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Numero do processo: 12571.000028/2010-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.738
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, para que o processo seja encaminhado à repartição de origem onde deverá aguardar até que seja proferida a decisão no processo nº 12571.000200/2010-57, que deverá ser juntada, em cópia de seu inteiro teor, nestes autos.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Valcir Gassen - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, para que o processo seja encaminhado à repartição de origem onde deverá aguardar até que seja proferida a decisão no processo nº 12571.000200/2010-57, que deverá ser juntada, em cópia de seu inteiro teor, nestes autos. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (assinado digitalmente) Valcir Gassen - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1407; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 161 1 160 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12571.000028/201031 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3301000.738 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 24 de julho de 2018 Assunto PIS Recorrente DINIZ SEMENTES E DEFENSIVOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, para que o processo seja encaminhado à repartição de origem onde deverá aguardar até que seja proferida a decisão no processo nº 12571.000200/201057, que deverá ser juntada, em cópia de seu inteiro teor, nestes autos. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Valcir Gassen Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP de créditos de PIS/Pasep mercado interno e exportação, apurados no regime de incidência nãocumulativa, com base no art. 3º, §1º da Lei nº 10.637/2002. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 25 71 .0 00 02 8/ 20 10 -3 1 Fl. 162DF CARF MF Processo nº 12571.000028/201031 Resolução nº 3301000.738 S3C3T1 Fl. 162 2 Cabe ressaltar a existência dos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, que tratam dos Autos de Infração de PIS/Pasep e Cofins, respectivamente, lançados em decorrência da análise do direito creditório promovida nos créditos das referidas contribuições dos anos de 2003 a 2007. Além da glosa dos créditos, foi verificado que, em diversos períodos de apuração, ocorreu a não tributação de algumas receitas pelo Contribuinte, motivo pelo qual lhe restou saldo devedor da contribuição a pagar, sendo, então, lavrados os dois Autos de Infração citados. No âmbito dos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, proferiuse as Resoluções nº 3301000.520 e 3301000.521, respectivamente. Nestas resoluções decidiuse por converter os julgamentos em diligências para fins de juntada de processos vinculados, processos esses, inclusive o presente, em que se estão sendo analisados os créditos de PIS/Pasep e Cofins (PER/DCOMPs) e que deram ensejo aos autos de infração constantes dos processos referidos. No cumprimento da Resolução nº 3301000.520 assim constou do Despacho de Encaminhamento: DESPACHO DE ENCAMINHAMENTO Devolvamse os presentes autos ao Conselheiro Valcir Gassen, para prosseguimento, informando que os processos 12571.000024/2010 53, 12571.000025/201006, 12571.000026/201042, 12571.000027/201097, 12571.000028/201031, 12571.000029/201086, 12571.000030/201019, 12571.000031/201055, 12571.000032/201008, 12571.000033/201044, 12571.000034/201099, 12571.000035/201033, 12571.000036/201088, 12571.000037/201022, 12571.000038/201077, 12571.000039/201011, 12571.000040/201046, 12571.000041/201091, 13931.000368/200874, 13931.000948/200861, 13931.000949/200814, 13931.000950/200831, 13931.000951/200885, 13931.000952/200820, 13931.000953/200874, 13931.000954/200819, 13931.000955/200863, 13931.000956/200816 e 13931.000957/200852, que tratam da análise de créditos de PIS (PER/DECOMPs) e que deram ensejo ao auto de que trata este processo foram distribuídos ao referido Conselheiro, em cumprimento à determinação constante da Resolução 3301000.520, de 28/9/2017. É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen Relator Quando da análise dos autos para julgamento dos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, distribuídos a este relator, constatouse que os dois processos referemse a autos de infração, o primeiro no que tange a contribuição ao PIS e o segundo diz respeito a Cofins, e que existiam outros processos vinculados a estes e que Fl. 163DF CARF MF Processo nº 12571.000028/201031 Resolução nº 3301000.738 S3C3T1 Fl. 163 3 tratam de pedidos de restituição e de compensação (PER/DCOMP) de PIS e Cofins mercado interno e exportação apurados no regime de incidência nãocumulativa. Em pesquisa realizada no eprocesso verificouse que esses processos vinculados aos autos de infração encontravamse distribuídos em fases distintas. Por intermédio das Resoluções nº 3301000.520 e 3301000.521, proferidas nos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, os processos vinculados foram reunidos e distribuídos a este Conselheiro prevento. Assim, entendo que foram atendidas as Resoluções nº 3301000.520 e 3301 000.521. Verificando os processos de PER/Dcomps, constatase que o Auto de Infração alcança todos os períodos de apuração dos PER/Dcomps vinculados, sendo que a solução do litígio no processo do lançamento alcança os processos de ressarcimento/compensação vinculados. Assim, voto pela conversão do julgamento em diligência, para que o presente processo seja encaminhado à repartição de origem, onde deverá aguardar até que seja proferida a decisão definitiva no processo nº 12571.000200/201057, que deverá ser juntada, em cópia de seu inteiro teor, neste processo. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Fl. 164DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10540.720382/2010-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2006 a 31/12/2008
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO
CONHECIMENTO. DESISTÊNCIA.
Não se deve conhecer de recurso voluntário por falta de interesse se, antes do julgamento, a contribuinte já havia formalizado sua renúncia ao contencioso administrativo por adesão à parcelamento regularmente deferido.
Numero da decisão: 2402-006.316
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, dando-lhes efeitos infringentes de modo a alterar o resultado da decisão consubstanciada no Acórdão nº 2402-003.516 para não conhecer do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gregório Rechmann Junior- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mário Pereira Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior.
Nome do relator: GREGORIO RECHMANN JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2006 a 31/12/2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO. DESISTÊNCIA. Não se deve conhecer de recurso voluntário por falta de interesse se, antes do julgamento, a contribuinte já havia formalizado sua renúncia ao contencioso administrativo por adesão à parcelamento regularmente deferido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, dando-lhes efeitos infringentes de modo a alterar o resultado da decisão consubstanciada no Acórdão nº 2402-003.516 para não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior- Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mário Pereira Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior.
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RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO. DESISTÊNCIA. Não se deve conhecer de recurso voluntário por falta de interesse se, antes do julgamento, a contribuinte já havia formalizado sua renúncia ao contencioso administrativo por adesão à parcelamento regularmente deferido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, dandolhes efeitos infringentes de modo a alterar o resultado da decisão consubstanciada no Acórdão nº 2402003.516 para não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mário Pereira Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 54 0. 72 03 82 /2 01 0- 18 Fl. 360DF CARF MF 2 Relatório Tratamse de Embargos Inominados, previstos no artigo 66, Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em face do acórdão 2402003 516, de 17/04/2013, fls. 300/306. Nos termos dos Despacho s/n da CSRF de fls. 348/353, temse que por meio do Acórdão nº 2402003.516, prolatado por essa 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, na sessão plenária de 17 de abril de 2013 (efls. 300 a 306), deuse, por unanimidade de votos, parcial provimento ao Recurso Voluntário, na forma de ementa e decisão a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2006 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUSÊNCIA DE INDIVIDUALIZAÇÃO DOS SALÁRIOS. É desnecessária a individualização dos valores recebidos por cada funcionário, se a fiscalização se muniu de elementos suficientes para apurar os valores totais pagos aos segurados sobre os quais incidem as contribuições a cargo da empresa (cota patronal) e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT/SAT). ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. Tendo a fiscalização apresentado provas do cometimento da infração, a apresentação de contraprova, objetivando desacreditar o suporte probatório juntado aos autos, é do contribuinte. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é órgão competente para afastar a incidência da lei em razão de inconstitucionalidade ou ilegalidade, salvo nos casos previstos no art. 103A da CF/88 e no art. 62 do Regimento Interno do CARF. RECÁLCULO DAS MULTAS. RETROATIVIDADE BENIGNA. POSSIBILIDADE. Tendose em conta a alteração da legislação que trata das multas previdenciárias, deve se analisar a situação específica de cada caso e optar pela penalidade que seja mais benéfica ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte. Decisão: por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para adequação da multa ao artigo 35 da Lei n° 8.212/91 vigente à época dos fatos geradores observado o limite de 75%. Fl. 361DF CARF MF Processo nº 10540.720382/201018 Acórdão n.º 2402006.316 S2C4T2 Fl. 3 3 Enviados os autos à Fazenda Nacional em 04/07/2013 (efl. 307) para fins de ciência da decisão, sua Procuradoria apresentou inicialmente embargos de efls. 308 a 310, rejeitados consoante decisão de efls. 313 a 316. Enviados os autos para nova ciência em 29/01/2014 (efl. 317), insurgindose contra esta, aquela Procuradoria apresentou, em 10/02/2014 (efl. 331), Recurso Especial, com fulcro no art. 67 do anexo II ao Regimento Interno deste Conselho Administrativo Fiscal aprovado pela Portaria MF no. 256, de 22 de julho de 2009, então em vigor quando da propositura do pleito recursal (efls. 318 a 330). O recurso foi admitido pelo despacho de efls. 333 a 336. Encaminhados os autos à preparadora para fins de ciência da autuada (efl. 337), aquela Unidade deixou, na forma de despacho de efl. 340, de proceder à cientificação do contribuinte, pelo fato de haver termo de desistência formalizado por aquele, no âmbito de parcelamento junto à RFB (efls. 338/339), notese, antes do julgamento que deu origem ao Acórdão recorrido. Encaminhou então a Secretaria da 4ª. Câmara o feito para fins de sorteio e julgamento pela douta 2ª Turma da CSRF. O processo, então, foi incluído na pauta de 21 de fevereiro de 2017, tendo o Colegiado considerado o que se segue: a) Verifica se estar diante de situação onde a autoridade preparadora verificou a existência de renúncia/desistência administrativa do contribuinte ao litígio (efls. 338/339), somente posteriormente ao exame de admissibilidade de Recurso Especial da Fazenda Nacional de efls. 333 a 336; b) Todavia, tal desistência administrativa havia se dado antes da prolação do Acórdão recorrido pelo Colegiado a quo (desistência de efls. 338/339 em 14 de dezembro de 2012 e Acórdão de efls. 300 a 306 prolatado em 17 de abril de 2013) e, também, antes do referido exame de admissibilidade de efls. 333 a 336, de 10 de março de 2014; c) A partir desta constatação, manifestouse então a preparadora, na forma de despacho de efl. 340, no sentido de não proceder à cientificação do contribuinte, pelo fato de haver termo de desistência formalizado por aquele, no âmbito de parcelamento junto à RFB (efls. 338/339), notese, antes do julgamento que deu origem ao recorrido. Feita tal análise, a douta 2ª. Turma da CSRF concluiu que seria de se receber a manifestação de efl. 340 como embargos inominados da autoridade preparadora ao Acórdão recorrido no. 2402003.516, de efls. 300 a 306, com base no art. 66 do RICARF, determinando o retorno dos autos para a Presidente da 4ª. Câmara da 2ª. Seção de Julgamento deste CARF, a fim de que, em concordando com o referido despacho, realize o devido encaminhamento para fins de posterior análise de admissibilidade da manifestação de efl. 340, caso recebida como embargos inominados ao Acórdão 2403003.516, de efls. 300 a 306. Fl. 362DF CARF MF 4 Ato contínuo, por meio da Informação s/n de fls. 355/356, a Presidente da Quarta Câmara da Segunda Seção manifestouse nos seguintes termos: · No presente caso, a identificação do lapso manifesto fica evidenciada, na medida que trazido aos autos informação sobre pedido de parcelamento, com a inclusão do processo em questão, sem que tal fato tenha sido anteriormente indicado pelo contribuinte (por meio de expresso pedido de desistência) ou mesmo pelo Fisco; · Fosse a informação sobre a existência do referido pedido de desistência ou inclusão dos débitos em parcelamento trazida aos autos, por qualquer das partes, antes do julgamento, o encaminhamento ali referendado pelo colegiado possivelmente seria outro; · Isto posto, o acórdão merece ser revisto, para que o seja novamente levado ao colegiado o recurso voluntário, porém, levandose em consideração a existência de pedido de parcelamento formalizado em data anterior ao julgamento do acordão 2402003.516. É o relatório. Voto Conselheiro Gregório Rechmann Junior Relator Conforme informado no Relatório supra e confirmado na documentação acostada, houve o pedido de parcelamento por parte de contribuinte depois da interposição do recurso e antes do acórdão que julgou o Recurso Voluntário. Embora o pedido de parcelamento tenha ocorrido (em 14/12/2012) antes do proferimento do acórdão (sessão de 17/04/2013), a informação acerca de sua existência só chegou ao conhecimento deste Conselho após o julgamento do recurso apresentado pela contribuinte. A ausência de informação acerca do parcelamento resultou no conhecimento e julgamento do Recurso Voluntário apresentado. Caso fosse de conhecimento da Turma julgadora a existência do referido parcelamento/desistência de contestação o Recurso Voluntário não teria sido recebido por falta de interesse recursal. Confirmado o lapso manifesto que levou ao equívoco no julgamento, não resta saída diversa do acolhimento dos presentes embargos com efeitos infringentes para sanar o vício e modificar a decisão recorrida. Em caso semelhante ao em apreço, decidiu o CARF, através do acórdão 2202004.328, relatado pelo Conselheiro Martin da Silva Gesto: Fl. 363DF CARF MF Processo nº 10540.720382/201018 Acórdão n.º 2402006.316 S2C4T2 Fl. 4 5 EMBARGOS INOMINADOS. LAPSO MANIFESTO. INFORMAÇÃO TRAZIDA AOS AUTOS APÓS O JULGAMENTO. Tratase de lapso manifesto, pois a apreciação pelo Colegiado do recurso voluntário deveria ter levado em consideração a existência da adesão da contribuinte a parcelamento, o que caracterizaria a desistência do recurso. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PARCELAMENTO. DESISTÊNCIA. O pedido de parcelamento pelo sujeito passivo importa a desistência do recurso, configurando renúncia ao direito sobre o qual se funda a lide, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão a ele favorável. Embargos Acolhidos. Destarte, entendo que a manifestação de desistência formulada em relação ao vertente crédito tributário, em momento anterior ao julgamento, nos redireciona ao reexame das condições de admissibilidade do recurso. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por acolher os embargos inominados com efeitos infringentes para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 2402003.516, alterar a decisão embargada para não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Fl. 364DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.720264/2015-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010
RECURSO VOLUNTÁRIO. INEXIGIBILIDADE DOS JUROS MORATÓRIOS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO E EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO PAGAMENTO. MATÉRIAS NÃO IMPUGNADAS. NÃO CONHECIMENTO.
A matéria não contestada na impugnação é insuscetível de conhecimento em grau recursal.
PRELIMINAR DE AUSÊNCIA DE DESCRIÇÃO DOS FATOS IMPONÍVEIS. INEXISTÊNCIA DE NULIDADES. AUTUAÇÃO DEVIDAMENTE MOTIVADA.
Lançamento de crédito tributário, resultante da diferença de alíquota RAT e da aplicação do FAP, fundamentado em fatos, em fundamentos e em provas não é nulo e nem viola o direito de defesa.
MULTA DE MORA. JUROS MORATÓRIOS. CONTESTAÇÃO DO ÍNDICE FAP. DECISÃO DESFAVORÁVEL. EXIGIBILIDADE.
No caso de decisão administrativa definitiva desfavorável ao sujeito passivo em sede de contestação do índice FAP, é devida a multa moratória de 20% e os juros moratórios desde o vencimento da competência até a data do efetivo recolhimento da diferença da contribuição ao SAT ajustada pelo FAP, inclusive durante o período em que o crédito ficou suspenso.
