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Numero do processo: 13861.000100/2003-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 1999
Ementa:
IRPF. LIVRO CAIXA. PEDIDO DE ESCLARECIMENTOS PARA APRESENTAÇÃO DOS DOCUMENTOS COMPROBATÓRIOS DAS DESPESAS. AUTO DE INFRAÇÃO LAVRADO ANTES DO DECURSO DO PRAZO CONCEDIDO AO CONTRIBUINTE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA CARACTERIZADO.
Não tendo sido observado pela autoridade fiscal o prazo concedido ao contribuinte para apresentação de documentos comprobatórios de despesas de livro caixa, deve ser anulado o auto de infração lavrado em virtude da falta de comprovação das referidas despesas.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2101-001.041
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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LIVRO CAIXA. PEDIDO DE ESCLARECIMENTOS PARA APRESENTAÇÃO DOS DOCUMENTOS COMPROBATÓRIOS DAS DESPESAS. AUTO DE INFRAÇÃO LAVRADO ANTES DO DECURSO DO PRAZO CONCEDIDO AO CONTRIBUINTE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA CARACTERIZADO. Não tendo sido observado pela autoridade fiscal o prazo concedido ao contribuinte para apresentação de documentos comprobatórios de despesas de livro caixa, deve ser anulado o auto de infração lavrado em virtude da falta de comprovação das referidas despesas. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente Substituto Fl. 317DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/06/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 27/06/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 13861.000100/200307 Acórdão n.º 210101.041 S2C1T1 Fl. 315 2 (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Participaram do julgamento os Conselheiros José Raimundo Tosta Santos (Presidente Substituto), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), José Evande Carvalho Araújo (convocado), Walter Reinaldo Falcão Lima (convocado), Odmir Fernandes e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 49/54) interposto em 04 de março de 2010 contra o acórdão de fls. 40/44, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II (SP), do qual o Recorrente teve ciência em 18 de fevereiro de 2010 (fl. 48), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o auto de infração de fls. 27/31, lavrado em 18 de março de 2003, em decorrência de dedução indevida a título de livro caixa e de doação, verificada no anocalendário de 1998. O acórdão recorrido teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1998 NULIDADE POR CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Incabível a argüição de nulidade do procedimento fiscal quando este atender as formalidades legais e for efetuado por servidor competente. Estando o enquadramento legal e a descrição dos fatos aptos a permitir a identificação da infração imputada ao sujeito passivo, não há que se falar em nulidade do lançamento por cerceamento de defesa. O cerceamento do direito de defesa não prevalece quando todos os valores utilizados na autuação se originam de documentos e demonstrativos constantes nos autos do processo. PROCEDIMENTOS DE FISCALIZAÇÃO. INAPLICABILIDADE DO CONTRADITÓRIO. A fase de investigação e formalização da exigência, que antecede à fase litigiosa do procedimento, é de natureza inquisitorial, não prosperando a argüição de nulidade do auto de infração por não observância do princípio do contraditório. Fl. 318DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/06/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 27/06/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 13861.000100/200307 Acórdão n.º 210101.041 S2C1T1 Fl. 316 3 LIVRO CAIXA. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DAS DESPESAS. A legislação exige que as despesas de livro caixa estejam acompanhadas de documentação que comprove sua efetividade. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido” (fl. 40). Não se conformando, o contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 49/54), pedindo a reforma do acórdão recorrido, para anular o auto de infração. É o relatório. Voto Conselheiro ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Sustenta o Recorrente que houve cerceamento do seu direito de defesa, pois o pedido de esclarecimentos de fl. 05, por meio do qual foi intimado a, no prazo de 20 (vinte) dias, “Apresentar todos os comprovantes dos valores lançados a título de dedução, inclusive o livro caixa, corroborado com os documentos pertinentes”, não foi encaminhado ao endereço do contribuinte. Nos termos da impugnação de fls. 01/03: “4. Foilhe informado que a intimação foi entregue no antigo endereço em 24 ou 25 de fevereiro e fazendo a contagem do prazo como intimado em 2402 verificou que seu termo ocorreria em 1603, domingo, logo segundafeira, 1703. Conforme descrito no item anterior, concluiu que deveria levar os documentos, bem como prestar os esclarecimentos na quintafeira, 2003 no período de 9:00 as 11:00 hs, o que efetivamente fez, conforme atestado pela zelosa autuante na própria intimação. (N . 05) 5. Incabível qualquer outro raciocínio. Em sã consciência pessoa alguma concluiria de forma diferente, quiçá o defendente, contabilista e por isso mesmo conhecedor do processo de atendimento a contribuintes nas repartições públicas. 6. A surpresa, entretanto, foi a noticia dada pela autuante que já havia lavrado o Auto de Infração e que o mesmo encontravase em processo de postagem e que aguardasse, pois já iria para o seu endereço atual. 7. Maior ainda foi a surpresa de verificar que o Auto de Infração foi lavrado em 18032003, 2 (dois) dias antes de esgotar o prazo para cumprimento da intimação.” Na realidade, o contribuinte teve ciência do referido pedido de esclarecimentos apenas e tãosomente no dia 20 de março de 2003 (fl. 05), data em que se iniciaria o prazo para resposta ao pedido de esclarecimentos, termos esse que só não foi Fl. 319DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/06/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 27/06/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 13861.000100/200307 Acórdão n.º 210101.041 S2C1T1 Fl. 317 4 cumprido, de acordo com o Recorrente, porque recebera a informação de que o auto de infração já tinha sido lavrado. Foi o que de fato ocorreu, já que o auto de infração de fls. 27/31 foi lavrado em 18 de março de 2003, do qual o ora Recorrente teve ciência apenas em 20 de julho de 2003 (fl. 34). Aliás, o própria Recorrida reconhece que “teria sido mais condizente com o principio da eficiência e da moralidade que a fiscalização tivesse aguardado o prazo final concedido na intimação para, após isso, lavrar o auto de infração”. Não obstante, decidiu que não haveria nulidade, pois todos os requisitos do artigo 10 do Decreto 70.235/72 teriam sido cumpridos. Entendo, todavia, que razão assiste ao Recorrente, pois não há dúvida que houve cerceamento de defesa. De fato, se a autoridade fiscal aguardasse os documentos solicitados, ou o auto de infração não teria sido lavrado ou teriam sido apreciados pela Recorrida os documentos juntados pelo Recorrente por ocasião da interposição do recurso de fls. 49 e seguintes. E, como se sabe, o cerceamento de defesa é sim causa de nulidade, nos termos do artigo 59, II, do Decreto 70.235/72, in verbis: “Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. ...” Eis os motivos pelos quais voto no sentido de DAR provimento ao recurso, para anular o auto de infração. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 320DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/06/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 27/06/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 13861.000100/200307 Acórdão n.º 210101.041 S2C1T1 Fl. 318 5 Fl. 321DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/06/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 27/06/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S
score : 1.0
Numero do processo: 10183.005919/2007-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Jul 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2004
DEDUÇÕES. REQUISITOS LEGAIS. COMPROVAÇÃO PARCIAL.
Restabelece-se as despesas médicas comprovadas por documentos que atendem às exigências legais.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2101-001.222
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso, para restabelecer a despesa médica no montante de R$6.940,21
Nome do relator: JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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REQUISITOS LEGAIS. COMPROVAÇÃO PARCIAL. Restabelecese as despesas médicas comprovadas por documentos que atendem às exigências legais. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso, para restabelecer a despesa médica no montante de R$6.940,21. (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos – Presidente substituto e relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Raimundo Tosta Santos, José Evande Carvalho Araujo, Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antonio de Oliveira Souza e Alexandre Naoki Nishioka. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gonçalo Bonet Allage. Relatório Fl. 90DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 O recurso voluntário em exame pretende a reforma do Acórdão nº 0419.059, proferido pela 4ª Turma da DRJ Campo Grande (fl. 41), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento, referente a Imposto de Renda Pessoa Física — Suplementar, exercício 2004, em razão de trabalho de malha, onde foram verificadas as seguintes infrações: 1. Dedução indevida de dependente (glosa integral); 2. Dedução indevida de despesas médicas (glosa integral); 3. Dedução indevida de despesas com instrução (glosa integral). Ao apreciar o litígio, o Órgão julgador de primeiro grau manteve integralmente a parte impugnada do lançamento, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Exercício: 2004 MATÉRIA NÃOIMPUGNADA. Glosa de Despesas com instrução e parte da glosa com dependentes não impugnado. Considerase como nãoimpugnada a parte do lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. DESNECESSIDADE DE INTIMAÇÃO A Intimação só é necessária a juízo da autoridade. Não há limitação à ampla defesa e ao contraditório pois este se instaura com a impugnação. DEPENDENTES. NÃO DEDUTIBILIDADE. Não pode ser deduzido filho maior de 24 anos. Não há previsão legal para dedução da nora. Não pode ser aceita a dedução de neto quando o interessado não traz prova de que detém a guarda judicial. Glosa mantida. DESPESAS MÉDICAS Para fazer jus à dedução da despesa médica na DIRPF, devese comprovar o efetivo pagamento, o tratamento efetuado e quem é o paciente. Tendo apresentado apenas uma declaração do plano de saúde sem a especificação dos beneficiários não é possível a dedução. Despesas de elevado valor devese comprovar o efetivo desembolso. Impugnação Improcedente Em seu apelo ao CARF, às fls. 55/56, o recorrente requer o restabelecimento das deduções com dependentes e despesas médicas. Junta aos autos documentos complementares. É o Relatório. Voto Fl. 91DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10183.005919/200727 Acórdão n.º 210101.222 S2C1T1 Fl. 81 3 Conselheiro José Raimundo Tosta Santos, Relator. O recurso atende os requisitos de admissibilidade. Em relação aos dependentes, que o contribuinte requer sejam considerados na respectiva dedução, verificase que os fundamentos indicados no voto condutor da decisão recorrida (fls. 45), estão em consonância com entendimentos reiterados deste Colegiado acerca da matéria. Com efeito, Amilcar de Barros e Silva (filho), nascido em 15 de julho de 1975, não pode, para fins fiscais, ser dependente do contribuinte, pois em 01/01/2003 tinha mais de 24 anos, além de auferir rendimento e ter apresentado declaração em separado (fl. 39/40). Sigrid Maria de Almeida e Silva somente poderia constar na declaração de rendimentos do sogro (autuado), se Amílcar, marido de Sigrid, se enquadrasse como dependente do autuado. Milena Maria de Almeida Barros Silva também não pode ser considerada dependente, pois não há prova nos autos de que o autuado detém a guarda judicial da neta. Marco Aurélio de Barros Silva é filho do autuado, mas não foi relacionado como dependente (fl. 33). Rosa de Lima Barros e Silva é esposa do autuado, mas não declara em conjunto nem foi relacionada como dependente (fls. 31 e 33). João Vicente Pedroso de Barros Neto, que o contribuinte aduz ser “cunhado” somente poderia figurar como seu dependente mediante determinação judicial, se incapacitado para o trabalho. Devese ressaltar que o fato do contribuinte ajudar a essas pessoas não implica em poder deduzilas como dependentes na declaração do imposto de renda. Em relação às despesas médicas, pelo exame das peças processuais, conclui se que somente as incorridas com o próprio contribuinte são aptas a serem deduzidas do imposto de renda. As demais despesas, incorridas com pessoas não consideradas dependentes pela legislação do imposto de renda, não são dedutíveis. Cumpre ressaltar que mesmo as despesas médicohospitalares próprias de um dos cônjuges ou companheiro não podem ser deduzidas pelo outro quando este apresenta declaração em separado. Confirase o disposto no artigo 8ª na Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, a propósito da dedução de despesas médicas: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: (...). II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no ano calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...). § 2º O disposto na alínea “a” do inciso II: (...). Fl. 92DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 4 II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes;(grifos acrescidos) III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; A decisão de primeiro grau ao analisar os documentos apresentados para comprovar as despesas médicas pleiteadas pelo contribuinte fez as seguintes colocações: Quanto às despesas declaradas como pagas à Unimed, o interessado trouxe aos autos apenas o Comprovante de Rendimentos e Retenção de IRRF onde consta o valor pago à Unimed no valor de R$ 13.594,50. Porém, os documentos trazidos aos autos não trazem a especificação dos beneficiários do plano de saúde, e esta informação é essencial para a aceitação da despesa pois somente são dedutíveis as despesas realizadas com o próprio interessado ou com seus dependentes. Assim, é necessária uma declaração do plano de saúde especificando os valores pagos para cada beneficiário do plano. Quanto aos recibos trazidos aos autos da profissional JANETE IZABEL W. FONSECA, são de elevado valor, não numerados, com descrição genérica dos serviços prestados: Tratamento odontológico, e sem o nome do paciente. Para sua aceitação é necessário que o interessado traga uma declaração do profissional com especificando quem é o paciente e quais os tratamentos realizados com os respectivos valores que totalizam R$ 5.000,00. Além disso, é fundamental a prova do efetivo desembolso através da cópia de cheques ou extratos bancários. Quanto à despesa com HOSPITAL DE OLHOS (folha 18), o interessado trouxe ainda aos autos a Nota Fiscal 000538, consta a descrição do tratamento efetuado, qual seja, cirurgia de transplante de córnea. Porém, o interessado não consta na nota fiscal o nome do paciente, elemento fundamental para aceitação da despesa. Assim, é necessário declaração do Hospital com o nome do paciente. Também, o contribuinte deve comprovar o efetivo desembolso. Analisandose os documentos apresentados em sede de impugnação e os que foram juntados aos autos em sede recursal, tendo em vista os argumentos aduzidos no voto condutor da decisão recorrida, verificase que a despesa médica com o plano de saúde da UNIMED Cuiabá, relativo ao próprio contribuinte, no valor de R$1.940,21, conforme especificado no Informe para Declaração de IR do anobase de 2003, à fl. 58, é dedutível dos rendimentos tributáveis do imposto de renda. No que tange à despesa paga ao Hospital de Olhos de Cuiabá Ltda, no valor de R$5.000,00, entendo que a nota fiscal de nº 000538 (fl. 18) é documento hábil e idôneo a comprovar a despesa médica, por se tratar de um documento que indica o cliente do serviço e Fl. 93DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10183.005919/200727 Acórdão n.º 210101.222 S2C1T1 Fl. 82 5 não uma declaração de recebimento de valor, como ocorre com um simples recibo, e tem autorização de impressão, registro e controle pela Prefeitura Municipal de Cuiabá. Ressaltese também que a escrituração de uma pessoa jurídica contém informações que permitem à fiscalização confirmar a despesa. A declaração firmada à fl. 73verso ratifica a despesa médica incorrida pelo contribuinte. Em relação à despesa odontológica, realizada com a profissional JANETE IZABEL W. FONSECA, no montante de R$5.000,00, os recibos apresentados não especificam o tratamento realizado, nem indica o paciente. O contribuinte também não apresentou qualquer outro elemento de prova com o propósito de esclarecer os aspectos questionados dessa despesa (laudos, exames, ficha dentária etc). Para a situação em exame, o artigo 368 do Código de Processo Civil dispõe que: Art. 368. As declarações constantes do documento particular, escrito e assinado, ou somente assinado, presumemse verdadeiras em relação ao signatário. Parágrafo único. Quando, todavia, contiver declaração de ciência, relativa a determinado fato, o documento particular prova a declaração, mas não o fato declarado, competindo ao interessado em sua veracidade o ônus de provar o fato. Em face ao exposto, dou parcial provimento ao recurso, para restabelecer a despesa médica no montante de R$6.940,21. (assinado digitalmente) JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Fl. 94DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 10630.720232/2006-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005
NORMAS PROCESSUAIS PRAZOS REVELIA
Desconhece-se do recurso voluntário interposto intempestivamente.
