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Numero do processo: 10660.905860/2011-82
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/08/2001 a 31/08/2001
INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa baseada em dados declarados pelo sujeito passivo, não infirmada com documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 3803-006.022
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/08/2001 a 31/08/2001 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa baseada em dados declarados pelo sujeito passivo, não infirmada com documentação hábil e idônea.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Jorge Victor Rodrigues.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1706; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 164 1 163 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10660.905860/201182 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803006.022 – 3ª Turma Especial Sessão de 23 de abril de 2014 Matéria PIS RESTITUIÇÃO Recorrente MAHLE METAL LEVE S/A (Sucessora de MAHLE COMPONENTES DE MOTORES DO BRASIL LTDA.) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/08/2001 a 31/08/2001 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa baseada em dados declarados pelo sujeito passivo, não infirmada com documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Jorge Victor Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 90 58 60 /2 01 1- 82 Fl. 164DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10660.905860/201182 Acórdão n.º 3803006.022 S3TE03 Fl. 165 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte em contraposição à decisão da DRJ Juiz de Fora/MG que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada em decorrência do indeferimento do Pedido de Restituição. O contribuinte havia transmitido Pedido de Restituição (PER) referente a crédito decorrente de alegado pagamento a maior da contribuição para o PIS, no valor de R$ 25.406,95. Por meio de despacho decisório eletrônico, a repartição de origem indeferiu a restituição pleiteada, pelo fato de que o pagamento declarado no PER já havia sido integralmente utilizado na quitação de outros débitos da titularidade do sujeito passivo. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu o reconhecimento do direito creditório, bem como o deferimento da restituição pleiteada, alegando que o indébito reclamado decorria do reconhecimento pelo Supremo Tribunal Federal (STF) da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Reportandose aos princípios da verdade material e da moralidade administrativa, requereu a realização de diligências e perícias, para fins de se confirmar o crédito pleiteado. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários e de representação, assim como cópias do despacho decisório, do DARF e de planilha por ele elaborada. A DRJ Juiz de Fora/MG não reconheceu o direito creditório, fundamentando sua decisão (i) na inaplicabilidade, no presente caso, da decisão exarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em sede de recurso extraordinário, (ii) na incompetência da Administração tributária para se manifestar sobre ofensa a princípios constitucionais, (iii) na ausência de eficácia normativa da doutrina e da jurisprudência administrativa e judicial colacionadas na peça recursal, (iv) na ausência de nulidade no despacho decisório e (v) na desnecessidade de realização de diligências e perícias. Constou, ainda, do voto condutor da decisão recorrida que, “no presente caso, não foram trazidos ao processo, quaisquer elementos que viessem a comprovar o direito alegado e mais, a legislação tributária, determina que juntamente com a manifestação de inconformidade devem ser apresentadas as provas que fundamentem de modo concreto e veemente a discordância da contribuinte do entendimento adotado pela administração, precluindo seu direito de fazêlo em outro momento processual”. Cientificado do acórdão da DRJ Juiz de Fora/MG em 23 de dezembro de 2013, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 16 de janeiro de 2014, e reiterou seu pedido de reconhecimento do direito creditório e de deferimento integral da restituição, repisando os mesmos argumentos de defesa. Aduziu, ainda, o ora Recorrente, que a Delegacia de Julgamento deveria ter avançado na matéria fática e convertido o julgamento em diligência para que fossem prestados esclarecimentos e apresentada a documentação comprobatória do crédito pleiteado, sem o que tevese por configurado cerceamento do seu direito de defesa. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10660.905860/201182 Acórdão n.º 3803006.022 S3TE03 Fl. 166 3 Ressaltou, também, que a inobservância da inconstitucionalidade declarada pelo STF acerca do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pela Lei nº 9.718, de 1998, “representa inegável afronta à Constituição Federal e negativa de prestação administrativa”. Junto ao Recurso Voluntário, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários e de representação. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme se verifica do relatório supra, o pedido de restituição foi indeferido pela repartição de origem pelo fato de que o pagamento informado já se encontrava vinculado a outro débito da titularidade do contribuinte, decisão essa mantida pela DRJ Juiz de Fora/MG. De início, registrese que, para se apreciarem pleitos da espécie, não basta que se alegue, em tese, o direito assegurado pela ordem jurídica, havendo necessidade de que os argumentos fáticos trazidos aos autos sejam demonstrados e comprovados, sob pena de total inviabilidade da apreciação do pedido. Não há dúvidas que este Colegiado, por força do contido no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, encontrase obrigado a reproduzir decisões definitivas do Supremo Tribunal Federal (STF) submetidas à sistemática da repercussão geral (art. 543B do Código de Processo Civil – CPC), mas desde que comprovada, com documentação hábil e idônea, a ocorrência de pagamento indevido relativo à parcela do tributo apurada sobre a base de cálculo prevista em dispositivo legal declarado inconstitucional. No que tange ao material probatório do seu direito, o contribuinte trouxe aos autos apenas cópias de documentos societários, do DARF e de uma planilha por ele elaborada, documentos esses insuficientes à comprovação do indébito, dado que desacompanhados de qualquer elemento da escrituração contábilfiscal e da documentação que a lastreia, estes, sim, consistentes em prova hábil e idônea. Destaquese que, na planilha trazida aos autos pelo contribuinte na primeira instância administrativa, não são identificadas as outras receitas, além do faturamento, que teriam ensejado a tributação indevida decorrente da inconstitucionalidade do preceptivo legal. Para decidir acerca do pedido de reconhecimento do direito creditório decorrente do pagamento da contribuição apurada sobre outras receitas que não o faturamento, em razão da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1988, este Colegiado necessita, além de conhecer os valores envolvidos nas operações mercantis, como o faturamento, o total das outras receitas, a contribuição devida etc., confirmar sua ocorrência na contabilidade da pessoa jurídica. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10660.905860/201182 Acórdão n.º 3803006.022 S3TE03 Fl. 167 4 Em processos da espécie ao ora analisado, a falta da devida instrução dos autos por parte da pessoa obrigada não pode ser suprida por diligência à repartição de origem, dada a inexistência de um início de prova que convença o julgador quanto à probabilidade de efetiva existência do direito creditório pleiteado, isso em conformidade com os princípios constitucionais da celeridade processual e da eficiência, princípios esses que regem a atuação da Administração Pública, previstos, respectivamente, no art. 5º, inciso LXXVIII, e no art. 37, caput, da Constituição Federal de 1988. Mesmo considerando o princípio da verdade material, em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo vai além das provas trazidas aos autos pelo interessado, nos casos da espécie ao ora analisado, a prova encontrase em poder do próprio sujeito passivo, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do processo, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, não se vislumbra razão a uma possível inversão do ônus da prova. Mesmo depois de ter sido alertado pelo julgador administrativo de primeira instância acerca da necessidade de apresentação de documentos comprobatórios do crédito pleiteado o Recorrente não se predispôs a instruir o processo nesta segunda instância. Bastaria que o interessado tivesse trazido aos autos cópias da escrituração contábilfiscal abrangendo o período sob análise, observandose as formalidades exigidas pela legislação tributária, para que se tivesse por configurado o início de prova requerido para justificar a realização de diligência ou perícia destinada à confirmação do crédito pleiteado. Uma simples planilha elaborada pelo próprio interessado não supre a necessidade de apresentação da documentação fiscal apta a comprovar os fatos alegados. A não apresentação de provas dos fatos apontados encontrase em total desacordo com a disciplina do art. 16, inciso III, e § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), verbis: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 167DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10660.905860/201182 Acórdão n.º 3803006.022 S3TE03 Fl. 168 5 Em conformidade com o excerto supra, temse que o ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório, amparada em informações declaradas pelo próprio sujeito passivo, presentes nos sistemas da Receita Federal, informações essas não infirmadas com documentação hábil e idônea. Nesse contexto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, em razão da ausência de prova hábil e idônea do direito creditório reclamado. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 168DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 12689.721054/2011-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 01/07/2011
AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA DE OBJETO.
Em face da unidade de jurisdição, a existência de ação judicial proposta pelo contribuinte, versando sobre o mesmo objeto, importa renúncia às instâncias do contencioso administrativo. Súmula CARF No. 01.
Recurso Voluntário não conhecido, por concomitância.
Numero da decisão: 3202-001.134
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em admitir o recurso voluntário, em decorrência de ordem judicial proferida em sede de Mandado de Segurança, para não conhecer da matéria em razão de concomitância, em face à propositura de outra ação judicial onde se discute a mesma matéria.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Luís Eduardo Garrossino Barbieri Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Júnior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Rodrigo Cardozo Miranda.
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 01/07/2011 AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA DE OBJETO. Em face da unidade de jurisdição, a existência de ação judicial proposta pelo contribuinte, versando sobre o mesmo objeto, importa renúncia às instâncias do contencioso administrativo. Súmula CARF No. 01. Recurso Voluntário não conhecido, por concomitância.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em admitir o recurso voluntário, em decorrência de ordem judicial proferida em sede de Mandado de Segurança, para não conhecer da matéria em razão de concomitância, em face à propositura de outra ação judicial onde se discute a mesma matéria. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente Luís Eduardo Garrossino Barbieri Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Júnior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Rodrigo Cardozo Miranda.
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CONCOMITÂNCIA DE OBJETO. Em face da unidade de jurisdição, a existência de ação judicial proposta pelo contribuinte, versando sobre o mesmo objeto, importa renúncia às instâncias do contencioso administrativo. Súmula CARF No. 01. Recurso Voluntário não conhecido, por concomitância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em admitir o recurso voluntário, em decorrência de ordem judicial proferida em sede de Mandado de Segurança, para não conhecer da matéria em razão de concomitância, em face à propositura de outra ação judicial onde se discute a mesma matéria. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente Luís Eduardo Garrossino Barbieri – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Júnior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Rodrigo Cardozo Miranda. Relatório O presente processo trata de Auto de Infração e Termo de Apreensão e Guarda Fiscal de Mercadorias (efl. 2), lavrado pela autoridade fiscal da Alfândega do Porto de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 68 9. 72 10 54 /2 01 1- 61 Fl. 482DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 03/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 12689.721054/201161 Acórdão n.º 3202001.134 S3C2T2 Fl. 483 2 Salvador – BA, para a aplicação da pena de perdimento em bem importado, em decorrência dos fatos narrados no Relatório Fiscal (efls. 4/28), com base no art. 23, inciso I e V do DecretoLei nº 1.455/76 (alterado pela Lei nº 10.637/2002). O interessado apresentou impugnação ao auto de infração (efls. 200/ss), a qual foi apreciada e julgada pela autoridade competente da ALFSalvador que proferiu o Parecer ALF/SDR/Sarac nº 49/2011, de 09/11/2011 (efls. 431/438), com base no rito processual previsto no artigo 27 do DecretoLei nº 1.455/76. A interessada apresentou “Recurso” à decisão exarada pelo Inspetor da Alfândega do Porto de Salvador (efls 440), o qual foi encaminhado ao CARF (efls 481), em decorrência de ordem judicial proferida pela Juíza Federal da Seção Judiciária do Estado da Bahia, nos autos do Mandado de Segurança nº 000103164.2012.4.01.3300, que determinou “à autoridade impetrada a imediata remessa do processo administrativo à Terceira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para julgamento do Recurso Voluntário interposto pela impetrante” (vide cópia da decisão judicial às efolhas 473/480). É o relatório Voto Conselheiro Luís Eduardo G. Barbieri, Relator. Da admissibilidade Não obstante o julgamento da matéria tratada nos autos – aplicação de pena de perdimento – não ser de competência do CARF, o recurso apresentado será apreciado em decorrência da ordem judicial exarada pela Juíza Federal da Seção Judiciária do Estado da Bahia, no Mandado de Segurança nº 000103164.2012.4.01.3300, conforme relatado linhas acima. Da concomitância entre os processos administrativo e judicial Não há reparos a fazer na decisão proferida pela Alfândega do Porto de Salvador/BA que entendeu haver concomitância entre este processo administrativo e o processo judicial. O “recurso” apresentado não deve ser conhecido na esfera administrativa por haver identidade de matéria – discussão sobre a legalidade na importação de um automóvel, marca BMW e de partes, entre este processo administrativo e o processo judicial impetrado pela Recorrente (Ação Declaratória nº 003608358.2011.4.01.3300, em trâmite na 1ª Vara Federal da Seção Judiciária da Bahia). A própria interessada, em seu Recurso (efls. 441/ss), afirmou que impetrou a citada Ação Declaratória, onde entre outros faz o seguinte pedido: No mérito, requer seja julgada procedente a presenta ação convalidando a liminar, acaso deferida, reconhecendo a ilegalidade da apreensão dos bens importados, garantindo à mesma, o direito à livre atividade econômica, direito de propriedade e devido processo legal. Fl. 483DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 03/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 12689.721054/201161 Acórdão n.º 3202001.134 S3C2T2 Fl. 484 3 A ALF – Salvador/BA também confirma a existência da citada ação judicial, conforme despacho anexado à folha 185, verbis: Em 26/10/2011, o Autuada apresentou tempestivamente Impugnação (fls. 200/230). Não obstante, em 29/09/2011, a autuada havia ajuizado ação ordinária n° 3608358.2011.4.01.3300, junto à 1ª Vara Federal da Seção Judiciária da Bahia, requerendo a liberação do veículo objeto da presente apreensão. Nos autos da mencionada demanda, foi prolatada decisão que, em sede de antecipação dos efeitos da tutela, impede a destinação do bem até ulterior determinação judicial. (grifamos) Por fim, constam anexadas aos autos petição inicial (efls. 402/428) e decisão judicial proferida no processo nº 3608358.2011.4.01.3300 (efls. 430/ss), donde pode se concluir que a matéria tratada efetivamente é a mesma objeto do processo administrativo fiscal, qual seja: a discussão sobre a legalidade na importação de um automóvel, marca BMW, objeto da Declaração de Importação nº 11/12119690, registrada em 01/07/2011. Destarte, em face de existência da ação judicial, deve prevalecer a opção efetuada pela via judicial, cumprindose o que lá foi decidido. Não se conhece, portanto, do Recurso nesta esfera administrativa. Este é o teor da Súmula CARF No. 01, verbis: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Ante o exposto, não conheço do recurso. É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 484DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 03/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 12689.721054/201161 Acórdão n.º 3202001.134 S3C2T2 Fl. 485 4 Fl. 485DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 03/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 14041.000216/2009-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/1996 a 31/12/1996
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Os embargos de declaração não se prestam para a rediscussão de matéria enfrentada no acórdão embargado.
Constatada a inexistência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão embargado, rejeita-se a pretensão da embargante.
Embargos Rejeitados.
