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Numero do processo: 11610.002132/2003-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 09 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1401-000.594
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves.
(assinado digitalmente)
Abel Nunes de Oliveira Neto- Relator.
Participaram do presente Julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Lívia De Carli Germano, Cláudio de Andrade de Camerano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Ângelo Abrantes Nunes (Suplente convocado), Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Relatório.
Trata o presente processo de recurso voluntário apresentado contra a decisão da Delegacia de Julgamento que manteve a não-homologação da compensação apresentada pelo contribuinte no presente processo, relativa a crédito de saldo negativo de CSLL do ano-calendário de 2001.
Passemos a transcrever o relatório da turma julgadora deste CARF quando converteu o julgamento em diligência para a apuração dos créditos do contribuinte.
Em 10/02/2003, a contribuinte protocolizou, junto à SRF, DCOMP (fls.01/02), objetivando o aproveitamento de saldo negativo de CSLL, referente ao ano-calendário de 2001, no valor de R$ 269.793,93 para compensação de débitos do mesmo tributo do período de apuração de 31/10/2002.
Em 27/07/2007, a Derat/SPO exarou DESPACHO DECISÓRIO (fls. 365/374) NÃO HOMOLOGANDO as compensações declaradas em DCOMP, pelos motivos expostos a seguir:
o saldo negativo do ano-calendário de 2001, provém, em parte, de compensações de estimativas com saldos negativos de exercícios anteriores. Foi utilizado pela requerente o saldo negativo de CSLL apurado no ano-calendário de 1997, o qual foi analisado pela autoridade fiscal e cujo montante reconhecido foi de R$ 1.089.945,09 (fl.367) de um total informado na DIPJ de R$ 1.093.877,47 (fl.153);
0 montante reconhecido pela autoridade fiscal de saldo negativo de CSLL do ano-calendário de 1998 foi de R$ 910.314,53 (fl.368) de um total informado em DIPJ de R$ 916.866,99 (fl.161) em decorrência de deduções a maior de CSLL de órgão público no valor de R$ 330.205,82 tendo sido, na verdade, comprovado apenas R$ 323.653,36; Para o ano-calendário de 1999, a autoridade fiscal reconheceu o quantitativo de R$ 709.162,49 (fl.370) de um total informado em DIPJ de R$ 736.263,19 (fl.185). A diferença provém da glosa de IRRF de órgão público em que foi comprovado o valor de R$ 332.895,42 (fls.196 e 353), no entanto, a contribuinte deduziu R$ 359.996,12 (fls.179/185);
Para o ano-calendário de 2000, a autoridade fiscal reconheceu o quantitativo de R$ 139.650,15 (fl.371) de um total informado em DIPJ de R$ 599.869,86 (fl.212). A diferença provém da glosa de IRRF de órgão público em que foi comprovado o valor de R$ 695.052,70 (fls.214 e 354), no entanto, a contribuinte deduziu R$ 769.302,78 (fls.206/211).
Ademais, as compensações das estimativas com os saldos negativos de exercícios anteriores não puderam ser reconhecidos em sua totalidade em virtude dos ajustes efetuados nos referidos períodos de apurações; Para o ano-calendário de 2001, a autoridade fiscal apurou saldo negativo de R$ 765.250,58 (f1.372) de um total informado em DIPJ de R$ 1.367.219,58 (f1.364). A diferença provém da glosa de IRRF de órgão público em que foi comprovado o valor de R$ 966.559,79 (fls.355), no entanto, a contribuinte deduziu R$ 966.572,23 (fls.358/363). Ademais, as compensações das estimativas com os saldos negativos de exercícios anteriores não puderam ser reconhecidos em sua totalidade em virtude dos ajustes efetuados nos referidos períodos de apurações; O saldo, ora reconhecido pela autoridade fiscal, não foi suficiente para a compensação do débito informado em DCOMP por ter sido o referido crédito consumido em outras compensações efetuadas pela requerente.
A contribuinte teve ciência do Despacho Decisório em 06/09/2007 (fl. 375verso) e dela recorreu a esta DRJ em 09/10/2007 (fls. 376/389).
Analisando a questão o órgão julgador a quo entendeu por concluir pela não homologação, nos seguintes termos:
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário: 2001 COMPENSAÇÃO EM DCOMP.
Não comprovada a existência de direito creditório veda-se ao contribuinte efetuar as compensações em DCOMP.
SALDO NEGATIVO DE IMPOSTO APURADO NA DECLARAÇÃO.
Constituem créditos a compensar ou restituir o saldo negativo de imposto de renda e CSLL apurados em declaração de rendimentos, desde que ainda não tenham sido compensados ou restituídos.
RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO.
O reconhecimento do crédito depende da efetiva comprovação do alegado recolhimento indevido ou maior do que o devido.
Irresignada, a contribuinte interpôs o recurso voluntário ora analisado, reiterando os argumentos anteriormente apresentados.
Tomando conhecimento do recurso a turma julgadora converteu o julgamento em diligência com baixa do processo á Delegacia de Origem para a realização dos seguintes procedimentos:
(a) considere, no cálculo da retenção de CSLL por órgãos públicos, os valores declarados pelas fontes pagadoras nos informes de rendimentos de fls.299 e 354; (b) verifique, à vista dos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil e, se for o caso, de novos esclarecimentos do recorrente, a alegação de defesa relacionada a suposto erro de preenchimento de DCTF (fls.470/473), que no entender do contribuinte conferir-lhe-ia um crédito adicional de R$233.052,34 (fl.472);
(c) verifique os efeitos decorrentes das providências acima na apuração dos saldos negativos examinados, bem como no direito creditório e compensação pleiteados; (d) descreva em relatório circunstanciado as providências adotadas; (e) cientifique o interessado do inteiro teor do resultado da diligência para, se assim o desejar, aditar o recurso voluntário no prazo legal de 30 (trinta) dias, findo o qual, o processo deverá ser devolvido ao CARF para julgamento.
Realizada a diligência o fiscal responsável apresentou relatório de diligência de fls. 958/962, no qual informa que, mesmo considerando a inclusão dos valores de retenção na fonte antes não considerados, após refazer os cálculos de compensação dos saldos negativos apurados pela empresa entre os anos de 1997 e 2001, não restou saldo de crédito suficiente no ano de 2001 para compensar o valor do débito por estimativa de CSLL de outubro/2002 declarado neste processo.
Tomando conhecimento do relatório da diligência o recorrente apresentou suas alegações quanto ao informado pro meio da petição de fls. 990/1013, no qual apresenta diversos pontos de discordância quando à apuração realizada pela fiscalização e pretende o reconhecimento total dos seus créditos.
É o relatório.
Nome do relator: ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO
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Passemos a transcrever o relatório da turma julgadora deste CARF quando converteu o julgamento em diligência para a apuração dos créditos do contribuinte. Em 10/02/2003, a contribuinte protocolizou, junto à SRF, DCOMP (fls.01/02), objetivando o aproveitamento de saldo negativo de CSLL, referente ao ano-calendário de 2001, no valor de R$ 269.793,93 para compensação de débitos do mesmo tributo do período de apuração de 31/10/2002. Em 27/07/2007, a Derat/SPO exarou DESPACHO DECISÓRIO (fls. 365/374) NÃO HOMOLOGANDO as compensações declaradas em DCOMP, pelos motivos expostos a seguir: o saldo negativo do ano-calendário de 2001, provém, em parte, de compensações de estimativas com saldos negativos de exercícios anteriores. Foi utilizado pela requerente o saldo negativo de CSLL apurado no ano-calendário de 1997, o qual foi analisado pela autoridade fiscal e cujo montante reconhecido foi de R$ 1.089.945,09 (fl.367) de um total informado na DIPJ de R$ 1.093.877,47 (fl.153); 0 montante reconhecido pela autoridade fiscal de saldo negativo de CSLL do ano-calendário de 1998 foi de R$ 910.314,53 (fl.368) de um total informado em DIPJ de R$ 916.866,99 (fl.161) em decorrência de deduções a maior de CSLL de órgão público no valor de R$ 330.205,82 tendo sido, na verdade, comprovado apenas R$ 323.653,36; Para o ano-calendário de 1999, a autoridade fiscal reconheceu o quantitativo de R$ 709.162,49 (fl.370) de um total informado em DIPJ de R$ 736.263,19 (fl.185). A diferença provém da glosa de IRRF de órgão público em que foi comprovado o valor de R$ 332.895,42 (fls.196 e 353), no entanto, a contribuinte deduziu R$ 359.996,12 (fls.179/185); Para o ano-calendário de 2000, a autoridade fiscal reconheceu o quantitativo de R$ 139.650,15 (fl.371) de um total informado em DIPJ de R$ 599.869,86 (fl.212). A diferença provém da glosa de IRRF de órgão público em que foi comprovado o valor de R$ 695.052,70 (fls.214 e 354), no entanto, a contribuinte deduziu R$ 769.302,78 (fls.206/211). Ademais, as compensações das estimativas com os saldos negativos de exercícios anteriores não puderam ser reconhecidos em sua totalidade em virtude dos ajustes efetuados nos referidos períodos de apurações; Para o ano-calendário de 2001, a autoridade fiscal apurou saldo negativo de R$ 765.250,58 (f1.372) de um total informado em DIPJ de R$ 1.367.219,58 (f1.364). A diferença provém da glosa de IRRF de órgão público em que foi comprovado o valor de R$ 966.559,79 (fls.355), no entanto, a contribuinte deduziu R$ 966.572,23 (fls.358/363). Ademais, as compensações das estimativas com os saldos negativos de exercícios anteriores não puderam ser reconhecidos em sua totalidade em virtude dos ajustes efetuados nos referidos períodos de apurações; O saldo, ora reconhecido pela autoridade fiscal, não foi suficiente para a compensação do débito informado em DCOMP por ter sido o referido crédito consumido em outras compensações efetuadas pela requerente. A contribuinte teve ciência do Despacho Decisório em 06/09/2007 (fl. 375verso) e dela recorreu a esta DRJ em 09/10/2007 (fls. 376/389). Analisando a questão o órgão julgador a quo entendeu por concluir pela não homologação, nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário: 2001 COMPENSAÇÃO EM DCOMP. Não comprovada a existência de direito creditório veda-se ao contribuinte efetuar as compensações em DCOMP. SALDO NEGATIVO DE IMPOSTO APURADO NA DECLARAÇÃO. Constituem créditos a compensar ou restituir o saldo negativo de imposto de renda e CSLL apurados em declaração de rendimentos, desde que ainda não tenham sido compensados ou restituídos. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. O reconhecimento do crédito depende da efetiva comprovação do alegado recolhimento indevido ou maior do que o devido. Irresignada, a contribuinte interpôs o recurso voluntário ora analisado, reiterando os argumentos anteriormente apresentados. Tomando conhecimento do recurso a turma julgadora converteu o julgamento em diligência com baixa do processo á Delegacia de Origem para a realização dos seguintes procedimentos: (a) considere, no cálculo da retenção de CSLL por órgãos públicos, os valores declarados pelas fontes pagadoras nos informes de rendimentos de fls.299 e 354; (b) verifique, à vista dos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil e, se for o caso, de novos esclarecimentos do recorrente, a alegação de defesa relacionada a suposto erro de preenchimento de DCTF (fls.470/473), que no entender do contribuinte conferir-lhe-ia um crédito adicional de R$233.052,34 (fl.472); (c) verifique os efeitos decorrentes das providências acima na apuração dos saldos negativos examinados, bem como no direito creditório e compensação pleiteados; (d) descreva em relatório circunstanciado as providências adotadas; (e) cientifique o interessado do inteiro teor do resultado da diligência para, se assim o desejar, aditar o recurso voluntário no prazo legal de 30 (trinta) dias, findo o qual, o processo deverá ser devolvido ao CARF para julgamento. Realizada a diligência o fiscal responsável apresentou relatório de diligência de fls. 958/962, no qual informa que, mesmo considerando a inclusão dos valores de retenção na fonte antes não considerados, após refazer os cálculos de compensação dos saldos negativos apurados pela empresa entre os anos de 1997 e 2001, não restou saldo de crédito suficiente no ano de 2001 para compensar o valor do débito por estimativa de CSLL de outubro/2002 declarado neste processo. Tomando conhecimento do relatório da diligência o recorrente apresentou suas alegações quanto ao informado pro meio da petição de fls. 990/1013, no qual apresenta diversos pontos de discordância quando à apuração realizada pela fiscalização e pretende o reconhecimento total dos seus créditos. É o relatório.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator. Participaram do presente Julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Lívia De Carli Germano, Cláudio de Andrade de Camerano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Ângelo Abrantes Nunes (Suplente convocado), Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 16 10 .0 02 13 2/ 20 03 -6 5 Fl. 1016DF CARF MF Processo nº 11610.002132/200365 Resolução nº 1401000.594 S1C4T1 Fl. 1.017 2 Relatório. Trata o presente processo de recurso voluntário apresentado contra a decisão da Delegacia de Julgamento que manteve a nãohomologação da compensação apresentada pelo contribuinte no presente processo, relativa a crédito de saldo negativo de CSLL do ano calendário de 2001. Passemos a transcrever o relatório da turma julgadora deste CARF quando converteu o julgamento em diligência para a apuração dos créditos do contribuinte. Em 10/02/2003, a contribuinte protocolizou, junto à SRF, DCOMP (fls.01/02), objetivando o aproveitamento de saldo negativo de CSLL, referente ao anocalendário de 2001, no valor de R$ 269.793,93 para compensação de débitos do mesmo tributo do período de apuração de 31/10/2002. Em 27/07/2007, a Derat/SPO exarou DESPACHO DECISÓRIO (fls. 365/374) NÃO HOMOLOGANDO as compensações declaradas em DCOMP, pelos motivos expostos a seguir: •o saldo negativo do anocalendário de 2001, provém, em parte, de compensações de estimativas com saldos negativos de exercícios anteriores. Foi utilizado pela requerente o saldo negativo de CSLL apurado no anocalendário de 1997, o qual foi analisado pela autoridade fiscal e cujo montante reconhecido foi de R$ 1.089.945,09 (fl.367) de um total informado na DIPJ de R$ 1.093.877,47 (fl.153); • 0 montante reconhecido pela autoridade fiscal de saldo negativo de CSLL do anocalendário de 1998 foi de R$ 910.314,53 (fl.368) de um total informado em DIPJ de R$ 916.866,99 (fl.161) em decorrência de deduções a maior de CSLL de órgão público no valor de R$ 330.205,82 tendo sido, na verdade, comprovado apenas R$ 323.653,36; • Para o ano calendário de 1999, a autoridade fiscal reconheceu o quantitativo de R$ 709.162,49 (fl.370) de um total informado em DIPJ de R$ 736.263,19 (fl.185). A diferença provém da glosa de IRRF de órgão público em que foi comprovado o valor de R$ 332.895,42 (fls.196 e 353), no entanto, a contribuinte deduziu R$ 359.996,12 (fls.179/185); • Para o anocalendário de 2000, a autoridade fiscal reconheceu o quantitativo de R$ 139.650,15 (fl.371) de um total informado em DIPJ de R$ 599.869,86 (fl.212). A diferença provém da glosa de IRRF de órgão público em que foi comprovado o valor de R$ 695.052,70 (fls.214 e 354), no entanto, a contribuinte deduziu R$ 769.302,78 (fls.206/211). Ademais, as compensações das estimativas com os saldos negativos de exercícios anteriores não puderam ser reconhecidos em sua totalidade em virtude dos ajustes efetuados nos referidos períodos de apurações; Para o anocalendário de 2001, a autoridade fiscal apurou saldo negativo de R$ 765.250,58 (f1.372) de um total informado em DIPJ de R$ 1.367.219,58 (f1.364). A diferença provém da glosa de IRRF de órgão público em que foi comprovado o valor de R$ 966.559,79 (fls.355), no entanto, a contribuinte deduziu R$ 966.572,23 (fls.358/363). Ademais, as compensações das estimativas com os saldos negativos de exercícios anteriores não puderam ser reconhecidos em sua totalidade em virtude dos ajustes efetuados nos referidos períodos de apurações; • O saldo, ora reconhecido pela autoridade Fl. 1017DF CARF MF Processo nº 11610.002132/200365 Resolução nº 1401000.594 S1C4T1 Fl. 1.018 3 fiscal, não foi suficiente para a compensação do débito informado em DCOMP por ter sido o referido crédito consumido em outras compensações efetuadas pela requerente. A contribuinte teve ciência do Despacho Decisório em 06/09/2007 (fl. 375verso) e dela recorreu a esta DRJ em 09/10/2007 (fls. 376/389). Analisando a questão o órgão julgador a quo entendeu por concluir pela não homologação, nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 COMPENSAÇÃO EM DCOMP. Não comprovada a existência de direito creditório vedase ao contribuinte efetuar as compensações em DCOMP. SALDO NEGATIVO DE IMPOSTO APURADO NA DECLARAÇÃO. Constituem créditos a compensar ou restituir o saldo negativo de imposto de renda e CSLL apurados em declaração de rendimentos, desde que ainda não tenham sido compensados ou restituídos. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. O reconhecimento do crédito depende da efetiva comprovação do alegado recolhimento indevido ou maior do que o devido. Irresignada, a contribuinte interpôs o recurso voluntário ora analisado, reiterando os argumentos anteriormente apresentados. Tomando conhecimento do recurso a turma julgadora converteu o julgamento em diligência com baixa do processo á Delegacia de Origem para a realização dos seguintes procedimentos: (a) considere, no cálculo da retenção de CSLL por órgãos públicos, os valores declarados pelas fontes pagadoras nos informes de rendimentos de fls.299 e 354; (b) verifique, à vista dos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil e, se for o caso, de novos esclarecimentos do recorrente, a alegação de defesa relacionada a suposto erro de preenchimento de DCTF (fls.470/473), que no entender do contribuinte conferirlheia um crédito adicional de R$233.052,34 (fl.472); (c) verifique os efeitos decorrentes das providências acima na apuração dos saldos negativos examinados, bem como no direito creditório e compensação pleiteados; (d) descreva em relatório circunstanciado as providências adotadas; (e) cientifique o interessado do inteiro teor do resultado da diligência para, se assim o desejar, aditar o recurso voluntário no prazo legal de 30 (trinta) dias, findo o qual, o processo deverá ser devolvido ao CARF para julgamento. Realizada a diligência o fiscal responsável apresentou relatório de diligência de fls. 958/962, no qual informa que, mesmo considerando a inclusão dos valores de retenção na fonte antes não considerados, após refazer os cálculos de compensação dos saldos negativos apurados pela empresa entre os anos de 1997 e 2001, não restou saldo de crédito suficiente no Fl. 1018DF CARF MF Processo nº 11610.002132/200365 Resolução nº 1401000.594 S1C4T1 Fl. 1.019 4 ano de 2001 para compensar o valor do débito por estimativa de CSLL de outubro/2002 declarado neste processo. Tomando conhecimento do relatório da diligência o recorrente apresentou suas alegações quanto ao informado pro meio da petição de fls. 990/1013, no qual apresenta diversos pontos de discordância quando à apuração realizada pela fiscalização e pretende o reconhecimento total dos seus créditos. É o relatório. Voto Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto O recurso é tempestivo e preenche os requisitos legais, assim dele tomo conhecimento. Tendo em vista que o presente processo cingese à apuração de saldo negativo de CSLL do anocalendário 2001, para a compensação de débito de estimativa de CSLL de out/2002, e diante das alegações do recorrente de que haviam valores de compensação de estimativas com créditos de exercícios anteriores ainda não considerados, foi determinada a realização de diligência para aferição dos valores compensados com créditos de mesmo tributo de exercícios anteriores e apuração dos novos créditos disponíveis. Tendo em vista que a diligência foi bem específica na apresentação de suas razões e que o recorrente contesta os termos do relatório elaborado pela fiscalização, iremos nos deter nestas duas peças para analisar o caso. Do informe de rendimentos do anocalendário 2000, relativo a retenção de órgãos públicos. Com relação à retenção de CSLL por órgão público o recorrente alega que desde o despacho decisório o valor da retenção na fonte de órgão público informada no comprovante de rendimento de fls. 726, foi incorretamente computado desde a prolação do despacho decisório inicial, que foi referendado pela diligência. Analisando o referido comprovante de fls. 726 e refazendo os cálculos de retenção conforme abaixo, verificamos que assiste razão ao recorrente. Efetivamente o valor das retenções no ano de 2000 monta de R$ 718.857,09 e não R$ 695.052,70, conforme indicado no despacho decisório às fls. 744. Fl. 1019DF CARF MF Processo nº 11610.002132/200365 Resolução nº 1401000.594 S1C4T1 Fl. 1.020 5 mês código rendimento retenção CSLL retida jan/00 6147 15.680.165,81 917.289,68 156.801,65 fev/00 6147 9.815.810,60 574.224,92 98.158,11 mar/00 6147 4.718.224,05 276.016,11 47.182,24 mai/00 6190 2.225.640,38 210.323,02 22.256,40 out/00 6147 8.717.250,46 509.959,15 87.172,50 nov/00 6147 23.129.238,24 1.353.060,44 231.292,38 dez/00 6147 7.599.380,11 444.563,74 75.993,80 Total da CSLL retida 718.857,09 Desta forma, verificandose a incorreção na apuração do valor do saldo negativo de CSLL do anocalendário 2000, há de se reconhecer um direito de crédito adicional, relativo ao saldo negativo de CSLL do anocalendário 2000, no montante de R$ 23.804,39. Em relação aos demais itens de apuração das compensações de saldos de um períodos com débitos de estimativa de outros períodos, verificamos, pelo menos um falha no que tange à compensação de créditos de 1997, conforme demonstrado abaixo no relatório de diligência: 9. O item (b) da Resolução trata de suposto erro de preenchimento de DCTF relativo ao período de apuração janeiro/2000 (fl.572). Conforme referida DCTF, o débito apurado no valor de R$ 434.896,43 (estimativa CSLL) teria sido compensado com o saldo negativo de CSLL AC 1998. Porém a interessada alega (fl.850) que a compensação, na realidade, ocorreu da seguinte forma: 10. De fato, houve um saldo negativo CSLL AC 1997 remanescente na importância de R$ 462.491,94, conforme mencionado no item 7 deste despacho. Este montante seria suficiente para a compensação de acordo com o quadro acima. 11. Verificouse, após pesquisas nos sistemas da Receita Federal, que referido saldo remanescente não foi objeto de pedido de compensação ou restituição, pois não foi localizado processo de restituição ou de pedido de compensação com outros tributos. Também não foi localizado PERD/COMP eletrônico referente a crédito de saldo negativo de CSLL AC 1997. 12. Portanto, considerando que houve erro na informação prestada na DCTF, parte da estimativa de CSLL, período de apuração janeiro/2000, no valor de R$ 351.356,98, pôde ser compensada com o saldo remanescente de CSLL AC 1997. A outra parte, R$ 83.539,45 também pôde ser compensada com o saldo negativo de CSLL AC 1998, porém neste caso, o saldo credor AC 1998 não foi suficiente para a compensação da estimativa de novembro/2000, conforme demonstrado na planilha à fl.955. Da leitura dos termos do relatório da diligência vemos que a fiscalização, mesmo verificando que o crédito remanescente do ano de 1997 montava em cerca de R$ 462, ainda não considerando a diferença da retenção da fonte já acima apontada, apenas utilizou Fl. 1020DF CARF MF Processo nº 11610.002132/200365 Resolução nº 1401000.594 S1C4T1 Fl. 1.021 6 cerca de R$ 351 nas compensações, ou seja, existem valores de créditos que não foram utilizadas nas compensações de débitos de exercícios seguintes. Assim, verificandose que: 1) Existem créditos adicionais a serem reconhecidos ao contribuinte; 2) Existem créditos de saldo negativos que não foram integralmente esgotados nas compensações com débitos de exercícios futuros; 3) Que assiste razão ao contribuinte com relação a, em obediência ao princípio da verdade material, necessidade de ser refeita toda a apuração das compensações dos saldos negativos com as compensações de estimativas nos exercícios seguintes; Entendo que o presente julgamento deva ser convertido em diligência com baixa dos autos à Delegacia de Origem a fim de que seja refeita a apuração de acordo com os seguintes critérios: a) Utilizar, na composição do crédito de CSLL retida por órgão público, relativo ao anocalendário 1997, o valor de R$ 718.859,09, conforme comprovante de fls. 726 e confirmado na tabela constante neste voto; b) Reapurar o valor de cada saldo negativo anual, iniciando do anocalendário de 1997; c) Realizar os cálculos de compensação dos saldos negativos a partir do ano de 1997 para a compensação dos débitos de estimativa dos anos subsequentes, não se limitando apenas ao que foi informado nas DCTF e esgotando por completo o saldo de cada ano antes de passar ao ano subsequente; d) Após refazer todos os cálculos de compensação, informar se os débitos de estimativa do anocalendário 2002 foram integralmente compensados e qual o saldo final resultante das compensações em favor ou contra o recorrente. e) Cientificar o contribuinte do resultado da diligência abrindolhe prazo para manifestação. É como voto. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator Fl. 1021DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.725611/2011-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
RECURSO VOLUNTÁRIO. AUSÊNCIA DE LITÍGIO. INÉPCIA.
Não pode ser conhecido o recurso voluntário quando não há qualquer questão de fato ou de direito em litígio.