Numero da decisão: 3301-000.844
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, não conhecer do
recurso por intempestivo, nos termos do voto do Relator.
Matéria: Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 NORMAS PROCESSUAIS PRAZOS REVELIA Desconhecese do recurso voluntário interposto intempestivamente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, não conhecer do recurso por intempestivo, nos termos do voto do Relator. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. José Adão Vitorino de Morais Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Maurício Taveira e Silva, Rodrigo Pereira de Mello, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da DRJ Juiz de Fora, MG, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade interposta contra o despacho decisório que deferiu parcialmente pedido de ressarcimento de saldo credor da contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) com incidência nãocumulativa, apurado Fl. 1DF CARF MF Emitido em 04/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 24/03/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 15/04/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS 2 para o 1º trimestre de 2005, e homologou as compensações dos débitos fiscais declarados nos Per/Dcomps, objeto deste processo, até o limite do ressarcimento reconhecido. O deferimento parcial, por parte da autoridade administrativa competente, decorreu de glosas sobre aquisições (leite) de cooperados e de terceiros, da redução dos valores repassados aos cooperados para cálculo da receita de exportação, decorrentes de valores cujas notas fiscais, intimada, a recorrente não as apresentou, de serviços considerados nãoinsumos, e de créditos sobre devoluções nãotributadas. Cientificada do despacho decisório, inconformada com o deferimento parcial de seu pedido de ressarcimento e a homologação parcial dos débitos declarados nos Per/Dcomps, a recorrente apresentou a manifestação de inconformidade às fls. 451/479, alegando razões que foram assim sintetizadas por aquela DRJ: “a) as leis que instituíram a nãocumulatividade das contribuições, não definiram o que são insumos, todavia a RFB disciplinou ilegalmente sobre eles, ao fixar uma interpretação restritiva ao termo; b) o crédito presumido sabre estoque de abertura calculado com base em uma alíquota menor que a prevista na saída, contraria as normas legais, a jurisprudência do Poder Judiciário e provoca enriquecimento sem causa da União; c) nem todas as notas fiscais requisitadas foram apresentadas, pois precisam ser reordenadas e o tempo deferido não foi suficiente para tanto. Por isso solicita prazo de 90 dias para apresentar tais documentos.” Analisada a manifestação de inconformidade, aquela DRJ julgoua improcedente, conforme Acórdão nº 0922.254, datado de 28/01/2009, às fls. 531/534, sob as seguintes ementas: “PROVA DOCUMENTAL A prova documental deve ser apresentada juntamente com a manifestação de inconformidade, sob pena de preclusão. INSUMOS O conceito de insumos para fins de crédito de PIS/Pasep e COFINS é o previsto no § 5° do artigo 66 da Instrução Normativa SRF 247/2002. CRÉDITO PRESUMIDO SOBRE ESTOQUE DE ABERTURA As alíquotas aplicáveis ao estoque de abertura das cooperativas agropecuárias são, 0,65% para o crédito de PIS/Pasep e 3% para o da COFINS.” Cientificada dessa decisão, inconformada, a recorrente interpôs o recurso voluntário às fls. 566/596, requerendo a sua reforma a fim de que se reconheça seu direito ao ressarcimento integral do saldo credor da Cofins ora pleiteado, alegando, em síntese, que, tendo adotado o regime nãocumulativo de incidência dessa contribuição, faz jus aos créditos sobre as aquisições de todos os insumos, assim entendidos os gastos e investimentos que contribuem para o seu resultado ou para a obtenção de seus produtos até o consumo final, e que a alíquota para o cálculo do créditopresumido sobre o estoque de abertura, quando da adoção do regime nãocumulativo, em face do princípio da igualdade, é de 7,6 % e não de 3,0 % considerados no despacho decisório, e, ainda, que o fato de não ter apresentado tempestivamente as notas fiscais solicitadas pela Fiscalização não pode prejudicar seu direito. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 04/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 24/03/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 15/04/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS Processo nº 10630.720232/200619 Acórdão n.º 330100.844 S3C3T1 Fl. 617 3 Para fundamentar seu recurso expendeu extenso arrazoado sobre: a) a tempestividade do recurso; b) apresentando a cooperativa; c) cooperativismo; d) breve descrição dos créditos; e) a nãocumulatividade do Pis e da Cofins; f) a opção pela antecipação da adoção do regime de incidência nãocumulativa; g) os insumos; h) o crédito presumido sobre estoque de abertura; e, i) as notas fiscais; concluindo, ao final, que seu recurso é tempestivo e tem direito ao ressarcimento integral do valor pleiteado. É o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais O recurso apresentado não atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, por ter sido interposto intempestivamente. Assim dele não conheço. Ao contrário do entendimento da recorrente, seu recurso foi apresentado intempestivamente, ou seja, depois de decorridos o prazo de 30 (trinta) dias fixado em lei. Do exame dos autos, verificase que recorrente tomou ciência da decisão recorrida na data de 27 de fevereiro de 2009, numa sextafeira, conforme provam a data e a assinatura apostas no “AR” de sua remessa postal às fls. 549. O Decreto nº 70.235, de 1972, art. 33, estabelece o prazo de 30 (trinta) dias, contados da ciência da decisão de primeira instância para a interposição do respectivo recurso voluntário, assim dispondo, in verbis: “Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro de 30 (trinta) dias seguintes à ciência da decisão.” Por sua vez, o art. 35, desse mesmo Decreto determina que o recurso voluntário, mesmo perempto, será encaminhado ao Conselho de Contribuintes, que julgará a perempção, in verbis: “Art. 35. O recurso, mesmo perempto, será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção.” Como a ciência se deu numa sextafeira, o início da contagem do prazo de 30 (trinta) dias de que a recorrente dispunha para a interposição do recurso voluntário foi deslocada para a segundafeira, dia 02/03/2009, imediatamente subseqüente, nos termos do art. 5º do referido decreto. Assim, o prazo limite expirouse no dia 31 de março de 2009, numa terça feira. Contudo o presente recurso foi protocolado na DRF em Governador Valadares, MG, no dia 02 de abril de 2009, numa quintafeira, conforme prova a data aposta no carimbo de protocolo do recurso voluntário às fls. 566, depois de decorridos 32 (trinta e dois) dias. Em face do exposto e de tudo o mais que dos autos consta, não conheço do presente recurso voluntário por intempestivo. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 04/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 24/03/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 15/04/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS 4 José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 4DF CARF MF Emitido em 04/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 24/03/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 15/04/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS
score : 1.0
Numero do processo: 14751.000112/2007-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Aug 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Aug 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA.
Uma vez efetuada a opção pela forma de tributação com base no lucro real anual, a pessoa jurídica fica sujeita a antecipações mensais do IRPJ, calculadas com base em estimativa. O não recolhimento ou o recolhimento a menor do tributo sujeita a pessoa jurídica à multa de oficio isolada prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996.
SUSPENSÃO OU REDUÇÃO DO IMPOSTO.
A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso, a despeito de documento contábil (Livro de Balancetes) exibido, assim porque o mesmo
não observa a especificidade exigida pela Lei nº 8.981/95 no que se refere ao demonstrativo fiscal visando suspender o saldo de imposto devido mensalmente.
