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Numero do processo: 13005.000016/2010-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. RESFRIADOR DE ÁGUA. CÓDIGO NCM Nº 8418.69.31.
A mercadoria resfriador de água, como unidade fornecedora de água resfriada, deve ser classificada no Código NCM nº 8418.69.31, inteligência que decorre da aplicação das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado RGI/SH nº 01, nº 06, e da Regra Geral Complementar RGC/SH nº 01.
Numero da decisão: 3401-005.203
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente).
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. RESFRIADOR DE ÁGUA. CÓDIGO NCM Nº 8418.69.31. A mercadoria “resfriador de água”, como unidade fornecedora de água resfriada, deve ser classificada no Código NCM nº 8418.69.31, inteligência que decorre da aplicação das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado RGI/SH nº 01, nº 06, e da Regra Geral Complementar RGC/SH nº 01. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 5. 00 00 16 /2 01 0- 02 Fl. 171DF CARF MF Processo nº 13005.000016/201002 Acórdão n.º 3401005.203 S3C4T1 Fl. 172 2 Relatório 1. Tratase do despacho decisório DRF/SCS nº 207/2010, situado à fl. 25, que homologou apenas parcialmente o PER nº 39396.72216.050110.1.1.010622, formalizado em 05/01/2010, transmitido com o objetivo de ver ressarcido crédito de IPI referente ao 4ª trimestre de 2009 no montante de R$ 498.015,85, reconhecendose apenas o direito creditório de R$ 354.946,04. 2. Segundo se denota do Parecer DRFSCS/SAORT nº 032/2010, situado às fls. 22 a 24, que fundamenta o despacho decisório, a homologação de apenas parte dos créditos se deveu a erro na classificação fiscal e na determinação da alíquota de IPI nas notas fiscais de saída do produto “RESFRIADOR DE ÁGUA”, cuja função é resfriar a água utilizada na produção de massa de pão em padarias e confeitarias, tendo a empresa utilizado o Código NCM nº 8438.10.00, com alíquota zero, entendendo a autoridade fiscal estar correta a classificação sob o Código NCM nº 8418.69.31, com alíquota de 15%. A diferença de IPI foi lançada no Auto de Infração objeto do processo 13005.000464/201006, também pautado para a presente sessão para que se proceda ao seu julgamento conjunto. 3. A contribuinte, intimada via postal em 17/05/2010, em conformidade com o aviso posta situado à fl. 73, apresentou, em 15/06/2010, manifestação de inconformidade, situada às fls. 74 a 91, na qual argumentou, em síntese: (i) contrariedade ao § 4º do art. 90 do Decreto nº 70.235/1972, uma vez que a autoridade fiscal fez uso do expediente do despacho decisório, acompanhado de parecer, para não homologar o pedido de ressarcimento, enquanto que o correto seria a "(...) emissão de auto de infração sem a exigência de crédito tributário, nos casos de constatação de infração à legislação tributária"; (ii) a procedência da classificação adotada pela contribuinte, uma vez que a máquina não promove apenas o resfriamento da água, mas, na verdade, tem como função principal promover a mistura da massa alimentícia, tratandose, portanto, de uma combinação de máquinas, em conformidade com as considerações gerais da Seção XVI (Capítulos 84 e 85 da TIPI), combinados com as notas 3 e 4; em outras palavras, a máquina de panificação ("amassadeira") forma um único corpo, conjuntamente com o "resfriador/dosador de água", sendo instaladas fixadas em caráter permanente; (iii) que, na emissão das notas fiscais de saída, apenas são discriminadas separadamente as máquinas amassadeira e resfriador /dosador de água, devido à necessidade de controle físico do estoque de produtos prontos (livro de inventário), exigidos pela legislação do IR e do IPI; (iv) as vendas avulsas do resfriador/dosador de água se justifica pelo fato de alguns clientes já possuírem a amassadeira, mas que, ainda assim, o componente vendido tem por único destino ser acoplado física e permanentemente às amassadeiras para operarem como um corpo único, sendo que as NESH não definem qual deve ser o momento da combinação/acoplamento para fins de classificação; (v) subsidiariamente, caso não prosperem as alegações anteriores, requer a classificação no Código NCM nº 8419.89.91, sob os auspícios da expressão "máquina" na Nota 5 da Seção XVI; (vi) alega equívoco na classificação reputada correta pela autoridade fiscal, em especial naquilo que concerne à posição 84.18, pois "(...) o resfriamento da água não chega nem perto de atingir uma temperatura próxima a 0º C ou inferior", uma vez que "(...) a função da máquina não é produzir frio, sendo esta uma exigência da posição 84.18, e sim resfriar a massa alimentícia"; (vii) que o valor glosado deve ser acrescido com a atualização da taxa Selic desde 22/04/2010. Fl. 172DF CARF MF Processo nº 13005.000016/201002 Acórdão n.º 3401005.203 S3C4T1 Fl. 173 3 4. Em 08/05/2014, a 03ª Turma da Delegacia Regional do Brasil de Julgamento em Belém (PA) proferiu o Acórdão DRJ nº 0129.156, situado às fls. 120 a 132 de relatoria da AuditoraFiscal Claudia Gorresen Mello, que entendeu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI) Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009 PRELIMINAR DE NULIDADE. Incabível a decretação de nulidade do despacho decisório, quando nele contidas as informações necessárias e suficientes para justificar a nãohomologação da compensação declarada ERRO NA CLASSIFICAÇÃO. FALTA DE DESTAQUE DO IPI. LANÇAMENTO. Impõese o lançamento do IPI que tenha deixado de ser destacado pelo sujeito passivo em face de classificação fiscal errônea. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA PELA INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. É incabível, por ausência de base legal, a atualização monetária de valores referentes a créditos do imposto, objeto de pedido de ressarcimento, pela incidência de juros de mora calculados pela taxa Selic sobre os montantes pleiteados. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido 5. A contribuinte foi intimada via postal em 06/06/2014, em conformidade com o aviso de recebimento situado à fl. 135 e, em 03/07/2014, em conformidade com carimbo de protocolo aposto pela unidade local, interpôs recurso voluntário, situado às fls. 137 a 163, no qual reiterou as razões de sua impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Relator Fl. 173DF CARF MF Processo nº 13005.000016/201002 Acórdão n.º 3401005.203 S3C4T1 Fl. 174 4 6. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. 7. A recorrente alega, em sede preliminar, nulidade em virtude de ter a autoridade fiscal feito uso do expediente do despacho decisório, acompanhado de parecer, para não homologar o pedido de ressarcimento, enquanto que o correto seria a lavratura de auto de infração, o que não merece provimento, uma vez que a decisão foi proferida por autoridade administrativa competente, o que afasta o inciso I do art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, e sem qualquer preterição do direito de defesa, que restou resguardado e, digase, foi plenamente exercido pela ora recorrente, de maneira a se expungir também a aplicação do inciso II do dispositivo instrumental em referência. 8. Observese, a respeito desta alegação, ainda, que se procedeu à lavratura de auto de infração para a formalização da cobrança das diferenças de imposto apuradas em virtude do erro de classificação fiscal, discutido no Processo Administrativo nº 13005.000464/201006, igualmente pautado para a corrente sessão para fins de julgamento conjunto. Acrescemse a estas considerações aquelas oportunamente trazidas pela decisão recorrida: "A par disso, as diferenças de imposto apuradas estão apontadas no item 28 do Relatório de Ação Fiscal e no Demonstrativo do IPI Não Lançado, parte integrante do citado Auto de Infração. Tal demonstrativo embasou a reconstituição da escrita fiscal, que serviu de base para Parecer DRF/SCS/SAORT 032/2010 e o Despacho Decisório DRF/SCS 207/2010, objeto deste processo. Assim sendo, a autoridade fiscal exarou o Despacho Decisório em questão após cumprir todos os preceitos da legislação em vigor, especialmente a análise dos documentos comprobatórios do alegado direito creditório, inclusive arquivos fornecidos pelo contribuinte e realização de diligências fiscais a fim de ser verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas, tudo conforme preceitua a Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, que disciplinava a época a restituição e a compensação de quantias recolhidas a título de tributo administrado pela RFB, dentre esses o ressarcimento e a compensação de créditos do IPI. Também não se constata nenhum vício de forma no lançamento, tendo sido observadas as prescrições contidas no Decreto nº 70.235, de 1972, estando cristalina e minuciosamente demonstrados no processo a fundamentação legal, a matéria tributável, os valores apurados e os fatos motivadores da autuação, permitindo à impugnante conhecer todos os elementos componentes da ação fiscal e, assim, propiciandolhe todos os meios para livre e plenamente manifestar suas razões de defesa" (seleção e grifos nossos). Fl. 174DF CARF MF Processo nº 13005.000016/201002 Acórdão n.º 3401005.203 S3C4T1 Fl. 175 5 9. Assim, com base nos fundamentos acima, não merece provimento o recurso voluntário neste particular. 10. No mérito, a questão de fundo consiste, portanto, em deslindar, naquilo que respeita ao “RESFRIADOR DE ÁGUA”, se correta a classificação utilizada pela contribuinte (8438.10.00), ou se equivocada aquela proposta pela autoridade fiscal (8418.69.31): uma ou outra conclusão terá como efeito a reversão do despacho decisório que homologou parcialmente o ressarcimento, no presente processo. 11. Incontroversa, como se percebe, a classificação até o texto do Capítulo: as partes concordam que os produtos são uma espécie de "reatores nucleares, caldeiras, máquinas, aparelhos e instrumentos mecânicos, e suas partes" (Capítulo 84). 12. Para a contribuinte recorrente, no entanto, o “RESFRIADOR DE ÁGUA” deve ser classificado na Posição, Subposição, Item e Subitem 8438.10.00: "Máquinas e aparelhos não especificados nem compreendidos noutras posições do presente Capítulo, para preparação ou fabricação industrial de alimentos ou de bebidas, exceto as máquinas e aparelhos para extração ou preparação de óleos ou gorduras vegetais fixos ou de óleos ou gorduras animais" (Posição 84.38), "Máquinas e aparelhos para as indústrias de panificação, pastelaria, bolachas e biscoitos e de massas alimentícias" (Subposição, Item e Subitem 8438.10.00), submetida, portanto, a uma alíquota zero de IPI: 13. Por outro lado, para autoridade fiscal, o “RESFRIADOR DE ÁGUA” deve ser classificado na Posição, Subposição, Item e Subitem 8418.69.31: "Refrigeradores, congeladores (freezers) e outros materiais, máquinas e aparelhos, para a produção de frio, Fl. 175DF CARF MF Processo nº 13005.000016/201002 Acórdão n.º 3401005.203 S3C4T1 Fl. 176 6 com equipamento elétrico ou outro; bombas de calor, excluindo as máquinas e aparelhos de arcondicionado da posição 84.15" (Posição 8418), "Outros materiais, máquinas e aparelhos, para a produção de frio; bombas de calor Outros" (Subposição 8418.69), "Unidades fornecedoras de água, sucos ou bebidas carbonatadas" (Item 8418.69.3), "De água ou sucos", submetido, portanto, a uma alíquota de 15% de IPI: 14. Em primeiro lugar, para a análise da classificação no Código NCM nº 8438.10.00 atribuída pela contribuinte ao “RESFRIADOR DE ÁGUA”, devem ser feitas, a partir deste ponto, as seguintes perguntas: (i.a) tratase de uma espécie de "máquinas e aparelhos não especificados nem compreendidos noutras posições do Capítulo 84, para preparação ou Fl. 176DF CARF MF Processo nº 13005.000016/201002 Acórdão n.º 3401005.203 S3C4T1 Fl. 177 7 fabricação industrial de alimentos ou de bebidas, exceto as máquinas e aparelhos para extração ou preparação de óleos ou gorduras vegetais fixos ou de óleos ou gorduras animais"? Observese que, para a resposta, deverão ser eliminadas todas as outras máquinas e aparelhos especificados nas demais posições do Capítulo 84. Caso se responda negativamente à pergunta (i.a), a classificação está equivocada (o que não implica estar correta a classificação reputada como correta pela autoridade fiscal). Contudo, caso se responda afirmativamente à pergunta (i.a), então necessariamente a classificação reputada como correta pela autoridade fiscal está equivocada, salvo na hipótese da nota 2, que será verificada mais adiante (o que ainda não implica estar correta a classificação atribuída pela contribuinte). Somente neste caso, de se responder afirmativamente à pergunta (i.a), passase à seguinte questão: (i.b) tratase de um tubo de uma espécie de "máquinas e aparelhos para as indústrias de panificação, pastelaria, bolachas e biscoitos e de massas alimentícias"? Caso se responda afirmativamente à pergunta (i.b), a classificação dada pela contribuinte está correta (neste caso, já se sabia desde a resposta anterior que a classificação reputada como correta pela autoridade fiscal estava equivocada). 15. Caso se responda negativamente à pergunta (i.b), a classificação dada pela contribuinte está equivocada e, neste caso, passase à análise da classificação no Código NCM nº 8418.69.31, atribuída pela autoridade fiscal ao “RESFRIADOR DE ÁGUA”, ponto a partir do qual devem ser feitas as seguintes perguntas: (ii.a) tratase de uma espécie de "refrigeradores, congeladores (freezers) e outros materiais, máquinas e aparelhos, para a produção de frio, com equipamento elétrico ou outro; bombas de calor, excluindo as máquinas e aparelhos de arcondicionado da posição 84.15"? Caso se responda negativamente à pergunta (ii.a), a classificação está equivocada. Somente no caso de se responder afirmativamente à pergunta (ii.a), passase à seguinte questão: (ii.b) tratase de "outros materiais, máquinas e aparelhos, para a produção de frio; bombas de calor"? Ou seja: que não sejam combinações de refrigeradores e congeladores (freezers), munidos de portas exteriores separadas (8418.10.00), refrigeradores do tipo doméstico (8418.2), congeladores (freezers) horizontais tipo arca (8418.30.00), congeladores (freezers) verticais tipo armário (8418.40.00), nem outros móveis (arcas, armários, vitrines, balcões e móveis semelhantes) para a conservação e exposição de produtos, que incorporem um equipamento para a produção de frio (8418.50), nem, especificamente, bombas de calor, exceto as máquinas e aparelhos de arcondicionado da posição 84.15 (8418.61.00). Fl. 177DF CARF MF Processo nº 13005.000016/201002 Acórdão n.º 3401005.203 S3C4T1 Fl. 178 8 Caso se responda negativamente à pergunta (ii.b), a classificação está equivocada. Somente no caso de se responder afirmativamente à pergunta (ii.b), passase à seguinte questão: (ii.c) tratase de uma espécie de "unidades fornecedoras de água, sucos ou bebidas carbonatadas", especificamente "de água ou sucos", que não bebedouros refrigerados? Caso se responda negativamente à pergunta (ii.c), a classificação está equivocada. Porém, caso se responda afirmativamente à pergunta (ii.c), a classificação dada pela autoridade fiscal está correta. 16. Deverá, ainda, o classificador considerar o texto da nota 2 do Capítulo 84, no sentido de que "(...) as máquinas e aparelhos suscetíveis de se incluírem nas posições 84.01 a 84.24 ou 84.86 e, simultaneamente, nas posições 84.25 a 84.80, classificamse nas posições 84.01 a 84.24 ou 84.86, conforme o caso" (g.n.). Assim, se o “RESFRIADOR DE ÁGUA” se enquadrar simultaneamente nas posições 84.18 (atribuída pela autoridade fiscal) e 84.38 (atribuída pela contribuinte), correta estará a posição 84.18. A este respeito, ademais, as considerações gerais do Capítulo 84: "D. MÁQUINAS E APARELHOS SUSCETÍVEIS DE SE INCLUÍREM EM VÁRIAS POSIÇÕES (Notas 2 e 7 do Capítulo) As posições 84.01 a 84.24 englobam as máquinas e aparelhos suscetíveis, pela sua própria função, de serem utilizados em vários tipos de indústria, enquanto que as máquinas e aparelhos das outras posições do Capítulo são classificados mais especificamente de acordo com a indústria ou setor de atividades que os utiliza. Nos termos da Nota 2 do presente Capítulo, as posições do primeiro grupo têm preferência sobre as do segundo grupo. Por este motivo, quando uma máquina ou aparelho for virtualmente suscetível de se incluir simultaneamente em duas (ou mais) posições, das quais uma esteja compreendida entre as posições 84.01 a 84.24, é exatamente nesta que a máquina ou aparelho se deve classificar. Por esta razão, as máquinas motrizes, por exemplo, classificam se nas posições 84.06 a 84.08 e 84.10 a 84.12, sendo irrelevante a sua destinação. A mesma regra é válida para as bombas, mesmo as especializadas para agricultura ou para uma indústria determinada (fabricação de fios, de matérias têxteis artificiais ou sintéticas, por exemplo), as máquinas centrífugas, as calandras, os filtros prensas, os fornos, os geradores de vapor, etc.". 17. Recortase, ainda, o texto pertinente das NESH: '"Os materiais, máquinas e aparelhos para produção de frio de que trata esta posição compreendem geralmente máquinas ou Fl. 178DF CARF MF Processo nº 13005.000016/201002 Acórdão n.º 3401005.203 S3C4T1 Fl. 179 9 instalações que, por um ciclo contínuo de operações, fornecem ao seu elemento refrigerador (evaporador), uma temperatura baixa (próxima de 0°C ou inferior), por absorção do calor latente que resulta da evaporação de um gás previamente liquefeito (amoníaco, hidrocarbonetos halogenados, por exemplo) ou de um liquido volátil, ou ainda, mais simplesmente, da evaporação da água, principalmente em certos aparelhos de uso naval”. “As máquinas frigoríficas aqui incluídas pertencem a dois tipos principais: A.MÁQUINAS DE COMPRESSÃO Os elementos essenciais destas máquinas são: O compressor, que tem a dupla função de aspirar o vapor saído do evaporador e comprimilo no condensador. O condensador, no qual este vapor comprimido arrefece e se liquefaz”. “O evaporador, dispositivo gerador do frio, que é constituído por um sistema de tubos no qual o fluido frigorígeno, proveniente do condensador, é admitido em volume e pressão controlados por um detentor. No evaporador, inversamente do que se produz no condensador, o líquido condensado evaporase rapidamente com absorção do calor ambiente. Todavia, nas grandes instalações, utilizase indiretamente a ação refrigerante do evaporador que age sobre uma solução de cloreto de sódio ou de cloreto de cálcio contida num recipiente ou que circula num sistema de tubos” 18. Transcrevemse, por derradeiro, as seguintes notas da Seção XVI, que engloba os Capítulos 84 e 85: 3. Salvo disposições em contrário, as combinações de máquinas de espécies diferentes, destinadas a funcionar em conjunto e constituindo um corpo único, bem como as máquinas concebidas para executar duas ou mais funções diferentes, alternativas ou complementares, classificamse de acordo com a função principal que caracterize o conjunto. 4. Quando uma máquina ou combinação de máquinas seja constituída de elementos distintos (mesmo separados ou ligados entre si por condutos, dispositivos de transmissão, cabos elétricos ou outros dispositivos), de forma a desempenhar conjuntamente uma função bem determinada, compreendida em uma das posições do Capítulo 84 ou do Capítulo 85, o conjunto classificase na posição correspondente à função que desempenha. 5. Para a aplicação destas Notas, a denominação “máquinas” compreende quaisquer máquinas, aparelhos, dispositivos, Fl. 179DF CARF MF Processo nº 13005.000016/201002 Acórdão n.º 3401005.203 S3C4T1 Fl. 180 10 instrumentos e materiais diversos citados nas posições dos Capítulos 84 ou 85. 19. Segundo se depreende das razões recursais, a contribuinte fabrica duas máquinas que operam em conjunto para a produção de massas alimentícias: (i) máquina de mistura da massa, modelos VAE 25, VAEM 25, VAE 40 e VAEM 40; e (ii) máquina de resfriamento de água, modelos RA 10, 15 e 20, e RAI 10, 15 e 20. Os modelos se voltam à quantidade de produção de massa, conforme necessidade do cliente. Ao operarem em conjunto, têm como função principal a mistura da massa e, como função secundária (complementar), realizar o seu resfriamento, motivo pelo qual, a partir das considerações gerais da Seção XVI, combinado com as notas 3 e 4, entende se tratar de uma combinação de máquinas. Explica, ainda, que a operação conjunta é necessária devido ao "(...) grande calor produzido pela mistura da massa, tornando imprescindível o resfriamento com água resfriada para não prejudicar a qualidade do produto". Isto porque a fricção, ao produzir calor, pode desencadear uma fermentação prematura e consequente morte de leveduras que tem por conseqüência a perda da força fermentativa nas etapas de crescimento e forneamento, em prejuízo do volume, sabor e aroma: "(...) a massa pode perder rendimento em peso, pois sofre uma maior desidratação", que "(...) acelera o envelhecimento e diminui a durabilidade do produto final", o que explica a necessidade da adição de água resfriada. 20. Recortamse, por pertinentes, as seguintes explicações a respeito do acoplamento entre as duas máquinas: Fl. 180DF CARF MF Processo nº 13005.000016/201002 Acórdão n.º 3401005.203 S3C4T1 Fl. 181 11 21. Recortamse, ainda, folhetos comerciais, situados às fls. 109 e 110, que ressaltam as características do produto, comercializado sob a denominação "amassadeira rápida acoplada resfriador dosador de água": Fl. 181DF CARF MF Processo nº 13005.000016/201002 Acórdão n.º 3401005.203 S3C4T1 Fl. 182 12 22. Em resposta ao termo de intimação fiscal nº 001, a recorrente informou, que o resfriamento da água "(...) ocorre por meio de um compressor com gás que faz a troca do calor com a água por condução, através de um evaporador em forma de serpentina (espiral) instalada no interior da máquina”, o que levou a autoridade fiscal e a decisão recorrida a concluir que, em que pese o produto ser utilizado na indústria de panificação, deve ser classificado pela sua própria função, ou seja, um aparelho para a produção de frio fornecedor de água. Ao se voltar à máquina em apreço, o julgador de primeiro piso realiza as seguintes considerações: O resfriador/dosador de água, conforme especificações no catálogo virtual encontrado endereço eletrônico http://www.venanciometal.com.br/catalogo/, é uma máquina (modelos RA 10, 15, 20 e RAI 10, 15 e 20) cuja função principal é o resfriamento, dosagem e fornecimento de água para aplicação na massa alimentícia. Destacase ainda, na fl. 79, da impugnação: o “Resfriador Dosador de Água” possui uma quantidade especifica de água para calibragem no preparo da massa, ou seja, conforme a quantidade de massa a ser produzida, é necessária certa quantidade de água para resfriar durante o amassamento, conforme exigência da receita. Extraise ainda da impugnação, à fl. 86: “estaria adicionando gelo no preparo da massa alimentícia, o que prejudicaria toda a qualidade do produto final, bem como iria contra a receita de produção da massa” e “assim, a adição de água resfriada é a solução para corrigir a temperatura no preparo da massa”. Diante das afirmações da impugnante, resta bastante claro, que a função da máquina é de resfriar e dosar a água que posteriormente será adicionada à massa de pão em padarias e confeitarias e não, resfriar a massa alimentícia, portanto não se insere na definição de “trocador de calor” (seleção e grifos nossos). 23. Ao nos voltarmos às perguntas acima estabelecidas, compreendese que a posição 84.38 propugnada como correta pela contribuinte é residual: apenas atrairá a classificação se nenhuma outra posição do Capítulo for a correta (mais específica). Assim, a resposta à questão (i.a) deve ficar condicionada à conclusão pelo equívoco do entendimento da autoridade fiscal, uma vez que o código que reputa como correto comunga do mesmo Capítulo: 8418.69.31. Assim, a primeira pergunta a ser enfrentada é a (ii.a): tratase de uma espécie de "refrigeradores, congeladores (freezers) e outros materiais, máquinas e aparelhos, para a produção de frio, com equipamento elétrico ou outro; bombas de calor, excluindo as máquinas e aparelhos de arcondicionado da posição 84.15"? Mais especificamente, em conformidade com a aplicação direta da Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado RGI/SH nº 01, tratase de uma máquina para a produção de frio (já é possível se afirmar também, com as informações disponíveis no processo em apreço, não se tratar de uma bomba de calor ou um ar condicionado). Fl. 182DF CARF MF Processo nº 13005.000016/201002 Acórdão n.º 3401005.203 S3C4T1 Fl. 183 13 24. Decorre da RGI/SH nº 06, por outro ângulo, que "a classificação de mercadorias nas subposições de uma mesma posição é determinada, para efeitos legais, pelos textos dessas subposições e das Notas de Subposição respectivas, assim como, mutatis mutandis, pelas Regras precedentes, entendendose que apenas são comparáveis subposições do mesmo nível. Para os fins da presente Regra, as Notas de Seção e de Capítulo são também aplicáveis, salvo disposições em contrário". Assim, respondese, ainda, afirmativamente à questão (ii.b), pois se trata de "outros materiais, máquinas e aparelhos, para a produção de frio", ou seja, não se trata de um refrigerador/congelador, de uma geladeira doméstica, nem refrigeradores tipo arcas, armários, vitrines, balcões e móveis semelhantes para conservação/exposição de produtos resfriados. Por fim, com base na Regra Geral Complementar RGC/SH nº 01,1 passase à questão (ii.c), à qual se responde afirmativamente: tratase de uma "unidade fornecedora de água" resfriada (que não seja um bebedouros refrigerados). 25. Ainda que se superasse o fato de a posição 8438, proposta como correta pela contribuinte, ser residual com relação às demais posições do Capítulo 84 (o que se faz apenas como exercício, pois o texto não pode ser ignorado), a resposta afirmativa à questão (i.a), no sentido de se tratar de uma máquina para preparação ou fabricação industrial de alimentos permitiria a passagem à questão (i.b), à qual se responderia afirmativamente: uma máquina "para as indústrias de panificação, pastelaria, bolachas e biscoitos e de massas alimentícias". Tal classificação estaria equivocada, como se demonstrou, pelo desatendimento à regra da classificação residual; contudo, ainda que estivesse correta, duas seriam as classificações possíveis: 8438.10.00 e 8418.69.31, o que demandaria a seguinte análise: mesmo que a classificação deva ser feita de acordo com a função principal que caracterize o produto (notas 3 e 4 da Seção), aplicase a nota 2 do Capítulo (regra mais específica, portanto): "(...) as máquinas e aparelhos suscetíveis de se incluírem nas posições 84.01 a 84.24 ou 84.86 e, simultaneamente, nas posições 84.25 a 84.80, classificamse nas posições 84.01 a 84.24 ou 84.86, conforme o caso". Logo, ainda que ambas classificações fossem possíveis (não são), a posição 84.18 exerceria a vis atractiva, por decorrência de regra expressa neste sentido. 26. Concluise, portanto, que a mercadoria “RESFRIADOR DE ÁGUA” deve ser classificada no Código NCM nº 8418.69.31, restando, desta forma, prejudicadas as demais matérias, em especial aquela que atine à correção do valor não homologado pelo despacho decisório sob exame pela taxa Selic. 27. Assim, com base nestes fundamentos, voto por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário interposto. 1 RGC/SH nº 06. As Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado se aplicarão, "mutatis mutandis", para determinar dentro de cada posição ou subposição, o item aplicável e, dentro deste último, o subitem correspondente, entendendose que apenas são comparáveis desdobramentos regionais (itens e subitens) do mesmo nível. Fl. 183DF CARF MF Processo nº 13005.000016/201002 Acórdão n.º 3401005.203 S3C4T1 Fl. 184 14 (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Fl. 184DF CARF MF
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Numero do processo: 10410.900752/2008-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2004
DIREITO CREDITÓRIO PLEITEADO NA DCOMP.