Numero da decisão: 2402-004.132
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos opostos.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Ronaldo de Lima Macedo - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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Os embargos de declaração não se prestam para a rediscussão de matéria enfrentada no acórdão embargado. Constatada a inexistência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão embargado, rejeitase a pretensão da embargante. Embargos Rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos opostos. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Ronaldo de Lima Macedo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 02 16 /2 00 9- 40 Fl. 146DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/06/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Relatório Tratase de Embargos de Declaração, oposto pela Fazenda Nacional (PGFN), em face do Acórdão nº 240203.918 da 2ª Turma Ordinária da 4a Câmara da 2a Seção de Julgamento do CARF. No Acórdão em questão, ficou consignado na parte dispositiva o seguinte: “[...] Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para declarar a nulidade do lançamento por vício material por falta de elementos comprobatórios da ciência do resultado do julgamento que declarou a nulidade por vício formal, nos termos do voto do relator, vencido o Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes que votou pela inexistência de decadência. [...]” A Embargante (Fazenda Nacional) afirma ter ocorrido contradição ou omissão nos fundamentos do voto condutor do acórdão ora embargado, eis que a matéria em debate encontrarseia fundamentada em fato incontroverso, já que “o Embargado foi intimado 18 de fevereiro de 2008, por via postal, dos r. acórdãos nº: 02/002488/2003 e 02/02487/2003, prolatados pela 2ª Câmara de Julgamento do CRPS (sic)”, nos seguintes termos: “[...] A) OMISSÃO NO EXAME DAS ALEGAÇÕES DA CONTRIBUINTE As peças de insurgência da contribuinte revelam não apenas o pleno conhecimento do teor dos acórdãos prolatados pelo CRPS que anularam as NFLD’s nº 35.019.6095 e nº 35.019.6087, denotando a ciência das decisões, mas confirmam a ocorrência da intimação a que se referiu a fiscalização, inclusive trazendo seu teor à colação na peça recursal (CARTA/SERVREC/ 23.401.3 n° 95/04, emitida em BrasíliaDF, em 18 de fevereiro de 2004). O julgamento sobre (i) a comprovação da intimação da contribuinte e (ii) sobre a expedição da carta de intimação deve necessariamente se debruçar sobre as manifestações da própria contribuinte acerca de tais fatos, seja para acatar suas alegações, seja para rejeitálas fundamentadamente. Assim, cumpre que o acórdão embargado seja suprido com manifestação sobre as alegações da contribuinte acerca de sua efetiva intimação. B) OMISSÃO SOBRE O ART. 334, II E III, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. Com efeito, seja em sede de impugnação ou recurso voluntário, a Embargada nunca arguiu que aquela intimação teria ocorrido em data diversa daquela apontada pelo Fisco 18 de fevereiro de 2004 ou mesmo que não havia sido intimada das referidas decisões. De modo inverso, afirmou expressamente que foi intimada. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/06/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14041.000216/200940 Acórdão n.º 2402004.132 S2C4T2 Fl. 3 3 A contribuinte nada opôs àquele fato, pois centra sua defesa na tese de que a decadência, na forma do disposto no CTN, art. 173, inciso II, deveria ser contada a partir da prolação dos r. acórdãos do CRPS que anularam o lançamento originário em 31/10/2003. Portanto, a teor do disposto no art. 334 do Código de Processo Civil, a efetiva ocorrência e a data da intimação, por configurarem fatos incontroversos, não dependem de prova, In verbis: (...) C) OMISSÃO QUANTO AO ART. 17 DO DECRETO N. 70.235/72 Repisase que a defesa da interessada, no tocante à decadência, baseouse tãosó em questão de direito qual o termo a quo para contagem do prazo decadencial insculpido no art. 173, II, do CTN – restando incontroversas as premissas fáticas sobre as quais se assentou o lançamento. Destarte, por mais este motivo, merecem estes Embargos acolhimento, para que seja suprida omissão do julgamento com a indicação das razões pelas quais deixou o Colegiado de aplicar a previsão do art. 17 da Lei do PAF. D) OMISSÃO QUANTO À EXISTÊNCIA DE CARTA DE INTIMAÇÃO SOB OS CUIDADOS DA CONTRIBUINTE – VERDADE MATERIAL O órgão Colegiado determinou que fosse promovida diligência para localização do aviso de recebimento relativo à carta por meio da qual fora a contribuinte intimada da decisão que anulou os lançamentos originários. Em virtude da ausência de registros da intimação postal na Delegacia de origem, o Colegiado, a despeito das alegações em sentido contrário por parte da própria contribuinte, julgou que não era possível determinar se transcorrera o prazo decadencial antes da intimação do novo lançamento. Ao assim decidir, o julgado desprezou por completo a carta que se encontra sob os cuidados da contribuinte e foi por ela reproduzida em sua impugnação. Antes de concluir pela impossibilidade de precisar se decorrera o prazo decadencial, caberia examinar o documento reproduzido nos autos, uma vez que referido documento compõe o arcabouço probatório que instrui o presente feito. Poderia, inclusive, chamar a contribuinte a colacionálo ao feito, caso reputasse necessário o exame do documento original para afastar eventuais dúvidas acerca das informações nele veiculadas. Dado que há uma carta, documento oficial, sob os cuidados da contribuinte, que a ela teve acesso após a data de 18 de fevereiro de 2004 (visto ser essa a data de redação da carta), o que basta Fl. 148DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/06/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 para conclusão no sentido da inocorrência de decadência, necessariamente dito documento deve ser analisado na apreciação da questão do decurso do prazo decadencial, sob pena de manifesta ofensa ao princípio da verdade material. [...]” Enfim, a Embargante requer o recebimento e acolhimento do presente embargos, para sanar/retificar todos os vícios existentes no acórdão, acima apontados. É o relatório. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/06/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14041.000216/200940 Acórdão n.º 2402004.132 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator O Recurso é tempestivo e dele farei apreciação. Esclarecemos que a apreciação não significa conhecimento, porquanto, para se conhecer do recurso, fazse necessário não só a satisfação dos requisitos extrínsecos recursais, tais como a tempestividade, garantia de instância, dentre outros, mas também, e fundamentalmente, a presença dos requisitos intrínsecos dos recursos, tais como o cabimento, o interesse de agir e a legitimidade para tanto. Diante das considerações efetuadas pela Embargante, entendese que não lhe assiste razão quanto à contradição ou omissão apontada tanto na análise da nulidade por vício material como na análise de que a matéria em debate encontrarseia fundamentada em fato incontroverso, já que “o Embargado foi intimado 18 de fevereiro de 2008, por via postal, dos r. acórdãos nº: 02/002488/2003 e 02/02487/2003, prolatados pela 2ª Câmara de Julgamento do CRPS (sic)”. O vício apontado no lançamento referese à falta de provas inequívocas da data exata da cientificação ao sujeito passivo das decisões de nulidade por vício formal – proferidas em 31/10/2003. Assim, o voto condutor entendeu que a data de início da contagem do prazo decadencial estampada no artigo 173, II, do CTN é a data da cientificação ao sujeito passivo da decisão que declarou nulo os lançamentos anteriores (NFLD’s n°s 35.019.6095 e 35.019.6087). O acórdão ora embargado registrou o seguinte: “[...] Para que o ato administrativo, veiculado por meio do acórdão que anulou o lançamento fiscal anterior, tornese perfeito e eficaz, é necessário ele completar o seu ciclo de formação, este será ocasionado no momento em que percorrer todas as fases necessárias para sua produção. Com isso, no âmbito do contencioso administrativo fiscal, a ciência ao sujeito passivo também será uma dessas fases de formação da decisão proferida em segunda instância, pois esta decisão é simplesmente um ato administrativo que produzirá efeitos na esfera do administrado (Recorrente). Essa ciência ao sujeito passivo da decisão proferida em segunda instância fará com que tal lançamento produza os seus efeitos previstos na legislação tributária. É bom esclarecer que a publicidade do ato administrativo é diferente de sua publicação. Esta é a divulgação do ato por meios oficiais, exemplo Diário Oficial da União; ou seja, a publicação tratase de uma forma de publicidade. Assim, a publicidade da decisão de segunda instância não se esgota apenas em se publicarem os atos no órgão oficial, também será imprescindível uma publicidade restrita, sendo que esta Fl. 150DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/06/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 acontecerá com a ciência do interessado (sujeito passivo) da decisão proferida pela Corte Administrativa. Com isso, entendese que a decisão de segunda instância, proferida no âmbito do contencioso administrativo federal, somente será válida, perfeita e eficaz após a sua cientificação ao sujeito passivo da obrigação tributária, tornandose nesse momento uma decisão definitiva, eis que não pode ser dado o atributo de definitividade a um ato administrativo que sequer cumpriu todos os requisitos de validade previstos na legislação. Assim, a data de início da contagem do prazo decadencial estampada no artigo 173, II, do CTN é a data da cientificação ao sujeito passivo da decisão que declarou nulo os lançamentos anteriores (NFLD’s n°s 35.019.6095 e 35.019.6087). Constatase que a ciência do lançamento substitutivo, ora analisado, ocorreu em 18/02/2009 – conforme Aviso de Recebimento (AR) de fl. 03 –, e os documentos acostados aos autos, pelo Fisco e pela Recorrente, não apontam a data exata da cientificação ao sujeito passivo das decisões de nulidade por vício formal – proferidas em 31/10/2003. Com isso, não constam dos autos elementos probatórios suficientes para a averiguação se o lançamento fiscal substitutivo está em consonância com o prazo legal de 5 (cinco) anos previsto no art. 173, II, do CTN. Como esse tributo era sujeito a lançamento de ofício, o Fisco tinha 5 anos para fazer o lançamento, contados da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vicio formal, o lançamento anteriormente efetuado, conforme prevê o art. 173, inciso II, do CTN. (...) Em outras palavras, não constam dos autos elementos probatórios suficientes para estabelecer o termo inicial do prazo decadencial para que a Fazenda Pública fizesse o lançamento do tributo. Logo, essa data do termo inicial é importante para averiguar a decadência, que é uma causa de extinção do crédito tributário (art. 156, V, do CTN), ou para averiguar se o prazo se encerrou sem que houvesse o lançamento fiscal. (...) Desse modo, percebese que o Fisco deixou de fundamentar o termo inicial do prazo decadencial, fato imprescindível para que ele realizasse o lançamento do tributo, no Relatório Fiscal, acompanhado de seus anexos, e nas oportunidades concedidas pelo órgão julgador no âmbito administrativo, eis que nestes documentos não há as circunstâncias de fato e de direito que justifiquem a imposição fiscal, de modo a garantir ao sujeito passivo o pleno exercício de seu direito de defesa, dandolhe ciência daquilo que se deve defender. [...]” (g.n.) Nesse passo, a decisão do acórdão embargado concluiu que, da análise do caso concreto, podese inferir que a ciência do lançamento substitutivo, ora analisado, ocorreu em 18/02/2009 – conforme Aviso de Recebimento (AR) de fl. 03 –, e os documentos acostados aos autos, pelo Fisco e pela Recorrente, não apontam a data exata da cientificação ao sujeito Fl. 151DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/06/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14041.000216/200940 Acórdão n.º 2402004.132 S2C4T2 Fl. 5 7 passivo das decisões de nulidade por vício formal – proferidas em 31/10/2003. Com isso, o Fisco deixou de fundamentar o termo inicial do prazo decadencial, fato imprescindível para que ele realizasse o lançamento do tributo. Assim, verificase que não há contradição ou omissão no voto condutor, eis que o seu conteúdo abordou de forma suficiente a matéria concernente à nulidade por vício material, sendo que os argumentos da Embargante apontam para uma nova discussão da matéria, não cabível em sede de Embargos de Declaração. Esse entendimento decorre do fato de que os Embargos de Declaração representam uma via estreita e não se prestam para a modificação da decisão embargada que não contenha omissão, contradição ou obscuridade. Registrase que, além de ser matéria de ordem pública, não se trata de fato incontroverso a análise da decadência tributária, já que a Recorrente postulou o fato tanto na peça de impugnação quanto na peça recursal. Apenas a título de realce, no âmbito da matéria submetida à apreciação deste Conselho, o grau de devolutividade é definido pela Recorrente nas razões de seu recurso. Tratase da aplicação do princípio tantum devoluntum quantum appellatum. Assim, a matéria a ser apreciada pelo CARF estaria delimitada pelas razões apresentadas nos recurso. Para tanto, foi nesse sentido que foi proferido o conteúdo do voto ora embargado com a apreciação e julgamento de todas as questões suscitadas e discutidas no processo, ainda que a decisão de primeira instância não as tenha julgado por inteiro (art. 515, §1o, do CPC), encaminhando para a nulidade, por vício material, em decorrência do Fisco não demonstrar a data da ciência do sujeito passivo da decisão definitiva dos processos referentes às NFLD’s n°s 35.019.6095 e 35.019.6087. Em se tratando de matéria de ordem pública, como é o caso da decadência tributária, e revelandose patente que se tratava de lançamento substitutivo, pode o julgador averiguar se o Fisco observou ou não o lapso qüinqüenal da decadência prevista no art. 173, inciso II, do CTN, ainda que não tenha sido alvo direto da matéria registrada na peça recursal o marco temporal do dia 18/02/2009 (data da ciência do sujeito passivo do presente lançamento fiscal). Portanto, a simples alegação da Embargante de que a averiguação da decadência é fato incontroverso não pode aniquilar o conteúdo do acórdão ora embargado, e a presunção de que o Fisco comprovou o termo inicial do prazo decadencial para a realização do lançamento substitutivo não pode ceder diante da falta de provas insofismáveis constatadas nos autos. Ou seja, não constam dos autos os elementos probatórios suficientes para estabelecer o termo inicial do prazo decadencial para que a Fazenda Pública fizesse o lançamento do tributo. Na seara de quem deverá produzir os elementos informativos da cientificação do sujeito passivo da decisão que declarou nulo os lançamentos anteriores (NFLD’s n°s 35.019.6095 e 35.019.6087), entendese que tal atribuição compete ao Fisco, já que se trata de um fato constitutivo do lançamento fiscal. Ademais, o Fisco encontrase em melhores condições de produzir a prova essencial ao deslinde do litígio ora instaurado, consubstanciado na teoria dinâmica de distribuição do ônus da prova, pois as informações da nulidade, por vício formal, do lançamento anterior e dos termos de ciência do sujeito passivo deverão permanecer nos autos dos processos originais. Esse entendimento está consubstanciado na regra estabelecida pelo art. 333 do CPC, eis que cabe ao autor (Fisco) o ônus de provar os fatos constitutivos de seu direito – no qual foi apontado no Relatório Fiscal e seus anexos que se tratava de lançamento fiscal substitutivo, e cabe à Recorrente comprovar à existência de qualquer fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do Fisco. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/06/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 Código de Processo Civil – CPC: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. (g.n.) Nesse caminhar, percebese que não há espaço fático nem jurídico para aplicação da regra prevista nos incisos III e IV do art. 334 do Código de Processo Civil, como pretende a Embargante. E deixo consignado que o entendimento, manifestado no acórdão ora embargado, de que a data em que o sujeito passivo tomou ciência definitiva da decisão que declarou nulo os lançamentos anteriores (NFLD’s n°s 35.019.6095 e 35.019.6087) é o marco inicial para a contagem de cinco anos do prazo decadencial do lançamento substitutivo está consubstanciado no princípio da legalidade (art. 173, parágrafo único, do CTN: ... contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação ...), no princípio do paralelismo de forma (se o termo final é o dia da ciência do lançamento substitutivo, no caso em tela o dia 18/02/2009, não restará dúvida que o termo inicial será o dia da ciência ao sujeito passivo da decisão que declarou nulo os lançamentos anteriores) e no princípio da actio nata (princípio universal em que a decadência só começa a correr quando o titular do direito violado toma conhecimento do fato e da extensão de suas conseqüências). De mais a mais, em condições de normalidade, que é o caso dos autos, a comprovação da data em que o sujeito passivo tomou ciência definitiva da decisão que declarou nulo os lançamentos anteriores (NFLD’s n°s 35.019.6095 e 35.019.6087) deverá ser lastreada em um elemento idôneo que evidencie tal fato, e não por meio de afirmações ou alegações do Fisco, nem por meio de conjecturas da Embargante. Esse entendimento está consubstanciado no fato de que, para determinadas questões, no caso em dela a decadência, o lançamento fiscal não comporta a incerteza, nem uma ideia com fundamento incerto, já que não consta nos autos qualquer elemento material apontando a data em que o sujeito passivo tomou ciência definitiva da decisão que declarou nulo os lançamentos anteriores. Assim, o cômputo do prazo decadencial deverá ser aferível por meio de elemento eminentemente objetivo (elemento material), não comportando juízo eminentemente subjetivo, eis que o reconhecimento do termo inicial da decadência requer a comprovação por meio de documento hábil, fato este não evidenciado nos autos. A falta de comprovação da data em que o sujeito passivo tomou ciência definitiva da decisão que declarou nulo os lançamentos anteriores é tão evidente nos autos, que a Embargante sugere: “(...) ainda que se entenda não existir prova do recebimento da intimação, cabe reconhecer que o Embargado foi intimado quinze dias após a data da expedição da intimação”. Neste particular, entendese que não há espaço jurídico nem fático para se adotar a tese de que o sujeito passivo foi intimado quinze dias após a expedição da intimação, eis que tal tese somente poderia ser aplicada se houvesse a comprovação nos autos do envio da decisão que declarou nulo os lançamentos anteriores, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo e se essa data de recebimento estivesse omissa na documentação, fatos estes não evidenciados nos autos, a teor do art. 23, inciso II, §2o e inciso II, do Decreto 70.235/19972. Decreto 70.235/19972: Art. 23. Farseá a intimação: (...) Fl. 153DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/06/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14041.000216/200940 Acórdão n.º 2402004.132 S2C4T2 Fl. 6 9 II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (...) § 2° Considerase feita a intimação: (...) II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (g.n.) Após o delineamento das questões fáticas e jurídicas expostas anteriormente, entendo que a decisão desta Corte Administrativa, manifestada por meio do acórdão ora embargado, apresenta os requisitos necessários para sua validade, pois nela se verifica a congruência interna e externa. Esta diz respeito à necessidade de que a decisão seja correlacionada com os sujeitos envolvidos no presente processo, enquanto a congruência interna referese aos atributos de clareza, certeza e liquidez. Logo, percebese que esse Acórdão guarda congruência em relação aos sujeitos do processo, com os fundamentos e pedidos apresentados e com os demais documentos acostados nos autos. Com isso, entendese que o acórdão embargado, da forma como tratou a matéria, não foi omisso, nem obscuro, nem contraditório, e, como consequência, o seu julgamento resultou em conclusão plenamente válida. E, por consectário lógico, os Embargos de Declaração opostos pela Embargante não possuem os requisitos de admissibilidade, previstos no art. 65, Anexo II, da PORTARIA MF no 256/2009, impondo que não seja acolhida a pretensão da aludida contradição ou omissão. Diante do exposto e de tudo o mais que dos autos consta. Voto no sentido de REJEITAR OS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO opostos pela Fazenda Nacional, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 154DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/06/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10073.902540/2012-71
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 30/09/2009
INVALIDADE DO ATO ADMINISTRATIVO. INOCORRÊNCIA.
Estando presentes os requisitos formais previstos nos atos normativos que disciplinam a compensação, não há que se falar em invalidade do despacho decisório por vícios relativos à forma.
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
TAXA SELIC. APLICABILIDADE.
