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Numero do processo: 10803.000157/2008-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 07 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2301-000.450
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Marcelo Oliveira Presidente
Bernadete de Oliveira Barros - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio De Souza Correa, Mauro Jose Silva, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriano Gonzales Silvério.
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a). Marcelo Oliveira – Presidente Bernadete de Oliveira Barros Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio De Souza Correa, Mauro Jose Silva, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriano Gonzales Silvério. RELATÓRIO Tratase de crédito previdenciário lançado contra a empresa acima identificada, referente à contribuição devidas à Seguridade Social, correspondente à parte dos segurados, contribuintes individuais. Conforme Relatório Fiscal (fls. 25), o fato gerador da contribuição lançada é o pagamento de remuneração dos segurados que prestaram serviços à empresa por meio de pessoas jurídicas interpostas, considerados pela fiscalização como sendo diretores da empresa autuada, enquadrados como segurados contribuintes individuais. Segundo relato fiscal, a recorrente possuía, além dos sócios constantes do contrato social e alterações, outros sócios ocultos, integrantes do capital social da empresa por intermédio de instrumento particular de cessão de ativos e participações societárias e contrato associativo de investimentos, não registrados na Junta Comercial. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 03 .0 00 15 7/ 20 08 -1 7 Fl. 1129DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10803.000157/200817 Resolução nº 2301000.450 S2C3T1 Fl. 1.123 2 A autoridade lançadora informa que a remuneração foi aferida à razão de 100% (cem por cento) do valor das notas fiscais emitidas por pessoas jurídicas, cujas pessoas físicas que as representam foram consideradas pela auditoria fiscal como sócios do contribuinte, e fundamenta o procedimento no art. 33, §§ 3o e 6o, da Lei 8.212/91. A seguir, expõe os motivos pelos quais entende que houve simulação nos serviços prestados pelas pessoas físicas relacionadas, representadas por empresas interpostas, mas enquadradas pela fiscalização como sócios da recorrente, por terem sido constatados os elementos que os enquadram no art. 12, inciso V, “f”, da Lei 8.212/91. Discorre sobre cada elemento configurador do vínculo econômico entre a recorrente e as pessoas físicas apontadas, como pessoalidade, onerosidade, habitualidade, e conclui que o contribuinte encobriu a real relação de trabalho, haja vista que utilizou o recurso de contratos de prestação de serviços com empresas interpostas para ocultar a verdadeira situação jurídica, ou seja, a prestação de serviços essenciais ao funcionamento da empresa por pessoas físicas, que no caso em questão, são os seus sócios ostensivos e ocultos. A recorrente apresentou defesa e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 1631.163, da 12a Turma da DRJ/SPI (fls 558), julgou a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso tempestivo (fls. 628), repetindo basicamente as alegações trazidas na impugnação. Preliminarmente, alega cerceamento de defesa, por não terem sido juntadas, aos autos, as notas fiscais que serviram de base para o lançamento, argumentando que, mesmo que elas tenham sido mencionadas e indicadas em planilha, não há, nos autos, elementos que permita à recorrente verificar a correção dos valores lançados como base de cálculo das contribuições cobradas, o que, segundo entende, macula a autuação fiscal de completa nulidade. Traz julgado do antigo CC para reforçar suas alegações e acrescenta que a falta de juntada de cópia dos Livros Diários aos autos reforça a ocorrência de cerceamento de defesa e ofensa ao contraditório, defendendo que é dever da Administração dar publicidade do motivo do ato, independentemente se o administrado possui uma via em seu poder, e discorrendo sobre os elementos que dão validade ao atonorma administrativo, citando a doutrina e concluindo que, não disponibilizar ao contribuinte os meios de prova implica nulidade do atonorma, por vício de motivo. Insiste na impossibilidade de utilização de prova emprestada, entendendo que os elementos trazidos do processo PCD 2005.61.0092851, em curso na Quarta Vara Criminal de SP é exclusivo para o âmbito penal, caracterizando crime a utilização de tais documentos sem autorização judicial, sendo que tais documentos nunca poderiam ser utilizados para embasar a exigência em tela. Entende que, embora muitos dos documentos apreendidos seja de natureza fiscal ou comercial, passíveis, portanto, de exame pelo fisco, os documentos que realmente fundamentaram a autuação em questão são aqueles obtidos com o único objetivo de instituir ação criminal, e jamais poderiam ter sido utilizados no processo administrativo fiscal. Fl. 1130DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10803.000157/200817 Resolução nº 2301000.450 S2C3T1 Fl. 1.124 3 Frisa que a fiscalização preferiu juntar aos autos apenas elementos emprestados de processo criminal e que nada provam acerca da materialidade das contribuições previdenciárias lançadas, deixando, assim, de provar a ocorrência dos fatos geradores, para, em seu lugar, buscar comprovar tão somente a alegada ocorrência de relação societária e de direção dos prestadores de serviços que supostamente se utilizaram de empresas interpostas. Sustenta que mesmo havendo autorização judicial para emprestar provas, não poderia a fiscalização basear o lançamento apenas em tais elementos, e traz parecer encomendado pela recorrente a Professores Titulares da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo para tentar demonstrar a ausência de motivação e a ilegalidade no processo de obtenção dos meios probatórios, ressaltando que a referida autorização é somente para se ter acesso, e não para servir de meios de prova para outros fins que não os criminais. Reitera que as referidas provas não poderiam ser utilizadas para fundamentar o lançamento ora discutido, pois são documentos extracontábeis, apócrifos, relativos a apenas parte dos períodos autuados, ou mesmo sem data, não assinados, incompletos ou em forma de “minuta para discussão”, e que seria inviável à fiscalização concluir, com base em documentos fiscais sem natureza societária qualquer, pela existência de sócios ocultos. Repete que não se pode admitir que documentos supostamente do ano de 2006 sejam base para aferição indireta de contribuições dos anos de 2003, 2004 ou 2005, não cabendo, à fiscalização, chegar a uma conclusão sem que haja provas concretas sobre os fatos, vinculando informações vagas e incertas a períodos desconhecidos para concluir que houve a ocorrência do fato gerador. Assevera que a fiscalização comete ilegalidade ao exigir da recorrente contribuições e multas sobre um fato jurídico presumido e não provado, entendendo ser necessária a comprovação, por meios diretos e não indiretos, da alegada existência de vínculo de emprego, ante toda a documentação que lhe foi apresentada, sendo que as supostas evidências descritas no relatório fiscal nada provam contra a recorrente, principalmente no sentido de evidenciarse relação societária e diretiva. Observa que, no caso presente, a fiscalização não obedeceu as regras aplicáveis ao procedimento de aferição indireta, inaugurando procedimento criado a seu bel prazer e, portanto, sem previsão legal, que foi o de considerar como base de cálculo as notas fiscais de prestação de serviços, imaginando existir suposto vínculo societário. Ressalta que não houve aferição indireta, mas apenas mera presunção, sem previsão legal, a partir de elementos que nada podem provar quanto à existência do vínculo societário e diretivo entre a recorrente e as pessoas físicas por meio de interposição de pessoa jurídica. Quanto ao argumento da DRJ de que seria descabida a verificação física dos segurados em serviço na empresa para confronto com seus registros fiscais, questiona se a diligência não se presta para verificação de fatos ocorridos nos períodos de 2003 a 2007, o que dizer de documentos genéricos, não datados, fundamentarem uma autuação relativa a período anterior Discorre sobre a verdade material e cita a doutrina para argumentar que, para que a fiscalização pudesse lavrar algum auto de infração em face da recorrente, deveria ter comprovado plenamente, por meios seguros e irrefutáveis, a alegada existência de sócios ocultos remunerados por intermédio de empresas interpostas, restando evidente, no caso em tela, que a fiscalização não se valeu de todos os elementos de prova para a verificação dos fatos Fl. 1131DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10803.000157/200817 Resolução nº 2301000.450 S2C3T1 Fl. 1.125 4 narrados, infringindo, dessa forma, o princípio da tipicidade da tributação, o que invalida o lançamento por falta de certeza e seguranças jurídicas. Frisa que tem certeza de que não existe uma prova sequer no processo que subsidie as afirmações de existência de vínculo societário e diretivo a basear a cobrança das contribuições em questão, sendo que as supostas provas apresentadas, e acolhidas pela DRJ, não passam, quando muito, de meros indícios. No mérito, repete que inexiste o vínculo societário, o que impossibilita a cobrança das contribuições em tela por meio de aferição indireta, seja porque a realidade dos fatos demonstram o contrário, seja porque as autoridades fiscais não demonstraram a procedência de suas alegações. Atenta para o fato de que a fiscalização não produziu prova individualizada acerca da existência do vínculo societário e de direção das pessoas físicas sócias das prestadoras de serviço em relação à recorrente e, em conseqüência, não logrou êxito em comprovar, de forma individualizada, a ocorrência dos fatos geradores, sendo que várias das pessoas físicas supostamente remuneradas por meio de empresas interpostas eram assessores e consultores de gestão e prestadores de serviços intelectuais, como consultores, advogados, etc, cujas atividades não se caracterizam pela existência de vínculo societário diretivo. Insiste que, para que se pudesse considerar válida a apuração fiscal, seria necessária a produção de prova material, com a análise individual de cada uma das relações supostamente existentes e demonstrar, de maneira individual, a ocorrência de cada um dos fatos geradores, não cabendo a utilização de um caso a título de exemplo para outros. Quanto à inversão do ônus da prova, sustenta que essa só seria cabível se a fiscalização tivesse comprovado a existência do vínculo societário e de direção, e a ocorrência dos fatos geradores da contribuição previdenciária, o que não foi feito, não cabendo à recorrente apresentar prova em contrário, como quer a DRJ, e não se aplicando, ao caso, o disposto no art. 33, da Lei 8.212/91, uma vez que não houve recusa de entrega de documentos e tampouco exame de escrituração contábil. Reafirma a inexistência dos requisitos necessários à configuração do vínculo societário e de direção, discorrendo acerca da administração de sociedades e administradores, sócios ou não sócios, citando doutrina sobre a matéria, concluindo que a fiscalização nada comprovou a respeito, se baseando fundamentalmente em um suposto acordo associativo e outros documentos que sequer podem ser considerados como indícios. Cita alguns documentos utilizados pela fiscalização para frisar que os mesmos não têm o condão de comprovar materialmente a presença do poder de comando/gerência e, principalmente, de affectio societati,, sendo que tais documentos poderiam, quando muito, ser tomados como indícios, inservíveis, portanto, para demonstrar a existência de suposto poder diretivo e societário, sendo necessários elementos concretos. Com relação à pasta virtual com o título “Planejamento”, aduz que não há como afirmar se teria havido a implementação da estrutura lê prevista, afirmando que esse planejamento nunca foi realmente implementado, não passando de mera intenção futura, não se sabe de quem. Fl. 1132DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10803.000157/200817 Resolução nº 2301000.450 S2C3T1 Fl. 1.126 5 Relativamente ao item “4C”, assevera que as planilhas ali referidas nada provam contra a recorrente, e as autoridades fiscais não demonstram materialmente a própria validades dessas informações como elemento de prova. Quanto à denominação “Diretor” para alguns cargos ocupados pelas pessoas físicas, defende que a denominação de um cargo é irrelevante para determinar a verdadeira natureza de sua atividade numa empresa, e alega que as autoridades fiscais deveriam ter buscado elementos que caracterizassem objetivamente o poder de comando/gerência das pessoas físicas em relação à recorrente. Reitera que as provas utilizadas pela fiscalização não têm o condão de comprovar, materialmente, a hipótese do artigo 12, V, “f”, da Lei 8.212/91, que remetem aos requisitos de pessoalidade, nãoeventualidade, onerosidade e poder de direção, podendo, quando muito, ser tomados como meros indícios da existência de suposto vínculo societário e de direção. Esclarece que o oferecimento de determinados benefícios, treinamentos e cursos nada mais significam do que uma política de melhoria de produtividade e de aproximação da recorrente com seus melhores prestadores de serviços, e reafirma que a fiscalização não se revestiu de um único documento que comprovasse, de maneira suficiente, a existência de poder de mando pro parte das pessoas físicas, não havendo um único email, uma única comunicação interna que demonstre atos de gestão e de gerência por parte dessas pessoas. Tece comentários sobre alguns documentos utilizados pela fiscalização, para tentar demonstrar o desacerto das conclusões por ela esposadas, e conclui que o conjunto probatório reunido pelas autoridades fiscais é extremamente frágil, e nada prova contra a recorrente, ficando nítido que há, ao longo do relatório fiscal, meras inferências, ilações e juízos de valor com base em convicções préconcebidas, não havendo qualquer certeza quanto à existência da alegada simulação da terceirização, mas, quando muito, apenas meros indícios e suposições. Discorre sobre o conceito de simulação e de livre iniciativa, para argumentar que, no direito brasileiro, os particulares têm a prerrogativa de escolher o meio, dentre os lícitos, para a realização de uma determinada atividade econômica, restando inconsistente a pretensão da fiscalização de caracterizar os contratos de prestação de serviços firmados pela recorrente como artifícios simulatórios de reais relações societárias e de direção. Aborda a impossibilidade de desconsideração da personalidade jurídica pelas autoridades fiscais em procedimento fiscalizatório, por carecerem de lei que regulamente tal atuação, sendo que tal recurso extremo deverá ser levado a efeito somente por um juiz. Transcreve o art. 116, do CTN, lembrando que o referido dispositivo ainda não foi devidamente regulamentado, não sendo, portanto, aplicável, inexistindo, atualmente, norma legal que possa ser utilizada pelas autoridades fiscais para desconsiderar qualquer negócio jurídico que tenha sido realizado dentro da legalidade, como é o caso em tela. Analisa a abrangência do conceito de “serviços intelectuais”, de que trata o art. 129, da Lei 11.196/95, para concluir que restou comprovada a subsunção dos casos concretos ora recorridos à letra da lei, e observa que, apesar da alegação de existência de simulação, nenhuma multa qualificada foi imputada ao contribuinte, o que representa uma contradição em termos. Fl. 1133DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10803.000157/200817 Resolução nº 2301000.450 S2C3T1 Fl. 1.127 6 Se reporta à absolvição, na esfera penal, em 17/02/2011, de algumas das pessoas físicas, consideradas pelas autoridades fiscais como sócios ocultos da recorrente, o que, segundo entende, resulta na total improcedência do AI em questão, tendo em vista demonstrar o completo equívoco nas conclusões arbitrárias que foram formalizadas no caso em questão, uma vez que tais pessoas não participaram de qualquer ilícito de que foram acusados, inexistindo qualquer prova que possam lhe imputar responsabilidade, seja criminal, cível ou administrativa. Argumenta que, se o Juízo Criminal entendeu que as provas não são suficientes para incriminar essas pessoas, supostamente vinculadas à recorrente, menos ainda as pretensas provas podem ser utilizadas para atribuição de responsabilidade tributária, sendo a aplicação da decisão penal ao presente processo, de forma a desconstituir o quanto alegado pela fiscalização, é imperiosa. Diante desse fato superveniente, requer a reforma da decisão recorrida e o cancelamento do AI em questão e, caso assim este Conselho não entenda, requer o cancelamento das contribuições indevidamente cobradas em razão do suposto vínculo societário e diretivo relacionado ao Sr Helio Benetti Pedreira que, conforme exposto, foi inocentado no processo criminal, logrando comprovar não possuir qualquer relação jurídica e comercial com a recorrente. Traz outro fato superveniente, que consiste na inspeção pelo MTE, que, na ocasião, solicitou a regularização do registro de seis prestadores de serviços, o que foi efetuado pela recorrente, sendo que a fiscalização daquele Ministério, após análise de todas as circunstâncias fáticas e jurídicas envolvendo a recorrente e seus prestadores, considerou os contratos de prestação de serviços regulares, tendo concluído pela existência de poucos vínculos empregatícios e tão somente esses, determinando que referidos empregados fossem regularmente registrados, o que foi feito no prazo de 48 horas pela recorrente. Informa que, muito embora o escopo dessa fiscalização tenha sido a verificação de relações de emprego, o MTE e a Procuradoria Regional do Trabalho do MPU não constataram nenhum vínculo societário e de direção entre a recorrente e as pessoas arroladas pela fiscalização. Insiste na aplicação da regra decadencial do art. 150, § 4o, do CTN, para reafirmar que os lançamentos ocorridos antes de 15/12/2003 estariam atingidos pela decadência, e insurgese contra a incidência de juros sobre a multa de ofício, alegando ilegalidade de sua cobrança. Alega, por fim, inaplicabilidade da taxa SELIC como juros de mora, e requer a reforma integral da decisão recorrida, e que seja julgado procedente o presente recurso voluntário, cancelando in totum o Auto de Infração. É o relatório. Fl. 1134DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10803.000157/200817 Resolução nº 2301000.450 S2C3T1 Fl. 1.128 7 VOTO Bernadete de Oliveira Barros – Relatora O recurso é tempestivo e não há óbice para o seu conhecimento. Verificase, da análise dos autos, que a fiscalização entendeu que houve simulação nos serviços prestados pelas pessoas físicas relacionadas no Relatório Fiscal, representadas por empresas interpostas, e que foram enquadradas pelo fisco como sócios da recorrente, por terem sido constatados os elementos que os enquadram no art. 12, inciso V, “f”, da Lei 8.212/91. Em decorrência dessa constatação, a autoridade autuante lavrou o presente AI, lançando as contribuições incidentes sobre as referidas remunerações, aferidas indiretamente, com base nas notas fiscais emitidas pelas pessoas jurídicas, prestadoras de serviços, cujos representantes foram considerados pela auditoria fiscal como sócios do contribuinte. A autoridade lançadora informa, no item 1.3, do relatório fiscal, que “Este procedimento fiscal é resultante das ações desenvolvidas na "Operação Persona", denominação adotada pelo Departamento da Polícia Federal DPF, fruto de 2 anos de investigações conjuntas do DPF, da Receita Federal do Brasil RFB, do Ministério Público Federal MPF e da Justiça Federal, objetivando apurar a existência de diversos ilícitos, tais como, interposição fraudulenta, sonegação, falsidade ideológica e documental, entre outras. Esclarece que a referida operação resultou na apreensão de vasto material que comprovam os ilícitos, material esse que ficou à disposição para manuseio pela Receita Federal do Brasil RFB mediante solicitação ao Departamento da Polícia Federal – DPF, com autorização judicial. Em seu recurso, a recorrente inova em relação à impugnação, afirmando que houve absolvição, na esfera penal, em 17/02/2011, de algumas das pessoas físicas, consideradas pelas autoridades fiscais como sócios ocultos da recorrente, o que, segundo entende, demonstra que tais pessoas não participaram de qualquer ilícito de que foram acusados, inexistindo qualquer prova que possam lhe imputar responsabilidade, seja criminal, cível ou administrativa. Argumenta que, se o Juízo Criminal entendeu que as provas não são suficientes para incriminar essas pessoas, supostamente vinculadas à recorrente, menos ainda as pretensas provas podem ser utilizadas para atribuição de responsabilidade tributária, sendo a aplicação da decisão penal ao presente processo, de forma a desconstituir o quanto alegado pela fiscalização, é imperiosa. Em seguida, às fls. 863, junta cópia da referida sentença judicial. Em que pese esses argumentos não terem sido apresentados em sede de defesa, tratase de fato superveniente, uma vez que, conforme documentação apensada, a sentença foi proferida somente em 02/2011, nos autos do processo 000582749.2003.403.6181, em trâmite perante a 4a Vara Criminal Federal em SP, ou seja, dois anos após a impugnação. Fl. 1135DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10803.000157/200817 Resolução nº 2301000.450 S2C3T1 Fl. 1.129 8 Dessa forma, considerando que a autoridade autuante ressaltou, no item 3.1, do Relatório Fiscal, que a constatação da ocorrência dos fatos geradores das contribuições previdenciárias não seria possível sem a análise e utilização da documentação apreendida, entendo que, em respeito ao princípio da verdade material, que norteia o processo administrativo fiscal, o processo deva ser convertido em diligência, para que a autoridade fiscal se pronuncie quanto aos argumentos expendidos em sede recursal, mais especificamente no item III3, do recurso, investigando a veracidade das informações ali prestadas e se manifestando, de forma conclusiva, se tais fatos supervenientes são suficientes para a retificação do débito. E, ainda, para que não fique configurado o cerceamento do direito de defesa, que seja dada ciência ao sujeito passivo do teor dos esclarecimentos a serem prestados pela fiscalização, abrindo prazo para sua manifestação. Nesse sentido e Considerando tudo o mais que dos autos consta; Voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA. É como voto. Bernadete de Oliveira Barros Relatora Fl. 1136DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA
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Numero do processo: 10980.729812/2012-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/09/2007 a 31/12/2008
AIOP - DIFERENÇA DE CONTRIBUIÇÕES PARA O RAT - RECOLHIMENTO PARCIAL -PERÍODO ATINGINDO PELA DECADÊNCIA QUINQUENAL - SÚMULA VINCULANTE STF.
