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Numero do processo: 12269.000095/2008-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 27 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jul 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 28/12/2007
Ementa: RELEVAÇÃO DA MULTA. IMPOSSIBILIDADE. NÃO CORREÇÃO DA FALTA ATÉ A DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA.
A relevação prevista no art. 291, § 1º do RPS necessitava dos seguintes requisitos: Pedido no prazo de defesa, mesmo que não contestada a infração; Primariedade do infrator; Correção da falta até a decisão do INSS; Sem ocorrência de circunstância agravante.
A relevação não é faculdade da autoridade administrativa, uma vez o infrator atendendo aos requisitos do art. 291, § 1º do RPS, quais sejam: primariedade do infrator; correção da falta e sem ocorrência de circunstância agravante; surge para a autoridade o dever de relevar a multa. Contudo, essa autoridade não pode agir de ofício, é necessária a provocação da parte.
Analisando os requisitos e os autos, verifica-se que não houve a correção da falta até a decisão do órgão previdenciário de primeira instância administrativa.
A atenuação e a relevação da multa são benefícios concedidos ao infrator, sendo uma contrapartida oferecida pela legislação previdenciária. Caso esse infrator corrija a falta, ficará responsável por um débito de menor valor, caso atenda aos demais requisitos a multa será relevada. Uma vez sendo em
beneficio do infrator, é necessário que este atenda aos requisitos exigidos pela Previdência Social e na forma pelo órgão estabelecida, traduzida no Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999.
RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA Nº 449.
REDUÇÃO DA MULTA. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória nº 449 de 2008, sendo benéfica para o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei nº 8.212.
Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplica-se
a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe
comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Numero da decisão: 2302-001.189
Decisão: ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda
Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade em conceder provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições da Medida
Provisória n º 449 de 2008, mais precisamente o art. 32A,
inciso II, que na conversão pela Lei n º 11.941 foi renumerado para o art. 32A, inciso I da Lei nº 8.212 de 1991.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: Marco André Ramos Vieira
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ementa_s : Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 28/12/2007 Ementa: RELEVAÇÃO DA MULTA. IMPOSSIBILIDADE. NÃO CORREÇÃO DA FALTA ATÉ A DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. A relevação prevista no art. 291, § 1º do RPS necessitava dos seguintes requisitos: Pedido no prazo de defesa, mesmo que não contestada a infração; Primariedade do infrator; Correção da falta até a decisão do INSS; Sem ocorrência de circunstância agravante. A relevação não é faculdade da autoridade administrativa, uma vez o infrator atendendo aos requisitos do art. 291, § 1º do RPS, quais sejam: primariedade do infrator; correção da falta e sem ocorrência de circunstância agravante; surge para a autoridade o dever de relevar a multa. Contudo, essa autoridade não pode agir de ofício, é necessária a provocação da parte. Analisando os requisitos e os autos, verifica-se que não houve a correção da falta até a decisão do órgão previdenciário de primeira instância administrativa. A atenuação e a relevação da multa são benefícios concedidos ao infrator, sendo uma contrapartida oferecida pela legislação previdenciária. Caso esse infrator corrija a falta, ficará responsável por um débito de menor valor, caso atenda aos demais requisitos a multa será relevada. Uma vez sendo em beneficio do infrator, é necessário que este atenda aos requisitos exigidos pela Previdência Social e na forma pelo órgão estabelecida, traduzida no Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA Nº 449. REDUÇÃO DA MULTA. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória nº 449 de 2008, sendo benéfica para o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei nº 8.212. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
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Recorrente COOPERATIVA DE TRABALHADORES ORGANIZADA LTDA Recorrida DRJ PORTO ALEGRE RS Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 28/12/2007 Ementa: RELEVAÇÃO DA MULTA. IMPOSSIBILIDADE. NÃO CORREÇÃO DA FALTA ATÉ A DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. A relevação prevista no art. 291, § 1º do RPS necessitava dos seguintes requisitos: Pedido no prazo de defesa, mesmo que não contestada a infração; Primariedade do infrator; Correção da falta até a decisão do INSS; Sem ocorrência de circunstância agravante. A relevação não é faculdade da autoridade administrativa, uma vez o infrator atendendo aos requisitos do art. 291, § 1º do RPS, quais sejam: primariedade do infrator; correção da falta e sem ocorrência de circunstância agravante; surge para a autoridade o dever de relevar a multa. Contudo, essa autoridade não pode agir de ofício, é necessária a provocação da parte. Analisando os requisitos e os autos, verificase que não houve a correção da falta até a decisão do órgão previdenciário de primeira instância administrativa. A atenuação e a relevação da multa são benefícios concedidos ao infrator, sendo uma contrapartida oferecida pela legislação previdenciária. Caso esse infrator corrija a falta, ficará responsável por um débito de menor valor, caso atenda aos demais requisitos a multa será relevada. Uma vez sendo em beneficio do infrator, é necessário que este atenda aos requisitos exigidos pela Previdência Social e na forma pelo órgão estabelecida, traduzida no Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, sendo benéfica para o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212. Fl. 222DF CARF MF Impresso em 14/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade em conceder provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições da Medida Provisória n º 449 de 2008, mais precisamente o art. 32A, inciso II, que na conversão pela Lei n º 11.941 foi renumerado para o art. 32A, inciso I da Lei n º 8.212 de 1991. Marco André Ramos Vieira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco André Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva, Adriana Sato, Vera Kempers de Moraes Abreu e Wilson Antônio de Souza Correa. Ausente momentaneamente o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior. Fl. 223DF CARF MF Impresso em 14/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 12269.000095/200865 Acórdão n.º 230201.189 S2C3T2 Fl. 219 3 Relatório Trata o presente auto de infração, lavrado em desfavor da recorrente, originado em virtude do descumprimento do art. 32, IV, § 6º da Lei n ° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, III do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. Segundo a fiscalização previdenciária, o recorrente informou incorretamente o campo referente ao código de recolhimento no período de fevereiro de 2005 a outubro de 2006, conforme relatório fiscal às fls. 12 a 13. A autuada solicitou a relevação da multa, conforme fl. 19. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento emitiu a Decisão, fls. 200 a 202, mantendo a autuação na integralidade. A autuada não concordando com a decisão emitida pelo órgão fazendário interpôs recurso, fls. 211 a 214. Em síntese a recorrente alega o seguinte: a) Houve correção da falta conforme orientação da própria Receita Federal; b) Foi cerceado o direito de defesa do contribuinte; c) O auditor orientou de forma equivocada a autuada; d) Deve ser declarada a nulidade do lançamento. Não foram apresentadas contrarazões pelo órfão fazendário. É o relato suficiente. Fl. 224DF CARF MF Impresso em 14/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheiro Marco André Ramos Vieira, Relator O recurso foi interposto tempestivamente, conforme fls. 209 a 211. Pressuposto superado, passo ao exame das questões preliminares ao mérito. A recorrente informa que foi orientada de foram equivocada pela própria Receita Federal, contudo não traz nenhuma prova de sua alegação. Pelo contrário, as provas contidas nos autos apontam os erros cometidos pela autuada, conforme relatório à fl. 12, assim bastava a recorrente apresentar as GFIP com as correções no código para ter direito à relevação da multa. Quanto ao cabimento da relevação da multa teço a seguinte análise. A relevação prevista no art. 291, § 1º do RPS necessita dos seguintes requisitos: I. Pedido no prazo de defesa, mesmo que não contestada a infração; II. Primariedade do infrator; III. Correção da falta até a decisão do INSS; IV. Sem ocorrência de circunstância agravante. Art.291. Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até a decisão da autoridade julgadora competente. § 1º A multa será relevada, mediante pedido dentro do prazo de defesa, ainda que não contestada a infração, se o infrator for primário, tiver corrigido a falta e não tiver ocorrido nenhuma circunstância agravante. A relevação não é faculdade da autoridade administrativa, uma vez o infrator atendendo aos requisitos do art. 291, § 1º do RPS, quais sejam: primariedade do infrator; correção da falta e sem ocorrência de circunstância agravante; surge para a autoridade o dever de relevar a multa. Contudo, essa autoridade não pode agir de ofício, é necessária a provocação da parte. Analisando os requisitos e os autos, verificase que não houve a correção da falta até a decisão do órgão previdenciário de primeira instância administrativa. O autuado não demonstrou por meio de documentação a correção das faltas. Assim, fica demonstrada a necessidade de ser identificada de maneira correta cada etapa processual, para fins de definição dos direitos que assistem aos contribuintes. Caso não seja exercido no tempo correto há a preclusão do direito. A atenuação e a relevação da multa são benefícios concedidos ao infrator, sendo uma contrapartida oferecida pela legislação previdenciária. Caso esse infrator corrija a falta, ficará responsável por um débito de menor valor, caso atenda aos demais requisitos a multa será relevada. Uma vez sendo em beneficio do infrator, é necessário que este atenda aos Fl. 225DF CARF MF Impresso em 14/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 12269.000095/200865 Acórdão n.º 230201.189 S2C3T2 Fl. 220 5 requisitos exigidos pela Previdência Social e na forma pelo órgão estabelecida, traduzida no Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. Corroborando esse entendimento foi publicado o Parecer CJ/MPS n ° 3.194/2003, que assim dispõe: 23. Ante o exposto, este membro da AdvocaciaGeral da União, por meio desta Consultoria Jurídica, manifestase no seguinte sentido: a) o pedido de relevação da multa previsto no art. 291, § 1º, do Regulamento da Previdência Social deve ser feito no prazo de impugnação ao auto de infração lavrado pela fiscalização do INSS; b) a autoridade julgadora competente referida no caput do art. 291, citado, é aquela integrante dos quadros da autarquia previdenciária INSS. c) a multa somente será relevada na hipótese de o infrator ter corrigido a falta até decisão originária, ou seja, do órgão próprio do INSS. (grifei) Não tendo sido corrigida a falta é impossível juridicamente a relevação da multa. Não houve cerceamento de defesa, pois bastaria o autuado colacionar cópias das GFIP nos autos dos processos administrativos. Além do mais, o relatório indicou precisamente a falta encontrada. Contudo, há que se observar a retroatividade benigna prevista no art. 106, inciso II do CTN. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, sendo mais benéficas para o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212, nestas palavras: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3o; e II de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso I do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como Fl. 226DF CARF MF Impresso em 14/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II a setenta e cinco por cento, se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos.” (NR) Desse modo, resta evidenciado, que a conduta de apresentar GFIP com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores sujeitava o infrator à pena administrativa de cinco por cento do valor mínimo previsto no art. 92, por campo com informações inexatas, incompletas ou omissas, limitadas aos valores previstos no § 4º do artigo 32 da Lei n º 8.212 de 1991. Agora, com a Medida Provisória n º 449 de 2009, convertida na Lei n º 11.941, a tipificação passou a ser apresentar a GFIP com incorreções ou omissões, com multa de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. O núcleo do tipo infracional seja na redação anterior à MP n º 449, seja com o novo ordenamento é o mesmo: apresentar a GFIP com erros. A multa será aplicada ainda que o contribuinte tenha pago as contribuições, conforme previsto no inciso I do art. 32 A. Resta demonstrado, assim, que estamos diante de uma obrigação puramente formal, devendo ser aplicada a multa isolada. Não há razão para serem somadas as multas por descumprimento da obrigação principal e da acessória antes da MP n º 449 e após, para verificar qual a mais vantajosa. A análise tem que ser multa por descumprimento de obrigação principal antes e multa por tal descumprimento após; e multa por descumprimento de obrigação acessória antes e após. A análise tem que ser realizada dessa maneira, pois como já afirmado tratase de obrigação acessória independente da obrigação principal. A conduta de não apresentar declaração, ou apresentar de forma inexata, somente se subsumiria à multa de 75%, prevista no art. 44 da Lei n º 9.430, nas hipóteses em que não há penalidade específica para ausência de declaração ou declaração inexata. Para a GFIP, assim como a DCTF e a DIRPF, há multa com tipificação específica; desse modo inaplicável o art. 44. Para a GFIP aplicase o art. 32A da Lei n º 8.212 de 1991. Conforme previsto no art. 44 da Lei n º 9.430, a multa de 75% incidirá sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Desse modo, há três condutas no art. 44 que não precisam ocorrer simultaneamente para ser aplicada a multa. Há a conduta deixar de pagar ou recolher; outra conduta é ausência de declaração, e a outra é a apresentação de declaração inexata. Logicamente, se o contribuinte tiver recolhido os valores devidos antes da ação fiscal, não se aplica a multa de 75% prevista no art. 44 da Lei n º 9.430; mas a despeito do pagamento não declarou em GFIP, é possível a aplicação da multa isolada do art. 32A da Lei n º 8.212. Essa aplicação de multa isolada somente é possível, pelo fato de serem condutas Fl. 227DF CARF MF Impresso em 14/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 12269.000095/200865 Acórdão n.º 230201.189 S2C3T2 Fl. 221 7 distintas. Agora, se o contribuinte tiver declarado em GFIP não se aplica a multa do art. 44 da Lei n º 9.430, sendo aplicável somente a multa moratória do art. 61 da Lei n º 9430, pois os débitos já estão confessados e devidamente constituídos, sendo prescindível o lançamento. Afinal, a multa do art. 44 da Lei n º 9.430 somente se aplica nos lançamentos de ofício. Desse modo, se o contribuinte tiver declarado em GFIP, mas não tiver pago, o art. 44 da Lei 9.430 não é aplicado pelo fato de o contribuinte não ter recolhido, mas ter declarado; de fato, não se aplica o art. 44 em função de não haver lançamento de ofício, pois o crédito já está constituído pelo termo de confissão que é a GFIP. E nas hipóteses em que o contribuinte não recolhe e não declara em GFIP, há duas condutas distintas: por não recolher o tributo e ser realizado o lançamento de ofício, aplicase a multa de 75%; e por não ter declarado em GFIP a multa prevista no art. 32A da Lei n º 8.212. Como já afirmado, a multa será aplicada ainda que o contribuinte tenha pago as contribuições, conforme previsto no inciso I do art. 32 A. Pelo exposto, é de fácil constatação que as condutas de não recolher ou pagar o tributo e não declarar em GFIP não estão tipificadas no mesmo artigo de lei, no caso o art. 44 da Lei nº 9.430/96. Assim, não há que se falar em bis in idem, tampouco em consunção. Pelo contrário, a lei ao tipificar essas infrações, inclusive em dispositivos distintos, demonstra estar tratando de obrigações, infrações e penalidades tributárias distintas, que não se confundem e tampouco são excludentes. Logo, não há consistência nos entendimentos que pretendem dispensar a multa isolada, por ter sido aplicada a multa genérica. A Receita Federal do Brasil editou a Instrução Normativa RFB n º 1.027 de 22 de abril de 2010 que assim dispõe em seu artigo 4º: Art. 4º A Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009, passa a vigorar acrescida do art. 476A: Art. 476A. No caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos: I até 30 de novembro de 2008, deverá ser aplicada a penalidade mais benéfica conforme disposto na alínea “c” do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), cuja análise será realizada pela comparação entre os seguintes valores: a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. II a partir de 1º de dezembro de 2008, aplicamse as multas previstas no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as Fl. 228DF CARF MF Impresso em 14/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação de que trata este artigo não será feita no caso de entrega de GFIP com atraso, por se tratar de conduta para a qual não havia antes penalidade prevista.? Entendo inaplicável a referida Portaria por ser ilegal. Como demonstrado, é possível a aplicação da multa isolada em GFIP, independentemente de o contribuinte ter pago, conforme dispõe o art. 32A da Lei n º 8.212. Uma vez que a penalidade está prevista em lei, somente quem pode dispor da mesma é o Poder Legislativo, a interpretação da Receita Federal gera a concessão de uma anistia sem previsão em lei. Nesse sentido, o art. 150, parágrafo 6º da Constituição exige lei específica para concessão de anistia. A Portaria também viola o art. 182 do CTN que exige a concessão de anistia por meio de lei. Além de violar, os artigos 32A da Lei n º 8.212 e 44 da Lei n º 9.430. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Entendo que há cabimento do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN. CONCLUSÃO Pelo exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para no mérito CONCEDERLHE PROVIMENTO PARCIAL. A multa deve ser calculada considerando as disposições da Medida Provisória n º 449 de 2008, mais precisamente o art. 32A, inciso II, que na conversão pela Lei n º 11.941 foi renumerado para o art. 32A, inciso I da Lei n º 8.212 de 1991. É como voto. Marco André Ramos Vieira Fl. 229DF CARF MF Impresso em 14/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10830.005653/2005-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 11 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Feb 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: MPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2002
RECONHECIMENTO DE IMPUGNAÇÃO TEMPESTIVA.