Restando demonstrado pela diligência fiscal que o direito creditório utilizado na DCOMP - crédito original - tem lastro no saldo negativo da CSLL do respectivo ano-calendário, defere-se o direito creditório pleiteado e homologa-se a compensação tributária até o limite do crédito reconhecido.
Numero da decisão: 1301-003.175
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para reconhecer o direito creditório de R$ 15.307,25 (valor original), e homologar as compensações declaradas até esse limite de crédito.
(assinatura digital)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto- Presidente.
(assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: NELSO KICHEL
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Restando demonstrado pela diligência fiscal que o direito creditório utilizado na DCOMP crédito original tem lastro no saldo negativo da CSLL do respectivo anocalendário, deferese o direito creditório pleiteado e homologase a compensação tributária até o limite do crédito reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para reconhecer o direito creditório de R$ 15.307,25 (valor original), e homologar as compensações declaradas até esse limite de crédito. (assinatura digital) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 90 07 52 /2 00 8- 60 Fl. 443DF CARF MF Processo nº 10410.900752/200860 Acórdão n.º 1301003.175 S1C3T1 Fl. 444 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Fl. 444DF CARF MF Processo nº 10410.900752/200860 Acórdão n.º 1301003.175 S1C3T1 Fl. 445 3 Relatório Cuidam os autos do Recurso Voluntário contra decisão da 3ª Turma da DRJ/Recife de fls. 33/35 que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo a denegação do direito creditório pleiteado/utilizado na DCOMP não homologada. Quanto aos fatos, consta: que, em 07/04/2006, a contribuinte transmitiu eletronicamente, pela internet, a DCOMP retificadora n º 07323.73505.070406.1.7.032059 (DCOMP retificada nº 18657.51390.140.905.1.3.038881), utilizando programa gerador PER/DCOMP, informando (fls. 12/17): a) débito vencido do IRPJ estimativa mensal, com acréscimos legais, no montante de R$ 15.561,35 (código de receita 5993), quanto ao período de apuração agosto/2005 (vencimento 30/09/2005); b) crédito utilizado: R$ 15.307,25 (valor original). Origem do direito creditório: saldo negativo da CSLL do anocalendário 2004. Valor original do saldo negativo apurado em 31/12/1994, informado na DCOMP, R$ 33.401,53. que na DIPJ 2005, diversamente, consta saldo negativo da CSLL apurado em 31/12/2004, no valor de R$ 123.948,55 (fls. 08/09). A contribuinte foi intimada, em 03/04/2007, a comprovar o direito creditório pleiteado (fls. 21/23), nos seguintes termos: (...) 4DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL O valor do saldo negativo informado no PER/DCOMP é diferente do apurado na DIPJ. A soma das parcelas de crédito demonstradas no PER/DCOMP deve ser suficiente para comprovar a quitação da contribuição ou Imposto devido, se houver, e a apuração do saldo negativo. Apuração: EXERCÍCIO 2005 DIPJ: Valor do Saldo Negativo R$ 123.948,55 PER/DCOMP: Valor do Saldo Negativo R$ 33.401,53 (...) Solicitase retificar a DIPJ correspondente ou apresentar PER/DCOMP retificador indicando corretamente o valor do saldo negativo apurado no período e, se for o caso, corrigindo o detalhamento do crédito utilizado na sua composição. Outras divergências entre as informações do PER/DCOMP, da DIPJ e Fl. 445DF CARF MF Processo nº 10410.900752/200860 Acórdão n.º 1301003.175 S1C3T1 Fl. 446 4 da DCTF do período deverão ser sanadas pela apresentação de declarações retificadoras no prazo estabelecido nesta intimação. (...) Em face dessa divergência em relação ao valor do saldo negativo da CSLL do anocalendário 2004 e não restando sanada a irregularidade pela contribuinte embora intimada, o crédito pleiteado não foi reconhecido por falta de certeza e liquidez, conforme Despacho Decisório da DRF/Maceió, emissão eletrônica de 09/05/2008, cuja fundamentação transcrevo a seguir (fl. 02), in verbis: (...) 3— FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, não foi possível confirmar a apuração do crédito, pois o valor informado na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) não corresponde ao valor do saldo negativo informado no PER/DCOMP. Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 33.401,53. Valor do saldo negativo informado na DIPJ: R$ 123.948,55. Diante do exposto, NÃO HOMOLÓGO a compensação declarada no PER/DCOMP acima identificado. (...) Ciente desse despacho decisório em 21/05/2008 (fl. 25), a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 20/06/2008 (fl. 01), juntando ainda os documentos de fls. 02/27, cujas razões, no que pertinente, transcrevo, in verbis: (...) 3 Na Per/Dcomp retificadora apresentada em 07/04/2006, (...) informou por engano na página 02 que o valor do saldo negativo era de R$ 33.401,53 quando na verdade deveria ter sido informado o valor de R$ 123.948,55 originando assim a divergência apontada no Despacho Decisório acima em referência (...). Diante do exposto, solicita a revisão do Despacho Decisório mencionado, homologando a compensação declarada através do Per/Dcomp retificador e atestando a regularidade fiscal da empresa. (...) A 3ª Turma da DRJ/Recife, enfrentando o mérito da lide deduzida nos autos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme Acórdão de 05/05/2011 (fls. 33/35), cuja ementa transcrevo: (...) Fl. 446DF CARF MF Processo nº 10410.900752/200860 Acórdão n.º 1301003.175 S1C3T1 Fl. 447 5 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 SALDO NEGATIVO (...). FALTA DE COMPROVAÇÃO. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Acórdão Acordam os membros da 3ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade. (...) Ainda, consta do voto condutor do acórdão recorrido, na sua fundamentação (fl. 35), in verbis: (...) 8. A contribuinte foi intimada a sanar a irregularidade (...). 9. Tendo em conta que o sujeito passivo não adotou as providências que lhe foram solicitadas, não poderia a autoridade a quo reconhecer direito creditório nem homologar a compensação declarada, haja vista não se revestir o crédito da certeza e liquidez legalmente exigida (art. 170 do CTN). 10. Em sua manifestação de inconformidade, sustenta a contribuinte que o valor correto do saldo negativo é aquele declarado na DIPJ, entretanto não juntou prova alguma do alegado. Por outro lado, o exame dos autos conduz à conclusão de que o crédito suplicado encontrase irremediavelmente carente dos atributos de certeza e liquidez. Vejamos. 11. Conforme se verifica na DCOMP, a interessada informou que todo o saldo negativo, no valor de R$ 33.401,53, teve origem em estimativa apurada em dezembro de 2004 e extinta por compensação com saldo de períodos anteriores (fl. 15). Todavia, apresentou DIPJ original em 2005 e retificadora em 2009, esta última já após o despacho decisório em questão, nas quais declarou haver apurado estimativa em dezembro no valor de R$ 12.222,28, e não de R$ 33.401,53. 12. A estimativa apurada em dezembro, a qual teria dado origem ao saldo negativo, foi, consoante informado pela empresa, compensado com saldos de períodos anteriores por via da DCOMP n° 13266.75892.250805.1.3.038589. Ocorre que a mencionada DCOMP, que corresponde ao processo n° 10410.720019/201088, já foi apreciada pela autoridade Fl. 447DF CARF MF Processo nº 10410.900752/200860 Acórdão n.º 1301003.175 S1C3T1 Fl. 448 6 administrativa, que não homologou a compensação. Assim, se a estimativa não foi extinta, temse que o saldo negativo dela decorrente não se acha apto a ser restituído ou compensado, por faltarlhe os necessários atributos aos quais já me reportei neste voto. 13. Ante o exposto, voto por julgar improcedente a manifestação de inconformidade. (...) Inconformada com esse decisum do qual tomou ciência em 23/03/2012 (sextafeira), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 23/04/2012 (terçafeira) despacho, cujas razões, em síntese, são as seguintes: que recebeu o Termo de Intimação de irregularidade no preenchimento da DCOMP, para retificar a DIPJ, ou apresentar PER/DCOMP retificadora e, por conseqüência, sanar as irregularidades apontadas; que, porém, o sistema do PER/DCOMP não aceita a apresentação de pedido retificador depois de expedido Termo de Intimação, restando impossibilitado de realizar a retificadora.; que recebeu o despacho decisório, onde informa a não homologação da compensação pelo fato de não ter sido possível confirmar a apuração do crédito diante da divergência entre o valor informado na DIPJ e o saldo negativo informado na Declaração de Compensação – DCOMP; que apresentou a manifestação de inconformidade esclarecendo que o saldo negativo da CSLL no valor de R$ 123.945,55, apurado na DIPJ 2005 (anocalendário 2004) encontrase correto e corresponde ao real crédito, e que ocorreu mero engano ao preencher o valor do saldo negativo, fazendo constar R$ 33.401,53, quando deveria ter sido informado R$ 123.948,55, requerendo a reforma do despacho decisório e a homologação da compensação; que a 3ª Turma da DRJ/Recife julgou improcedente a manifestação de inconformidade, considerando a divergência do saldo negativo entre DIPJ e DCOMP já mencionada e que, ainda, não teria prova, nos autos, de que o valor correto seria o declarado na DIPJ; que o acórdão, ora recorrido, deixa claro a improcedência da manifestação de inconformidade pela ocorrência de três aspectos: (i) divergência do saldo negativo entre a DIPJ e a DCOMP; (ii) ausência de retificação da DCOMP; (iii) ausência de prova de que o valor correto do saldo negativo é o declarado na DIPJ; que a divergência entre os valores constantes na DIPJ e DCOMP a título de saldo negativo, conforme já esclarecido, decorreu de erro no preenchimento no Programa da Receita Federal "PER/DCOMP", no campo Ficha Saldo Negativo de CSLL, onde foi posto o valor de R$ 33.401,53, considerando que este era o crédito remanescente na data da transmissão, pois já teriam ocorrido compensações anteriores. Contudo, o sistema exige que seja colocado neste campo o valor do saldo negativo originalmente apurado na DIPJ; que, assim, se trata de mera inexatidão material no preenchimento da DCOMP, sistema de grande complexidade para seu manuseio e preenchimento de informações e que, em muitas Fl. 448DF CARF MF Processo nº 10410.900752/200860 Acórdão n.º 1301003.175 S1C3T1 Fl. 449 7 oportunidades, como a presente, induz os contribuintes a erros materiais; que, no caso, nenhum prejuízo houve ao Erário, considerando que o crédito a ser compensado realmente existe; que não foi efetuada a retificadora da DCOMP pelo fato do sistema eletrônico não permitir a retificação após a emissão e ciência do Termo de Intimação; que, não obstante a impossibilidade de realizar a retificação, deve, no caso, ser aplicado o princípio da moralidade administrativa, o qual veda ao Erário a apropriação de quaisquer valores, sem lastro legal; que a moralidade administrativa não permite que tendo a RFB verificado a existência dos créditos, impeça a compensação por mero erro material no preenchimento da Declaração; que ainda, com base em meras planilhas resumo, a recorrente procura demonstrar a evolução do saldo negativo da CSLL dos anoscalendário 2003, 2004 e 2005, e respectiva utilização nas DCOMP informadas ao fisco nos anoscalendário 2003, 2004 e 2005. Por fim, com base nessas razões e nas citadas planilhas resumo, a recorrente pediu provimento ao recurso, por entender provado e comprovado o seu direito creditório pleiteado. É o relatório. Fl. 449DF CARF MF Processo nº 10410.900752/200860 Acórdão n.º 1301003.175 S1C3T1 Fl. 450 8 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator. A análise dos pressupostos de admissibilidade já foi enfrentada quando da conversão do julgamento em diligência, conforme Resolução nº 1802000.119 2ª Turma Especial da 1ª SEJUL, de 06/11/2012 (fls. 161/169) que transcrevo, no que pertinente, in verbis: (...) O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos para sua admissibilidade. Por conseguinte, dele conheço. Conforme relatado, a lide versa acerca do direito creditório denegado pela decisão recorrida. Rememorando os fatos, consta que, em 07/04/2006, a contribuinte transmitiu eletronicamente, pela internet, a DCOMP retificadora nº 07323.73505.070406.1.7.032059 (DCOMP retificada nº 18657.51390.140.905.1.3.038881), utilizando programa gerador PER/DCOMP, informando (fls. 12/17): a) débito vencido do IRPJ estimativa mensal, com acréscimos legais, no montante de R$ 15.561,35 (código de receita 5993), quanto ao período de apuração agosto/2005 (vencimento 30/09/2005); b) utilização de crédito, no mesmo valor. Origem do direito creditório: saldo negativo da CSLL do anocalendário 2004. Esse crédito (direito creditório) utilizado pela recorrente na compensação tributária, como já dito acima, foi rejeitado pela decisão a quo pela falta de comprovação de certeza e liquidez, nos termos do art. 170 do Código Tributário Nacional, em face da existência de contradição de dados ou informações entre a DCOMP e a DIPJ. Na DCOMP, a contribuinte informou – como origem do crédito – saldo negativo da CSLL do anocalendário 2004, no valor original R$ 33.401,53 (fls. 12/17). Entretanto, na DIPJ 2005, anocalendário 2004, consta que o saldo negativo da CSLL do anocalendário 2004 seria, valor original, R$ 123.948,55 (fls. 08/09). Nesta instância recursal, nas razões do recurso, a recorrente argumentou que o saldo negativo, correto, da CSLL do ano calendário 2004, realmente, é o valor informado na respectiva Fl. 450DF CARF MF Processo nº 10410.900752/200860 Acórdão n.º 1301003.175 S1C3T1 Fl. 451 9 DIPJ, ou seja, valor de R$ 123.948,55; que, por equívoco, quando do preenchimento dos campos da DCOMP, informou o saldo do crédito existente na data da transmissão da declaração de compensação e não o valor do saldo original na data da apuração em 31/12/1994; que, por conseguinte, houve tão somente erro material no preenchimento da DCOMP. Argumentou, ainda, que, embora tivesse tentado fazer a retificação automática da DCOMP, por meio eletrônico, não conseguiu, pois, após ciência da intimação para tanto, o sistema eletrônico da RFB bloqueou tal possibilidade. Compulsando os autos, observase que houve, sim, intimação fiscal para a contribuinte regularizar a situação, antes da expedição do Despacho Decisório da DRF/Maceió, de 09/05/2008. Vale dizer, em 09/03/2007, a recorrente fora intimada da irregularidade constatada na DCOMP, nos seguintes termos (fls. 18/20): (...) Solicitase retificar a DIPJ correspondente ou apresentar PER/DCOMP retificador indicando corretamente o valor do saldo negativo apurado no período e, se for o caso, corrigindo o detalhamento do crédito utilizado na sua composição. Outras divergências entre as informações do PER/DCOMP, da DIPJ e da DCTF do período deverão ser sanadas pela apresentação de declarações retificadoras no prazo estabelecido nesta Intimação. Base legal: Art. 6º, Parágrafo 1º, inciso II e art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com as alterações posteriores. Arts. 4º e 56 a 61 da Instrução Normativa SRF no 600, de 2005. (...) Em face da veemente irresignação da recorrente, argumentando que a discrepância decorreu de erro material no preenchimento da DCOMP e, ainda, considerando que a intimação fiscal antes da expedição do despacho decisório, apenas, tratou da possibilidade de apresentação de retificação DIPJ (que não seria o caso) e de DCOMP retificadora (porém, a hipótese de DCOMP retificadora restou infrutífera pelo bloqueio da possibilidade de apresentação eletrônica de DCOMP retificadora), entendo que os elementos constantes dos autos são insuficentes para formação de convicção acerca do mérito da lide, quanto a existência ou não do direito creditório pleiteado. Como dito, em face da intimação fiscal não ter exigido a comprovação do crédito pleiteado, mediante apresentação de escrituração contábil (livros Diário, Razão e LALUR) com respectivos documentos de suporte, a contribuinte deixou de juntar aos autos essas provas. Fl. 451DF CARF MF Processo nº 10410.900752/200860 Acórdão n.º 1301003.175 S1C3T1 Fl. 452 10 Entretanto, para comprovação de fato constitutivo do direito creditório demandado, atinente a pagamento a maior ou indevido da CSLL (pagamento antecipado a maior), além do (s) DARF, devese observar, sobretudo, a legislação de apuração tributo, com respectivos documentos de suporte dos registros nos livros contábeis e fiscais pertinentes, e a legislação de regência da compensação tributária. A propósito, a recorrente, no anocalendário 2004, apurou o IRPJ pelo regime do Lucro Real anual, com obrigação de fazer pagamentos antecipados do IRPJ, mensalmente, por estimativa, com base na receita bruta e acréscimos, ou com base em balancetes de suspensão ou redução. A CSLL, na mesma esteira, segue o regime de apuração do IRPJ, por força do art. 6º, parágrafo único, da Lei nº 7.689/88 e art. 28 da Lei 9.430/96. A contribuinte não produziu prova nos autos, de sua escrituração contábil e fiscal, e respectivos documentos de suporte dos lançamentos contábeis, de que apurou saldo negativo da CSLL do anocalendário 2004, pois não juntou aos autos cópia dos balancetes de suspensão ou redução que deveriam estar registrados no livro LALUR e transcritos no livro Diário. Nesse sentido, dispõe ao art.35 da Lei nº 8.981/95, in verbis: Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; b) somente produzirão efeitos para determinação da parcela do Imposto de Renda e da contribuição social sobre o lucro devidos no decorrer do anocalendário. (...) Ainda, inexiste previsão de restituição de mera antecipação de pagamento de CSLL por estimativa mensal, mas sim do saldo negativo apurado no encerramento do respectivo anocalendário em 31 de dezembro – data do fato gerador , caso o somatório dos recolhimentos por estimativa mensal do anocalendário foi maior que a CSLL apurada com base no lucro líquido anual ajustado pelas inclusões e exclusões, no ajuste anual (Lei nº 9.430/96, art. 6º). Ora, o art. 170 do Código Tributário Nacional, para efeito de compensação tributária, exige que o crédito apresentado contra Fl. 452DF CARF MF Processo nº 10410.900752/200860 Acórdão n.