Numero da decisão: 2402-006.597
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso para, na parte conhecida, por voto de qualidade, negar-lhe provimento. Vencidos os conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Luis Henrique Dias Lima.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
(assinado digitalmente)
Luís Henrique Dias Lima - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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INEXIGIBILIDADE DOS JUROS MORATÓRIOS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO E EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO PAGAMENTO. MATÉRIAS NÃO IMPUGNADAS. NÃO CONHECIMENTO. A matéria não contestada na impugnação é insuscetível de conhecimento em grau recursal. PRELIMINAR DE AUSÊNCIA DE DESCRIÇÃO DOS FATOS IMPONÍVEIS. INEXISTÊNCIA DE NULIDADES. AUTUAÇÃO DEVIDAMENTE MOTIVADA. Lançamento de crédito tributário, resultante da diferença de alíquota RAT e da aplicação do FAP, fundamentado em fatos, em fundamentos e em provas não é nulo e nem viola o direito de defesa. MULTA DE MORA. JUROS MORATÓRIOS. CONTESTAÇÃO DO ÍNDICE FAP. DECISÃO DESFAVORÁVEL. EXIGIBILIDADE. 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(assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Redator Designado Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Relatório A 4ª Turma da DRJ/BEL fez um relato preciso do lançamento, da impugnação e dos incidentes ocorridos até a prolatação do acórdão de impugnação, que passa a integrar, em parte, o presente relatório: DO LANÇAMENTO O presente processo, COMPROT nº 19515.720264/201504, trata de Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP nº 51.021.1143 (fls. 1336/1599), lavrado contra a empresa em epígrafe, no valor consolidado com multa e juros de R$ 1.218.726,86 (hum milhão, duzentos e dezoito mil, setecentos e vinte e seis e oitenta e seis centavos), consolidado em 25/03/2015. É constituído dos seguintes levantamentos: DF – DIFERENÇA DE FAP e DS – DIFERENÇA DE SAT, nos termos do Relatório Fiscal de fls. 1285/1288. Narra ainda o Relatório Fiscal de fls. 1285/1288: DIFERENÇA DE ALÍQUOTA SAT O lançamento referese às contribuições devidas à Seguridade Social, no período 01/2010 a 12/2010, inclusive o 13º salário, destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência da incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, conforme o disposto no artigo 22, inciso II, “c”, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei Fl. 2043DF CARF MF Processo nº 19515.720264/201504 Acórdão n.º 2402006.597 S2C4T2 Fl. 4 3 9.732/98 c/c artigo 202, III, do Regulamento da Previdência Social –RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99 e alterações posteriores. Fundamentada no que dispõem o art. 19, §4º, da Lei nº 10.522/02 e no Ato Declaratório PGFN nº 11/2011, emitido com base no Parecer PGFN/CRJ 21202011, a Auditora Fiscal informa que a notificada declarou incorretamente em GFIP a alíquota SAT, incidente sobre o total da remuneração dos segurados empregados a seu serviço, recolhendoa a menor em 1%. Os estabelecimentos foram os seguintes: Ressalta a Auditora fiscal que, a notificada também deixou de recolher o adicional de 1,5371 referente ao FAP – Fator Acidentário de Prevenção, incidente sobre a diferença de alíquota, conforme disposições do artigo 10º da Lei 10.666/03 c/c o artigo 202A do RPS, na redação dada pelo Decreto 6.957/09. Juntou aos autos, planilha discriminando as diferenças apuradas. DIFERENÇA DE RECOLHIMENTO DO FAP O lançamento referese às contribuições devidas à Seguridade Social, no período 04/2010 a 12/2010, inclusive o 13º salário, destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência da incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho. Fundamentase no que dispõe o artigo 22, inciso II, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.732/98, regulamentado pelo artigo 202, do Decreto 3.048/, artigo 202A do RPS, com as alterações introduzidas pelos Decretos 6.042/2007 e 6.952/2009 e artigo 202B do RPS, na redação dada pelo Decreto 7.126/2020. Esclarece a Auditora Fiscal que: “tendo em vista que o contribuinte impugnou administrativamente o fator atribuído pelo Ministério da Previdência Social para o ano de 2010, deixou de recolher em época própria o adicional do FAP. Após decisão definitiva desfavorável, tentou recolher as diferenças relativas ao adicional sem incluir a multa de mora devida pelo recolhimento em atraso. Contudo, o sistema informatizado da Receita Federal não aceita o recolhimento da Guia da Previdência Social – GPS sem o total dos acréscimos legais devidos. Por essa razão, parte do valor que a empresa pretendia Fl. 2044DF CARF MF Processo nº 19515.720264/201504 Acórdão n.º 2402006.597 S2C4T2 Fl. 5 4 recolher como Valor do INSS (Campo 6 da GPS) foi apropriado para o Campo 10 (Atualização Monetária/Multa/Juros). Como consequência, a empresa recolheu a menor os valores devidos relativos ao FAP 2010.” Esclarece ainda que, a notificada realizou outros recolhimentos, no entanto, parte das diferenças persistiu, sendo incluídas no presente lançamento. Juntou planilha discriminando a diferença original do FAP não recolhida, os recolhimentos parciais feitos pela empresa e a diferença final. DOCUMENTOS EXAMINADOS: GFIP, GPS, Cadastro no CNPJ, planilha fornecida pela empresa contendo o cálculo das contribuições previdenciárias e demais esclarecimentos prestados. MULTA DE OFÍCIO: aplicou a multa de 75% na forma prevista no artigo 44, I, da Lei 9.430, de 27/12/1996, na redação dada pela Medida Provisória noº 449, de 04/12/2008, convertida na Lei 11.941, de 27/05/2009. DA IMPUGNAÇÃO A impugnante tomou conhecimento do lançamento em 26/03/2015, por intermédio de seu bastante procurador (fls. 1336). Em 27/04/2015, a interessada, apresentou defesa de fls. 1614/1627, acompanhada dos anexos de fls. 1628/1815, alegando em síntese o seguinte: Preliminar 1. Do Pagamento do Crédito Tributário Relativo à Diferença de Alíquota SAT Reconhece o valor lavrado referente à diferença de alíquota SAT, desistindo de quaisquer atos de defesa ou recurso, nos termos do art. 3º, da Lei nº 2.920/2014. Direito 1. Da Ausência de Descrição dos Fatos Imponíveis Solicita a nulidade material do presente crédito previdenciário, uma vez que os pressupostos contidos no art. 10, do Decreto nº 70.235/1972, não foram observados pela Fiscalização. Neste diapasão, verificase a ausência de fundamentação clara e precisa dos lançamentos fiscais, uma vez que a Fiscalização não logrou êxito em demonstrar adequadamente as razões que fundamentaram as infrações supostamente praticadas. O Auditor Notificante omitiu descrição quanto às contribuições, diferenças e períodos que estão sendo cobrados no lançamento. Alega que esta situação prejudica o devido processo legal administrativo, porque a generalidade existente impossibilita a Fl. 2045DF CARF MF Processo nº 19515.720264/201504 Acórdão n.º 2402006.597 S2C4T2 Fl. 6 5 ampla produção de provas, em face do alargamento semântico atribuído à conjuntura da incidência e o desconhecimento do imputado, ficando prejudicada do contraditório por desconhecer o que deve ser provado. Solicita ainda que, caso este Órgão de Julgamento entenda que o presente caso não se trata de nulidade material, mas de vício formal, que seja declarada esta forma de nulidade. Colaciona acórdão do Conselho de Contribuintes. 2. Da Multa Indevida Relata que contestou administrativamente o FAP junto ao Departamento de Políticas de Saúde e Segurança Ocupacional da Secretaria Políticas de Previdência Social para o ano de 2010, com efeito suspensivo, passando a não recolher o SAT com a majoração do FAP até a decisão definitiva. Informa que em última instância, o processo foi julgado parcialmente procedente, reduzindo o FAP de 1,5371 para 1,5369. Após ter sido notificada da decisão, que cessou o efeito suspensivo, recolheu a diferença da contribuição previdenciária devida, com juros e sem multa, fundamentada no disposto no § 2º, do art. 63, da Lei nº 9.430/96, que prevê a não incidência da multa de mora desde a concessão de medida judicial até 30 dias após a data da decisão judicial que considerar devido o tributo. Fundamentada no Princípio da Isonomia, esclarece que as mesmas razões jurídicas que ditaram a concessão do prazo de 30 dias e a não imputação de multa de mora, previstos no § 2º, do art. 63, da Lei nº 9.430/96, devem ser aplicadas em relação ao julgamento pela autoridade administrativa. Aduz que a decisão em última instância ocorreu em 16/06/2011 e o pagamento do tributo devido se deu em 15/07/2011, cumprindo, portanto, criteriosamente o prazo de 30 dias. Assim sendo, uma vez aplicado, por analogia, o disposto no § 2º, do art. 63, da Lei nº 9.430/96, impõese à conclusão de que é indevida a multa de mora, porque jamais foi inadimplente, não merecendo sofrer nenhuma sanção. Solicita a nulidade do presente auto, uma vez que a constituição do crédito tributário é inexistente, já que realizou o pagamento regularmente e tempestivamente. 3. Da Imputação Proporcional do Sistema da Receita Federal Esclarece que após realizar os recolhimentos referentes à diferença do SAT majorado pelo FAP, o sistema informatizado desta instituição não reconheceu o pagamento sem o acréscimo da multa, imputando os valores proporcionalmente, nos campos 6 (valor INSS) e no 10 (ATM/Multa e Juros), da GPS. Cita como exemplo, o recolhimento realizado na competência 04/2010. Fl. 2046DF CARF MF Processo nº 19515.720264/201504 Acórdão n.º 2402006.597 S2C4T2 Fl. 7 6 Neste caso, verificase que sistematicamente a empresa recolheu o valor original menor que o devido, mas não foi o que aconteceu na prática. Esta situação se deu porque a previsão legal para o não pagamento da multa de mora supostamente incidente sobre o FAP, não foi identificada pelo sistema da Receita Federal e, por conseguinte, gerou os lançamentos fiscais ora tratados. Por mais esta razão, aduz que o crédito se encontra quitado, não devendo se cogitar sobre sua exigibilidade, tampouco da legalidade do lançamento fiscal, que lhe culminou pena de multa de ofício e juros de mora. Pedido Requer o reconhecimento da presente impugnação e, no mérito, seja julgada procedente, cancelando integralmente o crédito em questão. Por fim, solicita que seja avaliada, nos termos da legislação aplicável ao processo administrativo federal, a eventual necessidade de produção de provas pericial e novas diligências, em respeito às franquias constitucionais e legais do contraditório e da ampla defesa. A 4ª Turma da DRJ/BEL julgou a impugnação improcedente, conforme decisão assim ementada: IMPUGNAÇÃO PARCIAL. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. Os valores correspondentes sujeitam se à imediata cobrança, não sendo, pois, objeto de análise desse julgamento administrativo. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não merece acolhida a alegação de cerceamento de defesa, haja vista que todos os relatórios foram entregues ao contribuinte, onde constam, claramente descritos, todos os fundamentos para a correta apuração do crédito tributário, bem como os dispositivos legais violados. EXIGIBILIDADE. MULTA DE MORA. LEGALIDADE Não cabe a exclusão da multa de mora imposta, haja vista a não subsunção às hipóteses previstas no art. 63, da Lei nº 9.430/96, isto é, de concessão de medida liminar ou tutela antecipada em mandado de segurança ou outras espécies de ação judicial. IMPUTAÇÃO PROPORCIONAL. PROCEDIMENTO ESTABELECIDO EM NORMA. O procedimento de imputação proporcional está previsto em norma editada pela Receita Federal do Brasil, devendo ser observado por seus agentes. Fl. 2047DF CARF MF Processo nº 19515.720264/201504 Acórdão n.º 2402006.597 S2C4T2 Fl. 8 7 DILIGÊNCIA É desnecessária a baixa dos autos em diligência quando os elementos constantes dos autos são suficientes para firmar o convencimento do julgador. PRODUÇÃO DE PROVAS. INDEFERIMENTO. O momento oportuno para apresentação das provas documentais é com a impugnação. O sujeito passivo foi eletronicamente intimado da decisão em 01/12/2016, pela abertura dos arquivos digitais correspondentes no link Processo Digital, e interpôs recurso voluntário em 28/12/2016, no qual basicamente reiterou os mesmos fundamentos de sua impugnação e acrescentou tese sucessiva atinente à não aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício, tendo juntado, ainda, as guias de recolhimentos de fls. 1973 e seguintes. Sem contrarrazões ou manifestação pela PGFN. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Conhecimento O recurso voluntário é tempestivo, uma vez que interposto dentro do prazo legal de trinta dias, mas não deve ser totalmente conhecido. 1.1 A tese sucessiva segundo a qual não caberia a aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício não foi ventilada na impugnação, sendo insuscetível, pois, de conhecimento em grau recursal. A impugnação da exigência, a qual deve ser formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, instaura a fase litigiosa do procedimento, considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo sujeito passivo. Somente a impugnação regular é capaz de atrair o poderdever do Estado de fazer a prestação jurisdicional, dirimindo a controvérsia iniciada com o lançamento fiscal mas efetivamente instaurada com a sua (da impugnação) apresentação. Vejase, nesse sentido, os seguintes dispositivos constantes do Decreto nº 70.235/1972: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. ......................................................................................................... Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao Fl. 2048DF CARF MF Processo nº 19515.720264/201504 Acórdão n.º 2402006.597 S2C4T2 Fl. 9 8 órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. ......................................................................................................... Art. 16. A impugnação mencionará: [...] ......................................................................................................... Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. ......................................................................................................... Em função da falta de impugnação, a DRJ não julgou a matéria ora suscitada, de forma o seu conhecimento aviltaria o princípio constitucional do duplo grau de jurisdição. Destarte, não se conhece do recurso neste ponto. 1.2 Também não deve ser conhecida a preliminar de extinção parcial do crédito tributário pelo pagamento. A esse respeito, a contribuinte assevera que: 16. Conforme se extrai da fundamentação externada no Acórdão ora recorrido, uma parcela do crédito tributário originalmente lançado no Auto de Infração foi individualizada e transferida para controle e cobrança nos autos do Processo Administrativo de nº 16151.720197/201689. 17. Todavia, o motivo para atingir essa conclusão está equivocado! De fato, houve o reconhecimento na Impugnação da exigência relacionada à rubrica “Diferença SAT”, mas, ao contrário do que restou consignado no Acórdão, não há que se falar na manutenção da situação de inadimplência. 