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Numero do processo: 10680.906926/2008-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 29 00:00:00 UTC 2015
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Ano-calendário: 2003
DIREITO CREDITÓRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO.
O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob administração da RFB.
VEDAÇÃO AO ENRIQUECIMENTO SEM CAUSA. O Contribuinte não perde o direito de reaver o indébito por mero erro de preenchimento da DCOMP, se os valores em questão puderem e estiverem devidamente comprovados nos autos.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3301-002.559
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: MONICA ELISA DE LIMA
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DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob administração da RFB. VEDAÇÃO AO ENRIQUECIMENTO SEM CAUSA. O Contribuinte não perde o direito de reaver o indébito por mero erro de preenchimento da DCOMP, se os valores em questão puderem e estiverem devidamente comprovados nos autos. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Presidente. MÔNICA ELISA DE LIMA - Relatora. Fl. 207DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA Processo nº 10680.906926/2008-18 Acórdão n.º 3301-002.559 S3-C3T1 Fl. 210 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (presidente da turma), Maria Tereza Martínez López (vice-presidente), Andrada Marcio Canuto Natal, Luiz Augusto do Couto Chagas e Sidney Eduardo Stahl. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário em que a Contribuinte se insurge contra o Acórdão 02-35.668 proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte, que declarou a procedência parcial de Manifestação de Inconformidade, por meio da qual se pretendia o reconhecimento do direito creditório da Contribuição para o PIS (código 6912), relativa ao período de apuração de dezembro de 2003, no valor originário de R$22.457,97. A Contribuinte foi cientificada do Acórdão em 14.12.2011 e apresentou sua peça recursal em 12.01.2012 (fls.30 e 31). Por bem descrever os fatos, colhe-se o Relatório elaborado pela DRJ/BHE: O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório nº rastreamento 775484006 emitido eletronicamente em 18/07/08, fls. 03, referente ao PER/DCOMP nº 39939.91591.150704.1.3.04-2560 (doc. de fls. 08/13). A Declaração de Compensação foi gerada pelo programa PER/DCOMP transmitida com o objetivo de ter reconhecido o direito creditório, correspondente a PIS/PASEP, recolhido em 15/01/04 e de compensar o(s) débito(s) discriminado(s) no referido PER/DCOMP. De acordo com o Despacho Decisório a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citou-se: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional - CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório em 30/07/08, o interessado apresenta manifestação de inconformidade (fl. 02), protocolada em 22/08/08, alegando que o valor declarado na DCTF relativo à competência dezembro/2003, com vencimento em 15/01/2004 para PIS era de R$ 9.629,53 e que esta informação pode ser confirmada em sua DIPJ/2004/2003, de 29/06/2005, nº 80451720320. Entretanto, recolheu em 05/01/2004 dois Darf com os seguintes valores: R$ 22.457,97 e R$ 5.992,63, totalizando recolhimento a maior de R$ 18.821,07. Fl. 208DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA Processo nº 10680.906926/2008-18 Acórdão n.º 3301-002.559 S3-C3T1 Fl. 211 3 A seguir, pede a acolhida da manifestação com o cancelamento do débito fiscal reclamado. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte – DRJ/RJ2, proferiu, em Sessão de 25 de outubro de 2011, por meio de sua 2ª Turma, o acórdão nº 02-35.668, julgando parcialemente procedente a Manifestação de Inconformidade, materializado, em resumo, nos seguintes termos (fls.24 a 27): EMENTA DRJ EMENTA DRJ: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob administração da RFB, respeitadas as normas vigentes para a sua utilização. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte VOTO DRJ A matéria em questão cinge-se à manifestação de inconformidade do contribuinte, em face da não homologação da Declaração de Compensação de fls. 08/13, insuficiência de crédito disponível para compensação declarada no PER/DCOMP, uma vez que o crédito estava integralmente alocado para pagamento de outros débitos. Analisando os argumentos da manifestante, os documentos presentes aos autos e os controles internos da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), verifica-se que o contribuinte informou como crédito o valor de R$ 18.821,07 obtido mediante a soma de dois Darf, um de R$ 22.457,97 e outro de R$ 5.992,63, entretanto ofereceu à compensação somente o Darf de R$ 22.457,97. Isso porque cada Darf com pagamento indevido ou a maior deve ser informado individualmente. Portanto, não pode o contribuinte informar um determinado Darf como origem de crédito e após o indeferimento de seu pleito, agregar novos Darf para compor o valor do crédito. Logo, o único pagamento que pode ser objeto de análise neste voto é o informado como crédito no PerDcomp, ou seja, o Darf de valor R$ 22.457,97. Fl. 209DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA Processo nº 10680.906926/2008-18 Acórdão n.º 3301-002.559 S3-C3T1 Fl. 212 4 Considerando que: o crédito refere-se a duas PerDcomp; ambas estão em discussão administrativa; a 1ª PerDcomp foi homologada no julgamento do processo 10680.903653/2008- 50; restou crédito de R$ 8.812,84 após análise do processo 10680.903653/2008-50, o crédito adicional será considerado para o processamento da PerDcomp em discussão neste processo. Em função do exposto, os cálculos foram refeitos, a partir deste saldo remanescente, respeitando as regras para a efetivação das compensações, dentre elas a de valoração do crédito (art. 52 da Instrução Normativa nº 600, de 27 de dezembro de 2005) e a de incidência de acréscimos legais (art. 28 da referida IN). Conclui-se que o crédito apresentado era insuficiente para compensar os débitos em discussão administrativa. Assim, a DRJ/BHE julgou procedente em parte a Manifestação de Inconformidade para: Reconhecer o direito creditório remanescente do processo 10680.903653/2008-50 de R$ 8.812,84 referente ao saldo do Darf, código de receita 6912, data de arrecadação 15/01/2004, PA 31/12/2003 e valor R$ 22.457,97. Cientificada da Decisão em 14.12.2011, a Contribuinte apresenta, em 12.01.1012, Recurso Voluntário de fls. 31 e seguintes, invocando, em síntese, que: Conforme-se colhe dos autos, a DRJ/BHE houve por bem não acolher em parte a manifestação de inconformidade apresentada pela ora Recorrente, homologando em parte a compensação e, por outro lado, na parcela indeferida, tendo gerou a cobrança de débito remanescente sob o código 2172, referente a COFINS. Isso porque, a Delegacia de Julgamento de Belo Horizonte deixou de reconhecer .e, por isso mesmo; validar a compensação, uma vez que deixou de vincular o recolhimento do DARF de R$5.995,63 nos pedidos de compensação apresentados. Ora, de se ver que a verificação da Receita não se mostra razoável, eis que o valor de R$5.992,63 foi sim incluído na PER/DCOMP entregue, na página 2, qual seja, estando inserido no direito creditório total de R$18.821,07. Não resta dúvida sobre os apontamentos fáticos contidos na manifestação de inconformidade protocolada em 11.06.2008, ao sustentar que foi apresentado DCTF retificador do 4º trimestre de 2003, recepcionado pelo SERPRO em 09.07.2004 sob o nº 1002615621, no qual a Recorrente informou como valor devido R$28.450,60, quando o correto seria R$9.629,53. Fl. 210DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA Processo nº 10680.906926/2008-18 Acórdão n.º 3301-002.559 S3-C3T1 Fl. 213 5 O valor de R$9.629,53 encontra-se justificado pelo DIPJ 2004, ano base 2003, retificadora, recepcionada pelo SERPRO em 29.05.2005. A Recorrente valeu-se dos indébitos de R$22.457,97 e R$5.992,63, após deduzido o PIS devido (R$9.626,53) para se chegar o recolhimento de R$18.821,07, que é exatamente aquele informado e ao qual se fez referência. Quanto à notória e indiscutível intenção de compensar, verifique-se que na DCOMP 39939.91591.150704.1.3.04-250. O problema foi que , quando da transmissão da DCTF 4º Trimestre retificadora, recepcionada em 90.07.2004 (sic) sob o nº 1002615621, a Recorrente informou como valor devidoR$28.450,60, quando o correto deveria ser R$9.626,53, que gerou ainconsistência. Tal erro foi corrigido em 04.06.2008 com a nova DCTF sob o nº 1887660595. A despeito do entendimento da DRJ de que o Recorrente deveria ter informado individualmente os pagamentos indevidos ou a maior, tem-se que o direito de crédito há de ser respeitado, sob pena de se validar o enriquecimento sem causa. Diante do Erro material, poderia a Autoridade rever o ato e até autorizar a retificação. Pede, por fim, que seja mantida a suspensão da exigibilidade e acolhida a compensação, pelo que pode e deve ser reconhecido o direito de crédito sobre os valores apresentados e justificados para o fim de se extinguir o débito lançado no DARF emitido sob o código de receita 2172, número de referência 10680.908665/2008-71. É o Relatório. Voto Conselheira Mônica Elisa de Lima. O Recurso é tempestivo e cumpre os requisitos de admissibilidade; portanto, dele conheço. Para se verificar a existência de direito creditório em favor da Contribuinte, hão de se dirimidas algumas questões: A primeira delas é saber se, ao ocorrer um fato imponível gerando um crédito tributário de R$9.629,53, o Sujeito Passivo efetuar recolhimento no total de R$28.453,60 , estará caracterizado um indébito de R$18.821,07. A Resposta entendo ser Sim. Fl. 211DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA Processo nº 10680.906926/2008-18 Acórdão n.º 3301-002.559 S3-C3T1 Fl. 214 6 A segunda é se existe alguma diferença entre o Contribuinte recolher os R$28.453,60 em um único DARF ou fazê-lo em dois documentos de arrecadação, no mesmo dia, com o mesmo código e o mesmo período de apuração, sendo um no valor de R$22.457,97 e o outro de R$5.992,63. A Resposta entendo ser Não. Ou seja, até este ponto, a Fazenda Pública não está sofrendo qualquer lesão, tampouco a Contribuinte, que tem a seu favor um crédito no valor de R$18.821,07, para ser restituído ou compensado. Pois bem, em um segundo momento, a Contribuinte apresenta ao Fisco um pedido de utilização (parcial) desse crédito e, para tanto, utiliza o instrumento adequado, qual seja, uma DCOMP, por meio da qual declara o valor dos débitos que pretende compensar, o valor original de seu crédito inicial (R$18.821,07) e o valor do crédito original utilizado na compensação (R$4.014,67). Neste ponto, também, há um perfeito equilíbrio entre as partes, nenhuma das duas sendo lesada em seus haveres. E, para que assim o seja, do batimento entre débitos e créditos, deverá resultar, como diferença em favor da Contribuinte, o montante de R$14.806,40. Esta foi a conclusão a que se chegou nos autos do processo administrativo nº10680.903653/2008-50, em que se reconheceu o direito creditório no valor de R$18.821,07, utilizado na homologação da compensação de R$4.014,67. Com efeito, diferente do que leva a crer a r. Decisão a quo, o fato de o Contribuinte haver informado no campo específico da DCOMP o valor do Darf de R$22.457,97, em absolutamente nada, muda a equação acima, cujos fundamentos são preceitos inafastáveis, como a vedação ao enriquecimento sem causa, a boa-fé, a equidade, a legalidade e, no caso do processo administrativo, a supremacia do conteúdo sobre a forma, ou o formalismo moderado e a busca pela verdade material. Muito mais do que uma simples questão aritmética ou de mero erro escusável no preenchimento de uma das declarações a que a Contribuinte está obrigado a apresentar, está-se diante da necessidade cogente de observar o Código Tributário Nacional, que, ao tratar do pagamento indevido, preceitua: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I - cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; Também há de se afastar, com a devida vênia, a observação da i. DRJ segundo a qual "não pode o contribuinte informar um determinado Darf como origem de crédito e após o indeferimento de seu pleito, agregar novos Darf para compor o valor do crédito". Apresenta-se, abaixo, quadro sinótico dos eventos aludidos nestes autos: DATA EVENTO FLS. VALOR OBS Fl. 212DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA Processo nº 10680.906926/2008-18 Acórdão n.º 3301-002.559 S3-C3T1 Fl. 215 7 15.01.2004 RECOLHIMENTO DE DARF 06 R$22.457,97 Código 6912 RECOLHIMENTO DE DARF 07 R$5.992,63 Código 6912 15.07.2004 TRANSMISSÃO DA PER/DCOMP Nº 39939.91591.150704.1.3.04-2560 08 a 13 Débito de PIS: R$5.427,42 (06/2004) Débito de Cofins: R$10.430,23 (06/2004) Total de Débitos: R$ 15.857,65 Valor Original do Crédito Inicial de PIS: R$14.806,40 Total do Crédito Original Utilizado na DCOMP: R$14.806,40 Darf PIS/PASEP no valor de R$22.457,97. 29.06.2005 DIPJ RETIFICADORA Consta dos autos do Proc. Adm. 10680.903653/2008-50, julgado em conjunto. 6 / 7 Débito apurado de Pis em dezembro de 2003: R$9.629,53 Em relação ao recolhimentos, haveria uma sobra de R$18.821,07 04.06.2008 DCTF RETIFICADORA 4 / 5 Débito apurado de Pis em dezembro de 2003: R$9.629,53 18.07.2008 Emitido Despacho Decisório negando a compensação. cobrança de R$15.857,65 3 Motivação: Crédito original na data da transmissão informado na PER/DCOMP: R$14.806,40 valor original total utilizado R$22.457,97. inexistência de crédito. Não homologada a compensação Os fatos não confirmam a afirmação da DRJ/BHE, eis que, conforme é nítido e a própria Autoridade Julgadora constatou, verifica-se que a Contribuinte informou como crédito o valor de R$ 18.821,07, obtido mediante a soma de dois Darf, um de R$ 22.457,97 e outro de R$ 5.992,63. Aquele valor líquido, e isto é claramente perceptível, resulta da soma dos dois recolhimentos diminuída do débito declarado (R$9.629,53). Na verdade, a informação foi prestada, já de início e, ainda que os sistemas informatizados não estejam programados para fazer este tipo de cruzamento no processamento da DCOMP, a ora Recorrente apresentou, consistentemente seus esclarecimentos, demonstrando o correto valor do crédito e do débito. Com efeito, nos autos do processo administrativo nº 10680.903653/2008-50, reconheceu-se o direito creditório no valor de R$18.821,07, utilizado na homologação da compensação de R$4.014,67; o que resultou em um crédito no valor original de R$.14.806,40. Desta feita, este é o valor a ser utilizado na compensação discutida nos presentes autos, referente à /DCOMP nº 39939.91591.150704.1.3.04-2560. Fl. 213DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA Processo nº 10680.906926/2008-18 Acórdão n.º 3301-002.559 S3-C3T1 Fl. 216 8 Esta falta de flexibilidade das Decisões da DRF e da DRJ vai de encontro à atual orientação contida no Parecer Normativo COSIT/SRF nº 8, de 3 de setembro de 2014, que abre à própria Autoridade preparadora o poder/dever de rever de ofício lançamentos como o ora discutido; independente, mesmo, da instauração do contencioso. Assim, transcreve-se, por pertinente: Parecer Normativo COSIT/SRF nº 8 REVISÃO DE DESPACHO DECISÓRIO QUE NÃO HOMOLOGOU COMPENSAÇÃO, EM SENTIDO FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. A revisão de ofício de despacho decisório que não homologou compensação pode ser efetuada pela autoridade administrativa local para crédito tributário não extinto e indevido, na hipótese de ocorrer erro de fato no preenchimento de declaração (na própria Declaração de Compensação – Dcomp ou em declarações que deram origem ao débito, como a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF e mesmo a Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ, quando o crédito utilizado na compensação se originar de saldo negativo de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica - IRPJ ou de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL), desde que este não esteja submetido aos órgãos de julgamento administrativo ou já tenha sido objeto de apreciação destes. Relatório Trata-se de analisar questões processuais específicas e frequentes no âmbito do processo administrativo tributário federal, divididas em três partes, quais sejam: a) revisão e retificação de ofício – de lançamento de ofício e de débito confessado em declaração, respectivamente –, em prol do contribuinte, e assim reduzir créditos tributários constituídos; b) revisão de ofício, em prol do contribuinte, de despacho decisório em sede de compensação tributária; e c) recorribilidade em sede de execução de julgado administrativo, no que toca à apuração de cálculos. (...) Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I - quando a lei assim o determine; II - quando a declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária; (...) Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública. (...) A regra do parágrafo único visa a proteger o contribuinte contra revisões do lançamento que venham a lhe onerar mediante Fl. 214DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA Processo nº 10680.906926/2008-18 Acórdão n.º 3301-002.559 S3-C3T1 Fl. 217 9 elevação do montante do crédito tributário. Estabelece, assim, que o Fisco tem o prazo decadencial para constituir o seu crédito, seja originariamente, seja mediante revisão de lançamento anterior. O prazo corre contra o Fisco. Não há que se entender, assim, que tal parágrafo impeça o fisco de revisar lançamento feito a maior, de modo a beneficiar o contribuinte mediante diminuição do crédito tributário para sua adequação à legislação válida aplicável. Isso pode decorrer tanto por força de lei como de decisão judicial, ou mesmo simples verificação administrativa à luz de documentos novos apresentados pelo contribuinte. (...) 22. Ao tratar do erro de fato, a lei não fez nenhuma distinção quanto à sua causa, se motivada por falha do Fisco ou se por ação ou omissão do contribuinte, de modo que, neste inciso, inexiste o requisito de imputação de culpa a balizar a revisão de ofício. Note-se que em sede judicial este aspecto se presta para definir a imputação do ônus pelo pagamento de honorários advocatícios, sem que influa, todavia, no direito material, uma vez que se imporá a extinção da execução fiscal em virtude de cancelamento do débito por erro de fato, conforme se extrai do contido no Parecer PGFN/CAT/Nº 591/2014, de 17 de abril de 2014, que concluiu que "a melhor interpretação quanto à correção do erro no lançamento previsto no art. 149, inciso VIII do CTN, em função de fato não conhecido ou não provado na ocasião do lançamento, é de que esse erro deve ser entendido em sua concepção mais ampla, relativa ao fato como um todo que ensejou a incidência, incluindo aquele decorrente da não apresentação tempestiva de documentos legítimos que alterem o montante devido, devendo a administração promover a correção do erro, ainda que tenha sido ocasionado pelo administrado." (...) Retificação de ofício de débito confessado em declaração 41. As declarações entregues para comunicar a existência de crédito tributário, representando confissão de dívida nos termos do §1º do art. 5º do Decreto-Lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, tais como DCTF, DIRPF, DITR e GFIP, podem ser retificadas espontaneamente pelo sujeito passivo, com espeque no art. 18 da Medida Provisória nº 2.189-49, de 23 de agosto de 2001, atendidos os limites temporais estabelecidos em normas específicas (§ 2º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010 – DCTF, art. 5º da IN RFB nº 958, de 15 de julho de 2009 – DIRPF e DITR; art. 463 da IN RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009 – GFIP), respeitado o prazo de cinco anos para retificação (conforme Parecer Cosit nº 48, de 07 de julho de 1999). 42. Não mais sendo possível retificação por iniciativa do sujeito passivo, esta poderá ser realizada de ofício pela autoridade administrativa da unidade local de jurisdição para reduzir os débitos a serem encaminhados ao órgão da Procuradoria-Geral Fl. 215DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA Processo nº 10680.906926/2008-18 Acórdão n.º 3301-002.559 S3-C3T1 Fl. 218 10 da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa, haja vista orientação contida na Portaria Conjunta SRF/PGFN nº 1, de 1999, antes referida. Nos termos desta portaria, mesmo após a inscrição do débito em dívida ativa, e ainda que iniciada a execução fiscal, a retificação de ofício poderá ser efetuada se comprovado o erro de fato no preenchimento da declaração. 43. No caso específico da DCTF, desde 2004 (IN SRF nº 482, de 21 de dezembro de 2004) há previsão específica para revisão de ofício por erro de fato no preenchimento desta declaração, a fim de alterar débito que tenha sido enviado para a PGFN ou que tenha sido objeto de procedimento fiscal. Tal disposição, hoje, consta da norma disciplinadora da DCTF, qual seja, a IN RFB nº 1.110, de 2010, especificamente no § 3º do art. 9º: (...) REVISÃO DE OFÍCIO DO DESPACHO DECISÓRIO Revisão de ofício do despacho decisório que não homologou a declaração de compensação – Dcomp. 46. Trata-se, neste ponto, de analisar a possibilidade de rever de ofício despacho decisório anteriormente proferido que não homologou compensação efetuada via Dcomp quando, ultrapassada a possibilidade de discussão administrativa via manifestação de inconformidade, o sujeito passivo apresenta petição para apontar ocorrência de erro de fato. (...) 49. No caso da Dcomp, o encaminhamento de débito para inscrição em dívida ativa dá-se quando a compensação efetuada não é homologada por despacho decisório da autoridade administrativa (em função de análise manual ou eletrônica), e, cumulativamente, tal decisão não é reformada em função de contencioso administrativo, seja pelo fato de não se ter instaurado o litígio, seja em virtude de decisão administrativa definitiva, total ou parcialmente, desfavorável a ele. 50. A declaração de compensação extingue o crédito tributário sob condição resolutória de sua ulterior homologação, e tem caráter de confissão de dívida (§§2º e 6º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996). Ocorre, porém, que o débito ali declarado, em regra, teve sua constituição operada por outro meio (lançamento de ofício ou declaração do contribuinte, como a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, p. ex.). Dessa forma, na hipótese de regular alteração no meio originário que constituiu o crédito tributário – como, p.ex., uma retificação da DCTF –, a redução do valor do débito implicará a necessidade de correção deste valor na Dcomp (já extinto pela própria declaração), que pode se dar tanto por meio de retificação da Dcomp por parte do contribuinte, quando cabível, como por revisão de ofício, caso a matéria já não esteja sob a alçada da DRJ, em virtude de manifestação de inconformidade interposta. Fl. 216DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA Processo nº 10680.906926/2008-18 Acórdão n.º 3301-002.559 S3-C3T1 Fl. 219 11 51. Extrai-se do exposto que, se o contribuinte apresentar petição com alegação de erro de fato no preenchimento da Dcomp após o prazo de trinta dias estabelecido no §7º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, ou após a conclusão de contencioso administrativo porventura instaurado, ainda que o débito já se encontre inscrito na dívida ativa e em execução fiscal, a autoridade administrativa deve analisar o pleito e, se pertinente, proferir nova decisão, de ofício, para revisar o despacho decisório anterior que não homologou a compensação e retificar a Dcomp. Contudo, deverão ser observados os trâmites da referida portaria conjunta se o débito já tiver sido encaminhado para inscrição na dívida ativa.(...). Por fim, ressalte-se ser estranho aos autos o pedido da Recorrente de que o reconhecimento se dê "para o fim de se extinguir o débito lançado no DARF emitido sob o código de receita 2172, número de referência 10680.908665/2008-71". Por ser questão não afeta a este processo, não cabe manifestação a respeito. Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário, para reformar a Decisão de Primeira Instância e, considerando que fora reconhecido o direito creditório remanescente do processo 10680.903653/2008-50 no valor de R$14.806,40, deve o mesmo ser utilizado na homologação da compensação referente à DCOMP nº 39939.91591.150704.1.3.04-2560, cabendo à Autoridade Preparadora considerar em tal montante os pagamentos efetuados através dos DARF de R$22.457,97 e R$5.992,63, recolhidos em 15.01.2004, período de apuração 01.12.2003, código 6912. Mônica Elisa de Lima - Relatora Fl. 217DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 12448.731110/2012-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2008
Ementa:
LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. ERRO NA DETERMINAÇÃO DO MOMENTO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR.