º 1301003.175 S1C3T1 Fl. 453 11 o fisco, para encontro de contas, tenha liquidez e certeza, in verbis: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) Por todas essas razões, conforme demonstrado, não há prova nos autos da certeza e liquidez do crédito pleiteado. Ainda, conforme já dito alhures, houve falha na intimação fiscal efetuada antes da emissão do despacho decisório, pois não exigiu a comprovação do direito creditório com base na escrituração contábil. Em face disso, e com base no princípio da verdade material, entendo que o presente julgamento deverá ser convertido em diligência, retornando os autos do processo à unidade origem, no caso a DRF/Maceió, para as seguintes providências: a) intimar a contribuinte a comprovar à luz da escrituração contábil e fiscal o direito creditório pleiteado (apresentar os livros Diário, Razão e LALUR, dos anoscalendário 2002, 2003 e 2004); b) intimar a contribuinte a apresentar os balancetes mensais de suspensão/redução dos anoscalendário 2002, 2003 e 2004, devidamente registrados no livro LALUR e transcritos no livro Diário, nos termos do art. 35 da Lei nº 8.981/95; c) elaborar, ao final do procedimento de diligência, relatório circunstanciado, informando, com demonstrativos pertinentes, se a contribuinte possui, ou não, saldo negativo de CSLL do ano calendário 2004 suficiente para compensar os débitos informados nos presentes autos; d) intimar a contribuinte do resultado do Relatório de Diligência, abrindo prazo de 30 (trinta) dias da ciência, para sua manifestação caso queira; e) vencido o prazo dado, com ou sem manifestação da recorrente, retornem os autos do processo a este CARF para julgamento. Pois bem. A diligência fiscal foi realizada, e os autos retornaram conclusos para julgamento, e foram distribuídos a este Relator, nos termos do Regimento Interno do CARF Portaria MF nº 343, de 2015, Anexo II, art. 49, § 7º. Consta resultado do relatório de diligência fiscal, de forma conclusiva, que a contribuinte, sim, conseguiu comprovar o direito creditório pleiteado nestes autos, a título de Fl. 453DF CARF MF Processo nº 10410.900752/200860 Acórdão n.º 1301003.175 S1C3T1 Fl. 454 12 saldo negativo da CSLL do anocalendário 2004 (fls.436/437), cujo resultado transcrevo, no que pertinente, in verbis: (...) Informação Fiscal Em cumprimento à solicitação contida na Resolução n° 1802 000.119 – 2ª turma especial do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, passo a informar a apuração realizada na escrituração da contribuinte para atender às solicitações de providências contidas nas letras “a” a “e”, dessa resolução: Nos itens “a” e “b” há a determinação de intimação à contribuinte para comprovar à luz da escrituração contábil e fiscal o direito creditório pleiteado através da apresentação dos Livros Diário, Razão, LALUR e apresentar os balancetes mensais de suspensão/redução devidamente registrados no LALUR e transcritos no livro diário, todos dos anoscalendário 2002, 2003 e 2004. Em cumprimento ao acima determinado intimamos a contribuinte, folha 173, tendo ela apresentado os esclarecimentos solicitados, folhas 175 a 178, e os Livros Diário Razão e LALUR dos anos acima. Quanto ao direito creditório pleiteado pela contribuinte no presente processo, no caso o Saldo negativo da Contribuição social sobre o Lucro Líquido do exercício 2005 – anocalendário 2004, no valor de R$ 123.948,55, a contribuinte logrou comprovar seu direito creditório, o que demonstraremos. Quanto à transcrição nos Livros LALUR e Diário dos balancetes de suspensão mensal para apuração da estimativa nos anos calendário 2002, 2003 e 2004, essa transcrição não ocorreu em razão da adoção pela contribuinte, nesses anoscalendário, da apuração da estimativa com base na Receita Bruta e Acréscimos, conforme previsto no art. 223 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 1999. O saldo negativo da CSLL do exercício 2005 – anocalendário 2004 foi composto pelos recolhimentos realizados pela contribuinte, conforme DARFs de folhas 197 a 209 e 211 a 214, referentes aos meses de janeiro e maio a dezembro de 2004, nos valores de R$ 13.852,63; R$ 5.559,17; R$ 1.702,79; R$ 13.146,49; R$ 11.134,95; R$ 14.007,23; R$ 12.380,37; R$ 17.355,00; R$ 15.961,31; e R$ 12.222,28, respectivamente, e pela homologação total das compensações dos débitos dos meses de fevereiro a maio de 2004. O débito da estimativa da CSLL dos mês de fevereiro, no valor de R$ 14.431,19, foi compensada através do Perdecomp n° 33010.91227.091007.1.7.032556, processo n° 10410.900836/201107 e as estimativas dos meses de março e abril, nos valores de R$ 15.090,35 e R$ 12.272,01, respectivamente, foram compensadas através do perdcomp Fl. 454DF CARF MF Processo nº 10410.900752/200860 Acórdão n.º 1301003.175 S1C3T1 Fl. 455 13 10242.19969.220906.1.7.030721, Processo n° 10410.900898/201119. Todos foram extintos por compensação. Com créditos do processo n° 10410.720009/201042, foi compensado e extinto o débito de R$ 4.955,68 do mês de maio de 2004, cuja compensação foi solicitada através do Perdcomp 35529.78601.300704.1.3.024302. Os valores recolhidos pela contribuinte por estimativa, através de DARF, totalizaram R$ 117.322,22 e as estimativas extintas por compensação totalizaram R$ 46.749,23, que somados totalizam R$ 164.071,45. O valor da CSLL apurada foi de R$ 40.122,90, conforme Ficha 17 da DIPJ à folha 188. A compensação dos valores recolhidos por estimativa – R$ 164.071,45 com o valor devido apurado – R$ 40.122,90, resultou num Saldo negativo da CSLL de R$ 123.948,55 (cento e vinte e três mil, novecentos e quarenta e oito reais e cinquenta e cinco centavos). É o que temos a informar. (...) Como demonstrado pela diligência fiscal, o direito creditório utilizado na DCOMP (fls. 15/18), valor de R$ 15.307,25 crédito original tem lastro no saldo negativo da CSLL do anocalendário 2004 (fls. 15/18). Por tudo que foi exposto, voto para reconhecer o direito creditório de R$ 15.307,25 (valor original), a título de saldo negativo da CSLL do anocalendário 2004 e homologar a compensação objeto dos autos até o limite do crédito deferido. É como voto. (assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 455DF CARF MF
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Numero do processo: 10882.903044/2012-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
COMPENSAÇÃO. RESTITUIÇÃO. PRAZO DECADENCIAL.
A transmissão de declaração de compensação, antes de findo o prazo decadencial de cinco anos para a formalização de pedido de restituição, não tem o mesmo efeito atribuído a pedido de restituição ou de ressarcimento, não se lhe aplicando a possibilidade de garantir a utilização de saldo de créditos em declarações de compensação transmitidas posteriormente ao prazo decadencial referido.
Numero da decisão: 1402-003.155
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário em face de decadência.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei, Paulo Mateus Ciccone (Presidente) e Ailton Neves da Silva (Suplente convocado).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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RESTITUIÇÃO. PRAZO DECADENCIAL. A transmissão de declaração de compensação, antes de findo o prazo decadencial de cinco anos para a formalização de pedido de restituição, não tem o mesmo efeito atribuído a pedido de restituição ou de ressarcimento, não se lhe aplicando a possibilidade de garantir a utilização de saldo de créditos em declarações de compensação transmitidas posteriormente ao prazo decadencial referido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário em face de decadência. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei, Paulo Mateus Ciccone (Presidente) e Ailton Neves da Silva (Suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 30 44 /2 01 2- 19 Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10882.903044/201219 Acórdão n.º 1402003.155 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório que indeferiu compensação. O PER/DCOMP foi transmitido com o objetivo de compensar o(s) débito(s) nele discriminado(s) com crédito de IRPJ, decorrente de recolhimento com Darf. Constatouse, no Despacho Decisório, que, na data de transmissão do documento em análise, já estava extinto o direito de utilização do crédito, por terem se passado mais de cinco anos entre a data de arrecadação do DARF e a data de transmissão do PER/DCOMP. Diante do exposto, a compensação declarada NÃO foi HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando que o DCOMP original com demonstrativo de crédito foi transmitido dentro do prazo de cinco anos para recuperação de pagamentos indevidos. Alegou, ainda, que, uma vez feita a declaração do crédito dentro do prazo legal, não se há de mencionar a extinção do direito de sua utilização. A decisão de primeira instância julgou improcedente a manifestação de inconformidade, para não reconhecer o direito creditório postulado e não homologar as compensações em litígio. Extraise do voto: A existência de DCOMP transmitida antes da extinção do direito de pleitear restituição de determinado pagamento não legitima compensações com ele efetuadas depois da extinção. A declaração de compensação não interrompe a contagem do prazo para extinção do direito de pedir restituição. O art. 42 da IN RFB n.º 1.300, de 2012, dispõe que o crédito do sujeito passivo para com a Fazenda Nacional que exceder ao total dos débitos por ele compensados mediante a entrega da “Declaração de Compensação” somente será restituído ou ressarcido pela RFB caso tenha sido requerido mediante “Pedido de Restituição” ou “Pedido de Ressarcimento” formalizado dentro do prazo previsto no art. 168 do Código Tributário Nacional (idêntica disposição se encontra no art. 27 da IN SRF n.º 460, de 2004, no art. 27 da IN SRF n.º 600, de 2006, e no art. 35 da IN RFB n.º 900, de 2008). Portanto, o fato de o crédito ser superior ao débito não altera a natureza da “Declaração de Compensação”, que não supre a falta do “Pedido de Restituição” do saldo remanescente. A legislação de regência, ao detalhar o direito de restituição de pagamentos indevidos ou maior que o devido, garantido pelo CTN, dentro do prazo de cinco anos contados do pagamento em questão (art. 168, I), no caso, o art. 42 da IN RFB 1300, de 2012 e, anteriormente, o art. 35 da IN RFB 900, de 2008, trazem a regra. Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10882.903044/201219 Acórdão n.º 1402003.155 S1C4T2 Fl. 4 3 Vejase: Art. 35. O crédito do sujeito passivo para com a Fazenda Nacional que exceder ao total dos débitos por ele compensados mediante a entrega da Declaração de Compensação somente será restituído ou ressarcido pela RFB caso tenha sido requerido pelo sujeito passivo mediante pedido de restituição ou pedido de ressarcimento formalizado dentro do prazo previsto no art. 168 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN) ou no art. 1º do Decreto nº20.910, de 6 de janeiro de 1932. Art. 42. O crédito do sujeito passivo, para com a Fazenda Nacional, que exceder ao total dos débitos por ele compensados mediante a entrega da Declaração de Compensação somente será restituído ou ressarcido pela RFB caso tenha sido requerido pelo sujeito passivo mediante pedido de restituição ou pedido de ressarcimento formalizado dentro do prazo previsto no art. 168 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN) ou no art. 1º do Decreto nº20.910, de 6 de janeiro de 1932. Inconformado, o autuado interpôs Recurso Voluntário a esta Colenda Turma, requerendo:sejam acolhidas todas as razões de fato e de direito expendidas na peça recursal, homologandose, por decorrência, a compensação objeto da Declaração de Compensação que instrui o presente contencioso administrativo fiscal. É o relatório. Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10882.903044/201219 Acórdão n.º 1402003.155 S1C4T2 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.141, de 16/05/2018, proferida no julgamento do Processo nº 10882.903770/200928, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. O processo paradigma analisou a possibilidade de utilização de crédito relativo a pagamento indevido ou a maior de IRPJ, recolhido em 23/03/2000, por meio de DCOMP transmitida em 07/10/2005, para compensação de débitos próprios. No presente processo o contribuinte requer a compensação de débitos com a utilização de crédito relativo a pagamento indevido ou a maior de IRPJ, recolhido em 30/04/2003, por meio de DCOMP transmitida em 21/12/2009. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.141): "O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual, dele conheço. Consignase, ainda, que o Recurso Voluntário em questão é representativo de controvérsia e, desta forma, foi designado para ser julgado sob o regime de recursos repetitivos. Em síntese, o contribuinte transmitiu PER/DCOMP no qual pretendia compensar recolhimento indevido e/ou maior que o devido, feito em DARF, com débitos de PIS e COFINS. A DRF de origem, em despacho decisório, não reconheceu o direito creditório, uma vez que havia transcorrido prazo maior do que 5 (cinco) anos entre a data de pagamento do DARF e a data de transmissão da PER/DCOMP. Apresentada manifestação de inconformidade, a DRJ competente consignou no v. acórdão recorrido que o contribuinte não tinha apresentado, antes do escoamento do prazo de 5 (cinco) anos contados do pagamento do DARF, pedido de restituição ou de ressarcimento de seus créditos. A transmissão de declaração de compensação, antes do final do prazo de 5 (cinco) anos da data de pagamento do DARF não tem o mesmo efeito de pedido de ressarcimento ou restituição, ou seja, não interrompe a contagem do prazo para extinção do direito de pedir a restituição. Em recurso voluntário, o contribuinte reitera que transmitiu PER/DCOMP antes de esgotado o prazo de 5 (cinco) anos para a utilização do pagamento indevido ou maior que o devido feito Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10882.903044/201219 Acórdão n.º 1402003.155 S1C4T2 Fl. 6 5 com DARF; que retificou essa PER/DCOMP original posteriormente ao prazo, bem como transmitiu outras PER/DCOMP, após o prazo de cinco anos, mas referentes ao crédito original, vinculado à primeira PER/DCOMP transmitida antes do decurso do prazo de cinco anos. Por inexistir preliminares, passo a análise de mérito. Ressaltase, inicialmente, que não há questionamentos quanto ao DARF que originou o crédito utilizado para fins de compensação. A data de seu pagamento é o termo a quo para a contagem do prazo decadencial de cinco anos para que o contribuinte exerça o seu direito à restituição do pagamento indevido ou maior do que o devido, nos termos do art. 168, I, do CTN. Antes de transcorrido o prazo decadencial de cinco anos, o contribuinte transmitiu uma DCOMP informando o seu crédito, bem como declarando a compensação com débitos próprios. Vejase cópia do documento originário de toda a controvérsia, em que se pode observar o "tipo do documento": [...] Adiante vejase o registro do crédito (R$ 17.604,89): [...] Agora vejase as mesmas telas, que o contribuinte chama de PER/DCOMP retificadora: [...] Finalmente, a tela relativa ao crédito informado: [...] Contudo, transcorrido o prazo de cinco anos da data do pagamento do DARF objeto dos créditos do contribuinte, este não fez, conforme relatado anteriormente, "pedido de restituição" do saldo restante de seus créditos. Em verdade, apresentou, posteriormente ao prazo, outras DCOMP, sendo que uma delas retificava a original e outras utilizavam o saldo do crédito em novas compensações declaradas. A questão controvertida a ser decidida, em sede de recurso repetitivo, é se as demais DCOMP, transmitidas após o prazo de cinco anos contados do pagamento indevido ou maior que o devido, sem prévio "pedido de restituição" dentro do prazo de cinco anos, seriam meios hábeis a permitir o exercício do direito de restituição garantido ao contribuinte pelo art. 168, I, do CTN, tomando por origem a DCOMP original, transmitida dentro do prazo decadencial. Vejase que as normas complementares não trazem a possibilidade de uma declaração de compensação ser utilizada para o exercício do direito de restituição nos moldes do art. 168, I, do CTN, demonstrando que, no caso concreto, a DCOMP Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10882.903044/201219 Acórdão n.º 1402003.155 S1C4T2 Fl. 7 6 transmitida antes do encerramento do prazo decadencial de cinco anos não garantiu ao contribuinte o direito de, posteriormente, utilizarse dos créditos remanescentes daquela primeira compensação, os quais restaram fulminados pela decadência. Desta forma, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário do contribuinte, reconhecendo que a transmissão de declaração de compensação, antes de findo o prazo decadencial de cinco anos para a formalização de pedido de restituição, não tem o mesmo efeito atribuído a um pedido de restituição ou de ressarcimento, não se lhe aplicando a possibilidade de garantir a utilização de saldo de créditos em declarações de compensação transmitidas posteriormente ao prazo decadencial referido. É o voto" Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário em face de decadência. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 81DF CARF MF
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Numero do processo: 13005.902285/2015-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2014
SERVIÇOS HOSPITALARES. LUCRO PRESUMIDO. APLICAÇÃO DA ALÍQUOTA DE 8%. NECESSIDADE DE ATENDIMENTO INTEGRAL DAS NORMAS DA ANVISA. AUSÊNCIA DE ALVARÁ DA VIGILÂNCIA SANITÁRIA.
A ausência do alvará de Vigilância Sanitária pressupõe que o contribuinte não atende integralmente as normas da ANVISA, descumprindo requisito previsto na Lei n. 9.249/95 para gozo da alíquota reduzida de 8%.
O atendimento à tais normas da Anvisa somente pode ser comprovado através da apresentação do alvará da vigilância sanitária estadual ou municipal, vigente à época do fato gerador do tributo, não sendo possível acolher alvará emitido em exercício posterior.
