Material. Em anexo, apresentou duas planilhas de cálculo do valor original do PIS e da Cofins, comprovantes de pagamento dos DARF's e folhas do seu Livro Razão. É o relatório. Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10980.938359/201180 Acórdão n.º 3401005.269 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401005.257, de 27 de agosto de 2018, proferido no julgamento do processo 10980.938340/201133, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401005.257): "O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conheci mento. Passo a analisar, a seguir, os temas questionados pelo Recorrente. Pretende o contribuinte seja reconhecido seu direito de creditarse do valor de R$ 568,44, objeto de Pedido de Restituição referente a Pagamento Indevido ou a Maior de contribuição para o PIS/Pasep, solicitado através de PER/DCOMP. A DRJ/BHE julgou sua Manisfestação de Inconformidade improcedente, pois o contribuinte não apresentou nenhuma prova de que, na apuração de PIS/Pasep do período analisado, incluiu receitas financeiras ou outras receitas indevidamente na base de cálculo, de forma a caracterizar o pagamento indevido ou a maior de tributo. No seu Recurso Voluntário, o contribuinte busca corrigir esta deficiência probatória, anexando duas planilhas de cálculo do valor original do PIS e da Cofins, comprovantes de pagamento dos DARF's e folhas do seu Livro Razão. Contudo, entendo que ainda sim não restou comprovado o alegado pagamento a maior. Isto porque o Recorrente não fez prova do valor que deveria ter sido recolhido, no período, a título de contribuição para o PIS/Pasep. Com efeito, a indicação de rubricas contábeis com receitas financeiras e outras receitas, as quais, no entendimento do Recorrente, deveriam estar excluídas da base de cálculo das contribuições, não significa que tais valores foram efetivamente computados no cálculo inicial. Nos pedidos de restituição de tributos pagos indevidamente ou a maior, é necessário que o contribuinte apresente toda sua escrituração fiscal referente ao período para que nova apuração seja realizada, a fim de ser cotejada com a Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10980.938359/201180 Acórdão n.º 3401005.269 S3C4T1 Fl. 5 4 apuração inicial e assim verificar eventuais excessos ou déficits. Com os documentos apresentados, não é possível sequer comprovar que as receitas elencadas na planilha foram realmente incluídas no cálculo inicial (que resultou na apuração de R$ 15.058,00). Apesar de ter anexado uma planilha com a memória de cálculo das contribuições, o Recorrente não apresentou as rubricas contábeis, constantes do Livro Razão, que pudessem comprovar o valor total das receitas sobre as devem incidir as alíquotas das contribuições. Ao invés, anexou apenas as folhas do Razão com as receitas financeiras que deveriam ser excluídas do cálculo. Observese que até mesmo as receitas de exportação, que foram originalmente excluídas, também deveriam ser conferidas através dos registros contábeis. Em suma, deveria ser feita uma nova apuração das contribuições, o que restou inviabilizado pela ausência da documentação contábil necessária. O art. 170 da Lei nº 5.172/66 (CTN) determina a necessidade de liquidez e certeza do crédito. Apesar de se referir literalmente à compensação, obviamente aplicase também à restituição: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Nos pedidos de compensação ou de restituição, o ônus de comprovar a liquidez e certeza do crédito pleiteado permanece a cargo do contribuinte, conforme art. 373 do Código de Processo Civil de 2015: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Além disso, pelo quanto exposto no Despacho Decisório, verifico que a alocação integral do DARF para quitação de débito do contribuinte indica que, ao tempo da sua emissão, a DCTF que continha este débito não havia sido retificada. O Recorrente não apresentou qualquer prova de que, mesmo a destempo, tenha feito tal retificação. Nos termos do Parecer COSIT nº 02, de 2015, a retificação da DCTF é imprescindível para comprovação do pagamento indevido ou a maior. Por tudo quanto exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário." Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10980.938359/201180 Acórdão n.º 3401005.269 S3C4T1 Fl. 6 5 Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 77DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10976.000113/2009-88
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
MULTA QUALIFICADA NO PERCENTUAL DE 150%. DOLO.
Justifica-se a aplicação da multa no percentual de 150% quando restar demonstrado que o contribuinte agiu de forma dolosa, em conduta reiterada e uniforme, estando presentes os elementos cognitivo e volitivo, visando se esquivar do pagamento de tributos.
Numero da decisão: 9101-003.787
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra e Demetrius Nichele Macei, que lhe deram provimento. Ausente, momentaneamente, a conselheira Cristiane Silva Costa.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal de Araújo.
Nome do relator: ANDRE MENDES DE MOURA
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DOLO. Justificase a aplicação da multa no percentual de 150% quando restar demonstrado que o contribuinte agiu de forma dolosa, em conduta reiterada e uniforme, estando presentes os elementos cognitivo e volitivo, visando se esquivar do pagamento de tributos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra e Demetrius Nichele Macei, que lhe deram provimento. Ausente, momentaneamente, a conselheira Cristiane Silva Costa. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Presidente em exercício (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal de Araújo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 6. 00 01 13 /2 00 9- 88 Fl. 584DF CARF MF Processo nº 10976.000113/200988 Acórdão n.º 9101003.787 CSRFT1 Fl. 585 2 Relatório Tratase de recurso especial (efls. 581/595) interposto pela KNUX INDUSTRIAL LTDA ("Contribuinte") em face do Acórdão nº 1402001.484 (efls. 513/526), da sessão de 5 de novembro de 2013, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento, que negou provimento ao recurso voluntário. O acórdão recorrido apresentou a seguinte ementa: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Exercício: 2006 AUTO DE INFRAÇÃO. A pessoa jurídica cuja receita bruta, no decurso do ano calendário, exceder o limite legal, oferecerá os valores excedentes à tributação, no restante daquele ano, ainda na sistemática do SIMPLES. MULTA QUALIFICADA NO PERCENTUAL DE 150%. SONEGAÇÃO. DOLO. Justificase a aplicação da multa no percentual de 150% quando restar demonstrado que o contribuinte agiu de forma dolosa, com o propósito de impedir ou retardar o conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. por parte da autoridade fazendária. A autuação fiscal, de IRPJSimples e reflexos (efls. 04/70) tipificou duas infrações: (1) omissão de receitas receitas não escrituradas, com qualificação da multa de ofício de 150%; e (2) insuficiência no recolhimento. A decisão de primeira instância (efls. 479/488) julgou a impugnação (efls. 354/369) improcedente. Foi interposto recurso voluntário (efls. 501/511) pela Contribuinte, cujo provimento foi negado pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento do CARF. A Contribuinte interpôs recurso especial para tratar da matéria sobre a qualificação da multa de ofício (150%). Apresentou o paradigma CSRF/0105.483 para demonstrar a divergência. Discorre que a suposta omissão de receitas por si só não enseja a qualificação da multa de ofício, e que a empresa manteve a devida escrituração fiscal e informou os valores supostamente omitidos ao Fisco por meio de DCTFs, demonstrado boafé. Requer pelo provimento do recurso especial. Despacho de exame de admissibilidade (efls. 570/572) deu seguimento ao recurso especial. A PGFN apresentou contrarrazões (efls. 574/579). Aduz que a recorrente apresentou em suas declarações valores de receitas de vendas muito inferiores ao registrados na escrituração contábil, caracterizando conduta consciente e voluntária com claro escopo de pagar menos imposto. E, diante do evidente intuito doloso de sonegar, em ações reiteradas, cabe ser mantida a multa qualificada. Requer que seja negado provimento ao recurso. Fl. 585DF CARF MF Processo nº 10976.000113/200988 Acórdão n.º 9101003.787 CSRFT1 Fl. 586 3 É o relatório. Voto Conselheiro André Mendes de Moura, Relator. Sobre a admissibilidade, adoto as razões do despacho de exame de admissibilidade de efls. 570/572, para conhecer do recurso especial da Contribuinte. Passo ao exame do mérito. A qualificação da multa de ofício deuse em razão de conduta reiterada da Contribuinte, que no decorrer de todo o anocalendário declarou receitas em valor substancialmente inferior ao auferido em suas atividades operacionais. A decisão de primeira instância (DRJ) elaborou demonstrativo, que ilustra com bastante nitidez a situação: Mostramse precisas as observações da decisão recorrida: Ora, uma mera omissão de receita advém ou da aplicação de uma presunção legal, ou ainda de erro. Nesse último caso, a declaração ou recolhimento a menor de tributo advém, por Fl. 586DF CARF MF Processo nº 10976.000113/200988 Acórdão n.º 9101003.787 CSRFT1 Fl. 587 4 exemplo, da ausência de inclusão de algumas notas fiscais em seus livros fiscais, de erro de transcrição no valor declarado, ou qualquer ato fato similar. No caso dos autos, a meu ver, a autoridade fiscal logrou comprovar que o contribuinte efetivamente não cometeu mero equívoco, tanto que o Recorrente efetivamente sabia o valor da receita mensal auferida, uma vez que os valores corretos de receita bruta eram consignados mensalmente em seus livros fiscais. Vêse, assim, que o Recorrente, ao calcular mensalmente o valor de Simples Federal devido para fins de recolhimento, utilizouse como base de cálculo, em todos os meses do período sob exame, de valor muito inferior ao da receita bruta auferida e escriturada. E vejase que no ano seguinte, ao transmitir a Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, instrumento que implica confissão de dívida, o contribuinte confirmou sua atitude dolosa, ao informar à RFB montante de receita bruta que guardasse proporção com os valores de Simples recolhidos durante o anocalendário de 2005. Ora, evidentemente não estamos diante de erro. O fato de o contribuinte emitir notas fiscais e escriturar seus livros de acordo com essas, não pode, por si só, afastar o caráter doloso de tentar impedir, em parte, o conhecimento da ocorrência do fato gerador por parte da autoridade fazendária. Entendo ocorrer exatamente o contrário, pois o contribuinte mostrouse organizado e competente para escriturar seus livros mensalmente. Portanto, concluo que não se trata de erro, mas sim de atitude dolosa por parte da Recorrente ao omitir do conhecimento da RFB, de modo reiterado a maior parte da receita bruta escriturada. (Grifos originais) Ora, resta clara a presença do dolo na conduta da Contribuinte. No caso concreto, o plus na conduta é evidente, ultrapassando o tipo objetivo da norma tributária. Verificase a presença dos elementos cognitivo e volitivo, consumandose o intuito doloso, cuja definição é apresentada com clareza por CEZAR ROBERTO BITENCOURT1: O dolo, elemento essencial da ação final, compõe o tipo subjetivo. Pela sua definição, constatase que o dolo é constituído por dois elementos: um cognitivo, que é o conhecimento do fato constitutivo da ação típica; e um volitivo, que é a vontade de realizála. O primeiro elemento, o conhecimento, é pressuposto do segundo, a vontade, que não pode existir sem aquele. Sobre o elemento cognitivo, BITENCOURT 2 discorre com didática: 1 BITENCOURT, Cezar Roberto. Tratado de direito penal : parte geral, volume 1, 11ª ed. São Paulo : Saraiva, 2007, p. 267. 2 BITENCOURT, 2007, p. 269. Fl. 587DF CARF MF Processo nº 10976.000113/200988 Acórdão n.º 9101003.787 CSRFT1 Fl. 588 5 Para a configuração do dolo exigese a consciência daquilo que esse pretende praticar. Essa consciência deve ser atual, isto é, deve estar presente no momento da ação, quando ela está sendo realizada Sobre o elemento volitivo, são claros os ensinamentos 3: A vontade, incondicionada, deve abranger a ação ou omissão (conduta), o resultado e o nexo causal. A vontade pressupõe a previsão, isto é, a representação, na medida em que é impossível querer algo conscientemente senão aquilo que se previu ou representou na nossa mente, pelo menos, parcialmente. Cabe, portanto, ser mantida a qualificação da multa. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer e negar provimento ao recurso especial da Contribuinte. (assinatura digital) André Mendes de Moura 3 BITENCOURT, 2007, p. 269. Fl. 588DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.721231/2012-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Não há ofensa à garantia constitucional do contraditório e da ampla defesa quando todos os fatos estão descritos e juridicamente embasados, possibilitando à contribuinte contestar todas razões de fato e de direito elencadas no despacho decisório.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO.
Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia.
DCOMP. CRÉDITO. INEXISTÊNCIA.
Demonstrada nos autos a inexistência do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõe-se o seu indeferimento.
Numero da decisão: 1401-002.824
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar as arguições de nulidade e no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. Não há ofensa à garantia constitucional do contraditório e da ampla defesa quando todos os fatos estão descritos e juridicamente embasados, possibilitando à contribuinte contestar todas razões de fato e de direito elencadas no despacho decisório. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. DCOMP. CRÉDITO. INEXISTÊNCIA. Demonstrada nos autos a inexistência do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõe-se o seu indeferimento.
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CERCEAMENTO DE DEFESA. Não há ofensa à garantia constitucional do contraditório e da ampla defesa quando todos os fatos estão descritos e juridicamente embasados, possibilitando à contribuinte contestar todas razões de fato e de direito elencadas no despacho decisório. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. DCOMP. CRÉDITO. INEXISTÊNCIA. Demonstrada nos autos a inexistência do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese o seu indeferimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar as arguições de nulidade e no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 12 31 /2 01 2- 19 Fl. 403DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). Fl. 404DF CARF MF Processo nº 16682.721231/201219 Acórdão n.º 1401002.824 S1C4T1 Fl. 404 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão 12042.712 15 ª Turma da DRJ, que por unanimidade de votos julgou improcedente a manifestação de inconformidade ante a inexistência de saldo negativo do imposto e consequentemente do direito creditório pleiteado. A interessada apresentou os PER/DCOMPs de nºs 40470.27582.210809.1.7.026012 e 18239.37337.211212.1.2.024155, em que se compensa crédito do Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ com débitos de responsabilidade da interessada e se pleiteia restituição, respectivamente. O crédito informado referese a saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2007. Através do Despacho Decisório das fls. 76/85, a DRF de origem (DEMAC RJ) não reconheceu o direito creditório e, de consequente, não homologou a compensação e negou a restituição, porquanto, em decorrência do tratamento manual da DCOMP de nº 40470.27582.210809.1.7.026012, verificouse a inexistência de saldo negativo do imposto no referido ano. Apresentouse manifestação de inconformidade (fls. 93 a 114), contrapondo se, em síntese, que o Despacho Decisório deveria ser reformado, uma vez que o direito creditório seria inconteste e encontrarseia amparado em provas e ainda que não fosse reconhecido o crédito pleiteado, “o débito de estimativa de IRPJ compensado, objeto do processo digital nº 16682.721232/201219”, não poderia ser exigido, em respeito aos artigos 15, 16 e 49, da Instrução Normativa da SRF nº 93/97 e Súmula CARF nº 82. Sobreveio acórdão DRJ, que indeferiu as diligências solicitadas pela recorrente, por entendêlas desnecessárias ao deslinde da causa e no mérito julgar improcedente a manifestação de inconformidade embora localizados erros na apuração do lançamento, nos seguintes termos: 14. Com efeito, no cálculo do imposto, houve os referidos erros de digitação em desfavor do fisco (vide nota 2). Nada obstante, não há acordar com a apuração efetuada pelo contribuinte (tabela da fl. 96), porquanto o montante do IR retido está incorreto, dado que não restou comprovado na sua totalidade. 15. Não há anuir com a alegação do item 8, porquanto tratase, de antemão, de pedido de retificação de DCOMP __ ou seja, estáse pedindo que se considere na apuração do imposto valores de IRRF que não foram informados no PER/DCOMP3 com demonstrativo de crédito4 __, o que escapa à competência desta instância julgadora. 16. De mais a mais, sequer se demonstrou as respectivas receitas foram oferecidas à tributação. A regra do inciso art. 231 do RIR, de 1999, é clara: para que o IRRF devidamente retido e recolhido possa ser deduzido do imposto devido para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado pelo beneficiário que apura lucro real, mister se faz que a receita correspondente tenha sido devidamente oferecida à tributação, ou seja, tenha sido computada na determinação do lucro real no respectivo anocalendário. 17. De igual forma, não compete às delegacias de julgamento manifestarse acerca da cobrança dos débitos cuja compensação não foi homologada (vide nota 5). Fl. 405DF CARF MF 4 18. É de reconhecer todavia não houve questionamento, ou seja, não foram levadas em conta, por parte da fiscalização, algumas parcelas do IRRF declaradas na ficha 54 da DIPJ (fls. 243 a 251) e demonstradas no PER/DCOMP com demonstrativo do crédito7; mas não coincidentes com as descritas na tabela da fl.100. Do cotejo do quadro das fls. 83 e 84 com as parcelas descritas no referido PER/DCOMP, temse as que não foram consideradas são as seguintes (várias parcelas da tabela da fl. 100 foram consideradas no Despacho): 19. Dentre essas estão suportadas por DIRF apenas os valores R$ 3.831.414,38 e R$ 198.899,86 (vide fls. 220 e 233), de modo que deveriam ter sido considerados na apuração do imposto. Refazendose a apuração, temse que, mesmo assim, ainda se apura imposto a pagar: 20. Quanto à alegação relativa ao IRRF no valor de R$ 11.300,167,13, que se glosou do montante de R$14.682.819,78, não lhe cabe anuência, porquanto o fato de o imposto não “ter sido aproveitado” no ano calendário de 2006, ano em que de fato houve a retenção, conforme demonstrado no Despacho Decisório, não confere a prerrogativa de “aproveitálo” em outro período. 21. Como dito alhures, o IRRF deve ser considerado na apuração do imposto quando se oferece a respectiva receita. O fato entretanto de não se reconhecer determinada receita no período em que foi efetivamente auferida não implica seja pertinente considerálo (o IRRF) no período em que se oferece a receita (à tributação) de forma extemporânea. 22. Por fim, negase o pedido de perícia, porquanto o expediente, ante o exposto, é prescindível à solução da lide. 23. Assim, ante a inexistência de saldo negativo do imposto e, de consequente, do direito creditório pleiteado, voto pela improcedência da manifestação de inconformidade. Contra essa decisão, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário para o fim de decretar a nulidade da Decisão da DRJ ou decidindo a favor do contribuinte (art. 59 do Decreto 70.235/72, reconhecendo integralmente o saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2007 Fl. 406DF CARF MF Processo nº 16682.721231/201219 Acórdão n.º 1401002.824 S1C4T1 Fl. 405 5 peliteado, homologandose a compensação declarada, bem como deferindo o pedido de restituição realizado, ou subsidiariamente, caso os documentos acostados não sejam suficientes para comprovar o saldo negativo de IRPJ 2007, seja realizada diligência para esclarecer os ponto duvidosos, ou cancelado o processo de cobrança, por se tratar de cobrança após o encerramento do ano calendário. É o relatório do essencial. Fl. 407DF CARF MF 6 Tabela do plano Voto Conselheira Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora. O recurso é tempestivo e apresenta os demais requisitos de admissibilidade, por isso, dele conheço. Preliminar de nulidade. De início, a Recorrente levanta preliminar de cerceamento de defesa, em razão do indeferimento da diligência pleiteada na impugnação, com o objetivo de confirmar o saldo negativo do período. A fundamentação do indeferimento do pleito da Recorrente se deu justamente em razão da falta de comprovação quanto a liquidez e certeza do crédito por ela pretendido, tendo ela pleiteado diligência justamente para produzir tal prova, contudo, verificase que os documentos apresentados foram analisados não só pela delegacia de origem, como pela DRJ e bem justificaram a revisão dos valores de apuração que, tendo ao final demonstrado a inexistência de saldo negativo para o período em questão. Por isso, afasto a preliminar de nulidade por cerceamento de defesa em razão da inexistência de prejuízo à Recorrente pela negativa da efetivação da diligência solicitada. Mérito. Notase que o único débito a ser compensado com o crédito ora litigado referese a estimativa de IRPJ do mês de maio de 2008, conforme PERDDECOMP n. 404070.27582.210809.1.7.026012. Ao passo que o crédito glosado no valor de R$ 11.000.000,00 referese ao exercício 2006 e não ao de 2007, assim não é possível a utilização de retenção na fonte efetivada em um exercício para utilização na composição de saldo negativo do ano seguinte. Tal impossibilidade decorre das normas que regulamentam a apuração do lucro real e que determinam que do valor do imposto apurado poderão ser deduzidos os valores relativos às retenções na fonte incidentes sobre as receitas do mesmo período de apuração. Assim, o contribuinte, relativamente à parcela relativa à retenção do ano de 2006, deveria retificar a declaração relativa àquele exercício e nela utilizar os valores retidos. Não entendo ser possível fazêlo neste momento, assistindo razão a DRJ quando aduz que quanto à alegação relativa ao IRRF no valor de R$ 11.300,167,13, que se glosou do montante de R$14.682.819,78, não lhe cabe anuência, porquanto o fato de o imposto não “ter sido aproveitado” no ano calendário de 2006, ano em que de fato houve a retenção, conforme demonstrado no Despacho Decisório, não confere a prerrogativa de “aproveitálo” em outro período. Como já dito, o IRRF deve ser considerado na apuração do imposto quando se oferece a respectiva receita. O fato entretanto de não se reconhecer determinada receita no período em que foi efetivamente auferida não implica seja pertinente considerálo (o IRRF) no período em que se oferece a receita (à tributação) de forma extemporânea. Fl. 408DF CARF MF Processo nº 16682.721231/201219 Acórdão n.º 1401002.824 S1C4T1 Fl. 406 7 Quanto aos demais valores objeto de análise pela DRJ, discordo do recurso voluntário apresentado de que os valores estariam devidamente comprovados. Não o restaram desta forma. A sua argumentação de que ocorreram apenas pequenos erros de preenchimento não pode prosperar no presente caso. Conforme considerado pela Turma durante as discussões e após pedido de vista realizado pelo Conselheiro Abel, tratase de empresa de grande porte que possui assessoria jurídica e contábil de renome com ampla possibilidade de adequadamente fazer demonstrar seu direito. Notese, ainda, que o recorrente foi intimado antes mesmo da prolação do despacho decisório no sentido de demonstrar as inconsistências verificadas na análise automática do PER/DCOMP. Os documentos apresentados foram analisados não só pela delegacia de origem, como pela DRJ e bem justificaram a revisão dos valores de apuração que, ao final, restaram por demonstrar a inexistência de saldo negativo para o período em questão. Por isso entendo por negar provimento ao recurso. Chama atenção ao pedido alternativo da Recorrente no sentido de aplicação da Súmula CARF nº 82, segundo a qual: "Após o encerramento do anocalendário, é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas não recolhidas". Todavia, em relação ao pedido alternativo de que em caso de não aceitação do recurso que se determinasse o cancelamento do débito de estimativa de IRPJ compensado em razão da aplicação da súmula 82 do CARF, novamente não assiste razão ao contribuinte. No presente caso não há lançamento de ofício aplicável. O débito por estimativa de IRPJ referese ao período de apuração de maio/2008 e foi CONFESSADO pelo contribuinte por meio do PER/DCOMP na forma do art. 74 e seguintes, da Lei nº 9.430/96. Ora a confissão realizada pelo contribuinte acerca do débito compensado com os créditos pretendidos no processo dispensa realização de lançamento da estimativa devida. Assim, inexistente o crédito pleiteado, tornase devido o débito indevidamente compensado. Por isso é incabível a aplicação de súmula que trata de lançamento de estimativa ao caso. Mais ainda, a estimativa compensada no presente processo e cujo não homologação resultará em sua cobrança pode e deve ter sido objeto de utilização por parte do contribuinte na dedução dos valores devidos de IRPJ do anocalendário 2008. Assim, acaso esta turma decidisse pelo cancelamento do referido débito a empresa poderia se beneficiar duplamente: primeiro por não ser obrigada a pagar o débito cuja compensação não foi homologada, segundo, por utilizar o referido valor da redução do IRPJ a pagar do ano de 2008. Por isso, quanto a este pleito também não assiste razão ao contribuinte. Por estas razões, nego provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin. Fl. 409DF CARF MF 8 Fl. 410DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10410.001229/93-57
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Mon Oct 15 00:00:00 UTC 2001
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO ADMINISTRATIVO FISCAL- Por haver nos autos, equívoco intransponível maculando o disposto no inciso LV do Artigo 5º da CF/88 que garante ao processo administrativo o contraditório e a ampla defesa, deve ser mantido o Acórdão recorrido.
Recurso negado.
Numero da decisão: CSRF/02-01.066
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos
termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: CSL- auto eletrônico (exceto glosa compens. bases negativas)
Nome do relator: Francisco Mauricio R de Albuquerque Silva
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Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL. ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. , •- • ON P A RODRIGUES S Erlf,Rer.....„--- \ \\\ pRE -00-_,...7-0, E . --„.,. FRANCISCÓ IVIAURÍêCI RABELC) ; - -EBUQ RQUE SILVA RELATOR FORMALIZADO EM: 11 DEZ 2001 - -....., Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros: CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, JORGE FREIRE, SÉRGIO GOMES VELLOSO, MARCOS VINÍCIUS NEDER DE LIMA, ANA PAULA TOMAZZETTI URROZ (Suplente Processo n° : 10410.001229/93-57 Acórdão n° : CSRF/02-01.066 Convocada) e OTACíLIO DANTAS CARTAXO. Ausente o Conselheiro Dalton César Cordeiro de Miranda. 2 , Processo n° : 10410.001229/93-57 Acórdão n° : CSRF/02-01.066 Recurso n° : RD/202-0.335 Recorrente : FAZENDA NACIONAL RELATÓRIO Às fls. 143, Acórdão da Oitava Câmara do Primeiro Conselho, acolhendo a unanimidade, preliminar de nulidade da Decisão de primeiro grau, porque comportando proferição de outra na boa e devida forma, em razão de haver desprezado os fundamentos da exigência fiscal, considerando decorrente processo que é autônomo. Às fls. 149/150 a Fazenda Nacional interpõe Recurso de Divergência, com base no fato de glie O Acórdão da Oitava Câmara tendo acatado razões aditivas (fls. 126/137) ao Recurso Voluntário desconsiderou o princípio do prequestionamento. Traz como Acórdão paradigma o de n. 101-90.453 de 14.11.96, confirmando a preclusão quanto novos argumentos são trazidos à fase recursal. Alega ainda que o Acórdão combatido não traz os fundamentos que levaram os julgadores em segundo grau, a conhecer de tais razões aditivas, ficando implícito que o eminente Relator pretendeu estender à espécie as justificativas alinhadas no processo referente a exigência do IRPJ. Às fls. 151/153 Razões da Fazenda Nacional reafirmando em preliminar, não ser lícito conhecer de razões aditivas ao Recurso Voluntário porque, além de terem sido oferecidas intempestivamente, contêm matéria não prequestionada tanto na Impugnação qua to no Recurso e ainda que mesmo i havendo permissivo no Regimento Interno pra apresentação pelo Recorrente de novos documentos e esclarecimentos enqua ‘ t\ o processo estiver como o Relator,g\,, isto não ocorreu, uma vez que tais razões adNas chegaram aos autos quando o \\ \‘ __ processo já estava inscrito em pauta de sessão. -,.. ...- 3 ._.,.,...-' Processo n° : 10410.001229/93-57 Acórdão n° : CSRF/02-01.066 No mérito afirma que a defesa da Autuada foi específica porque levantou nulidades, suscitou pontos que considerou relevantes e silenciou quanto a outros, não podendo ser considerado o fecho da peça impugnatória vez que totalmente abrangente, como eficaz contra todos os pontos da acusação fiscal. Diz ainda que a Decisão de segundo grau interpreta com rigidez extrema o direito de defesa. Às fls. 162/163, Despacho n. 108-0.008/98, alegando que a despeito de a Decisão haver sido proferida pela Oitava Câmara, a mesma não tem competência para examinar recursos interpostos em processos fiscais de exigência do FINSOCIAL/FATURAMENTO, quando originária de processo autônomo, como é o caso e encaminha o processo ao Segundo Conselho. Às fls. 143, Despacho n. 202-0.268 admitindo o Recurso interposto e encaminhando-o à Repartição de origem para ciência do sujeito passivo com relação a admissibilidade do Recurso. Às fls. 176/178, Contra —Razões de Recurso alegando que a Contribuinte foi autuada juntamente com todas as suas coligadas, em Ação Fiscal, tendo sido lavrados seis autos de infração para cada uma delas, sendo o espaço de trinta dias insuficiente para enfrentá-los, anexando documentos e produzindo provas contradizendo trinta e seis acusações. Com base nesse argumento e na Portaria Ministerial n. 260/95 (fls. 177) é que produziu razões suplementares ao Recurso. Alega ainda que a Decisão recorrida não podia ignorar a preliminar invocada sob\ena de levar-se adiante decisão nula, não prestando quaisquer efeitos legais e pr:Ôpugna pela manutenção do Acórdão recorrido. \ \ É o relatórià;; • 4 Processo n° : 10410.001229/93-57 Acórdão n° : CSRF/02-01.066 VOTO N Conselheiro — Relator Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. _ Quanto a preliminar argüida, trato de saber se -ã"s razões aditivas farpeadas pelo Recurso de Divergência com alegações de serem extemporâneas e irregulares, estavam de alguma forma contidas na Impugnação e no Recurso Voluntário, ou não, e se o Acórdão combatido centrou-se, exclusivamente, nessas mesmas razões aditivas ou ainda, se as mesmas foram entregues antes de publicada a pauta de julgamento. Quanto a protocolização das razões aditivas, verifico que foi efetivada em 24.10.96, data em que o processo não se encontrava incluído em pauta de Sessão que realizou-se em 12.11.96, o que não se choca com o Regimento Interno — artigo 17, § 50 . Quanto a estarem contidas na Impugnação de fls. 34/62, que inaugura a fase litigiosa para todos os tributos objeto da Ação Fiscal, constato presente argüição preliminar de nulidade, segundo o entendimento de que na forma da autuação, os espaços destinados à numeração das páginas e dos autos, e bem como, as referências aos documentos que consubstanciaram a autuação, estão em branco, o que cerceia, além de ameaçar a validade do procedimento fiscal, a elaboração das defesas da lmpugnante. Quanto ao Recurso de fls. 72/110, reitera a retificação do Auto de Infração, com base nas mesmas razões da peça impugnatória, em sede preliminar. As razões aditivas propugnam pela inconstituciona\li ade da legislação que ampara o FINSOCIAL e pela nulidade do Auto de lnfraç o, por obscuridade na base de cálculo que constituiu o crédito tributário, porque em 5 Processo n° : 10410.001229/93-57 Acórdão n° : CSRF/02-01.066 esclarecimentos da forma como foi calculada a exigência e pela nulidade da Decisão Singular, uma vez que, a mesma entende ser este processo reflexivo, quando não existe registro de qualquer remessa a fatos ou razões que tenham originado um processo matriz e, finalmente, combate a TRD. Diz, sem dúvidas, tratar-se de processo autônomo porque claramente aponta a falta de recolhimento da Contribuição. Assim sendo, voto pela rejeição da preliminar, por entender impossível a constatação de que as razões aditivas contaminaram a Decisão da Câmara. No mérito, o Voto do Ilustre Conselheiro Manoel Antônio Gadelha Dias, inquestionavelmente, centra-Se no preciso fato de que o Julgador de Primeira Instância considerou este processo como reflexo e, admitiu o pleito da Recorrente no que diz respeito à nulidade da Decisão. Nesse passo, reconheço impossível afirmar que a Decisão guerreada foi induzida pelas razões aditivas, posto que, no transcorrer da formação dos autos, ficou pacificado não se tratar de processo reflexo, tanto que nas Razões do Recurso de Divergência nada é mencionado a respeito. Assim, dotado como de fato é, o presente, das peculiaridades de processo autônomo, e tendo o Julgador Singular optado pelo entendimento de que é reflexivo, voto pela imprestabilidade da Decisão Monocrática, que não enfrentou as razões de Impugnação, acarretando cerceamento ao direito de defesa da Contribuinte, com ferimento ao dispos no inciso LV do Artigo 5° da Carta Política?\ de 1988, mantendo na integralidade o órdão recorrido. 7 i- \ / Sala das Sessões,,115 de oútubro de .001, 1. , . , . A j FRANGIS-CO MAURICIO RAB°P,I, DE A. : UQUERQUE SILVA. 6 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1
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Numero do processo: 13839.912038/2011-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.775
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13839.912032/2011-18, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vice-presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Semíramis de Oliveira Duro, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 13839.912032/201118, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vicepresidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Semíramis de Oliveira Duro, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior RELATÓRIO Trata o presente processo administrativo de pedido de restituição realizado através de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior ou indevido. A unidade de origem proferiu despacho decisório indeferindo o crédito pleiteado, sob o fundamento de que o pagamento da guia DARF do período foi identificado, no entanto, integralmente utilizado para quitação dos débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 39 .9 12 03 8/ 20 11 -8 7 Fl. 329DF CARF MF Processo nº 13839.912038/201187 Resolução nº 3301000.775 S3C3T1 Fl. 3 2 Intimada da decisão, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade para instaurar o contencioso administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/1972, juntando documentos para subsidiar a existência de seu crédito. Em síntese, a contribuinte afirmou: O recolhimento a maior no período de apuração decorre de uma revisão de seus lançamentos, onde identificou um crédito de tributo em virtude da inclusão de receitas financeiras na base de cálculo das contribuições PIS/COFINS, nos termos do art. 3º, § 1º da Lei 9.718/1998, antes da declaração de inconstitucionalidade proferida pelo STF. Em razão da consolidação do entendimento do STF pela inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo, afirma que a Administração Pública tem o dever de devolver o que restou recolhido indevidamente, em obediência aos princípios garantidos na Constituição Federal (art. 37). Transcreveu o art. 1º do Decreto nº 2346/1997, e sustentou que cabe aos órgãos administrativos aplicar o entendimento firmado pelo STF, no exercício de sua competência de apreciar a constitucionalidade das leis. Requer a aplicação do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o qual dispõe expressamente sobre a obrigação de seus julgadores afastarem a aplicação de lei julgada inconstitucional em decisão definitiva proferida pelo Plenário do STF. Quanto ao crédito, argumentou que no mês de apuração em foco, considerando a original vigência da Lei nº 9.718, de 1998, apurou a contribuição com a inclusão de receitas financeiras à base de cálculo, conforme comprova a sua DIPJ do período, anexada aos autos. Apresenta relatórios contábeis detalhando o crédito pleiteado, afirmando que decorre exclusivamente das receitas financeiras. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento manteve integralmente o despacho decisório, julgando improcedente a manifestação de inconformidade. Em suas razões de voto, a DRJ trouxe os seguintes argumentos: A declaração de inconstitucionalidade proferida pelo STF no controle difuso somente obriga a Administração Tributária em relação aos autores das ações em que foram prolatadas e não em relação aos demais contribuintes, mesmo nos casos, como o do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, em que a inconstitucionalidade foi reconhecida pela Suprema Corte inclusive sob o rito do art. 543B, do CPC (RE nº 585.235), que trata da repercussão geral de recursos com fundamento em idêntica controvérsia. Não foi expedido o ato da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional acerca da inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98, e, além disto, as decisões proferidas pelo STF sobre a questão não têm efeitos erga omnes. O Despacho Decisório em exame não homologou a compensação pretendida, mediante a justificativa de inexistência de saldo disponível em favor do contribuinte, uma vez Fl. 330DF CARF MF Processo nº 13839.912038/201187 Resolução nº 3301000.775 S3C3T1 Fl. 4 3 que o recolhimento da contribuição, ora examinado, está integralmente vinculado a débitos do contribuinte. Quando da interposição da manifestação de inconformidade, o contribuinte tem o dever de apresentar as provas em torno da pertinência da restituição, total ou parcial, do pagamento espontaneamente efetuado. A DIPJ e o demonstrativo de cálculo da composição da referida receita, denominado "Referência Contábil", elaborado pelo próprio contribuinte, não é meio legítimo, por si só e independentemente dos necessários elementos comprobatórios, para justificar o direito à restituição. Inconformada da r. decisão, a contribuinte apresentou, no prazo, seu Recurso Voluntário que ora se analisa, repisando os argumentos trazidos em sua manifestação de inconformidade, acrescentando: A Procuradoria Geral da Fazenda Nacional publicou em março de 2010 a Portaria nº 294/2010, autorizando os Procuradores da Fazenda Nacional a não apresentar contestação e não interpor recursos, bem como desistir dos já interpostos, para os casos em que se discute o alargamento da base de cálculo perpretada pelo art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/1998, tendo em vista a decisão do Plenário do STF, no julgamento do RE nº 585.235, julgado sob o rito da repercussão geral prevista no art. 543B do CPC, que reconheceu a inconstitucionalidade do dispositivo. Ainda, para demonstrar a liquidez do crédito, junta aos autos balancetes contábeis para complementar os demonstrativos contábeis (memória de cálculo) e a DIPJ trazidos com a manifestação de inconformidade. Invocando a verdade material, requer a realização de diligência para verificação das receitas financeiras auferidas no período de apuração em referência para fins de constatar o crédito pleiteado pela Recorrente. É a síntese do necessário VOTO Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3301000.768, de 26 de julho de 2018, proferido no julgamento do processo 13839.912032/201118, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução 3301000.768): "O recurso voluntário foi interposto no prazo e reúne os pressupostos legais de interposição. Realizada a suma adrede, passase a analisar as questões levantadas, especialmente sobre i) a decisão de indeferimento fundamentada no valor Fl. 331DF CARF MF Processo nº 13839.912038/201187 Resolução nº 3301000.775 S3C3T1 Fl. 5 4 informado em DCTF com a correspondente quitação do montante declarado, não havendo crédito a compensar; ii) a análise do crédito decorrente de receitas financeiras a partir das provas juntadas aos autos; iii) a declaração de inconstitucionalidade proferida pelo STF no RE nº 585.235 sob o rito da repercussão geral, art. 543B do STF; I) Do indeferimento do pedido de restituição diante da inexistência de retificação da DCTF Neste ponto, é relevante a análise da decisão que indeferiu o pedido de restituição, sob a fundamentação de que foi efetuada uma declaração por DCTF e a DARF discriminada no PER/DCOMP foi inteiramente utilizada para quitar o débito do contribuinte, não restando crédito para a restituição, verbis: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. O significado que se extrai deste despacho decisório é que a Recorrente apresentou o PER/DCOMP, mas não realizou a retificação da DCTF do período correspondente, qual seja, 12/2000. Desta feita, o montante pago foi utilizado para cobrir integralmente um débito declarado, não havendo excesso resultante do pagamento indevido. Ressaltese, no entanto, que a retificação da DCTF, por si só, não se presta para solidificar a liquidez e certeza do crédito pleiteado pelo contribuinte, sendo indispensável a apresentação de prova, tais como demonstrativos contábeis, para aferição do crédito. Neste sentido, já se pronunciou a Câmara Superior de Recursos Fiscais deste E. CARF, no julgamento do processo 10909.900175/200812, manifestando o entendimento no acórdão nº 9303005.520 (sessão de 15/08/2017), no sentido de que, mesmo no caso de uma a retificação posterior ao Despacho Decisório, não há impedimento para o deferimento do pedido quando acompanhada de provas documentais comprovando a erro cometido no preenchimento da declaração original, comparecendo nos autos com qualquer prova documental hábil a demonstrar o erro que cometera no preenchimento da DCTF (escrita contábil e fiscal): Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/02/2004 a 29/02/2004 DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITOS. A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição não é suficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde. Recurso Especial do Contribuinte negado. Este entendimento vem sendo adotado em sede de Recurso Voluntário pelo E. CARF, conforme se destaca das ementas abaixo: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 14/11/2003 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO. Fl. 332DF CARF MF Processo nº 13839.912038/201187 Resolução nº 3301000.775 S3C3T1 Fl. 6 5 O direito à repetição de indébito não está condicionado à prévia retificação de DCTF que contenha erro material. A DCTF (retificadora ou original) não faz prova de liquidez e certeza do crédito a restituir. Na apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, devese apreciar as provas apresentadas pelo contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte. (Número do Processo 10283.902681/200913. Relator WALBER JOSE DA SILVA. Data da Sessão 21/05/2013. Nº Acórdão 3302002.104) Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2001 CONEXÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os processos referemse a períodos diferentes, o que ocasiona fatos jurídicos tributários diferentes, com a consequente, diferenciação no que concerne à produção probatória, impossibilitando a conexão. FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. Ainda que o sujeito passivo não tenha retificado a DCTF, mas demonstre, por meio de prova cabal, a existência de crédito, a referida formalidade não se faz necessária. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2011 INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, §1º, DA LEI Nº 9.718/1998. RECONHECIMENTO. Quanto à ampliação da base de cálculo prevista pela Lei nº 9.718/1998, tal fato já foi decidido pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral, RE 585.235 QORG. (Número do Processo 10280.905792/201126. Relatora SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA. Data da Sessão 27/07/2017. Nº Acórdão 3302004.623) (grifo não consta do original) Esta colenda 1ª TO da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF tem manifestado entendimento no mesmo sentido, segundo a qual, em razão da verdade material, a liquidez e certeza do crédito pleiteado pelo contribuinte pode ser demonstrada por outros elementos de prova, independentemente da retificação da DCTF, conforme é possível constatar pelo recente acórdão relatado pela ilustre conselheira Semíramis de Oliveira Duro: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2012 COMPENSAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. Se transmitida a PER/Dcomp sem a retificação ou com retificação após o despacho decisório da DCTF, por imperativo do princípio da verdade material, o contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que prove a liquidez e certeza de seu crédito. (...) Recurso Voluntário provido. Fl. 333DF CARF MF Processo nº 13839.912038/201187 Resolução nº 3301000.775 S3C3T1 Fl. 7 6 (Número do Processo 11060.900738/201311. Relatora SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO.Data da Sessão 17/04/2018. Nº Acórdão 3301 004.545) Desta feita, o que é necessário verificar é a existência de comprovação pela Recorrente, nos autos, trazendo elementos de prova capaz de trazer liquidez e certeza de seu crédito. Análise a ser realizada a seguir. II) Da liquidez e certeza do crédito Neste ponto, a Recorrente argumentou que no mês de apuração em foco (12/2000), considerando a original vigência da Lei nº 9.718/1998, apurou a contribuição com a inclusão de receitas financeiras à base de cálculo. Para demonstrar o montante de crédito a que tem direito, juntou aos autos a sua DIPJ do exercício 2001 (fls. 68201), onde se constata em fls. 90, na ficha 19A, correspondente ao cálculo da contribuição ao PIS, a informação presente no tem 02 o montante de R$ 1.665.065,93 a título de receitas de variações cambiais, que corresponde exatamente ao montante de R$ 10.822,93 se aplicada a alíquota de 0,65% sobre esta base de cálculo. Também juntou em fls. 67 um demonstrativo contábil referente ao mês de dezembro/2000, onde consta este mesmo montante discriminado como "receitas financeiras líquidas". A r. decisão proferida pela d. DRJ afirmou que tais documentos são meramente informativos, não sendo capazes de informar a origem e veracidade do crédito. No entanto, a DIPJ, por ser uma obrigação acessória exigida pela legislação, constitui sim importante elemento de prova, com forte indício de veracidade das informações ali constantes. Em que pese a d. DRJ não ter aceitado a DIPJ como prova suficiente para dar liquidez e certeza ao crédito pleiteado pela Recorrente, é de se observar que as informações constantes nesta mesma DIPJ foram, na época, utilizadas para formar a base de cálculo da contribuição ao PIS e calcular o montante de imposto devido para ser informado na DCTF. Depreendese de fls. 90 (DIPJ) a informação contida no item 15, informandose o montante total das receitas auferidas no período, somandose o faturamento com as receitas financeiras, correspondendo à base de cálculo da contribuição. Sobre este montante total de R$ 83.720,52, incluindose as receitas financiras, foi declarado em DCTF e pago o montante de PIS respectivo via guia DARF (fls. 56). Assim, estas informações prestaram para subsidiar a declaração acerca do montante de tributo devido, mas, segundo a DRF, não se prestam a informar o montante de tributo recolhido a maior. Não faz sentido. As informações presentes na DIPJ, é verdade, possui caráter meramente informativo, assim como qualquer outra prova. A declaração prestada neste documento revela uma presunção de que os valores nela prestados corresponderiam ao fato gerador materializado. A Recorrente apresentou, com seu Recurso Ordinário, balancetes do exercício do ano 2000 para trazer mais elementos de prova a fim de subsidiar a liquidez e certeza do crédito pleiteado (fls. 265277). No entanto, o valor informado a título de receitas financeiras na DIPJ (fls. 90) é maior do que o valor informado no balancete de dezembro/2000 (fls. 274). Fl. 334DF CARF MF Processo nº 13839.912038/201187 Resolução nº 3301000.775 S3C3T1 Fl. 8 7 Na DIPJ resta informado um total de R$ 1.665.065,93 a título de receita financeira, o que representa o valor de R$ 10.822,93 de PIS, valor este pleiteado no PER/DCOMP. Por sua vez, tanto no demonstrativo de cálculo apresentado nas razões do Recurso Voluntário (fls. 218219), quanto nos balancetes referidos, a Recorrente afirma que o valor das receitas financeiras auferidas é de R$ 1.572.443,97, cujo montante de contribuição ao PIS representa R$ 10.220,89. Em outros termos, o montante de crédito decorrente do pagamento de PIS a maior sobre suas receitas financeiras demonstrado no recurso voluntário é um pouco inferior ao crédito pleiteado no PER/DCOMP. Não restam dúvidas, portanto, da existência de recolhimento de PIS sobre receitas financeiras no período em análise. Entretanto, apesar de não ter ocorrido a retificação da DCTF e em virtude do princípio da verdade material, acolho os balancetes juntados com o Recurso Voluntário para fins de complementação do acervo probatório. III) Da declaração de inconstitucionalidade proferida pelo STF no RE nº 585.235 sob o rito da repercussão geral, art. 543B do STF Quanto ao ponto sobre a incidência da contribuição ao PIS sobre receitas financeiras, auferidas por entidade que não desenvolva atividade financeira. Sobre este assunto, o Supremo Tribunal Federal já se manifestou, inclusive em sede de repercussão geral, acerca da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei 9.718/1998, por pretender alargar o conceito de faturamento, estabelecendo as receitas totais da pessoa jurídica como base de cálculo das contribuição para o PIS e COFINS. Tratase do RE nº 585.235 e desde 2010 a PGFN já se manisfestou formalmente, por meio da Portaria PGFN 294/2010, no sentido de dispensar os procuradores da fazenda nacional a contestar ou recorrer nesta matéria. E esta conduta já é adotada mesmo antes da decisão da d. DRJ proferida nestes autos, inobstante a afirmação lá contida no sentido de que não existia ato oficial da PGFN. Item 1, Anexo I, Portaria PGFN nª 294/2010 Resumo: É inconstitucional o alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, promovido pelo art. 3º, §1º da Lei n. 9.718/98, eis que tais exações devem incidir, apenas, sobre as receitas decorrentes da venda de mercadorias e da prestação de serviços (conceito restritivo de receita bruta), e não sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica (conceito ampliativo de receita bruta). (...) DELIMITAÇÃO DA MATÉRIA DECIDIDA: o PIS/COFINS deve incidir somente sobre as receitas operacionais das empresas, escapando da incidencia do PIS/COFINS as receitas não operacionais. Consideramse receitas operacionais as oriundas dos serviços financeiros prestados pelas instituições financeiras (serviços remunerados por tarifas e atividades de intermediação financeira). Nestes termos, é de rigor a aplicação do art. 62, § 1º, I e II, "b" e "c" do anexo II do RICARF, no sentido de que os membros das turmas de julgamento do CARF estão autorizados afastar a aplicação lei sob fundamento de inconstitucionalidade nos casos em que este entendimento já foi manifestado por decisão definitiva em sessão plenária do Supremo Tribunal Federal ou decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, em sede de julgamento realizado em Fl. 335DF CARF MF Processo nº 13839.912038/201187 Resolução nº 3301000.775 S3C3T1 Fl. 9 8 repercussão geral nos termos dos arts. 543B do CPC/193, ou mesmo no caso de existência de Ato Declaratório da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002. Preenchese as três hipóteses do Regimento Interno do CARF (RICARF) este caso de alargamento da base cálculo das contribuições PIS/COFINS intentada pelo disposto no art. 3º, § 1º da Lei 9.718/1998. Neste sentido: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2000 a 30/11/2002, 01/07/2003 a 31/07/2004, 01/09/2004 a 30/09/2004 Ementa: NÃO INCIDÊNCIA DO PIS SOBRE RECEITAS NÃO OPERACIONAIS E VARIAÇÃO CAMBIAL ATIVA. REGIME CUMULATIVO DO PIS. CONCEITO DE FATURAMENTO PARA INCIDÊNCIA NA BASE DE CÁLCULO. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. Por força do Art. 62A, Anexo II, do regimento interno deste Conselho, é obrigatória a aplicação do entendimento do STF sobre o conceito de faturamento ("faturamento corresponde à receita das vendas de mercadorias, de serviços ou de mercadoria e serviços" vejam julgamentos dos Recursos Extraordinários 346.084, DJ 01/09/2006 Rel p/ acórdão Min. Marco Aurélio, 357.950, 358.273 e 390.840 todos DJ 15.08.06 Rel. Min. Marco Aurélio). Sendo "receitas" não operacionais e variações cambiais ativas, e, portanto, não se tratando de "faturamento" vinculado às receitas oriundas das prestações de bens e serviços, não há como incidir o PIS. (Número do Processo 13502.000463/200585. Nº Acórdão 3201 003.681. Data da Sessão 22/05/2018) Resta, portanto, consolidado o entendimento acerca da não incidência de PIS sobre receitas financeiras, quando não constituírem receita operacional da empresa, no contexto da aplicação da Lei 9.718/1998. Como o período de apuração em que se discute o pagamento indevido é 12/2000, em tal momento aplicavase para a Recorrente o regime de tributação previsto na Lei 9.718/1998. Entretanto, apesar de não ter ocorrido a retificação da DCTF e em virtude do princípio da verdade material, como os balancetes foram juntados com o recurso voluntário e, ainda, os valores demonstrados nestas provas são inferiores aos valores pleiteados no PER/DCOMP e informados na DIPJ, tendo em vista, ainda, sua possibilidade de influência no julgamento da causa, submeto estes documentos para apreciação da Recorrida, em diligência para confirmação dos créditos, para posterior retorno para julgamento. Isto posto, uma vez comprovada a inclusão das receitas financeiras na base de cálculo da contribuição ao PIS no período em referência, e uma vez comprovada a liquidez e certeza do crédito a restituir declarado pelo contribuinte, será de rigor reconhecer o direito à restituição pleiteado pelo contribuinte. No entanto, a liquidez e certeza do crédito ainda não está clara, diante da divergência entre os valores informados no PER/DCOMP e DIPJ e os valores Fl. 336DF CARF MF Processo nº 13839.912038/201187 Resolução nº 3301000.775 S3C3T1 Fl. 10 9 informados nos balancetes a título de receitas financeiras auferiras. Por isso, é necessária a conversão do feito em diligência pra fins de: 1. verificação dos balancetes juntados com o recurso voluntário, confrontandoos com os valores demonstrados e pleiteados no PER/DCOMP e DIPJ; 2. elaboração de relatório discriminando as receitas financeiras do período; 3. a identificação do montante de PIS indevidamente recolhido, se houver receitas financeiras no período; 4. Em seguida, dêse vista ao contribuinte, para manifestação sobre o resultado da diligência em 30 dias. 5. posterior retorno para julgamento. Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu converter o julgamento em diligência para fins de: 1. verificação dos balancetes juntados com o recurso voluntário, confrontando os com os valores demonstrados e pleiteados no PER/DCOMP e DIPJ; 2. elaboração de relatório discriminando as receitas financeiras do período; 3. a identificação do montante de PIS/COFINS indevidamente recolhido, se houver receitas financeiras no período; 4. Em seguida, dêse vista ao contribuinte, para manifestação sobre o resultado da diligência em 30 dias. 5. posterior retorno para julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 337DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13603.001003/2003-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001
COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. DIREITO CREDITÓRIO. PAGAMENTOS. COMPROVAÇÃO.
