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Numero do processo: 10805.901105/2008-31
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 15/07/2003
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA.
A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do Despacho Decisório não é condição para a homologação das compensações. Contudo, a referida declaração não tem o condão de, por si só, comprová-lo. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado através de documentos contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3002-000.119
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Diego Weis Junior, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DA SILVA ESTEVES
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR PIS Recorrente HOSPITAL E MATERNIDADE DR. CHISTOVÃO DA GAMA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 15/07/2003 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do Despacho Decisório não é condição para a homologação das compensações. Contudo, a referida declaração não tem o condão de, por si só, comproválo. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado através de documentos contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 90 11 05 /2 00 8- 31 Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10805.901105/200831 Acórdão n.º 3002000.119 S3C0T2 Fl. 153 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Diego Weis Junior, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves Relatório O processo administrativo ora em análise trata de PER/DCOMP 28639.76060.040504.1.3.040607 (fl. 02/06), transmitido em 04/05/2004, cujo crédito teria origem em recolhimento do PIS efetuado a maior. A compensação declarada não foi homologada, conforme Despacho Decisório (fl. 09), pelos seguintes motivos: "A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP." Após ser intimada da decisão em 27/05/2008, a ora recorrente apresentou tempestivamente Manifestação de Inconformidade em 26/06/2008 (fl. 13/19), na qual informou que cometeu alguns erros no momento da apuração da base de cálculo e recolhimento das contribuições ao PIS e a COFINS. Informa, também, que deixou de efetuar as deduções permitidas pelo inciso II do artigo 3° da Lei 10.637/02, por mera inobservância da regra a que estava submetida na época, o que gerou um recolhimento a maior do PIS e, conseqüentemente, a apuração de um saldo credor do tributo. A recorrente segue relatando que, ao verificar a falta de dedução de tais créditos, promoveu a devida correção monetária do crédito detido, o que deu origem ao saldo credor no valor de RS 21.392,25 (vinte e um mil, trezentos e noventa e dois reais e vinte e cinco centavos). Aduz, ainda, que a compensação não foi homologado por ela ter cometido erro no preenchimento do DARF e da DIPJ 2004. Ademais, enumera os seguintes fatos: "(i) diante das alterações promovidas na sistemática de apuração do PIS, somado ao fato de que a imediata aplicação do regime nãocumulativo não propiciou tempo suficiente para que a Manifestante se adaptasse aos novos procedimentos do sistema de créditos e débitos, esta acabou por cometer alguns equívocos na apuração da base de cálculo da contribuição ao Pis, nos descontos de créditos permitidos pela lei e, também, no recolhimento do imposto; (ii) o primeiro equivoco foi com relação ao código de receita adotado para o recolhimento do PIS nãocumulativo que constou 8109 (Pis Faturamento), conforme se observa no comprovante de arrecadação ora juntado, quando o correto seria ter procedido ao recolhimento da exação no código de receita 6192 (Pis nãocumulativo Lei 10.637/02); Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10805.901105/200831 Acórdão n.º 3002000.119 S3C0T2 Fl. 154 3 (iii) o segundo equivoco se deve ao fato de que a Manifestante, quando da apuração da contribuição ao Pis, deixou de deduzir os valores relativos aos insumos utilizados na prestação dos seus serviços, permitido nos termos do art.3°, inciso II da Lei 10.637/02; (iv) em tempo, observou a possibilidade da dedução de tais créditos e promoveu as devidas correções, o que deu origem a apuração de um saldo credor no valor de R$ 21.392 25; (v) ato continuo e, no intuito de aproveitar os créditos devidamente apurados, apresentou a PER/DCOMP para saldar débitos de PIS e IRPJ; (vi) por fim, é possível observar a existência do crédito mencionado na linha 23 da Ficha 20 da DIPJ/2004, equivocandose apenas no momento de transportar tais valores para a linha 27 da Ficha 21 da mesma declaração e não ter procedido a devida retificação da declaração." Por fim, invoca o Princípio da Verdade Material e pede a reforma do Acórdão recorrido, a fim de ver homologada a compensação pleiteada. Para comprovar o seu suposto crédito, a recorrente juntou as fichas 20 e 21 da DIPJ 2004 e Relatório de Saldo de Contas à sua Manifestação de inconformidade. Em seqüência, analisando as argumentações da contribuinte e os documentos juntados, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas DRJ/CPS julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, por decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003 DCTF E DCOMP. CONFISSÃO DE DÍVIDA. DIPJ. NATUREZA JURÍDICA. Considerase confissão de divida os débitos declarados em DCTF, motivo pelo qual qualquer alegação de erro nos valores nela declarados deve vir acompanhada de declaração retificadora munida de documentos hábeis e suficientes para justificar as alterações realizadas no cálculo dos tributos devidos. Considerando que o DARF indicado no PER/DCOMP (Pedido de Ressarcimento ou Restituição / Declaração de Compensação) como origem do crédito foi utilizado para quitar débito confessado em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), e que o contribuinte não logra comprovar Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10805.901105/200831 Acórdão n.º 3002000.119 S3C0T2 Fl. 155 4 por meio de provas robustas que a verdade material é outra, não há que se falar em pagamento indevido. A DIPJ tem caráter meramente informativo, não se constituindo em instrumento de confissão de divida. Manifestação de Inconformidade Improcedente Intimada dessa decisão, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fl. 106/116), no qual requereu a reforma do Acórdão recorrido, repisando fatos e argumentos já apresentados e acrescentando que a DIPJ e o Relatório de Saldo de Contas, ao contrário do asseverado pela Turma Julgadora da DRJ/CPS, são documento hábeis para comprovar o crédito da contribuinte, segundo os Acórdãos nº 110100.517 e 372.371 proferidos, respectivamente, pela 1ª TO da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF e pelo TRF da 2ª Região. Da mesma forma, a recorrente assevera que a jurisprudência deste Tribunal Administrativo reconhece que, se comprovado o erro de fato no preenchimento da DIPJ, deve se reconhecer o direito creditório do contribuinte, segundo Acórdão nº 130100.504 proferido pela 1ª TO da 3ª Câmara da 1ª Seção do CARF. Além disso, a recorrente alega que as provas apresentadas na Manifestação de Inconformidade são suficientes para a comprovação do crédito e não apresenta novos documentos. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves O direito creditório envolvido no presente processo encontrase dentro do limite de alçada das Turmas Extraordinárias, conforme disposto no art. 23B do RICARF. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Entendo que a questão fundamental a ser decidida no presente julgamento se refere ao direito probatório em processos administrativos fiscais. O art. 173 do Código de Processo Civil (CPC) estabelece que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito, e ao autor, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Ou seja, em regra, incumbe à parte fornecer os elementos de prova das alegações que fizer, visando prover o julgador com os meios necessários para o seu convencimento, quanto à veracidade do fato deduzido como base da sua pretensão. Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10805.901105/200831 Acórdão n.º 3002000.119 S3C0T2 Fl. 156 5 Seguindo essa mesma linha, o art. 36 da Lei nº 9.784, de 1999, que regula os processos administrativos federais, dispõe que cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Quanto ao processo administrativo fiscal, o art. 16 do Decreto 70.235/72 assim estabelece: Art. 16. A impugnação mencionará: I omissis ......................................................................................................... III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Inciso com redação dada pela Lei nº 8.748, de 9/12/1993) ......................................................................................................... § 1° omissis ......................................................................................................... § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluíndo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira se a fato ou a direito superveniente; c) destine se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Parágrafo acrescido pela Lei nº 9.532, de 10/12/1997) ......................................................................................................... Como se percebe dos dispositivos transcritos, o dever de provar incumbe a quem alega. Assim, creio que o ônus da prova atua de forma diversa em processos decorrentes de lançamento tributário e processos decorrentes de pedido de restituição, ressarcimento e compensação. Nestes, cabe ao contribuinte provar a liquidez e a certeza do seu crédito, naqueles, cabe ao fisco provar a ocorrência do fato gerador. Por certo, não se pode olvidar do Princípio da Verdade Material, que norteia o processo administrativo, devendo o julgador buscar o esclarecimento dos fatos, adotando as providências necessárias no sentido de firmar sua convicção quanto a verdade real. Contudo, a atuação do julgador somente pode ocorrer de forma subsidiária à atividade probatória, que deve ser desempenhada pelas partes. Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10805.901105/200831 Acórdão n.º 3002000.119 S3C0T2 Fl. 157 6 Assim, não pode o julgador usurpar a competência da autoridade fiscal e intentar produzir provas, que validem um lançamento fiscal fracamente instruído, assim como, lhe é vedado desincumbir, pela sua atuação ativa no processo, o sujeito passivo de trazer aos autos o conjunto probatório mínimo necessário para comprovar o seu direito creditório. Dessa forma, a busca pela verdade material não pode ser entendida como ilimitada. Em realidade, nenhum Princípio é soberano e outros também regem o processo administrativo, tais como: os Princípios da Celeridade, Imparcialidade, Eficiência, Moralidade, Legalidade, Segurança Jurídica, dentre outros. Por conseguinte, será lastreado nas circunstâncias fáticas do caso concreto, que o julgador deverá ponderar e sopesar a influência de cada um dos diversos Princípios, visando a maior justeza em seu julgamento. Ainda sobre o mesmo tema, devese tecer alguns comentários sobre o valor probatório do material eventualmente apresentado. Não basta a juntada de documentos, estes devem possuir valor probatório, mínimo que seja, considerandose as vicissitude do caso concreto posto em análise. Assim, determinado documento pode guardar conteúdo probatório das alegações em um processo e, em outro, não se configurar prova. Por certo, em regra, as declarações fiscais transmitidas pelo contribuinte, assim como, seus registros contábeis, fazem prova em seu favor. Contudo, esses elementos, para possuírem algum valor probatório, devem ter sido elaborados segundo os ditames legais e em época apropriada. Vejamos, por exemplo, a DCTF retificadora. Como vem se manifestando, reiteradamente, este Conselho, a apresentação da DCTF retificadora antes da transmissão do pedido de compensação, em casos de pagamento indevido ou a maior, ou mesmo antes da ciência do Despacho Decisório, não é condição para a homologação da compensação pleiteada, pois o direito creditório não surge com a declaração, mas com o efetivo pagamento indevido ou a maior. Entretanto, a mera apresentação da DCTF retificadora não tem o condão de, por si só, comproválo. Nessa linha, outras declarações prestadas à RFB, tais como DIPJ e Dacon, poderiam fazer prova da veracidade dos dados registrados na DCTF retificadora, desde que transmitidas antes do Despacho Decisório e possuíssem informações compatíveis com o conteúdo da retificadora. Então, nesse caso, a juntada de outras declarações ao processo se constituiria num conjunto com força probatória, ainda que relativa e, por isso mesmo, não afastaria a necessidade de apresentação de outros elementos, visando a comprovação das alegações. De forma diversa, deveriam ser consideradas essas mesmas declarações se fossem transmitidas extemporaneamente, pois não passariam de documentos sem nenhum valor probatório. Assim, registros contábeis, que não estejam revestidos das formalidades legais ou que não se possa confirmar tais requisitos, não se constituem prova. No presente caso em análise, a ora recorrente restringiuse apenas a fazer alegações sobre seu suposto crédito e a juntar cópia das fichas 20 e 21 da DIPJ 2004 e de um Relatório de Saldo de Contas. Se, por um lado, é certo que a DIPJ não é instrumento de confissão de dívida, por outro, também é certo que isso não afasta seu valor probatório. Assim, considerandose que essa declaração foi transmitida no momento devido, creio que faz prova em favor do contribuinte, porém, tênue e, desse modo, não afastou a necessidade de Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10805.901105/200831 Acórdão n.º 3002000.119 S3C0T2 Fl. 158 7 apresentação de outros documentos, que também comprovassem o suposto crédito de forma mais robusta. De maneira diversa, deve ser apreciada a cópia de um Relatório de Saldo de Contas, visto que não se pode confirmar que ele espelhe um Livro Razão revestido das formalidade legais. Por isso, a meu ver, não tem nenhum valor probatório. Dessa forma, entendo que a decisão da instância a quo foi correta, pois o sujeito passivo não se desincumbiu do seu ônus de comprovar a liquidez e a certeza do crédito pleiteado. Quanto à jurisprudência trazida pela recorrente, importa salientar que, em primeiro lugar, as decisões de Turmas Julgadoras do CARF não implicam em vinculação de outras Turmas sobre a mesma matéria, além do mais, devese levar em conta que o Acórdão 110100.517 referese a julgamento realizado há cerca de sete anos e que o entendimento majoritário desta Corte foi alterado. Em segundo lugar, ressaltese que a decisão judicial, também colacionada pela recorrente, deixa claro que as declarações devem espelhar a escrita fiscal do contribuinte e somente isso daria suporte às compensações pleiteadas. Logo, ao invés de corroborar a alegação da recorrente, o Acórdão demonstra a necessidade de apresentação dos livros fiscais obrigatórios para a comprovação do direito creditório. Melhor sorte não assiste a recorrente, quando da menção ao Acórdão 130100.504, pois ele deixa consignado a necessidade da comprovação do erro de fato no preenchimento DIPJ para reconhecimento do crédito. Fato que, no presente caso, não ocorreu. Nesse ponto, creio ser oportuno discorrer sobre o momento para a apresentação de provas. Como é cediço, a autoridade fiscal tem como limite temporal para a juntada de provas, usualmente, a lavratura do Auto de Infração. Em contrapartida, o sujeito passivo está limitado, em regra, ao momento de instauração da fase litigiosa do processo, isto é, quando da apresentação de sua Impugnação/Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão, conforme o § 4º do art. 16 do Decreto 70.235/72. Entretanto, o próprio dispositivo citado enumera três circunstâncias , as quais permitiriam ao contribuinte carrear provas aos autos em outro momento processual: a) fique demonstrado a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente e c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Considerandose os Princípios da Igualdade, Moralidade, Imparcialidade e o da Verdade Material, entendo, data venia, que as exceções dispostas só podem ser validamente consideradas se estendidas a ambas as partes. A jurisprudência desse Conselho mostra que, em várias ocasiões, temse admitido a juntada de provas em fase posterior àquela definida na legislação e em circunstâncias diversas daquelas exceções legais, que afastam a preclusão. Tudo em nome do Princípio da Verdade Material. Creio que isso é possível, legal, justo e desejável. Entretanto, somente em condições bastante específicas. Entendo que somente devese admitir tais provas, quando no momento oportuno, o sujeito passivo já tenha carreado aos autos provas mínimas do que alega. Importante frisar que não basta ter apresentado documentos, que não guardam nenhum valor probatório no caso concreto analisado, há que ter sido juntado na Impugnação/Manifestação de Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10805.901105/200831 Acórdão n.º 3002000.119 S3C0T2 Fl. 159 8 Inconformidade um conjunto probatório mínimo. Assim, as provas excepcionalmente juntadas de forma extemporâneas são aceitáveis, quando apenas reforçam o valor probatório do material já anteriormente apresentado. Agir de forma diversa, aceitando qualquer tipo de prova, em qualquer circunstância, sem que tenha sido apresentado um conjunto probatório no momento fatal definido em lei, a fim de privilegiar a verdade material, significaria, data venia, se emprestar uma força absoluta e soberana a um Princípio em detrimento aniquilar dos outros. Ademais, estariase diante de uma verdadeira derrogação do § 4º do art. 16 do Decreto 70.235, realizada pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, o seu disposto não seria aplicado em hipótese alguma, excluindoo do ordenamento jurídico, fato que somente poderia ser realizado por lei. Então, considerandose todo o raciocínio lógicojurídico sobre o direito probatório, desenvolvido ao longo do presente voto, e nas circunstâncias do caso concreto, isto é, já ter sido apresentada uma prova mínima, entendo que seria admissível a apresentação de novas provas juntamente com o Recurso Voluntário. Contudo, repisese que a recorrente não apresentou mais nenhuma prova. Essa atitude da recorrente tornase incompreensível, tendo em vista que, no Acórdão recorrido, restou claro quais outros documentos deveriam ter sido apresentados: "Para corroborar seus argumentos a manifestante juntou ainda parte do "Relatório do Saldo de Contas" extraído de sua contabilidade. Entretanto, também esse documento sem os elementos (notas fiscais) que deram sustentação para os respectivos lançamentos contábeis não pode ser sobreposto à declaração efetuada na DCTF originalmente, pois não tem o condão de comprovar efetivamente que os valores ali descritos correspondem de fato à autorização legal de dedução para a apuração da base de calculo da contribuição. Destaquese que nos termos do art. 226, caput, do Código Civil, abaixo transcrito, os livros e fichas da sociedade provam a seu favor quando escriturados sem vícios e forem confirmados por documentos hábeis e idôneos: Art. 226. Os livros e fichas dos empresários e sociedades provam contra as pessoas a que pertencem, e, em seu favor, quando, escriturados sem vicio extrínseco ou intrínseco, forem confirmados por outros subsídios." (grifo nosso) Dessarte, forçoso é admitir que a recorrente não se desincumbiu do ônus de provar o seu suposto direito creditório, seja por seus erros anteriores ao Despacho Decisório, seja pela ausência da apresentação de provas robustas da sua liquidez e certeza, tanto na instância a quo, como nesta Corte. Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10805.901105/200831 Acórdão n.º 3002000.119 S3C0T2 Fl. 160 9 Assim sendo, por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário e não reconhecer o direito creditório. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Fl. 160DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12267.000363/2008-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 31/07/1997 a 30/09/1998
DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE STF Nº 8.