Reconhecida a tempestividade da impugnação, os autos retornam à DRJ para que novo acórdão seja proferido com análise de mérito atendendo o Principio da Ampla Defesa e Devido Processo Legal.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2102-001.097
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR
provimento ao recurso, para que a Delegacia de Julgamento aprecie o mérito da impugnação, nos termos do voto do Relator
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
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Reconhecida a tempestividade da impugnação, os autos retornam à DRJ para que novo acórdão seja proferido com análise de mérito atendendo o Principio da Ampla Defesa e Devido Processo Legal. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos presentes autos. Acordam os m, bros do Coliegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso, para que a Delega ia de Julgamento aprecie o nérito da impugnação, nos termos do voto do Relator /. Giovanni Christian sidente Rubens Mauricio Relator #f EDfl'ADO EM: 28,1 7/201 Participaram da s Ssão de julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos, Eivanice Canário da Silva, Ndbia Matos Moura, Carlos André Rpdrigues Pereira Lima, Rubens Mauricio Carvalho e Acácia Sayuri Wakasugi. Relatório Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto o relatório do acórdão de fls. 39 a 43 da instância a quo, in verbis: Contra o contribuinte em epígrafe foi emitido Auto de Infração do Imposto de Renda da Pessoa Física — IRPF (fls.28/32), referente ao exercício 2002, ano- calendário 2001. Após a revisão da Declaração foram apurados os seguintes valores: Imposto de Renda Suplementar 636,60 Multa de Oficio —75% (passive] de redução) 477,45 Juros de Mora — calculados até 09/2005 389,15 Total do crédito tributário apurado 1.503,20 O lançamento acima foi decorrente da seguinte infração: Dedução Indevida de Despesas Médicas — glosa de dedução de despesas médicas, pleiteadas indevidamente pelo contribuinte na Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física do exercício 2002, ano-calendário 2001. Valor: R$ 26.324,61. Motivo da glosa: o contribuinte foi intimado a apresentar a comprovação das despesas, porém não respondeu a intimação. A base legal do lançamento encontra-se descrita As fls. 30/33. Em 22 de novembro de 2005, o contribuinte apresentou impugnação(fls. 01/03 e anexos), alegando, em síntese, que: - só tomou ciência da autuação em 21/10/2005, logo apresentou a impugnação dentro do prazo legal; - o auto de infração em questão foi entregue em 17/10/2005 (segunda-feira), mas só tomou ciência no final de semana subsequente 22/10/2005, em razão de trabalhar em cidade diversa de seu domicílio, e só retornar a Sumaré nos finais de semana; - ao contrario do alegado no Relatório Fiscal, o impugmante não foi intimado para apresentar os comprovantes das depesas médicas, logo a intimação para apresentação dos comprovantes de despesas médicas é nula, sendo nulo, também, os atos posteriores, quais sejam: o auto de infração e a alegada perda da espontaneidade para apresentação da declaração retificadora. - se tivesse sido intimado, o impugnante teria prontamente apresentado os respectivos comprovantes, uma vez que os tem guardado justamente para esse fim; - foi enviada declaração retificadora à Receita Federal, em 22/05/2005, corrigido o campo deduções de despesas médicas para R$ 13.824,61 (Banco Central do Brasil, no valor de 1.324,61 e Dr. Edson Basso, no valor de 12.500,00), porém a alegação para Receita Federal não aceitar esta declaração foi de que teria sido entregue após intimação, o que não ocorreu de fato; 0 julgamento do presente processo pela DRJ/Brasilia-DF se dá em face da transferência de competência instituída pela Portaria SRF n° 509, de 24 de março de 2008, publicada no DOU em 26/03/2008. E o relatório. 2 Processo n° 10830.005653/2005-89 S2-CIT2 Acórdão n.° 2102-01.097 Fl. 13 Diante desses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação unanime, preliminarmente considerou intempestiva a impugnação e não conheceu do mérito, mantendo o crédito consignado no auto de infração, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2002 PRELIMINAR DE TEMPESTIVIDADE. Comprovado nos autos que a impugnação foi apresentada fora do prazo legal, rejeita-se a preliminar de tempestividade suscitada, .ficando prejudicada a apreciação do mérito. INTIMAÇÃO POR VIA POSTAL Considera-se válida a intimação encaminhada e recebida no domicilio indicado pelo contribuinte em sua declaração de rendimentos. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, de fls. 48 a 52, insistindo em preliminar na tempestividade da impugnação e no mérito repete que os recibos comprovam a realização das despesas glosadas, requerendo ao final, pelo provimento ao recurso e cancelamento da exigência Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento de segunda instancia administrativa. RELATÓRIO. Voto Conselheiro Rubens Mauricio Carvalho. ADMISSIBILIDADE 0 recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. No julgamento anterior, a autoridade ao analisar os supostos de admissibilidade, constatou que o contribuinte tornou ciência do Auto de Infração de tls. 28 a 34, em 17/10/2005, consoante AR de fl. 36/37 e protocolou, a impugnação em 21/11/2005, conforme o protocolo a fl. 1, ou seja: 35 dias depois. Corno a reclamação deveria ter sido interposta no prazo máximo de 30 (trinta) dias após a ciência, nos termos do artigo 33 do Decreto n° 70.235 de 1972 (PAF), assim, observada a regra de contagem de prazos do art. 5 0 do PAF, o prazo final teria sido ultrapassado e dessa forma, a DRJ acertadamente não conheceu da impugnação por intempestiva. 3 Inconfonnado o contribuinte recorreu a essa segunda instância alegando que na verdade a impugnação teria sido enviada pelos correios, cuja data de postagem seria o dia 16/11/2005, sendo assim tempestiva a impugnação, conforme os documentos de fls. 53/54, anexados com o recurso. Da análise destes documentos digitalizados que me foram disponibilizados, estou convencido que o contribuinte realmente postou a DRF de Campinas sua impugnação em 16/11/2005, tornado-a tempestiva. Destarte para que não haja afronta ao devido processo legal e ao direito ao dupla grau do contencioso administrativo, determino o retorno dos autos A. DRJ, para que novo acórdão seja proferido com análise de mérito. CONCLUSÃO Pelo exposto, VOTO PELO-PRÓV ENTO DO RECURSO. Rubens Mauricio Ca` alho - ator 4
score : 1.0
Numero do processo: 15540.000328/2009-32
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005, 2006
OMISSÃO DE RECEITA. PROVA DE TRIBUTAÇÃO
Não comprovada a percepção de receita supostamente omitida que deu
origem à autuação, afasta-se o lançamento.
Recurso de Ofício Negado
Numero da decisão: 2102-001.409
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR
provimento ao recurso.