Numero da decisão: 2201-004.716
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por inexistência de matéria litigiosa.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dione Jesabel Wasilewski - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: DIONE JESABEL WASILEWSKI
1.0 = *:*
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AUSÊNCIA DE LITÍGIO. INÉPCIA. Não pode ser conhecido o recurso voluntário quando não há qualquer questão de fato ou de direito em litígio. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por inexistência de matéria litigiosa. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 56 11 /2 01 1- 21 Fl. 96DF CARF MF 2 Tratase de recurso voluntário (fl. 63) protocolado em face do Acórdão nº 02 65.826, da 7ª Turma da DRJ/BHE (fls. 57/58), que julgou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte ao Despacho Decisório nº 433 da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belo Horizonte (fls. 27/28), pelo qual foi parcialmente deferido pedido de restituição feito por ele. Este processo tem origem em pedido de restituição protocolado pelo contribuinte acima identificado, pelo qual pretende a devolução do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF incidente sobre o décimo terceiro salário, uma vez que foi diagnosticado com doença incluída no inciso XIV do art. 6º da Lei nº 7.713, de 1988 (moléstia grave). Ocorre que parte do imposto de renda cuja restituição se pleiteia foi recolhido aos cofres da União e parte foi depositada em processo judicial no qual discutiase sua incidência. Em razão disso, a unidade de origem reconheceu o direito à isenção e à restituição, contudo procedeu à devolução do valor efetivamente pago, condicionando a restituição do restante à conversão em pagamento definitivo no curso do processo judicial. Ciente dessa decisão, o contribuinte reiterou seu pedido, aduzindo que a Associação autora da ação judicial já havia peticionado solicitando a conversão dos depósitos em renda da União. Com base nos extratos de fls. 55/56, o Acórdão recorrido manteve a decisão impugnada, uma vez que não teria havido ainda a conversão em renda da União. A ciência dessa decisão ocorreu em 26/05/2015 (fl. 60) e o recurso voluntário foi tempestivamente protocolado em 15/06/2015 (fl. 63). Em sede recursal, o contribuinte volta a reiterar o pedido de restituição e comprova correspondência a respeito do pedido de conversão em renda da União. Posteriormente, são juntados os documentos de fls. 83/95, que confirmariam a aguardada conversão dos depósitos em pagamento definitivo. Neste Conselho, o processo em análise foi distribuído em sessão pública para esta Conselheira. É o que havia para ser relatado. Voto Conselheira Dione Jesabel Wasilewski Relatora Apesar de o contribuinte ter tempestivamente protocolado um novo pedido de restituição, considero que o recurso voluntário não preenche os requisitos de admissibilidade e não merece ser conhecido. Explico. Fl. 97DF CARF MF Processo nº 15504.725611/201121 Acórdão n.º 2201004.716 S2C2T1 Fl. 97 3 Concretamente não existe litígio nesse processo, seja quanto ao direito, seja quanto aos fatos. Desde a decisão da unidade que jurisdiciona o domicílio do sujeito passivo, foi reconhecido seu direito à isenção e restituição, que se encontrava obstaculizada pelo depósito judicial, pendente de conversão em renda da União. Apesar de reiterar seu pedido de restituição, em nenhum momento o contribuinte se insurgiu contra os argumentos utilizados pelo unidade jurisdicionante ou pela decisão de piso. Tanto é que tem envidado esforços para que se efetive a conversão dos valores depositados em pagamento definitivo. Portanto, a concretização do direito alegado neste processo e já reconhecido ainda não ocorreu por uma questão de fato e incontroversa, e não um litígio administrativo sobre a existência do direito. Neste caso, cabe à unidade de origem verificar a efetivação da conversão do depósito em renda da União para que dê seguimento aos procedimentos de restituição. Conclusão Com base no exposto, voto por não conhecer do recurso voluntário apresentado. Ressalto a necessidade de que a unidade de origem verifique a efetivação da conversão do depósito em renda da União para que dê seguimento aos procedimentos de restituição. Dione Jesabel Wasilewski Fl. 98DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.910897/2012-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 10 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1201-000.598
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gisele Barra Bossa - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente).
Relatório
Nome do relator: GISELE BARRA BOSSA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Gisele Barra Bossa Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Relatório 1. Tratase o presente processo de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório nº41862597 (fl. 6) emitido em 03/01/2013 referente ao PER/DCOMP nº17901.26282.300108.1.3.044602. 2. O PER/DCOMP é relativo a pedido de compensação dos débitos discriminados com crédito de IRPJ decorrente de recolhimento com DARF no valor de R$ 6.604,18, efetuado em 28/04/2000. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 80 .9 10 89 7/ 20 12 -0 1 Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10580.910897/201201 Resolução nº 1201000.598 S1C2T1 Fl. 3 2 3. No despacho decisório constatouse que na data de transmissão do PER/DCOMP o crédito já estava extinto em razão de terem se passado mais de cinco anos entre a data de arrecadação do DARF, 28/04/2000, e a data de transmissão do PER/DCOMP, 30/01/2008. Portanto, a compensação não foi homologada sob o fundamento legal dos artigos 165 e 170, do CTN, e artigo 74 da Lei 9.430/96. 4. A contribuinte, devidamente intimada do despacho (AR de 18/01/2013, fl.7), apresentou Manifestação de Inconformidade (fls.10/17) na qual alega, em síntese, que: (i) o despacho é nulo diante da ausência de análise efetiva da situação que ensejou o direito material da contribuinte, o que acaba por cercear do seu direito de defesa; (ii) o crédito é líquido e certo; (iii) ao realizar o pedido de compensação por meio do Programa PER/DCOMP versão 3.3, que já identificava a prescrição ou não do crédito, não houve nenhum aviso de “erro”; e (iv) o direito creditório não está extinto, pois o crédito utilizado na DCOMP, objeto do presente processo, já havia sido indicado em DCOMP anteriormente apresentada dentro do prazo legal de cinco anos. 5. Ao final, a contribuinte requer que (i) o despacho decisório seja declarado nulo; (ii) seja admitida a DCOMP; e (iii) homologada a presente compensação. 6. Em sessão de 14 de abril de 2015, a 2ª Turma da DRJ/BHE, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade para não reconhecer o direito creditório e não homologar as compensações em litígio, nos termos do voto relator, Acórdão nº 0265.293 (fls.42/46), cuja ementa recebeu o seguinte descritivo, verbis: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 2000 COMPENSAÇÃO APÓS A EXTINÇÃO DO DIREITO DE PLEITEAR RESTITUIÇÃO. Não se admite a compensação com crédito apurado ou decorrente de pagamento efetuado há mais de 5 anos da data da entrega do PER/DCOMP e que não tenha sido objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento apresentado à RFB antes do transcurso do referido prazo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido”. 7. A DRJ/ BHE julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade sob os seguintes fundamentos: 7.1. O despacho decisório não é nulo, pois não se verifica nenhuma das hipóteses do artigo 59, inciso II, do Decreto nº 70.235/72. Ademais, o despacho está devidamente motivado e não deixa dúvidas sobre o fundamento para a não homologação, que consiste na extinção do direito de utilização do crédito por ter se passado mais de cinco anos entre a data de arrecadação do crédito e a data de transmissão do PER/DCOMP. Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10580.910897/201201 Resolução nº 1201000.598 S1C2T1 Fl. 4 3 7.2. Por força do artigo 168, inciso I, do CTN, o direito de pleitear a restituição ou ressarcimento extinguese com o decurso do prazo de cinco anos contados da data da extinção do crédito, que ocorro no momento do pagamento. Tendo em vista que o crédito é referente a pagamento efetuado em 28/04/2000, o direito da contribuinte em pleitear a restituição se extinguiu em 28/04/2005. 7.3. A mera existência de DCOMP transmitida antes da extinção do direito de requerer restituição não legitima compensações efetuadas com o mesmo crédito depois da extinção, pois a declaração de compensação não interrompe a contagem do prazo para extinção do direito de pedir a restituição. 7.4. No presente caso, a contribuinte não escolheu a opção de “Pedido de Restituição” no primeiro PER/DCOMP, mas apenas consta a expressão “Declaração de Compensação”. Portanto, tendo em vista que a declaração de compensação não tem a mesma natureza do pedido de restituição, não há que se homologar a presente compensação transmitida após o dia 28/04/2005. 8. Cientificada da decisão (AR de 11/06/2015, fls. 47), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls. 49/52) em 09/07/2015 reiterando as razões já expostas em sede de Manifestação de Inconformidade (fls. 10/17), em especial para alegar que o crédito em questão decorre de resposta à Solução de Consulta que reconheceu o direito à aplicação do percentual de 8% na determinação da base de cálculo do IRPJ por exercer atividade equiparada a “Serviços Hospitalares”, com efeito retroativo por força do artigo 106 do CTN. Ademais, a Recorrente requerer: (i) que seja admitido o pedido de restituição e/ou Declaração de Compensação objeto do presente processo; (ii) que seja refutada a alegação de preclusão; e (iii) que seja admitido que a Recorrente exercia a atividade de prestação dos serviços hospitalares consoante às normas aplicáveis à época. É o relatório. Voto Conselheira Gisele Barra Bossa, Relatora 9. O recurso voluntário interposto pelo Recorrente é tempestivo e cumpre os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciar. Da Necessária Realização de Diligência 10. No presente caso, as doutas autoridades fiscais consideram que, mesmo sendo o valor suficiente, não se poderia homologar as compensações do PER/DCOMP nº 17901.26282.300108.1.3.044602, porque efetuadas depois de extinto o direito de o sujeito passivo pleitear restituicã̧o do pagamento indevido ou a maior nele utilizado. 11. De fato, de acordo com o artigo 74, da Lei nº 9.430/96 e do artigo 168, inciso I, da Lei 5.172/66, o contribuinte pode utilizar na compensacã̧o de débitos próprios créditos passíveis de restituiçaõ ou ressarcimento e o direito de pleitear a restituiçaõ extingue se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extincã̧o do crédito tributário. Confirase: Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10580.910897/201201 Resolução nº 1201000.598 S1C2T1 Fl. 5 4 Lei nº 9.430/96 "Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação." CTN "Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; (...) Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário;" 12. Por sua vez, a extinção do crédito tributário ocorre no momento do pagamento, conforme dispõe o artigo 3º, da Lei Complementar nº 118/05: Art. 3º Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 da referida Lei. 13. Sobre o tema, o Supremo Tribunal Federal, no Recurso Extraordinário nº 566.621, proferiu decisão definitiva sob o rito da repercussão geral, para definir o termo a quo do prazo estabelecido no artigo 168, inciso I, do CTN, afetando o direito de pleitear a restituição, tanto no âmbito administrativo como no judicial. 14. De acordo com a decisão, a interpretação veiculada na Lei Complementar nº 118/2005 deve ser aplicada aos pedidos de restituição e declarações de compensação apresentados a partir de 09/06/2005. Nestes casos, o direito de pleitear restituição, ou utilizar Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10580.910897/201201 Resolução nº 1201000.598 S1C2T1 Fl. 6 5 indébito em compensação, extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário (leiase pagamento). 15. Já os pedidos de restituição e declarações de compensação apresentados antes de 09/06/2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Nesse sentido, é a própria Súmula CARF nº 91: "Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador". 16. No caso em tela, estamos tratando de valor pago indevidamente ou a maior em 28/04/2000 à título de IRPJ 1º Trimestre de 2000, cujo PER/DCOMP original foi transferido em 30/01/2008. Logo, em uma primeira e isolada análise, poderia estar extinto do direito creditório do contribuinte. 17. Contudo, quando da verificação dos autos, não é possível evidenciar se houve ou não pedido de restituição e/ou declaração de compensação apresentados entre 28/04/2000 e 09/06/2005, conforme orienta o citado precedente do STF. O próprio contribuinte traz essa alegação e aponta a existência de DCOMPs apresentados dentro do citado período. 18. Não é demais consignar que, o precedente em questão (RE nº 566.621) equipara as figuras do pedido de restituição e da declaração de compensação, visto que os efeitos práticos e jurídicos dos dois institutos são equivalentes, no primeiro caso o contribuinte irá reaver o valor pago a maior e no segundo vai ver compensado seu direito de crédito com débito de sua titularidade. Inclusive, a compensação evita que a Administração Pública tenha efetivo desembolso financeiro. Tanto é que a redação do artigo 74, da Lei nº 9.430/96, mantém, em termos herméticos e técnicos tal, equiparação. 19. Não pode a autoridade fiscal "criar" distinção técnica onde nem a Suprema Corte e nem o legislador o fez. Adotar tal entendimento leva não só ao enriquecimento ilícito do Estado como afronta valores basilares como segurança jurídica, razoabilidade e eficiência administrativa. 20. Não é porque estamos diante de direito creditório do contribuinte que podemos olvidar dos princípios que regem a Administração Pública, em especial do princípio da eficiência. 21. De acordo com Prof. Doutor Humberto Ávila1 " para que a administração esteja de acordo com o dever de eficiência, não basta escolher meios adequados para promover seus fins. A eficiência exige mais o que mera adequação. Ela exige satisfatoriedade na promoção dos fins atribuídos à administração. Escolher um meio adequado para promover um fim, mas que promove o fim de modo insignificante, com muitos efeitos negativos paralelos ou com pouca certeza, é violar o dever de eficiência administrativa. O dever de eficiência traduzse, pois, na exigência de promoção satisfatória, para esse propósito, a promoção minimamente intensa e certa do fim”. 1 ÁVILA, HUMBERTO. Moralidade, Razoabilidade e Eficiência na Atividade Administrativa. In: Revista Eletrônica sobre a Reforma do Estado, nº 04, out/nov/dez 2005, p. 2324. Disponível em: https://goo.gl/Hn3CpK. Acesso em: 01/01/2018. Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10580.910897/201201 Resolução nº 1201000.598 S1C2T1 Fl. 7 6 22. Nessa linha, e em última análise, deixar de observar os preceitos aqui descritos viola o princípio da eficiência, pois os litígios acabam sendo levados para o âmbito do Poder Judiciário. Para além do ônus suportado pelas partes, temos o ônus para o própria Administração Pública. O Estado é um só e os custos do contencioso são suportados por todos os cidadãos brasileiros. A eficiência de gestão dos recursos públicos e o cuidado na busca de soluções satisfativas2 são valores legais necessários à promoção do interesse público e não podem ser considerados incompatíveis com esse objetivo. 23. No mais, os valores segurança jurídica e previsibilidade estão estampados no artigo 24, da Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro (LINDB): "Art. 24. A revisão, nas esferas administrativa, controladora ou judicial, quanto à validade de ato, contrato, ajuste, processo ou norma administrativa cuja produção já se houver completado levará em conta as orientações gerais da época, sendo vedado que, com base em mudança posterior de orientação geral, se declarem inválidas situações plenamente constituídas." 24. De acordo com o próprio autor do Anteprojeto da LINDB, Floriano de Azevedo Marques3, tal diploma normativo é plenamente aplicável ao CARF, verbis: "A Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro trata da aplicação da norma por todo o órgão que o faça no exercício de competência estatal. Me surpreende que este argumento tenha sido utilizado para gerar uma imunidade à Lei de Introdução – ou por acaso o Carf não utiliza a regra da Lei de Introdução sobre a vigência? Aplicar a LINDB na contratação ou exoneração de servidor público? Esta é uma interpretaçãocontra legis." (...) "Se alguém achar que existe algum órgão que é imune à aplicação das Leis de Introdução”, ponderou, “este alguém está dizendo que algum órgão está imune à aplicação das regras do Direito”. 25. Portanto, diante dessas premissas técnicas, data máxima, vênia discordo do posicionamento da DRJ que busca aplicar efeitos distintos para o pedido de restituição e o pedido de compensação. Considero fundamental o julgador ter a ciência de eventual pedido de restituição e ou declaração de compensação apresentado entre 28/04/2000 e 09/06/2005. 26. No mais, conforme consignado pela Recorrente, o direito creditório em exame decorre do processo de consulta nº 10580.006591/200431 que reconheceu o direito a aplicação do percentual de 8% na determinação da base de cálculo do lucro presumido, para 2 Sobre o tema, não é demais citar os valores processuais contantes dos artigos 4º, 6º e 8º, da Lei nº 13.105/2015: "Art. 4º As partes têm o direito de obter em prazo razoável a solução integral do mérito, incluída a atividade satisfativa. (...) Art. 6º Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva. (...) Art. 8º Ao aplicar o ordenamento jurídico, o juiz atenderá aos fins sociais e às exigências do bem comum, resguardando e promovendo a dignidade da pessoa humana e observando a proporcionalidade, a razoabilidade, a legalidade, a publicidade e a eficiência." 3 MENDES, Guilherme. CARF deve aplicar artigo 24 da LINDB, afirma autor da nova redação da norma. Jota, São Paulo, 06 ago. 2018. Disponível em: https://goo.gl/phv85x. Acesso em: 07 ago. 2018. "Floriano de Azevedo Marques, que formulou as alterações da lei, afirma que o CARF não está imune à sua aplicação." Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10580.910897/201201 Resolução nº 1201000.598 S1C2T1 Fl. 8 7 fins do IRPJ apurado no respectivo trimestre, equiparandose, tais serviços, aos serviços hospitalares, cujo efeito retroativo se deu por força do artigo 106 do CTN. 27. Com isso, os valores de IRPJ apurados anteriormente com o percentual de 32% foram revisados o que motivou a retificação das respectivas DCTFs do 1º Trimestre de 2000, dentre outras retificadoras. Portanto, conforme também consignado pela douta DRJ, o direito creditório seria legítimo. 28. Lembro que, as atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão devem ser realizadas de ofício pela autoridade fiscal, nos termos do artigo 29, da Lei nº 9.784/994. 29. Diante das circunstâncias fáticas e jurídicas aqui apresentadas, VOTO por CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que a autoridade preparadora: (i) Relacione eventuais pedidos restituição e de declaração de compensação que evolvam o direito creditório aqui em análise e indique as datas de transmissão de tais documentos, a fim de que seja confirmada a existência ou não de apresentação entre o período de 28/04/2000 e 09/06/2005; (ii) Instrua o presente processo administrativo com a decisão proferida no processo de consulta nº 10580.006591/200431; (iii) Verifique as DCTFs retificadoras apresentadas, efetuando a apuração do crédito relativo aos períodos sob apreciação; e (iv) faça o cotejamento desses créditos com as Dcomps relativas a pagamento a maior de IRPJ e CSLL, anocalendário 2000, procedendo à valoração para fins de verificação de suficiência destes, considerandose, inclusive, alguma Dcomp porventura já homologada. 30. Em caso de dúvidas quanto à exatidão das informações prestadas, a autoridade fiscal deve intimar a contribuinte a prestar esclarecimentos complementares. 31. Após a conclusão da diligência, a autoridade fiscal responsável deverá elaborar Relatório Conclusivo, com posterior ciência à Recorrente, para que, se assim desejar, se manifeste no prazo de 30 (trinta) dias e na seqüência retornem os autos ao E. CARF para julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Gisele Barra Bossa 4 Art. 29. As atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão realizamse de ofício ou mediante impulsão do órgão responsável pelo processo, sem prejuízo do direito dos interessados de propor atuações probatórias. § 1º O órgão competente para a instrução fará constar dos autos os dados necessários à decisão do processo. § 2º Os atos de instrução que exijam a atuação dos interessados devem realizarse do modo menos oneroso para estes. Fl. 70DF CARF MF
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Numero do processo: 13931.000947/2008-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.753
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, para que o processo seja encaminhado à repartição de origem onde deverá aguardar até que seja proferida a decisão no processo nº 12571.000201/2010-00, que deverá ser juntada, em cópia de seu inteiro teor, nestes autos.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Valcir Gassen - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, para que o processo seja encaminhado à repartição de origem onde deverá aguardar até que seja proferida a decisão no processo nº 12571.000201/201000, que deverá ser juntada, em cópia de seu inteiro teor, nestes autos. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Valcir Gassen Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP de créditos de COFINS mercado interno e exportação, apurados no regime de incidência nãocumulativa, com base no art. 3º, §1º da Lei nº 10.833/2003. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 39 31 .0 00 94 7/ 20 08 -1 7 Fl. 451DF CARF MF Processo nº 13931.000947/200817 Resolução nº 3301000.753 S3C3T1 Fl. 452 2 Cabe ressaltar a existência dos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, que tratam dos Autos de Infração de PIS/Pasep e Cofins, respectivamente, lançados em decorrência da análise do direito creditório promovida nos créditos das referidas contribuições dos anos de 2003 a 2007. Além da glosa dos créditos, foi verificado que, em diversos períodos de apuração, ocorreu a não tributação de algumas receitas pelo Contribuinte, motivo pelo qual lhe restou saldo devedor da contribuição a pagar, sendo, então, lavrados os dois Autos de Infração citados. No âmbito dos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, proferiuse as Resoluções nº 3301000.520 e 3301000.521, respectivamente. Nestas resoluções decidiuse por converter os julgamentos em diligências para fins de juntada de processos vinculados, processos esses, inclusive o presente, em que se estão sendo analisados os créditos de PIS/Pasep e Cofins (PER/DCOMPs) e que deram ensejo aos autos de infração constantes dos processos referidos. No cumprimento da Resolução nº 3301000.521 assim constou do Despacho de Encaminhamento: DESPACHO DE ENCAMINHAMENTO Devolvamse os presentes autos ao Conselheiro Valcir Gassen, para prosseguimento, informando que os processos 12571.000006/2010 71, 12571.000007/201016, 12571.000008/201061, 12571.000009/201013, 12571.000010/201030, 12571.000011/201084, 12571.000012/201029, 12571.000013/201073, 12571.000014/201018, 12571.000015/201062, 12571.000016/201015, 12571.000017/201051, 12571.000018/201004, 12571.000019/201041, 12571.000020/201075, 12571.000021/201010, 12571.000022/201064, 12571.000023/201017, 13931.000367/200820, 13931.000936/200837, 13931.000938/200826, 13931.000941/200840, 13931.000943/200839, 13931.000944/200883, 13931.000945/200828, e 13931.000947/200817, que tratam da análise de créditos de Cofins (PER/DECOMPs) e que deram ensejo ao auto de que trata este processo foram distribuídos ao referido Conselheiro, em cumprimento à determinação constante da Resolução 3301000.521, de 28/9/2017. É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen Relator Quando da análise dos autos para julgamento dos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, distribuídos a este relator, constatouse que os dois processos referemse a autos de infração, o primeiro no que tange a contribuição ao PIS e o segundo diz respeito a Cofins, e que existiam outros processos vinculados a estes e que tratam de pedidos de restituição e de compensação (PER/DCOMP) de PIS e Cofins Exportação apurados no regime de incidência nãocumulativa. Fl. 452DF CARF MF Processo nº 13931.000947/200817 Resolução nº 3301000.753 S3C3T1 Fl. 453 3 Em pesquisa realizada no eprocesso verificouse que esses processos vinculados aos autos de infração encontravamse distribuídos em fases distintas. Por intermédio das Resoluções nº 3301000.520 e 3301000.521, proferidas nos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, os processos vinculados foram reunidos e distribuídos a este Conselheiro prevento. Assim entendo que foram atendidas as Resoluções nº 3301000.520 e 3301 000.521. Verificando os processos de PER/Dcomps, constatase que o Auto de Infração alcança todos os períodos de apuração dos PER/Dcomps vinculados, sendo que a solução do litígio no processo do lançamento alcança os processos de ressarcimento/compensação vinculados. Assim, voto pela conversão do julgamento em diligência, para que o presente processo seja encaminhado à repartição de origem, onde deverá aguardar até que seja proferida a decisão definitiva no processo nº 12571.000201/201000, que deverá ser juntada, em cópia de seu inteiro teor, neste processo. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Fl. 453DF CARF MF
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Numero do processo: 13869.000025/2005-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. INSUMOS.
Na regime da não cumulatividade das contribuições sociais, o elemento de valoração é o total das receitas auferidas, o que engloba todo o resultado das atividades que constituem o objeto social da pessoa jurídica, e o direito ao creditamento alcança todos os bens e serviços, úteis ou necessários, utilizados como insumos diretamente na produção, e desde que efetivamente absorvidos no processo produtivo que constitui o objeto da sociedade empresária.
AQUISIÇÃO DE INSUMOS. DIREITO AO CREDITAMENTO.
A lei assegura o direito ao creditamento relativamente a bens e serviços adquiridos para utilização como insumos na prestação de serviços e no processo produtivo da pessoa jurídica.
CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO. INEXISTÊNCIA DE AUTORIZAÇÃO LEGAL.
O crédito presumido instituído pela Lei nº 10.925/2004 somente pode ser utilizado para dedução dos débitos apurados na sistemática da não cumulatividade aplicável na apuração das contribuições sociais, não sendo passível de utilização em procedimentos de compensação ou ressarcimento.
RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS DO PIS NÃO CUMULATIVO. JUROS SELIC. INAPLICABILIDADE.
O ressarcimento de créditos decorrentes da não cumulatividade do PIS não se confunde com a restituição de indébito, inexistindo autorização legal à atualização monetária ou a incidência de juros sobre o montante apurado.