18. Isso porque, conforme noticiado alhures, a Recorrente procedeu ao efetivo recolhimento da exação, com a consequente – e necessária – juntada dos respectivos comprovantes de pagamento nos presentes autos (vide novamente Doc. 04). 19. Desse modo, não há motivo para a manutenção dos créditos com a exigibilidade ativa, muito menos a apartação desse montante para um processo administrativo de cobrança, haja vista o efetivo recolhimento da exação pela Requerente. 20. Em sendo assim, deve este E. Conselho Administrativo de Recurso Fiscais determinar a reforma do acórdão ora recorrido, de modo que, com isso, seja determinada a extinção do crédito tributário nos termos consignados no art. 156, inciso I, do Código Tributário Nacional. Ocorre que essa parcela do lançamento, por não ter sido impugnada, não teve a sua exigibilidade suspensa e nem foi submetida ao contraditório. Na dicção do art. 17 do Fl. 2049DF CARF MF Processo nº 19515.720264/201504 Acórdão n.º 2402006.597 S2C4T2 Fl. 10 9 Decreto nº 70.235/1972 (vide acima), considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo sujeito passivo. Consequentemente, apenas a parte contestada deve seguir para julgamento pela DRJ e eventualmente pelo CARF. Por tais razões, a DRF em São Paulo transferiu a diferença de SAT/RAT para o processo 16151720.197/201689, onde, eventualmente, deverá ser dirimida a eventual controvérsia acerca dos recolhimentos relatados pela contribuinte àquele título. 2 Preliminar de ausência de descrição dos fatos imponíveis Preliminarmente, o sujeito passivo afirma que o auto de infração teria vícios formais e materiais, diante da alegada ausência de fundamentação do lançamento. Equivocouse a contribuinte, pois o lançamento do crédito tributário resultante da diferença de alíquota RAT e da aplicação do FAP está fundamentado em fatos, em fundamentos e em provas. Vejase: A) DIFERENÇA DE ALÍQUOTA RAT 2. O crédito lançado referese a contribuições devidas à Seguridade Social no período de 01/2010 a 12/2010, inclusive 13º salário, destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, nos termos do artigo 22, inciso II, “c”, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 9.732/98 c/c artigo 202, III, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99 e alterações posteriores. 3. Tendo em vista as disposições do artigo 19, §4º, da Lei 10.522/02 e o Ato Declaratório PGFN 11/2011, emitido com base no Parecer PGFN/CRJ 21202011, a alíquota do SAT deve ser obtida pelo grau de risco de cada estabelecimento com CNPJ próprio. 4. No período em questão, o sujeito passivo declarou incorretamente em Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social – GFIP a alíquota SAT dos estabelecimentos listados a seguir: [...] 5. Assim procedendo, recolheu a menor para o SAT a alíquota de 1% (um por cento) incidente sobre o total da remuneração dos segurados empregados a seu serviço destes estabelecimentos. 6. Também deixou de recolher o adicional de 1,5371 referente ao FAP – Fator Acidentário de Prevenção, incidente sobre a diferença de alíquota, conforme disposições do artigo 10º da Lei 10.666/03 c/c o artigo 202A do RPS, na redação dada pelo Decreto 6.957/09. [...] Fl. 2050DF CARF MF Processo nº 19515.720264/201504 Acórdão n.º 2402006.597 S2C4T2 Fl. 11 10 B) DIFERENÇA DE RECOLHIMENTO DO FAP 8. O crédito lançado referese a contribuições devidas à Seguridade Social no período de 04/2010 a 12/2010, inclusive 13º salário, destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho. 9. Referidas contribuições correspondem às alíquotas SAT de um, dois ou três por cento previstas no artigo 22, inciso II, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 9.732/98, regulamentadas pelo artigo 202 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99 e alterações posteriores. 10. A Lei 10.666/2003, em seu artigo 10º, definiu o aumento ou a redução das alíquotas SAT, segundo o desempenho da empresa em relação à respectiva atividade econômica, conforme segue: [...] 11. O artigo 202A do RPS, com as alterações introduzidas pelos Decretos 6.042/2007 e 6.952/2009, definiu que o acréscimo ou redução da alíquota ocorre de acordo com o Fator Acidentário de Prevenção – FAP, calculado segundo metodologia do Conselho Nacional de Previdência Social e divulgado anualmente pelo Ministério da Previdência Social. 12. Nos termos do artigo 202B do RPS, na redação dada pelo Decreto 7.126/2020, o FAP atribuído às empresas pode ser contestado perante o Departamento de Políticas de Saúde e Segurança Ocupacional da Secretaria de Políticas de Previdência Social do Ministério da Previdência Social, no prazo de trinta dias da sua divulgação oficial. 13. Tendo em vista que o contribuinte impugnou administrativamente o fator atribuído pelo Ministério da Previdência Social para o ano de 2010, deixou de recolher em época própria o adicional do FAP. Após decisão definitiva desfavorável, tentou recolher as diferenças relativas ao adicional sem incluir a multa de mora devida pelo recolhimento em atraso. Contudo, o sistema informatizado da Receita Federal não aceita o recolhimento da Guia da Previdência Social – GPS sem o total dos acréscimos legais devidos. Por essa razão, parte do valor que a empresa pretendia recolher como Valor do INSS (Campo 6 da GPS) foi apropriado para o Campo 10 (Atualização Monetária/Multa/Juros). Como consequência, a empresa recolheu a menor os valores devidos relativos ao FAP 2010. Como se vê acima, os fatos e os fundamentos do relatório fiscal são extremamente claros e inegavelmente suficientes. A fiscalização ainda tomou o cuidado de relacionar os documentos que foram examinados e de forma alguma foi obstaculizado, nem mesmo dificultado o direito de defesa da recorrente. Fl. 2051DF CARF MF Processo nº 19515.720264/201504 Acórdão n.º 2402006.597 S2C4T2 Fl. 12 11 Em síntese, a ação fiscal foi conduzida por servidor competente, que concedeu à recorrente os prazos legais para a apresentação de documentos e prestação de esclarecimentos; o Auto de Infração foi devidamente motivado e foi concedido ao sujeito passivo o prazo legal para a formulação de impugnação; o relatório fiscal ainda contém clara descrição do fato gerador da obrigação, da matéria tributável, do montante do tributo devido, da identificação do sujeito passivo e da penalidade aplicável; não houve nenhum prejuízo para os direitos de defesa e do contraditório da recorrente, que puderam ser exercidos na forma e no prazo legal. Isto é, a fiscalização transcorreu dentro da mais restrita legalidade e não houve qualquer inobservância ao direito de defesa da recorrente, devendo ser rejeitada a presente preliminar. 3 Da inexigibilidade da multa Neste tocante, a recorrente suscita que, após ter sido notificada da decisão relativa ao FAP, que cessou o efeito suspensivo, recolheu a diferença da contribuição previdenciária devida, com juros e sem multa, fundamentada no disposto no § 2º do art. 63 da Lei nº 9.430/96. Aduz que a decisão em última instância ocorreu em 16/06/2011 e o pagamento do tributo devido se deu em 15/07/2011, cumprindo, portanto, criteriosamente o prazo de 30 dias. Assim sendo, uma vez aplicado, por analogia, o disposto no § 2º do art. 63 da Lei 9.430/96, impõese a conclusão de que é indevida a multa de mora, porque jamais foi inadimplente, não merecendo sofrer nenhuma sanção. A decisão recorrida divergiu dessa tese, sob o entendimento de que o supra citado dispositivo alcança apenas os créditos cuja exigibilidade esteja suspensa na forma dos incs. IV e V do art. 151 do CTN. Pois bem. A própria DRJ reconhece (e a legislação é expressa) que a contestação administrativa acerca da atribuição do FAP tem efeito suspensivo, tendo em vista o disposto no § 3º do art. 202B do RGPS com destaques: Art.202B. O FAP atribuído às empresas pelo Ministério da Previdência Social poderá ser contestado perante o Departamento de Políticas de Saúde e Segurança Ocupacional da Secretaria Políticas de Previdência Social do Ministério da Previdência Social, no prazo de trinta dias da sua divulgação oficial.(Incluído pelo Decreto nº 7.126, de 2010) §1º A contestação de que trata o caput deverá versar, exclusivamente, sobre razões relativas a divergências quanto aos elementos previdenciários que compõem o cálculo do FAP.(Incluído pelo Decreto nº 7.126, de 2010) §2º Da decisão proferida pelo Departamento de Políticas de Saúde e Segurança Ocupacional, caberá recurso, no prazo de trinta dias da intimação da decisão, para a Secretaria de Fl. 2052DF CARF MF Processo nº 19515.720264/201504 Acórdão n.º 2402006.597 S2C4T2 Fl. 13 12 Políticas de Previdência Social, que examinará a matéria em caráter terminativo.(Incluído pelo Decreto nº 7.126, de 2010) §3º O processo administrativo de que trata este artigo tem efeito suspensivo.(Incluído pelo Decreto nº 7.126, de 2010) No entender deste relator, a suspensão da exigibilidade da alíquota majorada pelo FAP tem o efeito de afastar a aplicação da multa que pune a mora, mesmo porque a aludida suspensão implica a inexistência de atraso por parte do contribuinte. Essa é a ratio essendi do § 2º do art. 63 da Lei 9.430/96. Ademais, a contribuinte não pode ser punida por exercer um direito que lhe é assegurado pelo Regulamento da Previdência. Deve ser lembrado, nesse contexto, que o FAP é um multiplicador variável de cinco décimos a dois inteiros, que é calculado pelo próprio Ministério da Previdência com base em índices de freqüência, gravidade, custo e demais elementos, que não são de fácil acesso aos contribuintes, visto que aferíveis dentro de toda uma classe econômica. É também por essa razão que o Decreto regulamentador facultou ao sujeito passivo o direito de apresentação de contestação administrativa com efeito suspensivo. Nessa lógica, entendese que a recorrente não pode ser apenada com a multa moratória. A inexistência de lei expressa afastando a exigibilidade da multa moratória não infirma as conclusões deste julgador. Exemplificativamente, antes mesmo da edição da Lei 9703/98, a doutrina era uníssona em afastar os efeitos da mora relativamente ao montante depositado na forma do art. 151, inc. II, do CTN. Vejase: O depósito, mesmo antes da Lei 9.703/98, cumprindo a função de garantia do crédito ainda que insuficiente afasta os efeitos da mora relativamente ao montante depositado, de modo que não poderá ser aplicada multa moratória sobre o montante depositado tempestivamente1. Em sendo assim, o recurso voluntário deve ser provido neste ponto, a fim de que seja afastada a multa moratória em relação aos recolhimentos efetuados na forma do § 2º do art. 63 da Lei 9430/96, o que deverá ser apurado em sede de liquidação deste julgado. É óbvio que o lançamento com a exigibilidade da multa moratória não torna nulo todo o procedimento, como pretende fazer crer a contribuinte, devendo ser decotado apenas o excesso, o que é de fácil aferição. Destaquese, a propósito, que nem todo o lançamento revelouse indevido, sendo equivocada a aventada tese de sua nulidade. Tendo sido provido o recurso quanto à multa de mora, fica prejudicada a análise do tópico relativo à imputação proporcional, no qual a contribuinte basicamente reafirmou a inexigibilidade da multa. 1 PAULSEN, Leandro. Direito tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 10. ed. rev. atual. Porto Alegre: Livraria do Advogado; ESMAFE, 2008, p. 1021. Fl. 2053DF CARF MF Processo nº 19515.720264/201504 Acórdão n.º 2402006.597 S2C4T2 Fl. 14 13 4 Conclusão Diante do exposto, votase no sentido de conhecer parcialmente do recurso voluntário, para, na parte conhecida, darlhe provimento, a fim de que seja afastada a multa moratória em relação aos recolhimentos efetuados na forma do § 2º do art. 63 da Lei 9430/96, o que deverá ser apurado em sede de liquidação deste julgado. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Voto Vencedor Conselheiro Luis Henrique Dias Lima Redator Designado Não obstante o bem fundamentado voto do i. Relator, dele divirjo pontualmente pelas razões de fato e de direito a seguir delineadas. O cerne da divergência em apreço reside no afastamento da multa moratória em relação aos recolhimentos efetuados na forma do § 2º. do art. 63 da Lei 9.430/96. Na espécie, não me parece razoável a integração normativa por analogia ao disposto no art. 63, § 2º. da Lei 9.430/96 na forma proposta pelo i. Relator, vez que esse dispositivo legal alcança, por óbvio, apenas os créditos tributários com exigibilidade suspensa conforme estabelece o art. 151, IV e V do CTN. De se observar que a suspensão em discussão tem fundamento em dispositivo infralegal (art. 202B, § 3º do Decreto n. 3048/99 RPS) que, por evidente, não pode se opor ao que estabelece uma lei complementar (CTN), com mais razão ainda quando o dispositivo legal (art. 151, IV e V do CTN) é taxativo, numerus clausus mesmo, ao determinar as hipóteses de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, o que, de plano, afasta a possibilidade de aplicação de analogia ou qualquer outro método de integração normativa. É relevante destacar que o próprio i. Relator reconhece a inexistência de lei expressa afastando a exigibilidade da multa moratória vinculada à contestação do índice FAP. Assim, sobrevindo decisão administrativa definitiva desfavorável ao sujeito passivo em sede de contestação do índice FAP, prevista no art. 202B, § 3º., do Decreto n. 3048/99 (RPS), é devida a multa moratória de 20% e os juros moratórios desde o vencimento da competência até a data do efetivo recolhimento da diferença da contribuição ao SAT ajustada pelo FAP, inclusive durante o período em que o crédito ficou suspenso. Ante o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO, na parte conhecida, ao recurso voluntário em apreço. (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Fl. 2054DF CARF MF
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Numero do processo: 10920.000980/2006-16
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2002
SIMPLES. EMPREITADA DE MÃO DE OBRA. EQUIPARAÇÃO À LOCAÇÃO DE MÃO DE OBRA. CARACTERIZAÇÃO.
Por equiparar-se à locação de mão de obra, é vedada ao Simples a execução de empreitada de mão de obra, cujos traços distintivos são: i)
assunção do risco pelo empreiteiro, quanto à fiscalização, orientação e planejamento do bem objeto da contratação, segundo as especificações estabelecidas de tempo e preço; ii) apresentação de um resultado que, no caso da empreitada exclusivamente de mão de obra, é a própria execução.
Numero da decisão: 1001-000.771
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2002 SIMPLES. EMPREITADA DE MÃO DE OBRA. EQUIPARAÇÃO À LOCAÇÃO DE MÃO DE OBRA. CARACTERIZAÇÃO. Por equiparar-se à locação de mão de obra, é vedada ao Simples a execução de empreitada de mão de obra, cujos traços distintivos são: i) assunção do risco pelo empreiteiro, quanto à fiscalização, orientação e planejamento do bem objeto da contratação, segundo as especificações estabelecidas de tempo e preço; ii) apresentação de um resultado que, no caso da empreitada exclusivamente de mão de obra, é a própria execução.