Revela-se insubsistente o lançamento tributário cujos fatos geradores apurados não guardam correspondência com o período indicado na peça de autuação.
ARBITRAMENTO DO LUCRO. MAJORAÇÃO DE PENALIDADE. IMPROCEDÊNCIA.
Descabe o agravamento da penalidade na situação em que a sua causa repousa em atendimento não satisfatório de intimações que também serviram de suporte para o arbitramento do lucro.
Numero da decisão: 1301-001.728
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator.
documento assinado digitalmente
Valmar Fonseca de Menezes
Presidente.
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2008 Ementa: LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. ERRO NA DETERMINAÇÃO DO MOMENTO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. Revela-se insubsistente o lançamento tributário cujos fatos geradores apurados não guardam correspondência com o período indicado na peça de autuação. ARBITRAMENTO DO LUCRO. MAJORAÇÃO DE PENALIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Descabe o agravamento da penalidade na situação em que a sua causa repousa em atendimento não satisfatório de intimações que também serviram de suporte para o arbitramento do lucro.
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ERRO NA DETERMINAÇÃO DO MOMENTO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. Revelase insubsistente o lançamento tributário cujos fatos geradores apurados não guardam correspondência com o período indicado na peça de autuação. ARBITRAMENTO DO LUCRO. MAJORAÇÃO DE PENALIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Descabe o agravamento da penalidade na situação em que a sua causa repousa em atendimento não satisfatório de intimações que também serviram de suporte para o arbitramento do lucro. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. “documento assinado digitalmente” Valmar Fonseca de Menezes Presidente. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 73 11 10 /2 01 2- 99 Fl. 476DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/1 2/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 12448.731110/201299 Acórdão n.º 1301001.728 S1C3T1 Fl. 477 2 Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 477DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/1 2/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 12448.731110/201299 Acórdão n.º 1301001.728 S1C3T1 Fl. 478 3 Relatório Trata o presente processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS, relativas ao anocalendário de 2008. O crédito tributário constituído teve por base o arbitramento do lucro, vez que, embora intimada, a contribuinte não apresentou documentos relativos à escrituração comercial e fiscal. A autoridade fiscal aplicou multa agravada de 112,5%, em virtude de a contribuinte fiscalizada não atender, no prazo marcado, Termo de Intimação e Termo de Constatação, lavrados em 05 de junho e 26 de junho de 2012, respectivamente. Em sede de impugnação, a contribuinte argumentou (fls. 147): que o auto de infração seria nulo, uma vez que não foram expressamente citados os dispositivos legais infringidos e não foi esclarecido o porquê da formalização dos lançamentos; que sempre atuou com boa fé e respondeu a todas as intimações a ela dirigidas; que a não apresentação de alguns dos documentos solicitados decorreu do extravio de parte da contabilidade e do fato de algumas das informações solicitadas já terem sido fornecidas à Administração Federal, por constarem de outros documentos e declarações oportunamente entregues; que os valores autuados já teriam sido quitados mediante compensação, conforme DCTFs e PER/DCOMPs enviados eletronicamente e juntados aos autos; e que o agravamento da multa resultaria em cobrança abusiva. A 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, apreciando as razões trazidas pela impugnação interposta, decidiu, por meio do acórdão nº 1253.507, de 07 de março de 2013, pela procedência parcial dos lançamentos tributários. O referido julgado restou assim ementado: ARBITRAMENTO. ERRO QUANTO AO ASPECTO TEMPORAL DO FATO GERADOR. A receita conhecida que serve de base para o arbitramento de lucros deve ser considerada no período de apuração a que se refere. LANÇAMENTO CONEXO. Fl. 478DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/1 2/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 12448.731110/201299 Acórdão n.º 1301001.728 S1C3T1 Fl. 479 4 Na ausência de especificidades, aos lançamentos formalizados a partir da mesma base fática aplicase o mesmo julgado. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. ERRO QUANTO AO ASPECTO TEMPORAL DO FATO GERADOR. A receita que serve de base para incidência da Cofins e PIS deve ser considerada no período de apuração a que se refere. MULTA AGRAVADA LUCRO ARBITRADO. INAPLICABILIDADE. O que justifica o agravamento da multa de ofício é o não atendimento à intimação para prestar esclarecimentos, não a prestação de forma insatisfatória na apresentação de livros contábeis e fiscais. A Turma Julgadora de primeira instância, tendo exonerado o sujeito passivo de parte das obrigações formalizadas, recorreu de ofício. É o Relatório. Fl. 479DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/1 2/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 12448.731110/201299 Acórdão n.º 1301001.728 S1C3T1 Fl. 480 5 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Cuida o presente processo de lançamentos tributários julgados parcialmente procedentes em primeira instância, em que, em obediência às disposições da Portaria MF nº 3, de 2008, a autoridade julgadora recorreu de ofício. Em conformidade com o acórdão nº 1253.507, fls. 420/431, a contribuinte autuada foi exonerada de parte do crédito tributário constituído em virtude das seguintes constatações: i) o IRPJ e a CSLL foram determinados com base no lucro arbitrado, porém, a autoridade autuante imputou a um só trimestre a receita de todo o anocalendário; ii) para efeito de determinar o PIS e a COFINS devidos, a autoridade fiscal considerou em dezembro de 2007 a totalidade das receitas auferidas no ano calendário; e iii) ausência de suporte fático capaz de autorizar a aplicação de multa agravada. A partir de tais verificações, a Turma Julgadora decidiu manter as exigências de IRPJ e CSLL tão somente em relação às receitas auferidas no quarto trimestre de 2007, e, relativamente ao PIS e à COFINS, considerou apenas a receita auferida no mês de dezembro do referido ano. Em conformidade com o Termo de Constatação e Verificação Fiscal de fls. 26/351, temos que: a) embora reiteradamente intimada, a contribuinte não apresentou documentos que serviram de suporte para registros contábeis, o que teria comprometido a aferição do lucro real, motivando, assim, o arbitramento do lucro para fins de determinação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL; b) tomando por base a receita bruta anual informada na FICHA 06A (DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO) da DIPJ/2008, no montante de R$ 185.138.088,98, e outras receitas, cujo valor de R$ 2.649.691,49 foi assinalado na linha 22 da referida Ficha, a Fiscalização determinou a denominada RECEITA CONHECIDA (R$ 187.787.780,47), para fins do arbitramento do lucro; c) na apuração dos montantes devidos, não tendo sido identificados recolhimentos de qualquer natureza, foram compensados os valores correspondentes a retenção na fonte; 1 Numeração do arquivo digital. Fl. 480DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/1 2/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 12448.731110/201299 Acórdão n.º 1301001.728 S1C3T1 Fl. 481 6 d) foi aplicada multa agravada de 112,5% em razão do não atendimento de intimações formalizadas no curso da ação fiscal. A Turma Julgadora de primeiro grau, por maioria, pronunciouse pela procedência parcial dos lançamentos tributários, servindose, para tanto, dos seguintes fundamentos: 1. a autoridade autuante, embora tenha promovido o arbitramento do lucro, imputou a totalidade da receita apurada ao quarto trimestre do ano, deixando de distribuíla pelos trimestres correspondentes; 2. não há, nem no auto de infração e nem no correspondente Termo de Verificação, discriminação mensal das receitas apuradas; 3. além de considerar as receitas apuradas em um único trimestre, a autoridade fiscal considerou, para fins de dedução, o imposto de renda retido na fonte correspondente a todo o ano calendário; 4. a aplicação do adicional de imposto de renda, da mesma forma, não levou em consideração os limites trimestrais, mas, sim, o anual; Não obstante a constatação das impropriedades acima descritas, entendeu a Turma Julgadora de primeira instância que ao menos em relação à parcela da receita que correspondia ao quarto trimestre do ano os lançamentos tributários deveriam ser mantidos. Nessa linha, esclarecendo que não foi possível determinar o valor das receitas financeiras auferidas no trimestre e tomando por base as demais receitas declaradas, a autoridade julgadora de primeiro grau determinou o IRPJ e CSLL devidos no quarto trimestre do ano de 2007. Adiante, afirmando, a meu ver equivocadamente2, que “o arbitramento de lucro, por si só, não justificaria, por falta de previsão legal, a lavratura dos autos de infração relacionados a Cofins e Pis, a decisão de primeira instância mantém a autuação das citadas contribuições, relativamente às receitas declaradas no mês de dezembro, por entender que os lançamentos tributários foram fundamentados na falta de recolhimento. Relativamente à multa de ofício aplicada, a decisão de primeira instância reduz o percentual aplicado por entender que “não houve falta de atendimento à intimação para prestar esclarecimentos” capaz de servir de suporte para o agravamento promovido pela autoridade fiscal. Tratandose o presente, tão somente, do recurso necessário impetrado na instância a quo, penso que o ali decidido não é merecedor de reparos. Com efeito, sem adentrar ao mérito das parcelas mantidas pela decisão de primeiro grau, é certo que o lançamento tributário que contém erro em relação ao momento da ocorrência do fato gerador não pode subsistir, ao menos no que tange aos fatos que não guardam correspondência com o período indicado na peça de autuação. 2 O arbitramento do lucro na situação em que a apuração feita pelo fiscalizado tomou por base o lucro real, impõe o lançamento de PIS e de COFINS, vez que, nesse caso, o regime de tributação das referidas contribuições passa a ser o CUMULATIVO. Fl. 481DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/1 2/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 12448.731110/201299 Acórdão n.º 1301001.728 S1C3T1 Fl. 482 7 No que diz respeito ao agravamento da penalidade, na linha do decidido na instância a quo, perscrutandose os autos constato que, de fato, não existe fundamento para agravamento da penalidade aplicada, eis que a contribuinte, ainda que não o tenha feito de forma satisfatória, não deixou de responder às intimações formalizadas pela autoridade fiscal. Ademais, via de regra, o arbitramento de lucro não se compatibiliza com o agravamento da penalidade, vez que, na maior parte dos casos, é exatamente o atendimento insuficiente das solicitações formalizadas pela autoridade fiscal que dá causa ao procedimento (arbitramento). Assim, não se pode admitir que o elemento propulsor do arbitramento sirva, também, de suporte para a majoração da penalidade. Diante do exposto, conduzo meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 482DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/1 2/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES
score : 1.0
Numero do processo: 10283.909684/2009-88
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 08/05/2001 a 12/12/2005
DIREITO CREDITÓRIO A SER COMPENSADO PENDENTE DE NOVA DECISÃO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO. RETORNO DOS AUTOS À UNIDADE DE ORIGEM.
Em situações em que se indeferiu a compensação em face da inexistência do crédito que se pretendia compensar, uma vez ultrapassada a questão jurídica que impossibilitava a apreciação do montante do direito creditório, a unidade de origem deve proceder a uma nova análise do pedido de compensação, após verificar a existência, a suficiência e a disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3202-001.551
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido. Participou do julgamento o Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Marcelo Reinecken, OAB/DF nº. 14874.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido. Participou do julgamento o Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Marcelo Reinecken, OAB/DF nº. 14874. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente Charles Mayer de Castro Souza Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 08/05/2001 a 12/12/2005 DIREITO CREDITÓRIO A SER COMPENSADO PENDENTE DE NOVA DECISÃO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO. RETORNO DOS AUTOS À UNIDADE DE ORIGEM. Em situações em que se indeferiu a compensação em face da inexistência do crédito que se pretendia compensar, uma vez ultrapassada a questão jurídica que impossibilitava a apreciação do montante do direito creditório, a unidade de origem deve proceder a uma nova análise do pedido de compensação, após verificar a existência, a suficiência e a disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarouse impedido. Participou do julgamento o Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Marcelo Reinecken, OAB/DF nº. 14874. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 96 84 /2 00 9- 88 Fl. 375DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 2 Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório A interessada apresentou pedido eletrônico de compensação de débitos próprios com crédito oriundo de pagamento a maior de Imposto de Importação – II e de Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, com origem no período de 08/05/2001 a 12/12/2005. A compensação não foi homologada, ao fundamento de que o DARF a indicado no PER/DCOMP não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. Alegado pela contribuinte o cometimento de um equívoco no preenchimento do DARF, os autos foram baixados em diligência pela DRJ, quando se constatou que o presente processo é conexo ao de nº 10283.007613/200604, por meio do qual se requereu a restituição do crédito que se pretende compensar. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza julgou improcedente a manifestação de inconformidade, sob o argumento de inexistência do direito creditório objeto do processo nº 10283.007613/200604. No prazo legal, a contribuinte apresentou recurso voluntário, cujas razões de defesa não serão relatadas em vista do que se passa a expor no voto. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente apresentou PER/DCOMP objetivando a compensação de débito próprio com crédito oriundo de pagamento indevido de II e de IPI vinculado que são objeto do processo administrativo n.º 10283.007613/200604. Como o direito à restituição foi negado, também aqui negouse o direito à compensação. Contudo, nesta mesma sessão de julgamento consideraramse indevidas as razões adotadas pela DRF de origem, e mantidas pela instância de piso, para denegar o pedido de restituição, motivo pelo qual determinouse que os autos do processo administrativo n.º 10283.007613/200604 devem retornar à DRF para que, ultrapassada a questão decidida no julgamento, estime os valores a serem restituídos. Ante o exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para que a DRF de origem, após a análise do direito creditório objeto do processo administrativo n.º 10283.007613/200604, profira nova decisão quanto ao pedido de compensação. Fl. 376DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10283.909684/200988 Acórdão n.º 3202001.551 S3C2T2 Fl. 376 3 É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 377DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
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Numero do processo: 12466.724516/2013-88
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Apr 02 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário:1998
ADMINISTRATIVO FISCAL. SÚMULA CARF Nº 1.
A propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, importa renúncia às instâncias administrativas. Somente será cabível a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
AUTO DE INFRAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. DEPÓSITO JUDICIAL. SÚMULA CARF Nº 48.
A suspensão da exigibilidade do crédito tributário por força de medida
judicial não impede a lavratura de auto de infração, em conformidade com a jurisprudência do CARF.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SOBRESTAMENTO.
