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7479759 #
Numero do processo: 10530.721997/2013-23
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2011 PENSÃO ALIMENTÍCIA. DEDUTIBILIDADE. COMPROVAÇÃO. Os pagamentos, devidamente comprovados, de pensão alimentícia, devida em decorrência de decisão judicial, são dedutíveis da base de cálculo do imposto sobre a renda de pessoa física.
Numero da decisão: 2001-000.664
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE RICARDO MOREIRA

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7443951 #
Numero do processo: 13881.720022/2017-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2013 IRPF. AJUSTE. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. QUANTIDADE DE MESES. COMPROVAÇÃO A partir de 28 de julho de 2010, em se tratando de rendimentos recebidos acumuladamente, relativos a anos-calendário anteriores ao do recebimento, estes serão tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês conforme estabelecido no art. 12-A da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988. Comprovada a quantidade de meses deve ser afastada a exigência fiscal.
Numero da decisão: 2401-005.756
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para que o cálculo do imposto seja realizado considerando a quantidade de meses informada. (Assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Andréa Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite, Miriam Denise Xavier (Presidente).
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2013 IRPF. AJUSTE. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. QUANTIDADE DE MESES. COMPROVAÇÃO A partir de 28 de julho de 2010, em se tratando de rendimentos recebidos acumuladamente, relativos a anos-calendário anteriores ao do recebimento, estes serão tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês conforme estabelecido no art. 12-A da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988. Comprovada a quantidade de meses deve ser afastada a exigência fiscal.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para que o cálculo do imposto seja realizado considerando a quantidade de meses informada. (Assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Andréa Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite, Miriam Denise Xavier (Presidente).

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2401­005.756  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  13 de setembro de 2018  Matéria  IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Recorrente  ANTONIO ARMANDO DA FONSECA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Exercício: 2013  IRPF.  AJUSTE.  RENDIMENTOS  RECEBIDOS  ACUMULADAMENTE.  QUANTIDADE DE MESES. COMPROVAÇÃO  A  partir  de  28  de  julho  de  2010,  em  se  tratando  de  rendimentos  recebidos  acumuladamente,  relativos  a  anos­calendário  anteriores  ao  do  recebimento,  estes  serão  tributados  exclusivamente  na  fonte,  no mês  do  recebimento  ou  crédito,  em  separado  dos  demais  rendimentos  recebidos  no  mês  conforme  estabelecido  no  art.  12­A  da  Lei  nº  7.713,  de  22  de  dezembro  de  1988.  Comprovada a quantidade de meses deve ser afastada a exigência fiscal.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  dar  provimento  parcial  ao  recurso  voluntário  para  que  o  cálculo  do  imposto  seja  realizado  considerando a quantidade de meses informada.     (Assinado digitalmente)  Miriam Denise Xavier ­ Presidente.     (Assinado digitalmente)  Andréa Viana Arrais Egypto ­ Relatora.       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 1. 72 00 22 /2 01 7- 10 Fl. 114DF CARF MF Processo nº 13881.720022/2017­10  Acórdão n.º 2401­005.756  S2­C4T1  Fl. 3          2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess,  Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro,  Andréa Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite, Miriam Denise Xavier (Presidente).    Relatório  Trata­se de Recurso Voluntário interposto em face da decisão da 4ª Turma da  Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande ­ MS (DRJ/CGE),  que,  por  unanimidade  de  votos,  julgou  improcedente  a  impugnação,  mantendo  o  crédito  tributário, conforme ementa do Acórdão nº 04­42.513 (fls. 32/36):  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­  IRPF  Exercício: 2013  DECLARAÇÃO  DE  AJUSTE  ANUAL.  REVISÃO.  RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE.  Rendimentos  recebidos  acumuladamente  em  decorrência  de  decisão  judicial  após  28/07/2010  estão  sujeitos  à  tributação  exclusiva  na  fonte,  cabendo  ao  contribuinte  comprovar  a  quantidade de meses a que tais rendimentos se referem.  Impugnação Improcedente  Crédito Tributário Mantido  O presente processo trata de Notificação de Lançamento (fls. 12/20), emitida  contra  o  Contribuinte,  para  cobrança  de  Imposto  de Renda  Pessoa  Física  ­  Suplementar,  no  valor  de  R$  55.742,56,  relativo  ao  exercício  2013,  referente  à  Omissão  de  Rendimentos  Recebidos Acumuladamente  –  Tributação  Exclusiva,  recebidos  através  da Caixa  Econômica  Federal, no valor de R$ 242.811,71.   Na apuração do  imposto de  renda devido  foi  compensado o  IRRF  sobre os  rendimentos omitidos, no valor de R$ 10.274,12.  Houve também lançamento de Multa de Ofício de 75%, passível de redução,  no  valor  de  R$  41.806,92,  e  Juros  de  Mora,  calculados  até  31/01/2017,  no  valor  de  R$  23.863,38, dando um Crédito Tributário Apurado no montante de R$ 121.412,86.  De acordo com a Descrição Dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 14/15):  1.  A  Base  de  Cálculo,  conforme  documentos  apresentados  foi  de  R$  242.811,72, correspondente ao rendimento total recebido, no valor de  R$  342.470,67,  descontados  os  honorários  pagos  ao  Advogado,  no  valor de R$ 99.658,96;  2.  O  Contribuinte  não  apresentou,  conforme  solicitado,  planilha  das  verbas  contendo  os  cálculos  de  liquidação  de  sentença,  com  Fl. 115DF CARF MF Processo nº 13881.720022/2017­10  Acórdão n.º 2401­005.756  S2­C4T1  Fl. 4          3 comprovação do número de meses, razão pela qual foi considerando 1  mês.  O  Contribuinte  protocolou  em  06/02/2017  sua  Impugnação  de  fl.  03,  instruída  com  os  documentos  nas  fls.  04  a  10,  onde  afirma  que  não  houve  omissão  de  rendimentos  em  razão  de  que  se  trata  de  rendimentos  recebidos  acumuladamente,  em  decorrência de decisão judicial.  Assevera  que  os  valores  recebidos  são  relativos  a  110  meses,  conforme  planilha anexada à  Impugnação,  tendo optado pela  tributação RRA­Exclusivo na Fonte, com  resultado em imposto a restituir.  Diante da  impugnação  tempestiva, o processo foi encaminhado à DRJ/CGE  que,  através  do  Acórdão  nº  04­42.513,  em  12/04/2017,  votou  no  sentido  de  considerar  improcedente  a  impugnação, mantendo o  crédito  tributário,  ante  a  ausência  de  comprovação  das alegações.  Em 19/04/2017 o Contribuinte tomou ciência do Acórdão (AR – fl. 40) e, em  12/05/2017,  interpôs  seu  RECURSO  VOLUNTÁRIO  de  fls.  43  a  45,  instruída  com  os  documentos nas fls. 46 a 111.  Em  seu RV  faz  um breve  resumo dos  fatos  para  em  seguida  alegar  que  os  valores  recebidos  se  referem a Rendimentos Recebidos Acumuladamente – RRA, decorrente  de decisão judicial no Processo nº 0001604­87.1999.403.6118 (Doc. 02 – fls. 55/109), sujeitos  à tributação exclusiva na fonte segundo dicção do art. 12­A, caput, e seu § 1º, da Lei 7.713/88.  Alega  também  que  os  rendimentos  recebidos  deverão  ser  tributados  exclusivamente na fonte, considerando o período de 110 meses, conforme planilha elaborada  pelo INSS, constante do processo.  Por  fim,  informa que  a  diferença destacada pela  autoridade  julgadora de 1ª  instância,  entre o montante apurado na planilha do  INSS  (R$ 336.170,15) e o valor  liberado  (R$  342.470,67),  se  deve  à  atualização  monetária  ocorrida  entre  o  período  da  apuração  (08/2010) até a liberação dos valores (05/2012).  Conclui seu RV requerendo que o mesmo seja acolhido para fim de cancelar  o débito fiscal reclamado.    É o relatório    Voto             Conselheiro Andréa Viana Arrais Egypto ­ Relatora    Fl. 116DF CARF MF Processo nº 13881.720022/2017­10  Acórdão n.º 2401­005.756  S2­C4T1  Fl. 5          4 Juízo de admissibilidade  O  recurso  voluntário  foi  apresentado  dentro  do  prazo  legal  e  atende  aos  requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento.    Mérito  Conforme  se verifica dos  autos,  trata o presente processo  administrativo da  exigência  de  Imposto  de  Renda  Pessoa  Física  Suplementar  em  virtude  de  revisão  de  Declaração de Ajuste Anual do ano­calendário 2012, por não ter o contribuinte comprovado a  quantidade de meses a que se referiam os rendimentos recebidos acumuladamente.  Segundo a DRJ, não obstante o contribuinte ter apresentado planilhas de fls.  6 a 9, não seria possível precisar os cálculos se referiam à liquidação da sentença, além do que,  na planilha  foi  apurado  o montante de R$ 336.170,15,  enquanto que o valor  liberado para o  contribuinte  foi  de  R$  342.470,67.  Assim,  entendeu  que  restou  ausente  a  comprovação  do  número de meses a que se referiam os rendimentos.  Pois bem.  A  partir  de  28  de  julho  de  2010,  em  se  tratando  de  rendimentos  recebidos  acumuladamente,  relativos  a  anos­calendário  anteriores  ao  do  recebimento,  estes  serão  tributados  exclusivamente  na  fonte,  no  mês  do  recebimento  ou  crédito,  em  separado  dos  demais rendimentos recebidos no mês, conforme assevera o art. 12­A da Lei nº 7.713, de 22 de  dezembro de 1988. Transcrevo:  Art.  12­A.  Os  rendimentos  do  trabalho  e  os  provenientes  de  aposentadoria, pensão, transferência para a reserva remunerada  ou  reforma,  pagos  pela  Previdência  Social  da  União,  dos  Estados,  do  Distrito  Federal  e  dos  Municípios,  quando  correspondentes  a  anos­calendário  anteriores  ao  do  recebimento,  serão  tributados  exclusivamente  na  fonte,  no mês  do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos  recebidos no mês. (Incluído pela Lei nº 12.350, de 2010)  §  1o  O  imposto  será  retido  pela  pessoa  física  ou  jurídica  obrigada  ao  pagamento  ou  pela  instituição  financeira  depositária  do  crédito  e  calculado  sobre  o  montante  dos  rendimentos pagos, mediante a utilização de  tabela progressiva  resultante  da  multiplicação  da  quantidade  de  meses  a  que  se  refiram  os  rendimentos  pelos  valores  constantes  da  tabela  progressiva  mensal  correspondente  ao  mês  do  recebimento  ou  crédito.  Compulsando  os  autos,  constata­se  que  a  planilha  juntada  às  fls.  6/9  corresponde  aos  cálculos  de  liquidação  da  sentença,  consoante  documentos  complementares  adunados às fls. 55/111, dentre os quais destaco o de fls. 97/102.   Resta  claro que a diferença  entre o montante apurado na planilha  e o valor  liberado  para  o  contribuinte,  verificado  pela  autoridade  julgadora  de  primeira  instância,  decorreu da incidência das atualizações até a liberação do recurso em favor do contribuinte.  Fl. 117DF CARF MF Processo nº 13881.720022/2017­10  Acórdão n.º 2401­005.756  S2­C4T1  Fl. 6          5 Conforme o cálculo apresentado pela Advocacia Geral da União (fl. 98) e a  planilha  de  fls.  99/102,  a  quantidade  de  meses  a  ser  considerada  para  efeito  de  cálculo  do  Imposto de Renda é de 110 meses, considerando o período de 03/1999 a 08/2007, conforme  informado pelo contribuinte em sua declaração (fl. 4).  Assim,  resta comprovada a quantidade de meses correspondente ao período  constante na  planilha  de  fls.  03/1999  a 08/2007,  razão  porque  afasto  a  exigência  contida no  lançamento.    Conclusão  Ante  o  exposto,  CONHEÇO  do  recurso  voluntário  e  DOU­LHE  PROVIMENTO  PARCIAL  para  que  o  cálculo  do  Imposto  de  Renda  seja  realizado  considerando a quantidade de meses informada.    (Assinado digitalmente)  Andréa Viana Arrais Egypto.                                  Fl. 118DF CARF MF

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7464936 #
Numero do processo: 10850.908547/2011-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/12/2000 BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. SUBVENÇÃO LEI N° 9.479/97 PIS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/1998. FATURAMENTO. RECEITA OPERACIONAL. Entende-se por faturamento, para fins de identificação da base de cálculo do PIS e da COFINS, o somatório das receitas oriundas da atividade operacional da pessoa jurídica, ou seja, aquelas decorrentes da prática das operações típicas previstas no seu objeto social. RECEITA DE SUBVENÇÃO DA LEI N° 9.479/1997. SUBVENÇÃO PARA CUSTEIO. A receita da subvenção concedida pela Lei n° 9.479/1997 às usinas beneficiadoras de borracha integra a base de cálculo do PIS e da COFINS, por se tratar de subvenção para custeio. PIS/COFINS. RECEITAS DAS ATIVIDADES-FIM Estão sujeitas à incidência do PIS e da COFINS apenas as receitas derivadas das atividades-fim. Desta forma, não compõem a base tributável as receitas financeiras, descontos obtidos e despesas recuperadas. Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3301-005.031
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento para afastar a exigência sobre descontos obtidos, receitas financeiras e despesas recuperadas. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10850.908549/2011-58, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA

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3301­005.031  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  28 de agosto de 2018  Matéria  PIS E COFINS. RESTITUIÇÃO. ALARGAMENTO DA BC.  Recorrente  BRASLATEX INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE BORRACHAS LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Data do fato gerador: 31/12/2000  BASE  DE  CÁLCULO  DO  PIS  E  DA  COFINS.  SUBVENÇÃO  LEI  N°  9.479/97 PIS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO §  1º  DO  ART.  3º  DA  LEI  Nº  9.718/1998.  FATURAMENTO.  RECEITA  OPERACIONAL. Entende­se por faturamento, para fins de identificação da  base de cálculo do PIS e da COFINS, o  somatório das  receitas oriundas da  atividade  operacional  da  pessoa  jurídica,  ou  seja,  aquelas  decorrentes  da  prática das operações típicas previstas no seu objeto social.   RECEITA  DE  SUBVENÇÃO  DA  LEI  N°  9.479/1997.  SUBVENÇÃO  PARA CUSTEIO. A receita da subvenção concedida pela Lei n° 9.479/1997  às  usinas  beneficiadoras  de  borracha  integra  a  base de  cálculo  do PIS  e  da  COFINS, por se tratar de subvenção para custeio.  PIS/COFINS. RECEITAS DAS ATIVIDADES­FIM  Estão sujeitas à incidência do PIS e da COFINS apenas as receitas derivadas  das atividades­fim. Desta  forma, não  compõem a base  tributável as  receitas  financeiras, descontos obtidos e despesas recuperadas.  Recurso Voluntário Provido em Parte.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  parcial  provimento  para  afastar  a  exigência  sobre  descontos  obtidos,  receitas  financeiras  e  despesas  recuperadas.  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos. Portanto, aplica­se o decidido no julgamento do processo 10850.908549/2011­58,  paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.   (assinado digitalmente)  Winderley Morais Pereira ­ Presidente e Relator     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 85 47 /2 01 1- 69 Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10850.908547/2011­69  Acórdão n.º 3301­005.031  S3­C3T1  Fl. 3          2 Participaram  do  presente  julgamento  os  conselheiros:  Liziane  Angelotti  Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador  Candido  Brandão  Junior,  Ari  Vendramini,  Semiramis  de  Oliveira  Duro,  Valcir  Gassen  e  Winderley Morais Pereira (Presidente).  Relatório  Trata o presente processo de Pedido Eletrônico de Restituição de crédito da  Contribuição para o PIS/Pasep.  A  DRF  de  São  José  do  Rio  Preto  (SP),  por  meio  do  despacho  decisório,  indeferiu o pedido, em razão do recolhimento indicado no PER/DCOMP ter sido integralmente  utilizado para quitação de débito confessado pelo contribuinte.  Cientificada  do  despacho,  a  empresa  apresentou  a  manifestação  de  inconformidade, nesses termos:  · Preliminarmente,  requer  a  reunião  deste  processo  com  outros  que  tratam da mesma matéria e têm os mesmos fundamentos;  · No  mérito,  defende  que  o  recolhimento  indevido  decorre  da  inconstitucionalidade  do  art.  3º,  §1º,  da  Lei  nº  9.718/1998,  já  declarada pelo STF em sede de repercussão geral;  · Alega  que  a  autoridade  administrativa  não  analisou  a  causa  do  recolhimento  indevido  (a  inconstitucional  ampliação  da  base  de  cálculo pelo art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718);  · Sustenta  que  a  decisão  do  STF,  no  RE  nº  585.235,  deve  ser  observada, obrigatoriamente, pela autoridade administrativa;   · Reiterou  que  é  devido  o  crédito  pleiteado  no  PER/DCOMP,  por  se  tratar de PIS/COFINS  calculado  sobre  receita que não  integra o  seu  faturamento.  Anexou  à  sua  manifestação  de  inconformidade:  planilha  demonstrativa  do  pagamento indevido de PIS/COFINS sobre receitas financeiras, cópia de parte do livro diário e  termos de abertura e encerramento.  A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão  nº 14­042.472.  A  DRJ  rejeitou  a  reunião  de  processos  solicitada,  por  dois  motivos:  para  pedidos  de  restituição,  a  reunião  de  processos  em  um  só  deve  ser  realizada  apenas  quando  tenham  por  base  o  mesmo  crédito,  o  que  não  é  o  caso  dos  processos  relacionados  pela  interessada,  pois  cada  um  se  refere  a  um  determinado  período  de  apuração,  implicando  em  créditos  distintos  e  os  elementos  de  prova  são  distintos  para  cada  fato  gerador,  ou  seja,  as  provas de um processo não aproveitam aos demais.  Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10850.908547/2011­69  Acórdão n.º 3301­005.031  S3­C3T1  Fl. 4          3 Quanto ao mérito, a negativa do reconhecimento do crédito se deu em virtude  da ausência de prova do pagamento indevido; da não­vinculação da autoridade administrativa  ao  RE  nº  585.235;  da  ausência  de  DCTF  retificadora  e  da  cópia  parcial  do  livro  diário  apresentada, que não permitiria apurar a base de cálculo com as exclusões pretendidas, para se  chegar ao valor devido e compará­lo com o valor recolhido.  Em seu recurso voluntário, a empresa:  · Reitera o pedido de reunião deste processo com outros 38 processos que  tratam  da mesma matéria:  recolhimentos  indevidos  de  PIS  e COFINS,  apurados  em  diversos  meses,  decorrentes  da  majoração  da  base  de  cálculo pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98.  · Alega  que  é  inconteste  que  a  DCTF  não  é  o  único  meio  de  prova  da  existência de crédito passível de restituição, nem o art. 165 do CTN nem  o art. 74 da Lei nº 9.430/96 condicionam o reconhecimento do crédito à  retificação de declarações.   · Faz  a  juntada  do  seu  livro  razão,  que  entende  ser  suficiente  para  comprovar o recolhimento indevido.  · Sustenta  que  a  base  de  cálculo  do  PIS  e  da  COFINS  deveria  ter  sido  composta  por  valores  correspondentes  ao  seu  faturamento,  ou  seja,  os  ingressos que correspondem às suas receitas de vendas de mercadorias e  prestação de serviços e não por suas receitas financeiras.  Esta Turma de Julgamento converteu o julgamento em diligência, Resolução  n°  3301­000.377,  de  28  de  junho  de  2017,  para  verificar  os  argumentos  da  Recorrente  no  tocante  à  inclusão  das  receitas  financeiras  na  base  de  cálculo  do  PIS  e  da  COFINS.  Nessa  oportunidade,  foi  solicitado  à  Unidade  de  Origem  que:  examinasse  a  escrita  fiscal  da  Recorrente,  para  identificar  a  indevida  inclusão  das  receitas  financeiras  indicadas  no  Livro  Diário, na base de cálculo do PIS e da COFINS, em decorrência da aplicação do cálculo do art.  3º,  §  1º  da  Lei  nº  9.718/98  e  apontasse  a  exatidão  do  valor  pleiteado  pelo Recorrente,  bem  como se a utilização deste foi efetivamente realizada.  Na  informação  fiscal  resultante  da  diligência,  a  autoridade  fiscal  concluiu  que,  das  contas  contábeis  de  receita  apontadas  pela  recorrente  como  indevidamente  computadas na base de cálculo do PIS e da COFINS, somente a de "receita de subvenção" era  realmente  tributável  e  cuja  contribuição  incidente,  por  conseguinte,  não  poderia  ser  considerado como crédito a compensar.  Cientificado  do  encerramento  da  diligência,  não  houve  manifestação  da  empresa.  É o relatório.        Fl. 197DF CARF MF Processo nº 10850.908547/2011­69  Acórdão n.º 3301­005.031  S3­C3T1  Fl. 5          4 Voto             Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator.  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo  II do RICARF, aprovado pela Portaria MF  343,  de  09  de  junho  de  2015.  Portanto,  ao  presente  litígio  aplica­se  o  decidido  no Acórdão  3301­005.027,  de  28  de  agosto  de  2018,  proferido  no  julgamento  do  processo  10850.908549/2011­58, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301­005.027):  "De  acordo  com  a  Resolução  n°  3301­000.379,  o  julgamento  deste  processo deve seguir a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo  art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 09 de  junho de 2015. E, desta forma, adotar a decisão proferida por meio do Acórdão  n°  3301­004.594,  em  sede  do  processo  10850.906106/2011­22, da  lavra  da  i.  Conselheira  Semíramis  de  Oliveira  Duro,  paradigma  ao  qual  o  presente  processo foi vinculado.  O  citado  Acórdão  n°  3301­004.594  soluciona  a  questão  nuclear  deste  processo  ­  a  incidência  ou  não  de PIS  sobre  a  subvenção  prevista  na  Lei  n°  9.479/97 ­, pelo que, para tanto, adotá­lo­ei como razão de decidir.   Contudo,  antes  de  reproduzi­lo,  enfrento  as  preliminares  e  a  parte  do  mérito  da  causa  que  diz  respeito  ao  cômputo  na  base  de  cálculo  do  PIS  de  outros tipos de receitas.  Destaco  que  as  soluções  das  questões  de mérito  foram  instruídas  pela  conclusão do trabalho de diligência ("Informação Fiscal" nas fls. 191 a 196).  Preliminares  Reunião de processos  A recorrente pede a reunião de 29 processos administrativos que teriam  o mesmo objeto do presente, fundada no princípio da economia processual.  Dos  PAs  listados,  alguns  já  foram  julgados  por  esta  turma,  outros  aguardam  retorno  de  diligência  e  dez  estão  em  pauta  para  julgamento  por  outra turma do CARF.   Desta forma, não há qualquer providência a ser tomada por esta turma.  Falta de aprofundamento da  investigação dos fatos  ­  falta de retificação  da DCTF  Insuficiência de provas  Preclusão da produção das provas  Alega que o Despacho Decisório foi emitido, sem que fossem requeridos  documentos para fazer prova da higidez dos créditos que pleiteou, contrariando  Fl. 198DF CARF MF Processo nº 10850.908547/2011­69  Acórdão n.º 3301­005.031  S3­C3T1  Fl. 6          5 o art. 142 do CTN. Que a alegação da DRJ de que a DCTF não foi retificada  não é legítima e afronta o princípio da verdade material.  Que  juntou  aos  autos  planilha  de  cálculo,  guias  de  pagamento  e  livro  diário. Contudo, a DRJ julgou ser insuficiente para a confirmação dos créditos.  Com  base  nos  artigos  258  e  923  do  RIR/99,  aduz  que  os  livros  contábeis  constituem prova das operações. Assim,  ter­se­ia como precário o  julgamento  realizado pela DRJ.  E,  por  fim,  que  a  DRJ  antecipou­se  aos  atos  processuais  seguintes,  declarando que qualquer prova que a partir de então  fosse apresentada seria  tida como preclusa.  Os  pleitos  já  haviam  sido  atendidos,  na  medida  em  que  esta  turma  converteu o julgamento em diligência, para que fosse efetuado o cotejo entre as  bases de cálculo e os livros contábeis.  Mérito  Reitera que as receitas que originaram os pagamentos indevidos de PIS  não devem compor a base de cálculo do PIS, por força da inconstitucionalidade  do § 1° do art. 3° da Lei n° 9.718/98, reconhecida pelo STF.  Enfrenta  a  alegação  da  DRJ  de  que  decisões  do  STF  acerca  da  inconstitucionalidade  do  §  1°  do  art.  3°  da  Lei  n°  9.718/98  não  vinculam  os  órgão  de  julgamento  administrativo,  trazendo  decisões  administrativas  e  judiciais no sentido de que, por se tratar de posicionamento exarado em sessão  plenária  e  já  pacificado  naquela  corte,  deve  ser  seguido  pelas  esferas  administrativas de julgamento.  O  processo  foi  convertido  em  diligência,  para  que  fossem  fossem  respondidos os seguintes quesitos (fl. 148):  ”a)  Examine  a  escrita  fiscal  da  Recorrente,  para  identificar  a  indevida  inclusão  das  receitas  financeiras  indicadas  no  Livro  Diário, na base de cálculo do PIS e da COFINS, em decorrência  da aplicação do cálculo do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98;  b)  Aponte  a  exatidão  do  valor  pleiteado  pelo  Recorrente,  bem  como se a utilização deste foi efetivamente realizada;  c) Requeira ao sujeito passivo a apresentação de documentos ou  esclarecimento complementares;  d) Cientifique a interessada do resultado da diligência, abrindo  prazo para manifestação;  e) Após, retornar o processo ao CARF para julgamento."  A  diligência  foi  realizada  e  a  "Informação  Fiscal"  (fls.  191  a  196)  encontra­se nos autos.  O auditor relatou que a recorrente não atendeu às intimações e, por isto,  limitou­se às informações presentes nos autos.   Então,  revisou  as  bases  de  cálculo  anexadas  à  manifestação  de  inconformidade, Diário e Razão e verificou que o contribuinte considerou como  Fl. 199DF CARF MF Processo nº 10850.908547/2011­69  Acórdão n.º 3301­005.031  S3­C3T1  Fl. 7          6 indevidamente computadas na base de cálculo do PIS de fevereiro de 2001 as  seguintes contas contábeis (fl. 192):  "DESCONTOS OBTIDOS ­ CONTA 3.6.1.1.002: R$ 24,94  RECEITA DE APLICAÇÃO FINANCEIRA ­ CONTA 3.6.1.1.004: R$ 170,17  RECUPERAÇÃO DE DESPESAS ­ CONTA 3.6.1.3.001: R$ 100,00  RECEITA DE SUBVENÇÃO ­ CONTA 3.7.1.2.001: R$ 91.622,69"  E assim concluiu seu exame (fl. 195):  "11.  Das  receitas  alegadas  indevidamente  tributadas  pode­se  considerar  “aportes  financeiros  estranhos  à  atividade  desenvolvida  pela  empresa”  todas,  exceto  a  Receita  de  Subvenção da Lei 9.479/1997.  12. A subvenção, concedida pela Lei nº 9.479, de 12 de agosto de  1997 (fls. 183 a 185) e regulamentada pelo Decreto nº 2.348, de  13  de  outubro  de  1997  (fls.  186  a  189),  tratava­se de  subsídio  pago pelo Ministério da Agricultura aos seguintes beneficiários:  i)  extrativistas,  ii)  cultivadores  ou  iii)  beneficiadores  de  borracha natural no país. Era calculada com base na quantidade  (em  Kg)  do  coágulo  de  látex  vendido  pelos  extrativistas  ou  cultivadores  ou  na  quantidade  de  borracha  beneficiada  pelas  usinas,  vendidas  ao  comprador  final  ou  exportadas,  vide  REGULAMENTO  PARA  CONCESSÃO  DESUBVENÇÃO  ECONÔMICA  À  COMERCIALIZAÇÃO  DA  BORRACHA  NATURAL Nº 001/99, às fls 162 a 182. Correspondia à diferença  entre os preços de referência da borracha nacional e os preços  dos  produtos  congêneres  no  mercado  asíático,  como  forma  de  enfrentar,  no  mercado  nacional,  a  concorrência  da  borracha  produzida  na  Ásia,  facilitando  o  escoamento  da  produção  nacional.  13. A atividade do contribuinte, conforme cláusula quarta de seu  contrato  social,  é  a  indústria  de  latex  e  produtos  de  borracha,  comércio,  importação e exportação de produtos de borracha. A  subvenção  recebida  por  kg  de  borracha  beneficiada  vendida,  tendo que ser requerida mediante apresentação de comprovantes  de  compra  de  borracha  natural  bruta  e  das  notas  fiscais  de  venda  da  borracha  beneficiada  emitidas  pelo  beneficiário  (fls.  162 a 182) não é receita financeira e sim receita da operação da  empresa.  Tal  receita  decorre  do  exercício  do  objeto  social  da  empresa, e compõe o  seu  faturamento. A Receita de Subvenção  da Lei 9.479 de 12 de agosto de 1997, no valor de R$91.622,69,  recebida  em  Fevereiro/2001  na  qualidade  de  usina  beneficiadora  credenciada  é  receita  operacional  da  BRASLATEX,  e  mesmo  antes  da  vigência  da  lei  9.718/98  já  integraria  seu  faturamento  nos  termos  da  LC  nº  7,  de  1970,  posteriormente  regulada  pela  Medida  Provisória  no  1.212,  de  1995 (e reedições), e pela Lei no 9.715, de 1998 sendo tributada  pelo PIS." (g.a.)  Concordo plenamente com a conclusão da diligência.  Fl. 200DF CARF MF Processo nº 10850.908547/2011­69  Acórdão n.º 3301­005.031  S3­C3T1  Fl. 8          7 As  receitas  com  descontos  obtidos  (conta  3.6.1.1.002),  aplicação  financeira  (conta  3.6.1.1.004)  e  recuperação  de  despesas  (conta  3.6.1.3.001)  não derivam das atividades  típicas da recorrente, pelo que não se  incluem no  conceito de faturamento, base de cálculo do PIS e da COFINS, prevista no art.  3° da Lei n° 9.718/98.  No  tocante  à  "receita  de  subvenção"  da  Lei  n°  9.479/97,  verifica­se  o  contrário,  isto  é,  trata­se  de  receita  tributável  pelo  PIS  e  COFINS.  Como  fundamento  deste  entendimento,  transcrevo  o  Acórdão  n°  3301­004.594  (paradigma),  do qual  faço minha  razão  de decidir  (§  1°  do  art.  3°  da Lei  n°  9.718/98):  "Conselheira Semíramis de Oliveira Duro  O recurso voluntário é tempestivo e reúne os pressupostos legais  de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. No tocante à  reunião  dos  processos,  entendo  que  não  há  nada  a  se  deferir,  pois  20  (vinte)  dos  processos  listados  foram  convertidos  em  diligência  (publ.  21/07/2014)  e  julgados  em  acórdãos  de  procedência  para  a  Recorrente  (publ.  27/03/2015),  tendo  em  vista a confirmação dos créditos.  Os demais processos citados pela Recorrente em seu recurso são  repetitivos,  que  estão  vinculados  ao  julgamento  deste  presente  processo  (paradigma),  em  decorrência  do  §  2º  do  art.  47  do  anexo II da Portaria MF nº 343/2015.  MÉRITO  Inconstitucionalidade  do  art.  3º,  §  1º  da  Lei  nº  9.718/98  O  alcance  do  termo  faturamento  abarcando  a  atividade  empresarial típica restou assente no RE nº 585.235/MG, no qual  se  reconheceu  a  repercussão  geral  do  tema  concernente  ao  alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no  §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, reafirmando a jurisprudência  consolidada pelo STF:  RECURSO.  Extraordinário.  Tributo.  Contribuição  social.  PIS.  COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, §1º da Lei nº  9.718/98.  Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário  (RE nº  346.084/PR,  Rel.  orig.  Min.  ILMAR  GALVÃO,  DJ  DE  1º.9.2006; REs nº 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel.  Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006). Repercussão Geral  do  tema. Reconhecimento  pelo  Plenário. Recurso  improvido.  É  inconstitucional  a  ampliação  da  base  de  cálculo  do  PIS  e  da  COFINS prevista no art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98.  No voto, o Ministro Cezar Peluso consignou:   O  recurso  extraordinário  está  submetido  ao  regime  de  repercussão  geral  e  versa  sobre  tema  cuja  jurisprudência  é  consolidada nesta Corte, qual seja, a inconstitucionalidade do §1º  do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita  bruta,  violando,  assim,  a  noção  de  faturamento  pressuposta  na  redação original do art. 195, I, b, da Constituição da República, e  cujo  significado  é  o  estrito  de  receita  bruta  das  vendas  de  Fl. 201DF CARF MF Processo nº 10850.908547/2011­69  Acórdão n.º 3301­005.031  S3­C3T1  Fl. 9          8 mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou  seja,  soma  das  receitas  oriundas  do  exercício  das  atividades  empresariais...  Observe­se  outros  precedentes  da Corte  Suprema:  RE  683.334  AgR,  Rel.  Min.  Ricardo  Lewandowski,  Segunda  Turma,  DJ  13/08/2012,  RE  390.840,  Rel.  Min.  Marco  Aurelio,  DJ  15/08/2006  e  ainda,  no  mesmo  sentido:  RE  608.830AgR;  RE  621.652AgR;  RE  371.258AgR;  AI  716.675AgRAgR;  AI  799.578AgR;  RE  656.284;  ARE  643.823/PR;  AI  776;  ARE  645.618; RE 630.728; 621.675; RE 390.840; RE 654.840 e RE  641.052.  Dessa  forma,  considera­se  receita  bruta  ou  faturamento  o  que  decorre  da  venda  de mercadorias,  da  venda  de  serviços  ou  de  mercadorias e serviços, não se considerando receita de natureza  diversa.  É  o  resultado  econômico  da  atividade  empresarial  estatutária (operacional), que constitui a base de cálculo do PIS.  O art. 62, § 1º, I, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela  Portaria MF nº 343 de 9 de junho de 2015, dispõe que:  Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do  CARF afastar a aplicação ou deixar de observar  tratado, acordo  internacional,  lei  ou  decreto,  sob  fundamento  de  inconstitucionalidade.   §  1º  O  disposto  no  caput  não  se  aplica  aos  casos  detratado,  acordo internacional, lei ou ato normativo:  I  ­  que  já  tenha  sido  declarado  inconstitucional  por  decisão  definitiva  do  Supremo Tribunal  Federal;  Logo,  o  entendimento  do  STF  deve  ser  aplicado  no  presente  caso,  para  afastar  a  tributação do PIS e da COFINS exigida com base no disposto no  art. 3º, §1º, da Lei n.º 9.718/1998.  Nesse  contexto,  esta  Turma  converteu  o  julgamento  em  diligência  para  verificar  a  indevida  inclusão  das  receitas  não  operacionais  na  base  de  cálculo  do  PIS,  conforme  reclamado  pela Recorrente.   Todavia,  a  diligência  demonstrou  que  a  receita  supostamente  não integrante do faturamento é Receita de Subvenção da Lei n°  9.479/1997.   Dessa forma, entendo que não assiste razão ao apelo, porquanto  considero  tal  receita  operacional,  logo  integrante  do  faturamento da Recorrente.   É do que trato a seguir.   Receita de Subvenção da Lei n° 9.479/1997   Afirmou a Recorrente que o valor de R$ 30.705,00 foi recebido  em  maio  de  1999  na  qualidade  de  usina  beneficiadora  credenciada, nos termos da Lei n° 9.479/1997.   Fl. 202DF CARF MF Processo nº 10850.908547/2011­69  Acórdão n.º 3301­005.031  S3­C3T1  Fl. 10          9 A  Lei  nº  9.479/1997  concedeu  subvenção  econômica  a  produtores de borracha natural. Confira­se:   Art. 1º Fica o Poder Executivo autorizado a conceder subvenção  econômica aos produtores nacionais de borracha natural, com o  objetivo de incentivar a comercialização da produção nacional.   §  1º A  subvenção  corresponderá  à  diferença entre os  preços  de  referência das borrachas nacionais e os dos produtos congêneres  no  mercado  internacional,  acrescidos  das  despesas  de  nacionalização.   § 2º Os preços de referência das borrachas nacionais, para efeito  de  cálculo da  subvenção econômica,  serão  aqueles  fixados pelo  Poder  Executivo  e  em  vigor  na  data  da  publicação  desta  Lei,  podendo ser revistos periodicamente.   §  3º  Os  preços  dos  produtos  congêneres  no  mercado  internacional  serão  apurados  e  divulgados  periodicamente  pelo  Poder Executivo, com base nas cotações das principais bolsas de  mercadorias internacionais.   Art. 2º A subvenção econômica de que trata o artigo anterior:   I terá a duração de oito anos;   II será de até R$ 0,90 (noventa centavos de real) por quilograma  de  borracha  do  tipo Granulado  Escuro  Brasileiro  nº  1  (GEB1),  sendo que, para os demais tipos de borracha, este teto sofrerá os  ágios e deságios correspondentes;   III sofrerá rebates, respectivamente, de vinte por cento, quarenta  por cento, sessenta por cento e oitenta por cento, a partir do final  do quarto, do quinto, do sexto e do sétimo anos de vigência desta  Lei, sobre o teto de que trata o inciso anterior.   Parágrafo único. Os rebates referidos no inciso III deste artigo só  poderão  ser  aplicados  à  subvenção  incidente  sobre  a  borracha  oriunda de seringais nativos da região amazônica na medida em  que  forem  implantados  pelo  Poder  Executivo  os  programas  de  que trata o art. 7º.   As  condições  operacionais  para  pagamento  e  controle  da  subvenção foram dispostas pelo Decreto n° 2.348/1997:   Art. 1º A subvenção econômica de que trata a Lei nº 9.479, de 12  de agosto de 1997, corresponderá à diferença entre:   I  os  preços  de  referência  das  borrachas  nacionais  fixados  na  Portaria  nº  187,  de  29  de  junho  de  1995,  do  Ministério  da  Fazenda, publicada no Diário Oficial  da União  em 30 de  junho  de 1995; e   II os preços dos produtos congêneres no mercado  internacional,  tomandose  como  base  referencial  o  da  borracha  tipo  Standard  Malaysian Rubber  nº  10  (SMR 10),  acrescidos das despesas  de  nacionalização.   Fl. 203DF CARF MF Processo nº 10850.908547/2011­69  Acórdão n.º 3301­005.031  S3­C3T1  Fl. 11          10 §  1º  O  Ministério  da  Agricultura  e  do  Abastecimento,  responsável pelo pagamento da subvenção econômica, publicará  o  valor  da  subvenção  devida  por  quilograma  de  cada  um  dos  tipos  de  borracha  constantes  da Portaria  de  que  trata  o  inciso  I  deste artigo, tendo em conta:   a)  a  média  aritmética  das  cotações  médias  diárias  da  borracha  natural  do  tipo  Standard  Malaysian  Rubber  nº  10  (SMR10),  equivalente  ao  tipo Granulado  Escuro  Brasileiro  nº  1º  (GEB1),  nas  bolsas  de  mercadorias  de  Singapura,  Kuala  Lumpur  e  Londres nos quinze dias anteriores ao da publicação dos preços,  com as respectivas cotações das moedas de negociação em dólar  americano;   b)  que  a  conversão  cambial  do  dólar  americano  de  que  trata  a  alínea anterior, para a moeda brasileira, deverá ser realizada com  base  na  cotação  daquela  moeda  na  véspera  da  publicação  dos  preços;   c)  as despesas  de  nacionalização  relativas  a  impostos,  encargos  sociais, seguros, frete, adicional de frete, armazenagem e outras  prevalentes à época de apuração e publicação dos preços.   §  2º  Os  valores  das  subvenções  publicados  pelo Ministério  da  Agricultura  e  do  Abastecimento  prevalecerão  até  a  véspera  da  publicação dos novos valores.   Art. 2º A subvenção econômica de que trata o artigo anterior:   I terá a duração de oito anos;   II será de até R$0,90 (noventa centavos de real) por quilograma  de  borracha  do  tipo Granulado  Escuro  Brasileiro  nº  1  (GEB1),  sendo que, para os demais tipos de borracha, este teto sofrerá os  ágios e deságios correspondentes;   III sofrerá rebates, respectivamente, de vinte por cento, quarenta  por cento, sessenta por cento e oitenta por cento, a partir do final  do quarto, do quinto, do sexto e do sétimo anos de vigência da  Lei nº 9.479, de 1997, sobre o teto de que trata o inciso anterior,  observado  o  que  dispõe  o  parágrafo  único  do  art.  2º  da  mencionada Lei;   IV  para  efeito  de  cálculo  dos  ágios  e  deságios  e  dos  correspondentes rebates nos preços dos demais tipos de borracha,  conforme  estabelecem  os  incisos  I  e  Il  anteriores,  será  tomado  como  referencial  o  preço  da  borracha  tipo GEB  1  eguardada  a  correlação de preços constantes da Portaria de que trata o inciso I  do art. 1º deste Decreto.   Art.  3º  São  beneficiárias  da  subvenção  econômica  de  que  trata  este  Decreto  os  extrativistas,  cultivadores  ou  beneficiadores,  sejam  pessoas  físicas  ou  jurídicas,  dedicados  à  produção  de  borracha natural no País.   Parágrafo único. A  fruição do benefício a pessoas  jurídicas  fica  condicionada à comprovação, junto ao Ministério da Agricultura  Fl. 204DF CARF MF Processo nº 10850.908547/2011­69  Acórdão n.º 3301­005.031  S3­C3T1  Fl. 12          11 e  do  Abastecimento,  de  sua  capacidade  jurídica  e  regularidade  fiscal.   Art. 4º O pagamento da subvenção econômica aos beneficiários  será feito por  intermédio das usinas beneficiadoras credenciadas  pelo Ministério da Agricultura e do Abastecimento, mediante:   I  apresentação  do  pedido  de  ressarcimento  da  subvenção  ao  Ministério da Agricultura e do Abastecimento, acompanhado de  relação contendo o nome do produtor,  seu Cadastro de Pessoas  Físicas  CPF  ou  Cadastro  Geral  de  Contribuinte  CGC,  local  de  produção  ou  de  extração,  tipo  da  borracha  natural  correspondente,  quantidade  do  produto  adquirido,  em  quilogramas, o preço respectivo pago ao produtor, os números e  as  datas  das  notas  fiscais  representativas  das  transações  efetivadas;   II  cópia  das  notas  fiscais  de  venda  da  borracha  beneficiada  às  indústrias  consumidoras  do  produto,  acompanhada  da  comprovação  do  aceite  e  da  certificação  do  tipo  de  borracha  comercializado, fornecida pela compradora final.   §  1º  O  pagamento  de  que  trata  este  artigo  será  efetivado  pelo  Ministério  da Agricultura  e  do Abastecimento  no  prazo  de  dez  dias,  contados  a  partir  da  data  de  recebimento  do  pedido,  respeitados  os  limites  por  tipo  de  borracha  comercializado  prevalentes na data de efetivação da transação, considerada para  esse efeito a data constante da nota fiscal respectiva.   § 2º O pagamento de subvenção relativa à compra de borracha de  pessoas jurídicas produtoras estará condicionado à satisfação da  condição estabelecida no parágrafo único do artigo anterior.   Art. 5º As usinas beneficiadoras, credenciadas pelo Ministério da  Agricultura e do Abastecimento, manterão em seus arquivos uma  via  das  notas  fiscais  emitidas  pelos  produtores  de  borracha  natural,  ou  documento  legal  equivalente,  contendo  no  verso  o  atestado do beneficiário de recebimento da subvenção econômica  correspondente.   Parágrafo  único.  Os  documentos  comprobatórios  de  que  trata  este artigo serão conservados pelas usinas beneficiadoras em boa  ordem, no próprio lugar onde forem contabilizadas as operações,  à  disposição  dos  agentes  incumbidos  do  controle  interno  e  externo e dos órgãos ou entidades responsáveis pela subvenção.   Art. 6º O Ministério da Agricultura e do Abastecimento:   I  estabelecerá,  em  ato  normativo,  as  condições  para  credenciamento das usinas beneficiadoras de borracha;   II orientará as pessoas jurídicas sobre a forma de apresentação da  comprovação  de  que  trata  o  parágrafo  único  do  art.  3º  deste  Decreto;   III registrará e controlará os pagamentos efetuados e gerenciará o  provimento dos recursos necessários à concessão da subvenção;   Fl. 205DF CARF MF Processo nº 10850.908547/2011­69  Acórdão n.º 3301­005.031  S3­C3T1  Fl. 13          12 IV  estabelecerá  normas  complementares  de  controle,  visando  a  boa e regular aplicação dos recursos.   Parágrafo  único.  Dentre  as  condições  para  credenciamento  das  usinas  beneficiadoras  constará  a  de  comprovação  de  sua  capacidade jurídica e regularidade fiscal.   A  subvenção  era  paga  ao  beneficiador  de  borracha  natural,  pessoa  física  ou  jurídica,  cadastrado  junto  à  Secretaria  de  Produção e Comercialização do Ministério da Agricultura e do  Abastecimento, que comprovasse a compra da borracha natural  bruta do produtor e posterior exportação ou venda da borracha  beneficiada para empresas da indústria consumidora final.   E quanto ao pagamento da subvenção, o montante correspondia  à  quantidade  de  produto  comercializado  e  comprovado,  multiplicado  pelo  valor  unitário  da  subvenção  definida  pelo  Ministério da Agricultura.   Nos termos da Resolução CFC nº 1.305, de 25 de novembro de  2010,  por  meio  da  qual  o  Conselho  Federal  de  Contabilidade  (CFC) aprovou a NBC TG 07 (R1), “Subvenção governamental é  uma  assistência  governamental  geralmente  na  forma  de  contribuição  de  natureza  pecuniária,  mas  não  só  restrita  a  ela,  concedida  a  uma  entidade  normalmente  em  troca  do  cumprimento passado ou futuro de certas condições relacionadas  às atividades operacionais da entidade”.   A  subvenção  deve  ser  tratada  como  receita  pela  entidade  beneficiada:   12. Uma  subvenção  governamental  deve  ser  reconhecida  como  receita ao  longo do período e confrontada com as despesas que  pretende compensar, em base sistemática, desde que atendidas as  condições  desta  Norma.  A  subvenção  governamental  não  pode  ser creditada diretamente no patrimônio líquido.   Entendo que apenas as subvenções para investimento podem ser  consideradas não  operacionais. É  o  dispõe  o art.  44  da Lei  n°  4.506/64:   Art. 44. Integram a receita bruta operacional:   I  O  produto  da  venda  dos  bens  e  serviços  nas  transações  ou  operações de conta própria;   II O resultado auferido nas operações de conta alheia;   III  As  recuperações  ou  devoluções  de  custos,  deduções  ou  provisões;   IV As subvenções correntes, para custeio ou operação, recebidas  de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas  naturais.   Fl. 206DF CARF MF Processo nº 10850.908547/2011­69  Acórdão n.º 3301­005.031  S3­C3T1  Fl. 14          13 Por  sua  vez,  o  Parecer  Normativo  CST  nº  112,  de  29  de  dezembro de 1978 (DOU de 11/01/1979), distingue subvenção de  custeio e subvenção para investimento:   2.11 – Uma das fontes para se pesquisar o adequado conceito de  SUBVENÇÕES  PARA  INVESTIMENTO  é  o  Parecer  Normativo CST nº 2/78 (DOU de 16.01.78).   No  item  5.1  do  Parecer  encontramos,  por  exemplo, menção  de  que a SUBVENÇÃO para INVESTIMENTO seria a destinada à  aplicação em bens ou direitos.   Já  no  item  7,  subentendese  um  confronto  entre  as  SUBVENÇÕES  PARA  CUSTEIO  ou  OPERAÇÃO  e  as  SUBVENÇÕES  PARA  INVESTIMENTO,  tendo  sido  caracterizadas  as  primeiras  pela  não  vinculação  a  aplicações  específicas.   Já  o  Parecer  Normativo  CST  nº  143/73  (DOU  de  16.10.73),  sempre  que  se  refere  a  investimento  complementa­o  com  a  expressão  em  ativo  fixo. Desses  subsídios  podemos  inferir  que  SUBVENÇÃO  PARA  INVESTIMENTO  é  a  transferência  de  recursos para uma pessoa jurídica com a finalidade de auxiliá­la,  não nas suas despesas, mas sim, na aplicação específica em bens  ou  direitos  para  implantar  ou  expandir  empreendimentos  econômicos. Essa concepção está  inteiramente de acordo com o  próprio § 2º do art. 38 do DL 1.598/77.   2.12  –  Observa­se  que  a  SUBVENÇÃO  PARA  INVESTIMENTO  apresenta  características  bem  marcantes,  exigindo  até  mesmo  perfeita  sincronia  da  intenção  do  subvencionador com a ação do subvencionado. Não basta apenas  o  “animus”  de  subvencionar  para  investimento.  Impõe­se,  também, a efetiva e específica aplicação da subvenção, por parte  do  beneficiário,  nos  investimentos  previstos  na  implantação  ou  expansão  do  empreendimento  econômico  projetado.  Por  outro  lado, a simples aplicação dos recursos decorrentes da subvenção  em  investimento  não  autoriza  a  sua  classificação  como  SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO.   (...)   3.6 Há, também, uma modalidade de redução do Imposto sobre a  Circulação  de Mercadorias  (ICM),  utilizada  por  vários  Estados  da  Federação  como  incentivo  fiscal,  que  preenche  todos  os  requisitos  para  ser  considerada  como  SUBVENÇÃO  PARA  INVESTIMENTO.  A mecânica  do  benefício  fiscal  consiste  no  depósito, em conta vinculada, de parte do ICM devido em cada  mês.  Os  depósitos  mensais,  obedecidas  as  condições  estabelecidas,  retornam  à  empresa  para  serem  aplicados  na  implantação  ou  expansão  de  empreendimento  econômico.  Em  alguns casos que tivemos oportunidade de examinar, esse tipo de  subvenção  é  sempre  previsto  em  lei,  da  qual  consta  expressamente  a  sua  destinação  para  o  investimento;  o  retorno  das  parcelas  depositadas  só  se  efetiva  após  comprovadas  as  Fl. 207DF CARF MF Processo nº 10850.908547/2011­69  Acórdão n.º 3301­005.031  S3­C3T1  Fl. 15          14 aplicações  no  empreendimento  econômico;  e  o  titular  do  empreendimento é o beneficiário da subvenção. (...)   I  –  As  SUBVENÇÕES  CORRENTES  PARA  CUSTEIO  OU  OPERAÇÃO  integram  a  resultado  operacional  da  pessoa  jurídica;  as  SUBVENÇÕES  PARA  INVESTIMENTO,  o  resultado não operacional.   Do exposto, conclui­se que a subvenção da Lei n° 9.479/1997 é  de custeio, porquanto a Recorrente recebeu em dinheiro, por kg  de borracha beneficiada vendida.   A  atividade  do  contribuinte,  conforme  cláusula  quarta  de  seu  contrato  social,  é  a  indústria  de  látex  e  produtos  de  borracha,  comércio, importação e exportação de produtos de borracha.   Ao contrário do que alega, tal receita não pode ser classificada  como  receita  financeira,  porque  não  decorre  da  aplicação  de  recursos financeiros.   Isso  porque  o Decreto  nº  3.000/1999,  no  art.  373  c/c  art.  375,  parágrafo único, elenca como “receitas financeiras” os juros, o  desconto,  o  lucro  na  operação  de  reporte  e  os  rendimentos  de  aplicações  financeiras  de  renda  fixa,  além  das  variações  monetárias,  em  função  da  taxa  de  câmbio  ou  de  índices  ou  coeficientes aplicáveis, por disposição legal ou contratual.   Em  suma,  na  qualidade  de  usina  beneficiadora  credenciada,  a  receita da subvenção concedida pela Lei n° 9.479/1997 é receita  operacional tributável pelo PIS.  Conclusão  Do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário"  Conclusão  Dou  provimento  parcial  ao  recurso  voluntário,  para  acatar  créditos  relativos  ao  PIS  sobre  descontos  obtidos,  receitas  financeiras  e  despesas  recuperadas.  É como voto."  Importa  registrar  que  nos  autos  ora  em  apreço,  a  situação  fática  e  jurídica  encontra correspondência com a verificada no paradigma, de  tal  sorte que o entendimento  lá  esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado tanto à COFINS quanto à Contribuição para o  PIS/Pasep, sendo que na informação fiscal resultante da diligência, a autoridade fiscal concluiu  que "Das receitas alegadas indevidamente tributadas pode­se considerar “aportes financeiros  estranhos à atividade desenvolvida pela empresa” todas, exceto a Receita de Subvenção da Lei  9.479/1997".      Fl. 208DF CARF MF Processo nº 10850.908547/2011­69  Acórdão n.º 3301­005.031  S3­C3T1  Fl. 16          15 Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu dar  provimento  parcial  ao  recurso  voluntário,  para  acatar  créditos  relativos  ao  PIS  e  a  COFINS  sobre descontos obtidos, receitas financeiras e despesas recuperadas.  (assinado digitalmente)  Winderley Morais Pereira                                Fl. 209DF CARF MF

