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Numero do processo: 16327.910633/2011-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Data do fato gerador: 19/06/2004
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA
Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.518
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF Data do fato gerador: 19/06/2004 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. Recurso Voluntário Negado.
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PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Recorrente BANCO VOLKSWAGEN S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 19/06/2004 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 06 33 /2 01 1- 46 Fl. 92DF CARF MF Processo nº 16327.910633/201146 Acórdão n.º 3402004.518 S3C4T2 Fl. 3 2 Trata o presente processo de Recurso Voluntário contra a Decisão da DRJ em Ribeirão Preto (SP), que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo o Despacho Decisório eletrônico proferido, que, por sua vez, indeferiu o Pedido de Restituição, referente a suposto pagamento de IOF a maior no ano de 2004. Conforme o que consta do referido Despacho Decisório, o pleito foi negado tendo em vista que o DARF discriminado no PER estava integralmente utilizado para a quitação do débito de IOF, não restando saldo de crédito disponível para a restituição almejada. Cientificada da decisão proferida, a empresa interpôs a Manifestação de Inconformidade alegando homologação por decurso de prazo, já que ultrapassado o prazo de cinco anos entre a data de envio, tanto do Pedido de Restituição (PER) quanto da Declaração de Compensação (DCOMP) a ele atrelada, e a data de proferimento do Despacho Decisório. Com base nessas considerações requer a reforma da decisão, com a consequente homologação da compensação declarada. No entanto, os argumentos aduzidos pelo Recorrente não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme Ementa do Acórdão nº 14061.012, prolatado pela DRJ em Ribeirão Preto (SP): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 19/06/2004 RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO DECLARADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integralmente alocado à débito validamente declarado em DCTF. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para a homologação tácita de pedido de restituição, nem previsão de perda do poder de decidir por decurso de prazo em pedidos desta natureza. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Devidamente cientificada desta decisão a recorrente interpôs, tempestivamente, o presente recurso voluntário, alegando as seguintes razões: (i) consta do Despacho Decisório que "foram localizados pagamentos, mas que foram integralmente utilizados para a quitação de débitos do Recorrente, não restando crédito disponível para restituição". Porém, tanto o Pedido de Restituição (PER) quanto a respectiva Compensação (DCOMP), foram realizados em dezembro/2006, operandose, portanto, a homologação da compensação em dezembro de 2011; Fl. 93DF CARF MF Processo nº 16327.910633/201146 Acórdão n.º 3402004.518 S3C4T2 Fl. 4 3 (ii) cita e transcreve como base legal, o §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN), bem como, registra o Acórdão nº 3801000.530, de 29/09/2010, proferido pelo CARF nos autos do PAF nº 10830.007499/9736; (iii) conclui que, dessa forma operouse a homologação tácita em dezembro de 2011, não havendo sequer a possibilidade de discussão acerca da existência do crédito do Recorrente por meio de Despacho Decisório proferido em 2012, ou seja, após o decurso do mencionado prazo qüinqüenal. Por fim, requer que o presente Recurso Voluntário seja recebido e julgado, com a conseqüente reforma da decisão recorrida e homologação da compensação declarada. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.467, de 26 de setembro de 2017, proferido no julgamento do processo 16327.910558/201113, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402004.467): "1. Da admissibilidade do Recurso O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido por este Colegiado. 2. Objeto da lide Verificase que o Recorrente não contesta a inexistência do indébito tributário demonstrada no Despacho Decisório. O que se discute no recurso é a alegação de homologação tácita quanto ao Pedido de Restituição (PER). 3. Análise do Pedido Como relatado, o Recorrente pede o provimento do seu recurso unicamente sob o argumento da homologação tácita do seu Pedido de Restituição (PER) nº 01445.28437.211206.1.2.046453, como base no §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional. Aduz que tanto o Pedido de Restituição (PER) quanto a respectiva Compensação (DCOMP), foram realizados em 21 e 26 dezembro de 2006, respectivamente e, como base no §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional, operouse a homologação tácita da compensação em 26/12/2011, não havendo sequer a possibilidade de discussão acerca da existência do crédito do Recorrente, por meio de Fl. 94DF CARF MF Processo nº 16327.910633/201146 Acórdão n.º 3402004.518 S3C4T2 Fl. 5 4 Despacho Decisório proferido em 03/01/2012, ou seja, após o decurso do mencionado prazo qüinqüenal. Pois bem. É cediço que o Código Tributário Nacional (CTN), regulamenta o prazo decadencial de 5 anos para o agente fiscal homologar o lançamento por homologação, que ocorre quando o contribuinte, por determinação legal, em substituição ao agente arrecadador, possui a obrigação de apurar o tributo devido, em face da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, efetuar o seu recolhimento e realizar a respectiva declaração. No contexto do procedimento de homologação das compensações, no qual se atesta a existência e a suficiência do direito creditório invocado para a extinção dos débitos compensados, a única limitação imposta à atuação da Administração Tributária é o prazo de cinco anos da data da apresentação das declarações de compensação, depois do qual os débitos compensados devem ser extintos, independentemente da existência e suficiência dos créditos, conforme determina o artigo 74, §5° da Lei n° 9.430, de 1996. Destaco a seguir seu conteúdo: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Medida Provisória nº 66, de 2002) § 1º (...). § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) (Grifei). No mesmo sentido, define a Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, assim como as Instruções Normativas que a sucederam na regulamentação dessa matéria. Como se vê, por disposição legal expressa, a homologação tácita é aplicável unicamente à Declaração de Compensação, não havendo possibilidade de sua aplicação aos Pedidos de Restituição e Ressarcimento (PER). Isto ocorre porque quando o contribuinte realiza um pedido de compensação, nada mais está fazendo do que um lançamento por homologação: apura o tributo devido, realiza a declaração, e substitui o pagamento em espécie, por um pagamento com crédito tributário que possui junto ao ente tributante. E é por essa razão que, quando não há a apreciação expressa do pedido de compensação, passados 5 anos após a sua apresentação, ocorre a respectiva homologação. Em última análise, o que há é a homologação do lançamento realizado pelo contribuinte, sendo que o pagamento da obrigação tributária se dá com a utilização do seu direito creditório. Portanto, tal regra não se aplica ao caso do Recorrente com relação ao Pedido de Restituição de fls. 25/27, datado de 21/12/2006, justamente por se tratar de Pedido de Restituição e não de uma Fl. 95DF CARF MF Processo nº 16327.910633/201146 Acórdão n.º 3402004.518 S3C4T2 Fl. 6 5 Declaração de Compensação. O Pedido de Restituição não pode ser confundido com uma Declaração de Compensação, muito embora em ambos os casos esteja a se tratar de direito a um crédito tributário. A compensação está sempre atrelada a um lançamento. E é por isso que a ela se aplica o prazo decadencial de 5 anos previsto no art. 150 do CTN. O pedido de restituição não. Ele é independente de qualquer lançamento e requer necessariamente um pronunciamento do Fisco. Contudo, embora o Fisco deva nortear seus atos observando a eficiência e a celeridade, pois sua ação deve preservar os interesses públicos, nada o impede de, quase seis anos após o Pedido de Restituição (PER) formulado pelo Recorrente, indeferilo, por não vislumbrar o direito pleiteado. Não há a homologação tácita desse pedido, porquanto não ocorre qualquer lançamento que enseje a aplicação do artigo 150, § 4º, do CTN, como defende a Recorrente. Não há previsão legal para essa homologação. De se observar, também, que o Recorrente não rebate a alocação do pagamento (crédito solicitado no PER) ao débito de IOF do período de apuração tratado neste processo, o qual consta confessado em DCTF. Não contesta, portanto, a inexistência do indébito tributário demonstrada no Despacho Decisório, dando margem ao entendimento de que o crédito almejado no Pedido de Restituição, não existe. Desta forma, considerando que o Recorrente se limitou a argüir a homologação tácita do Pedido de Restituição, com base no artigo 150, § 4º, do CTN, sem trazer qualquer documentação ou argumentação que comprovasse a existência de seu crédito, não há mesmo como acatar o seu pedido. 4. Dispositivo Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 96DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15165.722950/2012-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Sep 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 19/09/2012
LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. EXIGÊNCIA DE PROVA.
A aplicação da pena de perdimento e por consequência a multa de conversão, necessita de motivação justificada por meio de provas, que assegurem a irregularidade nas operações de importação, sob pena de ser declarada a insubsistência do auto de infração, por insuficiência de prova da imputação.
Recurso de Ofício Negado
Numero da decisão: 3201-003.139
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício.
Winderley Morais Pereira - Presidente substituto e Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Marcelo Giovani Vieira.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 19/09/2012 LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. EXIGÊNCIA DE PROVA. A aplicação da pena de perdimento e por consequência a multa de conversão, necessita de motivação justificada por meio de provas, que assegurem a irregularidade nas operações de importação, sob pena de ser declarada a insubsistência do auto de infração, por insuficiência de prova da imputação. Recurso de Ofício Negado
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1341; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15165.722950/201225 Recurso nº De Ofício Acórdão nº 3201003.139 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de setembro de 2017 Matéria II Recorrente ALVO IMPORTAÇÃO E COMÉRCIO LTDA ME Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 19/09/2012 LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. EXIGÊNCIA DE PROVA. A aplicação da pena de perdimento e por consequência a multa de conversão, necessita de motivação justificada por meio de provas, que assegurem a irregularidade nas operações de importação, sob pena de ser declarada a insubsistência do auto de infração, por insuficiência de prova da imputação. Recurso de Ofício Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Winderley Morais Pereira Presidente substituto e Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Marcelo Giovani Vieira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 16 5. 72 29 50 /2 01 2- 25 Fl. 287DF CARF MF 2 Por bem descrever os fatos adoto, com as devidas adições, o relatório da primeira instância que passo a transcrever. Trata o presente processo de auto de infração por meio do qual foi formalizada a constituição do crédito tributário no valor de R$ 4.858.672,03, em razão, segundo a descrição dos fatos, da impossibilidade de apreensão das mercadorias, aplicandose o disposto no § 3º do artigo 23 do Decretolei nº 1.455/1976, com a redação dada pelo artigo 59 da Lei nº 10.637/2002. Inicialmente o crédito tributário foi formalizado no valor de R$ 6.389.903,89, sendo então objeto de “revisão de ofício”, como se verá adiante. Depreendese do “Termo de Verificação Fiscal” (fls. 87 a 91) do auto de infração que a interessada teve seu CNPJ declarado inapto por meio do Ato Declaratório Executivo n° 18/11 da Alfândega do Porto de Paranaguá (processo administrativo de Representação para Fins de Inaptidão de CNPJ n° 10907.000268/201182). Segundo a conclusão daquele processo a interessada atuou de forma a ocultar o real adquirente de mercadorias importadas. Informa a fiscalização que a presente ação fiscal não visa comprovar os fatos que levaram a tal inaptidão, mas tão somente apreender as mercadorias que foram importadas irregularmente ou aplicar a multa de 100% no caso de isto não ser possível. Segundo a fiscalização as operações de comércio exterior da empresa a partir de 01/01/2009 foram consideradas ineficazes e, portanto, todas as mercadorias correspondentes a estas operações estão sujeitas à pena de perdimento por se encontrarem em situação irregular. A autuação se refere às mercadorias indicadas nas declarações (importação e exportação) listadas à folhas 89 e 91. Cientificada, a interessada apresentou a impugnação de folhas 118 a 140, anexando os documentos de folhas 141 a 146. Em síntese apresenta os seguintes argumentos: Que, para que a autuação seja válida é necessário que todos os elementos indispensáveis estejam presentes. A autuação não possui justa causa para a sua lavratura por inocorrência de qualquer ilicitude, muito menos a irrogada na peça acusatória; Que, não vulnerou os dispositivos legais inseridos no auto de infração, que deve ser anulado desde seu nascedouro em face da sua impropriedade como lançamento; Que, faltou demonstrar a ocorrência do fato gerador que viesse permitir a exigência; Que, há ofensa aos princípios do não confisco e ao direito de propriedade; Que, há excesso de exação; Que, o caso é de aplicação do disposto no artigo 33 da Lei n° 11.488/07, a conclusão do PARECER SARAC nº 234/2011 foi precipitada e descabida; Que, é imprescindível que se tragam todos os sujeitos envolvidos (há solidariedade). O PARECER SARAC nº 234/2011 identificou várias empresas envolvidas; Requer seja recebida a presente defesa administrativa, e, finalmente julgada e aprovada. Fl. 288DF CARF MF Processo nº 15165.722950/201225 Acórdão n.º 3201003.139 S3C2T1 Fl. 3 3 Encaminhado o processo administrativo fiscal para julgamento (fl.152). Enquanto aguardava a distribuição para julgamento, a unidade de origem solicitou o retorno dos autos e realizou a “Representação” de fls. 156 a 159, aduzindo, em apertada síntese, que em razão da existência de novos elementos deveria ser realizada uma revisão de ofício na autuação em apreço. Com base no relatório intitulado “Fundamentos à Revisão de Ofício” (fls. 167 a 179), a fiscalização, em síntese, esclarece: Que, em razão de fiscalização realizada em outras empresas surgiram novos elementos de provas relacionados a 25 declarações de importação (fls. 171) onde se constata uma extensa prática de falsidades (valor declarado/subfaturamento, real exportador e real adquirente); Que, o presente lançamento não contemplava a extensão probante haja vista o material ter ficado por quase 2 anos em mãos da fiscalização, mas impedida judicialmente de analisálo; Que, a revisão de ofício ora realizada está substancialmente fundamentada no inciso VIII do artigo 149 da Lei n° 5.172/66 (Código Tributário Nacional – CTN); Que, da presente autuação deve ser excluído o crédito tributário conforme tabela à folhas 173, no montante de R$ 1.531.231,86; Que, novos valores relacionados às declarações de importação ora excluídas da presente autuação foram objeto do processo administrativo fiscal n° 15165.723702/201382, que encontrase apensado ao presente processo administrativo fiscal; Que, a realização do novo lançamento em processo diverso do presente encontra forte fundamento no fato de o pólo passivo ser composto por pessoas diversas do presente (responsáveis solidários) e na necessária manutenção do sigilo fiscal; Cientificada a empresa e seus sócios, Sr. ALEXANDRE TRIANDAFELEDIS, Sr. LEONARDO FELIPE TOMASI, Sra. ANA CAROLINA HASS DE MIRANDA CASTRO, Sra. KARYN MARTINS LOPES e Sra. DANIELA COSTA FORNECK do documento “Fundamentos à Revisão de Ofício” (fls. 180 a 184), somente o Sr. LEONARDO FELIPE TOMASI apresentou “Impugnação” de folhas 218 a 230, onde alega em síntese: Que, nunca foi sócio administrador ou gerente, nunca exerceu qualquer cargo de gestão, nunca assinou qualquer documento da empresa. Possuía apenas 10% das cotas da empresa; Que, a responsabilidade do sócio é subjetiva e não objetiva. Há que restar demonstrada a participação do sócio (quotista) em qualquer atividade ilícita; Requer seja reconhecida a improcedência da inclusão de seu nome, bem como seja excluído do rol dos devedores dos autos de infração. À folhas 240 a unidade preparadora informou ter apensado aos autos o processo administrativo fiscal n° 15165.723416/201317. Considerando que o processo apensado não encontrava correlação com o contido no teor dos “Fundamentos à Revisão de Ofício” (fls. 167 a 179), os autos foram baixados em diligência (fls. 245 e 246). A “Informação Fiscal n° 047/2014” (fls. 251 e 252) esclareceu o Fl. 289DF CARF MF 4 acontecido, restando corrigido o equívoco no trâmite processual: apensação do processo administrativo fiscal n° 15165.723702/201382 e desapensação do processo administrativo fiscal n° 15165.723416/201317: ... Esclarecimentos feitos, observase no sistema que efetivamente houve erro na indevida apensação ao processo 15165.722950/201225 do processo 15165.723416/201317 ao invés do correto 15165.723702/201382. Sendo assim, solicitada a devolução do processo 15165.723702/201382, o qual aguardava distribuição junto a CEGEP/SUTRIRP, corrigese o equívoco apensandoo ao 15165.722950/201225 e desapensandose o 15165.723416/201317. ...(Grifos acrescidos) A Delegacia da Receita Federal de Julgamento deu provimento à impugnação, exonerando o lançamento. A decisão foi assim ementada. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 19/09/2012 FALTA DE PROVAS. CONCLUSÃO EMPRESTADA. ENQUADRAMENTO LEGAL INCOMPLETO. CERCEAMENTO DE DEFESA. O uso direto da conclusão de outro procedimento fiscal, a ausência de conexão com as provas nas quais pode se fundamentar a aplicação da multa pela autoridade fiscal, somado à não indicação precisa do dispositivo legal infringido, cerceia o direito de defesa. PENALIDADE. PROVAS. SUBSUNÇÃO DOS FATOS À NORMA. É ônus da fiscalização instruir o lançamento com todos os elementos de prova dos fatos constituintes do direito da Fazenda. A caracterização da infração depende da subsunção dos fatos à norma legal, sem o que é impossibilitada a aplicação de penalidade. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Diante dessa decisão, cuja exoneração do sujeito passivo ultrapassou o limite de alçada, foi apresentado pela Turma Julgadora o competente recurso de ofício. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. Fl. 290DF CARF MF Processo nº 15165.722950/201225 Acórdão n.º 3201003.139 S3C2T1 Fl. 4 5 O recurso atende aos requisitos de admissibilidade, merecendo, por isto, ser conhecido. Extraise do relatório que embasou o lançamento é que existiu procedimento anterior que determinou a conclusão da existência de irregularidades nas operações de importação realizadas pela Recorrente. Estáse novamente às voltas com a discussão sobre o lançamento baseado em procedimento diverso, onde todas as conclusões e provas foram obtidas naquele procedimento, a chamada prova emprestada. A discussão vem sendo obra de diferentes autores, com a posição majoritária, que aceita estas provas, como meio probante, desde que obtida em processo lícito e ao qual foi permitida a ampla defesa. Neste sentido a lição de Paulo Celso Bonilha. "Em principio nada impede que se aplique ao processo administrativo tributário o instituto da prova emprestada. As partes podem produzir ou protestar pela produção de provas produzidas em outro processo, desde que, é obvio, guardem pertinência com os fatos cuja prova se pretenda oferecer. 1 No mesmo caminho, vem a posição de Humberto Teodoro Júnior que ao comentar os meios possíveis de prova, que não estão dentre aqueles arrolados no art. 332 do CPC, cita especialmente a prova por presunção e a prova emprestada. " Finalmente, entre os meios não previstos no Código, mas "moralmente legítimos", podem ser arrolados os clássicos indícios e presunções, bem como a prova emprestada, que vem a ser aquela produzida em outro processo, mas que tem relevância para o atual." 2 Portanto, não existe nenhum reparo na decisão da Fiscalização em utilizar fato obtido em processo diverso. Visto que as provas utilizadas, foram obtidas em processo administrativo regular e dentro das normas legais e as provas obtidas em processo por autoridade pública faz sim prova, mesmo que obtido em outro procedimento. No que tange a legalidade, não há como fugir da obrigação de que sendo o lançamento realizado em outro procedimento que não aquele que originou todos os procedimentos investigativos da receita, tratase de um novo procedimento, mesmo que podendo se utilizar da prova constante dos processos administrativos anteriores, não exime que o procedimento para formalização da exigência traga todas as provas, todas as conclusões e a autoridade que for responsável pela execução deste novo processo, de tirar as suas motivações, citando as provas obtidas. A prova, o fato obtido em outro procedimento em nada mácula o procedimento administrativo fiscal, o que não se aceita é o lançamento tributário a partir de conclusões obtidas em outro procedimento. Por fim, ao analisar a razão de decidir da DRJ na ausência de comprovação da importação irregular das mercadorias. Aqui vejo claramente o acerto na decisão da primeira instância. Realmente não existe nos autos nenhuma conclusão, fato ou documentação que comprove a existência de irregularidades na importação. Concluir que todas as importações realizadas são irregulares, unicamente lastreado no fato da inaptidão do CNPJ do importador e a partir dai decidir pela aplicação da pena de perdimento e posterior conversão em multa, não encontra guarida na melhor forma de constituição do lançamento tributário. A irregularidade no comércio exterior pode advir de duas situações muito claras. Irregularidade do operador ou da operação de importação em si, mas, em ambas é necessária a comprovação do fato, ou a utilização de presunções legais da ocorrência do ilícito, para somente então, considerar irregulares as operações realizadas. 1 Bonilha, Paulo Celso B. Da prova no processo administrativo tributário, Ed. LTr, São Paulo, 1992, p. 119. 2 Teodoro Júnior, Humberto. Curso de Direito Processual Civil, 41ª ed., São Paulo, Forense, 2004. Fl. 291DF CARF MF 6 Diante do exposto voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício. Winderley Morais Pereira Fl. 292DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10825.000379/00-45
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jan 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1997
PAF - PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL.
O Recurso Especial constitui remédio processual de cognição restrita à demonstração de divergência jurisprudencial, vedada a discussão acerca de matéria que, além de não haver sido prequestionada, aproveitaria à parte adversa.
SUJEIÇÃO PASSIVA. LANÇAMENTO EM NOME DO DE CUJUS. VALIDADE.
É válido o lançamento formalizado em nome do de cujus, nos casos em que o falecimento se dá após a ocorrência do fato gerador.
Numero da decisão: 9202-006.277
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer da arguição de decadência e prescrição apresentada de ofício pela relatora, vencida a conselheira Patrícia da Silva (relatora). Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, para afastar a nulidade, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para análise das demais questões postas no recurso voluntário, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva (relatora), Ana Paula Fernandes e Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), que lhe negaram provimento e o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior, que lhe deu provimento parcial. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Patrícia da Silva - Relatora
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Redatora Designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecilia Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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RECURSO ESPECIAL. O Recurso Especial constitui remédio processual de cognição restrita à demonstração de divergência jurisprudencial, vedada a discussão acerca de matéria que, além de não haver sido prequestionada, aproveitaria à parte adversa. SUJEIÇÃO PASSIVA. LANÇAMENTO EM NOME DO DE CUJUS. VALIDADE. É válido o lançamento formalizado em nome do de cujus, nos casos em que o falecimento se dá após a ocorrência do fato gerador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer da arguição de decadência e prescrição apresentada de ofício pela relatora, vencida a conselheira Patrícia da Silva (relatora). Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, para afastar a nulidade, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para análise das demais questões postas no recurso voluntário, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva (relatora), Ana Paula Fernandes e Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), que lhe negaram provimento e o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior, que lhe deu provimento parcial. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 00 03 79 /0 0- 45 Fl. 241DF CARF MF 2 Patrícia da Silva Relatora (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Redatora Designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecilia Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF, contra o Acórdão nº 2201001.611, de 16/05/2012, prolatado pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF (efls. 671/676), assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2006 Ementa: NULIDADE DO LANÇAMENTO. ILEGITIMIDADE PASSIVA. Por caracterizar erro na identificação do sujeito passivo, é improcedente o auto de infração lavrado em nome de contribuinte falecido, após encerrada a partilha. Recurso Voluntário Provido. O processo foi encaminhado à PGFN em 27/07/2012 (Despacho de Encaminhamento de efls. 678). De acordo com o disposto no art. 7º, §§ 3º e 5º, da Portaria MF nº 527, de 2010, a intimação presumida da Fazenda Nacional ocorre trinta dias após o referido encaminhamento. Em 30/08/2012, tempestivamente, foram opostos os Embargos de Declaração de efls. 679/681 (Despacho de Encaminhamento de efls. 682), os quais foram rejeitados por meio do Despacho de efls. 683/684. O processo foi novamente encaminhado à PGFN em 25/02/2013 (Despacho de Encaminhamento de efls. 686), desta vez para ciência da rejeição dos embargos, mais uma vez, aplicandose a supracitada regra para definição da ciência presumida da Fazenda Nacional. Em 11/03/2013, tempestivamente, foi interposto o Recurso Especial de efls. 687/693 (Despacho de Encaminhamento de efls. 694). O apelo suscita a seguinte matéria: natureza do vício, se formal ou material. Para demonstra a divergência, a Fazenda Nacional indica como paradigmas os acórdãos 30330.909 e 230201330, transcrevendo as respectivas ementas Fl. 242DF CARF MF Processo nº 10825.000379/0045 Acórdão n.º 9202006.277 CSRFT2 Fl. 242 3 Cientificado o contribuinte, apresentou tempestivamente contrarrazões, pugnando pelo não conhecimento do Recurso Especial, suscitando ausência de similitude fática. O lançamento foi julgado procedente por intermédio do acórdão de fls. 62/70 deste processo digital. Entenderam os julgadores da instância de piso que “A patologia acidente vascular cerebral com hemiplegia, identificada no laudo de fl. 07 apresentado pela contribuinte não está relacionada entre as moléstias do dispositivo transcrito, sendo que o Laudo não informa a data em que o contribuinte foi acometido pelo câncer de pulmão, permitindo seu reconhecimento apenas a partir da data de emissão do laudo (art. 5°, § 2° da IN SRF n° 15, de 06/02/2001), não se aproveitando ao ano calendário de 1997”. A multa por atraso na entrega da declaração foi mantida com fundamento no art. 88 da Lei nº 8.981/1995 e a multa de ofício com base no art. 44, I, da Lei nº 9.430/1996. Por intermédio do despacho de fl. 94 deste processo digital a DRF em Bauru negou seguimento ao recurso voluntário da Interessada, por falta do arrolamento de bens, intimandoa a quitar o débito no prazo de 30 dias. Em face da inércia da representante do contribuinte o processo foi encaminhado à Procuradoria Seccional da Fazenda Nacional – PSFN em Bauru, para inscrição em dívida ativa. Após a inscrição e o ajuizamento da execução fiscal, a Interessada arguiu exceção de préexecutividade (fls. 136/160) e a PSFN de Bauru requereu manifestação da DRF acerca da exigência fiscal em cobrança. Por meio de Despacho Decisório de fls. 170/174 a DRF Bauru anulou o despacho de não conhecimento do recurso. Em consequência, a inscrição em dívida ativa foi cancelada e o processo encaminhado a este Conselho para apreciação do recurso voluntário. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Patrícia da Silva Relatora Da questão de ordem pública Entendo haver necessidade desta instância, acatar a questão de ordem pública ligada a decadência. Conforme leciona Eurico de Santi em sua festejada obra “Decadência e Prescrição no Direito Tributário”: “No entanto, decadência e prescrição são, como diz PONTES DE MIRANDA, conceitos jurídicos positivos. Portanto, não podem reduzirse ou explicarse por plexos circunstanciais do mundo real e social, como o inexorável fluir do tempo ou a inércia daqueles que não exercem seus direitos (o que, aliás, é também um direito). No fundo, decadência e prescrição são Fl. 243DF CARF MF 4 formas extintivas de direitos subjetivos, que se diferenciam pelo caráter desses direitos. Contigências como a interrupção ou não do prazo que as configura ou da legitimidade ou não dos juízos para alegalas de ofício, são, para esse efeito, juridicamente irrelevantes: “prescrição ou decadência?”, pois, eis aí, uma falsa questão.” (DE SANTI : 2004, pp 39/40) Até porque, ante ao acórdão a quo, não havia interesse de recurso por parte do contribuinte, que tinha visto reconhecida a seu favor a declaração de nulidade do Auto de Infração. Assim, tendo em vista este fato, voto no sentido de não conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional acolhendo a preliminar de mérito considerando o prazo decadencial nos termos do artigo 150, § 4. do CTN. Na interposição do presente recurso, NÃO entendo cumpridos todos os pressupostos de admissibilidade. 1. paradigma: anacrônico IN malha ITR 2. Contribuições Sociais Vejamos do acórdão a quo: "a apresentar “Informe de Rendimentos do AnoCalendário 1997” por intermédio do Termo de Intimação Fiscal nº 195, datado de 25/08/1999 (fl. 32). Embora não conste do processo o Aviso de Recebimento – AR do TIF nº 195, a anotação feita no canto inferior esquerdo da resposta ao TIF nº 195 (fl. 30) dá conta de que em 04/10/1999 a Administração Tributária já tinha conhecimento do óbito do contribuinte fiscalizado, haja vista que a signatária do documento se identificou como viúva do Sr. Oswaldo Cruz, este posteriormente autuado. À evidência, o autuado não mais revestia, à época da lavratura do Auto de Infração (06.01.2000), a qualidade de contribuinte, haja vista que, naquela época, já se qualificava como “de cujus”, porquanto falecido em 30.01.1998 (Certidão de Óbito à fl. 12). Em outras palavras: a sujeição passiva, à época da lavratura do Auto de Infração, era do espólio ou do sucessor a qualquer título, dependendo apenas, respectivamente, de a constituição do crédito ser anterior ou posterior à partilha, nos termos do art. 131, II e III, do CTN, cujo teor assim soa: Art. 131. São pessoalmente responsáveis: (...) II o sucessor a qualquer título e o cônjuge meeiro, pelos tributos devidos pelo de cujus até a data da partilha ou adjudicação, limitada esta responsabilidade ao montante do quinhão do legado ou da meação; Fl. 244DF CARF MF Processo nº 10825.000379/0045 Acórdão n.º 9202006.277 CSRFT2 Fl. 243 5 III o espólio, pelos tributos devidos pelo de cujus até a data da abertura da sucessão. Nesse contexto, fica evidente a ilegitimidade passiva do autuado, impondose a nulidade do presente Auto de Infração. Assim tendo sido o lançamento feito contra o contribuinte falecido, o mesmo não pode subsistir por erro na identificação dos sujeitos passivo. Nesse caso, como já havia ocorrido a partilha, a responsabilidade não era mais do espólio, mas dos próprios sucessores, segundo o quinhão herdado. Acrescento, por oportuno, que no caso presente é de grande relevância a distinção entre vício formal e vício material para se dimensionar os diferentes efeitos que cada um deles pode acarretar sobre a obrigação tributária. No caso de vício formal, o prazo decadencial para a constituição de outro crédito tributário é restabelecido, passando a ser contado a partir da data da decisão definitiva que declarou a nulidade do lançamento, a teor do que dispõe o artigo 173, inciso II, do Código Tributário Nacional CTN. Já no caso de vício material, o prazo decadencial continua a ser contado da data da ocorrência do fato gerador do tributo (CTN, art. 150, § 4º) ou do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (CTN, art. 173, I). Assim, ocorrendo nulidade por vício material poderá o Fisco promover novo lançamento, corrigindo o vício incorrido, desde que dentro do prazo decadencial estipulado, sem o restabelecimento, in totum, do prazo que é concedido na hipótese de se tratar de nulidade por vício formal. No caso concreto, ocorreu um equívoco na identificação do sujeito passivo da obrigação tributária que levaram a Autoridade fiscal a constituir o crédito tributário, o que configura, a meu ver, vício material na feitura do ato de lançamento. O vício é material quando relacionado aos aspectos intrínsecos da hipótese de incidência tributária descritos no art. 142, caput, do CTN (aspecto material = identificação do fato gerador e determinação da matéria tributável, aspecto quantitativo = cálculo do montante do tributo devido e aspecto pessoal passivo = identificação do sujeito passivo). Na espécie, o defeito apresentado reveste a natureza de vício material. Diante do exposto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Fl. 245DF CARF MF 6 Voto Vencedor Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Redatora Designada Discordo do voto da Ilustre Conselheira Relatora, no que tange à arguição de decadência/prescrição, bem como quanto ao mérito. No que tange à arguição de decadência/prescrição, apresentada pela Relatora, não há como sequer conhecer da matéria, uma vez que se trata de Recurso Especial de Divergência, que constitui apelo de cognição restrita à demonstração de dissídio jurisprudencial em face da lei tributária. Nesse momento processual, não há que se falar em exame de novas questões, apresentadas posteriormente ao recurso, que inclusive foi interposto pela parte adversa a quem aproveitaria a arguição de decadência. Com efeito, o acolhimento de tal pretensão levaria a Câmara Superior de Recursos Fiscais a atuar como uma Terceira Instância, e não como a Instância apta a dirimir divergência jurisprudencial em face da legislação tributária, acerca daquilo que foi prequestionado, ou seja, que foi tratado no voto condutor do acórdão recorrido. Assim, a matéria a ser tratada no presente acórdão é aquela que obteve seguimento à Instância Especia nulidade do lançamento limitandose o objeto do julgamento àquilo que foi debatido no acórdão recorrido. Apenas a título de informação, ainda que se pudesse subverter os pressupostos do Recurso Especial e analisar matéria estranha ao apelo o que se admite apenas para argumentar não há como sequer cogitarse na ocorrência de decadência, quando o lançamento, levado a cabo no ano de 2000, é relativo a fato gerador ocorrido em 31/12/1997. Diante do exposto, não conheço da arguição de decadência/prescrição apresentada pela Relatora. Quanto ao mérito, a ciência do lançamento foi efetuada em 24/01/2000 (AR de fls. 20) e o Contribuinte havia falecido em 30/01/1998 (Certidão de Óbito de fls. 06). De plano, esclareçase que não consta dos autos que tenha havido comunicação do falecimento do Contribuinte à Receita Federal, antes do início da ação fiscal. Ademais, o endereço da Inventariante é o mesmo do Contribuinte e do Espólio. Registrese, por oportuno, que a Impugnação foi apresentada pela Representante do Espólio tempestivamente, acompanhada de farta documentação comprobatória, portanto não há que se falar em qualquer prejuízo porventura acarretado pela falta de menção, na Notificação de Lançamento, da expressão “Espólio”. No caso dos autos, o lançamento é relativo ao anocalendário de 1997, sendo que o óbito somente ocorreu em 30/01/1998 (Certidão de fls. 06). Assim, a responsabilidade pelo crédito tributário é, por determinação legal, do Espólio, ainda que o lançamento tenha sido constituído em nome do de cujus. O entendimento ora esposado encontra amparo na jurisprudência do CARF, conforme a seguir: “RESPONSABILIDADE POR SUCESSÃO. ESPÓLIO. Fl. 246DF CARF MF Processo nº 10825.000379/0045 Acórdão n.º 9202006.277 CSRFT2 Fl. 244 7 É válido o lançamento formalizado em nome do ‘de cujus’, depois da abertura da sucessão, quando esta se deu após da ocorrência do fato gerador. (Acórdão nº 220100.730 de 17/06/2010) Diante do exposto, não conheço da arguição de decadência/prescrição apresentada pela Relatora, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento, para afastar a nulidade do lançamento e determinar o retorno dos autos ao colegiado de origem, para análise das demais questões postas no Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 247DF CARF MF
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Numero do processo: 10920.721776/2012-81
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Nov 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009, 2010
ÁGIO INTERNO. IMPOSSIBILIDADE DE AMORTIZAÇÃO.
Inadmissível a formação de ágio por meio de operações realizadas dentro do grupo econômico.
PREMISSA. INSTITUTO JURÍDICO-TRIBUTÁRIO.
O conceito do ágio é disciplinado pelo art. 20 do Decreto-Lei nº 1.598, de 27/12/1977 e os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 10/12/1997, e trata-se de instituto jurídico-tributário, premissa para a sua análise sob uma perspectiva histórica e sistêmica.
APROVEITAMENTO DO ÁGIO. INVESTIDORA E INVESTIDA. EVENTOS. SEPARAÇÃO. UNIÃO.