Não há previsão legal ou normativa, fora dos casos previstos no Regimento Interno do CARF, para o sobrestamento do julgamento de processo administrativo, em face da existência de processo judicial em que se discute o mérito do lançamento.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3801-005.009
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. Os Conselheiros Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges e Paulo Sérgio Celani votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Cássio Schappo e Flavio de Castro Pontes.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário:1998 ADMINISTRATIVO FISCAL. SÚMULA CARF Nº 1. A propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, importa renúncia às instâncias administrativas. Somente será cabível a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. AUTO DE INFRAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. DEPÓSITO JUDICIAL. SÚMULA CARF Nº 48. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário por força de medida judicial não impede a lavratura de auto de infração, em conformidade com a jurisprudência do CARF. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SOBRESTAMENTO. Não há previsão legal ou normativa, fora dos casos previstos no Regimento Interno do CARF, para o sobrestamento do julgamento de processo administrativo, em face da existência de processo judicial em que se discute o mérito do lançamento. Recurso Voluntário Não Conhecido.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1937; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 2 1 1 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12466.724516/201388 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3801005.009 – 1ª Turma Especial Sessão de 24 de fevereiro de 2015 Matéria IMPOSTO SOBRE PRODUTO INDUSTRIALIZADO IPI Recorrente EVALDO ULINSKI JUNIOR Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário:1998 ADMINISTRATIVO FISCAL. SÚMULA CARF Nº 1. A propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, importa renúncia às instâncias administrativas. Somente será cabível a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. AUTO DE INFRAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. DEPÓSITO JUDICIAL. SÚMULA CARF Nº 48. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário por força de medida judicial não impede a lavratura de auto de infração, em conformidade com a jurisprudência do CARF. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SOBRESTAMENTO. Não há previsão legal ou normativa, fora dos casos previstos no Regimento Interno do CARF, para o sobrestamento do julgamento de processo administrativo, em face da existência de processo judicial em que se discute o mérito do lançamento. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 72 45 16 /2 01 3- 88 Fl. 157DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 01/04/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 12466.724516/201388 Acórdão n.º 3801005.009 S3TE01 Fl. 3 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. Os Conselheiros Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges e Paulo Sérgio Celani votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Cássio Schappo e Flavio de Castro Pontes. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 01/04/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 12466.724516/201388 Acórdão n.º 3801005.009 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo administrativo nº 12466.724516/201388, contra o acórdão n° 0734.728, julgado na sessão 30 de abril de 2014, pela 1ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Florianópolis (DRJ/FHS), em que não conheceu da impugnação com relação as exigências de imposto sobre produto industrializado, declarando definitivo em sede administrativa o crédito tributário a ele relativo e julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário lançado. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “Trata o presente processo de autos de infração lavrados para constituição de crédito tributário no valor de R$ 289.294,25 referente a imposto sobre produtos industrializados. Depreendese da descrição dos fatos dos autos de infração que o interessado importou um automóvel ao amparo da Declaração de Importação nº 13/24049784, registrada em 05/12/2013, sem o recolhimento do imposto sobre produtos industrializados em virtude do Mandado de Segurança nº 2013.50.01.0085739. Em 30/10/2013 foi deferida liminar reconhecendo a inexigibilidade do IPI. Assim, foi lavrado o auto de infração do presente processo, especialmente para constituir o crédito tributário e prevenir a decadência, estando sua exigibilidade suspensa em razão do disposto ns incisos II e IV do art. 151 c/c art. 173 da Lei nº 5.172/1966. Cientificado, o interessado apresentou impugnação na qual alega, em síntese, que: Ajuizou ação judicial na qual obteve sentença favorável no sentido de que não lhe fosse cobrado o imposto sobre produtos industrializados na importação do automóvel, em atendimento ao Princípio da Não Cumulatividade. A jurisprudência é unânime com relação à inexigibilidade do IPI na importação de produtos industrializados por pessoa física. Assim, requer o sobrestamento do processo administrativo até decisão judicial final. Traz as razões pelas quais defende a não incidência do IPI para o caso em tela, conforme expôs na ação judicial. Requer o cancelamento do auto de infração. É o relatório.” A DRJ de Florianópolis (DRJ/FNS) decidiu pela improcedência do lançamento, no qual restou estabelecida a diminuição dos valores que o contribuinte teria como crédito passível de compensação, conforme ementa: Fl. 159DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 01/04/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 12466.724516/201388 Acórdão n.º 3801005.009 S3TE01 Fl. 5 4 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 05/12/2013 AÇÃO JUDICIAL. EFEITOS. A propositura de qualquer ação judicial anterior, concomitante ou posterior a procedimento fiscal, com o mesmo objeto do lançamento, importa em renúncia ou desistência à apreciação da mesma matéria na esfera administrativa. Assim, o apelo interposto pelo sujeito passivo não deve ser conhecido no âmbito administrativo. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. AÇÃO JUDICIAL. As matérias submetidas à via judicial devem ter o crédito tributário lançado, pois a atividade do lançamento é obrigatória e vinculada em relação à autoridade fiscal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada, apresentou recurso voluntário, no qual expõem: a) O conteúdo do lançamento está em discussão no judiciário, que teve julgamento favorável e que por essa razão o processo administrativo deve ser sobrestado b) Entende que as decisões da esfera administrativa devem vincularse as decisões prolatadas em sede judicial e que, diante de sentença resolutiva que determina a abstenção de cobrança do IPI, o crédito estaria suspenso por força do art.151, IV, do CTN, devendo sobrestar o presente processo administrativo; c) Atenta ao reconhecimento pacífico dos Tribunais Superiores quanto a impossibilidade de incidência de IPI por pessoa física não comerciante ou industrial. É o sucinto relatório. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 01/04/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 12466.724516/201388 Acórdão n.º 3801005.009 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Relator Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo os pressuposto de admissibilidade. Primeiramente, cumpre informar que o lançamento fiscal foi produzido de forma preventiva, tendo em vista que existe Mandado de Segurança nº 0008573 13.2013.4.02.5001, ajuizado junto à 2ª Vara Federal da Subseção Judiciária de Vitória. Nestes termos, existe concomitância de processo judicial e processo administrativo sobre mesmo pedido e mesma causa de pedir e, conforme orientação da Súmula 1º do CARF, o ajuizamento de demanda judicial antes ou depois da lavratura do auto de lançamento importe em renuncia das instancias administrativas. Citase: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (grifei) Nestes termos, havendo iguais pedidos e causa de pedir na esfera judicial e na esfera administrativa que correm de forma concomitante, é de não ser conhecido o presente recurso voluntário e passo a analisar as demais matérias, não obstante prejudicadas, para fins de privilégio do devido processo legal. Quanto ao pedido de sobrestamento do processo administrativo até o trânsito em julgado do processo judicial, por ter sido esta ajuizada antes da lavratura do auto de lançamento, entendo que carece de razão o contribuinte, por haver claro posicionamento no sentido de que o mero ajuizamento de demanda judicial não impede a lavratura de auto de lançamento, conforme súmula 48 do CARF, que transcrevo nos termos regimentais: Súmula CARF nº 48: A suspensão da exigibilidade do crédito tributário por força de medida judicial não impede a lavratura de auto de infração No mérito com relação a possibilidade ou não de incidência de IPI sobre importação de veículo auto motor para uso próprio, entendo que assiste razão o contribuinte. Conforme art. 153, IV, §3º, II da Constituição Federal, é aplicável ao caso o princípio da nãocumulatividade, tendo em vista que o veículo importado tem como destinação o usuário que importou e, não sendo este comerciante ou pessoa jurídica que pratique industrialização, não exercer atividade empresarial de comercialização de automóveis, não Fl. 161DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 01/04/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 12466.724516/201388 Acórdão n.º 3801005.009 S3TE01 Fl. 7 6 sendo possível, portando, gerar créditos a serem repassados na próxima etapa da cadeia produtiva, não sendo postando possível a incidência do tributo. Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: (...) IV produtos industrializados; § 3º O imposto previsto no inciso IV: (...) II será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores; Em adição, até o presente momento o STF, STJ e demais Tribunais tem compreendido pela não incidência de IPI, quando a importação se da por pessoa física não comerciante, aludindo a nãocumulatividade nos termos do art. 153, §3º, II da Constituição Federal. AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO. TRIBUTÁRIO. IPI. IMPORTAÇÃO DE VEÍCULO PARA USO PRÓPRIO. NÃO INCIDÊNCIA. AGRAVO IMPROVIDO. I – Não incide o IPI em importação de veículo automotor, por pessoa física, para uso próprio. Aplicabilidade do principio da não cumulatividade. Precedentes. II Agravo regimental improvido. (AgR no RE 550170, Relator Min. Ricardo Lewandowski, Primeira Turma, DJe de 4/8/2011). AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI. IMPORTAÇÃO DE VEÍCULO POR PESSOA FÍSICA PARA USO PRÓPRIO. NÃO INCIDÊNCIA. APLICABILIDADE DO PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. 1. Não incide o IPI sobre a importação, por pessoa física, de veículo automotor destinado ao uso próprio. Precedentes: REs 255.682AgR, da relatoria do ministro Carlos Velloso; 412.045, da minha relatoria; e 501.773AgR, da relaria do ministro Eros Grau. 2. Agravo regimental desprovido. (AgR no RE 255090, Relator Min. Ayres Britto, Segunda Turma, DJe de 8/10/2010) Por fim, devese ressaltar que a matéria teve reconhecimento de repercussão geral pelo RE N° 723651, o qual ainda não teve seu julgamento definitivo exarado pela Suprema Corte. Nestes termos, diante do princípio da nãocumulatividade e da impossibilidade de geração de crédito repassáveis ao restante da cadeia produtiva, tendo pelo provimento do recurso, extinguindo o auto de lançamento. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 01/04/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 12466.724516/201388 Acórdão n.º 3801005.009 S3TE01 Fl. 8 7 Ressalto que este seria o entendimento caso não estivesse prejudicada a análise. Em face do exposto, voto pelo não conhecimento do recurso voluntário, nos termos da súmula n° 1 do CARF. É assim que voto. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator Fl. 163DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 01/04/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 11065.002821/2010-22
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Apr 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 30/04/2010
SIMPLES NACIONAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIAS RELATIVA À PARTE EMPRESA E SAT.
A inscrição da empresa no SIMPLES e no SIMPLES NACIONAL implica pagamento mensal unificado dos impostos e contribuições elencados no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.317/1996 e no art. 13 da Lei Complementar nº 123/2006, entre os quais incluem-se as contribuições sociais previstas no art. 22 da Lei 8.212/91.
Recurso de Ofício Negado
Numero da decisão: 2403-002.958
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Os conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro votaram pela conclusões.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente.
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator.
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio de Souza, Ewan Teles Aguiar, Marcelo Magalhães Peixoto, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIAS RELATIVA À PARTE EMPRESA E SAT. A inscrição da empresa no SIMPLES e no SIMPLES NACIONAL implica pagamento mensal unificado dos impostos e contribuições elencados no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.317/1996 e no art. 13 da Lei Complementar nº 123/2006, entre os quais incluemse as contribuições sociais previstas no art. 22 da Lei 8.212/91. Recurso de Ofício Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Os conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro votaram pela conclusões. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente. Marcelo Magalhães Peixoto Relator. Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio de Souza, Ewan Teles Aguiar, Marcelo Magalhães Peixoto, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 28 21 /2 01 0- 22 Fl. 849DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 07/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 Relatório Tratase de Recurso de Ofício interposto em face do Acórdão nº. 1044.913 – 6ª Turma da DRJ/POA, fls. 833/843, que julgou procedente a impugnação apresentada para exonerar o crédito tributário consubstanciado no DEBCAD 37.267.3295, referente ao período de 01/01/2006 a 30/04/2010, no valor de R$ 1.839.855,11 (um milhão, oitocentos e trinta e nove mil, oitocentos e cinqüenta e cinco reais e onze centavos). A presente autuação almeja o recolhimento de crédito tributário, tendo em vista as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP da autuada assim como da empresa Régis Biegelmeyer, apuradas por aferição indireta com base nas respectivas folhas de pagamento e consideradas pela fiscalização como segurados da Rui Biegelmeyer, conforme Relatório Fiscal, fls. 81/89, cujos trechos pertinentes encontramse colacionados abaixo: 2.4. Quanto à constituição das empresas e quadro societário 2.4.1. A empresa Rui Francisco Biegelmeyer (doravante empresa Rui) foi constituída em 26/09/1996 na forma de firma individual, atualmente sociedade empresária. De 01/01/1997 a 30/06/2007 optante pelo SIMPLES e a partir de 01/07/2007, optante pelo SIMPLES NACIONAL. 2.4.2. A empresa Régis Biegelmeyer (doravante empresa Régis) foi constituída em 28/03/2003, sociedade empresária, optante pelo SIMPLES até 30/06/2007 e pelo SIMPLES nacional, de 01/07/20007 em diante. 2.4.3. O sr. Rui Biegelmeyer, titular da sociedade de mesmo nome é pai do Sr. Regis Biegelmeyer 2.5. Mesma atividade e endereço: 2.5.1. Verificase também que as empresas funcionam no mesmo local, Rua 20 de Março, 1517, na cidade de Vale Real RS, sendo que em visitas ao local, constatamos tratarse de dois pavilhões interligados por uma rampa de acesso. Observandose que o setor administrativo, no qual fomos atendidos é comum a ambas empresas. Tal setor está instalado no primeiro andar, acima do térreo e dele é possível visualizar as instalações fabris de ambos contribuintes. 2.5.3. No momento das visitas referidas funcionários tanto de um pavilhão como do outro possuíam identificação através do uniforme da empresa Rui com os dizeres "Atelier Rui F. Biegelmeyer" e utilizavam as máquinas desta. Indagada sobre como diferenciar funcionários e máquinas da empresa Rui Biegelmeyer dos funcionários e maquinário da empresa Régis Biegelmeyer, a funcionária que nos atendeu respondeu, quanto aos empregados, estarem os mesmos registrados cada um em sua empresa e, quanto maquinário, ainda não haver identificação do mesmo. Fl. 850DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 07/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 11065.002821/201022 Acórdão n.º 2403002.958 S2C4T3 Fl. 850 3 2.5.4. Tais constatações foram documentadas com fotografias tiradas no momento da visita, as quais permitem visualizar o relatado. As figuras 1 e 2 trazem imagens do primeiro pavilhão, as figuras 3 a 8 imagens do pavilhão a que temse acesso através da rampa referida. Vejase que neste pavilhão onde supostamente seriam as instalações da Régis, os funcionários vestem uniformes da Rui. 2.6. Utilização das Máquinas e equipamentos da Rui Biegelmeyer pela Régis Biegelmeyer 2.6.1. Partindo da análise da contabilidade de ambas empresas, a auditoria constatou grande diferença em termos de valores no que se refere aos registros contábeis relativos a máquinas e equipamentos. Como se observa no demonstrativo a seguir, a maior parte das máquinas e equipamentos estão lançadas na empresa Rui, sendo que a empresa Régis praticamente não possui máquinas e equipamentos próprios lançados no ativo não circulante (permanente) o que vem a ser bastante incomum tratandose de empresa que presta serviço para terceiros de industrialização por encomenda. Tal verificação, somada às constatações realizadas em visita ao local, isto é, existência de funcionários registrados na Régis trabalhando nas máquinas da Rui indicam que as instalações e maquinários utilizados pela Régis Biegelmeyer pertencem em grande parte à Rui Biegelmeyer e que a existência daquela é apenas formal. (...) 2.7. Mesmo contador e idêntica sistemática de contabilização 2.7.1. Da análise dos documentos apresentados, dentre eles DIários Contábeis, verificouse que o contador da Rui e Régis é o mesmo: Sr Luiz Carlos Bohn, CRC/RS 17.023. 2.7.2. Outro elemento a ressaltar é que tal é a similaridade e a conjunção de objetivos que a forma de contabilização é idêntica nas empresas já referidas. Sendo até os números e títulos das contas contábeis os mesmos em ambas empresas, conforme se observa, por exemplo, na conta contábil "Prestação de Serviço", código 60031, na conta "SIMPLES", código 60155 e assim por diante. (...) 3. Da exclusão do SIMPLES e do lançamento das contribuições previdenciárias. 3.1. Em face dos fatos relatados entendemos que houve utilização de interposta pessoa pela Rui Biegelmeyer, através do registro da empresa Régis Biegelmeyer, pertencente ao filho do Sr. Rui. Tal irregularidade é hipótese de exclusão do SIMPLES NACIONAL conforme preceitua a Lei Complementar 123/2006, em seu art. 29, IV. (...) Fl. 851DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 07/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 Em suma, a empresa foi excluída do SIMPLES pelo fato de a autoridade fiscal entender que houve utilização de interposta pessoa, através do registro da empresa Régis Biegelmeyer, pertencente ao filho do dono da empresa Rui F Biegelmeyer. Consta na autuação que as empresas funcionavam no mesmo local, na Rua 20 de Março, 1517, na cidade de Vale Real RS, além de realizarem a mesma atividade, atelier de sapatos. Além de tais similaridades, foi constatada que a empresa Régis Biegelmeyer utiliza o maquinário e os equipamentos da empresa autuada. Foi constatado que a contabilidade de ambas as empresas é realizada pela mesma pessoa, além da utilização da mesma sistemática de contabilidade, sendo os números e os títulos das contas contábeis os mesmos para as empresas, além de terem os mesmos clientes. Tendo em vista a situação encontrada pela autoridade fiscal, que também anexou ao processo as imagens presentes nas fls. 110/115, a empresa RUI foi excluída de ofício do SIMPLES a partir de 01/01/2006 através do Ato Declaratório Executivo nº 89, e do SIMPLES NACIONAL, a partir de 01/07/2007, através do Ato Declaratório Executivo nº 90. