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Numero do processo: 10980.005816/2007-71
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Sep 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/11/1997 a 31/12/1998
NULIDADE. FUNDAMENTAÇÃO. LANÇAMENTO COM BASE DE AFERIÇÃO INDIRETA. INOCORRÊNCIA.
Inexiste nulidade quando o lançamento traz como fundamentação legal os dispositivos suficientes para justificar a apuração da base de cálculo pelo método do arbitramento.
Numero da decisão: 9202-008.029
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões do recurso voluntário, vencida a conselheira Ana Paula Fernandes, que lhe negou provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Pedro Paulo Pereira Barbosa, Patrícia da Silva, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Paula Fernandes, Denny Medeiros da Silveira (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Mário Pereira de Pinho Filho (Presidente em Exercício). Ausente a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, substituída pela conselheira Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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FUNDAMENTAÇÃO. LANÇAMENTO COM BASE DE AFERIÇÃO INDIRETA. INOCORRÊNCIA. Inexiste nulidade quando o lançamento traz como fundamentação legal os dispositivos suficientes para justificar a apuração da base de cálculo pelo método do arbitramento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões do recurso voluntário, vencida a conselheira Ana Paula Fernandes, que lhe negou provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Pedro Paulo Pereira Barbosa, Patrícia da Silva, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Paula Fernandes, Denny Medeiros da Silveira (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Mário Pereira de Pinho Filho (Presidente em Exercício). Ausente a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, substituída pela conselheira Miriam Denise Xavier. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 58 16 /2 00 7- 71 Fl. 717DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 9202-008.029 - CSRF/2ª Turma Processo nº 10980.005816/2007-71 Relatório Trata-se de lançamento (DEBCAD 35.005.809-1), para cobrança de contribuição previdenciária incidente na contratação de mão de obra. O lançamento foi lavrado com base na caracterização da solidariedade da Autuada haja vista que essa não comprovou o efetivo pagamento dos valores devidos pelos segurados que lhe prestaram serviço na condição de cessão de mão de obra. O lançamento se deu por arbitramento, tendo a fiscalização esclarecido no Relatório Fiscal de fls. 110 e seguintes que empresa não apresentou as notas fiscais de serviço emitidas pela contratada, as folhas de pagamento ou as respectivas GRPS. Ainda segundo o relatório fiscal: 5. Diante da não comprovação dos recolhimentos na forma como determinava as normas em vigor na época, aplicamos o que determinava a lei, o instituto da responsabilidade solidária, com a conseqüente lavratura da NFLD, aplicando-se para a apuração da remuneração o percentual estabelecido para o trabalho de mão-de-obra temporária, ou seja o percentual de 50%, (cinqüenta por cento), sobre o valor das notas fiscais de serviço. 6. O débito foi apurado com base nos valores lançados na contabilidade das contas já mencionadas acima. Após o trâmite processual a 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, em sessão de julgamento realizada em 02.06.2009, anulou o lançamento em razão da caracterização de vício formal. No entendimento do Colegiado a não apresentação de folhas de pagamento, das guias de recolhimento distintas para cada empresa tomadora de serviço e das respectivas notas fiscais dos serviços prestados, até permitira a utilização do arbitramento, mas para tanto deveria a fiscalização ter fundamentado sua aplicação a fim de respeitar o princípio da ampla defesa, demonstrando ao Contribuinte os motivos do lançamento. O acórdão 2301-00.412 recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/1997 a 31/12/1998 FALTA DE DESCRIÇÃO CLARA E PRECISA. NULIDADE. A fiscalização deverá lavrar de ofício lançamento, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, quando constatar atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas na Legislação. Intimada da decisão a Fazenda Nacional apresentou recurso de contrariedade à lei com base no inciso II do art. 7º e art. 9° do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147/2007. As razões recursais foram assim resumidas pelo despacho de admissibilidade de fls. 634/35: “A Fazenda Nacional afirma que não há que se falar em nulidade do auto de infração, porquanto todos os requisitos previstos no art. 10 do Decreto n° 70.235/1972 foram observados quando da sua lavratura e que o auto de infração não se enquadra nos casos que acarretam a nulidade do lançamento enumerados no artigo 59 do Decreto n° 70.235/1972, com as alterações introduzidas pela Lei n° 8.748/1993. Diz que não houve ato ou termo lavrado por pessoa incompetente e a descrição dos fatos, contendo todas as explicações sobre os valores Fl. 718DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 9202-008.029 - CSRF/2ª Turma Processo nº 10980.005816/2007-71 considerados para fins de apuração do tributo devido e o enquadramento legal da infração estão contidos nas folhas que compõem o auto de infração, portanto, entende que todos os requisitos do art. 10 do citado diploma legal estão cumpridos. Alega também que o direito de defesa do contribuinte não foi cerceado”. Intimado da decisão e do recurso especial o contribuinte não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora Adotando as fundamentações do despacho de admissibilidade conheço do recurso. Insurge-se a Fazenda Nacional contra decisão a quo que reconheceu a nulidade do lançamento por vício formal. No entendimento do Colegiado recorrido o lançamento não fundamentou a contento a razão para aplicação do arbitramento. Quanto ao tema, compartilho do entendimento de que a eventual ausência de menção do ato normativo no lançamento não seria por si só, elemento determinante para declaração da nulidade. Há casos em que essa insuficiência pode ser suprimida por outros elementos contidos nos autos e os quais nos conduza a correta interpretação da autuação. Ocorre que, no presente caso, a análise deve ser feita sob outro prisma. Temos aqui um lançamento baseado em critério excepcional de apuração de base de cálculo. O art. 148 do CTN é norma geral que permite a utilização do arbitramento, entretanto tal dispositivo é expresso ao condicionar sua aplicação à comprovação da ocorrência dos requisitos autorizativos, quais sejam: deixar o contribuinte de apresentar declarações ou esclarecimentos, deixar de expedir documentos obrigatórios ou, uma vez apresentados os documentos, declarações e esclarecimentos, esses não mereçam fé. Vejamos o teor do dispositivo citado: Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. Ora, não se discute que se revela plenamente possível o arbitramento da base de cálculo do imposto pelo agente fazendário competente sempre que sejam omissos ou não mereçam fé os esclarecimentos, as declarações, os documentos ou os recolhimentos prestados, expedidos ou efetuados pelo sujeito passivo ou por terceiro legalmente obrigado, mediante procedimento regular, por meio do qual arbitrará o valor na forma e nas condições regulamentares, entretanto, tais condições demonstram que se trata de metodologia cuja aplicação é excepcional. Fl. 719DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 9202-008.029 - CSRF/2ª Turma Processo nº 10980.005816/2007-71 O próprio princípio da verdade material inerente às demandas administrativas nos impõe concluir que o procedimento de arbitramento é realmente a última solução para o cálculo de um tributo, devendo ser adotado apenas depois de esgotados todos os outros meios de prova, quando não é possível, de maneira alguma, conhecer, ao menos aproximadamente, a efetiva realidade arbitrada. Maria Rita Ferragut, em sua obra intitula Presunções no Direito Tributário, ao definir o arbitramento nos traz exatamente esses esclarecimentos: Já a segunda hipótese de significado diz respeito à base de cálculo originalmente substitutiva. A substituição da base de cálculo originalmente prevista na legislação - correspondente à perspectiva dimensível do critério material da regra-matriz de incidência construído a partir do texto constitucional - por outra subsidiária, dá-se em virtude da inexistência de documentos fiscais, ou da impossibilidade dos mesmos fornecerem critérios seguros para mensuração do fato, casos em que a base de cálculo substitutiva visa possibilitar a prova indireta da riqueza manifestada no fato jurídico. ... Diante dessas características, verifica-se, primeiramente, que o arbitramento é dotado de caráter excepcional, e só deve ser exercido em casos extremos, já que a base de cálculo originária é a que deve ser utilizada por ser a prevista na regra-matriz de incidência tributária e por guardar, a princípio, relação direta com as riquezas constitucionalmente previstas. Neste sentido, sendo o arbitramento um procedimento de aplicação condicionada, entendo ser imprescindível para validade do lançamento que a autoridade fiscal aponte e descreva os fundamentos legais, comprovando ainda os elementos ensejadores da sua aplicação. No caso concreto, o ilustre Relator do acórdão recorrido concluiu que: Como não ocorreu a apresentação de folhas de pagamento, guias de recolhimento distintas para cada empresa tomadora de serviço e as respectivas notas fiscais dos serviços prestados, a fiscalização possuía a possibilidade de utilizar a competência legal para a utilização do arbitramento, mas para tanto deveria ter fundamentado sua utilização, a fim de respeitar o Princípio da ampla defesa, demonstrando ao recorrente os motivos do lançamento. Entretanto, da análise mais detida dos instrumentos que compõem o presente lançamento, entendo que os elementos do art. 142 e 148 do Código Tributário Nacional foram devidamente apresentados, havendo a clara fundamentação e justificação para aplicação do arbitramento. Consta dos “Fundamentos Legais do Débito”, às fls. 100: RESPONSABILIDADE SOLIDARIA - CESSÃO DE MAO-DE-OBRA - GERAL Lei nº 8.212, de 24.07.91, art. 31, com as alterações do art. 2 da Lei nº 9.032, de 28.04.95 e alterações da Lei nº 9.528, de 10.12.97 - MP nº 1.523-7, de 30/04/97 e reedições; Decreto nº 2.173, de 05.03.97 – Regulamento da Organização e do Custeio da Seguridade Social - ROCSS, art. 42. LANÇAMENTO ARBITRADO - EMPRESAS EM GERAL Lei nº 8.212, de 24.07.91, art. 33, parágrafos 1, 2, 3, 6; Decreto nº 2.173, de 05.03.97 - Fl. 720DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 9202-008.029 - CSRF/2ª Turma Processo nº 10980.005816/2007-71 Regulamento da Organização e do Custeio da Seguridade Social, arts. 50, 51, 52 e 54; Regulamento da Previdência Social - Dec. 3.048, de 86/05/1999, arts. 231, 232, 233, 234 e 235. E consta do Relatório Fiscal, às fls. 110/119: 5. Diante da não comprovação dos recolhimentos na forma como determinava as normas em vigor na época, aplicamos o que determinava a lei, o instituto da responsabilidade solidária, com a conseqüente lavratura da NFLD, aplicando-se para a apuração da remuneração o percentual estabelecido para o trabalho de mão-de-obra temporária, ou seja o percentual de 50%, (cinqüenta por cento), sobre o valor das notas fiscais de serviço. 6. O débito foi apurado com base nos valores lançados na contabilidade das contas já mencionadas acima. 7. DOS FUNDAMENTOS LEGAIS: I. ORDEM DE SERVIÇO INSS/DAF N° 087. DE 20 DE AGOSTO DE 1993 ... 9. O crédito constante do lançamento encontra-se fundamentado na legislação constante do anexo de "Fundamentos Legais". 10. O Fato Gerador do Débito teve como base os valores que constam nas Notas fiscais de Serviço, e os valores lançados na contabilidade, tendo sido analisados os seguintes Livros: Livros Razão de novembro/97 a dezembro/98 e os Livros Diários , sendo o ultimo apresentado o livro Diário n° 770, autenticado na JUCERJA, em 10/10/00, sob o n° 9263/00, escriturado ate março de 2000. Observamos, portanto, que o lançamento é expresso ao descrever que o arbitramento foi fundamentado no art. 33, §6º da Lei nº 8.212/91, tendo a base de cálculo sido fixada segundo a norma regulamentar, a “Ordem de Serviço INSS/DAF N° 087/1993”, que no entendimento da fiscalização era a norma vigente quando da ocorrência do fato gerador. Neste sentido, houve o fiel cumprimento da exigência do art. 148 do CTN. Vale destacar que o conteúdo do recurso especial ora analisado se litou à análise da existência de vício formal por ausência de fundamentação legal, razão pela qual não foram apreciadas quaisquer questões de mérito relativas à aplicabilidade do arbitramento no presente caso. Essa matéria, e outras, consta do Recurso Voluntário apresentado pela Autuada e não foi apreciada pelo Colegiado Recorrido. Diante do exposto, dou provimento ao recurso para afastar a nulidade, devendo o processo retornar à turma a quo para análise das demais questões de mérito suscitadas no Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 721DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 9202-008.029 - CSRF/2ª Turma Processo nº 10980.005816/2007-71 Fl. 722DF CARF MF
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Numero do processo: 10280.903670/2012-86
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Sep 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA. PRODUTOS SUJEITOS À SISTEMÁTICA MONOFÁSICA. IMPOSSIBILIDADE.
É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º da Lei 10.637/2002, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º da referida lei. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica.
Numero da decisão: 3402-006.762
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Muller Nonato Cavalcanti Silva (suplente convocado), Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA. PRODUTOS SUJEITOS À SISTEMÁTICA MONOFÁSICA. IMPOSSIBILIDADE. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º da Lei 10.637/2002, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º da referida lei. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica.
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BENS PARA REVENDA. PRODUTOS SUJEITOS À SISTEMÁTICA MONOFÁSICA. IMPOSSIBILIDADE. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º da Lei 10.637/2002, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º da referida lei. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Muller Nonato Cavalcanti Silva (suplente convocado), Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra (Presidente). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário contra o Acórdão da DRJ, que não reconheceu o direito creditório pleiteado, mantendo o indeferimento do ressarcimento e a não homologação da compensação declarada. Regularmente cientificado, o contribuinte apresentou seu Recurso Voluntário repisando os argumentos trazidos em sua manifestação de inconformidade, na qual, alega a existência de créditos pelas aquisições de produtos (combustíveis) para revenda, sujeitos à alíquota zero, dentro do regime da incidência monofásica, com fundamento no art. 16 da MP nº AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 36 70 /2 01 2- 86 Fl. 59DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3402-006.762 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10280.903670/2012-86 206/2004, convalidado no art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004. Alega que a vedação ao aproveitamento de créditos foi tacitamente revogada com a superveniência da referida Lei nº 11.033, e que está submetida ao regime de apuração não cumulativa das contribuições, mesmo com a tributação monofásica dos produtos adquiridos, sendo permitido o aproveitamento dos créditos. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão nº. 3402-006.756, de 20 de agosto de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 10280.903665/2012-73. Transcreve-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3402-006.756): “A questão trazida a julgamento centra-se na possibilidade do ressarcimento e/ou da utilização por compensação de créditos oriundos da aquisição de combustíveis derivados de petróleo para revenda, submetidos à incidência monofásica do PIS e da COFINS. A Recorrente alega que qualquer vedação à manutenção de créditos das contribuições estaria revogada em razão da superveniência do artigo 17 da Lei 11.033/2004, que garantiria o direito ao creditamento sempre que as saídas estiverem submetidas à alíquota zero, sem exceções; e que o artigo 3º, I, “b”, da Lei 10.833/2003, não se aplicava às saídas efetuadas por distribuidores e varejistas, mas tão somente às saídas promovidas por importadores e industriais, não se aplicando ao seu caso. Incialmente, passo a transcrição do dispositivo legal da Lei nº10.833/2003 que trata da possibilidade de creditamento em relação às aquisições de bens para revenda: Art. 3º. Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I - bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3º do art. 1º desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) b) nos §§ 1º e 1º-A do art. 2º desta Lei; (Redação dada pela lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) [...] § 2º. Não dará direito a crédito o valor: [...] Fl. 60DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3402-006.762 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10280.903670/2012-86 II - da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. O art. 3º, I, da Lei 10.833/2003 dispõe que a pessoa jurídica poderá descontar do valor apurado na forma do art. 2º créditos calculados em relação a bens adquiridos para revenda, com as seguintes exceções: (a) em relação às mercadorias e produtos referidos no inciso III do § 3º do art. 1º, ou seja, mercadorias sujeitas à substituição tributária; e (b) nos §§ 1º e 1º-A do art. 2º, ou seja, na aquisição das mercadorias sujeitas à incidência monofásica. O texto legal é expresso na impossibilidade de crédito na aquisição das mercadorias sujeitas à incidência monofásica, inclusive combustíveis adquiridos pela recorrente. A recorrente alega que o artigo 17 da Lei 11.033/2004, regulou a situação, permitindo a manutenção dos créditos vinculados às saídas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência. Transcrevo o referido dispositivo legal: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Entendo que tal dispositivo legal não trouxe nenhuma nova regra à apuração das contribuições, mas apenas esclareceu situações porventura controversas, conforme expressamente dispõe a exposição de motivos da MP 206/2004, que originou tal norma. Trata-se apenas da manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados às operações com saídas não sujeitas ao pagamento da contribuição. Não se trata de permissão para creditamento de aquisições de produtos que não se sujeitaram ao pagamento das contribuições, ou em outras situações excepcionadas (como a monofasia e a substituição tributária), mas permitir a manutenção do crédito das contribuições que efetivamente foram pagas nas aquisições daqueles produtos que se sujeitarão a saídas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência. Ou seja, os créditos vinculados às vendas são mantidos, não criados. Trata-se daqueles créditos já previstos pela norma, com as exclusões impostas, não novas possibilidades de créditos. Não se trata de restringir o direito ao crédito das contribuições na não- cumulatividade, mas permiti-la apenas naquelas situações determinadas pelo legislador, sem qualquer ofensa ao princípio da não-cumulatividade. Destaca-se que o legislador, ao criar tal sistemática de apuração, já considerou as etapas da cadeia produtiva, as margens estimadas, e a vedação para o crédito nas aquisições. Permitir o creditamento nas situações sujeitas à sistemática monofásica é desvirtuar todo o sistema de apuração das contribuições, permitindo um ganho indevido por parte do Fl. 61DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3402-006.762 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10280.903670/2012-86 sujeito passivo, afrontando a concorrência e outros setores econômicos que não teriam tal possibilidade. A melhor doutrina não diverge de tal entendimento. Assim leciona o professor André Mendes Moreira, com a clareza que lhe é peculiar: "Quando a não-cumulatividade do PIS/COFINS entrou a viger, os contribuintes sujeitos à monofasia (produtores e importadores) foram mantidos na sistemática cumulativa. Dessa forma, essa categoria e empresas não adquiriu o direito - concedido a todos os que foram sujeitos à não-cumulatividade - de descontar créditos sobre suas aquisições. Entretanto, quando o PIS e a COFINS incidentes na importação foram criados pela Lei nº 10.865/04, a carga tributária sobre todos os contribuintes sujeitos ao regime cumulativo foi majorada. Isso porque as contribuições devidas na importação só geram créditos se a pessoa jurídica estiver sujeita à apuração não-cumulativa do PIS/COFINS. Assim, para que o PIS/COFINS-importação fosse melhor absorvido pelos contribuintes monofásicos (sujeitos até então à cumulatividade), a Lei nº 10.865/04 revogou o dispositivo que excepcionava a monofasia do regime não- cumulativo. Essa medida resultou na subsunção dos contribuintes monofásicos às regras da não-cumulatividade, desde que apurassem o seu IRPJ pelo lucro real e não se enquadrassem em nenhuma das demais exceções ao novel regime previstas na legislação. Com essa modificação, as pessoas jurídicas obrigadas ao recolhimento monofásico do PIS/COFINS foram autorizadas a descontar não somente os créditos previstos no art. 3º das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, mas também os relativos às contribuições pagas na importação. Por outro lado, os distribuidores, atacadistas e varejistas que adquirirem bens tributados no sistema monofásico - e que têm, portanto, as vendas desses produtos gravadas à alíquota zero do PIS/COFINS - foram proibidos de se creditar do PIS/COFINS monofásico recolhido na etapa anterior. Obviamente, se esses distribuidores, atacadistas ou varejistas auferirem receitas com a venda de produtos sujeitos à apuração regular (não- monofásica) do PIS/COFINS, poderão se creditar normalmente, bastando proporcionalizar suas despesas, consoante reconhece a própria RFB" (A Não- Cumulatividade dos Tributos, 2ª edição revista e ampliada, Editora Noeses, 2012, p. 453/455). Por fim, importa-nos destacar a exceção expressa à regra imposta pelo inciso I do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, estabelecida pelo art. 24 da Lei nº 11.727/2008: Art. 24. A pessoa jurídica sujeita ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, produtora ou fabricante dos produtos relacionados no § 1º do art. 2º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, pode descontar créditos relativos à aquisição desses produtos de outra pessoa jurídica importadora, produtora ou fabricante, para revenda no mercado interno ou para exportação. Fl. 62DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3402-006.762 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10280.903670/2012-86 § 1º Os créditos de que trata o caput deste artigo correspondem aos valores da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins devidos pelo vendedor em decorrência da operação. § 2º Não se aplica às aquisições de que trata o caput deste artigo o disposto na alínea b do inciso I do caput do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e na alínea b do inciso I do caput do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003.”(grifou-se) Portanto, conclui-se que o inciso I do caput do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 permite creditamento em relação a bens adquiridos para revenda e veda creditamento em relação a: 1) mercadorias em relação às quais as contribuições tenham sido exigidas anteriormente em razão de substituição tributária (inciso III do §3º do art. 1º da Lei nº 10.833, de 2003); 2) produtos sujeitos anteriormente à cobrança concentrada ou monofásica das contribuições (§ 1º do art. 2º da Lei nº 10.833, de 2003), exceto no caso em que pessoa jurídica produtora ou fabricante de tais produtos os adquire para revenda de outra pessoa jurídica importadora, produtora ou fabricante desses mesmos produtos (§ 2º do art. 24 da Lei nº 11.727, de 2008). Destaca-se que a recorrente é revendedora dos produtos sujeitos à sistemática monofásica, e não produtora ou fabricante de tais produtos, não sendo possível o creditamento em relação a tais aquisições. Esse entendimento já foi firmado por este colegiado em diversos julgados recentes: Acórdão nº 3402-006.469, de 24 de abril de 2019 CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. REGIME MONOFÁSICO. AQUISIÇÃO DE COMBUSTÍVEIS. DIREITO A CRÉDITO. FRETE. REVENDA. VAREJISTA. POSSIBILIDADE. O artigo 3º, inciso I das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 garante o direito ao crédito correspondente aos produtos adquiridos para revenda, mas excetua textualmente o direito ao crédito da aquisição de combustíveis, os quais são tributados pela Contribuições pelo regime monofásico (artigo 3º, inciso I, alínea "b"). Tal exceção, contudo, não invalida o direito ao crédito referente ao frete pago pelo comprador do combustível para revenda, que compõe o custo de aquisição do produto (art. 289, §1º do RIR/99). Isto porque o frete é uma operação autônoma em relação à aquisição do combustível, paga à transportadora, na sistemática de incidência da não-cumulatividade. Sendo os regimes de incidência distintos, do produto (combustível) e do frete (transporte), permanece o direito ao crédito referente ao frete pago pelo comprador do combustível para revenda Acórdão nº 3402-006.573, de 25 de abril de 2019 PIS/COFINS. GÁS NATURAL. TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. RESTITUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Diversamente do que ocorre na sistemática da substituição tributária pra frente, no tributação monofásica não há previsão de restituição da quantia paga de tributo em etapa anterior da cadeia de circulação ou produção do produto. Fl. 63DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3402-006.762 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10280.903670/2012-86 Na tributação monofásica, as contribuições são devidas sobre as receitas referentes à etapa em que houve a incidência com alíquota diferente de zero, independentemente de quaisquer outras etapas da mesma cadeia. Acórdão nº 3402-006.670, de 23 de maio de 2019 NÃO-CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE PRODUTOS MONOFÁSICOS PARA REVENDA. CRÉDITOS. GLOSA. Por expressa determinação legal, é proibida apuração de créditos relativos à aquisição de produtos sujeitos à tributação monofásica destinados à revenda com alíquota zero. É permitida somente a manutenção dos créditos decorrentes de custos, despesas e encargos vinculados às vendas com alíquota zero, quando devidamente comprovados. Acórdão 3402-005.600, de 26 de setembro de 2018 CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA. PRODUTOS SUJEITOS À SISTEMÁTICA MONOFÁSICA. IMPOSSIBILIDADE. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário do sujeito passivo. É como voto.” Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Apesar do voto se referir apenas a COFINS, há perfeita correlação legal estabelecida pela Lei 10.637/2002, que permite aplicar o mesmo entendimento. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário do sujeito passivo. (documento assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 64DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13830.901706/2012-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Sep 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006
SOCIEDADES COOPERATIVAS MISTAS. AGROPECUÁRIAS E DE CONSUMO. REGIME DE TRIBUTAÇÃO.
As sociedades cooperativas mistas, agropecuárias e de consumo, quando agem como cooperativa de consumo, que tenham por objeto a compra e fornecimento de bens aos consumidores, mesmo que estes sejam seus associados, sujeitando-se às mesmas normas de incidência dos impostos e contribuições de competência da União aplicáveis às demais pessoas jurídicas, conforme artigo 69 da Lei n. 9.537/97, não se lhes aplicando as disposições constantes no artigo 15 da Medida Provisória nº 2.158-35, de 24 de agosto de 2001,
BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO. SOCIEDADE COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. BENS E MERCADORIAS VENDIDOS A ASSOCIADOS.
Somente podem ser excluídas da base de cálculo da contribuição as receitas de vendas de bens e mercadorias a associados que estejam vinculados diretamente à atividade econômica desenvolvida por esse e que sejam objeto da cooperativa.
MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL PARA ATRIBUIÇÃO DE CRÉDITOS RELATIVOS A DESPESAS COMUNS PARA OBTENÇÃO DE RECEITAS ENTRE. REGIME NÃO CUMULATIVO E CUMULATIVO. CONCEITO DE RECEITA BRUTA
Na determinação do percentual a ser estabelecido entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês, para aplicação do rateio proporcional previsto no inciso II do § 8º do art. 3º, da Lei nº 10.833, de 2003, e no inciso II do § 8º do art. 3º, da Lei nº 10.637, de 2002, a ser utilizado na apuração de créditos de PIS/COFINS, referente a custos, despesas e encargos comuns, não se deve considerar como receita bruta, dentre outras, as receitas não operacionais, decorrentes da venda de ativo imobilizado e as receitas não próprias da atividade, como receita de venda de bens do ativo imobilizado.
CORREÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. VEDAÇÃO LEGAL.
De acordo com o disposto nos arts. 13 e 15 da Lei nº 10.833, de 2003, não incide correção monetária e juros sobre os créditos de COFINS/PIS de ressarcimento. Aplicação da Súmula CARF nº 125 - No ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003.