São dois os eventos em que a investidora pode se aproveitar do ágio contabilizado: (1) a investidora deixa de ser a detentora do investimento, ao alienar a participação da pessoa jurídica adquirida com ágio; (2) a investidora e a investida transformam-se em uma só universalidade (em eventos de cisão, transformação e fusão).
DESPESAS. AMORTIZAÇÃO. ÁGIO.
A amortização, a qual se submete o ágio para o seu aproveitamento, constitui-se em espécie de gênero despesa, e, naturalmente, encontra-se submetida ao regramento geral das despesas disposto no art. 299 do RIR/99, submetendo-se aos testes de necessidade, usualidade e normalidade.
DESPESAS. FATOS ESPONTÂNEOS.
Não há norma de despesa que recepcione um situação criada artificialmente. As despesas devem decorrer de operações necessárias, normais, usuais da pessoa jurídica. Não há como estender os atributos de normalidade, ou usualidade, para despesas derivadas de operações atípicas, não consentâneas com uma regular operação econômica e financeira da pessoa jurídica.
CONDIÇÕES PARA AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. TESTES DE VERIFICAÇÃO.
A cognição para verificar se a amortização do ágio passa por verificar, primeiro, se os fatos se amoldam à hipótese de incidência dos arts. 385 e 386 do RIR/99, segundo, se requisitos de ordem formal estabelecidos encontram-se atendidos, como arquivamento da demonstração de rentabilidade futura do investimento e efetivo pagamento na aquisição, e, terceiro, se as condições do negócio atenderam os padrões normais de mercado, com atuação de agentes independentes e reorganizações societárias com substância econômica.
AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. INVESTIDOR E INVESTIDA. MESMA UNIVERSALIDADE.
Os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 10/12/1997 se dirigem às pessoas jurídicas (1) real sociedade investidora, aquela que efetivamente acreditou na mais valia do investimento, fez os estudos de rentabilidade futura, decidiu pela aquisição e desembolsou originariamente os recursos, e (2) pessoa jurídica investida. Deve-se consumar a confusão de patrimônio entre essas duas pessoas jurídicas, ou seja, o lucro e o investimento que lhe deu causa passam a se comunicar diretamente. Compartilhando do mesmo patrimônio a controladora e a controlada ou coligada, consolida-se cenário no qual os lucros auferidos pelo investimento passam a ser tributados precisamente pela pessoa jurídica que adquiriu o ativo com mais valia (ágio). Enfim, toma-se o momento em que o contribuinte aproveita-se da amortização do ágio, mediante ajustes na escrituração contábil e no LALUR, para se aperfeiçoar o lançamento fiscal com base no regime de tributação aplicável ao caso e estabelecer o termo inicial para contagem do prazo decadencial.
CSLL. DECORRÊNCIA.
Aplica-se à CSLL o decidido no IRPJ, vez que compartilham o mesmo suporte fático e matéria tributável.
MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. LEI. NOVA REDAÇÃO. FATOS GERADORES A PARTIR DE 2007.
Tratam os incisos I e II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 de suportes fáticos distintos e autônomos com diferenças claras na temporalidade da apuração, que tem por consequência a aplicação das penalidades sobre bases de cálculo diferentes. A multa de ofício aplica-se sobre o resultado apurado anualmente, cujo fato gerador aperfeiçoa-se ao final do ano-calendário, e a multa isolada sobre insuficiência de recolhimento de estimativa apurada conforme balancetes elaborados mês a mês ou ainda sobre base presumida de receita bruta mensal. O disposto na Súmula nº 105 do CARF aplica-se aos fatos geradores pretéritos ao ano de 2007, vez que sedimentada com precedentes da antiga redação do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, que foi alterada pela MP nº 351, de 22/01/2007, convertida na Lei nº 11.489, de 15/07/2007.
Numero da decisão: 9101-003.076
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, quanto (i) à alegação de legitimidade do uso de empresa veículo, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa (relatora), Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento; quanto (ii) ao ágio interno, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento e quanto (iii) à multa isolada concomitante com a multa de ofício (anos de 2007 a 2010), por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa (relatora), Luís Flávio Neto e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor, quanto à alegação de legitimidade do uso de empresa veículo e quanto à multa isolada concomitante com a multa de ofício (anos de 2007 a 2010), o conselheiro André Mendes de Moura.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rego - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Cristiane Silva Costa Relatora
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Leonardo de Andrade Couto (suplente convocado), Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rego (Presidente em exercício).
Nome do relator: CRISTIANE SILVA COSTA
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IMPOSSIBILIDADE DE AMORTIZAÇÃO. Inadmissível a formação de ágio por meio de operações realizadas dentro do grupo econômico. PREMISSA. INSTITUTO JURÍDICOTRIBUTÁRIO. O conceito do ágio é disciplinado pelo art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 27/12/1977 e os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 10/12/1997, e tratase de instituto jurídicotributário, premissa para a sua análise sob uma perspectiva histórica e sistêmica. APROVEITAMENTO DO ÁGIO. INVESTIDORA E INVESTIDA. EVENTOS. SEPARAÇÃO. UNIÃO. São dois os eventos em que a investidora pode se aproveitar do ágio contabilizado: (1) a investidora deixa de ser a detentora do investimento, ao alienar a participação da pessoa jurídica adquirida com ágio; (2) a investidora e a investida transformamse em uma só universalidade (em eventos de cisão, transformação e fusão). DESPESAS. AMORTIZAÇÃO. ÁGIO. A amortização, a qual se submete o ágio para o seu aproveitamento, constituise em espécie de gênero despesa, e, naturalmente, encontrase submetida ao regramento geral das despesas disposto no art. 299 do RIR/99, submetendose aos testes de necessidade, usualidade e normalidade. DESPESAS. FATOS ESPONTÂNEOS. Não há norma de despesa que recepcione um situação criada artificialmente. As despesas devem decorrer de operações necessárias, normais, usuais da pessoa jurídica. Não há como estender os atributos de normalidade, ou AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 72 17 76 /2 01 2- 81 Fl. 5618DF CARF MF Processo nº 10920.721776/201281 Acórdão n.º 9101003.076 CSRFT1 Fl. 5.619 2 usualidade, para despesas derivadas de operações atípicas, não consentâneas com uma regular operação econômica e financeira da pessoa jurídica. CONDIÇÕES PARA AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. TESTES DE VERIFICAÇÃO. A cognição para verificar se a amortização do ágio passa por verificar, primeiro, se os fatos se amoldam à hipótese de incidência dos arts. 385 e 386 do RIR/99, segundo, se requisitos de ordem formal estabelecidos encontram se atendidos, como arquivamento da demonstração de rentabilidade futura do investimento e efetivo pagamento na aquisição, e, terceiro, se as condições do negócio atenderam os padrões normais de mercado, com atuação de agentes independentes e reorganizações societárias com substância econômica. AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. INVESTIDOR E INVESTIDA. MESMA UNIVERSALIDADE. Os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 10/12/1997 se dirigem às pessoas jurídicas (1) real sociedade investidora, aquela que efetivamente acreditou na mais valia do investimento, fez os estudos de rentabilidade futura, decidiu pela aquisição e desembolsou originariamente os recursos, e (2) pessoa jurídica investida. Devese consumar a confusão de patrimônio entre essas duas pessoas jurídicas, ou seja, o lucro e o investimento que lhe deu causa passam a se comunicar diretamente. Compartilhando do mesmo patrimônio a controladora e a controlada ou coligada, consolidase cenário no qual os lucros auferidos pelo investimento passam a ser tributados precisamente pela pessoa jurídica que adquiriu o ativo com mais valia (ágio). Enfim, tomase o momento em que o contribuinte aproveitase da amortização do ágio, mediante ajustes na escrituração contábil e no LALUR, para se aperfeiçoar o lançamento fiscal com base no regime de tributação aplicável ao caso e estabelecer o termo inicial para contagem do prazo decadencial. CSLL. DECORRÊNCIA. Aplicase à CSLL o decidido no IRPJ, vez que compartilham o mesmo suporte fático e matéria tributável. MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. LEI. NOVA REDAÇÃO. FATOS GERADORES A PARTIR DE 2007. Tratam os incisos I e II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 de suportes fáticos distintos e autônomos com diferenças claras na temporalidade da apuração, que tem por consequência a aplicação das penalidades sobre bases de cálculo diferentes. A multa de ofício aplicase sobre o resultado apurado anualmente, cujo fato gerador aperfeiçoase ao final do anocalendário, e a multa isolada sobre insuficiência de recolhimento de estimativa apurada conforme balancetes elaborados mês a mês ou ainda sobre base presumida de receita bruta mensal. O disposto na Súmula nº 105 do CARF aplicase aos fatos geradores pretéritos ao ano de 2007, vez que sedimentada com precedentes da antiga redação do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, que foi alterada pela MP nº 351, de 22/01/2007, convertida na Lei nº 11.489, de 15/07/2007. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 5619DF CARF MF Processo nº 10920.721776/201281 Acórdão n.º 9101003.076 CSRFT1 Fl. 5.620 3 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, quanto (i) à alegação de legitimidade do uso de empresa veículo, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa (relatora), Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento; quanto (ii) ao ágio interno, por maioria de votos, em negar lhe provimento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento e quanto (iii) à multa isolada concomitante com a multa de ofício (anos de 2007 a 2010), por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa (relatora), Luís Flávio Neto e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor, quanto à alegação de legitimidade do uso de empresa veículo e quanto à multa isolada concomitante com a multa de ofício (anos de 2007 a 2010), o conselheiro André Mendes de Moura. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rego Presidente em exercício (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa – Relatora (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Leonardo de Andrade Couto (suplente convocado), Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rego (Presidente em exercício). Relatório Tratase de processo originado por Autos de Infração de IRPJ e CSLL, quanto aos anoscalendário de 2007 a 2010, sendo aplicada multa de 75%, além de multa exigida isoladamente sobre estimativas mensais destes tributos (fls. 1.342/1.391). Consta do Termo de Verificação Fiscal 3.1 – Glosa de despesas de amortização de ágio interno Entre os dias 14 e 28 de dezembro de 2004, a empresa TERLOGS TERMINAL MARÍTIMO LTDA (...) procedeu a operações de reorganização societária cujo fim último, senão único, era suprimir fatos geradores do IRPJ e da CSLL. Fl. 5620DF CARF MF Processo nº 10920.721776/201281 Acórdão n.º 9101003.076 CSRFT1 Fl. 5.621 4 Na seqüência de tais eventos, num curto espaço de tempo, propiciou à empresas fiscalizada a escrituração de "ágio na aquisição de investimento", que, a partir de janeiro de 2005, resultou na contabilização de elevadas despesas de amortização. A reorganização societária envolve três empresas: TERLOGS TERMINAL MARÍTIMO LTDA (...), doravante denominada TERLOGS; SOGO SOUTHOCEAN GRAOS E ÓLEOS COMÉRCIO EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO LTDA (atual SOGO SOUTHOCEAN S/A GRÃOS E ÓLEOS COMÉRCIO EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO) (...),doravante denominada SOGO SOUTHOCEAN e SOGO INVESTIMENTOS LTDA. (...), doravante denominada SOGO INVESTIMENTOS (...) 3.1.1 – Alterações ocorridas na sociedade TERLOGS Conforme cláusula segunda da 6ª alteração contratual da TERLOGS, fls. 60 a 63, de 28 de julho de 2004, registrada na JUCESC em 21 de dezembro de 2004, a empresa possuía, então, capital social no valor de R$ 37.580.00,00, distribuído da seguinte forma: Sócio Cotas Valor Percentual Sogo Southocean Grãos e Óleos Com. Exp. e Imp. Ltda. 2.800 R$ 28.000.00,00 74,50% ALL – América Latina Logística S/A 958 R$ 9.580.000,00 25,50% Total 3.758 R$ 37.580.000,00 100,00% Na 7ª alteração do contrato social, fls. 64 a 68, de 16 de dezembro de 2004, registrada na JUCESC em 21 de dezembro de 2004, constam as seguintes alterações no quadro societário: Cláusula primeira: a sócia cotista SOGO SOUTHOCEAN transfere 01 (uma quota) de sua propriedade para FRANCISCO CARLOS RAMOS (...); Cláusula segunda: a sócia cotista ALL – AMÉRICA LATINA LOGÍSTICA S.A. retirase da sociedade, cedendo e transferindo a totalidade das 958 (novecentos e cinquenta e oito) cotas de sua propriedade para a SOGO SOUTHOCEAN Quadro societário da TERLOGS, em 16/12/2004, após a 7ª alteração contratual. Sócio Cotas Valor Percentual Sogo Southocean Grãos e Óleos Com. Exp. e Imp. 3.757 R$ 37.570.000,00 99,97% Fl. 5621DF CARF MF Processo nº 10920.721776/201281 Acórdão n.º 9101003.076 CSRFT1 Fl. 5.622 5 Ltda. Francisco Carlos Ramos 1 R$ 10.000,00 0,03% Total 3.758 R$ 37.580.000,00 100,00% Também segundo a cláusula quinta da 7ª alteração contratual, o Sr. FRANCISCO CARLOS RAMOS (....) passa a integrar o Conselho de Administração da TERLOGS. Cabe observar que o Sr. FRANCISCO CARLOS RAMOS, era também sócio da SOGO SOUTHOCEAN, conforme extrato do sistema CNPJ, e representoua na qualidade de seu administrador na 7ª alteração contratual da TERLOGS. Na mesma data da 7ª alteração contratual, 16 de dezembro de 2004, foi formalizada a 8ª alteração do contrato social da TERLOGS, fls. 69 a 73, na qual, segundo o item 1.2, a SOGO SOUTHOCEAN transfere para a empresa SOGO INVESTIMENTOS as 958 (novecentos e cinquenta e oito) cotas que adquirira da exsócia ALL AMÉRCIA LATINA LOGÍSTICA. Quadro societário da TERLOGS, em 16/12/2004, após a 8ª alteração contratual. Sócio Cotas Valor Percentual Sogo Southocean Grãos e Óleos Com. Exp. e Imp. Ltda. 2.799 R$ 27.990.000,00 74,48 Sogo Investimentos Ltda. 958 R$ 9.580.000,00 25,49% Francisco Carlos Ramos 1 R$ 10.000,00 0,03% Total 3.758 R$ 37.580.000,00 100,00% A 9ª alteração contratual da TERLOGS, fls. 74 a 78, lavrada em 23 de dezembro de 2004, registra a retirada da sua controladora, SOGO SOUTHOCEAN, com a transferência feita por esta do restante das suas cotas para a SOGO INVESTIMENTOS. Quadro societário da TERLOGS, em 23/12/2004, após a 9ª alteração contratual. Sócio Cotas Valor Percentual Sogo Investimentos. Ltda. 3.757 R$ 37.570.000,00 99,97% Francisco Carlos Ramos 1 R$ 10.000,00 0,03% Total 3.758 R$ 37.580.000,00 100,00% Dessa forma, a SOGO INVESTIMENTOS passa a ser sócia “controladora” da TERLOGS em lugar da empresa SOGO SOUTHOCEAN. Fl. 5622DF CARF MF Processo nº 10920.721776/201281 Acórdão n.º 9101003.076 CSRFT1 Fl. 5.623 6 A saída da SOGO SOUTHOCEAN do quadro societário da TERLOGS com a transferência das cotas à SOGO INVESTIMENTOS, conforme as 8ª e 9ª alterações contratuais acima mencionadas, estão vinculadas ao ingresso da empresa SOGO SOUTHOCEN na sociedade SOGO INVESTIMENTOS, conforme descrito no item 3.1.2. Com a incorporação, após apenas cinco dias da sua saída, a SOGO SOUTHOCEAN ingressa no quadro societário da TERLOGS, retornando à configuração societária anterior. Quadro societário da TERLOGS, em 28/12/2004, após a 10ª alteração contratual. Sócio Cotas Valor Percentual Sogo Southocean Grãos e Óleos Com. Exp. e Imp. Ltda. 127.579.700 R$ 127.579.700,00 99,99% Francisco Carlos Ramos 10.300 R$ 10.300,00 0,01% Total 127.590.000 R$ 127.590.000,00 100,00% Como consequência de tal reestruturação societária, restou o surgimento do ágio e a dedução posterior de sua amortização por parte da empresa fiscalizada. 3.1.2 – Alterações ocorridas na sociedade SOGO INVESTIMENTOS: A SOGO INVESTIMENTOS LTDA. (...) foi constituída em 16 de fevereiro de 2004, com início de atividades em 01 de março de 2004, com a razão social BONILHA & CUNHA COMÉRCIO DE PEÇAS E EQUIPAMENTOS MÉDICOS ODONTOLÓGICOS LTDA, tinha como objeto social o ramo de comércio varejista de peças e equipamentos médicos odontológicos e sede na Rua Blumenau (...), e, Joinville (...) Quadro societário da SOGO INVESTIMENTO até 14/12/2004 Sócio Cotas Valor Percentual José Giovane Alves Bonilha 2.700 R$ 2.700,00 90% Franklin Pepe da Cunha 300 R$ 300 10% Total 3.000 R$ 3.000,00 100,00% Conforme a 1ª alteração contratual, de 14 de dezembro de 2004, registrada na JUCESC em 28 de janeiro de 2005, fls. 537 a 553, ingressaram na sociedade a SOGO SOUTHOCEAN e o Sr. FRANCISCO CARLOS RAMOS, mediante a transferência de 2.700 cotas, no valor de R$ 2700,00, e 300 cotas, no valor de R$ 300,00, pelos sócios anteriores JOSÉ GIOVANE ALVES BONILHA e FRANKLIN PEPE DA CUNHA, respectivamente. Fl. 5623DF CARF MF Processo nº 10920.721776/201281 Acórdão n.º 9101003.076 CSRFT1 Fl. 5.624 7 Quadro societário da SOGO INVESTIMENTO, após a 1ª alteração contratual Sócio Cotas Valor Percentual Sogo Southocean Grãos e Óleos Com. Exp. e Imp. Ltda. 2.700 R$ 2.700,00 90% Francisco Carlos Ramos 300 R$ 300 10% Total 3.000 R$ 3.000,00 100,00% (...) A partir dessa alteração contratual, a empresa SOGO INVESTIMENTOS também passa a ser administrada pelo Sr. FRANCISCO CARLOS RAMOS (cláusula IV), sócio da SOGO SOUTHOCEAN (...) Nos termos da cláusula I da 2ª alteração contratual, lavrada em 16 de dezembro de 2004 e registrada em 28 de janeiro de 2005, fls. 554 a 556, o capital social da SOGO INVESTIMENTOS foi aumentado da seguinte forma: I – Aumento do Capital Social 1. os sócios resolvem aumentar o capital da sociedade (...) para R$ 52.003.000,00 (...) mediante a conferência de 958 (...) quotas de emissão da empresa TERLOGS TERMINAL MARÍTIMO (...), as quais são de propriedade da sócia SOGO SOUTHOCEAN GRÃOS E ÓLEOS COMÉRCIO EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO LTDA, e estão totalmente integralizadas (...) 1.1 O valor de transferência das 958 (...) quotas ora conferidas ao capital social da Sociedade, de R$ 52.000.000,00 (...), correspondente ao valor do exercício de opção de compra das cotas pertencentes a exsócia ALL – AMÉRICA LATINA LOGÍSTICA S.A., na TERLOGS TERMINAL MARÍTIMO LTDA., conforme acordo de preferência no exercício de opção de compra firmado entre os sócios quotistas. Em 23 de dezembro de 2004, o capital social da SOGO INVESTIMENTOS foi aumentado em R$ 75.580.000,00, conforme cláusula I da 3ª alteração contratual, registrada em 28 de janeiro de 2005, fls. 557 a 559: I – Aumento do Capital Social 1. Os sócios resolvem aumentar o capital social da sociedade, que passará de 52.00,.000,00 (...), para R$ 127.583.000,00 (...), mediante a conferência de 2.799 (...) quotas de emissão da empresa TERLOGS TERMINAL MARÍTIMO LTDA. (...) as quais são de propriedade da sócia SOGO SOUTHOCEAN GRÃOS E ÓLEOS COMÉRCIO EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO LTDA., e estão totalmente integralizadas, totalizando o presente aumento de R$ 75.580.000,00 (...) Fl. 5624DF CARF MF Processo nº 10920.721776/201281 Acórdão n.º 9101003.076 CSRFT1 Fl. 5.625 8 Dessa forma, temos que o capital social da empresa SOGO INVESTIMENTOS, após a 2ª e 3ª alterações contratuais, saltou de R$ 3.000,00 para R$ 127.583.000,00, conforme abaixo demonstrado, sendo que a variação de R$ 127.580.000,00 é representada por 3.757 cotas da TERLOGS. Quadro societário da SOGO INVESTIMENTO, após a 2ª alteração contratual Sócio Cotas Valor Percentual Sogo Southocean Grãos e Óleos Com. Exp. e Imp. Ltda. 52.002.700 R$ 52.002.700,00 99,9994% Francisco Carlos Ramos 300 R$ 300 0,0006% Total 52.003.000 R$ 52.003.000,00 100,00% Quadro societário da SOGO INVESTIMENTO, após a 3ª alteração contratual Sócio Cotas Valor Percentual Sogo Southocean Grãos e Óleos Com. Exp. e Imp. Ltda. 127.582.700 R$ 52.002.700,00 99,9998% Francisco Carlos Ramos 300 R$ 300 0,0002% Total 127.583.000 R$ 127.583.000,00 100,00% (...) Em 28 de dezembro de 2004, a SOGO INVESTIMENTOS foi incorporada pela TERLOGS, conforme documento às fls. 613 a 617, 619 a 624, 762 a 764. 3.1.3 – Ágio considerado nas operações societárias: (...) Há que se chamar a atenção o fato de os lançamentos contábeis relativos à transferência das 2.799 das cotas do capital social da TERLOGS para SOGO SOUTHOCENA à SOGO INVESTIMENTOS terem sido efetuados na data de 16 de dezembro de 2004, apesar de a 3ª alteração contratual da SOGO INVESTIMENTOS (fls. 557 a 559) e a 9ª alteração contratual da TERLOGS registrarem que o fato ocorreu em 23 de dezembro de 2004 (fls. 74 a 78). (...) Portanto, vemos que na operação de integralização de capital da SOGO INVESTIMENTOS pela SOGO SOUTHOCEAN, com quotas da TERLOGS, a diferença entre o aumento de capital e o valor contabilizado na participação societária foi contabilizada como ágio pela SOGO INVESTIMENTOS, conforme abaixo demonstrado: Descrição Valor calculado pela equivalência Valor da transferência / incorporado ao Ágio registrado na Fl. 5625DF CARF MF Processo nº 10920.721776/201281 Acórdão n.º 9101003.076 CSRFT1 Fl. 5.626 9 patrimonial Capital Social da SOGO INVEST operação Transferência de 958 cotas do capital social da Terlogs da Sogo Southocean para Sogo Inv 8.938.965,44 52.000.000,00 43.061.034, 56 Transferência de 2.799 cotas do capital social da Terlogs da Sogo Southocean para Sogo Inv 26.117.081,70 75.580.000,00 49.462.918,30 Total Convém lembrar que o pagamento na aquisição das 958 cotas da TERLOGS que pertenciam à ALL AMÉRICA LATINA LOGÍSTICA S.A., no valor de R$ 52.000.000,00, superior ao valor patrimonial das cotas, foi efetuado pela SOGO SOUTHOCEAN e não pela TERLOGS que registrou valor de R$ 43.061.034,56 como ágio e vem utilizando como despesa dedutível. Além disso, a falta de independência entre as empresas envolvidas (SOGO SOUTHOCEAN, SOGO INVESTIMENTOS e TERLOGS) também impediria o reconhecimento do valor do ágio, mormente se reduziu o resultado da própria sociedade sobre a qual foi constituído (“ágio de si mesmo”). (..) Em relação à integralização no capital social da SOGO INVESTIMENTOS pela SOGO SOUTHOCEAN mediante a transferência das 2.799 cotas que seta possuía na TERLOGS, tanto a cláusula 1.1 da alteração contratual da SOGO INVESTIMENTOS, fls. 557 a 559, quanto a cláusula 1.3 da 9ª alteração contratual da TERLOGS, fls,. 74 a 78, informam que o valor considerado de R$ 75.580.000,00 corresponde ao valor proporcional de mercado da TERLOGS, conforme laudo pericial de avaliação (...). 3.1.5. Da Glosa das Despesas de Amortização do Ágio (...) Nesse contexto, qual seria o papel de SOGO INVESTIMENTOS? Marco Aurélio Grecco cita situações que são perfeitamente aplicáveis ao caso sob exame. Uma delas é a que se chama de 'empresa de passagem', que vem a ser uma pessoa jurídica criada apenas para servir de canal de passagem de um patrimônio ou de dinheiro sem que tenha efetivamente outra função dentro do contexto. (...) SOGO INVESTIMENTOS se enquadra, perfeitamente, nessas situações, uma vez que teve como finalidade unicamente transferir o ágio à TERLOGS. (...) Na legislação tributária, o ágio gerado em investimentos avaliados pelo patrimônio líquido é tratado pelos artigos 385, Fl. 5626DF CARF MF Processo nº 10920.721776/201281 Acórdão n.º 9101003.076 CSRFT1 Fl. 5.627 10 386 e 391 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99) (...) Portanto, os pressupostos legais do ágio são a aquisição de participação societária e que o ágio tenha fundamento econômico. Entretanto, o reconhecimento de um ágio gerado dentro de um mesmo grupo econômico não encontra respaldo na Contabilidade, ou seja, não é possível reconhecer contabilmente, uma maisvalia de um investimento quando originado de uma transação entre partes relacionadas, tal como no presente caso, uma vez que o bloco de controle de ambas as empresas era praticamente coincidente, na medida em que, na data da incorporação, os sócios da empresa SOGO INVESTIMENTOS, eram a empresa SOGO SOUTHOCEAN, com 99,99%, e o Sr. FRANCISCO CARLOS RAMOS, com 0,01% do capital social, e da TERLOGS eram a própria incorporada (SOGO INVESTIMENTOS), com 99,97% e o Sr. FRANCISCO CARLOS RAMOS, com 0,03% do capital social. (...) Portanto, se o ágio intragrupo não é reconhecido pela lei societária e pela Contabilidade, também não o será pela lei tributária, por força do disposto nos artigos 247 do RIR/1999 E 274 da Lei Nº 6.404/1976. (...) Além disso, foi verificado que a contribuinte controlava na parte B do Livro de Apuração do Lucro Real Lalur nº 6, referente ao anocalendário 2007, prejuízos fiscais e base de cálculo negativa da CSLL dos anos de 2003 a 2006 (...) Sendo assim, com a adição dos valores das despesas com ágio obtêmse valores de Lucro Real e Base de Cálculo positiva da CSLL, diferentemente do Prejuízo Fiscal e Base de Cálculo negativa da CSLL apurados pela contribuinte. (...) O contribuinte apresentou Impugnação Administrativa, decidindo a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte pela manutenção parcial dos lançamentos apenas com a redução da multa isolada lançada sobre estimativas mensais de IRPJ e CSLL, conforme acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010 ÁGIO FUNDAMENTADO EM EXPECTATIVA DE RESULTADOS FUTUROS DEDUTIBILIDADE DA AMORTIZAÇÃO A pessoa jurídica que, em virtude de incorporação reversa, absorver patrimônio de sua controladora, a qual tinha desdobrado o valor da participação em seu capital em valor patrimonial e em ágio, somente poderá deduzir a despesa com a amortização desse ágio se observadas as seguintes condições: expectativa de resultados futuros como exclusivo fundamento Fl. 5627DF CARF MF Processo nº 10920.721776/201281 Acórdão n.º 9101003.076 CSRFT1 Fl. 5.628 11 econômico do ágio; existência de substância econômica e propósito negocial nas operações de reorganização societária; independência entre si e possibilidade de livre negociação quanto a todas as pessoas jurídicas envolvidas na operação; ônus efetivo na aquisição do ágio para a pessoa jurídica que o registrar em sua contabilidade e cujo patrimônio for absorvido; reunião numa só pessoa jurídica do patrimônio que tiver sofrido o encargo do ágio e o patrimônio que presumivelmente gerará os lucros que justificaram o seu pagamento. FALTA DE PAGAMENTO DE ANTECIPAÇÃO MENSAL Verificada a falta de pagamento de antecipação mensal por estimativa cabe exigir a multa isolada, que incidirá sobre o valor não recolhido. LANÇAMENTO DECORRENTE CSLL O decidido para o lançamento de IRPJ estendese ao lançamento que com ele compartilha o mesmo fundamento factual e para os quais não há nenhuma razão de ordem jurídica que lhe recomende tratamento diverso. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A contribuinte apresentou recurso voluntário, ao qual foi dado parcial provimento pela 2 Turma Ordinária da 4ª Câmara da Primeira Seção deste Conselho, para “restabelecer o prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da CSLL apurados nos anos calendário de 2005 e 2006 e considerálos na apuração do IRPJ, da CSLL e respectivas multas isoladas nos anoscalendário de 2009 e 2010”. Destaco a ementa do acórdão: conforme acórdão do qual se extrai a ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010 DECADÊNCIA. AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. TERMO INICIAL. Em relação à decadência, a contagem do prazo deve ter como base a data a partir da qual o Fisco poderia efetuar o lançamento, ou seja, a data do fato gerador da obrigação. Sob essa ótica, para efeito de tributação da amortização indevida do ágio, a simples apuração desse ágio não dá azo a qualquer infração a qual só poderia, eventualmente, caracterizarse quando da amortização. Isso porque o valor amortizado é despesa que reduz o resultado tributável gerando, quando indevida, a infração passível de lançamento. DECADÊNCIA. PREJUÍZO FISCAL E BASE DE CÁLCULO NEGATIVA APURADOS EM PERÍODOS ATINGIDOS PELA CADUCIDADE. Fl. 5628DF CARF MF Processo nº 10920.721776/201281 Acórdão n.º 9101003.076 CSRFT1 Fl. 5.629 12 Nos termos do art. 37, da Lei nº 9.430/96, a Fiscalização pode solicitar documentos e esclarecimentos quanto a fatos ocorridos em períodos atingidos pela decadência desde que tenham impacto na apuração da exigência em anoscalendário ainda não caducos. Entretanto, a decadência impede que o Fisco altere o resultado daqueles períodos, mesmo que apenas no intuito de avaliar os efeitos posteriores e ainda que sem formalizar a exigência respectiva. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário:2007, 2008, 2009, 2010 DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. EMPRESAS DE MESMO GRUPO ECONÔMICO. INDEDUTIBILIDADE. Incabível a formalização do ágio como decorrência de operação societária realizada entre empresas de mesmo grupo econômico, pela inexistência da contrapartida do terceiro que gere o efetivo dispêndio. DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. UTILIZAÇÃO DE EMPRESA VEÍCULO. Não há como aceitar a dedução do ágio com utilização de empresa veículo, quando o procedimento do sujeito passivo não se reveste de propósito negocial mas revela objetivo exclusivamente tributário. INSUFICIÊNCIA NO RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. MULTA ISOLADA. A partir das alterações no art. 44, da Lei nº 9.430/96, trazidas pela Lei nº 11.488/2007, em função de expressa previsão legal deve ser aplicada a multa isolada sobre os pagamentos que deixaram de ser realizados concernentes ao imposto de renda a título de estimativa, seja qual for o resultado apurado no ajuste final do período de apuração e independentemente da imputação da multa de ofício exigida em conjunto com o tributo. MULTA DE OFÍCIO. NATUREZA CONFISCATÓRIA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2) ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010 CSLL. LANÇAMENTO REFLEXO. Aplicase ao lançamento reflexo, o resultado do julgamento no processo tido como principal. Sobreleva trazer à colação trechos do voto do Relator, Conselheiro Leonardo Couto, acompanhado pelo Colegiado: Fl. 5629DF CARF MF Processo nº 10920.721776/201281 Acórdão n.º 9101003.076 CSRFT1 Fl. 5.630 13 3) Decadência – Alteração no saldo de prejuízos fiscais e de base de cálculo negativo da CSLL em anos anteriores: Por outro lado, em coerência lógica, os períodos de apuração em que ocorreu a amortização supostamente indevida de ágio – e portanto fato gerador do IRPJ e da CSLL pela dedução indevida – sujeitamse ao prazo decadencial. Nesse caso, com ciência da autuação em 28/05/2012, para apuração anual estariam decaídos os anoscalendário de 2005 (termo final: 02/01/2011) e 2006 (termo final: 02/01/2012). Em relação a esses períodos o resultado do ajuste não poderia mais ser alterado, o que implicaria na impossibilidade de glosar a amortização indevida do ágio. É irrelevante que a Fiscalização se abstenha de constituir o crédito tributário. Sendo assim, voto por restabelecer os saldos de prejuízos fiscais e de base de cálculo negativa da CSLL nos anos calendários de 2005 e 2006. (...) Com o restabelecimento dos saldos de prejuízos fiscais e de base de cálculo negativa da CSLL nos anoscalendário de 2005 e 2006, cabe o recálculo do IRPJ e da CSLL nos anoscalendário de 2009 e 2010 com dedução daqueles valores, respeitado o limite legal. (...) 4) Amortização do ágio: A reorganização societária abrangeu várias operações conexas. Em termos de geração de ágio, foram duas: 1) Nos termos da cláusula I da 2ª alteração contratual, lavrada em 16/12/2004, fls. 554 a 556, o capital social da Sogo Investimentos foi aumentado. Passou de R$ 3.000,00 para R$ 52.003.000,00 mediante a conferência de 958 quotas de emissão da Terlogs, as quais eram de propriedade da sócia Sogo Southocean, totalizando o aumento R$ 52.000.000,00, dividido em 52.000.000 quotas, no valor de R$ 1,00 cada uma, totalmente integralizado no ato. O valor da transferência das 958 quotas, de R$ 52.000.000,00, corresponde ao valor do exercício de opção de compra das cotas pertencentes a exsócia ALL, na Terlogs, conforme acordo de preferência no exercício de opção de compra firmado entre os sócios cotistas; e: 2) Em 23/12/004, o capital social da Sogo Investimentos foi aumentado em R$ 75.580.000,00, conforme cláusula I da 3ª alteração contratual, registrada em 28 de janeiro de 2005, fls. 557 a 559. Passou de 52.003.000,00, para R$ 127.583.000,00, mediante a conferência de 2.799 quotas de emissão da Terlogs, as quais são de propriedade da sócia Sogo Southocean e estão totalmente integralizadas. O aumento de R$ 75.580.000,00 foi dividido em 75.580.000 quotas, no valor de R$ 1,00 cada uma, totalmente integralizado no ato No mérito, importa ressaltar de imediato que, no que se refere à amortização de ágio, a regra geral é a indedutibilidade dos Fl. 5630DF CARF MF Processo nº 10920.721776/201281 Acórdão n.º 9101003.076 CSRFT1 Fl. 5.631 14 valores. Além disso, devese ter em mente que, no moldes definidos pela legislação (art. 7º, da Lei nº 9.532/97), a eventual dedutibilidade do ágio incorrido deve beneficiar aquele que efetivamente incorreu no ônus. A partir dessa premissa registre se que, para fins de dedução das despesas com ágio, são questões básicas a serem verificadas, ainda que outras possam se tornar relevantes: a independência entre as partes, existência de ônus em sentido estrito e ausência de empresas veículo ou de prateleira com fins exclusivamente tributários. Em relação à operação mencionada no item 1, não houve questionamento em relação à independência entre as partes no que se refere à operação que gerou o ágio, ou seja entre a Sogo Southocean e a ALL. O efetivo dispêndio também ocorreu, com a ressalva de que o ônus foi da Sogo Southocean e não da Sogo Investimentos, muito menos da interessada. No que se refere à utilização de empresa veículo, é fato que merece análise específica. Pelo exame dos autos constatase que a Sogo Investimentos caracterizase plenamente como empresa veículo, cujo único objeto real foi possibilitar o benefício da amortização do ágio para a recorrente através de sucessivas operações societárias descritas pormenorizadamente no Termo de Verificação. A utilização da empresa veículo é fato que isoladamente não seria motivo suficiente para descaracterizar os efeitos da operação quanto à geração do ágio. Entretanto, na presente situação entendo que o procedimento do sujeito passivo nos moldes realizados teve como escopo o contorno da legislação que trata da matéria no que se refere fundamentalmente às circunstâncias que, em ocorrendo, permitam a amortização do ágio. Quem efetivamente adquiriu as 958 cotas da Terlogs junto à ALL foi a Sogo Southocean. Em tese, ocorreria o permissivo legal para dedução do ágio caso a Sogo Southocean tivesse incorporado a Terlogs ou viceversa. Ao que tudo indica, tal procedimento não seria de interesse dos envolvidos. Conforme aduzido pela defesa, havia a preocupação de não transferir à Terlogs algumas questões próprias da Sogo Southocean, como as suas dívidas e o intricado relacionamento entre os seus sócios. Ainda que não tenha sido feito um procedimento de verificação quanto a essas alegações fato é que, com base nelas, tornouse impossível a caracterização da condição sine qua non para amortização do ágio: a confusão patrimonial entre investidora e investida. Daí porque entendo que foi criada uma artificialidade para contornar a legislação que, repitase, tem como regra a indedutibilidade do ágio. (...) Fl. 5631DF CARF MF Processo nº 10920.721776/201281 Acórdão n.