Comprovando-se pela documentação acostada ao processo a quitação das estimativas mensais, seja por pagamento, seja por compensação com saldos negativos de períodos anteriores, a Contribuinte faz jus à utilização dos referidos valores na apuração do saldo credor do período de apuração sob análise.
ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA DO CRÉDITO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ.
Os créditos de saldo negativo de IRPJ, só se perfectibilizam ao final do período de apuração, e tem como marco inicial para a respectiva atualização monetária o primeiro dia seguinte à data da ocorrência do fato gerador, in casu, o dia 31/12 de cada ano.
DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. NECESSIDADE DE PROVA INEQUÍVOCA. ERRO ALEGADO NÃO COMPROVADO. DENEGAÇÃO DO CRÉDITO PRETENDIDO.
Não se reconhece o crédito pretendido, referente a pagamento indevido ou a maior, fundamentado exclusivamente em DCTF retificadora apresentada após o despacho decisório, quando o contribuinte deixa de apresentar elementos de prova materiais, capazes de, cabalmente, comprovar erro supostamente cometido no preenchimento da declaração original. No caso concreto, evidencia-se tratar de tentativa de promoção de uma nova compensação, utilizando para extinguir débitos já declarados à SRF créditos diversos daqueles utilizados originalmente, o que é vedado pelo § 3º, inciso V, do art. 74 da Lei n 9.430/96.
Numero da decisão: 1401-002.769
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário para reconhecer os créditos de saldo negativos de IRPJ relativos aos anos calendários de 1999 e 2000, no valor de R$41.021,64 e R$230.649,44 e de saldos negativos de CSLL relativos aos anos calendários de 1999, 2000 e 2001 no importe de R$83.113,01, R$52.891,36 e R$27.598,93 respectivamente, devendo ser objeto de utilização nas compensações objeto deste processo até o limite de seus saldos.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1999, 2000, 2001 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. DIREITO CREDITÓRIO. PAGAMENTOS. COMPROVAÇÃO. Comprovando-se pela documentação acostada ao processo a quitação das estimativas mensais, seja por pagamento, seja por compensação com saldos negativos de períodos anteriores, a Contribuinte faz jus à utilização dos referidos valores na apuração do saldo credor do período de apuração sob análise. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA DO CRÉDITO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. Os créditos de saldo negativo de IRPJ, só se perfectibilizam ao final do período de apuração, e tem como marco inicial para a respectiva atualização monetária o primeiro dia seguinte à data da ocorrência do fato gerador, in casu, o dia 31/12 de cada ano. DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. NECESSIDADE DE PROVA INEQUÍVOCA. ERRO ALEGADO NÃO COMPROVADO. DENEGAÇÃO DO CRÉDITO PRETENDIDO. Não se reconhece o crédito pretendido, referente a pagamento indevido ou a maior, fundamentado exclusivamente em DCTF retificadora apresentada após o despacho decisório, quando o contribuinte deixa de apresentar elementos de prova materiais, capazes de, cabalmente, comprovar erro supostamente cometido no preenchimento da declaração original. No caso concreto, evidencia-se tratar de tentativa de promoção de uma nova compensação, utilizando para extinguir débitos já declarados à SRF créditos diversos daqueles utilizados originalmente, o que é vedado pelo § 3º, inciso V, do art. 74 da Lei n 9.430/96.
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COMPENSAÇÃO Recorrente PEYRANI BRASIL S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1999, 2000, 2001 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. DIREITO CREDITÓRIO. PAGAMENTOS. COMPROVAÇÃO. Comprovandose pela documentação acostada ao processo a quitação das estimativas mensais, seja por pagamento, seja por compensação com saldos negativos de períodos anteriores, a Contribuinte faz jus à utilização dos referidos valores na apuração do saldo credor do período de apuração sob análise. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA DO CRÉDITO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. Os créditos de saldo negativo de IRPJ, só se perfectibilizam ao final do período de apuração, e tem como marco inicial para a respectiva atualização monetária o primeiro dia seguinte à data da ocorrência do fato gerador, in casu, o dia 31/12 de cada ano. DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. NECESSIDADE DE PROVA INEQUÍVOCA. ERRO ALEGADO NÃO COMPROVADO. DENEGAÇÃO DO CRÉDITO PRETENDIDO. Não se reconhece o crédito pretendido, referente a pagamento indevido ou a maior, fundamentado exclusivamente em DCTF retificadora apresentada após o despacho decisório, quando o contribuinte deixa de apresentar elementos de prova materiais, capazes de, cabalmente, comprovar erro supostamente cometido no preenchimento da declaração original. No caso concreto, evidenciase tratar de tentativa de promoção de uma nova compensação, utilizando para extinguir débitos já declarados à SRF créditos diversos daqueles utilizados originalmente, o que é vedado pelo § 3º, inciso V, do art. 74 da Lei n 9.430/96. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 00 10 03 /2 00 3- 74 Fl. 1826DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário para reconhecer os créditos de saldo negativos de IRPJ relativos aos anos calendários de 1999 e 2000, no valor de R$41.021,64 e R$230.649,44 e de saldos negativos de CSLL relativos aos anos calendários de 1999, 2000 e 2001 no importe de R$83.113,01, R$52.891,36 e R$27.598,93 respectivamente, devendo ser objeto de utilização nas compensações objeto deste processo até o limite de seus saldos. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves. Relatório Trata o presente processo de declaração de compensação (v. efls. 2/4 e 49/50) em que a Interessada informa como crédito saldos negativos de IRPJ dos anos calendários de 1999 e 2000 e de CSLL, dos anos calendários de 1999, 2000 e 2001. A primeira declaração de compensação foi apresentada em 30/04/2003. Posteriormente, foram transmitidas mais 48 DCOMPs eletrônicas, com base nos mesmos créditos informados nas primeiras declarações apresentadas em papel. Abaixo reproduzo um quadro resumo dessas DCOMPs. Algumas foram retificadas, outras não foram admitidas, conforme abaixo demonstrado: Fl. 1827DF CARF MF Processo nº 13603.001003/200374 Acórdão n.º 1401002.769 S1C4T1 Fl. 1.826 3 A análise do pedido de compensação foi realizada pela Delegacia da Receita Federal de Contagem/MG, que proferiu o Despacho Decisório de efls. 221/232, de 07/04/2008. Na análise da DIPJ/2000, relativa ao ano calendário de 1999, verificouse que houve compensação de estimativas apuradas com saldos negativos de exercícios anteriores (desde o ano calendário de 1996). Assim, foram aferidos a apuração e a utilização desses valores, concluindo a DRF/Contagem que o crédito indicado nas DCOMPs apreciadas no âmbito deste processo não poderia ser reconhecido na sua totalidade. Abaixo colacionei um resumo do crédito que foi reconhecido pela DRF/Contagem no Despacho Decisório de efls. 221/232: Em relação às DCOMPs apresentadas em papel, decidiu a DRF/Contagem não homologálas, haja vista que à época em que foram apresentadas não havia crédito passível de compensação. Tais créditos teriam se exaurido anteriormente à entrega das referidas declarações de compensação pois já haviam sido utilizados via DCTFs entregues no decorrer Fl. 1828DF CARF MF 4 dos respectivos períodos. Isso porque, ao longo do tempo, a Contribuinte utilizouse da faculdade prevista no art. 14 da IN SRF nº 21/97, para compensar créditos de IRPJ e CSLL somente através da informação em DCTF. Em relação às DCOMPs eletrônicas, assim se manifestou a DRF/Contagem: Fl. 1829DF CARF MF Processo nº 13603.001003/200374 Acórdão n.º 1401002.769 S1C4T1 Fl. 1.827 5 Em sua Manifestação de Inconformidade (v. efls. 239/244) a Recorrente alega que os créditos declarados efetivamente existem, não tendo sido reconhecidos pela DRF/Contagem haja vista a existência de erros materiais no preenchimento das DCTFs que teriam sido utilizadas como base na apreciação dos pedidos de compensação. Anexou aos autos planilha intitulada de Controle de Débitos e Créditos de Tributos Federais onde estariam demonstrados os erros cometidos no preenchimento das DCTFs (v. efls. 282/285, 471/480, 670/675, 840/844, 995/997). Juntou aos autos, também, minutas das DCTFs retificadoras (não entregues) com as correções que entende deveriam ser feitas (v. efls. 310/414, 490/615, 678/792, 855/952, 999/1.073). A Manifestação de Inconformidade foi apreciada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belo Horizonte, que proferiu o Acórdão nº 0218.677 3ª Turma, de 13 de agosto de 2008 (v. efls. 1.386/1.434), cuja ementa reproduzo abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999, 2000 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Na Declaração de Compensação somente podem ser utilizados os créditos comprovadamente existentes, respeitadas as demais regras determinadas pela legislação vigente para a sua utilização. DCTF RETIFICADORA. A retificação da DCTF não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido cientificada do procedimento fiscal. IRPJ ANTECIPAÇÃO MENSAL Eventual excesso de recolhimento de antecipações por estimativas só pode dar origem a indébito no encerramento do ano calendário, quando se apura o IRPJ definitivo, consubstanciando no Saldo Negativo de IRPJ. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO CSLL Anocalendário: 1999, 2000, 2001 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Na Declaração de Compensação somente podem ser utilizados os créditos comprovadamente existentes, respeitadas as demais regras determinadas pela legislação vigente para a sua utilização. DCTF RETIFICADORA. A retificação da DCTF não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido cientificada do procedimento fiscal. CSLL ANTECIPAÇÃO MENSAL Eventual excesso de recolhimento de antecipações por estimativas só pode dar origem a indébito no encerramento do ano calendário, quando se apura a CSLL definitiva, consubstanciando no Saldo Negativo de CSLL. Fl. 1830DF CARF MF 6 Compensação Homologada em Parte Em relação ao que já havia sido deferido pela DRF/Contagem, o Acórdão da DRJ reconheceu um crédito suplementar de R$98.462,46 correspondente ao saldo negativo de IRPJ apurado no ano calendário de 2000. A ciência da referida decisão deuse em 02/10/2008 (v. efls. 1.454). Não satisfeita com a decisão da DRJ/BHE, a Contribuinte propôs o Recurso Voluntário de efls. 1.455/1.477, em 30/10/2008. No recurso, reitera sua convicção ao direito à homologação de todas as compensações apresentadas no âmbito deste processo. Reitera que cometeu erros no preenchimento de diversas DCTFs, o que teria levado, tanto a DRF/Contagem, quanto a DRJ/BHE, a não reconhecerem os créditos apontados nas DCOMPs na sua integralidade. Defende sejam aceitas as retificações das respectivas DCTFs, arguindo que sua retratabilidade seria possível a qualquer tempo, diante do fato do tributo ser indevido. Também invoca o princípio da verdade material para justificar a retificação das DCTFs, mesmo após a prolação do Despacho Decisório por parte da DRF/Contagem, motivo que fundamentou a rejeição das retificadoras, também pela DRJ/BHE. Se insurge também a Recorrente contra o entendimento exposado na decisão a quo de que quaisquer pagamentos ou retenções ocorridas no decorrer de determinado período em curso somente poderiam dar origem a saldo negativo (pagamento a maior) no encerramento do mesmo. Assim, os créditos decorrentes de pagamentos indevidos não estariam sendo atualizados monetariamente na sua exata medida. Alega ser completamente descabida a adoção do disposto na Instrução Normativa SRF nº 600/2005 de forma retroativa. A respeito dos créditos que foram objeto de análise, relativos aos anos calendários de 1996 em diante, abaixo listo os argumentos trazidos pela Recorrente em contraponto àqueles adotados pela DRJ/BHE, em cada caso. CRÉDITOS DE SALDOS NEGATIVOS DE IRPJ 1) ANO CALENDÁRIO DE 1996 O crédito declarado pela Contribuinte, no importe de R$38.679,87, foi integralmente reconhecido pela DRJ. Neste ponto, nada foi reclamado pela Contribuinte. 2) ANO CALENDÁRIO DE 1997 A Contribuinte apurou um saldo negativo de R$48.509,93. A DRJ/BHE apurou um valor ainda maior para o crédito, no importe de R$151.775,51. A Recorrente limitouse a arguir sua boafé, no sentido de que os erros por ela cometidos no preenchimento de suas declarações operavam contra ela mesma. 3) ANO CALENDÁRIO DE 1998 Neste ano calendário, a Contribuinte apurou um saldo negativo de IRPJ no valor de R$211.449,99. A DRF/Contagem validou somente R$63.313,41. Já a DRJ/BHE convalidou o valor informado pela Contribuinte em sua DIRPJ, mantendo o saldo negativo Fl. 1831DF CARF MF Processo nº 13603.001003/200374 Acórdão n.º 1401002.769 S1C4T1 Fl. 1.828 7 declarado de R$211.449,99. Até este ponto, elaborou a DRJ/BHE um demonstrativo dos créditos disponíveis à Contribuinte para aproveitamento a partir de 1999: A Recorrente não acrescentou nada mais em seu recurso a respeito desse ponto, além de reforçar a sua boafé e lisura em relação aos procedimentos por ela realizados. 4) ANO CALENDÁRIO DE 1999 A Contribuinte apurou saldo negativo de IRPJ no valor de R$236.477,44. A DRF/Contagem validou apenas R$174.395,62. Já a DRJ/BHE apurou saldo negativo de R$214.189,53. Compõem a apuração do saldo negativo valores pagos a título de IRRF e estimativas mensais, tanto aquelas efetivamente pagas como aquelas quitadas mediante compensação. A DRF/Contagem glosou R$24.776,87 relativos a IRRF por falta de comprovação. A DRJ/BHE manteve a glosa, haja vista que a Recorrente, quando da impugnação, não teria se manifestado a respeito, nem juntado qualquer elemento de prova. A Recorrente, em sede de Recurso Voluntário, alega que tais valores foram retidos por ocasião do resgate de aplicações financeiras, conforme comprovaria o seu Livro Razão. A DRJ/BHE apurou que os pagamentos de estimativas mensais vinculados às DCTFs, efetivamente confirmados, importaram em R$347.437,30, valor esse superior ao declarado pela própria Recorrente, de R$325.152,26. A Recorrente, neste ponto, considera que a DRJ incorreu em erro, pois considerou, para o mês de setembro de 1999, pagamento de R$62.875,22, quando deveria ter computado R$74.936,56 (junta DARF para comprovar sua alegação). Também em relação ao mês de outubro de 1999, a DRJ/BHE não teria computado o valor de R$56.384,37 (também junta comprovante de pagamento). Assim, aos R$347.437,30, deverseia somar mais R$68.445,71, se consideradas as alegações da Recorrente (totalizando R$415.883,01). Em relação às estimativas pagas mediante compensação, a DRJ/BHE confirmou o valor de R$69.151,18. Já a Recorrente argui que o valor correto para as respectivas compensações, considerando as retificações das DCTFs, seria de R$51.642,31. Fl. 1832DF CARF MF 8 Assim, comparando o quadro resumo elaborado pela DRJ/BHE com aquele elaborado pela Recorrente teríamos: APURAÇÃO REALIZADA PELA DRJ/BHE APURAÇÃO REALIZADA PELA CONTRIBUINTE A DRJ refez o cômputo das compensações do IRRF informadas nas DCTFs da Recorrente durante os anos calendários de 2001 e 2002, utilizando o crédito de R$214.189,53 apurado neste ponto, conforme os demonstrativos de efls. 1.260/1.275. Fundamentou esse procedimento no art. 66 da Lei nº 8.383/91. Desta apuração, restou ainda um crédito passível de utilização em períodos posteriores no valor de R$97.277,86. A Recorrente se insurge contra esse procedimento alegando que "reconhecidos os créditos acima informados (comprovados pela juntada dos DARFs e do Livro Razão), não há que se falar em ilegalidade das compensações)". Ainda, alega que, "Como demonstrado, existe Saldo Negativo mais que suficiente para as compensações do IRRF no decorrer do exercício e do próprio IRPJ, pelo que, também quanto à esse ponto, imperativa a reforma do julgado, sob pena de reflexo nos períodos subseqüentes." 5) ANO CALENDÁRIO DE 2000 A Contribuinte apurou em sua DIPJ saldo negativo de R$208.683,91. A DRF/Contagem validou apenas R$63.433,50. Já a DRJ/BHE obteve um terceiro valor, de R$161.895,96. Segundo a DRJ, os valores das estimativas mensais no ano calendário de 2000 foram extintos mediante compensação, informada em DCTF, com créditos de saldos negativos dos anos calendários de 1998 e 1999. Vide demonstrativo abaixo: Fl. 1833DF CARF MF Processo nº 13603.001003/200374 Acórdão n.º 1401002.769 S1C4T1 Fl. 1.829 9 Assim, a partir dos créditos disponíveis relativamente aos anos de 1998 e 1999, a DRJ/BHE deixou de validar na sua integralidade a estimativa relativa ao mês de julho de 2000. Vejamos o quadro resumo de tais compensações/validações: O valor de R$278.082,99 foi levado à apuração do imposto ao final do período de apuração. As compensações acima foram realizadas de acordo com o disposto no art. 66 da Lei nº 8.383, e tomaram por base as informações constantes das DCTFs apresentadas pela Contribuinte. Não foram aceitas pela DRJ/BHE as alegações trazidas pela Recorrente de que essas DCTFs teriam sido preenchidas com erro, haja vista que tais informações somente vieram ao processo juntamente com a impugnação e após a prolação do despacho decisório da DRF/Contagem. Segundo a DRJ/BHE, com as retificações das DCTFs, a Contribuinte intenta promover nova compensação, utilizando para extinguir débitos já declarados à SRF créditos diversos daqueles utilizados originalmente, o que seria incabível diante do disposto no art. 74 da Lei nº 9.430/96. A Recorrente, neste ponto, se limitou a dizer que as conclusões apontadas pela DRJ/BHE não poderiam prevalecer diante do preenchimento equivocado das DCTFs, requerendo novamente sua aceitação. Resumindo, a DRJ/BHE elaborou o demonstrativo abaixo onde detalha o crédito passível de utilização pelas DCOMPs em análise nesse processo, relativamente ao IRPJ: CRÉDITOS DE SALDOS NEGATIVOS DE CSLL 1) ANO CALENDÁRIO DE 1996 Em 1996 foi apurado saldo negativo de R$7.862,46, inteiramente validado pela DRF/Contagem. 2) ANO CALENDÁRIO DE 1997 Fl. 1834DF CARF MF 10 Neste ano calendário a Contribuinte apurou um saldo negativo de R$4.383,46. A DRF/Contagem validou somente R$2.476,52. Já a DRJ/BHE apurou um saldo negativo compensável em períodos posteriores de R$16.745,34. A Contribuinte em seu recurso voluntário apenas realçou a sua boafé e a constatação da desorganização de sua contabilidade à época. 3) ANO CALENDÁRIO DE 1998 Neste ano calendário foi apurado pela Recorrente um saldo negativo de R$14.555,07. Já a DRF/Contagem apurou CSLL a pagar de R$15.500,39. Já a DRJ/BHE apurou um saldo negativo de CSLL no importe de R$683,73. Neste ponto, a Recorrente alega que não teriam sido considerados os pagamentos realizados referentes aos meses de agosto, setembro e outubro de 1998 (juntou DARFs anexados às efls. 1.493/1.495) pagos com os acréscimos legais devidos. 4) ANO CALENDÁRIO DE 1999 A Contribuinte apurou saldo negativo de R$22.977,34. A DRF/Contagem validou a importância de R$6.780,17. Já a DRJ/BHE apurou que no referido período não haveria crédito de saldo negativo passível de restituição/compensação. A Recorrente se insurge contra tal conclusão alegando que a DRJ/BHE não teria considerado os pagamentos realizados nos meses de agosto a novembro, nos valores de R$ 10.973,59, R$ 7.956,85, R$ 5.469,29 e R$ 67.000,00 (juntou DARFs às efls. 1.496/1.499). Também propugna pela aceitação dos pagamentos realizados em 23/05/2008, nos valores de R$5.059,92 e R$562,00 relativos aos meses de junho e julho/99 respectivamente, decorrentes, conforme palavras da própria Recorrente, de retificações de compensações realizadas nesses períodos. Referidos valores somados importam em R$97.021,65. 5) ANO CALENDÁRIO DE 2000 Nesse período a Contribuinte apurou saldo negativo de R$51.036,86. A DRF/Contagem apurou saldo a pagar no valor de R$12.668,03. A DRJ/BHE apurou também um saldo a pagar, só que de R$19.316,91. A Contribuinte refuta tal conclusão alegando que os erros cometidos na apuração dos períodos anteriores refletiram negativamente no valor verificado pela DRJ/BHE. 6) ANO CALENDÁRIO DE 2001 A Recorrente apurou um saldo zero neste ano calendário. Já a DRF/Contagem apurou saldo negativo de R$27.598,93. Por sua vez, a DRJ/BHE confirmou o valor apurado pelo Despacho Decisório da Autoridade Administrativa. A Recorrente alega, neste ponto, que o acórdão recorrido não teria reconhecido em sua conclusão o referido crédito. Em resumo, os créditos de saldos negativos reconhecidos pela DRJ/BHE e que são objeto de compensação nas DCOMPs analisadas neste processo podem ser assim demonstrados: Fl. 1835DF CARF MF Processo nº 13603.001003/200374 Acórdão n.º 1401002.769 S1C4T1 Fl. 1.830 11 O processo foi encaminhado ao CARF e inicialmente foi distribuído à extinta 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção. Foi sorteado ao Conselheiro Orlando José Gonçalves Bueno que o pautou para julgamento em 10 de novembro de 2010. Como resultado do julgamento foi editada a Resolução nº 120200.061 (v. efls. 1.521/1.528) que determinou o retorno dos autos à Unidade Preparadora para que diligenciasse junto à Recorrente para esclarecer determinados fatos apontados na referida decisão. Abaixo reproduzo os quesitos formulados à Autoridade Administrativa: a) Quanto a apuração do IRPJ – Exercício 2000, anocalendário 1999: ao rebater a glosa de IRRF, no valor de R$ 24.776,87, apresentando Livro Razão e alegando ser a retenção oriunda de resgate de aplicação financeira efetuada junto aos bancos Sudameris e Bamerindus: confirmar tal procedimento regular junto a sua contabilidade, convalidando a veracidade do quanto alegado; b) Ao sustentar o pagamento do tributo no mês de setembro/1999 ter sido feito no valor de R$ 74.936,56 e não R$ 62.875,22, apresenta DARF no valor alegado: confirmar tal procedimento regular junto a contabilidade, convalidando a veracidade do quanto asseverado e demonstrado; c) Quanto à desconsideração de pagamento efetuado no mês de outubro/1999, apresenta DARF no montante de R$ 56.384,3: confirmar tal procedimento regular junto a contabilidade, convalidando a veracidade do quanto asseverado e demonstrado; d) Alega, conforme fazem provas as DCTF´s retificadoras, que o valor das compensações no período informado é de R$ 51.642,31 e não de R$ 69.151,18, como apontado pela DRJ, a fls. 1.335: confirmar tal procedimento regular junto a contabilidade, convalidando a veracidade do quanto asseverado e demonstrado sobre o erro de fato; e) Ao impugnar também a assertiva de que a compensação deveria ter sido procedida nos moldes do art. 66 da Lei n.º 8.383/91, do IRRF, mediante informação em DCTF, pois entende que reconhecidos os créditos (com base nos DARF´s e Livro Razão juntados), não há que se falar em ilegalidade das compensações: confirmar tal procedimento regular junto a contabilidade, convalidando a veracidade do quanto asseverado e demonstrado; f) Quanto a apuração do IRPJ – Exercício 2001, anocalendário 2000: Rebate a consideração da DRJ em glosar “Saldo Negativo de IRPJ”, reconhecendo apenas o montante de R$ 163.647,75 e não R$ 208.683,91 por conta de não ter sido acatada a retificação em DCTF, pois ocorrido erro de fato: confirmar tal procedimento Fl. 1836DF CARF MF 12 regular junto a contabilidade, convalidando a veracidade do quanto asseverado e demonstrado sobre o erro de fato; g) Quanto a apuração da CSLL – Exercício 1999, anocalendário 1998: Aduz não terem sido considerados pela DRJ os pagamentos do tributo nos meses de agosto, setembro e outubro de 1998, mas apresenta os DARF´s referentes aos adimplementos no período para fazerem prova contrária ao julgado: confirmar tal procedimento regular junto a contabilidade, convalidando a veracidade do quanto asseverado e demonstrado; h) Quanto a apuração da CSLL – Exercício 2000, anocalendário 1999: Reputa o fato de ter sido reconstituída a base de cálculo da CSLL, apurando débito remanescente no montante de R$ 5.959,44 no período, pois efetuou pagamentos nos meses de agosto a novembro, conforme atestam os DARF´s e tais pagamentos não foram considerados pela DRJ:confirmar tal procedimento regular junto a contabilidade, convalidando a veracidade do quanto asseverado e demonstrado; i) Quanto a apuração da CSLL – Exercício 2002, anocalendário 2001: Sustenta que a DRJ reconheceu “Saldo Negativo de CSLL” no valor de R$ 27.598,93 e, na DIPJ, teria sido informada inexistência de tal saldo. Ocorre que tal crédito não foi reconhecido no dispositivo do Acórdão: confirmar tal procedimento regular junto a contabilidade, convalidando a veracidade do quanto asseverado e demonstrado. Encaminhados os Autos à DRF/Contagem, a Contribuinte foi requerida a apresentar esclarecimentos e documentos conforme o disposto na Intimação de efls. 1.533/1.534. Em resposta à referida Intimação, a DRF/Contagem lavrou o Termo de Comparecimento de efls. 1.536/1.537, através do qual registra os esclarecimentos prestados pela Recorrente (vide abaixo). Fl. 1837DF CARF MF Processo nº 13603.001003/200374 Acórdão n.º 1401002.769 S1C4T1 Fl. 1.831 13 Após, os autos vieram ao CARF e foram redistribuídos à 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Sejul e a este Conselheiro para relatar e votar. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e sua matéria se enquadra na competência deste Colegiado. Os demais pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos. Trata o presente processo de declaração de compensação de inúmeros débitos (períodos de apuração a partir de outubro/2002) de responsabilidade da Contribuinte, com créditos de sua titularidade, cuja origem provém da apuração de saldos negativos de IRPJ dos anos calendários de 1999 e 2000 e de CSLL, dos períodos de apuração 1999, 2000 e 2001. Essas declarações de compensação foram protocoladas a partir de 30 de abril de 2003. Como vimos no Relatório, a Delegacia da Receita Federal de Contagem/MG fez o levantamento desses saldos negativos de IRPJ e CSLL, focando sua análise nos documentos e dados de que dispunha, cuja origem remonta a informações prestadas pela própria Contribuinte através de suas declarações (DIPJs e DCTFs) e aos recolhimentos devidamente identificados nos sistemas de informação. Foram levadas em consideração as compensações e pagamentos informados para efeito de quitação dos débitos apurados mensalmente, tanto nas DIPJs, quanto nas DCTFs. A Autoridade Administrativa, ao fazer a validação dos créditos relativos aos saldos negativos verificou que eram insuficientes para tanto, identificando como principal motivo para tal fato, que os mesmos teriam se exaurido anteriormente à entrega das DCOMPs. Isso porque os saldos negativos teriam sido utilizados, via compensação, para a quitação de débitos informados em DCTFs apresentadas anteriormente à data do protocolo das declarações de compensação. Ao longo do tempo, a Contribuinte utilizouse da faculdade prevista no art. 14 da IN SRF nº 21/97, para compensar créditos de IRPJ e CSLL, somente através da informação em DCTF. O despacho decisório foi cientificado à Recorrente em 22 de abril de 2008. Insatisfeito com a homologação parcial das compensações declaradas, recorreu do despacho decisório proferido pela DRF/Contagem à Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belo Horizonte, através da Manifestação de Inconformidade de efls. 239/244. Nesta oportunidade, trouxe um elemento novo ao processo para justificar a suficiência do crédito, arguindo que teria incorrido em inúmeros erros em sua escrituração contábil/fiscal, durante todo o período analisado, razão pela qual as DCTFs utilizadas na Fl. 1838DF CARF MF 14 análise da DRF/Contagem conteriam erros materiais, passíveis de correção via retificação das respectivas declarações. Justificou ter trazido essa informação tão somente na fase recursal pelo fato de não ter conseguido apresentar os documentos/esclarecimentos solicitados pela Autoridade Fiscal por motivo de força maior, no caso, a greve dos servidores da Receita Federal (v. efls. 242). Tais argumentos foram repetidos no Recurso Voluntário. Entretanto, não podem ser aceitos. Também é incabível de apreciação por parte deste Conselho as arguições constantes do recurso voluntário a respeito do arrolamento de bens (v. efls. 1.456). Referido procedimento administrativo tratase tão somente de instrumento de controle do crédito tributário, não fazendo parte do litígio objeto de apreciação no âmbito deste processo. Também não foi objeto da Manifestação de Inconformidade, mais um motivo para não ser conhecido, haja vista a ocorrência da preclusão. Não se pode perder de vista que os créditos apresentados pela Contribuinte para fazer frente às compensações pretendidas são de saldo negativo, tanto de IRPJ quanto de CSLL, apurados ao final dos anos calendários de 1999 a 2001. Assim, fazse necessário verificar a liquidez e certeza desses créditos, após o que autorizase sua utilização para efeito de compensação, à vista do que foi declarado nos respectivos pedidos. Assim fez a DRF/Contagem, ao realizar a validação desses créditos voltando no tempo, mais precisamente ao ano calendário de 1996, haja vista que na verificação da formação dos saldos negativos identificouse a realização de vários procedimentos de compensação visando a quitação de débitos de estimativas que viriam a compor esses saldos (exemplificando: estimativas devidas no ano de 1997, sendo quitadas via compensação com saldo negativo do ano calendário de 1996, e assim por diante). Após exaustivo trabalho de compilação de dados, e sem o auxílio da Contribuinte (pois não atendeu à intimação para prestar esclarecimentos), a DRF/Contagem apurou que os créditos remanescentes para utilização nas compensações tratadas neste processo importariam nos seguintes valores: A DRJ/BHE, realizou uma apuração ainda mais detalhada, elaborando decisão consubstanciada em 49 laudas, onde esmiuçou todos os documentos juntados aos autos, chegando à conclusão que deverseia somar mais R$98.462,46 ao crédito de IRPJ do ano calendário de 2000. Nessa decisão restou reconhecida à Recorrente créditos de saldos negativos de períodos anteriores em valores superiores àqueles validados pela DRF/Contagem e, em alguns casos, maiores até àqueles que haviam sido apurados pela própria Contribuinte em suas declarações, senão vejamos: Fl. 1839DF CARF MF Processo nº 13603.001003/200374 Acórdão n.º 1401002.769 S1C4T1 Fl. 1.832 15 Saldos Negativos de IRPJ Ano Calendário Valor DIPJ Reconhecido DRF Reconhecido DRJ 1996 38.679,87 38.679,87 38.679,87 1997 48.509,93 48.509,93 151.775,51 1998 211.449,99 63.313,41 211.449,99 1999 236.477,44 174.395,62 214.189,53 2000 208.683,91 63.433,50 161.895,96 Saldos negativos de CSLL Ano Calendário Valor DIPJ Reconhecido DRF Reconhecido DRJ 1996 7.862,46 7.862,46 7.862,46 1997 4.383,46 2.476,52 16.745,34 1998 14.555,07 15.500,39 683,73 1999 22.977,34 6.780,17 0,00 2000 51.036,86 12.668,03 19.316,91 2001 0,00 27.598,93 27.598,93 O reconhecimento de créditos em valor superior ao declarado nas DIPJs em períodos anteriores àqueles objeto de utilização pelas DCOMPs deste processo (1999, 2000 e 2001), é importante na medida que tais valores foram utilizados em diversas compensações via DCTF, para os quais foi identificado, pela Unidade Preparadora, a insuficiência de disponibilidades para a quitação dos respectivos débitos. É um processo em cadeia, através do qual os fatos que se sucederam em períodos anteriores tem influência direta nos posteriores. Tratemos, pois, mais diretamente da questão aventada pela Recorrente de que suas DCTFs estariam eivadas de erros materiais e que deveriam ser retificadas. A DRJ/BHE ao tratar do tema assim se manifestou (v. efls. 1.418/1.419): Tal como já mencionado anteriormente, a compensação efetuada pelo contribuinte nas DCTF's ocorreu nos moldes do lançamento por homologação, amparada pelo art. 66 da Lei n° 8.383, de 1991: Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subseqüente. (Redação dada pela Lei n° 9.069, de 29.6.1995). Ou seja, o contribuinte identifica seus créditos e os utiliza como "moeda de pagamento" de seus débitos, mas sob condição resolutória de ulterior homologação, tal como consta do art. 150 do CTN. Neste contexto, os créditos utilizados bem como os débitos compensados devem ser inequivocamente identificados no instrumento instituído para este fim, no caso vertente, na DCTF. Confirase: IN SRF Nº 73, DE 1996: Art. 7° A DCTF deverá conter as seguintes informações, relativas ao trimestre de competência: (...) III trimestre de ocorrência dos fatos geradores; (...) VI código da receita e sua denominação; Fl. 1840DF CARF MF 16 VII período de apuração; (...) X total do imposto apurado; XI compensações XII valores com exigibilidade suspensa; XIII pagamentos efetuados; XIV parcelamentos concedidos; XV o saldo apagar por tributo ou contribuição; XVI pedido de parcelamento dos tributos e contribuições a pagar, se for o caso. § 1º No caso de compensação deverá ser infirmado o código da receita, a data do pagamento, o valor original da receita, expresso em moeda da época, e o valor utilizado para compensação. (Os grifas não são do original) Ou seja, o procedimento sujeito à avaliação do fisco reportase àquele formalmente informado pelo contribuinte na DCTF. Na hipótese de preenchimento equivocado da declaração, o contribuinte detém a faculdade de retificar a declaração apresentada antes da manifestação do fisco (art. 147 do CTN). Não se reporta ao caso vertente, o contribuinte pleiteia junto com a impugnação a retificação da sua declaração, após o Despacho Decisório emitido pela DRF. 54. Diante dos esclarecimentos acima, percebese que a intenção do contribuinte é a de promover uma nova compensação, utilizando para extinguir débitos já declarados à SRF créditos diversos daqueles utilizados originalmente. Acerca desta pretensão, cabe esclarecer que a compensação tributária encontrase atualmente regida pelo art. 74 da Lei n 9.430, de 1996, que veda expressamente este procedimento. Confirase: § 3º Além das hipóteses previstas nas leis especificas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1º: (Redação, dada pela Lei n° 10.833, de 2003) (...) V o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; e (Redação dada _pela Lei nº 11.051 de 2004) 55. Enfim, as compensações de débito consideradas aferidas neste processo reportamse àquelas formalmente informadas pelo contribuinte ao fisco, à sua vontade, nos termos da legislação vigente à época dos fatos. Novos pedidos de compensação devem obedecer às regras então vigentes, ou seja, o art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996 e alterações posteriores. Já a Recorrente, entende que as retificações das DCTFs devem ser aceitas, arguindo que sua retratabilidade seria possível a qualquer tempo, diante do fato do tributo ser indevido. Também invoca o princípio da verdade material para justificar a retificação das DCTFs, mesmo após a prolação do Despacho Decisório por parte da DRF/Contagem, motivo que fundamentou a rejeição das retificadoras, também pela DRJ/BHE. Creio que o entendimento mais acertado para o caso concreto é o exposado pela DRJ/BHE. Fl. 1841DF CARF MF Processo nº 13603.001003/200374 Acórdão n.