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a empresa contestou a autuação fiscal em epígrafe por meio do instrumento de fls. 142/216 DA DECISÃO DA DRJ Após analisar os argumentos do então impugnante, a 6ª Turma da Delegacia da Receita do Brasil de Julgamento em Porto Alegre, DRJ/POA, prolatou o Acórdão nº 1044.913, fls. 833/843, a qual julgou procedente a impugnação ofertada, exonerando o crédito tributário, conforme ementa a seguir transcrita. Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 30/04/2010 AI DEBCAD nº 37.267.3295 EMPRESA OPTANTE PELO SIMPLES E SIMPLES NACIONAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA RELATIVA À PARTE DA EMPRESA E DO SAT. IMPROCEDÊNCIA. Cancelados os Atos Declaratórios Executivos ADE que excluíram a empresa do SIMPLES e do SIMPLES NACIONAL, fica restabelecido o direito da mesma de permanecer optando pelos referidos sistemas, deixando de ser exigíveis as contribuições previdenciárias patronais incidentes sobre a folha de salários de segurados empregados e contribuintes individuais. A inscrição da empresa no SIMPLES e no SIMPLES NACIONAL implica pagamento mensal unificado dos impostos e contribuições elencados no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.317, de 1996 e no art. 13 da Lei Complementar nº 123, de 2006, entre os quais incluemse as contribuições sociais previdenciárias estabelecidas no art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Fl. 852DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 07/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 11065.002821/201022 Acórdão n.º 2403002.958 S2C4T3 Fl. 851 5 Tendo em vista que o crédito exonerado supera o valor de alçada estipulado no art. 1º da Portaria MF nº 03, de 03 de janeiro de 2008, D.O.U. de 07/01/2008, a DRJ recorreu de ofício da decisão. É o relatório. Fl. 853DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 07/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto Conheço do recurso de ofício por preencher seus pressupostos de admissibilidade. Uma vez que se tratava, teoricamente, de interposta pessoa, a empresa foi excluída do SIMPLES por representação fiscal com efeitos a partir de 01 de janeiro de 2006, assim como representação fiscal para exclusão do SIMPLES NACIONAL com efeitos a partir de 01/07/2007. Tal exclusão foi realizada de ofício através dos Atos Declaratórios Executivos número 89, exclusão do Simples Federal e número 90, exclusão do Simples Nacional, ambos datados de 21/09/2010. A fiscalização afirma que a motivação de abrir a interposta pessoa foi a vantagem na alíquota do simples, pois, acaso aglutinados os faturamentos de ambas, a alíquota seria de 12% sobre a receita bruta, e, com duas empresas separadas, a alíquota foi de 10%, para o ano de 2006, nos demais anos, a alíquota seria em uma média de 8,10% considerandoas como uma só empresa enquanto que com duas empresas diversas a alíquota foi de cerca de 6,70%. Narra a DRJ que na mesma sessão em que foi julgada a Impugnação do presente processo, foram julgados os processos 11065.002596/201024 e nº 11065.002597/201079, em que foram apresentadas manifestações de inconformidade contra os atos de exclusão do SIMPLES e do SIMPLES NACIONAL, cujos trechos importantes da decisão encontramse abaixo reproduzidos: PROCESSO Nº 11065.002596/201024 DA EXCLUSÃO DO SIMPLES Ato Declaratório Executivo DRF/NHO nº 089 (...) No presente caso, a firma individual foi constituída regularmente em 10/02/1994 (documento de fls. 322), tendo como titular o sr. Rui Francisco Biegelmeyer e tal situação permanece inalterada até a presente data, conforme consulta ao banco de dados da Secretaria da Receita Federal do Brasil. O fato do filho do titular constituir firma individual em 03/2003, que veio a se instalar no mesmo endereço da empresa do pai a partir de 03/2004, exercendo a mesma atividade, utilizandose ou não do maquinário de outra empresa e prestando serviços para um mesmo tomador em nada modifica a constituição da empresa RUI. Para que se pudesse afirmar que a empresa RUI foi constituída por interpostas pessoas que não seu verdadeiro titular, haveria que restar comprovado que o Sr. Rui não tinha interesse no negócio e/ou estaria figurando ali apenas para Fl. 854DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 07/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 11065.002821/201022 Acórdão n.º 2403002.958 S2C4T3 Fl. 852 7 aparentar uma formalização inexistente de fato. Não é o que se vislumbra. Se todas as acusações de simulação, dependência e vinculação familiar entre as empresas RÉGIS e RUI forem verdadeiras, ainda assim, a empresa que teria sido constituída por interposta pessoa seria a empresa RÉGIS e não a RUI. Salvo melhor juízo a situação não configura a constituição da empresa RUI com a interposição de um "laranja", qual seja, de terceira pessoa inserida na sociedade como pseudo sujeito das relações jurídicas, em prol de benefícios ilícitos em favor do titular oculto, que faz o aproveitamento econômico do negócio. Deste modo, é de se rejeitar a hipótese de constituição por interposta pessoa de que trata o inciso IV do artigo 14 da Lei nº 9.317 de 1996, não restando caracterizado o único fundamento da fiscalização para excluir a empresa RUI F. BIEGELMEYER do sistema especial de tributação do Simples Federal. Conclusão Nestes termos, voto por julgar procedente a manifestação de inconformidade apresentada, cancelando o Ato Declaratório Executivo DRF/NHO nº 089, de 21 de setembro de 2010. PROCESSO Nº 11065.002597/201079 DA EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL Ato Declaratório Executivo DRF/NHO nº 090 (...) No presente caso, a firma individual foi constituída regularmente em 10/02/1994 (documento de fls. 325), tendo como titular o sr. Rui Francisco Biegelmeyer e tal situação permanece inalterada até a presente data, conforme consulta ao banco de dados da Secretaria da Receita Federal do Brasil. O fato do filho do titular constituir firma individual em 03/2003, que veio a se instalar no mesmo endereço da empresa do pai a partir de 03/2004, exercendo a mesma atividade, utilizandose ou não do maquinário de outra empresa e prestando serviços para um mesmo tomador em nada modifica a constituição da empresa RUI. Para que se pudesse afirmar que a empresa RUI foi constituída por interpostas pessoas que não seu verdadeiro titular, haveria que restar comprovado que o Sr. Rui não tinha interesse no negócio e/ou estaria figurando ali apenas para aparentar uma formalização inexistente de fato. Não é o que se vislumbra. Se todas as acusações de simulação, dependência e vinculação familiar entre as empresas RÉGIS e RUI forem verdadeiras, ainda assim, a empresa que teria sido constituída por interposta pessoa seria a empresa RÉGIS e não a RUI. Salvo melhor juízo a situação não configura a constituição da empresa RUI com a interposição de um "laranja", qual seja, de terceira pessoa inserida na sociedade como pseudo sujeito das relações jurídicas, em prol de benefícios ilícitos em favor do titular oculto, que faz o aproveitamento econômico do negócio. Fl. 855DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 07/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 8 Deste modo, é de se rejeitar a hipótese de constituição por interposta pessoa de que trata o inciso IV do artigo 14 da Lei nº 9.317 de 1996, não restando caracterizado o único fundamento da fiscalização para excluir a empresa RUI F. BIEGELMEYER do sistema especial de tributação do Simples Federal. Conclusão Nestes termos, voto por julgar procedente a manifestação de inconformidade apresentada, cancelando o Ato Declaratório Executivo DRF/NHO nº 090, de 21 de setembro de 2010. Nos referidos autos foi demonstrado que a situação impeditiva da permanência do sujeito passivo no sistema simplificado de tributação levantada pela auditoria fiscal no decorrer da ação fiscal não foi comprovada em relação à utilização de interposta pessoa na constituição da sociedade empresária RUI F. BIEGELMEYER. Nos termos dos referidos julgados, par que se pudesse afirmar que a empresa RUI foi constituída por interpostas pessoas que não seu verdadeiro titular, haveria que restar comprovado que o Sr. Rui não tinha interesse no negócio e/ou estaria figurando ali apenas para apresentar uma formalização inexistente de fato. Ademais, se todas as acusações da fiscalização fossem verdadeiras, a empresa que teria sido constituída por interposta pessoa seria a empresa RÉGIS (filho) e não a RUI (pai). Ambas as empresas foram devidamente constituídas, tendo a empresa RUI sido constituída desde 10/02/1994 e a Régis em 03/2003, tendo apenas vindo a se instalar no mesmo endereço da empresa do pai a partir de 03/2004. Deste modo, entendo que não há reparos a serem efetuados. CONCLUSÃO Do exposto, conheço do Recurso de Ofício para, no mérito, negar provimento. Marcelo Magalhães Peixoto Relator Fl. 856DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 07/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
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Numero do processo: 10660.724196/2010-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Mar 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 30/12/2007
DECISÃO CITRA PETITA. NULIDADE.
É inválida a decisão que deixa de enfrentar e decidir causa de pedir ou alegação suscitada pela defesa, e que seja indispensável a sua solução, por ofensa ao aspecto substancial da garantia do contraditório, ao duplo grau de jurisdição e à exigência de motivação das decisões.
Decisão Recorrida Anulada.
Numero da decisão: 2402-004.511
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância.
Julio Cesar Vieira Gomes- Presidente
Luciana de Souza Espíndola Reis- Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Ausente o Conselheiro Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS
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ORGÃOS PÚBLICOS Recorrente MUNICÍPIO DE ELOI MENDES PREFEITURA MUNICIPAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 30/12/2007 DECISÃO CITRA PETITA. NULIDADE. É inválida a decisão que deixa de enfrentar e decidir causa de pedir ou alegação suscitada pela defesa, e que seja indispensável a sua solução, por ofensa ao aspecto substancial da garantia do contraditório, ao duplo grau de jurisdição e à exigência de motivação das decisões. Decisão Recorrida Anulada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Luciana de Souza Espíndola Reis Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Ausente o Conselheiro Thiago Taborda Simões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 72 41 96 /2 01 0- 91 Fl. 234DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão n.º 0939.959 da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Juiz de Fora (MG), fl. 151162 (Revisão do Ac. nº 0937.444, de 28/10/2011), com ciência ao sujeito passivo em 24/09/2012, que julgou procedente em parte a impugnação apresentada contra Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) lavrado sob o Debcad no 37.282.5818, do qual o representante do sujeito passivo foi pessoalmente cientificado em 03/11/2010, fl. 02. De acordo com o relatório fiscal, fl. 1819, o lançamento trata da contribuição social de responsabilidade da empresa tomadora de serviços mediante cessão de mão de obra ou empreitada, correspondente a 11% do valor bruto das notas fiscais ou faturas emitidas pelas empresas prestadoras de serviço identificadas no Anexo I, no período de 01/2007 a 12/2007, cujo montante não foi destacado na nota fiscal. Foi elaborado e juntado aos autos, f. 20, o Anexo I, contendo o nome da empresa contratada, CNPJ, nº NFPS, data de emissão, valor da NFPS, valor da retenção devida e descrição do serviço prestado. A autuada impugnou o lançamento, fl. 3638, sustentando, em síntese, que a base de cálculo está incorreta e que efetuou o pagamento das contribuições incidentes sobre parte das notas fiscais que embasaram o lançamento tributário (Construtora Niemeyer Ltda e Sul Tratores Peça e Equipamentos Ltda); que está dispensada da obrigação de efetuar a retenção (Alexandre Mariano Ramos, Batista e Pereira Vigilância Ltda, Atílio Majelo Vigado ME, Panha Prestação de Serviços, Silva Moreira Pavimentação Ltda) e que algumas atividades não estão sujeitas à retenção (Solution Consultoria e Projetos e Negócios Ltda, Space Danceteria e Eventos Ltda, Theos Consultoria e Treinamento em Recursos Ltda, Simone Machado Franco). Após informação fiscal da autoridade lançadora em razão de conversão do julgamento em diligência, fl. 7677 e 7980, a decisão de primeira instância foi proferida, conforme Acórdão nº 0937.444, da 5a Turma da DRJ de Juiz de Fora (MG), sessão de 28/10/2011, fl. 128136, o qual foi posteriormente invalidado por motivo de erro de cálculo, tendo sido substituído pelo Acórdão nº 0939.959, emitido pela mesma turma julgadora na sessão de 18/04/2012, no qual se concluiu pela procedência parcial da impugnação, mantendo se em parte o crédito tributário lançado. Foram excluídas do lançamento as contribuições incidentes sobre as notas fiscais emitidas pela empresa Atílio Majela VigatoME (serviço de propaganda volante) e a contribuição incidente sobre parte das notas fiscais das empresas Space Danceteria e Eventos Ltda e Construtora Niemeyer Ltda. As demais contribuições lançadas foram integralmente mantidas. O julgado restou assim ementado: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 30/12/2007 INEXATIDÕES MATERIAIS. SUBSTITUIÇÃO DE ACÓRDÃO. As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos existentes no Acórdão poderão ser Fl. 235DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10660.724196/201091 Acórdão n.º 2402004.511 S2C4T2 Fl. 235 3 corrigidos de ofício, ou a requerimento do sujeito passivo, havendo para tanto que ser proferido novo Acórdão. RETENÇÃO. ATIVIDADES. EXIGIBILIDADE. A empresa tomadora é obrigada a reter e recolher, em nome da empresa prestadora, onze por cento sobre o valor das notas fiscais de prestação de serviço realizados mediante cessão de mão de obra. DUPLICIDADE. RECOLHIMENTO NÃO CONSIDERADO. RETIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO. A existência de lançamento em duplicidade e de recolhimento de contribuição não considerado na ação fiscal ensejam a retificação do lançamento. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Em 24/10/2012, o Município interpôs recurso voluntário, fl. 171175, contendo, em síntese, as seguintes razões: Sustenta que a base de cálculo para a retenção é de quinze por cento do valor das seguintes NFPS: a) NFPS n° 000479 emitida pela Construtora Niemeyer Ltda, referente à prestação de serviço de pavimentação asfáltica, cujo recolhimento comprova em anexo; b) NFPS nº 245, 248, 243, 250, 251, 302 e 307, emitidas por Sul Trator Peças e Equipamentos Ltda, referentes à prestação de serviços de locação de máquina (trator de esteira) utilizado no aterro sanitário do Município de Eloi Mendes, conforme comprovam os documentos anexos (contrato e nota de empenho). Alega que está dispensado de reter as contribuições das seguintes prestadoras de serviço porque o valor da nota fiscal é inferior a duas vezes o limite máximo do salário de contribuição: a) Batista e Pereira Vigilância Ltda, e b) Silva Moreira Pavimentação Ltda. Em relação à primeira, alega também que ela não possuía empregados registrados na época da realização do serviço. Sustenta que também está dispensado de reter as contribuições das seguintes prestadoras de serviço, uma vez que o valor da nota fiscal é inferior a duas vezes o limite máximo do salário de contribuição, além de as empresas serem optantes pelo SIMPLES: a) Alexandre Mariano Ramos; b) Centro de Formação de Condutores São Carlos Ltda, cujo serviço prestado, serviço na área de legislação de trânsito, não está sujeito à retenção; c) Panha Prestação de Serviços. Argumenta que não estão sujeitos à retenção os seguintes serviços: a) serviços de consultoria e de treinamento e ensino prestados pelas empresas Solution Consultoria e Projetos e Negócios Ltda e Theos Consultoria e Treinamento em Recursos Humanos Ltda. Quando aos serviços de treinamento e ensino, explica que foram executados mediante empreitada, considerando que é a empresa contratada quem prepara e realiza o treinamento, oferecendoo a quaisquer interessados, além de não ter havido continuidade na prestação desse serviço; b) serviços no setor musical com trio elétrico durante o período de carnaval, executados pela empresária Simone Machado Franco; c) a atividade de apresentação Fl. 236DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 de artistas, incluída no contrato firmado com a empresa Space Danceteria e Eventos Ltda, para realização dos eventos do Município de Eloi Mendes quando da comemoração do seu aniversário. Alega, ainda, erro do valor lançado, considerando que o valor dos serviços foi de R$ 43.000,00 (Nota de empenho NE 5062), R$ 26.500,00 (NE 5065) e R$ 43.000,00 (NE 5063). Requer seja dado provimento ao recurso. Sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, os autos foram enviados a este Conselho para julgamento. É o relatório. Fl. 237DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10660.724196/201091 Acórdão n.º 2402004.511 S2C4T2 Fl. 236 5 Voto Conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis, Relatora Recurso Voluntário Conheço do recurso por estarem presentes os requisitos de admissibilidade. Acórdão Recorrido. Requisitos Vislumbro questões processuais que devem ser analisadas em primeiro plano para que seja assegurada a validade do processo. Conforme mencionado neste voto, na impugnação ao lançamento tributário, o Município alegou que a base de cálculo está incorreta e que efetuou o pagamento das contribuições incidentes sobre parte das notas fiscais abordadas no lançamento tributário (Construtora Niemeyer Ltda e Sul Tratores Peça e Equipamentos Ltda); que está dispensada da obrigação de efetuar a retenção em razão do valor e por se tratar de empresa do SIMPLES (Alexandre Mariano Ramos, Batista e Pereira Vigilância Ltda, Atílio Majelo VigadoME, Panha Prestação de Serviços, Silva Moreira Pavimentação Ltda) e que algumas atividades não estão sujeitas à retenção (Solution Consultoria e Projetos e Negócios Ltda, Space Danceteria e Eventos Ltda, Theos Consultoria e Treinamento em Recursos Ltda, Simone Machado Franco). Entretanto, o juizo a quo deixou de se manifestar sobre as alegações de fato e de direito sobre os fatos tributários que ensejaram o lançamento das contribuições a título de retenção sobre as notas fiscais das empresas Alexandre Mariano Ramos, Batista e Pereira Vigilância Ltda, Panha Prestação de Serviços e Silva Moreira Pavimentação Ltda. A decisão que deixa de enfrentar e decidir causa de pedir ou alegação suscitada pela defesa, e que seja indispensável a sua solução, está contaminada por defeito que compromete a sua validade por ofensa ao aspecto substancial da garantia do contraditório, ao duplo grau de jurisdição, bem como à exigência de motivação das decisões (art. 93, IX, da CF/88). O Decreto 70.235/72, em seu art. 59, inciso II, confere nulidade às decisões proferidas com preterição do direito de defesa. O Superior Tribunal de Justiça tem decidido que o vício gerado por decisão citra petita leva à anulação da decisão para que outra seja proferida em seu lugar, inclusive apontando para a natureza de nulidade absoluta do vício, com a consequente possibilidade de reconhecimento de ofício pelo órgão julgador1. 1 REsp 686.961/RJ, 2a Turma, rel Min. Eliana Calmon, j. 04.04.2006, DJ 16.05.2006; REsp 756844/SC, 5a Turma, rel. Min. José Arnaldo da Fonseca, j. 15.09.2005, DJ 17.10.2005. Fl. 238DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Conclusão Com base no exposto, voto por anular o Acórdão n.º 0939.959 da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Juiz de Fora (MG), cabendo, ao órgão julgador de primeira instância, proferir nova decisão suprindo as omissões apontadas. Luciana de Souza Espíndola Reis. Fl. 239DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 13819.903984/2008-75
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2005
Pedido De Restituição. Irrf. Receitas.
O deferimento do pedido de restituição que importa em reconhecimento de IRRF, transmutado em saldo negativo de IRPJ, depende de duas condições: a comprovação cabal que as receitas correlatas foram efetivamente oferecidas à tributação e o não aproveitamento deste valor pelo contribuinte.
Restituição Do Indébito Tributário. Prova. Ônus.
O ônus da prova do crédito tributário pleiteado na Per/Dcomp - Pedido de Restituição é da contribuinte (artigo 333, I, do CPC). Não sendo produzida nos autos, indefere-se o pedido e não homologa-se a compensação pretendida entre crédito e débito tributários.