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006 OMISSÃO DE RECEITA. PROVA DE TRIBUTAÇÃO Não comprovada a percepção de receita supostamente omitida que deu origem à autuação, afasta-se o lançamento. Recurso de Ofício Negado
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PROVA DE TRIBUTAÇÃO Não comprovada a percepção de receita supostamente omitida que deu origem à autuação, afastase o lançamento. Recurso de Ofício Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente. Giovanni Christian Nunes Campos Presidente. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. EDITADO EM: 01/09/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Atílio Pitarelli, Rubens Maurício Carvalho, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Relatório Fl. 783DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/09/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 01/09/ 2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 15540.000328/200932 Acórdão n.º 2102001.409 S2C1T2 Fl. 2 2 Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto o relatório do acórdão de fls. 759 a 760 da instância a quo, in verbis: Contra o Contribuinte em epígrafe foi lavrado o Auto de Infração de fl. 3 a 5 e 17 a 21, em virtude da apuração da seguinte infração: OMISSÃO DE RENDIMENTOS omissão de rendimentos apurada para os anoscalendário de 2004 e 2005, conforme descrito no Termo de Conclusão de Auditoria Fiscal e de Esclarecimentos de fls. 6 a 16. Enquadramento legal: arts. 1º a 3º da Lei nº 8.134, de 1990, arts. 1º a 3º e §§ da Lei nº 7.713, de 1988, arts. 37, 38, 43, 55, incisos I a IV, VI, IX a XII, XIV a XIX, 56 e 83 do RIR/1999, art. 1º da Lei nº 10.451, de 2002, e art. 1º da Lei nº 11.119, de 2005. Sobre o imposto apurado, no valor de R$ 765.440,44, foram aplicados multa de 150% e juros de mora regulamentares, com fulcro nos dispositivos legais de fl. 21, perfazendo um total de R$ 2.302.125,61. Após ciência do Auto de Infração em referência (fl. 4), o Interessado, por intermédio de seu procurador, instrumento de mandato à fl. 752, apresentou em 08/07/2009 as alegações de fls. 742 a 751, valendose, em síntese, dos seguintes argumentos: 1) haveria evidente cerceamento do direito de defesa ao não terem sido indicados precisamente os fatos e o enquadramento legal da possível autuação, acarretando, em razão disso, a nulidade do lançamento; 2) os destinatários do dispositivo contido no art. 889 do RIR/1999 seriam as pessoas jurídicas que, em débito com a Receita Federal, distribuíram lucros, não se podendo, em virtude disso, penalizarse as pessoas físicas de seus sócios; 3) sem o lançamento não existiria crédito tributário, não havendo, então, débito das pessoas jurídicas das quais o Interessado participa como sócio; 4) quando da retificação das declarações de pessoa jurídica apresentadas anteriormente, teriam sido parcelados todos os débitos apurados e lançados, jamais estando tais empresas em débito com a Receita Federal; 5) por inferência lógica, se o relato fiscal põe em dúvida a própria existência dos supostos rendimentos, não poderia concluir que os mesmos eram tributáveis; 6) para aplicação da multa agravada seria necessário que a fiscalização apontasse e comprovasse o evidente intuito de fraude; 7) o simples fato de omitir rendimentos não constituiria base para a aplicação da multa agravada, conforme entendimento contido na Súmula 14 do Primeiro Conselho de Contribuintes, mormente quando tais rendimentos tiverem sido declarados, como no presente caso. Fl. 784DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/09/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 01/09/ 2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 15540.000328/200932 Acórdão n.º 2102001.409 S2C1T2 Fl. 3 3 Ao final de sua impugnação, o Interessado solicita o cancelamento da exigência tributária lançada, em razão de ter sido constituída sem qualquer fundamentação legal que pudesse respaldála. Diante desses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação unânime, julgou improcedente o lançamento, exonerando todo crédito tributário uma vez que não foi demonstrado pela autoridade atuante a percepção dos rendimentos lançados como omissos, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2004, 2005 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ÔNUS DA PROVA. RECEBIMENTO. NATUREZA TRIBUTÁVEL. Incumbe ao Fisco o ônus de provar o recebimento e a natureza tributável dos rendimentos considerados como omitidos. Sem apresentação de Recurso Voluntário pela ausência de sucumbência do sujeito passivo mas decorrente, do art. 34 do Decreto n° 70.235, de 1972 e alterações introduzidas pela Lei n° 9.532, de 1997 e Portaria MF n° 3, de 2008, por força de recurso necessário o processo foi encaminhado para julgamento do Recurso de Ofício neste Conselho. Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento de segunda instância administrativa. É O RELATÓRIO. Voto Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. ADMISSIBILIDADE O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. Trata o presente de recurso de oficio da Delegacia da Receita Federal de Julgamento Rio de Janeiro II que exonerou o contribuinte nomeada à epígrafe de crédito tributário superior ao limite de alçada da Delegacia da Receita Federal de Julgamento. O valor exonerado, conforme a conclusão do acórdão recorrido, foi na totalidade do lançamento, no valor de R$ 2.302.125,61, calculados na data da autuação. Assim, o Recurso preenche os requisitos legais, devendo ser conhecido e apreciado. Passo à análise de dos trechos da decisão recorrida que tratou da exoneração tributária, objeto desse Recurso de Ofício, com meus destaques: Fl. 785DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/09/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 01/09/ 2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 15540.000328/200932 Acórdão n.º 2102001.409 S2C1T2 Fl. 4 4 Fl. 760verso (...): A falta ou insuficiência da prova da natureza isenta dos rendimentos assim declarados pelo Interessado por si só não tem o condão de transformálos, automaticamente, em rendimentos tributáveis. Para que rendimentos declarados como isentos possam ser considerados como rendimentos omitidos seria necessário, antes de mais nada, que estivesse comprovado seu efetivo recebimento e sua natureza tributável. Destaquese que o ônus de provar o recebimento e a natureza tributável desses rendimentos não incumbiria ao Contribuinte, mas sim ao Fisco. Apenas em situações excepcionais, a legislação tributária inverte esse ônus, passando o sujeito passivo a ter o dever de provar que a infração não ocorreu. Na hipótese em estudo, porém, inexiste presunção legal que estabeleça a inversão do ônus da prova, cabendo ao Fisco demonstrar que os R$ 2.302.962,00 e os R$ 480.457,79 foram recebidos pelo Interessado e eram de natureza tributável. Apesar de o Termo de Conclusão de Auditoria Fiscal e de Esclarecimentos de fls. 6 a 16 referirse a expressivos valores mantidos pelo Interessado no exterior em anoscalendário anteriores, que até já teriam sido objeto de outras autuações, o fato é que em nenhum momento a Fiscalização comprovou o recebimento dos valores acima mencionados, nem tampouco que os mesmos eram de natureza tributável e teriam sido omitidos pelo Interessado nos anoscalendário de 2004 e 2005. Sem a prova do recebimento e da natureza tributável dos valores considerados pelo Fisco, não pode prosperar a omissão de rendimentos capitulada no auto de infração de fls. 3 a 5 e 17 a 21. Em razão disso, tornase prescindível o exame das demais alegações suscitadas pelo Contribuinte em sua impugnação. Alinhome ao entendimento exarado pela decisão recorrida que se o contribuinte foi incapaz de comprovar o recebimento de rendimentos isentos e não tributáveis, por conseqüência não poderia servir de justificativa para o acréscimo patrimonial e nessa linha poderia seguir a fiscalização para proceder o lançamento sobre Acréscimo Patrimonial a Descoberto, contudo, isso não foi feito. Para se efetivar a troca de rendimento isento para omisso, teria que estar presente a prova do efetivo recebimento dos valores lançados como omissos mas o que se vê no próprio Termo de Conclusão de Auditoria Fiscal e de Esclarecimentos, fls 6 e seguintes, é justamente a assertiva que o contribuinte não percebeu esses rendimentos, ex vi, fl. 15: (...) não comprovando ainda, sequer, por meio de documentos coincidentes em datas e valores o repasse dos valores que diz ter recebido. (...) Por toda a argumentação já exposta considerase não comprovada a • condição de rendimentos isentos ou não tributáveis dos valores de R$ 2,302.962,00 (dois milhões trezentos e dois mil novecentos e sessenta e dois reais), com relação ao Exercício da União de 2005, anocalendário de 2004 e R$ 480.457,79 (quatrocentos e oitenta mil quatrocentos e cinqüenta e sete reais e setenta e setenta e nove centavos), registrado igualmente como abrangido por isenção, pelo Fl. 786DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/09/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 01/09/ 2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 15540.000328/200932 Acórdão n.º 2102001.409 S2C1T2 Fl. 5 5 contribuinte na declaração de ajuste anual relativa ao Exercício de 2006, anocalendário de 2005. Bem, aclarou a decisão recorrida: Se existiam dúvidas acerca da efetiva percepção de lucros pelo Interessado, tais valores, informados como rendimentos isentos ou não tributáveis nos exercícios 2005 e 2006, não poderiam lastrear qualquer incremento patrimonial nesses períodos. Em outras palavras, as aquisições de bens e as aplicações de recursos ocorridas nos anoscalendário de 2004 e 2005 não poderiam ser justificadas pelos rendimentos isentos declarados pelo Interessado. Para tanto, caberia à Fiscalização proceder ao confronto mensal de aplicações e origens, para então, se houvesse variação patrimonial a descoberto, tributar essa diferença com fulcro no art. 3º, §1º, da Lei nº 7.713, de 1988. Verifico pelas peças constantes dos autos que a autoridade julgadora singular decidiu o feito nos termos da legislação de regência e das provas apresentadas, especialmente aos fatos levantados pela própria autoridade preparadora, de fls. 6 a 16 e, desta forma, sua decisão não merece reparo. Por todo exposto, tomo conhecimento do recurso de ofício pelo fato do mesmo atender aos requisitos de sua admissibilidade, ao mesmo tempo que lhe NEGO PROVIMENTO. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. Fl. 787DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/09/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 01/09/ 2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO
score : 1.0
Numero do processo: 13804.002857/2002-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 11 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Feb 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2001
IRPF. DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. ERRO NO PREENCHIMENTO.
O contribuinte não estando obrigado à entrega da declaração cancela-se a penalidade. O mero no preenchimento e entrega da Declaração Anual de Ajuste não justifica a manutenção da multa por atraso na entrega.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2102-001.108
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR
provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- auto infração - multa por atraso na entrega da DIRPF
Nome do relator: Francisco Marconi de Oliveira
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DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. ERRO NO PREENCHIMENTO. O contribuinte não estando obrigado à entrega da declaração cancelase a penalidade. O mero no preenchimento e entrega da Declaração Anual de Ajuste não justifica a manutenção da multa por atraso na entrega. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso. Giovanni Christian Nunes Campos Presidente. (assinado digitalmente) Francisco Marconi de Oliveira Relator. (assinado digitalmente) EDITADO EM: 23/03/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Núbia Matos Moura, Acácia Sayuri Wakasugi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima e Francisco Marconi de Oliveira. Ausente justificadamente a Conselheira Vanessa Pereira Rodrigues Domene e presente a Conselheira Eivanice Canário da Silva. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Assinado digitalmente em 23/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, 24/03/2011 por GIOVANNI CHRIS TIAN NUNES CAMPOS 2 Relatório O contribuinte acima identificado foi autuado, por meio da Notificação de Lançamento constante a folha 3, lavrada em 11 de abril de 2002, em decorrência da entrega da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda fora do prazo, referente ao exercício 2001, com aplicação do valor mínimo da multa, estipulada em R$ 165,74. O requerente apresentou impugnação (fl. 1) alegando estar desempregado. A 3ª Turma de Julgamento da DRJ/SPOII decidiu, por unanimidade de votos, considerar procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido, por ter a contribuinte declarado rendimentos superiores ao limite estipulado na Instrução Normativa SRF nº 123, de 2000. O recurso voluntário foi apresentado em 04 de outubro de 2007 (fl. 26). Não se encontrando nos autos a ciência do contribuinte, presumese tempestivo. Alega o recorrente não ter auferido renda no ano base 2000, nem ter sido responsável pela apresentação da declaração de imposto de renda exercício 2001. É o relatório. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Assinado digitalmente em 23/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, 24/03/2011 por GIOVANNI CHRIS TIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13804.002857/200221 Acórdão n.º 210201.108 S2C1T2 Fl. 40 3 Voto Conselheiro Francisco Marconi de Oliveira Declarase a tempestividade. Atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o recurso referente à matéria em litígio que envolve multa por atraso na entrega da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2001. A Lei nº 9.250, de 1995 determina a apresentação, anualmente, até o último dia útil do mês de abril do anocalendário subsequente, da declaração de rendimentos em modelo aprovado pela Secretaria da Receita Federal. A exigência da multa em exame está amparada no artigo 88 da Lei nº 8.981, de 1995, que sujeita à multa a pessoa física ou jurídica que deixar de apresentar a declaração de rendimentos ou a entregar fora do prazo fixado, nos termos dos incisos abaixo transcritos: Art. 88. A falta de apresentação da declaração de rendimentos ou a sua apresentação fora do prazo fixado, sujeitará a pessoa física ou jurídica: I à multa de mora de um por cento ao mês ou fração sobre o Imposto de Renda devido, ainda que integralmente pago; (Vide Lei nº 9.532, de 1997). II à multa de duzentas Ufirs a oito mil Ufirs, no caso de declaração de que não resulte imposto devido. § 1º O valor mínimo a ser aplicado será: a) de duzentas Ufirs, para as pessoas físicas; O valor da multa foi convertido em reais pela Lei nº 9.532/97. Art. 27. A multa a que se refere o inciso I do art. 88 da Lei nº 8.981, de 1995, é limitada a vinte por cento do imposto de renda devido, respeitado o valor mínimo de que trata o § 1º do referido art. 88, convertido em reais de acordo com o disposto no art. 30 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995. De acordo com o artigo 16 da Lei nº 9.779, de 1999, compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável. Entretanto, apesar de constar como rendimentos tributáveis na declaração o valor de R$ 21.600,00 (vinte e um mil e seiscentos reais), a consulta da DIRF formulada no sistema SIEF (fl. 27) apresenta rendimentos tributáveis bastante ínfimos, de R$ 125,44, condizentes com as informações prestadas pelo contribuinte, que nos demais anos entregou a Declaração Anual de Isentos (fl. 31). Não há nos autos nenhum outro requisito ou prova que obrigue o contribuinte à entrega da Declaração de Ajuste Anual de Pessoa Física. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Assinado digitalmente em 23/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, 24/03/2011 por GIOVANNI CHRIS TIAN NUNES CAMPOS 4 O contribuinte poderia ter apresentado, a qualquer época, declaração retificadora. Por desconhecimento, preferiu recorrer às instâncias administrativas de julgamento. Ora, se era possível ao Fisco acatar a retificadora da declaração de rendimentos, não há razão para deixar de acatar os argumentos do recurso, já que não é mais possível a efetuar a retificação por meio de declaração. Diante do exposto, conheço do recurso e voto no sentido de DAR provimento o recurso para o cancelamento da Declaração Anual de Ajuste e, consequentemente, da multa por atraso na entrega da declaração. Francisco Marconi de Oliveira – Relator (assinado digitalmente) Fl. 4DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Assinado digitalmente em 23/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, 24/03/2011 por GIOVANNI CHRIS TIAN NUNES CAMPOS
score : 1.0
Numero do processo: 10920.000625/2003-02
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA
Exercício: 1999 a 2002.
DESPESAS DEDUTÍVEIS - FALTA DE COMPROVAÇÃO. Em
conformidade com o artigo 8°, § 2°, III, da Lei n° 9.250, de 1995, todas as
deduções da base de calculo do imposto de renda estão sujeitas h.
comprovação, a juizo da autoridade lançadora. Assim, sempre que entender
necessário, a fiscalização tem a prerrogativa de exigir a comprovação ou
justificação das despesas deduzidas. Nos casos em que ha elementos
concretos e suficientes para afastar a presunção de veracidade dos recibos ou
de outros documentos apresentados, sem que o contribuinte prove a
realização das despesas, gastos ou relação de dependentes há de se manter a
exigência do crédito tributário.
MULTA QUALIFICADA — FALTA DE ATENDIMENTO A
FISCALIZAÇÃO — Se não há justificativa por parte da autoridade fiscal
demonstrando ter ocorrido a falta de atendimento à fiscalização ou o evidente
intuito de embaraçar a fiscalização, não é exigível a multa qualificada
prevista no artigo art. 44, inciso I, § 2°, da Lei n 9.430, de 1996.