Numero da decisão: 1202-000.559
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO
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FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. Uma vez efetuada a opção pela forma de tributação com base no lucro real anual, a pessoa jurídica fica sujeita a antecipações mensais do IRPJ, calculadas com base em estimativa. O nãorecolhimento ou o recolhimento a menor do tributo sujeita a pessoa jurídica à multa de oficio isolada prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. SUSPENSÃO OU REDUÇÃO DO IMPOSTO. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso, a despeito de documento contábil (Livro de Balancetes) exibido, assim porque o mesmo não observa a especificidade exigida pela Lei nº 8.981/95 no que se refere ao demonstrativo fiscal visando suspender o saldo de imposto devido mensalmente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. CARLOS ALBERTO DONASSOLO Presidente. (documento assinado digitalmente) Fl. 699DF CARF MF Emitido em 17/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 13 /10/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 14751.000112/200767 Acórdão n.º 120200.559 S1C2T2 Fl. 2 2 ORLANDO JOSÉ GONÇALVES BUENO Relator. (documento assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Orlando José Gonçalves Bueno, Meigan Sack Rodrigues, Jorge Celso Freire da Silva, Nereida de Miranda Finamore Horta, Luis Tadeu Matosinho Machado. Relatório Trata o presente o processo administrativo fiscal sobre autos de infração formalizados contra a Recorrente, com o que pretende o fisco o recolhimento exigência tributária a título de multa isolada decorrente da suposta falta de recolhimento do IRPJ e CSLL, devidos por estimativa no anocalendário de 2002, tendo em vista que fora suspenso o pagamento dos aludidos tributos, no período acima mencionado, mas, no entanto, a Recorrente não levantou balanços ou balancetes específicos para demonstrar a possibilidade de suspensão do recolhimento, nem tampouco transcreveu os referidos documentos fiscais no Livro Diário. Em suas impugnações, alega a Recorrente que o relatório da autoridade administrativa menciona a apresentação dos balancetes por mais de uma oportunidade, porém almeja desqualificar os referidos documentos, aduzindo que eles apenas reproduzem as contas de resultado e patrimoniais do período fiscalizado. Acrescenta que a finalidade dos balancetes é justamente a de arrolar os saldos de contas no final do mês, contemplando todos os elementos necessários à determinação do resultado, de acordo com as contas de receitas, custos e despesas nele constantes. Além disso, ressalta que a lei que trata da possibilidade de suspensão ou redução do pagamento do imposto e contribuição social sobre estimativas em momento algum define qual a forma de apuração destes demonstrativos, realizando uma distinção teórica entre balanços e balancetes, asseverando que não há previsão legal que exija o encerramento das contas com vista à apuração de resultado em balancetes. Ademais, afirma que os balancetes utilizados para realizar a suspensão ou redução dos tributos foram devidamente registrados no Livro de Balancetes nº 04, devidamente autenticado na JUCEP, o qual evidenciou a desnecessidade de recolhimento por estimativas mensais, sendo devida a parcela mensal tão somente no mês de dezembro, o que está regularmente transcritos no Livro Diário. Diante disso, concluiu a Recorrente que, não sendo devidas as estimativas mensais naqueles meses não há que se falar na aplicação da multa isolada, conforme jurisprudência colacionada no corpo da peça impugnatória. A Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil em Recife julgou procedente o lançamento tributário conforme a ementa abaixo reproduzida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA Fl. 700DF CARF MF Emitido em 17/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 13 /10/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 14751.000112/200767 Acórdão n.º 120200.559 S1C2T2 Fl. 3 3 JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. Uma vez efetuada a opção pela forma de tributação com base no lucro real anual, a pessoa jurídica fica sujeita a antecipações mensais do IRPJ, calculadas com base em estimativa. O nãorecolhimento ou o recolhimento a menor do tributo sujeita a pessoa jurídica à multa de oficio isolada prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. SUSPENSÃO OU REDUÇÃO DO IMPOSTO. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2002 MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DA CSLL SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. Uma vez efetuada a opção pela forma de tributação com base no lucro real anual, a pessoa jurídica fica sujeita a antecipações mensais da CSLL, calculadas com base em estimativa. O nãorecolhimento ou o recolhimento a menor do tributo sujeita a pessoa. Sobreveio o recurso voluntário, no qual a Recorrente pugna, em sede de preliminar, pelo cancelamento do lançamento de ofício em razão retroatividade benigna da norma menos gravosa, eis que legislação superveniente “além de reduzir o percentual da multa isolada também eliminou a previsão de sua aplicação aos casos de pagamento em atraso sem o acréscimo de multa de mora, assim deixou de ser punível com a multa isolada a conduta de que trata a ação fiscal, em apreço nestes autos”. No tocante ao mérito do recurso, a Recorrente reiterou todos os argumentos esposados em sede de impugnação, ressaltando que, no que tange ao mês de dezembro, todas as exigências fiscais estavam presentes, mas, “mesmo assim, também em relação ao referido mês, foi aplicada a multa isolada, o que, sem a menos sombra de dúvida, até pelo que consta dos documentos do relatório de trabalho fiscal, é indevida”. Voto Conselheiro Relator Orlando José Gonçalves Bueno Fl. 701DF CARF MF Emitido em 17/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 13 /10/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 14751.000112/200767 Acórdão n.º 120200.559 S1C2T2 Fl. 4 4 Por presentes os pressupostos de admissibilidade recursal, dele tomo conhecimento. Em sede de preliminar pugna a Recorrente pela retroatividade da Lei mais benéfica ao contribuinte, tendo em vista a edição da Lei 11.488/07 que extinguiu a possibilidade da aplicação de multa isolada em relação aos casos de pagamentos de tributos sem o acréscimo de multa moratória. Todavia a Recorrente deixou de pagar, simplesmente, as estimativas com base em seu procedimento contábil/fiscal, situação fática bem diferente do quanto pretendido na interpretação da Lei no. 9.430/06, com as revogações da Lei no. 11.488/07, elemento fático essencial que por si só suficiente para rejeitarse a preliminar suscitada, sobre o cancelamento do lançamento de ofício, na hipótese aventada em suas razões recursais. Ademais, a autoridade lançadora, em seu trabalho conclusivo, aplicou a multa no percentual de 50% (cinqüenta por cento), observando rigorosamente o disposto na Lei no. 9.430/96, com a nova redação da Lei no. 11.488/07, não se podendo invocar a retroatividade benigna na descrição fática, base da autuação fiscal. O mencionado diploma legal estabelece expressamente a imposição de multa isolada nos casos em que o contribuinte deixa de recolher as estimativas mensais, como ocorrido no presente caso. Abaixo, transcrevese o disposto no artigo 44 da Lei 9430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) a) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) Portanto, sou por não acolher a preliminar de cancelamento do auto de infração. Fl. 702DF CARF MF Emitido em 17/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 13 /10/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 14751.000112/200767 Acórdão n.º 120200.559 S1C2T2 Fl. 5 5 A questão de mérito em exame é concernente a demonstração, via balancetes de suspensão/redução, serem adequados a demonstrar o prejuízo, ou saldo negativo, ensejadores da interrupção das estimativas mensais devidas pelo sujeito passivo, motivo pelo qual entendeu a autoridade lançadora serem insuficientes os balancetes produzidos pelo contribuinte, formalizando a multa isolada por essa razão. A autoridade julgadora de primeira instância também perfilhando o mesmo entendimento, igualmente não aceitou os balancetes do sujeito passivo, mantendo a multa isolada como lançada. Não há como discordar da autoridade lançadora, assim como da autoridade julgadora “a quo” nesse sentido dos balancetes. A decisão de primeira instância é explícita ao asseverar, a fls. 662: “ Os balancetes elaborados pela contribuinte( fls. 49/484) não se prestam a tal comprovação, haja vista que sua natureza estritamente contábil, tãosomente refletindo os saldos das contas patrimoniais e de resultado. Não demonstram o lucro real nem o imposto devido, não sendo aptos, portanto, a comprovar que a empresa por suficiência de recolhimentos anteriores, poderia suspender ou reduzir o pagamento do IRPJ e da CSLL em cada mês do anocalendário.” Desta feita, ao verificarse os aludidos balancetes, não se constata o cumprimento da exigência legal, qual seja, o determinado no art. 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, transcrevase: “ Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no Livro Diário; b) somente produzirão efeitos para determinação da parcela do imposto de renda e da contribuição sociail sobre o lucro devidos no decorrer do anocalendário; § 2º O Poder Executivo poderá baixar instruções para aplicação do disposto no parágrafo anterior.” Ou seja, os Livro de Balancetes nº 04 exibido pelo contribuinte apenas, de fato, demonstram contas patrimoniais e sequer evidenciam o fim específico determinado pela lei citada, que é demonstrar que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto devido mensalmente, o que não restou efetivamente demonstrado. Tal livro de balancetes é exclusivo de fins de controles contábeis, mas não se presta para efeito de atendimento ao prescrito no art. Fl. 703DF CARF MF Emitido em 17/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 13 /10/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 14751.000112/200767 Acórdão n.º 120200.559 S1C2T2 Fl. 6 6 35 da Lei nº 8.981/95, uma vez que não especifica o aspecto material tributário, que justificaria a suspensão dos recolhimentos das estimativas. Por maior esforço interpretativo, cabe ao contribuinte demonstrar seu suposto direito fiscal, e nem mesmo após intimado e apresentado demonstrativo a fls. 490/491 não se evidenciando, de maneira cabal, clara, incisiva, contábil, precisa, que teve saldo acumulado por período mensal, apresentandose somente no mês de dezembro um valor que não se concilia com os demais meses do anocalendário fiscalizado de 2002. Portanto, outro indício específico da falta de indicação nos balancetes mensais de tal tratamento tributário exigido pela lei citada. Não há como, pela falta de demonstração específica em seus registros contábeis, haja vista que é sua obrigação legal e não da autoridade lançadora ou julgadora, tal evidência contábil para justificar a suspensão dos recolhimentos das estimativas. A Recorrente se insurge, ainda, contra a exigência fiscal invocando violações a princípios constitucionais, em relação ao que esta segunda instância de julgamento administrativo já sumulou entendimento da impossibilidade de se apreciar tal matéria nesse âmbito, nos termos da Súmula CARF nº 02, que assim dispõe: “ O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária” (Port. Nº 52, de 21 de dezembro de 2010). Diante todo o exposto, sou por negar provimento ao recurso voluntário. Orlando José Gonçalves Bueno (documento assinado digitalmente) Fl. 704DF CARF MF Emitido em 17/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 13 /10/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO
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Numero do processo: 11516.003442/2007-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/1997 a 30/10/2006
Ementa: DECADÊNCIA – De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à
decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional.
Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal.
ANTECIPAÇÃO DO TRIBUTO.
Havendo recolhimento antecipado da contribuição previdenciária devida, aplica-se o prazo decadencial previsto no art. 150, § 4o, do CTN.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO – AUSÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DO TRIBUTO.
Não havendo recolhimento antecipado da contribuição previdenciária devida incidente sobre a remuneração paga pela empresa aos segurados a seu serviço, aplica-se o prazo decadencial previsto no art. 173, do CTN, pois trata-se de lançamento de ofício.
Numero da decisão: 2301-002.054
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por voto de qualidade: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir devido a regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN as
contribuições apuradas até 12/2000, anteriores a 01/2001,
para os levantamentos relativos à retenção, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Adriano Gonzáles Silvério e Damião Cordeiro
de Moraes, que votaram em aplicar a regra expressa no § 4º, Art. 150 do CTN; II) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir devido à regra decadencial do § 4º, Art. 150, do CTN as contribuições apuradas até a competência 11/2001, anteriores a 12/2001, para os demais levantamentos, nos termos do voto do(a) Relator(a). Os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Adriano Gonzáles Silvério e Damião Cordeiro de Moraes acompanharam a votação por suas conclusões; b) em negar provimento ao recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Declaração de voto: Adriano Gonzáles Silvério.
