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Numero do processo: 19515.003957/2010-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jan 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/02/2006 a 31/12/2006
OPÇÃO PELO LUCRO PRESUMIDO. DISTRIBUIÇÃO AOS SÓCIOS. CARACTERIZAÇÃO COMO PRO LABORE.
Incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos pela empresa optante do lucro presumido a título de adiantamento de resultado, quando não restar comprovado que o lucro contábil foi maior que o montante distribuído. Art. 201, § 5°, do RPS/99, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
Súmula CARF n° 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
JUROS DE MORA. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DURANTE PROCESSO ADMINISTRATIVO.
Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral.
AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 68. ENTREGA DE GFIP COM OMISSÕES OU INCORREÇÕES.
Constitui infração à legislação previdenciária a entrega de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social - GFIP com incorreções ou omissão de informações relativas a fatos geradores de contribuições previdenciárias. No período anterior à Medida Provisória n° 448/2009, aplica-se o artigo 32, IV, § 5º, da Lei nº 8.212/91, salvo se a multa no hoje prevista no artigo 32-A da mesma Lei nº 8.212/91 for mais benéfica, em obediência ao artigo 106, II, do CTN.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-002.845
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao recurso, para que a multa seja calculada considerando as disposições do art. 32-A, inciso I, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela Lei n º 11.941/2009.
(assinado digitalmente)
LIEGE LACROIX THOMASI Presidente
(assinado digitalmente)
ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente da Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente da Turma), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e André Luís Mársico Lombardi.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/02/2006 a 31/12/2006 OPÇÃO PELO LUCRO PRESUMIDO. DISTRIBUIÇÃO AOS SÓCIOS. CARACTERIZAÇÃO COMO PRO LABORE. Incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos pela empresa optante do lucro presumido a título de adiantamento de resultado, quando não restar comprovado que o lucro contábil foi maior que o montante distribuído. Art. 201, § 5°, do RPS/99, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Súmula CARF n° 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. JUROS DE MORA. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DURANTE PROCESSO ADMINISTRATIVO. Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 68. ENTREGA DE GFIP COM OMISSÕES OU INCORREÇÕES. Constitui infração à legislação previdenciária a entrega de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social - GFIP com incorreções ou omissão de informações relativas a fatos geradores de contribuições previdenciárias. No período anterior à Medida Provisória n° 448/2009, aplica-se o artigo 32, IV, § 5º, da Lei nº 8.212/91, salvo se a multa no hoje prevista no artigo 32-A da mesma Lei nº 8.212/91 for mais benéfica, em obediência ao artigo 106, II, do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/02/2006 a 31/12/2006 OPÇÃO PELO LUCRO PRESUMIDO. DISTRIBUIÇÃO AOS SÓCIOS. CARACTERIZAÇÃO COMO PRO LABORE. Incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos pela empresa optante do lucro presumido a título de adiantamento de resultado, quando não restar comprovado que o lucro contábil foi maior que o montante distribuído. Art. 201, § 5°, do RPS/99, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Súmula CARF n° 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. JUROS DE MORA. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DURANTE PROCESSO ADMINISTRATIVO. Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 68. ENTREGA DE GFIP COM OMISSÕES OU INCORREÇÕES. Constitui infração à legislação previdenciária a entrega de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP com incorreções ou omissão de informações relativas a fatos geradores de contribuições previdenciárias. No período anterior à Medida Provisória n° 448/2009, aplicase o artigo 32, IV, § 5º, da Lei nº 8.212/91, salvo se a multa no hoje prevista no artigo 32A da mesma Lei nº 8.212/91 for mais benéfica, em obediência ao artigo 106, II, do CTN. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 39 57 /2 01 0- 16 Fl. 400DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/ 12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 2 Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao recurso, para que a multa seja calculada considerando as disposições do art. 32A, inciso I, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela Lei n º 11.941/2009. (assinado digitalmente) LIEGE LACROIX THOMASI – Presidente (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente da Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente da Turma), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e André Luís Mársico Lombardi. Fl. 401DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/ 12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 19515.003957/201016 Acórdão n.º 2302002.845 S2C3T2 Fl. 401 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão de primeira instância que julgou a impugnação do contribuinte improcedente, mantendo o crédito tributário lançado. Adotamos trecho do relatório do acórdão do órgão a quo (fls. 290/299), que bem resume o quanto consta dos autos: DA AUTUAÇÃO Tratase de Auto de Infração (AI) DEBCAD nº 37.313.4797, lavrado pela Fiscalização contra a empresa em epígrafe, por infração ao artigo 32, inciso IV, e parágrafo 5o da Lei no 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9528/97, c/c o artigo 225, inciso IV e parágrafo 4º do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3048/99. De acordo com o Relatório Fiscal da Infração de fls. 206/207, na ação fiscal desenvolvida no Contribuinte acima identificado, determinada pelo Mandado de Procedimento Fiscal MPF 0819000 2010 011080, com as alterações posteriores, verificou se que as Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP´s foram apresentadas com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Não foram declaradas em GFIP as remunerações pagas ou creditadas aos contribuintes individuais – sócios, nos termos do inciso III do artigo 22 da Lei nº 8212/91, como exposto a seguir: • No decorrer do procedimento fiscal, através da análise dos extratos bancários fornecidos pelo contribuinte, foram identificados, durante todo o ano calendário de 2006, lançamentos a débito na conta Unibanco Ag. 7335 c/ c 103229 4, com o histórico "PGTO SALARIOS", apesar de não haver empregados na empresa, conforme consulta aos dados constantes da GFIP Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social; • Considerandose, ainda, que a movimentação financeira não estava integralmente escriturada no Livro Caixa, o contribuinte foi intimado a apresentar esclarecimentos, tendo informado, conforme declarações em anexo, tratarse de transferências feitas aos sócios a titulo de distribuição de lucros, não sendo possível, entretanto, a identificação dos valores pagos a cada beneficiário. Estes pagamentos mensais, obtidos dos extratos bancários, encontramse discriminados no ANEXO 3 LUCROS DISTRIBUÍDOS / PAGAMENTO SALÁRIO; Fl. 402DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/ 12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 4 • O contribuinte entregou a DIPJ 2007 (ano calendário 2006) com opção de tributação pelo Lucro Presumido, mas com valores zerados nos rendimentos e na apuração dos tributos e contribuições; • Para as pessoas jurídicas optantes pelo lucro presumido, entendese por lucro passível de distribuição, o valor deste lucro, diminuído dos impostos e contribuições devidos, neles incluídos o IRPJ, CSLL, Cofins e contribuições para o PIS/Pasep. O item 2.2.1. apresenta a legislação relativa à distribuição de lucros para as pessoas jurídicas submetidas ao regime de tributação com base no lucro presumido; • Ao comparar o valor do lucro presumido calculado com base na Receita Apurada, e os valores pagos aos sócios, identificados nos extratos bancários, constatouse que o Contribuinte distribuiu lucro acima do valor permitido pelos critérios de apuração fixados para empresas que fizeram tal opção; • O procedimento fiscal foi encerrado parcialmente, com a ciência do Contribuinte, em 21/10/2010, tendo sido emitidos o AI relativo ao IRPJ e reflexos (processo nº 19515.003304/201037) e o Termo de Ciência e de Continuação de Procedimento Fiscal; • No encerramento parcial da fiscalização, foi apurada Omissão de Receita através das Notas Fiscais de Prestação de Serviços e a Presunção de Omissão de Receitas decorrentes dos créditos não comprovados do extrato bancário. Estes valores encontramse demonstrados nas planilhas anexas, integrantes do referido processo nº 19515.003304/201037: ANEXO 1 – PLANILHA DOS CRÉDITOS JUSTIFICADOS E NÃO JUSTIFICADOS (fls. 210/211); ANEXO 2 – DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DAS INFRAÇÕES (item 1 – RECEITAS BRUTAS OMITIDAS e item 2 – PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS) (fls. 212/213); • Uma vez que o contrato social prevê a distribuição de lucros aos sócios apenas no final de cada exercício financeiro, e o Contribuinte não apresentou escrituração contábil que comprovasse que o lucro contábil apurado superava o limite permitido, os valores pagos acima deste limite foram considerados como pagamento de remuneração a contribuintes individuais – sócios da empresa, a título de “pro labore”, pelo serviço prestado à empresa; • Pela impossibilidade de identificação dos valores pagos a cada sócio, conforme declaração da empresa, e considerando que os pagamentos de salário não estavam escriturados nos Livro Caixa, e que não foram apresentados todos os contratos de prestação de serviço e aditivos com a vinculação do sócio que efetivamente prestou o serviço, as remunerações foram apuradas por aferição indireta com base no art. 33, §§ 3° e 6° da Lei nº 8.212/91; • No quadro constante do ANEXO 4 (fls. 215/216), estão discriminados, por competência, as bases de cálculo, e respectivas contribuições omitidas da GFIP: Fl. 403DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/ 12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 19515.003957/201016 Acórdão n.º 2302002.845 S2C3T2 Fl. 402 5 Para a determinação da base de calculo foi calculado o Lucro Presumido (32%) sobre o total das receitas apuradas no ANEXO 4 e deduzidos os tributos correspondentes (IRPJ, CSLL, PIS e COFINS), que resultou no total permitido de Lucros a Distribuir. Estes valores foram deduzidos, por trimestre, do total dos lucros distribuídos (valores que constam nos extratos bancários como pagamento de salários), resultando os Valores Distribuídos a Maior (item 1 DISTRIBUIÇÃO DE LUCRO/PAGAMENTO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL SÓCIO); Tendo em vista o disposto no art. 725, do Decreto n° 3.000, de 26/03/1999 (RIR/99), foi efetuado o reajuste mensal dos Valores Distribuídos a Maior, considerados como pagamento líquido aos contribuintes individuais sócios, utilizandose a fórmula de reajustamento da base de calculo para a obtenção do rendimento bruto, de acordo com o art. 20 da Instrução Normativa SRF n 0 15, de 6 de fevereiro de 2001, que resultaram na tabela constante do item 2 REAJUSTAMENTO DA BASE DE CALCULO; Na coluna Rendimento Reajustável (RR) está discriminada a remuneração dos segurados contribuintes individuais Sócios não informados em GFIP, apuradas por aferição indireta, com base no art. 33, §§ 3° e 6° da Lei nº 8.212/91. Foram utilizadas as alíquotas de 20% para cálculo da contribuição da empresa. Como não foi possível a identificar o valor pago a cada sócio, foi utilizada a alíquota de 11% para a contribuição do segurado, sem o limite máximo do salário de contribuição. Foram anexadas às fls. 175/187 as telas do sistema informatizado, onde constam as GFIP's enviadas eletronicamente por competência, com as respectivas base de cálculo. O Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, fls. 208 a 209, informa que foi aplicada multa conforme artigo 32, parágrafo 5º da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela Lei n.º 9.528/97, e artigos 284, inciso II, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, correspondente a 100% do valor da contribuição previdenciária não declarada, limitada, por competência, a um múltiplo do valor mínimo, correspondente nesta data a R$ 1.431,79 (Portaria Interministerial MPS/MF n° 333, de 29/06/2010, com alteração da Portaria Interministerial MPS/MF n° 408, de 17/08/2010, publicada no DOU em 18/08/2010) em razão do número de segurados da empresa verificado no Contrato Social. No período de 01/2006 a 12/2006, a empresa permaneceu na faixa de 16 a 50 segurados, equivalente ao limite, por competência, de 2 vezes o valor mínimo. O quadro constante do ANEXO 5 (fl. 217) demonstra o cálculo da multa aplicada, por competência. A multa aplicada é o menor valor entre aqueles constantes da colunas "Total da contribuição devida, por competência" e "Valor limite em função n° Fl. 404DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/ 12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 6 segurados", totalizando o valor de R$ 32.414,87 (trinta e dois mil e quatrocentos e catorze reais e oitenta e sete centavos). O Relatório Fiscal da Aplicação da Multa também informa que a edição da Medida Provisória n°449, de 03/12/2008, posteriormente convertida na Lei n° 11.941/09, de 27/05/2009, provocou efeitos tributários a todos os fatos geradores ocorridos imediatamente após a sua vigência. Entretanto, o Código Tributário Nacional CTN prevê, em seu art. 106, inciso II, alínea "c", que a lei se aplica a fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Assim sendo, embora o período de apuração ora auditado seja anterior à data da edição da MP n°449/2008, foi verificada qual penalidade de multa é a menos onerosa ao Contribuinte, ou seja, a oriunda da legislação ao tempo da prática ou a da legislação atual. Na planilha comparativa de cálculo constante do ANEXO 6 (fl. 218), ao examinar a coluna "MULTA MAIS BENÉFICA", existem duas situações: a) "ANTERIOR" o débito da competência foi lavrado considerandose a multa de mora de 24% calculada sobre o montante da contribuição previdenciária devida, somada com o Auto de Infração com código de fundamentação legal 68; b) "ATUAL" o debito da competência foi lavrado considerando se a multa de oficio de 75%. Após a comparação descrita, concluiuse pela aplicação do auto de infração com código de fundamentação legal CFL "68", no período de 02/2006 a 06/2006 e 08/2006, 09/2006, 11/2006 e 12/2006, por ser mais benéfico ao contribuinte, perfazendo o valor total da multa em R$ 25.772,22 (vinte e cinco mil e setecentos e setenta e dois reais e vinte e dois centavos). O valor do Auto de Infração será atualizado pela SELIC, da data da lavratura até a data do pagamento, conforme dispõe a Portaria Conjunta PGFN/SRF no 10/2008 de 14/11/2008, publicada no DOU de 17/11/2008, bem como na legislação que a ampara. Foram anexados pela Fiscalização: IPC – Instruções para o Contribuinte, de fls. 199 a 200; Relatório de Vínculos, de fls. 201 a 205; ANEXO 1 – Planilha dos Créditos Justificados e Não Justificados, fls. 210/211; ANEXO 2 – Demonstrativo de Apuração das Infrações, fls. 212/213; ANEXO 3 – Lucros Distribuídos/Pagamento Salário, fl. 214; ANEXO 4 Demonstrativo “Distribuição De Lucro/Pagamento Contribuinte Individual — Sócio Com Reajuste Da Base De Calculo”, fls. 215/216; ANEXO 5 – Cálculo da Multa Aplicada, fl. 217; ANEXO 6 – Demonstrativo do Cálculo da Multa Mais Benéfica, fl. 218; Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal – TEPF, fl. 219; AR – Aviso de Recebimento, fl. 220. Também foram juntados, pela Fiscalização: Mandado de Procedimento Fiscal e Prorrogações, fls. 02/04 e 156/157; Termos de Início de Procedimento Fiscal, de Intimação Fiscal, de Ciência e de Continuidade da Ação Fiscal, de Constatação e Fl. 405DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/ 12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 19515.003957/201016 Acórdão n.º 2302002.845 S2C3T2 Fl. 403 7 Intimação Fiscal, AR´s e respostas da empresa, fls. 05/10, 77/155, 158/166, 173/174, e 188/197; DIPJ 2007, fls. 11/19; Relato da Junta Comercial, fls. 20/48; Livro Caixa, ano de 2006, fls. 49/62; Extrato de Conta Corrente, fls. 63/74; cópia do Termo de Verificação Fiscal – Omissão de Receita IRPJ, fls. 167/172; Telas do sistema GFIP WEB, fls. 175/187. DA IMPUGNAÇÃO Tendo sido cientificada do Auto de Infração em 27/11/2010, conforme AR à fl. 220, a Autuada impugnou o lançamento tempestivamente, conforme despacho de fl. 288, através do instrumento de fls. 224/228, com juntada dos seguintes documentos: (...) (destaques nossos) A 11ª Turma de Julgamento da DRJ do Rio de Janeiro I, como afirmado anteriormente, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário lançado (fls. 289/311). A recorrente foi intimada da decisão em 06/11/2012 (fls. 316), apresentado Recurso Voluntário em 29/11/2012 (fls. 319/338), no qual alega: * a lavratura decorreria do quanto apurado no 19515.003958/201061. Portanto, deveria ser reconhecida a conexão; * a recorrente, no anocalendário de 2006, teria submetido seus resultados econômicos ao regime de tributação com base no lucro presumido (artigo 516 e §§, do Decreto n° 3000/99), tendo observado as prescrições legais contidas no art. 10 da Lei n° 9.249/95 e as contidas no artigo 48 da Instrução Normativa n° 93/97, conforme exposto na impugnação interposta no processo administrativo n° 19515.003958/201061 e respaldado pelas demonstrações contábeis ali acostadas; * discorda da decisão de primeira instância que afirma que o demonstrativo de resultado e balanço patrimonial levantados em 31 de dezembro de 2006 não teria o condão de comprovar o montante do lucro efetivo e que tais documentos constituiriam meros demonstrativos do resultado final da escrituração de cada exercício, de sorte que, somente através da contabilidade da empresa é que se tornaria possível apurar se o lucro distribuído corresponderia ao lucro efetivo da empresa. Alega que o Código Civil e a Lei das Sociedades Anônimas amparariam a aceitação do demonstrativo de resultado e balanço patrimonial. * aduz que, diferentemente do quanto decidido na primeira instância, o fato de a empresa não ter empregados não conduz à conclusão de que a os valores recebidos pelos sócios que excederem ao montante do lucro presumido, sem comprovação de sua natureza, somente pode ser considerado como remuneração pelo trabalho prestado, jamais como remuneração do capital. Também é inexpressivo o fato de o contrato social disciplinar que os sócios teriam direito a uma retirada mensal de pro labore, pois tratase de direito disponível; Fl. 406DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/ 12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 8 * quanto ao protesto da impugnação por diligência, perícia e juntada de novos documentos, discorda da fundamentação da decisão de primeira instância, aduzindo que, caso se mostrem necessárias, nos termos da Lei n° 9.784/99, devem ser deferidas; * requer o afastamento da incidência de juros moratórios equivalentes à Taxa Selic; * pleiteia seja suspensa a exigibilidade dos juros moratórios no período compreendido entre a interposição da impugnação e o julgamento do feito fiscal. É o relatório. Fl. 407DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/ 12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 19515.003957/201016 Acórdão n.º 2302002.845 S2C3T2 Fl. 404 9 Voto Conselheiro Relator André Luís Mársico Lombardi Conexão. Alega a recorrente que a lavratura decorreria do quanto apurado no processo n° 19515.003958/201061, de sorte que deveria ser reconhecida a conexão entre os processos. Como já destacado na decisão de primeira instância, o processo n° 19515.003958/201061 trata da falta de retenção e recolhimento do IRRF incidente sobre a mesma remuneração paga aos sócios a título de pro labore. Portanto, tributo completamente distinto daquele de que tratam os presentes autos. Em verdade, pelo que consta dos autos, todas as lavraturas, inclusive aquela constante do processo n° 19515.003958/201061, decorrem dos fatos apurados no processo n° 19515.003304/201037, que trata do IRPJ e reflexos incidentes sobre omissão de receita apurada e sobre os depósitos bancários de origem não comprovada (presunção de omissão de receitas). De novo, tributo de espécie diversa daquela de que versam os presentes autos. Aliás, cumpre destacar que não se tem notícia de que a recorrente tenha impugnado, no Auto de Infração n° 19515.003304/201037, estes fatos originários, dos quais decorreram não só os Autos de Infração relativos às contribuições previdenciárias, mas também o suscitado processo n° 19515.003958/201061. De toda sorte, sendo tributos de natureza diversa, com regulamentações amplamente distintas, mesmo havendo origem fática comum, nada há que justifique ou determine o reconhecimento da conexão entre o processo n° 19515.003958/201061 e os Autos de Infração relativos às contribuições previdenciárias. Demais disso, o processo verdadeiramente originário é o de n° 19515.003304/201037, que, como visto, trata do IRPJ e reflexos incidentes sobre omissão de receita apurada e sobre os depósitos bancários de origem não comprovada (presunção de omissão de receitas). Distribuição de Lucros x Prolabore. Como visto, da documentação apresentada à fiscalização durante o procedimento fiscal, apurouse que a recorrente omitiu receitas descritas em Notas Fiscais de Prestação de Serviços, além de ter omitido as receitas apuradas em depósitos bancários de origem não comprovada (presunção de omissão de receitas). Destes fatos, decorreu, primeiramente, a lavratura do Auto de Infração relativo ao IRPJ e reflexos (processo nº 19515.003304/201037). Fl. 408DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/ 12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 10 Ocorre que, da análise dos extratos bancários fornecidos, durante todo o ano calendário de 2006, foram identificados também lançamentos a débito na conta Unibanco – Ag 7335 – c/c 1032294 com o histórico “PGTO SALÁRIOS”, apesar de não haver empregados na empresa, conforme consulta aos dados constantes da GFIP – Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social. Como a movimentação financeira não estava integralmente escriturada no Livro Caixa, a recorrente foi intimada a esclarecer qual o motivo dos pagamentos, a que título eram pagos e os beneficiários, sendo informado que se tratava de transferências feitas aos sócios a título de distribuição de lucros, não sendo possível, entretanto, a identificação dos valores pagos a cada beneficiário. Como a recorrente entregou a DIPJ com opção de tributação pelo Lucro Presumido, mas com valores zerados nos rendimentos e na apuração dos tributos e contribuições, comparouse o valor do lucro presumido calculado com base na Receita Apurada e os valores pagos aos sócios, identificados nos extratos bancários. De tal cotejamento, apurouse que a recorrente distribuiu lucro acima do valor permitido. Como a recorrente não apresentou escrituração contábil, que comprovasse que o lucro contábil apurado superava o limite permitido, os valores pagos acima deste limite foram considerados como pagamento de remuneração a contribuintes individuais – sócios da empresa, a título de “pro labore”, pelo serviço prestado à empresa (art. 201, § 5°, do RPS/99). Importante consignar que as remunerações foram apuradas por aferição indireta, com base no artigo 33, §§ 3 º e 6º, diante da impossibilidade de identificação dos valores pagos a cada sócio, e considerandose que a movimentação financeira não estava integralmente escriturada no Livro Caixa, e que não foram apresentados todos os contratos e aditivos com a vinculação do sócio que efetivamente prestou o serviço. Em seu recurso, a recorrente aduz que teria submetido seus resultados econômicos ao regime de tributação com base no lucro presumido (artigo 516 e §§, do Decreto n° 3000/99), tendo observado as prescrições legais contidas no art. 10 da Lei n° 9.249/95 e as contidas no artigo 48 da Instrução Normativa n° 93/97, conforme exposto na impugnação interposta no processo administrativo n° 19515.003958/201061 e respaldado pelas demonstrações contábeis ali acostadas. Ora, a recorrente entregou a DIPJ 2007 (anocalendário 2006) com valores zerados nos rendimentos e na apuração dos tributos e contribuições. Como, então, pode ter observado as aludidas prescrições legais? É evidente que não respeito as normas aplicáveis. Ademais, é preciso considerar que não apresentou escrituração contábil que comprovasse que o lucro contábil apurado superava o limite permitido. Por tal razão, não há como se aceitar o demonstrativo de resultado e balanço patrimonial levantados em 31 de dezembro de 2006. Como afirmado na decisão de primeira instância, somente com o exame da contabilidade da empresa é que se torna possível apurar se o lucro distribuído corresponde ao lucro efetivo da empresa. Também alega a recorrente que o fato de a empresa não ter empregados não conduz à conclusão de que a os valores recebidos pelos sócios que excederem ao montante do lucro presumido, sem comprovação de sua natureza, somente pode ser considerado como remuneração pelo trabalho prestado, jamais como remuneração do capital. Acrescenta que seria inexpressivo o fato de o contrato social disciplinar que os sócios teriam direito a uma retirada mensal de pro labore, pois tratase de direito disponível. Na realidade, estes argumentos do decisório de primeira instância mostramse apenas como alegações adicionais, a reforçar o procedimento de aferição indireta e a demonstrar a obscuridade dos procedimentos adotados pela recorrente. Ao final, apenas atestam a esdrúxula situação da empresa não ter nenhuma espécie de mão de obra remunerada Fl. 409DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/ 12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 19515.003957/201016 Acórdão n.º 2302002.845 S2C3T2 Fl. 405 11 e o não cumprimento das disposições societárias que estabelecem a remuneração dos sócios pelos serviços prestados. O fato que, verdadeiramente, importa destacar é apenas um: não foi comprovada a existência de lucro contábil acima do lucro apurado na sistemática do lucro presumido, razão pela qual foram tributados os valores pagos acima deste limite (reajustados nos termos do art. 725 do RIR/99, aprovado Decreto n° 3.000/99). Vejamos a apuração discriminada no Relatório Fiscal: Como visto, são claros e acertados os critérios utilizados pela autoridade fiscal, não remanescendo nenhuma dúvida quanto à legitimidade do lançamento. Nesse sentido, já se posicionou a CoordenaçãoGeral de Tributação da RFB, conforme se depreende da Solução de Consulta nº 76/2010: Solução de Consulta nº 76, de 3 de setembro de 2010 ASSUNTO: Contribuições Sociais Previdenciárias EMENTA: SOCIEDADE EMPRESÁRIA. LUCRO DISTRIBUÍDO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. BASE DE CÁLCULO. Os valores pagos aos sócios de sociedade empresária a título de lucro ou de antecipação de lucro não integram a base de cálculo da contribuição previdenciária se houver escrituração contábil regular por meio dos livros Diário e Razão, com discriminação da remuneração decorrente do trabalho e da proveniente do capital social, independentemente do regime de tributação adotado pelo contribuinte. DISPOSITIVOS LEGAIS: Constituição Federal, art. 195, I, "a"; Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto Nº 3.048/1999, art. 201, §§ 1º e 5º, art. 225, II e § 13; Instrução Normativa RFB Nº 971/ 2009, art. 57, II, e §§ 5º e 6º. (destaques nossos) Fl. 410DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/ 12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 12 Portanto, concluise que razão nenhuma assiste à recorrente. Protesto por provas. A recorrente, quanto ao protesto feito na impugnação por diligência, perícia e juntada de novos documentos, discorda da fundamentação da decisão de primeira instância, aduzindo que, caso se mostrem necessárias, nos termos da Lei n° 9.784/99, devem ser deferidas. Primeiramente, devese ressaltar que a recorrente não especifica qual prova pretenderia produzir. Portanto, a divagação mostrase meramente teórica, sem qualquer efeito prático, até porque nenhum documento foi carreado aos autos junto ou após a apresentação do Recurso Voluntário. Quanto ao acórdão a quo, o decisório restringiuse a ressaltar que a produção de provas deve atender ao artigo 16, § 4°, do Decreto n° 70.235/72, que já contempla o princípio da verdade material, excepcionando as situações em que a prova documental deve ser apreciada, mesmo tendo sido apresentada após a impugnação. Sendo assim, seja porque a argumentação da recorrente está despida de qualquer repercussão concreta, seja porque o decisório, sem analisar qualquer situação fática, limitouse a apontar a regra jurídica aplicável à situação hipotética, o inconformismo da recorrente deve ser rechaçado. Taxa Selic. A recorrente requer o afastamento da incidência de juros moratórios equivalentes à Taxa Selic. Especificamente quanto à aplicação da Taxa Selic como juros moratórios temse a Súmula CARF n° 4: Súmula CARF n° 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Portanto, não há qualquer viabilidade jurídica para o acatamento, por esta instância recursal, do pleito da recorrente. Juros Moratórios. Suspensão da Exigibilidade. A recorrente pleiteia ainda seja suspensa a exigibilidade dos juros moratórios no período compreendido entre a interposição da impugnação e o julgamento do feito fiscal. A respeito do tema cumpre citar a Súmula CARF n° 4: Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Fl. 411DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/ 12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 19515.003957/201016 Acórdão n.