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 2102-001.181
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Camara
da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por
unanimidade de votos, em DAR PARCIAL provimento ao recurso apenas para reduzir as
multas aplicadas de 112,50% para 75%, conforme disposto no artigo 44, inciso I, da Lei n°
9.430/96, nos termos do voto da Relatora.
Matéria: 109200012741230/DRF-JOI
Nome do relator: VANESSA PEREIRA RODRIGUES DOMENE
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA Exercício: 1999 a 2002. DESPESAS DEDUTÍVEIS - FALTA DE COMPROVAÇÃO. Em conformidade com o artigo 8°, § 2°, III, da Lei n° 9.250, de 1995, todas as deduções da base de calculo do imposto de renda estão sujeitas h. comprovação, a juizo da autoridade lançadora. Assim, sempre que entender necessário, a fiscalização tem a prerrogativa de exigir a comprovação ou justificação das despesas deduzidas. Nos casos em que ha elementos concretos e suficientes para afastar a presunção de veracidade dos recibos ou de outros documentos apresentados, sem que o contribuinte prove a realização das despesas, gastos ou relação de dependentes há de se manter a exigência do crédito tributário. MULTA QUALIFICADA — FALTA DE ATENDIMENTO A FISCALIZAÇÃO — Se não há justificativa por parte da autoridade fiscal demonstrando ter ocorrido a falta de atendimento à fiscalização ou o evidente intuito de embaraçar a fiscalização, não é exigível a multa qualificada prevista no artigo art. 44, inciso I, § 2°, da Lei n 9.430, de 1996. Recurso parcialmente provido.
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I MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo na 10920.000625/2003-02 Recurso n° Voluntário Acórdão n" 2102-01.181 — la Camara / 2a Turma Ordinária Sessão de 17 de março de 2011 Matéria Imposto de Renda Pessoa Física - IRPF Recorrente ADEMIR SILVEIRA MACHADO Recorrida 6' Turma/DRJ - Florianópolis/SC ASSUNTO: IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA Exercício: 1999 a 2002. DESPESAS DEDUTÍVEIS - FALTA DE COMPROVAÇÃO. Em conformidade com o artigo 8°, § 2°, III, da Lei n° 9.250, de 1995, todas as deduções da base de calculo do imposto de renda estão sujeitas h. comprovação, a juizo da autoridade lançadora. Assim, sempre que entender necessário, a fiscalização tem a prerrogativa de exigir a comprovação ou justificação das despesas deduzidas. Nos casos em que ha elementos concretos e suficientes para afastar a presunção de veracidade dos recibos ou de outros documentos apresentados, sem que o contribuinte prove a realização das despesas, gastos ou relação de dependentes há de se manter a exigência do crédito tributário. MULTA QUALIFICADA — FALTA DE ATENDIMENTO A FISCALIZAÇÃO — Se não há justificativa por parte da autoridade fiscal demonstrando ter ocorrido a falta de atendimento à fiscalização ou o evidente intuito de embaraçar a fiscalização, não é exigível a multa qualificada prevista no artigo art. 44, inciso I, § 2°, da Lei n 9.430, de 1996. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Camara da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em DAR PARCIAL provimento ao recurso apenas para reduzir as multas aplicadas de 112,50% para 75%, conforme disposto no artigo 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96, nos termos do voto da Relatora. Processo n° 10920,000625/2 -02 Acórdrto n.° 2102-01.181 pos - Presidente ra Rodri es Domene — Relatora Formalizado em: 26.10.2011 S2-C I T2 Fl. 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos, Vanessa Pereira Rodrigues Domene, Mibia Matos Moura, Rubens Mauricio Carvalho, Acacia Sayuri Wa.kasugi e Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Relatório Em 17/03/2003 foi lavrado Auto de Infração contra o contribuinte, cobrando R$ 30.093,11 de imposto de renda, R$ 12.784,14 a titulo de juros de mora e R$ 33.090,28 a titulo de multa proporcional, totalizando R$ 75.967,53. De acordo com o que consta do auto de infração, a autoridade fiscal imputou ao contribuinte o cometimento das seguintes infrações: 001 - OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO SEM VINCULO EMPREGATiCIO RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS. 002 - DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO PLEITEADA INDEVIDAMENTE PREVIDÊNCIA OFICIAL DEDUZIDA INDEVIDAMENTE. 003 — DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO PLEITEADA INDEVIDAMENTE DEDUÇÃO INDEVIDA DE DEPENDENTE. 004 — DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO PLEITEADA INDEVIDAMENTE DESPESAS MÉDICAS DEDUZIDAS INDEVIDAMENTE. 005 - DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO PLEITEADA INDEVIDAMENTE PENSÃO JUDICIAL DEDUZIDA INDEVIDAMENTE. 006 - DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO PLEITEADA INDEVIDAMENTE DESPESAS DE LIVRO CAIXA DEDUZIDAS INDEVIDAMENTE. 007 - DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO PLEITEADA INDEVIDAMENTE DESPESA COM INSTRUÇÃO DEDUZIDA INDEVIDAMENTE. Inconformado com o lançamento em comento, o contribuinte apresentou sua defesa (Impugnação ao Auto de Infração) as fls. 40/42, acompanhada dos documentos acostados às fls. 43/70, sendo que em análise à referida defesa sobreveio decisão de primeira instância administrativa (fls. 73/79 - verso), que julgou procedente em parte o lançamento 2 Processo n" 10920.000625/2003-02 S2-C 112 Acórdão n.° 2102-01.181 Fl. 3 alterando o imposto de renda suplementar dos anos 1998 a 2001 de R$ 30.093,11 para R$ 23.913,06, acrescido de multa de oficio e de juros de mora, pelos motivos em suma a seguir expostos: • Limites do litígio: Verifica-se que a impugnação é parcial, uma vez que o contribuinte não impugna a omissão de rendimentos de R$ 7.412,80, relativa ao ano-base de 2000. Assim, a matéria não expressamente contestada é considerada não impugnada, nos termos do artigo 17 do Decreto n°. 70.235 de 6 de março de 1972, se ido definitiva a exigência no que se refere a esta parte do lançamento na esfera administrativa. • Deduções indevidas referentes à Previdência Social: 0 autuado alega que os valores informados são exatamente os que foram descontados de sua remuneração pelos operadores portuários. Entretanto, não conduziu ao processo qualquer documento tendente a comprovar o aduzido, motivo pelo qual não nos permite restabelecer a glosa. • Dedução indevida de dependente: • a) Milena Borba Machado, Anderson Borba Machado e Patricia Borba Machado — Constato que estes são filhos do autuado com sua ex- esposa. Considerando que o defendente é legalmente separado de Izabel Fatima Borba Machado e os filhos do casal ficaram sob a guarda da mãe, conforme folha 46 dos autos, bem como pela informação do próprio autuado, em sua Declaração de Ajuste Anual, de que paga pensão alimentícia desde 1998 ao ex-cônjuge, em observância ao artigo 77, § 4°, do RIR11999, mantenho os valores glosados quanto a essas pessoas declaradas como dependentes. • b) João Manoel Machado e Maria Madalena Machado — pelos documentos incluídos no processo, verifico que são pais do impugnante. Tendo em vista que, nos anos em foco, não ficou evidenciada a percepção de rendimentos acima do limite de isenção mensal, entendo que devam ser considerados como seus dependentes. • c) Lidia S. Machado e Silvana S. Machado — Não foi juntado ao processo qualquer documento tendente a comprovar a relação de dependência entre o autuado e estes supostos dependentes, pelo que me resta manter as exclusões da Declaração de Ajuste Anual. • d) Jenifer Lourenço Machado e Angélica Pereira Lourenço - Quanto estas pessoas, nota-se que nas declarações de ajuste anual dos anos- calendário de 1998 a 2001 não foram respectivas deduções pleiteadas. Assim, vê-se, pois, que o contribuinte busca a inclusão de dedução com dependentes não requeridas em suas declarações de ajuste anual. • Despesas médicas deduzidas indevidamente: Aduz que, por se constituir em plano empresarial, os pagamentos relativos à sua parcela são efetivados pelo sindicato, ficando sob a responsabilidade do autuado as contribuições de seus dependentes. Juntou aos autos demonstrativo de 3 Processo n° 10920.000625/2003-02 82-C1T2 Acórdão n.° 2102-01.181 Fl. 4 pagamentos de mensalidades de plano de saúde à Unimed de Joinville, em favor de Angélica P. Lourenço, Milena B. Machado, Anderson B. Machado e Patricia B. Machado, concementes aos anos de 2000 e 2001 (fls. 43 a 45); • Conforme o inciso II do art. 80, acima colacionado, são passíveis de dedução dos rendimentos tributáveis somente as despesas médicas concernentes ao próprio contribuinte ou a seus dependentes. No presente caso, os pagamentos de mensalidades de plano de saúde à Unimed de Joinville beneficiaram pessoas não enquadradas como seus dependentes para fins de apuração do imposto de renda (item 3); pois, no caso de seus filhos havidos com sua ex-esposa, conforme folha 46 do processo, não estão sob sua guarda, enquanto que Angelica P. Lourenço não foi relacionada como dependente em suas declarações anuais de ajuste. Desse modo, não há como abatê-las do cálculo do tributo em questão • Pensão judicial deduzida indevidamente: Comprovada que a pensão alimentícia foi homologada judicialmente, em 27/09/1999, no valor de tits salários mínimos mensais, a ser depositada a cada dia 15 de cada mês, subseqüente ao vencido, decido restabelecer os valores a seguir especificados, correspondentes a três salários mínimos, a contar do mês de julho/1999 (data do 1° pagamento). (...) • Quanto aos pagamentos feitos à Unimed, não restou acordado que o autuado se obrigaria a pagar plano de saúde aos seus filhos, condição essencial para que sejam reputados dedutiveis referidos dispêndios. Desse modo, não os restabeleço. • Posto isto, retornam ao cálculo do imposto de renda os valor e R$ 2.448,00, R$ 5.253,00 e R$ 6.132,00, nos anos de 1999, 2000 e 2001, respectivamente. • Despesas do Livro Caixa: Quanto ao terceiro tipo de despesa (despesas de custeio pagas e necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora), caberia, sim, para sua inclusão neste grupo, um exame minucioso do dispêndio realizado e da atividade desenvolvida pelo profissional, a fim de se verificar sua essencialidade e a possibilidade deste se enquadrar como uma despesa de custeio. Todavia, verifica-se que não há nos autos qualquer esclarecimento acerca da natureza desse desconto, ou mesmo prova de seu pagamento, tampouco há comprovação de que se trata de gasto necessário à percepção dos rendimentos do contribuinte. • Despesas com instrução indevida: 0 autuado assevera que se referem pagamentos efetuados a instituições de ensino em favor de seus dependentes. No que se refere a estas despesas, também não houve comprovação do aduzido pelo impugnante; portanto, não há como restabelecer as exclusões realizadas pela autoridade lançadora na sua Declaração de Ajuste Anual. 4 Processo IV 10920.000625/2003-02 S2-C I T2 Acórdão n° 2102-01.181 Fl. 5 Diante da decisão proferida, o contribuinte ainda inconformado interpôs Recurso Voluntário As fls. 83, aduzindo o que segue: • "1° SOMENTE APÓS CINCO ANOS E NOVE MESES APÓS A APRESENTAÇÃO DA DEFESA ADMINISTRATIVO, MEU PROCESSO FOI JULGADO E CONSIDERADO DEVEDOR; 2° DE ACORDO COM A MINHA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL FORAM GLOSADAS INSS DEVIDAMENTE REGISTRADO PELA OGMO E TAMBÉM DEPENDENTES SENDO ESTES MEUS FILHO DEVIDAMENTE COMPROVADOS, PORTANTO MINHA DECLARAÇÃO SE ENQUADRA DENTRO DESTA NORMA: 3° TODOS OS CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS EM FAVOR DO CONTRIBUINTE PRESCREVE NO PERIODO DE 05 (CINCO) ANOS TANDO MESMO IMPEDIDO LEGALMENTE DE REINVINDICAR VALORES DESTE PERIODO, CONVEM SALIENTAR QUE EM DECISÃO RECENTE DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, ORGA0 MÁXIMO NO PAIS PARA DERIMIR DUVIDAS JURMICAS, CONSIDEROU QUE "TODOS OS CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS PERTENCENTES A UNIÃO, NA() LANÇADOS EM DIVIDA ATIVA, PRESCREVE NO PERIODO DE 05 ANOS, verificando a prazo da notificação e a data do julgamento observa-se que já decorreram mais de 5 anos.". E o relatório. Voto Conselheira Vanessa Pereira Rodrigues Domene, Relatora. 