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Numero do processo: 13053.000041/2002-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Aug 26 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2000
DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO EM PARTE. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL DAS COMPENSAÇÕES
Confirmado, após diligências, a disponibilidade de parte do SNIRPJ/AC 2000 pleiteado, há que se reconhecer o direito creditório neste valor e homologar as compensações até o limite do crédito reconhecido.
Numero da decisão: 1302-001.964
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Relator.
LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Presidente.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Ana de Barros Fernandes Wipprich, Alberto Pinto Souza Júnior, Marcelo Calheiros Soriano, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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HOMOLOGAÇÃO PARCIAL DAS COMPENSAÇÕES Confirmado, após diligências, a disponibilidade de parte do SNIRPJ/AC 2000 pleiteado, há que se reconhecer o direito creditório neste valor e homologar as compensações até o limite do crédito reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR – Relator. LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Presidente. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Ana de Barros Fernandes Wipprich, Alberto Pinto Souza Júnior, Marcelo Calheiros Soriano, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix Relatório Este processo foi objeto de diligência, conforme Resolução nº 1302000.324, a fls. 555, cujo o relatório e voto do Conselheiro Márcio Frizzo assim versa: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 05 3. 00 00 41 /2 00 2- 01 Fl. 1767DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/0 8/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/08/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO 2 “Tratase de recurso voluntário. Na origem foi entregue pela Recorrente, em 04/02/2002 (fls. 02/03), PER/DCOMP a fim de compensar saldo de Imposto de Renda Retido na Fonte sobre operações financeiras (R$ 1.392.699,37 – valor original) do anocalendário de 2000, não utilizado na liquidação do IRPJ, com suas obrigações tributárias relativas à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido do período de janeiro a abril de 2001, juntando os comprovantes de retenção emitidos pelas fontes pagadoras (fl. 04/40). Posteriormente, a fim de comprovar melhor os valores declarados, a Recorrente foi intimada a apresentar cópias dos documentos de retenção na fonte, inclusive aplicações financeiras (fls. 95/96). Assim, em atendimento a intimação supra, a Recorrente apresentou os documentos jungidos aos autos nas fls. 97/125, complementando aqueles já apresentados junto ao PER/DCOMP. A RFB ainda intimou a Recorrente a informar a existência de demanda judicial que tivesse como objeto o pleito de quaisquer créditos relativos aos exercícios de 2000 e 2001 (fls. 126/127), sendo que a resposta foi negativa (fls. 130). Após o Parecer DRF/NHO/Saort nº 273/2005 (fl. 144/146) emitido pela Secretaria de Orientação e Análise Tributária (Saort), foi proferido Despacho Decisório pela Delegacia da Receita Federal em Novo Hamburgo/RS (fl. 147), como segue: ‘Tendo em vista a autorização contida no art. 250 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria n° 30, de 25 de fevereiro de 2005 e com base no Parecer DRF/NHO/Saort n° 273/2005 que aprovo, RETIFICO, DE OFÍCIO, nos termos do artigo 147, §2° do CTN, a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica — DIPJ 2001, anocalendário 2000, entregue em 08/11/2005, para alterar, conforme demonstrado, os valores da ficha 12A. Ao mesmo tempo, DENEGO o pedido de restituição de saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2000, apurado através de Inn/2001 [sic], tendo em vista a integral utilização do mesmo em períodos posteriores. Por conseguinte, NÃO HOMOLOGO a compensação solicitada.’ Intimada do despacho decisório em 19/12/2005 (fl. 152), a Recorrente apresentou tempestivamente manifestação de inconformidade (fl. 155/158) alegando, em síntese, que não teria sido demonstrada a utilização do saldo negativo, tendo aautoridade[sic] fiscal violado o princípio da verdade material, bem como a violação do princípio constitucional do contraditório e ampla defesa pela falta de elementos para a elaboração de sua defesa. Posteriormente, ainda dentro do prazo de 30 dias (13/01/2006), a Recorrente juntou uma manifestação de inconformidade complementar (fl. 197/200), na qual aduziu, resumidamente: (i) Que é falsa a conclusão do auditor fiscal de que os créditos existentes serviram integralmente para compensar estimativas de IRPJ devidas nos meses de fevereiro a maio do ano calendário de 2001; Fl. 1768DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/0 8/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/08/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 13053.000041/200201 Acórdão n.º 1302001.964 S1C3T2 Fl. 1.768 3 (ii) Que o que ocorreu em verdade foi a indevida informação, na DCTF daquele trimestre, da origem dos créditos utilizados para quitar o IRPJ/2001, que acarretou na falsa premissa de negação do pretendido crédito; (iii) Que, em função do Parecer em comento, foi possível a Recorrente identificar a informação indevida e a correspondente correção, por meio de três novas DCTF's, entregues em 06/01/2006, conforme documentos anexos àquela manifestação (fls. 202/384); (iv) Que a partir das três novas DCTF's que comprovaram os créditos de IRRF existentes em 31/12/2000 provenientes de retenções havidas desde 1992, era correto afirmar que os débitos de IRPJ, anobase 2001, foram quitados, em parte, por estes últimos (IRRF 1992 a 2000), e o restante dos créditos restam disponibilizados para pagamento da CSLL de janeiro a abril de 2001, conforme pedido original; No entanto a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, nos termos da ementa do acórdão proferido pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamentos de Porto Alegre (DRJ/POA), que se transcreve abaixo (fl. 390/393): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2000 PRINCÍPIOS DA VERDADE MATERIAL E DA AMPLA DEFESA. Decisão fundamentada em dispositivos da legislação tributária vigente e prova documental não fere os princípios da verdade material e da ampla defesa, ainda mais quando a contribuinte teve acesso a todos os dados e pode se manifestar a sua inconformidade com o resultado da apreciação. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. Intimada da decisão supratranscrita em 25/08/2010 (fl. 398), a Recorrente apresentou então, recurso voluntário em 17/09/2010 (fl. 406/421) e documentos de fl. 422/549, no qual ventila as seguintes razões, em resumo: (i) Preliminarmente, que deve ser mitigada a suposta preclusão consumativa decidida pela DRJ/POA, pois é legítima e legal a complementação de razões em manifestação de inconformidade por disposição analógica do disposto no art. 16, § 4º, do Decreto n. 70.235/1972, que permite a hipótese de complementação documental em situações especiais, bem como por aplicação do princípio da verdade material; (ii) Que a Recorrente abre mão da divergência existente quanto ao valor do crédito (R$ 50.278,39), decorrente da não aceitação pela Saort de dois documentos apresentados para comprovar tal quantia, reconhecendo como válida a retificação de oficio da Fl. 1769DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/0 8/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/08/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO 4 DIPJ/2001 para alterar o valor do saldo negativo de IRPJ para R$ 3.213.312,45; (iii) Que resta incontroverso a existência e validade do crédito objeto do Pedido de Restituição (fl. 02), num montante de R$ 1.392.699,37, sem atualização, e do restante do saldo negativo de IRPJ, ano calendário 2000, apurado após o ajuste anual; (iv) Que se demonstra que o crédito incontroverso (R$ 3.213.312,45) não foi totalmente utilizado para compensar débitos da Recorrente de imposto de renda mensal pago por estimativa no anobase 2001, mas que restou em parte livre para ser usado no pedido de compensação (fl. 02) no presente processo. (v) Que o IRPJ do anobase 2001 também é objeto de análise no processo administrativo n. 13897.000791/20022 [sic], estando atualmente em fase de manifestação à diligência; (vi) Que no referido processo há análise de Imposto de Renda Retido na Fonte do anobase 2001, juntado nestes autos de forma complementar (art. 16, § 4º, do Decreto n. 70.235/1972); (vii) Que são comprovados os pagamentos realizados do IR Estimativa do anobase 2001 com apresentação de documentos e planilhas (fls. 544/549), bem como a origem dos créditos utilizados para pagamento e indicação da respectiva folha do processo onde consta tal comprovação e/ou indicação de documento que comprovam os respectivos pagamentos; (viii) Que o IRPJ do anobase de 2001 foi pago em grande parte com outros créditos que em nada dizem respeito ao crédito objeto do PER/DCOMP (fls. 02/03); (ix) Que a Recorrente cometeu simples erro no preenchimento das DCTF’s, não existindo espaço para se dizer que em 2006 a ora Recorrente estava efetivando nova compensação e que deveria ter as efetivado mediante nova apresentação de PER/DCOMP; (x) Requereu a realização de diligência de perícia neste caso, com base no princípio da verdade material, para revisão do anocalendário 2001 e para verificação da forma como o IRPJ foi pago no período em comento; (xi) Por fim requereu a procedência dos pedidos formulados no recurso voluntário. (...) O recurso voluntário apresentado é tempestivo e apresenta todos os requisitos de admissibilidade, então dele conheço. Saliento, primeiramente, que o Parecer DRF/NHO nº 273/2005 (fl. 144/146), proferido pela Saort, bem como o Despacho Decisório de fl. 147, originariamente compreenderam que os créditos relativos ao saldo negativo de IRPJ (devidamente reconhecidos no montante de R$ 3.213.312,45) já teriam sido integralmente compensados com os débitos mensais de IRPJ, apurado por estimativa, de fevereiro a maio do anocalendário de 2001. Fl. 1770DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/0 8/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/08/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 13053.000041/200201 Acórdão n.º 1302001.964 S1C3T2 Fl. 1.769 5 Após os trâmites processuais e apresentação de manifestação de inconformidade pela Recorrente, tal entendimento foi confirmado pelo acórdão de fls. 390/393, nos termos abaixo transcritos (trecho constante à fl. 393): (...) Além do mais, em seu arrazoado complementar, a contribuinte alegou que teria informado incorretamente os créditos utilizados para quitar o IRPJ/2001 e que em função do Parecer contestado teria sido possível identificar a informação indevida e efetuar a correção por meio de três novas DCTFs, entregues em 06/01/2006. Ocorre que o despacho de fl. 145 foi emitido à vista da situação espelhada pelos bancos de dados da RFB, onde constava o registro da utilização do crédito pleiteado para quitação de débitos relativos ao anocalendário 2001, sendo, portanto, correto o entendimento da DRF Novo Hamburgo, no sentido de denegar a restituição e não homologar a compensação pleiteada. (...) (grifo não original). Este ponto foi refutado pela parte Recorrente em sede de recurso voluntário, conforme se depreende da fundamentação de fl. 416/418, cujo trecho transcrevo abaixo: (...) cabe agora esclarecer o efetivo destino do respectivo crédito, demonstrandose que o mesmo não foi totalmente utilizado para compensar débitos do imposto de renda mensal pago por estimativa do anobase de 2001 (o "IR Estimativa"), conforme sustentado pela SAORT e pela DRFJ, mas sim restou em parte livre para ser usado no Pedido de Compensação (fl. 02) no presente processo. Por primeiro, importante ressaltar que o IRPJ do anobase 2001 é objeto de análise no processo administrativo n. 13897.000791/20022, (i) tendo tal processo sido instruído pela DRF de Novo Hamburgo conjuntamente ao presente processo, conforme consta no Termo de Intimação à fl. 124, (ii) tendo a SAORT emitido Parecer DRF/NHO/Saort n. 27/4/2006 sobre tal período, conforme documento em anexo (Anexo II), (iii) tendo a Recorrente apresentado Manifestação de Inconformidade, conforme cópia em anexo (Anexo III), (iv) tendo tal processo sido baixado em diligência pela DRFJ, conforme cópia do Relatório de Diligência DRF/SCS/Saort n. 027/2008 em anexo (Anexo IV), e (v) tendo a Recorrente apresentado Manifestação Diligência Saort n. 027/2008, conforme cópia em anexo (Anexo V). Por segundo, vejamos que no anobase de 2001 existia imposto de renda retido na fonte, conforme planilha abaixo, cujos comprovantes, apenas por precaução, são anexados ao presente recurso (Anexo VI), nos termos do artigo 16, § 4°, do Decreto n. 70.235, de 1972, eis que não dizem efetivamente respeito ao Fl. 1771DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/0 8/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/08/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO 6 presente processo, mas sim ao já referido processo n. 13897.0001791/200242 (...). Por terceiro, admitindo a existência dos créditos originados do imposto de renda retido na fonte supra referido, bem como a existência de créditos oriundos de pagamentos a maior de IRPJ de anos anteriores, conforme já apresentado na manifestação de inconformidade complementar (às fls. 216 a 309), vejamos como que a Recorrente pagou o IR Estimativa do anobase de 2001, apresentando abaixo e em anexo (Anexo VII) planilha com a Ficha "11" da DIPJ 2002, de cada um dos meses daquele ano base de 2001, a origem dos créditos utilizados para pagamento e indicação da respectiva folha do processo onde consta tal comprovação e/ou indicação do documento que comprova os respectivos pagamentos e são anexados ao presente recurso, nos termos do artigo 16, § 4°, do Decreto n. 70.235, de 1972, (Anexos VIII a XII), conforme segue (...). Por quarto, apenas por precaução, vejamos a Ficha "12A" da DIPJ 2002, que demonstra o cálculo do imposto de renda daquele período, conforme segue. (...). Em síntese, a realidade Mica é de que o IRPJ do anobase de 2001 foi pago em grande parte com outros créditos que em nada dizem respeito ao crédito restituído e analisado no presente processo e que a parcela objeto do Pedido de Restituição (fl. 01) permanece disponível para uso e fruição da Recorrente no Pedido de Compensação (fl. 02). (grifos originais). Temse, pois, que a RFB indeferiu o pedido de compensação dos créditos relativos a saldo negativo de IRPJ em favor da Recorrente em 19/12/2005, já que teria ocorrido utilização desse saldo negativo com a quitação do IRPJ/2001. No entanto, a Recorrente alega que havia retificado em 08/11/2005 a DIPJ/2001, nos termos da legislação então vigente, alterando na ficha "12A linhas 13 e 18" o valor do imposto de renda retido na fonte do anocalendário de 2000 (Apuração Anual – extrato às fl. 68/69). Informou ainda a Recorrente que, identificado erro no preenchimento das DCTFs respectivas ao anoexercício de 2000, realizou sua correção por meio de DCTF’s retificadoras, entregues em 06/01/2006 (constantes às fls. 203/236). A jurisprudência deste Conselho é pacífica quanto à possibilidade de retificação da DCTF mesmo após a entrega da PER/DCOMP, desde que haja comprovação cabal da liquidez e da certeza do direito ao crédito pleiteado, pois a declaração por si só não prova a liquidez e certeza do crédito a restituir. Em outras palavras, ainda que as informações declaradas em DCTF não atestem o direito creditório do contribuinte informado em PER/DCOMP, mesmo assim há o direito a repetição do indébito se ficar demonstrado por outros meios a existência inequívoca do crédito a ser repetido. É que se aduz dos julgados abaixo, por exemplo: Fl. 1772DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/0 8/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/08/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 13053.000041/200201 Acórdão n.º 1302001.964 S1C3T2 Fl. 1.770 7 (...) Portanto, no presente caso, a despeito das informações lançadas nas DCTFs originais, posteriormente retificadas (fls. 203/236), uma vez já reconhecido expressamente a existência do saldo de prejuízo fiscal a compensar referente ao anocalendário de 2000 (R$ 3.213.699,37), após a retificação de ofício da DIPJ/2001 da Recorrente, nos termos do Parecer DRF/NHO/Saort nº 273/2005 (fl. 144/146) e do Despacho Decisório (fl. 147), importa apenas verificar se houve sua utilização integral ou parcial para compensação do IRPJ do anocalendário de 2001. Segundo demonstrou a Recorrente, a apuração e pagamento do IRPJ do anocalendário de 2001 é objeto de análise do processo administrativo n.º 13897.000791/20022 [sic], sendo que foram colacionados ao recurso diversos documentos supostamente referentes àquele processo (fls. 454 e seguintes). É notável que nestes documentos apresentados pela Recorrente (fls. 461/462), como sendo do processo administrativo n.º 13897.000791/20022[sic], a RFB teria se manifestado quanto ao montante do crédito de prejuízo fiscal de IRPJ referente ao ano calendário de 2000 utilizado para compensar o IRPJ/2001 (ponto controverso neste processo), como se destaca do excerto abaixo: (...) Portanto, as compensações de IRPJ anobase 2001, sob o código 2362, com crédito de saldo negativo de IRPJ do anobase 2000, podem ser consideradas procedentes, para a análise do valor das estimativas pagas, e incluído na Linha 16 da Ficha 12A da DIPJ/2002. A Tabela 2 a seguir resume as considerações acima cerca dos valores relativos a Imposto de Renda Mensal pago por Estimativa, a ser deduzido do imposto devido no ajuste anual (Linha 16 da Ficha 12A da DIPJ/2002). (...) Segundo a tabela 2 citada acima (fls. 462), analisando a liquidação dos saldos de IRPJ a pagar no anocalendário de 2001, a RFB teria considerado procedentes as compensações de IRPJ/2001 com crédito de saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2000, nos seguintes valores: Exercício Valor Total do Débito Forma de Liquidação Fev/01 R$ 842.505,78 R$ 536.613,33 – Compensação com saldo negativo AC 2000 Mar/01 R$ 583.654,95 R$ 518.575,02– Compensação com saldo negativo AC 2000 Abr/01 R$ 2.270.636,43 R$ 916.380,67– Compensação com saldo negativo AC 2000 Fl. 1773DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/0 8/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/08/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO 8 Mai/01 R$ 2.224.965,49 R$ 87.025,55– Compensação com saldo negativo AC 2000 Total R$ 2.058.594,57 Desta maneira, acaso tais informações estejam corretas, restariam incontroversas as alegações da Recorrente de que não teria utilizado todo o saldo negativo de IRPJ referente ao anocalendário de 2000 para pagamento/compensação de IRPJ/2001. Portanto, a fim de confirmar a veracidade das informações juntadas aos autos e, outrossim, de verificar a existência do direito creditório pleiteado pela Recorrente, entendo pertinente converter o julgamento em diligência para que a DRF de origem tome as seguintes providências: a) Confirmar se a RFB considerou procedente as compensações do IRPJ/2001 com crédito de saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2000, no valor de R$ 2.058.594,97, conforme o parecer juntado pela Recorrente, de n.º 274/2006 (fls. 454 e seguintes), como oriundo do processo administrativo n.º 13897.000791/20022; b) Verificar se o saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2000 não foi eventualmente utilizado para compensar créditos tributários devidos pela Recorrente em períodos posteriores ao anocalendário de 2001; c) Constatar a existência de crédito do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2000 ainda não utilizados. Na sequência, deve a Recorrente ser cientificada do resultado da diligência para que, em sendo de seu interesse, manifestese da forma que entender adequada, no prazo de 30 (trinta) dias. Após, com ou sem manifestação, seja o feito devolvido a este Conselho, que deverá julgá lo incontinenti. Ante ao exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto.”. Em resposta à diligência, a Informação Fiscal nº 5 – DRF/SCS/SAORT, a fls. 1755 e segs., assim conclui: 12. Dessa forma, considerando que o CARF, através do Acórdão n.º 1103000.794, sessão de 04/12/2012, afirmou que “as estimativas de fevereiro a maio de 2001 foram consideradas na apuração do saldo negativo ao final do respectivo anocalendário, inexistindo litígio quanto à sua utilização”, confirmamos a utilização de parte do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2000, no montante de R$ 2.058,594,97, conforme demonstrado no item 9 desta Informação Fiscal. 13. Para verificar a utilização do saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário de 2000, examinamos, nas bases de dados da Receita Fl. 1774DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/0 8/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/08/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 13053.000041/200201 Acórdão n.º 1302001.964 S1C3T2 Fl. 1.771 9 Federal, as informações prestadas nas declarações apresentados pela pessoa jurídica (DIPJ, PER/DCOMP e DCTF), no período de 01/01/2001 a 31/12/2010, e suas respectivas vinculações. 14. Com o auxílio do Sistema de Apoio Operacional, elaboramos um novo demonstrativo de utilização do saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário de 2000, no valor de R$ 3.213.312,45 (vide fls. 368 e 544 do presente processo). Demonstrativo de utilização do saldo negativo de IRPJ (próprio) do anocalendário de 2000. Compensação – Sem processo Débito Crédito Tributo Código PA Vencimento Principal (R$) Saldo devedor apurado para compensação Selic Valor Original Utilizado Saldo Disponível IRPJ 2362 Fev./2001 30/03/2001 R$ 536.613,33 R$ 536.613,33 2,27% R$ 524.702,58 R$ 2.688.609,87 IRPJ 2362 Mar./2001 30/04/2001 R$ 518.575,02 R$ 518.575,02 3,29% R$ 502.057,33 R$ 2.186.552,53 IRPJ 2362 Abr./2001 31/05/2001 R$ 916.380,67 R$ 916.380,67 4,55% R$ 876.499,92 R$ 1.310.052,61 IRPJ 2362 Mai./2001 29/06/2001 R$ 87.025,55 R$ 87.025,55 5,74% R$ 82.301,45 R$ 1.227.751,16 CSLL 2484 Jan./2001 28/02/2001 R$ 3.249,59 R$ 3.249,59 1,00% R$ 3.217,42 R$ 1.224.533,75 CSLL 2484 Fev./2001 30/03/2001 R$ 318.211,85 R$ 318.211,85 2,27% R$ 311.148,77 R$ 913.384,98 CSLL 2484 Mar./2001 30/04/2001 R$ 222.724,76 R$ 222.724,76 3,29% R$ 215.630,52 R$ 697.754,46 CSLL 2484 Abr./2001 31/05/2001 R$ 855.211,36 R$ 855.211,36 4,55% R$ 697.754,46 0,00 Totais: R$ 3.457.992,13 R$ 3.457.992,13 R$ 3.213.312,45 15. O crédito reconhecido em parte revelouse insuficiente para quitar os débitos informados. Assim, o débito indevidamente compensado corresponde à CSLL (código 2484) de abrilde 2001, com vencimento em 31/05/2001, no valor de R$ 125.709,08 (principal), conforme Demonstrativo Analítico de Compensação juntado às fls. 17531754. 16. O crédito reconhecido em parte já foi utilizado em compensações, razão pela qual não há valor a ser restituído para o pedido de restituição apresentado no formulário de fl. 2 dos autos.”. A recorrente teve ciência da Informação Fiscal nº 5 em 11/03/2015, conforme Termo de Ciência por Abertura de Mensagem a fls. 1761. Não tendo a recorrente se manifestado sobre o resultado da diligência, a DRF/SCS/RS devolve os autos a este Colegiado em 13/04/2015. É o relatório. Fl. 1775DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/0 8/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/08/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO 10 Voto O recurso voluntário (a efls. 406 e segs.) é tempestivo e foi subscrito por mandatário com poderes para tal, conforme procuração a fls. 424, razão pela qual dele conheço. Ora, o objeto destes autos é o Pedido de Compensão (a fls. 02 e segs.) do IRRF do AC 2000, no valor originário de R$ 1.392.699,37 (vide PER a fls. 02), com débitos de CSLL/Estimativa (cod. 2484) de janeiro a abril de 2001 (vide Dcomp a fls. 3), sendo que a planilha elaborada na Informação nº 5 (transcrita no Relatório) já confirma a compensação das CSLL/Estimativas de janeiro a março de 2001, respectivamente nos valores de R$ 3.249,59; R$ 318.211,85 e R$ 222.724,76. A DRF/Novo Hamburgo limitase a negar o pedido de restituição, por entender que o crédito já teria sido utilizado em outras compensações. Além disso, retifica o SNIRPJ/AC 2000 levando em conta o IRRF pleiteado na PerDcomp ora em análise, sendo que a recorrente reconheceu que o seu SNIRPJ/AC 2000 era no valor de R$ 3.213.312,45, se não vejamos o seguinte excerto do seu recurso voluntário: “25. Neste sentido, importante, primeiramente, dizer que a Recorrente abre mão da divergência existente quanto ao valor do crédito, num montante de R$ 50.278,39, decorrente da não aceitação de dois documentos apresentados para os comprovar, reconhecendo como válida a retificação de oficio da DIPJ/2001 para alterar o valor do saldo negativo de IRPJ para R$ 3.213.312,45.”. A DRJ/POA negou provimento à manifestação de inconformidade, por entender que não poderia a recorrente retificar as suas DCTFs após proferido o despacho decisório, se não vejamos o seguinte excerto: “Ocorre que o despacho de fl. 145 foi emitido à vista da situação espelhada pelos bancos de dados da RFB, onde constava o registro da utilização do crédito pleiteado para quitação de débitos relativos ao anocalendário 2001, sendo, portanto, correto o entendimento da DRF Novo Hamburgo, no sentido de denegar a restituição e não homologar a compensação pleiteada. Por outro lado, verificase que não se trata de simples erro no preenchimento daquelas DCTFs, mas sim da apresentação de outros créditos para guitar os débitos informados, créditos esses vinculadas a períodos de apuração a partir de 1992. Ou seja, foi apontado fato posterior, materializado pelas novas compensações praticadas após a ciência do Despacho Decisório contestado, e ern decorrência dele, como esclarece a interessada no item 5 do arrazoado de fls. 177 a 180. E como tal, deveria ter sido observada a legislação pertinente, que já determinava, it época, que a compensação deveria ser efetivada mediante apresentação à RFB da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP (art. 26, § 1 0, da Instrução Normativa RFB no 600, de 28/12/2005).” Considero equivocado o entendimento da DRJ/POA, pois não há norma que vede a retificação de DCTF após proferido Despacho Decisório, primeiro, porque não estava a recorrente sob fiscalização, segundo porque a alegação de que a retificação de declaração só seria cabível se fosse para retificar erro só encontraria respaldo no art. 147, § Fl. 1776DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/0 8/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/08/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 13053.000041/200201 Acórdão n.º 1302001.964 S1C3T2 Fl. 1.772 11 1º, CTN, o qual se aplica apenas à declaração que compõe a modalidade de lançamento tributário de que trata o art. 147 do CTN (lançamento por declaração). Por outro lado, há que se observar que mesmo com as retificações das DCTFs, a recorrente utilizou R$ 2.058,594,97 do SNIRPJ/AC 2000 na compensação de IRPJ/Estimativa de fevereiro a maio de 2001 (vide planilha no parágrafo 5 da Informação Fiscal nº 5), sendo importante trazer à colação o seguinte trecho da Informação Fiscal nº 5: 10. Sobre a questão, o Acórdão n.º 1031.332 da 5ª Turma da DRJ/POA, de 06/05/2011 (fls. 856861 do processo n.º 13897 000.791/2002742), apresenta os seguintes esclarecimentos: “A autoridade fiscal reconheceu a compensação das estimativas devidas no anocalendário 2001, referente aos meses fevereiro a maio, com o saldo negativo apurado no anocalendário 2000, a qual teria sido objeto de análise no processo 13053.000041/201201 (fls. 329/332).” 11. A 3ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento do Carf, através do acórdão n.º 1103000.794, de 04/12/2012 (fls. 940950 do processo n.º 13897000.791/200242) relatou o seguinte: “Tratase de Pedidos de Restituição/Compensação, protocolizados em 15/05/02 (fls.01/02), tendo como origem “pagamento[s] a maior de IRPJ, durante o ano 2001”, realizados sob o código 2362 (estimativas), no total de R$ 3.719.787,62. (...) a respeito do anobase 2000, o saldo negativo já foi objeto de análise no processo nº 13053.000041/200201, em que a autoridade competente denegou o pedido em razão da utilização integral na compensação das estimativas de fevereiro a maio de 2001. Na manifestação de inconformidade, pendente de julgamento à época, o contribuinte sustentou que nem todo o saldo negativo teria sido utilizado. Da análise de tal processo verificase não haver prejuízo no tocante à quitação das estimativas apuradas no anocalendário 2001, qualquer que seja a decisão emanada, de maneira que as compensações podem ser consideradas no cômputo das estimativas pagas (Linha 16 da Ficha 12A da DIPJ/2002);” 12 Dessa forma, considerando que o CARF, através do Acórdão n.º 1103000.794, sessão de 04/12/2012, afirmou que “as estimativas de fevereiro a maio de 2001 foram consideradas na apuração do saldo negativo ao final do respectivo anocalendário, inexistindo litígio quanto à sua utilização”, confirmamos a utilização de parte do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2000, no montante de R$ 2.058,594,97, conforme demonstrado no item 9 desta Informação Fiscal.” Fl. 1777DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/0 8/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/08/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO 12 Não obstante o PerDcomp, ora em análise, tenha sido apresentado em 04/02/2002 e o PerDcomp objeto do PAF 13897000.791/200242, em 15/05/2002, considero perfeito os cálculos constantes da Informação Fiscal nº 5 ao considerar primeiro as compesações naquele PAF declaradas, para, então, verificar se o saldo credor era suficiente para fazer frente aos débitos declarados na Dcomp sub examine, pois, com a referida decisão do CARF, tornouse definitiva a extinção dos débitos ali considerados compensados. Por último, conforme Tabela constante da Informação Fiscal transcrita no Relatório, após as compensações confirmadas no PAF 13897000.791/200242, remanesceu um saldo de crédito compensável nestes autos no montante de R$ 1.227.751,16, direito creditório que se tornou incontroverso, uma vez que, como já dito, a recorrente não se manifestou sobre as conclusões da diligência. Em face do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o direito crédito da recorrente no valor de R$ 1.227.751,16 e homologar as compensação até esse limite. Alberto Pinto Souza Junior Relator Fl. 1778DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/0 8/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/08/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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Numero do processo: 15586.000956/2010-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Sep 27 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3401-000.943
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, para se aguardar a decisão administrativa definitiva dos processos relativos aos ressarcimentos das contribuições no período abrangido pela autuação. Na oportunidade, decidiu-se pela apartação do PA 11543.001561/2005-28, que será julgado em separado. O Conselheiro Robson José Bayerl declarou-se suspeito. Presidiu o julgamento o Conselheiro Rosaldo Trevisan, Presidente Substituto. Fez sustentação oral, pela recorrente, Afonso Celso Mattos Lourenço, OAB RJ n.º 27.406.