º 2302002.845 S2C3T2 Fl. 406 13 Portanto, da mesma forma, não há qualquer viabilidade jurídica para o acatamento, por esta instância recursal, do pleito da recorrente. Multa. Retroatividade Benigna. Quanto à multa aplicada, cumpre destacar nosso entendimento pelo equívoco na aplicação da retroatividade benigna, em razão da edição da Medida Provisória n° 449/2008, posteriormente convertida na Lei n° 11.941/2009. Isso porque a autoridade fiscal, a fim de apurar a multa mais benéfica, fez um somatório da multa moratória de vinte e quadro por cento pelo descumprimento da obrigação principal mais a multa de cem por cento relativas as contribuições não declaradas (obrigação acessória) e comparouas com a multa de ofício de 75% da novel legislação. Ou seja, misturou a legislação relativa à obrigação acessória com as disposições legais pertinentes aos acréscimos legais da obrigação principal. Vejamos nosso entendimento: Apurado o descumprimento de obrigação acessória (obrigação de fazer/não fazer), compete à autoridade fiscal lavrar Auto de Infração, aplicando a penalidade correspondente, que se converterá em obrigação principal, na forma do § 3º do art. 113 do CTN. No presente caso, a obrigação acessória corresponde ao dever de informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS, por intermédio de documento definido em regulamento (GFIP), TODOS os dados relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias e outras informações de interesse do INSS. Ao deixar de informar fatos geradores de contribuições previdenciárias, a recorrente infringiu o artigo 32, IV, § 5º, da Lei n.º 8.212/91; e o artigo 225, IV, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, pois é obrigada a informar, mensalmente, por intermédio da GFIP, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária, sendo que a apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitava o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada. A multa referente ao descumprimento da obrigação acessória, que originou este auto de infração, estava contida no artigo 32, § 5º, da Lei n.º 8.212/91; e no artigo 284, II, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99: Art.284. A infração ao disposto no inciso IV do caput do art. 225 sujeitará o responsável às seguintes penalidades administrativas: I valor equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no caput do art. 283, em função do número de segurados, pela não apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, independentemente do recolhimento da contribuição, conforme quadro abaixo: 0 a 5 segurados ½ valor mínimo 6 a 15 segurados 1 x o valor mínimo Fl. 412DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/ 12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 14 16 a 50 segurados 2 x o valor mínimo 51 a 100 segurados 5 x o valor mínimo 101 a 500 segurados 10 x o valor mínimo 501 a 1000 segurados 20 x o valor mínimo 1001 a 5000 segurados 35 x o valor mínimo Acima de 5000 segurados 50 x o valor mínimo II cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no inciso I, pela apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores, seja em relação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção ou substituição, quando se tratar de infração cometida por pessoa jurídica de direito privado beneficente de assistência social em gozo de isenção das contribuições previdenciárias ou por empresa cujas contribuições incidentes sobre os respectivos fatos geradores tenham sido substituídas por outras; e (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 9/06/2003) III cinco por cento do valor mínimo previsto no caput do art. 283, por campo com informações inexatas, incompletas ou omissas, limitada aos valores previstos no inciso I, pela apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores. § 1º A multa de que trata o inciso I, a partir do mês seguinte àquele em que o documento deveria ter sido entregue, sofrerá acréscimo de cinco por cento por mês calendário ou fração. § 2º O valor mínimo a que se refere o inciso I será o vigente na data da lavratura do autodeinfração. Era considerado, por competência, o número total de segurados da empresa, para fins do limite máximo da multa, que era apurada por competência, somandose os valores da contribuição não declarada, e seu valor total será o somatório dos valores apurados em cada uma das competências. Entretanto, as multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória nº 449 de 2008, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212, já na redação da Lei n.º 11.941/2009, nestas palavras: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: Fl. 413DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/ 12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 19515.003957/201016 Acórdão n.º 2302002.845 S2C3T2 Fl. 407 15 I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. Como afirmado, no caso em tela, o Fisco ao aplicar a multa fez um somatório da multa moratória de 24% pelo descumprimento da obrigação principal mais a multa de cem por cento relativas as contribuições não declaradas e comparouas com a multa de ofício de 75%. Mas, quanto à aplicação de multa no Auto de Infração de omissão de fatos geradores em GFIP, nosso entendimento é que, à luz da legislação vigente, as multas devem ser aplicadas de forma isolada, conforme o caso, por descumprimento de obrigação principal ou de obrigação acessória, da forma mais benéfica ao contribuinte, de acordo com o disposto no artigo 106, do Código Tributário Nacional. Embora, em algumas vezes, a obrigação acessória descumprida esteja diretamente ligada à obrigação principal, isto não significa que sejam únicas para aplicação de multa conjunta. Pelo contrário, uma subsiste sem a outra e mesmo não havendo crédito a ser lançado, é obrigatória a lavratura de auto de infração se houve o descumprimento de obrigação acessória. As condutas são tipificadas em lei, com penalidades específicas e aplicação isolada. O art. 44 da Lei n º 9.430/96, traz que a multa de ofício de 75% incidirá sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Portanto, está claro que as três condutas não precisam ocorrer simultaneamente para ser aplicada a multa: Fl. 414DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/ 12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 16 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) Quando o contribuinte tiver recolhido os valores devidos antes da ação fiscal, não será aplicada a multa de 75% prevista no art. 44 da Lei n º 9.430; porém, se apesar do pagamento, não tiver declarado em GFIP, é possível a aplicação da multa isolada do art. 32A da Lei n º 8.212, justamente por se tratar de condutas distintas. Se o contribuinte tiver declarado em GFIP não se aplica a multa do art. 44 da Lei n º 9.430, sendo aplicável somente a multa moratória do art. 61 da Lei n º 9.430, pois os débitos já estão confessados e devidamente constituídos, sendo prescindível o lançamento. Portanto, a multa prevista no artigo 44 da Lei n º 9.430 somente se aplica nos lançamentos de ofício. Ocorre que pode ocorrer de o contribuinte não ter recolhido o tributo e tampouco ter declarado em GFIP. Nessa situação, temos duas infrações distintas e, conseqüentemente, duas penalidades de natureza diversa: por não recolher o tributo e ser realizado o lançamento de ofício, aplicase a multa de 75%; e, por não ter declarado em GFIP, a multa prevista no art. 32A da Lei n º 8.212. Pelo exposto, é de fácil constatação que as condutas de não recolher ou pagar o tributo e não declarar em GFIP não estão tipificadas no mesmo artigo de lei, no caso o art. 44 da Lei nº 9.430/96. A lei ao tipificar essas infrações, inclusive em dispositivos distintos, demonstra estar tratando de obrigações, infrações e penalidades tributárias distintas, que não se confundem e tampouco são excludentes. Assim, no caso presente, há cabimento do art. 106, II, “c”, do Código Tributário Nacional, o qual dispõe que a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Destarte, o comparativo da norma mais favorável ao contribuinte deverá ser feito cotejando os arts. 32, § 5º, com o art. 32A, I, ambos da Lei nº 8.212/1991, sendo aplicada a multa mais favorável ao contribuinte. Fl. 415DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/ 12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 19515.003957/201016 Acórdão n.º 2302002.845 S2C3T2 Fl. 408 17 Pelas razões ora expendidas, CONHEÇO do recurso para, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO PARCIAL, devendo a penalidade a ser aplicada ao sujeito passivo ser recalculada, tomandose em consideração as disposições inscritas no art. 32A, I, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, somente na estrita hipótese de o valor multa assim calculado se mostrar menos gravoso à recorrente, em atenção ao princípio da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, ‘c’ do CTN. É como voto. (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Fl. 416DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/ 12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI
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Numero do processo: 10580.726327/2009-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Feb 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
Ementa:
NULIDADE. LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA.
Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, fundamentalmente porque atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, bem como os requisitos do art. 10 do Decreto n° 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade da exigência.
IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. RESPONSABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 12.
Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção.
IMPOSTO DE RENDA. DIFERENÇAS SALARIAIS. URV.
Os valores recebidos por servidores públicos a título de diferenças ocorridas na conversão de sua remuneração, quando da implantação do Plano Real, são de natureza salarial e, por essa razão, estão sujeitos aos descontos de Imposto de Renda.
ISENÇÃO. NECESSIDADE DE LEI.
Inexistindo lei federal reconhecendo a alegada isenção, incabível a exclusão dos rendimentos da base de cálculo do Imposto de Renda (art. 176 do CTN).
IRPF. MULTA. EXCLUSÃO.
Deve ser excluída do lançamento a multa de ofício quando o contribuinte agiu de acordo com orientação emitida pela fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos.
Numero da decisão: 2201-001.764
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares arguidas pelo recorrente. No mérito, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir a multa de ofício. Vencidos os Conselheiros RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE (Relator) e RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANÇA, que deram provimento integral, e PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA e MARIA HELENA COTTA CARDOZO, que negaram provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor quanto ao mérito o Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH.
Assinado Digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente.
Assinado Digitalmente
Eduardo Tadeu Farah Redator ad hoc.
EDITADO EM: 15/02/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Eduardo Tadeu Farah, Rayana Alves de Oliveira França, Rodrigo Santos Masset Lacombe (Relator), Gustavo Lian Haddad e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente).
Nome do relator: RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE
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LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, fundamentalmente porque atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, bem como os requisitos do art. 10 do Decreto n° 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade da exigência. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. RESPONSABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 12. Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. IMPOSTO DE RENDA. DIFERENÇAS SALARIAIS. URV. Os valores recebidos por servidores públicos a título de diferenças ocorridas na conversão de sua remuneração, quando da implantação do Plano Real, são de natureza salarial e, por essa razão, estão sujeitos aos descontos de Imposto de Renda. ISENÇÃO. NECESSIDADE DE LEI. Inexistindo lei federal reconhecendo a alegada isenção, incabível a exclusão dos rendimentos da base de cálculo do Imposto de Renda (art. 176 do CTN). IRPF. MULTA. EXCLUSÃO. Deve ser excluída do lançamento a multa de ofício quando o contribuinte agiu de acordo com orientação emitida pela fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 63 27 /2 00 9- 21 Fl. 136DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares arguidas pelo recorrente. No mérito, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir a multa de ofício. Vencidos os Conselheiros RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE (Relator) e RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANÇA, que deram provimento integral, e PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA e MARIA HELENA COTTA CARDOZO, que negaram provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor quanto ao mérito o Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH. Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah – Redator ad hoc. EDITADO EM: 15/02/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Eduardo Tadeu Farah, Rayana Alves de Oliveira França, Rodrigo Santos Masset Lacombe (Relator), Gustavo Lian Haddad e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). Relatório Adoto o relatório de primeira instância por bem traduzir os fatos da presente lide até aquela decisão. Tratase de auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente aos anos calendário de 2004, 2005 e 2006, para exigência de crédito tributário, no valor de R$ 147.475,93, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes no auto de infração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003. As diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, conseqüentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. Na apuração do imposto devido não foram consideradas as diferenças salariais que tinham como origem o décimo terceiro salário, por estarem sujeitas à tributação exclusiva na fonte, nem as que tinham como origem o abono de férias, em Fl. 137DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10580.726327/200921 Acórdão n.º 2201001.764 S2C2T1 Fl. 3 3 atendimento ao despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 16 de novembro de 2006, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 2.140/2006. Foi atendido, também, o despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 11 de maio de 2009, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 287/2009, que dispõe sobre a forma de apuração do imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente. O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal e apresentou impugnação, alegando, em síntese, que: a) não classificou indevidamente os rendimentos recebidos a título de URV, pois o enquadramento de tais rendimentos como isentos de imposto de renda encontrase em perfeita consonância com a legislação instituidora de tal verba indenizatória; b) segundo a legislação que regulamenta o imposto de renda, caberia à fonte pagadora, no caso o Estado da Bahia, e não ao autuado, o dever de retenção do referido tributo. Portanto, se a fonte pagadora não fez tal retenção, e levou o autuado a informar tal parcela como isenta, não tem este último qualquer responsabilidade pela infração; c) mesmo que tal verba fosse tributável, não caberia a aplicação da multa de ofício, pois o autuado teria cometido erro escusável em razão de ter seguido orientações da fonte pagadora; d) o Ministério da Fazenda, em resposta à Consulta Administrativa feita pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, também, teria manifestadose pela inaplicabilidade da multa de ofício, em razão da flagrante boafé dos autuados, ratificando o entendimento já fixado pelo AdvogadoGeral da União, através da Nota AGU/AV 12/2007. Na referida resposta, o Ministério da Fazenda reconhece o efeito vinculante do comando exarado pelo Advogado Geral da União perante à PGFN e a RFB; e) o lançamento fiscal seria nulo por ter tributado de forma isolada os rendimentos apontados como omitidos, deixando de considerar a totalidade dos rendimentos e deduções cabíveis; f) ainda que o valor decorrente do recebimento da URV em atraso fosse considerado como tributável, não caberia tributar os juros incidentes sobre ele, tendo em vista sua natureza indenizatória; g) em razão da distribuição constitucional das receitas, todo o montante que fosse arrecado a título de imposto de renda incidente sobre os valores pagos a título de URV teriam como destinatário o próprio Estado da Bahia. Assim, se este último classificou legalmente tais pagamentos como indenização, foi porque renunciou ao recebimento; h) é pacífico que a União é parte ilegítima para figurar no pólo passivo da relação processual nos casos em que o servidor deseja obter judicialmente a isenção ou a não incidência do IRRF, posto que além de competir ao Estado tal retenção, é dele a renda proveniente de tal recolhimento. Pelo mesmo motivo, poderia concluir se que a União é parte ilegítima para exigir o referido imposto se o Estado não fizer tal retenção; i) independentemente da controvérsia quanto à competência ou não do Estado da Bahia para regular matéria reservada à Lei Federal, o valor recebido a título de URV tem a natureza indenizatória. Neste sentido já se pronunciou o Supremo Fl. 138DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 4 Tribunal Federal, o Presidente do Conselho da Justiça Federal, Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, Poder Judiciário de Rondônia, Ministério Publico do Estado do Maranhão, bem como, ilustres doutrinadores; j) o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, deixou claro que o abono conferido aos Magistrados Federais em razão das diferenças de URV tem natureza indenizatória, e que por esse motivo não sofre a incidência do imposto de renda. Assim, tributar estes mesmos valores recebidos pelos Magistrados Estaduais constitui violação ao princípio constitucional da isonomia. A 3ª Turma da DRJ em Salvador/BA julgou procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: DIFERENÇAS DE REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA IRPF. As diferenças de remuneração recebidas pelos Magistrados do Estado da Bahia, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003, estão sujeitas à incidência do imposto de renda. MULTA DE OFÍCIO. INTENÇÃO. A aplicação da multa de ofício no percentual de 75% sobre o tributo não recolhido independe da intenção do contribuinte. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimado da decisão de primeira instância em 01/07/2010 (efl. 131), Ernani da Silva Garcia Rosa interpôs, em 07/07/2010, o Recurso Voluntário de efls. 94/130, sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação. O Recurso Voluntário foi julgado em 14/08/2012, porém o Conselheiro Relator renunciou ao mandato sem formalizar o respectivo acórdão, razão pela qual foi necessária a designação de Redator ad hoc, conforme o art. 17, inciso III, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF no 256, de 2009 (Despacho de efl. 135). É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Tadeu Farah – Redator ad hoc O recurso reúne os requisitos de admissibilidade. Preliminares Ilegitimidade da União Federal Quanto à alegada ilegitimidade ativa para exigir o tributo, penso que o inciso III do art. 153 da Constituição Federal atribui a União competência exclusiva para legislar sobre imposto de renda e proventos de qualquer natureza. Assim, em que pese o produto da arrecadação do IRRF pertencer ao Estado da Bahia, tal fato não tem o condão de alterar a Fl. 139DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10580.726327/200921 Acórdão n.º 2201001.764 S2C2T1 Fl. 4 5 competência da União relativa ao Imposto sobre a Renda, conforme prevê o parágrafo único do art. 6º do Código Tributário Nacional (CTN). Além do mais, não procede a alegação de que a União não poderia exigir o imposto pela falta de retenção do Estado da Bahia, pois o contribuinte, na qualidade de beneficiário dos rendimentos, não pode se furtar da tributação do imposto. A lei ao disciplinar a elaboração da Declaração Anual de Ajuste determina expressamente a inclusão na base de cálculo do imposto de todos os rendimentos recebidos no ano, independentemente de ter ou não havido retenção do imposto na fonte (arts. 7º e 8º da Lei nº 9.250/1995). É nesse sentido a Súmula CARF nº 12: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. Dessarte, imprópria a tentativa de vincular a responsabilidade tributária tão só ao Estado da Bahia. Nulidade o Lançamento – Constituição Inadequada da Exigência Em relação à arguição de nulidade na constituição do lançamento, conforme se infere dos autos, efls. 02/12, como se trata de rendimentos recebidos acumuladamente, os cálculos foram efetuados levando em consideração as tabelas e alíquotas das épocas própria a que se referem os rendimentos, conforme determinou o Parecer PGFN/CRJ/Nº 287/2009, de 12 de fevereiro de 2009, da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional. Ademais, não é o caso de se aplicar a alíquota considerando apenas o valor das diferenças recebidas, pois o contribuinte já estava sujeito à alíquota máxima e o lançamento se refere a imposto devido no ajuste anual. Portanto, comprovada a regularidade do procedimento fiscal, fundamentalmente porque atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, bem como os requisitos do art. 10 do Decreto n° 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. Encerrada a apreciação das questões preliminares, passase ao exame do mérito. Mérito No mérito, verifico que as verbas recebidas a título de “Valores Indenizatórios de URV” advêm de diferenças salariais ocorridas na conversão da remuneração do servidor público, quando da implantação do Plano Real. Logo, as verbas recebidas visam recompor parte do salário e, nesse sentido, configurase fato gerador do tributo, pois se trata de aquisição de disponibilidade econômica de renda, conforme prevê o art. 43 do CTN: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: Fl. 140DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 6 I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1o A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) Portanto, a definição prevista no art. 43 do CTN se subsume ao caso em questão, isso porque as quantias percebidas pelo contribuinte de fato constitui produto do trabalho (salário). Quanto à alegada afronta ao princípio constitucional da isonomia, percebo que a Resolução do Supremo Tribunal Federal (STF) nº 245, de 2002, conferiu natureza jurídica indenizatória ao abono variável apenas aos Magistrados do Poder Judiciário Federal e, posteriormente, aos membros do Ministério Público da União (Lei nº 9.655/1998 e Lei nº 10.474/2002). Nesse caso, não há como estender o entendimento a outros contribuintes, haja vista inexistir lei federal determinando o mesmo tratamento tributário (inciso II do art. 111 do CTN). Pensar diferente implicaria na concessão de isenção sem lei federal própria, o que ofenderia o § 6º do art. 150 da CF e art. 176 do CTN. Ressaltese que a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, por meio do Parecer PGFN/Nº 529/2003, aprovado pelo Ministro da Fazenda, também reconheceu a natureza indenizatória do abono apenas aos Magistrados da União, respeitando a interpretação do STF. Dessarte, pelos fundamentos expostos, entendo que a verba em exame deve ser tributada. No que tange à imposição da multa de ofício, penso que deve ser excluída, pois o sujeito passivo foi de fato induzido ao erro pela fonte pagadora. É cediço que o comprovante de rendimento elaborado pela fonte pagadora classificou a verba como rendimentos isentos e não tributáveis e, ao apresentar sua Declaração de Ajuste, o sujeito passivo meramente copiou os dados constantes do comprovante, acreditando estar agindo de forma correta. Assim, se houve erro no apontamento da natureza dos rendimentos tributáveis auferidos, esse erro não foi provocado pelo contribuinte. Desse modo, deve ser excluída a multa de ofício aplicada ao lançamento em exame. Em relação à incidência do imposto de renda sobre juros de mora, penso que não é o caso de se utilizar a sistemática prevista no art. 62A do Anexo II do RICARF (art. 543C do Código de Processo Civil – CPC), pois a matéria aqui tratada não é exatamente igual a decidida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). Confira a ementa do Resp. nº 1227133/RS: RECURSO ESPECIAL. REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. JUROS DE MORA LEGAIS. NATUREZA INDENIZATÓRIA. VERBAS TRABALHISTAS. NÃO INCIDÊNCIA OU ISENÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10580.726327/200921 Acórdão n.º 2201001.764 S2C2T1 Fl. 5 7 – Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial. Com efeito, o STJ reconheceu a não incidência de imposto de renda sobre juros de mora legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em despedida ou rescisão do contrato de trabalho, bem como incidentes sobre verba principal isenta ou fora do campo de incidência do Imposto de Renda. Nessas condições penso que não merece acolhida a pretensão da defesa. Ante o exposto, voto no sentido de rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir a aplicação da multa de ofício. Assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah Redator ad hoc (Despacho de efl. 135) Fl. 142DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 8 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº: 10580.726327/200921 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovados pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto a Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº 2201001.764. Brasília/DF, 14 de agosto de 2012 Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente da Segunda Câmara / Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 143DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 10166.908046/2009-86
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Dec 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Exercício: 2005
ERRO FORMAL - PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL - PREVALÊNCIA.