É de cinco anos o prazo decadencial das contribuições previdenciárias.
Numero da decisão: 2301-005.336
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Maurício Vital - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Mauricio Vital, Wesley Rocha, Antonio Sávio Nastureles, Juliana Marteli Fais Feriato, Marcelo Freitas de Souza Costa, e João Bellini Junior (Presidente).
Nome do relator: JOAO MAURICIO VITAL
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 31/07/1997 a 30/09/1998 DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE STF Nº 8. É de cinco anos o prazo decadencial das contribuições previdenciárias.
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score : 1.0
Numero do processo: 11080.001914/2006-65
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003
CRÉDITO PRESUMIDO IPI - ESCRITURAÇÃO NO LAIPI
Para a devida apuração do crédito presumido de IPI e seu eventual ressarcimento, é condição que o mesmo tenha sido devidamente escriturado no Livro Registro de Apuração do IPI. (LAIPI).
Recurso Especial do Procurador provido.
Numero da decisão: 9303-006.976
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente
(Assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 CRÉDITO PRESUMIDO IPI - ESCRITURAÇÃO NO LAIPI Para a devida apuração do crédito presumido de IPI e seu eventual ressarcimento, é condição que o mesmo tenha sido devidamente escriturado no Livro Registro de Apuração do IPI. (LAIPI). Recurso Especial do Procurador provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 CRÉDITO PRESUMIDO IPI ESCRITURAÇÃO NO LAIPI Para a devida apuração do crédito presumido de IPI e seu eventual ressarcimento, é condição que o mesmo tenha sido devidamente escriturado no Livro Registro de Apuração do IPI. (LAIPI). Recurso Especial do Procurador provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 19 14 /2 00 6- 65 Fl. 604DF CARF MF Processo nº 11080.001914/200665 Acórdão n.º 9303006.976 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial da Fazenda Nacional (fls. 535/540), admitido pelo despacho de fls. 251/253, que se insurge contra o Acórdão 3401001.379 (fls. 246/250), de 20/03/2013, que deu provimento parcial ao recurso voluntário, e cuja ementa, quanto à parte admitida, foi vazada com a seguinte dicção: CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. DIREITO AO RESSARCIMENTO DE PIS E CONFINS. AUSÊNCIA DE ESCRITURAÇÃO NO LIVRO REGISTRO DE APURAÇÃO DO IPI. CONSISTÊNCIA DA APURAÇÃO. A ausência de escrituração do crédito presumido do IPI apurado sob o regime alternativo da Lei 10.276/2001, não prejudica o direito creditório decorrente do benefício fiscal, mas posterga eventual aproveitamento mensal para o início do trimestre subseqüente, quando a apresentação da DCP. Recurso Voluntário Provido em Parte A parte dispositiva do aresto dispõe: Diante do exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, para afastar a exigência de escrituração dos créditos pleiteados nos livros fiscais de IPI, e determinar o retorno dos autos ao Colegiado recorrido para apreciação do pedido de ressarcimento. A Fazenda, em síntese, aduz que o art. 4º da Lei 9.363/96 permite o ressarcimento de eventual saldo de crédito presumido desde que compensado com o IPI, reste ainda saldo credor. Acresce que a IN SRF 69/2001, em seu art. 20, impõe que o estabelecimento matriz da pessoa jurídica que apurar crédito presumido "deverá escriturálo no item 005 do quadro 'Demonstrativo de Créditos' do livro Registro de Apuração do IPI, com indicação de sua origem no quadro Observações". Redação esta que veio a ser reproduzida pelo art. 16 da IN SRF 419/04, salienta. Consigna que o art. 17 da IN SRF 460/2004 determinou que o valor de crédito presumido objeto de pedido de ressarcimento à Receita Federal deve ser estornado em sua escrita fiscal. Conclui que o registro do crédito presumido no livro de ocorrência e a elaboração de DCP não suprem a necessária escrituração daquele no Livro de Apuração do IPI. Após salientar "que os procedimentos de restituição, ressarcimento e compensação são rigorosamente disciplinados para impedir saída indevida de valores dos cofres públicos", pede a reforma do acórdão recorrido, de forma a indeferir na sua totalidade o pleito do contribuinte. O Contribuinte em suas contrarrazões (fls. 555/570) entende, em suma, que tendo o crédito presumido sido declarado em DCP Demonstrativo de Apuração do Crédito Presumido do IPI, a ausência de sua escrituração no Livro de Apuração do IPI (LAIPI) não enseja sua glosa, "provada materialmente sua existência". Na sequência afirma que são inaplicáveis as normas do IPI ao ressarcimento de PIS e COFINS, postulando, alfim, o desprovimento do recurso especial da Fazenda. É o relatório. Fl. 605DF CARF MF Processo nº 11080.001914/200665 Acórdão n.º 9303006.976 CSRFT3 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire Relator Conheço do recurso da Fazenda Nacional nos termos em que foi admitido. A questão devolvida a nosso conhecimento cingese a decidirmos se o aproveitamento do crédito de presumido de IPI sob a forma de ressarcimento prescinde ou não de sua escrituração no Livro Registro de Apuração daquele imposto. O crédito objeto da lide, em verdade, referese ao benefício fiscal no período de janeiro de 2000 a março de 2003, o qual, informa a empresa, "por desconhecimento da legislação, não vinha sendo aproveitado na sua escrituração fiscal e contábil", e que somente em meados de agosto de 2003 que efetuou os cálculos para sua utilização. Cediço que o legislador ordinário ao criar o benefício fiscal que veio a ser chamado de crédito presumido do IPI, embora tivesse por escopo, em tese, a desoneração dos tributos PIS e COFINS na exportação, utilizouse da legislação do IPI para sua fruição e controle. Nesse sentido o art. 4º da Lei 9.363/96: Art.4º Em caso de comprovada impossibilidade de utilização do crédito presumido em compensação do Imposto sobre Produtos Industrializados devido, pelo produtor exportador, nas operações de venda no mercado interno, farseá o ressarcimento em moeda corrente. Ou seja, determinou o legislador que os valores resultantes da apuração do crédito presumido, deveriam antes de seu pedido de ressarcimento, sendo apurado saldo devedor de IPI, serem compensados com este. E não nos esqueçamos que a lei criou um benefício fiscal. Normatizando a matéria foi editada a IN SRF nº 23/97 (posteriormente revogada pela IN SRF nº 313/03 e, na sequência, pela IN SRF nº 419/04), dispondo em seu art. 3º e 9º o que segue: Art. 3º O crédito presumido será apurado ao final de cada mês em que houver ocorrido exportação ou venda para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1º Para efeito de determinação do crédito presumido correspondente a cada mês, a empresa ou o estabelecimento produtor e exportador deverá: ... V diminuir, do valor apurado de conformidade com o inciso anterior, o resultado da soma dos seguintes valores de créditos presumidos, relativos ao anocalendário: a) ressarcidos por meio de compensação com o IPI devido; ... Fl. 606DF CARF MF Processo nº 11080.001914/200665 Acórdão n.º 9303006.976 CSRFT3 Fl. 5 4 Art. 9º A utilização do crédito presumido farseá de conformidade com as normas sobre ressarcimento e compensação previstas nos arts. 8º a 22 da Instrução Normativa SRF nº 021, de 1997. De seu turno, a IN SRF nº 21/97 (posteriormente revogada pela IN SRF nº 210/02 e, na sequência, pela IN SRF nº 460/04), registra: Art. 3º Poderão ser objeto de ressarcimento, sob a forma compensação com débitos do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, da mesma pessoa jurídica, relativos às operações no mercado interno, os créditos: ... II presumidos de IPI, como ressarcimento da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para a Seguridade Social COFINS, instituídos pela Lei n º 9.363, de 1996; ... Art. 11. O estabelecimento que apurar crédito presumido de IPI, como ressarcimento das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, inclusive o estabelecimento matriz, no caso de apuração centralizada, deverá escriturálo no item 005 do quadro "Demonstrativo de Créditos", do livro Registro de Apuração do IPI, com indicação de sua origem no quadro "Observações". Portanto, estreme de dúvida que desde a instituição do benefício os procedimentos de escrituração do crédito presumido no Livro Registro de Apuração do IPI– RAIPI e o estorno dos valores consignados no pedido de ressarcimento, já se faziam necessários. E o art. 11 da IN SRF 21/97, acima transcrito, continuou sendo requisito para a fruição do benefício. O art 20 da IN SRF 315, de 03/04/2003, vigente ao tempo da transmissão da PER/DCOMP tinha idêntica redação. Assim, a escrituração dos créditos no Livro Registro de Apuração do IPI LAIPI, é condição fundamental para o deferimento do pedido de ressarcimento, vez que o aproveitamento de crédito se dá primeiramente na escrita fiscal, para dedução dos débitos decorrentes das saídas, sendo concedido de forma subsidiária o ressarcimento. DISPOSITIVO Ante o exposto, dou provimento ao recurso especial da Fazenda, desta forma mantendo o despacho decisório inicial que indeferiu o pleito do contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 607DF CARF MF Processo nº 11080.001914/200665 Acórdão n.º 9303006.976 CSRFT3 Fl. 6 5 Fl. 608DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 35138.000055/2007-23
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005
DECADÊNCIA. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. AUTONOMIA. ART. 173, I DO CTN.
As obrigações acessórias ostentam caráter autônomo em relação à regra matriz de incidência do tributo. Assim o descumprimento de obrigação acessória leva ao lançamento de ofício da penalidade, aplicando-se o art. 173, I do CTN
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.723
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em negar-lhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Patrícia da Silva - Relatora
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 DECADÊNCIA. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. AUTONOMIA. ART. 173, I DO CTN. As obrigações acessórias ostentam caráter autônomo em relação à regra matriz de incidência do tributo. Assim o descumprimento de obrigação acessória leva ao lançamento de ofício da penalidade, aplicando-se o art. 173, I do CTN APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em negar-lhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Patrícia da Silva - Relatora Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
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OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. AUTONOMIA. ART. 173, I DO CTN. As obrigações acessórias ostentam caráter autônomo em relação à regra matriz de incidência do tributo. Assim o descumprimento de obrigação acessória leva ao lançamento de ofício da penalidade, aplicandose o art. 173, I do CTN APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em negarlhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 13 8. 00 00 55 /2 00 7- 23 Fl. 1207DF CARF MF 2 (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Patrícia da Silva Relatora Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório Em sessão plenária de 16.05.2013, a 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF julgou o Recurso Voluntário s/n, proferindo a decisão consubstanciada no Acórdão nº 2301003.531 (fls. 1132 e ss), assim ementado: AUTO DE INFRAÇÃO APRESENTAÇÃO DE GFIP/GRFP COMDADOS NÃO CORREPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS .Toda empresa está obrigada a informar, por intermédio de GFIP/GRFP, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária.SALÁRIO INDIRETO PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS Para ocorrer a isenção fiscal sobre os valores pagos aos trabalhadores a título de participação nos lucros ou resultados, a empresa deverá observar a legislação específica sobre a matéria.Ao ocorrer o descumprimento da Lei 10.101/2000, as quantias creditadas pela empresa aos empregados passa a ter natureza de remuneração, sujeitas,portanto, à incidência da contribuição previdenciária.O PLR pago em desacordo com o mencionado diploma legal integra o salário de contribuição.DECADÊNCIA PARCIAL De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional.Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal.Para os lançamentos de ofício, como é o caso do Auto de Infração, aplicase,a regra contida no art. 173 do Código Tributário Nacional. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA.Incide na espécie a retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II,do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo ser a multa lançada na presente autuação calculada nos termos do artigo 32A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991.Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.Acordam os membros do colegiado: I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao Fl. 1208DF CARF MF Processo nº 35138.000055/200723 Acórdão n.º 9202006.723 CSRFT2 Fl. 1.208 3 Recurso, nas preliminares, para excluir devido a regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN, os fatos geradores ensejadores da multa, até a competência11/2000, anteriores a 12/2000, nos termos do voto da Relatora; II) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao recurso, no mérito, nos termos do voto do Relator “ad hoc”. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior, Adriano Gonzáles Silvério e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento ao recurso; III) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32A, I, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a).Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada,nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35A da Lei 8.212/1991,deduzindose as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente. Redator: Manoel Coelho Arruda Júnior Na origem, Tratase de Auto de Infração, lavrado em 26/09/2006, por ter a empresa acima identificada apresentado GFIP/GRFP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, infringindo, dessa forma, o inciso IV, § 5º, do art. 32, da Lei 8.212/91, c/c o art. 225, IV e § 4o, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. Conforme consta do Relatório Fiscal da Infração (fls 08), a recorrente deixou de informar, por meio de GFIP, os pagamentos efetuados a segurados a seu serviço, a título de PLR, no período de 01/99 a 12/05. Foram também lavradas NFLD para cobrança das correspondentes contribuições não recolhidas (DEBCAD n° 37.026.0970 e nº 37.026.0988). Foi interposto Recurso Especial pela Fazenda Nacional, visando à rediscussão das Penalidades/Retroatividade Benigna AIOP/AIOA: fatos geradores anteriores à MP nº 449, de 2008, tendo sido admitido. O Contribuinte apresentou Contrarrazões pugnando pela manutenção do a quo. O Contribuinte apresentou Recurso Especial sob a matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Decadência/Prescrição Pagamento apto a atrair o art. 150, § 4º, do CTN, tendo sido admitido. A Fazenda Nacional apresentou Contrarrazões pugnando pela manutenção do a quo. É o relatório. Voto Conselheira Patrícia da Silva Relatora Fl. 1209DF CARF MF 4 Os Recursos Especiais interpostos pela Fazenda Nacional e pelo Contribuinte são tempestivos e atendem aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merecem ser conhecido. Do Recurso Especial do Contribuinte: da decadência Tratase de auto de infração decorrente do descumprimento de obrigação acessória. No presente feito, impende destacar que não houve pagamento antecipado, mesmo porque se trata de auto de infração (penalidade), cujo lançamento será sempre de ofício, não por homologação. Por conta disso, aplicase como termo inicial da decadência o disposto no art. 173, inciso I do CTN. O dispositivo mencionado traz o seguinte: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento Desse modo, tratandose de lançamento de multa, por meio de auto de infração, cujo lançamento será sempre de ofício, e não por homologação, não existe dispositivo legal que autorize deslocar o termo inicial da decadência para o fato gerador, devendo ser aplicada a regra geral do artigo 173, I do CTN. Ainda que não se tratasse de lançamento de ofício, importante frisar que o termo inicial da decadência deslocase para o fato gerador, nos termos do artigo 150, § 4º do CTN, tãosomente quando for lançamento por homologação e o contribuinte efetuar recolhimento antecipado do tributo. O tema foi apreciado pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, na sessão de julgamentos do dia 12/08/2009, que, ao analisar o Recurso Especial 973.733/SC, de Relatoria do Min. Luiz Fux, na sistemática dos Recursos Repetitivos (Art. 543C do CPC), definiu que no caso dos tributos sujeitos a lançamento por homologação o prazo decadencial é de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato gerador, nas hipóteses em que o contribuinte não declara, nem efetua o pagamento do tributo. Confirase: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. Fl. 1210DF CARF MF Processo nº 35138.000055/200723 Acórdão n.º 9202006.723 CSRFT2 Fl. 1.209 5 ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. Fl. 1211DF CARF MF 6 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008”. Cito, para ilustrar, o entendimento da Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, no acórdão 2401003.209, que ainda nos traz apontamentos relevantes acerca da finalidade das informações prestadas em GFIP: Ressalto, que independente da decadência das obrigações principais ter sido decretada a luz do art. 150, § 4, nos autos de obrigação acessória não há como atribuir mesmo raciocínio, tendo em vista serem obrigações distintas, a de recolher a contribuição devida, e a de informar em GFIP fatos geradores de contribuição previdenciária. A informação em GFIP não possui o condão de apenas informar a contribuição devida, mas acima de tudo, informar a remuneração do segurado da previdência social, informação essa que irá subsidiar a concessão de benefícios e o correspondente cálculo do salário de benefício. Portanto, deve ser mantida a decisão recorrida no ponto em questão por seus próprios fundamentos, motivo pelo qual conheço do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte e NEGOlhe PROVIMENTO Recurso Especial da Fazenda Nacional: retroatividade benigna: A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, Fl. 1212DF CARF MF Processo nº 35138.000055/200723 Acórdão n.º 9202006.723 CSRFT2 Fl. 1.210 7 conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de Fl. 1213DF CARF MF 8 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499: Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: Fl. 1214DF CARF MF Processo nº 35138.000055/200723 Acórdão n.º 9202006.723 CSRFT2 Fl. 1.211 9 I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. Fl. 1215DF CARF MF 10 No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº Fl. 1216DF CARF MF Processo nº 35138.000055/200723 Acórdão n.º 9202006.723 CSRFT2 Fl. 1.212 11 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 1217DF CARF MF 12 § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Diante de todo o exposto, conheço o Recurso interposto pela Fazenda Nacional dandolhe total provimento para reformar a decisão a quo quanto ao cálculo do prazo decadencial, além da determinação que a multa seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Diante do exposto conheço do Recurso interposto pela Fazenda Nacional para no mérito DARLHE PROVIMENTO. É como voto (assinatura digital) Patrícia da Silva. Fl. 1218DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.903455/2008-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 02 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1201-000.483
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gisele Barra Bossa - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima.