Nos termos da Súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-003.536
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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INOCORRÊNCIA. Estando presentes os requisitos formais previstos nos atos normativos que disciplinam a compensação, não há que se falar em invalidade do despacho decisório por vícios relativos à forma. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. Nos termos da Súmula CARF nº 4, “a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 90 25 40 /2 01 2- 71 Fl. 139DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/07/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10073.902540/201271 Acórdão n.º 3801003.536 S3TE01 Fl. 140 2 (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/07/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10073.902540/201271 Acórdão n.º 3801003.536 S3TE01 Fl. 141 3 Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP cujo crédito seria decorrente de pagamento indevido ou a maior no valor original na data de transmissão de R$24.884,37. Após processada foi exarado o Despacho Decisório no qual consta que o pagamento descrito no PER/DCOMP já havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Intimado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade aonde alega, em síntese: Em sede preliminar, a invalidade do ato administrativo por não ter preenchido o requisito com relação à Forma, perdendo o Despacho Decisório o seu objeto; No mérito aduz que a compensação originouse de sobra de valor de COFINS pago a maior e não retificado em DCTF, sendo certo que, persistindo a não homologação do PER/DCOMP apresentado, estará sendo o contribuinte obrigado a pagar tributos duplamente, em flagrante desrespeito à legislação vigente; Tece considerações acerca da ilegalidade da aplicação da taxa Selic para fins tributários e sua inaplicabilidade como índice de atualização de débitos fiscais, fazendo menção a jurisprudência do Judiciário, devendo ser aplicado o percentual de 1% ao mês e sem capitalização, previsto no CTN; Da ilegalidade da multa proposta, fazendo menção a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais, para enfatizar o efeito confiscatório da multa exigida. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/09/2009 DESPACHO DECISÓRIO. PRELIMINAR DE NULIDADE REJEITADA. Deve ser rejeitada a preliminar de invalidade do ato administrativo, quando o Despacho Decisório contém a fundamentação legal e as informações e orientações necessárias ao exercício da plena defesa do contribuinte, em observância estrita ao rito do processo administrativo fiscal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Fl. 141DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/07/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10073.902540/201271 Acórdão n.º 3801003.536 S3TE01 Fl. 142 4 Data do fato gerador: 30/09/2009 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. ACRÉSCIMOS LEGAIS. Os débitos indevidamente compensados serão exigidos com os respectivos acréscimos legais. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, através de Recurso Voluntário apresentado, no qual reproduz, na essência, as razões apresentadas por ocasião da manifestação de inconformidade e requer seja acolhida a preliminar alegada referente à invalidade do ato administrativo, caso não seja este o entendimento, requer seja dado provimento ao recurso, reconhecendose o seu direito creditório e homologandose a compensação dos valores. É o Relatório. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/07/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10073.902540/201271 Acórdão n.º 3801003.536 S3TE01 Fl. 143 5 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre de recolhimento a maior de COFINS, Código de Receita 2172, cujo período de apuração se deu em 30/09/2009 e não retificado em DCTF. Preliminarmente, quanto à alegação de invalidade do ato administrativo entendo que não assiste razão à recorrente. O instituto da compensação está previsto no artigo 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com redação dada pela Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1° A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2° A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. In casu, o contribuinte apresentou declaração de compensação de débitos diversos e apontou o documento de arrecadação (DARF) referente a COFINS, Código de Receita 2172, como origem do crédito, alegando “pagamento indevido ou a maior”, conforme disposto nas normas regulamentadoras. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos já declarados. A fundamentação da não homologação da compensação pleiteada reside no cotejo entre as próprias declarações apresentadas pelo contribuinte e os documentos apontados como origem do direito creditório. A analise eletrônica do PERDCOMP se deu com base nas declarações ativas quando da apresentação do mesmo. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/07/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10073.902540/201271 Acórdão n.º 3801003.536 S3TE01 Fl. 144 6 Uma vez que o direito creditório não foi reconhecido, a compensação foi não homologada e o sujeito passivo foi cientificado e intimado a efetuar o pagamento dos débitos indevidamente compensados com os respectivos acréscimos legais. Tal procedimento, conforme o disposto no aludido diploma legal, foi disciplinado pela Receita Federal através de diversas Instruções Normativas ao longo do tempo, não se verificando no despacho decisório combatido qualquer inobservância das formalidades ali prescritas, não caracterizando assim o alegado vicio de forma que poderia levar a eventual invalidade do ato administrativo. Quanto ao mérito, melhor sorte não assiste à recorrente. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Ou seja, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito à compensação, mediante a apresentação da PERDCOMP, de tal sorte que, se a RFB resiste à pretensão do interessado, não homologando a compensação, incumbe a ele, o contribuinte, na qualidade de autor, demonstrar seu direito. No entanto, o Recorrente não trouxe aos autos qualquer elemento que pudesse comprovar a origem do seu crédito. Se limitou, tãosomente, a argumentar que houve um erro de fato no pagamento do DARF e preenchimento da DCTF e que, por isso, faz jus ao reconhecimento do crédito. A alegação de erro na apuração dos débitos que teriam dado ensejo ao crédito de pagamento indevido ou a maior não foram acompanhadas na peça impugnatória da retificação da respectiva DCTF, instrumento de confissão de dívida, que a princípio estaria na esfera de responsabilidade do contribuinte, ainda mais porque não foi acompanhada de qualquer alegação de impossibilidade na sua apresentação, bem como, dos documentos comprobatórios que poderiam até embasar uma eventual retificação de ofício. Para que se possa superar a questão de eventual erro de fato e analisar efetivamente o mérito da questão, deveriam estar presentes nos autos os elementos comprobatórios que pudéssemos considerar no mínimo como indícios de prova dos créditos alegados, o que não se verifica no caso em tela. Assim, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, falta ao crédito indicado pelo contribuinte certeza e liquidez, que são indispensáveis para a compensação pleiteada. Em relação à alegação de que não é devida a multa de mora na cobrança dos débitos indevidamente compensados, igualmente não assiste razão à recorrente. A IN RFB 900/2008, vigente à época, assim como as alterações posteriores, que disciplinava o procedimento de compensação, previa no seu art. 38 que o tributo ou contribuição objeto de compensação nãohomologada será exigido com os respectivos acréscimos legais. O art. 61 da Lei 9.430/1996, por sua vez, dispõe que os débitos não recolhidos no vencimento estão sujeitos à incidência da multa moratória. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/07/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10073.902540/201271 Acórdão n.º 3801003.536 S3TE01 Fl. 145 7 Art. 61. Os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela SRF, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. A alegação de que essa multa possui caráter confiscatório não pode ser analisada por este Conselho já que o afastamento da aplicação da Legislação referente, indubitavelmente, ensejaria o reconhecimento de inconstitucionalidade de lei em vigor, o que é vedado, conforme entendimento consolidado por meio do enunciado da Súmula n. 02, a seguir: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. No que se refere à legalidade da cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC, a matéria já fora pacificada no âmbito deste Conselho Administrativo por meio da Súmula CARF nº 4: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, para NÃO HOMOLOGAR as compensações. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 145DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/07/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10980.007354/2003-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jun 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 1999
DÉBITOS DECLARADOS EM DCTF. DECADÊNCIA.
Nos casos de débitos declarados em DCTF, o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos contados do fato gerador. Ultrapassado esse lapso temporal sem a expedição de lançamento de ofício, opera-se a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4° e do artigo 156, inciso V, ambos do CTN.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2102-002.099
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso para reconhecer que a DECADÊNCIA extinguiu o crédito tributário lançado.
Assinado digitalmente.
José Raimundo Tosta Santos Presidente na data da formalização.
Assinado digitalmente.
Rubens Maurício Carvalho - Relator.
EDITADO EM: 06/06/2014
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Rubens Mauricio Carvalho, Núbia Matos Moura, Atilio Pitarelli, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Carlos André Rodrigues Pereira Lima
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
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DECADÊNCIA. Nos casos de débitos declarados em DCTF, o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos contados do fato gerador. Ultrapassado esse lapso temporal sem a expedição de lançamento de ofício, operase a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4° e do artigo 156, inciso V, ambos do CTN. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso para reconhecer que a DECADÊNCIA extinguiu o crédito tributário lançado. Assinado digitalmente. José Raimundo Tosta Santos Presidente na data da formalização. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. EDITADO EM: 06/06/2014 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Rubens Mauricio Carvalho, Núbia Matos Moura, Atilio Pitarelli, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Carlos André Rodrigues Pereira Lima AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 73 54 /2 00 3- 01 Fl. 69DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 13/06/ 2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 06/06/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALH O Processo nº 10980.007354/200301 Acórdão n.º 2102002.099 S2C1T2 Fl. 3 2 Relatório Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto de forma livre o relatório do acórdão da instância anterior de fls. 49 a 53: Trata o processo de autos de infração de Imposto de Renda Sobre a Renda Retido na Fonte IRRF, referente aos períodos de apuração 04/1998 a 07/1998 2. O auto de infração de IRRF (fls. 35/41) exige o recolhimento de R$ 22.754,32 de imposto e R$ 17.065,74 de multa de ofício, além dos encargos legais. 3. O lançamento resultou de procedimento auditoria interna na DCTF de 1998, em que foram apuradas as seguintes infrações: Falta de Recolhimento ou Pagamento do principal – Declaração Inexata: nos períodos de 07/1998, 08/1998, 09/1998, 10/1998 e 12/1998. Enquadramento legal no art 103 do DecretoLei nº 5.844, de 23 de setembro de 1943; arts. 43, inciso I, 45 §único da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966; art 8°, §único do DecretoLei nº 1.736, de 20 de dezembro de 1979; art 7°, inciso I da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988; art 83, inciso I, “d” da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995; art. 1° da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; art 3° §único e 5° da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995; art 11, §1° da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997; art 3°, §5° da Medida Provisória no 169846, de 30 de junho de 1998. Multa de 75%. 4. Regularmente intimada, com ciência do lançamento por via postal, ocorrida em 21/07/2003, conforme AR de fl. 43, a interessada apresentou, tempestivamente, em 14/08/2003, a impugnação de fls. 01/03, através de sua procuradora, conforme procuração de fl. 04, instruída com os documentos de fls. 05/34, que se resume a seguir. a. Afirma que o fato gerador ocorreu quando do pagamento de salários relativos a cinco períodos de apuração: b. Para a 1ª semana de abril/1998 (R$ 6.118,33), embora recolhido regularmente, a via do DARF não foi localizada, estando sendo providenciada a 2ª via do documentos, razão pela qual solicita a concessão de prazo de 30 dias para apresentação. Contudo, o pagamento fica confirmado pelos documentos contábeis em anexo, que atestam ter sido tempestivamente recolhido o tributo; c. Para a 1ª semana de maio/1998 (R$ 5.770,35), pago no vencimento, sob o equivocado código 0588, razão pela qual está providenciando a retificação do DARF para o código 0561, que é o correto; d. Para a 1ª semana de junho/1998 (R$ 5.604,54), pago no vencimento, com o código 0561, pelo valor a maior de R$ 5.874,41; e. Para a 1ª semana de julho/1998 (R$ 5.282,29), embora recolhido regularmente a via do DARF respectiva não foi localizada, razão pela qual solicita a concessão de prazo de 30 dias para apresentação. Contudo, o pagamento fica confirmado pelos Fl. 70DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 13/06/ 2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 06/06/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALH O Processo nº 10980.007354/200301 Acórdão n.º 2102002.099 S2C1T2 Fl. 4 3 documentos contábeis em anexo, que atestam ter sido tempestivamente recolhido o tributo; f. Conclui que, tratandose de meros equívocos de preenchimento dos DARFs, sem qualquer repercussão na época dos recolhimentos, cujos tributos foram comprovadamente recolhidos nas datas de vencimento reais, inclusive a maior, o auto de infração deve ser desconsiderado, com a insubsistência do lançamento. É o relatório. Diante desses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação unânime, afastou a preliminar de cerceamento de defesa e no mérito julgou parcialmente procedente o lançamento, para cancelar as exigências de IRRF e respectivas multas e juros de mora dos períodos 05/1998 e 06/1998, e manter as exigências de IRRF dos períodos 04/1998, no valor de R$ 6.097,14, e 07/1998, no valor de R$ 5.282,29, além de respectivas multas e juros e mora. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1998 PEDIDO DE JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS. PRECLUSÃO. DESNECESSIDADE. Indeferese pedido de apresentação de novos documentos, tendentes a produzir prova das alegações da impugnante, por ter precluído de seu direito de apresentação de prova documental, não juntada na impugnação, não sendo caso das exceções legalmente previstas, e por serem desnecessárias ao deslinde da controvérsia. AUDITORIA DAS INFORMAÇÕES PRESTADAS EM DCTF. COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO. É parcialmente procedente o lançamento decorrente de auditoria nas informações prestadas em DCTF, efetuado com base em pagamento não localizado, quando o contribuinte apresenta DARF com dados do referido pagamento, confirmado pelos registros contidos nos bancos de dados da SRF, somente para alguns dos períodos auditados. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, de fls. 57 a 59, ratificando os argumentos de fato e de direito expendidos em sua impugnação e requerendo pelo provimento ao recurso e cancelamento da exigência, cujo conteúdo se resume nos seguintes excertos: I. O âmbito do recurso, portanto, restringese aos períodos de abril/1998, no valor de R$ 6.097,14 (item "a"), e julho/1998, de R$ 5.282,29 (item "d"), que o v. Acórdão manteve as exigências do IRRF, inclusive respectivas multas e juros de mora. II. Com efeito, em 02/04/98 foi recolhido o valor de R$ 6.101,26, tendo como código da receita 0588 (o correto seria 0561), valor que inclusive pouco superior ao Fl. 71DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 13/06/ 2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 06/06/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALH O Processo nº 10980.007354/200301 Acórdão n.º 2102002.099 S2C1T2 Fl. 5 4 constatado pelo auditor e que corresponde ao período de abril de 1988, conforme a anexa cópia do DARF (doc. n.° 01). III. Da mesma forma, em 01/07/98 foi pago o valor de R$ 5.282,29 também com o equivocado código de receita 0588, que corresponde exatamente ao valor do período de julho de 1998, conforme a anexa cópia do DARF (doc. n.° 02) Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento de segunda instância administrativa. É O RELATÓRIO. Voto Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. ADMISSIBILIDADE Analisando os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, cumpre observar o aspecto da decadência. Cumpre lembrar que a decadência é matéria de ordem pública e deve ser examinada ex offício, independentemente de provocação da parte interessada. Conforme o Demonstrativo do Crédito Tributário de fl. 39, temos as seguintes cobranças e fatos geradores em litígio: Percebese que o Fato Gerador mais recente é de julho de 1998 (data de vencimento 08/07/1998 – fl. 38). De outro lado, temos que a ciência desse lançamento pelo contribuinte ocorreu somente em 21/07/2003, ou seja mais de 5 anos da data do fato gerador e, conseqüentemente, o lançamento está decadente nos termos do art. 150, § 4º, do CTN. Pelo exposto, VOTO PELO PROVIMENTO DO RECURSO, para reconhecer que a DECADÊNCIA extinguiu o crédito tributário lançado. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 13/06/ 2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 06/06/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALH O Processo nº 10980.007354/200301 Acórdão n.º 2102002.099 S2C1T2 Fl. 6 5 Fl. 73DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 13/06/ 2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 06/06/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALH O
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Numero do processo: 10865.721855/2012-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2010 a 31/07/2010
INTEMPESTIVIDADE. IMPUGNAÇÃO APRESENTADA DEPOIS DE
FINDO O PRAZO DE 30 DIAS.
Apresentada a impugnação após finalizado o prazo legal, sendo portanto,
intempestiva, não há que se falar em análise do mérito.
Numero da decisão: 2302-003.086
Decisão: Recurso Voluntário Negado.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Liege Lacroix Thomasi - Presidente
Leonardo Henrique Pires Lopes Relator
Conselheiros presentes à sessão: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, BIANCA DELGADO PINHEIRO, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES.
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2010 a 31/07/2010 INTEMPESTIVIDADE. IMPUGNAÇÃO APRESENTADA DEPOIS DE FINDO O PRAZO DE 30 DIAS. Apresentada a impugnação após finalizado o prazo legal, sendo portanto, intempestiva, não há que se falar em análise do mérito.