Numero da decisão: 1801-002.305
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH
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IRRF. RECEITAS. O deferimento do pedido de restituição que importa em reconhecimento de IRRF, transmutado em saldo negativo de IRPJ, depende de duas condições: a comprovação cabal que as receitas correlatas foram efetivamente oferecidas à tributação e o não aproveitamento deste valor pelo contribuinte. RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PROVA. ÔNUS. O ônus da prova do crédito tributário pleiteado na Per/Dcomp Pedido de Restituição é da contribuinte (artigo 333, I, do CPC). Não sendo produzida nos autos, indeferese o pedido e não homologase a compensação pretendida entre crédito e débito tributários. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich– Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 90 39 84 /2 00 8- 75 Fl. 335DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 12/03/2 015 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Relatório Trata de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão nº 03045.792/11, proferido pela Segunda Turma de Julgamento da DRJ em Brasília/DF, efls. 292 a 300, pelo qual mantevese o decidido no Despacho Decisório Eletrônico que não reconheceu o direito creditório pleiteado pela contribuinte, no caso, Saldo Negativo de IRPJ, relativo ao ano calendário de 2005, no valor de R$ 349.284,03, dado inconsistente com a DIPJ/06, na qual constou IRPJ a pagar no valor de R$ 393.491,42. Em sede de manifestação de inconformidade, a contribuinte argumenta que errou ao preencher a DIPJ/06, por não ter informado retenções sofridas de IR, e que, na verdade, apurou prejuízo e não lucro, fazendo jus à repetição do indébito tributário consoante solicitado no Per/Dcomp objeto do litígio dos autos. Junta para comprovar o que alega, balancetes contábeis, nos quais os valores das receitas auferidas estão informados líquidos, sem os tributos federais retidos pelas fontes pagadoras, requerendo posterior realização de diligências para a juntada de extratos bancários, cópias de Notas Fiscais, Livro Diário. Requer, ainda, a conferência dos valores efetivamente retidos de IR junto aos sistemas informatizados da Administração Tributária (DIRF entregues pelas fontes pagadoras). Assim fundamentou o Acórdão recorrido para indeferir o Per/Dcomp (Pedido de Restituição e Declaração de Compensações) emitido pela recorrente: "[...] A interessada, por sua vez, alega ter direito ao crédito pleiteado e aduz que cometeu um equivoco ao não identificar os valores de tributos federais retidos na fonte pelos seus clientes na DIPJ correspondente. Acrescenta que nenhum tributo era devido nesse período, visto que a empresa teve prejuízo em 2005. Entretanto, não se encontram acostados aos autos cópias da escrita contábil e fiscal do interessado, e tampouco documentação correlata, hábeis para demonstrar a efetividade das retenções alegadas e necessárias para a formação da convicção do julgador quanto à ocorrência efetiva do erro invocado no preenchimento da DIPJ. Como comprovação do alegado, a manifestante apenas anexou cópias das demonstrações contábeis de 2005, quais sejam, parecer dos auditores independentes, balanço patrimonial, demonstração do resultado, demonstração das mutações do passivo a descoberto, demonstração das origens e aplicações de recursos e notas explicativas às demonstrações contábeis. Entretanto, tais documentos não se constituem em documentos hábeis para a comprovação das retenções ocorridas. [...] Assim, não tendo a manifestação de inconformidade apresentada pelo sujeito passivo trazido qualquer prova documental que proporcione respaldo à alegação apresentada, não há como dar acolhimento aos argumentos ali apresentados. Ademais, conforme telas de consulta aos sistemas informatizados da RFB, anexadas aos presentes autos, constatase que, das parcelas do saldo negativo informadas pela requerente na declaração de compensação, apenas foi confirmada a retenção no valor de R$ 73.398,71. Ressaltese que tal validação é procedida mediante o confronto das informações de parcelas de composição do crédito informadas na DCOMP com as informações constantes dos sistemas da RFB. Fl. 336DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 12/03/2 015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13819.903984/200875 Acórdão n.º 1801002.305 S1TE01 Fl. 3 3 Considerando, ainda, que, conforme ficha 12 A da DIPJ 2006, à fl. 50, o valor do IRPJ a pagar no período era R$ 507.000,00 (R$ 318.600,00+R$188.400,00), superior, portanto, às retenções validadas, não há como se reconhecer direito creditório nesse período. Quanto à alegação de que a empresa não devia nenhum tributo haja vista a apuração de prejuízo no período, ressaltase que, não obstante a ficha 06A da DIPJ apresentar um prejuízo contábil (fl. 44), na ficha 09A foi informado, após adições, exclusões e compensações, o lucro real no montante de R$ 2.124.000,00 (fl. 45). [...]" A Turma Julgadora de Primeira Instância afastou o pedido de realização de diligências e perícias por entender que compete à recorrente o ônus probatório, que o momento adequado para trazer a documentação comprobatória do que suscita é junto com a manifestação de inconformidade, sob pena de preclusão, e que os elementos constantes dos autos já são suficientes para formar a convicção para o julgamento da lide. A empresa interpôs tempestivamente1 o Recurso de efls. 309 a 320, instruído com planilhas, DARF e informes de rendimentos anuais, efls. 322 a 331, reiterando os termos da defesa exordial, em síntese, que: a) o resultado positivo de dezembro de 2005 foi informado na DIPJ/06 por engano, havendo a empresa suportado prejuízo no anocalendário e se omitido em informar os IRRF a que faz jus, retidos pelas fontes pagadoras durante o anocalendário de 2005; b) solicitou, conforme reza o artigo 16 do Decreto nº 70.235/72, a realização de diligências e perícia, que foram negadas, causando cerceamento de defesa, sendo passível de nulidade o acórdão recorrido; c) sequer a diligência eletrônica solicitada com o intuito da conferência dos valores de IRRF efetivamente retidos pelas fontes pagadores foi deferida (pesquisa de DIRF); d) apresentou os balancetes contábeis e outros documentos para a comprovação do alegado, esclarecendo que os valores das Notas Fiscais foram escriturados de forma líquida (receitas líquidas); e) é vedado à Administração Tributária rever os resultados apurados em DIPJ dos contribuintes após cinco anos, reabrindo exames de auditoria, por decaído o direito de lançar tributos após o prazo quinquenal, contado a partir da ocorrência do fato gerador; f) os princípios da verdade material, do contraditório e da ampla defesa foram ofendidos de forma cabal. Requer ao final, a realização de diligências e perícias, bem como que o patrono da causa seja intimado desta decisão em seu domicílio. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. 1 AR – 24/08/12, efls. 307; Recurso – 25/09/12, efls. 309 Fl. 337DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 12/03/2 015 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich, Relatora Conheço do Recurso Voluntário, por tempestivo. A recorrente pretende, nos autos, modificar os dados informados na DIPJ/06, precipuamente o valor do Lucro Real apurado e devido para o anocalendário de 2005 e junta aos autos documentos que entende serem suficientes para fazer início de prova do que alega e capazes de ensejar a realização de diligência ou perícia. Todavia, carece de razão. O Acórdão recorrido declinou a solicitação da contribuinte em razão de duas premissas: a primeira, porque, nos casos de pedido de repetição de indébito tributário, o ônus probatório é da requerente e as provas dos erros cometidos devem vir instruindo a manifestação de inconformidade, não estando a autoridade julgadora obrigada a deferir a realização das diligências/perícias, quando nos autos há elementos suficientes para formar a sua convicção. Da análise dos documentos dos autos e esclarecimentos da recorrente, deduz se, de plano, que a recorrente sequer atentou para o fato de que lucro/prejuízo contábeis não se confundem com lucro/prejuízo fiscais, estes sim levados à tributação. Dispõe o artigo 247 do Regulamento do Imposto de Renda vigente (Decreto nº 3.000/99 – RIR/99): Conceito de Lucro Real Art. 247. Lucro real é o lucro líquido do período de apuração ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas por este Decreto (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º). Assim, notase que em nenhum momento a recorrente faz menção ao resultado apurado no Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur), ou exibeo, para justificar possível erro de informação na DIPJ/06, quanto ao Lucro Real apurado em 2005. Aliás, a DIPJ/06 corretamente informa na Ficha 06 A que a empresa sofreu "Resultado Negativo em Participação Societária" (efls. 50), em valor que foi adicionado ao Lucro Contábil da empresa (no Lalur), consoante verificase à Ficha 09 A (efls. 51), procedimento contábil correto, o que levou à apuração de IRPJ devido no ajuste anual. Reza o artigo 249 do RIR/99: Art. 249 Na determinação do lucro real, serão adicionados ao lucro líquido do período de apuração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, § 2º ): I os custos, despesas, encargos, perdas, provisões, participações e quaisquer outros valores deduzidos na apuração do lucro líquido que, de acordo com este Decreto, não sejam dedutíveis na determinação do lucro real; II os resultados, rendimentos, receitas e quaisquer outros valores não incluídos na apuração do lucro líquido que, de Fl. 338DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 12/03/2 015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13819.903984/200875 Acórdão n.º 1801002.305 S1TE01 Fl. 4 5 acordo com este Decreto, devam ser computados na determinação do lucro real.2 Por conseguinte, os dados informados na DIPJ/06, em face à documentação acostada aos autos, ainda que com exceção do Lalur, demonstram estar escorreita a apuração do Lucro Real no valor de R$ 2.124.000,00, bem como do IRPJ devido, no valor de R$ 318.600,00, mais o adicional de R$ 188.400,00 (Ficha 12A, efls. 56). E a recorrente também se equivoca ao requerer que seja admitido o IRRF, cujos Informes de Rendimentos anexa às efls 322 a 330, como se não houvessem sido considerados pela Turma de Julgamento a quo ou mesmo no Despacho Decisório. Observese que na DIPJ/06 a recorrente informou o valor de R$ 113.508,58 (efls. 56), enquanto no Recurso Voluntário admitiu ser indevido este valor, pleiteando o valor de R$ 83.791,08. Ocorre que, ao verificarse os valores planilhados pela recorrente e os Informes de Rendimentos, apurase IRRF no valor de R$ 75.785,16, pois a recorrente utilizou duas vezes o valor de IR retido pela fonte pagadora Eletrosul, CNPJ 00.073.957/000168 (no valor de R$ 8.006,03). E não importa, para o deslinde deste litígio, se a Administração Tributária utilizou o valor de R$113.508,58, ou aquele acusado pelas DIRF e salientado no Acórdão combatido: Ademais, conforme telas de consulta aos sistemas informatizados da RFB, anexadas aos presentes autos, constatase que, das parcelas do saldo negativo informadas pela requerente na declaração de compensação, apenas foi confirmada a retenção no valor de R$ 73.398,71. (destaquei) Em sendo o IRPJ devido no valor de R$ 507.000,00 (318.600,00 + 188.400,00) quaisquer dos valores acima mencionados não têm o condão de reverter o resultado apurado no ajuste anual de IRPJ a pagar para Saldo Negativo de IRPJ. Há que se salientar, ainda, que em um exame mais aprofundado, nem o valor de R$ 75.785,16, apurado consoante planilhas e documentos acostados ao Recurso Voluntário, faria jus a recorrente para deduzir do IRPJ devido, haja vista a recorrente confessar que contabilizou e ofereceu à tributação os valores não brutos das receitas auferidas, mas valores líquidos, já deduzidos os tributos federais. Vale dizer que está a se beneficiar duas vezes do IRRF na hora de oferecer as receitas à tributação e repetindo o valor na dedução do IRPJ devido, no ajuste anual. Para finalizar, é oportuno esclarecer à recorrente que a autoridade a quo não alterou qualquer valor originalmente informado na DIPJ/06 para o fim de indeferir o Per/Dcomp, sendo improfícua a argumentação de que foram examinados anos anteriores já alcançados pela decadência. Sequer aventouse, nos autos, realizar qualquer lançamento tributário para modificar os resultados apurados pela própria recorrente. 2 Serão adicionados ao lucro líquido (RIR/1999, art. 249): os custos, despesas, encargos, perdas, provisões, participações e quaisquer outros valores deduzidos na apuração do lucro líquido que, de acordo com a legislação tributária, não sejam dedutíveis na determinação do lucro real (exemplo: resultados negativos de equivalência patrimonial, custos e despesas não dedutíveis); http://www.receita.fazenda.gov.br/pessoajuridica/dipj/2005/pergresp2005/pr242a264.htm Fl. 339DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 12/03/2 015 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 Quem pretendeu alterar os valores informados na DIPJ/06, no caso IRPJ devido, por suposta redução de base de cálculo, sem, todavia, apresentar qualquer documento hábil para este fim foi a própria recorrente, sendo este ônus somente seu. Este princípio é consagrado pelo art. 333, inciso I, do Código de Processo Civil – CPC, aplicado subsidiariamente ao processo administrativo fiscal – Decreto nº 70.235/72 (PAF): Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; Por todo o exposto, não há, com efeito, o porquê de realizarse diligências ou perícia para buscar a verdade material dos fatos, já perfeitamente comprovados. O artigo 18 do Decreto nº 70.235/72 (PAF) dispõe: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (grifos não pertencem ao original) Pelo exposto, em nada foram ofendidos os princípios do processo administrativo fiscal, ou aqueles constitucionais, a saber, verdade material dos fatos; da ampla defesa e do assegurado contraditório. Voto em negar o provimento do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich Fl. 340DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 12/03/2 015 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 13854.000281/2005-14
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/09/2005 a 30/09/2005
NÃO-CUMULATIVIDADE. GASTOS COM BENS E SERVIÇOS. INSUMO.
Gastos com bens e serviços não efetivamente aplicados ou consumidos na fabricação ou produção de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços ou que não estejam amparados por expressa disposição legal não dão direito a créditos da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep não cumulativas.
NÃO-CUMULATIVIDADE. GASTOS COM BENS E SERVIÇOS. INSUMO. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES.
Óleo diesel utilizado para abastecer máquinas e implementos que cortam e carregam a cana-de-açúcar e os caminhões que a transportam do campo até a esteira da usina é insumo para empresa de produção de cana-de-açúcar e de açúcar e álcool e, por isso, dá direito a crédito no cálculo da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep não cumulativas, desde que na sua aquisição tenha havido cobrança da contribuição.
REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL. RECEITA BRUTA TOTAL.
No cálculo do rateio proporcional para atribuição de créditos no regime da não-cumulatividade da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep, no valor da receita bruta total incluem-se as receitas da vendas de bens e serviços e todas as demais receitas, inclusive as financeiras e as vendas do ativo.
VARIAÇÃO CAMBIAL POSITIVA. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. INCIDÊNCIA DA COFINS E DA CONTRIBUÇÃO PARA O PIS/PASEP. RECURSO REPETITIVO. REPRODUÇÃO DA DECISÃO DO STF.
A receita originada da variação cambial positiva obtida nas operações de exportação de produtos é considerada receita decorrente de exportação, logo, não incidem sobre ela a Cofins e a contribuição para o PIS/Pasep.
VARIAÇÃO CAMBIAL POSITIVA. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL. RECURSO REPETITIVO. REPRODUÇÃO DA DECISÃO DO STF.
A reprodução de decisão do STF em julgamento na sistemática do recurso repetitivo, que baseou-se no entendimento de que a receita originada da variação cambial positiva obtida nas operações de exportação de produtos é considerada receita decorrente de exportação, implica incluir tal receita, no cálculo do rateio proporcional para atribuição de créditos no regime da não-cumulatividade da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep, como receita de exportação e como receita bruta total, acrescendo tanto o numerador quanto o denominador do rateio.
ÁLCOOL PARA FINS CARBURANTES. INCIDÊNCIA CUMULATIVA DA COFINS E DO PIS/PASEP.
A receita de venda de álcool para fins carburantes teve mantida sua forma de tributação, cumulativa, mesmo após a instituição do regime não-cumulativo de apuração.
INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3801-004.722
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado: I) Por unanimidade de votos, dar provimento parcial para cancelar as exclusões no cálculo dos gastos que dão direito ao crédito dos valores referentes às aquisições de combustíveis e lubrificantes utilizados em máquinas e equipamentos empregados no corte e carregamento de cana-de-açúcar, desde que nas aquisições tenha ocorrido a cobrança da contribuição social; incluir os valores das variações cambiais decorrentes de operações de exportação como receita de mercado externo e, no cálculo do rateio proporcional, no numerador (receitas de exportação) e no denominador (receita bruta total); corrigir o cálculo do rateio, de modo que as receitas financeiras e a decorrente da venda do ativo não sejam incluídas no numerador (receita de exportação) e seja incluída na receita bruta total (denominador); II) Pelo voto de qualidade, negar provimento em relação as demais matérias. Vencidos os Conselheiros Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Demes Brito e Cássio Schappo que davam provimento integral ao recurso em face das demais matérias..