Relatório
Nome do relator: GISELE BARRA BOSSA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Gisele Barra Bossa Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima. Relatório 1. Por economia processual e por bem descrever os fatos, adoto como parte deste, o relatório constante da decisão de primeira instância: “O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório n° rastreamento 763933572 emitido eletronicamente em 20 de maio de 2008 (fl. 03), referente ao PER/DCOMP n° 17580.49272.130504.l.3.046227 (doc. de fls. 20/22). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .9 03 45 5/ 20 08 -9 6 Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10680.903455/200896 Resolução nº 1201000.483 S1C2T1 Fl. 3 2 A Declaração de Compensação foi gerada pelo programa PER/DCOMP transmitida com o objetivo de ter reconhecido o direito creditório, correspondente a Pagamento Indevido ou a Maior de IRPJ, recolhido em 30/05/2003 (DARF fl. 17) e de compensar os débitos discriminados no referido PER/DCOMP (verso de folha 21). Das análises processadas foi constatado que a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei n° 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório em 28 de maio de 2008, conforme AR de fl. 23, o interessado apresenta manifestação de inconformidade (fls. 01/02), protocolizada em 17 de junho de 2008, argumentando que: detectou erro quanto à especificação do tipo de crédito tributário na DCOMP. o crédito tributário se refere a saldo negativo de Imposto de Renda Pessoa Jurídica e não pagamento indevido ou maior. de fato o DARF estava comprometido com o IRPJ Estimativa devido na competência de abril de 2003, vinculação na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF do débito. quando da apuração do Lucro Real Anual em dezembro de 2003, os valores recolhidos a título de estimativa foram superiores ao devido no período de apuração, restando saldo negativo de IRPJ. no ano de 2003 recolheu a título de estimativa de IRPJ o valor de R$ 227.538,27 (planilha de fl. 10), em dezembro do mesmo ano apurou prejuízo fiscal. Não havendo IRPJ devido (cópia da DIPJ fl. 25), resultando em recolhimento a maior no valor de R$227.538,27. a Lei n° 9.430, de 1996 em seu art. 6°, §1°, item II, estabelece que o saldo do imposto a ser pago recolhido por estimativa será compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subsequente, se negativo, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos a restituição do montante pago a maior. o erro no preenchimento da declaração PER/DCOMP não elimina a existência do crédito tributário. A vista do exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer que seja acolhida a presente Manifestação de inconformidade para o fim de assim ser decidido, homologando a compensação declarada.” Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10680.903455/200896 Resolução nº 1201000.483 S1C2T1 Fl. 4 3 2. Em sessão de 19 de janeiro de 2010, a 2ª Turma da DRJ/BHE, por unanimidade de votos, considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade (fls. 2/3) para não reconhecer o direito creditório, nos termos do voto relator, Acórdão nº 0225.164 (fls. 29/32), cuja ementa recebeu o seguinte descritivo: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Exercício: 2004 Retificação da Declaração de Compensação. A retificação da DCOMP somente é possível na hipótese de inexatidões materiais cometidas no seu preenchimento, da forma prescrita na legislação tributária vigente e somente para as declarações ainda pendentes de decisão administrativa na data da sua apresentação. Manifestação de inconformidade improcedente. Direito creditório não reconhecido”. 3. A DRJ/BHE não acatou os argumentos da Recorrente, em síntese, sob os seguintes fundamentos: 3.1. Apesar de constar nos documentos juntados que a Recorrente recolheu IRPJ por estimativa, não há que se falar em saldo negativo de IRPJ em razão da Interessada não ter optado por exercer a faculdade de deduzir o IRPJ pago por estimativa, prevista no artigo 2º, §4º, inciso IV, da Lei nº 9.430/96, visto que a linha 17 da Ficha 09A da DIPJ 2004 (fl. 28) está zerada. Portanto, não há saldo negativo de IRPJ oriundo de pagamento por estimativa. 3.2. A opção pela dedução do IRPJ pago por estimativa deve ser exercida na DIPJ dentro do prazo legal, não devendo ser reconhecida a dedução efetuada extemporaneamente. No mais, a retificação de ofício da declaração de rendimentos para modificar a dedução de IRPJ é incabível, visto que o não exercício dessa opção não se caracteriza como erro de fato. 3.3. Quanto ao pedido de compensação, a própria Recorrente afirma que errou no preenchimento da DCOMP quanto à especificação do tipo de crédito tributário, pois o crédito se refere a saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário de 2003 e não pagamento indevido ou a maior de IRPJ. Sustenta que o contribuinte tem a obrigação de indicar corretamente qual a origem do crédito para exercer o direito à restituição e que o referido erro é insanável. 4. Cientificada da decisão (AR de 17/05/2010, fls. 36), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 14/06/2010 (fls. 38/41), reiterando as razões já expostas em sede de Manifestação de Inconformidade (fls. 2/3) e reforçando que: (i) a Recorrente comprovou que efetuou recolhimentos de IRPJ por estimativa ao longo do ano de 2003 e ao final do exercício apurou prejuízo fiscal, resultando em saldo negativo de IRPJ; (ii) o crédito existia, fato este que não foi negado pelo acórdão da DRJ/BHE; e (iii) o impedimento do exercício do direito à restituição se deu sob alegação de descumprimento de mera formalidade no preenchimento de formulário e ignora a realidade fática. Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10680.903455/200896 Resolução nº 1201000.483 S1C2T1 Fl. 5 4 5. Ao final, requer seja acolhido o Recurso Voluntário para o fim de reconhecer a existência do seu crédito e para homologar as declarações de compensação apresentadas. É o relatório. Voto Conselheira Gisele Barra Bossa, Relatora 6. O recurso é tempestivo e cumpre os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciar. 7. Alinhome ao entendimento de que a Administração não pode ficar restrita ao que as partes demonstram no curso do processo, mas deve buscar a verdade material. 8. In casu, a douta DRJ poderia, ao invés de julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade, ter baixado os autos em diligência para esclarecimentos dos fatos e análise de provas. Tal iniciativa cooperativa, inclusive, traria maior celeridade e eficiência processual, bem como teria otimizado o custo deste processo para o Estado1. 9. No mais, em homenagem ao princípio da verdade material, considero que assiste razão a contribuinte quando sustenta que meros erros no preenchimento de declarações não são suficientes para motivar o não reconhecimento do seu direito creditório. 10. Contudo, em linha com a jurisprudência deste E. Conselho, é imprescindível que tais erros sejam claramente demonstrados por meio de documentação hábil e idônea, em especial com base na análise de registros contábeis e fiscais e da documentação que lhe serve de suporte, a qual necessariamente deve ser mantida pelo contribuinte enquanto se pretender obter os efeitos fiscais correspondentes, nos termos do artigo 195, parágrafo único, do Código Tributário Nacional CTN e dos artigos 264 e 923 do RIR/99. 11. Reforçando essas diretrizes, transcrevo a seguinte ementa: 1 Em consonância com os seguintes dispositivos: Lei nº 13.105/2015 "Art. 5º Aquele que de qualquer forma participa do processo deve comportarse de acordo com a boafé. Art. 6º Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva. Art. 7º É assegurada às partes paridade de tratamento em relação ao exercício de direitos e faculdades processuais, aos meios de defesa, aos ônus, aos deveres e à aplicação de sanções processuais, competindo ao juiz zelar pelo efetivo contraditório. Art. 8º Ao aplicar o ordenamento jurídico, o juiz atenderá aos fins sociais e às exigências do bem comum, resguardando e promovendo a dignidade da pessoa humana e observando a proporcionalidade, a razoabilidade, a legalidade, a publicidade e a eficiência." Lei nº 9.784/1999 "Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência." "Art. 29. As atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão realizamse de ofício ou mediante impulsão do órgão responsável pelo processo, sem prejuízo do direito dos interessados de propor atuações probatórias. § 1º O órgão competente para a instrução fará constar dos autos os dados necessários à decisão do processo." Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10680.903455/200896 Resolução nº 1201000.483 S1C2T1 Fl. 6 5 "ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DCTF. DECLARAÇÕES RETIFICADORAS. COMPROVAÇÃO. CRÉDITO RECONHECIDO. Comprovado que o débito confessado em estava equivocado mediante apresentação de declaração retificadora, DIPJ e elementos da escrituração contábil que corroboram o valor declarado/confessado nessa declaração retificadora, reconhecese o direito de crédito homologandose as compensações pleiteadas até esse limite." (Processo nº 13971.901692/201131, Acórdão nº 1402002.379, 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária / 1ª Seção, Sessão de 26.01.2017, Relator: Fernando Brasil de Oliveira Pinto) (grifos nossos). 12. O direito creditório do contribuinte só pode ser obstado diante de três hipóteses (i) se reconhecida decadência do direito pleiteado; (ii) se os valores já tiverem sido compensados; e (iii) quando a documentação suporte é insuficiente para demonstrar a origem do crédito e/ou não esclarece de forma assertiva e sem contradições a composição dos valores discutidos. 13. Logo, somente diante da comprovação pela autoridade fiscal de uma dessas três hipóteses é que o direito creditório não deve ser reconhecido. 14. Considero que não há, no presente caso, controvérsia acerca do preenchimento do requisito (i) constante do item 12, mas do (ii) e (iii). 15. No mais, é incontroverso que entre maio de 2003 e novembro de 2003 a Recorrente recolheu o IRPJ por Estimativa relativo às competências de abril a outubro de 2003 no total de R$ 277.538,27, conforme demonstrado nas guias de fls. 18/20. 16. Em dezembro de 2003, apurouse prejuízo fiscal e constatouse que não era devido IRPJ para o ano de 2003, daí a origem do direito creditório em exame, pagamento a maior de IRPJ no anocalendário de 2003. 17. Ocorre que, a DRJ (fls. 29/32) considerou que o despacho decisório (fl. 4) não merece reformas porque o erro cometido pelo contribuinte é material e, portanto, tratase de vício insanável. 18. Por outro lado, a Recorrente, tanto em sede de Manifestação de Inconformidade quanto em seu Recurso Voluntário, afirma que, apesar de ter errado no preenchimento do formulário de compensação sobre a origem do crédito ao preencher como “pagamento indevido ou a maior” ao invés de “saldo negativo de IRPJ” o crédito decorrente do recolhimento de IRPJ estimativa não deixou de existir. 19. Para comprovar suas alegações, a Recorrente apresenta documentação probatória hábil, tais como: (i) seis DARFs de recolhimento de IRPJ referente ao segundo e terceiro trimestres de 2003 (fls. 18/20); (ii) fichas 09A e 17 do ano calendário de 2003 da DIPJ original (fls. 13/14); e (iii) a totalização por tributo e contribuição no segundo, terceiro e quarto trimestre de 2003 da DCTF. Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10680.903455/200896 Resolução nº 1201000.483 S1C2T1 Fl. 7 6 20. A priori, a documentação trazida pela Recorrente cumpre o disposto no artigo 923 do RIR2 e é capaz de viabilizar o reconhecimento do direito creditório do contribuinte. 21. Contudo, deve ser verificada, à luz da documentação contábil, fiscal e demais provas suporte, a liquidez e certeza dos créditos constantes dos pedidos de compensação nos períodos em análise. 22. Em face do exposto, voto pela conversão do presente julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da Receita Federal da circunscrição da contribuinte: (i) providencie a juntada aos autos cópia integral da DIPJ 2004, anocalendário de 2003; (iii) verifique as DCTFs apresentadas, efetuando a apuração do crédito relativo a cada um dos meses para fins de verificação de recolhimentos a maior de estimativa mensal, observandose, no que couber, as disposições da IN RFB nº 1.110/2010; (iii) faça o cotejamento desses créditos com as Dcomps relativas ao saldo negativo de IRPJ no anocalendário 2003, procedendo à valoração para fins de verificação de suficiência destes, considerandose, inclusive, alguma Dcomp porventura já homologada. 23. Para fins dessa verificação, a contribuinte poderá ser intimada a apresentar livros e documentos. 24. Após a conclusão da diligência, a autoridade fiscal responsável deverá elaborar Relatório Conclusivo, com posterior ciência à Recorrente, para que, se assim desejar, se manifeste no prazo de 30 (trinta) dias e na seqüência retornem os autos ao E. CARF para julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Gisele Barra Bossa 2 "Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais." Fl. 61DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.723884/2014-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 04 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.287
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Fez sustentação oral, pela recorrente, o Advogado José Augusto Lara dos Santos, OAB nº 31460/PR.
(assinado digitalmente)
WINDERLEY MORAIS PEREIRA PRESIDENTE SUBSTITUTO.