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decisao_txt : Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liege Lacroix Thomasi - Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes Relator Conselheiros presentes à sessão: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, BIANCA DELGADO PINHEIRO, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1717; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T2 Fl. 2 1 1 S2C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10865.721855/201201 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2302003.086 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 19 de março de 2014 Matéria Contribuições Sociais Previdenciárias Recorrente MUNICÍPO DE CASA BRANCA PREFEITURA MUNICIPAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2010 a 31/07/2010 INTEMPESTIVIDADE. IMPUGNAÇÃO APRESENTADA DEPOIS DE FINDO O PRAZO DE 30 DIAS. Apresentada a impugnação após finalizado o prazo legal, sendo portanto, intempestiva, não há que se falar em análise do mérito. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liege Lacroix Thomasi Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes – Relator Conselheiros presentes à sessão: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, BIANCA DELGADO PINHEIRO, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 72 18 55 /2 01 2- 01 Fl. 129DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 3 0/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10865.721855/201201 Acórdão n.º 2302003.086 S2C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase do Auto de Infração por Descumprimento de Obrigação Principal, DEBCAD nº 51.002.8250, consolidado em 10/07/2012, em face do MUNICÍPIO DE CASA BRANCA – PREFEITURA MUNICIPAL, no valor de R$ 370.732,40 (trezentos e setenta mil, setecentos e trinta e dois reais e quarenta centavos), referente a contribuições incidentes sobre 1/3 constitucional de férias, no período de 01/04/2010 a 31/07/2010, ‘ Tratase, também, do Auto de Infração por Descumprimento de Obrigação Acessória DEBCAD n° 51.002.8268, consolidado em 10/07/2012, no valor de R$ 1.942.112,45 (um milhão, novecentos e quarenta e dois mil e cento e doze reais e quarenta e cinco centavos), referente à multa isolada por compensação indevida, de acordo com o art. 89, §10º da Lei nº 8.212/91, por ter entregue GFIP com informações falsas, inserindo créditos inexistentes. Segundo relatório fiscal, o contribuinte obteve decisão favorável em Agravo de Instrumento nº 001603598.2009.403.000/SP suspendendo a exigibilidade de contribuição previdenciária sobre a rubrica de 1/3 constitucional de férias a partir da data da decisão proferida , qual seja, 09/03/2010.Todavia, o contribuinte compensou contribuições recolhidas a esse título no período 03/2005 a 04/2010, quando o correto seria deixar de recolher contribuições previdenciárias sobre tal rubrica a partir da competência 04/2010. O contribuinte foi intimado do lançamento, pessoalmente, em 11/07/2012, todavia, apresentou impugnação intempestivamente. Desta feita, o lançamento foi mantido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, cuja ementa foi proferida nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2010 a 31/07/2010 DEBCAD: 51.002.8250 e 51.002.8268 IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. Petição apresentada fora de prazo não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade como preliminar. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignada com a decisão, a Prefeitura interpôs Recurso Voluntário tempestivo, alegando, em síntese que: Fl. 130DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 3 0/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10865.721855/201201 Acórdão n.º 2302003.086 S2C3T2 Fl. 4 3 a) É inconstitucional a perda do benefício de redução da multa com a apresentação de recurso por parte do contribuinte. Assim sendo, em caso de não acolhimento do recurso, deve ser devolvida a oportunidade de quitação do débito com a redução constante na intimação ou qualquer outra redução prevista quando da não apresentação de impugnação ou recurso; b) Embasado pelo princípio da razoabilidade, a Fazenda Pública possui prazo dilatado por aplicação subsidiária e analógica do Art. 188 do Código de Processo Civil. Desta feita, devem os autos do processo ser devolvidos à turma julgadora a fim de que seja apreciado o mérito da impugnação apresentada. c) Toda a matéria suscitada nas razões recursais é de ordem pública, por conseguinte, merece apreciação por parte da Autoridade julgadora, cujo dever de reparar o ato ilícito é inconteste. Sem contrarrazões. Assim vieram os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio de Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator. Dos Pressupostos de Admissibilidade Sendo o presente Recurso Voluntário tempestivo e apresentando os requisitos de admissibilidade, passo ao seu exame. Da Impugnação Intempestiva A ora Recorrente foi intimada do lançamento, pessoalmente, em 11/07/2012, e só apresentou impugnação em 16/08/2012, após o recebimento do comunicado do prazo de 30 dias de cobrança amigável para regularizar o presente débito. Aduz, a Recorrente, a tempestividade da impugnação, entendendo que a Fazenda Pública dispõe de prazo dilatado por aplicação subsidiária e analógica do Código de Processo Civil (art. 188). Aponta, também, que a questão posta no AI trata de matéria de ordem pública, podendo ser reconhecida a qualquer tempo pelo Fisco. Tais .alegações não merecem prosperar, vejase: Aos processos administrativos fiscais de determinação e exigência dos créditos fiscais não se aplica o art. 188 do CPC, pois, estes seguem regras específicas Fl. 131DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 3 0/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10865.721855/201201 Acórdão n.º 2302003.086 S2C3T2 Fl. 5 4 estabelecidas pelo Decreto nº 70.235/1972, (cujo status é de lei ordinária), o qual determina, em seus artigos 10 e 15 que o prazo para apresentação da impugnação é de 30 (trinta) dias, contados a partir da ciência do Auto de Infração pelo contribuinte, in verbis: Art.10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da Verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála No prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o Número de matrícula. Art.15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, ser apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Desta feita, se a ciência da decisão deuse em 11/07/2012, o fim do prazo para a apresentação da Impugnação ocorreu em 10/08/2012. Sendo assim, se a ora Recorrente apresentou suas razões em época posterior à data supramencionada (16/08/2012), temos que a Impugnação em referência se encontra, de fato, intempestiva. Sabese que a defesa apresentada intempestivamente equivale à defesa não apresentada e auto de infração não impugnado, não se instaurando a fase litigiosa do processo, operandose, em conseguinte, a preclusão processual. Seguemse os termos do art. 10 da Portaria RFB nº 10.875/2007: Art. 10. A petição apresentada fora do prazo não caracteriza a impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário e não comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade como preliminar. É bem verdade que, como argúi a recorrente, sendo matéria conhecível de ofício poderia se questionar sobre o seu exame, contudo este não é o caso dos autos aqui discutidos. Aplicase, portanto, a jurisprudência há muito consolidada neste conselho: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/2004 a 31/12/2007 IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA PRECLUSÃO PROCESSUAL A declaração de intempestividade da impugnação pelo Acórdão de primeira instância, além de impedir a instauração da fase litigiosa do procedimento, restringe mérito a ser examinado no âmbito do recurso voluntário, que fica limitado à questão da intempestividade. (14041.000692/200961, CAST INFORMÁTICA S/A, Rel. Carlos Alberto Mees Stringari, acórdão nº 2403 001.572). Contribuições Sociais Previdenciárias Fl. 132DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 3 0/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10865.721855/201201 Acórdão n.º 2302003.086 S2C3T2 Fl. 6 5 Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA A impugnação intempestiva impede o inicio do contencioso administrativo. Recurso Voluntário Negado. (10320.003205/200924, FRANGO AMERICANO DO MARANHÃO LTDA, Rel. Liege Lacroix Thomasi, acórdão nº2302002.003). Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/2004 a 31/12/2004 INTEMPESTIVIDADE. Tempestividade é pressuposto intransponível para o conhecimento do recurso. É intempestiva a impugnação apresentada após o decurso de trinta dias da ciência do lançamento ao sujeito passivo. Não se conhece das razões de mérito contidas em impugnação intempestiva. Computase na contagem do prazo o dia de feriado em município diverso do domicílio da recorrente Recurso Voluntário Negado. (12571.000120/200968, THON TUBOS ARTEF DE PAPEL E PAPELÃO S/A, Rel. Julio Cesar Vieira Gomes, acórdão nº 2402001.645, sessão de 14/04/2011). Conclusão Ante todo o exposto, conheço do recurso, para NEGARLHE PROVIMENTO, mantendo a autuação pelo Fisco realizada. É como voto. Sala das Sessões, em 19 de março de 2014. Leonardo Henrique Pires Lopes Fl. 133DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 3 0/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX T HOMASI
score : 1.0
Numero do processo: 10920.911120/2012-58
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2003
EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS/COFINS.
Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS/COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-003.317
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. A Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel votou pelas conclusões.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2003 EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS/COFINS. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS/COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. A Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel votou pelas conclusões. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS/COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. A Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel votou pelas conclusões. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 91 11 20 /2 01 2- 58 Fl. 54DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911120/201258 Acórdão n.º 3801003.317 S3TE01 Fl. 3 2 (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911120/201258 Acórdão n.º 3801003.317 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão, julgado pela 3ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belo Horizonte (DRJ/BHE), referente ao processo administrativo, em que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, não sendo reconhecido o direito creditório. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ/BHE, que assim relatou os autos: O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório nº rastreamento emitido eletronicamente, referente ao PER/DCOMP. O PerDcomp foi transmitido com o objetivo de pedir a restituição de crédito de PIS/PASEP, Código de Receita 8109, no valor original de, decorrente de recolhimento com Darf efetuado. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Assim, diante da inexistência de crédito, a restituição foi INDEFERIDA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN). DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade alegando, em síntese, o que se segue: que o PerDcomp referese a crédito decorrente de pagamento a maior de PIS/Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculos dessas contribuições; que em relação à base de cálculo da Cofins, a Lei Complementar 70/91, que instituiu a cobrança da contribuição, dispõe em seu art. 2º "que a contribuição incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza"; que em relação à base de cálculo do PIS, a Lei Complementar 07/70, que instituiu a cobrança da contribuição dispõe em seu art. 3º que o Fundo de Participação será constituído por duas parcelas, sendo a segunda com recursos calculados com base no faturamento da empresa; que posteriormente as contribuições ao Fl. 56DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911120/201258 Acórdão n.º 3801003.317 S3TE01 Fl. 5 4 PIS e a Cofins passaram a ser disciplinadas pela Lei 9718/98 que dispõe em seu art. 2º, parágrafo 1º que "entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas"; que a Constituição Federal em seu art. 195, I, b, dispõe que "A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, Estados, DF e dos Municípios e das seguintes contribuições sociais: I – do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidente sobre: (...) b) a receita ou o faturamento”; que segundo o dispositivo constitucional citado, apenas poder seia reconhecer, como base de cálculo para o PIS e a Cofins, a receita ou o faturamento, não possuindo autorização para incluir em sua base o valor pago a título de ICMS, visto que tal valor constitui ônus fiscal e não faturamento. Requer a reavaliação do Despacho Decisório. Assim, entendeu a DRJ/BHE por conhecer a manifestação de inconformada apresentada, por ser tempestiva e atender os demais pressupostos de admissibilidade. Entretanto, ao analisar o mérito da manifestação de inconformidade, entendeu a DRJ/BHE por indeferir a solicitação, ratificando a decisão da DRF de origem, não reconhecendo o direito creditório e, por conseqüência, não deferindo o pedido de restituição. O referido julgado contou com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a restituição de crédito que não se comprova existente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte apresentou Recurso Voluntário, postulando a reforma da decisão, por entender que o pedido de restituição de crédito tributário, oriundo da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS se mostra legítimo. Em sua fundamentação, fez a colação de trecho do voto proferido pelo Ministro Marco Aurélio, relator do RE 240.7852/MG, onde ele conclui que o valor correspondente ao ICMS não têm natureza de faturamento ou receita e por isso não incide na base de cálculo do PIS e da COFINS. Fl. 57DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911120/201258 Acórdão n.º 3801003.317 S3TE01 Fl. 6 5 Por fim, refere a Recorrente que o Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da matéria no julgamento do RE 574.706, requerendo que o presente recurso fique sobrestado até pronunciamento definitivo pela Suprema Corte, com fundamento no artigo 62A, § 1º, do Regimento Interno do CARF. É o relatório. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911120/201258 Acórdão n.º 3801003.317 S3TE01 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Tanto na manifestação de inconformidade apresentada, quanto no recurso voluntário interposto, a contribuinte manteve o argumento de que deveria ser excluído o ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. Primeiramente, necessário destacar se há necessidade ou não de sobrestamento do processo. Ocorre que o Supremo Tribunal Federal, em ação declaratória de constitucionalidade proposta pelo Presidente da República (ADC n° 18), deferiu, por maioria, medida cautelar para determinar que juízos e tribunais suspendam o julgamento dos processos em trâmite que envolvam a aplicação do art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718/1998, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF. (MCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito, 13.8.2008) Contudo, em sessão plenária do dia 4.2.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, prorrogar o prazo da decisão liminar concedida, nos termos do voto do relator. (QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Após, em sessão plenária do dia 16.9.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, decidiu novamente por prorrogar o prazo da decisão liminar concedida. (2ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Por fim, em sessão plenária do dia 25.03.2010, o Tribunal, por maioria, resolveu questão de ordem no sentido de prorrogar, pela última vez, por mais 180 dias (cento e oitenta) dias, a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. (3ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Celso de Mello) Deste modo, entendese que após decorrido o prazo de 180 dias, a contar de 25.03.2010, perdeu a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Assim, entendese que não deve haver o sobrestamento da matéria. Outrossim, cabe ainda destacar que o § 1º do Art. 62A do Regimento Interno do CARF que faz referência a contribuinte no presente Recurso Voluntário (interposto em 19/12/2013), estava inclusive já revogado pela Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013. Cumpre ressaltar inclusive que a presente Turma ao apreciar a mesma matéria já se manifestou no sentido de não sobrestar o processo. Tal decisão ocorreu por unanimidade nos autos do processo administrativo n° 10950.003104/201071, de Relatoria do Conselheiro José Luiz Bordignon, em sessão de 27 de novembro de 2012, onde foi lavrado o acórdão n° 3801001.593. No referido acórdão, assim restou decidido: Fl. 59DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911120/201258 Acórdão n.º 3801003.317 S3TE01 Fl. 8 7 “Acordam os membros do colegiado: (I) Por unanimidade de votos, não sobrestar o processo; (II) Por unanimidade votos, negar provimento ao recurso em relação às preliminares de cerceamento de defesa e de que o crédito tributário já sido constituído pelo contribuinte; (III) Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso em relação à preliminar de vício do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que reconheciam a nulidade; (IV) Por unanimidade de votos, no mérito, negar provimento ao recurso.” (grifouse) Deste modo, entendo por não sobrestar o presente processo. Analisando o mérito, verificase que a recorrente alega que a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS promovida pela Lei n° 9.718/98 violou dispositivos da Constituição Federal de 1988. Pretende, em suma, a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, pretendendo a contribuinte a inconstitucionalidade de lei tributária, necessário que seja aplicada ao presente caso a Súmula n° 2 do CARF, que assim dispõe: SÚMULA Nº 2 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por se tratar de matéria constitucional, não sendo competência deste Conselho a sua análise, encaminho voto por negar provimento ao mérito do recurso, consoante o que vem sendo julgado por este Conselho Neste sentido as seguintes ementas deste Conselho: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001PIS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. Sendo a base de cálculo da Cofins o faturamento, nele se incluindo todas as parcelas que o compõem, deve o ICMS integrála. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 2. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. (Acórdão n° 3302 000.745, julgado em 10/12/2010, grifouse) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006, 2007 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas são incompetentes para apreciar argüições de inconstitucionalidade de lei regularmente editada, tarefa privativa do Poder Judiciário. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de Fl. 60DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911120/201258 Acórdão n.º 3801003.317 S3TE01 Fl. 9 8 novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, será aplicada à multa de oficio de 150%. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2005, 2006, 2007 PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. EXCLUSÃO DO ISS E TPT. IMPOSSIBILIDADE. Para fins de determinação da base de cálculo do PIS e da Cofíns, os tributos que podem ser excluídos da receita bruta são o IPI e o ICMS, quando cobrados pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. (Acórdão 1102 000.519, julgado em 03/10/2011, grifouse) Deste modo, encaminho o voto por negar provimento ao recurso voluntário, em razão deste Conselho não ser competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula n° 02 do CARF). É necessário igualmente analisar o mérito do recurso, em que pese as considerações acima trazidas. Apesar de entendimento diverso desse relator, o pedido do contribuinte vai de encontro com a jurisprudência dominante e sumulada do STJ. Importante referir que o pedido da recorrente não possui respaldo no Superior Tribunal de Justiça, que já editou Súmula com o seguinte teor: STJ Súmula nº 68 15/12/1992 DJ 04.02.1993 ICM Base de Cálculo do PIS A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS. Em igual sentido o Tribunal Regional Federal da 4ª. Região assim tem se manifestado: EMENTA: PIS. COFINS. ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. INADMISSIBILIDADE. Os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Por isso, são receitas próprias da contribuinte, não podendo ser excluídos do cálculo do PIS/COFINS, que têm, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. É constitucional e legal a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, §2º, I, da Lei 9.718/98. (TRF4, AC 5008959 23.2010.404.7000, Primeira Turma, Relatora p/ Acórdão Maria de Fátima Freitas Labarrère, D.E. 12/09/2013) Deste modo, entendese que os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Assim, seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Diante disso, são receitas próprias da contribuinte, não Fl. 61DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911120/201258 Acórdão n.º 3801003.317 S3TE01 Fl. 10 9 podendo deixar de ser incluídos no cálculo do PIS e da COFINS, que tem, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. Assim, incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Em face do exposto, encaminho o voto para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É assim que voto. Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator Relator Fl. 62DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 13855.000333/98-06
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/06/1993 a 31/10/1993
RECURSOS. DESISTÊNCIA TÁCITA. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO.
A extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, importa a desistência tácita do recurso em relação à parcela do débito extinta.
SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. DEPÓSITO JUDICIAL.
Comprovada a existência de depósito judicial anterior à lavratura do auto de infração, exclui-se do lançamento os juros de mora e a multa de ofício até o montante garantido pelos depósitos.
COMPENSAÇÃO. FINSOCIAL COM COFINS. CONVALIDAÇÃO.
A convalidação das compensações entre o FINSOCIAL e a COFINS por meio da IN 32/97 só alcança as compensações comprovadamente efetuadas no âmbito do lançamento por homologação. Não tendo o contribuinte apresentado os livros demonstrando o reconhecimento contábil da compensação, não há o que convalidar.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3403-002.961
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso em relação à parcela do débito extinta por compensação e, na parte conhecida, em dar provimento parcial para excluir os consectários do lançamento de ofício em relação ao crédito tributário coberto por depósitos judiciais.
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/06/1993 a 31/10/1993 RECURSOS. DESISTÊNCIA TÁCITA. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. A extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, importa a desistência tácita do recurso em relação à parcela do débito extinta. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. DEPÓSITO JUDICIAL. Comprovada a existência de depósito judicial anterior à lavratura do auto de infração, exclui-se do lançamento os juros de mora e a multa de ofício até o montante garantido pelos depósitos. COMPENSAÇÃO. FINSOCIAL COM COFINS. CONVALIDAÇÃO. A convalidação das compensações entre o FINSOCIAL e a COFINS por meio da IN 32/97 só alcança as compensações comprovadamente efetuadas no âmbito do lançamento por homologação. Não tendo o contribuinte apresentado os livros demonstrando o reconhecimento contábil da compensação, não há o que convalidar. Recurso voluntário provido em parte.