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sergio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Cássio Schappo e Demes Brito.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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GASTOS COM BENS E SERVIÇOS. INSUMO. Gastos com bens e serviços não efetivamente aplicados ou consumidos na fabricação ou produção de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços ou que não estejam amparados por expressa disposição legal não dão direito a créditos da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep não cumulativas. NÃOCUMULATIVIDADE. GASTOS COM BENS E SERVIÇOS. INSUMO. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. Óleo diesel utilizado para abastecer máquinas e implementos que cortam e carregam a canadeaçúcar e os caminhões que a transportam do campo até a esteira da usina é insumo para empresa de produção de canadeaçúcar e de açúcar e álcool e, por isso, dá direito a crédito no cálculo da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep não cumulativas, desde que na sua aquisição tenha havido cobrança da contribuição. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL. RECEITA BRUTA TOTAL. No cálculo do rateio proporcional para atribuição de créditos no regime da nãocumulatividade da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep, no valor da receita bruta total incluemse as receitas da vendas de bens e serviços e todas as demais receitas, inclusive as financeiras e as vendas do ativo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 4. 00 02 81 /2 00 5- 14 Fl. 169DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13854.000281/200514 Acórdão n.º 3801004.722 S3TE01 Fl. 3 2 VARIAÇÃO CAMBIAL POSITIVA. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. INCIDÊNCIA DA COFINS E DA CONTRIBUÇÃO PARA O PIS/PASEP. RECURSO REPETITIVO. REPRODUÇÃO DA DECISÃO DO STF. A receita originada da variação cambial positiva obtida nas operações de exportação de produtos é considerada receita decorrente de exportação, logo, não incidem sobre ela a Cofins e a contribuição para o PIS/Pasep. VARIAÇÃO CAMBIAL POSITIVA. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL. RECURSO REPETITIVO. REPRODUÇÃO DA DECISÃO DO STF. A reprodução de decisão do STF em julgamento na sistemática do recurso repetitivo, que baseouse no entendimento de que a receita originada da variação cambial positiva obtida nas operações de exportação de produtos é considerada receita decorrente de exportação, implica incluir tal receita, no cálculo do rateio proporcional para atribuição de créditos no regime da não cumulatividade da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep, como receita de exportação e como receita bruta total, acrescendo tanto o numerador quanto o denominador do rateio. ÁLCOOL PARA FINS CARBURANTES. INCIDÊNCIA CUMULATIVA DA COFINS E DO PIS/PASEP. A receita de venda de álcool para fins carburantes teve mantida sua forma de tributação, cumulativa, mesmo após a instituição do regime nãocumulativo de apuração. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado: I) Por unanimidade de votos, dar provimento parcial para cancelar as exclusões no cálculo dos gastos que dão direito ao crédito dos valores referentes às aquisições de combustíveis e lubrificantes utilizados em máquinas e equipamentos empregados no corte e carregamento de canadeaçúcar, desde que nas aquisições tenha ocorrido a cobrança da contribuição social; incluir os valores das variações cambiais decorrentes de operações de exportação como receita de mercado externo e, no cálculo do rateio proporcional, no numerador (receitas de exportação) e no denominador (receita bruta total); corrigir o cálculo do rateio, de modo que as receitas financeiras e a decorrente da venda do ativo não sejam incluídas no numerador (receita de exportação) e seja incluída na receita bruta total (denominador); II) Pelo voto de qualidade, negar provimento em relação as demais matérias. Vencidos os Conselheiros Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Demes Brito e Cássio Schappo que davam provimento integral ao recurso em face das demais matérias.. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13854.000281/200514 Acórdão n.º 3801004.722 S3TE01 Fl. 4 3 (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Cássio Schappo e Demes Brito. Relatório Adoto o relatório do acórdão recorrido, por retratar suficientemente a lide. “A interessada pleiteia, por meio de Declaração de Compensação, o crédito relativo à Contribuição para o PIS/Pasep, nãocumulativo, do mês de setembro de 2005, de conformidade com o § 1º, do artigo 5°, da Lei n° 10.637/2002, que após a dedução devida, resultou, segundo entendimento da empresa, em um remanescente a compensar de R$44.629,27. O Serviço de Fiscalização, da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Ribeirão Preto procedeu à fiscalização e por meio da Informação Fiscal (fls. 72/84), procedeu ao rateio proporcional, por não encontrar sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; constatou créditos indevidos de combustíveis e lubrificantes que não foram utilizados como insumo na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; inclusão da receita financeira, da receita de bens do ativo permanente na receita do mercado interno, das notas fiscais de complemento de preço (variação cambial) e da receita da exportação de álcool combustível na receita de exportação; créditos indevidos de cana de açúcar adquirida de pessoa física e créditos indevidos de cana de açúcar adquirida de pessoa jurídica que exerce atividade agropecuária. Por fim, foi reconhecido o crédito de R$ 11.462,24, para compensação, conforme a legislação vigente. Cientificada do Despacho Decisório de fls. 85/86, e inconformada, a contribuinte apresentou a Manifestação de Inconformidade, de fls. 101/114. Preliminarmente, disserta sobre as informações do processo e as intimações encaminhadas. Inicialmente, defende que o óleo diesel foi utilizado “para abastecer as máquinas e implementos que cortam e carregam a canadeaçúcar e os caminhões que a transportam do campo até a esteira” e lhe dá direito ao crédito destas aquisições no período. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13854.000281/200514 Acórdão n.º 3801004.722 S3TE01 Fl. 5 4 Alega que a receita financeira do mercado interno e do ativo permanente “estão atreladas `a receita de vendas no mercado interno” e quanto às “notas fiscais de complemento de preço”, serialhe permitido se creditar nos termos do artigo 149, da Constituição Federal. Defende que a receita de álcool exportado integra a base de cálculo na apuração não cumulativa. Afirma inaplicabilidade da IN/SRF nº 660/2006, por não ser possível a sua retroatividade e que a restrição seria ilegal e inconstitucional, pois “deve observar as conseqüências jurídicas da irretroatividade para se instaurar sob o manto da segurança jurídica e da legalidade”. Ao final, alega, no plano geral, inconstitucionalidade da Lei nº 10.925/2004, e pede o deferimento da manifestação de inconformidade.”. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto DRJ/RPO julgou improcedente a manifestação de inconformidade conforme ementa a seguir: “Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/09/2005 a 30/09/2005 CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. INSUMOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO. Para efeitos de apuração dos créditos da Cofins nãocumulativa, entendese como insumos utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda apenas as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. AQUISIÇÃO DE COMBUSTÍVEIS. A aquisição de combustíveis gera direito a crédito apenas quando utilizado como insumo na fabricação dos bens destinados à venda. CRÉDITOS. CRITÉRIO DE DETERMINAÇÃO. Inexistindo sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração, a apropriação dos créditos deve ser feita por rateio proporcional. VARIAÇÃO CAMBIAL RECEITA FINANCEIRA As variações monetárias ativas dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função da taxa de câmbio, são consideradas receitas financeiras. Assunto: Normas de Administração Tributária Fl. 172DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13854.000281/200514 Acórdão n.º 3801004.722 S3TE01 Fl. 6 5 Período de apuração: 01/09/2005 a 30/09/2005 ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA. A arguição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento da matéria, do ponto de vista constitucional.” Contra esta decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual repete as alegações da impugnação. É o relatório. Fl. 173DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13854.000281/200514 Acórdão n.º 3801004.722 S3TE01 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. Admissibilidade do recurso voluntário. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para julgamento nesta turma especial. Insumo e a contribuição para o PIS/Pasep sob a regência da Lei nº 10.637, de 2002. A Lei nº 10.637, de 2002, determina: “Art. 2º Para determinação do valor da contribuição para o PIS/Pasep aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento). (...) Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (...) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) no § 1o do art. 2o desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Para gerarem crédito, os gastos glosados pela fiscalização deveriam enquadrarse no conceito de insumo previsto no inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.833, de 2003, pois não se enquadram em nenhum dos demais incisos deste artigo. Fl. 174DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13854.000281/200514 Acórdão n.º 3801004.722 S3TE01 Fl. 8 7 Tendo em vista que a recorrente alega justamente isto, pois, segundo ela, todos os gastos necessários ao processo produtivo poderiam ser incluídos no cálculo dos créditos a serem deduzidos dos valores a recolher, seja da COFINS, seja da Contribuição para o PIS/Pasep, tratemos do conceito de insumo. Conforme o art. 153, IV, § 3º II, da CF/88, o imposto sobre produtos industrializados (IPI), de competência da União, será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores. E, segundo o art. 155, II, §2º, I, da CF/88, o imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação (ICMS), de competência dos Estados e do Distrito Federal, será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação relativa à circulação de mercadorias ou prestação de serviços com o montante cobrado nas anteriores pelos Estados ou pelo Distrito Federal. Até pouco tempo atrás, apenas a estes dois tributos, classificados no CTN como impostos sobre a produção e a circulação, aplicavase a nãocumulatividade. Muito se discutiu sobre que bens e serviços, uma vez adquiridos, ensejariam crédito para compensar com o que seria devido nas operações tributadas por estes impostos, de modo que o que se entende por “insumo” está atrelado à materialidade deles. Vale dizer, o conteúdo do conceito de “insumo” decorre dos entendimentos firmados sobre quais bens e serviços seriam alcançados pela nãocumulatividade própria de impostos incidentes sobre a produção e a circulação. É este conteúdo que o legislador tinha em mente, quando se referiu a bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda como aqueles que dariam direito a créditos para abatimento da COFINS e da Contribuição para o PIS/PASEP a serem recolhidas. Ao não elucidar o que deveria ser entendido por “insumo”, o legislador, por certo, admitiu que aquilo que se tinha como o seu conteúdo deveria servir para nortear a concretização do comando legal bem como as condutas das pessoas a quem a norma se destinava. Fosse intenção do legislador que o termo “insumo” tivesse um alcance maior do que o já consolidado, teria ele expressado um conceito de insumo diferente. Assim, devem ser rechaçados argumentos segundo os quais o conceito de “insumo” somente poderia ser igual ao utilizado pela legislação do IPI se a lei assim determinasse. Pelo contrário, por serem, COFINS e PIS/Pasep, contribuições instituídas por lei federal, a legislação do IPI, que também é tributo federal nãocumulativo, pode e deve ser utilizada para obtenção do conceito de “insumo”. Também não deve ser aceito argumento segundo o qual todos os gastos dedutíveis na apuração da base de cálculo do imposto sobre a renda incluirseiam no conceito de insumo para fins de abatimento dos valores a serem recolhidos como COFINS e Fl. 175DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13854.000281/200514 Acórdão n.º 3801004.722 S3TE01 Fl. 9 8 contribuição para o PIS/PASEP, pois, isto implicaria considerar letra morta muitos dos dispositivos das Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003, que apresentam rol de bens, cujas aquisições podem ser incluídas na apuração de créditos a serem descontados destas contribuições. Quisesse o legislador que todos os gastos necessários à produção, fabricação ou prestação de serviços ensejassem o direito ao crédito, não usaria o termo “insumo”; reproduziria legislação do IRPJ ou evidenciaria que todos os gastos dedutíveis em relação ao IRPJ dariam aquele direito. Assim, da leitura dos dispositivos que trataram da nãocumulatividade da COFINS e da Contribuição para o PIS/PASEP, com base no que foi dito acima, aos bens conceituados como insumo à luz da legislação do IPI, a saber, matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem consumidos na produção industrial de produtos, em decorrência de contato direto com estes, devem ser acrescentados: os serviços utilizados na prestação de serviços e na produção e fabricação de bens ou produtos destinados à venda; outros bens utilizados na prestação de serviços e na produção, ainda que não industrial, de bens destinados à venda; outros gastos expressamente citados nas Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003. Em reforço a tal entendimento, vejamse alguns trechos da Exposição de Motivos da MP nº 66, de 26/08/2002, posteriormente convertida na Lei nº 10.637/2002: “2. A proposta, de plano, dá curso a uma ampla reestruturação na cobrança das contribuições sociais incidentes sobre o faturamento. Após a instituição da cobrança monofásica em vários setores da economia, o que se pretende, na forma desta Medida Provisória, é, gradualmente, procederse à introdução da cobrança em regime de valor agregado – inicialmente com o PIS/Pasep para, posteriormente, alcançar a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins). 3. O modelo ora proposto traduz demanda pela modernização do sistema tributário brasileiro sem, entretanto, pôr em risco o equilíbrio das contas públicas, na estrita observância da Lei de Responsabilidade Fiscal. Com efeito, constitui premissa básica do modelo a manutenção da carga tributária correspondente ao que hoje se arrecada em virtude da cobrança do PIS/Pasep. ... 7. Para fins de controle do crédito presumido, a Secretaria da Receita Federal poderá estabelecer limites, por espécie de bem ou serviço, para o valor das aquisições realizadas. ... 9. A alíquota foi fixada em 1,65% e incidirá sobre as receitas auferidas pelas pessoas jurídicas, admitido o aproveitamento de créditos vinculados à aquisição de insumos, bens para revenda e bens destinados ao ativo imobilizado, ademais de, entre outras, despesas financeiras. ... Fl. 176DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13854.000281/200514 Acórdão n.º 3801004.722 S3TE01 Fl. 10 9 44. Com relação ao atendimento das condições e restrições estabelecidas pelo art. 14 da Lei de Responsabilidade Fiscal, cumpre esclarecer que: a) a introdução da incidência não cumulativa na cobrança do PIS/Pasep, prevista nos arts. 1º a 7º, é rigorosamente neutra do ponto de vista fiscal, porquanto a alíquota estabelecida para esse tipo de incidência foi projetada, precisamente, para compensar o estreitamento da base de cálculo; ... ...” E, na Mensagem de Veto nº 1.243, de 30/12/2002, a razão que levou o Presidente da República a vetar dispositivos, por meio dos quais se tentava alterar a MP, foi que, se fossem sancionados, romperseia a premissa sobre a qual foi construída a nova modalidade de incidência da contribuição, devidamente acertada com a comissão especial constituída no âmbito da Câmara dos Deputados para tratar da matéria, a qual previa neutralidade sob o ponto de vista da arrecadação. Havia, pois, preocupação quanto ao atendimento às condições e restrições da Lei de Responsabilidade Fiscal, de modo que o equilíbrio das contas públicas não seria posto em risco pela introdução da cobrança nãocumulativa, e a carga tributária correspondente ao que se arrecadava com a cobrança do PIS/PASEP seria mantida. Assim, caberia à RFB, para fins de controle do crédito presumido, estabelecer limites, por espécie de bem ou serviço, para o valor das aquisições realizadas. É razoável acreditar que, segundo expectativas da época, se fossem incluídos todos os gastos na apuração do crédito a ser descontado, a arrecadação tributária não se manteria, o que nos leva a concluir que o conceito de insumo não poderia ser alargado em relação àquele então aceito. Por tudo isso, entendo correto o entendimento expressado pela RFB órgão responsável pela administração tributária da União, a quem compete interpretar e aplicar a legislação tributária federal, ao editar os atos normativos e as instruções necessárias à sua execução que, ao expedir a Instrução Normativa nº 247/2002, com redação dada pela IN SRF nº 358/03, e a IN SRF nº 404/2004 adotou interpretação para o conceito de insumo, com base na concepção tradicional da legislação do IPI: Cito a IN/SRF nº 404/04, que dispôs “sobre a incidência nãocumulativa da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social na forma estabelecida pela Lei nº 10.833, de 2003, [...]”: “Art. 7º Sobre a base de cálculo apurada conforme art. 4º, aplicase a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). Art. 8º Do valor apurado na forma do art. 7º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I das aquisições efetuadas no mês: a) [...]; Fl. 177DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13854.000281/200514 Acórdão n.º 3801004.722 S3TE01 Fl. 11 10 b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: b.1) na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; ou b.2) na prestação de serviços; § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. Esta turma tem decidido no mesmo sentido, por voto de qualidade, conforme acórdão nº 3801002.668, de 29/01/2014, relatado pelo Conselheiro Flávio de Castro Pontes, de cujo voto extraio a seguinte passagem, com grifos no original: “Com efeito, o conceito de insumo no âmbito do direito tributário foi estabelecido no inciso I, § 1º, do artigo 1º da Lei nº 10.276, de 10 de setembro de 2001, in verbis: Art. 1º (...) §1º A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições referidas no caput: I de aquisição de insumos, correspondentes a matérias primas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem, bem assim de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo. Destarte, em tributos não cumulativos o conceito de insumo corresponde a matériasprimas, produtos intermediários e a materiais de embalagem. Ampliar este conceito implica em Fl. 178DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13854.000281/200514 Acórdão n.º 3801004.722 S3TE01 Fl. 12 11 fragilizar a segurança jurídica tão almejada pelos sujeitos ativo e passivo. Nesse sentido, recentemente o Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do Recurso Especial 1.020.991 RS, assim se pronunciou: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CREDITAMENTO. LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2003. NÃOCUMULATIVIDADE. ART. 195, § 12, DA CF. MATÉRIA EMINENTEMENTE CONSTITUCIONAL. INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF 247/02 e SRF 404/04. EXPLICITAÇÃO DO CONCEITO DE INSUMO. BENS E SERVIÇOS EMPREGADOS OU UTILIZADOS DIRETAMENTE NO PROCESSO PRODUTIVO. BENEFÍCIO FISCAL. INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA. IMPOSSIBILIDADE. ART. 111 CTN. 1. A análise do alcance do conceito de nãocumulatividade, previsto no art. 195, § 12, da CF, é vedada neste Tribunal Superior, por se tratar de matéria eminentemente constitucional, sob pena de usurpação da competência do Supremo Tribunal Federal. 2. As Instruções Normativas SRF 247/02 e SRF 404/04 não restringem, mas apenas explicitam o conceito de insumo previsto nas Leis 10.637/02 e 10.833/03. 3. Possibilidade de creditamento de PIS e COFINS apenas em relação aos bens e serviços empregados ou utilizados diretamente sobre o produto em fabricação. 4. Interpretação extensiva que não se admite nos casos de concessão de benefício fiscal (art. 111 do CTN). Precedentes: AgRg no REsp 1.335.014/CE, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 8/2/13, e Resp 1.140.723/RS, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 22/9/10. 5. Recurso especial a que se nega provimento. (STJ, 1ª Turma, REsp 1.020.991RS, Dje 14/05/2013, rel. Sérgio Kukina) Por pertinente, transcrevese o seguinte excerto do voto proferido pelo Ministro Relator no julgamento deste recurso especial: No mais, não houve a alegada restrição do conceito de insumo com a edição das Instruções Normativas SRF 247/02 e SRF 404/04, mas apenas a explicitação da definição deste termo, que já se encontrava previsto nas Leis 10.637/02 e 10.833/03. Nesses instrumentos normativos, o critério para a obtenção do creditamento é que os bens e serviços empregados sejam Fl. 179DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13854.000281/200514 Acórdão n.