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EMPREITADA DE MÃO DE OBRA. EQUIPARAÇÃO À LOCAÇÃO DE MÃO DE OBRA. CARACTERIZAÇÃO. Por equipararse à locação de mão de obra, é vedada ao Simples a execução de empreitada de mão de obra, cujos traços distintivos são: i) assunção do risco pelo empreiteiro, quanto à fiscalização, orientação e planejamento do bem objeto da contratação, segundo as especificações estabelecidas de tempo e preço; ii) apresentação de um resultado que, no caso da empreitada exclusivamente de mão de obra, é a própria execução. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 09 80 /2 00 6- 16 Fl. 249DF CARF MF Processo nº 10920.000980/200616 Acórdão n.º 1001000.771 S1C0T1 Fl. 250 2 Relatório A recorrente postula pela reforma da decisão proferida pela 2ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento em Curitiba (PR), mediante o Acórdão nº 0624.607, de 26/11/2009 (efls. 209/214). Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento em primeira instância, a seguir transcrito: (grifos não constam do original) Trata o processo de manifestação de inconformidade pela exclusão do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples, por motivo de exercício de atividade vedada. 2. O Ato Declaratório Executivo de Exclusão do Simples DRF/Joinville n° 011, emitido em 21/01/2008, à fl. 39, excluiu o contribuinte do regime do Simples, com efeitos a partir de 01/0l/2002, por incorrer nas vedações previstas no art. 9°, XII, “f” da Lei n° 9.317, de 1996. 3. Intimada do ADE em 30/01/2008, conforme AR de fl. 41, tempestivamente, em 27/02/2008, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 42/60, por meio de seu procurador, procuração à fl. 61, instruída com os documentos de fls. 62/203, que se resume a seguir: a. Alega que, muito embora conste em seu contrato social o ramo de empreiteira de mão de obra em serviços de roçadas em prédios e domicílios, a atividade não é de cessão de mão de obra; b. Esclarece que a empresa possui equipamentos próprios;conforme notas fiscais anexadas; c. Cita o art. 31 da Lei n° 8.212/91, e regulamentação, e entende que não obstante o dispositivo traga, em seu inciso I, a operação de limpeza, conservação e zeladoria o que por si só é genérico e impreciso como sendo hipóteses enquadráveis como locação ou cessão de mão de obra, é certo também que, de maneira inquestionável e objetiva, o caput condiciona a “colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividade da empresa”; d. Entende que a orientação é no sentido de que as atividades somente seriam consideradas locação ou cessão de mão de obra, uma vez contidas nas condições transcritas, o que não é o caso; e que a regulamentação foi além da lei, ferindo não só o que expressamente foi determinado, como também o espírito da lei; e. Justifica que não coloca seus funcionários à disposição da contratante nem presta serviços de natureza contínua, nem são seus empregados locados ou postos no ambiente dos clientes; mas neles ingressam com o simples propósito de realizar sua atividade, porque necessitam estar adstritos aos comandos dos contratantes, e que os jardins sobre os quais os serviços são prestados não podem serem tratados na sede da empresa; f. Argumenta que, no que tange à continuidade, a empresa tampouco preenche tal requisito, seja porque a diversidade de empregados que possui não implica que Fl. 250DF CARF MF Processo nº 10920.000980/200616 Acórdão n.º 1001000.771 S1C0T1 Fl. 251 3 atendam exclusivamente a este ou aquele cliente, podendo fazêlo ou não coincidentemente já que suas tarefas são predeterminadas a cada dia; também porque, ainda que coincidentemente atendam ao mesmo cliente num mesmo mês, o que é absolutamente remoto, é certo que durante o dia podem atentar a vários deles, já que o tempo despendido em cada cliente depende do trabalho a se executar; g. Explica que, concluída a tarefa, não ficam à disposição da contratante, sendo removidos para outra empresa, onde um novo contrato se inicia; também não tem remuneração fixa mensal, o que definiria o contrato de cessão de mão de obra, já que fatura sobre os serviços realizados naquele mês, e não pela mesma tarefa, todo mês; h. Cita decisões do STJ e do Conselho de Contribuintes; i. Requer a revogação do ADE, declarando a permanência da empresa no Simples. A DRJ considerou improcedente a manifestação de inconformidade, cujo voto condutor do acórdão recorrido transcrevo a seguir, in verbis: 5. Trata o processo de manifestação de inconformidade pela exclusão do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples, por motivo de exercício de atividade vedada, com efeitos a partir de 01/l0/2002. Mérito. Ato de exclusão do Simples. 6. Em síntese, a impugnante apresenta o seguinte arrazoado: i) muito embora conste em seu contrato social o ramo de empreiteira de mão de obra em serviços de roçadas em prédios e domicílios, a atividade não é de cessão de mão de obra; ii) a empresa possui equipamentos próprios, conforme notas fiscais anexadas; iii) pelo art. 31 da Lei n° 8.212/91, e regulamentação, não obstante o dispositivo traga, em seu inciso I, a operação de limpeza, conservação e zeladoria o que por si só é genérico e impreciso como sendo hipóteses enquadráveis como locação ou cessão de mão de obra, é certo também que, de maneira inquestionável e objetiva, o caput condiciona a “colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividade da empresa”; iv) a orientação é no sentido de que as atividades somente seriam consideradas locação ou cessão de mão de obra, uma vez contidas nas condições transcritas, o que não é o caso; e que a regulamentação foi além da lei, ferindo não só o que expressamente foi determinado, como também o espírito da lei; v) não coloca seus funcionários ã disposição da contratante nem presta serviços de natureza contínua, nem são seus empregados locados ou postos no ambiente dos clientes; mas neles ingressam com o simples propósito de realizar sua atividade, porque necessitam estar adstritos aos comandos dos contratantes, e que os jardins sobre os quais os serviços são prestados não podem serem tratados na sede da empresa; vi) no que tange à continuidade, a empresa tampouco preenche tal requisito, seja porque a diversidade de empregados que possui não implica que atendam exclusivamente a este ou aquele cliente, podendo fazêlo ou não coincidentemente já que suas tarefas são predeterminadas a cada dia; também porque, ainda que coincidentemente atendam ao mesmo cliente num mesmo mês, o que é Fl. 251DF CARF MF Processo nº 10920.000980/200616 Acórdão n.º 1001000.771 S1C0T1 Fl. 252 4 absolutamente remoto, é certo que durante o dia podem atentar a vários deles, já que o tempo despendido em cada cliente depende do trabalho a se executar; vii) concluída a tarefa, não ficam à disposição da contratante, sendo removidos para outra empresa, onde um novo contrato se inicia; também não tem remuneração fixa mensal, o que definiria o contrato de cessão de mão de obra, já que fatura sobre os serviços realizados naquele mês, e não pela mesma tarefa, todo mês. Requer a revogação do ADE, declarando a permanência da empresa no Simples. 7. O exame dos autos indicam que a decisão atacada não merece ser reformada. 8. O presente processo teve origem na Representação Administrativa de fls. 01/02, efetuada pelo Serviço de Fiscalização do INSS, em que se noticia a ocorrência, em tese, de hipótese de exclusão do Simples, em face de serviços prestados para a Prefeitura de São Bento do Sul, na forma de cessão de mão de obra. 9. Pelo despacho proferido pela DRF/Joinville, às fls. 33/38, a exclusão foi motivada pela presença da atividade de serviço de limpeza, conservação e locação de mão de obra, vedados pelo art. 9°, inciso XII,"f", da Lei n° 9.317/96: Art. 9º Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (...) XII que realize operações relativas a: (...) f) prestação de serviço vigilância, limpeza. conservação e locação de mão de obra; 10. De acordo com o contrato social de fls. 21/22, a empresa foi constituída em 27/11/1995, para atuar no ramo de “empreiteira de mão de obra em serviços de roçadas em prédios e domicílios”. Pela sétima alteração contratual de fls. 23/30, a partir de 21/11/2003, a empresa passou a explorar a “prestação de serviços na área de jardinagem”. 11. Verificase, portanto, que o próprio estatuto social originário da empresa prevê o exercício de atividade vedada, já que a empreitada de mão de obra, conforme se verá, equiparase à locação de mão de obra, para efeito da legislação do Simples. Além disso, há provas nos autos de que o contribuinte, efetivamente, prestou serviços sob essa modalidade. 12. Analisandose os contratos de fls. 03/12, contraídos em 28/01/2005 e 10/03/2005, que tinham por objeto o “fornecimento de serviços de mão de obra de roçadas e limpeza” em unidades sanitárias, creches e escolas administradas pela Prefeitura de São Bento do Sul, chegase à conclusão de que as atividades desempenhadas encaixamse no conceito de locação de mão de obra, mais especificamente, na modalidade de empreitada de mão de obra. Nesse sentido, valhome da orientação dada pela Cosit que, mediante o Parecer n° 69 de 10 de novembro de 1999, divulgou os seguintes entendimentos: "3. Em se tratando de locação da mãodeobra pressupõese que será utilizado trabalho alheio, ou seja, alguém cederá a outrem a atividade laborativa em virtude de necessidade transitória de Fl. 252DF CARF MF Processo nº 10920.000980/200616 Acórdão n.º 1001000.771 S1C0T1 Fl. 253 5 substituição de pessoal regular e permanente ou do acréscimo extraordinário de tarefas. 4. A locação de mãodeobra pode também ser definida como o contrato pelo qual o locador se obriga a fazer alguma coisa para uso ou proveito do locatário, não importando a natureza do trabalho ou do serviço. Os trabalhos são realizados sem a obrigação de executar a obra completa, ou seja, sem a produção de um resultado determinado. Na locação de mãodeobra, também definida como contrato de prestação de serviços, a locadora assume a obrigação de contratar empregados, trabalhadores avulsos ou autônomos sob sua exclusiva responsabilidade do ponto de vista jurídico. A locadora é responsável pelo vínculo empregatício e pela prestação de serviços, sendo que os empregados ou contratados ficam a disposição da tomadora dos serviços (locatária), que detém o comando das tarefas, fiscalizando a execução e o andamento dos serviços, 5. A legislação aplicável ao SIMPLES, relativamente ao aspecto discutido, estabelece a vedação para as pessoas jurídicas que tenham como atividade a locação de mãodeobra. Assim, onde a atividade referida for o objeto da pessoa jurídica, estará caracterizada a vedação a sua opção pela sistemática de pagamento de que trata o SIMPLES. Empreitada de mãodeobra 6. A empreitada, tanto na lei civil (CC art. 1.237 e segs.), quanto na Lei comercial (CCom, art. 226 e segs), é admitida como modalidade do contrato de locação (locação de obra, contrato de obra). É admissível a existência das seguintes espécies de empreitada: de materiais e mãodeobra; exclusivamente de mãodeobra (lavor) e por administração. Sua principal característica é o trabalho autônomo, possuindo utilização corrente na construção civil e no meio rural. A distinção entre os diferentes tipos de empreitadas farseá pela natureza da prestação de trabalho. Fundamental para caracterizarse a empreitada é que o empreiteiro assuma o risco de realizar a obra contratada por si ou seus preposto,. segundo as especificações estabelecidas de tempo e preço. O empreiteiro é responsável pela organização dos meios necessários e a gestão do próprio risco, além da obrigação de executar a obra ou o serviço para o qual foi contratado. Como regra geral. todos os contratos de empreita pressupõem a assunção, por parte do contratado. do ônus relativo à fiscalização, orientação e planejamento do bem objeto da contratação. 7. A diferenciação básica existente entre a empreitada e a locação de mãodeobra, portanto, é obtida pelo modo de encarar a obrigação de fazer. Se o que é ajustado limitase ao fornecimento da mãodeobra, sob controle e supervisão do locatário, temos a locação de mãodeobra. Se o que é ajustado restringese à apresentação de um resultado, defrontamos com a empreitada. No caso da empreitada exclusivamente de mãode Fl. 253DF CARF MF Processo nº 10920.000980/200616 Acórdão n.º 1001000.771 S1C0T1 Fl. 254 6 obra, o resultado é a própria execução do serviço estabelecendo se, assim, sua similitude com a locação de mãodeobra. 8. Por conseguinte, dedicandose a empresa à execução de empreitada exclusivamente de mãodeobra, não poderá optar pelo SIMPLES. Assim também, a empreitada por administração, relacionada ao trabalho intelectual e administrativo de organizar os serviços e fiscalizar o andamento da execução do objeto da empreita, não poderá, também, optar pelo SIMPLES, devido ao fato de prestar serviços inerentes ao engenheiro e arquiteto. (...) Cessão de mãodeobra 12. O conceito de cessão de mãodeobra não tem utilização corrente no direito do trabalho, assim também no direito civil, sendo comum, todavia, sua utilização na área de atuação da previdência e assistência social. Encontrase definido no art. 23 da Lei n° 9. 711, de 20 de novembro de 1998, que conferiu nova redação ao art. 31 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, conforme segue: 'Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal, ou fatura, em nome da empresa cedente da mãodeobra, observado o disposto no §5º do art. 33. (...) §3º Para os fins desta Lei, entendese como cessão de mãode obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. §4º Enquadramse na situação prevista no parágrafo anterior, além de outros estabelecidos em regulamento, os seguintes serviços: I limpeza, conservação e zeladoria; II vigilância e segurança; III empreitada de mãodeobra; IV contratação de trabalho temporário na forma da Lei nº 6.019, de 3 de janeiro de 1974. ' 13. A partir da definição expressa na Lei nº 9. 711, de 1998, notase a similaridade entre os conceitos de locação de mãode Fl. 254DF CARF MF Processo nº 10920.000980/200616 Acórdão n.º 1001000.771 S1C0T1 Fl. 255 7 obra e cessão de mãodeobra, fato este que não ensejará, então, dúvidas na aplicação da vedação ao SIMPLES" (Grifouse) 13. A empreitada de mão de obra, em resumo, é uma espécie do gênero cessão de mão de obra, por expressa previsão legal contida no art. 31, §4°, inciso III da Lei n° 8.212, de 24/07/1991. A cessão de mão de obra, por sua vez, é equiparada à locação de mão de obra, conforme orientação da Administração Tributária, acima transcrita, e portanto vedada ao Simples. Os traços distintivos da empreitada, conforme o parecer citado, são os seguintes: i) assunção do risco pelo empreiteiro, quanto à fiscalização, orientação e planejamento do bem objeto da contratação, segundo as especificações estabelecidas de tempo e preço; ii) apresentação de um resultado que, no caso da empreitada exclusivamente de mão de obra, é a própria execução do serviço. 14. E de fato, os riscos da prestação dos serviços foram assumidos pelo contribuinte, conforme indica a cláusula quinta do contrato, pela qual a contratada se obrigou a utilizar máquinas de sua propriedade, em condições de uso, além de outras ferramentas necessárias. A responsabilidade por parte da empresa também resta clara, pela previsão contratual de transportar seu pessoal até as dependências dos locais de trabalho e vedação de terceirização dos serviços. Ainda, na cláusula décima terceira, estipulase que corre por conta da contratada todos os encargos de natureza trabalhista, previdenciária e securitária. 15. A obrigação de apresentação de um resultado também é nítida, conforme se depreende pela cláusula segunda do pacto, que dispõe que o objeto do pacto é a contratação de serviços de mão de obra referente à roçada e limpeza nas unidades sanitárias situadas em vários locais do Município, devendo ser feito com roçadeira mecânica de propriedade da contratante, em todos os pátios internos e externos dos locais mencionados, com acabamento em torno de meiofios, paredes e calçadas. O contrato ainda prevê um prazo de vigência de certo de onze meses, como eventual prorrogação, e valor total fixado em R$ 14.575,00. O segundo contrato contém disposições similares, com serviços sendo executados em creches e escolas da rede pública municipal. 16. As cópias de notas fiscais, juntadas às fls. 13/20, emitidas pelo contribuinte entre 02/08/2004 e 20/06/2005, comprovam que os serviços foram efetivamente executados. Resta claro, portanto, que o contribuinte exerce atividade vedada, consistente na prestação de serviços de sob a modalidade de empreitada de mão de obra, que se equipara à locação de mão de obra. 17. Na impugnação, a interessada tenta justificar, em vão, que não coloca seus funcionários à disposição da contratante nem presta serviços de natureza contínua, nem são seus empregados locados ou postos no ambiente dos clientes, mas neles ingressam com o simples propósito de realizar sua atividade. Com isso, o contribuinte procurar argumentar que suas atividades não se subsumem ao conceito legal de cessão de mão de obra, contido no art. 31 da Lei n° 8.212/91, o que é inútil, já que, conforme explanado, na realidade, seus serviços são prestados na forma de empreitada de mão de obra, que se equipara à locação de mão de obra, de acordo com a orientação dada pela Administração Tributária. 18. O termo de início dos efeitos da exclusão também foi fixado de forma correta pela autoridade fiscal, como sendo a partir 01/01/2002. No caso, incide a regra do art. 24 da Instrução Normativa SRF n°. 608, de 9 de janeiro de 2006, vigente à época da prolação da decisão, que aponta para aquela data, levando em conta que.a empresa exerce atividade vedada desde a sua constituição, por expressa previsão em seu contrato social: Fl. 255DF CARF MF Processo nº 10920.000980/200616 Acórdão n.º 1001000.771 S1C0T1 Fl. 256 8 Art. 24. A exclusão do Simples nas condições de que tratam os arts. 22 e 23 surtirá efeito. (...) § 1° Para as pessoas jurídicas enquadradas nas hipóteses dos incisos III a XIII e XVI a XVII do art. 20, que tenham optado pelo Simples até 27 de julho de 2001, o efeito da exclusão dar seá a partir: I do mês seguinte àquele em que se proceder a exclusão, quando efetuada em 2001; II de 1º de janeiro de 2002, quando a situação excludente tiver ocorrido até 31 de dezembro de 2001 e a exclusão for efetuada a partir de 2002. Ciente da decisão de primeira instância em 21/12/2009, conforme Aviso de Recebimento à efl. 217, a recorrente apresentou o recurso voluntário em 19/01/2010, conforme carimbo aposto à efl. 219. É o Relatório. Voto Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Relator O recurso apresentado á efls. 219/238 atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativofiscal (PAF). Dele conheço. No recurso voluntário, a recorrente afirma que: 06. Não há muito a acrescentar ao que foi dito pela recorrente, de vez que são claras e evidenciadas, comprovadas pelos documentos anexos as suas argumentações. 07. No que tange à conceituação de mãodeobra, ela é mais utilizada e esmiuçada pela Previdência e Assistência Social, que, inclusive passou a reter antecipadamente 11% das empresas cedentes de mãodeobra. A recorrente cita, novamente o art. 31 da Lei n° 8.212/91 e regulamentação (artigo 219, do Decreto n°. 3 048 de 06 de maio de 1999), indo esta "além do que a lei própria estabeleceu, ferindo não só o que expressamente foi determinado, como também o espírito da lei". Em fim, a recorrente reitera os argumentos apresentados em sede de primeira instância, bem como cita julgados do CARF favoráveis à sua tese. Passo, portanto, ao voto: Fl. 256DF CARF MF Processo nº 10920.000980/200616 Acórdão n.º 1001000.771 S1C0T1 Fl. 257 9 Tendo em vista a repetição dos argumentos apresentados em sede de recurso voluntário e que estes foram fundamentadamente afastados em primeira instância, cujo excelente voto condutor do acórdão recorrido foi transcrito acima, no curso do relatório, adotoo como minhas razões de decidir, com base no disposto no § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784/1999 c/c o §3º do art. 57 do RICARF, fazendo as seguintes complementações que entendo serem necessárias: Importante ressaltar que a autoridade administrativa é vinculada à legalidade estrita, seja nos termos da Lei 8.112 de 1990, em seu artigo 116, III, seja pelo artigo 41, inciso IV, do Anexo II, do atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015. Assim, a partir do momento em que a norma é inserida em nosso sistema legislativo, é obrigação da autoridade administrativa a sua aplicação, não cabendo ao julgador administrativo expressar seu juízo de valor por eventuais injustiças que esta norma tenha causado, papel este incumbido aos tribunais competentes. Quanto às jurisprudências citadas, não cabe ao agente do Fisco nem a este Carf deixar de aplicar a legislação tributária com base em decisões judiciais ou de seus próprios colegiados em que o sujeito passivo não foi parte do processo ou decisões sem efeito erga omnes. Esta última assertiva está reforçada no próprio Regimento Interno deste tribunal, em especial em seus artigos 62, 72 e 74. Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário mantendose a exclusão a empresa do Simples, nos termos do Ato Declaratório Executivo Nº 011, de 05/12/1996. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Fl. 257DF CARF MF
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Numero do processo: 17546.000344/2007-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/1998 a 31/01/1999
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS.