Numero da decisão: 3301-004.970
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, acatando créditos de PIS sobre compras de amônia líquida, ácido fosfórico, cal virgem, CWMI 85, CWDO 30, CWBA, gás GLP utilizado em empilhadeiras, peróxidos e soda cáustica.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
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CREDITAMENTO. INSUMOS. Na regime da não cumulatividade das contribuições sociais, o elemento de valoração é o total das receitas auferidas, o que engloba todo o resultado das atividades que constituem o objeto social da pessoa jurídica, e o direito ao creditamento alcança todos os bens e serviços, úteis ou necessários, utilizados como insumos diretamente na produção, e desde que efetivamente absorvidos no processo produtivo que constitui o objeto da sociedade empresária. AQUISIÇÃO DE INSUMOS. DIREITO AO CREDITAMENTO. A lei assegura o direito ao creditamento relativamente a bens e serviços adquiridos para utilização como insumos na prestação de serviços e no processo produtivo da pessoa jurídica. CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO. INEXISTÊNCIA DE AUTORIZAÇÃO LEGAL. O crédito presumido instituído pela Lei nº 10.925/2004 somente pode ser utilizado para dedução dos débitos apurados na sistemática da não cumulatividade aplicável na apuração das contribuições sociais, não sendo passível de utilização em procedimentos de compensação ou ressarcimento. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS DO PIS NÃO CUMULATIVO. JUROS SELIC. INAPLICABILIDADE. O ressarcimento de créditos decorrentes da não cumulatividade do PIS não se confunde com a restituição de indébito, inexistindo autorização legal à atualização monetária ou a incidência de juros sobre o montante apurado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 9. 00 00 25 /2 00 5- 68 Fl. 431DF CARF MF Processo nº 13869.000025/200568 Acórdão n.º 3301004.970 S3C3T1 Fl. 432 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, acatando créditos de PIS sobre compras de amônia líquida, ácido fosfórico, cal virgem, CWMI 85, CWDO 30, CWBA, gás GLP utilizado em empilhadeiras, peróxidos e soda cáustica. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância: "O presente processo foi iniciado em 23/02/2005 pela apresentação dos Pedido de Ressarcimento de Créditos da Cofins (fls. 2 do eprocesso) O montante pleiteado, nos termos do §1º do art. 6º da Lei nº 10.833, de 2003, relativo a créditos vinculados a operações no mercado externo do 4º trimestre de 2004, alcança a cifra de R$ 1.493.323,63. Ao direito de crédito, a contribuinte vinculou declarações de compensação. Abriuse procedimento fiscal com o objetivo de verificação do direito de ressarcimento (fl. 61/66), tendo sido a interessada intimada a apresentar documentação de suporte ao crédito. Examinado o conjunto de provas, a fiscalização da Delegacia da Receita Federal em São José do Rio Preto elaborou a informação fiscal (fls. 121/133). Posicionouse a auditoria fiscal pelo reconhecimento parcial do direito ao ressarcimento, como segue: No curso do procedimento fiscal, foram constatadas irregularidades na apuração dos saldos da Cofins, resultando na GLOSA no que refere a BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS e recálculo na % de EXPORTAÇÃO e MERCADO INTERNO. Com base nas informações prestadas pela fiscalizada, quanto à função de cada produto no processo industrial, a autoridade fiscal decidiu pela glosa dos créditos relativos aos bens listados na tabela que segue: Fl. 432DF CARF MF Processo nº 13869.000025/200568 Acórdão n.º 3301004.970 S3C3T1 Fl. 433 3 A autoridade fiscal informa haver glosado parte dos créditos presumidos referentes aos estoques de abertura de insumos e produtos acabados em função da exclusão de diversos itens que não atenderiam ao conceito de insumos estabelecidos na legislação. Nas informações fiscais constam os demonstrativos da nova apuração do crédito passível de ressarcimento/compensação, neles incluídos o recálculo do percentual de participação das Receitas de Exportação na Receita Bruta. A autoridade fiscal ressalta ainda a alteração significativa da legislação a partir de 1º de agosto de 2004 em relação ao crédito presumido da agroindústria. Menciona que a Medida Provisória (MP) nº 183/2004, posteriormente convertida na Lei nº 10.925/2004, revogou o disposto no § 11 do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, que tratava do referido crédito, o qual passou a ser apurado segundo novos critérios e deixou de ser passível de compensação ou ressarcimento, podendo apenas ser utilizado para a dedução dos débitos da própria contribuição, conforme apurados a cada período de apuração. Neste caso, tais créditos foram excluídos da apuração do direito creditório (passível de compensação ou ressarcimento) reconhecido pela fiscalização, conforme demonstrado na planilha de fl. 132. Concluído o trabalho da fiscalização, o processo foi encaminhado à Seção de Orientação e Análise Tributária, que elaborou o despacho decisório de fls. 175/178, o qual reconheceu parcialmente o direito creditório pleiteado e homologou as compensações declaradas com base no referido crédito, até o limite do crédito reconhecido como passível de ressarcimento compensação (no montante de R$ 797.309,49). Cientificada do despacho em 16/07/2008 (fl. 186), em 05/08/2008, a contribuinte protocolou manifestação de inconformidade (fls. 191/1225) na qual alega em síntese que: Fl. 433DF CARF MF Processo nº 13869.000025/200568 Acórdão n.º 3301004.970 S3C3T1 Fl. 434 4 a) o nulo o despacho decisório, em razão de escorarse em levantamento fiscal por amostragem, conforme consignado pela autoridade fiscal responsável pela análise do crédito pleiteado; na hipótese destes autos caberia à fiscalização fazer prova inequívoca de suas alegações através de levantamento específico e não por mera amostragem; b) os materiais glosados, ao contrário do entendimento exposto pela auditoria, enquadramse no conceito de insumo tratado pela fiscalização, sendo legítima a apuração de créditos sobre as aquisições de amônia liquida, acido fosfórico, bagaço de cana, cal virgem, CWMI 85 microbiocida, CWDO 30 dispersante, CWBA antiespumante, combustível, gás GLP, gasolina comum, óleo combustível para caldeira, peróxidos e soda cáustica, todos materiais de consumo imediato e integral no processo produtivo (descrito em detalhes na manifestação de inconformidade); c) a Solução de Consulta nº 80, de 2008, “assegura o direito ao crédito de partes e peças de reposição de máquinas e equipamentos utilizados diretamente na produção”. assim sendo, se é admitido o crédito de partes e peças de máquinas, não há como negar o mesmo direito a produtos químicos consumidos no processo, com desgaste imediato e integral; d) impossível negarse o direito ao crédito do bagaço de cana e do óleo combustível para caldeira, utilizados na geração do vapor; os incisos II e IX do art. 3º, da Lei nº 10.637, de 2002, prevêem o direito ao creditamento sobre de aquisições de combustíveis e energia elétrica, e energia térmica, inclusive sob a foram de vapor, até porque sem energia não haveria produção; a geração do vapor tem a mesma função, no processo industrial, da energia elétrica ou térmica; e) quanto aos estoques de abertura, desconsiderandose as indigitadas glosas, ficam afastadas as conclusões fiscais [...], restabelecendose o crédito como preliminarmente solicitado; f) quanto às alterações produzidas pela Lei nº 10.925/2004, “se não há menção ao crédito presumido previsto nos artigos 8º e 15º da Lei nº 10.925/04, também não há exigência de que o crédito a ser compensado é exclusivamente o do artigo 3º; “fosse essa a intenção do legislador, a redação deveria incluir o termo unicamente, mas isso não ocorreu; se o legislador não restringiu, não cabe ao intérprete fazêlo”; g) ao crédito deve ser aplicada a atualização monetária, com base na taxa Selic." A DRJ em Ribeirão Preto (SP) julgou a manifestação de inconformidade procedente em parte e o Acórdão n° 1446.046, datado de 06/11/13, foi assim ementado: " ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 NULIDADE. PROCEDIMENTO FISCAL. AMOSTRAGEM. INOCORRÊNCIA. Não procede falar de nulidade de decisão fundamentada em procedimento fiscal realizado por amostragem quando a exigência fiscal combatida reportase apenas à matéria efetivamente investigada. Fl. 434DF CARF MF Processo nº 13869.000025/200568 Acórdão n.º 3301004.970 S3C3T1 Fl. 435 5 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase definitiva, na esfera administrativa, a exigência relativa à matéria que não tenha sido expressamente contestada. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. INSUMOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO. Para efeitos de apuração dos créditos da Cofins nãocumulativa, entendese como insumos utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda apenas as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. AQUISIÇÃO DE COMBUSTÍVEIS. A aquisição de combustíveis gera direito a crédito quando utilizado como insumo na fabricação dos bens destinados à venda. CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO. VEDAÇÃO. O valor do crédito presumido previsto na Lei n° 10.925, de 2004, arts. 8° e 15, somente pode ser utilizado para deduzir da contribuição para o PIS/Pasep e Cofins apuradas no regime de incidência não cumulativa, vedada o seu ressarcimento ou compensação. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. JUROS E CORREÇÃO MONETÁRIA. NÃO INCIDÊNCIA.VEDAÇÃO LEGAL. De acordo com o disposto no art. 13 da Lei nº 10.833/2003, não incide correção monetária e juros sobre os créditos objeto de ressarcimento. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte" Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, em que trouxe: diversas decisões do CARF; descrição do processo produtivo; informação que todos os produtos são consumidos direta e integralmente no processo produtivo, com exceção dos itens "soda cáustica", empregada na limpeza de máquinas, por exigência de legislação sanitária; "combustível" e "gasolina comum", para os veículos dos compradores, fiscais de frutas e vendedores; gás GLP, que serve de combustível para empilhadeiras, que movimentam os estoques dentro do parque industrial; Fl. 435DF CARF MF Processo nº 13869.000025/200568 Acórdão n.º 3301004.970 S3C3T1 Fl. 436 6 defesa do creditamento sobre os estoques de abertura, existentes por ocasião da publicação das Lei n° 10.637/02 e 10.833/03, e da compensação de créditos presumidos, previstos na Lei n° 10.925/04; e pleito acerca do acréscimo de juros Selic aos créditos pleiteados, em razão de o Fisco ter criado obstáculos à utilização cita decisões do CARF, lastreadas em decisão do STJ, na sistemática dos recursos repetitivos. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Marcelo Costa Marques d'Oliveira O recurso voluntário preenche os requisitos de admissibilidade e deve ser conhecido. PROCESSOS CONEXOS CRÉDITOS DE PIS/COFINS RELATIVOS AOS 1° TRIMESTRE DE 2003 AO 4° TRIMESTRE DE 2004 A recorrente apresentou Pedidos de Ressarcimento (PER) de créditos de PIS, apurados nos 1° ao 4° trimestres de 2003 e 2004, e de COFINS, relativos aos 1° ao 4° trimestre de 2004, aos quais vinculou diversas Declarações de Compensação (DCOMP). Foi aberto um único procedimento fiscal MPF n° 08107002005008657 (fls. 148 a 153) , para verificação da legitimidade dos créditos. Assim, verificase que os processos que abrigam os PER e as DCOMP de PIS e COFINS são conexos (inciso I do § 1° do art. 6° do Anexo II do RICARF) e devem, na medida do possível, serem julgados em conjunto. Os processos que versam sobre os PER de PIS, aos quais foram apensados os das compensações vinculadas que já estão no CARF, encontramse nesta pauta para julgamento. O presente processo abrange os PER de créditos de COFINS relativos ao 4° trimestre de 2004. Nos apensos, estão os processos que versam sobre as correspondentes compensações que já estão no CARF. Os PER de créditos da COFINS dos 1° ao 3° trimestre de 2004 foram tratados no processo n° 13869.000219/200482. Chamo a atenção desta turma para o fato de que este processo já foi julgado no CARF, por meio do Acórdão n° 3803006.328, datado de 24/07/14. Por ser conexo aos demais, esta decisão deve ser apreciada pela turma e aplicada, caso estejamos de acordo com seu teor. A CONTENDA E A DEFESA Foram glosados créditos de COFINS do 4° trimestre de 2004, em razão de a fiscalização ter entendido que as seguintes mercadorias não se enquadravam no conceito de Fl. 436DF CARF MF Processo nº 13869.000025/200568 Acórdão n.º 3301004.970 S3C3T1 Fl. 437 7 insumos das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03 e IN SRF/RFB n° 247/02 e 404/04 (quadro extraído da Informação Fiscal de cada trimestre, fls. 273 a 349): O créditos foram computados nas bases de cálculo sob as rubricas "estoque de abertura" e "bens e serviços" aplicados na produção. Foram também glosados os PER que continham créditos presumidos de PIS, derivados de aquisições de bens de origem vegetal (Lei n° 10.925/04), apurados a partir de 01/08/04. Além de combater as citadas glosas, a recorrente pleiteou o reconhecimento do direito de acrescer juros Selic aos PER. A DRJ acatou os créditos relacionados às compras de "bagaço de cana" e "óleo combustível para caldeira". Em relação aos demais bens, com base em detalhada descrição de seu processo produtivo e diversas decisões do CARF, a recorrente sustentou que foram consumidos direta e integralmente no processo produtivo, com exceção dos seguintes itens: "soda cáustica", cujo crédito defende, pois foi empregada na limpeza de máquinas, por exigência de legislação sanitária; "combustível" e "gasolina comum", porque foi utilizada nos veículos dos compradores, fiscais de frutas e vendedores (setores de compras e vendas); e gás GLP, que serve de combustível para empilhadeiras, que movimentam os estoques dentro do parque industrial. A controvérsia foi detidamente analisada e objeto do mencionado Acórdão n° 3803006.328 trata de créditos da COFINS (1° ao 3° trimestre de 2004), porém também aplicase ao PIS, dada a amplamente sabida identidade existente entre as matrizes legais de Fl. 437DF CARF MF Processo nº 13869.000025/200568 Acórdão n.º 3301004.970 S3C3T1 Fl. 438 8 cujo voto condutor, da lavra do i. Conselheiro Hélcio Lafetá Reis, faço minha razão de decidir, com fulcro no § 1° do art. 50 da Lei n° 9.784/99: "Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme acima relatado, tratase de Pedidos de Ressarcimento da Cofins não cumulativa, cumulados com Declarações de Compensação, formulados com base na Lei nº10.833, de 2003, em relação aos quais permanecem controvertidas (i) as glosas relativas a determinados produtos não identificados como insumos, (ii) o crédito presumido da agroindústria e (iii) a correção monetária do ressarcimento com base na taxa Selic. De início, devese registrar que a presente análise, no que tange aos elementos fáticos controvertidos, terá como base os resultados apurados e informados pela repartição de origem nas Informações Fiscais, nas planilhas apresentadas pelo Recorrente, não infirmadas pela Fiscalização, e no Despacho Decisório. Outro dado relevante para a presente análise é o objeto social da pessoa jurídica, que se encontra identificado no contrato social nos seguintes termos: A sociedade tem como objeto a produção, a industrialização e comercialização de frutas, seus produtos e subprodutos, bem como a exportação de tais produtos e subprodutos, podendo participar de outras empresar ou sociedades nacionais e estrangeiras. De acordo com as Informações Fiscais da repartição de origem, o Recorrente industrializa os seguinte produtos: (i) suco de laranja, (ii) ração, (iii) óleos de laranja e (iv) Water Phase (essência oleosa de laranja). De acordo com o Recorrente, seu processo produtivo é complexo, abrangendo, sinteticamente demonstrado, as seguintes fases: (i) descarregamento das frutas dos caminhões, (ii) processo de seleção e higienização das frutas, (iii) processo de extração primário do suco e de transporte a tanques nas subunidades de processamento, (iv) processamento da polpa da fruta, (v) concentração do suco em evaporadores (trocadores de calor, instrumentos de medida de PH, pressão e concentração etc.), (vi) resfriamento, (vii) reprocessamento do suco, (viii) refrigeração industrial a amônia e água e (ix) moagem, queima e secagem do bagaço. Feitas essas considerações, passase à análise por itens do recurso. I. Insumos. Conceito. Direito a creditamento. Nos termos acima relatados, a Fiscalização glosou créditos calculados sobre determinados bens e serviços, considerandoos não abrangidos pelo conceito de insumos, nos termos do art. 3° da Lei n° 10.833, de 2003. Permanece controvertida nesta instância a glosa relativa aos seguintes produtos: amônia líquida (fluido refrigerante utilizado na refrigeração industrial), ácido fosfórico (limpeza da resina de absorção do amargor do suco), álcool combustível (utilizado como combustível em veículos dos compradores e dos fiscais de frutas), cal virgem micropulverizado (processo de fabricação de Pellets – combustível granulado –, quebrandomoléculas de pectina), CWBA antiespumante (produto químico para uso industrial, no controle de espumas nos geradores de Fl. 438DF CARF MF Processo nº 13869.000025/200568 Acórdão n.º 3301004.970 S3C3T1 Fl. 439 9 vapor), CWDI anticorrosivo (produto químico usado para minimizar processos de corrosão e incrustação nos condensadores evaporativos), CWMI microbiocida (controle microbiológico), CWDO (produto químico usado para minimizar processo de corrosão e incrustação nos condensadores evaporativos), gás GLP (gás para refeitórios e empilhadeiras), gasolina comum (combustível dos compradores e dos fiscais de frutas), óleo Donax (lubrificação de equipamentos da área industrial), óleo Tellus (lubrificação de equipamentos da área industrial), peróxido hidrogênio estabilizado (reagentes para análises de controle de qualidade) e soda cáustica (limpeza de equipamentos em geral). De início, devese registrar que a não cumulatividade aplicada às contribuições sociais (PIS e Cofins) não se confunde com a não cumulatividade dos impostos IPI e ICMS. Nesta, além da origem constitucional, diferentemente da não cumulatividade das contribuições de origem legal, a sistemática do encontro de contas entre débitos e créditos referese ao ciclo de produção ou de comercialização de um produto ou mercadoria. Na não cumulatividade do IPI, por exemplo, o direito ao creditamento referese às aquisições de insumos que serão aplicados nos produtos industrializados que serão comercializados pelo contribuinteindustrial, encontrandose circunscrita a não cumulatividade à produção do bem. O imposto pago na aquisição de insumos encontrase destacado na nota fiscal e será ele, e tão somente ele, que dará direito ao creditamento. No processo produtivo de um bem, há eventos de natureza física; enquanto que no auferimento de receitas, temse um complexo de atividades envolvidas que extrapolam os elementos físicos para alcançar, também, os elementos funcionais relevantes. Na não cumulatividade das contribuições, o elemento de valoração não é mais o produto ou mercadoria em si considerado, mas o total das receitas auferidas pelos contribuintes, o que engloba todo o resultado da atividade operacional produtiva da pessoa jurídica. O fato gerador sob interesse não é apenas a saída ou entrada de uma mercadoria ou produto – o que pode se constituir em parte ínfima da atividade global do sujeito passivo –, mas todo o processo produtivo da pessoa jurídica. Nesse sentido, o regime não cumulativo das contribuições sociais não se refere à recuperação, stricto sensu, dos tributos pagos na etapa anterior da cadeia de produção, mas a um conjunto de bens e serviços definido pelo legislador, “tratando se, em realidade, mais como um crédito presumido do que de uma não cumulatividade” (1). Como nos ensina Marco Aurélio Greco (2), ao analisar a previsão legal da não cumulatividade das contribuições, a apuração dos créditos de PIS e Cofins envolve um conjunto de dispêndios “ligados a bens e serviços que se apresentem como necessários para o funcionamento do fator de produção, cuja aquisição ou consumo configura conditio sine qua non da própria existência e/ou funcionamento” da pessoa jurídica. ________________________________________ Fl. 439DF CARF MF Processo nº 13869.000025/200568 Acórdão n.º 3301004.970 S3C3T1 Fl. 440 10 1 ANAN JR., Pedro. A questão do crédito de PIS e Cofins no regime da não cumulatividade. Revista de Estudos Tributários. Porto Alegre: v. 13, n. 76, nov/dez 2010, p. 38. 2 GRECO, Marco Aurélio. Não cumulatividade no PIS e na COFINS. In: PAULSEN, Leandro (coord.). Não cumulatividade das contribuições. IET e IOB/THOMSON, 2004. Greco considera, ainda, que o termo “insumo” utilizado pelas Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 abrange “os bens e serviços ligados à ideia de continuidade ou manutenção do fator de produção, bem como os ligados à sua melhoria. Ficam de fora da previsão legal os dispêndios que se apresentem num grau de inerência que configure mera conveniência da pessoa jurídica contribuinte (sem alcançar perante o fator de produção o nível de uma utilidade ou necessidade) ou, ainda, que ligados a um fator de produção, não interfiram com o seu funcionamento, continuidade, manutenção e melhoria”. Somente os bens e serviços utilizados de forma direta na produção da pessoa jurídica dão direito ao crédito das contribuições, devendo ser, efetivamente, absorvidos no processo produtivo que constitui o objeto da sociedade empresária. Para a análise da questão posta, necessário se torna reproduzir os dispositivos legais que cuidam da matéria. A Lei nº 10.833/2003, aplicável à Cofins na sistemática não cumulativa, disciplina a matéria nos seguintes termos: 'Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. (...) § 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 440DF CARF MF Processo nº 13869.000025/200568 Acórdão n.º 3301004.970 S3C3T1 Fl. 441 11 I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei.' De acordo com os dispositivos legais supra reproduzidos, é possível constatar que a lei prevê, de forma expressa, o direito de creditamento relativo a combustíveis e lubrificantes utilizados como insumos na prestação de serviços ou na produção de bens ou produtos destinados à venda. Contudo, essa autorização legal, a meu ver, não abarca o gás GLP utilizado em refeitórios, nem os combustíveis utilizados “em veículos dos compradores e dos fiscais de frutas”, produtos esses também não abrangidos pelo comando contido no inciso IX do art. 3º acima reproduzido. Por outro lado, considerando que a atividade principal do Recorrente é a produção de sucos de laranja, óleos e rações, é possível constatar que os demais produtos acima identificados são utilizados em seu processo industrial, encontrandose ligados à ideia de continuidade ou manutenção do fator de produção, sendo inerentes ao processo produtivo, alcançando perante o fator de produção o nível de uma utilidade ou necessidade que os torna imprescindíveis ao funcionamento, continuidade, manutenção e melhoria da atividade produtiva. A glosa feita pela Fiscalização quanto aos créditos decorrentes da aquisição desses produtos decorreu da adoção de um conceito mais estrito de insumos, conceito esse definido na Instrução Normativa SRF nº 358, de 2003, que, a meu ver, não encontra respaldo na disciplina da Lei nº 10.833, de 2003. Nesse contexto, reconhecese o direito ao creditamento em relação às aquisições de amônia líquida, ácido fosfórico, cal virgem micropulverizado, CWBA antiespumante, CWDI anticorrosivo, CWMI microbiocida, CWDO, óleo Donax, óleo Tellus, peróxido hidrogênio estabilizado, soda cáustica e GLP utilizado em empilhadeiras, desde que atendidos os demais requisitos da lei. II Crédito presumido da agroindústria. A Lei n° 10.833/2003, que instituiu a Cofins não cumulativa assim dispunha: 'Art. 2º Para determinação do valor da Cofins aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1º, a aliquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). Fl. 441DF CARF MF Processo nº 13869.000025/200568 Acórdão n.º 3301004.970 S3C3T1 Fl. 442 12 (...) Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 5º Sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na forma deste artigo, as pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2 a 4, 8 a 12 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, 15.07 a 1514, 1515.2, 1516.20.00, 15.17, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul NCM, destinados à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Cofins, devida em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens e serviços referidos no inciso II do caput deste artigo, adquiridos, no mesmo período, de pessoas físicas residentes no País.' De acordo com os dispositivos legais supra, a agroindústria poderia se valer de créditos presumidos para deduzilos dos débitos a recolher em decorrência da não cumulatividade, podendo, ainda, nos casos de haver crédito disponível no final do trimestre, compensálos ou requerer seu ressarcimento (Lei n° 11.116/2005). Contudo, o § 5º do art. 3º acima reproduzido foi revogado pela Medida Provisória n° 183/2004, convertida na Lei n° 10.925/2004, que reinstituiu os créditos presumidos da agroindústria nos seguintes termos: 'Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos Capítulos 2 a 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 09.01, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (...) Art. 15. As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem vegetal, classificadas no código 22.04, da NCM, poderão deduzir da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de Fl. 442DF CARF MF Processo nº 13869.000025/200568 Acórdão n.º 3301004.970 S3C3T1 Fl. 443 13 apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Vigência)' Conforme excerto supra, a Lei n° 10.925/2004 dispôs sobre a possibilidade da pessoa jurídica apenas deduzir da contribuição devida em cada período de apuração ocrédito presumido, tendo sido mantidas as revogações promovidas pela Medida Provisória que a originou, não se aplicando a partir de então, por conseguinte, a apuração da contribuição, no que se refere ao crédito presumido, da forma prevista no art. 3° da Lei nº 10.637/2002. Nessa nova sistemática, deixou de existir a possibilidade de compensação ou ressarcimento do crédito presumido, por inexistir autorização legal nesse sentido, dado que, após as alterações legislativas supra referenciadas, o aproveitamento dos créditos da contribuição, via dedução, compensação ou ressarcimento, da forma prevista nas Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003, passou a se restringir aos casos de apuração na forma do art. 3º dos mesmos diplomas legais, não alcançando a nova hipótese de apuração do crédito presumido sob análise. Dessa forma, após a vigência da Lei n° 10.925/2004, passouse a prever, tão somente, o aproveitamento do crédito presumido por meio de dedução dos débitos da própria contribuição devida em cada período, na sistemática da não cumulatividade, não se aplicando, no caso, o disposto na Lei n° 11.116/2005, que prevê a compensação e o ressarcimento dos créditos apurados de acordo com o art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, não alcançando, portanto, os artigos 8º e 15 da Lei n° 10.925/2004, verbis: 'Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestrecalendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei.' Portanto, a partir da vigência da Lei nº 10.925/2004, ocorrida a partir de 1º de agosto de 2004, o crédito presumido sob análise deixou de ser passível de compensação ou ressarcimento, podendo, apenas, ser utilizado para a dedução dos Fl. 443DF CARF MF Processo nº 13869.000025/200568 Acórdão n.º 3301004.970 S3C3T1 Fl. 444 14 débitos da contribuição devida em cada período na sistemática da não cumulatividade. III Correção monetária do crédito – Taxa Selic. Quanto ao pedido de atualização monetária dos valores dos créditos pleiteados e reconhecidos, ressaltese que inexiste autorização legal para a aplicação da taxa Selic na atualização monetária de ressarcimento de créditos da Cofins não cumulativa. A legislação tributária distingue as hipóteses de restituição, compensação e ressarcimento, conforme se depreende dos artigos 73 e 74 da Lei n° 9.430/1996, bem como do § 4º do art. 39 da Lei nº 9.250/1995, autorizando a aplicação de juros Selic somente nos casos de restituição, calandose em relação às hipóteses de ressarcimento, como o ora pleiteado. Conforme apontado pelo julgador de primeira instância, o art. 13 da Lei nº 10.833, de 2003, determina expressamente que “[o] aproveitamento de crédito na forma do § 4o do art. 3o, do art. 4o e dos §§ 1o e 2o do art. 6o, bem como do § 2o e inciso II do § 4o e § 5o do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores.” Além disso, há vedação expressa de não incidência de juros compensatórios no ressarcimento de créditos de IPI e das contribuições Cofins e PIS, ex vi do § 5° do art. 51 da Instrução Normativa SRF n° 460/2004 e § 5° do art. 52 da Instrução Normativa SRF nº 600/2005. IV Conclusão Diante do exposto, voto por PROVER PARCIALMENTE o recurso, para acolher o direito a crédito em relação às aquisições de amônia líquida, ácido fosfórico, cal virgem micropulverizado, CWBA antiespumante, CWDI anticorrosivo, CWMI microbiocida, CWDO, óleo Donax, óleo Tellus, peróxido hidrogênio estabilizado, soda cáustica e GLP utilizado em empilhadeiras, tanto no que se refere aos insumos aplicados na produção, quanto aos estoques de abertura, mas desde que atendidos os demais requisitos da lei e observados os elementos probatórios averiguados e atestados pela repartição de origem. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Relator." Sobre o voto acima reproduzido, fazse necessário tecer algumas considerações, não obstante o fato de têlo adotado, em seu inteiro teor: no presente processo, não foram objetos de glosa os créditos relativos aos insumos "óleo Donax" e "óleo Tellus"; concordei com a manutenção da glosa de PIS e COFINS sobre combustíveis, pois a recorrente informou que, além de serem empregados em veículos de compradores e fiscais de frutas (setor de compras), eram também nos de vendedores (não há indicação dos valores destinados a compradores e vendedores, separadamente), o que constitui uma despesa com vendas e não insumo do processo industrial; e Fl. 444DF CARF MF Processo nº 13869.000025/200568 Acórdão n.º 3301004.970 S3C3T1 Fl. 445 15 também ratifiquei o posicionamento sobre a não incidência dos juros, pois, além de não compor a presente lide, a recorrente não relatou qualquer atitude do Fisco que pudesse ser caracterizada como uma "resistência ilegítima do Fisco (Súmula 411 do STJ). CONCLUSÃO Dou provimento parcial ao recurso voluntário, acatando créditos de PIS sobre compras de amônia líquida, ácido fosfórico, cal virgem, CWMI 85, CWDO 30, CWBA, gás GLP para empilhadeiras, peróxidos e soda cáustica. O deferimento dos PER e a homologação das DCOMP estarão subordinados ao valor dos créditos acatados por esta decisão e aos procedimentos complementares de inspeção a serem aplicados pela unidade de origem. É como voto. (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 445DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10209.000399/2005-69
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 24/05/2000
PREFERÊNCIA TARIFÁRIA PREVISTA EM ACORDO INTERNACIONAL. CERTIFICADO DE ORIGEM. TRIANGULAÇÃO COMERCIAL. RESOLUÇÃO ALADI 252.