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Numero do processo: 10380.720143/2016-33
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2013 ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. Provado que o rendimento é oriundo de pensão e que a contribuinte era portadora de moléstia grave, é concedida a isenção.
Numero da decisão: 2002-000.298
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para cancelar a omissão de rendimentos. Votou pelas conclusões as conselheiras Fábia Marcília Ferreira Campêlo e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Fábia Marcília Ferreira Campêlo.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL

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2002­000.298  –  Turma Extraordinária / 2ª Turma   Sessão de  30 de agosto de 2018  Matéria  IRPF  Recorrente  DIANA DE MESQUITA SIQUEIRA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Ano­calendário: 2013  ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE.  Provado  que  o  rendimento  é  oriundo  de  pensão  e  que  a  contribuinte  era  portadora de moléstia grave, é concedida a isenção.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento  parcial  ao  Recurso  Voluntário,  para  cancelar  a  omissão  de  rendimentos.  Votou  pelas  conclusões  as  conselheiras  Fábia Marcília  Ferreira  Campêlo  e  Claudia  Cristina  Noira  Passos da Costa Develly Montez.    (assinado digitalmente)  Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez ­ Presidente.     (assinado digitalmente)  Virgílio Cansino Gil ­ Relator.  Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira  Passos  da  Costa  Develly Montez  (Presidente),  Virgílio  Cansino Gil,  Thiago  Duca Amoni  e  Fábia Marcília Ferreira Campêlo.  Relatório     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 01 43 /2 01 6- 33 Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10380.720143/2016­33  Acórdão n.º 2002­000.298  S2­C0T2  Fl. 3          2 Trata­se  de  Recurso  Voluntário  (fls.60/66)  contra  decisão  de  primeira  instância (fls.43/47), que julgou improcedente do sujeito passivo.  Em razão da riqueza de detalhes, adoto o relatório da DRJ, que assim diz:    Em  desfavor  da  contribuinte  acima  identificada  foi  emitida  Notificação de Lançamento nº 2014594731536437102 (fls. 16/20), relativamente  ao  ano­calendário  de  2013,  na  qual  foi  apurado  crédito  tributário  de  R$  7.349,68, conforme demonstrativo abaixo:            (Imagem copiada da Notificação de Lançamento em fl. 16)    As  infrações  apuradas  pela  Fiscalização,  relatadas  na  Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fls. 17/18, foram:                                  (Imagem copiada da Notificação de Lançamento em fls. 17/18)  Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10380.720143/2016­33  Acórdão n.º 2002­000.298  S2­C0T2  Fl. 4          3   Das  alterações  restou  modificado  de  saldo  de  imposto  a  restituir declarado pelo contribuinte no valor de 467,83, para saldo de imposto a  pagar no valor de R$ 3.802,34.    Inconformada com a exigência, da qual tomou ciência em  06/01/2016, fl. 21, a contribuinte apresentou impugnação em 11/01/2016, fl. 02,  com as seguintes alegações:    “(...)                (Imagens copiadas da impugnação em fl. 02)    Foi anexado aos autos os documentos de fls. 04/40.    O  resumo  da  decisão  revisanda  está  condensado  na  seguinte  ementa  do  julgamento:    ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE.  Somente são isentos os rendimentos relativos a aposentadoria, reforma ou  pensão,  recebidos  por  portador  de  moléstia  grave  devidamente  comprovada em laudo pericial emitido por serviço médico oficial da  União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser  fixado o prazo de validade do laudo pericial no caso de moléstias passíveis  de controle.  GLOSA DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE  Não comprovada a efetiva retenção do valor declarado, cumpre manter­se  a glosa de imposto de renda retido na fonte descrita na notificação de  lançamento.        Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10380.720143/2016­33  Acórdão n.º 2002­000.298  S2­C0T2  Fl. 5          4 Inconformada,  a  contribuinte  apresentou  Recurso Voluntário,  requerendo  o  cancelamento do débito fiscal e, juntando documentos. Solicita ainda, sustentação oral (fl.103).  É o relatório. Passo ao voto.  Voto             Conselheiro Virgílio Cansino Gil ­ Relator  Recurso Voluntário aviado a modo e tempo, portanto dele conheço.  A  contribuinte  foi  notificada  em  10/11/2016  (fl.53);  Recurso  Voluntário  protocolado  em  08/12/2016  (fl.60),  assinado  por  procurador  legalmente  constituído  (fl.57  e  fl.98).  A r. decisão de origem, entendeu que a isenção do Imposto de Renda no caso  presente, para ser reconhecida teria que preencher os seguintes requisitos:  ­ que os rendimentos percebidos pelo portador da moléstia grave prevista em  lei sejam oriundos de aposentadoria ou reforma;  ­ que a moléstia grave,  contraída  antes ou após  a aposentadoria ou  reforma  seja  comprovada  através  de  laudo pericial  emitido  por  serviço médico  oficial  da União,  dos  Estados,  do Distrito  Federal  ou  dos Municípios,  devendo  ser  fixado  o  prazo  de  validade  do  laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle.  Finca  convencimento,  no  seguinte  entendimento,  que  “de  acordo  com  a  legislação de regência, as doenças passíveis de controle devem ter o prazo de validade fixado  no laudo pericial”.  Destaco que a r. decisão “a quo”, não se pronunciou a respeito da origem dos  rendimentos recebidos pela recorrente.  À fl.4 dos autos, a recorrente apresenta um Laudo Pericial Oficial, que tem o  seguinte dizer:  “Trata­se  de  solicitação  para  que  seja  configurado  que  a  interessada era portadora de Neoplasia Maligna em 2008. Temos  a  informar  que  existe  documento  hábil  às  fls.21  a  23  referindo  ser a interessada na ocasião portadora de patologia elencada no  CID X como C 50. Documento datado de 18.09.2008.”  Já  à  fl.76,  se  encontra  um outro Laudo Pericial Oficial,  onde  foi  feita uma  avaliação para fins de isenção do Imposto de Renda sobre pensão, que tem o seguinte relato:  “O  examinado  não  apresenta  nenhuma  das  doenças  especificadas  no  art.  1º  da  Lei  11052/04,  em  atividade  no  momento.”  mais abaixo, no campo de Observação diz o seguinte:  Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10380.720143/2016­33  Acórdão n.º 2002­000.298  S2­C0T2  Fl. 6          5 “Neoplasia  maligna  sem  evidência  de  doença  ativa  no  momento.”  Este Laudo é datado do dia 17 de junho de 2015.  Pois  bem,  temos  dois  laudos  oficiais,  um  em  que  diz  que  a  recorrente  em  18/09/2008  era  portadora  de  moléstia  grave  prevista  em  Lei,  o  outro  laudo  de  17/07/2015,  afirma que  a moléstia  grave  está  sem  evidência  de  doença  ativa no momento. Entre os  dois  laudos existe um hiato de tempo, onde não se sabe se a recorrente tinha ou não moléstia, assim  sendo, na dúvida entende este relator, que o benefício deve ser concedido à recorrente. O que  se discute nestes autos é exatamente este espaço de tempo, portanto razão assiste à recorrente.  No  que  pertine  a  glosa  do  valor  de  R$  97,51,  esta  deve  ser mantida,  pois  percebo  que  há divergência  entre o  valor  da DAA e  da DIRF. Veja,  sobre  a  fonte  pagadora  Ministério  da  Fazenda,  na  DAA  o  contribuinte  aponta  como  IRRF  o  valor  de  R$  1.278,88  (fl.8),  enquanto que na DIRF de  fl. 99 o valor de  imposto  retido na  fonte é de R$ 1.181,37.  Prevalece a DIRF. Mantenho a glosa.  Isto posto, e pelo que mais consta dos autos, conheço do Recurso Voluntário,  e no mérito dá­se provimento parcial para cancelar a omissão de rendimentos.  É como voto.  (assinado digitalmente)  Virgílio Cansino Gil                                Fl. 111DF CARF MF

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7419450 #
Numero do processo: 10882.900420/2009-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/08/2000 a 30/08/2000 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. Não há ofensa à garantia constitucional do contraditório e da ampla defesa quando todos os fatos estão descritos e juridicamente embasados, possibilitando à contribuinte contestar todas razões de fato e de direito elencadas no despacho decisório. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não há ato legal específico que conceda isenção ou outra forma de desoneração de PIS e COFINS nas vendas à Zona Franca de Manaus, a isso não bastando o art. 4º do Decreto-Lei nº 288/67.
Numero da decisão: 3402-005.400
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) que davam provimento em conformidade com o entendimento do Superior Tribunal de Justiça no AgRg no Ag 1.420.880/PE. (assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz de Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA

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3402­005.400  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  24 de julho de 2018  Matéria  Compensação PIS/Cofins  Recorrente  SHERWIN­WILLIAMS DO BRASIL INDUSTRIA E COMERCIO LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL  ­ COFINS  Período de apuração: 01/08/2000 a 30/08/2000  NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA.  Não há  ofensa  à  garantia  constitucional  do  contraditório  e  da  ampla  defesa  quando  todos  os  fatos  estão  descritos  e  juridicamente  embasados,  possibilitando  à  contribuinte  contestar  todas  razões  de  fato  e  de  direito  elencadas no despacho decisório.  PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO.  Estando  presentes  nos  autos  todos  os  elementos  de  convicção  necessários  adequada  solução  da  lide,  indefere­se,  por  prescindível,  o  pedido  de  diligência ou perícia.  PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA  ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA.  Até julho de 2004 não há ato legal específico que conceda isenção ou outra  forma  de  desoneração  de  PIS  e  COFINS  nas  vendas  à  Zona  Franca  de  Manaus, a isso não bastando o art. 4º do Decreto­Lei nº 288/67.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  Colegiado,  pelo  voto  de  qualidade,  em  negar  provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de  Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado)  que davam provimento em conformidade com o entendimento do Superior Tribunal de Justiça  no AgRg no Ag 1.420.880/PE.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 04 20 /2 00 9- 18 Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10882.900420/2009­18  Acórdão n.º 3402­005.400  S3­C4T2  Fl. 3          2   (assinado com certificado digital)  Waldir Navarro Bezerra ­ Presidente e Relator  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Maria  Aparecida  Martins  de  Paula,  Diego  Diniz  de  Ribeiro,  Pedro  Sousa  Bispo,  Thais  de  Laurentiis  Galkowicz,  Rodrigo  Mineiro  Fernandes,  Maysa  de  Sá  Pittondo  Deligne,  Rodolfo  Tsuboi  (Suplente  Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente).  Fl. 138DF CARF MF Processo nº 10882.900420/2009­18  Acórdão n.º 3402­005.400  S3­C4T2  Fl. 4          3     Relatório  Trata­se  de  Declaração  de  Compensação  (DCOMP)  mediante  a  qual  a  contribuinte  pretendeu  extinguir  débito  com  pretenso  crédito  com  origem  em  pagamento  indevido de contribuição social.  A  Delegacia  da  Receita  Federal  de  origem  emitiu  Despacho  Decisório  Eletrônico de não homologação da compensação face a inexistência de crédito disponível para  compensação.  Cientificada  do  despacho,  a  contribuinte  manifestou  sua  irresignação  arguindo  em  síntese  que  o  crédito  utilizado  na  compensação  teria  origem  em  pagamento  da  contribuição na parcela calculada sobre vendas realizadas à Zona Franca de Manaus.  Argumenta que as vendas à Zona Franca de Manaus  (ZFM) no período em  tela estavam imunes à incidência do PIS e da Cofins e, portanto, o pagamento teria sido feito a  maior.  Iniciando essa linha de argumentação, assevera que o art. 4° do Decreto­Lei  (DL)  n°  288,  de  1967,  equiparou,  para  todos  os  efeitos  fiscais,  as  vendas  realizadas  a  Zona  Franca  de  Manaus  a  uma  operação  de  exportação.  Tal  disposição,  a  seu  ver,  possui  envergadura  de  norma  de  caráter  complementar,  e  nesse  nível  de  hierarquia  teria  sido  incorporado  ao  ordenamento  jurídico  pela  recepção  que  lhe  deu  a  Constituição  Federal  de  1988, pelo artigo 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT).  Defende que o mesmo  tratamento dado às  exportações,  aplicável  às vendas  realizadas  à  Zona  Franca  de  Manaus,  seria  também  extensível  às  vendas  efetuadas  para  destinatários sediados nos municípios integrantes das Areas de Livre Comércio.  Ao  fim,  requer  o  recebimento  da  presente manifestação  de  inconformidade  com  o  seu  regular  efeito  suspensivo  da  exigibilidade  do  crédito.  Pleiteia  ainda  o  reconhecimento do direito credit6rio referente aos recolhimentos indevidos ou a maior a titulo  de  PIS  e  Cofins  incidentes  sobre  as  receitas  de  vendas  de  mercadorias  à  Zona  Franca  de  Manaus e a consequente a homologação da compensação.”  Por meio do acórdão nº 05­29.712, a DRJ não acolheu as razões de defesa da  manifestante, mantendo a não homologação da compensação.   Regularmente  cientificado,  o  contribuinte  tempestivamente  apresentou  seu  Recurso  Voluntário,  repisando  os  argumentos  apresentados  em  sua  Manifestação  de  Inconformidade, acrescentando que não foi intimado pela fiscalização, em nenhum momento, a  apresentar comprovantes da origem dos seus créditos e que, no despacho eletrônico proferido,  também  não  foi  apresentado  nenhum  argumento  para  que  os  créditos  pleiteados  fossem  indeferidos.   Fl. 139DF CARF MF Processo nº 10882.900420/2009­18  Acórdão n.º 3402­005.400  S3­C4T2  Fl. 5          4 Argumenta ainda que trouxe aos autos planilha comprovando que os créditos  indicados no pedido de compensação são originados de pagamento indevido ao a maior, uma  vez que efetuou vendas destinadas à Zona Franca de Manaus.  O  processo  foi  encaminhado  a  este  Conselho  para  julgamento  e  posteriormente distribuído a este Relator.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Waldir Navarro Bezerra , Relator  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo  art.  47,  §§ 1º  e 2º,  do  anexo  II  do RICARF,  aprovado pela Portaria MF  343,  de  09  de  junho  de  2015.  Portanto,  ao  presente  litígio  aplica­se  o  decidido  no Acórdão  3402­005.398,  de  24  de  julho  de  2018,  proferido  no  julgamento  do  processo  10882.900443/2008­33, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402­005.398):  "O Recurso Voluntário é  tempestivo e atende aos demais  requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido.   A questão  trazida a este colegiado cinge­se sobre direito  creditório  não  reconhecido  pela  constatação  de  utilização  integral do pagamento na quitação de débitos do contribuinte.  Também  se  discute,  a  partir  das  alegações  trazidas  na  Manifestação de  Inconformidade, o direito ao crédito do PIS e  da  COFINS  nas  operações  com  empresas  situadas  na  Zona  Franca  de  Manaus,  que  poderia  lastrear  o  pleito  inicial  da  interessada.  Ainda  que  o  Despacho  Decisório  nada  tenha  se  manifestado acerca de qualquer documento probatório, o sujeito  passivo, além de contestar a vinculação do pagamento, também  argumentou  quanto  às  razões  pela  qual  entendia  que  parte  do  recolhimento seria indevido, por se referir a vendas realizadas à  Zona Franca de Manaus. Segundo seu entendimento, tais vendas  estariam  imunes  à  incidência  das  contribuições,  resultando  em  saldo recolhido à maior.  A 3ª Turma da DRJ em Campinas não acolheu as razões  de  defesa  do  sujeito  passivo,  entendendo  que  o  pretendido  pagamento  indevido  teria  origem  no  período  de  apuração  01/09/2002  a  30/09/2002,  em  relação  ao  qual  a  isenção  em  comento  alcançaria  apenas  as  receitas  de  vendas  enquadradas  nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do artigo 14  da  MP  n°2.158­35,  de  2001.  Segundo  a  turma  julgadora,  os  autos  não  trazem  comprovação  suportada  por  documentação  contábil­fiscal  da  inclusão  das  receitas  decorrentes  das  mencionadas  operações  isentas  na  base  que  serviu  para  o  Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10882.900420/2009­18  Acórdão n.º 3402­005.400  S3­C4T2  Fl. 6          5 cálculo  do  pagamento  formador  do  apontado  indébito,  não  se  podendo reconhecer o pretendido direito de crédito aproveitado  na compensação.  Preliminarmente,  a  recorrente  alega  nulidade  do  processo administrativo em razão da ausência de diligências na  documentação que comprovaria o indébito tributário.  Não assiste razão à recorrente.   Conforme  disposto  no  artigo  29  do  PAF,  as  diligências são determinadas pela autoridade julgadora, na  apreciação da prova, caso entenda necessárias, o que não  é o caso. A recorrente não apresentou qualquer documento  comprobatório  do  crédito  pleiteado,  nem  na  fase  de  impugnação, nem nesta  fase  recursal,  em descumprimento  do  artigo  15  do  PAF  que  determina  a  instrução  dos  documentos  comprobatórios  juntamente  com  a  impugnação.  Apenas  uma  planilha  intitulada  “VENDAS  PARA  A  ZONA  FRANCA  DE  MANAUS  E  AREAS  DE  LIVRE  COMÉRCIO  UNIDADE  SUMARÉ  ­  SETEMBRO  DE 2002” (fls.43) foi apresentada, sem nenhum documento  comprobatório. A prova deve ser feita nos autos, não fora  dele, e no momento oportuno.  Destaca­se que o indeferimento do direito creditório  foi  motivado  pela  utilização  do(s)  pagamento(s)  na  quitação  de  outros  débitos  do  contribuinte,  não  restando  crédito  disponível  para  compensação  dos  débitos  informados no PER/DCOMP. Nenhuma prova contrária à  tal constatação fiscal foi apresentada.  Portanto,  não  resta  configurada  qualquer  nulidade  quanto à ausência de diligência. Em consequência, rejeita­se o  pedido de diligência.  A recorrente alega cerceamento de seu direito de defesa,  por entender que a decisão de primeira instância teria inovado o  lançamento  inicial.  Segundo  seu  entendimento,  o  Despacho  Decisório eletrônico não mencionou qualquer documento (físico  ou  eletrônico)  que  embasasse  a  glosa  da  compensação,  limitando­se  apenas  a  mencionar  que  o  crédito  não  existiria,  imputando  penalidade  a  Recorrente,  sem  qualquer  análise  da  materialidade do crédito compensado.  Também neste ponto não assiste razão à recorrente.  Nenhuma inovação foi trazida aos autos pelo julgador de  primeiro grau na apreciação da matéria,  que apenas  trouxe os  fundamentos necessários para rechaçar as alegações do sujeito  passivo  trazidas  na  Manifestação  de  Inconformidade.  Trata­se  do  pleno  exercício  do  contraditório,  que  exige  a  plena  fundamentação  das  decisões  na  apreciação  de  todos  os  pontos  levantados  pela  defesa  do  contribuinte.  A  motivação  do  Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10882.900420/2009­18  Acórdão n.º 3402­005.400  S3­C4T2  Fl. 7          6 indeferimento do direito creditório continua sendo a inexistência  de crédito.  Dessa  forma,  também  não  está  configurado  qualquer  cerceamento  do  direito  de  defesa  da  recorrente,  visto  que  a  questão foi por ela trazida e por ela novamente repisada em sua  peça recursal.  No mérito, a recorrente alega o direito ao crédito do PIS  e  da COFINS nas  operações  com  empresas  situadas  na Zona  Franca de Manaus.  O tema foi objeto de julgamento repetitivo na 3ª Turma da  Câmara  Superior  de  Recursos  Fiscais,  em  processos  cujo  interessado  foi  a  própria  recorrente.  Dessa  forma,  adoto  no  presente  voto  os  fundamentos  do Acórdão  nº  9303­003.934,  de  07  de  junho  de  2016,  da  lavra  do  i.  Conselheiro  Júlio  César  Alves Ramos, a seguir reproduzido:   “Fui  incumbido  de  apontar  as  razões  que  levaram o  colegiado, por voto de qualidade, a negar provimento  ao  recurso  do  contribuinte,  sob  o  entendimento  de  que, até a redução a zero da alíquota da contribuição  efetuada  em  julho  de  2004,  não  havia  qualquer  dispositivo legal que concedesse isenção de COFINS  às vendas para aquela área.  O argumento inicial em sentido contrário busca­a na  própria  norma  que  criou  a Zona  Franca  de Manaus.  Segundo  tal  entendimento,  o  art.  4º  do  Decreto­lei  288,  ao  afirmar  que  as  remessas  para  aquela  região  equiparavam­se a exportação para o exterior, deveria  ser  estendido  à  COFINS,  embora,  cediço,  ela  somente tenha sido posteriormente criada.  E  isso  porque  tal  extensão  somente  caberia  se  o  citado  decreto  tivesse  afirmado  que  as  remessas  de  produtos  para  a  Zona  Franca  de  Manaus  são  exportação. Nesse caso, a equiparação valeria mesmo  para  outros  efeitos,  não  fiscais.  Poderia,  para  o  que  interessa, restringi­la a “todos os efeitos fiscais”. Se o  tivesse  feito,  dúvida  não  haveria  de  que  qualquer  mudança posterior na legislação que viesse a afetar as  exportações,  no  que  tange  a  tributos,  afetaria  do  mesmo modo e na mesma medida aquela zona.  Mas  já  foi  repetidamente  assinalado  que  o  artigo  4º  daquele  ato  legal,  embora  traga  de  fato  a  expressão  acima,  apôs  a  ressalva  “constantes  da  legislação  em  vigor”.  Não  vejo  como  essa  restrição  possa  ser  entendida  de  modo  diverso  do  que  tem  sido  interpretado  pela  Administração:  apenas  os  incentivos  às  exportações  que  já  vigiam  em  1  de  fevereiro  de  1967  estavam  “automaticamente”  Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10882.900420/2009­18  Acórdão n.º 3402­005.400  S3­C4T2  Fl. 8          7 estendidos à ZFM por força desse comando. E ponho  a  palavra  entre  aspas  porque  nem  mesmo  o  Poder  Executivo – e vale assinalar que estamos falando de  um  período  de  exceção,  em  que  o  Poder  executivo  quase  tudo  podia  pareceu  estar  tão  seguro  desse  automatismo, visto que fez editar, na mesma data, o  Ato  Complementar  35,  cujo  artigo  7º  assegurou  aquela extensão ao ICM.  Pretendem alguns que ele teria alçado ao patamar de  lei  complementar  a  equiparação  já  prevista  no  decreto­lei.  A  meu  ver,  porém,  tudo  o  que  faz  é  definir  com  maior  precisão  o  que  se  entende  por  produtos  industrializados para efeito da não incidência de ICM  nas  exportações  já  prevista  na  Constituição  de  67.  Define­os  no  parágrafo  1º,  recorrendo  à  tabela  do  então criado imposto sobre produtos industrializados  (tabela  anexa  à  Lei  4.502).  No  parágrafo  segundo,  estende,  também  para  efeito  de  ICM,  aquela  imunidade  às  vendas  a  zonas  francas.  Essa  interpretação me parece forçosa quando se sabe que,  segundo  a  boa  técnica  legislativa,  os  parágrafos  de  um dado artigo não acrescentam matéria ao disposto  no caput, apenas esclarecem sobre o alcance daquela  matéria. E ao esclarecer podem impor uma definição  restritiva, como no parágrafo primeiro, ou extensiva,  como  no  segundo.  O  que  não  pode  um  simples  parágrafo  é  tratar  de matéria  que  não  esteja  contida  no  caput  e  nos  seus  incisos.  E  não  parece  haver  dúvida  de  que  aí  apenas  se  cuida  da  imunidade  do  ICM.  Assim,  o  ato  legal  nem  previu  imunidade  genérica,  nem estendeu ao IPI a imunidade do ICM.  Ora,  se  a  previsão  do  decreto­lei  deveria  alcançar  “todos  os  efeitos  fiscais”  e  já  havia  previsão  de  imunidade  de  ICM  sobre  produtos  industrializados,  para que tal parágrafo no ato complementar?  Há,  contudo,  razões  mais  profundas  do  que  a  mera  literalidade.  É  que  a  zona  franca  de Manaus  não  é  meramente  uma  área  livre  de  restrições  aduaneiras,  característica das chamadas zonas francas comerciais.  O  que  se  buscou  com  a  sua  criação  foi  induzir  a  instalação  naquele  distante  rincão  nacional  de  empresas de caráter industrial, que gerassem emprego  e renda para a região Norte. Para tanto, definiu se um  conjunto  de  incentivos  fiscais  que,  à  época  de  sua  Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10882.900420/2009­18  Acórdão n.º 3402­005.400  S3­C4T2  Fl. 9          8 criação,  seria  suficiente,  no  entender  dos  seus  formuladores, para gerar aquela atração.  Tais  incentivos,  e  apenas  eles,  configuram  diferenciação  em  favor  dos  produtos  importados  e  industrializados  naquela  área.  Foi  essa  diferença  tributária que  induziu  a  criação  do  parque  industrial  que ali se veio a instalar e, assim, é apenas a retirada  de algum daqueles incentivos que pode ser tachada de  “quebra de contrato”.  A  contrário  senso,  novos  incentivos  fiscais  que  se  venham a instituir podem ou não ser a ela estendidos  conforme entenda útil o legislador por ocasião de sua  instituição.   Isso  não  se  dá  automaticamente  com  os  incentivos  genéricos à exportação cujo objetivo comum tem sido  a  geração  das  divisas  imprescindíveis  ao  pagamento  dos compromissos internacionais durante tanto tempo  somente  alcançáveis  por  meio  das  exportações.  Por  óbvio,  a  ninguém  escapa  que  vendas  à  ZFM  não  geram divisas. Diferentes, pois, os objetivos, nenhum  automatismo se justifica.  Prova desse raciocínio é que dois anos apenas após a  criação  da  ZFM,  inventaram  os  “legisladores  executivos” de então novo  incentivo à exportação, o  malsinado  “crédito  prêmio”  posteriormente  tão  combatido nos acordos de livre comércio a que o País  aderia.  Sua  legislação  expressamente  incluiu  a Zona  Franca.  Fê­lo,  no  entanto,  apenas  para  os  casos  em  que,  após  serem  “exportados”  para  lá,  fossem  dali  efetivamente  exportados  para  o  exterior  (“reexportados”, na linguagem do dec­lei).  Em  outras  palavras,  já  em  1969  dava  o  executivo  provas  de  que  aquela  extensão  nem  era  automática,  nem tinha que se dar sem qualquer restrição.  Logo, ainda que se avance na interpretação da norma,  ultrapassando  o  método  literal  e  adentrando­se  o  histórico  e  o  teleológico,  se  chega  à  mesma  conclusão:  o  decreto­lei  288  apenas  determinou  a  adoção  dos  incentivos  fiscais  à  exportação  já  existentes  e acresceu  incentivos  específicos voltados  a  promover  o  desenvolvimento  da  região  menos  densamente povoada de nosso território.  Nessa  linha  de  raciocínio,  portanto,  há  de  se  buscar  na  legislação  específica  do  PIS  e  da  COFINS,  tributos  somente  instituídos  após  a  criação  da ZFM,  dispositivo que preveja alguma forma de desoneração  Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10882.900420/2009­18  Acórdão n.º 3402­005.400  S3­C4T2  Fl. 10          9 nas  vendas  àquela  região,  seja  a  não  incidência,  alíquota  zero  ou  isenção.  E  não  se  precisa  ir  longe  para  ver  que  ela  somente  começa  a  existir  em  julho  de 2004, com a edição da Medida Provisória 202.  De  fato,  a  “exclusão  das  receitas  de  exportação”  da  base  de  cálculo  do  PIS  tratada  na  Lei  7.714  e  a  isenção  da  COFINS  sobre  receitas  de  exportação  prevista  na  Lei  Complementar  70  e  objeto  da  Lei  complementar  85  não  incluíram  expressamente  as  vendas  à  ZFM  ainda  que  tenham  estendido  o  benefício  a  outras  operações  equiparadas  a  exportação.  Um  exame  cuidadoso  dessas  extensões  vai  revelar  o  que  se  disse  acima:  todas  elas  geram,  imediata ou mediatamente, divisas internacionais.  A  conclusão  que  se  impõe,  assim,  é  que  não  havia,  até  o  surgimento  da  Medida  Provisória  1.858  qualquer benefício fiscal que desonerasse de PIS e de  COFINS as receitas obtidas com a venda de produtos  para  empresas  sediadas  na  ZFM.  É  certo  que  esse  entendimento não era uníssono, muita peleja tendo se  travado  entre  o  fisco  e  os  contribuintes  que  pretendiam estarem tais vendas amparadas pelos atos  legais mencionados. E essas divergências somente se  agravaram com a edição da MP, cuja redação padece  de diversas inconsistências.  Com efeito, tal MP, que revogou a Lei 7.714 e a Lei  Complementar  85,  disciplinando  por  completo  a  isenção  das  duas  contribuições  nas  operações  de  exportação  trouxe  dispositivo  expresso  “excluindo”  as  vendas  à  ZFM.  Isso,  por  óbvio,  aguçou  a  interpretação  de  que  já  havia  dispositivo  isentivo  e  que esse dispositivo estava sendo agora revogado.  Defendo  que  não,  embora  seja  forçoso  reconhecer  que  o  dispositivo  apenas  criou  desnecessário  imbróglio.  É  que,  nos  termos  constitucionais,  a  concessão de isenção requer lei específica1 , de modo  que, ou se aceita que seja ela o decreto­lei ou ela não  existe.  Não  se  pode  inferir  que  haja  uma  lei  simplesmente  porque  um  parágrafo  em  artigo  de  lei  posterior  a  "exclua".  Em  outras  palavras,  há  apenas  dois  caminhos  interpretativos.  O  primeiro:  se  considera  que  o  decreto­lei  288  fez  uma  equiparação  genérica  das  vendas  àquela  região  a  exportação  e,  portanto,  qualquer  ato  posterior  que  concedesse  benefício  Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10882.900420/2009­18  Acórdão n.º 3402­005.400  S3­C4T2  Fl. 11          10 (isenção  ou  outro)  a  operações  de  exportação  se  aplicava imediatamente e automaticamente às vendas  para lá.  Nesse  caso,  a  isenção  concedida  pela  Lei  Complementar 85 a elas se estende, mesmo não tendo  ela  sido  expressamente  referida  no  dispositivo. Essa  interpretação contraria, a meu ver, o art. 150, § 6º da  Constituição.  Ou,  como  entendo  eu,  considera­se  que  não  havia  dispositivo que concedesse isenção ou qualquer outra  forma de desoneração àquelas vendas até a redução a  zero  de  sua  alíquota,  promovida  em  2004.  Não  contemplo um terceiro caminho.  Com  tais  considerações,  negou­se  provimento  ao  recurso do contribuinte.”  Também não prospera qualquer argumento que aponte a  obrigatoriedade  do  acatamento  do  entendimento  do  STF,  exceto  nos  casos  de  repercussão  geral  reconhecida,  conforme  determina o RICARF, o que não é o caso.  Ante  o  exposto,  nego  provimento  ao  recurso  voluntário do sujeito passivo."  Importa  registrar  que  nos  autos  ora  em  apreço,  a  situação  fática  e  jurídica  encontra correspondência com a verificada no paradigma, de  tal  sorte que o entendimento  lá  esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado.  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática  prevista  nos  §§  1º  e  2º  do  art.  47  do  anexo  II  do  RICARF,  o  colegiado  negou  provimento ao recurso voluntário.  (assinado com certificado digital)  Waldir Navarro Bezerra                            Fl. 146DF CARF MF

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Numero do processo: 19515.001928/2005-52
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2002 a 31/12/2004 MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. POSSIBILIDADE. A aplicação da multa de ofício em 150% (cento e cinquenta por cento) exige a inequívoca comprovação do evidente intuito de fraude na conduta do sujeito passivo, definido nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. No caso dos autos, conforme se depreende da análise do termo de verificação fiscal, a Contribuinte reiteradamente declarou valores a menor do que apurado em sua contabilidade na DCTF e/ou não declarou quaisquer valores devidos a título de PIS, não tendo apresentado ao longo da fiscalização ou do processo justificativa para tais diferenças, evidenciando-se o dolo na sua conduta.
Numero da decisão: 9303-007.461
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencida a conselheira Tatiana Midori Migiyama (relatora), que lhe negou provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Vanessa Marini Cecconello. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama – Relatora (Assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello – Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA

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9303­007.461  –  3ª Turma   Sessão de  20 de setembro de 2018  Matéria  PIS/PASEP E COFINS   Recorrente  FAZENDA NACIONAL  Interessado  ELAND COMÉRCIO DE MÁQUINAS LTDA    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período de apuração: 01/07/2002 a 31/12/2004  MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. POSSIBILIDADE.   A aplicação da multa de ofício em 150% (cento e cinquenta por cento) exige  a  inequívoca  comprovação  do  evidente  intuito  de  fraude  na  conduta  do  sujeito  passivo,  definido  nos  artigos  71,  72  e 73  da Lei  nº  4.502,  de 30  de  novembro de 1964.  No caso dos autos, conforme se depreende da análise do termo de verificação  fiscal,  a  Contribuinte  reiteradamente  declarou  valores  a  menor  do  que  apurado em sua contabilidade na DCTF e/ou não declarou quaisquer valores  devidos a título de PIS, não tendo apresentado ao longo da fiscalização ou do  processo  justificativa  para  tais  diferenças,  evidenciando­se  o  dolo  na  sua  conduta.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.    Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar­lhe provimento,  vencida  a  conselheira  Tatiana  Midori  Migiyama  (relatora),  que  lhe  negou  provimento.  Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Vanessa Marini Cecconello.     (Assinado digitalmente)  Rodrigo da Costa Pôssas ­ Presidente em Exercício       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 19 28 /2 00 5- 52 Fl. 472DF CARF MF     2 (Assinado digitalmente)  Tatiana Midori Migiyama – Relatora    (Assinado digitalmente)  Vanessa Marini Cecconello – Redatora designada    Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas  (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama  (Relatora),  Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos  Autran, e Vanessa Marini Cecconello.    Relatório      Trata­se  de  Recurso  Especial  interposto  pela  Fazenda  Nacional  contra  o  acórdão 3402­00.673, da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª  Seção de  Julgamento do  Conselho Administrativo  de Recursos  Fiscais,  que,  por maioria  de  votos,  deu  provimento  parcial ao recurso para excluir o agravamento da multa, consignando a seguinte ementa:    “Assunto: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS ­ PIS/COFINS  Período de apuração: 01/07/2002 a 31/12/2004  TAXA SELIC  Nos termos da Súmula 4 do CARF, a partir de 1º de abril de 1995, os juros  moratórios  incidentes  sobre  débitos  tributários  administrados  pela  Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação  e  Custódia  ­  SELIC  para títulos federais.  MULTA EXASPERADA. 150%  A multa de ofício de 150 % a que se referia o então vigente inciso II do  art.  44  da  lei  9.430/96,  pressupõe  evidente  intuito  de  fraude.  Para  a  exasperação  da multa  de  ofício  base  (75%)  o  agente  do Fisco  tem  que  motivá­la de forma circunstanciada, articulando especificamente acerca  Fl. 473DF CARF MF Processo nº 19515.001928/2005­52  Acórdão n.º 9303­007.461  CSRF­T3  Fl. 473          3 do dolo da empresa autuada, bem como apontando a que norma da  lei  4.502/64  (art.  71,  ou  art.  72  ou  art.  73)  o  agir  doloso  da  empresa  se  subsume.”    Irresignada,  a  Fazenda  Nacional  interpôs  Recurso  Especial  contra  o  r.  acórdão  · Restou cristalina a atividade  ilícita do  autuado, observada a partir da  conduta reiterada de prestar declarações falsas ao Fisco, o que revela o  evidente  intuito  fraudulento  ou  mesmo  se  subsume  no  conceito  de  sonegação  dolosa,  de  forma  a  ensejar  a  incidência  da  multa  qualificada;  · Vê­se  o  intuito  de  fraude  ou  mesmo  a  sonegação  dolosa  quando  o  autuado adota a prática de declarar ao Fisco Federal um código FPAS  que sabia não ser verdadeiro;   · O dever fixado pelo art. 71 da Lei 4.502/64 é plenamente compatível  com as demais normas que compõem o sistema de direito tributário.     Em Despacho às fls. 435 a 438, foi dado seguimento ao Recurso Especial  interposto pela Fazenda Nacional.    É o relatório.  Voto Vencido    Conselheira Tatiana Midori Migiyama ­ Relatora    Depreendendo­se da análise do recurso especial  interposto pela Fazenda  Nacional, entendo que devo conhecê­lo, eis que atendidos os critérios definidos no art. 67  da  Portaria MF  343/2015  com  alterações  posteriores.  O  que,  por  conseguinte,  concordo  com o exame de admissibilidade presente em Despacho.    Quanto  ao  mérito,  considerando  os  fatos,  entendo  que  a  decisão  do  colegiado a  quo  deve  ser mantida.  Para melhor  elucida,  peço  licença  para  transcrever  o  Fl. 474DF CARF MF     4 voto  do  redator  designado  –  o  nobre  conselheiro  Jorge  Lock  Freire.  Não  obstante,  em  respeito ao conselheiro, importante a priori trazer os seguintes dizeres de seu voto “Assim,  o  voto  a  seguir  proferido,  espelha  o  entendimento  externado  por  ocasião  do  julgamento  original, não tendo necessário vínculo com o entendimento deste redator designado sobre a  matéria.”    Eis o restante do voto – na parte que interessa:  “Contudo,  quanto  à  majoração  da  multa,  é  de  ser  revista.  O  enquadramento legal daquela deu­se nos seguintes termos (fl. 113):  150,00 % Art. 86, § 1º, Lei nº 7.450/85; art. 2° da Lei nº 7.683/88; e art.  44, inciso II, da Lei nº 9.430/96.   E  a motivação da  peça  fiscal,  sequer,  firmada no  auto  de  infração,  foi  nos seguintes termos:  A  fiscalizada  tem  reiteradamente  entregue  DCTFs,  à  Receita  Federal,  sem os valores do PIS devido e/ou incorretas. Desta forma a multa será  agravada para 150 % conforme art. 86 parágrafo 1°,da Lei n° 7. 450/85  e art. 44 inciso II da Lei nº 9.430/96.  De  seu  turno,  a  legislação  a  que  se  reporta  o Fisco,  tinha,  à  época,  a  seguinte redação:  Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes  multas,  calculadas  sobre  a  totalidade  ou  diferença  de  tributo  ou  contribuição:  I ­ de 75% (setenta e cinco por cento), nos casos de falta de pagamento  ou recolhimento de tributo ou contribuição:  II  ­  de  cento  e  cinquenta  por  cento,  nos  casos  de  evidente  intuito  de  fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro  de  1964,  independentemente  de  outras  penalidades  administrativas  ou  criminais cabíveis.  Tratando­se  de  penalidade  que  pressupõe  evidente  intuito  de  fraude,  o  Fisco, tendo em vista a majoração de seu percentual em 100%, alem da  possibilidade que se abre para um processo de cunho criminal advindo  da representação fiscal para fins criminais, como in casu, tem o dever de  motivar especificamente a ação dolosa do contribuinte. Ademais, deve o  Fisco  apontar  em  qual  dos  artigo  da  Lei  4.502  incide  o  dolo  do  contribuinte,  especificamente,  nos  termos do  inciso  II  do art.  44 da Lei  Fl. 475DF CARF MF Processo nº 19515.001928/2005­52  Acórdão n.º 9303­007.461  CSRF­T3  Fl. 474          5 9.430/96,  e  de  forma  circunstanciada,  de  modo  a  propiciar  ao  sujeito  passivo  o  devido  direito  de  defesa.  Sequer  a  autora  do  lançamento  apontou  em  qual  norma  da  Lei  4.502  se  aplicaria  a  circunstância  majorante para fins de exasperação da multa.  Talvez tentando sanar esta grave omissão, foi que a r. decisão, inovando  em relação à peça fiscal, averbou que "o que caracteriza a ação dolosa  definida  como  sonegação  pelo  art.  71  da  Lei  n°  4.502,  de  1964,  fundamento para a exigência da multa qualificada prevista no art. 44, II  da Lei n° 9.430, de 1996".  Assim, tendo em vista a indevida motivação para dobrar o percentual da  multa  de  ofício,  o  que  requer  pela  lei  a  prova  do  "evidente  intuito  de  fraude", foi indevido o agravamento da multa.  Diante  do  exposto,  voto  no  sentido  de  afastar  o  agravamento  da multa  aplicada,  retornando  a  mesma,  em  consequência,  para  seu  patamar  básico ( 75% ­ setenta e cinco por cento).”    Ora, a multa de 150% objeto da discussão foi trazida pelo art. 44, inciso I,  § 1º,  da Lei 9.430/96  traz que "o percentual da multa de que  trata o  inciso  I  (75%)  será  duplicado  nos  casos  previstos  nos  arts.  71,  72  e  73  da Lei  4.502  de  30  de novembro  de  1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.".     E o art. 71, I, da Lei 4.502/64 (grifos meus):  “Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir  ou  retardar,  total  ou  parcialmente,  o  conhecimento  por  parte  da  autoridade fazendária:    I ­ da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua  natureza ou circunstâncias materiais;    II  ­  das  condições  pessoais  de  contribuinte,  suscetíveis  de  afetar  a  obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente.”    No caso vertente, realmente não houve motivação por parte da autoridade  fiscal  que  pudesse  conferir  ou  presumir  o  evidente  intuito  de  fraude.  Vê­se  ainda  pelas  declarações acostadas aos autos que a empresa não apresentou valor devido de Pis e Cofins,  Fl. 476DF CARF MF     6 pois  entendeu  que  havia  constituído  crédito  de  PIS  e  Cofins  capaz  de  liquidar  o  débito  apurado e declarado.    Em vista de todo o exposto, conheço o Recurso Especial interposto pela  Fazenda Nacional, negando­lhe provimento.    É o meu voto.    (Assinado digitalmente)  Tatiana Midori Migiyama     Voto Vencedor    Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Redatora designada    Com  a  devida  vênia  ao  sempre  elucidativo  voto  da  Ilustre  Conselheira  Relatora,  a  maioria  do  Colegiado  entendeu  por  divergir  de  suas  conclusões  pelas  razões  consignadas no voto que fui designada para redigir.   Consoante  bem  relatado,  a  Fazenda  Nacional  interpôs  recurso  especial  buscando a reforma do Acórdão n.º 3402­00.673 (e­fls. 414 a 417), que deu provimento parcial  ao  recurso  voluntário,  para  excluir  o  agravamento  da  multa  de  ofício  de  150%  (cento  e  cinquenta  por  cento),  retornando  ao  patamar  básico  de  75%  (setenta  e  cinco  por  cento).  Entendeu  a  Turma  a  quo  que  a  entrega  reiterada  de  DCTF´s  à  Receita  Federal,  sem  a  declaração  dos  valores  do  PIS  devidos  e/ou  incorretas,  não  configurava  evidente  intuito  de  fraude, estando apto a exasperar a multa de lançamento de ofício.   Por sua vez, a Fazenda Nacional alega divergência  jurisprudencial quanto à  caracterização  da  prática  reiterada  de  conduta  omissiva  do  Sujeito  Passivo,  consistente  na  apresentação de  sucessivas declarações  falsas,  como circunstância qualificativa da  infração  a  ensejar o agravamento da penalidade.   No julgamento do recurso especial, a maioria do Colegiado entendeu assistir  razão à recorrente.   Portanto,  a  discussão  principal  posta  nos  autos  refere­se  à  possibilidade  de  qualificação  da  multa  de  ofício  nos  casos  de  conduta  reiterada  de  omissão  de  receitas  e  divergências entre os valores declarados e aqueles escriturados.   A  multa  para  o  lançamento  de  ofício  será  majorada  para  150%  (cento  e  cinquenta por cento) nas hipóteses de evidente intuito de fraude, conforme disposto no art. 44,  inciso II, da Lei nº 9.430/96, com redação vigente à época dos fatos geradores (anos de 2001 a  2004) nos seguintes termos:   Fl. 477DF CARF MF Processo nº 19515.001928/2005­52  Acórdão n.º 9303­007.461  CSRF­T3  Fl. 475          7   Art.44.Nos  casos  de  lançamento  de  ofício,  serão  aplicadas  as  seguintes multas, calculadas sobre a  totalidade ou diferença de  tributo ou contribuição: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Vide Mpv  nº 303, de 2006) (Vide Medida Provisória nº 351, de 2007)  I ­ de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento  ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento  do  prazo,  sem  o  acréscimo  de  multa  moratória,  de  falta  de  declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do  inciso seguinte; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Vide Mpv nº 303,  de 2006) (Vide Medida Provisória nº 351, de 2007)  II ­ cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de  fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de  novembro  de  1964,  independentemente  de  outras  penalidades  administrativas  ou  criminais  cabíveis.  (Vide  Lei  nº  10.892,  de  2004)  (Vide Mpv nº  303, de  2006)  (Vide Medida Provisória  nº  351, de 2007)    Conforme dispositivos legais acima transcritos, nas hipóteses de lançamento de  ofício  será  aplicada multa  sobre  a  totalidade  ou  diferença  do  imposto,  no montante  de  75%  (setenta e cinco por cento) ou de 150% (cento e cinquenta por cento), este último nos casos de  evidente  intuito  de  fraude  por parte  do  contribuinte. Assim,  a multa de 150%  terá  aplicação  sempre que for constatada a ocorrência de sonegação, fraude ou conluio.   Para  o  enquadramento  do  ilícito  fiscal  nos  artigos  71,  72  e  73  da  Lei  nº  4.502/1964, imprescindível a presença de dolo na conduta do contribuinte, devendo o mesmo  praticar  intencionalmente  a  conduta  com  o  propósito  de  obter  o  resultado  de  suprimir  ou  reduzir o pagamento do tributo devido. A caracterização do elemento dolo exige a presença de  substancial conjunto probatório sobre a prática do ato infracional, não se prestando para tal a  existência de meros indícios da intenção dolosa por parte do agente.  No caso dos autos, a infração foi assim descrita no Termo de Verificação Fiscal  (e­fls. 101 a 102):    [...]  A­ DOS FATOS:  1­ Intimada em 06/06/05 (fls. 42 a 46) a justificar as seguintes diferenças do  PIS apuradas entre os valores escriturados nos livros DIÁRIO (fls. 61 a 91) e  as DCTFs (fls. 51 a 60) no período de julho/02 a dezembro/04 a empresa não  se manifestou:      Fl. 478DF CARF MF     8 PA  PIS CONF. DIÁRIO  R$  PIS DCTF R$  DIFERENÇA APURADA  R$  JUL/02  2.348,50  ­  2.348,50  AGO/02  2.074,95  ­  2.074,95  JAN/03  2.728,42  1.305,21  1.423,21  FEV/03  2.258,15  1.550,52  707,63  MAR/03  3.355,62  1.672,90  1.682,72  ABR/03  8.914,65  3.769,16  5.145,49  JUN/03  4.708,85  2.384,60  2.324,25  JUL/03  4.780,79  2.359,92  2.420,87  AGO/03  3.937,62  2.058,46  1.879,16  SET/03  4.771,82  2.364,93  2.406,89  OUT/03  8.436,53  3.688,81  4.747,72  NOV/03  2.941,86  1.381,45  1.560,41  DEZ/03  4.444,99  2.099,68  2.345,31  ABR/04  2.236,32  ­  2.236,32  MAI/04  1.031,30  ­  1.031,30  JUN/04  3.168,80  ­  3.168,80  JUL/04  1.885,18  ­  1.885,18  AGO/04  2.142,92  ­  2.142,92  SET/04  4.103,52  ­  4.103,52  OUT/04  2.299,98  ­  2.299,98  NOV/04  2.558,99  ­  2.558,99  DEZ/04  3.149,29  ­  3.149,29    2­  Será  lavrado  auto  de  infração  do  PIS  para  o  lançamento  dos  créditos  tributários  referentes  às  diferenças  do  PIS  apuradas  conforme  item  I.  A  fiscalizada  tem  reiteradamente  entregue DCTFs,  à  Receita Federal,  sem  os  vaIores  do PIS  devido  e/ou  incorretas. Desta  forma a multa  será agravada  para 150% conforme art. 86 parágrafo 1°, da Lei n° 7.450/85 e art. 44 inciso  II da Lei nº 9.43/96.  [...]  Fl. 479DF CARF MF Processo nº 19515.001928/2005­52  Acórdão n.º 9303­007.461  CSRF­T3  Fl. 476          9   No caso dos  autos,  conforme  se depreende da análise do  termo de verificação  fiscal,  a  Contribuinte  reiteradamente  declarou  valores  a  menor  do  que  apurado  em  sua  contabilidade na DCTF e/ou não declarou quaisquer valores devidos a título de PIS, não tendo  apresentado  ao  longo  da  fiscalização  ou  do  processo  justificativa  para  tais  diferenças.  Evidencia­se o dolo na sua conduta.   É fato que a simples declaração reiterada de valores a menor, por si só, não seria  suficiente para evidenciar o intuito de fraude do Contribuinte. No entanto, no caso em apreço,  chegou­se  à  conclusão  diversa  em  razão  da  não  apresentação  de  razões  plausíveis  para  as  diferenças  de  valores  de  PIS  existentes  entre  o  livro  diário  e  a  DCTF,  caracterizando­se  a  relação causal entre a conduta da empresa e o efeito de não pagar os débitos de PIS ou pagar  valores a menor que o efetivamente devido.   Diante do exposto, dá­se provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional.     É o Voto.     (assinado digitalmente)  Vanessa Marini Cecconello                          Fl. 480DF CARF MF

score : 1.0
7432926 #
Numero do processo: 11831.000174/2003-67
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1998, 1999 PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao recorrente produzir nos autos o conjunto probatório de suas alegações, inclusive quanto à soma, ao resultado do exercício, da receita para a qual houve IRRF que deduziu o IR do período, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde de comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago indevidamente ou a maior. DÉBITOS A COMPENSAR. ERRO DE CÁLCULO. EXAME FORA DA COMPETÊNCIA DO CARF. O litígio acerca de pedido de compensação envolve somente o direito creditório alegado e a não homologação da compensação, não alcançando circunstâncias de cálculo dos débitos compensados, de competência da unidade da RFB que administra o contribuinte que pleiteia a compensação. O direito creditório e a não homologação são o limite da lide, não cabendo ao CARF examinar ou manifestar-se quanto a eventuais erros de cálculo do saldo devedor de tributo que o recorrente alega produzidos pela unidade preparadora a partir do encontro entre débitos e crédito.
Numero da decisão: 1002-000.333
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva - Presidente. (assinado digitalmente) Angelo Abrantes Nunes - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva, Leonam Rocha de Medeiros, Breno do Carmo Moreira Vieira e Angelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: ANGELO ABRANTES NUNES

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alegações, inclusive quanto à soma, ao resultado do exercício, da receita para  a qual houve  IRRF que deduziu o IR do período,  já que o procedimento de  apuração do direito creditório não prescinde de comprovação  inequívoca da  liquidez e da certeza do valor de tributo pago indevidamente ou a maior.  DÉBITOS A COMPENSAR.  ERRO DE CÁLCULO.  EXAME  FORA DA  COMPETÊNCIA DO CARF.  O  litígio  acerca  de  pedido  de  compensação  envolve  somente  o  direito  creditório  alegado  e  a  não  homologação  da  compensação,  não  alcançando  circunstâncias  de  cálculo  dos  débitos  compensados,  de  competência  da  unidade da RFB que administra o contribuinte que pleiteia a compensação. O  direito creditório e a não homologação são o limite da lide, não cabendo ao  CARF  examinar  ou  manifestar­se  quanto  a  eventuais  erros  de  cálculo  do  saldo  devedor  de  tributo  que  o  recorrente  alega  produzidos  pela  unidade  preparadora a partir do encontro entre débitos e crédito.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade,  em  NEGAR  PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente  julgado.    (assinado digitalmente)     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 83 1. 00 01 74 /2 00 3- 67 Fl. 434DF CARF MF Processo nº 11831.000174/2003­67  Acórdão n.º 1002­000.333  S1­C0T2  Fl. 435          2 Aílton Neves da Silva ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Angelo Abrantes Nunes ­ Relator.    Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva,  Leonam Rocha de Medeiros, Breno do Carmo Moreira Vieira e Angelo Abrantes Nunes.      Relatório  Trata­se de  recurso  voluntário  interposto  em  face  de  decisão  proferida pela  2.ª  Turma  da  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  em  Salvador  ­  BA  (DRJ/SDR) mediante o Acórdão n.º 15­19.895, de 08/07/2009 (e­fls. 355 a 362).  O  relatório  elaborado  por  ocasião  do  julgamento  em  primeira  instância  sintetiza  bem  o  ocorrido,  pelo  que  peço  licença  para  transcrever  alguns  de  seus  trechos,  a  seguir, complementando­o ao final.  [...]  Trata­se de Pedido de Restituição relativo ao imposto de renda retido na fonte  ­  IRRF,  dos  anos­calendário  de  1998  a  2001,  apresentado  em  10/01/2003,  pela  interessada  ODEBRECHT  SERVIÇOS  DE  INFRA­ESTRUTURA  S/A,  e  de  Declarações  Eletrônicas  de  Compensação,  indicando  o  crédito  no  mesmo  valor  e  natureza  do  pedido  de  restituição,  transmitidas  pela  própria  ODEBRECHT  SERVIÇOS DE  INFRA­ESTRUTURA S/A (empresa  incorporada) e pela empresa  incorporadora ODBINV S/A.  Os débitos a  serem compensados  são de  responsabilidade da ODEBRECHT  SERVIÇOS  DE  INFRA­ESTRUTURA  S/A,  CNPJ  n°  02.404.361/0001­29;  OSI  PARTICIPAÇÕES LTDA, CNPJ  n°  02.899.988/0001­06,  e  da  empresa ODBINV  S/A,  CNPJ  n°  15.105.588/0001­15,  incorporadora  das  duas  pessoas  jurídicas  anteriormente citadas (fls. 45 e 46), conforme demonstrativo integrante do despacho  decisório ora questionado:  [...]  Os  fundamentos  do  despacho  decisório  que  homologou  parcialmente  a  compensação são aqui transcritos parcialmente:  (...)  Desta  forma,  a  despeito  do  Pedido  de  Restituição  (fl.  01)  requerer a restituição de IRRF relativo aos anos­calendário de  1998  a  2001,  considerar­se­á  o  crédito  pleiteado  como  saldo  negativo  de  IRPJ  a  fim de  permitir  a  apreciação  do  pleito  do  contribuinte.  Fl. 435DF CARF MF Processo nº 11831.000174/2003­67  Acórdão n.º 1002­000.333  S1­C0T2  Fl. 436          3 (...)  No entanto, não se verifica apuração de saldo negativo de IRPJ  referente  aos  exercícios  de  1999  e  2000,  anos­calendário  de  1998 e 1999, respectivamente, conforme extratos de consulta da  Ficha 13 da DIPJ­1999 (fl. 153) e da DIPJ­2000 (fl. 142).  Evidencia­se,  entretanto,  apuração  de  saldo  negativo  de  IRPJ  relativo  aos  exercícios  de  2001  e  2002,  anos­calendário  de  2000  e  2001,  conforme  extratos  de  consulta  da  Ficha  13  da  DIPJ­2001  (f1.  124)  e da DIPJ­2002  (f1.  133),  nos  valores  de  R$ 49.578,58 e R$ 957.765,17,  respectivamente. Em ambos os  anos­calendário não houve apuração de imposto de renda sobre  o lucro real, bem como pagamento de estimativas, constituindo­ se  em  saldo  negativo  tão  somente  o  IRRF  dos  períodos,  discriminados na Ficha 43 da DIPJ­2001  (fl. 168) e da DIPJ­  2002 (fl. 167) e transcritos nas Tabelas 2 e 3, respectivamente,  comprovados pelas DIRF (fls. 164 e 166) e pelos comprovantes  de  rendimentos  apresentados  em  resposta  à  Intimação  SEORT/DRF/SDR  n°  195/2008  (fls.  181  a  183).  Constata­se  também  que  os  respectivos  rendimentos  compuseram  os  resultados dos períodos conforme Ficha 06A da DIPJ­2001 (fl.  135) e da DIPJ­2002 (fl. 126).    Em  face  do  exposto,  confirma­se  saldo  negativo  de  IRPJ  relativo aos anos calendário de 2000 e 2001, nos valores de R$  49.578,58  e  R$  957.  765,17,  respectivamente,  mas  não  se  confirma  saldo  negativo  de  IRPJ  relativo  aos  anos­calendário  de 1998 e 1999.  DECISÃO  Nos  termos  do  relatório  e  fundamentação  acima  e  no  uso  de  competência  delegada  pela  Portaria  DRF/SDR  n°  26,  de  22/05/2007, DOU de 25/05/2007, decido:  a) deferir parcialmente o Pedido de Restituição, considerado de  crédito  de  saldo  negativo  de  IRPJ,  relativo  aos  exercícios  de  2001  e 2002, anos­calendário  de 2000 e 2001, nos  valores  de  R$ 49.578,58 e R$ 957. 765,1 7;  b)  homologar  parcialmente  as  compensações  objeto  das  Declarações  Eletrônicas  de  Compensação  apreciadas  no  presente processo, conforme Tabela 4.  (...)  Fl. 436DF CARF MF Processo nº 11831.000174/2003­67  Acórdão n.º 1002­000.333  S1­C0T2  Fl. 437          4 Cientificado do despacho decisório, o sujeito passivo, por meio da petição às  fls. 242 a 254, alegou que, por um lapso, deixou de informar na linha 13 das Fichas  das DIPJ os valores do imposto de renda na fonte que se constituíam em antecipação  do imposto devido, contudo, não pode ser penalizada por esse equívoco, haja vista a  possibilidade de comprovação da efetiva apuração de saldos negativos de IRPJ nos  anos­calendário  de  1998  e  1999,  nos  valores  originais  de  R$439.533,36  e  R$4.367,21,  respectivamente,  apresentando  demonstrativo  que  evidencia  as  retenções efetuadas pelas fontes pagadoras dos rendimentos recebidos em cada um  dos meses dos anos­base em apreço (doc. 03 e doc. 06) devidamente acompanhados  dos  informes  de  rendimentos  e  respectivas  páginas  do Livro Razão  nas  quais  tais  retenções foram contabilizadas (doc.04 e doc. 07), documentos que evidenciam seu  real montante. Destaca que as receitas sobre as quais incidiram as retenções foram  regularmente  oferecidas  à  tributação,  em  atenção  ao determinado no  art.  2°,  §  4°,  inciso  III,  da  Lei  n°  9.430/96.  Assim,  conclui  o  sujeito  passivo,  diante  da  comprovação de que agiu em estrita conformidade com os ditames da legislação de  regência, em face dos procedimentos contábeis e fiscais adotados e, tendo em vista,  ainda, que não foi apurado imposto de renda a pagar nos anos base de 1998 e 1999,  conclui­se que todos os valores retidos pelas fontes pagadoras devem ser revertidos  em  crédito  a  favor  da  Requerente,  ficando  evidente,  desse modo,  a  existência  de  saldo  negativo  de  IRPJ  nos  anos  de  1998  e  1999,  nos  valores  originais  de  R$439.533,36 e R$4.367,21, decorrentes de retenções do imposto de rena retido na  fonte.  [...]  Em comparação com o Despacho Decisório de e­fls. 212 a 218, a 2.ª Turma  da DRJ/SDR reconheceu uma parcela adicional de crédito em favor do impugnante, a partir do  exame do comprovantes anuais de rendimentos e retenção de IRRF, dos demonstrativos e das  cópias dos  registros contábeis  juntados aos autos pelo  recorrente. Tais valores  suplementares  são R$  413.387,48  referentes  a  IRRF  por  pagamento  de  juros  sobre  o  capital  próprio,  e R$  7.797,45  referentes  a  IRRF  sobre  receitas  de  serviços,  quanto  ao  ano  calendário  1998,  cujas  respectivas receitas levadas à tributação foram comprovadas nos valores R$ 2.755.916,50 e R$  583.933,07.  Relativamente  ao  ano­base  1999,  o  IRRF  adicional  admitido  foi  de R$  527,99,  adstrito a receita de serviços cuja tributação fora comprovada, no valor de R$ 35.199,66.  Discordando da decisão de piso, o sujeito passivo manejou recurso voluntário  (e­fls. 381 a 393) sustentando a alegação de que todas as receitas correspondentes ao valores de  IRRF não admitidos como dedutíveis do  imposto de renda a pagar haviam sido  tributadas, e  que  houve  erro  do  setor  responsável  pela  imputação  do  crédito  reconhecido  ao  elaborar  o  Extrato  do  Processo,  na  manutenção  do  saldo  devedor  de  R$  94.645,42,  quando  deveria  subsistir apenas o débito no valor de R$ 84.351,40.    É o relatório.    Voto             Conselheiro Angelo Abrantes Nunes, Relator.  Fl. 437DF CARF MF Processo nº 11831.000174/2003­67  Acórdão n.º 1002­000.333  S1­C0T2  Fl. 438          5 O presente recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de  admissibilidade.  Passamos  à  análise  dos  fundamentos  indicados  para  a  reforma  da  decisão  recorrida.  Cumpre iniciar destacando que quando se trata de direito creditório pleiteado  pelo contribuinte é deste o ônus de provar a liquidez e certeza do crédito alegado, ao contrário  da  situação  construída  a  partir  de  lançamento  de  ofício  (auto  de  infração),  quando  o  ônus  probatório da irregularidade tributária praticada cabe ao Auditor Fiscal.  Especificamente  em  se  tratando  de  IRRF —  um  dos  elementos  que  pode  compor o saldo negativo de IRPJ, que por sua vez constitui pagamento indevido ou a maior —,  é dever do contribuinte fazer prova de que a receita relativa ao IR retido na fonte foi somada ao  resultado do período de apuração. Vejam­se os dispositivos legais a seguir:   Lei n.º 9.430/96:  (...)  Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro  real  poderá  optar  pelo  pagamento  do  imposto,  em  cada  mês,  determinado  sobre  base  de  cálculo  estimada,  mediante  a  aplicação,  sobre  a  receita  bruta  auferida  mensalmente,  dos  percentuais  de  que  trata  o  art.  15  da  Lei  nº  9.249,  de  26  de  dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29  e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de  1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995.   (...)  § 4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou  a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto  devido o valor:  (...)   III  ­ do  imposto  de  renda  pago  ou  retido  na  fonte,  incidente  sobre receitas computadas na determinação do lucro real;  (...) (grifei).  Lei n.º 5.869/73 (CPC, vigente à época do envio da DCOMP):  (...)  Art. 333. O ônus da prova incumbe:  I ­ ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito;  (...)  Fl. 438DF CARF MF Processo nº 11831.000174/2003­67  Acórdão n.º 1002­000.333  S1­C0T2  Fl. 439          6 O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação  inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior1.  O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os  ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada, independentemente  da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de  ato  ou  negócio. A  escrituração mantida  com  observância  das  disposições  legais  faz  prova  a  favor  dela  dos  fatos  nela  registrados  e  comprovados  por  documentos  hábeis,  segundo  sua  natureza, ou assim definidos em preceitos legais2.   A  legislação  prevê  que  no  regime  de  tributação  com  base  no  lucro  real  a  pessoa jurídica pode deduzir do valor apurado no encerramento do período, o  IRRF sobre as  receitas que integraram a base de cálculo correspondente3.  O recurso voluntário se socorre dizendo que as receitas foram escrituradas, na  forma dos registros no Livro Diário (e­fls. 316, 317, 319, 320, 322, 323, 325, 326, 328 e 330),  e  registros contábeis de  seu Livro Razão  (e­fls. 332 a 336) apresentados. Ressalta que não é  necessário que a receita seja escriturada individualizadamente, ligada a cada fonte pagadora, e  que as  receitas que  teriam sido oferecidas à  tributação encontram­se constatadas nas  rubricas  de receitas que aponta, dada a suficiência de saldo que estas apresentam.   Não tem procedência o argumento do recorrente, mormente quando seu teor  visa  à  inversão  do  ônus  de  fazer  prova  da  existência  e  liquidez  do  crédito  pleiteado. Daí  se  revelar  inoportuna  a  afirmação  de  que  "não  pode  o  órgão  fazendário  impor  à  Recorrente  que  contabilize as  receitas “desta” ou “daquela  forma”, posto que cada empresa é quem decide, ao seu  arbítrio, as especificidades da escrituração dos seus Livros, desde que respeitadas as formalidades e os  requisitos  legalmente exigidos." De fato, não pode a administração preceituar  tal procedimento.  Porém,  não  é  o  órgão  administrativo  que  está  a  exigir  um  formato  específico  para  que  o  contribuinte escriture seus livros, somente requer, com base no seu poder­dever de apuração da  certeza  e  liquidez  do  crédito,  que  sejam  apresentados  elementos  de  convencimento  satisfatórios. É evidente que o sujeito passivo pode, dentro dos parâmetros legais, desenvolver  como  quiser  sua  escrita  contábil  e  fiscal,  contudo,  uma  vez  que  é  de  seu  interesse,  deve  também  expor  seus  registros  contábeis  de  maneira  que  suas  alegações  sejam  identificáveis,  comprováveis. Exemplo: É muito comum nos exames contábeis a utilização do termo "explodir  a  conta",  quando  é  necessário  que  os  componentes  de  determinado(s)  lançamento(s)  ou  de  determinado(s)  saldo(s)  sejam  explicitados,  para  isso  fazendo­se  o  uso  muitas  vezes  de  consultas  a  instrumentos/elementos  adicionais,  tais  como  notas  ficais,  depósitos  bancários,  cheques,  demonstrativos  etc.  Tal  procedimento  exemplificado  encontra  maior  aplicação  na  contabilidade  gerencial,  e  demonstra  que  existem  providências  extracontábeis  que  revelam,  tanto  a  importância  de  seu  eventual  implemento  para  a  averiguação  da  certeza  dos  fatos  contábeis,  quanto  a  ausência  de  caráter  absoluto  com  relação  à  autossuficiência  dos  registros/lançamentos  contábeis,  os  quais  muitas  das  vezes  não  se  revestem  da  suficiente  autonomia em face de outros elementos que os venham consubstanciar.                                                               1 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170­A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto­ Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996,  art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003.  2 Fundamentação legal  : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de  1985,  art.  6º  e  art.  9º  do Decreto­Lei  nº  1.598, de 26  de dezembro de 1977,  art.  37 da Lei nº 8.981,  de 20  de  novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430,  de 27 de dezembro de 1996.  3 Fundamentação legal: Lei 10.833 de 29 de dezembro de 2003.  Fl. 439DF CARF MF Processo nº 11831.000174/2003­67  Acórdão n.º 1002­000.333  S1­C0T2  Fl. 440          7 O  que  se  apresenta  no  recurso  voluntário  é,  de  fato,  a  pretensão  de  que  a  administração  tributária admita que basta que uma conta de receitas  tenha saldo maior que a  receita  informada  por  determinada  fonte  pagadora  através  de  DIRF,  ao  final  do  período  de  apuração, para que  esteja confirmado que  a  receita  respectiva  foi  levada  à  tributação. E  isso  não pode ser tido como a regra a ser seguida, desprezando­se os demais instrumentos de prova  e elementos de confirmação existentes. É claro que a receita da qual pretende o recorrente se  valer  do  IRRF  pode  perfeitamente  não  estar  inserida  naquele  montante,  mesmo  o  saldo  da  receita  apócrifa  apresentando­se  em  valor  suficiente  para  contê­la.  Ali  pode(m)  ter  sido  considerada(s) outra(s)  receita(s) alheia(s)  àquela da qual  se pretende o proveito do  IRRF. É  dizer,  não  há  certeza  de  que  as  receitas  foram  computadas  na  apuração  do  lucro  real  do  período, pois o  fato de haver  saldo  escriturado  em conta genérica  e  transposição deste  saldo  para a DIPJ, sem demais providências capazes de confirmar se aquelas são as que compõem  efetivamente  este  saldo,  não  afasta  a  hipótese  de  que  outras  receitas  construíram  o  referido  saldo  contábil,  e  não  teria  sido  considerada  a  receita  da  qual  se  utilizou  o  recorrente  para  deduzir o IR devido no ano ou compor o saldo negativo de IRPJ.   O  recurso  voluntário  mostra  que  o  recorrente,  em  lugar  de  esmiuçar  a  demonstração daquilo que afirma já apontado nas cópias de livros e balancetes que juntou ao  tempo da manifestação de inconformidade, pôs­se a contestar os critérios para a conclusão da  DRJ pela falta de comprovação do crédito. E poderia tê­lo feito (a comprovação), o recorrente,  através inclusive do método exemplificado mais acima, decompondo suas contas de receitas e  correlacionando a notas  fiscais,  contratos,  cheques, depósitos, demonstrativos etc, mas não o  fez.  A falta de comprovação do oferecimento à  tributação alcança as  receitas de  serviços  e  financeiras  dos  anos  1998  e  1999,  nos  valores  R$  18.648,43  e  R$  2.755,69,  totalizando R$ 22.187,65.  O  procedimento  de  apuração  do  direito  creditório  não  prescinde  da  comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior4.  A  legislação  prevê  que  no  regime  de  tributação  com  base  no  lucro  real  a  pessoa jurídica pode deduzir do valor apurado no encerramento do período, o  IRRF sobre as  receitas que integraram a base de cálculo correspondente5.   Vale  reiterar que cabe ao  recorrente produzir o conjunto probatório de  suas  alegações6.  Este  órgão  consolidou  entendimento  no  mesmo  sentido  do  entendimento  acima. Diz a Súmula CARF nº 80:  Na  apuração  do  IRPJ,  a  pessoa  jurídica  poderá  deduzir  do  imposto  devido  o  valor  do  imposto  de  renda  retido  na  fonte,  desde  que  comprovada  a  retenção  e  o  cômputo  das  receitas  correspondentes na base de cálculo do imposto.                                                              4 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170­A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto­ Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996,  art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003.  5 Fundamentação legal: Lei 10.833 de 29 de dezembro de 2003.  6 Fundamentação  legal:§ 1º do  art.  147 do Código Tributário Nacional e art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de  março de 1972.  Fl. 440DF CARF MF Processo nº 11831.000174/2003­67  Acórdão n.º 1002­000.333  S1­C0T2  Fl. 441          8 (grifei)  Em  se  tratando  de matéria  sumulada,  fica  vedado  a  esta  turma  divergir  do  enunciado, nos termos do artigo 72, caput, do Regimento Interno do Conselho Administrativo  de Recursos Fiscais – Ricarf (Portaria MF n.º 343/2015):  Art.  72.  As  decisões  reiteradas  e  uniformes  do  CARF  serão  consubstanciadas  em  súmula  de  observância  obrigatória  pelos  membros do CARF.   Com  relação,  agora,  à  alegação  de  que  houve  erro  cometido  pelo  setor  responsável  pela  imputação  do  crédito,  transcrevemos  abaixo  fragmentos  de  interesse,  extraídos do recurso voluntário, verbis:  [...]  [...] é imperioso que se promova a retificação do saldo devedor apurado pela  Receita Federal do Brasil, após a decisão de primeira instância.  3.2.  Isto porque, da análise do demonstrativo de cálculos anexo (doc. 03), é  possível inferir que o setor responsável por fazer a imputação do crédito reconhecido  às  compensações  já  declaradas,  por  um  lapso,  não  computou  os  valores  corretamente, o que implicou na manutenção de um saldo devedor de R$94.645,42,  conforme extrato do processo obtido junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil  em Salvador (doc. 02), quando, na verdade, subsiste, hoje, um débito de apenas R$  84.351,40.  3.3.  Sendo assim,  nos  controles  da Receita Federal  do Brasil,  hoje,  subsiste  um saldo a pagar pela Recorrente maior do que o que ela efetivamente deveria se se  mantivesse a decisão ora recorrida.   3.4.  Deste  modo,  na  hipótese  de  restarem  superados  os  argumentos  expendidos  no  item  precedente,  não  há  que  se  esperar  desse  D.  Conselho  outra  medida  senão  a  determinação  da  baixa  dos  autos,  para  que  o  órgão  fazendário  competente  retifique  o  erro  incorrido  quando  da  imputação  do  direito  creditório  reconhecido  aos  débitos  cujas  compensações  já  tinham  sido  declaradas  através  de  PER/DCOMP'S vinculadas ao presente processo.  [...]  Duas são as razões que asseguram a improcedência do pedido relativamente a  este  item: a) a matéria discutida nestes autos  restringe­se ao direito creditório, o que  limita a  lide aos aspectos correspondentes ao mencionado crédito, e b) além de não ter sido encontrado  nos autos o citado "doc. 03", o recorrente sugere ter havido erro mas sequer traz demonstração  que o identifique ou explicação de como se produziu tal erro.  A  reclamação cujo objeto  seja o  cálculo dos débitos  compensados deve  ser  dirigida à unidade da RFB que administra o sujeito passivo.  Logo,  não  há  como  entender  reformável  a  decisão  que  não  identificou  conjunto  probatório  que  pudesse  amparar  a  certeza  e  a  liquidez  da  parcela  do  crédito  em  análise, pleiteado, se isso era necessário, inclusive por imposição legal.  Fl. 441DF CARF MF Processo nº 11831.000174/2003­67  Acórdão n.º 1002­000.333  S1­C0T2  Fl. 442          9 Por  todas  as  razões  elencadas,  considerando  a  falta  de  comprovação  qualitativa  e  quantitativa  do  oferecimento  à  tributação  das  receitas  cujo  IRRF  pretende  o  recorrente deduzir do  IR dos  anos  calendário 1998 e 1999, não  assiste  razão ao  recorrente  e  meu  voto  é  para  que  a  decisão  recorrida  seja  integralmente  mantida  com  relação  ao  reconhecimento  adicional  da  composição  dos  saldos  negativos  dos  anos  calendário  1998  e  1999,  apenas  nos  valores  respectivos  de  R$  421.366,93  e  R$  527,99,  totalizando  R$  421.712,92.   Portanto,  nego  provimento  ao  recurso  voluntário,  devendo  ser  preservada  a  decisão  da  DRJ/SDR  (e­fls.  355  a  362),  confirmando­se  os  saldos  negativos  logo  acima  citados, para  IRPJ, devendo as compensações declaradas  serem homologadas até o  limite do  crédito reconhecido.    É como Voto.      (assinado digitalmente)  Angelo Abrantes Nunes ­ Relator.                                                   Fl. 442DF CARF MF