Rosaldo Trevisan - Presidente.
Eloy Eros da Silva Nogueira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Rodolfo Tsuboi, Fenelon Moscoso de Almeida e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice Presidente), Cléber Magalhães.
Nome do relator: ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
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RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, para se aguardar a decisão administrativa definitiva dos processos relativos aos ressarcimentos das contribuições no período abrangido pela autuação. Na oportunidade, decidiuse pela apartação do PA 11543.001561/200528, que será julgado em separado. O Conselheiro Robson José Bayerl declarouse suspeito. Presidiu o julgamento o Conselheiro Rosaldo Trevisan, Presidente Substituto. Fez sustentação oral, pela recorrente, Afonso Celso Mattos Lourenço, OAB RJ n.º 27.406. Rosaldo Trevisan Presidente. Eloy Eros da Silva Nogueira Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Rodolfo Tsuboi, Fenelon Moscoso de Almeida e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice Presidente), Cléber Magalhães. RELATÓRIO Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira relator. Trata o presente de autos de infração que constituem e exigem PIS e COFINS pela constatação de falta ou insuficiência de recolhimento, e constituem e exigem também multa de ofício (150%), juros de mora e a multa regulamentar isolada por compensação indevida (150%). A autoridade fiscal procedeu a análise dos registros e das operações da RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 86 .0 00 95 6/ 20 10 -2 5Fl. 11785DF CARF MF Impresso em 27/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/ 09/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 15586.000956/201025 Resolução nº 3401000.943 S3C4T1 Fl. 3 2 contribuinte, no tocante às bases de seu aproveitamento de créditos das contribuições sociais (PIS e COFINS), da qual resultou os autos de infração objeto deste processo. Segundo o relatório elaborado pelo relator da instância a quo que reproduzo pela sua objetividade, seriam os seguintes os elementos que dão os contornos e as razões da autuação: No Termo de Encerramento da Ação Fiscal n° 08241/2010 (fl. 3.497 e seguintes), parte integrante e comum dos autos, constituído de 318 folhas, a fiscalização buscou fundamentar o alegado, acima resumido, mediante um conjunto de depoimentos reduzidos a termo, prova documental, especialmente, de cópias de notas fiscais, da escrituração contábil da empresa autuada, e, ainda de documentos encaminhados pela Polícia Federal e pelo Ministério Público do Estado do Espírito Santo. Cabe sintetizar, neste relatório, parte do citado Termo de Encerramento da Ação Fiscal, cujo conteúdo foi decisivo para a lavratura dos autos de infração ora sob análise, no qual os AFRFB autuantes aduzem que: 1. no período autuado, o contribuinte fiscalizado escriturou notas fiscais de pseudoempresas atacadistas, todas de fachada, para acobertar as verdadeiras operações realizadas de aquisições de café em grãos diretamente de produtores rurais pessoas físicas; 2. o autuado realizou apropriação integral dos créditos de PIS/Cofins oriundos das notas fiscais de produtor rural relativas a aquisição de café em grãos de pessoas físicas, quando o correto é apropriar créditos presumidos; 3. efetuaramse as glosas dos créditos integrais indevidos, aproveitando se, porém, os respectivos créditos presumidos, e, constituindose de ofício os saldos das contribuições a recolher; 4. no período de apuração autuado, o crédito presumido corresponde a 35% das alíquotas de PIS/Cofins da nãocumulatividade aplicadas sobre as aquisições das mercadorias; 5. a glosa efetuada corresponde à aplicação das alíquotas 1,65% (PIS) e 7,6% (Cofíns) sobre os totais das notas fiscais contabilizadas pelo autuado e emitidas por pessoas jurídicas desqualificadas da cordição de atacadista, cujos créditos foram indevidamente aproveitados; 6. a identificação e quantificação dos valores glosados por cada pseudo empresa atacadista consta de planilhas detalhadas registradas no próprio Termo (fls. 3.792/3.796); 7. como o autuado realiza operações de vendas tanto para o mercado interno como também para o mercado externo, impõese o rateio dos créditos com base na proporção da receita bruta; 8. como o escopo da ação fiscal é a análise dos créditos decorrentes da nãocumulatividade, o PIS/COFINS apurados no mês, antes do desconto de créditos, são aqueles informados no Dacon; 9. considerando ter ficado evidente a intenção fraudulenta do contribuinte em se eximir das contribuições sociais devidas, aplicouse a multa de ofício de 150% pela falta/insuficiência de recolhimento do PIS/Cofins, resultado da recomposição dos créditos a descontar, na forma que Fl. 11786DF CARF MF Impresso em 27/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/ 09/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 15586.000956/201025 Resolução nº 3401000.943 S3C4T1 Fl. 4 3 consta do "Demonstrativo de Cálculo do PIS e da Cofins não cumulativos" (fls. 3.819/3.829); 10. da mesma forma, o artifício fraudulento utilizado no aproveitamento de crédito integral decorrente de aquisições em nome de empresa de fachada ensejou o lançamento de ofício da multa isolada (150%) de que trata o art. 90 da MP n° 2.15835/2001, calculada sobre as compensações nãohomologadas, e lançada de forma consolidada por data de referência, que é o momento da apresentação da compensação indevida, ou, melhor dizendo, a data da emissão do PER/Dcomp, conforme "Demonstrativo de Cálculo das Compensações Homologadas e da Multa Isolada Aplicada s/ Compensações NãoHomologadas (fls. 3.830/3.860); 11. as centenas de registros contábeis referentes às notas fiscais das pseudoempresas atacadistas para apropriação dos correspondentes créditos não são meros erros contábeis, mas fraudes de efeitos relevantes para o contribuinte e para a Fazenda Nacional; 12. O autuado inseriu em seus livros contábeis créditos da não cumulatividade sabidamente inexistentes, fictícios, que resultaram em significativos pedidos de ressarcimento, conjugado com compensações de outros tributos/contribuições, além da redução, em alguns períodos, do PIS e da Cofins devidos; 13. essas pseudoempresas, figuras apenas formais, foram utilizadas para dissimular as aquisições de café dos produtores rurais pela REALCAFE, com o único propósito de se apropriar de créditos integrais do PIS e da Cofins nãocumulativos; 14. o autuado tinha total e plena consciência do artifício usado na comercialização de café de produtores/maquinistas e não foi somente omissa com relação a existência de empresas fictícias usadas nas operações de compra de café, pois, pior, mantinha uma lista dessas empresas de fachada, chegando a recusar algumas; 15. o fiscalizado prestou declarações falsas às autoridades fazendárias e fraudou a fiscalização tributária, inserindo elementos inexatos em documento ou livro exigido pela lei fiscal, além de contabilizar e informar nos correspondentes Dacon créditos integrais fictícios decorrentes da aquisição de café utilizado como insumo; 16. utilizou documento que sabia ou devia saber ser falso, pois as notas fiscais emitidas pelas pseudoempresas atacadistas são ideologicamente falsas e foram interpostas conscientemente pelo autuado nas operações de compra de café, com o objetivo de gerar créditos integrais de PIS e da Cofins; 17. considerando, em tese, a presença de crime contra a ordem tributária e ainda a figura da sonegação, está demonstrado o intuito fraudulento do contribuinte em se eximir do recolhimento tributário cabível, o que enseja a exasperação da multa. A contribuinte contesta a decisão administrativa, argüindo as razões por entende ela não deve prevalecer, que no resumo elaborado pelo relator de 1ª instância, que reproduzo pela sua qualidade, seriam: Fl. 11787DF CARF MF Impresso em 27/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/ 09/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 15586.000956/201025 Resolução nº 3401000.943 S3C4T1 Fl. 5 4 · a multa qualificada no percentual de 150% somente veio a ser instituída a partir da edição da Lei n° 11.488, de 15/06/2007, jamais poderia, sob pena de violação ao princípio geral da irretroatividade da lei, consagrado no art. 5o, XXXVI, da CF/88, ter sido aplicada sobre compensações formalizadas anteriormente à vigência da aludida norma,; (artigos 146, e 144, do Código Tributário Nacional (CTN)) apenas se permite a retroatividade para abrandar a imputação de penalidades, bem como se determina a aplicação da lei vigente à época do fato gerador; · os fatos apurados na intitulada operação "Tempo de Colheita" não podem atingir operações de compra realizadas com legitimidade de apuração de créditos de PIS/Cofins; a recorrente jamais contribuiu para a concretização dos atos praticados pelos representantes das empresas fornecedoras; · houve uma efetiva preocupação da contribuinte em buscar informações sob a regularidade fiscal das empresas fornecedoras, as quais, na ocasião de cada compra, apresentavamse devidamente ativas perante o Fisco; · não é possível concluir que a contribuinte tinha conhecimento das práticas ilícitas adotadas pelas empresas fornecedoras; essa é uma questão cuja solução depende de cognição exauriente, que deverá culminar em decisão exarada pelo Poder Judiciário; · a contribuinte já adquiria o café das empresas ACADIA Comércio e Exportação Ltda. e Cafeeira São José Ltda., consideradas pela fiscalização como criadas apenas para "gerar" créditos de PIS e Cofins, muito antes da edição das normas que instituíram o regime da não cumulatividade para tais contribuições; · cabe salientar que nenhum dos diretores ou componentes do quadro societário do impugnante foram denunciados pelo Ministério Público Federal nos autos da ação criminal decorrente da "Operação Broca" processo n° 2008.50.05.0005383 , conforme certidão que integra o Doe. 02 (fls. 3.989/3.992); o Ministério Público Federal, autoridade competente para promover a ação criminal em questão, não acolheu ou encontrou a tipificação penal que a fiscalização entende existir; · os inquéritos policiais instaurados, tanto em razão da operação "Tempo de Colheita", quanto da denominada "Operação Broca", não podem ser utilizados como prova da suposta realização de atos fraudulentos, já que tratase o inquérito policial de procedimento inquisitivo, no qual não há contraditório ou ampla defesa; trechos extraídos de inquéritos policiais, ou mesmo a existência de referidos procedimentos, não representam prova de suposta obtenção fraudulenta de créditos; · nesse contexto, somente após a formação da coisa julgada é possível considerar existente a situação fática declarada na sentença penal condenatória, e, portanto, elidido o estado de inocência; · é inaceitável, considerado o que dispõe o parágrafo único, do artigo 82, da Lei n° 9.430/96 (reproduzido no artigo 217 do Decreto n° 3.000/99 Fl. 11788DF CARF MF Impresso em 27/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/ 09/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 15586.000956/201025 Resolução nº 3401000.943 S3C4T1 Fl. 6 5 RIR), que sejam impostas ao impugnante glosas de seus créditos de PIS e Cofins nãocumulativos, advindos de operações nas quais houve a entrega das mercadorias e o pagamento do preço acordado, em virtude de eventuais decisões, absurdamente, com efeitos ex tunc; · a boafé do impugnante é ainda demonstrada pelo fato de que este teve o zelo de fazer consultas ao SINTEGRA e ao próprio banco de dados da Secretaria da Receita Federal do Brasil, através de seu sítio na internet, com o objetivo de comprovar a regularidade jurídica das empresas fornecedoras, conforme se observa no DOC 03 (fls. 3.993/3.999); · a contribuinte não poderia jamais ser prejudicado por fatos que não causou, na medida em que adotou todas as medidas de cautela que exige a legislação de regência; · a análise do caso concreto demonstra que há a comprovação e o reconhecimento por parte da própria fiscalização de que a empresa impugnante promoveu o pagamento do valor acordado para a aquisição das mercadorias e recebeu o produto em um dos seus estabelecimentos, tanto que através do "Termo de Encerramento da Ação Fiscal n° 08 241/2010", houve toda a recomposição dos créditos de PIS e COFINS, por parte do agente lançador, para que estes fossem apurados sob a sistemática do crédito presumido; · afora as verificações ao alcance do impugnante, outros procedimentos investigatórios acerca da eventual inidoneidade das empresas incumbe ao Fisco, e não aos contribuintes, razão pela qual requerse que o crédito do impugnante seja restabelecido e, consequentemente, afastada a malfadada multa qualificada imputada nestes autos. Os Julgadores de 1º piso, após apreciarem a contestação da contribuinte, as informações prestadas pelas autoridades fiscais, as decisões proferidas e demais documentos que instruem o processo, concluíram por não acolher as alegações da contribuinte e pela manutenção da decisão administrativa. O Acórdão n.º 1333.447 proferido em 10 de fevereiro de 2011 pela respeitável 5ª Turma da 2ª Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro (DRJ RJ2) ficou assim ementado: Acórdão 1333.447 5a Turma da DRJ/RJ2 Sessão de 10 de fevereiro de 2011 processo n. 11586.000956/201025 Contribuinte: REALCAFÉ SOLÚVEL DO BRASIL S/A CNPJ n. 28.154.847/000140 Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/01/2005, 30/04/2005, 31/03/20061, 31/10/2006, 31/01/2007, 31/01/2008, 29/02/2008, 31/03/2008, 30/04/200^ 31/03/2009, 31/05/2009, 31/08/2009, 30/09/2009, 31/10/2009, 30/11/2009, 31/01/2010, 28/02/2010,31/03/2010 Dissimulação. Desconsideração. Negócio Ilícito. Fl. 11789DF CARF MF Impresso em 27/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/ 09/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 15586.000956/201025 Resolução nº 3401000.943 S3C4T1 Fl. 7 6 Comprovada a existência de simulação/dissimulação por meio de interposta pessoa, com o fim exclusivo de afastar o pagamento da contribuição devida, ou mesmo de se obter ressarcimento ou compensação mediante a utilização de créditos fictícios, é de se glosar os créditos decorrentes dos expedientes ilícitos, desconsiderando os negócios fraudulentos, a fim de fazer recair a responsabilidade tributária, ainda que se refira à aplicação de multa de lançamento de ofício isolada, sobre o sujeito passivo autuado. Multa de Ofício. Sonegação. Qualificação. A multa de ofício qualificada deve ser aplicada quando ocorre prática reiterada, consistente de ato destinado a impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, mormente em situações que evidenciem conduta planejada e executada mediante ajuste doloso. Matéria não Impugnada Operamse os efeitos preclusivos previstos nas normas administrativo fiscal em relação à matéria do processo tenha sido que não expressamente contestada pelo impugnante. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 01/01/2005, 30/04/2005, 31/10/2005? 31/03/2006, 30/04/2006, 31/05/2006, 30/06/2006, 31/07/2006, 31/0^/2006, 30/09/2006, 31/10/2006, 30/11/2006, 31/12/2006, 31/01/2007, 30/06/200], 31/07/2007, 31/08/2007, 30/09/2007, 31/10/2007, 30/11/2007, 3í/12/200/\ 30/04/2008, 31/05/2008, 30/06/2008, 31/07/2008, 31/08/2008, 30/09/20$8J 31/10/2008, 30/11/2008, 31/03/2009, 30/06/2009, 31/08/2009, 31/10/2009, 30/11/2009, 31/12/2009, 30/04/2010, 31/05/2010, 30/06/2010, 31/07/2010, 31/08/2010, 30/09/2010 Dissimulação. Desconsideração. Negócio Ilícito. Comprovada a existência de simulação/dissimulação por meio de interposta pessoa, com o fim exclusivo de afastar o pagamento da contribuição devida, ou mesmo de se obter ressarcimento ou compensação mediante a utilização de créditos fictícios, é de se glosar os créditos decorrentes dos expedientes ilícitos, desconsiderando os negócios fraudulentos, a fim de fazer recair a responsabilidade tributária, ainda que fee refira à aplicação de multa de lançamento de oficio isolada, sobre o sujeito passivo autuado. Multa de Ofício. Sonegação. Qualificação. A multa de oficio qualificada deve ser aplicada quando ocorre prática reiterada, consistente de ato destinado a impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, mormente em situações que evidenciem conduta planejada e executada mediante ajuste doloso. Matéria não Impugnada Operamse os efeitos preclusivos previstos nas normas do processo administrativo fiscal em relação à matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Impugnação Improcedente Crédito tributário mantido. A contribuinte ingressou com recurso voluntário por meio do qual trouxe seus argumentos, em resumo: Fl. 11790DF CARF MF Impresso em 27/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/ 09/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 15586.000956/201025 Resolução nº 3401000.943 S3C4T1 Fl. 8 7 · não se deu a preclusão processual declarada pelos julgadores de 1º piso, pois não é verdade que a contribuinte não contestou as formas de cálculo e a sistemática do crédito presumido da visão da autoridade lançadora, pois ela contestou o critério utilizado pela fiscalização para a glosa de seus créditos, o que abrange as formas de cálculo e o crédito presumido. · a autoridade julgadora a quo seguiu a diretriz traçada em outro procedimento de investigação (Operação Broca) e deixou de apreciar elementos de prova e esclarecimentos trazidos pela contribuintes nestes autos. A operação broca não indiciou a contribuinte e não abrangeu suas operações. Não há relação de causalidade entre as operações "Tempo de Colheita" e "Broca" para com as operações realizadas pela contribuinte. · Os fatos apurados na operação "Tempo de Colheita" e na "Broca" não podem atingir as compras realizadas com legitimidade de apuração de créditos das contribuições sociais. Até por que essas operações foram inquéritos policiais, meras peças informativas, que não geraram decisões judiciais contra a contribuinte e seus sócios e administradores. · As compras e vendas da commodity café em grão são, em sua quase totalidade, mediadas por corretores, onde as negociações se apóiam em amostras e se discutem preços, tipos e condições de entrega. · Mas a contribuinte buscava informações sobre a regularidade fiscal das fornecedoras, as quais, na ocasião de cada compra, apresentavamse ativas perante o Fisco. · Não há como se concluir que a recorrente tinha conhecimento das práticas ilícitas adotadas pelas suas fornecedoras; · ocorreu a decadência (§ 4º do art. 150 do CTN) com relação aos fatos geradores ocorridos antes de maio de 2005, uma vez que a contribuinte tomou ciência da decisão fiscal em 04/10/2010. · é impossível a aplicação concomitante de 2 penalidades, no caso a contribuinte pugna pela exclusão da multa isolada; · a necessidade de afastar a multa isolada (art. 18 da Lei n. 10.833/2003) por que: (a) não comprovação de fraude