º 1401002.769 S1C4T1 Fl. 1.833 17 Se verificarmos o caso, por exemplo, das quitações de estimativas do ano 2000, verificaremos que, inicialmente, a Contribuinte compensou, via DCTF, as estimativas do período de apuração de julho com saldo negativo de 1999 (v. efls. 1.415). Através de sua Manifestação de Inconformidade (v. efls. 670), alegando erros em sua escrituração e requerendo sejam aceitas as retificações em suas DCTFs, essas mesmas estimativas do mês de julho estão sendo objeto de compensação com saldos negativos de 1998 e 1999. Tratase, justamente, da hipótese citada no acórdão recorrido de tentativa de promoção de uma "nova compensação, utilizando para extinguir débitos já declarados à SRF créditos diversos daqueles utilizados originalmente." Arremata a DRJ que tal pretensão seria vedada pelo § 3º, inciso V, do art. 74 da Lei n 9.430/96. Admitirse tal procedimento ainda causaria tumulto processual em demasia, retardando a solução dos litígios mais do que o desejável. No caso, as pretendidas retificações foram trazidas ao conhecimento do Fisco apenas em 30/10/2008, ou seja, mais de OITO anos após a entrega das originais e após a sua homologação pelo Fisco. Pesa contra a Contribuinte o fato de que as retificações pretendidas estão fundamentadas tão somente em planilhas anexadas à Manifestação de Inconformidade (v. efls. 282/285, 471/480, 670/675, 840/844, 995/997) e nas minutas das DCTFs retificadoras (não entregues, v. efls. 310/414, 490/615, 678/792, 855/952, 999/1.073). Não reputo que tais documentos sejam suficientes para demonstrar os erros materiais alegados pela Recorrente. Faltaram os registros contábeis para completar o conjunto probatório (não foram juntados ao processo). Apesar de não aceitar as retificações pretendidas pela Contribuinte em suas DCTFs, tanto a DRF/Contagem quanto a DRJ/BHE admitiram e apuraram saldos negativos diferentes daqueles informados pela Recorrente em suas DIPJs. Em alguns casos, inclusive, foram levantados valores superiores àqueles declarados, conforme vimos anteriormente. Tal fato nos dá permissão para revisar as análises até então empreendidas pelas instâncias anteriores a partir das arguições levantadas no recurso voluntário. É o que passaremos a fazer a partir de agora, levando em consideração cada um dos anos calendários objeto da análise. SALDOS NEGATIVOS DE IRPJ Até o ano calendário de 1999, não houveram contestações por parte da Recorrente em relação às conclusões obtidas, tanto pela DRF/Contagem, quanto pela DRJ/BHE. Ao contrário, tais conclusões apontaram para um saldo negativo de IRPJ disponível para compensações em períodos posteriores superior àquele informado nas respectivas DIPJs. Os questionamentos da Recorrente tem início a partir do ano calendário de 1999, justamente o primeiro período objeto de utilização do saldo negativo apurado para compensação com os débitos controlados neste processo. No ano calendário de 1999 a Contribuinte apurou saldo negativo de IRPJ no valor de R$236.477,44. A DRF/Contagem validou apenas R$174.395,62. Já a DRJ/BHE apurou saldo negativo de R$214.189,53. A DRF/Contagem glosou R$24.776,87 relativos a IRRF por falta de comprovação. A DRJ/BHE manteve a glosa, haja vista que a Recorrente, quando da impugnação, não teria se manifestado a respeito, nem juntado qualquer elemento de prova. A Fl. 1842DF CARF MF 18 Recorrente, em sede de Recurso Voluntário, alega que tais valores foram retidos por ocasião do resgate de aplicações financeiras, conforme comprovaria o seu Livro Razão. A diligência requerida pela extinta 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção conseguiu trazer para os autos o extrato bancário do Banco Sudameris comprovando a retenção de R$20.073,44, valor este que deverá ser acrescido ao saldo negativo de 1999. A DRJ/BHE apurou que os pagamentos de estimativas mensais vinculados às DCTFs, efetivamente confirmados, importaram em R$347.437,30, valor esse superior ao declarado pela própria Recorrente, de R$325.152,26. A Recorrente, neste ponto, considera que a DRJ ainda teria incorrido em erro, pois teria considerado, para o mês de setembro de 1999, pagamento de R$62.875,22, quando deveria ter computado R$74.936,56 (junta DARF para comprovar sua alegação). Também em relação ao mês de outubro de 1999, a DRJ/BHE não teria computado o valor de R$56.384,37 (também junta comprovante de pagamento). A diligência requerida pela extinta 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção anexou aos autos cópias do Livro Razão onde estão registrados os saldos de R$12.061,34 (relativo ao pagamento a maior do mês de setembro/99) e de R$56.384,37 (relativo ao pagamento do mês de outubro/99), v. efls. 1.553 e 1.556. Os comprovantes de pagamento dos respectivos valores encontramse às efls. 1.503 e 1.504. Assim, aos R$347.437,30, deverseia somar mais R$68.445,71, valor este que deverá ser acrescido ao saldo negativo de 1999. Em relação às estimativas pagas mediante compensação, a DRJ/BHE confirmou o valor de R$69.151,18. Já a Recorrente argui que o valor correto para as respectivas compensações, considerando as retificações das DCTFs, seria de R$51.642,31. Como não estamos considerando válidas as retificações de DCTF, tais argumentos não podem ser considerados. Portanto, o saldo negativo do ano calendário de 1999 deverá ser acrescido em R$88.519,16 que, somados aos R$214.189,53 apurados pela DRJ/BHE, elevam o mesmo para R$302.708,69. Feitas as compensações do IRRF declarados em DCTF pela própria Contribuinte, o saldo disponível para compensação em períodos futuros perfaz R$185.797,02, ante os R$97.277,86 apurados pela DRJ/BHE. Este valor constituirá o saldo disponível para compensação em períodos posteriores ao de 1999. Precisamos nos lembrar que a DRJ/BHE utilizou os R$97.277,86 relativos a 1999 nas compensações realizadas pela Contribuinte no ano 2000. O quadro demonstrativo abaixo ilustra a utilização do referido valor (v. efls. 1.416): Refazendo os cálculos acima, agora considerando como saldo disponível para compensação os R$185.797,02, teríamos não mais um saldo de débito não compensado, mas sim um saldo de crédito disponível para restituição/compensação em períodos posteriores Fl. 1843DF CARF MF Processo nº 13603.001003/200374 Acórdão n.º 1401002.769 S1C4T1 Fl. 1.834 19 de R$41.021,64. Reflexo desses cálculos é a disponibilidade de mais R$68.753,48 na apuração do saldo negativo do ano 2000, como veremos adiante. Saldo disponível para compensação R$ 185.797,02 Crédito atualizado em 31/05/2000 R$ 198.171,10 Débito Compensado IRPJ Estimativa mensal Abril/2000 R$ 29.834,63 Saldo Crédito atualizado até 31/05/2000 R$ 168.336,47 Crédito atualizado até 30/08/2000 R$ 186.600,98 Débito Compensado IRPJ Estimativa mensal Julho/2000 R$ 145.579,34 Saldo Crédito atualizado até 31/08/2000 R$ 41.021,64 Saldo de Crédito disponível para Restituição/Compensação R$ 41.021,64 No ano calendário de 2000, a Contribuinte apurou em sua DIPJ saldo negativo de R$208.683,91. A DRF/Contagem validou apenas R$63.433,50. Já a DRJ/BHE obteve um terceiro valor, de R$163.647,75 que, deduzidas as compensações de IRRF realizadas em DCTF, importou em R$161.895,96. A Recorrente, neste ponto, se limitou a dizer que as conclusões apontadas pela DRJ/BHE não poderiam prevalecer diante do preenchimento equivocado das DCTFs, requerendo novamente sua aceitação. Como vimos, tal entendimento não deve prosperar. Diante do que verificamos acima, em relação ao período de apuração 1999, deverá ser acrescido ao saldo negativo disponível para restituição/compensação neste ano calendário o valor de R$68.753,48, de forma que o saldo negativo de IRPJ para o ano 2000, disponível para compensação, deverá se elevar para R$230.649,44. Resumindo, o crédito passível de utilização pelas DCOMPs em análise nesse processo, relativamente ao IRPJ, podem ser assim consolidados: Período de Apuração Saldo disponível para compensação EX 2000AC 1999 R$ 41.021,64 EX 2001AC 2000 R$ 230.649,44 SALDOS NEGATIVOS DE CSLL Até o ano calendário de 1997, não houveram contestações por parte da Recorrente em relação às conclusões obtidas, tanto pela DRF/Contagem, quanto pela DRJ/BHE. Ao contrário, tais conclusões apontaram para um saldo negativo de CSLL disponível para compensações em períodos posteriores superior àquele informado nas respectivas DIPJs. Os questionamentos da Recorrente tem início a partir do ano calendário de 1998. Nesse ano calendário foi apurado pela Recorrente um saldo negativo de R$14.555,07. Já a DRF/Contagem apurou CSLL a pagar de R$15.500,39. A DRJ/BHE apurou um saldo negativo de CSLL no importe de R$683,73. Fl. 1844DF CARF MF 20 Neste ponto, a Recorrente alega que não teriam sido considerados os pagamentos realizados referentes aos meses de agosto, setembro e outubro de 1998 (juntou DARFs anexados às efls. 1.493/1.495) pagos com os acréscimos legais devidos. Tem razão a Recorrente neste ponto, pois não foram considerados os pagamentos relativos aos referidos meses, realizados em 31/08/1999 e que somados perfazem um total de R$12.025,67. Somados aos R$683,73 reconhecidos pela DRJ/BHE, elevam o saldo negativo deste período para R$12.709,40. No ano calendário de 1999, a Contribuinte apurou saldo negativo de R$22.977,34. A DRF/Contagem validou a importância de R$6.780,17. Já a DRJ/BHE apurou que no referido período não haveria crédito de saldo negativo passível de restituição/compensação (foi apurado um saldo a pagar de R$5.959,44). A Recorrente se insurge contra tal conclusão alegando que a DRJ/BHE não teria considerado os pagamentos realizados nos meses de agosto a novembro, nos valores de R$ 10.973,59, R$ 7.956,85, R$ 5.469,29 e R$ 67.000,00 (juntou DARFs às efls. 1.496/1.499). Também propugna pela aceitação dos pagamentos realizados em 23/05/2008, nos valores de R$5.059,92 e R$562,00 relativos aos meses de junho e julho/99 respectivamente (v. efls. 1.500/1.501), decorrentes, conforme palavras da própria Recorrente, de retificações de compensações realizadas nesses períodos. Os pagamentos estão confirmados pelos documentos de arrecadação, e pela Autoridade diligenciadora (v. efls. 1.534) devendo, portanto, serem aceitos quase que na sua totalidade, na composição do saldo negativo de 1999. Digo quase que totalmente porque o DARF quitado em dezembro/99, no valor de R$67.000,00, foi utilizado na DCOMP nº 35282.79594.051104.1.3.04.0424, transmitida em 05/11/2004 (v. efls. 1.338/1.340), através do qual foi quitado o valor de R$13.485,12, relativo à CSLL do período de apuração janeiro/99. Do total de R$67.000,00, foram utilizados R$16.296,16 de crédito original, restando para aproveitamento a diferença de R$50.703,84. Assim, o total a ser aproveitado a título de pagamentos importaria em R$75.103,57. Alguns pagamentos de estimativas relativos ao ano calendário de 1999, foram objeto de compensação com saldos negativos do ano anterior (1998). Como a DRJ/BHE reconheceu tão somente R$683,73 de saldo negativo em 1998, a maior parte dessas estimativas não foi validada. Abaixo colei o demonstrativo elaborado pela DRJ/BHE onde está evidenciado o valor efetivamente validado: Como admitimos acima que o saldo negativo de 1998 deve ser revisto para R$12.709,40, esse demonstrativo deve ser refeito. Abaixo anexamos o novo demonstrativo com o recálculo dessas compensações e o saldo que deverá ser aproveitado para o crédito relativo ao ano calendário de 1999. Saldo disponível para compensação R$ 12.709,40 Crédito atualizado em 30/04/1999 R$ 13.839,27 Débito Compensado IRPJ Estimativa mensal março/1999 R$ 1.235,96 Saldo Crédito atualizado até 30/04/1999 R$ 12.603,31 Crédito atualizado até 31/07/1999 R$ 13.302,40 Fl. 1845DF CARF MF Processo nº 13603.001003/200374 Acórdão n.º 1401002.769 S1C4T1 Fl. 1.835 21 Débito Compensado IRPJ Estimativa mensal Junho/1999 R$ 6.805,21 Saldo Crédito atualizado até 31/07/1999 R$ 6.497,19 Crédito atualizado até 30/08/1999 R$ 6.591,03 Débito Compensado IRPJ Estimativa mensal Julho/1999 R$ 562,00 Saldo Crédito atualizado até 30/08/1999 R$ 6.029,03 Crédito atualizado até 30/09/1999 R$ 6.110,22 Débito Compensado IRPJ Estimativa mensal Agosto/1999 R$ 7.594,00 Estimativa mensal Agosto/1999 não compensada R$ 1.483,78 Estimativa mensal de 1999 validada pelas compensações R$ 14.713,39 Saldo de Crédito disponível para Restituição/Compensação R$ 0,00 Portanto, as compensações validadas conforme o demonstrativo acima importam em R$14.713,39, e não os R$744,51 apurados pela DRJ/BHE. Assim, deverá ser acrescido ao saldo negativo de CSLL de 1999 mais R$13.968,88. A DRJ/BHE havia apurado para o respectivo período um saldo a pagar de R$5.959,44. Com os valores admitidos acima, esse saldo a pagar se transforma em saldo negativo, conforme o demonstrativo que segue: Saldo a pagar apurado pela DRJ/BHE R$ 5.959,44 Estimativas quitadas com saldo negativo de 1998 R$ 13.968,88 Pagamentos validados por este voto R$ 75.103,57 Novo saldo negativo para 1999 R$ 83.113,01 No ano calendário de 2000, a Contribuinte apurou saldo negativo de R$51.036,86. A DRF/Contagem apurou saldo a pagar no valor de R$12.668,03. A DRJ/BHE apurou também um saldo a pagar, só que de R$19.316,91. A Contribuinte refuta tal conclusão alegando que os erros cometidos na apuração dos períodos anteriores refletiram negativamente no valor verificado pela DRJ/BHE. Diante dos resultados obtidos acima, tem razão a Recorrente. Assim, refizemos a apuração das compensações efetivadas pela Contribuinte para quitar as estimativas do ano calendário de 2000 com o saldo negativo de 1999, conforme o demonstrativo abaixo: Saldo disponível para compensação R$ 83.113,01 Crédito atualizado em 29/02/2000 R$ 85.157,59 Débito Compensado IRPJ Estimativa mensal janeiro/2000 R$ 13.544,64 Saldo Crédito atualizado até 29/02/2000 R$ 71.612,95 Crédito atualizado até 31/03/2000 R$ 69.893,57 R$ 72.626,41 Débito Compensado IRPJ Estimativa mensal fevereiro/2000 R$ 11.723,76 Saldo Crédito atualizado até 31/03/2000 R$ 60.902,65 Crédito atualizado até 30/04/2000 R$ 58.610,96 R$ 61.752,51 Débito Compensado IRPJ Estimativa mensal Março/2000 R$ 7.331,11 Saldo Crédito atualizado até 30/04/2000 R$ 54.421,40 Crédito atualizado até 31/05/2000 R$ 51.652,81 R$ 56.159,49 Débito Compensado IRPJ Estimativa mensal Abril/2000 R$ 13.005,63 Fl. 1846DF CARF MF 22 Saldo Crédito atualizado até 31/05/2000 R$ 43.153,86 Crédito atualizado até 30/06/2000 R$ 40.459,27 R$ 43.756,70 Débito Compensado IRPJ Estimativa mensal Maio/2000 R$ 17.446,96 Saldo Crédito atualizado até 30/06/2000 R$ 26.309,74 Crédito atualizado até 31/07/2000 R$ 24.327,08 R$ 26.647,88 Débito Compensado IRPJ Estimativa mensal Junho/2000 R$ 9.156,17 Saldo Crédito atualizado até 31/07/2000 R$ 17.491,71 Estimativa mensal de 1999 validada pelas compensações R$ 72.208,27 Saldo Negativo 1999 disponível para restituição/compensação R$ 15.968,33 Assim, o saldo a pagar de R$19.316,91 apurado pela DRJ/BHE para o ano calendário de 2000 deve ser convertido para um saldo negativo de R$52.891,36 (R$19.316,91 R$72.208,27). Para o ano calendário de 2001, a Recorrente apurou como resultado um saldo zero de CSLL a pagar. Já a DRF/Contagem apurou saldo negativo de R$27.598,93. Por sua vez, a DRJ/BHE confirmou o valor apurado pelo Despacho Decisório da Autoridade Administrativa. A Recorrente alega, neste ponto, que o acórdão recorrido não teria reconhecido em sua conclusão o referido crédito. Ocorre, que o crédito a que se refere a Recorrente já havia sido reconhecido pela DRF/Contagem, e posteriormente foi confirmado pela DRJ/BHE. O acórdão recorrido limitouse a reconhecer os créditos que não haviam sido admitidos pela DRF/Contagem. Assim, não existe litígio neste ponto, bastando mero esclarecimento à Recorrente de que referido crédito restou hígido e pode ser aproveitado nas DCOMPs objeto deste processo. Resumindo tudo o que foi até aqui admitido à empresa Recorrente, elaboramos o demonstrativo abaixo, considerando somente os créditos utilizados nas DCOMPs em litígio neste processo: SALDO NEGATIVO IRPJ Período de Apuração Valor Declarado Crédito Reconhecido DRF Crédito Reconhecido DRJ Crédito Reconhecido CARF AC 1999 R$ 236.477,44 R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 41.021,64 AC 2000 R$ 208.683,91 R$ 63.433,50 R$ 161.895,96 R$ 230.649,44 SALDO NEGATIVO CSLL Período de Apuração Valor Declarado Crédito Reconhecido DRF Crédito Reconhecido DRJ Crédito Reconhecido CARF AC 1999 R$ 22.977,34 R$ 6.780,17 R$ 0,00 R$ 83.113,01 AC 2000 R$ 51.036,86 R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 52.891,36 AC 2001 R$ 0,00 R$ 27.598,93 R$ 27.598,93 R$ 27.598,93 Fl. 1847DF CARF MF Processo nº 13603.001003/200374 Acórdão n.º 1401002.769 S1C4T1 Fl. 1.836 23 Os créditos passíveis de utilização são de saldo negativo, que só se perfectibiliza ao final do período de apuração. Por isso, a atualização monetária dos créditos a serem compensados tem como marco inicial o primeiro dia seguinte à data da ocorrência do fato gerador, in casu, o dia 31/12 de cada ano, razão pela qual as arguições da Recorrente a respeito da atualização monetária dos créditos não procedem. Por todo o exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário para reconhecer os créditos acima demonstrados como passíveis de utilização nas compensações objeto deste processo. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 1848DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.720367/2016-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2011, 2012
SUPERAÇÃO DAS MATÉRIAS EM RAZÃO DA APLICAÇÃO DO § 3º DO ART. 59 DO DECRETO Nº 70.235/1972.
Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011, 2012
ISENÇÃO DO PROUNI. SUSPENSÃO DECORRENTE DE ATO DECLARATÓRIO EMITIDO PELO MEC. IMPRESCINDIBILIDADE.
A suspensão da isenção de uma instituição de ensino do PROUNI, por Ato Declaratório de Exclusão emitido pela RFB, somente pode se dar após a desvinculação da referida instituição, por parte do Ministério da Educação, do próprio PROUNI.
CSLL. REFLEXO.
Pela íntima relação de causa e efeito, aplica-se à CSLL o quanto decidido para o IRPJ.
Numero da decisão: 1401-002.724
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em superar as arguições de nulidade para, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
Nome do relator: LUIZ RODRIGO DE OLIVEIRA BARBOSA
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Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011, 2012 ISENÇÃO DO PROUNI. SUSPENSÃO DECORRENTE DE ATO DECLARATÓRIO EMITIDO PELO MEC. IMPRESCINDIBILIDADE. A suspensão da isenção de uma instituição de ensino do PROUNI, por Ato Declaratório de Exclusão emitido pela RFB, somente pode se dar após a desvinculação da referida instituição, por parte do Ministério da Educação, do próprio PROUNI. CSLL. REFLEXO. Pela íntima relação de causa e efeito, aplicase à CSLL o quanto decidido para o IRPJ. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em superar as arguições de nulidade para, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 03 67 /2 01 6- 47 Fl. 19094DF CARF MF 2 Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (DRJ/CGE), que, por meio do Acórdão 0442.961, de 19 de maio de 2017, julgou improcedente a impugnação apresentada pela empresa. Reproduzo parte do relatório constante no acórdão da DRJ: (início da transcrição do relatório do acórdão da DRJ) O presente processo, referente ao período compreendido entre os anos calendário 2011 e 2012, trata de: 1. Suspensão da imunidade e da isenção tributárias, levada a efeito através do ato declaratório nº 162 de 13 de outubro de 2016 (fl. 15.341); 2. Lançamento de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), em valores respectivamente iguais a R$ 77.589.007,92 e R$ 27.983.827,43, já incluídos os juros de mora, calculados com emprego da taxa Selic, além de multa de ofício, à razão de 150%, conforme autos de infração de fls. 15.388 a 15.413 e 15.414 a 15.439. 3. Termo de Arrolamento de Bens e Direitos; 4. Responsabilização Tributária. 1. Da suspensão da imunidade e da isenção tributária: Tratase do Ato Declaratório 162/2016 (fl. 15431), que deu origem às suspensões da Imunidade e da Isenção tributárias, nos termos do § 9º do inciso II do art. 32 da Lei 9.430 de 1996. O referido Ato declara: "Art. 1º Declara a suspensão da imunidade tributária do INSTITUTO EDUCACIONAL DO ESTADO DE SÃO PAULO – IESP, CNPJ: 63.083.869/000167, no período de 01/01/2011 a 31/12/2012, por inobservância ao disposto no art. 150, IV, “c”, da Constituição Federal de 1988, artigo 14 do Código Tributário e demais normas tributárias pertinentes à matéria. Art. 2º Declara a suspensão da isenção tributária de que trata o art. 15 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, e do art. 8º Fl. 19095DF CARF MF Processo nº 19515.720367/201647 Acórdão n.º 1401002.724 S1C4T1 Fl. 19.095 3 da Lei nº 11.096, de 13 de janeiro de 2005, da pessoa jurídica INSTITUTO EDUCACIONAL DO ESTADO DE SÃO PAULO – IESP, CNPJ: 63.083.869/000167, no período de 01/01/2011 a 31/12/2012." A Contribuinte foi intimada a apresentar, no prazo de 30 (trinta) dias da ciência da Notificação de suspensão de imunidade / perda de isenção de fls. 13.374 a 13.404, as alegações e provas que julgasse necessárias. O Parecer Conclusivo (fls. 15.264 a 15.332), que embasou o referido ato declaratório, levou em conta, tanto a Notificação de Suspensão de Imunidade/Isenção (fls. 13.374 a 13.404), como as alegações da impugnante na manifestação de 03/08/2016 (fls. 13.838 a 13.975). Descrevo a seguir, as principais alegações constantes do Parecer: ASSUNTO ENTIDADE EDUCACIONAL SEM FINS LUCRATIVOS SUSPENSÃO DE IMUNIDADE / ISENÇÃO: PERÍODO DE 01/01/2011 A 31/12/2012. EMENTA; “a IMUNIDADE tributária das instituições de educação ou de assistência social (decorrente da CF e relativa ao impostos) e a ISENÇÃO tributária das entidades sem fins lucrativos (decorrente da lei e relativa aos impostos e contribuições) poderão ser suspensas, pela Receita Federal do Brasil, caso haja inobservância das condições fixadas em lei para o gozo da isenção ou imunidade, condições estas previstas nos arts. 9º, § 1º e art. 14 do CTN e no art. 12 e § 2°, salvo a alínea "f" e o § 3° da lei nº. 9.532/97, correndo ambos os procedimentos de suspensão sob o rito do art. 32 da Lei nº. 9.430/96.” E Suspensão da Isenção que trata art. 15 da Lei 9.532/66 e da Isenção prevista na Lei nº 11.096/05 –Instituiu o Programa Universidade para Todos PROUNI. Motivo: Falta de observância dos requisitos legais dispostos no caput e nos incisos “a”, “b”, “c”, “d”, “e”, “f”, “g” e “h” do parágrafo 2º do artigo 12, e, no caput e no parágrafo único do artigo 13, ambos artigos da Lei 9.532/97; no artigo 14 da Lei 5172/66 – CTN; no caput e no parágrafo único do artigo 4° da IN SRF 456/04; e no parágrafo 3° do art. 195 da CF/88. (...) Da acusação da autoridade fiscal As DIPJ`s estão deficientes e sem coerência. Existem duas declarações válidas para cada ano fiscalizado, sendo uma normal e outra na condição de incorporadora, relativas ao mesmo período de apuração, o que já configura uma situação incorreta. Nenhuma delas com preenchimento das fichas 4, 5 e 6 (custos, despesas e demonstração do resultado), cada uma informa valores diferentes de faturamento, de massa salarial e quantidade de empregados, nenhum desses valores é compatível com os valores da contabilidade, nem com os da Folha de Pagamento. A Existência de Planejamento Tributário Abusivo Fragmentação Destacando que: Fl. 19096DF CARF MF 4 (...) As atividades desempenhadas pelo grupo econômico como um todo vertem seus resultados para os seus controladores, o Sr. José Fernando, sua esposa e seus dois filhos, diretamente nas pessoas físicas, ou indiretamente através de uma empresa de gestão patrimonial, utilizada para a prática conhecida como “ocultação e blindagem patrimonial”. (...) A fiscalização observou que a despeito de ser formalmente constituída com a natureza jurídica de associação civil, a fiscalização entende que a associação não condiz com o conceito art. 53 Código Civil, observando a insuficiência de membros para que se caracterize uma união de pessoas: Só há dois associados, marido e mulher, não reflete uma coletividade, os dois são ao mesmo tempo associados, dirigentes, conselheiros, fiscais, diretores e tudo mais. A Existência de Grupo Econômico Acusa a autoridade fiscal que o sujeito passivo faz parte de um grupo econômico, denominado UNIESP União dos Institutos de Ensino Superior de São Paulo, composto por cerca de 100 empresas, atuantes na área de prestação de serviços de ensino superior, médio e fundamental, além de gráficas e editoras e relata que: (...) Os controladores e a "holding" apresentaram, no período fiscalizado, acréscimo patrimonial injustificado, assim considerado pois tem por base dividendos de empresas (pertencentes ao grupo UNIESP) sem condições de gerar receitas ou lucros, como indicam suas respectivas declarações zeradas (DIPJ, GFIP, DIRF, RAIS, DACON e DCTF). Existência de Finalidade lucrativa A fiscalização acusa que há evidências que os acréscimos patrimoniais da "holding" e dos controladores do grupo UNIESP tiveram origem nas receitas auferidas e nos resultados obtidos pelas entidades do grupo que se declaram sem fins lucrativos, sendo a principal delas o sujeito passivo. E que os resultados positivos obtidos pelo sujeito passivo foram distribuídos disfarçadamente aos controladores do grupo UNIESP e a empresa de gestão patrimonial, provém de desvio de receitas do sujeito passivo para as empresas com fins lucrativos do grupo econômico, através do pagamento de despesas dessas mesmas empresas pelo sujeito passivo, e, através de pagamento de aluguéis superfaturados. Concluído que esta situação descrita implica na suspensão da imunidade / isenção do IRPJ e das contribuições sociais do sujeito passivo, sem prejuízo da verificação do cumprimento das obrigações tributárias nas demais empresas do grupo e de seus sócios. A Existência de Planejamento Tributário Abusivo: A fiscalização verificou que a partir de 2010 os controladores do sujeito passivo e do grupo econômico passaram a adotar um Fl. 19097DF CARF MF Processo nº 19515.720367/201647 Acórdão n.º 1401002.724 S1C4T1 Fl. 19.096 5 planejamento tributário abusivo, que consistia em manter dois CNPJ ativos para um mesmo estabelecimento empresarial, possibilitando assim direcionar contabilmente suas receitas e despesas entre esses dois CNPJ de modo a fraudar o resultado com o intuito de reduzir tributos. E que prática consistia em abrir uma filial do sujeito passivo (imune) no mesmo local em que funcionava uma empresa com fins lucrativos do grupo UNIESP, geralmente logo após a aquisição empresa adquirida por seus controladores, porém não efetivava a extinção do CNPJ original seria necessária para a incorporação ou pelo encerramento), mantendo assim, irregularmente, os dois CNPJ ativos. Também constatou que com os 2 (dois) CNPJ irregularmente ativos para cada estabelecimento, os controladores do grupo econômico dirigiram a mãodeobra de professores e funcionários, bem como a maior parte dos custos e despesas das entidades adquiridas com fins lucrativos para as entidades "ditas" sem fins lucrativos do grupo, principalmente para o próprio sujeito passivo, que possuía CEBAS válido, e que teoricamente gozaria da isenção da contribuição previdenciária. Ao mesmo tempo, mantinham parte das receitas nas empresas com fins lucrativos, tendo estas custos e despesas mínimos, com a intenção de simular distribuição de dividendos aos sócios. Concluindo que essa prática irregular e fraudulenta implicou em omissão de receita no sujeito passivo e em simulação de receita em outras empresas com fins lucrativos do grupo econômico, situação que caracterizaria, em tese, crimes de sonegação tributária e lavagem de dinheiro. (...) A Fiscalização também constatou que em 2012, a empresa com fins lucrativos, mesmo sem empregados declarados, apresenta em sua contabilidade (DRE) receita de R$ 12 milhões e lucro de R$ 4 milhões, apesar de apresentar DIPJ zerada. A receita é compatível com valores constantes no site do Governo Federal como pagamento do FIES e na movimentação bancária informada em DIMOF por instituições financeiras. Evidenciou ainda que o sujeito passivo procedeu no período entre 2007 e 2013, aquisição de 60 instituições de ensino superior, abriu uma filial do sujeito passivo para cada uma delas e transferiu os empregados para as filiais abertas, segundo os dados das respectivas RAIS, GFIP e DIRF. As respectivas DIPJ, em geral, estão zeradas. Relata que em meados do ano de 2012 o grupo econômico expandiase tão rapidamente, através da aquisição de novas faculdades, que as alterações estatutárias do sujeito passivo, que já eram freqüentes, passaram a não dar mais conta da abertura das filiais necessárias, e os empregados das empresas adquiridas passaram a ser declarados na própria matriz do sujeito passivo (RAIS, GFIP e Folha de Pagamento). O número de empregados da matriz era cerca de 350 no ano de 2011, sobe Fl. 19098DF CARF MF 6 para cerca de 500 nos sete primeiros meses de 2012, e salta para cerca de 1350 de agosto em diante. Informou que em 2013 o grupo econômico passou a ter problemas com o MEC, em maio daquele ano, parte dos empregados voltou a ser declarado (GFIP, RAIS e DIRF) nas entidades de origem, que continuavam ativas para efeito cadastral. Aliás, para o MEC, as entidades de origem, aquelas recém adquiridas pelo grupo UNIESP, eram as únicas cadastradas e autorizadas a funcionar nos seus respectivos endereços, situação que perdura até hoje. São essas entidades, e não o sujeito passivo, que emitem os diplomas para os alunos, que intermedeiam os contratos de FIES dos alunos com o Governo Federal e que são cadastradas no PROUNI. Com Relação ao PROGRAMA DO FIES Observa que Programa FIES tem se mostrado muito atraente para as faculdades devido à estabilidade dos contratos, e também pela garantia de seu recebimento. E que se trata de um programa de financiamento do ensino superior do governo federal introduzido pela lei 10.260 de 12/07/2001. Nesse programa, o governo federal, através da Caixa Econômica Federal ou Banco do Brasil, financia o ingresso de alunos carentes no ensino superior privado. Os alunos contraem um financiamento subsidiado (taxa de cerca de 3,4% ao ano) para o pagamento das mensalidades. Durante o curso, os alunos só precisam pagar R$ 50 por trimestre, e o empréstimo só precisa ser quitado cerca de cinco anos após o término do curso. Durante o curso, a instituição financeira paga as mensalidades diretamente a entidade educacional. A Existência de Irregularidades junto ao MEC Informou que em junho de 2013 o MEC emitiu Nota Técnica 338/2013 (ANEXO 6) por supostas irregularidades na concessão do Prouni e do FIES pelo grupo UNIESP. Nela o MEC colocou uma série de restrições à concessão de novos financiamentos do FIES para a instituição. Notícias de internet colocam que o grupo passou a operar o financiamento com empresas do grupo não atingidas pela medida, e ainda acelerou o processo de aquisição de novas instituições que não tivessem restrições a novos contratos de FIES. A fiscalização observou que talvez tenha sido as irregularidades apuradas na Nota Técnica mencionada, o evento motivador do retorno dos empregados ao CNPJ de origem, a partir da competência de mês de maio de 2013. A Existência de Termo de Ajuste de Conduta TAC Informou que em abril de 2014, diante de várias irregularidades apontadas na Nota Técnica do MEC e fundado no receio de ocorrência de lesão irreparável ou de difícil reparação ao direito da coletividade representada pelos estudantes e possíveis ingressantes, foi firmado TAC entre o Ministério Público Federal, o MEC, o FNDE e o grupo UNIESP, assim reconhecido por despacho do MEC, tendo como endereço do grupo o da filial 27 do sujeito passivo, mesmo estabelecimento onde se encontra outra empresa com fins lucrativos do grupo. Fl. 19099DF CARF MF Processo nº 19515.720367/201647 Acórdão n.º 1401002.724 S1C4T1 Fl. 19.097 7 A instituição foi objeto de Denúncia da Publicadas na Revista Exame Informou sobre a matéria da revista EXAME, de setembro de 2012, intitulada “Uniesp, a escola que é um caso de polícia” indica que a agressiva política de expansão do Instituto está baseada no aumento do número de alunos através de convênios com Igrejas, ONGs, entidades de classe, e lastreada no PROUNI e no programa de financiamento estudantil federal FIES. Reproduzimos abaixo a matéria completa destacando pontos principais: (...) Procede as Denúncias Publicadas Para comprovar as afirmações da reportagem a fiscalização solicitou informações das notas fiscais de serviços junto à prefeitura de São Paulo, que em atendimento enviou uma relação de notas fiscais de serviços prestados por igrejas para captação de alunos, conforme consta no ANEXO 1. Segue abaixo quadro das instituições que mais receberam recursos da Uniesp, ao longo dos anos de 2011 a 2013. Destacase que na lista abaixo só constam as entidades domiciliadas. (...) A fiscalização entende ser incompatível com os objetivos de uma entidade sem fins lucrativos os fatos abaixo identificados: a agressiva política de expansão. de se responsabilizar pelo pagamento de empréstimos dos alunos, sobretudo o FIES. de oferecer “tablets” para os alunos que obtiverem o financiamento FIES. de acumular dívidas de qualquer espécie: civis, trabalhistas, tributárias, etc. de pagar parte da mensalidade do aluno, que obteve FIES, para igrejas e ONGs, por agirem como intermediantes. de manter valores obtidos no FIES em fundos de investimento, para eventual quitação do próprio FIES. Da Existência da Distribuição Disfarçada de Lucro: Aluguéis e CCI A fiscalização observa que uma das formas de distribuição disfarçada de lucro utilizada pelo sujeito passivo foi através do pagamento de aluguéis. Em geral, os imóveis onde funcionam as filiais do sujeito passivo pertencem a já citada Sociedade de Adm. E Gestão Patrimonial (antiga UNIESP), a holding do grupo econômico. E que os aluguéis, geralmente, foram negociados em valores superiores ao de mercado, porém ficou evidenciado que para financiar a expansão operacional do grupo econômico, não se utilizou apenas do recebimento mensal do aluguel pago pelo sujeito passivo, mas principalmente, fez uso de um instrumento de alavancagem financeira chamado Fl. 19100DF CARF MF 8 CCI, que propiciou antecipação desses recebíveis. E demonstra o modus operandi da operação: (...) Em relação aos Sócios da Notificada A fiscalização verificou, conforme comprova a listagem ANEXO 28, que todas as empresas do GRUPO ECONÔMICO UNIESP, inclusive as isentas e as filantrópicas, tem como sócio/presidente e principal administrador o Sr. José Fernando Pinto da Costa, CPF 780.031.48804. Destacando que na declaração de rendimentos do Sr. José Fernando (Anexo 17),referente ao ano calendário 2012 há registro de recebimento de vultosos valores de dividendos e uma grande evolução patrimonial. E percebeu que nesse mesmo ano as empresas do grupo educacional UNIESP também tiveram um gigantesco acréscimo de faturamento devido ao FIES. Observou que a Sra. Claudia Aparecida Pereira, esposa do Sr. José Fernando, também sócia da empresa SOCIEDADE ADM. E GESTÃO PATRIMONIAL LTDA. apresentou em sua declaração de rendimentos do ano calendário de 2012, com vultosos dividendos recebidos de pequenas faculdades, e uma grande evolução patrimonial. Existem ainda mais duas pessoas físicas cujas declarações de rendimentos apontam ligações com o Grupo UNIESP. São os Sr Sthefano Bruno Pinto da Costa e Sra. Bárbara Izabela Costa, filhos do casal José Fernando e Claudia, conforme veremos abaixo. (...) Neste ponto, a fiscalização expõe as informações individualizadas, relativas aos sócios da entidade, a saber: JOSÉ FERNANDO PINTO DA COSTA, CLAUDIA APARECIDA PEREIRA , STHEFANO BRUNO PINTO DA COSTA, BÁRBARA IZABELA COSTA. Os Reais Beneficiários Para usufruir das isenções de IRPJ, CSLL, PIS/Cofins e contribuição previdenciária patronal as entidades não podem distribuir qualquer parcela de seu patrimônio, ou de suas rendas, direta ou indiretamente, para sócios ou dirigentes, sob qualquer forma ou pretexto. Fato este que não vem sendo observado no grupo UNIESP, conforme destacado abaixo: Existem indícios de que a obtenção de recursos para aquisição de imóveis e de novas faculdades, em nome da HOLDING ou dos sócios pessoas físicas (JOSÉ FERNANDO e CLAUDIA), vem de contratos do FIES. Estes contratos teriam sido captados através de entidades filantrópicas do próprio grupo. Aparentemente os contratos de locação entre a HOLDING (locadora) e as entidades filantrópicas do próprio grupo (locatárias), estão cotados a valores bem acima de mercado. Ocorre, assim, uma fuga de recursos das filantrópicas para a empresa holding (com fins lucrativos). Ato contínuo, tais valores são distribuídos aos sócios da holding como dividendos. Fl. 19101DF CARF MF Processo nº 19515.720367/201647 Acórdão n.º 1401002.724 S1C4T1 Fl. 19.098 9 Há coincidência e proximidade das datas, entre a confecção do contrato de locação, passando pelo lançamento das CCIs, e na obtenção de recursos para novas aquisições de faculdades e imóveis. Essas ações provavelmente são articuladas, e as entidades filantrópicas ligadas estariam atuando como parte de grupo econômico, na medida em que pagam aluguéis superfaturados e oferecem a própria receita como garantia para que a HOLDING receba os recursos dos CCI. A consequência disso é que as atuações das entidades filantrópicas ligadas aumentam os lucros da HOLDING, e, conseqüentemente, dos sócios pessoas físicas. A HOLDING não tem recursos suficientes, nas suas receitas declaradas, para adquirir os imóveis, faculdades, jatinho e fundos de investimento que adquiriu, e nem movimentar o volume de recursos que movimentou. Os recursos vêm de entidades filantrópicas ligadas ao GRUPO UNIESP. Aparentemente, a HOLDING atua como centralizadora dos recursos de todas as entidades do grupo, o que configura confusão patrimonial entre as entidades com e sem fins lucrativos. Destacase ainda que há grande transferência de trabalhadores entre as entidades do grupo, sejam elas com ou sem fins lucrativos, conforme detalhado no Anexo 26. Conforme ANEXOS 4, 5, a HOLDING constitui e administra dois fundos de investimentos, que, em princípio, seriam utilizados para quitar as obrigações dos alunos no futuro. Existem indícios de que estes recursos foram captados através de contratos do FIES das entidades filantrópicas. Consequentemente seriam recursos de entidades isentas, e que estão sendo administrados por entidade com fins lucrativos. Conforme analisado, os Srs. JOSE FERNANDO PINTO DA COSTA e CLAUDIA APARECIDA PEREIRA recebem vultosos dividendos e tem grande evolução patrimonial graças a DIVIDENDOS recebidos de pequenas faculdades, adquiridas com recursos provenientes de entidades filantrópicas por eles geridas. Destacase que, conforme mencionado abaixo, as entidades que pagaram dividendos em 2012 não declararam receitas e débitos em DCTF compatíveis com os dividendos distribuídos. A sra. CLAUDIA, o sr. STHEFANO e sra. BÁRBARA ao longo de 2009 a 2011 receberam valores a título de salário do INSTITUTO. Do exposto acima, verificamse evidências muito claras de que recursos provenientes de entidades isentas foram parar nas mãos de seus sócios gestores. Não aplicação dos recursos na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos sociais Conforme exposto acima, a legislação tributária indica que para manutenção de imunidade/isenção tributária é necessária, entre Fl. 19102DF CARF MF 10 outros requisitos, que a entidade aplique, integralmente, seus recursos na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos sociais. É que é nítido o controle de entidades isentas/imunes por entidade com fins lucrativos. Destacase ainda que a holding passou a ter, no ano calendário 2011, o valor de R$ 27 milhões em conta do Ativo denominada "CONTRATO IESP GRUPO ECONÔMICO", Destacando: a discrepância entre as informações de receita declarada em balanço e em DIPJ. que complementando a confusão patrimonial e financeira, a HOLDING constitui 2 fundos de investimentos denominados "UNIESP PAGA". Um administrado pela Caixa Econômica Federal em dezembro de 2012, e que em novembro de 2013 já tinha R$ 29 milhões conforme ANEXOS 4 e 23. O outro Fundo foi constituído em outubro de 2013, e é administrado pelo Banco do Brasil e contava em novembro de 2013 com R$ 20 milhões conforme ANEXOS 5 e 24. Os fundos concentram recursos captados pelas entidades isentas através do FIES. A empresa SOCIEDADE ADM. E GESTÃO PATRIMONIAL LTDA adquiriu ainda outros imóveis conforme relação Fls 20/21 da Notificação. Alguns dos imóveis estão gravados pelas supracitadas CCI ou por penhora, porém a maior parte encontrase desembaraçada e eventualmente poderiam ser usadas para garantir os débitos do grupo. O total dos imóveis não gravados é de R$ 21 milhões de Reais, destacandose que se tratam dos valores históricos das transações, sendo que os valores de mercado dos imóveis provavelmente são bem mais altos. Inconsistência na Distribuição de Lucros AnoCalendário de 2012 A fiscalização verificou uma inconsistência muito grande entre nos dados declarados na DIRPF 2013, anocalendário 2012 dos sócios Sr JOSE FERNANDO PINTO DA COSTA (ANEXO 17) e Sra. CLAUDIA APARECIDA PEREIRA (ANEXO 18), que afirmam em suas declarações terem recebido cerca de R$ 61 milhões de Reais a título de DIVIDENDOS de várias pequenas faculdades recentemente adquiridas, e as apurações dos LUCROS dessas mesmas faculdades. Nenhuma delas apurou lucro para distribuir conforme quadro abaixo. A maioria dessas faculdades estavam sem atividade, considerando que no domicilio/endereço correspondentes, funcionava no ano de 2012 um estabelecimento da IESP conforme ANEXO 28. Destacou que a grande maioria das empresas que distribuíram dividendos foi adquirida ao longo do ano calendário de 2012, por valores irrisórios e maioria deficitárias, ainda assim e distribuíram dividendos vultosos, que, por sua vez teriam justificado a evolução patrimonial do Sr. JOSÉ FERNANDO e da Sra. CLÁUDIA. (Quadro de fls. 22 e 23 do Parecer Conclusivo) Fl. 19103DF CARF MF Processo nº 19515.720367/201647 Acórdão n.