(assinado digitalmente)
PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA - RELATOR.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Fez sustentação oral, pela recorrente, o Advogado José Augusto Lara dos Santos, OAB nº 31460/PR. (assinado digitalmente) WINDERLEY MORAIS PEREIRA– PRESIDENTE SUBSTITUTO. (assinado digitalmente) PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA RELATOR. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 2018 (Cofins) e 2076 (Pis) em face de decisão da DRJ/DF de fls. 1984 que manteve o lançamento em sua integralidade, por insuficiência de recolhimento das constribuições de PIS e COFINS sob o regime não cumulativo e glosa de créditos. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .7 23 88 4/ 20 14 -4 5 Fl. 5155DF CARF MF Processo nº 10980.723884/201445 Resolução nº 3201001.287 S3C2T1 Fl. 5.156 2 Por ser costume desta Turma de julgamento a transcrição do relatório constante das decisões de primeira instância, segue para apreciação: “Contra a empresa qualificada em epígrafe foram lavrados autos de infração de fls. 697 a 715, em virtude da apuração de falta de recolhimento da Contribuição para o PIS e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins nos períodos de apuração 01/2010 a 12/2010. O crédito tributário ora constituído, incluindo juros de mora (calculados até 12/2014) e multa proporcional, importa no valor total de R$ 23.470.907,26 (vinte três milhões quatrocentos e setenta mil novecentos e sete reais e vinte seis centavos). O trabalho fiscal resultou em três infrações, a saber (sinteticamente): (1) Insuficiência de recolhimentos de PIS e Cofins; (2) Glosa de créditos sem débito de contribuição: crédito de aquisição no mercado interno constituído indevidamente; (3) Glosa de créditos sem débito de contribuição: crédito de importação constituído indevidamente. Da leitura do Termo de Verificação Fiscal nº 2 podemos concluir que a empresa teria tomado, indevidamente, créditos das aludidas contribuições, portanto, restou à fiscalização processar as seguintes glosas (analiticamente): a) Créditos tomados a partir de aquisições de microcomputadores, software e suporte (bem como de créditos extemporâneos sobre tais bens do ativo imobilizado); b) Créditos extemporâneos (fevereiro, setembro e outubro); c) Diferença relativa a despesas com armazenagem e fretes (janeiro); d) Créditos extemporâneos: despesas com energia, aluguéis e insumos; e) Créditos indevidamente descontados sobre a parcela do ICMSST; f) Créditos indevidamente descontados sobre IPI Recuperável; g) Créditos indevidamente descontados sobre Despesas Financeiras; h) Despesas com consultoria e assessoria em informática; i) Despesas com o pagamento de comissões a pessoas jurídicas que atuam como representantes comerciais autônomos; j) Despesas com prestação de serviços de assistência técnica; e; k) Créditos apurados na Importação. Após as devidas glosas foram apuradas as novas bases de cálculo para fins de apuração de créditos, e caso necessário, os respectivos lançamentos de PIS e Cofins. Fl. 5156DF CARF MF Processo nº 10980.723884/201445 Resolução nº 3201001.287 S3C2T1 Fl. 5.157 3 DA IMPUGNAÇÃO Cientificado, por meio de sua Caixa Postal, da exigência em 22/12/2014 (fls. 797), e, irresignado com a acusação fiscal, o contribuinte apresentou, em 21/01/2015, duas peças impugnatórias: uma de fl. 803/849 (impugnando PIS) e outra de fls. 850/896 (impugnando Cofins), ambas de idêntico teor (exceção à legislação específica que rege cada matéria), das quais se extrai a síntese exposta a seguir. DO DIREITO 1. INSUMOS – CONCEITO E COMPROVAÇÃO Neste ponto aduz que houve um descompasso entre a interpretação dada pela fiscalização ao conceito de “insumos” para fins de tomada de crédito de PIS/Cofins e aquela por ela utilizada e decorrente de consolidada interpretação doutrinária e jurisprudencial (inclusive por parte do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF). Defende que a Constituição Federal não estabelece qualquer hipótese de vedação para a tomada de créditos. Em outro ponto defende que, ao contrário do ICMS e do IPI que se fundam sobre o valor produto, as contribuições sociais ao PIS e à Cofins têm como base de cálculo o faturamento ou receita, assim, o tratamento dado à “nãocumulatividade” das contribuições deve ser distinto daquele dispensado ao ICMS e IPI. Entende que o tratamento, ao PIS e à Cofins, deve ser, necessariamente, mais amplo, sob pena de não se alcançar a “nãocumulatividade” pretendida pelo legislador, ou seja, o conceito de insumo não pode ser visto à luz específica de sua vinculação direta com o produto, ao contrário, deve ser construído de modo a adequarse à grandeza tributada pelas contribuições em foco (qual seja, a receita ou faturamento). Cita acórdão do CARF. Defende que a legislação de regência não restringiu o conceito de insumos na fabricação de bens ou produtos, não há qualquer vinculação, por exemplo, a sua utilização direta ou seu desgaste no processo produtivo. A fiscalização, equivocadamente, teria restringido a tomada dos aludidos créditos através da nítida aproximação do conceito de insumo a ser aplicado ao caso (nãocumulatividade do PIS/Cofins) ao aplicável ao IPI/ICMS, com fundamentos em meras “Soluções de Consulta”, tipicamente fundamentadas em instruções normativas. O conceito de insumo não pode ser abordado pela fiscalização sob uma ótica restritiva. Ao contrário, o conceito de insumo deve abranger todas as entradas que contribuírem para a formação da base de cálculo das contribuições ao PIS e à Cofins. Devem servir de base ao cálculo do crédito todos os custos e despesas necessários à obtenção da receita decorrente da venda de mercadorias ou serviços, pois, a acepção ordinária do conceito de “insumo” aponta para cada um dos elementos, diretos e indiretos, necessários à consecução de um determinado fim. Fl. 5157DF CARF MF Processo nº 10980.723884/201445 Resolução nº 3201001.287 S3C2T1 Fl. 5.158 4 Ao final, conclui pela completa impossibilidade de restrição do conceito de “insumos” para o fim de tomada de crédito de PIS e Cofins com base nas limitações estabelecidas pela Receita Federal. Noutro ponto, a Impugnante defende uma aproximação entre a legislação do IRPJ (conceito de custos e despesas) e a legislação para tomada de créditos de PIS/Cofins. Segundo a peticionária, estabelecida a relação entre o serviço e/ou o bem com o contínuo desenvolvimento da atividade da pessoa jurídica geradora de receita, sob o ponto de vista finalístico, teremos a configuração do cerne do conceito de insumo, de modo a ser um meio para atingir a um fim determinado que, conforme relação estabelecida com base na materialidade dos tributos em foco, é a receita. E para a geração de receita ou faturamento é indispensável o conjunto composto pelos custos e pelas despesas, conforme expressamente determinado pela legislação. Logo, a própria legislação apontaria que todos estes custos e despesas necessárias seriam os insumos para a geração da receita ou faturamento e qualquer restrição aos seus limites naturais representaria uma violação direta à nãocumulatividade das contribuições prevista na Constituição Federal. Portanto, toda aplicação de recursos por ela efetivada em: (i) custos necessários; e; (ii) despesas necessárias ao exercício de sua atividade, estão abarcadas pelo conceito de insumos para fins de tomada de créditos de PIS/Cofins, sendo vedada pela Constituição Federal e pela Lei a restrição à sua tomada. 2. DA TOMADA DE CRÉDITO 2.1. DIFERENÇAS NAS DESPESAS DE ARMAZENAGEM E FRETES (jan/2010) Neste ponto defende que houve um equivoco da fiscalização e para comprovação, anexa planilha com as despesas de armazenagem e fretes, ocorridas em janeiro de 2010 e que perfazem o exato valor declarado, inexistindo a apontada diferença de R$ 12.077.319,51. Durante a ação fiscal a Impugnante teria apresentado, conforme solicitado, a planilha relativa às diferenças apuradas, ou seja, apresentou a planilha referente a R$ 11.421.738,77 (onze milhões, quatrocentos e vinte e um mil, setecentos e trinta e oito reais e setenta e sete centavos), ao invés do total das despesas de armazenagem e frete na operação de venda, no total de R$ 23.499.056,26 (vinte e três milhões, quatrocentos e noventa e nove mil, cinquenta e seis reais e vinte e seis centavos), que hora se apresenta. 2.2. COMPRAS PARA INDUSTRIALIZAÇÃO DE MERCADORIAS Aduz que devido a sistemática de aquisição, em um primeiro momento, eram “gerados” créditos de PIS/cofins sobre o IPI destacado na nota fiscal de origem, no entanto, conforme demonstrado em planilha anexa, ato contínuo, todos os créditos gerados sobre o IPI eram por ela estornados manualmente. Procura demonstrar que os créditos de PIS e Cofins apropriados sobre os valores de IPI recuperáveis nos meses de 2010 eram devidamente Fl. 5158DF CARF MF Processo nº 10980.723884/201445 Resolução nº 3201001.287 S3C2T1 Fl. 5.159 5 estornados, e declarados nos Dacon mensais (linha 21 para os meses de março e julho de 2010 e linha 23 para os demais meses, conforme fichas 6A e 16A). Assim, não pode ser prejudicada em razão da dificuldade de captação automática da referida base. Da mesma forma, melhor sorte não merece a interpretação dada à suposta tomada de créditos sobre despesas financeiras, a qual se encontra “fundamentada” na afirmação de que a existência de “despesa financeira” decorre do campo “descrição dos produtos”. Segundo a Impugnante, a referida “despesa financeira” compõe diretamente o preço do produto fornecido pela empresa em foco (DOW) ocorrendo em decorrência da disponibilização do produto diretamente no seu estabelecimento, sendo de prévio conhecimento das partes. Aduz que tais “despesas” são tributadas pelo fornecedor DOW Brasil, e, portanto, geram direito ao creditamento deste montante pela Electrolux. Por seu turno, os dispêndios em questão são devidamente contabilizados como custo do produto, estando longe de ser tratado como uma mera despesa financeira. Assim, seria possível extrair dois aspectos fundamentais para a presente análise: (i) o suposto valor apontado na nota fiscal, longe de representar mera “despesa financeira”, integra efetivamente o valor do produto fornecido (polímero), inclusive para fins de recolhimento das contribuições; e; (ii) impedirse a tomada de crédito de PIS/Cofins sobre a referida rubrica levaria ao desvirtuamento da não cumulatividade, impingindo ao contribuinte ônus ilegal, ao passo em que representa enriquecimento ilícito do Estado. Assevera que o princípio da nãocumulatividade tem como nota comum, núcleo inabalável, a desoneração da cadeia, sendo impensável a vedação ao direito do presente crédito, uma vez que se trata, para fins jurídicos e contábeis, de verdadeiro custo do produto, tendo sido tributado pelo fornecedor e reconhecido, como tal, pela Impugnante. A Impugnante não pode ser penalizada pela descrição dos produtos e serviços (de responsabilidade do emitente da nota fiscal), restando refém de eventuais equívocos na descrição de sua natureza. 2.3. ICMS/ST – POSSIBILIDADE DE TOMADA DE CRÉDITO Busca demonstrar que o ICMSST por se tratar de imposto não recuperável, deve, sim, ser considerado para o cálculo do custo das mercadorias adquiridas. Inegável é o direito de referidos valores serem incluídos na base de cálculo dos créditos de PIS e Cofins, assegurado pela própria legislação que regulamenta estas contribuições, pois, o ICMSST compõe o custo de aquisição das mercadorias. Agindo em plena consonância com a legislação que disciplina a matéria acertadamente tomou os créditos de PIS e Cofins, considerando o custo de aquisição das mercadorias, incluindose neste custo o valor recolhido a título de ICMSST. Fl. 5159DF CARF MF Processo nº 10980.723884/201445 Resolução nº 3201001.287 S3C2T1 Fl. 5.160 6 2.4. AQUISIÇÃO DE SUPORTE DE MICROCOMPUTADORES, SUPORTE DE VENDAS E SOFTWARE Segundo a Impugnante, falta a comprovação da ausência de relação de pertinência dos referidos dispêndios com a linha de produção, mas, tais aquisições se prestaram a impulsionar e suportar o exercício da atividadefim da contribuinte. Volta a defender que os custos e despesas necessários, sob a ótica da nãocumulatividade das contribuições ao PIS/Cofins, são flagrantemente geradores de crédito. No presente caso, assevera que basta uma simples constatação da realidade, para que reste patente que nenhuma empresa moderna sobrevive sem microcomputadores, softwares e o mencionado suporte. Ainda, no que tange aos à suposta impossibilidade de tomada de créditos sobre as aquisições sujeitas à alíquota zero, a restrição à referida prática igualmente anula a nãocumulatividade pretendida pelo legislador. Portanto, as rubricas em questão são flagrantemente geradoras de créditos de PIS/Cofins, motivo pelo qual deve ser plenamente afastada a exigência tributária decorrente da glosa dos referidos créditos. 2.5. SERVIÇOS DE CONSULTORIA E ASSESSORIA Sustenta que sequer fora apresentada motivação capaz de sustentar o afastamento dos presentes créditos. O serviço em questão (elaboração de programa de computadores), mesmo sob a ótica da adotada Solução de Consulta, não está automaticamente excluído do conjunto dos “insumos” e a fiscalização sequer demonstra a razão para a aplicação do entendimento esposado em tal Solução de Consulta (não afirma ou infirma se os referidos programas são ou não utilizados na atividadefim da empresa). 2.6. COMISSÕES DE VENDAS Defende que na consecução de seus negócios se obriga a remunerar aqueles que, no curso de suas atividades fins, indiquem aos seus clientes a compra de produtos de sua linha. Ou seja, os chamados parceiros, ao desenvolverem as atividades fins para as quais foram contratados, utilizam o contato com os demandantes das suas prestações para oferecerem os eletrodomésticos e eletroeletrônicos da linha da Impugnante que venham a se adequar às pretensões de seus clientes. Há uma espécie de intermediação onerosa feita pelos parceiros entre a Electrolux e os consumidores, assemelhando o negócio à corretagem prevista no Código Civil, em seu artigo 722. O objetivo perseguido pela Electrolux com a contratação de tais avenças é nitidamente incentivar as vendas de seus produtos. É inegável que os gastos incorridos com as referidas comissões guardam relação direta com a geração de receitas, ao passo em que, ao oferecer incentivos àqueles que indicam os produtos da Electrolux, a empresa tende a expandir as suas vendas, mediante um maior desenvolvimento de sua atividade comercial e, consequentemente, ampliar a sua base de receitas. Fl. 5160DF CARF MF Processo nº 10980.723884/201445 Resolução nº 3201001.287 S3C2T1 Fl. 5.161 7 Insumo é um meio para atingir um fim último, que, no caso do PIS e da Cofins, é a receita. Logo, sob o ponto de vista finalístico, é razoável assumir que todas as despesas incorridas com o fito de auferir receitas devem gerar créditos passíveis de serem abatidos das bases do PIS e da Cofins. Afinal, todas elas são igualmente inerentes ao ciclo de formação do acréscimo oriundo da comercialização de mercadorias. De mais a mais, sob a ótica dos referidos parceiros, os valores recebidos são computados e contabilizados como receitas operacionais, igualmente sujeitas à cadeia da tributação pelo PIS/Cofins. Sustenta que excluir os referidos dispêndios da base geradora de créditos redundaria na completa violação da nãocumulatividade aplicável às contribuições. Conclui que as comissões mencionadas enquadramse no conceito de insumos e, portanto, são passíveis de serem registradas como créditos na formação das bases do PIS e da Cofins, devendo ser afastada a exigência decorrente de entendimento contrário. 2.7. DOS CRÉDITOS RELATIVOS AOS SERVIÇOS DE ASSISTÊNCIA TÉCNICA EM GARANTIA DE PRODUTOS Segundo a Impugnante a fiscalização entendera, equivocadamente, pela glosa dos créditos decorrentes da prestação de serviços utilizados como insumos relativos a serviços de assistência técnica em garantia de produtos fabricados ou revendidos por ela. Uma simples análise do substrato fático e jurídico envolvido na presente questão é suficiente para se verificar a completa incongruência da glosa, em total discordância com o posicionamento doutrinário e jurisprudencial (inclusive do próprio CARF) sobre o tema. Nos termos do Código de Defesa do Consumidor – CDC, a Electrolux é responsável pela garantia de seu produto, respondendo perante o consumidor na medida em que eventuais vícios de qualidade ou quantidade os tornem impróprios ou inadequados ao consumo. Tratase de verdadeira obrigação imposta aos fornecedores, sendo inimaginável o fornecimento de produto desacompanhado de garantia. Neste sentido, além da garantia pelo prazo mínimo legal, a Electrolux estabeleceu uma garantia contratual para seus produtos, a qual se encontra igualmente regulamentada pelo Código de Defesa do Consumidor através do disposto no artigo 50. Para cumprir com as obrigações legais e atender aos consumidores ao longo de todo o território, os produtores obrigamse a terceirizar boa parte dos serviços, usualmente prestados por empresas denominadas “autorizadas”. Existe uma rede de empresas credenciadas capazes de efetuar os ajustes dos produtos da Impugnante que, por sua vez, são treinadas e capacitadas tecnicamente pela própria Electrolux. Como forma de garantir a qualidade no atendimento aos seus consumidores e estrito cumprimento das regras estabelecidas no Código de Defesa do Consumidor, as referidas prestadoras de serviços são constantemente avaliadas e auditadas. Fl. 5161DF CARF MF Processo nº 10980.723884/201445 Resolução nº 3201001.287 S3C2T1 Fl. 5.162 8 Os serviços prestados pelas empresas “autorizadas”, dentro do prazo de garantia dos produtos, são prestados aos consumidores de forma totalmente gratuita, conforme se depreende do disposto na cláusula 4.1 dos “Contratos de Prestação de Serviços de Assistência Técnica” anexados, de forma exemplificativa, à presente defesa. O ônus da referida prestação de serviço é repassado à Impugnante, a qual arca integralmente com o custo da operação, conforme se depreende do disposto na cláusula 11.1 do mesmo contrato. Os dispêndios com os serviços terceirizados de assistência técnica em garantia, inclusive para fins contábeis, fazem parte da formação do preço de cada mercadoria comercializada, ou seja, a prestação de serviço efetuada pela Electrolux, mesmo quando terceirizada, compõe o valor dos produtos. Para tanto, a Electrolux constitui provisões contábeis, baseadas na média histórica dos gastos com as empresas terceirizadas, consequentemente, influenciando o valor de venda das mercadorias da Companhia. Sustenta que os referidos serviços de assistência técnica em garantia são essenciais ao exercício da atividade da Impugnante, a qual se encontra estritamente regulamentada, neste particular, pelo Código de Defesa do Consumidor. O insumo em questão, por sua própria natureza, constituise em serviço que contribui de forma decisiva para a manutenção da atividade empresarial da contribuinte, cujos dispêndios são efetivamente contabilizados como custos, ou seja, não integram o rol das despesas. Em caso semelhante, a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) já teve oportunidade de se manifestar, favoravelmente aos contribuintes, nas hipóteses em que os dispêndios são realizados no desempenho das atividades da empresa, inclusive para fins de cumprimento de determinação legal. 