Embora a DCTF seja o documento válido para constituir o crédito tributário, se o contribuinte demonstra que as informações nela constantes estão erradas, pois foram por ele prestadas equivocadamente, deve ser observado o princípio da verdade material, afastando quaisquer atos da autoridade fiscal que tenham se baseado em informações equivocadas.
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 3302-002.206
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA
Presidente
(assinado digitalmente)
FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Gileno Gurjão Barreto e Jonathan Barros Vita.
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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Embora a DCTF seja o documento válido para constituir o crédito tributário, se o contribuinte demonstra que as informações nela constantes estão erradas, pois foram por ele prestadas equivocadamente, deve ser observado o princípio da verdade material, afastando quaisquer atos da autoridade fiscal que tenham se baseado em informações equivocadas. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 90 80 46 /2 00 9- 86 Fl. 58DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 29/1 1/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Gileno Gurjão Barreto e Jonathan Barros Vita. Relatório Trata se de compensação de crédito decorrente de pagamento a maior de PIS em virtude de apuração equivocada por parte da contribuinte. Ocorre que a contribuinte, constatado o erro de apuração, procedeu à retificação da DIPJ, mas não retificou as respectivas DCTF’s. O despacho decisório foi pelo indeferimento da compensação em vista do crédito ter sido considerado inexistente. Após o Despacho Decisória a contribuinte retificou as DCTF’s e recorreu do indeferimento da compensação promovida. Com detalhes segue o relato da decisão de primeira instância administrativa que reproduzo, verbis: “Tratase de Declaração de Compensação – Dcomp n11485.47141.291106.1.3.044902, transmitida eletronicamente em 29/11/2006, com base em suposto crédito de Cofins oriundo de pagamento indevido ou a maior. A DRF de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico pela não homologação da compensação, fundamentando na inexistência de crédito. Cientificada desse Despacho, a interessada apresentou sua manifestação de inconformidade alegando em síntese, que de janeiro de 2004 a fevereiro de 2006, foram pagos Pis e Cofins sobre toda a receita de venda de mercadorias, sem a devida exclusão da base de calculo dos produtos monofásicos. Esclarece que a atividade da empresa é bar e restaurante, com grande volume de venda de chopp, cervejas e refrigerantes, tendo sido pago Cofins a maior, haja vista a não observância do tratamento tributário adequado. Informada do erro na apuração dos impostos, apresentou Declaração de Informações Econômico fiscais da Pessoa Jurídica DIPJ retificadora do período, corrigindo as informações referentes ao Pis e Cofins, passando a compensar os valores pagos a maior na quitação do Pis e Cofins dos meses seguintes a partir de março/2006, por meio de PER/DCOMP. Inteirada do referido Despacho Decisório, procurou o plantão fiscal da Receita Federal, com todos os documentos a respeito do assunto, sendo informada da necessidade de apresentar DCTF retificadoras. Desta forma, com a apresentação das DCTF retificadoras, solicita a baixa dos débitos referentes aos Despachos Decisórios, estaremos a disposição para a apresentação de outros documentos.” Após analisar as razões da Recorrente a 4 ª Turma da Delegacia de Julgamento de Brasília DRJ/BSB – proferiu o acórdão n° 0347.819, o qual restou da seguinte forma ementado, verbis: Fl. 59DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 29/1 1/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10166.908046/200986 Acórdão n.º 3302002.206 S3C3T2 Fl. 11 3 “ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano calendário: 2005 APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS DCTF RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de DCTF retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, sendo que a compensação somente pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Em resumo, as autoridades administrativas de primeira instância entenderam que a Recorrente apenas retificou sua DCTF, sem contudo comprovar a existência de seu direito, razão pela qual indeferiram a compensação pleiteada. Irresignada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário reiterando as razões de impugnação e rogando pela aplicação do princípio da verdade material. É o relatório. Fl. 60DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 29/1 1/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 4 Voto CONSELHEIRA FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Da análise dos autos verificase que a DIPJ e a DCTF indicam a existência de saldo credor de contribuições de Pis e Cofins. Informa a Recorrente não ter realizado, à época devida, a exclusão das respectivas bases de cálculo dos valores referentes aos produtos monofásicos. Vale notar que em momento algum do processo a autoridade fiscal questionou as informações da Recorrente. A abordagem da DRJ foi estritamente no sentido de que a simples retificação de DCTF não seria suficiente para a constituição do crédito tributário. Ou seja, não questionou o fato de a Recorrente deduzir da base de cálculo os valores referentes aos produtos monofásicos. Pois bem, muito embora tenha razão a DRJ ao afirmar que a simples retificação de DCTF e DIPJ não é suficiente para comprovar a existência do crédito tributário, fato é que se o contribuinte comprova que há um erro na DCTF e procede à retificação das informações, constitui outro valor como devido, o que não pode ser desconsiderado. Vale dizer, o processo administrativo tributário, regido pelo princípio da verdade material, não permite análise rasas de documentos, tampouco a prevalência de declarações equivocadas, uma vez que se constate que os fatos se deram de forma distinta daquilo que foi declarado. Assim, mero erro formal do contribuinte, consubstanciando erro nas informações prestadas em declarações obrigatórias não prevalece, quando comprovada a verdade dos fatos. A jurisprudência deste Tribunal corrobora este entendimento, tendo cancelado diversos lançamentos quando comprovada a ocorrência de mero erro formal, por equivoco do contribuinte na prestação de informações em suas declarações. Destaco: “AUDITORIA DE DCTF. ERRO DE FATO. COMPROVAÇÃO. No caso de lançamento decorrente de auditoria interna de DCTF, estando demonstrado nos autos que o valor recolhido pelo sujeito passivo a título de IRPJ corresponde ao informado na DIPJ, é de se admitir como incorreto o valor divergente informado pelo contribuinte na DCTF.(...)” (CARF 1ª Seção, 2ª Turma da 4ª Câmara, Acórdão 140200.189) “(...) AUTO DE INFRAÇÃO. EXIGÊNCIA EM DUPLICIDADE. FORMALIDADE PRINCÍPIOS DA VERDADE MATERIAL E DA MORALIDADE ADMINISTRATIVA. CANCELAMENTO. De se cancelar a exigência fundada em erro formal cometido pelo sujeito passivo, que, embora não corrigido mediante a entrega de DCTF retificadora antes do inicio do procedimento fiscal, teve sua comprovação demonstrada nos autos de maneira a evidenciar a duplicidade de lançamento. Prestígio dos princípios da verdade material e da moralidade administrativa em detrimento de formalidade dispensável diante das Fl. 61DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 29/1 1/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10166.908046/200986 Acórdão n.º 3302002.206 S3C3T2 Fl. 12 5 circunstâncias.(...)” (CARF 3ª Seção, 1ª Turma da 4ª Câmara, Acórdão 340100.891) “(...) AUTO DE INFRAÇÃO. EXIGÊNCIA EM DUPLICIDADE. FORMALIDADE PRINCÍPIOS DA VERDADE MATERIAL E DA MORALIDADE ADMINISTRATIVA. CANCELAMENTO. De se cancelar a exigência fundada em erro formal cometido pelo sujeito passivo, que, embora não corrigido mediante a entrega de DCTF retificadora antes do inicio do procedimento fiscal, teve sua comprovação demonstrada nos autos de maneira a evidenciar a duplicidade de lançamento. Prestígio dos princípios da verdade material e da moralidade administrativa em detrimento de formalidade dispensável diante das circunstâncias. (...)” (CARF – 3ª Seção – 1ª Turma da 4ª Câmara, Acórdão 340100.891) “(...) IRPJ ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração, deve a verdade material prevalecer sobre a formal, e exigido o valor efetivamente devido conforme o lucro real. Recurso provido.” (1º Conselho de Contribuintes, 8ª Câmara, Acórdão 10808.689) “(...) VALOR DA TERRA NUA. DITR ERRO NO PREENCHIMENTO Constatado erro no preenchimento da DITR, a autoridade administrativa deve rever o lançamento, para adequálo aos elementos fáticos reais. Havendo erro no Valor da Terra Nua declarado e inexistindo nos autos elementos que permitam a manutenção da base de cálculo do tributo, adotase o valor fixado na IN pertinente. Embargos de declaração da Fazenda Nacional acolhidos.Recurso especial da Fazenda Nacional negado.” (CSRF, 3ª Turma, Acórdão CSRF/0304.471) As decisões acima apresentadas fundamentamse no princípio da verdade material, que impede que o formalismo se sobreponha à matéria e à verdade dos fatos. O processo administrativo fiscal tem por fim a busca da verdade material justamente por permitir, nesta instância, a análise irrestrita e profunda dos fatos, visando justamente estabelecer como se deram de modo que a tributação não ultrapasse seus limites. Em observância a tais princípios, uma vez constatado que houve erro nas informações prestadas pelo contribuinte, de se considerar a verdade dos fatos, ainda que elas sejam diversas das informações em que se baseou o Fisco na execução de seus atos – seja na lavratura de um auto de infração, ou, como no presente caso, na não homologação de uma compensação. Ressaltando, contudo, que esta decisão não significa a homologação da compensação pleiteada, uma vez que o crédito tem de ser avaliado pela autoridade administrativa competente. A questão é que não há impedimento legal para que a retificação seja realizada posteriormente, sendo permitido o procedimento adotado pela Recorrente. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 29/1 1/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 6 Ante o exposto, conheço do presente para DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário da Recorrente, para reconhecer o direito ao procedimento de compensação, ficando ressalvado à fiscalização a apuração do crédito tributário pleiteado. É como voto, (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Fl. 63DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 29/1 1/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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Numero do processo: 10680.915599/2009-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Dec 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/12/2005
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE CRÉDITO SUFICIENTE PARA LIQUIDAR OS DÉBITOS.
Direito creditório reconhecido em parte pela Delegacia de Julgamento. Deve-se negar provimento ao Recurso Voluntário, tendo em vista a ausência de direito creditório suficiente para quitar os débitos indicados em Per/Dcomp.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-002.043
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, à unanimidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Presidente.
BERNARDO MOTTA MOREIRA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Real e Bernardo Motta Moreira.
Nome do relator: BERNARDO MOTTA MOREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/12/2005 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE CRÉDITO SUFICIENTE PARA LIQUIDAR OS DÉBITOS. Direito creditório reconhecido em parte pela Delegacia de Julgamento. Deve-se negar provimento ao Recurso Voluntário, tendo em vista a ausência de direito creditório suficiente para quitar os débitos indicados em Per/Dcomp. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, à unanimidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Presidente. BERNARDO MOTTA MOREIRA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Real e Bernardo Motta Moreira.
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AUSÊNCIA DE CRÉDITO SUFICIENTE PARA LIQUIDAR OS DÉBITOS. Direito creditório reconhecido em parte pela Delegacia de Julgamento. Deve se negar provimento ao Recurso Voluntário, tendo em vista a ausência de direito creditório suficiente para quitar os débitos indicados em Per/Dcomp. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, à unanimidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Presidente. BERNARDO MOTTA MOREIRA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Real e Bernardo Motta Moreira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 55 99 /2 00 9- 76 Fl. 124DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 23/10/20 13 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Versa o presente litígio sobre Declaração de Compensação, objetivando compensação de valor recolhido a maior a título de PIS. O despacho eletrônico não homologou o pedido de compensação sob o fundamento de que o valor do DARF em referência teria sido integralmente utilizado para quitação de débitos da Recorrente, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Na manifestação de inconformidade apresentada, a ora Recorrente afirmou o seu direito creditório, que teria lastro no art. 74 e parágrafos da Lei n. 9430/96, bem como não estar enquadrada em nenhuma das hipóteses de vedação para a compensação. Acostou à manifestação cópias de documentos relativos à representação, do DARF e cópia do despacho decisório. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento julgou parcialmente procedente a manifestação de inconformidade sob o argumento de que a “na DCTF retificadora, referente ao período de apuração de 31/12/2005, foi indicado um débito da contribuição correspondente ao valor informado no Dacon. Com o envio da DCTF retificadora, houve a apropriação de parcela do Darf (R$ 46.612,81), no valor de R$ 39.585,37, restando um saldo de crédito de R$ 7.027,44, inferior ao valor pleiteado e utilizado no Per/Dcomp (R$ 7.605,48)”. Ressaltou que a DCTF retificadora do débito relativo ao período de 31/12/2005 foi transmitida pela empresa em 03/08/2009, isto é, dentro do prazo legal, levando se em conta o disposto no art. 150, §4°, do CTN. O Dacon também foi retificado tempestivamente em 30/07/2009. Dessa forma, foi considerada válida a DCTF retificadora ativa, com o consequente reconhecimento parcial do crédito informado na declaração de compensação, no valor original de R$ 7.027,44, motivo pelo qual foi determinado à DRF de origem que operacionalizasse a homologação da compensação declarada até o limite do crédito disponível. Devidamente intimado da decisão da DRJ, o Recorrente interpôs o presente Recurso Voluntário, repisando, basicamente, os argumentos apresentados em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Bernardo Motta Moreira O presente recurso voluntário preenche as condições de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Como se depreende da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belo Horizonte (MG), houve o deferimento parcial da Manifestação de Inconformidade apresentada pelo Recorrente, quando restou reconhecido o seu direito creditório. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 23/10/20 13 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10680.915599/200976 Acórdão n.º 3301002.043 S3C3T1 Fl. 125 3 Ressaltese, contudo, que o valor do crédito reconhecido na decisão recorrida (valor originário de R$7.027,44) presente no Termo de Ciência e Notificação (fl. 44) é inferior aos débitos compensados nas DCOMPs ali listadas, que somam o valor total de R$27.541,84. Portanto, negase provimento ao recurso voluntário, tendo em vista que o crédito reconhecido foi inteiramente utilizado nas DCOMPs especificadas no Termo de Ciência e Notificação de fl. 44. Bernardo Motta Moreira Relator Fl. 126DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 23/10/20 13 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
score : 1.0
Numero do processo: 10950.907757/2011-10
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/12/2001 a 31/12/2001
NORMAS PROCESSUAIS. ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO.
Os argumentos de defesa trazidos apenas em grau de recurso, em relação aos quais não se manifestou a autoridade julgadora de primeira instância, impedem a sua apreciação, por preclusão processual.
Numero da decisão: 3803-005.187
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/12/2001 a 31/12/2001 NORMAS PROCESSUAIS. ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO. Os argumentos de defesa trazidos apenas em grau de recurso, em relação aos quais não se manifestou a autoridade julgadora de primeira instância, impedem a sua apreciação, por preclusão processual.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2001 a 31/12/2001 NORMAS PROCESSUAIS. ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO. Os argumentos de defesa trazidos apenas em grau de recurso, em relação aos quais não se manifestou a autoridade julgadora de primeira instância, impedem a sua apreciação, por preclusão processual. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto para se contrapor à decisão da DRJ Curitiba/PR que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada em AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 90 77 57 /2 01 1- 10 Fl. 77DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.907757/201110 Acórdão n.º 3803005.187 S3TE03 Fl. 78 2 decorrência da emissão de despacho decisório que não reconhecera o direito creditório pleiteado por meio de Pedido Eletrônico de Restituição (PER), pelo fato de que o pagamento informado já havia sido integralmente utilizado na quitação de débitos da titularidade do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do direito creditório, devidamente atualizado com base na taxa Selic, alegando que o indébito decorreria da inconstitucionalidade já declarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Segundo o então Manifestante, tratarseia, o presente caso, de tributação incidente sobre receitas financeiras e outras receitas, rubricas essas não abarcadas pelo conceito de faturamento. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias do despacho decisório, do PER, da DCOMP e de planilhas por ele elaboradas. A DRJ Curitiba/PR não reconheceu o direito creditório, tendo sido o acórdão ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 15/01/2002 PIS/PASEP. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido da contribuinte, por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o pagamento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de outros débitos confessados. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. JULGAMENTO PELO STF. Até que haja a manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, sobre matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo STF ou pelo STJ, nos termos dos arts. 543B e 543C do Código de Processo Civil, aplicase, ao caso, a disposição do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, relativamente à ampliação da base de cálculo contida naquele dispositivo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Apontou o relator do voto condutor do acórdão recorrido que, ainda que se superasse a questão de direito, o contribuinte não se desincumbira do ônus de comprovar o direito alegado, não tendo apresentado documentos e/ou livros fiscais e contábeis que Fl. 78DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.907757/201110 Acórdão n.º 3803005.187 S3TE03 Fl. 79 3 demonstrassem a efetiva base de cálculo da contribuição, bem como as receitas que deveriam ser excluídas em razão da alegada inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Cientificado da decisão em 12 de setembro de 2013, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 11 de outubro do mesmo ano e requereu o deferimento do pedido de restituição, alegando que o indébito decorreria da indevida inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, mas dele não conheço, em razão dos fatos a seguir expostos. Com base no relatório supra, constatase que, diferentemente do alegado na Manifestação de Inconformidade, quando se apontou a origem do indébito como sendo a tributação indevida incidente sobre receitas financeiras e outras receitas, em desacordo com a inconstitucionalidade já declarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998, em sede de recurso, o contribuinte passa a fundamentar seu direito na indevida inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição. Vale destacar que, na primeira instância, o ora Recorrente não fez qualquer referência à alegada incidência indevida da contribuição sobre o ICMS. É flagrante a inovação operada em sede de recurso, tratandose de matéria preclusa em razão de sua não exposição na primeira instância administrativa, não tendo sido examinada pela autoridade julgadora de piso, o que contraria o princípio do duplo grau de jurisdição, bem como o do contraditório e o da ampla defesa. A preclusão processual é um elemento que limita a atuação das partes durante a tramitação do processo, imputandolhe celeridade, numa sequência lógica e ordenada dos fatos, em prol da pretendida pacificação social. Humberto Theodoro Júnior1 nos ensina que preclusão é “a perda da faculdade ou direito processual, que se extinguiu por não exercício em tempo útil”. Ainda segundo o mestre, com a preclusão, “evitase o desenvolvimento arbitrário do processo, que só geraria a balbúrdia, o caos e a perplexidade para as partes e o juiz”. O princípio da preclusão conectase ao princípio do impulso processual e destinase “não apenas a proporcionar uma mais rápida solução do litígio, mas bem ainda a 1 HUMBERTO, Theodoro Júnior. Curso de direito processual civil. vol. 1. Rio de Janeiro: Forense, 2003, p. 225 226. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.907757/201110 Acórdão n.º 3803005.187 S3TE03 Fl. 80 4 tutelar a boafé no processo, impedindo o emprego de expedientes que configurem litigância de máfé” 2. [A] preclusão deve ser compreendida como um instituto que envolve a impossibilidade, por regra, de, a partir de determinado momento, serem suscitadas matérias no processo, tanto pelas partes como pelo próprio juiz, visandose precipuamente à aceleração e à simplificação do procedimento. Integra sempre o objeto da preclusão, portanto, um ônus processual das partes ou um poder do juiz; ou seja, a preclusão é um fenômeno que se relaciona com as decisões judiciais (tanto interlocutória como final) e as faculdades conferidas às partes com prazo definido de exercício, atuando nos limites do processo em que se verificou. 3 Tal princípio busca garantir o avanço da relação processual e impedir o retrocesso às fases anteriores do processo, encontrandose fixado o limite da controvérsia, no Processo Administrativo Fiscal (PAF), no momento da impugnação/manifestação de inconformidade. De acordo com o art. 16, inciso III, do Decreto nº 70.235, de 1972, os atos processuais se concentram no momento da impugnação, cujo teor deverá abranger “os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância, as razões e provas que possuir", considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante (art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972). Não é lícito inovar no recurso para inserir questão diversa daquela originalmente deduzida na impugnação/manifestação de inconformidade, devendo as inovações ser afastadas por se referirem a matéria não impugnada no momento processual devido. Além disso, mesmo que a preclusão não tivesse ocorrido neste processo, nenhum benefício obteria o ora Recorrente, pois nenhum documento hábil e idôneo foi apresentado para comprovar o direito argüido. Nos processos administrativos originados de pleito do interessado, como o de pedidos de restituição e de declaração de compensação, prevalece o princípio do dispositivo, em que a atividade probatória se desenvolve nos limites do pedido formulado pelo sujeito passivo. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal (DCTF e sistemas de arrecadação) no momento da prolação do despacho decisório, não cabendo em processos da espécie a inversão do ônus da prova. 2 GRINOVER, Ada Pellegrini. “Interesse da União, preclusão. A preclusão e o órgão judicial”. In: A Marcha do Processo. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2000, p. 230/241. Disponível em: http://www.ambito juridico.com.br/site/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=11781. Acesso em: 15 abr 2013. 3 RUBIN, Fernando. A prevalência da justiça estatal e a importância do fenômeno preclusivo. Disponível em: http://www.ambito_juridico.com.br/site/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=11781. Acesso em: 16 abr 2013. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.907757/201110 Acórdão n.º 3803005.187 S3TE03 Fl. 81 5 Nos termos do art. 16 do Decreto n° 70.235/1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), aplicável na discussão de processos envolvendo compensação tributária, cabe ao impugnante o ônus da prova de suas alegações contrapostas à decisão de não homologação baseada na DCTF e na base de dados de arrecadação. Dessa forma, mesmo que preclusão não houvesse, não se poderia reconhecer o direito creditório pleiteado por total ausência de prova de sua existência. Diante do exposto, voto por NÃO CONHECER do recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 81DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS
score : 1.0
Numero do processo: 13748.000749/2008-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Feb 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
IRPF. DESPESAS MÉDICO-ODONTOLÓGICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Em conformidade com a legislação regente, todas as deduções estarão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora, sendo devida a glosa quando há elementos concretos e suficientes para afastar a presunção de veracidade dos recibos, sem que o contribuinte prove a realização das despesas deduzidas da base do cálculo do imposto.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2102-002.502
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso.