Numero da decisão: 3301-006.463
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo da Costa Marques D'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Marco Antonio Nunes Marinho e Ari Vendramini
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 SOCIEDADES COOPERATIVAS MISTAS. AGROPECUÁRIAS E DE CONSUMO. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. As sociedades cooperativas mistas, agropecuárias e de consumo, quando agem como cooperativa de consumo, que tenham por objeto a compra e fornecimento de bens aos consumidores, mesmo que estes sejam seus associados, sujeitando-se às mesmas normas de incidência dos impostos e contribuições de competência da União aplicáveis às demais pessoas jurídicas, conforme artigo 69 da Lei n. 9.537/97, não se lhes aplicando as disposições constantes no artigo 15 da Medida Provisória nº 2.158-35, de 24 de agosto de 2001, BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO. SOCIEDADE COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. BENS E MERCADORIAS VENDIDOS A ASSOCIADOS. Somente podem ser excluídas da base de cálculo da contribuição as receitas de vendas de bens e mercadorias a associados que estejam vinculados diretamente à atividade econômica desenvolvida por esse e que sejam objeto da cooperativa. MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL PARA ATRIBUIÇÃO DE CRÉDITOS RELATIVOS A DESPESAS COMUNS PARA OBTENÇÃO DE RECEITAS ENTRE. REGIME NÃO CUMULATIVO E CUMULATIVO. CONCEITO DE RECEITA BRUTA Na determinação do percentual a ser estabelecido entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês, para aplicação do rateio proporcional previsto no inciso II do § 8º do art. 3º, da Lei nº 10.833, de 2003, e no inciso II do § 8º do art. 3º, da Lei nº 10.637, de 2002, a ser utilizado na apuração de créditos de PIS/COFINS, referente a custos, despesas e encargos comuns, não se deve considerar como receita bruta, dentre outras, as receitas não operacionais, decorrentes da venda de ativo imobilizado e as receitas não próprias da atividade, como receita de venda de bens do ativo imobilizado. CORREÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. VEDAÇÃO LEGAL. De acordo com o disposto nos arts. 13 e 15 da Lei nº 10.833, de 2003, não incide correção monetária e juros sobre os créditos de COFINS/PIS de ressarcimento. Aplicação da Súmula CARF nº 125 - No ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2019-09-16T17:33:27Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-09-16T17:33:27Z; Last-Modified: 2019-09-16T17:33:27Z; dcterms:modified: 2019-09-16T17:33:27Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-09-16T17:33:27Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-09-16T17:33:27Z; meta:save-date: 2019-09-16T17:33:27Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-09-16T17:33:27Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-09-16T17:33:27Z; created: 2019-09-16T17:33:27Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; Creation-Date: 2019-09-16T17:33:27Z; pdf:charsPerPage: 2357; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-09-16T17:33:27Z | Conteúdo => S3-C 3T1 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 13830.901706/2012-10 Recurso Voluntário Acórdão nº 3301-006.463 – 3ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 16 de setembro de 2019 Recorrente COOPERATIVA AGRICOLA MISTA DA ALTA PAULISTA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 SOCIEDADES COOPERATIVAS MISTAS. AGROPECUÁRIAS E DE CONSUMO. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. As sociedades cooperativas mistas, agropecuárias e de consumo, quando agem como cooperativa de consumo, que tenham por objeto a compra e fornecimento de bens aos consumidores, mesmo que estes sejam seus associados, sujeitando- se às mesmas normas de incidência dos impostos e contribuições de competência da União aplicáveis às demais pessoas jurídicas, conforme artigo 69 da Lei n. 9.537/97, não se lhes aplicando as disposições constantes no artigo 15 da Medida Provisória nº 2.158-35, de 24 de agosto de 2001, BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO. SOCIEDADE COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. BENS E MERCADORIAS VENDIDOS A ASSOCIADOS. Somente podem ser excluídas da base de cálculo da contribuição as receitas de vendas de bens e mercadorias a associados que estejam vinculados diretamente à atividade econômica desenvolvida por esse e que sejam objeto da cooperativa. MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL PARA ATRIBUIÇÃO DE CRÉDITOS RELATIVOS A DESPESAS COMUNS PARA OBTENÇÃO DE RECEITAS ENTRE. REGIME NÃO CUMULATIVO E CUMULATIVO. CONCEITO DE RECEITA BRUTA Na determinação do percentual a ser estabelecido entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês, para aplicação do rateio proporcional previsto no inciso II do § 8º do art. 3º, da Lei nº 10.833, de 2003, e no inciso II do § 8º do art. 3º, da Lei nº 10.637, de 2002, a ser utilizado na apuração de créditos de PIS/COFINS, referente a custos, despesas e encargos comuns, não se deve considerar como receita bruta, dentre outras, as receitas não operacionais, decorrentes da venda de ativo imobilizado e as receitas não próprias da atividade, como receita de venda de bens do ativo imobilizado. CORREÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. VEDAÇÃO LEGAL. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 90 17 06 /2 01 2- 10 Fl. 270DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-006.463 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13830.901706/2012-10 De acordo com o disposto nos arts. 13 e 15 da Lei nº 10.833, de 2003, não incide correção monetária e juros sobre os créditos de COFINS/PIS de ressarcimento. Aplicação da Súmula CARF nº 125 - No ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo da Costa Marques D'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Marco Antonio Nunes Marinho e Ari Vendramini Relatório Tratam estes autos de análise de Pedido Eletrônico de Ressarcimento – PER ,de créditos de contribuição não-cumulativa que não restou integralmente deferido pela DRF de origem, consoante despacho decisório carreado aos autos. A contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, julgada improcedente pela DRJ competente, nos termos do acórdão nº 14-067.622. Irresignada, a impugnante apresentou recurso voluntário, onde, em síntese, alega: - é sociedade cooperativa, optante do Lucro Real que, a partir de agosto de 2004, subsumiu-se ao regime não cumulativo de recolhimento do PIS – Programa de Integração Social e da COFINS – Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social, instituído pelas Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, respectivamente, e modificações posteriores. Na consecução de seus objetivos a Recorrente industrializa e comercializa parte da produção de seus associados e também fornece bens de consumo para os associados e terceiros. Em face da sistemática não cumulativa de recolhimento das contribuições, a Recorrente, nos termos da legislação específica, passou a ser legítima detentora do direito de créditos sobre aquisições de insumos e mercadorias utilizados no desempenho de suas atividades. Diante disso, efetuou pedidos de ressarcimento dos saldos credores de PIS e COFINS, acumulados em decorrência das vendas efetuadas com suspensão, isenção, não incidência ou alíquota zero. - relata as glosas perpetradas pela Fiscalização - relata que apresentou Manifestação de Inconformidade, que foi julgada improcedente. - defende que a autoridade fiscalizadora alega que a cooperativa excluiu indevidamente da base de cálculo das contribuições a venda para associados de mercadorias da LOJA DE CALÇADOS E CONFECÇÕES, pois só teria permissão legal para excluir da base de cálculo desde que sejam bens vinculados diretamente à Fl. 271DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-006.463 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13830.901706/2012-10 atividade econômica do associado, e que tais tais operações se caracterizariam como atos cooperativos, não sujeitos á incidência das contribuições. - Para o ressarcimento dos créditos de PIS e COFINS com base no art. 16 da Lei n 11.116/2005 concomitantemente com o art. 17 da Lei n 11.033/2004 deve ser obtida a relação percentual entre as receitas de exportação, receitas não tributadas e o total das receitas para segregar o crédito referente aos custos e despesas de uso em comum, como é o caso da Energia Elétrica. - É uníssono, na doutrina e na jurisprudência da Suprema Corte o entendimento de que os institutos “faturamento” e “receita” empregada nos arts. 195 e 239, da Constituição Federal, têm sentido técnico e preciso. Ambos são institutos próprios do direito privado. - Portanto Doutos Julgadores, tendo em vista que as receitas de venda de bens do ativo permanente e as receitas financeiras são consideradas no total das receitas para fins de apuração do PIS e COFINS, devem ser reintegradas ao cálculo da proporção para rateio dos créditos. - É direito da Recorrente de ter seus créditos de PIS e COFINS, corrigidos monetariamente a partir da data do protocolo dos pedidos de ressarcimento até a data da sua efetiva utilização. Essa questão já foi decidida pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso representativo da controvérsia, que reconheceu o direito à correção monetária sobre os créditos de IPI, PIS e COFINS objeto de ressarcimento (REsp nº 1.035.847), determinando a incidência da SELIC a partir da data do protocolo dos pedidos de ressarcimento (Embargos de Divergência em Agravo n 1.220.942) até a efetiva utilização (ressarcimento ou compensação). É o relatório Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão nº 3301- 006.459, de 23 de julho de 2019, proferido no julgamento do processo 13830.900552/2012-31, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevem-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão nº 3301-006.459): “O recurso voluntário é tempestivo, preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. Antes de analisarmos as razões recursais, é relevante delimitar o campo de atuação da recorrente, como cooperativa. O Estatuto Social da recorrente traz seus objetivos institucionais nos seus artigos 4º, 5º e 6º, assim redigidos : DO OBJETIVO INSTITUCIONAL, DAS POLÍTICAS E ESTRATÉGIAS GERAIS. Art.4º - O objetivo Institucional da Cooperativa é a preservação e a melhoria da qualidade de vida econômica e social de seus associados. Fl. 272DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-006.463 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13830.901706/2012-10 Art.5° No cumprimento dessa finalidade básica a Cooperativa terá como Política °Geral, a prática do princípio da ajuda mútua, visando a defesa dos interesses e à promoção econômico-social dos associados. Art. 6º À luz dessa Política Geral, a Cooperativa estabelece como forma essencial de sua atuação e, desde que suas condições econômico-financeiras as permitam o desenvolvimento das seguintes linhns estratégicas, incluído os objetivos táticos, que para efeitos de sua numeração. distribuem-se nos parágrafos a Seguir : § lº Comercialização: a) Proceder ao recebimento. classificação, .beneficiamento, rebeneficiamento, padronização e industrialização, no total ou em parte, da produção de origem vegetal, animal ou extrativa e de qualquer espécie condizente com as operações da Cooperativa, com origem nas atividades dos associados: b) Desenvolver e organizar serviços de recepção de produtos dos associados, de tal forma que se obtenham boas condições de preservação e segurança e, simultaneamente, racionalização e diminuição das despesas de transporte aos locais de produção para armazéns ou para o mercado consumidor: c) Assegurar, para todos os produtos de vendas em comum, adequados canais de distribuição e colocação diretamente nos mercados consumidores; d) Providenciar, para ótimo cumprimento dos objetivos anteriores, instalações, máquinas e armazéns que e onde se fizerem necessários, seja por conta própria ou arrendamento; e) Adotar marca de comércio devidamente registrada para produtos recebidos ou industrializados e. assegurar sua promoção mediante publicidade ou propaganda compatíveis. § 2º - Serviços de Armazenagens: a) Registrar-se como armazém Geral. expedindo "Conhecimentos de Depósitos" e "Warrants" para os produtos conservados em seus armazéns. próprios ou arrendados; b) Praticar ainda a alternativa de emissão de outros títulos decorrentes de suas atividades normais, aplicando-se no que couber, a legislação específica e cooperativista vigente. § 3° - Serviços de Abastecimento: a) Adquirir ou, sempre que for o caso, importar. produzir, processar. formular, fabricar ou industrializar quaisquer artigos de interesse dos associados, tais como mudas, sementes. fertilizantes minerais. orgânicos e outros. defensivos, inseticidas, herbicidas, animais, rações e produtos veterinários, veículos, motores, máquinas e implementos agrícolas, peças e acessórios, ferramentas, material de construção e instalação agropecuário, instrumentos e apetrechos agropastoris, combustíveis, lubrificantes e ainda qualquer outros insumos de alguma forma vinculados às atividades da cooperativa e seus associados. bem como fornecer tais artigos aos associados mediante faturamento ou taxas de serviços; b) Adquirir ou instalar e fornecer, segundo conveniências e possibilidades da cooperativa, toda espécie de utilidades, gêneros alimentícios, produtos de uso pessoal e doméstico. mediante idêntico sistema: c) instalar, onde for necessário e conveniente, armazéns, depósitos e lojas que facilitem a distribuição acima mencionados; § 4º – Serviços Financeiros a) Fazer. de acordo com as possibilidades,- vendas a prazo dos artigos mencionados no parágrafo 3° anterior, Fl. 273DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3301-006.463 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13830.901706/2012-10 b) Encaminhar os associados e dar-lhes apoio para que obtenham condições de financiamento junto às instituições de crédito. c) Viabilizar mediante ação intermediária e facilltadora a prática, quando necessária e justificada, de repasse e créditos bancários; d) Dentro dos parâmetros pré — estabelecidos e, de acordo com a viabilidade das circunstâncias, efetuar adiantamentos por conta dos produtos recebidos e ou contra entregas futuras de associados, bem como a terceiros para prestação de serviços ou para aquisicão de bens, sempre mediante títulos de créditos ou documentos que os assegurem. § 5º – Serviços Técnicos e Social a) Proteger o êxito do sistema cooperativo por todos os meios técnicos possíveis, instalando ou promovendo quaisquer serviços que objetivem o desenvolvimento e aperfeiçoamento tecnológico da produção: b ) Empreender planos sistemático de assistência técnica que promova, por todas as formas compatíveis, a produtividade das atividades dos associados e a expansão do cooperativismo, inclusive colonização em conjunto, de área para exploração agrícola ou pecuária. c) Fomentar iniciativas de promoção humana seja através do desenvolvimento social cultural ou educacional, seja através da modernização técnica — tecnológica, — como implementação em sistema e meios de comunicação, etc.; sempre. dirigido aos interesses da melhoria da qualidade de vida dos associados, seus familiares e funcionários da cooperativa; d ) Estipular em favor de seus associados, seguros em grupo por morte natural, acidental e invalidez temporária e permanente. A própria recorrente, em suas razões recursais, delimita seu campo de atuação : A Recorrente é sociedade cooperativa que objetiva promover o estímulo, o desenvolvimento progressivo e a defesa de suas atividades sociais e econômicas de natureza comum, conforme se extrai de seus estatutos sociais. Como se pode verificar de seus documentos constitutivos, a Impugnante é sociedade cooperativa, optante do Lucro Real que, a partir de agosto de 2004, subsumiu-se ao regime não cumulativo de recolhimento do PIS – Programa de Integração Social e da COFINS – Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social, instituído pelas Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, respectivamente, e modificações posteriores. Na consecução de seus objetivos a Recorrente industrializa e comercializa parte da produção de seus associados e também fornece bens de consumo para os associados e terceiros. Também a autoridade fiscal sintetiza a atividade da recorrente em sua informação fiscal : A atividade do sujeito passivo é de cooperativa (cooperativa mista - agropecuária e de consumo - § 3º do Artigo 6º do estatuto do sujeito passivo) Outra informação relevante é a trazida também na informação fiscal : As cooperativas agropecuárias e de consumo puderam optar pelo regime não- cumulativo do PIS/COFINS a partir de 01/05/2004, caso fizessem opção nos termos da IN da Secretaria da Receita Federal (SRF) 433/2004, opção essa que não fez. Portanto o sujeito passivo sujeitou-se ao regime não cumulativo do PIS/COFINS somente a partir de 01/08/2004 (regra geral). Fl. 274DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3301-006.463 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13830.901706/2012-10 Assim, delimitada atividade da recorrente como cooperativa mista – agropecuária e de consumo, passemos ás razões recursais. - DA NÃO INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA SOBRE OS ATOS COOPERATIVOS Alega a recorrente que “a autoridade fiscalizadora alega que a cooperativa excluiu indevidamente da base de cálculo das contribuições a venda para associados de mercadorias da LOJA DE CALÇADOS E CONFECÇÕES, pois só teria permissão legal para excluir da base de cálculo desde que sejam bens vinculados diretamente à atividade econômica do associado, e que tais operações se caracterizariam como atos cooperativos, não sujeitos á incidência das contribuições.” Já a autoridade fiscal , na informação fiscal que fundamentou o despacho decisório, atesta que “ o sujeito passivo não tributou (excluiu da base de cálculo) as vendas para cooperados que classificou em seus controles como "Venda Mercadorias - LOJA DE CALÇADOS E CONFECÇÕES - Tributado – S", rubrica na qual foram relacionadas vendas, como a própria denominação diz, de vestuários, roupas íntimas, roupas de cama, calçados, cintos, chapéus, meias, etc, excluindo da base de cálculo do PIS e da COFINS como vendas a cooperados.” e, mais adiante justifica que “ as vendas classificadas como "Venda Mercadorias - LOJA DE CALÇADOS E CONFECÇÕES - Tributado - S" deveriam compor a base de cálculo do PIS e da COFINS, visto que não são mercadorias vinculadas diretamente à atividade econômica (agropecuária) desenvolvida pelo associado (cooperado) e que seja objeto da cooperativa. O sujeito passivo é cooperativa mista (agropecuária e consumo) e, as vendas das cooperativas de consumo aos associados são tributadas normalmente quanto ao PIS e a COFINS. (Medida Provisória - MP - nº 2.158-35/2001, art. 15, § 1º ; Decreto nº 4.524/2002, art. 32, § 2º ; Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal - IN/SRF nº 247/2002, art. 33, § 3º; e IN/SRF nº 635/2006, art. 11, § 2 3)”. A legislação relativa á matéria esclarece a contenda : - A Lei nº 5.764/1971, que definiu a Política Nacional de Cooperativismo, assim determinou ; Art. 4º As cooperativas são sociedades de pessoas, com forma e natureza jurídica próprias, de natureza civil, não sujeitas a falência, constituídas para prestar serviços aos associados... ….. Art. 10. As cooperativas se classificam também de acordo com o objeto ou pela natureza das atividades desenvolvidas por elas ou por seus associados. § 1º Além das modalidades de cooperativas já consagradas, caberá ao respectivo órgão controlador apreciar e caracterizar outras que se apresentem. § 2º Serão consideradas mistas as cooperativas que apresentarem mais de um objeto de atividades. - A Medida Provisória nº 2.158-35/2001, ao estabelecer regras para exclusões de base de cálculo da Contribuição ao PIS/PASEP e da COFINS, determinou : Art.15.As sociedades cooperativas poderão, observado o disposto nos arts. 2o e 3o da Lei no 9.718, de 1998, excluir da base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP: ... II - as receitas de venda de bens e mercadorias a associados; Fl. 275DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 3301-006.463 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13830.901706/2012-10 ... §1o Para os fins do disposto no inciso II, a exclusão alcançará somente as receitas decorrentes da venda de bens e mercadorias vinculados diretamente à atividade econômica desenvolvida pelo associado e que seja objeto da cooperativa. - Reforçando este entendimento, o Decreto nº 4.524/2002, á época chamado de Regulamento do PIS e da COFINS, estabeleceu : Art. 32. As sociedades cooperativas, para efeito de apuração da base de cálculo das contribuições, podem excluir da receita bruta o valor (Medida Provisória nº2.158-35, de 2001, art.15, e Medida Provisória nº 66, de 2002, art. 36): (...) II - das receitas de venda de bens e mercadorias a associados; (...) § 2º Para os fins do disposto no inciso II do caput, a exclusão alcançará somente as receitas decorrentes da venda de bens e mercadorias vinculadas diretamente à atividade econômica desenvolvida pelo associado e que seja objeto da cooperativa. - Com relação ás cooperativas de consumo, a lei nº 9.537/1997 estabeleceu : Art. 69. As sociedades cooperativas de consumo, que tenham por objeto a compra e fornecimento de bens aos consumidores, sujeitam-se às mesmas normas de incidência dos impostos e contribuições de competência da União, aplicáveis às demais pessoas jurídicas. O Ilustre Julgador Evandro Bragato Nascimento, da DRJ/RPO, com muita propriedade, no voto condutor do Acórdão guerreado, analisou a questão em confronto com os ditames legais e normativos e assim esclareceu : Da análise do estatuto da cooperativa e da legislação supracitada, verifico que, como a cooperativa/contribuinte possui mais de um objeto em seu estatuto, trata-se de uma cooperativa mista, ou seja, uma cooperativa de produção agropecuária e de consumo. Quando a operativa mista age/atua como cooperativa de produção agropecuária, a lei determina duas condições para a realização da exclusão (da base de cálculo das contribuições) das receitas de venda de bens e mercadorias a associados: primeira, que as vendas de bens e mercadorias estejam vinculadas diretamente à atividade econômica desenvolvida pelo associado; e, segunda, que essas vendas sejam objeto da cooperativa. Já quando a cooperativa age/atua como cooperativa de consumo, nos termos do art. 69 da Lei nº 9.532/1997 e do §2º do art. 10 da Instrução Normativa SRF nº 635/2006, esta se sujeita às mesmas normas de incidência da contribuição para o PIS e Cofins aplicadas às demais pessoas jurídicas, podendo apenas efetuar as deduções e exclusões da base de cálculo, de caráter geral, previstas na legislação. Portanto, em que pesem a definição legal trazida pela contribuinte sobre contrato, cooperativa e de ato cooperativo, constante dos artigos 3º, 4º, 7º e 79, da Lei 5.764/1971, e das disposições constantes do Estatuto Social da Cooperativa para fornecimento de “toda espécie de utilidades, gêneros alimentícios, produtos de uso pessoal e doméstico” aos associados, a legislação tributária é clara em estabelecer que, quando a contribuinte age como cooperativa de consumo, as vendas de mercadorias aos associados são tributadas; e, quando age como cooperativa de produção agropecuária, para excluir as vendas de bens e mercadorias a associados da base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins, independentemente de se tratar de negócio mercantil ou de ato cooperado, deve provar/demonstrar que a venda de bens e as mercadorias fazem parte do Fl. 276DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 3301-006.463 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13830.901706/2012-10 objeto da cooperativa e que estes bens adquiridos estão vinculados diretamente à atividade econômica desenvolvida pelo associado. Diante do exposto, não demonstrado pela contribuinte que as vendas de vestuários, roupas íntimas, roupas de cama, calçados, cintos, chapéus, meias, etc estão vinculadas diretamente à atividade econômica desenvolvida pelo associado, a inclusão na base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins dessas vendas aos associados, nos termos da apuração da autoridade a quo, deve ser mantida, uma vez que não foram atendidas as condições legais. Concordo com o Ilustre Julgador da DRJ/RPO e adoto suas observações como razões de decidir, negando provimento ao recurso voluntário neste ponto. DO MÉTODO DE DETERMINAÇÃO DOS CRÉDITOS – CRITÉRIOS DE RATEIO PARA SEGREGAÇÃO DOS CRÉDITOS APLICADOS COMUMENTE A MAIS DE UM TIPO DE RECEITA – CONCEITO DE RECEITA BRUTA A recorrente defende que “ - Para o ressarcimento dos créditos de PIS e COFINS com base no art. 16 da Lei n 11.116/2005 concomitantemente com o art. 17 da Lei n 11.033/2004 deve ser obtida a relação percentual entre as receitas de exportação, receitas não tributadas e o total das receitas para segregar o crédito referente aos custos e despesas de uso em comum, como é o caso da Energia Elétrica. A autoridade Julgadora entendeu por não considerar na receita operacional bruta para fins de cálculo dos percentuais para rateio dos créditos,as receitas financeiras e as receitas de venda de bens do ativo imobilizado. Conforme seu entendimento, receita bruta compreende apenas as receitas de venda de bens ou serviços nas operações em conta própria ou alheia, assim sendo, as demais receitas não se classificam como receita bruta. Note-se que o § 1º do art. 1º, retro transcrito, estabelece que o total das receitas para fins de apuração do PIS e COFINS compreende a receita bruta e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. É de se destacar que, em nenhum momento excetuou-se as receitas financeiras ou as vendas de bens de ativo imobilizado. É uníssono, na doutrina e na jurisprudência da Suprema Corte o entendimento de que os institutos “faturamento” e “receita” empregada nos arts. 195 e 239, da Constituição Federal, têm sentido técnico e preciso. Ambos são institutos próprios do direito privado.Portanto Doutos Julgadores, tendo em vista que as receitas de venda de bens do ativo permanente e as receitas financeiras são consideradas no total das receitas para fins de apuração do PIS e COFINS, devem ser reintegradas ao cálculo da proporção para rateio dos créditos.” Já a autoridade fiscal alega que “ o sujeito passivo efetuou rateio proporcional dos créditos vinculados às receitas (tributadas, não tributadas, alíquota 0 - zero - e exportação), entretanto para cálculo do índice de rateio, considerou na soma da receita bruta, conforme planilhas apresentadas, receitas financeiras (1.2.3) e ingresso com vendas de bens patrimoniais (1.2.4). De acordo com a legislação que instituiu a não- cumulatividade da Contribuição para o PIS (Lei nº 10.637/02, art. 1º, § 1º) e da Cofins (Lei nº 10.833/03, art. 1º, § 1º), a Receita Bruta compreende a receita da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia (comissões pela intermediação de negócios). Assim, de acordo com a legislação tributária e os princípios contábeis básicos, as receitas diversas que não sejam decorrentes da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia, não se classificam como receita bruta, não devendo desta forma ser consideradas para fins de rateio.” Em relação à forma de rateio de créditos, os incisos II dos §§ 7º e 8º dos artigos 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 estabelecem: § 7o Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitar-se à incidência não-cumulativa da COFINS, em relação apenas à parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. Fl. 277DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 3301-006.463 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13830.901706/2012-10 § 8° Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7º e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I - apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II - rateio proporcional, aplicando-se aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência não- cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. O § 8º do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, faculta à pessoa jurídica sujeita à não cumulatividade em parte de sua receita bruta, que escolha, a seu critério, por um dos seguintes métodos para determinar seus créditos inerentes àquele regime: apropriação direta ou rateio proporcional: a) a opção pelo método da apropriação direta, exige da pessoa jurídica, sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; e b) a opção pelo método de rateio proporcional implica a aplicação sobre os custos, despesas e encargos comuns, do percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência não-cumulativa e a receita bruta total do mês; No que diz respeito á receitas financeiras, os §§ 1º e 2º dos artigos 1º das Leis nºs 10.637/2002 e nº 10.833/2003, vigentes à época dos fatos, estabelecem que a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins é o valor do faturamento conforme definido nos respectivos caput, ou seja, a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações por conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica, não integrando esta base de cálculo as recitas sujeitas á alíquota zero. Art. 1o (...) § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2o A base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep é o valor do aturamento, conforme definido no caput. § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: I - isentas ou não alcançadas pela incidência da contribuição ou sujeitas à alíquota 0 (zero); Á época dos fatos geradores (01/01/2006 a 31/03/2006) estava em vigor o Decreto nº 5.552, de 9/5/2005, que estabelecia : Art. 1º Ficam reduzidas a zero as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS incidentes sobre as receitas financeiras, inclusive decorrentes de operações realizadas para fins de hedge, auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência não-cumulativa das referidas contribuições. Portanto, correta a autoridade fiscal quando determina que as receitas financeiras não devem compor o cálculo do rateio proporcional. Quanto ás receitas de vendas do ativo imobilizado, o inciso II do artigo 1º, § 3º da Lei nº 10.833/2003 determina que não integram a base de cálculo da COFINS, no Fl. 278DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 3301-006.463 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13830.901706/2012-10 regime não cumulativo as receitas não-operacionais, decorrentes da venda do ativo imobilizado. A recorrente opta pelo método de rateio proporcional para calcular seus créditos da COFINS. O método de rateio proporcional, na literalidade do inciso II do § 8º do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, deve ser aplicado naquelas hipóteses em que existam custos, despesas e encargos que sejam vinculados de forma comum a receitas brutas sujeitas a incidência cumulativa e não cumulativa dessas contribuições. E sobre o valor daqueles custos, despesas e encargos comuns, a pessoa jurídica sujeita à incidência parcial da não cumulatividade da COFINS, deve aplicar o seguinte percentual para obter os montantes dos créditos de tais contribuições relativos àqueles dispêndios: Receita Bruta Sujeita à Não Cumulatividade / Receita Bruta Total Note-se que referido percentual é a relação existente entre a receita bruta que sofre incidência não cumulativa das contribuições e o total da receita bruta auferida pela pessoa jurídica (que corresponde à soma das receitas brutas sujeitas às incidências cumulativa e não cumulativa dessas contribuições). SÓLON SEHN, com muita propriedade assim define o critério material da hipótese de incidência da COFINS : “ o critério material da hipótese de incidência da COFINS no regime cumulativo pode ser construído a partir do artigo 2º da Lei Complementar n 70/1991, que define o “fato gerador” da contribuição nos seguintes termos : “ Art.2º - A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento incidirá sobre o fatruramento mensal, assim considerasdo a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza”, portanto , o “fato gerador” é o faturamento mensal do contribuinte que, nos termos do art. 2º da Lei Complementar n 70+1991, corresponde á receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços. Assim sendo, abstraindo-se as referências espaço-temporais, o núcleo compositivo d amaterialidade ou critério material da COFINS no regime cumulativo compreende aconduta humana de “auferir” (verbo) “ receuita bruta da venda de mercadorias e da prestação de serviços” (complemento).” (in PIS-COFINS NÃO CUMULATIVIDADE E REGIMES DE INCIDÊNCIA, Ed. Quartier- Latin, 2011, págs. 79/80) A Suprema Corte, também pacificou o entendimento sobre o conceito de receita bruta quando da análise dos RE n 357.950-9/RS; RE n 346.084-6/PR; RE n 358.273-9/RS e RE n 390.840-5/MG. RODRIGO CARAMORI PETRY sintetizou a decisão final do STF a respeito : Pela relevância do julgamento, interessa-nos por final transcrever aqui a conclusão dos votos do Ministro Marco Aurélio nos recursos extraordinários em comento, apenas para que não restem dúvidas acerca da dimensão dos termos da decisão do STF com relação á inconstitucionalidade da ampliação do conceito de “faturamento” para compor a base de cálculo das contribuições COFINS e PIS+PASEP, levada a efeito pelo § 1º do art. 3º da Lei n 9.718/1998, in verbis: “Nessa parte, provejo o recurso extraordinário e com isso acolho o pedido formulado na inicial, referente á base de cálculo da contribuição, ou seja, para que se entenda, como receita brutas ou faturamento, o que decorra quer da venda de mercadorias, quer da venda de mercadorias e serviços, quer da venda Fl. 279DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 3301-006.463 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13830.901706/2012-10 de serviços, não se considerando receita bruta de natureza diversa.(...) Ante o quadro, conheço do recurso e o provejo, para conceder, parcialmente, a segurança, afastando-se a base de incidência definida no §1º do artigo 3º da Lei n 9.718/98, declarando-a inconstitucional (RE nº 357.950-9/RS) Nessa parte, provejo o recurso extraordinário e com isso acolho o segundo pedido formulado na inicial, iu seja, para assentar como receita bruta ou faturamento o que decorra quer da venda de mercadorias, quer da venda de serviços ou de mercadorias e serviços, não se considerando receita de natureza diversa. Deixo de acolher o pleito de compensação de valores, porque não compôs o pedido inicial (RE nº 346.084-6/PR) “Nessa parte, provejo o recurso extraordinário e com isso concedo parcialmente a ordem para excluir a base de incidência do PIS receita estranha ao faturamento da impetrante, entendido este como o que decorra da venda de mercadorias, quer da venda de serviços ou de mercadorias e serviços.(RE nº 358.273-9/RS) “ Nessa parte, provejo o recurso extraordinário e com isso acolho o segundo pedido formulado na inicial, para assentar como receita bruta ou faturamento o que decorra quer da venda de mercadorias, quer da venda de serviços ou de mercadorias e serviços, não se considernado receita de natureza diversa. Deixo de acolher o pleito de compensação de valores, porque não compôs o pedido inicial. (RE nº 390,840-5+MG) (in CONTRIBUIÇÕES PIS+PASEP E COFINS – LIMITES CONSTITUCIONAIS DA TRIBUTAÇÃO SOBRE O “FATURAMENTO”, A “RECEITA” E A “RECEITA OPERACIONAL” DAS EMPRESAS E OUTRAS ENTIDADES NO BRASIL, Ed. Quartier Latin,, 2009, págs. 486/487.) Portanto, corretas a autoridade fiscal e o julgador da DRJ, ao consignar que “ as receitas financeiras e as receitas de venda de bens do ativo imobilizado não integram o montante da base de cálculo a ser oferecido mensalmente à incidência e recolhimento das aludidas contribuições no regime da não-cumulatividade; e, por esse motivo, o valor correspondente às referidas receitas não compõem nem o montante da receita bruta sujeita à incidência não-cumulativa, nem o da receita bruta total, auferida em cada mês, para não distorcer o percentual para o método de rateio proporcional “ e que “ as receitas financeiras e as receitas de venda de bens do ativo imobilizado não são consideradas receita bruta, para fins de rateio, por não serem classificadas como tal.” Desta forma, nego provimento ao recurso neste quesito. DO DIREITO A CORREÇÃO MONETÁRIA Defende a recorrente que “é direito da Recorrente de ter seus créditos de PIS e COFINS, corrigidos monetariamente a partir da data do protocolo dos pedidos de ressarcimento até a data da sua efetiva utilização. Essa questão já foi decidida pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso representativo da controvérsia, que reconheceu o direito à correção monetária sobre os créditos de IPI, PIS e COFINS objeto de ressarcimento (REsp nç? 1.035.847), determinando a incidência da SELIC a partir da data do protocolo dos pedidos de ressarcimento (Embargos de Divergência em Agravo n 1.220.942) até a efetiva utilização (ressarcimento ou compensação).” Cita, em seu favor, trecho do Acórdão nº 3301-002.739 exarado por esta turma julgadora. Em que pese os argumentos trazidos pela recorrente, ao caso em exame aplica- se a Súmula CARF nº 125 : Fl. 280DF CARF MF Fl. 12 do Acórdão n.º 3301-006.463 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13830.901706/2012-10 Súmula CARF nº 125 No ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003. Acórdãos Precedentes: 203-13.354, de 07/10/2008; 3301-00.809, de 03/02/2011; 3302-00.872, de 01/03/2011; 3101-01.072, de 22/03/2012; 3101-01.106, de 26/04/2012; 3301- 002.123, de 27/11/2013; 3302-002.097, de 21/05/2013; 3403-001.590, de 22/05/2012; 3801-001.506, de 25/09/2012; 9303-005.303, de 25/07/2017; 9303- 005.941, de 28/11/2017. Assim, nego provimento ao recurso neste quesito. Conclusão Por todo o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário e NÃO RECONHEÇO o direito creditório pleiteado.” Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 281DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11070.901867/2011-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009
CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. FUNDAMENTO. SISTEMA HARMONIZADO (SH). NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL (NCM).
Qualquer discussão sobre classificação de mercadorias, seja em importações, ou em relação à legislação do IPI nacional, deve ser feita à luz da Convenção do SH (com suas Regras Gerais Interpretativas, Notas de Seção, de Capítulo e de Subposição), se referente aos primeiros seis dígitos, e com base no acordado no âmbito do MERCOSUL em relação à NCM (Regras Gerais Complementares e Notas Complementares), no que se refere ao sétimo e ao oitavo dígitos.
