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Numero do processo: 10530.721997/2013-23
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2011
PENSÃO ALIMENTÍCIA. DEDUTIBILIDADE. COMPROVAÇÃO.
Os pagamentos, devidamente comprovados, de pensão alimentícia, devida em decorrência de decisão judicial, são dedutíveis da base de cálculo do imposto sobre a renda de pessoa física.
Numero da decisão: 2001-000.664
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Ricardo Moreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE RICARDO MOREIRA
1.0 = *:*
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score : 1.0
Numero do processo: 13881.720022/2017-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
IRPF. AJUSTE. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. QUANTIDADE DE MESES. COMPROVAÇÃO
A partir de 28 de julho de 2010, em se tratando de rendimentos recebidos acumuladamente, relativos a anos-calendário anteriores ao do recebimento, estes serão tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês conforme estabelecido no art. 12-A da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988. Comprovada a quantidade de meses deve ser afastada a exigência fiscal.
Numero da decisão: 2401-005.756
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para que o cálculo do imposto seja realizado considerando a quantidade de meses informada.
(Assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Andréa Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite, Miriam Denise Xavier (Presidente).
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2013 IRPF. AJUSTE. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. QUANTIDADE DE MESES. COMPROVAÇÃO A partir de 28 de julho de 2010, em se tratando de rendimentos recebidos acumuladamente, relativos a anos-calendário anteriores ao do recebimento, estes serão tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês conforme estabelecido no art. 12-A da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988. Comprovada a quantidade de meses deve ser afastada a exigência fiscal.
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AJUSTE. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. QUANTIDADE DE MESES. COMPROVAÇÃO A partir de 28 de julho de 2010, em se tratando de rendimentos recebidos acumuladamente, relativos a anoscalendário anteriores ao do recebimento, estes serão tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês conforme estabelecido no art. 12A da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988. Comprovada a quantidade de meses deve ser afastada a exigência fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para que o cálculo do imposto seja realizado considerando a quantidade de meses informada. (Assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 1. 72 00 22 /2 01 7- 10 Fl. 114DF CARF MF Processo nº 13881.720022/201710 Acórdão n.º 2401005.756 S2C4T1 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Andréa Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite, Miriam Denise Xavier (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face da decisão da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande MS (DRJ/CGE), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário, conforme ementa do Acórdão nº 0442.513 (fls. 32/36): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2013 DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. REVISÃO. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Rendimentos recebidos acumuladamente em decorrência de decisão judicial após 28/07/2010 estão sujeitos à tributação exclusiva na fonte, cabendo ao contribuinte comprovar a quantidade de meses a que tais rendimentos se referem. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O presente processo trata de Notificação de Lançamento (fls. 12/20), emitida contra o Contribuinte, para cobrança de Imposto de Renda Pessoa Física Suplementar, no valor de R$ 55.742,56, relativo ao exercício 2013, referente à Omissão de Rendimentos Recebidos Acumuladamente – Tributação Exclusiva, recebidos através da Caixa Econômica Federal, no valor de R$ 242.811,71. Na apuração do imposto de renda devido foi compensado o IRRF sobre os rendimentos omitidos, no valor de R$ 10.274,12. Houve também lançamento de Multa de Ofício de 75%, passível de redução, no valor de R$ 41.806,92, e Juros de Mora, calculados até 31/01/2017, no valor de R$ 23.863,38, dando um Crédito Tributário Apurado no montante de R$ 121.412,86. De acordo com a Descrição Dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 14/15): 1. A Base de Cálculo, conforme documentos apresentados foi de R$ 242.811,72, correspondente ao rendimento total recebido, no valor de R$ 342.470,67, descontados os honorários pagos ao Advogado, no valor de R$ 99.658,96; 2. O Contribuinte não apresentou, conforme solicitado, planilha das verbas contendo os cálculos de liquidação de sentença, com Fl. 115DF CARF MF Processo nº 13881.720022/201710 Acórdão n.º 2401005.756 S2C4T1 Fl. 4 3 comprovação do número de meses, razão pela qual foi considerando 1 mês. O Contribuinte protocolou em 06/02/2017 sua Impugnação de fl. 03, instruída com os documentos nas fls. 04 a 10, onde afirma que não houve omissão de rendimentos em razão de que se trata de rendimentos recebidos acumuladamente, em decorrência de decisão judicial. Assevera que os valores recebidos são relativos a 110 meses, conforme planilha anexada à Impugnação, tendo optado pela tributação RRAExclusivo na Fonte, com resultado em imposto a restituir. Diante da impugnação tempestiva, o processo foi encaminhado à DRJ/CGE que, através do Acórdão nº 0442.513, em 12/04/2017, votou no sentido de considerar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário, ante a ausência de comprovação das alegações. Em 19/04/2017 o Contribuinte tomou ciência do Acórdão (AR – fl. 40) e, em 12/05/2017, interpôs seu RECURSO VOLUNTÁRIO de fls. 43 a 45, instruída com os documentos nas fls. 46 a 111. Em seu RV faz um breve resumo dos fatos para em seguida alegar que os valores recebidos se referem a Rendimentos Recebidos Acumuladamente – RRA, decorrente de decisão judicial no Processo nº 000160487.1999.403.6118 (Doc. 02 – fls. 55/109), sujeitos à tributação exclusiva na fonte segundo dicção do art. 12A, caput, e seu § 1º, da Lei 7.713/88. Alega também que os rendimentos recebidos deverão ser tributados exclusivamente na fonte, considerando o período de 110 meses, conforme planilha elaborada pelo INSS, constante do processo. Por fim, informa que a diferença destacada pela autoridade julgadora de 1ª instância, entre o montante apurado na planilha do INSS (R$ 336.170,15) e o valor liberado (R$ 342.470,67), se deve à atualização monetária ocorrida entre o período da apuração (08/2010) até a liberação dos valores (05/2012). Conclui seu RV requerendo que o mesmo seja acolhido para fim de cancelar o débito fiscal reclamado. É o relatório Voto Conselheiro Andréa Viana Arrais Egypto Relatora Fl. 116DF CARF MF Processo nº 13881.720022/201710 Acórdão n.º 2401005.756 S2C4T1 Fl. 5 4 Juízo de admissibilidade O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Mérito Conforme se verifica dos autos, trata o presente processo administrativo da exigência de Imposto de Renda Pessoa Física Suplementar em virtude de revisão de Declaração de Ajuste Anual do anocalendário 2012, por não ter o contribuinte comprovado a quantidade de meses a que se referiam os rendimentos recebidos acumuladamente. Segundo a DRJ, não obstante o contribuinte ter apresentado planilhas de fls. 6 a 9, não seria possível precisar os cálculos se referiam à liquidação da sentença, além do que, na planilha foi apurado o montante de R$ 336.170,15, enquanto que o valor liberado para o contribuinte foi de R$ 342.470,67. Assim, entendeu que restou ausente a comprovação do número de meses a que se referiam os rendimentos. Pois bem. A partir de 28 de julho de 2010, em se tratando de rendimentos recebidos acumuladamente, relativos a anoscalendário anteriores ao do recebimento, estes serão tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês, conforme assevera o art. 12A da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988. Transcrevo: Art. 12A. Os rendimentos do trabalho e os provenientes de aposentadoria, pensão, transferência para a reserva remunerada ou reforma, pagos pela Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando correspondentes a anoscalendário anteriores ao do recebimento, serão tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês. (Incluído pela Lei nº 12.350, de 2010) § 1o O imposto será retido pela pessoa física ou jurídica obrigada ao pagamento ou pela instituição financeira depositária do crédito e calculado sobre o montante dos rendimentos pagos, mediante a utilização de tabela progressiva resultante da multiplicação da quantidade de meses a que se refiram os rendimentos pelos valores constantes da tabela progressiva mensal correspondente ao mês do recebimento ou crédito. Compulsando os autos, constatase que a planilha juntada às fls. 6/9 corresponde aos cálculos de liquidação da sentença, consoante documentos complementares adunados às fls. 55/111, dentre os quais destaco o de fls. 97/102. Resta claro que a diferença entre o montante apurado na planilha e o valor liberado para o contribuinte, verificado pela autoridade julgadora de primeira instância, decorreu da incidência das atualizações até a liberação do recurso em favor do contribuinte. Fl. 117DF CARF MF Processo nº 13881.720022/201710 Acórdão n.º 2401005.756 S2C4T1 Fl. 6 5 Conforme o cálculo apresentado pela Advocacia Geral da União (fl. 98) e a planilha de fls. 99/102, a quantidade de meses a ser considerada para efeito de cálculo do Imposto de Renda é de 110 meses, considerando o período de 03/1999 a 08/2007, conforme informado pelo contribuinte em sua declaração (fl. 4). Assim, resta comprovada a quantidade de meses correspondente ao período constante na planilha de fls. 03/1999 a 08/2007, razão porque afasto a exigência contida no lançamento. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário e DOULHE PROVIMENTO PARCIAL para que o cálculo do Imposto de Renda seja realizado considerando a quantidade de meses informada. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto. Fl. 118DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10850.908547/2011-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/12/2000
BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. SUBVENÇÃO LEI N° 9.479/97 PIS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/1998. FATURAMENTO. RECEITA OPERACIONAL. Entende-se por faturamento, para fins de identificação da base de cálculo do PIS e da COFINS, o somatório das receitas oriundas da atividade operacional da pessoa jurídica, ou seja, aquelas decorrentes da prática das operações típicas previstas no seu objeto social.
RECEITA DE SUBVENÇÃO DA LEI N° 9.479/1997. SUBVENÇÃO PARA CUSTEIO. A receita da subvenção concedida pela Lei n° 9.479/1997 às usinas beneficiadoras de borracha integra a base de cálculo do PIS e da COFINS, por se tratar de subvenção para custeio.
PIS/COFINS. RECEITAS DAS ATIVIDADES-FIM
Estão sujeitas à incidência do PIS e da COFINS apenas as receitas derivadas das atividades-fim. Desta forma, não compõem a base tributável as receitas financeiras, descontos obtidos e despesas recuperadas.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3301-005.031
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento para afastar a exigência sobre descontos obtidos, receitas financeiras e despesas recuperadas. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10850.908549/2011-58, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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RESTITUIÇÃO. ALARGAMENTO DA BC. Recorrente BRASLATEX INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE BORRACHAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/12/2000 BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. SUBVENÇÃO LEI N° 9.479/97 PIS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/1998. FATURAMENTO. RECEITA OPERACIONAL. Entendese por faturamento, para fins de identificação da base de cálculo do PIS e da COFINS, o somatório das receitas oriundas da atividade operacional da pessoa jurídica, ou seja, aquelas decorrentes da prática das operações típicas previstas no seu objeto social. RECEITA DE SUBVENÇÃO DA LEI N° 9.479/1997. SUBVENÇÃO PARA CUSTEIO. A receita da subvenção concedida pela Lei n° 9.479/1997 às usinas beneficiadoras de borracha integra a base de cálculo do PIS e da COFINS, por se tratar de subvenção para custeio. PIS/COFINS. RECEITAS DAS ATIVIDADESFIM Estão sujeitas à incidência do PIS e da COFINS apenas as receitas derivadas das atividadesfim. Desta forma, não compõem a base tributável as receitas financeiras, descontos obtidos e despesas recuperadas. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento para afastar a exigência sobre descontos obtidos, receitas financeiras e despesas recuperadas. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10850.908549/201158, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 85 47 /2 01 1- 69 Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10850.908547/201169 Acórdão n.º 3301005.031 S3C3T1 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório Trata o presente processo de Pedido Eletrônico de Restituição de crédito da Contribuição para o PIS/Pasep. A DRF de São José do Rio Preto (SP), por meio do despacho decisório, indeferiu o pedido, em razão do recolhimento indicado no PER/DCOMP ter sido integralmente utilizado para quitação de débito confessado pelo contribuinte. Cientificada do despacho, a empresa apresentou a manifestação de inconformidade, nesses termos: · Preliminarmente, requer a reunião deste processo com outros que tratam da mesma matéria e têm os mesmos fundamentos; · No mérito, defende que o recolhimento indevido decorre da inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/1998, já declarada pelo STF em sede de repercussão geral; · Alega que a autoridade administrativa não analisou a causa do recolhimento indevido (a inconstitucional ampliação da base de cálculo pelo art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718); · Sustenta que a decisão do STF, no RE nº 585.235, deve ser observada, obrigatoriamente, pela autoridade administrativa; · Reiterou que é devido o crédito pleiteado no PER/DCOMP, por se tratar de PIS/COFINS calculado sobre receita que não integra o seu faturamento. Anexou à sua manifestação de inconformidade: planilha demonstrativa do pagamento indevido de PIS/COFINS sobre receitas financeiras, cópia de parte do livro diário e termos de abertura e encerramento. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 14042.472. A DRJ rejeitou a reunião de processos solicitada, por dois motivos: para pedidos de restituição, a reunião de processos em um só deve ser realizada apenas quando tenham por base o mesmo crédito, o que não é o caso dos processos relacionados pela interessada, pois cada um se refere a um determinado período de apuração, implicando em créditos distintos e os elementos de prova são distintos para cada fato gerador, ou seja, as provas de um processo não aproveitam aos demais. Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10850.908547/201169 Acórdão n.º 3301005.031 S3C3T1 Fl. 4 3 Quanto ao mérito, a negativa do reconhecimento do crédito se deu em virtude da ausência de prova do pagamento indevido; da nãovinculação da autoridade administrativa ao RE nº 585.235; da ausência de DCTF retificadora e da cópia parcial do livro diário apresentada, que não permitiria apurar a base de cálculo com as exclusões pretendidas, para se chegar ao valor devido e comparálo com o valor recolhido. Em seu recurso voluntário, a empresa: · Reitera o pedido de reunião deste processo com outros 38 processos que tratam da mesma matéria: recolhimentos indevidos de PIS e COFINS, apurados em diversos meses, decorrentes da majoração da base de cálculo pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. · Alega que é inconteste que a DCTF não é o único meio de prova da existência de crédito passível de restituição, nem o art. 165 do CTN nem o art. 74 da Lei nº 9.430/96 condicionam o reconhecimento do crédito à retificação de declarações. · Faz a juntada do seu livro razão, que entende ser suficiente para comprovar o recolhimento indevido. · Sustenta que a base de cálculo do PIS e da COFINS deveria ter sido composta por valores correspondentes ao seu faturamento, ou seja, os ingressos que correspondem às suas receitas de vendas de mercadorias e prestação de serviços e não por suas receitas financeiras. Esta Turma de Julgamento converteu o julgamento em diligência, Resolução n° 3301000.377, de 28 de junho de 2017, para verificar os argumentos da Recorrente no tocante à inclusão das receitas financeiras na base de cálculo do PIS e da COFINS. Nessa oportunidade, foi solicitado à Unidade de Origem que: examinasse a escrita fiscal da Recorrente, para identificar a indevida inclusão das receitas financeiras indicadas no Livro Diário, na base de cálculo do PIS e da COFINS, em decorrência da aplicação do cálculo do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98 e apontasse a exatidão do valor pleiteado pelo Recorrente, bem como se a utilização deste foi efetivamente realizada. Na informação fiscal resultante da diligência, a autoridade fiscal concluiu que, das contas contábeis de receita apontadas pela recorrente como indevidamente computadas na base de cálculo do PIS e da COFINS, somente a de "receita de subvenção" era realmente tributável e cuja contribuição incidente, por conseguinte, não poderia ser considerado como crédito a compensar. Cientificado do encerramento da diligência, não houve manifestação da empresa. É o relatório. Fl. 197DF CARF MF Processo nº 10850.908547/201169 Acórdão n.º 3301005.031 S3C3T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301005.027, de 28 de agosto de 2018, proferido no julgamento do processo 10850.908549/201158, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301005.027): "De acordo com a Resolução n° 3301000.379, o julgamento deste processo deve seguir a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 09 de junho de 2015. E, desta forma, adotar a decisão proferida por meio do Acórdão n° 3301004.594, em sede do processo 10850.906106/201122, da lavra da i. Conselheira Semíramis de Oliveira Duro, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. O citado Acórdão n° 3301004.594 soluciona a questão nuclear deste processo a incidência ou não de PIS sobre a subvenção prevista na Lei n° 9.479/97 , pelo que, para tanto, adotáloei como razão de decidir. Contudo, antes de reproduzilo, enfrento as preliminares e a parte do mérito da causa que diz respeito ao cômputo na base de cálculo do PIS de outros tipos de receitas. Destaco que as soluções das questões de mérito foram instruídas pela conclusão do trabalho de diligência ("Informação Fiscal" nas fls. 191 a 196). Preliminares Reunião de processos A recorrente pede a reunião de 29 processos administrativos que teriam o mesmo objeto do presente, fundada no princípio da economia processual. Dos PAs listados, alguns já foram julgados por esta turma, outros aguardam retorno de diligência e dez estão em pauta para julgamento por outra turma do CARF. Desta forma, não há qualquer providência a ser tomada por esta turma. Falta de aprofundamento da investigação dos fatos falta de retificação da DCTF Insuficiência de provas Preclusão da produção das provas Alega que o Despacho Decisório foi emitido, sem que fossem requeridos documentos para fazer prova da higidez dos créditos que pleiteou, contrariando Fl. 198DF CARF MF Processo nº 10850.908547/201169 Acórdão n.º 3301005.031 S3C3T1 Fl. 6 5 o art. 142 do CTN. Que a alegação da DRJ de que a DCTF não foi retificada não é legítima e afronta o princípio da verdade material. Que juntou aos autos planilha de cálculo, guias de pagamento e livro diário. Contudo, a DRJ julgou ser insuficiente para a confirmação dos créditos. Com base nos artigos 258 e 923 do RIR/99, aduz que os livros contábeis constituem prova das operações. Assim, terseia como precário o julgamento realizado pela DRJ. E, por fim, que a DRJ antecipouse aos atos processuais seguintes, declarando que qualquer prova que a partir de então fosse apresentada seria tida como preclusa. Os pleitos já haviam sido atendidos, na medida em que esta turma converteu o julgamento em diligência, para que fosse efetuado o cotejo entre as bases de cálculo e os livros contábeis. Mérito Reitera que as receitas que originaram os pagamentos indevidos de PIS não devem compor a base de cálculo do PIS, por força da inconstitucionalidade do § 1° do art. 3° da Lei n° 9.718/98, reconhecida pelo STF. Enfrenta a alegação da DRJ de que decisões do STF acerca da inconstitucionalidade do § 1° do art. 3° da Lei n° 9.718/98 não vinculam os órgão de julgamento administrativo, trazendo decisões administrativas e judiciais no sentido de que, por se tratar de posicionamento exarado em sessão plenária e já pacificado naquela corte, deve ser seguido pelas esferas administrativas de julgamento. O processo foi convertido em diligência, para que fossem fossem respondidos os seguintes quesitos (fl. 148): ”a) Examine a escrita fiscal da Recorrente, para identificar a indevida inclusão das receitas financeiras indicadas no Livro Diário, na base de cálculo do PIS e da COFINS, em decorrência da aplicação do cálculo do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98; b) Aponte a exatidão do valor pleiteado pelo Recorrente, bem como se a utilização deste foi efetivamente realizada; c) Requeira ao sujeito passivo a apresentação de documentos ou esclarecimento complementares; d) Cientifique a interessada do resultado da diligência, abrindo prazo para manifestação; e) Após, retornar o processo ao CARF para julgamento." A diligência foi realizada e a "Informação Fiscal" (fls. 191 a 196) encontrase nos autos. O auditor relatou que a recorrente não atendeu às intimações e, por isto, limitouse às informações presentes nos autos. Então, revisou as bases de cálculo anexadas à manifestação de inconformidade, Diário e Razão e verificou que o contribuinte considerou como Fl. 199DF CARF MF Processo nº 10850.908547/201169 Acórdão n.