º 3801004.722 S3TE01 Fl. 13 12 utilizados diretamente sobre o produto em fabricação. Logo, não se relacionam a insumo as despesas decorrentes de mera administração interna da empresa. Assim, a parte recorrente não faz jus à obtenção de créditos de PIS e COFINS sobre todos os serviços mencionados como necessários à consecução do objeto da empresa, como pretende relativamente aos valores pagos à empresas pela representação comercial (comissões), pelas despesas de marketing para divulgação do produto, pelos serviços de consultoria prestados por pessoas jurídicas (aqui incluídos assessoria na área industrial, jurídica, contábil, comércio exterior, etc), pelos serviços de limpeza, pelos serviços de vigilância, etc., porque tais serviços não se encontram abarcados pelo conceito de insumo previsto na legislação, visto não incidirem diretamente sobre o produto em fabricação. Quando a lei entendeu pela incidência de crédito nesses serviços secundários, expressamente os mencionou, a exemplo do creditamento de combustíveis e lubrificantes previsto nos dispositivos legais questionados (...) (grifouse)” Sobre o rateio É incontroverso que o critério a se adotar é o de rateio proporcional. Esta turma já se deparou com questão semelhante, no processo 11075.000705/200754, de relatoria do Conselheiro Flávio de Castro Pontes, que assim se manifestou: “Não se pode perder de vista que a recorrente somente tem direito ao ressarcimento de créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados às receitas sujeitas à incidência não cumulativa, observados os critérios previstos no § 8º do art. 3º da Lei 10.637/2002: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a (...) § 7º Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência nãocumulativa da contribuição para o PIS/Pasep, em relação apenas a parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. (Vide Lei nº 10.865, de 2004) § 8º Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7º e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I – apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II – rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês.(grifouse) Fl. 180DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13854.000281/200514 Acórdão n.º 3801004.722 S3TE01 Fl. 14 13 O dispositivo legal acima estabelece uma proporção entre receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total. Por analogia, neste caso concreto estabelecese uma proporção entre receitas de alíquota zero e/ou exportação e a receita bruta total. Destacase que não existe uma norma específica regulamentando essa matéria. Como amplamente demonstrado, o conceito de receita bruta total está estabelecido no art. 1º, da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, abaixo transcrito: Art. 1º A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. §1º Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica.(grifouse) Assim, no conceito de [receita] bruta incluemse as receitas da venda de bens e serviços e todas as demais receitas. Desta forma, no item receita bruta, como acertadamente procedeu a autoridade fiscal, incluemse as receitas financeiras, as receitas decorrentes dos créditos presumidos de ICMS e de recuperação de custos. Vale o mesmo para a Cofins e para o PIS/Pasep. Receitas financeiras e venda do ativo imobilizado Do exposto na seção anterior, concluise que as receitas financeiras e a decorrente de venda do ativo permanente incluemse na receita bruta total, ou seja, no denominador do rateio. Uma vez que se está diante de pedido de ressarcimento “mercado externo”, a relação percentual a ser aplicada aos custos, encargos e despesas comuns que dão direito a crédito obtémse da divisão da receita com as exportações pela receita bruta total, não se incluindo nas receitas de exportações as decorrentes de vendas de produtos que, nas vendas internas, submetemse à tributação pelo regime cumulativo. As receitas financeiras, nelas não se incluindo as variações cambiais originadas de exportações, tratadas abaixo, e as decorrentes de venda do ativo permanente não se incluem entre as receitas de exportação, pois são receitas do “mercado interno”. A exclusão destas receitas do total das receitas internas sujeitas ao regime não cumulativo, tendo em vista não integrarem a base de cálculo da contribuição não cumulativa1, , causa impacto no cálculo da razão entre receita interna tributada e receita bruta total, mas não afeta a razão entre receita de exportação e receita bruta total. Concluise que as receitas financeiras e as vendas do ativo não integram as receitas de exportação (numerador do rateio) e integram a receita bruta total (denominador do rateio). 1 Segundo o art.1º, §3º, das leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, são excluídas dos faturamento, quando o tenham integrado, as receitas nãooperacionais, decorrentes da venda de bens do ativo permanente. As receitas financeiras, por sua vez, não constituem receita de venda de mercadorias ou serviços, salvo nos casos de instituições financeiras. Fl. 181DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13854.000281/200514 Acórdão n.º 3801004.722 S3TE01 Fl. 15 14 Gastos com combustíveis e lubrificantes. Observase no Relatório da Ação Fiscal que a autoridade fiscal constatou que todos os lubrificantes adquiridos foram utilizados no transporte de canadeaçúcar e que a empresa a utilizou como insumo na industrialização de diversos produtos, como açúcar e álcool, em todos os meses do trimestre, porém não produziu e não vendeu o produto canade açúcar no período fiscalizado. Entendendo que os insumos não poderiam ser considerados como utilizados diretamente na fabricação ou produção de açúcar ou álcool; que somente seriam admitidos créditos destes insumos se houvesse produção e faturamento de canadeaçúcar, proporcionalmente à receita de canadeaçúcar auferida; que, não tendo havido exportação de canadeaçúcar, eventual crédito estaria vinculado apenas ao mercado interno, a fiscalização concluiu pela não inclusão destes gastos na apuração do benefício fiscal pleiteado. A lei permite que se incluam no cálculo do crédito as aquisições de insumos utilizados na prestação de serviços, na produção ou fabricação de bens destinados à venda.. Logo, não são apenas os insumos da indústria que ensejam o crédito; os utilizados na produção agropecuária também são alcançados pela norma. Incluem o custo dos insumos, os gastos com o transporte destes insumos, os gastos com combustíveis e lubrificantes utilizados neste transporte, e com aqueles utilizados nas máquinas e equipamentos empregados em contato direto com os produtos agropecuários. Canadeaçúcar é produto agrícola e é insumo da indústria de açúcar e álcool. Máquinas e equipamentos utilizados no corte da canadeaçúcar são utilizados no processo produtivo deste produto; máquinas e equipamento utilizados no carregamento da canade açúcar para as instalações industriais de fabricação de açúcar e álcool são utilizados no processo produtivo destes bens. Assim, combustíveis e lubrificantes utilizados nestas máquinas e equipamentos são utilizados como insumos na produção ou fabricação de açúcar e álcool destinado à venda. Por isso, dão direito ao crédito. Devem ser canceladas as glosas efetuados pela fiscalização no cálculo dos créditos da contribuição, apuração não cumulativa, referentes às aquisições de óleo diesel, utilizado para abastecer máquinas e implementos que cortam e carregam a canade açúcar e os caminhões que a transportam do campo até a esteira da usina, desde que tenha havido a cobrança da contribuição na sua aquisição, tendo em vista o disposto no art. 3º, §2º, da Lei nº 10.833, de 2003, com redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004. Variação cambial. No Relatório da Ação Fiscal, observase que a autoridade fiscal constatou, após analisar planilha de cálculo da contribuinte, que esta considerou como receitas de exportação notas fiscais de complemento de preço, as quais, segundo a própria autoridade administrativa, referirseiam à variação cambial do dólar e, por isso, deveriam ser enquadradas como receita financeira. Fl. 182DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13854.000281/200514 Acórdão n.º 3801004.722 S3TE01 Fl. 16 15 Concluise da leitura do relatório fiscal que estas notas fiscais dizem respeito a variações cambiais originadas em operações de exportação. O Supremo Tribunal FederalSTF proferiu decisão de mérito no RE 627.815/PR, na sistemática de recurso repetitivo, assentando a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS sobre a receita decorrente da variação cambial ativa obtida nas operações de exportação de produtos. Transcrevo a ementa do acórdão, relatado pela Ministra Rosa Weber. “RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. VARIAÇÃO CAMBIAL POSITIVA. OPERAÇÃO DE EXPORTAÇÃO. I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestarlhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. II O contrato de câmbio constitui negócio inerente à exportação, diretamente associado aos negócios realizados em moeda estrangeira. Consubstancia etapa inafastável do processo de exportação de bens e serviços, pois todas as transações com residentes no exterior pressupõem a efetivação de uma operação cambial, consistente na troca de moedas. III – O legislador constituinte ao contemplar na redação do art. 149, § 2º, I, da Lei Maior as “receitas decorrentes de exportação” conferiu maior amplitude à desoneração constitucional, suprimindo do alcance da competência impositiva federal todas as receitas que resultem da exportação, que nela encontrem a sua causa, representando consequências financeiras do negócio jurídico de compra e venda internacional. A intenção plasmada na Carta Política é a de desonerar as exportações por completo, a fim de que as empresas brasileiras não sejam coagidas a exportarem os tributos que, de outra forma, onerariam as operações de exportação, quer de modo direto, quer indireto. IV Consideramse receitas decorrentes de exportação as receitas das variações cambiais ativas, a atrair a aplicação da regra de imunidade e afastar a incidência da contribuição ao PIS e da COFINS. V Assenta esta Suprema Corte, ao exame do leading case, a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS sobre a receita decorrente da variação cambial positiva obtida nas operações de exportação de produtos. Fl. 183DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13854.000281/200514 Acórdão n.º 3801004.722 S3TE01 Fl. 17 16 VI Ausência de afronta aos arts. 149, § 2º, I, e 150, § 6º, da Constituição Federal. Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC.” Tendo em vista o disposto no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, esta decisão deve ser reproduzida no presente julgamento, o que implica considerar as variações cambiais receitas não tributadas pela Cofins e pela contribuição para o PIS/Pasep, tanto no sistema cumulativo quanto no não cumulativo. Porém, uma vez que foram consideradas pelo STF receitas decorrentes de exportação, devem ser consideradas como receitas de mercado externo, e não mercado interno, e devem ser incluídas, na apuração do percentual a ser aplicado aos custos, despesas e encargos comuns, no numerador, como receitas de exportação, e no denominador, integrando a receita bruta total, de modo que a fiscalização deverá corrigir os cálculos, adequandoos a esta decisão. Receita da exportação de álcool combustível. A fiscalização excluiu do cálculo do rateio do regime não cumulativo receitas de exportações de álcool combustível que foram descritos em documentos e especificados em contrato como álcool etílico hidratado padrão ANP, sob o fundamento de que a venda de álcool para fins carburantes, tanto no mercado interno quanto no externo, não integra a base de cálculo da apuração da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep não cumulativas, representando receitas cumulativas, não podendo aumentar o percentual dos créditos não cumulativos. A receita de venda de álcool para fins carburantes sujeitavase à incidência não cumulativa da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep antes da entrada em vigor da Lei nº 10.865, de 2004: A Lei nº 9.718, de 1999, dispôs: Art. 5º As contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público – PIS/Pasep e para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins devidas pelas distribuidoras de álcool para fins carburantes serão calculadas, respectivamente, com base nas seguintes alíquotas: (Redação dada pela Lei nº 9.990, de 2000) I – um inteiro e quarenta e seis centésimos por cento e seis inteiros e setenta e quatro centésimos por cento, incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de álcool para fins carburantes, exceto quando adicionado à gasolina; (Incluído pela Lei nº 9.990, de 2000) II – sessenta e cinco centésimos por cento e três por cento incidentes sobre a receita bruta decorrente das demais atividades. (Incluído pela Lei nº 9.990, de 2000) Fl. 184DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13854.000281/200514 Acórdão n.º 3801004.722 S3TE01 Fl. 18 17 A Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, reduziu a zero a alíquota das contribuições sobre a receita de vendas de álcool para fins carburantes auferida por varejistas e concentrou a tributação nos distribuidores em substituição a esses dois. E a Lei nº 10.637, de 2002, determinou: Art. 1º ... § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: (...) IV de venda dos produtos de que tratam as Leis no 9.990, de 21 de julho de 2000, no 10.147, de 21 de dezembro de 2000, e no 10.485, de 3 de julho de 2002, ou quaisquer outras submetidas à incidência monofásica da contribuição; “Art. 8o Permanecem sujeitas às normas da legislação da contribuição para o PIS/Pasep, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 6o: (...) VII – as receitas decorrentes das operações: a) referidas no inciso IV do § 3o do art. 1o; Uma vez que o álcool para fins carburantes é um dos produtos de que trata a Lei nº 9.990, sua receita não integra a base de cálculo prevista no art. 1º da Lei nº 10.637, e, nos termos do seu art. 8º, VII, “a”, a receita de venda de álcool para fins carburantes permaneceu fora da sistemática nãocumulativa das contribuições. A alteração efetuada pela Lei nº 10.865, de 2004, apenas deu maior especificidade ao inciso IV do §3º dos arts. 1º da Lei nº 10.637, de 2002, e da Lei nº 18.833, de 2003, excluindo as vendas dos outros produtos de que tratam as Leis nº 9.990, de 2000, e as outras submetidas à incidência monofásica da contribuição, mantendo apenas a venda de álcool para fins carburantes. O mesmo entendimento está expresso no Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 1, de 2005: “Artigo único. As receitas auferidas pelas pessoas jurídicas produtoras (usinas e destilarias) com as vendas de álcool para fins carburantes continuam sujeitas à incidência cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), às alíquotas de 0,65% (zero vírgula sessenta e cinco por cento) e de 3% (três por cento), respectivamente, por não terem sido alcançadas pela incidência nãocumulativa das referidas contribuições de que tratam as Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003. Assim, com relação à receita de exportação de álcool, mantémse a decisão recorrida. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13854.000281/200514 Acórdão n.º 3801004.722 S3TE01 Fl. 19 18 Aquisições de pessoas físicas e jurídicas referentes à atividade agropastoril. Quanto a esta questão, a recorrente não apontou erros nos cálculos efetuados pela fiscalização, que seguiram as disposições contidas na Lei nº 10.925, de 23/07/2004 e na IN SRF nº 660, de 17/07/2006, limitandose a defender que fossem afastadas estas normas. Alega que o art. 8º da lei nº 10.925, de 2004, não pode ser aplicado, porque é regra viciada ante a comandos constitucional (art. 195, §12, da CF/1988) e legal mais específico (Art. 6º da Lei 10.833, de 2003). Diz que esta alegação não se trata de pedido de apreciação de ilegalidade ou inconstitucionalidade. Deste modo, poderseia afastar a aplicação da Súmula CARF nº 2 ao caso, porém, a alegação não merece ser acolhida. Invocar a nãoaplicação de uma norma porque é viciada em relação à norma constitucional é o mesmo que invocar sua inconstitucionalidade, o que é vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF, por força do art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/6/2009. Alegações de caráter constitucional não podem ser apreciadas por este Colegiado, tendo em vista a súmula n° 2 do CARF, verbis. “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Não obstante, valhome das razões da decisão da DRJ, proferida no Processo nº 10840.003379/200594, da mesma empresa, para assentar a correção do procedimento fiscal na exclusão, no cálculo dos gastos que dão direito a crédito, de aquisições de pessoa física e de pessoa jurídica, produtores rurais. Transcrevo os seguintes trechos que contêm estas razões, válidas para a Cofins e para a contribuição para o PIS/Pasep. “Quanto às aquisições de pessoa física, os créditos relativos à agroindústria, a partir do período de apuração de agosto de 2004, só podem ser utilizados para abater os débitos da COFINS nãocumulativa, devendo ser somados aos créditos relativos ao mercado interno, pois não são passíveis de compensação. Isto se deve ao fato de que a referida compensação só pode ser efetuada quanto aos créditos apurados no artigo 3o da Lei n° 10.833/2003, por força do disposto no parágrafo I e seu inciso 11 do artigo 6o da referida Lei n° 10.833/2003. Porém, os incisos 11e 12 do artigo 3o da Lei n° 10.833/2003, que tratavam do crédito presumido da agroindústria, foram revogados pelo artigo 16, alínea "b" da Lei n° 10.925/2004. A nova sistemática de apuração do crédito presumido da agroindústria foi estabelecida pelo artigo 8° da referida Lei n° 10.925/2004, a partir de agosto de 2004. Assim sendo, o referido crédito, que não consta mais da Lei n° 10.833/2003, não é passível de compensação ou ressarcimento, a partir do referido período de apuração. Fl. 186DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13854.000281/200514 Acórdão n.º 3801004.722 S3TE01 Fl. 20 19 Quanto às aquisições de cana de açúcar adquirida de pessoa jurídica, o Auditorfiscal constatou que a contribuinte descontou créditos integrais de COFINS nãocumulativa calculados sobre os valores das aquisições de canadeaçúcar de empresa jurídica que exerce atividade agropecuária. Contudo, a partir do mês de agosto de 2004, tal procedimento fere a legislação das contribuições, tendo em vista que o artigo 9° da Lei n° 10.925/2004 estabeleceu que a incidência da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda de insumos destinados à industrialização dos produtos fabricados pela fiscalizada, quando efetuada por pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária, o que, em princípio, vedaria a utilização de quaisquer créditos decorrentes destas operações. A partir de 01/08/2004, as empresas produtoras podem descontar o crédito presumido decorrente destas aquisições, em função do disposto no item III do parágrafo 1º do artigo 8o da referida Lei n° 10.925/2004. O referido crédito, que não consta mais da Lei n° 10.833/2003, não sendo passível de compensação ou ressarcimento.” Conclusão. Por todo o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para cancelar as exclusões no cálculo dos gastos que dão direito ao crédito dos valores referentes às aquisições de combustíveis e lubrificantes utilizados em máquinas e equipamentos empregados no corte e carregamento de canadeaçúcar, desde que nas aquisições tenha ocorrido a cobrança da contribuição social; incluir os valores das variações cambiais decorrentes de operações de exportação como receita de mercado externo e, no cálculo do rateio proporcional, no numerador (receitas de exportação) e no denominador (receita bruta total); corrigir o cálculo do rateio, de modo que as receitas financeiras e a decorrente da venda do ativo não sejam incluídas no numerador (receita de exportação) e seja incluída na receita bruta total (denominador). Nas demais questões, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani. Fl. 187DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 13971.001327/2011-24
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
PENSÃO ALIMENTÍCIA. DEDUÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. NECESSIDADE DE APRESENTAÇÃO DA DECISÃO OU ACORDO JUDICIAL.
Pode ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, devidamente comprovada nos autos.
IRPF. PAIS DIVORCIADOS. DEDUÇÃO COM DEPENDENTES LIMITADA AO CONTRIBUINTE QUE FICAR COM A GUARDA NOS TERMOS ESTABELECIDOS JUDICIALMENTE. § 3º DO ART. 35 DA LEI 9.250/95.
No caso de filhos de pais divorciados, poderão ser considerados dependentes os que ficarem sob a guarda do contribuinte, em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, consoante regra o § 3º do art. 35 da Lei nº 9.250/95.
DESPESAS MÉDICAS. REFERÊNCIA NO COMPROVANTE DE RENDIMENTOS FORNECIDO PELA FONTE PAGADORA. PROVA INSUFICIENTE.
A mera referência de desconto realizado a título de despesas médicas, realizada no comprovante de rendimentos fornecido pela fonte pagadora, não se traduz em prova suficiente para a sua dedutibilidade, nos termos da legislação do imposto sobre a renda.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2802-003.354
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson, Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente da Turma), Jaci de Assis Junior, Mara Eugênia Buonanno Caramico, Ronnie Soares Anderson, Vinícius Magni Verçoza (Suplente convocado) e Carlos André Ribas de Mello.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 PENSÃO ALIMENTÍCIA. DEDUÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. NECESSIDADE DE APRESENTAÇÃO DA DECISÃO OU ACORDO JUDICIAL. Pode ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, devidamente comprovada nos autos. IRPF. PAIS DIVORCIADOS. DEDUÇÃO COM DEPENDENTES LIMITADA AO CONTRIBUINTE QUE FICAR COM A GUARDA NOS TERMOS ESTABELECIDOS JUDICIALMENTE. § 3º DO ART. 35 DA LEI 9.250/95. No caso de filhos de pais divorciados, poderão ser considerados dependentes os que ficarem sob a guarda do contribuinte, em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, consoante regra o § 3º do art. 35 da Lei nº 9.250/95. DESPESAS MÉDICAS. REFERÊNCIA NO COMPROVANTE DE RENDIMENTOS FORNECIDO PELA FONTE PAGADORA. PROVA INSUFICIENTE. A mera referência de desconto realizado a título de despesas médicas, realizada no comprovante de rendimentos fornecido pela fonte pagadora, não se traduz em prova suficiente para a sua dedutibilidade, nos termos da legislação do imposto sobre a renda. Recurso Voluntário Negado.