Numero da decisão: 3401-006.710
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Lázaro Antônio Souza Soares, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Fernanda Vieira Kotzias, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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FUNDAMENTO. SISTEMA HARMONIZADO (SH). NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL (NCM). Qualquer discussão sobre classificação de mercadorias, seja em importações, ou em relação à legislação do IPI nacional, deve ser feita à luz da Convenção do SH (com suas Regras Gerais Interpretativas, Notas de Seção, de Capítulo e de Subposição), se referente aos primeiros seis dígitos, e com base no acordado no âmbito do MERCOSUL em relação à NCM (Regras Gerais Complementares e Notas Complementares), no que se refere ao sétimo e ao oitavo dígitos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Lázaro Antônio Souza Soares, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Fernanda Vieira Kotzias, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 0. 90 18 67 /2 01 1- 38 Fl. 18513DF CARF MF Processo nº 11070.901867/201138 Acórdão n.º 3401006.710 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Versa o presente sobre Pedidos de Ressarcimento/Restituição (PER) / e Declarações de Compensação (DCOMP) referentes a créditos de IPI. A decisão de primeira instância foi, unanimemente, pela improcedência da manifestação de inconformidade. Ciente da decisão de piso, a empresa interpôs Recurso Voluntário, basicamente reiterando as seguintes razões expressas na manifestação de inconformidade: (a) os reservatórios (caixas de água de fibra, com ou sem tampa), independentemente de suas capacidades de armazenamento (de 50 l. a 75.000 l.), devem ser incluídos na mesma posição da TIPI (3925), o que é compatível com o entendimento da própria fiscalização, que nada glosou para os reservatórios com mais de 300 l., mas a empresa errou ao utilizar a classificação 3925.90.90 (inexistente na TIPI do período fiscalizado), quando o correto seria 3925.90.00, o que não traz prejuízo, visto ser a mesma a alíquota de 5%, sendo a posição 3926 destinada a outras finalidades, que não as obras civis e construções (e, por isso, possuem alíquotas maiores, em função de seletividade e essencialidade); (b) às tampas de reservatórios de fibra aplicase o mesmo raciocínio, jamais se podendo classificar tais produtos na posição 3926; (c) em relação a filtros e fossas, a divergência se resume à capacidade, pois a classificação foi homologada para produtos com capacidade superior a 300 l., sendo que a ABNT, na NBR 7229, registra dados dos produtos, válidos para qualquer capacidade, e, se não existe previsão para determinada capacidade em desmembramento da posição 3925, a classificação deve ser direcionada para o código 3925.90.00 (admitindo incorreção no código 3925.90.90), e a capacidade se dá pelo volume total, e não pelo volume útil, pelo que os filtros Pol. 295L de cód. 12971 e 13021, com o acréscimo de cúpula superior e dos gomos externos, alcançam o volume de 338 l., citando ainda o site “Wikipedia” (também admitindo erro na classificação, que deveria ser 3925.10.10 ao invés de 3925.90.90, sem prejuízo tributário); (d) em relação a pipas, capas de ar condicionado, lixeiras e suportes para lixeira, reitera que a posição 3926 não guarda qualquer relação com tais bens, destinados a construção civil (próprios da posição 3925), também admitindo equívocos de classificação sem efeito tributário, e especificando que as lixeiras não são de plástico, mas de fibra de vidro, assim como os suportes, que são produzidos com cantoneiras de aço carbono; (e) o escorregador de piscina foi classificado incorretamente tanto pela empresa quanto pelo fisco, sendo o código correto o 9403.70.00, de mesma alíquota que o classificado pela recorrente; e (f) a empresa protesta por produção de provas por todos os meios em direito admissíveis. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3401006.697, de 24 de julho de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 11070.721225/201157. Fl. 18514DF CARF MF Processo nº 11070.901867/201138 Acórdão n.º 3401006.710 S3C4T1 Fl. 4 3 Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3401006.697): "O contencioso versa sobre classificação das seguintes mercadorias: (a) reservatórios, filtros e fossas com capacidade igual ou inferior a 300 litros (o que inclui os filtros Pol. 295L de cód. 12971 e 13021); (b) pipas, capas de ar condicionado, lixeiras, suportes para lixeira e tampas para reservatório; e (c) escorregador de piscina. Afora isso, protesta a empresa apenas por produção de provas por todos os meios em direito admissíveis. Sobre esse último tema, poderia a empresa ter agregado provas ao contencioso administrativo, respeitando o disposto no Decreto no 70.235/1972. E, ao que se vê no processo, tal direito em momento algum lhe é negado. Aliás, não se insurge especificamente a empresa nem em relação à negativa de diligência na instância de piso, aqui endossada, visto que estão presentes no processo os elementos necessários à manifestação do julgador. Passase, assim, a analisar cada um dos itens discutidos, em relação à classificação, tecendose, antes, considerações gerais sobre classificação de mercadorias, úteis ao deslinde do contencioso. Da classificação de mercadorias A classificação de mercadorias se presta primordialmente à uniformização internacional. De nada adiantaria, por exemplo, pactuar alíquotas sobre o imposto de importação (ou restrições/proibições à importação) internacionalmente, se não fosse possível designar sobre quais produtos recai o acordo. A “Babel” de idiomas sempre foi um fator de dificuldade para o controle tributário e aduaneiro, e também para a elaboração de estatísticas de comércio internacional, e é agravada pelas diversas denominações que uma mercadoria pode ter mesmo dentro de um único idioma (v.g., no Brasil, a tangerina, também denominada de mexerica, bergamota ou mimosa, entre outros). Embora tenha havido iniciativas no século XIX, na Europa, de confecção de listas alfabéticas de mercadorias, é em 29/12/1913, em Bruxelas, na segunda Conferência Internacional sobre Estatísticas Comerciais, que 29 países chegam à primeira nomenclatura de real importância, dividindo o universo de mercadorias em 186 posições, agrupadas em cinco capítulos: animais vivos, alimentos e bebidas, matériaprima ou simplesmente preparada, produtos manufaturados, e ouro e prata. Depois de diversas iniciativas, como a Nomenclatura de Genebra, da década de 30 do século passado, e a Nomenclatura Aduaneira de Bruxelas, de 1950, com o nome alterado, em 1974, para Nomenclatura do Conselho de Cooperação Aduaneira – NCCA, chegase à Convenção do “Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias" (SH), aprovada Fl. 18515DF CARF MF Processo nº 11070.901867/201138 Acórdão n.º 3401006.710 S3C4T1 Fl. 5 4 em 1983, e que entrou em vigor internacional em 1o de janeiro de 1988.1 A Convenção do SH é hoje aplicada em âmbito mundial, não só entre os mais de 150 países signatários, mas em suas relações com terceiros. No Brasil, a referida convenção foi aprovada pelo Decreto Legislativo no 71, de 11/10/1988, e promulgada pelo Decreto no 97.409, de 23/12/1988, com depósito internacional do instrumento de ratificação em 08/11/1988. Desde 1o de janeiro de 1989, a convenção é plenamente aplicável no Brasil, tendo, segundo entendimento dominante em nossa suprema corte, status de paridade com a lei ordinária.2 O Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (SH) é uma nomenclatura estruturada sistematicamente buscando assegurar a classificação uniforme de todas as mercadorias (existentes ou que ainda existirão) no comércio internacional, e compreende seis Regras Gerais Interpretativas (RGI), Notas de Seção, de Capítulo e de Subposição, e 21 seções, totalizando 96 capítulos, com 1.244 posições, várias destas divididas em subposições de 1 travessão (primeiro nível) ou dois (segundo nível), formando aproximadamente 5.000 grupos de mercadorias, identificados por um código de 6 dígitos, conhecido como Código SH.3 Desde que não contrariem o estabelecido no SH, os países ou blocos regionais podem estabelecer complementos aos seis dígitos internacionalmente acordados, e utilizar a codificação inclusive para temas e tributos internos. A Nomenclatura Comum do MERCOSUL (NCM), que serve de base à aplicação da Tarifa Externa Comum (TEC), acrescenta aos seis dígitos formadores do código do Sistema Harmonizado mais dois, um referente ao item (sétimo dígito) e outro ao subitem (oitavo dígito). A inclusão de um par de dígitos efetuada na NCM demandou ainda a edição de Regras Gerais Complementares (RGC) às seis Regras Gerais do SH (para 1 DALSTON, Cesar Olivier. Classificando Mercadorias: uma Abordagem Didática da Ciência da Classificação de Mercadorias. 2. ed. São Paulo: Aduaneiras, 2014, p. 182187; BIZELLI, João dos Santos. Classificação fiscal de mercadorias. São Paulo: Aduaneiras, 2003, p. 14; e TREVISAN, Rosaldo. A revisão aduaneira de classificação de mercadorias na importação e a segurança jurídica: uma análise sistemática. In: BRANCO, Paulo Gonet; MEIRA, Liziane Angelotti; CORREIA NETO, Celso de Barros (coords.). Tributação e Direitos Fundamentais conforme a jurisprudência do STF e do STJ. São Paulo: Saraiva, 2012, p. 358361. 2 Sobre a estatura de paridade dos tratados internacionais regularmente incorporados ao ordenamento jurídico brasileiro com as leis, vejase a ADIn n. 1.480DF. 3 Além do constante estabelecimento de atualizações na nomenclatura, decorrentes de descobertas e aperfeiçoamentos de novos produtos, há publicações complementares que auxiliam no processo de designação e classificação de mercadorias, como as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado NESH (expressando o posicionamento oficial do CCAOMA), o índice alfabético do Sistema Harmonizado e das Notas Explicativas, publicado pelo CCAOMA, os pareceres de classificação emitidos pelo Comitê do Sistema Harmonizado, criado pela convenção, e os atos normativos emitidos por autoridades nacionais a respeito de classificação de mercadorias. Fl. 18516DF CARF MF Processo nº 11070.901867/201138 Acórdão n.º 3401006.710 S3C4T1 Fl. 6 5 disciplinar a interpretação no que se refere a itens e subitens) e de Notas Complementares.4 E, no Brasil, a NCM serve de base para a Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI), desde a TIPI de 1996, veiculada pelo Decreto no 2.092, de 10/12/1996. Assim, se o Brasil, por exemplo, pactua internacionalmente as alíquotas máximas (no âmbito da Organização Mundial do Comércio OMC) ou a alíquota extrabloco (no âmbito do MERCOSUL) do imposto de importação para determinada classificação, tais pactos são aplicáveis ao que se entende internacionalmente abrangido por tal classificação. E, sendo a TIPI um mero reflexo do SH e da NCM, qualquer discussão sobre classificação de mercadorias para efeito de incidência do IPI deve ser feita à luz da Convenção do SH (com suas Regras Gerais Interpretativas, Notas de Seção, de Capítulo e de Subposição), se referente aos primeiros seis dígitos, e com base no acordado no âmbito do MERCOSUL em relação à NCM (Regras Gerais Complementares e Notas Complementares), no que se refere ao sétimo e ao oitavo dígitos. Feitas tais considerações, passase a analisar a discussão jurídica sobre classificação da mercadoria, presente nestes autos. Dos reservatórios, filtros e fossas com capacidade igual ou inferior a 300 litros Afirma a fiscalização que os reservatórios, filtros e fossas com capacidade igual ou inferior a 300 litros (o que inclui os filtros Pol. 295L de cód. 12971 e 13021) se classificam com fundamento em “Nota do Capítulo 39 da TIPI” (posição 3925), e em decisões em soluções de consulta sobre classificação, no código NCM 3926.90.90. Em sua defesa, afirma a empresa, como relatado, que os reservatórios (caixas de água de fibra, com ou sem tampa), independentemente de suas capacidades de armazenamento (de 50 l. a 75.000 l.), devem ser incluídos na mesma posição da TIPI (3925), o que seria compatível com o entendimento da própria fiscalização, que nada glosou para os reservatórios com mais de 300 l., mas a empresa errou ao utilizar a classificação 3925.90.90 (inexistente na TIPI do período fiscalizado), quando o correto seria 3925.90.00, o que traz prejuízo, visto ser a mesma a alíquota de 5%, sendo a posição 3926 destinada a outras finalidades, que não as obras civis e construções (e, por 4 Em 01/01/1995, tendo em vista o Tratado de Assunção, os entendimentos havidos no âmbito do Mercosul, e a publicação do Decreto n. 1.343, de 23/12/1994, a antiga Tarifa Aduaneira do Brasil (TAB), que utilizava dez dígitos (os seis do SH mais dois para itens e dois para subitens), deu lugar à Tarifa Externa Comum (TEC), uniformemente adotada por todos os membros do bloco. Tal evolução serviu de base à substituição, em 01/01/1997, após a publicação do Decreto n. 1.767, de 28/12/1995, da Nomenclatura Brasileira de Mercadorias (NBM) pela Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM). Fl. 18517DF CARF MF Processo nº 11070.901867/201138 Acórdão n.º 3401006.710 S3C4T1 Fl. 7 6 isso, possuem alíquotas maiores, em função de seletividade e essencialidade), e que, em relação a filtros e fossas, a divergência se resume à capacidade, pois a classificação foi homologada para produtos com capacidade superior a 300 l., sendo que a ABNT, na NBR 7229, registra dados dos produtos, válidos para qualquer capacidade, e, se não existe previsão para determinada capacidade em desmembramento da posição 3925, a classificação deve ser direcionada para o código 3925.90.00 (admitindo incorreção no código 3925.90.90), e a capacidade se dá pelo volume total, e não pelo volume útil, pelo que os filtros Pol. 295L de cód. 12971 e 13021, com o acréscimo de cúpula superior e dos gomos externos, alcançam o volume de 338 l., citando ainda o site “Wikipedia” (também admitindo erro na classificação, que deveria ser 3925.10.10 ao invés de 3925.90.90, sem prejuízo tributário). Não há controvérsia sobre a norma regulamentar aplicável, o Decreto no 4.542/2002, com suas alterações posteriores, expressamente mencionado na peça recursal. E, como a discussão reside no campo da posição (quatro primeiros dígitos do código NCM, de caráter nitidamente internacional), deve ser confrontada aquela alegada pelo fisco (3926) com a defendida pela postulante ao crédito (3925), sendo pouco relevante o que dispõem os dígitos seguintes, em obediência à Regra Geral Interpretativa (RGI) no 1 do Sistema Harmonizado. Os textos das posições 3925 e 3926 dispunham, à época: 3925. ARTEFATOS PARA APETRECHAMENTO DE CONSTRUÇÕES, DE PLÁSTICOS, NÃO ESPECIFICADOS NEM COMPREENDIDOS EM OUTRAS POSIÇÕES 3926. OUTRAS OBRAS DE PLÁSTICOS E OBRAS DE OUTRAS MATÉRIAS DAS POSIÇÕES 39.01 A 39.14 Para efeito de aplicação da RGI no 1 do Sistema Harmonizado é importante ainda conhecer o texto da nota 11 do Capítulo 39, referente à posição 3925 (também de caráter internacional), que afirma ali existir relação exaustiva de mercadorias: 11. A posição 39.25 aplicase exclusivamente aos seguintes artefatos, desde que não se incluam nas posições precedentes do Subcapítulo II: a) reservatórios, cisternas (incluídas as fossas sépticas), cubas e recipientes análogos, de capacidade superior a 300 litros; b) elementos estruturais utilizados, por exemplo, na construção de pavimentos, paredes, tabiques, tetos ou telhados; c) calhas e seus acessórios; d) portas, janelas, e seus caixilhos, alizares e soleiras; e) gradis, balaustradas, corrimões e artigos semelhantes; Fl. 18518DF CARF MF Processo nº 11070.901867/201138 Acórdão n.º 3401006.710 S3C4T1 Fl. 8 7 f) postigos, estores (incluídas as venezianas) e artefatos semelhantes, suas partes e acessórios; g) estantes de grandes dimensões destinadas a serem montadas e fixadas permanentemente, por exemplo, em lojas, oficinas, armazéns; h) motivos decorativos arquitetônicos, tais como caneluras, cúpulas, etc.; ij) acessórios e guarnições, destinados a serem fixados permanentemente em portas, janelas, escadas, paredes ou em outras partes de construções, tais como puxadores, maçanetas, aldrabas, suportes, toalheiros, espelhos de interruptores e outras placas de proteção. A simples leitura do texto da nota, que não pode ser ignorada pelo classificador, em função da citada RGI no1, já se presta a excluir da posição 3925 os reservatórios, filtros e fossas com capacidade igual ou inferior a 300 litros, comprovando estar incorreta a classificação pleiteada pelo postulante ao crédito. Vejase, nestes itens, que, ao passo que a fiscalização invoca aspectos técnicos de classificação do Sistema Harmonizado e entendimento sobre classificação revelado em solução de consulta da RFB, a argumentação da empresa é calcada em analogia, menção a norma técnica nacional (NBR 7229) e à “Wikipedia”. As considerações sobre volume, remetendo a norma nacional, ademais, são incompatíveis com o caráter internacional da classificação, não podendo o cálculo do volume variar entre os países signatários, sob pena de deturpar o próprio conteúdo acordado, e o recurso voluntário sequer enfrenta especificamente, com argumentos novos, o tema dos volumes, à luz das considerações expendidas pelo julgador de piso. Uma discussão sobre classificação de mercadorias deve ser travada tecnicamente, em obediência aos critérios internacionalmente estabelecidos para uniformizar a designação de mercadorias, adotados pela legislação do IPI, no Brasil, como exposto no tópico anterior, e não com fundamento em analogia ou essencialidade (a não ser que tais critérios figurem expressamente na nomenclatura), muito menos com a utilização de critérios nacionais ou da enciclopédia colaborativa da grande rede. Nesse item, assim, improcedente o pleito, por ser incorreta a classificação utilizada pelo demandante, o que se detecta já no âmbito da posição utilizada. Ademais, sendo correta a posição 3926, em obediência à RGI no 6, o quinto dígito é identificado por exclusão, entre as subposições de primeiro nível 1 (artigos de escritório e escolares), 2 (vestuários e seus acessórios), 3 (guarnições para móveis, carroçarias ou semelhantes), 4 (estatuetas e outros objetos de ornamentação) e 9 (outros). Na posição de segundo Fl. 18519DF CARF MF Processo nº 11070.901867/201138 Acórdão n.º 3401006.710 S3C4T1 Fl. 9 8 nível não há surpresa, sendo o dígito zero, pois a subposição de primeiro nível 9 é fechada. Por fim, no desmembramento regional, o sétimo dígito também é identificado por exclusão, entre os itens 1 (arruelas), 2 (correias), 3 (bolsas), 4 (artigos de laboratório/farmácia) e 9 (outros), sendo o oitavo dígito (subitem) zero, por não haver novo desdobramento regional do item. Das pipas, capas de ar condicionado, lixeiras, dos suportes para lixeira e das tampas para reservatório Afirma a fiscalização que as pipas, capas de ar condicionado, lixeiras, os suportes para lixeira e as tampas para reservatório são classificadas a partir da “Nota 11 do Capítulo 39”, e do Parecer Cosit (Dinom) 1.322/1992, no código NCM 3926.90.90. Sobre tais itens, sustenta a recorrente que às tampas de reservatórios de fibra aplicase o mesmo raciocínio dos reservatórios, jamais se podendo classificar tais produtos na posição 3926. Recordese que as tampas são de reservatórios com capacidade inferior ou igual a a 300 l, e, de fato, são classificadas com o reservatório, na forma exposta no tópico anterior. Novamente, parece a defesa ignorar o caráter exaustivo da posição 3925, descrito na Nota 11 do Capítulo 39, aqui já transcrita. Sobre a pipa, a própria recorrente reconhece tratarse de “tanque com capacidade de 300 litros”, o que dispensa, em vista do exposto, esforços adicionais para classificação. Com relação às capas para aparelho de ar condicionado, informa a recorrente que constituem “espécie de caixilho para aparelhos de refrigeração, servindo de proteção e segurança externa em prédio de alvenaria”. Novamente, não encontro tais itens na lista exaustiva constante na Nota 11 do Capítulo 39, sendo incorreta a classificação na posição 3925. Em uma espécie de “classificação por aproximação”, confunde a recorrente a posição 3926 com “elementos de decoração”, quando ali se encontra a alocação residual do que não deve ser classificado na posição 3925 ou em outras, para materiais plásticos. Quanto às lixeiras, afirma a defesa que não poderiam ser classificadas na posição 3926 por não serem obras de plástico, mas de fio picado de fibra de vidro e resina de poliéster, que resultam em 30 a 60% do peso, e, por isso, deveriam ser classificadas no código 7019.90.00. Por fim, no que se refere ao suporte para lixeiras, também passa a defender a recorrente que são produzidos com tubos e Fl. 18520DF CARF MF Processo nº 11070.901867/201138 Acórdão n.º 3401006.710 S3C4T1 Fl. 10 9 cantoneiras de aço carbono, o que deslocaria a classificação para o código 7326.90.00. Ao ler o Relatório Fiscal, percebo que tanto as lixeiras quanto aos suportes para lixeira foram classificados, pela empresa, no código 3925.10.00, que, nitidamente, não se refere a nenhum dos elementos referidos na lista exaustiva multicitada, sendo indiscutivelmente incorreta a classificação na posição 3925. O curso do contencioso administrativo não se presta a mudança da classificação adotada, nem pelo fisco, ao lançar, nem pela empresa, ao postular crédito. Caso o fisco adote classificação incorreta em lançamento, este é improcedente, ainda que a classificação correta se dê em outro código tributado à mesma alíquota. Do mesmo modo, caso a empresa pleiteie restituição com base em determinada classificação defendida como correta, e esta se revele incorreta (o que aqui é indiscutível e consensual, residindo eventual divergência apenas em qual seria efetivamente a correta), improcedente o pedido. Entendendo a empresa que correta seria outra classificação, não adotada, deveria ter alterado seu pedido, dentro do período temporal que dispunha para pedir a restituição, e observando os requisitos para a espécie, assim como o fisco, para alterar a classificação defendida como correta em seu lançamento, deveria observar os prazos e requisitos para o lançamento complementar. De qualquer sorte, ainda que admitida a alteração do pedido (o que se faz aqui apenas para a eventualidade de alguém, no colegiado, concordar com tal possibilidade, em detrimento de meu posicionamento expresso acima), a recorrente não traz elementos conclusivos que apontem para a nova classificação pleiteada para nenhuma dessas mercadorias, e o simples fato de ter material constitutivo distinto, sem especificação detalhada e individualizada, atenta contra a certeza e a liquidez do crédito postulado, cuja prova resta a cargo do demandante, não podendo ser suprida pelo julgador. Assim, improcedente também o pedido neste tópico. Do escorregador de piscina Afirma a fiscalização que o escorregador de piscina tratase de “artigo para divertimento, abrangido pelo Capítulo 95, e não de um móvel do Capítulo 94”, estando na posição 9506 artigos e equipamentos para esportes ou jogos ao ar livre, não especificados nem compreendidos em outras posições do capítulo, o que é endossado pelo Parecer CST 317/1991, sendo correta a classificação no código NCM 3926.90.90. A recorrente, por seu turno, sustenta que o escorregador de piscina foi classificado incorretamente tanto pela empresa quanto pelo fisco, sendo o código correto o 9403.70.00, de mesma alíquota que o classificado pela recorrente. Fl. 18521DF CARF MF Processo nº 11070.901867/201138 Acórdão n.º 3401006.710 S3C4T1 Fl. 11 10 Cabe aqui o mesmo raciocínio expendido no tópico anterior, no que se refere a mudança de entendimento de qual seria a classificação correta, por parte do postulante ao crédito, no curso do contencioso. Em adição, cabe destacar que além de a defesa não enfrentar especificamente os argumentos externados pela DRJ na decisão de piso sobre o tema, limitandose a reiterar sua manifestação e inconformidade, a classificação se dá por critérios técnicos, e não por simples escolha, motivada por alíquotas. Nesse aspecto, não é preciso muito esforço para saber que a nova posição postulada pela empresa (9403, referente a outros móveis e suas partes) não se presta a um escorregador de piscina, e que a adotada pela fiscalização (9506, que compreende piscinas, incluídas as infantis), em sua posição residual, abrange os escorregadores. Aliás, em relação às piscinas, já se manifestou o CECLAM, em seu compêndio de ementas (disponível em http://receita.economia.gov.br/orientacao/aduaneira/classificaca ofiscaldemercadorias/compendioceclamfev2019), que se classifica no código NCM 9506.99.00 a “Piscina de plástico reforçado com fibra de vidro, de diversas dimensões e formatos, própria para ser instalada em um buraco escavado na terra de residências, hotéis e clubes” (SC 122/2016 2ª Turma). Improcedente o pedido, assim, também neste tópico. Considerando o exposto nos tópicos anteriores, voto por negar provimento ao recurso." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 18522DF CARF MF Processo nº 11070.901867/201138 Acórdão n.º 3401006.710 S3C4T1 Fl. 12 11 Fl. 18523DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.901912/2010-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI)
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008
CONEXÃO COM PROCESSO ADMINISTRATIVO QUE NÃO RECONHECEU O DIRETO À SUSPENSÃO DO IPI. SALDO CREDOR. INEXISTÊNCIA.
Alastrando-se os efeitos do processo administrativo conexo, inexistindo a suspensão do imposto, deve-se manter a glosa sobre o saldo credor ajustado pelo destaque de IPI outrora suspenso indevidamente.
Numero da decisão: 3401-006.603
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em negar provimento ao recurso, da seguinte forma: (a) por unanimidade de votos, para manter a glosa em relação a: (a.1) declarações não apresentadas, (a.2) ou declarações que se referem a produto distinto daquele saído com suspensão, e (a.3) declarações com data posterior à da fruição da suspensão, havendo ou não reconhecimento de firma; e (b) por voto de qualidade, para manter a glosa em relação a eventuais declarações apresentadas até a data da fruição da suspensão, inclusive, quer tenham sido autenticadas ou não, vencidos os Conselheiros Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto e Fernanda Vieira Kotzias.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Redator Designado Ad Hoc.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Fernanda Vieira Kotzias e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: TIAGO GUERRA MACHADO
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SALDO CREDOR. INEXISTÊNCIA. Alastrando-se os efeitos do processo administrativo conexo, inexistindo a suspensão do imposto, deve-se manter a glosa sobre o saldo credor ajustado pelo destaque de IPI outrora suspenso indevidamente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em negar provimento ao recurso, da seguinte forma: (a) por unanimidade de votos, para manter a glosa em relação a: (a.1) declarações não apresentadas, (a.2) ou declarações que se referem a produto distinto daquele saído com suspensão, e (a.3) declarações com data posterior à da fruição da suspensão, havendo ou não reconhecimento de firma; e (b) por voto de qualidade, para manter a glosa em relação a eventuais declarações apresentadas até a data da fruição da suspensão, inclusive, quer tenham sido autenticadas ou não, vencidos os Conselheiros Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto e Fernanda Vieira Kotzias. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente e Redator Designado Ad Hoc. Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Fernanda Vieira Kotzias e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 19 12 /2 01 0- 64 Fl. 158DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3401-006.603 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10865.901912/2010-64 Relatório Cuida-se de Recurso Voluntário contra decisão da 3ª Turma, da DRJ/POA, em 30/05/2014, que considerou improcedentes as razões da Recorrente contra o Despacho Decisório do Delegado da Receita Federal do Brasil em Limeira/SP, que reconheceu parcialmente o direito de crédito pleiteado mediante PER/DCOMP, e homologou até o limite do crédito reconhecido as compensações a ele vinculadas. Do Despacho Decisório Em síntese, a razão que levou ao lançamento de ofício foi a constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento é inferior ao valor pleiteado, por glosa de créditos considerados indevidos, em procedimento fiscal e redução do saldo credor do trimestre, passível de ressarcimento, resultante de débitos apurados em procedimento fiscal. A Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, argumentando, em síntese: ... que impugnou parcialmente o auto de infração que trata dos mesmos créditos trazidos no presente processo e parcelou o saldo não impugnado, e que por esse motivo deveria ser declarado extinto o despacho decisório, sob pena de caracterizar-se bis in idem. Finalizando, solicita o reconhecimento da insubsistência parcial do auto de infração e a produção de todos os meios de prova em Direito admitidos, especialmente sustentação oral, bem como pela juntada de novos documentos, perícias e auditoria contábil, e quaisquer outras provas que se façam necessárias. Sobreveio Acordão exarado pela 3ª Turma, da DRJ/POA, por meio do qual foi entendida como improcedente a manifestação de inconformidade. Irresignada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, que veio a repetir os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Em sessão de 26/07/2018, o processo foi convertido em diligência para que aguardasse o resultado do julgamento do PTA 10865.000243/2011-92. O processo retornou em janeiro de 2019, tendo sido indicado para julgamento na sessão de junho de 2019. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Redator designado Ad Hoc O voto a seguir, assim como o relatório retro, foi retirado da pasta de arquivamento da 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF, onde foi depositado na sessão de julgamento pelo Conselheiro Tiago Guerra Machado, que não mais compõe o colegiado, atualmente. Daí a necessidade de registro da formalização por este redator, designado Ad Hoc. Fl. 159DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3401-006.603 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10865.901912/2010-64 Da Admissibilidade O Recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade; de modo que dele tomo conhecimento. Do Mérito Em síntese, o Recurso busca a reforma do despacho decisório que negou a existência de direito creditório, havendo conexão deste processo com relação ao processo administrativo 10865.000243/2011-92, em que não se reconheceu o direito à suspensão de IPI pela Recorrente. Tendo em vista o resultado do julgamento daquele processo, com relação à parcela ainda contenciosa, é de se alastrar os seus efeitos para o presente feito, de modo que inexistindo a suspensão do imposto, deve-se reconhecer que deve ser mantida a glosa sobre o saldo credor ajustado pelo destaque de IPI outrora suspenso indevidamente. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan (Ad Hoc) Fl. 160DF CARF MF
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Numero do processo: 15504.729677/2014-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011
RECURSO VOLUNTÁRIO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO.
A matéria não contestada na impugnação é insuscetível de conhecimento em grau recursal.
PESSOAS JURÍDICAS INTERPOSTAS. COMPETÊNCIA DO AUDITOR FISCAL. POSSIBILIDADE DE LANÇAMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL.
De acordo com o § 2º do art. 229 do Regulamento da Previdência Social, o auditor fiscal poderá desconsiderar o vínculo negocial e efetuar o enquadramento como segurado empregado, caso constate que o segurado contratado, sob qualquer denominação, preenche as condições referidas no inc. I do caput do art. 9º.
CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. RELAÇÃO DE EMPREGO. COMPROVAÇÃO.
Demonstrada a existência de relação de emprego e de interposição de pessoa jurídica, deve ser mantido o lançamento das contribuições incidentes.
OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS VINCULADAS AO DESCUMPRIMENTO DAS OBRIGAÇÕES PRINCIPAIS. PREJUDICIALIDADE.
Sendo subsistentes as obrigações principais, são igualmente subsistentes as obrigações acessórias a elas vinculadas.
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PRESTAR INFORMAÇÕES CADASTRAIS, FINANCEIRAS E CONTÁBEIS. OBRIGAÇÃO INSTRUMENTAL, E NÃO PROPRIAMENTE ACESSÓRIA.
1. A obrigação instrumental decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações positivas (fazer) ou negativas (não fazer), que não necessariamente decorrem da existência da obrigação principal, mas sim existem no interesse de eventual arrecadação e/ou fiscalização.
2. Sendo prestadas as informações solicitadas e feitos os esclarecimentos que demonstram os motivos que ensejam a não entrega dos documentos, deve ser cancelado o lançamento lavrado por falta de prestação de informações.