ou sonegação por parte da contribuinte; (b) não tipificação do fato imputado pela autoridade lançadora na hipótese de falsidade da declaração prevista na redação atual desse artigo 18 (a contribuinte alega que a falsidade da declaração foi afastada pela autoridade fiscal quando aceitou as declarações prestadas pela contribuinte para reconhecer o direito creditório presumido); (c) a boa fé da contribuinte e a falta de provas para justificar a majoração da multa para a alíquota de 150%; · "a recorrente na qualidade de adquirente de boa fé era exclusivamente a destinatária das mercadorias, não sendo provada em nenhuma oportunidade a sua participação na prática de introdução de pseudo pessoas jurídicas na cadeia de comercialização". · Aplicase à contribuinte o disposto no art. 82 da Lei n. 9.430/1996, segundo à qual as empresas que comprovam a efetivação do pagamento do preço e o recebimento das mercadorias não poderão ter seus créditos glosados. Que Fl. 11791DF CARF MF Impresso em 27/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/ 09/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 15586.000956/201025 Resolução nº 3401000.943 S3C4T1 Fl. 9 8 adotou as medidas de cautela em suas negociações. Defendeu a validade e legitimidade de suas notas fiscais e comprovantes de pagamento na aquisição do café cru. Cita jurisprudências e decisões judiciais e administrativas. · A tese da autoridade fiscal não pode prosperar; por exemplo, para demonstrar essa afirmativa, a contribuinte aponta que adquiria café das empresas Acadia e Cafeeira São José muito antes da edição das normas que instituíram o regime de não cumulatividade do PIS e da COFINS; ou seja, não teria cabimento a 'tese' da autoridade fiscal que elas foram criadas para apenas "gerar" créditos. Outro exemplo seria a iniciativa da contribuinte em cessar a compra junto à fornecedora WG Azevedo enquanto ela não comprovar a aptidão de seu cadastro e dos recolhimentos do PIS e da COFINS. · A autoridade de lançamento relaciona 30 empresas fornecedoras "de fachada", mas cita apenas 8 delas como tendo caráter discutível, mas para as outras 22 empresas não há qualquer menção por parte da decisão recorrida; Este processo chegou ao CARF e foi submetido a sessão regular, quando foi convertido o julgamento em diligência com a seguinte motivação e demanda: VOTO O Recurso Voluntário preenche os requisitos de admissibilidade razão pela qual dele conheço. Desde logo constato que o mérito da controvérsia gira em torno da desconsideração das Notas Fiscais de aquisições feitas a empresas comerciais atacadistas elencadas na r. decisão recorrida que geraram o crédito ressarciendo glosado. A legislação de regência (art. 82 da Lei n° 9430/96) fixa critérios objetivos para aferição da inidoneidade de documentos fiscais para fins de desconsideração dos atos e negócios jurídicos que lhes são subjacentes, dentre os quais se contam a efetivação do pagamento do preço respectivo e do recebimento dos bens pelo adquirente, cuja constatação reputo imprescindível para dirimir a controvérsia sobre possibilidade (ou não) de desconsideração das Notas Fiscais e sobre a existência e legitimidade (ou não) do crédito ressarciendo. Isto posto voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que: a) a ora Recorrente seja intimada no prazo de 10 dias a fornecer e fazer juntar aos autos dos comprovantes de pagamentos do preço das mercadorias retratadas nas Notas Fiscais de aquisições feitas às comerciais atacadistas elencadas na r. decisão recorrida, bem como dos comprovantes de efetiva entrada das mercadorias em seu estabelecimento, devidamente instruídos com planilha resumo; b) que a d. Fiscalização informe conclusivamente (com xerocópias) quais as data de publicação no DOU e a fundamentação dos atos que declararam a inaptidão do CNPJ das comerciais atacadistas elencadas na r. decisão recorrida, cujas Notas Fiscais de aquisição supostamente geradoras dos créditos ressarciendos foram glosadas; c) seja a Recorrente intimada das informações fiscais para manifestação no prazo de 10 dias, retornando os autos a julgamento. Fl. 11792DF CARF MF Impresso em 27/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/ 09/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 15586.000956/201025 Resolução nº 3401000.943 S3C4T1 Fl. 10 9 Em resposta à solicitação feita na Resolução, a autoridade fiscal preliminarmente retomou as origens da autuação, que seriam: · a glosa dos créditos se deu pela interposição fraudulenta de empresas de fachada empresas laranjas utilizadas como intermediárias fictícias na compra de café de pessoas físicas (produtores/ maquinistas) e não pela falta de comprovação da efetiva entrega da mercadoria e ao seu pagamento; · que a interposição de pessoas, como instrumento que permitiria a criação de créditos a serem compensados, era de pleno conhecimento da ora recorrente, empresa adquirente final do produto (REALCAFÉ), que, por conseguinte, sabia que as notas fiscais dessas empresas laranjas eram ideologicamente falsas, como se encontra farta e definitivamente comprovado nos autos; · Modus operandi: interposição fraudulenta de empresas de fachada empresas laranjas utilizadas como intermediárias fictícias na compra de café de pessoas físicas (produtores/ maquinistas). · Que, em seu entendimento, a declaração de inaptidão é irrelevante ao caso, pois a inidoneidade dos documentos era do conhecimento da contribuinte; · Acrescentou que o artigo 82 da Lei n. 9.430, de 1996 alcança apenas o comprador de boa fé, que não é o caso da contribuinte autuada por que, nos autos, há provas que afastam a boa fé; · Em seguida passa a repisar a demonstração de que a contribuinte tinha conhecimento de que o café era adquirido de pessoa física em operação mediada por pseudo atacadistas (empresas de fachada), e que esse modo de funcionamento visava a lhe proporcionar vantagem de criar créditos de PIS e de COFINS. · Concorrentemente demonstra que as provas abrangem declarações de corretores, documentos de negociação apresentados pelos interessados, cópia de emails, documentos em papel, notas fiscais, comprovantes de pagamentos, programação e controle de pagamentos, etc. · "Desde logo necessário se torna deixar claro que ação fiscal desenvolvida na REALCAFÉ em 2010 analisou os pedidos de ressarcimento de créditos das contribuições não cumulativas do PIS/COFINS atinentes aos períodos de 01/2004 a 12/2008 e resultou no indeferimento na ordem de 79% dos créditos pleiteados. Todavia a recomposição do saldo dos créditos retrocedeu a 01/2003." · "Além dos autos de infração, a glosa e recomposição dos saldos dos créditos resultaram no reconhecimento parcial dos créditos apontados nos pedidos de ressarcimento PER, bem como a não homologação da compensação de débitos apontados nas DCOMP, conforme PARECER FISCAL e DESPACHO DECISÓRIO, consubstanciados nos seguintes processos administrativos:" Processo Administrativo Período Tributo 11962.000198/200410 1ºT e 2°T/2004 COFINS Fl. 11793DF CARF MF Impresso em 27/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/ 09/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 15586.000956/201025 Resolução nº 3401000.943 S3C4T1 Fl. 11 10 11543.001561/200528 1ºT ao 4°T/2005 COFINS 15578.000300/201010 1ºT/2006 COFINS 15578.000301/201056 2ºT/2006 COFINS 15578.000302/201009 3ºT/2006 COFINS 15578.000303/201045 4ºT/2006 COFINS 15578.000304/201090 1ºT/2007 COFINS 15578.000305/201034 2ºT/2007 COFINS 15578.000306/201089 1ºT/2008 COFINS 15578.000307/201023 2ºT/2008 COFINS 15578.000308/201078 4ºT/2008 COFINS 15578.000309/201012 4ºT/2008 COFINS 11543.001562/200572 1ºT ao 4°T/2005 PIS 15578.000310/201047 1ºT/2006 PIS 15578.000311/201091 2ºT/2006 PIS 15578.000312/201036 3ºT/2006 PIS 15578.000313/201081 4ºT/2006 PIS 15578.000314/201025 1ºT/2007 PIS 15578.000315/201070 2ºT/2007 PIS 15578.000316/201014 1ºT/2008 PIS 15578.000317/201069 2ºT/2008 PIS 15578.000318/201011 3ºT/2008 PIS 15578.000319/201058 4ºT/2008 PIS · "Nos Pareceres Fiscais referentes aos processos acima mencionados, restou consignado que as provas e documentos acostados neste processo administrativo nº 15586.000956/201025 fundamentaram a análise das PER/DCOMP e que em razão disso tanto os autos de infração, acompanhado do TERMO DE ENCERRAMENTO DA AÇÃO FISCAL N° 08241/2010 , quanto os Pareceres Fiscais e Despachos Decisórios foram cientificados simultaneamente à REALCAFÉ." · Esses emails e muitos outros, inclusive com diálogos de negociação de café estabelecidos entre o comprador da REALCAFÉ e corretores, constam do TERMO DE ENCERRAMENTO DA AÇÃO FISCAL Nº 04301/2013 (processo n° 15586.720940/201385), referente à auditoria realizada nos períodos posteriores de 2009 e 2010, que narra todos os fatos, e que contém Fl. 11794DF CARF MF Impresso em 27/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/ 09/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 15586.000956/201025 Resolução nº 3401000.943 S3C4T1 Fl. 12 11 todos os emails e outros documentos apreendidos na REALCAFÉ (Recorrente)/TRISTÃO no período compreendido de 2004 a 2010. Como se vê, são fatos continuados que remontam o início da não cumulatividade do PIS/COFINS. Sempre lançando mão do mesmo modus operandi: interposição fraudulenta de empresas de fachada empresas laranjas utilizadas como intermediárias fictícias na compra de café de pessoas físicas (produtores/ maquinistas). Portanto, necessário se faz que os fatos descritos no TERMO DE ENCERRAMENTO DA AÇÃO FISCAL N° 08241/2010 – que faz parte deste processo de n° 15586.000956/201025 , referente ao período de 2004 a 2008, sejam analisados à luz das provas carreadas ao processo n° 15586.720940/201385 (TERMO DE ENCERRAMENTO DA AÇÃO FISCAL Nº 04301/2013), cuja cópia se junta aos autos, por conter vários outros exemplos amparados em documentos extraídos das mídias eletrônicas apreendidas, principalmente, na REALCAFÉ/TRISTÃO. · É oportuno ressaltar ainda que a TRISTÃO CIA DE COMÉRCIO EXTERIOR foi também objeto de auditoria fiscal em 2013, que analisou as PER/DCOMP de 10/2008 a 12/2010, que, ao final, com base no mesmo conjunto probatório, qual seja documentos apreendidos na REALCAFÉ/TRISTÃO, especialmente aqueles extraídos das mídias eletrônicas, resultou no indeferimento de 90,83% do valor pleiteado nos pedidos de ressarcimento, em razão do mesmo ilícito, qual seja: créditos do PIS/COFINS documentados com notas fiscais de empresas laranjas utilizadas como intermediárias fictícias na compra de café de produtores/maquinistas. Cientificada dessa Informação Fiscal, a contribuinte apresenta sua manifestação por meio da qual argüi: A autoridade fiscal não atendeu à diligência demandada pelo CARF; que ela “utilizouse do expediente com o único e exclusivo intuito de pretensamente afastar a boa fé da Recorrente, furtandose em apurar os fatos objetivamente solicitados”; que ela inovou em suas razões; “através da indicação de documentos internos da Recorrente (mídias, email’s e demais arquivos magnéticos), de todo esparsos e imprecisos, se analisados fora do contexto da rotina operacional da empresa, almeja tornar definitivas suas acusações”; que as aventadas provas trazidas pela fiscalização no bojo da INFORMAÇÃO FISCAL (email’s e demais documentos extraídos da rotina operacional interna da Recorrente), se referem às aquisições de pessoas jurídicas que sequer tratam das operações relativas ao período examinado nos presentes autos Que a autoridade fiscal pretendeu desqualificar as operações feitas pela contribuinte e que esse procedimento seria o de desconsideração dos negócios jurídicos, mas faltou a ele base legal e a comprovação de que a contribuinte praticou atos ilícitos ou abuso do direito. Ele violou o princípio da tipicidade cerrada. Deve, portanto, ser A autoridade fiscal impôs uma glosa genérica, deixou de indicar cada uma das pessoas físicas (produtores rurais) que seriam as verdadeiras fornecedoras, mediadas pelas supostas empresas de fachada. Que esses fatos prejudicaram o direito de defesa. Se tivesse sido efetuada a quebra do sigilo fiscal/bancário das empresas fornecedoras das quais a Recorrente adquiriu o café, na medida em que os pagamentos (não questionados como de fato ocorridos) foram realizados por CHEQUE/DOC/TED, por evidente que a fiscalização poderia individualizar a destinação dos valores para cada uma das compras, elemento concreto que Fl. 11795DF CARF MF Impresso em 27/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/ 09/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 15586.000956/201025 Resolução nº 3401000.943 S3C4T1 Fl. 13 12 poderia amparar a imputação fiscal, ao contrário dos dados subjetivos (testemunhais e meramente indiciários) constantes deste processo. ... Se tivesse sido efetuada a quebra do sigilo fiscal/bancário das empresas fornecedoras das quais a Recorrente adquiriu o café, consideradas como “de fachada", teria a autoridade fazendária, ao menos, realizado o devido trabalho fiscal, com a INDIVIDUALIZAÇÃO DAS ILICITUDES. e não com a GLOSA GERAL das compras referentes a cada trimestre, como arbitrariamente ocorreu nestes autos. Que a autoridade fiscal não aprofundou a fiscalização (por exemplo: quebrando o sigilo bancário dos fornecedores, o que comprovaria a efetivação dos pagamentos feitos pela contribuinte), o que prejudicou a ampla defesa e o contraditório: Se tivesse sido efetuada a quebra do sigilo fiscal/bancário das empresas fornecedoras das quais a Recorrente adquiriu o café, na medida em que os pagamentos (não questionados como de fato ocorridos) foram realizados por CHEQUE/DOC/TED, por evidente que a fiscalização poderia individualizar a destinação dos valores para cada uma das compras, elemento concreto que poderia amparar a imputação fiscal, ao contrário dos dados subjetivos (testemunhais e meramente indiciários) constantes deste processo. Afirma a contribuinte que “apresenta os competentes comprovantes de pagamentos do preço das mercadorias retratadas nas Notas Fiscais de aquisições feitas às comerciais atacadistas elencadas na r. decisão recorrida, bem como, também, apresenta os comprovantes de efetiva entrada das mercadorias em seu estabelecimento, devidamente instruídos com planilha resumo (DOCUMENTOS EM ANEXO), elementos de prova estes que corroboram sua qualidade de adquirente de boa fé, sendo a mesma exclusivamente a destinatária das mercadorias. Invoca, mais uma vez, o disposto no art. 82 da Lei n. 9430/1996.” Posteriormente (26/04/2016), a contribuinte apresentou expediente informando que: (a) a Administração Tributária proferiu Solução de Consulta definindo a possibilidade de creditamento de PIS e da COFINS em operações de aquisições junto a cooperativas; (b) a multa regulamentar isolada foi revogada pela MP 668/2015, devendo ter seus efeitos aplicados ao caso, para cancelar a multa isolada; ( c) deve se dar ao caso a aplicação das regras contidas na Lei N° 12.995/2014, sobre o direito creditório incontroverso (crédito presumido). É o relatório. VOTO Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira Requisitos: Tempestividade e demais requisitos de admissibilidade manifestamente reconhecidos por este Colegiado na sessão em que proferiu a Resolução acima citada. Fl. 11796DF CARF MF Impresso em 27/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/ 09/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 15586.000956/201025 Resolução nº 3401000.943 S3C4T1 Fl. 14 13 Inicialmente, reconheço que apensado a este processo 15586.000956/201025, que cuida de autos de infração, está o processo 11.543.001561/200528, que trata de pedido de reconhecimento de direito creditório, que, por sua vez, tem a ele pendurado vários outros processos com pedidos de compensação (PER/DCOMP). Proponho a este colegiado seja este conjunto de processos administrativos apartado deste processo 15586.000956/201025, para que o processo 11.543.001561/200528 possa oportunamente receber julgamento em separado, após seu retorno a este Colegiado para sua inclusão regular em pauta. Preliminar A autoridade fiscal, os julgadores a quo e a contribuinte reconhecem a vinculação, ou mesmo a dependência, deste processo com outros processo que tratam de pedidos de restituição/ressarcimento/compensação (lista de processos indicados pela autoridade fiscal em sua informação, reproduzida no relatório deste voto). Como recebi três desses processos por distribuição para análise pude ver que, neles, há orientação dos Julgadores a quo para que eles prossigam juntamente com este processo 15586.000956/201025 na apreciação do contraditório. Encontrei também solicitação do próprio contribuinte rogando para sobrestar os julgamentos até que eles possam ser reunidos para um tratamento conjunto ou capaz de se obter decisões uniformes ou congruentes entre si (pedidos de restituição/ ressarcimento/compensações e autos de infração) Consultei os processos acima listados e verifiquei que parte deles se encontrava na fase da contribuinte conhecer as decisões proferidas pelos julgadores de 1º piso e de receber os recursos voluntários à próxima instância de julgamento. Parte deles não havia chegado ainda no CARF. Apesar de entender que o julgador de 2ª instância é prevento pela primeira atribuição de apreciar recurso entre processos conexos e entre processos derivados, o entendimento corrente neste Tribunal é que os processos derivados devem secundar os originários. A priori, este processo é derivado das apurações e decisões daqueles processos. Sendo assim, proponho a este Colegiado converter este julgamento em diligência para que ele retorne à unidade de jurisdição para aguardar a decisão definitiva em cada um dos processos a ele vinculados, conforme a lista revelada pela autoridade fiscal em sua resposta á diligência requerida pelo CARF. Quando todas essas decisões tiverem sido proferidas, elas deverão ser juntadas neste e, em seguida, este processo deve retornar ao CARF para prosseguimento do julgamento. Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira. Fl. 11797DF CARF MF Impresso em 27/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/ 09/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
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Numero do processo: 10930.903620/2012-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jan 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do Fato Gerador: 02/02/2006
PIS. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. AUSÊNCIA DE PROVA.
Não se reconhece o direito à repetição do indébito quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova de que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazê-lo, não se justificando, portanto, o pedido de diligência para produção de provas.
PIS - IMPORTAÇÃO SERVIÇOS. PER. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO.
Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-003.590
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negar-lhe provimento.