º 1401002.724 S1C4T1 Fl. 19.099 11 Dados financeiros do grupo econômico Foi feito levantamento de dados financeiros do ano de 2012 relativos ao grupo econômico UNIESP, conforme quadro detalhado nas páginas 12.429 a 12.431. FIES valores recebidos do FIES, obtidos no portal "transparência" do governo federal Pagamento PF valores recebidos de pessoas físicas, obtidos das DIRPF das declarantes pessoas físicas, que declararam uma das empresas do grupo como beneficiária Dividendos dividendos declarados pelos sócios em suas respectivas DIRPF DIMOF valores recebidos em contas bancárias, obtidos das declarações DIMOF das respectivas instituições bancárias Filial respectiva filial do sujeito passivo com recursos para a prestação dos serviços de educação DRE valores contabilizados como receita em algumas das empresas lucrativas do grupo, obtidos pela apresentação dos sócios pessoas físicas nas respectivas fiscalizações concomitantes. Páginas 13.003 a 13.372. Indícios de Omissão de Receitas no Sujeito Passivo Como já discorrido neste relatório, somente o sujeito passivo, dentre as empresas do grupo UNIESP, possuía os recursos para a prestação dos serviços de educação. O sujeito passivo concentrava toda a mãodeobra do grupo financeiro. Na contabilidade do sujeito passivo estão registrados todos os custos envolvidos, além das despesas trabalhistas, as despesas gerais com energia elétrica, água, telefone, aluguel, etc. As demais empresas do grupo econômico UNIESP, em sua maioria empresas de natureza sociedade LTDA, apesar de não terem recursos para a prestação dos serviços educacionais (pois, GFIP, DIRF, RAIS, DIPJ e DACON zeradas), apresentaram grande movimentação financeira, segundo informações próprias e de terceiros. Segundo o site transparência do governo federal foram pagos através do FIES R$ 241 milhões de Reais às empresas do grupo. Ao sujeito passivo, apenas R$ 1,5 milhão. Isto ocorreu, pois geralmente as empresas com finalidade lucrativa e recém adquiridas é que estavam cadastradas no MEC e que poderiam intermediar os contratos de FIES entre alunos e o governo federal. Toda esta receita é na verdade do sujeito passivo, pois ele é que prestou o serviço, disto decorre uma grande omissão de receita no sujeito passivo. Os recursos do FIES recebidos pelas empresas do grupo por si só já ultrapassam a receita contabilizada pelo sujeito passivo em 2012, R$ 110 milhões. Fl. 19104DF CARF MF 12 Segundo dados totalizadores oriundos das DIRPF de alunos e responsáveis, foram pagos às demais empresas do grupo UNIESP R$ 32 milhões. Nenhum valor foi declarado tendo como beneficiário o próprio sujeito passivo. Segundo os dados das DIMOF das instituições financeiras nas quais as empresas do grupo têm conta bancária, foram recebidos créditos bancários de R$ 964 milhões, sendo R$ 272 milhões nas contas bancárias do sujeito passivo. Por fim, nos demonstrativos contábeis de algumas empresas do grupo econômico (somente aquelas que distribuíram dividendos segundo as DIRPF dos sócios), apresentados pelos próprios dirigentes do sujeito passivo para justificar suas rendas pessoais, são reconhecidos R$ 285 milhões de Reais como receita. Da Desconsideração da Escrita Contábil A conclusão da fiscalização é que a contabilidade do sujeito passivo não se presta para apuração do resultado contábil e fiscal, pois não abrange todas as receitas de prestação de serviços educacionais e também não foram comprovadas parte das despesas, conforme detalhado adiante. Após toda argumentação, a fiscalização conclui pela suspensão da Imunidade e Isenção fiscal da contribuinte: “Pelo exposto, segundo as características do sujeito passivo de natureza jurídica de sociedade empresarial com fins lucrativos, participante de grupo econômico de fato e de direito que adotou prática de planejamento tributário abusivo pela fragmentação da empresa, com fins de reduzir tributos, e, pelo abuso da personalidade jurídica diante da confusão patrimonial, similitude de atividades e administração comum das entidades componentes do grupo econômico de UNIESP, entende esta fiscalização que deve ser suspensa a imunidade tributária de que trata a alínea “c” do inciso VI do artigo 150 da Constituição Federal de 1988, a isenção tributária de que trata o artigo 15 da Lei 9532/1997, e a isenção tributária de que trata a Lei 11.096/05, que instituiu o Programa Universidade para Todos – PROUNI, no período de 01/01/2011 a 31/12/2012.” (...) A contribuinte apresentou manifestação (impugnação de fls. 13.838 a 13.975) contrária à notificação de Suspensão de Imunidade/Isenção, que foram analisadas e rebatidas pela autoridade tributária no Parecer Conclusivo. Dessa análise o parecerista concluiu pela suspensão da Imunidade e da Isenção Tributária, conforme segue: (...) E, face ao exposto, no presente parecer, propomos a Suspensão da Imunidade / Isenção, no Período de 01/01/2011 A 31/12/2012, pela inobservância das condições fixadas em lei para o gozo da isenção ou imunidade, condições estas previstas nos arts. 9º, § 1º e art. 14 do CTN e no art. 12 e § 2°, salvo a Fl. 19105DF CARF MF Processo nº 19515.720367/201647 Acórdão n.º 1401002.724 S1C4T1 Fl. 19.100 13 alínea "f" e o § 3° da lei nº. 9.532/97. E Suspensão da Isenção que trata art. 15 da Lei 9.532/66 e da Isenção prevista na Lei nº 11.096/05 – Instituiu o Programa Universidade para Todos – PROUNI. (...) Inconformada com a suspensão de sua Imunidade e Isenção tributárias, declaradas através do Ato Declaratório n.º 162 de 13 de outubro de 2016, a contribuinte apresentou a impugnação contra o Ato Declaratório, em 08/11/2016 (fls. 15.493 a 15.618), cujas alegações mais relevantes descrevo a seguir: O impugnante, inicialmente, faz uma descrição de suas atividades, demonstrando a missão que alega possuir e continua: (...) Notese que o Impugnante exerce atividade complementar a que o próprio Estado tem o dever de desempenhar, uma vez que se dedica e proporciona, aos estudantes que não possuem condições de arcar com os custos do ensino superior, ensino de qualidade, permitindo que cidadãos brasileiros que jamais teriam a oportunidade de sentarse nos bancos universitários graduaremse exercendo as mais diversas profissões. Alavancam, por consequência, as atividades econômicas do país, bem como reduzem as maléficas estatísticas da existência de pessoas e profissionais que não possuem ensino universitário. (...) Nesse contexto, o Impugnante faz jus à imunidade tributária de que trata a alínea "c" do inciso VI, do art. 150, da Constituição Federal, bem como à isenção tributária estabelecida pelo art. 15, da Lei 9.532/97 e pelo art. 8º da Lei n° 11.096/06. (...) II. DO DIREITO II. 1 DA NULIDADE DA PRESENTE NOTIFICAÇÃO II.1.1 DA SUSPENSÃO DO ART. 32 DA LEI 9.430/1996, EM CONFORMIDADE COM O ARTIGO 14 DA LEI N° 9.532/1997 A impugnante alega que o artigo 32 da Lei 9.430 de 1996, que prevê o rito de suspensão de imunidade e isenção tributária, perdeu sua eficácia após o julgamento da ADIN nº 1.802 pelo Supremo Tribunal Federal STF, conforme a seguir: (...) Em suas alegações, o Impugnante sustentou a impossibilidade de utilização do procedimento estabelecido pelo art. 32 da Lei nº 9.430/96, porquanto suspensa, em sede da ADIN nº 1.802, a vigência do art. 14 da Lei 9.532/97. Em sentido contrário, no Parecer Conclusivo, o fisco se pauta em acórdão proferido pelo CARF em 13/11/2013 para fundamentar posicionamento de que o procedimento previsto no Fl. 19106DF CARF MF 14 art. 32, da Lei 9.430/96 poderia ser utilizado, ainda que suspensa, pelo STF, a aplicação do art. 14, da Lei 9.532/97. Nesse contexto, o fisco entende inaplicável ao caso apenas o art. 12, § 2º, alínea "f', da Lei n° 9.532/971, porém, legítima a aplicação do art. 32, da Lei 9.430/96. Ocorre que, ressalvada a inaplicabilidade do art. 12, §2°. "f", da Lei nº 9.532/97, o posicionamento do fisco não se sustenta, até mesmo pelo entendimento do próprio CARF, que em acórdão recente entendeu inaplicável o art. 32, da Lei 9.430/96 (acórdão 1201001.444, Junho de 2016). (...) Ao fim, após efetuar suas considerações, apresentando, no seu entendimento, argumentos suficientes, baseados inclusive em jurisprudências recentes, requer a nulidade do Parecer Normativo, conforme segue: (...) Resta inequívoco, portanto, que à medida que a fiscalização lançou mão de rito embasado em dispositivo cuja eficácia está suspensa pelo E. STF, o procedimento em questão está eivado de nulidade, não podendo prosperar, não merecendo ser acolhido o entendimento constante do Parecer Conclusivo, exceto na parte que reconhece a suspensão da alínea "f', do art. 12, da Lei 9.532/97. II.1.2 DO ÔNUS DO FISCO EM PROVAR AS SUAS ACUSAÇÕES Neste ponto a impugnante tenta demonstrar que os argumentos do fisco não podem prosperar, pois: (...) i) no presente caso, longe de apresentar provas que demonstrem a veracidade de suas alegações, dever que lhe competia, o fisco expressamente fundamentou suas acusações apenas em suposições, ilações, exploração midiática, impressões, especulações, laborando no campo abstrato e genérico; ii) o acórdão do CARF apontado pelo fisco em seu Parecer Conclusivo (acórdão n° 9202007.252) não é aplicável ao presente caso, mas sim o entendimento consubstanciado pelo CARF no sentido de que incumbe à fiscalização identificar perfeitamente o sujeito passivo da obrigação tributária, com base em provas robustas lastreadas por documentos hábeis e idôneos, não podendo se apoiar em presunções e/ou meros indícios, (acórdão n° 2401004.499, publicado em 11/10/2015). (...) No caso em tela, o fisco se apóia em meras suposições e presunções, não havendo provas firmes e seguras, em total desalinhamento com o entendimento consolidado pelo CARF em recentíssima decisão, publicada em 11/10/2016: (...) Além de se tratar de período e instituição alheios aos limites da presente notificação, tratase de afirmação frágil, à medida que Fl. 19107DF CARF MF Processo nº 19515.720367/201647 Acórdão n.º 1401002.724 S1C4T1 Fl. 19.101 15 no referido processo foi prolatada sentença favorável à Uniesp, além do fato de que o acórdão em questão, longe de ter transitado em julgado, foi atacado por meio de recurso extraordinário, o qual foi afetado à sistemática da repercussão geral (vide doe. 03 da Manifestação do Impugnante). (...) II.1.2.1 DA VEICULAÇÃO DE ACUSAÇÕES QUE NÃO SE ENQUADRAM NO PERÍODO FISCALIZADO E QUE NÃO DIZEM RESPEITO AO IESP DA AUSÊNCIA DA JUNTADA DE PROVAS QUE SUSTENTEM AS ACUSAÇÕES FISCAIS O contribuinte pede a nulidade do Ato Declaratório que deu origem às suspensões de imunidade e isenção tributárias, por entender que o fisco utilizou de acusações que não se enquadram no período fiscalizado e que não se referem exclusivamente ao IESP, cujas partes mais relevantes transcrevo a seguir: (...) Cabe destacar que o uso de alegações atinentes a datas que desbordam do período fiscalizado é distorção inaceitável, pois não é lícito que fatos supostamente ocorridos após as datas das alegadas infrações retroajam e sirvam com o fundamento para se apenar o Impugnante. Implica, tal fato, lesão aos princípios da legalidade, irretroatividade, segurança jurídica, dentre outros, fulminando de nulidade a Notificação, o Parecer Conclusivo e o Ato Declaratório Executivo. (...) Observase que a ausência de provas que sustentem as acusações, a pluralidade de sujeitos que não fazem parte do presente processo fiscalizatório e o desbordamento do limite temporal fixado na Notificação em questão são causa de nulidade, as quais invalidaram a prolação de Parecer Conclusivo e de Ato declaratório Executivo. Assim, é mister sejam anulados todos os atos administrativos exarados na fiscalização, mantendose a imunidade/isenção envolvendo o Impugnante. (...) III DA DECADÊNCIA DO DIREITO DE FISCALIZAR No item III de sua argumentação, a impugnante levanta uma preliminar de decadência, conforme transcrito a seguir: O Parecer Conclusivo refuta o argumento, veiculado pelo Impugnante, no sentido de ter se verificado a decadência no presente caso. Porém, a posição do fisco não se sustenta, sobretudo pelo fato de que, conforme será demonstrado mais adiante, os termos de fiscalização lavrados não suspendem e nem interrompem a decadência. Fl. 19108DF CARF MF 16 O período fiscalizado no presente caso é de 01/2011 a 12/2012 e a data da ocorrência das supostas infrações é 01/01/2011. A despeito disso, a Notificação Fiscal de suspensão de imunidade/Perda de Isenção foi lavrada apenas em 01/07/2016, passados mais de cinco anos contados da data das supostas infrações. Ocorre que, em conformidade com os arts. 150, §4º, e 195 do CTN3, o fisco não poderia ter usado como base para esta notificação os documentos referentes a período anterior ao término do prazo decadencial para cobrança de eventuais tributos sujeitos a lançamento por homologação, prazo este que é de cinco anos contados do fato gerador. (...) Ora, eventuais intimações para apresentação de documentos não tem o condão de suspender, tampouco interromper, o prazo decadencial, conforme decisões abaixo, proferidas pelo STJ e TJSP: (...) Assim, não há dúvidas de que, passados 5 (cinco) anos a contar da ocorrência dos supostos fato geradores, decaído estava o direito do Fisco de fiscalizar o Impugnante no que se refere ao período anterior a 01/07/2011 e, dessa forma, não há como alcançar os fatos jurídicos tributários atinentes ao 01/01/2011, data da ocorrência da suposta infração, não podendo prosperar a Notificação lavrada contra o Impugnante, bem como os atos administrativos subsequentes. IV IMUNIDADES TRIBUTÁRIAS CONFORMAÇÃO DA COMPETÊNCIA CONSTITUCIONAL No presente item e nos itens IV.1, IV.2, IV.3, IV.4 e IV.5 a reclamante tece considerações sobre o conceito de imunidade tributária, seu alcance, importância, abrangência e pressupostos, para no item IV.6 tentar demonstrar a ausência de característica de sociedade empresarial. IV. 6. DA AUSÊNCIA DE CARACTERÍSTICAS DE SOCIEDADE EMPRESARIAL POR PARTE DO IMPUGNANTE Conforme explanado em linhas anteriores, para que a instituição de ensino possa gozar da imunidade, é vedada a apropriação particular do superávit apurado, mas não o fato desta apurar superávit decorrente de suas atividades. Tal diferença é de fundamental relevo no contexto da Notificação, porquanto a fiscalização, por vezes, utiliza a grandeza e expansão significativa das atividades do Impugnante, bem como a excelência e eficiência de sua gestão, no intuito de descaracterizar o caráter filantrópico da instituição e atribuir lhe conotação de empresa que visa ao enriquecimento de seus gestores por meio da obtenção do lucro. (...) Fl. 19109DF CARF MF Processo nº 19515.720367/201647 Acórdão n.º 1401002.724 S1C4T1 Fl. 19.102 17 A imagem distorcida atribuída pelo fisco é facilmente desbaratada ao se analisar os objetivos do Impugnante e o importante papel que desempenha em favor da nação. Vejase. A impugnante faz uma longa explanação sobre as características necessárias para a determinação de situações onde ficaria clara a criação de grupos econômicos, dando conceituações legais, doutrinárias e jurisprudenciais sobre o assunto. Afirma, com certa razão, "que a existência de um grupo econômico não prejudica a identidade das empresas associadas". (...) Por fim, salientese a eventual formação de Grupo Econômico e pelo único motivo de ostentar tal condição, não é condição suficiente para a responsabilização por solidariedade tributária e confusão patrimonial que acarrete afastamento de imunidade ou no dever de empresas de um mesmo grupo responder por débitos tributários uma das outras, devido à inexistência de fundamento legal para tanto. É necessário, outrossim, a presença e respectiva comprovação dos requisitos acima mencionados. IV.7 O IMPUGNANTE É ENTIDADE, EDUCACIONAL, CULTURAL, ASSISTENCIAL E BENEFICENTE O item IV.7 dedicase a dar ênfase que a impugnante se trata de uma entidade educacional, cultural, assistencial e beneficente. Pretende a fiscalização, conforme visto, desqualificar a atividade prestada pelo Impugnante, a fim de enquadrálo como empresa com fins lucrativos, ao invés de instituição filantrópica sem fins lucrativos. Daí a importância de se destacar alguns dos inúmeros projetos e benefícios viabilizados pelo Impugnante em prol da sociedade. Em parceria com o Governo do Estado de São Paulo e por meio da Secretaria da Educação, desde 2003, as Faculdades mantidas pelo IESP vêm contribuindo para a inserção de jovens no ensino superior, dentro do Programa Escola da Família. Por força desse programa, todos os finais de semana, as escolas da Rede Estadual de Ensino abrem suas portas às comunidades e com o trabalho voluntário dos estudantes oferecem atividades voltadas às áreas esportivas, culturais, educacionais, de saúde e de qualificação para o trabalho, transformandoas em centro de convivência. Em contrapartida o aluno participante estuda com bolsa de 100%, sendo 50% custeada pela Faculdade e 50% pelo Governo do Estado. O programa é reconhecido pela UNESCO e Instituto Airton Senna e pela OEA (Organização dos Estados Americanos) como um dos maiores projetos de inclusão social do mundo. Com o Governo Federal, as Faculdades mantidas pelo IESP participaram do delineamento do PROUNI, implantandoo. O Programa Universidade para Todos, denominado PROUNI, é Fl. 19110DF CARF MF 18 destinado à concessão de bolsas de estudos integrais e parciais de 50% e 25% para cursos de graduação e tecnólogo, em instituições privadas de ensino superior, com ou sem fins lucrativos e oferece ainda a implementação de políticas afirmativas de acesso ao ensino superior aos auto declarados indígenas ou negros e aos portadores de deficiência. O IESP, diante do lançamento do ProUni pelo Ministro da Educação e ciente da carência social existente no país, apoiou a ação do MEC e suas Faculdades foram as primeiras instituições a aderirem ao Programa, quando ele foi lançado pelo Ministro da Educação, disponibilizando 10% de suas vagas iniciais para ingresso de alunos ao ensino superior. As tabelas anexas demonstram os alunos beneficiados por tal programa (doc. 04). (...) Apresenta quadros, demonstrativos e tabelas onde tenta comprovar o cumprimento do mister filantrópico a que a entidade se dedica. Ao fim, entende preencher os requisitos para o gozo da imunidade tributária. (...) É evidente, portanto, que o Impugnante se enquadra nos requisitos para gozo da imunidade/isenção, sendo descabidas as acusações perpetradas pela fiscalização. V DA INEXISTÊNCIA DE GRUPO ECONÔMICO E DA AUSÊNCIA DE CONFUSÃO PATRIMONIAL Assevera a fiscalização, no parecer conclusivo acolhendo as alegações ventiladas na Notificação de Suspensão da Imunidade/Isenção que haveria no presente caso grupo econômico e confusão patrimonial. Ocorre que, nenhum dos argumentos do fisco merecem prosperar. Vejase. V.1 DA INEXISTÊNCIA DE GRUPO ECONÔMICO. AUSÊNCIA DE PRESSUPOSTOS. Segundo a contribuinte: De acordo com os preceitos normativos do ordenamento jurídico pátrio, existem situações em que, almejando um fim comum, determinadas empresas reestruturamse formando grupos empresariais. (...) Com relação ao grupo econômico de direito, a Lei das Sociedades por Ações disciplina, em seus arts. 265 e 278, a possibilidade da sociedade controladora e controlada constituir grupos de sociedades, mediante convenção, pela qual se obriguem a combinar recursos ou esforços para a realização dos respectivos objetos, ou a participar de atividades ou empreendimentos comuns. Nesses termos, para que reste caracterizado o grupo de sociedades é necessário, portanto, que a sociedade controladora, ou de comando do grupo, seja brasileira, e exerça, direta ou indiretamente, e de modo permanente, o controle das sociedades filiadas, como titular de Fl. 19111DF CARF MF Processo nº 19515.720367/201647 Acórdão n.º 1401002.724 S1C4T1 Fl. 19.103 19 direitos de sócio ou acionista, ou mediante acordo com outros sócios ou acionistas. Prevê, ainda, a possibilidade de sociedades empresárias, vinculadas entre si pelo nexo do mesmo controle ou não, constituir consórcio para executar determinado empreendimento, não tendo personalidade jurídica e sendo que as consorciadas somente se obrigam nas condições previstas no contrato, respondendo cada uma por suas obrigações e sem qualquer presunção de solidariedade. É de se destacar que a existência de grupo econômico não prejudica a identidade das empresas associadas, isso porque ainda que componham uma unidade empresarial, permanecem como pessoas jurídicas distintas e autônomas, restando individualizado todo seu patrimônio (art. 266). Consoante disposição expressa inserta no art. 278 da Lei das Sociedades por Ações (Lei 6.404/76), entre as empresas do grupo não haverá presunção de solidariedade, cabendo a cada uma delas arcar com as respectivas obrigações e pagamento das dívidas porventura contraídas, excetuando as disposições expressas em sentido contrário. (...) Na mesma esteira, a solidariedade tributária não se presume, derivando sempre da lei. E a não presunção da solidariedade se verifica tanto na questão de responsabilidade pelo pagamento de tributo, quanto para desqualificação de imunidade de instituição sob o argumento de existência de grupo econômico. Desse entendimento podese concluir que a Fazenda Pública não está autorizada a exigir o pagamento de dívida de empresas associadas que não contribuíram para a realização do fato jurídico tributável, bem como lhe é defeso suspender a imunidade de instituição que não tenha ligação com os fatos geradores praticados por empresas com fins lucrativos. (...) Nesse contexto, para que reste caracterizada a solidariedade tributária entre as empresas de mesmo grupo econômico fazse necessário: 1. Restar comprovada a configuração de grupo econômico, de fato ou de direito, observados os requisitos insertos nos arts. 243 a 278 da Lei 6.404/76; 2. Presença do interesse jurídico comum; 3. Comprovação de abuso da personalidade jurídica, através da prática de atos dissimulados ou fraudulentos. Por fim, salientese a eventual formação de Grupo Econômico e pelo único motivo de ostentar tal condição, não é condição suficiente para a responsabilização por solidariedade tributária e confusão patrimonial que acarrete afastamento de imunidade ou no dever de empresas de um Fl. 19112DF CARF MF 20 mesmo grupo responder por débitos tributários uma das outras, devido à inexistência de fundamento legal para tanto. É necessário, outrossim, a presença e respectiva comprovação dos requisitos acima mencionados. V.2 DA IMPOSSIBILIDADE DE SE RESPONSABILIZAR TRIBUTARIAMENTE O IMPUGNANTE No item V.2 da impugnação, a notificada alega a impossibilidade de ser responsabilizada tributariamente. Afirma a inexistência de grupo econômico e que, mesmo que hipoteticamente existisse tal grupo, inexiste responsabilidade tributária com base no art. 124 do CTN. (...) Com efeito, não há se falar em grupo econômico entre a Uniesp e o Impugnante, uma vez que ausentes todos os requisitos e pressupostos legais para a caracterização deste. Não se trata de empresas coligadas, nem controladas, tampouco há que se falar em consórcio, bem como, em controle permanente das sociedades filiadas, como titular de direitos de sócio ou acionista, na realização de objetivos para a consecução de empreendimentos comuns. (...) Ora, o fato de existir administradores em comum nas instituições não é motivo para se concluir pela formação de um grupo econômico. É plenamente possível que os mesmos administradores figurem nos quadros societários de instituições distintas, sem que haja grupo econômico entre elas. Equivocada, portanto, a alegação veiculada no Parecer Conclusivo de responsabilidade solidária com base no art. 124, I, do CTN. (...) Com relação ao abuso de personalidade, há que se destacar há apenas alegações perpetradas pelo fisco sem qualquer respaldo fático probatório. O que se comprova, em verdade, das provas apresentadas pelo Impugnante, é a inexistência de qualquer ação fraudulenta e caracterização de boafé extreme de dúvidas e do esforço desmedido para viabilizar a inclusão social de uma gama expressiva de alunos desamparados. (...) Pelo todo quanto sustentado, não há como se afastar a imunidade/isenção a que o Impugnante faz jus pois: (i) não restou configurada a existência de Grupo Econômico, face à ausência de pressupostos legais e, ainda, porque (i) ainda que se admitisse a existência de grupo de empresa, esta condição, per si, não é capaz de ensejar na responsabilidade solidária prevista no art. 124 do CTN, conforme dispõe doutrina e jurisprudência balizada e demonstram as provas trazidas aos autos pelo Impugnante. V.3 DA INEXISTÊNCIA DE PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO ABUSIVO — AUSÊNCIA DE INCORPORAÇÕES IRREGULARES Fl. 19113DF CARF MF Processo nº 19515.720367/201647 Acórdão n.º 1401002.724 S1C4T1 Fl. 19.104 21 A impugnante afirma inexistir intenção de realizar o planejamento tributário abusivo, além de tentar esclarecer, no próximo item, as questões referentes às incorporações, entendidas como irregulares pela fiscalização. Conforme visto, não há se falar em grupo econômico envolvendo o Impugnante, fato que também faz cair por terra a acusação de existência de planejamento tributário abusivo e de fragmentação, constante tanto da Notificação Fiscal, quando do Parecer Conclusivo. De fato, as incorporações realizadas, muitas vezes de instituições deficitárias, assim como a alegada divisão em várias entidades, ocorreram dentro de um contexto de expansão das atividades filantrópicas. Leiase, disponibilizar ensino de qualidade a número cada vez maior de alunos carentes em locais distintos do território nacional. É oportuno esclarecer que a expansão da Uniesp, Instituição que não se confunde com o Impugnante, ocorreu mediante um alto custo tributário. De fato, basta uma análise superficial no anexo "demonstrativo de débitos federais RFB/PGFN" para se verificar que as empresas adquiridas possuíam significativos débitos tributários, os quais estão sendo efetivamente adimplidos mediante parcelamento pela Uniesp (docs. 06A e 06B da Manifestação). Verificase a aquisição de 92 instituições com relação as quais a soma dos débitos tributários perfariam, em 30/06/2016, o valor de R$ 196.079.171,90. No entanto, mediante parcelamento, já houve a quitação pela Uniesp do valor de R$ 65.363.536,83, remanescendo o valor de R$ 130.715.635,07, que vem sendo regularmente quitado. Portanto, considerandose o vultoso montante de tributos pagos pela Uniesp, são desprovidos de sentido os argumentos consignados no Parecer Conclusivo no sentido de que a prática acima descrita, pelo próprio impugnante de transferências de despesas oriundas das Instituições Lucrativas para as Filiais do IESP (Imune/isenta CEBAS válidos) proporcionou além redução de tributos, a apuração de Lucros pelas empresas "deficitárias" inclusive para aquelas que foram adquiridas dentro do próprio ano 2012. Os Lucros foram distribuídos aos seus sócios, os quais se tornaram milionários nos anos 2012. Ressaltamos, por importante, que a própria Notificada reconhece que as Instituições adquiridas eram deficitárias (lis 74/75 da impugnação e 13911/12 do proc) (...) É dizer, a situação que se verifica é muito diferente da narrada pelo fisco. Não há qualquer fragmentação, ou Fl. 19114DF CARF MF 22 planejamento tributário abusivo. Há a aquisição de instituições pequenas e endividadas, e um esforço colossal por parte da Uniesp para regularizar a situação de tais instituições, mediante o pagamento de pesados tributos. (...) Nesse ponto, é de rigor ressaltar distinção importante. A expansão ocorreu por meio da UNIESP sendo este o fato relatado pelo Impugnante em suas alegações. No entanto, no Parecer Conclusivo o fisco ignorou cabalmente tal fato, afirmando, de forma inverídica, que o IESP, ora Impugnante, teria reconhecido que adquiriu instituições, ou que a ele foram repassados despesas oriundas de Instituições lucrativas. Tratase, no mínimo, de erro gritante na interpretação dos fatos descritos pelo Impugnante no aludido parecer. (...) No caso em tela, conforme exaustivamente demonstrado, não se trata de grupo econômico nem a racionalização visa reduzir a carga tributária. Mas a decisão acima, publicada em 17/03/2016, não deixa de ser relevante a fim de demonstrar a fragilidade e insubsistência das alegações fiscais. V.3.1 DA AUSÊNCIA DE INCORPORAÇÕES IRREGULARES Alega a reclamante que as incorporações efetuadas não possuem irregularidades. Afirma que estas ocorreram num contexto de expansão de suas atividades filantrópicas e ressalta o alto custo tributário ocorrido com as aquisições, uma vez que os débitos tributários das adquiridas estão sendo quitados. Além disso ressalta: Na Notificação Fiscal, afirmou a fiscalização que os controladores do Impugnante e o que o fisco chama de "grupo econômico" utilizariam o artifício de abrir filiais logo após uma empresa ser adquirida, sem a extinção do CNPJ original. Alegou, outrossim, que haveria um fluxo de mão de obra entre estes CNPJs, assim como de custos e despesas, tudo com o fito de fraudar o fisco. No Parecer Conclusivo, o fisco foi além, e, subvertendo os fatos alegados pelo Impugnante em sua manifestação, chegou ao ponto de afirmar que teria ele admitido sua participação na aquisição de instituições e repasses de despesas, o que não procede. Ocorre que, as alegações fiscais não condizem com a realidade e se baseiam no desconhecimento e na interpretação equivocada dos fatos. O fisco apresenta, às fls. 13713 e 13812 dos autos do processo eletrônico, consulta dos estabelecimentos pelo sistema de arrecadação do Dataprev. Detalhe importante, e Fl. 19115DF CARF MF Processo nº 19515.720367/201647 Acórdão n.º 1401002.724 S1C4T1 Fl. 19.105 23 não é demais ressaltar, é que grande parte das consultas foram realizadas em 2013, algumas em 2010, portanto fora do período fiscalizado. (...) Esse complexo e trabalhoso procedimento, que implica a abertura de CNPJ e transferência de funcionários, foi realizado nesse contexto de aquisições de novas unidades. No entanto, por força de supostas irregularidades junto ao MEC, já esclarecidas, e do termo de ajuste de conduta, que vem sendo exemplarmente cumprido, houve um período em que as instituições adquirentes se viram impossibilitadas de concluir a transição acima explicitada, o que as obrigou a retroceder nas medidas que haviam sido adotadas, regressando ao status quo. Nesse período em que não foi possível concluir a já iniciada transição, houve o aludido fluxo de funcionários e a existência de CNPJs em duplicidade. Nem havia como ser diferente, pois os funcionários que estavam sendo regularizados em uma nova situação tiveram que regressar para as bases pretéritas. Mas isso foi fruto de uma impossibilidade momentânea da regularização por força de restrição imposta, jamais ato realizado com intuito de fraude ou de artifício utilizado para omissão de receita, ou simulação, como alega o fisco. O exemplo citado pelo fisco (caso da Escola Superior de Educação Barão de Piratininga) enquadrase na situação acima narrada. Logo, a existência de 02 CNPJs ativos para um mesmo endereço foi uma situação atípica e momentânea, não se tratando de irregularidade! Nesse contexto, não há nada de equivocado nos procedimentos adotados, pautandose, as acusações fiscais, no desconhecimento da realidade fática. No entanto, no Parecer Conclusivo, as assertivas do Impugnante foram distorcidas e descontextualizadas, para fazer parecer que ele estaria reconhecendo irregularidades. O fisco cita excertos das alegações acima ventiladas, e assevera que teria sido confirmada a ocorrência do fluxo de despesas e funcionários entre as entidades que funcionavam no mesmo endereço e a existência de CNPJ em duplicidade. Ora, as instituições foram adquiridas de outras mantenedoras, sendo a transferência de mantenças medida que se impões. Conforme já asseverado em linhas anteriores, a questão relativa a duplicidade de CNPJ e Fl. 19116DF CARF MF 24 fluxo de funcionários ocorreu justamente pela impossibilidade momentânea de se concluir a transição da mantença, por conta de termo de ajuste fiscal. O Parecer Conclusivo, entretanto, omite tais informações, e vincula, forçadamente, a transferência em questão a suposto intuito de fraude. Diferentemente do que induz o referido Parecer, não houve qualquer irregularidade cometida pelo Impugnado, tendo o expediente narrado levado a efeito justamente para que fossem observados os termos do TAC. Não há se falar, nesse contexto, em pratica fraudulenta, levada a efeito com intuito de redução de tributos e distribuição de lucros. Ademais, conforme já verificado no tópico anterior, a expansão se deu com alto custo tributário. A distribuição de lucros, por sua vez, foi absolutamente legítima, verificada apenas em instituições que tinham finalidade lucrativa e capacidade de gerar lucro. VII. 1 DA AUSÊNCIA DE IRREGULARIDADES ENVOLVENDO A DISTRIBUIÇÃO DE VALORES AO SR. JOSÉ FERNANDO E À SRA. CLÁUDIA BEM COMO AO STHEFANO E À BÁRBARA A impugnante afirma que os dividendos recebidos foram originários de empresas com fins lucrativos: Afirmou o fiscal, na Notificação, que: os Srs. JOSE FERNANDO PINTO DA COSTA e CLAUDIA APARECIDA PEREIRA recebem vultosos dividendos e tem grande evolução patrimonial graças a DIVIDENDOS recebidos de pequenas faculdades, adquiridas com recursos provenientes de entidades filantrópicas por eles geridas. Destacase que, conforme mencionado abaixo, as entidades que pagaram dividendos em 2012 não declararam receitas e débitos em DCTF compatíveis com os dividendos distribuídos. Mais adiante, asseverou que existe uma inconsistência muito grande entre os dados declarados na DIRPF 2013 dos srs JOSE FERNANDO PINTO DA COSTA (ANEXO 17) e CLAUDIA APARECIDA PEREIRA (ANEXO 18), que afirmam em suas declarações terem recebido cerca de R$ 61 milhões a título de DIVIDENDOS de várias pequenas faculdades recentemente adquiridas, e as apurações dos LUCROS dessas mesmas faculdades. Nenhuma delas apurou lucro para distribuir conforme quadro abaixo.(...) O Parecer Conclusivo acolheu a argumentação aduzida na Notificação, asseverando que essa empresa, juntamente com todos os sócios do grupo (acima identificados, no período de 2012, tiveram expressivos acréscimos patrimoniais, considerados injustificáveis pela fiscalização. Fl. 19117DF CARF MF Processo nº 19515.720367/201647 Acórdão n.º 1401002.724 S1C4T1 Fl. 19.106 25 Ocorre que, o Parecer Conclusivo não se debruçou sobre as alegações do Impugnante veiculadas em sua manifestação, sendo certo que, diferentemente do que faz parecer a fiscalização, todo o valor recebido pelo Sr. José Fernando e a Sra. Cláudia tem o devido amparo na documentação contábil das empresas e nas declarações de IRPF, demonstrando se tratar de recebimento proveniente exclusivamente de instituições com fins lucrativos. Há plena compatibilidade no incremento patrimonial do casal, que está embasado em dados contábeis consistentes. Há apenas um equívoco no que tange ao preenchimento da DCTF das aludidas instituições, que jamais poderia macular a distribuição dos lucros, sob pena de lesão ao princípio da verdade material. Com efeito, analisandose os valores, contemplados pelo fiscal para o ano base de 2012, em decorrência da distribuição de lucros para os Srs. Fernando e Claudia, e cotejandoos com as demonstrações financeiras das entidades, é possível verificar a existência de lucro auferido passível de distribuição, contrariando a alegação do fisco de que se trataria de entidades sem condições de gerar receitas ou lucros (doc. 12 da Manifestação): (...) Logo, totalmente inverídica a alegação de que as faculdades não teriam auferido lucro para distribuição, ou que não haveria atividade nelas sendo plenamente justificável a evolução patrimonial do casal. O fisco não foi a fundo na análise documental, tomando como base um único documento equivocadamente preenchido para afirmar pela inexistência de lucro nas faculdades. Nada obstante, o processo administrativo é regido pelo princípio da verdade material, devendo prevalecer o lucro de fato auferido e distribuído e não o dado constante da DCTF, equivocadamente veiculado. Observase, por outro lado, que todo o lucro é proveniente de instituições com fins lucrativos, não havendo qualquer confusão patrimonial com os resultados obtidos pelo Impugnante, o qual não distribui nenhum valor, a título de lucros ou dividendos, ao casal em questão. Portanto, não há como persistir as graves acusações veiculadas pelo fisco. Na mesma esteira, com relação aos filhos do casal, o Sthefano e a Bárbara, a fiscalização e o Parecer Conclusivo igualmente tentam caracterizar o incremento Fl. 19118DF CARF MF 26 patrimonial como distribuição indevida de lucros. E também neste caso razão não assiste ao fisco. De fato, conforme se observa dos comprovantes de rendimento anexos (doc. 13 da Manifestação), ambos tinham vínculo empregatício com o Impugnante, e recebiam salário como contraprestação ao trabalho prestado, com décimo terceiro. Os valores recebidos foram tributados pelo imposto sobre a renda e pela contribuição previdenciária. Observase que o Sthefano, que ocupava o cargo de dirigente, recebeu o total de rendimentos de R$ 81.352,24 em 2011 e R$ 87.333,07 em 2012. Já a Bárbara, que ocupava o cargo de gerência, recebeu R$ 68.248,30 em 2011 e 94.674,83 em 2012. (...) Não há como se alegar, portanto, que o aumento patrimonial, tanto do casal quanto dos filhos, tenha qualquer relação com superávit apurado pelo Impugnante, sendo despropositadas as acusações fiscais, sendo certo que os argumentos e documentos apresentados na manifestação do Impugnante sequer foram analisados quando da elaboração do Parecer Conclusivo. V.4 SOCIEDADE ADM. E GESTÃO PATRIMONIAL LTDA (ANTIGA UNIESP) Na vã tentativa de descaracterizar a autonomia do Impugnante e enquadrálo no "fictício grupo econômico" erigido pelo fiscal, dedicase a Autoridade Fiscalizadora a analisar de modo totalmente despropositado e descabido as atividades desenvolvidas pela empresa de Gestão Patrimonial anteriormente mencionada, a qual usualmente denomina de "holding". (...) Também aqui, aplicamse os argumentos solidamente desenvolvidos no tópico anterior, no sentido de que as Instituições adquiridas tinham plena capacidade de gerar lucros passíveis de distribuição entre os sócios. Notese ainda que, analisandose as demonstrações financeiras auditadas do ano de 2012 (doc. 07 da manifestação), a Sociedade Adm. e Gestão Patrimonial possuía lastro patrimonial inequívoco para a realização das aquisições durante o período fiscalizado. Logo, descabidas as ilações fiscais. Por fim, destaquese que no anocalendário 2011, havia uma conta contábil denominada — Contrato IESP — Grupo Econômico — contemplando lançamento no montante de R$ 27milhões.Tratase de conta com um único lançamento contábil, cuja rubrica fora equivocadamente veiculada pelos auditores independentes. Fl. 19119DF CARF MF Processo nº 19515.720367/201647 Acórdão n.