Numero da decisão: 2402-007.406
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Gregório Rechmann Júnior e Renata Toratti Cassini, que votaram por conhecer integralmente do recurso. Na parte conhecida, por maioria de votos, dado provimento parcial para cancelar a multa referente ao Debcad 51.060.817-5, sendo vencidos os conselheiros Luís Henrique Dias Lima e Denny Medeiros da Silveira, que negaram provimento. Quanto ao restante do recurso, em sua parte conhecida, por voto de qualidade, negado provimento. Vencidos os conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci (relator), Fernanda Melo Leal, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior, que deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Paulo Sérgio da Silva.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
(assinado digitalmente)
Paulo Sergio da Silva - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sergio da Silva, Fernanda Melo Leal (Suplente Convocada), Mauricio Nogueira Righetti, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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PESSOAS JURÍDICAS INTERPOSTAS Recorrente POWERLOGIC CONSULTORIA E SISTEMAS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011 RECURSO VOLUNTÁRIO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO. A matéria não contestada na impugnação é insuscetível de conhecimento em grau recursal. PESSOAS JURÍDICAS INTERPOSTAS. COMPETÊNCIA DO AUDITOR FISCAL. POSSIBILIDADE DE LANÇAMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. De acordo com o § 2º do art. 229 do Regulamento da Previdência Social, o auditor fiscal poderá desconsiderar o vínculo negocial e efetuar o enquadramento como segurado empregado, caso constate que o segurado contratado, sob qualquer denominação, preenche as condições referidas no inc. I do caput do art. 9º. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. RELAÇÃO DE EMPREGO. COMPROVAÇÃO. Demonstrada a existência de relação de emprego e de interposição de pessoa jurídica, deve ser mantido o lançamento das contribuições incidentes. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS VINCULADAS AO DESCUMPRIMENTO DAS OBRIGAÇÕES PRINCIPAIS. PREJUDICIALIDADE. Sendo subsistentes as obrigações principais, são igualmente subsistentes as obrigações acessórias a elas vinculadas. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PRESTAR INFORMAÇÕES CADASTRAIS, FINANCEIRAS E CONTÁBEIS. OBRIGAÇÃO INSTRUMENTAL, E NÃO PROPRIAMENTE ACESSÓRIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 96 77 /2 01 4- 33 Fl. 821DF CARF MF Processo nº 15504.729677/201433 Acórdão n.º 2402007.406 S2C4T2 Fl. 822 2 1. A obrigação instrumental decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações positivas (fazer) ou negativas (não fazer), que não necessariamente decorrem da existência da obrigação principal, mas sim existem no interesse de eventual arrecadação e/ou fiscalização. 2. Sendo prestadas as informações solicitadas e feitos os esclarecimentos que demonstram os motivos que ensejam a não entrega dos documentos, deve ser cancelado o lançamento lavrado por falta de prestação de informações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Gregório Rechmann Júnior e Renata Toratti Cassini, que votaram por conhecer integralmente do recurso. Na parte conhecida, por maioria de votos, dado provimento parcial para cancelar a multa referente ao Debcad 51.060.8175, sendo vencidos os conselheiros Luís Henrique Dias Lima e Denny Medeiros da Silveira, que negaram provimento. Quanto ao restante do recurso, em sua parte conhecida, por voto de qualidade, negado provimento. Vencidos os conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci (relator), Fernanda Melo Leal, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior, que deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Paulo Sérgio da Silva. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator (assinado digitalmente) Paulo Sergio da Silva Redator Designado Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sergio da Silva, Fernanda Melo Leal (Suplente Convocada), Mauricio Nogueira Righetti, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão que julgou improcedente a impugnação apresentada em face dos seguintes lançamentos de ofício: 1) AIOP DEBCAD 51.060.8140, (fls.03/10), consolidado em 26/11/2014 no valor original (sem juros e multa) de R$762.481,12 relativo ao período de 01/2010 a 12/2011, contendo a cobrança de contribuições previdenciárias patronais, Fl. 822DF CARF MF Processo nº 15504.729677/201433 Acórdão n.º 2402007.406 S2C4T2 Fl. 823 3 destinadas ao custeio da Seguridade Social e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (SAT/RAT), incidentes sobre a remuneração de segurados empregados e contribuintes individuais, com fixação de multa de ofício no percentual de 75%. 2) AIOP DEBCAD 51.060.8159 (fls.11/17), consolidado em 26/11/2014 no valor original (sem juros e multa) de R$249.284,69, no período de 01/2010 a 12/2011, contendo a cobrança da contribuição incidente sobre a remuneração dos segurados empregados. 3) AIOP DEBCAD 51.060.8167 (fls. 18/25), consolidado em 26/11/2014 no valor original (sem juros e multa) de R$218.771,06, no período de 01/2010 a 12/2011, contendo a cobrança de contribuições patronais, destinadas ao custeio das outras entidades e fundos SALÁRIOEDUCAÇÃO; INCRA; SENAI; SESI e SEBRAE no percentual de 5,8% , incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados. 4) AIOA DEBCAD 51060.8175 (fls.26) lavrado em 26/11/2014, no Código de Fundamento Legal CFL 35, por infração ao disposto no art. 32, III, da Lei nº 8.212/1991 e parágrafo 11, com redação da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009 combinado com o art. 225, III do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999, em razão de a empresa ter deixado de prestar à Secretaria da Receita Federal do Brasil todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse do fisco e na forma estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização. 5) AIOA DEBCAD nº 51.060.8183 (fls. 27) lavrado em 26/11/2014, por descumprimento de obrigação acessória, no Código de Fundamento Legal – CFL 30, por infração ao disposto no art. 32, I, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, combinado com o art. 225, I, § 9º, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto nº. 3.048/1999, em razão de a empresa ter deixado de preparar folhas de pagamento de acordo com os padrões e normas estabelecidos, pois deixou de informar em folhas de pagamento os segurados considerados como empregados relacionados nas planilhas “Anexo II A –Empregados Contratados como PJ 2010” e “Anexo II B – Empregados Contratados como PJ 2011”. 6) AIOA DEBCAD nº 51.060.8191 (fls.28) lavrado em 26/11/2014, no Código de Fundamentação Legal (CFL) nº 59, por infração ao disposto no art. 30, I, “a” da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, e art. 4º da Lei 10.666/2003 combinado com art. 216, inciso I “a”, do regulamento da Previdência Social – RPS aprovado pelo Decreto 3.048/1999, em razão de a empresa ter deixado de arrecadar mediante desconto das remunerações, Fl. 823DF CARF MF Processo nº 15504.729677/201433 Acórdão n.º 2402007.406 S2C4T2 Fl. 824 4 as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais. 7) AIOA DEBCAD nº 51.060.8205 (fls.29) lavrado em 26/11/2014, no Código de Fundamentação Legal (CFL) nº 78, por infração ao disposto no art. 32, IV, acrescentado pela Lei 9.528 de 10/12/1997 na redação da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941 de 27/05/ em razão de a empresa ter informado em Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP) com informações incorretas ou omissas. Segue a ementa da decisão: CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DESCONSIDERAÇÃO DE NEGÓCIOS JURÍDICOS. LEGALIDADE. A fiscalização deve rejeitar o planejamento tributário, cabendo nova qualificação dos atos e fatos ocorridos, com base em sua substância, para a aplicação do dispositivo legal pertinente. O fracionamento das atividades empresariais, mediante a utilização de mão de obra existente em empresa interposta, sendo esta desprovida de autonomia operacional, administrativa, viola a legislação tributária, cabendo então a partir de inúmeras e sólidas evidências a desconsideração daquela prestação de serviços formalmente constituída. A competência dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil para caracterizar uma relação de trabalho como de cunho empregatício não conflita ou colide com as atribuições e competências do Ministério do Trabalho e Emprego e da justiça trabalhista, na medida em que comprova a relação empregatícia com vistas à apuração correta dos fatos geradores das contribuições previdenciárias devidas. O art. 129 da lei 11.196/2005 não tem o condão de afastar a relação de emprego devidamente comprovada e caracterizada. ......................................................................................................... Conforme relatado na decisão recorrida: Segundo Relatório Fiscal de fls. 91/115, sustentando o procedimento fiscal, o auditor explica que: 1) De início informa que devido à edição da Medida Provisória 540, de 02/08/2011, convertida na Lei 12.546, de 14/12/2011, as contribuições previstas nos incisos I e III, do artigo 22 da Lei 8.212, de 24/07/91, foram substituídas pela Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta. A partir da competência 12/2011, não foi exigida a contribuição patronal equivalente a 20% sobre a remuneração dos empregados. 2) A autuada tem como objeto a “exploração do ramo comercial de prestação de serviços de consultoria em informática, Fl. 824DF CARF MF Processo nº 15504.729677/201433 Acórdão n.º 2402007.406 S2C4T2 Fl. 825 5 desenvolvimento de sistemas e comercialização e importação de programas de computador". Os valores dos fatos geradores exigidos não foram incluídos em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informação à Previdência Social – GFIP e tampouco foram recolhidos em Guia da Previdência Social – GPS até a data do início do procedimento fiscal, que se deu em 26 de junho de 2014. 3) a motivação do lançamento foi a contratação de diversas pessoas físicas na forma de empresas (pessoas jurídicas), deixando de considerálos seus empregados de acordo com a legislação pertinente e a adoção de sistemática irregular de contratação de profissionais de áreas ligadas à atividade fim da empresa. Constatouse que a pactuação se deu por meio de acertos verbais e Contratos de Prestação de Serviços celebrados com aqueles profissionais figurando como empresários (sócios das pessoas jurídicas). 4) Com fundamento no art. 229 §2º do Decreto 3.048/1999 que aprova o Regulamento da Previdência Social, a relação de emprego foi atestada mediante análise de elementos que identificaram os pressupostos de tal vínculo: prestação de serviço, pessoalidade, remuneração, nãoeventualidade e subordinação na forma como preceitua a Lei nº. 8.212/1991 em seu Art. 12, inciso I, alínea “a”, devidamente sustentados nos itens 7.1.13 a 7.1.24 do Relatório Fiscal. 5) Para a constatação dos fatos geradores foram examinados os seguintes elementos de prova: Contratos de Prestação de Serviços; Estatuto Social da POWERLOGIC; Informações de folha de pagamento extraídas do Manual de Arquivos Digitais – MANAD; Lançamentos contábeis do Sistema Público de Escrituração Digital – SPED, extraído dos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil; Notas Fiscais dos pagamentos efetuados aos prestadores de serviços; Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e do Tempo de Serviço e Informações a Previdência Social – GFIP extraídos dos Sistemas Internos de Informatização da Receita Federal do Brasil – RFB; 6) apesar de intimada a empresa deixou de disponibilizar os contratos de prestação de serviços celebrados com as supostas pessoas jurídicas, o contribuinte apresentou apenas uma parte do que foi solicitado alegando extravio dos mesmos devido à mudança de sede da empresa e que outros não eram formalizados. 7) foram realizadas diligências nas empresas contratadas para a obtenção dos contratos. Do exame dos contratos depreendeuse que são padronizados modificados somente: a identificação da prestadora de serviço e o objeto do contrato, que de forma geral, correspondem à prestação de serviços nas áreas de Desenvolvimento de programas, softwares e aplicativos de informática. 8) Na sustentação dos pressupostos do vínculo empregatício sobre: Fl. 825DF CARF MF Processo nº 15504.729677/201433 Acórdão n.º 2402007.406 S2C4T2 Fl. 826 6 [...] A recorrente foi intimada da decisão em 18/9/15, através de correspondência com aviso de recebimento (fl. 756 do eProcesso), e interpôs recurso voluntário em 19/10/15 (fls. 759 e seguintes do eProcesso), através do qual reiterou as seguintes teses de sua impugnação: a desconsideração dos negócios jurídicos é atribuição exclusiva do poder judiciário; conforme o art. 129 da Lei 11196/05, as sociedades, mesmo quando prestam serviços personalíssimos, sujeitamse à legislação aplicável às pessoas jurídicas; as empresas prestadores existem, não prestam serviços exclusivamente para a recorrente e os seus profissionais não têm relação empregatícia com o sujeito passivo; a fiscalização fez mera verificação por amostragem; refuta inúmeros trechos do relatório fiscal, para demonstrar a improcedência das autuações; quanto aos lançamentos efetuados pelo descumprimento de obrigações acessórias, afirma que prestou todos os esclarecimentos e que os autos 51.060.8183 e 51.060.8191 não podem prosperar, visto que também não prospera a obrigação principal. Em seu recurso, a contribuinte ainda acrescentou matéria relativa à preliminar de nulidade do lançamento, tendo em vista a alegada ilegalidade da aferição indireta. Sem contrarrazões ou manifestação pela Procuradoria. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Conhecimento O recurso voluntário é tempestivo, visto que interposto dentro do prazo legal de trinta dias, mas não deve ser totalmente conhecido. A tese recursal de preliminar de nulidade do lançamento, diante da alegada ilegalidade da aferição indireta, não foi ventilada na impugnação e é insuscetível de conhecimento em grau recursal. A impugnação da exigência, a qual deve ser formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, instaura a fase litigiosa do procedimento, considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo Fl. 826DF CARF MF Processo nº 15504.729677/201433 Acórdão n.º 2402007.406 S2C4T2 Fl. 827 7 sujeito passivo. Somente a impugnação regular é capaz de atrair o poderdever do Estado de fazer a prestação jurisdicional, dirimindo a controvérsia iniciada com o lançamento fiscal mas efetivamente instaurada com a sua (da impugnação) apresentação. Vejase, nesse sentido, os seguintes dispositivos constantes do Decreto nº 70.235/1972: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: [...] Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Justamente em função da falta de impugnação, a DRJ não julgou a matéria ora suscitada, de forma que o seu conhecimento aviltaria o princípio constitucional do duplo grau de jurisdição. 2 Incompetência do auditor fiscal A tese de incompetência do auditor fiscal e de competência exclusiva do poder judiciário deve ser rechaçada. De acordo com o § 2º do art. 229 do Regulamento da Previdência Social, o auditor fiscal poderá desconsiderar o vínculo negocial e efetuar o enquadramento como segurado empregado, caso constate que o segurado contratado, sob qualquer denominação, preenche as condições referidas no inc. I do caput do art. 9º. Esse inc. I preleciona que empregado é que aquele que presta serviço em caráter não eventual, sob subordinação e mediante remuneração: Art. 9º São segurados obrigatórios da previdência social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural a empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado; Art. 229. [...]: § 2º Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inciso I do caput do art. 9º, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado. (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 1999) Fl. 827DF CARF MF Processo nº 15504.729677/201433 Acórdão n.º 2402007.406 S2C4T2 Fl. 828 8 Como se vê, havendo demonstração (a) de não eventualidade; (b) de subordinação e (c) de remuneração, pode ser descaracterizado o vínculo pactuado, corroborandose a existência efetiva de vínculo empregatício, oculto sob a contração de contribuinte individual, de trabalhador avulso, ou de qualquer outra denominação, inclusive de pessoas jurídicas e de cooperativas de trabalho. O art. 142 do CTN prevê que a autoridade administrativa tem competência privativa para constituir o crédito tributário pelo lançamento. E não houve qualquer necessidade de desconsideração da personalidade jurídica das empresas contratadas, vez que a verificação do fato gerador das contribuições igualmente prescinde de tal providência. A verificação da ocorrência do fato gerador dispensa até mesmo o exame acerca da validade ou invalidade dos negócios jurídicos. O inc. I do art. 118 do CTN preleciona que a definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose da validade jurídica dos atos praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos. Ao tratar da nulidade ou anulabilidade, em comentário ao citado preceito legal, o prof. Hugo de Brito Machado afirma, com precisão, que "ao Direito Tributário importa a realidade. Não a forma jurídica"1. Significa dizer que basta a existência do fato, e "não se há de indagar a respeito da validade do ato ou negócio jurídico"2, podendo se afirmar o mesmo em relação à desconsideração da personalidade jurídica das empresas contratadas. O que importa para o direito tributário é a realidade, e não a aparente verdade resultante dos negócios jurídicos celebrados pela primeira recorrente. O princípio da realidade sobrepõese ao aspecto formal, considerados os elementos tributários, conforme jurisprudência do STF3. Em tópico atinente à elisão e evasão tributárias, e analisando a jurisprudência deste Conselho, a prof. Maria Rita Ferragut menciona a existência de "negócios lícitos mas não oponíveis ao Fisco"4, corroborando a importância da substância do fato, em detrimento de sua forma de exteriorização. Logo, o recurso deve ser desprovido neste ponto. 3 Inexistência de vínculo de emprego Neste particular, entendo que o recurso voluntário deve ser provido, uma vez que, no meu entender, o levantamento fiscal não comprovou, de forma inconteste, que todos os prestadores tinham relação de emprego com a recorrente. Muito pelo contrário, o que se observa é que a fiscalização, a partir da análise de alguns pouquíssimos casos isolados (que a recorrente denominou de levantamento por amostragem), acabou fazendo uma generalização que entendo ser inadmissível, concluindo que dezenas de pessoas jurídicas teriam sido interpostas, para ocultar a contração de empregados. Vejase, por exemplo, que o relatório fiscal examina algumas cláusulas dos contratos celebrados com a CIPLAN CONSULTORIA PLANEJAMENTO E TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO LTDA, com a PCMC INFORMÁTICA LTDA, com a CLARIS A S 1 MACHADO, Hugo de Brito. Comentários ao código tributário nacional, volume II. São Paulo: Atlas, 2004, p. 396. 2 MACHADO, Hugo de Brito. Obra citada, p. 388. 3 STF, RE 346084 / PR. 4 FERRAGUT, Maria Rita. As provas e o direito tributário: teoria e prática como instrumentos para a construção da verdade jurídica. São Paulo: Saraiva, 2016, p. 115. Fl. 828DF CARF MF Processo nº 15504.729677/201433 Acórdão n.º 2402007.406 S2C4T2 Fl. 829 9 CONSULTORIA E SISTEMAS LTDA e com a VRF PROCESSAMENTO DE DADOS LTDA, para, em verdadeiro salto argumentativo, estender suas conclusões para as seguintes pessoas jurídicas, cujas situações e circunstâncias não foram individualizadamente consideradas pela auditoria: A M INFORMATICA LTDA ME, ACTIVE THREAD TECNOLOGIA LTDA ME, ALFAR INFORMATICA LTDA ME, ANALYSIS CONSULTORIA EM INFORMATICA LTDA ME, ARTESANATO DIGITAL LTDA ME, B&B TECNOLOGIA E SISTEMAS LTDA ME, CAMPOSCOM LTDA ME, DESAFIO SAUDE E TECNOLOGIA DA INFORMACAO LTDA ME, DESAFIO SAUDE E TECNOLOGIA DA INFORMACAO LTDA ME, DGA SISTEMAS E TECNOLOGIA DA INFORMACAO LTDA ME, EGROSSI TECNOLOGIA DA INFORMACAO LTDA ME, FJ SISTEMAS DE COMPUTACAO LTDA ME, GET ENTERPRISE TECNOLOGY CONSULTORIA LTDA ME, GREGORIO E ARAUJO SERVICOS DE INFORMATICA LTDA ME, GUIMARAES COSTA DESENVOLVIMENTO DE SOFTWARE LTDA ME, ISABELLA DE ARAUJO FONSECA, ISRAEL RICARDO SANTIAGO ME, JUSTINO CONSULTORIA EM PROGRAMAS DE INFORMATICA LTDA ME, LE ROY MATOS CONSULTORIA LTDA ME, MAKAMI SERVICOS DE INFORMATICA LTDA ME, MEOW CONSULTORIA LTDA ME, MMLB SOLUCOES LTDA ME, NEWBRIDGE CONSULTORIA EM INFORMATICA LTDA. ME, OREANA E BRANDAO DESENVOLVIMENTO E CONSULTORIA EM INFORMATICA LTDA ME, POVOA CONSULTORIA EM INFORMATICA LTDA ME, PROGRESSO SOFTWARE LTDA ME, SMS TECNOLOGIA DA INFORMACAO LTDA ME, UALTEC CONSULTORIA LTDA ME, WEBBUILDER CONSULTORIA EM INFORMATICA LTDA ME e WLR CONSULTORIA LTDA. ME. Ora, a auditoria fiscal deve analisar, individualizadamente, a situação particular de cada pessoa jurídica, até pela diversidade dos contratos celebrados pelo sujeito passivo e, consequentemente, da diversidade dos serviços que foram tomados para a consecução do seu objeto social. Para tanto, o que se espera não é uma generalização no exame das circunstâncias fáticas e jurídicas que permeiam as relações contratuais da recorrente, mas sim um exame minimamente fundamentado e aprofundado, até como medida de evitar que, dentro de um contexto de pessoas jurídicas realmente interpostas, possa haver pessoas jurídicas regular e legalmente contratadas, o que macularia o lançamento de qualquer forma. E, lembre se, não se pode presumir que a recorrente tenha infringido a lei, mormente diante de contratos devidamente formalizados, sendo necessária a comprovação da contratação de empregados, mediante subordinação e pagamento de salários. O art. 3º da CLT preceitua que se considera "empregado toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob a dependência deste e mediante salário". Segundo a doutrina do Direito do Trabalho, "na definição legal brasileira estão os seguintes requisitos da figura do empregado: a) pessoa física; b) subordinação compreendida de forma mais ampla que dependência; c) ineventualidade do trabalho; d) Fl. 829DF CARF MF Processo nº 15504.729677/201433 Acórdão n.º 2402007.406 S2C4T2 Fl. 830 10 salário; e) pessoalidade da prestação de serviços, esta resultante não da definição de empregado, mas de empregador"5. Isto é, a fiscalização deveria ter demonstrado a existência de tais requisitos para cada uma das pessoas jurídicas consideradas como interpostas, não se podendo admitir que, a partir de quatro casos isolados, possa se concluir que outras dezenas de empresas estariam em situação de mera interposição. Quanto à subordinação jurídica, entendo que a autoridade fiscal não demonstrou que os profissionais tinham a sua autonomia da vontade limitada em função da transferência do poder de comando à direção da recorrente, muito menos para aquelas pessoas jurídicas que sequer foram analisadas. A subordinação, para fins de caracterização do vínculo empregatício, é aquela "situação em que se encontra o trabalhador, decorrente da limitação contratual da autonomia da sua vontade, para o fim de transferir ao empregador o poder de direção sobre a atividade que desempenhará". A subordinação significa uma limitação à autonomia do empregado, de tal modo que a execução dos serviços deve pautarse por certas normas que não serão por ele traçadas"6. Não parece ser este o caso dos autos, pelo menos diante da insuficiência da instrução probatória. Ao refutar as conclusões da auditoria fiscal, a recorrente faz importantes ponderações, que, no meu modo ver, devem ser transcritas: [...] 5 Curso de direito do trabalho: história e teoria geral do direito do trabalho: relações individuais e coletivas do trabalho. Amauri Mascaro Nascimento. 10. ed. atual. São Paulo: Saraiva, 1992, p. 311. 6 NASCIMENTO, Amauri Mascaro. Obra citada, p. 320. Fl. 830DF CARF MF Processo nº 15504.729677/201433 Acórdão n.º 2402007.406 S2C4T2 Fl. 831 11 A eventual fiscalização dos serviços prestados e a alegada supervisão técnica de forma alguma caracterizam a existência de subordinação. A subordinação reclamada pela CLT é de ordem maior, pois limita a autonomia da vontade do trabalhador, que tem a obrigação de desempenhar o seu trabalho de acordo com os comandos, as ordens e os desígnios de seu empregador. O direito de fiscalizar a prestação dos serviços, e mesmo de fazer eventual supervisão técnica, é inerente a todo contrato. Exemplificativamente, o dono da obra tem o direito de fiscalizála e de verificar se os serviços de engenharia e de arquitetura estão de acordo com o contrato celebrado e com as próprias normas legais relativas a tais serviços regulamentados, sem que se possa cogitar de vínculo empregatício. Em sua impugnação e em seu recurso, a contribuinte ainda demonstra que, ao contrário do asseverado pela autoridade fiscal, as notas fiscais não eram necessariamente sequenciais, podendo ser observado, ainda, que os valores pagos eram variáveis, o que usualmente não ocorre nas relações de emprego. Com efeito, nos Anexos II A e II B, que retratam as remunerações pagas às pessoas jurídicas, notase uma considerável variação nos valores pagos às empresas, o que não é usual em se tratando de salários. Ademais, fiscalização não demonstrou que as pessoas jurídicas estivessem impossibilitadas de designar outros profissionais para prestar os serviços. A pessoalidade, como sabido, somente estaria subsistiria se os serviços pudessem ser prestados exclusivamente pelos sócios das pessoas jurídicas, ou por empregados previamente designados, sem possibilidade de substituição por outros profissionais. Conforme a doutrina do direito do trabalho: É essencial à configuração da relação de emprego que a prestação do trabalho, pela pessoa natural, tenha efetivo caráter de infungibilidade, no que tange ao trabalhador. A relação jurídica pactuada ou efetivamente cumprida deve ser, desse modo, intuitu personae com respeito ao prestador de serviços, que não poderá, assim, fazerse substituir [...]7. 7 DELGADO, Maurício Godinho. Curso de direito do trabalho. 13ª ed. São Paulo : LTR, 2014. Fl. 831DF CARF MF Processo nº 15504.729677/201433 Acórdão n.º 2402007.406 S2C4T2 Fl. 832 12 Quanto à remuneração, ela não se confunde com o pagamento de salários, pois, na dicção dos arts. 593 e 594 do Código Civil, toda a espécie de serviço ou trabalho lícito, que não estiver sujeita às leis trabalhistas ou a lei especial, seja material ou imaterial, pode ser contratada mediante retribuição. Vejase: Art. 593. A prestação de serviço, que não estiver sujeita às leis trabalhistas ou a lei especial, regerseá pelas disposições deste Capítulo. Art. 594. Toda a espécie de serviço ou trabalho lícito, material ou imaterial, pode ser contratada mediante retribuição. Logo, entendo que o recurso deve ser provido. 4 Obrigações acessórias Conforme frisado pela DRJ, e isso é um fato incontroverso, o Auto de Infração por descumprimento de obrigação acessória, DEBCAD 51.060.8205 (GFIP com informações incorretas ou omissas), não foi objeto de impugnação. Consequentemente, tal auto de infração não faz parte do controvertido deste processo administrativo. Quanto ao DEBCAD 51.060.8183 (deixar de preparar folhas de pagamento de acordo com os padrões e normas estabelecidos, pois deixou de informar segurados considerados como empregados relacionados nos Anexos II A e II B); e ao DEBCAD 51.060.8191 (ter deixado de arrecadar mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais); a argumentação recursal é no sentido de sua improcedência, diante da improcedência dos Autos que compõem as obrigações principais. Neste tocante, como este Colegiado votou por negar provimento ao recurso voluntário quanto à inexistência de vínculo empregatício, o que constitui questão prejudicial a tais obrigações acessórias, igualmente voto por negar provimento ao recurso quanto aos DEBCADs 51.060.8183 e 51.060.8191. Já quanto ao DEBCAD 51.060.8175 (ter deixado de prestar à Secretaria da Receita Federal do Brasil todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse do fisco e na forma estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização), tratase, como se vê, de questão que independe do cumprimento ou não das obrigações principais. Vale lembrar, nesse sentido, que, na dicção do § 2º do art. 113 do CTN, a obrigação acessória (ou instrumental) decorre da legislação tributária (compreendendo as leis, os tratados, as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares) e tem por objeto as prestações positivas (fazer) ou negativas (não fazer), que não necessariamente decorrem da existência da obrigação principal, mas sim existem no interesse de eventual arrecadação ou fiscalização. A doutrina do professor Luciano Amaro8 assim ensina: A acessoriedade da obrigação dita "acessória" não significa (como se poderia supor, à vista do princípio geral de que o 8 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 14. ed. rev. São Paulo: Saraiva, 2008, p. 249. Fl. 832DF CARF MF Processo nº 15504.729677/201433 Acórdão n.º 2402007.406 S2C4T2 Fl. 833 13 acessório segue o principal) que a obrigação tributária assim qualificada dependa da existência de uma obrigação principal à qual necessariamente se subordine. Ou seja, independentemente da exigibilidade das obrigações principais, a empresa é obrigada a prestar informações ao Fisco. Pois bem. Entendo que a empresa não deixou de prestar as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse do fisco, e na forma estabelecida. Isso porque, conforme esclarecido no próprio relatório fiscal (v. fl. 95 do eProcesso): Resposta ao TIF 06 ( .. .) “A não entrega dos documentos se deu em decorrência da dificuldade em localizálos, ora pela inevitável perda a qual esta empresa ficou suscetível com suas mudanças de sede ocorridas desde o período indicado, ou até mesmo pela permissividade legal em firmar contratos verbais de diversas espécies.” E, vejase, o que ensejou a lavratura do Auto de Infração DEBCAD 51.060.8175 foi o fato de a empresa não ter apresentado alguns contratos (conforme fl. 108 do eProcesso, "o contribuinte deixou de apresentar contratos de prestação de serviços celebrados com empresas"). Ora, a recorrente não entregou tais instrumentos negociais, ao argumento de que os negócios jurídicos foram verbais, e essa situação foi corroborada pela fiscalização, em diligências realizadas junto às empresas prestadores de serviços (v. fl. 95 do e Processo): 7.1.7.1 Intimadas mediante termo específico, algumas contratadas apresentaram os referidos instrumentos, que serviram de base à análise pretendida. Em alguns casos, como já teria sido adiantado pelo contribuinte em resposta ao TIF 06, não houve apresentação do documento sob a alegação de não ter sido formalizado. Esta fiscalização entendeu que esta omissão e a prática de não formalização de contratos tiveram como objetivo tentar ocultar elementos que poderiam vislumbrar ainda mais a relação de emprego entre os prestadores de serviços e a POWERLOGIC, como se vai revelar ao longo deste Relatório Fiscal. Como foram prestadas as informações solicitadas, e como a inexistência de alguns contratos por escrito foi confirmada e explicitada pela recorrente e pelas próprias prestadoras, entendo que deve ser cancelado o Auto de Infração DEBCAD 51.060.8175. 5 Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de conhecer parcialmente do recurso voluntário, para, na parte conhecida, darlhe provimento, a fim de cancelar os lançamentos efetuados através dos seguintes Autos de Infração: AIOP DEBCAD 51.060.8140, AIOP DEBCAD 51.060.8159, AIOP DEBCAD 51.060.8167 e AIOA DEBCAD 51.060.8175. (assinado digitalmente) Fl. 833DF CARF MF Processo nº 15504.729677/201433 Acórdão n.º 2402007.406 S2C4T2 Fl. 834 14 João Victor Ribeiro Aldinucci Voto Vencedor Conselheiro Paulo Sergio da Silva Redator Designado Não obstante os fundamentos do voto condutor, pedese vênia para discordar parcialmente do ilustre relator, especificamente por entender que efetivamente há nos autos elementos que deixam clara a ocorrência dos vínculos de emprego apontados pela auditoria. Conforme consta do Relatório Fiscal (fls 91) e documentos que o instruem (fls 195, 199 e 208), a auditoria intimou reiteradas vezes a fiscalizada a apresentar os contratos firmados junto às "pessoas jurídicas" que lhe prestaram serviços, ao que a empresa simplesmente deixou de atender tais requerimentos argumentando que não os havia localizado, seja por extravio ao mudar de sede ou porque em diversas ocasiões firmou meramente contratos verbais com as contratadas (fls 209), conforme destaca o excerto abaixo: Assim, verificase que, não obstante a empresa alegue que os trabalhos eram realizados por pessoas jurídicas, o fato é que a fiscalizada deixou de entregar os documentos probantes, cuja guarda é obrigatória, circunstância que forçou a auditoria a diligenciar perante cada um dos prestadores a fim de ter acesso aos feitos firmados com a recorrente (os quais, inclusive, foram obtidos em quantidade relevante no retorno das diligências), portanto, não cabe imputar à auditoria a limitação das informações utilizadas na formação de sua convicção, pois tal restrição deveuse à culpa exclusiva da recorrente, não podendo agora beneficiarse de sua própria omissão para afastar o lançamento tributário. Outro fato relevante que merece ser observado é que, não obstante a existência de diversas cláusulas contratuais protetivas de direitos autorais, de patentes, de knou how da contratante e mesmo de previsão de multas por descumprimento de obrigações pelos prestadores, ao ser exigida a apresentação dos termos, conforme já apontado, a recorrente deixou de apresentálos alegando simplesmente que em muitos casos firmou apenas compromissos verbais. Ora, levando em consideração o objeto contratual e as suas implicações, é inimaginável que a contratante não tenha procurado preservar seus direitos, firmando simplesmente compromissos verbais com as "empresa prestadoras", a menos que tais acordos não fossem efetivos, ou seja, visassem tãosomente proteger a fiscalizada de eventuais demandas trabalhistas e obrigações tributárias, função para a qual, inclusive, não foi útil, pois, conforme informação da auditoria, a recorrente foi autuada pela fiscalização do trabalho (por contratar 140 empregados como pessoas jurídica) e efetivamente quitou a obrigação antes mesmo da decisão final do processo, reconhecendo, assim, a legitimidade das imputação fiscal. Fl. 834DF CARF MF Processo nº 15504.729677/201433 Acórdão n.º 2402007.406 S2C4T2 Fl. 835 15 Quanto à necessidade de a auditoria realizar uma análise individualizada da situação concreta de cada um dos trabalhadores envolvidos, frisase mais uma vez que foi a falta de colaboração da recorrente, ao deixar de fornecer os contratos requeridos, que levou a auditoria a fazer um juízo por amostragem (considerando que as cláusulas dos contratos apresentados eram padronizadas), mediante a utilização de informações obtidas por meio de diligência, especialmente realizada para suprir a omissão da empresa. No que tange requisitos para a configuração da relação de emprego, a auditoria foi precisa ao pontuar os seus elementos identificadores, aplicáveis à integralidade dos trabalhadores envolvidos, posto que os acordos demonstram que todos os trabalhadores estavam sujeitos ao mesmo regramento (fls 242 e seguintes). Desse exame, a auditoria deixou claro em seu relatório a existência de relação de subordinação, caracterizada pelo local da prestação do serviço (local estipulado pela fiscalizada), pela obrigação de os trabalhadores utilizarem as ferramentas e a técnica disponibilizadas pela contratante (dependência técnica) e pela obrigação de mostrar a evolução do trabalho realizado (disponibilizar ao contratante relatórios e controles da atividade), fatos que indiciam inexistir relação horizontal ente as partes, mas a mera imposição de condições unilaterais ao contratado. A auditoria, também, deixou claro que o trabalho desempenhado não é eventual, pois a contratação envolvia a atividadefim da empresa, cuja execução deve ser constante e rotineira. Restou demonstrado, ainda, a pessoalidade da obrigação, quando a auditoria aponta que nenhuma das empresas prestadoras contratadas possuía empregados em sua estrutura e que era o próprio titular da PJ que prestava serviços diretamente à contratante (fato não contestado pela recorrente). Além disso, vale destacar que o fruto do trabalho (softwares e programas desenvolvidos) eram de propriedade exclusiva da contratante, algo que normalmente não ocorre quando uma empresa é contratada para desenvolver uma determinada tecnologia em proveitos de uma PJ contratante . Outro fato que merece destaque, foi a resposta fornecida por um dos diligenciados à auditoria, indicando que os trabalhadores envolvidos no lançamento estavam sujeitos aos mesmos horários que os demais empregados celetistas vinculados à empresa, circunstância que a recorrente confirma. Quanto à alegação de que as notas fiscais apontadas pela auditoria não eram necessariamente seriadas e os valores pagos eram variados, basta analisar as planilhas constantes das folhas 118 e seguintes para constatar que a maioria das notas fiscais emitidas pelos prestadores tinham sim numeração seriada, indicando ser a recorrente a única tomadora de seus serviços, fato que certamente não impediu que alguns profissionais, fora do horário de trabalho, ocasionalmente desempenhassem sua atividade em favor outras pessoas. Quanto à apontada variação dos valores pagos aos contratados, embora não seja requisito fundamental para a caracterização da relação de emprego, tal fato é justificado em razão da forma remuneratória imposta pela fiscalizada aos contratados, tendo a auditoria simplesmente coletado na contabilidade os valores pagos. Fl. 835DF CARF MF Processo nº 15504.729677/201433 Acórdão n.º 2402007.406 S2C4T2 Fl. 836 16 Assim, entendo que restou caracterizado o vinculo empregatício apontado pela auditoria, não havendo razão nas alegações da recorrente. Conclusão Posto isso, voto pela PROCEDÊNCIA PARCIAL DO RECURSO VOLUNTÁRIO apresentado, mantendo integralmente os tributos lançados pelos AIOP DEBCAD 51.060.8140, AIOP DEBCAD 51.060.8159 e AIOP DEBCAD 51.060.8167, bem como as multas impostas pelo AIOA DEBCAD 51.060.8183 (CFL 30) e AIOA DEBCAD 51.060.8191 (CFL 59), restando afastando tãosomente a multa objeto do AIOA DEBCAD 51.060.8175. Vale destacar que o AIOA DEBCAD 51.060.8205 (CFL 78) não foi objeto de impugnação pela empresa. (Assinado digitalmente) Paulo Sergio da Silva – Relator designado Fl. 836DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.004828/2007-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EXISTÊNCIA DE OMISSÃO. EFEITOS INFRINGENTES.