(Assinado com certificado digital)
Antônio Carlos Atulim - Presidente e Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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REPETIÇÃO DO INDÉBITO. AUSÊNCIA DE PROVA. Não se reconhece o direito à repetição do indébito quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova de que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazêlo, não se justificando, portanto, o pedido de diligência para produção de provas. PIS IMPORTAÇÃO SERVIÇOS. PER. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negarlhe provimento. (Assinado com certificado digital) Antônio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 36 20 /2 01 2- 05 Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10930.903620/201205 Acórdão n.º 3402003.590 S3C4T2 Fl. 3 2 Relatório Trata os presentes autos de Pedido de Restituição (PER), por meio do qual a Recorrente solicita a restituição do crédito decorrente do pagamento de PIS/PASEP IMPORTAÇÃO. No Despacho Decisório, a autoridade competente da DRF em Londrina/PR, indeferiu o pleito da interessada, uma vez que o DARF informado como origem do crédito estava integralmente utilizado para quitação de débitos da própria contribuinte, "não restando crédito disponível para restituição". Inconformada com a decisão proferida, a empresa apresentou manifestação de inconformidade na qual esclarece tratarse de pessoa jurídica de direito privado que tem como atividade principal a indústria, comércio e exportação de couros de boi. Consigna que a Lei nº 10.865/2004 instituiu as contribuições do PIS e da COFINS sobre a importação de bens e serviços, mas não foi clara em relação à incidência sobre as quantias remetidas ao exterior a representantes comerciais a título de comissões sobre vendas, o que fez com que a Recorrente optasse por recolher as contribuições sobre essas operações. Entretanto, a Receita Federal do Brasil, em resposta a diversas consultas (cita duas), passou a vazar o entendimento de que as comissões de vendas pagas e/ou creditadas a representantes comerciais residentes ou domiciliados no exterior, não estão sujeitas à incidência do PIS e da COFINS Importação. Isso porque, anota a Recorrente, essas operações não configuram hipótese de serviços prestado no Brasil ou cujo resultado aqui se verifique. Assim, uma vez ter efetuado o pagamento de tributo indevido, tem o direito à restituição na forma prevista no art. 165 do Código Tributário Nacional CTN, devidamente corrigido pela taxa SELIC, conforme prescreve a Lei nº 9.250, de 1995, "ainda que informado o débito em DCTF". Sobreveio, então, o Acórdão nº 06045.962, da DRJ em Curitiba (PR), negando provimento à Manifestação de Inconformidade. Irresignada com a referida decisão, foi interposto o presente recurso voluntário, cujas razões, em suma, são as seguintes: (i) diferente do que entendeu a autoridade julgadora, a empresa recorrente comprovou ser pessoa jurídica de direito privado que tem como atividade principal a indústria, comércio e exportação de couros de boi; (ii) que demonstrou que a Lei n° 10.865, de 2004, que instituiu as contribuições ao PIS/Pasep e COFINS sobre a importação de bens e serviços, não foi clara ao determinar a incidência sobre as quantias pagas, ou remetidas ao exterior, a representantes comerciais domiciliados no exterior a título de comissões sobre vendas; Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10930.903620/201205 Acórdão n.º 3402003.590 S3C4T2 Fl. 4 3 (iii) para não sofrer sanções, optou por recolher as contribuições sobre as quantias remetidas ao exterior (para representantes domiciliados no exterior) incidentes sobre comissões sobre vendas, conforme (DARF's) apresentados; (iv) ocorre que, posteriormente, a própria RFB, através de inúmeras respostas a Soluções de Consultas, passou a definir que as "comissões de vendas pagas e/ou creditadas a representantes comerciais residentes ou domiciliados no exterior não estão sujeitas à incidência da COFINS/PISImportação", por não configurarem hipótese de serviço prestado no Brasil ou cujo resultado aqui se verifique. Reproduz algumas dessas Solução de Consulta. (v) que o processo administrativo sempre deve buscar a verdade real ou material relativa aos fatos tributários, em decorrência da estrita legalidade tributária, que devem nortear todos os atos da administração fiscal. Com isto, não basta simplesmente argumentar que "prova alguma foi trazida aos autos que comprovassem de que teria havido pagamento a maior ou indevido", para negar a existência do direito creditório; (vi) frisa que os erros contidos em declaração podem e devem ser retificados de ofício, por força da estrita legalidade tributária e nos moldes do art. 147, § 2º do CTN. (vii) que seja reconhecido que os valores indevidamente recolhidos a este título são restituíveis em valores devidamente acrescidos de juros equivalentes à taxa SELIC, na forma da Lei n° 9.250/95; (viii) requer que seja determinada a conversão do julgamento em diligência, a fim de que seja oportunizada apresentação de elementos considerados necessários à complementação da prova ou esclarecimento de dúvidas relativas aos fatos trazidos neste processo. À vista do exposto, espera e requer seja julgado integralmente procedente o presente recurso, a fim de que seja reconhecido o direito creditório e assegurada a restituição das quantias recolhidas indevidamente. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.529, de 13 de dezembro de 2016, proferido no julgamento do processo 10930.903656/201281, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.529): Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10930.903620/201205 Acórdão n.º 3402003.590 S3C4T2 Fl. 5 4 Emerge do relatado, que o objeto do pedido de ressarcimento tem como fundamento o indébito de PIS/Pasep sobre comissão de venda paga a representantes comerciais residentes/domiciliados no exterior. No referido Despacho Decisório restou consignado que, "(...) A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição". Consta dos autos que o Despacho Decisório questionado está respaldado em informações prestadas pela própria interessada em DCTF, que encontrase ativa até o momento no sistema informatizado da Receita Federal do Brasil. Ou seja, ao que tudo indica, o contribuinte não retificou a DCTF no que pertine ao pleito em questão, por isso a conclusão do despacho decisório vestibular que o valor sob pedido de ressarcimento foi "integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte". Por outro lado, a Recorrente tenta demonstrar em seu recurso, que não há incidência de contribuições para o PIS Importação sobre remessas realizadas para o exterior para pagamento de comissões à agentes no exterior a título de comissões ali realizadas, por não configurarem hipótese de serviço prestado no Brasil ou cujo resultado aqui se verifique, e que os valores indevidamente recolhidos a este título são restituíveis e em montantes devidamente acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial SELIC, na forma da Lei n° 9.250/95. Tudo com base na Lei nº 10.865, de 2004 e Soluções de Consultas emitidas pela RFB que cita. Contudo, se de um lado a decisão recorrida tenha asseverado que "(...) como se vê uma das hipóteses de ocorrência do fato gerador das contribuições ao PIS e a COFINS, sobre importação de serviços, é a remessa de valores a residentes ou domiciliados no exterior como contraprestação pelo serviço prestado", como alega a peticionante, por outro giro, deixou patente que o ônus da prova quanto ao indébito seria da ora Recorrente, nos seguintes termos: "(...) Mas, para a verificação se os valores remetidos ao exterior atendem às condições estabelecidas em lei para a incidência das contribuições sobre a importação de serviços ou, não se caracterizando o fato gerador da obrigação tributária, há, de fato, o indébito reclamado pela interessada, é crucial que se tenha em mãos documentos que demonstrem a real situação aventada, como contratos firmados com os agentes externos, comprovantes de remessa de valores ao exterior, cópias de notas fiscais, recibos, dentre outros, além da própria escrituração contábil da empresa que reflita essas operações. Ocorre que, no presente caso, prova alguma foi trazida aos autos que comprovassem de que teria havido pagamento a maior ou indevido. Nesse sentido, é bom lembrar que não se permite, depois de iniciado qualquer procedimento fiscal, que seja retificada declaração quando vise a reduzir ou a excluir tributo, a não ser mediante a comprovação do erro em que se funde. É o que Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10930.903620/201205 Acórdão n.º 3402003.590 S3C4T2 Fl. 6 5 determina o art. 147, § 1º, da Lei nº 5.172, de 25/10/1966. E, como visto, o Despacho Decisório questionado está respaldado em informações prestadas pela própria interessada em DCTF, que encontrase ativa até o momento no sistema informatizado da Receita Federal do Brasil. (sublinhei) E conclui a decisão a quo: "(...) Assim, instaurado o contencioso administrativo, as alegações quanto ao suposto crédito decorrente de recolhimento indevido ou a maior, como no caso em análise, devem estar comprovadas pela demonstração inequívoca do quantum recolhido indevidamente, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, consistente na escrituração contábil/fiscal da contribuinte. Dessa forma, uma vez que a conclusão emitida pela autoridade administrativa teve como pressuposto as informações prestadas pela própria interessada em declarações fiscais válidas a produzir efeitos na data da emissão do Despacho Decisório e não havendo prova hábil que contrarie as informações prestadas espontaneamente, demonstrando o pagamento indevido do tributo, é de se manter o indeferimento da restituição pleiteada". Portanto, a lide se resume na questão de atendimento de condições estabelecidas em lei e provas documentais trazidos aos autos, pois para o deslinde do litígio é crucial que se tenha em mãos documentos que demonstrem a real situação aventada, mormente quando o pedido versa sobre suposto pagamento indevido. No caso em análise, por se tratar de pedido de restituição, devem estar comprovadas pela demonstração inequívoca do quantum recolhido indevidamente, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, consistente na escrituração contábil/fiscal da recorrente. Documentação essa, frisese, de posse da recorrente por determinação legal, como contratos firmados com os agentes externos, comprovantes de remessa de valores ao exterior, cópias de notas fiscais, recibos, dentre outros, além da própria escrituração contábil da empresa que reflita essas operações. É de conhecimento que a regra fundamental do sistema processual adotado pelo legislador nacional, quanto ao ônus da prova, encontrase cravada no art. 373 do novo Código de Processo Civil, in verbis: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Tal dispositivo é a tradução do princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. E esta formulação também foi, com as devidas adaptações, trazida para o processo administrativo fiscal, posto que a obrigação de provar está expressamente atribuída para o Fisco quando realiza o lançamento tributário e para o sujeito passivo, quando formula pedido de repetição de indébito. Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10930.903620/201205 Acórdão n.º 3402003.590 S3C4T2 Fl. 7 6 E, no presente caso, é fato que prova alguma foi trazida aos autos pela Recorrente que comprovem que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora ela tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazêlo, quer na impugnação, quer agora na fase recursal. Demais disso, o fundamento da decisão recorrida foi justamente este, qual seja, a falta de prova. Mas, contrariando os ditames do ônus da distribuição da prova para provar fato constitutivo de seu direito, insiste que "seja determinada a conversão do julgamento em diligência, a fim de que seja oportunizada apresentação de elementos considerados necessários à complementação da prova". Ora, se toda a documentação para provar o direito que alega está em seu poder, deveria ter a Recorrente produzido tal prova quando da manifestação de inconformidade, ou mesmo em sede de recurso voluntário, o que não ocorreu. Diante desse quadro, entendo que a decisão da DRJ é merecedora de ser mantida pelos seus próprios fundamentos. Conclusão Assim, concluo que por falta de prova hábil acostadas nos autos, ônus seu de produzir, deve ser negado seu pleito. Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 61DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 35292.000178/2007-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/07/2003 a 31/12/2006
RECURSO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIDO.
A apresentação, por protocolo ou via postal, fora do prazo legal de 30(trinta) dias a contar da intimação da decisão de primeira instância administrativa é considerado intempestivo, não preenchendo os requisitos de admissibilidade.
Logo, não pode ser conhecido.
Numero da decisão: 2302-003.684
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário pela intempestividade, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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NÃO CONHECIDO. A apresentação, por protocolo ou via postal, fora do prazo legal de 30(trinta) dias a contar da intimação da decisão de primeira instância administrativa é considerado intempestivo, não preenchendo os requisitos de admissibilidade. Logo, não pode ser conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário pela intempestividade, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (Assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente da Terceira Câmara e da Segunda Seção de Julgamento na data da formalização. (Assinado digitalmente) JOÃO BELLINI JÚNIOR - Relator ad hoc na data da formalização. EDITADO EM: 20/12/2016 Fl. 3618DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), GRAZIELA PARISOTO, LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES Relatório Conselheiro João Bellini Júnior - Relator ad hoc na data da formalização. Para registro e esclarecimento, pelo fato de o conselheiro responsável pelo relatório ter deixado o CARF antes de sua formalização, fui designado AD HOC para fazê-lo. Esclareço que aqui busco reproduzir o relato do Conselheiro, com o qual não necessariamente concordo. Feito o registro. Trata-se de Recurso Voluntário que busca a reforma de decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento que manteve integralmente o lançamento do crédito tributário em questão. Do julgamento de primeira instância, foi realizada a ciência do contribuinte no dia 18 de julho de 2008 (AR de fls. 03647 dos autos digitais). O recurso foi protocolizado no dia 26 de agosto de 2008/ (fls. 03553 dos autos digitais). Os autos vieram ao CARF, para apreciação e julgamento do recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro João Bellini Júnior - Relator ad hoc na data da formalização. Para registro e esclarecimento, pelo fato de o conselheiro responsável pelo relatório ter deixado o CARF antes de sua formalização, fui designado AD HOC para fazê-lo. Esclareço que aqui busco reproduzir o relato do Conselheiro, com o qual não necessariamente concordo. Feito o registro. O recurso foi interposto intempestivamente, o que impede a sua admissibilidade. O contribuinte tomou ciência do Acórdão recorrido em 18 de julho de 2008 e o prazo para interposição de recurso é de 30 (trinta) dias, considerando-se que na contagem é excluído o dia do início, o prazo venceria no dia 17 de agosto 2008. Contudo, nos autos o Fl. 3619DF CARF MF Processo nº 35292.000178/2007-81 Acórdão n.º 2302-003.684 S2-C3T2 Fl. 3.619 3 comprovante protocolo do recurso demonstra a data como 26 de agosto de 2008, oito dias após o final do prazo, logo fora do prazo normativo (art. 33 do Decreto n° 70.235/72), precluindo o direito de apresentação do recurso voluntário. Isso posto, voto por NÃO CONHECER O RECURSO VOLUNTÁRIO, por intempestividade. Foi assim que o Conselheiro votou na sessão de julgamento, conforme registro. (Assinado digitalmente) João Bellini Júnior - Relator ad hoc na data da formalização. Fl. 3620DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13001.720042/2015-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 22 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 10 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2402-000.578
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild, João Victor Ribeiro Aldinucci, Ronnie Soares Anderson, Theodoro Vicente Agostinho, Túlio Teotônio de Melo Pereira e Amilcar Barca Teixeira Júnior.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild, João Victor Ribeiro Aldinucci, Ronnie Soares Anderson, Theodoro Vicente Agostinho, Túlio Teotônio de Melo Pereira e Amilcar Barca Teixeira Júnior. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 30 01 .7 20 04 2/ 20 15 -9 7 Fl. 131DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 05 /10/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREIRA D E ARAUJO Processo nº 13001.720042/201597 Resolução nº 2402000.578 S2C4T2 Fl. 132 2 RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo – DRJ/SPO, que julgou procedente Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), ), relativa ao ano calendário 2012 / exercício 2013, apurando imposto suplementar R$ 3.037,75 (três mil e trinta e sete reais e setenta e cinco centavos). O lançamento deuse em razão de glosa de valores deduzidos a título de despesas médicas, por falta de comprovação ou por falta de previsão legal para sua dedução, no valor de R$ 11.046,35 (onze mil, quarenta e seis reais e trinta e cinco centavos). Consoante consta da Notificação de Lançamento, foram “GLOSADOS OS VALORES REFERENTES À SUL AMÉRICA SEGURO SAÚDE S.A., TENDO EM VISTA INFORMAÇÃO EM DUPLICIDADE COM A QUALICORP ADMINISTRADORA DE BENEFÍCIOS S.A”. A contribuinte contestou a autuação por meio da impugnação de fls. 2/4, com cujas alegações fora sintetizadas pela DRJ/SPO, nos seguintes termos: 1 foi notificado de lançamento, por glosa de valores com planos de saúde, em virtude de "informação em duplicidade"; 2 o lançamento merece reconsideração, a duplicidade não ocorreu, os relatórios das administradoras dos planos de saúde, já apresentados e que ora vão repetidos, faz prova de que os pagamentos informados correspondem a períodos diferentes, sucessivos; 3 nos primeiros sete (07) meses do ano, que vai de 01/01/2012 até 01/07/2012, os pagamentos foram para a Sega Corretora de Seguros, e, os cinco (05) meses subsequentes foram recolhidos à Qualicorp Adminsitradora de Benefícios S.A.; 4 a seguradora nos dois períodos permaneceu a mesma, a Sul América Seguro Saúde S.A., alterou apenas a administradora, ou estipulante, nos primeiros 7 meses com a Sega, que foi substituída pela Qualicorp; 5 na expectativa de ter prestado os esclarecimentos necessários e comprovado a não ocorrência de informação em duplicidade, pede e espera a extinção do débito tributário correspondente a notificação de lançamento acima epigrafada. A DRJ/SPO julgou a impugnação improcedente (Acórdão de Impugnação de fls. 81/84), em razão de o documento apresentado pelo contribuinte (fls. 6/7) com o objetivo de comprovar o pagamento à Sul América Seguro Saúde S/A não ter sido emitido por essa empresa, mas pela Sega Corretora de Seguros, que não foi identificada da forma como determina a norma de regência, não havendo sequer a indicação do seu CNPJ, informação indispensável em qualquer documento emitido por pessoa jurídica. Consta ainda do Acórdão nº 1672.287, da 16ª Turma da DRJ/SPO: Fl. 132DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 05 /10/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREIRA D E ARAUJO Processo nº 13001.720042/201597 Resolução nº 2402000.578 S2C4T2 Fl. 133 3 Na Declaração de Serviços Médicos e de Saúde – Dmed (fls. 78/80) apresentada pelas operadoras de plano de assistência à saúde e pelos prestadores de serviços de saúde não consta nenhuma informação acerca dos pagamentos efetuados quer à Sega Seguros, quer à Sul América S/A no período de janeiro à julho de 2012. Por ocasião do recurso voluntário, o Recorrente alega, em síntese que: a) da análise dos documentos resultaram "GLOSADOS OS VALORES REFERENTES A SUL AMERICA SEGURO SAÚDE S.A., TENDO EM VISTA INFORMAÇÕES EM DUPLICIDADE COM A QUALICORP ADMINISTRADORA DE BENEFÍCIOS S.A”; b) não ocorreu duplicidade e, por se tratar da única e exclusiva alegação de parte da Receita Federal a justificar a glosa, a impugnação oferecida, em matéria de defesa, limitouse em demonstrar a não ocorrência da alegada “duplicidade”; d) na DIRPF2013 o nome Sul América foi relacionado em duas oportunidades, (uma através da corretora SEGA e na sequência da corretora Qualicorp), isso pode ter levado a dúvida e sugerido que o contribuinte tenha tentado se locupletar ao utilizar a dedução no IR em duplicidade pelo mesmo pagamento, o que não ocorreu; e) naquele ano, a Caixa dos Advogados do RS embora mantendo o mesmo plano de saúde com a Sul América para os advogados associados, alterou/substituiu a administradora, que de 1/1/2012 até 1/7/2012 era a SEGA corretora, de agosto em diante, e até os dias de hoje a QUALICORP; f) ao decidirem sobre impugnação os membros da 16ª Turma da DRJ/SPO votaram pela sua improcedência, o fazendo sob fatos e fundamentos novos, que não haviam constado na notificação impugnada; g) quando da apreciação do atendimento a intimação fiscal (malha fina), a Receita Federal nada objetou à autenticidade dos documentos apresentados, ao contrário validouos, para ao final entender pela “duplicidade”, Sul América e Qualicorp, nas informações quanto a planos de saúde; h) para os mesmos documentos que antes eram prestáveis e serviram como embasamento à “glosa” com justificativa na “duplicidade” de tais documentos, no acórdão recorrido foram considerados como “imprestável para fins de comprovação dos pagamentos que relaciona”; i) o colegiado desviou da matéria antes submetida, e que fora o único e exclusivo objeto da impugnação, qual seja a “INFORMAÇÃO EM DUPLICIDADE”, atraindo, no caso a alegação de cerceamento de defesa por não ter sido oportunizado ao contribuinte se contrapor aos novos fundamentos, ferindo o princípio da ampla defesa; j) esclarecer quem são as partes no plano de saúde: Caixa de Assistência dos Advogados OAB/RS: a estipulante que negocia o convênio em benefício de seus associados; Fl. 133DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 05 /10/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREIRA D E ARAUJO Processo nº 13001.720042/201597 Resolução nº 2402000.578 S2C4T2 Fl. 134 4 Sul América Seguros: a seguradora prestadora dos serviços de atendimento aos segurado; SEGA e QUALICORP: que são corretoras, encarregadas de fazer a ligação entre a CAA e a Sul América; k) o plano de seguro saúde da Sul América foi contratado através da Caixa de Assistência dos Advogados, disponibilizado pela OAB/RS aos advogados associados, ao qual o Requerente é beneficiário pelo menos desde 01/6/2003; l) a Caixa dos Advogados está impedida de contratar diretamente o plano corporativo, por essa razão se vale de corretoras, no caso presente a SEGA seguros, o que ocorreu até julho de 2012, quando então a administração do mesmo plano Sul América passou à corretora QUALICORP; m) argumentando com base em exercícios anteriores, traz o caso relacionado com o exercício IRPF 2011, também objeto de “malha fina’, e, no que atine ao plano Sul América administrado pela SEGA Seguros, as despesas correspondentes foram auditadas e acolhidas pela Receita Federal, com exceção dos valores correspondentes ao filho Santiago Salgado Netto Bezerra, na época não relacionado dentre os dependentes. Com o fim de corroborar os argumentos suscitados, o Recorrente apresenta novamente os documentos trazidos na impugnação acrescidos de declaração firmada pela Caixa de Assistência dos Advogados da OAB/RS, a qual seria apta a atestar a veracidade dos pagamentos à Sul América/SEGA. REQUER, dentre outros quesitos que a à SUL AMÉRICA SEGURO SAÚDE S/A, CNPJ 86878469/000143, seja intimada a informar os pagamentos e a regularidade do segurado e dependentes no período entre janeiro e julho de 2012. É o relatório. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 05 /10/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREIRA D E ARAUJO Processo nº 13001.720042/201597 Resolução nº 2402000.578 S2C4T2 Fl. 135 5 VOTO Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto, dele conheço. Antes de analisarmos de forma exauriente as razões do recurso, constatase que há questões que devem ser devidamente dirimidas pela autoridade administrativa competente (Fisco). Isso porque examinando a Notificação de Lançamento, verificase que a razão que levou à glosa dos valores deduzidos a título de despesas médicas foi a constatação de que os valores referentes à Sul América Seguro Saúde S.A teriam sido informados em duplicidade com aqueles relacionados à QUALICORP Administradora de Benefícios S.A. A despeito de o Acórdão da DRJ/SPO ter adotado fundamento diverso daquele que justificou o lançamento do crédito tributário, o fato é que o documento relativo aos pagamentos que o contribuinte diz feito à Sega Seguros S.A referemse a período diverso daquele consignado no demonstrativo de pagamentos Qualicorp Administradora de Beneficíos S.A. Desse modo, considerando a alegação do Recorrente de que a Sul América Seguros lhe teria prestado serviços de saúde contratados pelas corretoras Sega Seguros S.A e Qualicorp Administradora de Beneficíos S.A, entendeuse pela necessidade de se converter o julgamento em diligência, a fim de que o Fisco verifique junto à Sul América Seguros tais informações. Das informações prestadas pela Sul América Seguros deverão constar os valores relativos a cada uma das corretoras, descriminados mês a mês. Após a elaboração da Informação (Parecer), o Fisco deverá dar ciência ao Recorrente desta decisão e do Parecer (Informação), com os demonstrativos e cópias que se fizerem necessários, e concederá prazo de 30 (trinta) dias, da ciência, para que o recorrente, caso deseje, apresente recurso complementar. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para as providências solicitadas. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 05 /10/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREIRA D E ARAUJO
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Numero do processo: 13709.002648/2002-65
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Sep 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/1997 a 30/09/1997, 01/10/1997 a 31/12/1997
FUNDAMENTO RELEVANTE DO ACÓRDÃO RECORRIDO NÃO ATACADO. DISSIMILITUDE FÁTICA. RECURSO ESPECIAL NÃO CONHECIDO
Não se conhece do Recurso Especial, quando as situações fáticas e fundamentações consideradas nos acórdãos indicados como paradigma não se prestam a demonstrar a divergência jurisprudencial.
No presente caso, o Recurso Especial trouxe acórdãos indicados como paradigma que tratavam da prescrição intercorrente relativa ao lapso temporal considerado entre a interposição da impugnação pelo sujeito passivo e a ciência da decisão da 1ª instância - DRJ (Súmula CARF nº 11), diferentemente do acórdão recorrido, que consignou que os débitos confessados em DCTF constituiria o crédito tributário e que, em respeito ao art. 174 do CTN, a ação para a cobrança do crédito tributário prescrevia em 5 anos contados dessa constituição.