º 3301005.031 S3C3T1 Fl. 7 6 indevidamente computadas na base de cálculo do PIS de fevereiro de 2001 as seguintes contas contábeis (fl. 192): "DESCONTOS OBTIDOS CONTA 3.6.1.1.002: R$ 24,94 RECEITA DE APLICAÇÃO FINANCEIRA CONTA 3.6.1.1.004: R$ 170,17 RECUPERAÇÃO DE DESPESAS CONTA 3.6.1.3.001: R$ 100,00 RECEITA DE SUBVENÇÃO CONTA 3.7.1.2.001: R$ 91.622,69" E assim concluiu seu exame (fl. 195): "11. Das receitas alegadas indevidamente tributadas podese considerar “aportes financeiros estranhos à atividade desenvolvida pela empresa” todas, exceto a Receita de Subvenção da Lei 9.479/1997. 12. A subvenção, concedida pela Lei nº 9.479, de 12 de agosto de 1997 (fls. 183 a 185) e regulamentada pelo Decreto nº 2.348, de 13 de outubro de 1997 (fls. 186 a 189), tratavase de subsídio pago pelo Ministério da Agricultura aos seguintes beneficiários: i) extrativistas, ii) cultivadores ou iii) beneficiadores de borracha natural no país. Era calculada com base na quantidade (em Kg) do coágulo de látex vendido pelos extrativistas ou cultivadores ou na quantidade de borracha beneficiada pelas usinas, vendidas ao comprador final ou exportadas, vide REGULAMENTO PARA CONCESSÃO DESUBVENÇÃO ECONÔMICA À COMERCIALIZAÇÃO DA BORRACHA NATURAL Nº 001/99, às fls 162 a 182. Correspondia à diferença entre os preços de referência da borracha nacional e os preços dos produtos congêneres no mercado asíático, como forma de enfrentar, no mercado nacional, a concorrência da borracha produzida na Ásia, facilitando o escoamento da produção nacional. 13. A atividade do contribuinte, conforme cláusula quarta de seu contrato social, é a indústria de latex e produtos de borracha, comércio, importação e exportação de produtos de borracha. A subvenção recebida por kg de borracha beneficiada vendida, tendo que ser requerida mediante apresentação de comprovantes de compra de borracha natural bruta e das notas fiscais de venda da borracha beneficiada emitidas pelo beneficiário (fls. 162 a 182) não é receita financeira e sim receita da operação da empresa. Tal receita decorre do exercício do objeto social da empresa, e compõe o seu faturamento. A Receita de Subvenção da Lei 9.479 de 12 de agosto de 1997, no valor de R$91.622,69, recebida em Fevereiro/2001 na qualidade de usina beneficiadora credenciada é receita operacional da BRASLATEX, e mesmo antes da vigência da lei 9.718/98 já integraria seu faturamento nos termos da LC nº 7, de 1970, posteriormente regulada pela Medida Provisória no 1.212, de 1995 (e reedições), e pela Lei no 9.715, de 1998 sendo tributada pelo PIS." (g.a.) Concordo plenamente com a conclusão da diligência. Fl. 200DF CARF MF Processo nº 10850.908547/201169 Acórdão n.º 3301005.031 S3C3T1 Fl. 8 7 As receitas com descontos obtidos (conta 3.6.1.1.002), aplicação financeira (conta 3.6.1.1.004) e recuperação de despesas (conta 3.6.1.3.001) não derivam das atividades típicas da recorrente, pelo que não se incluem no conceito de faturamento, base de cálculo do PIS e da COFINS, prevista no art. 3° da Lei n° 9.718/98. No tocante à "receita de subvenção" da Lei n° 9.479/97, verificase o contrário, isto é, tratase de receita tributável pelo PIS e COFINS. Como fundamento deste entendimento, transcrevo o Acórdão n° 3301004.594 (paradigma), do qual faço minha razão de decidir (§ 1° do art. 3° da Lei n° 9.718/98): "Conselheira Semíramis de Oliveira Duro O recurso voluntário é tempestivo e reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. No tocante à reunião dos processos, entendo que não há nada a se deferir, pois 20 (vinte) dos processos listados foram convertidos em diligência (publ. 21/07/2014) e julgados em acórdãos de procedência para a Recorrente (publ. 27/03/2015), tendo em vista a confirmação dos créditos. Os demais processos citados pela Recorrente em seu recurso são repetitivos, que estão vinculados ao julgamento deste presente processo (paradigma), em decorrência do § 2º do art. 47 do anexo II da Portaria MF nº 343/2015. MÉRITO Inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98 O alcance do termo faturamento abarcando a atividade empresarial típica restou assente no RE nº 585.235/MG, no qual se reconheceu a repercussão geral do tema concernente ao alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, reafirmando a jurisprudência consolidada pelo STF: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ DE 1º.9.2006; REs nº 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006). Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98. No voto, o Ministro Cezar Peluso consignou: O recurso extraordinário está submetido ao regime de repercussão geral e versa sobre tema cuja jurisprudência é consolidada nesta Corte, qual seja, a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando, assim, a noção de faturamento pressuposta na redação original do art. 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de Fl. 201DF CARF MF Processo nº 10850.908547/201169 Acórdão n.º 3301005.031 S3C3T1 Fl. 9 8 mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais... Observese outros precedentes da Corte Suprema: RE 683.334 AgR, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, Segunda Turma, DJ 13/08/2012, RE 390.840, Rel. Min. Marco Aurelio, DJ 15/08/2006 e ainda, no mesmo sentido: RE 608.830AgR; RE 621.652AgR; RE 371.258AgR; AI 716.675AgRAgR; AI 799.578AgR; RE 656.284; ARE 643.823/PR; AI 776; ARE 645.618; RE 630.728; 621.675; RE 390.840; RE 654.840 e RE 641.052. Dessa forma, considerase receita bruta ou faturamento o que decorre da venda de mercadorias, da venda de serviços ou de mercadorias e serviços, não se considerando receita de natureza diversa. É o resultado econômico da atividade empresarial estatutária (operacional), que constitui a base de cálculo do PIS. O art. 62, § 1º, I, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343 de 9 de junho de 2015, dispõe que: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos detratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal; Logo, o entendimento do STF deve ser aplicado no presente caso, para afastar a tributação do PIS e da COFINS exigida com base no disposto no art. 3º, §1º, da Lei n.º 9.718/1998. Nesse contexto, esta Turma converteu o julgamento em diligência para verificar a indevida inclusão das receitas não operacionais na base de cálculo do PIS, conforme reclamado pela Recorrente. Todavia, a diligência demonstrou que a receita supostamente não integrante do faturamento é Receita de Subvenção da Lei n° 9.479/1997. Dessa forma, entendo que não assiste razão ao apelo, porquanto considero tal receita operacional, logo integrante do faturamento da Recorrente. É do que trato a seguir. Receita de Subvenção da Lei n° 9.479/1997 Afirmou a Recorrente que o valor de R$ 30.705,00 foi recebido em maio de 1999 na qualidade de usina beneficiadora credenciada, nos termos da Lei n° 9.479/1997. Fl. 202DF CARF MF Processo nº 10850.908547/201169 Acórdão n.º 3301005.031 S3C3T1 Fl. 10 9 A Lei nº 9.479/1997 concedeu subvenção econômica a produtores de borracha natural. Confirase: Art. 1º Fica o Poder Executivo autorizado a conceder subvenção econômica aos produtores nacionais de borracha natural, com o objetivo de incentivar a comercialização da produção nacional. § 1º A subvenção corresponderá à diferença entre os preços de referência das borrachas nacionais e os dos produtos congêneres no mercado internacional, acrescidos das despesas de nacionalização. § 2º Os preços de referência das borrachas nacionais, para efeito de cálculo da subvenção econômica, serão aqueles fixados pelo Poder Executivo e em vigor na data da publicação desta Lei, podendo ser revistos periodicamente. § 3º Os preços dos produtos congêneres no mercado internacional serão apurados e divulgados periodicamente pelo Poder Executivo, com base nas cotações das principais bolsas de mercadorias internacionais. Art. 2º A subvenção econômica de que trata o artigo anterior: I terá a duração de oito anos; II será de até R$ 0,90 (noventa centavos de real) por quilograma de borracha do tipo Granulado Escuro Brasileiro nº 1 (GEB1), sendo que, para os demais tipos de borracha, este teto sofrerá os ágios e deságios correspondentes; III sofrerá rebates, respectivamente, de vinte por cento, quarenta por cento, sessenta por cento e oitenta por cento, a partir do final do quarto, do quinto, do sexto e do sétimo anos de vigência desta Lei, sobre o teto de que trata o inciso anterior. Parágrafo único. Os rebates referidos no inciso III deste artigo só poderão ser aplicados à subvenção incidente sobre a borracha oriunda de seringais nativos da região amazônica na medida em que forem implantados pelo Poder Executivo os programas de que trata o art. 7º. As condições operacionais para pagamento e controle da subvenção foram dispostas pelo Decreto n° 2.348/1997: Art. 1º A subvenção econômica de que trata a Lei nº 9.479, de 12 de agosto de 1997, corresponderá à diferença entre: I os preços de referência das borrachas nacionais fixados na Portaria nº 187, de 29 de junho de 1995, do Ministério da Fazenda, publicada no Diário Oficial da União em 30 de junho de 1995; e II os preços dos produtos congêneres no mercado internacional, tomandose como base referencial o da borracha tipo Standard Malaysian Rubber nº 10 (SMR 10), acrescidos das despesas de nacionalização. Fl. 203DF CARF MF Processo nº 10850.908547/201169 Acórdão n.º 3301005.031 S3C3T1 Fl. 11 10 § 1º O Ministério da Agricultura e do Abastecimento, responsável pelo pagamento da subvenção econômica, publicará o valor da subvenção devida por quilograma de cada um dos tipos de borracha constantes da Portaria de que trata o inciso I deste artigo, tendo em conta: a) a média aritmética das cotações médias diárias da borracha natural do tipo Standard Malaysian Rubber nº 10 (SMR10), equivalente ao tipo Granulado Escuro Brasileiro nº 1º (GEB1), nas bolsas de mercadorias de Singapura, Kuala Lumpur e Londres nos quinze dias anteriores ao da publicação dos preços, com as respectivas cotações das moedas de negociação em dólar americano; b) que a conversão cambial do dólar americano de que trata a alínea anterior, para a moeda brasileira, deverá ser realizada com base na cotação daquela moeda na véspera da publicação dos preços; c) as despesas de nacionalização relativas a impostos, encargos sociais, seguros, frete, adicional de frete, armazenagem e outras prevalentes à época de apuração e publicação dos preços. § 2º Os valores das subvenções publicados pelo Ministério da Agricultura e do Abastecimento prevalecerão até a véspera da publicação dos novos valores. Art. 2º A subvenção econômica de que trata o artigo anterior: I terá a duração de oito anos; II será de até R$0,90 (noventa centavos de real) por quilograma de borracha do tipo Granulado Escuro Brasileiro nº 1 (GEB1), sendo que, para os demais tipos de borracha, este teto sofrerá os ágios e deságios correspondentes; III sofrerá rebates, respectivamente, de vinte por cento, quarenta por cento, sessenta por cento e oitenta por cento, a partir do final do quarto, do quinto, do sexto e do sétimo anos de vigência da Lei nº 9.479, de 1997, sobre o teto de que trata o inciso anterior, observado o que dispõe o parágrafo único do art. 2º da mencionada Lei; IV para efeito de cálculo dos ágios e deságios e dos correspondentes rebates nos preços dos demais tipos de borracha, conforme estabelecem os incisos I e Il anteriores, será tomado como referencial o preço da borracha tipo GEB 1 eguardada a correlação de preços constantes da Portaria de que trata o inciso I do art. 1º deste Decreto. Art. 3º São beneficiárias da subvenção econômica de que trata este Decreto os extrativistas, cultivadores ou beneficiadores, sejam pessoas físicas ou jurídicas, dedicados à produção de borracha natural no País. Parágrafo único. A fruição do benefício a pessoas jurídicas fica condicionada à comprovação, junto ao Ministério da Agricultura Fl. 204DF CARF MF Processo nº 10850.908547/201169 Acórdão n.º 3301005.031 S3C3T1 Fl. 12 11 e do Abastecimento, de sua capacidade jurídica e regularidade fiscal. Art. 4º O pagamento da subvenção econômica aos beneficiários será feito por intermédio das usinas beneficiadoras credenciadas pelo Ministério da Agricultura e do Abastecimento, mediante: I apresentação do pedido de ressarcimento da subvenção ao Ministério da Agricultura e do Abastecimento, acompanhado de relação contendo o nome do produtor, seu Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou Cadastro Geral de Contribuinte CGC, local de produção ou de extração, tipo da borracha natural correspondente, quantidade do produto adquirido, em quilogramas, o preço respectivo pago ao produtor, os números e as datas das notas fiscais representativas das transações efetivadas; II cópia das notas fiscais de venda da borracha beneficiada às indústrias consumidoras do produto, acompanhada da comprovação do aceite e da certificação do tipo de borracha comercializado, fornecida pela compradora final. § 1º O pagamento de que trata este artigo será efetivado pelo Ministério da Agricultura e do Abastecimento no prazo de dez dias, contados a partir da data de recebimento do pedido, respeitados os limites por tipo de borracha comercializado prevalentes na data de efetivação da transação, considerada para esse efeito a data constante da nota fiscal respectiva. § 2º O pagamento de subvenção relativa à compra de borracha de pessoas jurídicas produtoras estará condicionado à satisfação da condição estabelecida no parágrafo único do artigo anterior. Art. 5º As usinas beneficiadoras, credenciadas pelo Ministério da Agricultura e do Abastecimento, manterão em seus arquivos uma via das notas fiscais emitidas pelos produtores de borracha natural, ou documento legal equivalente, contendo no verso o atestado do beneficiário de recebimento da subvenção econômica correspondente. Parágrafo único. Os documentos comprobatórios de que trata este artigo serão conservados pelas usinas beneficiadoras em boa ordem, no próprio lugar onde forem contabilizadas as operações, à disposição dos agentes incumbidos do controle interno e externo e dos órgãos ou entidades responsáveis pela subvenção. Art. 6º O Ministério da Agricultura e do Abastecimento: I estabelecerá, em ato normativo, as condições para credenciamento das usinas beneficiadoras de borracha; II orientará as pessoas jurídicas sobre a forma de apresentação da comprovação de que trata o parágrafo único do art. 3º deste Decreto; III registrará e controlará os pagamentos efetuados e gerenciará o provimento dos recursos necessários à concessão da subvenção; Fl. 205DF CARF MF Processo nº 10850.908547/201169 Acórdão n.º 3301005.031 S3C3T1 Fl. 13 12 IV estabelecerá normas complementares de controle, visando a boa e regular aplicação dos recursos. Parágrafo único. Dentre as condições para credenciamento das usinas beneficiadoras constará a de comprovação de sua capacidade jurídica e regularidade fiscal. A subvenção era paga ao beneficiador de borracha natural, pessoa física ou jurídica, cadastrado junto à Secretaria de Produção e Comercialização do Ministério da Agricultura e do Abastecimento, que comprovasse a compra da borracha natural bruta do produtor e posterior exportação ou venda da borracha beneficiada para empresas da indústria consumidora final. E quanto ao pagamento da subvenção, o montante correspondia à quantidade de produto comercializado e comprovado, multiplicado pelo valor unitário da subvenção definida pelo Ministério da Agricultura. Nos termos da Resolução CFC nº 1.305, de 25 de novembro de 2010, por meio da qual o Conselho Federal de Contabilidade (CFC) aprovou a NBC TG 07 (R1), “Subvenção governamental é uma assistência governamental geralmente na forma de contribuição de natureza pecuniária, mas não só restrita a ela, concedida a uma entidade normalmente em troca do cumprimento passado ou futuro de certas condições relacionadas às atividades operacionais da entidade”. A subvenção deve ser tratada como receita pela entidade beneficiada: 12. Uma subvenção governamental deve ser reconhecida como receita ao longo do período e confrontada com as despesas que pretende compensar, em base sistemática, desde que atendidas as condições desta Norma. A subvenção governamental não pode ser creditada diretamente no patrimônio líquido. Entendo que apenas as subvenções para investimento podem ser consideradas não operacionais. É o dispõe o art. 44 da Lei n° 4.506/64: Art. 44. Integram a receita bruta operacional: I O produto da venda dos bens e serviços nas transações ou operações de conta própria; II O resultado auferido nas operações de conta alheia; III As recuperações ou devoluções de custos, deduções ou provisões; IV As subvenções correntes, para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais. Fl. 206DF CARF MF Processo nº 10850.908547/201169 Acórdão n.º 3301005.031 S3C3T1 Fl. 14 13 Por sua vez, o Parecer Normativo CST nº 112, de 29 de dezembro de 1978 (DOU de 11/01/1979), distingue subvenção de custeio e subvenção para investimento: 2.11 – Uma das fontes para se pesquisar o adequado conceito de SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO é o Parecer Normativo CST nº 2/78 (DOU de 16.01.78). No item 5.1 do Parecer encontramos, por exemplo, menção de que a SUBVENÇÃO para INVESTIMENTO seria a destinada à aplicação em bens ou direitos. Já no item 7, subentendese um confronto entre as SUBVENÇÕES PARA CUSTEIO ou OPERAÇÃO e as SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO, tendo sido caracterizadas as primeiras pela não vinculação a aplicações específicas. Já o Parecer Normativo CST nº 143/73 (DOU de 16.10.73), sempre que se refere a investimento complementao com a expressão em ativo fixo. Desses subsídios podemos inferir que SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO é a transferência de recursos para uma pessoa jurídica com a finalidade de auxiliála, não nas suas despesas, mas sim, na aplicação específica em bens ou direitos para implantar ou expandir empreendimentos econômicos. Essa concepção está inteiramente de acordo com o próprio § 2º do art. 38 do DL 1.598/77. 2.12 – Observase que a SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO apresenta características bem marcantes, exigindo até mesmo perfeita sincronia da intenção do subvencionador com a ação do subvencionado. Não basta apenas o “animus” de subvencionar para investimento. Impõese, também, a efetiva e específica aplicação da subvenção, por parte do beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado. Por outro lado, a simples aplicação dos recursos decorrentes da subvenção em investimento não autoriza a sua classificação como SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. (...) 3.6 Há, também, uma modalidade de redução do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias (ICM), utilizada por vários Estados da Federação como incentivo fiscal, que preenche todos os requisitos para ser considerada como SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. A mecânica do benefício fiscal consiste no depósito, em conta vinculada, de parte do ICM devido em cada mês. Os depósitos mensais, obedecidas as condições estabelecidas, retornam à empresa para serem aplicados na implantação ou expansão de empreendimento econômico. Em alguns casos que tivemos oportunidade de examinar, esse tipo de subvenção é sempre previsto em lei, da qual consta expressamente a sua destinação para o investimento; o retorno das parcelas depositadas só se efetiva após comprovadas as Fl. 207DF CARF MF Processo nº 10850.908547/201169 Acórdão n.º 3301005.031 S3C3T1 Fl. 15 14 aplicações no empreendimento econômico; e o titular do empreendimento é o beneficiário da subvenção. (...) I – As SUBVENÇÕES CORRENTES PARA CUSTEIO OU OPERAÇÃO integram a resultado operacional da pessoa jurídica; as SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO, o resultado não operacional. Do exposto, concluise que a subvenção da Lei n° 9.479/1997 é de custeio, porquanto a Recorrente recebeu em dinheiro, por kg de borracha beneficiada vendida. A atividade do contribuinte, conforme cláusula quarta de seu contrato social, é a indústria de látex e produtos de borracha, comércio, importação e exportação de produtos de borracha. Ao contrário do que alega, tal receita não pode ser classificada como receita financeira, porque não decorre da aplicação de recursos financeiros. Isso porque o Decreto nº 3.000/1999, no art. 373 c/c art. 375, parágrafo único, elenca como “receitas financeiras” os juros, o desconto, o lucro na operação de reporte e os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa, além das variações monetárias, em função da taxa de câmbio ou de índices ou coeficientes aplicáveis, por disposição legal ou contratual. Em suma, na qualidade de usina beneficiadora credenciada, a receita da subvenção concedida pela Lei n° 9.479/1997 é receita operacional tributável pelo PIS. Conclusão Do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário" Conclusão Dou provimento parcial ao recurso voluntário, para acatar créditos relativos ao PIS sobre descontos obtidos, receitas financeiras e despesas recuperadas. É como voto." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado tanto à COFINS quanto à Contribuição para o PIS/Pasep, sendo que na informação fiscal resultante da diligência, a autoridade fiscal concluiu que "Das receitas alegadas indevidamente tributadas podese considerar “aportes financeiros estranhos à atividade desenvolvida pela empresa” todas, exceto a Receita de Subvenção da Lei 9.479/1997". Fl. 208DF CARF MF Processo nº 10850.908547/201169 Acórdão n.º 3301005.031 S3C3T1 Fl. 16 15 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu dar provimento parcial ao recurso voluntário, para acatar créditos relativos ao PIS e a COFINS sobre descontos obtidos, receitas financeiras e despesas recuperadas. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 209DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.720143/2016-33
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2013
ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE.