Acolhem-se os embargos de declaração, com efeitos infringentes, para suprimir as omissões apontadas do acórdão embargado.
Numero da decisão: 1301-004.001
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos opostos para suprir as omissões apontadas, com efeitos infringentes, e alterar o resultado do Acórdão nº 1301-003.837 para dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos seguintes termos: a) rejeitar o pedido de diligência; b) manter, em parte, a infração IRRF sobre pagamento sem causa e/ou beneficiários não identificados, com multa de 75%, nos termos da tabela contida no voto condutor; c) manter, em parte, a infração glosa de despesas/custos por pagamentos sem causa e/ou beneficiários não identificados - exigência do IRPJ e da CSLL com multa de 75%, nos termos da tabela contida no voto condutor; d) manter a infração IRRF - Multa isolada (qualificada) e Juros isolados; e) manter a infração exclusões/compensações não autorizadas- exigência de do IRPJ e da CSLL com multa de 75%.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild, Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente).
Nome do relator: Relator Nelso Kichel
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004, 2005, 2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EXISTÊNCIA DE OMISSÃO. EFEITOS INFRINGENTES. Acolhem-se os embargos de declaração, com efeitos infringentes, para suprimir as omissões apontadas do acórdão embargado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 35; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1766; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 999 1 998 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.004828/200795 Recurso nº Embargos Acórdão nº 1301004.001 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 17 de julho de 2019 Matéria OMISSÃO NO ACÓRDÃO EMBARGADO Embargante CONSELHEIRO DO CARF Interessado AGROFEL AGRO COMERCIAL LTDA FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EXISTÊNCIA DE OMISSÃO. EFEITOS INFRINGENTES. Acolhemse os embargos de declaração, com efeitos infringentes, para suprimir as omissões apontadas do acórdão embargado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos opostos para suprir as omissões apontadas, com efeitos infringentes, e alterar o resultado do Acórdão nº 1301003.837 para dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos seguintes termos: a) rejeitar o pedido de diligência; b) manter, em parte, a infração IRRF sobre pagamento sem causa e/ou beneficiários não identificados, com multa de 75%, nos termos da tabela contida no voto condutor; c) manter, em parte, a infração glosa de despesas/custos por pagamentos sem causa e/ou beneficiários não identificados exigência do IRPJ e da CSLL com multa de 75%, nos termos da tabela contida no voto condutor; d) manter a infração IRRF Multa isolada (qualificada) e Juros isolados; e) manter a infração exclusões/compensações não autorizadas exigência de do IRPJ e da CSLL com multa de 75%. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 48 28 /2 00 7- 95 Fl. 999DF CARF MF Processo nº 11080.004828/200795 Acórdão n.º 1301004.001 S1C3T1 Fl. 1000 2 (assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild, Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Fl. 1000DF CARF MF Processo nº 11080.004828/200795 Acórdão n.º 1301004.001 S1C3T1 Fl. 1001 3 Relatório Tratase dos Embargos de Declaração, opostos pelo Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, em face do Acórdão nº 1301003.837 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, sessão de 17 de abril de 2019, que rejeitou a arguição de nulidade da decisão de primeira instância e, no mérito, negou provimento ao recurso voluntário. O referido acórdão embargado tem a seguinte ementa e parte dispositiva, in verbis: (...) ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004, 2005, 2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. VOTO FUNDAMENTADO. APRECIAÇÃO DE PROVAS. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não é nulo o voto que desenvolve profunda fundamentação para justificar o porquê da imprestabilidade das provas apresentadas, e, ainda assim, as analisa e conclui não serem suficientes para infirmar o lançamento. (...) Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar a arguição de nulidade da decisão de primeira instância, e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Nelso Kichel (Relator), José Eduardo Dornelas Souza, Carlos Augusto Daniel Neto e Bianca Felícia Rothschild que votaram por anular a decisão de primeira instância. Designado o Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto para redigir o voto vencedor. (...) Por sua vez, os Embargos de Declaração, interpostos em 18/06/2019, demonstram a existência de omissão no acórdão embargado, pois não foram apreciadas pelo Colegiado, no mérito, as razões da defesa contra as infrações imputadas pelo Fisco. Eis as razões dos embargos de declaração opostos, in verbis: Fl. 1001DF CARF MF Processo nº 11080.004828/200795 Acórdão n.º 1301004.001 S1C3T1 Fl. 1002 4 (...) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Conselheiro da 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Primeira Seção do CARF, redator do voto vencedor do Acórdão em epígrafe, vem à presença de Vossa Senhoria opor, com fulcro no art. 65, § 1º, inciso I, do Regimento Interno do CARF, EMBARGOS DE DECLARAÇÃO com base nas razões de fato e de direito a seguir expostas. (...) Tratase de auto de infração do IRPJ e reflexos (...). Em julgamento da impugnação apresentada, a 1ª Turma da DRJ em Porto Alegre julgoua improcedente. Apresentado recurso voluntário, o i. Conselheiro Relator, Nelso Kichel, votou por anular a decisão de primeira instância, contudo foi vencido pela maioria do colegiado, cabendo a mim a redação do voto vencedor. Contudo, as questões de mérito não foram abordadas pela turma julgadora, incluindo aí cominação de multa qualificada e a infração sobre exclusões indevidas na apuração do lucro real. Mesmo em relação às exigências ligadas ao suposto pagamento sem causa, discutiuse se a decisão da DRJ seria ou não nula, mas não chegou a ser debatido o mérito da exigência. O acórdão foi formalizado em 18/06/2019, mostrandose, assim, tempestivos os presentes embargos a teor do que dispõe o § 1º do art. 65 do Anexo II do RICARF. (...) Segundo o art. 65 do Anexo II do RICARF, “Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma.” No presente caso, tratase, à toda evidência, de omissão do acórdão embargado em relação ao mérito da exigência, implicando a necessidade de novo pronunciamento do colegiado. (...) Os embargos de declaração foram admitidos e os autos retornaram a este Colegiado para julgamento das matérias de mérito. É o relatório. Fl. 1002DF CARF MF Processo nº 11080.004828/200795 Acórdão n.º 1301004.001 S1C3T1 Fl. 1003 5 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator. Os Embargos de Declaração foram apresentados tempestivamente em 18/06/2019, ou seja, na mesma data da publicação da acórdão embargado. A omissão suscitada também está demonstrada, pois o Colegiado, na sessão de 17 de abril de 2019, afastou a arguição de nulidade da decisão a quo e negou provimento ao recurso, porém não enfrentou as matérias de mérito. Portanto, conheço dos embargos. Quanto ao mérito da lide, os autos tratam das seguintes infrações, em resumo, quanto aos anoscalendário 2004, 2005 e 2006: a) autos de infração do IRPJ e da CSLL: glosa de despesas/custos por pagamentos sem causa e/ou beneficiários não identificados, com multa de 75%; exclusão indevida do lucro real da parcela de indenização recebida por distrato de contrato de representação comercial, com multa de 75%. b) autos de infração do IRRF: exigência do IRRF sobre pagamento sem causa e/ou beneficiários não identificados, com multa de 75%; exigência de multas isoladas e juros isolados, por falta de retenção e recolhimento do IRRF acerca dos beneficiários identificados dos pagamentos de salário ou gratificação (funcionários e terceiros), com multa qualificada de 150% (dissimulação dos pagamentos registrados em conta de despesa com marketing, publicidade e propaganda). Por ter sido vencido quanto à arguição de nulidade da decisão de primeira instância, passo a enfrentar o mérito das matérias objeto das razões do recurso voluntário. PEDIDO DE DILIGÊNCIA FISCAL. INDEFERIMENTO. Fl. 1003DF CARF MF Processo nº 11080.004828/200795 Acórdão n.º 1301004.001 S1C3T1 Fl. 1004 6 A recorrente pediu a realização de diligência fiscal, nos seguintes termos: (...) (...) A decisão a quo rejeitou a realização da diligência cuja fundamentação do voto condutor, no que pertinente, transcrevo (efls. 890/905), in verbis: (...) A precariedade dos elementos probatórios parece ser reconhecida até mesmo pela impugnante que sugere verificação adicional por este Colegiado mediante realização de diligência junto aos beneficiários, requerendo expressamente a realização desta para “confirmar se receberam, nos exercícios de 2004 e 2005, cartões de premiação por parte da impugnante, bem como se confirmam ou não suas assinaturas nos recibos juntados". Pedido impertinente, posto que a obrigação de comprovar integralmente o alegado é ônus da impugnante, a teor do art. 16, incisos III e § 4° do Decreto n° 70.235, de 1972. Ademais, era (e é) seu dever manter toda a documentação comprobatória das suas operações em boa guarda (art. 264 do RIR/99), não só para eximirse da exigência do imposto na fonte, mas também para permitir a aferição da normalidade e usualidade das despesas pagas, sem as quais não se pode admitir sua dedutibilidade na apuração do lucro real. (...) Fl. 1004DF CARF MF Processo nº 11080.004828/200795 Acórdão n.º 1301004.001 S1C3T1 Fl. 1005 7 Data venia, o sujeito passivo ao alegar fatos modificativos, impeditivos ou extintivos do direito do Fisco constituir o crédito tributário pela lançamento de ofício, é ônus do sujeito passivo comproválos (CPC, art. 373, II). O momento de juntar aos autos as provas é por ocasião da apresentação da Impugnação na primeira instância e, eventualmente, complementação das provas, quando da apresentação das razões do recurso voluntário (arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72). Quanto a fatos de sua atividade comercial, os registros na escrituração contábil fazem prova a favor e contra o comerciante e/ou prestador de serviços (RIR/99, art. 923). Princípio da bilateralidade da prova. No caso, conforme restou demonstrado nos autos pela Fiscalização, a contribuinte não registrou na escrituração contábil os pagamentos de remuneração a funcionários e prestadores de serviços, atinentes aos créditos carregamentos efetuados nos cartões magnéticos FLEXCARD, objeto da infração imputada IRRF pagamento sem causa ou a beneficiários não identificados, Auto de Infração objeto deste Processo. A contribuinte lançou na escrituração contábil as notas emitidas pela Incentive House, de forma dissimulada, em conluio/fraude (operação de premiação entabulada com a Incentive House), como sendo gastos com marketing, publicidade e propaganda, quando, na verdade, eram pagamentos de salários, remuneração por serviços prestados por funcionários e por terceiros. Ora, a diligência fiscal não se presta a produzir prova cujo ônus é do sujeito passivo, como no caso. Indeferese o pedido de diligência ou perícia, cujo objetivo é instruir o processo com as provas documentais que o recorrente deveria produzir em sua defesa, juntamente com a peça impugnatória ou recursal. A perícia técnica se reserva à elucidação de pontos duvidosos que requeiram conhecimentos especializados para deslinde do litígio, não se justificando quando o fato puder ser demonstrado pela juntada de documentos. A diligência fiscal, perícia técnicocontábil, não têm o condão de substituir a parte na atividade de produção de prova. Como já dito, é ônus do sujeito passivo comprovar a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito constitutivo do Fisco (Decreto nº 70.235/72, arts. 15 e 16 e CPC Lei nº 13.105/2015, art. 373, II). Considerase inexistente o pedido de diligência e perícia técnica, quando não atender aos ditames do art. 16, IV, do Decreto 70.235/72. Aplicação da inteligência do § 1º do art. 16 do mesmo diploma legal. Não constitui cerceamento do direito de defesa o indeferimento do pedido de diligência ou perícia considerada desnecessária, prescindível e formulado sem atendimento aos requisitos do art. 16, IV, do Decreto n° 70.235/72. Fl. 1005DF CARF MF Processo nº 11080.004828/200795 Acórdão n.º 1301004.001 S1C3T1 Fl. 1006 8 Nesse sentido são, também, os precedentes (julgados) deste CARF, cujas ementas de acórdãos transcrevo, a título de ilustração. NORMAS GERAIS DIREITO TRIBUTÁRIO. LIVRE CONVICÇÃO JULGADOR.. PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO. De conformidade com o artigo 29 do Decreto n° 70.235/72, a autoridade julgadora de primeira instância, na apreciação das provas, formará livremente sua convicção, podendo determinar diligência que entender necessária. A produção de prova pericial deve ser indeferidase desnecessária e/ou protelatória, com arrimo no § 2°, do artigo 38, da Lei n° 9.784/99, ou quando deixar de atender aos requisitos constantes no artigo 16, inciso IV, do Decreto n° 70.235/72.(Acórdão nº 20601.462, sessão de 09/10/2008). PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Não constitui cerceamento do direito de defesa o indeferimento do pedido de diligência considerada desnecessária, prescindível e formulado sem atendimento aos requisitos do art. 16, IV, do Decreto n° 70.235/72.(Acórdão nº 10249.407, sessão de 06/11/2008). PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. A admissibilidade de diligência ou perícia, por não se constituir em direito do autuado, depende do livre convencimento da autoridade julgadora como meio de melhor apurar os fatos, podendo como tal dispensar quando entender desnecessárias ao deslinde da questão. Ademais, temse como não formulado o pedido de perícia que deixa de atender aos requisitos do inciso IV do art. 16 do Decreto n° 70.235/72, principalmente quando este se revela prescindível. (Acórdão nº 19300.018, sessão de 13/10/2008). PEDIDO DE PERÍCIA PRESCINDIBILIDADE INDEFERIMENTO. Presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia.(Acórdão nº 10515.978, sessão de 20/07/2006) DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. Indeferese o pedido de diligência ou perícia, cujo objetivo é instruir o processo com as provas que o recorrente deveria produzir em sua defesa, juntamente com a peça impugnatória ou recursal, quando restar evidenciado que o mesmo poderia trazêlas aos autos, se de fato existissem. (Acórdãonº10248.141,de25/01/2007). PEDIDO DE DILIGÊNCIA. Deve ser indeferido pedido de diligencia quando prescindível, a teor do art. 18 do Decreto nº 70.235/72.(Acórdão nº 20180.294, sessão de 23/05/2007). PERÍCIA. DESNECESSIDADE. Deve ser indeferido o pedido de perícia, quando o exame de um técnico é desnecessário à solução da controvérsia, apenas circunscrita à matéria contábil e aos argumentos jurídicos ordinariamente compreendidos na esfera do saber do julgador.(Acórdão nº 10222.937, sessão de 28/03/2007). Fl. 1006DF CARF MF Processo nº 11080.004828/200795 Acórdão n.º 1301004.001 S1C3T1 Fl. 1007 9 DILIGÊNCIA E PERÍCIA. NEGATIVA. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. É incabível a realização de diligência ou perícia para responder a quesitos de natureza legal, cujo conhecimento seja elementar ou que se refiram a prova passível de produção unilateral pelo contribuinte.(Ac. 330201.280, sessão de 09/11/2011, Relator José Antonio Francisco). PEDIDO DE PERÍCIA TÉCNICA CONTÁBIL. MEIO DE PROVA DESNECESSÁRIO. INDEFERIMENTO. O pedido de perícia técnica, para análise de dados que integram a escrituração contábil e já presentes nos autos, demonstra intenção protelatória e não caracteriza cerceamento do direito de defesa quando indeferido. A autoridade julgadora é livre para formar sua convicção devidamente motivada, podendo deferir perícias quando entendêlas necessárias, ou indeferir as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, sem que isto configure preterição do direito de defesa. Por se tratar de prova especial, subordinada a requisitos específicos, a perícia só pode ser admitida, pelo Julgador, quando a apuração do fato litigioso não se puder fazer pelos meios ordinários de convencimento.(Ac. nº 1802001.006, sessão de 17/10/2011). ASSUNTO: PERÍCIA/DILIGÊNCIA PRESCINDIBILIDADE –A perícia se reserva à elucidação de pontos duvidosos que requeiram conhecimentos especializados para deslinde do litígio, não se justificando quando o fato puder ser demonstrado pela juntada de documentos (Acórdão CSRF 107.05810, Relatora Karem Jureidini Dias). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário:2009,2010,2011.DILIGÊNCIA/PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. A conversão do julgamento em diligência ou perícias só se revela necessária para elucidar pontos duvidosos que requeiram conhecimento técnico especializado para o deslinde de questão controversa. Não se justifica a sua realização quando presentes nos autos elementos suficientes a formar a convicção do julgador.(Acórdão nº 1402 003.129–4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, sessão de 15/05/2018, Conselheiro Paulo Mateus Ciccone – Presidente e Relator). , Pelo exposto, rejeito o pedido de realização de diligência fiscal. 1 Infração imputada: exigência do IRRF sobre pagamento sem causa e/ou beneficiários não identificados, com multa de 75%: Períodos de apuração: anoscalendário 2004, 2005 e 2006 Fl. 1007DF CARF MF Processo nº 11080.004828/200795 Acórdão n.º 1301004.001 S1C3T1 Fl. 1008 10 A infração está assim consignada no Auto de Infração do IRRF (efls. 231/240): (...) 001 IMPOSTO DE RENDA NA FONTE SOBRE PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS /PAGAMENTOS SEM CAUSA Valor apurado conforme Relatório de Ação Fiscal em anexo (...) O Relatório de Atividade Fiscal, que integra o auto de infração, narra os fatos apurados pela Fiscalização (efls. 255/274), in verbis: (...) 5.1.1 Dos valores creditados/pagamentos efetuados sem identificação dos beneficiários De acordo com os fatos relatados neste relatório, esta fiscalização considera que os valores creditados pela Incentive House, mediante os cartões FLEXCARD e TOP PREMIUM CARD, adquiridos pela Agrofel, os quais foram apropriados como despesas com publicidade e propaganda, onde não consta a identificação dos beneficiários, estão sujeitos à aplicação do art. 674, do RIR/99: (...). Abaixo demonstramos o cálculo do reajustamento da base de calculo, conforme determina o art. 725 do Decreto n° 3000/99 (RIR/99): (...) ANO 2004 Fl. 1008DF CARF MF Processo nº 11080.004828/200795 Acórdão n.º 1301004.001 S1C3T1 Fl. 1009 11 ANO 2005 ANO 2006 ENQUADRAMENTO LEGAL: Art. 674 do RIR/99 (...) Fl. 1009DF CARF MF Processo nº 11080.004828/200795 Acórdão n.º 1301004.001 S1C3T1 Fl. 1010 12 Em relação à infração em tela, as razões aduzidas no recurso voluntário pela contribuinte estão resumidas assim no relatório da decisão embargada, in verbis: (...) que, em sede de impugnação, trouxe ao processo a relação de todos os beneficiários dos pagamentos apontados no Auto de Infração como efetivados para beneficiários não determinados; que, diante de uma prova que, inequivocamente, aponta para a improcedência do lançamento, os julgadores a quo decidiram pela manutenção integral dos Autos de Infração, sob o argumento de que o direito pátrio “veda a proibição de comportamento contraditório”, bem como o “beneficio pela própria torpeza”; que a decisão recorrida representa a própria negação da instância administrativa do processo tributário como fase de apuração de verdade material; que a decisão recorrida manteve o lançamento ainda que as situações de fato que ensejaram a sua lavratura tenham sido todas elididas pela prova juntada aos autos, quando da Impugnação; que, diante de beneficiários determinados expressamente pela prova juntada com a impugnação, como pode ser a Recorrente obrigada a responder por um tributo incidente sobre pagamentos para beneficiários não determinados? que, ora, não é outro senão o momento da impugnação o apropriado para que o contribuinte produza a prova suficiente e necessária para a improcedência do Auto de Infração contra si lavrado; que a presunção de liquidez e certeza do crédito tributário somente existe após o encerramento da instância administrativa de discussão. Justamente conforme prescreve o art. 204 do Código Tributário Nacional, que afirma que o crédito tributário somente se toma líquido e certo com a sua inscrição em dívida ativa; que, todavia, sob os fundamentos de que a relação apresentada pela impugnante “contém 172 (cento e setenta e dois nomes), o que de pronto já aponta para a impraticabilidade da diligência proposta”(fls. 1.201), bem como que não cabe “a determinação de diligência para a busca de prova em favor do contribuinte” (fls. 1l89), foi indeferida a diligência postulada, o que configura flagrante cerceamento de defesa; que, demonstra a necessidade da diligência, o fato de que, a fls. 1.201, é questionada na decisão recorrida a validade da relação de beneficiários apresentada em sede de impugnação. Ora, ainda que essa relação seja praticamente idêntica aquela que Fl. 1010DF CARF MF Processo nº 11080.004828/200795 Acórdão n.º 1301004.001 S1C3T1 Fl. 1011 13 ensejou a aplicação de multa pela não retenção em se tratando de beneficiários identificados pela Fiscalização (relação que acompanha o Auto de Infração), é incontestável que, suscitadas dúvidas sobre a autenticidade da lista, deveriam ser ouvidos (bastaria uma intimação para prestação de informações) os beneficiários apontados. Beneficiários, digase de passagem, que assinaram recibos atestando o recebimento dos cartões de premiação, conforme prova também juntada com a impugnação. (...) Compulsando os autos, constatase que a recorrente juntou, quando da apresentação da Impugnação (razões da peça de defesa), os seguintes Anexos, no sentido de afastar, elidir, a infração em tela, quanto aos anoscalendário 2004 e 2005, exceto 2006: a) o Doc. 2 (anexo) RELAÇÃO DOS BENEFICIÁRIOS DOS CARTÕES FLEXCARD NO EXERCÍCIO DE 2004 e CARTÕES PREMIUM CARD NO EXERCÍCIO DE 2005, TODOS TOMADOS COMO INDETERMINADOS PELA FISCALIZAÇÃO (efls. 757/845); b) DOC. 2 (anexo) CÓPIAS DOS RECIBOS ASSINADOS PELOS BENEFICIÁRIOS DOS CARTÕES PREMIUM CARD NO EXERCÍCIO DE 2005 e CÓPIAS DE COMPROVANTES DE ENVIO CARTÃO FLEXCARD NO EXERCÍCIO DE 2004 (e fls. 846/863). Veja. Na escrituração contábil a contribuinte registrou os pagamentos dos valores desses Anexos, de forma global, como custos/ despesas com marketing, propaganda e publicidade, para respectivos períodos de apuração. Entretanto, em face das investigações do Fisco e informações prestadas pela Incentive House, restou configurado que, na verdade, os pagamentos foram efetuados a funcionários e prestadores de serviços da própria empresa autuada, mediante depósitos carregamento de créditos nos citados cartões magnéticos FLEXCARD. Ainda na fase de Fiscalização, intimada a contribuinte (diversas vezes), prestou informação ao Fisco de que não havia condições de individualizar os pagamentos, ou seja, identificar, individualizar, o beneficiário dos créditos lançados nos cartões magnéticos FLEXCARD, pois possuía apenas o valor global. Nesse sentido consta do Termo de Verificação Fiscal narrativa dos fatos (e fls. 53/54), in verbis: (...) Fl. 1011DF CARF MF Processo nº 11080.004828/200795 Acórdão n.º 1301004.001 S1C3T1 Fl. 1012 14 3. Dos documentos recebidos do MPF breve histórico das operações envolvendo cartões FLEXCARD No ano de 2004 foi instaurado procedimento pelo Ministério Público Federal Procuradoria da República no Estado do Paraná MPF PRPR n° 1.25.000.002145/200452 com base em notícia de autoria não identificada, Informando que no período de julho de 2003 a fevereiro de 2004, certos itens que compõem a remuneração dos empregados de determinada empresa deixaram de ser incluídos nos contracheques daqueles empregados, compondo um valor de crédito disponibilizado mediante cartão magnético chamado "FLEXCARD", ligado ao banco Unibanco, permitindo saque de valores com possível sonegação de tributos. O Ministério Público Federal Procuradoria da República no Estado do Paraná buscou identlficar outras empresas que, porventura, tenham realizado tal modalidade de "pagamento por fora", para apurar os eventuais reflexos tributários e penais das condutas dos responsáveis, tendo sido formalizado Procedimento Criminal Diverso para levantamento dos dados. A empresa Incentive House, administradora dos cartões, acatando a determinação judicial da 1ª Vara Criminal de Curitiba/PR, forneceu o rol de empresas que, desde o ano de 2002, adquiriram os cartões FLEXCARD, informando os valores creditados, relacionados ano a ano por empresa. Diante do pedido do Ministério Público Federal Procuradoria da República no Estado do Paraná, foi autorizado pela 1ª Vara Criminal de Curitiba/PR que os tais dados fossem encaminhados a Receita Federal. De posse dos documentos encaminhados, a Secretaria da Receita Federal constatou que a empresa Agrofel Agro Comercial estava listada entre aquelas empresas informadas pela Incentive House como adquirente dos cartões Incentive House como adquirente dos Cartões FLEXCARD, tendo sido aberto Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) para fiscalizar tal situação. 4. Desenvolvimento da Fiscalização 4.1. Dos termos e respostas Foi iniciada a ação fiscal nas dependências da empresa, em Porto Alegre, conforme Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização n° 10101002006000599 do qual o sócio responsável Sr. Wilson Ferrarin, CPF 054.496.18034, tomou ciência em 21/02/2006, assim como do Termo de Início de Ação Fiscal, onde foram solicitados os livros contábeis e LALUR; o contrato social e alterações; contratos de mútuo; balancetes mensais e arquivos magnéticos referentes ao plano de contas, lançamentos contábeis e os saldos mensais. Fl. 1012DF CARF MF Processo nº 11080.004828/200795 Acórdão n.º 1301004.001 S1C3T1 Fl. 1013 15 O contribuinte apresentou procuração concedendo poderes ao Sr. Danilo Néri Machado, CPF 214.852.75091, em 13/03/2006, e nessa mesma data, entregou os arquivos magnéticos referentes ao plano de contas, lançamentos contábeis e os saldos mensais, tendo disponibilizado a esta fiscalização, na sede da empresa, todos os outros documentos e livros solicitados. Como o MPF abrangia vários tributos e contribuições, esta fiscalização emitiu vários termos, para os quais o contribuinte sempre apresentou resposta. Neste relatório faremos referência apenas aos termos relativos às solicitações de informações específicas sobre o Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF e Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ. Foi solicitado ao contribuinte apresentar cópias das notas fiscais emitidas pela empresa Incentive House cnpj 00.416.126/000222, a qual é prestadora de serviços, relativas ao ano de 2004 a 2005; contrato de prestação de serviços estabelecido entre o contribuinte e a Incentive House, e informar como eram utilizados pelo contribuinte os cartões e bônus oferecidos pela Incentive House: FLEXCARD, PREMIUM CARD, PRESENTE PERFEITO, TOP PREMIUM E TOP PREMIUM TRAVEL. Em resposta, dia 18/09/2006, o contribuinte apresenta a cópia do contrato e das notas fiscais. Declara que o contrato celebrado com a Incentive House visava à elaboração de programas de marketing, sendo que a Incentive House prestava orientação, desenvolvimento e divulgação das campanhas, com o objetivo de melhorar a comunicação com os clientes, gerando maior motivação na realização dos negócios. Informa, ainda, que "Isto ocorria através de um tipo de premiação onde eram distribuídos aos clientes vouchers e cartões, os quais poderiam ser trocados por mercadorias, viagens ou dinheiro nas redes conveniadas. Os respectivos vouchers e cartões eram emitidos ao portador e eram distribuídos aos clientes de acordo com as políticas comerciais específicas para cada região de atuação, ou dos produtos específicos que estavam sendo promovidos nas campanhas" (grifo meu). O valor gasto com publicidade e prêmios dessas campanhas em 2004 e 2005 correspondem a 1,19% e 1.05% do faturamento do ano, sendo que esses valores são inferiores aos orçados, que eram da ordem de 1,5%, sendo que nos valores pagos a Incentive House estavam inclusos as despesas de divulgação, TV, etc, além de viagens e estadias, para elaboração de projetos, estruturação e divulgação de campanhas. Considerando a resposta entregue pelo contribuinte, esta fiscalização emitiu nova intimação solicitando a relação dos beneficiários dos cartões e bônus oferecidos pela INCENTIVE HOUSE, informando nome, CPF e cargo/função que ocupa na empresa fiscalizada, além dos benefícios concedidos individualmente para cada beneficiário. Fl. 1013DF CARF MF Processo nº 11080.004828/200795 Acórdão n.º 1301004.001 S1C3T1 Fl. 1014 16 Em resposta, o contribuinte informa que a contratação da Incentive House tem como objetivo o desenvolvimento de programas de marketing, a ser desenvolvido mediante premiações distribuídas, especialmente a clientes, através do cartões e vouchers (grifo meu). “...a Agrofel não dispõe dos dados solicitados na presente intimação, devendo frisar, entretanto, que os programas eram desenvolvidos com os clientes de cada uma das filiais e coordenados pela incentive House, que é a empresa que detém o Knowhow nesse tipo de atividade de marketing. O único controle que a Agrofel possui da operação é o valor global da mesma (,..)." (...) Como visto, a contribuinte informou, durante o procedimento de fiscalização, reiteradamente, que o único controle que possuía era o valor global da operação. Porém, quando da apresentação da Impugnação na primeira instância de julgamento a contribuinte juntou cópias das Notas Fiscais emitidas pela Incentive House quanto aos pagamentos efetuados pela recorrente e juntou planilhas relação de beneficiários com respectivo valor discriminado, cuja relação dos beneficiários, em torno de 94%, eram ou são funcionários da empresa. Pediu, então, que seja afastada a infração imputada "PAGAMENTOS SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS". A relação de beneficiários apresentados e respectivos valores individualizados planilhas e notas fiscais "Doc. 2" Anexo(efls. 756/844) estão, em regra, em consonância, compatíveis, com as notas fiscais acostadas aos autos e coincidem, em regra, com os valores objeto da infração em comento. Frisese, e isso ficou patente durante o procedimento de fiscalização, os valores registrados na escrituração contábil ocorreram de forma dissimulada como pagamentos a título de marketing, propaganda e publicidade (notas fiscais emitidas pela Incentive House); porém, na verdade, os valores, dispêndios, pagos pelo sujeito passivo eram a título de remuneração por serviços prestados pelos próprios funcionários e por terceiros. Os pagamentos foram efetuados mediante crédito lançado carregamento nos Cartões FLEXCARD. O sujeito passivo, nos presentes autos, quando da Impugnação na primeira instância, juntou provas: cópia de notas fiscais de emissão da Incentive House, referente valores, recursos que recebera transferidos para carregamento de créditos nos cartões, relação planilhas dos beneficiários e respectivos valores individualizados "Doc.2" Anexo (efls. 756/844). Há, ainda, juntada de alguns comprovantes da entrega dos cartões magnéticos FLEXCARD aos beneficiários "Doc. 3" Anexo (efls. 845/862). No meu entendimento, essas provas carreadas aos autos devem ser analisadas e consideradas quando existente coincidência de informação: (i) valor da nota fiscal; (ii) planilha (identificação do beneficiário e do valor prêmio, crédito, carregado no cartão magnético); e (iii) valor imputado no auto de infração. Fl. 1014DF CARF MF Processo nº 11080.004828/200795 Acórdão n.