O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.
Tratando-se de diferença de alíquota RAT, cujo recolhimento parcial foi informado em GFIP e descrito pelo auditor em seu relatório, deve a decadência ser aplicada a luz do art. 150, § 4 do CTN.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-003.528
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declarar a decadência até 11/2007.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário””. Tratandose de diferença de alíquota RAT, cujo recolhimento parcial foi informado em GFIP e descrito pelo auditor em seu relatório, deve a decadência ser aplicada a luz do art. 150, § 4 do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 98 12 /2 01 2- 40 Fl. 177DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declarar a decadência até 11/2007. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 178DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10980.729812/201240 Acórdão n.º 2401003.528 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório O presente AIOP, lavrado sob o n. 37.360.51531 em desfavor da recorrente tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa, face diferença de alíquota de RAT, apurada de acordo com o enquadramento da empresa no CNAE, no período de 09/2007 a 12/2008. Conforme descrito no relatório fiscal, fls. 55 a 58, em 12 de fevereiro de 2007 o Decreto 6.042/2007 reviu o enquadramento dos riscos de acidente de trabalho de diversas categorias, levando à majoração do percentual de contribuição das empresas classificadas como “CNAE 65.226 Bancos múltiplos, com carteira comercial” de 1% para 3%. Inconformada com a elevação da contribuição a empresa contribuinte ajuizou Ação Ordinária 0020014 72.2007.403.6100 na 1ª Vara da Justiça Federal de São Paulo em 02/07/2007 (fls.7/26), neste ato representada pela FEBRABAN – Federação Brasileira de Bancos. O pedido foi indeferido em despacho de 05/07/2007 (fls. 27/30), indeferimento mantido em posterior pedido de reconsideração. Em agravo de instrumento interposto pela FEBRABAN no TRF da 3ª. Região foi concedida antecipação da tutela para possibilitar o depósito da parte controversa, em decisão de 31/08/2007 (fls. 31/34). A empresa passou a realizar os depósitos a partir da competência 09/2007. Ainda conforme o auditor em linha com as decisões judiciais, a empresa declarou na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP, alíquota de 3% (observando o disposto no Decreto 6.042/2007) nas competências 06/2007 a 08/2007, voltando a declarar alíquota de 1% (depositando os restantes 2% em juízo) a partir de 09/2007. A empresa apresentou as guias de recolhimento dos depósitos (fls. 37/54) para todo o período, os quais foram realizados tempestivamente. Sendo o lançamento ato vinculado, e entendendo que o lançamento fiscal é o procedimento que melhor protege o crédito tributário, estamos procedendo à constituição do crédito visando à prevenção da decadência, em virtude de a Lei nº 11.941/2009, conversão da Medida Provisória nº 449/2008, não ter incorporado o texto do artigo 49. Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 27/12/2012, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no mesmo dia. Não conformada com a autuação a recorrente apresentou impugnação, fls. 77 a 87, questionando basicamente a decadência e a aplicação da multa. Foi exarada a Decisão de 1 instância que confirmou a procedência do lançamento, conforme fls. 125 a 130 . Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/2007 a 31/12/2008 DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA O direito de a Fazenda Pública constituir crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em Fl. 179DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do artigo 173, I do CTN. AÇÃO JUDICIAL E IMPUGNAÇÃO ADMINISTRATIVA. MATÉRIA IDÊNTICA RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO.MATÉRIA DISTINTA A propositura de ação judicial antes do lançamento implica renúncia ao contencioso administrativo no tocante à matéria em que os pedidos administrativo e judicial são idênticos, devendo o julgamento aterse à matéria diferenciada. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Discordando dos termos da Decisão a empresa e as solidárias, apresentaram recurso, fls. 130 a 148, onde devolvem a esse colegiado apenas a apreciação da decadência qüinqüenal, tendo em vista que restou esclarecido pelo julgador de primeira instância que não houve a aplicação de multa. A DRFB encaminhou o recurso a este conselho para julgamento. É o relatório. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10980.729812/201240 Acórdão n.º 2401003.528 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 174. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES: Destacase de pronto, que a única matéria a ser apreciada (objeto de recurso) diz respeito a decadência, tendo em vista concomitância do lançamento com ação judicial sobre mesmo fundamento, conforme descrito no relatório DECADÊNCIA Quanto a preliminar referente ao prazo de decadência para o fisco constituir os créditos objeto deste AIOP, destaco o meu posicionamento a respeito do tema. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, senão vejamos: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. O texto constitucional em seu art. 103A deixa claro a extensão dos efeitos da aprovação da súmula vinculando, obrigando toda a administração pública ao cumprimento de seus preceitos. Dessa forma, entendo que este colegiado deverá aplicála de pronto, mesmo nos casos em que não argüida a decadência qüinqüenal por parte dos recorrentes. Assim, prescreve o artigo em questão: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Ao declarar a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212, prevalecem as disposições contidas no Código Tributário Nacional – CTN, quanto ao prazo para a autoridade Fl. 181DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 previdenciária constituir os créditos resultantes do inadimplemento de obrigações previdenciárias. Citese o posicionamento do STJ quando do julgamento proferido pela 1a Seção no Recurso Especial de n º 766.050, cuja ementa foi publicada no Diário da Justiça em 25 de fevereiro de 2008, nestas palavras: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. ISS. ALEGADA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. VALIDADE DA CDA. IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS DE QUALQUER NATUREZA ISS. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. ENQUADRAMENTO DE ATIVIDADE NA LISTA DE SERVIÇOS ANEXA AO DECRETO LEI Nº 406/68. ANALOGIA. IMPOSSIBILIDADE. INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA. POSSIBILIDADE. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. FAZENDA PÚBLICA VENCIDA. FIXAÇÃO. OBSERVAÇÃO AOS LIMITES DO § 3.º DO ART. 20 DO CPC. IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL. REDISCUSSÃO DE MATÉRIA FÁTICOPROBATÓRIA. SÚMULA 07 DO STJ. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INOCORRÊNCIA. ARTIGO 173, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CTN. 1. O Imposto sobre Serviços é regido pelo DL 406/68, cujo fato gerador é a prestação de serviço constante na lista anexa ao referido diploma legal, por empresa ou profissional autônomo, com ou sem estabelecimento fixo. 2. A lista de serviços anexa ao Decretolei n.º 406/68, para fins de incidência do ISS sobre serviços bancários, é taxativa, admitindose, contudo, uma leitura extensiva de cada item, no afã de se enquadrar serviços idênticos aos expressamente previstos (Precedente do STF: RE 361829/RJ, publicado no DJ de 24.02.2006; Precedentes do STJ: AgRg no Ag 770170/SC, publicado no DJ de 26.10.2006; e AgRg no Ag 577068/GO, publicado no DJ de 28.08.2006). 3. Entrementes, o exame do enquadramento das atividades desempenhadas pela instituição bancária na Lista de Serviços anexa ao DecretoLei 406/68 demanda o reexame do conteúdo fático probatório dos autos, insindicável ante a incidência da Súmula 7/STJ (Precedentes do STJ: AgRg no Ag 770170/SC, publicado no DJ de 26.10.2006; e REsp 445137/MG, publicado no DJ de 01.09.2006). 4. Deveras, a verificação do preenchimento dos requisitos em Certidão de Dívida Ativa demanda exame de matéria fáticoprobatória, providência inviável em sede de Recurso Especial (Súmula 07/STJ). 5. Assentando a Corte Estadual que "na Certidão de Dívida Ativa consta o nome do devedor, seu endereço, o débito com seu valor originário, termo inicial, maneira de calcular juros de mora, com seu fundamento legal (Código Tributário Municipal, Lei n.º 2141/94; 2517/97, 2628/98 e 2807/00) e a descrição de todos os acréscimos" e que "os demais requisitos podem ser observados nos autos de processo administrativo acostados aos autos de execução em apenso, onde se verificam: a procedência do débito (ISSQN), o exercício correspondente (01/12/1993 a 31/10/1998), data e número do Termo de Início de Ação Fiscal, bem como do Auto de Infração que originou o débito", não cabe ao Superior Tribunal de Justiça o reexame dessa inferência. 6. Vencida a Fazenda Pública, a fixação dos honorários advocatícios não está adstrita aos limites percentuais de 10% e 20%, podendo ser adotado como base de cálculo o valor dado à causa ou à Fl. 182DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10980.729812/201240 Acórdão n.º 2401003.528 S2C4T1 Fl. 5 7 condenação, nos termos do artigo 20, § 4º, do CPC (Precedentes: AgRg no AG 623.659/RJ, publicado no DJ de 06.06.2005; e AgRg no Resp 592.430/MG, publicado no DJ de 29.11.2004). 7. A revisão do critério adotado pela Corte de origem, por eqüidade, para a fixação dos honorários, encontra óbice na Súmula 07, do STJ, e no entendimento sumulado do Pretório Excelso: "Salvo limite legal, a fixação de honorários de advogado, em complemento da condenação, depende das circunstâncias da causa, não dando lugar a recurso extraordinário" (Súmula 389/STF).8. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." 9. A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210). 10. Nada obstante, as aludidas regras decadenciais apresentam prazo qüinqüenal com dies a quo diversos. 11. Assim, contase do "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" (artigo 173, I, do CTN), o prazo qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício), quando não prevê a lei o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, bem como inexistindo notificação de qualquer medida preparatória por parte do Fl. 183DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Fisco. No particular, cumpre enfatizar que "o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, sendo inadmissível a aplicação cumulativa dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do CTN, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a fim de configurar desarrazoado prazo decadencial decenal. 12. Por seu turno, nos casos em que inexiste dever de pagamento antecipado (tributos sujeitos a lançamento de ofício) ou quando, existindo a aludida obrigação (tributos sujeitos a lançamento por homologação), há omissão do contribuinte na antecipação do pagamento, desde que inocorrentes quaisquer ilícitos (fraude, dolo ou simulação), tendo sido, contudo, notificado de medida preparatória indispensável ao lançamento, fluindo o termo inicial do prazo decadencial da aludida notificação (artigo 173, parágrafo único, do CTN), independentemente de ter sido a mesma realizada antes ou depois de iniciado o prazo do inciso I, do artigo 173, do CTN. 13. Por outro lado, a decadência do direito de lançar do Fisco, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias, obedece a regra prevista na primeira parte do § 4º, do artigo 150, do Codex Tributário, segundo o qual, se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador: "Neste caso, concorre a contagem do prazo para o Fisco homologar expressamente o pagamento antecipado, concomitantemente, com o prazo para o Fisco, no caso de não homologação, empreender o correspondente lançamento tributário. Sendo assim, no termo final desse período, consolidamse simultaneamente a homologação tácita, a perda do direito de homologar expressamente e, conseqüentemente, a impossibilidade jurídica de lançar de ofício" (In Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad , pág. 170). 14. A notificação do ilícito tributário, medida indispensável para justificar a realização do ulterior lançamento, afigurase como dies a quo do prazo decadencial qüinqüenal, em havendo pagamento antecipado efetuado com fraude, dolo ou simulação, regra que configura ampliação do lapso decadencial, in casu, reiniciado. Entrementes, "transcorridos cinco anos sem que a autoridade administrativa se pronuncie, produzindo a indigitada notificação formalizadora do ilícito, operarseá ao mesmo tempo a decadência do direito de lançar de ofício, a decadência do direito de constituir juridicamente o dolo, fraude ou simulação para os efeitos do art. 173, parágrafo único, do CTN e a extinção do crédito tributário em razão da homologação tácita do pagamento antecipado" (Eurico Marcos Diniz de Santi, in obra citada, pág. 171). 15. Por fim, o artigo 173, II, do CTN, cuida da regra de decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário quando sobrevém decisão definitiva, judicial ou administrativa, que anula o lançamento anteriormente efetuado, em virtude da verificação de vício formal. Neste caso, o marco decadencial iniciase da data em que se tornar definitiva a aludida decisão Fl. 184DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10980.729812/201240 Acórdão n.º 2401003.528 S2C4T1 Fl. 6 9 anulatória. 16. In casu: (a) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (b) a obrigação ex lege de pagamento antecipado do ISSQN pelo contribuinte não restou adimplida, no que concerne aos fatos geradores ocorridos no período de dezembro de 1993 a outubro de 1998, consoante apurado pela Fazenda Pública Municipal em sede de procedimento administrativo fiscal; (c) a notificação do sujeito passivo da lavratura do Termo de Início da Ação Fiscal, medida preparatória indispensável ao lançamento direto substitutivo, deuse em 27.11.1998; (d) a instituição financeira não efetuou o recolhimento por considerar intributáveis, pelo ISSQN, as atividades apontadas pelo Fisco; e (e) a constituição do crédito tributário pertinente ocorreu em 01.09.1999. 17. Desta sorte, a regra decadencial aplicável ao caso concreto é a prevista no artigo 173, parágrafo único, do Codex Tributário, contandose o prazo da data da notificação de medida preparatória indispensável ao lançamento, o que sucedeu em 27.11.1998 (antes do transcurso de cinco anos da ocorrência dos fatos imponíveis apurados), donde se dessume a higidez dos créditos tributários constituídos em 01.09.1999. 18. Recurso especial parcialmente conhecido e desprovido.(GRIFOS NOSSOS) Podemos extrair da referida decisão as seguintes orientações, com o intuito de balizar a aplicação do instituto da decadência qüinqüenal no âmbito das contribuições previdenciárias após a publicação da Súmula vinculante nº 8 do STF: Conforme descrito no recurso acima: “A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210) O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, nos casos de lançamentos em que não houve antecipação do pagamento assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Fl. 185DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplicase o disposto no § 4º, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, Senão vejamos o dispositivo legal que descreve essa assertiva: Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo nosso) Contudo, para que possamos identificar o dispositivo legal a ser aplicado, seja o art. 173 ou art. 150 do CTN, devemos identificar a natureza das contribuições omitidas para que, só assim, possamos declarar da maneira devida a decadência de contribuições previdenciárias. A aplicação do art. 150, § 4º, é possível quando realizado pagamento de contribuições, que em data posterior acabam por ser homologados expressa ou tacitamente. Contudo, antecipar o pagamento de uma contribuição significa delimitar qual o seu fato gerador e em processo contíguo realizar o seu pagamento. Deve ser possível ao fisco, efetuar de forma, simples ou mesmo eletrônica a conferência do valor que se pretendia recolher e o efetivamente recolhido. Neste caso, a inércia do fisco em buscar valores já declarados, ou mesmo continuamente pagos pelo contribuinte é que lhe tira o direito de lançar créditos pela aplicação do prazo decadencial consubstanciado no art. 150, § 4º. No caso ora em análise, observamos o lançamento de diferença de contribuições do RAT, considerando os termos do relatório fiscal, que destaca inclusive a Fl. 186DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10980.729812/201240 Acórdão n.º 2401003.528 S2C4T1 Fl. 7 11 informação em GFIP com alíquota de 1%. Ou seja, entendo ser essa uma possibilidade clara de aplicação do art. 150, § 4º, posto que houve recolhimento antecipado parcial de contribuição. Face o exposto e considerando que no lançamento em questão foi efetuado em 27/12/2012, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no mesmo dia. . Os fatos geradores ocorreram entre as competências 09/2007 a 12/2008, sendo assim, devem ser excluídas as contribuições até a competência 11/2007. Quanto a alegação final em seu recurso de invalidade total do lançamento pela existência de depósitos judiciais, deixo de apreciar a questão, posto que não foi a mesma trazida na peça impugnatória. Não havendo o recorrente impugnado na época oportuna os invalidade do lançamento pela existência dos depósitos , não poderá fazêlo no recurso, face a preclusão. Nos termos do § 6.º do art. 9.º da Portaria MPS/GM n.º 520/2004 c/c art. 17 do Decreto n.º 70.235/1972, a abrangência da lide é determinada pelas alegações constantes na impugnação, não devendo ser consideradas no recurso as matérias que não tenham sido aventadas na peça de defesa. CONCLUSÃO Pelo exposto, VOTO POR CONHECER DO RECURSO, para excluir do lançamento as contribuições até 11/2007 face a aplicação da decadência qüinqüenal. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 187DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 16682.720779/2011-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 18 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1302-000.302
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros da Turma resolvem, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
(assinado digitalmente)
Alberto Pinto de Souza Junior - Presidente
(assinado digitalmente)
Guilherme Pollastri Gomes da Silva - Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros presentes: Waldir Veiga Rocha, Marcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Eduardo de Andrade, Helio Eduardo de Paiva Araujo e Alberto Pinto de Souza Junior.