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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Matéria SALÁRIO INDIRETO: CESTA BÁSICA SEM PAT Recorrente CBEMI CONSTRUTORA BRASILEIRA E MINERADORA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL. Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/1997 a 30/10/2006 Ementa: DECADÊNCIA – De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. ANTECIPAÇÃO DO TRIBUTO. Havendo recolhimento antecipado da contribuição previdenciária devida, aplicase o prazo decadencial previsto no art. 150, § 4o, do CTN. LANÇAMENTO DE OFÍCIO – AUSÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DO TRIBUTO. Não havendo recolhimento antecipado da contribuição previdenciária devida incidente sobre a remuneração paga pela empresa aos segurados a seu serviço, aplicase o prazo decadencial previsto no art. 173, do CTN, pois tratase de lançamento de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por voto de qualidade: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir devido a regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN as contribuições apuradas até 12/2000, anteriores a 01/2001, para os levantamentos relativos à retenção, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Fl. 1DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 16/09 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 09/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 2 Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Adriano Gonzáles Silvério e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em aplicar a regra expressa no § 4º, Art. 150 do CTN; II) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir devido à regra decadencial do § 4º, Art. 150, do CTN as contribuições apuradas até a competência 11/2001, anteriores a 12/2001, para os demais levantamentos, nos termos do voto do(a) Relator(a). Os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Adriano Gonzáles Silvério e Damião Cordeiro de Moraes acompanharam a votação por suas conclusões; b) em negar provimento ao recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Declaração de voto: Adriano Gonzáles Silvério. Marcelo Oliveira Presidente. Bernadete de Oliveira Barros Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silverio, Bernadete De Oliveira Barros, Damião Cordeiro De Moraes, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes. Ausência momentânea: Wilson Antonio De Souza Correa Relatório Tratase de crédito previdenciário lançado contra a empresa acima identificada, referente a contribuições devidas à Seguridade Social, correspondente à contribuição dos segurados, à da empresa, à destinada ao SAT e aos Terceiros, incidentes sobre o pagamento de segurados empregados e contribuinte individuais, e a referente à retenção de 11%, prevista no art. 31, da Lei 8.212/91, incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura emitida pelo prestador de serviço de construção civil ou com cessão de mãodeobra. Conforme Relatório Fiscal (fls.648 a 661), o fato gerador da contribuição lançada é: a) pagamentos efetuados a segurados empregados e contribuintes individuais (administradores), no período de 10/1997 a 10/2006 (período não contínuo), informados em folhas de pagamento e em GFIP (após 1998); b) pagamentos efetuados a segurados empregados (levantamentos 48A, 48B, 49A, e 55B), verificados na contabilidade, no período de 02/1998 a 02/2001 (período não contínuo), e não informados em folhas de pagamento e nem em GFIP (após 1998); c) pagamentos efetuados a segurados contribuintes individuais (autônomos), no período de 02/1997 a 12/2005 (período não contínuo), informados em folhas de pagamento e em GFIP (após 1998); Fl. 2DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 16/09 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 09/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 11516.003442/200707 Acórdão n.º 230102.054 S2C3T1 Fl. 782 3 d) Pagamentos de valores a título de cesta básica, considerados salário de contribuição pela auditoria fiscal, tendo em vista a não inscrição da empresa ao PAT no período 01/2004 a 12/2005. Segundo relato fiscal, o débito referese também ao desconto da contribuição de onze por cento (11%), devida pelo Contribuinte Individual a partir de 04/2003 e às retenções destinadas aos terceiros (Sest e Senat) de 06/2000 a 12/2005 (período não contínuo), também não efetuada pela empresa quando do pagamento da remuneração por serviços de frete, a cargo dos prestadores pessoas físicas. Integra, ainda, a NFLD, as contribuições incidentes sobre o valor bruto das notas fiscais de serviço ou faturas, dos prestadores de serviço/empreiteiros de mão de obra, no período de 02/1999 a 071999 e 11/1999 a 12/2005. A autoridade lançadora informa que foi constatado, na ação fiscal, por meio do exame dos documentos apresentados (Notas Fiscais de Prestação de Serviços NFS, Contratos de Execução de Obras), que a CBEMI efetuou parcialmente e também deixou de efetuar a integralidade das retenções sobre os diversos serviços de construção civil (relacionados à pavimentação de rodovias) e de outros serviços contratados mediante cessão de mão de obra, bem como deixou de fazer o respectivo recolhimento, em nome das contratadas, para a Previdência Social, não atendendo, assim, o disposto no artigo 31 e parágrafos da Lei n° 8212/1991 e alterações posteriores. A recorrente apresentou defesa alegando, em apertada síntese, decadência do débito lançado entre 02/97 e 11/2001 e informando que a empresa possui diversos créditos oriundos das retenções calculadas sobre o valor das Notas Fiscais de Prestação de Serviços, e de valores pagos a maior que estão sendo objeto de pedido de restituição perante a Autarquia e que não foram considerados pela fiscalização. A Secretaria da Receita Previdenciária, por meio da DecisãoNotificação 20.401.4/0143/2007 (fls 679 a 673), julgou o lançamento procedente, afastando a preliminar de decadência e observando que tratase de impugnação parcial, uma vez que não houve contestação dos valores consolidados no lançamento. Inconformada com a decisão, a notificada recorreu tempestivamente (fls. 677, vol. IV), alegando, em síntese, o que se segue, Preliminarmente, assevera que a primeira instância administrativa excedeuse na sua competência quando impôs limitações ao conteúdo do Recurso ao Conselho de Recurso da Previdência Social, pois o Regulamento da Previdência Social e as Portarias MPS 88/2004 e 520/2004 e, subsidiariamente, o Decreto n°. 70.235/1972, não estabelecem qualquer limitação a Recurso ao CRPS em abordar matéria nova, eventualmente não alegada na defesa. No mérito, insiste na decadência do débito lançado em período anterior a 12/01 e reafirma que a fiscalização não compensou, no débito lançado, os valores relativos à retenção prevista no artigo 31 da Lei previdenciária, provocando, assim, lançamento indevido. Ressalta que, no período de 12/2001 a 09/2006 o lançamento é improcedente em face de que o responsável pelo recolhimento é o contratante dos serviços. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 16/09 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 09/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 4 Inova em relação a sua defesa alegando que as contribuições ao SEST SENAT devidas pelos transportadores autônomos são ilegais e que é inaplicável o artigo 31 da Lei n° 8.212/91 às empresas contratadas pela recorrente. É o relatório. Voto Conselheiro O recurso é tempestivo e os pressupostos de admissibilidade foram cumpridos. Preliminarmente, a recorrente alega decadência de parte do débito. Verificase que a fiscalização lavrou o presente AI com amparo na Lei 8.212/91 que, em seu art. 45, dispõe que o direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. No entanto, o Supremo Tribunal Federal, entendendo que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, ‘b’ da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Extraordinários nº 556664, 559882, 559943 e 560626, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei n. 8212/91,. Na oportunidade, foi editada a Súmula Vinculante nº 08 a respeito do tema, publicada em 20/06/2008, transcrita abaixo: Súmula Vinculante 8 “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário” Cumpre ressaltar que o art. 49 do Regimento Interno do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém, determina, no inciso I do § único, que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: “Art. 49. No julgamento de recurso voluntário ou de ofício, fica vedado aos Conselhos de Contribuintes afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; (g.n.)” Fl. 4DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 16/09 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 09/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 11516.003442/200707 Acórdão n.º 230102.054 S2C3T1 Fl. 783 5 Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 pelo STF, restaram extintos os créditos cujo lançamento tenha ocorrido após o prazo decadencial e prescricional previsto nos artigos 173 e 150 do Código Tributário Nacional. É necessário observar ainda que as súmulas aprovadas pelo STF possuem efeitos vinculantes, conforme se depreende do art. 103A e parágrafos da Constituição Federal, que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. § 1º A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. § 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. § 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgandoa procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso (g.n.)." Da leitura do dispositivo constitucional acima, concluise que a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Ademais, no termos do artigo 64B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela Lei 11.417/06, as autoridades administrativas devem se adequar ao entendimento do STF, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. “Art. 64B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, darseá ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal” O STJ pacificou o entendimento de que nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da contribuição, aplicase o prazo previsto no § 4º Fl. 5DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 16/09 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 09/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 6 do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo de cinco anos passa a contar da ocorrência do fato gerador, uma vez que resta caracterizado o lançamento por homologação. A NFLD foi consolidada em 15/12/2006, e sua cientificação ao sujeito passivo se deu em 22/12/2006, conforme AR de fl. 602. Constatase que, por qualquer regra do CTN, os levantamentos 43A, 43B, 41A, 48A, 48B, 49A, encontramse totalmente decadente. O levantamento relativo à cesta básica, para os quais não houve recolhimento antecipado, se refere à competências não alcançadas pela decadência, independente da regra a ser aplicada . Com relação aos levantamentos relativos à obrigatoriedade do contratante de serviço mediante cessão de mãodeobra ou empreitada de reter 11% sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura emitida pelo prestador de serviço, verificase que não houve adiantamento do tributo, tratandose, portanto, de lançamento de ofício, caso em que se aplica o disposto no art. 173, do CTN, transcrito a seguir: Art.173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Em que pese o entendimento desta Conselheira de que, para a competência 12/2000, o tributo poderia ter sido recolhido em 01/2001, iniciandose a contagem do prazo somente em 01/01/2002, que é o primeiro dia do exercício seguinte àquele que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos temos do dispositivo legal transcrito acima, deixo de aplicálo tendo em vista o disposto no art. 62A, do Regimento deste CARF, que obriga a todos os Conselheiros reproduzir as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STJ, julgados na sistemática do art. 543C.. Dessa forma, considerando o exposto acima e considerando que o STJ julgou, em maio de 2009, o Recurso Especial 973.933 – SC como recurso repetitivo, para os levantamentos relativos à retenção de que trata o art. 31, da Lei 8.212/91, constatase que se operara a decadência do direito de constituição do crédito apenas para os valores lançados até a competência 12/2000, inclusive. Para os demais levantamentos, verificase, dos relatórios que integram a NFLD, que trata de diferença de contribuição, caso em que se aplica a regra do art. 150, § 4o, citado acima. Portanto, reconheço a decadência de parte do débito, nos termos expostos acima. Ainda em preliminar, a recorrente alega que a primeira instância administrativa excedeuse na sua competência quando impôs limitações ao conteúdo do Recurso ao Conselho de Recurso da Previdência Social. Porém, observase que em nenhum momento a autoridade julgadora de 1a instância impôs qualquer limitação ao conteúdo do recurso que seria apresentado pela recorrente. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 16/09 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 09/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 11516.003442/200707 Acórdão n.º 230102.054 S2C3T1 Fl. 784 7 Ela apenas observou, com muita propriedade, que empresa não contestou, em sua peça impugnatória, as matérias de mérito, se limitando alegar a decadência. De fato, a empresa, em sua defesa, não impugnou as bases de cálculo ou as alíquotas aplicadas, e nem mesmo a caracterização da cessão de mãodeobra, tratandose, portanto, de impugnação parcial, como tão bem observado pelo julgador singular, na decisão recorrida. A recorrente afirma que as Portarias MPS 88/2004 e 520/2004 e, subsidiariamente, o Decreto n°. 70.235/1972, não estabelecem qualquer limitação a Recurso ao CRPS em abordar matéria nova, eventualmente não alegada na defesa. Todavia, a Portaria 88/04, citada pela recorrente, estabelece, em seu artigo 54, parágrafo 5º, inciso V, que a preclusão processual é razão de não conhecimento do recurso. Portanto, cabe ao Conselho não conhecer as matérias não impugnadas. Assim, rejeito a preliminar suscitada. No mérito, a recorrente insiste em afirmar que a fiscalização não aproveitou os valores relativos às retenções sofridas. Contudo, além de essa afirmação ter sido feita apenas em sede recursal, a empresa não prova o alegado. Não junta notas fiscais que comprovem a retenção sofrida e nem guias de recolhimento ou contratos de prestação de serviços que demonstrem a veracidade de suas afirmações. Já a fiscalização constatou, por meio da análise dos documentos apresentados pela própria empresa, que a empresa deixou de recolher toda a contribuição devida. Cumpre frisar que os valores devidos, objeto da NFLD em tela, foram confessados pela própria empresa em documento próprio, qual seja, GFIP. Se a ausência de recolhimento da contribuição apurada pela fiscalização se deu em razão de retenções sofridas e compensadas pela empresa, caberia à ela comprovar tal fato. À fiscalização, cabe o lançamento de contribuições devidas, declaradas em GFIP e não recolhidas em época própria. Quanto às alegações de inaplicabilidade do art. 31 da Lei 8.212/91 ao presente caso e de ilegalidade de cobrança da contribuição ao SEST/SENAT, vale ressaltar que tais matérias não foram apresentadas pela recorrente perante a primeira instância de julgamento. Dessa forma, entendo que encontrase precluído o direito à discussão de matéria trazida de forma inovadora na segunda instância administrativa, em razão do que dispõe o art. 17 do Decreto nº 70.235/1972, in verbis: Art.17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante Fl. 7DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 16/09 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 09/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 8 Portanto, no que tange às inovações trazidas no recurso, não foi instaurado o contencioso administrativo fiscal, motivo pelo qual não conheço dessa parte do recurso. Nesse sentido e Considerando tudo o mais que dos autos consta. Voto no sentido de CONHECER PARCIALMENTE DO RECURSO VOLUNTÁRIO e, na parte conhecida, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para que se exclua do valor do débito, por decadência, os valores lançados nas competências compreendidas entre 02/1997 a 11/2000, inclusive, para os levantamentos relativos à retenção de que trata o art. 31, da Lei 8.212/91, e de 02/97 a 11/2001, para os demais levantamentos. É como voto. Bernadete de Oliveira Barros Relatora Declaração de Voto Conselheiro Adriano Gonzales Silvério Apenas em relação à contagem do prazo decadencial ouso divergir em parte da Ilustre Conselheira Relatora, uma vez que a meu ver deve ser aplicado como regra decadencial nesse caso apenas aquela prevista no artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional, cujo dies a quo é o da ocorrência do fato gerador. Isto porque tenho para mim que a autuação versa somente sobre um fato gerador, qual seja, aquele arrolado pela Constituição Federal no artigo 195, inciso I, “a”, que nos autos revelase em pagar remuneração a segurados empregados ou contribuintes individuais. O mesmo se dá com a retenção de 11%, já que a autuada está, na sistemática do artigo 31 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, antecipando a contribuição previdenciária que estaria a cargo da empresa prestadora de serviços, nos moldes autorizados pela Carta Magna no artigo 150, § 7º, isto é, sob o regime de substituição tributária como já decidiu o Egrégio Superior Tribunal de Justiça nos autos do Recurso Especial 1.036.375, na sistemática de recurso repetitivo, o qual deve ser acatado nos julgamentos desse Conselho, em virtude do disposto no artigo 62A do Regimento Interno, aprovado pela Portaria nº 256/2009. Assim tratandose do mesmo fato gerador no qual, como se extrai dos autos, houve pagamento antecipado, ainda que parcial, há de ser aplicado o prazo decadencial qüinqüenal, que tem como termo inicial de contagem a ocorrência do fato gerador, como decidiu o Colendo Superior Tribunal de Justiça, na sistemática de recurso repetitivo, nos autos do Recurso Especial 973.733/SC, entendimento esse que deve ser acatado, por força do Fl. 8DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 16/09 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 09/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 11516.003442/200707 Acórdão n.º 230102.054 S2C3T1 Fl. 785 9 disposto no mencionado artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. A ementa do paradigma está assim redigida: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050∕PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758∕SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142∕SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163∕210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa∕concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91∕104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396∕400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183∕199). Fl. 9DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 16/09 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 09/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 10 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08∕2008.” Diante do exposto e tendo em vista que o contribuinte foi intimado da NFLD em 22 de dezembro de 2006 e que o débito apurado alberga o período de fevereiro de 1997 a outubro de 2006, voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, considerando a decadência do período compreendido entre fevereiro de 1997 a novembro de 2001, por força do disposto no artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional. Adriano Gonzales Silvério Conselheiro Fl. 10DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 16/09 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 09/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO
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Numero do processo: 10980.010562/2005-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 18 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Mar 18 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2000
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.