º 1301004.001 S1C3T1 Fl. 1015 17 Veja "Docs. 2 e 3" Anexos (documentos, provas juntados aos autos que compõem esses Anexos), constatase: Anocalendário 2004: Janeiro/2004: a) juntada de relação de pagamentos a vendedores referente dezembro/2003 (planilha), ou seja, 4º trimestre/2003, valor Prêmio programa de estímulo, total R$ 288.739,30 (efls. 761/765) e Nota Fiscal emitida pela Incentive Houve, em 16/01/2004, valor R$ 288.739,40 + R$ 10.452,36 (prestação de serviço) = R$ 299.191,66 (efl. 766); b) juntada cópia Nota Fiscal, emitida pela Incentive Houve, em 21/01/2004, programa de estímulo, valor R$ 1.101,39 + prestação de serviços R$ 39,87 = R$ 1.141,26 (efl. 769). Obs: Em relação ao mês de janeiro/2004 é objeto da autuação valor tributável de R$ 1.101,39 (26/01/2004) cujo valor coincide com o valor da citada nota fiscal; porém, a contribuinte não identificou o beneficiário desse pagamento. Logo, mantémse a infração nessa parte. Fevereiro/2004: juntada cópia de relação de pagamentos a vendedores (efls. 769/773), no valor de R$ 513.773,83; juntada cópia de Nota Fiscal, emitida pela Incentive House, data de emissão 19/02/2004, programa de estímulo R$ 513.773,82 + prestação de serviços R$ 18.598,61 = Total R$ 532.372,43 (efl. 774). juntada copia de relação de pagamentos a vendedores (efls. 940), no valor de R$ 82.112,04. juntada cópia de Nota Fiscal, emitida pela Incentive House, data de emissão 26/02/2004, programa de estímulo R$ 82.112,04 + prestação de serviços R$ 2.972,46= Total R$ 85.084,50 (efl. 941). Quanto ao mês fevereiro/2004, o Fisco lançou (valores tributáveis): a) R$ 82.112,04; b) R$ 513.372,43. Portanto, a contribuinte comprovou os beneficiários dos pagamentos citados, os quais devem ser excluídos do lançamento fiscal. Fl. 1015DF CARF MF Processo nº 11080.004828/200795 Acórdão n.º 1301004.001 S1C3T1 Fl. 1016 18 Junho/2004: juntada de cópia da relação de pagamentos a vendedores, referente maio/2004 (efls. 777/779), no valor de R$ 263.636,35; juntada de cópia Nota Fiscal, emissão da Incentive Houve, data de emissão, 24/06/2004, programa de incentivo R$ 263.636,40 + prestação de serviço R$ 9.543,64 = valor total R$ 273.180,04 (efl. 780). juntada de copia da relação de pagamento dos beneficiários R$ 4.688,14 (e fl. 911). juntada de cópia da Nota Fiscal, emitida pela Incentive Houve, data de emissão 09/06/2004 (efl. 912), programa de incentivo R$ 4.688,14 + prestação de serviços R$ 169,71 = Total R$ 4.857,85. Quanto ao mês de junho, o Fisco lançou (valores tributáveis): a) R$ 4.688,14; b) R$ 263.636,40. Portanto, a contribuinte comprovou os beneficiários dos pagamentos do valor de R$ 4.688,14 e R$ 263.636,40, os quais devem ser excluídos do lançamento fiscal. Outubro/2004: junta de cópia de Pedido Moto Honda NXR 125, Bross com partida elétrica, R$ 24.623,86 (efl. 775); juntada de cópia de emissão da Nota Fiscal da Incentive Houve, emissão em 21/10/2004, programa de incentivo R$ 24.623,83 + prestação de serviço R$ 891,36 = total R$ 25.515,21 (efl. 776). juntada de cópia da relação de pagamentos a vendedores (efls. 898/900), no valor de R$ 166.866,87; juntada de cópia Nota Fiscal, emissão da Incentive Houve, data de emissão, 25/10/2004, programa de incentivo R$ 166.866,88 + prestação de serviço R$ 8.640,58 = valor total R$ 172.907,46 (efl. 901). juntou relação de prêmios, valor R$ 21.938,00 e Nota Fiscal emitida pela Incentive Houve, data de emissão 27/09/2004, programa de incentivo,valor R$ 22.076,18 +prestação de serviço R$ 799,16 + adicional R$ 17,50 = total R$ 22.892,84 (efl. 910). Porém, não consta nome completo e respectivo CPF dos beneficiários. Nesse citado mês o Fisco lançou (valores tributáveis): a) R$ 22.076,18; Fl. 1016DF CARF MF Processo nº 11080.004828/200795 Acórdão n.º 1301004.001 S1C3T1 Fl. 1017 19 b) R$ 166.866,88 c) R$ 24.623,83. Portanto, quanto ao valor: a) de R$ 24.623,83: embora a contribuinte tenha juntado cópia da Nota Fiscal emitida pela Incentive Houve tendo como beneficiária a autuada, esta não comprovou o beneficiário do pagamento do prêmio nesse valor (nome completo e CPF); b) de R$ 22.076,18 a contribuinte, embora tenha juntado os citados documentos, não comprovou, de forma cabal, os beneficiários do pagamento desse valor (faltou identificar nome completo e CPF); c) R$ 166.866,88 a contribuinte comprovou os beneficiários dos pagamentos. No mês outubro/2004, portanto, apenas esse valor deve ser excluído do lançamento fiscal. Julho/2004: juntada de cópia da relação de pagamentos a vendedores, referente junho/2004 (efls. 883/885), no valor de R$ 93.336,17; juntada de cópia Nota Fiscal, emissão da Incentive Houve, data de emissão, 22/07/2004, programa de incentivo R$ 93.336,20 + prestação de serviço R$ 3.378,77 = valor total R$ 96.714,97 (efl. 886). Quanto ao mês de junho/2004, o Fisco lançou, valor tributável R$ 93.336,20. Portanto, a contribuinte comprovou os beneficiários do pagamento do valor de R$ 93.336,20, o qual deve ser excluído do lançamento fiscal. Agosto/2004: juntada de cópia de pedido de 20 (vinte) cartões sem CPF para recarga mensal, R$ 200,00 (efl. 887); juntada de cópia Nota Fiscal, emissão da Incentive Houve, data de emissão, 06/08/2004, programa de incentivo R$ 200,00 + Prestação de serviços R$ 7,24 + adicionais R$ 50,00 = valor total R$ 257,24 (efl. 888). juntada de cópia da relação de pagamentos a vendedores, referente agosto/2004 (efls. 889/891), no valor de R$ 90.873,31. juntada de cópia Nota Fiscal, emissão da Incentive Houve, data de emissão, 25/08/2004, programa de incentivo R$ 90.873,41 + prestação de serviço R$ 3.289,62 = valor total R$ 94.163,03 (efl. 892). Fl. 1017DF CARF MF Processo nº 11080.004828/200795 Acórdão n.º 1301004.001 S1C3T1 Fl. 1018 20 Nesse citado mês o Fisco lançou (valores tributáveis): a) R$ 200,00; b) R$ 90.873,41. Portanto, quanto ao valor de: a) R$ 200,00, a contribuinte não comprovou os beneficiários (Nome completo e CPF); b) R$ 90.873,41 a contribuinte comprou os beneficiários do pagamento. Portanto, apenas esse valor deve ser excluído do lançamento fiscal, nesse mês. Setembro/2004: juntada de cópia da relação de pagamentos a vendedores, referente agosto/2004 (efls. 893/895), no valor de R$ 221.155,02. juntada de cópias: a) Nota Fiscal, emissão da Incentive Houve, data de emissão, 23/09/2004, programa de incentivo R$ 207.332,70 + prestação de serviço R$ 7.505,44 = valor total R$ 214.838,14 (efl. 896); b) Nota Fiscal, emissão da Incentive Houve, data de emissão, 23/09/2004, programa de incentivo R$ 13.822,18 + prestação de serviço R$ 500,36 + adicional R$ 5,00 = valor total R$ 14.327,54 (efl. 897). Nesse citado mês o Fisco lançou (valor tributável):R$ 221.154,88. Portanto, a contribuinte comprou os beneficiários do pagamento. Esse valor deve ser excluído do lançamento fiscal. Novembro/2004: juntada de cópia da relação de pagamentos a vendedores (efls. 902/903), no valor de R$ 178.603,32. juntada de cópia Nota Fiscal, emissão da Incentive Houve, data de emissão, 23/11/2004, programa de incentivo R$ 178.603,20 + prestação de serviço R$ 6.465,44 = valor total R$ 185.068,64 (efl. 904). Nesse citado mês o Fisco lançou, valor tributável: R$ 178.603,20. Portanto, a contribuinte comprou os beneficiários do pagamento. Esse valor deve ser excluído do lançamento fiscal. Fl. 1018DF CARF MF Processo nº 11080.004828/200795 Acórdão n.º 1301004.001 S1C3T1 Fl. 1019 21 Dezembro/2004: juntada de cópia da relação de pagamentos a vendedores (efls. 905/907), no valor de R$ 218.289,52. juntada de cópia Nota Fiscal, emissão da Incentive Houve, data de emissão, 16/12/2004, programa de incentivo R$ 218.289,60 + prestação de serviço R$ 7.902,08 = valor total R$ 226.191,68 (efl. 908). Nesse citado mês o Fisco lançou, valor tributável: R$ 218.289,60. Portanto, a contribuinte comprovou os beneficiários do pagamento. Esse valor deve ser excluído do lançamento fiscal. Maio/2004: juntada de cópia da relação de pagamentos a vendedores (efls. 913/915), no valor de R$ 344.070,54.. juntada de cópia Nota Fiscal, emissão da Incentive Houve, data de emissão, 25/05/2004, programa de incentivo R$ 344.070,54 + prestação de serviço R$ 12.455,35 = valor total R$ 356.525,89 (efl. 916). Nesse citado mês o Fisco lançou, valor tributável: R$ 344.070,54. Portanto, a contribuinte comprou os beneficiários do pagamento. Esse valor deve ser excluído do lançamento fiscal. Abril/2004: juntada de cópia da relação de pagamentos a vendedores (efls. 920/923), no valor de R$ 214.253,98. juntada de cópia Nota Fiscal, emissão da Incentive Houve, data de emissão, 26/04/2004, programa de incentivo R$ 214.254,00 + prestação de serviço R$ 7.755,99 = valor total R$ 222.009,99 (efl. 924). Nesse citado mês o Fisco lançou R$ 214.254,00. Portanto, a contribuinte comprou os beneficiários dos pagamentos. Esse valor deve ser excluído do lançamento fiscal. Março/2004: Fl. 1019DF CARF MF Processo nº 11080.004828/200795 Acórdão n.º 1301004.001 S1C3T1 Fl. 1020 22 juntada de cópia da relação de pagamentos a vendedores (efls. 925/927), no valor de R$ 156.592,01. juntada de cópia Nota Fiscal, emissão da Incentive Houve, data de emissão, 24/032004, programa de incentivo R$ 156.592,00 + prestação de serviço R$ 5.668,63 = valor total R$ 162.260,63 (efl. 928 e 929). juntada de cópia da relação de pagamentos a vendedores (efls. 930), no valor de R$ 60.059,23. juntada de cópia Nota Fiscal, emissão da Incentive Houve, data de emissão, 26/022004, programa de incentivo R$ 60.059,23 + prestação de serviço R$ 2.174,14 = valor total R$ 62.223,37 (efl. 931). Nesse citado mês o Fisco lançou (valores tributáveis): a) R$ 60.059,23; b) R$ 156.592,00. Portanto, a contribuinte comprou os beneficiários dos pagamentos. Esses valores devem ser excluídos do lançamento fiscal. Demonstrativo resumo dos valores tributáveis mantidos e dos valores excluídos da infração imputada IRRF pagamentos sem causa/beneficiários não identificados Anocalendário 2004 DATA CRÉDITO VALOR PRÊMIO SITUAÇÃO 26/1 1.101,39 MANTER 20/2 82.112.04 EXCLUIR 27/2 513.773,82 EXCLUIR 3/3 60.059,23 EXCLUIR 31/3 156.592,00 EXCLUIR 29/4 214.254,00 EXCLUIR 28/5 344.070,54 EXCLUIR 14/6 4.688,14 EXCLUIR 29/6 263.636,40 EXCLUIR 22/7 93.336,20 EXCLUIR 13/8 200,00 MANTER 30/8 90.873,41 EXCLUIR 30/9 221.154,88 EXCLUIR 4/10 22.076,18 MANTER 28/10 166.866,88 EXCLUIR 29/10 24.623,83 MANTER 29/11 178.603,20 EXCLUIR 21/dez 218.289,60 EXCLUIR TOTAL 2.656.311,74 Anocalendário 2005: Fl. 1020DF CARF MF Processo nº 11080.004828/200795 Acórdão n.º 1301004.001 S1C3T1 Fl. 1021 23 Janeiro/2005: Nesse citado mês o Fisco lançou valor tributável R$ 174.622,08, data do crédito 31/01/2005 (pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado). A contribuinte fez: juntada de cópia de Planilha da relação de vendedores, com respectivos valores (efls. 902/903), no valor total de R$ 174.603,08, valor divergente do valor lançado pelo Fisco (efls. 842/844) Além disso, não juntou cópia de Nota Fiscal do respectivo valor. Portanto, não há indícios ou provas suficientes nos autos que pudessem afastar a infração imputada. Fevereiro/2005: O Fisco lançou os seguintes valores tributáveis: a) data do crédito 22/02/2005, R$ 271.281,66; b) data do crédito 23/02/2005, R$ 347.797,00; c) data do crédito 25/02/2005, R$ 2.078,89. A contribuinte, para esse mês, juntou relação, planilhas de beneficiários (e fls. 835/838): a) data do crédito 09/03/2006, valor R$ 98.010,07; b) data do crédito 27/03/2006, valor R$ 520.168,69. Não existe coincidência entre os valores lançados pelo Fisco e os valores das planilhas. Além disso, não há nos autos cópias de notas fiscais dos respectivos valores objeto da autuação. Portanto, não há indícios ou provas suficientes que pudessem afastar a infração imputada. Demonstrativo resumo dos valores mantidos da infração ou excluídos Anocalendário 2005: DATA CRÉDITO VALOR PRÊMIO SITUAÇÃO 31/1 174.622,08 MANTIDO Fl. 1021DF CARF MF Processo nº 11080.004828/200795 Acórdão n.º 1301004.001 S1C3T1 Fl. 1022 24 22/2 271.281,66 MANTIDO 23/2 347.797,00 MANTIDO 25/2 2.078,89 MANTIDO TOTAL 795.779,63 Anocalendário 2006: O Fisco lançou os seguintes valores tributáveis: a) R$ 1.700,00 b) R$ 1.000,00. Os valores tributáveis lançados devem ser mantidos, pois o sujeito não comprovou a quem teriam sido pagos os valores (não comprovou os beneficiários). DATA CRÉDITO VALOR PRÊMIO SITUAÇÃO 9/3 1.700,00 MANTIDO 27/3 1.000,00 MANTIDO TOTAL 2.700,00 2 Glosa de despesas/custos por pagamentos sem causa e/ou beneficiários não identificados, exigência do IRPJ e da CSLL com multa de 75%: Em relação a essa infração, as razões aduzidas no recurso voluntário pela contribuinte estão assim resumidas no relatório do acórdão embargado: (...) que, segundo o Fisco, os valores foram pagos, transferidos, para a Incentive House relacionados com beneficiários não determinados, são despesas sem causa, desnecessárias; que a recorrente alega: está em jogo é a legalidade da tributação e o princípio da verdade material; que, na medida em que comprovados os beneficiários dos rendimentos bem como a condição desses funcionários da recorrente e terceiros que lhe prestam serviços, certo é que os pagamentos a tais beneficiários preenchem as condições de dedutubilidade do art. 299 do Regulamento do Imposto de Renda; Fl. 1022DF CARF MF Processo nº 11080.004828/200795 Acórdão n.º 1301004.001 S1C3T1 Fl. 1023 25 que no próprio Relatório da Ação Fiscal é referido: em relação aos pagamentos identificados, ao tempo da lavratura dos Autos de Infração, nenhum deles foi glosado, já que como remuneração a empregados e terceiros, seja a título de salário ou de premiação pelo cumprimento de metas atingidas (o que é o caso), enquadrase no conceito de despesa usual e necessária para fins de apuração do IRPJ e CSLL; que não é por demais repetir que aproximadamente 100% dos beneficiários identificados na prova juntada com a impugnação já constam do rol de anexos do Relatório de Ação Fiscal, onde estão descritos como empregados da recorrente ou terceiros que lhe prestam serviços sem vínculo empregatício, o que ratifica que os cartões estavam vinculados à manutenção e desenvolvimento das atividades da empresa; que não pode a decisão recorrida imputar à Recorrente uma obrigação de alcançar toda e qualquer prova no curso da fiscalização, até porque muitos documentos acabam por se tomar disponíveis quando já lavrado o Auto de Infração; que não se pode alegar que está a Recorrente a beneficiarse de eventual torpeza, já que a não retenção do imposto de renda nos pagamentos aos beneficiários identificados na impugnação a sujeita à multa, conforme prescreve o Parecer Normativo SRF 01/2002; que não pode persistir, todavia, é a exigência de um imposto em contradição absoluta com os elementos de fato constantes do processo. Quando o Relatório da Ação Fiscal refere que os cartões de premiação eram utilizados para uma “possível sonegação de tributos”, não há dúvidas que essa “sonegação” somente pode se dar na pessoa física beneficiária dos rendimentos e que não os declara na respectiva declaração de renda. Jamais por parte da Recorrente, na condição de fonte pagadora; que requer a recorrente a reforma da decisão recorrida no tocante ao Auto de Infração IRRF; (...) Como se trata de infração reflexa da infração tratada no tópico anterior, devem ser afastadas as glosas de despesas, aqui nesta infração, correspondentes aos valores dos pagamentos excluídos da infração anterior, por serem despesas dedutíveis. 3 Auto de Infração Multas Isoladas de 150% (qualificadas) e Juros Isolados (efls. 241/253): Fl. 1023DF CARF MF Processo nº 11080.004828/200795 Acórdão n.º 1301004.001 S1C3T1 Fl. 1024 26 Obs: sobre valores pagos, creditados a beneficiários identificados, porém sem retenção do IRRF pela fonte pagadora dos rendimentos (ausência de recolhimento). (...) 001 MULTAS ISOLADAS FALTA DE RETENÇÃO OU RECOLHIMENTO DO IRRF Multa devida pela falta de retenção ou recolhimento do IRRF após o prazo fixado, conforme Relatório de Ação Fiscal em anexo. (...) Relatório de Atividade Fiscal (efls. 255/274): (...) 5.1.2 Dos valores creditados aos beneficiários pessoas físicas Em resposta à intimação fiscal onde foram apresentadas as planilhas contendo os dados fornecidos pela Incentive House (relação contendo identificação e CPF dos beneficiários, assim como data e valor do prêmio), o contribuinte declara que "Os valores constantes das planilhas desta intimação não foram objeto de tributação de imposto de renda pela Agrofel". Considerando que a Agrofel não reteve nem recolheu Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF sobre os valores creditados às pessoas físicas beneficiárias dos cartões/bônus disponibilizados pela Agrofel nos anos 2004 a 2006, e que o prazo para entrega das Declarações de Ajuste Anual de Imposto de Renda Pessoa FísicaDIRPF daqueles anos já expirou, esta fiscalização está efetuando o lançamento da multa por não retenção ou recolhimento do tributo, conforme preceitua o art. 44 da Lei 9.430/96, (...). (...) IRRF. (...). NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. PENALIDADE (...) 5.1.2.1. Da multa qualificada O art. 957, Inc. II, Regulamento do Imposto de Renda, Decreto n° 3000/99 (RIR/99) (...): Fl. 1024DF CARF MF Processo nº 11080.004828/200795 Acórdão n.º 1301004.001 S1C3T1 Fl. 1025 27 Art. 957. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de imposto (Lei nº 9.430, de 1996, art. 44): I (...) II de cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei ni' 4.502, de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Vide Lei nº 10.426, 2002, art. 9º). (...) Considerando que a Agrofel tinha conhecimento dos beneficiários dos valores recebidos mediante a utilização dos cartões, disponibilizados pela Incentive House e que 94% dos beneficiários são/foram funcionários da Aqrofel, o que caracteriza pagamento de salário ou gratificação, e que ocultou a natureza dos pagamentos inserindo os valores em conta de despesa com publicidade e propaganda, conforme já demonstrado neste relatório, esta fiscalização considera a necessidade de aplicação da multa de 150% com relação aos valores de IRRF sobre os valores recebidos pela disponibilização dos cartões/prêmios às pessoas físicas, os quais deixaram de ser recolhidos pelo contribuinte. (...) Fl. 1025DF CARF MF Processo nº 11080.004828/200795 Acórdão n.º 1301004.001 S1C3T1 Fl. 1026 28 ENQUADRAMENTO LEGAL: Art. 9° da Lei n° 10.426/2002: Art.9º Sujeitase às multas de que tratam os incisos I e II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a fonte pagadora obrigada a reter tributo ou contribuição, no caso de falta de retenção ou recolhimento, ou recolhimento após o prazo fixado, sem o acréscimo de multa moratória, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (...) 002 JUROS ISOLADOS FALTA DE RECOLHIMENTO DOS JUROS DE MORA (IRRF) Fl. 1026DF CARF MF Processo nº 11080.004828/200795 Acórdão n.º 1301004.001 S1C3T1 Fl. 1027 29 (...) (...) Quanto a essa infração, a recorrente nas razões do recurso, em síntese, alegou: que não havia cominação legal de multa qualificada para os anoscalendário 2004, 2005 e 2006. Não procede a irresignação da recorrente. A multa de 150% estava cominada, sim, no inciso II do art. 44 da Lei 9.430/96, conforme capitulação mencionada no auto de infração (Art. 9° da Lei n° 10.426/2002). 4 Exclusões/Compensações não autorizadas: (...) 002 EXCLUSÕES/ COMPENSAÇÕES NÃO AUTORIZADAS NA APURAÇÃO Do LUCRO REAL EXCLUSÕES INDEVIDAS Redução indevida do Lucro Real, em virtude da exclusão, não autorizada pela legislação do imposto de renda, de valores do lucro líquido do exercício, conforme Relatório de Ação Fiscal em anexo. (...) ENQUADRAMENTO LEGAL: Fl. 1027DF CARF MF Processo nº 11080.004828/200795 Acórdão n.º 1301004.001 S1C3T1 Fl. 1028 30 Art. 250, inciso I, do RIR/99. Art. 70, parágrafo 3°, inciso II, da lei 9.430/96. (...) Nas razões do recurso, a recorrente argumentou, em síntese: que para o Fisco os valores não adicionados às bases do IRPJ e CSLL indenização paga pela empresa Monsanto são tributáveis na forma do art. 70, § 3°, II, da Lei n. 9.430/96; que a recorrente alega ter recebido indenização da empresa Monsanto por força de distrato comercial e que excluiu valor respectivo das bases de cálculo do IRPJ e CSLL. Afirma que assim procedeu com base no entendimento consolidado na jurisprudência de que as indenizações não se constituem em acréscimo patrimonial. Portanto, não podem ensejar a incidência do imposto de renda e da contribuição sobre o lucro; que a fl. 19 do Relatório da Ação Fiscal é referido que o valor excluído da base de cálculo do IRPJ e CSLL pela recorrente foi somente aquele apurado pela sua Auditoria Externa como indenização, ou seja, ainda que a Monsanto tenha lhe indenizado em mais de R$ 6.000,000,00, apenas o valor de R$ 3.372.014,79 não foi adicionado ao lucro real; que é uma presunção tanto é que estabelecida no próprio instrumento de distrato que a recorrente teria (e teve) prejuízos concretos em face da rescisão do contrato, já que se trata a Monsanto da uma das maiores produtoras de defensivos agrícolas do mundo, e esse é o produto responsável por mais de 50% da receita bruta da Agrofel, que realizou diversos investimentos para montar uma estrutura de lojas e funcionários para atender a demanda por produtos da Monsanto; que, isto posto, alega a recorrente deve ser reformada a decisão recorrida para afastar a exigência fiscal. Diversamente do alegado, não procede a irresignação da recorrente. Consta dos autos cópia do Instrumento Particular de Distrato celebrado, em 05/08/2004, entre a AGROFEL e a MONSANTO DO BRASIL LTDA ((efls. 863/886), onde ficou acordado, in verbis: (...) CONSIDERANDO QUE as partes não têm mais interesse em manter qualquer relacionamento comercial oriundo (i) dos Contratos de Representação Comercial firmados entre elas, sendo o último datado de 28 de abril de 2003; e (ii) do Contrato de Distribuição firmado entre elas em 06 de dezembro de 1999; CONSIDERANDO QUE a "AGROFEL", em virtude de Contrato de Distribuição deve a "MONSANTO" o valor de R$ 35.788.837,00 (...); Fl. 1028DF CARF MF Processo nº 11080.004828/200795 Acórdão n.º 1301004.001 S1C3T1 Fl. 1029 31 CONSIDERANDO QUE, em virtude de Contrato de Representação Comercial, a "MONSANTO" deve à "AGROFEL": (I) o valor de R$ 76.370,86 (...) a titulo de comissão pelas vendas mediadas pela “AGROFEL" e, em virtude da rescisão do Contrato de Representação Comercial, a "MONSANTO" deve, de acordo com a Lei 8.420/92 e o Código Civil de 2002, (II) o valor de R$ 15.103,00 (...), correspondente a 1/12 da remuneração auferida pela “AGROFEL” durante todo o período que exerceu a representação e (III) o valor de R$ 579,67 (...), correspondente a 1/3 das comissões auferidas nos últimos meses de relacionamento (fevereiro a abril de 2004), consolidando o montante de R$ 92.053,53 (...). Faz parte integrante deste instrumento, o Anexo 1 contendo tabela discriminatória das notas fiscais relativamente às quais foram calculadas as verbas indenizatórias, anexo este lido e achado conforme pela "AGROFEL", assim como os cálculos das verbas indenizatórias delas, (notas fiscais), derivados, para nada mais reclamar, sob qualquer titulo. (...) CONSIDERANDO QUE fazendose o abatimento dos créditos da “AGROFEL", referentes a Programas de Marketing e Comerciais relacionados ao Contrato de Distribuição e créditos referentes ao Contrato de Representação Comercial do valor total de sua divida com a “MONSANTO", o débito da “AGROFEL" totaliza R$ 34.386.674,00 (...); CONSIDERANDO QUE a “AGROFEL" concorda em abater seus créditos do valor total de sua divida com a “MONSANTO" e que a “MONSANTO", por sua vez, em consideração à parceria havida entre as partes durante o período de vigência dos contratos de Distribuição e de Representação Comercial, e ao fato de que a "AGROFEL" poderá ter, em razão da rescisão de ditos contratos, uma diminuição de seu volume de negócios, concorda em consolidar o valor do débito da “AGROFEL" para com a “MONSANTO" em R$ 28.000.000,00 (...). CONSIDERANDO QUE as partes não têm mais interesse em dar continuidade à execução dos CONTRATOS de Representação 'Comercial e de Distribuição, resolvem estas, em comum acordo, neste ato, ratificar sua rescisão, distratandoos a partir de 23 de abril de 2004, (...). Consoante se verifica pela transcrição acima, a AGROFEL celebrou contratos distribuição e de representação comercial com a MONSANTO, cujo vínculo jurídico perdurou: a) quanto ao contrato de representação comercial de 28/04/2003 a 23/04/2004; Fl. 1029DF CARF MF Processo nº 11080.004828/200795 Acórdão n.º 1301004.001 S1C3T1 Fl. 1030 32 b) atinente ao contrato de distribuição de 06/12/1999 a 23/04/2004. Em virtude de distrato ou rescisão desses contratos, a representada MONSANTO pagou à AGROFEL indenização de R$ 92.053,53 assim especificada: a) indenização de R$ 76.370,86, a titulo de comissões pelas vendas mediadas pela representante; b) indenização de R$ 15.103,00 (...), correspondente a 1/12 da remuneração auferida pela “AGROFEL” durante todo o período que exerceu a representação em virtude da rescisão do Contrato de Representação Comercial, de acordo com a Lei 8.420/92 e o Código Civil de 2002; c) indenização de R$ 579,67 (...), correspondente a 1/3 das comissões auferidas nos últimos meses de relacionamento (fevereiro a abril de 2004). Ainda, em consideração à parceria havida entre as partes durante o período de vigência dos contratos de Distribuição e de Representação Comercial, e ao fato de que a "AGROFEL" poderá ter, em razão da rescisão de ditos contratos, uma diminuição de seu volume de negócios, a MONSANTO concedeu desconto ou crédito de R$ 6.386.674,00 = (R$ 34.386.674,00 R$ 28.000.000,00). Em relação à incidência do imposto de renda, a Lei n.º 9.430/96, em seu artigo 70, dispõe que: Art. 70. A multa ou qualquer outra vantagem paga ou creditada por pessoa jurídica, ainda que a título de indenização, a beneficiária pessoa física ou jurídica, inclusive isenta, em virtude de rescisão de contrato, sujeitamse à incidência do imposto de renda na fonte à alíquota de quinze por cento. (...) 5º O disposto neste artigo não se aplica às indenizações pagas ou creditadas em conformidade coma legislação trabalhista e àquelas destinadas a reparar danos patrimoniais. Neste aspecto, cumpre saber se a indenização paga ao representante por rescisão contratual visa a reparar os danos patrimoniais (dano emergente) ou se destina a compensar o ganho que a empresa deixou de auferir (lucro cessante). O Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento de que as verbas recebidas por pessoa jurídica em razão de rescisão contratual antecipada têm natureza indenizatória por se revestirem da natureza de dano emergente, em face da assunção pela pessoa jurídica contratada de custos assumidos em razão da prestação a que se obrigara (REsp 1.118.782/DF, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 17.9.2009, DJe 25.9.2009.) Fl. 1030DF CARF MF Processo nº 11080.004828/200795 Acórdão n.º 1301004.001 S1C3T1 Fl. 1031 33 Vale dizer, tratandose de quantia devida a título de reparação patrimonial (dano emergente), não incide o imposto de renda, nos termos do artigo70, parágrafo 5º, da Lei n.º9.430/96. Neste sentido, confira os seguintes julgados: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. VERBAS PAGAS A TÍTULO DE RESCISÃO EM CONTRATO DE REPRESENTAÇÃO COMERCIAL. ARTS. 27, J, E 34, DA LEI N.4.886/65. ISENÇÃO. DANOS PATRIMONIAIS. ART.70,5º, DA LEI N.9.430/96.1. Cuidase na origem de mandado de segurança impetrado com objetivo de obstar o desconto de imposto de renda retido na fonte sobre indenização recebida a título de resilição do contrato de representação comercial previsto na Lei n.4.886/1965, comas modificações inseridas pela Lei n.8.420/1992 e pelo novo Código Civil.2. A Corte de origem dirimiu a controvérsia com base na previsão normativa contida no art. 70, e parágrafos, da Lei n.9.430/96, que exclui da incidência do IRRF apenas as indenizações decorrentes da legislação trabalhista ou aquelas destinadas a reparar danos patrimoniais.3. As verbas recebidas por pessoa jurídica em razão de rescisão contratual antecipada têm natureza indenizatória por se revestirem da natureza de dano emergente, em face da assunção pela pessoa jurídica contratada de custos assumidos em razão da prestação a que se obrigara (REsp 1.118.782/DF, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em17.9.2009, DJe 25.9.2009.) 4. À luz do quadro fático constante do acórdão recorrido que ora não se revisa ou modifica , concluise que não incide o imposto sobre a renda com fundamento no art.70,5º, da Lei n.9.430/96, uma vez que este enunciado estipula a exclusão da base de cálculo do imposto das quantias devidas a título de reparação patrimonial, como na espécie prevista no art.27, j, da Lei n.4.886/65.Agravo regimental improvido.(AgRg no REsp 1452479/SP, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em04/09/2014, DJe 15/09/2014). PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. ART.523 DO CPC. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 211/STJ. IMPOSTO DE RENDA. RESCISÃO DE CONTRATO DE REPRESENTAÇÃO COMERCIAL. NÃO INCIDÊNCIA. INTELIGÊNCIA DO ART.70, 5º, DA LEI 9.430/1996. RESSALVA DE MEU ENTENDIMENTO PESSOAL. 1. A tese de violação do art.523 do Código de Processo Civil, a despeito da oposição de Embargos Declaratórios, não foi apreciada pelo Tribunal a quo. Incidência da Súmula 211/STJ.2. Consolidouse a orientação de que o pagamento feito com base no art.27, j, da Lei 4.886/1965, a título de indenização, multa ou cláusula penal, pela rescisão antecipada do contrato de representação comercial, é isento, nos termos do art.70,5º, da Lei 9.430/1996, do Imposto de Renda. Precedentes de ambas as Turmas da Seção de Direito Público do STJ. 3. Agravo Regimental provido, no sentido de conhecer parcialmente do Recurso Especial e, nessa parte, darlhe provimento. Ressalva de meu entendimento Fl. 1031DF CARF MF Processo nº 11080.004828/200795 Acórdão n.º 1301004.001 S1C3T1 Fl. 1032 34 pessoal.(AgRg no REsp 1267447/PR, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em26/05/2015, DJe 05/08/2015). PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO DOS ARTS. 458 E 535 DO CPC. DEFICIÊNCIA NA FUNDAMENTAÇÃO. SÚMULA 284/STF. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VERBAS PERCEBIDAS EM DECORRÊNCIA DE RESCISÃO DE CONTRATO DE REPRESENTAÇÃO COMERCIAL. NÃO INCIDÊNCIA. NATUREZA INDENIZATÓRIA.1. Não se conhece de Recurso Especial em relação a ofensa aos arts. 458 e 535 do CPC quando a parte não aponta, de forma clara, o vício em que teria incorrido o acórdão impugnado. Aplicação, por analogia, da Súmula 284/STF.2. In casu, o acórdão recorrido consignou que uma parcela foi paga à empresa RC Veiga Comércio e Representações de Papéis Ltda. a título de indenização, por ocasião do distrato firmado entre esta e Votorantim Celulose e Papel S/A. 3. Ressalvado meu entendimento, não incide imposto sobre renda recebida com fundamento no art. 70,5º, da Lei 9.430/96, porquanto são excluídas da base de cálculo do imposto as quantias devidas a título de reparação patrimonial, o que ocorreu no caso dos autos. 4. Agravo Regimental não provido.(AgRg no AREsp 68.235/DF, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em18/09/2012, DJe 24/09/2012) Por outro lado, em relação ao desconto ou crédito concedido de R$ 6.386.674,00 pela MONSANTO à AGROFEL, em razão da rescisão dos citados contratos, destina a compensar o ganho que a empresa deixou de auferir (lucro cessante). Vale dizer, a empresa AGROFEL deixou de auferir ganhos após o distrato (lucros cessantes). Assim, quanto ao valor auferido a título de lucros cessantes, o valor integral deveria ter sido oferecido à tributação pela recorrente em 2004, entretanto, deixou de tributar R$ 3.372.014,79 do citado montante. Por isso, do lançamento de ofício do IRPJ e da CSLL sobre essa diferença de valor tributável. CONCLUSÃO Por tudo que foi exposto, voto para acolher os embargos, com efeitos infringentes, para suprimir as omissões apontadas e alterar o resultado do Acórdão nº 1301 003.837 para dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos seguintes termos: a) rejeitar o pedido de diligência; b) manter, em parte, a infração IRRF sobre pagamento sem causa e/ou beneficiários não identificados, com multa de 75%; c) manter, em parte, a infração glosa de despesas/custos por pagamentos sem causa e/ou beneficiários não identificados exigência do IRPJ e da CSLL com multa de 75%; Fl. 1032DF CARF MF Processo nº 11080.004828/200795 Acórdão n.º 1301004.001 S1C3T1 Fl. 1033 35 d) manter a infração IRRF Multa isolada (qualificada) e Juros isolados; e) manter a infração exclusões/compensações não autorizadas exigência de do IRPJ e da CSLL com multa de 75%. É como voto (assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 1033DF CARF MF