Numero da decisão: 1201-002.178
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2014 SERVIÇOS HOSPITALARES. LUCRO PRESUMIDO. APLICAÇÃO DA ALÍQUOTA DE 8%. NECESSIDADE DE ATENDIMENTO INTEGRAL DAS NORMAS DA ANVISA. AUSÊNCIA DE ALVARÁ DA VIGILÂNCIA SANITÁRIA. A ausência do alvará de Vigilância Sanitária pressupõe que o contribuinte não atende integralmente as normas da ANVISA, descumprindo requisito previsto na Lei n. 9.249/95 para gozo da alíquota reduzida de 8%. O atendimento à tais normas da Anvisa somente pode ser comprovado através da apresentação do alvará da vigilância sanitária estadual ou municipal, vigente à época do fato gerador do tributo, não sendo possível acolher alvará emitido em exercício posterior. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 5. 90 22 85 /2 01 5- 10 Fl. 184DF CARF MF Processo nº 13005.902285/201510 Acórdão n.º 1201002.178 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de processo gerado para tratamento manual, a partir de Representação do Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil na qual relata que fora apresentada pelo Contribuinte pedido indevido de restituição de IRPJ. Como conseqüência, foi emitido Despacho Decisório com o seguinte teor: 20. Logo, o pedido de restituição há que ser indeferido por inexistência de pagamento indevido de IRPJ para o 1º trimestre/2014, eis que o contribuinte não se sujeita ao percentual favorecido incidente sobre a receita bruta de 8% para apuração da base de cálculo do IRPJ por não atender as normas da Anvisa em vista de não apresentar alvará sanitário vigente no período de apuração em seu nome e endereço cadastral. [...] 22. No uso da competência delegada pelo artigo 2°, inciso IV, da Portaria DRF/SCS nº 17, de 10 de abril de 2014, e da competência atribuída pelos artigos 241, inciso I, 302, inciso VI, do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF n° 203, de 14 de maio de 2012, na forma da fundamentação, DECIDO: (I) NÃO RECONHECER o direito creditório do contribuinte frente à Fazenda Pública da União a título de pagamento indevido de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ relativo ao 1º trimestre de 2014, para INDEFERIR o pedido eletrônico de restituição 07723.03777.030915.1.2.040701. O contribuinte foi cientificado do referido despacho decisório e apresentou manifestação de inconformidade, contrapondose contra o Despacho Decisório DRF/SCS/Saort com base nos fundamentos a seguir sintetizados. A Manifestante é uma sociedade de responsabilidade limitada, segundo se vê no seu Contrato Social (doc. 01), estabelecida junto ao Hospital Santa Cruz, com o objetivo social de prestação de “serviços de análises clínicas”. Isto é, a Manifestante nasceu para prestar serviços de análises clínicas junto ao órgão hospitalar. Desde a sua constituição está em exercício regular de sua atividade e está adequada às regras da vigilância sanitária. Desta forma, entende ter havido grave equívoco por parte da Autoridade Fiscalizadora, e pede a desconstituição do Despacho Decisório da DRF/SCS/Saort. Do Enquadramento da Manifestante como atividade de prestação de serviço hospitalar. Fl. 185DF CARF MF Processo nº 13005.902285/201510 Acórdão n.º 1201002.178 S1C2T1 Fl. 4 3 Alega a manifestante que a própria Receita Federal em seu Despacho Decisório reconheceu o seu enquadramento exerce atividade de prestação de serviço hospitalar. Quanto ao requisito de enquadramento da atividade exercida não carece de maiores digressões em vista da literal disposição legislativa. Quanto ao requisito de estar constituída sob a forma de sociedade empresária, analisandose o contrato social e alterações, vêse que o contribuinte consta como sociedade empresária desde a sua constituição. Assim, resta claro que atende os preceitos normativos para exercer atividade de prestação de serviço hospitalar, reconhecida pela própria Receita Federal em sua análise. Da Regularidade da Manifestante. Preocupada com a situação, mesmo que tenha cumprido com a solicitação da Receita Federal de apresentar seu Contrato Social e a sua Regularidade de funcionamento, a Manifestante procurou a Prefeitura local e requereu a expedição do Alvará de Saúde, que atestasse não só sua regularidade no atendimento às normas de saúde, mas também a aptidão para exercer sua atividade. Em virtude de o alvará ter sido expedido após o término do prazo do requerimento da Receita Federal, não foi possível anexálo naquele momento. Entende que foi equivocado o posicionamento da fiscalização. A Lei Federal nº 9.249/95, especificamente o seu artigo 15, § 1º, inciso III, alínea ‘a’ (redação alterada pela Lei 11.727/08), estabeleceu que a base de cálculo do imposto, que apuram sob o Regime de Apuração do Lucro Presumido, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de 8% (oito por cento) sobre a receita bruta auferida mensalmente de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa. Vejase, a parte final da redação da alínea ‘a’, estabelece como requisito para que os contribuintes sejam tributados pelo IRPJ sobre a base de 8% da receita bruta desde que atendam às normas da Vigilância Sanitária. O dispositivo é claro, não estabelece como critério, que para os contribuintes terem o direito ao beneficio de serem tributados pelo IRPJ sobre a base de 8% da receita bruta, somente com a apresentação do “alvará de saúde”, mas sim que atendam às suas normas. E nesse sentido, assim que requerido pela Receita Federal, a Manifestante imediatamente apresentou sua regularidade de funcionamento. Aliás, nesse aspecto não foi apontada nenhuma irregularidade por parte da Receita Federal. Se a Manifestante não estivesse cumprindo com as normas de saúde, não lhe seria expedido o alvará de regularidade de funcionamento. Ainda, para dirimir qualquer dúvida de que efetivamente estava regular perante a vigilância sanitária, foilhe expedido o Alvará de Saúde atestando o cumprimento das normas por parte da Manifestante desde sua constituição. Fl. 186DF CARF MF Processo nº 13005.902285/201510 Acórdão n.º 1201002.178 S1C2T1 Fl. 5 4 Ademais, seria impossível à Manifestante não atender as normas de saúde previstas na Legislação, isso porque, realiza suas atividades junto ao Hospital Santa Cruz, local periodicamente analisado, seja por meio de órgão federal, estadual ou municipal. Portanto, não é legítimo, por parte da Fiscalização, não reconhecer que a Manifestante atende às normas de saúde, uma vez que está em exercício regular de sua atividade, fato esse atestado por meio da Secretaria da Saúde, através da expedição do Alvará de saúde. Nesse sentido, os nossos Tribunais em diversos julgados, rechaçam as exigências da Fiscalização que vão além do preceituado pelo Legislador Ordinário. O que importa é que o serviço prestado seja de natureza hospitalar, pois foi apenas essa a circunstância imposta pela Lei. Foi esse o entendimento do STJ no REsp nº 1.116.399, julgado pelo rito do Recurso Repetitivo, ao julgar a aplicação da alíquota de Imposto de Renda e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido aos contribuintes prestadores de Serviços Hospitalares, oportunidade na qual consignou que os regulamentos emanados da Receita Federal não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei para a obtenção do benefício. Decisão da DRJ A DRJ julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, conforme ementa abaixo: "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2014 IRPJ. SERVIÇOS HOSPITALARES. ALÍQUOTA DE 8%. LUCRO PRESUMIDO. NECESSIDADE DE ALVARÁ DA VIGILÂNCIA SANITÁRIA. 1. Para determinação do lucro presumido com base na alíquota no percentual de 8% é necessário que a empresa que presta serviços hospitalares seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária Anvisa. 2. Como atendimento às normas da Anvisa deve ser entendido, dentre outros requisitos, que os serviços sejam prestados em ambientes desenvolvidos de acordo com a Resolução de Diretoria Colegiada Anvisa nº 50, de 2002, cuja comprovação deve ser feita mediante alvará expedido pelo órgão de vigilância sanitária competente." Recurso Voluntário Inconformada, a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário no qual ratifica seu termos de defesa apresentados na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 187DF CARF MF Processo nº 13005.902285/201510 Acórdão n.º 1201002.178 S1C2T1 Fl. 6 5 Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa Relatora O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201002.174, de 11/06/2018, proferido no julgamento do Processo nº 13005.720774/2016 28, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. O processo paradigma analisou o direito creditório do contribuinte decorrente de pagamento indevido de IRPJ Lucro Presumido Código de Receita 2089, relativo a trimestres de apuração dos anoscalendário de 2011, 2012, 2013 e 2014. O presente processo referese à análise de direito creditório com origem em pagamento indevido de IRPJ, relativo ao 1º trimestre/2014. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201002.174): "Admissibilidade O Recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos previstos legais, assim, merece ser apreciado. Mérito Em apertada síntese, o tema aqui tratado referese à possibilidade do Alvará da Vigilância Sanitária ou sua ausência definir a alíquota do IRPJ do Lucro Presumido a ser utilizada pelo contribuinte que presta serviços hospitalares, se de 8% ou 32%. A DRJ decidiu no sentido de que a ausência do citado alvará pressupõe que o contribuinte não atende as normas da ANVISA o que é um requisito previsto na Lei n. 9.249/95 para gozo da alíquota reduzida de 8%. O entendimento da DRJ me parece razoável. Contudo, seus efeitos devem ser avaliados. Conforme mencionado no relatório, no julgamento do Resp. nº 1.081.441, a 2ª Turma do STJ definiu o que são “serviços hospitalares” para fins de determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, in verbis: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. ART. 15, § 1º, III, "A" DA LEI Nº 9.249/95. RADIOLOGIA, ULTRASSONOGRAFIA E DIAGNÓSTICO DE IMAGENS. INCLUSÃO NO Fl. 188DF CARF MF Processo nº 13005.902285/201510 Acórdão n.º 1201002.178 S1C2T1 Fl. 7 6 CONCEITO DE SERVIÇO HOSPITALAR. PRECEDENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. 1. Acórdão proferido antes do advento das alterações introduzidas pela Lei nº 11.727, de 2008. O art. 15, § 1º, III, "a", da Lei nº 9.249/95 explicitamente concede o benefício fiscal de forma objetiva, com foco nos serviços que são prestados, e não no contribuinte que os executa. 2. Independentemente da forma de interpretação aplicada, ao intérprete não é dado alterar a mens legis. Assim, a pretexto de adotar uma interpretação restritiva do dispositivo legal, não se pode alterar sua natureza para transmudar o incentivo fiscal de objetivo para subjetivo. 3. A redução do tributo, nos termos da lei, não teve em conta os custos arcados pelo contribuinte, mas, sim, a natureza do serviço, essencial à população por estar ligado à garantia do direito fundamental à saúde, nos termos do art. 6º da Constituição Federal. 4. Qualquer imposto, direto ou indireto, pode, em maior ou menor grau, ser utilizado para atingir fim que não se resuma à arrecadação de recursos para o cofre do Estado. Ainda que o Imposto de Renda se caracterize como um tributo direto, com objetivo preponderantemente fiscal, pode o legislador dele se utilizar para a obtenção de uma finalidade extrafiscal. 5. Devese entender como "serviços hospitalares" aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde. Em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos. Precedente da Primeira Seção. 6. No caso, tratase de entidade que presta serviços de radiologia, ultrassonografia e diagnóstico por imagens dentro do Hospital Geral pertencente à Associação de Caridade Santa Casa do Rio Grande, que não possui esses serviços e, portanto, os terceiriza à recorrente. Não se está diante de simples consulta médica, mas de atividade que se insere, indubitavelmente, no conceito de "serviços hospitalares, já que demanda maquinário específico, geralmente adquirido por hospitais ou clínicas de grande porte. 7. A redução da base de cálculo somente deve favorecer a atividade tipicamente hospitalar desempenhada pela recorrente especificamente a prestação de serviços de radiologia, ultrassonografia e diagnóstico de imagens excluídas as simples consultas e atividades de cunho administrativo. Fl. 189DF CARF MF Processo nº 13005.902285/201510 Acórdão n.º 1201002.178 S1C2T1 Fl. 8 7 8. Recurso especial provido em parte. Em apertada síntese, decidiram os ministros do STJ que os serviços hospitalares são aqueles relacionados ás atividades desenvolvidas pelos hospitais e que tenham por finalidade a promoção da saúde da população. Posteriormente, a RFB publicou a IN n.1.234/12 que assim define os serviços hospitalares: “Art. 30. Para os fins previstos nesta Instrução Normativa, são considerados serviços hospitalares aqueles prestados por estabelecimentos assistenciais de saúde que dispõem de estrutura material e de pessoal destinados a atender à internação de pacientes humanos, garantir atendimento básico de diagnóstico e tratamento, com equipe clínica organizada e com prova de admissão e assistência permanente prestada por médicos, que possuam serviços de enfermagem e atendimento terapêutico direto ao paciente humano, durante 24 (vinte e quatro) horas, com disponibilidade de serviços de laboratório e radiologia, serviços de cirurgia e parto, bem como registros médicos organizados para a rápida observação e acompanhamento dos casos.” Mais adiante, já no ano de 2015, foi publicada a Instrução Normativa n. 1.540/15 que assim dispõe: “Art. 30. Para os fins previstos nesta Instrução Normativa, são considerados serviços hospitalares aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde, prestados pelos estabelecimentos assistenciais de saúde que desenvolvem as atividades previstas nas atribuições 1 a 4 da Resolução RDC nº 50, de 21 de fevereiro de 2002, da Anvisa” (NR) A Resolução RDC n. 50 da Anvisa, dispõe sobre o Regulamento Técnico para planejamento, programação, elaboração e avaliação de projetos físicos de estabelecimentos assistenciais de saúde. Na mencionada resolução é possível perceber que o item 3 trata do Dimensionamento, Quantificação e Instalações Prediais dos Ambientes da Parte II Programação FísicoFuncional dos Estabelecimentos Assistenciais de Saúde da Resolução RDC nº 50/12. O atendimento à tais normas da Anvisa somente pode ser comprovado através da apresentação do alvará da vigilância sanitária estadual ou municipal. No caso em tela, além de evidenciar a ora Recorrente que, de fato, presta serviços hospitalares, trouxe também documento que julgo de extrema importância e que já fora analisado pela DRJ que é o Alvará de Saúde emitido pela Secretaria Municipal Fl. 190DF CARF MF Processo nº 13005.902285/201510 Acórdão n.º 1201002.178 S1C2T1 Fl. 9 8 de Santa Cruz do Sul que comprova a regularidade de sua situação e por consequência o atendimento às normas da Anvisa: Contudo, a DRJ entendeu que não poderia acolher tal documento como elemento de prova, dado que foi emitido em 04/02/2016, posteriormente ao fato gerador em análise, ao passo que a Lei Estadual RS n° 6.503/1972 estabelece no §1º do art. 43 que o alvará a que se refere este artigo só terá validade durante o ano civil de sua concessão. É neste ponto que entendo que a Contribuinte perde seu argumento. Isso porque, ainda que defenda que do ponto de vista de essência já vinha prestando serviços hospitalares e que não o podia fazer se não estivesse regularizada, temos que do ponto de vista formal, a interpretação conjunta das normas acima mencionadas nos leva à conclusão de que a evidência de cumprimento das normas da Anvisa somente poderia ser feita por meio do respectivo alvará de vigilância sanitária e que o alvará apresentado é datado de 2016, produzindo efeitos, portanto, somente para este ano segundo a mencionada lei estadual. Fl. 191DF CARF MF Processo nº 13005.902285/201510 Acórdão n.º 1201002.178 S1C2T1 Fl. 10 9 Aliás, o próprio alvará acima apresentado traz a previsão expressa de validade de 01 ano (válido até 03/02/17). Assim, entendo que para os anosbase não cobertos pelo alvará apresentado pelo Contribuinte, ora Recorrente, não há que se falar em alíquota presumida de 8% uma vez que não foram preenchidos os requisitos legais e formais para gozo de tal benefício, especificamente, o atendimento às normas da Anvisa cuja evidência restou falha em razão da ausência de alvará de vigilância sanitária para os anos ora em discussão. Conclusão Diante do exposto, CONHEÇO do RECURSO VOLUNTÁRIO para NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto!" Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 192DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11686.000119/2008-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004
PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO DIFERENCIADA DA LEI Nº 10.485, DE 2002. AQUISIÇÃO DE CRÉDITOS PELO ATACADISTA OU VAREJISTA. IMPOSSIBILIDADE.
Por força de determinação legal expressa, que não foi alvo de revogação, a aquisição, para revenda, de produtos sujeitos à tributação diferenciada da Lei nº 10.485, de 2002, não gera créditos nem do Pis, nem da Cofins não-cumulativos.
Contribuição para o PIS/PASEP
PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO DIFERENCIADA DA LEI Nº 10.485, DE 2002. AQUISIÇÃO DE CRÉDITOS PELO ATACADISTA OU VAREJISTA. IMPOSSIBILIDADE.
Por força de determinação legal expressa, que não foi alvo de revogação, a aquisição, para revenda, de produtos sujeitos à tributação diferenciada da Lei nº 10.485, de 2002, não gera créditos nem do Pis, nem da Cofins não-cumulativos.
Numero da decisão: 3302-005.710
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Walker Araujo - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Fenelon Moscoso de Almeida, Vinícius Guimarães, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior.
Nome do relator: WALKER ARAUJO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO DIFERENCIADA DA LEI Nº 10.485, DE 2002. AQUISIÇÃO DE CRÉDITOS PELO ATACADISTA OU VAREJISTA. IMPOSSIBILIDADE. Por força de determinação legal expressa, que não foi alvo de revogação, a aquisição, para revenda, de produtos sujeitos à tributação diferenciada da Lei nº 10.485, de 2002, não gera créditos nem do Pis, nem da Cofins não cumulativos. Contribuição para o PIS/PASEP PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO DIFERENCIADA DA LEI Nº 10.485, DE 2002. AQUISIÇÃO DE CRÉDITOS PELO ATACADISTA OU VAREJISTA. IMPOSSIBILIDADE. Por força de determinação legal expressa, que não foi alvo de revogação, a aquisição, para revenda, de produtos sujeitos à tributação diferenciada da Lei nº 10.485, de 2002, não gera créditos nem do Pis, nem da Cofins não cumulativos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 68 6. 00 01 19 /2 00 8- 01 Fl. 160DF CARF MF Processo nº 11686.000119/200801 Acórdão n.º 3302005.710 S3C3T2 Fl. 161 2 Walker Araujo Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Fenelon Moscoso de Almeida, Vinícius Guimarães, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior. Relatório Por bem descrever e retratar a realidade dos fatos, adoto e transcrevo o relatório da decisão de piso de fls. 115119: Tratase de manifestação de inconformidade contra indeferimento de pedido de ressarcimento (PER/DECOMP), relativo ao saldo credor de Cofins não cumulativa apurado no período de 01/07/2004 a 30/09/2004, onde o interessado sustenta que teria direito ao creditamento de PIS e Cofins na revenda de veículos importados, em cujas operações incidiu alíquota zero destas contribuições, por estarem compreendidas no regime de tributação concentrada, também chamado de incidência monofásica ou de substituição tributária, conforme regulado na Lei 10.485, de 3 de julho de 2002. Para defender seu entendimento 0 contribuinte enumera dez premissas onde tece alegações diversas na tentativa de demonstrar a validade de sua tese para lhe conferir direito ao creditamento das contribuições incidentes nas acima referidas operações de revendade veículos importados. Ao final, requer a reforma do Despacho Decisório, com o consequente deferimento de seu pedido e a homologação das compensações declaradas. Em 13 de maio de 2010, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 Ementa: NÃOCUMULATIVIDADE. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. COMERCIALIZAÇÃO DE VEÍCULOS IMPORTADOS. TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA. Existe expressa vedação legal para o creditamento referente à comercialização/revenda de veículos importados, incluídos no escopo da Lei 10.485, de 2002. Fl. 161DF CARF MF Processo nº 11686.000119/200801 Acórdão n.º 3302005.710 S3C3T2 Fl. 162 3 Intimada da decisão em 30.06.2010 (fls.121), a Recorrente interpôs recurso voluntário em 27.07.2010 (fls.122142), reproduzindo novamente suas razões apresentadas em sede de manifestação de inconformidade que, em síntese, são as seguintes1: a) está sujeito ao regime do Lucro Real e, consequentemente, ao pagamento das Contribuições para o PIS e para o Financiamento da Seguridade Social no regime nãocumulativo instituído, respectivamente, pelas leis nº 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003; b) a vedação imposta no art. 3º, I, “b”, de ambos os diplomas foi alvo de revogação pelo art. 16 da Medida Provisória nº 206, de 2004, posteriormente convertido no art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004. Expõe os fundamentos que levariam, por meio do critério lógicosistemático, à tal conclusão. Sustenta, que o dispositivo novel veio justamente para autorizar o creditamento nas hipóteses em que o mesmo estaria proibido, pois, se assim não fosse, não haveria justificativa para sua edição. cita precedente do Tribunal Regional Federal da 4ª Região; c) a fixação de alíquota zero quando da saída dos produtos que revende não significaria atribuirlhe o regime monofásico; que se caracterizaria exclusivamente na hipótese em que o tributo só incidisse uma única vez na cadeia produtiva. d) no caso dos autos, haveria incidência em toda a cadeia, só que com alíquota zero. Sustenta que quando a legislação pretende manter o produto no campo da incidência e apenas desonerálo, atribui alíquota zero; e quando intenta retirálo da subsunção tributária, taxativamente o diz não incidente. e) a Constituição empregou linguagem técnica, exigindo lei que a lei especificasse as hipóteses em que a tributação incidirá uma única vez. Transcreve o art. 155, XII, “h”e o art.149, § 4º da Carta Política de 1988; f) no intuito de exemplificar uma hipótese em que tal preceito foi aplicado, transcreve o art. 22 da Lei nº 10.560, de 2002, que trata da incidência sobre a venda de querosene de aviação; g) mantido o argumento que sustentara o indeferimento, portanto, estarseia diante de uma hipótese de “substituição tributária informal” e desprovida de amparo legal; h) por opção do legislador, o que a lei previra teria sido a incidência com alíquota positiva no produtor e com alíquota zero, para o atacadista ou varejista; Passível de alteração a qualquer tempo, por meio da elevação da alíquota das operações realizadas por este último; i) dado que a Administração teria o poder de alterar as alíquotas a qualquer tempo, teria igualmente que suportar o ônus da plurifasia; 1 Trecho extraído do aórdão nº 310201.050 (PA 11686.000123/200861) que trata dos mesmos argumentos suscitados pela Recorrente. Fl. 162DF CARF MF Processo nº 11686.000119/200801 Acórdão n.º 3302005.710 S3C3T2 Fl. 163 4 j) ademais, dada a “grande folga de arrecadação”, o Estado teria almejado devolver a parte do creditamento suprimido que estava descaracterizando a nãocumulatividade do PIS/COFINS. Este seria o contexto em que teria sido editado o art. 16 da MP nº 206, 2004; k) a MP que introduziu o art. 17 seria norma multitemática, sendo descabida a alegação no sentido de que a mesma só se aplicaria ao regime do REPORTO. Transcreve trecho da exposição de motivos que demonstraria o elenco dos artigos dedicados a esse regime; l) o artigo. 16 da Lei nº 11.116/05 reforçaria a tese no sentido de que as pessoas jurídicas tributadas à alíquota zero teriam pleno direito de se creditar. Transcreve o dispositivo. m) em duas oportunidades, por meio de medidas provisórias, pretendera o Poder Executivo limitar a amplitude do dispositivo e, nas duas, tal limitação foi suprimida do texto da lei de conversão; n) o legislador elegera o método "indireto subtrativo" para disciplinar a nãocumulatividade do PIS/COFINS, por meio do qual o crédito é calculado por meio da incidência da alíquota base sobre as aquisições, sem outras perquirições acerca da etapa anterior. Nesse aspecto, o pleito de creditamento não estaria vinculado a recolhimentos anteriores; É o relatório. Voto Conselheiro Walker Araujo Relator I Tempestividade A Recorrente foi intimada da decisão de piso em 30.06.2010 (fls.121) e protocolou Recurso Voluntário em 27.07.2010 (fls.122142), dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no artigo 33, do Decreto 70.235/722. Desta forma, considerando que o recurso preenche o requisito de admissibilidade, dele tomo conhecimento. II Mérito A questão sob análise não é nova neste Conselho, já foi analisada nos autos do PA 11686.000123/200861; 11686.000128/200893; 11686.000129/200838; 11686.000212/200815 e 11686.000213/200851, todos de relatoria do conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro. 2 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 163DF CARF MF Processo nº 11686.000119/200801 Acórdão n.º 3302005.710 S3C3T2 Fl. 164 5 Deste modo, por concordar com o resultado daqueles processos, adoto como fundamento de decidir e para afastar os argumentos da Recorrente, as razões apresentadas pelo citado relator nos autos do PA 11686.000123/200861 (acórdão 310201.050), o que faço nos termos do os artigos 50, §1º, e 64, da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999: 1. Preliminarmente Demarcação da Matéria Litigiosa Não pende discussão acerca do objeto societário da Recorrente, sabidamente dedicada à comercialização de veículos contemplados nos anexos I e II da Lei nº 10.485, de 2002, adquiridos de estabelecimento importador. Igualmente extreme de dúvida é a sua sujeição à tributação pelo Imposto de Renda com base no Lucro Real, o que a obriga ao recolhimento das Contribuições para o PIS/Pasep e para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) segundo o regime nãocumulativo. Consequentemente, respeitados os limites inerentes à competência deste Colegiado, impedido de promover controle de constitucionalidade em razão do comando insculpido no art. 26A do Decreto nº 70.235, de 19721, inserido pela MP nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, toda a discussão acerca do presente litígio passa necessariamente pela análise da vigência do inciso I, “b”, do art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003. Transcrevo, por economia, exclusivamente o art. 3º, I, “b”, da Lei nº 10.833, de 2003, na versão que vigia à época dos fatos, já que ambos tinham redação idêntica. "Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (...) b) no § 1º do art. 2° desta Lei; A seu turno, o art. 2º, caput e parágrafo 1º, III, têm a seguinte redação: Art. 2º Para determinação do valor da Cofins aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 12, a alíquota de 7,6%% (sete inteiros e seis décimos por cento). § 1º Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (...) III no art. I° da Lei n° 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, Fl. 164DF CARF MF Processo nº 11686.000119/200801 Acórdão n.º 3302005.710 S3C3T2 Fl. 165 6 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei n° 10.865, de 2004) Os dispositivos, a meu ver, são suficientemente claros: o valor da aquisição de bem para revenda, regra geral, pode ser considerado para efeito do cálculo dos créditos de PIS/Pasep e da Cofins, salvo se, dentre outras hipóteses, estiver sujeito ao regime da Lei nº 10.845, de 2002. Ocorre que, recordese, segundo defende o sujeito passivo, tal proibição fora, ao menos tacitamente, revogada pelo art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, fruto da conversão da Medida Provisória nº 206, de 2004. Diz o dispositivo: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Em resumo, sustentase que o propósito do dispositivo seria revogar a restrição das leis 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003 e, por lapso, não foi consignada tal revogação no texto da medida provisória, nem no projeto de lei de conversão. Todos os argumentos manejados, convergem na busca pela demonstração da coerência dessa tese ou dependem da sua confirmação. 