O imposto sobre a renda pessoa física é tributo sob a modalidade de lançamento por homologação e, sempre que o contribuinte efetue o pagamento antecipado, o prazo decadencial encerra-se depois de
transcorridos cinco anos de encerramento do anocalendário,
salvo nas hipóteses de dolo, fraude e simulação, o que não ocorre no presente caso.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2102-001.205
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR
provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: Francisco Marconi de Oliveira
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LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. O imposto sobre a renda pessoa física é tributo sob a modalidade de lançamento por homologação e, sempre que o contribuinte efetue o pagamento antecipado, o prazo decadencial encerrase depois de transcorridos cinco anos de encerramento do anocalendário, salvo nas hipóteses de dolo, fraude e simulação, o que não ocorre no presente caso. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) Rubens Maurício Carvalho – Presidente substituto (ASSINADO DIGITALMENTE) Francisco Marconi de Oliveira – Relator EDITADO EM: 29/03/2011 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Rubens Maurício Carvalho (Presidente substituto), Núbia Matos Moura, Acácia Sayuri Wakasugi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Vanessa Pereira Rodrigues Domene e Francisco Marconi de Oliveira. Ausente justificadamente o Presidente, Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Assinado digitalmente em 29/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, 30/03/2011 por RUBENS MAURICI O CARVALHO 2 Relatório O contribuinte acima identificado foi autuado, por meio de Auto de Infração (fl. 45 a 48), em decorrência da revisão de sua Declaração de Ajuste Anual referente ao exercício 2000, anocalendário 1999, na qual foi efetuada a alteração, de ofício, nos valores do imposto de renda retido na fonte, sendo apurado imposto suplementar de R$ 2.220,00 (dois mil, duzentos e vinte reais) e multa de ofício de R$ 1.665,00 (mil seiscentos e sessenta e cinco reais), face a glosa de parte do IRRF compensado indevidamente. O contribuinte apresentou impugnação em primeira instância em 27 de setembro de 2005, alegando, preliminarmente, a decadência. No mérito, questiona não lhe caber a responsabilidade pela retenção na fonte, já que a fonte pagadora efetuou a retenção, pagandolhe apenas os rendimentos líquidos. Recorre também contra a multa de ofício, alegandoa abusiva e confiscatória em descompasso com o sistema infraconstitucional e a própria CF/1988. A 4ª Turma da DRJ/CTA decidiu, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito considerar procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido. No voto, o relator entende que, quanto à decadência, “o fato jurídico tributário somente considerase consumado por ocasião da entrega de rendimentos”, nos termos do art. 173, I, do CTN. Em relação à retenção na fonte, diz que “o contrato de locação estabelece disciplina apenas à relação econômicojurídica firmada pelas partes, não se prestando à comprovação do tratamento tributário que foi dado aos rendimentos oriundos desta transação”. Assim, que “as clausuras estipuladas no contrato, em hipótese alguma comprovam a retenção de valores a título de imposto de renda retido na fonte.” Fundamenta a sua decisão no art. 87 do RIR/1999, com matriz legal no art. 55 da Lei nº 7.450/1985; no art. 941 do RIR/1999, com matriz legal o art. 86 da Lei nº 8.981/1995; no art. 2º, §2º do RIR/1999; no art. 620 e §2º do RIR/1999; e nos arts. 118 e 121 do CTN. Quanto à multa, informa que a mesma foi aplicada e, consonância com o inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/1996. O recorrente recebeu ciência do julgamento em 22 de setembro de 2008 (fl. 83) e apresentou recurso no dia 10 de outubro do mesmo ano (fls. 84 a 101). Alega a necessidade de reforma na decisão recorrida, já que o AuditorFiscal procedeu a revisão da Declaração de Ajuste Anual referente ao exercício 2000, anocalendário 1999, por suposta dedução indevido do imposto de renda retido na fonte, constituindo o crédito tributário apenas em 26 de agosto de 2005, quando já se encontrava extinto, e apresenta três pontos de discordância, a seguir relatados: a) Decadência, já que é ao imposto de renda pessoa física sujeito ao lançamento por homologação aplicase o disposto no art. 150, §4º do Código Tributário Nacional (CTN). Para justificar sua tese cita ementas de acórdãos do Conselho de Contribuintes; b) Ausência de responsabilidade do recorrente na comprovação do recolhimento do IRRF, pois não cabe ao recorrente a prova do recolhimento do imposto e sim sua retenção, o que efetivamente ocorreu, conforme demonstram as cópias dos recibos de pagamento de aluguel já anexados, nos quais há expressa dedução do valor relativo ao imposto de Fl. 2DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Assinado digitalmente em 29/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, 30/03/2011 por RUBENS MAURICI O CARVALHO Processo nº 10980.010562/200541 Acórdão n.º 210201.205 S2C1T2 Fl. 104 3 renda retido. Justificando sua tese cita acórdãos do Conselho de contribuintes e dos REsps 652293/PR e 281.732, do STJ; e c) O caráter confiscatório da multa de ofício (75%), por ser abusiva e em descompasso com o sistema infraconstitucional e a própria Constituição Federal. Para justificar sua argumentação cita o resultado do Ac. 2002.84.00.097390/RN. da 3ª Turma do TRF 5ªRegião. Requer, por fim, que seja reconhecida a decadência do lançamento fiscal, ou não sendo este o entendimento, seja julgado procedente o lançamento fiscal na forma das razões expostas. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Assinado digitalmente em 29/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, 30/03/2011 por RUBENS MAURICI O CARVALHO 4 Voto Conselheiro Francisco Marconi de Oliveira Declarase a tempestividade, uma vez que a contribuinte interpôs recurso voluntário no prazo regulamentar. Atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o recurso. No auto de infração (fl. 45) apurouse, em decorrência de glosa do imposto de renda retido na fonte compensado indevidamente, o imposto suplementar de R$ 2.220,00 (dois mil, duzentos e vinte reais) e a multa de ofício de R$ 1.665,00 (mil seiscentos e sessenta e cinco reais). O contribuinte apresentou em 27 de abril de 2000, via internet (fl. 50), a Declaração de Ajuste Anual do imposto de renda das pessoas físicas, exercício 2000, ano calendário 1999, deduzindo do imposto devido o valor retido na fonte de R$ 9.084,77. Desse valor a fiscalização excluiu R$ 2.220,00, por falta de comprovação, em lançamento ocorrido em 26 de agosto de 2005. O contribuinte argui a decadência do crédito tributário nos termos do artigo 150, §4º do CTN, tese prevalente no âmbito da 2a Seção de Julgamento do CARF, quando há antecipação de pagamentos, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Assim dispõe o § 4º, do art. 150 do CTN: Art. 150. (...) § 4º. Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador, expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” (Grifo não original) De fato, quando cabe ao próprio beneficiário proceder ao recolhimento do imposto em prazo específico, caracterizadamente em um lançamento por homologação, a decadência será concebida pelo § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional – CTN, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Esse é o entendimento do STJ na ementa abaixo parcialmente transcrita: Ementa: .... Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, a fixação do termo a quo do prazo decadencial para a constituição do crédito deve considerar, em conjunto, os arts. 150, § 4º, e 173, I, do Código Tributário Nacional. .... II. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova defraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. ....” (STJ. REsp 395059/RS. Rel.: Min. Eliana Calmon. 2ª Turma. Decisão: 19/09/02. DJ de 21/10/02, p. 347.) O entendimento também está respaldado no julgado do STJ, abaixo, onde se firmou que a regra do art. 150, §4o, do CTN, só deve ser adotada nos casos em que o sujeito Fl. 4DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Assinado digitalmente em 29/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, 30/03/2011 por RUBENS MAURICI O CARVALHO Processo nº 10980.010562/200541 Acórdão n.º 210201.205 S2C1T2 Fl. 105 5 passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nos demais casos. Vejase a ementa do Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), de 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Fl. 5DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Assinado digitalmente em 29/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, 30/03/2011 por RUBENS MAURICI O CARVALHO 6 Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original) Ressaltase que o acórdão do REsp nº 973.733/SC foi submetido ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil, reservado aos recursos repetitivos, o que significa que essa interpretação deverá ser aplicada pelas instâncias inferiores do Poder Judiciário. E sendo assim, não há razões para que tenha entendimento diverso a instância máxima da esfera administrativa. Não procede as teses levantadas quanto à ausência de responsabilidade e ao caráter confiscatório. Uma, que se refere a ausência de responsabilidade do recorrente na comprovação do recolhimento do IRRF, por não haver nos autos quaisquer elementos convincentes que provem, se não o pagamento, mas pelo menos que ocorreu a retenção. A outra, que se refere ao caráter confiscatório da multa de ofício, por ser inaplicável na esfera administrativa. A vedação é orientada à elaboração da lei. Uma vez positivada a norma, é inaplicável o conceito. Entretanto, no caso em análise ocorreu a retenção do imposto de renda e ainda o recolhimento das parcelas do Imposto de Renda a Pagar (fl. 42 e 43). Assim, o fato gerador do imposto de renda auferido no anocalendário 1999 ocorreu em 31 de dezembro de 1999, decaindo em 31 de dezembro de 2004. Portanto, não há dúvida que, por ocasião do lançamento suplementar, já havia ocorrido a decadência do crédito tributário nos termos do art. 150, §4o, do CTN. Assim, conheço do recurso e voto no sentido de darlhe provimento. (ASSINADO DIGITALMENTE) Francisco Marconi de Oliveira Relator Fl. 6DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Assinado digitalmente em 29/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, 30/03/2011 por RUBENS MAURICI O CARVALHO
score : 1.0
Numero do processo: 10675.002158/2005-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Feb 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIASExercício: 2002EmentaPRAZO PRESCRICIONAL. FLUÊNCIA. TERMO INICIAL.Com a lavratura do auto de infração, consuma-se o lançamento do crédito tributário (art. 142 do CTN). Por outro lado, a decadência só é admissível no período anterior a essa lavratura; depois, entre a ocorrência dela e enquanto não for decidido o recurso administrativo de que se tenha valido a contribuinte, não mais corre prazo para decadência, e tampouco se iniciou a fluência de prazo para prescrição; apenas depois de decidido o recurso administrativo interposto pela contribuinte é que há a constituição definitiva do crédito tributário, a que alude o art. 174 do CTN, começando a fluir, daí, o prazo de prescrição da pretensão do Fisco.Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Numero da decisão: 1402-000.434
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Carlos Pelá.