º 1401002.724 S1C4T1 Fl. 19.107 27 Portanto, também tal assertiva cai por terra. Assim, não pode prevalecer nenhuma das ilações contempladas pelo DD. Fiscal autuante. VI DA PLENA CONSONÂNCIA DAS ATIVIDADES DESEMPENHADAS PELO IMPUGNANTE E OS OBJETIVOS DE UMA ENTIDADE SEM FINS LUCRATIVOS Segundo afirma a fiscalização, o Impugnante não estaria atuando de acordo com os objetivos de uma entidade sem fins lucrativos, pois: i) praticaria uma política agressiva de expansão; ii) responsabilizarseia pelos pagamento de empréstimos dos alunos, sobretudo o FIES; iii) ofereceria "tablets" para os alunos que obtivessem o financiamento FIES; iv) acumularia dívidas de qualquer espécie: civis, trabalhistas, tributárias, etc...; v) pagaria parte da mensalidade do aluno, que obteve FIES, para igrejas e ONGs, por agirem como intermediantes e vi) manteria valores obtidos no FIES em fundos de investimento, para eventual quitação do próprio FIES. Nada obstante, razão não assiste à fiscalização, pois não há dúvidas de que o Impugnante age em plena conformidade com os seus fins não lucrativos e almejando a expansão apenas para que mais alunos se vejam beneficiados com o acesso à educação. Vejase. VI.7 ALUGUÉIS E CCI Nesse item a impugnante discorre sobre a suposta distribuição disfarçada de lucros, por intermédio do pagamento de aluguéis e emissão Cédulas de Crédito Imobiliário CCI: Outra imputação despropositada, como as demais perpetrada pela Autoridade fiscalizadora diz respeito à suposta distribuição disfarçada de lucros por intermédio do pagamento de aluguéis. No parecer conclusivo, as acusações relativas a este ponto foram mantidas. Primeiramente, é necessário destrinçar, uma vez mais, as Instituições que compõem o denominado "grupo" assim nomeado pelo fiscal autuante. No distorcido raciocínio fiscal, a Empresa de Gestão Patrimonial locava imóveis por valores superiores aos de mercado ao Impugnante, bem como teria efetuado o lançamento de Cédulas de Crédito Imobiliário — CCIs no mercado. Fl. 19120DF CARF MF 28 A Sociedade Administradora e Gestão Patrimonial é empresa estruturada na forma de sociedade empresária, objetivando, inclusive, o auferimento de lucros. Nesse compasso, é tributada normalmente nas esferas federais, estaduais e municipais, promovendo o recolhimento das exações. Logo, se ela lança mão de instrumento lícito , revestido na forma legal e devidamente tributa seus resultados não pode ter quaisquer implicações adicionais e, tampouco, conduzir à suspensão da imunidade de entidade educacional assistencial somente pelo fato de que ambas as pessoas jurídicas possuem os mesmos sócios em seus quadros societários, mas personalidades jurídicas distintas, regimes tributários diferenciados, sendo, o Impugnante, cumpridor de todos os requisitos para o gozo da imunidade. Notese, primeiramente, que os imóveis locados são imóveis de grande porte, utilizados na consecução das atividades do Impugnante, sendo que o aluguel pago por este à Sociedade Administradora e Gestão Patrimonial é plenamente compatível com o valor de mercado. Destaquese, outrossim, que o próprio fiscal assume que o valor total das locações, no final do contrato, representava um valor muito próximo ao valor de mercado dos imóveis (...). O mercado de aluguel comercial opera com um percentual de 0,8% a 1,1% do valor do imóvel, o que implica que os valores de aluguel praticados eram acima do mercado. Portanto, a afirmação de que o suposto "grupo" promoveria uma "distribuição disfarçada de lucros", bem como "financiava suas atividades de forma alavancada" não pode prevalecer pois: (i) o Impugnante necessitava dos imóveis para o exercício regular de suas atividades e os alugava por valores dentro dos parâmetros fixados para o mercado; (ii) a denominada "alavancagem" cujo o termo não é o mais adequado para a emissão das CCIs é permitida por lei, efetuada por instituição financeira credenciada no mercado e objeto de tributação pela tomadora, entidade lucrativa e que não se relaciona com a atividade exercida pelo Impugnante. (...) Apresenta exemplos, tentando demonstrar a razoabilidade dos valores de aluguéis pagos e continua: O Parecer Fiscal reforça argumentos no sentido de que haveria comprometimento de patrimônio e renda do Impugnante, instituição imune, em operações CCI, nas garantias dos contratos de aluguel e em adiantamentos concernentes a tais contratos. Tratase de evidente recurso retórico lançado pelo fisco, de modo a, uma vez mais, distorcer os fatos. Fl. 19121DF CARF MF Processo nº 19515.720367/201647 Acórdão n.º 1401002.724 S1C4T1 Fl. 19.108 29 Ora, o Impugnante necessita de espaços físicos para desenvolver suas atividades de ensino, albergadas pela imunidade/isenção. O aluguel de prédios vem justamente para sanar tal necessidade. Em qualquer locação, é necessária a apresentação de garantia por parte do locatário. A simples apresentação de garantia, não se traduz, por si só, em comprometimento de patrimônio. Mas ainda que se alegue que parte do patrimônio do Impugnante foi empregado para viabilizar a locação dos imóveis em questão, tratase de destinação pecuniária que se encontra em estrita consonância com as finalidades estatutárias do Impugnante. Repitase, sem os prédios em questão, os alunos não poderiam freqüentar as aulas, sendo, os recursos destinados à formalização e manutenção dos aluguéis, despendidos de acordo com objeto social do Impugnante. Portanto, não há qualquer base de sustentação na acusação de que o Impugnante deixou de aplicar os seus recursos na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos sociais ,conforme demonstrado, comprometendo todas as receitas inclusive futura proveniente do FIES — com alugueis milionários, que serviram de suporte para alavancagem recursos financeiros para sócios via CCI( das a Instituição imune é Fiador). A confusão patrimonial alegada insistentemente pelo fisco é meramente ilusória. As pessoas físicas e jurídicas são muito bem individualizadas nos fatos narrados, sendo evidente a possibilidade de segregação das finalidades das instituições e dos elementos contábeis relacionados a cada uma delas. Totalmente improcedente, assim, o argumento de que o Impugnante comprometeu sua renda para alavancagem de valores milionários aos seus sócios. Não existe, assim, qualquer distribuição disfarçada, não havendo como prevalecer quaisquer dos documentos aduzidos pelo fisco. Portanto, mais este argumento não deve prevalecer a notificação exarada e a suspensão da imunidade imputada. VII DA AUSÊNCIA DE IRREGULARIDADE ENVOLVENDO A CONTABILIDADE Segundo a impugnante: Parte, o fisco, de premissa totalmente equivocada no que diz respeito às entidades educacionais que ele intitula como Fl. 19122DF CARF MF 30 parte do "grupo econômico" (conceito este totalmente desmistificado na presente). Assevera que as referidas entidades não possuem receita ou lucro, pois suas declarações estariam zeradas. No entanto, tal fato é absolutamente inverídico. (...) Outro ponto que merece atenção é a descaracterização da escrita fiscal promovida pelo DD. Fiscal autuante. A ausência de critérios para fazêlo é simplesmente gritante. Vejase. O primeiro exemplo por ele colacionado diz respeito à descrição veiculada na conta 4101 — mensalidades graduação, constante na página 5906 do livro razão de 2012. O que se deve salientar aqui é o livro razão apontado pelo fiscal, juntado aos autos, possui 6352 páginas fls. 5840 a 12191 dos autos. É dizer, em 6352 páginas, o fiscal identifica uma única rubrica que considera inadequada em sua descrição. E prossegue asseverando que os lançamentos diários seriam inadequados. Indagase: o lançamento diário, com descrição pormenorizada, indicaria um registro no regime de caixa? Definitivamente não. Apenas que há uma cronologia de lançamentos pormenorizados, que corroboram a contabilidade da empresa como em perfeita ordem, em cumprimento ao artigo 1184 citado pelo fiscal. No Parecer Conclusivo, o fisco afirma que usou como exemplo a rubrica referente a descrição veiculada na conta 4101, de modo que apresentou outro suposto equívoco, na conta 3.1.4.01002 Aluguel. Ora, com isso o fisco apenas reforça o argumento do Impugnante. Em 6352 páginas de livro razão, o fisco foi capaz de identificar 2 pontuais supostos equívocos algo absolutamente normal e com base entende ter comprovado vícios que demonstrariam a inexatidão de registro de receitas e despesas. Nada mais equivocado. Com relação aos comprovantes solicitados, notese a apresentação dos mesmos às fls. 12435 a 12953, tendo agido o Impugnante com absoluta lisura em seus procedimentos. Ademais, a fiscalização, a despeito de complexa e abrangente, culminando na lavratura de 11 Termos de Intimação Fiscal, foi devidamente atendida, tendo o Impugnante apresentado documentos suficientes a comprovar a regularidade de seus registros contábeis. Não Fl. 19123DF CARF MF Processo nº 19515.720367/201647 Acórdão n.º 1401002.724 S1C4T1 Fl. 19.109 31 prosperam, assim, os argumentos repisados no Parecer Fiscal no sentido de que a fiscalização não teria sido devidamente atendida pelo Impugnante. É oportuno reiterar que pontuais equívocos na contabilidade de instituições com o volume de dados e informações que se verificam nas ora analisadas e relativamente ao próprio Impugnante sempre ocorrerão. Porém, não são equívocos que justifiquem a desconsideração da escrita fiscal. O universo de deveres instrumentais, no Brasil, cresce a cada dia, instando os cidadãos a prestarem, cada vez mais, informações e declarações ao fisco. Muitas vezes, prestase a mesma informação, ao mesmo ente tributante, diversas vezes, em virtude da desenfreada instituição dos deveres instrumentais. Não há critério lógico ou jurídico a presidir tais exigências. Como o ônus é do contribuinte, não há parcimônia na quantidade e complexidade das exigências. O quadro abaixo evidencia a quantidade de sobreposições existentes': (...) Como bem assevera Guilherme Cezaroti diante da miríade de declarações que são prestadas pelo contribuinte aos Fiscos municipal, estadual, distrital e federal, além da possibilidade de acesso a movimentação financeira, temse que há excesso de informações ao Fisco e não falta destas. Isso quer dizer que o fornecimento dos dados contábeis e fiscais, que é o bem protegido pelas multas previstas no art. 12 da Lei 8.218/91, já foram disponibilizados pelo contribuinte ao fisco federal em diversos outros documentos. (Aplicação de Multa pelo Descumprimento de Obrigações Acessórias. Razoabilidade e Proporcionalidade em sua Aplicação — Revista Dialética de Direito Tributário 148, p. 50). Nesse contexto, ainda que haja alguns equívocos pontuais referentes à contabilidade o fato é que o Impugnante os cumpriu devidamente, tendo no curso da fiscalização apresentado uma quantidade de documentos incalculáveis. Seus registros contábeis encontramse em ordem, como se comprova da documentação entregue repisese de forma tempestiva durante o curso da fiscalização. Assim, a mera ausência do livro auxiliar não poderia ensejar a referida desconsideração. Como o próprio nome assevera, os livros auxiliares só servem para particularizar determinadas situações, as quais já estão devidamente registradas no livro principal que foi entregue à fiscalização. Fl. 19124DF CARF MF 32 Assevera, ainda, o Fisco, no Parecer Conclusivo, que o Impugnante apresentou duas declarações, tanto para o ano de 2011 quanto para o de 2012, uma normal e outra como incorporadora. Contudo, a única incorporação que o Impugnante promoveu ocorreu em outubro de 2012, em relação à Sociedade Brasileira de Educação Renascentista, conforme se comprova dos documentos anexos (doc. 06), fato que já havia sido informado nas Alegações apresentadas pela Impugnante. Tratase de incorporação envolvendo duas entidades isentas/imunes. No mais, é equivocada a alegação do fisco no sentido de que em nenhuma das DIPJs o sujeito passivo informou suas receitas, seus custos e suas despesas, tampouco detalha por estabelecimento suas receitas e suas naturezas. Ora, os dados em questão foram devidamente informados o que se depreende das DIPJs em comento (anexas). Portanto, razão não assiste ao fisco. Não há como prevalecer, nesse contexto, as alegações veiculadas na Notificação e no Parecer Conclusivo, no sentido de que a contabilidade do Impugnante conteria vícios quanto às formalidades legais que não assegurariam a exatidão das receitas e despesas. Desta forma, que se observa é que a contabilidade do Impugnante atende aos requisitos estabelecidos pelo ordenamento jurídico brasileiro e, portanto, não ser desconsiderada como pretendeu o DD. Fiscal. Assim, por mais este motivo, a notificação lavrada não pode prevalecer. VIII DO CUMPRIMENTO DE TODOS OS REQUISITOS PARA GOZO DA IMUNIDADE A impugnante alega no presente item: Diferentemente do que pretendeu fazer parecer a fiscalização, o Impugnante cumpriu todos os requisitos constantes do art. 12, §2°, da Lei n° 9.532/97, conforme se demonstrou de forma ampla e irrestrita nos tópicos anteriores, a saber: a) não remunerar dirigentes: (...) b) aplicar integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais; (...) Fl. 19125DF CARF MF Processo nº 19515.720367/201647 Acórdão n.º 1401002.724 S1C4T1 Fl. 19.110 33 c) manter escrituração completa de suas receitas e despesas em livros revestidos das formalidades que assegurem a respectiva exatidão; (...) d) conservar em boa ordem, pelo prazo de cinco anos, contado da data da emissão, os documentos que comprovem a origem de suas receitas e a efetivação de suas despesas, bem assim a realização de quaisquer outros atos ou operações que venham a modificar sua situação patrimonial; (...) e) apresentar, anualmente, Declaração de Rendimentos, em conformidade com o disposto em ato da Secretaria da Receita Federal; (...) g) assegurar a destinação de seu patrimônio a outra instituição que atenda às condições para gozo da imunidade, no caso de incorporação, fusão, cisão ou de encerramento de suas atividades, ou a órgão público; (...) h) outros requisitos, estabelecidos em lei específica, relacionados com o funcionamento das entidades a que se refere este artigo. Conforme demonstrado à saciedade, todos os requisitos para imunidade/isenção foram efetivamente cumpridos pelo Impugnante, não podendo prevalecer a suspensão pretendida na presente Notificação. (...) Em situações análogas à presente, em que não foi comprovado qualquer desrespeito aos requisitos para gozo da imunidade/isenção, a Câmara Superior do C. CARF vem sem mostrando amplamente favorável à impossibilidade de suspensão: ISENÇÃO. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO E ASSISTÊNCIA SOCIAL. Comprovado que a entidade não remunera seus diretores, aplica integralmente seus recursos na manutenção de suas atividades, mantém escrituração regular e cumpre as demais exigências acessórias, previstas nas normas legais, é de lhe ser deferida a Fl. 19126DF CARF MF 34 isenção fiscal, mormente quando o atendimento dessas condições está aliado ao espírito altruísta, desinteresse dos administradores, gratuidade dos serviços e finalidade pública. A simples previsão estatutária de que poderão haver receita pela venda de bens, mercadorias e serviços enquanto essas não forem concretizadas ou efetivadas não tendo o condão de modificar o caráter cientifico, cultural e instrutivo da entidade, atendidos que foram os requisitos e condições acima elencados. Recurso desprovido. (Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF Primeira Turma Sessão de 14 de janeiro de 1981 PROCESSO N9 0840/013.729/79. Portanto, a manutenção da imunidade/suspensão envolvendo o Impugnante é medida que se impõe. IX EFEITOS DA SUSPENSÃO DA IMUNIDADE A impugnante faz algumas considerações sobre a irretroatividade dos efeitos da suspensão da imunidade/isenção: O Impugnante aduziu importante argumento em suas alegações, o qual sequer foi analisado no Parecer Conclusivo. A saber: Ainda que fosse suspensa a imunidade/isenção do Impugnante, o que só se admite para efeito de argumentação, é inequívoco que não poderia haver a retroação dos efeitos da suspensão para o período fiscalizado. Assevera o artigo 32, parágrafo 5º da Lei 9.430/96 que a suspensão da imunidade terá como termo inicial a data da prática da infração. Contudo, a lei 9.430/96 é lei ordinária e, como tal, não poderia estabelecer requisitos para o gozo da imunidade. Tal tarefa caberia somente à lei complementar, como norma geral de direito tributário, nos termos do artigo 150, VI, "c" da CF, combinado com o artigo 146, II, também da Carta Magna. (...) Notase, assim, que a lei ordinária não é o veículo hábil a regulamentar a suspensão da imunidade. Agreguese a isto o fato de que a suspensão jamais poderá provocar efeitos "ex tunc", mas somente "ex nunc". Fl. 19127DF CARF MF Processo nº 19515.720367/201647 Acórdão n.º 1401002.724 S1C4T1 Fl. 19.111 35 Destaquese, ainda sobre o tema, que o STF, ao analisar a medida cautelar formulada nos autos da ADIN 2028, suspendeu as alterações constantes da Lei 9.732/98 acerca dos requisitos para o gozo da imunidade de entidades assistenciais, por entender que as mesmas não poderiam ter sido realizadas por intermédio de lei ordinária, mas somente de lei complementar. Portanto, por mais este motivo não pode prevalecer a suspensão da imunidade constante da notificação em epígrafe, sendo imperiosa a análise deste argumento por esta Delegacia de Julgamento. X — DO PEDIDO Finaliza sua impugnação com o pedido: Ante todo o exposto, requer seja julgada procedente a presente Impugnação, afastandose o Ato Declaratório Executivo n° 162, de 13 de outubro de 2016 a fim de que se restabeleça a imunidade/isenção em favor do Impugnante, tendo em vista que este preenche todos os requisitos legais e constitucionais para tanto. Protesta pela produção de todas as provas em direito admitidas, inclusive a juntada de novos documentos, comprobatórios do seu direito. 2. Do lançamento de IRPJ e CSLL: Em consequência da suspensão da imunidade e isenção tributárias da entidade, foram lavrados autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ, Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido CSLL, Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – Cofins. No presente processo, constam os autos de infração do IRPJ e CSLL, que serão tratados aqui. Consta do Termo de Verificação Fiscal TVF, de fls. 15.440 a 15.489, em síntese que: (...) A entidade se declara isenta do IRPJ (fonte: DIPJ) e da CPP (fonte: GFIP). Não há recolhimentos para esses tributos nem débitos confessados. Também não há recolhimentos nem débitos confessados para CSLL, COFINS e PIS, nem mesmo PIS Folha. Há recolhimentos de IRRF compatíveis com a DIRF. Há recolhimentos de GPS compatíveis com as contribuições dos segurados diminuídas das compensações informadas (fonte: GFIP), contudo essas compensações foram consideradas indevidas pela fiscalização. Não há recolhimentos para Terceiros (outras entidades e fundos). Fl. 19128DF CARF MF 36 (...) Constatações: Foi constatado, durante o procedimento de fiscalização, que o sujeito passivo não cumpre os requisitos estabelecidos pela legislação tributária para gozo de nenhum dos quatro benefícios fiscais elencados acima pelos seguintes motivos: (...) A principal constatação efetuada pelo fisco, conforme consta do TVF, "foi que a sociedade se trata, de fato, de uma sociedade empresária com fins lucrativos". Afirma o autuante que: (...) A fraude consistiu basicamente em atribuir duas personalidades jurídicas, dois CNPJ e duas contabilidades a cada estabelecimento de ensino. Cada faculdade era ao mesmo tempo uma filial do sujeito passivo, utilizada para registrar os professores e funcionários e se beneficiar da suposta imunidade das contribuições previdenciárias patronais; e a matriz de uma empresa com fins lucrativos, utilizada para distribuir lucros aos controladores, fls. 12.255 a 12.261. Com contabilidades paralelas para um mesmo estabelecimento comercial, eram distribuídas entre elas as receitas e as despesas daquele estabelecimento de ensino, de modo a maximizar os lucros na empresa lucrativa (inativa de fato) e o valor da isenção usufruída no sujeito passivo. Na prática, o que se constatou foi que cada um dos estabelecimentos de ensino deixou de recolher tributos ao mesmo tempo em que distribuiu lucros, fls. 2.404 e 13.003 a 13.372. Atribuir dois CNPJ para um mesmo estabelecimento comercial é fraude, equiparável a atribuir dois CPF a uma mesma pessoa física. Fazer duas contabilidades para um mesmo estabelecimento comercial também é fraude, algo como fazer duas declarações de imposto de renda de pessoa física para o mesmo indivíduo. (...) Especificamente quanto à contabilidade apresentada pelo sujeito passivo para esta fiscalização, fls. 138 a 12.191, a prática fraudulenta constatada, revela a existência de receitas não escrituradas (omitidas). A confusão da personalidade jurídica e a confusão patrimonial das entidades do grupo UNIESP já foram matéria de apreciação judicial, com decisões desfavoráveis ao grupo econômico, fls. 12.358 a 12.359 e 12.994 a 12.998. (...) DIPJ As DIPJ estão deficientes e sem coerência. Existem duas declarações válidas para cada ano fiscalizado, sendo uma normal e outra na condição de incorporadora, ambas relativas a períodos de apuração sobrepostos, fls. 12.192 a 12.226. Nenhuma das DIPJ contém preenchimento das fichas 4, 5 e 6 (custos, despesas e demonstração do resultado). Para cada ano, Fl. 19129DF CARF MF Processo nº 19515.720367/201647 Acórdão n.º 1401002.724 S1C4T1 Fl. 19.112 37 cada uma das duas declarações válidas informa valores diferentes de faturamento, de massa salarial e quantidade de empregados, nenhum desses valores é compatível com os valores contabilizados ou com os valores da Folha, da GFIP, da RAIS ou da DIRF. Natureza Jurídica A despeito de ser formalmente constituída com a natureza jurídica de associação civil, o sujeito passivo apresenta, de fato, características de sociedade empresarial e como tal deve ser tratado tributariamente. (...) O objeto social do sujeito passivo, ou seja, a atividade que ele desenvolve, é a prestação de serviços educacionais, uma típica atividade comercial ou empresarial do setor de prestação de serviços, sujeito à livre iniciativa e à livre concorrência, por isso tem sim fins econômicos. Destaquese que 100% da receita do sujeito passivo vem desta atividade, não há um centavo sequer de contribuição associativa dos associados, fl. 2.404. Ser caracterizada como sociedade de fato e não como uma associação tem o efeito de não se aplicar à entidade a isenção prevista às associações civis, disposta no artigo 15 da Lei 9.532/97. É justamente neste dispositivo que o sujeito passivo se enquadra ao informar em DIPJ ser isento de IRPJ. Independente do entendimento desta fiscalização e da classificação formal adotada pelo contribuinte quanto à sua natureza jurídica, desenvolveuse durante a fiscalização a análise do cumprimento dos requisitos tanto da imunidade quanto da isenção do IRPJ, mesmo por que, muitos deles são comuns. Contabilidade Foi apresentada pelo sujeito passivo contabilidade: Livros Diários registrados no 1º Ofício de Registro de Títulos e Documentos e Civil de Pessoas Jurídicas da Capital, com Balanço Patrimonial e Demonstrativo de Resultado do Exercício; e Livros Razão, dos anos de 2011 e 2012. Foi fornecida uma versão em arquivo digital e apresentados, sem retenção, os originais para autenticação. A versão apresentada tratase de uma nova extração e não de uma cópia, são os mesmos lançamentos, porém devido à alteração do tamanho da folha e da configuração das margens, a numeração das folhas é diferente. Fls. 138 a 12.191. Não foram apresentados Livros Diários Auxiliares. A contabilidade apresentada contém vícios quanto às formalidades legais e não asseguram a exatidão das receitas e despesas. Falta de individualização das operações Falta de clareza na descrição das operações Falta de caracterização do documento respectivo Fl. 19130DF CARF MF 38 Não observância do princípio da competência Lançamento de despesas em contas de receitas Omissão de receitas Falta de comprovação de despesas Lançamento de receitas em contas de despesas Lançamento de despesas em duplicidade Omissão de despesas O fisco, no TVF, detalha as características de cada um dos vícios da contabilidade citados acima. Continua o fisco descrevendo suas considerações sobre a finalidade lucrativa da entidade, incorporações irregulares, FIES, irregularidades junto ao MEC, denúncias, utilização de aluguéis para a distribuição disfarçada de lucros, etc. Caracteriza também os sócios da empresa, a saber: (...) Sócios Todas as empresas do grupo econômico UNIESP, mesmo as isentas e as filantrópicas, tem como sócio/presidente e principal administrador o Sr. José Fernando Pinto da Costa, CPF 780.031.48804. A se destacar na declaração de rendimentos do Sr. José Fernando (Anexo 17) são os vultosos dividendos recebidos e sua grande evolução patrimonial no anocalendário 2012. Neste mesmo ano as empresas do grupo educacional UNIESP também tem um gigantesco acréscimo de faturamento devido ao FIES. A Sra. Cláudia Aparecida Pereira, esposa do Sr. José Fernando, e sócia, apresentou também em sua declaração de rendimentos do anocalendário de 2012 vultosos dividendos recebidos de pequenas faculdades e uma grande evolução patrimonial conforme veremos abaixo. Existem ainda mais duas pessoas físicas cujas declarações de rendimentos apontam ligações com o Grupo UNIESP. São os Sr. Sthefano Bruno Pinto da Costa e Sra. Bárbara Izabela Costa, filhos do casal José Fernando e Cláudia, conforme veremos abaixo. JOSE FERNANDO PINTO DA COSTA, CPF 780.031.48804 – Até 2011, os rendimentos do sr. José eram de cerca de R$ 80 mil anuais, referentes principalmente a aposentadoria do INSS e previdência complementar (Fundação CESP). – Em 2012, o Sr. José recebeu de dividendos das pequenas faculdades do grupo o valor de R$ 32.675.664,97, conforme consta no anexo 17. – Em 2012 o Sr. José teve um acréscimo patrimonial de R$ 17.465.408,11 saindo de um patrimônio total de R$ 2.086.706,68 no anocalendário de 2011 para um patrimônio de R$ 19.552.114,79 no anocalendário seguinte, conforme consta na página 10 do anexo 17. Fl. 19131DF CARF MF Processo nº 19515.720367/201647 Acórdão n.º 1401002.724 S1C4T1 Fl. 19.113 39 Podemos notar ainda que grande parte dos investimentos em pequenas faculdades adquiridas em 2012, está declarada pelo seu valor histórico. – Notamos ainda que no anocalendário 2012 o Sr. José doou para cada um dos seus filhos o valor de R$ 3.500.000,00 conforme consta na página 05 do anexo 17. – No anocalendário 2010, o sr. José recebeu mútuo da UNIESP no valor de R$ 1,3 milhão. No anocalendário 2012 esse mútuo foi quitado, conforme consta na página 10 do anexo 17. CLAUDIA APARECIDA PEREIRA, CPF 051.715.24874 – Até 2011, os rendimentos da Sra. Cláudia eram de cerca de R$ 100 mil anuais, referentes a valores recebidos das empresas do grupo, a título de salário. – Em 2012 ela recebeu de dividendo das pequenas faculdades do grupo o valor de R$ 29.505.863,31 conforme consta na pág. 03 do anexo 18. – Em 2012, a Sra. Cláudia teve um acréscimo patrimonial de R$ 15.205.717,46 saindo de um patrimônio total de R$ 3.259.397,79 no anocalendário de 2011 para um patrimônio de R$ 18.465.115,25 no anocalendário seguinte, conforme consta na página 09 do anexo 18. Podemos notar ainda que grande parte dos investimentos, em pequenas faculdades adquiridas em 2012, está declarada pelo seu valor histórico. – No anocalendário 2010, a sra. Cláudia recebeu mútuo da UNIESP no valor de R$ 800 mil. – No anocalendário 2012 esse empréstimo de mútuo foi quitado, conforme consta na página 09 do anexo 18. STHEFANO BRUNO PINTO DA COSTA, CPF 337.655.72845 – Até 2011, os rendimentos do Sr. Sthefano eram de cerca de R$ 40 mil anuais, referentes a valor recebido de empresa do grupo, a título de salário. – Em 2011, ele era sócio de 8 (oito) empresas ligadas ao grupo UNIESP. No anocalendário de 2012 continua com participação em 4 dessas empresas. Neste mesmo ano declara que adquire participação de 50% na FATESC FACULDADE DE TECNOLOGIA DE SANTA CATARINA conforme consta ANEXO 29. – No anocalendário 2012 ele recebeu doação de seu pai o sr. Jose Fernando Pinto da Costa de R$ 3.500.000,00, conforme ANEXO 29. Possuía ainda dois veículos declarados: um automóvel marca LAND ROVER ano 2011, no valor de R$ 202.747,32 e outro automóvel marca MERCEDES BENZ CLS 63 no valor de R$ 438.000,00. – No anocalendário 2010, o sr. Sthefano recebeu mútuo da UNIESP no valor de R$ 2 milhões. No anocalendário 2012 esse empréstimo de mútuo foi quitado, conforme consta na página 05 do anexo 29. BÁRBARA IZABELA COSTA, CPF 382.020.78806 Fl. 19132DF CARF MF 40 – Até 2011, os rendimentos da Sra. Bárbara eram de cerca de R$ 40 mil anuais, referentes a valor recebido de empresa do grupo, a título de salário. – No anocalendário 2011 ela era sócia de 6 (seis) empresas ligadas ao grupo UNIESP. No anocalendário de 2012 continua com participação em 4 dessas empresas. Neste mesmo ano declara que adquire participação de 50% na FATESC FACULDADE DE TECNOLOGIA DE SANTA CATARINA conforme consta ANEXO 27. – No anocalendário 2012 ela recebeu doação de seu pai o sr. Jose Fernando Pinto da Costa, de R$ 3.500.000,00 ANEXO 27. Possuía ainda um veículo declarado 1 automóvel marca BMW ano 2009 no valor de R$ 180.000,00. – Notamos ainda que no anocalendário 2012 ela quitou empréstimo de mutuo no valor de R$ 2.700.000,00 conforme consta na página 09 do ANEXO 27. Empresa Patrimonial Durante os anos de 2012 e 2013, além das inúmeras faculdades adquiridas a SOCIEDADE ADM. E GESTÃO PATRIMONIAL LTDA (antiga Uniesp) ainda constituiu dois fundos de investimento em seu nome, com recursos que totalizam cerca de R$ 50 milhões, e também adquiriu um jato PHENOM 300, avaliado por dados da internet em U$ 8.500.000,00 (R$ 17,8 milhões na Nota Fiscal Eletrônica), bem como uma lancha ELEKTRA avaliada em R$ 2,2 milhões. Fruto da utilização de recursos de entidades isentas ligadas. (...) A empresa SOCIEDADE ADM. E GESTÃO PATRIMONIAL LTDA adquiriu ainda outros imóveis conforme relação abaixo. Alguns dos imóveis estão gravados pelos supracitados CCI ou por penhora, porém a maior parte encontrase desembaraçada. O total dos imóveis não gravados é de R$ 21 milhões, destacandose que se tratam dos valores históricos das transações, sendo que os valores de mercado dos imóveis provavelmente são bem mais altos. (...) No TVF, fls. 15.464 e 15.465, consta o quadro com os valores das aquisições efetuadas. Esse quadro, segundo o fisco "deixa claro o expressivo acréscimo patrimonial desta empresa a partir dos anos de 2010 e 2011, momento em que os controladores do grupo UNIESP transferem os funcionários das empresas lucrativas para as filiais do sujeito passivo, suprimindo assim as contribuições previdenciárias patronais e reflexos sobre os respectivos salários". E continua: (...) Distribuição de Lucros O fisco, nas fls. 15.466 a 15.467, apresenta um quadro demonstrativo de lucros e dividendos recebidos por José Fernando e Cláudia Aparecida. A seguir prossegue: (...) Omissão de Receitas no Sujeito Passivo Fl. 19133DF CARF MF Processo nº 19515.720367/201647 Acórdão n.º 1401002.724 S1C4T1 Fl. 19.114 41 Como já discorrido neste relatório, somente o sujeito passivo possuía os recursos para a prestação dos serviços de educação. O sujeito passivo concentrava toda a mãodeobra do grupo na área do ensino superior. Na contabilidade do sujeito passivo estão registrados todos os custos envolvidos, além das despesas trabalhistas, as despesas gerais com energia elétrica, água, telefone, aluguel, etc. As demais empresas do grupo econômico UNIESP, em sua maioria empresas de natureza sociedade limitada, apesar de não terem recursos para a prestação dos serviços educacionais, pois não tinham empregados, apresentaram grande movimentação financeira, segundo informações próprias e de terceiros. Segundo o site transparência do governo federal foram pagos através do FIES R$ 241 milhões às empresas do grupo. Ao sujeito passivo, apenas R$ 1,5 milhão. Isto ocorreu, pois geralmente as empresas com finalidade lucrativa e recém adquiridas é que estavam cadastradas no MEC e que poderiam intermediar os contratos de FIES entre alunos e o governo federal. Toda esta receita é na verdade do sujeito passivo, pois ele é que prestou o serviço, disto decorre uma grande omissão de receita no sujeito passivo. Os recursos do FIES recebidos pelas empresas do grupo por si só já ultrapassam a receita contabilizada pelo sujeito passivo em 2012. Segundo dados totalizadores oriundos das DIRPF de alunos e responsáveis, foram pagos às demais empresas do grupo UNIESP R$ 32 milhões. Nenhum valor foi declarado tendo como beneficiário o próprio sujeito passivo. Segundo dados das DIMOF das instituições financeiras nas quais as empresas do grupo têm conta bancária, foram recebidos créditos bancários de R$ 964 milhões, sendo R$ 272 milhões nas contas bancárias do sujeito passivo. Segundo demonstrativos contábeis (DRE) das empresas do grupo UNIESP que distribuíram dividendos, segundo as DIRPF do Sr. José Fernando e de sua esposa, são reconhecidos como receita R$ 285 milhões. Demonstrativos apresentados pelos próprios dirigentes do sujeito passivo para justificar suas rendas pessoais. O quadro abaixo apresenta os principais dados financeiros do ano de 2012, do sujeito passivo e das demais empresas do grupo UNIESP ligadas ao ensino superior. Quanto receberam do FIES, quanto receberam de PF, quanto pagaram de dividendos, quanto movimentaram em contas bancárias, que filial do sujeito passivo funciona no mesmo local da empresa lucrativa e a receita contabilizada: (...) O referido quadro consta do TVF, fls. 15.468 a 15.471. A seguir, a fiscalização trata dos requisitos da imunidade tributária do IRPJ, no que se refere ao art. 12 § 2º, incisos "a" a "h" da Lei 9.532/1997 e da isenção tributária, nos termos do art. 12 § 2º da mesma lei. Trata também da isenção da Fl. 19134DF CARF MF 42 Contribuição Previdenciária Patronal CPP, nos termos do art. 29, incisos I a VII da Lei 12.101/2009. Descreve ainda os requisitos da isenção do IRPJ, conforme Instrução Normativa SRF 456 de 05/10/2004, que dispõe da isenção de IRPJ e de contribuições para empresas que aderirem ao PROUNI – Lei 11.096/2005. Discorre também sobre os requisitos de imunidade tributária em geral, previsto no art. 195, § 3º da Constituição Federal de 1988 e dos previstos no art. 14, incisos I a III do CTN, Lei 5.172 de 1966. A seguir, informa que, para o prosseguimento das suspensões da imunidade e suspensão tributárias, será seguido o rito previsto no art. 32 da Lei 9.430 de 1996. Declara, ao final, que após as constatações relatadas no TVF, que redundaram na suspensão da imunidade e isenção tributárias da impugnante, foi lavrada Notificação Fiscal para a concretização destas. Após esse ponto o TVF passa a tratar da constituição do crédito tributário: (...) Constituição dos Créditos Tributários Com a suspensão dos benefícios tributários, foram constituídos os créditos tributários referentes ao IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, e também os créditos tributários referentes às contribuições previdenciárias que não decorrem propriamente da suspensão, mas são ratificados por ela. Arbitramento do Lucro Conforme relatado, a contabilidade do sujeito passivo contém vícios que a torna imprestável para apuração do lucro real. Assim, o lucro foi arbitrado para determinação da base de cálculo do IRPJ. Lei 8.981/1995, no artigo 47, inciso II, alínea “b”: (...) A receita do sujeito passivo não é conhecida em sua totalidade, uma parcela foi omitida de sua contabilidade, o que impede de ser a base do arbitramento. Sendo o sujeito passivo uma entidade prestadora de serviços, o dado mais representativo para aferição do lucro, depois da receita, é a sua massa salarial. A massa salarial do sujeito passivo é conhecida. A soma dos valores devidos em cada mês a empregados está consistentemente comprovada nas Folhas de Pagamentos mensais, na contabilidade, nas GFIP, RAIS e DIRF, todos com dados compatíveis e condizentes com os serviços prestados. O lucro arbitrado foi determinado conforme disposto na Lei 8.981/1995, artigo 51, inciso VII e §1º, c/c Lei 9430/1996, artigo 27, § 2º, ou seja, 0,8 (oito décimos) da massa salarial. (...) Fl. 19135DF CARF MF Processo nº 19515.720367/201647 Acórdão n.