2. Mérito 2.1. Revogação Tácita 2.1.1 Demonstração Antes de enfrentar tais argumentos, julgo importante registrar a minha opinião no sentido de que a revogação tácita não é fenômeno que se presuma. Tomo emprestada, a fim de melhor expor meu ponto de vista, a lição de Carlos Maximiliano2, que, analisando as hipóteses revogação, concluiu (original não destacado): “442 Pode ser promulgada nova lei, sobre o mesmo assunto, sem ficar tacitamente abrogada a anterior: ou a última restringe apenas o campo de aplicação da antiga; ou, ao contrário, dilata o, estendeo a casos novos; é possível até transformar a determinação especial em regra geral. Em suma: a incompatibilidade implícita entre duas expressões de direito não se presume; na dúvida, se considerará uma norma conciliável com a outra. O jurisconsulto Paulo ensinara que — as leis posteriores se ligam às anteriores, se lhes não são contrárias; e esta última circunstância precisa ser provada com argumentos sólidos...” Com efeito, partindose do pressuposto de que o ponto de partida para uma interpretação sistemática é a presunção de coerência do Ordenamento Jurídico, somente se afasta a Fl. 165DF CARF MF Processo nº 11686.000119/200801 Acórdão n.º 3302005.710 S3C3T2 Fl. 166 7 aplicação da norma anterior após a demonstração inequívoca de tal incoerência, conforme sintetizou o renomado hermeneuta: Em resumo: sempre se começará pelo Processo Sistemático; e só depois de verificar a inaplicabilidade ocasional deste, se proclamará abrogada, ou derrogada, a norma, o ato, ou a cláusula. Não é outra a linha fixada na Lei de Introdução ao Código Civil (original não destacado): Art. 2º Não se destinando à vigência temporária, a lei terá vigor até que outra a modifique ou revogue. § 1º A lei posterior revoga a anterior quando expressamente o declare, quando seja com ela incompatível ou quando regule inteiramente a matéria de que tratava a lei anterior. § 2º A lei nova, que estabeleça disposições gerais ou especiais a par das já existentes, não revoga nem modifica a lei anterior. Não se pode esquecer, ademais, que, como é cediço, o art. 9º da Lei Complementar nº 95, de 1998, alterado pela Lei Complementar nº 107, de 20014, orienta o legislador no sentido de que a revogação sempre se dê de forma expressa. Tal e qual não se pode presumir a incoerência do ordenamento, sem o devido aprofundamento, igualmente não se poderia presumir a omissão. 2.1.2. Emprego dos Critérios Finalístico e Lógico Segundo sustenta a Recorrente, diferentemente do que poderia ser invocado, sob um enfoque finalístico, o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004 não estaria restrito ao regime do Reporto. Por outro lado, a aplicação do critério lógico, diferentemente do sustentado pelo acórdão recorrido, levaria à conclusão de que a única interpretação possível para o dispositivo novel seria a revogação das restrições impostas no já transcrito art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003: se o mesmo não tivesse o objetivo de revogar a proibição de creditamento, não haveria sentido na edição da norma. Penso, com a devida licença, que tais argumentos não dão amparo ao pleito de reconhecimento dos créditos, pois, apesar de não conseguir divisar a restrição da aplicação do dispositivo ao Reporto, não vejo como atribuirlhe a amplitude defendida. Com efeito, sua leitura em conjunto com os incisos IV a IX do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2007 e III a IX do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, permite delimitar com clareza seu universo de aplicação. Transcrevo, para demonstrar, o art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002: Fl. 166DF CARF MF Processo nº 11686.000119/200801 Acórdão n.º 3302005.710 S3C3T2 Fl. 167 8 Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado; VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. IX energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) Como é possível concluir, o Contribuinte, se sujeito ao regime nãocumulativo, qualquer que seja o ramo de atividade, tem direito a acumular créditos relativos a dispêndios diversos da aquisição de mercadorias sujeitas a tributação diferenciada. Diferentemente do alegado, portanto, as medidas provisórias 413 e 451, de 2008, não teriam o condão de reinstituir eventual proibição, mas agregar novas, restringindo o crédito decorrente daqueles dispêndios não alcançados pela proibição que sempre vigeu. Confirase, a título ilustrativo, o texto do § 14 do art. 3º da Lei nº 10.637, incluído pela MP 413, não convertida em lei: § 14. Excetuamse do disposto neste artigo os distribuidores e os comerciantes atacadistas e varejistas das mercadorias e produtos referidos no § 1º do art. 2º desta Lei, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas, não se aplicando a manutenção de créditos de que trata o art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004.” (NR) Aliás, ainda que se trate de produto sujeito a tributação diferenciada, há que se recordar que a restrição só alcançaria as aquisições para revenda. Se os mesmos se destinam à incorporação ao processo produtivo como, por exemplo, de uma montadora que adquire pneumáticos, não há que se falar em vedação ao crédito. Fl. 167DF CARF MF Processo nº 11686.000119/200801 Acórdão n.º 3302005.710 S3C3T2 Fl. 168 9 Assim, a meu ver, a partir do art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, restou definido que o sujeito passivo manteria os créditos decorrentes dos dispêndios excluídos da proibição e, após a edição do art. 16 da Lei nº 11.116, de 20055, que poderia utilizá los em uma das modalidades elencadas nos incisos I e II. Não custa registrar, ademais, que o texto do artigo 17, de fato, é suficientemente claro quando trata da manutenção dos créditos apurados: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Embora sempre insuficiente, o critério gramatical é sempre o ponto de partida para qualquer processo de interpretação. Nesse contexto, a meu ver, seria incabível pretender atribuir à expressão “manter” o mesmo sentido de “apurar”. Assim, estou convicto de que, efetivamente, o dispositivo novel disciplinou o tratamento a ser empregado, dentre outros, aos créditos adquiridos por contribuintes sujeitos ao regime da Lei nº 10.485, de 2002 e esse disciplinamento em nada impactou a proibição de se apurar créditos a partir da aquisição de veículos para a revenda. Jamais autorizou a aquisição de créditos expressamente vedados. 2.2 Regime Monofásico Sustenta a Recorrente que, na ausência de dispositivo legal que identifique a incidência monofásica, o regime de tributação dos veículos que adquiriria para revenda seria o de incidência polifásica, com aplicação da alíquota zero. Traz à colação, como forma de respaldar suas alegações, o § 4º do art. 149 da CF de 19886. Afastandose a préfalada monofasia, cairia por terra um dos fundamentos que embasaram a denegação do reconhecimento dos créditos. Reforçaria tal convicção o fato de que, a qualquer tempo, poderia o legislador alterar a alíquota vigente para a saída dos produtos que revende. Demonstrado que, a meu ver, a não aquisição de créditos quando da aquisição de produtos sujeitos ao regime da Lei nº 10.485, de 2002, é fruto de vedação expressa em lei, pouca margem sobra ao intérprete: se a lei expressamente proíbe, não há processo exegético capaz de afastar tal proibição. De qualquer forma, entendo prudente esclarecer que, qualquer que seja o conceito doutrinário empregado, regime monofásico, de tributação concentrada, etc., o relevante é que, a meu ver, não haveria como deduzir os créditos litigiosos, salvo se Fl. 168DF CARF MF Processo nº 11686.000119/200801 Acórdão n.º 3302005.710 S3C3T2 Fl. 169 10 houvesse lei que, a título de benefício fiscal, concedesse tal direito, como ocorre, por exemplo, com as exportações. Com efeito, mais do que consolidado na doutrina e na jurisprudência, o conceito de nãocumulatividade encontrase assentado na Constituição Federal de 1988, mais especificamente, no § 3º, II, do art. 1537: compensase o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores. Se nada for devido na operação, salvo expressa disposição de lei (que não há), não haveria o que compensar. Não custa registrar que, em homenagem fenômeno que Alfredo Augusto Becker denomina cânone hermenêutico da totalidade8, ausente qualquer dispositivo que apresente um conceito distinto para as contribuições alvo de recurso, embora o conceito constitucional esteja topologicamente alocado nos princípios constitucionais do IPI, o mesmo se não houver ressalva (e não há), será igualmente aplicável às contribuições litigiosas. Por outro lado, tanto no caso do PIS, como na Cofins, segundo o próprio recorrente, o legislador elegeu o método "indireto subtrativo" para disciplinar a nãocumulatividade das contribuições, fato que se confirma na leitura da exposição de motivos da MP 135, de 2003. Pois bem, como certamente é de conhecimento geral, pela aplicação desse método, o crédito fiscal concedido sobre os custos e despesas é calculado na mesma proporção da alíquota que grava as receitas. Ora, se o tributo incidente sobre o resultado obtido com venda dos bens sujeitos ao regime diferenciado da Lei nº 10485, de 2002 é “calculado” com a alíquota zero, os créditos decorrentes de tais aquisições, se tomado o conceito à risca, seriam igualmente zero. Finalmente, acho relevante deixar claro que, a meu ver, a tributação dos veículos comercializados, com a devida vênia, se amolda ao conceito de monofasia ou de tributação concentrada, na medida em que o que caracteriza tal fenômeno é a concentração da tributação no produtor ou importador. Pouco importaria, assim, se tal concentração da tributação decorre da exclusão da operação do campo de incidência, hipótese do querosene de aviação, ou por meio da fixação da alíquota zero, hipótese dos veículos albergados pela Lei nº 10.485, de 2002, pois, em ambos, a tributação somente alcançará um dos elos da cadeia. Assim, com o devido respeito às ponderações do impugnante, a instituição de alíquota zero, que, registrese, depende da Lei tanto quanto a exclusão do bem ou operação do campo de incidência, produz o mesmo efeito, para fins de conceituação do mecanismo de tributação da cadeia de determinado produto. Fl. 169DF CARF MF Processo nº 11686.000119/200801 Acórdão n.º 3302005.710 S3C3T2 Fl. 170 11 3 Conclusão Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. III. Conclusão Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Walker Araujo Fl. 170DF CARF MF
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Numero do processo: 11020.003339/2008-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2003
COMPENSAÇÃO. COOPERATIVA DE TRABALHO. RETENÇÃO. COMPROVAÇÃO.
Tendo a cooperativa de trabalho médico comprovado o destaque do IRRF nas faturas por ela emitidas em data anterior à compensação pleiteada, a glosa não pode ser mantida com base em atos interpretativos posteriores, pelos quais esclareceu-se que os serviços em questão não estariam sujeitos a essa retenção.
Numero da decisão: 2201-004.644
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dione Jesabel Wasilewski - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: DIONE JESABEL WASILEWSKI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2003 COMPENSAÇÃO. COOPERATIVA DE TRABALHO. RETENÇÃO. COMPROVAÇÃO. Tendo a cooperativa de trabalho médico comprovado o destaque do IRRF nas faturas por ela emitidas em data anterior à compensação pleiteada, a glosa não pode ser mantida com base em atos interpretativos posteriores, pelos quais esclareceuse que os serviços em questão não estariam sujeitos a essa retenção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 33 39 /2 00 8- 10 Fl. 6951DF CARF MF 2 Relatório O processo tem origem em Pedido de Ressarcimento ou Restituição Declaração de Compensação PER/DComp apresentado pela recorrente (fls 1), em que indicou como crédito passível de compensação o Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF de cooperativas referente ao mês de Julho de 2003 e totalizando R$ 76.381,91. A Delegacia da Receita Federal de Caxias do Sul solicitou uma demanda ao Serviço Federal de Processamento de Dados Serpro, que resultou na listagem "Apuração mensal de IRRF declarados nas Dirf das fontes pagadoras em que conste como beneficiário o CNPJ 87.827.689/000100, individualizado por cód. de retenção, no anocalendário de 2003" (fls 55). Com base nisso, elaborou o resumo que se encontra na fl 89, totalizando por mês e por código os valores declarados pelas fontes pagadoras. Para o mês de julho foi identificado o valor de R$ 30.016,49 no código 1708 e R$ 31.240,67 no código 3280. Com base nisso, foi exarado o Despacho Decisório nº 465, da DRF/CXL (fls 90), homologando a compensação no limite do somatório desses valores R$ 61.257,16. Cientificada dessa decisão (fl 120), a contribuinte apresentou sua impugnação (fls 121) que resultou, inicialmente, na conversão do julgamento em diligência, determinada pela 5ª Turma da DRJ/POA, através do Despacho nº 11 (fls 198), para que a Delegacia de origem intimasse a reclamante a apresentar os comprovantes de retenção emitidos em seu nome pelas fontes pagadoras dos rendimentos e, a partir deles, elaborasse relatório circunstanciado acerca do montante de crédito comprovado. A partir dos documentos fornecidos pela interessada, a fiscalização elaborou o demonstrativo de fl 219, reconhecendo como comprovados para o mês de julho de 2003 os seguintes valores: R$ 19.667,93 no código 3280 e R$ 15.743,05 no código 1708. Em relação ao resultado da diligência, a cooperativa se manifestou argumentando que ela não havia atingido seu fim, já que teria se limitado aos valores já obtidos através das DIRFs, deixando de fora as demais retenções que foram informadas por ela (fls 224). A 5ª Turma da DRJ/POA exarou o Acórdão 1026.351, de 15 de julho de 2010 (fls 229), julgando improcedente a manifestação de inconformidade, por entender que caberia à interessada comprovar o IRRF para que pudesse utilizálo. A ciência dessa decisão ocorreu em 06/08/2010 (fl 237) e o recurso voluntário foi apresentado tempestivamente em 01/09/2010 (fls 238). Em suas razões de recorrer, a cooperativa alega que as faturas apresentadas à fiscalização são suficientes para comprovar seu direito ao crédito e protesta pela realização de nova perícia. Chegando a este Conselho, a 1ª Câmara/2ª Turma Ordinária desta Seção entendeu por bem converter novamente o julgamento em diligência (Resolução 2102000.077, de 10 de julho de 2012 fls 263), para que: Fl. 6952DF CARF MF Processo nº 11020.003339/200810 Acórdão n.º 2201004.644 S2C2T1 Fl. 6.952 3 (...) a autoridade fiscal apure o IRRF a partir das faturas emitidas pelo recorrente, inclusive, se for o caso, compulsando a contabilização do fiscalizado e intimando as fontes pagadoras, superando a mera análise a partir dos comprovantes de rendimentos ou das DIRfs". Em resposta a essa solicitação, foi elaborada a informação de fls 6259, datada de 15 de julho de 2013, na qual se alega deficiência nas informações prestadas pela interessada e são apresentadas as seguintes conclusões: · Em análise das faturas, por amostragem, percebese que a competência a que se referem não são compatíveis com a data de emissão e/ou vencimento. Por ex: a data de emissão da fatura é anterior à data da competência. · O contribuinte utilizase do IRRF, muitas vezes, em competência posterior à apurada e, por isso, torna impossível fazer o batimento das informações do contribuinte(faturas) com o período de apuração informado no PER/DCOMP. Por ex: de acordo com a contabilidade, foi lançado na conta”IRRF a compensar Lei 8541/92”, no dia 01/03/2003 o valor de R$ 70.705,75. Se o lançamento foi efetuado no 1º dia do mês, por óbvio referese a fatos geradores do mês anterior (fevereiro). Entretanto, no PER/DCOMP nº 10667.19317.140803.1.3.057920 o contribuinte informa que essa retenção referese ao mês de abril. E assim, sucessivamente para todos os meses. O demonstrativo dos lançamentos efetuados nesta conta contábil entregue pelo próprio contribuinte e o razão da conta contábil, extraída do Contágil, comprovam o erro descrito. Além disso, fica fácil perceber este “deslocamento” do período de apuração na planilha entregue pelo contribuinte, na qual os valores declarados em DIRF estão “deslocados” em um mês em relação ao valor que o contribuinte entende correto naquele mês. · A conclusão do item anterior é corroborada pelo fato de que o total das divergências apontadas pelo contribuinte nas duas planilhas entregues corresponde exatamente ao valor deferido pela DRF para cada mês analisado, com base na DIRF. Ou seja, as fontes pagadoras declararam em DIRF num mês e o contribuinte considerou a retenção no mês seguinte. Após a elaboração dessa informação fiscal, em 26 de agosto de 2013, a interessada volta a peticionar (fls 6262) apresentando a documentação complementar, que inclui a planilha de fls 6270, na qual lista por CNPJ retenções relativas ao mês de julho de 2003, e a documentação que comprovaria essa retenção. Pelo despacho de fl. 6906 o processo foi encaminhado a este Carf sem qualquer manifestação da Autoridade Fiscal quanto aos documentos que foram juntados pela interessada. Fl. 6953DF CARF MF 4 De volta a este Conselho, o processo foi distribuído a esta Conselheira em sessão pública. Em uma primeira assentada, esta 1ª Turma Ordinária converteu o julgamento em diligência para que a autoridade fiscal apurasse o IRRF a partir das faturas emitidas pela recorrente, utilizando, se necessário, da sua contabilidade e de informações obtidas com as fontes pagadoras. Como resultado, foi produzida a informação fiscal de fls. 6922/6932, pela qual a autoridade fiscal, afirma, em síntese, que: 1. Somente as retenções sofridas na fonte por parte da cooperativa, sobre as importâncias relativas a serviços pessoais que lhe forem prestados são passíveis de compensação com o IRF que a cooperativa retiver de seus associados por ocasião do pagamento por serviços prestados por pessoas físicas. 2. A apresentação de cópias de notas fiscais não se mostra suficiente para comprovar a efetividade e valor da retenção do imposto de renda pelas fontes pagadoras, sendo necessária a apresentação do informe de rendimentos. 3. A planilha produzida pela contribuinte com base nas faturas apresentadas totaliza o valor de imposto retidos de R$ R$ 17.356,97, mas o total obtido pela fiscalização foi de R$ R$ 17.285,94. 4. Diversas faturas correspondem ao mês de junho e não ao mês de julho, o que não pode ser aceito pelo princípio contábil da competência. 5. As faturas apresentadas descrevem serviços que evidenciam tratarse de prestação mensal préestabelecida, de forma que não se pode falar se houve um pagamento pelos serviços pessoais prestados pelos médicos. A título de conclusão, esse documento apresenta a seguinte manifestação: Como visto, os documentos fornecidos, quando referentes à competência correta, não permitem a correta identificação e quantificação dos serviços pessoais prestados, para fins de cálculo do IRRF questionado, e por isso não se pode acolher a pretensão da interessada, pois a legislação vigente prevê que para identificar a base de cálculo do IRRF em questão se deve discriminar no documento fiscal as importâncias relativas aos serviços pessoais prestados à pessoa jurídica por seus associados daquelas relativas a outros custos/despesas. Em contrarrazões, a contribuinte alega, em síntese, que: 1. Seu procedimento seguiu normas editadas pela própria Secretaria da Receita Federal, o que foi alterado após os esclarecimentos obtidos em consulta fiscal. 2. A diligência fugiu de seu escopo. 3. A recorrente comprovou a origem do seu crédito. É o que havia para ser relatado. Fl. 6954DF CARF MF Processo nº 11020.003339/200810 Acórdão n.º 2201004.644 S2C2T1 Fl. 6.953 5 Voto Conselheira Dione Jesabel Wasilewski Relatora O recurso voluntário apresentado preenche os requisitos de admissibilidade e dele conheço. Conforme se depreende do relatório, a cooperativa pleiteou compensação no valor de R$ 76.381,91 e foilhe deferida R$ 61.257,16, com glosa de R$ 15.124,75. Para comprovar seu direito de crédito, a interessada apresentou faturas cujos créditos totalizariam em seus cálculos R$ 17.356,97, sendo que, com base nessas mesmas faturas, o total obtido pela fiscalização foi de R$ 17.285,94. Em ambos os casos, o valor de IRRF informado nas faturas supera o da glosa realizada. Diante desses fatos, a fiscalização manifestase pelo indeferimento da compensação com base nos seguintes argumentos: 1. As faturas emitidas pela própria contribuinte não seriam prova hábil da retenção, sendo necessária a apresentação de comprovantes de rendimentos fornecidos pela fonte pagadora. 2. Os serviços prestados pela cooperativa em questão não estão sujeitos à retenção de que trata o art. 5º da Lei nº 8.541, de 1992, já que não correspondem a serviços pessoais prestados pelo cooperado e sim valor fixo mensalmente cobrado. 3. Parte das faturas apresentadas corresponde a mês anterior àquele em que pleiteada a compensação, o que feriria o princípio da competência. Não me parece, entretanto, que tenha razão essa autoridade fiscal. Explico. Ao determinar que as empresas prestadoras de serviço façam destaque do imposto de renda a ser retido pela fonte pagadora nas notas fiscais relativas a esses serviços, o Estado interfere em uma relação privada excluindo de um dos pólos dessa relação o direito de exigir do outro contratante parte do valor acordado. Nesse caso, a parcela que corresponde ao tributo deixa de ser exigível pelo prestador do serviço e passa a ser exigível pelo ente tributante. Não seria razoável, nesse caso, atribuir ao prestador do serviço o ônus e a responsabilidade de forçar a fonte pagadora a efetuar o recolhimento e o fornecimento do comprovante correspondente. Talvez por isso o Parecer Normativo Cosit nº 1, de 24 de setembro de 2002, assim determina: Imposto retido e não recolhido 17. Ocorrendo a retenção do imposto sem o recolhimento aos cofres públicos, a fonte pagadora, responsável pelo imposto, enquadrase no crime de apropriação indébita previsto no art. 11 da Lei nº 4.357, de 16 de julho de 1964, e caracterizase Fl. 6955DF CARF MF 6 como depositária infiel de valor pertencente à Fazenda Pública, conforme a Lei nº 8.866, de 11 de abril de 1994. Ressaltese que a obrigação do contribuinte de oferecer o rendimento à tributação permanece, podendo, nesse caso, compensar o imposto retido. Esse parecer serviu de fundamento para recente decisão proferida pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, cuja ementa determina, in verbis: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 RENDIMENTOS DE ALUGUEL. PROVAS DA RETENÇÃO DO IMPOSTO NA FONTE. COMPENSAÇÃO. Admitese a comprovação da ocorrência da retenção do IRPF pela fonte pagadora por meio de boletos e extratos bancários que comprovam o recebimento do valor líquido pelo beneficiário, sendo desnecessária a apresentação do formulário denominado "Comprovante Anual de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte", conhecido como informe de rendimentos. No pagamento de rendimentos de aluguel por pessoa jurídica a beneficiário pessoa física, ocorrendo a retenção do imposto sem o correspondente recolhimento aos cofres públicos, é a fonte pagadora a responsável, devendo ser reconhecido ao beneficiário o direito de compensar o imposto retido. (Acórdão nº 9202006.006, Relatora Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri) Por outro lado, também não merece prosperar a alegação de que os serviços cobrados não estariam sujeitos à retenção o que inviabilizaria a compensação pretendida. Esta afirmação está calcada em pronunciamentos da Administração Tributária em dezenas de consultas fiscais efetuadas por cooperativas de serviços, de que serve de exemplo a Solução de Consulta nº 5, da CoordenaçãoGeral de Tributação, de onde se extrai: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF PLANOS DE SAÚDE. MODALIDADE DE PRÉ PAGAMENTO. DISPENSA DE RETENÇÃO. Os pagamentos efetuados a cooperativas operadoras de planos de assistência à saúde, decorrentes de contratos de plano privado de assistência à saúde a preços pré estabelecidos (contratos de valores fixos, independentes da utilização dos serviços pelo contratante), não estão sujeitos à retenção do Imposto de Renda na fonte. Fl. 6956DF CARF MF Processo nº 11020.003339/200810 Acórdão n.º 2201004.644 S2C2T1 Fl. 6.954 7 As importâncias pagas ou creditadas a cooperativas de trabalho médico, relativas a serviços pessoais prestados pelos associados da cooperativa, estão sujeitas à incidência do Imposto de Renda na fonte, à alíquota de um e meio por cento, nos termos do art. 652 do Regulamento do Imposto de Renda. Dispositivos Legais: Lei nº 9.656/1998, art. 1º, I; RIR, arts. 647, caput e § 1º, e 652; PN CST nº 08/1986, itens 15, 16 e 22 a 26. Essas consultas foram respondidas porque foram consideradas eficazes. Ou seja, a própria Administração reconheceu a existência de dúvida sobre a matéria a ser esclarecida através de Solução de Consulta. Daí decorre que o comportamento adotado pela recorrente encontravase amparado em uma interpretação razoável da legislação. Nesse caso, um ato interpretativo posterior não poderia retroagir para prejudicála. Devese lembrar, ainda, que parte considerável do valor pleiteado, retido nas mesmas condições do agora discutido, foi acatado pela fiscalização. Com isso, resta evidenciada uma atitude contraditória da Administração que, até a decisão de 1ª instância administrativa, tratou essas operações como passíveis de retenção na fonte, tanto que exigiu da recorrente comprovantes de sua ocorrência. Além de contraditório, esse argumento implica inovação, já que a glosa foi efetuada com base na inexistência de declaração dos valores em DIRF e a decisão da DRJ/POA na inexistência de comprovante de rendimentos. O último argumento levantado pela fiscalização diz respeito a uma suposta ofensa ao regime de competência. Esse critério está relacionado à contabilização de receitas e despesas para fins de apuração do resultado do período. Ou seja, a inobservância do regime de competência provoca uma antecipação ou postergação de receita ou despesa. A compensação, por outro lado, corresponde ao "consumo" de um direito, que pode ou não corresponder ao período em que ele foi reconhecido. Ou seja, é possível o reconhecimento de um direito no período em que ele é gerado e seu consumo posterior, sem que haja qualquer ofensa ao regime de competência. Ademais disso, a própria Instrução Normativa RFB nº 1.717, de 2017, mostra o equívoco cometido pela autoridade fiscal, ao determinar, in verbis: Art. 82. O crédito do IRRF incidente sobre pagamento efetuado a cooperativa de trabalho, associação de profissionais ou assemelhada, poderá ser por ela utilizado, durante o ano calendário da retenção, na compensação do IRRF incidente sobre os pagamentos de rendimentos aos cooperados ou associados pessoas físicas. Fl. 6957DF CARF MF 8 § 1º O crédito a que se refere o caput que, ao longo do ano calendário da retenção, não tiver sido utilizado na compensação do IRRF incidente sobre os pagamentos efetuados aos cooperados ou associados pessoas físicas, poderá ser objeto de pedido de restituição, depois do encerramento do referido ano calendário, ou ser utilizado na compensação de débitos relativos aos tributos administrados pela RFB. § 2º A compensação de que tratam o caput e o § 1º será efetuada pela cooperativa de trabalho, associação de profissionais ou assemelhada, na forma prevista no § 1º do art. 65. Pela literalidade desse artigo, cuja redação vem se repetindo ao longo dos anos nos vários atos normativos que tratam do tema, o crédito do IRRF incidente sobre pagamento efetuado a cooperativa de trabalho poderá ser por ela utilizado durante o ano calendário da retenção. Por óbvio, que a compensação não poderia ser realizada em período anterior ao da retenção, mas não há qualquer impedimento para que se dê em mês posterior. Portanto, temse que, diante da documentação apresentada pela contribuinte, a fiscalização não logrou demonstrar a insubsistência do direito alegado, tendo, inclusive, reconhecido neles créditos que totalizariam R$ 17.285,94, valor superior ao glosado. Com efeito, ao se manifestar, a autoridade fiscal se restringiu a alegar razões de direito que não podem ser acatadas para os fins pretendidos. Conclusão Com base no exposto, voto por conhecer do recurso voluntário apresentado e lhe dar provimento. Dione Jesabel Wasilewski Fl. 6958DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.005195/2003-87
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2002
CERCEAMENTO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE REQUISITOS FORMAIS PARA LAVRATURA DE AUTO DE INFRAÇÃO. NORMA NÃO DIRIGIDA A ATO DECLARATÓRIO. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO PARA A DEFESA.