3. CRÉDITO EXTEMPORÂNEO – REGULARIDADE DO PROCEDIMENTO ADOTADO Sustenta que, ao contrário do que alega a fiscalização, não é possível impedir a utilização do crédito extemporâneo em razão do contribuinte não ter realizado a retificação dos Dacon e da DCTF, visto que não há determinação legal expressa que exija a adoção destes procedimentos. Os créditos extemporâneos são créditos escriturais das contribuições, calculados sobre despesas de aquisição de insumos e outros itens no âmbito da nãocumulatividade, que não foram apropriados pelo contribuinte no respectivo período de apuração. De acordo com a legislação vigente, o contribuinte tem o prazo de 5 (cinco) anos, contados da data que deveriam ter sido apropriados, para se aproveitar dos créditos de PIS/Cofins. As autoridades fiscais têm admitido a possibilidade de tomada de créditos extemporâneos, desde que respeitado o prazo decadencial de 5 (cinco) anos (tal como exposto na Solução de Consulta nº 115/2012). Fl. 5162DF CARF MF Processo nº 10980.723884/201445 Resolução nº 3201001.287 S3C2T1 Fl. 5.163 9 A legislação que regulamenta a cobrança do PIS/Cofins não traz qualquer dispositivo acerca do procedimento que deverá ser adotado para o aproveitamento desta espécie de crédito, apenas determina que o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. Assim, as autoridades fiscais não podem condicionar o direito ao crédito à compulsória retificação das declarações fiscais, sob pena de criarem uma exigência sem qualquer fundamento em lei, em violação ao Princípio da Legalidade da Administração Pública, nos termos do art. 2°, da Lei n° 9.784/1999. Por outro ângulo, não tem razão a autoridade fiscalizadora ao alegar, através da Solução de Consulta n° 73/2012, que o contribuinte estaria obrigado a aproveitar créditos e débitos do mesmo período em razão do disposto no § 1° do art. 3° das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003. Isto porque, este dispositivo trata da determinação do valor do crédito, diferenciando as formas de cômputo, entre bens e serviços adquiridos e custos incorridos. Não se pode extrair deste dispositivo que o contribuinte esteja obrigado a apenas aproveitar o crédito no mesmo mês em que foi gerado; ou, ainda, que a condição para o aproveitamento do crédito seria a retificação dos controles fiscais ou contábeis daquele exato mês em que o crédito foi gerado. O posicionamento atual do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) é exatamente no sentido da possibilidade de utilização dos créditos tal como efetivado pela Impugnante. Inúmeros julgamentos podem ser encontrados em tal direção, ou seja, afastando a obrigatoriedade de retificação de declarações para que se possa reconhecer o direito ao crédito extemporâneo, conforme se depreende dos exemplos. Não há necessidade de retificação de nenhuma declaração em relação ao passado, nem DCTF nem Dacon, caso em que o aproveitamento do crédito deve ser realizado sem atualização, tal como efetivado pelo contribuinte. Está fora do contexto o posicionamento da fiscalização exteriorizada no presente Auto de Infração e, diante disso, efetuar a glosa do crédito extemporâneo sob o argumento da necessidade de retificação das declarações, deve ser imediatamente afastado. 4. CONCLUSÃO Ao final, requer: I seja julgado totalmente improcedente o Auto de Infração ora impugnado, afastandose completamente os tributos ora exigidos, reconhecendo os créditos decorrentes de (a) aquisição de microcomputadores, suporte de venda e software; (b) créditos extemporâneos; (c) despesas de armazenagem e frete; (d) sobre ICMS ST; (e) supostas despesas financeiras (em verdade, integrantes do custo do produto); (f) serviços de consultoria e assessoria; (g) comissões de vendas; e (h) serviços de assistência técnica em garantia; bem como reconhecendo o estorno já previamente efetivado dos créditos de IPI, de modo a afastar o realizado no presente processo e seus reflexos; e II – pela produção de todas as provas em direito admitidas. Fl. 5163DF CARF MF Processo nº 10980.723884/201445 Resolução nº 3201001.287 S3C2T1 Fl. 5.164 10 É o relatório." A DRJ/DF em sua decisão de primeira instância, manteve os lançamentos, nos termos da ementa reproduzida abaixo: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2010 NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO Os gastos incorridos no processo produtivo somente dão direito a crédito, no regime de incidência nãocumulativa, se incorporados diretamente ao bem produzido ou se consumidos/alterados no processo de industrialização em função de ação exercida diretamente sobre o produto e desde que não incorporados ao ativo imobilizado. Geram créditos os dispêndios realizados com bens e serviços utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, observadas as ressalvas legais. O termo “insumo” não pode ser interpretado como todo e qualquer fator que onere a atividade econômica, mas tãosomente como aqueles bens ou serviços que sejam diretamente empregados na produção de bens ou na prestação de serviços. NÃO CUMULATIVIDADE. HIPÓTESES DE CREDITAMENTO. As hipóteses de crédito, no âmbito do regime não cumulativo, são somente as previstas na legislação de regência, dado que esta é exaustiva ao enumerar os custos e encargos passíveis de creditamento, não estando suas apropriações vinculadas à caracterização de sua essencialidade na atividade da empresa ou à sua escrituração na contabilidade como custo operacional. CREDITAMENTO EXTEMPORÂNEO. DECLARAÇÕES. RETIFICAÇÕES. COMPROVAÇÃO. Para utilização de créditos extemporâneos é necessário que reste configurada a sua não utilização em períodos anteriores, mediante retificação das declarações correspondentes, ou apresentação de outra prova inequívoca da sua não utilização. NÃO CUMULATIVIDADE. DIVERGENCIAS. DACON. ÔNUS PROBANTE. Não comprovadas, pela empresa, as diferenças encontradas entre as despesas declaradas em Dacon e as despesas efetivas, subsiste para o fisco o dever de promover a respectiva glosa do crédito não comprovado. NÃO CUMULATIVIDADE. DESPESAS FINANCEIRAS. CUSTO DE AQUISIÇÃO. TRIBUTADA NA SAÍDA. INSUMO. Despesas financeiras, ainda que componham o custo de aquisição e tenham sido oferecidas à tributação na origem, não geram créditos Fl. 5164DF CARF MF Processo nº 10980.723884/201445 Resolução nº 3201001.287 S3C2T1 Fl. 5.165 11 passíveis de desconto da contribuição, quer por falta de determinação legal expressa, quer por não se tratar de insumo. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. ICMS. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. O ICMS substituição tributária (ICMSST), pago pelo adquirente na condição de substituto, não integra o valor das aquisições de mercadorias para revenda, por não constituir custo de aquisição. NÃO CUMULATIVIDADE. MICROCOMPUTADORES. SOFTWARE. SUPORTE. CONSULTORIA INFORMÁTICA. As despesas com manutenção e software, suporte, microcomputadores e consultoria de informática, ainda que sejam necessários para a execução da atividade empresarial, não geram direitos a crédito do PIS e da Cofins, por não preencherem a definição de insumo estabelecida na legislação de regência, já que não se tratam de gastos aplicados ou consumidos diretamente na produção. NÃO CUMULATIVIDADE. COMISSÕES DE VENDAS. O pagamento de comissões realizado a parceiros não gera direito a crédito da Cofins, dado que tal serviço não preenche a definição de insumo estabelecida para tal fim pela legislação de regência, por não ser aplicado ou consumido diretamente na fabricação de produtos destinados à venda. NÃO CUMULATIVIDADE. ASSISTÊNCIA TÉCNICA. Por não serem considerados insumos à fabricação, não podem ser descontadas como crédito as despesas incorridas pelo fabricante com serviços de assistência técnica em garantia, prestados por terceiros. PIS. LANÇAMENTO DECORRENTE DA MESMA MATÉRIA FÁTICA. Aplicase ao lançamento da contribuição para o PIS/Pasep o decidido em relação à Cofins lançada a partir da mesma matéria fática. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido." Os autos foram distribuídos e pautados conforme Regimento Interno deste Conselho. Este Conselho proferiu Resolução em fls. 2139 para que a fiscalização e o contribuinte completassem os autos com análises e provas referentes aos créditos. Em fls. 2166 e fls. 3319 encontrase o cumprimento da diligência pelas partes. Em seguida, o contribuinte apresentou sua manifestação em fls. 3330 e defende que todos os créditos foram comprovados e confirmados pela fiscalização durante a diligência. Relatório proferido. Fl. 5165DF CARF MF Processo nº 10980.723884/201445 Resolução nº 3201001.287 S3C2T1 Fl. 5.166 12 Voto Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Conforme o Direito Tributário, a legislação, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme portaria de condução e Regimento Interno deste Conselho, apresento e relato o seguinte Voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e considerando a devida tempestividade, conheço o Recurso Voluntário. O contribuinte juntou apresentou em Memoriais junto a este Conselho o estudo da EY de fls. 3350 e seguintes sobre seus créditos extemporâneos, que, em tese, comprovam tanto a escrituração dos créditos quanto o seu não aproveitamento em períodos anteriores. Em observação ao princípio da verdade material que permeia o processo administrativo, votase no sentido de converter novamente o julgamento em diligência, com o objetivo de que a unidade preparadora: a) analise as notas fiscais e demais documentos que comprovariam os créditos extemporâneos de energia, aluguel e insumo em confronto com o estudo da EY de fls. 3350 e seguintes e seus anexos e apresente relatório conclusivo que permita subsidiar a tomada de decisão sobre a concessão ou não destes créditos. Após, o contribuinte deve ser intimado do novo relatório da fiscalização para apresentar sua manifestação. Diante de todo o exposto, votase para CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA nos moldes apresentados acima. Voto proferido. (assinatura digital) Conselheiro Relator – Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 5166DF CARF MF
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Numero do processo: 15889.000288/2009-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007
DACON. FALTA DE APRESENTAÇÃO. MULTA
A falta de apresentação de Dacon enseja multa prevista no art. 9º das IN´s SRF 543 e 590/2005, amparados nos artigos 16 da Lei 9.779/96 e 7, III da Lei 10.426/2002.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007
PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO AO CONFISCO . PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE.
Os princípios constitucionais da vedação ao confisco e da proporcionalidade são dirigidos ao legislador e ao controle jurisdicional da constitucionalidade. A multa legalmente prevista não pode ser afastada pela administração tributária por alegação de inconstitucionalidade. Súmula Carf nº 2. art. 26-A do Decreo 70.235/72. Art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do Carf - RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015
Recurso Voluntário Conhecido em Parte e Negado.
Numero da decisão: 3201-003.668
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso e, na parte conhecida, em negar provimento. Não se conheceu das alegações referentes a lançamento de tributos e contribuições.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Giovani Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Cássio Schappo (suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: MARCELO GIOVANI VIEIRA
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FALTA DE APRESENTAÇÃO. MULTA A falta de apresentação de Dacon enseja multa prevista no art. 9º das IN´s SRF 543 e 590/2005, amparados nos artigos 16 da Lei 9.779/96 e 7, III da Lei 10.426/2002. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005, 2006, 2007 PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO AO CONFISCO . PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE. Os princípios constitucionais da vedação ao confisco e da proporcionalidade são dirigidos ao legislador e ao controle jurisdicional da constitucionalidade. A multa legalmente prevista não pode ser afastada pela administração tributária por alegação de inconstitucionalidade. Súmula Carf nº 2. art. 26A do Decreo 70.235/72. Art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do Carf RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015 Recurso Voluntário Conhecido em Parte e Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso e, na parte conhecida, em negar provimento. Não se conheceu das alegações referentes a lançamento de tributos e contribuições. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 88 9. 00 02 88 /2 00 9- 98 Fl. 172DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Marcelo Giovani Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Cássio Schappo (suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório Reproduzo relatório de primeira instância: Versa o presente processo sobre auto de infração (fls. 2/8), mediante o qual é exigido da contribuinte acima identificada crédito tributário relativo à multa por falta de entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon), relativo aos anoscalendário de 2005, 2006 e 2007, no valor de R$ 86.153,68. Ciente do lançamento, a contribuinte ingressou com impugnação (fls.74/111) na qual solicita o cancelamento da exigência tributária, sob as seguintes alegações, em resumo: Não poderá prosperar a ação fiscalizadora já que não está alicerçada em princípios que regem a sua exatidão, liquidez e certeza, pois o fato apurado pelo fisco é muito confuso e se baseia exclusivamente em arquivos magnéticos, não confrontando na sua análise fiscal outros documentos, tais como Razão, balanço, pagamentos, extratos bancários, estoques, conhecimentos rodoviários etc., ou seja, seu levantamento é superficial, pois está divorciado de documentos contábeis essenciais para precisar a exatidão dessas diferenças, ferindo os princípios constitucionais da legalidade, moralidade, eficiência e verdade material, devendo ser anulado, pois se o fato apurado pelo fisco é dado por inexistente, inexiste o fato gerador do tributo, desse modo não pode prevalecer a obrigação tributária (Código Tributário Nacional — CTN, art. 113, §1°). Configura caso de nulidade, pois pressupõe que, ao ensejo do lançamento original, houve modificação na indicação de motivos e enquadramento, e, na medida em que eles são alterados, significa que ou a lei invocada não era aplicável ao caso, ou o fato descrito inicialmente não era o previsto na lei, indicando que o lançamento original estava viciado por ilegalidade ou falta de tipicidade. Não houve qualquer tipo de prejuízo para a Administração Tributária, seja porque as informações ficaram zeradas pela compensação. Ainda que Dacon tivessem sido entregues à fiscalização com dados incompletos (que não é o caso), a multa se mostra completamente confiscatória e desproporcional, merecendo ser totalmente cancelado o auto de infração, com fulcro no CTN, art. 156, IX. Fl. 173DF CARF MF Processo nº 15889.000288/200998 Acórdão n.º 3201003.668 S3C2T1 Fl. 173 3 Os elementos essenciais da norma jurídica tributária não estão claramente delineados no auto de infração, tendo que se apegar ao princípio da verdade material, pois a Constituição Federal (CF), art. 5 0, LV, assegura aos litigantes em processo administrativo o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes. À luz do art. 142 do CTN, em qualquer hipótese, a prova da ocorrência do fato gerador do tributo está a cargo do Fisco, e a circunstância de ele expedir um ato administrativo de exigência tributária, que pressupõe a ocorrência do fato gerador, não torna a alegação dessa ocorrência coberta pela presunção da legitimidade, nem inverte o ônus da prova. O indício somente serve como prova indireta se a sua ocorrência não permitir senão a hipótese da ocorrência do fato a ser provado. Se for possível a alegação de que poderia não ter ocorrido o fato a ser provado (ainda que haja toda probabilidade de que ele tenha de fato acontecido), não se estará diante de uma prova indireta, mas de uma mera presunção. No caso em tela, a ocorrência do fato que motivou o lançamento é apenas possível erro formal, já que fora objeto de compensação pelas Dcomp constantes nos autos, portanto não é provável, menos ainda, certa. A exigência está baseada em presunção simples, donde temse por não provado o fato alegado. Se a prova de sua ocorrência cabia ao Fisco, então a presunção, por parte do aplicador da lei, revela uma inversão do ônus da prova contrária à lei e, por isso, deve ser afastada, não se sustentando a pretensão. O auto de infração é nulo desde seu início por não atender os requisitos para sua lavratura, isto porque não permite ao contribuinte precisar exatamente a infração cometida, vedando o pleno exercício ao seu direito ao contraditório e ampla defesa. A ausência da descrição do fato de forma clara e precisa impossibilita a ampla defesa. A "Descrição da Infração Averiguada", tal como apresentada, e os documentos juntados ao auto de infração são insuficientes para se estabelecer ao certo se o fiscal realmente constatou se houve a venda de mercadorias sem notas fiscais ou se apenas em razão da não escrituração das notas fiscais de entrada presumiu a venda sem notas fiscais. A decisão prolatada pelo fiscal revelase uma total insegurança quanto ao enquadramento dos fatos descritos nos dispositivos geradores das respectivas obrigações, sequer arrolando que o contribuinte autuado compensou seus créditos de IPI alicerçados no art. 11 da Lei (sic). Não pode ser punida com o mesmo rigor imputado a quem descumpre totalmente a obrigação acessória. Erros formais sanáveis de maneira alguma podem gerar novo pagamento de tributo, mas, sim, apenas uma multa de caráter educativo, Fl. 174DF CARF MF 4 proporcional à infração cometida, nunca tomando como base de cálculo o valor de todas as suas operações, como quer a pretensão fiscal. Não pode uma simples multa repulsora (sic) de um vício formal, integrante do adimplemento de uma obrigação acessória, vir a assumir caráter confiscatório. É de se notar que os Tribunais Superiores possuem julgados condenando veementemente a aplicação de multas pelo descumprimento de obrigações acessórias, mormente quando não houve comprovação de prejuízo para o Fisco O Supremo Tribunal Federal (STF) sufragou a orientação de que a limitação ao poder de tributar estendese às multas decorrentes de obrigações tributárias, ainda que elas não tenham natureza de tributo. Evidenciase a confusão cometida pelo Fisco, a colher de maneira equivocada os elementos fáticos, supostamente ensejadores da autuação fiscal, uma vez que houve cumprimento da obrigação acessória e aplicou uma multa excessiva, que em tese, pela doutrina e jurisprudência, fere o princípio da razoabilidade e legalidade. É indevido o presente auto de infração, que se deu em razão da PER/Dcomp, que se deu ao creditamento de IPI adquirido de comerciante (50%), na forma do art. 165, do Regulamento do IPI, aprovado pelo Decreto n° 4.544, de 26 de dezembro de 2002 (RIP1/2002) —, e do art. 11 da Lei n° 9.779, de 1999. Tais dispositivos legais demonstram a excessiva glosa do referido tributo, que fora objeto da compensação do próprio IP1, PIS e Cofins dos exercícios de 2005/2006/2007 e 2008, oriundos do saldo PER/DComps transmitidas em 2004. A presente pretensão fiscal não pode prosperar, pois o entendimento do agente fiscal aniquilou a hierarquia das leis, ratificado pela doutrina e jurisprudência, devendo ser anulado o auto de infração. "Os períodos abrangidos pela referida fiscalização demonstra a exigência fiscal, os valores exigidos dizem respeito a débito supostamente remanescente do saldo credor de IPI no período de 04/2002 a 12/2007." A PER/DComp que originou a consolidação dos créditos tributários ocorreu no segundo semestre de 2004, e o referido mandado de procedimento fiscal (MPF) fora expedido em 02/12/2008, ou seja, 6 meses após o prazo prescricional de 5 (cinco) anos da realização do fato gerador (envio da DComp). A Fazenda Pública já decaiu do direito de constituir o crédito tributário relativamente a este período, uma vez que este crédito já foi tacitamente homologado após o transcurso do prazo de cinco anos a que se refere o CTN, art. 150, § 40. Como aponta o auto de infração, a multa aplicada é de 75%, incidentes sobre a diferença tributada, quando o principal já se encontra atingido pela decadência. A multa se revela excessiva. Fl. 175DF CARF MF Processo nº 15889.000288/200998 Acórdão n.