Nome do relator: GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA
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Resolvem os membros da Turma resolvem, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) Alberto Pinto de Souza Junior Presidente (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros presentes: Waldir Veiga Rocha, Marcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Eduardo de Andrade, Helio Eduardo de Paiva Araujo e Alberto Pinto de Souza Junior. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 82 .7 20 77 9/ 20 11 -5 2 Fl. 1504DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA Processo nº 16682.720779/201152 Resolução nº 1302000.302 S1C3T2 Fl. 1.505 2 RELATÓRIO Trata o presente processo das Declarações de Compensação – Dcomp’s, abaixo relacionadas, nas quais a Interessada alega possuir crédito contra a Fazenda Pública decorrente de saldo negativo de IRPJ do exercício de 2007, referente ao anocalendário de 2006, no valor original de R$ 52.728.638,35: 35820.77549.161007.1.7.022704 32640.00528.310108.1.3.027696 01151.94940.171007.1.7.021102 21352.43273.310108.1.3.027280 05742.46222.191007.1.7.021520 18172.60499.310108.1.3.028347 39386.51402.191007.1.7.020032 11359.38825.310108.1.3.026187 20104.36889.191007.1.7.025115 08994.04432.290208.1.7.021100 40176.97351.290108.1.7.020376 23539.72981.290208.1.7.020823 08359.55355.300108.1.7.029691 06993.68081.310108.1.3.023329 05152.46781.300108.1.7.020810 36450.39256.290208.1.3.028925 34079.26199.300108.1.7.029208 42359.19011.290208.1.3.021550 24901.24482.300108.1.7.023609 11913.41230.290208.1.3.029094 12353.11052.300108.1.7.021610 41596.64166.290208.1.3.026303 25559.67388.300108.1.7.024637 21602.07699.210808.1.7.021024 29541.64947.300108.1.7.020518 26191.41464.290208.1.3.024574 13242.89168.300108.1.7.020060 03831.29208.290208.1.3.022006 22299.68361.300108.1.7.029927 40449.74605.290208.1.3.028900 utilizando o crédito alegado a Interessada buscou extinguir por compensação os diversos débitos relacionados nas mencionadas Dcomps. que foi proferido o Despacho Decisório de fls. 239/245, que não reconheceu qualquer valor a título de saldo negativo do IRPJ do exercício de 2007 e não homologou as compensações, pelos seguinte fundamentos: que na Ficha 09A, Linha 47, da DIPJ/2007, às fls. 17, a Contribuinte apurou prejuízo no período. Segundo a Ficha 12A, à fl. 22, deduziu retenção de Imposto de Renda (IR) na Fonte de Pessoas Jurídicas em Geral no valor de R$ 16.032.533,52; retenção de IR de órgãos, autarquias e fundações federais no valor de R$ 4.710.935,53; além estimativas compensadas no total de R$ 31.985.169,30, o que resultou no saldo negativo de IRPJ no valor de R$ 52.728.638,35. que a Interessada alega ter antecipado R$ 31.985.169,30 a título de estimativas de IRPJ apuradas ao longo do ano de 2006. Deste valor teriam sido deduzidas antecipações de IR na Fonte, e a quitação do restante teria sido efetuada por intermédio de DARF e compensações, sendo que os pagamentos de estimativas efetuados através de DARF somam R$ 19.506.679,36 e confirmamse nos sistemas da RFB, conforme extratos às fls. 93/99, enquanto as estimativas quitadas através de compensação somam R$ 142.843,37, conforme informado em DCTF (fls. 89/92). Fl. 1505DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA Processo nº 16682.720779/201152 Resolução nº 1302000.302 S1C3T2 Fl. 1.506 3 que os R$ 142.843,37 de estimativa quitados através de compensação não se confirmam, uma vez que correspondem às declarações de compensação nº 04451.01444.010906.1.3.04.5600 e nº 00973.23101.100806.1.3.04.1700, cujos respectivos créditos foram negados e, mediante manifestação de inconformidade interposta pela interessada, iniciouse a discussão administrativa, que se trava nos processos nº s 15374.954072/200944 e 15374.948459/200961, ainda sem decisão definitiva. que em relação às retenções de IR na Fonte informadas na DIPJ, no valor total de R$ 33.113.841,71, o montante de R$ 12.370.372,66 teria sido deduzido das estimativas apuradas na Ficha 11, enquanto na apuração anual teria sido deduzido o montante de R$ 20.743.469,05, conforme Ficha 12A. Desse total, apenas R$ 2.775.730,67 foram inicialmente confirmados no sistema PER/DCOMP, ensejando pesquisas mais aprofundadas nos sistemas da Receita Federal do Brasil para verificar os valores retidos na fonte a título de IR. que segundo as pesquisas efetuadas, cujo resultado está resumido em extrato de sistema de consulta da RFB, às fls. 192, do valor total de retenções informadas na DIPJ restam não confirmadas retenções no valor de R$ 7.934.055,71. Por conseguinte, teria sido confirmado o valor total de retenção de IR na Fonte de R$ 25.179.786,00, composto das seguintes parcelas: retenções por órgãos Federais, código 6147, sobre um rendimento bruto de R$ 181.226,00, cuja retenção do IRPJ, neste código, é de 1,2% sobre o rendimento bruto, confirmase o valor de retenção de R$ 2.174,71. retenção no código 6190, sobre rendimento bruto de R$ 15.360.767,82, em que a retenção do IRPJ, neste código, é de 4,8% sobre o rendimento bruto, confirmase o valor de retenção de R$ 737.316,86. retenção na fonte de IRPJ de Pessoas Jurídicas em geral, sob os códigos 1708, 3426, 5557, 5273, 5706, 6800 e 8045. O valor retido nestes códigos soma R$ 24.440.294,43. que através de pesquisa realizada nos sistemas da Receita Federal a fim de se verificar a existência de lançamentos e/ou decisões capazes de alterar o saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2006, constatouse a existência de procedimento de ofício que resultou na lavratura de autos de infração de IRPJ e de CSLL, tratados no processo administrativo n.º 12898.002308/200968. Tal lançamento resultou na adição ao lucro líquido do exercício e à base de cálculo da CSLL dos anoscalendário de 2005 à 2008 de valores correspondentes a excesso de amortização de ágio na aquisição de ações, além da apuração de omissão de receita financeira de deságio. que foi juntada aos autos, às fls 193/225, cópia do mencionado auto de infração, demonstrando que o valor adicionado como excesso de amortização de ágio no ano de 2006 foi de R$ 438.395.441,21. Assim, a base de cálculo apurada conforme o auto de infração consome todo o saldo negativo apurado pela empresa. Considerando o valor lançado de ofício e as antecipações confirmadas, o valor de IRPJ do período deixa de ser credor, passando a figurar saldo a pagar no montante de R$ 25.749.210,95; que segundo o art. 837 do RIR/99, “no cálculo do imposto devido, para fins de compensação, restituição ou cobrança de diferença do tributo, será abatida do total Fl. 1506DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA Processo nº 16682.720779/201152 Resolução nº 1302000.302 S1C3T2 Fl. 1.507 4 apurado a importância que houver sido descontada nas fontes, correspondente a imposto retido, como antecipação, sobre rendimentos incluídos na declaração” (Decreto–Lei nº 94/66, art. 9º). que assim, fica claro que, na constituição mediante lançamento de ofício do IRPJ, devem ser considerados, para efeito de dedução do imposto devido, os valores de IRPJ decorrentes de antecipações (estimativas) compreendidas na apuração. Esse é inclusive o entendimento emanado pela Coordenação Geral de Tributação, segundo a qual “na constituição de ofício do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL devem ser considerados, para efeito de dedução do imposto ou da contribuição devida, os valores de IRPJ e de CSLL decorrentes de retenção na fonte ou de antecipação (estimativas) referentes às receitas compreendidas na apuração”. que o auto foi julgado através do acórdão DRJ/RJOI n.º 1229.449, de 25/03/2010, que ratificou os valores adicionados a base de cálculo do IRPJ. O processo n.º 12898.002308/200968 atualmente encontrase no CARF. Desta feita, ainda que seja possível a Contribuinte reverter a situação, o citado auto de infração deve ser considerado na determinação do saldo de IRPJ a pagar. que ainda que se cogite que não foi confirmada a efetiva utilização das estimativas no auto de infração mencionado e que as antecipações não tenham sido usadas para reduzir as importâncias apuradas de ofício, seja na fase inquisitiva de fiscalização, seja pela Delegacia de Julgamento, é certo que, no caso em questão, ainda resta ao CARF a possibilidade de revisar os lançamentos quando for apreciar os respectivos processos. que além disso, não se pode desconsiderar que, se fosse reconhecido o direito creditório referente ao saldo negativo de IRPJ em detrimento da utilização do correspondente valor no auto de infração, e este restar confirmado na esfera administrativa, haveria não só claro desrespeito ao princípio da indisponibilidade dos bens públicos, como prejuízo ao próprio sujeito passivo, tendo em vista a multa de ofício a que a empresa se sujeitaria. que existe a impossibilidade de se aguardar pela decisão administrativa definitiva referente aos autos de infração, seja pela possibilidade de haver a homologação tácita das compensações declaradas, seja pela inexistência de sobrestamento no Processo Administrativo Fiscal. No presente caso, o processo deve ser impulsionado, comunicandose ao CARF o teor do presente despacho. que resta determinado o saldo positivo de IRPJ referente ao ano calendário de 2006 no valor de R$ 25.749.210,95, não sendo possível reconhecer o direito creditório informado na declaração de compensação e considerar não homologadas as compensações. Cientificada do Despacho Decisório em 26/01/2012, a Interessada interpôs manifestação de inconformidade de fls., na qual alega, em síntese, o seguinte: que é tempestiva a manifestação de inconformidade. que o saldo negativo de IR do períodobase de 2006 foi apurado da seguinte forma: Fl. 1507DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA Processo nº 16682.720779/201152 Resolução nº 1302000.302 S1C3T2 Fl. 1.508 5 IRRF utilizado na apuração anual e na dedução das estimativas apuradas R$ 33.113.841,71 (R$ 20.741.469,05 + R$ 12.370.372,66) IR estimado mensal quitado por compensação com outros créditos R$ 142.843,37 IR estimado mensal quitado por meio de DARFs R$ 19.506.679,36 Total R$ 52.728.638,35 que os "Resumos por Beneficiário" das DIRF´s anexadas comprovam a retenção de R$ 12.271.190,44. Não obstante, anexa documentação que confirma a existência de IRRF adicional de R$ 19.839.774,68, conforme tabela e docs. 02 a 15, em anexo, às fls. 524/674. que assim, o IRRF comprovado é de R$ 32.110.965,13. que no que se refere à parcela do IRRF ainda sem comprovação, no montante de R$ 1.002.876,58 (R$33.113.841,71 R$ 32.110.965,13), protesta pela posterior juntada de documentos que comprovem a sua efetividade. que sobre os documentos numerados de 02 a 15, juntados às fls. 524/674, tece as seguintes considerações: quanto ao "DOC. 03", alega que se refere a remuneração de serviço de propaganda e publicidade, sobre a qual efetua autoretenção do IRRF. quanto ao "DOC, 13", apresenta Comprovante Anual de Retenção que entende demonstrar que os rendimentos pagos a ela pela PETROBRAS totalizaram R$ 48.541.384,32 e não R$ 48.134.041,01, constante da DIRF, e que, por consequência, o IRRF foi de R$ 2.329.986,45 e não de R$ 2.310.433,97. Ou seja, o "DOC. 13" demonstra que, além do valor já aceito pelo Despacho Decisório, também deve ser deferido o montante adicional de IRRF de R$ 19.552,48 (R$ 2.329.986,45 R$ 2.310.433,97). quanto ao "DOC. 14", apresenta Comprovante Anual de Retenção pagos pelos CORREIOS que totalizaram R$ 12.704.078,28, e não R$ 12.664.354,24, constante na DIRF, e por consequência, o IRRF foi de R$ 609.795,76 e não R$ 607.889,00. Ou seja, o "DOC. 14" demonstra que, além do valor já aceito pelo Despacho Decisório, também deve ser aceito o montante adicional de IRRF de R$ 1.906,76 (R$ 609.795,76 R$ 607.889,00). quanto às estimativas compensadas: do total do valor pago a titulo de estimativas mensais de IR em 2006, a parcela de R$ 142.843,37 foi quitada com créditos de COFINS objeto das DCOMP´s n° 04451.01444.010906.1.3.045600 e 00973.23101.100806.1.3.041700. que é equivocado o entendimento da DEMAC de que as estimativas quitadas por compensação não poderiam ser aceitas e consideradas na determinação do saldo negativo de 2006, em razão de as referidas DCOMPs não terem sido homologadas, por Fl. 1508DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA Processo nº 16682.720779/201152 Resolução nº 1302000.302 S1C3T2 Fl. 1.509 6 pendentes de julgamento, através dos processos n° s 15374.954072/200944 e 15374.948459/200961. que uma vez que o § 6º do art. 74 da Lei n° 9.430/96 determina que a declaração de compensação constitui confissão de divida e instrumento hábil à cobrança dos débitos indevidamente compensados, caso as referidas compensações venham a ser definitivamente indeferidas, as estimativas de IR que foram compensadas lhe serão cobradas, razão por que entende que será duplamente prejudicada, caso não sejam consideradas no cálculo do saldo negativo apurado em 31.12.2006. que na medida em que ainda não houve decisão definitiva acerca das compensações efetuadas, temse que a parcela das estimativas de IR quitada por compensação considerase extinta, devendo ser considerado no cálculo do saldo negativo apurado em 31.12.2006, nos termos do § 2° do art. 74 da Lei n° 9.430/96. que caso se entenda que a mera existência de decisões, ainda não definitivas, indeferindo a compensação de parte das estimativas mensais de IR de 2006 já seria suficiente para impedir o aproveitamento de parte do crédito correspondente ao saldo negativo de IR apurado em 31.12.2006, o processo deve ser sobrestado até o julgamento final daquelas compensações de estimativas (processos administrativos 15374.954072/200944 e 15374.948459/200961). que quanto ao auto de infração lavrado referente ao anocalendário de 2006 tem as seguintes considerações a fazer: que é equivocado o entendimento da DEMAC de que o saldo negativo de IR informado em sua DIPJ do períodobase de 2006 não seria líquido e certo, em razão da lavratura, de auto de infração para exigência de IR do mesmo período, ainda pendente de julgamento definitivo, uma vez que o crédito tributário lançado pelo auto de infração foi apurado sem que se considerasse o IR antecipado durante o período (decomposto em estimativas e IRRF) e que serviu de base para a apuração do saldo negativo utilizado nas DCOMP´s em exame. que a simples comprovação de que o IR pago (estimativas) e retido no períodobase de 2006 não foi utilizado para reduzir o valor do IR exigido no auto de infração é suficiente para demonstrar que o crédito pleiteado não poderia deixar de ser deferido. que, por consequência, deveriam ser homologadas as DCOMP´s, já que a liquidez e certeza do crédito em exame, jamais poderia depender do resultado final daquele auto, e ainda que o mesmo venha a ser julgado procedente e sejam recolhidos os valores por ele exigidos, é certo que o IR antecipado (estimativas e IRRF) não deixaria de configurar um recolhimento a maior, já que não foi utilizado para reduzir o IR exigido no auto de infração. que se as compensações não forem homologadas, o IR antecipado (que resultou no saldo negativo apurado) não lhe será restituído (já que também não foi deduzido do auto de infração), em evidente enriquecimento sem causa da Fazenda Nacional. que o entendimento adotado pela DEMAC até faria sentido se o auto de infração tivesse sido lavrado antes da apresentação das DCOMP´s. Mais na medida que na data da lavratura do auto de infração, já haviam sido protocoladas as DCOMP´s, não poderia o IR Fl. 1509DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA Processo nº 16682.720779/201152 Resolução nº 1302000.302 S1C3T2 Fl. 1.510 7 exigido naquele auto de infração ser deduzido pelo IR antecipado (estimativas e IRRF), pois tal IR já havia sido convertido em saldo negativo e utilizado para quitar outros tributos federais. que enquanto não encerrada a discussão administrativa do auto de infração, não há débito definitivo capaz de impedir o aproveitamento do crédito relativo ao saldo negativo de IR, razão porque as DCOMPs apresentadas devem ser integralmente homologadas. que caso se entenda que o mero lançamento de IR relativo ao período base de 2006, ainda não definitivo, é suficiente para impedir o aproveitamento do saldo negativo apurado naquele ano, a análise das DCOMPs devem ser sobrestadas até o julgamento final do auto de infração. que apesar da legislação administrativa não prever expressamente a possibilidade de sobrestamento, é certo que também não o impede. O sobrestamento requerido é procedimento razoável já que, como visto, caso o auto de infração venha a ser julgado improcedente, o imediato indeferimento das DCOMPs importará em evidente enriquecimento sem causa para a Fazenda Nacional. além disso o sobrestamento deste processo não trará qualquer prejuízo à Fazenda Nacional, uma vez que, mesmo na hipótese de o auto de infração vir a ser julgado parcialmente procedente, para dele ser deduzido o valor do crédito fiscal ora pleiteado, os tributos que se pretendeu quitar por compensação ainda serão dela exigíveis, uma vez que já foram constituídos por meio dos pedidos de compensação, nos termos do § 6o do art. 74 da Lei n° 9.430/96; A 6ª Turma da DRJ/RJ1, através do acórdão nº 1249168, por unanimidade de votos, negaram provimento a manifestação de inconformidade, conforme ementa a seguir: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2006 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. VALORES NÃO CONFIRMADOS. O saldo negativo do IRPJ pode ser objeto de pedido de restituição ou utilizado como crédito em declaração de compensação somente se confirmado que os valores a título de antecipação do imposto excedem o valor devido ao final do período de apuração. As parcelas de estimativas pendentes de confirmação devem ser excluídas da apuração do IRPJ devido do período. Conforme atestado no despacho de fls. 1503, a Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde reitera os argumentos de impugnação. É o relatório. Fl. 1510DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA Processo nº 16682.720779/201152 Resolução nº 1302000.302 S1C3T2 Fl. 1.511 8 Voto Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72, razão porque dele conheço. Analisando os autos vejo que há uma prejudicial ao julgamento do presente processo, visto que a Recorrente alega ter antecipado R$ 31.985.169,30 a título de estimativas de IRPJ apuradas ao longo do ano de 2006. Porém, do total do valor pago a titulo de estimativas mensais de IR em 2006, a parcela de R$ 142.843,37 foi quitada com créditos de COFINS que não se confirmaram, uma vez que correspondem às declarações de compensação nº 04451.01444.010906.1.3.04.5600 e nº 00973.23101.100806.1.3.04.1700, que foram indeferidas e geraram em razão de manifestação de inconformidade, os processos administrativos nº s 15374.954072/200944 e 15374.948459/200961, ainda sem decisão definitiva. Assim entendo que deve se aguardar pela decisão administrativa definitiva dos mencionados processos administrativos, para se saber se este crédito de R$ 142.843,37 que impacta diretamente nas compensações aqui pleiteadas, se confirma. Diante do exposto, proponho a devolução do processo a unidade de origem, para que aguarde a decisão definitiva das questões prejudiciais, junte os correspondentes acórdãos e devolva os autos para continuar o feito. É como voto. (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator Fl. 1511DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA
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Numero do processo: 13819.910073/2011-08
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 15/04/2002
Ementa:COFINS/PIS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO - APLICAÇÃO DA DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL - POSSIBILIDADE.