Numero da decisão: 9303-004.255
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em não conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os conselheiros Andrada Marcio Canuto Natal, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado) e Rodrigo da Costa Pôssas, que o conheceram. Fez sustentação oral o patrono da contribuinte, Dr. Juan Pedro Brasileiro de Mello, OAB-SP 173.644, escritório Castro e Campos Advogados. Julgado dia 14/09/2016 no período da tarde.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em não conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os conselheiros Andrada Marcio Canuto Natal, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado) e Rodrigo da Costa Pôssas, que o conheceram. Fez sustentação oral o patrono da contribuinte, Dr. Juan AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 9. 00 26 48 /2 00 2- 65 Fl. 404DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 26/09/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Pedro Brasileiro de Mello, OABSP 173.644, escritório Castro e Campos Advogados. Julgado dia 14/09/2016 no período da tarde. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 3803006.292, da 3ª Turma Especial da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário, cancelando o auto de infração, consignando acórdão com a seguinte ementa: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/1997 a 30/09/1997, 01/10/1997 a 31/12/1997 PRESCRIÇÃO. DÉBITOS CONSTITUÍDOS DEFINITIVAMENTE. DCTF. Débitos confessados em DCTF e não pagos estão aptos a ser objeto de processo/ação de cobrança, independentemente de nova constituição por auto de infração, que ocorrendo não interrompe o prazo de prescrição, que ocorre em cinco anos, contados da data da sua constituição definitiva.” Insatisfeita, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial contra o acórdão 3803006.292, requerendo seu conhecimento e provimento para reformar a decisão de modo a afastar a “prescrição intercorrente”. Alega, em síntese que não há prescrição intercorrente no curso do processo administrativo. Fl. 405DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 26/09/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13709.002648/200265 Acórdão n.º 9303004.255 CSRFT3 Fl. 405 3 O apelo da Fazenda Nacional foi admitido em sua integralidade, nos termos do Despacho às fls. 394 a 396. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama Relatora Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, entendo que o recurso não deva ser conhecido, conforme reza o art. 67, Anexo II, do RICARF/2015 – Portaria MF 343/2015, vez que trouxe à baila matéria diversa da apreciada pelo Colegiado do acórdão recorrido. Ora, para melhor elucidar o meu entendimento quanto à falta de fundamentação e, por conseguinte divergência suscitada, importante trazer sinteticamente a descrição dos fatos. No presente processo, temse que: · Os débitos ora discutidos foram declarado em DCTF, ainda que não pagos; · O Auto de Infração foi expedido em 7.5.02 – por meio eletrônico; · Não obstante ao lançamento eletrônico, houve processo de Revisão de Lançamento 187/00 em 6.4.2010, ou seja, 7 anos e 2 meses após a constituição do débito por meio da DCTF; · O lançamento consubstanciado pela Revisão de Lançamento manteve a integralidade dos valores declarados na DCTF, com fulcro no parecer emitido pela Divisão de Maiores Contribuintes. Fl. 406DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 26/09/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 Em análise do acórdão recorrido, é de se trazer que o Colegiado havia entendido que os débitos confessados em DCTF constitui o crédito tributário e que, em respeito ao art. 174 do CTN, a ação para a cobrança do crédito tributário prescreve em 5 anos contados dessa constituição. O que, por conseguinte, concluiu que os débitos do presente processo tiveram sua constituição definitiva por meio das DCTFs em 3.11.97, estando prescritos após 3 de novembro de 2002, em conformidade com as datas de apresentação regulamentares das DCTFs. Eis que a Revisão de Lançamento ocorreu em 2010. Portanto, o que se referendou por aquele Colegiado é que não há como não se considerar prescritos os débitos constituídos, vez que a autoridade fazendária “demorou” 7 anos e 5 meses” para proceder com o lançamento. Não se discutiu nessa seara o lapso temporal constatado entre a data da impugnação apresentada pelo contribuinte e a data da ciência do acórdão consignado pela DRJ (1ª instância) – ou seja, não se discutiu, tampouco foi aventado pelo sujeito passivo, a prescrição intercorrente sumulada pelo CARF (Súmula 11). Vêse que os acórdãos apontados como paradigma tratam de fatos e matérias diferentes – “prescrição intercorrente” – o que, para melhor elucidar a falta de dissenso entre os arestos, importante expor que: · O acórdão 103.2113, traz: ü Que o sujeito passivo foi cientificado do lançamento em 17.8.90, dentro dos cinco anos da ocorrência do fato gerador, e a notificação da decisão recorrida de 1ª instância em 20.11.00 – o que, para ele, tendo transcorrido um lapso de tempo de aproximadamente 10 anos, restando inerte o processo por culpa da Administração Pública, teria ocorrido a decadência ou perempção. ü Que o conselheiro relator, após analisar o processo, trouxe: “É a chamada prescrição intercorrente e tem seu fundamento na excessiva demora no julgamento dos recursos administrativos pela repartição fazendária [...]” ü E, por fim, o Colegiado consignou acórdão com a seguinte ementa: Fl. 407DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 26/09/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13709.002648/200265 Acórdão n.º 9303004.255 CSRFT3 Fl. 406 5 “PRELIMINAR DE PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. Em prestígio ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa, bem assim à isonomia na relação jurídica tributária não é admissível a prescrição intercorrente no Processo Administrativo Fiscal. Havendo a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, não ocorre a prescrição. O prazo prescricional começa a fluir a partir da constituição definitiva do crédito tributário, que ocorre quando não cabe recurso ou ainda pelo transcurso do prazo. [...]” · O acórdão 104.19410, traz: ü O sujeito passivo, quanto à prescrição intercorrente, que o processo ficou paralisado por mais de 6 anos, entre o oferecimento da impugnação em 5.6.95 e 18.5.01, quando proferida decisão de primeiro grau. ü O conselheiro relator que: “Neste aspecto não lhe assiste razão. Com efeito, constituído o crédito tributário passa a fluir, em princípio, prazo prescricional, que fica suspenso, até que sejam decididos os recursos administrativos. Há julgados no sentido de que instaurada a lide com a apresentação de impugnação, não correm prazos prescricionais, até decisão da mesma. [...]” · E, por fim, o Colegiado consignou acórdão com a seguinte ementa: “[...] PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – PRELIMINAR – PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE – No processo Administrativo Fiscal, não se configura a prescrição intercorrente. Se o crédito está suspenso nos termos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional, não há de se falar em prescrição. O prazo prescricional conta Fl. 408DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 26/09/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 se da constituição definitiva do crédito tributário, e esta só ocorre quando não cabe recurso ou pelo transcurso do prazo” Sendo assim, vêse que os acórdãos paradigmas trazem que não há que se falar em prescrição intercorrente no processo administrativo, matéria, por sua vez, sumulada pelo CARF: “Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal.” Cabe ainda destacar que essa Súmula teve como suporte e reforço para a sua existência no ordenamento jurídico acórdãos que tratavam do lapso temporal considerado entre a interposição da impugnação pelo sujeito passivo e a ciência da decisão da 1ª instância (DRJ), diferentemente do acórdão recorrido que tratou do lapso temporal entre a data da entrega da DCTF, que constituiria o crédito tributário, segundo aquele Colegiado, vez se tratar de declaração com força de confissão de dívida, e a data do lançamento (Revisão do lançamento) – que, por sua vez, ocorreu após 5 anos da efetiva entrega da declaração. Entender, portanto, que se tratam de matérias e fatos similares seria desviar o conceito de prescrição intercorrente e, equivocadamente, aplicar a Súmula 11 para a prescrição para execução fiscal. Proveitoso também trazer que as fundamentações da prescrição de a autoridade fazendária executar o crédito tributário, decadência de a autoridade fazendária efetuar o lançamento e da prescrição intercorrente relativo a demora da apreciação de recurso da contribuinte, são diferentes, vez que, basicamente: · Para a prescrição intercorrente, eventualmente, são contemplados a Súmula 11; art. 1º, § 1º, da Lei 9.873/99, Lei de Execução Fiscal, etc; · Para a decadência de a autoridade efetuar o lançamento do crédito tributário, o art. 150, § 4º e art. 173, §1º do CTN; · Para a prescrição de a autoridade executar o crédito tributário, o art. 174 do CTN. Fl. 409DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 26/09/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13709.002648/200265 Acórdão n.º 9303004.255 CSRFT3 Fl. 407 7 Dessa forma, vêse que não há como se conhecer do Recurso Especial interposto pela Fazenda, por não atenderemos os pressupostos de admissibilidade trazidos pelo art. 67 do RICARF/2015 – Portaria MF 373/15 (com alterações posteriores). Em vista de todo o exposto, voto por não conhecer do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. É como voto. Tatiana Midori Migiyama Fl. 410DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 26/09/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 11131.000177/2007-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 01 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 21/09/2004 a 01/12/2005
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM DE TERCEIROS
Sendo classificada a importação por conta e ordem de terceiros com fulcro na documentação acostada aos autos pela fiscalização, em especial o contrato firmado entre a importadora ostensiva e a importadora efetiva, resta comprovada a interposição fraudulenta nos termos o artigo 23, do Decreto-lei nº 1.455/76, com redação dada pela Lei nº 10.637/2002.
NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA.
Uma vez que os documentos da importação foram acostados aos autos e que a Recorrente teve acesso a eles antes de sua manifestação em diligência, não cabe se falar em nulidade por cerceamento de defesa.
NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DA FORMALIDADE PRÉVIA PARA A CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO EM MULTA. INEXISTÊNCIA.
É necessária a prévia verificação pela fiscalização da impossibilidade de apreensão da mercadoria sujeita a pena de perdimento, em razão de sua não-localização ou consumo ou transferência a terceiros, para a aplicação da penalidade pecuniária de conversão da pena de perdimento (art. 73 da Lei n.º 10.833/2003 e art. 23, § 3º, do Decreto-Lei nº 1.455/1976).
A fiscalização comprovou que houve a revenda das mercadorias importadas pela importadora ostensiva para a importadora efetiva, em decorrência da própria configuração da importação por conta e ordem de terceiro. Confirmada, portanto, a condição para a conversão da pena de perdimento em multa.
ILEGITIMIDADE PASSIVA. DEMONSTRAÇÃO DO INTERESSE COMUM.
A responsabilidade solidária da empresa como real adquirente das mercadorias está devidamente respaldada nos autos e na legislação específica, tendo sido comprovada a efetiva ocorrência de importação por conta e ordem de terceiros, simulada pela documentação que respaldou a importação (art. 95, V, Decreto-lei n.º 37/1966).
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. MULTA EQUIVALENTE AO PERDIMENTO. CESSÃO DE NOME. MULTA DE 10%.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3402-003.671
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário da empresa SPIN COMERCIAL LTDA e, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário da empresa COTIA TRADING S/A. Vencidos os Conselheiros Rodolfo Tsuboi, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Designada a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula. O Conselheiro Rodolfo Tsuboi participou do julgamento em substituição ao Conselheiro Diego Diniz Ribeiro, que se declarou impedido.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(Assinado com certificado digital)
Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora
(Assinado com certificado digital)
Maria Aparecida Martins de Paula - Redatora designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Carlos Augusto Daniel Neto e Rodolfo Tsuboi.
Nome do relator: MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE
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OCULTAÇÃO REAL ADQUIRENTE. Recorrente SPIN COMERCIAL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 21/09/2004 a 01/12/2005 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM DE TERCEIROS Sendo classificada a importação por conta e ordem de terceiros com fulcro na documentação acostada aos autos pela fiscalização, em especial o contrato firmado entre a importadora ostensiva e a importadora efetiva, resta comprovada a interposição fraudulenta nos termos o artigo 23, do Decretolei nº 1.455/76, com redação dada pela Lei nº 10.637/2002. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Uma vez que os documentos da importação foram acostados aos autos e que a Recorrente teve acesso a eles antes de sua manifestação em diligência, não cabe se falar em nulidade por cerceamento de defesa. NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DA FORMALIDADE PRÉVIA PARA A CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO EM MULTA. INEXISTÊNCIA. É necessária a prévia verificação pela fiscalização da impossibilidade de apreensão da mercadoria sujeita a pena de perdimento, em razão de sua não localização ou consumo ou transferência a terceiros, para a aplicação da penalidade pecuniária de conversão da pena de perdimento (art. 73 da Lei n.º 10.833/2003 e art. 23, § 3º, do DecretoLei nº 1.455/1976). A fiscalização comprovou que houve a revenda das mercadorias importadas pela importadora ostensiva para a importadora efetiva, em decorrência da própria configuração da importação por conta e ordem de terceiro. Confirmada, portanto, a condição para a conversão da pena de perdimento em multa. ILEGITIMIDADE PASSIVA. DEMONSTRAÇÃO DO INTERESSE COMUM. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 13 1. 00 01 77 /2 00 7- 11 Fl. 1405DF CARF MF 2 A responsabilidade solidária da empresa como real adquirente das mercadorias está devidamente respaldada nos autos e na legislação específica, tendo sido comprovada a efetiva ocorrência de importação por conta e ordem de terceiros, simulada pela documentação que respaldou a importação (art. 95, V, Decretolei n.º 37/1966). INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. MULTA EQUIVALENTE AO PERDIMENTO. CESSÃO DE NOME. MULTA DE 10%. Configurada a materialidade da infração aduaneira veiculada pelo art. 23, V, §§1º e 3º do Decretolei nº 1.455/76, não há como se afastar a aplicação da penalidade respectiva ao seu agente direto e aos responsáveis pela infração na forma da lei. A previsão da multa por cessão de nome, veiculada pelo artigo 33 da Lei nº 11.488/2007, não prejudica a aplicação da pena de perdimento ou a multa que lhe substitui. A referida multa foi criada pelo legislador ordinário para conviver com a pena de perdimento das mercadorias e, em consequência, também com a multa que lhe substitui. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário da empresa SPIN COMERCIAL LTDA e, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário da empresa COTIA TRADING S/A. Vencidos os Conselheiros Rodolfo Tsuboi, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Designada a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula. O Conselheiro Rodolfo Tsuboi participou do julgamento em substituição ao Conselheiro Diego Diniz Ribeiro, que se declarou impedido. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente (Assinado com certificado digital) Maysa de Sá Pittondo Deligne Relatora (Assinado com certificado digital) Maria Aparecida Martins de Paula Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Carlos Augusto Daniel Neto e Rodolfo Tsuboi. Relatório Fl. 1406DF CARF MF Processo nº 11131.000177/200711 Acórdão n.º 3402003.671 S3C4T2 Fl. 1.406 3 Tratase de Auto de Infração para a cobrança de multa proporcional ao valor aduaneiro decorrente da conversão da pena de perdimento de mercadorias, lavrada em razão da ocultação do real adquirente das mercadorias importadas, a empresa SPIN COMERCIAL LTDA., pela importadora ostensiva COTIA TRADING S/A. Ambas empresas foram autuadas, na condição de solidárias, com fulcro no art. 124, I, do Código Tributário Nacional. A autuação decorreu da iniciativa da Alfândega do Porto de Vitória, que detectou indícios de que a empresa SPIN seria a real adquirente de mercadorias importadas por distintas empresas, dentre as quais a acima mencionada. Por conseguinte, foi instaurado procedimento especial de fiscalização na forma da Instrução Normativa n.º 228/2002 contra a SPIN para a verificação da origem dos recursos aplicados nas operações. Em conformidade com o Termo de Constatação (fls. 10/19 do processo eletrônico), a autuação foi lavrada em face da interposição fraudulenta comprovada, decorrente dos seguintes indícios e documentos, sintetizados no relatório da decisão de primeira instância: "• Vinculação entre a SPIN e a fornecedora estrangeira MI INTERNATIONAL, inclusive sendo detectado parentesco entre os sócios destas (fls. 8 — 9) Aduz que tais importações foram advindas do fornecedor estrangeiro MI INTERNATIONAL (MI), cujo vicepresidente, Sr. Antonio José Costa Ulna Gioia, é tio do Sr. Luiz Alberto Fonseca Filho, sócio formal majoritário da SPIN, o que indica vinculação entre fornecedor estrangeiro e o adquirente das mercadorias (vide fls. 168 — 172 e 200 — 224); • Exclusividade de fornecimento à SPIN no mercado nacional pelo exportador estrangeiro MT INTERNATIONAL (fls. 9) — Destacase o contrato de exclusividade de vendas existente entre a MI e a SPIN (vide fls. 3043 e 112167); • Acordo comercial firmado entre a SPIN e a COTIA pelo qual a SPIN contrata a COTIA para "processar importações" (fls. 4454) As cláusulas do acordo comercial de fls. 4447, firmado entre a SPIN e a COTIA, demonstram a condição da SPIN como mandante das importações processadas pela COTIA (SPIN como responsável por todas as consequências futuras possíveis dessas importações); • Elementos de inidoneidade de faturas; divergências entre assinaturas da signatária Gina Perez (fls. 173 179) e o signatário das faturas 250030 e 30030 (MI INTERNATIONAL), que instruíram as DI's 04/09486412 e 04/11172101 (11s. 170 e 172), foi o sócio minoritário da SPIN, Sr. Marco Spíndola, também diretor da MI (vide fls. 168— 199); • Notas fiscais de "venda" de mercadorias da COTIA à SPIN As fls. 1113, a fiscalização expõe as características das operações de venda de diversos produtos onde destaca incompatibilidade entre o preço de venda e o custo dos produtos importados. • Não recolhimento de IPI e ocultação da condição de estabelecimento equiparado a industrial (fls. 1315) Com base no art. 9° do Decreto nº 4.544, de 2002, os autuantes aduzem que a autuada SPIN é equiparada a industrial, o que a obriga a escriturar Livro Registro de Apuração do IPI, emitir nota fiscal de venda com destaque do 1PI, bem como as demais obrigações, inclusive o recolhimento do IPI, o que não ocorreu." (fls. 1.237/1.238) Após a apresentação de Impugnação Administrativa pelas duas empresas, o processo foi convertido em diligência para Resolução n.º 1.169 (fls. 836/841) questionando à autoridade preparadora da autuação: Fl. 1407DF CARF MF 4 "a) a respeito do resultado do procedimento especial de fiscalização citado na descrição dos fatos dos autos e no Termo de Constatação n° 01/2007, notadamente quanto à verificação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados nas operações de importações, inclusive anexando a este processo o respectivo relatório final de procedimento especial de fiscalização, e em sendo o caso, procedendo ao lançamento complementar; b) se o procedimento especial ocorreu apenas sobre a SPIN COMERCIAL LTDA ou se também ocorreu sobre a COTIA TRADING S/A, e neste caso, informar qual foi o resultado, anexando a este processo o respectivo relatório final de procedimento especial de fiscalização." (fl. 840) Em resposta à diligência foi proferida Informação Fiscal (fls. 847/854) na qual foi anexado o trecho pertinente do relatório final do procedimento especial de fiscalização, que teria evidenciado a não comprovação da origem dos recursos utilizados nas operações de comércio exterior "pela constatação de saldo credor ("estouro de caixa") na conta Caixa dos Livros Razão apresentados pela empresa, pela não comprovação da origem no recebimento de vendas, por vendas realizadas pelo prego de custo, por irregularidades na contabilização de pagamentos efetuados a fornecedores, além das evidências de existência de interposta pessoa no quadro societário da SPIN COMERCIAL." (fl. 848) Quanto à informação relativa ao procedimento especial sobre a COTIA, foi indicado na informação fiscal que: "No presente caso, conforme informado pela SPIN (fls. 108/110) e confirmado pela COTIA (fls. 310/609) os recursos empregados nas importações foram supridos ao importador (COTIA) pela SPIN após o desembaraço aduaneiro das mercadorias, sendo que na maioria dessas operações (Demonstrativo de Repasses SPIN / COTIA — fls. 1.098/99) o fechamento do contrato de câmbio com o fornecedor estrangeiro coincide com o repasse de recursos feito pela SPIN à COTIA, a titulo de pagamento de compra de mercadorias no mercado interno, após o vencimento consignado nas respectivas notas fiscais. Por exemplo, em 18/05/2005 (fls. 109 e 572) a SPIN efetuou uma transferência de R$ 102.099,68 5 COTIA a titulo de pagamento das notas fiscais n° 53475, 53746 e 57530, cujo último vencimento teria sido em 21/01/2005 (fls. 59, 60, 64 e 65). Nesse mesmo dia a COTIA celebrou o contrato de câmbio n°05/08316 referente à compra de US$ 41.167,76, equivalente â R$ 101.663,78, para pagamento das mercadorias importadas ao amparo das DI n° 04/09486412 e 04/13210337 (fls. 489/514 e 549/569). Ressaltese que, conforme já demonstrado às fls. 225, 226, 228 e 230, as notas fiscais n° 53475, 53746 e 57530 documentam a transferência formal à SPIN das mercadorias importadas ao amparo das DI n°04/09486412 e 04/13210337 (fls. 489/514 e 549/569). Dessa forma, no presente caso, é irrelevante que a COTIA tenha ou não sido submetida a procedimento especial para comprovar a origem, disponibilidade e transferência de recursos utilizados em suas operações de comércio exterior. Pois, os recursos empregados nas importações aqui tratadas foram supridos pela SPIN e em face dessa empresa foi realizado procedimento fiscal especial de fiscalização. (...) A ocultação do efetivo adquirente de mercadorias em operações de importação comprovase por diversos meios de provas, sendo o adiantamento de recursos para custeio da importação pelo efetivo adquirente ao importador formal apenas um deles." (fl. 849/850 grifei) Informou que a empresa COTIA é beneficiária da FUNDAP da Lei n.º 2.508/1970 (fl. 852), conforme igualmente informado pela empresa SPIN em sua impugnação. Fl. 1408DF CARF MF Processo nº 11131.000177/200711 Acórdão n.