0 recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33 do Decreto n° 70.235, de 06 de maw() de 1972, foi interposto por parte legitima e está devidamente fundamentado. Sendo assim, conheço-o e passo ao exame. Delimitação da matéria litigiosa: Nos termos da decisão recorrida, a impugnação do contribuinte foi parcial em relação A matéria objeto de lançamento, contida no auto de infração, tendo em vista que não houve a contestação dos rendimentos recebidos de pessoa jurídica e considerados omissos no montante de R$ 7.412,80, relativos ao ano-base de 2000. Deste modo, não será objeto de análise a matéria não impugnada, qual seja, aquela representada pelo item 001 do auto de infração, de acordo com o que ficou decidido em primeira instância administrativa. 5 Processo n° 10920.000625/2003-02 S2-C1T2 Aceirclao n.° 2102-01.181 Fl. 6 Assim, uma vez delimitada a matéria litigiosa, passo a análise de cada um dos pontos debatidos na presente demanda. Preliminar 1. Decadência: Inicialmente cumpre analisar o instituto da decadência nos termos em que expostos pelo contribuinte. Neste aspecto, em que pesem as argumentações trazidas pelo recorrente, ressalto que a regra decadencial a ser aplicada no presente caso é aquela prevista no artigo 150, §4°, do Código tributário Nacional, que por sua vez determina o prazo decadencial de 5 anos, contados da ocorrência do fato gerador, para que o fisco efetue o lançamento de oficio. Nesse passo, cumpre ressaltar que o fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física ocorre no dia 31 de dezembro do respectivo ano-calendário, sendo assim, os fatos geradores ocorridos durante o ano-calendário de 1998 somente se completaram em 31/12/1998, data a ser considerada para fins de contagem do prazo decadencial, nos termos já ventilados, de forma que se encerrou em 31/12/2003 o direito do fisco lançar de oficio. Contudo, tendo em vista que auto de infração foi lavrado em 17/03/2003 e o contribuinte tomou ciência do lançamento em 20/03/2003, conforme documento de fl. 38, evidente que o crédito tributário relativo aos anos-calendários de 1998 a 2001, abarcados no auto de infração em análise, não se encontravam fulminados pelo instituto da decadência na data do lançamento, de modo que, neste aspecto não há qualquer reparo a ser efetuado no trabalho realizado pela autoridade fiscal. Mérito: Inicialmente cumpre ressaltar que em conformidade com o artigo 8°, § 2°, Ill, da Lei n° 9.250, de 1995, bem como o disposto no artigo 11, § 3°, do Decreto-Lei n° 5.844, de 1943, todas as deduções da base de cálculo do imposto de renda estão sujeitas à comprovação, a juizo da autoridade lançadora. Art. 8° A base de cálculo do imposto devido no ano-calendário será a diferença entre as somas: II (..) - das deduções relativas: sS 2' 0 disposto na alínea a do inciso II: III - limita-se a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas - CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes - CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; 6 Processo n° 10920.000625/2003-02 S2-C1T2 Acárao n.° 2102-01.181 FL 7 Deste modo, sempre que entender necessário, a fiscalização tem a prerrogativa de exigir do contribuinte a comprovação ou justificação das despesas lançadas como dedutiveis das Declarações de Ajuste Anual pelo contribuinte. Ademais, vale reforçar que a norma insculpida pelo artigo 8°, da Lei n° 9.250/55 se aplica para todos os casos que a seguir serão objeto de análise neste julgamento. 2. Deduções indevidas relativas à Previdência Oficial: Em relação as deduções decorrentes de pagamentos efetuados A Previdência Oficial não merece qualquer reparo a decisão recorrida. Isto porque, compulsando os autos noto que o contribuinte não apresentou qualquer documento que comprovasse a efetividade das retenções e/ou respectivo desconto das parcelas em seus rendimentos. Observo apenas, a 11. 70, que o recorrente apresentou uma declaração do Orgão de Gestão de Mão-De-Obra do Trabalhador Avulso do Porto de São Francisco do Sul — SC, no qual há menção de que os valores ali consignados seriam os rendimentos líquidos, isto 6, já descontadas as parcelas relativas a contribuição previdencidria. Todavia, tal documento não demonstra efetivamente quais seriam tais valores, nem tampouco é o documento exigido por lei para comprovar os rendimentos efetivamente pagos por pessoas jurídicas. Sendo assim, mantenho o lançamento e a decisão recorrida em relação a tal ponto, tendo em vista que o contribuinte não obteve êxito em comprovar suas alegações por meio de documentação hábil e idônea. 3. Deduções indevidas com dependentes: Quanto as deduções pleiteadas com dependentes, entendo que a decisão recorrida também não merece reparos, pois, analisando de forma cuidadosa os documentos apresentados verifico que, de fato, muito embora o recorrente tenha declarado seus filhos como dependentes, em virtude do contribuinte ser separado judicialmente, estes filhos residem com sua ex-esposa, que por sua vez possui a guarda judicial dos filhos. Sendo assim, conforme determina o disposto no artigo 77, §40, do RIR199, tal condição não permite que os filhos Milena Borba Machado, Anderson Borba Machado e Patricia Borba Machado, sejam declarados como dependentes do recorrente que não possui a guarda dos filhos, mesmo porque, não consta do Termo de Audiência de fls. 46, que o contribuinte tenha ficado responsável pelo pagamento das despesas incorridas na criação dos filhos, sendo fixada pensão no valor fixo de 3 salários mínimos. Já em relação à Lidia S. Machado e Silvana S. Machado, conforme bem observado pela decisão recorrida, não foi juntado aos autos qualquer documento que demonstrasse a efetiva relação de dependência entre o contribuinte e tais pessoas, sendo que na falta de comprovação as glosas das despesas deduzidas devem ser mantidas. Assim, há de se manter a glosa das despesas com dependentes, nos termos em que efetuadas pela autoridade fiscal e ratificadas pela decisão recorrida. 7 Processo n° 10920.000625/2003-02 s2-C1T2 Acórdão n.° 2102-01.181 Fl. 8 4. Deduções indevidas com despesas médicas: No tocante as despesas médicas, analisando a documentação apresentada pelo recorrente, observo que As fls. 43/45 o contribuinte apresentou Lima relação de pagamentos supostamente efetuados à titulo de plano de saúde (Unimed), mantido em nome de Angélica P. Lourenço, Patricia B. Machado, Anderson B. Machado e Milena B. Machado. Todavia, esclareço que além do fato de os referidos documentos não serem hábeis e idôneos para comprovar o efetivo pagamento das despesas em questão, ha de se ressaltar ainda que os beneficiários (Angélica P. Lourenço, Patricia B. Machado, Anderson B. Machado e Milena B. Machado) não podem figurar como dependentes do contribuinte, nos termos em que já ratificados no item anterior. Sendo assim, ainda que se considerasse os documentos de fls. 43/45 como aptos a comprovar o desembolso dos valores gastos a titulo de despesas médicas, haveria o impedimento legal para a dedução pleiteada pelo contribuinte, posto que os beneficiários não são seus dependentes, nos termos do que dispõe o artigo 80, inciso II, do RIR/99. Deste modo, neste aspecto também não merece qualquer reparo o lançamento ou a decisão recorrida. 5. Deduções indevidas com contribuição para o D.A.S.: 0 contribuinte pugna pelo reconhecimento das deduções relativas aos pagamentos efetuados ao D.A.S. (contribuição sindical obrigatória), que estaria demonstrada pelo Livro Caixa do ano-calendário de 2001, acostado aos autos As fls. 55/69. No entanto, entendo que não merece reparos a decisão recorrida quanto a análise da matéria, visto que não ficou plenamente demonstrada a natureza dos pagamentos em voga, muito menos a efetividade dos recolhimentos. Cumpre ressaltar que o Livro Caixa por si só não é suficiente, neste caso, para comprovar as alegações apresentadas pelo recorrente, de forma que seria necessária a apresentação de outros documentos que demonstrassem os efetivos repasses à entidade e, principalmente, documentos que deixassem clara a natureza de tais pagamentos. Ademais, nos termos do exposto pelo julgador de primeira instância, o pagamento do referido DAS é opcional aos estivadores, de forma que a simples figuração no Livro Caixa não e suficiente para comprovar a opção pelo pagamento da contribuição, nem tampouco que os recolhimentos efetivamente ocorreram. Portanto, diante das considerações acima, também mantenho a decisão recorrida no sentido de manter integralmente a glosa da dedução a titulo de livro caixa indevidamente pleiteada. 6. Deduções indevidas com instrução: No caso das deduções a titulo de instrução pleiteadas pelo contribuinte, nota- se que não houve a apresentação de qualquer documento no sentido de demonstrar a efetividade dos serviços educacionais prestados. 8 Processo re' 10920.000625/2003-02 82-CIT2 Acórdão n.° 2102-01.181 Fl. 9 Portanto, não tendo o contribuinte apresentado nenhuma justificativa para a dedução pleiteada à titulo de instrução, há de se manter as glosas de despesas com instrução, mantendo-se a decisão recorrida, bem como o lançamento neste aspecto. 7. Da multa qualificada: Conforme é possível verificar no lançamento efetuado pela autoridade fiscal, a multa de oficio foi majorada em 50%, com base no disposto no artigo 44, inciso I, § 2°, da Lei n° 9.430/96, sendo, portanto, aplicado o percentual de 112,50% de multa ao contribuinte. Porém, não observo qualquer justificativa para que a autoridade fiscal aplicasse a multa majorada no presente caso. Nada obstante, para que a multa qualificada seja imposta ao contribuinte é necessário que haja nos autos além da justificativa da autoridade, a motivação para a majoração. Alias, cumpre ressaltar que o contribuinte protocolizou, ainda em sede de fiscalização, uma petição endereçada A. Delegacia da Receita Federal de Joinville/SC (fls. 04), alegando dificuldades na obtenção de parte da documentação solicitada e requerendo a dilação do prazo concedido pela autoridade fiscal para o atendimento da solicitação, pedido este sobre o qual, diga-se, a autoridade fiscal sequer se manifestou. Com efeito, não vislumbro no presente caso qualquer peculiaridade que justificasse a majoração da multa de oficio em 50%, sendo que não há indícios de que o contribuinte tivesse a intenção de embaraçar a fiscalização. Reforço ainda que mesmo nos casos em que o contribuinte não atenda intimação para apresentar os esclarecimentos ou documentos solicitados, é necessário que a autoridade fiscal justifique plenamente o motivo da majoração da multa, do contrario, há de ser aplicado o percentual de 75%. Sendo assim, por não verificar qualquer justificativa ou motivação para a majoração da multa, entendo que o percentual da multa a ser aplicado para o caso é o previsto no artigo 44, inciso I, da Lei 9.430/96, ou seja, a multa de oficio de 75%. Por todo o exposto, DOU PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do contribuinte apenas para reduzir as multas aplicadas de 112,50% para 75%, conforme disposto no artigo 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96. Sala das Sessões, em 17 de março de 2011. Van sa Pereira Ros gues Domene 9
score : 1.0
Numero do processo: 13501.000063/2003-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed May 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2001
Ementa: RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO. PROCEDIMENTO E EFEITOS. A declaração retificadora, nas hipóteses em que admitida, se
apresentada antes do início de qualquer procedimento fiscal, substitui a declaração originalmente apresentada para todos os efeitos, inclusive para fins de lançamento de ofício.
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 2201-001.087
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, Por unanimidade, dar parcial
provimento ao recurso para reduzir o valor do imposto devido para R$ 101,26, nos termos do relatório e voto.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2001 Ementa: RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO. PROCEDIMENTO E EFEITOS. A declaração retificadora, nas hipóteses em que admitida, se apresentada antes do início de qualquer procedimento fiscal, substitui a declaração originalmente apresentada para todos os efeitos, inclusive para fins de lançamento de ofício. Recurso parcialmente provido.