º 3201003.668 S3C2T1 Fl. 174 5 Requereu seja "admitido e anulado o presente recurso administrativo". A DRJ/Ribeirão Preto/SP – 3ª Turma, por meio do Acórdão 1428.775, de 06/05/2010, decidiu pela improcedência da Impugnação, mantendo integralmente o Auto de Infração. Transcrevo a ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2005, 2006, 2007 MULTA POR FALTA DE ENTREGA DA DECLARAÇÃO. É devida a multa no caso de falta de entrega da declaração no prazo estabelecido. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006, 2007 NULIDADE. Não há que se cogitar de nulidade do lançamento quando observados os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE. ARGÜIÇÃO. A autoridade administrativa é incompetente para apreciar argüição de inconstitucionalidade/ilegalidade de lei. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005, 2006, 2007 DECADÊNCIA. MULTA POR FALTA DE ENTREGA DO DACON. Tratandose de lançamento de oficio, o termo inicial da decadência ocorre no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. A empresa então apresenta o Recurso Voluntário, onde reitera os argumentos de defesa, em resumo: que as penalidades devem encontrar tipicidade em Lei, e não em normativos administrativos; que a descrição da infração não foi clara; Fl. 176DF CARF MF 6 que a Lei que prevê a multa deve observar os ditames constitucionais, como vedação ao confisco e proporcionalidade; que inexistiam valores a informar, pois estavam compensados, e isto dependeria do julgamento da compensação; que fraude e conluio não são presumíveis; pede pela relevação da multa, porque a Lei 11.941/2009 as teria atenuado; Em 18/07/2012 o processo veio a julgamento no Carf, que foi convertido em diligência, por meio da Resolução 3101000.247, com o seguinte teor: Tratam os autos deste processo, conforme relatado, de exigência de crédito tributário relativo à multa por falta de entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon), relativo aos anoscalendário de 2005, 2006 e 2007, no valor de R$ 86.153,68. A multa aplicada teve como base percentual dos valores apurados pela auditoriafiscal, e que estão sendo discutidos nos autos de outro expediente administrativo, litígio concernente aos autos de infração de PIS e COFINS, processo nº 15889.000286/200907, o qual está sob os cuidados da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em RIBEIRÃO PRETO/SP, e que é precedente jurídico para a aferição das bases de cálculo deste lançamento. Por conseguinte, a solução deste contencioso carece de instrução da decisão definitiva daqueles outros autos (processo nº 15889.000286/200907), que consubstanciam questão prejudicial a este. Nessa moldura, voto pela conversão do julgamento do recurso voluntário em diligência à repartição de origem para que a autoridade competente: (1) aguarde o julgamento definitivo na esfera administrativa do processo que cuida do mencionado lançamento de PIS e COFINS; e (2) instrua os autos do presente processo administrativo com o resultado do julgamento definitivo do processo administrativo nº 15889.000286/200907. Posteriormente, após facultar à recorrente oportunidade de manifestação quanto ao resultado da diligência, providenciar o retorno dos autos para este colegiado, para julgamento. Tendo o processo 15889.0000286/200907 sido julgado definitivamente, a empresa foi intimada para ciência, e não se manifestou. Os autos então retornaram ao Carf para julgamento. É o relatório. Voto Fl. 177DF CARF MF Processo nº 15889.000288/200998 Acórdão n.º 3201003.668 S3C2T1 Fl. 175 7 Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, relator. O recurso é tempestivo. Juízo de conhecimento Em seus recursos, a recorrente enfeixa diversas suscitações de vícios dos lançamentos relativos ao IPI, Pis e Cofins. O presente processo trata somente das multas por falta de entrega de Dacon, portanto, não serão conhecidos os argumentos pertinentes aos lançamentos dos tributos e contribuições. Preliminar de nulidade A recorrente aponta, genericamente, falta de clareza do lançamento, que ensejaria cerceamento do direito de defesa e por consequência, a nulidade do ato. A imputação fiscal é claríssima, a falta de apresentação de Dacon, e dessa acusação a recorrente tenta se defender na Impugnação e no Recurso Voluntário. Portanto, não vislumbro azo à nulidade. Não está inquinado de nulidade o Auto de Infração lavrado por autoridade competente e em consonância com o que preceituam os artigos 142, do CTN, e 10 e 59, do PAF, especialmente se o sujeito passivo, em sua defesa, demonstra pleno conhecimento dos fatos que ensejaram a lavratura do Auto de Infração. Afasto a preliminar. Mérito Inconstitucionalidades Da parte conhecida, grande parcela do recurso envolve a suscitação de inconstitucionalidades, tais como o princípio da vedação ao confisco e o princípio da proporcionalidade. No entanto, a inconstitucionalidade não pode ser arguida pelos colegiados do Carf para afastar multa legalmente prevista, conforme Súmula nº 21, art 26A2 do Decreto 70.235/72 e art 62 do Anexo II do Regimento Interno do Carf – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 20153. Legalidade da previsão da multa A aplicação da multa foi fundamentada legalmente no art. 16 da Lei 9.779/994, combinado com as IN SRF 543/2005, art. 9º5, e 590, art. 9º. 1 Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 2 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. 3 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. 4 Art. 16. Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável. 5 Art. 9º A pessoa jurídica que deixar de apresentar o Dacon nos prazos estabelecidos no art. 8º, ou que apresentá lo com incorreções ou omissões, sujeitarseá às seguintes multas: Fl. 178DF CARF MF 8 As instruções normativas não desbordaram do que previsto na Lei 10.426/2002, art. 7º, III6. Desse modo, a multa encontrase plenamente tipificada, não havendo possibilidade de acatamento das arguições da recorrente nesse aspecto. Valor da multa Quanto ao valor aplicado, não há arguição específica da recorrente, senão a dependência do julgamento do processo 15889.0000286/200907. Conforme fls. 160/164, e 170, o referido processo já se encontra definitivamente julgado na administração, com desprovimento da Impugnação. Desse modo, não há o que corrigir quanto ao valor lançado. Lei 11.941/2009 A Lei 11.941/2009 prevê diversas reduções de multas e juros, porém condicionadas à adesão aos parcelamentos lá previstos. Não há nos autos registro da adesão da recorrente, e de qualquer modo, tal procedimento é submetido às Delegacias da Receita Federal, não importando em apreciação por parte do Carf. Pelo exposto, voto por não conhecer em parte do Recurso, e da parte conhecida, por negar provimento ao Recurso Voluntário. Marcelo Giovani Vieira Relator I de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da Contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega deste demonstrativo ou de entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento) daquele montante 6 Art. 7o O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de nãoapresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (...) III de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo Fl. 179DF CARF MF Processo nº 15889.000288/200998 Acórdão n.º 3201003.668 S3C2T1 Fl. 176 9 Fl. 180DF CARF MF
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Numero do processo: 16682.903080/2012-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2010
JULGAMENTO CONJUNTO DE PROCESSOS CONEXOS.
Os julgamentos do processo que trata das PER/Dcomp que requerem crédito de pagamento indevido ou a maior apurado em 29/10/2010 relativo à COSIRF, relativo ao mesmo período de apuração, só fazem sentido se concomitantes.
IRPJ. CSLL. PIS E COFINS. RETENÇÃO INDEVIDA NA FONTE. RESTITUIÇÃO. FONTE PAGADORA. POSSIBILIDADE. ANALOGIA ART. 166 CTN. NECESSIDADE DE PROVA.
Constatada a retenção indevida, por analogia ao art. 166 do CTN e nos termos dos normativos internos da RFB, o responsável pela retenção na fonte (fonte pagadora) pode postular a restituição ou compensação do indébito, desde que prove ter assumido o ônus financeiro do tributo, mediante a exibição de comprovante de reembolso ao beneficiário da quantia retida.
A ausência da prova do reembolso efetivo prejudica o direito da fonte pagadora restituir-se ou compensar o indébito tributário da retenção.
Numero da decisão: 1201-002.140
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, restando mantida a homologação parcial da DCOMP, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente
(assinado digitalmente)
José Carlos de Assis Guimarães - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente convocado), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, José Carlos de Assis Guimarães e Luis Fabiano Alves Penteado. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES
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Os julgamentos do processo que trata das PER/Dcomp que requerem crédito de pagamento indevido ou a maior apurado em 29/10/2010 relativo à COSIRF, relativo ao mesmo período de apuração, só fazem sentido se concomitantes. IRPJ. CSLL. PIS E COFINS. RETENÇÃO INDEVIDA NA FONTE. RESTITUIÇÃO. FONTE PAGADORA. POSSIBILIDADE. ANALOGIA ART. 166 CTN. NECESSIDADE DE PROVA. Constatada a retenção indevida, por analogia ao art. 166 do CTN e nos termos dos normativos internos da RFB, o responsável pela retenção na fonte (fonte pagadora) pode postular a restituição ou compensação do indébito, desde que prove ter assumido o ônus financeiro do tributo, mediante a exibição de comprovante de reembolso ao beneficiário da quantia retida. A ausência da prova do reembolso efetivo prejudica o direito da fonte pagadora restituirse ou compensar o indébito tributário da retenção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, restando mantida a homologação parcial da DCOMP, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 90 30 80 /2 01 2- 15 Fl. 169DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) José Carlos de Assis Guimarães Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente convocado), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, José Carlos de Assis Guimarães e Luis Fabiano Alves Penteado. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rafael Gasparello Lima. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 123/128) interposto contra o Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Juiz de Fora/MG (fls. 112/115) que manteve a não homologação da DCOMP nº 10515.40125.310811.1.3.046173, conforme Despacho Decisório de fl. 103/105. O crédito trazido na DCOMP (fls. 98/102) teria origem em Retenção na Fonte de Tributos/Contribuições incidentes sobre Pagamentos Efetuados por Órgãos Públicos (abrangendo IRPJ, CSLL, PIS E COFINS código 6147), efetuada indevidamente em outubro de 2010, visando compensação com débito da mesma natureza, vencido em agosto de 2011. O referido crédito teria origem em retenção irregular contra o fornecedor Consórcio PTT REVAP no valor de R$ 2.593,66 referente a nota fiscal no valor de R$143.121,30. Após a constatação das irregularidades, a PETROBRÁS teria efetuado a devolução e providenciado a "declaração de não compensação de tributos federais" com o fornecedor, conforme o documento anexado às fls. 95. Às fls. 03/10, foi apresentada a Manifestação de Inconformidade, na qual a ora Recorrente aduz, preliminarmente, que o alegado crédito tem respaldo em pagamento indevido ou a maior consubstanciado no DARF nº 52335670420 e foi espelhado em duas DCOMP's: 10515.40125.310811.1.3.048173 (objeto do presente processo) e 38941.80407.310111.1.3.046261 (objeto do processo nº 16682.903060/201236). Explica que desse valor pago no DARF acima (R$ 39.494.069,82), é certo que a PETROBRÁS tem direito a um crédito comprovado que soma R$ 40.521,76, em virtude de recolhimentos indevidos para os cofres públicos. Esse crédito, segundo a contribuinte, foi dividido em duas DCOMPs e detalha a composição do crédito: DCOMP 38941.80407.310111.1.3.046261: R$ 37.928,10 DCOMP 10515.40125.310811.1.3.048173: R$ 2.593,65 As razões dos recolhimentos indevidos, como foi dito acima, advém de retenções que a PETROBRÁS efetuou de seus fornecedores. Segundo a ora recorrente, tudo que defende está devidamente documentado da seguinte forma: Fl. 170DF CARF MF Processo nº 16682.903080/201215 Acórdão n.º 1201002.140 S1C2T1 Fl. 170 3 Fl. 171DF CARF MF 4 Em seguida, foi proferido pela DRJ de Juiz de Fora/MG o Acórdão recorrido (fls. 112/115), mantendo a não homologação da DCOMP, por não entender juridicamente possível a repetição ou compensação pela fonte pagadora, independentemente da comprovação de ter arcado com o ônus financeiro: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2010 Fl. 172DF CARF MF Processo nº 16682.903080/201215 Acórdão n.º 1201002.140 S1C2T1 Fl. 171 5 RETENÇÃO INDEVIDA. RESTITUIÇÃO. O sujeito passivo da relação jurídicotributária, nos casos de retenção de tributos na fonte, é a recebedora dos rendimentos. A pessoa jurídica legalmente obrigada a proceder à retenção de tais valores é mera responsável por essa retenção e pelo repasse dos respectivos valores à fazenda pública. Ausente a condição de sujeito passivo da obrigação tributária, inexiste o direito desta última a ter restituídos eventuais valores retidos a maior. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido VOTO A manifestação de inconformidade é tempestiva e preenche os requisitos de admissibilidade, assim dela conheço. Tratase o presente pleito de utilização de suposto pagamento indevido, ou maior que o devido, para a compensação de débitos de titularidade do contribuinte e por ele confessados em DCTF. A análise a ser levada a cabo pela autoridade fiscal neste caso fica limitada a verificar se o pagamento indicado como lastro da compensação encontrase nos sistemas de controle da RFB e em que medida foi utilizado para a quitação de débito confessado pelo próprio contribuinte em sua DCTF. A verificação é bastante simples, sendo também muito simples a solução a ser dada ao requerimento: havendo pagamento indevido ou maior que o devido deferese o pleito, caso contrário indeferese. O suporte legal da restituição é o artigo 165 do CTN e o da compensação são os artigos 170 do CTN e 74 da Lei nº 9.430/96. O citado artigo 165 aponta as situações em que são considerados indevidos os pagamentos. Tais situações estão reunidas em três incisos, conforme se observa a seguir: “Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória (grifos acrescidos).” Fl. 173DF CARF MF 6 Para solução do presente caso interessanos exclusivamente a previsão expressa e clara contida no caput: “O sujeito passivo tem direito”. É simples: se o requerente não figura como sujeito passivo da relação jurídicotributária não há se falar em direito à restituição daquilo que foi recolhido a maior (ou indevidamente recolhido), mesmo que o real sujeito passivo tenha convencionado particularmente com o requerente que não exerceria seu direito frente ao fisco. Os valores recolhidos pela requerente aos cofres públicos foram objeto de retenção relativa a tributos diversos que deveriam incidir sobre os recebimentos referemse a prestação de serviços onde a requerente figura como cliente da prestadora. Naturalmente, o sujeito passivo da relação jurídicotributária nesses casos é a recebedora dos rendimentos, sendo a requerente mera responsável pela retenção e pelo repasse dos respectivos valores à fazenda pública. Assim, uma vez feita a retenção e realizado o recolhimento surge para a recebedora dos rendimentos, no caso de retenção indevida, o direito de pleitear junto ao fisco a devolução daquele ônus que suportou indevidamente. O fato de a requerente ter devolvido à prestadora de serviço os valores que entende terem sido indevidamente retidos (o fez por liberalidade sua) não lhe transfere o direito de requerer os valores indevidamente retidos. Não existe, no direito público, dispositivo legal que ampare tal pretensão. Nem mesmo a retificação da DCTF do período em análise, realizada em data posterior à ciência do Despacho Decisório combatido, é capaz de lhe socorrer, já que foi preenchida em desacordo com os documentos fiscais que deveriam lhe dar suporte pois a própria defendente afirma que realizou as retenções mencionadas e que tais valores já foram repassados ao Fisco. Na verdade a defendente vem fazer uma retificação indevida da sua DCTF, inserindo dados que não correspondem à realidade, com a intenção clara de dar um ar de regularidade àquilo que sabe ser irregular, como já mencionamos acima. Pelo exposto, voto pela improcedência da manifestação de inconformidade e o não reconhecimento do direito creditório pleiteado, mantendose a não homologação da compensação pleiteada. Diante da decisão de primeira instância, foi oposto o Recurso Voluntário (fls. 123/128), ora sob apreço, requerendo, preliminarmente, que este processo seja apensado ao processo nº 16682.903060/201236, para que seja feita a análise conjunta dos pedidos, uma vez que os mesmos decorrem da mesma competência e são complementares. No mérito, traz as mesmas alegações de seu primeiro apelo, acrescentando que o despacho decisório e o acórdão da DRJ, se valem de argumentos falhos, absolutamente destoantes do que dispõe a legislação aplicável à espécie, visto que restringiram sua negativa sob o entendimento de que a recorrente não ostentaria legitimidade para pleitear o indébito proveniente das retenções por ela realizadas na fonte quando do pagamento dos seus fornecedores de bens e serviços, quando em verdade o Fl. 174DF CARF MF Processo nº 16682.903080/201215 Acórdão n.