º 3402003.671 S3C4T2 Fl. 1.407 5 Por fim, a fiscalização informou que os valores autuados no presente Auto de Infração relativos à DI n° 05/13055724 deveriam ser excluídos, vez que esta DI foi cancelada e substituída por outra que foi objeto de autuação distinta. Após a manifestações das autuadas quanto à Informação Fiscal e em análise deste documento e das Impugnações apresentadas, a autoridade julgadora a quo entendeu por julgar parcialmente procedente o lançamento para excluir apenas os valores aduaneiros relativos à DI n° 05/13055724 (R$ 272.585,68, não sujeito ao recurso de ofício). O julgado foi ementado nos seguintes termos: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 21/09/2004 a 01/12/2005 LEGITIMIDADE PASSIVA. SUJEITO PASSIVO SOLIDÁRIO. Constatado que importador e adquirente tinham interesses comuns na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, ou seja, a importação de mercadorias, ambas, de forma solidária, devem compor pólo passivo do lançamento de oficio. ALEGAÇÃO DE CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. Não se constata cerceamento de direito de defesa se verificado o cumprimento dc todas as formalidades inerentes à ciência e garantia da apresentação de impugnação tal como previstas na legislação. BASE DE CALCULO. CANCELAMENTO DE DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. Constatado que uma declaração de importação que compunha a base de cálculo do lançamento original foi cancelada e substituída por outra, aquela deverá ser excluída da referida base de calculo, bem como os efeitos inerentes a. exigência tributária, e sua substituta deverá ser objeto de novo lançamento. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTARIA Período de apuração: 21/09/2004 a 01/12/2005 VINCULAÇÃO ENTRE ADQUIRENTE E FORNECEDOR. A constatação de vinculação entre as empresas fornecedoras internacionais e a adquirente das mercadorias importadas, inclusive com o seu controle financeiro e administrativo, existente de modo informal, implica cm indicio de falsidade nas informações constantes nas faturas emitidas, conluio, simulação e fraude nas operações de importação. OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE. Restando claro que o real adquirente das mercadorias importadas foi diversa da do importador, a ausência desta informação na declaração de importação registrada permite que se conclua pela ocultação daquela e faz presumir a interposição fraudulenta de terceiros, hipótese que enseja a aplicação da pena de perdimento e sua conversão em multa equivalente ao valor das mercadorias por esta já haverem sido entregues a consumo. PROVA INDICIÁRIA. CONJUNTO PROBANTE. É plenamente aceitável em Direito Tributário, o uso da prova indireta, qual seja o indicio e a presunção, especialmente nos casos de fraude, conluio e simulação fiscal, conforme configurado nos elementos que formam o conjunto probante contido nos autos, ou seja, operações de importação efetuadas com ocultação do real adquirente, pressuposto da interposição fraudulenta de terceiros." (fls. 1.235/1.236) Com a intimação apenas da empresa SPIN em 08/09/2009 (que apresentou tempestivo Recurso Voluntário em 07/10/2009), o processo foi convertido em diligência por este Conselho por meio da Resolução n.º 3101000.236 para a intimação da empresa COTIA, Fl. 1409DF CARF MF 6 que foi concretizada em 10/12/2012. Em 07/01/2013, esta empresa apresentou suas razões recursais. Em seus recursos, alegaram as empresas, em síntese: I Recurso Voluntário da SPIN COMERCIAL LTDA. I.1. Ilegitimidade passiva da SPIN vez que as operações foram realizadas diretamente pela COTIA, não podendo se falar na existência de interesse comum do art. 124, I do CTN ou na aplicação da responsabilidade solidária como se a importação tivesse ocorrido por conta e ordem, o que não ocorreu no presente caso, que envolvem importações por encomenda, cuja base legal para responsabilidade solidária só foi prevista na Lei n.º 11.281/2006; I.2. Nulidade do Auto de Infração por cerceamento de defesa, vez que a Recorrente não teve acesso aos documentos relativos às importações geridas pela COTIA; I.3. No mérito, que as operações não podem ser consideradas operações por conta e ordem de terceiros, tendo sido realizadas por conta própria da importadora COTIA, não sendo os documentos e informações apresentados pela fiscalização suficientes para desconsiderar a operação da forma como efetivamente teria se concretizado. Enfrenta, nos seguintes termos, as provas apresentadas pela fiscalização: a) a vinculação entre a SPIN e os fornecedores estrangeiros: ainda que existente, ela não traz consequências para a caracterização da operação como por conta e ordem; b) faturas com assinaturas do mesmo signatário distintas entre si: sustenta a Recorrente que essa afirmação exigiria uma perícia técnica não realizada pela fiscalização para atestar a falsidade das assinaturas. Ademais, teria acostado aos autos a documentação dos emitentes das faturas atestando a idoneidade das assinaturas; c) a falta de lucro da Cotia na operação de venda: afirma a Recorrente que a fiscalização desconsiderou o fato que a importadora é uma trading beneficiária de incentivos fiscais (FUNDAP), com a equivocada comparação entre os custos de aquisição dos períodos autuados (2004 e 2005) com as vendas incorridas em 2006. I.4. Afirma o não cumprimento dos requisitos legais para a aplicação da pena de perdimento (verificação prévia da impossibilidade de entrega da mercadoria); I.5. Da ausência de comprovação da fraude, não tendo sido igualmente demonstrados os indícios para a aplicação da presunção legal de interposição fraudulenta. II Recurso Voluntário da COTIA TRADING S/A II.1. Ilegitimidade passiva da COTIA, vez que o art. 124, I do CTN, único dispositivo no qual a fiscalização teria se fundamentado para aplicar a responsabilidade solidária da empresa, não se aplica às multas aduaneiras; II.2. Nulidade do Auto de Infração em razão da falta de motivação, vez que a fiscalização não teria indicado qual o dispositivo que justifica a aplicação da pena de perdimento no presente caso; II.3. No mérito: Fl. 1410DF CARF MF Processo nº 11131.000177/200711 Acórdão n.º 3402003.671 S3C4T2 Fl. 1.408 7 II.3.1. que a COTIA não teria efetuado importações por conta e ordem da SPIN, estando a fiscalização indevidamente baseada em indícios e presunções destituídas de gravidade, precisão e coerência. Segundo a Recorrente a) a presença de comprador predeterminado não caracteriza conta e ordem (art. 11, Lei n.º 11.281/2006); b) a negociação entre o comprador e o exportador não implica responsabilidade pela operação do importador; c) a eventual vinculação entre o exportador e o comprador não caracteriza conta e ordem (art. 14, Lei n.º 11.281/2006); d) os preços praticados ou a lucratividade das empresas não indicam a natureza da importação; e) o recolhimento de IPI pelo comprador das mercadorias no mercado interno é questão de política fiscal. Sustenta ainda que o não enquadramento como operação por conta e ordem estaria em conformidade com o ADI/SRF 07/2002. II.3.2. que não teria ficado demonstrada a utilização de recursos de terceiros na importação, não tendo sido instaurado o procedimento especial para averiguar a capacidade econômica e financeira da COTIA, em descumprimento do procedimento normativo aplicável. Traz jurisprudência judicial que já teria respaldado o entendimento da Recorrente; II.3.3. subsidiariamente, pleiteia a aplicação da multa específica mais benéfica prevista na legislação superveniente prevista no art. 33 da Lei n.º 11.488/2007 (multa de cessão de nome). É o relatório. Voto Vencido Conselheira Relatora Maysa de Sá Pittondo Deligne Conheço dos recursos, por tempestivos, adentrando em suas razões. I DAS CONSIDERAÇÕES QUANTO AO MÉRITO: CONFIGURAÇÃO DA IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM DE TERCEIROS Primeiramente, entendo que seja relevante fixar uma premissa que envolve as principais questões levantadas pelas duas empresas em seus recursos: pela documentação acostada aos presentes autos pela fiscalização, ficou efetivamente confirmada a importação por conta e ordem de terceiros, não se tratando de importação por encomenda ou de uma interposição fraudulenta presumida, como aduziram as Recorrentes. Em conformidade com o entendimento já veiculado por este Conselho1, na importação por encomenda, a empresa importadora ("trading") adquire mercadoria junto ao exportador no exterior e providencia sua entrada no território nacional, com a posterior revenda 1 A título exemplificativo, vide o Acórdão n.º 3302001.995 da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara desta 3ª Seção proferido no processo nº 12466.002272/200731 na sessão de 28/02/2013. Fl. 1411DF CARF MF 8 ao encomendante. Para o importador, a operação tem os mesmos efeitos de uma importação própria. Nesse sentido, a importação é realizada com recursos próprios da importadora e a operação cambial para pagamento da importação é realizada exclusivamente em nome da importadora que a realiza. Assim, a “trading” está importando para destinatário certo, que determina o produto a ser importado, conforme consignado em contrato firmado entre as partes. Esta operação foi disciplinada pela Lei n.º 11.281/2006 e pela Instrução Normativa n.º 634/2006, ainda vigentes. Por outro lado, na importação por conta e ordem de terceiros, a "trading" é uma mera intermediária, prestadora de serviços para a consecução da atividade de importar promovendo, em seu nome, o despacho aduaneiro de importação de mercadorias adquirida por outra empresa. Neste caso, a operação realizase com recursos do próprio adquirente, mesmo que a importadora os antecipe para concretizar a importação. Assim, a origem dos recursos financeiros é da adquirente. Esta operação é disciplinada pelas Instruções Normativas n.º 225/2002, já vigente à época dos fatos abrangidos na presente autuação. De forma sintética, diferenciase as duas operações sob análise: Importação por Conta e Ordem de Terceiros Importação por Encomenda "Trading" é intermediadora (prestadora de serviços) "Trading" é a real importadora Operação realizada com recursos do adquirente Operação realizada com recursos da "trading" Câmbio fechado pelo adquirente Câmbio fechado pela "trading" Contrato de importação por conta e ordem Contrato de importação por encomenda Atentandose para o caso em tela, entendo que a extensa documentação suporte apresentada pela fiscalização indica com clareza que, não obstante a operação tenha sido indicada nas documentações suporte das importações como importações próprias da COTIA (defendendo as Recorrentes que se tratam de importações por encomenda), essas operações foram, na verdade, importações por conta e ordem da SPIN, verdadeira importadora das mercadorias. Essa confirmação pode ser extraída de toda documentação acostada aos autos pela fiscalização, em especial do contrato firmado entre a SPIN e a COTIA acostado às fls. 46 56 do processo digital. Com efeito, extraise das cláusulas quarta a oitava do "INSTRUMENTO PARTICULAR DE FIXAÇÃO DE RESPONSABILIDADE, ASSUNÇÃO DE OBRIGAÇÕES E OUTRAS AVENÇAS" (fl. 53/55) que, desde sua origem, a operação contratada entre a SPIN e a COTIA foi uma operação por conta e ordem na forma disciplinada à época pela legislação, sendo expressamente contratado entre as partes que o ônus da importação seria assumido, em sua integralidade, pela SPIN, na condição de adquirente das mercadorias. Para melhor visualização, transcrevo abaixo as referidas cláusulas, com destaque para as partes que evidenciam a assunção do ônus das importações pela SPIN, e não pela "trading" COTIA: "CLÁUSULA QUARTA Fl. 1412DF CARF MF Processo nº 11131.000177/200711 Acórdão n.º 3402003.671 S3C4T2 Fl. 1.409 9 Tendo em vista que a COTIA tem a obrigação de pagar os valores devidos ao exportador, em decorrência da compra feita no mercado externo e que, para as partes, sob o aspecto financeiro, é interessante que a SPIN assuma a dívida da COTIA perante o exportador, a SPIN, por meio do presente instrumento, assume a dívida da COTIA perante o exportador das mercadorias importadas, sempre que o câmbio para pagamento dos valores devidos ao exportador, em decorrência das operações realizadas ao amparo do CONTRATO, tiver que ser fechado e liquidado em momento posterior à emissão das respectivas Notas Fiscais de Venda das mercadorias pela COTIA contra a SPIN Parágrafo Primeiro Por força do disposto no "caput" desta cláusula, estabelecem as partes que após o faturamento das mercadorias, será dada quitação do pagamento à Duplicata CC, estabelecida no item 6.1, da Cláusula Sexta do CONTRATO Parágrafo Segundo Fica estabelecido que em nenhuma das operações haverá a necessidade da formalização de Instrumento de Assunção de Divida, já que no presente contrato, a SPIN assume em caráter irrevogável e irretratável, independentemente de qualquer outra formalização, a obrigação de, em todas as importações realizadas pela COTIA com as características apontadas no "caput" desta cláusula, assumir, automaticamente, a obrigação de liquidar os pagamentos devidos ao exportador. CLÁUSULA QUINTA Em razão de o fechamento e liquidação dos contratos de câmbio ter que ser realizado em nome da COTIA por força da legislação cambial aplicável, fica estabelecido que a SPIN deverá liquidar a dívida ora assumida, mediante a realização de um depósito dos recursos necessários à liquidação do pagamento devido ao exportador (acrescida da CPMF incidente), na conta corrente de titularidade da COTIA que, por sua vez, autorizará o débito pelo banco contratado para liquidar o cambio. Esta disposição não será aplicável nas hipóteses previstas no parágrafo segundo infra Parágrafo Primeiro Será obrigação da SPIN adotar as providências necessárias à negociação e contratação do respectivo contrato de câmbio, devendo sempre manter a COTIA informada sobre tais trâmites e comprometendose a efetuar os pagamentos conforme o disposto na Cláusula Sexta e na Cláusula Sétima infra. Parágrafo Segundo Em caso de operações com ROF — Registro de Operações Financeiras, conforme determina a legislação cambial brasileira, estabelecem as partes que em até 5 (cinco) dias após a emissão das duplicaras geradas por força da venda de mercadorias, a SPIN deverá apresentar para a COTIA o ROF alterando o devedor de COTIA para SPIN, caso em que o fechamento e liquidação dos contratos de câmbio para pagamento do exportador serão ' realizados diretamente pela SPIN. CLÁUSULA SEXTA A assunção de dívida prevista na Cláusula Quarta supra, impõe a obrigação de a SPIN considerar o valor devido ao exportador com base no câmbio vigente à época da sua liquidação, além de responsabilizarse a SPIN, a partir da emissão das respectivas notas Fiscais de Venda das mercadorias pela COTIA à SPIN, por todos os tributos, despesas, CPMF, variação cambial e outros mistos decorrentes do fechamento e liquidação dos contratos de câmbio. Parágrafo Único Será de responsabilidade isolada da SPIN qualquer ônus ou multa eventualmente impostos pelo Banto Central do Brasil (BACEN) em decorrência do fechamento e liquidação do câmbio para pagamento dos valores devidos ao exportador nas hipóteses de fechamento e liquidação intempestiva, não efetivação destes, desrespeito de prazos e quaisquer outras questões correlatas. Fl. 1413DF CARF MF 10 CLÁUSULA SÉTIMA O depósito previsto no "caput" da Cláusula Quinta supra deverá ocorrer sempre em tempo hábil, conforme previsão legal, para a liquidação dos contratos de câmbio para pagamento dos valores devidos ao exportador das mercadorias, considerando todas as movimentações financeiras que serão necessárias para viabilizar a remessa, de forma que as obrigações no exterior possam ser honradas tempestivamente, sem qualquer prejuízo perante o exportador ou desrespeito à legislação aplicável" (fl. 53/55 grifei) Cumpre ainda enfatizar que, como indica o parágrafo único da cláusula quinta acima transcrita, a SPIN quem deveria negociar e contratar os contratos de câmbio das importações, e não a COTIA. Da mesma forma, o parágrafo segundo desta mesma cláusula indica que a documentação relativa ao contrato de câmbio nas operações com ROF Registro de Operações Financeiras deveriam ser efetuadas em nome da SPIN, e não da COTIA. Assim, o próprio contrato firmado entre as partes evidenciou, com clareza cristalina, a natureza da operação efetivamente realizada, de compra por conta e ordem, afastandose, desde já, todas as alegações aventadas pelas partes de que estaríamos diante de uma importação por encomenda suscetível de invocar a aplicação da Lei n.º 11.281/2006. Desta forma, restou demonstrado nos autos que a efetiva importadora das mercadorias foi a empresa SPIN. Assim, confirmase a simulação na documentação da importação das mercadorias que indicaram a empresa COTIA como importadora própria, ocultando o real comprador das mercadorias e efetivo responsável pela operação de importação (SPIN). A simulação foi indicada pela fiscalização no Termo de Constatação (fl. 11), em conformidade com o art. 167, §1º, II, do Código Civil: "Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. § 1o Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: (...) II contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira;" (grifei) Importante frisar que não se cabe falar que teria havia uma presunção da interposição fraudulenta no caso, sendo certo que, como visto, ela foi efetivamente comprovada pela fiscalização com fulcro na documentação disponibilizada pela própria fiscalizada SPIN, que evidenciou com veemência quem era responsável pelo financiamento das operações de importação (frisese novamente, a verdadeira adquirente, a SPIN). Exatamente em razão da clara instrução deste processo após a fiscalização especial da empresa SPIN que não foi necessário comprovar uma eventual indisponibilidade financeira da importadora ostensiva COTIA por meio de procedimento especial, desnecessário no presente caso por não se tratar de interposição fraudulenta presumida. Correta, portanto, a aplicação da pena de perdimento proposta pela fiscalização com fulcro no art. 618, XXII do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto n.º 4.543/2002, vigente à época das importações e da autuação (art. 23 do Decretolei n.º 1.455/1976): "Art. 618. Aplicase a pena de perdimento da mercadoria nas seguintes hipóteses, por configurarem dano ao Erário (Decretolei no 37, de 1966, art. 105, e Decreto Fl. 1414DF CARF MF Processo nº 11131.000177/200711 Acórdão n.º 3402003.671 S3C4T2 Fl. 1.410 11 lei no 1.455, de 1976, art. 23 e § 1o, com a redação dada pela Medida Provisória no 66, de 2002, art. 59): (...) XXII estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. § 1o A pena de que trata este artigo convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido transferida a terceiro ou consumida (Decretolei no 1.455, de 1976, art. 23, § 3o, com a redação dada pela Medida Provisória no 66, de 2002, art. 59)." (grifei) Sedimentadas estas premissas quanto ao mérito do processo, passase à análise das demais questões recursais levantadas. II. DA NULIDADE PELO CERCEAMENTO DE DEFESA DA SPIN PELO NÃO ACESSO AOS DOCUMENTOS DE IMPORTAÇÃO DA COTIA Neste ponto, sustentou a empresa SPIN em seu recurso que seu direito de defesa teria sido restringido por não ter tido acesso aos documentos da importação formulados pela COTIA. Contudo, não cabe acolhida a pretensão da SPIN vez que toda a documentação da importação foi anexada pela própria COTIA quando de sua impugnação e pela fiscalização quando da realização da diligência requerida pela decisão de primeira instância. Diante disso, quando da apresentação da manifestação à diligência em 16/07/2008 (fls. 1.216/1.225), a empresa SPIN teve acesso a toda a documentação suporte da importação, não sendo cabível se falar, na hipótese, de cerceamento de defesa. Desta forma, uma vez que os documentos da importação foram acostados aos autos e que a Recorrente SPIN se manifestou posteriormente quando da manifestação da diligência fiscal, tendo pleno acesso a esses documentos, não cabe se falar em nulidade por cerceamento de defesa. III. DA NULIDADE PELA FALTA DE MOTIVAÇÃO VEZ QUE NÃO TERIA INDICADO O DISPOSITIVO QUE JUSTIFICOU A APLICAÇÃO DA PENA DE PERDIMENTO Como delineado, entendeu a fiscalização que teria ocorrido a ocultação pelo importador ostensivo COTIA TRADING S/A do efetivo adquirente das mercadorias importadas, SPIN COMERCIAL LTDA., nas Declarações de Importação relacionadas na autuação. Diante disso, entendeu a fiscalização que seria aplicável à hipótese a pena de perdimento das mercadorias prevista no inciso XXII, do art. 618 do Regulamento Aduaneiro então vigente, aprovado pelo Decreto n.º 4.543/2002. Segundo alegado pela empresa COTIA em seu recurso, a fiscalização não teria indicado qual o dispositivo que justifica a aplicação da pena de perdimento no presente caso. Fl. 1415DF CARF MF 12 Entretanto, a base legal para a aplicação da pena de perdimento foi expressamente consignada no Termo de Constatação n.º 02/2007, tanto na parte introdutória como no item 5.1, ao expressar: "1. INTRODUÇÃO No Procedimento Especial de Fiscalização referente à verificação da origem dos recursos aplicados em operações de comercio exterior e combate à interposição fraudulenta de pessoas instituído pela Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal — IN SRF n°228/2002, com fulcro no art. 53 do DecretoLei n° 37/66, com a redação dada pelo art. 2° do DecretoLei n° 2472/88 e art. 1° da Portaria MF n° 35012002, em face da empresa SPIN COMERCIAL LTDA., CNPJ: 86.938.453/000189 (fls. 1/2), constatamos o registro de importações diretas pela empresa COTIA TRADING, CNPJ: 72.891.955/000197, com ocultação do efetivo adquirente das mercadorias, a empresa SPIN COMERCIAL. Consoante o disposto no inciso XXII do art. 618 do Regulamento Aduaneiro, dispositivo com redação dada pelo art. 59, da Medida Provisória n° 66, de 29/08/2002, transformada na Lei n° 10.637 de 30/12/2002, aplicase a pena de perdimento as mercadorias importadas com ocultação do verdadeiro adquirente e/ou fornecedor das mercadorias ou a sua conversão em multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias, caso essas não sejam localizadas ou tenham sido consumidas." (fl. 10 grifei) "5.1. Da Pena de Perdimento de Mercadorias Importadas Configura dano ao erário, nos termos do art. 618, inciso XXII,! §1° e §5° do Regulamento Aduaneiro com redação dada pelo art. 23, inciso V e §§ 1° , 2° e 3° do Decretolei n° 1.455176, com redação dada pelo art. 59, da Medida Provisória n° 66, ,de 29/08/2002 (DOU 30/08/02), convertida na Lei n° 10.637 de 30/12/2002, in verbis: V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(grifos nossos) § 1º O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (grifos nossos) § 2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. § 3o A pena prevista no § 1º convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida.(grifos nossos) Dessa forma, com fundamento nos dispositivos legais adiante transcritos, será aplicada a multa de conversão da pena de perdimento de valor equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias, em razão da impossibilidade da apreensão, pela ocultação do sujeito passivo, efetivo adquirente de mercadorias importadas. O dano ao erário perpetrado com a ocultação do efetivo adquirente das mercadorias importadas em nome da COTIA TRADING configurase pela sonegação fiscal, de pelo menos R$ 190.000,00, somente em IPI que deixou de ser recolhido em vendas no mercado interno pela SPIN dos produtos oriundos das Dl assinaladas no item 2.1, registradas diretamente pela COTIA TRADING, ocultando a SP/N como efetiva adquirente das mercadorias. Consoante Demonstrativo de Valor Aduaneiro de Importações Registradas pela COTIA TRADING com ocultação do efetivo adquirente das mercadorias (fls. 234) a multa pela conversão de pena de perdimento totaliza R$ 1.460.504,34. Fl. 1416DF CARF MF Processo nº 11131.000177/200711 Acórdão n.