Matéria: IRPJ - multa por atraso na entrega da DIPJ
Nome do relator: FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR
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FLUÊNCIA. TERMO INICIAL. Com a lavratura do auto de infração, consumase o lançamento do crédito tributário (art. 142 do CTN). Por outro lado, a decadência só é admissível no período anterior a essa lavratura; depois, entre a ocorrência dela e enquanto não for decidido o recurso administrativo de que se tenha valido a contribuinte, não mais corre prazo para decadência, e tampouco se iniciou a fluência de prazo para prescrição; apenas após decidido o recurso administrativo interposto pela contribuinte é que há a constituição definitiva do crédito tributário, a que alude o art. 174 do CTN, começando a fluir, daí, o prazo de prescrição da pretensão do Fisco. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Carlos Pelá. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator. Fl. 72DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/04/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE Assinado digitalmente em 28/04/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, 28/04/2011 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 10675.002158/200558 Acórdão n.º 140200.434 S1C4T2 Fl. 51 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, Antonio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Frederico Augusto Gomes de Alencar. Relatório Sindicato Trab Serv Pub Mun Grupiara/MG recorre a este Conselho contra decisão de primeira instância proferida pela 5ª Turma da DRJ1 Rio de Janeiro/RJ, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): “Versa o presente processo sobre o auto de infração (AI) de fl. 4, no qual é exigida da interessada acima identificada multa por atraso na entrega da Declaração de Informações – DIPJ, relativa ao exercício de 2002, anocalendário de 2001, no valor de R$ 500,00. 2. O lançamento tem o seguinte fundamento legal: art. 106, II, “c”, da Lei nº 5.172, de 25/10/1966 (CTN); art. 88 da Lei nº 8.981/95, art. 27 da Lei nº 9.532/97; art. 7º da Lei nº 10.426/2002 e Instrução Normativa SRF nº 166/99 – vide quadro 5 do AI. 3. Inconformada com a exigência, a interessada interpôs a petição de fls. 01 a 02, na qual alega, em síntese, que: i há vedação constitucional para a tributação, pela União, Estados e Municípios, do patrimônio, renda ou serviços das entidades sindicais dos trabalhadores, atendidos os requisitos da lei; ii os valores aplicados como penalidades não podem ser superior a valor do tributo e que não havendo tributo a ser cobrado não há penalidade a ser aplicada; iii a instituição não tem recursos financeiros para arcar com o ônus da multa e é uma entidade sem fins lucrativos; iv que a DIPJ foi entregue espontaneamente antes de qualquer ação fiscal. 4. Requer o acolhimento da impugnação e o cancelamento do AI. É o relatório.” A decisão de primeira instância, representada no Acórdão da DRJ nº 12 21.418 (fls. 2225) de 16/10/2008, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento, mantendo a multa de ofício de R$ 500,00, por atraso na entrega da Declaração de Informações – DIPJ, conforme entendimento a seguir ementado. “MULTA POR APRESENTAÇÃO FORA DO PRAZO DA DIPJ. O sujeito passivo que deixar de apresentar a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica nos prazos Fl. 73DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/04/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE Assinado digitalmente em 28/04/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, 28/04/2011 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 10675.002158/200558 Acórdão n.º 140200.434 S1C4T2 Fl. 52 3 fixados, ou a entregar após o prazo, sujeitarseá à multa por atraso na entrega.” Contra a aludida decisão, da qual foi cientificada em 06/02/2009 (A.R. de fl. 29), a interessada interpôs recurso voluntário em 06/03/2009 (fls. 30) onde alega, em apertada síntese, ter ocorrido a prescrição do débito, já que a data da entrega da DIPJ em referência teria ocorrido em 28/06/2002, e o julgamento do recurso se dera em 16/10/2008, com ciência pela recorrente em 06/02/2009. É o relatório. Voto Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar. O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele, portanto, tomo conhecimento. De se ressaltar, inicialmente, que o crédito tributário referente à multa ora discutida foi regularmente constituído por meio do auto de infração de fl. 04, cuja ciência à interessada se deu em 08/07/2005 (AR de fl. 08). Ora, a multa em discussão referese ao atraso na entrega da DIPJ, cujo termo final era 31/05/2002. A interessada, apenas em 28/06/2002, cumpriu a obrigação tributária de entrega da declaração ao Fisco, caracterizando o atraso ensejador da multa aplicada. Do exposto, vêse que a constituição do crédito tributário pelo Fisco se deu dentro do prazo qüinqüenal, donde não há que se cogitar a decadência do direito de o Fisco efetuar o lançamento. Ademais, também não há que se falar em prescrição da cobrança do crédito tributário, a teor do art. 174 do CTN. Isso porque o presente processo ainda não transitou em julgado na esfera administrativa, não havendo, dessa forma, a constituição em definitivo do crédito tributário, marco inicial para a fluência do prazo prescricional. Tal entendimento é assente na jurisprudência Pátria, conforme ementa representativa, transcrita a seguir, do Supremo Tribunal Federal. “Com a lavratura do auto de infração, consumase o lançamento do crédito tributário (art. 142 do CTN). Por outro lado, a decadência só é admissível no período anterior a essa lavratura; depois, entre a ocorrência dela e até que flua o prazo para a interposição do recurso administrativo, ou enquanto não for decidido o recurso dessa natureza de que se tenha valido o contribuinte, não mais corre prazo para decadência, e ainda não se iniciou a fluência de prazo para prescrição; decorrido o prazo para interposição do recurso administrativo, sem que ela tenha ocorrido, ou decidido o recurso administrativo interposto pelo contribuinte, há a constituição definitiva do crédito tributário, a que alude o art. 174, começando a fluir, daí, o prazo de prescrição da pretensão do Fisco. ....” (STF. ERE 94462/SP. Fl. 74DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/04/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE Assinado digitalmente em 28/04/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, 28/04/2011 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 10675.002158/200558 Acórdão n.º 140200.434 S1C4T2 Fl. 53 4 Rel.: Min. Moreira Alves. Tribunal Pleno. Decisão: 06/10/82. DJ de 17/12/82, p. 13.209.) Ante o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso apresentado pela contribuinte. Sala das Sessões, em 24 de fevereiro de 2011 (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator. Fl. 75DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/04/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE Assinado digitalmente em 28/04/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, 28/04/2011 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA
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Numero do processo: 18108.000441/2007-53
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1996 a 31/03/2006
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS. ART. 173, INCISO I, DO CTN.
O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212 de 1991.
Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, há que se observar o disposto no art. 173, inciso I do CTN.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2302-000.997
Decisão: ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda
Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, Por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado, reconhecendo a fluência do prazo decadencial nos termos do art. 173, inciso I do CTN. Vencido o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior que entendeu aplicar-se o art. 150, paragrafo 4 do CTN para todo o período. Para o período não decadente não houve divergência
Nome do relator: Marco André Ramos Vieira
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Recorrente FACULDADES METROTOPOLITANAS UNIDAS ASSOCIAÇÃO EDUCACIONAL Recorrida SRP SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1996 a 31/03/2006 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS. ART. 173, INCISO I, DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991. Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, há que se observar o disposto no art. 173, inciso I do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, Por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado, reconhecendo a fluência do prazo decadencial nos termos do art. 173, inciso I do CTN. Vencido o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior que entendeu aplicarse o art. 150, paragrafo 4 do CTN para todo o período. Para o período não decadente não houve divergência. Marco André Ramos Vieira Presidente e Relator Fl. 732DF CARF MF Emitido em 31/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco André Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva, Manoel Coelho Arruda Júnior, Adriana Sato. Ausente momentaneamente o Conselheiro Thiago Davila Melo Fernandes. Fl. 733DF CARF MF Emitido em 31/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 18108.000441/200753 Acórdão n.º 230200.997 S2C3T2 Fl. 407 3 Relatório A presente NFLD tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo dos segurados e da empresa, incluindo a relativa ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa em virtude dos riscos ambientais do trabalho, e a relativa a Terceiros, sobre a remuneração paga aos segurados empregados assim enquadrados pela fiscalização previdenciária, referentes ao período compreendido entre as competências janeiro de 1996 a março de 2006, fls. 191 a 196. Não conformado com a notificação, foi apresentada defesa, fls. 338 a 341. A DecisãoNotificação confirmou a procedência do lançamento, fls. 367 a 371. Não concordando com a decisão da Receita Previdenciária, foi interposto recurso, conforme fls. 377 a 389. Em síntese, o recorrente em seu recurso alega o seguinte: a) Houve cerceamento do direito de defesa, pois os autos do processo fiscal, necessária e obrigatoriamente, devem estar à disposição do contribuinte a partir da sua notificação, no endereço indicado na notificação de lançamento, e, comprovadamente, isto não ocorreu; b) Deve ser reaberto o prazo para impugnação; c) Restou caracterizada a refiscalização; Não foram apresentadas contrarazões. É o relato suficiente. Fl. 734DF CARF MF Emitido em 31/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheiro Marco André Ramos Vieira, Relator O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 393. Pressuposto de admissibilidade superado, passo ao exame das questões preliminares ao mérito. Quanto ao argumento recursal de que teria havido cerceamento do direito de defesa, pois os autos do processo fiscal não teriam ficado à disposição do contribuinte; não há provas nos autos de tal alegação. Não há provas de que o contribuinte teria solicitado cópia dos autos, ou acesso aos mesmos e teria sido negado tais pedidos pelo órgão fazendário. O que consta nos autos é justamente prova de que foram entregues ao contribuinte o relatório fiscal bem como todos os anexos que o compõem, conforme expressamente consignado à fl. 196. O extrato à fl. 363 apenas indica a relação de processos constantes no sistema da Procuradoria do INSS, os presentes autos em 12 de julho de 2006 não estavam na Procuradoria, mas sim ainda se localizavam na unidade da Receita Previdenciária. Além do mais, o termo Administrativo utilizado no extrato da Procuradoria é apenas para distinguir dos que já estão em cobrança judicial, por meio de execução fiscal. Assim, não há que ser reaberto o prazo para impugnação haja vista ter sido concedido à autuada todos os prazos regulamentares o que possibilitou o contraditório e a ampla defesa. Conforme informado pela Receita Previdenciária na decisão de primeira instância, não se tratou de procedimento de refiscalização. Na presente ação fiscal foram lavradas notificações que contemplam fatos geradores distintos daqueles levantados na ação fiscal anterior. A Receita Previdenciária informou que a ação fiscal anterior teve que ser encerrada em dezembro de 2.005 a fim de que pudessem ser efetuados os lançamentos referentes ao ano de 1.995, evitandose, assim, a decadência das contribuições previdenciárias. Mesmo que se considerasse uma refiscalização não há qualquer nulidade procedimental. Há previsão no Código Tributário Nacional, mais precisamente no art. 149, para que a fiscalização proceda à nova ação fiscal. O procedimento que confere origem à refiscalização independe da participação do sujeito passivo, portanto não há que lhe conferir ciência dos motivos que ensejaram o procedimento. Deve ser conferida ciência ao contribuinte do inicio da ação fiscal e da solicitação de documentos, fato que foi devidamente cumprido pela fiscalização no presente caso. Para período não abrangido pela fluência do prazo decadencial, sempre estará autorizada a Receita Federal proceder novas fiscalizações, conforme expressamente previsto no art. 149 do CTN. O contribuinte não ser informado do motivo de estar sendo fiscalizado não nulifica e nunca nulificou qualquer ação fiscal. Afinal não se pode esquecer que o procedimento fiscal possui natureza inquisitiva; o contraditório somente é conferido após a ciência do lançamento. Fl. 735DF CARF MF Emitido em 31/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 18108.000441/200753 Acórdão n.º 230200.997 S2C3T2 Fl. 408 5 Contudo, há que se reconhecer a fluência parcial do prazo decadencial. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991, nestas palavras: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme previsto no art. 103A da Constituição Federal a Súmula de n º 8 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n º 8.212, há que serem observadas as regras previstas no CTN. No presente caso tratase de tributo sujeito a lançamento por homologação, cujo pagamento não foi realizado, sendo necessário o lançamento de ofício. Por não ter pago, nem declarado em GFIP, os valores somente conseguiriam ser apurados em ação fiscal, daí a aplicabilidade do art. 173, inciso I do CTN, para efeitos da contagem do prazo decadencial. A obrigação não restou adimplida, no que concerne aos fatos geradores ocorridos no período de janeiro de 1996 a março de 2006. O lançamento foi realizado em julho de 2006. Caso o sujeito passivo não antecipe o pagamento, porque entende que o tributo não é devido, obviamente não haverá crédito a ser extinto por homologação. Seguindo a interpretação da 1a Seção do STJ (Recurso Especial n 973.733, cuja ementa foi publicada no DJe de 18/09/2009) contase do "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" (artigo 173, I, do CTN), o prazo qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário quando, a despeito da previsão legal para pagamento antecipado, o mesmo não ocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte. Pelo exposto encontramse atingidos pela fluência do prazo decadencial os fatos geradores apurados pela fiscalização ocorridos anteriormente à competência novembro de 2000, inclusive esta, bem como o décimo terceiro desse ano. A competência dezembro de 2000 não decaiu, pois o crédito somente poderia ser constituído após o vencimento, ou seja em 2 de janeiro de 2001; assim o prazo de decadência, para tal competência, possui como termo de início o primeiro dia do exercício seguinte, ou seja o dia 1o de janeiro de 2002, a qual findaria em 1o de janeiro de 2007. Fl. 736DF CARF MF Emitido em 31/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 Nesse sentido da contagem segue entendimento exarado pelo STJ nos Embargos de Declaração nos Embargos de Declaração no Agravo Regimental no Recurso Especial n 674.497, cuja ementa foi publicada nestas palavras: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. CONCLUSÃO: Pelo exposto voto por CONHECER do recurso do notificado, para no mérito CONCEDERLHE PROVIMENTO PARCIAL, reconhecendo que parte do lançamento já foi atingida pela fluência do prazo decadencial. É como voto. Marco André Ramos Vieira Fl. 737DF CARF MF Emitido em 31/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10920.001423/2006-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 31 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Mar 31 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Ano-calendário: 2006
EXCLUSÃO.