º 1401002.724 S1C4T1 Fl. 19.115 43 O tributo CSLL será objeto de levantamento reflexo. Lei 8.981/1995, artigo 55. (...) Os relatos referentes aos lançamentos da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, Programa de Integração Social PIS e Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF, serão tratados de forma específica através do Processo Administrativo Fiscal PAF nº 19515.720619/201638. O relato do fisco referente ao IRPJ e CSLL continuam no TVF: (...) O lucro arbitrado apurado pela fiscalização consta do demonstrativo de Cálculo do Lucro Arbitrado e da Receita arbitrada, fls. 15.482 do TVF, que a seguir reproduzo: Fl. 19136DF CARF MF 44 Continua o fisco, demonstrando a aplicação da multa qualificada de 150%, e a lavratura Representação Fiscal para Fins Penais RFFP, devido a práticas irregulares utilizadas pela impugnante: (...) Multa Multa qualificada de 150%, pela prática irregular e fraudulenta conhecida como fragmentação, uma forma de abuso da personalidade jurídica, que implicou em omissão de receita no sujeito passivo e em simulação de receita em outras empresas do grupo econômico UNIESP, situação que caracterizaria, em tese, crimes de sonegação e lavagem de dinheiro, e que enseja a lavratura de RFFP, que será apensado ao processo principal de constituição do crédito tributário. (...) Informa também a responsabilização de forma solidária de diversos contribuintes: (...) São solidariamente responsáveis pelos créditos constituídos neste procedimento fiscal, com base no disposto na Lei 5.172/66, artigo 124, inciso I, por serem os reais beneficiários dos Fl. 19137DF CARF MF Processo nº 19515.720367/201647 Acórdão n.º 1401002.724 S1C4T1 Fl. 19.116 45 resultados obtidos das atividades desenvolvidas pelo sujeito passivo: Sociedade Administradora e Gestão Patrimonial Ltda, CNPJ: 06.120.096/000108 José Fernando Pinto da Costa, CPF: 780.031.48804 Cláudia Aparecida Pereira, CPF: 051.715.24874 Sthefano Bruno Pinto da Costa, CPF: 337.655.72845 Bárbara Izabela da Costa, CPF: 382.020.78806 (...) Reafirma ainda a lavratura de Termo de Arrolamento de Bens e Direitos, em obediência ao art. 2º da Instrução Normativa RFB 1.565 de 2015. Inconformada com a autuação, da qual tomou ciência via Correios em 10/11/2016, conforme Aviso de Recebimento AR, de fls. 15.344 a 15.384, a interessada interpôs, em 12/12/2016, a impugnação de fls. 18.117 a 18.189, cujas questões mais relevantes reproduzo a seguir. Preliminarmente, a interessada repisa fatos relativos à suspensão de sua Imunidade e Isenção fiscais, solicitando que se considere como transcrita em sua impugnação, as razões e provas desenvolvidas na impugnação (fls. 15.493 a 15.618) ao ADE nº 162/2016 e continua: I PREJUDICIALIDADE SUSPENSÃO DA IMUNIDADE E ISENÇÃO DE IRPJ E CSLL Como consignado no Termo de Ciência de Suspensão de Imunidade/Isenção DAE 162/2016 (fls. 15385/15387), foram suspensas no presente processo quanto ao IRPJ a imunidade do art. 150, inciso VI, alínea "c" e quanto ao IRPJ e a CSLL a isenção do art. 15 da Lei 9.532/1997 e a isenção do art. 8o da Lei 11.096/2005, pelo rito do art. 32 da Lei 9.430/1995, que em seus parágrafos 6° e 8° dispõe: "Par. 6o Efetivada a suspensão da imunidade: I a entidade interessada poderá, no prazo de trinta dias da ciência, apresentar impugnação ao ato declaratório, a qual será objeto de decisão pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento competente; II a fiscalização de tributos federais lavrará auto de infração, se for o caso. Par. 8o Caso seja lavrado auto de infração, as impugnações contra o ato declaratório e contra a exigência de crédito tributário serão reunidas em um único processo, para serem decididas simultaneamente. Pois bem. Além das Alegações e Provas (fls. 13838/13975 e 13992/15258 dos autos) o Impugnante apresentou Impugnação ao Ato Declaratório Executivo n° 162, de 13.10.2016 (fls. Fl. 19138DF CARF MF 46 15493/15618 e 15620/15713 dos autos) a qual, se julgada procedente, implicará na total improcedência dos autos de infração em causa. Em face disso, entende o Impugnante que, nos termos do art. 12 da Portaria CARF n° 34, de 31 de agosto de 2015, e artigo 265, IV, "a", do Código de Processo Civil, aplicável subsidiariamente ao processo administrativo fiscal, sendo manifesta a prejudicialidade seria o caso até de sobrestamento do julgamento da presente Impugnação até decisão a ser proferida na Impugnação ao ADR n° 162/2016, pois se esta for acolhida, cairão por terra os autos de infração ora impugnados. De qualquer modo os argumentos de direito e as provas apresentadas nas Alegações e Provas e na Impugnação ao ADR n° 162/2016 deverão ser aqui integralmente consideradas. Em sendo assim, reportase o Impugnante às peças e documentos acima requerendo que se considerem transcritas na presente petição as razões e provas nelas desenvolvidas/produzidas que são, em síntese: (...) Reportase, nesse ponto às questões já trazidas ao processo através da citada impugnação ao ADE. Finaliza da seguinte forma: (...) Sendo esta apertada síntese dos fundamentos das Alegações e Provas e da Impugnação ao Ato Declaratório Executivo n° 162/06 que o Impugnante pede que se considerem parte integrante da presente impugnação, passa o Impugnante a expor as razões pelas quais "data vênia" não devem ser mantidos os atos de infração lavrados. II INEXISTÊNCIA DE PLANEJAMENTO FISCAL ABUSIVO DENOMINADO FRAGMENTAÇÃO (...) Reproduz aqui parte do descrito pela autoridade fiscal no Termo de Verificação Fiscal TVF: (...) No caso concreto, porém, ocorreu exatamente o oposto, ou seja, não houve a divisão do Impugnante (nem de qualquer outra pessoa jurídica do grupo) em várias pessoas jurídicas, mas a aquisição de várias pessoas jurídicas com a mesma atividade do Impugnante, que se pretendeu unificar em uma só, o Impugnante. Daí a razão da criação de filiais do Impugnante em cada local em que estavam as IES recém adquiridas. (...) O Impugnante é apenas uma das 89 entidades mantenedoras que, como referido acima, compõem hoje o Grupo UNIESP e o processo de unificação, por força do Termo de Ajustamento de Conduta TAC, de 16.04.2014, firmado com o MEC e o FNDE por proposta do Ministério Público Federal em São Paulo, no Fl. 19139DF CARF MF Processo nº 19515.720367/201647 Acórdão n.º 1401002.724 S1C4T1 Fl. 19.117 47 âmbito de um Inquérito Civil Público que tramitava em face do Grupo, está sendo levado a efeito na UNIESP S/A., CNPJ 19.347.410/000131, autora na ação ordinária acima referida, criada para esse fim. Ocorre que em 2011 e 2012, época abrangida pela presente autuação, o Grupo apresentou grande expansão com a aquisição de inúmeras IES que hoje totalizam mais de 130, vinculadas às 89 mantenedoras acima referidas dando continuidade à unificação no Impugnante, iniciada desde 2008/2009. Contudo, por se tratar de atividade de educação a unificação das IES em uma mesma mantenedora implica TRANSFERÊNCIA DE MANTENÇA sujeita a legislação especial Lei n° 9.394/1996 Lei de Diretrizes de Bases da Educação nacional LDB, Decreto n° 5.773/2006, Portaria Normativa n° 40/2007 e depende de autorização do Ministério da Educação MEC. (...) A Nota Técnica n° 326/2013CGLNRS/DPR/SERES/MEC solucionando questão relativa à transferência de mantença traz ensinamentos bastante esclarecedores sobre essa matéria: (...) Tratase de procedimento semelhante ao existente no âmbito do Banco Central do Brasil em relação às instituições financeiras cujos negócios jurídicos de aquisição de outras instituições da espécie entabulados pelas partes ficam sujeitos à aprovação do BACEN. Pois bem. No caso concreto, a unificação no Impugnante, via criação de filiais, pretendida pelo Grupo quando adquiriu novas IES com CNPJ próprios, seguida da extinção desses CNPJs, implicaria como dito transferência de mantença dessas IES para nova mantenedora, o Impugnante, processo disciplinado no artigo 25 do referido Decreto n° 5.773, de 09.05.2006, sujeito à aprovação das autoridades competentes. (...) Considerando que o objetivo era unificar todas as Instituições de Ensino em um único CNPJ, inclusive aquelas já administradas pelo Grupo Uniesp, atendendo também orientações do próprio Ministério da Educação e Ministério Público Federal, foram abertos outros processos de transferência de mantença no sistema eMEC (doe. 08), a saber: Processos: 201001142 (Faculdade de Ribeirão Preto); 201004349 (Faculdade Jauense); 201006305 (Instituto Superior de Ensino de Santo André); 201010807 (Faculdade de Música Carlos Gomes); 201013941 (Faculdade Fleming); 201101510 (Faculdade INED de Rio Claro); 201112619 (Faculdade Prudente de Moraes); 201210160 (Faculdade Integrada de Ensino Superior de Colinas). Contudo, a partir de 2011, a transferência de mantença passou a ser um processo muito demorado o que ocasionou um descompasso entre (i) a realização do negócio jurídico de aquisição da IES com sua incorporação à gestão administrativo Fl. 19140DF CARF MF 48 financeira na nova mantenedora, no qual estava fundamentado o pedido de transferência, e (ii) a autorização da transferência de mantença pelo MEC, o que levou temporariamente à situação de fato descrita pelo Fisco existência de 2 CNPJ num mesmo local físico, o da filial do Impugnante já aberto e o da IES adquirida que ainda não podia ser baixado e que foi equivocadamente interpretada pelo Fisco como um planejamento tributário fraudulento consistente em fragmentação da pessoa jurídica. (...) E nem se alegue que esse procedimento de adquirir novas IES e integrálas ao IESP via transferência de mantença teria sido uma estratégia do Impugnante para pagar menos tributos. Primeiro, porque tais aquisições se deram dentro de um contexto de expansão das atividades filantrópicas do Impugnante (e demais pessoas jurídicas do Grupo) cujos objetivos institucionais sempre foram disponibilizar ensino de qualidade a número cada vez maior de alunos carentes em locais distintos do território nacional. Segundo, porque muitas das aquisições, realizadas pelas mais diversas formas jurídicas, diziam respeito a instituições deficitárias, de modo que a expansão do Grupo Uniesp, inclusive do Impugnante, ocorreu mediante um alto custo tributário. De fato, conforme se verifica do "Demonstrativo de débitos federais RFB/PGFN" as empresas adquiridas possuíam significativos débitos tributários, os quais estão sendo efetivamente adimplidos mediante parcelamento pela Uniesp (docs. 06A e 06B das Alegações e Provas fls. 14934/14955 dos autos). Com efeito, em razão da aquisição de 92 instituições a soma de débitos tributários assumidos perfaziam, em 30/06/2016, o valor de R$196.079.171,90, sendo certo que já houve a quitação pela Uniesp, mediante parcelamento, do valor de RS 65.363.536,83, remanescendo o valor de R$ 130.715.635,07, que vem sendo regularmente quitado, (fls. 14934 a 14954 dos autos). Ou seja, a aquisição dessas IES pelo Grupo Uniesp, inclusive pelo Impugnante, longe de trazer prejuízos fiscais ao Poder Público, revelouse uma prática altamente vantajosa para o Fisco porque, em razão do saneamento da situação financeira dessas Instituições então deficitárias, o Poder Público está recuperando, via parcelamento, importância considerável de tributos que antes era absolutamente incobrável. (...) Vale referir que já se passaram mais de 2 anos e 8 meses desde a assinatura do referido TAC e mesmo tendo o Grupo Uniesp atendido todas as obrigações assumidas no âmbito do TAC, inclusive constituindo a UNIESP S/A, até agora o MEC não se desincumbiu da análise dos pedidos de transferência de mantença, tudo a corroborar o acima dito quanto à lentidão e inércia daquele órgão que tantos danos vem causando ao Grupo, o que deu origem ao ajuizamento das seguintes ações: Fl. 19141DF CARF MF Processo nº 19515.720367/201647 Acórdão n.º 1401002.724 S1C4T1 Fl. 19.118 49 1) Mandado de Segurança n° 100927866.2016.4.01.3400, sendo impetrados Secretário de Regulação e Supervisão do Ministério da Educação (SERES/MEC) e Secretário de Educação Superior do Ministério da Educação (SESU/MEC), que tramita perante a 20a Vara Federal do Distrito Federal, no qual foi concedida a liminar pleiteada para que a autoridade coatora "no prazo máximo de 30 (trinta) dias, análise e conclua o pedido de transferência de mantença de todas as instituições de ensino relacionadas no PA nº 1.34.001.002741 para UNIESP S/A., sob pena de multa diária de R$5.000,00" (doc.10) 2) Ação Ordinária 4937732.2015.4.01.3400, ajuizada pela UNIESP S/A. contra a União Federal e o FNDE, que tramita perante a 16a Vara Federal no Distrito Federal,objetivando, também em face da demora na solução do processo, suspender todas a limitações impostas ao Grupo por força do TAC. Em sede de Agravo de Instrumento n° 0006856 53.2016.4.01.0000/DF foi deferida a antecipação dos efeitos da tutela recursal para assegurar às autoras (i) suspensão do sobrestamento, no âmbito do MEC, dos processos de autorização de novos cursos; (ii) o ingresso de novos alunos via FIES; e (iii) a aquisição de novas instituições de Ensino (IESs) (doe. 11). Como se observa, foram muitos os dissabores sofridos pelo Grupo UNIESP em razão de infundadas denúncias e notícias que nem sempre se pautaram por apurar a verdade dos fatos, tudo em razão da vocação expansionista do Grupo que por vezes e temporariamente gerou irregularidades formais em contratos, regularização de CNPJ e outras, mas jamais se apurou em todas as investigações levadas a efeito pelas diversas autoridades que se debruçaram na análise dos fatos Ministério Público Federal, MEC, FNDE, CADE, Órgão de Defesa do Consumidor, e o próprio Poder Judiciário, a existência de dolo, fraude, simulação, conluio ou qualquer outro vício dessa natureza que maculasse os procedimentos adotados pelo Impetrante e pelas demais empresas do Grupo ou de seus controladores. Em sendo assim, absurdas (i) as acusações da fiscalização de prática de planejamento fiscal abusivo e fraudulento e de crimes contra a ordem tributária além da (ii) aplicação de multa qualificada de 150%, até porque não demonstrados nos autos de infração os requisitos legais para sua aplicação, como se demonstrará a seguir. III AUSÊNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS PARA APLICAÇÃO DA MULTA QUALIFICADA DE 150% Continua a reclamante: Como já referido acima, foi aplicada no caso concreto a multa qualificada de 150% com fundamento no art. 44, I, e par. 1º da Lei 9.430/96 na redação do art. 14 da Lei 11.488/07, pela suposta prática irregular e fraudulenta conhecida como fragmentação, uma forma de abuso da personalidade jurídica "onde uma empresa é dividida irregularmente em várias Fl. 19142DF CARF MF 50 entidades, com o fim de omitir ou reduzir tributos" que no caso teria implicado em omissão de receitas no Impugnante e simulação de receitas em outras empresas do Grupo, situação que caracterizaria em tese crimes de sonegação e lavagem de dinheiro. Contudo, além de, como demonstrado acima, os fatos tal como ocorridos em 2011 e 2012 não caracterizarem planejamento abusivo e fraudulento como pretendido pelo Fisco, ainda não ocorrem e sequer foram apontadas no caso concreto as circunstâncias previstas em lei que autorizariam a aplicação da multa qualificada. (...) A fiscalização, embora tenha discorrido sobre os motivos pelos quais a multa qualificada deveria se aplicar ao Impugnante, descrevendo as condutas por ele praticadas em razão das quais entende ser a ele aplicável a multa de 150%, invoca como fundamento legal apenas o artigo 44, I e parágrafo primeiro, da Lei 9.430/96, não explicando nem demonstrando qual(is) ato(s) dentre aqueles praticados pelo Impugnante se enquadraria(m) nas previsões dos artigos 71, 72 e 73 que permitisse à fiscalização lhe exigir o pagamento da multa qualificada. Nesse contexto, na parte em que pretende exigir do impugnante o pagamento da multa qualificada o lançamento é manifestamente nulo, valendo referir nesse sentido a jurisprudência administrativa, inclusive da CSRF, que, ao reconhecer que "A precisa indicação da infração e enquadramento legal é aspecto essencial na fixação da matéria tributável" conclui pela nulidade do lançamento por deficiência na indicação da infração e do dispositivo legal infringido, "verbis": "IRPF ERRO NA INDICAÇÃO DA INFRAÇÃO ENQUADRAMENTO LEGAL LANÇAMENTO NULO A precisa indicação da infração e enquadramento legal é aspecto essencial na fixação da matéria tributável de modo que eventual erro nesse aspecto do lançamento se constitui vício substancial e insanável e, portanto, enseja a nulidade do lançamento. Recurso especial negado. " (Acórdão n° 920201.956) (...) Ante o exposto, sem a exata tipificação da infração, resta demonstrada a absoluta improcedência da imposição da multa qualificada no caso concreto. IV A ISENÇÃO DO IRPJ E DA CSLL POR FORCA DO ARTIGO 8° DA LEI N° 11.096, de 13.01.2005 PROUNI Após reproduzir as informações produzidas pelo fisco, quanto às isenções decorrentes do art. 8º da Lei nº 11.096 de 2005 Prouni, constantes do TVF, continua a reclamante: (...) O Programa Universidade para Todos PROUNI, criado pela MP n" 213, de 10.09.2004, posteriormente convertida na Lei n° 11.096/2005, é destinado à concessão de bolsas de estudos Fl. 19143DF CARF MF Processo nº 19515.720367/201647 Acórdão n.º 1401002.724 S1C4T1 Fl. 19.119 51 integrais e parciais de 50% e 25% para cursos de graduação e tecnólogo, em instituições privadas de ensino superior, com ou sem fins lucrativos e oferece ainda a implementação de políticas afirmativas de acesso ao ensino superior aos auto declarados indígenas ou negros e aos portadores de deficiência. Com efeito, dispõe a Lei n° 11.096/2005, "verbis": (...) Ainda na vigência da MP n° 213, de 10.09.2004, foi editada a IN SRF 456/2004, regulamentando as isenções previstas no seu artigo 8o. Com a conversão na Lei n° 11.096/2005, sobreveio o Decreto n° 5.493, de 18.07.2005, que a regulamentou em vários aspectos ligados à instituição e funcionamento do PROUNI. Uma leitura atenta da legislação acima citada evidencia que se trata de um Programa totalmente administrado pelo MEC ao qual as IES aderem por meio de Termo de Adesão com vigência de 10 (dez) anos, obrigandose a conceder gratuidades a estudantes que lhes forem indicados/encaminhados pelo MEC, em quantidades especificadas na Lei n° 11.096/2005. Em contrapartida, e pelo prazo previsto no Termo de Adesão fazem jus a isenções de IRPJ, CSLL, PIS, COFINS sobre a receita e o lucro advindos da atividade de educação. Tratase, portanto, de isenção onerosa e a prazo certo, que nos termos do artigo 178 do Código Tributário Nacional, não pode ser revogada nem por norma legal posterior, "verbis": "Art. 178 A isenção, salvo se concedida por prazo certo e em função de determinadas condições, pode ser revogada ou modificada por lei, a qualquer tempo, observado o disposto no inciso Ilido art. 104. " E assim é porque, desde que atendidos o prazo e as condições previstas na lei que outorgou a isenção, ela gera direito adquirido para o contribuinte que arcou com os ônus que lhe foram impostos pelo legislador, direito este protegido pelo artigo 5º, XXXVI da CF/88. Nas palavras de Rubens Gomes de Sousa a isenção condicionada corresponde a um contato de direito público sob a forma de lei (Revista de Direito Administrativo n° 88, p.259). Tratase de entendimento pacificado na jurisprudência tendo o Supremo Tribunal Federal editado a respeito a Súmula n° 544, do seguinte teor: "Isenções tributárias concedidas sob condição onerosa, não podem ser livremente suprimidas." a qual vem sendo aplicada até hoje, inclusive às isenções do PROUNI: "I O acórdão recorrido encontrase em consonância com a jurisprudência desta Corte, no sentido de que a isenção tributária, quando concedida por prazo certo e mediante o atendimento de determinadas Fl. 19144DF CARF MF 52 condições, gera direito adquirido ao contribuinte beneficiado. Incidência da Sumula 544 do STF", REAgR n° 582.926 Rei. Min. Ricardo Lewandowski, DJU de 10.5.2011 "1. As isenções concedidas a prazo certo e sob condição incorporamse ao patrimônio do contribuinte, no sentido de serem intangíveis por legislação posterior." REsp 893.134, Rei. Min. Eliana Calmon, DJU de 29.10.2008. Vale referir a jurisprudência baixo que reconhece essa característica às isenções concedias no âmbito do PROUNI: (...) Pois bem. No caso concreto o IESP, ciente da carência social existente no país, tão logo lançado o ProUni pelo Ministro da Educação, apoiou a ação do MEC e suas Faculdades foram as primeiras instituições a aderirem ao Programa, disponibilizando 10% de suas vagas iniciais para ingresso de alunos ao ensino superior. Desde então, sempre cumpriu rigorosamente as obrigações impostas pelas normas legais vigentes, tanto que o Termo de Adesão jamais foi denunciado, como atestado pela própria fiscalização, "verbis": 'Aderiu ao PROUNI, Lei 11.096/2005, desde a implantação do programa em 2005." Em face disso, com a adesão do Impugnante ao Prouni, após observados os requisitos legais estabelecidos, passou a ter direito pelo prazo do Termo de Adesão às isenções de IRPJ e CSLL sobre o lucro decorrente das receitas obtidas com mensalidades escolares. Em atendimento às condições previstas em lei o Impugnante e suas IESs mantiveram com bolsas integrais e parciais no âmbito do PROUNI 4.308 estudantes em 2011 e 3.371 estudantes em 2012. O valor total de gratuidades correspondente a essas bolsas concedidas nos anos de 2011 e 2012 atingiu em valores de mensalidades atuais a importância de R$96.065.480.50. (doe. 12 e 13) Não obstante isso, invocando o artigo 4o da IN SRF n° 456, de 05.10.2004, que a pretexto de regulamentar a isenção de que tratava o art. 8o da MP 213/2004, convertida na Lei n° 11.096/2005, introduziu novas condições não previstas nem na MP e na Lei, a fiscalização suspendeu o direito do Impugnante às isenções de IRPJ e CSLL nos anos de 2011 e 20012 com a seguinte argumentação: (...) Ou seja, a suspensão das isenções de IRPJ e CSLL exigidas no caso concreto está embasada no artigo 4o da IN SRF 456, de 05.10.2004, que introduziu novas condições para gozo do benefício fiscal então não previstas na MP 213, de 10.09.2004 nem na Lei n° 11.096/2005 que exigem para tanto apenas a concessão de bolsas de estudos nos valores e quantidades nelas previstas. Fl. 19145DF CARF MF Processo nº 19515.720367/201647 Acórdão n.º 1401002.724 S1C4T1 Fl. 19.120 53 E de fato, nos termos do artigo Art. 9º, inciso II, c/c par. 1º e 2º da Lei 11.096/2005 apenas a desvinculação da instituição do PROUNI, que nos termos do parágrafo 1º é de competência exclusiva do MEC e somente pode ocorrer "após instauração de procedimento administrativo, assegurado o contraditório e o direito de defesa" é motivo para suspensão das isenções em causa, conforme previsto no parágrafo 2º, "verbis": (...) Como consequência, as isenções em causa, por prazo certo e sob condições onerosas, que não podem ser revogadas ou modificadas nem por força de outro norma legal expressa, estão sendo modificadas por força de simples Instrução Normativa do Secretário da Receita Federal. Acrescentese a isso que não constando da lei, à época da edição da IN SRF 456/2004, como condição para o gozo das isenções em causa as previsões do seu artigo 4º, caso tivesse o Impugnante praticado crime contra a ordem tributária as conseqüências seriam as cabíveis no âmbito tributário/penal e caso estivesse em débito com o Fisco as conseqüências seriam a exigência dos tributos devidos e negativa de expedição de CND, mas JAMAIS a perda das isenções em causa porque o Impugnante pagou, e muito, por elas ao conceder gratuidades em quantidades e valores até mesmo superiores aos exigidos pela lei instituidora das referidas isenções. Com efeito, como referido acima, o valor total de gratuidades concedidas pelo Impugnante só nos anos de 2011 e 2012 atingiu em valores atuais a importância de R$96.065.480,50. Se forem computadas as gratuidades relativamente a esses estudantes que permaneceram nos anos posteriores até a graduação o valor total da gratuidade atinge R$181.410.514,50 (doe. 12) Esses valores superam em muito o valor das isenções de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS usufruídas pelo Impugnante no período de 2011 e 2012, tributos que estão sendo exigidos neste processo (IRPJ/CSLL) e no Processo 19515.720619/201638 (PIS/COFINS) cujos valores do principal mais os juros de mora totalizam R$68.955942,67. Flagrante, portanto, a nulidade por ilegalidade das exigências de IRPJ e CSLL no presente caso, ao argumento de desatender o art. 4º da IN SRF 456/2005, não só por violação ao artigo 8º da Lei 11.096/2005, mas também por violação aos artigos 178 do CTN; 5o, XXXVI da CF/88; 6o, par. 1o e 2o da LICC que garantem o ato jurídico perfeito e o direito adquirido; o artigo 422 do CC que consagra o princípio da boafé objetiva e o artigo 884 do Código Civil que veda o enriquecimento sem causa, além de violação à Súmula 544 do STF, pois o Poder Público teria repassado para o Impugnante um dever que lhe compete de promover a educação para os mais necessitados, exigindo gratuidades na prestação dos serviços educacionais e, após o cumprimento dessa exigência pelo contribuinte, estaria rompendo o contrato firmado por força de lei (nas palavras de Rubens Gomes de Souza) ao exigir os tributos correspondentes Fl. 19146DF CARF MF 54 invocando condições não previstas na lei como causadoras da perda das isenções. Mas ainda que pudesse a IN SRF 456/2005 impor condições ao gozo de isenções além das então previstas em lei, o que se admite para argumentar, no caso concreto os fatos alegados pelo Fisco — crime contra a ordem tributária e débito de tributos como ensejadores do suposto d es atendimento ao artigo 4o da IN SRF 456/2004 não ocorreram. Com efeito, como demonstrado exaustivamente no Tópico I acima a temporária existência de 2 CNPJ em um mesmo estabelecimento não decorreu de planejamento tributário abusivo e fraudulento conhecido por fragmentação, mas de situação de fato que surgiu exclusivamente em razão da inércia do MEC em aprovar com a rapidez que se esperava os pedidos de transferência de mantença, sendo absurda a pretensão fiscal de enquadrar tais fatos como crimes contra a ordem tributária previstos no art. 1º, I e II e 2o, I da Lei n° 8.137/1990, pelo não ter sido comprovado nem mesmo cogitado nos autos de omissões dolosas de informações nem falsidade de declarações de qualquer espécie. Não bastasse isso, só se poderia (se a lei assim o dissesse) afastar a isenção condicionada e a prazo certo por prática de crime se tal ilícito penal já tivesse sido apurado em sede própria (Ministério Público e Poder Judiciário), jamais pelo simples entendimento fiscal de que determinada conduta em tese poderia ser crime contra a ordem tributária. Ademais, a própria Lei 11.096/2005 em seu artigo 9o, par. 3o, dispõe: § 3° As penas previstas no caput deste artigo não poderão ser aplicadas quando o descumprimento das obrigações assumidas se der em face de ratões a que a instituição não deu causa. Se assim é, e se tivesse o Impugnante descumprido alguma obrigação assumida no âmbito do PROUNI com a manutenção de 2 CNPJs num mesmo endereço, o que se admite apenas para argumentar, não poderia ele ser punido porque tal descumprimento teria ocorrido por razões a que não deu causa: inércia do MEC em aprovar os pedidos de transferência de mantença. Mas não é só. Também não ocorreu o fato previsto no parágrafo único do art. 4o da IN SRF 456, de 05.10.2004, ou seja, não comprovação de regular quitação dos tributos porque teria efetuado compensações não aceitas pelo Fisco. Parágrafo único. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativo às contribuições e imposto de que trata o art. 1º, fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, da resultar quitação dos mesmos. constatação: não cumpre Fl. 19147DF CARF MF Processo nº 19515.720367/201647 Acórdão n.º 1401002.724 S1C4T1 Fl. 19.121 55 O sujeito passivo declarou em GFIP compensações previdenciárias consideradas indevidas pela fiscalização. Intimado a esclarecer a quais créditos se referiam aqueles lançados em GFIP o IESP respondeu (ANEXO 20) se tratar de créditos de Títulos Públicos ainda não resgatados. Como esses títulos, ou não existem, ou não dão direito a credito, as compensações são totalmente indevidas. Em primeiro lugar cumpre ressaltar que nos períodos autuados as compensações feitas nos anos de 2009 e 2010 ainda não tinham sido glosadas e tão logo o foram passaram a ser discutidas no Processo Administrativo n° 16613.720004/201524 com exigibilidade suspensa por força da defesa administrativa apresentada, tudo nos termos do artigo 151, III do CTN, portanto, não se pode falar em falta de regular quitação dos débitos já que os débitos ainda não existiam porque o lançamento ainda não era definitivo. Vale ressaltar ainda, que como colocado pela própria fiscalização (fls. 7/8 do TVF) a multa isolada qualificada objeto do Processo n° 16613.720008/201511 foi parcelada e está sendo paga. Quanto ao tributo, cujo lançamento só se tornou definitivo em 04.10.2016, como asseverado no Termo de Verificação Fiscal, o Impugnante assim que for notificado ou pagará o débito ou levará a discussão da questão ao Judiciário. Em sendo assim, em qualquer hipótese, o crédito constituído definitivamente apenas em 2016 não pode jamais ser invocado/considerado débito para suspender isenções tributárias em 2011 e 2012. O mesmo se diga quanto às compensações feitas era 2011 e 2012 que no período autuado também não haviam sido ainda glosadas pelo Fisco, situação que permanece até hoje, como reconhecido pela fiscalização, portanto, o que havia à época e ainda há é pagamento por compensação, situação que obviamente não pode ser qualificada de falta de regular quitação de débitos naquele período. Tanto isso é correto que o Impugnante jamais teve negada por este motivo a expedição de qualquer certidão negativa ou positiva com efeito de negativa no período autuado (doe. 14). Assim, não bastasse a nulidade flagrante dos lançamentos fiscais de IRPJ e CSLL porque foram afastadas isenções onerosas e a prazo certo com base em condições previstas no artigo 4o da IN SRF 456/2004 que à época de sua edição não estavam previstas nem na MP nem na lei, a exigência é também improcedente porque os fatos alegados pela fiscalização não ocorreram, tendo havido, também por esta razão, violação aos artigos 8o da Lei 11.096/2005, 178 do CTN , 5o, XXXVI da CF/88; 6o, par. 1º e 2o Fl. 19148DF CARF MF 56 da LICC e 422 e 884 do CC, além da Súmula 554 do SF, como acima já demonstrado. Finalmente, cumpre mais uma vez consignar que a suspensão das isenções concedidas no âmbito do PROUNI, por serem onerosas e a prazo certo, somente podem ocorrer, na forma da lei art. 9o, inciso II, c/c par. Io e 2o da Lei 11.096/2005 caso haja a desvinculação da entidade do PROUNI, providência de competência exclusiva do MEC, a quem compete avaliar as irregularidades que eventualmente tenham ocorrido e decidir pela desvinculação. Sem essa desvinculação prévia, sujeita ao contraditório, incabível a suspensão das isenções porque o Termo de Adesão continuaria vigente e a instituição continuaria a arcar com os ônus das gratuidades, o que poderia acarretar a final para o Poder Público obrigação de indenizar. Como consequência, as supostas irregularidades apontadas pela fiscalização, invocando o artigo 195, par. 3o da CF/88 e o artigo 4° da IN SRF 456/2004, se existentes, deveriam, primeiro, dar causa a essa desvinculação a cargo do MEC e, só após, à suspensão das isenções pela Receita Federal. Flagrante, portanto, a improcedência dos autos de infração lavrados. V DA NÃO INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO Finalmente, impugna a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, uma vez que em sua opinião, a legislação somente autoriza a incidência desses juros sobre tributo ou multa isolada: (...) Com efeito, pelo que se infere da legislação tributária, esta somente autoriza a incidência dos juros sobre o valor atualizado do tributo ou da multa isolada. Contudo, não autoriza, como pretende o Fisco, o cálculo dos juros sobre o montante da multa de ofício. Cumprenos ressaltar, entretanto, que especificamente a este respeito há vários acórdãos, inclusive da Câmara Superior de Recursos Fiscais, reconhecendo o não cabimento da exigência dos referidos juros sobre a multa de ofício, conforme se verifica pela ementa a seguir reproduzida: "RECURSO ESPECIAL CONHECIMENTO. Não se deve ser conhecido o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional quando inexiste similitude fática entre o acórdão paradigma e o acórdão recorrido. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO INAPLICABILIDADE. Os juros de mora só incidem sobre o Fl. 19149DF CARF MF Processo nº 19515.720367/201647 Acórdão n.º 1401002.724 S1C4T1 Fl. 19.122 57 valor do tributo, não alcançando o valor da multa de ofício aplicada." (acórdão n° 910100.722, de 08.11.2010 destaques do Impugnante) (...) PEDIDO Ao fim, pede a reclamante, pelos fundamentos apresentados, que seja acolhida a impugnação e que se reconheça a insubsistência dos autos lavrados. 3. Do Termo de Arrolamento de Bens e Direitos Ao presente processo foram juntados cinco recursos aos Termos de Arrolamento de Bens e Direitos, fls. 15.717 a 15.759, 16.203 a 16.245, 16.679 a 16.724, 17.158 a 17.200 e 17.634 a 17.679. Acerca da matéria, observese tratarse de medida de preservação do crédito tributário lançado de ofício, prevista nos arts. 64 e 64A da Lei nº 9.532, de 1997. Os procedimentos para fins de arrolamento de bens e direitos, à época em que formalizado, estavam disciplinados na Instrução Normativa RFB n.º 1.171, de 07/07/2011, com as alterações promovidas pelas Instruções Normativas RFB nº 1.197, de 30/09/2011, e nº 1.206, de 01/11/2011 e, recentemente, encontrase em vigor a Instrução Normativa RFB 1565, de 11/05/2015. 4. Responsabilização Tributária. Foram apontados como responsáveis solidários do Contribuinte, pessoas físicas e jurídicas, conforme consta do TVF: (...) São solidariamente responsáveis pelos créditos constituídos neste procedimento fiscal, com base no disposto na Lei 5.172/66, artigo 124, inciso I, por serem os reais beneficiários dos resultados obtidos das atividades desenvolvidas pelo sujeito passivo: Sociedade Administradora e Gestão Patrimonial Ltda, CNPJ: 06.120.096/000108 José Fernando Pinto da Costa, CPF: 780.031.48804 Cláudia Aparecida Pereira, CPF: 051.715.24874 Sthefano Bruno Pinto da Costa, CPF: 337.655.72845 Bárbara Izabela da Costa, CPF: 382.020.78806 (...) A motivação da responsabilização solidária consta do corpo dos Autos de Infração, a saber: (...) Responsabilidade Tributária Responsabilidade Solidária de Fato Fl. 19150DF CARF MF 58 Motivação Abuso da personalidade da pessoa jurídica Confusão patrimonial Mesma atividade Igualdade de administradores Mesmos sócios Igualdade de endereço Interesse comum Real beneficiário de valores provenientes de tributos sonegados Planejamento tributário abusivo – Fragmentação Fraude no cadastro do CNPJ – 2 ou mais pessoas jurídicas atribuídas a um mesmo estabelecimento comercial Fraude contábil – 2 ou mais contabilidades atribuídas a um mesmo estabelecimento comercial Tudo conforme Relatório Fiscal / Termo de Verificação Fiscal Enquadramento Legal A partir de 01/01/2000 Art. 124, inciso I, da Lei n° 5.172/66. (...) Inconformados com sua inclusão como responsáveis solidários, o Sr. Sthefano Bruno Pinto da Costa e a Sra. Bárbara Isabela Costa apresentaram impugnação tempestiva em conjunto, fls. 18.347 a 18.365 e 18.378 a 18.396. A Impugnação, apesar de pedir ao final o cancelamento dos autos de infração, tratam, afora esta solicitação, exclusivamente da exclusão de seus nomes como responsáveis solidários. Os contribuintes trazem seu entendimento, além do conteúdo de jurisprudências e posicionamentos doutrinários, tentando demonstrar ser improcedente a preensão fiscal: DA RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA (...) Depreendese dos autos de infração e do mencionado termo que, no entender da fiscalização, a responsabilidade tributária dos Impugnantes decorreria exclusivamente da norma inserta no art. 124, incisos I, do CTN, em virtude de os mesmos serem os supostos "reais beneficiários dos resultados obtidos das atividades desenvolvidas" pelo IESP. Contudo, o i. Fiscal autuante não aponta indícios, muito menos apresenta elementos de prova capazes de demonstrar que os Impugnantes nos períodos autuados teriam recebido valores "distribuídos disfarçadamente" pelo IESP ou por instituições de ensino a ele ligadas, o que em sua visão lhe autorizaria a incluí los como responsáveis pelos débitos supostamente devidos pelo IESP. QUANTO AO MÉRITO 1 DA INAPLICABILIDADE AO CASO CONCRETO DO ART. 124 DO CTN Fl. 19151DF CARF MF Processo nº 19515.720367/201647 Acórdão n.