Os requisitos do art. 10 do Decreto n.º 70.235/72 prestam-se para regular a formalização de auto de infração e não dos atos administrativos em geral. Tendo o contribuinte demonstrado pleno conhecimento da matéria que motivou o ato de exclusão do SIMPLES, não se materializa cerceamento de defesa. Sendo declaratória a natureza do Ato Declaratório Executivo de exclusão do SIMPLES, e atendidos seus requisitos formais, não há nulidade a ser considerada.
Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2002
EXCLUSÃO DE OFÍCIO. CIRCUNSTÂNCIA IMPEDITIVA. ATIVIDADE VEDADA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO PROFISSIONAL. HABILITAÇÃO PROFISSIONAL EXIGIDA.
A opção pela tributação sob o regime simplificado do SIMPLES, ou a permanência neste, pressupõe que a atividade do sujeito passivo optante não seja vedada. A exclusão de ofício é cabível se flagrada circunstância impeditiva configurada por prestação de serviço profissional que se enquadra na lista do inciso XIII do art. 9.º da Lei n.º 9.317/96.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
CARÁTER TAXATIVO OU EXEMPLIFICATIVO DO INCISO XIII DO ART. 9.º DA LEI N.º 9.317/96.
Dado o enquadramento direto da atividade do contribuinte em hipótese prevista no dispositivo legal que prevê vedação à opção pelo SIMPLES, descabe a discussão sobre o caráter taxativo ou exemplificativo do mencionado dispositivo.
Numero da decisão: 1002-000.298
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR A PRELIMINAR DE NULIDADE, e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente
(assinado digitalmente)
Angelo Abrantes Nunes - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Angelo Abrantes Nunes e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: ANGELO ABRANTES NUNES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2002 CERCEAMENTO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE REQUISITOS FORMAIS PARA LAVRATURA DE AUTO DE INFRAÇÃO. NORMA NÃO DIRIGIDA A ATO DECLARATÓRIO. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO PARA A DEFESA. Os requisitos do art. 10 do Decreto n.º 70.235/72 prestam-se para regular a formalização de auto de infração e não dos atos administrativos em geral. Tendo o contribuinte demonstrado pleno conhecimento da matéria que motivou o ato de exclusão do SIMPLES, não se materializa cerceamento de defesa. Sendo declaratória a natureza do Ato Declaratório Executivo de exclusão do SIMPLES, e atendidos seus requisitos formais, não há nulidade a ser considerada. Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2002 EXCLUSÃO DE OFÍCIO. CIRCUNSTÂNCIA IMPEDITIVA. ATIVIDADE VEDADA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO PROFISSIONAL. HABILITAÇÃO PROFISSIONAL EXIGIDA. A opção pela tributação sob o regime simplificado do SIMPLES, ou a permanência neste, pressupõe que a atividade do sujeito passivo optante não seja vedada. A exclusão de ofício é cabível se flagrada circunstância impeditiva configurada por prestação de serviço profissional que se enquadra na lista do inciso XIII do art. 9.º da Lei n.º 9.317/96. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2002 CARÁTER TAXATIVO OU EXEMPLIFICATIVO DO INCISO XIII DO ART. 9.º DA LEI N.º 9.317/96. Dado o enquadramento direto da atividade do contribuinte em hipótese prevista no dispositivo legal que prevê vedação à opção pelo SIMPLES, descabe a discussão sobre o caráter taxativo ou exemplificativo do mencionado dispositivo.
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Recorrente PMCLAB SERVIÇOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 CERCEAMENTO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE REQUISITOS FORMAIS PARA LAVRATURA DE AUTO DE INFRAÇÃO. NORMA NÃO DIRIGIDA A ATO DECLARATÓRIO. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO PARA A DEFESA. Os requisitos do art. 10 do Decreto n.º 70.235/72 prestamse para regular a formalização de auto de infração e não dos atos administrativos em geral. Tendo o contribuinte demonstrado pleno conhecimento da matéria que motivou o ato de exclusão do SIMPLES, não se materializa cerceamento de defesa. Sendo declaratória a natureza do Ato Declaratório Executivo de exclusão do SIMPLES, e atendidos seus requisitos formais, não há nulidade a ser considerada. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2002 EXCLUSÃO DE OFÍCIO. CIRCUNSTÂNCIA IMPEDITIVA. ATIVIDADE VEDADA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO PROFISSIONAL. HABILITAÇÃO PROFISSIONAL EXIGIDA. A opção pela tributação sob o regime simplificado do SIMPLES, ou a permanência neste, pressupõe que a atividade do sujeito passivo optante não seja vedada. A exclusão de ofício é cabível se flagrada circunstância impeditiva configurada por prestação de serviço profissional que se enquadra na lista do inciso XIII do art. 9.º da Lei n.º 9.317/96. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 51 95 /2 00 3- 87 Fl. 854DF CARF MF Processo nº 10680.005195/200387 Acórdão n.º 1002000.298 S1C0T2 Fl. 854 2 CARÁTER TAXATIVO OU EXEMPLIFICATIVO DO INCISO XIII DO ART. 9.º DA LEI N.º 9.317/96. Dado o enquadramento direto da atividade do contribuinte em hipótese prevista no dispositivo legal que prevê vedação à opção pelo SIMPLES, descabe a discussão sobre o caráter taxativo ou exemplificativo do mencionado dispositivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR A PRELIMINAR DE NULIDADE, e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Presidente (assinado digitalmente) Angelo Abrantes Nunes Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Angelo Abrantes Nunes e Leonam Rocha de Medeiros. Relatório Uma vez que refletem com bastante clareza os fatos, transcrevo o relatório elaborado pela DRJ/BHE: [...] Optante pelo Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — SIMPLES, a interessada foi excluída de oficio pelo Ato Declaratório DRF/BHE (ADE) no 116, de 06 de outubro de 2003 (fl. 71), fundamentado conforme abaixo: Art. 1 °: Fica excluída da sistemática de pagamento dos tributos e contribuições de que trata o art. 3° da Lei n° 9.317 de 1996, denominada Simples, a partir di 1° de janeiro de 2002, a empresa PMCLAB SERVIÇOS LTDA, CNPJ n° 02.839.402/000100, Processo n° 10680.005195/200387, por se dedicar a serviços de coleta de Fl. 855DF CARF MF Processo nº 10680.005195/200387 Acórdão n.º 1002000.298 S1C0T2 Fl. 855 3 material biológico para a realização de exames complementares, atividade que depende de habilitação legalmente exigida, sendo vedada conforme o art. 9º daquela Lei (grifei) Com ciência em 09/10/03, a empresa apresentou em 31/10/2003, Solicitação de Revisão do Simples — SRS, fl. 82, indeferida pelo exercício de atividade vedada: coleta de material biológico, atividade que depende de habilitação profissional. A empresa apresentou, em 21/11/2003, fls. 75/81, complementada em 22/01/2004, fls. 96/108, impugnação à decisão da SRS, alegando em resumo que a decisão é nula eis que houve cerceamento do direito de defesa, uma vez que a Fiscalização não cita artigos que dispõem sobre a vedação ao enquadramento. No mérito afirma que não exerce atividade vedada. Alega que "APENAS REALIZA ATIVIDADE DE COLETA DE MATERIAL BIOLÓGICO (.) para realização de exames complementares que são realizadas pela patologia Clinica Sao Marcos S/C Ltda, (..), esta sim vedada a inclusão no SIMPLES". Acresce que a atividade por ela exercida não depende de habilitação prevista em lei (seus empregados não são patologistas), nem consiste em quaisquer outros serviços assemelhados. Argui que o artigo 9° tem por finalidade excluir de forma taxativa os contribuintes que não podem optar pelo SIMPLES, e, sob pena de violação a princípios constitucionais e legais (legalidade, tipicidade cerrada, dispensa de tratamento privilegiado a micro empresa e empresas de pequeno porte), não pode ser aplicada a analogia. O processo, por meio da Resolução n° 601, de 17 de novembro de 2005, fls. 140/141, retornou A delegacia de origem para ser identificada a efetiva atividade da empresa, a partir de 1 ° de janeiro de 2002 e se a empresa presta quaisquer dos serviços profissionais a que se refere o inciso XIII do artigo 9°, da Lei n°9.317, de 1996. O auditor responsável pela diligência formalizou o resultado do procedimento efetuado, As fls. 363/364, a seguir transcrito: O relatório fiscal consigna: Em atendimento à solicitação de fl 141 do presente processo, fizemos diligência ao contribuinte supra, conforme MPF de fl. 144, para identificar: a efetiva atividade da Empresa a partir de 01/01/2002 (data do inicio da ocorrência dos efeitos da exclusão) e se a Empresa presta quaisquer dos serviços profissionais a que se refere o inciso XIII do art. 90 da Lei n°9.316/96. Na resposta ao termo de intimação pessoal de fl. 145, o sócio proprietário da empresa, Sr. Bruno Costa Cer queira, descreve, no documento de fl. 146, que: "atividade que sua empresa exerce é de posto de coleta de material biológico". Apresentounos: contrato de prestação de serviços e cessão de direito do uso da marca e outras avenças e aditivo a esse contrato, documentos de fls. 147 a 162; notas fiscais cujas cópias foram devidamente autenticadas, documentos de fls. 163 a 232, onde consta como especificação dos serviços: "serviços de laboratório na área de coleta de material biológico para realização de exames complementares"; livros dé registros dos empregados cujas cópias foram devidamente autenticadas, documentos de fls 247 a 296, onde há profissionais contratados nas seguintes profissões: colhedor, recepcionista, serviços gerais, gerente de atendimento, assessora de Fl. 856DF CARF MF Processo nº 10680.005195/200387 Acórdão n.º 1002000.298 S1C0T2 Fl. 856 4 marketing, técnica de enfermagem, assistente administrativo e assistente comercial. Na resposta ao termo de intimação deft. 297 (documentos de fls. 300 e 301), há ratificação por parte do sócio proprietário da empresa supra mencionada sobre a atividade da empresa, que é a coleta de material biológico para laboratório de patologia clinica. Informa, ainda, "que sua empresa presta serviços exclusivamente para o Laboratório São Marcos, não realiza exames laboratoriais, não tem necessidade de aquisições de produtos ou equipamentos (equzpamentos de análises clinicas, reagentes • químicos e produtos diversos) e que os materiais usados pela PMCLAB na prestação de serviços de coleta de material biológico são todos fornecidos pela Patologia Clinica São Marcos Ltda, que realiza os exames patológicos". Foi apresentado o livro razão, cujas cópias foram devidamente autenticadas (documentos de fls. 301 a 362). Cientificada do relatório fiscal, a impugnante manifestouse novamente as fls. 370/390, reafirmando que a exclusão do simples não pode prosperar, eis que afronta princípios básicos do ordenamento jurídico, a saber: preliminares: ausência de intimação dos procuradores; do cerceamento de defesa e ofensa à garantia constitucional da ampla defesa; do direito: da ausência de vedação ao enquadramento na lei do Simples; a coleta de material biológico não é atividade exercida por profissional habilitado em decorrência de exigência legal, nos termos do que determina a lei; nem necessita de "(...) qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida (...), nem se enquadra no item 'assemelhados' posto que o art. 9º tem como escopo excluir de forma taxativa os contribuintes". Requer, ainda, a produção de provas, inclusive ajuntada de documentos. É o relatório. [...] Enfrentada a impugnação apresentada pelo contribuinte, foi exarado o acórdão n.º 0214.423 pela 4.a Turma da DRJ/BHE (efls. 795 a 807), que manteve a exclusão do SIMPLES a partir de 01/01/2002, que havia sido declarada via ADE DRF/BHE n.º 116, de 06/10/2003, efl. 145. Contra a decisão de primeira instância o recorrente apresentou Recurso Voluntário, reeditando várias alegações contidas na impugnação, sintetizadas em 1) apontar que não houve atendimento ao que exige o art 10 do Decreto n.º 70.235/72, caracterizando cerceamento de defesa, 2) sustentar que o acórdão recorrido é improcedente porque sua atividade não é vedada, pois não se inclui dentre aquelas listadas no inciso XIII do art. 9.º da Lei n.º 9.317/96, e 3) assinala que ocorreu analogia quando foi considerado que sua atividade é vedada, e que, diante da tipicidade cerrada do art. 9.º, inciso XIII, citado, sua exclusão foi ilegal. É o relatório. Fl. 857DF CARF MF Processo nº 10680.005195/200387 Acórdão n.º 1002000.298 S1C0T2 Fl. 857 5 Voto Conselheiro Angelo Abrantes Nunes Relator. O presente recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Segue a análise dos argumentos nos quais se amparou o recorrente. Preliminares. Ausência de cumprimento da formalidade que exige o art. 10 do Decreto n. 70.235/72. Nulidade. Ao descrever o teor do cerceamento de defesa que teria ocorrido, o recorrente aponta ofensa ao art. 5.º, LV, da CRFB/88 em razão de a autuação fiscal não ter observado requisitos formais obrigatórios elencados no art. 10 do Decreto n.º 70.235/72. Sugere que não foi proporcionada a exata compreensão, pelo contribuinte, da ilegalidade praticada e da "quantia devida", sendo o caso de nulidade da pretensão fiscal. O recorrente indica que dos dispositivos do artigo 10, citado acima, não respeitados foram os incisos III e IV, que se referem ao registro obrigatório no auto de infração da descrição do fato e à disposição legal infringida. Esforçase o recorrente para classificar o ADE contestado como uma peça de acusação fiscal, e não um ato declaratório, a fim de que possa submetêlo à regência da exigência do art. 10 do Decreto n.º 70.235/72, e assim alegar que faltou a descrição clara das infrações e a demarcação da legislação infringida. Insiste que já no Despacho Decisório a fiscalização não teria citado a referência específica ao que dispõe o art. 9.º sobre vedação à opção pelo SIMPLES. Anexa trechos de uma decisão judicial e uma administrativa que tratam de requisitos do auto de infração. Sólidos os argumentos trazidos neste item do recurso voluntário, entretanto não se aplicam ao contexto dos autos. O resultado da verificação do atendimento às exigências para adesão ao SIMPLES, que pode consistir na publicação de Ato Declaratório Executivo (ADE) de exclusão, não se reveste da condição de lançamento de ofício, auto de infração ou notificação de lançamento. Ali não há crédito constituído. Examinar se determinado contribuinte cumpre os requisitos para optar pelo SIMPLES está entre as atribuições da autoridade administrativa tributária em obediência aos princípios da legalidade e isonomia, entre outros, uma vez que a Lei 9.317/96 não estendeu a todos os contribuintes a possibilidade de optar pelo regime de tributação SIMPLES. O ADE de exclusão tem caráter declaratório acerca da materialização de circunstância que veda a adesão ao SIMPLES, não possui qualquer viés que o possa reconhecer como ato constitutivo de crédito tributário, este sim regulado pelo art. 10 do Decreto n.º 70.235/72, sob o aspecto dos requisitos formais do ato de lançamento de ofício. Fl. 858DF CARF MF Processo nº 10680.005195/200387 Acórdão n.º 1002000.298 S1C0T2 Fl. 858 6 A manifestação unilateral da RFB deve ser formalizada por ato administrativo revestido dos atributos que lhe conferem a presunção de legitimidade, a imperatividade e a autoexecutoriedade, ou seja, para que produza efeitos que vinculem o administrado deve ser emitido (a) por agente competente que o pratica dentro das suas atribuições legais, (b) com as formalidades indispensáveis à sua existência, (c) com objeto, cujo resultado está previsto em lei, (d) com os motivos, cuja matéria de fato ou de direito seja juridicamente adequada ao resultado obtido e (e) com a finalidade visando o propósito previsto na regra de competência do agente. Tratandose de ato vinculado, a Administração Pública tem o dever de motiválo no sentido de evidenciar sua expedição com os requisitos legais que constituem pressupostos essenciais de sua existência e de sua validade1. No caso concreto alvo da contestação impõese constatar que tanto o Despacho Decisório (DD) quanto o ADE apresentam motivação, foram elaborados por agente competente, dentro das formalidades exigidas para o ato administrativo que não o de constituição de crédito tributário, contendo objeto para o qual há resultado previsto em lei, e demonstrando a finalidade. A opção pelo Simples é um direito da pessoa jurídica que preenche todos os requisitos legais e que não incorra em hipótese de vedação por expressa previsão legal. A exclusão de ofício se deu mediante Ato Declaratório da Autoridade Fiscal da RFB que jurisdicionava a pessoa jurídica optante, tendo sido assegurados o contraditório e a ampla defesa, observada a legislação relativa ao processo tributário administrativo. Registrese também que em todas as fases do contraditório o contribuinte demonstrou o conhecimento pleno da motivação, enquadramento legal e fundamentos de fato e de direito relativos a sua exclusão de ofício. Não há razão para supor ter havido dificuldade em identificar qual impedimento legal do art. 9.º da Lei 9.317/96 constituiu a causa da exclusão, dentre os incisos, que pudesse ter causado prejuízo na elaboração da impugnação e do recurso voluntário. É que, além de a expressa referência à atividade do contribuinte ser a raiz impeditiva da permanência no SIMPLES e ter sido citada no DD e no ADE, dos dezenove incisos do mencionado art. 9.º somente os incisos IV, V, XII, XIII e XIX dizem respeito a vedação ligada às atividades desenvolvidas pelos contribuintes, e, apenas o inciso XIII trata da atividade exercida pelo recorrente, à qual se reportam os DD e ADE. O ato de exclusão do SIMPLES, decorrente de ocorrência das hipóteses impeditivas de ingresso ou permanência, a rigor, é substitutivo da obrigação do contribuinte de comunicar seu enquadramento em situação excludente, ou retificador da opção indevida, não amparada por lei. Logo, diante dos fatos, não se pode admitir ter ocorrido cerceamento de defesa ou prejuízo à ampla defesa, o que importa reconhecer que não assiste razão ao recorrente no que diz respeito a este ponto do seu recurso voluntário. Não há qualquer nulidade a ser reconhecida. 1 Fundamentação legal: art. 179 da Constituição Federal, art. 2º da Lei nº 4.717, de 29 de junho de 1965, § 2º do art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996. Fl. 859DF CARF MF Processo nº 10680.005195/200387 Acórdão n.