O exercício da atividade de cessão de mão-de-obra não autoriza a pessoa jurídica a ingressar e se manter no Simples
Numero da decisão: 1201-000.461
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. O Conselheiro Régis Magalhães Soares de Queiroz acompanhou pelas conclusões.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Marcelo Cuba Netto
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Ano-calendário: 2006 EXCLUSÃO. O exercício da atividade de cessão de mão-de-obra não autoriza a pessoa jurídica a ingressar e se manter no Simples
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2006 EXCLUSÃO. O exercício da atividade de cessão de mãodeobra não autoriza a pessoa jurídica a ingressar e se manter no Simples Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. O Conselheiro Régis Magalhães Soares de Queiroz acompanhou pelas conclusões. (documento assinado digitalmente) Claudemir Rodrigues Malaquias Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Claudemir Rodrigues Malaquias (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Rafael Correia Fuso, Marcelo Cuba Netto, Antonio Carlos Guidoni Filho e Regis Magalhães Soares de Queiroz. Relatório Fl. 206DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 26/04/2011 por MARCELO CUBA N ETTO Processo nº 10920.001423/200612 Acórdão n.º 120100.461 S1C2T1 Fl. 189 2 Tratase de recurso voluntário interposto nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72. Conforme descrito no despacho decisório de fls. 99/103 e no ato declaratório executivo de fl. 104, a contribuinte foi excluída do Simples, com efeitos a partir de 14/07/2004, em virtude de exercer atividade vedada pelo art. 9º, XII, “f”, da Lei nº 9.317/96, qual seja, a prestação de serviços de facção com locação/cessão de mãodeobra. A ação fiscal foi motivada pela representação de fls. 1/3, na qual a autoridade relata o seguinte: Desde a sua constituição, a atividade de fato exercida pela empresa consiste apenas em contratar empregados em seu nome e colocálos à disposição da LUNENDER S/A, sendo remunerada por "prestação de serviços de facção". Esta constatação decorre dos seguintes fatos apurados na NEON: a) prestação de serviço exclusivamente para a LUNENDER; b) está estabelecida em instalações da ANBELLI (empresa do grupo LUNENDER); c) todas as máquinas foram fornecidas pela LUNENDER a título de comodato, sem ônus; d) sua sócia majoritária, ALCIONE MARIA ZIMMERMANN ROCHA, foi empregada da LUNENDER, "demitida" antes de ingressar como sócia; e) todo o controle e processamento administrativo, financeiro e contábil é efetuado por empregados da LUNENDER, por exemplo: ARILDO BUZZI, do setor de pessoal, e RÉGIS AUGUSTO SCHIMANKO, da contabilidade; f ) a mãodeobra é seu único fator de produção relevante, e; g) foi constituída por capital social irrisório, de R$ 10.000,00. Portanto, apesar de constar em seus livros e documentos fiscais operações de entradas de mercadorias para industrialização por encomenda (CFOP 190.1) e de saídas como retorno de industrialização por encomenda (CFOP 590.2) ao único contratante (LUNENDER), a empresa se limita a fornecer a mãodeobra registrada em seu nome, remunerada mediante emissão mensal de nota fiscal de prestação de serviços (CFOP 512.4). Logo, restou caracterizada a cessão de mãodeobra, atividade vedada às empresas optantes pelo SIMPLES, conforme previsão do Art. 9°, XII, "f”, da Lei n° 9.317/96. Apresentada manifestação de inconformidade (fls. 110/124), a DRJ de origem decidiu pela procedência da exclusão (fls. 165/168). Inconformada, a autuada interpôs recurso voluntário (fls. 172/186) pedindo ao final seja anulado o ato de exclusão, sob as seguintes alegações, em síntese: a) a empresa tem como objeto social a confecção de artigos de vestuário – facção, entre outros, conforme atos constitutivos juntados, não podendo sua atividade ser confundida com a cessão de mãodeobra; b) a contribuinte em momento algum utilizou trabalho alheio, sendo que seus sócios e funcionários constam do quadro funcional da empresa; Fl. 207DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 26/04/2011 por MARCELO CUBA N ETTO Processo nº 10920.001423/200612 Acórdão n.º 120100.461 S1C2T1 Fl. 190 3 c) inexiste qualquer previsão legal que impeça uma determinada empresa de utilizar, por meio de contrato de comodato, maquinário de outro estabelecimento. Este argumento, por si só, não configura afronta alguma aos requisitos de admissibilidade ao Simples; d) o material fornecido pela empresa contratante restringese ao produto objeto do contrato de industrialização por encomenda; e) o fato de a ora requerente estar localizada em instalações da empresa ANBELLI é irrelevante, pois amparado em contrato de locação; f) o conceito de cessão de mãodeobra presente no art. 143 da IN SRP nº 3/2005 indica que os funcionários prestarão serviço nas dependências da empresa contratante ou em dependências de terceiros indicadas pela contratante, mas nunca nas dependências da contratada, como no presente caso; g) é ilegal a retroação dos efeitos da exclusão do Simples; h) a exclusão do Simples após decorridos dois anos da opção viola o princípio da segurança jurídica. Voto Conselheiro Marcelo Cuba Netto, Relator. 1) Da Admissibilidade do Recurso O recurso atende aos pressupostos processuais de admissibilidade estabelecidos no Decreto nº 70.235/72 e, portanto, dele devese tomar conhecimento. 2) Da Atividade Exercida pela Pessoa Jurídica Segundo os atos constitutivos da interessada, seu objeto social é “a exploração do ramos de atividade de Confecções de Artigos do Vestuário Facção, bem como a participação no capital de outras Sociedades nacionais ou estrangeiras, na condição de sócia, em caráter permanente ou temporário, como controladora ou minoritária” (fl. 17). Igualmente, os contratos celebrados com a empresa LUNENDER têm por objeto a prestação de “serviços de facção de costura de artefatos de malha” (fl. 43). Por sua vez, sua exclusão do Simples foi realizada em virtude de a autoridade haver concluído que, efetivamente, a empresa exerce a atividade de cessão de mãodeobra. Essa conclusão está fundada no seguinte conjunto fatos (fls. 2/3): a) a contribuinte presta serviços exclusivamente à empresa LUNENDER; b) está estabelecida nas instalações da empresa ANBELLI, do grupo LUNENDER; c) todo o maquinário utilizado na consecução de suas atividades pertence à empresa LUNENDER, que o cedeu à contribuinte a título de comodato, sem ônus; Fl. 208DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 26/04/2011 por MARCELO CUBA N ETTO Processo nº 10920.001423/200612 Acórdão n.º 120100.461 S1C2T1 Fl. 191 4 d) a sócia majoritária da empresa, Alcione Maria Zimmermann Rocha, foi empregada da LUNENDER, demitida antes de ingressar na sociedade; e) todo o controle e processamento administrativo, financeiro e contábil é efetuado por empregados da LUNENDER; f) a mãodeobra é seu único fator de produção relevante; g) foi constituída por capital social irrisório, de R$ 10.000,00. Em primeiro lugar é de se ressaltar que a recorrente não contestou a veracidade dos fatos acima elencados. Limitouse apenas a afirmar tais fatos não autorizam concluir que sua atividade seja a cessão de mãodeobra. Pois bem, os fatos narrados pela autoridade, quando examinados isoladamente, como quer a recorrente, realmente não permitiriam concluir que a atividade da empresa seja a cessão de mãodeobra. Entretanto, quando analisados em seu conjunto, autorizam afirmar ser essa a atividade efetivamente exercida pela contribuinte, e não a industrialização por encomenda. De fato, na industrialização por encomenda, via de regra, a prestadora dos serviços utiliza instalação e maquinário próprios. No caso sob exame, o maquinário é de propriedade da tomadora dos serviços, e as instalações pertencem a empresa do mesmo grupo econômico. Da mesma forma, é incomum na industrialização por encomenda que os serviços sejam prestados exclusivamente a uma única encomendante. Somese a isso o fato de a sócia majoritária da contribuinte ter sido empregada da tomadora dos serviços, bem como o fato de o controle e processamento administrativo, financeiro e contábil ser efetuado por empregados da tomadora dos serviços. Em verdade, a contribuinte tãosomente põe à disposição da LUNENDER, tomadora exclusiva, a mãodeobra necessária à consecução dos serviços de facção, serviço esse prestado mediante utilização de maquinário da própria LUNENDER, em estabelecimento pertencente à empresa do grupo LUNENDER. Tratase, portanto, de prestação de serviço de cessão de mãodeobra, que por meio de uma série de contratos, a contribuinte procurou fazer parecer prestação de serviço de industrialização por encomenda. Sendo a prestação de serviço de cessão de mãodeobra uma atividade que não admite a opção pelo Simples, correta a exclusão da contribuinte dessa forma unificada de pagamento de tributos e contribuições. 3) Dos Efeitos Temporais da Exclusão Não assiste razão à recorrente quando afirma ser ilegal a retroação dos efeitos da exclusão à data de constituição da empresa. Sobre o assunto, a Lei nº 9.317/96 assim prescreve: Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (...) Fl. 209DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 26/04/2011 por MARCELO CUBA N ETTO Processo nº 10920.001423/200612 Acórdão n.º 120100.461 S1C2T1 Fl. 192 5 XII que realize operações relativas a: (...) f) prestação de serviço vigilância, limpeza, conservação e locação de mãodeobra; (...) Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: (...) II a partir do mês subseqüente ao em que incorrida a situação excludente, nas hipóteses de que tratam os incisos III a XVIII do art. 9º; 4) Do Princípio da Segurança Jurídica Ao contrário do alegado pela defendente, não viola o princípio da segurança jurídica o fato de a Administração haver exarado o ato de exclusão após dois anos da data da opção pelo Simples. No que toca ao aspecto temporal, o princípio da segurança jurídica prescreve que não podem ser anuladas as relações entre os particulares, ou entre estes e o estado, quando decorrido determinado tempo de seu estabelecimento. É a chamada função estabilizadora do direito, desempenhada principalmente pelos institutos da prescrição e da decadência. A legislação do Simples não estabelece prazo prescricional ou decadencial do direito de o Fisco excluir a contribuinte que haja optado irregularmente por aquela forma simplificada de pagamento de tributos. Isso não significa, todavia, que a Administração poderá a qualquer tempo promover a exclusão, pois essa interpretação violaria o princípio da segurança jurídica. Entendo que o direito de a Fazenda realizar a exclusão do Simples decai no mesmo prazo em que decai o direito de efetuar o lançamento, já que não haveria interesse na exclusão se não pudesse exigir o correspondente crédito tributário. Como o prazo decadencial é de cinco anos, concluo que, no caso, não ocorreu a alegada violação ao princípio da segurança jurídica. 5) Conclusão Tendo em vista todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Fl. 210DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 26/04/2011 por MARCELO CUBA N ETTO Processo nº 10920.001423/200612 Acórdão n.º 120100.461 S1C2T1 Fl. 193 6 Fl. 211DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 26/04/2011 por MARCELO CUBA N ETTO
score : 1.0
Numero do processo: 10680.001094/00-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 22 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Feb 22 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Exercício: 1996, 1997, 1998
ANULAÇÃO DA DECISÃO DE 1ª. INSTÂNCIA. FALTA DE ANÁLISE DE TODOS OS PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO
Deve ser anulada a decisão de 1ª. instância que não se manifestou sobre todos os pedidos de compensação formulados pela contribuinte e vinculados ao crédito alegado.
Numero da decisão: 1202-000.484
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular o acórdão DRJ/BH 0218.518, e tornar sem efeito todas as demais peças processuais proferidas após o referido acórdão.
Matéria: CSL- que não versem sobre exigência de cred. trib. (ex.:restituição.)