º 1401002.724 S1C4T1 Fl. 19.123 59 Os impugnantes alegam que a fiscalização justifica suas inclusões como responsáveis por supostas ligações entre eles e o grupo UNIESP e transcreve parte das afirmações do fisco, e continua: (...) Após outras alegações, em que tenta demonstrar que não há participação de suas partes na administração das empresas e muito menos interesses em comum, tentam também solidar o entendimento que aos seus casos não cabe a aplicação do art. 124, I do CTN e, ao final: (...) Atualmente, essa questão encontrase devidamente solucionada pela doutrina e pela jurisprudência, administrativa e judicial, tendo prevalecido o entendimento de que o "interesse comum", a que alude o inciso I do art. 124, resta caracterizado em situações envolvendo pessoas situadas do mesmo "lado" da relação jurídica, eleita pela lei como fato gerador de determinado tributo, não havendo que se falar em interesse comum se as pessoas ocupam posições distintas naquela relação jurídica, como se depreende da lição do então Procurador da Fazenda Nacional e atualmente Desembargador do E. TRF da r Região Marcus Abrahan, "verbis": (...) Em resumo, portanto, o "interesse comum" referido no dispositivo deve ser jurídico, não meramente econômico, abrangendo situações em que as pessoas compõem o mesmo pólo da relação jurídica. (...) II DA IMPROCEDÊNCIA PELO MÉRITO DO LANÇAMENTO QUANTO ÀS EXIGÊNCIAS DO PIS, COFINS E IRF. (...) Ainda que se entenda cabível o arrolamento dos Impugnantes como responsáveis pelos tributos lançados contra o IESP, o que se admite apenas para fins de argumentação, não se pode deixar de mencionar que os respectivos autos de infração não se conformam à legislação tributária em vigor. Assim, na remota hipótese desta impugnação não ser acolhida, os Impugnantes se reportam aos fundamentos da defesa apresentada por aquela instituição, devendo ser considerados como integrantes desta, os quais conduzem ao cancelamento das exigências fiscais. O PEDIDO Ante o exposto, pedem e esperam os Impugnantes seja acolhida a presente Impugnação para o fim de se determinar a exclusão de seus nomes dos autos de infração objeto do presente processo por não se qualificarem como sujeitos passivos, ou então o cancelamento pelo mérito dos autos de infração lavrados, como medida de Direito e de Justiça. Fl. 19152DF CARF MF 60 Inconformados com sua inclusão como responsáveis solidários, O Sr. José Fernando Pinto da Costa e a Sra. Cláudia Aparecida Pereira apresentaram impugnação tempestiva em conjunto, fls. 18.419 a 18.436 e 18.487 a 18.504. A Impugnação, apesar de pedir ao final o cancelamento dos autos de infração, tratam (sic), afora esta solicitação, exclusivamente da exclusão de seus nomes como responsáveis solidários. Os contribuintes trazem seu entendimento, além do conteúdo de jurisprudências e posicionamentos doutrinários, tentando demonstrar ser improcedente a preensão fiscal: (...) E continua, ora se nem a lei pode prever a responsabilidade solidária entre os sócios, diretores, gerentes, administradores e as sociedades, menos ainda poderá fazêlo o intérprete da legislação como está a ocorrer no caso concreto. Ante o exposto, afirmam os impugnantes que resta inequivocamente demonstrado que o art. 124 do CTN não se aplica ao caso concreto. Nesse ponto, se reportam à defesa apresentada pelo IESP, mencionando que os respectivos autos de infração "não se conformam à legislação tributária em vigor." II DA IMPROCEDÊNCIA PELO MÉRITO DO LANÇAMENTO QUANTO ÀS EXIGÊNCIAS DO PIS, COFINS E IRF. Ao fim, "pedem e esperam os Impugnantes seja acolhida a presente Impugnação para o fim de se determinar a exclusão de seus nomes dos autos de infração objeto do presente processo por não se qualificarem como sujeitos passivos, ou então o cancelamento pelo mérito dos autos de infração lavrados, como medida de Direito e de Justiça". A Sociedade Administradora e Gestão Patrimonial Ltda, CNPJ 06.120.096/000108, também se manifesta contra o auto de infração e sua inclusão como responsável solidária pelos débitos apurados, através da impugnação tempestiva apresentada, fls. 18.440 a 18.456. A impugnante traz seu entendimento, além de conteúdo de jurisprudências e posicionamentos doutrinários, tentando demonstrar ser improcedente a pretensão fiscal: (...) DA RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA Mediante o Termo de Verificação Fiscal, que instrui os autos de infração lavrados contra o IESP, o i. Fiscal autuante pretende imputar à ora Impugnante a responsabilidade solidária pelo IRPJ e CSL, objeto dos referidos autos de infração. Depreendese dos autos de infração e do mencionado termo que, no entender da fiscalização, a responsabilidade tributária dos Impugnantes decorreria exclusivamente da norma inserta no art. 124, incisos I, do CTN, em virtude de os mesmos serem os supostos reais beneficiários dos resultados obtidos das atividades desenvolvidas" pelo IESP. Além dos próprios autos de infração lavrados contra a sociedade serem improcedentes, como demonstrado em Impugnação própria, a pretensão fiscal aqui em discussão é descabida e Fl. 19153DF CARF MF Processo nº 19515.720367/201647 Acórdão n.º 1401002.724 S1C4T1 Fl. 19.124 61 infundada, não encontrando amparo em nosso ordenamento jurídico, bem como destoando da interpretação dada àquele dispositivo legal pelo Superior Tribunal de Justiça e pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. (...) QUANTO AO MÉRITO I DA INAPLICABILIDADE AO CASO CONCRETO DO ART. 124 DO CTN (...) Ora, continua, "se nem a lei pode prever a responsabilidade solidária entre os sócios ou acionistas e, por extensão, empresas do mesmo grupo econômico ou que possuam controladores comuns, menos ainda poderá fazêlo o intérprete e aplicador da legislação como está a ocorrer no caso concreto". Ante o exposto, afirma a impugnante, que resta inequivocamente demonstrado que o art. 124 do CTN não se aplica ao caso concreto. (...) II DA IMPROCEDÊNCIA PELO MÉRITO DO LANÇAMENTO QUANTO ÀS EXIGÊNCIAS DO PIS, COFINS E IRF. (...) Nesse ponto, se reporta à defesa apresentada pelo IESP, mencionando que os respectivos autos de infração "não se conformam à legislação tributária em vigor". Ao fim, "pede e espera a Impugnante seja acolhida a presente Impugnação para o fim de se determinar a exclusão de seu nome dos autos de infração objeto do presente processo por não se qualificar como sujeito passivos, ou então o cancelamento pelo mérito dos autos de infração lavrados, como medida de Direito e de Justiça". (término da transcrição do relatório do acórdão da DRJ) A DRJ, por meio do Acórdão 0442.961, de 19 de maio de 2017, julgou improcedente a impugnação apresentada pela empresa, conforme a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. SOBRESTAMENTO. PRINCÍPIO DA AUTONOMIA PROCESSUAL. O processo administrativo fiscal é regido por princípios próprios, como o da oficialidade, que obriga a administração a impulsionálo até sua decisão final. Fl. 19154DF CARF MF 62 A autoridade administrativa não tem poderes para sobrestar o julgamento de litígio regularmente instaurado. IMUNIDADE E ISENÇÃO SUSPENSÃO. A imunidade tributária das instituições de educação ou de assistência social, decorrente da Constituição Federal e a isenção tributária das entidades sem fins lucrativos, decorrente da lei, poderão ser suspensas pela Receita Federal do Brasil, caso haja inobservância das condições fixadas em lei para o gozo dos benefícios. ARROLAMENTO DE BENS. A apreciação do procedimento de arrolamento de bens efetivado pela autoridade lançadora não se insere no âmbito de competência das Delegacias de Julgamento. INSTITUIÇÃO DE ENSINO SUPERIOR SEM FINS LUCRATIVOS BENEFICENTE. ADESÃO AO PROUNI. ISENÇÃO. Demonstrado pela fiscalização o descumprimento dos requisitos da IN SRF 456 de 05/10/2004, correta a suspensão do gozo do benefício fiscal. Além disso, as instituições privadas de ensino superior sem fins lucrativos e beneficentes, não têm direito à isenção do art. 8º da Lei nº 11.096, de 2005. A sua adesão ao programa possibilita apenas a adoção das regras contidas na Lei, para seleção dos estudantes beneficiados com bolsas integrais e bolsas parciais, em especial as regras previstas no art. 3º e no inciso II do caput e §§ 1º e 2º do art. 7o. De sorte que, em relação a elas, desnecessária é a suspensão da isenção. ARBITRAMENTO. Comprovado que a escrituração contábil da empresa possui vícios e deficiências que a tornam imprestável para determinação do lucro real, cabível é o arbitramento do lucro. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Comprovada a prática de atos visando ocultar do Fisco o conhecimento do fato gerador da obrigação tributária, aplicase a multa de ofício no percentual de 150%. JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual deve incidir juros à taxa Selic. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. Havendo interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, correto o arrolamento dos interessados como sujeitos passivos solidários. CSLL Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Aplicamse aos lançamentos da CSLL, os mesmos argumentos esposados para o IRPJ, naquilo em que há similitude dos motivos do lançamento e das razões de impugnação. Impugnação Improcedente Fl. 19155DF CARF MF Processo nº 19515.720367/201647 Acórdão n.º 1401002.724 S1C4T1 Fl. 19.125 63 Crédito Tributário Mantido Cientificada eletronicamente da decisão da DRJ na data de 07/06/2017 (efl. 18.644), e não satisfeita com a decisão da delegacia de piso, apresentou recurso voluntário em 04/07/2017 (efls. 18.653 a 18.791), conforme Termo de Análise de Solicitação de Juntada de efl. 18.652, repetindo basicamente os argumentos apresentados na impugnação. Conforme quadro abaixo, os responsáveis solidários pelo débito foram cientificados e apresentaram recurso voluntário nas seguintes datas: Solidário Ciência do Acórdão efl. Interposição do RV efl. Sociedade Administradora e Gestão Patrimonial 08/06/2017 18.646 05/07/2017 18.993 José Fernando Pinto da Costa 05/06/2017 18.640 05/07/2017 18.926 Cláudia Aparecida Pereira 08/06/2017 18.647 05/07/2017 18.926 Sthefano Bruno Pinto da Costa 08/06/2017 18.648 05/07/2017 19.022 Bárbara Izabela da Costa 08/06/2017 18.648 05/07/2017 19.022 No CARF, coube a mim a relatoria do processo. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Relator Todos os recursos são tempestivos e preenchem os demais requisitos de admissibilidade, portanto devem ser conhecidos. Delimitação da Lide Necessário delimitar que o caso requer análise de argumentos relativos à suspensão da imunidade/isenção atribuída à recorrente e, por conseguinte, o auto de infração de IRPJ e de CSLL lavrado em seu desfavor e dos responsáveis solidários: Sociedade Administradora e Gestão Patrimonial Ltda, CNPJ 06.120.096/000108; José Fernando Pinto da Costa, CPF 780.031.48804; Cláudia Aparecida Pereira, CPF 051.715.24874; Sthefano Bruno Pinto da Costa, CPF 337.655.72845; e Bárbara Izabela da Costa, CPF 382.020.78806. NULIDADE Superação das Arguições de Nulidade Fl. 19156DF CARF MF 64 Entendo que minha decisão pode vencer a análise das questões de nulidade, pois, como se verá adiante, firmei convicção de que o lançamento possui um vício insanável capaz de ensejar sua improcedência. Desta forma, proponho superar tal preliminar de nulidade, conforme teor do § 3º do art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, transcrito abaixo: Art. 59 (...) § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. PREJUDICIAL DE MÉRITO Decadência Assim como as questões de nulidade, também supero a alegação de decadência em relação à Notificação da suspensão e o ADE de suspensão da imunidade e isenção para avançar nas questões de mérito, conforme teor do § 3º do art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, já transcrito acima. MÉRITO Percebo que o lançamento tributário apresenta dois vícios que, a meu ver, são responsáveis por tornálo insubsistente: 1) como fundamento obiter dictum, a aferição da base de cálculo do arbitramento do lucro e das receitas a serem tributadas; e 2) como ratio decidendi, a falta de ato do Ministério da Educação para desvincular a recorrente do PROUNI. Antes de chegar à conclusão pela improcedência do lançamento fiscal, entretanto, principalmente em respeito ao trabalho extremamente meticuloso perpetrado pela autoridade fiscal, apresentarei minha opinião sobre algumas questões destacadas ao longo do processo administrativo fiscal. Desta forma, tudo que for tratado em relação à suspensão fiscal principalmente quando este relator entender que a isenção deve ser mantida deve ser relativizado em razão de minha conclusão sobre a falta de emissão de ato do MEC para desvincular a recorrente do Prouni, que impede a manutenção do lançamento fiscal. Imunidade Tributária e Isenção Fiscal A recorrente apresenta longa digressão sobre o conceito de imunidade tributária, sua abrangência e de sua importância às instituições de educação, que figuram como Fl. 19157DF CARF MF Processo nº 19515.720367/201647 Acórdão n.º 1401002.724 S1C4T1 Fl. 19.126 65 substitutas do Estado. Outrossim, estabelece premissas que vão ao encontro do objetivo de se conceder imunidade tributária e isenção a entidades que estão dispostas a tanto. Afirma que a lei não pode extrapolar as regras da Constituição Federal, exigindo tributos e impostos em situações alcançadas pela imunidade. Pois bem. Concordo com a recorrente quando afirma que a entidade imune/isenta, ou seja, sem fins lucrativos, não é impedida de desenvolver atividade remunerada, e de apurar resultado positivo; aliás, a contrario sensu, entendo que a entidade deve buscar o melhor resultado para que a atividade por ela desenvolvida alcance o maior número de indivíduos. Entretanto, há regras que precisam ser fielmente atendidas para que se possa usufruir do benefício da imunidade dos impostos exigidos pela União, Estados, Distrito Federal e Municípios. A Constituição Federal atribuiu à lei complementar o dever de regular as limitações constitucionais ao poder de tributar (art. 146, II), impedindo o Estado de tributar certos fatos quando preenchidas determinadas condições que devem ser seguidas pelas entidades que desejam se manter no regime de benefício da imunidade de impostos. Seguindo essa trilha, o Código Tributário Nacional estabeleceu determinadas condições essenciais a serem preenchidas por tais entidades imunes. Reproduzo o teor dos dispositivos inerentes ao que aqui se apregoa: Art. 14. O disposto na alínea c do inciso IV do artigo 9º é subordinado à observância dos seguintes requisitos pelas entidades nele referidas: I não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer título; II aplicarem integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais; III manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão. § 1º Na falta de cumprimento do disposto neste artigo, ou no § 1º do artigo 9º, a autoridade competente pode suspender a aplicação do benefício. § 2º Os serviços a que se refere a alínea c do inciso IV do artigo 9º são exclusivamente, os diretamente relacionados com os objetivos institucionais das entidades de que trata este artigo, previstos nos respectivos estatutos ou atos constitutivos. ______________ Art. 9º, inciso IV (...) c) o patrimônio, a renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência Fl. 19158DF CARF MF 66 social, sem fins lucrativos, observados os requisitos fixados na Seção II deste Capítulo; Quer dizer, já que é impossível regular todas as hipóteses das limitações constitucionais ao poder de tributar, por serem bem mais abrangentes e comportarem a regra, o legislador entendeu por bem consignar somente as hipóteses exceptivas que permitem ao ente federado tributar a entidade sujeita às regras de imunidade tributária, tornandose mais fácil e preciso para se definir quem se enquadra (ou não) em tal benefício fiscal. Parece fácil tal conclusão! Entretanto, citada precisão é relativizada quando se ingressa nos incisos do art. 14 do CTN e se tenta interpretar cada um deles. Daí é que podem surgir as celeumas que tanto cercam o caso em questão, as quais até me arrisco a indagar: a) o que se entende por distribuir "qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer título"? Vou além: a constatação de grupo econômico, por si só, pode franquear à conclusão de que o resultado de uma empresa pode ser atribuído à outra, ainda que tenham a mesma atividade e sejam domiciliadas em um mesmo endereço? b) o que pode ser entendido com a condição "aplicarem integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais"? c) quanto à escrituração comercial, basta demonstrar erros (inclusive rasos) da escrita contábil ou devem ser comprovadas falhas dantescas capazes de assegurar sua inexatidão? Pois bem. Antecipando a conclusão a que cheguei, entendo que a fiscalização demonstrou cabalmente que foi montado um arquétipo de operações para que o resultado das entidades sujeitas a tais benefícios fossem convertidos a seus fundadores. Inicialmente, convém consignar que um grupo econômico de fato pode ser apurado quando empresas compartilham receitas e despesas, efetuam contacorrente de recursos, utilizamse de funcionários em comum. Nada obstante, tal diferenciação não causa necessariamente uma obrigatoriedade de se jungirem os resultados contábeis e fiscais de todas as empresas ao extremo de caracterizálas como uma empresa só, imputandolhes todas as consequências jurídicas e tributárias que isto gera. E, pelo visto, não foi isso que a fiscalização fez. Tanto é que o lucro atribuído à recorrente não resulta do somatório das receitas de todas as empresas com similitude de atividades, mas sim de cálculo atribuído à massa salarial da ora recorrente. Isto porque a fiscalização entendeu que para manter a folha de pagamento da recorrente, havia necessidade de se apurar receita em montante maior do que aquela declarada pela empresa. Entretanto, como se verá adiante, entendo que, no caso concreto, a fiscalização deveria, sim, considerar todas as receitas derivadas da mesma atividade de prestação de serviços de ensino para efetuar o lançamento tributário. Voltando à análise, há que se observar, por outro lado, que o compartilhamento de negócios é mais aceitável quando presente em empresas situadas em uma mesma categoria fiscal. Pois, quando presentes interesses antagônicos dentro de um mesmo grupo, como exemplo, quando uma empresa necessita apresentar resultado positivo (por estar no lucro presumido menos oneroso) e outra negativo (por tributar pelo lucro real mais oneroso), abrese uma fenda para o descompasso entre a realidade fática e o que se externa nos Fl. 19159DF CARF MF Processo nº 19515.720367/201647 Acórdão n.º 1401002.724 S1C4T1 Fl. 19.127 67 documentos contábeis e fiscais, conveniente para o grupo econômico obter a tão almejada "economia fiscal". Esta, a meu ver, é a questão que "acendeu o alerta" ao fisco: de que a divisão de negócios perpetrada pelos administradores do indicado grupo econômico poderia estar sendo utilizada para atender aos seus interesses pessoais. E foram vários elementos que comprovam tal mandatório, descritos sinteticamente abaixo, mas que serão enfrentados mais adiante: 1) O Instituto Educacional do Estado de São Paulo participa de um grupo econômico de fato o Grupo Uniesp que tem como objetivo precípuo o lucro, o que contraria veementemente o seu objetivo estatutário de entidade de ensino sem fins lucrativos. 2) Afora esse pressuposto, o grupo ofereceu vantagens indevidas aos seus controladores, com objetivo de migrar renda das empresas do grupo (com e sem fins lucrativos) para seus benefícios. Grupo Econômico de Fato A meu ver o grupo econômico Uniesp foi devidamente caracterizado pela fiscalização. E não são poucas as razões que me fizeram concluir por isso. Na Notificação Fiscal que suspendeu a imunidade tributária e a isenção fiscal (efl. 13.374 a 13.404), a fiscalização consignou corretamente o seguinte: Entrega de 2 (duas) DIPJs para cada anocalendário A recorrente apresentou 2 (duas) DIPJs válidas para cada ano fiscalizado, o que já evidencia algo suspeito na conduta da recorrente. Uma DIPJ se referia à atividade regular e outra referiase a evento de incorporação. Interessante é que a DIPJ regular e a DIPJ de incorporação do anocalendário de 2011 referiramse ao período compreendido entre 01/01 e 31/12 do respectivo ano; no anocalendário de 2012, a DIPJ regular contemplou o período de 01/01 a 31/12, já a DIPJ de incorporação contempla o período é de 01/01 a 27/12/2012, ou seja, muito próximo de cobrir todo o ano de 2012. Além disso, as DIPJs apresentaram valores diferentes entre si, o que mostra total falta de sincronia entre as informações prestadas. Pergunto: qual era a intenção da recorrente em apresentar dois documentos informativos para um mesmo período? Talvez porque seus administradores tenham mantido duas empresas distintas em vários endereços de seus estabelecimentos e, em uma suposição, teriam o interesse, mas que não se concretizou nos anos objeto de lançamento, de incorporar a empresa com fins lucrativos adquirida pela recorrente pela empresa sem fins lucrativos (ora recorrente). Esta é outra questão que demonstra a ocorrência do grupo econômico a manutenção de duas empresas em um mesmo estabelecimento, que passo adiante a citar. Fl. 19160DF CARF MF 68 Empresas diferentes estabelecidas em um mesmo endereço Como já divulgado no relatório deste voto, a empresa manteve 2 (dois) estabelecimentos aliás 2 (duas) empresas em um mesmo endereço, durante o período abrangido pelo auto de infração. E mais, ambos os estabelecimentos praticaram a mesma atividade, qual seja, de ensino. A diferença entre ambos é que o estabelecimento da recorrente era entidade alcançada pela imunidade tributária e isenção fiscal; já o outro estabelecimento tinha fins lucrativos. Nas efls. 12.255 a 12.261 deste processo, a fiscalização anexou planilha que comprova a utilização de dois estabelecimentos de empresas distintas do grupo econômico em um mesmo endereço. E, como visto neste processo, tratase de um estabelecimento da ora recorrente entidade "sem" fins lucrativos e um estabelecimento de outra empresa do grupo econômico empresa com fins lucrativos . Empresas sujeitas a controle de uma holding Todas as empresas envolvidas estavam direta ou indiretamente sujeitas a controle de uma holding, antes denominada União dos Institutos de Ensino Superior de São Paulo (Uniesp) e atualmente denominada Sociedade de Administração e Gestão Patrimonial LTDA, CNPJ 06.120.096/000108, que possui patrimônio relevante e recebe recursos advindos das empresas do grupo Uniesp. Assim sob o "guardachuva" da citada holding, praticaramse estratégias para permitir que os recursos levantados com o benefício fiscal fossem direcionados, sem compaixão, para a holding e, posteriormente, a seus sócios. Mais à frente, tratarei das questões que envolveram a holding. Contratos de aluguel entre as empresas do grupo Os imóveis em que eram estabelecidas as filiais da recorrente pertenciam à holding do grupo econômico, Sociedade de Administração e Gestão Patrimonial LTDA. A recorrente celebrou contratos de aluguel com a holding em condições desfavorecidas de mercado, demonstrando nitidamente a interferência dos gestores do grupo econômico para violar as regras de valor justo praticada por pessoas em situações opostas (locador e locatário) no mercado. Além disso na emissão de Cédulas de Crédito Imobiliário (CCIs), instrumento pelo qual o grupo econômico conseguia antecipar recursos que seriam advindos dos aluguéis, a recorrente oferecia a própria receita como garantia para que a holding recebesse os recursos dos CCI. Confusão Patrimonial A confusão patrimonial nas empresas do grupo é patente: Uma empresa geralmente com fins lucrativos é a intermediadora dos contratos do FIES firmados entre os alunos e o Governo Federal, e é ela quem emite o diploma Fl. 19161DF CARF MF Processo nº 19515.720367/201647 Acórdão n.º 1401002.724 S1C4T1 Fl. 19.128 69 para os alunos, e também é a empresa cadastrada no PROUNI. Por outro lado, a recorrente, também domiciliada no mesmo endereço da referida empresa, é quem mantinha sob sua guarda a folha de pagamento de seus colaboradores e declarava o valor da contribuição previdenciária em sua GFIP (Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social) aproveitando dos benefícios que lhe eram concedidos no caso da folha de pagamento, isenção de contribuição previdenciária patronal . Além disso, em análise das demonstrações financeiras auditadas apresentadas pelos gestores do grupo Uniesp, é de se concluir que a confusão patrimonial foi devidamente consignada pela empresa de auditoria independente. Os casos são variados, mas trago como exemplo a empresa Centro de Ensino e Cultura de Auriflama (CNPJ 04.323.073/000175), que, por sua vez, "funciona" no mesmo endereço da filial 63.083.869/004235 da recorrente: V AC SP 310 Artur F. Neto s/n Km 2,8 Auriflama SP, CEP 15.350000. Na demonstração de resultado (efl. 13.059), foi informada uma receita bruta da Auriflama de R$ 7.784.617 (sete milhões, setecentos e oitenta e quatro mil seiscentos e dezessete reais), mas somente R$ 270.543 (duzentos e setenta mil, quinhentos e quarenta e três reais) se referem à despesa com pessoal. Desta forma, a referida empresa contabilizou com despesas tributárias o valor de R$ 19.065 (dezenove mil e sessenta e cinco reais), o que lhe permitiu apurar um lucro líquido do exercício de R$ 7.243.660 (sete milhões, duzentos e quarenta e três mil e seiscentos e sessenta reais). Tal resultado permitiu ao Centro de Ensino e Cultura de Auriflama distribuir o valor de R$ 7.266.923 (sete milhões duzentos e sessenta e seis mil, novecentos e vinte e três reais), conforme Demonstração do Fluxo de Caixa (efl. 13.061) a título de lucro, cujos beneficiários foram os administradores do Grupo Uniesp, José Fernando Pinto da Costa, que recebeu R$ 3.633.461,53 (efl. 13.618), e Cláudia Aparecida Pereira que recebeu R$ 3.633.461,53. As Notas explicativas das Demonstrações Financeiras demonstram que as empresas do grupo estavam conciliando as mensalidades a receber (efls. 13.250, 13.269, 13.288, 13.307, 13.344, 13.352), ou seja, efetuando uma composição das mensalidades. Ora, isso é uma prova evidente da confusão existente entre as empresas do grupo Uniesp, uma vez que o Grupo somente se utilizava das empresas lucrativas para distribuir lucros a seus sócios e angariar recursos para a continuidade e expansão, contra legem, de sua operação. Conclusão sobre o Grupo Econômico de Fato Pelo que foi amplamente exposto, entendo que a fiscalização comprovou a existência do Grupo Econômico de fato Grupo Uniesp. Por conseguinte, devese avaliar se o grupo econômico foi constituído para iludir o pagamento de tributo ao fisco, focando principalmente na transposição de receitas e despesas entre as empresas do grupo e na destinação proibida dos resultados levantados pelas entidades imunes e isentas, situadas em condição favorável em relação às empresas concorrentes que desenvolvem a mesma atividade de ensino. Fl. 19162DF CARF MF 70 E da análise de alguns itens trazidos acima, já se pode perceber que o grupo econômico tinha objetivos díspares às entidades que se sujeitam a prestar serviços submetidos à imunidade tributária e isenção fiscal. Passo a dispor sobre as questões que violaram a Constituição Federal, o Código Tributário Nacional, a Lei nº 9.532/1997 e a Lei nº 11.096/2005: Distribuição de parcela de seu patrimônio e inaplicação integral de seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais A fiscalização elencou os requisitos que foram descumpridos pela recorrente em relação aos benefícios fiscais a que estava sujeita (efl. 15.441): 1) Imunidade tributária do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS – CF/1988, artigo 150, inciso VI, alínea “c”. a) A entidade está em débito com o sistema da seguridade social, CF/88, artigo 195, § 3º. b) A entidade distribuiu (disfarçadamente) lucros a seus controladores, Lei 5.172/66, artigo 14, inciso I. c) A entidade remunerou seus dirigentes, indiretamente, através da distribuição disfarçada de lucros, Lei 9.532/97, artigo 12, §2º, inciso “a”. d) A entidade não aplicou integralmente seus recursos na manutenção de seus objetivos sociais, Lei 5.172/66, artigo 14, inciso II, e Lei 9.532/97, artigo 12, §2º, inciso “b”. e) A entidade não apresentou contabilidade regular, Lei 5.172/66, artigo 14, inciso III, e Lei 9.532/97, artigo 12, §2º, inciso “c”. f) A entidade não apresentou documentação que comprove suas receitas e despesas, Lei 9.532/97, artigo 12, §2º, inciso “d”. g) A entidade não apresentou declaração de rendas conforme disposto em ato da SRFB, Lei 9.532/97, artigo 12, §2º, inciso “e”. h) A entidade não recolheu as contribuições para a seguridade social retidas nos rendimentos pagos aos empregados, Lei 9.532/97, artigo 12, §2º, inciso “f”. i) A entidade não assegurou a destinação de seu patrimônio à entidade congênere ou órgão público em caso de extinção, Lei 9.532/97, artigo 12, §2º, inciso “g”. 2) Isenção tributária do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS – Lei 9.532/1997, artigo 15. a) A entidade está em débito com o sistema da seguridade social, CF/88, artigo 195, § 3º. b) A natureza jurídica da entidade tem características de sociedade empresarial e não de associação privada, por não corresponder a uma coletividade típica de uma união de pessoas, Lei 9532/97, artigo 15, combinado com Lei 10406/02, artigo 53. Fl. 19163DF CARF MF Processo nº 19515.720367/201647 Acórdão n.º 1401002.724 S1C4T1 Fl. 19.129 71 c) A natureza jurídica da entidade tem características de sociedade empresarial e não de associação privada, por exercer atividade com fins econômicos, ou seja, atividade comercial, Lei 9532/97, artigo 15, combinado com Lei 10406/02, artigo 53. d) A entidade remunerou seus dirigentes, indiretamente, através da distribuição disfarçada de lucros, Lei 9532/97, artigo 12, §2º, inciso “a”. e) A entidade não aplicou integralmente seus recursos na manutenção de seus objetivos sociais, Lei 9532/97, artigo 12, §2º, inciso “b”. f) A entidade não apresentou contabilidade regular, Lei 9532/97, artigo 12, §2º, inciso “c”. g) A entidade não apresentou documentação que comprove suas receitas e despesas, Lei 9532/97, artigo 12, §2º, inciso “d”. 3) Isenção tributária do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS – Lei 11.096/2005 (PROUNI), artigo 8º. a) A entidade está em débito com o sistema da seguridade social, CF/88, artigo 195, § 3º, e IN SRF 456/04, artigo 4º, § único. b) A entidade praticou atos que configuraram, em tese, crimes contra a ordem tributária, IN SRF 456/04, artigo 4º, caput. Impactos com a suspensão Inicialmente, importante frisar que o impacto que uma desqualificação dessas causa na sociedade, imprescinde de uma análise fria, imparcial e cautelosa. O grupo Uniesp é responsável por atender milhares de alunos; e, uma vez que grande parte deles aderiu aos programas de benefício do Governo Federal, como o FIES, nos faz concluir que a decisão sobre a manutenção ou não da imunidade e isenção fiscal atingirá pessoas com poder aquisitivo mais desfavorável, que tiveram grandes dificuldades na vida pessoal e escolar. Enfim, são milhares de vidas, de famílias, que concentram todos os seus esforços para realizarem o sonho de conseguir um diploma de nível superior. E a recorrente, sabedora de sua relevância no desempenho de sua atividade, gasta boa parte de sua peça recursal para tratar de sua importância na sociedade, em razão da atividade que foi a ela delegada pelo Estado (efls. 18.658 e 18.659): "Contribuir para o desenvolvimento da cultura da pesquisa científica, da tecnologia e do ensino no Brasil; Promover e divulgar o ensino em todos os graus, ciclos e modalidades, além da prestação de serviço social, cultural e educacional, visando ao progresso cultural e social de São Paulo e do Brasil; Manter, provendo com todos os recursos, as escolas ou cursos e demais atividades que instale, administre ou dirija; Assistir aos alunos das escolas mantidas, administradas ou dirigidas pela Instituição, principalmente os que são reconhecidamente pobres, na forma de concessão de Bolsas de estudo ou outras formas assistenciais aprovadas por sua administração; Criar, instalar e manter estabelecimentos de ensino e demais atividades educacionais de forma a elevar o nível social e cultural na cidade e no Fl. 19164DF CARF MF 72 país; Criar e manter serviços educativos, assistenciais e culturais que beneficiam os estudantes e adolescentes em geral da localidade e do país". (...) Elenca outros serviços assistenciais, cita sua importância para a prosperidade da nação para, em conclusão, alegar que faz jus à imunidade tributária e a isenção fiscal (efl. 18.660): Tratase, portanto, de atuação com profundos e transformadores impactos no desenvolvimento do Brasil, em aspectos basilares para a prosperidade de nação. Nesse contexto, o Recorrente faz jus à imunidade tributária de que trata a alínea "c" do inciso VI, do art. 150, da Constituição Federal, bem como à isenção tributária estabelecida pelo art. 15, da Lei 9.532/97 e pelo art. 8o da Lei nº 11.096/06. Todavia, a análise e conclusão sobre a avaliação a ser feita quanto a este caso, deve perpassar da simples premissa da emoção. Para isso, devese ter em mente que quem cometeu o delito não foi a Fazenda Nacional, mas sim os responsáveis pelo arquétipo montado com o nítido propósito do enriquecimento ilícito. Querer atribuir ao fisco o dever de cautela que deveria ser das pessoas que se "dispuseram" a ingressar em tal atividade, é fazer como um jogador de futebol, que simula um pênalti para provocar a torcida a hostilizar o árbitro. Pode até ser que um indício ou uma prova, analisados de maneira isolada, tornase prova fraca diante da complexidade da análise de uma atividade tão relevante ao poder público, e, mais ainda, às pessoas destinatárias desses préstimos. Por sua vez, quando esses vários indícios e provas são conectados entre si, resta muito claro o famigerado propósito latente na mente dos organizadores do modelo perpetrado. E a fiscalização demonstrou que o grupo econômico utilizouse da fragmentação de empresas com objetivo de omitir e reduzir tributos. Empresas diferentes estabelecidas em um mesmo endereço e Entrega de 2 (duas) DIPJs para cada anocalendário A conservação de 2 (dois) estabelecimentos em um mesmo endereço permitiu ao grupo econômico desviar recursos, receitas e despesas de uma empresa para outra, para que a carga tributária fosse reduzida ao mesmo tempo em que o resultado positivo fosse destinado a seus administradores. A entrega de 2 (duas) DIPJs por ano já indicava algo suspeito no procedimento adotado pela recorrente, mesmo que se tivessem naturezas diferentes, pois não houve sequer a citada incorporação de empresas motivadora da entrega da DIPJ de incorporação. A empresa alega que teve dificuldades em efetuar as alterações societárias devidas em razão das aquisições feitas durante os períodos objeto de lançamento alterar seu estatuto e documentos fiscais em tempo suficiente para comportar todas as aquisições feitas durante os períodos objeto de lançamento. Entretanto, não só este fato, mas principalmente a conduta de deslocar receitas e custos de uma empresa para outra não podem impedir a conclusão a que a fiscalização chegou. Fl. 19165DF CARF MF Processo nº 19515.720367/201647 Acórdão n.º 1401002.724 S1C4T1 Fl. 19.130 73 Empresas sujeitas a controle de uma holding, Contratos de Aluguel, CCI O controle efetuado por meio de uma holding é algo comum em grupos empresariais. Entretanto, quando se trata de entidades sem fins lucrativos, há de se investigar sobre tal propósito, pois não faz muito sentido possuir uma empresa com fins lucrativos dentro de um grupo econômico que é eminentemente formado por entidades sem fins lucrativos. Os contratos de aluguel em valores, no mínimo, suspeitos por representarem valores acima do mercado , indicam sistematicamente o intento do grupo em se locupletar. Como amplamente demonstrado no Termo de Verificação Fiscal, a holding do grupo mantinha a propriedade dos imóveis que eram alugados à recorrente. Assim, os alugueis eram estabelecidos pelos sócios do grupo econômico para que a holding ficasse com parte do resultado, uma vez que os valores estavam bem acima do mercado. A fiscalização apresentou a seguinte conclusão em relação aos contratos de aluguel (efl. 15.457): O segundo passo era a confecção de um contrato de locação entre a empresa “holding”, que adquiriu o imóvel, e a faculdade do mesmo grupo que em geral é uma entidade ISENTA ou FILANTRÓPICA. O contrato era em geral de 60 a 72 meses. O valor total das locações, no final do contrato, representava um valor próximo ao valor de mercado dos imóveis. Os aluguéis usualmente tinham um período de baixo valor (entre 12 ou 36 meses), em que o aluguel corresponde a cerca de 0,6% do valor do imóvel, para depois passar para valores que vão de 1% a 3,46% do valor do imóvel. Destacase que o mercado de aluguel comercial opera com um percentual de 0,8% a 1,1% do valor do imóvel, o que implica que os valores de aluguel praticados eram acima do mercado. Mas não é só isso! Não era só o aluguel, algumas vezes exorbitantes, que fez com que o grupo empresarial crescesse exponencialmente. Utilizouse de um instrumento de alavancagem para antecipação desses recebíveis decorrentes do contratos de aluguel, as denominadas CCIs (Cédulas de Crédito Imobiliário). A holding adquiria os imóveis onde estavam localizadas as entidades sem fins lucrativos no caso, a ora recorrente . Após firmar os contratos de aluguel em alguns casos, em valor acima do mercado , a holding lançava os CCIs que eram adquiridos por Fundos de Pensão, como Petros (Fundo de Pensão dos funcionários da Petrobrás) e Postalis (Fundo de Pensão dos funcionários dos Correios). Desta forma, o grupo empresarial recebia numerários expressivos decorrentes das antecipações e conseguia "fazer" caixa para adquirir mais e mais estabelecimentos de ensino. É de se concluir que o grupo econômico afastouse completamente de seu propósito de entidade sem fins lucrativos para se tornar um grupo empresarial com o claro Fl. 19166DF CARF MF 74 objetivo de expansão, para cada vez mais ganhar o mercado e distribuir resultados aos principais interessados, os sócios de fato e de direito de todo o grupo empresarial. E essa expansão não pode ser invocada como se fosse permitido à recorrente, pela lei, ampliar sua atividade somente por destinar o resultado de seu negócio na sua atividade, pois causa concorrência desleal por se tratar de empresa em situação economicamente favorável entidade com ônus tributário reduzido . Mas não foi apenas isso que ocorreu! Como visto amplamente aqui neste voto, sabese que o resultado era encaminhado à holding do grupo e posteriormente às pessoas físicas beneficiadas. Distribuição disfarçada de lucros A distribuição do resultado positivo aos sóciosadministradores também foi comprovada pelo fisco: a empresa com fins lucrativos apurava resultado positivo, que era convertido para os sócios administradores do Grupo Uniesp em forma de dividendos. Por outro lado, na entidade sem fins lucrativos no caso, a recorrente mantinhase uma receita mínima para garantir o pagamento dos custos e despesas que eram ali alocados, principalmente para arcar com a folha de pagamento dos funcionários da entidade, cujo montante também era alcançada pela isenção das contribuições previdenciárias. Além disso, houve distribuição de lucros de empresas deficitárias. A DRJ citou exemplos em seu voto, os quais passo a reproduzir abaixo (efl. 18.589): Vejamos o que ocorre na prática. Analisando os recebimentos de lucros pelos sócios José Fernando e Cláudia aparecida, tomando por base o demonstrativo preparado pelo fisco, constante das fls. 13.395 a 13.396, que contém seus recebimentos, suas declarações de rendimentos e as DIPJ apresentadas. Para a análise, utilizaremos as três primeiras empresas citadas, ASSOCIAÇÃO PAULISTA DE ENSINO LTDA, ORGANIZAÇÃO SULSANCAETANENSE DE EDUCAÇÃO E CULTURA LTDA e CENTRO DE ENSINO E CULTURA DE AURIFLAMA LTDA. As três entidades, conforme o demonstrativo, foram adquiridas em 2012. Não obstante, ainda em 2012, distribuíram aos dois sócios, respectivamente os valores de R$ 13.511.325,60, R$ 8.337.108,12 e 7.266.923,06. A Associação Paulista de Ensino, CNPJ 06.277.088/000170, declara em sua DIPJ do exercício de 2013 (anocalendário de 2012), o rendimento bruto RB, de R$ 18.530.434,00 e um lucro líquido de R$ 16.496.748,00, uma lucratividade impressionante de 89,03%, para uma empresa deficitária e recém adquirida. O Centro de Ensino e Cultura de Auriflama Ltda, CNPJ 04.323.073/000175, apresenta DIPJ do exercício de 2013 com apuração zerada, não obstante as distribuições dos lucros. Já a Organização Sulcaeteanense, CNPJ 02.240.444/000120, apresentou DIPJ do exercício de 2013 originalmente zerada, retificando com informação de receita somente em 2016. Informa RB no montante de R$ 12.371.671,64 e distribui R$ 7.266.923,06. O valor dessa distribuição chega à impressionante marca de 67,4% sobre o RB. Fl. 19167DF CARF MF Processo nº 19515.720367/201647 Acórdão n.