De acordo com a Súmula Vinculante n° 08, do STF, devem prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN).
Numero da decisão: 2201-004.639
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso voluntário.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente), Dione Jesabel Wasilewski, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA
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DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. De acordo com a Súmula Vinculante n° 08, do STF, devem prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente (Assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente), Dione Jesabel Wasilewski, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 54 6. 00 03 44 /2 00 7- 39 Fl. 403DF CARF MF Processo nº 17546.000344/200739 Acórdão n.º 2201004.639 S2C2T1 Fl. 404 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo sujeito passivo contra Decisão Notificação da então Secretaria da Receita Previdenciária, que julgou procedente o lançamento do crédito tributário. O lançamento é referente a contribuições devidas à Previdência Social, incidentes sobre valores pagos a empresa prestadora de serviço da área da saúde, devidos em razão da Solidariedade da empresa supra (Hospital e Maternidade Albert Sabin S/B Ltda) pela cessão de mão de obra colocada à sua disposição, correspondente à parte do empregado, da empresa (quota patronal), e contribuições destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho. O débito da notificada, lançado na presente NFLD, referese ao período de 03/1998; 05/1998; 07/1998; 09/1998; 11/1998 anteriores à implantação da GFIP e 01/1999 dispensado de declarar em GFIP. A decisão de primeira instância julgou procedente o lançamento (fls. 180/193), nos termos da seguinte ementa: OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. AFERIÇÃO. A empresa e obrigada a apresentar todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previdenciárias, ocorrendo recusa, sonegação ou apresentação deficiente dos mesmos, a SRP Secretaria da Receita Previdenciária tem o poder de inscrever de oficio a importância que reputar devida, na forma da Lei. GRUPO ECONOMICO. SOLIDARIEDADE. As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem solidariamente entre si, na forma da lei. SOLIDARIEDADE. A empresa tomadora dos serviços responde solidariamente com a prestadora pelas contribuições previdenciárias. Cientificado da decisão de primeira instância em 05/12/2007, o sujeito passivo e os responsáveis solidários apresentaram recurso voluntário, tempestivamente, em 21/12/2007, data da postagem nos Correios, alegando, em síntese: A decadência do direito de o Fisco lançar o crédito tributário, uma vez o crédito tributário foi constituído em 31/03/2005, estando decadentes os fatos geradores relacionados ao crédito tributário lançado. Não há crédito tributário, posto que todos os valores descontados dos empregados foram recolhidos. Em face da exiguidade do prazo para apresentação de defesa e da grande quantidade de documentos, deixa de apresentar a comprovação dos pagamentos nesse momento, prometendo fazêlo em momento oportuno. Fl. 404DF CARF MF Processo nº 17546.000344/200739 Acórdão n.º 2201004.639 S2C2T1 Fl. 405 3 A inconstitucionalidade de aplicação da taxa Selic. Pleiteia a juntada posterior de documentos. Por fim, requer seja dado provimento ao presente recurso, sendo anulado o presente Auto de Infração. É o relatório. Voto Daniel Melo Mendes Bezerra, Conselheiro Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche aos demais requisitos de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. Decadência O recorrente alega a prescrição e a decadência do direito de o Fisco constituir o crédito tributário. No que tange à prescrição, que é a perda do direito de ação, não há de se cogitar, uma vez que o crédito tributário está com a exigibilidade suspensa com o protocolo da impugnação. Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.2i2, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei n°8.212/91 e o parágrafo único do art.5° do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4°, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5°do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1°do art. Fl. 405DF CARF MF Processo nº 17546.000344/200739 Acórdão n.º 2201004.639 S2C2T1 Fl. 406 4 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: "São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5° do Decreto lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional n° 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência prevista no Código Tributário Nacional CTN se aplicar ao caso concreto. O Superior Tribunal de Justiça firmou entendimento no sentido da imprescindibilidade de pagamento parcial do tributo para que seja aplicada a regra decadencial do artigo 150, §4° do CTN; caso contrário, aplicase o artigo 173, I do CTN que transfere o Fl. 406DF CARF MF Processo nº 17546.000344/200739 Acórdão n.º 2201004.639 S2C2T1 Fl. 407 5 termo a quo de contagem para o exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. Também atribuiu status de repetitivos a todos os processos que se encontram tramitando sobre a matéria. E, por força do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009, a decisão deve ser reproduzida nas turmas deste Conselho. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei n° 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Este CARF sumulou o entendimento acerca do que se entende por pagamento parcial. De acordo com a Súmula n° 99, considerase que houve pagamento parcial quando os recolhimentos efetuados se referem à parcela remuneratória objeto do lançamento: Súmula CARF n° 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Destarte, no presente caso, temos que o lançamento se perfectibilizou com a ciência pessoal ocorrida em 25/05/2005 (fl.45). Verificouse que não há nos autos prova de que houve antecipação do pagamento relativa ao crédito tributário lançado. Desse modo, aplicase a regra inserta no art. 173, § 1º, do CTN. Estão atingidas pela decadência, pois, todas as competências do presente lançamento, eis que o crédito tributário lançado é referente ao período de 03/1998; 05/1998; 07/1998; 09/1998; 11/1998 e 01/1999. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Fl. 407DF CARF MF Processo nº 17546.000344/200739 Acórdão n.º 2201004.639 S2C2T1 Fl. 408 6 Fl. 408DF CARF MF
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Numero do processo: 10711.006342/2007-55
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 29/12/2005
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. CERÂMICA CARBOLITE, PRODUTO COMPOSTO DE MULITA.
Em razão do disposto na Nota Explicativa nº 01 do Capítulo 25, os produtos que, embora compostos de mulita, sejam resultantes de uma mistura, não nas se incluem nas posições do referido capítulo.
Correta a classificação fiscal realizada pela fiscalização no código 3824.90.79.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3002-000.409
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Alan Tavora Nem, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora) e Carlos Alberto da Silva Esteves.
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
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Recorrente BJ QUÍMICA DO BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 29/12/2005 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. CERÂMICA CARBOLITE, PRODUTO COMPOSTO DE MULITA. Em razão do disposto na Nota Explicativa nº 01 do Capítulo 25, os produtos que, embora compostos de mulita, sejam resultantes de uma mistura, não nas se incluem nas posições do referido capítulo. Correta a classificação fiscal realizada pela fiscalização no código 3824.90.79. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Alan Tavora Nem, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora) e Carlos Alberto da Silva Esteves. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 1. 00 63 42 /2 00 7- 55 Fl. 607DF CARF MF 2 Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão da DRJ, às fls. 91/92 dos autos: Trata o presente processo de quatro autos de infração. O primeiro auto trata do Imposto de Importação, juros de mora, multa de oficio e multa por classificação fiscal incorreta (fls. 0107) em decorrência de classificação fiscal incorreta de mercadoria. Valor da autuação R$ 7.203,51. O segundo auto trata do Imposto sobre Produtos Industrializados, juros de mora e multa de oficio (fls. 0811) em decorrência de classificação fiscal incorreta de mercadoria. Valor da autuação R$ 7.586,73. Os terceiros e quarto autos de infração tratam respectivamente das contribuições sociais Cofins e PisPasep incidentes na importação (fls. 1317 de R$ 228,83 e 1822 de R$ 49,70). Seguem as alegações da fiscalização aduaneira. A empresa autuada, mediante a DI n° 05/14215024, importou a mercadoria descrita na adição 01 como "NOME COMERCIAL: CERAMICA CARBO LITE 16/20 QUALIDADE DE USO: AGENTES DE SUSTENTAÇÃO DE FRATURAS DE POÇOS DE PETROLEO TEOR DE PUREZA: NÃO AVALIAVEL ESTADO FISICO: SOLIDO" e classificou a mercadoria no código 2508.60.00. Retirada amostra do produto e emitido laudo técnico Labor, a mercadoria foi identificada como "Preparação química à base de óxidos de alumínio, silício, titânio e ferro", classificável no código 3824.90.79. Intimada a empresa autuada (fl. 53), ingressou a mesma com a impugnação de fls. 5476. Seguem as alegações da empresa. A classificação pretendida pelo fiscal elimina a possibilidade de a cerâmica ser tipificada em qualquer uma das posições correspondentes aos produtos do capitulo 25 da TEC, posicionamento inadmissível ante ao fato de que cerâmicas são produtos típicos, perfeitamente classificáveis no capitulo 25, mormente, como mulita. Inconformada com a classificação pretendida pela fiscalização que, equivocadamente enquadrara os produtos no Capitulo 38 da TEC, a impugnante, demonstrando sua boafé em definir a natureza do produto, encomendou dois laudos técnicos de laboratórios e profissionais distintos. As folhas 5860, transcreve trechos dos Laudos. A Nesh referente ao Capitulo 25 afirma a possibilidade da inclusão de produtos calcinados nas Posições do Capitulo. O Laudo técnico em anexo à impugnação conclui que a mercadoria é um caulim calcinado, sendo que a mulita se origina da calcinação do caulim. Logo, a Nesh do Capitulo 25 é totalmente inaplicável ao caso em questão uma vez que a mulita não passa por qualquer processo de calcinação, apenas decorre da calcinação do caulim. O caulim calcinado se apresenta na forma de mulita e tal substância está expressamente prevista na posição 2508. Fl. 608DF CARF MF Processo nº 10711.006342/200755 Acórdão n.º 3002000.409 S3C0T2 Fl. 608 3 O Conselho de Contribuintes já decidiu pela prevalência do Laudo dos profissionais especializados em caso de discordância com o Laudo da fiscalização. Alega já haver importado mercadorias sob o código constante na DI sem qualquer questionamento por parte da Alfândega, muitas vezes até com análise documental e verificação física, inclusive na DI do caso em questão. O artigo 146 do CTN veda a mudança de critério jurídico. Alega a boa fé e o artigo 100 do CTN. Defende a aplicação do artigo 112 do CTN. Solicita a improcedência da autuação. Protesta pela intimação em endereço indicado à folha 76. Solicita pela produção de provas em direito admitidas. Indica perito e quesitos. A folha 172, encaminhouse o processo para julgamento e informouse a tempestividade da impugnação. Juntada de documentos à folha 173192. À sua manifestação de inconformidade, o contribuinte anexou os seguintes documentos: i) cartão de CNPJ e atos constitutivos e de representação da empresa (fls. 159/196); ii) auto de infração (fls. 201/245); iii) laudo de análise elaborado pelo Ministério da Fazenda (fl. 247); iv) outros documentos relacionados à importação da mercadoria (fls. 251/194); v) informações prestadas pelo fabricante da mercadoria importada, com a respectiva tradução juramentada (fl.295/315); vi) laudo elaborado pelo Dr. Amílcar Pereira da Silva Filho (fls. 319 a 323) e iv) laudo elaborado pelo laboratório "Analytical Solutions" (fls. 327/345). Ao analisar o caso, a DRJ entendeu, por unanimidade de votos, julgar procedente o lançamento (fls.395/408), sob o fundamento de que os laudos apresentados pelo contribuinte não afastaram as conclusões atingidas pelo laudo da fiscalização, tendo, pelo contrário, corroborado com elas, visto que o produto em questão corresponde a uma mistura/preparação, razão pela qual não poderia ser classificada nas posições do capítulo 25 da TEC. A partir da análise das posições apontadas pela fiscalização e pelo contribuinte como corretas, bem como dos laudos elaborados por ambas as partes e, também, analisadas as regras para interpretação do sistema harmonizado, a primeira instância concluiu que a posição apontada pela fiscalização para a classificação fiscal da mercadoria estaria correta. Rejeitou o argumento de que o costume de importar a mercadoria sob o mesmo código constante da DI sob análise representaria norma complementar (art. 100 CTN), sob o fundamento de que tal fato não gera direito adquirido e que a administração tem direito de rever seus atos. Sobre a aplicação do artigo 112 do CTN, o acórdão consignou não existir dúvida a autorizar tal procedimento. Entendeu, como consequência de considerar a classificação fiscal incorreta, existir diferença de tributo a ser recolhida junto com multa de ofício e juros de mora, nos termos da autuação. O acórdão afastou, ainda, a aplicação do artigo 146 do CTN, sob fundamento de que o despacho aduaneiro não constitui declaração expressa de homologação nem implica em adoção de critério jurídico. Consignou que, nos termos do artigo 54 do Decretolei 37/66, com a redação dada pelo artigo 2º do Decretolei 2.472/88, o Fisco pode reexaminar, no prazo de 05 Fl. 609DF CARF MF 4 (cinco) anos, a partir do registro da DI, as informações prestadas pelo importador na ocasião do despacho aduaneiro para verificar a regularidade do pagamento do imposto. O contribuinte foi intimado acerca desta decisão em 19/05/2009 (vide AR à fl. 410 dos autos) e, insatisfeito com o seu teor, interpôs, em 18/06/2009, Recurso Voluntário (fls. 418/450). Em seu recurso, o contribuinte alegou que o acórdão deve ser reformado por se basear em premissas equivocadas. Argumentou que: i) a posição por ele adotada é a correta por ser mais específica para o produto do que a posição indicada pelo Fisco; ii) conforme os laudos acostados à impugnação, foi constatada, no produto, a presença de mulita, que decorre do processo de calcinação do caulim, sendo este produto classificado no capítulo 25, sob o código 2508.60.00; iii) com base nas regras de interpretação do sistema harmonizado e nas notas explicativas ao capítulo 25 da TEC, a correta classificação do produto é a apontada pelo contribuinte; iv) a recorrente encomendou um terceiro parecer técnico elaborado com base em laudo da USP, dos quais requer a juntada, e pede que sejam apreciados em homenagem ao princípio da verdade material; v) a Câmara Superior de Recursos Fiscais já se manifestou pela possibilidade de apresentação de laudos técnicos em fase de recurso; vi) em caso de conflito entre parecer técnico da Receita Federal e parecer elaborado por profissionais especializados, deve prevalecer este último, consoante entendimento do Conselho de Contribuintes. Pediu, ao fim, a reforma do acórdão para que sejam anuladas as exigências de II, IPI, PISimportação, COFINSimportação e respectivas multas, considerandose a flagrante improcedência da autuação, conforme laudos técnicos de renomados laboratórios do País. Acostou, com o recurso, procuração e atos societários (fls. 456/488 e 573/604) e parecer técnico (fls. 492/566). Os autos, então, vieramse conclusos para fins de análise do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. É o relatório. Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora: O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Consoante acima narrado, a presente contenda versa sobre a correta classificação fiscal do produto objeto da presente autuação, conforme descrição a seguir, realizada pelo contribuinte: "NOME COMERCIAL: CERAMICA CARBO LITE 16/20 QUALIDADE DE USO: AGENTES DE SUSTENTAÇÃO DE FRATURAS DE POÇOS DE PETRÓLEO TEOR DE PUREZA: NÃO AVALIÁVEL ESTADO FÍSICO: SÓLIDO". O contribuinte classificou tal produto no código 2508.60.00 da Tarifa Externa Comum (incidência de 4% de II e 0% de IPI), ao passo que a fiscalização entendeu que a classificação correta seria a descrita no código 3824.90.79 da TEC (incidência de 14% de II e 10% de IPI), em razão do laudo técnico elaborado pelo LABOR que identificou a mercadoria como "Preparação química à base de óxidos de alumínio, silício, titânio e ferro". Fl. 610DF CARF MF Processo nº 10711.006342/200755 Acórdão n.º 3002000.409 S3C0T2 Fl. 609 5 Para que melhor se compreenda o cerne da discussão, transcrevo a seguir o teor das referidas classificações fiscais, extraída da TIPI aprovada por meio do Decreto nº 4.542/2002, vigente à época do fato gerador em questão, ocorrido em 29/12/2005: 25.08 OUTRAS ARGILAS (EXCETO ARGILAS EXPANDIDAS DA POSIÇÃO 68.06), ANDALUZITA, CIANITA, SILIMANITA, MESMO CALCINADAS; MULITA; BARRO COZIDO EM PÓ (TERRA DE "CHAMOTTE") E TERRA DE DINAS 2508.60.00 Mulita *** 38.24 AGLUTINANTES PREPARADOS PARA MOLDES OU PARA NÚCLEOS DE FUNDIÇÃO; PRODUTOS QUÍMICOS E PREPARAÇÕES DAS INDÚSTRIAS QUÍMICAS OU DAS INDÚSTRIAS CONEXAS (INCLUÍDOS OS CONSTITUÍDOS POR MISTURAS DE PRODUTOS NATURAIS), NÃO ESPECIFICADOS NEM COMPREENDIDOS EM OUTRAS POSIÇÕES 3824.90 Outros 3824.90.7 Produtos e preparações à base de elementos químicos ou de seus compostos inorgânicos, não especificados nem compreendidos em outras posições 3824.90.79 Outros Ao analisar o caso, a DRJ entendeu que a classificação indicada pela fiscalização seria a correta, visto que a Nota nº 01 do capítulo 25, abaixo transcrita, vedaria a inserção nas posições do capítulo de misturas: Notas de Capitulo 1. Salvo disposições em contrário e sob reserva da Nota 4 abaixo, apenas se incluem nas posições do presente Capítulo os produtos em estado bruto ou os produtos lavados (mesmo por meio de substâncias químicas que eliminem as impurezas sem modificarem a estrutura do produto), partidos, triturados, pulverizados, submetidos à levigação, crivados, peneirados, enriquecidos por flotação, separação magnética ou outros processos mecânicos ou físicos (exceto a cristalização). Não estão, porém, incluídos os produtos ustulados, calcinados, resultantes de uma mistura ou que tenham recebido tratamento mais adiantado do que os indicados em cada uma das posições. Destacou, inclusive, que a empresa autuada não contestou o fato do produto em tela corresponder a uma mistura e que os laudos anexados ao processo confirmariam essa informação. É o que se extrai da passagem a seguir colacionada, extraída da decisão recorrida: Fl. 611DF CARF MF 6 (...) Em seu recurso voluntário, o contribuinte volta a defender que a classificação por ele adotada seria a correta, trazendo, em resumo os seguintes fundamentos: (i) a posição 2508.60.00 é mais específica para o produto do que a posição indicada pelo Fisco, razão pela qual deveria prevalecer; ii) conforme os laudos acostados à impugnação, foi constatada, no produto, a presença de mulita, que decorre do processo de calcinação do caulim; iii) com base nas regras de interpretação do sistema harmonizado e nas notas explicativas ao capítulo 25 da TEC, a correta classificação do produto é a apontada pelo contribuinte; iv) a recorrente encomendou um terceiro parecer técnico elaborado com base em laudo da USP, dos quais requer a juntada, e pede que sejam apreciados em homenagem ao princípio da verdade material; v) a Câmara Superior de Recursos Fiscais já se manifestou pela possibilidade de apresentação de laudos técnicos em fase de recurso; vi) em caso de conflito entre parecer técnico da Receita Federal e parecer elaborado por profissionais especializados, deve prevalecer este último, consoante entendimento do Conselho de Contribuintes. Da análise do recurso voluntário interposto, portanto, verificase que o contribuinte não se insurgiu quanto ao principal fundamento constante da decisão recorrida no sentido de que o produto importado corresponde a uma mistura. Insistiu em defender que a classificação fiscal adotada por ele estaria correta visto que o produto seria composto primordialmente por mulita, sem, contudo, justificar porque a Nota nº 01 do capítulo 25 que Fl. 612DF CARF MF Processo nº 10711.006342/200755 Acórdão n.º 3002000.409 S3C0T2 Fl. 610 7 afasta a possibilidade de classificação neste capítulo de produtos resultantes de misturas deveria ser desconsiderada. Conforme laudos anexados pelo contribuinte aos presentes autos, não restam dúvidas que o produto importado possui mulita em sua composição. Ocorre que os referidos laudos constataram, além da mulita, a presença de outras substâncias, levando à conclusão de que corresponde a uma mistura, o que impossibilitaria o seu enquadramento no capítulo 25, como pretendido pelo contribuinte, em razão do disposto na Nota nº 01 já referida. Ademais, entendo que o terceiro laudo técnico elaborado pelo Laboratório de Análises da Universidade de São Paulo USP trazido aos autos pelo contribuinte quando do Recurso Voluntário, cuja análise poderá ser admitida no presente caso e será realizada nesta oportunidade, não lhe socorre quanto à sua pretensão. Para que se possa compreender a análise que aqui se faz, trazse à colação a conclusão constante do referido laudo: Como se vê, o referido laudo concluiu que o produto é formado preponderantemente, e não exclusivamente, como mulita. Nesse contexto, ao meu ver, não logra modificar a conclusão a que chegou a DRJ na decisão recorrida de que o produto corresponde a uma mistura. Inaplicável, portanto, o art. 30 do Decreto nº 70.235/1972, como pretendido pela Recorrente. Por outro lado, quanto à parte constante do laudo apresentado em que aponta que a posição 2508.60.00 corresponderia à correta classificação fiscal do produto, penso que esta passagem deverá ser desconsiderada. Isso porque, entendo que o laudo deverá limitarse à análise das características técnicas do produtos, para que a classificação fiscal possa ser corretamente identificada pelo órgão competente para fazêlo. Eventual classificação fiscal apontada em laudo técnico elaborado por um laboratório, decerto não vincula este Colegiado, a quem compete a análise e aplicação das normas que versam sobre classificação fiscal. Nesse sentido, assim dispõe o parágrafo 1º do art. 30 do Decreto nº 70.235/1972, in verbis: Fl. 613DF CARF MF 8 § 1° Não se considera como aspecto técnico a classificação fiscal de produtos. Diante das razões acima expostas, entendo que o contribuinte não logrou comprovar no presente caso que o produto em tela não corresponde a uma mistura. Ao contrário, trouxe aos autos laudos técnicos que levam justamente à conclusão oposta. E, face à disposição expressa na Nota nº 01, não há como enquadrar o produto resultante de uma mistura no referido capítulo. De outro norte, na mesma linha das razões constantes da decisão recorrida, cujos fundamentos transcrevo a seguir, adotandoos como razão de decidir, entendo correta a classificação fiscal indicada pela fiscalização, no código 3824.90.79, diante da impossibilidade de classificar o produto em tela no capítulo 25, que leva, invariavelmente, à inexistência de classificação fiscal mais específica: A Nota n° 1 do Capitulo 38 (Id razão ao procedimento da fiscalização aduaneira, uma vez que prevê que produtos de constituição química definida não são classificáveis no Capitulo 38, o que, a contrario sensu, quer dizer que produtos que não são de constituição química definida devem ser ali classificados., CAPÍTULO 38 PRODUTOS DIVERSOS DAS INDÚSTRIAS QUÍMICAS Notas de Capitulo 1.0 presente Capitulo não compreende: a)os produtos de constituição química definida, apresentados isoladamente, exceto os seguintes: (.) Conforme o Laudo Técnico de folhas 24, a mercadoria não tem constituição química definida, uma vez que é uma mistura (preparação) de quatro tipos diferentes de óxidos. A Nota Explicativa do Sistema Harmonizado do Capitulo 38 é ainda mais explicita ao afirmar que não são classificados ali os produtos de composição química definida apresentados isoladamente, sendo que a mercadoria em questão é uma mistura de vários tipos de óxidos, todos misturados. (grifos nossos). Considerações Gerais Página 553 (IN 123/98): Este Capitulo abrange um número considerável de matérias pertencentes ao domínio das indústrias químicas ou das indústrias conexas. Não compreende os produtos de composição química definida, apresentados isoladamente (que se incluem, em geral, nos Capítulos 28 ou 29), com exceção, porém, dos produtos enumerados na seguinte lista limitativa: Por força da Regra n° 1 do Sistema Harmonizado, a mercadoria descrita no Laudo Técnico corresponde à Posição 3824 — Produtos químicos e preparações das indústrias químicas ou das indústrias conexas (incluídos os constituídos por misturas de produtos naturais, não especificados nem compreendidos em outras posições). Fl. 614DF CARF MF Processo nº 10711.006342/200755 Acórdão n.º 3002000.409 S3C0T2 Fl. 611 9 Como nenhuma subposição descrevia a classificação de preparações à base de óxidos, deve ser adotada a subposição 90 (3824.90). Dentro da subposição 90, deve ser adotado o item 7, uma vez que óxidos são elementos químicos inorgânicos e nos outros itens não havia previsão de classificação. E, finalmente, dentro do item 7 (3824.90.7) deve ser adotado o subitem 9 (3824.90.79), uma vez que nenhum dos subitens anteriores previa a classificação dos tipos de óxido descrito no Laudo de folhas 81. Correta, portanto, a classificação adotada pela Fiscalização Aduaneira. Há de se destacar, inclusive, que este Conselho já teve a oportunidade de analisar a classificação fiscal deste produto em auto de infração lavrado em face deste mesmo contribuinte, tendo concluído, da mesma forma, pela correção da classificação fiscal indicada pela fiscalização, constante do código 3824.90.79. É o que se extrai da ementa a seguir colacionada: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 17/04/2001 Apresentação de Laudo Técnico na Fase Recursal A faculdade de determinar, de ofício, a realização de diligência ou perícia, por via oblíqua, autoriza que, excepcionalmente, se conheça de laudo técnico juntado aos autos juntamente com o recurso voluntário. Atentaria contra a economia processual converter o julgamento em diligência para que fossem realizados novos exames a fim de apurar aquilo que o sujeito passivo já realizou ou, o que seria mais grave, determinar a juntada aos autos daquilo que já se encontra juntado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 17/04/2001 MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. INOCORRÊNCIA A correção de ofício da classificação fiscal fornecida pelo sujeito passivo, levada a efeito em sede de Revisão Aduaneira, realizada nos contornos do art. 54 do Decretolei nº 37, de 1966, segundo a redação que lhe foi fornecida pelo Decretolei nº 2.472, de 1988, não representa retificação do lançamento em razão de erro de direito ou de mudança de critério jurídico, não afrontando, consequentemente o art. 146 do Código Tributário Nacional. Tratandose de correção de informação prestada pelo sujeito passivo, tal procedimento encontra pleno respaldo no art. 149, IV do mesmo Código Tributário Nacional. Ademais, não se pode falar em mudança de critério jurídico se a identificação e a classificação fiscal da mercadoria foram referendadas pelo Fisco, que só entregou a mercadoria mediante a retirada de amostra e assinatura de termo de responsabilidade. CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 17/04/2001 Carbolite. Classificação Produto comercialmente denominado Carbolite, composto de Mulita, obtida artificialmente por meio de processo de calcinação, e Sílica como criatobalita, classificase no código 3824.90.79 da Nomenclatura Comum do Mercosul. MULTA DE OFÍCIO DE 75% EM RAZÃO DE INEXATIDÃO NA DECLARAÇÃO DA CLASSIFICAÇÃO FISCAL. CABIMENTO. Fl. 615DF CARF MF 10 A inexatidão da classificação fiscal, principalmente quando acompanhada da descrição equivocada e insuficiente da mercadoria, inserese no universo das condutas puníveis com a multa de 75% sobre o imposto que deixou de ser recolhido. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 17/04/2001 Erro de Classificação. Licenciamento. Efeitos. O erro na indicação da classificação fiscal ou a insuficiência na descrição da mercadoria não são suficientes para imposição da multa por falta de licença de importação. É indispensável que a falha na indicação da classificação caracterize prejuízo ao controle administrativo das importações. Recurso Voluntário Parcialmente Provido (Acórdão 3102001.346 de 26/01/2012). Da conclusão Diante das razões supra expendidas, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte no presente caso. É como voto. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Fl. 616DF CARF MF
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Numero do processo: 12466.003155/2010-90
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 19/01/2005 a 24/07/2006
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA MEDIANTE FRAUDE E SIMULAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL. ARTIGO 173, I DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL -CTN.
A regra da contagem do início do prazo de decadencial nos casos de lançamento por homologação a partir do fato gerador é o art. 150, caput, do CTN. Contudo, o § 4° do art. 150, faz a ressalva para os casos de dolo, fraude e simulação. Nesses casos, o início do prazo é o 1° dia do exercício seguinte ao fato gerador (art. 173, I, CTN). No presente caso, tendo a ciência do Auto de Infração ocorrido em 30/12/2005, os lançamentos referentes ás infrações relativas às DI´s registradas até 28/12/2005, não há que se falar em decadência.
Numero da decisão: 9303-007.338
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: DEMES BRITO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 19/01/2005 a 24/07/2006 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA MEDIANTE FRAUDE E SIMULAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL. ARTIGO 173, I DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL -CTN. A regra da contagem do início do prazo de decadencial nos casos de lançamento por homologação a partir do fato gerador é o art. 150, caput, do CTN. Contudo, o § 4° do art. 150, faz a ressalva para os casos de dolo, fraude e simulação. Nesses casos, o início do prazo é o 1° dia do exercício seguinte ao fato gerador (art. 173, I, CTN). No presente caso, tendo a ciência do Auto de Infração ocorrido em 30/12/2005, os lançamentos referentes ás infrações relativas às DI´s registradas até 28/12/2005, não há que se falar em decadência.