Provado que o rendimento é oriundo de pensão e que a contribuinte era portadora de moléstia grave, é concedida a isenção.
Numero da decisão: 2002-000.298
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para cancelar a omissão de rendimentos. Votou pelas conclusões as conselheiras Fábia Marcília Ferreira Campêlo e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente.
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Fábia Marcília Ferreira Campêlo.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
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MOLÉSTIA GRAVE. Provado que o rendimento é oriundo de pensão e que a contribuinte era portadora de moléstia grave, é concedida a isenção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para cancelar a omissão de rendimentos. Votou pelas conclusões as conselheiras Fábia Marcília Ferreira Campêlo e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Fábia Marcília Ferreira Campêlo. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 01 43 /2 01 6- 33 Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10380.720143/201633 Acórdão n.º 2002000.298 S2C0T2 Fl. 3 2 Tratase de Recurso Voluntário (fls.60/66) contra decisão de primeira instância (fls.43/47), que julgou improcedente do sujeito passivo. Em razão da riqueza de detalhes, adoto o relatório da DRJ, que assim diz: Em desfavor da contribuinte acima identificada foi emitida Notificação de Lançamento nº 2014594731536437102 (fls. 16/20), relativamente ao anocalendário de 2013, na qual foi apurado crédito tributário de R$ 7.349,68, conforme demonstrativo abaixo: (Imagem copiada da Notificação de Lançamento em fl. 16) As infrações apuradas pela Fiscalização, relatadas na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fls. 17/18, foram: (Imagem copiada da Notificação de Lançamento em fls. 17/18) Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10380.720143/201633 Acórdão n.º 2002000.298 S2C0T2 Fl. 4 3 Das alterações restou modificado de saldo de imposto a restituir declarado pelo contribuinte no valor de 467,83, para saldo de imposto a pagar no valor de R$ 3.802,34. Inconformada com a exigência, da qual tomou ciência em 06/01/2016, fl. 21, a contribuinte apresentou impugnação em 11/01/2016, fl. 02, com as seguintes alegações: “(...) (Imagens copiadas da impugnação em fl. 02) Foi anexado aos autos os documentos de fls. 04/40. O resumo da decisão revisanda está condensado na seguinte ementa do julgamento: ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. Somente são isentos os rendimentos relativos a aposentadoria, reforma ou pensão, recebidos por portador de moléstia grave devidamente comprovada em laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial no caso de moléstias passíveis de controle. GLOSA DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE Não comprovada a efetiva retenção do valor declarado, cumpre manterse a glosa de imposto de renda retido na fonte descrita na notificação de lançamento. Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10380.720143/201633 Acórdão n.º 2002000.298 S2C0T2 Fl. 5 4 Inconformada, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, requerendo o cancelamento do débito fiscal e, juntando documentos. Solicita ainda, sustentação oral (fl.103). É o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro Virgílio Cansino Gil Relator Recurso Voluntário aviado a modo e tempo, portanto dele conheço. A contribuinte foi notificada em 10/11/2016 (fl.53); Recurso Voluntário protocolado em 08/12/2016 (fl.60), assinado por procurador legalmente constituído (fl.57 e fl.98). A r. decisão de origem, entendeu que a isenção do Imposto de Renda no caso presente, para ser reconhecida teria que preencher os seguintes requisitos: que os rendimentos percebidos pelo portador da moléstia grave prevista em lei sejam oriundos de aposentadoria ou reforma; que a moléstia grave, contraída antes ou após a aposentadoria ou reforma seja comprovada através de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. Finca convencimento, no seguinte entendimento, que “de acordo com a legislação de regência, as doenças passíveis de controle devem ter o prazo de validade fixado no laudo pericial”. Destaco que a r. decisão “a quo”, não se pronunciou a respeito da origem dos rendimentos recebidos pela recorrente. À fl.4 dos autos, a recorrente apresenta um Laudo Pericial Oficial, que tem o seguinte dizer: “Tratase de solicitação para que seja configurado que a interessada era portadora de Neoplasia Maligna em 2008. Temos a informar que existe documento hábil às fls.21 a 23 referindo ser a interessada na ocasião portadora de patologia elencada no CID X como C 50. Documento datado de 18.09.2008.” Já à fl.76, se encontra um outro Laudo Pericial Oficial, onde foi feita uma avaliação para fins de isenção do Imposto de Renda sobre pensão, que tem o seguinte relato: “O examinado não apresenta nenhuma das doenças especificadas no art. 1º da Lei 11052/04, em atividade no momento.” mais abaixo, no campo de Observação diz o seguinte: Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10380.720143/201633 Acórdão n.º 2002000.298 S2C0T2 Fl. 6 5 “Neoplasia maligna sem evidência de doença ativa no momento.” Este Laudo é datado do dia 17 de junho de 2015. Pois bem, temos dois laudos oficiais, um em que diz que a recorrente em 18/09/2008 era portadora de moléstia grave prevista em Lei, o outro laudo de 17/07/2015, afirma que a moléstia grave está sem evidência de doença ativa no momento. Entre os dois laudos existe um hiato de tempo, onde não se sabe se a recorrente tinha ou não moléstia, assim sendo, na dúvida entende este relator, que o benefício deve ser concedido à recorrente. O que se discute nestes autos é exatamente este espaço de tempo, portanto razão assiste à recorrente. No que pertine a glosa do valor de R$ 97,51, esta deve ser mantida, pois percebo que há divergência entre o valor da DAA e da DIRF. Veja, sobre a fonte pagadora Ministério da Fazenda, na DAA o contribuinte aponta como IRRF o valor de R$ 1.278,88 (fl.8), enquanto que na DIRF de fl. 99 o valor de imposto retido na fonte é de R$ 1.181,37. Prevalece a DIRF. Mantenho a glosa. Isto posto, e pelo que mais consta dos autos, conheço do Recurso Voluntário, e no mérito dáse provimento parcial para cancelar a omissão de rendimentos. É como voto. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 111DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10882.900420/2009-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/08/2000 a 30/08/2000
NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Não há ofensa à garantia constitucional do contraditório e da ampla defesa quando todos os fatos estão descritos e juridicamente embasados, possibilitando à contribuinte contestar todas razões de fato e de direito elencadas no despacho decisório.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO.
Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia.
PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA.
Até julho de 2004 não há ato legal específico que conceda isenção ou outra forma de desoneração de PIS e COFINS nas vendas à Zona Franca de Manaus, a isso não bastando o art. 4º do Decreto-Lei nº 288/67.
Numero da decisão: 3402-005.400
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) que davam provimento em conformidade com o entendimento do Superior Tribunal de Justiça no AgRg no Ag 1.420.880/PE.
(assinado com certificado digital)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz de Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/08/2000 a 30/08/2000 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. Não há ofensa à garantia constitucional do contraditório e da ampla defesa quando todos os fatos estão descritos e juridicamente embasados, possibilitando à contribuinte contestar todas razões de fato e de direito elencadas no despacho decisório. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não há ato legal específico que conceda isenção ou outra forma de desoneração de PIS e COFINS nas vendas à Zona Franca de Manaus, a isso não bastando o art. 4º do Decreto-Lei nº 288/67.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/08/2000 a 30/08/2000 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. Não há ofensa à garantia constitucional do contraditório e da ampla defesa quando todos os fatos estão descritos e juridicamente embasados, possibilitando à contribuinte contestar todas razões de fato e de direito elencadas no despacho decisório. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não há ato legal específico que conceda isenção ou outra forma de desoneração de PIS e COFINS nas vendas à Zona Franca de Manaus, a isso não bastando o art. 4º do DecretoLei nº 288/67. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) que davam provimento em conformidade com o entendimento do Superior Tribunal de Justiça no AgRg no Ag 1.420.880/PE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 04 20 /2 00 9- 18 Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10882.900420/200918 Acórdão n.º 3402005.400 S3C4T2 Fl. 3 2 (assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz de Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente). Fl. 138DF CARF MF Processo nº 10882.900420/200918 Acórdão n.º 3402005.400 S3C4T2 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Declaração de Compensação (DCOMP) mediante a qual a contribuinte pretendeu extinguir débito com pretenso crédito com origem em pagamento indevido de contribuição social. A Delegacia da Receita Federal de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação face a inexistência de crédito disponível para compensação. Cientificada do despacho, a contribuinte manifestou sua irresignação arguindo em síntese que o crédito utilizado na compensação teria origem em pagamento da contribuição na parcela calculada sobre vendas realizadas à Zona Franca de Manaus. Argumenta que as vendas à Zona Franca de Manaus (ZFM) no período em tela estavam imunes à incidência do PIS e da Cofins e, portanto, o pagamento teria sido feito a maior. Iniciando essa linha de argumentação, assevera que o art. 4° do DecretoLei (DL) n° 288, de 1967, equiparou, para todos os efeitos fiscais, as vendas realizadas a Zona Franca de Manaus a uma operação de exportação. Tal disposição, a seu ver, possui envergadura de norma de caráter complementar, e nesse nível de hierarquia teria sido incorporado ao ordenamento jurídico pela recepção que lhe deu a Constituição Federal de 1988, pelo artigo 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT). Defende que o mesmo tratamento dado às exportações, aplicável às vendas realizadas à Zona Franca de Manaus, seria também extensível às vendas efetuadas para destinatários sediados nos municípios integrantes das Areas de Livre Comércio. Ao fim, requer o recebimento da presente manifestação de inconformidade com o seu regular efeito suspensivo da exigibilidade do crédito. Pleiteia ainda o reconhecimento do direito credit6rio referente aos recolhimentos indevidos ou a maior a titulo de PIS e Cofins incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias à Zona Franca de Manaus e a consequente a homologação da compensação.” Por meio do acórdão nº 0529.712, a DRJ não acolheu as razões de defesa da manifestante, mantendo a não homologação da compensação. Regularmente cientificado, o contribuinte tempestivamente apresentou seu Recurso Voluntário, repisando os argumentos apresentados em sua Manifestação de Inconformidade, acrescentando que não foi intimado pela fiscalização, em nenhum momento, a apresentar comprovantes da origem dos seus créditos e que, no despacho eletrônico proferido, também não foi apresentado nenhum argumento para que os créditos pleiteados fossem indeferidos. Fl. 139DF CARF MF Processo nº 10882.900420/200918 Acórdão n.º 3402005.400 S3C4T2 Fl. 5 4 Argumenta ainda que trouxe aos autos planilha comprovando que os créditos indicados no pedido de compensação são originados de pagamento indevido ao a maior, uma vez que efetuou vendas destinadas à Zona Franca de Manaus. O processo foi encaminhado a este Conselho para julgamento e posteriormente distribuído a este Relator. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra , Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.398, de 24 de julho de 2018, proferido no julgamento do processo 10882.900443/200833, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402005.398): "O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. A questão trazida a este colegiado cingese sobre direito creditório não reconhecido pela constatação de utilização integral do pagamento na quitação de débitos do contribuinte. Também se discute, a partir das alegações trazidas na Manifestação de Inconformidade, o direito ao crédito do PIS e da COFINS nas operações com empresas situadas na Zona Franca de Manaus, que poderia lastrear o pleito inicial da interessada. Ainda que o Despacho Decisório nada tenha se manifestado acerca de qualquer documento probatório, o sujeito passivo, além de contestar a vinculação do pagamento, também argumentou quanto às razões pela qual entendia que parte do recolhimento seria indevido, por se referir a vendas realizadas à Zona Franca de Manaus. Segundo seu entendimento, tais vendas estariam imunes à incidência das contribuições, resultando em saldo recolhido à maior. A 3ª Turma da DRJ em Campinas não acolheu as razões de defesa do sujeito passivo, entendendo que o pretendido pagamento indevido teria origem no período de apuração 01/09/2002 a 30/09/2002, em relação ao qual a isenção em comento alcançaria apenas as receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do artigo 14 da MP n°2.15835, de 2001. Segundo a turma julgadora, os autos não trazem comprovação suportada por documentação contábilfiscal da inclusão das receitas decorrentes das mencionadas operações isentas na base que serviu para o Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10882.900420/200918 Acórdão n.º 3402005.400 S3C4T2 Fl. 6 5 cálculo do pagamento formador do apontado indébito, não se podendo reconhecer o pretendido direito de crédito aproveitado na compensação. Preliminarmente, a recorrente alega nulidade do processo administrativo em razão da ausência de diligências na documentação que comprovaria o indébito tributário. Não assiste razão à recorrente. Conforme disposto no artigo 29 do PAF, as diligências são determinadas pela autoridade julgadora, na apreciação da prova, caso entenda necessárias, o que não é o caso. A recorrente não apresentou qualquer documento comprobatório do crédito pleiteado, nem na fase de impugnação, nem nesta fase recursal, em descumprimento do artigo 15 do PAF que determina a instrução dos documentos comprobatórios juntamente com a impugnação. Apenas uma planilha intitulada “VENDAS PARA A ZONA FRANCA DE MANAUS E AREAS DE LIVRE COMÉRCIO UNIDADE SUMARÉ SETEMBRO DE 2002” (fls.43) foi apresentada, sem nenhum documento comprobatório. A prova deve ser feita nos autos, não fora dele, e no momento oportuno. Destacase que o indeferimento do direito creditório foi motivado pela utilização do(s) pagamento(s) na quitação de outros débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Nenhuma prova contrária à tal constatação fiscal foi apresentada. Portanto, não resta configurada qualquer nulidade quanto à ausência de diligência. Em consequência, rejeitase o pedido de diligência. A recorrente alega cerceamento de seu direito de defesa, por entender que a decisão de primeira instância teria inovado o lançamento inicial. Segundo seu entendimento, o Despacho Decisório eletrônico não mencionou qualquer documento (físico ou eletrônico) que embasasse a glosa da compensação, limitandose apenas a mencionar que o crédito não existiria, imputando penalidade a Recorrente, sem qualquer análise da materialidade do crédito compensado. Também neste ponto não assiste razão à recorrente. Nenhuma inovação foi trazida aos autos pelo julgador de primeiro grau na apreciação da matéria, que apenas trouxe os fundamentos necessários para rechaçar as alegações do sujeito passivo trazidas na Manifestação de Inconformidade. Tratase do pleno exercício do contraditório, que exige a plena fundamentação das decisões na apreciação de todos os pontos levantados pela defesa do contribuinte. A motivação do Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10882.900420/200918 Acórdão n.º 3402005.400 S3C4T2 Fl. 7 6 indeferimento do direito creditório continua sendo a inexistência de crédito. Dessa forma, também não está configurado qualquer cerceamento do direito de defesa da recorrente, visto que a questão foi por ela trazida e por ela novamente repisada em sua peça recursal. No mérito, a recorrente alega o direito ao crédito do PIS e da COFINS nas operações com empresas situadas na Zona Franca de Manaus. O tema foi objeto de julgamento repetitivo na 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em processos cujo interessado foi a própria recorrente. Dessa forma, adoto no presente voto os fundamentos do Acórdão nº 9303003.934, de 07 de junho de 2016, da lavra do i. Conselheiro Júlio César Alves Ramos, a seguir reproduzido: “Fui incumbido de apontar as razões que levaram o colegiado, por voto de qualidade, a negar provimento ao recurso do contribuinte, sob o entendimento de que, até a redução a zero da alíquota da contribuição efetuada em julho de 2004, não havia qualquer dispositivo legal que concedesse isenção de COFINS às vendas para aquela área. O argumento inicial em sentido contrário buscaa na própria norma que criou a Zona Franca de Manaus. Segundo tal entendimento, o art. 4º do Decretolei 288, ao afirmar que as remessas para aquela região equiparavamse a exportação para o exterior, deveria ser estendido à COFINS, embora, cediço, ela somente tenha sido posteriormente criada. E isso porque tal extensão somente caberia se o citado decreto tivesse afirmado que as remessas de produtos para a Zona Franca de Manaus são exportação. Nesse caso, a equiparação valeria mesmo para outros efeitos, não fiscais. Poderia, para o que interessa, restringila a “todos os efeitos fiscais”. Se o tivesse feito, dúvida não haveria de que qualquer mudança posterior na legislação que viesse a afetar as exportações, no que tange a tributos, afetaria do mesmo modo e na mesma medida aquela zona. Mas já foi repetidamente assinalado que o artigo 4º daquele ato legal, embora traga de fato a expressão acima, apôs a ressalva “constantes da legislação em vigor”. Não vejo como essa restrição possa ser entendida de modo diverso do que tem sido interpretado pela Administração: apenas os incentivos às exportações que já vigiam em 1 de fevereiro de 1967 estavam “automaticamente” Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10882.900420/200918 Acórdão n.