º 9101003.076 CSRFT1 Fl. 5.632 15 Do exposto, voto por negar provimento ao recurso quanto ao ágio de que trata o item 1. No segundo caso, não houve qualquer desembolso, o que foi reconhecido pela recorrente. Descumpriuse portanto a premissa básica do ônus em sentido estrito. Registrese que o cerne da questão é a ocorrência de dispêndio para obter algo de terceiros, que não pertença ao adquirente, de forma a definir a aquisição. É inquestionável que o termo aquisição pode ter uma extensa gama de significados. Existem várias formas através das quais um bem ou direito muda de propriedade, com utilização de diferentes mecanismos voltados ao cumprimento das condições necessárias ao aperfeiçoamento do negócio jurídico. Entretanto, nessas situações sempre ocorre a presença do terceiro como contraparte, circunstância essa inexistente no caso sob exame. As empresas participantes das operações sob exame pertenciam ao mesmo grupo econômico e eram controladas pelas mesmas pessoas. Como aceitar que uma operação societária entre elas possa gerar os mesmos efeitos que aquela efetuada entre terceiros não relacionados? No que se refere ao propósito negocial e aos fundamentos econômicos da operação, devese salientar que o procedimento fiscal analisou essas questões com escopo nos aspectos intermediários que implicaram na formalização de um ágio que se provou inexistente, concretizado exclusivamente pela presença, como sujeitos, de sociedades sob controle comum, direto ou indireto. Em outras palavras, o que se rejeita é a utilização de um artifício contábil que propicia a constituição de um suposto ágio, posteriormente amortizado com efeitos no resultado tributável da pessoa jurídica. A avaliação “feita por empresa especializada”, é hábil para atestar a rentabilidade que a participação societária poderia apresentar no futuro, mas não se presta a qualificar a diferença entre essa avaliação e o valor patrimonial como ágio. Ou seja, o laudo elaborado exclusivamente no interesse de empresas pertencentes ao mesmo grupo econômico pode embasar a reavaliação da participação societária, mas não a formação do ágio. Do exposto, voto por negar provimento ao recurso também em relação ao ágio de que trata o item 2. A Procuradoria da Fazenda Nacional foi intimada do acórdão, informando que não apresentaria recurso especial (fls. 4907) Em 01/12/2016, o contribuinte foi intimado quanto ao acórdão recorrido (fls. 4.933), interpondo recurso especial em 16/12/2016, alegando divergência na interpretação da lei tributária a respeito dos seguintes temas: Fl. 5632DF CARF MF Processo nº 10920.721776/201281 Acórdão n.º 9101003.076 CSRFT1 Fl. 5.633 16 (i) utilização de empresa veículo para aproveitamento do ágio gerado em operação onerosa entre partes independentes, constando como paradigmas os acórdãos: (i.a) 1201001.267, no qual se decidiu que "Se o ágio na aquisição do investimento efetivamente ocorreu, não sendo fruto de operações entre empresas do mesmo grupo econômico (ágio interno), incabível a glosa da despesa com sua amortização fundada no emprego da assim chamada 'empresa veículo'" e (i.b) 1201001.534, do qual se extrai: "O uso de empresa veículo e de incorporação reversa, por si só, não invalidam as operações societárias que transferiram o ágio da investidora original para a empresa investida, estando diretamente vinculadas ideologicamente a um propósito negocial." A Recorrente ainda indicou outros acórdãos identificandoos como paradigma neste tema (1201001.507 e 1301000711). (ii) Aproveitamento do ágio interno gerado em reorganização societária intragrupo, apontandose como paradigmas os acórdãos: (ii.a) 1301 001.224, verbis: "o condenável não é a alienação ‘intragrupo’ de determinado investimento com ágio, o que se repugna é a simulação e o abuso de direito." e (ii.b) 1302001.293, do qual se destaca: "não se sabe se a imputação é de abuso de direito – já que falam em planejamento abusivo ou de fraude à lei – já que sustentam o uso anormal de institutos jurídicos, mas, neste rosário de imprecisas imputações, o maior equívoco é falar em regime de exceção, ou seja, entendem os autuantes que a aplicação dos arts. 7º e 8º em tela só seriam normais em um regime de exceção". (iii) Sobre a cumulação de multa isolada com a multa de ofício, matéria sobre a qual são apresentados os acórdãos paradigmas (iii.a) 1201001.450, no qual consta que "Incabível a aplicação concomitante da multa por falta de recolhimento de tributo sobre bases estimadas e da multa de ofício exigida no lançamento para cobrança de tributo, haja vista que ambas penalidades têm como base o valor das receitas tidas como não tributadas pela Fiscalização." e (iii.b) 1103001.125, do qual se extrai: "É ilegal a cumulação de multa isolada (art. 44, II, “b”, Lei nº 9.430/96), com a multa de ofício (art. 44, I, Lei nº 9.430/96), sobre a mesma base tributável". A Recorrente ainda identifica outros acórdãos paradigmas tratando da cumulação de multas (1202001.228 e 1103001.170) O contribuinte ainda reitera razões de suposta nulidade do auto de infração, sem que tenha apresentado paradigma a respeito do tema. O recurso especial foi admitido pelo Presidente da 4ª Câmara da Primeira Seção do CARF (Conselheiro Rafael Vidal de Araújo), conforme decisão cujos trechos são colacionados a seguir: III.1. DIVERGÊNCIA QUANTO À LEGITIMIDADE DO USO DE EMPRESA VEÍCULO PARA APROVEITAMENTO DO ÁGIO GERADO EM OPERAÇÃO ONEROSA REALIZADA ENTRE PARTES INDEPENDENTES. Acórdãos paradigmas Fl. 5633DF CARF MF Processo nº 10920.721776/201281 Acórdão n.º 9101003.076 CSRFT1 Fl. 5.634 17 n° 1201001.267, n° 1201001.534, n° 1201001.507 e n° 19.10.2011. De fato, o acórdão recorrido diverge dos dois primeiros acórdãos paradigmas. Isto porque o acórdão recorrido não aceita a dedução do ágio auferido com utilização de empresa veículo, quando constatado que o procedimento do sujeito passivo não se reveste de propósito negocial, revelando objetivo exclusivamente tributário. Já para os acórdãos paradigmas o uso de empresa veículo e de incorporação reversa, por si só, não invalidariam as operações societárias que transferiram o ágio da investidora original para a empresa investida, estando diretamente vinculadas ideologicamente a um propósito negocial. Neste sentido a economia tributária seria uma busca pela otimização de resultados, por lucros e, assim, por um propósito negocial, ou viceeversa. (...) Não haverá a análise dos acórdãos paradigmas n° 1201 001.507 e n° 19.10.2011, pois já foram confrontados com o acórdão recorrido dois acórdãos paradigmas, em atenção ao disposto no § 7º do art. 67 do RICARF. III.2. DIVERGÊNCIA QUANTO À LEGITIMIDADE DO APROVEITAMENTO DO ÁGIO INTERNO GERADO EM REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA INTRAGRUPO. Acórdãos paradigmas n° 1301001.224 e n° 1302001.293. A solução dada ao caso divergiria do entendimento trazido nos acórdãos paradigmas n. 1301001.224 e n. 1302001.293. De fato, divergem o acórdão recorrido e os acórdão paradigmas, pois o primeiro considera ser impossível a caracterização das condições legais para amortização do ágio nos termos dos artigos 7° e 8° da lei 9.532/97, no casos em que empresas do mesmo grupo transferem ágio através de reorganizações societárias tidas pelo primeiro acórdão como sem propósito negocial (efl. 4899), conclusão oposta a dada nos acórdãos paradigmas citados. (...) III.3. DIVERGÊNCIA QUANTO À VEDAÇÃO DE CUMULAÇÃO DA MULTA ISOLADA COM A MULTA DE OFÍCIO. Acórdãos paradigmas n° 1201001.450, n° 1103 001.125, n° 1202001.228 e n° 1103001.170. (...) Desta forma, como o acórdão recorrido e os acórdãos paradigmas trouxeram conclusões divergentes para casos fáticos similares, no uso da mesma legislação, cabe o recurso para a matéria destacada. (...) Não haverá a análise dos acórdãos paradigmas n° 1202 001.228 e n. 1103001.170, pois já foram confrontados com o acórdão recorrido dois acórdãos paradigmas, em atenção ao disposto no § 7º do art. 67 do RICARF. Fl. 5634DF CARF MF Processo nº 10920.721776/201281 Acórdão n.º 9101003.076 CSRFT1 Fl. 5.635 18 Atendidos os pressupostos de tempestividade e legitimidade, e tendo o recorrente comprovado a divergência jurisprudencial para as matérias contestadas, DOU SEGUIMENTO ao recurso especial (arts. 67 e 68 do Anexo II do Regimento Interno do CARF). Em 27/01/2017, os autos foram remetidos à Procuradoria, que apresentou contrarrazões ao recurso especial em 09/02/2017, requerendo seja negado provimento ao recurso especial, pelas razões a seguir sintetizadas: (i) ilegitimidade do uso de empresa veículo, eis que é exigida a confusão patrimonial entre a investidora e investida, na forma do artigo 386, do RIR/99, para dedutibilidade do ágio, (ii) a ilegitimidade do ágio interno, notadamente porque não há um propósito negocial na operação; (iii) possibilidade de cumulação de multa isolada quanto às estimativas mensais com a multa de ofício, pois a Lei nº 9.430/1996 prevê expressamente a cobrança da multa isolada. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Cristiane Silva Costa, Relatora Antes de analisar o recurso especial, ressalvo que não tomo conhecimento de matéria tratada no recurso especial, sem que tenha sido demonstrada divergência na interpretação da lei tributária, qual seja, nulidade do auto de infração. O recurso especial é tempestivo, tendo sido demonstrada a divergência na interpretação da lei tributária pela Recorrente, adotandose as razões do Presidente de Câmara para admissão de matérias e paradigmas consignados em sua decisão. Passo a analisar o mérito do recurso especial, lembrando que foi devolvido ao conhecimento deste colegiado: (i) utilização de empresa “veículo” para aproveitamento do ágio gerado em operação onerosa entre partes independentes; (ii) aproveitamento de ágio “interno”; e (iii) exigência de multa isolada concomitantemente com a multa de ofício. Ressalto que não a operação que originou o ágio com utilização de empresa veículo não é a mesma que gerou o ágio interno. Assim, as matérias serão tratadas separadamente. Alegação de Legitimidade do Uso de Empresa Veículo Fl. 5635DF CARF MF Processo nº 10920.721776/201281 Acórdão n.º 9101003.076 CSRFT1 Fl. 5.636 19 A primeira operação (identificada pelo acórdão recorrido no item 1 – folha 11 do acórdão), que originou a glosa pelo auditor fiscal autuante, foi finalizada com a incorporação da SOGO INVESTIMENTOS (investidora) pela TERLOGS (investida), ambas controladas pela SOGO SOUTHOCEAN. No entendimento do auditor fiscal, a real adquirente da participação societária na TERLOGS (958 quotas) foi a SOGO SOUTHOCEAN, além de serem (incorporada e incorporadora) componentes do mesmo grupo econômico. Os passos da operação são os seguintes: 1) Em 16 de dezembro de 2004, a SOGO SOUTHOCEAN adquiriu 958 quotas do capital social da TERLOGS, que eram detidas anteriormente pela ALL – América Latina Logística S/A (que não tinha relação com o grupo econômico da Recorrente). A SOGO SOUTHOCEAN, assim, passou a ser detentora de 99,97% do capital social da TERLOGS, conforme 7ª alteração do contrato social desta última empresa. Na mesma alteração contratual é admitido como sócio Francisco Carlos Ramos, com percentual de 0,03% do capital social; 2) Também em 16 de dezembro de 2004, a SOGO SOUTHOCEAN transfere para a SOGO INVESTIMENTOS estas 958 quotas da TERLOGS, nos termos da 8ª alteração contratual. Assim, passam a ser sócias desta a SOGO SOUTHOCEAN (74,48%), SOGO INVESTIMENTOS (25,49%) e Francisco Carlos Ramos (0,03%). 3) Em 23/12/2004, a SOGO SOUTHOCEAN transfere as suas quotas da TERLOGS para a SOGO INVESTIMENTOS, como se observa da 9ª alteração contratual da TERLOGS. Esta operação será analisada como o segundo ágio, tratado como ágio interno pela decisão recorrida. 4) Finalmente, ainda de forma relevante para o “primeiro ágio”, em 28/12/2004, a SOGO INVESTIMENTOS é incorporada pela TERLOGS. Diante disso, constam como sócios da TERLOGS ao final de tais operações: a SOGO SOUTHOCEAN, com 99,99% e Francisco Carlos Ramos, com 0,01% do capital social. Destaco trecho do Relatório Fiscal mencionando que o real adquirente destas 958 quotas foi a SOGO SOUTHOCEAN: Convém lembrar que o pagamento na aquisição das 958 cotas da TERLOGS que pertenciam à ALL AMÉRICA LATINA LOGÍSTICA S.A., no valor de R$ 52.000.000,00, superior ao valor patrimonial das cotas, foi efetuado pela SOGO SOUTHOCEAN e não pela TERLOGS que registrou valor de R$ 43.061.034,56 como ágio e vem utilizando como despesa dedutível. Nesse contexto, qual seria o papel de SOGO INVESTIMENTOS? Marco Aurélio Grecco cita situações que são perfeitamente aplicáveis ao caso sob exame. Uma delas é a que se chama de 'empresa de passagem', que vem a ser uma pessoa jurídica criada apenas para servir de canal de passagem de um Fl. 5636DF CARF MF Processo nº 10920.721776/201281 Acórdão n.º 9101003.076 CSRFT1 Fl. 5.637 20 patrimônio ou de dinheiro sem que tenha efetivamente outra função dentro do contexto. (...) SOGO INVESTIMENTOS se enquadra, perfeitamente, nessas situações, uma vez que teve como finalidade unicamente transferir o ágio à TERLOGS. (...) O Relatório Fiscal não questiona a existência de ágio na aquisição de participação societária, que seriam as partes independentes (na origem do ágio), como tampouco qualquer outro requisito necessário para sua amortização (como a existência de demonstrativo do valor do ágio). O acórdão recorrido entendeu pela manutenção da glosa da despesa com ágio essencialmente pelas mesmas razões, como se verifica do voto do Conselheiro Relator, Leonardo de Andrade Couto: Pelo exame dos autos constatase que a Sogo Investimentos caracterizase plenamente como empresa veículo, cujo único objeto real foi possibilitar o benefício da amortização do ágio para a recorrente através de sucessivas operações societárias descritas pormenorizadamente no Termo de Verificação. A utilização da empresa veículo é fato que isoladamente não seria motivo suficiente para descaracterizar os efeitos da operação quanto à geração do ágio. Entretanto, na presente situação entendo que o procedimento do sujeito passivo nos moldes realizados teve como escopo o contorno da legislação que trata da matéria no que se refere fundamentalmente às circunstâncias que, em ocorrendo, permitam a amortização do ágio. Quem efetivamente adquiriu as 958 cotas da Terlogs junto à ALL foi a Sogo Southocean. Em tese, ocorreria o permissivo legal para dedução do ágio caso a Sogo Southocean tivesse incorporado a Terlogs ou viceversa. Ao que tudo indica, tal procedimento não seria de interesse dos envolvidos. Conforme aduzido pela defesa, havia a preocupação de não transferir à Terlogs algumas questões próprias da Sogo Southocean, como as suas dívidas e o intricado relacionamento entre os seus sócios. Ainda que não tenha sido feito um procedimento de verificação quanto a essas alegações fato é que, com base nelas, tornouse impossível a caracterização da condição sine qua non para amortização do ágio: a confusão patrimonial entre investidora e investida. Daí porque entendo que foi criada uma artificialidade para contornar a legislação que, repitase, tem como regra a indedutibilidade do ágio. Diante disso, tratarei no presente voto da possibilidade de surgimento de ágio com a utilização de holding de investimento, denominada informalmente de "empresa veículo", Fl. 5637DF CARF MF Processo nº 10920.721776/201281 Acórdão n.º 9101003.076 CSRFT1 Fl. 5.638 21 como também a artificialidade (ou não) da criação da SOGO INVESTIMENTOS no caso destes autos. O lançamento tributário e o acórdão recorrido tratam da interpretação do s artigos artigo 7º e 8º, da Lei nº 9.532/1997. Lembro o teor do artigo 7º, da Lei nº 9.532/1997: Art. 7º A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977: (Vide Medida Provisória nº 135, de 30.10.2003) I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "a" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "c" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2° do art. 20 do Decretolei n° 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; (Redação dada pela Lei nº 9.718, de 1998) (...) § 1º O valor registrado na forma do inciso I integrará o custo do bem ou direito para efeito de apuração de ganho ou perda de capital e de depreciação, amortização ou exaustão. § 2º Se o bem que deu causa ao ágio ou deságio não houver sido transferido, na hipótese de cisão, para o patrimônio da sucessora, esta deverá registrar: a) o ágio, em conta de ativo diferido, para amortização na forma prevista no inciso III; b) o deságio, em conta de receita diferida, para amortização na forma prevista no inciso IV. § 3º O valor registrado na forma do inciso II do caput: a) será considerado custo de aquisição, para efeito de apuração de ganho ou perda de capital na alienação do direito que lhe deu causa ou na sua transferência para sócio ou acionista, na hipótese de devolução de capital; b) poderá ser deduzido como perda, no encerramento das atividades da empresa, se comprovada, nessa data, a inexistência do fundo de comércio ou do intangível que lhe deu causa. Fl. 5638DF CARF MF Processo nº 10920.721776/201281 Acórdão n.º 9101003.076 CSRFT1 Fl. 5.639 22 § 4º Na hipótese da alínea "b" do parágrafo anterior, a posterior utilização econômica do fundo de comércio ou intangível sujeitará a pessoa física ou jurídica usuária ao pagamento dos tributos e contribuições que deixaram de ser pagos, acrescidos de juros de mora e multa, calculados de conformidade com a legislação vigente. § 5º O valor que servir de base de cálculo dos tributos e contribuições a que se refere o parágrafo anterior poderá ser registrado em conta do ativo, como custo do direito. E a previsão do artigo 8º, da Lei nº 9.532/1997, verbis: Art. 8º O disposto no artigo anterior aplicase, inclusive, quando: a) o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor de patrimônio líquido; b) a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. Em comentários aos citados dispositivos legais, Marcos Vinicius Neder e Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira tratam da possibilidade de holding e incorporação reversa, sem prejuízo do reconhecimento do ágio dedutível: A Lei nº 9.532/1997 expressamente veio a permitir a dedução do ágio, no caso da "incorporação reversa", algo que não estava claro na legislação anterior. Ou seja, o ágio passou a ser dedutível também no momento em que a investida incorpora a investidora. Tratase, claramente, da incorporação da investidora direta. Essa permissão expressa que autoriza deduzir o ágio na "incorporação reversa" teve como objetivo estimular o interesse da iniciativa privada na aquisição de participação societária em empresas públicas em fase de privatização. (...)" A Lei não proibiu o aproveitamento do ágio no caso de incorporação de empresas holdings, constituídas pelos controladores indiretos com o propósito de adquirir, consolidar e gerir a participação na empresa investida. Não apenas isso não foi proibido como foi expressamente autorizado, na medida em que a Lei permitiu a dedução do ágio no caso da incorporação reversa pela empresa investida na empresa que nela detém a participação acionária e estimulou os processos de privatização (...) A norma tributária, ao conceder o incentivo tributário de aproveitamento do ágio na Lei 9.532/1997, não fez restrição ao uso de holdings, muito pelo contrário as incentivou, como comentamos anteriormente, inclusive ao permitir a dedução do ágio na incorporação reversa. Assim, a mera existência da Instrução CVM 349/2001, que dispõe sobre o tratamento contábil do ágio na incorporação reversa de holdings em empresas de capital aberto, e a existência dos procedimentos contábeis nela sugeridos não afetam em nada a possibilidade de dedução do ágio na incorporação reversa da holding. (...) Fl. 5639DF CARF MF Processo nº 10920.721776/201281 Acórdão n.º 9101003.076 CSRFT1 Fl. 5.640 23 A Lei não restringiu a apuração ou a dedução fiscal de ágio quando a empresa incorporada, adquirente do investimento, fosse empresa pura de holding, ou quando a empresa tivesse recebido recursos de seu sócio ou acionista em aumento de capital, ou ainda quando tivesse recebido a participação acionária em subscrição de ações de sua emissão. Logo, o tratamento de todas essas hipóteses, quando da incorporação reversa da holding Y, é alcançado, de forma equivalente, pela Lei" (Análise do Tratamento Contábil e Fiscal do Ágio em Estrutura de Aquisição ou Titularidade de Sociedades quanto há a Interposição de Holding, in Controvérsias JurídicoContábeis, 4ª Volume, São Paulo, Dialética, 2013, fls. 161, 162 e 179). No caso destes autos, a SOGO SOUTHOCEAN adquiriu participação societária (958 quotas da TERLOGS), com efetivo pagamento do preço e originandose ágio por expectativa de rentabilidade futura. Este ágio foi transferido, posteriormente, para a SOGO INVESTIMENTOS, que foi incorporada pela TERLOGS. Não há qualquer irregularidade nestas operações. Acrescento que é legítima a transferência de ágio em operação societária, fundamentandose a hipótese no artigos 248, da Lei nº 6.404/1976 e no artigo 20, do Decreto nº 1.598/1976. O artigo 248, da Lei nº 6.404/1976 teve redação alterada nos anos de 2007 (Lei nº 11.638/2007) e 2008 (Medida Provisória nº 449/2008). Como tratamos nos autos de fatos ocorridos entre 2007 a 2010 reproduzo a seguir a redação vigente do dispositivo legal em cada um dos anos calendários. No anocalendário de 2007, a redação do artigo 248, da Lei nº 6.404/1976 era a seguinte: Art. 248. No balanço patrimonial da companhia, os investimentos em coligadas sobre cuja administração tenha influência significativa, ou de que participe com 20% (vinte por cento) ou mais do capital votante, em controladas e em outras sociedades que façam parte de um mesmo grupo ou estejam sob controle comum serão avaliados pelo método da equivalência patrimonial, de acordo com as seguintes normas: (Redação dada pela Lei nº 11.638,de 2007) I o valor do patrimônio líquido da coligada ou da controlada será determinado com base em balanço patrimonial ou balancete de verificação levantado, com observância das normas desta Lei, na mesma data, ou até 60 (sessenta) dias, no máximo, antes da data do balanço da companhia; no valor de patrimônio líquido não serão computados os resultados não realizados decorrentes de negócios com a companhia, ou com outras sociedades coligadas à companhia, ou por ela controladas; II o valor do investimento será determinado mediante a aplicação, sobre o valor de patrimônio líquido referido no número anterior, da porcentagem de participação no capital da coligada ou controlada; Fl. 5640DF CARF MF Processo nº 10920.721776/201281 Acórdão n.º 9101003.076 CSRFT1 Fl. 5.641 24 III a diferença entre o valor do investimento, de acordo com o número II, e o custo de aquisição corrigido monetariamente; somente será registrada como resultado do exercício: a) se decorrer de lucro ou prejuízo apurado na coligada ou controlada; b) se corresponder, comprovadamente, a ganhos ou perdas efetivos; c) no caso de companhia aberta, com observância das normas expedidas pela Comissão de Valores Mobiliários. § 1º Para efeito de determinar a relevância do investimento, nos casos deste artigo, serão computados como parte do custo de aquisição os saldos de créditos da companhia contra as coligadas e controladas. § 2º A sociedade coligada, sempre que solicitada pela companhia, deverá elaborar e fornecer o balanço ou balancete de verificação previsto no número I. No ano de 2008 e seguintes, aplicase a redação conferida pela Medida Provisória nº 449/2008, publicada em 03 de dezembro daquele ano e posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009: Art. 248. No balanço patrimonial da companhia, os investimentos em coligadas ou em controladas e em outras sociedades que façam parte de um mesmo grupo ou estejam sob controle comum serão avaliados pelo método da equivalência patrimonial, de acordo com as seguintes normas: (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) I o valor do patrimônio líquido da coligada ou da controlada será determinado com base em balanço patrimonial ou balancete de verificação levantado, com observância das normas desta Lei, na mesma data, ou até 60 (sessenta) dias, no máximo, antes da data do balanço da companhia; no valor de patrimônio líquido não serão computados os resultados não realizados decorrentes de negócios com a companhia, ou com outras sociedades coligadas à companhia, ou por ela controladas; II o valor do investimento será determinado mediante a aplicação, sobre o valor de patrimônio líquido referido no número anterior, da porcentagem de participação no capital da coligada ou controlada; III a diferença entre o valor do investimento, de acordo com o número II, e o custo de aquisição corrigido monetariamente; somente será registrada como resultado do exercício: a) se decorrer de lucro ou prejuízo apurado na coligada ou controlada; b) se corresponder, comprovadamente, a ganhos ou perdas efetivos; Fl. 5641DF CARF MF Processo nº 10920.721776/201281 Acórdão n.º 9101003.076 CSRFT1 Fl. 5.642 25 c) no caso de companhia aberta, com observância das normas expedidas pela Comissão de Valores Mobiliários. § 1º Para efeito de determinar a relevância do investimento, nos casos deste artigo, serão computados como parte do custo de aquisição os saldos de créditos da companhia contra as coligadas e controladas. § 2º A sociedade coligada, sempre que solicitada pela companhia, deverá elaborar e fornecer o balanço ou balancete de verificação previsto no número I. De toda sorte, respeitadas as condições tratadas pelo dispositivo da Lei nº 6.404/1976, desde a original redação, a Lei nº 6.404/1976 obrigava que o investimento adquirido fosse avaliado pelo método de equivalência patrimonial. O artigo 20, do Decreto nº 1.598/1976 tinha a seguinte redação ao tempo dos fatos tratados nestes autos, regulando o desdobramento do custo de aquisição em ágio por rentabilidade futura: Art. 20 – O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em: I – valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo 21; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o número I. § 1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento. § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico: a) valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; b) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; c) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. § 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam as letras a e b do § 2º deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. Consta do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto nº 3.000/1999) reprodução da disposição legal em seu artigo 385, verbis: Art. 385. O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20): I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo seguinte; e Fl. 5642DF CARF MF Processo nº 10920.721776/201281 Acórdão n.º 9101003.076 CSRFT1 Fl. 5.643 26 II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o inciso anterior. § 1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 1º). § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 2º): I valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; II valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; III fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. Ao tratar do ágio sobre expectativa de rentabilidade futura, o artigo 20, do Decreto nº 1.598/1976 como também sua reprodução no RIR/99 trata indistintamente das hipóteses de aquisição da participação, sem qualquer restrição. Portanto, a exigência da aplicação do método de equivalência patrimonial decorre da própria lógica do artigo 248, da Lei nº 6.404/1976, como também do conceito adotado pelo artigo 20, do Decreto nº 1.598/1976. A transferência de ágio efetuada pela Recorrida em operações societárias descritas no relatório deste acórdão , portanto, decorre da regular transferência de investimento em observância a estas normas. Ressalto que o artigo 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997, ao tratar da confusão patrimonial como condição da amortização do ágio não tem qualquer referência ao "investidor original", ao contrário do que entendeu a nobre prolatora de voto vencedor no acórdão recorrido. A exigência legal é de investimento adquirido com ágio, que poderá ser deduzido quando houver a confusão patrimonial pela empresa que detenha o investimento adquirido, ou mesmo pela própria investida caso ocorra incorporação reversa. Tenho manifestado neste Colegiado a minha posição sobre a dispensabilidade de confusão patrimonial (fundada pelos artigos 7º e 8º, acima citados) entre investidora original e investida original, na medida em que a legislação não atribui interpretação restritiva nesse sentido. Afinal, há que se ponderar se a origem do ágio é legítima (com a existência de partes independentes, pagamento, demonstração da rentabilidade futura, etc.). Nesse contexto, um vez demonstrada a legitimidade da origem do ágio por expectativa de rentabilidade futura, não há restrição legal ou contábil à sua transferência juntamente com o investimento a ele relacionado. Diante disso, voto por conhecer e dar provimento ao recurso especial do contribuinte. Ágio Interno: O segundo ágio analisado neste processo foi originado por operação entre partes relacionadas. Os passos das operações são os seguintes: Fl. 5643DF CARF MF Processo nº 10920.721776/201281 Acórdão n.º 9101003.076 CSRFT1 Fl. 5.644 27 1) Em 23/12/2004, o capital social da SOGO INVESTIMENTOS é aumentado em R$ 75.580.000,00 em 3ª alteração contratual, coma conferência de 2.799 quotas de emissão da ora Recorrente, TERLOGS TERMINAL MARÍTIMO LTDA a valor de mercado. O capital social da SOGO INVESTIMENTOS passa a ser de R$ 127.583.000,00, tendo como sócios a SOGO SOUTHOCEAN, com 99,9994% e Francisco Carlos Ramos, com 0,0006%. À ocasião do aumento de capital da SOGO INVESTIMENTOS, os sócios da TERLOGS eram os mesmos da SOGO INVESTIMENTOS; 2) Em 28/12/2004, a SOGO INVESTIMENTOS é incorporada pela TERLOGS. Nesse caso, o Auditor Fiscal autuante demonstrou a artificialidade das operações nos seguintes termos: Além disso, a falta de independência entre as empresas envolvidas (SOGO SOUTHOCEAN, SOGO INVESTIMENTOS e TERLOGS) também impediria o reconhecimento do valor do ágio, mormente se reduziu o resultado da própria sociedade sobre a qual foi constituído (“ágio de si mesmo”). (..) Em relação à integralização no capital social da SOGO INVESTIMENTOS pela SOGO SOUTHOCEAN mediante a transferência das 2.799 cotas que seta possuía na TERLOGS, tanto a cláusula 1.1 da alteração contratual da SOGO INVESTIMENTOS, fls. 557 a 559, quanto a cláusula 1.3 da 9ª alteração contratual da TERLOGS, fls,. 74 a 78, informam que o valor considerado de R$ 75.580.000,00 corresponde ao valor proporcional de mercado da TERLOGS, conforme laudo pericial de avaliação (...). O acórdão recorrido entendeu pela manutenção do auto de infração, nos seguintes termos do voto do Ilustre Relator, Conselheiro Leonardo de Andrade Couto: No segundo caso, não houve qualquer desembolso, o que foi reconhecido pela recorrente. Descumpriuse portanto a premissa básica do ônus em sentido estrito. Registrese que o cerne da questão é a ocorrência de dispêndio para obter algo de terceiros, que não pertença ao adquirente, de forma a definir a aquisição. É inquestionável que o termo aquisição pode ter uma extensa gama de significados. Existem várias formas através das quais um bem ou direito muda de propriedade, com utilização de diferentes mecanismos voltados ao cumprimento das condições necessárias ao aperfeiçoamento do negócio jurídico. Entretanto, nessas situações sempre ocorre a presença do terceiro como contraparte, circunstância essa inexistente no caso sob exame. As empresas participantes das operações sob exame pertenciam ao mesmo grupo econômico e eram controladas pelas mesmas pessoas. Como aceitar que uma operação societária entre elas Fl. 5644DF CARF MF Processo nº 10920.721776/201281 Acórdão n.º 9101003.076 CSRFT1 Fl. 5.645 28 possa gerar os mesmos efeitos que aquela efetuada entre terceiros não relacionados? No que se refere ao propósito negocial e aos fundamentos econômicos da operação, devese salientar que o procedimento fiscal analisou essas questões com escopo nos aspectos intermediários que implicaram na formalização de um ágio que se provou inexistente, concretizado exclusivamente pela presença, como sujeitos, de sociedades sob controle comum, direto ou indireto. Em outras palavras, o que se rejeita é a utilização de um artifício contábil que propicia a constituição de um suposto ágio, posteriormente amortizado com efeitos no resultado tributável da pessoa jurídica. A avaliação “feita por empresa especializada”, é hábil para atestar a rentabilidade que a participação societária poderia apresentar no futuro, mas não se presta a qualificar a diferença entre essa avaliação e o valor patrimonial como ágio. Ou seja, o laudo elaborado exclusivamente no interesse de empresas pertencentes ao mesmo grupo econômico pode embasar a reavaliação da participação societária, mas não a formação do ágio O acórdão recorrido não merece reparos. O DecretoLei nº 1.598/1977 delimitava o ágio por expectativa de rentabilidade futura, da forma seguinte ao tempo dos fatos tratados nestes autos: Art. 20 – O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em: I – valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo 21; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o número I. § 1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento. § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico: a) valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; b) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; c) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. Fl. 5645DF CARF MF Processo nº 10920.721776/201281 Acórdão n.º 9101003.076 CSRFT1 Fl. 5.646 29 § 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam as letras a e b do § 2º deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. Consta do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto nº 3.000/1999) reprodução da disposição legal em seu artigo 385, verbis: Art. 385. O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20): I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo seguinte; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o inciso anterior. § 1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 1º). § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 2º): I valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; II valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; III fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. § 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam os incisos I e II do parágrafo anterior deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 3º). A aquisição da participação societária também é referida pelo artigo 7º, caput, da Lei nº 9.532/1997 em redação vigente ao tempo dos fatos dispunha: Art. 7º A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977: (Vide Medida Provisória nº 135, de 30.10.2003) I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "a" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "c" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, Fl. 5646DF CARF MF Processo nº 10920.721776/201281 Acórdão n.