Nos termos regimentais, reproduz-se as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e o Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda das mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo. 3º da Lei n.º 9.718/98 pelo Excelso STF.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3801-003.437
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Ines Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Flavio de Castro Pontes.
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl- Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Ines Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Flavio de Castro Pontes.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 15/04/2002 Ementa:COFINS/PIS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO APLICAÇÃO DA DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL POSSIBILIDADE. Nos termos regimentais, reproduzse as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e o Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda das mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo. 3º da Lei n.º 9.718/98 pelo Excelso STF. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 91 00 73 /2 01 1- 08 Fl. 116DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13819.910073/201108 Acórdão n.º 3801003.437 S3TE01 Fl. 112 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Ines Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Flavio de Castro Pontes. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13819.910073/201108 Acórdão n.º 3801003.437 S3TE01 Fl. 113 3 Relatório Trata o presente de Recurso Voluntário apresentado em face do indeferimento de pedido de restituição (PER). No aludido PER, transmitido eletronicamente, a contribuinte indicou a existência de um crédito que não foi reconhecido pela autoridade por entender que não restava crédito disponível para restituição considerando que todos os valores já estavam alocados para pagamento em DCTF. Cientificada a Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade alegando que a “autoridade competente deixou de observar que o crédito de restituição pleiteado referese a pagamento indevido da referida contribuição, efetuado nos termos do já declarado inconstitucional § 1º do art. 3º da Lei n.º 9.718/1998”. Cita e transcreve jurisprudência administrativa e judicial, requerendo, a final, o provimento integral do presente recurso. A DRJ julgou a Manifestação de Inconformidade apresentada com base na seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 14/11/2002 RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o pagamento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. BASE DE CÁLCULO. JULGAMENTO PELO STF. É perfeitamente aplicável a disposição § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, uma vez que o julgamento do STF pela inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo contida naquele dispositivo não tem efeito erga omnes, só atingindo as partes envolvidas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada a Recorrente apresenta o presente recurso apontando os mesmos argumentos ante apontados e juntando balancete e demonstrativos referente ao crédito. É o que importa relatar. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13819.910073/201108 Acórdão n.º 3801003.437 S3TE01 Fl. 114 4 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, Conforme apontado tratamse de pedidos de restituição de valores pagos a maior em decorrência da indevida ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS pelo § 1º do art. 3º da Lei n.º 9.718/1998, declarada inconstitucional pelo Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento dos Recursos Extraordinários n.ºs 357.950/RS, 358.273/RS, 390840/MG, Relator Ministro Marco Aurélio, conforme ementa abaixo colacionada: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Destacase, nesse aspecto, que a matéria foi reconhecida como de “Repercussão Geral” e julgada pelo Supremo Tribunal Federal, conforme decisão proferida no RE 585.235, abaixo colacionado: Decisão: O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. Vencido, parcialmente, o Senhor Ministro Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, Fl. 119DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13819.910073/201108 Acórdão n.º 3801003.437 S3TE01 Fl. 115 5 aprovou proposta do Relator para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, que reconhecia a necessidade de encaminhamento da proposta à Comissão de Jurisprudência. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a Senhora Ministra Ellen Gracie e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 10.09.2008. Assim, considerandose o disposto no art. 62A da Portaria MF n.º 256, de 22 de junho de 2009, alterada pela Portaria MF n.º 586, de 21 de dezembro de 20101 (Regimento Interno do CARF), devese afastar a tributação do PIS e da COFINS exigidas com base no disposto no art. 3º, § 1º, da Lei n.º 9.718, de 1998. Evidentemente, tais decisões vinculam a autoridade administrativa. Nada obstante, o órgão judicante a quo esqueceuse do dever da autoridade preparadora em zelar pela instrução na busca da verdade material, a teor do disposto na Lei 9.784, de 29 de janeiro de 1999, artigo 292, artigo 36, inteligência do artigo 37, artigo 38 e artigo 393. Negar o direito da contribuinte ao aproveitamento de seu crédito configuraria enriquecimento sem causa do Estado. Especificamente quanto à verdade material, transcrevo oportunas lições de Marcos Vinicius Neder e de Maria Tereza Martinez López: Em decorrência do princípio da legalidade, a autoridade administrativa tem o dever de buscar a verdade material. O 1 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (alterações introduzidas pela Port. MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010). 2 Art. 29. As atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão realizamse de ofício ou mediante impulsão do órgão responsável pelo processo, sem prejuízo do direito dos interessados de propor atuações probatórias. § 1º. O órgão competente para a instrução fará constar dos autos os dados necessários à decisão do processo. § 2º. Os atos de instrução que exijam a atuação dos interessados devem realizarse do modo menos oneroso para estes. 3 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. § 1º. Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. § 2º. Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. Art. 39. Quando for necessária a prestação de informações ou a apresentação de provas pelos interessados ou terceiros, serão expedidas intimações para esse fim, mencionandose data, prazo, forma e condições de atendimento. Parágrafo único. Não sendo atendida a intimação, poderá o órgão competente, se entender relevante a matéria, suprir de ofício a omissão, não se eximindo de proferir a decisão. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13819.910073/201108 Acórdão n.º 3801003.437 S3TE01 Fl. 116 6 processo fiscal tem por finalidade garantir a legalidade da apuração da ocorrência do fato gerador e a constituição do crédito tributário, devendo o julgador pesquisar, exaustivamente se, de fato, ocorreu a hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de impugnação do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade, independente do alegado e provado, Odete Medauar preceitua que "o princípio da verdade material ou verdade real, vinculado ao princípio da oficialidade, exprime que a Administração deve tomar decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, não se satisfazendo com a versão oferecida pelos sujeitos Para tanto, tem o direito de carrear para o expediente todos os dados, informações, documentos a respeito da matéria tratada, sem estar jungida aos aspectos considerados pelos sujeitos. Segundo Alberto Xavier, a lei concede ao órgão fiscal meios instrutórios amplos para que venha formar sua livre convicção sobre os verdadeiros fatos praticados pelo contribuinte. Nesta perspectiva, é lícito ao órgão fiscal agir sponte sua com vistas a corrigir os fatos inveridicamente postos ou suprir lacunas na matéria de fato, podendo ser obtidas novas provas por meio de diligências e perícias. 4 Em que pese o direito da interessada, do exame dos elementos comprobatórios, constatase que, no caso vertente, os documentos apresentados devem ser devidamente examinados para se apurar se os referidos créditos estão corretos. É importante consignar que compete a autoridade administrativa, com base na escrita fiscal e contábil, efetuar os cálculos e apurar o valor do direito creditório. Ante ao exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário interposto pela interessada para reconhecer o direito à restituição dos pagamentos a maior da contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998. É como voto. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator 4 NEDER, Marcos Vinicius; LOPEZ, Maria Tereza Martinez. Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado 2ª ed. São Paulo: Dialética, 2004, p. 74. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13819.910073/201108 Acórdão n.º 3801003.437 S3TE01 Fl. 117 7 Fl. 122DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 11516.004071/2007-72
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jun 16 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3202-000.206
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira - Presidente.
Luís Eduardo Garrossino Barbieri Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migiyama.
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente. Luís Eduardo Garrossino Barbieri – Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migiyama. Relatório O presente litígio decorre de pedido de ressarcimento eletrônico cumulado com declarações de compensação eletrônicas – PER/DCOMP, referente ao 4º trimestre de 2006, por meio do qual a interessada pretende compensar valores recolhidos da Cofins, no montante de valor de R$ 677.317,28. A autoridade competente da DRFFlorianópolis, em decisão exarada com base no Despacho Decisório s/n de 04/11/2008 (efls. 129/130) e Informação Fiscal (efls. 120/128), deferiu o ressarcimento de créditos no montante de R$ 381.532,78, homologando parcialmente as compensações até o limite do crédito reconhecido. A interessada apresentou Manifestação de Inconformidade (efls. 138/ss) em relação aos seguintes itens glosados, conforme trechos abaixo transcritos (vide efolha 139): RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 15 16 .0 04 07 1/ 20 07 -7 2 Fl. 442DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 10/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11516.004071/200772 Resolução nº 3202000.206 S3C2T2 Fl. 443 2 As autoridades administrativas competentes para a apreciação dos pedidos da Contribuinte glosaram parte dos seus créditos, porque: a) em relação às aquisições de farelo de soja, milho em grãos, frangos vivos para abate ou pintos de um dia, pretende apurar crédito presumido considerando o percentual de 35%. b) dedução de sua base de cálculo, os valores correspondentes: I) a ração e aos insumos proporção das aves que tocam aos parceiros integrados da Recorrente. II) a item genérico. Os autos foram encaminhados à DRJ – Florianópolis para julgamento, que relatou o processo nos seguintes termos, verbis: Relatório: A Delegacia da Receita Federal em Florianópolis/SC manifestouse pelo reconhecimento parcial do direito creditório postulado pela requerente. Não foram deferidos os créditos destacados como insumos na criação de aves pelo sistema de integração, no tocante à parcela de aves que cabe ao produtor integrado. A autoridade fiscal justifica sua glosa conforme exposto abaixo: “Na criação de aves pelo sistema de integração (parceria avícola), a pessoa jurídica que se dedica ao abate e beneficiamento de aves poderá, observados os demais requisitos legais, creditarse das Contribuições para o PIS/Pasep e COFINS relativamente à ração e outros insumos efetivamente utilizados na criação de animais por meio de sistema de integração, em que, mediante contrato de parceria avícola, o parceiro desta pessoa jurídica (produtor rural integrado) encarregase, dentre outras atribuições, da criação dos pintos que lhe foram entregues, a ele tocando parte da quantidade produzida. O valor do crédito a que faz jus esta pessoa jurídica será proporcional à parcela de produção que efetivamente lhe couber, por força do art. 3 0, II, da Lei n° 10.637, de 2002; art. 8°, I, "b", §4 0, I, e §9°, da IN SRF n°404, de 2004. Para a COFINS, aplicase o art. 3°, II, da Lei n°10.833, de 2003; art. 8°, I, "b", §4°, I, da IN SRF n° 404. O texto do inciso II do art. 3° da Lei n° 10.637/2002, e da Lei n° 10.833/2003, autoriza a apuração de cr5éditos em relação a bens e serviços utilizados na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Está claro nesse comando, diante de seu contexto, que a produção há de destinarse à venda, a ser por ela realizada. Ora, a parcela das aves que cabe ao produtor integrado não constitui produção da pessoa jurídica nem tampouco é destinada à venda pela pessoa jurídica (é irrelevante, nesse aspecto, a eventual prática de a processadora de frangos adquirir essa parcela do produtor rural). Assim, não se pode admitir que a pessoa jurídica calcule créditos sobre a totalidade da ração e outros insumos empregados na criação dos frangos. Como consequência lógica do explanado no parágrafo anterior, o valor dos créditos a que ela faz jus há de ser proporcional ao quinhão da produção que efetivamente toca”. Desta forma, utilizou as informações referentes às aquisições de parceiros para calcular as parcelas de insumos que não foram utilizados nas aves da contribuinte para glosar os créditos referentes a estas aquisições. Fl. 443DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 10/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11516.004071/200772 Resolução nº 3202000.206 S3C2T2 Fl. 444 3 Além desta glosa, foram alterados os valores do crédito presumido decorrente de atividades agroindustriais. As aquisições de farelo de soja, milho em grãos, frangos vivos para abate e pintos de um dia foram objeto de creditamento pela requerente ao percentual de 4,56%, todavia tais insumos ensejam na aplicação do percentual de 2,66%, razão pela qual foram glosados os valores que excedem ao permitido. Foram excluídos da base de cálculo dos créditos presumidos os valores referentes à aquisição de item genérico, por não se tratarem de aquisições de produtos agropecuários. A interessada apresenta manifestação de inconformidade frente a esta decisão, com os argumentos abaixo expostos. Disserta acerca das sistemáticas de apuração da Contribuição ao PIS e da Cotins, estendendose nas colocações a respeito da tributação nãocumulativa dessas contribuições. Em relação à glosa dos créditos decorrentes da aquisição de farelo de soja, a interessada entende que faz jus ao aproveitamento integral dos créditos referentes às aquisições de tal insumo e não apenas do crédito presumido. O farelo de soja adquirido pela Recorrente seria produto industrializado por cooperativas pessoas jurídicas e por estas submetido à tributação do PIS e da COFINS. Logo, o direito creditório da Recorrente encontraria fundamento de validade nos art. 3º da Lei n° 10.637/2002 e da Lei ti° 10.833/2003, que estabelecem propriamente a não cumulatividade do PIS e da COFINS. Dessa forma, a Recorrente ter a direito a crédito sobre a integralidade das aquisições de farelo de soja, eis que é insumo utilizado na produção de bens (frangos congelados) destinados à venda, merecendo reforma a decisão recorrida. Em relação às aquisições de farelo de soja, milho em grãos, frangos vivos para abate e pintos de um dia, a interessada salienta que o Fisco aplicou na apuração do crédito presumido o percentual de 35% da alíquota de 1,65% para o PIS (art. 2° da Lei n° 10.637/2002) e 7,60% para a COFINS (art. 2° da Lei n° 10.833/2003), quando deveria ter considerado o percentual de 60%, afrontando ao dispositivo supra transcrito. A requerente disserta acerca do crédito presumido regido pelo artigo 8° da Lei n° 10.225/2004, concluindo que o art. 8° da Lei n° 10.925/2004 define que a alíquota aplicável é determinada em função do produto comercializado pelo detentor do direito creditório e não pelo insumo por este adquirido ou pelos produtos meio necessários à obtenção do produto final. Assim, a Recorrente entende fazer jus ao Crédito Presumido no percentual de 60%, pois é pessoa jurídica produtora de mercadorias de origem animal, destinadas à alimentação humana, classificadas no capítulo 02 e 16 da TIPI. Em relação aos créditos glosados referentes a insumos na criação de aves pelo sistema de integração, no tocante à parcela de aves que cabe ao produtor integrado, defende que o entendimento fazendário estaria equivocado. Argumenta que o conceito de parceria rural está expresso no Estatuto da Terra (Lei n° 4.504/1964) e no seu Regulamento (Decreto n° 59.566/1966) e, até 2002, no anterior Código Civil (Lei n° 3.071/1916). Fl. 444DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 10/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11516.004071/200772 Resolução nº 3202000.206 S3C2T2 Fl. 445 4 Aduz que: “Sendo proprietária de aves a Requerente firmou contratos de parceria com outros produtores rurais pessoas físicas. Dentro do contrato de integração e de parceria (Doc. 05), compete: a) À parceiraproprietária (Reclamante Produtor II) entregar os pintos de um dia para que sejam recriados e engordados pelos parceiros criadores (outros produtores rurais pessoa física). b) À parceiraproprietária /Reclamante Produtor II) compete a obrigação de fornecer ração, medicamentos e outros insumos que se fizerem necessário. c) À parceiraproprietária (Reclamante Produtor II) compete os serviços de orientação e assistência técnica aos integrados e parceiros. d) Ao parceirocriador (proprietários rurais Produtor I) compete a obrigação de fornecer a mãodeobra e ceder para a parceria a posse conjunta das instalações criatórias. e) Ao parceirocriador (proprietários rurais Produtor I) entregar os frangos para abate com 35 a 55 dias de idade”. O contrato de integração e de parceria preveria ainda a possibilidade de partilha dos frutos. Disserta em relação aos contratos de parceria rural, conforme estabelecido no Estatuto da Terra, sendo que coleciona entendimento exarado pela RFB no Parecer Normativo CST n° 68/1976. Entende que: “Na parceria, a cessão de animais para o parceirocriador, para recria e terminação, não envolve a comercialização dos animais entregues, que continuam de propriedade do parceiroproprietário (Requerente). Dentro do contrato de integração e parceria, a posse dos animais, dentro dos aviários, é conjunta entre parceiroproprietário e parceirocriador. Na partilha dos frutos ou dos lucros, também não há comercialização. Na partilha dos frutos, todos os animais são remetidos aos frigoríficos da Requerente, onde são pesados em uma balança rodoviária de posse dela, para que se proceda ao rateio em quilos dos frangos vivos, consoante se verifica do contrato de parceria rural (Doc. 05)”. Desta forma, os insumos necessários para a criação de aves no sistema de parceria seriam suportados unicamente pela Recorrente, sem que os outros produtores rurais prestem qualquer contraprestação. Assim, poderiam ser objeto de crédito do PIS e da COFINS, eis que na acepção da Lei, devem ser considerados todos os dispêndios em bens e serviços relacionados ao processo fabril. Em relação à glosa dos créditos referente à aquisição de matrizes, a contribuinte salienta que as matrizes são utilizadas para reprodução por um curto período (menos de um ano), após são remetidas para o abate e comercializadas. A venda dessas matrizes, conforme consta de perguntas e respostas disponibilizada pela própria RFB, é classificada como receita operacional da atividade rural, muito embora tenha integrado o ativo imobilizado para fins contábeis. Fl. 445DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 10/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11516.004071/200772 Resolução nº 3202000.206 S3C2T2 Fl. 446 5 Dessa forma, entende que, para fins fiscais, as matrizes constantes do ativo imobilizado são insumos da atividade rural e, consequentemente, gerariam direito a crédito de PIS e de COFINS à Recorrente. No tocante a glosa de aquisições denominadas item genérico, a interessada afirma que se tratam de ovos férteis, pintinhos de um dia, entre outros. Anexa planilha com a discriminação das notas fiscais, bem como notas fiscais juntadas por amostragem para comprovar os créditos fiscais. Afirma que o Fisco simplesmente glosou os créditos fiscais aproveitados pela contribuinte na apuração do PIS e da COFINS devidos, sem qualquer verificação e sem declinar os motivos que determinaram o glosa dos créditos detidos pela Recorrente, requisito que seria essencial para a imposição tributária, principalmente porque a atividade administrativa é vinculada e obrigatória. Defende a nulidade do procedimento fiscal, pois a glosa de créditos legítimos sem a adequada motivação cercearia o direito de defesa do contribuinte, desrespeitando o disposto no art. 50 no seu inciso LV, bem como o artigo 150, inciso I, ambos da Constituição Federal, e artigos 142 e 148 do CTN. Informa ter cometido equívocos no preenchimento das DACON's transmitidas no ano calendário de 2006, o que importou em divergência dos saldos de créditos remanescentes passíveis de compensação. O Fiscal, ao ajustar a DACON da contribuinte, teria preenchido de acordo com as orientações da Fazenda, no entanto levou em conta o saldo da Declaração da contribuinte. Com isso o Fiscal teria glosado um valor maior do que o identificado no despacho decisório, o que não pode ser admitido. Objetivando corrigir o equivoco, a Recorrente no prazo da manifestação de inconformidade apresentou DACON retificadora. Requer, por fim, que seja julgada procedente a presente manifestação de inconformidade. É o relatório. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis proferiu o Acórdão nº 0720.801 em 20/08/2010 (efolhas 382/ss), o qual recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMOS. PARCERIA RURAL AVÍCOLA. A pessoa jurídica que se dedica ao abate e beneficiamento de aves poderá, observados os demais requisitos legais, creditarse da Cofins e da Contribuição ao PIS relativamente à ração e outros insumos efetivamente utilizados na criação de animais por meio de sistema de integração, em que, mediante contrato de parceria avícola, o parceiro desta pessoa jurídica (produtor rural integrado) encarregase, dentre outras atribuições, da criação dos pintos que lhe foram entregues. Os valores pagos pela pessoa jurídica ao produtor rural integrado em decorrência desta prestação de serviços correspondem à remuneração paga a pessoa física, não concedendo direito a créditos da nãocumulatividade em relação a estes valores. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITO PRESUMIDO. ATIVIDADES AGROINDUSTRIAIS. ALÍQUOTA APLICÁVEL EM RELAÇÃO AO INSUMO ADQUIRIDO. Fl. 446DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 10/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11516.004071/200772 Resolução nº 3202000.206 S3C2T2 Fl. 447 6 As pessoas jurídicas sujeitas à sistemática de nãocumulatividade da Cofins e da Contribuição ao PIS que produzirem mercadorias relacionadas no caput do art. 8° da Lei n° 10.925, de 2004, desde que atendidos todos os requisitos exigidos pela legislação tributária, poderão usufruir crédito presumido, na forma disposta nesse artigo e respectivos parágrafos, calculado sobre o valor dos bens adquiridos de pessoa física ou de outros fornecedores descritos no § 1° do mencionado artigo, sendo a alíquota definida pela natureza do insumo adquirido. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTENCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Assim, a decisão de primeira instância acolheu parcialmente a pretensão da interessada, nos seguintes termos: (...) 2. Dos insumos utilizados na parceria rural avícola (...) Assim sendo, constatase que, ao contrário do aludido pela autoridade fiscal, a produção pertence totalmente a requerente; consequentemente, todos os insumos utilizados na produção destes frangos de corte são passíveis de creditamento. Por outro lado, os valores pagos pela requerente aos seus parceiros rurais correspondem à remuneração paga a pessoa física, não concedendo direito a créditos da não cumulatividade. Desta forma, mostrase incorreta a glosa procedida pela DRF/Florianópolis. (...) 3. Do crédito presumido estabelecido pelo artigo 8° da Lei n° 10.925/2004 (...) Em relação às aquisições de farelo de soja junto a cooperativas de produção agropecuária, constatase que as alegações da requerente não procedem. Como já explicitado, os fornecedores de insumos que concedem direito a crédito presumido não são apenas as pessoas físicas; também encontramse incluídas pessoas jurídicas que, em decorrência do artigo 9°desta mesma lei n° 10.925/2004, tiveram direito à suspensão do pagamento Contribuição para o PIS/PASEP e da Cofins quando da venda de produtos agropecuários pelas pessoas jurídicas citadas no § 1° do art. 8°: (...) As aquisições da requerente, conforme os documentos juntados aos autos, foram efetuadas junto a cooperativas de produção agrícola, estando estas submetidas ao regime suspensivo da Contribuição ao PIS e da Cofins. (...) Fl. 447DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 10/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11516.004071/200772 Resolução nº 3202000.206 S3C2T2 Fl. 448 7 Concluise, desta forma, que a contribuinte não tem direito ao creditamento destas aquisições como insumos, pois tais produtos não são alcançados pelas contribuições em tela; possui, todavia, direito ao crédito presumido estabelecido pelo art. 8° da Lei n° 10.925, de 2004. Em relação ao percentual a ser aplicado para a apuração de créditos presumidos, conforme já explicitado, mostrase desarrazoada a alegação da recorrente, de que a alíquota aplicável seria determinada em função do produto comercializado pelo detentor do direito creditório e não pelo insumo por este adquirido ou pelos produtos meio necessários à obtenção do produto final. Os itens que tiveram sua alíquota alterada pela autoridade fiscal, quais sejam farelo de soja (1201.00), milho em grãos (1005.90.10), pintos de um dia (0105) e frango vivo para abate para abate (0105.99.00), constam dos capítulo 1, 10 e 12 da NMC, não se enquadrando, portanto, nos critérios definidos pelo legislador para aplicação do percentual de 60%. Enquadramse, todavia, no inciso II do parágrafo terceiro do artigo em comento, razão pela qual considerase correto o entendimento da DRF/Florianópolis. No tocante a glosa do crédito presumido em relação à aquisição de agulha dupla de 4mm, é necessário que se esclareça que apenas bens e serviços decorrentes da atividade agrícola ou pecuária utilizados como insumos do processo produtivo concedem direito ao crédito presumido estabelecido pelo art. 8° da Lei n° 10.925, de 2004. Desta forma, concluise que a contribuinte não tem direito ao crédito presumido em relação a esta aquisição, sendo mantida a glosa. (...) No tocante a glosa de aquisições denominadas item genérico, a interessada afirma que se tratam de ovos férteis, pintinhos de um dia, entre outros. Anexa planilha com a discriminação das notas fiscais, bem como notas fiscais juntadas por amostragem para comprovar os créditos fiscais. Afirma que o Fisco simplesmente glosou os créditos fiscais aproveitados pela contribuinte na apuração do PIS e da COFINS devidos, sem qualquer verificação e sem declinar os motivos que determinaram o glosa dos créditos detidos Pela Recorrente, requisito que seria essencial para a imposição tributária, principalmente porque a atividade administrativa é vinculada e obrigatória. (...) Bem, novamente retomando o entendimento posto no item 1.1 deste voto, ressaltase que nesta fase processual a autoridade julgadora obedece a limites, decorrentes do litígio posto e da função desempenhada. Os documentos anexados pala contribuinte, por si sós, não são capazes de confirmar a existência do crédito. Ao anexar planilha e algumas poucas notas fiscais o contribuinte apresenta apenas indícios de que poderia existir um direito de crédito, mas este direito, de forma alguma, encontrase comprovado por completo. A contribuinte, nesta fase, deveria ter trazido documento capazes de comprovar inteiramente seu crédito, e não apenas algumas notas fiscais conforme sua vontade. (...) Desta forma, mantêmse a glosa promovida pela DRF/Florianópolis. Fl. 448DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 10/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11516.004071/200772 Resolução nº 3202000.206 S3C2T2 Fl. 449 8 A interessada cientificada do Acórdão em 30/09/2010 (efolha 413), interpôs recurso voluntário em 27/10/2010 (efolhas 4143/ss), em relação às seguintes glosas dos seus créditos: a) em relação às aquisições de farelo de soja, milho em grãos, frangos vivos para abate ou pintos de um dia, pretende apurar o crédito presumido considerando o percentual de 35%. b) dedução de sua base de cálculo, dos valores correspondentes: I) a ração e aos insumos proporção das aves que tocam aos parceiros integrados da Recorrente. II) à aquisição de matrizes. III) à aquisição de agulha dupla de 4mm, produtos alimentícios, rotor p/ injetora. O processo digitalizado foi sorteado e, posteriormente, distribuído a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório. VOTO Conselheiro Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Relator. Compulsandose os autos ainda não consegui determinar com exatidão quais são as matérias objeto de glosa e, por conseguinte, em litígio. A meu ver, a Informação Fiscal exarada pela autoridade competente da DRF Florianópolis (efls. 120/128) e, por conseguinte, também o Despacho Decisório s/n de 04/11/2008 (efls. 129/130), não esclareceram com precisão quais glosas foram feitas em relação ao pedido de ressarcimento eletrônico cumulado com declarações de compensação eletrônicas – PER/DCOMP, referente ao 4º trimestre de 2006, por meio do qual a interessada pretendia compensar valores recolhidos da Cofins, no montante de valor de R$ 677.317,28. Prova disso é que após o julgamento de primeira instância, ao que tudo indica nova matéria foi abordada pela decisão recorrida, a qual não constava, aparentemente, da Informação Fiscal e Despacho Decisório. Refirome à seguinte matéria: à aquisição de agulha dupla de 4mm, produtos alimentícios, rotor p/ injetora (efolha 406). Como a matéria foi tratada na decisão recorrida, a Recorrente também abordou essa matéria em seu recurso voluntário. Fato é que este Relator não conseguiu decifrar, mesmo após sustentação oral feita pelo patrono da Recorrente em sessão de julgamento junto a esta 2ª Turma Ordinária/2ª Câmara da Terceira Seção do CARF, quais as rubricas que foram efetivamente glosadas pela autoridade fiscal da DRF – Florianópolis. Desse modo, entendo que deve ser propiciada ampla oportunidade para as partes esclarecerem os fatos, em atendimento aos princípios da ampla defesa e do contraditório. Fl. 449DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 10/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11516.004071/200772 Resolução nº 3202000.206 S3C2T2 Fl. 450 9 Em face do acima exposto, nos termos dos artigos 18 e 29 do Decreto n° 70.235/72, no intuito de se identificar as matérias em litígio, proponho que os autos retornem à DRF – Florianópolis SC para que elabore Relatório Fiscal esclarecendo, de forma clara e objetiva, quais foram as matérias objeto de glosa no Despacho Decisório s/n de 04/11/2008 (efls. 129/130) e Informação Fiscal (efls. 120/128). Encerrada a instrução processual a Recorrente deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, antes da devolução do processo para julgamento. É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 450DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 10/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 10850.908563/2011-51
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 21 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3801-000.655
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e José Luiz Feistauer de Oliveira.
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e José Luiz Feistauer de Oliveira.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani – Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e José Luiz Feistauer de Oliveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 50 .9 08 56 3/ 20 11 -5 1 Fl. 143DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 19/07/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 10850.908563/201151 Resolução nº 3801000.655 S3TE01 Fl. 141 2 Relatório Trata o presente de Pedido de Restituição apresentado pelo contribuinte, com a finalidade de ter restituído valores supostamente recolhidos indevidamente, no valor total de R$ 2.454,67. Devidamente processado o pedido de restituição do contribuinte foi proferido despacho decisório que indeferiu o pedido formulado sob a justificativa de que existe um débito confessado pelo contribuinte por meio de DCTF, no valor igual do recolhimento objeto do pedido de restituição, inexistindo, portanto, crédito a ser restituído. Intimado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade aonde requereu a reunião do presente processo a outros por ele relacionados, justificando que tratam da mesma matéria e possuem os mesmos fundamentos e em sede de preliminar alegou, em síntese, que não foi intimado para prestar quaisquer esclarecimentos quanto o direito ao seu crédito, bem como que a fiscalização não teria tomando conhecimento das razões que justificassem o pedido de restituição. No mérito aduziu que o crédito a que pretende a restituição fora indevidamente recolhido conforme ficou evidenciado na declaração de inconstitucionalidade do artigo 3º, parágrafo 1º da Lei n.º 9.718/1998 pelo STF. Em sede se julgamento da Manifestação de Inconformidade, a DRJ houve por bem julgála improcedente nos termos da seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/01/2001 AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. A inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal em recurso extraordinário, não gera efeitos erga omnes, sendo incabível sua aplicação a contribuintes que não façam parte da respectiva ação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/01/2001 PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO. A prova documental do direito creditório deve ser apresentada na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de o contribuinte fazêlo em outro momento processual sem que se verifiquem as exceções previstas em lei. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Fl. 144DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 19/07/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 10850.908563/201151 Resolução nº 3801000.655 S3TE01 Fl. 142 3 Intimado do acórdão proferido pela DRJ, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, juntando nova documentação e alegando, além dos argumentos de sua Impugnação, que a DCTF não é o único meio de prova da existência do crédito passível de restituição, bem como que os artigos 165 do CTN e artigo 74 da Lei 9.430/96 não condicionam o reconhecimento do crédito a quaisquer retificações de declarações. Ademais, alega que os documentos apresentados em sua Impugnação (planilha de cálculo e livro diário e os respectivos termos de abertura e encerramento) são suficientes para comprovar o seu crédito e que a DRF teria inovado no processo trazendo tais argumentos novos à lide, o que permitiria, inclusive, a apresentação de provas adicionais ao presente processo ao contrário do que esposado no acórdão recorrido, sob pena de afronta ao princípio da verdade material. É o que importa relatar, Fl. 145DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 19/07/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 10850.908563/201151 Resolução nº 3801000.655 S3TE01 Fl. 143 4 Voto O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Examino preliminarmente o pedido de reunião dos processos, e tenho que assiste razão ao acórdão recorrido que entendeu pela impossibilidade de reunião dos processos. Tomo a decisão com base no artigo 1º da Portaria n.º 666/2008 da RFB, cuja redação abaixo se transcreve: “Art. 1 º Serão objeto de um único processo administrativo: I as exigências de crédito tributário do mesmo sujeito passivo, formalizadas com base nos mesmos elementos de prova, referentes: (...) II a suspensão de imunidade ou de isenção ou a nãohomologação de compensação e o lançamento de ofício de crédito tributário delas decorrentes; III as exigências de crédito tributário relativo a infrações apuradas no Simples que tiverem dado origem à exclusão do sujeito passivo dessa forma de pagamento simplificada, a exclusão do Simples e o lançamento de ofício de crédito tributário dela decorrente; IV os Pedidos de Restituição ou de Ressarcimento e as Declarações de Compensação (Dcomp) que tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas; V as multas isoladas aplicadas em decorrência de compensação considerada não declarada.” Para a reunião dos processos, de acordo com o dispositivo normativo, o pedido de restituição ou de ressarcimento deve ter por base o mesmo crédito, o que não ocorre nos casos dos processos administrativos relacionados pela Recorrente, pois se tratam de crédito cujos período de apuração são distintos, muito embora a argumento para afastar o não reconhecimento do crédito seja o mesmo, ou seja, a inconstitucionalidade do artigo 3º, parágrafo 1º da Lei n.º 9.718/1998. Portanto, rejeito o pedido de reunião dos processos formulado pela Recorrente. Quanto ao mérito, entretanto, apesar da tese esposada no acórdão da DRJ tenho que o presente processo deve seguir caminho diverso. O Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento dos Recursos Extraordinários n.ºs 357.950/RS, 358.273/RS, 390840/MG, Relator Ministro Marco Aurélio, pacificou o entendimento da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das contribuições destinadas ao PIS e à COFINS, promovida pelo § 1º, do artigo 3º, da Lei n.º 9.718/98, conforme ementa abaixo colacionada: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O Fl. 146DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 19/07/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 10850.908563/201151 Resolução nº 3801000.655 S3TE01 Fl. 144 5 sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Destacase, nesse aspecto, que a matéria foi reconhecida como de “Repercussão Geral” e julgada pelo Supremo Tribunal Federal, conforme decisão proferida no RE 585.235, abaixo colacionado: Decisão: O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. Vencido, parcialmente, o Senhor Ministro Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, aprovou proposta do Relator para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, que reconhecia a necessidade de encaminhamento da proposta à Comissão de Jurisprudência. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a Senhora Ministra Ellen Gracie e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 10.09.2008. Assim, considerandose o disposto no art. 62A da Portaria MF n.º 256, de 22 de junho de 2009, alterada pela Portaria MF n.º 586, de 21 de dezembro de 20101 (Regimento Interno do CARF), devese afastar a tributação do PIS e da COFINS exigidas com base no disposto no art. 3º, § 1º, da Lei n.º 9.718, de 1998. Nada obstante, o órgão judicante a quo esqueceuse do dever da autoridade preparadora em zelar pela instrução na busca da verdade material, a teor do disposto na Lei 1 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (alterações introduzidas pela Port. MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010). Fl. 147DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 19/07/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 10850.908563/201151 Resolução nº 3801000.655 S3TE01 Fl. 145 6 9.784, de 29 de janeiro de 1999, artigo 292, artigo 36, inteligência do artigo 37, artigo 38 e artigo 393. Não considerar tais documentos e negar o direito da contribuinte ao aproveitamento de seu crédito configuraria enriquecimento sem causa do Estado. Especificamente quanto à verdade material, transcrevo oportunas lições de Marcos Vinicius Neder e de Maria Tereza Martinez López: Em decorrência do princípio da legalidade, a autoridade administrativa tem o dever de buscar a verdade material. O processo fiscal tem por finalidade garantir a legalidade da apuração da ocorrência do fato gerador e a constituição do crédito tributário, devendo o julgador pesquisar, exaustivamente se, de fato, ocorreu a hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de impugnação do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade, independente do alegado e provado, Odete Medauar preceitua que "o princípio da verdade material ou verdade real, vinculado ao princípio da oficialidade, exprime que a Administração deve tomar decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, não se satisfazendo com a versão oferecida pelos sujeitos Para tanto, tem o direito de carrear para o expediente todos os dados, informações, documentos a respeito da matéria tratada, sem estar jungida aos aspectos considerados pelos sujeitos. Segundo Alberto Xavier, a lei concede ao órgão fiscal meios instrutórios amplos para que venha formar sua livre convicção sobre os verdadeiros fatos praticados pelo contribuinte. Nesta perspectiva, é lícito ao órgão fiscal agir sponte sua com vistas a corrigir os fatos inveridicamente postos ou suprir lacunas na matéria de fato, podendo ser obtidas novas provas por meio de diligências e perícias. 4 Em que pese o direito da interessada, do exame dos elementos comprobatórios, 2 Art. 29. As atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão realizamse de ofício ou mediante impulsão do órgão responsável pelo processo, sem prejuízo do direito dos interessados de propor atuações probatórias. § 1º. O órgão competente para a instrução fará constar dos autos os dados necessários à decisão do processo. § 2º. Os atos de instrução que exijam a atuação dos interessados devem realizarse do modo menos oneroso para estes. 3 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. § 1º. Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. § 2º. Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. Art. 39. Quando for necessária a prestação de informações ou a apresentação de provas pelos interessados ou terceiros, serão expedidas intimações para esse fim, mencionandose data, prazo, forma e condições de atendimento. Parágrafo único. Não sendo atendida a intimação, poderá o órgão competente, se entender relevante a matéria, suprir de ofício a omissão, não se eximindo de proferir a decisão. 4 NEDER, Marcos Vinicius; LOPEZ, Maria Tereza Martinez. Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado 2ª ed. São Paulo: Dialética, 2004, p. 74. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 19/07/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 10850.908563/201151 Resolução nº 3801000.655 S3TE01 Fl. 146 7 constatase que, no caso vertente, os documentos apresentados devem ser devidamente examinados para se apurar se os referidos créditos estão corretos. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que a Delegacia de origem: a) Examine os documentos existentes e a escrita fiscal da interessada em relação às compensações requeridas apurando se estão corretos os valores inicialmente pleiteados correspondentes á indevida ampliação da base de cálculo do artigo 3º, da Lei n.º 9.718/98; b) Cientificar a interessada do resultado da diligência, abrindo prazo para manifestação, se assim desejar; c) Retornar o processo a este CARF para julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl, Relator Fl. 149DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 19/07/2014 por PAULO SERGIO CELANI
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Numero do processo: 10611.002084/2008-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3401-000.815
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, em converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
Júlio César Alves Ramos Presidente