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DESISTÊNCIA TÁCITA. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. A extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, importa a desistência tácita do recurso em relação à parcela do débito extinta. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. DEPÓSITO JUDICIAL. Comprovada a existência de depósito judicial anterior à lavratura do auto de infração, excluise do lançamento os juros de mora e a multa de ofício até o montante garantido pelos depósitos. COMPENSAÇÃO. FINSOCIAL COM COFINS. CONVALIDAÇÃO. A convalidação das compensações entre o FINSOCIAL e a COFINS por meio da IN 32/97 só alcança as compensações comprovadamente efetuadas no âmbito do lançamento por homologação. Não tendo o contribuinte apresentado os livros demonstrando o reconhecimento contábil da compensação, não há o que convalidar. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso em relação à parcela do débito extinta por compensação e, na parte conhecida, em dar provimento parcial para excluir os consectários do lançamento de ofício em relação ao crédito tributário coberto por depósitos judiciais. Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 00 03 33 /9 8- 06 Fl. 1002DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/06/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. Relatório Tratase de auto de infração com ciência pessoal do contribuinte em 30/06/1998, lavrado para exigir o crédito tributário relativo à COFINS, multa de ofício e juros de mora, em razão da falta de recolhimento da contribuição nos períodos de apuração compreendidos entre junho e outubro de 1993, detectada após a conferência de depósitos judiciais. Segundo a descrição dos fatos e enquadramento legal de fls. 08/09, os depósitos judiciais efetuados pelo contribuinte nos autos da medida cautelar nº 92.03045791, foram convertidos em renda em 03/11/94. A fiscalização analisou as bases de cálculo declaradas pelo contribuinte em DIPJ e constatou insuficiência nos valores depositados. O contribuinte foi intimado em 17/10/94 a recolher as diferenças apuradas. O contribuinte não se submeteu à intimação e ajuizou a medida cautelar nº 95.030045756, 2ª Vara Federal de Ribeirão Preto, efetuando o depósito judicial das diferenças apuradas. Posteriormente, a fiscalização analisou os livros diário e razão, constatando que as bases de cálculo efetivas eram superiores às anteriormente consideradas, tanto para os depósitos originais (já convertidos em renda), quanto para os depósitos complementares (decorrente da intimação de 17/10/94). Assim, a soma dos depósitos efetuados, foi insuficiente para garantir o crédito tributário efetivamente devido. O auto de infração foi lavrado sem suspensão da exigibilidade porque os depósitos não foram efetuados pelo montante integral. Na elaboração do auto de infração foram excluídos os valores quitados pela conversão em renda ocorrida em 03/11/94. Em sede de impugnação o contribuinte alegou o seguinte: 1) efetuou a compensação das parcelas devidas a título da COFINS, relativas aos meses de junho a outubro de 1993, com o montante do crédito apurado pelo recolhimento a maior das parcelas do FINSOCIAL, pagas com alíquotas superiores a 0,5%; 2) no entanto, a Fazenda Nacional, apoiandose no disposto no artigo 4º da Instrução Normativa nº 67, de 26 de maio de 1992, entendeu ser incabível a compensação na forma como realizada pela empresa, lavrando o auto de infração; 3) em 17 de outubro de 1994 a Impugnante recebeu a intimação nº 13855/FCA 247/94 para: "recolher no prazo de 30 (trinta) dias, a contar do recebimento desta, as diferenças apuradas referentes ao cofins de 06/93, 07/93 e 08/93, e os meses 09/93 e 10/93, conforme demonstrativo anexo".; 4) essa intimação foi impugnada em 14/11/94, pleiteandose a insubsistência da exigência fiscal e, em consequência, o cancelamento da intimação e arquivamento do processo administrativo; 5) naquela oportunidade, a Impugnante informou que havia impetrado mandado de segurança com o objetivo de obter o reconhecimento da inconstitucionalidade do FINSOCIAL à alíquotas superiores a 0,5% e, a partir desse reconhecimento, a declaração da possibilidade de proceder à autônoma compensação de parcelas já recolhidas, devidamente corrigidas, com as parcelas que se vencerem a título da COFINS e outras da mesma espécie (Processo n° 93.03056027 – 2ª Vara Federal de Ribeirão Preto) — cópia integral anexa; 6) em razão da intimação recebida em 17 de outubro de 1994, onde a Fazenda Nacional acenava que o não atendimento acarretaria a inscrição em dívida ativa, a impugnante ajuizou a ação cautelar de depósito nº 95.03004756, seguida da ação ordinária nº 95.03010179, efetuando o depósito dos valores reclamados e pleiteando a desconstituição do auto de infração (sic); 7) no dia 09 de dezembro de 1997 transitou em julgado o Acórdão do TRF da 3ª Região no mandado de segurança 93.03056027 no qual fora Fl. 1003DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/06/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13855.000333/9806 Acórdão n.º 3403002.961 S3C4T3 Fl. 7 3 reconhecida a inconstitucionalidade da majoração da alíquota do FINSOCIAL e o direito de compensar o indébito devidamente corrigido com a COFINS e a CSL (fls. 373/375); 8) em flagrante violação à coisa julgada, a DRF – Franca, confeccionou novo auto de infração, ora impugnado, onde pleiteia o pagamento do valor da COFINS dos períodos de 06/93 a 10/93; 9) o crédito tributário ora exigido estaria extinto por força de decisão judicial transitada em julgado (art. 156, X, do CTN); 10) não houve a falta de recolhimento nos meses de junho a outubro de 1993, uma vez que a extinção da obrigação tributária nesses períodos se deu pela compensação tida como legal e válida pelo Poder Judiciário; 11) impugnou os consectários do lançamento de oficio. Por meio do despacho de fl. 589 a DRJ – Ribeirão Preto determinou o retorno do processo ao AuditorFiscal incumbido do procedimento, a fim de que se manifestasse acerca do fato de não ter considerado a compensação efetuada e para que o contribuinte fosse intimado a comprovar a existência de créditos relativos ao FINSOCIAL. Os autos retornaram à DRJ com a informação fiscal de fl. 403, dando conta de que: 1) o contribuinte formalizara em 27/08/1999 processo com pedido de compensação nº 13855.001197/9916 requerendo a compensação do mesmo FINSOCIAL pago a maior com débitos do próprio FINSOCIAL e da COFINS do período abarcado pelo auto de infração, ou seja, COFINS do período de 06/93 a 10/93; 2) os DARF de recolhimento do FINSOCIAL estão anexados às fls. 04 a 24 do referido processo de compensação; 3) intimado a apresentar outros recolhimentos a serem considerados, o contribuinte manifestouse pela consideração do depósito judicial autorizado em despacho liminar no processo cautelar nº 95.03004756, por meio do qual tentou impedir a inscrição em dívida ativa das diferenças apuradas; e 4) a fiscalização solicitou a juntada do processo nº 13855.001197/9916 a este processo por apensação. Por meio despacho de fl. 404 a DRJ – Ribeirão Preto entendeu que, mesmo tendo sido protocolado posteriormente ao auto de infração, a DRF – Franca deveria apreciar o mérito do pedido de compensação objeto do processo nº 13855.001197/9916, por versar questão prejudicial ao lançamento de ofício. O processo foi então devolvido mais uma vez para a DRFFranca, a fim de que a autoridade competente se manifestasse sobre o pedido de compensação. Às fls. 405/423 consta o despacho decisório da DRFFranca, proferido no processo de compensação nº 13855.001197/9916. A leitura desse despacho revela que a autoridade administrativa não conseguiu identificar exatamente o que o contribuinte pretendeu compensar. Em razão disso, considerou que o pedido de compensação não poderia constituir confissão de dívida. Houve mera informação dos números de processos relativos aos autos de infração de FINSOCIAL e COFINS. Em relação ao processo de COFINS, a autoridade administrativa entendeu ser mais prudente efetuar a compensação apenas das diferenças não cobertas pelo depósito judicial (fl. 26), uma vez que a impugnação ao auto de infração ainda estava pendente de julgamento pela DRJ. Nessa situação os autos retornaram à DRJ – Ribeirão Preto, que por meio do Acórdão nº 6.457, de 27 de outubro de 2004 (fls. 435/436), não tomou conhecimento da impugnação, em face da desistência tácita do recurso, caracterizada pelo pedido de compensação formulado no processo nº 13855.001197/9916. Regularmente notificado em 25/11/2004 (AR de fl. 450), o contribuinte apresentou recurso voluntário de fls. 454 a 464 em 24/12/2004, por meio do qual argüiu a Fl. 1004DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/06/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 nulidade da decisão de primeira instância por cerceamento do direito de defesa. Alegou ser inverídica a afirmação do relator de primeira instância no sentido de que pleiteara a compensação dos valores totais constituídos neste auto de infração. Ademais, ainda que existisse o pedido de compensação em outro processo, é imperativo que se aguarde o desfecho daquele pedido e que a DRJ respeite o conteúdo da decisão tomada no processo de compensação. Todavia, não foi essa a conduta da DRJ, que, num primeiro momento, baixou o processo em diligência para aguardar o julgamento do processo de compensação (despacho de fl. 404), mas posteriormente, após o conhecimento da decisão proferida naquele processo (fls. 405 a 424), marchou em sentido contrário ao seu próprio despacho, desrespeitando a decisão da DRFFranca que, por mais de uma vez, chamou a atenção para o alcance e limites da questionada compensação nos seguintes termos: “(...) No que tange a compensação do processo 13855.000333/9806, que abarca o Auto de Infração da COFINS, há de se considerar a Impugnação de lançamento, em 30/07/98, ainda não julgada, e dependente do desenlace deste processo. Aqui, algumas observações são importantes. O pedido de compensação protocolado em 27/08/1999, não constitui confissão de dívida. Não há indicação neste documento sobre exatamente aquilo que se pretende compensar. Houve mera informação dos números de processos relativos aos autos de infração acima citados.” A DRJ desrespeitou essa advertência de que o pedido de compensação não constituía confissão de dívida, até mesmo porque não existia indicação precisa do que compensar, e deliberou por ignorar aquela advertência, presumindo não só a confissão de dívida, mas em abusiva extensão que abrangia “os valores totais constituídos no presente processo.” Com esse exagerado comando o julgador de primeira instância contrariou a decisão da DRFFranca, que ao examinar o contexto da compensação naquele processo, havia concluído no despacho decisório, cuja cópia se encontra na fl. 415, o seguinte: “(...) Acolho as razões do Parecer DRF/FCASORAT/ nº 049/2004 de fls. 507/516, para: · Reconhecer o direito creditório consoante tabela demonstrativa dos pagamentos efetuados a maior presente no parecer citado; · Determinar a execução dos procedimentos de compensação dos créditos com o processo nº 13855.000485/9412 e 13855.000333/98 06, neste último, considerandose o demonstrativo de fl. 26 daquele processo.” (grifos como estão no original, na fl. 415)” Essa decisão, negritada e sublinhada pelo seu elaborador, chamava a atenção dos julgadores para o restrito alcance atribuído àquela compensação, que só poderia se referir aos débitos relacionados pelo AuditorFiscal à fl. 26, quais sejam, aqueles resultantes da acusação de pequenas diferenças não abrangidas pelo depósito de fl. 20. Essa conclusão é mais do que óbvia, por ser inimaginável pedido de compensação para valores objeto de depósito em dinheiro. Alegou que foram cometidos dois erros na lavratura do auto de infração, que podem ser revistos de ofício pela DRFFranca, a teor do art. 149 do CTN. O primeiro diz respeito à inclusão de valores que já eram objeto de cobrança pela intimação 13855/FCA 247/94, de 17/10/94 (fls. 98/101), por estarem incluídos em DCTF. E o segundo erro diz respeito à lavratura do auto de infração com multa de ofício e juros de mora para englobar débitos que estavam com a exigibilidade suspensa por ordem judicial e pelo depósito judicial, que incluiu o principal e os encargos da mora, realizado há mais de 3 anos da autuação. Fl. 1005DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/06/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13855.000333/9806 Acórdão n.º 3403002.961 S3C4T3 Fl. 8 5 Diante dos graves erros demonstrados, requereu a defesa que, superandose a invocada nulidade por cerceamento de defesa, seja decretado o cancelamento do auto de infração com base no art. 59, § 3º do Decreto nº 70.235/72. No mérito, alegou que o fisco não demonstrou e nem comprovou as diferenças apontadas na fl. 26 deste processo. Essa falha na autuação se justificaria pelo fato do termo de início de fiscalização ter sido recepcionado no dia 30/06/98 às 13h (fl. 01 e 74), solicitando uma série de esclarecimentos, e duas horas depois ter sido recepcionado o auto de infração, ou seja, no mesmo dia 30/06/98, às 15h. O AuditorFiscal já estava convencido sobre a existência de diferenças e já havia elaborado o auto de infração antes de ter apresentado o termo de início. Além das falhas já apontadas, o AuditorFiscal não concedeu ao contribuinte a faculdade prevista no art. 47 da Lei nº 9.430/96, que assegura o recolhimento com os consectários do procedimento espontâneo no prazo de 20 dias, o que implica nova nulidade passível de cancelamento da autuação. Acrescentou que é incabível a exigência da multa de ofício porque os débitos já eram objeto de cobrança anterior, visto que declarados em DCTF, e não poderiam ter sido lançados de ofício com multa de 75%. Ademais, não é possível a exigência da multa de ofício e dos juros de mora, pois o lançamento foi feito na vigência de cláusula suspensiva da exigibilidade do crédito tributário. Existindo depósito judicial integral prévio à autuação, a jurisprudência administrativa é firme no sentido da exclusão dos consectários, mesmo antes do advento do art. 63 da Lei nº 9.430/96, que também não foi respeitado pela fiscalização. Como se tudo isso não bastasse, a compensação de tributos da mesma espécie (no caso FINSOCIAL com COFINS) não dependia de pedido prévio à Receita Federal, como se vê no art. 14 da IN SRF nº 21/97. A inclusão das parcelas compensadas no auto de infração atenta contra as disposições da IN SRF nº 32/97, por meio da qual a administração convalidou as compensações do FINSOCIAL com a COFINS efetuadas pelos contribuintes. Por meio do Acórdão nº 20400.118 a Quarta Câmara do antigo Segundo Conselho de Contribuintes anulou a decisão de primeira instância por ter entendido que houve o cerceamento do direito de defesa, pela falta de apreciação das razões de impugnação (fls. 491 a 494). A DRJ – Ribeirão Preto efetuou novo julgamento e por meio do Acórdão nº 10.420, de 13/01/2006, julgou procedente o lançamento. No voto condutor do referido Acórdão o mesmo Relator da decisão anulada reafirmou que a solução deste processo não depende da solução do processo de compensação, sendo equivocado o despacho de fl. 404 da DRJ. O Acórdão reafirmou que o pedido de compensação significou a concordância tácita do contribuinte com o lançamento. Contudo, o Relator verificou que essa concordância se referiu apenas ao principal e aos juros de mora, pois a multa de ofício não teria sido incluída no demonstrativo que se seguiu à folha 1 do processo nº 13855.001197/9916. Entendeu a DRJ que o contribuinte não fez a compensação no âmbito do lançamento por homologação, com base na decisão judicial transitada em julgado, pois além de não ter sido apresentada nenhuma prova desse fato, o pedido de compensação só foi apresentado em 27/08/1999, após a primeira intimação da DRF – Franca, feita em 23/07/1999, para que o contribuinte fizesse a comprovação dos indébitos de FINSCOCIAL. Foi decidido, ainda, que não cabe a aplicação do art. 63 da Lei nº 9.430/96, seja em razão de depósito judicial, seja em razão de decisão judicial. Por depósito, não ocorreu a suspensão da exigibilidade porque não foi feito no montante Fl. 1006DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/06/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 integral. E por decisão judicial, encarregouse de demonstrar a própria defesa a inexistência de cláusula suspensiva, ao pleitear administrativamente uma compensação que não fizera antes do procedimento fiscal. Assim, a decisão judicial autorizando a compensação, e não homologando uma compensação já efetuada (posto que não comprovada), não é causa suspensiva da exigibilidade do crédito tributário. A DRJ julgou válido o auto de infração por não ter violado a coisa julgada e manteve a multa de 75% , em face da inexistência de cláusula suspensiva da exigibilidade do crédito tributário anterior ao lançamento. Regularmente notificado do acórdão de primeira instância em 14/02/2006, o contribuinte apresentou recurso voluntário de fls. 518 a 533 em 09 de março de 2006, no qual alegou que mais uma vez que a DRJ – Ribeirão Preto incidiu em nulidade por cerceamento de defesa, pois desobedeceu ao comando do Acórdão 20400.118, uma vez que no segundo julgamento decidiu por não tomar conhecimento da impugnação quanto ao principal e aos juros de mora. No mérito, reprisou as alegações oferecidas no primeiro recurso, inclusive o pedido de aplicação do art. 59, § 3º, do Decreto nº 70.235/72 a fim de que o Conselho de Contribuintes se abstivesse de pronunciar a nulidade da decisão de primeira instância para decidir o mérito de forma favorável ao contribuinte. Por meio do Acórdão nº 20402.272 (fl. 543/546) a Quarta Câmara do extinto Segundo Conselho de Contribuintes deu provimento ao recurso voluntário. Entendeu aquele Colegiado que estando os débitos declarados em DCTF, não era cabível o lançamento de ofício. Relativamente às diferenças não cobertas pelo depósito judicial, houve concordância do contribuinte ao pedir compensação, tanto que essas diferenças foram quitadas pelo saldo remanescente do indébito de FINSOCIAL. Houve interposição de embargos de declaração por parte da Procuradoria da Fazenda Nacional, que foram liminarmente rejeitados pelo Presidente da Câmara (fls. 550 a 559). Regularmente notificada da rejeição dos embargos, a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou recurso especial de divergência (fls. 560 a 610), que foi admitido por meio do despacho de fls. 612 a 614. O contribuinte apresentou contrarrazões de fls. 618 a 635. Por meio do Acórdão nº 930301.197 (fls. 638/645), a Câmara Superior de Recursos Fiscais deu provimento ao recurso de divergência, fixando entendimento no sentido de que não existia obstáculo ao lançamento de ofício em relação a débitos declarados pelo contribuinte. Ficou decidido que as questões relativas aos valores lançados que já haviam sido declarados em DCTF, bem como a alegada compensação de valores, deveriam ser tratadas apropriadamente pela instância julgadora a quo, notadamente para se saber se os créditos na compensação seriam suficientes para liquidação dos débitos ora exigidos. Nessas condições, o processo foi sorteado a este Relator na reunião do mês de abril de 2012. Por meio da Resolução 3403000.380, de 26 de setembro de 2012, o julgamento foi convertido em diligência à DRFFranca a fim de que a autoridade administrativa adotasse as seguintes providências: "(...) 