º 9101003.076 CSRFT1 Fl. 5.647 30 de 1977, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2° do art. 20 do Decretolei n° 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; (Redação dada pela Lei nº 9.718, de 1998) (...) § 1º O valor registrado na forma do inciso I integrará o custo do bem ou direito para efeito de apuração de ganho ou perda de capital e de depreciação, amortização ou exaustão. § 2º Se o bem que deu causa ao ágio ou deságio não houver sido transferido, na hipótese de cisão, para o patrimônio da sucessora, esta deverá registrar: a) o ágio, em conta de ativo diferido, para amortização na forma prevista no inciso III; b) o deságio, em conta de receita diferida, para amortização na forma prevista no inciso IV. § 3º O valor registrado na forma do inciso II do caput: a) será considerado custo de aquisição, para efeito de apuração de ganho ou perda de capital na alienação do direito que lhe deu causa ou na sua transferência para sócio ou acionista, na hipótese de devolução de capital; b) poderá ser deduzido como perda, no encerramento das atividades da empresa, se comprovada, nessa data, a inexistência do fundo de comércio ou do intangível que lhe deu causa. § 4º Na hipótese da alínea "b" do parágrafo anterior, a posterior utilização econômica do fundo de comércio ou intangível sujeitará a pessoa física ou jurídica usuária ao pagamento dos tributos e contribuições que deixaram de ser pagos, acrescidos de juros de mora e multa, calculados de conformidade com a legislação vigente. § 5º O valor que servir de base de cálculo dos tributos e contribuições a que se refere o parágrafo anterior poderá ser registrado em conta do ativo, como custo do direito. Os dispositivos (artigo 20, do Decreto 1598/77 e 7º, da Lei nº 9.532/1997, reproduzidos no RIR/99) são claros em exigir: aquisição de participação societária (caput). Pois bem. A aquisição podese dar em contrato de compra e venda, definido da forma seguinte pelo renomado civilista Orlando Gomes: Fl. 5647DF CARF MF Processo nº 10920.721776/201281 Acórdão n.º 9101003.076 CSRFT1 Fl. 5.648 31 A compra e venda é contrato bilateral, simplesmente consensual, oneroso, comutativo, ou aleatório, de execução instantânea, ou diferida. Sua bilateralidade não comporta dúvida. Do acordo de vontades nascem obrigações recíprocas: para o vendedor, fundamentalmente, obrigação de entregar a coisa com o ânimo de transferirlhe a propriedade; para o comprador, a de pagar o preço. A dependência recíproca dessas obrigações e de outras estipuladas em complementação, configura o sinalagma característico dos contratos bilaterais perfeitos. (Contratos, Rio de Janeiro, Forense, 2009, f. 266, Coordenador Edvaldo Brito, atualizadores Antonio Junqueira de Azevedo e Francisco Paulo de Crescenzo Marino) É fundamental ao contrato de compra e venda, conforme lições de Orlando Gomes, a existência de uma obrigação de entregar a coisa com ânimo de transferência da sua propriedade e o pagamento do preço. E a vontade pelas partes – explicitada por indícios tratados no processo deve ser o de pagamento de preço e entrega da coisa para a operação se amoldar ao arquétipo da compra e venda, pois este sinalagma é “característico dos contratos bilaterais perfeitos”. No caso destes autos, não me parece que a vontade das partes fosse a de transferência de propriedade de participação societária. Além disso, se não há pagamento pela aquisição das quotas sociais, não há operação legítima de compra e venda. Acrescento que é incontroverso nestes autos que a tributação é de ágio “interno”, isto é, originado dentro do grupo econômico. Tanto assim que a própria Recorrente traz em suas razões recursais alegações de que seria legítimo o ágio interno. Nesse sentido, a Recorrente sustenta que “legitimidade do aproveitamento do ágio interno”. (trechos do recurso especial – fls. 4.948); A jurisprudência desta Turma da CSRF, por maioria à qual me filio, adota entendimento pela impossibilidade de dedução de ágio produzido dentro do grupo econômico, em face de sua artificialidade. De fato, a ausência de partes independentes e desembolso por quem adquire impede a dedutibilidade do ágio. A esse respeito, é a ementa do acórdão nº 9101002.550, proferido por esta Turma e no qual acompanhei o relator a respeito do ágio interno: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO INTERNO. Deve ser mantida a glosa da despesa de amortização de ágio que foi gerado internamente ao grupo econômico, sem qualquer dispêndio, e transferido à pessoa jurídica que foi incorporada. (Acórdão 9101002.550) Fl. 5648DF CARF MF Processo nº 10920.721776/201281 Acórdão n.º 9101003.076 CSRFT1 Fl. 5.649 32 Diante disso, voto por negar provimento ao recurso especial da contribuinte no tocante ao ágio interno (segundo ágio), mantendo o acórdão recorrido pelos seus fundamentos. Multa isolada quanto às estimativas mensais O contribuinte alega a impossibilidade de cobrança cumulada da multa isolada, calculada sobre estimativas mensais, com a multa de ofício. O recurso merece acolhimento nessa matéria. A impossibilidade de cobrança cumulada de multa de ofício calculada sobre o saldo do tributo ao pagar no final do ano calendário e da multa sobre estimativas mensais tem por principal fundamento a lógica empregada na sistemática de antecipação por estimativas. Isto porque as estimativas mensais não configuram obrigação tributária autônoma, mas mera técnica de arrecadação. A esse respeito, destaquese artigo 231, do RIR/1999 (Decreto 3.000/1999), que estabelece a compensação dos valores antecipados a título de estimativa mensal ao final do ano: Art. 231. Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor (Lei nº 9.430, de 1996, art. 2º, § 4º): (...) IV do imposto pago na forma dos arts. 222 a 230. (grifamos) De acordo com o dispositivo do Regulamento do Imposto de Renda, a pessoa jurídica que tenha recolhido estimativas poderá, ao final do anocalendário, deduzilas do saldo a pagar do IRPJ. Tal mecanismo demonstra a relação inafastável entre as estimativas mensais e a apuração ao final do período, confirmando que não se tratam de relações jurídicas tributárias autônomas, mas apenas uma técnica de arrecadação. Considerando a natureza de mera antecipação da estimativa, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais consolidou entendimento sobre a impossibilidade de sua cobrança após o encerramento do ano calendário, conforme Enunciado n. 82 de sua Súmula: Súmula CARF 82: Após o encerramento do anocalendário, é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas não recolhidas. O E. Superior Tribunal de Justiça também decidiu que as estimativas mensais são meras antecipações do fato gerador, que ocorre ao final do período de apuração, verbis: É firme o entendimento deste Tribunal no sentido de que o regime de antecipação mensal é opção do contribuinte, que pode apurar o lucro real, base de calculo do IRPJ e da CSLL, por estimativa, e antecipar o pagamento dos tributos, segundo a faculadde prevista no art. 2º da Lei nº 9.430/96. (Superior Tribunal de Justiça, AgRg no Resp 694.278, Rel. Min. Humberto Martins, DJ de 03/08/2006) Fl. 5649DF CARF MF Processo nº 10920.721776/201281 Acórdão n.º 9101003.076 CSRFT1 Fl. 5.650 33 Nesse contexto, seria legítima a cobrança de multa isolada sobre estimativas mensais se efetuado o lançamento antes do encerramento do anocalendário, o que não ocorreu no caso do presente processo administrativo. São precisas as considerações de Paulo de Barros Carvalho tratando da relação indissociável entre o tributo pago ao final do ano e a estimativa mensal: Prescreve o art. 2º da Lei n. 9.430/969 que a pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento dos tributos, em cada mês, determinados sobre base de cálculo estimada. Feita essa opção, temse recolhimento do IRPJ e da CSLL por estimativa, em que os valores devidos a título de imposto e de contribuição são determinados mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais previstos em lei. Essa opção não exclui, contudo, a obrigação de calcular a renda e o lucro líquido no final do anocalendário, e de efetuar o pagamento dos tributos sobre ele incidentes. O §3º do dispositivo acima transcrito não deixa dúvidas a respeito do assunto (...). E o §4º segue a mesma linha de raciocínio, ao estipular que o tributo pago no regime de estimativa deve ser deduzido para fins de determinação do saldo de tributo a pagar. Em sentido semelhante, também, é a disposição do art. 6º da Lei n. 9.430/96, a qual permite entrever a indissociabilidade do tributo pago no regime de estimativa e aquele devido ao final do anocalendário. (...) Os referidos preceitos legais nos levam a concluir que o regime de estimativa não veicula tributos distintos do IRPJ e da CSLL anuais. Tratase de técnica de tributação que implica antecipação do recolhimento de valores presumidamente devidos em 31 de dezembro de cada ano. Por isso, na apuração dos tributoos no último dia do anocalendário (critério temporal do IRPJ e da CSLL) devem ser consideradas as quantias antecipadas e, ainda, se estas forem superiores ao débito efetivo, cabe sua restituição (Derivação e Positivação no Direito Tributário, Volume 1, 2ª edição, São Paulo, Noeses, 2014, fl. 289/290) Sobreleva considerar que o E. Superior Tribunal de Justiça entende indevida a multa isolada quando já imposta multa de ofício, exatamente como ocorrido nos presentes autos, aplicando o princípio da consunção. Destacase ementa de acórdão nesse sentido: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. DEFICIÊNCIA DA FUNDAMENTAÇÃO. SÚMULA 284/STF. MULTA ISOLADA E DE OFÍCIO. ART. 44 DA LEI N. 9.430/96 (REDAÇÃO DADA PELA LEI N. 11.488/07). EXIGÊNCIA CONCOMITANTE. IMPOSSIBILIDADE NO CASO. Fl. 5650DF CARF MF Processo nº 10920.721776/201281 Acórdão n.º 9101003.076 CSRFT1 Fl. 5.651 34 1. Recurso especial em que se discute a possibilidade de cumulação das multas dos incisos I e II do art. 44 da Lei n. 9.430/96 no caso de ausência do recolhimento do tributo. 2. Alegação genérica de violação do art. 535 do CPC. Incidência da Súmula 284 do Supremo Tribunal Federal. 3. A multa de ofício do inciso I do art. 44 da Lei n. 9.430/96 aplicase aos casos de "totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata". 4. A multa na forma do inciso II é cobrada isoladamente sobre o valor do pagamento mensal: "a) na forma do art. 8° da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) e b) na forma do art. 2° desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei n. 11.488, de 2007)". 5. As multas isoladas limitamse aos casos em que não possam ser exigidas concomitantemente com o valor total do tributo devido. 6. No caso, a exigência isolada da multa (inciso II) é absorvida pela multa de ofício (inciso I). A infração mais grave absorve aquelas de menor gravidade. Princípio da consunção. Recurso especial improvido. (Superior Tribunal de Justiça, Resp 1.496.354, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, DJ de 24.03.2015 grifamos) Na mesma linha, é o teor do Enunciado nº 105, da Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, do Ministério da Fazenda: Súmula CARF nº 105 A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 §1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurada no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Como o Enunciado de Súmula explicita que está tratando de lançamentos efetuados sob a vigência do artigo 44, §1º, inciso IV, da Lei nº 9.430/1996, entendo que não seja o caso de simples aplicação deste Enunciado ao caso dos autos, lançado com fundamento no mesmo artigo 44, mas com alteração posterior, isto é, pela Medida Provisória nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007. De toda sorte, o racional que originou a Súmula CARF referida (consunção) deve implicar na mesma conclusão, isto é, na impossibilidade de exigência cumulada destas penalidades. Fl. 5651DF CARF MF Processo nº 10920.721776/201281 Acórdão n.º 9101003.076 CSRFT1 Fl. 5.652 35 É importante anotar que o artigo 44, da Lei nº 9.430/1996 sofreu pequena alteração pela Medida Provisória nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, para dispor que: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (...) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal. A exposição de Motivos da Medida Provisória nº 351/2007, que foi convertida na Lei nº 11.488 e alterou o artigo 44 a respeito da multa isolada, atesta que a única alteração veiculada por aquela norma foi quanto ao percentual da multa de ofício, verbis: A alteração do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, efetuada pelo art. 14 do Projeto tem o objetivo de reduzir o percentual da multa de ofício, lançada isoladamente, nas hipóteses de falta de pagamento mensal devido pela pessoa física ou pela pessoa jurídica a título de estimativa, bem como retira a hipótese de incidência da multa de ofício no caso de pagamento do tributo após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa de mora. Portanto, após a alteração pela lei nº 11.488/2007, a norma de imposição da multa isolada permanece idêntica salvo quanto ao percentual aplicado, agora de 50%, quando anteriormente era de 75%. Exatamente por isso deveria ser afastada sua cobrança diante da evidente ilegalidade de cumulação de multa isolada sobre estimativas mensais com a multa de ofício. Assim, voto por dar provimento ao recurso especial do contribuinte para afastar a exigência de multa isolada calculada sobre estimativas mensais. Conclusão Por tais razões, voto por conhecer e dar provimento parcial ao recurso especial do contribuinte, para: (i) admitir a legitimidade do ágio gerado na aquisição de 958 quotas da Terlogs Terminal Marítimo Ltda. pela Sogo Southocean, transferido à Sogo Investimentos (“empresa veículo”), que, posteriormente, foi incorporada pela Recorrente (Terlogs Terminal Marítimo Ltda.); (ii) afastar a exigência de multa isolada exigida concomitantemente à multa de ofício (anos de 2007 a 2010). (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Fl. 5652DF CARF MF Processo nº 10920.721776/201281 Acórdão n.º 9101003.076 CSRFT1 Fl. 5.653 36 Voto Vencedor Conselheiro André Mendes de Moura, Redator designado Não obstante o substancioso voto da I. Relatora, a quem sempre renderei homenagens, peço vênia para divergir no exame do mérito, em relação (1) ao ágio relativo à primeira operação, cuja matéria foi denominada como "Alegação de Legitimidade do Uso de Empresa Veículo" e (2) multa isolada por insuficiência de estimativa mensal para os anoscalendário de 2007 a 2010. Na matéria (1), no qual se discute a possibilidade de amortização de despesa de ágio, será tratada no tópico I do presente voto. A matéria (2) será tratada no tópico II. Passo ao exame. I Despesa de Amortização de Ágio. Propõese, inicialmente, discorrer sobre uma análise histórica e sistêmica sobre o tema, para depois tratar do caso concreto, inclusive a questão relativa à utilização da denominada "empresa veículo". 1. Conceito e Contexto Histórico Podese entender o ágio como um sobrepreço pago sobre o valor de um ativo (mercadoria, investimento, dentre outros). Tratandose de investimento decorrente de uma participação societária em uma empresa, em brevíssima síntese, o ágio é formado quando uma primeira pessoa jurídica adquire de uma segunda pessoa jurídica um investimento em valor superior ao seu valor patrimonial. O investimento em questão são ações de uma terceira pessoa jurídica, que são avaliadas pelo método contábil da equivalência patrimonial. Ou seja, a empresa A detém ações da empresa B, avaliadas patrimonialmente em 60 unidades. A empresa C adquire, junto à empresa A, as ações da empresa B, por 100 unidades. A empresa C é a investidora e a empresa B é a investida. Interessante é que emergem dois critérios para a apuração do ágio. Adotandose os padrões da ciência contábil, apesar das ações estarem avaliadas patrimonialmente em 60 unidades, deveriam ainda ser objeto de majoração, ao ser considerar, primeiro, se o valor de mercado dos ativos tangíveis seria superior ao contabilizado. Assim, supondose que, apesar do patrimônio ter sido avaliado em 60 unidades, o valor de mercado seria de 70 unidades, considerase para fins de apuração 70 unidades. Segundo, caso se constate a presença de ativos intangíveis sem reconhecimento contábil no valor de 12 unidades, temse, ao final, que o ágio, denominado goodwill, seria a diferença entre o valor pago (100 unidades) e o valor de mercado mais intangíveis (60 + 10 + 12 = 82 unidades). Ou seja, o ágio passível de aproveitamento pela empresa C, decorrente da aquisição da empresa B, mediante atendimento de condições legais, seria no valor de 18 unidades. Fl. 5653DF CARF MF Processo nº 10920.721776/201281 Acórdão n.º 9101003.076 CSRFT1 Fl. 5.654 37 Ocorre que o legislador, ao editar o DecretoLei nº 1.598, de 27/12/1977, resolveu adotar um conceito jurídico para o ágio próprio para fins tributários. Isso porque positivou no art. 20 do mencionado decretolei que o denominado ágio poderia ter três fundamentos econômicos, baseados: (1) no sobrepreço dos ativos; e/ou (2) na expectativa de rentabilidade futura do investimento adquirido e/ou (3) no fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. E, posteriormente, os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 10/12/1997, autorizaram a amortização do ágio nos casos (1) e (2), mediante atendimento de determinadas condições. Na medida em que a lei não determinou nenhum critério para a utilização dos fundamentos econômicos, consolidouse a prática de se adotar, em praticamente todas as operações de transformação societária, o reconhecimento do ágio amparado exclusivamente no caso (2): expectativa de rentabilidade futura do investimento adquirido. O ágio passou a ser simplesmente a diferença entre o custo de aquisição e o valor patrimonial do investimento. Assim, voltando ao exemplo, a empresa C, investidora, ao adquirir ações da empresa investida B avaliadas patrimonialmente em 60 unidades, pelo valor de 100 unidades, poderia justificar o sobrepreço de 40 unidades integralmente com base no fundamento econômico de expectativa de rentabilidade futura do investimento adquirido. Na realidade, a legislação tributária ampliou o conceito do goodwill. E como darseia o aproveitamento do ágio? Em duas situações. Na primeira, quando a empresa C realizasse o investimento, por exemplo, ao alienar a empresa B para uma outra pessoa jurídica. Assim, se vendesse a empresa B para a empresa D por 150 unidades, apuraria um ganho de 50 unidades. Isso porque, ao patrimônio líquido da empresa alienada, de 60 unidades, seria adicionado o ágio de 40 unidades. Assim, a base de cálculo para apuração do ganho de capital seria a diferença entre 150 e 100 unidades, perfazendo 50 unidades. Na segunda, no caso de a empresa C (investidora) e a empresa B (investida) promoverem uma transformação societária (incorporação, fusão ou cisão), de modo em que passem a integrar uma mesma universalidade. Por exemplo, a empresa B incorpora a empresa C, ou, a empresa C incorpora a empresa B. Nesse caso, o valor de ágio de 40 unidades poderia passar a ser amortizado, para fins fiscais, no prazo de sessenta meses, resultando em uma redução na base de cálculo do IRPJ e CSLL a pagar. Naturalmente, no Brasil, em relação ao ágio, a contabilidade empresarial pautouse pelas diretrizes da contabilidade fiscal, até a edição da Lei nº 11.638, de 2007. O novo diploma norteouse pela busca de uma adequação aos padrões internacionais para a contabilidade, adotando, principalmente, como diretrizes a busca da primazia da essência sobre a forma e a orientação por princípios sobrepondose a um conjunto de regras detalhadas baseadas em aspectos de ordem escritural 1. Nesse contexto, houve um realinhamento das normas contábeis no Brasil, e por consequência do conceito do goodwill. Em síntese, ágio contábil passa (melhor dizendo, volta) a ser a diferença entre o valor da aquisição e o valor 1 IUDÍCIBUS, Sérgio de. Manual de contabilidade das sociedades por ações: (aplicável às demais sociedades), 1ª ed. São Paulo : Editora Atlas, 2008, p. 31. Fl. 5654DF CARF MF Processo nº 10920.721776/201281 Acórdão n.º 9101003.076 CSRFT1 Fl. 5.655 38 patrimonial justo dos ativos (patrimônio líquido ajustado pelo valor justo dos ativos e passivos). E recentemente, por meio da Lei nº 12.973, de 13/05/2014, o legislador promoveu uma aproximação do conceito jurídicotributário do ágio com o conceito contábil da Lei nº 11.638, de 2007, além de novas regras para o seu aproveitamento, que não são objeto de análise do presente voto. Enfim, resta evidente que o conceito do ágio tratado para o caso concreto, disciplinado pelo art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 27/12/1977 e os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 10/12/1997, alinhase a um conceito jurídico determinado pela legislação tributária. Tratase, portanto, de instituto jurídicotributário, premissa para a sua análise sob uma perspectiva histórica e sistêmica. 2. Aproveitamento do Ágio. Hipóteses Apesar de já ter sido apreciado singelamente no tópico anterior, o destino que pode ser dado ao ágio contabilizado pela empresa investidora merece uma análise mais detalhada. Há que se observar, inicialmente, como o art. 219 da Lei nº 6.404, de 1.976 trata das hipóteses de extinção da pessoa jurídica: Art. 219. Extinguese a companhia: I pelo encerramento da liquidação; II pela incorporação ou fusão, e pela cisão com versão de todo o patrimônio em outras sociedades. E, ao se tratar de ágio, vale destacar, mais uma vez, os dois sujeitos, as duas partes envolvidas na sua criação: a pessoa jurídica investidora e a pessoa jurídica investida, sendo a investidora é aquela que adquiriu a investida, com sobrepreço. Não por acaso, são dois eventos em que a investidora pode se aproveitar do ágio contabilizado: (1) a investidora deixa de ser a detentora do investimento, ao alienar a participação da pessoa jurídica adquirida com ágio; (2) a investidora e a investida transformamse em uma só universalidade (em eventos de cisão, transformação e fusão). Podese dizer que os eventos (1) e (2) guardam correlação, respectivamente, com os incisos I e II da lei que dispõe sobre as Sociedades por Ações. 3. Aproveitamento do Ágio. Separação de Investidora e Investida No primeiro evento, tratase de situação no qual a investidora aliena o investimento para uma terceira empresa. Nesse caso, o ágio passa a integrar o valor patrimonial do investimento para fins de apuração do ganho de capital e, assim, reduz a base Fl. 5655DF CARF MF Processo nº 10920.721776/201281 Acórdão n.º 9101003.076 CSRFT1 Fl. 5.656 39 de cálculo do IRPJ e da CSLL. A situação é tratada pelo DecretoLei nº 1.598, de 27/12/1977, arts. 391 e 426 do RIR/99: Art. 391. As contrapartidas da amortização do ágio ou deságio de que trata o art. 385 não serão computadas na determinação do lucro real, ressalvado o disposto no art. 426 (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 25, e DecretoLei nº 1.730, de 1979, art. 1º, inciso III). Parágrafo único. Concomitantemente com a amortização, na escrituração comercial, do ágio ou deságio a que se refere este artigo, será mantido controle, no LALUR, para efeito de determinação do ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação do investimento (art. 426). (...) Art. 426. O valor contábil para efeito de determinar o ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação de investimento em coligada ou controlada avaliado pelo valor de patrimônio líquido (art. 384), será a soma algébrica dos seguintes valores (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 33, e DecretoLei nº 1.730, de 1979, art. 1º, inciso V): I valor de patrimônio líquido pelo qual o investimento estiver registrado na contabilidade do contribuinte; II ágio ou deságio na aquisição do investimento, ainda que tenha sido amortizado na escrituração comercial do contribuinte, excluídos os computados nos exercícios financeiros de 1979 e 1980, na determinação do lucro real; III provisão para perdas que tiver sido computada, como dedução, na determinação do lucro real, observado o disposto no parágrafo único do artigo anterior. (...) (grifei) Assim, o aproveitamento do ágio ocorre no momento em que o investimento que lhe deu causa foi objeto de alienação ou liquidação. 4. Aproveitamento do Ágio. Encontro entre Investidora e Investida Já o segundo evento aplicase quando a investidora e a investida transformaremse em uma só universalidade (em eventos de cisão, transformação e fusão). O ágio pode se tornar uma despesa de amortização, desde que preenchidos os requisitos da legislação e no contexto de uma transformação societária envolvendo a investidora e a investida. Contudo, sobre o assunto, há evolução legislativa que merece ser apresentada. Primeiro, o tratamento conferido à participação societária extinta em fusão, incorporação ou cisão, atendia o disposto no art. 34 do DecretoLei nº 1.598, de 1977: Fl. 5656DF CARF MF Processo nº 10920.721776/201281 Acórdão n.º 9101003.076 CSRFT1 Fl. 5.657 40 Art 34 Na fusão, incorporação ou cisão de sociedades com extinção de ações ou quotas de capital de uma possuída por outra, a diferença entre o valor contábil das ações ou quotas extintas e o valor de acervo líquido que as substituir será computado na determinação do lucro real de acordo com as seguintes normas: (Revogado pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) I somente será dedutível como perda de capital a diferença entre o valor contábil e o valor de acervo líquido avaliado a preços de mercado, e o contribuinte poderá, para efeito de determinar o lucro real, optar pelo tratamento da diferença como ativo diferido, amortizável no prazo máximo de 10 anos; (Revogado pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) II será computado como ganho de capital o valor pelo qual tiver sido recebido o acervo líquido que exceder o valor contábil das ações ou quotas extintas, mas o contribuinte poderá, observado o disposto nos §§ 1º e 2º, diferir a tributação sobre a parte do ganho de capital em bens do ativo permanente, até que esse seja realizado. (Revogado pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) § 1º O contribuinte somente poderá diferir a tributação da parte do ganho de capital correspondente a bens do ativo permanente se: (Revogado pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) a) discriminar os bens do acervo líquido recebido a que corresponder o ganho de capital diferido, de modo a permitir a determinação do valor realizado em cada períodobase; e (Revogado pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) b) mantiver, no livro de que trata o item I do artigo 8º, conta de controle do ganho de capital ainda não tributado, cujo saldo ficará sujeito a correção monetária anual, por ocasião do balanço, aos mesmos coeficientes aplicados na correção do ativo permanente. (Revogado pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) § 2º O contribuinte deve computar no lucro real de cada períodobase a parte do ganho de capital realizada mediante alienação ou liquidação, ou através de quotas de depreciação, amortização ou exaustão deduzidas como custo ou despesa operacional. (Revogado pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) O que se pode observar é que o único requisito a ser cumprido, como perda de capital, é que o acervo líquido vertido em razão da incorporação, fusão ou cisão estivesse avaliado a preços de mercado. Contudo, para que se consumasse a perda de capital prevista no inciso I, o valor contábil deveria ser maior do que o acervo líquido avaliado a preços de mercado, e tal situação se mostraria viável, especialmente, quando, imediatamente após à aquisição do investimento com ágio, ocorresse a operação de incorporação, fusão ou cisão 2. 2 Ver Acórdão nº 1101000.841, da 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara do CARF, da relatora Edeli Pereira Bessa., p. 15. Fl. 5657DF CARF MF Processo nº 10920.721776/201281 Acórdão n.º 9101003.076 CSRFT1 Fl. 5.658 41 Ocorre que tal previsão se consumou em operações um tanto quanto questionáveis por vários contribuintes, mediante aquisição de empresas deficitárias pagandose ágio, para, em logo em seguida, promover a incorporação da investidora pela investida. As operações ocorriam quase simultaneamente. E, nesse contexto, o aproveitamento do ágio, nas situações de transformação societária, sofreu alteração legislativa. Vale transcrever a Exposição de Motivos da MP nº 1.602, de 1997 3, que, posteriormente, foi convertida na Lei nº 9.532, de 1997. 11. O art. 8º estabelece o tratamento tributário do ágio ou deságio decorrente da aquisição, por uma pessoa jurídica, de participação societária no capital de outra, avaliada pelo método da equivalência patrimonial. Atualmente, pela inexistência de regulamentação legal relativa a esse assunto, diversas empresas, utilizando dos já referidos "planejamentos tributários", vem utilizando o expediente de adquirir empresas deficitárias, pagando ágio pela participação, com a finalidade única de gerar ganhos de natureza tributária, mediante o expediente, nada ortodoxo, de incorporação da empresa lucrativa pela deficitária. Com as normas previstas no Projeto, esses procedimentos não deixarão de acontecer, mas, com certeza, ficarão restritos às hipóteses de casos reais, tendo em vista o desaparecimento de toda vantagem de natureza fiscal que possa incentivar a sua adoção exclusivamente por esse motivo. Não vacilou a doutrina abalizada de LUÍS EDUARDO SCHOUERI4 ao discorrer, com precisão sobre o assunto: Anteriormente à edição da Lei nº 9.532/1997, não havia na legislação tributária nacional regulamentação relativa ao tratamento que deveria ser conferido ao ágio em hipóteses de incorporação envolvendo a pessoa jurídica que o pagou e a pessoa jurídica que motivou a despesa com ágio. O que ocorria, na prática, era a consideração de que a incorporação era, per se, evento suficiente para a realização do ágio, independentemente de sua fundamentação econômica. (...) Sendo assim, a partir de 1998, ano em que entrou em vigor a Lei nº 9.532/1997, adveio um cenário diferente em matéria de dedução fiscal do ágio. Desde então, restringiramse as hipóteses em que o ágio seria passível de ser deduzido no caso de incorporação entre pessoas jurídicas, com a imposição de limites máximos de dedução em determinadas situações. 3 Exposição de Motivos publicada no Diário do Congresso Nacional nº 26, de 02/12/1997, pg. 18021 e segs, http://legis.senado.leg.br/diarios/BuscaDiario?datSessao=01/12/1997&tipDiario=2. Acesso em 15/02/2016. 4 SCHOUERI, Luís Eduardo. Ágio em reorganizações societárias (aspectos tributários). São Paulo : Dialética, 2012, p. 66 e segs. Fl. 5658DF CARF MF Processo nº 10920.721776/201281 Acórdão n.º 9101003.076 CSRFT1 Fl. 5.659 42 Ou seja, nem sempre o ágio contabilizado pela pessoa jurídica poderia ser deduzido de seu lucro real quando da ocorrência do evento de incorporação. Pelo contrário. Com a regulamentação ora em vigor, poucas são as hipóteses em que o ágio registrado poderá ser deduzido, a depender da fundamentação econômica que lhe seja conferida. Merece transcrição o Relatório da Comissão Mista 5 que trabalhou na edição da MP 1.602, de 1997: O artigo 8º altera as regras para determinação do ganho ou perda de capital na liquidação de investimento em coligada ou controlada avaliado pelo valor do patrimônio líquido, quando agregado de ágio ou deságio. De acordo com as novas regras, os ágios existentes não mais serão computados como custo (amortizados pelo total), no ato de liquidação do investimento, como eram de acordo com as normas ora modificadas. O ágio ou deságio referente à diferença entre o valor de mercado dos bens absorvidos e o respectivo valor contábil, na empresa incorporada (inclusive a fusionada ou cindida), será registrado na própria conta de registro dos respectivos bens, a empresa incorporador (inclusive a resultante da fusão ou a que absorva o patrimônio da cindida), produzindo as repercussões próprias na depreciação normal. O ágio ou deságio decorrente de expectativa de resultado futuro poderá ser amortizado durante os cinco anoscalendário subsequentes à incorporação, à razão de 1/60 (um sessenta avos) para cada mês do período de apuração. (...) Percebese que, em razão de um completo desvirtuamento do instituto, o legislador foi chamado a intervir, para normatizar, nos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997, sobre situações específicas tratando de eventos de transformação societária envolvendo investidor e investida. Inclusive, no decorrer dos debates tratando do assunto, chegouse a cogitar que o aproveitamento do ágio não seria uma despesa, mas um benefício fiscal. Em breves palavras, caso fosse benefício fiscal, o próprio legislador deveria ter tratado do assunto, como o fez na Exposição de Motivos de outros dispositivos da MP nº 1.602, de 1997 (convertida na Lei nº 9.532, de 1997). Na realidade, a Exposição de Motivos deixa claro que a motivação para o dispositivo foi um maior controle sobre os planejamentos tributários abusivos, que descaracterizavam o ágio por meio de analogias completamente desprovidas de sustentação jurídica. E deixou claro que se trata de uma despesa de amortização. E qual foram as novidades trazidas pelos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997? 5 Relatório da Comissão Mista publicada no Diário do Congresso Nacional nº 27, de 03/12/1997, pg. 18024, http://legis.senado.leg.br/diarios/BuscaDiario?datSessao=01/12/1997&tipDiario=2. Acesso em 15/02/2016. Fl. 5659DF CARF MF Processo nº 10920.721776/201281 Acórdão n.