Assinado digitalmente.
Jose Raimundo Tosta Santos Presidente na data da formalização.
Assinado digitalmente.
Rubens Maurício Carvalho - Relator.
EDITADO EM: 22/01/2014
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Rubens Mauricio Carvalho, Núbia Matos Moura, Acácia Sayuri Wakasugi, Roberta De Azeredo Ferreira Pagetti, Carlos André Rodrigues Pereira Lima
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente. Jose Raimundo Tosta Santos Presidente na data da formalização. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho - Relator. EDITADO EM: 22/01/2014 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Rubens Mauricio Carvalho, Núbia Matos Moura, Acácia Sayuri Wakasugi, Roberta De Azeredo Ferreira Pagetti, Carlos André Rodrigues Pereira Lima
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DESPESAS MÉDICOODONTOLÓGICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Em conformidade com a legislação regente, todas as deduções estarão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora, sendo devida a glosa quando há elementos concretos e suficientes para afastar a presunção de veracidade dos recibos, sem que o contribuinte prove a realização das despesas deduzidas da base do cálculo do imposto. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente. Jose Raimundo Tosta Santos – Presidente na data da formalização. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. EDITADO EM: 22/01/2014 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Rubens Mauricio Carvalho, Núbia Matos Moura, Acácia Sayuri Wakasugi, Roberta De Azeredo Ferreira Pagetti, Carlos André Rodrigues Pereira Lima AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 74 8. 00 07 49 /2 00 8- 21 Fl. 66DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 22/01/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 13748.000749/200821 Acórdão n.º 2102002.502 S2C1T2 Fl. 11 2 Relatório Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto de forma livre o relatório do acórdão da instância anterior de fls. 41 a 44: Diante desses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação unânime, julgou procedente o lançamento, mantendo o crédito consignado no auto de infração, considerando que os argumentos da recorrente não foram acompanhados de provas suficientes, para desconstituir os fatos postos nos autos que embasaram o lançamento, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: Fl. 67DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 22/01/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 13748.000749/200821 Acórdão n.º 2102002.502 S2C1T2 Fl. 12 3 Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, de fls. 51 a 58, ratificando os argumentos de fato e de direito expendidos em sua impugnação e requerendo pelo provimento ao recurso e cancelamento da exigência, cujo conteúdo se resume nos seguintes excertos: I. II. III. Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento de segunda instância administrativa. É O RELATÓRIO. Voto Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. ADMISSIBILIDADE O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. Cuida o presente processo de glosa dedução pleiteada a título de despesas médicas, na Declaração de Ajuste Anual, relativa aos exercícios 2007. Para o exame da questão transcrevemse a seguir os dispositivos que regulam a matéria: Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995 Art.8º – A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I – de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II – das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decretolei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). Fl. 68DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 22/01/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 13748.000749/200821 Acórdão n.º 2102002.502 S2C1T2 Fl. 13 4 § 1º se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Conforme se depreende dos dispositivos acima, cabe ao contribuinte que pleiteou a dedução provar que realmente efetuou os pagamentos nos valores e nas datas constantes nos comprovantes, para que fique caracterizada a efetividade da despesa passível de dedução, no período assinalado. Em princípio, admitese como prova idônea de pagamentos, os recibos fornecidos por profissional competente, legalmente habilitado. Entretanto, existindo dúvida quanto à idoneidade do documento por parte do Fisco, pode este solicitar provas não só da efetividade do pagamento, mas também da efetividade dos serviços prestados pelos profissionais. Trata o presente processo de glosas de despesas médicas, Marcely da Silva Aquino, Fonoaudiologia, fls. 08 a 11, Valeska Donato, Fisioterapia, 12 a 15, Dayse Lúcia Pacheco, Fisioterapia, 16 a 19, Gilson Moreira Peixoto, Odontologia, 21 a 25. Trata o presente processo de glosas de despesas médicas, assim distribuídas: Profissional Especialidade Fls. declaração recibos Valor glosado [R$] Cidade Marcely da Silva Aquino Fonoaudiologia 08 a 11 5.400,00 Duque de Caxias, RJ. Valeska Donato Fisioterapia 12 a 15 10.000,00 Duque de Caxias, RJ. Dayse Lúcia Pacheco Fisioterapia 16 a 19 10.000,00 Duque de Caxias, RJ. Gilson Moreira Peixoto Odontologia 21 a 25 20.000,00 São José do Vale do Rio Preto, RJ Entendo que os recibos médicos, em si mesmos, não são uma prova absoluta para dedutibilidade das despesas médicas da base de cálculo do imposto de renda, mormente quando: 1. as despesas forem excessivas em face dos rendimentos declarados; 2. houver o repetitivo argumento de que todas as despesas médicas de diferentes profissionais, vultosas, tenham sido pagas em espécie; 3. o contribuinte fizer uso de recibos comprovadamente inidôneos, caso da edição de súmula administrativa de documentação tributariamente ineficaz em desfavor de prestador de serviço informado na declaração de renda do autuado, o que é suficiente para lançar sombra de suspeição sobre as demais despesas médicas de outros prestadores; 4. houver a negativa de prestação de serviço por parte de profissional que consta como prestador na declaração do fiscalizado; Fl. 69DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 22/01/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 13748.000749/200821 Acórdão n.º 2102002.502 S2C1T2 Fl. 14 5 5. houver recibos médicos emitidos em dias não úteis, por profissionais ligados por vínculo de parentesco, tudo pagos em espécie; ou 6. houver múltiplas glosas de outras despesas (dependentes, previdência privada, pensão alimentícia, livro caixa e instrução), bem como outras infrações (omissão de rendimentos, de ganho de capital, da atividade rural), a levantar sombra de suspeição sobre todas as informações prestadas pelo contribuinte declarante. Nas hipóteses acima, a autoridade fiscal pode e deve intimar o contribuinte a comprovar o pagamento da despesa, com documentação bancária, ou mesmo a efetiva prestação do serviço com documentário médico (receitas, cópias de exames etc.). E, no caso aqui em debate, o contribuinte se insere nos itens 1, 2 e 5 acima. No presente caso, a apresentação das declarações, em nada reforça ou complementa a prova, pois, apenas repetem o que já se tem nos recibos apresentados, o que poderia ter sido feito com a apresentação de documentos auxiliares para formar um conjunto probante convincente, como a apresentação de cópias de cheque, extratos bancários ou exames e laudos técnicos atestando o serviço prestado. Cumpre, ainda, ressaltar que o imposto de renda tem relação direta com os fatos econômicos. Quando a um ato jurídico se segue a tributação, não quer dizer que se tribute aquele, mas sim o fenômeno econômico que está por detrás dele. Não pode o contribuinte alegar simples forma jurídica, pleiteando a aceitação de simples recibos, como comprovação de despesas médicas pleiteadas, se o fenômeno econômico não ficar provado. É oportuno citar o art. 333 do Código de Processo Civil: Art. 333 O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; e ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Concluise, portanto, que o ônus da prova recai sobre aquele que aproveita o reconhecimento do fato. Desta forma, temse que no caso de deduções da base de cálculo do imposto de renda, que é o caso das despesas médicas, o ônus da prova da efetividade de tais despesas é do contribuinte, que se beneficia da dedução. Não pode, portanto, prevalecer a tese do contribuinte de que o Fisco deveria comprovar o nãopagamento dos valores consignados nos recibos e a nãoefetivação dos serviços. Quanto à doutrina e jurisprudência trazida aos autos, embora representem respeitável posição dos órgãos julgadores, não produzem norma geral e abstrata, restringindo sua vinculação aos casos particulares analisados. Além disso, menciono a seguir julgado do Conselho de Contribuintes relativas à matéria, para reforçar o entendimento aqui manifestado: IRPF – DESPESAS MÉDICAS – DEDUÇÃO – Inadmissível a dedução de despesas médicas, da declaração de ajuste anual, cujos comprovantes não correspondam a uma efetiva prestação Fl. 70DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 22/01/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 13748.000749/200821 Acórdão n.º 2102002.502 S2C1T2 Fl. 15 6 de serviços profissionais, nem comprovado os desembolsos. Tais comprovantes são inaptos a darem suporte à dedução pleiteada. Legítima, portanto, a glosa dos valores correspondentes, por se respaldar em recibo imprestável para o fim a que se propõe (Ac. 1o CC 104 – 16647/1998) A opção pelo pagamento em espécie, embora lícita e permitida, implica na ampliação da dificuldade da contribuinte provar o pagamento, com os riscos inerentes ao exercício da vontade individual. Considerando o exposto acima, há que se manter a glosa das deduções de despesas médicas efetuadas no Auto de Infração em apreço. Pelo exposto, não merecendo reparos da decisão recorrida, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 22/01/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S
score : 1.0
Numero do processo: 15374.720085/2009-11
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Nov 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
SALDO NEGATIVO DE IRPJ - VARIAÇÃO CAMBIAL - REGIME DE CAIXA - IRRF MENSAL COME-QUOTAS
1 - As receitas de variação cambial podem ser tributadas na sua realização efetiva (regime de caixa), como permite a lei. O IRF retido mensalmente no regime de come-quotas sobre aquelas receitas (em fundo cambial) compõe o saldo negativo de IRPJ do período de apuração da retenção, mesmo que nesse período tais receitas não tenham sido ainda oferecidas à tributação do IRPJ, por não realização efetiva delas. Isso é da sistemática decorrente do regime de fonte e do direito conferido à contribuinte de deduzir o IRRF com suporte no informe de rendimentos. Por outro lado, a referida dedução do IRRF é cabível, desde que comprovado o oferecimento à tributação de IRPJ daquelas receitas, na sua realização efetiva, em período de apuração posterior ao da retenção do IRF.
2 - No caso, resultaram comprovados esse oferecimento à tributação de IRPJ, e o valor total do IRRF deduzido (come-quotas mensal).
Numero da decisão: 1103-000.931
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Aloysio José Percínio da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Takata - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: MARCOS SHIGUEO TAKATA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2001 SALDO NEGATIVO DE IRPJ - VARIAÇÃO CAMBIAL - REGIME DE CAIXA - IRRF MENSAL COME-QUOTAS 1 - As receitas de variação cambial podem ser tributadas na sua realização efetiva (regime de caixa), como permite a lei. O IRF retido mensalmente no regime de come-quotas sobre aquelas receitas (em fundo cambial) compõe o saldo negativo de IRPJ do período de apuração da retenção, mesmo que nesse período tais receitas não tenham sido ainda oferecidas à tributação do IRPJ, por não realização efetiva delas. Isso é da sistemática decorrente do regime de fonte e do direito conferido à contribuinte de deduzir o IRRF com suporte no informe de rendimentos. Por outro lado, a referida dedução do IRRF é cabível, desde que comprovado o oferecimento à tributação de IRPJ daquelas receitas, na sua realização efetiva, em período de apuração posterior ao da retenção do IRF. 2 - No caso, resultaram comprovados esse oferecimento à tributação de IRPJ, e o valor total do IRRF deduzido (come-quotas mensal).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva - Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Takata - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percínio da Silva.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 SALDO NEGATIVO DE IRPJ VARIAÇÃO CAMBIAL “REGIME DE CAIXA” IRRF MENSAL “COMEQUOTAS” 1 As receitas de variação cambial podem ser tributadas na sua realização efetiva (“regime de caixa”), como permite a lei. O IRF retido mensalmente no regime de “comequotas” sobre aquelas receitas (em fundo cambial) compõe o saldo negativo de IRPJ do período de apuração da retenção, mesmo que nesse período tais receitas não tenham sido ainda oferecidas à tributação do IRPJ, por não realização efetiva delas. Isso é da sistemática decorrente do regime de fonte e do direito conferido à contribuinte de deduzir o IRRF com suporte no informe de rendimentos. Por outro lado, a referida dedução do IRRF é cabível, desde que comprovado o oferecimento à tributação de IRPJ daquelas receitas, na sua realização efetiva, em período de apuração posterior ao da retenção do IRF. 2 No caso, resultaram comprovados esse oferecimento à tributação de IRPJ, e o valor total do IRRF deduzido (“comequotas” mensal). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Takata Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 72 00 85 /2 00 9- 11 Fl. 847DF CARF MF Impresso em 22/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/09/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15374.720085/200911 Acórdão n.º 1103000.931 S1C1T3 Fl. 848 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percínio da Silva. Fl. 848DF CARF MF Impresso em 22/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/09/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15374.720085/200911 Acórdão n.º 1103000.931 S1C1T3 Fl. 849 3 Relatório DO DESPACHO DECISÓRIO Tratase de processo sobre declarações de compensação, telas de relações de Dcomps e valor de crédito nas fls. 2 a 6, e Dcomps de fls. 17 a 418 (Dcomp “mãe” e vinculadas). Nas Dcomps a recorrente postula a compensação de direito creditório oriundo de saldo negativo de IRPJ, apurado pela empresa Ituaçu Participações Ltda., no encerramento do período compreendido entre 1/1/2001 e 28/5/2001, no valor original de R$ 1.476.320,05. No parecer conclusivo adotado no despacho decisório, registrase que a recorrente incorporou a empresa Ituaçu Participações Ltda., em 27/9/2001, sucedendoa em todos os direitos e obrigações, conforme fl. 477. A data da incorporação posterior, portanto, à apuração do saldo negativo de IRPJ utilizado na compensação da recorrente. Também se observou que a Ituaçu, empresa incorporada, não havia utilizado o saldo negativo em questão até o momento de sua incorporação pela recorrente. Sendo assim, superada a questão do direito a pleitear o crédito. Em análise à ficha 43 da DIPJ/2002, foram obtidas as fontes pagadoras das quais a empresa sucedida teria sofrido retenção de IRPJ. Entretanto, em pesquisa ao sistema DIRF/Sief, somente a fonte pagadora de nº 3 teve confirmada em DIRF a retenção realizada, conforme fl. 487. À fl. 495 foi apresentada tabela com os dados das fichas 6A, 11 e 12A da DIPJ correspondente ao período do saldo negativo pretendido. De sua análise se verificou que, do valor da receita financeira oferecida à tributação, R$ 386.533,88, apenas R$ 1.277,25 tiveram retenção confirmada em DIRF segundo a fonte pagadora indicada. Nesse sentido, somente o último valor seria passível de utilização no cálculo do saldo negativo de IRPJ. Mais. Ainda que todas as retenções na fonte tivessem sido confirmadas em DIRF, como só foram oferecidos à tributação R$ 386.533,88, apenas 20% desse montante seria aproveitável. Como houve estimativas do período (1/1/01 a 28/5/01) solvidas por compensação com saldo negativo de IRPJ de 2000, procedeuse à análise desse. À fl. 496 foi apresentada tabela baseada na DIPJ/01 da recorrente, demonstrando a apuração do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2000. Sobre o imposto retido na fonte referente ao anocalendário de 2000, afirmouse que “encontrase declarado nas DIRF de fls. 471/476, entretanto o valor das receitas correspondentes que foram oferecidas à tributação é somente de R$ 5.083.919,93 (linhas 21 e 24 da ficha 06A da DIPJ – fl. 461) dando ao contribuinte o direito de utilizar somente 20% desse valor (alíquota do IRRF em questão), o que corresponde a R$ 1.016.783,99”. Fl. 849DF CARF MF Impresso em 22/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/09/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15374.720085/200911 Acórdão n.º 1103000.931 S1C1T3 Fl. 850 4 Ainda quanto ao anocalendário de 2000, para as estimativas de janeiro, junho, novembro e dezembro do anocalendário de 2000 foi deduzido IRRF e o restante compensado com saldo negativo do anocalendário de 1999. Contudo, verificouse que não há retenções suficientes de IRF para todas as deduções pretendidas pela recorrente. Verificandose o saldo negativo apurado no anocalendário de 1999, pela análise de sua DIPJ/2000, constatouse ser originário, principalmente, de estimativas pagas ao longo do ano e por pequena retenção na fonte. O IRRF e as estimativas em questão foram confirmados pelos sistemas DIRF/Sief e Sinal07, respectivamente, da RFB. Concluiuse pela existência do saldo negativo de IRPJ referente ao anocalendário de 1999 no montante de R$ 118.644,93 (utilizado para compensar estimativas do anocalendário de 2000). Para maior clareza, os seguintes quadros ilustrativos foram apresentados à fl. 497: jan jun nov dez IR 22.648,19 30.817,75 640.980,40 648.213,98 Adicional 13.098,79 8.545,17 405.320,27 408.142,65 IR meses ant. 0,00 35.746,98 39.362,92 1.046.536,25 IRRF 35.746,98 3.380,36 861.293,39 10.055,96 IR a pagar 0,00 235,58 145.644,36 0,00 IR compensado 0,00 235,58 136.168,78 0,00 DARF 0,00 0,00 9.475,57 0,00 AC 2000 IRPJ estimativa IR 648.213,98 Adicional 408.142,65 IRRF 106.307,30 IR estimativa 1.056.356,63 IR a pagar 106.307,30 Saldo negativo de IRPJ AC 2000 Cabe esclarecer que o valor de IRRF utilizado no ajuste (R$ 106.307,30) referese à diferença entre o IRRF passível de utilização (R$ 1.016.783,99) e aquele utilizado nas estimativas mensais (R$ 910.476,69). A simulação da compensação feita com o negativo do anocalendário 1999 encontrase às fls. 474/476. Ao se retomar a apreciação das estimativas do período de janeiro a maio de 2001 (período em jogo), inclusive quanto a parcelas pagas (DARF), ponderouse o seguinte: Continuando com a análise do saldo negativo do período de janeiro a maio de 2001, mais precisamente das estimativas mensais, concluise que, uma vez que o saldo negativo do ano calendário 2000 foi de R$ 106.307,30 e que apenas o valor de R$ 1.277,25 relativo ao IRRF é passível de utilização, o saldo negativo do período fica assim constituído: Fl. 850DF CARF MF Impresso em 22/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/09/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15374.720085/200911 Acórdão n.º 1103000.931 S1C1T3 Fl. 851 5 janeiro fevereiro março abril maio IR devido 10.516,27 27.202,28 6.799,33 6.248,54 72.815,43 Adicional 5.010,85 14.134,85 2.532,89 2.165,70 38.543,62 IR devido em meses anteriores 0,00 6.386,92 0,00 0,00 34.548,68 IRRF 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 IR a pagar 15.527,12 34.950,21 9.332,22 8.414,24 76.810,37 IR comp. c/ S.Neg. Per. Ant. 6.386,92 10.415,29 9.332,22 6.156,82 0,00 DARF 0,00 0,00 0,00 2.257,43 2.402,02 IR apurado 72.815,43 Adicional 38.543,62 IRRF 1.277,25 IR mensal pago por estimativa 36.950,70 IR a pagar 73.131,10 Cálculo do IRPJ sobre o lucro real (grifos nossos) Assim, verificouse que a empresa Ituaçu apurou IRPJ a pagar e não saldo credor no encerramento do período de apuração de 1/1/01 a 28/5/01. Pelo exposto, não se reconheceu o direito creditório pleiteado pela recorrente, bem como não foram homologadas as Dcomps listadas às fls. 498 e 499. Às fls. 500 e 501, o Despacho Decisório acatou o conteúdo do Parecer Conclusivo nº 137/09, de fls. 493 a 499, não homologando o direito creditório pleiteado. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Inconformada, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade em 30/7/2009, de fls. 512 a 521. Transcrevo o quanto aduzido em seu inconformismo. DA ORIGEM DO CRÉDITO UTILIZADO NOS PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO 3.1. Nos anoscalendário de 2000 e 2001, ITUAÇU era detentora de ativos financeiros sujeitos à variação cambial, vinculados ao fundo ICATU XVI CAMBIAL FUNDO DE INVESTIMENTO ("ICATU CAMBIAL"). 3.2. Até julho de 2000, tais ativos eram administrados pelo BANCO ICATU S.A. (CNPJ n° 31.265.903/000128), passando, após essa data, a ser administrados por ICATU INVESTIMENTOS DTVM LTDA. (CNPJ n° 00.961.366/0001 27). 