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PRAZO DECADENCIAL. ARTIGO 173, I DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL CTN. A regra da contagem do início do prazo de decadencial nos casos de lançamento por homologação a partir do fato gerador é o art. 150, caput, do CTN. Contudo, o § 4° do art. 150, faz a ressalva para os casos de dolo, fraude e simulação. Nesses casos, o início do prazo é o 1° dia do exercício seguinte ao fato gerador (art. 173, I, CTN). No presente caso, tendo a ciência do Auto de Infração ocorrido em 30/12/2005, os lançamentos referentes ás infrações relativas às DI´s registradas até 28/12/2005, não há que se falar em decadência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 00 31 55 /2 01 0- 90 Fl. 2294DF CARF MF Processo nº 12466.003155/201090 Acórdão n.º 9303007.338 CSRFT3 Fl. 2.294 2 Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, com base no art. 67 do Regimento Interno do CARF, contra Acórdão nº 3302004.291, proferido pela 3º Câmara/2º Turma Ordinária, que decidiu dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para reconhecer a prejudicial de decadência apenas para os fatos geradores ocorridos em data anterior a 28/12/2005, e, no mérito, pelo voto de qualidade, negouse provimento ao Recurso, que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 19/01/2005 a 24/07/2006 DECADÊNCIA. PENALIDADE ADUANEIRA. Em matéria aduaneira, o direito de impor penalidade se extingue no prazo de cinco anos a contar da data da infração, conforme estabelece o artigo 139 do DecretoLei nº 37/1966. ADIANTAMENTO DE RECURSOS FINANCEIROS PARA FINANCIAR OPERAÇÕES DE IMPORTAÇÃO. PRESUNÇÃO DE OPERAÇÃO POR CONTA E ORDEM DE TERCEIRO. LEI Nº 10.637/2002, ARTIGO 27 A operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presumese por conta e ordem deste, para fins de aplicação do disposto nos artigos 77 a 81 da MP nº 2.15835/ 2001. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO. Considerase fraudulenta a ocultação intencional do real adquirente nas operações presumidas por conta e ordem, consistindo em dano ao Erário, de acordo com o artigo 23 do Decretolei nº 1.455/1976. A pena de perdimento será convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida. Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. Fl. 2295DF CARF MF Processo nº 12466.003155/201090 Acórdão n.º 9303007.338 CSRFT3 Fl. 2.295 3 Não conformada com tal decisão, a Fazenda Nacional interpõe o presente Recurso, suscita divergência com relação à aplicação da regra do artigo 139 do Decretolei nº 37, de 1966, que dispõe sobre matéria aduaneira, para reconhecer que o direito de impor penalidade se extingue, no prazo de cinco anos contados da data da infração. Para comprovar o dissenso, aponta como paradigma o acórdão nº320100.315. Em seguida, o Presidente da 3º Seção do CARF, deu seguimento ao Recurso, nos termos do despacho de admissibilidade, ás fls. 2266/2268. Devidamente cientificada, a Contribuinte apresentou contrarrazões, ás fls. 2282/2287. No essencial é o Relatório. Voto Conselheiro Demes Brito Relator O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a decidir. In caso, tratase de Auto de Infração para aplicação da multa substitutiva de pena de perdimento pela prática de ocultação do real adquirente mediante fraude ou simulação, inclusive interposição fraudulenta na importação, definida como dano ao erário, lavrado em face de GEMAX TRADING COMPANY S/A como importador e contribuinte e de 6F DECORAÇÕES EXPORTAÇÃO IMPORTAÇÃO E COMÉRCIO LTDA, como real adquirente e responsável solidária. Com efeito, a 3ª Câmara da 2ª Turma Ordinário, deu parcial provimento ao Recurso Voluntário, para reconhecer a prejudicial de decadência apenas para os fatos geradores ocorridos em data anterior a 28/12/2005, quanto ao mérito, negou provimento ao Recurso, por entender que, restou demonstrado que a GEMAX submeteu a despacho aduaneiro as Declarações de Importação discriminadas no quadro 01 do Relatório Fiscal, fls.1.007/1.008, inclusive as DI´s 06/02629050 e 06/03184078 declarandose como adquirente das mercadorias, quando o efetivo adquirente, responsável pelo aporte de recursos financeiros foi a 6F DECORAÇÕES. Também negou provimento ao Recurso da GEMAX e responsável solidário, empresa 6F DECORAÇÕES, com relação às DI´s 06/02629050 e 06/03184078, visto que restou demonstrado nos autos a ocultação do real adquirente, mediante fraude ou simulação, inclusive interposição fraudulenta. A discussão que ora se apresenta referese a divergência de aplicação da regra do artigo 139 do Decretolei nº 37, de 1966, que dispõe sobre o termo inicial da contagem do prazo decadencial em matéria aduaneira, ou aplicação do artigo173, inciso I, do Código Tributário Nacional CTN. Fl. 2296DF CARF MF Processo nº 12466.003155/201090 Acórdão n.º 9303007.338 CSRFT3 Fl. 2.296 4 A interpretação do instituto da decadência em matéria Aduaneira, tem gerado controvérsias em algumas turmas da 3º Seção de Julgamento, que revelam debates de ordem técnica e acadêmica, as discussões giram em torno de aplicação da lei complementar ou ordinária, propriamente quanto ao prazo inicial, se há suspensão ou interrupção. Mas concentrandose propriamente na divergência dos autos, tratandose de infrações de caráter administrativo aduaneiro, tem lugar a contagem do prazo decadencial os artigos 129 do DecretoLei nº 37/1966 e 669 do Regulamento Aduaneiro (Decreto nº 4.543/2002), cujo prazo é de 5 anos, tendo como termo inicial a data da infração. O Superior Tribunal de Justiça, já se manifestou sobre o tema, no julgamento do REsp nº 643.185/SC, de relatoria do saudoso Ministro Teori Zavascki, o colegiado enfrentou o caso pela prática da infração prevista no artigo 105, inciso V, do DecretoLei nº 37/1966. A turma decidiu que o prazo decadencial deveria ser contado na forma do artigo 139 do Decretolei nº 37/1966, isto é, cinco anos contados da data da infração aduaneira. Vejamos: ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 282/STF. VIOLAÇÃO AO ART. 535, II, DO CPC. INEXISTÊNCIA. LEGISLAÇÃO ADUANEIRA. IMPOSIÇÃO DE PENALIDADE. PERDIMENTO DOS BENS. EXPORTAÇÃO CLANDESTINA. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. 1. A ausência de debate, na instância recorrida, sobre os dispositivos legais cuja violação se alega no recurso especial atrai, por analogia, a incidência da Súmula 282 do STF. 2. Não viola o artigo 535 do CPC, nem importa em negativa de prestação jurisdicional o acórdão que adota fundamentação suficiente para decidir de modo integral a controvérsia posta. Precedentes: EDcl no AgRg no EREsp 254949/SP, Terceira Seção, Min. Gilson Dipp, DJ de 08.06.2005; EDcl no MS 9213/DF, Primeira Seção, Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 21.02.2005; EDcl no AgRg no CC 26808/RJ, Segunda Seção, Min. Castro Filho, DJ de 10.06.2002. 3. Nos termos dos artigos 138 e 139 do Decretolei nº 37/66, é de cinco anos o prazo decadencial para a imposição das penalidades nele previstas. 4. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, desprovido. Contudo há um óbice a ser vencido, analisando a quaestio, a decisão recorrida decidiu o mérito dos recursos que restou demonstrado nos autos a ocultação do real adquirente, mediante fraude ou simulação, inclusive interposição fraudulenta. Como visto, a regra de contagem do início do prazo de decadência, nos casos de lançamento por homologação, a partir do fato gerador, em regra aplicase o art. 150, caput, do CTN. Contudo, o § 4° do art. 150 faz ressalva para os casos de dolo, fraude e simulação, nesses casos, o início do prazo é o 1° dia do exercício seguinte ao fato gerador (art. 173, I, CTN). Fl. 2297DF CARF MF Processo nº 12466.003155/201090 Acórdão n.º 9303007.338 CSRFT3 Fl. 2.297 5 Portanto, tendo a ciência do Auto de Infração ocorrida em 30/12/2010 (efls. 1686), os lançamentos referentes às infrações relativas às DI´s registradas até 28/12/2005, não estão decaídas conforme regra contida no art. 173, I, do CTN. Dispositivo Ex positis, dou provimento ao Recurso da Fazenda Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 2298DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19647.008371/2004-02
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2000
SIMPLES. LEI COMPLEMENTAR 123/06. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO RETROATIVA.
A Lei Complementar nº 123/2006 não tem efeitos retroativos, nos termos da Súmula CARF nº 81. Recurso especial parcialmente provido, reconhecendo a impossibilidade de aplicação retroativa da Lei Complementar 123/2006.
Numero da decisão: 9101-003.730
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial quanto à retroatividade da Lei Complementar nº 123/2006, com retorno dos autos ao colegiado de origem.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo -Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Cristiane Silva Costa - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: CRISTIANE SILVA COSTA
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2000 SIMPLES. LEI COMPLEMENTAR 123/06. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO RETROATIVA. A Lei Complementar nº 123/2006 não tem efeitos retroativos, nos termos da Súmula CARF nº 81. Recurso especial parcialmente provido, reconhecendo a impossibilidade de aplicação retroativa da Lei Complementar 123/2006.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial quanto à retroatividade da Lei Complementar nº 123/2006, com retorno dos autos ao colegiado de origem. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo -Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício).
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ME ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2000 SIMPLES. LEI COMPLEMENTAR 123/06. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO RETROATIVA. A Lei Complementar nº 123/2006 não tem efeitos retroativos, nos termos da Súmula CARF nº 81. Recurso especial parcialmente provido, reconhecendo a impossibilidade de aplicação retroativa da Lei Complementar 123/2006. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento parcial quanto à retroatividade da Lei Complementar nº 123/2006, com retorno dos autos ao colegiado de origem. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 00 83 71 /2 00 4- 02 Fl. 98DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de processo originado por exclusão do Simples Federal, por meio de Ato Declaratório Executivo DRF / REC nº 521.432, de 02 de agosto de 2004 (fls. 6 – pdf 5), no qual se identifica como causas de exclusão: Art. 1º Fica o contribuinte, a seguir identificado, excluído do Simples a partir do dia 01/01/2002 pela ocorrência da situação excludente indicada abaixo (...) Descrição: sócio ou titular participa de outra empresa com mais de 10% e a receita bruta global no anocalendário de 2000 ultrapassou o limite legal. CPF 274.151.20434. CNPJ 02.344.375/00102, 10.922.375/000162 35.601.061/000199 03.885.338/000166 Data da ocorrência: 31/12/2000 Fundamentação legal: Lei nº 9.317, de 05/12/1996: art. 9º, IX; art.12: art.14, I; art.15, II. Medida Provisória nº 2.15834, de 27/07/2001;art.73. Instrução Normativa SRF nº 355, de 29/08/2003; art.20, IX; art.21; art.23, I; art. 24, II. c/c parágrafo único. O contribuinte apresentou pedido de revisão da exclusão do Simples, que foi indeferido pela Delegacia da Receita Federal em Recife: No ano calendário de 2000, além de ser sócio da empresa requerente (fls. 10), o titular do CPF Nº 274.151.20434 também era sócio das empresas identificadas as fls. 11 a 14, com participação superior a 10% e a receita bruta global superou o limite legal para permanência no Simples (fls. 15 a 17). Desta forma, a requerente incorreu na vedação descrita pelo artigo 9º, inciso IX, da Lei N° 9. 317/96. A data do efeito da exclusão está de acordo com o artigo 24, inciso II, § único, da IN SRF nº 355/2003, em vigor na época. Diante do exposto, em vista a consistência do Ato Declaratório, proponho o indeferimento do requerimento do interessado (...) Tendo sido apresentada Manifestação de Inconformidade, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife manteve a exclusão do Simples (fls. 51): ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2000 EXCLUSÃO SIMPLES. PARTICIPAÇÃO DO SÓCIO EM OUTRA EMPRESA. Fl. 99DF CARF MF Processo nº 19647.008371/200402 Acórdão n.º 9101003.730 CSRFT1 Fl. 99 3 Dáse ensejo A situação excludente do sistema simplificado quando o sócio de empresa optante pelo SIMPLES participa com mais de 10% no capital da outra empresa e ocorre de o faturamento global superar, em todo o Anocalendário, o limite máximo legalmente estabelecido para optar/permanecer. Solicitação Indeferida Contra tal decisão, o contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 57), alegando, em síntese: (i)“se o contribuinte alega na fase preliminar que alterou seus estatutos sociais arquivandoos na Junta Comercial como sendo a expressão da verdade dos fatos cometidos e comedidos, se ao Órgão fiscalizador ou Julgador achar dúvida, é de acionar o seu Sistema de Informação do qual é detentor para confirmar ou não a verdade destes fatos”. (ii) a alteração do contrato social tem validade desde o momento em que assinada, não do arquivamento perante a Junta Comercial; (iii) A Receita Federal teria, tacitamente, admitido a continuidade da empresa no Simples, na medida em que recepcionou as declarações apresentadas após o Ato Declaratório de Exclusão do Simples. Nesse contexto, a Turma a quo deu provimento ao recurso voluntário, em acórdão cuja ementa se transcreve a seguir (fls. 68): ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2000 Simples. Não exclusão. Participação superior a 10% de sócio desta no capital de outra sociedade empresária beneficiada pelo simples. Limite ultrapassado quando considerado o somatório da receita bruta. LC 123/06. Aplicação retroativa benéfica. A Lei Complementar n° 123/06 comporta aplicação retroativa ao disciplinar que a outra empresa da qual o sócio ou titular participe com mais de 10% a ser considerada no cálculo da receita bruta global não seja beneficiada pelo regime simplificado. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO Os autos foram remetidos à Procuradoria em 27/04/2010 (fls.73), que interpôs recurso especial em 10/06/2010 (fls. 74), com fundamento no artigo 7º, I, da Portaria MF nº 147/2007, sustentando contrariedade ao artigo 9º, IX, da Lei nº 9.317/1996 e a inaplicabilidade do artigo 3º, §12, da Lei Complementar nº 123/06. O recurso especial foi admitido, conforme razões a seguir reproduzidas pelo então Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção (fls. 81/83): Fl. 100DF CARF MF 4 Salientese que, embora não esteja previsto no atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), o recurso especial por contrariedade à lei ou a evidência da prova, referente a acórdão prolatado em sessão de julgamento ocorrida da vigência da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, será processado de acordo com o rito previsto no artigo 4° do RICARF, Regimento Interno da CSRF em vigor à época da interposição do recurso. Visto que a decisão recorrida não foi unânime, que a sessão de julgamento é anterior a 1º de julho de2009 e que houve a demonstração de à lei; considero que foram preenchidos os requisitos necessários ao recebimento do recurso interposto com fulcro no inc. I do art. 7º do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais – RICSRF, vigente até 21 de junho de 2009 DOU SEGUIMENTO ao recurso. O contribuinte foi intimado em 17/05/2016 (fls. 95), sem que tenha apresentado contrarrazões ao recurso especial. É o relatório. Voto Conselheira Cristiane Silva Costa, Relatora Adoto as razões do Presidente de Câmara para conhecimento do recurso especial, na forma autorizada pelo artigo 59, §1º, da Lei nº 9.784/1999. Passo a enfrentar o mérito. A Turma a quo julgou recurso voluntário, decidindo por provêlo com a aplicação retroativa da Lei Complementar nº 123/2006. As razões do voto condutor são a seguir reproduzidas (fls. 68): 0 objeto da lide referese à exclusão de empresa do Simples, em razão de um de seus sócios participar com capital superior a 10% do capital de outra empresa (fls.10) e por ter a receita bruta global ultrapassado o limite legal para permanência no regime simplificado. Por ter o Ato Declaratório de Exclusão do Simples sido expedido nos exatos termos da legislação (Lei n° 9.317/96), merece retoques se considerarmos o que dispõe a Lei Complementar n° 123, de 14.12.2006: "Art 3° § 4° inciso IV que não se inclui no regime difèrenciado e favorecido previsto nesta Lei Complementar, para nenhum efeito legal, a pessoa jurídica, cujo titular ou sócio participe com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa não beneficiada por esta Lei Complementar, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de que trata o inciso lido caput deste artigo". Fl. 101DF CARF MF Processo nº 19647.008371/200402 Acórdão n.º 9101003.730 CSRFT1 Fl. 100 5 "Art. 3° § 12 A exclusão do regime desta Lei Complementar de que tratam os §§ 10 e 11 deste artigo não retroagirá ao início das atividades se o excesso verificado em relação a receita bruta não for for superior a 20% (vinte por cento) dos respectivos limites referidos naqueles parágrafos, hipótese em que os efeitos da exclusão darseão no ano calendário subseqüente." Por todo o exposto, CONCEDO PROVIMENTO AO RECURSO. A exclusão do Simples Federal foi motivada pela infração ao artigo 9º, XI, da Lei nº 9.317/1996, que previa: Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (...) IX cujo titular ou sócio participe com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de que trata o inciso II do art. 2° ; Assim, bastava que o sócio do optante pelo Simples Federal fosse também sócio de outra pessoa jurídica, com receita bruta global ultrapassando o limite previsto em lei, para que fosse efetuada a exclusão do Simples. A Lei Complementar nº 123/2006 efetivamente ampliou a possibilidade de empresas aderirem ao Simples Nacional, na forma mencionada pelo acórdão recorrido, como se observa do seu artigo 3º, §4º, IV: Art. 3º (...) § 4º Não poderá se beneficiar do tratamento jurídico diferenciado previsto nesta Lei Complementar, incluído o regime de que trata o art. 12 desta Lei Complementar, para nenhum efeito legal, a pessoa jurídica: IV cujo titular ou sócio participe com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa não beneficiada por esta Lei Complementar, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de que trata o inciso II do caput deste artigo; Não obstante isso, equivocada a decisão recorrida por vislumbrar a possibilidade de retroatividade dos efeitos da Lei Complementar nº 123, afinal, não há fundamento legal para retroatividade da legislação que trata do regime simplificado (Simples Nacional) estabelecido pela Lei Complementar nº 123/2006 , para assegurar a opção quanto ao Simples Federal que tem regramento próprio, em especial a Lei nº 9.317/1996. O artigo 106, I, do Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a retroatividade, limitase à hipótese de norma interpretativa, que exclua a aplicação de penalidade, hipótese distinta do caso dos autos. É o teor do artigo 106: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: Fl. 102DF CARF MF 6 a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Nesse sentido, destaco o Enunciado da Súmula do CARF impedindo a retroatividade em casos de atividade anteriormente vedada, verbis: Súmula CARF nº 81: É vedada a aplicação retroativa de lei que admite atividade anteriormente impeditiva ao ingresso na sistemática do Simples. Dentre os acórdãos que originaram a Súmula 81, alguns tratam exatamente da irretroatividade da Lei Complementar 123/2006, quais sejam: 9101000.809, 910100980 e 380300.045. Ademais, dentre os acórdãos que originaram a Súmula CARF 81, o de nº 30335326, trata exatamente da irretroatividade da alteração do limite de receita bruta, por norma posterior, para legitimar a permanência no Simples Fderal. Extraise do acórdão nº 303 35326: O ADE foi expedido com base na Declaração Anual Simplificada (fls.44), cuja receita bruta teria ultrapassado o permissivo legal, qual seja, à época dos fatos, R$ 1.200.000,00 (um milhão e duzentos mil reais). Cumpre assinalar que a redação do texto legal supramencionado poderia ser aquela dada pela Lei n° 9.732/98, tendo em vista sua vigência à época dos fatos, o que nos levaria à conclusão de que a receita global não poderia ultrapassar R$ 1.200.000,00. Ocorre que, referido limite foi modificado, tendo em vista alterações na Lei n° 9.317/96, advindas da Lei n°11.196/2005. (trecho do voto vencido) Efetivamente, a alteração da legislação que trata das vedações à opção ao Simples, em verdade, institui um novo regime que, ainda que mais benéfico, somente produz efeitos a partir da sua vigência. Nesse aspecto, peço licença para transcrever trecho do voto condutor do acórdão que inaugurou tal exegese, hoje pacífica no Superior Tribunal de Justiça, que ilustra os fundamentos que reforçaram a necessidade de rever o posicionamento antes defendido. (trecho do voto vencedor) Diante disso, voto pelo provimento parcial ao recurso especial, reconhecendo a irretroatividade da Lei Complementar nº 123, na forma estabelecida pela Súmula CARF 81. Esclareço que o provimento é parcial pois a Procuradoria pede que seja “mantida a decisão de primeira instância”. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento havia mantido a exclusão da empresa do Simples (a conclusão do voto condutor é nesse sentido: “voto no sentido de INDEFERIR A SOLICITAÇÃO da empresa Rangel Comércio e Varejo Ltda, mantendo a exclusão da em presa do SIMPLES” – fls. 54) Fl. 103DF CARF MF Processo nº 19647.008371/200402 Acórdão n.º 9101003.730 CSRFT1 Fl. 101 7 Ocorre que nem todos os argumentos do contribuinte, veiculados em recurso voluntário, foram apreciados pelo Colegiado a quo. Com efeito, o contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 57), alegando, em síntese: (i)“se o contribuinte alega na fase preliminar que alterou seus estatutos sociais arquivandoos na Junta Comercial como sendo a expressão da verdade dos fatos cometidos e comedidos, se ao Órgão fiscalizador ou Julgador achar dúvida, é de acionar o seu Sistema de Informação do qual é detentor para confirmar ou não a verdade destes fatos”. (ii) a alteração do contrato social teria validade desde o momento em que assinada, não do arquivamento perante a Junta Comercial; (iii) A Receita Federal teria, tacitamente, admitido a continuidade da empresa no Simples, na medida em que recepcionou as declarações apresentadas após o Ato Declaratório de Exclusão do Simples. Os temas não foram apreciados pelo Colegiado a quo, razão pela qual voto pela baixa dos autos para apreciação das razões de recurso voluntário. Por tais razões, voto por dar parcial provimento ao recurso especial quanto à retroatividade da Lei Complementar nº 123/2006, determinando a baixa dos autos à Turma a quo para julgamento dos demais temas de recurso voluntário. Conclusões Por tais razões, voto por conhecer e dar parcial provimento ao recurso especial da Procuradoria quanto à retroatividade da Lei Complementar nº 123/06. Voto, ainda, pela baixa dos autos para pronunciamento da Turma quanto às razões de recurso voluntário. (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Fl. 104DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15987.000235/2007-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/03/2001, 01/04/2001 a 30/06/2001, 01/07/2001 a 30/09/2001, 01/01/2002 a 31/03/2002, 01/01/2003 a 31/03/2003, 01/04/2003 a 30/06/2003, 01/01/2004 a 31/03/2004
CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. LEI Nº 9.363/1996. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. POSSIBILIDADE. ENTENDIMENTO STJ. VINCULANTE.