º 9101003.076 CSRFT1 Fl. 5.660 43 Primeiro, há que se contextualizar a disciplina do método de equivalência patrimonial (MEP). Isso porque o ágio aplicase apenas em investimentos sociedades coligadas e controladas avaliado pelo MEP, conforme previsto no art. 384 do RIR/99. O método tem como principal característica permitir uma atualização dos valores dos investimentos em coligadas ou controladas com base na variação do patrimônio líquido das investidas. As variações no patrimônio líquido da pessoa jurídica investida passam a ser refletidas na investidora pelo MEP. Contudo, os aumentos no valor do patrimônio líquido da sociedade investida não são computados na determinação do lucro real da investidora. Vale transcrever os dispositivos dos arts. 387, 388 e 389 do RIR/99 que discorrem sobre o procedimento de contabilização a ser adotado pela investidora. Art. 387. Em cada balanço, o contribuinte deverá avaliar o investimento pelo valor de patrimônio líquido da coligada ou controlada, de acordo com o disposto no art. 248 da Lei nº 6.404, de 1976, e as seguintes normas (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 21, e DecretoLei nº 1.648, de 1978, art. 1º, inciso III): (...) Art. 388. O valor do investimento na data do balanço (art. 387, I), deverá ser ajustado ao valor de patrimônio líquido determinado de acordo com o disposto no artigo anterior, mediante lançamento da diferença a débito ou a crédito da conta de investimento (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 22). (...) Art. 389. A contrapartida do ajuste de que trata o art. 388, por aumento ou redução no valor de patrimônio líquido do investimento, não será computada na determinação do lucro real (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 23, e DecretoLei nº 1.648, de 1978, art. 1º, inciso IV). (...) Resta nítida a separação dos patrimônios entre investidora e investida, inclusive as repercussões sobre os resultados de cada um. A investida, pessoa jurídica independente, em razão de sua atividade econômica, apura rendimentos que, naturalmente, são por ela tributados. Por sua vez, na medida em que a investida aumenta seu patrimônio líquido em razão de resultados positivos, por meio do MEP há uma repercussão na contabilidade da investidora, para refletir o acréscimo patrimonial realizado. A conta de ativos em investimentos é debitada na investidora, e, por sua vez, a contrapartida, apesar de creditada como receita, é excluída na apuração do Lucro Real. Com certeza, não faria sentido tributar os lucros na investida, e em seguida tributar o aumento do patrimônio líquido na investidora, que ocorreu precisamente por conta dos lucros auferidos pela investida. E esclarece o art. 385 do RIR/99 que se a pessoa jurídica adquirir um investimento avaliado pelo MEP por valor superior ou inferior ao contabilizado no patrimônio líquido, deverá desdobrar o custo da aquisição em (1) valor do patrimônio líquido na época da Fl. 5660DF CARF MF Processo nº 10920.721776/201281 Acórdão n.º 9101003.076 CSRFT1 Fl. 5.661 44 aquisição e (2) ágio ou deságio. Para a devida transparência na mais valia (ou menor valia) do investimento, o registro contábil deve ocorrer em contas diferentes: Art. 385. O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20): I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo seguinte; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o inciso anterior. § 1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 1º). § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 2º): I valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; II valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; III fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. § 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam os incisos I e II do parágrafo anterior deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 3º). (grifei) Como se pode observar, a formação do ágio não ocorre espontaneamente. Pelo contrário, deve ser motivado, e indicado o seu fundamento econômico, que deve se amparar em pelo menos um dos três critérios estabelecidos no § 2º do art. 385 do RIR/99, (1) valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade, (2) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros (3) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. E, conforme já dito, por ser a motivação adotada pela quase totalidade das empresas, todos os holofotes dirigemse ao fundamento econômico com base em expectativa de rentabilidade futura da empresa adquirida. Tratase precisamente de lucros esperados a serem auferidos pela controlada ou coligada, em um futuro determinado. Por isso o adquirente (futuro controlador) se propõe a desembolsar pelo investimento um valor superior ao daquele contabilizado no patrimônio líquido da vendedora. Por sua vez, tal expectativa deve ser lastreada em demonstração devidamente arquivada como comprovante de escrituração, conforme previsto no § 3º do art. 385 do RIR/99. Fl. 5661DF CARF MF Processo nº 10920.721776/201281 Acórdão n.º 9101003.076 CSRFT1 Fl. 5.662 45 E, finalmente, passamos a apreciar os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997, consolidados no art. 386 do RIR/99. Como já dito, em eventos de transformação societária, quando investidora absorve o patrimônio da investida (ou vice versa), adquirido com ágio ou deságio, em razão de cisão, fusão ou incorporação, resolveu o legislador disciplinar a situação: Art. 386. A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no artigo anterior (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, e Lei nº 9.718, de 1998, art. 10): I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata o inciso I do § 2º do artigo anterior, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso III do § 2º do artigo anterior, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do § 2º do artigo anterior, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; IV deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do § 2º do artigo anterior, nos balanços correspondentes à apuração do lucro real, levantados durante os cinco anoscalendário subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no mínimo, para cada mês do período de apuração.(...) (grifei) Fica evidente que os arts. 385 e 386 do RIR/99 guardam conexão indissociável, constituindose em norma tributária permissiva do aproveitamento do ágio nos casos de incorporação, fusão ou cisão envolvendo o investimento objeto da mais valia. 5. Amortização. Despesa. Definido que o aproveitamento do ágio pode darse por meio de despesa de amortização, mostrase pertinente apreciar do que trata tal dispêndio. No RIR/99 (DecretoLei nº 3.000, de 26/03/1999), o conceito de amortização encontrase no Subtítulo II (Lucro Real), Capítulo V (Lucro Operacional), Seção III (Custos, Despesas Operacionais e Encargos). O artigo 299 do diploma em análise trata, no art. 299, na Subseção I, das Disposições Gerais sobre as despesas: Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47). Fl. 5662DF CARF MF Processo nº 10920.721776/201281 Acórdão n.º 9101003.076 CSRFT1 Fl. 5.663 46 § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 1º). § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 2º). § 3º O disposto neste artigo aplicase também às gratificações pagas aos empregados, seja qual for a designação que tiverem. Para serem dedutíveis, devem as despesas serem necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora, e serem usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa. Por sua vez, logo após as Subseções II (Depreciação de Bens do Ativo Imobilizado) e III (Depreciação Acelerada Incentivada), encontra previsão legal a amortização, no art. 324, na Subseção IV do RIR/99 6. Percebese que a amortização constituise em espécie de gênero despesa, e, naturalmente, encontrase submetida ao regramento geral das despesas disposto no art. 299 do RIR/99. 6. Despesa Em Face de Fatos Construídos Artificialmente No mundo real os fatos nascem e morrem, decorrentes de eventos naturais ou da vontade humana. O direito elege, para si, fatos com relevância para regular o convívio social. No que concerne ao direito tributário, são escolhidos fatos decorrentes da atividade econômica, financeira, operacional, que nascem espontaneamente, precisamente em razão de atividades normais, que são eleitos porque guardam repercussão com a renda ou o patrimônio. São condutas relevantes de pessoas físicas ou jurídicas, de ordem econômica ou social, ocorridas no mundo dos fatos, que são colhidas pelo legislador que lhes confere uma qualificação jurídica. Por exemplo, o fato de auferir lucro, mediante operações espontâneas, das atividades operacionais da pessoa jurídica, amoldase à hipótese de incidência prevista pela norma, razão pela qual nasce a obrigação do contribuinte recolher os tributos. 6 Art. 324. Poderá ser computada, como custo ou encargo, em cada período de apuração, a importância correspondente à recuperação do capital aplicado, ou dos recursos aplicados em despesas que contribuam para a formação do resultado de mais de um período de apuração (Lei nº 4.506, de 1964, art. 58, e DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 15, § 1º). § 1º Em qualquer hipótese, o montante acumulado das quotas de amortização não poderá ultrapassar o custo de aquisição do bem ou direito, ou o valor das despesas (Lei nº 4.506, de 1964, art. 58, § 2º). § 2º Somente serão admitidas as amortizações de custos ou despesas que observem as condições estabelecidas neste Decreto (Lei nº 4.506, de 1964, art. 58, § 5º). § 3º Se a existência ou o exercício do direito, ou a utilização do bem, terminar antes da amortização integral de seu custo, o saldo não amortizado constituirá encargo no período de apuração em que se extinguir o direito ou terminar a utilização do bem (Lei nº 4.506, de 1964, art. 58, § 4º). § 4º Somente será permitida a amortização de bens e direitos intrinsecamente relacionados com a produção ou comercialização dos bens e serviços (Lei nº 9.249, de 1995, art. 13, inciso III). Fl. 5663DF CARF MF Processo nº 10920.721776/201281 Acórdão n.º 9101003.076 CSRFT1 Fl. 5.664 47 Da mesma maneira, a pessoa jurídica, no contexto de suas atividades operacionais, incorre em dispêndios para a realização de suas tarefas. Contratase um prestador de serviços, comprase uma mercadoria, operações necessárias à consecução das atividades da empresa, que surgem naturalmente. Ocorre que, em relação aos casos tratados relativos á amortização do ágio, proliferaramse situações no qual se busca, especificamente, o enquadramento da norma permissiva de despesa. Tratamse de operações especialmente construídas, mediante inclusive utilização de empresas de papel, de curtíssima duração, sem funcionários ou quadro funcional incompatível, com capital social mínimo, além de outras características completamente atípicas no contexto empresarial, envolvendo aportes de substanciais recursos para, em questão de dias ou meses, serem objeto de operações de transformação societária. Tais eventos podem receber qualificação jurídica e surtir efeitos nos ramos empresarial, cível, contábil, dentre outros. Situação completamente diferente ocorre no ramo tributário. Não há norma de despesa que recepcione um situação criada artificialmente. As despesas devem decorrer de operações necessárias, normais, usuais da pessoa jurídica. Impossível estender atributos de normalidade, ou usualidade, para despesas, independente sua espécie, derivadas de operações atípicas, não consentâneas com uma regular operação econômica e financeira da pessoa jurídica. Admitindose uma construção artificial do suporte fático, consumarseia um tratamento desigual, desarrazoado e desproporcional, que afronta o princípio da capacidade contributiva e da isonomia, vez que seria conferida a uma determinada categoria de despesa uma premissa completamente diferente, uma liberalidade não aplicável à grande maioria dos contribuintes. 7. Hipótese de Incidência Prevista Para a Amortização Realizada análise do ágio sob perspectiva do gênero despesa, cabe prosseguir com a apreciação da legislação específica que trata de sua amortização. Vale recapitular os dois eventos em que a investidora pode se aproveitar do ágio contabilizado: (1) a investidora deixa de ser a detentora do investimento, ao alienar a participação da pessoa jurídica adquirida (investida) com ágio; (2) a investidora e a investida transformamse em uma só universalidade (em eventos de cisão, transformação e fusão). E repetir que estamos, agora, tratando da segunda situação. Cenário que se encontra disposto nos arts. 7º e 8º da Lei n° 9.532, de 1997, e nos arts. 385 e 386 do RIR/99, do qual transcrevo apenas os fragmentos de maior interesse para o debate: Art. 385. O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20): Fl. 5664DF CARF MF Processo nº 10920.721776/201281 Acórdão n.º 9101003.076 CSRFT1 Fl. 5.665 48 I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo seguinte; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o inciso anterior. § 1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 1º). § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 2º): I valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; II valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; III fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. § 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam os incisos I e II do parágrafo anterior deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 3º). Art. 386. A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no artigo anterior (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, e Lei nº 9.718, de 1998, art. 10): (...) III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do § 2º do artigo anterior, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; (...) (grifei) Percebese claramente, no caso, que o suporte fático delineado pela norma predica, de fato, que investidora e investida tenham que integrar uma mesma universalidade: A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio. A conclusão é ratificada analisandose a norma em debate sob a perspectiva da hipótese de incidência tributária delineada pela melhor doutrina de GERALDO ATALIBA 7. Esclarece o doutrinador que a hipótese de incidência se apresenta sob variados aspectos, cuja reunião lhe dá entidade. 7 ATALIBA, Geraldo. Hipótese de Incidência Tributária, 6ª ed. São Paulo : Malheiros Editores, 2010, p. 51 e segs. Fl. 5665DF CARF MF Processo nº 10920.721776/201281 Acórdão n.º 9101003.076 CSRFT1 Fl. 5.666 49 Ao se apreciar o aspecto pessoal, merecem relevo as palavras da doutrina, ao determinar que se trata da qualidade que determina os sujeitos da obrigação tributária. E a norma em análise se dirige à pessoa jurídica investidora originária, aquela que efetivamente acreditou na mais valia do investimento, coordenou e comandou os estudos de rentabilidade futura e desembolsou os recursos para a aquisição, e à pessoa jurídica investida. Ocorre que, em se tratando do ágio, as reorganizações societárias empreendidas apresentaram novas pessoas ao processo. Como exemplo, podemos citar situação no qual a pessoa jurídica A adquire com ágio participação societária da pessoa jurídica B. Em seguida, utilizase de uma outra pessoa jurídica, C, e integraliza o capital social dessa pessoa jurídica C com a participação societária que adquiriu da pessoa jurídica B. Resta consolidada situação no qual a pessoa jurídica A controla a pessoa jurídica C, e a pessoa jurídica C controla a pessoa jurídica B. Em seguida, sucedese evento de transformação societária, no qual a pessoa jurídica B absorve patrimônio da pessoa jurídica C, ou vice versa. Ocorre que os sujeitos eleitos pela norma são precisamente a pessoa jurídica A (investidora) e a pessoa jurídica B (investida) cuja participação societária foi adquirida com ágio. Para fins fiscais, não há nenhuma previsão para que o ágio contabilizado na pessoa jurídica A (investidora), em razão de reorganizações societárias empreendidas por grupo empresarial, possa ser considerado "transferido" para a pessoa jurídica C, e a pessoa jurídica C, ao absorver ou ser absorvida pela pessoa jurídica B, possa aproveitar o ágio cuja origem deuse pela aquisição da pessoa jurídica A da pessoa jurídica B. Da mesma maneira, encontramse situações no qual a pessoa jurídica A realiza aportes financeiros na pessoa jurídica C e, de plano, a pessoa jurídica C adquire participação societária da pessoa jurídica B com ágio. Em seguida, a pessoa jurídica C absorve patrimônio da pessoa jurídica B, ou vice versa, a passa a fazer a amortização do ágio. Mais uma vez, não é o que prevê o aspecto pessoal da hipótese de incidência da norma em questão. A pessoa jurídica que adquiriu o investimento, que acreditou na mais valia e que desembolsou os recursos para a aquisição foi, de fato, a pessoa jurídica A (investidora). No outro pólo da relação, a pessoa jurídica adquirida com ágio foi a pessoa jurídica B. Ou seja, o aspecto pessoal da hipótese de incidência, no caso, autoriza o aproveitamento do ágio a partir do momento em que a pessoa jurídica A (investidora) e a pessoa jurídica B (investida) passem a integrar a mesma universalidade. São as situações mais elementares. Contudo, há reorganizações envolvendo inúmeras empresas (pessoa jurídica D, E, F, G, H e assim por diante). Vale registrar que goza a pessoa jurídica de liberdade negocial, podendo dispor de suas operações buscando otimizar seu funcionamento, com desdobramentos econômicos, sociais e tributários. Contudo, não necessariamente todos os fatos são recepcionados pela norma tributária. Fl. 5666DF CARF MF Processo nº 10920.721776/201281 Acórdão n.º 9101003.076 CSRFT1 Fl. 5.667 50 A partir do momento em que, em razão das reorganizações societárias, passam a ser utilizadas novas pessoas jurídicas (C, D, E, F, G, e assim sucessivamente), pessoas jurídicas distintas da investidora originária (pessoa jurídica A) e da investida (pessoa jurídica B), e o evento de absorção não envolve mais a pessoa jurídica A e a pessoa jurídica B, mas sim pessoa jurídica distinta (como, por exemplo, pessoa jurídica F e pessoa jurídica B), a subsunção ao art. 386 do RIR/99 tornase impossível, vez que o fato imponível (suporte fático, situado no plano concreto) deixa de ser amoldar à hipótese de incidência da norma (plano abstrato), por incompatibilidade do aspecto pessoal. Em relação ao aspecto material, há que se consumar a confusão de patrimônio entre investidora e investida, a que faz alusão o caput do art. 386 do RIR (A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio...). Com a confusão patrimonial, aperfeiçoase o encontro de contas entre o real investidor e investida, e a amortização do ágio passa a ser autorizada, com repercussão direta na base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Na realidade, o requisito expresso de que investidor e investida passam a compor o mesmo patrimônio, mediante evento de transformação societária, no qual a investidora absorve a investida, ou vice versa, encontra fundamento no fato de que, com a confusão de patrimônios, o lucro auferido pela investida passa a integrar a mesma universalidade da investidora. SCHOUERI8, com muita clareza, discorre que, antes da absorção, investidor e investida são entidades autônomas. O lucro auferido pela investida (que foi a motivação para que a investidora adquirisse a investida com o sobrepreço), é tributado pela própria investida. E, por meio do MEP, eventual acréscimo no patrimônio líquido da investida seria refletido na investidora, sem, contudo, haver tributação na investidora. A lógica do sistema mostrase clara, na medida em que não caberia uma dupla tributação dos lucros auferidos pela investida. Por sua vez, a partir do momento em que se consuma a confusão patrimonial, os lucros auferidos pela então investida passam a integrar a mesma universalidade da investidora. Reside, precisamente nesse ponto, o permissivo para que o ágio, pago pela investidora exatamente em razão dos lucros a serem auferidos pela investida, possa ser aproveitado, vez que passam a se comunicar, diretamente, a despesa de amortização do ágio e as receitas auferidas pela investida. Ou seja, compartilhando o mesmo patrimônio investidora e investida, consolidase cenário no qual a mesma pessoa jurídica que adquiriu o investimento com mais valia (ágio) baseado na expectativa de rentabilidade futura, passa a ser tributada pelos lucros percebidos nesse investimento. Verificase, mais uma vez, que a norma em debate, ao predicar, expressamente, que para se consumar o aproveitamento da despesa de amortização do ágio, os sujeitos da relação jurídica seriam a pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, ou seja, investidor e investida, não o fez por acaso. Tratase precisamente do encontro de contas da investidora originária, que incorreu na despesa e adquiriu o investimento, e a investida, potencial geradora dos lucros que motivou o esforço incorrido. 8 SCHOUERI, 2012, p. 62. Fl. 5667DF CARF MF Processo nº 10920.721776/201281 Acórdão n.º 9101003.076 CSRFT1 Fl. 5.668 51 Prosseguindo a análise da hipótese de incidência da norma em questão, no que concerne ao aspecto temporal, cabe verificar o momento em que o contribuinte aproveita se da amortização do ágio, mediante ajustes na escrituração contábil e no LALUR, evento que provoca impacto direto na apuração da base de cálculo tributável. Registrese que a consumação do aspecto temporal não se confunde com o termo inicial do prazo decadencial. Isso porque, partindose da construção da norma conforme operação no qual "Se A é, B deveser", onde a primeira parte é o antecedente, e a segunda é o consequente, a consumação da hipótese de incidência localizase no antecedente. Ou seja, "Se A é", indica que a hipótese de incidência, no caso concreto, mediante aperfeiçoamento dos aspectos pessoal, material e temporal, concretizouse em sua plenitude. Assim, passase para a etapa seguinte, o consequente ("B deveser"), no qual se aplica o regime de tributação a que encontra submetido o contribuinte (lucro real trimestral ou anual), efetuase o lançamento fiscal com base na repercussão que as glosas despesas de ágio indevidamente amortizadas tiveram na apuração da base de cálculo, e, por consequência, determinase o termo inicial para contagem do prazo decadencial. 8. Consolidação Considerandose tudo o que já foi escrito, entendo que a cognição para a amortização do ágio passa por verificar, primeiro, se os fatos se amoldam à hipótese de incidência, segundo, se requisitos de ordem formal estabelecidos pela norma encontramse atendidos e, terceiro, se as condições do negócio atenderam os padrões normais de mercado. A primeira verificação parece óbvia, mas, diante de todo o exposto até o momento, observase que a discussão mais relevante inserese precisamente neste momento, situado antes da subsunção do fato à norma. Falase insistentemente se haveria impedimento para se admitir a construção de fatos que buscam se amoldar à hipótese de incidência de norma de despesa. O ponto é que, independente da genialidade da construção empreendida, da reorganização societária arquitetada e consumada, a investidora originária prevista pela norma não perderá a condição de investidora originária. Quem viabilizou a aquisição? De onde vieram os recursos de fato? Quem efetuou os estudos de viabilidade econômica da investida? Quem tomou a decisão de adquirir um investimento com sobrepreço? Respondo: a investidora originária. Ainda que a pessoa jurídica A, investidora originária, para viabilizar a aquisição da pessoa jurídica B, investida, tenha (1) "transferido" o ágio para a pessoa jurídica C, ou (2) efetuado aportes financeiros (dinheiro, mútuo) para a pessoa jurídica C, a pessoa jurídica A não perderá a condição de investidora originária. Podese dizer que, de acordo com as regras contábeis, em decorrência de reorganizações societárias empreendidas, o ágio legitimamente passou a integrar o patrimônio da pessoa jurídica C, que por sua vez foi incorporada pela pessoa jurídica B (investida). Ocorre que a absorção patrimonial envolvendo a pessoa jurídica C e a pessoa jurídica B não tem qualificação jurídica para fins tributários. Fl. 5668DF CARF MF Processo nº 10920.721776/201281 Acórdão n.º 9101003.076 CSRFT1 Fl. 5.669 52 Isso porque se trata de operação que não se enquadra na hipótese de incidência da norma, que elege, quanto ao aspecto pessoal, a pessoa jurídica A (investidora originária) e a pessoa jurídica B (investida), e quanto ao aspecto material, o encontro de contas entre a despesa incorrida pela pessoa jurídica A (investidora originária que efetivamente incorreu no esforço para adquirir o investimento com sobrepreço) e as receitas auferidas pela pessoa jurídica B (investida). Mostrase insustentável, portanto, ignorar todo um contexto histórico e sistêmico da norma permissiva de aproveitamento do ágio, despesa operacional, para que se autorize "pinçar" os artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997, promover uma interpretação isolada, blindada em uma bolha contábil, e se construir uma tese no qual se permita que fatos construídos artificialmente possam alterar a hipótese de incidência de norma tributária. Caso superada a primeira verificação, cabe prosseguir com a segunda verificação, relativa a aspectos de ordem formal, qual seja, se a demonstração que o contribuinte arquivar como comprovante de escrituração prevista no art. 20, § 3º do Decreto Lei nº 1.598, de 27/12/1977 (1) existe e (2) se mostra apta a justificar o fundamento econômico do ágio. Há que se verificar também (3) se ocorreu, efetivamente, o pagamento pelo investimento. Enfim, referese a terceira verificação a constatar se toda a operação ocorreu dentro de padrões normais de mercado, com atuação de agentes independentes, distante de situações que possam indicar ocorrência de negociações eivadas de ilicitude, que poderiam guardar repercussão, inclusive, na esfera penal, como nos crimes contra a ordem tributária previstos nos arts. 1º e 2º da Lei nº 8.137, de 1990. 9. Sobre o Caso Concreto Feitas as considerações, passo a analisar o caso concreto. Tratase da denominada "primeira operação" pela Relatora, no qual a SOGO SOUTHOCEAN adquiriu participação societária da TERLOGS (a Contribuinte), com sobrepreço (ágio). As operações encontramse descritas pela Relatora; A primeira operação (identificada pelo acórdão recorrido no item 1 – folha 11 do acórdão), que originou a glosa pelo auditor fiscal autuante, foi finalizada com a incorporação da SOGO INVESTIMENTOS (investidora) pela TERLOGS (investida), ambas controladas pela SOGO SOUTHOCEAN. No entendimento do auditor fiscal, a real adquirente da participação societária na TERLOGS (958 quotas) foi a SOGO SOUTHOCEAN, além de serem (incorporada e incorporadora) componentes do mesmo grupo econômico. Os passos da operação são os seguintes: Em 16 de dezembro de 2004, a SOGO SOUTHOCEAN adquiriu 958 quotas do capital social da TERLOGS, que eram detidas anteriormente pela ALL – América Latina Logística S/A (que não tinha relação com o grupo econômico da Recorrente). A SOGO Fl. 5669DF CARF MF Processo nº 10920.721776/201281 Acórdão n.º 9101003.076 CSRFT1 Fl. 5.670 53 SOUTHOCEAN, assim, passou a ser detentora de 99,97% do capital social da TERLOGS, conforme 7ª alteração do contrato social desta última empresa. Na mesma alteração contratual é admitido como sócio Francisco Carlos Ramos, com percentual de 0,03% do capital social; Também em 16 de dezembro de 2004, a SOGO SOUTHOCEAN transfere para a SOGO INVESTIMENTOS estas 958 quotas da TERLOGS, nos termos da 8ª alteração contratual. Assim, passam a ser sócias desta a SOGO SOUTHOCEAN (74,48%), SOGO INVESTIMENTOS (25,49%) e Francisco Carlos Ramos (0,03%). Em 23/12/2004, a SOGO SOUTHOCEAN transfere as suas quotas da TERLOGS para a SOGO INVESTIMENTOS, como se observa da 9ª alteração contratual da TERLOGS. Esta operação será analisada como o segundo ágio, tratado como ágio interno pela decisão recorrida. Finalmente, ainda de forma relevante para o “primeiro ágio”, em 28/12/2004, a SOGO INVESTIMENTOS é incorporada pela TERLOGS. Diante disso, constam como sócios da TERLOGS ao final de tais operações: a SOGO SOUTHOCEAN, com 99,99% e Francisco Carlos Ramos, com 0,01% do capital social. O que se observa é que a aquisição da participação da Contribuinte foi realizada pela SOGO SOUTHOCEAN. A SOGO INVESTIMENTOS serviu, meramente, como receptora das quotas adquiridas, deliberadamente com o intuito de transportar o ágio decorrente da aquisição, e ser objeto de incorporação pela TERLOGS (empresa investida, Contribuinte), numa tentativa do grupo econômico de se adequar à hipótese de incidência que autoriza a amortização do ágio de maneira artificial. O Relatório Fiscal descreve com clareza o contexto da operação, em excerto destacado pela Relatora: Convém lembrar que o pagamento na aquisição das 958 cotas da TERLOGS que pertenciam à ALL AMÉRICA LATINA LOGÍSTICA S.A., no valor de R$ 52.000.000,00, superior ao valor patrimonial das cotas, foi efetuado pela SOGO SOUTHOCEAN e não pela TERLOGS que registrou valor de R$ 43.061.034,56 como ágio e vem utilizando como despesa dedutível. Nesse contexto, qual seria o papel de SOGO INVESTIMENTOS? Marco Aurélio Grecco cita situações que são perfeitamente aplicáveis ao caso sob exame. Uma delas é a que se chama de 'empresa de passagem', que vem a ser uma pessoa jurídica criada apenas para servir de canal de passagem de um patrimônio ou de dinheiro sem que tenha efetivamente outra função dentro do contexto. (...) SOGO INVESTIMENTOS se enquadra, perfeitamente, nessas situações, uma vez que teve como finalidade unicamente transferir o ágio à TERLOGS. (...) Fl. 5670DF CARF MF Processo nº 10920.721776/201281 Acórdão n.º 9101003.076 CSRFT1 Fl. 5.671 54 Diante de todo o escrito no presente voto, a operação em análise não passa pela primeira verificação (vide item 8 do voto). Quanto ao aspecto pessoal, cabe verificar quem é efetivamente a pessoa jurídica investidora e a pessoa jurídica investida. A pessoa jurídica investidora é o SOGO SOUTHOCEAN que efetuou o aporte de recursos para aquisição do investimento (participação societária da Contribuinte) com pagamento de sobrepreço, por ter sido realizado em valor superior ao do patrimônio líquido. O fato da participação adquirida ter sido repassada de maneira efêmera pela SOGO INVESTIMENTOS não lhe conferem a condição de investidora exigida pela legislação. É incontestável que foi a SOGO SOUTHOCEAN a empresa que efetivamente acreditou na mais valia do investimento, coordenou e comandou os estudos de rentabilidade futura do investimento a ser adquirido e desembolsou os recursos para a aquisição (vide item 7 do presente tópico). Por sua vez, a pessoa jurídica investida foi a Contribuinte (TERLOGS). .Ocorre que o evento de incorporação deuse entre a SOGO INVESTIMENTOS e a Contribuinte. Ou seja, não estava presente a pessoa jurídica investidora (SOGO SOUTHOCEAN). Observase, portanto, que a utilização da empresa SOGO INVESTIMENTOS, denominada como "empresa veículo", torna impossível a concretização da hipótese de incidência da norma. Ou seja, afastase fundamento aduzido pela recorrente, porque a "empresa veículo" não é a pessoa jurídica investidora exigida pela norma no evento de comunicação de patrimônio entre empresa investidora e empresa investida. Nesse sentido, o aproveitamento da despesa de amortização de ágio promovido pela Contribuinte deuse sem respaldo legal, vez que não se consumou a hipótese de incidência prevista nos arts. 7º e 8·da Lei nº 9.532, de 1997. Por isso, entendo não haver reparos nas conclusões da decisão recorrida: Pelo exame dos autos constatase que a Sogo Investimentos caracterizase plenamente como empresa veículo, cujo único objeto real foi possibilitar o benefício da amortização do ágio para a recorrente através de sucessivas operações societárias descritas pormenorizadamente no Termo de Verificação. A utilização da empresa veículo é fato que isoladamente não seria motivo suficiente para descaracterizar os efeitos da operação quanto à geração do ágio. Entretanto, na presente situação entendo que o procedimento do sujeito passivo nos moldes realizados teve como escopo o contorno da legislação que trata da matéria no que se refere fundamentalmente às circunstâncias que, em ocorrendo, permitam a amortização do ágio. Quem efetivamente adquiriu as 958 cotas da Terlogs junto à ALL foi a Sogo Southocean. Em tese, ocorreria o permissivo legal para dedução do ágio caso a Sogo Southocean tivesse incorporado a Terlogs ou viceversa. Ao que tudo indica, tal Fl. 5671DF CARF MF Processo nº 10920.721776/201281 Acórdão n.º 9101003.076 CSRFT1 Fl. 5.672 55 procedimento não seria de interesse dos envolvidos. Conforme aduzido pela defesa, havia a preocupação de não transferir à Terlogs algumas questões próprias da Sogo Southocean, como as suas dívidas e o intricado relacionamento entre os seus sócios. Ainda que não tenha sido feito um procedimento de verificação quanto a essas alegações fato é que, com base nelas, tornouse impossível a caracterização da condição sine qua non para amortização do ágio: a confusão patrimonial entre investidora e investida. Daí porque entendo que foi criada uma artificialidade para contornar a legislação que, repitase, tem como regra a indedutibilidade do ágio. Tal aspecto já justifica na integralidade, por si só, a manutenção da autuação fiscal. Mas vale dizer que o caso em tela também retrata, com nitidez, a construção artificial do suporte fático, para que se pudesse amoldar à hipótese de incidência de despesa de amortização do ágio (item 6 do presente tópico). Resta evidente o deliberado intuito de fabricar uma despesa com repercussão na base tributável. Incontestável a utilização de empresa artificial, SOGO INVESTIMENTOS, para se buscam a consumação de hipótese de incidência da norma tributária. Enfim, aplicase à CSLL o decidido no IRPJ, vez que compartilham o mesmo suporte fático e matéria tributável. Devese, portanto, negar provimento ao recurso da Contribuinte. II Multa Isolada Após o Encerramento do AnoCalendário e Ausência de Concomitância com a Multa de Ofício. O lucro real é um dos regimes de tributação existentes no sistema tributário, atualmente regido pela Lei nº 9.430, de 1996, aplicado a partir do anocalendário de 1997: Capítulo I IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA Seção I Apuração da Base de Cálculo Período de Apuração Trimestral Art. 1º A partir do anocalendário de 1997, o imposto de renda das pessoas jurídicas será determinado com base no lucro real, presumido, ou arbitrado, por períodos de apuração trimestrais, encerrados nos dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada anocalendário, observada a legislação vigente, com as alterações desta Lei. (grifei) Fl. 5672DF CARF MF Processo nº 10920.721776/201281 Acórdão n.º 9101003.076 CSRFT1 Fl. 5.673 56 No lucro real, podese optar pelo regime de apuração trimestral ou anual. Vale reforçar que é uma opção do contribuinte aderir ao regime anual ou trimestral. E, no caso do regime anual, a lei é expressa ao dispor sobre a apuração de estimativas mensais. Transcrevo redação vigente à época dos fatos geradores objeto da autuação: Lei nº 9.430, de 1996 Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. ................................................................................ Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; b) somente produzirão efeitos para determinação da parcela do Imposto de Renda e da contribuição social sobre o lucro devidos no decorrer do anocalendário. § 2º Estão dispensadas do pagamento de que tratam os arts. 28 e 29 as pessoas jurídicas que, através de balanço ou balancetes mensais, demonstrem a existência de prejuízos fiscais apurados a partir do mês de janeiro do anocalendário. (grifei) Observase, portanto, com base em lei, a obrigatoriedade de a contribuinte optante pelo regime de lucro real anual, apurar, mensalmente, imposto devido, a partir de base de cálculo estimada com base na receita bruta, ou por balanço ou balancete mensal, esta que, inclusive, prevê a suspensão ou redução do pagamento do imposto na hipótese em que o valor acumulado já pago excede o valor de imposto apurado ao final do mês. Contudo, a hipótese de não pagamento de estimativa deve atender aos comandos legais, no sentido de que os balanços ou balancetes deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário. Tratase de obrigação imposta ao contribuinte que optar pelo regime do lucro real anual. E o legislador, com o objetivo de tutelar a conduta legal, dispôs penalidade para o Fl. 5673DF CARF MF Processo nº 10920.721776/201281 Acórdão n.º 9101003.076 CSRFT1 Fl. 5.674 57 seu descumprimento. No caso, a prevista no art. 44 da mesma Lei nº 9.430, de 1996 (redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)): Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (...) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (grifei) A sanção imposta pelo sistema é claríssima: caso descumprido o pagamento da estimativa mensal, cabe imputação de multa isolada, sobre a totalidade (caso em que não se pagou nada a título de estimativa mensal) ou diferença entre o valor que deveria ter sido pago e o efetivamente pago, apurado a cada mês do anocalendário. Penalizase a conduta de descumprimento de obrigação tributária, de pagamento de tributo de maneira antecipada conforme determinação expressa da legislação. A sanção tem base legal. E mais: expressamente dispõe que é cabível ainda que a pessoa jurídica tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa de CSLL. E se trata de multa, gênero, isolada, espécie, a ser lançada de ofício e cujo prazo decadencial é regido pelo art. 173, inciso I do CTN. Portanto, não há óbice para que possa ser efetuado lançamento após o ano calendário, naturalmente dentro do período não atingido pela decadência. Fato é que o descumprimento de norma que determina o pagamento do tributo em regime de antecipação proporciona substancial prejuízo, por permitir uma liberalidade no ordenamento jurídico sem base legal, por fomentar um tratamento desigual entre os contribuintes, e por implicar em não ingresso de recursos aos cofres do Estado. Consumarseia situação de exceção, e um prêmio para as pessoas jurídicas que descumprissem deliberadamente a lei tributária. Por qual razão a pessoa jurídica que descumpre conduta prevista em lei deve receber tratamento diferente (e vantajoso) daquela que cumpriu com suas obrigações, apurou mensalmente a estimativa mensal a pagar e efetuou os recolhimentos? Fl. 5674DF CARF MF Processo nº 10920.721776/201281 Acórdão n.º 9101003.076 CSRFT1 Fl. 5.675 58 Como acolher conduta de contribuinte que ignorou a legislação tributária vigente, e se considerou apto a receber um tratamento especial, diferente das demais pessoas jurídicas que cumpriram com suas obrigações? Não se trata de legalidade por legalidade. O sistema jurídicotributário deve ser respeitado, assim como os contribuintes que seguem suas determinações. Não se deve fomentar lacunas para se ignorar a lógica do sistema, para conceder tratamentos vantajosos para condutas lesivas, em afronta à proporcionalidade e razoabilidade. Enfim, a nova redação para imputação de multa isolada em debate, aplicável aos fatos geradores ocorridos a partir de 22/01/2007 (o caso em debate), afastou qualquer dúvida sobre a possibilidade de aplicação concomitante das multas de ofício e das multas isoladas por insuficiência de estimativa mensal. As hipóteses de incidência que ensejam a imposição das penalidades da multa de ofício e da multa isolada em razão da falta de pagamento da estimativa são distintas, cada qual tratada em inciso próprio no art. 44 da Lei nº. 9.430, de 1996. Observase que os incisos I e II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, tratam de suportes fáticos distintos e autônomos, com diferenças claras na temporalidade da apuração, que tem por consequência a aplicação das penalidades sobre bases de cálculo diferentes. A multa de ofício aplicase sobre o resultado apurado anualmente, cujo fato gerador aperfeiçoa se ao final do anocalendário. Por sua vez, a multa isolada é apurada conforme balancetes elaborados mês a mês ou, ainda, mediante receita bruta acumulada mensalmente. Ou seja, são materialidades independentes, não havendo que se falar em concomitância. A matéria foi tratada exaustivamente no mencionado Acórdão nº 9101 002.438. de relatoria da Conselheira Adriana Gomes Rêgo, que de maneira precisa e objetiva, apresentou uma interpretação histórica, teleológica e sistêmica do dispositivo normativo. Transcrevo excerto no qual trata da não aplicação do princípio da consunção, no qual menciona entendimento da exConselheira Karem Jureidini Dias. Há argumentos no sentido de que o princípio da consunção veda a cumulação das penalidades. Dizem seus adeptos que o não recolhimento da estimativa mensal seria etapa preparatória da infração cometida no ajuste anual e, em tais circunstâncias o princípio da consunção autorizaria a subsistência, apenas, da penalidade aplicada sobre o tributo devido ao final do ano calendário, prestigiando o bem jurídico mais relevante, no caso, a arrecadação tributária, em confronto com a antecipação de fluxo de caixa assegurada pelas estimativas. Ademais, como a base fática para imposição das penalidades seria a mesma, a exigência concomitante das multas representaria bis in idem, até porque, embora a lei tenha previsto ambas penalidades, não determinou a sua aplicação simultânea. E acrescentam que, em se tratando de matéria de penalidades, seria aplicável o art. 112 do CTN. Entretanto, com a devida vênia, discordo desse entendimento. Para tanto, aproveitome, inicialmente do voto proferido pela Conselheira Karem Jureidini Dias na condução do Acórdão nº Fl. 5675DF CARF MF Processo nº 10920.721776/201281 Acórdão n.º 9101003.076 CSRFT1 Fl. 5.676 59 9101001.135, para trazer sua abordagem conceitual acerca das sanções em matéria tributária: [...] A sanção de natureza tributária decorre do descumprimento de obrigação tributária – qual seja, obrigação de pagar tributo. A sanção de natureza tributária pode sofrer agravamento ou qualificação, esta última em razão de o ilícito também possuir natureza penal, como nos casos de existência de dolo, fraude ou simulação. O mesmo auto de infração pode veicular, também, norma impositiva de multa em razão de descumprimento de uma obrigação acessória obrigação de fazer – pois, ainda que a obrigação acessória sempre se relacione a uma obrigação tributária principal, revestese de natureza administrativa. Sobre as obrigações acessórias e principais em matéria tributária, vale destacar o que dispõe o artigo 113 do Código Tributário Nacional: “Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária.” Fica evidente da leitura do dispositivo em comento que a obrigação principal, em direito tributário, é pagar tributo, e a obrigação acessória é aquela que possui características administrativas, na medida em que as respectivas normas comportamentais servem ao interesse da administração tributária, em especial, quando do exercício da atividade fiscalizatória. O dispositivo transcrito determina, ainda, que em relação à obrigação acessória, ocorrendo seu descumprimento pelo contribuinte e imposta multa, o valor devido convertese em conversão, a natureza da sanção aplicada permanece sendo administrativa, já que não há cobrança de tributo envolvida, mas sim a aplicação de uma penalidade em razão da inobservância de uma norma que visava proteger os interesses fiscalizatórios da administração tributária. Assim, as sanções em matéria tributária podem ter natureza (i) tributária principal quando se referem a descumprimento da obrigação principal, ou seja, falta de recolhimento de tributo; (ii) administrativa – quando se referem à mero descumprimento de obrigação acessória que, em verdade, tem por objetivo auxiliar os agentes públicos que se encarregam da fiscalização; ou, ainda Fl. 5676DF CARF MF Processo nº 10920.721776/201281 Acórdão n.º 9101003.076 CSRFT1 Fl. 5.677 60 (iii) penal – quando qualquer dos ilícitos antes mencionados representar, também, ilícito penal. Significa dizer que, para definir a natureza da sanção aplicada, necessário se faz verificar o antecedente da norma sancionatória, identificando a relação jurídica desobedecida. Aplicamse às sanções o princípio da proporcionalidade, que deve ser observado quando da aplicação do critério quantitativo. Neste ponto destacamos a lição de Helenilson Cunha Pontes a respeito do princípio da proporcionalidade em matéria de sanções tributárias, verbis: “As sanções tributárias são instrumentos de que se vale o legislador para buscar o atingimento de uma finalidade desejada pelo ordenamento jurídico. A análise da constitucionalidade de uma sanção deve sempre ser realizada considerando o objetivo visado com sua criação legislativa. De forma geral, como lembra Régis Fernandes de Oliveira, “a sanção deve guardar proporção com o objetivo de sua imposição”. O princípio da proporcionalidade constitui um instrumento normativo constitucional através do qual podese concretizar o controle dos excessos do legislador e das autoridades estatais em geral na definição abstrata e concreta das sanções”. O primeiro passo para o controle da constitucionalidade de uma sanção, através do princípio da proporcionalidade, consiste na perquirição dos objetivos imediatos visados com a previsão abstrata e/ou com a imposição concreta da sanção. Vale dizer, na perquirição do interesse público que valida a previsão e a imposição de sanção”. (in “O Princípio da Proporcionalidade e o Direito Tributário”, ed. Dialética, São Paulo, 2000, pg.135) Assim, em respeito a referido princípio, é possível afirmar que: se a multa é de natureza tributária, terá por base apropriada, via de regra, o montante do tributo não recolhido. Se a multa é de natureza administrativa, a base de cálculo terá por grandeza montante proporcional ao ilícito que se pretende proibir. Em ambos os casos as sanções podem ser agravadas ou qualificadas. Agravada, se além do descumprimento de obrigação acessória ou principal, houver embaraço à fiscalização, e, qualificada se ao ilícito somarse outro de cunho penal – existência de dolo, fraude ou simulação. A MULTA ISOLADA POR NÃO RECOLHIMENTO DAS ANTECIPAÇÕES A multa isolada, aplicada por ausência de recolhimento de antecipações, é regulada pelo artigo 44, inciso II, alínea “b”, da Lei nº 9.430/96, verbis: [...] A norma prevê, portanto, a imposição da referida penalidade quando o contribuinte do IRPJ e da CSLL, sujeito ao Lucro Real Anual, deixar de promover as antecipações devidas em razão da disposição contida no artigo 2º da Lei nº 9.430/96, verbis: [...] Fl. 5677DF CARF MF Processo nº 10920.721776/201281 Acórdão n.º 9101003.076 CSRFT1 Fl. 5.678 61 A natureza das antecipações, por sua vez, já foi objeto de análise do Superior Tribunal de Justiça, que manifestou entendimento no sentido de considerar que as antecipações se referem ao pagamento de tributo, conforme se depreende dos seguintes julgados: “TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE RENDA. CSSL. RECOLHIMENTO ANTECIPADO. ESTIMATIVA. TAXA SELIC. INAPLICABILIDADE. 1. "É firme o entendimento deste Tribunal no sentido de que o regime de antecipação mensal é opção do contribuinte, que pode apurar o lucro real, base de cálculo do IRPJ e da CSSL, por estimativa, e antecipar o pagamento dos tributos, segundo a faculdade prevista no art. 2° da Lei n. 9430/96" (AgRg no REsp 694278RJ, relator Ministro Humberto Martins, DJ de 3/8/2006). 2. A antecipação do pagamento dos tributos não configura pagamento indevido à Fazenda Pública que justifique a incidência da taxa Selic. 3. Recurso especial improvido.” (Recurso Especial 529570 / SC Relator Ministro João Otávio de Noronha Segunda Turma Data do Julgamento 19/09/2006 DJ 26.10.2006 p. 277) “AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL TRIBUTÁRIO IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA IRPJ E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO CSSL APURAÇÃO POR ESTIMATIVA PAGAMENTO ANTECIPADO OPÇÃO DO CONTRIBUINTE LEI N. 9430/96. É firme o entendimento deste Tribunal no sentido de que o regime de antecipação mensal é opção do contribuinte, que pode apurar o lucro real, base de cálculo do IRPJ e da CSSL, por estimativa, e antecipar o pagamento dos tributos, segundo a faculdade prevista no art. 2° da Lei n. 9430/96. Precedentes: REsp 492.865/RS, Rel. Min. Franciulli Netto, DJ25.4.2005 e REsp 574347/SC, Rel. Min. José Delgado, DJ 27.9.2004.Agravo regimental improvido.” (Agravo Regimental No Recurso Especial 2004/01397180 Relator Ministro Humberto Martins Segunda Turma DJ 17.08.2006 p. 341) Do exposto, inferese que a multa em questão tem natureza tributária, pois aplicada em razão do descumprimento de obrigação principal, qual seja, falta de pagamento de tributo, ainda que por antecipação prevista em lei. Debates instalaramse no âmbito desse Conselho Administrativo sobre a natureza da multa isolada. Inicialmente me filiei à corrente que entendia que a multa isolada não poderia prosperar porque penalizava conduta que não se configurava obrigação principal, tampouco obrigação acessória. Ou seja, mantinha o Fl. 5678DF CARF MF Processo nº 10920.721776/201281 Acórdão n.º 9101003.076 CSRFT1 Fl. 5.679 62 entendimento de que a multa em questão não se referia a qualquer obrigação prevista no artigo 113 do Código Tributário Nacional, na medida em que penalizava conduta que, a meu ver à época, não podia ser considerada obrigação principal, já que o tributo não estava definitivamente apurado, tampouco poderia ser considerada obrigação acessória, pois evidentemente não configura uma obrigação de caráter meramente administrativo, uma vez que a relação jurídica prevista na norma primária dispositiva é o “pagamento” de antecipação. Nada obstante, modifiquei meu entendimento, mormente por concluir que tratase, em verdade, de multa pelo não pagamento do tributo que deve ser antecipado. Ainda que tenha o contribuinte declarado e recolhido o montante devido de IRPJ e CSLL ao final do exercício, fato é que caberá multa isolada quando o contribuinte não efetua a antecipação deste tributo. Tanto assim que, até a alteração promovida pela Lei nº 11.488/07, o caput do artigo 44 da Lei nº 9.430/96, previa que o cálculo das multas ali estabelecidas seria realizado “sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição”. Frente a estas considerações, releva destacar que a penalidade em debate é exigida isoladamente, sem qualquer hipótese de agravamento ou qualificação e, embora seu cálculo tenha por referência a antecipação não realizada, sua exigência não se dá por falta de "pagamento de tributo", dado o fato gerador do tributo sequer ter ocorrido. De forma semelhante, outras penalidades reconhecidas como decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias são calculadas em razão do valor dos tributos devidos e exigidas de forma isolada. Enfim, transcrevo parte de conclusão do didático voto: A alteração legislativa promovida pela Medida Provisória nº 351, de 2007, portanto, claramente fixou a possibilidade de aplicação de duas penalidades em caso de lançamento de ofício frente a sujeito passivo optante pela apuração anual do lucro tributável. Somente desconsiderandose todo o histórico de aplicação das penalidades previstas na redação original do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, seria possível interpretar que a redação original não determinou a aplicação simultânea das penalidades. A redação alterada é direta e impositiva ao firmar que "serão aplicadas as seguintes multas". Ademais, quando o legislador estipula na alínea "b" do inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, a exigência isolada da multa sobre o valor do pagamento mensal ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base negativa no anocalendário correspondente, claramente afirma a aplicação da penalidade mesmo se apurado lucro tributável e, por conseqüência, tributo devido sujeito à multa prevista no inciso I do seu art. 44. Acrescentese que não se pode falar, no caso, de bis in idem sob o pressuposto de que a imposição das penalidades teria a mesma base fática. Basta observar que as infrações ocorrem em Fl. 5679DF CARF MF Processo nº 10920.721776/201281 Acórdão n.º 9101003.076 CSRFT1 Fl. 5.680 63 diferentes momentos, o primeiro correspondente à apuração da estimativa com a finalidade de cumprir o requisito de antecipação do recolhimento imposto aos optantes pela apuração anual do lucro, e o segundo apenas na apuração do lucro tributável ao final do anocalendário. A análise, assim, não pode ficar limitada, por exemplo, à omissão de receitas ou ao registro de despesas indedutíveis, especialmente porque, para fins tributários, estas ocorrências devem, necessariamente, repercutir no cumprimento da obrigação acessória de antecipar ou na constituição, pelo sujeito passivo, da obrigação tributária principal. A base fática, portanto, é constituída pelo registro contábil ou fiscal, ou mesmo sua supressão, e pela repercussão conferida pelo sujeito passivo àquela ocorrência no cumprimento das obrigações tributárias. Como esta conduta se dá em momentos distintos e com finalidades distintas, duas penalidades são aplicáveis, sem se cogitar de bis in idem. Portanto, entendo não haver reparos na autuação fiscal, razão pela qual se deve negar provimento ao recurso da Contribuinte. III Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial da Contribuinte. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Fl. 5680DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10825.904276/2012-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Dec 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 26/05/2008
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
A alegação de preterição do direito de defesa é improcedente quando a descrição dos fatos e a capitulação legal do despacho decisório permitem à contribuinte contestar todas razões de fato e de direito elencadas no despacho decisório.
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA.
Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional.
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA
É incontroversa a matéria não especificamente contestada em manifestação de inconformidade.
Numero da decisão: 1302-002.424
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Carlos César Candal Moreira Filho, Ester Marques Lins de Sousa e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Data do fato gerador: 26/05/2008 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. A alegação de preterição do direito de defesa é improcedente quando a descrição dos fatos e a capitulação legal do despacho decisório permitem à contribuinte contestar todas razões de fato e de direito elencadas no despacho decisório. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA É incontroversa a matéria não especificamente contestada em manifestação de inconformidade.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 26/05/2008 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. A alegação de preterição do direito de defesa é improcedente quando a descrição dos fatos e a capitulação legal do despacho decisório permitem à contribuinte contestar todas razões de fato e de direito elencadas no despacho decisório. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA É incontroversa a matéria não especificamente contestada em manifestação de inconformidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 90 42 76 /2 01 2- 61 Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10825.904276/201261 Acórdão n.º 1302002.424 S1C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Carlos César Candal Moreira Filho, Ester Marques Lins de Sousa e Gustavo Guimarães da Fonseca. Relatório Cuida o processo de manifestação de inconformidade oposta a despacho decisório que não homologou a compensação pleiteada via PERDCOMP ao fundamento fático "de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados'" (conforme descrito no acórdão ora recorrido). O crédito, cuja compensação se postulou na PERDCOMP de nº 39071.39196.010811.1.3.040661, teria origem em pretenso pagamento indevido de IRPJ (código de arrecadação: 2089) ocorrido em 26/05/2008. O contribuinte alega, genericamente, que o indébito decorreria do "alargamento" indevido da base de cálculo da exação tendo em conta, "exemplificativamente" a decisão do Supremo Tribunal Federal proferida nos autos do RE 585.235 ("alargamento" da base de cálculo do PIS e da COFINS). Ao manejar a sua insurgência contra o despacho decisório, sustentou, resumidamente: a) em preliminares: a.1) a nulidade do despacho ante a inexistência de fundamentação fática e jurídica a sustentar o indeferimento do pedido de compensação, insistindo ser, inclusive, impossível saber o que se poderia entender pela expressão "indisponibilidade do crédito"; a.2) nulidade por cerceamento de defesa, mormente por não lhe ter sido oportunizada a apresentação de provas e documentos que pudessem, antes da prolação do despacho, demonstrar a existência, liquidez e certeza do crédito, invocando, inclusive, os preceitos do art. 65 da IN 900 (então vigente); b) no mérito, deduz genericamente a existência do crédito apontando que o pagamento realizado em valor superior ao efetivamente devido teria, como já dito, decorrido da inclusão de grandezas estranhas, "por exemplo", ao conceito de faturamento (tal qual definido pelo STF). Ao fim, pede a anulação do despacho decisório, determinandose, por conseguinte, o retorno dos autos à unidade de origem a fim de que as provas necessárias à demonstração do seu direito creditório sejam produzidas; sucessivamente, pede a procedência de sua manifestação a fim de que, reconhecido o crédito, seja homologada a compensação realizada. A DRJ de Ribeirão Preto analisou a predita manifestação e, após afastar as preliminares suscitadas, julgoua improcedente. O contribuinte foi cientificado da decisão supra em 13/06/2013 (AR de fls. 67/68), tendo interposto o seu recurso voluntário em 26/06/2013 (doc. de fl. 70). Em suas razões, o contribuinte discorre longamente sobre as premissas constitucionais e legais em que repousam as normas que tratam do direito à restituição do indébito, assentando a inexistência Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10825.904276/201261 Acórdão n.º 1302002.424 S1C3T2 Fl. 4 3 de condição ao exercício deste direito, arguindo, inclusive, ao fim, uma pretensa ilegalidade/inconstitucionalidade da IN 900. Em seguida, abordou, o procedimento de compensação em si para atacar os argumentos deduzidos pela DRJ para afastar a preliminar concernente à falta de motivação do ato. Alegou, especificamente, que o procedimento fixado na IN 900 induz a erro os contribuintes sustentando, neste particular, que o formulário eletrônico em momento algum vincula o surgimento do direito creditório à retificação de sua DCTF. Afirmou, ainda, que esta "condição" seria ilegítima seja porque a retificação imporia ao contribuinte o "risco de ser autuado para exigência da diferença apontada, já que a Fazenda naquela oportunidade não concordava com a tese tributária apontada". Lado outro, e ainda reforçando a tese da inexigência de retificação da DCTF para que se observe a "disponibilidade do crédito", sustentou que semelhante imposição importaria na reabertura do prazo decadencial preconizado pelo art. 150, § 4º, do CTN , por que imporia nova confissão de dívida. Mais abaixo, afirmou inexistir "na IN RFB 900/2008, ou nas INs que regulamentam a DCTF a determinação de que a DCTF deverá ser retificada, quando houver decisões emanadas do Poder Judiciário no sentido de afastar a incidência de uma Lei ou julgar a pretensão de majoração de alíquota ou alteração de base de cálculo". Por fim, invocando novamente os preceitos do art. 65 da IN 900/2008, reforça a alegação de nulidade do despacho por falta de fundamentação e cerceamento de defesa. Os autos, então, foram distribuídos à este Colegiado para análise e julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos pressupostos legais e regimentais, devendo ser conhecido. Nos presentes autos o contribuinte solicita a restituição do pretenso pagamento indevido de IRPJ (código de arrecadação: 2089) ocorrido em 26/05/2008. O julgamento deste recurso seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.401, de 19.10.2017, proferido no julgamento do processo nº 10825.904255/201245, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.401): O recurso voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual, dele conheço. I. Prefacialmente. Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10825.904276/201261 Acórdão n.º 1302002.424 S1C3T2 Fl. 5 4 Apenas para elucidar a estrutura desta decisão, e a divisão de tópicos que faço a seguir, esclareço de antemão que o recorrente não suscitou preliminares de mérito; em verdade, como ele mesmo afirma, o cerne deste apelo é, justamente, as duas preliminares invocadas na manifestação de inconformidade, quais sejam, a ausência de motivação do despacho decisório e o cerceamento de defesa. Vale destacar que o recorrente não discute (e também não discutiu, verdade seja dita, em sua manifestação de inconformidade) a existência do crédito em si; não juntou documentos que pudessem demonstrálo, nem se ocupou de apontar a sua origem... limitouse a alegar, genericamente, que o crédito poderia (?!?) decorrer de teses jurídicas (?!??!) sancionadas pelo Supremo Tribunal Federal, mas não cuidou, nem mesmo, de individualizálas a fim de que se pudesse, ao menos, verificar a observância pela administração pública ao entendimento firmado pela Suprema Corte (em casos em que tal observância fosse mandatória processos com repercussão geral reconhecida ou relativos à controle concentrado de constitucionalidade). Fiandose, sempre, nas preliminares de nulidade, e, principalmente, no seu entendimento de que eventuais provas teriam que ser produzidas antes do despacho decisório, não se preocupou, de fato, em minimamente demonstrar o crédito sobre o que, como bem aventado pela DRJ, operouse a preclusão. A questão em análise, insistase, está limitada à questões meramente formais do ato, nada mais. Assim, entendam, os tópicos que agora passo analisar são, efetivamente, o mérito desta querela. II. Da alegada falta de motivação do despacho decisório. O ato administrativo, como concretização da ação estatal jungida ao princípio da legalidade, pressupõe, por isso mesmo, a declinação exata, precisa e minudente dos motivos que justificam a sua prática, justamente para permitir ao sujeito passivo, e, frisese, à Administração Pública (em exercício do seu poder/dever de revisão de seus próprios atos), verificar a sua legalidade. Em especial, em atos que cominam penalidades ou que imponham obrigações ou, mais, tenham reflexos patrimoniais, a identificação dos motivos que fundamentam a sua concretização, mormente pela tipificação dos motivos de fato nele declinados à norma legal autorizativa, é da essência deste mesmo ato. A mingua da exposição dos motivos de fato e de direito, o sujeito passivo se vê incapacitado de saber, justamente, porque, e em razão de que norma, a imposição, a pena ou o vilipêndio de seu patrimônio, por vontade do Estado, se sucedeu, ato contínuo, em tais casos, vê limitado o seu direito à ampla defesa. A motivação, pois, além de decorrer de determinações constitucionais explicitas (v.g., o art. 37 da CF), é decorrência da garantia da ampla defesa. Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10825.904276/201261 Acórdão n.º 1302002.424 S1C3T2 Fl. 6 5 Notem, todavia, que, declinados os pressupostos fáticos e jurídicos que embasaram o ato, não mais se estará diante de vício por falta de descrição de seus motivos determinantes (salvo se houver, entre eles, manifesta incompatibilidade)... a partir dai, quaisquer questionamos sobre os efeitos deste ato, perpassam pela interpretação do motivo jurídico e a sua adequação ou não fato concreto, deixandose, evidente, nesta hipótese, que ao destinatário do ato foi garantido saber porque, quando e decorrência de qual norma terseia operado a prática de determinado ato; nesta hipótese, não se observa, mais, qualquer mácula à ampla defesa. O contribuinte, no caso em testilha, sustenta que o despacho administrativo, praticado por meio de sistema eletrônico, não fundamenta os motivos que lhe dariam base; afirma não ser possível identificar, ali, as razões pelas quais não se reconheceu o crédito cuja compensação se postulava, sendolhe, inclusive, impossível entender o que seria a dita "disponibilidade do crédito". Vejamos, então, o ato propriamente a fim de decidir se, realmente, lhe falta este elemento essencial. O despacho decisório foi juntado à fls. 7/10. Lá, observase que, do campo 3, "FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL", consta a seguinte descrição: A análise do direito creditório está limitada ao valor do "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, correspondendo a15.200,00 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Não vou me debruçar sobre a descrição acima... não há nada, aí, que impeça, sob qualquer prisma, o conhecimento dos motivos de fato que justificaram a não homologação do pedido de compensação. A DECOMP (fls. 2 a 6), no caso, vinculou o crédito postulado pelo contribuinte a um DARF descrito na página 3 da aludia declaração, recolhido em 26/05/2008, sob o código 2089, no valor de R$ 17.935,09. Este DARF está vinculado ao pagamento de outra obrigação descrita, por certo, em DCTF (que, é verdade, não foi juntada ao feito sobre isso, me reportarei mais adiante)... a recusa externada no despacho é mais que clara: não há saldo, deste recolhimento, passível de compensação (não há "disponibilidade de crédito"). Este é o motivo fático da decisão (até porque, como o contribuinte mesmo confessa, não houve retificação de DCTF de sorte a permitir à administração fazendária sequer identificar o pretenso indébito). Tal qual afirmei anteriormente, a inexistência de motivação fática eiva de nulidade o ato; a discordância quanto as Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10825.904276/201261 Acórdão n.º 1302002.424 S1C3T2 Fl. 7 6 consequências ou, mesmo, quanto a existência do fato invocado para praticálo culmina, quando muito, no seu cancelamento ou reforma (e não anulação). Em resumo, o motivo fático está suficientemente claro e aposto no despacho decisório, sendo desnecessárias (não minha opinião) ilações adicionais Vejamos, agora, o fundamento jurídico: Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Os artigos 165 e 170 do CTN tratam, respectivamente, da restituição do indébito e da compensação, traçando regras gerais sobre os dois institutos... aqui, peço especial atenção aos preceitos do citado art. 170, cujo teor transcrevo a seguir: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Eis aí parte do motivo de direito: somente créditos líquido e certos são passíveis de compensação; ao pleitear a compensação de crédito estampado em DARF que extinguiu outra obrigação tributária do contribuinte, a despeito dos protestos do recorrente, temse a obliteração, justamente, de sua certeza. Já o art. 74 da Lei 9.430, estabelece o regramento específico concernente à compensação no âmbito federal, e, ao que interessa aqui, preestabelece que a DECOMP extingue o crédito tributário sob condição resolutória, prevendo, outrossim, que não homologada a compensação, será franqueado ao contribuinte opor a sua manifestação de inconformidade. Estes preceitos, digase, somados, revelam, sem maiores esforços exegéticos que, constatado que o crédito cuja compensação se postula é ilíquido ou incerto, a compensação não será homologada... Ou seja, aqui estão presentes os motivos fáticos e jurídicos que justificaram a não homologação. Não há qualquer nulidade reconhecível no despacho decisório. III. Cerceamento de defesa. O contribuinte sustenta, e se fia nesta alegação, de que eventuais provas quanto ao liquidez e certeza do crédito teriam que ser produzidas antes do despacho decisório, mediante iniciativa da autoridade administrativa fiscal. Sustenta, outrossim, que seria dever da Administração Federal perquerir a existência de seu crédito e que, ao não fazêlo, violou o seu direito à ampla defesa. Venia concessa mas razão, não lhe assiste. O problema do caso em análise não revolve a dúvida sobre a origem do crédito; não decorre de dúvidas sobre a apuração do Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10825.904276/201261 Acórdão n.º 1302002.424 S1C3T2 Fl. 8 7 crédito a partir da escrita fiscal ou, mesmo, contábil do contribuinte; em verdade, como não houve retificação da DCTF, o crédito nunca chegou a existir... Como já afirmado anteriormente, e confessado pelo contribuinte, o crédito utilizado na compensação foi declarado em DCTF a fim de quitar a obrigação concernente ao IRPJ devido quanto ao terceiro trimestre de 2007 (esta informação consta da DCOMP); o recorrente, não obstante já ter quitado a obrigação informada em DCTF, transmite o pedido de compensação vinculando o respectivo crédito ao DARF já utilizado para quitação da obrigação concernente ao terceiro trimestre de 2007. Porque, perguntase, seria necessário a intimação do contribuinte para esclarecer qualquer fato que seja, quando a comparação entre a DCOMP e a DCTF já dá o lastro fático probatório necessário para indeferir o crédito? Neste ponto, a DRJ chega a discutir sobre ônus de prova em matéria de compensação, discussão, digase, inóqua! O crédito nunca chegou a existir, reprisese. Insistase que a discussão aqui não gira em torno da origem ou liquidez do crédito, razão, pela qual, improcede, também, a invocação do art. 65 da IN 900/08, que, peço, transcrevo abaixo: Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. As medidas descritas acima, digase, seriam necessárias apenas e tão somente se houver dúvidas sobre a liquidez e certeza do crédito; no caso dos autos, esta dúvida nunca existiu porque o contribuinte nunca cuidou de informar ao fisco a existência deste crédito (mediante retificação da sua DCTF). E aqui, cabe um adendo: como disse anteriormente, a DCTF em questão não foi juntada ao processo. Como, todavia, o contribuinte confessa que não a retificou (inclusive suscitando uma discussão despropositada concernente à desnecessidade de retificação da DCTF como pressuposto normativo para legitimar o pedido de compensação) e, mais, não questiona o próprio "mérito", por assim dizer, do despacho decisório, tal fato restou incontroverso. Ainda que fosse prudente a juntada deste documento, entendo que ele não é essencial ao deslinde da contenta. III Conclusão. A luz do, sucintamente, exposto, voto por negar provimento ao recurso. Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10825.904276/201261 Acórdão n.º 1302002.424 S1C3T2 Fl. 9 8 Ante ao exposto e, em face da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, adoto os fundamentos do acórdão paradigma acima transcritos e voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 108DF CARF MF
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Numero do processo: 16561.720002/2011-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Nov 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006
BASES DE CÁLCULO DE IRPJ E DE CSLL DE PERÍODOS ANTERIORES. COMPENSAÇÃO INDEVIDA.
Sempre que insuficientes os saldos de prejuízos fiscais de períodos anteriores e das bases negativas de CSLL deve ser mantida a glosa dos valores indevidamente compensados.
MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE.
A multa de ofício possui base legal e tem como fundamento o artigo 44 da Lei n. 9.430/96, devendo ser aplicada quando apurada falta ou insuficiência de recolhimento do imposto.
TAXAS DE JUROS. SELIC. CABIMENTO.
Descabe na esfera administrativa qualquer discussão acerca de constitucionalidade de lei em vigor. Aplicação das Súmulas n. 2 e n. 4 deste Conselho.
MULTA DE OFÍCIO. INCORPORAÇÃO. RESPONSABILIDADE DA SUCESSORA.
A pessoa jurídica incorporadora é responsável pelo crédito tributário da incorporada e responde pelos tributos, multas e encargos legais decorrentes de infração cometida pela empresa sucedida, ainda que formalizados após a alteração societária.