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Numero do processo: 16366.720333/2011-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Sep 19 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3301-001.209
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência para que a Unidade de Origem realize uma reapuração das contribuições nos termos do Parecer Normativo COSIT nº 05/2018
assinado digitalmente
Winderley Morais Pereira Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo da Costa Marques D'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Marco Antonio Nunes Marinho e Ari Vendramini
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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A requerente, não se conformando com o resultado, apresentou Manifestação de Inconformidade, julgada improcedente pela DRJ competente, nos termos do Acórdão nº 14- 069.796. Irresignado, a contribuinte apresentou recurso voluntário, dirigido a este CARF, onde, repisando os argumentos trazidos em sede de manifestação de inconformidade, em síntese, alega: DA SUSPENSÃO - Demonstrar-se-á neste texto que o contribuinte possui direito ao cumprimento dos ditames constitucionais da não-cumulatividade, especialmente sobre a possibilidade de aproveitamento de créditos decorrentes do sistema de suspensão. DA NÃO-CUMULATIVIDADE DO PIS/COFINS RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 66 .7 20 33 3/ 20 11 -1 9 Fl. 475DF CARF MF Fl. 2 da Resolução n.º 3301-001.209 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16366.720333/2011-19 - descreve legislação, jurisprudência e doutrina que tratam do sistema da não- cumulatividade para a Contribuição ao PIS/PASEP e a COFINS DO REGIME DE APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS DAS CONTRIBUIÇÕES DO PIS/COFINS NO CASO DE VENDAS COM SUSPENSÃO - as vendas efetuadas com suspensão, isenção ou alíquota zero ou não incidência do PIS/COFINS não impediam a manutenção pelo vendedor dos créditos vinculados a estas operações. DA QUESTÃO TEMPORAL - Assim, não se pode delimitar o prazo de vigência de uma lei benéfica ao contribuinte com base neste dispositivo. A lei 10.925/2004 entrou em vigor, conforme seu artigo 18, na data de sua publicação, ou seja, 26/07/2004. Percebe-se que, pela leitura do parágrafo referido, os "termos" e "condições" serão estabelecidos pela Secretaria da receita Federal. Em momento algum se diz que cabe a esta determinara a data de vigência da lei. IGUALDADE TRIBUTÁRIA - IN da SRF não tem força de Lei. Não pode portanto, limitar o aproveitamento de crédito dos contribuintes DO CRÉDITO PRESUMIDO - Foi desconsiderado pelo senhor Auditor Fiscal a necessidade imperiosa de refazer o cálculo do crédito presumido, uma vez que foi a base de cálculo elevada, deve-se aumentar a o valor do crédito presumido, no caso do indeferimento da concessão dos créditos vinculados às operações com suspensão. DO RATEIO DOS CRÉDITOS - Neste ponto, também a ser analisado no caso de indeferimento da concessão dos créditos vinculados à suspensão, deve haver a correta distribuição dos créditos. Se reformada a decisão, este pedido perde seu objeto, mas uma vez não ocorrendo o deferimento do requerido previamente apresentado neste recurso, esta distribuição deve ser corretamente observada, pois não há falar diretamente em proporcionalidade, como considerado. DA AMPLIAÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS - defende que a interpretação restritiva do conceito de insumos deve ser ampliada, para se coadunar com a vontade da legislação. É o relatório Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido na Resolução nº 3301- 001.188, de 23 de julho de 2019, proferido no julgamento do processo 16366.000020/2010-51, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 476DF CARF MF Fl. 3 da Resolução n.º 3301-001.209 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16366.720333/2011-19 Transcrevem-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução nº 3301-001.188): “8.O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, sendo tempestivo dele, portanto, tomo conhecimento. 9.Na origem, a controvérsia originou-se da análise dos créditos pleiteados de PIS/PASEP não-cumulativo, vinculados à receita de exportação (art. 3º e 5º da Lei nº 10.637/2002 ). 10.A fiscalização procedeu à auditoria das rubricas das receitas e despesas, em especial os bens para revenda, bens utilizados como insumos e serviços utilizados como insumos. Para tanto, informou a fiscalização que a empresa apresentou toda a documentação solicitada. 11.Ademais, foram ainda solicitados ao longo da fiscalização: as notas fiscais de compras de insumos, prestação de serviços utilizados como insumos; o descritivo do processo produtivo da empresa e principais insumos utilizados na atividade da recorrente, inclusive industrialização. 12.Como se vê, um dos pontos controvertidos nestes autos é o conceito de insumo para fins de creditamento no âmbito do regime de apuração não-cumulativa da contribuição ao PIS./PASEP. 13.A Recorrente pleiteia todos créditos por entendê-los como essenciais para sua atividade. 14.Entretanto, o conceito de insumo que norteou a análise fiscal na origem foi o restrito, veiculado pelas Instruções Normativas da RFB n° 247/2002 e 404/2004, segundo as quais o termo “insumo” não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente, como aqueles que, adquiridos de pessoa jurídica, efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço da atividade. 15.O mesmo critério foi utilizado no julgamento da decisão de piso. 16.Por outro lado, para a Recorrente, o conceito de insumo é mais amplo do que o adotado pela Fiscalização. 17.Esta 1ª Turma Ordinária de Julgamento adota a posição de que o conceito de insumo para fins de creditamento do PIS e da COFINS, no regime da não- cumulatividade, não guarda correspondência com o utilizado pela legislação do IPI, tampouco pela legislação do Imposto sobre a Renda. Dessa forma, o insumo deve ser necessário e essencial ao processo produtivo e, por conseguinte, à execução da atividade empresarial desenvolvida pela empresa. 18.Em razão disso, deve haver a análise individual da natureza da atividade da pessoa jurídica que busca o creditamento segundo o regime da não-cumulatividade, para se aferir o que é insumo. 19.Portanto, a contenda no presente caso gira em torno da possibilidade de serem considerados como insumos os dispêndios incorridos no processo produtivo da recorrente, em sendo considerados insumos, se estes podem originar créditos a serem utilizados como determina a legislação da Contribuição ao PIS/PASEP, na sistemática da não cumulatividade. DAS ATIVIDADES DESENVOLVIDAS PELA RECORRENTE Fl. 477DF CARF MF Fl. 4 da Resolução n.º 3301-001.209 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16366.720333/2011-19 20.De acordo com o Estatuto Social da recorrente, ás fls. 159/208 dos autos digitais, suas atividades são : Art. 2° - A CONFEPAR tem como objetivo atuar no ramo industrial e comercial de alimentos em complemento às atividades desenvolvidas por suas filiadas, proporcionando seu desenvolvimento sócio-econômico e por conseqüência de seus cooperados. Art. 3° - No cumprimento de seus objetivos a CONFEPAR, que não tem finalidade lucrativa própria, terá como política gerar a prática de ajuda mútua, voltada ao desenvolvimento agro-industrial e prestação de serviços, bem como buscar a agregação de valores ao produto repassado pelas suas filiadas, desenvolvendo para tanto as seguintes estratégias: a) receber, industrializar e comercializar a matéria prima enviada pelas filiadas transformando-a em produtos alimentícios agro-industrializados, na qualidade exigida pelo mercado nos volumes programados e negociados; b) estabelecer parcerias, ou associar-se com empresas cooperativas ou não, adquirindo ou prestando serviços compatíveis com as suas atividades ou instalações industriais, mediante aprovação de Assembléia Geral, respeitando a legislação vigente; c) atuar na exportação ou importação de produtos que tenham direta nu indiretamente relação com suas atividades, no interesse das filiadas; d) manter, dentro de suas condições financeiras, centros de pesquisas, laboratórios, usinas piloto, buscando dessa forma o lançamento de produtos e o constante aprimoramento da qualidade e dos processos industriais, podendo para a consecução destes objetivos, contratar serviços ou estabelecer parcerias com outras empresas cooperativas ou não; e) representar suas filiadas nas negociações por recursos perante entidades públicas ou privadas e em ações de caráter coletivo na defesa de seus interesses e de seus associados, mediante apresentação de mandato específico; f) prestar serviços de transformação e beneficiamento da produção das cooperativas filiadas, e vendas específicas que venham a ser determinadas e disciplinadas pelo Conselho de Administração, nos mercados nacionais e internacionais; g) fomentar a atividade de produção leiteira, mediante o aprimoramento do plantei, através da aquisição de matrizes e seu repasse aos produtores vinculados às suas filiadas, desde que os referidos produtores atendam a todas as exigências e condições impostas pela área técnica. Parágrafo Único: Para melhor realização dos objetivos a CONFEPAR poderá adquirir produtos, desde que não seja na mesma área de atuação de suas Filiadas, ressalvados os casos autorizados pelas filiadas envolvidas, ou prestar serviços a terceiros para suprir capacidade ociosa ou cumprimento de contratos. 21.O Termo de Informação Fiscal, ás fls. 9/37 dos autos digitais também descrevem as atividades da recorrente : 12. Em seu estatuto social de fls. 48, informa ser “Sociedade Cooperativa de Produção”, que “receber, industrializar e comercializar a matéria-prima enviada pelas filiadas transformando-a em produtos alimentícios agro-industrializados”. Fl. 478DF CARF MF Fl. 5 da Resolução n.º 3301-001.209 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16366.720333/2011-19 13. As cooperativas associadas à requerente, durante o período em análise, encontram-se registradas nas Fichas de Matrículas de Associadas, juntadas às fls. 52. 14. A interessada tem por atividade econômica a fabricação de laticínios (Classificação Nacional de Atividades Econômicas - CNAE nº 1052-0-00), conforme informação constante de sistema CNPJ (fls. 53). 15. A descrição do processo produtivo encontra-se na mesma declaração, onde são informados também os produtos fabricados e comercializados pela empresa (fls. 50): ## Leite cru refrigerado padronizado (NCM nº 0401.20.90); ## Leite Pasteurizado (NCM nº 0401.20.90); ## Queijo Muçarela e Prato (NCM nº 0406.10.10 e 0406.90.20); ## Leite em pó (NCM nº 0402.21.10 ou 0402.21.20); ## Soro de leite em pó (NCM nº 0404.10.00); ## Leitelho em pó (NCM nº 0403.90.00); ## Bebida Láctea (NCM nº 0404.90.00); ## Leite UHT (NCM nº 0401.10.10 ou 0401.20.10); ## Creme de leite (NCM nº 0401.30.29); ## Manteiga (NCM nº 0405.10.00) e ## Leite concentrado (NCM nº 0402.91.00). O CONCEITO DE INSUMOS NA SISTEMÁTICA DA NÃO CUMULATIVIDADE PARA A CONTRIBUIÇÃO AO PIS/PASEP E A COFINS. 22.Tema polêmico que vem sendo enfrentado desde o surgimento do Princípio da Não Cumulatividade para as contribuições sociais, instituído no ordenamento jurídico pátrio pela Emenda Constitucional nº 42/2003, que adicionou o § 12 ao artigo 95 da Constituição Federal, onde se definiu que os setores de atividade econômica que seriam atingidos pela nova e atípica sistemática da não cumulatividade seriam definidos por legislação infraconstitucional, diferentemente da sistemática de não cumulatividade instituída para os tributos IPI e ICMS, que já está definida no próprio texto constitucional. Portanto, a nova sistemática seria definida por legislação ordinária e não pelo texto constitucional, estabelecendo a Carta Magna que a regulamentação desta sistemática estaria a cargo do legislador ordinário. 23.Assim, a criação da sistemática da não cumulatividade para a Contribuição para o PIS/Pasep se deu pela Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002, onde o Inciso II do seu artigo 3º autoriza a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados á venda. 24.Mais tarde, muitos textos legais surgiram para instituir novos créditos, inclusive presumidos, para serem utilizados sob diversas formas : dedução do valor das contribuições devidas, apuradas ao final de determinado período, compensação do saldo acumulado de créditos com débitos titularizados pelo adquirente dos insumos e até ressarcimento, em, espécie, do valor do saldo acumulado de créditos, na impossibilidade ser utilizados nas formas anteriores. 25.Por ser o órgão governamental incunbido da administração, arrecadação e fiscalização da Contribuição ao PIS/Pasep, a Secretaria da Receita Federal expediu a Instrução Normativa de nº 247/2002, onde informa o conceito de insumos passíveis de Fl. 479DF CARF MF Fl. 6 da Resolução n.º 3301-001.209 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16366.720333/2011-19 creditamento pela Contribuição ao PIS/Pasep, sendo que a definição de insumos adotada pelo ato normativo foi considerada excessivamente restritiva, pois aproximou-se do conceito de insumo utilizado pela sistemática da não cumulatividade do IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados, estabelecido no artigo 226 do Decreto nº 7.212/2010 – Regulamento do IPI , pois definia que o creditamento seria possível apenas quando o insumo for efetivamente incorporado ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, sofrendo desgaste pelo contato com o produto a ser atingido ou com o próprio processo produtivo, ou seja, para que o bem seja considerado insumo ele deve ser matéria-prima, produto intermediário, material de embalagem ou qualquer outro bem que sofra alterações tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas. 26.Consideram-se, também, os insumos indiretos, que são aqueles não envolvidos diretamente no processo de produção e, embora frequentemente também sofram alterações durante o processo produtivo, jamais se agregam ao produto final, como é o caso dos combustíveis. 27.Mais tarde, evoluiu-se no estudo do conceito de insumo, adotando-se a definição de que se deveria adotar o parâmetro estabelecido pela legislação do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, que tem como premissa os artigos 290 e 299 do Decreto nº 3.000/1999 – Regulamento do Imposto de Renda, onde se poderia inserir como insumo todo e qualquer custo da pessoa jurídica com o consumo de bens e serviços integrantes do processo de fabricação ou da prestação de serviços como um todo. A doutrina e a jurisprudência concluíram que tal procedimento alargaria demais o conceito de insumo, equiparando-o ao conceito contábil de custos e despesas operacionais que envolve todos os custos e despesas que contribuem para atividade da empresa, e não apenas a sua produção, o que provocaria uma distorção na legislação instituidora da sistemática. 28.Reforçam estes argumentos na medida em que, ao se comparar a sistemática da não cumulatividade para o IPI e o ICMS e a sistemática para a Contribuição ao PIS/Pasep, verifica-se que a primeira tem como condição básica o destaque do valor do tributo nas Notas Fiscais de aquisição dos insumos, o que permite o cotejo destes valores com os valores recolhidos na saída do produto ou mercadoria do estabelecimento adquirente dos insumos, tendo-se como resultado uma conta matemática de dedução dos valores recolhidos na saída do produto ou mercadoria contra os valores pagos/compensados na entrada dos insumos, portanto os valores dos créditos estão claramente definidos na documentação fiscal dos envolvidos, adquirentes e vendedores. 29.Em contrapartida, a sistemática da não cumulatividade da Contribuição ao PIS/Pasep criou créditos, por intermédio de legislação ordinária, que tem alíquotas variáveis, assumindo diversos critérios, que, ao final se relacionam com a receita auferida e não com o processo produtivo em si, o que trouxe a discussão de que os créditos estariam vinculados ao processo de obtenção da receita, seja ela de produção, comercialização ou prestação de serviços, trazendo uma nova característica desta sistemática, a sua atipicidade, pois os créditos ou valor dos tributos sobre os quais se calculariam os créditos, não estariam destacados nas Notas Fiscais de aquisição de insumos, o que dificultaria a sua determinação. 30.Portanto, haveria que se estabelecer um critério para a conceituação de insumo, nesta sistemática atípica da não cumulatividade das contribuições sociais. 31.Há algum tempo vem o CARF pendendo para a idéia de que o conceito de insumo, para efeitos os Inciso II do artigo 3º da lei nº 10.637/2002, deve ser interpretado com um critério próprio : o da essencialidade, ou seja, para a definição de insumo busca- se a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo, e a atividade realizada pelo seu adquirente. Fl. 480DF CARF MF Fl. 7 da Resolução n.º 3301-001.209 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16366.720333/2011-19 32.Desta forma, para que se verifique se determinado bem ou serviço adquirido ou prestado possa ser caracterizado como insumo para fins de geração de crédito de PIS/Pasep, devem ser levados em consideração os seguintes aspectos : - pertinência ao processo produtivo, ou seja, a aquisição do bem ou serviço para ser utilizado especificamente na produção do bem ou prestação do serviço ou, para torná-lo viável. - essencialidade ao processo produtivo, ou seja, a produção do bem ou a prestação do serviço depende diretamente de tal aquisição, pois, sem ela, o bem não seria produzido ou o serviço não seria prestado. - possibilidade de emprego indireto no processo de produção, ou seja, não é necessário que o insumo seja consumido em contato direto com o bem produzido ou seu processo produtivo. 33.Por conclusão, para que determinado bem ou prestação de serviço seja definido como insumo gerador de crédito de PIS/Pasep, é indispensável a característica de essencialidade ao processo produtivo ou prestação de serviço, para obtenção da receita da atividade econômica do adquirente, direta ou indiretamente, sendo indispensável a comprovação de tal essencialidade em relação á obtenção da respectiva receita. 34.Pondo um fim á controvérsia, o Superior Tribunal de Justiça assumiu a mesma posição, refletida no voto do Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, no julgamento do Recurso Especial nº 1.221.170/PR, que se tornou emblemático para a doutrina e a jurisprudência, ao definir insumo, na sistemática de não cumulatividade das contribuições sociais, sintetizando o conceito na ementa, assim redigida : TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO- CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543-C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individual-EPI. 4. Sob o rito do art. 543-C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentam-se as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Fl. 481DF CARF MF Fl. 8 da Resolução n.º 3301-001.209 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16366.720333/2011-19 Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não-cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de terminado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. 35.Neste contexto histórico, a Secretaria da Receita Federal, vinculada a tal decisão por força do disposto no artigo 19 da lei nº 10.522/2002 e na Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 1/2014, expediu o Parecer Normativo COSIT/RFB nº 05/2018, tendo como objetivo analisar as principais repercussões decorrentes da definição de insumos adotada pelo STJ, e alinhar suas ações á nova realidade desenhada por tal decisão. 36.Interessante destacar alguns trechos do citado Parecer : 9. Do voto do ilustre Relator, Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, mostram-se relevantes para este Parecer Normativo os seguintes excertos: “39. Em resumo, Senhores Ministros, a adequada compreensão de insumo, para efeito do creditamento relativo às contribuições usualmente denominadas PIS/COFINS, deve compreender todas as despesas diretas e indiretas do contribuinte, abrangendo, portanto, as que se referem à totalidade dos insumos, não sendo possível, no nível da produção, separar o que é essencial (por ser físico, por exemplo), do que seria acidental, em termos de produto final. 40. Talvez acidentais sejam apenas certas circunstâncias do modo de ser dos seres, tais como a sua cor, o tamanho, a quantidade ou o peso das coisas, mas a essencialidade, quando se trata de produtos, possivelmente será tudo o que participa da sua formação; deste modo, penso, respeitosamente, mas com segura convicção, que a definição restritiva proposta pelas Instruções Normativas 247/2002 e 404/2004, da SRF, efetivamente não se concilia e mesmo afronta e desrespeita o comando contido no art. 3º, II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que explicita rol exemplificativo, a meu modesto sentir'. 41. Todavia, após as ponderações sempre judiciosas da eminente Ministra REGINA HELENA COSTA, acompanho as suas razões, as quais passo a expor:(...)” (fls 24 a 26 do inteiro teor do acórdão) ………………………………….. 10. Por sua vez, do voto da Ministra Regina Helena Costa, que apresentou a tese acordada pela maioria dos Ministros ao final do julgamento, cumpre transcrever os seguintes trechos: “Conforme já tive oportunidade de assinalar, ao comentar o regime da não- cumulatividade no que tange aos impostos, a não-cumulatividade representa autêntica aplicação do princípio constitucional da capacidade contributiva (...) Em sendo assim, exsurge com clareza que, para a devida eficácia do sistema de não-cumulatividade, é fundamental a definição do conceito de insumo (...) (...) Nesse cenário, penso seja possível extrair das leis disciplinadoras dessas contribuições o conceito de insumo segundo os critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a importância de determinado item - bem Fl. 482DF CARF MF Fl. 9 da Resolução n.º 3301-001.209 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16366.720333/2011-19 ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte (...) Demarcadas tais premissas, tem-se que o critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência. Por sua vez, a relevância, considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g., equipamento de proteção individual - EPI), distanciando-se, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço. Desse modo, sob essa perspectiva, o critério da relevância revela-se mais abrangente do que o da pertinência.” (fls 75, e 79 a 81 da íntegra do acórdão) ………………………. 11. De outra feita, do voto original proferido pelo Ministro Mauro Campbell, é interessante apresentar os seguintes excertos: “Ressalta-se, ainda, que a não-cumulatividade do Pis e da Cofins não tem por objetivo eliminar o ônus destas contribuições apenas no processo fabril, visto que a incidência destas exações não se limita às pessoas jurídicas industriais, mas a todas as pessoas jurídicas que aufiram receitas, inclusive prestadoras de serviços (...), o que dá maior extensão ao contexto normativo desta contribuição do que aquele atribuído ao IPI. Não se trata, portanto, de desonerar a cadeia produtiva, mas sim o processo produtivo de um determinado produtor ou a atividade-fim de determinado prestador de serviço. (...) Sendo assim, o que se extrai de nuclear da definição de "insumos" (...) é que: 1º - O bem ou serviço tenha sido adquirido para ser utilizado na prestação do serviço ou na produção, ou para viabilizá-los (pertinência ao processo produtivo); 2º - A produção ou prestação do serviço dependa daquela aquisição (essencialidade ao processo produtivo); e 3º - Não se faz necessário o consumo do bem ou a prestação do serviço em contato direto com o produto (possibilidade de emprego indireto no processo produtivo). Ora, se a prestação do serviço ou produção depende da própria aquisição do bem ou serviço e do seu emprego, direta ou indiretamente, na prestação do serviço ou na produção, surge daí o conceito de essencialidade do bem ou serviço para fins de receber a qualificação legal de insumo. Veja-se, não se trata da essencialidade em relação exclusiva ao produto e sua composição, mas essencialidade em relação ao próprio processo produtivo. Os combustíveis utilizados na maquinaria não são essenciais à composição do produto, mas são essenciais ao processo produtivo, pois sem eles as máquinas param. Do mesmo modo, a manutenção da maquinaria pertencente à linha de produção. Outrossim, não basta, que o bem ou serviço tenha alguma utilidade no processo produtivo ou na prestação de serviço: é preciso que ele seja essencial. É preciso que a sua subtração importe na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou Fl. 483DF CARF MF Fl. 10 da Resolução n.º 3301-001.209 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16366.720333/2011-19 da produção, isto é, obste a atividade da empresa, ou implique em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultante. (...) Em resumo, é de se definir como insumos, para efeitos do art. 3°, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3°, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes.” (fls 50, 59, 61 e 62 do inteiro teor do acórdão) ……………………………………. 12. Já do segundo aditamento ao voto lançado pelo Ministro Mauro Campbell, insta transcrever os seguintes trechos: “Contudo, após ouvir atentamente ao voto da Min. Regina Helena, sensibilizei-me com a tese de que a essencialidade e a pertinência ao processo produtivo não abarcariam as situações em que há imposição legal para a aquisição dos insumos (v.g., aquisição de equipamentos de proteção individual - EPI). Nesse sentido, considero que deve aqui ser adicionado o critério da relevância para abarcar tais situações, isto porque se a empresa não adquirir determinados insumos, incidirá em infração à lei. Desse modo, incorporo ao meu as observações feitas no voto da Min. Regina Helena especificamente quanto ao ponto, realinhando o meu voto ao por ela proposto. Observo que isso em nada infirma o meu raciocínio de aplicação do "teste de subtração", até porque o descumprimento de uma obrigação legal obsta a própria atividade da empresa como ela deveria ser regularmente exercida. Registro que o "teste de subtração" é a própria objetivação segura da tese aplicável a revelar a imprescindibilidade e a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte.” (fls 141 a 143 da íntegra do acórdão) ………………………………………………………………….. 13. De outra banda, do voto da Ministra Assusete Magalhães, interessam particularmente os seguintes excertos: “É esclarecedor o voto da Ministra REGINA HELENA COSTA, no sentido de que o critério da relevância revela-se mais abrangente e apropriado do que o da pertinência, pois a relevância, considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g., equipamento de proteção individual - EPI), distanciando-se, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço.(...) Sendo esta a primeira oportunidade em que examino a matéria, convenci-me - pedindo vênia aos que pensam em contrário - da posição intermediária sobre o assunto, adotada pelos Ministros REGINA HELENA COSTA e MAURO CAMPBELL MARQUES, tendo o último e o Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO realinhado seus votos, para ajustar-se ao da Ministra REGINA HELENA COSTA.” (fls 137, 139 e 140 da íntegra do acórdão) Fl. 484DF CARF MF Fl. 11 da Resolução n.º 3301-001.209 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16366.720333/2011-19 ……………………………………………... 19. Prosseguindo, verifica-se que a tese acordada pela maioria dos Ministros foi aquela apresentada inicialmente pela Ministra Regina Helena Costa, segundo a qual o conceito de insumos na legislação das contribuições deve ser identificado “segundo os critérios da essencialidade ou relevância”, explanados da seguinte maneira por ela própria (conforme transcrito acima): a) o “critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço”: a.1) “constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço”; a.2) “ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência”; b) já o critério da relevância “é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja”: b.1) “pelas singularidades de cada cadeia produtiva”; b.2) “por imposição legal”. 20. Portanto, a tese acordada afirma que são insumos bens e serviços que compõem o processo de produção de bem destinado à venda ou de prestação de serviço a terceiros, tanto os que são essenciais a tais atividades (elementos estruturais e inseparáveis do processo) quanto os que, mesmo não sendo essenciais, integram o processo por singularidades da cadeia ou por imposição legal. …………………………………………………………… 25. Por outro lado, a interpretação da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça acerca do conceito de insumos na legislação das contribuições afasta expressamente e por completo qualquer necessidade de contato físico, desgaste ou alteração química do bem-insumo com o bem produzido para que se permita o creditamento, como preconizavam a Instrução Normativa SRF nº 247, de 21 de novembro de 2002, e a Instrução Normativa SRF nº 404, de 12 de março de 2004, em algumas hipóteses. ( grifos deste relator) 37.No âmbito deste colegiado, aplica-se ao tema o disposto no § 2º do artigo 62 do Regimento Interno do CARF – RICARF : Artigo 62 - (…...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei Nº 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. 38.Assim, são insumos, para efeitos do inciso II do artigo 3º da lei nº 10.637/2002, todos os bens e serviços essenciais ao processo produtivo e á prestação de serviços para a obtenção da receita objeto da atividade econômica do seu adquirente, podendo ser empregados direta ou indiretamente no processo produtivo, e cuja subtração implica a impossibilidade de realização do processo produtivo ou da prestação do serviço, comprometendo a qualidade da própria atividade da pessoa jurídica Fl. 485DF CARF MF Fl. 12 da Resolução n.º 3301-001.209 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16366.720333/2011-19 39.Desta forma, deve ser estabelecida a relação da essencialidade do insumo (considerando-se a imprescindibilidade e a relevância/importância de determinado bem ou serviço, dentro do processo produtivo, para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pela pessoa jurídica) com a atividade desenvolvida pela empresa, para que se possa aferir se o dispêndio realizado pode ou não gerar créditos na sistemática da não cumulatividade da Contribuição ao PIS/Pasep. Conclusão 40.Por todo o exposto, e diante da nova interpretação dada ao conceito de insumos, deve ser convertido o julgamento do recurso em diligência para que a Unidade de Origem realize uma reapuração das contribuições nos termos do Parecer Normativo COSIT nº 05/2018. 41.Deve ser dada ciência á recorrente da reapuração efetivada, concedendo-lhe prazo para manifestação. 42.Após, os autos devem retornar a este colegiado para julgamento.” Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a Unidade de Origem realize uma reapuração das contribuições nos termos do Parecer Normativo COSIT nº 05/2018. Deve ser dada ciência à recorrente da reapuração efetivada, concedendo-lhe prazo para manifestação. Após, os autos devem retornar a este colegiado para julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 486DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10730.009543/2008-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2006
IRPF. DEDUÇÕES. DESPESA MÉDICA.
Comprovadas, através de recibos idôneos trazidos aos autos a efetividade das despesas médicas efetuadas, devem as mesmas ser restabelecidas.
Numero da decisão: 2102-001.305
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª câmara / 2ª turma ordinária do segunda
SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a).