º 1401002.724 S1C4T1 Fl. 19.131 75 As informação acima são no mínimo inusitadas. Empresas deficitárias, recém adquiridas, com distribuição de lucros exorbitantes, refletem tudo aquilo que o fisco demonstrou. Na DIRPF 2013, anocalendário 2012, os sócios José Fernando Pinto da Costa (anexo 17) e Cláudia Aparecida Pereira (anexo 18) declararam terem recebido cerca de R$ 61 milhões de reais a título de dividendos de várias pequenas faculdades recentemente adquiridas. A maioria dessas faculdades estava sem atividade, algumas eram deficitárias e, por isso, não teriam condições de apurar lucros exorbitantes se não fossem a ela desviados resultados que deveriam ser da própria recorrente, ainda mais considerando que no domicílio/endereço correspondente, funcionava no ano de 2012 um estabelecimento da IESP, conforme consta no anexo 28 (efls. 13.819 a 13.828). Desta forma, evidente está a distribuição de parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer título, e a não aplicação integral dos recursos levantados na manutenção dos seus objetivos institucionais. A recorrente alega que não se pode atribuir o resultado de uma empresa com fins lucrativos à outra sem fins lucrativos no caso, a própria recorrente para fins de concluir que o resultado distribuído aos sócios, por meio das empresa com fins lucrativos, podem motivar a suspensão da imunidade e da isenção fiscal. Ora, é correto o procedimento da fiscalização em atribuir o resultado de uma empresa a outra. Quem criou a confusão patrimonial foi o próprio grupo econômico a que pertence a recorrente, ao alocar receitas, custos e despesas e folha de pagamento ao seu arbítrio e interesse. Querer deslocar a culpa para a fiscalização é alegar sua própria torpeza. Apesar de todo o exposto, entretanto, como se verá adiante, percebo que a fiscalização deveria adotar a confusão patrimonial como premissa também para efetuar a composição da base de cálculo do arbitramento do lucro ou seja, considerar o somatório de todas as receitas, custos e despesas , já que indica e comprova que as empresas pertenciam ao mesmo Grupo Uniesp e deslocavam receitas e despesas de acordo com sua conveniência. Débito com a seguridade social A recorrente também estava em débito com a seguridade social. A fiscalização alegou que a empresa não possuía Certidão Negativa de Débito para todo o período coberto pelo procedimento fiscal (efl. 15.473): O sujeito passivo não comprovou cumprir o requisito de possuir as Certidões elencadas neste inciso: CND Previdenciária – não constam para os períodos: 14/02/2011 a 11/05/2011; 16/11/2011 a 14/12/2011; 13/06/2012 a 19/06/2012; 18/12/2012 a 30/01/2013. CND Fazendária – não consta para o período de 02/11/2011 a 09/11/2011. CR FGTS – não constam para os períodos: 17/02/2011 a 15/03/2011; 15/04/2011 a 17/04/2011; 03/08/2011; 03/10/2011 a 05/10/2011; 22/02/2012; 21/07/2012 a 23/07/2012; 30/11/2012 a 02/12/2012. Fl. 19168DF CARF MF 76 Contabilidade imprestável A contabilidade da recorrente tornouse insuficiente para a verificação fiel de suas operações: Reproduzo abaixo os principais motivos que me fizeram concordar com as afirmações da fiscalização sobre a imprestabilidade da escrita contábil da recorrente (efls. 15.448 a 15.451): Falta de individualização das operações Os livros contábeis apresentados (Diário e Razão) contêm lançamentos efetuados sem individualização, sem clareza e sem caracterização do documento respectivo. (...) Os valores elevados mostram que os lançamentos são feitos por totalização, englobando as mensalidades de vários alunos, porém como mencionado, não foi apresentado o respectivo Livro Diário Auxiliar, como exige a legislação, não permitindo assim, que fossem individualizadas as operações para verificação uma a uma. Falta de clareza na descrição das operações tomando a mesma conta 4101 – “mensalidades graduação” como exemplo, todos os lançamentos efetuados nesta conta apresentaram a mesma descrição: “mensalidades” ou “líquido cobrança”, o que não deixou claro quais as operações registradas. Esperase, como clareza, para este tipo de operação: a identificação do aluno, do curso e do estabelecimento, dentre outros fatores que determinaram o valor da mensalidade. Assim, não foi possível a verificação das operações, uma a uma. Falta de caracterização do documento respectivo tomando a mesma conta 4101 – “mensalidades graduação” como exemplo, não há nenhum tipo de caracterização dos documentos que respaldam os lançamentos. Esperase, como caracterização do documento respectivo, o número e o tipo de documento, como por exemplo, Nota Fiscal nº tal, data emissão tal. Mais um motivo que impediu a verificação das operações, uma a uma. Omissão de receitas – como descrito anteriormente, eram efetuadas duas contabilidades para cada estabelecimento do sujeito passivo, uma em seu nome e outra em nome de uma empresa com fins lucrativos. O sujeito passivo era efetivamente a pessoa jurídica que prestava os serviços de educação, pois somente ele possuía os recursos para tanto, em especial, somente o sujeito passivo tinha funcionários. Porém, as receitas eram divididas fraudulentamente, com a atribuição de uma segunda personalidade jurídica para cada estabelecimento de ensino, com uma contabilização paralela. A omissão de receita será detalhada em um capítulo próprio neste relatório. Falta de comprovação de despesas – através dos termos de intimação lavrados, foram solicitados documentos comprobatórios do primeiro e do último mês do período sob fiscalização, ou seja, janeiro de 2011 e dezembro de 2012, das seguintes contas de despesas: 3.1.3.01.001 Energia Elétrica; 3.1.3.01.002 Água e Esgoto; 3.1.3.01.003 Telefonia Fixa; 3.1.3.01.004 Telefonia Celular; 3.1.3.02.001 Serviços Tomados PJ; 3.1.3.02.002 Serviços Tomados PF; 3.1.3.02.006 Honorários Profissionais; 3.1.4.01.001 Imóveis; 3.1.4.01.002 Aluguel. No total, foram solicitados comprovantes de 104 lançamentos de despesas do mês de janeiro de 2011 e 620 lançamentos do mês de dezembro de 2012, além de lançamentos a crédito nestas mesmas contas, cuja natureza até o momento é uma incógnita. Fl. 19169DF CARF MF Processo nº 19515.720367/201647 Acórdão n.º 1401002.724 S1C4T1 Fl. 19.132 77 Dos 104 lançamentos de janeiro de 2011, 33 não foram apresentados, e dos 620 lançamentos de dezembro de 2012, 482 não foram apresentados, fls. 12.435 a 12.993. Omissão de despesas – o sujeito passivo não contabilizou a totalidade de suas Folhas de Pagamentos mensais no ano de 2012, documento este que registra a remuneração mensal paga aos segurados que lhe prestaram serviços, de acordo com a legislação trabalhista e previdenciária. O total anual das Folhas é de R$ 88 milhões, enquanto foram contabilizados apenas R$ 53 milhões. Mesmo que extraídas várias condições não atendidas pela recorrente, o que é de maior relevo é a omissão contumaz de receitas, custos e despesas e da confusão existente entre as contabilidades das empresas do Grupo Uniesp, em razão do deslocamento das rubricas de uma empresa para outra e viceversa. Desta forma, foi comprovada a imprestabilidade da contabilidade da recorrente. Arbitramento do lucro e da receita e Base de cálculo de tributação A fiscalização efetuou o arbitramento do lucro com fundamento no art. 47, inciso II, alínea 'b', da Lei 8.981/1995 (base legal do art. 530, inciso II, alínea 'b', do RIR/99): Art. 47. O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando: II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraude ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: (...) b) determinar o lucro real. Isto porque entendeu a auditoria fiscal que a recorrente, por ter deslocado receitas, custos e despesas de uma empresa para outra, manteve sua escrituração irregular, a qual não correspondia à realidade fática, evidenciando indícios de fraude e contendo vícios, erros e deficiências que a tornasse imprestável. A recorrente, por sua vez, alega que a fiscalização se apegou a erros rasos para desconsiderar sua contabilidade. Também, afirma que a falta de apresentação dos livros comerciais auxiliares não poderia causar o arbitramento do lucro por escrituração imprestável. Pois bem. Tenho que concordar com a fiscalização. Como já dito, no período objeto dos fatos geradores apurados, a empresa cresceu demasiadamente em razão dos financiamentos obtidos junto ao Governo Federal; assim, para alcançar seu objetivo, contra legem, de adquirir o maior número de instituições de ensino que lhe permitissem alavancar consideravelmente suas atividades, tudo isso com o propósito de beneficiar seus associados e administradores do grupo Uniesp, relegou a um segundo plano a transcrição fiel dos fatos jurídicos nos seus registros contábeis e fiscais, que lhe permitiam se manter no regime de benefício fiscal dos impostos e contribuições. É de se Fl. 19170DF CARF MF 78 perceber que a voracidade da recorrente era tamanha que nada obstava seu interesse meramente econômico. E foi aí que pecou a recorrente. A fiscalização demonstrou que este compartilhamento de resultados entre empresas situadas em um mesmo endereço, mas que tinham naturezas completamente distintas uma sem fins lucrativos e outra com fins lucrativos é que tornou prova cabal da incongruência dos lançamentos contábeis existentes nos livros comerciais da recorrente. E não se trata de um mero argumento frouxo da fiscalização. Tratase de premissa essencial para a manutenção da recorrente no benefício da imunidade tributária e da isenção fiscal, o que foi esquecido pela recorrente, talvez por entender que nada a impedia de crescer exponencialmente, já que estava sob a máscara da entidade que presta bons serviços à sociedade. Até aqui, pareceme correto o lançamento fiscal. Entretanto, o critério estabelecido pelo fisco para aferir a base de cálculo a partir da massa salarial da recorrente, por se tratar de empresa prestadora de serviços, é incongruente com a premissa adotada pela própria autoridade fiscal, de que a confusão patrimonial é fato relevante para considerar todas as empresas pertencentes ao mesmo grupo econômico. Veja a redação do art. 51, VII, da Lei 8.981/1995 (base legal do art. 535, VII, do RIR/99). Art. 51. O lucro arbitrado das pessoas jurídicas, quando não conhecida a receita bruta, será determinado através de procedimento de ofício, mediante a utilização de uma das seguintes alternativas de cálculo: (...) VII 0,8 (oito décimos) da soma dos valores devidos no mês a empregados; Ora, se a fiscalização acusa e a meu ver, comprova que a caracterização do grupo econômico se deveu em razão da confusão patrimonial existente, deveria o fisco utilizar de todas as receitas, custos e despesas para aferir a base de cálculo da tributação, em obediência ao caput do art. 51 transcrito acima. De acordo com o ilustre professor Paulo de Barros Carvalho, a regramatriz de incidência tributária comporta duas proposições: o antecedente e o consequente. Desta forma, para que tal regra esteja perfeita e acabada, o ato jurídico do lançamento tributário deverá comportar todas representações/critérios decorrentes da hipótese de incidência tributária. Quanto ao consequente tributário, assim afirma o renomado jurista: Nada mais é necessário para que possamos identificar uma obrigação tributária, espécie do gênero relação jurídica. Sua representação lógica poderia ser expressa com a seguinte notação simbólica: Cst≡Cp(sa.sp).Cq(bc.al). Em que “Cst” é o consequente tributário; “Cp” é o critério pessoal; “sa” o sujeito ativo; “sp” o Fl. 19171DF CARF MF Processo nº 19515.720367/201647 Acórdão n.º 1401002.724 S1C4T1 Fl. 19.133 79 sujeito passivo; “Cq” o critério quantitativo; “bc” a base de cálculo; “al” a alíquota; e “.” novamente o conjuntor ou multiplicador lógico. 1 No caso concreto, a fiscalização estabeleceu corretamente os critérios material, temporal e espacial, que tratam da proposição antecedente na regramatriz de incidência; outrossim, definiu corretamente o critério pessoal e, parcialmente, o critério quantitativo este em relação à alíquota; entretanto, o critério quantitativo referente à base de cálculo foi equivocadamente distorcido, quando o fisco deixou de aferir a base de cálculo com base no somatório da receita bruta de todas as empresas operacionais do Grupo Uniesp para lançar mão do arbitramento do lucro com base na folha da pagamento somente da IESP, deixando de utilizar o faturamento das empresas operacionais com e sem fins lucrativos . Desta forma, entendo que incorreu o fisco em erro de fundamentação legal, pelo que proponho exonerar o lançamento tributário. Todavia, este é apenas um fundamento obiter dictum para excluir o lançamento fiscal, eis que o erro material de efetuar o lançamento sem o correspondente ato emitido pelo MEC, em relação ao Prouni, é a ratio decidendi para dar provimento ao recurso voluntário do contribuinte, que será doravante destacado. Suspensão da isenção do Prouni Se a recorrente tão somente estivesse abarcada pela imunidade tributária e pela isenção fiscal de entidade sem fins lucrativos, nos termos do art. 15 da Lei nº 9.532/1997, entendo que os Atos Declaratórios de Exclusão poderiam amparar o lançamento fiscal aqui discutido. Ocorre que a recorrente também aderiu o Programa Universidade para Todos (PROUNI), o qual possui regras próprias. Quanto à suspensão da isenção pelo Prouni, a fiscalização constatou que a empresa estava em débito com a seguridade social, conforme já demonstrado neste voto, pela falta de CND para alguns períodos alcançados por esta fiscalização. Outra questão é que, segundo o fisco, foi demonstrado crime contra a ordem tributária decorrente da prática contumaz de omissão de fato gerador dos tributos aqui lançados, e também pelo fato da empresa ter deslocado faturamento, custos, despesas e folhas de pagamento de uma empresa para outra. Independentemente de violação das regras estabelecidas pela Instrução Normativa que regulou o Programa Universidade para Todos (PROUNI) IN SRF nº 456/2004 , mormente em seu artigo 5º, entendo que há um vício que inquina o lançamento tributário. É que o Prouni é um programa totalmente administrado pelo MEC, e que corresponde a uma isenção onerosa por prazo determinado. 1 extraído em 22/07/2018 do endereço eletrônico: https://www.ibet.com.br/paraumateoriadanormajuridicada teoriadanormaaregramatrizdeincidenciatributariaporpaulodebarroscarvalho/ Fl. 19172DF CARF MF 80 E que, para o ingresso e manutenção de uma entidade no Programa Univerisdade para Todos (PROUNI), há que se seguirem regras estabelecidas pela Lei nº 11.096/2005, dentre as quais aquelas destacadas em seu art. 1º: Art. 1º Fica instituído, sob a gestão do Ministério da Educação, o Programa Universidade para Todos PROUNI, destinado à concessão de bolsas de estudo integrais e bolsas de estudo parciais de 50% (cinqüenta por cento) ou de 25% (vinte e cinco por cento) para estudantes de cursos de graduação e seqüenciais de formação específica, em instituições privadas de ensino superior, com ou sem fins lucrativos. Nos artigos 5º a 7º, o legislador elencou outras condições para o ingresso e manutenção da entidade de ensino superior no PROUNI, atribuindo ao Ministério da Educação o dever de regulamentação (destaquei): Art. 5º A instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, poderá aderir ao Prouni mediante assinatura de termo de adesão, cumprindo lhe oferecer, no mínimo, 1 (uma) bolsa integral para o equivalente a 10,7 (dez inteiros e sete décimos) estudantes regularmente pagantes e devidamente matriculados ao final do correspondente período letivo anterior, conforme regulamento a ser estabelecido pelo Ministério da Educação, excluído o número correspondente a bolsas integrais concedidas pelo Prouni ou pela própria instituição, em cursos efetivamente nela instalados. § 1º O termo de adesão terá prazo de vigência de 10 (dez) anos, contado da data de sua assinatura, renovável por iguais períodos e observado o disposto nesta Lei. § 2º O termo de adesão poderá prever a permuta de bolsas entre cursos e turnos, restrita a 1/5 (um quinto) das bolsas oferecidas para cada curso e cada turno. § 3º A denúncia do termo de adesão, por iniciativa da instituição privada, não implicará ônus para o Poder Público nem prejuízo para o estudante beneficiado pelo Prouni, que gozará do benefício concedido até a conclusão do curso, respeitadas as normas internas da instituição, inclusive disciplinares, e observado o disposto no art. 4o desta Lei. § 4º A instituição privada de ensino superior com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente poderá, alternativamente, em substituição ao requisito previsto no caput deste artigo, oferecer 1 (uma) bolsa integral para cada 22 (vinte e dois) estudantes regularmente pagantes e devidamente matriculados em cursos efetivamente nela instalados, conforme regulamento a ser estabelecido pelo Ministério da Educação, desde que ofereça, adicionalmente, quantidade de bolsas parciais de 50% (cinqüenta por cento) ou de 25% (vinte e cinco por cento) na proporção necessária para que a soma dos benefícios concedidos na forma desta Lei atinja o equivalente a 8,5% (oito inteiros e cinco décimos por cento) da receita anual dos períodos letivos que já têm bolsistas do Prouni, efetivamente recebida nos termos da Lei no 9.870, de 23 de novembro de 1999, em cursos de graduação ou seqüencial de formação específica. Fl. 19173DF CARF MF Processo nº 19515.720367/201647 Acórdão n.º 1401002.724 S1C4T1 Fl. 19.134 81 § 5º Para o ano de 2005, a instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, poderá: I aderir ao Prouni mediante assinatura de termo de adesão, cumprindolhe oferecer, no mínimo, 1 (uma) bolsa integral para cada 9 (nove) estudantes regularmente pagantes e devidamente matriculados ao final do correspondente período letivo anterior, conforme regulamento a ser estabelecido pelo Ministério da Educação, excluído o número correspondente a bolsas integrais concedidas pelo Prouni ou pela própria instituição, em cursos efetivamente nela instalados; II alternativamente, em substituição ao requisito previsto no inciso I deste parágrafo, oferecer 1 (uma) bolsa integral para cada 19 (dezenove) estudantes regularmente pagantes e devidamente matriculados em cursos efetivamente nela instalados, conforme regulamento a ser estabelecido pelo Ministério da Educação, desde que ofereça, adicionalmente, quantidade de bolsas parciais de 50% (cinqüenta por cento) ou de 25% (vinte e cinco por cento) na proporção necessária para que a soma dos benefícios concedidos na forma desta Lei atinja o equivalente a 10% (dez por cento) da receita anual dos períodos letivos que já têm bolsistas do Prouni, efetivamente recebida nos termos da Lei no 9.870, de 23 de novembro de 1999, em cursos de graduação ou seqüencial de formação específica. § 6º Aplicase o disposto no § 5º deste artigo às turmas iniciais de cada curso e turno efetivamente instaladas a partir do 1o (primeiro) processo seletivo posterior à publicação desta Lei, até atingir as proporções estabelecidas para o conjunto dos estudantes de cursos de graduação e seqüencial de formação específica da instituição, e o disposto no caput e no § 4o deste artigo às turmas iniciais de cada curso e turno efetivamente instaladas a partir do exercício de 2006, até atingir as proporções estabelecidas para o conjunto dos estudantes de cursos de graduação e seqüencial de formação específica da instituição. Art. 6º Assim que atingida a proporção estabelecida no § 6º do art. 5º desta Lei, para o conjunto dos estudantes de cursos de graduação e seqüencial de formação específica da instituição, sempre que a evasão dos estudantes beneficiados apresentar discrepância em relação à evasão dos demais estudantes matriculados, a instituição, a cada processo seletivo, oferecerá bolsas de estudo na proporção necessária para estabelecer aquela proporção. Art. 7º As obrigações a serem cumpridas pela instituição de ensino superior serão previstas no termo de adesão ao Prouni, no qual deverão constar as seguintes cláusulas necessárias: I proporção de bolsas de estudo oferecidas por curso, turno e unidade, respeitados os parâmetros estabelecidos no art. 5o desta Lei; Fl. 19174DF CARF MF 82 II percentual de bolsas de estudo destinado à implementação de políticas afirmativas de acesso ao ensino superior de portadores de deficiência ou de autodeclarados indígenas e negros. § 1º O percentual de que trata o inciso II do caput deste artigo deverá ser, no mínimo, igual ao percentual de cidadãos autodeclarados indígenas, pardos ou pretos, na respectiva unidade da Federação, segundo o último censo da Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IBGE. § 2ª No caso de nãopreenchimento das vagas segundo os critérios do § 1o deste artigo, as vagas remanescentes deverão ser preenchidas por estudantes que se enquadrem em um dos critérios dos arts. 1o e 2o desta Lei. § 3º As instituições de ensino superior que não gozam de autonomia ficam autorizadas a ampliar, a partir da assinatura do termo de adesão, o número de vagas em seus cursos, no limite da proporção de bolsas integrais oferecidas por curso e turno, na forma do regulamento. § 4º O Ministério da Educação desvinculará do Prouni o curso considerado insuficiente, sem prejuízo do estudante já matriculado, segundo critérios de desempenho do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior SINAES, por duas avaliações consecutivas, situação em que as bolsas de estudo do curso desvinculado, nos processos seletivos seguintes, deverão ser redistribuídas proporcionalmente pelos demais cursos da instituição, respeitado o disposto no art. 5º desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.509, de 2007) § 5º Será facultada, tendo prioridade os bolsistas do Prouni, a estudantes dos cursos referidos no § 4o deste artigo a transferência para curso idêntico ou equivalente, oferecido por outra instituição participante do Programa. No art. 9º, por sua vez, estabeleceu expressamente como seria a fiscalização e exclusão do regime, destacando que o MEC deveria aplicar as penas para as entidades que descumprissem as regras estabelecidas na isenção (destaques meus): Art. 9º O descumprimento das obrigações assumidas no termo de adesão sujeita a instituição às seguintes penalidades: I restabelecimento do número de bolsas a serem oferecidas gratuitamente, que será determinado, a cada processo seletivo, sempre que a instituição descumprir o percentual estabelecido no art. 5o desta Lei e que deverá ser suficiente para manter o percentual nele estabelecido, com acréscimo de 1/5 (um quinto); II desvinculação do Prouni, determinada em caso de reincidência, na hipótese de falta grave, conforme dispuser o regulamento, sem prejuízo para os estudantes beneficiados e sem ônus para o Poder Público. § 1º As penas previstas no caput deste artigo serão aplicadas pelo Ministério da Educação, nos termos do disposto em regulamento, após a instauração de procedimento administrativo, assegurado o contraditório e direito de defesa. Fl. 19175DF CARF MF Processo nº 19515.720367/201647 Acórdão n.º 1401002.724 S1C4T1 Fl. 19.135 83 § 2º Na hipótese do inciso II do caput deste artigo, a suspensão da isenção dos impostos e contribuições de que trata o art. 8o desta Lei terá como termo inicial a data de ocorrência da falta que deu causa à desvinculação do Prouni, aplicandose o disposto nos arts. 32 e 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, no que couber. § 3º As penas previstas no caput deste artigo não poderão ser aplicadas quando o descumprimento das obrigações assumidas se der em face de razões a que a instituição não deu causa. Assim, se atendidas todas as condições acima citadas, a entidade de ensino superior estaria apta a ser incluída e mantida no PROUNI e a usufruir da isenção de impostos e contribuições nos termos do artigo 8º, do mesmo diploma legal (destaquei): Art. 8º A instituição que aderir ao Prouni ficará isenta dos seguintes impostos e contribuições no período de vigência do termo de adesão: (Vide Lei nº 11.128, de 2005) I Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas; II Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, instituída pela Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988; III Contribuição Social para Financiamento da Seguridade Social, instituída pela Lei Complementar no 70, de 30 de dezembro de 1991; e IV Contribuição para o Programa de Integração Social, instituída pela Lei Complementar no 7, de 7 de setembro de 1970. § 1º A isenção de que trata o caput deste artigo recairá sobre o lucro nas hipóteses dos incisos I e II do caput deste artigo, e sobre a receita auferida, nas hipóteses dos incisos III e IV do caput deste artigo, decorrentes da realização de atividades de ensino superior, proveniente de cursos de graduação ou cursos seqüenciais de formação específica. § 2º A Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda disciplinará o disposto neste artigo no prazo de 30 (trinta) dias. § 3º A isenção de que trata este artigo será calculada na proporção da ocupação efetiva das bolsas devidas. (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). Pois bem. Por se tratar de isenção onerosa e por prazo determinado, o Prouni permite à instituição de ensino gozar do benefício fiscal como se tivesse um direito adquirido para tanto, não podendo ser revogada a qualquer tempo por norma legal posterior, conforme consignado no art. 178 do CTN: Art. 178 A isenção, salvo se concedida por prazo certo e em função de determinadas condições, pode ser revogada ou modificada por lei, a qualquer tempo, observado o disposto no inciso III do art. 104. Fl. 19176DF CARF MF 84 Assim, para que a entidade tivesse sua suspensão decretada, por meio de Ato Declaratório de Exclusão por parte da RFB, deverseia preceder à sua desvinculação do PROUNI um ato expedido pelo Ministério da Educação (MEC). E não foi isto que ocorreu! A empresa aderiu ao Prouni desde o seu nascedouro (no ano de 2005), conforme doc. 06 do Recurso Voluntário, e estava amparada pelo benefício, ao menos, pelo prazo de 10 (dez) anos subsequentes à assinatura do termo de adesão ao programa. Outrossim, vêse que a recorrente estava mantida no programa no período objeto do lançamento fiscal que aqui se discute, fato este reconhecido pelo fisco em seu Termo de Verificação Fiscal e afirmado pela recorrente em suas peças processuais. O próprio MEC, mesmo que indiretamente, afirma que a empresa estava incluída no Prouni quando impõe ao Grupo Uniesp uma série de restrições para concessão do Prouni e do FIES, no ano de 2013 ou seja, posterior ao período objeto de lançamento , e, além disso, não cita que a empresa estaria excluída do referido programa. Desta feita, é de reconhecer que a fiscalização somente poderia efetuar o lançamento fiscal se a recorrente estivesse desvinculada do Prouni, por ato expedido pelo MEC, para, posteriormente, solicitar emissão de Ato Declaratório de Exclusão da Receita Federal, para, enfim, efetuar o lançamento fiscal. Este também é o entendimento emanado no julgamento do processo nº 15983.000362/201031, que gerou o acórdão nº 1302001.773, da 2ª Turma / 3ª Câmara, da sessão de 02 de fevereiro de 2016, de relatoria do Conselheiro Alberto Pinto S. Jr.: Assunto: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2005 ISENÇÃO. PROUNI. São irrefutáveis os fundamentos da decisão recorrida, a qual cancelou os lançamentos em tela, por não ter a Autoridade lançadora observado os procedimentos estabelecidos no art. 5º da IN/SRF nº 456/2004, para suspensão da isenção tributária de entidades que aderiram ao PROUNI. Enquanto não houver o ato do Ministério da Educação, desvinculando a instituição do PROUNI, sequer pode ser suspensa a isenção tributária de instituição participante desse Programa, por descumprimento das condições estabelecidas na Lei 11.096/05. Por fim, cabe trazer à lume que a DRJ inaugura uma interpretação, quando afirma que o Prouni não se aplica a entidades sem fins lucrativos. A lei que rege o Prouni em momento algum apresenta tal discrepância de tratamentos. Até é curioso entender que entidades sem fins lucrativos teriam menos acesso a benefícios fiscais do que entidades com fins lucrativos. A meu ver, tal premissa é totalmente incoerente, pelo que afasto o fundamento adicional da DRJ. Diante de tudo que nos autos consta e do que foi exposto, os lançamentos aqui apreciados, quer sob qualquer ângulo que se aviste, não podem ser mantidos, pelo que proponho dar provimento ao recurso voluntário. Fl. 19177DF CARF MF Processo nº 19515.720367/201647 Acórdão n.º 1401002.724 S1C4T1 Fl. 19.136 85 Demais argumentos Em razão do afastamento do lançamento fiscal, tornamse prejudicados os questionamentos quanto à aplicação da multa qualificada, dos juros sobre a multa de ofício e da atribuição da responsabilidade solidária. Conclusão Diante do exposto, voto por SUPERAR as arguições de nulidade para, no mérito, DAR provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Fl. 19178DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.938358/2011-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 29/02/2004
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO.
Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de restituição. Além disso, é indispensável a retificação da DCTF.
Numero da decisão: 3401-005.268
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da Turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente da Turma), Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Cássio Schappo e Lázaro Antônio Souza Soares.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de restituição. Além disso, é indispensável a retificação da DCTF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da Turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente da Turma), Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Cássio Schappo e Lázaro Antônio Souza Soares. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 93 83 58 /2 01 1- 35 Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10980.938358/201135 Acórdão n.º 3401005.268 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Cuida o presente processo de Pedido de Restituição referente a Pagamento Indevido ou a Maior de contribuição para o COFINS, solicitado através do PER/DCOMP. O Interessado foi cientificado de que, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. O Interessado apresentou Manifestação de Inconformidade, onde sustenta que o Despacho Decisório deixou de analisar a questão principal do Pedido de Restituição apresentado, qual seja, a restituição dos valores recolhidos indevidamente a título de contribuição para o COFINSem face da inconstitucionalidade da Lei nº 9718/98, uma vez que a referida contribuição incidiu sobre Receitas Financeiras e Outras Receitas. A DRJ/BHE, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, constatando que não houve omissão do Despacho Decisório quanto ao mérito da demanda, uma vez que a fundamentação para o indeferimento do Pedido de Restituição indica que o Darf foi utilizado integralmente para fazer face a débito confessado pelo contribuinte em DCTF. Informa também que, para modificar o fundamento desse ato administrativo, cabe ao recorrente demonstrar erro no valor declarado ou nos cálculos efetuados pela RFB. Porém, na situação dos autos, o contribuinte não apresentou nenhuma prova de que, na apuração de COFINSdo período analisado, incluiu receitas financeiras ou outras receitas indevidamente na base de cálculo, de forma a caracterizar o pagamento indevido ou a maior de tributo. Irresignada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário, no qual repisa toda a argumentação já exposta na sua Manifestação de Inconformidade sobre a inconstitucionalidade do art. 3º, §1°, da Lei n° 9.718/98, que alargou a base de cálculo do PIS e da Cofins. No entanto, desta feita requer a juntada de demonstrativos e documentos contábeis, os quais alega fazerem prova do pagamento indevido ou a maior de tributo, pedindo sua apreciação em respeito ao Princípio da Verdade Material. Em anexo, apresentou duas planilhas de cálculo do valor original do PIS e da Cofins, comprovantes de pagamento dos DARF's e folhas do seu Livro Razão. É o relatório. Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10980.938358/201135 Acórdão n.º 3401005.268 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401005.257, de 27 de agosto de 2018, proferido no julgamento do processo 10980.938340/201133, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401005.257): "O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conheci mento. Passo a analisar, a seguir, os temas questionados pelo Recorrente. Pretende o contribuinte seja reconhecido seu direito de creditarse do valor de R$ 568,44, objeto de Pedido de Restituição referente a Pagamento Indevido ou a Maior de contribuição para o PIS/Pasep, solicitado através de PER/DCOMP. A DRJ/BHE julgou sua Manisfestação de Inconformidade improcedente, pois o contribuinte não apresentou nenhuma prova de que, na apuração de PIS/Pasep do período analisado, incluiu receitas financeiras ou outras receitas indevidamente na base de cálculo, de forma a caracterizar o pagamento indevido ou a maior de tributo. No seu Recurso Voluntário, o contribuinte busca corrigir esta deficiência probatória, anexando duas planilhas de cálculo do valor original do PIS e da Cofins, comprovantes de pagamento dos DARF's e folhas do seu Livro Razão. Contudo, entendo que ainda sim não restou comprovado o alegado pagamento a maior. Isto porque o Recorrente não fez prova do valor que deveria ter sido recolhido, no período, a título de contribuição para o PIS/Pasep. Com efeito, a indicação de rubricas contábeis com receitas financeiras e outras receitas, as quais, no entendimento do Recorrente, deveriam estar excluídas da base de cálculo das contribuições, não significa que tais valores foram efetivamente computados no cálculo inicial. Nos pedidos de restituição de tributos pagos indevidamente ou a maior, é necessário que o contribuinte apresente toda sua escrituração fiscal referente ao período para que nova apuração seja realizada, a fim de ser cotejada com a Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10980.938358/201135 Acórdão n.º 3401005.268 S3C4T1 Fl. 5 4 apuração inicial e assim verificar eventuais excessos ou déficits. Com os documentos apresentados, não é possível sequer comprovar que as receitas elencadas na planilha foram realmente incluídas no cálculo inicial (que resultou na apuração de R$ 15.058,00). Apesar de ter anexado uma planilha com a memória de cálculo das contribuições, o Recorrente não apresentou as rubricas contábeis, constantes do Livro Razão, que pudessem comprovar o valor total das receitas sobre as devem incidir as alíquotas das contribuições. Ao invés, anexou apenas as folhas do Razão com as receitas financeiras que deveriam ser excluídas do cálculo. Observese que até mesmo as receitas de exportação, que foram originalmente excluídas, também deveriam ser conferidas através dos registros contábeis. Em suma, deveria ser feita uma nova apuração das contribuições, o que restou inviabilizado pela ausência da documentação contábil necessária. O art. 170 da Lei nº 5.172/66 (CTN) determina a necessidade de liquidez e certeza do crédito. Apesar de se referir literalmente à compensação, obviamente aplicase também à restituição: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Nos pedidos de compensação ou de restituição, o ônus de comprovar a liquidez e certeza do crédito pleiteado permanece a cargo do contribuinte, conforme art. 373 do Código de Processo Civil de 2015: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Além disso, pelo quanto exposto no Despacho Decisório, verifico que a alocação integral do DARF para quitação de débito do contribuinte indica que, ao tempo da sua emissão, a DCTF que continha este débito não havia sido retificada. O Recorrente não apresentou qualquer prova de que, mesmo a destempo, tenha feito tal retificação. Nos termos do Parecer COSIT nº 02, de 2015, a retificação da DCTF é imprescindível para comprovação do pagamento indevido ou a maior. Por tudo quanto exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário." Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10980.938358/201135 Acórdão n.º 3401005.268 S3C4T1 Fl. 6 5 Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 75DF CARF MF
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