Para se beneficiar da redução tarifária prevista no Acordo de Complementação Econômica nº 39 (ACE 39), o contribuinte deve seguir com rigor as exigências estabelecidas na legislação de regência. Trata-se de benefício tributário a reclamar a aplicação do art. 111 do CTN.
Numero da decisão: 9303-007.264
Decisão: Visto, relatado e discutido os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Érika Costa Camargos Autran, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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PREFERÊNCIA TARIFÁRIA. Recorrente PETRÓLEO BRASILEIRO S A PETROBRAS Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 24/05/2000 PREFERÊNCIA TARIFÁRIA PREVISTA EM ACORDO INTERNACIONAL. CERTIFICADO DE ORIGEM. TRIANGULAÇÃO COMERCIAL. RESOLUÇÃO ALADI 252. Para se beneficiar da redução tarifária prevista no Acordo de Complementação Econômica nº 39 (ACE 39), o contribuinte deve seguir com rigor as exigências estabelecidas na legislação de regência. Tratase de benefício tributário a reclamar a aplicação do art. 111 do CTN. Visto, relatado e discutido os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Érika Costa Camargos Autran, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 20 9. 00 03 99 /2 00 5- 69 Fl. 332DF CARF MF Processo nº 10209.000399/200569 Acórdão n.º 9303007.264 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão n.º 310100.917, que deu provimento ao recurso voluntário. A discussão do presente processo tem origem no auto de infração lavrado em face do Contribuinte. Consta dos autos que o Contribuinte procedeu à importação de bens com a utilização da redução tarifária prevista no Acordo de Complementação Econômica n.º 39 (ACE 39), conforme Decreto n.º 3.138, de 1999, firmado entre o Governo do Brasil e os Governos da Colômbia, do Equador, do Peru e da Venezuela (PaísesMembros da Comunidade Andina). A fiscalização concluiu que a importação não contempla o Acordo Tarifário, seja em razão da divergência entre a fatura comercial e o certificado de origem, seja também porque o produto foi comercializado por terceiro país sem que tenham sido atendidos os requisitos estabelecidos na legislação pertinente, razão porque tratou de lavrar o auto de infração objeto da lide, para exigir o tributo de modo integral, deduzido da parte já recolhida, além dos juros de mora e da multa de ofício de 75%. Cientificado do lançamento, o Contribuinte apresentou impugnação, alegando, em síntese, que a triangulação comercial não elide a aplicação de redução tarifária prevista em acordo firmado no âmbito da ALADI. A DRJ em Fortaleza/CE, na parte de interesse ao presente julgamento, não reconheceu o direito à redução tarifária. Irresignado, o Contribuinte apresentou recurso voluntário. O Colegiado do CARF deu provimento ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão 310100.917, assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Importação II Data do fato gerador: 24/05/2000 PREFERÊNCIA TARIFÁRIA PREVISTA EM ACORDO INTERNACIONAL. CERTIFICADO DE ORIGEM. Informações suficientes para caracterizar a operação e supridas por outros documentos. As informações disponibilizadas atendem às exigências previstas no artigo 2º da Resolução 232. Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 24/05/2000 Ementa: FATURA COMERCIAL – Multa por ausência dos requisitos: A verdade material ficou aclarada com a juntada da cópia de fax da Invoice 987880, emitida em 9 de maio de 2000 pela PDVSA Petróleo y Gas, S.A. (folha 120), citada no certificado Fl. 333DF CARF MF Processo nº 10209.000399/200569 Acórdão n.º 9303007.264 CSRFT3 Fl. 4 3 de origem de 25 de maio de 2000 (folha 21). O artigo 425 do RA impõe regras voltadas para o “exportador”. Recurso voluntário provido. A Fazenda Nacional interpôs, então, o Recurso Especial ora sob exame A divergência suscitada diz respeito ao direito à redução tarifária em face da intermediação de terceiro país, que não faz parte do acordo comercial internacional em tela. Visando comprovar o dissenso jurisprudencial a Fazenda apresentou os acórdãos 30133.018 e 302 36.741. O Recurso Especial da Fazenda foi admitido conforme despacho de admissibilidade do Presidente da Câmara de competência do CARF. Cientificado do despacho que admitiu o especial fazendário, o contribuinte não apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.260, de 14/08/2018, proferido no julgamento do processo 10209.000826/200517, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303007.260): "Da Admissibilidade O Recurso Especial do Fazenda é tempestivo e, depreendendose da análise de seu cabimento, entendo pela admissibilidade integral do recurso conforme despacho de fls. 326 a 328. (...)1 1 Não se transcreveu o voto da relatora do processo paradigma, na parte em que enfrentou o mérito, em razão de trazer entendimento que restou vencido na votação, não se aplicando, portanto, à solução do litígio dos presentes autos. A íntegra do voto consta do Acórdão 9303007.260. Fl. 334DF CARF MF Processo nº 10209.000399/200569 Acórdão n.º 9303007.264 CSRFT3 Fl. 5 4 Com todo respeito ao voto da ilustre relatora, mas tenho conclusões distintas das suas a respeito das operações de triangulação comercial e suas consequências de que trata o presente processo. A discussão desse processo gira em torno do tratamento beneficiado de importação efetuada pela recorrente utilizandose de preferência tarifária com suporte no Acordo de Complementação Econômica nº 39 (ACE 39), firmado entre o Governo Brasileiro com os Governos da Colômbia, Equador, Peru e Venezuela, Países Membros da Comunidade Andina. Grosso modo, tratase de redução tarifária do Imposto de Importação, caso os produtos sejam adquiridos daqueles países em determinadas condições. Ou seja, tratase de uma regra de exceção, benefício fiscal, o qual reclama a aplicação do art. 111 do CTN. Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. É da essência das regras de exceção, a aplicação literal dos dispositivos que as concedem. Isto porque, se de um lado estabelecese um tratamento beneficiado, de outro, as regras condicionantes devem ser seguidas com rigor. Nesse sentido, vejamos o que dispunham as regras para o aproveitamento da redução tarifária pretendida. No início do referido acordo, vigia o disposto na Resolução ALADI nº 78, o qual não permitia a possibilidade de triangulação comercial nos moldes realizados pela contribuinte no presente processo. Art. 4º da Resolução ALADI nº 78: QUARTO Para que as mercadorias originárias se beneficiem dos tratamentos preferenciais, as mesmas devem ter sido expedidas diretamente do país exportador para o país importador. Para esses efeitos, considerase como expedição direta: a) As mercadorias transportadas sem passar pelo território de algum país não participante do acordo. b) As mercadorias transportadas em trânsito por um ou mais países não participantes, com ou sem transbordo ou armazenamento temporário, sob a vigilância da autoridade aduaneira competente nesses países, desde que: i) o trânsito esteja justificado por motivos geográficos ou por considerações referentes a requerimentos do transporte; it) não estejam destinadas ao comércio, uso ou emprego no país de trânsito; e iii) não sofram, durante seu transporte e depósito, qualquer operação diferente da carga e descarga ou manuseio para mantêlas em boas condições ou assegurar sua conservação. Veja que na vigência do art. 4º, acima transcrito, as mercadorias deveriam ser faturadas diretamente do país exportador para o importador, admitindo o seu trânsito por outro país, em síntese, somente por razões de logística do transporte. Não se permitia a participação de outro país interveniente com emissão de fatura nele ocorrida, como no presente caso. Somente a partir de 08/12/98, com a entrada em vigência da Resolução ALADI nº 232 é que se passou a permitir, com uma série de condicionantes. O disposto na Resolução ALADI 232, foi consolidado na Resolução ALADI nº 252, o qual transcrevo abaixo: Fl. 335DF CARF MF Processo nº 10209.000399/200569 Acórdão n.º 9303007.264 CSRFT3 Fl. 6 5 NONO. Quando a mercadoria objeto de intercâmbio for faturada por um operador de um terceiro país, membro ou não da Associação, o produtor ou exportador do país de origem deverá indicar no formulário respectivo, no campo relativo a “observações”, que a mercadoria objeto de sua Declaração será faturada de um terceiro país, identificando o nome, denominação ou razão social e domicílio do operador que, em definitivo, será o que fature a operação a destino. Na situação a que se refere o parágrafo anterior e, excepcionalmente, se no momento de expedir o certificado de origem não se conhecer o número da fatura comercial emitida por um operador de um terceiro país, o campo correspondente do certificado não deverá ser preenchido. Nesse caso, o importador apresentará à administração aduaneira correspondente uma declaração juramentada que justifique o fato, onde deverá indicar, pelo menos, os números e datas da fatura comercial e do certificado de origem que amparam a operação de importação. Somente com a Resolução 232, que passou a viger no país a partir de 08/12/98, é que se permitiu a participação de um operador de terceiro país, porém as regras para esta participação são claras e não poderiam ser ignoradas pela Petrobrás. Primeiro que são de fáceis cumprimento e seu conteúdo é de clareza meridiana. Então bastava constar o número da fatura do terceiro interveniente já no próprio certificado de origem. Se o número da fatura, ainda não era conhecido, a determinação é que se deixasse em branco o espaço e que fosse apresentada no momento do desembaraço a declaração juramentada. Com certeza a motivação dessas exigências têm fundamento no controle aduaneiro. Ao abandonar ao livre arbítrio estas condições a Petrobrás afastou do conhecimento imediato da aduana as reais condições de sua importação. A comprovação documental em momento bem posterior aos fatos, podem prejudicar a perfeita verificação se os documentos apresentados correspondem aos fatos erigidos. Portanto, penso ser incabível, uma empresa do porte da recorrente, não se submeter a regras simples estabelecidas a nível de tratado internacional. Retomando os fatos do presente processo, vêse que se trata de uma importação objeto da Declaração de Importação nº 00/12080657, cujo registro deuse em 13/12/2000. Constatase de forma inequívoca que não foram seguidas as condições estabelecidas no artigo 9º da Resolução ALADI nº 252, acima trasncrito. No Certificado de Origem, efl. 21, consta a fatura comercial emitida pela ECOPETROL e não tem qualquer referência à fatura comercial emitida pela interveniente de outro país, no caso a PFICO. Neste caso, diferente dos demais, no campo "observações" do Certificado de Origem há referência expressa à empresa interveniente, PIFCO, porém não tem a informação do número da fatura comercial emitida por ela. Também não foi apresentada a declaração juramentada no momento do desembaraço aduaneiro. Assim está comprovado que não foram cumpridas as regras estabelecidas para que se tenha direito à redução tarifária que se pretendia. Também não tem fundamento a invocação do contribuinte pela aplicação do art. 434 do Regulamento Aduaneiro de 1985, Decreto nº 91.030/85, de que a comprovação será feita por qualquer meio julgado idôneo. Veja a sua redação: Art. 434 No caso de mercadoria que goze de tratamento tributário favorecido em razão de sua origem, a comprovação desta será feita por qualquer meio julgado idôneo Parágrafo único Tratandose de mercadoria importada de país membro da Associação LatinoAmericana de Integração (ALADI), quando solicitada a aplicação de reduções tarifárias negociadas pelo Brasil, a comprovação constará de certificado de origem emitido por Fl. 336DF CARF MF Processo nº 10209.000399/200569 Acórdão n.º 9303007.264 CSRFT3 Fl. 7 6 entidade competente, de acordo com modelo aprovado pela citada Associação. Ora, o próprio decreto remete à necessidade de cumprimento das regras atinentes ao certificado de origem. Como visto a ALADI aprovou o modelo e as regras de seu preenchimento no caso da referida triangulação comercial. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial da Fazenda Nacional foi conhecido e, no mérito, o colegiado deulhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 337DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.909832/2011-16
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do Fato Gerador: 14/11/2002
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
Numero da decisão: 9303-007.197
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran e Tatiana Midori Migiyama, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Recorrente FUGINI ALIMENTOS LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do Fato Gerador: 14/11/2002 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran e Tatiana Midori Migiyama, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 98 32 /2 01 1- 16 Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10840.909832/201116 Acórdão n.º 9303007.197 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo Contribuinte contra o acórdão n.º 3802002.485, de 25 de março de 2014, proferido pela Segunda Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, decisão que, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário. Na parte de interesse, o acórdão recorrido possui a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 14/11/2002 INDÉBITO TRIBUTÁRIO. LIQUIDEZ E CERTEZA NÃO DEMONSTRADAS. RESTITUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE A restituição de indébitos tributários decorrente de suposto pagamento a maior ou indevido (CTN, artigo 165, I) exige seja o direito demonstrado por parte do sujeito passivo, o qual tem o ônus de provar, com a apresentação de documentação suficiente, o direito em que se alicerça. (...) Recurso ao qual se nega provimento. O Contribuinte interpôs Recurso Especial suscitando divergência quanto às seguintes matérias: 1 Exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS; 2 Necessidade de diligência fiscal, com a obrigatoriedade de apreciação de novas provas das alegações do contribuinte, em face do princípio da verdade material. O Recurso Especial do Contribuinte foi admitido parcialmente, conforme despacho de admissibilidade do então Presidente da Segunda Câmara da Terceira Seção do CARF, apenas quanto à segunda matéria (questão da prova). O seguimento parcial foi ratificado pelo reexame da admissibilidade. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões manifestando pelo não provimento do recurso especial do Contribuinte. É o relatório, em síntese. Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10840.909832/201116 Acórdão n.º 9303007.197 CSRFT3 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.177, de 12/07/2018, proferido no julgamento do processo 10840.900016/201228, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303007.177): "Da Admissibilidade O Recurso Especial da Contribuinte é tempestivo e, depreendendose da análise de seu cabimento, entendo pela admissibilidade do recurso conforme despacho de fls.150 a 154, senão vejamos: Com relação matéria que foi admitida, entendo que restou comprovada a divergência jurisprudencial, argumentando que acórdão recorrido, ao examinar questão relativa à restituição de indébitos tributários decorrente de suposto pagamento a maior ou indevido, decidiu que não caberia a conversão do julgamento em diligência, sob o entendimento de que o ônus de provar o direito alegado, sua liquidez e certeza, é do sujeito passivo. Por sua vez, o acórdão paradigma firma entendimento diverso, ao tratar da mesma matéria relativa à repetição de indébito, decidiu que cabe à autoridade preparadora o ônus de promover a análise da liquidez e certeza do alegado crédito, com base nos documentos existentes dos autos e outros mais que entender necessários, intimando o contribuinte para apresentálos se for o caso, em face do princípio da verdade material. Desta maneira, entendo que o contraste das ementas e do teor dos votos das decisões evidencia a divergência entre o entendimento exarado no acórdão recorrido e os acórdãos paradigmas. Diante do exposto, comprovada a divergência, voto no sentido de conhecer do recurso interposto pelo Contribuinte. Do Mérito (...)1 Respeitosamente, divirjo da i. relatora quanto ao provimento do recurso especial de divergência da contribuinte. 1 Deixouse de transcrever a parte do voto da relatora do processo paradigma que tratou do mérito, por ter sido posição que restou vencida, não se aplicando, portanto, à solução do litígio deste processo. Contudo, a íntegra do voto consta do acórdão do paradigma (9303007.177). Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10840.909832/201116 Acórdão n.º 9303007.197 CSRFT3 Fl. 5 4 Tendo em vista que o recurso especial foi conhecido apenas em razão do acórdão paradigma que abordava a necessidade de diligência fiscal e da obrigatoriedade de apreciação de novas provas das alegações do contribuinte, em face do princípio da verdade material, me fixarei nesse tema. O referido paradigma, de nº 3302002.225, traz o entendimento de que nos autos não constava nenhuma comprovação do direito creditório alegado, decorrente de pagamento indevido ou maior, e por isso o contribuinte requereu diligência a fim de que se apurasse o crédito pleiteado em sua PER/DCOMP. Pelo princípio da verdade material, considerouse que a autoridade fiscal teria a obrigação de realizar a análise dos fatos alegados pela contribuinte solicitando inclusive a realização de diligências e apresentação de novas provas das alegações da contribuinte. Contudo, não entendo que essa seja a melhor interpretação da legislação aplicável. O caput do artigo 170 do CTN, ao tratar da extinção do crédito tributário pela compensação, estipula: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Grifei.) Já na Lei nº 9.430/1996, em seu art. 74, está determinado: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...) § 14. A Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. (Grifei.) A então SRF, cumprindo a disposição legal, editou a IN SRF nº 600 de 28/12/2005, na qual estipulava: COMPENSAÇÃO. COMPENSAÇÃO EFETUADA PELO SUJEITO PASSIVO Art. 26. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela SRF. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada pelo sujeito passivo mediante apresentação à SRF da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante a apresentação à SRF do Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10840.909832/201116 Acórdão n.º 9303007.197 CSRFT3 Fl. 6 5 formulário Declaração de Compensação constante do Anexo IV, ao qual deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. (Grifei.) Além de reproduzir o ditame legal em seu caput, o art. 26 no § 1º já indicava a necessidade de documentos comprobatórios a serem anexados de imediato, nos casos em que a compensação fosse realizada através de formulários em papel. A contribuinte realizou seu PER/DCOMP, solicitando crédito no montante originário de R$ 44.025,53 e, em face do despacho decisório à efl. 05, pelo qual os créditos do DARF que suportavam seu pedido, de R$ 226.212,51, estariam totalmente alocados; restringiuse à discussão jurídica sobre restituição de indébitos de ICMS, sem apontar como concluiu pelos valor pleiteado, ou qualquer documento que indicasse tais valores de ICMS. Solicitou também a realização de diligência para apuração do crédito, contudo, pela legislação transcrita, há de se observar que a compensação é ato de iniciativa do contribuinte, em face de suposta existência de créditos por ele alegada, devendo esses créditos serem líquidos e certos e por ele apurados. Uma vez que alega a existência de um direito frente à administração, todo o ônus probatório sobre ele recai e deve providenciar as comprovação do que apurou, diferentemente dos casos em que há lançamento de ofício, quando o ônus de apurar o valor do crédito exigido é do fisco. Caberia à autoridade fiscal, em face das provas juntadas pela contribuinte, aferir a liquidez e certeza do crédito requerido. Adicionalmente, no voto condutor do acórdão de manifestação de inconformidade nº 1441.381, da 6ª Turma da DRJ/RPO, se encontra: Mas, para tanto, a alegação deveria vir acompanhada da documentação comprobatória da existência do pagamento a maior, mesmo porque, nesse caso, o ônus da comprovação do direito creditório é do contribuinte, pois se trata de uma solicitação de restituição, de seu exclusivo interesse. Nesse contexto, não se pode olvidar que nos termos do artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus da prova dos fatos constitutivos do seu direito. Conseqüentemente, as PER/DCOMP devem estar, necessariamente, instruídas com as devidas provas do indébito tributário no qual se fundamentam, sob pena de indeferimento. (Negritei.) Mesmo assim, em sede de recurso voluntário a contribuinte volta a requerer diligência, sem indicar qualquer prova relativamente à apuração do valor do crédito pleiteado. Por isso penso que andou bem o acórdão a quo ao negar provimento ao recurso voluntário em face da ausência de comprovação do direito creditório. Pelo exposto, voto pelo desprovimento do recurso especial de divergência da contribuinte." Importante observar que, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo a contribuinte também não indicou "qualquer prova relativamente à apuração do valor do crédito pleiteado". Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10840.909832/201116 Acórdão n.º 9303007.197 CSRFT3 Fl. 7 6 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte foi conhecido e, no mérito, o colegiado negoulhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 158DF CARF MF
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Numero do processo: 10950.722014/2012-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.805
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram presente julgado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS DA COSTA CAVALCANTI FILHO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (assinado digitalmente) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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(assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 50 .7 22 01 4/ 20 12 -4 4 Fl. 4810DF CARF MF Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 4.811 ___________ Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 1055.525, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre. Cuida o presente processo de solicitação de compensação, com a apresentação de grande número de pedidos de PER/Dcomps pela contribuinte (listados a fls.2569/2578), nos quais pleiteia supostos pagamentos indevidos ou a maior para as contribuições devidas ao PIS e à Cofins (ambas não cumulativas), cujos créditos estão compreendidos no período de apuração de abril de 2007 a agosto de 2011. Há outros dois processos que guardam relação com o presente, que se encontram distribuídos a este relator e estão sendo julgados nesta mesma sessão: 1) O processo n. 10950.722.026/201350 é auto de infração fruto do lançamento de ofício realizado pela fiscalização depois de refazer a apuração da recorrente objeto da presente demanda; e 2) O processo 10950.722034/201215, “versa sobre pedido de compensação referente à COFINS do período de apuração de dezembro de 2008, estando dentro do pedido mais amplo objeto da presente demanda, que engloba o período de abril de 2007 a agosto de 2011". Por bem descrever os fatos, adoto o relatório constante do acórdão recorrido do presente processo: A contribuinte reclassificou receitas que eram tributadas pela sistemática de apuração não cumulativa para a sistemática de apuração cumulativa, que seriam as relacionadas as contas de Serviço avançado de Internet (41134230) e ADSL Aluguel de Modem (41134220), tendo em vista que ela aderiu ao Convênio CONFAZ ICMS nº 81, de 05/08/2011, considerando, agora, que estas receitas, do período de abril de 2007 a agosto de 2011, fazem parte do serviço de telecomunicação. A reclassificação destas receitas teria acarretado insuficiência de recolhimento de PIS e Cofins cumulativos, mas em valor menor que o valor que o suposto pagamento a maior de PIS e Cofins não cumulativos, vindo a resultar no saldo creditório utilizado no pleitos de compensação, após as devidas retificações das DCTFs do período, conforme explicações e demonstrativos constantes dos autos. Diante disso, a Autoridade Fiscal procedeu uma criteriosa análise da legislação do Pis e da Cofins, tanto na sistemática cumulativa, quanto da não cumulativa, que afetava a contribuinte, para fins de verificação da base de cálculo das contribuições nas duas sistemáticas de apuração, conjuntamente com os conceitos da Lei 9.472/1997, em seus artigos 60 e 61, do Regulamento dos Serviços de Telecomunicações (Anexo à Resolução Anatel n° 73/98), e em seus artigo 2° e 3º, para fins de definir o que é “serviço de Fl. 4811DF CARF MF Processo nº 10950.722014/201244 Resolução nº 3301000.805 S3C3T1 Fl. 4.812 3 telecomunicações”, bem como se utilizou de intimações para esclarecimento de valores e classificações de atividades que geravam as receitas da contribuinte. Como resultado da análise acima citada, houve concordâncias e discordâncias com classificações de atividades/receitas que foram realizadas pela contribuinte para fins de apuração das contribuições de PIS e Cofins, especialmente a sistemática não cumulativa, pois nesta é que foram gerados os supostos créditos utilizados nos pleitos de compensação que deram origem à auditoria fiscal em apreço. [...] Finalmente, após toda a apreciação retrocitada, foram recalculadas as bases de cálculo do Pis e da Cofins, ambos não cumulativos, do período de abril de 2007 a agosto de 2011, já considerando as reclassificações de receitas e diminuindo dos descontos incondicionais e das devoluções de vendas, observando que a contribuinte não informou nenhum crédito das contribuições não cumulativas nas DACONs dos períodos analisados. Após o cálculo das contribuições foram deduzidos os valores recolhidos na fonte pagadora, vindo a resultar nos valores devidos em cada mês. Estes valores devidos do PIS e da Cofins, ambos não cumulativos, foram diminuídos dos pagos, vindo a resultar na inexistência de valores a serem restituídos em espécie ou utilizados em compensação, sendo que todos os cálculos se encontram nos demonstrativos de fls.2546, 2551,2556 e 2565. A análise da Autoridade Fiscal da DRF de origem também abordou os pedidos de retificações e cancelamentos de PER/Dcomps realizados pela contribuinte e aceitos pelo sistema SCC, o lançamento dos valores de insuficiência de PIS e Cofins, ambos não cumulativos, que foram constituídos no lançamento de ofício constante do processo 10950.722026/201350, e a impossibilidade do lançamento da multa de ofício isolada, prevista nos parágrafos 15 a 17 do art.74 da Lei 9.430/1996, devido à concessão de liminar no MS nº 500404244.2013/PR. Todo o relato do pleito da contribuinte, da análise dos fatos e da legislação, acima mencionados, veio a resultar no Despacho Decisório nº 357/2013, de 14 de maio de 2013, de fls.2579/2627, que indeferiu o pleito de restituição/compensação solicitado pela contribuinte diante da inexistência de direito creditório. Tendo em vista que no objeto dos pedidos estavam contidos vários processos, estes foram apensados ao presente processo (10950.722014/201244), para fins de controle e eficiência, conforme consta dos Termos de Apensação ao Processo Principal, de fls.2685/2788. Irresignada, a Contribuinte apresenta impugnação, de fls.2789/2836. Nesta, começa descrevendo o Despacho Decisório, com seu relatório e conclusões. Após, apresenta preliminar de nulidade do Despacho Decisório por vícios substanciais, decorrentes da afronta ao artigo 142 do CTN e ao artigo 10, inciso III do Decreto n° 70.235/72. Os vícios seriam os seguintes: Fl. 4812DF CARF MF Processo nº 10950.722014/201244 Resolução nº 3301000.805 S3C3T1 Fl. 4.813 4 a) Reapuração fiscal de forma incompleta e equivocada, pois teria deixado de deduzir, dos montantes supostamente devidos de PIS e Cofins não cumulativos, os valores pagos a título de PIS e Cofins na sistemática cumulativa, referente às receitas reclassificadas; [...] Em 26/03/2014, em requerimento a fls. 3040/3042 a Empresa solicitou julgamento conjunto do presente processo com o processo 10950.722026/201350, que trata das autuações fiscais resultantes, uma vez que estão intrinsecamente relacionados. Alternativamente, solicita o sobrestamento da presente análise. [...] 