º 1201002.140 S1C2T1 Fl. 172 7 disposto na IN RFB 1.300/2012, em seu artigo 8º, abaixo transcrito, confere o devido respaldo legal para o procedimento adotado pela fonte retentora. Art. 8º. O sujeito passivo que promoveu retenção indevida ou a maior de tributo administrado pela RFB no pagamento ou crédito a pessoa física ou jurídica, efetuou o recolhimento do valor retido e devolveu ao beneficiário a quantia retida indevidamente ou a maior, poderá pleitear sua restituição na forma do § 1º ou do § 2º do art. 3º ressalvadas as retenções das contribuições previdenciárias de que trata o art. 18. Não há juntada de novas provas. Na seqüência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Voto Conselheiro José Carlos de Assis Guimarães, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade. Assim, dele conheço. Preliminarmente, requer a tramitação deste processo em conjunto com o Processo Administrativo Fiscal nº 16682.903060/201236, de modo a evitar decisões conflitantes, uma vez que os mesmos decorrem da mesma competência e são complementares. De fato, ambos os processos tratam de PER/DCOMP cujo crédito tem como origem o pagamento indevido ou a maior de COSIRF (código de receita: 6147) do período de apuração da 1ª quinzena de outubro de 2010. A norma atual que disciplina a formalização de processos relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil é a Portaria RFB nº 1668, de 29 de novembro de 2016: Art. 3º Serão juntados por apensação os autos: I – do recurso hierárquico relativo à compensação considerada não declarada, do lançamento de ofício de crédito tributário e da multa isolada decorrentes da mesma DCOMP. II – de exclusão Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional), de exigência de crédito tributário relativo às infrações apuradas no Simples Nacional que tiverem dado origem à exclusão do sujeito passivo da forma de pagamento simplificada; e de possíveis lançamentos de ofício de crédito tributário decorrente dessa exclusão do sujeito passivo em anoscalendário subsequentes que sejam Fl. 175DF CARF MF 8 constituídos contemporaneamente e pela mesma unidade administrativa; III – de indeferimento de pedido de ressarcimento ou da não homologação de DCOMP e do lançamento de ofício e da multa isolada deles decorrentes, conforme o caso; e IV de pedidos de restituição ou de ressarcimento e de Declarações de Compensação (DCOMP) que tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas. (Grifamos) O procedimento de apensação implica em que ambos processos receberão julgamentos em Acórdãos distintos, porém concomitantes, a fim de evitar duplicidade ou decisões conflitantes. No caso, os processos em questão não se encontram apensados, porém, nada obsta que o julgamento se processe como se o fossem. Assim será realizado. O Acórdão recorrido se fundamenta no art. 165 do CTN e adotou interpretação na qual, de plano, não haveria como a Recorrente ser titular do direito pleiteado, deixando de se conhecer das provas por consequência. Como se observa dos autos e do relatório, o objeto contencioso do presente processo é a existência do crédito estampado na DCOMP apresentada e a titularidade deste, vez que seria fruto de retenção no pagamento a outrem. Por se tratar de crédito oriundo de retenção na fonte, cujo o contribuinte ordinário, original, é um terceiro, a legitimidade da Recorrente para promover a compensação é matéria prejudicial à verificação precisa e quantitativa do crédito. Nesse sentido, cabe ressaltar que o Despacho Decisório não afastou a possibilidade jurídica da Recorrente ser o titular do crédito que pretendia usar na compensação declarada. A não homologação da DCOMP, inicialmente, deuse pela ausência de comprovação da certeza e liquidez do crédito, uma vez que o DARF discriminado no PER/DCOMP foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Por outro lado, a decisão de primeira instância, cujo voto condutor encontra se transcrito no relatório deste Acórdão, adotou posicionamento mais estrito, afirmando que, uma vez feita a retenção e realizado o recolhimento surge para a recebedora dos rendimentos, no caso de retenção indevida, o direito de pleitear junto ao fisco a devolução daquele ônus que suportou indevidamente. O fato de a requerente ter devolvido à sua fornecedora os valores que entende terem sido indevidamente retidos (o fez por liberalidade sua) não lhe transfere o direito de requerer junto ao fisco esses mesmos valores. Não existe, no direito público, dispositivo legal que ampare tal pretensão. Invoca o art. 165 do CTN, norma geral que trata da restituição aplicável aos tributos diretos, apontando que, nos termos literais de seu caput, o legislador permitiu apenas ao sujeito passivo a restituição tributária, dizendo que não haveria norma de Direito Público que validasse a manobra pretendida pela Recorrente. Entendo que não assiste razão a decisão de piso em tal fundamentação. O Acórdão nº 1402002.332, da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, na sessão de 05 de outubro de 2016, analisando caso semelhante, chegou a seguinte conclusão: "Constatada a retenção indevida, por analogia ao art. Fl. 176DF CARF MF Processo nº 16682.903080/201215 Acórdão n.º 1201002.140 S1C2T1 Fl. 173 9 166 do CTN e nos termos dos normativos internos da RFB, o responsável pela retenção na fonte (fonte pagadora) pode postular a restituição ou compensação do indébito, desde que prove ter assumido o ônus financeiro do tributo, mediante a exibição de comprovante de reembolso ao beneficiário da quantia retida. " Por comungar do mesmo entendimento esposado pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara, trago a colação excertos do voto condutor que justifica aquele entendimento: A própria D. Administração Tributária Federal, em expressa aplicação analógica do art. 166 do CTN, reconhece a possibilidade de a fonte pagadora que efetuou retenção indevida se revestir de titular do crédito oriundo de tal equivoco. Confira se a Solução de Consulta COSIT nº 22, de 6 de novembro de 2013: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA RETENÇÃO INDEVIDA DE TRIBUTOS NA FONTE. PESSOA LEGITIMADA A PLEITEAR A RESTITUIÇÃO. Na hipótese de retenção indevida de tributos na fonte, cabe ao beneficiário do pagamento ou crédito o direito de pleitear a restituição do indébito. Pode a fonte pagadora pedir a restituição, desde que comprove a devolução da quantia retida ao beneficiário, observada a disciplina própria. Dispositivos Legais: Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), arts. 121 e 165, I; Instrução Normativa RFB nº 1.234, de 2012, arts. 3º, § 12, e 8º; Pareceres Normativos SRF nº 313, de 1971, e nº 258, de1974. (...) 3.1. O sujeito passivo a que se refere esse dispositivo, de acordo com o art. 121, parágrafo único, do CTN, pode ser o contribuinte (aquele que diretamente se enquadra na situação descrita como fato gerador do tributo) ou o responsável – pessoa obrigada a satisfazer a obrigação tributária, mas cuja relação com o fato gerador é apenas indireta, a exemplo da fonte pagadora obrigada à retenção na fonte de tributos. 4. Na hipótese de retenção indevida na fonte, o direito de reclamar a restituição, em princípio, cabe ao beneficiário do rendimento (pagamento), o contribuinte que suportou o encargo financeiro do tributo, consoante reiterados pronunciamentos da Administração Tributária, a exemplo do Parecer Normativo CST nº 313, de 6 de maio de 1971 (publicado no Diário Oficial da União DOU de 01.07.1971), e do Parecer Normativo CST nº 258, de 30 de dezembro de 1974 (publicado no DOU de 24.01.1975). 5. A par disso, a Administração desde há muito admite, por analogia com o art. 166 do CTN, que o responsável pela Fl. 177DF CARF MF 10 retenção na fonte (fonte pagadora) venha postular a restituição do indébito, desde que prove haver assumido o ônus do tributo, o que se dá, usualmente, mediante a exibição de comprovante de reembolso da quantia retida ao beneficiário do pagamento ou crédito. 5.1. Atualmente, os procedimentos para que o “sujeito passivo que promoveu retenção indevida ou a maior de tributo administrado pela RFB” pleiteie a restituição do indébito estão disciplinados no art. 8º da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012, assim escrito (sublinhouse): Seção II Da Restituição da Retenção Indevida ou a Maior Art. 8º O sujeito passivo que promoveu retenção indevida ou a maior de tributo administrado pela RFB no pagamento ou crédito a pessoa física ou jurídica, efetuou o recolhimento do valor retido e devolveu ao beneficiário a quantia retida indevidamente ou a maior, poderá pleitear sua restituição na forma do § 1º ou do § 2º do art. 3º ressalvadas as retenções das contribuições previdenciárias de que trata o art. 18. §1º A devolução a que se refere o caput deverá ser acompanhada: I do estorno, pela fonte pagadora e pelo beneficiário do pagamento ou crédito, dos lançamentos contábeis relativos à retenção indevida ou a maior; II da retificação, pela fonte pagadora, das declarações já apresentadas à RFB e dos demonstrativos já entregues à pessoa física ou jurídica que sofreu a retenção, nos quais referida retenção tenha sido informada; III da retificação, pelo beneficiário do pagamento ou crédito, das declarações já apresentadas à RFB nas quais a referida retenção tenha sido informada ou utilizada na dedução de tributo. § 2º O sujeito passivo poderá utilizar o crédito correspondente à quantia devolvida na compensação de débitos relativos aos tributos administrados pela RFB na forma do art. 41. (...) Conclusão 7. Ante o exposto, respondese à consulente que, na hipótese de retenção indevida de tributos na fonte, cabe ao beneficiário do pagamento ou crédito o direito de pleitear a restituição do indébito. Não obstante, pode a fonte pagadora pleitear a restituição, desde que comprove a devolução da quantia retida ao beneficiário, observados os procedimentos do art. 8º da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012. Ainda que não fosse vigente à data da apresentação da DCOMP tal Instrução Normativa nº 1.300/2012 em se fundamenta a resposta fazendária, a própria Solução de Consulta relata que a Fl. 178DF CARF MF Processo nº 16682.903080/201215 Acórdão n.º 1201002.140 S1C2T1 Fl. 174 11 prática é muito aceita pela Fiscalização, bem como a Instrução Normativa nº 900/2008, que precedeu aquele normativo que balizou o posicionamento da COSIT, já possuía previsão juridicamente idêntica acerca da compensação de tributos retidos na fonte, pelo próprio responsável. A analogia ao art. 166 do CTN para a restituição/compensação de tributos retidos indevidamente pela fonte pagadora é muito correta, principalmente por ser norma de cunho procedimental em relação ao direito dos contribuintes à restituição de tributos, mostrandose imbuída de total razoabilidade e pertinência prática, permitindo aos particulares envolvidos adotarem o procedimento financeiro e contábil que lhes mais convier. Inclusive, à época da edição do Código Tributário Nacional, a retenção na fonte não era uma técnica arrecadatória tão popular e presente como se observa hoje. Esta necessária verificação de contexto históriconormativo endossa a extensão do procedimento previsto e exigido no art. 166 do CTN, revelando se um instrumento que serve à praticabilidade tributária, na medida em que, como meio de integração da legislação tributária, permite suprir as lacunas do ordenamento, que poderiam causar dificuldades tanto no exercício de direitos pelo contribuinte quanto na fiscalização e arrecadação dos tributos, como leciona Regina Helena Costa1 sobre o uso de analogia na adoção de normas e regras procedimentais. Posto isso, superado o argumento jurídico do v. Acórdão, cabe agora verificar a presença dos requisitos para o gozo dessa prerrogativa, previstos no art. 166 do CTN, na IN 900/2008 e esclarecidos na Solução de Consulta COSIT nº 22/2013. Claramente, o primeiro e maior pressuposto é a prova de que teria, então, a Recorrente arcado efetivamente com o encargo financeiro do tributo retido. Frisese que o art. 8 da IN nº 900/2008 expressamente arrola devolução da quantia ao beneficiário como requisito. É certo que, uma vez destacado o valor do tributo diretamente do pagamento, a devolução mostrase imperiosa, até para fins de fluxo financeiro, vez que, se indevida, faz parte da receita do beneficiário. No Recurso Voluntário, como único documento que comprovaria a devolução integral dos tributos retidos indevidamente, a Recorrente cita a "Declaração de não compensação de tributos federais" (fls. 95), assinada pelo suposto Gerente de Contrato do Consórcio PTT REVAP, beneficiário dos pagamentos, afirmando que a empresa não promoveu e nem promoverá o creditamento desses valores: Fl. 179DF CARF MF 12 Em suas razões, estaria aí a prova do direito ao crédito. Ocorre que não existe qualquer prova do efetivo reembolso à empresa Consórcio PTT REVAP do valor indevidamente retido nos pagamentos. Nenhum documento dos autos exprime a transferência de numerário ou de crédito, comprovando a devolução exigida pelos normativos autorizadores desta manobra excepcional. Desse modo, uma vez ausente a prova do requisito primordial que daria à Recorrente a titularidade do suposto crédito expresso na DCOMP, não se pode validar a compensação pretendida. Diante de todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendose a NÃO homologação da DCOMP em questão, conforme despacho decisório. (assinado digitalmente) José Carlos de Assis Guimarães Fl. 180DF CARF MF Processo nº 16682.903080/201215 Acórdão n.º 1201002.140 S1C2T1 Fl. 175 13 Fl. 181DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.914992/2012-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 04 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.252
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente em exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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(assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte supra identificado em face de decisão da DRJ Ribeirão Preto/SP que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada para se contrapor ao Despacho Decisório que não homologara a compensação declarada, sob o argumento de que o pagamento informado havia sido localizado mas utilizado na quitação de débitos do contribuinte. Na Manifestação de Inconformidade, o Impugnante alegou que não era contribuinte da Cofins, tratandose de uma cooperativa, nos termos dos artigos 3º e 4º da Lei nº 5.764/71, que somente praticava atos com cooperados. Argumentou que sua atividade era a coordenação de serviços de saúde, laboratoriais e de hospitais para seus cooperados, de modo que todos seus atos eram cooperativos, isentos da Cofins. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .9 14 99 2/ 20 12 -8 7 Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10830.914992/201287 Resolução nº 3201001.252 S3C2T1 Fl. 130 2 Concluiu, pleiteando o reconhecimento da ineficácia do despacho decisório e do direito creditório e, por conseguinte, a homologação da compensação. A decisão da Delegacia de Julgamento, denegatória do direito pleiteado, fundamentouse na constatação de que a isenção da Cofins para as cooperativas, prevista no art. 6°, I, da Lei Complementar n° 70, de 1991, vigorou até outubro de 1999, tendo sido revogada expressamente, a partir de novembro de 1999, pela Medida Provisória (MP) nº 1.858 6, de 1999, passando as cooperativas, a partir de então, a apurar a base de cálculo da contribuição da mesma forma das demais pessoas jurídicas. Destacou o órgão julgador de primeira instância que os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente eram passíveis de restituição/compensação se os indébitos reunissem as características de liquidez e certeza. Cientificado da decisão, o contribuinte pleiteou o provimento do Recurso Voluntário, interposto de forma hábil e tempestiva, ou, alternativamente, a conversão do feito em diligência, em respeito ao princípio da verdade material, arguindo o seguinte: a) possui direito ao crédito pleiteado em respeito ao princípio da verdade material; b) o acórdão recorrido é insubsistente, pois a Administração deveria ter investigado com maior afinco a origem do crédito indicado, não se limitando unicamente à alegação de ausência de crédito; c) a prova de que o mero argumento de vinculação à obrigação confessada em DCTF não é suficiente para a negativa do direito creditório é que somente com a decisão recorrida que os fundamentos de direto foram aduzidos, ao arrepio do contraditório e da ampla defesa, extrapolandose os limites da lide que foram demarcados pelo indeferimento no despacho decisório; d) no acórdão proferido pela DRJ, não foi consignada nenhuma objeção ao fato de se tratar de uma cooperativa, cujos atos cooperativos não sofrem a incidência da Cofins; e) a Constituição Federal prevê tratamento diferenciado às cooperativas e os artigos 3°, 4º e 5º da Lei n° 5.764/1971 trazem, respectivamente, a definição de sociedade cooperativa, as suas características e a possibilidade de adoção de objeto de qualquer gênero de serviços, operação ou atividade; f) a discussão travada nos autos não diz respeito à isenção da Cofins, mas à não incidência da contribuição sobre os atos cooperativos, estes preceituados pelo art. 79 da Lei n° 5764/1971; g) no caso em apreço, há o exercício de coordenação de serviços de saúde, laboratoriais e de hospitais para seus cooperados, decorrendo das contribuições desses mesmos cooperados todos os valores nela ingressados, valores esses destinados à contratação de médicos, dentistas, psicólogos, serviços de laboratórios e de hospitais, todos eles diretamente ligados à sua atividade. h) a matéria está submetida à Repercussão Geral no Supremo Tribunal Federal (RE 672215). Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10830.914992/201287 Resolução nº 3201001.252 S3C2T1 Fl. 131 3 É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido na Resolução nº 3201001.249, de 20/03/2018, proferido no julgamento do processo 10830.914988/201219, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3201001.249): Depreendese do caderno processual, que não há oposição em relação ao fato de que a recorrente praticou atos cooperativos. Assim, o cerne da questão está em apreciar o direito de a recorrente ter afastada a tributação pela COFINS, dos atos cooperativos típicos por ela praticados, quais sejam, de operações entre a Cooperativa e seus associados, o que lhe conferiria o direito de ter retornado ao seu patrimônio o valor pago a maior a título de COFINS, o que viabilizaria a compensação pretendida. Ocorre que, no caso em debate tanto o despacho decisório, quanto a decisão proferida em sede de manifestação de inconformidade informam não estar comprovada a certeza e a liquidez do direito creditório. A decisão, portanto, foi no sentido de que inexiste crédito apto a lastrear o pedido da recorrente. No entanto, entendo como razoável as alegações produzidas pela recorrente aliado aos documentos apresentados nos autos, o que atesta que procurou se desincumbir do seu ônus probatório em atestar a existência dos créditos alegados. Neste contexto, a teor do que preconiza o art. 373 do diploma processual civil, teve a manifesta intenção de provar o seu direito creditório, sendo que tal procedimento, também está pautado pela boafé. Assim, entendo que há dúvida razoável no presente processo acerca da liquidez, certeza e exigibilidade do direito creditório, o que justifica a conversão do feito em diligência, não sendo prudente julgar o recurso em prejuízo da recorrente, sem que as questões aventadas sejam dirimidas. Diante do exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que seja intimada a recorrente para no prazo de 30 (trinta) dias, renovável uma vez por igual período, a apresentar (i) os cálculos e (ii) outros documentos, porventura, ainda necessários aptos a comprovar os valores pretendidos. Deve, ainda, a autoridade administrativa informar se há o direito creditório alegado pela recorrente e se o mesmo é suficiente para a extinção do débito existente tomando por base toda a documentação apresentada pelo contribuinte. Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10830.914992/201287 Resolução nº 3201001.252 S3C2T1 Fl. 132 4 Isto posto, deve ser oportunizada à recorrente o conhecimento dos procedimentos efetuados pela repartição fiscal, inclusive do relatório elaborado pela fiscalização, com abertura de vistas pelo prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual período, para que se manifeste nos autos, para, na sequência, retornarem os autos a este colegiado para prosseguimento do julgamento. Os fatos que ensejaram a conversão em diligência do julgamento do processo paradigma também se encontram presentes nestes autos, justificando, por conseguinte, a aplicação da mesma decisão a este processo. Portanto, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o julgamento em diligência, para que a repartição de origem intime o Recorrente para, no prazo de 30 (trinta) dias, renovável uma vez por igual período, apresente (i) os cálculos e (ii) outros documentos porventura ainda necessários aptos a comprovar os valores pretendidos. Deve, ainda, a autoridade administrativa informar se há o direito creditório alegado e se ele é suficiente para a extinção do débito existente, tomando por base toda a documentação apresentada pelo contribuinte. Após, concedase o prazo de 30 (trinta) dias ao Contribuinte para que tome conhecimento dos procedimentos realizados pela repartição de origem, inclusive do relatório a ser elaborado pela Fiscalização, e se manifeste, a seu critério, acerca do resultado da diligência. Concluída a instrução do feito, retornem os autos para julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 132DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11128.003165/2008-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Período de apuração: 01/02/1992 a 31/03/1992
Ementa
IMPORTAÇÃO DE PNEUS USADOS. PENA DE PERDIMENTO CONVERTIDA EM MULTA. INFRAÇÃO COMETIDA ANTES DA SUA INSTITUIÇÃO DA LEI 10.637/2003. IRRETROATIVIDADE DA PENA.