Robson José Bayerl Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori e Cláudio Monroe Massetti.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, em converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. Júlio César Alves Ramos – Presidente Robson José Bayerl – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori e Cláudio Monroe Massetti. Relatório Cuidase de auto de infração para exigência de PIS/Pasep e Cofins incidentes na importação, decorrentes de utilização de Regime de Admissão Temporária com respaldo em medida judicial posteriormente cassada, consubstanciada na DI 04/10791479. Em impugnação o contribuinte sustentou a improcedência da autuação pela redução a zero das alíquotas das contribuições lançadas, por força da novel redação do art. 8º, § 14 da Lei nº 10.865/04, ou, alternativamente, que fosse ajustada a base de cálculo do RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 11 .0 02 08 4/ 20 08 -4 7Fl. 269DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 06/08/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10611.002084/200847 Resolução nº 3401000.815 S3C4T1 Fl. 3 2 lançamento pela exclusão do ICMS, conforme decidido pelo STF no bojo do MS 0024.04.4404572. A DRJ Recife/PE julgou a impugnação parcialmente procedente em decisão assim ementada: “IMPORTAÇÃO. ARRENDAMENTO MERCANTIL DE AERONAVE. CONCOMITÂNCIA DE OBJETO COM AÇÃO JUDICIAL EM ANDAMENTO. O Mandado de Segurança nº 2004.38.00.0441767 ainda tramita na via judicial, pendente de trânsito em julgado. A tese que a ora impugnante submeteu à autoridade judicial é a de que a importação da aeronave, em admissão temporária, mediante arrendamento mercantil, nos termos descritos nos presentes autos, deveria ser enquadrada na hipótese prevista no inciso II do art.3º da Lei nº 10.865/04 e não, como entende a autoridade aduaneira, na hipótese delineada no inciso I do mesmo art.3º daquele diploma legal. Não cabe nesta instância administrativa examinar a questão que foi submetida ao Poder Judiciário. MANDADO DE SEGURANÇA TRANSITADO EM JULGADO. NÃO INCIDÊNCIA DO ICMS NA OPERAÇÃO. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS/PASEPIMPORTAÇÃO E DA COFINSIMPORTAÇÃO. A ora Impugnante impetrou um segundo Mandado de Segurança, n° 0024.04.4404572, em setembro de 2004, objetivando o não recolhimento do ICMS sobre a importação da aeronave objeto do mesmo contrato de arrendamento mercantil que integra os presentes autos, pretendendo que a operação de leasing não estivesse no campo de incidência do ICMS, nos termos da legislação aplicável. Houve trânsito em julgado da decisão judicial, em 17.06.2008, reconhecendo o que foi pleiteado. Em face disso, para o caso concreto, por força da segurança concedida à ora impugnante, com trânsito em julgado, há de ser excluído o ICMS da base de cálculo do PIS/PASEPImportação e da COFINSImportação.” Em recurso voluntário o contribuinte repisou o argumento de redução das alíquotas das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O recurso interposto é tempestivo, contudo, esquadrinhando o documento que respaldaria a legitimidade da representante da pessoa jurídica que assina a peça verifiquei que o mandato outorgado não lhe confere poderes de representação perante o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF. Fl. 270DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 06/08/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10611.002084/200847 Resolução nº 3401000.815 S3C4T1 Fl. 4 3 Destarte, a procuração acostada aos autos atribui à Drª Juliana Federici Guedes Nicácio, signatária da peça impugnatória, poderes de representação perante apenas à Secretaria da Receita Federal do Brasil, Procuradoria Geral da União – PGFN (sic), Secretaria Estadual da Fazenda e Prefeitura Municipal, sem maiores especificações, sendo os poderes outorgados, pelos termos do instrumento, circunscritos a tais órgãos públicos. Considerando que, a teor do art. 2º, III, “g” do Decreto nº 7.482/2011, o CARF é órgão colegiado do Ministério da Fazenda sem vínculo administrativo ou hierárquico com a RFB ou a PGFN e, ainda, que lhe compete julgar recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos especiais, sobre a aplicação da legislação referente a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, consoante art. 38 do mesmo diploma regulamentar, a atuação perante este sodalício exige mandato específico. Entretanto, mesmo que o recurso padeça de vício de representação interferindo em sua legitimidade, tenho como prematuro o seu não conhecimento, sem oportunizar ao interessado o saneamento do defeito apontado, o que, a meu ver, afrontaria os princípios da oficialidade e do informalismo moderado, regentes do processo administrativo fiscal. Pelo exposto, proponho a conversão do julgamento em diligência para que a signatária do recurso, Drª Juliana Federici Guedes Nicácio, no prazo de 15 (quinze) dias, providencie a juntada de procuração válida por ocasião do protocolo do recurso voluntário que lhe confira poderes de representação da pessoa jurídica recorrente perante o CARF. Por pertinente, acentuo que esta diligência não renova o prazo para complemento das razões recursais e muito menos a interposição de novo recurso, mas tão somente a regularização da defesa já apresentada. Vencido o prazo assinado, com ou sem o saneamento do vício, devolvamse os autos para prosseguimento do julgamento. É como voto. Robson José Bayerl Fl. 271DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 06/08/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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Numero do processo: 14367.000029/2010-27
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. PARTE PATRONAL. NÃO RECOLHIMENTO EM ÉPOCA PRÓPRIA. LANÇAMENTO POR AFERIÇÃO INDIRETA. PREVISÃO LEGAL. PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO PROCESSUAL. § 4º DO ART. 16 DO DECRETO Nº 70.235/72. PRECLUSÃO CONSUMATIVA.
O lançamento em discussão diz respeito ao descumprimento de obrigação tributária - não recolhimento, em época própria, das contribuições (parte patronal) para a Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, referentes ao período de 01 a 12/2005.
Como bem pontuado no acórdão recorrido, parte do lançamento se deu de forma direta e parte por aferição indireta, tendo em vista que o contribuinte deixou de apresentar uma série de documentos requeridos pela fiscalização.
Há que se registrar, ademais, que a parte aferida indiretamente se deu em conformidade com o § 3º do art. 33 da Lei nº 8.212/91, art. 233 do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, e inciso II do art. 447 da IN RFB nº 971/09. Portanto, neste quesito, correta a fiscalização e sem reparos o lançamento.
O contribuinte insiste na produção de provas, sem ao menos considerar que essa fase já foi superada, porquanto inobservada a regra descrita no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, que estabelece que a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de impugnante fazê-lo em outro momento processual. Nota-se, pois, que o Recurso Voluntário enquadra-se no referido outro momento processual. As provas documentais deveriam ter sido apresentadas por ocasião do protocolo da impugnação na primeira instância administrativa. Como tal providência não foi tomada pelo contribuinte na fase correta, evidenciada está a denominada preclusão consumativa.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2803-003.405
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. PARTE PATRONAL. NÃO RECOLHIMENTO EM ÉPOCA PRÓPRIA. LANÇAMENTO POR AFERIÇÃO INDIRETA. PREVISÃO LEGAL. PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO PROCESSUAL. § 4º DO ART. 16 DO DECRETO Nº 70.235/72. PRECLUSÃO CONSUMATIVA. O lançamento em discussão diz respeito ao descumprimento de obrigação tributária - não recolhimento, em época própria, das contribuições (parte patronal) para a Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, referentes ao período de 01 a 12/2005. Como bem pontuado no acórdão recorrido, parte do lançamento se deu de forma direta e parte por aferição indireta, tendo em vista que o contribuinte deixou de apresentar uma série de documentos requeridos pela fiscalização. Há que se registrar, ademais, que a parte aferida indiretamente se deu em conformidade com o § 3º do art. 33 da Lei nº 8.212/91, art. 233 do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, e inciso II do art. 447 da IN RFB nº 971/09. Portanto, neste quesito, correta a fiscalização e sem reparos o lançamento. O contribuinte insiste na produção de provas, sem ao menos considerar que essa fase já foi superada, porquanto inobservada a regra descrita no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, que estabelece que a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de impugnante fazê-lo em outro momento processual. Nota-se, pois, que o Recurso Voluntário enquadra-se no referido outro momento processual. As provas documentais deveriam ter sido apresentadas por ocasião do protocolo da impugnação na primeira instância administrativa. Como tal providência não foi tomada pelo contribuinte na fase correta, evidenciada está a denominada preclusão consumativa. Recurso Voluntário Negado
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CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. PARTE PATRONAL. NÃO RECOLHIMENTO EM ÉPOCA PRÓPRIA. LANÇAMENTO POR AFERIÇÃO INDIRETA. PREVISÃO LEGAL. PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO PROCESSUAL. § 4º DO ART. 16 DO DECRETO Nº 70.235/72. PRECLUSÃO CONSUMATIVA. 1. O lançamento em discussão diz respeito ao descumprimento de obrigação tributária não recolhimento, em época própria, das contribuições (parte patronal) para a Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, referentes ao período de 01 a 12/2005. 2. Como bem pontuado no acórdão recorrido, parte do lançamento se deu de forma direta e parte por aferição indireta, tendo em vista que o contribuinte deixou de apresentar uma série de documentos requeridos pela fiscalização. 3. Há que se registrar, ademais, que a parte aferida indiretamente se deu em conformidade com o § 3º do art. 33 da Lei nº 8.212/91, art. 233 do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, e inciso II do art. 447 da IN RFB nº 971/09. Portanto, neste quesito, correta a fiscalização e sem reparos o lançamento. 4. O contribuinte insiste na produção de provas, sem ao menos considerar que essa fase já foi superada, porquanto inobservada a regra descrita no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, que estabelece que a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de impugnante fazêlo em outro momento processual. Notase, pois, que o Recurso Voluntário enquadrase no referido “outro momento processual”. As provas documentais deveriam ter sido apresentadas por ocasião do protocolo da impugnação na primeira instância administrativa. Como tal providência não foi tomada pelo contribuinte na fase correta, evidenciada está a denominada preclusão consumativa. Recurso Voluntário Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 36 7. 00 00 29 /2 01 0- 27 Fl. 347DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/07/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 14367.000029/201027 Acórdão n.º 2803003.405 S2TE03 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 348DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/07/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 14367.000029/201027 Acórdão n.º 2803003.405 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) lavrado em desfavor do contribuinte acima identificado, em razão do descumprimento de obrigação tributária – não recolhimento, em época própria, das contribuições (parte patronal) para a Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, referentes ao período de 01 a 12/2005. O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 22 de fevereiro de 2013 e ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 PROVA. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, a menos que: fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; refira se a fato ou a direito superveniente; ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriores trazidas aos autos. LIVROS CONTÁBEIS. RECOMPOSIÇÃO. Na ocorrência de extravio, deterioração ou destruição dos livros contábeis, é dever da empresa providenciar a recomposição de sua contabilidade mediante a escrituração de novos livros. DECISÕES JUDICIAIS As decisões judiciais produzem efeitos apenas em relação às partes que integraram o processo judicial e com estrita observância do conteúdo dos julgados. PERÍCIA E DILIGÊNCIA. O pedido de realização de perícia ou diligência será rejeitado pela autoridade julgadora de primeira instância quando esta as considerar prescindíveis. ATIVIDADE DE LANÇAMENTO. A atividade de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. CONSTITUCIONALIDADE. O julgador da esfera administrativa não é competente para julgar constitucionalidade de lei, cabendolhe apenas zelar pela observância de suas disposições e determinar o seu fiel cumprimento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário mantido Fl. 349DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/07/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 14367.000029/201027 Acórdão n.º 2803003.405 S2TE03 Fl. 5 4 Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: As partes litigantes têm o direito de produzir provas das suas alegações. Tratase de prerrogativa de ordem constitucional, posto que envolvida a produção probatória com a ampla defesa assegurada na Carta. Outros princípios indispensáveis ao processo judicial e administrativo se constituem no contraditório e na bilateralidade. In casu, a Impugnante foi flagrantemente ofendida no seu direito de defesa, haja vista não ter tido a oportunidade de produzir as provas cabais que dirimirão, perempetoriamente, todas e quaisquer dúvidas existentes com relação à matéria. No afã de arrecadar impostos, o r. AFRF limitaramse a proceder à lavratura da notificação fiscal de maneira implacável, completamente ao arrepio dos princípios insertos na Carta Fundamental e dos princípios que regem o procedimento administrativo fiscal, cerceando, induvisosamente, o direito de defesa do Impugnante. As provas que o Impugnante pretende produzir, neste momento, são absolutamente necessárias à demonstração do alegado. Desse modo, o indeferimento das provas que se pretende carrear aos autos causará dano irreparável ao princípio da segurança jurídica, pois estas são imprescindíveis na busca da verdade real, escopo primordial do processo. Diante de tal argumentação, temse que a celeridade necessária do procedimento não pode desatender ao primado constitucional da ampla defesa, que, certamente, envolve a demonstração e realização probatória. Se este E. Conselho entender devidas as exações mencionadas, o que se admite pelo dever de argumentação, merece atenção a desproporção existente entre os valores que vêm sendo cobrados pelo Fisco e a infração supostamente cometida pelo Impetrante, valores que se demonstram exorbitantes e excessivos se considerados os fatos concretos. O ônus da prova, no dizer de ECHANDIA é o poder ou faculdade de executar livremente certos atos ou adotar certa conduta prevista na norma, para benefício e interesse próprios, sem sujeição nem coerção e sem que exista outro sujeito que tenha o direito de exigir seu cumprimento, mas cuja inobservância acarreta consequências desfavoráveis. Ora, com a devida Vênia, é fato que, em regra, o ônus da prova incumbe a quem alega (art. 333, inciso I, do CPC), haja vista a Constituição, assim com a Declaração Universal dos Direitos do Homem garantirem a presunção da inocência, tal regra é válida também em relação às questões de natureza tributária. É cediço que a hipótese em que existe a inversão do ônus da prova no direito tributário se opera quando, por transferência, compete ao sujeito passivo o ônus de provar que não houve o fato infringente, onde urge ressaltar que sempre essa inversão se origina da existência em lei de uma presunção relativa (Juris Tantum), pois, com exceção da existência de uma presunção tipificada em lei, o ônus da prova caberá sempre a quem acusa. Fl. 350DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/07/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 14367.000029/201027 Acórdão n.º 2803003.405 S2TE03 Fl. 6 5 Embora o fisco esteja amparado na Lei Complementar 105 de 2001, não é legítimo o lançamento de tributo que venha a se basear exclusivamente nos valores dos extratos bancários, pois isso poderá gerar erros grosseiros de tributação. A jurisprudência é ampla no sentido de que não se pode lançar tributo baseado apenas em indícios ou presunções. Cumpre esclarecer, desde logo, que o Impugnante requer a realização de perícia, de acordo com o art. 16, § 1º, inciso IV, do Decreto 70.235, de 6 de março de 1971, cuja finalidade precípua é de que se proceda a uma averiguação pormenorizada do contribuinte autuado, como forma de restabelecer a verdade. Conforme amplamente demonstrado nos itens acima, se esta Delegacia de Julgamento entender devidas exações mencionadas, o que se admite pelo dever de argumentação, merece atenção a desproporção existente entre os valores que vêm sendo cobrados pelo fisco e a infração supostamente cometida pelo Impugnante, valores que se demonstram exorbitantes e excessivos se considerados os fatos concretos. Imprescindível mencionar, por oportuno, que está a se tratar de uma pessoa física aposentada, que sobrevive única e exclusivamente de seus proventos. Não possui, pois, outras rendas. Vêse, assim, que o valor exigido pelo Fisco é extremamente desproporcional em relação à situação econômicofinanceira do contribuinte, pelo que se pode vislumbrar, de maneira nítida, podendo levar o Impugnante à miséria, posto que pertence à classe média do País, que, digase de passagem, está empobrecida. Não se pode olvidar de que, no âmbito tributário, o caráter sancionador das multas e juros deve estar de acordo com os princípios da Proporcionalidade e da Razoabilidade. Frisese que se trata de contribuinte sem capacidade financeira para suportar com os encargos que vêm sendo cobrados a título de sanção tributária. As sanções tributárias constituem nada mais do que um instrumento de busca da concretização do princípio da capacidade contributiva. Diante de todo o exposto, e o mais do que dos autos consta e o todo que será suprido pelo bomsenso e ilibado conhecimento técnico de Vossas Senhorias, pede e espera o Impugnante sejam acolhidas as razões que constam da presente impugnação, em razão dos procedimentos fiscalizatórios que deram origem ao auto de infração ora impugnado encontrar se eivado de nulidades insanáveis, de modo que deve ser desconsiderado para constituição de qualquer crédito tributário. Seja, por consectário, anulado o auto de infração, cuja competência porquanto prenhe de fatos controvertidos, inverídicos, portanto, bem como seja declarada a nulidade dos demais atos praticados pela fiscalização, por ser medida da mais absoluta. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 351DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/07/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 14367.000029/201027 Acórdão n.º 2803003.405 S2TE03 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. O lançamento em discussão diz respeito ao descumprimento de obrigação tributária – não recolhimento, em época própria, das contribuições (parte patronal) para a Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, referentes ao período de 01 a 12/2005. Como bem pontuado no acórdão recorrido, parte do lançamento se deu de forma direta e parte por aferição indireta, tendo em vista que o contribuinte deixou de apresentar uma série de documentos requeridos pela fiscalização. Há que se registrar, ademais, que a parte aferida indiretamente se deu em conformidade com o § 3º do art. 33 da Lei nº 8.212/91, art. 233 do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, e inciso II do art. 447 da IN RFB nº 971/09. Portanto, neste quesito, correta a fiscalização e sem reparos o lançamento. Em seu recurso, o contribuinte insiste na produção de provas, sem ao menos considerar que essa fase já foi superada, porquanto inobservada a regra descrita no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, que estabelece que a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de impugnante fazêlo em outro momento processual. Notase, pois, que o Recurso Voluntário enquadrase no referido “outro momento processual”. As provas documentais deveriam ter sido apresentadas por ocasião do protocolo da impugnação na primeira instância administrativa. Como tal providência não foi tomada pelo contribuinte na fase correta, evidenciada está a denominada preclusão consumativa. No ponto, sem razão o contribuinte. De outra parte, restou também evidenciado que o contribuinte confundiuse em alguns pontos de sua defesa, como se pode observar dos trechos abaixo transcritos: Imprescindível mencionar, por oportuno, que está a se tratar de uma pessoa física aposentada, que sobrevive única e exclusivamente de seus proventos. Não possui, pois, outras rendas. Vêse, assim, que o valor exigido pelo Fisco é extremamente desproporcional em relação à situação econômicofinanceira do contribuinte, pelo que se pode vislumbrar, de maneira nítida, podendo levar o Impugnante à miséria, posto que pertence à classe média do País, que, digase de passagem, está empobrecida. Ora, a defesa diz respeito a uma pessoa jurídica ou a uma pessoa física? Fl. 352DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/07/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 14367.000029/201027 Acórdão n.º 2803003.405 S2TE03 Fl. 8 7 No que concerne ao mérito não resta qualquer dúvida de que o contribuinte deixou de contestálo, situação que se enquadra na regra do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, in verbis: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Com efeito, não tendo contestado expressamente a matéria objeto do lançamento, o contribuinte perdeu a oportunidade de se defender, situação que não pode ser ignorada pelos membros do CARF. Destarte, não vislumbro qualquer possibilidade de alteração do lançamento bem como da decisão recorrida. Assim, conheço do recurso aviado pelo contribuinte, mas negolhe provimento. CONCLUSÃO. Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 353DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/07/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 15586.000842/2005-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002
PIS E COFINS. ALUGUEL DE IMÓVEIS (ESTACIONAMENTO DE VEÍCULOS).