4) contas contábeis registradas como receitas de interconexão de redes de telefonia, em realidade, constituem receitas de terceiros. Por tal razão tais receitas não são tributáveis pelo PIS/COFINS pela contribuinte, mas sim pela empresa que teve as suas redes utilizadas (e que efetivamente prestou o serviço de telecomunicação), mediante o pagamento diferido do tributo. Tudo isso conforme o regime regulatório regido pela Lei n° 9.472/97 (Lei Geral de Telecomunicações LGT). Esta questão está sub judice , não sendo tributadas pela contribuinte devido à decisão, em pleno vigor, no mandado de segurança nº 500098438.2010.404.7033, em trâmite no Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme consta de resposta à intimação nº 501/2012. [...] Por isso, diante dos fatos e visando esclarecer as dúvidas surgidas, em sessão de julgamento realizada em 16/04/2014, processo foi encaminhado em diligência para que a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Maringá/PR se manifestasse sobre os seguintes itens: [...] c) Verificar a fidedignidade dos valores pleiteados de pagamentos de Cofins e PIS cumulativos, bem como de seu rateio, para fins de imputação/compensação com os débitos de PIS e Cofins não cumulativos, tendo em vista a reclassificação de receitas de base de cálculo da sistemática cumulativa para a não cumulativa realizada no Despacho Decisório, apresentando demonstrativos mensais de valores calculados pela sistemática cumulativa que, caso seja decidido neste sentido, possam servir para imputar/compensar os valores lançados pela sistemática não cumulativa, bem como seus reflexos sobre os pleitos de PER/Dcomp. Em atendimento à solicitação da DRJ, o procedimento de fiscalização foi revisto nos pontos acima e a diligência foi concluída 27.03.2015 pela DRF em Maringá/PR, alcançando as conclusões expostas no "Relatório de Conclusão de Diligência" (fls. 3928/3946), do qual se extraem, resumidamente, os seguintes resultados: Fl. 4813DF CARF MF Processo nº 10950.722014/201244 Resolução nº 3301000.805 S3C3T1 Fl. 4.814 5 [...] Em 07/05/2015 o processo foi novamente encaminhado para esta Delegacia de Julgamento para prosseguimento. Nesse ponto, é esclarecer reproduzir trecho do acórdão da DRJ que oferece as linhas gerais do regime de tributação das contribuições PIS/Pasep e Cofins aplicáveis ao setor de Telecomunicações: Com o advento das Leis 10.637/02 e 10.833/03, foi instituída a incidência não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, respectivamente. Majoraramse as alíquotas da Contribuição para o PIS/Pasep (de 0,65% para 1,65%) e da Cofins (de 3% para 7,6%), possibilitandose, por outro lado, o desconto de créditos calculados em relação a diversas despesas arroladas no art. 3º de ambas as leis. Destacouse, por outro lado, que a manutenção da sistemática cumulativa foi expressamente ressalvada em algumas hipóteses, dentre as quais se encontra, no que interessa à presente controvérsia, a seguinte: Lei nº 10.637/02: “Art. 8º. Permanecem sujeitas às normas da legislação da contribuição para o PIS/Pasep, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 6º: [...] VIII as receitas decorrentes de prestação de serviços de telecomunicações; [...]”. Lei nº 10.833/03: “Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 8º: [...] VIII as receitas decorrentes de prestação de serviços de telecomunicações; [...]”. (destaques lançados) As empresas de telecomunicações, assim, submetemse, em regra, a um regime híbrido/misto de tributação: de um lado, em virtude da ressalva posta nos aludidos dispositivos legais, as receitas decorrentes especificamente da prestação de serviços de telecomunicações sujeitamse ao regime cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins; de outro lado, as receitas auferidas por conta do desempenho de suas demais atividades Fl. 4814DF CARF MF Processo nº 10950.722014/201244 Resolução nº 3301000.805 S3C3T1 Fl. 4.815 6 empresariais (por exemplo, a comercialização de telefones celulares) sujeitamse à incidência dos referidos tributos no regime não cumulativo. [...] [...] é justamente na manutenção da atividade principal no regime cumulativo e na autorização para desconto de créditos na sistemática da não cumulatividade, envolvendo a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins, quanto às demais receitas não consideradas de telecomunicações que reside o cerne da presente controvérsia. O acórdão segue, abordando, entre outras rubricas: serviços de valor adicionado (como “ATIVAÇÃO/HABILITAÇÃO – FIXO” e “VISUALIZAÇÃO DE CONTA PELA INTERNET”); taxas de ativação/instalação/configuração/reconfiguração; assinatura de Telefonia Fixa; etc; culminando com a exposição das contas que considera na apuração das contribuições em cada regime (fl. 4044 e seguintes). O citado acórdão decidiu pela procedência parcial da manifestação de inconformidade, ao considerar o resultado da relatada diligência, assim ementado: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/04/2007 a 31/08/2011 Ementa: PRELIMINAR DE NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Demonstrado que o Despacho Decisório foi formalizado de acordo com os requisitos de validade previstos em lei e que não ocorreu violação ao disposto no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, tampouco do art. 142 do CTN, não deve ser acatado o pedido de nulidade formulado. PROCESSO ADMINISTRATIVO. CONEXÃO. JULGAMENTO CONJUNTO. As normas que regem o processo administrativo fiscal não trazem a previsão de julgamento conjunto de processos distintos. Todavia, tratandose de processos relativos aos mesmos fatos, eles devem ser distribuídos preferencialmente para a mesma Turma de Julgamento, em atendimento ao princípio da eficiência no serviço público e evitandose a prolação de decisões conflitantes sobre os mesmos fatos. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE TELECOMUNICAÇÕES. A sistemática de apuração da contribuição pelo regime da cumulatividade abarca as receitas decorrentes da prestação de serviços de telecomunicações. Não são receitas decorrentes da prestação de serviços telefônicos as receitas de serviços que simplesmente utilizam como instrumento os serviços de telecomunicações, não se podendo admitir que essas receitas ingressem na sistemática de apuração da contribuição pelo regime da cumulatividade (Cofins cumulativa), já que devem necessariamente serem apuradas pela sistemática de apuração no regime da nãocumulatividade (Cofins nãocumulativa). Fl. 4815DF CARF MF Processo nº 10950.722014/201244 Resolução nº 3301000.805 S3C3T1 Fl. 4.816 7 SERVIÇOS DE TELECOMUNICAÇÕES. TELEFONIA FIXA. ASSINATURA BÁSICA. REGIME DE INCIDÊNCIA. A remuneração paga pelo assinante à empresa prestadora de serviço de telecomunicações, a título de assinatura básica de telefonia fixa, configura contraprestação por uma atividade que possibilita a telecomunicação, incluindose no conceito de serviço de telecomunicações e sujeitandose à incidência da contribuição pelo regime cumulativo. Entendimento respaldado por decisão judicial transitada em julgado. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2007 a 31/08/2011 Por envolver os mesmos elementos fáticos, aplicase o decidido em relação à Cofins no julgamento das questões envolvendo o litígio da contribuição para o PIS. Após a análise do relatório de diligência, conclue o dito acórdão (no capítulo final onde ocorre a consolidação dos resultados do Julgamento ao longo de diversas planilhas) (fl. 4047 e seguintes): Conforme os demonstrativos consolidados acima, que, por sua vez, refletem os valores constantes nas planilhas a fls. 3918/3927, a Empresa somente tem direito a créditos de Pis e Cofins pela sistemática não cumulativa a partir do período de apuração setembro de 2010. Este montante creditório apurado em sede de diligência e respaldado pelo presente Acórdão, deve ser utilizado para abatimento por parte da DRF jurisdicionante, período a período, dos débitos pelo regime cumulativo dos períodos auditados (04/2007 a 08/2011). Em 30/03/2017, esta Turma emitiu Resolução 3301000.301 (fl. 4427 e seguintes) sobre a pendenga. Esta sintetiza o recurso voluntário antes protocolado, do qual reproduzo as partes que interessam ao presente relato: (i) preliminarmente, a necessidade de reconhecimento da conexão da presente demanda com o processo n. 10950.722.026/201350, resultado do lançamento de ofício realizado pela RFB decorrente dos mesmos fatos aqui analisados; (ii) informa que discorda dos cálculos efetuados pelo acórdão recorrido e que estaria providenciando laudo de empresa de auditoria independente no intuito de pontuar seus equívocos (não apresentou, contudo, qualquer laudo até a presente data); (iii) no mérito, que não poderiam ser exigidos por meio do despacho decisório impugnado os débitos anteriores a 31/05/2008, haja vista que operada a decadência nos termos do art. 150, parágrafo 4º do CTN (decadência parcial); Fl. 4816DF CARF MF Processo nº 10950.722014/201244 Resolução nº 3301000.805 S3C3T1 Fl. 4.817 8 (iv) embora a 2ª Turma da DRJ/POA tenha consignado expressamente ter havido a utilização dos valores pagos a título de PIS/COFINS cumulativos (compensação interregimes), esse procedimento não foi adotado na prática ao realizarse a liquidação do acórdão pela autoridade fiscal; A resolução em foco então decidiu pela conversão do julgamento em diligência, a fim de que: 1) o presente processos seja vinculado aos de nº 10950.722.026/201350 (auto de infração) e 10950.722034/201215, em vista da conexão identificada, no sentido da pretensão da recorrente exposta no item “(i)” de sua peça; 2) a autoridade fiscal competente seja intimada para que: (ii.1) analise os valores constantes da consolidação dos resultados do julgamento apresentadas tanto na presente demanda quanto nos Processos nº 10950.722.026/201350 e 10950.722034/201215, informando se em tais valores foram considerados os créditos e débitos relativos tanto ao regime cumulativo quanto ao regime não cumulativo (se foi realizada a compensação entre regimes). Em caso negativo, que realize levantamento, mês a mês, dos valores devidos no Proc. nº 10950.722.026/201350 (auto de infração), após a realização da referida compensação entre regimes, bem como informe se as compensações vinculadas ao referido auto de infração deverão ser homologadas, ainda que parcialmente; e (ii.2) analise os dados constantes do laudo elaborado pela PwC (Doc. 02, anexado aos autos através da petição protocolizada em 16/02/2017 fl. 4383, arquivo não paginável), que indica supostos equívocos nos cálculos feitos pela DRF ao implementar o acórdão de parcial procedência da DRJ; elaborando relatório conclusivo relativo a cada um dos pontos ali abordados. A Procuradoria da Fazenda Nacional, de sua parte, apresentou contrarrazões. Conforme relato da mesma resolução: Ato contínuo, em 16/02/2017 (fl. 4383 arquivo não paginável), após a inclusão em pauta do presente processo para julgamento, o contribuinte protocolizou petição nos autos através da qual requereu a sua retirada de pauta, defendendo que o processo em tela não estaria apto para fins de julgamento, visto que: (a) o laudo (Doc. 02) elaborado por empresa de auditoria independente (PwC) que demonstraria os equívocos cometidos pela RFB ao liquidar o acórdão da DRJ não foi apreciado, haja vista que o mesmo não havia sido juntado aos autos, a despeito da informação, no recurso voluntário, de que esta providência estava sendo tomada; (b) existe mandado de segurança em vias de transitar favoravelmente à Recorrente, impondo a exclusão integral da base de cálculo da Fl. 4817DF CARF MF Processo nº 10950.722014/201244 Resolução nº 3301000.805 S3C3T1 Fl. 4.818 9 autuação controlada no Processo n. 10950.722026/201350 das receitas de interconexão; (c) o STF reconheceu, em repercussão geral, que a assinatura mensal de telefonia configura serviço de comunicação, atraindo a incidência das contribuições cumulativas, diferentemente da classificação adotada pela fiscalização neste caso. Entretanto, devido ao prematuro falecimento do Min. Teori Zavascki o aludido acórdão ainda não foi publicado. Em 25/10/17, a DRF/Maringá emitiu Relatório de Conclusão de Diligência (fl. 4622 e seguintes). A contribuinte (na figura da sua sucessora TELEFÔNICA BRASIL S/A), manifestase sobre o referido relatório (este relator localizou tal documento, na forma de arquivo não paginável, anexado em 28/11/17, à fl. 4660), “REQUERENDO, AO FINAL, NOVA BAIXA DOS AUTOS” (grifos do original), nos seguintes termos: Em 15/05/18, a contribuinte peticiona (fl. 4802) – em frontal contradição com o que requer na petição anterior , para: INFORMAR QUE NÃO POSSUI MAIS INTERESSE EM NOVA BAIXA DOS AUTOS EM DILIGÊNCIA FISCAL – para exclusão das receitas de interconexão no período anterior a agosto de 2010, tendo em vista o trânsito em julgado do mandado de segurança nº 5000984 38.2010.4.04.7003 –, consoante requerido na petição protocolada em 28.11.2017, haja vista que optou pela habilitação administrativa do seu crédito, nos termos do art. 100 da IN RFB nº 1.717/2017 [...]. Foime distribuído o presente processo para relatar e pautar. É o relatório. Fl. 4818DF CARF MF Processo nº 10950.722014/201244 Resolução nº 3301000.805 S3C3T1 Fl. 4.819 10 Voto Conselheiro Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Relator. O recurso voluntário foi dado por tempestivo na dita resolução1. Alega a recorrente (item “iii”) a decadência dos que débitos anteriores a 31/05/2008, nos termos do art. 150, parágrafo 4º do CTN. E expõem: Não identifiquei tal tema na manifestação de inconformidade, mas em sendo matéria de ordem pública será neste voto analisada. Não assiste razão à contribuinte. Ressaltese que o presente processo cuida de homologação ou não de pedidos de compensação, cujo prazo para a a homologação tácita conta do respectivo pedido e não do pagamento, conforme jurisprudência do CARF. O argumento “(iv)” da recorrente, após verificações expostas na resolução de 2017 desta Turma, concluindo que “ao menos à primeira vista [...] não foram considerados os créditos relativos ao PIS/COFINS cumulativo, para fins de identificação do valor devido”, é que ocasionou a proposta diligência, em parte, no sentido de que se verifique se houve ou não a compensação entre regimes. A mesma resolução ainda determina que se avalie “os dados constantes do laudo elaborado pela PwC [...] o qual poderia indicaria supostos equívocos nos cálculos feitos pela DRF ao elaborar o acórdão de parcial procedência pela DRJ”. Fundamenta a resolução que, “segundo aponta o contribuinte, este laudo estaria atestando tanto que a compensação interregimes não foi implementa, quanto a adição, em sede de diligência fiscal, de novas contas à base de cálculo das contribuições não cumulativas, que não foram objeto de reclassificação reclassificação original”. 1 Ressaltese ser desnecessário responder todos as questões levantadas pelas partes, em já havendo motivo suficiente para decidir (Lei n° 13.105/15, art. 489, § 1o , IV. STJ, 1ª Seção, EDcl no MS 21.315DF, julgado de 8/6/2016, rel. Min. Diva Malerbi). Fl. 4819DF CARF MF Processo nº 10950.722014/201244 Resolução nº 3301000.805 S3C3T1 Fl. 4.820 11 A diligencia foi então realizada dando conta desses temas. Há, no entanto um tema que restou não verificado. Na manifestação da contribuinte sobre o Relatório de Conclusão de Diligência, esta informa o trânsito em julgado no mandado de segurança 50098438.2010.4.04.7003, o qual determina a exclusão das receitas de interconexão da base de cálculo das contribuições, em período posterior a agosto de 2010. Requer então a contribuinte nova diligência para “exclusão das receitas de interconexão do período anterior a agosto de 2010”. É que detalha ter havido tal exclusão para o período posterior a agosto de 2010, por força de decisão em sede de pedido liminar emitida no mesmo mandamus: Este relator verificou que as receitas de interconexão anteriores a agosto de 2010 não foram objeto de levantamento nos autos, por restarem fora do alcance da determinação judicial. Assim, e independentemente de haver pedidos de nova diligência e, depois, manifestação de falta de interesse na mesma – considerando o tratamento diferenciado que merecem essas despesas em função da decisão judicial ora transitada em julgado, fazse necessário uma apuração de tais valores. Pelo exposto, voto no sentido de converter o julgamento do recurso em diligência, a fim de que a Delegacia de Origem: 1) Determine, os valores de receitas de interconexão, mês a mês, no período abrangido pele presente processo e não abrangidas pela ação judicial em comento; 2) Conceda prazo para a contribuinte se manifestar, finda a diligência, sobre o relatório dela decorrente, retornando os autos, em seguida, ao CARF para retomada do julgamento. Fl. 4820DF CARF MF Processo nº 10950.722014/201244 Resolução nº 3301000.805 S3C3T1 Fl. 4.821 12 (assinado digitalmente) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho Relator Fl. 4821DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10805.003554/2007-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2006
NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. FALTA DE VINCULAÇÃO DOS PROCESSOS. INEXISTÊNCIA DE PREJUÍZO AO DIREITO DE DEFESA.
Embora a vinculação dos processos principais e acessórios seja a medida mais acertada para propiciar segurança jurídica e para trazer celeridade processual, fato é que o julgamento em apartado não trouxe qualquer prejuízo ao direito de defesa da recorrente.
CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. OMISSÃO DE FATOS GERADORES EM GFIP. DECADÊNCIA.
Em se tratando de obrigações acessórias, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RESULTADO DO JULGAMENTO DO PROCESSO RELATIVO À OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. APLICAÇÃO. RICARF.
1. A fim de evitar decisões conflitantes e de propiciar a celeridade dos julgamentos, o Regimento Interno deste Conselho (RICARF) preleciona que os processos podem ser vinculados por conexão, decorrência ou reflexo.
2. Dentro desse espírito condutor, deve ser replicado ao presente julgamento, relativo ao descumprimento de obrigação acessória, o resultado do julgamento dos processo atinente ao descumprimento da obrigação tributária principal, que se constituem em questão antecedente ao dever instrumental.
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES PRINCIPAL E ACESSÓRIA. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. PORTARIA CONJUNTA PGFN/RFB Nº 14/09. APLICAÇÃO.
1. Por unanimidade, a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) vem aplicando, à presente discussão, as conclusões contidas na Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14/09.
2. Isto é, deverá haver comparação entre a soma das multas por descumprimento das obrigações principal e acessórias, de acordo com a redação anterior à Lei 11941/09, com a multa de ofício calculada na forma da atual redação do art. 35-A da Lei 8212/91.
Numero da decisão: 2402-006.519
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade; por maioria de votos, em afastar a decadência, vencidos os conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci (relator), Jamed Abdul Nasser Feitoza, e Gregorio Rechmann Junior; e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente e Redator designado
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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FALTA DE VINCULAÇÃO DOS PROCESSOS. INEXISTÊNCIA DE PREJUÍZO AO DIREITO DE DEFESA. Embora a vinculação dos processos principais e acessórios seja a medida mais acertada para propiciar segurança jurídica e para trazer celeridade processual, fato é que o julgamento em apartado não trouxe qualquer prejuízo ao direito de defesa da recorrente. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. OMISSÃO DE FATOS GERADORES EM GFIP. DECADÊNCIA. Em se tratando de obrigações acessórias, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RESULTADO DO JULGAMENTO DO PROCESSO RELATIVO À OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. APLICAÇÃO. RICARF. 1. A fim de evitar decisões conflitantes e de propiciar a celeridade dos julgamentos, o Regimento Interno deste Conselho (RICARF) preleciona que os processos podem ser vinculados por conexão, decorrência ou reflexo. 2. Dentro desse espírito condutor, deve ser replicado ao presente julgamento, relativo ao descumprimento de obrigação acessória, o resultado do julgamento dos processo atinente ao descumprimento da obrigação tributária principal, que se constituem em questão antecedente ao dever instrumental. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 00 35 54 /2 00 7- 31 Fl. 2312DF CARF MF 2 DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES PRINCIPAL E ACESSÓRIA. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. PORTARIA CONJUNTA PGFN/RFB Nº 14/09. APLICAÇÃO. 1. Por unanimidade, a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) vem aplicando, à presente discussão, as conclusões contidas na Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14/09. 2. Isto é, deverá haver comparação entre a soma das multas por descumprimento das obrigações principal e acessórias, de acordo com a redação anterior à Lei 11941/09, com a multa de ofício calculada na forma da atual redação do art. 35A da Lei 8212/91. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade; por maioria de votos, em afastar a decadência, vencidos os conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci (relator), Jamed Abdul Nasser Feitoza, e Gregorio Rechmann Junior; e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente e Redator designado (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Relatório A DRJ/CPS fez um relato preciso do lançamento, da impugnação e dos demais incidentes ocorridos neste processo, o qual passa a integrar, em parte, o presente relatório: Fl. 2313DF CARF MF Processo nº 10805.003554/200731 Acórdão n.º 2402006.519 S2C4T2 Fl. 3 3 Tratase de Auto de Infração lavrado em razão da constatação de que o contribuinte apresentou Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Segundo o Relatório Fiscal da Infração (fls. 17/39): • Os pagamentos, considerados fatos geradores de contribuições previdenciárias, não declarados em GFIP, foram feitos a pessoas físicas, sem vinculo empregatício (contribuintes individuais); • Foram examinados os seguintes documentos: [...] • Enumera diversas campanhas de incentivo: "falou ganhou", "cliente misterioso Vectra", "Campanha vida", etc. [...] • A contratação do programa de incentivo tinha como objetivo "o incremento de vendas de veículos e peças comercializadas pela GMB". • Os pagamentos, na forma de "cartões de incentivo" (cartões de crédito com carga/valores préestabelecidos) eram realizados aos empregados das empresas concessionárias, por meio de prestadora de serviços de marketing, que realizava o faturamento e repasse, indicando os nomes dos ganhadores, nas respectivas campanhas de vendas. • Em face da inexistência de vinculo empregatício entre os beneficiários dos prêmios e o contribuinte, os prestadores de serviços foram considerados como "contribuintes individuais" ("autônomos", em relação ao contribuinte, para o qual considerouse que foram prestados serviços de "divulgação e promoção"). • Os valores não foram informados em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP pelo contribuinte, sendo que o contribuinte já foi autuado pelo mesmo motivo, am auditoriafiscal anterior (Auto de Infração n° 35.753.1825, ainda em trâmite administrativo). • Na mesma auditoria fiscal foram, ainda, lavrados os seguintes Autos de Infrações e Notificações Fiscais de Lançamento de Débito: i) AI 37.017.1985 — Falta de preparo de folhas de pagamento de acordos com padrões e normas estabelecidas pela Previdência Social. ii) AI 37.017.2000 — Falta de declaração em GFIP de todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias. Fl. 2314DF CARF MF 4 iii) NFLD 37.017.2019 — Cobrança de contribuições previdenciárias sobre pagamentos realizados a contribuintes individuais. [...] 0 contribuinte apresenta, então, sua impugnação [...], alegando, em síntese, que: • Os programas de "marketing de incentivo" foram "todos efetivados pela empresa Salles Adan & Associados Marketing de Incentivo S/C Ltda, subcontratada pelas três agências acima referidas — (programas estes que) consistiram na concessão de prêmios a empregados das concessionárias Chevrolet ao redor do Brasil, com o fim de motiválos a exercer o mais perfeitamente possível as suas próprias funções (para as quais foram contratados pelas concessionárias), de forma a aumentar a venda de produtos estratégicos para a Impugnante". • Os prêmios a que faziam jus os empregados das concessionárias eram "apontados" pela empresa de marketing de incentivo, prêmios estes pagos pela impugnante, com base nas notas fiscais emitidas pelas prestadoras de serviços. • Sustenta, então, que não realizava pagamentos diretos a seus próprios empregados, e que "o equivoco da fiscalização está em supor que tais pessoas, no âmbito das campanhas de marketing de incentivo, prestavam serviços a Impugnante, quando a verdade é que esta — com o objetivo de incrementar suas vendas — premiouos pelo bom desempenho das suas funções próprias, para as quais foram contratados e pelas quais são remunerados pelas concessionárias". E, conclui, assim que, "o desacerto dessa premissa leva à total improcedência da NFLD, bem como, por conseqüência, da multa decorrente do descumprimento de obrigação acessória consubstanciado no presente Auto de Infração". • Requer que "A bem da celeridade e da economia processuais ... que o presente Auto de Infração seja reunido, para julgamento único, a Notificação Fiscal de Lançamentos de Débitos e ao Auto de Infração ...". • Argumenta que parte do crédito lançado (competências entre janeiro e outubro de 2002) teria sido atingida pela decadência, em face da aplicação da regras do § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional CTN (Lei 5.172, de 25/10/66). • Retoma os argumentos relativos à suposta inocorrência de fatos geradores de contribuições previdenciárias, em relação ao pagamento pela impugnante de prêmios aos empregados das concessionárias e declara que "é certo que a boa performance dos funcionários de suas concessionárias interessa ao Impugnante, tanto assim que esta premia. Isso não autoriza, todavia, a conclusão de que é ela a contratante, a destinatária, da atuação daqueles". • E mais, que "a Impugnante não pode demitir e sequer repreender os empregados pouco produtivos de suas concessionárias e que tampouco seleciona, com poderes para Fl. 2315DF CARF MF Processo nº 10805.003554/200731 Acórdão n.º 2402006.519 S2C4T2 Fl. 4 5 eleger ou recusar, aqueles a quem farei os pagamentos, faculdades que seriam inafastáveis se a prestação de serviço se tratasse, ainda que de cunho eventual". Não seria possível, então, considerar que tenha ocorrido o fato gerador previsto no inciso III do art. 22 da Lei n°. 8.212, de 24/07/1991, ao qual "acresce um argumento de índole legal, ancorado no 5S' 20 do art. 22 da Lei n°. 8.212, de 24/07/1991". • Acentua o caráter de eventualidade e também o caráter da condicionalidade dos prêmios, por exclusiva iniciativa da impugnante e de seus interesses. • Passa, então, a destacar os requisitos legais que autorizariam que "prêmioprodução", "prêmioassiduidade", "prêmio produtividade" integrem a remuneração dos segurados empregados, para o que transcreve julgados diversos. [...] A DRJ/CPS julgou a impugnação improcedente, conforme decisão assim ementada: AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. MARKETING DE INCENTIVO. DECADÊNCIA. JUÍZO DE ILEGALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DA INSTANCIA ADMINISTRATIVA. Marketing de incentivo. Empregados de concessionárias de veículos automotores que prestam serviços â montadora, na divulgação de campanhas publicitárias. Caracterização de prestação de serviços por "autônomos". Incidência de contribuições previdenciárias. Reunião de processos. Processos relativos a lançamentos de contribuições previdenciárias têm natureza e peculiaridades próprias, além de possibilidades de trâmites e desfechos distintos, o que recomenda lavraturas em separado. Falta de previsão legal para a junção. Decadência. Falta de competência do juízo administrativo para apreciar a legalidade/constitucionalidade na norma. A contribuinte foi intimada da decisão em 04 de abril de 2008, através de aviso de recebimento, e interpôs seu recurso voluntário em 06 de maio daquele mesmo ano, no qual reiterou os mesmos fundamentos de sua impugnação e acrescentou que a decisão recorrida seria nula, pois ela não poderia ter sido exarada antes do julgamento do processo principal. Em 26 de maio de 2010, a recorrente protocolou petição pedindo a aplicação da retroatividade benigna, mais precisamente para que a multa fosse reduzida nos termos do art. 32A da Lei 8212/91. Em 21 de janeiro de 2015, o CARF resolveu converter o julgamento do recurso em diligência, para reconhecer a conexão e determinar o apensamento dos processos. Intimada, a contribuinte não apresentou manifestação. Fl. 2316DF CARF MF 6 Sem contrarrazões ou manifestação pela PGFN. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Conhecimento O recurso voluntário é tempestivo e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. 2 Da nulidade da decisão recorrida Preliminarmente, o sujeito passivo assevera que a decisão recorrida seria nula, pois ela não poderia ter sido exarada antes do julgamento do processo principal. A preliminar deve ser rejeitada, pois embora a reunião dos processos principais e acessórios seja a medida mais acertada para propiciar segurança jurídica e para trazer celeridade processual, fato é que o julgamento em apartado não trouxe qualquer prejuízo ao direito de defesa da recorrente, que, ademais, sequer indicou, tampouco demonstrou, como o seu direito teria sido cerceado ou obstaculizado. Somente há nulidade quando o descumprimento de uma regra legal ou infra legal cause prejuízo ao direito de defesa. O sujeito passivo tem todo o direito de saber os fatos contra si imputados e as provas nos quais ele se alicerçam. Todos os atos e termos devem ser lavrados por pessoa competente, e os despachos e as decisões devem ser devidamente fundamentados, e de forma alguma pode, por qualquer via, ser preterido o direito de defesa da parte autuada. Expressandose de outra forma, e apoiandose na inexcedível doutrina do professor Leandro Paulsen, "a nulidade não decorre propriamente do descumprimento do requisito formal, mas dos seus efeitos comprometedores do direito de defesa assegurado constitucionalmente"1, já que as formalidades "não são um fim, em si mesmas, mas um instrumento para assegurar o exercício da ampla defesa"2. Neste caso concreto, a recorrente não indicou e nem demonstrou ter sofrido prejuízo ao seu direito de defesa, devendo ser rejeitada a preliminar. Ademais, os julgamentos não foram conflitantes e não houve qualquer ofensa ao princípio da segurança jurídica. Quanto ao pedido sucessivo de vinculação dos processos para julgamento em conjunto, ele já foi atendido através da Resolução mencionada no relatório desta decisão, inclusive a decisão a ser exarada, no entender deste relator, deve ser a mesma proferida no PAF principal, como adiante se verá. Apenas a matéria distinta deste PAF será julgada de forma apartada, mais precisamente a decadência. 1 PAULSEN, Leandro. Direito tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 10. ed. rev. atual. Porto Alegre: Livraria do Advogado; ESMAFE, 2008, p. 133. 2 PAULSEN, Leandro. Obra citada, p. 133. Fl. 2317DF CARF MF Processo nº 10805.003554/200731 Acórdão n.º 2402006.519 S2C4T2 Fl. 5 7 3 Da decadência Neste tocante, a recorrente reafirma a decadência de parte do lançamento, tendo em vista a decadência de parte dos créditos exigidos na NFLD 37.017.2019, que integram o PAF principal. No PAF principal, PAF 10805.003549/200729, a própria DRJ reconheceu a decadência com base no art. 150, § 4º, do CTN, excluindo do lançamento as competências do período de janeiro a setembro de 2002. Vejase a conclusão e a ementa, respectivamente, da decisão proferida naquele processo: Conclusão. Isso posto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto pela PROCEDÊNCIA EM PARTE DA IMPUGNAÇÃO, sendo excluídos os créditos tributários do período de janeiro a setembro de 2002 e mantidos os relativos às competências posteriores. ......................................................................................................... [...] DECADÊNCIA TRIBUTOS SUJEITOS AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Em face da incidência da Súmula Vinculante 8/2008 do STF e demais legislação pertinente, o prazo decadencial, em matéria de contribuições previdenciárias, é de cinco anos, incidindo a regra de contagem do artigo 150, § 4º do CTN, na hipótese de terem ocorrido pagamentos parciais. [...] ......................................................................................................... Muito embora, nas obrigações acessórias, não haja pagamento a ser homologado pelo Fisco, sendo aplicável o art. 173, inc. I, do CTN (vide acórdão 2402 005.9003, julgado em 01/08/2017), e não o art. 150, § 4º, fato é que, como se reconheceu a decadência de parte das obrigações principais no PAF conexo, haverá repercussão neste lançamento. Isso porque a multa lançada neste Auto de Infração é de 100% da contribuição não 3 [...] OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. APLICAÇÃO DO ART. 173, INC. I, DO CTN. COMPETÊNCIA DEZEMBRO. TERMO INICIAL QUE CORRESPONDE AO PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE ÀQUELE EM QUE O LANÇAMENTO PODERIA TER SIDO EFETUADO. SÚMULA CARF 101. 1. O prazo decadencial para constituição de obrigações tributárias acessórias é de cinco anos e deve ser contado nos termos do art. 173, inciso I, do CTN, vez que, nesta hipótese, não há pagamento a ser homologado pela Fazenda Pública. 2. Conforme preleciona a Súmula CARF 101, "na hipótese de aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado". (CARF, Recurso Voluntário, Acórdão 2402005.900, PAF 10803.720154/201271, sessão de 04/07/2017, relator João Victor Ribeiro Aldinucci, por unanimidade) Fl. 2318DF CARF MF 8 declarada, ainda que observado o limite mensal máximo previsto no § 4º do art. 32 da Lei 8212/91, vigente à época dos fatos geradores. Vejase o que dispunha o art. 32, com destaques: Art. 32. A empresa é também obrigada a: IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Inciso acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (atualmente revogado) § 4º A não apresentação do documento previsto no inciso IV, independentemente do recolhimento da contribuição, sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente a multa variável equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no art. 92, em função do número de segurados, conforme quadro abaixo:(Parágrafo e tabela acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10.12.97).(Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008)(Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior.(Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97).(Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008)(Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) Sendo insubsistente a contribuição, é igualmente insubsistente a multa, que tinha por base de cálculo aquela rubrica (cem por cento da contribuição não declarada). A rigor, portanto, podese afirmar que não se está acolhendo a decadência ventilada no recurso interposto neste PAF, mas sim os reflexos da decadência declarada no PAF conexo. Cabe acrescentar que a legislação previdenciária atual equiparou os lançamentos de ofício das contribuições aos lançamentos dos outros tributos federais. O art. 35A da Lei 8212/91 preleciona que se aplica o disposto no art. 44 da Lei 9430/96, segundo o qual a multa a ser cominada é de 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Vejase que a multa atualmente estabelecida sanciona não apenas a falta de recolhimento das contribuições, como também a falta de declaração e a declaração inexata, de tal maneira que, na vigência atual da Lei 8212/91, o lançamento de ofício de uma diferença de contribuição devida, não declarada em GFIP, é apenado com a multa de ofício de 75%. Art. 35A.Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). ......................................................................................................... Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas:(Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 2319DF CARF MF Processo nº 10805.003554/200731 Acórdão n.º 2402006.519 S2C4T2 Fl. 6 9 I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;(Vide Lei nº 10.892, de 2004)(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) ......................................................................................................... Significa dizer que, atualmente, a decadência de parte das contribuições inevitavelmente conduz à decadência da multa de ofício na mesma proporção, como há muito ocorre com os demais tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Desta sorte, a própria retroatividade benigna do art. 35A conduziria à decadência da multa cominada no presente lançamento. E mais, este Conselheiro não desconhece o entendimento segundo o qual, "nos períodos em que tenha havido decadência com relação ao lançamento da obrigação principal, a multa deverá ser reduzida ao valor contido no art. 32A, inciso I, da Lei n° 8.212, de 1991" (CSRF, acórdão nº 9202006.447). Entendese, no entanto, que esse raciocínio é equivocado pelos seguintes fundamentos: (1) A aplicação isolada do art. 32A, inc. I, da Lei 8212/91, somente tem cabimento quando não há o lançamento da obrigação tributária principal. Neste caso concreto, houve sim o lançamento das contribuições devidas à seguridade social, cuja decadência foi reconhecida no PAF principal. Atualmente, nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições, aplicase, em regra, a multa de ofício de 75%. Vejase: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). É por essa razão que, para efeito de comparação da multa mais benéfica ao contribuinte, é tomado em consideração o art. 35A supra mencionado, em comparação com a soma das multas previstas no art. 35 e nos §§ 4º e 5º do art. 32, em redação anterior à Lei 11.941. Quer dizer, a afirmação de retroatividade benigna do art. 32A, inc. I, da Lei, não resiste ao fato de que, para os fatos geradores ocorridos na atual vigência da Lei 8212/91, a decadência da obrigação principal inevitavelmente conduz à decadência da multa, que passou a assumir a natureza de multa de ofício. (2) Logo, a aplicação da Portaria PGFN/RFB 14/09 conduziria à conclusão de que, no comparativo da multa mais benéfica, a multa mais favorável ao contribuinte, no caso concreto, seria a multa de ofício calculada com base no art. 35A, diante da decadência das contribuições. (3) De acordo com o próprio § 1º do art. 3º da citada Portaria, a aplicação isolada da multa prevista no art. 32A somente é cabível quando as multas por falta de entrega ou de informações em GFIP tenham sido aplicadas isoladamente: Fl. 2320DF CARF MF 10 Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Isto é, a aplicação isolada do art. 32A, inc. I, para o caso in concreto, de forma alguma poderia ser tida como cumprimento do disposto na Portaria. (4) O art. 32A, inc. I, da Lei, nem era vigente à época dos fatos geradores, mas sim o art. 35 e os §§ 4º e 5º do art. 32, em redação anterior à Lei 11.941. A multa prevista no revogado art. 35 era calculada sobre as contribuições em atraso, contribuições, contudo, cuja extinção foi reconhecida. Já a multa prevista no revogado § 5º do art. 32 também era calculada sobre o montante das contribuições (cem por cento do valor devido, já não mais exigível por força da decadência), contribuições, como dito, que já estão invariavelmente extintas, como reconhecido no PAF principal. Logo, e no entender deste relator, seja em observância à redação anterior da Lei 8212, seja na atual vigência do art. 35A, deve ser reconhecido os efeitos da decadência do PAF principal, afastandose, assim, a incidência de multa nesse período. 4 No mérito do resultado do PAF principal Conforme relatado, este lançamento decorre do descumprimento de obrigação acessória vinculada ao descumprimento de obrigação tributária principal (o pagamento de contribuintes individuais através de cartões de premiação). Caso fossem insubsistentes as contribuições lançadas, seria igualmente insubsistente a multa aplicada neste Auto de Infração, porque não haveria fatos geradores de contribuições previdenciárias a serem declarados em GFIP. A fim de evitar decisões conflitantes e de propiciar a celeridade dos julgamentos, o RICARF preleciona que os processos podem ser vinculados por conexão, decorrência ou reflexo. Entre os processos reflexos incluemse os lançamentos de contribuições previdenciárias realizados em um mesmo procedimento fiscal, com incidências tributárias de diferentes espécies (vide § 8º do art. 6º do Regimento), como é o caso sob apreço. Dentro desse espírito condutor, deve ser replicado ao presente julgamento, relativo ao descumprimento de obrigação acessória, o resultado do PAF principal, no qual houve o lançamento das contribuições. Fl. 2321DF CARF MF Processo nº 10805.003554/200731 Acórdão n.º 2402006.519 S2C4T2 Fl. 7 11 No PAF principal, e no mérito, este conselheiro votou por negar provimento ao recurso voluntário, de tal maneira que se nega provimento ao recurso interposto neste PAF. 5 Da retroatividade benigna Este relator vinha manifestando o entendimento segundo o qual a sanção pelo descumprimento da obrigação principal e a sanção pelo descumprimento da obrigação acessória têm naturezas totalmente diferentes e que a comparação, para efeito de aferição da legislação mais benéfica, deveria ser feita entre sanções de igual natureza; e que a metodologia constante da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14/09 partiria do pressuposto equivocado de que o art. 35A da Lei 8.212/1991 sempre sancionaria o descumprimento de obrigação acessória, o que não é verdade, pois o descumprimento isolado de tal obrigação é apenado pelo art. 32A. Expressandose de outra forma, adimplida a obrigação principal, mas não a acessória, é cabível a aplicação deste último dispositivo. Exemplificativamente, reportome ao acórdão 2402005.450, de 17 de agosto de 2016, ocasião em que meu voto, neste tocante, foi vencido pelo voto dos demais conselheiros. Desde então, a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) vem aplicando à presente discussão as conclusões contidas na citada Portaria Conjunta, segundo a qual: Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. No entender da CSRF, deveria haver comparação entre a soma das multas por descumprimento das obrigações principal e acessórias, de acordo com a redação anterior à Lei 11941/09, com a multa de ofício calculada na forma da atual redação do art. 35A da Lei 8212/91. Vejase: APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza Fl. 2322DF CARF MF 12 material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. (CSRF, Recurso Especial do Procurador, PAF 19647.019537/200831, acórdão 9202005.667, relatora Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, julgado em 26/07/2017, por unanimidade) Como as decisões da CSRF têm sido tomadas por unanimidade, não havendo, por outro lado, nenhuma decisão do STJ proferida em sede de recurso repetitivo, e como tem se notícia de que as próprias Turmas Ordinárias do CARF vêm igualmente aplicando a Portaria, este Conselheiro, para evitar insegurança jurídica e até mesmo a lavratura de votos vencedores numa questão que parece consolidada ao menos no âmbito administrativo, nega provimento ao recurso voluntário quanto à retroatividade benigna. 6 Conclusão Diante do exposto, votase no sentido de conhecer do recurso voluntário, para (i) rejeitar a preliminar de nulidade da decisão recorrida; (ii) reconhecer a extinção dos créditos tributários em relação às competências janeiro a setembro de 2002; e, no mérito, (iii) negarlhe provimento. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Voto Vencedor Mário Pereira de Pinho Filho – Redator designado Não obstante esteja de acordo com o i. Relator em praticamente todos os pontos abordados no voto vencido, especificamente quanto à cognição de que, no julgamento atinente a obrigação acessória por deixar o contribuinte de informar fatos geradores em GFIP, devem ser reconhecidos os reflexos da decadência decretada no lançamento da obrigação principal respectiva, entendo que as normas que disciplinam essa matéria conduzem a conclusão diversa. Diferentemente do que ocorre com os tributos sujeitos a lançamento por homologação, como é o caso das contribuições previdenciárias, em se tratando de descumprimento de obrigação de fazer, não há que se falar em antecipação de pagamento e, por consectário lógico, a contagem do prazo decadencial regese pelo art. 173, I do CTN. Em outras palavras, os créditos tributários relacionados a obrigações acessórias decorrem sempre de lançamento de ofício, jamais de lançamento por homologação, circunstância que afasta a incidência da contagem do prazo estabelecida no art. 150, § 4º, do Codex Tributário Mesmo nos autos de infração por omissão de fatos geradores de contribuições sociais em GFIP, não há como considerar correto o reconhecimento, nos processos de obrigações acessórias, dos reflexos da decadência declarada nos PAF que versam sobre obrigações principais. Tratamse de obrigações tributárias distintas e independentes entre si, sujeitas a regramentos legais diversos. Fl. 2323DF CARF MF Processo nº 10805.003554/200731 Acórdão n.º 2402006.519 S2C4T2 Fl. 8 13 Ademais, as informações declaradas em GFIP, além de indicarem a existência de créditos tributários devidos pelo contribuinte, prestamse também a povoar os sistemas do Instituto Nacional do Seguro Social e do Ministério do Trabalho e Emprego com dados relacionados a benefícios previdenciários e direitos trabalhistas. Vejase que, ao descumprir a obrigação estabelecida em lei, o sujeito passivo, além de dificultar a cobrança dos tributos dela decorrentes, acaba por impor inúmeros obstáculos aos trabalhadores a seu serviço que necessitam de tais informações para poderem se valer de direitos sociais e previdenciários, razão pela qual, mostrase ainda mais patente que o simples fato de ter ocorrido a decadência de obrigações tributárias principais não tem o condão de desobrigar o contribuinte da prestação das informações objeto de referida Guia, sendo que o prazo decadencial, como restou evidenciado alhures, segue regra prórpria. No presente caso, “o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado”, nos exatos termos do art. 173, I do CTN. Em vista disso, para o correto exame do tema aqui tratado, fazse mister verificar nos normativos próprios da GFIP qual a data estabelecida para apresentação da Guia. O Manual da GFIP, versão 8.4, que traz regras semelhantes às normas contemporâneas aos fatos geradores objeto de lançamento, estabelece: A GFIP/SEFIP é utilizada para efetuar os recolhimentos ao FGTS referentes a qualquer competência e, a partir da competência janeiro de 1999, para prestar informações à Previdência Social, devendo ser apresentada mensalmente, independentemente do efetivo recolhimento ao FGTS ou das contribuições previdenciárias, quando houver: a) recolhimentos devidos ao FGTS e informações à Previdência Social; b) apenas recolhimentos devidos ao FGTS; c) apenas informações à Previdência Social. O arquivo NRA.SFP, referente ao recolhimento/declaração, deve ser transmitido pelo Conectividade Social até o dia sete do mês seguinte àquele em que a remuneração foi paga, creditada ou se tornou devida ao trabalhador e/ou tenha ocorrido outro fato gerador de contribuição ou informação à Previdência Social. Caso não haja expediente bancário, a transmissão deve ser antecipada para o dia de expediente bancário imediatamente anterior. O arquivo NRA.SFP, referente à competência 13, destinado exclusivamente à Previdência Social, deve ser transmitido até o dia 31 de janeiro do ano seguinte ao da referida competência. (Grifouse) Com base nos procedimentos descritos acima, constatase que o prazo para entrega das GFIP será até o dia 7 do mês seguinte ao pagamento da remuneração para as Guias das competências janeiro a dezembro. Com relação ao décimoterceiro salário, o prazo somente vence no dias 31 de janeiro do ano subsequente ou no dia útil que lhe anteceder. Fl. 2324DF CARF MF 14 Desse modo, considerandose que o Auto de Infração referese a competências compreendidas entre 01/01/2002 a 31/12/2006 e que o recorrente foi cientificado do lançamento em questão em 19/10/2007 (vide Termo de Encerramento da Ação Fiscal de fls. 14/15), à luz do art. 173, I do CTN, não há competências abrangidas pela decadência. Conclusão Em vista do exposto voto por rejeitar a preliminar de nulidade, afastar a decadência para, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 2325DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12585.720425/2011-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.819
Decisão: Vistos relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram presente julgado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Por economia processual, adoto o relatório da decisão recorrida: Trata o presente processo de análise e acompanhamento de PER/DCOMP transmitido pela contribuinte em 17/01/2011, através do qual pretendeu ressarcimento de valores credores de PIS nãocumulativo vinculados à receita de exportação relativos ao 4º trimestre de 2010. Não constou apresentação de DCOMPs (ver relação de fls. 03 e 04). A repartição fiscalizadora efetuou a necessária verificação, apontou, pormenorizadamente, os problemas encontrados e emitiu Despacho Decisório RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 25 85 .7 20 42 5/ 20 11 -5 5 Fl. 6830DF CARF MF Processo nº 12585.720425/201155 Resolução nº 3301000.819 S3C3T1 Fl. 6.831 2 por meio do qual indeferiu o pedido de ressarcimento e não homologou as DCOMPs vinculadas (sic). Desse Despacho Decisório a contribuinte tomou ciência em 25/05/2012 (Termo de fl. 6.078) e, não se conformando, apresentou, através de procuradores, longa manifestação de inconformidade onde, inicialmente, referiu à tempestividade e aos fatos, aduzindo a seguir (de forma sintética): 1) Índice de rateio proporcional relativamente às receitas de exportação e do mercado interno: a Fiscalização alterou o índice de rateio proporcional dos créditos do PIS calculados sobre custos e despesas comuns à receita do mercado interno e de exportação. Seu entendimento era de que o momento do embarque da mercadoria é o paramento a ser considerado para a apuração dos valores exportados a cada mês, conforme o artigo 1° do Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 22, de 5 de novembro de 2002. Considerou como receita de exportação os valores constantes no SISCOMEX conforme a data de embarque das mercadorias, extraindo os dados do sistema DWAduaneiro. Contudo, resta totalmente equivocado o entendimento fiscal, quer em razão de que o ADI SRF n° 22/2002 não é aplicável na apuração de créditos de PIS nãocumulativo, quer por este entendimento não possuir base legal, bem como violar as normas de apuração da contribuição. Ademais, a interpretação fiscal colidiria com o § 3º do art. 6º, c/c § 8º do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003 (repetidos pela Lei nº 10.637/2002), que dispõe que o rateio será proporcional ao auferimento de receitas, sem impor que tenha havido o embarque da mercadoria ao exterior para que as receitas auferidas fossem consideradas de exportação. 2) Momento de apuração de créditos decorrentes de bens e serviços utilizados como insumos: no DD foram glosados créditos de PIS ao fundamento de que a empresa teria reconhecido o crédito fora do período de sua apuração. A Fiscalização sustenta que a data da emissão da Nota Fiscal é o parâmetro correto para a apuração mensal dos créditos (...) referentes a bens e serviços utilizados como insumo. No entanto, no momento da emissão de uma NF não há como sustentar que o bem foi adquirido pela empresa, pois esta aquisição somente se dará no momento da efetiva entrega material do bem, quando ocorre a tradição da coisa, sendo manifestamente ilegítimo considerar este momento como sendo a data em que se adquire o bem, notadamente para fins tributários. O procedimento da empresa está correto ao reconhecer o crédito de PIS no regime da nãocumulatividade no momento da entrada em seu estabelecimento do insumo adquirido, quando efetivamente recebe a NF emitida pelo vendedor. É nesse momento que há a efetiva tradição da coisa, podendo ser considerado o bem adquirido. No que tange aos serviços, somente após a efetiva conclusão dos serviços é que o prestador passa a ter o direito à retribuição que é imanente a este tipo de contrato. Apenas com a prestação encerrada é que se pode considerar como adquiridos os serviços. No caso concreto, a empresa reconheceu o crédito de eventuais serviços no momento em que recebeu do prestador a NF demonstrando a conclusão do trabalho. É neste momento que o serviço é adquirido pelo contratante e surge para o prestador o direito de receber a retribuição. Antes do trabalho finalizado somente existe uma expectativa de direito sobre a prestação de serviços, até porque em caso de inadimplência o contratante não poderá exigir do contratado a obrigação de fazer, mas tão somente uma indenização. Desta forma, o procedimento da empresa atendeu de Fl. 6831DF CARF MF Processo nº 12585.720425/201155 Resolução nº 3301000.819 S3C3T1 Fl. 6.832 3 forma precisa a legislação em comento, razão pela qual deve ser acolhida sua manifestação de inconformidade. 3) Aproveitamento do crédito em meses subseqüentes. Desnecessidade de retificação de DACON e DCTF: o Fisco nega a possibilidade de aproveitamento do crédito em período subsequente, denominando aproveitamento de créditos extemporâneos. Depois diz ser possível esse aproveitamento, condicionandoo, entretanto, à retificação de DACON/DCTF pela empresa. Neste particular o equívoco da autuação é manifesto. As leis da nãocumulatividade em momento algum fixaram período para o contribuinte exercer o direito potestativo de descontar o crédito. Não há obrigação de realização do desconto/aproveitamento no mesmo mês de referência de determinação do crédito. A referência a determinado mês (§ 1º do art. 3º da Lei nº 10.833/2003) delimita apenas o valor do crédito apurado naquele mês, mas não limita o aproveitamento do crédito mediante o desconto com o débito àquele mês. A norma legal é expressa ao dizer que o aproveitamento do crédito pode se dar em determinado mês, sendo este o mês de aquisição dos bens/serviços utilizados como insumo quando efetivamente surge o direito ao crédito– ou, se não utilizado naquele mês, poderá sêlo nos meses subsequentes. Não há nenhuma regra determinando a escrituração e, consequentemente, o aproveitamento do crédito em determinado mês. Simplesmente não existe norma jurídica neste sentido. Na nãocumulatividade não se pode dizer que há aproveitamento extemporâneo de créditos, visto que inexiste um período definido para o aproveitamento, podendo este se dar no mês em que surgiu o direito ao crédito, no mês de aquisição dos bens/serviços utilizados como insumo, ou em meses subseqüentes, dependendo dos contribuintes. Além disso, o DACON, por ser de natureza declaratória e não constitutiva, não pode restringir o direito da empresa ao crédito, razão pela qual deve ser acolhida a manifestação da empresa. 