1) sejam anexados ao eprocesso os arquivos PDF com a imagem do processo de compensação nº 13855.001197/9916, a fim de que este Colegiado tenha acesso Fl. 1007DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/06/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13855.000333/9806 Acórdão n.º 3403002.961 S3C4T3 Fl. 9 7 ao seu conteúdo integral. Este colegiado precisa conhecer a íntegra desse processo, para saber o que o contribuinte pretendeu compensar e estabelecer o alcance do despacho decisório; 2) sejam anexadas aos autos as cópias das DCTF onde foram declarados os débitos que originaram a intimação 13855/FCA247/94, de 17/10/94 (fls. 98/101). Na hipótese de inexistência das DCTF ou dos débitos não terem sido declarados, solicitase à autoridade administrativa que informe a origem dos valores consignados na referida intimação; 3) seja o contribuinte intimado a comprovar o reconhecimento contábil da compensação de FINSOCIAL com a COFINS, que teria sido efetuada nos meses de 06/93 a 10/93, com base na decisão judicial transitada em julgado no mandado de segurança nº 93.03056027. A comprovação deverá ser feita por meio da apresentação de cópias dos livros diário e razão com os lançamentos contábeis referentes à compensação referida. As cópias dos livros deverão vir acompanhadas dos respectivos termos de abertura e de encerramento, de uma cópia do plano de contas vigente à época e de uma explicação escrita do contribuinte sobre como foi feita a contabilização, ou seja, o nome das contas debitadas e creditadas, as datas dos lançamentos e as páginas do livro em que podem ser verificados. Todas as cópias deverão ser legíveis; 4) seja o contribuinte intimado a apresentar certidão de objeto e pé relativa à ação cautelar nº 95.03004756, que indique a situação do valor depositado (se ainda está depositado, se foi levantado, ou se foi convertido em renda); 5) seja o contribuinte intimado do inteiro teor desta resolução e a apresentar certidão de objeto e pé relativa à ação ordinária nº 95.03010179, que, segundo a impugnação, teria sido ajuizada para desconstituir a exigência contida na intimação 13855/FCA247/94, de 17/10/94, da antiga Agência da Receita Federal em Franca SP. (...)" Os autos retornaram com os documentos de fls. 654 a 702, contendo certidões de objeto e pé das duas ações judiciais, extrato das DCTF do período autuado, informações prestadas pelo contribuinte e informação da autoridade administrativa onde consta que o processo de compensação 13855.001197/9916 está apensado a este processo no e processo e os autos em papel foram encaminhados ao CARF. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Com a anulação do acórdão 20402.272 pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, o processo retornou à fase de julgamento do recurso voluntário. Conforme relatado, os valores apurados e lançados pela fiscalização à fl. 06 se referem às diferenças devidas em relação ao valor convertido em renda da União e que se Fl. 1008DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/06/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM 8 encontrava depositado na Caixa Econômica Federal na conta 201400510680 (Medida Cautelar nº 92.03045791). Essas diferenças foram apuradas a partir das bases de cálculo extraídas dos livros do contribuinte e, segundo relato da fiscalização, englobam os valores anteriormente exigidos por meio da carta de cobrança 13855/FCA247/94. Observese que os valores das bases de cálculo utilizadas pela fiscalização na feitura do lançamento (fl. 09) coincidem com os valores informados pelo contribuinte na fl. 11. O demonstrativo de fl. 11 foi elaborado e assinado pelo contabilista do Magazine Luíza. Portanto, ao contrário do que alegou a defesa, a fiscalização não tinha que ter demonstrado no que consistiam as diferenças, pois os valores retirados dos livros coincidem com os informados pelo Magazine Luiza. O contribuinte contestou a carta de cobrança 13855/FCA247/94 em juízo, efetuando depósito da quantia exigida nos autos da medida cautelar nº 95.03004756, ingressando posteriormente com a ação ordinária pleiteando a desconstituição da cobrança. Assim, é inequívoco que uma parcela dos valores lançados no auto de infração está sub judice e amparada por depósitos judiciais (a parcela objeto na carta de cobrança), enquanto que outra parcela, aquela apurada na fl. 26, não está amparada por depósito judicial. O primeiro óbice oposto pelo contribuinte em seu recurso voluntário, foi a nulidade da decisão de primeira instância. Não vislumbro a nulidade alegada. Embora o relator da DRJ tenha permanecido irredutível quanto à independência entre os processos do auto de infração e de compensação, ele reviu o seu entendimento em relação ao acórdão anterior e julgou a impugnação do contribuinte, enfrentando e decidindo várias questões colocadas pela defesa. A defesa pode não concordar com que ali restou decidido, mas não tem como alegar nulidade em razão da DRJ não ter tomado conhecimento da impugnação. Em que pese o fato de não haver nulidade na decisão da DRJ, não há como se concordar com a tese lá sustentada, no sentido de que o julgamento deste processo independe do resultado do processo de compensação. A tese chega a ser contraditória, pois ao mesmo tempo em que afirma a independência dos dois processos, afirma que houve renúncia tácita ao direito de recorrer do auto de infração em função do pedido de compensação que considera independente. A grande questão neste processo era estabelecer o alcance da compensação pleiteada pelo contribuinte. E o acesso ao inteiro teor do processo 13855.001197/9916 confirma as alegações do contribuinte em sede de recurso voluntário, no sentido de que não pleiteou a compensação da parcela do crédito tributário depositada em juízo. Vejamos. Em relação às diferenças apontadas na fl. 26, verificase que foram compensadas pela autoridade administrativa da DRF Franca a pedido do contribuinte, conforme se pode constatar no processo apenso (13855.001197/9916). Nas fls. 507 a 516 do processo de compensação, se pode constatar que a autoridade administrativa, diante do pedido genérico do contribuinte, entendeu por bem compensar apenas as diferenças de fl. 26, as quais constituem valores residuais após descontados todos os depósitos em juízo. Em outras palavras: a autoridade administrativa teve o bom senso de compensar apenas a parte não controvertida em juízo, pois, afinal de contas, o contribuinte estava pedindo a desconstituição do débito objeto dos depósitos judiciais. Fl. 1009DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/06/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13855.000333/9806 Acórdão n.º 3403002.961 S3C4T3 Fl. 10 9 A extinção do débito de fl. 26 por compensação, sem nenhuma ressalva do contribuinte, uma vez que o processo 13855.001197/9916 está findo administrativamente, constitui desistência tácita e parcial do recurso, a teor do disposto no art. 78, § 2º do Regimento Interno do CARF. Sendo assim, voto no sentido de não conhecer do recurso nesta parte. A extinção dos débitos de fl. 26 por compensação fez com que restasse em discussão apenas o débito depositado em juízo, que já havia sido exigido por meio da intimação 13855/FCA247/94. No que concerne a esse débito, a defesa contesta os seguintes pontos: 1) os consectários do lançamento de ofício devem ser excluídos porque os débitos estavam com exigibilidade suspensa antes da lavratura do auto de infração, além de terem sido declarados em DCTF; 2) não foi concedido o prazo de 20 dias do art. 47 da Lei nº 9.430/96 e 3) a compensação de tributos da mesma espécie FINSOCIAL com COFINS não dependia de pedido prévio ao fisco e a IN 32/97 convalidou essas compensações. É incontroverso que os mesmos valores exigidos por meio da intimação 13855/FCA247/94 da antiga Agência da Receita Federal em FrancaSP foram incluídos no auto de infração após o contribuinte ter ajuizado a ação para desconstituir o débito. Assim, tratase do mesmo débito que está sendo exigido por meio de instrumentos diferentes. A questão dos valores ora exigidos estarem declarados em DCTF não pode ser aferida nos autos, pois a repartição juntou extrato das DCTF retificadoras e não as originais. De qualquer forma, como a alegação nesse sentido foi do contribuinte, cabia a ele o ônus de provála, juntando as DCTF originais, o que não foi feito. A existência da intimação 13855/FCA247/94 faz presumir que os débitos estavam declarados nas DCTF originais, mas não prova esse fato. Mas essa questão da declaração em DCTF está superada, pois o Acórdão da Câmara Superior, que anulou o julgamento do Conselho de Contribuintes fixou entendimento no sentido de que não havia obstáculo ao lançamento de ofício de valores confessados ao fisco. No que concerne à suspensão da exigibilidade do crédito tributário, verifica se que o contribuinte está com a razão. A certidão de objeto e pé de fl. 2824, referente à medida cautelar de depósito nº 95.03004756 revela que o crédito tributário estava com sua exigibilidade suspensa antes da lavratura do auto de infração. A medida cautelar foi proposta em 18/01/1995 e o depósito de fl. 20 foi efetuado em 19/01/1995, enquanto que o auto de infração foi notificado ao contribuinte três anos depois, em 30/06/1998. Portanto, tratandose de depósito integral que ainda permanece à disposição do juízo, conforme atesta a certidão de fl. 2824, deve ser excluída a exigência dos juros de mora e da multa de ofício sobre os valores depositados e mantida a suspensão da exigibilidade do crédito tributário até que sobrevenha a conversão em renda da União, pois segundo o teor da Fl. 1010DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/06/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM 10 certidão de objeto e pé relativa à ação ordinária 95.03010179 (fls 2825/2826), houve sucumbência da recorrente. A defesa reclama quanto ao fato da fiscalização ter lavrado o auto de infração e não ter concedido o prazo de 20 dias para recolhimento com os acréscimos do pagamento espontâneo. O contribuinte não tem do que reclamar, pois na data do auto de infração já estava contestando a cobrança em juízo. Então, ainda que a fiscalização tivesse concedido o prazo de 20 dias, o recolhimento não seria efetuado, como de fato não foi até hoje. Outro ponto questionado pela defesa, foi o fato das diferenças objeto da carta de cobrança serem originárias de uma compensação de crédito de FINSOCIAL com a COFINS, efetuada no âmbito do lançamento por homologação, nos termos do art. 66 da Lei nº 8.383/91. Segundo a defesa, essa compensação entre tributos da mesma espécie podia ser feita independentemente de pedido prévio à Receita Federal e foi convalidada pela IN SRF nº 32/97. No que concerne à interpretação das normas, a defesa está correta. Quando a compensação tributária foi instituída pelo art. 66 da Lei nº 8.383/91 a Receita Federal baixou a IN nº 67/92 considerando tributos da mesma espécie aqueles que possuíam o mesmo código de arrecadação. Ou seja, a administração só considerava da mesma espécie tributos idênticos. Após uma enxurrada de decisões do Poder Judiciário que consideraram o FINSOCIAL e a COFINS tributos da mesma espécie, a Receita Federal baixou a IN 32/97 convalidando as compensações entre o FINSOCIAL e COFINS. Acontece que só se pode convalidar algo que já tenha sido feito. Uma das solicitações da diligência era que o contribuinte fosse intimado a comprovar o reconhecimento contábil da compensação entre o FINSOCIAL e a COFINS nos meses de junho a outubro de 1997. E no caso, o próprio contribuinte informou às fls. 2806/2087 que não localizou os livros contendo o reconhecimento contábil da compensação que alegou ter efetuado. O ônus da prova dos fatos impeditivos, modificativos ou extintivos da pretensão fazendária cabe ao contribuinte, a teor do art. 16, III, do Decreto nº 70.235/72. Não tendo se desincumbido do ônus de provar a existência da compensação, fato impeditivo da pretensão fazendária, há que se manter a exigência das diferenças apuradas pela fiscalização. Sendo assim, ainda que o contribuinte tenha algum saldo residual de FINSOCIAL suficiente para quitar os débitos de COFINS mantidos por esta decisão, o CARF não acolhe pedido de compensação como matéria de defesa. Ao contribuinte resta transmitir uma declaração de compensação vinculando o crédito remanescente de FINSOCIAL aos débitos ora mantidos e, posteriormente, pleitear o levantamento do depósito judicial. Ou então pleitear conversão renda daqueles depósitos e utilizar o crédito de FINSOCIAL para outro fim. Por fim, cabe frisar mais uma vez que, a teor da narrativa fiscal, os débitos da intimação 13855/FCA247/94, da antiga Agência da Receita Federal em Franca, são os mesmos que remanesceram neste auto de infração após a compensação dos débitos de fl. 26 nos autos do processo 13855.001197/9916. Assim, a eventual conversão em renda dos depósitos judiciais liquidará tanto a carta de cobrança, quanto os débitos remanescentes neste auto de infração, pois se trata do mesmo débito que foi objeto de dois instrumentos de cobrança. Com esses fundamentos, voto no sentido de não conhecer do recurso em relação aos débitos aqui lançados e compensados no processo em apenso e, na parte conhecida, por dar provimento parcial para excluir os consectários do lançamento de ofício em relação à parcela do crédito tributário coberta pelos depósitos judiciais. Fl. 1011DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/06/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13855.000333/9806 Acórdão n.º 3403002.961 S3C4T3 Fl. 11 11 Antonio Carlos Atulim Fl. 1012DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/06/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 19515.000809/2005-82
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/1998 a 28/02/1999
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE.
Por intempestivo, não se conhece do Recurso Voluntário protocolado após o prazo de trinta dias, a contar da ciência da decisão de primeira instância.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3403-003.040
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/1998 a 28/02/1999 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. Por intempestivo, não se conhece do Recurso Voluntário protocolado após o prazo de trinta dias, a contar da ciência da decisão de primeira instância. Recurso Voluntário Não Conhecido Crédito Tributário Mantido
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/1998 a 28/02/1999 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. Por intempestivo, não se conhece do Recurso Voluntário protocolado após o prazo de trinta dias, a contar da ciência da decisão de primeira instância. Recurso Voluntário Não Conhecido Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern Relator Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. Relatório Tratase de auto de infração (fls. 12/18), lavrado em 15.03.2005, para exigência da multa regulamentar em razão do atraso na entrega da Declaração Especial de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 08 09 /2 00 5- 82 Fl. 111DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN 2 Informações Relativas ao Controle do Papel Imune (DIFPapel Imune), relativa ao 4 trimestre de 2002 e ao 2 trimestre de 2004. O lançamento foi amparado nos dispositivos legais relacionados na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal da exigência fiscal, merecendo destaque o artigo 57 da MP n 2.15835/ 2001, os arts. 11 e 12 da IN/SRF n 71/2001 e a IN/SRF 159/2002. Cientificado da exigência em 16.03.2005 (AR de fls. 19), o recorrente impugnou o lançamento em 14.04.2005 (fls. 23), argumentando, em síntese, que era optante pelo SIMPLES e, não tendo sido beneficiado com a redução da multa regulamentar prevista no art. 57, parágrafo único, da MP n 2.15835/ 2001, a infração seria ilegal e o auto de infração deveria ser cancelado. Juntou aos autos comprovante de que seria optante pelo SIMPLES a partir de 01.01.2003 (fls. 25). A DRJ/Ribeirão PretoSP julgou procedente a exigência (fls. 49/54), sustentando que a redução da multa já teria sido aplicada quando do lançamento. Com a ciência do r. acórdão da DRJ em 22.09.2008 (fls. 59verso), o recorrente interpôs o presente voluntário em 18.11.2008 (fls. 62), repisando os argumentos já ofertados na impugnação. Em sessão realizada em 24 de janeiro de 2012, este Colegiado resolveu converter o julgamento em diligência, para que fosse atestada a tempestividade do recurso (Resolução nº 3403000.285, fls. 91 a 93). A DERAT SPO / DICAT / EQCOB produziu então o Relatório de Diligência de fls. 101, em que se esclarece: “Em atendimento à solicitação da EQCOB, conforme despacho de fls. 97 do eprocesso, esclareço que constam registros nos livros de controle de entrada de documentos, mantidos neste CAC, de protocolos realizados pelo contribuinte nos dias 17/11/2008 e 18/11/2008. Ocorre que no primeiro protocolo, realizado dia 17/11/2008, foi aposta apenas uma ressalva de que não foi apresentado documento de identificação, pois o requerimento fazia menção desta apresentação por parte do contribuinte. Acredito que o protocolo do dia 18/11/2008 foi apenas para regularizar o apontamento feito no dia anterior, sendo que o mais coerente seria solicitar apenas a juntada de documento e não apresentar a impugnação novamente.” Assim, a data de protocolo do recurso voluntário seria 17/11/2008. Em relação ao item “b”, informamos que houve expediente normal entre os dias 22.09.2008 e 22.10.2008 e que não há registros de evento que prejudicasse o protocolo neste período. Em relação ao item “c”, pedimos que seja desconsiderada a informação que consta no despacho mencionado acerca da tempestividade do recurso voluntário. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 19515.000809/200582 Acórdão n.º 3403003.040 S3C4T3 Fl. 112 3 Intimado do Relatório de Diligência, em 27/09/2012, o interessado deixou transcorrer o prazo que lhe foi aberto sem interpor qualquer manifestação. O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração digitalmente estabelecida. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Liminarmente, consigno que a ciência da decisão recorrida ocorreu em 22.09.2008, cfe. A.R. de fls. 64, razão pela qual o protocolo do recurso, quer no dia 17, quer no dia 18.11.2008, implica a sua intempestividade. Não se conhece de apelo formalizado depois de findo o trintídio recursal. Sala de sessões, em 29 de maio de 2014 Fl. 113DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 10980.725701/2011-83
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006, 2007, 2008, 2009, 2010, 2011
NULIDADE DO LANÇAMENTO.