Nome do relator: VALERIA CABRAL GEO VERCOZA
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INSTÂNCIA. FALTA DE ANÁLISE DE TODOS OS PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO Deve ser anulada a decisão de 1a. instância que não se manifestou sobre todos os pedidos de compensação formulados pela contribuinte e vinculados ao crédito alegado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular o acórdão DRJ/BH 0218.518, e tornar sem efeito todas as demais peças processuais proferidas após o referido acórdão. (Documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Presidente. (documento assinado eletronicamente) Valéria Cabral Géo Verçoza Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando José Gonçalves Bueno, Valéria Cabral Géo Verçoza, Carlos Alberto Donassolo, Flávio Vilela Campos, Nereida de Miranda Finamore Horta, Jaci de Assis Junior. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/03/2011 por VALERIA CABRAL GEO VERCOZA Assinado digitalmente em 30/03/2011 por VALERIA CABRAL GEO VERCOZA, 31/03/2011 por CARLOS ALBERTO DO NASSOLO 2 Relatório Tratase de pedido de compensação formulado pela recorrente em razão de saldo negativo de Contribuição Social apurado nos anos calendários 1995, 1996 e 1997, exercícios 1996, 1997 e 1998 respectivamente. Para melhor compreensão reproduzo abaixo o relatório contido no despacho decisório, que analisou a existência dos créditos alegados pela recorrente (fls.309 e 310). Trata o presente processo de pedido de restituição(fls. 01/05) de créditos próprios decorrentes de saldos negativos da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) no valor de R$ 508.681,97 relativos aos anoscalendários de 1995, 1996 e 1997, exercícios de 1996, 1997 e 1998, respectivamente. O valor acima mencionado é composto da seguinte forma, conforme informado pelo contribuinte: Saldo negativo do anocalendário de 1995: CNPJ: 52.226.073/000108: R$ 47.587,48 CNPJ: 05.447.834/000163: R$ 18.736,53 Saldo negativo do anocalendário de 1996: CNP.I: 52.226.073/000108: R$ 16.087,00 CNPJ: 05.447.834/000163: R$ 117.742,31 Saldo negativo do anocalendário de 1997: CNPJ: 52.226.073/000108: R$ 0,00 CNPJ: 05.447.834/000163: R$ 34.500,00 Aos valores acima o contribuinte aplicou a taxa Selic, chegando ao valor consolidado de R$508.681,97 em Fevereiro de 2000. Conforme explicitado pelo contribuinte à fls. 02 e de acordo com o Cadastro Nacional das Pessoas Jurídicas, A 'I'RICON Triunfo Componentes Eletrônicos S/A, CNPJ 52.226.073/000108 incorporou a BRASIF Eletronics S/A, CNPJ no 05.447.834/000163. Em maio/98, a TRICON Triunfo Componentes S/A incorporou a BRASIF S/A Exportação e Importação, CNPJ n" 20.515.441/000133, passando a assumir a razão social da incorporada. Posteriormente, em 14/06/2000, o contribuinte protocolou os pedidos de compensação de fls. 243(Cofins), com a vinculação da compensação aos créditos do processo 10680.001094/0012. Constatouse, ainda, que o contribuinte ingressou com pedidos de compensação entre os créditos do presente processo com débitos de terceiros (CNPJ 27.197.888/000150) por meio dos processos n°10680.009657/200416, 10768.001401/0079, e 10768.000653/0026. O despacho decisório, emitido em 07/12/2007, deixou de homologar a compensação de uma pequena parte dos créditos pleiteados pelos motivos abaixo expostos: 1) Crédito indicado pelo contribuinte relativo ao ano de 1995 (exercício 1996) Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) : O contribuinte apurou, em sua DIPJ, CSLL, a pagar de R$87.262,34, conforme ficha 11(fls. 265), tendo sido esse valor quitado em 30/04/96. Os valores recolhidos com base na receita bruta e acréscimos totalizam R$153.249,21, com a Fl. 2DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/03/2011 por VALERIA CABRAL GEO VERCOZA Assinado digitalmente em 30/03/2011 por VALERIA CABRAL GEO VERCOZA, 31/03/2011 por CARLOS ALBERTO DO NASSOLO Processo nº 10680.001094/0012 Acórdão n.º 120200.484 S1C2T2 Fl. 402 3 atualizações pela Ufir. Entretanto, pelo demonstrativo de fls. 02, apurou saldo credor de R$18.736,53. Assim, o resultado final deve ser: CSLL a pagar(apurada pelo contribuinte): R$234.018,64 () Valor recolhido em 30/04/96: (R$87.262,34) (=) Saldo devedor: R$146.756,00 ()Estimativas recolhidas (R$153.249,21) (,)Saldo credor remanescente R$6.493,21 2) Contribuição Social sobre o Lucro Líquido(CSLL)Anocalendário de 1996: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido(CSLL)Anocalendário de 1996 Com relação ao anocalendário de 1996, o contribuinte recolheu efetivamente a importância de R$226.893,00 a título de CSLL apurada com base na receita bruta e acréscimos, que, confrontada com a CSLL, devida na DIPJ (ficha 11, fls. 271), resulta em um saldo negativo(credor) de R$115.574,95. Assim foi negado o reconhecimento das seguintes importâncias: 1) Anocalendário de 1995: R$ 12.243,32 (R$ 18.736,53 – R$ 6.493,21) 2) Anocalendário de 1996 R$ 2.167,36 (R$ 117.742,31 – R$ 115.574,95). Em sua manifestação de inconformidade, a contribuinte alega que equivocou se o julgador ao desconsiderar essa pequena parcela de crédito por ela pleiteada. Vejamos seus argumentos (fls. 332 e seguinte): Incorreções Cometidas na Decisão Recorrida no Tocante aos Créditos Tributários Advindos da Brasif Eletronics S/A dos Anos Calendários de 1996 [sic] e 1997 [sic]. 3.1. Destarte, como primeiro ponto a merecer reparo naquele despacho, sobreleva que, no tocante ao anocalendário de 1995, a REQUERENTE solicitou a restituição/compensação de R$ 18.736,53, relativos a valores recolhidos indevidamente pela sua incorporada BRASIF Eletronics S/A, tendo a r. decisão recorrida reconhecido a procedência tão somente de R$ 6.493,21, partindo do pressuposto de somente terem sido recolhidos, segundo a DIPJ do anocalendário de 1995 da mencionada empresa, R$ 234.818,64 2 a titulo de CSLL. 3.1.1 Analisando, porém, os DARF de pagamento daquela contribuição no período, encontrase o total de R$ 253.555,17 (vide DARF de fls. 38/55), devendo se essa diferença a desconsideração, no r. despacho decisório, dos recolhimentos de multa e juros, os quais, a teor do § 1° do art. 2° da Instrução Normativa SRF n° 600/2005, também são passíveis de restituição/compensação, nos seguintes termos: "Art. 2o. Poderão ser restituídas pela SRF as quantias recolhidas a título de tributo ou contribuição sob sua administração, nas seguintes hipóteses: I cobrança ou pagamento espontâneo indevido ou em valor maior que o devido; Fl. 3DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/03/2011 por VALERIA CABRAL GEO VERCOZA Assinado digitalmente em 30/03/2011 por VALERIA CABRAL GEO VERCOZA, 31/03/2011 por CARLOS ALBERTO DO NASSOLO 4 II erro na identificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. § 1o. Também poderão ser restituídas pela SRF, nas hipóteses mencionadas nos incisos I a III, as quantias recolhidas a título de multa e de juros moratórios previstos nas leis instituidoras de obrigações tributárias principais ou acessórias relativas aos tributos e contribuições administrados pela SRF." (...) 3.2 Nesse mesmo erro incorreu o Julgador. a quo em relação ao ano calendário de 1996 pois, ao acatar o valor de R$ 115.574,95, quando a REQUERENTE solicitava R$ 117.742,31, não levou em conta os valores recolhidos a título de multa e juros naquele anocalendário (fls. 56 a 74), que pelos motivos acima expostos devem ser restituídos e/ou aceitos em compensação. (...) 4. Na Data em que a Requerente Foi Cientificada do Despacho Decisório Contestado Algumas Compensações Já Estavam Homologadas Tacitamente. 4.1. Esses, porém, não são os únicos vícios a contaminar o despacho atacado. 4.1.1. Isso porque, a compensação, como modalidade de extinção de créditos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal, encontrase regulada pelo artigo 74 da Lei n° 9.430/96, vazado na seguinte dicção, com a redação que lhe foi dada pelas Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003: "Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1o. A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo,de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados • § 2o. A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) § 4o. Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. § 5o. O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/03/2011 por VALERIA CABRAL GEO VERCOZA Assinado digitalmente em 30/03/2011 por VALERIA CABRAL GEO VERCOZA, 31/03/2011 por CARLOS ALBERTO DO NASSOLO Processo nº 10680.001094/0012 Acórdão n.º 120200.484 S1C2T2 Fl. 403 5 4.2. Deveras, como se verifica do § 4° desse dispositivo, os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa em 30.12.2002 (data da publicação da Lei n° 10.637/2002), como era o caso dos de fls. 243 destes autos e os Pedidos de Compensação objeto dos processos n°s 10768.00140110079 e 10768.00065310026, foram considerados declarações de compensação desde os seus protocolos. 4.3. O § 5o. do mesmo artigo (com redação dada pela Lei n° 10.833/2003), estabeleceu que o prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. 4.4. Dessa forma, tendo os Pedidos de Compensação de fls. 243 e os constantes dos processos apensos n° 10768.001401/0079 e 10768.000653/0026 sido protocolizados no curso do ano de 2000, desde o ano de 2006 os créditos tributários neles compensados estavam homologados tacitamente e definitivamente extintos, sendo, portanto, nulo porque carente de objeto o Despacho Decisório ora combatido nesse particular, uma vez que dele a REQUERENTE só foi cientificada no dia 24.01.2008. Em 24 de julho de 2008, a 4a. Turma da DRJ/BHE por unanimidade de votos, homologou a compensação pleiteada nos termos do voto do relator a seguir transcrito: (fl. 361 v.) (...) verificase que o pleito da interessada, em grande parte, já se encontra atendido pelo Despacho Decisório contra o qual se insurge a empresa. Como visto, determina o § 4° do artigo 74 da Lei n.° 9.430, de 1996, fossem considerados declarações de compensação, desde o seu protocolo, os pedidos de pedidos neste sentido que, a exemplo daquele de fl. 243, ainda pendessem de apreciação pela autoridade administrativa. Por conseguinte, o respectivo débito encontrase extinto por compensação ex tunc, achandose tal compensação homologada por decurso in albis do prazo homologatório estipulado pelo § 5°, acima transcrito, dado que, entre a protocolização deste pedido (14 de junho de 2000) e a prolação do Despacho Decisório por parte da DRF — aperfeiçoado com sua ciência pela interessada, em 24 de janeiro de 2008— transcorreram mais de cinco anos. Desta forma, voto por considerar homologada a compensação na parte trazida à apreciação deste Colegiado ficando assim sem objeto as demais alegações da interessada. Cientificada em 12 de agosto de 2008, a contribuinte, em 08 de setembro de 2008 protocolizou petição dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte para que fosse complementada a decisão de 1a. Instância, que teria reconhecido a homologação tácita de todos os pedidos de compensação protocolados. Explica seu receio com relação ao entendimento da DERAT/RJ que supostamente não acata a oposição de manifestação de inconformidade contra o indeferimento de compensações de créditos com débitos de terceiros. Vejamos abaixo a transcrição do argumento da contribuinte: (fl. 366) Fl. 5DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/03/2011 por VALERIA CABRAL GEO VERCOZA Assinado digitalmente em 30/03/2011 por VALERIA CABRAL GEO VERCOZA, 31/03/2011 por CARLOS ALBERTO DO NASSOLO 6 5. Proferido, porém, posteriormente, o Acórdão n° 0218.518, a REQUERENTE está convicta de que nele foram reconhecidas homologadas também essas compensações. 5.1. Todavia, conhecedora do entendimento da DERAT/RJ de que Manifestação de Inconformidade não pode ser oposta ao indeferimento das compensações de créditos com débitos de terceiros e levando em conta que o r. voto condutor daquele acórdão referiuse expressamente apenas ao pedido de fls. 243 e declarou "sem objeto as demais alegações da interessada", a REQUERENTE, para prevenir discussões na execução do julgado, suplica que V.Sas. complementem o citado acórdão esclarecendo explicitamente que as compensações efetuadas com débitos de terceiros ao amparo do então vigente art. 15 da IN n° 21/95 estão igualmente homologadas. É o relatório. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/03/2011 por VALERIA CABRAL GEO VERCOZA Assinado digitalmente em 30/03/2011 por VALERIA CABRAL GEO VERCOZA, 31/03/2011 por CARLOS ALBERTO DO NASSOLO Processo nº 10680.001094/0012 Acórdão n.º 120200.484 S1C2T2 Fl. 404 7 Voto Conselheira Valéria Cabral Géo Verçoza O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Da leitura dos autos verificase que a parte litigiosa é a diferença não reconhecida no despacho decisório como crédito existente em nome da Recorrente. Levado a julgamento em 1a. Instância o litígio, a 4a. Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte reconheceu a homologação tácita pelo decurso de prazo entre a protocolização dos pedidos de compensação e a ciência do Despacho Decisório por parte da contribuinte, entretanto não se manifestou especificamente sobre a compensação com débitos de terceiros. A decisão de 1a. Instância restou assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO CSLL Exercício: 1996, 1997, 1998 Compensação Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo e serão considerados homologados em 5 anos, contados desta data. Compensação Homologada Da leitura da fundamentação verificase que as alegações da contribuinte quanto à existência do crédito não foram examinadas uma vez que o voto condutor da decisão de 1a Instância considerou que as mesmas restaram prejudicadas frente ao reconhecimento da ocorrência da homologação tácita. Entretanto, o que se verifica no caso em apreço, é que a decisão de 1a. Instância deve ser anulada em razão de não haver apreciado a matéria relativa à compensação de créditos do presente processo com débitos de terceiros, o que acarretaria a supressão de instância, que não se pode admitir. Isso posto, voto por anular o acórdão DRJ/BH 0218.518, e tornar sem efeito todas as demais peças processuais proferidas após o referido acórdão. (documento assinado digitalmente) Valéria Cabral Géo Verçoza Fl. 7DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/03/2011 por VALERIA CABRAL GEO VERCOZA Assinado digitalmente em 30/03/2011 por VALERIA CABRAL GEO VERCOZA, 31/03/2011 por CARLOS ALBERTO DO NASSOLO 8 Fl. 8DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/03/2011 por VALERIA CABRAL GEO VERCOZA Assinado digitalmente em 30/03/2011 por VALERIA CABRAL GEO VERCOZA, 31/03/2011 por CARLOS ALBERTO DO NASSOLO
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