º 1002000.298 S1C0T2 Fl. 859 7 Mérito. Atividade do recorrente não é vedada. Os itens 3.1 e 3.2 do recurso voluntário trazem a mesma argumentação, resumida na alegação de que a atividade desenvolvida de coleta de materiais biológicos não é atividade vedada pela Lei n.º 9.317/96. O dispositivo legal a que se refere a exclusão do SIMPLES é o inciso XIII do art. 9.º da Lei n.º 9.317/96, transcrito a seguir, verbis: (...) CAPÍTULO V DAS VEDAÇÕES À OPÇÃO Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica (...) XIII que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida; (...) (grifei). A escusa é que não pode optar pelo SIMPLES a pessoa jurídica que preste serviço profissional típico das profissões listadas, ou serviço a este assemelhado, e também aquela que preste serviço adstrito a qualquer profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida. Há impedimento à opção pelo SIMPLES por parte da pessoa jurídica que preste serviço profissional expressamente listado ou assemelhado a algum daqueles expressamente listados ou, ainda que não expressamente listados, seu exercício dependa de habilitação legalmente exigida. O termo “assemelhados” não pode ser entendido como uma lacuna legal a possibilitar a adoção da analogia. Neste caso até teria cabimento a interpretação extensiva, já que a lei estabelece um rol exemplificativo, ao contrário da natureza taxativa que pretende atribuir o recorrente. Percebese com facilidade que a atividade desempenhada pelo recorrente ao tempo em que aplicada a exclusão de ofício amoldase com segurança à atividade assemelhada à de enfermeiro. Além disso, no caso concreto sob exame, é necessário que um profissional da saúde legalmente habilitado seja o responsável pela execução dos serviços. Nesse sentido a Resolução de Diretoria Colegiada – RDC n.º 302/2005, da ANVISA, editada para regular as atividades laboratoriais do Laboratório Clínico e do Posto de Coleta Laboratorial. Vejamse os trechos abaixo, extraídos da citada resolução, verbis: Fl. 860DF CARF MF Processo nº 10680.005195/200387 Acórdão n.º 1002000.298 S1C0T2 Fl. 860 8 (...) Art. 1º Aprovar o Regulamento Técnico para funcionamento dos serviços que realizam atividades laboratoriais, tais como Laboratório Clinico, e Posto de Coleta Laboratorial, em anexo. (...) 4.33 Posto de coleta laboratorial: Serviço vinculado a um laboratório clínico, que realiza atividade laboratorial, mas não executa a fase analítica dos processos operacionais, exceto os exames presenciais, cuja realização ocorre no ato da coleta. (...) 4.37 Responsável Técnico RT: Profissional legalmente habilitado que assume perante a Vigilância Sanitária a Responsabilidade Técnica do laboratório clínico ou do posto de coleta laboratorial. (...) 51.2 O laboratório clínico e o posto de coleta laboratorial devem possuir um profissional legalmente habilitado como responsável técnico. (...) (grifos nossos e no texto da resolução). Mesmo sendo editada em 2005, a resolução é indicativo relevante, pois demonstra a interpretação da ANVISA acerca das atividades para as quais se busca no presente processo definir se configuram hipótese que impede a opção pelo SIMPLES ou permanência neste regime de tributação. Avançando nas verificações, é sabido que não pode optar pelo SIMPLES a pessoa jurídica que preste serviço profissional de médico ou de enfermeiro ou de fonoaudiólogo ou de psicólogo ou de fisioterapeuta ou de terapeuta ocupacional ou nutricionista, tampouco as clínicas especializadas, hospitais ou assemelhados2. Fica excetuado da restrição o estabelecimento hospitalar, uma vez que nos hospitais, os médicos e enfermeiros agem como integrantes do sistema voltado à prestação de serviço público de assistência à saúde e não atuam como profissionais liberais, e por este motivo não se pode inferir que os hospitais são constituídos de prestadores de serviços médicos e de enfermagem. Este é o entendimento constante na decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em recurso especial repetitivo n.º 1127564/PR3, cujo 2 Fundamentação legal: Lei nº 3.268, de 30 de setembro de 1957, Lei nº 6.932, de 07 de julho de 1981, Lei nº 7.498, de 25 de junho de 1986, Lei nº 5.905, de 12 de julho de 1973, Lei nº 7.394, de 29 de outubro de 1985, Lei nº 6.965, de 9 de dezembro de 1981, Lei nº 8.234, de 17 de setembro de 19 e Lei nº 6.583, de 20 de outubro de 1978, Lei nº 6.316, de 17 de dezembro de 1975, Lei nº 4.119, de 27 de agosto de 1962, Lei nº 5.766, de 20 de dezembro de 1971, Ato Declaratório Normativo Cosit nº 11, de 23 de maio de 2000 e Ato Declaratório Normativo Cosit nº 02, de 13 de janeiro de 2000. 3 BRASIL.Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial Repetitivo nº 1127564/PR. Ministro Relator:Luiz Fux, Primeira Seção, Brasília, DF, 9 de agosto de 2010. Disponível em: Fl. 861DF CARF MF Processo nº 10680.005195/200387 Acórdão n.º 1002000.298 S1C0T2 Fl. 861 9 trânsito em julgado ocorreu em 01.10.2010 e que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF4. Abaixo transcrevo fragmentos bem didáticos da citada decisão: (...) 2. A ratio essendi da instituição desse regime jurídico de tributação e a interpretação teleológica, por meio da qual se afere o motivo pelo qual foi elaborado o regime SIMPLES, indica que os hospitais podem optar pelo referido sistema, tendo em vista que eles não são prestadores de serviços médicos e de enfermagem, mas, ao contrário, dedicamse a atividades que dependem de profissionais que prestem referidos serviços, uma vez que há diferença entre a empresa que presta serviços médicos e aquela que contrata profissionais para a consecução de sua finalidade. 3. Em verdade, nos hospitais, os médicos e enfermeiros não atuam como profissionais liberais, mas como parte de um sistema voltado à prestação de serviço público de assistência à saúde, motivo pelo qual não se pode afirmar que os hospitais são constituídos de prestadores de serviços médicos e de enfermagem, porquanto estes prestadores têm com a entidade hospitalar relação empregatícia e não societária. (...) No presente caso, constatase que o recorrente presta os serviços de enfermagem não para a prestação de serviço público de assistência à saúde, mas para um laboratório, por força contratual. Estes serviços de coleta de material biológico são serviços típicos de profissional de enfermagem, e exigem, como denota a Resolução ANVISA já referenciada, responsável técnico com habilitação profissional na forma da lei, ao contrário do que pretende fazer crer o recorrente. É dizer, os funcionários do posto de coleta, da área de enfermagem ou não — com ofensa ou não às regras profissionais ligadas à coleta laboratorial, discussão sem relevo aqui —, devem realizar os procedimentos sob a supervisão do responsável técnico legalmente habilitado, que arcará com a responsabilidade dos procedimentos, ao tempo da prestação dos serviços de enfermagem (ou assemelhados) em favor do Laboratório Patologia Clínica São Marcos S/C Ltda. Não se enquadra portanto, o recorrente, na exceção contida na decisão do STJ aludida. A restrição que o recorrente entende existir na expressão "assemelhados" contida na Lei 9.317/96, associandoa exclusivamente à atividade de patologia clínica, não se verifica no texto legal, de modo que os serviços de coleta de material biológico são também serviços de enfermagem ou assemelhados. E, repitase, dependem de profissional responsável legalmente habilitado. <https://ww2.stj.jus.br/revistaeletronica/Abre_Documento.asp?sLink=ATC&sSeq=11425734&sReg=2009013641 68&sData=20100825&sTipo=5&formato=PDF>. Acesso em: 31 ago.2011. 4 Fundamentação legal: art. 62A do Regimento Interno CARF. Fl. 862DF CARF MF Processo nº 10680.005195/200387 Acórdão n.º 1002000.298 S1C0T2 Fl. 862 10 Caráter taxativo do inciso XIII do art. 9.º da Lei n.º 9.317/96. Prossegue o recorrente, neste tema, afirmando ter havido aplicação de analogia para seu desenquadramento, o que é vedado. Repete que não exerce análise patológica, conforme contrato social, e, por isso, suas atividades não dependem de qualificação profissional, pois "sequer são fiscalizadas por qualquer órgão de classe profissional, como CRM ou outro". Acrescenta que a constituição defere tratamento jurídico diferenciado às microempresas e empresas de pequeno porte, e que se a interpretação do inciso XIII do art. 9.º da Lei n.º 9.317/96 pudesse considerar o rol ali descrito como exemplificativo, isso seria permitir a exclusão do SIMPLES por analogia ou entendimento unilateral. O recorrente colaciona acórdão do TRF da 1. Região. Novamente não assiste razão ao recorrente. Conforme já evidenciado, a exclusão de ofício não revelou terse originado do auxílio da analogia para interpretação da lei, por conta de haver lacuna. A lei é plena, sem lacunas, apenas remete à expressão "assemelhados" referindose a serviços profissionais que sejam semelhantes aos listados. Não se tratou de interpretação unilateral, mas de cumprimento ao que determina a legislação tributária, à qual a autoridade fiscal se vincula. Outro aspecto alegado exige a anuência sobre o fato de existir o comando constitucional que determina tratamento diferenciado para as microempresas e empresas de pequeno porte. Todavia é de toda evidência que se trata de um imperativo dirigido ao legislador, que, diante disso, obrigase a promover a isonomia material constitucionalmente prevista. E esse foi o propósito da edição da Lei n.º 9.317/96, o que, entretanto, não admite a equivocada leitura constitucional que possa permitir que sejam ignorados os requisitos estabelecidos com a finalidade de implementação da isonomia material pretendida, fosse possível a todos os contribuintes, indistintamente, optar pelo regime de tributação SIMPLES. Mais uma vez seja consignado que à observação da lei obrigase a autoridade administrativa, não havendo espaço para manobras discricionárias a menos que haja previsão na própria norma. Quanto à atividade patológica, em nenhum momento esta foi alegada como tendo sido a atividade impeditiva a motivar o DD e o ADE de exclusão, logo, não cabe sequer argumentar sobre a possibilidade de justificar ou não o enquadramento no dispositivo legal determinante da exclusão do SIMPLES. Dispensável também o exame da decisão do TRF, 1.ª Região, cujo trecho foi reproduzido no corpo do recurso voluntário. É que compreende conjuntura na qual a atividade discutida é a de prestação de serviços postais, completamente diversa da que tratam os presentes autos, de modo que nenhum efeito causa sobre a análise própria do contexto aqui debatido. Por tudo exposto, todos os elementos probatórios e disposições legais apontam para a exatidão do procedimento de ofício de exclusão do SIMPLES, de modo que as razões da contestação proposta pelo defendente não se confirmam. Fl. 863DF CARF MF Processo nº 10680.005195/200387 Acórdão n.º 1002000.298 S1C0T2 Fl. 863 11 Conclusão: Sendo assim, não havendo razões para reforma da decisão de 1.ª instância, VOTO por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, devendo ser mantida a exclusão de ofício declarada através do ADE DRF/BHE n.º 116/2003. É como voto. (assinado digitalmente) Angelo Abrantes Nunes Relator. Fl. 864DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.914275/2012-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/08/2005 a 31/08/2005
RESTITUIÇÃO. REQUISITO.
O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN).
Numero da decisão: 3201-003.905
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/08/2005 a 31/08/2005 RESTITUIÇÃO. REQUISITO. O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN). Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório METROBENS AUTOMÓVEIS LTDA. apresentou pedido eletrônico de restituição de crédito da contribuição (Cofins/PIS), pedido esse que restou indeferido pela repartição de origem em razão do fato de que o pagamento informado pelo pleiteante já havia sido utilizado para quitação de outros débitos de sua titularidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 42 75 /2 01 2- 31 Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10980.914275/201231 Acórdão n.º 3201003.905 S3C2T1 Fl. 3 2 Cientificado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu a reavaliação do despacho decisório, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) o direito creditório pleiteado se refere a pagamento a maior da contribuição (PIS/Cofins) decorrente da inclusão indevida do ICMS em sua base de cálculo; b) a contribuição (PIS/Cofins) incide sobre o faturamento mensal que corresponde à receita bruta da venda de mercadorias e/ou serviços; c) a Lei nº 9.718/1998 extrapolou a previsão constitucional, instituindo as contribuições sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente do tipo de atividade exercida e/ou da classificação contábil adotada, enquanto que o art. 195, I, "b", da Constituição Federal previa a instituição de contribuições sociais somente sobre o faturamento, o que não abrange o valor pago a título de ICMS, visto que tal valor constitui ônus fiscal e não faturamento. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por meio do acórdão nº 12 079.430, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, considerando que a base de cálculo das contribuições (PIS/Cofins) é o faturamento, que corresponde à receita bruta auferida, não havendo previsão legal para exclusão do valor do ICMS que compõe o preço de venda da mercadoria. Irresignado, o contribuinte interpôs, no prazo legal, Recurso Voluntário, repisando os mesmos argumentos de defesa, destacando a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição (PIS/Cofins), conforme decisão do Plenário do Supremo Tribunal Federal que reconheceu a repercussão geral da matéria no julgamento do RE nº 574.706. Arguiu, ainda, que o CARF entende, em observância ao princípio da Verdade Material, ser admissível a juntada de documentos que comprovem os fatos alegados pelo contribuinte após a impugnação e até o momento do julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.882, de 20/06/2018, proferido no julgamento do processo 10980.914262/201262, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.882): O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10980.914275/201231 Acórdão n.º 3201003.905 S3C2T1 Fl. 4 3 A Recorrente apresentou PER/DCOMP por meio do qual requereu a restituição do PIS apurado em julho de 2005. Indeferido o pleito ao argumento de que o crédito vindicado estava integralmente utilizado para quitação de débitos do próprio contribuinte, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, por meio da qual alegou, com fundamento em decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal STF, que o direito à restituição decorre do fato do pagamento a maior do PIS/Cofins, em face da inclusão, nas suas respectivas bases de cálculos, do ICMS estadual, argumento repetido no recurso voluntário, ora apreciado. A Recorrente, contudo, não se atentou para o fato – devidamente explicitado no acórdão recorrido – de que a razão para o indeferimento do pedido repousou na utilização integral do crédito para pagamento de débito da mesma contribuição. Noutras palavras, a Recorrente sequer apresentou, antes ou após a ciência do Despacho Decisório (na verdade, nada falou a respeito em suas defesas), DCTF retificadora para permitir a liberação do valor requerido, se fosse o caso, e a sua restituição em pecúnia ou a sua compensação com outros tributos. Ainda que eventualmente seja procedente o argumento que embasa o pedido (isso não significa que concordemos com a tese), a Administração Tributária não podia e não pode restituir valor já alocado para quitação de um tributo. Quem deve fazêlo é o próprio contribuinte, de ordinário antes de apresentar o pedido eletrônico de restituição. É como, aliás, entende a própria RFB, como indica o Parecer Normativo Cosit nº 2, de 28 de agosto de 2015: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10980.914275/201231 Acórdão n.º 3201003.905 S3C2T1 Fl. 5 4 haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014. eprocesso 11170.720001/201442 Portanto, para que haja a possibilidade de restituição, o crédito respectivo deve estar liberado, mediante a entrega de DCTF retificadora, exceto quanto às hipóteses de impedimento à sua apresentação, não verificadas, aliás, no caso ora em exame, como, por exemplo, quando o saldo a pagar já tenha sido enviado à Procuradoria da Fazenda Nacional PFN para inscrição em Dívida Ativa. Não cabe, ademais, à RFB fazer a retificação de ofício. Como consignado nos fundamentos do referido PN, "enquanto não retificada a DCTF, o débito ali espontaneamente confessado é devido, logo, valor utilizado para quitálo não se constitui formalmente em indébito, sem que a recorrente promova a prévia retificação da Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10980.914275/201231 Acórdão n.º 3201003.905 S3C2T1 Fl. 6 5 declaração. (Acórdão nº 1302001.571, Rel. Cons. Alberto Pinto Souza Júnior, 25 de novembro de 2014)". A situação aqui enfrentada é, como se percebe, diferente da que comumente se vê no Contencioso Administrativo, em que o interessado costuma apresentar DCTF retificadora, mas não apresenta, na manifestação de inconformidade, documentos contábeis/fiscais comprovando o erro cometido na original, ou os apresenta neste recurso, mas o só fato de a DCTF retificadora ter sido apresentada após a ciência do Despacho Decisório leva a DRJ a manter, por esse só motivo, o indeferimento do pedido de restituição. Não tendo sido apresentada DCTF retificadora, o crédito reclamado continua vinculado ao pagamento confessado na DCTF enviada à RFB, de modo que, nesse contexto, não há como restituílo. Contudo, não foi este o entendimento dos demais integrantes da Turma, que, muito embora também negando provimento ao recurso, fizeramno ao argumento de que não haveria provas do direito reclamado pela Recorrente (apenas apresentou planilha discriminando os valores pleiteados, mas nenhum documento fiscal ou contábil). Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 77DF CARF MF
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Numero do processo: 10909.003132/2004-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004
PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO.
Comprovados nos autos que a atividade desempenhada pela recorrente trata-se de exportação de prestação se serviços, nos termos do art. 5º, II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 6º, II, da Lei nº 10.833/2003, o direito a restituição, compensação ou ressarcimento dos créditos verificados em face da exportação deve ser garantido ao contribuinte.