A multa substitutiva da pena de perdimento só pode ser aplicada aos fatos ocorridos após 30/08/2002, sob pena de afronta à irretroatividade da lei instituidora da penalidade em questão.
Recurso voluntário provido. Sanção aduaneira exonerada.
Numero da decisão: 3402-005.240
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Diniz Ribeiro - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Período de apuração: 01/02/1992 a 31/03/1992 Ementa IMPORTAÇÃO DE PNEUS USADOS. PENA DE PERDIMENTO CONVERTIDA EM MULTA. INFRAÇÃO COMETIDA ANTES DA SUA INSTITUIÇÃO DA LEI 10.637/2003. IRRETROATIVIDADE DA PENA. A multa substitutiva da pena de perdimento só pode ser aplicada aos fatos ocorridos após 30/08/2002, sob pena de afronta à irretroatividade da lei instituidora da penalidade em questão. Recurso voluntário provido. Sanção aduaneira exonerada.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
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PENA DE PERDIMENTO CONVERTIDA EM MULTA. INFRAÇÃO COMETIDA ANTES DA SUA INSTITUIÇÃO DA LEI 10.637/2003. IRRETROATIVIDADE DA PENA. A multa substitutiva da pena de perdimento só pode ser aplicada aos fatos ocorridos após 30/08/2002, sob pena de afronta à irretroatividade da lei instituidora da penalidade em questão. Recurso voluntário provido. Sanção aduaneira exonerada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro e Carlos Augusto Daniel Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 31 65 /2 00 8- 89 Fl. 141DF CARF MF 2 Relatório 1. Tratase de auto de infração decorrente da conversão da pena de perdimento em multa capitulada no art. 618, §1º do Decreto nº 4.543/2002, c.c. o art. 73, §§ 1º e 2º da Lei nº 10.833/2003. 2. Segundo aduz a fiscalização, entre fevereiro e março de 1992, a recorrente importou mil e duzentos pneus usados retratados em guia de importação acostada nos autos. Consta dos autos que, após a emissão da citada guia de importação e antes do desembaraço das mercadorias importadas no país, adveio a Portaria Decex n. 01, de janeiro de 1992, a qual conformou o tratamento administrativo a ser atribuído para pneumáticos usados, permitindo a importação exclusivamente para recauchutagem por empresa recauchutadora, importação essa que teria seu volume limitado à capacidade de processamento de recauchutagem e que, ainda, deveria apresentar informação na guia de importação de que tal guia "ampara a importação de carcaças de pneumáticos usadas destinadas exclusivamente à recauchutagem no País”. 3. Diante da sobredita Portaria, a fiscalização intimou a interessada a apresentar aditivo à importação, o que, por seu turno, motivou a recorrente a impetrar o mandado de segurança de fls. 17/18 no qual, em suma, o administrado alegou: (i) que a guia de importação referente às mercadorias aqui analisadas foi emitida antes do advento da citada Portaria DECEX; (ii) que a citada Portaria DECEX criou limites às importações de pneus usados após a importação perpetrada pela Recorrente; (iii) logo, a aplicação da referida Portaria DECEX no presente caso seria indevida, uma vez que ofenderia o princípio da irretroatividade. 4. Ao impetrar o referido mandamus, a recorrente vindicou exclusivamente a liberação das mercadorias importadas em razão dos fundamentos sumariamente expostos alhures, pedido esse que foi deferido por meio de sentença proferida em maio de 1992 e cuja cópia está acostada aos autos as fls. 57/59. 5. Em sede de apelação, a referida decisão foi revertida por meio de acórdão publicado em fevereiro de 2007, da lavra do TRF da 3a Região (cópia fl. 63). 6. Diante deste quadro e por entender que a ocorrência da infração teria sido postergada para a data da decisão proferida pelo TRF da 3a Região, só então a fiscalização lavrou a presente exigência aduaneira, i.e., a pena de perdimento convertida em multa, o que fez com fundamento no art. 618, §1º do Decreto nº 4.543/2002, c.c. o art. 73, §§ 1º e 2º da Lei nº 10.833/2003. 7. Uma vez intimado, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 103/108, oportunidade em que alegou: (i) que as sanções previstas nos artigos 618, §1º do Decreto nº 4.543/2002 e73, §§ 1º e 2º da Lei nº 10.833/2003, são posteriores a ocorrência do suposto ato infracional (fevereiro e março de 1992), motivo pelo qual não poderiam ser aplicadas, sob pena de ofensa ao princípio da irretroatividade, bem como ao disposto no art. 6o da lei de introdução às normas do direito brasileiro; e Fl. 142DF CARF MF Processo nº 11128.003165/200889 Acórdão n.º 3402005.240 S3C4T2 Fl. 141 3 (ii) subsidiariamente, haveria a "prescrição" da exigência aduaneira, haja vista o transcurso de prazo de 15 anos entre a pretensa infração praticada e a imputação da sanção aqui questionada. 8. Devidamente processada, a impugnação foi julgada improcedente pelo acórdão n. 1642.384 (fls. 114/118), da lavra da DRJ São Paulo I, cuja ementa restou assim prescrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 08/02/2007 CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO EM MULTA. AÇÃO JUDICIAL. DECADÊNCIA. APLICAÇÃO. A penalidade foi imposta dentro dos cinco anos, contados da publicação de decisão judicial que considerou legítima a restrição imposta pela Portaria DECEX 008 quanto à importação de bens usados, entre os quais pneus, tornando irregular a sua situação fiscal no país. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. 9. Diante deste quadro, o administrado interpôs o recurso voluntário de fls. 124/134, oportunidade em que repisou os fundamentos trazidos em sede de impugnação. 10. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Diego Diniz Ribeiro 11. O recurso voluntário interposto é tempestivo e preenche os demais pressupostos formais de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. I. Do cerne da questão sob julgamento 12. Ao analisar o acórdão recorrido, é possível perceber que a instância a quo limitouse a ponderar acerca da decadência, indevidamente chamada pelo contribuinte de "prescrição", oportunidade em que assim manifestouse: (...). Preliminarmente, cumpre então identificar qual a data da infração no presente caso, a fim de verificar se a penalidade imposta observou o prazo fatal de caducidade acima referido. Da análise dos autos, constatamos que as mercadorias adquiridas pela interessada estavam acobertadas por liminar em mandado de segurança. A União Federal apelou da decisão, a qual foi provida em 19/01/2007, considerando o E. Tribunal Fl. 143DF CARF MF 4 Regional Federal da 3a Região legítima a restrição imposta pela PORTARIA DECEX NUM 008 quanto à importação de bens usados, entre os quais pneus, tornando irregular a situação fiscal no país dos pneumáticos usados importados pela interessada, cuja publicação no Diário de Justiça ocorreu em 08/02/2007 (fl. 49). Portanto, a data da infração reportase ao ano de 2007, ocasião em que a permanência da mercadoria no país revestiuse de ilegalidade. Em conseqüência, o prazo qüinqüenal para aplicação de penalidades vai até 2012. Nesse sentido, pelo fato de o presente lançamento ter sido cientificado ao contribuinte em 2008, decorridos, sem dúvida alguma, menos de cinco anos da data da infração, o direito de a Fazenda Nacional exigir o respectivo crédito tributário encontrase inequivocamente aplicável. (...). 13. Tal manifestação da DRJ foi uma resposta a uma das causas de pedir desenvolvidas pelo contribuinte, qual seja, de uma suposta "prescrição" da exigência aduaneira, matéria essa que foi acertadamente tratada como decadência por parte da instância a quo. 14. Acontece que, como visto no relatório do presente voto, tal causa de pedir autônoma foi desenvolvida pelo contribuinte como fundamento subsidiário para as suas razões recursais. O principal fundamento veiculado pelo contribuinte foi a de inexistência de sanção (pena de perdimento convertida em multa) à época do fato infracional e, por conta disso, a ofensa ao princípio da irretroatividade. Acerca deste assunto a instância a quo manifestouse a respeito, ainda que tangencialmente, quando aduz que a infração aqui tratada teria ocorrido em fevereiro de 2007, i.e., quando publicado o acórdão no âmbito do mandamus alhures referido e que deu provimento ao apelo fazendário. Logo, partindo desta premissa da instância de piso, não haveria que se falar em retroatividade da lei que previu a pena de perdimento, convertida em multa, no presente caso. 15. Ocorre que, com a devida vênia, a premissa fixada pelo acórdão atacado é flagrantemente equivocada. 16. Como já mencionado no relatório do presente voto, a discussão teve início em fevereiro e março de 1992, quando a recorrente importou pneus usados e a fiscalização, por seu turno, aparentemente com base em Portaria DECEX, determinou a apreensão de tais bens por não se destinarem à recauchutagem. Aliás, foi exatamente contra este ato administrativo, praticado em 1992, que o recorrente impetrou o mandado de segurança aqui tratado. 17. Logo, à época dos fatos, o que a fiscalização fez foi apreender a mercadoria importada com base na citada Portaria DECEX para fins de perdimento. É o que se observa das informações prestadas pela Delegado da Receita Federal de Santos (fl. 55) no mandado de segurança impetrado pelo contribuinte, in verbis: Fl. 144DF CARF MF Processo nº 11128.003165/200889 Acórdão n.º 3402005.240 S3C4T2 Fl. 142 5 18. Acontece que, por intermédio de tutela jurisdicional provisória, restou determinado a liberação das mercadorias apreendidas, tutela esta revertida em sede de julgamento de apelação interposta pela União, conforme consta do acórdão publicado em fevereiro de 2007, da lavra do TRF da 3a Região (fl. 63). 19. Logo, foi neste instante temporal que a fiscalização indevidamente entendeu estar configurada a possibilidade de converter a pena de perdimento anteriormente perpetrada em multa, com fundamento no disposto no art. 23do DecretoLei n°. 1.455/76, com a redação que lhe fora atribuída pelo art. 59 da lei n. 10.637/02. Fl. 145DF CARF MF 6 20. Equivocado está o entendimento fiscal. O momento da infração aqui tratada é o do registro das importações em discussão, o que se deu entre fevereiro e março de 1992, oportunidade em que inexistia previsão legal para a conversão da pena de perdimento em multa, o que, inclusive, já foi decidido por esta Turma julgadora (acórdão n. 3402003.833) e retratado no preciso voto da Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, in verbis: (...). Dessarte, a tentativa de aplicação de multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias, in casu, representa hialina afronta ao princípio da irretroatividade das leis, haja vista que comina pena que inexistia legalmente à época dos fatos. Em matéria de direito infracional, a Constituição Federal aponta como limite objetivo à atuação do Estado (em suas funções administrativa, legislativa e judiciária) justamente que “não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia cominação legal” (artigo 5º, inciso XXXIX) e “a lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu” (artigo 5º, inciso XL). Nesse ponto, é preciso destacar que em matéria de infrações aduaneiras estamos lidando com seara jurídica correlata a Teoria do Ilícito, assim como ocorre em matéria penal. Por essa razão, as garantias e institutos vigentes nesta última podem e devem ser utilizados para a aplicação daquela. Tal ressalva é feita para uma precisa indicação do direito aplicável ao caso concreto, que não pode ser aquele instituído pelo Código Tributário Nacional, lei complementar que cuida de matéria tributária, inexistente nos presentes autos, uma vez que não há cobrança de qualquer tributo decorrente das importações em questão, mas tão somente de multa com base na legislação aduaneira. Este Conselho já teve e oportunidade de se manifestar sobre a questão, sempre decidindo no mesmo sentido do aqui proposto: Assunto: Imposto sobre a Importação II Data do fato gerador: 07/11/2000 Multa Equivalente ao Valor Aduaneiro das mercadorias sujeitas à pena de perdimento. Não é possível aplicar a multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas em data anterior à vigência da lei instituidora da penalidade. Ofensa aos princípios da legalidade e da irretroatividade da lei. Preliminar de decadência. Inadmissível o lançamento após o decurso de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. Preliminar acolhida. RECURSO DE OFÍCIO NEGADO (Processo 13839.002702/200530, Data da Sessão 04/12/2007, Acórdão 30134192) Fl. 146DF CARF MF Processo nº 11128.003165/200889 Acórdão n.º 3402005.240 S3C4T2 Fl. 143 7 MULTA SUBSTITUTIVA DA PENA DE PERDIMENTO – INFRAÇÃO COMETIDA ANTES DA SUA INSTITUIÇÃO – LEI 10.637/2003 – RETROATIVIDADE INDEVIDA – IMPOSSIBILIDADE. A multa substitutiva da pena de perdimento só pode ser aplicada aos fatos geradores ocorridos após 30/08/2002, uma vez que só é possível a aplicação retroativa de penalidades quando sejam mais benéficas ao contribuinte. Recurso de ofício negado. (Processo 10907.002853/200468, Data da Sessão 21/03/2006, Acórdão 30332944). 21. Diante deste quadro, resta claro que as disposições legais alhures citadas e que fundamentam a presente exigência aduaneira não poderiam retroagir no tempo, sob pena de notória ofensa ao princípio da irretroatividade, não restando dúvida, portanto, quanto à injuridicidade da exigência aqui debatida. Dispositivo 22. Ex positis, voto por dar provimento ao recurso voluntário do contribuinte, exonerando, pois, a exigência em comento. 23. É como voto. Diego Diniz Ribeiro Relator. Fl. 147DF CARF MF
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