º 3402003.671 S3C4T2 Fl. 1.411 13 Ressaltese que, no caso de posteriormente, forem localizados documentos que permitam a apuração do valor efetivo dessas mercadorias, será efetuado lançamento complementar." (fls. 18/19 grifei) Assim, tendo a fiscalização devidamente trazido o fundamento legal para a aplicação da pena de perdimento, inexiste a nulidade apontada pela Recorrente COTIA no presente caso. IV DA AUSÊNCIA DE VERIFICAÇÃO PRÉVIA DA IMPOSSIBILIDADE DE ENTREGA DAS MERCADORIAS Sustentou a Recorrente SPÌN que teria sido descumprida no presente caso a formalidade prévia para a conversão da pena de perdimento em multa, vez que não confirmado originariamente pela fiscalização a impossibilidade de apreensão da mercadoria. Com efeito, segundo o art. 73 da Lei n.º 10.833/2003, é necessária a prévia verificação pela fiscalização da "impossibilidade de apreensão da mercadoria sujeita a pena de perdimento, em razão de sua nãolocalização ou consumo" para a aplicação da penalidade pecuniária de conversão da pena de perdimento, autuada no presente caso: "Art. 73. Verificada a impossibilidade de apreensão da mercadoria sujeita a pena de perdimento, em razão de sua nãolocalização ou consumo, extinguirseá o processo administrativo instaurado para apuração da infração capitulada como dano ao Erário. § 1o Na hipótese prevista no caput, será instaurado processo administrativo para aplicação da multa prevista no § 3o do art. 23 do DecretoLei no 1.455, de 7 de abril de 1976, com a redação dada pelo art. 59 da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002. § 2o A multa a que se refere o § 1o será exigida mediante lançamento de ofício, que será processado e julgado nos termos da legislação que rege a determinação e exigência dos demais créditos tributários da União." (grifei) Esta exigência é igualmente trazida no art. 23, § 3º, do DecretoLei nº 1.455/1976, tanto na redação vigente à época da autuação, dada pela Lei n.º 10.637/2002, como na atualmente vigente dada pela Lei n.º 12.350/2010: "Art. 23 (...) § 3º A pena prevista no § 1ºconvertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 3o As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010)" (grifei) Contudo, no presente caso, a fiscalização comprovou que houve a revenda das mercadorias importadas pela importadora ostensiva (COTIA) para a importadora efetiva (SPIN), na forma do art. 23, § 3º, do DecretoLei nº 1.455/1976 acima transcrito. Com isso, em Fl. 1417DF CARF MF 14 decorrência da própria configuração da importação por conta e ordem de terceiro, foi confirmada a revenda das mercadorias e, portanto, a condição para a conversão da pena de perdimento em multa. É o que fundamentou a fiscalização, indicando a impossibilidade da apreensão das mercadorias importadas vez que já revendidas pela importadora COTIA para a efetiva adquirente (SPIN), que teria sido oculta. Vejase pela transcrição do Auto de Infração: "Aplicação de multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias pela impossibilidade de sua apreensão, face a ocultação da efetiva adquirente, SPIN COMERCIAL LTDA das mercadorias importadas ao amparo das DI n° 05/13055724, 05/12398490, 05/11005665, 05/05097154, 05/03884680, 05/02336409, 05/01099209, 05/00450239, 04/15210337, 04/11449928, 04/11172101, e 04/09486412 registradas diretamente pela COTIA TRADING, conforme explicitado no Termo de Contatação n° 02/2007." (fl. 7 grifei) Desta forma, entendo que a fiscalização cumpriu este requisito legal para a lavratura do Auto de Infração, que não deve ser cancelado por este motivo. V DA ILEGITIMIDADE PASSIVA DAS PARTES Tanto a SPIN como a COTIA alegaram a ilegitimidade passiva. Analisando os Recursos, vislumbramse os seguintes argumentos neste ponto: (i) quanto ao art. 124, I do CTN, único dispositivo no qual a fiscalização teria se fundamentado para aplicar a responsabilidade solidária das empresas: (i.1) a inaplicabilidade deste dispositivo para as multas aduaneiras; (i.2) a inexistência de interesse comum à que se refere o dispositivo; (ii) a impossibilidade de aplicação da responsabilidade solidária como se a importação tivesse ocorrido por conta e ordem, uma vez que o presente caso envolve importações por encomenda, cuja base legal para responsabilidade solidária só foi prevista na Lei n.º 11.281/2006. Nesta oportunidade, enfrentarei apenas a argumentação indicada no item (i), vez que aquela indicada no item (ii) já foi afastada anteriormente quando foi sedimentado que o presente caso se refere à importação por conta e ordem de terceiro. Atentandose para o Auto de Infração, depreendese que, de fato, o único fundamento legal apontado para a responsabilidade solidária foi o art. 124, I, do CTN. Nesse sentido, toda a motivação desenvolvida pela fiscalização no Termo de Constatação e no corpo do auto de infração foi no sentido de indicar o comum interesse das duas empresas na importação realizada com a ocultação do real sujeito passivo, indicando que ambas teriam concorrido com a operação (a SPIN na condição de verdadeira adquirente e a COTIA como quem registrou as importações). A concorrência das empresas na prática da infração imputada pela fiscalização é depreendida de distintos trechos do Termo de Constatação n.º 02/2007, tal como o abaixo transcrito: "O dano ao erário perpetrado com a ocultação do efetivo adquirente das mercadorias importadas em nome da COTIA TRADING configurase pela sonegação fiscal, de pelo menos R$ 190.000,00, somente em IPI que deixou de ser recolhido em vendas no mercado interno pela SPIN dos produtos oriundos das Dl assinaladas no item 2.1, registradas diretamente pela COTIA TRADING, ocultando a SP/N como efetiva adquirente das mercadorias. Fl. 1418DF CARF MF Processo nº 11131.000177/200711 Acórdão n.º 3402003.671 S3C4T2 Fl. 1.412 15 Consoante Demonstrativo de Valor Aduaneiro de Importações Registradas pela COTIA TRADING com ocultação do efetivo adquirente das mercadorias (fls. 234) a multa pela conversão de pena de perdimento totaliza R$ 1.460.504,34." (fl. 19) Ao assim proceder, a fiscalização fundamentou a aplicação na hipótese do art. 95, V, do Decretolei n.º 37/1966 (art. 603 do Regulamento Aduaneiro de 2002), aplicável, sem dúvida, à legislação aduaneira, que expressa: "Art.95 Respondem pela infração: (...) V conjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001)" Diante disso, ainda que se entenda que houve o equívoco no fundamento legal da autuação, ao se fundamentar em dispositivo do Código Tributário Nacional para tratar de penalidade aduaneira, a acusação fiscal foi integralmente descrita, encontrando corolário na legislação aduaneira. Assim, não tendo ocorrido prejuízo à defesa, entendo que não cabe a declaração de nulidade neste ponto, estando a responsabilidade solidária das empresas devidamente respaldada nos autos. Nesse sentido, já se manifesta há muito esse Conselho, como se depreende de julgado da Câmara Superior: "AUTO DE INFRAÇÃO IMPERFEIÇÃO NO ENQUADRAMENTO LEGAL DECLARAÇÃO DE NULIDADE AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DO PREJUÍZO IMPOSSIBILIDADE A imperfeição na capitulação legal do lançamento não autoriza, por si só, a sua declaração de nulidade, se a acusação fiscal estiver claramente descrita e propiciar ao contribuinte dela se defender amplamente, mormente se este não suscitar e demonstrar o prejuízo sofrido em razão do ato viciado." (CSRF ACÓRDÃO n° 0103.264 em 19.03.2001. Publicado no D.O.0 em: 24.09.2001 grifei). Assim, deve ser afastada a nulidade neste ponto. Entretanto, em razão de posterior alteração legislativa mais benéfica, crucial que seja analisado o argumento subsidiário levantado especificamente pela empresa COTIA na condição de importadora ostensiva, quanto à aplicação de penalidade específica e mais benéfica de multa de 10% pela cessão de nome. V.1. QUANTO À EMPRESA COTIA NA CONDIÇÃO DE IMPORTADORA OSTENSIVA: DA MULTA DE 10% PELA CESSÃO DE NOME Como já exaustivamente demonstrado acima, confirmase que a autuação merece ser integralmente mantida quanto à empresa SPIN. Contudo, especificamente quanto à empresa COTIA, necessário avaliar sua alegação subsidiária no sentido de ser necessária a aplicação retroativa ao presente caso da multa específica do art. 33 da Lei n. 11.488/2007, de 10% do valor da operação acobertada, por ser específica e mais benéfica. Fl. 1419DF CARF MF 16 Com efeito, o referido dispositivo normativo trouxe uma previsão de penalidade específica para o importador ostensivo que, tal como ocorrido no presente caso, acoberta o real adquirente das mercadorias na importação: multa 10% do valor da operação pela cessão de nome. Vejamos os exatos termos desse dispositivo: "Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Parágrafo único. À hipótese prevista no caput deste artigo não se aplica o disposto no art. 81 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996." (grifei) Assim, a legislação superveniente previu uma penalidade específica para o importador ostensivo, penalidade esta que é mais específica que aquela aplicável em decorrência da previsão de responsabilidade solidária mencionada acima, do art. 95, V, do Decretolei n.º 37/1966. Por ser penalidade mais específica para o importador ostensivo, necessário afastar a aplicação da penalidade de perdimento para este agente na condição de responsável, consoante desenvolvido pelo Conselheiro Fernando Luiz Da Gama D’Eça, quando designado para Relatar o Acórdão n. 3402002.362, à luz do art. 100 do referido Decretolei n.º 37/1966: "Por derradeiro, entendo que com o advento da multa de 10% instituída pelo art. 33 da Lei nº 11.488/07 aplicável à hipótese de pessoa jurídica que ceder o nome para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários – não mais se justifica a aplicação ao importador ostensivo da multa de 100% prevista no art. 23, inc. V do Decretolei nº 1455/76, somente aplicável ao real comprador, interveniente ou responsável pela operação de importação, oculto “mediante fraude ou simulação”. A aplicação cumulativa dessas sanções sobre a importadora ostensiva não somente viola o princípio da especialidade, como constitui um ilegal bis in idem. Realmente, tratandose de dispositivos legais que tipificam uma única conduta “acobertamento” ou “ocultação” dos reais intervenientes ou beneficiários das operações de comércio exterior, evidenciase o conflito aparente de normas, que impõe a observância do princípio da especialidade que por sua vez determina a prevalência da norma especial, não sendo lícito ao fisco cumulála ou agravála sequer pela via transversa de suposta solidariedade em penalidade aplicada a outro infrator, pois como expressamente determina o art. 100 do Decretolei nº 37/66, “in verbis”: “Art. 100 – Se do processo se apurar responsabilidade de duas ou mais pessoas, será imposta a cada uma delas a pena relativa à infração que houver cometido.” Considerando que para a caracterização dos atos típicos de interposição fraudulenta “há necessidade de dois sujeitos de direito distintos” (cf. Acórdão nº 320100398 da 1ª TO da 2ª Turma da 3ª Seção do CARF, Rec. nº 140.698, Proc. nº 12466 004068/200673, em sessão de 08/12/10, Rel. Cons. Alfredo Ribeiro Nogueira; cf. tb. Acórdão nº 320100.515 da 1ª TO da 2ª Câm. da 3ª Seção do CARF, Rec. n° 344.701, Proc. n° 10936.000499/200813, em sessão de 01/07/10, Rel. Cons. Luciano Lopes de Almeida Moraes), parece evidente que a única multa aplicável à Recorrente seria a de 10% instituída pelo art. 33 da Lei nº 11.488/07, prevista para quem ceder o nome para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários, caso não fosse elidida a presunção de interposição fraudulenta de terceiros pela suposta “não comprovação da origem, disponibilidade e Fl. 1420DF CARF MF Processo nº 11131.000177/200711 Acórdão n.º 3402003.671 S3C4T2 Fl. 1.413 17 transferência dos recursos empregados” (art. 23, § 2º do Decretolei nº 1455/76, na redação da Lei nº 10.637, de 30.12.2002). Nesse sentido já decidiu esta C. Turma como se pode ver da seguinte e elucidativa ementa: “(...).IMPORTAÇÃO – INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA – MULTA APLICÁVEL AO IMPORTADOR OSTENSIVO CESSÃO DE NOME PRINCÍPIO DA ESPECIALIDADE DA SANÇÃO IMPOSSIBILIDADE DE CUMULAÇÃO. Com o advento da multa de 10% instituída pelo art. 33 da Lei nº 11.488/07, em face do princípio da especialidade da sanção, não mais se justifica a aplicação ao importador ostensivo da multa de 100% prevista no art. 23, inc. V do Decretolei nº 1455/76, sob pena de ilegal bis in idem.” (Acórdão nº 3402002.262, Processo nº 10314.724447/201230, Sessão de 23/04/14. Decisão por Maioria grifei) Nesse sentido, por ter sido introduzido no ordenamento jurídico uma penalidade específica ao importador ostensivo, não mais se aplica à ele a multa decorrente da conversão da pena de perdimento do já transcrito art. 23, do Decretolei n. 1.455/76, à luz do princípio da especialidade da sanção do art. 100 do Decretolei n.º 37/1966 e sob pena de ilegal bis in idem da exigência. A pena de perdimento, e a correspondente multa decorrente da conversão desta pena, são agora passíveis de serem exigidas, apenas, do importador oculto (real adquirente), tal qual aplicada no presente caso. Esse entendimento está em conformidade com a previsão do art. 727, §3º do Regulamento Aduaneiro atualmente vigente, aprovado pelo Decreto n.º 6.759/2009 com a redação dada pelo Decreto n.º 7.213/2010, que indica: "Art. 727. Aplicase a multa de dez por cento do valor da operação à pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários (Lei nº 11.488, de 2007, art. 33, caput). (...) §3o A multa de que trata o caput não prejudica a aplicação da pena de perdimento às mercadorias na importação ou na exportação." (grifei) Ora, a pena de perdimento das mercadorias, como a penalidade geral passível de ser convertida em multa de 100% do valor aduaneiro, poderá ser exigida, apenas, do importador oculto, real adquirente das mercadorias, em conformidade com o art. 23 do Decretolei n.º 1.455/76, enquanto ao importador ostensivo, aquele que cedeu seu nome para a realização da operação, passou a ser exigível, apenas, a penalidade específica de 10% do valor da operação do art. 33 da Lei n.º 11.488/2007. Desta forma, a multa decorrente da conversão da pena de perdimento das mercadorias deve ser mantida quanto à empresa SPIN, como empresa importadora oculta (real adquirente das mercadorias), enquanto para a importadora ostensiva COTIA poderia ser aplicada, apenas, a penalidade específica e mais benéfica do art. 33 da Lei n. 11.488/2007, decorrente da cessão de nome. Fl. 1421DF CARF MF 18 A retroatividade benéfica da lei punitiva decorre do imperativo constitucional constante do art. 5º, XL, da Constituição Federal, que indica que "a lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu" (grifei). É o que entende o Superior Tribunal de Justiça, que indica a existência do princípio implícito do Direito Sancionatório de retroatividade da lei mais benéfica: "ADMINISTRATIVO. RECURSO ESPECIAL. PODER DE POLÍCIA. SUNAB. MULTA ADMINISTRATIVA. RETROATIVIDADE DA LEI MAIS BENÉFICA. POSSIBILIDADE. ART. 5º, XL, DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA. PRINCÍPIO DO DIREITO SANCIONATÓRIO. AFASTADA A APLICAÇÃO DA MULTA DO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. I. O art. 5º, XL, da Constituição da República prevê a possibilidade de retroatividade da lei penal, sendo cabível extrairse do dispositivo constitucional princípio implícito do Direito Sancionatório, segundo o qual a lei mais benéfica retroage. Precedente. II. Afastado o fundamento da aplicação analógica do art. 106 do Código Tributário Nacional, bem como a multa aplicada com base no art. 538, parágrafo único, do Código de Processo Civil. III. Recurso especial parcialmente provido." (REsp 1153083/MT, Rel. Ministro SÉRGIO KUKINA, Rel. p/ Acórdão Ministra REGINA HELENA COSTA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 06/11/2014, DJe 19/11/2014 grifei) Contudo, constatase que não é possível segregar dentro do presente Auto de Infração a responsabilidade específica da empresa COTIA, autuada na condição de responsável solidária, para que lhe fosse imputada apenas a multa de 10% do valor da operação pela cessão de nome (art. 33 da Lei nº 11.488/07), única devida por esta empresa à luz do princípio da especialidade e da retroatividade benigna. Diante disso, entendo que deve ser cancelada a presente autuação fiscal especificamente quanto à COTIA TRADING S/A, sobre a qual poderia ser imputada, apenas, penalidade mais específica e mais benéfica (multa de cessão de nome), que não é passível de ser cobrada de forma segregada na presente ação fiscal. VI. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário da SPIN COMERCIAL LTDA. e dar provimento ao Recurso Voluntário da COTIA TRADING S/A para cancelar a exigência fiscal contra esta empresa na condição de importadora ostensiva. É como voto. Maysa de Sá Pittondo Deligne Relatora Voto Vencedor Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Redatora Designada Na sessão de julgamento deste processo ousei divergir da Ilustre Relatora, no que fui acompanhada por outros Conselheiros, somente no que concerne à aplicação da multa equivalente ao perdimento à importadora ostensiva. Fl. 1422DF CARF MF Processo nº 11131.000177/200711 Acórdão n.º 3402003.671 S3C4T2 Fl. 1.414 19 Entendo que não há qualquer irregularidade na exigência da multa veiculada pelo artigo 23, inciso V e §3º do Decretolei n. 1.455/76 da importadora ostensiva. Quem primeiro responde por uma infração é o seu próprio agente, assim considerado, nos termos do art. 94 do Decretolei nº 37/66, a pessoa física ou jurídica que incorre na omissão ou ação, voluntária ou involuntária, que importe inobservância de norma legal estabelecida. Além desse agente direto podem responder pela infração aduaneira as pessoas referidas no art. 95 do Decretolei nº 37/66 na condição de "responsáveis pela infração". Com efeito, na infração por ocultação do sujeito passivo na importação mediante fraude ou simulação, o agente direto da infração deve ser deduzido da própria conduta coibida pelo art. 23, V do Decretolei nº 1.455/76, qual seja, a ocultação fraudulenta do sujeito passivo, daí se concluindo que ele é o importador ostensivo, que é quem efetivamente pratica a ação de "ocultar fraudulentamente" o verdadeiro sujeito passivo na importação, sem prejuízo de outras pessoas também responderem por essa infração com fundamento do art. 95 do Decretolei nº 37/66, em especial, o adquirente da mercadoria na importação por conta e ordem (inciso V) e o encomentante predeterminado (inciso VI), conforme seja o caso. Assim, in casu, configurada a materialidade da infração aduaneira veiculada pelo art. 23, V, §§1º e 3º do Decretolei nº 1.455/76, não há como se afastar a aplicação da penalidade respectiva ao "responsável pela infração" (SPIN), nos termos do art. 95, V do Decretolei nº 37/66, no que andou bem a Ilustre Relatora, tampouco ao seu agente direto, qual seja, a importadora ostensiva (COTIA), como fora proposto no voto vencido. De outra parte, não se configura a retroatividade benigna em favor da importadora ostensiva, vez que a multa por cessão de nome foi criada pelo legislador ordinário para conviver com a pena de perdimento das mercadorias e, em consequência, também com a multa que lhe substitui. Quando não havia previsão da multa de cessão de nome no ordenamento, ocorria que, na hipótese da aplicação (física) da pena de perdimento às mercadorias, não obstante o agente direto da infração prevista no art. 23, V do Decretolei nº 1.455/76 fosse mesmo o importador ostensivo, como se disse acima, sendo a ele aplicada a penalidade respectiva, quem poderia acabar suportando o efeito dessa penalidade era o importador oculto real adquirente da mercadoria no exterior, que seria efetivamente privado do seu uso e gozo. Nessa esteira, é que o legislador ordinário optou por inserir no ordenamento jurídico a multa prevista no art. 33 da Lei 11.488/2007 com intuito de penalizar concretamente a conduta irregular do importador ostensivo, que cedeu seu nome a outrem, eis que ele poderia restar sem punição na hipótese de aplicação da pena de perdimento às mercadorias. Esse entendimento se confirma com a interpretação veiculada posteriormente pelo art. 727, §3o do Regulamento Aduaneiro/2009, embora não vigente à época dos fatos: Art.727. Aplicase a multa de dez por cento do valor da operação à pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários (Lei nº 11.488, de 2007, art. 33, caput). Fl. 1423DF CARF MF 20 §1oA multa de que trata o caput não poderá ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais)(Lei nº 11.488, de 2007, art. 33, caput). §2oEntendese por valor da operação aquele utilizado como base de cálculo do imposto de importação ou do imposto de exportação, de acordo com a legislação específica, para a operação em que tenha ocorrido o acobertamento. §3oA multa de que trata o caput não prejudica a aplicação da pena de perdimento às mercadorias na importação ou na exportação. (Redação dada pelo Decreto nº 7.213, de 2010). No que concerne à multa por cessão de nome, o seu agente direto está definido expressamente no tipo como "a pessoa jurídica que ceder seu nome (...) para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus intevenientes ou beneficiários", qual seja, a importadora ostensiva, sem prejuízo também da eventual responsabilização de outra pessoa física ou jurídica com base no art. 95 do Decretolei nº 37/66. Nesse ponto cabe salientar que o fato de o agente direto da infração estar expresso no tipo dessa infração não é suficiente para afastar a responsabilização de outras pessoas em face da determinação contida em outro dispositivo de lei (art. 95 do Decretolei nº 37/66). Dessa forma, entendo não ser aplicável a retroatividade benigna à importadora ostensiva e, acaso vigente à época dos fatos, tambem deveria ter sido aplicada a multa por cessão de nome ao agente direto (importador ostensivo) e aos eventuais "responsáveis pela infração". No Acórdão n° 310100.431 1ª Camara / 1ª Turma Ordinária, de 25 de maio de 2010, Redator designadoTarásio Campelo Borges, foi decidido que "O dano ao erário nas infrações enumeradas no caput do artigo 23 do Decretolei 1.455, de 1976, com as modificações introduzidas pela Lei 10.637, de 2002, não é fato típico para a exigência da multa cominada no artigo 33 da Lei 11.488, de 2007". Também este Colegiado já decidiu por unanimidade, no Acórdão nº 3402 003.008 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de 26 de abril de 2016, Relator: Antonio Carlos Atulim, no sentido de que a multa por cessão de nome não prejudica a aplicação da pena de perdimento ou a multa substitutiva. Assim, tendo em vista a divergência acima apontada em relação ao Voto da Ilustre Relatora, e acompanhandoa quanto aos demais pontos, voto no sentido de negar provimento aos recursos voluntários. (assinatura digital) Maria Aparecida Martins de Paula, Redatora Designada Fl. 1424DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10930.903588/2012-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jan 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do Fato Gerador: 22/12/2005
COFINS. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. AUSÊNCIA DE PROVA.
Não se reconhece o direito à repetição do indébito quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova de que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazê-lo, não se justificando, portanto, o pedido de diligência para produção de provas.
COFINS - IMPORTAÇÃO SERVIÇOS. PER. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO.
Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-003.559
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negar-lhe provimento.
(Assinado com certificado digital)
Antônio Carlos Atulim - Presidente e Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do Fato Gerador: 22/12/2005 COFINS. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. AUSÊNCIA DE PROVA. Não se reconhece o direito à repetição do indébito quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova de que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazê-lo, não se justificando, portanto, o pedido de diligência para produção de provas. COFINS - IMPORTAÇÃO SERVIÇOS. PER. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. Recurso Voluntário Negado.