Consoante interpretação do Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo (REsp no 993.164/MG), matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de pessoas físicas dão direito ao Crédito Presumido instituído pela Lei no 9.363/1996.
RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. OPOSIÇÃO ESTATAL ILEGÍTIMA. OMISSÃO. TERMO INICIAL.
É devida a aplicação de juros de mora à Taxa SELIC no ressarcimento de créditos de IPI quando há oposição estatal ilegítima ao seu aproveitamento, conforme REsp no 1.035.847/RS, de observância obrigatória pelo CARF. A oposição estatal ilegítima, no entanto, pode ser manifestada de duas formas: por omissão (ou mora, ao não apreciar o fisco o pedido em prazo razoável, prazo esse que hoje também está delimitado pelo STJ na sistemática dos recursos repetitivos: 360 dias), ou por ação (apreciando-se e negando-se o crédito dentro do prazo de 360 dias, em despacho da autoridade fazendária competente). No caso de oposição estatal ilegítima por omissão (mora), a aplicação da Taxa SELIC é cabível somente a partir de 360 (trezentos e sessenta) dias contados do protocolo do pedido (REsp no 1.138.206/RS) até a efetiva utilização do crédito.
Numero da decisão: 3401-005.368
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer o crédito em relação a aquisições de pessoas físicas, crédito esse a ser atualizado pela Taxa SELIC a partir de 360 dias, a contar da data de transmissão do pedido de ressarcimento até a data de sua efetiva utilização, se posterior.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Tiago Guerra Machado - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente)
Nome do relator: TIAGO GUERRA MACHADO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2001 a 31/03/2001, 01/04/2001 a 30/06/2001, 01/07/2001 a 30/09/2001, 01/01/2002 a 31/03/2002, 01/01/2003 a 31/03/2003, 01/04/2003 a 30/06/2003, 01/01/2004 a 31/03/2004 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. LEI Nº 9.363/1996. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. POSSIBILIDADE. ENTENDIMENTO STJ. VINCULANTE. Consoante interpretação do Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo (REsp no 993.164/MG), matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de pessoas físicas dão direito ao Crédito Presumido instituído pela Lei no 9.363/1996. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. OPOSIÇÃO ESTATAL ILEGÍTIMA. OMISSÃO. TERMO INICIAL. É devida a aplicação de juros de mora à Taxa SELIC no ressarcimento de créditos de IPI quando há oposição estatal ilegítima ao seu aproveitamento, conforme REsp no 1.035.847/RS, de observância obrigatória pelo CARF. A oposição estatal ilegítima, no entanto, pode ser manifestada de duas formas: por omissão (ou mora, ao não apreciar o fisco o pedido em prazo razoável, prazo esse que hoje também está delimitado pelo STJ na sistemática dos recursos repetitivos: 360 dias), ou por ação (apreciando-se e negando-se o crédito dentro do prazo de 360 dias, em despacho da autoridade fazendária competente). No caso de oposição estatal ilegítima por omissão (mora), a aplicação da Taxa SELIC é cabível somente a partir de 360 (trezentos e sessenta) dias contados do protocolo do pedido (REsp no 1.138.206/RS) até a efetiva utilização do crédito.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer o crédito em relação a aquisições de pessoas físicas, crédito esse a ser atualizado pela Taxa SELIC a partir de 360 dias, a contar da data de transmissão do pedido de ressarcimento até a data de sua efetiva utilização, se posterior. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente. (assinado digitalmente) Tiago Guerra Machado - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente)
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2109; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 463 1 462 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15987.000235/200705 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401005.368 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de setembro de 2018 Matéria RESSARCIMENTO IPI Recorrente SOCIEDADE BENEFICIADORA DE CHA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2001 a 31/03/2001, 01/04/2001 a 30/06/2001, 01/07/2001 a 30/09/2001, 01/01/2002 a 31/03/2002, 01/01/2003 a 31/03/2003, 01/04/2003 a 30/06/2003, 01/01/2004 a 31/03/2004 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. LEI Nº 9.363/1996. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. POSSIBILIDADE. ENTENDIMENTO STJ. VINCULANTE. Consoante interpretação do Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo (REsp no 993.164/MG), matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de pessoas físicas dão direito ao Crédito Presumido instituído pela Lei no 9.363/1996. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. OPOSIÇÃO ESTATAL ILEGÍTIMA. OMISSÃO. TERMO INICIAL. É devida a aplicação de juros de mora à Taxa SELIC no ressarcimento de créditos de IPI quando há oposição estatal ilegítima ao seu aproveitamento, conforme REsp no 1.035.847/RS, de observância obrigatória pelo CARF. A oposição estatal ilegítima, no entanto, pode ser manifestada de duas formas: por omissão (ou mora, ao não apreciar o fisco o pedido em prazo razoável, prazo esse que hoje também está delimitado pelo STJ na sistemática dos recursos repetitivos: 360 dias), ou por ação (apreciandose e negandose o crédito dentro do prazo de 360 dias, em despacho da autoridade fazendária competente). No caso de oposição estatal ilegítima por omissão (mora), a aplicação da Taxa SELIC é cabível somente a partir de 360 (trezentos e sessenta) dias contados do protocolo do pedido (REsp no 1.138.206/RS) até a efetiva utilização do crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 98 7. 00 02 35 /2 00 7- 05 Fl. 463DF CARF MF Processo nº 15987.000235/200705 Acórdão n.º 3401005.368 S3C4T1 Fl. 464 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer o crédito em relação a aquisições de pessoas físicas, crédito esse a ser atualizado pela Taxa SELIC a partir de 360 dias, a contar da data de transmissão do pedido de ressarcimento até a data de sua efetiva utilização, se posterior. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Tiago Guerra Machado Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente) Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da DRJ/RPO, que considerou insubsistentes as razões da Manifestação de Inconformidade contra despacho decisório que não reconheceu o direito ao crédito presumido de IPI pleiteado pela contribuinte, referente ao período compreendido entre 2001 e 2004. Do Despacho Decisório e da Manifestação de Inconformidade No caso, o Despacho Decisório glosou do cálculo de crédito presumido de IPI, previsto na Lei Federal 9.363/1996, sobre aquisições de pessoas que não são contribuintes do PIS/PASEP e da COFINS. Por sua vez, a manifestante alegou, em síntese, que seriam ilegais as restrições feitas por meio de Instruções Normativas, relativas a direitos previstos em lei ordinárias exclusões em questão, conforme sua análise da legislação e o entendimento dos tribunais e acórdãos do Conselho de Contribuintes. Além disso, requereu pela aplicação da Taxa SELIC para a atualização dos créditos pleiteados. Fl. 464DF CARF MF Processo nº 15987.000235/200705 Acórdão n.º 3401005.368 S3C4T1 Fl. 465 3 Da Decisão de Primeira Instância Por sua vez, foi exarado o Acórdão 1435.075, pela 2 Turma da DRJ/RPO, que considerou a Manifestação de Inconformidade apresentada improcedente, nos seguintes termos ementados: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/01/2001 a 31/03/2001, 01/04/2001 a 30/06/2001, 01/07/2001 a 30/09/2001,, 01/01/2002 a 31/03/2002, 01/01/2003 a 31/03/2003, 01/04/2003 a 30/06/2003, 01/01/2004 a 31/03/2004 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. 'Os valores referentes as aquisições de insumos de pessoa não contribuintes do F'IS/Pasep e da Cofins não integram o cálculo do crédito presumido por falta de previsão legal. CRÉDITO PRESUMIDO. JUROS PELA TAXA SELIC. POSSIBILIDADE. Inexiste previsão legal para abonar atualização monetária ou acréscimo de juros equivalentes à taxa SELIC a valores objeto de ressarcimento , de crédito do IPI. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada, a Contribuinte interpôs recurso voluntário, reiterando as razões de sua Manisfestação. É o Relatório. Voto Conselheiro Tiago Guerra Machado, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Fl. 465DF CARF MF Processo nº 15987.000235/200705 Acórdão n.º 3401005.368 S3C4T1 Fl. 466 4 Tratase de ressarcimento de crédito presumido pleiteado pela Recorrente em razão do disposto na Lei Federal 9.363/1996., que assim dispõe: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. Art. 2º A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. (...) Art.6º O Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador Por sua vez, à época, em razão do que pressupõe o artigo 6º, da referida Lei, foi editada a Instrução Normativa SRF 23/1997, que assim dispôs: Art. 1º O crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, como ressarcimento da contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para a Seguridade Social COFINS, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem utilizados no processo produtivo de bens destinados à exportação para o exterior, de que trata a Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, será apurado e utilizado de conformidade com o disposto nesta Instrução Normativa. Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. § 1º O direito ao crédito presumido aplicase inclusive: I Quando o produto fabricado goze do benefício da alíquota zero; II nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. Fl. 466DF CARF MF Processo nº 15987.000235/200705 Acórdão n.º 3401005.368 S3C4T1 Fl. 467 5 § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS. Assim, o objeto em litigio reside na discussão se é válida a restrição imposta na referida Instrução Normativa para que o crédito presumido somente seja derivado de aquisições provenientes de pessoas jurídicas. Nesse interregno, o Superior Tribunal de Justiça veio a discutir a matéria, já em sede de repetitivo, (REsp 993164 MG, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 13/12/2010); que posteriormente, veio a ser objeto da Súmula 494, abaixo transcrita: Súmula 494 O benefício fiscal do ressarcimento do crédito presumido do IPI relativo às exportações incide mesmo quando as matériasprimas ou os insumos sejam adquiridos de pessoa física ou jurídica não contribuinte do PIS/PASEP. Diante da existência do julgado sob efeito vinculante a que se refere a previsão do artigo 62, do RICARF, é de se aplicar o seu conteúdo, de modo que é descabida a motivação da glosa elencada no despacho decisório, devendo ser reformada a decisão ora recorrida, nesse particular. Quanto à possibilidade de atualização do crédito a ser ressarcido pela Taxa SELIC, a questão já foi aclara pelo Superior Tribunal de Justiça, da seguinte forma: Por fim, demanda a recorrente que seu crédito seja tomado em conta ao longo do tempo, de forma atualizada pela SELIC, com fundamento na Lei no 9.250/1996, art. 39, § 4o, e em decisões do STJ e do CARF, inclusive da CSRF. No julgamento de piso, no processo referente à autuação (no 10665.720367/201225),decide unanimemente a DRJ que é incabível, por absoluta inexistência de base legal, a atualização monetária de créditos escriturais do imposto ou de seu ressarcimento, pela incidência da Taxa SELIC sobre os montantes escriturados ou pleiteados, visto que a Lei no 9.250/1996, em seu art. 39, trata de indébito de tributos, não se alastrando a crédito presumido (escritural), e que tanto a Instrução Normativa SRF no 210/2002 quanto a Solução de Consulta COSIT no 19/2002 são expressas no sentido de que “não incidirão juros compensatórios no ressarcimento de créditos do IPI”. A argumentação do recurso voluntário, em relação ao tema, é predominantemente jurisprudencial, colacionandose diversos precedentes do CARF no sentido de que é legítima a atualização de crédito presumido de IPI pela Taxa SELIC, e que o ressarcimento é espécie do gênero restituição. Fl. 467DF CARF MF Processo nº 15987.000235/200705 Acórdão n.º 3401005.368 S3C4T1 Fl. 468 6 Também neste tópico assiste razão à recorrente, cabendo destacar que o tema da atualização monetária pela Taxa SELIC dos créditos é matéria que foi pacificada no âmbito administrativo com o advento do julgamento proferido pelo STJ no REsp nº 1.035.847, sob a sistemática dos recursos repetitivos (igualmente vinculante para o CARF, em função de previsão regimental no tribunal administrativo): (...) Assim, e tendo em conta que houve oposição à fruição do crédito em despachos decisórios específicos, em relação às glosas efetuadas e agora afastadas (referentes a aquisições de pessoas físicas), é de se reconhecer o direito à correção do valor do ressarcimento negado pela autoridade tributária, e posteriormente acolhido no curso deste processo, calculada pela Taxa SELIC. (...) Assim, e concordando com o fundamento do posicionamento atual da CSRF, que harmoniza distintos precedentes do STJ na sistemática dos recursos repetitivos, no que se refere a oposição estatal por omissão (mora) tenho apenas leve apara a tal entendimento, no sentido de que o termo inicial deve ser a data da ciência do indeferimento do crédito, caso isso ocorra antes dos citados 360 dias do pedido (oposição por ação – análise e indeferimento do crédito). Por todo o exposto, conheço do Recurso e, no mérito, doulhe provimento parcial, para reconhecer o crédito em relação a aquisições de pessoas físicas, crédito esse a ser atualizado pela Taxa SELIC a partir de 360 dias, a contar da data de transmissão do pedido de ressarcimento até a data de sua efetiva utilização, se posterior (assinado digitalmente) Tiago Guerra Machado Relator Fl. 468DF CARF MF
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Numero do processo: 10821.000600/2009-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.760
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira Presidente
(assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira.
Relatório
Trata-se de retorno de diligência solicitada por meio da Resolução no 3301000.506 3ª Câmara /1ª Turma Ordinária. Adoto o relatório constante dessa Resolução, constante das fls. 1702 e seguintes.
Cumpre acrescentar que o presente processo foi objeto dos despachos às fls. 290/293 e retornou a este CARF sem a realização da necessária diligência.
É o relatório.
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira. Relatório Trata-se de retorno de diligência solicitada por meio da Resolução no 3301000.506 3ª Câmara /1ª Turma Ordinária. Adoto o relatório constante dessa Resolução, constante das fls. 1702 e seguintes. Cumpre acrescentar que o presente processo foi objeto dos despachos às fls. 290/293 e retornou a este CARF sem a realização da necessária diligência. É o relatório.
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