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Numero do processo: 16327.721611/2013-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/01/2010 JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. A multa de ofício integra o crédito tributário, logo está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do mês subsequente ao do vencimento.
Numero da decisão: 2402-006.466
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário no que se refere à incidência de juros de mora sobre multa de ofício. (assinado digitalmente) Mario Pereira De Pinho Filho - Presidente (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Mario Pereira de Pinho Filho.
Nome do relator: JAMED ABDUL NASSER FEITOZA

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2402­006.466  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  7 de agosto de 2018  Matéria  CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Recorrente  BANCO DE INVESTIMENTOS CREDIT SUISSE (BRASIL) S/A.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/2009 a 31/01/2010  JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE.  A multa de ofício  integra o  crédito  tributário,  logo está  sujeita  à  incidência  dos juros de mora a partir do mês subsequente ao do vencimento.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso voluntário no que se refere à incidência de juros de mora sobre multa de  ofício.   (assinado digitalmente)  Mario Pereira De Pinho Filho ­ Presidente     (assinado digitalmente)  Jamed Abdul Nasser Feitoza ­ Relator ­ Relator    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Mauricio  Nogueira  Righetti,  João  Victor  Ribeiro  Aldinucci,  Denny  Medeiros  da  Silveira,  Jamed  Abdul  Nasser  Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Mario  Pereira de Pinho Filho.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 16 11 /2 01 3- 75 Fl. 854DF CARF MF Processo nº 16327.721611/2013­75  Acórdão n.º 2402­006.466  S2­C4T2  Fl. 855          2   Relatório  Cuida­se,  no  presente  caso,  de  reapreciação  parcial  de Recurso Voluntário,  interposto pelo Banco De Investimentos Credit Suisse Brasil S/A, às fls. 409/440, ao qual, por  unanimidade,  foi  dado  provimento,  pelo  Acórdão  nº  2403­002­938,  de  fls,  674  usque  687,  proferido pela 3ª Turma Ordinária desta 4ª Câmara, que restou assim ementado:  "PARTICIPAÇÃO  NOS  LUCROS  OU  RESULTADOS.  PAGAMENTO  EM  CONFORMIDADE  COM  A  LEI  Nº  10.101/2000.  O  método  de  pagamento  da  Participação  nos  Lucros  ou  Resultados está de acordo com a Lei n.º 10.101/2000, pois a lei  pretende  privilegiar  a  livre  negociação  entre  as  partes  na  fixação  das  regras  atinentes  ao  pagamento  da  PLR,  e  que  as  regras  acordadas  sejam  claras  e  objetivas,  podendo  inclusive  estarem  escritas  em  documento  apartado,  desde  que  haja  menção ao mesmo no acordo ou convenção coletiva.  BÔNUS  DE  CONTRATAÇÃO.  HIRING  BÔNUS.  GANHO  EVENTUAL.  NÃO  INCIDÊNCIA  DE  CONTRIBUIÇÕES  PREVIDENCIÁRIAS.  Pagamento  do  bônus  de  contratação,  luvas  ou  hiring  bonus.  Utilização  pelas  empresas  com  objeto  de  atrair  grandes  profissionais. Serve como forma de compensar, indenizar aquele  profissional, incentivando pedido de demissão de outra empresa.  Trata­se de verba indenizatória, até porque não há prestação de  serviço  que  justifique  a  incidência  de  contribuição  previdenciária  prevista  no  inciso  III,  do  artigo  22,  da  Lei  8.212/91."  Contra  tal  decisum,  a  Fazenda  Nacional  interpôs,  aos  5  de  maio  de  2015,  Recurso Especial (fls. 689/706), com fundamento no artigo 67, anexo II, do Regimento Interno  deste. e. Conselho.  Em  seu  recurso,  requer  a Fazenda  a  rediscussão  da  decisão  tomada  pela  c.  Turma  Julgadora  que  excluiu  o  crédito  tributário  perseguido  no  presente  PAF  referente  às  parcelas pagas a título de PLR e hiring bonus.  Quanto a Admissibilidade, aponta que existiria divergência entre o Acórdão  prolatado  nos  presentes  autos  e  o  Acórdão  nº  2401­00.545,  eis  que,  na  decisão  paradigma,  entendeu­se  que  "Ao  contrário  do  que  sustentam  a  autoridade  fiscal  e  a  DRJ,  o  fato  de  o  Acordo de PLR ter sido assinado próximo do fim do período a ser avaliado, não implica em  descaracterização da PLR paga pela recorrente em 2010 (referente ao ano base de 2009), uma  vez que a Lei nº 10.101/00 em nenhum momento veda que o Acordo seja celebrado ao longo do  período  de  aferição  do  lucro  ou  mesmo  após  o  seu  advento  o  importante  é  que  ele  seja  celebrado antes do pagamento da PLR.” (fls. 694)  E prossegue:  Fl. 855DF CARF MF Processo nº 16327.721611/2013­75  Acórdão n.º 2402­006.466  S2­C4T2  Fl. 856          3 "Diversamente decidiu a Primeira Turma da Quarta Câmara da  Segunda Seção do CARF, a qual entendeu que o acordo deve ser  sempre  prévio  ao  exercício,  sob  pena  de  incidência  de  contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a título de  PLR.  Ainda em preliminar de  conhecimento,  quanto  à  incidência de  contribuição  previdenciária sobre os valores pagos a título de bônus de contratação, apresenta caso advindo  da  1ª  Turma Ordinária  da  4ª  Câmara  da  Segunda  Seção,  que  teria  entendido  que  "sobre  as  verbas  pagas  a  título  de  Bônus  de  Contratação  representam  pagamentos  realizados  em  contraprestação ao trabalho exercido pelo contratado, devendo tais valores compor o salário  de contribuição". (fls. 694)  Para  firmar  que  há  existência  de  divergência  jurisprudencial,  salienta  o  entendimento  enunciado  no  Acórdão  nº  2401­02.250  e  que,  portanto,  tal  matéria  deve  ser  revista e uniformizada.   Nas suas razões para reforma do Acórdão, apresenta que "se a Constituição  ou  a  Lei  Básica  de Previdência  Social  não  excluírem o  pagamento  de  determinada  parcela  remuneratória,  que  se  originou  em  decorrência  única  e  exclusiva  do  vínculo  laboral  entre  empregado e empregador, esta não deve ser extirpada da base de  cálculo da contribuição".  (fls.  700).  Transcreve  jurisprudência  advinda  dos  colendos  Supremo  Tribunal  Federal  e  Superior Tribunal de Justiça para dar pé às suas arguições.  Segue aduzindo que não é o caso dos autos a imunidade de tributação de que  se refere a Lei nº 10.101/00., em seus arts. 2º e 3º, uma vez que não haver a cumulatividade dos  requisitos  impostos  na  Lei  para  a  aquisição  do  benefício  (existência  de  acordo  prévio  E  existência de regras previamente ajustadas.  Assim, no presente caso, teria­se vulneração do que determinado legalmente  e, portanto, seria forçoso reconhecer a necessidade da cobrança ora perseguida.  Sustenta,  ainda,  que,  no  que  se  refere  à  incidência  de  contribuição  previdenciária sobre os valores pagos a título de bônus de contratação, que, muito embora tal  quantum seja negociado antes, só é recebido depois do aceite (e assinatura) da contratação e,  portanto, estar­se­ia perante pagamento vinculado ao contrato de trabalho que lhe sucede.  Propugna, nessa esteira, para que seja conhecido e provido o apelo especial  para reformar o acórdão e restabelecer o lançamento de forma integral.  Às  fls.  709/713,  o  conselheiro  substituto,  Carlos  Henrique  de  Oliveira,  através  do  exame  de  admissibilidade,  entende  que  deve  ser  dado  seguimento  ao  recurso  especial para que a matéria seja  "rediscutida a matéria relativa à  incidência de contribuição  previdenciária  sobre  os  valores  pagos  a  título  de  PLR,  quando  da  inexistência  de  acordo  prévio ao exercício sobre os valores pagos a título de bônus de retenção" (fls. 713).  Às fls. 714, a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, presidente  da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF à época, despachou no seguinte sentido:  "De acordo.  Fl. 856DF CARF MF Processo nº 16327.721611/2013­75  Acórdão n.º 2402­006.466  S2­C4T2  Fl. 857          4 Com fundamento nos artigos 67 e 68, do Regimento Interno do  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais,  aprovado  pela  Portaria MF nº 256, de 2009, DOU SEGUIMENTO ao Recurso  Especial,  interposto  pela  Fazenda  Nacional,  para  que  sejam  reapreciada a questão acima explicitada.  Diante  do  seguimento  do  recurso,  encaminhe­se  os  autos  à  Repartição de Origem, que deverá  cientificar o  contribuinte do  Acórdão  2403­002938,  do  Recurso  Especial  da  Fazenda  Nacional,  e  do  presente  Despacho,  facultando­lhe  o  direito  a  oferecer Contra­Razões e Recurso Especial, conforme o art. 69,  do  Regimento  acima.  Após,  que  retornem  os  autos  à  Câmara  Superior de Recursos Fiscais, para prosseguimento"  Após  sua  intimação,  aos  20  dias  de  outubro  de  2015,  o  Contribuinte  apresentou suas contrarrazões ao recurso especial, no sentido de que o entendimento esposado  no  v.  acórdão  recorrido  já  estaria  pacificado  no  sentido  de  que,  "desde  que  a  assinatura  do  referido  acordo  ocorra  antes  do  pagamento  da  verba,  não  poder­se­ia  falar  em  descaracterização da PLR.  Colige  Acórdãos  emanados  deste  e.  Tribunal  Administrativo  (Acórdãos  nº  9202­002.484, 9202­002.485 e 9202.778).  E salienta, às fls. 728:  "Destaque­se,  ainda,  que,  o  Acordo  relativo  ao  ano­base  2009  tenha sido celebrado apenas em novembro daquele ano  (o que,  como  visto,  não  viola  a  Lei  nº  10.101/00),  as  regras  neles  contida  são  praticamente  idênticas  às  regras  previstas  nos  Acordos  de  PLR  referentes  aos  anos  anteriores  (2005,  2006,  2007 e 2008), os quais o RECORRIDO anexou à impugnação"   Defende  que  provou,  ainda,  o  conhecimento  prévio  das  metas,  conforme  salientado pela COSIT nº 426, tendo o Programa atingido seu objetivo­fim, qual seja, estimular  o empenho dos empregados para a geração de resultados previamente pactuados.  Advoga,  no  mais,  no  sentido  de  que  seja  negado  provimento  ao  recurso  especial, sendo mantido o acórdão recorrido e, alternativamente, que o processo seja devolvido  à 2ª Turma da 4ª Câmara para que se aprecie o argumento subsidiário contido na seção 4 de seu  Recurso Voluntário,  no  sentido  de  que  seria descabida  a  cobrança  de  juros  de mora  sobre  a  multa de ofício de 75%.  Às fls. 767 usque 785, acordou a 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos  Fiscais, por unanimidade de votos, em conhecer do  recurso especial  fazendário e, no mérito,  por voto de qualidade, dar­lhe provimento com retorno dos autos à esta Turma para análise das  demais questões do recurso voluntário.  O referido julgado tem a seguinte ementa:  "PARTICIPAÇÃO  NOS  LUCROS  OU  RESULTADOS  REQUISITOS DA LEI Nº 10.101/2000. CELEBRAÇÃO DO  ACORDO  APÓS  O  INÍCIO  DO  PERÍODO  DE  APURAÇÃO.  Fl. 857DF CARF MF Processo nº 16327.721611/2013­75  Acórdão n.º 2402­006.466  S2­C4T2  Fl. 858          5 As  regras  para  percepção  da  PLR  devem  constituir­se  incentivo  à  produtividade.  Regras  estabelecidas  no  decorrer  do  período  de  aferição  não  estimulam  esforço  adicional.  HIRING  BONUS.  VERBA  DECORRENTE  DO  CONTRATO  DE  TRABALHO,  COMPONENTE  DO  SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO.  A  verba  paga  a  título  de  hiring  bonus  é  decorrente  do  contrato  de  trabalho.  Essa  verba  não  tem  natureza  de  verba eventual, por não estar relacionada a caso fortuito e,  ao  contrário,  sendo  esperada  desde  a  contratação,  deve  compor o salário de contribuição."  Às fls. 802, o Contribuinte, após ser intimado do resultado do julgamento do  Recurso Especial da Fazenda, requer a suspensão da cobrança a ele enviada, através de carta,  uma vez que o recurso ainda estaria pendente de julgamento nesta Corte.  Com a extinção da 3ª Turma da 4ª Câmara, o processo foi redistribuído e veio  para julgamento.  É o relatório.  Fl. 858DF CARF MF Processo nº 16327.721611/2013­75  Acórdão n.º 2402­006.466  S2­C4T2  Fl. 859          6 Voto             Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza ­ Relator  1. ADMISSIBILIDADE.  Trata­se  de  reexame  parcial  de  Recurso  Voluntário  tempestivamente  interposto pela Recorrente que retorna a  essa câmara baixa para  complementação da decisão  proferida por meio do Acórdão 2403002.938 proferido pela 4ª Câmara  /  3ª Turma Ordinária  reformada nos termos do Acórdão 9202­004.308 – 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos  Fiscais, proferido em resposta ao Recurso interposto pela PGFN, portanto, o mesmo merece ser  conhecido.  2. DELIMITAÇÃO DA LIDE.  Como bem  resumiu  o Banco Recorrente,  a  Fiscalização  lavrou  os  autos  de  infração nºs 51.039.836­7 e 51.039.837­5 ("AUTOS") para exigir, com acréscimos de multa de  ofício  de 75% e  de  juros  de mora,  contribuições  previdenciárias  (parcela  patronal  e RAT)  e  contribuições  destinadas  a  Terceiros  ("CONTRIBUIÇÕES")  sobre  os  pagamentos  de  (i)  Participação  nos  Lucros  e  Resultados  (PLR)  efetuado  pelo  PETICIONÁRIO  a  seus  empregados  em  janeiro  de  2010,  referente  ao  ano  de  2009,  e  (ii)  hiring  bonus  efetuado  ao  empregado ENRICO ANCAO CARBONE em janeiro de 2009.  Em 11.02.2015, por meio do Acórdão n° 2403­002.938, a 3ª Turma Ordinária  da  4ª  Câmara  da  2ª  Seção  do  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  (CARF)  deu  provimento ao recurso voluntário do PETICIONÁRIO, cancelando integralmente os AUTOS.  Contra o referido Acórdão, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial à Câmara Superior de  Recursos Fiscais (CSRF).  Em sessão de julgamento realizada em 21.07.2016, a 2ª Turma da CSRF deu  provimento  ao  recurso  especial  da  Fazenda  Nacional,  mas  determinou  que  o  processo  em  epígrafe  fosse  remetido  à  2a  Seção  do  CARF  para  que  fossem  apreciados  os  demais  argumentos  contidos  no  recurso  voluntário  do  PETICIONÁRIO,  que  não  chegaram  a  ser  apreciados pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF.  Os  limites da  lide estão bem definidos no voto proferido pelo  relator LUIZ  EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, que demonstra, de forma clara e precisa, a conclusão  adotada pela 2ª Turma da CSRF no Acórdão n° 9202­004.308:  "Pelo  exposto,  voto  no  sentido  de  conhecer  do  recurso  da  Fazenda  Nacional  e  dar­lhe  provimento,  para  restabelecer  a  tributação das verbas pagas a título de participação nos lucros e  resultados e hiring bonus, com retorno dos autos ao colegiado a  quo,  para  análise  das  demais  questões  trazidas  no  recurso  voluntário".  Por  ocasião  do  julgamento  que  resultou  no Acórdão  n°  2403­002.938,  a  3ª  Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais  Fl. 859DF CARF MF Processo nº 16327.721611/2013­75  Acórdão n.º 2402­006.466  S2­C4T2  Fl. 860          7 (CARF) foram objeto análise apenas as questões principais relacionadas os créditos tributários  restabelecidos pela CSRF.  Revisitando  a  peça  recursal  (Fls.  409/440),  verifica­se  que  apresentava  a  seguinte argumentação:  "1 ­ Conforme jurisprudência pacificada pela CSRF, a Lei  nº 10.101/00 não veda que o Acordo de PLR seja celebrado  ao final do ano­base a que se refere; o importante apenas é  que a celebração do Acordo de PLR seja anterior à data do  pagamento da respectiva verba;  2  ­  A  PLR  paga  pelo  Recorrente  em  janeiro  de  2010  (referente  ao  referente  ao  ano­base  2009)  está  de  acordo  com  a  Lei  nº  10.101/00,  na  medida  em  que  o  respectivo  Acordo  de  PLR  foi  celebrado  em  data  anterior  a  esse  pagamento;   3 ­ Em que pese o fato de o Acordo de PLR ter sido firmado  em novembro de 2009, as  regras  relativas à PLR do ano­ base  2009  eram  de  conhecimento  prévio  de  todos  os  empregados do Recorrente, já que:  3.1  ­  Tais  regras  eram  praticamente  idênticas  às  dos  Acordos  de  PLR  vigentes  nos  anos  anteriores,  não  tendo  havido nenhuma modificação significativa; e   3.2 ­ as metas individuais de cada empregado, para fins do  cálculo da PLR devida,  foram fixadas no  início do ano de  2009,  como  comprovam  os  documentos  juntados  ao  processo.  4  ­ O pagamento de hiring bonus  efetuado uma única  vez  em janeiro de 2009 configura ganho eventual do respectivo  beneficiário e não se sujeita à incidência das contribuições,  nos  termos  do  art.  28,  §  9º,  alínea  "e",  item  7,  da  Lei  8.212/91.  5  ­ Ainda  que os  fundamentos  acima  fossem  superados,  a  Receita Federal do Brasil  (RFB) não pode exigir  juros de  mora sobre a multa de ofício lançada nos autos."  O Acórdão em questão deixou de abordar os argumentos recursais relativos a  impossibilidade  de  exigência  de  juros  sobre  multa  de  ofício,  eis  que  todos  os  demais  argumentos e pontos foram objeto de análise.  Assim, vem a julgamento tão somente os argumentos manejados no item 4 da  peça  recursal  (Fls  436/437)  versando  sobre  "DESCABIMENTO  DE  JUROS  SOBRE  MULTA".     Fl. 860DF CARF MF Processo nº 16327.721611/2013­75  Acórdão n.º 2402­006.466  S2­C4T2  Fl. 861          8 3. DA LEGALIDADE DE INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO.  Tal  temática  é  recorrente  neste  colegiado,  que  tem  entendimento  sedimentando no sentido reconhecer a legalidade da incidência de juros sobre multa de oficio.  Recorrendo  ao  que  dispõem  os  Arts.  113,  139  e  161  da  Lei  nº  5.172,  de  25/10/1966 (Código Tributário Nacional ­ CTN), temos o seguinte:  Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória.  §  1º  A  obrigação  principal  surge  com  a  ocorrência  do  fato  gerador,  tem por  objeto  o  pagamento  de  tributo  ou penalidade  pecuniária  e  extingue­se  juntamente  com  o  crédito  dela  decorrente.  §  2º  A  obrigação  acessória  decorre  da  legislação  tributária  e  tem  por  objeto  as  prestações,  positivas  ou  negativas,  nela  previstas  no  interesse  da  arrecadação  ou  da  fiscalização  dos  tributos.  §  3º  A  obrigação  acessória,  pelo  simples  fato  da  sua  inobservância,  converte­se  em  obrigação  principal  relativamente à penalidade pecuniária.  [...]  Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e  tem a mesma natureza desta.  [...]  Art.  161. O  crédito  não  integralmente  pago  no  vencimento  é  acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante  da  falta,  sem prejuízo da  imposição das penalidades cabíveis  e  da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta  Lei ou em lei tributária. (grifo do relator)  A simples análise dos dispositivos ora transcritos revela que a multa lançada  de ofício  (penalidade pecuniária) constitui uma obrigação principal da qual decorre o crédito  tributário, estando este sujeito a juros de mora quando não pago no vencimento. Logo, não há  como se afastar a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício.  Em outras palavras, como a multa de ofício integra o crédito tributário e este  está  sujeito  a  juros  de mora  por  inadimplência,  obviamente,  a multa  de  ofício  também  está  sujeita a juros de mora.  Nesse sentido é a Solução de Consulta nº 47 da Cosit, de 04/05/2016:  Os  juros  de  mora  incidem  sobre  a  totalidade  do  crédito  tributário, do qual faz parte a multa lançada de ofício.  Cabe  destacar,  ainda,  que  os  dispositivos  do  Decreto­Lei  nº  1.736,  de  20/12/1979, e da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, citados pela Relatora, tratam da multa de mora e  não  da  multa  de  ofício,  além  do  que,  em  que  pese  ambas  terem  caráter  “punitivo/sancionatório”,  tal  fato  não  autoriza  que  se  aplique  a  não  incidência  dos  juros  de  Fl. 861DF CARF MF Processo nº 16327.721611/2013­75  Acórdão n.º 2402­006.466  S2­C4T2  Fl. 862          9 mora sobre a multa de ofício sem previsão expressa nesse sentido, pois, como visto, o CTN é  claro ao prever a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício.  CONCLUSÃO.  Do  exposto,  naquilo  que,  por  ordem  do  que  dispôs  o  Acórdão  n°  9202­ 004.308 da CSRF,  fora  devolvido  para  análise  do Colegiado,  voto  por  conhecer  do Recurso  Voluntário  para,  no mérito,  negar­lhe  provimento  no  que  se  refere  a  incidência  de  juros  de  mora sobre multa de oficio.  (assinado digitalmente)  Jamed Abdul Nasser Feitoza                                 Fl. 862DF CARF MF