º 3402005.400 S3C4T2 Fl. 8 7 estendidos à ZFM por força desse comando. E ponho a palavra entre aspas porque nem mesmo o Poder Executivo – e vale assinalar que estamos falando de um período de exceção, em que o Poder executivo quase tudo podia pareceu estar tão seguro desse automatismo, visto que fez editar, na mesma data, o Ato Complementar 35, cujo artigo 7º assegurou aquela extensão ao ICM. Pretendem alguns que ele teria alçado ao patamar de lei complementar a equiparação já prevista no decretolei. A meu ver, porém, tudo o que faz é definir com maior precisão o que se entende por produtos industrializados para efeito da não incidência de ICM nas exportações já prevista na Constituição de 67. Defineos no parágrafo 1º, recorrendo à tabela do então criado imposto sobre produtos industrializados (tabela anexa à Lei 4.502). No parágrafo segundo, estende, também para efeito de ICM, aquela imunidade às vendas a zonas francas. Essa interpretação me parece forçosa quando se sabe que, segundo a boa técnica legislativa, os parágrafos de um dado artigo não acrescentam matéria ao disposto no caput, apenas esclarecem sobre o alcance daquela matéria. E ao esclarecer podem impor uma definição restritiva, como no parágrafo primeiro, ou extensiva, como no segundo. O que não pode um simples parágrafo é tratar de matéria que não esteja contida no caput e nos seus incisos. E não parece haver dúvida de que aí apenas se cuida da imunidade do ICM. Assim, o ato legal nem previu imunidade genérica, nem estendeu ao IPI a imunidade do ICM. Ora, se a previsão do decretolei deveria alcançar “todos os efeitos fiscais” e já havia previsão de imunidade de ICM sobre produtos industrializados, para que tal parágrafo no ato complementar? Há, contudo, razões mais profundas do que a mera literalidade. É que a zona franca de Manaus não é meramente uma área livre de restrições aduaneiras, característica das chamadas zonas francas comerciais. O que se buscou com a sua criação foi induzir a instalação naquele distante rincão nacional de empresas de caráter industrial, que gerassem emprego e renda para a região Norte. Para tanto, definiu se um conjunto de incentivos fiscais que, à época de sua Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10882.900420/200918 Acórdão n.º 3402005.400 S3C4T2 Fl. 9 8 criação, seria suficiente, no entender dos seus formuladores, para gerar aquela atração. Tais incentivos, e apenas eles, configuram diferenciação em favor dos produtos importados e industrializados naquela área. Foi essa diferença tributária que induziu a criação do parque industrial que ali se veio a instalar e, assim, é apenas a retirada de algum daqueles incentivos que pode ser tachada de “quebra de contrato”. A contrário senso, novos incentivos fiscais que se venham a instituir podem ou não ser a ela estendidos conforme entenda útil o legislador por ocasião de sua instituição. Isso não se dá automaticamente com os incentivos genéricos à exportação cujo objetivo comum tem sido a geração das divisas imprescindíveis ao pagamento dos compromissos internacionais durante tanto tempo somente alcançáveis por meio das exportações. Por óbvio, a ninguém escapa que vendas à ZFM não geram divisas. Diferentes, pois, os objetivos, nenhum automatismo se justifica. Prova desse raciocínio é que dois anos apenas após a criação da ZFM, inventaram os “legisladores executivos” de então novo incentivo à exportação, o malsinado “crédito prêmio” posteriormente tão combatido nos acordos de livre comércio a que o País aderia. Sua legislação expressamente incluiu a Zona Franca. Fêlo, no entanto, apenas para os casos em que, após serem “exportados” para lá, fossem dali efetivamente exportados para o exterior (“reexportados”, na linguagem do declei). Em outras palavras, já em 1969 dava o executivo provas de que aquela extensão nem era automática, nem tinha que se dar sem qualquer restrição. Logo, ainda que se avance na interpretação da norma, ultrapassando o método literal e adentrandose o histórico e o teleológico, se chega à mesma conclusão: o decretolei 288 apenas determinou a adoção dos incentivos fiscais à exportação já existentes e acresceu incentivos específicos voltados a promover o desenvolvimento da região menos densamente povoada de nosso território. Nessa linha de raciocínio, portanto, há de se buscar na legislação específica do PIS e da COFINS, tributos somente instituídos após a criação da ZFM, dispositivo que preveja alguma forma de desoneração Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10882.900420/200918 Acórdão n.º 3402005.400 S3C4T2 Fl. 10 9 nas vendas àquela região, seja a não incidência, alíquota zero ou isenção. E não se precisa ir longe para ver que ela somente começa a existir em julho de 2004, com a edição da Medida Provisória 202. De fato, a “exclusão das receitas de exportação” da base de cálculo do PIS tratada na Lei 7.714 e a isenção da COFINS sobre receitas de exportação prevista na Lei Complementar 70 e objeto da Lei complementar 85 não incluíram expressamente as vendas à ZFM ainda que tenham estendido o benefício a outras operações equiparadas a exportação. Um exame cuidadoso dessas extensões vai revelar o que se disse acima: todas elas geram, imediata ou mediatamente, divisas internacionais. A conclusão que se impõe, assim, é que não havia, até o surgimento da Medida Provisória 1.858 qualquer benefício fiscal que desonerasse de PIS e de COFINS as receitas obtidas com a venda de produtos para empresas sediadas na ZFM. É certo que esse entendimento não era uníssono, muita peleja tendo se travado entre o fisco e os contribuintes que pretendiam estarem tais vendas amparadas pelos atos legais mencionados. E essas divergências somente se agravaram com a edição da MP, cuja redação padece de diversas inconsistências. Com efeito, tal MP, que revogou a Lei 7.714 e a Lei Complementar 85, disciplinando por completo a isenção das duas contribuições nas operações de exportação trouxe dispositivo expresso “excluindo” as vendas à ZFM. Isso, por óbvio, aguçou a interpretação de que já havia dispositivo isentivo e que esse dispositivo estava sendo agora revogado. Defendo que não, embora seja forçoso reconhecer que o dispositivo apenas criou desnecessário imbróglio. É que, nos termos constitucionais, a concessão de isenção requer lei específica1 , de modo que, ou se aceita que seja ela o decretolei ou ela não existe. Não se pode inferir que haja uma lei simplesmente porque um parágrafo em artigo de lei posterior a "exclua". Em outras palavras, há apenas dois caminhos interpretativos. O primeiro: se considera que o decretolei 288 fez uma equiparação genérica das vendas àquela região a exportação e, portanto, qualquer ato posterior que concedesse benefício Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10882.900420/200918 Acórdão n.º 3402005.400 S3C4T2 Fl. 11 10 (isenção ou outro) a operações de exportação se aplicava imediatamente e automaticamente às vendas para lá. Nesse caso, a isenção concedida pela Lei Complementar 85 a elas se estende, mesmo não tendo ela sido expressamente referida no dispositivo. Essa interpretação contraria, a meu ver, o art. 150, § 6º da Constituição. Ou, como entendo eu, considerase que não havia dispositivo que concedesse isenção ou qualquer outra forma de desoneração àquelas vendas até a redução a zero de sua alíquota, promovida em 2004. Não contemplo um terceiro caminho. Com tais considerações, negouse provimento ao recurso do contribuinte.” Também não prospera qualquer argumento que aponte a obrigatoriedade do acatamento do entendimento do STF, exceto nos casos de repercussão geral reconhecida, conforme determina o RICARF, o que não é o caso. Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário do sujeito passivo." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bezerra Fl. 146DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.001928/2005-52
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2002 a 31/12/2004
MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. POSSIBILIDADE.
A aplicação da multa de ofício em 150% (cento e cinquenta por cento) exige a inequívoca comprovação do evidente intuito de fraude na conduta do sujeito passivo, definido nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964.
No caso dos autos, conforme se depreende da análise do termo de verificação fiscal, a Contribuinte reiteradamente declarou valores a menor do que apurado em sua contabilidade na DCTF e/ou não declarou quaisquer valores devidos a título de PIS, não tendo apresentado ao longo da fiscalização ou do processo justificativa para tais diferenças, evidenciando-se o dolo na sua conduta.
Numero da decisão: 9303-007.461
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencida a conselheira Tatiana Midori Migiyama (relatora), que lhe negou provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Vanessa Marini Cecconello.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(Assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama Relatora
(Assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello Redatora designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2002 a 31/12/2004 MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. POSSIBILIDADE. A aplicação da multa de ofício em 150% (cento e cinquenta por cento) exige a inequívoca comprovação do evidente intuito de fraude na conduta do sujeito passivo, definido nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. No caso dos autos, conforme se depreende da análise do termo de verificação fiscal, a Contribuinte reiteradamente declarou valores a menor do que apurado em sua contabilidade na DCTF e/ou não declarou quaisquer valores devidos a título de PIS, não tendo apresentado ao longo da fiscalização ou do processo justificativa para tais diferenças, evidenciando-se o dolo na sua conduta.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencida a conselheira Tatiana Midori Migiyama (relatora), que lhe negou provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Vanessa Marini Cecconello. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Relatora (Assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, e Vanessa Marini Cecconello.
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QUALIFICAÇÃO. POSSIBILIDADE. A aplicação da multa de ofício em 150% (cento e cinquenta por cento) exige a inequívoca comprovação do evidente intuito de fraude na conduta do sujeito passivo, definido nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. No caso dos autos, conforme se depreende da análise do termo de verificação fiscal, a Contribuinte reiteradamente declarou valores a menor do que apurado em sua contabilidade na DCTF e/ou não declarou quaisquer valores devidos a título de PIS, não tendo apresentado ao longo da fiscalização ou do processo justificativa para tais diferenças, evidenciandose o dolo na sua conduta. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencida a conselheira Tatiana Midori Migiyama (relatora), que lhe negou provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Vanessa Marini Cecconello. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 19 28 /2 00 5- 52 Fl. 472DF CARF MF 2 (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama – Relatora (Assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello – Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão 340200.673, da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso para excluir o agravamento da multa, consignando a seguinte ementa: “Assunto: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PIS/COFINS Período de apuração: 01/07/2002 a 31/12/2004 TAXA SELIC Nos termos da Súmula 4 do CARF, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. MULTA EXASPERADA. 150% A multa de ofício de 150 % a que se referia o então vigente inciso II do art. 44 da lei 9.430/96, pressupõe evidente intuito de fraude. Para a exasperação da multa de ofício base (75%) o agente do Fisco tem que motivála de forma circunstanciada, articulando especificamente acerca Fl. 473DF CARF MF Processo nº 19515.001928/200552 Acórdão n.º 9303007.461 CSRFT3 Fl. 473 3 do dolo da empresa autuada, bem como apontando a que norma da lei 4.502/64 (art. 71, ou art. 72 ou art. 73) o agir doloso da empresa se subsume.” Irresignada, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão · Restou cristalina a atividade ilícita do autuado, observada a partir da conduta reiterada de prestar declarações falsas ao Fisco, o que revela o evidente intuito fraudulento ou mesmo se subsume no conceito de sonegação dolosa, de forma a ensejar a incidência da multa qualificada; · Vêse o intuito de fraude ou mesmo a sonegação dolosa quando o autuado adota a prática de declarar ao Fisco Federal um código FPAS que sabia não ser verdadeiro; · O dever fixado pelo art. 71 da Lei 4.502/64 é plenamente compatível com as demais normas que compõem o sistema de direito tributário. Em Despacho às fls. 435 a 438, foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Tatiana Midori Migiyama Relatora Depreendendose da análise do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, entendo que devo conhecêlo, eis que atendidos os critérios definidos no art. 67 da Portaria MF 343/2015 com alterações posteriores. O que, por conseguinte, concordo com o exame de admissibilidade presente em Despacho. Quanto ao mérito, considerando os fatos, entendo que a decisão do colegiado a quo deve ser mantida. Para melhor elucida, peço licença para transcrever o Fl. 474DF CARF MF 4 voto do redator designado – o nobre conselheiro Jorge Lock Freire. Não obstante, em respeito ao conselheiro, importante a priori trazer os seguintes dizeres de seu voto “Assim, o voto a seguir proferido, espelha o entendimento externado por ocasião do julgamento original, não tendo necessário vínculo com o entendimento deste redator designado sobre a matéria.” Eis o restante do voto – na parte que interessa: “Contudo, quanto à majoração da multa, é de ser revista. O enquadramento legal daquela deuse nos seguintes termos (fl. 113): 150,00 % Art. 86, § 1º, Lei nº 7.450/85; art. 2° da Lei nº 7.683/88; e art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96. E a motivação da peça fiscal, sequer, firmada no auto de infração, foi nos seguintes termos: A fiscalizada tem reiteradamente entregue DCTFs, à Receita Federal, sem os valores do PIS devido e/ou incorretas. Desta forma a multa será agravada para 150 % conforme art. 86 parágrafo 1°,da Lei n° 7. 450/85 e art. 44 inciso II da Lei nº 9.430/96. De seu turno, a legislação a que se reporta o Fisco, tinha, à época, a seguinte redação: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de 75% (setenta e cinco por cento), nos casos de falta de pagamento ou recolhimento de tributo ou contribuição: II de cento e cinquenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Tratandose de penalidade que pressupõe evidente intuito de fraude, o Fisco, tendo em vista a majoração de seu percentual em 100%, alem da possibilidade que se abre para um processo de cunho criminal advindo da representação fiscal para fins criminais, como in casu, tem o dever de motivar especificamente a ação dolosa do contribuinte. Ademais, deve o Fisco apontar em qual dos artigo da Lei 4.502 incide o dolo do contribuinte, especificamente, nos termos do inciso II do art. 44 da Lei Fl. 475DF CARF MF Processo nº 19515.001928/200552 Acórdão n.º 9303007.461 CSRFT3 Fl. 474 5 9.430/96, e de forma circunstanciada, de modo a propiciar ao sujeito passivo o devido direito de defesa. Sequer a autora do lançamento apontou em qual norma da Lei 4.502 se aplicaria a circunstância majorante para fins de exasperação da multa. Talvez tentando sanar esta grave omissão, foi que a r. decisão, inovando em relação à peça fiscal, averbou que "o que caracteriza a ação dolosa definida como sonegação pelo art. 71 da Lei n° 4.502, de 1964, fundamento para a exigência da multa qualificada prevista no art. 44, II da Lei n° 9.430, de 1996". Assim, tendo em vista a indevida motivação para dobrar o percentual da multa de ofício, o que requer pela lei a prova do "evidente intuito de fraude", foi indevido o agravamento da multa. Diante do exposto, voto no sentido de afastar o agravamento da multa aplicada, retornando a mesma, em consequência, para seu patamar básico ( 75% setenta e cinco por cento).” Ora, a multa de 150% objeto da discussão foi trazida pelo art. 44, inciso I, § 1º, da Lei 9.430/96 traz que "o percentual da multa de que trata o inciso I (75%) será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei 4.502 de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.". E o art. 71, I, da Lei 4.502/64 (grifos meus): “Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente.” No caso vertente, realmente não houve motivação por parte da autoridade fiscal que pudesse conferir ou presumir o evidente intuito de fraude. Vêse ainda pelas declarações acostadas aos autos que a empresa não apresentou valor devido de Pis e Cofins, Fl. 476DF CARF MF 6 pois entendeu que havia constituído crédito de PIS e Cofins capaz de liquidar o débito apurado e declarado. Em vista de todo o exposto, conheço o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, negandolhe provimento. É o meu voto. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Voto Vencedor Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Redatora designada Com a devida vênia ao sempre elucidativo voto da Ilustre Conselheira Relatora, a maioria do Colegiado entendeu por divergir de suas conclusões pelas razões consignadas no voto que fui designada para redigir. Consoante bem relatado, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial buscando a reforma do Acórdão n.º 340200.673 (efls. 414 a 417), que deu provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir o agravamento da multa de ofício de 150% (cento e cinquenta por cento), retornando ao patamar básico de 75% (setenta e cinco por cento). Entendeu a Turma a quo que a entrega reiterada de DCTF´s à Receita Federal, sem a declaração dos valores do PIS devidos e/ou incorretas, não configurava evidente intuito de fraude, estando apto a exasperar a multa de lançamento de ofício. Por sua vez, a Fazenda Nacional alega divergência jurisprudencial quanto à caracterização da prática reiterada de conduta omissiva do Sujeito Passivo, consistente na apresentação de sucessivas declarações falsas, como circunstância qualificativa da infração a ensejar o agravamento da penalidade. No julgamento do recurso especial, a maioria do Colegiado entendeu assistir razão à recorrente. Portanto, a discussão principal posta nos autos referese à possibilidade de qualificação da multa de ofício nos casos de conduta reiterada de omissão de receitas e divergências entre os valores declarados e aqueles escriturados. A multa para o lançamento de ofício será majorada para 150% (cento e cinquenta por cento) nas hipóteses de evidente intuito de fraude, conforme disposto no art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96, com redação vigente à época dos fatos geradores (anos de 2001 a 2004) nos seguintes termos: Fl. 477DF CARF MF Processo nº 19515.001928/200552 Acórdão n.