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PROCEDIMENTO E EFEITOS. A declaração retificadora, nas hipóteses em que admitida, se apresentada antes do início de qualquer procedimento fiscal, substitui a declaração originalmente apresentada para todos os efeitos, inclusive para fins de lançamento de ofício. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, Por unanimidade, dar parcial provimento ao recurso para reduzir o valor do imposto devido para R$ 101,26, nos termos do relatório e voto. Assinatura digital Francisco Assis de Oliveira Júnior – Presidente Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator EDITADO EM: 13/05/2011 Participaram da sessão: Francisco Assis Oliveira Júnior (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Gustavo Lian Haddad, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe e Rayana Alves de Oliveira França. Fl. 84DF CARF MF Emitido em 06/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 25/05/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 25/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 2 Relatório JORGE OLIVEIRA GÓES interpôs recurso voluntário contra acórdão da DRJSALVADOR/BA (fls. 47) que julgou procedente em parte lançamento, formalizado por meio do auto de infração de fls. 03/06, para exigência de Imposto sobre Renda de Pessoa Física – IRPF suplementar, referente ao exercício de 2001, no valor de R$ 592,06, acrescido de multa de ofício e de juros de mora, perfazendo um crédito tributário total lançado de R$ 1.213,71. As infrações apuradas fora a omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, tendo sido alterado o valor declarado, de R$ 13.431,42 para 25.773,88, e a glosa de dedução de despesas médicas (R$ 869,01). O Contribuinte apresentou a impugnação de fls. 01 na qual afirma que a declaração original, objeto da autuação, fora retificada, tendo sido alterados, entre outros, os campos dos rendimentos tributáveis e o das despesas médicas. Apresenta também DARF referente ao pagamento de diferença de imposto apurado na declaração de rendimentos. A DRJSALVADOR/BA julgou procedente em parte o lançamento, mantendo a exigência do imposto suplementar, porém sem a multa de ofício, com base nas considerações a seguir resumidas. Sobre a declaração retificadora, a DRJ observa que a mesma foi transmitida em 04/12/2002 e deduz que, “quando da retificação o Contribuinte já estivesse sob procedimento fiscal”, e acrescenta, “mas, em face da inexistência do dossiê da malha pessoa física nos autos (fls. 38), merece análise a declaração retificadora”. A DRJ observou que na declaração retificadora foi consignado como rendimentos tributáveis os mesmos valores apurados na autuação, mas foram acrescentadas deduções, e concluiu que, como as deduções não foram comprovadas, vez que o Contribuinte juntou documentos referentes a período diverso, “não seria possível validar a declaração retificadora”. Assim foram feitos ajustes na declaração retificadora, desconsiderandose as deduções não comprovadas, chegando ao mesmo valor de imposto a pagar apurado na autuação, conforme demonstrativo. O Contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 04/03/2008 (fls. 53) e, em 03/04/2008, interpôs o recurso voluntário de fls. 56/60, que ora se examina, e no qual reafirma que incorreu nas despesas deduzidas na declaração de rendimentos e apresenta documentos que comprovariam o fato. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa – Relator Fl. 85DF CARF MF Emitido em 06/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 25/05/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 25/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Processo nº 13501.000063/200318 Acórdão n.º 220101.087 S2C2T1 Fl. 2 3 O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Fundamentação Como se colhe do relatório, o lançamento tomou por base declaração de rendimento que fora retificada. A DRJ, embora reconhecendo este fato, entendeu que a validação da declaração retificadora, quanto às deduções nela pleiteadas, dependeria da comprovação, com documentos hábeis e idôneos de tais deduções, e como não teriam sido apresentadas tais provas, concluiu por desconsiderálas. O cerne da questão aqui, portanto, está na verificação dos efeitos da declaração retificadora. Ante é preciso deixar assentado que, na ausência dos autos de termo formal de início de procedimento fiscal, devese considerar com tal a data da lavratura do auto de infração, e como esta ocorreu em 29/12/2002 (fls. 3) e a declaração retificadora foi transmitida em 04/12/2002 (fls. 26), é certo que a retificação ocorreu antes do inicio de qualquer procedimento fiscal. Pois bem, a Medida Provisória nº 1.990, de 1989, atualmente, art. 18 da medida Provisória nº 2.189, de 2001, introduziu mudança radical no procedimento para a retificação da declaração de rendimentos, eliminando o processo de prévia autorização. Assim, nas hipóteses em que admitida, a retificação da declaração passou a se processar pela simples entrega da declaração retificadora, passando esta a substituir integralmente a declaração originalmente apresentada, inclusive para fins de lançamento de ofício, senão vejamos: Art. 18. A retificação de declaração de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. Parágrafo único. A Secretaria da Receita Federal estabelecerá as hipóteses de admissibilidade e os procedimentos aplicáveis à retificação de declaração. A Secretaria da Receita Federal, por meio da Instrução Normativa nº 165, de 1999, com alterações posteriores, definiu os procedimentos a serem observados pelos contribuintes e pelo próprio Fisco, a saber: Art. 1º O declarante, pessoa física, obrigado à apresentação da declaração de rendimentos prevista no art. 7º da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, e da declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, de que tratam os arts. 6º e 8º da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996, poderá retificar a declaração anteriormente entregue mediante apresentação de nova declaração, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. Parágrafo único. A declaração retificadora referida neste artigo: I – terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, inclusive para os Fl. 86DF CARF MF Emitido em 06/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 25/05/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 25/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 4 efeitos da revisão sistemática de que trata a Instrução Normativa SRF no 094, de 24 de dezembro de 1997) ;II – será processada, inclusive para fins de restituição, em função da data de sua entrega. Art. 2º Quando a retificação da declaração resultar em aumento do imposto declarado, observarseá o seguinte procedimento: I calcularseá o novo valor de cada cota, mantendose o número de cotas em que o imposto foi parcelado na declaração retificada II sobre a diferença correspondente a cada cota vencida incidirão acréscimos legais calculados de acordo com a legislação vigente. Art. 3º Na hipótese de a retificação da declaração resultar em redução do imposto a pagar declarado, observarseá o seguinte procedimento: I calcularseá o novo valor de cada cota, mantendose o número de cotas em que o imposto foi parcelado na declaração retificada, desde que respeitado o valor mínimo estabelecido; II os valores pagos a maior relativos às cotas vencidas, bem assim os acréscimos legais referentes a esses valores, poderão ser compensados nas cotas vincendas, ou ser objeto de restituição; III sobre o montante a ser compensado ou restituído incidirão juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, até o mês anterior ao da restituição ou compensação, adicionado de 1% no mês da restituição ou compensação, observado o disposto no art. 2º, inciso I, da Instrução Normativa SRF nº 22, de 18 de abril de 1996. Art. 4º Em se tratando da declaração de rendimentos da pessoa física, após o prazo previsto para sua entrega, não será admitida retificação que tenha por objetivo a troca de modelo. (Redação dada pela IN SRF nº 19/00, de 23/02/2000) Parágrafo único. Relativamente às declarações apresentadas até o exercício de 1998, inclusive, será permitida a sua retificação se o contribuinte, obrigado a utilizar o modelo completo, optou pelo modelo simplificado. Fica claro, portanto, que a declaração retificadora, apresentada antes do início de procedimento fiscal, substitui a declaração originalmente apresentadas para todos os efeitos, inclusive para fins de lançamento de ofício. Neste caso, portanto, como a declaração retificadora foi apresentada antes do início de procedimento fiscal e não se enquadra em nenhuma das hipóteses de inadmissibilidade da retificação, o lançamento deveria tomar por base a declaração retificadora. Por outro lado, não poderia a autoridade julgadora de primeira instância rejeitar as deduções pleiteadas na declaração retificadora, pois tal procedimento implica em revisão desta, o que escapa à competência dos órgãos julgadores. Fl. 87DF CARF MF Emitido em 06/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 25/05/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 25/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Processo nº 13501.000063/200318 Acórdão n.º 220101.087 S2C2T1 Fl. 3 5 Assim, penso que no presente caso, independentemente da comprovação, dos valores declarados na declaração retificadora e que não contavam da declaração original, estes devem ser mantidos. Quanto aos rendimentos tributáveis, como os valores constantes da declaração retificadora são os mesmos apurados no lançamento, não há discussão sobre este ponto. E quanto à despesa médica glosada, no valor de R$ 869,01, referente a pagamento alegadamente feito a HSBC Seguros, como o valor foi repetido na declaração retificadora, este deveria ser comprovado, e como o próprio Contribuinte reconhece no recurso a impossibilidade de apresentar tal prova, deve ser mantida a glosa. Assim, em conclusão, penso que deve ser julgado procedente em parte o lançamento, para manter o valor do imposto apurado na declaração retificadora, acrescentando se, contudo, à base de cálculo, o valor correspondente às despesas médicas glosadas, conforme demonstrativo a seguir: Rendimentos tributáveis 25.773,88 () contribuição à previdência oficial 836,56 () contribuição à previdência privada 678,90 () dependentes 3.240,00 () despesa médica 656,42 Base de cálculo 20.362,00 Imposto devido 1.434,30 Imposto retido na fonte 1.253,82 Saldo de imposto a pagar 180,48 Imposto pago espontaneamente 79,22 Diferença de imposto a pagar 101,26 O valor acima apurado deve ser exigido, sem multa de ofício e compensado o valor pago espontaneamente pelo Contribuinte. Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso para reduzir o valor do imposto devido para R$ 101,26, conforme demonstrativo. Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 88DF CARF MF Emitido em 06/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 25/05/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 25/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU
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Numero do processo: 18108.000647/2007-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2001
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO NO ACÓRDÃO. COMPROVAÇÃO. ACOLHIMENTO.
Restando comprovada a omissão no Acórdão guerreado, na forma suscitada pela Embargante, impõe-se o acolhimento dos Embargos de Declaração para suprir a omissão apontada, rerratificandose
o resultado levado a efeito por ocasião do primeiro julgamento.
Embargos Acolhidos
Numero da decisão: 2401-001.847
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos declaração para rerratificar o Acórdão nº 240101.412,
sem alteração do resultado do julgamento.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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OMISSÃO NO ACÓRDÃO. COMPROVAÇÃO. ACOLHIMENTO. Restando comprovada a omissão no Acórdão guerreado, na forma suscitada pela Embargante, impõese o acolhimento dos Embargos de Declaração para suprir a omissão apontada, rerratificandose o resultado levado a efeito por ocasião do primeiro julgamento. Embargos Acolhidos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos declaração para rerratificar o Acórdão nº 240101.412, sem alteração do resultado do julgamento. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleuza Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 643DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 15/06/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 2 Relatório Cuidase de Embargos de Declaração, fls. 638/641, apresentados pela Fazenda Nacional, desafiando o Acórdão n.º 240101.412 de Lavra da Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção do CARF. No decisum embargado, decidiuse declarar a decadência total do crédito tributário, conforme se pode constatar dos termos acordados: ACORDAM os membros do Colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em declarar a decadência do lançamento; e b) em negar provimento ao recurso de oficio. II) Por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de prescrição argüida de oficio pelo relator. Vencidos os conselheiros Kleber Ferreira de Araújo (relator) e Elias Sampaio Freire, que votaram por reconhecer a prescrição. Designado para redigir o voto vencedor, na parte referente à prescrição, o Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Alega a PFN que o referido Acórdão apresenta omissão, posto que o voto condutor do acórdão embargado não contém a necessária fundamentação para que se concluísse pela ocorrência do transcurso do prazo decadencial. É o relatório. Fl. 644DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 15/06/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 18108.000647/200783 Acórdão n.º 240101.847 S2C4T1 Fl. 644 3 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Satisfeitos os pressupostos de admissibilidade, devem os embargos ser conhecidos. Compulsando melhor os autos, pude perceber que o voto do Relator foi vencido apenas na questão do acolhimento de ofício da prescrição, todavia, embora na votação acerca da decadência, esse relator tenha se pronunciado favoravelmente à declaração integral da mesma, não houve a preocupação de expressar esse posicionamento no voto. Diz o art. 65 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n. 256/2009: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Constatada a omissão, forçoso reconhecer a procedência dos embargos. Nesse sentido devo agora passar a ponderar acerca da preliminar de decadência de modo que seja sanada a lacuna apontada pela PFN. Na data da lavratura, o fisco previdenciário aplicava, para fins de aferição da decadência do direito de constituir o crédito, as disposições contidas no art. 45 da Lei n.º 8.212/1991, todavia, tal dispositivo foi declarado inconstitucional com a aprovação da Súmula Vinculante n.º 08, de 12/06/2008 (DJ 20/06/2008), que carrega a seguinte redação: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do decreto lei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. É cediço que essas súmulas são de observância obrigatória, inclusive para a Administração Pública, conforme se deflui do comando constitucional abaixo: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (...) Então, uma vez afastada pela Corte Maior a aplicação do prazo de dez anos previsto na Lei n.º 8.212/1991, aplicase às contribuições a decadência qüinqüenal do Código Tributário Nacional – CTN. Para a contagem do lapso de tempo, a jurisprudência vem Fl. 645DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 15/06/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 4 lançando mão do art. 150, § 4.º, para os casos em que há antecipação do pagamento (mesmo que parcial) e do art. 173, I, para as situações em que não ocorreu pagamento antecipado. É o que se observa da ementa abaixo reproduzida (EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL nº 674497/PR, Relator: Ministro Mauro Campbell Marques, julgamento em 05/11/2009, DJ de 13/11/2009): PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA CONSUMADA. MATÉRIA SUBMETIDA AO REGIME DO ART. 543C DO CPC (RECURSOS REPETITIVOS).OMISSÃO. NÃO OCORRÊNCIA. REDISCUSSÃO DO MÉRITO. CARÁTER PROTELATÓRIO. MULTA. 1. O aresto embargado foi absolutamente claro e inequívoco ao consignar que "em se tratando de constituição do crédito tributário, em que não houve o recolhimento do tributo, como o caso dos autos, o fisco dispõe de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Somente nos casos de tributo sujeito a lançamento por homologação, em que o pagamento foi feito antecipadamente, o prazo será de cinco anos a contar do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN)". 2. Devem ser repelidos os embargos declaratórios manejados com o nítido propósito de rediscutir matéria já decidida. 3. Embargos de declaração rejeitados com aplicação de multa de 1% (um por cento) sobre o valor da causa atualizado. Na espécie a ciência do lançamento deuse em 19/09/2007 (fl. 409) e existem recolhimentos para todas as competências do ano de 2001, conforme se verifica do Relatório de Documentos Apresentados de fl. 484/517. Assim devese reconhecer a decadência para integralidade do lançamento, pela aplicação do art. 150, § 4. , do CTN. Diante de todo o exposto, voto por acolher os embargos declaração para rerratificar o Acórdão nº 240101.412, sem alteração do resultado do julgamento. Sala das Sessões, em 7 de junho de 2011 Kleber Ferreira de Araújo Fl. 646DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 15/06/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE
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Numero do processo: 10875.002898/2003-76
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 1998
EXIGÊNCIA DE ESTIMATIVA MENSAL APÓS O ENCERRAMENTO DO ANO-CALENDÁRIO.
A falta de recolhimento das estimativas do imposto, detectada após o encerramento do respectivo ano-calendário, sujeita o contribuinte à multa isolada prevista no art. 44, inciso II, “b” da Lei nº 9.430/96, descabendo a exigência das próprias estimativas mensais não recolhidas no curso do período, vez que estas consubstanciam meras antecipações do tributo devido em 31 de dezembro.