Numero da decisão: 1201-001.921
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida Relator e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Eva Maria Los, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Jose Carlos de Assis Guimarães e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: Roberto Caparroz de Almeida
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2006 BASES DE CÁLCULO DE IRPJ E DE CSLL DE PERÍODOS ANTERIORES. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. Sempre que insuficientes os saldos de prejuízos fiscais de períodos anteriores e das bases negativas de CSLL deve ser mantida a glosa dos valores indevidamente compensados. MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE. A multa de ofício possui base legal e tem como fundamento o artigo 44 da Lei n. 9.430/96, devendo ser aplicada quando apurada falta ou insuficiência de recolhimento do imposto. TAXAS DE JUROS. SELIC. CABIMENTO. Descabe na esfera administrativa qualquer discussão acerca de constitucionalidade de lei em vigor. Aplicação das Súmulas n. 2 e n. 4 deste Conselho. MULTA DE OFÍCIO. INCORPORAÇÃO. RESPONSABILIDADE DA SUCESSORA. A pessoa jurídica incorporadora é responsável pelo crédito tributário da incorporada e responde pelos tributos, multas e encargos legais decorrentes de infração cometida pela empresa sucedida, ainda que formalizados após a alteração societária.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Relator e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Eva Maria Los, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Jose Carlos de Assis Guimarães e Eduardo Morgado Rodrigues.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1631; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16561.720002/201164 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1201001.921 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 18 de outubro de 2017 Matéria Auto de Infração Recorrente PROCOMP INDUSTRIA ELETRONICA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 BASES DE CÁLCULO DE IRPJ E DE CSLL DE PERÍODOS ANTERIORES. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. Sempre que insuficientes os saldos de prejuízos fiscais de períodos anteriores e das bases negativas de CSLL deve ser mantida a glosa dos valores indevidamente compensados. MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE. A multa de ofício possui base legal e tem como fundamento o artigo 44 da Lei n. 9.430/96, devendo ser aplicada quando apurada falta ou insuficiência de recolhimento do imposto. TAXAS DE JUROS. SELIC. CABIMENTO. Descabe na esfera administrativa qualquer discussão acerca de constitucionalidade de lei em vigor. Aplicação das Súmulas n. 2 e n. 4 deste Conselho. MULTA DE OFÍCIO. INCORPORAÇÃO. RESPONSABILIDADE DA SUCESSORA. A pessoa jurídica incorporadora é responsável pelo crédito tributário da incorporada e responde pelos tributos, multas e encargos legais decorrentes de infração cometida pela empresa sucedida, ainda que formalizados após a alteração societária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 00 02 /2 01 1- 64 Fl. 677DF CARF MF Processo nº 16561.720002/201164 Acórdão n.º 1201001.921 S1C2T1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida – Relator e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Eva Maria Los, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Jose Carlos de Assis Guimarães e Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório Como os fatos e a matéria jurídica foram bem relatados pela Resolução deste Colegiado, reproduzoa a seguir: Em decorrência de ação fiscal direta, a contribuinte acima identificada foi autuada em 13/10/2011 (fls. 324 e 331), e intimada a recolher o crédito tributário constituído relativo ao IRPJ e à CSLL, multa proporcional e juros de mora, referentes a fatos geradores ocorridos em 31/12/2006, em decorrência de compensação indevida de prejuízo operacional de IRPJ e base de cálculo negativa da CSLL. Tendo em vista o apurado, foram lavrados, conforme preceitua o artigo 9º do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, os seguintes Autos de Infração: 2.1. IRPJ (fls. 323 a 329): 2.1.1. Saldo Insuficiente – Compensação Indevida de Prejuízo Operacional com Resultado da Atividade Geral com base nos artigos 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, 247, 250, inciso III, 251, 509, e 510 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999). 2.1.2. O crédito tributário, com juros de mora calculados até 09/2011, totalizou o montante de R$ 9.382.982,02. 2.2. CSLL (fls. 330 a 335): 2.2.1. Saldo Insuficiente – Compensação Indevida de Base de Cálculo Negativa da Atividade Geral com Resultado da Atividade Geral com base no artigo 2º da Lei nº 7.689, de 15/12/1988 (com as alterações introduzidas pelo artigo 2º da Lei nº 8.034, de 12/04/1990), e artigo 37 da Lei nº 10.637, de 30/12/2002. 2.2.2. O crédito tributário, com juros de mora calculados até 09/2011, totalizou o montante de R$ 3.397.253,91. Fl. 678DF CARF MF Processo nº 16561.720002/201164 Acórdão n.º 1201001.921 S1C2T1 Fl. 4 3 3. O enquadramento legal da multa de ofício aplicada no percentual de 75% é o artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, e o dos juros de mora com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) é o artigo 61, § 3º, da mesma Lei nº 9.430/1996 (fls. 329 e 335). 4. A contribuinte foi intimada, por meio do Termo de Início da Ação Fiscal (fls. 256 a 258 – ciência pessoal em 01/02/2011 – fl. 258), a esclarecer e apresentar documentos à fiscalização, no prazo de 10 (dez) dias, nos seguintes termos: 4.1. Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR) – cópia simples, com abrangência dos períodos disponíveis até o anocalendário 2007, com inclusão da conta Prejuízos Fiscais da empresa Procomp Comércio e Serviços Ltda (CNPJ 57.449.522/000192), incorporada pela autuada em 2007. 4.2. Ágio em Investimentos – anocalendário 2006: 4.2.1. Indicação do fundamento econômico para os valores declarados na DIPJ Ficha 36A Linha 27 (fl. 148), consoante disposição do artigo 385, § 2º, do RIR/1999. 4.2.2. Cópia simples de toda a documentação suporte dos valores consignados, com inclusão de contratos, laudos de avaliação, protocolos de justificativa e comprovantes de eventuais pagamentos efetuados no bojo da reorganização societária que originou a mencionada mais valia. 4.2.3. Cópia simples do Razão Analítico das contas contábeis que compõem os valores lançados na Ficha 05A (Despesas Operacionais), Linha 20 (Encargos de Depreciação e Amortização – fl. 22), Ficha 09A (Demonstração do Lucro Real) Linha 24 (Reversão dos Saldos das Provisões Não Dedutíveis – fl. 24) e Ficha 036A Linha 27 (Ágio em Investimentos – fl. 148). 4.2.4. Cópia simples do Contrato Social e Alterações ocorridas a partir do anocalendário 2006. 5. Solicitação de prorrogação de prazo para atendimento foi requerida via email (fls. 259 e 260) em 10/02/2011, tendo a fiscalização deferido o pedido com data limite para 02/03/2011 (Termo de Prorrogação de Prazo à fl. 261). Carta de apresentação de documentos, protocolizada em 02/03/2011, foi acostada às fls. 262 e 263. 78ª Alteração e Consolidação de Contrato Social, de 08/05/2007, encontrase às fls. 264 a 282, acompanhada de Protocolo e Justificação dos Motivos de Incorporação, de 08/05/2007 (fls. 283 a 290), e Laudo de Avaliação produzido pela empresa Ernst & Young, de 08/05/2007 (fls. 291 a 294, com anexo à fl. 295). 6. Termo de Intimação Fiscal nº 02 foi exarado (fls. 296 e 297 – ciência por Aviso de Recebimento em 05/04/2011 – fl. 298) para intimar a interessada a apresentar/esclarecer: Fl. 679DF CARF MF Processo nº 16561.720002/201164 Acórdão n.º 1201001.921 S1C2T1 Fl. 5 4 6.1. Cópia simples do Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR), relativamente à conta de Prejuízos Fiscais e do controle da base negativa da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), dos anos 2004, 2005 e 2006, da empresa Procomp Comércio e Serviços Ltda (CNPJ 57.449.522/000192), incorporada pela autuada em 2007. 6.2. Cópia simples da 77ª Alteração do Contrato Social. 6.3. Demonstrar, analiticamente, como foram apurados cada um dos valores lançados a título de ágio no Balanço da Diebold Brasil Serviços e Participações Ltda (CNPJ 08.496.922/000143) levantado em 31/03/2007, posteriormente carreados para a Procomp Indústria Eletrônica Ltda. 6.4. Fornecer os valores que foram amortizados nos anos de 2008 e 2009, com a entrega de cópia simples dos Razões Analíticos de todas as contas contábeis envolvidas, bem como indicação do embasamento legal que, no entendimento da empresa, respalda as deduções. 6.5. Consta, no Balanço Patrimonial da contribuinte (ano calendário 2005), em conta de Ativo, representativa de ágio em investimentos, o valor de R$ 43.654,12, que teria sido amortizado em 2006: 6.5.1. Indicar o fundamento econômico da mencionada mais valia, nos termos do artigo 385, § 2º, do RIR/1999. 6.5.2. Fornecer cópia simples de toda a documentação suporte dos valores registrados, com inclusão de contratos, laudos de avaliação, protocolos de justificativa e comprovantes de eventuais pagamentos efetuados no bojo da reorganização societária. 7. Solicitação de prorrogação de prazo para atendimento foi requerida via email (fl. 299) em 06/04/2011, tendo a fiscalização deferido o pedido com data limite para 06/05/2011 (Termo de Prorrogação de Prazo à fl. 300). Carta de apresentação de documentos e esclarecimentos, protocolizada em 06/05/2011, foi acostada às fls. 301 a 306, acompanhada de Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR) da empresa Procomp Comércio e Serviços Ltda (CNPJ 57.449.522/000192) para os anos calendário 2004 (fls. 307 a 310), 2005 (fls. 311 a 314) e 2006 (fls. 315 a 317). Planilha do Sistema de Acompanhamento de Prejuízo, Lucro Inflacionário e Cálculo da Base Negativa da CSLL (SAPLI), da retrocitada empresa, encontrase às fls. 318 e 319. 8. Termo de Constatação e Encerramento Parcial foi prolatado às fls. 320 a 322, com registro e esclarecimento acerca da infração fiscal constatada e fundamento legal pertinente. 9. Irresignada com os lançamentos, a empresa apresentou, representada por procuradores (Procuração às fls. 375 a 378), a impugnação às fls. 360 a 374, protocolizada em 11/11/2011, Fl. 680DF CARF MF Processo nº 16561.720002/201164 Acórdão n.º 1201001.921 S1C2T1 Fl. 6 5 acompanhada dos documentos às fls. 375 a 416, na qual alega, em síntese, o seguinte: I Processo 19515.003129/200600 9.1. O processo 19515.003129/200600 encontrase na Divisão de Controle a Acompanhamento Tributário da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo desde 03/07/2009, no aguardo de análise da defesa apresentada e julgamento de primeira instância (acostou tela de consulta à fl. 415). 9.2. Certa da validade dos argumentos apresentados no referido processo, nenhum ajuste foi realizado no Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR) da requerente, e os valores de prejuízos declarados para o anocalendário 2006 são válidos até que, e se, o resultado do processo administrativo n° 19515.003129/200600 for desfavorável, o que se admite apenas a título de argumentação. 9.3. Portanto, independente de quaisquer outras alegações, a defendente desde já requer o sobrestamento do presente processo administrativo, até o encerramento do processo administrativo n° 19515.003129/200600, momento em que estará encerrada a discussão sobre os valores de créditos aos quais a recorrente terá direito, tanto para o ano de 2001 como para o ano de 2006, que é objeto de discussão na presente exação. II Auto de Infração 9.4. No presente processo administrativo a fiscalização glosou compensação realizada pela contribuinte no anocalendário 2006, em razão de ajustes realizados de ofício pela fiscalização em seus saldos de prejuízo fiscal de IRPJ e base de cálculo negativa de CSLL, nos autos do processo administrativo n° 19515.003129/200600. 9.5. Entretanto, referida glosa somente pode ser considerada procedente se houver decisão administrativa definitiva e desfavorável no mencionado processo, conforme jurisprudência administrativa do Conselho de Contribuintes, atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. 9.6. Assim, requerse o reconhecimento da improcedência da glosa da compensação concretizada pela defendente no ano calendário 2006. 9.7. E ainda que assim não fosse, o que se admite somente para fins de argumentação, a interessada ressalta que o presente processo deverá ser apreciado apenas e tão somente após o julgamento do processo 19515.003129/200600, ou ao menos em conjunto com ele. Isso porque o julgamento do processo principal faz coisa julgada no processo reflexo, em razão da estreita relação de causa e efeito existente. Fl. 681DF CARF MF Processo nº 16561.720002/201164 Acórdão n.º 1201001.921 S1C2T1 Fl. 7 6 III Dedutibilidade do PAT 9.10. Não obstante, ainda que se mantenha a exigência corroborada no presente processo, o que se admite apenas a título de argumentação, notase que os autuantes não deduziram da base de cálculo do IRPJ os valores decorrentes do Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), o que viola claramente a legislação tributária, com fulcro no art. 1º da Lei nº 6.321, de 14/04/1976. 9.11. Conforme está demonstrado em cálculo realizado pelos auditores da defendente (acostou documento à fl. 416), a fiscalização constituiu débito com uma diferença em excesso de R$ 226.483,57. Assim, independente de qualquer outro argumento, o débito da presente exação deve ser, de plano, reduzido, aplicandose a dedução legal. IV Multa e juros de mora 9.12. Ainda que, por absurdo, se admitisse a manutenção da exação em questão, a glosa da compensação pretendida pela fiscalização não poderia ser acompanhada da cobrança de multa e juros moratórios, em razão da comprovada suspensão da exigibilidade dos créditos tributários do presente processo. 9.13. “O Despacho Decisório exige da Requerente débitos de IRPJ e CSL não recolhidos em decorrência de compensação parcialmente homologada, acompanhado dos acréscimos legais cabíveis, isto é, multa e juros de mora.” 9.14. A contribuinte deve estar em atraso no pagamento do crédito tributário para que se exija multa e juros de mora, o que não se verifica no caso em exame. V Impossibilidade de exigência de multa da sucessora 9.15. A multa aplicada não pode ser exigida da recorrente, que incorporou a empresa Procomp Comércio e Serviços Ltda. (CNPJ 57.449.522/000192), sociedade que, no anocalendário 2001, teria supostamente apurado prejuízo fiscal e base negativa da CSLL inexistentes e, conseqüentemente, teria utilizado indevidamente este valor no anocalendário 2006, ao realizar compensação com débitos de IRPJ e CSLL. 9.16. Nos termos do art. 128 do CTN somente a lei pode atribuir responsabilidade pelo pagamento de crédito tributário na condição de contribuinte ou de responsável. 9.17. Como regra geral, o art. 129 do CTN estabelece que o disposto na Seção II Responsabilidade dos Sucessores “aplicase por igual aos créditos tributários definitivamente constituídos ou em curso de constituição à data dos atos nela referidos, e aos constituídos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data.” 9.18. Entretanto, em relação às hipóteses de incorporação de sociedades, existe norma específica consignada no art. 132 do Fl. 682DF CARF MF Processo nº 16561.720002/201164 Acórdão n.º 1201001.921 S1C2T1 Fl. 8 7 CTN, que determina que “a pessoa jurídica de direito privado que resultar de fusão, transformação ou incorporação de outra ou em outra é responsável pelos tributos devidos até à data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas.” 9.19. Cabe ressaltar que o referido artigo menciona apenas o termo tributo, e considera como devido pela sucessora apenas os créditos formalizados até a sucessão. 9.20. Neste sentido, o art. 3º do CTN estabelece que “tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada.” Assim, a definição de tributo não inclui as multas impostas pelas Autoridades Fiscais, uma vez que tais exigências constituem sanção de ato ilícito. 9.21. Portanto, a correta interpretação do art. 132 do CTN, norma específica aplicável à incorporação de sociedades, determina que as sociedades incorporadoras não respondem pelas multas que seriam aplicáveis às sociedades incorporadas quando o lançamento ocorrer após a data da incorporação, conforme jurisprudência citada e transcrita. 10. Em 30/11/2011 a contribuinte juntou aos autos petição (fls. 417 e 418, acompanhada de documentos às fls. 419 a 439) nos seguintes termos: 10.1. A requerente, ao consultar a situação fiscal da empresa junto à RFB, verificou que o presente processo consta “em cobrança” (acostou documento “Informações Fiscais do Contribuinte” à fl. 438, emitido em 25/11/11), o que gera impedimento para emissão da Certidão Negativa de Débitos Federais, podendo ocasionar transtornos irreparáveis à empresa, uma vez que a mesma participa de licitações públicas. 10.2. O processo deve ser alocado na condição de exigibilidade suspensa, em razão da defesa apresentada pela recorrente. 10.3. Requer a baixa imediata da mencionada pendência. Em sessão de 04 de abril de 2012 a 1a Turma da Delegacia de Julgamento de São Paulo, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Com a ciência da decisão, a interessada interpôs Recurso Voluntário, no qual repetiu, basicamente, os argumentos da impugnação. Os autos foram encaminhados a este Conselho para apreciação e julgamento. Em sessão de 13 de setembro de 2016, este Colegiado resolveu, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que os autos ficassem Fl. 683DF CARF MF Processo nº 16561.720002/201164 Acórdão n.º 1201001.921 S1C2T1 Fl. 9 8 sobrestados, na Secretaria da Câmara, até que fosse juntada a decisão proferida no processo principal (n. 19515.003129/200600), cujo resultado impacta a glosa em discussão no presente caso. Com a juntada da decisão requerida os autos retornaram a este Relator. É o relatório. Voto Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos legais, razão pela qual dele conheço. A questão em discussão nos autos diz respeito à glosa de compensação realizada pelo interessado no anocalendário de 2006, em razão de ajustes realizados de ofício pela fiscalização em seus saldos de prejuízo fiscal de IRPJ e da base de cálculo negativa de CSLL, nos autos do processo administrativo n° 19515.003129/200600, do qual este representa reflexo. Com efeito, a autoridade fiscal fundamentou a autuação no excesso de compensação efetuado pelo Contribuinte, conforme descrito de Termo de Constatação (fls. 321): No procedimento de fiscalização levado a efeito na empresa incorporada, mencionada no item anterior, a RECEITA FEDERAL efetuou o lançamento tributário constante no processo administrativo n° 19515.003129/200600. Na ocasião, foram adicionados à base de cálculo do imposto de renda da pessoa jurídica e à base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, o montante de R$ 20.452.655,40 e R$ 20.305.578,24, respectivamente, referentes a fatos ocorridos no ano base de 2001. No ano calendário de 2001, a PROCOMP COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA apurou prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da CSLL no valor de R$ 22.505.971,72, que foi reduzido pelas infrações verificadas pela fiscalização, conforme se verifica no histórico do Sistema de Controle do Prejuízo Fiscal de Base de Cálculo Negativa da CSLL da RECEITA FEDERAL. No entanto, no Livro de Apuração do Lucro Real, que contém contas de controle dos saldos dos prejuízos fiscais e da base negativa da CSLL, os valores apurados pela contribuinte no ano base de 2001 não foram alterados de forma a refletir o lançamento tributário e restaram integrais até serem consumidos por abatimento com os lucros contabilizados nos anos de 2005 e 2006. Fl. 684DF CARF MF Processo nº 16561.720002/201164 Acórdão n.º 1201001.921 S1C2T1 Fl. 10 9 Dessa forma, a compensação produzida pela pessoa jurídica no ano de 2006 não contava com saldo que lhe desse suporte, gerando excesso de compensação de prejuízo fiscal e de base negativa da CSLL no valor de R$ 16.828.168,94, que está sendo glosado neste lançamento. (grifamos) Recentemente foi juntada aos autos cópia da decisão proferida pela 1a Turma da 3a Câmara deste Conselho, na qual o Colegiado, por unanimidade de votos, negou provimento ao Recurso Voluntário da empresa. Naquele processo discutese a glosa de despesas com ágio, em face da aquisição de 44.418.316 ações da empresa Procomp Amazônia Indústria Eletrônica S/A pela empresa 261 Comércio, Importação, Exportação e Participações Ltda. que, após complexa reorganização societária, foi transferida parcialmente, em decorrência de cisão do empreendimento, para a interessada. O lançamento lavrado também abrangeu a glosa de despesas relativas a perdas de numerário registradas na conta contábil 0033.8037.44100 Perdas Numerário em Transito (Indedutível). Pois bem. Na exata medida em que os lançamentos efetuados naquele processo foram confirmados pelo CARF, tornase de rigor manter, pelos próprios fundamentos, a glosa decorrente do excesso de compensação de prejuízo fiscal e de base negativa da CSLL, no valor de R$ 16.828.168,94, conforme apontada pelas autoridades fiscais no Termo de Verificação de fls. 320/322. Assim, por relação de causa e efeito, devem ser mantidos os lançamentos deste processo, por insuficiência de saldos para as compensações, nos termos do que preceitua o artigo 509 do Decreto n. 3.000/99: Art. 509. O prejuízo compensável é o apurado na demonstração do lucro real e registrado no LALUR (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 64, § 1º, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 6º, e parágrafo único). § 1º A compensação poderá ser total ou parcial, em um ou mais períodos de apuração, à opção do contribuinte, observado o limite previsto no art. 510 (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 64, § 2º). § 2º A absorção, mediante débito à conta de lucros acumulados, de reservas de lucros ou capital, ao capital social, ou à conta de sócios, matriz ou titular de empresa individual, de prejuízos apurados na escrituração comercial do contribuinte não prejudica seu direito à compensação nos termos deste artigo (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 64, § 3º). Com relação aos argumentos adicionais trazidos no Recurso Voluntário, a interessada destaca os seguintes pontos: a) A dedutibilidade do PAT; b) A exigência de multa e juros; Fl. 685DF CARF MF Processo nº 16561.720002/201164 Acórdão n.º 1201001.921 S1C2T1 Fl. 11 10 c) A impossibilidade de se exigir multa da sucessora. No que se refere à dedutibilidade do PAT, que não teria sido deduzido pelas autoridades fiscais, convém destacar o que restou decidido em primeira instância, cujos fundamentos reproduzo e acolho: Pugna a recorrente que os autuantes não deduziram da base de cálculo do IRPJ os valores decorrentes do Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT Lei nº 6.321/1976), sendo que em cálculo realizado pelos auditores da defendente (acostou documento à fl. 416), concluiuse que a fiscalização constituiu débito com uma diferença em excesso de R$ 226.483,57, sendo pertinente, no seu entendimento, a dedução do referido valor. Neste quesito esclareçase que a planilha acostada à fl. 416 demonstra valores sem qualquer amparo em lançamentos consignados em Livro Contábeis e Fiscais, não sendo razoável discutir matéria que não encontra respaldo em conjunto probatório que a sustente. Há, ainda, divergência entre o valor apontado pela interessada como dedutível (R$ 100.969,01) e aquele que consta na DIPJ Ficha 12A (Linha 04 Programa de Alimentação do Trabalhador), que registra R$ 36.483,86 (fl. 236). Por força da ausência de comprovação dos montantes alegados, somada às inconsistências detectadas pela decisão de piso, não há como aceitar, neste ponto, a pretensão da Recorrente. A interessada também questiona a aplicação da multa de ofício e da SELIC aos lançamentos, tese que também não pode prosperar, pois a exigência dos dois consectários dos tributos autuados decorre de expressa determinação legal. No caso da multa aplicase o disposto no artigo 44 da Lei n. 9.430/96, que prevê a multa de ofício de 75% para os tributos lançados em auto de infração, o que nos remete à aplicação automática da Súmula n. 2 deste Conselho, que veda a apreciação de norma vigente e eficaz: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Em relação ao questionamento sobre os juros de mora devemos concluir, no mesmo sentido, pela legalidade da aplicação da SELIC como índice para a exigência de juros, nos exatos termos da Súmula CARF n. 4: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Por fim, quanto ao argumento de impossibilidade do lançamento da multa de ofício na hipótese de responsabilidade tributária por sucessão, melhor sorte não lhe aguarda. Fl. 686DF CARF MF Processo nº 16561.720002/201164 Acórdão n.º 1201001.921 S1C2T1 Fl. 12 11 O sujeito passivo, na qualidade de sucessor, pleiteia que não lhe seja transmitida a multa punitiva pela infração apontada no lançamento, sob o argumento de ser responsável exclusivamente pelo "tributo" devido pela antecessora, nos termos do artigo 132 do Código Tributário Nacional: Art. 132. A pessoa jurídica de direito privado que resultar de fusão, transformação ou incorporação de outra ou em outra é responsável pelos tributos devidos até à data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase aos casos de extinção de pessoas jurídicas de direito privado, quando a exploração da respectiva atividade seja continuada por qualquer sócio remanescente, ou seu espólio, sob a mesma ou outra razão social, ou sob firma individual. Ocorre que a sucessão se deu mediante ato negocial de livre manifestação e interesse dos envolvidos, de sorte que o eventual desaparecimento do contribuinte original transfere a obrigação tributária, em sua inteireza, para a entidade remanescente. Também é irrelevante para caracterizar a sujeição passiva da incorporadora a data da constituição da dívida, à luz da regra geral estabelecida pelo artigo 129 do Código Tributário Nacional, que justamente abre a Seção II daquele diploma legal, que cuida da responsabilidade por sucessão: Art. 129. O disposto nesta Seção aplicase por igual aos créditos tributários definitivamente constituídos ou em curso de constituição à data dos atos nela referidos, e aos constituídos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data. (grifamos) Evidente, portanto, que a responsabilidade dos sucessores alcança fatos jurídicos verificados até a data da sucessão, ainda que os créditos tributários dele decorrentes (tributos, penalidades e acréscimos) venham a ser apurados posteriormente. E nem poderia ser diferente, pois, do contrário, teríamos uma situação absurda, dado que sempre depois da incorporação uma das sociedades desaparece e, com ela, também desaparecia qualquer responsabilidade por infrações, circunstância que não possui qualquer amparo legal. Nesse contexto e na esteira de diversos outros julgados no mesmo sentido, entendo que inexiste obstáculo jurídico para a exigência de multas e consectários legais dos sucessores no caso de incorporação. Ante o exposto CONHEÇO do Recurso e, no mérito, voto por NEGARLHE provimento. É como voto. Fl. 687DF CARF MF Processo nº 16561.720002/201164 Acórdão n.º 1201001.921 S1C2T1 Fl. 13 12 (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Relator Fl. 688DF CARF MF
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Numero do processo: 11020.001739/2010-05
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008
PIS/PASEP. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS.
O conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, inciso II da Lei 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária", na qual, para definir insumos, busca-se a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte.
Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço.
COOPERATIVA PRODUTORA DE LACTICÍNIOS. MATERIAL DE EMBALAGEM. PALLETS DE MADEIRA. PLÁSTICO DE COBERTO. FILME PLÁSTICO DO TIPO STRETCH. PROCESSO DE "PALLETIZAÇÃO". DIREITO AO CRÉDITO.
Pela peculiaridade da atividade econômica que exerce, fica obrigada a atender rígidas normas de higiene e limpeza, sendo que eventual não atendimento das exigências de condições sanitárias das instalações levaria à impossibilidade da produção ou na perda significativa da qualidade do produto fabricado. Assim, os pallets utilizados para armazenagem e movimentação das matérias-primas e produtos na etapa da industrialização e na sua destinação para venda, devem ser considerados como insumos. Da mesma forma, os materiais de acondicionamento e transporte - plástico de coberto e filme plástico do tipo "stretch" - são insumos pois indispensáveis ao adequado armazenamento e transporte das mercadorias produzidas pela Contribuinte, face ao tamanho reduzido das embalagens.
Numero da decisão: 9303-006.053
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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CRÉDITO. EMBALAGENS DE TRANSPORTE. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado COOPERATIVA SANTA CLARA LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 PIS/PASEP. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. O conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, inciso II da Lei 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária", na qual, para definir insumos, buscase a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte. Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço. COOPERATIVA PRODUTORA DE LACTICÍNIOS. MATERIAL DE EMBALAGEM. “PALLETS” DE MADEIRA. PLÁSTICO DE COBERTO. FILME PLÁSTICO DO TIPO “STRETCH”. PROCESSO DE "PALLETIZAÇÃO". DIREITO AO CRÉDITO. Pela peculiaridade da atividade econômica que exerce, fica obrigada a atender rígidas normas de higiene e limpeza, sendo que eventual não atendimento das exigências de condições sanitárias das instalações levaria à impossibilidade da produção ou na perda significativa da qualidade do produto fabricado. Assim, os “pallets” utilizados para armazenagem e movimentação das matériasprimas e produtos na etapa da industrialização e na sua destinação para venda, devem ser considerados como insumos. Da mesma forma, os materiais de acondicionamento e transporte plástico de coberto e filme plástico do tipo "stretch" são insumos pois indispensáveis ao adequado armazenamento e transporte das mercadorias produzidas pela Contribuinte, face ao tamanho reduzido das embalagens. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 17 39 /2 01 0- 05 Fl. 357DF CARF MF Processo nº 11020.001739/201005 Acórdão n.º 9303006.053 CSRFT3 Fl. 3 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela FAZENDA NACIONAL com fulcro nos artigos 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, buscando a reforma do Acórdão nº 3802001.626, proferido em 28/02/2013, que possui ementa nos seguintes termos: ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 PIS/PASEP. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITO. INSUMO. CONCEITO. CUSTO DE PRODUÇÃO. DESPESAS DE VENDA. EXIGÊNCIAS REGULATÓRIAS INDISPENSÁVEIS AO EXERCÍCIO DA ATIVIDADE ECONÔMICA. O conceito de insumo, ressalvadas as exceções expressamente previstas na Lei nº 10.833/2003, abrange o custo de produção (DecretoLei n. 1.598, de 1977, art. 13, § 1º; Decreto n. 3.000/1999, arts. 290 e 291) e as despesas de venda do produto industrializado, quando incorridas para atender exigências regulatórias indispensáveis ao exercício de determinada atividade econômica ou à comercialização de um produto. LACTICÍNIOS. MATERIAL DE EMBALAGEM. AQUISIÇÃO DE “PALLETS” DE MADEIRA. PLÁSTICO DE COBERTO. FILME PLÁSTICO DO TIPO “STRETCH”. INSUMO. DIREITO AO CRÉDITO RECONHECIDO. Fl. 358DF CARF MF Processo nº 11020.001739/201005 Acórdão n.º 9303006.053 CSRFT3 Fl. 4 3 Não cabe, à luz das disposições da Instruções Normativas n° 247/2002 e n° 404/2004, restringir o direito ao crédito às embalagens incorporadas ao produto no processo de industrialização. No segmento de laticínios, a paletização que envolve o acondicionamento no “pallet”, plástico de coberto e colocação do filme “strecht” não é realizada apenas para fins de transporte, mas para a própria estocagem do produto no estabelecimento industrial. Decorre ainda de normas de controle sanitário na área de alimentos (Portaria SVS/MS nº 326, de 30 de julho de 1997), que exigem o acondicionamento dos produtos acabados em estrados (item 5.3.10), de forma a impedir a contaminação e a ocorrência de alteração ou danos ao recipiente ou embalagem (item 8.8.1). Tratandose, assim, de acondicionamento diretamente relacionado à produção do bem e que decorre de exigências sanitárias, deve ser reconhecido o direito ao crédito. RECEITAS DECORRENTES DA VENDA DE PRODUTOS SUJEITO À ALÍQUOTA ZERO. CRITÉRIO DE RATEIO PROPORCIONAL. O critério de rateio proporcional, nos termos do art. 3º, §§ 7º e 8º, II, da Lei nº 10.883/2003, deve considerar a totalidade da receita bruta auferida no mês, e não apenas as receitas do estabelecimento produtor de bens sujeitos à alíquota zero. Recurso Voluntário Provido em Parte. Direito Creditório Reconhecido em Parte. Em face da referida decisão, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial alegando divergência jurisprudencial quanto ao reconhecimento do direito de crédito das contribuições não cumulativas com relação a materiais de embalagem, acondicionamento e transporte – empregados na “palletização” – concedidos em sede de julgamento de recurso voluntário. Colacionou como paradigmas os acórdãos 3302002.027 e 310100.795. O recurso especial da Fazenda Nacional foi admitido por meio de despacho proferido pelo Presidente da 2ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento em exercício à época. A Cooperativa Santa Clara apresentou contrarrazões postulando a negativa de provimento ao recurso especial. Na mesma oportunidade apresentou recurso especial, que, todavia, teve o seguimento negado, razão pela qual não será objeto de exame por este Colegiado. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.045, de 12/12/2017, proferido no julgamento do processo 11020.001732/201085, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 359DF CARF MF Processo nº 11020.001739/201005 Acórdão n.º 9303006.053 CSRFT3 Fl. 5 4 Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303006.045): "Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional atende aos pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, devendo, portanto, ter prosseguimento. Mérito A discussão principal posta nos autos referese ao conceito de insumos para determinação se pode ser utilizado pela Contribuinte como crédito de PIS/Pasep os gastos incorridos com os materiais utilizados para a “palletização” – material de embalagem, acondicionamento e transporte dos produtos finais para a venda. Cumpre observar ter sido deferido nos presentes autos o direito ao creditamento das aquisições de matérias de embalagem (pallets de madeira), plástico de coberto e filme plástico do tipo “stretch”, com fulcro na atividade econômica desempenhada pela Contribuinte; na essencialidade dos referidos insumos para a produção e, ainda, nas exigências sanitárias correspondentes para o processo produtivo e de transporte, além da própria estocagem no estabelecimento industrial. Para o reconhecimento do direito ao crédito e reforma da decisão proferida pela DRJ, o acórdão recorrido passou ao largo da apresentação de provas pela Contribuinte, razão pela qual esse aspecto encontrase superado na presente demanda. Portanto, a discussão a ser travada no recurso especial referese à possibilidade de deferimento de créditos de PIS/Pasep dos valores relativos à aquisição de “pallets” de madeira, plástico de coberto e colocação do plástico filme “stretch”. Inicialmente, explicitase o conceito de insumos adotado no presente voto, para posteriormente adentrarse à análise dos itens individualmente. A sistemática da nãocumulatividade para as contribuições do PIS e da COFINS foi instituída, respectivamente, pela Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002 (PIS) e pela Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003 (COFINS). Em ambos os diplomas legais, o art. 3º, inciso II, autorizase a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda.1 1 Lei nº 10.637/2002 (PIS). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; [...]. Lei nº 10.8332003 (COFINS). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...]II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; [...] Fl. 360DF CARF MF Processo nº 11020.001739/201005 Acórdão n.º 9303006.053 CSRFT3 Fl. 6 5 O princípio da nãocumulatividade das contribuições sociais foi também estabelecido no §12º, do art. 195 da Constituição Federal, por meio da Emenda Constitucional nº 42/2003, consignandose a definição por lei dos setores de atividade econômica para os quais as contribuições sociais dos incisos I, b; e IV do caput, dentre elas o PIS e a COFINS. 2 A disposição constitucional deixou a cargo do legislador ordinário a regulamentação da sistemática da nãocumulatividade do PIS e da COFINS. Por meio das Instruções Normativas nºs 247/02 (com redação da Instrução Normativa nº 358/2003) (art. 66) e 404/04 (art. 8º), a Secretaria da Receita Federal trouxe a sua interpretação dos insumos passíveis de creditamento pelo PIS e pela COFINS. A definição de insumos adotada pelos mencionados atos normativos é excessivamente restritiva, assemelhandose ao conceito de insumos utilizado para utilização dos créditos do IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados, estabelecido no art. 226 do Decreto nº 7.212/2010 (RIPI). As Instruções Normativas nºs 247/2002 e 404/2004, ao admitirem o creditamento apenas quando o insumo for efetivamente incorporado ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, aproximandose da legislação do IPI que traz critério demasiadamente restritivo, extrapolaram as disposições da legislação hierarquicamente superior no ordenamento jurídico, a saber, as Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, e contrariaram frontalmente a finalidade da sistemática da nãocumulatividade das contribuições do PIS e da COFINS. Patente, portanto, a ilegalidade dos referidos atos normativos. Nessa senda, entendese igualmente impróprio para conceituar insumos adotarse o parâmetro estabelecido na legislação do IRPJ Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, pois demasiadamente amplo. Pelo raciocínio estabelecido a partir da leitura dos artigos 290 e 299 do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99), poderseia enquadrar como insumo todo e qualquer custo da pessoa jurídica com o consumo de bens ou serviços integrantes do processo de fabricação ou da prestação de serviços como um todo. Em Declaração de Voto apresentada nos autos do processo administrativo nº 13053.000211/200672, em sede de julgamento de recurso especial pelo Colegiado da 3ª Turma da CSRF, o ilustre Conselheiro Gileno Gurjão Barreto assim se manifestou: [...] permaneço não compartilhando do entendimento pela possibilidade de utilização isolada da legislação do IR para alcançar a definição de "insumos" pretendida. Reconheço, no entanto, que o raciocínio é auxiliar, é instrumento que pode ser utilizado para dirimir controvérsias mais estritas. Isso porque a utilização da legislação do IRPJ alargaria sobremaneira o conceito de "insumos" ao equiparálo ao conceito contábil de "custos e despesas operacionais" que abarca todos os custos e despesas que contribuem para a atividade de uma empresa (não apenas a sua produção), o que distorceria a interpretação da legislação ao ponto de tornála inócua e de resultar em indesejável esvaziamento da função social dos tributos, passando a desonerar não o produto, mas sim o produtor, subjetivamente. 2 Constituição Federal de 1988. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: [...] b) a receita ou o faturamento; [...] IV do importador de bens ou serviços do exterior, ou de quem a lei a ele equiparar. [...]§ 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. (grifouse) Fl. 361DF CARF MF Processo nº 11020.001739/201005 Acórdão n.º 9303006.053 CSRFT3 Fl. 7 6 As Despesas Operacionais são aquelas necessárias não apenas para produzir os bens, mas também para vender os produtos, administrar a empresa e financiar as operações. Enfim, são todas as despesas que contribuem para a manutenção da atividade operacional da empresa. Não que elas não possam ser passíveis de creditamento, mas tem que atender ao critério da essencialidade. [...] Estabelece o Código Tributário Nacional que a segunda forma de integração da lei prevista no art. 108, II, do CTN são os Princípios Gerais de Direito Tributário. Na exposição de motivos da Medida Provisória n. 66/2002, in verbis, afirmase que “O modelo ora proposto traduz demanda pela modernização do sistema tributário brasileiro sem, entretanto, pôr em risco o equilíbrio das contas públicas, na estrita observância da Lei de Responsabilidade Fiscal. Com efeito, constitui premissa básica do modelo a manutenção da carga tributária correspondente ao que hoje se arrecada em virtude da cobrança do PIS/Pasep.” Assim sendo, o conceito de "insumos", portanto, muito embora não possa ser o mesmo utilizado pela legislação do IPI, pelas razões já exploradas, também não pode atingir o alargamento proposto pela utilização de conceitos diversos contidos na legislação do IR. Ultrapassados os argumentos para a não adoção dos critérios da legislação do IPI nem do IRPJ, necessário estabelecerse o critério a ser utilizado para a conceituação de insumos. Diante do entendimento consolidado deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, inclusive no âmbito desta Câmara Superior de Recursos Fiscais, o conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, inciso II da Lei 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária" construída pelo CARF, na qual, para definir insumos, buscase a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte. Conceito mais elaborado de insumo, construído a partir da jurisprudência do próprio CARF e norteador dos julgamentos dos processo no referido órgão, foi consignado no Acórdão nº 9303003.069, resultante de julgamento da CSRF em 13 de agosto de 2014: [...] Portanto, "insumo" para fins de creditamento do PIS e da COFINS não cumulativos, partindo de uma interpretação histórica, sistemática e teleológica das próprias normas instituidoras de tais tributos (Lei no. 10.637/2002 e 10.833/2003), deve ser entendido como todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo. Nessa linha relacional, para se verificar se determinado bem ou serviço prestado pode ser caracterizado como insumo para fins de creditamento do PIS e da COFINS, impende analisar se há: pertinência ao processo produtivo (aquisição do bem ou serviço especificamente para utilização na prestação do serviço ou na produção, ou, ao menos, para tornálo viável); essencialidade ao processo produtivo (produção ou prestação de serviço depende diretamente daquela aquisição) e possibilidade de emprego indireto no processo de produção (prescindível o consumo do bem ou a prestação de serviço em contato direto com o bem produzido). Portanto, para que determinado bem ou prestação de serviço seja considerado insumo gerador de crédito de PIS e COFINS, imprescindível a sua essencialidade ao Fl. 362DF CARF MF Processo nº 11020.001739/201005 Acórdão n.º 9303006.053 CSRFT3 Fl. 8 7 processo produtivo ou prestação de serviço, direta ou indiretamente, bem como haja a respectiva prova. Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço. O entendimento está refletido no voto do Ministro Relator Mauro Campbell Marques ao julgar o recurso especial nº 1.246.317MG, sintetizado na ementa: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo únic o, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de não cumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam Fl. 363DF CARF MF Processo nº 11020.001739/201005 Acórdão n.º 9303006.053 CSRFT3 Fl. 9 8 sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. (REsp 1246317/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/05/2015, DJe 29/06/2015) (grifouse) Ainda no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, o tema está novamente em julgamento no recurso especial nº 1.221.170 PR, pela sistemática dos recursos repetitivos, contendo votos pelo reconhecimento da ilegalidade das Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004 e aplicação de critério amplo/próprio na conceituação de insumo para os créditos de PIS e COFINS no regime não cumulativo. O julgamento não foi concluído até a presente data. A posição do Superior Tribunal de Justiça, para definição de insumo, mantémse pela adoção de critério próprio/amplo em função da receita, atendendo aos requisitos da pertinência, relevância e essencialidade. Embora existam casos isolados cujas decisões adotaram o critério restritivo (IPI), não há fato novo ou mudança de entendimento do Tribunal da Cidadania suficiente para acarretar mudança de posição da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Do contrário, estarseia adotando premissa de julgamento equivocada e, ainda, violando frontalmente o princípio da segurança jurídica. Portanto, são insumos, para efeitos do art. 3º, II da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003, todos os bens e serviços pertinentes ao processo produtivo e à prestação de serviços, ou ao menos que os viabilizem, podendo ser empregados direta ou indiretamente, e cuja subtração implica a impossibilidade de realização do processo produtivo e da prestação do serviço, objetando ou comprometendo a qualidade da própria atividade da pessoa jurídica. De posse do critério a ser adotado para definição dos insumos aptos a gerar créditos de PIS e COFINS não cumulativos, adentrarseá a análise do caso concreto. A Contribuinte é pessoa jurídica que, nos termos do art. 2º do seu Estatuto Social (fls. 41 a 63), exerce atividade econômica na área de alimentos e tem por objetivos sociais: Art. 2º A Sociedade objetiva, com base na colaboração recíproca a que se obrigam seus associados, promover: I o estímulo, o desenvolvimento e a defesa de suas atividades econômicas de caráter comum; II A importação, a exportação, a industrialização e a comercialização em comum de sua produção agrícola, produção animal em geral, pecuária e de hortifrutigranjeiros, industrializada ou em espécie, tais como carnes, ovos, peixes, frutas, cereais, verduras, legumes, gorduras, condimentos em geral; café e ervas para infusão, laticínios, margarinas e derivados de soja, massas alimentícias, farinhas e fermentos em geral; doces, pós para fabricação de doces, açúcar e adoçantes em geral, bebidas alcoólicas e não alcoólicas, xaropes e sucos em geral; animais vivos e ovos para incubação; alimentos para animais; plantas e flores naturais, etc, nos mercados locais, nacionais ou internacionais; [...] Fl. 364DF CARF MF Processo nº 11020.001739/201005 Acórdão n.º 9303006.053 CSRFT3 Fl. 10 9 Em razão de sua atividade econômica, sujeitase a controles e exigências de diversos órgãos públicos, exemplificativamente: Agência Nacional de Vigilância Sanitária ANVISA, Ministério da Agricultura, Serviço de Inspeção Federal, Ministério da Saúde. Pela peculiaridade da atividade econômica que exerce, fica obrigada a atender rígidas normas de higiene e limpeza, sendo que eventual não atendimento das exigências de condições sanitárias das instalações levaria à impossibilidade da produção ou na perda significativa da qualidade do produto fabricado. No que concerne às embalagens utilizadas para transporte no processo produtivo da Contribuinte, uma vez essenciais, pertinentes e relevantes para obtenção do produto final, há de se considerarem as mesmas como insumos. As embalagens são realmente necessárias à armazenagem/conservação do produto nas diversas fases do processo produtivo. Considerandose a atividade própria da Contribuinte, temse que os “pallets” utilizados para armazenagem e movimentação das matériasprimas e produtos na etapa da industrialização e na sua destinação para venda, também devem ser considerados como insumos. Para atendimento das exigências sanitárias impostas pelos órgãos públicos responsáveis pelo controle e fiscalização, na movimentação e na armazenagem das matériasprimas e dos bens a serem utilizados na fabricação do produto final, e dos produtos finais em si, não pode haver contato com o chão, justamente para se evitar a contaminação por microorganismos, constituindose em mais uma das razões pelas quais é imprescindível a utilização dos “pallets” na cadeia produtiva. Levandose em conta a significativa quantidade de matériasprimas e produtos que serão empregados no processo produtivo e que precisam ser armazenados e transportados no ambiente fabril, é indispensável à Contribuinte utilizarse de mecanismos e ferramentas que, além de garantirem a observância das normas de higiene e limpeza, impostas pela ANVISA, otimizem o seu processo produtivo. Há de ser destacada, nesse aspecto, a desnecessidade do consumo do produto em contato direto com o bem produzido, admitindose o emprego indireto no processo de produção para caracterizarse determinado bem como insumo. Assim, os pallets guardam nítida relação de pertinência, relevância e essencialidade com a atividade produtiva do Sujeito Passivo, constituindose em insumos do processo produtivo e da fase de comercialização passíveis de creditamento de PIS e COFINS não cumulativos. Com relação a esse item, essa 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais proferiu decisão em casos análogos, nos processos administrativos nºs 10925.720046/2012 12 e 10925.720686/201222, na sessão realizada, em que receberam a seguinte ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITO. INDÚSTRIA AVÍCOLA. INDUMENTÁRIA. A indumentária de uso obrigatório na indústria de processamento de carnes é insumo indispensável ao processo produtivo e, como tal, gera direito a crédito DO PIS/COFINS. PIS/COFINS. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITO PRESUMIDO DA ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. ALÍQUOTA. Após a alteração veiculada pela Lei nº 12.865, de 2013, expressamente interpretativa, indiscutivelmente, os insumos da indústria alimentícia que processem produtos de origem animal classificados Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18, adquiridos de não contribuintes farão jus ao crédito Fl. 365DF CARF MF Processo nº 11020.001739/201005 Acórdão n.º 9303006.053 CSRFT3 Fl. 11 10 presumido no percentual no percentual de 60% do que seria apurado em uma operação tributada. PIS/COFINS NÃOCUMULATIVOS. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS As leis instituidoras da sistemática nãocumulativa das contribuições PIS e COFINS, ao exigirem apenas que os insumos sejam utilizados na produção ou fabricação de bens, não condicionam a tomada de créditos ao "consumo" no processo produtivo, entendido este como o desgaste em razão de contato físico com os bens em elaboração. Comprovado que o bem foi empregado no processo produtivo e não se inclui entre os bens do ativo permanente, válido o crédito sobre o valor de sua aquisição. PIS/COFINS NÃOCUMULATIVOS. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. Nos termos do § 4º do art. 3º das Leis 10.637 e 10.833 "o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subsequentes". Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 TAXA SELIC. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. REP Provido em Parte e REC Provido em Parte Acordam os membros do Colegiado, por maioria, em dar provimento parcial aos recursos especiais da Fazenda Nacional e do sujeito passivo, nos seguintes termos: I) recurso especial da Fazenda Nacional: a) limpeza e desinfecção: por maioria, em negar provimento. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Relator) e Carlos Alberto Freitas Barreto; b) embalagens utilizadas para transporte: por maioria em negar provimento. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres e Carlos Alberto Freitas Barreto; c) despesas de períodos anteriores: por maioria, em negar provimento. Vencido o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres; d) serviços de lavagem de uniformes: pelo voto de qualidade, em dar provimento. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Valcir Gassen, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martinez López; e) percentual de crédito presumido: por unanimidade, em negar provimento; f) juros sobre multa de ofício: por maioria, em dar provimento. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martinez López; e II) recurso especial do sujeito passivo: a) indumentária: por maioria, em dar provimento. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Relator), Júlio César Alves Ramos, Rodrigo da Costa Pôssas e Carlos Alberto Freitas Barreto; e b) pallets: por maioria, em dar provimento. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Relator) e Carlos Alberto Freitas Barreto. Designados para redigir os votos vencedores o Conselheiro Júlio César Alves Ramos em relação às letras "a", “b” e “c” do item I e letra “b” do item II; e o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho em relação à letra a do item II. (grifouse) Há, ainda, de se examinar a caracterização dos materiais de acondicionamento e transporte plástico de coberto e filme plástico do tipo “stretch” – como insumos passíveis de gerar crédito de PIS/Pasep. Na linha relacional traçada no presente voto, considerandose que as mercadorias para serem devidamente armazenadas e transportadas após a produção, até chegarem ao consumidor final, exigem a utilização do plástico de coberto e do filme plástico do tipo “stretch”, é nítida a relação de pertinência, relevância e essencialidade com o processo produtivo, sendo imprescindível o seu reconhecimento como insumo. Fl. 366DF CARF MF Processo nº 11020.001739/201005 Acórdão n.º 9303006.053 CSRFT3 Fl. 12 11 Por fim, cumpre consignar que os itens, analisados no presente recurso especial, são empregados na “palletização” dos produtos a serem estocados e transportados pela Contribuinte, procedimento indispensável à correta armazenagem dos produtos face ao tamanho reduzido das embalagens individuais e, mais ainda, ao atendimento de exigências das normas de controle sanitário da área de alimentos, consoante Portaria SVS/MS (Secretaria de Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde) nº 326/1997. Diante do exposto, negase provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, mantendose o reconhecimento ao direito creditório da Contribuinte. " Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial da Fazenda Nacional foi conhecido e, no mérito, o colegiado negoulhe provimento. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 367DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.901646/2014-09
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Feb 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. NÃO CONHECIDA.