º 9303007.461 CSRFT3 Fl. 475 7 Art.44.Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Vide Mpv nº 303, de 2006) (Vide Medida Provisória nº 351, de 2007) I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Vide Mpv nº 303, de 2006) (Vide Medida Provisória nº 351, de 2007) II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Vide Mpv nº 303, de 2006) (Vide Medida Provisória nº 351, de 2007) Conforme dispositivos legais acima transcritos, nas hipóteses de lançamento de ofício será aplicada multa sobre a totalidade ou diferença do imposto, no montante de 75% (setenta e cinco por cento) ou de 150% (cento e cinquenta por cento), este último nos casos de evidente intuito de fraude por parte do contribuinte. Assim, a multa de 150% terá aplicação sempre que for constatada a ocorrência de sonegação, fraude ou conluio. Para o enquadramento do ilícito fiscal nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964, imprescindível a presença de dolo na conduta do contribuinte, devendo o mesmo praticar intencionalmente a conduta com o propósito de obter o resultado de suprimir ou reduzir o pagamento do tributo devido. A caracterização do elemento dolo exige a presença de substancial conjunto probatório sobre a prática do ato infracional, não se prestando para tal a existência de meros indícios da intenção dolosa por parte do agente. No caso dos autos, a infração foi assim descrita no Termo de Verificação Fiscal (efls. 101 a 102): [...] A DOS FATOS: 1 Intimada em 06/06/05 (fls. 42 a 46) a justificar as seguintes diferenças do PIS apuradas entre os valores escriturados nos livros DIÁRIO (fls. 61 a 91) e as DCTFs (fls. 51 a 60) no período de julho/02 a dezembro/04 a empresa não se manifestou: Fl. 478DF CARF MF 8 PA PIS CONF. DIÁRIO R$ PIS DCTF R$ DIFERENÇA APURADA R$ JUL/02 2.348,50 2.348,50 AGO/02 2.074,95 2.074,95 JAN/03 2.728,42 1.305,21 1.423,21 FEV/03 2.258,15 1.550,52 707,63 MAR/03 3.355,62 1.672,90 1.682,72 ABR/03 8.914,65 3.769,16 5.145,49 JUN/03 4.708,85 2.384,60 2.324,25 JUL/03 4.780,79 2.359,92 2.420,87 AGO/03 3.937,62 2.058,46 1.879,16 SET/03 4.771,82 2.364,93 2.406,89 OUT/03 8.436,53 3.688,81 4.747,72 NOV/03 2.941,86 1.381,45 1.560,41 DEZ/03 4.444,99 2.099,68 2.345,31 ABR/04 2.236,32 2.236,32 MAI/04 1.031,30 1.031,30 JUN/04 3.168,80 3.168,80 JUL/04 1.885,18 1.885,18 AGO/04 2.142,92 2.142,92 SET/04 4.103,52 4.103,52 OUT/04 2.299,98 2.299,98 NOV/04 2.558,99 2.558,99 DEZ/04 3.149,29 3.149,29 2 Será lavrado auto de infração do PIS para o lançamento dos créditos tributários referentes às diferenças do PIS apuradas conforme item I. A fiscalizada tem reiteradamente entregue DCTFs, à Receita Federal, sem os vaIores do PIS devido e/ou incorretas. Desta forma a multa será agravada para 150% conforme art. 86 parágrafo 1°, da Lei n° 7.450/85 e art. 44 inciso II da Lei nº 9.43/96. [...] Fl. 479DF CARF MF Processo nº 19515.001928/200552 Acórdão n.º 9303007.461 CSRFT3 Fl. 476 9 No caso dos autos, conforme se depreende da análise do termo de verificação fiscal, a Contribuinte reiteradamente declarou valores a menor do que apurado em sua contabilidade na DCTF e/ou não declarou quaisquer valores devidos a título de PIS, não tendo apresentado ao longo da fiscalização ou do processo justificativa para tais diferenças. Evidenciase o dolo na sua conduta. É fato que a simples declaração reiterada de valores a menor, por si só, não seria suficiente para evidenciar o intuito de fraude do Contribuinte. No entanto, no caso em apreço, chegouse à conclusão diversa em razão da não apresentação de razões plausíveis para as diferenças de valores de PIS existentes entre o livro diário e a DCTF, caracterizandose a relação causal entre a conduta da empresa e o efeito de não pagar os débitos de PIS ou pagar valores a menor que o efetivamente devido. Diante do exposto, dáse provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É o Voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 480DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11831.000174/2003-67
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1998, 1999
PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA.
Cabe ao recorrente produzir nos autos o conjunto probatório de suas alegações, inclusive quanto à soma, ao resultado do exercício, da receita para a qual houve IRRF que deduziu o IR do período, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde de comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago indevidamente ou a maior.
DÉBITOS A COMPENSAR. ERRO DE CÁLCULO. EXAME FORA DA COMPETÊNCIA DO CARF.
O litígio acerca de pedido de compensação envolve somente o direito creditório alegado e a não homologação da compensação, não alcançando circunstâncias de cálculo dos débitos compensados, de competência da unidade da RFB que administra o contribuinte que pleiteia a compensação. O direito creditório e a não homologação são o limite da lide, não cabendo ao CARF examinar ou manifestar-se quanto a eventuais erros de cálculo do saldo devedor de tributo que o recorrente alega produzidos pela unidade preparadora a partir do encontro entre débitos e crédito.
Numero da decisão: 1002-000.333
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Angelo Abrantes Nunes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva, Leonam Rocha de Medeiros, Breno do Carmo Moreira Vieira e Angelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: ANGELO ABRANTES NUNES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1998, 1999 PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao recorrente produzir nos autos o conjunto probatório de suas alegações, inclusive quanto à soma, ao resultado do exercício, da receita para a qual houve IRRF que deduziu o IR do período, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde de comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago indevidamente ou a maior. DÉBITOS A COMPENSAR. ERRO DE CÁLCULO. EXAME FORA DA COMPETÊNCIA DO CARF. O litígio acerca de pedido de compensação envolve somente o direito creditório alegado e a não homologação da compensação, não alcançando circunstâncias de cálculo dos débitos compensados, de competência da unidade da RFB que administra o contribuinte que pleiteia a compensação. O direito creditório e a não homologação são o limite da lide, não cabendo ao CARF examinar ou manifestar-se quanto a eventuais erros de cálculo do saldo devedor de tributo que o recorrente alega produzidos pela unidade preparadora a partir do encontro entre débitos e crédito.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva - Presidente. (assinado digitalmente) Angelo Abrantes Nunes - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva, Leonam Rocha de Medeiros, Breno do Carmo Moreira Vieira e Angelo Abrantes Nunes.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2018-09-14T18:48:48Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: pdfsam-console (Ver. 2.4.3e); access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2018-09-14T18:48:48Z; Last-Modified: 2018-09-14T18:48:48Z; dcterms:modified: 2018-09-14T18:48:48Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2018-09-14T18:48:48Z; pdf:docinfo:creator_tool: pdfsam-console (Ver. 2.4.3e); access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2018-09-14T18:48:48Z; meta:save-date: 2018-09-14T18:48:48Z; pdf:encrypted: true; modified: 2018-09-14T18:48:48Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2018-09-14T18:48:48Z; created: 2018-09-14T18:48:48Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; Creation-Date: 2018-09-14T18:48:48Z; pdf:charsPerPage: 1809; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2018-09-14T18:48:48Z | Conteúdo => S1C0T2 Fl. 434 1 433 S1C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11831.000174/200367 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1002000.333 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 8 de agosto de 2018 Matéria PER/DCOMP Recorrente ODEBRECHT SERV DE INFRA ESTRUTURA S/A (INCORPORADA POR ODBINV S/A) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1998, 1999 PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao recorrente produzir nos autos o conjunto probatório de suas alegações, inclusive quanto à soma, ao resultado do exercício, da receita para a qual houve IRRF que deduziu o IR do período, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde de comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago indevidamente ou a maior. DÉBITOS A COMPENSAR. ERRO DE CÁLCULO. EXAME FORA DA COMPETÊNCIA DO CARF. O litígio acerca de pedido de compensação envolve somente o direito creditório alegado e a não homologação da compensação, não alcançando circunstâncias de cálculo dos débitos compensados, de competência da unidade da RFB que administra o contribuinte que pleiteia a compensação. O direito creditório e a não homologação são o limite da lide, não cabendo ao CARF examinar ou manifestarse quanto a eventuais erros de cálculo do saldo devedor de tributo que o recorrente alega produzidos pela unidade preparadora a partir do encontro entre débitos e crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 83 1. 00 01 74 /2 00 3- 67 Fl. 434DF CARF MF Processo nº 11831.000174/200367 Acórdão n.º 1002000.333 S1C0T2 Fl. 435 2 Aílton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Angelo Abrantes Nunes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva, Leonam Rocha de Medeiros, Breno do Carmo Moreira Vieira e Angelo Abrantes Nunes. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão proferida pela 2.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador BA (DRJ/SDR) mediante o Acórdão n.º 1519.895, de 08/07/2009 (efls. 355 a 362). O relatório elaborado por ocasião do julgamento em primeira instância sintetiza bem o ocorrido, pelo que peço licença para transcrever alguns de seus trechos, a seguir, complementandoo ao final. [...] Tratase de Pedido de Restituição relativo ao imposto de renda retido na fonte IRRF, dos anoscalendário de 1998 a 2001, apresentado em 10/01/2003, pela interessada ODEBRECHT SERVIÇOS DE INFRAESTRUTURA S/A, e de Declarações Eletrônicas de Compensação, indicando o crédito no mesmo valor e natureza do pedido de restituição, transmitidas pela própria ODEBRECHT SERVIÇOS DE INFRAESTRUTURA S/A (empresa incorporada) e pela empresa incorporadora ODBINV S/A. Os débitos a serem compensados são de responsabilidade da ODEBRECHT SERVIÇOS DE INFRAESTRUTURA S/A, CNPJ n° 02.404.361/000129; OSI PARTICIPAÇÕES LTDA, CNPJ n° 02.899.988/000106, e da empresa ODBINV S/A, CNPJ n° 15.105.588/000115, incorporadora das duas pessoas jurídicas anteriormente citadas (fls. 45 e 46), conforme demonstrativo integrante do despacho decisório ora questionado: [...] Os fundamentos do despacho decisório que homologou parcialmente a compensação são aqui transcritos parcialmente: (...) Desta forma, a despeito do Pedido de Restituição (fl. 01) requerer a restituição de IRRF relativo aos anoscalendário de 1998 a 2001, considerarseá o crédito pleiteado como saldo negativo de IRPJ a fim de permitir a apreciação do pleito do contribuinte. Fl. 435DF CARF MF Processo nº 11831.000174/200367 Acórdão n.º 1002000.333 S1C0T2 Fl. 436 3 (...) No entanto, não se verifica apuração de saldo negativo de IRPJ referente aos exercícios de 1999 e 2000, anoscalendário de 1998 e 1999, respectivamente, conforme extratos de consulta da Ficha 13 da DIPJ1999 (fl. 153) e da DIPJ2000 (fl. 142). Evidenciase, entretanto, apuração de saldo negativo de IRPJ relativo aos exercícios de 2001 e 2002, anoscalendário de 2000 e 2001, conforme extratos de consulta da Ficha 13 da DIPJ2001 (f1. 124) e da DIPJ2002 (f1. 133), nos valores de R$ 49.578,58 e R$ 957.765,17, respectivamente. Em ambos os anoscalendário não houve apuração de imposto de renda sobre o lucro real, bem como pagamento de estimativas, constituindo se em saldo negativo tão somente o IRRF dos períodos, discriminados na Ficha 43 da DIPJ2001 (fl. 168) e da DIPJ 2002 (fl. 167) e transcritos nas Tabelas 2 e 3, respectivamente, comprovados pelas DIRF (fls. 164 e 166) e pelos comprovantes de rendimentos apresentados em resposta à Intimação SEORT/DRF/SDR n° 195/2008 (fls. 181 a 183). Constatase também que os respectivos rendimentos compuseram os resultados dos períodos conforme Ficha 06A da DIPJ2001 (fl. 135) e da DIPJ2002 (fl. 126). Em face do exposto, confirmase saldo negativo de IRPJ relativo aos anos calendário de 2000 e 2001, nos valores de R$ 49.578,58 e R$ 957. 765,17, respectivamente, mas não se confirma saldo negativo de IRPJ relativo aos anoscalendário de 1998 e 1999. DECISÃO Nos termos do relatório e fundamentação acima e no uso de competência delegada pela Portaria DRF/SDR n° 26, de 22/05/2007, DOU de 25/05/2007, decido: a) deferir parcialmente o Pedido de Restituição, considerado de crédito de saldo negativo de IRPJ, relativo aos exercícios de 2001 e 2002, anoscalendário de 2000 e 2001, nos valores de R$ 49.578,58 e R$ 957. 765,1 7; b) homologar parcialmente as compensações objeto das Declarações Eletrônicas de Compensação apreciadas no presente processo, conforme Tabela 4. (...) Fl. 436DF CARF MF Processo nº 11831.000174/200367 Acórdão n.º 1002000.333 S1C0T2 Fl. 437 4 Cientificado do despacho decisório, o sujeito passivo, por meio da petição às fls. 242 a 254, alegou que, por um lapso, deixou de informar na linha 13 das Fichas das DIPJ os valores do imposto de renda na fonte que se constituíam em antecipação do imposto devido, contudo, não pode ser penalizada por esse equívoco, haja vista a possibilidade de comprovação da efetiva apuração de saldos negativos de IRPJ nos anoscalendário de 1998 e 1999, nos valores originais de R$439.533,36 e R$4.367,21, respectivamente, apresentando demonstrativo que evidencia as retenções efetuadas pelas fontes pagadoras dos rendimentos recebidos em cada um dos meses dos anosbase em apreço (doc. 03 e doc. 06) devidamente acompanhados dos informes de rendimentos e respectivas páginas do Livro Razão nas quais tais retenções foram contabilizadas (doc.04 e doc. 07), documentos que evidenciam seu real montante. Destaca que as receitas sobre as quais incidiram as retenções foram regularmente oferecidas à tributação, em atenção ao determinado no art. 2°, § 4°, inciso III, da Lei n° 9.430/96. Assim, conclui o sujeito passivo, diante da comprovação de que agiu em estrita conformidade com os ditames da legislação de regência, em face dos procedimentos contábeis e fiscais adotados e, tendo em vista, ainda, que não foi apurado imposto de renda a pagar nos anos base de 1998 e 1999, concluise que todos os valores retidos pelas fontes pagadoras devem ser revertidos em crédito a favor da Requerente, ficando evidente, desse modo, a existência de saldo negativo de IRPJ nos anos de 1998 e 1999, nos valores originais de R$439.533,36 e R$4.367,21, decorrentes de retenções do imposto de rena retido na fonte. [...] Em comparação com o Despacho Decisório de efls. 212 a 218, a 2.ª Turma da DRJ/SDR reconheceu uma parcela adicional de crédito em favor do impugnante, a partir do exame do comprovantes anuais de rendimentos e retenção de IRRF, dos demonstrativos e das cópias dos registros contábeis juntados aos autos pelo recorrente. Tais valores suplementares são R$ 413.387,48 referentes a IRRF por pagamento de juros sobre o capital próprio, e R$ 7.797,45 referentes a IRRF sobre receitas de serviços, quanto ao ano calendário 1998, cujas respectivas receitas levadas à tributação foram comprovadas nos valores R$ 2.755.916,50 e R$ 583.933,07. Relativamente ao anobase 1999, o IRRF adicional admitido foi de R$ 527,99, adstrito a receita de serviços cuja tributação fora comprovada, no valor de R$ 35.199,66. Discordando da decisão de piso, o sujeito passivo manejou recurso voluntário (efls. 381 a 393) sustentando a alegação de que todas as receitas correspondentes ao valores de IRRF não admitidos como dedutíveis do imposto de renda a pagar haviam sido tributadas, e que houve erro do setor responsável pela imputação do crédito reconhecido ao elaborar o Extrato do Processo, na manutenção do saldo devedor de R$ 94.645,42, quando deveria subsistir apenas o débito no valor de R$ 84.351,40. É o relatório. Voto Conselheiro Angelo Abrantes Nunes, Relator. Fl. 437DF CARF MF Processo nº 11831.000174/200367 Acórdão n.º 1002000.333 S1C0T2 Fl. 438 5 O presente recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Passamos à análise dos fundamentos indicados para a reforma da decisão recorrida. Cumpre iniciar destacando que quando se trata de direito creditório pleiteado pelo contribuinte é deste o ônus de provar a liquidez e certeza do crédito alegado, ao contrário da situação construída a partir de lançamento de ofício (auto de infração), quando o ônus probatório da irregularidade tributária praticada cabe ao Auditor Fiscal. Especificamente em se tratando de IRRF — um dos elementos que pode compor o saldo negativo de IRPJ, que por sua vez constitui pagamento indevido ou a maior —, é dever do contribuinte fazer prova de que a receita relativa ao IR retido na fonte foi somada ao resultado do período de apuração. Vejamse os dispositivos legais a seguir: Lei n.º 9.430/96: (...) Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. (...) § 4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: (...) III do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; (...) (grifei). Lei n.º 5.869/73 (CPC, vigente à época do envio da DCOMP): (...) Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; (...) Fl. 438DF CARF MF Processo nº 11831.000174/200367 Acórdão n.º 1002000.333 S1C0T2 Fl. 439 6 O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior1. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada, independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais2. A legislação prevê que no regime de tributação com base no lucro real a pessoa jurídica pode deduzir do valor apurado no encerramento do período, o IRRF sobre as receitas que integraram a base de cálculo correspondente3. O recurso voluntário se socorre dizendo que as receitas foram escrituradas, na forma dos registros no Livro Diário (efls. 316, 317, 319, 320, 322, 323, 325, 326, 328 e 330), e registros contábeis de seu Livro Razão (efls. 332 a 336) apresentados. Ressalta que não é necessário que a receita seja escriturada individualizadamente, ligada a cada fonte pagadora, e que as receitas que teriam sido oferecidas à tributação encontramse constatadas nas rubricas de receitas que aponta, dada a suficiência de saldo que estas apresentam. Não tem procedência o argumento do recorrente, mormente quando seu teor visa à inversão do ônus de fazer prova da existência e liquidez do crédito pleiteado. Daí se revelar inoportuna a afirmação de que "não pode o órgão fazendário impor à Recorrente que contabilize as receitas “desta” ou “daquela forma”, posto que cada empresa é quem decide, ao seu arbítrio, as especificidades da escrituração dos seus Livros, desde que respeitadas as formalidades e os requisitos legalmente exigidos." De fato, não pode a administração preceituar tal procedimento. Porém, não é o órgão administrativo que está a exigir um formato específico para que o contribuinte escriture seus livros, somente requer, com base no seu poderdever de apuração da certeza e liquidez do crédito, que sejam apresentados elementos de convencimento satisfatórios. É evidente que o sujeito passivo pode, dentro dos parâmetros legais, desenvolver como quiser sua escrita contábil e fiscal, contudo, uma vez que é de seu interesse, deve também expor seus registros contábeis de maneira que suas alegações sejam identificáveis, comprováveis. Exemplo: É muito comum nos exames contábeis a utilização do termo "explodir a conta", quando é necessário que os componentes de determinado(s) lançamento(s) ou de determinado(s) saldo(s) sejam explicitados, para isso fazendose o uso muitas vezes de consultas a instrumentos/elementos adicionais, tais como notas ficais, depósitos bancários, cheques, demonstrativos etc. Tal procedimento exemplificado encontra maior aplicação na contabilidade gerencial, e demonstra que existem providências extracontábeis que revelam, tanto a importância de seu eventual implemento para a averiguação da certeza dos fatos contábeis, quanto a ausência de caráter absoluto com relação à autossuficiência dos registros/lançamentos contábeis, os quais muitas das vezes não se revestem da suficiente autonomia em face de outros elementos que os venham consubstanciar. 1 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. 2 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 3 Fundamentação legal: Lei 10.833 de 29 de dezembro de 2003. Fl. 439DF CARF MF Processo nº 11831.000174/200367 Acórdão n.º 1002000.333 S1C0T2 Fl. 440 7 O que se apresenta no recurso voluntário é, de fato, a pretensão de que a administração tributária admita que basta que uma conta de receitas tenha saldo maior que a receita informada por determinada fonte pagadora através de DIRF, ao final do período de apuração, para que esteja confirmado que a receita respectiva foi levada à tributação. E isso não pode ser tido como a regra a ser seguida, desprezandose os demais instrumentos de prova e elementos de confirmação existentes. É claro que a receita da qual pretende o recorrente se valer do IRRF pode perfeitamente não estar inserida naquele montante, mesmo o saldo da receita apócrifa apresentandose em valor suficiente para contêla. Ali pode(m) ter sido considerada(s) outra(s) receita(s) alheia(s) àquela da qual se pretende o proveito do IRRF. É dizer, não há certeza de que as receitas foram computadas na apuração do lucro real do período, pois o fato de haver saldo escriturado em conta genérica e transposição deste saldo para a DIPJ, sem demais providências capazes de confirmar se aquelas são as que compõem efetivamente este saldo, não afasta a hipótese de que outras receitas construíram o referido saldo contábil, e não teria sido considerada a receita da qual se utilizou o recorrente para deduzir o IR devido no ano ou compor o saldo negativo de IRPJ. O recurso voluntário mostra que o recorrente, em lugar de esmiuçar a demonstração daquilo que afirma já apontado nas cópias de livros e balancetes que juntou ao tempo da manifestação de inconformidade, pôsse a contestar os critérios para a conclusão da DRJ pela falta de comprovação do crédito. E poderia têlo feito (a comprovação), o recorrente, através inclusive do método exemplificado mais acima, decompondo suas contas de receitas e correlacionando a notas fiscais, contratos, cheques, depósitos, demonstrativos etc, mas não o fez. A falta de comprovação do oferecimento à tributação alcança as receitas de serviços e financeiras dos anos 1998 e 1999, nos valores R$ 18.648,43 e R$ 2.755,69, totalizando R$ 22.187,65. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde da comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior4. A legislação prevê que no regime de tributação com base no lucro real a pessoa jurídica pode deduzir do valor apurado no encerramento do período, o IRRF sobre as receitas que integraram a base de cálculo correspondente5. Vale reiterar que cabe ao recorrente produzir o conjunto probatório de suas alegações6. Este órgão consolidou entendimento no mesmo sentido do entendimento acima. Diz a Súmula CARF nº 80: Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto. 4 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. 5 Fundamentação legal: Lei 10.833 de 29 de dezembro de 2003. 6 Fundamentação legal:§ 1º do art. 147 do Código Tributário Nacional e art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 440DF CARF MF Processo nº 11831.000174/200367 Acórdão n.º 1002000.333 S1C0T2 Fl. 441 8 (grifei) Em se tratando de matéria sumulada, fica vedado a esta turma divergir do enunciado, nos termos do artigo 72, caput, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – Ricarf (Portaria MF n.º 343/2015): Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. Com relação, agora, à alegação de que houve erro cometido pelo setor responsável pela imputação do crédito, transcrevemos abaixo fragmentos de interesse, extraídos do recurso voluntário, verbis: [...] [...] é imperioso que se promova a retificação do saldo devedor apurado pela Receita Federal do Brasil, após a decisão de primeira instância. 3.2. Isto porque, da análise do demonstrativo de cálculos anexo (doc. 03), é possível inferir que o setor responsável por fazer a imputação do crédito reconhecido às compensações já declaradas, por um lapso, não computou os valores corretamente, o que implicou na manutenção de um saldo devedor de R$94.645,42, conforme extrato do processo obtido junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil em Salvador (doc. 02), quando, na verdade, subsiste, hoje, um débito de apenas R$ 84.351,40. 3.3. Sendo assim, nos controles da Receita Federal do Brasil, hoje, subsiste um saldo a pagar pela Recorrente maior do que o que ela efetivamente deveria se se mantivesse a decisão ora recorrida. 3.4. Deste modo, na hipótese de restarem superados os argumentos expendidos no item precedente, não há que se esperar desse D. Conselho outra medida senão a determinação da baixa dos autos, para que o órgão fazendário competente retifique o erro incorrido quando da imputação do direito creditório reconhecido aos débitos cujas compensações já tinham sido declaradas através de PER/DCOMP'S vinculadas ao presente processo. [...] Duas são as razões que asseguram a improcedência do pedido relativamente a este item: a) a matéria discutida nestes autos restringese ao direito creditório, o que limita a lide aos aspectos correspondentes ao mencionado crédito, e b) além de não ter sido encontrado nos autos o citado "doc. 03", o recorrente sugere ter havido erro mas sequer traz demonstração que o identifique ou explicação de como se produziu tal erro. A reclamação cujo objeto seja o cálculo dos débitos compensados deve ser dirigida à unidade da RFB que administra o sujeito passivo. Logo, não há como entender reformável a decisão que não identificou conjunto probatório que pudesse amparar a certeza e a liquidez da parcela do crédito em análise, pleiteado, se isso era necessário, inclusive por imposição legal. Fl. 441DF CARF MF Processo nº 11831.000174/200367 Acórdão n.º 1002000.333 S1C0T2 Fl. 442 9 Por todas as razões elencadas, considerando a falta de comprovação qualitativa e quantitativa do oferecimento à tributação das receitas cujo IRRF pretende o recorrente deduzir do IR dos anos calendário 1998 e 1999, não assiste razão ao recorrente e meu voto é para que a decisão recorrida seja integralmente mantida com relação ao reconhecimento adicional da composição dos saldos negativos dos anos calendário 1998 e 1999, apenas nos valores respectivos de R$ 421.366,93 e R$ 527,99, totalizando R$ 421.712,92. Portanto, nego provimento ao recurso voluntário, devendo ser preservada a decisão da DRJ/SDR (efls. 355 a 362), confirmandose os saldos negativos logo acima citados, para IRPJ, devendo as compensações declaradas serem homologadas até o limite do crédito reconhecido. É como Voto. (assinado digitalmente) Angelo Abrantes Nunes Relator. Fl. 442DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.721611/2013-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/01/2010
JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE.
A multa de ofício integra o crédito tributário, logo está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do mês subsequente ao do vencimento.
Numero da decisão: 2402-006.466
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário no que se refere à incidência de juros de mora sobre multa de ofício.
(assinado digitalmente)
Mario Pereira De Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Mario Pereira de Pinho Filho.
Nome do relator: JAMED ABDUL NASSER FEITOZA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário no que se refere à incidência de juros de mora sobre multa de ofício. (assinado digitalmente) Mario Pereira De Pinho Filho - Presidente (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Mario Pereira de Pinho Filho.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/01/2010 JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. A multa de ofício integra o crédito tributário, logo está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do mês subsequente ao do vencimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário no que se refere à incidência de juros de mora sobre multa de ofício. (assinado digitalmente) Mario Pereira De Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Mario Pereira de Pinho Filho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 16 11 /2 01 3- 75 Fl. 854DF CARF MF Processo nº 16327.721611/201375 Acórdão n.º 2402006.466 S2C4T2 Fl. 855 2 Relatório Cuidase, no presente caso, de reapreciação parcial de Recurso Voluntário, interposto pelo Banco De Investimentos Credit Suisse Brasil S/A, às fls. 409/440, ao qual, por unanimidade, foi dado provimento, pelo Acórdão nº 2403002938, de fls, 674 usque 687, proferido pela 3ª Turma Ordinária desta 4ª Câmara, que restou assim ementado: "PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. PAGAMENTO EM CONFORMIDADE COM A LEI Nº 10.101/2000. O método de pagamento da Participação nos Lucros ou Resultados está de acordo com a Lei n.º 10.101/2000, pois a lei pretende privilegiar a livre negociação entre as partes na fixação das regras atinentes ao pagamento da PLR, e que as regras acordadas sejam claras e objetivas, podendo inclusive estarem escritas em documento apartado, desde que haja menção ao mesmo no acordo ou convenção coletiva. BÔNUS DE CONTRATAÇÃO. HIRING BÔNUS. GANHO EVENTUAL. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Pagamento do bônus de contratação, luvas ou hiring bonus. Utilização pelas empresas com objeto de atrair grandes profissionais. Serve como forma de compensar, indenizar aquele profissional, incentivando pedido de demissão de outra empresa. Tratase de verba indenizatória, até porque não há prestação de serviço que justifique a incidência de contribuição previdenciária prevista no inciso III, do artigo 22, da Lei 8.212/91." Contra tal decisum, a Fazenda Nacional interpôs, aos 5 de maio de 2015, Recurso Especial (fls. 689/706), com fundamento no artigo 67, anexo II, do Regimento Interno deste. e. Conselho. Em seu recurso, requer a Fazenda a rediscussão da decisão tomada pela c. Turma Julgadora que excluiu o crédito tributário perseguido no presente PAF referente às parcelas pagas a título de PLR e hiring bonus. Quanto a Admissibilidade, aponta que existiria divergência entre o Acórdão prolatado nos presentes autos e o Acórdão nº 240100.545, eis que, na decisão paradigma, entendeuse que "Ao contrário do que sustentam a autoridade fiscal e a DRJ, o fato de o Acordo de PLR ter sido assinado próximo do fim do período a ser avaliado, não implica em descaracterização da PLR paga pela recorrente em 2010 (referente ao ano base de 2009), uma vez que a Lei nº 10.101/00 em nenhum momento veda que o Acordo seja celebrado ao longo do período de aferição do lucro ou mesmo após o seu advento o importante é que ele seja celebrado antes do pagamento da PLR.” (fls. 694) E prossegue: Fl. 855DF CARF MF Processo nº 16327.721611/201375 Acórdão n.º 2402006.466 S2C4T2 Fl. 856 3 "Diversamente decidiu a Primeira Turma da Quarta Câmara da Segunda Seção do CARF, a qual entendeu que o acordo deve ser sempre prévio ao exercício, sob pena de incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a título de PLR. Ainda em preliminar de conhecimento, quanto à incidência de contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título de bônus de contratação, apresenta caso advindo da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Segunda Seção, que teria entendido que "sobre as verbas pagas a título de Bônus de Contratação representam pagamentos realizados em contraprestação ao trabalho exercido pelo contratado, devendo tais valores compor o salário de contribuição". (fls. 694) Para firmar que há existência de divergência jurisprudencial, salienta o entendimento enunciado no Acórdão nº 240102.250 e que, portanto, tal matéria deve ser revista e uniformizada. Nas suas razões para reforma do Acórdão, apresenta que "se a Constituição ou a Lei Básica de Previdência Social não excluírem o pagamento de determinada parcela remuneratória, que se originou em decorrência única e exclusiva do vínculo laboral entre empregado e empregador, esta não deve ser extirpada da base de cálculo da contribuição". (fls. 700). Transcreve jurisprudência advinda dos colendos Supremo Tribunal Federal e Superior Tribunal de Justiça para dar pé às suas arguições. Segue aduzindo que não é o caso dos autos a imunidade de tributação de que se refere a Lei nº 10.101/00., em seus arts. 2º e 3º, uma vez que não haver a cumulatividade dos requisitos impostos na Lei para a aquisição do benefício (existência de acordo prévio E existência de regras previamente ajustadas. Assim, no presente caso, teriase vulneração do que determinado legalmente e, portanto, seria forçoso reconhecer a necessidade da cobrança ora perseguida. Sustenta, ainda, que, no que se refere à incidência de contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título de bônus de contratação, que, muito embora tal quantum seja negociado antes, só é recebido depois do aceite (e assinatura) da contratação e, portanto, estarseia perante pagamento vinculado ao contrato de trabalho que lhe sucede. Propugna, nessa esteira, para que seja conhecido e provido o apelo especial para reformar o acórdão e restabelecer o lançamento de forma integral. Às fls. 709/713, o conselheiro substituto, Carlos Henrique de Oliveira, através do exame de admissibilidade, entende que deve ser dado seguimento ao recurso especial para que a matéria seja "rediscutida a matéria relativa à incidência de contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título de PLR, quando da inexistência de acordo prévio ao exercício sobre os valores pagos a título de bônus de retenção" (fls. 713). Às fls. 714, a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, presidente da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF à época, despachou no seguinte sentido: "De acordo. Fl. 856DF CARF MF Processo nº 16327.721611/201375 Acórdão n.º 2402006.466 S2C4T2 Fl. 857 4 Com fundamento nos artigos 67 e 68, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, DOU SEGUIMENTO ao Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional, para que sejam reapreciada a questão acima explicitada. Diante do seguimento do recurso, encaminhese os autos à Repartição de Origem, que deverá cientificar o contribuinte do Acórdão 2403002938, do Recurso Especial da Fazenda Nacional, e do presente Despacho, facultandolhe o direito a oferecer ContraRazões e Recurso Especial, conforme o art. 69, do Regimento acima. Após, que retornem os autos à Câmara Superior de Recursos Fiscais, para prosseguimento" Após sua intimação, aos 20 dias de outubro de 2015, o Contribuinte apresentou suas contrarrazões ao recurso especial, no sentido de que o entendimento esposado no v. acórdão recorrido já estaria pacificado no sentido de que, "desde que a assinatura do referido acordo ocorra antes do pagamento da verba, não poderseia falar em descaracterização da PLR. Colige Acórdãos emanados deste e. Tribunal Administrativo (Acórdãos nº 9202002.484, 9202002.485 e 9202.778). E salienta, às fls. 728: "Destaquese, ainda, que, o Acordo relativo ao anobase 2009 tenha sido celebrado apenas em novembro daquele ano (o que, como visto, não viola a Lei nº 10.101/00), as regras neles contida são praticamente idênticas às regras previstas nos Acordos de PLR referentes aos anos anteriores (2005, 2006, 2007 e 2008), os quais o RECORRIDO anexou à impugnação" Defende que provou, ainda, o conhecimento prévio das metas, conforme salientado pela COSIT nº 426, tendo o Programa atingido seu objetivofim, qual seja, estimular o empenho dos empregados para a geração de resultados previamente pactuados. Advoga, no mais, no sentido de que seja negado provimento ao recurso especial, sendo mantido o acórdão recorrido e, alternativamente, que o processo seja devolvido à 2ª Turma da 4ª Câmara para que se aprecie o argumento subsidiário contido na seção 4 de seu Recurso Voluntário, no sentido de que seria descabida a cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício de 75%. Às fls. 767 usque 785, acordou a 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso especial fazendário e, no mérito, por voto de qualidade, darlhe provimento com retorno dos autos à esta Turma para análise das demais questões do recurso voluntário. O referido julgado tem a seguinte ementa: "PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS REQUISITOS DA LEI Nº 10.101/2000. CELEBRAÇÃO DO ACORDO APÓS O INÍCIO DO PERÍODO DE APURAÇÃO. Fl. 857DF CARF MF Processo nº 16327.721611/201375 Acórdão n.º 2402006.466 S2C4T2 Fl. 858 5 As regras para percepção da PLR devem constituirse incentivo à produtividade. Regras estabelecidas no decorrer do período de aferição não estimulam esforço adicional. HIRING BONUS. VERBA DECORRENTE DO CONTRATO DE TRABALHO, COMPONENTE DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. A verba paga a título de hiring bonus é decorrente do contrato de trabalho. Essa verba não tem natureza de verba eventual, por não estar relacionada a caso fortuito e, ao contrário, sendo esperada desde a contratação, deve compor o salário de contribuição." Às fls. 802, o Contribuinte, após ser intimado do resultado do julgamento do Recurso Especial da Fazenda, requer a suspensão da cobrança a ele enviada, através de carta, uma vez que o recurso ainda estaria pendente de julgamento nesta Corte. Com a extinção da 3ª Turma da 4ª Câmara, o processo foi redistribuído e veio para julgamento. É o relatório. Fl. 858DF CARF MF Processo nº 16327.721611/201375 Acórdão n.