3.3. Em 29.12.2000, BBA CAPITAL ICATU INVESTIMENTOS DTVM S.A. (CNPJ n° 33.311.713/000135) incorporou ICATU INVESTIMENTOS DTVM LTDA., tornandose a nova Fl. 851DF CARF MF Impresso em 22/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/09/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15374.720085/200911 Acórdão n.º 1103000.931 S1C1T3 Fl. 852 6 administradora dos ativos cambiais até 31.10.2001, quando eles passaram a ser administrados por ICATU DTVM LTDA. (CNPJ n° 03.282.508/000118). 3.4. Os rendimentos correspondentes à variação cambial dos ativos do ICATU CAMBIAL submetiamse à tributação mensal do IRF a alíquota de 20%, independentemente da efetiva liquidação dos referidos ativos. 3.5. Para quitar o IRF incidente sobre a variação cambial ainda não realizada dos referidos ativos, ITUAÇU resgatava parcela deles pelo exato montante correspondente ao IRF, procedimento comumente denominado de "come quotas". A titulo de exemplo, se, em determinado mês, a variação cambial relativa aos ativos tivesse sido de R$ 100.000,00, sobre ela incidindo IRF de R$ 20.000,00, ITUAÇU efetuava o resgate de quotas do ICATU CAMBIAL no exato montante de R$ 20.000,00, e o respectivo numerário, em vez de ser a ela entregue pela fonte pagadora, era utilizado para quitar o IRF devido sobre a variação cambial total. 3.6. Em razão de ITUAÇU ter observado, nos termos do art. 30 da Medida Provisória n° 1.85810, de 26.10.1999 (editada pela última vez em 24.08.2001, sob o n° 215835),o regime de caixa na tributação das variações cambiais, o IRPJ apurado no encerramento do períodobase apenas incidiu sobre a parcela da variação cambial realizada, ou seja, embutida nos ativos cambiais resgatados. 3.7. No ano de 2000, a variação cambial e respectivo IRF relativos aos ativos cambiais vinculados ao ICATU CAMBIAL foram de R$ 9.216.626,58 e R$ 1.843.325,26, respectivamente. Do total desse IRF, a parcela de R$ 129.276,15, incidente sobre a variação cambial verificada nos meses de janeiro a março de 2000, foi retida pelo BANCO ICATU S.A., e a parcela de R$ 1.714.049,11, incidente sobre a variação cambial verificada nos meses de abril a dezembro de 2000, por ICATU INVESTIMENTOS DTVM LTDA., nova administradora do ICATU CAMBIAL (DOC. 02). 3.8. O valor correspondente à variação cambial realizada em 2000 (embutida nas cotas resgatadas) correspondeu a apenas R$ 204.798,20, sendo o respectivo IRF de R$ 40.959,64. 3.9. O valor da receita cambial diferida, porquanto ainda não realizada, correspondeu a R$ 9.011.828,38 (R$ 9.216.626,58 R$ 204.798,20). O IRF incidente sobre esta parcela, no montante de R$ 1.802.365,68 (R$ 1.843.325,26 R$ 40.959,64), passou a integrar o ativo de ITUAÇU como crédito a ser compensado com o IRPJ devido no períodobase em que receita de variação cambial diferida viesse a ser oferecida à tributação. 3.10. Além do IRF incidente sobre a variação cambial oriunda do fundo ICATU CAMBIAL, a ITUAÇU sofreu outras retenções de IRF incidente sobre rendimentos financeiros (DOCS. 02 e 03), como segue: Fl. 852DF CARF MF Impresso em 22/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/09/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15374.720085/200911 Acórdão n.º 1103000.931 S1C1T3 Fl. 853 7 RENDIMENTO IRF ICATU XVI CAMBIAL 8.570.245,86 1.714.049,11 ICATU XVI CAMBIAL 646.380,72 129.276,15 DI 5.952,43 1.190,47 DI 7.390,88 1.478,16 RENDA FIXA 8.805,49 1.761,09 SWAP 4.305.023,19 861.004,63 TOTAL 13.543.798,57 2.708.759,61 3.11. Tais valores de rendimentos e IRF correspondem exatamente àqueles informados pela ITUAÇU na ficha 43 da sua DIPJ relativa ao anocalendário de 2000 (DOC. 04). 3.12. Por outro lado, conforme se observa das linhas 21 e 24 da ficha 06A da referida DIPJ, ITUAÇU ofereceu à tributação do IRPJ a totalidade dos ganhos decorrentes das operações de swap (R$ 4.305.023,19), sobre os quais havia incidido IRF de R$ 861.004,63, bem como R$ 778.896,74 a titulo de outras receitas financeiras, sujeitas a um IRF de R$ 155.779,35 (20%). 3.13. A variação cambial incidente sobre os ativos cambiais não realizados, no montante de R$ 9.011.828,41, foi informada na linha 20 da ficha 6A da DIPJ de 2000, mas excluída na linha 30 da ficha 09A, em razão da opção pelo regime de caixa na tributação dos referidos rendimentos. 3.14. O lucro real apurado no período correspondeu a R$ 4.321.426,54, sobre o qual incidiu IRPJ e adicional no montante total de R$ 1.056.356,63. 3.15. Do valor do IRPJ a pagar, ITUAÇU, por lapso, deduziu, além dos valores da estimativa mensal paga (R$ 9.475,57) e quitada por compensação com o saldo negativo de 1999 (R$ 136.168,78), a totalidade do IRF dela retido em 2000 (R$ 2.708.759,61), e não apenas a parcela do referido IRF incidente sobre as receitas tributadas pelo IRPJ em 2000 (R$ 1.016.783,98 = R$ 861.004,63 + R$ 155.779,35). 3.16. Com isso, ITUAÇU apurou saldo negativo em 2000 no montante de R$ 1.798.047,33, quando o saldo negativo efetivo seria de apenas R$ 106.307,29, como segue: IR 648.213,98 ADICIONAL 408.142,65 TOTAL DEVIDO 1.056.356,63 ESTIMATIVA PAGA (DARF) (9.475,57) ESTIMATIVA COMP. SALDO NEG. PER. ANTERIOR (136.168,78) IRF SOBRE RECEITAS FINANCEIRAS TRIBUTADAS (155.779,35) IRF SOBRE RENDIMENTO DE SWAP TRIBUTADO (861.004,63) Fl. 853DF CARF MF Impresso em 22/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/09/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15374.720085/200911 Acórdão n.º 1103000.931 S1C1T3 Fl. 854 8 SALDO NEGATIVO (106.307,29) 3.17. Neste particular, a INTERESSADA ressalta que o Parecer Conclusivo no qual está baseado o Despacho Decisório também conclui que seria de R$ 106.307,29 o saldo negativo efetivamente apurado por ITUAÇU em 31.12.2000. 3.18. Em 28.05.2001, ITUAÇU submeteuse à cisão e a parcela cindida foi incorporada pela INTERESSADA, dai a DIPJ de ITUAÇU ter compreendido apenas o período de 01.01.2001 a 28.05.2001 (DOC. 05). 3.19. De 01.01.2001 a 28.05.2001, a variação cambial e respectivo IRF relativos aos ativos cambiais vinculados ao ICATU CAMBIAL totalizaram R$ 7.768.744,25 e R$ 1.553.748,85, respectivamente (DOC. 06). 3.20. O valor correspondente à variação cambial realizada no período de 01.01.2001 a 28.01.2001 (embutida no "come quotas") correspondeu a apenas R$ 379.884,83, sobre ela incidindo IRF de R$ 75.976,97. 3.21. O valor da receita cambial diferida, porquanto ainda não realizada, totalizou R$ 10.626.547,40, correspondendo não só à diferença entre o valor da receita tributada pelo IRF até abril de 2001 e aquela realizada (R$ 7.388.859,62 = R$ 7.768.744,25 R$ 379.884,83), mas também a parcela da receita auferida de 01.05.2001 a 28.05.2001, no valor de R$ 3.237.687,78 (tributada pelo IRF apenas em 30.05.2001, após ITUAÇU ter sido cindida e a parcela na qual foi incluído o ativo cambial ter sido incorporada pela INTERESSADA). 3.22. O IRF incidente até 28.05.2001 sobre a parcela diferida, no montante de R$ 1.477.771,92, integrou o ativo de ITUAÇU como crédito a ser compensado com o IRPJ devido no período base em que receita de variação cambial diferida fosse oferecida à tributação. 3.23. Além do IRF incidente sobre a variação cambial oriunda do ICATU CAMBIAL no período de 01.01.2001 a 28.01.2001, ITUAÇU sofreu, nesse mesmo período, outras retenções de IRF incidentes sobre rendimentos financeiros, como segue: RENDIMENTO IRF ICATU CAMBIAL XVI 7.768.744,45 1.553.748,85 RENDA FIXA 6.449,85 1.289,97 SWAP 2.728,55 545,71 TOTAL 7.777.922,85 1.555.584,53 Fl. 854DF CARF MF Impresso em 22/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/09/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15374.720085/200911 Acórdão n.º 1103000.931 S1C1T3 Fl. 855 9 3.24. Apesar de os valores de rendimentos e IRF acima demonstrados terem sido informados por ITUAÇU na ficha 43 da sua DIPJ relativa ao período de 01.01.2001 a 28.05.2001, ela, por equivoco, indicou que o IRF incidente sobre a variação cambial teria sido retido por ICATU INVESTIMENTOS DTVM S.A. (CNPJ n° 00.961.366/000127), quando, na verdade, eles foram retidos por BBA ICATU INVESTIMENTOS DTVM S.A. (CNPJ n° 33.311.713/000125), que, como visto em 2.3., acima, havia se tornado sucessora daquela. 3.25. Em razão desse equivoco, o Parecer Conclusivo no qual se baseia o Despacho Decisório em epígrafe não logrou confirmar a retenção de IRF incidente sobre a variação cambial do fundo ICATU CAMBIAL, apesar da sua efetividade. 3.26. Por outro lado, conforme se observa da linha 24 da ficha 06A da referida DIPJ, ITUAÇU ofereceu à tributação do IRPJ receitas financeiras no montante de R$ 386.533,88, as quais se sujeitaram a um IRF de R$ 77.306,78 (20%). 3.27. A variação cambial incidente sobre os ativos cambiais não realizados (ai considerados não só aqueles sujeitos ao IRF, auferidos até 30.04.2001, mas também a parcela auferida até 28.05.2001), no montante de R$ 10.626.547,41, foi informada na linha 20 da ficha 6A da DIPJ de 2001, mas excluída na linha 30 da ficha 09A, em razão da opção pelo regime de caixa na tributação dos referidos rendimentos. 3.28. O lucro real apurado no período correspondeu a R$ 485.436,24, sobre o qual incidiu IRPJ e adicional no montante total de R$ 111.359,05. 3.29. Do valor do IRPJ a pagar, ITUAÇU, por lapso, deduziu, além dos valores da estimativa mensal paga (R$ 4.659,45) e daquela quitada por compensação com o saldo negativo de 2000 (R$ 32.291,24), a totalidade do IRF dela retido de 01.01.2001 a 28.05.2001 (R$ 1.555.584,53), e não apenas a parcela do referido IRF incidente sobre as receitas tributadas pelo IRPJ no período (R$ 77.306,78). 3.30. Com isso, ITUAÇU apurou saldo negativo em 2000 no montante de R$ 1.476.320,05, quando o saldo negativo efetivo seria de apenas R$ 2.898,92, como segue: IR 72.815,43 ADICIONAL 38.543,62 TOTAL 111.359,05 ESTIMATIVA DARF (4.659,45) ESTIMATIVA SALDO NEG. ANTERIOR (32.291,24) IRF DO PERIODO (77.306,78) SALDO NEGATIVO (2.898,42) Fl. 855DF CARF MF Impresso em 22/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/09/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15374.720085/200911 Acórdão n.º 1103000.931 S1C1T3 Fl. 856 10 3.31. Como já visto, a INTERESSADA incorporou a parcela cindida de ITUAÇU em maio de 2001 na qual foram incluídos os ativos cambiais e respectivos rendimentos vinculados ao ICATU CAMBIAL, bem como o crédito relativo ao IRF incidente sobre a variação cambial cuja tributação pelo IRPJ havia sido por ela diferida em razão da adoção do regime de caixa na tributação dos referidos rendimentos. 3.32. Da data da incorporação da parcela cindida de ITUAÇU até o encerramento do períodobase de 2001, a variação cambial auferida pela INTERESSADA e respectivo IRF relativo aos ativos cambiais vinculados ao ICATU CAMBIAL foram de R$ 14.187.548,26 e R$ 2.837.509,59, respectivamente (DOC. 06). 3.33. Além do IRF incidente sobre a referida variação cambial, a INTERESSADA sofreu, no períodobase de 2001, outras retenções de IRF sobre rendimentos financeiros,informadas na ficha 43 da sua DIPJ (DOC. 07), como segue: RENDIMENTO IRF SERV. PROF 4.000,00 60,00 SERV. PROF 1.100,00 16,50 JCP 325,60 48,84 JCP 1.329,47 199,42 JCP 2.084,87 312,73 JCP 3.533,07 529,96 JCP 498,13 74,72 JCP 971.999,96 145.799,99 SERV. PROF 15.160,00 227,40 RENDA FIXA 5.384.799,19 1.076.959,51 RENDA FIXA 343.037,93 68.607,58 JCP 10.889.633,50 1.633.445,02 FUNDO DE AÇÕES 1.946.467,51 194.646,75 RENDA FIXA 90.021,81 18.004,35 ICATU XVI CAMBIAL 14.187.548,26 2.837.509,59 RENDA FIXA 1.859.158,49 373.774,21 JCP 4.371,88 655,78 RENDA FIXA 13.022,17 2.604,40 OUTRO ATIVO FINANCEIRO 2.609.115,45 521.823,09 JCP 46.740,07 7.011,01 TOTAL 38.373.947,36 6.882.310,85 Fl. 856DF CARF MF Impresso em 22/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/09/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15374.720085/200911 Acórdão n.º 1103000.931 S1C1T3 Fl. 857 11 3.34. Tais rendimentos foram integralmente oferecidos à tributação pela INTERESSADA, conforme se observa das linhas 21 a 24 da ficha 06A da referida DIPJ. 3.35. Como a INTERESSADA apurou prejuízo fiscal no período, o IRF por ela informado na ficha 43 da DIPJ (R$ 6.882.310,85) se convolou em saldo negativo. 3.36. Todavia, deve ser ressaltado que, em razão de a INTERESSADA ter optado pelo regime de competência na tributação das variações cambiais, adicionou ao seu lucro liquido, no próprio mês em que incorporou a parcela cindida de ITUAÇU, a variação cambial por aquela diferida nos anos de 2000 e 2001, no montante de R$ 19.638.375,82, conforme comprova o Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR) de maio de 2001 (DOC. 08). 3.37. O valor da adição relativa à variação cambial diferida por ITUAÇU também foi informada na linha 22 da ficha 09A da DIPJ do períodobase de 2001, integrando o montante de R$ 53.073.786,81 lá indicado, conforme demonstrado no LALUR da INTERESSADA de dezembro de 2001 (DOC. 09): COMPOSIÇÃO DAS ADIÇÕES NO LALUR OUTRAS ADIÇÕES(LINHA 22) AMORTIZAÇÕES DE ÁGIO 2.682.792,03 PERDAS DE CAPITAL 21,55 REND. NÃO REALIZADO DO FDO ICATU XVI CAMBIAL – 19.638.375,82 DIF. EXCESSO RETIRADA REF. DIPJ/97 – ANO BASE 96 23.310,88 DIVIDENDOS DA FINANCE (US$ 13.031.923,13) 30.729.286,53 TOTAL 53.073.786,81 3.38. Por conta da referida adição, a INTERESSADA passou a fazer jus a crédito de IRF incidente sobre o valor da receita adicionada, no montante de R$ 3.280.137,61. 3.39. Assim, o saldo negativo apurado pela INTERESSADA em 31.12.2001 deve ser aumentado pela soma do IRF sobre ela incidente (R$ 3.280.137,61), passando de R$ 6.882.310,85 para R$ 10.162.448,61. 3.40. O crédito utilizado pela INTERESSADA nas compensações analisadas pelo Despacho Decisório em epígrafe corresponde à parcela do saldo negativo de IRPJ formado a partir do IRF incidente de 01.01.2001 a 28.05.2001 sobre a variação cambial diferida, oriunda do fundo ICATU CAMBIAL. 3.41. Antevendo dificuldades em informar o referido IRF na DIPJ relativa ao períodobase em que ocorresse a realização das respectivas receitas, uma vez que tal valor não corresponderia a retenções efetuadas pela respectiva fonte pagadora naquele período, ITUAÇU, de forma equivocada, Fl. 857DF CARF MF Impresso em 22/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/09/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15374.720085/200911 Acórdão n.º 1103000.931 S1C1T3 Fl. 858 12 informou o referido imposto no próprio ano em que ocorrida a sua retenção (2001). 3.42. Tal procedimento não gerou prejuízo para a Fazenda Nacional, já que, mesmo sem a inclusão do referido IRF, ITUAÇU continuou a apurar saldo negativo de IRPJ no período base encerrado em 28.05.2001. 3.43. O referido procedimento apenas resultou na apuração incorreta do saldo negativo no período encerrado em 28.05.2001, já que, como demonstrado, na verdade, tal crédito de IRF se convolou em saldo negativo da própria INTERESSADA apurado no períodobase encerrado em 2001. 3.44. Em linha com o procedimento adotado por ITUAÇU, a INTERESSADA, nas compensações analisadas pelo Despacho Decisório em epígrafe, indicou que a origem do crédito nelas utilizado seria o saldo negativo relativo ao períodobase de 01.01.2001 a 28.05.2001 apurado por ITUAÇU, e não o apurado por ela própria no período de 01.01.2001 a 31.12.2001. 3.45. Em que pesem as impropriedades cometidas por ITUAÇU e pela INTERESSADA, o fato é que a efetividade do crédito utilizado nas referidas compensações (relativo a parcela do saldo negativo apurado pela INTERESSADA em 31.12.2001, oriunda do IRF incidente sobre as variações cambiais diferidas geradas pelo fundo ICATU CAMBIAL de 01.01.2001 a 28.05.2001) foi cabalmente demonstrada, razão por que tais compensações devem ser homologadas. DA DECISÃO DA DRJ Em 8/12/2011, acordaram os membros da 1ª Turma de Julgamento da DRJ do Rio de Janeiro I, por unanimidade de votos, negar provimento à manifestação de inconformidade, mantendo o Despacho Decisório – Parecer Conclusivo nº 137/09, conforme o entendimento que segue. Com base em tudo que dos autos consta, afirmouse que é da recorrente o ônus de comprovar os fatos alegados e, por sua vez, indicar corretamente o crédito que afirma ser detentora. Em sua manifestação de inconformidade pretendeu a alteração do crédito pleiteado, introduzindo matéria nova, “alheia ao presente processo, e que, assim, não pode ser conhecida neste momento processual”. Isso porque na referida peça a recorrente indicou direito creditório novo, não examinado pela Derat, não podendo integrar a lide, uma vez que não consta da declaração de compensação analisada pela DRF de origem. Não se pode permitir, por meio de manifestação de inconformidade, a alteração do pedido de reconhecimento de direito creditório inicialmente formulado, o que pode caracterizar usurpação de competência de autoridade administrativa, já que cabe à DRF de origem a análise e o pronunciamento inicial a respeito do deferimento, ou não, de Fl. 858DF CARF MF Impresso em 22/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/09/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15374.720085/200911 Acórdão n.º 1103000.931 S1C1T3 Fl. 859 13 pedidos de restituição/compensação (artigos 57 e 63 da Instrução Normativa RFB 900/2008). O julgamento pela DRJ constitui uma instância revisional. A matéria a ser apreciada pela DRJ é tãosomente aquela resolvida pela decisão a quo e que foi atingida pelo recurso. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário de fls. 755 a 776, em 9/2/2012, reiterando o que alegado em sede de manifestação de inconformidade e acrescentando, em síntese, o que segue. Afirmou que não pretendeu a alteração da origem do crédito pleiteado, tendo em vista que seu direito creditório foi, desde o início, baseado no IRF incidente sobre rendimentos produzidos pelos ativos do fundo Icatu Cambial no período de 1º/1/2001 a 28/5/2001. Que pretendeu demonstrar o descasamento entre o momento da retenção do IRF e o momento em que o referido tributo foi convolado em saldo negativo de IRPJ. Assim, a recorrente acabou por informar que o crédito utilizado nas Dcomps era correspondente ao períodobase da retenção do IRF, de 1/1/01 a 28/5/01, não o da convolação em saldo negativo. Tratase apenas uma retificação do equívoco cometido na formalização do direito creditório, em que deveria figurar a data em que se convolou aquele crédito em saldo negativo, ou seja, 31/12/05. A alteração das informações contidas nas Dcomps por erro formal cometido é de ser admitida em respeito à verdade material, por ser o crédito discutido sempre o mesmo. Decisão diversa faz tabula rasa do princípio da verdade material e contraria o entendimento dominante no CARF, conforme julgados, cujos excertos foram colacionados na peça recursiva. Pelo exposto, requereu a reforma da decisão a quo para homologar as Dcomps apresentadas. É o relatório. Fl. 859DF CARF MF Impresso em 22/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/09/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15374.720085/200911 Acórdão n.º 1103000.931 S1C1T3 Fl. 860 14 Voto Conselheiro Marcos Shigueo Takata O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade (fls. 753 e 755). Dele, pois, conheço. A numeração de fls. indicada neste voto é a do eprocesso. O encadeamento fático da matéria é de seriado detalhamento, e não pouco intrincado, conquanto se refira fundamentalmente a retenções de IRF e o oferecimento das receitas geradoras do IRF à tributação, para se chegar no saldo negativo de IRPJ de 28/5/01 postulado. A origem do direito creditório lança raízes no anocalendário de 2000. A Ituaçu (sucedida pela recorrente em 28/5/01 por cisão parcial daquela) tributava as receitas de variação cambial pelo regime de caixa, exercendo a faculdade do art. 30 da Medida Provisória (MP) 1.85810/99 (atual art. 30 da MP 2.158/01). Entre as receitas de variação cambial da Ituaçu figuravam as apuradas no fundo Icatu XVI Cambial RF (Icatu Cambial). No anocalendário de 2000, alegase que a Ituaçu sofrera retenção de IRF no valor de R$ 1.843.325,26 sobre rendimentos produzidos pelo fundo Icatu Cambial, correspondentes a R$ 9.216.626,58, todo esse valor seria de variação cambial. A essa época vigorava o regime de incidência de IRRF sobre rendimentos em fundos de investimento abertos de renda fixa (classificados como tal pela legislação tributária do IR – art. 28, § 6º, da Lei 9.532/97 com a redação do art. 1º da MP 2.189/01, a contrario sensu), independentemente de ter havido resgate ou cessão de quotas do fundo. Essa incidência de IRRF se dava mensalmente, para fundos sem prazo de carência (art. 6º, III, da MP 2.189/01; art. 739, III, do RIR/99 – atualmente, para fundos abertos classificados tributariamente como de renda fixa pela legislação do IR, tal incidência se dá semestralmente, nos meses de maio e novembro, art. 3º da Lei 10.892/04). Havendo resgate ou cessão das quotas, também ocorria o fato gerador de IRF (art. 6º, III, da MP 2.189/01; art. 739, III, do RIR/99). A retenção do IRF se dava à alíquota de 20% (art. 35 da Lei 9.532/97; art. 736, § 1º, do RIR/99). Segundo a recorrente, a variação cambial efetivamente auferida, ou seja, realizada, em 2000, correspondente aos rendimentos do fundo Icatu Cambial, foi de R$ 204.798,20 – realização concretizada pelo resgate de quotas desse fundo. E o IRF relativo a esse valor de rendimentos resgatados foi de R$ 40.959,64. Assim, conforme a recorrente, a receita de variação cambial diferida ou não realizada no ano de 2000 (quanto aos rendimentos no fundo Icatu Cambial) foi de R$ 9.011.828,38 (R$ 9.216.626,58 R$ 204.798,20). E o IRF correspondente à receita diferida foi de R$ 1.802.365,68 (R$ 1.843.325,26 R$ 40.959,64). Fl. 860DF CARF MF Impresso em 22/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/09/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15374.720085/200911 Acórdão n.