A matéria, que não foi expressamente contestada na impugnação, deve ser considerada como preclusa quando apresentada somente em fase recursal, não podendo ser conhecida por força de expressa disposição legal.
Numero da decisão: 3001-000.168
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Cássio Schappo que conheceu do Recurso.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo.
Nome do relator: ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. NÃO CONHECIDA. A matéria, que não foi expressamente contestada na impugnação, deve ser considerada como preclusa quando apresentada somente em fase recursal, não podendo ser conhecida por força de expressa disposição legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Cássio Schappo que conheceu do Recurso. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo. Relatório Cuidase de recurso voluntário (fls. 84/85) interposto em face do Acórdão 09 58.395, da 3ª Turma Delegacia da Receita Federal do Brasil em Juiz de Fora (MG) DRJ/JFA (fls. 75 a 79), que, em sessão de julgamento realizada em 29.09.2015, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, por conseguinte, ratificando o despacho decisório que deferiu parcialmente o direito creditório e homologou, também parcialmente, a compensação declarada a ele vinculada. Dos fatos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 16 46 /2 01 4- 09 Fl. 107DF CARF MF 2 Como forma de elucidar os fatos ocorridos, e em prestígio à economia processual, colaciono o relatório do acórdão recorrido: Em análise no presente processo o litígio decorrente do Despacho Decisório de fl. 32, emitido eletronicamente pelo SCC quando da análise dos PERDCOMPs a seguir discriminados, por intermédio dos quais a contribuinte identificada pretendeu utilizar o saldo credor do IPI apurado no 1º trimestre/2009, valor R$ 44.892,06 para a compensação de débitos, com fulcro no art. 11 da Lei nº 9.779/99. (...) Da análise eletrônica pelo SCC resultou o RECONHECIMENTO PARCIAL DO DIREITO CREDITÓRIO, no montante de R$ 40.392,05 e a HOMOLOGAÇÃO PARCIAL da DCOMP transmitida, na forma indicada na planilha retro, sob os seguintes fundamentos: Analisadas as informações prestadas no PER/DCOMP e período de apuração acima identificados, constatouse o seguinte: Valor do crédito solicitado/utilizado: R$ 44.892,06 Valor do crédito reconhecido: R$ 40.392,05 O valor do crédito reconhecido foi inferior ao solicitado/utilizado em razão do(s) seguinte(s) motivo(s): Ocorrência de glosa de créditos considerados indevidos. Constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento é inferior ao valor pleiteado. Informações complementares da análise do crédito estão disponíveis na página internet da Receita Federal, e integram este despacho. Cientificada do Despacho Decisório e intimada a recolher o crédito tributário decorrente da nãohomologação parcial da compensação com os acréscimos moratórios pertinentes, em 15/05/2014 (fl. 37), manifestou a pleiteante a sua inconformidade em 06/06/2014, por meio do arrazoado de fls. 02/03, alegando, em síntese: os resumos mensais do RAIPI do 1º trimestre/2009 [doc 4] apresentam a mesma composição de débitos e créditos informados no PER 20463.58656.111209.1.1.016052, conforme demonstrativo a seguir: (...) da mesma forma, na DIPJ/2009, onde também foram informados os valores acima, coincidentes com aqueles lançados no PER; assim, o saldo credor passível de ressarcimento é da ordem de R$44.892,06, igual ao montante pleiteado, que deverá ser reconhecido na sua totalidade. Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10830.901646/201409 Acórdão n.º 3001000.168 S3C0T1 Fl. 108 3 Da decisão de 1ª instância A 3ª Turma da DRJ/JFA, ao indeferir solicitação contida na manifestação de inconformidade, exarou citado acórdão, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 I RESSARCIMENTO. GLOSA DE CRÉDITOS. CNPJ DO EMITENTE DA NOTA FISCAL BAIXADO NO CADASTRO. NÃO CONTESTAÇÃO. DEFINITIVIDADE DA GLOSA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, tornandose a glosa definitiva na esfera administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Do recurso voluntário Com a ciência da decisão a quo, o contribuinte interpõe recurso voluntário para, depois de breve contextualização dos fatos inerentes ao presentes autos, aduzir: 1 reafirma que a glosa parcial, no valor R$ 4.500,01, decorreu da constatação de o estabelecimento emitente da Nota Fiscal 12515 de 26.12.2008 (colacionada no Anexo III) encontrarse com a situação "Baixado" no cadastro do sistema CNPJ (Anexo IV); 2 que, porém, referida baixa se deu por incorporação, conforme evidencia o comprovante de inscrição no CNPJ, e o contribuinte, ao registrar referida nota fiscal em seu Livro Registro de Entradas, utilizou o CNPJ incorporado/baixado (88.939.236/000139) ao invés de utilizar o da incorporadora (42.150.391/003781); 3 que no documento fiscal, no campo "Dados Adicionais", consta a Razão Social entre outras informações da incorporadora que apresenta CNPJ em situação regular (Anexo V). Requer, diante das informações prestadas e documentos anexados, seja considerado o CNPJ correto do emitente do documento fiscal (12515) e que o crédito pleiteado seja reconhecido em sua totalidade (R$ 44.892,06). É o relatório. Voto Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Relator Da tempestividade Fl. 109DF CARF MF 4 O sujeito passivo recorrente foi cientificado do acórdão vergastado em 11.11.2015 (quartafeira), por ocasião do recebimento do Aviso de Recebimento AR de fls. 81/82. Em 10.12.2015 (quintafeira) é registrada a solicitação de juntada do recurso voluntário e demais documentos, conforme depreendese do "Termo de Análise de Solicitação de Juntada" acostado à fl. 105. Na hipótese dos autos, em face da legislação processual aplicável (Decreto 70.235 de 1972) e do disposto no RICARF de 2015, termo ad quem para a apresentação do recurso voluntário é 11.12.2015 (sextafeira). Portanto, o referido recurso voluntário é tempestivo, contudo, dele não se conhece. Do juízo de admissibilidade De plano, do cotejo entre a impugnação e a peça recursal ora examinada revela que, quando da impugnação, o contribuinte em nenhum momento arguiu, naquela primeira oportunidade, acerca da glosa do valor R$ 4.500,01, levada a efeito pela autoridade fiscal emitente do Despacho Decisório de fl. 32, tampouco insurgiuse quanto ao fato de o estabelecimento emitente da Nota Fiscal 12515 encontrarse, à época, na situação "Baixado" no cadastro CNPJ. Vale transcrever a legislação que discorre sobre a matéria que deve versar na impugnação administrativa: Decreto nº 70.235/1972 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Transcrevo, por oportuno, excertos do Código de Processo Civil (CPC) Lei 13.105 de 16.03.2015: Art. 141. O juiz decidirá o mérito nos limites propostos pelas partes, sendolhe vedado conhecer de questões não suscitadas a cujo respeito a lei exige iniciativa da parte. (...) Art. 223. Decorrido o prazo, extinguese o direito de praticar ou de emendar o ato processual, independentemente de declaração judicial, ficando assegurado, porém, à parte provar que não o realizou por justa causa. (...) Art. 329. O autor poderá: Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10830.901646/201409 Acórdão n.º 3001000.168 S3C0T1 Fl. 109 5 I até a citação, aditar ou alterar o pedido ou a causa de pedir, independentemente de consentimento do réu; II até o saneamento do processo, aditar ou alterar o pedido e a causa de pedir, com consentimento do réu, assegurado o contraditório mediante a possibilidade de manifestação deste no prazo mínimo de 15 (quinze) dias, facultado o requerimento de prova suplementar. Parágrafo único. Aplicase o disposto neste artigo à reconvenção e à respectiva causa de pedir. (...) Art. 492. É vedado ao juiz proferir decisão de natureza diversa da pedida, bem como condenar a parte em quantidade superior ou em objeto diverso do que lhe foi demandado. Parágrafo único. A decisão deve ser certa, ainda que resolva relação jurídica condicional. (...) Mister notar que o recorrente não pode modificar o pedido ou invocar outra causa petendi (causa de pedir) nesta fase do contencioso, sob pena de violação do princípio da congruência e ofensa às normas processuais que rege, especificamente, o Processo Administrativo Fiscal Federal, bem assim, em geral às relativas ao Processo Civil, mormente quando não há motivo para só agora aduzir os questionamentos referidos. Esclareçase, por fim, que tal fato foi devidamente observado pelo colegiado a quo, como evidencia a ementa do acórdão vergastado. Da conclusão Ante o exposto, com base nos fundamentos acima expendidos, a matéria é preclusa, por força de expressa disposição legal e, portanto, não pode ser conhecida. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 111DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.987786/2012-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Oct 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
DIREITO DE DEFESA - AVALIAÇÃO CONCRETA
Alegações genéricas de violação do direito de defesa, sem respaldo concreto nas decisões e despachos decisórios atacados, não dão azo à anulação dessas manifestações administrativas. Ainda que o despacho decisório fosse nulo, o reconhecimento da nulidade não ensejaria a homologação da compensação sem a apreciação de mérito.
Numero da decisão: 1401-001.968
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009 DIREITO DE DEFESA - AVALIAÇÃO CONCRETA Alegações genéricas de violação do direito de defesa, sem respaldo concreto nas decisões e despachos decisórios atacados, não dão azo à anulação dessas manifestações administrativas. Ainda que o despacho decisório fosse nulo, o reconhecimento da nulidade não ensejaria a homologação da compensação sem a apreciação de mérito.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1458; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 2 1 1 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.987786/201209 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1401001.968 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 22 de junho de 2017 Matéria Restituição Recorrente CAMARGO & VARGAS G4 CORRETAGEM DE SEGUROS LTDA. EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 DIREITO DE DEFESA AVALIAÇÃO CONCRETA Alegações genéricas de violação do direito de defesa, sem respaldo concreto nas decisões e despachos decisórios atacados, não dão azo à anulação dessas manifestações administrativas. Ainda que o despacho decisório fosse nulo, o reconhecimento da nulidade não ensejaria a homologação da compensação sem a apreciação de mérito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 98 77 86 /2 01 2- 09 Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10880.987786/201209 Acórdão n.º 1401001.968 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento que indeferiu manifestação de inconformidade apresentada contra despacho não homologatório de compensação declarada. No referido recurso, o contribuinte alega que a decisão recorrida: 1) não considerou os princípios constitucionais da motivação e da ampla defesa, o que impediu o particular de apresentar defesa e de demonstrar a existência do crédito; 2) o princípio da motivação foi violado, uma vez que a autoridade indeferiu a homologação da compensação sob o fundamento de inexistência do crédito, sem qualquer outro esclarecimento, enquanto a decisão de primeiro grau aduziu que havia fundamentação fazendo menção genérica a artigos genéricos da legislação tributária; 3) essas decisões impediram a recorrente de apresentar uma defesa concreta. Com base nesses fundamentos, o recorrente pede a nulidade do despacho decisório e a homologação da compensação. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401001.937, de 22.06.2017, proferido no julgamento do Processo nº 10880.658691/201272. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401001.937): Evidentemente, os princípios constitucionais concretizadores do devido processo legal, como a fundamentação dos atos e decisões, a ampla defesa e o contraditório, devem ser atendidos também nos processos administrativos. Os particulares devem ser capazes de identificar as razões que motivaram as prescrições veiculadas nas manifestações das autoridades administrativas que se refiram a seus direitos. Nesse sentido, diferentemente do alegado pela recorrente, tanto o despacho decisório, quanto à decisão de primeira instância ofereceram com especificidade os elementos aptos ao particular Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10880.987786/201209 Acórdão n.º 1401001.968 S1C4T1 Fl. 4 3 identificar com precisão as razões concretas para não ter a compensação homologada. Em primeiro lugar, a Delegacia de Julgamento não fundamenta a sua decisão com base em menção genérica a dispositivos legais. Pelo contrário, sua análise é fática e específica. A decisão recorrida aponta de forma minuciosa as razões de fato que ensejaram o despacho decisório denegatório da homologação, as quais, com efeito, constam do referido despacho. Para haver compensação, é necessário o reconhecimento do indébito tributário, o qual, uma vez indeferido, corresponde ao próprio fundamento da não homologação. Claro que o indeferimento do crédito ao qual o contribuinte considera fazer jus também deve ser motivado, mas foi e em quadro próprio que compõe o despacho decisório atacado. O despacho decisório são se restringiu, diferentemente do alegado pelo recorrente, a apontar genericamente a inexistência do indébito. Em quadro próprio, apresenta as razões fáticas para o não reconhecimento do crédito alegado. Já a Delegacia de Julgamento discorre com minúcias acerca dessas razões fáticas. Reiteramos: sua decisão acerca da motivação do despacho decisório não se restringiu a alegações genéricas calcadas em dispositivos da legislação tributário, como indevidamente o recorrente afirma em sua peça recursal. Tal estratégia é que pode ser imputada ao contribuinte, pois, ao revés de buscar demonstrar concretamente o seu direito creditório, apegase exclusivamente, tanto na manifestação de inconformidade, quanto no recurso voluntário, na tentativa de anular os atos decisórios administrativos e na esperança de que uma decisão desse jaez tivesse também a consequência de homologar as compensações declaradas. Claro que nem um, nem o outro pedido pode ser deferido. Não podemos deixar de consignar que cabe ao particular comprovar o seu direito de crédito contra o Fisco, o que poderia ter sido realizado, em face do princípio da eventualidade, até em sede recursal. Afinal, a nulidade da despacho decisório, diferentemente do pretendido pelo recorrente, não pode ter por efeitos imediatos o reconhecimento do indébito tributário. A consequência natural é a necessidade de refazer os atos nulos, o que pode ser superada com o provimento de mérito a favor do particular, nos termos do art. 59, § 3º, do Decreto nº 70.235/72: § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. Nada obstante, o contribuinte postouse numa cômoda, mas absolutamente indevida, condição de tecer alegações genéricas Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10880.987786/201209 Acórdão n.º 1401001.968 S1C4T1 Fl. 5 4 contra o despacho decisório sem envidar qualquer esforço concreto para demonstrar, no mérito, o seu direito de crédito contra o Fazenda Pública. É importante reiterar. Ainda que considerássemos nulo o despacho decisório e, conseguintemente, a decisão da Delegacia de Julgamento, tal nulidade não acarretaria o reconhecimento de indébito tributário e, conseguintemente, a homologação da compensação pretendida. Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 62DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.010196/2006-71
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Sep 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2005
INSTITUIÇÕES DE EDUCAÇÃO SEM FINS LUCRATIVOS. MENSALIDADES ESCOLARES. RECEITAS DA ATIVIDADE PRÓPRIA. ISENÇÃO (SÚMULA CARF 107).
Conforme Súmula CARF nº 107, A receita da atividade própria, objeto da isenção da Cofins prevista no art. 14, X, c/c art. 13, III, da MP nº 2.158-35, de 2001, alcança as receitas obtidas em contraprestação de serviços educacionais prestados pelas entidades de educação sem fins lucrativos a que se refere o art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997.
RECURSO ESPECIAL CONTRARIANDO SÚMULA DO CARF. NÃO CONHECIMENTO.
O § 3º do art. 67 do RICARF estabelece que Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso.
DEMAIS RECEITAS DE INSTITUIÇÕES DE EDUCAÇÃO, NÃO ORIUNDAS DE MENSALIDADES ESCOLARES. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO AFASTADA NO REGIME CUMULATIVO.
As demais receitas de instituições de educação, que não sejam de mensalidades escolares (como as decorrentes de aplicações financeiras), não estão abarcadas nem pela imunidade nem por precedentes administrativos ou judiciais vinculantes que determinem o reconhecimento da sua isenção, mas afastada está a sua inclusão na base de cálculo no regime cumulativo de apuração da Cofins, em razão da inconstitucionalidade do chamado alargamento da base de cálculo, que culminou na revogação do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98.
IMUNIDADE. APLICAÇÃO RESTRITA ÀS ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL.
As instituições de educação sem fins lucrativos são imunes somente aos impostos sobre patrimônio, renda ou serviços, conforme art. 150, VI, c, da Constituição Federal, estando restrita a limitação da competência tributária para a instituição de contribuições para a seguridade social, trazida no art. 195, § 7º, apenas às entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-005.771
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial e, no mérito, na parte conhecida, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Valcir Gassen (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2005 INSTITUIÇÕES DE EDUCAÇÃO SEM FINS LUCRATIVOS. MENSALIDADES ESCOLARES. RECEITAS DA ATIVIDADE PRÓPRIA. ISENÇÃO (SÚMULA CARF 107). Conforme Súmula CARF nº 107, A receita da atividade própria, objeto da isenção da Cofins prevista no art. 14, X, c/c art. 13, III, da MP nº 2.158-35, de 2001, alcança as receitas obtidas em contraprestação de serviços educacionais prestados pelas entidades de educação sem fins lucrativos a que se refere o art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997. RECURSO ESPECIAL CONTRARIANDO SÚMULA DO CARF. NÃO CONHECIMENTO. O § 3º do art. 67 do RICARF estabelece que Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. DEMAIS RECEITAS DE INSTITUIÇÕES DE EDUCAÇÃO, NÃO ORIUNDAS DE MENSALIDADES ESCOLARES. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO AFASTADA NO REGIME CUMULATIVO. As demais receitas de instituições de educação, que não sejam de mensalidades escolares (como as decorrentes de aplicações financeiras), não estão abarcadas nem pela imunidade nem por precedentes administrativos ou judiciais vinculantes que determinem o reconhecimento da sua isenção, mas afastada está a sua inclusão na base de cálculo no regime cumulativo de apuração da Cofins, em razão da inconstitucionalidade do chamado alargamento da base de cálculo, que culminou na revogação do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. IMUNIDADE. APLICAÇÃO RESTRITA ÀS ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. As instituições de educação sem fins lucrativos são imunes somente aos impostos sobre patrimônio, renda ou serviços, conforme art. 150, VI, c, da Constituição Federal, estando restrita a limitação da competência tributária para a instituição de contribuições para a seguridade social, trazida no art. 195, § 7º, apenas às entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. Recurso Especial do Procurador Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial e, no mérito, na parte conhecida, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Valcir Gassen (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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MENSALIDADES ESCOLARES. RECEITAS DA ATIVIDADE PRÓPRIA. ISENÇÃO (SÚMULA CARF 107). Conforme Súmula CARF nº 107, “A receita da atividade própria, objeto da isenção da Cofins prevista no art. 14, X, c/c art. 13, III, da MP nº 2.15835, de 2001, alcança as receitas obtidas em contraprestação de serviços educacionais prestados pelas entidades de educação sem fins lucrativos a que se refere o art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997”. RECURSO ESPECIAL CONTRARIANDO SÚMULA DO CARF. NÃO CONHECIMENTO. O § 3º do art. 67 do RICARF estabelece que “Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso”. DEMAIS RECEITAS DE INSTITUIÇÕES DE EDUCAÇÃO, NÃO ORIUNDAS DE MENSALIDADES ESCOLARES. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO AFASTADA NO REGIME CUMULATIVO. As demais receitas de instituições de educação, que não sejam de mensalidades escolares (como as decorrentes de aplicações financeiras), não estão abarcadas nem pela imunidade nem por precedentes administrativos ou judiciais vinculantes que determinem o reconhecimento da sua isenção, mas afastada está a sua inclusão na base de cálculo no regime cumulativo de apuração da Cofins, em razão da inconstitucionalidade do chamado “alargamento” da base de cálculo, que culminou na revogação do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 01 01 96 /2 00 6- 71 Fl. 369DF CARF MF Processo nº 10380.010196/200671 Acórdão n.º 9303005.771 CSRFT3 Fl. 370 2 IMUNIDADE. APLICAÇÃO RESTRITA ÀS ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. As instituições de educação sem fins lucrativos são imunes somente aos impostos sobre patrimônio, renda ou serviços, conforme art. 150, VI, “c”, da Constituição Federal, estando restrita a limitação da competência tributária para a instituição de contribuições para a seguridade social, trazida no art. 195, § 7º, apenas às entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial e, no mérito, na parte conhecida, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Valcir Gassen (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência, interposto pela Fazenda Nacional, contra o Acórdão 3403002.298, de 25/6/2013, proferido pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF, sob a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 (...) COFINS. ISENÇÃO. INSTITUIÇÕES DE EDUCAÇÃO. RECEITAS DE ATIVIDADES PRÓPRIAS. São isentas de Cofins as receitas relativas às atividades próprias das instituições de educação que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. A Fazenda Nacional requer e reforma do acórdão sob o fundamento de que o contribuinte não faz jus à isenção da Cofins, pois o conceito de receitas relativas às atividades próprias não envolve contraprestação financeira por serviço realizado, e esta seria a única dicção possível do art. 13, III, c/c art. 14, X, da MP nº 2.15835/2001. Fl. 370DF CARF MF Processo nº 10380.010196/200671 Acórdão n.º 9303005.771 CSRFT3 Fl. 371 3 E nessa mesma linha de raciocínio, as receitas de rendimentos financeiros não são relativas a atividades próprias de entidade beneficente, motivo pelo qual não podem gozar da isenção ou da imunidade concedida à atividade de assistência social, certo que gravitam em torno do mercado financeiro, e não em torno de filantropia. Acrescenta ainda que a norma isentiva, muito embora tenha feito remissão ao art. 12 da Lei nº 9.532/97, editado especificamente para regular a imunidade de que trata o art. 150, inciso VI, alínea "c", da CF/88, tem aplicação bem menos abrangente que a citada norma constitucional, porquanto exclui da tributação da Cofins apenas e tão somente as receitas decorrentes das “atividades próprias” das instituições de assistência social, sem fins lucrativos, ao contrário daquela outra, que retira a incidência de impostos sobre o patrimônio, renda ou serviços das mesmas entidades. Em Exame de Admissibilidade, foi dado prosseguimento ao Recurso. O contribuinte apresentou Contrarrazões, alegando como preliminar que o Recurso não poderia ser admitido, obedecendo ao comando do § 12, III, do art. 67 do RICARF, pois contrário à Súmula CARF nº 107. Em caráter sucessivo, no mérito alega que as atividades (próprias) definidas em seu Estatuto Social estão relacionadas à educação e que, para desenvolvêlas, o referido diploma prevê que uma das fontes de financiamento é a renda dos serviços prestados. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Vejamos o que diz a Súmula CARF nº 107: A receita da atividade própria, objeto da isenção da Cofins prevista no art. 14, X, c/c art. 13, III, da MP nº 2.15835, de 2001, alcança as receitas obtidas em contraprestação de serviços educacionais prestados pelas entidades de educação sem fins lucrativos a que se refere o art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997. E, agora, o que prescreve o RICARF: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. (...) § 3º Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. Fl. 371DF CARF MF Processo nº 10380.010196/200671 Acórdão n.º 9303005.771 CSRFT3 Fl. 372 4 A Súmula transcrita é tão abrangente a ponto de simplesmente não conhecer do Recurso Especial interposto, em observância ao disposto no RICARF? Penso que o termo “alcança” é suficiente para afastar a tributação das receitas decorrentes das mensalidades escolares, de cunho contraprestacional, mas não de todo e qualquer ingresso obtido pela entidade. Tanto é que outra manifestação – desta feita do Poder Judiciário (STJ) – que vincularia os conselheiros do CARF(a teor do art. 62, § 2º, do mesmo RICARF), claramente diz que trata exclusivamente das mensalidades escolares (não que afaste, mas sim que, simplesmente, não versa sobre outras receitas), que é o REsp nº 1.353.111/RS, cuja ementa transcrevo parcialmente a seguir (os grifos são originais): PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. COFINS. CONCEITO DE RECEITAS RELATIVAS ÀS ATIVIDADES PRÓPRIAS DAS ENTIDADES SEM FINS LUCRATIVOS PARA FINS DE GOZO DA ISENÇÃO PREVISTA NO ART. 14, X, DA MP N. 2.15835/2001. ILEGALIDADE DO ART. 47, II E § 2º, DA INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF N. 247/2002. SOCIEDADE CIVIL EDUCACIONAL OU DE CARÁTER CULTURAL E CIENTÍFICO. MENSALIDADES DE ALUNOS. 1. A questão central dos autos se refere ao exame da isenção da COFINS, contida no art. 14, X, da Medida Provisória n. 1.858/99 (atual MP n. 2.15835/2001), relativa às entidades sem fins lucrativos, a fim de verificar se abrange as mensalidades pagas pelos alunos de instituição de ensino como contraprestação desses serviços educacionais. O presente recurso representativo da controvérsia não discute quaisquer outras receitas que não as mensalidades, não havendo que se falar em receitas decorrentes de aplicações financeiras ou decorrentes de mercadorias e serviços outros (vg. estacionamentos pagos, lanchonetes, aluguel ou taxa cobrada pela utilização de salões, auditórios, quadras, campos esportivos, dependências e instalações, venda de ingressos para eventos promovidos pela entidade, receitas de formaturas, excursões, etc.) prestados por essas entidades que não sejam exclusivamente os de educação. (...) 6. Tese julgada para efeito do art. 543C, do CPC: as receitas auferidas a título de mensalidades dos alunos de instituições de ensino sem fins lucrativos são decorrentes de "atividades próprias da entidade", conforme o exige a isenção estabelecida no art. 14, X, da Medida Provisória n. 1.858/99 (atual MP n. 2.15835/2001), sendo flagrante a ilicitude do art. 47, § 2º, da IN/SRF n. 247/2002, nessa extensão. 7. Recurso especial não provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. Fl. 372DF CARF MF Processo nº 10380.010196/200671 Acórdão n.º 9303005.771 CSRFT3 Fl. 373 5 Vejase que a ementa, ao final, fala “nesta extensão”. Não abrange todas as receitas auferidas pela entidade, e a Fazenda Nacional, em seu Recurso Especial, fala expressamente, como já visto, que “o lançamento ocorreu por não terem sido oferecidas à tributação as receitas decorrentes de mensalidades, aluguéis e aplicações financeiras”. Sem dúvida, não poderia contestar a observação de alguém que aqui dissesse que esta discussão é totalmente inócua, já que, in casu, a Entidade era tributada pelo regime cumulativo de apuração da Cofins, e a inclusão na base de cálculo de outras receitas que não as típicas da atividade foi afastada em razão da inconstitucionalidade do chamado “alargamento” da base de cálculo, que culminou na revogação do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. Isto não se discute, razão pela qual não pode prosperar o Recurso da Procuradoria, mesmo na parte conhecida (restando a este Relator não deixar de consignar sua posição a respeito, caso a situação fosse outra, ou seja, que o regime fosse o da nãocumulatividade). No que se refere à imunidade – também a título de observação, já que não poderia aqui alterar o resultado do julgamento, na sua “materialidade”, mas considerando que o assunto foi aventado no Recurso –, atinge as instituições de educação sem fins lucrativos somente no tocante aos impostos sobre patrimônio, renda ou serviços, conforme art. 150, VI, “c”, da Constituição Federal, estando restrita a limitação da competência tributária para a instituição de contribuições para a seguridade social, trazida no art. 195, § 7º, apenas às entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei, as quais, aqui, somente em parte foram preenchidas. Ex positis, voto por não conhecer, em parte, do Recurso Especial interposto pela Procuradoria e, na parte conhecida, negar provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 373DF CARF MF
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