º 2402006.466 S2C4T2 Fl. 859 6 Voto Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator 1. ADMISSIBILIDADE. Tratase de reexame parcial de Recurso Voluntário tempestivamente interposto pela Recorrente que retorna a essa câmara baixa para complementação da decisão proferida por meio do Acórdão 2403002.938 proferido pela 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária reformada nos termos do Acórdão 9202004.308 – 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, proferido em resposta ao Recurso interposto pela PGFN, portanto, o mesmo merece ser conhecido. 2. DELIMITAÇÃO DA LIDE. Como bem resumiu o Banco Recorrente, a Fiscalização lavrou os autos de infração nºs 51.039.8367 e 51.039.8375 ("AUTOS") para exigir, com acréscimos de multa de ofício de 75% e de juros de mora, contribuições previdenciárias (parcela patronal e RAT) e contribuições destinadas a Terceiros ("CONTRIBUIÇÕES") sobre os pagamentos de (i) Participação nos Lucros e Resultados (PLR) efetuado pelo PETICIONÁRIO a seus empregados em janeiro de 2010, referente ao ano de 2009, e (ii) hiring bonus efetuado ao empregado ENRICO ANCAO CARBONE em janeiro de 2009. Em 11.02.2015, por meio do Acórdão n° 2403002.938, a 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) deu provimento ao recurso voluntário do PETICIONÁRIO, cancelando integralmente os AUTOS. Contra o referido Acórdão, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF). Em sessão de julgamento realizada em 21.07.2016, a 2ª Turma da CSRF deu provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, mas determinou que o processo em epígrafe fosse remetido à 2a Seção do CARF para que fossem apreciados os demais argumentos contidos no recurso voluntário do PETICIONÁRIO, que não chegaram a ser apreciados pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF. Os limites da lide estão bem definidos no voto proferido pelo relator LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, que demonstra, de forma clara e precisa, a conclusão adotada pela 2ª Turma da CSRF no Acórdão n° 9202004.308: "Pelo exposto, voto no sentido de conhecer do recurso da Fazenda Nacional e darlhe provimento, para restabelecer a tributação das verbas pagas a título de participação nos lucros e resultados e hiring bonus, com retorno dos autos ao colegiado a quo, para análise das demais questões trazidas no recurso voluntário". Por ocasião do julgamento que resultou no Acórdão n° 2403002.938, a 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Fl. 859DF CARF MF Processo nº 16327.721611/201375 Acórdão n.º 2402006.466 S2C4T2 Fl. 860 7 (CARF) foram objeto análise apenas as questões principais relacionadas os créditos tributários restabelecidos pela CSRF. Revisitando a peça recursal (Fls. 409/440), verificase que apresentava a seguinte argumentação: "1 Conforme jurisprudência pacificada pela CSRF, a Lei nº 10.101/00 não veda que o Acordo de PLR seja celebrado ao final do anobase a que se refere; o importante apenas é que a celebração do Acordo de PLR seja anterior à data do pagamento da respectiva verba; 2 A PLR paga pelo Recorrente em janeiro de 2010 (referente ao referente ao anobase 2009) está de acordo com a Lei nº 10.101/00, na medida em que o respectivo Acordo de PLR foi celebrado em data anterior a esse pagamento; 3 Em que pese o fato de o Acordo de PLR ter sido firmado em novembro de 2009, as regras relativas à PLR do ano base 2009 eram de conhecimento prévio de todos os empregados do Recorrente, já que: 3.1 Tais regras eram praticamente idênticas às dos Acordos de PLR vigentes nos anos anteriores, não tendo havido nenhuma modificação significativa; e 3.2 as metas individuais de cada empregado, para fins do cálculo da PLR devida, foram fixadas no início do ano de 2009, como comprovam os documentos juntados ao processo. 4 O pagamento de hiring bonus efetuado uma única vez em janeiro de 2009 configura ganho eventual do respectivo beneficiário e não se sujeita à incidência das contribuições, nos termos do art. 28, § 9º, alínea "e", item 7, da Lei 8.212/91. 5 Ainda que os fundamentos acima fossem superados, a Receita Federal do Brasil (RFB) não pode exigir juros de mora sobre a multa de ofício lançada nos autos." O Acórdão em questão deixou de abordar os argumentos recursais relativos a impossibilidade de exigência de juros sobre multa de ofício, eis que todos os demais argumentos e pontos foram objeto de análise. Assim, vem a julgamento tão somente os argumentos manejados no item 4 da peça recursal (Fls 436/437) versando sobre "DESCABIMENTO DE JUROS SOBRE MULTA". Fl. 860DF CARF MF Processo nº 16327.721611/201375 Acórdão n.º 2402006.466 S2C4T2 Fl. 861 8 3. DA LEGALIDADE DE INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Tal temática é recorrente neste colegiado, que tem entendimento sedimentando no sentido reconhecer a legalidade da incidência de juros sobre multa de oficio. Recorrendo ao que dispõem os Arts. 113, 139 e 161 da Lei nº 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional CTN), temos o seguinte: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. [...] Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. [...] Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. (grifo do relator) A simples análise dos dispositivos ora transcritos revela que a multa lançada de ofício (penalidade pecuniária) constitui uma obrigação principal da qual decorre o crédito tributário, estando este sujeito a juros de mora quando não pago no vencimento. Logo, não há como se afastar a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Em outras palavras, como a multa de ofício integra o crédito tributário e este está sujeito a juros de mora por inadimplência, obviamente, a multa de ofício também está sujeita a juros de mora. Nesse sentido é a Solução de Consulta nº 47 da Cosit, de 04/05/2016: Os juros de mora incidem sobre a totalidade do crédito tributário, do qual faz parte a multa lançada de ofício. Cabe destacar, ainda, que os dispositivos do DecretoLei nº 1.736, de 20/12/1979, e da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, citados pela Relatora, tratam da multa de mora e não da multa de ofício, além do que, em que pese ambas terem caráter “punitivo/sancionatório”, tal fato não autoriza que se aplique a não incidência dos juros de Fl. 861DF CARF MF Processo nº 16327.721611/201375 Acórdão n.º 2402006.466 S2C4T2 Fl. 862 9 mora sobre a multa de ofício sem previsão expressa nesse sentido, pois, como visto, o CTN é claro ao prever a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. CONCLUSÃO. Do exposto, naquilo que, por ordem do que dispôs o Acórdão n° 9202 004.308 da CSRF, fora devolvido para análise do Colegiado, voto por conhecer do Recurso Voluntário para, no mérito, negarlhe provimento no que se refere a incidência de juros de mora sobre multa de oficio. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Fl. 862DF CARF MF
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Numero do processo: 10725.903034/2009-82
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2001
PER/DCOMP. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. NÃO RECONHECIDO.
A falta de certeza e liquidez do direito creditório indicado no PER/DCOMP impossibilita a homologação da compensação declarada.
Numero da decisão: 1402-003.319
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias e Paulo Mateus Ciccone. Ausente, o conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira.
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2001 PER/DCOMP. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. NÃO RECONHECIDO. A falta de certeza e liquidez do direito creditório indicado no PER/DCOMP impossibilita a homologação da compensação declarada.
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COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. NÃO RECONHECIDO. A falta de certeza e liquidez do direito creditório indicado no PER/DCOMP impossibilita a homologação da compensação declarada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias e Paulo Mateus Ciccone. Ausente, o conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 72 5. 90 30 34 /2 00 9- 82 Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10725.903034/200982 Acórdão n.º 1402003.319 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I RJ, em primeira instância administrativa, que julgou IMPROCEDENTE, a manifestação de inconformidade do contribuinte em epígrafe, agora recorrente. Do Despacho Decisório: Trata o presente processo da Declaração de Compensação, na qual a recorrente alega possuir crédito contra a Fazenda Pública, decorrente de pagamento a maior ou indevido, buscando extinguir por compensação de débito próprio, conforme detalhamento que consta no Despacho Decisório acostado aos autos. Transmitida, a DCOMP recebeu da DRF de origem o Despacho Decisório de não homologação da compensação, cujas razões da negativa se fundam no fato de que o DARF informado no PER como pago a maior ou indevido já ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação com os débitos informados na DCOMP. Da Manifestação de Inconformidade: Inconformada com o despacho decisório, a recorrente interpôs a manifestação de inconformidade, na qual alega, em síntese, que o crédito pleiteado de pagamento a maior ou indevido existe e foi informado ao fisco através de DCTF retificadora, que zerou o valor de débito anteriormente declarado. Da decisão da DRJ: A DRJ, em seu julgamento, considerou improcedente a manifestação de inconformidade, e não reconheceu o direito creditório pleiteado, e consequente não homologação da compensação da PER/DCOMP objeto do presente processo. Na decisão ora recorrida, informa que além da DCTF original, já houve outra retificadora anterior a ultima, em que confirmou o valor anteriormente declarado de débito, que está alocado ao DARF agora pleiteado como indevido. Anos depois, no limiar da decadência da repetição do indébito, retifica novamente a DCTF, zerando o débito, sem juntar qualquer documentação comprobatória da veracidade das informações nela contidas. Não houve DIPJ retificadora para o período em foco, e esta está em consonância com o valor declarado originalmente. A restituição/compensação de tributos no âmbito da Receita Federal do Brasil é regido pelos artigos 165 e 170 do CTN. E quanto à retificação de DCTF, para diminuir ou excluir tributo, é regido pelo artigo 147, §1º, que estipula que só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10725.903034/200982 Acórdão n.º 1402003.319 S1C4T2 Fl. 4 3 Assim, além de não haver coerência nas declarações prestadas pelo contribuinte, deveria ele provar, com a apresentação de sua escrituração contábil e fiscal, as razões da mudança do seu entendimento quanto ao valor devido. Por conseguinte, entendeu não haver certeza e liquidez do crédito alegado pelo contribuinte em seu favor. Do Recurso Voluntário: Irresignada com o a decisão, apresentou recurso voluntário em que, em síntese, alega vícios de nulidade do despacho decisório, por conta da inexistência de fundamentação e cerceamento de sua defesa, pois no seu entender, não recebera oportunidade de comprovar o seu direito creditório. Igualmente, suscita e alega apenas na sua peça recursal, que o direito creditório pleiteado decorre de alteração no seu coeficiente de apuração do lucro presumido, pois tinha aplicado o de 32%, mas o correto seria de 8%, pois exerce prestação de serviços hospitalares. É o relatório. Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10725.903034/200982 Acórdão n.º 1402003.319 S1C4T2 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.291, de 26/07/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10725.903030/2009 02, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.291): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, podese dele conhecer. Antes de adentrar no mérito, cabe informar que o julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015, sendo o paradigma. Síntese dos fatos O presente processo versa sobre um PER/DCOMP, em que a recorrente pleiteou um direito creditório baseado em um pagamento indevido ou a maior, de IRPJ referente ao 3º ou 4º trimestre de 2001, ou 1º trimestre de 2002. O Despacho Decisório atacado denegou tal pleito, pois verificou que o DARF objeto do pedido estava integralmente utilizado para quitação de débitos da recorrente, não havendo crédito disponível. A recorrente na sua manifestação de inconformidade alega que o pagamento a maior ou indevido existe e foi informado ao fisco, através de DCTF retificadora apresentada em 14/08/2009, após ter verificado que não apurou tributo a pagar de IRPJ no período referente ao crédito ora pleiteado. A decisão da DRJ considerou improcedente sua manifestação de inconformidade, pois, em linhas gerais, a DCTF retificadora veio desacompanhada de comprovação do erro em que se funde, nos termos do art. 147, §1º do CTN. Além do mais, a DIPJ não foi retificada, havendo incoerência entre as declarações prestadas. Por conseguinte, não haveria certeza e liquidez do direito creditório alegado pela recorrente. Em sede recursal, alega vícios de nulidade do despacho decisório, por conta da inexistência de fundamentação, Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10725.903034/200982 Acórdão n.º 1402003.319 S1C4T2 Fl. 6 5 e por conseguinte, acarretaria cerceamento de defesa. Igualmente, suscita e alega apenas neste momento, sem nada comprovar, que utilizou indevidamente o coeficiente de 32% no lucro presumido para apurar o seu IRPJ, quando o devido seria 8%, já que exerce a atividade de prestação de serviços hospitalares. Da preliminar suscitada Como já exposto anteriormente, a recorrente alega nulidade do Despacho Decisório, ao fundamento que este sofreria de inafastáveis vícios, quais sejam: a) inexistência de fundamentação; b) cerceamento de defesa, por não ter sido oportunizado a possibilidade de comprovar o seu direito creditório. Compulsando os autos, não verifico o alegado. Vejo nesta preliminar suscitado mais uma discordância com os fatos e sua respectiva capitulação legal, o que não é causa de pedir nulidade. O Despacho Decisório está devidamente fundamentado pelo motivo que denegou o pedido de compensação pleiteado, pois se baseou em informações prestadas pela própria recorrente então, quais sejam, o confronto do seu pleito via PER/DCOMP cotejado com o DARF , DCTF e DIPJ. Além do mais, a comprovação do seu crédito já surge oportunizada para a recorrente quando apresentou sua peça impugnatória, mas nada ali agregou comprovando, e pior, então, nem alegou por qual motivo entendia ter direito a repetição do indébito pleiteado como pagamento indevido ou maior. Igualmente, na sua peça recursal nada apresentou comprovando o alegado apenas se limitou a alegar neste momento. Por conseguinte, REJEITO A PRELIMINAR suscitada pela recorrente. Do mérito Em sua peça recursal, a recorrente alega que o direito creditório pleiteado é decorrente da apuração do imposto pelo regime do lucro presumido, com a aplicação do percentual, no seu entender equivocado, de 32% sobre a receita bruta, para efeitos de identificação da base de cálculo do IRPJ, enquanto o correto seria o percentual de 8%, pois se dedicaria à prestação de serviços hospitalares. Tal assunto foi suscitado apenas em sede da segunda instância administrativa, e de forma um tanto sucinta, sem nada agregar comprovando o alegado. Se resumiu a dizer que retificou sua DCTF relacionada ao presente feito pois apurou e recolheu valores maiores a título de IRPJ, pois o correto seria 8%, conforme previa o art. 15, §1º, inciso III, alínea a, da Lei nº Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10725.903034/200982 Acórdão n.º 1402003.319 S1C4T2 Fl. 7 6 9.249/95 (com redação sem as modificações introduzidas pela Lei nº 11.727/2008) combinado com o art. 25, da Lei nº 9.430/1996. Reitero não houve nenhuma comprovação desta alegação, e esta apenas agora apresentada na discussão do presente litígio. A recorrente pretende que se reforme a decisão a quo sob o mero argumento de que sua confissão de dívida prestada em DCTF foi efetuada com erro, o que lhe permitiria obter o direito creditório ora pleiteado. Todavia, inexiste nos autos qualquer prova do alegado erro, ônus que caberia à recorrente, para dar a liquidez e certeza do seu direito creditório, nos termos do art. 170 do CTN1. A mera apresentação de DCTF retificadora (24/08/2009), diminuindo um débito já considerado extinto, quando já se perfez os 5 anos estabelecidos para se pleitear eventual restituição, nos termos do art. 168 do CTN2, não tem o condão de, por si só, comprovar a certeza e liquidez do direito creditório. Entendo que no caso, é necessário, na primeira oportunidade, alegar e tentar rechaçar o despacho decisório da forma mais completa possível, já trazendo aos autos comprovações destas alegações. A recorrente não fez isso, pelo contrário omitiu detalhes importantes a serem considerados no julgamento de piso, o que suscitou agora, mas ainda assim, sem nenhuma comprovação, por mais precária que seja. A Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, no seu art. 36, estabelece que cabe a carga probatória nestas situações: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 373 desta Lei. Logo, no processo administrativo fiscal, regido e permeado pelo princípio da busca da verdade material, um vetor válido tanto para a Fazenda Nacional quanto para os 1 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. 2 Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; II na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória. 3 Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10725.903034/200982 Acórdão n.º 1402003.319 S1C4T2 Fl. 8 7 contribuintes, não basta apenas alegar, quando deveria também provar o alegado. Alegar sem provar equivale a nada alegar. Repetindo o que já dito anteriormente, o direito creditório deve se revestir das características de liquidez e certeza, para que a compensação possa ser efetivada. Quem pleiteia este direito é que cabe demonstrar esta liquidez e certeza. Não cabe agora ao colegiado procurar fazer prova da mera alegação da recorrente, tomandolhe partido, quando esta se mostrou inerte. Eventuais diligências seriam cabíveis para esclarecer algum ponto porventura obscuro, sobre o qual restassem dúvidas, mas não para restabelecer a certeza e liquidez dos créditos pretendidos, o que já deveria estar demonstrado desde a primeira oportunidade ofertada à recorrente. Destarte, pelo todo exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 69DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10882.903371/2008-86
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/12/2001 a 31/12/2001
NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Não há ofensa à garantia constitucional do contraditório e da ampla defesa quando todos os fatos estão descritos e juridicamente embasados, possibilitando à contribuinte contestar todas razões de fato e de direito elencadas no despacho decisório.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO.
Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia.
PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA.
Até julho de 2004 não há ato legal específico que conceda isenção ou outra forma de desoneração de PIS e COFINS nas vendas à Zona Franca de Manaus, a isso não bastando o art. 4º do Decreto-Lei nº 288/67.
Numero da decisão: 3402-005.434
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) que davam provimento em conformidade com o entendimento do Superior Tribunal de Justiça no AgRg no Ag 1.420.880/PE.
(assinado com certificado digital)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz de Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2001 a 31/12/2001 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. Não há ofensa à garantia constitucional do contraditório e da ampla defesa quando todos os fatos estão descritos e juridicamente embasados, possibilitando à contribuinte contestar todas razões de fato e de direito elencadas no despacho decisório. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não há ato legal específico que conceda isenção ou outra forma de desoneração de PIS e COFINS nas vendas à Zona Franca de Manaus, a isso não bastando o art. 4º do DecretoLei nº 288/67. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) que davam provimento em conformidade com o entendimento do Superior Tribunal de Justiça no AgRg no Ag 1.420.880/PE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 33 71 /2 00 8- 86 Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10882.903371/200886 Acórdão n.º 3402005.434 S3C4T2 Fl. 3 2 (assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz de Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente). Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10882.903371/200886 Acórdão n.º 3402005.434 S3C4T2 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Declaração de Compensação (DCOMP) mediante a qual a contribuinte pretendeu extinguir débito com pretenso crédito com origem em pagamento indevido de contribuição social. A Delegacia da Receita Federal de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação face a inexistência de crédito disponível para compensação. Cientificada do despacho, a contribuinte manifestou sua irresignação arguindo em síntese que o crédito utilizado na compensação teria origem em pagamento da contribuição na parcela calculada sobre vendas realizadas à Zona Franca de Manaus. Argumenta que as vendas à Zona Franca de Manaus (ZFM) no período em tela estavam imunes à incidência do PIS e da Cofins e, portanto, o pagamento teria sido feito a maior. Iniciando essa linha de argumentação, assevera que o art. 4° do DecretoLei (DL) n° 288, de 1967, equiparou, para todos os efeitos fiscais, as vendas realizadas a Zona Franca de Manaus a uma operação de exportação. Tal disposição, a seu ver, possui envergadura de norma de caráter complementar, e nesse nível de hierarquia teria sido incorporado ao ordenamento jurídico pela recepção que lhe deu a Constituição Federal de 1988, pelo artigo 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT). Defende que o mesmo tratamento dado às exportações, aplicável às vendas realizadas à Zona Franca de Manaus, seria também extensível às vendas efetuadas para destinatários sediados nos municípios integrantes das Areas de Livre Comércio. Ao fim, requer o recebimento da presente manifestação de inconformidade com o seu regular efeito suspensivo da exigibilidade do crédito. Pleiteia ainda o reconhecimento do direito credit6rio referente aos recolhimentos indevidos ou a maior a titulo de PIS e Cofins incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias à Zona Franca de Manaus e a consequente a homologação da compensação.” Por meio do acórdão nº 0529.893, a DRJ não acolheu as razões de defesa da manifestante, mantendo a não homologação da compensação. Regularmente cientificado, o contribuinte tempestivamente apresentou seu Recurso Voluntário, repisando os argumentos apresentados em sua Manifestação de Inconformidade, acrescentando que não foi intimado pela fiscalização, em nenhum momento, a apresentar comprovantes da origem dos seus créditos e que, no despacho eletrônico proferido, também não foi apresentado nenhum argumento para que os créditos pleiteados fossem indeferidos. Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10882.903371/200886 Acórdão n.º 3402005.434 S3C4T2 Fl. 5 4 Argumenta ainda que trouxe aos autos planilha comprovando que os créditos indicados no pedido de compensação são originados de pagamento indevido ao a maior, uma vez que efetuou vendas destinadas à Zona Franca de Manaus. O processo foi encaminhado a este Conselho para julgamento e posteriormente distribuído a este Relator. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra , Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.398, de 24 de julho de 2018, proferido no julgamento do processo 10882.900443/200833, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402005.398): "O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. A questão trazida a este colegiado cingese sobre direito creditório não reconhecido pela constatação de utilização integral do pagamento na quitação de débitos do contribuinte. Também se discute, a partir das alegações trazidas na Manifestação de Inconformidade, o direito ao crédito do PIS e da COFINS nas operações com empresas situadas na Zona Franca de Manaus, que poderia lastrear o pleito inicial da interessada. Ainda que o Despacho Decisório nada tenha se manifestado acerca de qualquer documento probatório, o sujeito passivo, além de contestar a vinculação do pagamento, também argumentou quanto às razões pela qual entendia que parte do recolhimento seria indevido, por se referir a vendas realizadas à Zona Franca de Manaus. Segundo seu entendimento, tais vendas estariam imunes à incidência das contribuições, resultando em saldo recolhido à maior. A 3ª Turma da DRJ em Campinas não acolheu as razões de defesa do sujeito passivo, entendendo que o pretendido pagamento indevido teria origem no período de apuração 01/09/2002 a 30/09/2002, em relação ao qual a isenção em comento alcançaria apenas as receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do artigo 14 Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10882.903371/200886 Acórdão n.º 3402005.434 S3C4T2 Fl. 6 5 da MP n°2.15835, de 2001. Segundo a turma julgadora, os autos não trazem comprovação suportada por documentação contábilfiscal da inclusão das receitas decorrentes das mencionadas operações isentas na base que serviu para o cálculo do pagamento formador do apontado indébito, não se podendo reconhecer o pretendido direito de crédito aproveitado na compensação. Preliminarmente, a recorrente alega nulidade do processo administrativo em razão da ausência de diligências na documentação que comprovaria o indébito tributário. Não assiste razão à recorrente. Conforme disposto no artigo 29 do PAF, as diligências são determinadas pela autoridade julgadora, na apreciação da prova, caso entenda necessárias, o que não é o caso. A recorrente não apresentou qualquer documento comprobatório do crédito pleiteado, nem na fase de impugnação, nem nesta fase recursal, em descumprimento do artigo 15 do PAF que determina a instrução dos documentos comprobatórios juntamente com a impugnação. Apenas uma planilha intitulada “VENDAS PARA A ZONA FRANCA DE MANAUS E AREAS DE LIVRE COMÉRCIO UNIDADE SUMARÉ SETEMBRO DE 2002” (fls.43) foi apresentada, sem nenhum documento comprobatório. A prova deve ser feita nos autos, não fora dele, e no momento oportuno. Destacase que o indeferimento do direito creditório foi motivado pela utilização do(s) pagamento(s) na quitação de outros débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Nenhuma prova contrária à tal constatação fiscal foi apresentada. Portanto, não resta configurada qualquer nulidade quanto à ausência de diligência. Em consequência, rejeitase o pedido de diligência. A recorrente alega cerceamento de seu direito de defesa, por entender que a decisão de primeira instância teria inovado o lançamento inicial. Segundo seu entendimento, o Despacho Decisório eletrônico não mencionou qualquer documento (físico ou eletrônico) que embasasse a glosa da compensação, limitandose apenas a mencionar que o crédito não existiria, imputando penalidade a Recorrente, sem qualquer análise da materialidade do crédito compensado. Também neste ponto não assiste razão à recorrente. Nenhuma inovação foi trazida aos autos pelo julgador de primeiro grau na apreciação da matéria, que apenas trouxe os fundamentos necessários para rechaçar as alegações do sujeito passivo trazidas na Manifestação de Inconformidade. Tratase Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10882.903371/200886 Acórdão n.º 3402005.434 S3C4T2 Fl. 7 6 do pleno exercício do contraditório, que exige a plena fundamentação das decisões na apreciação de todos os pontos levantados pela defesa do contribuinte. A motivação do indeferimento do direito creditório continua sendo a inexistência de crédito. Dessa forma, também não está configurado qualquer cerceamento do direito de defesa da recorrente, visto que a questão foi por ela trazida e por ela novamente repisada em sua peça recursal. No mérito, a recorrente alega o direito ao crédito do PIS e da COFINS nas operações com empresas situadas na Zona Franca de Manaus. O tema foi objeto de julgamento repetitivo na 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em processos cujo interessado foi a própria recorrente. Dessa forma, adoto no presente voto os fundamentos do Acórdão nº 9303003.934, de 07 de junho de 2016, da lavra do i. Conselheiro Júlio César Alves Ramos, a seguir reproduzido: “Fui incumbido de apontar as razões que levaram o colegiado, por voto de qualidade, a negar provimento ao recurso do contribuinte, sob o entendimento de que, até a redução a zero da alíquota da contribuição efetuada em julho de 2004, não havia qualquer dispositivo legal que concedesse isenção de COFINS às vendas para aquela área. O argumento inicial em sentido contrário buscaa na própria norma que criou a Zona Franca de Manaus. Segundo tal entendimento, o art. 4º do Decretolei 288, ao afirmar que as remessas para aquela região equiparavamse a exportação para o exterior, deveria ser estendido à COFINS, embora, cediço, ela somente tenha sido posteriormente criada. E isso porque tal extensão somente caberia se o citado decreto tivesse afirmado que as remessas de produtos para a Zona Franca de Manaus são exportação. Nesse caso, a equiparação valeria mesmo para outros efeitos, não fiscais. Poderia, para o que interessa, restringila a “todos os efeitos fiscais”. Se o tivesse feito, dúvida não haveria de que qualquer mudança posterior na legislação que viesse a afetar as exportações, no que tange a tributos, afetaria do mesmo modo e na mesma medida aquela zona. Mas já foi repetidamente assinalado que o artigo 4º daquele ato legal, embora traga de fato a expressão acima, apôs a ressalva “constantes da legislação em vigor”. Não vejo como essa restrição possa ser entendida de modo diverso do que tem sido Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10882.903371/200886 Acórdão n.º 3402005.434 S3C4T2 Fl. 8 7 interpretado pela Administração: apenas os incentivos às exportações que já vigiam em 1 de fevereiro de 1967 estavam “automaticamente” estendidos à ZFM por força desse comando. E ponho a palavra entre aspas porque nem mesmo o Poder Executivo – e vale assinalar que estamos falando de um período de exceção, em que o Poder executivo quase tudo podia pareceu estar tão seguro desse automatismo, visto que fez editar, na mesma data, o Ato Complementar 35, cujo artigo 7º assegurou aquela extensão ao ICM. Pretendem alguns que ele teria alçado ao patamar de lei complementar a equiparação já prevista no decretolei. A meu ver, porém, tudo o que faz é definir com maior precisão o que se entende por produtos industrializados para efeito da não incidência de ICM nas exportações já prevista na Constituição de 67. Defineos no parágrafo 1º, recorrendo à tabela do então criado imposto sobre produtos industrializados (tabela anexa à Lei 4.502). No parágrafo segundo, estende, também para efeito de ICM, aquela imunidade às vendas a zonas francas. Essa interpretação me parece forçosa quando se sabe que, segundo a boa técnica legislativa, os parágrafos de um dado artigo não acrescentam matéria ao disposto no caput, apenas esclarecem sobre o alcance daquela matéria. E ao esclarecer podem impor uma definição restritiva, como no parágrafo primeiro, ou extensiva, como no segundo. O que não pode um simples parágrafo é tratar de matéria que não esteja contida no caput e nos seus incisos. E não parece haver dúvida de que aí apenas se cuida da imunidade do ICM. Assim, o ato legal nem previu imunidade genérica, nem estendeu ao IPI a imunidade do ICM. Ora, se a previsão do decretolei deveria alcançar “todos os efeitos fiscais” e já havia previsão de imunidade de ICM sobre produtos industrializados, para que tal parágrafo no ato complementar? Há, contudo, razões mais profundas do que a mera literalidade. É que a zona franca de Manaus não é meramente uma área livre de restrições aduaneiras, característica das chamadas zonas francas comerciais. O que se buscou com a sua criação foi induzir a instalação naquele distante rincão nacional de empresas de caráter industrial, que gerassem emprego Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10882.903371/200886 Acórdão n.º 3402005.434 S3C4T2 Fl. 9 8 e renda para a região Norte. Para tanto, definiu se um conjunto de incentivos fiscais que, à época de sua criação, seria suficiente, no entender dos seus formuladores, para gerar aquela atração. Tais incentivos, e apenas eles, configuram diferenciação em favor dos produtos importados e industrializados naquela área. Foi essa diferença tributária que induziu a criação do parque industrial que ali se veio a instalar e, assim, é apenas a retirada de algum daqueles incentivos que pode ser tachada de “quebra de contrato”. A contrário senso, novos incentivos fiscais que se venham a instituir podem ou não ser a ela estendidos conforme entenda útil o legislador por ocasião de sua instituição. Isso não se dá automaticamente com os incentivos genéricos à exportação cujo objetivo comum tem sido a geração das divisas imprescindíveis ao pagamento dos compromissos internacionais durante tanto tempo somente alcançáveis por meio das exportações. Por óbvio, a ninguém escapa que vendas à ZFM não geram divisas. Diferentes, pois, os objetivos, nenhum automatismo se justifica. Prova desse raciocínio é que dois anos apenas após a criação da ZFM, inventaram os “legisladores executivos” de então novo incentivo à exportação, o malsinado “crédito prêmio” posteriormente tão combatido nos acordos de livre comércio a que o País aderia. Sua legislação expressamente incluiu a Zona Franca. Fêlo, no entanto, apenas para os casos em que, após serem “exportados” para lá, fossem dali efetivamente exportados para o exterior (“reexportados”, na linguagem do declei). Em outras palavras, já em 1969 dava o executivo provas de que aquela extensão nem era automática, nem tinha que se dar sem qualquer restrição. Logo, ainda que se avance na interpretação da norma, ultrapassando o método literal e adentrandose o histórico e o teleológico, se chega à mesma conclusão: o decretolei 288 apenas determinou a adoção dos incentivos fiscais à exportação já existentes e acresceu incentivos específicos voltados a promover o desenvolvimento da região menos densamente povoada de nosso território. Nessa linha de raciocínio, portanto, há de se buscar na legislação específica do PIS e da COFINS, Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10882.903371/200886 Acórdão n.º 3402005.434 S3C4T2 Fl. 10 9 tributos somente instituídos após a criação da ZFM, dispositivo que preveja alguma forma de desoneração nas vendas àquela região, seja a não incidência, alíquota zero ou isenção. E não se precisa ir longe para ver que ela somente começa a existir em julho de 2004, com a edição da Medida Provisória 202. De fato, a “exclusão das receitas de exportação” da base de cálculo do PIS tratada na Lei 7.714 e a isenção da COFINS sobre receitas de exportação prevista na Lei Complementar 70 e objeto da Lei complementar 85 não incluíram expressamente as vendas à ZFM ainda que tenham estendido o benefício a outras operações equiparadas a exportação. Um exame cuidadoso dessas extensões vai revelar o que se disse acima: todas elas geram, imediata ou mediatamente, divisas internacionais. A conclusão que se impõe, assim, é que não havia, até o surgimento da Medida Provisória 1.858 qualquer benefício fiscal que desonerasse de PIS e de COFINS as receitas obtidas com a venda de produtos para empresas sediadas na ZFM. É certo que esse entendimento não era uníssono, muita peleja tendo se travado entre o fisco e os contribuintes que pretendiam estarem tais vendas amparadas pelos atos legais mencionados. E essas divergências somente se agravaram com a edição da MP, cuja redação padece de diversas inconsistências. Com efeito, tal MP, que revogou a Lei 7.714 e a Lei Complementar 85, disciplinando por completo a isenção das duas contribuições nas operações de exportação trouxe dispositivo expresso “excluindo” as vendas à ZFM. Isso, por óbvio, aguçou a interpretação de que já havia dispositivo isentivo e que esse dispositivo estava sendo agora revogado. Defendo que não, embora seja forçoso reconhecer que o dispositivo apenas criou desnecessário imbróglio. É que, nos termos constitucionais, a concessão de isenção requer lei específica1 , de modo que, ou se aceita que seja ela o decretolei ou ela não existe. Não se pode inferir que haja uma lei simplesmente porque um parágrafo em artigo de lei posterior a "exclua". Em outras palavras, há apenas dois caminhos interpretativos. O primeiro: se considera que o decretolei 288 fez uma equiparação genérica das Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10882.903371/200886 Acórdão n.º 3402005.434 S3C4T2 Fl. 11 10 vendas àquela região a exportação e, portanto, qualquer ato posterior que concedesse benefício (isenção ou outro) a operações de exportação se aplicava imediatamente e automaticamente às vendas para lá. Nesse caso, a isenção concedida pela Lei Complementar 85 a elas se estende, mesmo não tendo ela sido expressamente referida no dispositivo. Essa interpretação contraria, a meu ver, o art. 150, § 6º da Constituição. Ou, como entendo eu, considerase que não havia dispositivo que concedesse isenção ou qualquer outra forma de desoneração àquelas vendas até a redução a zero de sua alíquota, promovida em 2004. Não contemplo um terceiro caminho. Com tais considerações, negouse provimento ao recurso do contribuinte.” Também não prospera qualquer argumento que aponte a obrigatoriedade do acatamento do entendimento do STF, exceto nos casos de repercussão geral reconhecida, conforme determina o RICARF, o que não é o caso. Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário do sujeito passivo." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bezerra Fl. 157DF CARF MF
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