Numero da decisão: 1102-000.504
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: João Otávio Oppermann Thomé
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 1998 EXIGÊNCIA DE ESTIMATIVA MENSAL APÓS O ENCERRAMENTO DO ANO-CALENDÁRIO. A falta de recolhimento das estimativas do imposto, detectada após o encerramento do respectivo ano-calendário, sujeita o contribuinte à multa isolada prevista no art. 44, inciso II, “b” da Lei nº 9.430/96, descabendo a exigência das próprias estimativas mensais não recolhidas no curso do período, vez que estas consubstanciam meras antecipações do tributo devido em 31 de dezembro.
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A falta de recolhimento das estimativas do imposto, detectada após o encerramento do respectivo anocalendário, sujeita o contribuinte à multa isolada prevista no art. 44, inciso II, “b” da Lei nº 9.430/96, descabendo a exigência das próprias estimativas mensais não recolhidas no curso do período, vez que estas consubstanciam meras antecipações do tributo devido em 31 de dezembro. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator. Documento assinado digitalmente. Ivete Malaquias Pessoa Monteiro Presidente. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, João Carlos de Lima Júnior, João Otávio Oppermann Thomé, Silvana Rescigno Guerra Barretto, Leonardo de Andrade Couto, e Manoel Mota Fonseca. Fl. 196DF CARF MF Emitido em 11/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Assinado digitalmente em 08/08/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, 10/08/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 10875.002898/200376 Acórdão n.º 110200.504 S1C1T2 Fl. 195 2 Relatório Tratase de Auto de Infração eletrônico decorrente de auditoria interna da DCTF/1998 e relativo ao IRPJ código de receita 2362 estimativa, lavrado em razão da não localização dos pagamentos/compensação das estimativas relativas aos períodos de apuração maio a julho e setembro a dezembro/98. O contribuinte impugnou a exigência, alegando, em síntese, que estaria havendo cobrança em duplicidade dos mencionados débitos, posto que estes já estavam sendo cobrados nos processos 10.875.003340/200146 e 10.875.000797/200361. Em primeira instância, a 1ª Turma de Julgamento da DRJ em Campinas, por unanimidade de votos, julgou procedente a impugnação, ao entendimento de que, nos termos do art. 44, inciso II, alínea “b”, da Lei 9.430/96 (conforme redação dada pela Lei nº 11.488/07), e do disposto na Normativa SRF nº 93/97, em caso de falta de recolhimento das estimativas constatado após o término do ano calendário, não cabe mais exigilas, mas tão somente a multa de ofício isolada sobre as mesmas. De sua própria decisão que cancelou a autuação, a DRJ recorreu de ofício. Cientificado, o contribuinte não se manifestou. Despacho de fls. 193 encaminhou os autos ao CARF. Por sorteio, os recebo para relato. É o relatório. Voto Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé No auto de infração de fls. 167, verificase que o valor total do crédito tributário lançado, incluídos os juros de mora e a multa de ofício, é de R$ 1.915.623,87. Portanto, comprovado que a decisão recorrida exonerou o sujeito passivo de crédito em valor superior ao limite de alçada, fixado pela Portaria MF nº 03, de 03/01/2008, o recurso de ofício deve ser conhecido. A análise dos autos não conduz à solução diversa daquela que foi dada pela autoridade julgadora de primeira instância. De fato, a exigência fiscal de antecipação do imposto de renda devido sob o rótulo de estimativa só tem pertinência quando efetuada no curso do próprio anocalendário. Uma vez encerrado o anocalendário, revelase impróprio exigir referida antecipação, vez que a Fl. 197DF CARF MF Emitido em 11/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Assinado digitalmente em 08/08/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, 10/08/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 10875.002898/200376 Acórdão n.º 110200.504 S1C1T2 Fl. 196 3 apuração e a quantificação do imposto devido se dá com o resultado apurado em 31 de dezembro, e este, conforme os documentos anexos aos autos, já fora satisfeito. Assim, no caso de falta de recolhimento de estimativas, após o encerramento do anocalendário, devese exigir apenas a multa de ofício isolada, prevista no art. 44, inciso II, alínea “b”, da Lei 9.430/96 (conforme redação dada pela Lei nº 11.488/07). Neste mesmo sentido, aliás, dispõe a Instrução Normativa SRF nº 93, de 24 de dezembro de 1997, também referida pela autoridade julgadora a quo. Além disto, consoante as cópias das peças relativas ao processo nº 10.875.000797/200361, juntadas aos autos pela recorrente, em especial, o Termo de Verificação Fiscal de fls. 55 e 56, verificase que a multa isolada sobre as diferenças de estimativas, decorrentes do recálculo destas feito pela contribuinte, e informado em DIPJ retificadora, foi exigido em procedimento de fiscalização, que se instaurou justamente em decorrência da análise desta retificação no âmbito do PAF nº 10.875.003340/200146. Portanto, revelase de todo indevida a exigência feita no presente processo. Pelo exposto, nego provimento ao recurso. É como voto. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator Fl. 198DF CARF MF Emitido em 11/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Assinado digitalmente em 08/08/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, 10/08/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO
score : 1.0
Numero do processo: 10380.009048/2007-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/03/1997 a 30/11/2005
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional.
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO.
Ocorrendo pagamento antecipado, aplica-se a regra decadencial expressa no § 4º, Art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN).
Numero da decisão: 2301-002.194
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos; a) em
negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/1997 a 30/11/2005 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. Ocorrendo pagamento antecipado, aplica-se a regra decadencial expressa no § 4º, Art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN).
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PREVIDENCIÁRIA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado MUNICÍPIO DE CANTANHEDE PREFEITURA MUNICIPAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/1997 a 30/11/2005 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. Ocorrendo pagamento antecipado, aplicase a regra decadencial expressa no § 4º, Art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos; a) em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do Relator. MARCELO OLIVEIRA Presidente Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva, Adriano González Silvério e Damião Cordeiro de Moraes. Fl. 567DF CARF MF Emitido em 05/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA 2 Relatório Tratase de recurso de ofício apresentado contra Decisão da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRFBJ), Florianópolis / SC, fls. 0581, que julgou procedente em parte o lançamento, oriundo de descumprimento de obrigação tributária legal principal, fl. 001. Segundo a fiscalização, de acordo com o Relatório Fiscal (RF), fls. 0261 em diante, o lançamento referese a contribuições destinadas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração paga a segurados, correspondentes a contribuição dos segurados, da empresa, a contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (SAT). Ainda segundo o RF, os fatos geradores que ensejaram o presente lançamento foram: 1. As remunerações pagas aos servidores contratados, comissionados e servidores considerados estáveis não concursados, constantes em folhas de pagamentos, notas de empenhos e ordens de pagamentos verificados; e 2. As importâncias pagas aos contribuintes individuais, por serviços prestados e fretes pessoa física, cujos valores encontramse no Discriminativo Analítico do Débito (DAD), em anexo. Os motivos que ensejaram o lançamento estão descritos no RF e nos demais anexos que o configuram. Em 15/12/2006 foi dada ciência à recorrente do lançamento, fls. 0583. Contra o lançamento, a recorrente apresentou impugnação, fls. 0283 em diante, acompanhada de anexos, onde alega, em síntese, que: 1. Resta improcedente a cobrança das contribuições sociais incidentes sobre a remuneração dos contribuintes individuais, uma vez que a responsabilidade pelo recolhimento destas é exclusivamente dos referidos contribuintes; 2. Não resta comprovada a existência da relação de emprego entre o município e seus eventuais prestadores de serviços, competência esta reservada a Justiça do Trabalho; 3. As contribuições sociais, a teor da legislação vigente a época dos fatos geradores, devem incidir somente sobre as verbas de natureza salarial; no que se refere aos vereadores há que ser dito que, além de não ser de sua responsabilidade fiscalizar as contas do legislativo, Fl. 568DF CARF MF Emitido em 05/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10380.009048/200794 Acórdão n.º 230102.194 S2C3T1 Fl. 625 3 o STF declarou inconstitucional a cobrança das contribuições previdenciárias sobre a remuneração dos mesmos; 4. Não há incidência das referidas contribuições sobre a aquisição de produtos e bens adquiridos de pessoa física; 5. Vale ressaltar que não houve a efetivação do negócio, para todos os valores autorizados via ordens de pagamento; 6. Tendo em vista a exiguidade de tempo, requer a dilação de prazo para a juntada dos comprovantes de recolhimento; 7. Persistindo a cobrança dos créditos em discussão, argüi que tal ônus deverá recair sobre o município, ente personalizado, e não sobre os ombros do agente polÍtico; e 8. Por fim, diante de todo o exposto, requer que sejam acolhidos todos os argumentos da impugnação e julgado improcedente o lançamento em epígrafe. Diante dos argumentos da defesa, a Delegacia solicitou esclarecimentos à fiscalização, fl. 0552. A fiscalização respondeu aos questionamentos, fl. 0561. A Delegacia – a fim de respeitar os Princípios da Ampla Defesa e do Contraditório encaminhou os pronunciamentos fiscais à recorrente e reabriu seu prazo para defesa, fl. 0565. A recorrente não apresentou novas argumentações. A Delegacia analisou o lançamento e a impugnação, julgando procedente em parte o lançamento, devido, em síntese, a aplicação da regra decadencial expressa no § 4°, Art. 150 do CTN, pela existência de recolhimentos parciais, recorrendo de ofício ao CARF. A recorrente, apesar de intimada, não apresentou recurso voluntário. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 569DF CARF MF Emitido em 05/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA 4 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Sendo tempestivo, CONHEÇO DO RECURSO e passo ao exame de seus argumentos. RECURSO DE OFÍCIO Na análise do recurso de ofício não verificamos motivos para alterar a decisão. o Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991, nestas palavras: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme previsto no art. 103A da Constituição Federal, a Súmula de n º 8 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n º 8.212, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional (CTN). A decadência está arrolada como forma de extinção do crédito tributário no inciso V do art. 156 do CTN e decorre da conjugação de dois fatores essenciais: o decurso de certo lapso de tempo e a inércia do titular de um direito. Esses fatores resultarão, para o sujeito que permaneceu inerte, na extinção de seu direito material. Em Direito Tributário, a decadência está disciplinada no art. 173 e no art. 150, § 4º, do CTN (este último diz respeito ao lançamento por homologação). A decadência, no Direito Tributário, é modalidade de extinção do crédito tributário. No período do lançamento foram considerados, pela decisão recorrida, recolhimentos a homologar. O lançamento por homologação implica pagamento pelo sujeito passivo antes de qualquer atividade ou notificação por parte da fazenda (pagamento antecipado). Feito esse Fl. 570DF CARF MF Emitido em 05/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10380.009048/200794 Acórdão n.º 230102.194 S2C3T1 Fl. 626 5 pagamento, compete à Administração homologálo ou recusar a homologação. No caso de recusa da homologação, o Fisco deverá lançar, de ofício, como no presente processo, a diferença correspondente ao tributo que deixou de ser pago antecipadamente e os juros e penalidades cabíveis. Esse lançamento de ofício está expressamente determinado no Código Tributário Nacional (CTN): CTN: Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I. quando a lei assim o determine; Lei 8.212/1991: Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de benefício reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. Existe a possibilidade da Fazenda não se manifestar prontamente quanto ao pagamento efetuado antecipadamente pelo sujeito passivo. Este, evidentemente, não poderia permanecer indefinidamente à mercê da potencial manifestação do Fisco. Por isso, o CTN estabelece que, salvo prazo diverso previsto em lei, considerase feita a homologação e definitivamente extinto o crédito em cinco anos, contados do fato gerador. Esta extinção do crédito pela inércia da fazenda é denominada homologação tácita e sua principal conseqüência é impossibilitar a fazenda de rever de ofício o pagamento feito pelo sujeito passivo. CTN: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. ... § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Essa definição, sobre a aplicação da regara decadencial acima, possui amparo em decisões do Poder Judiciário. Fl. 571DF CARF MF Emitido em 05/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA 6 “Ementa: .... II. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. ....” (STJ. REsp 395059/RS. Rel.: Min. Eliana Calmon. 2ª Turma. Decisão: 19/09/02. DJ de 21/10/02, p. 347.) ... “Ementa: .... Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, a fixação do termo a quo do prazo decadencial para a constituição do crédito deve considerar, em conjunto, os arts. 150, § 4º, e 173, I, do Código Tributário Nacional. Na hipótese em exame, que cuida de lançamento por homologação (contribuição previdenciária) com pagamento antecipado, o prazo decadencial será de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. .... .... Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. ....” (STJ. EREsp 278727/DF. Rel.: Min. Franciulli Netto. 1ª Seção. Decisão: 27/08/03. DJ de 28/10/03, p. 184.) Vemos, portanto, que, no caso do lançamento por homologação, não ocorre exatamente decadência do direito de realizar essa modalidade de lançamento. O que ocorre é a extinção definitiva do crédito pelo instituto da homologação tácita a qual tem como conseqüência indireta a extinção do direito de rever de ofício o lançamento. Em síntese, a homologação tácita acarreta a decadência do direito da Fazenda realizar o lançamento de ofício relativo à diferença de eventual tributo que tenha deixado de ser pago e aos acréscimos legais a essa diferença. No presente processo, há apuração de contribuições no período a que se refere a decisão de primeira instância. Portanto, a delegacia aplicou corretamente a regra expressa no § 4°, Art. 150 do CTN, pois ocorreram, como já citamos e consta dos autos, recolhimentos parciais. Assim, nego provimento ao recurso de ofício. CONCLUSÃO Em razão do exposto, Voto por negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto. Marcelo Oliveira Fl. 572DF CARF MF Emitido em 05/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10380.009048/200794 Acórdão n.º 230102.194 S2C3T1 Fl. 627 7 Fl. 573DF CARF MF Emitido em 05/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 11050.003098/2004-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Jul 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE — SIMPLES.