4) Glosa de créditos sobre bens e serviços utilizados como insumos: a) inaplicabilidade das INs SRF nºs 247/2002 e 404/2004: por não considerar vários bens e serviços abarcados pelo conceito de insumo previsto nas INs SRF nºs 247/2002 e 404/2004, inclusive os dispêndios necessários à produção florestal, isto é, custos para a formação e manutenção de florestas destinadas à fabricação de celulose, deve ser acolhida a manifestação da empresa. Essas INs trazem em seu bojo equivocado conceito de insumo, pois adotam analogicamente o conceito de insumo relativo a nãocumulatividade do IPI, restringindo, sem qualquer base legal, o direito creditório da empresa. Deve ser reformado o DD. b) créditos sobre bens/serviços insumos: considerando que a madeira é o principal insumo para a fabricação da pasta da celulose, todos os dispêndios com bens e serviços adquiridos para o plantio, corte, colheita, transporte das toras de madeira possuem classificação jurídica e contábil como custos de produção, razão pela qual o ato praticado pelo Fisco está ao arrepio da lei. O termo custo ou custo de produção abarca todos os gastos despendidos pela empresa, necessários e indispensáveis à produção de bens e serviços destinados à venda. Os custos de produção são todos os gastos com os insumos, com fatores de Fl. 6832DF CARF MF Processo nº 12585.720425/201155 Resolução nº 3301000.819 S3C3T1 Fl. 6.833 4 produção que agregam valor ao produto a ser vendido, diferente de despesas. Insumo e custo possuem o mesmo sentido e refletem a mesma realidade, razão pela qual, todos os itens que compõem o custo de produção ensejam o direito ao crédito de PIS, a menos que sejam vedados expressamente pela Lei n° 10.833/2003, como é o caso, por exemplo, de custos incorridos com a aquisição de bens e serviços de pessoa física ou de pessoas jurídicas estrangeiras (§ 3º do art. 3º). Mesmo sendo custo de produção, os créditos sobre tais dispêndios são vedados, pois não implicariam na cumulatividade dos contribuintes. No caso dos autos, todos os créditos que foram glosados decorrem de bens e serviços adquiridos que representam efetivamente um custo de produção, pois são eles utilizados como insumo e indispensáveis à produção dos produtos destinados à venda pela empresa, sendo legítimo o crédito apropriado, razão pela qual deve ser dado provimento à presente manifestação. c) insumos glosados indevidamente: refere ao DD, reclamando do entendimento exposto acerca de glosas de diversos insumos, dentre outros: ferramentas de trabalho para manutenção, calços para alinhamento da altera de equipamentos rotativos, pistola de ar comprimido, serviços relacionados ao sistema de alarmes de emergências, serviços logísticos, serviços de movimentação de materiais e insumos, locação de guindastes, correias utilizadas para transporte de fardos de celulose, estrados de madeira, pallets (palete), caixas de papelão, despesas com equipamento de proteção individual, etiquetas adesivas de escritório, rolos de pintura, lonas de plástico para efetuar manutenções, insumos utilizados em análises químicas em laboratório, baterias, pilhas, rádios transceptores, projetores de apresentação, manutenção de PABX, manutenção de nobreaks, encadernação de NFs, copos para água mineral, almofada para carimbo, binóculos, borrachas para lápis, brindes e camisas promocionais, brinquedos para filhos de funcionários, café expresso em grãos, CDR graváveis, cestas de natal, coffebreak, serviços de cópias de chaves, coroas de flores, desjejum, custos de eventos festivos, lanches, livros de literatura, locação de máquinas de café, marmitex, medicamentos, palestras, óculos de segurança Bandido, tijolo comum, tinta para utilização em pisos em geral, placa de gail para piso, lâmpadas de iluminação em geral e pedra brita. Contudo, os bens e serviços glosados pelo Fisco são parte essencial no processo produtivo, tendo sido desconsiderados esses insumos sem qualquer critério legal, sem qualquer embasamento jurídico. Deve ser reformado o DD para deferir os pedidos de restituição e homologar as compensações pleiteadas, relativamente aos bens e serviços utilizados como insumo. Estes bens e serviços são utilizados no processo de produção e são, sem dúvida, o custo de produção do bem – celulose – bem como de outros que tenha a mesma natureza de custo de produção, descritos nas planilhas Auditoria DACON (ano) (trimestre) elaboradas pela Fiscalização. Requer, em razão do grande número de insumos e o exíguo prazo para a manifestação de inconformidade, a realização de diligência para a comprovação de que os bens e serviços adquiridos pela empresa são efetivamente custos ligados à sua produção ou fabricação. d) crédito sobre a formação de florestas – ativo imobilizado exaustão: o Fisco glosou créditos referentes a gastos com insumos florestais, isto é, valores dispendidos necessários à formação e desenvolvimento de florestas. Disse que todo bem ou serviço utilizado pela empresa antes do tratamento físicoquímico Fl. 6833DF CARF MF Processo nº 12585.720425/201155 Resolução nº 3301000.819 S3C3T1 Fl. 6.834 5 da madeira em si não podem ser classificados como insumo para fins de creditamento do PIS/PASEP e do COFINS não cumulativos. Ao invés disso, as reservas florestais devem ser tratadas como sendo um ativo Imobilizado da empresa. Mas o art. 1º da Lei n° 10.833/2003, preceitua que o PIS/COFINS na incidência nãocumulativa tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. No caso das empresas de celulose, os custos de produção se iniciam com o desenvolvimento de mudas de eucalipto, se intensificam na formação das florestas e, se encerram após a transformação da madeira em celulose. Todos os dispêndios com bens e serviços adquiridos para o plantio, corte, colheita, transporte das toras de madeira possuem a natureza jurídica de insumo, visto que são indispensáveis à elaboração da pasta de celulose, que é o produto final da empresa destinado à venda, razão pela qual a glosa dos créditos se encontra ao arrepio da lei. Assim, todos os gastos listados nas planilhas elaboradas pela fiscalização (Auditoria DACON (ano) (trimestre) que tiverem ligação à formação de florestas ou silvicultura, por constituírem insumo na produção da celulose, devem gerar direito a crédito de PIS/COFINS. Portanto, o DD deve ser reformado de modo a restabelecer os créditos da empresa. e) crédito decorrente de produtos adquiridos de terceiros: a Fiscalização afirma que não dá direito a crédito itens tais como clonagem, pesquisa, tratamento do solo, adubação, irrigação, controle de pragas, combate a incêndio e colheita. Mas a empresa só apropria créditos decorrentes de bens/serviços adquiridos de terceiros, não se apropriando de créditos sob sua própria mão de obra. Todos os serviços citados só compuseram a base de cálculo dos créditos porque foram adquiridos de terceiros. As próprias planilhas elaboradas pela Fiscalização comprovam a assertiva, ao indicarem o prestador de serviço e número da respectiva NF cujos créditos foram glosados. Desta forma, resta patente a improcedência da glosa sob essa rubrica, devendo ser reformado o DD. f) crédito sobre fretes: disse o Fisco que quaisquer serviços de transporte não relacionados à entrega de mercadorias diretamente aos clientes não podem ser considerados como sendo insumo. Seguindo esta orientação dada pela COSIT acerca do termo, entre outros, não foram considerados como insumo: armazenagem/transporte de papel e logística. Tal argumento é improcedente. Neste item não há diferença entre o frete pago na aquisição de insumos, na transferência de produtos em elaboração ou para colocação do produto acabado no estabelecimento vendedor. Todos estes gastos são tidos como custo de produção (art. 187, II, da Lei n° 6.404/1976), constituindo insumos, cujo crédito é assegurado pelo inciso II do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. O inciso IX do art. 3º dessas leis assegura apenas o frete que constitui uma despesa de venda, que é o frete pago pelo vendedor para entregar o produto ao comprador. Os gastos de frete da empresa, portanto, até o momento em que o produto está colocado à venda, mesmo se este frete for despendido após o produto estar acabado, irão integrar o custo da mercadoria ou produto vendido (art. 187, II, da Lei nº 6.404/1976). Em todos os casos, o frete é tido como custo de produção ou fator de produção, enquadrandose no conceito de insumo. Fl. 6834DF CARF MF Processo nº 12585.720425/201155 Resolução nº 3301000.819 S3C3T1 Fl. 6.835 6 Deve ser reparado o DD de modo a restabelecer na integralidade os créditos da empresa que foram glosados referentes a fretes, sem qualquer exceção. 5) Créditos vinculados à receita de exportação: é inequívoco o direito ao crédito de PIS em relação à parcela de insumos que se encontram vinculados à receita de exportação. O creditamento de PIS sobre os custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação é assegurado de forma ampla pelo art. 6º, § 3° e art. 15, inciso II, da Lei n° 10.833/2003, que não impõem qualquer condição adicional para o gozo do direito. Tratase de empresa exportadora de pasta de celulose, sendo que todos os custos que estejam vinculados à receita de exportação, o que sem dúvida incluem os insumos florestais e os fretes, conferem crédito de PIS nos moldes dos dispositivos aludidos. 6) Conclusões: a) é inaplicável ao caso o ADI SRF nº 22/2002 para apuração do índice de rateio proporcional no que tange às receitas de exportação e mercado interno, haja vista que referida norma trata de norma isentiva; b) a empresa reconheceu créditos de bens e serviços utilizados como insumo no seu processo produtivo no momento oportuno, ou seja, no momento da entrada em seu estabelecimento, do insumo adquirido, pois operouse a tradição da coisa; c) ainda que assim não fosse, a legislação faculta ao contribuinte a possibilidade de aproveitar os créditos de bens e serviços em meses subsequentes (§ 4º do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003), o que foi desconsiderado pelo Fisco; d) é inaplicável ao caso as INs SRF nºs 247/2002 e 404/2004, pois trazem em seu bojo equivocado conceito de insumo, pois adotam analogicamente o conceito de insumo relativo a nãocumulatividade do IPI, restringindo, sem qualquer base legal, o direito creditório da empresa; e) a empresa tem direito a créditos de PIS/COFINS, seja em razão dos bens e serviços serem parte indispensável do processo produtivo (insumos), seja em razão das reservas florestais, mesmo estando classificadas contabilmente como ativo imobilizado, sujeitos à exaustão, pois quando da sua utilização, serão também insumos; f) também ensejam créditos aqueles bens ou serviços adquiridos de terceiros, inclusive no caso vertente; g) os fretes suportados durante todo o processo de produção ensejam direito ao crédito, inclusive aqueles destinados à aquisição de matériaprima, destinados à transporte dos produtos em fase de produção entre os estabelecimentos da própria empresa, bem como aqueles que foram realizados durante o processo de formação das reservas florestais que compõe o ativo imobilizado, pois esse constituemse custos de produção; Fl. 6835DF CARF MF Processo nº 12585.720425/201155 Resolução nº 3301000.819 S3C3T1 Fl. 6.836 7 h) todos os custos vinculados à receita de exportação, considerando que se trata de empresa exportadora de pasta de celulosa, conferem crédito de PIS/COFINS. 7) Pedidos: a) requer a realização de diligência e perícia, nos termos do inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972. Tal diligência/perícia é necessária para a comprovação da real natureza de cada bem/serviço adquiridos pela empresa, como eles são empregados no processo produtivo, que estes são efetivamente usados nos estabelecimentos produtores e industriais, que são custos de produção, que foram contabilizados como tal, dentre outras informações indispensáveis para assegurar o direito ao crédito, bem como buscar a verdade material. Indica peritos e formula quesitos; b) diante da robusta comprovação de que os gastos realizados pela empresa são efetivamente indispensáveis, necessários à produção de seus bens destinados à venda, requer, em preliminar, a nulidade do DD e, por conseguinte, o acolhimento de sua manifestação. Devem ser reconhecidos na integralidade os créditos que foram glosados, seja com fundamento no valor de aquisição dos bens/serviços utilizados como insumos para a produção da celulosa, seja baseado nos encargos de exaustão. A Delegacia de Julgamento manteve a integralidade das glosas, com decisão assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2010 a 31/12/2010 PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. Não se justifica a realização de perícia/diligência quando presentes nos autos elementos suficientes para formar a convicção do julgador. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório pleiteado. DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Restando consignado no Despacho Decisório, de forma clara e concisa, o motivo do não reconhecimento do direito creditório pleiteado, bem como da não homologação das compensações tencionadas, deve ser afastada a pretensão de declaração de nulidade do ato administrativo. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2010 a 31/12/2010 Fl. 6836DF CARF MF Processo nº 12585.720425/201155 Resolução nº 3301000.819 S3C3T1 Fl. 6.837 8 ENTENDIMENTOS ADMINISTRATIVOS E MANIFESTAÇÕES DOUTRINÁRIAS. EFEITOS. NÃO VINCULAÇÃO. As referências a entendimentos de segunda instância administrativa ou a manifestações da doutrina especializada, não vinculam os julgamentos emanados pelas Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2010 a 31/12/2010 REGIME NÃOCUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. Para ser considerado insumo, o bem ou o serviço, desde que adquirido de pessoa jurídica, deve ter sido consumido, desgastado, ou ter perdidas as suas propriedades físicas ou químicas em razão de ação diretamente exercida sobre o produto em elaboração. REGIME NÃOCUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. RATEIO PROPORCIONAL. Na determinação dos créditos da nãocumulatividade passíveis de ressarcimento/compensação, há de se fazer o rateio proporcional entre as receitas obtidas com operações de exportação e de mercado interno (tributadas e NT). REGIME NÃOCUMULATIVO. EXPORTAÇÃO. FATO GERADOR. ASPECTO TEMPORAL. A receita de exportação deve ser reconhecida na data do embarque dos produtos vendidos para o exterior. REGIME NÃOCUMULATIVO. INSUMOS PARA FORMAÇÃO DE FLORESTAS. INCORPORAÇÃO AO ATIVO IMOBILIZADO. DESCONTO DE CRÉDITO COMO EXAUSTÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os custos de formação de floresta são incorporados ao valor desse bem registrado no ativo imobilizado, valor que, na medida da utilização da floresta, deve ser objeto de encargos de exaustão, que não dão direito a crédito por falta de previsão legal. REGIME NÃOCUMULATIVO. DESPESAS COM FRETES. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Observada a legislação de regência, a regra geral é que em se tratando de despesas com serviços de frete, somente dará direito à apuração de crédito o frete contratado relacionado a operações de venda, onde ocorra a entrega de bens/mercadorias vendidas diretamente aos clientes adquirentes, desde que o ônus tenha sido suportado pela pessoa jurídica vendedora. Em Recurso Voluntário, a empresa reitera seus argumentos da manifestação de inconformidade, combatendo ponto a ponto a decisão de piso e especificando a essencialidade de cada insumo glosado. Juntou laudo técnico da Escola Superior de Agricultura da USP, que Fl. 6837DF CARF MF Processo nº 12585.720425/201155 Resolução nº 3301000.819 S3C3T1 Fl. 6.838 9 descreve todo o processo produtivo da operação florestal e da fase de indústria da celulose, tratando as duas como interdependentes. É o relatório. Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro, Relatora O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Na origem, houve a análise dos créditos pleiteados de PIS/COFINS não cumulativos vinculados à receita de exportação (art. 3º e 5º da Lei nº 10.637/2002 e art. 3º e 6º da Lei nº 10.833/2003). A fiscalização procedeu à auditoria das rubricas das receitas e despesas, em especial os bens para revenda, bens utilizados como insumos, serviços utilizados como insumos, fretes e combustíveis. Para tanto, informou a fiscalização que a empresa apresentou toda a documentação solicitada: Para tal, foram confrontadas: as apurações e declarações transmitidas pela empresa (DACON, DCTF, PER/DCOMP, DIPJ); os livros, documentos e arquivos eletrônicos fiscais e contábeis; e as notas fiscais eletrônicas e originais apresentadas em conformidade com a Instrução Normativa SRF nº 86, de 22 de Outubro de 2001, por meio da utilização do ContÁgil, aplicativo de auxílio ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil no exercício das atividades de fiscalização. Ademais, foram ainda solicitados ao longo da fiscalização: as notas fiscais de compras de insumos, prestação de serviços utilizados como insumos; o descritivo do processo produtivo da empresa e principais insumos utilizados na industrialização, com a respectiva classificação fiscal; os laudos de utilização dos diversos tipos de combustíveis, objeto do pedido de creditamento e documentos de constituição de participação em Consórcios. Conforme relatado, foram diversos os motivos das glosas dos créditos pleiteados pela Recorrente, que podem ser separadas em quatro grandes grupos: i. Método de Apropriação de Custos Rateio proporcional ii. Momento de apuração dos insumos e serviços como créditos iii. Aproveitamento de créditos extemporâneos iv. Insumos da nãocumulatividade Como se vê, um dos pontos controvertidos nestes autos é o conceito de insumo para fins de creditamento no âmbito do regime de apuração nãocumulativa das contribuições do PIS e da COFINS. A Recorrente pleiteia todos créditos por entendêlos como essenciais para sua atividade. Entretanto, o conceito de insumo que norteou a análise fiscal na origem foi o restrito, veiculado pelas Instruções Normativas da RFB n° 247/2002 e 404/2004, segundo as quais o termo “insumo” não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que Fl. 6838DF CARF MF Processo nº 12585.720425/201155 Resolução nº 3301000.819 S3C3T1 Fl. 6.839 10 gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente, como aqueles que, adquiridos de pessoa jurídica, efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço da atividade. O mesmo critério foi utilizado no julgamento da decisão de piso. Por outro lado, para a Recorrente, o conceito de insumo é amplo, implicando na assertiva de que insumo equivale a “custo de produção”. Esta 1ª Turma Ordinária de Julgamento adota a posição de que o conceito de insumo para fins de creditamento do PIS e da COFINS, no regime da nãocumulatividade, não guarda correspondência com o utilizado pela legislação do IPI, tampouco pela legislação do Imposto sobre a Renda. Dessa forma, o insumo deve ser necessário e essencial ao processo produtivo e, por conseguinte, à execução da atividade empresarial desenvolvida pela empresa. Em razão disso, deve haver a análise individual da natureza da atividade da pessoa jurídica que busca o creditamento segundo o regime da nãocumulatividade, para se aferir o que é insumo. As atividades desenvolvidas pela Recorrente são: a) a indústria e o comércio, no atacado e no varejo de celulose, papel, papelão e quaisquer outros produtos derivados desses materiais, próprios ou de terceiros; b) comércio, no atacado e no varejo, de produtos destinados ao uso gráfico em geral; c) a exploração de todas as atividades industriais e comerciais que se relacionarem direta ou indiretamente com seu objetivo social; d) a importação de bens e mercadorias relativos aos seus fins sociais; e) a exportação dos produtos de sua fabricação e de terceiros; f) a representação por conta própria ou de terceiros; g) a participação em outras sociedades, no país ou no exterior, qualquer que seja a sua forma e objeto, na qualidade de sócia, quotista ou acionista; h) a prestação de serviços de controle administrativo, organizacional e financeiro às sociedades ligadas ou a terceiros; i) a administração e implementação de projetos de florestamento e reflorestamento, por conta própria ou de terceiros, incluindo o gerenciamento de todas as atividades agrícolas que viabilizem a produção, fornecimento e abastecimento de matéria prima para indústria de celulose, papel, papelão e quaisquer outros produtos derivados desses materiais; e j) a prestação de serviços técnicos, mediante consultoria e assessoria às suas controladas ou a terceiros. Ressaltese que há fato novo nos autos: a juntada de laudo técnico produzido pela Escola Superior de Agricultura da USP, em sede de recurso voluntário. Tal documento teve a finalidade de descrever o processo produtivo da Recorrente, desde a operação florestal até a entrega da madeira para a indústria, bem como as etapas industriais da celulose e do papel: Fl. 6839DF CARF MF Processo nº 12585.720425/201155 Resolução nº 3301000.819 S3C3T1 Fl. 6.840 11 De antemão já se configura a necessidade de conversão do julgamento em diligência, em razão de o laudo ser um fato novo, o que demanda a manifestação da autoridade fiscal, em respeito ao princípio do contraditório. Todavia, há outros pontos que demandam esclarecimento. A seguir, analisase uma a uma as glosas para delimitar o objeto da diligência proposta. MÉTODO DE APROPRIAÇÃO DOS CUSTOS RATEIO PROPORCIONAL (Lei nº 10.637/2002, art. 3º e art. 3°, 6º e 15 da Lei nº 10.833/2003) Ao longo de todo o período fiscalizado, a empresa utilizou o método do rateio proporcional para todos os custos. Ao final, a fiscalização: Através do levantamento dos valores referentes às Receitas do Mercado Interno e do Mercado Externo levantados anteriormente, chegouse a novos índices de rateio detalhados nos memoriais de cálculo desta auditoria. Para a autoridade fiscal, o momento do embarque da mercadoria é o parâmetro a ser considerado para a apuração dos valores exportados a cada mês, nos termos do art. 1º do Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 22, de 5 de novembro de 2002: Art. 1º Para fins de isenção da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, considerase exportado para o exterior o bem que tenha saído do território nacional. Diante disso, os valores constantes no SISCOMEX (data do embarque) foram utilizados para fins de apuração dos índices de rateio e retificação dos DACON. Os dados foram extraídos pelo sistema DWAduaneiro. Por conseguinte, parte do crédito pretendido pela empresa não foi integralmente admitido, por conta do referido ajuste no percentual de rateio das receitas oriundas de exportação/mercado interno. Por outro lado, para a Recorrente, o reconhecimento da receita deve ser na emissão da Nota Fiscal. Fl. 6840DF CARF MF Processo nº 12585.720425/201155 Resolução nº 3301000.819 S3C3T1 Fl. 6.841 12 Ademais, há ponto de extrema importância levantado pelo contribuinte em sua defesa: A lide e o que tem quer ser decidido nos presentes autos é: A receita decorrente de exportação indireta (venda no mercado interno para trading, com fim específico de exportação) deve ser contabilizada como receita de exportação para fins de cálculo do rateio proporcional dos créditos, ou apenas devem ser considerados os valores constantes do SISCOMEX? Todo o arcabouço legal que regula a exportação indireta vigente leva a única conclusão possível de que os valores relativos a tais operações compõem a receita de exportação e, portanto, o índice do rateio. As empresas comerciais têm por objeto social a comercialização de mercadorias, podendo comprar produtos fabricados por terceiros para revender no mercado interno ou destinálos à exportação, bem como importar mercadorias e efetuar sua comercialização no mercado doméstico, ou seja, exercem atividades típicas de uma empresa comercial. A expressão trading company não é utilizada na legislação brasileira e na doutrina, há confusão entre as definições de “empresa comercial exportadora” e “trading company”. A distinção se faz entre as empresas comerciais exportadoras (ECE) que possuem o Certificado de Registro Especial e as que não o possuem. As empresas comerciais exportadoras são reconhecidas no Brasil pelo Decretolei nº 1.248/1972, que dispõe sobre o tratamento tributário das operações de compra de mercadorias no mercado interno, para o fim específico de exportação, essa norma assegura os benefícios fiscais concedidos por lei para incentivo à exportação, tanto ao produtor vendedor quanto à ECE. Pelo Decretolei nº 1.248/1972, apenas as empresas comerciais exportadoras que obtivessem o Certificado de Registro Especial seriam beneficiadas com os incentivos fiscais à exportação, entretanto, a legislação atual não faz essa distinção. De acordo com a legislação tributária atual, existem duas espécies de Empresas Comerciais Exportadoras (ECE): 1) as que possuem o Certificado de Registro Especial e 2) as que não o possuem. Entretanto, os benefícios fiscais quanto ao Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), às Contribuições Sociais (PIS/PASEP e COFINS) e ao Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) aplicamse, atualmente, às duas espécies, sem distinção alguma. A própria Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) expressa esse entendimento, por meio da Solução de Consulta nº 40, de 4 de maio de 2012, publicada no Diário Oficial da União (DOU) de 7 de maio de 2012: A não incidência do PIS/Pasep e Cofins e a suspensão do IPI aplicam se a todas as empresas comerciais exportadoras que adquirirem produtos com o fim específico de exportação. Duas são as espécies de empresas comerciais exportadoras: a constituída nos termos do DecretoLei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, e a simplesmente registrada na Secretaria de Comércio Exterior. Como dito, atualmente, há duas categorias de Empresas Comerciais Exportadoras (ECE), sem diferenciação com relação aos incentivos fiscais. Essencialmente, as comerciais exportadoras são classificadas em dois grandes grupos: 1) as que possuem o Certificado de Registro Especial, denominadas “trading companies”, regulamentadas pelo De cretolei nº 1.428/1972, recepcionado pela Constituição Federal de 1988 com status de lei Fl. 6841DF CARF MF Processo nº 12585.720425/201155 Resolução nº 3301000.819 S3C3T1 Fl. 6.842 13 ordinária; e 2) as comerciais exportadoras que não possuem o Certificado de Registro Especial e são constituídas de acordo com Código Civil Brasileiro. As ECE devem atender certos requisitos: de acordo com o art.5º, caput, do DecretoLei nº 1.248/1972, e o art. 231 do Decreto nº 6.759/2009 ( Regulamento Aduaneiro Brasileiro), os impostos que forem devidos, bem como os benefícios fiscais de qualquer natureza, auferidos pelo produtorvendedor, com os acréscimos legais cabíveis, passarão a ser de responsabilidade da empresa comercial exportadora no caso de: a) não se efetivar a exportação dentro do prazo de cento e oitenta dias, contados da data da emissão da nota fiscal pela vendedora, na hipótese de mercadoria submetida ao regime extraordinário de entreposto aduaneiro na exportação; b) revenda das mercadorias no mercado interno; ou c) destruição das mercadorias. para obter o Certificado de Registro Especial, a Empresa Comercial Exportadora (ECE) deve atender alguns requisitos, como ser constituída na forma de sociedade por ações (S.A.) e possuir capital social mínimo, já a ECE que não se enquadra nas exigências do DecretoLei nº 1.248/1972, pode ser constituída sob qualquer forma e não precisa ter capital mínimo. Regese, pois, pelo Código Civil Brasileiro. Porém, para ser caracterizada como ECE, dever ter o fim comercial em seu objeto social, realizar operações de comércio exterior, estar habilitada na Receita Federal (RFB) para operar no SISCOMEX (Instrução Normativa RFB nº 1.288/2012) e estar inscrita no Registro de Importadores e Exportadores da SECEX/MDIC (Portaria SECEX nº 23/2011, art. 8º). atualmente, as empresas que desejam atuar como empresas comerciais exportadoras devem estar habilitadas no registro especial na Secretaria de Comércio Exterior (SECEX) e na Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), de acordo com as normas aprovadas pelos Ministros de Estado do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) e da Fazenda (MF), respectivamente, além de outros requisitos. Tratase de exigência contida no art. 229 do Regulamento Aduaneiro Brasileiro (Decreto nº 6.759/2009), que reproduz exigência prevista no DecretoLei nº 1.248/1972, que possui status de lei ordinária. De acordo com os arts. 228 e 229 do Regulamento Aduaneiro as operações decorrentes de compra de mercadorias no mercado interno, quando realizadas por empresa comercial exportadora, para o fim específico de exportação, terão o seguinte tratamento : serão consideradas destinadas ao fim específico de exportação as mercadorias que forem diretamente remetidas do estabelecimento do produtor vendedor para embarque de exportação, por conta e ordem da empresa comercial exportadora ou para depósito sob o regime extraordinário de entreposto aduaneiro na exportação. Tal tratamento aplicase às empresas comerciais exportadoras que estiverem registradas no registro especial da Secretaria de Comércio Exterior (SECEX) e na Secretaria da Receita Federal do Brasil (SRF), de acordo com as normas aprovadas pelos Ministros do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e da Fazenda; estar constituída sob a forma de sociedade por ações, devendo ser nominativas as ações com direito a voto e possuir capital mínimo fixado pelo Conselho Monetário Nacional. O inciso VII do artigo 20 do Anexo I do Decreto nº 7.096/2010, dispõe sobre as prerrogativas de exame e análise de solicitações de inscrição, atualização e cancelamento de registro de “trading companies”. Registrada a sistemática da exportação indireta, é de se concluir que as alegações da Recorrente são pertinentes. Fl. 6842DF CARF MF Processo nº 12585.720425/201155 Resolução nº 3301000.819 S3C3T1 Fl. 6.843 14 Logo, quanto aos índices de rateio, é necessária a conversão do julgamento em diligência, para que a autoridade fiscal verifique se as receitas decorrentes de vendas a empresas comerciais exportadoras com o fim específico de exportação restaram caracterizadas ou se foram apenas realizadas no mercado interno. Dito de outra forma, a autoridade fiscal deve investigar o valor da receita de exportação, decorrente também de exportação indireta (via trading), para que sejam computadas no rateio. Ressaltese que toda a documentação foi disponibilizada à fiscalização, como já mencionado. E, em sede de manifestação de inconformidade, a empresa juntou suas demonstrações contábeis, acompanhadas de parecer de auditores independentes. MOMENTO DE APURAÇÃO DOS INSUMOS E SERVIÇOS COMO CRÉDITOS (art. 3°, II, §1, I das Leis de regência) Transcrevese o relato da fiscalização: 40. A metodologia de apuração das entradas de mercadorias e serviços feita pela empresa baseiase no momento de lançamento da Nota Fiscal, em afronta à legislação citada acima: “dos itens (...) adquiridos no mês”. 