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Numero do processo: 10725.903034/2009-82
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2001 PER/DCOMP. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. NÃO RECONHECIDO. A falta de certeza e liquidez do direito creditório indicado no PER/DCOMP impossibilita a homologação da compensação declarada.
Numero da decisão: 1402-003.319
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias e Paulo Mateus Ciccone. Ausente, o conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira.
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE

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1402­003.319  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  26 de julho de 2018  Matéria  PER/DCOMP ­ COMPENSAÇÃO  Recorrente  SONICS DIAGNOSTICO POR IMAGEM LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA  Ano­calendário: 2001  PER/DCOMP.  COMPENSAÇÃO.  DIREITO  CREDITÓRIO.  NÃO  RECONHECIDO.  A falta de certeza e liquidez do direito creditório indicado no PER/DCOMP  impossibilita a homologação da compensação declarada.        Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  rejeitar  as  preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.   (assinado digitalmente)  Paulo Mateus Ciccone ­ Presidente e Relator  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Marco  Rogério  Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias e  Paulo Mateus Ciccone. Ausente, o conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira.               AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 72 5. 90 30 34 /2 00 9- 82 Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10725.903034/2009­82  Acórdão n.º 1402­003.319  S1­C4T2  Fl. 3          2 Relatório  Trata  o  presente  de  Recurso  Voluntário  interposto  em  face  de  decisão  proferida pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de  Janeiro  I  ­  RJ,  em  primeira  instância  administrativa,  que  julgou  IMPROCEDENTE,  a  manifestação de inconformidade do contribuinte em epígrafe, agora recorrente.  Do Despacho Decisório:  Trata  o  presente  processo  da  Declaração  de  Compensação,  na  qual  a  recorrente alega possuir crédito contra a Fazenda Pública, decorrente de pagamento a maior ou  indevido, buscando extinguir por compensação de débito próprio, conforme detalhamento que  consta no Despacho Decisório acostado aos autos.   Transmitida, a DCOMP recebeu da DRF de origem o Despacho Decisório de  não homologação da compensação, cujas razões da negativa se fundam no fato de que o DARF  informado  no  PER  como  pago  a maior  ou  indevido  já  ter  sido  integralmente  utilizado  para  quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação com os  débitos informados na DCOMP.  Da Manifestação de Inconformidade:  Inconformada com o despacho decisório, a recorrente interpôs a manifestação  de inconformidade, na qual alega, em síntese, que o crédito pleiteado de pagamento a maior ou  indevido existe  e  foi  informado ao  fisco  através de DCTF  retificadora,  que zerou o valor de  débito anteriormente declarado.  Da decisão da DRJ:  A  DRJ,  em  seu  julgamento,  considerou  improcedente  a  manifestação  de  inconformidade,  e  não  reconheceu  o  direito  creditório  pleiteado,  e  consequente  não  homologação da compensação da PER/DCOMP objeto do presente processo.  Na decisão ora recorrida, informa que além da DCTF original, já houve outra  retificadora anterior a ultima, em que confirmou o valor anteriormente declarado de débito, que  está alocado ao DARF agora pleiteado como indevido. Anos depois, no limiar da decadência  da  repetição do  indébito,  retifica novamente  a DCTF,  zerando o débito,  sem  juntar qualquer  documentação comprobatória da veracidade das informações nela contidas.  Não  houve  DIPJ  retificadora  para  o  período  em  foco,  e  esta  está  em  consonância com o valor declarado originalmente.  A restituição/compensação de tributos no âmbito da Receita Federal do Brasil  é regido pelos artigos 165 e 170 do CTN. E quanto à retificação de DCTF, para diminuir ou  excluir  tributo,  é  regido  pelo  artigo  147,  §1º,  que  estipula  que  só  é  admissível  mediante  comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento.  Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10725.903034/2009­82  Acórdão n.º 1402­003.319  S1­C4T2  Fl. 4          3 Assim,  além  de  não  haver  coerência  nas  declarações  prestadas  pelo  contribuinte,  deveria  ele  provar,  com a  apresentação  de  sua  escrituração  contábil  e  fiscal,  as  razões da mudança do seu entendimento quanto ao valor devido.  Por  conseguinte,  entendeu  não  haver  certeza  e  liquidez  do  crédito  alegado  pelo contribuinte em seu favor.  Do Recurso Voluntário:  Irresignada  com  o  a  decisão,  apresentou  recurso  voluntário  em  que,  em  síntese,  alega  vícios  de  nulidade  do  despacho  decisório,  por  conta  da  inexistência  de  fundamentação e cerceamento de sua defesa, pois no seu entender, não recebera oportunidade  de comprovar o seu direito creditório.   Igualmente,  suscita  e  alega  apenas  na  sua  peça  recursal,  que  o  direito  creditório pleiteado decorre de  alteração no seu  coeficiente de apuração do  lucro presumido,  pois  tinha  aplicado  o  de  32%, mas  o  correto  seria  de 8%,  pois  exerce  prestação  de  serviços  hospitalares.  É o relatório.    Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10725.903034/2009­82  Acórdão n.º 1402­003.319  S1­C4T2  Fl. 5          4     Voto             Conselheiro Paulo Mateus Ciccone ­ Relator   O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF  343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão nº  1402­003.291,  de  26/07/2018,  proferido  no  julgamento  do Processo nº  10725.903030/2009­ 02, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402­003.291):  "O  recurso  voluntário  é  tempestivo  e  preenche  os  demais  requisitos  de  admissibilidade.  Portanto,  pode­se  dele  conhecer.  Antes  de  adentrar  no  mérito,  cabe  informar  que  o  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF,  aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015, sendo  o paradigma.  Síntese dos fatos  O presente processo versa sobre um PER/DCOMP, em  que a  recorrente pleiteou um direito creditório baseado em um  pagamento  indevido ou a maior, de  IRPJ  referente ao 3º ou 4º  trimestre  de  2001,  ou  1º  trimestre  de  2002.  O  Despacho  Decisório atacado denegou tal pleito, pois verificou que o DARF  objeto do pedido estava integralmente utilizado para quitação de  débitos da recorrente, não havendo crédito disponível.  A  recorrente  na  sua  manifestação  de  inconformidade  alega  que  o  pagamento  a  maior  ou  indevido  existe  e  foi  informado  ao  fisco,  através  de DCTF  retificadora  apresentada  em  14/08/2009,  após  ter  verificado  que  não  apurou  tributo  a  pagar de IRPJ no período referente ao crédito ora pleiteado.  A  decisão  da  DRJ  considerou  improcedente  sua  manifestação de inconformidade, pois, em linhas gerais, a DCTF  retificadora veio desacompanhada de comprovação do erro  em  que se funde, nos termos do art. 147, §1º do CTN. Além do mais,  a  DIPJ  não  foi  retificada,  havendo  incoerência  entre  as  declarações  prestadas.  Por  conseguinte,  não  haveria  certeza  e  liquidez do direito creditório alegado pela recorrente.  Em  sede  recursal,  alega  vícios  de  nulidade  do  despacho decisório, por conta da inexistência de fundamentação,  Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10725.903034/2009­82  Acórdão n.º 1402­003.319  S1­C4T2  Fl. 6          5 e  por  conseguinte,  acarretaria  cerceamento  de  defesa.  Igualmente,  suscita  e  alega  apenas  neste  momento,  sem  nada  comprovar, que utilizou indevidamente o coeficiente de 32% no  lucro presumido para apurar o seu IRPJ, quando o devido seria  8%,  já  que  exerce  a  atividade  de  prestação  de  serviços  hospitalares.   Da preliminar suscitada  Como  já  exposto  anteriormente,  a  recorrente  alega  nulidade  do  Despacho  Decisório,  ao  fundamento  que  este  sofreria de inafastáveis vícios, quais sejam:  a) inexistência de fundamentação;  b)  cerceamento  de  defesa,  por  não  ter  sido  oportunizado  a  possibilidade  de  comprovar  o  seu  direito  creditório.  Compulsando  os  autos,  não  verifico  o  alegado.  Vejo  nesta preliminar suscitado mais uma discordância com os fatos e  sua  respectiva  capitulação  legal,  o  que  não  é  causa  de  pedir  nulidade.  O Despacho Decisório está devidamente fundamentado  pelo  motivo  que  denegou  o  pedido  de  compensação  pleiteado,  pois  se  baseou  em  informações  prestadas  pela  própria  recorrente  então,  quais  sejam,  o  confronto  do  seu  pleito  via  PER/DCOMP cotejado com o DARF , DCTF e DIPJ.  Além do mais, a comprovação do seu crédito já surge  oportunizada  para  a  recorrente  quando  apresentou  sua  peça  impugnatória, mas nada ali agregou comprovando, e pior, então,  nem alegou por qual motivo entendia  ter direito a repetição do  indébito  pleiteado  como  pagamento  indevido  ou  maior.  Igualmente, na sua peça recursal nada apresentou comprovando  o alegado ­ apenas se limitou a alegar neste momento.  Por conseguinte, REJEITO A PRELIMINAR suscitada  pela recorrente.  Do mérito  Em sua peça recursal, a recorrente alega que o direito  creditório  pleiteado  é  decorrente  da  apuração do  imposto  pelo  regime do  lucro presumido, com a aplicação do percentual,  no  seu  entender  equivocado,  de  32%  sobre  a  receita  bruta,  para  efeitos de identificação da base de cálculo do IRPJ, enquanto o  correto seria o percentual de 8%, pois se dedicaria à prestação  de serviços hospitalares.  Tal assunto  foi  suscitado apenas  em  sede da  segunda  instância administrativa, e de forma um tanto sucinta, sem nada  agregar  comprovando  o  alegado.  Se  resumiu  a  dizer  que  retificou sua DCTF relacionada ao presente feito pois apurou e  recolheu valores maiores a  título de  IRPJ, pois o  correto  seria  8%, conforme previa o art. 15, §1º, inciso III, alínea a, da Lei nº  Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10725.903034/2009­82  Acórdão n.º 1402­003.319  S1­C4T2  Fl. 7          6 9.249/95  (com  redação  sem  as  modificações  introduzidas  pela  Lei  nº  11.727/2008)  combinado  com  o  art.  25,  da  Lei  nº  9.430/1996.  Reitero  ­  não  houve  nenhuma  comprovação  desta  alegação,  e  esta  apenas  agora  apresentada  na  discussão  do  presente litígio.  A recorrente pretende que se reforme a decisão a quo  sob o mero argumento de que sua confissão de dívida prestada  em  DCTF  foi  efetuada  com  erro,  o  que  lhe  permitiria  obter  o  direito  creditório  ora  pleiteado.  Todavia,  inexiste  nos  autos  qualquer prova do alegado erro, ônus que caberia à recorrente,  para  dar  a  liquidez  e  certeza  do  seu  direito  creditório,  nos  termos do art. 170 do CTN1.  A  mera  apresentação  de  DCTF  retificadora  (24/08/2009),  diminuindo  um  débito  já  considerado  extinto,  quando  já  se  perfez  os  5  anos  estabelecidos  para  se  pleitear  eventual restituição, nos termos do art. 168 do CTN2, não tem o  condão de, por  si  só, comprovar a certeza e  liquidez do direito  creditório.  Entendo  que  no  caso,  é  necessário,  na  primeira  oportunidade, alegar e tentar rechaçar o despacho decisório da  forma  mais  completa  possível,  já  trazendo  aos  autos  comprovações destas alegações.   A  recorrente  não  fez  isso,  pelo  contrário  ­  omitiu  detalhes  importantes  a  serem  considerados  no  julgamento  de  piso,  o  que  suscitou  agora,  mas  ainda  assim,  sem  nenhuma  comprovação, por mais precária que seja.  A  Lei  nº  9.784/1999,  que  regula  o  processo  administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, no  seu  art.  36,  estabelece  que  cabe  a  carga  probatória  nestas  situações:  Art.  36.  Cabe  ao  interessado  a  prova  dos  fatos  que  tenha  alegado,  sem  prejuízo  do  dever  atribuído  ao  órgão competente para a instrução e do disposto no art.  373 desta Lei.  Logo,  no  processo  administrativo  fiscal,  regido  e  permeado pelo princípio da busca da verdade material, um vetor  válido  tanto  para  a  Fazenda  Nacional  quanto  para  os                                                              1 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à  autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos  ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.      2 Art. 168. O direito de pleitear a restituição extingue­se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados:  I ­ nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário;      II ­ na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar  em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória.  3 Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria  Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução  proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias.  Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10725.903034/2009­82  Acórdão n.º 1402­003.319  S1­C4T2  Fl. 8          7 contribuintes, não basta apenas alegar, quando deveria também  provar o alegado.  Alegar sem provar equivale a nada alegar.  Repetindo  o  que  já  dito  anteriormente,  o  direito  creditório  deve  se  revestir  das  características  de  liquidez  e  certeza,  para  que  a  compensação  possa  ser  efetivada.  Quem  pleiteia  este  direito  é  que  cabe  demonstrar  esta  liquidez  e  certeza.  Não cabe agora ao colegiado procurar fazer prova da  mera alegação da recorrente, tomando­lhe partido, quando esta  se  mostrou  inerte.  Eventuais  diligências  seriam  cabíveis  para  esclarecer  algum  ponto  porventura  obscuro,  sobre  o  qual  restassem  dúvidas,  mas  não  para  restabelecer  a  certeza  e  liquidez  dos  créditos  pretendidos,  o  que  já  deveria  estar  demonstrado  desde  a  primeira  oportunidade  ofertada  à  recorrente.  Destarte, pelo todo exposto, NEGO PROVIMENTO ao  recurso voluntário."  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por rejeitar as  preliminares  e,  no  mérito,  negar  provimento  ao  recurso  voluntário,  nos  termos  do  voto  acima  transcrito.  (assinado digitalmente)  Paulo Mateus Ciccone                              Fl. 69DF CARF MF