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DEDUÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. NECESSIDADE DE APRESENTAÇÃO DA DECISÃO OU ACORDO JUDICIAL. Pode ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, devidamente comprovada nos autos. IRPF. PAIS DIVORCIADOS. DEDUÇÃO COM DEPENDENTES LIMITADA AO CONTRIBUINTE QUE FICAR COM A GUARDA NOS TERMOS ESTABELECIDOS JUDICIALMENTE. § 3º DO ART. 35 DA LEI 9.250/95. No caso de filhos de pais divorciados, poderão ser considerados dependentes os que ficarem sob a guarda do contribuinte, em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, consoante regra o § 3º do art. 35 da Lei nº 9.250/95. DESPESAS MÉDICAS. REFERÊNCIA NO COMPROVANTE DE RENDIMENTOS FORNECIDO PELA FONTE PAGADORA. PROVA INSUFICIENTE. A mera referência de desconto realizado a título de despesas médicas, realizada no comprovante de rendimentos fornecido pela fonte pagadora, não se traduz em prova suficiente para a sua dedutibilidade, nos termos da legislação do imposto sobre a renda. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 13 27 /2 01 1- 24 Fl. 113DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 17/03/20 15 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson, Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente da Turma), Jaci de Assis Junior, Mara Eugênia Buonanno Caramico, Ronnie Soares Anderson, Vinícius Magni Verçoza (Suplente convocado) e Carlos André Ribas de Mello. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) DRJ/RJ1, que julgou parcialmente procedente Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), exigindo crédito tributário no valor total de R$ 24.523,67 relativo ao anocalendário 2004. O lançamento decorreu da constatação das infrações de deduções indevidas de dependentes, despesas médicas, instrução e pensão alimentícia, bem como de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica (fls. 7/14). Registrese que, devidamente intimado para esclarecimentos no curso do procedimento fiscal, o contribuinte quedou silente. Após enfrentar questões atinentes à tempestividade da impugnação, o contribuinte trouxe, como razão de mérito, a justificativa de que seu filho Marnad, que sempre fazia suas declarações pelo computador, cometera enganos. Pediu, ao final, o cancelamento do débito fiscal, juntando documentos (fls. 3/5 e fls. 15/41). A primeira instância julgadora acatou as despesas médicas de fls. 19/23, a pensão alimentícia paga a Daniel Ramanasi Teixeira Maia, e cancelou a exigência relativa à omissão de rendimentos, mantendo o restante do lançamento. O contribuinte interpôs recurso voluntário em 24/5/2012, arguindo, em síntese, que: o valor das pensões recebidas é de R$ 30.097,38, constante no Comprovante de Rendimentos do anocalendário 2004; não foi reconhecido o valor de R$ 589,94 de despesas médicas, mencionado no dito comprovante; que o filho Daniel estava sob sua guarda legal, que a mãe recebia pensão alimentícia, e que o filho Marnard e os demais foram reconhecidos como dependentes na Declaração do Exercício 2006 para as devidas deduções, morando com ele até mesmo quando atingiram a idade de 24 anos. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 17/03/20 15 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 13971.001327/201124 Acórdão n.º 2802003.354 S2TE02 Fl. 114 3 Junta documentos e demanda ao final que sejam reconhecidos seus filhos como dependentes para fins de deduções, e também as informações sobre despesas médicas fornecidas no Comprovante de Rendimentos do anocalendário 2005 e "os descontos previdenciários de seu filho Marnard informados pela empresa Thermadyne no valor de R$ ....". É o relatório. Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. De início, convém esclarecer que o litígio posto nos presentes autos diz respeito às deduções informadas pelo contribuinte em sua DIRPF/2005 e glosadas pela fiscalização, não versando, por conseguinte, sobre eventuais informações constantes em outras declarações do referido ou de outro sujeito passivo. Inexiste, assim, interesseutilidade de agir no que toca aos pedidos formulados na peça recursal referentes ao anocalendário 2005 e à declaração de seu filho Marnard. Da pensão alimentícia. Dispõe o art. 78 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99): Pensão Alimentícia Art.78. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais (Lei n º 9.250, de 1995, art. 4 º , inciso II). §1 º A partir do mês em que se iniciar esse pagamento é vedada a dedução, relativa ao mesmo beneficiário, do valor correspondente a dependente. §2 º O valor da pensão alimentícia não utilizado, como dedução, no próprio mês de seu pagamento, poderá ser deduzido nos meses subseqüentes. §3 º Caberá ao prestador da pensão fornecer o comprovante do pagamento à fonte pagadora, quando esta não for responsável pelo respectivo desconto. (...) Fl. 115DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 17/03/20 15 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON 4 O documento de fl. 29 atesta que o contribuinte é divorciado de Márcia Conforti Junger Maia desde, ao menos, junho de 1990, porém foi acostada aos autos a decisão judicial decretando o divórcio e ditando os termos do pagamento das pensões que foram, posteriormente, objeto de dedução na Declaração de Ajuste Anual (DAA). Em sede de recurso voluntário foi juntada decisão datada de 6/5/1983 fixando alimentos provisórios em 1/3 do ganho líquido do notificado, não havendo qualquer referência aos beneficiários desses pagamentos. Também foi colacionada sentença datada de 22/10/2004, segundo a qual o menor Daniel Ramanasi Teixeira passou a ficar sob a guarda de seu genitor. Não havendo sido comprovada a existência de decisão judicial impondo o dever do contribuinte de pagar pensão alimentícia à Márcia Conforti Garcia e Angelita de Salles Teixeira, cabe manter a glosa levada a efeito no particular. Da dedução com dependentes e com instrução. A matéria é regrada pelo art. 35 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995: Art. 35. Para efeito do disposto nos arts. 4º, inciso III, e 8º, inciso II, alínea c, poderão ser considerados como dependentes: I VII (omissis) § 1º Os dependentes a que se referem os incisos III e V deste artigo poderão ser assim considerados quando maiores até 24 anos de idade, se ainda estiverem cursando estabelecimento de ensino superior ou escola técnica de segundo grau. § 2º Os dependentes comuns poderão, opcionalmente, ser considerados por qualquer um dos cônjuges. § 3º No caso de filhos de pais separados, poderão ser considerados dependentes os que ficarem sob a guarda do contribuinte, em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. § 4º É vedada a dedução concomitante do montante referente a um mesmo dependente, na determinação da base de cálculo do imposto, por mais de um contribuinte. (grifei) Sendo Marnard Conforti Junger Maia, CPF nº 096.214.33754, e Nadmar Conforti Junger Maia, CPF nº 096.214.84702, filhos do recorrente com Márcia Conforti Junger Maia (fls. 16 e 17), e havendo esses genitores se divorciado, conforme anteriormente mencionado, somente poderiam ser considerados como dependentes do contribuinte caso tivessem eles ficado sob sua guarda, em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, nos termos da lei. Não havendo sido apresentados documentos da espécie que assim o comprove, é de rigor manter a glosa realizada pela fiscalização, permanecendo insubsistentes, consequentemente, as despesas de instrução atinentes a tais dependentes. No que tange a Daniel Ramanasi Teixeira Junger, merece ser lembrado que o acórdão a quo já reconheceu a dedução de despesas com pagamento de pensão alimentícia feitas em seu benefício. Não prospera, por conseguinte, a consideração concomitante da qualidade de dependente, para o anocalendário 2004, relativa a essa mesma pessoa física. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 17/03/20 15 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 13971.001327/201124 Acórdão n.º 2802003.354 S2TE02 Fl. 115 5 Nessa esteira, deve ser mantida a respectiva glosa de dedução com dependente informada na DIRPF/2005, e da correspondente dedução com despesas de instrução. Das despesas médicas. A dedução de despesas médicas e de saúde na declaração de ajuste anual tem como supedâneo legal os seguintes dispositivos do art. 8º da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, abaixo transcritos: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário.(grifei) O contribuinte pleiteia que sejam admitidas deduções de despesas médicas no montante de R$ 589,84, escoradas no documento de fl. 18 Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte do anocalendário 2004, no qual está Fl. 117DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 17/03/20 15 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON 6 consignado como informação complementar que foi efetuado, sobre os rendimentos, desconto desse valor a título de "Despesas MédicoOdontoHospitalar". Entretanto, dita referência em comprovante de rendimentos não se traduz em comprovação do pagamento de despesas médicas nos termos da legislação supra transcrita, não especificando as prestações de serviços realizadas, os profissionais envolvidos, e, ainda que se suponha tratarse de pagamento a plano de saúde vinculado à fonte pagadora, não há sequer menção dos beneficiários, o que por si só já impede a dedução do aludido valor no cômputo do imposto de renda do anocalendário de 2004. Como fecho, merece ser lembrado que compete ao contribuinte manter em boa guarda os documentos que lastreiam as deduções pleiteadas para fins de sua comprovação junto à autoridade lançadora, a teor do disposto nos §§ 3º e 4º do art. 11 do Decretolei nº 5.844, de 23 de setembro de 1943, no art. 7º da Lei nº 2.354, de 29 de novembro de 1954, e no art.4º do Decretolei nº 352 de 17 de junho de 1968, o que não se verificou no caso concreto. Ante o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 118DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 17/03/20 15 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON
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Numero do processo: 15586.720653/2012-94
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2010 a 30/04/2012
PREVIDENCIÁRIO. AÇÃO JUDICIAL DE MESMO OBJETO. DESISTÊNCIA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO SUSPENSA.
Na forma do disposto na Súmula n 1 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais-CARF, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Conforme o preceituado no inciso V , do art. 151, do Código Tributário Nacional - CTN, a concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial, suspendem a exigibilidade do crédito tributário.
RO Não Conhecido e RV Não Conhecido.
Numero da decisão: 2403-002.502
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos , em negar provimento ao recurso de oficio, vencidos os Conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Carlos Alberto Mees Strngari , II) Por unanimidade de votos ,em não conhecer do recurso voluntário de acordo com a súmula 01 do CARF
CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI - Presidente.
IVACIR JÚLIO DE SOUZA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas de Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos
Nome do relator: IVACIR JULIO DE SOUZA
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AÇÃO JUDICIAL DE MESMO OBJETO. DESISTÊNCIA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO SUSPENSA. Na forma do disposto na Súmula n 1 do Conselho Administrativo de Recursos FiscaisCARF, “ importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.” Conforme o preceituado no inciso V , do art. 151, do Código Tributário Nacional CTN, a concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial, suspendem a exigibilidade do crédito tributário. RO Não Conhecido e RV Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos , em negar provimento ao recurso de oficio, vencidos os Conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Carlos Alberto Mees Strngari , II) Por unanimidade de votos ,em não conhecer do recurso voluntário de acordo com a súmula 01 do CARF CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 72 06 53 /2 01 2- 94 Fl. 255DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 IVACIR JÚLIO DE SOUZA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas de Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos Fl. 256DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15586.720653/201294 Acórdão n.º 2403002.502 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório No relatório fiscal de fls. 7/32 a fiscalização informou que processo teve por objeto o lançamento de contribuições previdenciárias decorrentes da glosa de compensações e de multa isolada devido à realização de compensação com falsidade de declaração em GFIP. Assim, constituíramse créditos tributários mediante a lavratura de 2 ( dois) autos de infração : 1) nº 51.025.1838, referente às contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração paga aos segurados que prestaram serviços ao Impugnante, não recolhidas em época própria, devido à realização de compensação indevida,no período de 06/2010 a 03/2012; e 2) nº 51.025.1846, referente à multa isolada, no percentual de 150% das contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração paga aos segurados que prestaram serviços ao Impugnante, devido à realização de compensação indevida, no período de 07/2010 a 04/2012, que segundo as autoridades autuantes foi declarada em GFIP com falsidade. DO DEBCAD Nº 51.025.1838 O sujeito passivo realizou a compensação de contribuições recolhidas, no período de 01/2000 a 09/2004, sobre a remuneração dos exercentes de mandato eletivo da Prefeitura e Câmara Municipal. As compensações foram realizadas com as contribuições devidas no período de 06/2010 a 03/2012 e declaradas nas GFIP do período de 07/2010 a 04/2012. Intimado a apresentar documentos e esclarecimentos acerca do procedimento de compensação que realizou em GFIP, o contribuinte apresentou a ação judicial nº 2010.50.01.0030695, interposta em 17/03/2010, anterior à ação fiscal em comento, para compensar os recolhimentos sobre a remuneração dos agentes políticos, do período de 12/1999 a 09/2004. Pronunciando a prescrição da pretensão restituitória quanto aos pagamentos realizados até 17/03/2000, a decisão de 1ª instância reconheceu o direito de compensação do indébito, referente ao período de 03/2000 a 08/2004 determinando observar os preceitos que regem o tema, inclusive as contidas nas instruções normativas. Aduz que o sujeito passivo não observou o disposto no artigo 170A do CTN, que veda a compensação de tributos antes do trânsito em julgado da decisão, iniciando a compensação em 06/2010, bem como deixou de observar os termos da sentença proferida, pois compensou valores das competências declaradas prescritas na data da propositura da ação. Também não retificou as GFIP, nem observou o prazo prescricional de cinco anos, contados do recolhimento indevido, previstos na IN nº 15/2006. DA MULTA ISOLADA DEBCAD Nº 51.025.1846 A fiscalização entendendo ter havido comprovada falsidade na declaração, pela falta de retificação das GFIP, pela compensação de recolhimentos declarados Fl. 257DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 prescritos e por não aguardar o trânsito em julgado da decisão judicial, aplicou a multa isolada no percentual de 150%. DA IMPUGNAÇÃO A Impugnante apresentou defesa, às fls. 123/139, e 163/186, alegando que : a autoridade fiscal glosou a compensação mesmo sabendo que o sujeito passivo logrou êxito na ação judicial, cuja sentença afastou a aplicação do artigo 170A, do CTN, recebendo a apelação apenas no seu efeito devolutivo, o que a torna imediatamente executável.; o entendimento da fiscalização afronta decisão judicial e condiciona um direito reconhecido pelo STF à legislação infralegal completamente restritiva; a RFB e não o contribuinte deveria obedecer à Portaria MPS nº 133/06 e retificar de ofício todos os lançamentos efetivados indevidamente pelo contribuinte; o contribuinte interpôs a ação judicial, única e exclusivamente, para afastar a prescrição dos fatos geradores posteriores a 06/2000, considerando a incidência da tese dos cinco mais cinco, reconhecida pelo STF, em relação aos recolhimentos anteriores a edição da LC nº 118/05; a GFIP da qual fala o artigo 32 da Lei nº 8.212/91 está de posse da Receita Federal, podendo/devendo ser ratificada pela Autoridade Administrativa...”; é descabida e ilegal a exigência de retificação da GFIP por parte do contribuinte. A ausência de retificação da GFIP é questão acessória e deve ser tratado como tal pela Administração Pública Federal, nunca podendo limitar um direito legal e constitucional do contribuinte; e é totalmente ausente de fundamentação a aplicação da multa isolada no caso concreto. A fiscalização não fundamentou qual seria a falsidade, dolo, simulação ou máfé realizada pelo contribuinte, apta a exasperação da multa. DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Após analisar aos argumentos da impugnante, na forma do registro de fls.211, a 12ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil no Rio ede Janeiro RJ DRJ/RJ1, em 05 de fevereiro de 2013, exarou o Acórdão n° 1252.459, onde os membros da Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, NEGAR AM provimento à impugnação do AI nº51.025.1838 – COMPENSAÇÕES – mantendo o crédito tributário, e DERAM provimento à impugnação do AI nº 51.025.1846 – MULTA ISOLADA ANULANDO o crédito tributário. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Irresignada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário de fls.227 onde reiterou as alegações que fizera em instância “ad quod ” . Fl. 258DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15586.720653/201294 Acórdão n.º 2403002.502 S2C4T3 Fl. 4 5 DO RECURSO DE OFÍCIO O Presidente da Turma de Julgamento, em atendimento ao disposto no artigo 1º da Portaria MF nº 3, de 03/01/2008, ofereceu RECURSO DE OFÍCIO em face da decisão proferida no AI nº 51.025.1846 , MULTA ISOLADA. É o Relatório. Fl. 259DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Voto Conselheiro Ivacir Júlio de Souza Relator DA TEMPESTIVIDADE Na forma do documento de fls. 252, os recursos são tempestivos. Aduz que não se revestem dos pressupostos de admissibilidade. Portanto, pelas razões a seguir apresentadas, deles não tomo conhecimento. DA AÇÃO JUDICIAL .DOS MESMOS OBJETOS E DA SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO. Às fls.84 colacionaramse cópia da ação judicial onde se percebe a ocorrência de mesmo objeto do processo em comento o seja o direito de compensar os recolhimentos a título de contribuição previdenciária incidente sobre os subsídios dos detentores de mandatos eletivos municipais: “Tratase de ação pelo procedimento ordinário, ajuizada por MUNICÍPIO DE DOMINGOS MARTINS em face da UNIÃO FEDERAL. Ao final, pede que seja declarado seu direito de compensar os recolhimentos indevidos a título de contribuição previdenciária incidente sobre os subsídios dos detentores de mandatos eletivos municipais, no período compreendido entre dezembro de 1999 a 18 setembro de 2004, com parcelas vincendas da mesma exação, sem os limites preconizados pela Lei Complementar n.° 118 e pela Portaria de n.° 133 do MPAS.” Em síntese, o autor valeuse do Poder Judiciário na tentativa de afastar as limitações do que entendia seu direito de compensar. No dispositivo da sentença da ação judicial nº 2010.50.01.0030695, pronunciando a prescrição da pretensão restituitória quanto aos pagamentos realizados até 17/03/2000, a decisão de 1ª instância reconheceu o direito de compensação do indébito, referente ao período de 03/2000 a 08/2004 determinando observar os preceitos que regem o tema, inclusive as contidas nas instruções normativas. Cumpre observar que na forma do comando do inciso V , do art. 151, do Código Tributário Nacional – CTN, a concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial, suspendem a exigibilidade do crédito tributário: “Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: . V – a concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial; ( Incluído pela Lcp n° 104 , de 10.1.2001). ”( grifos de minha autoria) Fl. 260DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15586.720653/201294 Acórdão n.º 2403002.502 S2C4T3 Fl. 5 7 Em face do encimado, ainda que isto não tenha sido registrado no Relatório Fiscal , suspensa a exigibilidade , cabe constituir o crédito para formalizar e evitar hipótese decadência mantendo sobrestado o processo até o trânsito em julgado. Consulta recente realizada em 05.03.2014, revela que não há trânsito em julgado: “ Processo: n°( 000306931.2010.4.02.5001(TRF2 2010.50.01.003695) IV APELAÇÃO / REEXAME NECESSÁRIO ( APELRE /520153 ) AUTUADO EM 29.06.2011 PROC. ORIGINÁRIO Nº 201050010030695 JUSTIÇA FEDERAL VITORIA VARA: 2CI LOCALIZAÇÃO: GABINETE DO DR. RICARDO PERLINGEIRO 9º ANDAR Consulta realizada em 05.03.2014” Como visto alhures, extraído da cópia da sentença às fls.84, o autor MUNICÍPIO DE DOMINGOS MARTINS ajuizou ação em face da UNIÃO FEDERAL pedindo ao final, que fosse “declarado seu direito de compensar os recolhimentos indevidos a título de contribuição previdenciária incidente sobre os subsídios dos detentores de mandatos eletivos municipais, no período compreendido entre dezembro de 1999 a 18 setembro de 2004, com parcelas vincendas da mesma exação, sem os limites preconizados pela Lei Complementar n.° 118 e pela Portaria de n.° 133 do MPAS.” No que se refere aos sobreditos direitos, no relatório fiscal de fls. 7/32 a fiscalização informou que processo teve por objeto o lançamento de contribuições previdenciárias decorrentes da glosa de compensações, e constitui créditos tributários lançados sob o DEBCAD nº 51.025.1838, referente às contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração paga aos segurados que prestaram serviços ao Impugnante, não recolhidas em época própria, devido à realização de compensação indevida,no período de 06/2010 a 03/2012. Como se nota, em razão de mesmo objeto na esfera judicial o lançamento não deveria ter sido sequer discutido na instância a quo . APTE : UNIAO FEDERAL / FAZENDA NACIONAL APDO : MUNICIPIO DE DOMINGOS MARTINS ES ADV : ANTONIO LUIZ CASTELO FONSECA RMTE : JUIZO DA 2A VARA FEDERAL CIVEL DE VITORIAES Fl. 261DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 De modo transverso, se o direito do contribuinte compensar na ocasião do lançamento não se observara líquido, também o direito do fisco exigir pagamento restara mitigado pela ação judicial em curso. Sob pena de mais tarde, o judiciário resolva contemplar com êxito a sobredita ação de mesmo objeto lhe interposta , cumpre sobrestar o processo até que o trânsito em julgado se opere . DA AÇÃO JUDICIAL Ocorrendo a hipótese em tela , a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, importa renúncia às instâncias administrativas. Neste sentido a súmula nº 1 deste Conselho tem a questão como pacificada, verbis: “Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.” De tudo que foi exposto, não se conhece do mérito. DO RECURSO DE OFÍCIO Na forma do disposto na Súmula n° 1 do Conselho Administrativo de Recursos FiscaisCARF, “ importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.” Embora o crédito tributário que suscitou o Recuso de Ofício tenha sido constituído em auto de infração distinto é cediço que este tem vinculação direta com o auto de infração lavrado em razão das glosas de compensação e teve como base de cálculo o valor total do débito tido como indevidamente compensado. Neste sentido observese o disposto no § 10, do art. 89 da , da Lei 8212/91, que fundamentou a lavratura do auto em comento, verbis: "Art. 89. (...) § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art.44 da Lei 9.430, de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. " ( grifos de minha autoria) Não consta dos autos mas em atenção ao disposto no art. 9 do Decreto 70.235/72, caput, o crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada foram formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento distintos, verbis: Fl. 262DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15586.720653/201294 Acórdão n.º 2403002.502 S2C4T3 Fl. 6 9 “Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito.(Redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009) ” Não obstante o encimado, o §1° do sobredito artigo revela que formalizados em relação ao mesmo sujeito passivo, os lançamentos podem ser objeto de um único processo, quando a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova, verbis: “§ 1o Os autos de infração e as notificações de lançamento de que trata o caput deste artigo, formalizados em relação ao mesmo sujeito passivo, podem ser objeto de um único processo, quando a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova. .(Redação dada pela Lei n° 11.196, de 2005)”. ( grifos de minha autoria) Retornando ao argumentado sobre a questão de mesmos objetos , na hipótese de o principal obter êxito na ação judicial, por óbvio não haverá multa alguma a ser imputada ao contribuinte. Então, estando o destino deste auto de infração umbelicalmente vinculado ao daquele, e até mesmo só existindo em razão do referido, não se verificam elementos suficientes para se observar a parte final da súmula n° 1 do CARF a ponto de classificar como matéria distinta da constante do processo judicial. Assim, que se proceda a mesma decisão tomada para aquele sobrestandoo até que se opere o trânsito em julgado da ação judicial nº 2010.50.01.0030695, ora em trâmite, até porque tendo sido formalizado na forma do o §1°,do art. 9 do Decreto 70.235/72 faz parte de processo único. Diante de tudo que foi exposto, também não há que não se conhecer do mérito e no caso de DAR OU NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO DE OFÍCIO . CONCLUSÃO Não conheço dos RECURSO VOLUNTÁRIO E DE OFÍCIO para, na forma do disposto no inciso V do art. 151 do Código Tributário Nacional – CTN, DECLARAR SUSPENSA A EXIGIBILIDADE DOS CRÉDITOS em comento mantendo sobrestado o processo até o TRÂNSITO EM JULGADO da ação judicial 201050010030695( processo original) em trâmite no JUÍZO DA 2ª VARA FEDERAL CÍVEL DE VITÓRIAES. É como voto Ivacir Júlio de Souza Relator Fl. 263DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 Fl. 264DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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