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REPETIÇÃO DO INDÉBITO. AUSÊNCIA DE PROVA. Não se reconhece o direito à repetição do indébito quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova de que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazêlo, não se justificando, portanto, o pedido de diligência para produção de provas. COFINS IMPORTAÇÃO SERVIÇOS. PER. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negarlhe provimento. (Assinado com certificado digital) Antônio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 35 88 /2 01 2- 50 Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10930.903588/201250 Acórdão n.º 3402003.559 S3C4T2 Fl. 3 2 Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Trata os presentes autos de Pedido de Restituição (PER), por meio do qual a Recorrente solicita a restituição do crédito decorrente do pagamento de COFINS IMPORTAÇÃO. No Despacho Decisório, a autoridade competente da DRF em Londrina/PR, indeferiu o pleito da interessada, uma vez que o DARF informado como origem do crédito estava integralmente utilizado para quitação de débitos da própria contribuinte, "não restando crédito disponível para restituição". Inconformada com a decisão proferida, a empresa apresentou manifestação de inconformidade na qual esclarece tratarse de pessoa jurídica de direito privado que tem como atividade principal a indústria, comércio e exportação de couros de boi. Consigna que a Lei nº 10.865/2004 instituiu as contribuições do PIS e da COFINS sobre a importação de bens e serviços, mas não foi clara em relação à incidência sobre as quantias remetidas ao exterior a representantes comerciais a título de comissões sobre vendas, o que fez com que a Recorrente optasse por recolher as contribuições sobre essas operações. Entretanto, a Receita Federal do Brasil, em resposta a diversas consultas (cita duas), passou a vazar o entendimento de que as comissões de vendas pagas e/ou creditadas a representantes comerciais residentes ou domiciliados no exterior, não estão sujeitas à incidência do PIS e da COFINS Importação. Isso porque, anota a Recorrente, essas operações não configuram hipótese de serviços prestado no Brasil ou cujo resultado aqui se verifique. Assim, uma vez ter efetuado o pagamento de tributo indevido, tem o direito à restituição na forma prevista no art. 165 do Código Tributário Nacional CTN, devidamente corrigido pela taxa SELIC, conforme prescreve a Lei nº 9.250, de 1995, "ainda que informado o débito em DCTF". Sobreveio, então, o Acórdão nº 06045.930, da DRJ em Curitiba (PR), negando provimento à Manifestação de Inconformidade. Irresignada com a referida decisão, foi interposto o presente recurso voluntário, cujas razões, em suma, são as seguintes: (i) diferente do que entendeu a autoridade julgadora, a empresa recorrente comprovou ser pessoa jurídica de direito privado que tem como atividade principal a indústria, comércio e exportação de couros de boi; (ii) que demonstrou que a Lei n° 10.865, de 2004, que instituiu as contribuições ao PIS/Pasep e COFINS sobre a importação de bens e serviços, não foi clara ao determinar a incidência sobre as quantias pagas, ou remetidas ao exterior, a representantes comerciais domiciliados no exterior a título de comissões sobre vendas; Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10930.903588/201250 Acórdão n.º 3402003.559 S3C4T2 Fl. 4 3 (iii) para não sofrer sanções, optou por recolher as contribuições sobre as quantias remetidas ao exterior (para representantes domiciliados no exterior) incidentes sobre comissões sobre vendas, conforme (DARF's) apresentados; (iv) ocorre que, posteriormente, a própria RFB, através de inúmeras respostas a Soluções de Consultas, passou a definir que as "comissões de vendas pagas e/ou creditadas a representantes comerciais residentes ou domiciliados no exterior não estão sujeitas à incidência da COFINS/PISImportação", por não configurarem hipótese de serviço prestado no Brasil ou cujo resultado aqui se verifique. Reproduz algumas dessas Solução de Consulta. (v) que o processo administrativo sempre deve buscar a verdade real ou material relativa aos fatos tributários, em decorrência da estrita legalidade tributária, que devem nortear todos os atos da administração fiscal. Com isto, não basta simplesmente argumentar que "prova alguma foi trazida aos autos que comprovassem de que teria havido pagamento a maior ou indevido", para negar a existência do direito creditório; (vi) frisa que os erros contidos em declaração podem e devem ser retificados de ofício, por força da estrita legalidade tributária e nos moldes do art. 147, § 2º do CTN. (vii) que seja reconhecido que os valores indevidamente recolhidos a este título são restituíveis em valores devidamente acrescidos de juros equivalentes à taxa SELIC, na forma da Lei n° 9.250/95; (viii) requer que seja determinada a conversão do julgamento em diligência, a fim de que seja oportunizada apresentação de elementos considerados necessários à complementação da prova ou esclarecimento de dúvidas relativas aos fatos trazidos neste processo. À vista do exposto, espera e requer seja julgado integralmente procedente o presente recurso, a fim de que seja reconhecido o direito creditório e assegurada a restituição das quantias recolhidas indevidamente. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.529, de 13 de dezembro de 2016, proferido no julgamento do processo 10930.903656/201281, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.529): Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10930.903588/201250 Acórdão n.º 3402003.559 S3C4T2 Fl. 5 4 Emerge do relatado, que o objeto do pedido de ressarcimento tem como fundamento o indébito de PIS/Pasep sobre comissão de venda paga a representantes comerciais residentes/domiciliados no exterior. No referido Despacho Decisório restou consignado que, "(...) A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição". Consta dos autos que o Despacho Decisório questionado está respaldado em informações prestadas pela própria interessada em DCTF, que encontrase ativa até o momento no sistema informatizado da Receita Federal do Brasil. Ou seja, ao que tudo indica, o contribuinte não retificou a DCTF no que pertine ao pleito em questão, por isso a conclusão do despacho decisório vestibular que o valor sob pedido de ressarcimento foi "integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte". Por outro lado, a Recorrente tenta demonstrar em seu recurso, que não há incidência de contribuições para o PIS Importação sobre remessas realizadas para o exterior para pagamento de comissões à agentes no exterior a título de comissões ali realizadas, por não configurarem hipótese de serviço prestado no Brasil ou cujo resultado aqui se verifique, e que os valores indevidamente recolhidos a este título são restituíveis e em montantes devidamente acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial SELIC, na forma da Lei n° 9.250/95. Tudo com base na Lei nº 10.865, de 2004 e Soluções de Consultas emitidas pela RFB que cita. Contudo, se de um lado a decisão recorrida tenha asseverado que "(...) como se vê uma das hipóteses de ocorrência do fato gerador das contribuições ao PIS e a COFINS, sobre importação de serviços, é a remessa de valores a residentes ou domiciliados no exterior como contraprestação pelo serviço prestado", como alega a peticionante, por outro giro, deixou patente que o ônus da prova quanto ao indébito seria da ora Recorrente, nos seguintes termos: "(...) Mas, para a verificação se os valores remetidos ao exterior atendem às condições estabelecidas em lei para a incidência das contribuições sobre a importação de serviços ou, não se caracterizando o fato gerador da obrigação tributária, há, de fato, o indébito reclamado pela interessada, é crucial que se tenha em mãos documentos que demonstrem a real situação aventada, como contratos firmados com os agentes externos, comprovantes de remessa de valores ao exterior, cópias de notas fiscais, recibos, dentre outros, além da própria escrituração contábil da empresa que reflita essas operações. Ocorre que, no presente caso, prova alguma foi trazida aos autos que comprovassem de que teria havido pagamento a maior ou indevido. Nesse sentido, é bom lembrar que não se permite, depois de iniciado qualquer procedimento fiscal, que seja retificada declaração quando vise a reduzir ou a excluir tributo, a não ser mediante a comprovação do erro em que se funde. É o que Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10930.903588/201250 Acórdão n.º 3402003.559 S3C4T2 Fl. 6 5 determina o art. 147, § 1º, da Lei nº 5.172, de 25/10/1966. E, como visto, o Despacho Decisório questionado está respaldado em informações prestadas pela própria interessada em DCTF, que encontrase ativa até o momento no sistema informatizado da Receita Federal do Brasil. (sublinhei) E conclui a decisão a quo: "(...) Assim, instaurado o contencioso administrativo, as alegações quanto ao suposto crédito decorrente de recolhimento indevido ou a maior, como no caso em análise, devem estar comprovadas pela demonstração inequívoca do quantum recolhido indevidamente, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, consistente na escrituração contábil/fiscal da contribuinte. Dessa forma, uma vez que a conclusão emitida pela autoridade administrativa teve como pressuposto as informações prestadas pela própria interessada em declarações fiscais válidas a produzir efeitos na data da emissão do Despacho Decisório e não havendo prova hábil que contrarie as informações prestadas espontaneamente, demonstrando o pagamento indevido do tributo, é de se manter o indeferimento da restituição pleiteada". Portanto, a lide se resume na questão de atendimento de condições estabelecidas em lei e provas documentais trazidos aos autos, pois para o deslinde do litígio é crucial que se tenha em mãos documentos que demonstrem a real situação aventada, mormente quando o pedido versa sobre suposto pagamento indevido. No caso em análise, por se tratar de pedido de restituição, devem estar comprovadas pela demonstração inequívoca do quantum recolhido indevidamente, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, consistente na escrituração contábil/fiscal da recorrente. Documentação essa, frisese, de posse da recorrente por determinação legal, como contratos firmados com os agentes externos, comprovantes de remessa de valores ao exterior, cópias de notas fiscais, recibos, dentre outros, além da própria escrituração contábil da empresa que reflita essas operações. É de conhecimento que a regra fundamental do sistema processual adotado pelo legislador nacional, quanto ao ônus da prova, encontrase cravada no art. 373 do novo Código de Processo Civil, in verbis: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Tal dispositivo é a tradução do princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. E esta formulação também foi, com as devidas adaptações, trazida para o processo administrativo fiscal, posto que a obrigação de provar está expressamente atribuída para o Fisco quando realiza o lançamento tributário e para o sujeito passivo, quando formula pedido de repetição de indébito. Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10930.903588/201250 Acórdão n.º 3402003.559 S3C4T2 Fl. 7 6 E, no presente caso, é fato que prova alguma foi trazida aos autos pela Recorrente que comprovem que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora ela tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazêlo, quer na impugnação, quer agora na fase recursal. Demais disso, o fundamento da decisão recorrida foi justamente este, qual seja, a falta de prova. Mas, contrariando os ditames do ônus da distribuição da prova para provar fato constitutivo de seu direito, insiste que "seja determinada a conversão do julgamento em diligência, a fim de que seja oportunizada apresentação de elementos considerados necessários à complementação da prova". Ora, se toda a documentação para provar o direito que alega está em seu poder, deveria ter a Recorrente produzido tal prova quando da manifestação de inconformidade, ou mesmo em sede de recurso voluntário, o que não ocorreu. Diante desse quadro, entendo que a decisão da DRJ é merecedora de ser mantida pelos seus próprios fundamentos. Conclusão Assim, concluo que por falta de prova hábil acostadas nos autos, ônus seu de produzir, deve ser negado seu pleito. Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 61DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10640.720231/2011-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Aug 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. SÚMULA CARF N° 1.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Súmula CARF nº 1.
Recurso Voluntário não Conhecido.
Numero da decisão: 2401-004.318
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário, em virtude da renúncia tácita ao Contencioso Administrativo, nos termos da Súmula nº. 1 do CARF.
André Luís Marsico Lombardi - Presidente
Carlos Alexandre Tortato - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: André Luís Marsico Lombardi, Miriam Denise Xavier Lazarini, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Alexandre Tortato, Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa, Arlindo da Costa e Silva e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: CARLOS ALEXANDRE TORTATO
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RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. SÚMULA CARF N° 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Súmula CARF nº 1. Recurso Voluntário não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 72 02 31 /2 01 1- 12 Fl. 184DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 02/08/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário, em virtude da renúncia tácita ao Contencioso Administrativo, nos termos da Súmula nº. 1 do CARF. André Luís Marsico Lombardi Presidente Carlos Alexandre Tortato Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: André Luís Marsico Lombardi, Miriam Denise Xavier Lazarini, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Alexandre Tortato, Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa, Arlindo da Costa e Silva e Rayd Santana Ferreira. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 02/08/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 10640.720231/201112 Acórdão n.º 2401004.318 S2C4T1 Fl. 185 3 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (DRJ/CGE), que julgou improcedente a impugnação e manteve integralmente o crédito tributário exigido, conforme acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente em decorrência de decisão judicial, o imposto incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. JUROS DE MORA. Os juros moratórios, como acessório, têm a mesma natureza e tratamento tributário dados aos rendimentos a que se refiram, tributáveis, isentos ou não tributáveis. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. É vedada a extensão administrativa dos efeitos de decisões judiciais contrárias à orientação estabelecida para a administração direta e autárquica em atos de caráter normativo ordinário. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A Notificação de Lançamento nº. 2009/016379134126913 (fls. 22/25) realizou o lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física no valor de R$ 78.291,90, já acrescido de multa de 75% e juros de mora, referente ao anocalendário de 2008. Nos termos da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fl. 23, foi verificada omissão de rendimentos, no valor de R$ 149.667,67, recebidos em virtude de processo judicial trabalhista, conforme documentos apresentados pelo contribuinte. Fl. 186DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 02/08/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 4 Após ser julgada improcedente a impugnação do contribuinte, este foi notificado do acórdão nº. 0436.770 em 10/10/2014 (AR fls. 146), apresentando seu recurso voluntário, de fls. 148/152, em 30/10/2010, onde alega: a) Não cabimento da apreciação da matéria na esfera administrativa tendo em vista que as discussões sobre a forma de apuração e a tributação dos juros da mora foram submetidos ao crivo do judiciário; b) Improcedência do lançamento ante a decisão proferida pelo STF em 23/10/2014, porque apurada em desconformidade com os ditames legais, segundo interpretação dada pelo judiciário; c) Erro material na utilização do regime de caixa, quando o correto seria o regime de competência. Não houve mero erro de cálculo ou seu refazimento em função de provas trazidas pela defesa, houve erro de cálculo por infringência a dispositivos legais, o que fere a constituição dos lançamentos nos termos do art. 142 do CTN; d) A alteração produzida na lei 7.713/1988 pelo artigo 44 da Lei 12.350/2010, ao definir a forma de apuração do IRPF sobre rendimentos acumulados, tem caráter meramente interpretativo, e com base no artigo 106 do CTN, inciso I, deve ser aplicado ao caso a retroatividade benigna. É o relatório. Fl. 187DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 02/08/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 10640.720231/201112 Acórdão n.º 2401004.318 S2C4T1 Fl. 186 5 Voto Conselheiro Carlos Alexandre Tortato Relator Juízo de admissibilidade A recorrente ajuizou ação anulatória de débito fiscal, autuada sob o nº. 764 78.2011.4.01.3801, visando justamente a desconstituição da Notificação de Lançamento nº. 2009/016379134126913 objeto do presente processo administrativo fiscal. Tal informação é trazida pela própria contribuinte em seu recurso voluntário (fls. 148) e comprovase pelos documentos (cópias do processo judicial) às fls. 154177. Assim, deve ser aplicada à Súmula CARF nº. 01: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Ressalto que em análise ao recurso voluntário interposto, nao há outras razões recursais que não sejam justamente àquelas objeto da ação judicial, sendo incabível, portanto, a apreciação ainda que parcial do recurso voluntário em análise. Conclusão Ante o exposto, não conheço do recurso voluntário, por renúncia da recorrente à instância administrativa ao ajuizar ação anulatória de débito fiscal referente à Notificação de Lançamento nº. 2009/016379134126913, objeto do presente processo administrativo fiscal. É como voto. Carlos Alexandre Tortato. Fl. 188DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 02/08/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI
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Numero do processo: 13819.721760/2015-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Sep 12 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE VIA APRESENTAÇÃO EM IMPUGNAÇÃO E RECURSO VOLUNTÁRIO.
Apresentado pelo contribuinte PER/DCOMP a fim de justificar/embasar as suas razões recursais, este não pode gerar efeitos com relação à Notificação de Lançamento por decorrência de revisão da DIRPF do contribuinte. A análise do PER/DCOMP cabe à autoridade competente e não às instâncias julgadoras.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-004.453
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, negar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(Assinado digitalmente)
Carlos Alexandre Tortato - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Carlos Alexandre Tortato, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: CARLOS ALEXANDRE TORTATO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2010 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE VIA APRESENTAÇÃO EM IMPUGNAÇÃO E RECURSO VOLUNTÁRIO. Apresentado pelo contribuinte PER/DCOMP a fim de justificar/embasar as suas razões recursais, este não pode gerar efeitos com relação à Notificação de Lançamento por decorrência de revisão da DIRPF do contribuinte. A análise do PER/DCOMP cabe à autoridade competente e não às instâncias julgadoras. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, negar-lhe provimento. (Assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente (Assinado digitalmente) Carlos Alexandre Tortato - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Carlos Alexandre Tortato, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess e Rayd Santana Ferreira.
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IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE VIA APRESENTAÇÃO EM IMPUGNAÇÃO E RECURSO VOLUNTÁRIO. Apresentado pelo contribuinte PER/DCOMP a fim de justificar/embasar as suas razões recursais, este não pode gerar efeitos com relação à Notificação de Lançamento por decorrência de revisão da DIRPF do contribuinte. A análise do PER/DCOMP cabe à autoridade competente e não às instâncias julgadoras. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 72 17 60 /2 01 5- 76 Fl. 65DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 09/09/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI Processo nº 13819.721760/201576 Acórdão n.º 2401004.453 S2C4T1 Fl. 66 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (Assinado digitalmente) Carlos Alexandre Tortato Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Carlos Alexandre Tortato, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess e Rayd Santana Ferreira. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 09/09/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI Processo nº 13819.721760/201576 Acórdão n.º 2401004.453 S2C4T1 Fl. 67 3 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento (fls. 7 a 10) no valor de R$ 5.071,71 referente à Imposto de Renda Retido na fonte pagadora Basf Sociedade de Previdência Complementar do contribuinte, em razão de compensação indevida. Ainda, foi apurado imposto de renda pessoa física (código 0211) acrescido de multa e juros de mora, resultando no crédito tributário de R$ 657,25 calculado até 29/05/2015. Inconformado com o teor da autuação o contribuinte apresentou impugnação administrativa (fl.. 2) alegando em síntese: Anexou documentos (fls 05 a 36), sendo eles: a notificação de lançamento, o protocolo de entrega PERDCOMP, declaração de IR ano calendário 2010 e comprovante de rendimentos 2009. Por fim, a 08ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS) – DRJ/POA julgou improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte, mantendo integralmente o crédito tributário exigido conforme inferese da ementa do Acórdão nº 1055.582 (fl. 44 a 48) abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2010 BENEFÍCIOS PREVIDENCIÁRIOS PAGOS POR ENTIDADES DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. IRRF. OPÇÃO PELA TABELA REGRESSIVA. TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVA/DEFINITIVA. O imposto de renda retido na fonte de que trata o artigo 1° da Lei n° 11.053, de 29 de dezembro de 2004, será definitivo. Impugnação Improcedente Direito Creditório Mantido Fl. 67DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 09/09/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI Processo nº 13819.721760/201576 Acórdão n.º 2401004.453 S2C4T1 Fl. 68 4 Intimado da decisão no dia 08/09/2015 (fls. 54) o contribuinte protocolou no dia 08/10/2015 Recurso Voluntário (fls. 53/55), onde traz as mesmas alegações apresentadas na impugnação. É o relatório. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 09/09/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI Processo nº 13819.721760/201576 Acórdão n.º 2401004.453 S2C4T1 Fl. 69 5 Voto Conselheiro Carlos Alexandre Tortato – Relator Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Mérito Inicialmente cumpre analisar a exegese contida na Instrução Normativa 1343/2013 consoante excerto abaixo transcrito: Art. 1º Esta Instrução Normativa estabelece normas e procedimentos relativos ao tratamento tributário a ser aplicado na apuração do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (IRPF) sobre os valores pagos ou creditados por entidade de previdência complementar a título de complementação de aposentadoria, resgate e rateio de patrimônio em caso de extinção da entidade de previdência complementar, correspondentes às contribuições efetuadas exclusivamente pelo beneficiário no período de 1º de janeiro de 1989 a 31 de dezembro de 1995. (...) CAPÍTULO II DO TRATAMENTO A SER APLICADO AOS BENEFICIÁRIOS QUE SE APOSENTARAM ENTRE OS ANOS DE 2008 E 2012 Seção I Do Tratamento a Ser Aplicado aos Beneficiários sem Ação Judicial em Curso Art. 3º Os beneficiários que se aposentaram no período de 1º de janeiro de 2008 a 31 de dezembro de 2012, que receberam rendimentos de que trata o art. 1º submetidos à incidência do imposto sobre a renda, e que não tenham ação judicial em curso, versando sobre a matéria de que trata esta Instrução Normativa, poderão pleitear o montante do imposto retido indevidamente da seguinte forma: (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1495, de 30 de setembro de 2014) (...) Fl. 69DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 09/09/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI Processo nº 13819.721760/201576 Acórdão n.º 2401004.453 S2C4T1 Fl. 70 6 II observado o prazo decadencial, contado do dia 31 de dezembro do respectivo anocalendário, poderão retificar as DAA dos anos calendário de 2008 a 2011, exercícios de 2009 a 2012, respectivamente, seguindose ordem cronológica, nas quais tenham sido incluídos os rendimentos de que trata o caput como tributáveis, procedendo da seguinte forma:(grifado) (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1495, de 30 de setembro de 2014) a) excluir o montante, limitado ao valor das contribuições de que trata o caput, recebido a título de aposentadoria, da ficha “Rendimentos Tributáveis Recebidos de PJ pelo Titular” ou da ficha “Rendimentos Tributáveis Recebidos de PJ pelos Dependentes”, se for o caso; b) informar o montante de que trata a alínea “a” na linha “outros (especifique)” da ficha “Rendimentos Isentos e Não Tributáveis”, com especificação da natureza do rendimento; e c) manter, na declaração retificadora, as demais informações constantes da declaração original que não sofreram alterações. (...) Pois bem. A partir da leitura do dispositivo acima, extraise que, poderia ser excluído o montante das contribuições efetuadas exclusivamente pelo beneficiário no período de 1° de janeiro de 1989 a 31 de dezembro de 1995 dos rendimentos tributáveis pagos ou creditados por entidade de previdência complementar informados na Declaração de Ajuste Anual – DAA. O contribuinte trouxe ao processo o documento apresentado pela Basf Sociedade de Previdência Complementar informando o saldo atualizado das contribuições em 31/12/2009, no valor de R$ 43.341,12. Da análise da DAA (fl. 30) inferese que não foram declarados rendimentos tributáveis auferidos, não havendo nada a ser excluído, como bem observado pela DRJ. No mais, o documento informa a data do início do benefício – 01/10/2009 – bem como os valores recebidos de complementação de aposentadoria nos anoscalendário 2009 a 2012 sob o regime de tributação da tabela regressiva. (fl 16) Em relação a tributação dos planos de benefícios de caráter previdenciário, assim dispõe a Lei n° 11.053 de 29 de dezembro de 2004: Art.1° É facultada aos participantes que ingressarem a partir de 1o de janeiro de 2005 em planos de benefícios de caráter previdenciário, estruturados nas modalidades de contribuição definida ou contribuição variável, das entidades de previdência complementar e das sociedades seguradoras, a opção por regime de tributação no qual os valores pagos aos próprios participantes ou aos assistidos, a título de benefícios ou resgates de valores acumulados, sujeitamse à incidência de imposto de renda na fonte às seguintes alíquotas: I 35% (trinta e cinco por cento), para recursos com prazo de acumulação inferior ou igual a 2 (dois) anos; Fl. 70DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 09/09/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI Processo nº 13819.721760/201576 Acórdão n.º 2401004.453 S2C4T1 Fl. 71 7 II 30% (trinta por cento), para recursos com prazo de acumulação superior a 2 (dois) anos e inferior ou igual a 4 (quatro) anos; III 25% (vinte e cinco por cento), para recursos com prazo de acumulação superior a 4 (quatro) anos e inferior ou igual a 6 (seis) anos; IV 20% (vinte por cento), para recursos com prazo de acumulação superior a 6 (seis) anos e inferior ou igual a 8 (oito) anos; V 15% (quinze por cento), para recursos com prazo de acumulação superior a 8 (oito) anos e inferior ou igual a 10 (dez) anos; e VI 10% (dez por cento), para recursos com prazo de acumulação superior a 10 (dez) anos. § 1o O disposto neste artigo aplicase: I aos quotistas que ingressarem em Fundo de Aposentadoria Programada Individual FAPI a partir de 1o de janeiro de 2005; II aos segurados que ingressarem a partir de 1o de janeiro de 2005 em planos de seguro de vida com cláusula de cobertura por sobrevivência em relação aos rendimentos recebidos a qualquer título pelo beneficiário. § 2 O imposto de renda retido na fonte de que trata o caput deste artigo será definitivo. (grifado) (...) Art. 2º É facultada aos participantes que ingressarem até 1o de janeiro de 2005 em planos de benefícios de caráter previdenciário estruturados nas modalidades de contribuição definida ou contribuição variável, a opção pelo regime de tributação de que trata o art. 1o desta Lei. (...) Deste modo, conforme documento apresentado pela entidade de previdência (fl. 16) sobressai a circunstancia de que o contribuinte optou pelo regime de tributação pela tabela regressiva. Nesse tipo de tributação, a incidência de IR ocorre de forma definitiva e exclusiva na fonte, ou seja, não se sujeita a recálculo na declaração de ajuste anual. Firme nessas premissas, é certo que o fato de o contribuinte ter, erroneamente, na DAA Retificadora, incluído a informação do CNPJ 56.995.624/000140 no campo de Rendimentos Tributáveis, com rendimentos “zerados” e com imposto de renda retido na fonte IRRF no valor de R$ 5.071,71 deu ensejo ao lançamento fiscal que glosou sua compensação, uma vez que se trata de tributação exclusiva quando do recebimento dos benefícios relativos aos meses de outubro a dezembro de 2009. Dessa forma, correto o procedimento do contribuinte ao apresentar Pedido de Restituição ou Ressarcimento (fl. 12/14) conforme prevê a Instrução Normativa RFB N° 1343/2013, que assim dispõe: Fl. 71DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 09/09/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI Processo nº 13819.721760/201576 Acórdão n.º 2401004.453 S2C4T1 Fl. 72 8 Art. 3º Os beneficiários que se aposentaram no período de 1º de janeiro de 2008 a 31 de dezembro de 2012, que receberam rendimentos de que trata o art. 1º submetidos à incidência do imposto sobre a renda, e que não tenham ação judicial em curso, versando sobre a matéria de que trata esta Instrução Normativa, poderão pleitear o montante do imposto retido indevidamente da seguinte forma: (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1495, de 30 de setembro de 2014) (...) § 8º A restituição relativa ao abono anual pago a título de décimo terceiro salário e ao regime de que trata a Lei nº 11.053, de 29 de dezembro de 2004, no período a que se refere o caput, deverão ser pleiteadas por meio de apresentação do formulário Pedido de Restituição ou Ressarcimento, constante do Anexo I da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, a ser protocolado na unidade do domicílio tributário do sujeito passivo. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1495, de 30 de setembro de 2014) Todavia, não cabe a este colegiado a apreciação do Pedido de Ressarcimento do ora recorrente, o qual deverá obedecer trâmite próprio e ser analisado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil competente. Assim, deve ser negado provimento ao recurso voluntário do recorrente, sem que a presente decisão incorra em prejuízos à análise do mencionado Pedido de Ressarcimento, o qual será objeto de análise e apreciação pelo órgão competente, não sendo possível a sua apreciação e/ou aplicação de efeitos no julgamento do recurso voluntário ora em análise. CONCLUSÃO Por todo exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso voluntário, e no mérito NEGARLHE PROVIMENTO, sem prejuízo de futura análise do PER/DCOMP apresentado pelo contribuinte pela Delegacia de origem competente. É como voto. (Assinado digitalmente) Carlos Alexandre Tortato. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 09/09/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI
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