Numero da decisão: 3302-005.559
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Fenelon Moscoso de Almeida, Vinícius Guimarães e Jorge Lima Abud que davam provimento parcial acompanhando o resultado da diligência. O Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède votou pela conclusões entendendo pela necessidade de novo despacho decisório acerca do indeferimento do direito creditório, o que implicaria a homologação tácita das compensações.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente
(assinado digitalmente)
José Renato Pereira de Deus - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: JOSE RENATO PEREIRA DE DEUS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. Comprovados nos autos que a atividade desempenhada pela recorrente trata se de exportação de prestação se serviços, nos termos do art. 5º, II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 6º, II, da Lei nº 10.833/2003, o direito a restituição, compensação ou ressarcimento dos créditos verificados em face da exportação deve ser garantido ao contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Fenelon Moscoso de Almeida, Vinícius Guimarães e Jorge Lima Abud que davam provimento parcial acompanhando o resultado da diligência. O Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède votou pela conclusões entendendo pela necessidade de novo despacho decisório acerca do indeferimento do direito creditório, o que implicaria a homologação tácita das compensações. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimarães AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 00 31 32 /2 00 4- 55 Fl. 2308DF CARF MF Processo nº 10909.003132/200455 Acórdão n.º 3302005.559 S3C3T2 Fl. 3 2 (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad. Relatório Por bem retratar os fatos, reproduzse o relatório do acórdão nº 0715.761, da 4ª Turma da DRJ/FNS, de 17 de abril de 2009, vejamos: Trata o presente processo de Declarações de Compensação DCOMP, apresentadas pela contribuinte com o fim de ver compensados débitos seus com créditos relativos à Contribuição para o Programa de Integração Social PIS e à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins (apuradas no regime nãocumulativo), relativos ao terceiro trimestre de 2004. Tais créditos referemse, pretensamente, a operações de exportação realizadas nos respectivos períodos de apuração. Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal em Itajaí/SC pela não homologação das compensações (Parecer SARAC/DRF/ITJ n.° 050/2008, às folhas 1527 a 1531, e Despacho Decisório, à folha 1532), fazendoo com base na alegação de que em todas as notas fiscais de prestação de serviços apresentadas pela contribuinte para embasar a existência de seus créditos aparecem como tomadores dos serviços empresas residentes e domiciliadas no Brasil. Assim, como o inciso II do artigo 5.° da Lei n.° 10.637/2002 e o inciso II do artigo 6.° da Lei n.° 10.833/2003 exigiriam, para a caracterização da exportação de serviços, que o tomador fosse residente e domiciliado no exterior, não estaria configurada a hipótese de exportação de serviços, o que prejudicaria a pretensão da contribuinte. Irresignada com a não homologação de suas compensações, encaminhou a contribuinte a manifestação de inconformidade às folhas 1535 a 1555, na qual explicita seu modus operandi e destaca o equívoco em que teria incorrido a DRF/Itajaí/SC ao deixar de considerar entendimento já pacificado mesmo em sede administrativa, de que "a intermediação de agente ou responsável, no Brasil, de empresa estrangeira tomadora de serviços portuários, por si só, não é suficiente para descaracterizar a operação como de exportação de serviços". Alega que a autoridade fiscal deixou de considerar "a forma pela qual se processam as prestações de serviços aos 'armadores' residentes e domiciliados no exterior (contratantes), representados no Brasil por outras pessoas jurídicas residentes e domiciliadas no Brasil (agentes/representantes), em perfeita consonância com regramento específico do Bacen Banco Central do Brasil". Afirma que na qualidade de operadora portuária, presta serviços de movimentação de cargas importadas e exportadas, ora a Fl. 2309DF CARF MF Processo nº 10909.003132/200455 Acórdão n.º 3302005.559 S3C3T2 Fl. 4 3 tomadores residentes e domiciliados no Brasil e ora a tomadores residentes e domiciliados no exterior (transportador/armador internacional), sendo que os pagamentos relacionados a estes últimos contratantes são, em regra, realizados pelos agentes/representantes formalmente designados/constituídos do transportador estrangeiro, em moeda corrente nacional, conforme normas específicas do Bacen. Assim, defende a contribuinte que o ônus pelo serviço prestado recai sobre a pessoa jurídica domiciliada no exterior, e não sobre a pessoa jurídica que meramente a representa no país. Na seqüência, a contribuinte discorre sobre as regulamentações do Bacen acerca da matéria, com o fim de deixar enfatizados não apenas a regularidade das operações realizadaspor agentes marítimos representantes de pessoas jurídicas estrangeiras no país, como também o fato de que tais operações não se descaracterizariam como "operações de comércio exterior", inclusive para fins tributários. Prossegue a contribuinte, analisando a legislação específica do PIS e da Cofins (artigo 5.° da Lei n.° 10.637/2002 e artigo 6.° da Lei n.° 10.833/2003, com as redações dadas pela Lei n.° 10.865/2004), para fins de demonstrar que as operações vinculadas ao crédito ora pleiteado atendem aos requisitos legais, quais sejam: representam serviços prestados a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior e os pagamentos que lhes são respectivos representam ingressos de divisas. Faz referência a contribuinte, ainda, a entendimentos da própria Receita Federal do Brasil, expressos em soluções de consulta, no sentido que a mera intermediação de agente ou representante, no Brasil, de empresa estrangeira tomadora de serviços portuários, por si só não é suficiente para descaracterizar a operação de exportação. Por fim, traz a contribuinte relatórios de "Serviços de Conferência de Capatazia", emitidos pelo "Sindicato de Conferentes de Itajaí", referentes à atracação de navio estrangeiro, com fins de evidenciar, por tais documentos, a efetiva prestação dos serviços de descarga, embarque e remoção de conteineres vazios e cheios, a pessoas jurídicas residentes e domiciliadas no exterior, por meio de representantes residentes e domiciliados no Brasil. O acórdão do qual foi extraído o relatório acima transcrito recebeu a seguinte ementa: A s s u n t o : P r o c e s s o A d m i n i s t r a t i v o F i s c a l Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE Fl. 2310DF CARF MF Processo nº 10909.003132/200455 Acórdão n.º 3302005.559 S3C3T2 Fl. 5 4 No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. Compensação não Homologada Inconformada com a decisão acima a contribuinte interpôs o recurso voluntário, onde, em apertada síntese, detalha suas operações, que se enquadrariam como exportação de serviços e, portanto, fora do campo de incidência do PIS e da COFINS, discorre sobre a regulamentação específica editada pelo Banco Central do Brasil BACEN, pois por ser o contratante estrangeiro que fica com o ônus pelo serviço prestado, ha necessariamente o ingresso de divisas no país, trazendo a fundamentação que dispões sobre a isenção das contribuições mencionadas quando a exportação de bens e serviços, transcreve diversas soluções de consulta que no seu entendimento, dizem respeito as mesmas operações que desempenha, requerendo ao final a total procedência de sua manifestação, revertendose o despacho decisório, deferindo o pedido de ressarcimento e, homologando as declarações de compensação vinculadas ao pedido de ressarcimento. Em sessão realizada em 08 de dezembro de 2010, a 3ª Turma Especial, da Terceira Seção de Julgamento, na resolução nº 3803000.080, restou observado que as notas fiscais trazidas aos autos demonstravam que os tomadores dos serviços teriam domicílio no exterior e, que tal fato comprovariam a entrada de dividas no país caracterizando a exportação de prestação se serviços. Resolveuse por tais razões, converter o processo em diligência para que a Delegacia de Receita Federal em Itajai procedesse da seguinte forma: a) intime a TECONVI para que apresente: a.l.) lista indicando o navio e o tomador correspondente a cada nota fiscal que a recorrente reputa estar vinculada a serviço prestado a residente e domiciliado no exterior; a.2) a documentação da viagem do navio correspondente a cada nota fiscal, especialmente os Bills of Landing, por meio da qual fique demonstrada a saída dos containeres, b) proceda à apuração do crédito da contribuinte, não importando se as saídas dos contenieres se deram cheios ou vazios (porquanto não se está a tratar aqui de exportação de mercadorias), dando ciência do resultado da diligência à contribuinte, na forma da legislação em vigor e, após, retornem os autos a este Conselho. Como decidido na resolução acima mencionada, o processo baixou em diligência, seguindose diversas intimações endereçadas à contribuinte recorrente que atendendoas, carreou aos autos diversos documentos e planilhas que teriam o condão de comprovar suas alegações. A conclusão da diligência nas folhas 2225 e seguintes do eprocesso foi no seguinte sentido: 6 Conclusão Fl. 2311DF CARF MF Processo nº 10909.003132/200455 Acórdão n.º 3302005.559 S3C3T2 Fl. 6 5 1) Confirmase que, no período sob diligência do 4º trimestre de 2002 até o 4º trimestre de 2005, com base na verificação por amostragem do confronto de notas fiscais com a documentação apresentada, como sites na Internet dos clientes, relatórios de conferência de capatazia, relatório de movimentação de navios do porto de Itajaí, houve efetiva prestação de serviços pelo interessado para tomadores com domicílio no exterior, consistentes com as respectivas notas fiscais. 2) Inexiste saldo credor de crédito da Contribuição para o PIS/Pasep vinculado à receita de exportação nos meses do período para compensar com as declarações de compensação fls. 46/47 (R$ 13.337,03 – crédito de julho), 56/57 (R$ 9.285,82 – crédito de agosto) e 66/67 (R$ 4.431,03 – crédito de setembro) protocoladas em 12/11/2004. Cientificada da conclusão da diligência a contribuinte recorrente insurgiuse contra as novas conclusões, trazendo em sua manifestação razões já anteriormente expostas em peças de defesa outrora juntadas aos autos, trouxe novos argumentos como a suposta existência de vícios no processo administrativo, tendo em vista (i) o cumprimento o efetivo cumprimento das obrigações determinadas na resolução que resolveu pela diligência, ao contrário do alegado nas conclusões, (ii) impossibilidade de revisão de ofício do lançamento, (iv) decadência dos lançamentos dos anoscalendário 2002 a 2005, (iii) impossibilidade de alteração de critério jurídico de lançamento, e no mérito (v) pugnou pela legitimidade dos créditos de PIS e COFINS glosados pela fiscalização. Juntado ao processo a manifestação acima mencionada, os autos foram distribuídos a esse Conselheiro para relatar. É o relatório. Voto Conselheiro José Renato Pereira de Deus Relator. O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. I PRELIMINAR I.1 Do efetivo cumprimento das obrigações determinadas na resolução que resolveu pela diligência Alega a recorrente, indicando que tal digressão confundese com o cerne e mérito do processo, o seguinte: 30. Em suma, demonstrou a Requerente que efetivamente prestou serviços para pessoa jurídica residente e domiciliada no exterior, e, ainda, comprovou que o fato de existir um intermediador na nas operações realizadas com a linha marítima jamais desnaturaria prestação de serviços no exterior. Tanto foi feita essa prova que o próprio Sr. AuditorFiscal concluiu pela Fl. 2312DF CARF MF Processo nº 10909.003132/200455 Acórdão n.º 3302005.559 S3C3T2 Fl. 7 6 comprovação da prestação de serviços pela Requerente para tomadores com domicílio no exterior. 31. Pois bem. Cumpridas as determinações do E. CARF e comprovado que o serviço foi efetivamente prestado à pessoa jurídica residente e domiciliada no exterior o que legitima a apropriação dos créditos de PIS/COFINS , não há razão para qualquer outra análise ou justificativa de glosa de créditos por parte da fiscalização, tal como o fez o Sr. AuditorFiscal na sua conclusão. 32. Se a Requerente cumpriu à diligência determinada pelo CARF, não cabe, nessa fase processual administrativa, qualquer outra análise ou determinação por parte da Fiscalização. 33. Diante disso, é de rigor a manutenção dos créditos de PIS/COFINS apropriados pela Requerente. Em que pese a matéria tratada nesse momento se confundir com a questão meritória apresentada, tanto na manifestação de inconformidade, quanto no recurso voluntário, podemos observar dos documentos juntados desde o início da fiscalização, que a questão relacionada à exportação ou não da prestação de serviços, já poderia ter sido solucionada, uma vez que, mesmo em parte, os documentos juntados pela contribuinte na época já demonstravam que se tratava de exportação de prestação de serviços. Dessa forma, analisados os documentos acostados aos autos, entendo que a contribuinte recorrente logrou êxito na comprovação dos serviços prestados no exterior e, por consequência, deve ser atendido o seu pleito. As demais "preliminares", apresentadas quando da manifestação da recorrente em face da informação fiscal que trouxe o resultado da diligência requerida pelo E. CARF, deixo de apreciálas, pois entendo que não dizem respeito ao recorrido acórdão da DRJ, que, apreciou tão somente a comprovação por parte da recorrente da efetiva exportação dos serviços. Ao analisar as demais questões apresentadas como preliminares, no sentir desse conselheiro, estarseia a suprimir instâncias, pois não foram matérias analisadas na decisão de piso, fato esse que poderia levar à anulação de decisão prolatada por essa Turma. Pois bem. Passase à análise do mérito. II Do Mérito Exportação de serviços Pessoa física ou jurídica domiciliada no exterior Segundo o entendimento da recorrente, exercendo a atividade de operadora portuária, presta serviços de movimentação de cargas importadas e exportadas, tanto para tomadores residente e domiciliados no Brasil como no exterior, sendo que os pagamentos relacionados a estes últimos contratantes são realizados em moeda corrente nacional, pelos agentes/representantes formalmente designados/constituídos do transportador estrangeiro, conforme normas específicas do Bacen, e que "a intermediação de agente ou responsável, no Brasil, de empresa estrangeira tomadora de serviços portuários, por si só, não é suficiente para descaracterizar a operação como de exportação de serviços". Fl. 2313DF CARF MF Processo nº 10909.003132/200455 Acórdão n.º 3302005.559 S3C3T2 Fl. 8 7 Nesse sentido, as atividades relacionadas a exportação de serviços lhe dariam o direito de restituir ou compensar créditos oriundos de tal operação, nos termos disciplinados pela Lei nº 10.637/2002, art. 5º, II, e pela Lei nº 10.833/2003, art. 6º, II, a seguir transcritos: Lei nº 10.637/2002 Art. 5o A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: (...) II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) Lei nº 10.833/2003 Art. 6o A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: (...) II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) Pois bem. É certo que na hipótese de pedido formulado pelo contribuinte, alegando direito a ressarcimento/compensação de crédito que lhe é garantido por lei, cabe a ele, contribuinte, a prova de seu alegado direito, trazendo os documentos necessários para tanto. No caso em tela, a DRJ, analisando a manifestação de inconformidade da contribuinte recorrente, em que pese entender que a atividade desempenhada pode ser considerada como exportação de serviços e ser perfeitamente possível a existência de créditos na forma pleiteada, considerou que os documentos trazidos aos autos não teriam o condão de comprovar as condições exigidas por lei para tanto, notadamente no que diz respeito à comprovação de entrada de divisas no território nacional. Como bem demonstrado na Resolução nº 3803000.075 pelo I. Conselheiro relator, a atividade desempenhada pela recorrente, operação de terminal de cargas portuárias, usualmente se materializa da seguinte forma: É usual a existência de contrato do armador estrangeiro com certas empresas movimentadoras de contêineres, com preços previamente dessa forma pactuados. Não havendo tal contrato, o armador servese de seu representante no Brasil, um agente portuário, para contratar serviço a serviço, além de cuidar de outros trâmites administrativos pertinentes ao embarque ou desembarque de cargas. Nesta última hipótese, o armador consulta o seu agente acerca do preço da movimentação de certa quantidade de contêineres. Orçada a despesa, o armador efetua a transferência do valor desta e das demais despesas referentes à Fl. 2314DF CARF MF Processo nº 10909.003132/200455 Acórdão n.º 3302005.559 S3C3T2 Fl. 9 8 operação. O contrato de câmbio é feito em nome do agente, sem especificações em seu conteúdo quanto ao destino específico de cada parte dos recursos. Da descrição acima, concluise uma vez configurado que as despesas efetuadas pelo agente são feitas em nome do tomador do serviço, o armador estrangeiro que haverá ingresso de divisas para o Brasil. A própria DRJ, no acórdão recorrido, reconhece a legitimidade da intermediação de agente agindo em nome do tomador de serviços residente e domiciliado no exterior, bem como a possibilidade de o pagamento ser feito em reais, relatando ainda a possível existência dos créditos utilizados na compensação realizada pela recorrente, contudo concluindo pela sua impossibilidade, uma vez não comprovado o ingresso de divisas no País. Segundo o I. Relator da resolução já mencionada, os documentos trazidos aos autos pela recorrente, ainda que em amostra aleatória, demonstrariam a entrada de dicisas no País, observese: Em visão sobre amostra aleatória de notas fiscais, é possível observar que na maioria delas os tomadores tem domicílio no exterior. Notese, também, que no campo ''observações" destas consta o nome do navio receptor/entregador da carga. Ao nome do navio, tendo em mira a data da nota fiscal, são regularmente vinculados conhecimento de transporte, número da viagem e Bills of Landing (BL) a indicar o destino da mercadoria embarcada, documento este que, uma vez assinado pelo comandante do navio, tornase atestado a confirmar a saída da carga do País. E cópias destes documentos ficam em poder do agente representante dos armadores estrangeiros. Há, inequivocamente, entrada de divisas não só na hipótese acima, sendo indiferente se os containeres encontramse cheios ou vazios (de regresso para o país estrangeiro), mas também nos serviços prestados no desembarque de cargas, no caso de importação de produtos.(grifos não originais) Seguindo o entendimento acima transcrito, o julgamento foi convertido em diligência para que a DRF de Itajaí, tomasse as seguintes providências: a) intime a TECONVI para que apresente: a.l.) lista indicando o navio e o tomador correspondente a cada nota fiscal que a recorrente reputa estar vinculada a serviço prestado a residente e domiciliado no exterior; a.2) a documentação da viagem do navio correspondente a cada nota fiscal, especialmente os Bills ofLanding, por meio da qual fique demonstrada a saída dos containeres, b) proceda à apuração do crédito da contribuinte, não importando se as saídas dos contenieres se deram cheios ou vazios (porquanto não se está a tratar aqui de exportação de mercadorias), dando ciência do resultado da diligência à contribuinte, na forma da legislação em vigor e, após, retornem os autos a este Conselho. Fl. 2315DF CARF MF Processo nº 10909.003132/200455 Acórdão n.º 3302005.559 S3C3T2 Fl. 10 9 A diligência foi realizada, sendo precedida de várias intimações endereçadas à recorrente, com o fito de serem apresentados os documentos solicitados na resolução. Conforme dito no tópico relacionado à preliminar, referidas intimações foram atendidas e os documentos solicitados entregues, não sendo possível a apresentação daqueles que são de uso exclusivo das empresas responsáveis pelas viagens dos navios, os quais não ficam na sua posse, e por tal razão não foram apresentados. A informação fiscal que trouxe as conclusões sobre a matéria debatida os presentes autos, após o cumprimento da diligência determinada na resolução nº 3803000.075, apontou em primeiro lugar que: 6 Conclusão 1) Confirmase que, no período sob diligência do 4º trimestre de 2002 até o 4º trimestre de 2005, com base na verificação por amostragem do confronto de notas fiscais com a documentação apresentada, como sites na Internet dos clientes, relatórios de conferência de capatazia, relatório de movimentação de navios do porto de Itajaí, houve efetiva prestação de serviços pelo interessado para tomadores com domicílio no exterior, consistentes com as respectivas notas fiscais. Desta forma, esta convalidada toda a tese esposada pela recorrente desde suas primeira intervenções realizadas no presente feito, bem como os apontamentos feitos pelo I. Relator da resolução que determinou a diligência a que se chegou à conclusão de que a atividade representada pelas notas fiscais trazidas aos autos, que geraram os créditos que se pretende compensar, caracterizamse como exportação de serviços. Noutro giro, a segunda parte da conclusão da informação fiscal, resposta da diligência, trouxe a seguinte informação: 2) Inexiste saldo credor de crédito da Contribuição para o PIS/Pasep vinculado à receita de exportação nos meses do período para compensar com as declarações de compensação de fls. 272/273 (R$ 13.026,60 crédito de abril), 252/253 (R$ 19.446,50 crédito de maio) e 262/263 (R$ 17.613,76 crédito de junho) protocoladas em 12/11/2004. Pois bem. Em que pese a conclusão apontar para a inexistência de suposto crédito ter sido tomada com base em documentos trazidos pela recorrente, atendendo as intimações ocorridas durante a diligência determinada em resolução proferida pelo E. CARF, referida questão somente foi trazida aos autos quando da referida decisão, vale dizer, em nenhum momento do processo, até então, a recorrente se defendeu ou trouxe informações sobre os créditos. Observese: desde o parecer que culminou com o despacho decisório indeferindo o ressarcimento do crédito e não homologação das compensações apresentadas pela recorrente, até o r. acórdão da DRJ que chancelou as razões desses, a acusação seria de que as atividades representadas pelas notas fiscais apresentadas não se caracterizariam como exportação de serviços e, portanto, impossível a obtenção do crédito pretendido. Fl. 2316DF CARF MF Processo nº 10909.003132/200455 Acórdão n.º 3302005.559 S3C3T2 Fl. 11 10 E dessa acusação a recorrente se defendeu, trazendo aos autos documentos e apontamento de legislação e normas do Bacen, que demonstraram de forma satisfatória ser sua atividade caracterizada como exportação de serviços e, como tal, passível de gerar os créditos pleiteados e garantir as compensações informadas. Em nenhum momento, frisase, até a chegada da decisão prolatada em resolução, foi discutida a apuração do crédito requerido e sim, simplesmente, a sua existência e a possibilidade de ser compensado e desses fatos e apontamentos é que se insurgiu a recorrente. A persistir o entendimento esposado na segunda parte das conclusões trazidas pela informação fiscal, resultado da diligência determinada em resolução, no entender desse conselheiro, estarseia suprimindo instâncias, acolhendo decisão que não foi objeto de deliberação na decisão de piso, muito menos do despacho decisório que indeferiu o ressarcimento e não homologou a compensação informada pela recorrente, por essa razão, dessa parte da diligência não se toma conhecimento. Caso, hipoteticamente, fosse mantida a conclusão da diligência, poderíamos falar até em mudança do critério jurídico, pois num primeiro momento temos a glosa dos créditos por não ter a contribuinte comprovado a existência efetiva da exportação de prestação de serviços. No momento seguinte, afirmase comprovada a exportação, contudo, a modificação do fundamento do despacho decisório perpetrado pela Delegacia de Julgamento. Realmente, em que pese, supostamente, haver fundamentos válidos para a glosas dos créditos, a troca deste por aquele, no meu sentir, demonstra a modificação dos critérios jurídicos para a manutenção da cobrança. Assim, começa a contribuinte defendendose de uma cobrança de crédito porque não teria efetivamente comprovado a existência da operação que daria sustentação aos créditos, logo após, entende a Delegacia de julgamento pela existência da exportação dos serviços, contudo, mantém a cobrança por falta de comprovação da entrada de divisas, no terceiro momento, a cobrança já não é mais mantida em sua totalidade, pois verificouse, de uma vez por todas, a existência da exportação de serviços que ensejariam o crédito, no entanto, mantendo a glosa de outros créditos, dos quais não se defendeu a contribuinte. Por tais razões, acolho as razões trazidas no recurso voluntário e não tomo conhecimento da segunda parte da conclusão da diligência determinada em resolução. II Conclusão Por todo o acima exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, dandolhe integral provimento. É como voto. (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus Relator Fl. 2317DF CARF MF Processo nº 10909.003132/200455 Acórdão n.º 3302005.559 S3C3T2 Fl. 12 11 Fl. 2318DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.000448/2009-76
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2006
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.788
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 11242.000598/2009-57, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 11242.000598/200957, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício e Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 00 04 48 /2 00 9- 76 Fl. 566DF CARF MF Processo nº 15504.000448/200976 Acórdão n.º 9202006.788 CSRFT2 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo. Relatório Contra o contribuinte foi lavrado o presente auto de infração para cobrança de contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social. Após o trâmite processual, a turma a quo deu provimento parcial ao recurso voluntário do Contribuinte para determinar o recálculo da multa aplicada haja vista alterações promovidas na redação da Lei nº 8.212/1991. Inconformada com o resultado do julgamento, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial cujo objeto é a discussão acerca da aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202006.733, de 19/04/2018, proferido no julgamento do processo 11242.000598/200957, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202006.733): "O recurso preenche os pressuposto de admissibilidade razão pela qual deve ser conhecido. A controvérsia levantada pela Fazenda Nacional é relativa às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: Fl. 567DF CARF MF Processo nº 15504.000448/200976 Acórdão n.º 9202006.788 CSRFT2 Fl. 4 3 I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão n. 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento Fl. 568DF CARF MF Processo nº 15504.000448/200976 Acórdão n.º 9202006.788 CSRFT2 Fl. 5 4 e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499: Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da Fl. 569DF CARF MF Processo nº 15504.000448/200976 Acórdão n.º 9202006.788 CSRFT2 Fl. 6 5 declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para Fl. 570DF CARF MF Processo nº 15504.000448/200976 Acórdão n.º 9202006.788 CSRFT2 Fl. 7 6 as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas Fl. 571DF CARF MF Processo nº 15504.000448/200976 Acórdão n.º 9202006.788 CSRFT2 Fl. 8 7 competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 572DF CARF MF Processo nº 15504.000448/200976 Acórdão n.º 9202006.788 CSRFT2 Fl. 9 8 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional para determinar que a multa seja aplicada nos termos em que fixado pela Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009." Fl. 573DF CARF MF Processo nº 15504.000448/200976 Acórdão n.º 9202006.788 CSRFT2 Fl. 10 9 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, voto em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 574DF CARF MF
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