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Numero do processo: 10882.903371/2008-86
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/12/2001 a 31/12/2001 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. Não há ofensa à garantia constitucional do contraditório e da ampla defesa quando todos os fatos estão descritos e juridicamente embasados, possibilitando à contribuinte contestar todas razões de fato e de direito elencadas no despacho decisório. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não há ato legal específico que conceda isenção ou outra forma de desoneração de PIS e COFINS nas vendas à Zona Franca de Manaus, a isso não bastando o art. 4º do Decreto-Lei nº 288/67.
Numero da decisão: 3402-005.434
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) que davam provimento em conformidade com o entendimento do Superior Tribunal de Justiça no AgRg no Ag 1.420.880/PE. (assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz de Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA

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3402­005.434  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  24 de julho de 2018  Matéria  Compensação PIS/Cofins  Recorrente  SHERWIN­WILLIAMS DO BRASIL INDUSTRIA E COMERCIO LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL  ­ COFINS  Período de apuração: 01/12/2001 a 31/12/2001  NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA.  Não há  ofensa  à  garantia  constitucional  do  contraditório  e  da  ampla  defesa  quando  todos  os  fatos  estão  descritos  e  juridicamente  embasados,  possibilitando  à  contribuinte  contestar  todas  razões  de  fato  e  de  direito  elencadas no despacho decisório.  PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO.  Estando  presentes  nos  autos  todos  os  elementos  de  convicção  necessários  adequada  solução  da  lide,  indefere­se,  por  prescindível,  o  pedido  de  diligência ou perícia.  PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA  ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA.  Até julho de 2004 não há ato legal específico que conceda isenção ou outra  forma  de  desoneração  de  PIS  e  COFINS  nas  vendas  à  Zona  Franca  de  Manaus, a isso não bastando o art. 4º do Decreto­Lei nº 288/67.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  Colegiado,  pelo  voto  de  qualidade,  em  negar  provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de  Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado)  que davam provimento em conformidade com o entendimento do Superior Tribunal de Justiça  no AgRg no Ag 1.420.880/PE.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 33 71 /2 00 8- 86 Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10882.903371/2008­86  Acórdão n.º 3402­005.434  S3­C4T2  Fl. 3          2 (assinado com certificado digital)  Waldir Navarro Bezerra ­ Presidente e Relator  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Maria  Aparecida  Martins  de  Paula,  Diego  Diniz  de  Ribeiro,  Pedro  Sousa  Bispo,  Thais  de  Laurentiis  Galkowicz,  Rodrigo  Mineiro  Fernandes,  Maysa  de  Sá  Pittondo  Deligne,  Rodolfo  Tsuboi  (Suplente  Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente).  Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10882.903371/2008­86  Acórdão n.º 3402­005.434  S3­C4T2  Fl. 4          3     Relatório  Trata­se  de  Declaração  de  Compensação  (DCOMP)  mediante  a  qual  a  contribuinte  pretendeu  extinguir  débito  com  pretenso  crédito  com  origem  em  pagamento  indevido de contribuição social.  A  Delegacia  da  Receita  Federal  de  origem  emitiu  Despacho  Decisório  Eletrônico de não homologação da compensação face a inexistência de crédito disponível para  compensação.  Cientificada  do  despacho,  a  contribuinte  manifestou  sua  irresignação  arguindo  em  síntese  que  o  crédito  utilizado  na  compensação  teria  origem  em  pagamento  da  contribuição na parcela calculada sobre vendas realizadas à Zona Franca de Manaus.  Argumenta que as vendas à Zona Franca de Manaus  (ZFM) no período em  tela estavam imunes à incidência do PIS e da Cofins e, portanto, o pagamento teria sido feito a  maior.  Iniciando essa linha de argumentação, assevera que o art. 4° do Decreto­Lei  (DL)  n°  288,  de  1967,  equiparou,  para  todos  os  efeitos  fiscais,  as  vendas  realizadas  a  Zona  Franca  de  Manaus  a  uma  operação  de  exportação.  Tal  disposição,  a  seu  ver,  possui  envergadura  de  norma  de  caráter  complementar,  e  nesse  nível  de  hierarquia  teria  sido  incorporado  ao  ordenamento  jurídico  pela  recepção  que  lhe  deu  a  Constituição  Federal  de  1988, pelo artigo 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT).  Defende que o mesmo  tratamento dado às  exportações,  aplicável  às vendas  realizadas  à  Zona  Franca  de  Manaus,  seria  também  extensível  às  vendas  efetuadas  para  destinatários sediados nos municípios integrantes das Areas de Livre Comércio.  Ao  fim,  requer  o  recebimento  da  presente manifestação  de  inconformidade  com  o  seu  regular  efeito  suspensivo  da  exigibilidade  do  crédito.  Pleiteia  ainda  o  reconhecimento do direito credit6rio referente aos recolhimentos indevidos ou a maior a titulo  de  PIS  e  Cofins  incidentes  sobre  as  receitas  de  vendas  de  mercadorias  à  Zona  Franca  de  Manaus e a consequente a homologação da compensação.”  Por meio do acórdão nº 05­29.893, a DRJ não acolheu as razões de defesa da  manifestante, mantendo a não homologação da compensação.   Regularmente  cientificado,  o  contribuinte  tempestivamente  apresentou  seu  Recurso  Voluntário,  repisando  os  argumentos  apresentados  em  sua  Manifestação  de  Inconformidade, acrescentando que não foi intimado pela fiscalização, em nenhum momento, a  apresentar comprovantes da origem dos seus créditos e que, no despacho eletrônico proferido,  também  não  foi  apresentado  nenhum  argumento  para  que  os  créditos  pleiteados  fossem  indeferidos.   Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10882.903371/2008­86  Acórdão n.º 3402­005.434  S3­C4T2  Fl. 5          4 Argumenta ainda que trouxe aos autos planilha comprovando que os créditos  indicados no pedido de compensação são originados de pagamento indevido ao a maior, uma  vez que efetuou vendas destinadas à Zona Franca de Manaus.  O  processo  foi  encaminhado  a  este  Conselho  para  julgamento  e  posteriormente distribuído a este Relator.  É o relatório.      Voto             Conselheiro Waldir Navarro Bezerra , Relator  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo  art.  47,  §§ 1º  e 2º,  do  anexo  II  do RICARF,  aprovado pela Portaria MF  343,  de  09  de  junho  de  2015.  Portanto,  ao  presente  litígio  aplica­se  o  decidido  no Acórdão  3402­005.398,  de  24  de  julho  de  2018,  proferido  no  julgamento  do  processo  10882.900443/2008­33, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402­005.398):  "O Recurso Voluntário é  tempestivo e atende aos demais  requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido.   A questão  trazida a este colegiado cinge­se sobre direito  creditório  não  reconhecido  pela  constatação  de  utilização  integral do pagamento na quitação de débitos do contribuinte.  Também  se  discute,  a  partir  das  alegações  trazidas  na  Manifestação de  Inconformidade, o direito ao crédito do PIS e  da  COFINS  nas  operações  com  empresas  situadas  na  Zona  Franca  de  Manaus,  que  poderia  lastrear  o  pleito  inicial  da  interessada.  Ainda  que  o  Despacho  Decisório  nada  tenha  se  manifestado acerca de qualquer documento probatório, o sujeito  passivo, além de contestar a vinculação do pagamento, também  argumentou  quanto  às  razões  pela  qual  entendia  que  parte  do  recolhimento seria indevido, por se referir a vendas realizadas à  Zona Franca de Manaus. Segundo seu entendimento, tais vendas  estariam  imunes  à  incidência  das  contribuições,  resultando  em  saldo recolhido à maior.  A 3ª Turma da DRJ em Campinas não acolheu as razões  de  defesa  do  sujeito  passivo,  entendendo  que  o  pretendido  pagamento  indevido  teria  origem  no  período  de  apuração  01/09/2002  a  30/09/2002,  em  relação  ao  qual  a  isenção  em  comento  alcançaria  apenas  as  receitas  de  vendas  enquadradas  nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do artigo 14  Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10882.903371/2008­86  Acórdão n.º 3402­005.434  S3­C4T2  Fl. 6          5 da  MP  n°2.158­35,  de  2001.  Segundo  a  turma  julgadora,  os  autos  não  trazem  comprovação  suportada  por  documentação  contábil­fiscal  da  inclusão  das  receitas  decorrentes  das  mencionadas  operações  isentas  na  base  que  serviu  para  o  cálculo  do  pagamento  formador  do  apontado  indébito,  não  se  podendo reconhecer o pretendido direito de crédito aproveitado  na compensação.  Preliminarmente,  a  recorrente  alega  nulidade  do  processo administrativo em razão da ausência de diligências na  documentação que comprovaria o indébito tributário.  Não assiste razão à recorrente.   Conforme  disposto  no  artigo  29  do  PAF,  as  diligências são determinadas pela autoridade julgadora, na  apreciação da prova, caso entenda necessárias, o que não  é o caso. A recorrente não apresentou qualquer documento  comprobatório  do  crédito  pleiteado,  nem  na  fase  de  impugnação, nem nesta  fase  recursal,  em descumprimento  do  artigo  15  do  PAF  que  determina  a  instrução  dos  documentos  comprobatórios  juntamente  com  a  impugnação.  Apenas  uma  planilha  intitulada  “VENDAS  PARA  A  ZONA  FRANCA  DE  MANAUS  E  AREAS  DE  LIVRE  COMÉRCIO  UNIDADE  SUMARÉ  ­  SETEMBRO  DE 2002” (fls.43) foi apresentada, sem nenhum documento  comprobatório. A prova deve ser feita nos autos, não fora  dele, e no momento oportuno.  Destaca­se que o indeferimento do direito creditório  foi  motivado  pela  utilização  do(s)  pagamento(s)  na  quitação  de  outros  débitos  do  contribuinte,  não  restando  crédito  disponível  para  compensação  dos  débitos  informados no PER/DCOMP. Nenhuma prova contrária à  tal constatação fiscal foi apresentada.  Portanto,  não  resta  configurada  qualquer  nulidade  quanto à ausência de diligência. Em consequência, rejeita­se o  pedido de diligência.  A recorrente alega cerceamento de seu direito de defesa,  por entender que a decisão de primeira instância teria inovado o  lançamento  inicial.  Segundo  seu  entendimento,  o  Despacho  Decisório eletrônico não mencionou qualquer documento (físico  ou  eletrônico)  que  embasasse  a  glosa  da  compensação,  limitando­se  apenas  a  mencionar  que  o  crédito  não  existiria,  imputando  penalidade  a  Recorrente,  sem  qualquer  análise  da  materialidade do crédito compensado.  Também neste ponto não assiste razão à recorrente.  Nenhuma inovação foi trazida aos autos pelo julgador de  primeiro grau na apreciação da matéria,  que apenas  trouxe os  fundamentos necessários para rechaçar as alegações do sujeito  passivo  trazidas  na  Manifestação  de  Inconformidade.  Trata­se  Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10882.903371/2008­86  Acórdão n.º 3402­005.434  S3­C4T2  Fl. 7          6 do  pleno  exercício  do  contraditório,  que  exige  a  plena  fundamentação  das  decisões  na  apreciação  de  todos  os  pontos  levantados  pela  defesa  do  contribuinte.  A  motivação  do  indeferimento do direito creditório continua sendo a inexistência  de crédito.  Dessa  forma,  também  não  está  configurado  qualquer  cerceamento  do  direito  de  defesa  da  recorrente,  visto  que  a  questão foi por ela trazida e por ela novamente repisada em sua  peça recursal.  No mérito, a recorrente alega o direito ao crédito do PIS  e  da COFINS nas  operações  com  empresas  situadas  na Zona  Franca de Manaus.  O tema foi objeto de julgamento repetitivo na 3ª Turma da  Câmara  Superior  de  Recursos  Fiscais,  em  processos  cujo  interessado  foi  a  própria  recorrente.  Dessa  forma,  adoto  no  presente  voto  os  fundamentos  do Acórdão  nº  9303­003.934,  de  07  de  junho  de  2016,  da  lavra  do  i.  Conselheiro  Júlio  César  Alves Ramos, a seguir reproduzido:   “Fui  incumbido  de  apontar  as  razões  que  levaram o  colegiado, por voto de qualidade, a negar provimento  ao  recurso  do  contribuinte,  sob  o  entendimento  de  que, até a redução a zero da alíquota da contribuição  efetuada  em  julho  de  2004,  não  havia  qualquer  dispositivo legal que concedesse isenção de COFINS  às vendas para aquela área.  O argumento inicial em sentido contrário busca­a na  própria  norma  que  criou  a Zona  Franca  de Manaus.  Segundo  tal  entendimento,  o  art.  4º  do  Decreto­lei  288,  ao  afirmar  que  as  remessas  para  aquela  região  equiparavam­se a exportação para o exterior, deveria  ser  estendido  à  COFINS,  embora,  cediço,  ela  somente tenha sido posteriormente criada.  E  isso  porque  tal  extensão  somente  caberia  se  o  citado  decreto  tivesse  afirmado  que  as  remessas  de  produtos  para  a  Zona  Franca  de  Manaus  são  exportação. Nesse caso, a equiparação valeria mesmo  para  outros  efeitos,  não  fiscais.  Poderia,  para  o  que  interessa, restringi­la a “todos os efeitos fiscais”. Se o  tivesse  feito,  dúvida  não  haveria  de  que  qualquer  mudança posterior na legislação que viesse a afetar as  exportações,  no  que  tange  a  tributos,  afetaria  do  mesmo modo e na mesma medida aquela zona.  Mas  já  foi  repetidamente  assinalado  que  o  artigo  4º  daquele  ato  legal,  embora  traga  de  fato  a  expressão  acima,  apôs  a  ressalva  “constantes  da  legislação  em  vigor”.  Não  vejo  como  essa  restrição  possa  ser  entendida  de  modo  diverso  do  que  tem  sido  Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10882.903371/2008­86  Acórdão n.º 3402­005.434  S3­C4T2  Fl. 8          7 interpretado  pela  Administração:  apenas  os  incentivos  às  exportações  que  já  vigiam  em  1  de  fevereiro  de  1967  estavam  “automaticamente”  estendidos à ZFM por força desse comando. E ponho  a  palavra  entre  aspas  porque  nem  mesmo  o  Poder  Executivo – e vale assinalar que estamos falando de  um  período  de  exceção,  em  que  o  Poder  executivo  quase  tudo  podia  pareceu  estar  tão  seguro  desse  automatismo, visto que fez editar, na mesma data, o  Ato  Complementar  35,  cujo  artigo  7º  assegurou  aquela extensão ao ICM.  Pretendem alguns que ele teria alçado ao patamar de  lei  complementar  a  equiparação  já  prevista  no  decreto­lei.  A  meu  ver,  porém,  tudo  o  que  faz  é  definir  com  maior  precisão  o  que  se  entende  por  produtos  industrializados para efeito da não incidência de ICM  nas  exportações  já  prevista  na  Constituição  de  67.  Define­os  no  parágrafo  1º,  recorrendo  à  tabela  do  então criado imposto sobre produtos industrializados  (tabela  anexa  à  Lei  4.502).  No  parágrafo  segundo,  estende,  também  para  efeito  de  ICM,  aquela  imunidade  às  vendas  a  zonas  francas.  Essa  interpretação me parece forçosa quando se sabe que,  segundo  a  boa  técnica  legislativa,  os  parágrafos  de  um dado artigo não acrescentam matéria ao disposto  no caput, apenas esclarecem sobre o alcance daquela  matéria. E ao esclarecer podem impor uma definição  restritiva, como no parágrafo primeiro, ou extensiva,  como  no  segundo.  O  que  não  pode  um  simples  parágrafo  é  tratar  de matéria  que  não  esteja  contida  no  caput  e  nos  seus  incisos.  E  não  parece  haver  dúvida  de  que  aí  apenas  se  cuida  da  imunidade  do  ICM.  Assim,  o  ato  legal  nem  previu  imunidade  genérica,  nem estendeu ao IPI a imunidade do ICM.  Ora,  se  a  previsão  do  decreto­lei  deveria  alcançar  “todos  os  efeitos  fiscais”  e  já  havia  previsão  de  imunidade  de  ICM  sobre  produtos  industrializados,  para que tal parágrafo no ato complementar?  Há,  contudo,  razões  mais  profundas  do  que  a  mera  literalidade.  É  que  a  zona  franca  de Manaus  não  é  meramente  uma  área  livre  de  restrições  aduaneiras,  característica das chamadas zonas francas comerciais.  O  que  se  buscou  com  a  sua  criação  foi  induzir  a  instalação  naquele  distante  rincão  nacional  de  empresas de caráter industrial, que gerassem emprego  Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10882.903371/2008­86  Acórdão n.º 3402­005.434  S3­C4T2  Fl. 9          8 e renda para a região Norte. Para tanto, definiu se um  conjunto  de  incentivos  fiscais  que,  à  época  de  sua  criação,  seria  suficiente,  no  entender  dos  seus  formuladores, para gerar aquela atração.  Tais  incentivos,  e  apenas  eles,  configuram  diferenciação  em  favor  dos  produtos  importados  e  industrializados  naquela  área.  Foi  essa  diferença  tributária que  induziu  a  criação  do  parque  industrial  que ali se veio a instalar e, assim, é apenas a retirada  de algum daqueles incentivos que pode ser tachada de  “quebra de contrato”.  A  contrário  senso,  novos  incentivos  fiscais  que  se  venham a instituir podem ou não ser a ela estendidos  conforme entenda útil o legislador por ocasião de sua  instituição.   Isso  não  se  dá  automaticamente  com  os  incentivos  genéricos à exportação cujo objetivo comum tem sido  a  geração  das  divisas  imprescindíveis  ao  pagamento  dos compromissos internacionais durante tanto tempo  somente  alcançáveis  por  meio  das  exportações.  Por  óbvio,  a  ninguém  escapa  que  vendas  à  ZFM  não  geram divisas. Diferentes, pois, os objetivos, nenhum  automatismo se justifica.  Prova desse raciocínio é que dois anos apenas após a  criação  da  ZFM,  inventaram  os  “legisladores  executivos” de então novo  incentivo à exportação, o  malsinado  “crédito  prêmio”  posteriormente  tão  combatido nos acordos de livre comércio a que o País  aderia.  Sua  legislação  expressamente  incluiu  a Zona  Franca.  Fê­lo,  no  entanto,  apenas  para  os  casos  em  que,  após  serem  “exportados”  para  lá,  fossem  dali  efetivamente  exportados  para  o  exterior  (“reexportados”, na linguagem do dec­lei).  Em  outras  palavras,  já  em  1969  dava  o  executivo  provas  de  que  aquela  extensão  nem  era  automática,  nem tinha que se dar sem qualquer restrição.  Logo, ainda que se avance na interpretação da norma,  ultrapassando  o  método  literal  e  adentrando­se  o  histórico  e  o  teleológico,  se  chega  à  mesma  conclusão:  o  decreto­lei  288  apenas  determinou  a  adoção  dos  incentivos  fiscais  à  exportação  já  existentes  e acresceu  incentivos  específicos voltados  a  promover  o  desenvolvimento  da  região  menos  densamente povoada de nosso território.  Nessa  linha  de  raciocínio,  portanto,  há  de  se  buscar  na  legislação  específica  do  PIS  e  da  COFINS,  Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10882.903371/2008­86  Acórdão n.º 3402­005.434  S3­C4T2  Fl. 10          9 tributos  somente  instituídos  após  a  criação  da ZFM,  dispositivo que preveja alguma forma de desoneração  nas  vendas  àquela  região,  seja  a  não  incidência,  alíquota  zero  ou  isenção.  E  não  se  precisa  ir  longe  para  ver  que  ela  somente  começa  a  existir  em  julho  de 2004, com a edição da Medida Provisória 202.  De  fato,  a  “exclusão  das  receitas  de  exportação”  da  base  de  cálculo  do  PIS  tratada  na  Lei  7.714  e  a  isenção  da  COFINS  sobre  receitas  de  exportação  prevista  na  Lei  Complementar  70  e  objeto  da  Lei  complementar  85  não  incluíram  expressamente  as  vendas  à  ZFM  ainda  que  tenham  estendido  o  benefício  a  outras  operações  equiparadas  a  exportação.  Um  exame  cuidadoso  dessas  extensões  vai  revelar  o  que  se  disse  acima:  todas  elas  geram,  imediata ou mediatamente, divisas internacionais.  A  conclusão  que  se  impõe,  assim,  é  que  não  havia,  até  o  surgimento  da  Medida  Provisória  1.858  qualquer benefício fiscal que desonerasse de PIS e de  COFINS as receitas obtidas com a venda de produtos  para  empresas  sediadas  na  ZFM.  É  certo  que  esse  entendimento não era uníssono, muita peleja tendo se  travado  entre  o  fisco  e  os  contribuintes  que  pretendiam estarem tais vendas amparadas pelos atos  legais mencionados. E essas divergências somente se  agravaram com a edição da MP, cuja redação padece  de diversas inconsistências.  Com efeito, tal MP, que revogou a Lei 7.714 e a Lei  Complementar  85,  disciplinando  por  completo  a  isenção  das  duas  contribuições  nas  operações  de  exportação  trouxe  dispositivo  expresso  “excluindo”  as  vendas  à  ZFM.  Isso,  por  óbvio,  aguçou  a  interpretação  de  que  já  havia  dispositivo  isentivo  e  que esse dispositivo estava sendo agora revogado.  Defendo  que  não,  embora  seja  forçoso  reconhecer  que  o  dispositivo  apenas  criou  desnecessário  imbróglio.  É  que,  nos  termos  constitucionais,  a  concessão de isenção requer lei específica1 , de modo  que, ou se aceita que seja ela o decreto­lei ou ela não  existe.  Não  se  pode  inferir  que  haja  uma  lei  simplesmente  porque  um  parágrafo  em  artigo  de  lei  posterior  a  "exclua".  Em  outras  palavras,  há  apenas  dois  caminhos  interpretativos.  O  primeiro:  se  considera  que  o  decreto­lei  288  fez  uma  equiparação  genérica  das  Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10882.903371/2008­86  Acórdão n.º 3402­005.434  S3­C4T2  Fl. 11          10 vendas  àquela  região  a  exportação  e,  portanto,  qualquer  ato  posterior  que  concedesse  benefício  (isenção  ou  outro)  a  operações  de  exportação  se  aplicava imediatamente e automaticamente às vendas  para lá.  Nesse  caso,  a  isenção  concedida  pela  Lei  Complementar 85 a elas se estende, mesmo não tendo  ela  sido  expressamente  referida  no  dispositivo. Essa  interpretação contraria, a meu ver, o art. 150, § 6º da  Constituição.  Ou,  como  entendo  eu,  considera­se  que  não  havia  dispositivo que concedesse isenção ou qualquer outra  forma de desoneração àquelas vendas até a redução a  zero  de  sua  alíquota,  promovida  em  2004.  Não  contemplo um terceiro caminho.  Com  tais  considerações,  negou­se  provimento  ao  recurso do contribuinte.”  Também não prospera qualquer argumento que aponte a  obrigatoriedade  do  acatamento  do  entendimento  do  STF,  exceto  nos  casos  de  repercussão  geral  reconhecida,  conforme  determina o RICARF, o que não é o caso.  Ante  o  exposto,  nego  provimento  ao  recurso  voluntário do sujeito passivo."  Importa  registrar  que  nos  autos  ora  em  apreço,  a  situação  fática  e  jurídica  encontra correspondência com a verificada no paradigma, de  tal  sorte que o entendimento  lá  esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado.  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática  prevista  nos  §§  1º  e  2º  do  art.  47  do  anexo  II  do  RICARF,  o  colegiado  negou  provimento ao recurso voluntário.  (assinado com certificado digital)  Waldir Navarro Bezerra                            Fl. 157DF CARF MF

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