Não padece de nulidade o Auto de Infração que seja lavrado por autoridade competente, com observância ao art. 142, do CTN, e arts. 10 e 59, do Decreto nº 70.235/72, contendo a descrição dos fatos e enquadramentos legais, permitindo ao contribuinte o pleno exercício do direito de defesa, mormente quanto se constata que o mesmo conhece a matéria fática e legal e exerceu, dentro de uma lógica razoável e nos prazos devidos, o seu direito de defesa.
PRESCRIÇÃO. ART. 174 DO CTN. TERMO INICIAL. DATA DA CONSTITUIÇÃO DEFINITIVA DO CRÉDITO.
A ação para cobrança do crédito tributário prescreve em 5 (cinco) anos, contados da data de sua constituição definitiva. Torna-se definitivo o lançamento quando o contribuinte, notificado, deixa de impugnar, intimado da decisão, deixa de recorrer, ou é intimado da decisão final não mais sujeita a recurso.
TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO.
Existindo a comprovação de ocorrência de dolo, fraude ou simulação por parte do contribuinte, o termo inicial da contagem do prazo decadencial será o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (CTN, Art. 173, I). Súmula CARF nº 72: Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial rege-se pelo art. 173, I, do CTN
Quando não configurada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação e havendo antecipação do pagamento do imposto, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, a contagem do prazo se inicia na data de ocorrência do fato gerador (CTN, Art. 150, § 4º), esclarecendo-se que o fato gerador do imposto sobre a renda se completa e se considera ocorrido em 31 de dezembro de cada ano calendário.
DIRPF. DEDUÇÕES. COMPROVAÇÃO. RIR/1999.
Conforme comanda o Regulamento do Imposto de Renda/1999 (Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999), todas as deduções estão sujeitas a comprovação, a juízo da autoridade administrativa. Regularmente intimado, compete ao contribuinte trazer a documentação hábil e idônea, específica para cada caso, na forma da legislação aplicável, a fim de comprovar que faz jus às deduções pleiteadas. (arts. 73, 77, 78 e 80)
MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. AUMENTO EM CASO DE NÃO ATENDIMENTO À INTIMAÇÃO
Presentes os pressupostos de exigência, cobra-se multa de ofício pelo percentual legalmente determinado. (Art. 44, da Lei 9.430/1996). Os percentuais de multa serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para prestar esclarecimentos.
MULTA AGRAVADA DE 150%. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO DOLO. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO POR PRESUNÇÃO
É a espécie de multa que tem por conteúdo a agravação da penalidade. É aplicada quando a Administração demonstra, por elementos seguros de prova, no Auto de Infração, a existência da intenção do sujeito infrator de atuar com dolo, fraudar ou simular situação perante o Fisco.
A autuação com base em presunção de dolo não autoriza o Fisco ao agravamento da multa proporcional, ao percentual de 150%. O ônus, neste caso, quanto à situação fática que consubstancie o agravamento da multa, é da Administração Fiscal
JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. APLICAÇÃO.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4)
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2801-003.393
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para reduzir o percentual de multa aplicada a 75% e reconhecer a decadência, em relação ao ano-calendário de 2005, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006, 2007, 2008, 2009, 2010, 2011 NULIDADE DO LANÇAMENTO. Não padece de nulidade o Auto de Infração que seja lavrado por autoridade competente, com observância ao art. 142, do CTN, e arts. 10 e 59, do Decreto nº 70.235/72, contendo a descrição dos fatos e enquadramentos legais, permitindo ao contribuinte o pleno exercício do direito de defesa, mormente quanto se constata que o mesmo conhece a matéria fática e legal e exerceu, dentro de uma lógica razoável e nos prazos devidos, o seu direito de defesa. PRESCRIÇÃO. ART. 174 DO CTN. TERMO INICIAL. DATA DA CONSTITUIÇÃO DEFINITIVA DO CRÉDITO. A ação para cobrança do crédito tributário prescreve em 5 (cinco) anos, contados da data de sua constituição definitiva. Torna-se definitivo o lançamento quando o contribuinte, notificado, deixa de impugnar, intimado da decisão, deixa de recorrer, ou é intimado da decisão final não mais sujeita a recurso. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. Existindo a comprovação de ocorrência de dolo, fraude ou simulação por parte do contribuinte, o termo inicial da contagem do prazo decadencial será o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (CTN, Art. 173, I). Súmula CARF nº 72: Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial rege-se pelo art. 173, I, do CTN Quando não configurada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação e havendo antecipação do pagamento do imposto, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, a contagem do prazo se inicia na data de ocorrência do fato gerador (CTN, Art. 150, § 4º), esclarecendo-se que o fato gerador do imposto sobre a renda se completa e se considera ocorrido em 31 de dezembro de cada ano calendário. DIRPF. DEDUÇÕES. COMPROVAÇÃO. RIR/1999. Conforme comanda o Regulamento do Imposto de Renda/1999 (Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999), todas as deduções estão sujeitas a comprovação, a juízo da autoridade administrativa. Regularmente intimado, compete ao contribuinte trazer a documentação hábil e idônea, específica para cada caso, na forma da legislação aplicável, a fim de comprovar que faz jus às deduções pleiteadas. (arts. 73, 77, 78 e 80) MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. AUMENTO EM CASO DE NÃO ATENDIMENTO À INTIMAÇÃO Presentes os pressupostos de exigência, cobra-se multa de ofício pelo percentual legalmente determinado. (Art. 44, da Lei 9.430/1996). Os percentuais de multa serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para prestar esclarecimentos. MULTA AGRAVADA DE 150%. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO DOLO. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO POR PRESUNÇÃO É a espécie de multa que tem por conteúdo a agravação da penalidade. É aplicada quando a Administração demonstra, por elementos seguros de prova, no Auto de Infração, a existência da intenção do sujeito infrator de atuar com dolo, fraudar ou simular situação perante o Fisco. A autuação com base em presunção de dolo não autoriza o Fisco ao agravamento da multa proporcional, ao percentual de 150%. O ônus, neste caso, quanto à situação fática que consubstancie o agravamento da multa, é da Administração Fiscal JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4) Recurso Voluntário Provido em Parte.
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Não padece de nulidade o Auto de Infração que seja lavrado por autoridade competente, com observância ao art. 142, do CTN, e arts. 10 e 59, do Decreto nº 70.235/72, contendo a descrição dos fatos e enquadramentos legais, permitindo ao contribuinte o pleno exercício do direito de defesa, mormente quanto se constata que o mesmo conhece a matéria fática e legal e exerceu, dentro de uma lógica razoável e nos prazos devidos, o seu direito de defesa. PRESCRIÇÃO. ART. 174 DO CTN. TERMO INICIAL. DATA DA CONSTITUIÇÃO DEFINITIVA DO CRÉDITO. A ação para cobrança do crédito tributário prescreve em 5 (cinco) anos, contados da data de sua constituição definitiva. Tornase definitivo o lançamento quando o contribuinte, notificado, deixa de impugnar, intimado da decisão, deixa de recorrer, ou é intimado da decisão final não mais sujeita a recurso. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. Existindo a comprovação de ocorrência de dolo, fraude ou simulação por parte do contribuinte, o termo inicial da contagem do prazo decadencial será o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (CTN, Art. 173, I). Súmula CARF nº 72: Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial regese pelo art. 173, I, do CTN Quando não configurada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação e havendo antecipação do pagamento do imposto, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, a contagem do prazo se inicia na data de ocorrência do fato gerador (CTN, Art. 150, § 4º), esclarecendose que o fato AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 57 01 /2 01 1- 83 Fl. 171DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 14 /03/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10980.725701/201183 Acórdão n.º 2801003.393 S2TE01 Fl. 172 2 gerador do imposto sobre a renda se completa e se considera ocorrido em 31 de dezembro de cada ano calendário. DIRPF. DEDUÇÕES. COMPROVAÇÃO. RIR/1999. Conforme comanda o Regulamento do Imposto de Renda/1999 (Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999), todas as deduções estão sujeitas a comprovação, a juízo da autoridade administrativa. Regularmente intimado, compete ao contribuinte trazer a documentação hábil e idônea, específica para cada caso, na forma da legislação aplicável, a fim de comprovar que faz jus às deduções pleiteadas. (arts. 73, 77, 78 e 80) MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. AUMENTO EM CASO DE NÃO ATENDIMENTO À INTIMAÇÃO Presentes os pressupostos de exigência, cobrase multa de ofício pelo percentual legalmente determinado. (Art. 44, da Lei 9.430/1996). Os percentuais de multa serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para prestar esclarecimentos. MULTA AGRAVADA DE 150%. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO DOLO. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO POR PRESUNÇÃO É a espécie de multa que tem por conteúdo a agravação da penalidade. É aplicada quando a Administração demonstra, por elementos seguros de prova, no Auto de Infração, a existência da intenção do sujeito infrator de atuar com dolo, fraudar ou simular situação perante o Fisco. A autuação com base em presunção de dolo não autoriza o Fisco ao agravamento da multa proporcional, ao percentual de 150%. O ônus, neste caso, quanto à situação fática que consubstancie o agravamento da multa, é da Administração Fiscal JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4) Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para reduzir o percentual de multa aplicada a 75% e reconhecer a decadência, em relação ao anocalendário de 2005, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente. Fl. 172DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 14 /03/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10980.725701/201183 Acórdão n.º 2801003.393 S2TE01 Fl. 173 3 Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Relatório Em desfavor da contribuinte recorrente foi lavrado Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoas Físicas, relativo ao exercícios de 2006, 2007, 2008, 2009, 2010 e 2011, anos calendário de 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 e 2010, respectivamente. Observase que no demonstrativo do crédito tributário existe o imposto de renda da pessoa física de R$ 50.529,44, com multa de ofício de R$ 59.073,10, que foi aplicada em percentuais de 112,5 % e 225% (este parcialmente, no ano de 2005) e juros de mora, calculados pela taxa Selic Verificase, das infrações apontadas, que a autoridade fiscal que procedeu à apuração e lançamento do crédito tributário, consignou, em suma, na “descrição dos fatos” (fl. 46 e seguintes) que constatou: 1 Dedução indevida com dependente. 1.1 Exercício de 2006 e 2007. Intimado a comprovar os dependentes declarados, nada apresentou. Glosa do filho Aldemir por ter completado 23 anos e não se ter comprovado que cursava Universidade. 1.2 Exercício de 2010. Glosa da esposa Silvana. Falta de comprovação do vínculo marital. 2 – Dedução indevida com despesas médicas. Exercícios de 2006 a 2011. Intimado a comprovar as despesas declaradas, nada apresentou. Glosa total das despesas. Como no exercício de 2006 declarou despesas com Bruno Brambilla no valor de R$ 7.200,00 e esse “negou a prestação de serviço e recebimento” cometeu em tese crime contra a ordem tributária e a multa foi qualificada e agravada (225%); 3 – Dedução indevida com pensão judicial. Exercícios de 2006 a 2011. Não comprovou a obrigação de pagar pensão a Rejane Blash, com a apresentação da sentença judicial homologatória do acordo e os comprovantes do efetivo pagamento. Nada apresentou. Quanto à infração referente às despesas médicas, consta da folha 05 uma declaração de Bruno Brambilla, que presta esclarecimentos e diz que os pacientes listados (vários) “não tiveram prontuários médicos localizados, não conseguindo validar os valores informados como tendo sido recebidos.” Fl. 173DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 14 /03/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10980.725701/201183 Acórdão n.º 2801003.393 S2TE01 Fl. 174 4 As três infrações contém enquadramentos legais, que se pode observar fazem referência ao Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999, ao Decretolei 5.844/43 e à Lei 9.250/1995. No caso da multa agravada, referiuse aos artigos 150, § 4º c/c art. 173 do CTN. (fls. 46 e seguintes) Na folha 3 consta a “Intimação” lavrada por Auditor Fiscal, em 15 de setembro de 2011, que baseandose no RIR/1999 intimou o contribuinte a apresentar diversos documentos, referentes a rendimentos recebidos, dependentes, despesas médicas, despesas com instrução e despesa com pensão alimentícia. O Aviso de Recebimento está anexado na folha 04, com data de 01/10/2011. Recebido o Auto de Infração, foi impugnado (fl. 54) e tratado pela DRJ/CURITIBA com as seguintes razões, que resumo (fl. 111): Quanto à nulidade argüida, há que se esclarecer que em matéria de processo administrativo fiscal não há que dela se cogitar caso não se encontrem presentes as circunstâncias previstas pelo art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972; No que se refere à descrição dos fatos, constatase que o auto de infração identifica, com clareza, as razões correlatas, mesmo porque de extrema simplicidade, relacionadas à glosa de algumas deduções (dependentes, despesas médicas e pensão alimentícia), por falta de comprovação, após intimação. Os dispositivos legais infringidos, da mesma forma, encontramse devidamente indicados no auto de infração, tratando, em contrapartida, das normas que conferem à fiscalização a prerrogativa de exigir a comprovação ou justificação que entenda cabível e das regras que disciplinam as deduções passíveis de serem efetuadas, não se vislumbrando prejuízo algum ao direito de defesa do contribuinte, que, ademais, demonstra haver compreendido perfeitamente todos os aspectos relacionados à medida fiscal, tanto que, no mérito, os discute especificamente; O impugnante alega prescrição, aduzindo que, em se tratando de tributo sujeito ao lançamento por homologação, teria o fisco o prazo de cinco anos para exigir o débito declarado e não pago, tese que ilustra com jurisprudência, que, por sua vez, reputa hábil a constituição de crédito tributário por meio de DCTF, que, não pago, estaria sujeito ao prazo prescricional do art. 174 do CTN. Durante o curso do processo administrativo fiscal, como não houve, ainda, a constituição definitiva do crédito tributário, não há que se falar em prescrição; Em relação ao filho, ALDEMIR RICARDO BLASCH PINTO, nascido em 28/06/1982 (fl. 96), o impugnante, embora alegue, não comprova a condição de universitário, um dos requisitos necessários à dedução de dependente com idade superior a 21 anos, nos termos do art. 35, III, § 1º da Lei nº 9.250, de 1995; Quanto ao cônjuge, SILVANA SWIECH BACH, o impugnante apresenta, à fl. 107, certidão de casamento, devendo ser restabelecida a dedução de R$ 1.730,40, que, em relação ao ano calendário 2009, implica o cancelamento da exigência de R$ 475,86 de imposto, além da multa de ofício e dos acréscimos legais correspondentes; No tocante às despesas médicas as glosas fiscais Competiria ao impugnante, nesse contexto, trazer ao processo as provas que alega possuir, a fim de submetêlas ao julgamento, o que o interessado não fez, desatendendo, inclusive, o disposto nos arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235, de 1972. Nesse contexto, tendo o interessado baseado sua contestação em meras alegações de que disporia de recibos, não produzindo a prova material que lhe Fl. 174DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 14 /03/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10980.725701/201183 Acórdão n.º 2801003.393 S2TE01 Fl. 175 5 caberia trazer aos autos a fim de demonstrar o direito às deduções discutidas, deve ser mantido o lançamento. Quanto ao agravamento da multa em relação à despesa declarada com Bruno Brambilla, manifestouse pela procedência, tendo em vista a não apresentação de documentos, fato que em sua opinião reforça a infração apurada; Quanto ao pagamento de pensão alimentícia, entende que o requisito básico para a dedução das importâncias pagas a título de pensão alimentícia é que o pagamento decorra do cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. Os documentos apresentados, do ponto de vista formal, não preenchem os requisitos legais, uma vez que o interessado não trouxe ao processo a comprovação de que a separação ocorreu na forma em que pleiteada, ou seja, não há prova de que tenha havido a homologação judicial do pedido. Desse modo, não há como se precisar os contornos e limites da pensão alimentícia judicial, não se podendo afirmar que teria sido acolhida nos termos em que solicitada. Tratou ainda da “tese” do Impugnante de que a conduta reiterada do contribuinte contaria com a aprovação do Fisco, por longo tempo, e citando o art. 100 do CTN, seria norma complementar à legislação tributária, na modalidade de “prática reiterada”, refutandoa, “evidentemente”. Quanto à aplicação da multa de ofício, manifestouse pela legalidade e procedência; Assim deuse a decisão de 1ª instância para considerar procedente em parte o lançamento, excluindo a exigência correspondente à glosa da dependente Silvana, cujo vínculo restou comprovado. Cientificado dessa Decisão em 09/03/2012 (AR na folha 126) o contribuinte apresentou recurso voluntário em 27/03/2012, conforme folha 128. Em sede de recurso, traz exatamente as mesmas alegações da Impugnação, sequer alterando a parte que lhe foi favorável, em relação à dependente Silvana, já acatada pelo julgamento recorrido. Vejamos: a ) nulidade por falta de capitulação dos dispositivos legais; b) prescrição; c) dedução de dependentes dizendo que o filho Aldemir estava cursando instituição de ensino superior e que ficou com a responsabilidade por pagar a pensão e as despesas escolares “conforme comprovam as copias autenticadas da petição inicial e da sentença homologatória do acordo” e referindose à glosa da esposa Silvana, que anexa cópia da certidão de casamento; d) despesas médicas, dizendo que foram cumpridas as determinações da Receita Federal em relação á comprovação dos pagamento efetuados. Complementa dizendo que: “do exame dos autos, verificase que o recorrente não só providenciou a juntada de Fl. 175DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 14 /03/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10980.725701/201183 Acórdão n.