º 1103000.931 S1C1T3 Fl. 861 15 Compulsando os autos, vejo que consta na linha 20 (“variações cambiais ativas”) da ficha 6A (de demonstração do resultado) da DIPJ/01 o valor de R$ 9.011.828,38 – fl. 610. Esse valor de receita foi excluído do lucro líquido, conforme a linha 30 (“variações cambiais ativas”) da ficha 9A (“demonstração do lucro real”) da DIPJ/01 – fl. 611. Também há informe de rendimentos, relativo ao anocalendário de 2000, consignando a retenção de IRF de R$ 1.714.049,11 sobre rendimentos no fundo Icatu Cambial de R$ 8.570.245,86, tendo como fonte retentora a Icatu Investimentos DTVM Ltda., e a retenção de IRF de R$ 129.276,15 sobre rendimentos do mesmo fundo de R$ 646.380,72, tendo como fonte retentora o Banco Icatu S.A. (fl. 600). A soma dos rendimentos perfaz os R$ 9.216.626,58 já aludidos, e a soma do IRF é de R$ 1.843.325,26, como dito pela recorrente. Além disso, a recorrente informa que sofrera retenção de IRF de R$ 861.004,63 sobre receitas de swap de R$ 4.305.023,19, e retenção de IRF de R$ 155.779,35 (20% dos rendimentos) sobre rendimentos de R$ 778.896,74 – todas as receitas oferecidas à tributação. Constatase que as receitas de swap no valor acima constam na linha 22 (ganhos auferidos em mercado de renda variável, exceto daytrade) da ficha 6A da DIPJ/01, e não consta exclusão do referido valor do lucro líquido, conforme a ficha 9A dessa DIPJ (a única exclusão é a de variações cambiais ativas) – fls. 610 e 611. Há o informe de rendimentos com a indicação de retenção de IRF de R$ 861.004,63 sobre rendimentos em operações de swap de R$ 4.305.023,19 (fl. 603). Na linha 24 (outras receitas financeiras) da ficha 6A da DIPJ/01 figura o valor de R$ 778.896,74 – fl. 610. Porém, na ficha 43 não há indicação de retenção de IRF que totalize R$ 155.779,35 – fl. 639. Há informe de rendimentos para 2000, constando rendimentos de R$ 5.952,43 e de R$ 7.390,88, e a retenção de IRF de R$ 1.190,47 e de R$ 1.478,16, relativos ao fundo BBA Icatu DI Faq, tendo como fontes retentoras a Icatu Investimentos DTVM Ltda. e o Banco Icatu S.A., respectivamente (fls. 563 e 564). Também, há informe de rendimentos sobre aplicações de renda fixa, com retenção de IRF de R$ 1.761,09, sobre rendimentos de R$ 8.805,49, tendo o Banco Icatu S.A. como fonte retentora – fl. 603. Na ficha 6A da DIPJ/01, não há indicação de receitas financeiras além das de variação cambial de R$ 9.011.828,38 (linha 20), de swap de R$ 4.305.023,19 (linha 21), e de outras receitas financeiras de R$ 778.896,74 (linha 24). Se dos rendimentos totais no fundo Icatu Cambial de R$ 9.216.626,58 (como consta no informe de rendimentos), R$ 204.798,20 são receitas realizadas por resgate de quotas, e se tal valor foi oferecido à tributação, ele deve compor os R$ 778.896,74 de receitas informadas na ficha 6A da DIPJ/01. A recorrente aduz que a Ituaçu, por equívoco, em sua DIPJ/01, deduziu, além dos valores de estimativa mensal paga de R$ 9.475,57 e adimplidas por compensação de R$ 136.168,78, o total do IRRF de R$ 2.708.759,61, e não apenas o IRRF sobre as receitas realizadas e tributadas em 2000, vale dizer, o IRRF no valor de R$ 1.016.783,98 (= R$ 861.004,63 + R$ 155.779,35). Dessa forma, a Ituaçu apurara saldo negativo de IRPJ em 2000 de R$ 1.798.047,33, quando o saldo negativo seria somente de R$ 106.307,29, conforme Fl. 861DF CARF MF Impresso em 22/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/09/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15374.720085/200911 Acórdão n.º 1103000.931 S1C1T3 Fl. 862 16 quadro contido na peça recursiva. Esse valor de R$ 106.307,29 de saldo negativo de 2000 fora confirmado no parecer conclusivo do despacho decisório. R$ 2.708.759,61 correspondem a R$ 1.843.325,26 + R$ 861.004,63 + R$ 1.190,47 + R$ 1.478,16 + R$ 1.761,09, conforme já constatado nos informes de rendimentos. Aliás, tal montante de retenção de IRF é o que também nas cópias das telas de DIRFs de fls. 475 a 477, juntada aos autos com o parecer conclusivo do despacho decisório. O que não se constata é o alegado valor de IRRF de R$ 155.779,35. Mas o total de retenção informado está correto. É possível decifrar isso da seguinte forma. O total de rendimentos no fundo Icatu Cambial em 2000 foi de R$ 9.216.626,58 e o IRRF foi de R$ 1.843.325,26. O total de receitas de swap foi de R$ 4.305.023,19 e de retenção de IRF foi de R$ 861.004,63. O total de rendimentos no fundo BBA Icatu DI foi R$ 13.343,31 (R$ 5.952,43 + R$ 7.390,88) e o IRRF foi de R$ 2.668,63 (R$ 1.190,47 + R$ 1.478,16). O total de rendimentos de aplicação de renda fixa foi de R$ 8.805,49 com IRRF de R$ 1.761,09. Da combinação das fichas 6A e 9A da DIPJ/01, foram oferecidos à tributação R$ 4.305.023,19 + R$ 778.896,74. Notese que não há rendimentos autônomos de R$ 778.896,74, segundo descrição do parágrafo anterior correspondente às receitas apresentadas nos informes de rendimentos, como examinado antes. Então, os R$ 155.779,35 estão contidos nos mencionados valores de IRRF, vale dizer, tal valor foi extraído por diferença, considerandose os valores de receitas oferecidos à tributação (R$ 778.896,74, para tal valor de IRRF). Esclareço melhor. Se R$ 9.011.828,38 dos R$ 9.216.626,58 de receitas ou rendimentos no fundo Icatu Cambial corresponderam a receitas de variação cambial, a exclusão feita não merece óbice. E, como disse, presumivelmente a diferença de R$ 204.798,20 (que a recorrente alega que ter sido a parcela das receitas realizadas relativa àquele fundo e oferecida à tributação) está contida nas receitas declaradas de R$ 778.896,74. Daí ter deduzido que o valor de IRRF de R$ 155.779,35 está contido no montante total de IRRF já mencionado, e que tal valor foi ou é extraível somente por diferença. Isso significa também que, presumivelmente, a receita realizada referente ao fundo Icatu Cambial não fora só de R$ 204.798,20, mas de R$ 778.896,74 – (R$ 13.343,31 + R$ 8.805,49). E, por isso, a recorrente fala que houve IRRF de R$ 155.779,35, que contém o valor de IRRF de R$ 2.668,63 +R$ 1.761,09. É como decifro esse valor de IRRF de R$ 155.779,35, que, assim como os rendimentos de R$ 778.896,74 a que se vincularia esse valor de IRRF, não têm origem autônoma em informe de rendimentos. Quanto ao uso do IRRF de R$ 2.708.759,61 na composição do saldo negativo de IRPJ de 2000 ter sido equívoco e incorreto por parte da Ituaçu, ao invés de R$ 1.016.783,98, como alegado pela recorrente, tratarei disso adiante. Fl. 862DF CARF MF Impresso em 22/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/09/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15374.720085/200911 Acórdão n.º 1103000.931 S1C1T3 Fl. 863 17 Prossigo com o exame do saldo negativo de IRPJ de 1/1/01 a 28/5/01, que é o crédito postulado nesta lide. No anocalendário de 2001, a recorrente argui que, de 1/1/01 a 28/5/01 (data da cisão da Ituaçu com versão de acervo à recorrente), a Ituaçu teve receita de variação cambial e IRRF vinculados ao fundo Icatu Cambial, no montante de R$ 7.768.744,25 e R$ 1.553.748,85, respectivamente. Desse total, a receita de variação cambial realizada no período foi de R$ 379.889,83, a que corresponde um valor de IRRF de R$ 75.976,97. De 1/5/01 a 28/5/01, a Ituaçu teria apurado ainda receita de variação cambial no fundo Icatu Cambial, de R$ 3.237.687,78 (sobre a qual a retenção de IRF se dera somente em 30/5/01, i.e., após a Ituaçu ser cindida e ter seu acervo vertido à recorrente). Toda essa parcela de receita de variação cambial fora diferida – não realizada. Além disso, a Ituaçu teria auferido receitas de aplicação financeira de renda fixa e de swap no valor de R$ 6.449,85 e R$ 2.728,55, e sofrido retenção de IRF de R$ 1.289,97 e R$ 545,71, tudo respectivamente. Segundo a recorrente, foram oferecidas à tributação pela Ituaçu, conforme sua DIPJ/01 (evento de incorporação), receitas financeiras de R$ 386.533,88, a que corresponde um IRRF de R$ 77.306,78 (20% sobre as receitas). E fora excluída do lucro líquido a receita de variação cambial não realizada de R$ 10.626.547,41 (ficha 9A), que fora informada como receita de variação cambial na ficha 6A. Aduz que, por equívoco, a Ituaçu deduzira, além dos valores de estimativa paga de R$ 4.659,45 e adimplidas por compensação de R$ 32.291,24, o total do IRF retido entre 1/1/01 a 28/5/01, no valor de R$ 1.555.584,53, ao invés de IRRF no valor de R$ 77.306,78. E que, dessa forma, a Ituaçu apurou saldo negativo de IRPJ em 2001, no montante de R$ 1.476.320,05, ao invés de R$ 2.898,92. Ainda, com a versão de acervo da Ituaçu à recorrente por cisão daquela em 28/5/01, essa oferecera à tributação no próprio mês da sucessão a variação cambial diferida pela Ituaçu, pois a recorrente não adotara a faculdade da tributação por “regime de caixa” das receitas de variações cambiais. A recorrente adicionara ao lucro líquido em maio de 2001 o total da variação cambial diferida de R$ 19.638.375,82, conforme revela seu Lalur. E tal adição consta na DIPJ/02 da recorrente, na linha 22 de outras adições da ficha 9A. Nessa linha é informado o total de R$ 53.073.786,81, que apresenta em sua composição a integração daquele valor, como comprova seu Lalur. Logo, a recorrente teria direito a IRF no valor de R$ 3.280.137,61 sobre as receitas adicionadas, de modo que seu saldo negativo de IRPJ seria aumentado nesse montante. Apesar disso, a recorrente aduz que não utilizou esse valor como parte de seu saldo negativo do período encerrado em 31/12/2001, por ter sido informado e postulado o saldo negativo de R$ 1.476.320,05, da sucedida. Alega, portanto, que houve erro na formalização do direito creditório, não se tratando de crédito novo postulado, como pretendido pelo acórdão a quo. Tanto que o direito Fl. 863DF CARF MF Impresso em 22/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/09/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15374.720085/200911 Acórdão n.º 1103000.931 S1C1T3 Fl. 864 18 creditório é correspondente a IRF retido até 28/5/01, convertido em saldo negativo de IRPJ, sem nenhum prejuízo ao erário. Pois bem. Compulsando os autos, vejo que há informe de rendimentos emitido por BBA Icatu Investimentos DTVM S.A., com rendimentos totais até abril de 2001 de R$ 7.768.744,45 e de retenção de IRF até abril de 2001 de R$ 1.553.748,85 – fl. 674. O informe de rendimentos compreende retenções de IRF e rendimentos até outubro de 2001, mas tem como beneficiária a Ituaçu. Ainda, provavelmente o fundo Icatu Cambial deve ter mudado de nome para Ventura Faq de FI (ou seja, um FICFI), pois é o que figura no informe de rendimentos. Consta cópia de informe de rendimentos emitido pelo Banco Icatu S.A. para a Ituaçu, indicando retenção de IRF de R$ 1.277,25 e rendimentos de R$ 6.386,41, decorrentes de aplicação financeira de renda fixa – fls. 842. O mesmo conteúdo se extrai de cópia de extrato de DIRF da Icatu Participações Ltda. (mas de mesmo nº de CNPJ do Banco Icatu S.A.) por beneficiário e por código – fl. 843. Noto que na linha 20 da ficha 6A da DIPJ/01 (evento de cisão) da Ituaçu, a receita de variação cambial informada é de R$ 10.626.547,41; e se informam como outras receitas financeiras na linha 24 da ficha 6A R$ 386.533,88; a aludida receita de swap de R$ 2.728,55 não figura autonomamente na linha 21 (ganhos no mercado de renda variável, exceto de daytrade) – fl. 651. Na ficha 9A consta somente a exclusão de variação cambial ativa (linha 30) no mesmo valor – fl. 652. A bem ver, a alegada variação cambial diferida de R$ 7.388.859,62 (rectius, R$ 7.388.859,42, seguindo a alegação da recorrente) vinculada ao fundo Icatu Cambial seria correspondente à produzida de 1/1/01 a 30/4/01, e não até 28/5/01. E a variação cambial diferida produzida entre 1/5/01 a 28/5/01 vinculada a tal fundo seria de R$ 3.237.687,78. Somandose R$ 7.388.859,42 com R$ 3.237.687,78, têmse R$ 10.626.547,21 (diferença desprezível com a informada nas fichas 6A e 9A da DIPJ/01 de R$ 10.626.547,41). Somandose R$ 379.889,83 (variação cambial realizada) com R$ 6.449,85 (rendimentos de aplicação de renda fixa) e R$ 2.728,55 (receita de swap), chegase a R$ 389.068,23. Mas, caso se ignore a receita de swap, pois não localizei o informe de rendimentos de tal receita e a retenção correspondente de IRF de R$ 545,71, a somatória monta a R$ 386.339,68; menor que o valor informado como outras receitas financeiras na linha 24 da ficha 6A, de R$ 386.533,88. A propósito, ao invés de se adicionarem aos R$ 379.889,83 (variação cambial realizada) R$ 6.449,85 de rendimentos de aplicação de renda fixa, mas R$ 6.386,41 de rendimentos de aplicação de renda fixa, têmse a somatória de R$ 386.276,24. Sucede que, embora a recorrente alegue rendimentos de aplicação de renda fixa de R$ 6.449,85 e correspondente IRRF de R$ 1.289,97, os valores do informe de rendimentos são de R$ 6.386,41 e de R$ 1.277,25, como já indiquei anteriormente. São considerados os R$ 1.277,25 de IRRF, e não R$ 1.289,97. A diferença é pequena – seja do IRRF, seja dos rendimentos. Quer dizer, a se considerarem as receitas segundo o informe de rendimentos, vê se que foram oferecidos à tributação um valor ainda maior: R$ 386.533,88 (outras receitas Fl. 864DF CARF MF Impresso em 22/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/09/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15374.720085/200911 Acórdão n.º 1103000.931 S1C1T3 Fl. 865 19 financeiras na linha 24 da ficha 6A, sem exclusão na ficha 9A), contra R$ 386.276,24. Relembro que, além da linha 24 na ficha 6A, só há a de variação cambial de R$ 10.626.547,41 (linha 20), como receitas financeiras. Essa variação cambial corresponde a (R$ 7.768.744,45 R$ 379.889,83) + R$ 3.237.687,78. E como exclusão na ficha 9A só há a da linha 30 de variação cambial ativa, de igual valor (R$ 10.626.547,41). Quanto às estimativas, vêse que no parecer conclusivo do despacho decisório já se reconheceu a solução por compensação com saldo negativo de IRPJ de 2000 no montante de R$ 32.291,25, e de pagamento de R$ 4.659,45 – fl. 501 – igual aos valores alegados pela recorrente, mas diversos dos constantes na ficha 11 da DIPJ/01. As estimativas adimplidas por compensação são de janeiro a abril de 2001, sendo que parte da de abril fora solvida por pagamento – o outro pagamento fora para a estimativa de maio. O total das estimativas adimplidas por pagamento e por compensação é de R$ 36.950,70. A bem ver, na ficha 11, têmse o total de estimativas de janeiro a maio de 2001 de R$ 111.359,05 – fls. 653 e 654. Mas na ficha 12A são deduzidos como estimativas do IRPJ devido somente R$ 108.904,95 – fl. 655. Para se chegar no total de R$ 111.359,05 foram consideradas as deduções de IRF de R$ 76.810,38, que foram desconsideradas no despacho decisório (pela alegação de se terem oferecidas à tributação somente R$ 386.533,88 de receitas financeiras). Notase que houve erro no preenchimento da linha de deduções de estimativas da ficha 12A (R$ 108.904,95). Mas também houve erro no preenchimento da ficha 11, pois o total das estimativas é de R$ 113.761,08, que corresponde a: R$ 76.810,38 + (R$ 34.548,5 + R$ 2.402,02). Ocorre que no despacho decisório se reconheceu pagamento por DARF de R$ 2.257,43 para abril de 2001 e de R$ 2.402,02 para maio de 2001 (total de R$ 4.659,45). Ao se verificar a ficha 11 da DIPJ/01, notase que R$ 2.257,43 compõem o valor da estimativa de abril, mas o valor de R$ 2.402,02 não compõe a estimativa de maio de 2001. Daí o total das estimativas na ficha 11 somar R$ 111.359,05. Faltam R$ 2.402,02 reconhecidos no despacho decisório (pagamento por DARF) não computados na ficha 11. Por isso, o total das estimativas é de R$ 113.761,08, a prevalecer o valor de retenções de IRF utilizadas nas estimativas no montante de R$ 76.810,38. O total das receitas de variação cambial diferidas pela Ituaçu até sua cisão (28/5/01) é de R$ 19.638.375,82: R$ 9.011.828,38 em 2000 (linha 30 da ficha 9A da DIPJ/01) + R$ 10.626.547,41 [(R$ 7.388.859,621 + R$ 3.237.687,78) = linha 30 da ficha 9A da DIPJ/01, evento de cisão]. Na ficha 9A da DIPJ/02 da recorrente (referente ao período de 1/1/01 a 31/12/01), vêse informado como outras adições (linha 22) o valor de R$ 53.073.786,81, e não consta exclusão de variações cambiais ativas – fl. 682. Há cópia da folha da Parte A do Lalur da recorrente para maio de 2001, em que figura entre as adições o montante de R$ 19.638.375,82, indicado como rendimento não 1 R$ 7.768.744,25 R$ 379.889,83 (este valor informado pela recorrente) totalizam R$ 7.388.859,42. A diferença é desprezível. Fl. 865DF CARF MF Impresso em 22/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/09/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15374.720085/200911 Acórdão n.º 1103000.931 S1C1T3 Fl. 866 20 realizado do fundo Icatu Cambial – fl. 730. O total das adições para maio de 2001 é de R$ 25.186.056,47, e o de exclusões é de R$ 83.332.546,68, e o lucro antes das adições e exclusões é de R$ 35.749.604,21, resultando num lucro real (estimativa por balanço de suspensão) de – R$ 22.396.866,00, para maio de 2001 – fl. 730. É o valor que consta na ficha 11 da DIPJ/02 relativo à base de cálculo da estimativa de maio de 2001 – fl. 684. Há cópia da folha da Parte A do Lalur da recorrente do final de 2001 (31/12/01) – fl. 732. O total das adições é de R$ 154.515.954,76, igual ao informado na linha 23 da ficha 9A da DIPJ/02 – fl. 682. A adição de despesas de participações societárias de R$ 98.156.749,45 tem correspondência na ficha 9A, na linha 10. A adição de despesas de provisões operacionais de R$ 3.285.418,47 tem correspondência na ficha 9A, na linha 3. A soma das demais adições totaliza R$ 53.073.787,09, entre as quais figura a de R$ 19.638.375,82, referente a rendimentos não realizados do fundo Icatu Cambial (as outras são de R$ 2.682.792,03 + R$ 21,55 + R$ 23.310,88 + R$ 30.729.286,53). O valor de R$ 53.073.787,09 é o que consta na linha de outras adições da ficha 9A (linha 22). Resulta comprovado, pois, o oferecimento à tributação das receitas de variação cambial não realizadas pela Ituaçu (excluídas dos lucros líquidos) por parte de sua sucessora, a recorrente. Do quanto deduzi, posso extrair a primeira conclusão. Na cisão da Ituaçu, foram vertidos ativos no total de R$ 66.121.997,34 a valor contábil, sendo que todas as aplicações financeiras (R$ 58.876.666,51) foram objeto de versão para a recorrente. Isso se constata do laudo de avaliação de fls. 595 a 598 e da ficha 38A (balanço patrimonial) da DIPJ/01 de 1/1/01 a 28/5/01 da Itauçu – fl. 666. Foram vertidos os ativos de aplicações financeiras (R$ 58.876.666,51), de cessão de créditos (R$ 3.966.320,44), de impostos a compensar (R$ 3.278.685,67) e de caixa (R$ 324,72), com versão de acervo patrimonial líquido de R$ 42.719.115,97 – fl. 597. Esse valor líquido correspondeu ao valor de redução do capital social da Ituaçu (de R$ 46.221.114,08 para R$ 3.501.998,11 = redução do capital social de R$ 42.719.115,97) AGE de 28/5/01 e protocolo de cisão, de fls. 582 a 592. Ainda em 2001 (27/9/01), a Ituaçu fora incorporada pela recorrente, sem aumento de capital da incorporadora (AGE e protocolo de incorporação de fls. 550 a 573), em que o ativo remanescente daquela era composto somente de caixa (R$ 2.631,85) e de cessão de créditos (R$ 3.609.044,89), com versão de acervo patrimonial líquido a valor contábil de R$ 3.585.145,47, conforme laudo de avaliação de fls. 576 a 581. O IRRF de 1/1/01 a 28/5/01 (data da cisão da Ituaçu, sucedida pela recorrente, e data de apuração do saldo negativo de IRPJ postulado) é de R$ 1.555.026,10 = R$ 1.553.748,85 + R$ 1.277,25, consoante os informes de rendimentos carreados aos autos, como já apreciado. A recorrente alega IRRF no total de R$ 1.555.584,53. O valor oferecido à tributação de 1/1/01 a 28/5/01 foi de R$ 386.533,88. Tal valor é superior à soma de R$ 379.889,83 (variação cambial realizada) com R$ 6.449,85 (rendimentos de aplicação de renda fixa), que totalizam R$ 386.339,68. Ou ainda à soma de R$ 379.889,83 (variação cambial realizada) com R$ 6.386,41 (rendimentos de aplicação de renda fixa), que totalizam R$ 386.276,24, como exposto anteriormente. As ditas receitas de swap oferecidas à tributação e correspondente IRF, de R$ 2.728,55 e R$ 545,71, são ignoradas, pois não se localizam os informes de rendimentos. Isso não influi na determinação do pretendido saldo negativo de IRPJ. Fl. 866DF CARF MF Impresso em 22/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/09/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15374.720085/200911 Acórdão n.