Estão sujeitas ao PIS e a COFINS as receitas de exploração de estacionamentos.
ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 3302-001.883
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE GOMES - Relator.
EDITADO EM: 03/07/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: ALEXANDRE GOMES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002 PIS E COFINS. ALUGUEL DE IMÓVEIS (ESTACIONAMENTO DE VEÍCULOS). Estão sujeitas ao PIS e a COFINS as receitas de exploração de estacionamentos. ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
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secao_s : Terceira Seção De Julgamento
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES - Relator. EDITADO EM: 03/07/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1740; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 538 1 537 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15586.000842/200518 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302001.883 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 27 de novembro de 2012 Matéria PIS e COFINS Recorrente NOVAPARK LOCAÇÃO E SERVIÇOS S/C LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002 PIS E COFINS. ALUGUEL DE IMÓVEIS (ESTACIONAMENTO DE VEÍCULOS). Estão sujeitas ao PIS e a COFINS as receitas de exploração de estacionamentos. ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002 PIS E COFINS. ALUGUEL DE IMÓVEIS (ESTACIONAMENTO DE VEÍCULOS). Estão sujeitas ao PIS e a COFINS as receitas de exploração de estacionamentos. ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 08 42 /2 00 5- 18 Fl. 539DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por ALEXANDRE GOMES 2 WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator. EDITADO EM: 03/07/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Por bem retratar a matéria tratada no presente processo, transcrevese o relatório produzido pela DRJ do Rio de Janeiro II: Originalmente, o presente processo foi formalizado em decorrência da lavratura de auto de infração de fls. 230/237, em virtude da apuração de falta de recolhimento da Contribuição para o PIS para períodos de apuração compreendidos entre os meses 01/2002 a 12/2002, exigindoselhe contribuição de R$27.528,29 e juros de mora de R$15.977,17, calculados até 30/11/2005, perfazendo o total de R$43.505,46. O crédito tributário foi lançado com suspensão de exigibilidade suspensa por força de Medida Liminar concedida no processo nº 99.00042425, impetrado junto à 1ª Vara Federal Cível em VitóriaES. Posteriormente, em virtude do disposto no art. 2º da Portaria SRF nº 6.129, de 02/12/2005, foi juntado ao presente processo, por anexação, o de nº 15586.000845/200551, formalizado em decorrência da lavratura de Auto de Infração de fls. 245 a 249, referente à apuração de falta de recolhimento da contribuição para o Cofins no período de apuração 07/2002, exigindoselhe contribuição de R$3.061,17, multa de ofício de R$2.295,87 e juros de mora de R$1.785,27, calculados até 30/11/2005, perfazendo o total de R$7.142,31. O enquadramento legal encontrase a fls. 232 e 246. No Relatório de Encerramento da Ação Fiscal (fls. 220 a 229) consta que: A interessada, em atendimento à intimação da fiscalização, apresentou o demonstrativo de apuração das bases de cálculo do PIS e da Cofins de folha 6, no qual reconheceu expressamente existirem diferenças a recolher do PIS e da COFINS; Pela análise do documento verificouse que os valores devidos de COFINS nos períodos de apuração janeiro a setembro de 2002 foram incluídos no Parcelamento Especial (PAES). Ao realizar a conferência dos montantes relacionados constatouse uma incorreção no valor referente ao período de apuração 07/2002 conforme Demonstrativo dos Débitos Consolidados às fls. 61. A diferença gerou o lançamento de ofício da Cofins; Fl. 540DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 15586.000842/200518 Acórdão n.º 3302001.883 S3C3T2 Fl. 539 3 A Novapark impetrou em 1999 mandado de segurança para que a União se abstivesse de exigirlhe o recolhimento da contribuição para o PIS (processo n° 99.00042425), consoante os critérios estabelecidos pela Lei n° 9.715/98 ou, sucessivamente, conforme prevê a Lei n° 9.718/98. O pleito da interessada foi deferido mediante a concessão de medida liminar em mandado de segurança às fls. 128/136. Decisão da apelação em mandado de segurança n° 200002.01.0380767/ES às fls. 145/147 deu provimento ao recurso da empresa para recolher o PIS nos moldes da LC 07/70; Em 29/10/2003 a União ajuizou ação rescisória (n° 2003.02.01.0162534) que se encontra pendente de decisão (fls. 149), razão porque o lançamento do PIS foi efetuado com a exigibilidade suspensa; Cientificada em 20/12/2005, a interessada apresentou em 19/01/2006 as impugnações de fls. 254/266 e 299/311, das quais transcrevo suas alegações: Da autuação da Contribuição para o PIS Que a referida cobrança não merece prosperar, haja vista a existência de decisão judicial que a desobriga do recolhimento da exação nos moldes ora cobrados. Conforme reconhecido pelo próprio Auditor Fiscal, às fls. 06 do Relatório de Encerramento de Ação Fiscal, a empresa possui decisão judicial a seu favor, no sentido de autorizar o recolhimento do PIS nos moldes da Lei n° 7/70. Porém, o Auditor se engana ao dizer que o débito se encontra suspenso pelo ajuizamento de Ação Rescisória pela União, uma vez que a mesma pediu desistência desse processo. Isso ocorreu devido ao grotesco erro processual cometido pela Fazenda Nacional, pois a Ação Rescisória era completamente incabível no momento em que foi apresentada, na medida em que não havia sequer trânsito em julgado do Acórdão rescindendo. Esqueceuse, a União, que havia interposto Recurso Especial e Extraordinário e que ambos haviam sido inadmitidos pela vice presidência do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (doc. 05). Nessa toada, foram interpostos Agravos de Instrumento ao Superior Tribunal de Justiça e ao Supremo Tribunal Federal visando à subida dos aludidos recursos aos seus respectivos tribunais (doc. 05). Assim, o Agravo de Instrumento remetido ao STJ foi conhecido pelo Ministro Relator José Delgado que, em decisão monocrática, negou seguimento ao Recurso Especial por tratar se de matéria de cunho constitucional (doc. 05). Fl. 541DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por ALEXANDRE GOMES 4 Melhor sorte não teve a União Federal perante o Excelso Pretório, tendo em vista que foi negado seguimento ao seu Recurso Extraordinário, também em decisão monocrática. Isso porque o Ministro Carlos Velloso seguiu o entendimento há pouco sedimentado pela Suprema Corte sobre a inconstitucionalidade das alterações na base de cálculo da exação em comento pela malfadada Lei n° 9.718/98 (doc. 06). Ou seja, o Supremo Tribunal Federal sepultou a discussão que vinha se arrastando há anos e afastou a incidência do PIS sobre qualquer receita que não aquela oriunda da venda de mercadorias ou da prestação de serviços. Portanto, foram esgotadas todas as instâncias que poderiam ser utilizadas e que realmente foram pela União Federal para postergar o reconhecimento do direito de a Impugnante em não se submeter às ilegalidades e inconstitucionalidades da Lei n° 9.718/98. Dessa forma, não se pode falar em suspensão do crédito tributário, pois o órgão máximo já se manifestou definitivamente. Da autuação da Cofins Que a referida cobrança não merece prosperar, haja vista a existência de decisão judicial que a desobriga do recolhimento da exação nos moldes ora cobrados. Em que pesem os argumentos do Ilustre Auditor Fiscal, às fls 06 do Relatório de Encerramento de Ação Fiscal, a empresa possui decisão judicial a seu favor, no sentido de autorizar o recolhimento da COFINS nos moldes da Lei n° 70/91. A Impugnante impetrou o Mandado de Segurança n° 99.00.013867, visando afastar o alargamento da base de cálculo perpetrado pela Lei n° 9.718/98. Após mais de 6 anos de discussão judicial, em dezembro de 2005, a Impugnante teve, enfim, o reconhecimento do seu direito pela Suprema Corte. Em decisão monocrática, o Ministro Gilmar Mendes seguiu o entendimento há pouco sedimentado pelo Supremo Tribunal Federal sobre a inconstitucionalidade das alterações na base de cálculo da exação em comento pela malfadada Lei n° 9.718/98 (doc. 04). Ou seja, o Supremo Tribunal Federal sepultou a discussão que vinha se arrastando há anos e afastou a incidência do COFINS sobre qualquer receita que não aquela oriunda da venda de mercadorias ou da prestação de serviços. Portanto, foram esgotadas todas as instâncias que poderiam ser utilizadas e que realmente foram pela União Federal para postergar o reconhecimento do direito da Impugnante em não se submeter às ilegalidades e inconstitucionalidades da Lei n° 9.718/98. Fl. 542DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 15586.000842/200518 Acórdão n.º 3302001.883 S3C3T2 Fl. 540 5 Dessa forma, não se pode falar em suspensão do crédito tributário, pois o órgão máximo já se manifestou definitivamente. Na verdade, não se pode falar nem na existência do crédito, pois o STF já considerou indevida a cobrança da contribuição em debate sobre a receita bruta da empresa. Assim, verificase que não obstante os argumentos expostos pela fiscalização, não há como subsistir o lançamento ora impugnado. Alegações comuns às duas autuações O STF já considerou indevida a cobrança das contribuições em debate sobre a receita bruta da empresa. Assim, verificase que não obstante os argumentos expostos pela fiscalização, não há como subsistirem os lançamentos ora impugnado. As autuações estão embasadas em eventuais recolhimentos realizados a menor, porém lavandose em conta uma base de cálculo infinitamente maior àquela decidida como de acordo com a Lei Maior. Destarte, cabe agora analisar a natureza das receitas auferidas pela Impugnante para saber se alguma delas pode fazer parte do conceito de faturamento. De acordo com o seu Contrato Social, a Impugnante tem suas atividades voltadas para a locação de áreas destinadas a estacionamento de veículos automotores ou, em outras palavras, aluguel de vagas de estacionamento. É induvidoso que a Impugnante não possui nenhuma receita que possa atrair a incidência do PIS e da Cofins, pois é empresa voltada, unicamente, à locação de bens imóveis, o que não configura prestação de serviço. Não obstante o procedimento adotado pela Impugnante esteja protegido por expressa disposição judicial vigente, foram lavrados os Auto de Infração aqui impugnados, com a inclusão de juros moratórios da Impugnante. Ocorre que, a inclusão de multa e dos juros decorrentes da mora na presente cobrança contraria nitidamente o disposto no parágrafo 2° do art. 63 da Lei n° 9.430/96. Da leitura do dispositivo acima transcrito, duas são as conclusões óbvias: a) o auto de infração ora impugnado tem o único condão de prevenir a decadência; b) até o prazo de 30 dias após a eventual reforma da decisão (o que não é mais possível no caso presente), não é a multa de mora exigível. Assim sendo, resta demonstrada a nulidade dos lançamentos efetuados, uma vez que estes se encontram eivados de vícios, seja pelo fato de terem sido lavrados em flagrante desconformidade Fl. 543DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por ALEXANDRE GOMES 6 legal, seja pelo completo desrespeito à decisão judicial definitiva. Foram por mim anexadas as consultas processuais de folhas 340 a 348. É o relatório. A par dos argumentos lançados na Impugnação apresentada, a DRJ entendeu por bem darlhe provimento parcial, em decisão que assim ficou ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002 PIS. ALUGUEL DE IMÓVEIS Na vigência da Lei Complementar nº 07/1970, as receitas decorrentes da locação de imóveis já estavam sujeitas à incidência da contribuição para o PIS. JUROS MORATÓRIOS INCLUSÃO EM AUTO DE INFRAÇÃO LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA É cabível a inclusão dos juros moratórios no auto de infração, ressalvandose que a eventual conversão em renda da União Federal de depósito judicial extingue o crédito tributário lançado, tomandose como data limite para a apuração dos acréscimos moratórios a data da efetivação do depósito. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002 COFINS. ALUGUEL DE IMÓVEIS Durante a vigência da Lei Complementar n2 70/1991 as receitas decorrentes da locação de imóveis já se sujeitavam à incidência da Cofins. JUROS MORATÓRIOS INCLUSÃO EM AUTO DE INFRAÇÃO LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA É cabível a inclusão dos juros moratórios no auto de infração, ressalvandose que a eventual conversão em renda da União Federal de depósito judicial extingue o crédito tributário lançado, tomandose como data limite para a apuração dos acréscimos moratórios a data da efetivação do depósito. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Contra esta decisão foi apresentado Recurso Voluntário onde, em síntese, argumenta que: a) é ilegal a incidência de juros moratórios nos lançamentos para prevenir decadência; Fl. 544DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 15586.000842/200518 Acórdão n.º 3302001.883 S3C3T2 Fl. 541 7 b) A Impugnante impetrou o Mandado de Segurança n° 99.00.013867, visando afastar o alargamento da base de cálculo perpetrado pela Lei n° 9.718/98. b) em relação ao PIS, a decisão judicial lhe garantiu o recolhimento das contribuições no moldes da LC nº 7/70, e como se trata de receitas que não decorrem da venda de mercadorias, sujeitarseia ao PISREPIQUE; c) no tocante a Cofins, a decisão judicial lhe garantiu o recolhimento das contribuições no moldes da LC nº 70/91, e nos termos desta legislação, a base de cálculo da contribuição é o faturamento proveniente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços. Neste contexto, a atividade de locação de bens imóveis não se enquadraria em nenhuma destas hipóteses. É o relatório. Voto Conselheiro ALEXANDRE GOMES O presente Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os demais requisitos e dele tomo conhecimento. Conforme se depreende do relatório acima transcrito, contra a Recorrente foram lavrados autos de infração de PIS e COFINS, para a constituição de valores não recolhidos nas épocas próprias. Em relação ao lançamento de PIS, a Recorrente informa possuir Mandado de Segurança que lhe garantiu o recolhimento das contribuições nos termos da Lei Complementar 7/70, fato este que restou incontroverso no presente processo, motivo pelo qual o lançamento ocorreu com fim de prevenir a decadência, ou seja, sem a imputação da multa de mora. No tocante a COFINS, o lançamento foi efetuado com a adição da multa de mora, pois no momento da lavratura do auto de infração inexistia decisão suspendendo a exigibilidade do crédito. Convém lembrar também que a Recorrente incluiu os valores decorrentes dos débitos de COFINS nos meses de janeiro a setembro de 2002 no Parcelamento Especial PAES e que, na conferência destes valores, surgiu a diferença no mês de julho de 2002 que foi lançada por meio do auto de infração em análise. A decisão recorrida assim contextualizou o momento da lavratura do auto de infração: “não havia à época do lançamento qualquer impedimento à constituição dos créditos nos termos efetuados. Isto porque a sentença proferida em 1ª instancia no Mandado de Segurança nº 99.00013867 foi reformada pelo TRF da 2ª Região que, em acórdão julgado em 20/06/2001 (fls. 340 a 346), deu provimento à apelação interposta pela União Federal e declarou devida a cobrança da Cofins nos termos da Lei nº 9.718/98. Posteriormente, face à inadmissão do Recurso Especial e do Recurso Extraordinário interpostos pela interessada, Fl. 545DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por ALEXANDRE GOMES 8 impetrouse agravo de instrumento, que foi provido, convertido em recurso extraordinário (fls. 332 e 333) e determinou o afastamento da aplicação do §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98”. Aliás, a possibilidade de lançamento de tributo com multa de oficio nos casos em que a decisão tenha sido suspensa é matéria sumulada, in verbis: Súmula CARF nº 50: É cabível a exigência de multa de ofício se a decisão judicial que suspendia a exigibilidade do crédito tributário perdeu os efeitos antes da lavratura do auto de infração. Esta questão, inclusive, não é motivo de contestação por parte da Recorrente, que apenas se insurge quanto à aplicação dos juros SELIC nos lançamentos de PIS e COFINS, quando efetuados para prevenir decadência. Neste ponto, são improcedentes os argumentos contrários a aplicação dos juros SELIC, uma vez que não houve deposito integral dos valores devidos. Ressaltase que esta matéria também se encontra sumulada, senão vejamos: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Importante destacar que, a teor do que dispõe o art. 721 do RICARF, as súmulas editadas pelo CARF são de aplicação obrigatória pelos julgadores. Outro ponto debatido no presente Recurso diz respeito a sujeição ao PIS e a COFINS da receitas decorrentes da exploração do aluguel de imóveis, que a Recorrente alega estarem fora do campo de incidência das contribuições, conforme interpretação da decisão do STF que declarou inconstitucional a majoração da base de cálculo promovida pela Lei nº 9.718/98. Sem razão a Recorrente. Inicialmente, destacase que o Superior Tribunal de Justiça por meio de suas duas Turmas, pacificou o entendimento, com o qual corroboro, de que estão sujeitas ao PIS e a COFINS as receitas decorrentes de alugueis de imóveis, ainda mais nos casos como o da Recorrente que tem por atividade principal o aluguel de vagas de garagem, senão vejamos: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. RECEITA PROVENIENTE DA LOCAÇÃO DE IMÓVEIS. PRECEDENTES. SÚMULA 423/STJ. APLICAÇÃO ANALÓGICA. 1. As receitas provenientes da locação de bens imóveis de propriedade das pessoas jurídicas integram a base de cálculo da contribuição para o PIS e COFINS. Precedentes. 1 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. Fl. 546DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 15586.000842/200518 Acórdão n.