º 2801003.393 S2TE01 Fl. 176 6 recibo de pagamento das despesas médicas, bem como os demais comprovantes de imputação de pagamento.” e) sendo como no item anterior, impugna ainda a afirmação de ter cometido crime contra a ordem tributária; f) pensão alimentícia, dizendo que houve homologação judicial da separação, com fixação de pensão alimentícia conforme ´”cópias autenticadas dos documentos anexos” g) costume administrativo, repetindo a tese exposta à 1ª instância, requer a exclusão das multas e dos juros de mora; h) multas “confiscatórias”; Dessa feita, requer que seja acolhido o presente recurso, cancelandose todos os débitos fiscais reclamados e os respectivos autos de infração. Não anexa novos documentos em relação ao mérito da questão, limitandose à procuração e identificação do patrono da causa. É o relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. O recurso é tempestivo conforme relatado e, obedecidas as demais formalidades legais, dele tomo conhecimento. A numeração de folhas a que me refiro é a existente após a digitalização do processo, transforma do em meio magnético (arquivo.pdf). PRELIMINARES. DA NULIDADE DO LANÇAMENTO. Não há requisitos de forma que impliquem nulidade de modo automático e objetivo. A nulidade não decorre propriamente do descumprimento do requisito formal, mas dos seus efeitos comprometedores do direito de defesa. As formalidades não são um fim, em si mesmas, mas um instrumento para assegurar o exercício da ampla defesa. Alegada eventual irregularidade, cabe, à autoridade administrativa ou judicial, verificar, pois, se tal implicou efetivo prejuízo à defesa do contribuinte. Daí falarse do princípio da informalidade do processo administrativo. O contribuinte alega que não há o enquadramento legal das infrações apontadas. Não é o que se verifica no Auto de Infração, conforme relatado. Se encontrou algum prejuízo a sua defesa, ao verificar qualquer irregularidade entre os enquadramentos legais e descrição da infrações, não o debate especificamente. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 14 /03/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10980.725701/201183 Acórdão n.º 2801003.393 S2TE01 Fl. 177 7 O Auto de Infração lavrado por autoridade competente, que observou os ditames do artigo 142 do CTN e 10 do Decreto nº 70.235/1972, possibilitando ao contribuinte exercer seu amplo direito de defesa, nos prazos estabelecidos e demonstrando ter pleno esclarecimento da matéria fática e legal, não padece de nulidade. DA PRESCRIÇÃO Comanda o Código Tributário Nacional: Art. 174. A ação para cobrança do crédito tributário prescreve em 5 (cinco) anos, contados da data de sua constituição definitiva. A “constituição definitiva” do crédito tributário somente ocorre quando não mais houver possibilidade de recurso na esfera administrativa. Por isso, ensina LEANDRO PAULSEN: “Termo a quo no lançamento de ofício. Tornase definitivo o lançamento quando o contribuinte, notificado, deixa de impugnar, intimado da decisão, deixa de recorrer ou é intimado da decisão final não mais sujeita a recurso. De tais termos é que se conta, conforme o caso, o prazo prescricional.” (PAULSEN, Leandro. Direito tributário: Constituição e Código Tributário....15. ed. Porto Alegre : Livraria do Advogado Editora, ESMAFE, 2013, p.1202) E como já assentou o STJ, por suas duas Turmas: “Deve ser observado como marco temporal da constituição definitiva do crédito tributário, para fins do artigo 174 do CTN, o dia da notificação ... ao contribuinte da decisão final do Conselho de Contribuintes, ...(STJ, 1ª T., Resp 1028428/SC, Rel. Ministro José Delgado) (também STJ, 2ª T, Resp 435.896/SP, Min. Eliana Calmon, jun/03) Como se pode observar, aqui no caso, a prescrição suscitada ainda não ocorreu. É que não se admite no processo administrativo fiscal a chamada “prescrição intercorrente”, aquela cujo prazo flui no curso do processo, onde ainda se discute o lançamento tributário. Essa matéria é objeto de Súmula deste Conselho Administrativo: Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. É importante destacar que as Súmulas editadas pelo CARF são de observância obrigatória pelos seus membros, conforme disposto no caput do art. 72 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria nº 256, de 22/06/2009, que assim dispõe: “Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF.” Fl. 177DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 14 /03/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10980.725701/201183 Acórdão n.º 2801003.393 S2TE01 Fl. 178 8 Assim, tornase dispensável tecer maiores comentários sobre a matéria e entendo pelo indeferimento das preliminares levantadas no recurso. PRELIMINAR DE MÉRITO. DA DECADÊNCIA Auto de Infração, cuja ciência foi dada ao contribuinte em 27/10/2011 (fl. 51) aponta que após o trabalho fiscal foram glosadas despesas médicas reputadas indevidamente deduzidas da base de cálculo do imposto nos anos calendário de 2005 e 2010. O Imposto sobre a Renda das Pessoas Físicas é indiscutivelmente tributo sujeito a lançamento por homologação, modalidade que se caracteriza pela determinação legal de que o próprio sujeito passivo verifique a ocorrência do fato gerador, calcule o montante devido e efetue o pagamento no prazo, cabendo ao Fisco apenas a conferência da apuração e do pagamento já realizados. O fato gerador deste imposto decorre de um “fluxo” anual, que se completa em 31 de dezembro de cada ano de apuração, data em que se finda. Conforme art. 150, § 4º do CTN, o prazo que o Fisco dispõe para a homologação é de cinco anos contados da data da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública tenha se pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito tributário, “salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação”. Em se tratando do exercício de 2006, ano de apuração 2005, o fato gerador do imposto se completou em 31 de dezembro de 2005, data em que se considera ocorrido. Portanto, o Fisco dispunha de cinco anos daí contados, ou seja, até 31 de dezembro de 2010, para rever o lançamento. Considerando que a ciência do Auto de Infração deuse em 27/10/2011, conforme Aviso de Recebimento na folha 51, entendo que há decadência dos fatos ocorridos em 2005. Não obstante, conforme a ressalva acima destacada em itálico, se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, conforme definidas nos artigos 71 e 72 da Lei nº 4.502/64, o termo de início do prazo decadencial deslocase para “o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado”, nos termos do art. 173, I, do CTN, e então, no caso, o Fisco teria até 1º de janeiro de 2012. Assim já assentou o STJ, em julgamento de recurso submetido à sistemática dos “recursos repetitivos”. Vejamos: Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008, assim ementado: Fl. 178DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 14 /03/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10980.725701/201183 Acórdão n.º 2801003.393 S2TE01 Fl. 179 9 “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) Fl. 179DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 14 /03/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10980.725701/201183 Acórdão n.º 2801003.393 S2TE01 Fl. 180 10 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Observo que na DIRPF/2006, cuja cópia consta da folha 6, existe a antecipação de imposto devido, no ano calendário, como “imposto retido na fonte”, no valor de R$ 10.857,87, não questionado pela Fiscalização. Quanto à imputação de dolo ou evidente intuito de fraude, verifico que ela baseiase na declaração emitida pela profissional Bruno Brambilla, concluindo que ele negara a prestação do serviço e o recebimento do pagamento e, considerando a não apresentação do recibo, estaria demonstrada. Mas o que se lê na declaração de folha 5 é que o profissional afirma “não ter localizado prontuários médicos” e “não conseguir validar os valores como recebidos.” A declaração se refere não apenas ao contribuinte aqui recorrente, mas a diversos outros. Poder seia, por exemplo, ter perquirido sobre a declaração de rendimentos do profissional, para verificar se declarara esses rendimentos. Não há, nesses termos, certeza da não prestação do serviço, mas falta de documentação que a comprove. Já decidiu em inúmeros recursos, este CARF, dentre os quais cito à guisa de exemplo: Acórdão 2801003.000 – 1ª Turma Especial, Sessão de 17 de abril de 2013 PENALIDADE. MULTA QUALIFICADA. Deve ser afastada a qualificação da multa quando ausente a comprovação da fraude. Incabível a aplicação da penalidade por presunção de fraude, em face de mera glosa das despesas pleiteadas como deduções a título de despesas médicas. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO. CONTAGEM DO PRAZO. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN). Recurso Voluntário Provido. Assim, entendo pela decadência do crédito tributário referente ao ano calendário de 2005. MÉRITO DA DEDUÇÃO COM DEPENDENTES. Conforme relatado, houve glosa de dois dependentes: o filho Aldemir, nos anos de 2005 e 2006, e a esposa Silvana, no ano de 2009. Em relação a 2005, entendendo pela decadência, não há mais o que se falar. Para a esposa Silvana, nada a comentar, uma vez que já foi solucionado o litígio pela 1ª instância. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 14 /03/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10980.725701/201183 Acórdão n.º 2801003.393 S2TE01 Fl. 181 11 O filho Aldemir, nascido em 28/06/1982, em 2006 contava já com mais de 23 anos. O Regulamento do Imposto de Renda, artigo 77, traz que poderão ser considerados dependentes: Art. 77 ... III a filha, o filho, a enteada ou o enteado, até vinte e um anos, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; ... 2º Os dependentes a que referem os incisos III e V do parágrafo anterior poderão ser assim considerados quando maiores até vinte e quatro anos de idade, se ainda estiverem cursando estabelecimento de ensino superior ou escola técnica de segundo grau (Lei nº 9.250, de 1995, art. 35, § 1º). Conforme já assentado pelo julgamento recorrido, o contribuinte alega, mas não comprova, que o filho estivesse cursando estabelecimento de ensino superior, pelo que é de ser mantida a glosa, considerando a não apresentação de documentos. DA DEDUÇÃO COM DESPESAS MÉDICAS. O artigo 73 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, estabelece que todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei n º 5.844, de 1943, art. 11, § 3 º ). Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei n º 5.844, de 1943, art. 11, § 4 º ). Não obstante, existindo nos autos a Intimação regularmente recebida, para que o contribuinte comprovasse as despesas médias declaradas, conforme já relatado, competia ao mesmo carrear aos autos documentação hábil e idônea que atendesse aos ditames do art. 80 do Regulamento do Imposto de Renda. Digase que os artigos 73 e 80 do RIR/1999 estão expressamente citados no enquadramento legal da infração, no Auto de Infração (folha 48) Nada trouxe, nesse sentido! Considerando a inexistência de qualquer documento, por parte da Recorrente, para subsidiar suas despesas médicas declaradas em DIRPF, que foram questionadas pela Autoridade Fiscal, é de ser mantida a glosa das mesmas e a exigência calculada. DA DEDUÇÃO COM PENSÃO ALIMENTÍCIA O Recorrente bem entendeu que para que se possa deduzir da base de cálculo do imposto os pagamentos efetuados a título de pensão alimentícia é necessário que a mesma seja paga em decorrência de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, em face das Fl. 181DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 14 /03/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10980.725701/201183 Acórdão n.º 2801003.393 S2TE01 Fl. 182 12 normas do direito de família. É o que diz o artigo 78 do RIR/1999, aliás também citado no enquadramento legal da infração, fl. 48: Art. 78. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso II). Anexa em seu favor, na folha 91 e seguintes, uma petição dirigida ao Juízo da Vara de Família de Curitiba/PR, que vai assinada pelos divorciandos e pela sua advogada. Na folha 99, consta o Termo de Ratificação datado de 28 de junho de 2000. O documento apresentado ratifica a petição, não homologa o acordo. Apesar de alertado pela 1ª instância, o contribuinte não trouxe novos documentos, onde se demonstrasse que aquilo que foi proposto pelos divorciandos, foi homologado pelo juízo, depois dos trâmites normais, com a oitiva do Ministério Público. DA MULTA DE OFÍCIO APLICADA Neste aspecto, importante frisar que a falta de recolhimento do imposto constatada nos autos enseja sua exigência por meio de lançamento de ofício, com a aplicação da multa de ofício de 75%, prevista na Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 44, inciso I, que dispõe: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;” Considerando que o contribuinte não atendeu à intimação, aqui relatada, o Auditor Fiscal majorou esse percentual em metade e aplicou o percentual de 112,5%, conforme previsto em lei: § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para I prestar esclarecimentos; O demonstrativo de aplicação das multas, com o enquadramento legal, encontrase na folha 42, como parte integrante do Auto de Infração Portanto, a cobrança da multa lançada está devidamente amparada nos dispositivos legais transcritos, não cabendo a esta instância administrativa manifestarse sobre sua constitucionalidade ou cabimento. Importante lembrar da Súmula CARF nº 2: Fl. 182DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 14 /03/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10980.725701/201183 Acórdão n.º 2801003.393 S2TE01 Fl. 183 13 Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. A “legislação tributária”, a teor do próprio Código Tributário, a ele não se resume, mas comporta também as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares, que versem sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes (art. 97) e a Constituição Federal expressamente comporta a imposição de obrigações “decorrentes de lei”, como é o caso da multa aqui em comento, conforme acima citado. DA MULTA AGRAVADA Segundo PAULO DE BARROS CARVALHO, “é a espécie de multa que tem por conteúdo a agravação da penalidade...É aplicada quando a Administração demonstra, por elementos seguros de prova, no Auto de Infração, a existência da intenção do sujeito infrator de atuar com dolo, fraudar ou simular situação perante o Fisco” (CARVALHO, Paulo de Barros, Curso de Direito Tributário, 21 ed. Saraiva, 2009, p 581) Como já discorremos, a aplicação da multa no percentual de 150% encontra respaldo no art. 44 da Lei nº 9.430/1996, quando demonstrado cabalmente pela Autoridade Fiscal a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Aqui no caso, foram observados seis exercícios, sendo que em um deles, a despesa com um profissional não foi confirmada por ele, que disse não ter localizado o prontuário médico do declarante, não podendo confirmála. Nas diversas outras despesas, não houve circularização para confirmação dos dados. Assim, inclusive pelos elementos já expostos no item relativo à decadência, deste Voto, entendo pelo descabimento do agravamento da multa e pela conseqüente decadência do lançamento relativo ao ano calendário de 2005. DOS JUROS DE MORA. A cobrança de juros de mora pelo crédito tributário não integralmente pago no vencimento é expressamente prevista no artigo 161 do CTN. Destacamos que, neste aspecto, é pacífico o entendimento esposado nesta instância administrativa, inclusive já sendo matéria constante de Súmula. Assim, os créditos tributários são cobrados e pagos com a aplicação de juros de mora, com base na Taxa SELIC, vejamos: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4)” Fl. 183DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 14 /03/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10980.725701/201183 Acórdão n.º 2801003.393 S2TE01 Fl. 184 14 Aliás, esse é também o entendimento sedimentado do STJ: “JUROS MORATÓRIOS ...2. Está firmado no âmbito da 1º Seção o entendimento da legitimidade da aplicação da taxa SELIC como índice de juros de mora sobre débitos tributários para com a Fazenda Nacional,...”(STJ, 1ª T, Resp 1048710/PR, Min. TEORI ZAVASCKI, ago/08) e também Resp 879844/MG, Min LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 11/11/2009, em Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. PAULO DE BARROS CARVALHO leciona que ao contrário do que se dá com as obrigações de direito privado, não é preciso interpelação do devedor para que este seja constituído em mora. (CARVALHO. Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. 21 ed. Saraiva. 2009, p. 492) Assim, os juros fluem desde o vencimento do tributo, e não da ciência do Auto de Infração. (v. Demonstrativo de Juros de Mora, fl. 42/3, integrante do Auto de Infração) TESE DE PRÁTICA REITERADA DA ADMINISTRAÇÃO Quanto a tese do recorrente sobre a prática reiterada da administração em admitir suas deduções, que faria com que as estivesse aceitando e por isso seriam consideradas legítimas, importante apenas considerar o seguinte: O Imposto de Renda é, indiscutivelmente, tributo sujeito a lançamento por homologação, nos termos do Código Tributário Nacional, Lei 5.172/1966, que, em seu artigo 150, § 4º prevê que, se a lei não fixar prazo diverso, a Fazenda Pública terá cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, para se pronunciar sobre o dever do sujeito passivo de antecipar o pagamento e apurar o imposto. O fato gerador do imposto de renda das pessoas físicas se completa em base anual e ocorreu, para o exercício de 2007, em 31/12/2006. Assim, dentro do prazo estabelecido por lei, a Receita Federal manifestouse expressamente, não homologando a apuração efetuada pelo contribuinte, intimandoo a prestar esclarecimentos e, posteriormente, emitindo o Auto de Infração já identificado, em 25/10/2011, com ciência em 27/10/2011. A tese mostrase descabida e já tendo encontrado e exposto razões suficientes para decidir, deixo de elaborar maiores considerações. É que, consoante jurisprudência assente nos tribunais superiores, o julgador não é obrigado a se manifestar sobre todas as alegações das partes, nem a se ater aos fundamentos indicados por elas ou apreciar, um a um, a todos os seus argumentos, quando já encontrou motivo suficiente para fundamentar a decisão, o que de fato ocorreu no caso presente. (AgRg no Resp nº 1.130.754, Rel. Min. Humberto Martins, DJ 13.04.2010 ou ainda REsp 684.311/RS, Rel. Min. Castro Meira, DJ 18.4.2006). CONCLUSÃO Face ao exposto, VOTO por indeferir as preliminares de nulidade e prescrição e, no mérito, afastar a aplicação da multa de 150% e reconhecer a decadência do direito de lançar relativo ao ano calendário de 2005. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 14 /03/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10980.725701/201183 Acórdão n.º 2801003.393 S2TE01 Fl. 185 15 Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 185DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 14 /03/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN
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