º 1103000.931 S1C1T3 Fl. 867 21 Os valores de estimativas de 1/1/01 a 28/5/01 totalizam R$ 113.761,08: R$ 76.810,38 de IRRF + R$ 32.291,25 (compensação) + R$ 2.257,43 (DARF para abril) + R$ 2.402,02 (DARF para maio). A variação cambial diferida de R$ 10.626.547,41 (R$ 7.388.859,62 + R$ 3.237.687,78), vinculada a IRRF de R$ 1.477.771,88 (total de R$ 1.553.748,85 R$ 75.976,97 sobre a parte realizada), foi realizada, i.e., foi oferecida à tributação ainda no anocalendário de 2001 pela sucessora da Ituaçu (a recorrente), assim como a variação cambial diferida de R$ 9.011.828,38 (R$ 9.216.626,58 R$ 204.798,20) referente ao anocalendário de 2000. Logo, fazendose abstração nesse momento do descasamento temporal, a recorrente, na qualidade de sucessora da Ituaçu, tem direito a saldo negativo de IRPJ de 1/1/01 a 28/5/01 no montante de R$ 1.480.617,75. Isso corresponde a: IRPJ devido : R$ 111.359,05 (linhas 1 e 2 da ficha 12A) () IRRF : R$ 1.478.215,72 (R$ 1.555.026,10 R$ 76.810,38) () estimativas: R$ 113.761,08 (R$ 76.810,38 + R$ 32.291,25 + R$ 2.257,43 + R$ 2.402,02). IRPJ a pagar : R$ 1.480.617,75. A recorrente, na qualidade de sucessora da Ituaçu, apurara saldo negativo de IRPJ de 1/1/01 a 28/5/01 de R$ 1.476.320,05 (linha 18 da ficha 12 A da DIPJ/01; Dcomps, fls. 3 a 7), por informar como dedução de estimativas R$ 108.904,95, e não R$ 113.761,08. Se ela considerasse a diferença de R$ 4.454,1, chegaria a um valor de saldo negativo de R$ 1.480.774,15 (pouco maior que os R$ 1.480.617,75 a que tem direito). Como os créditos originais utilizados nas Dcomps em dissídio são de R$ 1.476.320,05, conforme apurado na ficha 12A da DIPJ/01, cabe reconhecer, nos limites da lide, esse valor original de crédito. A segunda conclusão que extraio é a seguinte. Os acórdãos do CARF colacionados pela recorrente, quanto à superação do erro formal em Dcomp, acomodandose a possibilidade de sua retificação mesmo no âmbito do processo já instaurado (litígio), desde que os elementos dos autos indiquem claramente que o crédito discutido sempre fora o mesmo, não se aplicam ao caso vertente. Isso, em que pese concordar com o entendimento consagrado nos referidos acórdãos, a saber, Acórdão nº 120100.507, de relatoria do Conselheiro Guilherme Afonso dos Santos Mendes, Acórdão nº 10516.675, de relatoria do Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, Acórdão nº 180300.250, de relatoria do Conselheiro Celso Benício Junior, Acórdão nº 140200.518, de relatoria da Conselheira Albertina Silva Santos de Lima. Sucede que, a meu ver, não há erro formal das Dcomps, com indicação nelas de período de apuração do crédito equivocado, como nos casos versados nos citados acórdãos. Fl. 867DF CARF MF Impresso em 22/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/09/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15374.720085/200911 Acórdão n.º 1103000.931 S1C1T3 Fl. 868 22 A recorrente indicou corretamente o período de apuração do crédito postulado e discutido. O aparente equívoco quanto ao período de apuração do direito creditório postulado decorrre do problema do descasamento temporal, entre o momento da retenção do IRF e o do reconhecimento (para quem entenda que mesmo contabilmente, a variação cambial só é realizada efetivamente na liquidação) e oferecimento à tributação das receitas que dão causa àquele IRRF. Sobre isso, já tive oportunidade de me manifestar em outros julgados de que, independentemente do momento do reconhecimento da receita e de seu oferecimento à tributação, para fins de dedução do IRRF, prevalece o momento (período de apuração) em que esse se aperfeiçoa. É o caso em que a contribuinte oferecera à tributação, por regime de competência, as receitas que dão causa ao IRRF no anocalendário anterior ao da retenção, em que postulara o direito creditório utilizando o valor do IRRF no ano em que oferecera as receitas à tributação, ou seja, no anocalendário anterior. Na hipótese, disse que não era possível tal aproveitamento, o qual só se poderia dar no ano da efetiva retenção. Também é o caso em que a contribuinte oferecera à tributação as receitas de serviços prestados a entes estatais e/ou paraestatais de forma diferida, como permite a legislação do imposto de renda (art. 409 do RIR/99), mas que, por equívoco da fonte retentora, esta antecipara as retenções de IRF sobre tais receitas, adotando o regime de competência. A contribuinte pretendera aproveitar o IRRF na composição do saldo negativo no ano em que efetivamente ela oferecera à tributação as receitas que deram causa ao IRRF, embora a retenção tivesse se dado no anocalendário anterior. Em tal hipótese, disse que, conquanto a fonte retentora tenha equivocadamente antecipado a retenção de IRF, o momento (período) em que o IRRF poderia ser aproveitado na composição do saldo negativo, era o da efetiva retenção do IRF – no caso, no ano anterior em que as receitas foram oferecidas à tributação. Isso é da sistemática decorrente do próprio regime de fonte e do direito conferido à contribuinte de deduzir o IRRF com suporte no informe de rendimentos, como documento necessário e suficiente para comprovação do IRRF utilizado, conforme o art. 815 c/c o art. 943, § 2º, do RIR/99. O caso em dissídio é semelhante aos que ora descrevi. A retenção do IRF se deu mensalmente, independentemente de resgate ou cessão de quotas do fundo, com base no art. 6º, III, da MP 2.189/01 (art. 739, III, do RIR/99). É o chamado regime de “comequotas”, para IRRF sobre rendimentos em fundos de investimento abertos, classificados tributariamente como de renda fixa. E as receitas de variação cambial podiam ser tributadas pelo “regime de caixa”, conforme o art. 30 da MP 2.158/01. O momento (período) do aproveitamento do IRRF, i.e., da dedução do IRRF do IRPJ devido, se deu corretamente pela Ituaçu (sucedida pela recorrente), seja no ano Fl. 868DF CARF MF Impresso em 22/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/09/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15374.720085/200911 Acórdão n.º 1103000.931 S1C1T3 Fl. 869 23 calendário de 2000, como no anocalendário de 2001. No caso vertente, o IRRF na composição do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2001, de 1/1/01 a 28/5/01 (fato gerador por evento de cisão). E, como se vê, da análise dos documentos carreados aos autos, a Ituaçu, corretamente, não utilizou o IRRF incidente no final de maio de 2001. E, em face do descasamento temporal entre o momento da retenção do IRF e o do oferecimento à tributação das receitas que deram causa ao IRRF, a recorrente logrou comprovar que tais receitas foram efetivamente oferecidas à tributação. Mais. Ainda que tais receitas não tenham sido de variação cambial, isso não restou infirmado nem questionado pelo órgão de origem, que, aliás, não procedeu a nenhuma intimação quanto a esclarecimentos ou comprovação relativas a tais receitas. Aqui se esclarece, portanto, o que havia deixado para dizer posteriormente, sobre ter sido equívoco ou não a utilização do valor total do IRF retido no anocalendário de 2000, ao versar sobre o saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2000. Diante de tudo que deduzi, com a devida vênia, é nítido o equívoco do acórdão a quo, que simplesmente ignorou toda a defesa apresentada, abstendose de enfrentála meritum causae. Em homenagem ao princípio da economia processual, aplico o art. 59, § 3º, do PAF (Decreto 70.235/72), para superar a nulidade do acórdão a quo, em proveito da recorrente: Art. 59. São nulos: [...] § 3º. Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta.(Incluído pela Lei nº 8.748, de 09 de dezembro de 1993) Por outro lado, igualmente, sem razão a recorrente ao dizer que o valor do IRRF se convolara em saldo negativo de IRPJ apurado em 31/12/01, de modo que esse saldo resultara aumentado pelo valor do IRRF em jogo nesta lide. Como disse, a recorrente, na qualidade de sucessora da Ituaçu, utilizara corretamente o valor de IRRF de R$ 1.555.026,10 (sendo R$ 76.810,38 como dedução nas estimativas), como extraí na primeira conclusão, na apuração do saldo negativo de IRPJ em jogo, de 1/1/01 a 28/5/01. Descabido falar de aumento do saldo negativo de IRPJ apurado em 31/12/01. Também ela aproveitara, na qualidade de sucessora da Ituaçu, corretamente o IRRF de R$ 2.708.759,61, na apuração do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2000 (embora esse valor não esteja em jogo nesta lide, mas cuja apreciação incidental era de rigor, diante da origem dos problemas que resultaram nesta controvérsia). E, por isso, o valor de IRRF de R$ 155.779,35, que procurei decifrar ao analisar os rendimentos e IRRF do ano calendário de 2000, não foi indevidamente utilizado (valor de IRRF que está contido no total de IRRF de R$ 2.708.759,61). Fl. 869DF CARF MF Impresso em 22/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/09/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15374.720085/200911 Acórdão n.º 1103000.931 S1C1T3 Fl. 870 24 A segunda conclusão, portanto, não obstaculiza a primeira conclusão que extraí, qual seja, a do reconhecimento do montante do direito creditório postulado nas compensações. Por fim, observo o seguinte. A recorrente informara que apurara saldo negativo de IRPJ de 1/1/12 a 31/12/01 (ou seja, não na qualidade de sucessora da Itauçu) de R$ 6.882.310,85, valor que consta na linha 18 da ficha 12A da DIPJ/02 (fl. 687). Esse valor não foi analisado neste voto, pois não é objeto da lide. Diante das conclusões que acima expus, cabe alertar que não cabe adicionar ao saldo negativo de IRPJ de 1/1/01 a 31/12/01 da recorrente (repitase, não mais na qualidade de sucessora da Ituaçu), o valor de IRF retido no anocalendário de 2000 (na sucedida, Ituaçu) de R$ 1.802.365,62, nem o montante de IRF retido entre 1/1/01 a 30/4/01 de R$ 1.477.771,88 (na sucedida Ituaçu). Sob essa ordem de considerações e juízo, dou provimento ao recurso, para reconhecer as compensações feitas com o saldo negativo de IRPJ de 1/1/01 a 28/5/01, no valor original de R$ 1.476.320,05. É o meu voto. Sala das Sessões, em 11 de setembro de 2013 (assinado digitalmente) Marcos Takata Relator Fl. 870DF CARF MF Impresso em 22/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/09/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 11030.902158/2012-27
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/08/2002 a 31/08/2002
BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS.
Inclui-se na base de cálculo da contribuição a parcela relativa ao ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte, eis que toda receita decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços corresponde ao faturamento, independentemente da parcela destinada a pagamento de tributos.
Numero da decisão: 3803-005.254
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso; vencidos os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues que convertiam o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/2002 a 31/08/2002 BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. Incluise na base de cálculo da contribuição a parcela relativa ao ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte, eis que toda receita decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços corresponde ao faturamento, independentemente da parcela destinada a pagamento de tributos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso; vencidos os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues que convertiam o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 90 21 58 /2 01 2- 27 Fl. 68DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.902158/201227 Acórdão n.º 3803005.254 S3TE03 Fl. 69 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto em contraposição à decisão da DRJ Porto Alegre/RS que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada por Indústria de Plásticos Marau Ltda., esta manejada em decorrência da emissão de despacho decisório em que a repartição de origem denegara o pedido de restituição formulado, relativo a indébito da contribuição para o PIS devida em agosto de 2002, apurada com base na Lei nº 9.718, de 1998, no montante de R$ 457,05. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte alegara que o indébito decorreria de pagamento a maior da contribuição para o PIS, em razão do cálculo efetuado com base na totalidade da receita bruta auferida no período, sem a exclusão da parcela referente ao ICMS, que, no seu entender, por se revestir da qualidade de ingresso, não integraria o conceito de faturamento. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de parte do livro Registro de Apuração do ICMS, de planilha de apuração da contribuição por ele elaborada, do Pedido Eletrônico de Restituição (PER) e do DARF, que, segundo ele, comprovariam a origem do direito creditório pleiteado. A DRJ Porto Alegre/RS não reconheceu o direito creditório por considerar que inexistiria previsão legal que autorizasse a exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição. Registrese que, em sua decisão, a Delegacia de Julgamento não fez qualquer juízo de valor ou mesmo qualquer referência ao conjunto probatório trazido aos autos pelo contribuinte, restringindo sua análise à matéria de direito. Cientificado da decisão de primeira instância em 7 de agosto de 2013, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 5 de setembro do mesmo ano e reiterou seu pedido de restituição, repisando os mesmos argumentos de defesa. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele conheço. Com base no relatório supra, contatase que a controvérsia nos autos se restringe à existência ou não do direito de exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição. De início, ressaltese que permanece pendente, pelo prisma constitucional, a discussão acerca da exclusão do valor do ICMS da base de cálculo das contribuições para o PIS e Cofins. A matéria encontrase sob análise do Supremo Tribunal Federal (STF) que já reconheceu a sua repercussão geral, estando pendente de julgamento o mérito do Recurso Extraordinário nº 574.706, cuja ementa tem o seguinte teor: Fl. 69DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.902158/201227 Acórdão n.º 3803005.254 S3TE03 Fl. 70 3 Ementa: Reconhecida a repercussão geral da questão constitucional relativa à inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e da contribuição ao PIS. Pendência de julgamento no Plenário do Supremo Tribunal Federal do Recurso Extraordinário n. 240.785. Encontrase pendente de julgamento, também, a Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) 1, cuja ementa da medida cautelar assim dispõe: EMENTA Medida cautelar. Ação declaratória de constitucionalidade. Art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei nº 9.718/98. COFINS e PIS/PASEP. Base de cálculo. Faturamento (art. 195, inciso I, alínea "b", da CF). Exclusão do valor relativo ao ICMS. 1. O controle direto de constitucionalidade precede o controle difuso, não obstando o ajuizamento da ação direta o curso do julgamento do recurso extraordinário. 2. Comprovada a divergência jurisprudencial entre Juízes e Tribunais pátrios relativamente à possibilidade de incluir o valor do ICMS na base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP, cabe deferir a medida cautelar para suspender o julgamento das demandas que envolvam a aplicação do art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei nº 9.718/98. 3. Medida cautelar deferida, excluídos desta os processos em andamentos no Supremo Tribunal Federal Por não se ter ainda uma decisão definitiva de mérito no STF, não há que se invocar o art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), em que se prevê a obrigatoriedade de os conselheiros reproduzirem o teor de decisão transitada em julgado em processos submetidos à regra da repercussão geral (art. 543B do Código de Processo Civil – CPC). Além do mais, tendo a Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013, revogado os parágrafos primeiro e segundo do mesmo art. 62A do Anexo II do RICARF, desde então, não se perscruta mais acerca de possível sobrestamento de julgamentos no âmbito deste Colegiado enquanto pendente decisão definitiva no regime do art. 543B do CPC. Para a análise do mérito da presente controvérsia, não se pode perder de vista que o ICMS é imposto cujo cálculo se processa pelo método denominado “por dentro”, ou seja, o montante do imposto integra a sua própria base de cálculo; logo, pretender excluir o valor do imposto para cálculo do PIS e da Cofins é pretender reduzir o próprio faturamento. Em conformidade com esse entendimento, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) editou a súmula n° 68 com o seguinte teor: a parcela relativa ao ICM incluise na base de calculo do PIS. Essa mesma conclusão tem sido exarada em outros julgados, como por exemplo na decisão contida no Recurso Especial n° 501.626/RS e no AMS 2004.71.01.0050408/PR do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, in verbis: REsp 501626 / RS TRIBUTÁRIO PIS E COFINS: INCIDÊNCIA INCLUSÃO NO ICMS NA BASE DE CÁLCULO. 1 ADC n° 18/DF Fl. 70DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.902158/201227 Acórdão n.º 3803005.254 S3TE03 Fl. 71 4 1. O PIS e a COFINS incidem sobre o resultado da atividade econômica das empresas (faturamento), sem possibilidade de reduções ou deduções. 2. Ausente dispositivo legal, não se pode deduzir da base de cálculo o ICMS. (grifei) 3. Recurso especial improvido. AMS APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA Processo: 2004.70.01.0050408 Ementa: PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DA PARCELA DO ICMS. Incluise na base de cálculo do PIS e da COFINS a parcela relativa ao ICMS devido pela empresa na condição de contribuinte (Súmula 258, TFR e Súmula 68, STJ), eis que tudo o que entra na empresa a título de preço pela venda de mercadorias corresponde à receita faturamento , independente da parcela destinada a pagamento de tributos. (grifei) Nesse sentido, temse que a receita de vendas de mercadorias configura o faturamento da pessoa jurídica, base de cálculo da contribuição, sendo irrelevante haver ou não tributo nela incluso, pois a Constituição Federal, ao atribuir competência à União para instituir a contribuição, não disseca os elementos constituintes do termo linguístico “faturamento”, prevendose a incidência sobre todo o montante assim constituído. Além do mais, nos termos do art. 110 do Código Tributário Nacional (CTN), “[a] lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias”. Nos termos do art. 2º da Lei nº 9.718, de 1998, as contribuições para o PIS e a Cofins incidem sobre o faturamento, encontrandose previstas no § 2º do art. 3º da mesma lei as exclusões autorizadas, havendo a previsão de exclusão do ICMS (inciso I do art. 2º da Lei nº 9.718, de 1998) quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; mas somente nessa hipótese. Dessa forma, concluise pela impossibilidade de exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins. Diante do exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 71DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.902158/201227 Acórdão n.º 3803005.254 S3TE03 Fl. 72 5 Fl. 72DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 19647.006034/2004-72
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Dec 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2000 a 30/12/2003
PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. LOCAÇÃO DE MÃO-DE-OBRA TEMPORÁRIA. TRIBUTAÇÃO. BASE DE CÁLCULO.
A receita bruta da pessoa jurídica que presta serviços de locação de mão de obra temporária é o total contratado e faturado com os tomadores de serviços, incluindo os valores recebidos para a satisfação das obrigações contraídas com a contratação de trabalhadores (salários e encargos previdenciários e trabalhistas), sendo que a legislação de regência não permite a exclusão desses valores da base de cálculo da contribuição.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-002.352
Decisão: Visto, relatados e discutidos os presentes autos,
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator
Participaram da presente decisão os Conselheiros Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Pedro Sousa Bispo, Jonathan Barros Vita e Mônica Elisa de Lima.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2000 a 30/12/2003 PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. LOCAÇÃO DE MÃO-DE-OBRA TEMPORÁRIA. TRIBUTAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. A receita bruta da pessoa jurídica que presta serviços de locação de mão de obra temporária é o total contratado e faturado com os tomadores de serviços, incluindo os valores recebidos para a satisfação das obrigações contraídas com a contratação de trabalhadores (salários e encargos previdenciários e trabalhistas), sendo que a legislação de regência não permite a exclusão desses valores da base de cálculo da contribuição. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Visto, relatados e discutidos os presentes autos, ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator Participaram da presente decisão os Conselheiros Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Pedro Sousa Bispo, Jonathan Barros Vita e Mônica Elisa de Lima.