41. Foram levantados casos, como por exemplo, a Nota Fiscal 000651 000 com emissão em 02/01/2006 cujo lançamento e crédito se deu apenas em 10/2006 (documento 4300104789). 42. Em estrito cumprimento às leis citadas acima, as notas fiscais constantes nas memórias de cálculo das apurações do PIS e da COFINS cujas emissões se deram fora do período da sua apuração foram glosadas. 43. A data da emissão da Nota Fiscal é o parâmetro correto para a apuração mensal dos créditos (critério este idêntico ao adotado pelo sistema ContÁgil, aplicativo de auxílio ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil devidamente homologado pelos órgãos centrais da RFB para o auxílio do exercício das atividades de fiscalização). 44. Não cabe à Autoridade Fiscal flexibilizar o critério temporal de apropriação dos insumos, alargandoo em decorrência das tramitações das Notas Fiscais dentro da empresa. Desta forma, mesmo as notas fiscais emitidas ao final de um determinado mês devem ser apropriadas neste mesmo mês, e não no mês seguinte. O prazo para se apresentar o DACON é suficientemente dilatado para que a empresa efetue tais ajustes. 45. Vale ressaltar ainda que não cabe à Autoridade Fiscal realocar as notas fiscais nos meses corretos da sua emissão, e sim tão somente verificar a sua correta apropriação no DACON analisado, cabendo a sua simples glosa em caso contrário. Por sua vez, a Recorrente entende ser irrelevante a data (momento) de emissão da nota fiscal para fins de apuração dos créditos de PIS, por não ser aquele o momento da Fl. 6843DF CARF MF Processo nº 12585.720425/201155 Resolução nº 3301000.819 S3C3T1 Fl. 6.844 15 produção dos efeitos patrimoniais decorrentes da aquisição dos insumos (ou dos serviços). Entende que os efeitos somente se produzem no momento da entrega do bem/serviço, momento em que se dá a contabilização. Percebese falha na conduta da fiscalização ao glosar a integralidade das notas fiscais constantes nas memórias de cálculo das apurações do PIS e da COFINS emitidas fora do período de sua apuração. É lícito ao contribuinte ter seu direito creditório analisado, sob pena de enriquecimento ilícito do Estado. Aplicase aqui o CPC 30, que trata do preço justo para efeitos contábeis, hoje substituído pelo CPC 47. O CPC 30 era claro em seus itens 14 e seguintes, que diziam em síntese que a receita de venda de bens deve ser reconhecida quando forem satisfeitas as condições: a entidade tenha transferido para o comprador os riscos e benefícios inerentes à propriedade dos bens, a entidade não tenha envolvimento na gestão dos bens vendidos, o valor da receita possa ser mensurado com confiabilidade, for provável que os benefícios econômicos associados à transação fluirão para a entidade e as despesas incorridas referentes à transação possam ser mensuradas com confiabilidade. Na maioria dos casos, a transferência dos riscos e dos benefícios inerentes à propriedade coincide com a transferência da titularidade legal ou da transferência da posse do ativo para o comprador. Se a entidade retiver riscos significativos da propriedade, a transação não é uma venda e a receita não pode ser reconhecida. Já na prestação de serviços a receita associada à transação deve ser reconhecida tomando por base o estágio de execução (stage of completion) da transação ao término do período de reporte. O desfecho de uma transação pode ser estimado com confiabilidade quando o valor da receita puder ser mensurado com confiabilidade, for provável que os benefícios econômicos associados à transação fluirão para a entidade, o estágio de execução (stage of completion) da transação ao término do período de reporte puder ser mensurado com confiabilidade e as despesas incorridas com a transação puderem ser mensuradas com confiabilidade. O reconhecimento da receita com referência ao estágio de execução de uma transação é usualmente denominado como o método da percentagem completada. Por esse método, a receita é reconhecida nos períodos contábeis em que os serviços são prestados. Para fins práticos, quando os serviços prestados correspondam a um número indeterminado de etapas, durante um período específico de tempo, a receita deve ser reconhecida pelo método linear durante tal período, a menos que haja evidências de que outro método represente melhor o estágio de execução da transação. Quando determinada etapa for muito mais significativa de outras, o reconhecimento da receita deve ser adiado até que essa etapa seja executada. Inclusive, a Solução de Consulta COSIT nº 111, de 22/04/2014 reconheceu a aplicação do CPC 30: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. REGIME DE COMPETÊNCIA. CANCELAMENTO DE NOTAS FISCAIS. NÃO REALIZAÇÃO DE RECEITAS. NÃO AUFERIMENTO DE RECEITA. VENDAS CANCELADAS. O fato gerador da Cofins no regime de apuração não cumulativa é o auferimento de receitas pelas pessoas jurídicas, o que ocorre quando Fl. 6844DF CARF MF Processo nº 12585.720425/201155 Resolução nº 3301000.819 S3C3T1 Fl. 6.845 16 as receitas são consideradas realizadas. A receita é considerada realizada e, portanto, passível de registro pela Contabilidade, quando produtos ou serviços produzidos ou prestados pela entidade são transferidos para outra entidade ou pessoa física com a anuência destas e mediante pagamento ou compromisso de pagamento especificado perante a entidade produtora. No que diz respeito à prestação de serviços, no regime de competência, a receita é considerada realizada e, portanto, auferida quando um serviço é prestado com a anuência do tomador e com o compromisso contratual deste de pagar o preço acertado, sendo irrelevante, nesse caso, a ocorrência de sua efetiva quitação. Não integram a base de cálculo da Cofins, no regime de apuração não cumulativa, as receitas referentes a vendas canceladas. No que diz respeito à prestação de serviços, vendas canceladas correspondem à anulação de valores registrados como receita bruta de serviços, fato que ocorre quando o contratante não concorda com o valor cobrado (no todo ou em parte), seja porque os serviços não foram prestados de acordo com o contrato, seja porque os serviços prestados, sem a sua anuência, não foram contratados, ou seja porque o valor cobrado não tem previsão contratual. Nesse caso a contratada não é detentora do direito de receber pagamento (no todo ou em parte) pelos serviços prestados. Consequentemente, ainda que ela registre esses valores como receita, eles não passam a assumir tal condição, já que não se consideram como receitas realizadas e, por conseguinte, como receitas auferidas. No regime de competência, o cancelamento de notas fiscais, seja no mês da prestação de serviço ou em outro mês qualquer, por si só, não afeta a ocorrência do fato gerador ou a apuração da base de cálculo da Cofins. Todavia, se as causas que motivarem tal cancelamento, configurarem vendas canceladas, o correspondente valor, registrado como receita de serviços, é passível de exclusão da base de cálculo dessa Contribuição no mês da devolução. DISPOSITIVOS LEGAIS: Instrução Normativa SRF nº 404, de 2004, arts. 3º e 4º, caput, e § 1º; Lei nº 6.404, de 1976, art. 187, § 1º, “a” e “b”; Instrução Normativa SRF nº 51, de 1978, item 4.1; Norma Brasileira de Contabilidade TG 30 Receitas (com a redação dada pela Resolução CFC nº 1.412, de 2, de outubro de 2012), item 21. Diante do acima exposto, deve ser afastada a glosa integral das notas fiscais constantes nas memórias de cálculo das apurações do PIS e da COFINS, sob a justificativa de que as “emissões se deram fora do período da sua apuração”. Como os créditos não foram sequer objeto de devida análise, deve ser esclarecido em diligência fiscal a natureza desses créditos, para que se possa aferir se são insumos ou não, com a devida quantificação. APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS Fl. 6845DF CARF MF Processo nº 12585.720425/201155 Resolução nº 3301000.819 S3C3T1 Fl. 6.846 17 Observese a manifestação da fiscalização: 100. Identificado pelo contribuinte que um determinado crédito não foi utilizado no passado, existe a possibilidade do seu aproveitamento de forma extemporânea, ou seja, realizado fora de seu tempo normal. 101. Todavia, não há como acolher a pretensão de utilizar eventuais créditos apurados extemporaneamente sem retificar os Dacon e DCTF correspondentes, ou seja, retificar as declarações do mesmo período dos créditos, em face do disposto na Instrução Normativa SRF nº 590, de 22 de dezembro de 2005: “Art.11. Os pedidos de alteração nas informações prestadas no Dacon serão formalizados por meio de Dacon retificador, mediante a apresentação de novo demonstrativo elaborado com observância das mesmas normas estabelecidas para o demonstrativo retificado. §1º O Dacon retificador terá a mesma natureza do demonstrativo originariamente apresentado, substituindoo integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos informados em demonstrativos anteriores. (...) §4º A pessoa jurídica que entregar o Dacon retificador, alterando valores que tenham sido informados em DCTF, deverá apresentar, também, DCTF retificadora.” (grifos nossos) 102. Em suma, caso o contribuinte identifique em dez/2006 um crédito não utilizado em jan/2005, deve proceder a retificação do DACON jan/2005. 103. Devese salientar que, no caso de ter havido recolhimento das aludidas contribuições pela Consulente, a retificação dos Dacon e DCTF correspondentes é o único procedimento que permite a restituição de eventuais valores recolhidos indevidamente ou a maior devidamente corrigidos pela Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) para Títulos Federais, haja vista que os créditos extemporâneos não admitem a incidência de atualização monetária ou juros de mora, consoante dispõe o art. 13 c/c art. 3o, § 4o, da Lei nº 10.833, de 2003: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 4° O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. (...) Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4° do art. 3, do art. 4° e dos §§ 1° e 2° do art. 6°, bem como do § 2° e inciso II do § 4° e § Fl. 6846DF CARF MF Processo nº 12585.720425/201155 Resolução nº 3301000.819 S3C3T1 Fl. 6.847 18 5° do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores.” 105. Finalmente, devese salientar que a apuração de créditos, bem como a retificação de declarações, relativos a períodos de apuração anteriores, deve respeitar o prazo decadencial de cinco anos. 106. Todavia, o critério temporal explicitado anteriormente (retificar as declarações do mesmo período dos créditos) não foi obedecido, de forma que as rubricas contendo créditos extemporâneos de períodos diferentes das da apuração de cada DACON foram glosadas. Como exemplo, podemos citar a auditoria realizada pela Ernst & Young em 03/2010 apropriando créditos de PIS e COFINS cuja base de cálculo foi de R$ 167.052.349,09 (referente aos períodos de apuração de 2005 e 2006), valor este devidamente glosado por esta fiscalização. 107. Acerca dos Créditos Extemporâneos VCP – Jacareí apropriados no 4º Trimestre de 2006, a empresa foi intimada a informar o período dos referidos créditos, todavia, não apresentou documentação comprobatória dos mesmos, nem de que período os mesmos foram apurados. Desta forma, os valores foram devidamente glosados. Assiste razão à Recorrente, quando afirma que a utilização de créditos extemporâneos não está vinculada à retificação de DCTF/DACON. Há claro equívoco na conclusão da fiscalização de que a apuração extemporânea de créditos somente poderia ser admitida mediante retificação das declarações e demonstrativos correspondentes, diante da ausência de previsão legal para tal exigência. A 3ª Turma da Câmara Superior, acórdão n° 9303006.248, já se manifestou quanto à utilização de créditos extemporâneos independentemente de retificação da DCTF e do DACON: CRÉDITOS DA CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. RESSARCIMENTO. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. Na forma do art. 3º, § 4°, da Lei nº 10.833/2003, desde que respeitado o prazo de cinco anos a contar da aquisição do insumo, o crédito apurado nãocumulatividade do PIS e Cofins pode ser aproveitado nos meses seguintes, sem necessidade prévia retificação do Dacon por parte do contribuinte ou da apresentação de PER único para cada trimestre. As Linhas 06/30 e 06/31 do DACON, denominadas respectivamente de “Ajustes Positivos de Créditos” e de “Ajustes Negativos de Créditos”, contemplam a hipótese de o contribuinte lançar ou subtrair outros créditos, além daqueles contemporâneos à declaração. Também a EFDPIS/Cofins, constante do Anexo Único do Ato Declaratório Executivo COFIS nº 34/2010, prevê expressamente a possibilidade de lançar créditos extemporâneos, nos registros 1101/1102 (PIS) e 1501/1502 (Cofins). Fl. 6847DF CARF MF Processo nº 12585.720425/201155 Resolução nº 3301000.819 S3C3T1 Fl. 6.848 19 Com isso, é imperiosa a análise pela fiscalização da pertinência dos créditos apropriados extemporaneamente. Mais uma vez, é necessário apontar que a empresa apresentou o suporte documental à fiscalização, como já mencionado no início deste voto. Com isso, a unidade de origem deve analisar a origem, natureza, validade e pertinência dos créditos apropriados extemporaneamente, para quantificálos. INSUMOS DA NÃOCUMULATIVIDADE (Arts. 3º das Leis de regência) Segundo a fiscalização, para que um bem seja considerado insumo à fabricação, além de não estar incluído no ativo imobilizado, deve enquadrarse em uma das quatro situações: ser matériaprima, produto intermediário, material de embalagem ou qualquer outro bem que sofra alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Logo, entre outros, não foram considerados como insumos: ferramentas de trabalho para manutenção, calços para alinhamento da altura de equipamentos rotativos, pistola de ar comprimido, serviços relacionados ao sistema de alarmes de emergências, serviços logísticos, serviços de movimentação de materiais e insumos e locação de guindastes. Prosseguindo, para a fiscalização, as despesas com a constituição da floresta compõem o ativo imobilizado da empresa. Por isso, na análise dos insumos, foi aplicado o seguinte critério na auditoria: “Todo bem ou serviço utilizado pela empresa antes do tratamento físicoquímico da madeira em si não podem ser classificados como insumo para fins de creditamento do PIS/PASEP e do COFINS nãocumulativos. Ao invés disso, as reservas florestais devem ser tratadas como sendo ativo imobilizado da empresa.” Por isso, apontou: 58. Resta claro que os empreendimentos florestais destinados ao corte para comercialização, consumo ou industrialização devem ser classificados no ativo imobilizado. Em relação à floresta plantada, as despesas de qualquer natureza, incorridas para a constituição da floresta devem ser contabilizadas no ativo imobilizado. O bem (floresta) sofrerá então exaustão à medida que suas árvores forem sendo derrubadas. Evidentemente que o valor da terra nua não deve aparecer na mesma conta do ativo imobilizado em que estiverem os recursos florestais, uma vez que a terra nua não pode ser objeto de exaustão. 59. Com isso, é fácil concluir que as despesas com a constituição da floresta não podem ser utilizadas como base para cálculo de créditos da Contribuição para o PIS/PASEP e da Cofins, na qualidade de insumos de seu produto final, já que o custo de constituição da floresta não é considerado custo de insumo à produção, mas custo de bem a ser incorporado ao ativo imobilizado. Fl. 6848DF CARF MF Processo nº 12585.720425/201155 Resolução nº 3301000.819 S3C3T1 Fl. 6.849 20 60. Entre outros, não foram considerados como insumos: corrente de corte (motosserra), picadores (desgastador de madeira), sabres (manejo florestal), insumos utilizados no corte de cavacos , serviços florestais de silvicultura/trato cultural das florestas próprias, serviços de inventário florestal, serviços de viveiros, serviço florestal de colheita, serviço de manutenção/construção de estrada e pontes, serviços topográficos, controle de qualidade de madeiras, monitoramento florestal, irrigação, terraplenagem, sensoriamento remoto e peças e reparos em maquinários relacionados com a área de silvicultura (marcas de tratores e outros veículos como a Komatsu, Volvo e John Deere). Em seguida, aduz a impossibilidade de desconto de créditos de exaustão, por não haver previsão legal para a apuração de créditos sobre encargos de exaustão incorridos sobre bens incorporados ao ativo imobilizado do contribuinte. Quanto à necessidade da aquisição dos insumos de terceiros, a fiscalização glosou as despesas relacionadas com a obtenção de madeira dos terrenos da empresa, a chamada Operação Florestal (clonagem, pesquisa, plantio, tratamento do solo, adubação, irrigação, controle de pragas, combate à incêndios e colheita). Na mesma esteira, uma vez entendido que todos os esforços despendidos na Operação Florestal compõem o ativo imobilizado, glosou os fretes pagos na aquisição dos bens que compõem o ativo imobilizado. Por outro lado, a Recorrente aduz que é devida a tomada de crédito sobre a formação de florestas: plantio, silvicultura, corte, colheita, logística e transporte de toras de madeira e etc. por indispensáveis à elaboração da celulose. Aponta as efls. 19, 78, 90, 131 e 132 do laudo técnico da USP. Acrescenta que os serviços glosados estão elencados no laudo como indispensáveis ao processo produtivo da celulose, conforme itens 4 e 5 do documento, também ligados à formação das florestas. E ainda, que os dispêndios com clonagem, pesquisa, plantio, tratamento do solo, adubação, irrigação, controle de pragas, combate a incêndios e colheita são prestados por terceiros, pessoas jurídicas. a) Embalagem de apresentação e de transporte A fiscalização aceitou como insumo a embalagem de apresentação, entendendo que sua colocação determina a fase final da produção. Por outro lado, não considerou a embalagem para transporte como insumo. Assim, entre outros, não foram considerados como insumos: correias utilizadas para transporte de fardos de celulose, estrados de madeira, pallet (palete) e caixas de papelão. O contribuinte defende o creditamento por entender que essas embalagens de transporte acondicionam as folhas de celulose produzidas, conforme descrição no laudo técnico. b) Insumos Caracterização SD 200815 Fl. 6849DF CARF MF Processo nº 12585.720425/201155 Resolução nº 3301000.819 S3C3T1 Fl. 6.850 21 Foram considerados como insumos: toras de madeira, produtos químicos utilizados no processo produtivo, tintas, feltros e telas (formação e desaguação da folha de papel) e telas de lavagem de polpa de celulose. E ainda, foram considerados como insumos os “bens ou serviços adquiridos de pessoa jurídica, intrínsecos à atividade, aplicados ou consumidos na fabricação do produto ou no serviço prestado”, ocorrendo o contato direto com o produto final e/ou desgaste na sua utilização, como por exemplo: lâminas para remoção de resíduos em rolos da máquina de papel, esferas de vidro utilizadas no processo de pigmentação, pastilhas de frenagem de máquinas de papel, facas para corte de folha de celulose e de bobinas e correias de acionamento de equipamentos rotativos. Todavia, foram glosados os seguintes: despesas com equipamento de proteção individual, etiquetas adesivas de escritório, rolos de pintura, lonas de plástico para efetuar manutenções, insumos utilizados em análises químicas em laboratório, baterias, pilhas, rádios transceptores, projetores de apresentação, manutenção de PABX, manutenção de nobreaks, encadernação de notas fiscais, copos para água mineral, almofada de carimbo, binóculos, borrachas para lápis, brindes e camisas promocionais, brinquedos para filhos de funcionários, café expresso em grãos, CDR graváveis, cestas de natal, coffebreak, serviços de cópias de chaves, coroas de flores, desjejum, custos de eventos festivos, lanches, livros de literatura, locação de máquinas de café, marmitex, medicamentos, palestras e óculos de segurança Bandido. A Recorrente, com suporte no laudo técnico, aduz que estão descritos no laudo como essenciais: os equipamentos de proteção individual (efls. 19/20, 35 do laudo); a utilização de rádios comunicadores (efls. 27 do laudo) e insumos utilizados para análises químicas em laboratório (efls. 128 e 131 do laudo). c) Insumos Passagens, hospedagens e despesas de veículos SD 200815 Não foram considerados insumos: serviço com pagamento de estadia e translado, locação de veículos e despesas de transporte de supervisores. Aponta a empresa que tais dispêndios são essenciais, por se referirem à locomoção, ida e volta, até a floresta. d) Insumos Partes e Peças de Reposição SD 200835 Apontou a fiscalização que as partes e peças de reposição adquiridas de pessoa jurídica para manutenção de máquinas e equipamentos componentes do ativo imobilizado, utilizados diretamente na fabricação dos produtos destinados à venda (papel e celulose), são consideradas insumos para efeito de apuração de créditos relativos à contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins nãocumulativas, desde que referidas partes e peças sofram alterações decorrentes de ação diretamente exercida sobre o bem fabricado e, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. Foram considerados insumos: chapas de aço para reparos em caldeiras, cabos, barras e tubos metálicos utilizados em reparos de equipamentos, eletrodos de solda, bicos de Fl. 6850DF CARF MF Processo nº 12585.720425/201155 Resolução nº 3301000.819 S3C3T1 Fl. 6.851 22 chuveiro de lavagem de tela de máquina de secagem, peças hidráulicas de reposição (luvas, cotovelos e válvulas), graxas, óleos lubrificantes e óleos refrigerantes. Entretanto, foram glosadas despesas com: as partes e peças de reposição, bem como os serviços aplicados na manutenção de máquinas e equipamentos utilizadas no corte, no tratamento e no transporte da madeira a qual será, em uma 2ª etapa, transformada em celulose, papel e papelão. Da mesma forma, as partes e peças de reposição, bem como os serviços aplicados na manutenção de máquinas e equipamentos utilizadas na área logística da empresa, seja antes ou depois da obtenção do produto final, foram glosados. Dentre outros, não foram considerados como insumos uma vez que não são relativos aos maquinários utilizados diretamente na obtenção do produto final: reparos em veículos de carga e peças de reposição de transpaleteiras. A Recorrente, com suporte no laudo técnico, aduz que estão descritos no laudo como essenciais as partes e reposição de peças (efls. 87 e 130 do laudo). e) Materiais de Construção Civil utilizados como insumos Não foram considerados como insumos, uma vez que seriam incorporados ao ativo imobilizado edificações: tijolo comum, tintas para utilização em pisos em geral, placa de gail para piso, lâmpadas de iluminação em geral, pedra brita, etc. Segundo a empresa, tratamse de reparos realizados na unidade fabril, essenciais. f) Fretes Hipóteses de Crédito – SD 200711 e g) Frete Transporte Intercompany Vedação de Crédito SD 200812 Neste tópico, entendeu a fiscalização que quaisquer serviços de transporte não relacionados à entrega de mercadoria diretamente aos clientes não podem ser considerados como insumo. Então, não foram considerados: armazenagem/transporte de papel e logística. Mas foram considerados como insumo os referentes às despesas de exportação. E não os fretes relacionados a transporte de produto acabado (ou em elaboração) entre estabelecimentos industriais; destes para os centros de distribuição ou de um centro de distribuição para outro. Já a Recorrente sustenta que todos os fretes de aquisição de matériaprima, os intercompany e o de aquisição de bens do ativo imobilizado integram o custo do produto, o que permite o creditamento. g) Combustíveis utilizados como Insumos SD 200837 A fiscalização acatou como insumo, o combustível utilizado no processo de fabricação do produto destinado à venda pela empresa; ou, em outras palavras, o empregado em máquinas e equipamentos utilizados diretamente na produção da celulose industrializada e vendida pela contribuinte. Fl. 6851DF CARF MF Processo nº 12585.720425/201155 Resolução nº 3301000.819 S3C3T1 Fl. 6.852 23 Descartou como insumo os combustíveis utilizados para o transporte e manejo dos insumos: GLP utilizado em empilhadeiras, gasolina utilizado no transporte de pessoal, Óleo diesel, Óleo biodiesel e GLP granel. Quanto aos combustíveis, a alegação da empresa é de que são fornecidos por ela e, são utilizados nas máquinas e em veículos de transporte aplicados ao processo produtivo da Operação Florestal (conforme itens 5.65 e 6.6 do laudo). Síntese do tópico “Insumos da nãocumulatividade” O laudo apresentado pela Recorrente em seu recurso voluntário teve o objetivo de demonstrar a essencialidade dos custos incorridos na formação, manutenção e exploração das florestas, afastando, por conseguinte, as glosas. Descreveu também as etapas industriais até o consumidor. Confirase a síntese do processo produtivo descrito no laudo técnico da USP: Fl. 6852DF CARF MF Processo nº 12585.720425/201155 Resolução nº 3301000.819 S3C3T1 Fl. 6.853 24 Fl. 6853DF CARF MF Processo nº 12585.720425/201155 Resolução nº 3301000.819 S3C3T1 Fl. 6.854 25 Na apuração de PIS/COFINS nãocumulativos, a prova da existência do direito de crédito indicado incumbe ao contribuinte. Consequentemente, confrontando o motivo das glosas, os elementos trazidos aos autos e o laudo técnico, vislumbrase como desnecessários novos esclarecimentos em sede de diligência fiscal, restando para julgamento a matéria referente à extensão do conceito de insumo e os reflexos da classificação das florestas como ativo imobilizado. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência, para que a unidade de origem: a) Por ser o laudo da Escola Superior da Agricultura da USP fato novo, manifestese sobre ele; b) Verifique se as receitas decorrentes de vendas a empresas comerciais exportadoras com o fim específico de exportação restaram caracterizadas ou se foram apenas realizadas no mercado interno; c) Analise a origem dos créditos registrados fora da competência da emissão da nota fiscal, para que se possa aferir se são insumos ou não, com a devida quantificação; d) Analise a origem, natureza, validade e pertinência dos créditos extemporâneos apropriados, mesmo sem as DACON/DCTF retificadoras, para quantificálos; e) Elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados; f) Cientifique a interessada do resultado da diligência, concedendolhe prazo para manifestação; g) Após, que retorne o processo ao CARF para julgamento. Fl. 6854DF CARF MF Processo nº 12585.720425/201155 Resolução nº 3301000.819 S3C3T1 Fl. 6.855 26 (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 6855DF CARF MF
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