º 3302001.883 S3C3T2 Fl. 542 9 2. "A circunstância de se tratar de receita decorrente de operação não prevista no objeto societário da empresa contribuinte não é, só por isso, suficiente para excluíla da incidência das contribuições" (REsp 1.210.655/SC, Rel. Min. Benedito Gonçalves, Rel. p/ acórdão Min. Teori Zavascki, Primeira Turma, DJe 16.05.11). 3. A Primeira Seção decidiu, sob o rito do art. 543C do CPC, que a receita proveniente da locação de bens móveis sujeitase à incidência do PIS e da COFINS, o que gerou a edição da Súmula 423/STJ, de seguinte teor: "A Contribuição para Financiamento da Seguridade Social Cofins incide sobre as receitas provenientes das operações de locação de bens móveis". 4. Agravo regimental não provido (AgRg Resp 1238892/PR. 2ª Turma do STJ. Relator Min. Castro Meira. Dje 10/05/2012) AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. INCIDÊNCIA NA RECEITA PROVENIENTE DA LOCAÇÃO DE IMÓVEIS PRÓPRIOS. ACÓRDÃO RECORRIDO QUE SE ENCONTRA EM CONSONÂNCIA COM A ORIENTAÇÃO DA 1A. SEÇÃO DESTE STJ. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS FIXADOS EM 10% DO VALOR DA CAUSA. ART. 20, § 4o. DO CPC. MODIFICAÇÃO DOS CRITÉRIOS DE ARBITRAMENTO DA VERBA HONORÁRIA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7/STJ. AGRAVO REGIMENTAL DA ADMINISTRADORA VALENTE LTDA. DESPROVIDO. 1. A Primeira Seção desta Corte consolidou o entendimento de que a receita proveniente da locação de imóveis próprios sujeitase à incidência do PIS e da COFINS (Súmula 423/STJ). 2. Outrossim, é pacífica a jurisprudência de que não é possível a modificação dos critérios de fixação dos valores relativos aos honorários advocatícios, visto que estes normalmente derivam da ponderação de aspectos fáticos, insuscetíveis de reapreciação em sede de Recurso Especial, por incidência do enunciado 7 da Súmula desta Corte, salvo quando resultarem em valores flagrantemente irrisórios ou manifestamente exorbitantes, o que não se verifica na hipótese destes autos. 3. Agravo Regimental desprovido.(AgRg no RESP 1318183/PR. 1º Turma. STJ. Relator Ministro Nunes Maia Filho. Dje 22/06/2012) Comentando a controvérsia sob exame, Hugo de Brito Machado Segundo2, assim esclarece: Em face da decisão do STF, estabeleceuse que a locação de bens móveis nem configura venda de mercadorias, nem serviço 2 in Direito Tributário nas Súmulas do STF e STJ. Segundo, Hugo de Brito Machado. Editora Atlas. Atualização paro o site www.editoraatlas.com .br Fl. 547DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por ALEXANDRE GOMES 10 de qualquer natureza. Não poderia, por isso, submeterse à incidência da COFINS, pelo menos no período em que essa contribuição ainda não alcançava as demais formas de receita (o que só́ se tornou constitucionalmente possível a partir da EC 20/98). O STJ, porém, considerou que no conceito de mercadorias referido no art. 2º da LC 70/91 estão incluídos inclusive os bens imóveis, sendo possível também enquadrar no de serviços a locação, pois o conceito de receita bruta, para fins de incidência da contribuição, seria a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. Entendeuse que “a base de incidência da COFINS é o faturamento, assim entendido o conjunto de receitas decorrentes da execução da atividade empresarial e (b) no conceito de mercadoria da LC nº 70/91 estão compreendidos até mesmo os bens imóveis, com mais razão se há de reconhecer a sujeição das receitas auferidas com a operações de locação de bens móveis à mencionada contribuição” (REsp 1.010.388/PR, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.02.2009, DJe 11.2.2009; e EDcl no REsp 534.190/PR, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 19.8.2004, DJ 6.9.2004). 3. Consequentemente, a definição de faturamento/ receita bruta engloba as receitas advindas das operações de locação de bens móveis, que constituem resultado mesmo da atividade econômica empreendida pela empresa. (...)” (STJ, 1a S, REsp 929.521/SP, DJe de 13/10/2009). Não se pode deixar de consignar, porém, que, no texto constitucional, serviço, locação, mercadoria e imóvel são conceitos distintos, inconfundíveis, sendo certo que a distinção entre mercadoria e imóvel é determinante até mesmo para a separação entre a competência impositiva estadual (ICMS) e municipal (ITBI). O STJ tem tangenciado essa questão constitucional, a respeito da qual o STF, competente para o seu trato, ainda não se manifestou. Neste contexto, tratandose de matéria de índole constitucional, devese lembrar que ao julgador administrativo é defeso afastar a aplicação de lei ou decreto por motivo de inconstitucionalidade, sendo tal situação já devidamente sumulada no âmbito do CARF: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Destacase por fim, quanta a este tema, que a atividade desenvolvida pela Recorrente está devidamente descrita na lista de serviços constante da Lei Complementar 116/96. Por fim, no que concerne ao critério de apuração dos valores de PIS, tendo o auto de infração, neste tópico, sido lançado para afastar a decadência e, estando a matéria submetida ao judiciário, é forçoso reconhecer a existência da renúncia as instâncias administrativas nos termos do que determina a sumula nº desta órgão colegiado, como se vê: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do Fl. 548DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 15586.000842/200518 Acórdão n.º 3302001.883 S3C3T2 Fl. 543 11 lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Importante destacar que o julgador administrativo está obrigado aplicar a orientação determinada pelas súmulas do CARF, conforme determina o Regimento Interno de Colegiado: Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. § 4° As súmulas aprovadas pelos Primeiro, Segundo e Terceiro Conselhos de Contribuintes são de adoção obrigatória pelos membros do CARF. Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator Fl. 549DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por ALEXANDRE GOMES
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Numero do processo: 10530.723554/2009-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2202-000.261
Decisão: RESOLVEM os Membros da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator Composição do colegiado: Participaram do julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Guilherme Barranco de Souza, Antonio Lopo Martinez, Julianna Bandeira Toscano, Rafael Pandolfo e Nelson Mallmann. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Pedro Anan Junior, Odmir Fernandes e Helenilson Cunha Pontes. Fl. 271DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/08/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 10/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10530.723554/200991 Resolução n.º 220200.261 S2C2T2 Fl. 2 2 RELATÓRIO Em desfavor do contribuinte, MARCELO CERQUEIRA CESAR, foi lavrado auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente aos anos calendário de 2004, 2005 e 2006, para exigência de crédito tributário, no valor de R$.65.826,78, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes no auto de infração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Ministério Público do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 08 de setembro de 2003. As diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, conseqüentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. Na apuração do imposto devido não foram consideradas as diferenças salariais que tinham como origem o décimo terceiro salário, por estarem sujeitas à tributação exclusiva na fonte, nem as que tinham como origem o abono de férias, em atendimento ao despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 16 de novembro de 2006, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 2.140/2006. Foi atendido, também, o despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 11 de maio de 2009, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 287/2009, que dispõe sobre a forma de apuração do imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente. O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal e apresentou impugnação, alegando, em síntese, os seguinte pontos extraídos do relatório da autoridade recorrida: a) o lançamento fiscal teve como objeto verbas recebidas pelo impugnante a título de diferenças de URV, que não representaram qualquer acréscimo patrimonial, mas sim o ressarcimento por erro cometido pela fonte pagadora no cálculo da remuneração paga no período de 1º de abril de 1994 a 31 de agosto de 2001; b) o referido erro ocorreu no procedimento de conversão de cruzeiro real para URV a que eram submetidos os salários pagos aos membros do Ministério Público Estadual. Tal procedimento tinha o intuito de preservar o ganho mensal, compensando as perdas em face dos altos índices de inflação, o que evidencia a feição indenizatória da URV; c) o acordo para o pagamento das diferenças de URV se deu através da Lei Estadual Complementar nº 20, de 08 de setembro de 2003, tendo o impugnante recebido tais valores ao longo dos anos de 2004, 2005 e 2006 d) a referida diferença consistiu apenas em correção do capital, ou seja, recomposição de quantias que deveriam integrar a remuneração Fl. 272DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/08/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 10/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10530.723554/200991 Resolução n.º 220200.261 S2C2T2 Fl. 3 3 ao longo do tempo passado. Não correspondeu a qualquer permuta do trabalho/serviço por moeda que configurasse a natureza salarial. Assim, por ser mera atualização do principal, e por não ter sido implementada em tempo certo, não deveria ser levada à tributação, haja vista o entendimento doutrinário e jurisprudencial, que veda a tributação da correção monetária; e) a mera correção monetária não aumenta ou acresce patrimônio do contribuinte, apenas lhe torna indene das perdas inflacionárias, portanto,não integra a base de cálculo do imposto de renda; f) havia um evidente caráter compensatório da URV desde sua gênese, e as diferenças recebidas representaram uma reparação por danos, tendo clara natureza de indenização, e não de salário. Dessa maneira, por não caracterizar aumento patrimonial, a verba recebida não subsume nos conceitos de renda e proventos de qualquer natureza, previstos no art. 43 do CTN; g) o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, deixou claro que o abono conferido aos magistrados federais em razão das diferenças de URV tem natureza indenizatória, e que por esse motivo está isento da contribuição previdenciária e do imposto de renda; h) apesar da citada resolução ter sido dirigida à magistratura federal, é impositiva e legítima a equiparação do tema por analogia às verbas recebidas pelos magistrados estaduais, conforme preceitua o art. 108 do CTN. Negar o caráter indenizatório destas verbas é afrontar o princípio constitucional da isonomia, não só na sua concepção geral, mas, também, no que tange a tratamento diferenciado entre membros do Ministério Público Federal da União e Estadual. Viola, também, o disposto no inciso II do art. 150 da Constituição Federal que proíbe o tratamento desigual entre os contribuintes que se encontrem em situação equivalente; i) o Estado da Bahia abriu mão da arrecadação do imposto ao estabelecer no art. 3º da Lei Estadual Complementar nº 20, de 2003, a natureza indenizatória da verba paga. Implementou todos os pagamentos sem qualquer retenção de IR e informou aos beneficiários dos rendimentos a natureza desta parcela como indenizatória; j) o sujeito passivo da obrigação de tributária, na condição de responsável, era a fonte pagadora, que estava obrigada a reter o imposto. Desta forma, a discussão acerca da classificação dos rendimentos pagos deveria ser travada entre o fisco federal e a fonte pagadora. Entretanto, não se instaurou qualquer procedimento fiscal contra a fonte pagadora, mas sim contra o impugnante, que sofreu os dissabores e ônus da ação fiscal, inclusive com a imposição de multa de ofício e juros moratórios; l) de forma transversa o Estado Membro devedor da obrigação mensal de retenção não exauriu sua obrigação e gerou para o contribuinte o dever de pagar mais imposto; conseqüentemente o Estado se beneficia com os acréscimos que sua inação causou. Assim, ao lançar o tributo nos termos da autuação gera quebra da capacidade contributiva do signatário; Fl. 273DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/08/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 10/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10530.723554/200991 Resolução n.º 220200.261 S2C2T2 Fl. 4 4 m) o impugnante não agiu com intuito de fraude, simulação ou conluio, simplesmente seguiu a informação prestada pela fonte pagadora, e fez constar em suas declarações de rendimentos relativas aos períodos bases de 2004 a 2006 as parcelas recebidas como isentas de tributação. Isto posto, mantida a exigência fiscal, devese observar o princípio da boafé, da qual estava imbuído o impugnante, e afastar a exigência da multa de ofício e juros de mora; n) a informação prestada pela fonte pagadora estava fundamentada na Lei Estadual Complementar nº 20, de 2003, que dispunha acerca da natureza indenizatória das diferenças de URV. Portanto, os valores declarados pelo impugnante tratase de informação lastreada em ato normativo expedido por autoridade administrativa, que se enquadra na hipótese do inciso I do art. 100 do CTN. Assim, de acordo com o parágrafo único do mesmo artigo, devem ser afastados a multa de ofício e os juros de mora; o) o lançamento fiscal tributou isoladamente os rendimentos apontados como omitidos, deixando de considerar os rendimentos e deduções já declarados, conforme determina o art. 837 do RIR/1999. Caso fosse mantida a tributação das verbas recebidas, caberia sujeitálas ao ajuste anual, o que resultaria em um imposto devido menor; p) nos anos de 1994 e 1998, a alíquota do imposto de renda que vigorava era de 25%, e não as alíquotas de 26,6% e 27,5% aplicadas no lançamento fiscal; q) parte dos valores recebidos a título de URV se referia à correção incidente sobre 13º salários e férias indenizadas (abono férias), que respectivamente estão sujeitas à tributação exclusiva e isentas, conseqüentemente, mesmo que prevalecesse o entendimento do órgão fiscalizador, caberia a exclusão de tais parcelas na apuração da base de cálculo sujeita ao lançamento fiscal; r) os juros de mora constantes no cálculo da diferença de URV representam um indenização pelos danos emergentes do não uso do patrimônio. Assim, os juros de mora têm natureza distinta da originária do principal ao qual incidiu acessoriamente, porque não se constituíram em aquisição de disponibilidade de renda, produto do trabalho remunerado pelo Estado da Bahia; A DRJSalvador ao apreciar as razões do contribuinte, julgou o lançamento procedente, nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004, 2005, 2006 DIFERENÇAS DE REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA IRPF. As diferenças de remuneração recebidas pelos membros do Ministério Público do Estado da Bahia, em decorrência do art. 2º da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 2003, estão sujeitas à incidência do imposto de renda. MULTA DE OFÍCIO. INTENÇÃO. Fl. 274DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/08/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 10/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10530.723554/200991 Resolução n.º 220200.261 S2C2T2 Fl. 5 5 A aplicação da multa de ofício no percentual de 75% sobre o tributo não recolhido independe da intenção do contribuinte. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Insatisfeito, o contribuinte interpõe recurso voluntário ao Conselho onde reitera as mesmas razões da impugnação, enfatizando os seguintes pontos: Da Preliminar da ilegitimidade ativa da União para cobrar o valor do Imposto de Renda incidente na Fonte que não foi objeto de retenção pelo Estado Membro. Da Preliminar de quebra do princípio da capacidade contributiva e apropriação de vantagem, a ilegalidade e torpeza; No mérito, reitera a natureza indenizatória das diferenças de URV, que devem implicar na não incidência de Imposto de Renda; Da quebra do princípio constitucional da isonomia, frente a entendimento aplicado para membros do ministério público federal; Da Lei 10474/2002 e da Lei 10.477/2002 do Abono Variável Provisório. Da isenção pela Resolução do STF e a Lei Estadual no exercício da Competência Residual. Das alíquotas incorretas usadas pela Autoridade Fiscal Da desconsideração pela autoridade fiscal das deduções cabíveis, no cálculo do suposto imposto; Da exclusão de parcelas isentas e de tributação exclusiva – Dos valores relativos a 13º. Salário e férias indenizadas. Da responsabilidade tributária da fonte pagadora de boa fé do contribuinte; Da exclusão da multa de ofício e do juros de mora constantes do auto de infração; É o relatório. Fl. 275DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/08/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 10/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10530.723554/200991 Resolução n.º 220200.261 S2C2T2 Fl. 6 6 VOTO Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator Ante de apreciar o recurso cabe discutir se o referido processo estaria sujeito a sobrestamento. Após análise pormenorizada dos autos entendo que cabe aqui sobrestamento de julgado feito de ofício pelo relator, nos termos do art. 62A e parágrafos do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. No conteúdo da acusação fiscal resta claro, nos autos de que a exigência referese a rendimentos recebidos acumuladamente – RRA. Diante de todo o exposto, proponho o SOBRESTAMENTO do julgamento do presente Recurso, conforme previsto no art. 62, §1o e 2o, do RICARF. Observandose que após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 276DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/08/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 10/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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