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LOCAÇÃO DE MÃODEOBRA TEMPORÁRIA. TRIBUTAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. A receita bruta da pessoa jurídica que presta serviços de locação de mão de obra temporária é o total contratado e faturado com os tomadores de serviços, incluindo os valores recebidos para a satisfação das obrigações contraídas com a contratação de trabalhadores (salários e encargos previdenciários e trabalhistas), sendo que a legislação de regência não permite a exclusão desses valores da base de cálculo da contribuição. Recurso Voluntário Negado Visto, relatados e discutidos os presentes autos, ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA – Presidente e Relator Participaram da presente decisão os Conselheiros Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Pedro Sousa Bispo, Jonathan Barros Vita e Mônica Elisa de Lima. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 00 60 34 /2 00 4- 72 Fl. 576DF CARF MF Impresso em 19/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19647.006034/200472 Acórdão n.º 3302002.352 S3C3T2 Fl. 147 2 Relatório Tratase de recurso voluntário (efls. 517 a 567), apresentado em 28/03/2012, contra o Acórdão n. 1135.867, de 17/01/2012, cientificado em 28/02/2012, que considerou improcedente impugnação da Interessada em relação auto de infração de Cofins dos aos de 2000 a 2003. O acórdão de primeira instância assim relatou o litígio: 2. A autoridade fiscal expõe no Termo de Encerramento de Ação Fiscal que a autuação decorreu de diferenças detectadas na escrituração contábil da empresa fiscalizada e os valores devidos declarados em DCTF ou pagos. 3.Cientificada da presente exigência tributária em 28/06/2004 (fl. 05), a empresa autuada apresentou a sua impugnação em 28/07/2004 (fls. 379401), por intermédio de seu procurador (instrumento às fls. 405416), para alegar, em síntese, o seguinte: 3.1. afirma que após minucioso estudo, chegou a conclusão de que todos os valores que foram computados como sendo sua receita bruta estavam errados, seja porque o somatório dos valores brutos das suas notas fiscais não condizem com os valores apresentados no Auto de Infração, e ainda que estivessem em perfeita sintonia, não representariam a base de cálculo do mencionado tributo, pelo fato da natureza jurídica da atividade exercida pela Impugnante ser sui generes, qual seja, de uma empresa agenciadora de mãodeobra temporária; 3.2. justifica que, por expressa determinação legal, está compelida a faturar em seu nome os valores que imediatamente serão repassados para os trabalhadores temporários e os encargos sociais e trabalhistas incidentes sobre a mencionada remuneração, legítimos e únicos proprietários das mencionadas verbas; 3.3. aponta que as notas fiscais emitidas são compostas pelo somatório da remuneração dos trabalhadores temporários, encargos sociais e trabalhistas, reembolso de despesas e a taxa de agenciamento; 3.4. assevera que a sua receita bruta não pode ser apurada pelo simples somatório dos valores brutos das suas notas fiscais, sob pena de incluir valores que sequer pertencem à impugnante, justificando que a sua receita bruta é composta exclusivamente pela taxa de agenciamento; 3.5. externa que, conquanto a sua base de cálculo fosse compreendida pelo somatório dos valores brutos das suas notas fiscais, o referido auto de infração estaria errado, onde o Auditor Fiscal tomou por fundamento uma base de cálculo totalmente inexistente e muito maior do que o somatório dos valores brutos das notas fiscais emitidas, conforme comprova pela planilha elaborada (doc. 05). 3.6. discorre sobre os contornos jurídicos das empresas que agenciam mãode obra temporária, mencionando legislação (Lei nº 6.019, de 1974), e enfatiza as diferenças destas empresas com as que desempenham atividades de terceirização de mãodeobra; 3.7. apresenta demonstrativo (doc. 5) onde indica a base de cálculo que entende ser correta, cita decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) referente ao Fl. 577DF CARF MF Impresso em 19/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19647.006034/200472 Acórdão n.º 3302002.352 S3C3T2 Fl. 148 3 Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISSQN), para sustentar que a Cofins deve incidir apenas na taxa de agenciamento, uma vez que a empresa de agenciamento de mãodeobra temporária age como intermediária e a base de cálculo do Imposto sobre Serviço incide apenas sobre a taxa de agenciamento; 3.8. aduz a existência de flagrante violação ao conceito jurídico de "faturamento/receita", haja vista que o Fisco Federal está exigindo das empresas agenciadoras de mãodeobra temporária além do que deveria, posto que a base de cálculo da Cofins está sendo calculada não só sobre a taxa de agenciamento, tal como preceitua o art. 9º do Decretolei nº 406, de 1968, mas também sobre os encargos sociais e as remunerações concernentes aos terceiros/trabalhadores temporários, sustentando ainda que o conceito de receita para fins de tributação da Cofins deve ser extraído do dispositivo legal citado; 3.9. aponta que a autuação desrespeita o Principio da Capacidade Contributiva, o Principio da Isonomia, o Principio da Legalidade e o Principio da Vedação ao Confisco; 3.10. argumenta que inexiste incidência da Cofins sobre as remunerações dos trabalhadores temporários e dos encargos sociais devidos a terceiros, frisando que só a taxa de agenciamento consubstancia a efetiva remuneração pela prestação de serviço por parte das mencionadas empresas agenciadoras de mãodeobra temporária; 3.11. cita a Lei nº 6.019, de 1974, o Decretolei nº 406, de 1968, e o Decreto nº 73.841, de 1974, para expor que a base de cálculo da Cofins é o preço do serviço, o qual se dá pelo que as agenciadoras recebem por prestar um determinado serviço, ou seja, agenciar mãodeobra temporária em prol das tomadoras de serviços. 3.12. demonstra as diferenças entre os conceitos jurídicocontábeis de "receita" e "entrada", apontando que a taxa de agenciamento é uma entrada permanente (a receita englobada ao patrimônio da impugnante), ao passo que remuneração dos trabalhadores temporários, encargos sociais e trabalhistas, reembolso de despesas são entradas passageiras, uma vez que apenas transitam pelo caixa da impugnante, apontando que a atividade de repasse vem a ser caracterizada como simples forma de execução dos serviços prestados por estas empresas, descritos taxativamente na Legislação que regulamenta as atividades das empresas agenciadoras de mãodeobra temporária; 3.13. afirma que interpretar a legislação segundo a presente autuação, é tornar letra morta o Principio da Legalidade, uma vez que o art. 9º do Decretolei nº 406, de 1968, determina expressamente que a base de cálculo do ISSQN, e conseqüentemente da Cofins, é o preço do serviço, ou seja, a taxa de agenciamento; 3.14. defende que a inclusão no faturamento da parcela correspondente aos valores juridicamente e legalmente de propriedade dos trabalhadores temporários e do próprio Fisco (remunerações e encargos sociais), tem efeito confiscatório, visto que ao tributar parcelas de recursos que não pertencem às empresas, estarseia tributando nada mais, nada menos do que o próprio patrimônio do contribuinte; 3.15. indica que a incidência da Cofins sobre o valor bruto da fatura, e não sobre a diferença entre o valor da fatura emitida pelo contribuinte (Impugnante), excluídas as parcelas que não compõem os seus recursos próprios, infringe o principio constitucional da capacidade contributiva do contribuinte, segundo o qual a hipótese de incidência do tributo deve descrever fatos que façam presumir que quem os pratica, ou por eles é alcançado, possui capacidade econômica para contribuir, sob pena de se tratar de tributo com caráter confiscatório; Fl. 578DF CARF MF Impresso em 19/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19647.006034/200472 Acórdão n.º 3302002.352 S3C3T2 Fl. 149 4 3.16. argumenta que princípios da Igualdade Genérica e da Isonomia Tributária também foram flagrantemente desrespeitados, tendo em vista que a empresa autuada está sendo tratada da mesma forma que o Fisco a trata quando os seus serviços são de terceirização de serviços, o que não pode ser concebido em hipótese alguma, porque as naturezas jurídicas das atividades de agenciamento de mãodeobra temporária e de terceirização de serviços são totalmente distintas entre si; 3.17. traz à colação diversos julgamentos de matérias análogas (atividade de intermediadora), para concluir que a jurisprudência pátria é ampla ao entender que a base de cálculo dos tributos das empresas que auferem receitas comissionadas, devem se restringir exclusivamente ao valor da comissão e não sobre o valor bruto da fatura; 3.18. argúi que para desenvolver suas atividades, precisa adequar os seus contratos de prestação de serviços a cada caso concreto, tendo em vista que inúmeros dos tomadores de seus serviços exigem que os trabalhadores alocados nas suas dependências recebam vale transporte, ticket refeição, cestas básicas, planos de saúde e etc., resultando disso que, por expressa determinação contratual, emita uma Nota Fiscal de "REEMBOLSO DE DESPESAS" com vistas a ser ressarcida dos gastos que teve ao adquirilos, ou seja, a Impugnante adquire os vales transportes, os vales refeição, os planos de saúde e as cestas básicas, e imediatamente transfere tais despesas ao tomador dos seus serviços; 3.19. menciona que o reembolso de despesas não constitui receita da Impugnante, muito menos prestação de serviços, razão pela qual sustenta que a base de cálculo apurada na ação fiscal encontrase totalmente errada, tendo em vista ter se baseado nos documentos fiscais da Impugnante que, também, não expressam a sua realidade contábil; 3.20. ao final requer o acolhimento de sua impugnação e, caso não haja convencimento dos argumentos apresentados, propõe a realização de perícia contábil, indicando perito (Sr. Manuel Freitas Cavalcante) e apresenta dois quesitos: [...] 4. Posteriormente, em 22/09/2004, a empresa autuada atravessou missiva dirigida ao titular da unidade lançadora, noticiandoo que está sendo compelida, através do pretenso Auto de Infração, a efetuar recolhimento de tributo que já está sendo objeto do Parcelamento Especial (PAES), que engloba os tributos que tenham o fato gerador ocorrido até fevereiro de 2003, solicitando providências para a exclusão das indigitadas parcelas. 5. O Setor de Parcelamento da DRF/Recife informou (fl. 473) que os débitos objeto do Auto de Infração em questão não são passíveis de inclusão no PAES, tanto que não foram abrangidos em sua consolidação. O acórdão teve a seguinte ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2000 a 30/12/2003 Ementa: PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. LOCAÇÃO DE MÃODE OBRA TEMPORÁRIA. TRIBUTAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. A receita bruta da pessoa jurídica que presta serviços de locação de mão de obra temporária é o total contratado e faturado com os tomadores de serviços, incluindo os valores recebidos para a Fl. 579DF CARF MF Impresso em 19/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19647.006034/200472 Acórdão n.º 3302002.352 S3C3T2 Fl. 150 5 satisfação das obrigações contraídas com a contratação de trabalhadores (salários e encargos previdenciários e trabalhistas), sendo que a legislação de regência não permite a exclusão desses valores da base de cálculo da contribuição. Impugnação Improcedente No recurso, após relembrar a história do processo, a Interessada alegou ter aderido ao parcelamento especial em relação aos tributos que tiveram fato gerador ocorrido até fevereiro de 2003. Entretanto, “Em nenhum momento quando da prolatação do Acórdão nº 1135.867, a 2ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento em Recife levou em consideração os argumentos trazidos pelos petitórios mencionados acima, principalmente no que se refere aos débitos incluídos em parcelamento já quitado. “Dessa forma, requer a Recorrente que sejam realizadas as devidas diligências quanto ao que foi solicitado no decorrer do processo, o que demonstra claramente a necessidade da perícia requerida nos autos.” A falta da realização da perícia requerida teria prejudicado seu direito de defesa, pelas seguintes razões: Isto se deve pelo fato de que o fiscal incorreu em diversas irregularidades, quais sejam: apurou as estimativas da Contribuição para o PIS incidente sobre a receita bruta, compreendendo o somatório dos valores brutos das notas fiscais, entretanto, em algumas competências o efetiva somatório das notas fiscais emitida pela Recorrente NÃO correspondem com os valores expressos no Auto de Infração; não foi levado em consideração os valores que foram retidos pelos tomadores de serviços da Recorrente, tal como previsto nos arts. 649 e 650 do Decreto n. 3.000, de 26.03.1999; por último o valor utilizado como receita bruta para fins de determinação das antecipações mensais não condiz com a natureza jurídica da atividade exercida pela Recorrente. A seguir, defendeu o que seria a base de cálculo da contribuição para as empresas agenciadoras de mãodeobra temporária, abordando as questões da apuração da receita bruta, da natureza de intermediação de negócios do agenciamento de mãodeobra, da obrigatoriedade do recolhimento de tributos federais sobre a correta base de cálculo, da prestação de serviços como fato gerador dos tributos, da base de cálculo, dos conceitos de “receita” e “entrada” para efeito da incidência dos tributos, do faturamento das agenciadoras, da ofensa aos princípios constitucionais da legalidade, igualdade, isonomia, vedação ao confisco e capacidade contributiva e da não inclusão dos reembolsos de despesas (vale transporte, vale refeição, cestas básicas, planos de saúde, materiais de limpeza etc.) na base de cálculo. É o relatório. Fl. 580DF CARF MF Impresso em 19/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19647.006034/200472 Acórdão n.º 3302002.352 S3C3T2 Fl. 151 6 Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator. O recurso é tempestivo e satisfaz o demais requisitos de admissibilidade, devendose dele tomar conhecimento. Em relação ao parcelamento, conforme legislação de regência, a adesão implica desistência da discussão administrativa, o que implica inexistência de litígio sobre a matéria. Dessa forma, não se trata de matéria que devesse ser apreciada pela Delegacia de Julgamento ou pelo Carf. Cabe à seção competente da unidade local da RFB verificar a inclusão dos valores no parcelamento, de modo a evitar a duplicidade da cobrança, seja pelo cancelamento da cobrança pelo auto de infração ou pela exclusão da parcela que não deveria compor o saldo consolidado do parcelamento, conforme o caso. Em relação à perícia, improcede o argumento de cerceamento de defesa, uma vez que eventual divergência entre valor lançado em nota fiscal e escriturado e a retenção na fonte são matérias que deveriam ser provadas pela Interessada na impugnação, à vista do disposto no art. 16, III, do Decreto n. 70.235, de 1972. Não se trata, à evidência, matéria a ser objeto de perícia, conforme fundamentado no acórdão de primeira instância. Em relação à base de cálculo, tratase, na realidade, de questão de direito, uma vez que somente faria sentido apurar outra base de cálculo, caso o acórdão considerasse procedente a alegação de que, no caso da Interessada, a base de cálculo seria outra. Esclareçase, ainda, que descabe a apreciação no âmbito de processo administrativo fiscal de matéria constitucional, conforme art. 26A do Decreto n. 70.235, de 1972, com a redação da Lei n. 11.941, de 2009, e a Súmula Carf nº 2 (Portaria Carf nº 106, de 21/12/2009). No tocante ao mérito, há precedentes do Carf em que a própria Interessada foi derrotada: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 2007, 2008 TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. LOCAÇÃO DE MÃO DE OBRA. SALÁRIOS E ENCARGOS PAGOS AOS TRABALHADORES CEDIDOS. INCIDÊNCIA. BASE DE CÁLCULO. Fl. 581DF CARF MF Impresso em 19/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19647.006034/200472 Acórdão n.º 3302002.352 S3C3T2 Fl. 152 7 1. Os valores recebidos pelas empresas prestadoras de serviços de locação de mão de obra temporária, a título de pagamento de salários e encargos sociais dos trabalhadores temporários, integram a base de cálculo do PIS e da Cofins. Questão já decidida sob a sistemática do art. 543C do CPC e da Resolução STJ n.º 08/2008 (REsp 1.141.065/SC, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Seção, DJe 1º.02.10). [...] (Número do Processo: 10480.724306/201114; Contribuinte: LABORH SERVICOS EMPRESARIAS LTDA; Tipo do Recurso: RECURSO VOLUNTARIO; Relator(a): MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA; Nº Acórdão: 1402 001.325). No caso, aplicase o disposto no art. 62A do Regimento Interno do Carf (Anexo II à Portaria MF n. 256, de 2009): Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Com essas considerações, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Fl. 582DF CARF MF Impresso em 19/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10435.720147/2006-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jan 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
Normas Procedimentais.
Em obediência a norma veiculada pelo art. 62 do Regimento Interno do CARF, e conforme o seu enunciado sumular n.º 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Cofins Não Cumulativa. Aquisições a Pessoas Físicas. Apuração de Créditos. Impossibilidade.
Salvo as hipóteses expressamente previstas em Lei, dentre as quais não se encontra o produto que é objeto do presente recurso, a aquisição de insumos a pessoa física não ensejará a apuração de créditos da sistemática não cumulativa da Cofins.
Numero da decisão: 3102-001.096
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente e Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Rosa, Luciano Pontes de Maya Gomes, Paulo Celani, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama.
Matéria: Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
Nome do relator: LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 Normas Procedimentais. Em obediência a norma veiculada pelo art. 62 do Regimento Interno do CARF, e conforme o seu enunciado sumular n.º 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Cofins Não Cumulativa. Aquisições a Pessoas Físicas. Apuração de Créditos. Impossibilidade. Salvo as hipóteses expressamente previstas em Lei, dentre as quais não se encontra o produto que é objeto do presente recurso, a aquisição de insumos a pessoa física não ensejará a apuração de créditos da sistemática não cumulativa da Cofins.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente e Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Rosa, Luciano Pontes de Maya Gomes, Paulo Celani, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama.
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Em obediência a norma veiculada pelo art. 62 do Regimento Interno do CARF, e conforme o seu enunciado sumular n.º 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Cofins Não Cumulativa. Aquisições a Pessoas Físicas. Apuração de Créditos. Impossibilidade. Salvo as hipóteses expressamente previstas em Lei, dentre as quais não se encontra o produto que é objeto do presente recurso, a aquisição de insumos a pessoa física não ensejará a apuração de créditos da sistemática não cumulativa da Cofins. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Rosa, Luciano Pontes de Maya Gomes, Paulo Celani, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 43 5. 72 01 47 /2 00 6- 67 Fl. 178DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 7/01/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10435.720147/200667 Acórdão n.º 3102001.096 S3C1T2 Fl. 175 2 Tratase de recurso voluntário que chega a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em razão da insurgência do contribuinte epigrafado contra o Acórdão n.º 11 25.400, da 2ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Recife/PE, que entendeu pela manutenção das glosas dos créditos da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins não cumulativa proposta pelo despacho decisório. Antes que nos debrucemos sobre as razões recursais, é conveniente que previamente revisitemos os atos e fases processuais já vencidas, pelo que passamos a reproduzir o relato empreendido pela DRJ por este assim retratálas com fidelidade: 1. Cuida o presente processo de Pedido de Restituição/Compensação, PER/DCOMP nº 07663.73546.140606.1.1.090300 (fls. 01/04), de 14/06/2006, visando o Ressarcimento de crédito da Cofins não – cumulativa Exportação, relativo ao 3º trimestre de 2005, no valor de R$ 109.918,58 (cento e nove mil, novecentos e dezoito reais e cinquenta e oito centavos). 2. O Despacho Decisório nº 515 de 10.10.2007 (fl. 76) do Delegado da Receita Federal do Brasil em Caruaru/PE, com fulcro em Parecer Fiscal (fls. 70/75), decidiu DEFERIR PARCIALMENTE o PER/DCOMP nº 07663.73546.140606.1.1.090300, no valor de R$ 66.203,86 (sessenta e seis mil, duzentos e três reais e oitenta e seis centavos). 3. Cientificada de tal decisão, em 26/09/2008 (fl. 77), a contribuinte, por intermédio de seu representante legal, apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 80/86), de 28/10/2008, em que contesta o decisum sob os seguintes argumentos: 3.1. a contribuinte é pessoa jurídica de direito privado, pertencente ao sistema agroindustrial de bovinocultura de corte, tendo por objeto social a industrialização e a comercialização de couros e peles; 3.2. para atingir seus objetivos, adquire o seu principal insumo – couro – diretamente de pessoas físicas, em percentual bem próximo da integralidade das aquisições. Em tal contexto, as Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 trazem a instituição da sistemática do PIS/Cofins não – cumulativos, as quais permitem que a base de cálculo de tais contribuições seja reduzida em virtude dos créditos sobre insumos, custos e despesas incorridos ou pagos à pessoa jurídica domiciliada no país; 3.3. entretanto, o art. 3º, § 3º, inciso I, das referidas leis ao dispor que darão direito de crédito apenas aos bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no país, restou por vedar, expressamente, o creditamento da Cofins e PIS nas aquisições de produtos de pessoas físicas; 3.4. ocorre que dita vedação ao direito de crédito não está em conformidade com a Constituição Federal, que atribui às contribuições PIS/Cofins o princípio da não – cumulatividade, Fl. 179DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 7/01/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10435.720147/200667 Acórdão n.º 3102001.096 S3C1T2 Fl. 176 3 que, na hipótese estabelecida no nível constitucional, não permite que haja restrições ao direito de abatimento, senão as previstas no texto constitucional; 3.5. tal afirmativa não se trata de mero exercício de argumentação, porquanto a Emenda Constitucional nº 42/2003, quando criou o sistema de não – cumulatividade para as contribuições incidentes sobre faturamento e receita bruta, permite, tão – somente, que a lei infraconstitucional apenas defina os setores para os quais será aplicado tal princípio; 3.6. ou seja, a norma infraconstitucional pode apenas definir quais grupos de contribuintes estão sujeitos à não – cumulatividade, não podendo restringir o direito de crédito decorrente de tal princípio; 3.7. não se pode admitir o provável argumento de que a CF tornou a nãocumulatividade das contribuições PIS/Cofins um instrumento de escopo extrafiscal, bastando proceder a leitura do art. 195, § 12 da CF; 3.8. se o legislador constituinte nada dispôs a respeito de limitações à não –cumulatividade estabelecida para essas contribuições, não pode o legislador infraconstitucional fazêlo sem qualquer autorização para tanto. Ao contribuinte é assegurada a não – cumulatividade plena, vedada qualquer limitação, não podendo a novel legislação beneficiar poucos segmentos econômicos em detrimento de outros, em clara ofensa a inúmeros princípios, em especial o da isonomia tributária; 3.9. reitera que o § 12 do artigo 195, da Constituição Federal não previu hipóteses de restrição de crédito quanto a insumos ou bens adquiridos de pessoas físicas, não podendo as leis nº 10.637/02 e 10.833/03 assim prever, restringindo o alcance da norma constitucional, razão pela qual a vedação de crédito nesta hipótese tornase manifestamente inconstitucional; 3.10. os produtores rurais, pessoas físicas, adquirem diversos insumos para obter o couro, todos sujeitos à incidência de PIS/Cofins, os quais evidentemente oneram os custos dos produtores pessoas físicas, sem poder ser transferido aos adquirentes do couro, logo, não havendo a possibilidade de crédito na espécie, está sendo violado, novamente, o princípio da não – cumulatividade, instituído pela Emenda Constitucional nº 42/03, o qual deve ser observado em todas as etapas do processo produtivo; 3.11. se for eliminada a possibilidade de aproveitamento, estar seia anulando o sistema não – cumulativo, pois o setor agroindustrial de curtume suportaria maior ônus tributário, pela absorção de grande de seus créditos de PIS e Cofins; 3.12. requer a reconsideração do Despacho Decisório e o deferimento da totalidade do pedido de ressarcimento. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 7/01/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10435.720147/200667 Acórdão n.º 3102001.096 S3C1T2 Fl. 177 4 Ao apreciar o feito, a DRJ de Recife/PE, como já enunciamos outrora, entendeu pela manutenção das glosas iniciais, assim se posicionando em relação aos argumentos do contribuinte: no que se refere as argüições de que as Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 teriam extrapolado suas competências ao vedar, sem que a Constituição Federal assim o fizesse ou outorgasse poderes a tanto, a tomada de créditos sobre as aquisições de pessoas físicas, deixou de se manifestar suscitando limitação regimental à análise quanto a constitucionalidade de leis e atos normativos; que o contribuinte não se enquadraria na hipótese do §5o, do art. 3o, da Lei n.º 10.833/2003, que assegura crédito presumido sobre aquisições de pessoas físicas àquelas empresas produtoras de bens destinados à alimentação humana ou animal. Regularmente intimado, o contribuinte apresentou oportuno recurso voluntário, pelo qual nada inova além dos argumentos já trazidos perante a instância a quo. Em face do encerramento do mandato do conselheiro relator e de que, até a presente data, não foi formalizado o acórdão, me autodesignei para tal tarefa. É o que interessa ao julgamento. Voto Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Redator Designado Reproduzo voto lido em sessão e que foi acompanhado pela unanimidade dos presentes, inclusive por este redator designado: Presentes os requisitos formais de admissibilidade recursal, passo ao respectivo exame. Da análise detida da peça recursal do contribuinte fica claro que toda a sua argumentação está no sentido de que a legislação de regência da Cofins não cumulativa, no caso, a Lei n.º 10.833/2003, ao vedar o crédito sobre as aquisições empreendidas às pessoas físicas, teria ido de encontro ao sentido da não cumulatividade da contribuição desenhada no texto constitucional. Enfim, o acatamento da pretensão do recorrente perpassaria necessariamente pelo afastamento da regra do art. 3o, §3o, inciso I, da Lei n.º 10.833/2003 sob o pálio de sêla inconstitucional, o que é vedado ao CARF por limitações regimentais, ex vi do art. 62 do seu Regimento Interno: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. O tema também merece enunciado sumular, assim vazado: Fl. 181DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 7/01/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10435.720147/200667 Acórdão n.º 3102001.096 S3C1T2 Fl. 178 5 Súmula n.º 2 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Da análise infraconstitucional do tema, não resta dúvidas que outra interpretação não merece ser extraída do art. 3o, §3o, inciso I, da Lei n.º 10.833/2003, senão a de que apenas as aquisições de pessoas jurídicas ensejarão o direito ao crédito. Por consectário, as aquisições de pessoas físicas estariam vedadas. Confirase a redação do dispositivo: Art.3o.(...) § 3º O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. Chamese a atenção de que o legislador criou exceções a esta regra geral, quando pelo §5o do mesmo artigo 3o acima citado assegurou crédito presumido sobre as aquisições de pessoas físicas ao produtor de bens de origem animal ou vegetal destinados à alimentação humana ou animal, em clara demonstração de que quando pretendeu a lei pretendeu conferir o crédito na hipótese versada o fez expressamente. Isto posto, nego provimento ao recurso voluntário. Luis Marcelo Guerra de Castro – Redator Designado Fl. 182DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 7/01/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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