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI
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DEDUÇÕES. DESPESA MÉDICA. Comprovadas, através de recibos idôneos trazidos aos autos a efetividade das despesas médicas efetuadas, devem as mesmas ser restabelecidas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª câmara / 2ª turma ordinária do segunda SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a). Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Presidente Assinado digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Relator EDITADO EM: 13/05/2011 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Núbia Matos Moura, Atilio Pitarelli, Rubens Mauricio Carvalho e Acácia Sayuri Wakasugi. Fl. 89DF CARF MF Excluído Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0819.14001.BHFI. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 Relatório Em face da contribuinte acima identificada foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 12/14, para exigência de IRPF em razão da glosa das despesas médicas deduzidas por ela em sua DIRPF apresentada para o anocalendário de 2005. Da notificação constam os seguintes esclarecimentos, que justificaram o lançamento: Da analise da documentação apresentada pelo contribuinte, foi aceito como comprovação de dedução de despesas médicas o valor total de R$16.442,71 correspondente as Notas fiscais/recibos apresentados. Foram alterados os pagamentos efetuados a EMANUELLE F LOPES para $5.000,00 por ter sido o total de comprovantes apresentado pela contribuinte;MARISA M DURALDE para zero, por falta de previsão legal (instrumentadora); GEAP FUND. SEG. SOCIAL para zero pora falta de comprovação do pagamento; CASA SAÚDE SÃO LUCAS para zero, por não ser o beneficiário da despesa contribuinte ou seu dependente. Art.80 do RIR D.3000 de 26/03/1999. Cientificada deste lançamento, a contribuinte apresentou a impugnação (parcial) de fls. 01/10, por meio da qual requereu a prioridade na tramitação do seu processo, e pugnou pelo cancelamento do lançamento. Concordou com o pagamento do valor de R$ 261,35, acrescido dos competentes acréscimos legais. Na análise de suas alegações, os membros da DRJ no Rio de Janeiro decidiram pela manutenção parcial do lançamento, tendo reputado como comprovadas parte das despesas efetuadas pela contribuinte (notadamente com a GEAP. Reputaram como não impugnadas as glosas relativas aos pagamentos efetuados a Casa de Saúde São Lucas, bem como a Marisa Duralde. Quanto ao pagamento efetuado a Emanuelle Lopes, somente foram apresentados documentos que demonstravam parte das despesas declaradas (R$5.000,00), razão pela qual não haveria como acolher toda a dedução pretendida (de R$ 10.000,00). A contribuinte teve ciência de tal decisão e contra ela interpôs o Recurso Voluntário de fls. 41/48, por meio do qual reiterou o pedido de prioridade na tramitação do processo por ser pessoa idosa e retifica tudo o que fora dito em sua Impugnação acerca do pagamento efetuado à profissional Emanuelle Lopes (de R$ 5.000,00), pois a decisão proferida pela DRJ teria deixado de levar em consideração os argumentos lá expendidos. Esclareceu que o valor total da despesa efetuada com a referida profissional foi de R$ 10.000,00, sendo que R$ 5.000,00 foram comprovados durante a fiscalização, e os outros R$ 5.000,00 o foram em sede de Impugnação. Elaborou tabela a fim de demonstrar os pagamentos efetuados e juntou documentos. Os autos então foram remetidos a este Conselho para julgamento. É o Relatório. Fl. 90DF CARF MF Excluído Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0819.14001.BHFI. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10730.009543/200867 Acórdão n.º 210201.305 S2C1T2 Fl. 76 3 Voto Conselheiro Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Relator A contribuinte teve ciência da decisão recorrida em 28.10.2009, conforme fls. 39. O Recurso Voluntário foi interposto na mesma data, e preenche os requisitos legais por isso dele conheço. Conforme relatado, tratase de lançamento para exigência de IRPF em razão da glosa de despesas médicas declaradas pela Recorrente. Parte da glosa efetuada através do lançamento foi reconhecida pela Recorrente como dedução indevida, e por isso a Impugnação foi somente parcial. Desta parte, a decisão recorrida acolheu e restabeleceu as despesas com a GEAP, tendo deixado de acolher tãosomente a comprovação de R$ 5.000,00 pagos a profissional Emanuelle Lopes, por falta de comprovação. Em sede de recurso, a insurgência da Recorrente versa somente sobre os pagamentos efetuados à referida profissional (Emanuelle). Assim, a discussão trazida para a análise desta Turma julgadora pode ser assim resumida: a Recorrente declarou em sua DIRPF 2006 ter pago à Emanuelle F. Lopes Accioly o valor total de R$ 10.000,00. Em sede de fiscalização, foi intimada a comprovar estes pagamentos e as autoridades fiscais responsáveis reputaram como comprovados somente R$ 5.000,00 – é o que se depreende dos esclarecimentos contidos na própria notificação, verbis: Foram alterados os pagamentos efetuados a EMANUELLE F LOPES para $5.000,00 por ter sido o total de comprovantes apresentado pela contribuinte (...) A decisão recorrida deixou de acolher o pleito da Recorrente quanto às deduções relativas a esta profissional ao argumento de que somente teria sido comprovado o pagamento de R$ 5.000,00 à mesma, quando constava a dedução de R$ 10.000,00 na DIRPF. Por isso a glosa foi mantida, verbis: Por fim, no que tange à glosa relativa ao gasto informado com a prestadora Emmanuelle F. Lopes, no valor de R$ 5.000,00, deve ser esclarecido que a interessada limitouse a reapresentar a esta instância julgadora, tal como relatado pela autoridade notificante no Relatório de fl 13, apenas os recibos relativos à parte das despesas incorridas (R$ 5.000,00) com a profissional, não tendo logrado apresentar os documentos aptos a comprovar a totalidade dos gastos dedutiveis pretendidos (RS 10.000,00), fato este que contraria o inciso III do § 2' do art 8° da Lei n° 9250/95 supracitada, que exige, para fins de dedução da base de cálculo do imposto, a especificação e a comprovação de todos os pagamentos efetuados. Fl. 91DF CARF MF Excluído Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0819.14001.BHFI. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 No Recurso Voluntário, porém, a Recorrente esclarece que somente anexou à Impugnação a comprovação do pagamento dos R$ 5.000,00 que não haviam sido acolhidos pela fiscalização (já que a própria fiscalização reconhecera o pagamento de R$ 5.000,00 à referida profissional). Seu intuito era o de comprovar somente a parcela remanescente, e não o total da despesa com a referida profissional. Assim, a Recorrente elaborou a tabela de fls. 45, que demonstra os pagamentos efetuados e as respectivas glosas. Às fls. 47 e 48, a Recorrente esclarece que os pagamentos efetuados à Dra. Emanuelle ocorreram em 10 parcelas de R$ 500,00 (cujos recibos foram acolhidos ainda durante a fiscalização), acrescidas de outros dois pagamentos de R$ 2.500,00 (estes o objeto da glosa). Os pagamentos de R$ 500,00 ocorreram de janeiro a outubro, enquanto os de R$ 2.500,00 se deram em novembro de dezembro de 2005. Por isso, foram anexados ao Recurso os documentos de fls. 64/69 – recibos que demonstram os pagamentos referidos. Com efeito, a decisão recorrida deixou de acolher como comprovada a dedução dos R$ 5.000,00 objeto da glosa, ao entendimento de que caberia à Recorrente comprovar o dispêndio dos R$ 10.000,00 declarados em sua DIRPF. Toda a confusão foi criada em razão de terem sido juntados à Impugnação somente os documentos que comprovavam as despesas glosadas (e não o total pago à profissional em questão). Diante do exposto, e considerando que foram anexados ao Recurso Voluntário todos os recibos de valores pagos à profissional Emanuelle Lopes, deve ser restabelecida a despesa deduzida pela Recorrente no valor de R$ 5.000,00 com a referida profissional, pois restaram agora comprovados todos os pagamentos efetuados – no total de R$ 10.000,00, exatamente como pleiteado na DIRPF 2006. Assim, VOTO no sentido de DAR provimento ao recurso, para restabelecer a despesa de R$ 5.000,00 com a profissional Emanuelle Lopes Accioly. Sala das Sessões, em 12 de Maio de 201112 de maio de 2011 Assinado digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Fl. 92DF CARF MF Excluído Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0819.14001.BHFI. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI em 24/08/2011 18:11:37. Documento autenticado digitalmente por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI em 24/08/2011. Documento assinado digitalmente por: GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS em 29/08/2011 e ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI em 24/08/2011. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 20/08/2019. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP20.0819.14001.BHFI Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 8E98578924E780A017C7EA993233D326BA3FD354 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10730.009543/2008-67. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 10650.001988/2006-27
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004
INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. APRECIAÇÃO VEDADA.
A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a arguição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade dos preceitos legais que embasaram o ato de lançamento. As leis regularmente editadas segundo o processo constitucional gozam de presunção de constitucionalidade e de legalidade até decisão em contrário do Poder Judiciário.
CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
A falta de intimação prévia não caracteriza cerceamento do direito de defesa ou supressão do contraditório, previsto para a fase do contencioso administrativo, quando a infração estiver perfeitamente demonstrada, com os elementos probatórios necessários.
OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS SEM ORIGEM COMPROVADA.
Caracterizam-se como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO APÓS INÍCIO DE PROCEDIMENTO FISCAL. IMPOSSIBILIDADE.
É inaceitável, para fins de alteração do lançamento de ofício, a retificação da declaração de ajuste anual pelo autuado após o início do procedimento fiscal.
Numero da decisão: 2402-007.442
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Sergio da Silva - Relator.
Participaram ainda da sessão de julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Junior, Fernanda Melo Leal (Suplente convocada), João Victor Ribeiro, Luís Henrique Dias Lima, Maurício Nogueira Righetti, Paulo Sergio da Silva e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: PAULO SERGIO DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2004 INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. APRECIAÇÃO VEDADA. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a arguição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade dos preceitos legais que embasaram o ato de lançamento. As leis regularmente editadas segundo o processo constitucional gozam de presunção de constitucionalidade e de legalidade até decisão em contrário do Poder Judiciário. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. A falta de intimação prévia não caracteriza cerceamento do direito de defesa ou supressão do contraditório, previsto para a fase do contencioso administrativo, quando a infração estiver perfeitamente demonstrada, com os elementos probatórios necessários. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS SEM ORIGEM COMPROVADA. Caracterizam-se como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO APÓS INÍCIO DE PROCEDIMENTO FISCAL. IMPOSSIBILIDADE. É inaceitável, para fins de alteração do lançamento de ofício, a retificação da declaração de ajuste anual pelo autuado após o início do procedimento fiscal.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1880; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 351 1 350 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10650.001988/200627 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402007.442 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 10 de julho de 2019 Matéria IMPOSTO SOBRE A RENDA DA PESSOA FÍSICA Recorrente HUMBERTO NAVES DA CUNHA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004 INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. APRECIAÇÃO VEDADA. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a arguição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade dos preceitos legais que embasaram o ato de lançamento. As leis regularmente editadas segundo o processo constitucional gozam de presunção de constitucionalidade e de legalidade até decisão em contrário do Poder Judiciário. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. A falta de intimação prévia não caracteriza cerceamento do direito de defesa ou supressão do contraditório, previsto para a fase do contencioso administrativo, quando a infração estiver perfeitamente demonstrada, com os elementos probatórios necessários. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS SEM ORIGEM COMPROVADA. Caracterizamse como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO APÓS INÍCIO DE PROCEDIMENTO FISCAL. IMPOSSIBILIDADE. É inaceitável, para fins de alteração do lançamento de ofício, a retificação da declaração de ajuste anual pelo autuado após o início do procedimento fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 65 0. 00 19 88 /2 00 6- 27 Fl. 351DF CARF MF Processo nº 10650.001988/200627 Acórdão n.º 2402007.442 S2C4T2 Fl. 352 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente. (documento assinado digitalmente) Paulo Sergio da Silva Relator. Participaram ainda da sessão de julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Junior, Fernanda Melo Leal (Suplente convocada), João Victor Ribeiro, Luís Henrique Dias Lima, Maurício Nogueira Righetti, Paulo Sergio da Silva e Renata Toratti Cassini. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 239) pelo qual o recorrente se indispõe contra decisão em que a autoridade de piso que considerou improcedente impugnação contra lançamento de IRPF, no valor de R$ 504.368,23 (acrescidos de juros e multa), incidentes sobre rendimentos referentes a depósitos bancários sem origem comprovada e rendimentos provenientes de atividade rural, omitidos da declaração de ajustes anual do exercícios de 2005. Consta da decisão recorrida (fls 227) o seguinte resumo do fatos verificado até aquele momento processual: Motivou o lançamento de ofício (relatório as fls. 10/24) a constatação de omissão de rendimentos, caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada por documentação hábil e idônea, após ter sido o contribuinte regularmente intimado a apresentála, conforme previsto no art. 42 da Lei n° 9.430/96, além de omissão de rendimentos provenientes de atividade rural. Relatou a autoridade lançadora que a fiscalização teve como objetivo a apuração de rendimentos não oferecidos à tributação, uma vez que o contribuinte apresentou declaração de isento para o anocalendário 2004 e foi constatada em análise interna da Receita Federal do Brasil RFB movimentação financeira de cerca de R$ 5.530.000,00 no período. O início do procedimento fiscal deuse em 01/08/2006, com a ciência de termo próprio, fls. 35/36, onde o contribuinte foi intimado a apresentar seus extratos bancários, esclarecer se as contas eram individuais ou conjuntas, informar a atividade profissional exercida e comprovar a origem dos recursos relativos aos créditos e depósitos bancários em 2004. O contribuinte atendeu parcialmente o requerido no Termo de Início, juntando extratos bancários, esclarecendo que suas Fl. 352DF CARF MF Processo nº 10650.001988/200627 Acórdão n.º 2402007.442 S2C4T2 Fl. 353 3 contas são conjuntas com sua esposa e informando exercer atividade na pecuária, deixando de apresentar documenlação comprobatória de sua movimentação financeira ou da atividade profissional. De posse dos documentos entregues pelo contribuinte e dos recebidos do Banco do Brasil, Bradesco e Cooperativa de Crédito de Itagipe, solicitados por meio de Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira RMF, a fiscalização consolidou os valores creditados mensalmente nas contas bancárias, excluindo os valores que por sua natureza não seriam objeto de comprovação, intimando o contribuinte a justificar sua origem, a informar acerca de sua participação no montante movimentado c a comprovar o exercício da atividade de pecuária (fls. 150/159). O sujeito passivo, em resposta (fls. 160/189) informou ter participado com 50% no montante movimentado e que os recursos originaramse de venda de veículo (R$ 15.000,00), venda de leite (R$ 14.461,62), venda de milho (R$ 4.500,00), venda de suínos (R$ 2.512,00) e venda de gado bovino (R$ 86.100,00), juntando as notas fiscais de produtor e de entrada correspondentes, assim como cópia de autorização de transferência do veículo. A autoridade lançadora não considerou os documentos juntados como justificativa dos depósitos, uma vez que não houve coincidência de datas e valores, tendo restado sem comprovação de origem 307 depósitos/créditos (fls. 25/33), sendo lançada para o contribuinte apenas a metade do montante mensal, correspondente a sua participação nas contas bancárias, apurandose omissão de receita de R$ 1.831.012,87. Acrescentaram os AuditoresFiscais que, no desenvolvimento dos trabalhos, foram também constatadas omissões de rendimentos provenientes de atividade rural que totalizaram receita bruta de R$ 107.574,50, tendo sido 20% (R$ 21.514,90) adicionado à receita tributável, devido à falta de escrituração, conforme legislação específica. Assim, o lolal de receita omitida apurada foi de R$ 1.852.527.77, que gerou imposto cobrado no presente processo de RS 504.368,23. O sujeito passivo apresentou em 16/02/2007 a impugnação de fls. 195/212, alegando em síntese o que se segue. Suscita, preliminarmente, que seja declarada a nulidade do Auto de Infração, pois não foi dado a ele o direito ao contraditório e à ampla defesa em tempo apropriado, isto é, antes da autuação, acrescentando que deveria ter sido intimado a apresentar a declaração dos rendimentos de forma correta, com o resultado de suas atividades rurais. Reafirma que os recursos depositados em suas contas são oriundos da atividade rural e devem ser levados em conta no Fl. 353DF CARF MF Processo nº 10650.001988/200627 Acórdão n.º 2402007.442 S2C4T2 Fl. 354 4 bojo da movimentação bancária, pois a receita decorrente da atividade é movimentada em instituições financeiras e constitui prova da origem dos recursos nelas creditados, sendo indevida a presunção legal em que se fundamentou a Fiscalização. Invoca o princípio da capacidade contributiva e do excesso de penalidade, uma vez que o valor exigido caracterizase em clara espoliação. Requer, por fim, o cancelamento do Auto de Infração e que seja autorizada a apresentação de declaração de rendimentos apropriada, retificando a de isento anteriormente enviada, o que gerará a constituição de crédito tributário legal e justo. Ao analisar o caso, em 16.04.2009 (fls 227), entendeu a autoridade de piso não haver razão nas alegações do contribuinte, decidindo pela improcedência de sua impugnação, nos termos das seguintes ementas: INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. APRECIAÇÃO VEDADA. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a arguição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade dos preceitos legais que embasaram o alo de lançamento. As leis regularmente editadas segundo o processo constitucional gozam de presunção de constitucionalidade e de legalidade até decisão cm contrário do Poder Judiciário. PRELIMINAR. CERCEAMENTO DE DEFESA. PROCEDIMENTO FISCAL. A falta de intimação prévia não caracteriza cerceamento do direito de defesa ou supressão do contraditório, previsto para a fase do contencioso administrativo, quando a infração estiver perfeitamente demonstrada, com os elementos probatórios necessários. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ATIVIDADE RURAL. COMPROVAÇÃO Caracterizamse como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. As receitas advindas da atividade rural devem ser cabalmente comprovadas. O fato de o contribuinte ter auferido no ano calendário rendimentos desta atividade não permite concluir que os depósitos existentes em suas contas referemse a ela. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE APÓS INÍCIO DE PROCEDIMENTO FISCAL. Fl. 354DF CARF MF Processo nº 10650.001988/200627 Acórdão n.º 2402007.442 S2C4T2 Fl. 355 5 Inaceitável, para fins de alteração do lançamento de ofício, a retificação da declaração de ajuste anual pelo autuado após o início do procedimento fiscal, mais especificamente após a autuação, com o fito de corrigir irregularidades detectadas na declaração original. Irresignado, em 10.06.2009 o contribuinte repete em seu recurso voluntário com os mesmos argumentos e alegações da impugnação, requerendo: i) o reconhecimento de que sua renda é proveniente da atividade rural; ii) que seja cancelado o débito e exigido o tributo conforme a declaração apresentada; e iii) que seja declarado nulo o auto de infração. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Sergio da Silva, Relator. Da admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais para sua admissibilidade e deve ser conhecido. Das alegações do contribuinte Tratase de recurso meramente procrastinatório, por meio do qual o contribuinte apresenta os mesmos argumentos e contidos na impugnação, cuja autoridade de piso apreciou e superou, mantendo o crédito tributário. A fim de realizar o presente voto, apreciouse novamente os documentos e argumentos articulados pelo recorrente, sendo forçoso recorrer que as justificativas apresentadas não demonstram qualquer erro na condução ou na formalização do auto de infração, assim como não afastam a presunção de omissão de rendimento firmada pela auditoria e mantida pela autoridade de piso. Assim, por não diferir o juízo a ser adotado no presente voto do contido na decisão recorrida, com fulcro no art. 57, §3º, do RICarf, colacionase abaixo excerto da decisão recorrida, tratando da matéria: Com relação à alegação de ofensa a princípios constitucionais, cumpre observar que à autoridade administrativa, no desempenho da atividade lançadora, que é vinculada e obrigatória, cabe exigir o crédito tributário com observância da legislação vigente à data da ocorrência do fato gerador da obrigação, segundo o artigo 144, caput, do CTN, sem intrometerse no aspecto da validade da lei sob o ponto de vista de qualquer princípio constitucional, porquanto a norma legal presumese válida e de acordo com os princípios da Constituição Federal, assegurado o direito de quem, porventura, julgarse prejudicado argüir a pretensa inconstitucionalidade na órbita competente, que é o Poder Judiciário. Fl. 355DF CARF MF Processo nº 10650.001988/200627 Acórdão n.º 2402007.442 S2C4T2 Fl. 356 6 Assim, não cabe a esta autoridade julgadora manifestarse a respeito da suposta ofensa aos princípios constitucionais da capacidade contributiva e do excesso de penalidade, por lhe faltar competência para fazêlo. Preliminarmente, com relação à alegação do impugnante de ter sido cerceado seu direito ao contraditório e à ampla defesa, por não ter sido instado a apresentar justificativas preliminares, antes da autuação, o que deve implicar a nulidade do procedimento, é de se dizer que não assiste razão ao defendente. Nesse sentido, a Instrução Normativa SRF n° 185, de 30 de julho de 2002, revogada pela Instrução Normativa SRF n° 579, de 08 de dezembro de 2005, dispunha que: Art.2º O AuditorFiscal da Receita Federal (AFRF) responsável pela revisão da declaração deverá intimar o contribuinte a prestar esclarecimentos sobre a irregularidade fiscal detectada, fixando prazo para atendimento da intimação. Parágrafo único. A juízo do AFRF, a intimação de que trata este artigo poderá ser dispensada se a infração estiver perfeitamente demonstrada, com os elementos probatórios necessários. (grifo nosso) Em igual sentido, dispõe o art. 3o da IN SRF n° 579, de 2005, que estabelece procedimentos para revisão das Declarações de Ajuste Anual do Imposto de Renda das Pessoas Físicas (DIRPF) e do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (DITR), in ver bis: Art. 3º O sujeito passivo será intimado a apresentar, no prazo fixado na intimação, esclarecimentos ou documentos sobre a irregularidade fiscal detectada, salvo se a infração estiver claramente demonstrada, com os elementos probatórios necessários ao lançamento. Inexiste, pois, obrigatoriedade de intimação ou pedido de esclarecimentos ao contribuinte antes da lavratura do Auto de Infração ou emissão da Notificação de Lançamento, bastando apenas que o fisco disponha de elementos suficientes para a caracterização da infração. Cumpre destacar que a ausência de intimação prévia não acarreta prejuízo ao contribuinte e não implica nulidade ou violação aos princípios constitucionais do contraditório, do devido processo legal ou cerceamento do direito de defesa, uma vez que, depois de cientificado da exigência, o mesmo dispõe do prazo de trinta dias para apresentar sua impugnação, nos termos do art. 15 do Decreto n° 70.235, de 1972, na forma como procedeu o interessado. Os princípios do contraditório e da ampla defesa são cânones constitucionais que se aplicam tãosomente ao processo judicial ou administrativo, e não ao procedimento de investigação fiscal, Fl. 356DF CARF MF Processo nº 10650.001988/200627 Acórdão n.º 2402007.442 S2C4T2 Fl. 357 7 pois tal procedimento de colheita de provas é inquisitório, vale dizer, não está sujeito ao contraditório. Ainda, a nulidade por preterição do direito de defesa de que trata o inciso II do artigo 59 do Decreto n° 70.235/72 referese tãosomente a ato praticado no processo administrativo fiscal. É de se considerar que somente os despachos e as decisões proferidos com preterição do direito de defesa ensejam declaração de nulidade. Isso porque a lavratura de ato ou termo categoria à qual pertence o auto de infração não pode configurar ''cerceamento do direito de defesa". A apresentação de defesa, no caso, é posterior, e não anterior, ao ato impugnado. O auto de infração possui lodos os requisitos legais estabelecidos no art. 10, do Decreto n° 70.235/72, mostrandose devidamente motivado e trazendo as informações necessárias para que se estabeleça o contraditório e permita a ampla defesa do autuado. Em momento algum houve vício no procedimento fiscal nem eiva de natureza alguma na fase processual, como pretende alegar o impugnante. Ao receber o Auto de Infração, o contribuinte recebe, outrossim, todos os anexos, o qual inclui o Termo de Verificação e Ação Fiscal cm que há relato minucioso de todo o procedimento empreendido e a descrição e demonstração das infrações cometidas. Para fins de observação do inciso III, art. 10, do Decreto 70.235/72, é suficiente, já que fornece ao contribuinte amplo conhecimento das infrações a ele imputadas. Ao contribuinte insatisfeito, ou seja, àquele que reputar insuficiente para sua defesa estes documentos, cabe solicitar ao órgão preparador vista aos autos do processo ou cópia integral dos autos. Somente o indeferimento destas solicitações é que caracterizaria eventual cerceamento de direito de defesa Assim, deve ser afastada a preliminar argüida pelo interessado. No mérito, a omissão de receitas dc RS 1.831.012,87, apontada em face de depósitos bancários não justificados, tem fundamento legal no art. 42 da Lei n.° 9.430/96, que a partir de 01/01/97 passou a disciplinar a questão nos seguintes termos: Ari. 42. Caracterizamse também como omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idónea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § Io O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira (...) Fl. 357DF CARF MF Processo nº 10650.001988/200627 Acórdão n.º 2402007.442 S2C4T2 Fl. 358 8 Dessa forma, o legislador estabeleceu de forma clara uma presunção legal c relativa dc omissão de receita, a qual já sc encontra plenamente sedimentada nas esferas de julgamento administrativo e judicial. A Fiscalização cabe apenas a prova do fato indiciário, ou seja, que regularmente intimado o contribuinte não comprovou a origem dos valores creditados em suas contas. Ocorrido tal fato, conforme já demonstrado no caso vertente, temse a autorização para considerar ocorrido o fato gerador, ou seja, para presumir que os recursos depositados traduzem receitas omitidas pela contribuinte. Há a inversão do ônus de prova característica das presunções legais o contribuinte é quem deve demonstrar que o numerário creditado não é receita tributável. No presente caso, até o momento, o contribuinte não logrou afastar a presunção dc omissão de receitas, pois não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos apontados. A alegação de que os recursos seriam oriundos da atividade rural e, como tal, deveriam ser excluídos da matéria tributável por justificarem sua movimentação financeira, não merece acolhida. Não foram acostados aos autos elementos capazes de comprovar que tais recursos teriam sido manuseados e depositados posteriormente cm suas contas bancárias. Assim, para que fosse acolhido o seu pleito, caberia ao autuado apresentar documentos que comprovassem o liame entre os créditos bancários e esses rendimentos, ou seja, especificálos e contestálos de maneira individualizada, com provas cabais dos depósitos que teriam se originado nos alegados valores manuseados. Ressaltese que o ônus desta comprovação é do contribuinte e não da fiscalização. Não é ao Fisco que cabe a prova de que os depósitos bancários são decorrentes da atividade rural. A presunção só pode ser ilidida com prova da origem dos créditos e a omissão de que trata a norma prevê a tributação da totalidade dos depósitos efetuados e não de parte dela. Com a inversão do ônus da prova, foi o interessado intimado a comprovar a origem dos valores que transitaram por suas contascorrentes bancárias, conforme discriminado nos Termos de Intimação a ele encaminhados, não merecendo reparos os procedimentos adotados. Nenhum documento foi apresentado para justificar os valores questionados, razão pela qual foi lavrado o Aulo de Infração. A justificativa de que os rendimentos são provenientes da atividade rural não socorreu o impugnante, posto que, por se tratar de rendimentos com tributação beneficiada, ficam, por lei, sujeitos à comprovação de sua origem por meio de documentação hábil, e o resultado da atividade deve ser apurado em livro Caixa devidamente escriturado, conforme previsto nos art. 60 e 61 do RIR/1999, verbls: Fl. 358DF CARF MF Processo nº 10650.001988/200627 Acórdão n.º 2402007.442 S2C4T2 Fl. 359 9 Art. 60. O resultado da exploração da atividade rural será apurado mediante escrituração do Livro Caixa, que deverá abranger as receitas, as despesas de custeio, os investimentos e demais valores que integram a atividade (Lei No 9.250, de 1995, art. 1.). § 1o O contribuinte deverá comprovar a veracidade das receitas e das despesas escrituradas no Livro Caixa, mediante documentação idônea que identifique o adquirente ou beneficiário, o valor e a data da operação, a qual será mantida em seu poder à disposição da_fiscalização, enquanto não ocorrer a decadência ou prescrição (Lei No 9.250, de 1995, art 18, § lo). § 2o A falta da escrituração prevista neste artigo implicarei arbitramento da base de cálculo à razão de vinte por cento da receita bruta do anocalendário (Lei No 9.250, de ¡995, art. 18,§2o). § 3o Aos contribuintes que tenham auferido receitas anuais até o valor de cinqüenta e seis mil reais facultase apurar o resultado da exploração da atividade rural, mediante prova documental, dispensado o Livro Caixa (Lei No 9.250, de 1995, art. 18, § 3o). § 4o É permitida a escrituração do Livro Caixa pelo sistema de processamento eletrônico, com subdivisões numeradas, em ordem seqüencial ou tipograficamente. § 5o O Livro Caixa deve ser numerado seqüencialmente e conter, no inicio e no encerramento, anotações em forma de "Termo" que identifique o contribuinte e a finalidade do Livro. § 6o A escrituração do Livro Caixa deve ser realizada até a data prevista para a entrega tempestiva da declaração de rendimentos do correspondente anocalendário. § 7o O Livro Caixa de que trata este artigo independe de registro. Art. 62. A receita bruta da atividade rural ê constituída pelo montante das vendas dos produtos oriundos das atividades definidas no art. 58, exploradas pelo próprio produtorvendedor. § lo Integram também a receita bruta da atividade rural: I os valores recebidos de órgãos públicas, tais como auxílios, subvenções, subsídios, aquisições do Governo Federal AGF e as indenizações recebidas do Programa de Garantia da Atividade Agropecuária PROAGRO; 11 o montante ressarcido ao produtor agrícola, pela implantação e manutenção da cultura fumageira; (...) O contribuinte, no entanto, além de não haver escriturado c apresentado Livro Caixa, não elaborou o anexo da atividade Fl. 359DF CARF MF Processo nº 10650.001988/200627 Acórdão n.º 2402007.442 S2C4T2 Fl. 360 10 rural, relativa ao anocalendário de 2004, a que estava obrigado. As notas fiscais de produção rural apresentadas pelo contribuinte, durante a fase de levantamento fiscal, não foram aproveitadas pela fiscalização como justificativa dos depósitos por não possuírem correlação entre si, ou seja, não ocorreu coincidência de datas e valores ou indício de qualquer elemento que pudesse vincular as notas aos depósitos. Agiu, assim, com acerto a equipe fiscal que, de posse dos dados destas operações rurais, constituiu também o crédito por omissão de receita dos rendimentos provenientes da atividade rural, que não haviam sido levados à tributação. O contribuinte, por fim, requer que seja aceita a recepção de declaração de rendimentos referente ao exercício cm lide, retificando os valores de receita tributável, incluindo os provenientes da atividade rural. Ora, se estavam erroneamente informados, a declaração deveria ter sido retificada antes do início da ação fiscal. Cumpre trazer a lume o disposto no art. 832 do RIR/1999, que assim dispõe: Art. 832.A autoridade administrativa poderá autorizar a retificação da declaração de rendimentos, quando comprovado erro nela contido, desde que sem interrupção do pagamento do saldo do imposto e antes de iniciado o processo de lançamento de ofício (DecretoLei n 1.967, de 1982, art 21, e DecretoLei 1.968, de 23 de novembro de 1982, art. 6?).(G.N) Parágrafo único.A retificação prevista neste artigo será feita por processo sumário, mediante a apresentação de nova declaração de rendimentos, mantidos os mesmos prazos de vencimento do imposto. A partir da edição do art. 19 da Medida Provisória n° 1.990, de 14/12/1999, a declaração de ajuste anual retificadora apresentada por determinado contribuinte passou a substituir, para todos os efeitos, a declaração originariamente apresentada, independentemente de autorização por parte da autoridade administrativa. Ocorre que, mesmo diante desse novo regramento, a apresentação da retificadora deve ser admissível, o que não ocorre na hipótese de ter sido iniciado o processo de lançamento de ofício. Vejase que, no presente caso, o contribuinte só agora vem informar do suposto erro em sua declaração, isto é, após ter sido cientificado de seu débito perante a Receita Federal do Brasil. Portanto, já iniciado o procedimento fiscal. O Decreto n° 70.235, de 1972, que rege o processo administrativo de determinação e exigência dos créditos Fl. 360DF CARF MF Processo nº 10650.001988/200627 Acórdão n.º 2402007.442 S2C4T2 Fl. 361 11 tributários da União e o de consulta sobre a aplicação da legislação tributária federal, dispõe em seu art. 7o, § Io, que: Art. 7o. O procedimento fiscal tem início com: / o primeiro ato de oficio, escrito, praticado por servidor competente, cientificando o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II— a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III começo do despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1° O inicio do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação, a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. (G.N) Portanto, uma vez deflagrada a ação fiscal, qualquer providência do sujeito passivo no sentido de arrependerse do que declarou não exclui sua responsabilidade, sujeitandose às penalidades próprias do procedimento de ofício. Assim, como o contribuinte só poderia ter retificado sua declaração se não estivesse sob procedimento de ofício, não há como dar guarida à sua pretensão. Assim, não cabe razão ao contribuinte. Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do recurso apresentado e NEGAR LHE PROVIMENTO, mantendo o crédito tributário discutido. Assinado digitalmente Paulo Sergio da Silva – Relator Fl. 361DF CARF MF
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