Ano-calendário: 2002 em diante.
Ementa: SIMPLES — EXCLUSÃO — ATIVIDADE DE SELEÇÃO E AGENCIAMENTO DE MÃO-DE-OBRA — EXIGÊNCIA DA LEI N° 6.839/1980 QUANTO A. HABILITAÇÃO DA PESSOA JURÍDICA E/OU DOS PROFISSIONAIS — SITUAÇÃO EXCLUDENTE NÃO CONFIGURADA NO ART. 9°, INCISO XIII, DA LEI N° 9.317/1996. A atividade básica desenvolvida pela empresa não depende do seu registro ou anotação dos seus profissionais em conselho ou entidade para fiscalização do respectivo exercício. A atividade de seleção e agenciamento de mão-de-obra correspondente a descrição do CNAE Fiscal 74.50-0, que motivou a exclusão do regime, não se subsume A. situação excludente prevista no inciso XIII, do art. 9°, da Lei n° 9.317, de 1996.
Numero da decisão: 1101-000.511
Decisão: Acordam os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA
SEÇÃO DE JULGAMENTO, Por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões o Presidente Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz e a Conselheira Edeli Pereira Bessa, que anulavam o ato declaratório de exclusão. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: José Sérgio Gomes
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Recorrida DRJ - Porto Alegre/RS ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE — SIMPLES. Ano-calendário: 2002 em diante. Ementa: SIMPLES — EXCLUSÃO — ATIVIDADE DE SELEÇÃO E AGENCIAMENTO DE MÃO-DE-OBRA — EXIGÊNCIA DA LEI N° 6.839/1980 QUANTO A. HABILITAÇÃO DA PESSOA JURÍDICA E/OU DOS PROFISSIONAIS — SITUAÇÃO EXCLUDENTE NÃO CONFIGURADA NO ART. 9°, INCISO XIII, DA LEI N° 9.317/1996. A atividade básica desenvolvida pela empresa não depende do seu registro ou anotação dos seus profissionais em conselho ou entidade para fiscalização do respectivo exercício. A atividade de seleção e agenciamento de mão-de-obra correspondente a descrição do CNAE Fiscal 74.50-0, que motivou a exclusão do regime, não se subsume A. situação excludente prevista no inciso XIII, do art. 9°, da Lei n° 9.317, de 1996. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da la Camara / la Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, Por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões o Presidente Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz e a Conselheira Edeli Pereira Bessa, que anulavam o ato declaratório de exclusão. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro FRANCISC DE SAI e S RIBEIRO DE QUEIROZ - Presidente. s‘ 1 : .•.aumUTArn V - Relator. ...44101111 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Alexandre Andrade da Lima da Fonte Filho (vice-presidente), Ede li Pereira Bessa, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, José Ricardo da Silva (relator), Benedicto Celso Benicio Junior, Nara Cristina Takeda Taga. Relatório LEAL ASSESSORIA TRABALHISTA LTDA.., já qualificada nos presentes autos, interpõe recurso voluntário a este Colegiado (fls. 65/105) contra o Acórdão n° 10- 14.353, de 21/11/2007 (fls. 61/62), proferido pela colenda 4a Turma de Julgamento da DREPOA — RS, que indeferiu a solicitação de reinclusão no SIMPLES, por considerar que a recorrente exerce atividade vedada para opção ao regime de tributação simplificado, de acordo com a Lei n° 9.317, de 1996. Não há crédito tributário em litígio. A exclusão da interessada no regime de tributação no SIMPLES ocorreu, de oficio, nos termos do Ato Declaratório Executivo DRF/RGE n° 548.312, de 02/08/2004 (fls. 55): Art. 1°. Fica o contribuinte, a seguir identificado, excluído do Simples a partir do dia 01/03/2003 pela ocorrência da situação excludente indicada abaixo. Nome: LEAL ASSESSORIA TRABALHISTA LTDA. CNPJ: 00.750.297/0001-02 Data da opção pelo Simples: 01/01/1997 Situação excludente (evento 306): - Descrição: atividade econômica vedada: 7450-0/01 Seleção e agenciamento de mão-de-obra. - Data da ocorrência: 20/02/2003 - Fundamentação Legal: Lei n° 9.317, de 05/12/1996: art. 9°, XIII; art. 12; art. 14, I; art. 15, II Medida Provisória no 2.158- 34, de 27/07/2001; art. 73. Instrução Normativa SRF n° 355, de 29/08/2003: art. 20, XII; art. 21; art. 23, I; art. 24, II, c/c parágrafo único. Art. 2° A exclusão do Simples surtirá os efeitos previstos nos artigos 15 e 16 da Lei ri° 9.317, de 1996, e suas alterações posteriores. (...) Tempestivamente (AR fls. 56), a interessada apresentou Solicitação de Revisão da Exclusão do SIMPLES (fls. 53) e impugnação ao r. ato dedaratório (fls. 01/03), 2 Processo n° 11050.003098/2004-10 SI-C1T1 Acórdão n.° 1101-00.511 Fl. 2 instaurando o contencioso administrativo. Anexou documentos comprobatórias das suas alegações (fls. 04/51). Analisando o pedido de revisão da exclusão, a autoridade administrativa justificou (fls. 53v) que o contribuinte não comprovou de fato a inconsistência do ADE no 548.312. Ademais, foi verificado que ele alterou o CNAE Fiscal no CNPJ para o da atividade que motivou sua exclusão (Seleção e agenciamento de mão-de-obra), em 20/02/2003. No contrato de prestação de serviços celebrado entre o contribuinte e a empresa Indústrias Alimentícias Leal Santos Ltda. consta, dentre outros, a atividade vedada na lei. Na mesma linha de entendimento, a colenda Turma de Julgamento de primeira instância decidiu pelo indeferimento da solicitação de reinclusão no SIMPLES formulado na Impugnação, conforme acórdão recorrido citado, cuja ementa tem a seguinte redação: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS ElVIPRESAS DE PEQUENO PORTE — SIMPLES Ano-calendário: 2002 Ementa: EXCLUSÃO DO SIMPLES - ATIVIDADE VEDADA. Exercendo atividade vedada, não pode a pessoa jurídica ser optante do SIMPLES. Solicitação Indeferida. Ciente da decisão em 18/12/2007 (AR fls. 64) e com ela não se conformando, a contribuinte recorre a este Colegiado por meio do recurso voluntário apresentado em 16/01/2007 (fls. 65/105), alegando, em síntese, o seguinte: a) primeiramente, sublinha a exigüidade das razões de decidir da autoridade julgadora de primeira instância, que em único parágrafo, concluiu pelo indeferimento da solicitação de reinclusão no regime simplificado, por entender que a recorrente desenvolve a atividade de "Serviços Administrativos para terceiros", incluindo a assessoria técnica e consultoria na Area de recursos humanos; b) a d. julgadora não fez o menor esforço para apuração da verdade dos fatos. Na peça impugnat6ria, afirmou que, não obstante tenha feito constar a atividade de "recrutamento e seleção" no Contrato de Prestação de Serviços com a empresa Indústrias Alimentícias Leal Santos Ltda., tais serviços nunca foram executados; c) caso os argumentos apresentados não fossem suficientes para formar a convicção favorável dos julgadores, era de se esperar a determinação para a realização de diligências junto à tomadora dos serviços, já que o referido contrato serviu de supedâneo para a prolação do Voto condutor do acórdão guerreado; d) nesta fase processual, requer seja admitido como elemento probatório a declaração prestada pela empresa contratante dos serviços (fls. 104); e) como bem demonstra o documento 12, datado de 20/02/2003, a recorrente havia requerido junto ao Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica - CNPJ a alteração do código 3 da atividade econômica principal (fls. 98/100). Porém, a alteração não se concretizou por lapso cometido no preenchimento do campo 04 desse formulário, vez que foi informado o código já existente n° 7450-0101 quando pretendia alterar para o de n° 7499-305; f) tal equivoco só foi constatado quando da ciência da exclusão do SIMPLES pelo Ato Declaratório Executivo em discussão, fato que motivou nova inserção ao sistema para retificação do código da atividade econômica principal, em 28/11/2004, conforme documento 13 (fls. 101/103); g) ao final, requereu seja declarada a improcedência do Ato Declaratório Executivo DRF/RGE n° 548.312, com a sua conseqüente manutenção no SIMPLES. o relatório. Voto Conselheiro José Ricardo da Silva 0 recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. A matéria aqui examinada está circunscrita à exclusão da recorrente do SIMPLES, com efeitos a partir do mês subseqüente ao que for incorrida a situação excludente, ou seja, 20/03/2003, como previsto no art. 15, inciso II, da Lei n° 9.317, de 1996, e declarado no Ato Declaratório Executivo DRF/RGE n° 548.312, datado de 02/03/2004. A situação excludente apontada no r. Ato Declaratório é a prevista no inciso XIII, do art. 90, da Lei n° 9.317, de 1996, verbis: Art. 9°. Neu, poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: ) XIII — que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, fisico, químico, economista, cantor, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida; (g. n) Das provas produzidas no processo extraimos as seguintes anotações: 4 Processo no 11050.003098/2004-10 Si-C1T1 Acórdão n. ° 1101-00.511 Fl. 3 a) a empresa foi constituída em 1995, cujo objeto social seria a prestação de serviços de recursos humanos, administração de pessoal e serviços de escritório em geral (fls. 04/07). Em 05/12/2007, promoveu a primeira alteração contratual, passando seu objeto social para preparação de documentos e serviços especializados de apoio administrativo, dentre outras alterações (fls. 72/79); b) em 08/08.1995, prestou declaração de estado funcional como microempresa, para fins de gozo dos beneficios da tributação favorecida prevista na Lei n° 7.256, de 1984 (fls. 08); c) em 06/03/1997, fez adesão ao SIMPLES informando o código 7499-3 "ADMINISTRAÇÃO E PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS" como de sua atividade econômica principal, conforme Termo de Adesão (fls. 10), mantendo-se no regime simplificado até a data de sua exclusão, nos termos do Ato Declaratório em comento; d) segundo consta do Alvará expedido pela Prefeitura Municipal do Rio Grande, datado de 01/12/1995 (fls. 85), a atividade da empresa seria a prestação de serviços de pessoal (Area de recursos humanos) e) de acordo com o Cartão CGC, a empresa foi constituída com atividade econômica principal — CNAE 74.50-0. Posteriormente, para adequar-se as normas supervenientes, apresentou Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica — CNPJ com o mesmo código 74.50- 0, cuja descrição da natureza jurídica é "SELEC / AGENC / LOCAÇ MÃO DE OBRA SERV TEMP" (fls. 11/12); f) em 20/02/2003, a recorrente requereu a alteração do código da atividade econômica principal, consignando no formulário o CNAE Fiscal 74.50-0 "Seleção e agenciamento de mão-de-obra" (fls. 47/49). E em 29/01/2004, apresentou nova alteração do mencionado código, indicando no formulário o CNAE Fiscal 74.99-3/05 "Serviços administrativos para terceiros ..." (fls. 50/52); g) em 06/12/1996, a recorrente firmou contrato de prestação de serviços com as Indústrias Alimentícias Leal Santos Ltda. (fls. 13/16); h) as fls. 104 foi anexa Declaração firmada pelas Indústrias Alimentícias Leal Santos, confirmando a vigência do contrato de prestação de serviços firmado com a recorrente, no período de 02/12/1996 a 30/09/2006, para as atividades descritas na cláusula V do Contrato (transcritas acima), declarando também que em momento algum, foram executados serviços de seleção, agenciamento e/ou locação de mão-de-obra; i) as Notas Fiscais de Prestação de Serviços (fls. 17/35), emitidas pela recorrente, no período de 28/01/1998 a 16/09/2004, contra diversas pessoas jurídicas contratantes, dentre elas as Indústrias Alimentícias Leal Santos Ltda., referem-se 6, prestação de serviços de processamento de folhas de pagamento, serviços gerais e de pessoal, e assessoria trabalhista; i) os demonstrativos, relatórios e cálculos de liquidação (fls. 36/46) comprovam que a recorrente prestou serviços de assessoria trabalhista as pessoas jurídicas neles indicadas; k) a recorrente está com sua situação ativa até a presente data. 5 No exame da regularidade fiscal da opção da recorrente pelo SIMPLES, a fiscalização tomou como prova do descumprimento da legislação de regência o contrato de prestação de serviços firmado com a empresa Indústrias Alimentícias Leal Santos Ltda., que sob sua ótica, a atividade vedada — "seleção e agenciamento de mão-de-obra" - constava do referido contrato e do CNAE Fiscal 74.50-0/01 (fls. 53v). Na cláusula primeira previa o contrato que o objeto era a assessoria técnica e consultoria na Area de recursos humanos. E na cláusula sexta, foram relacionadas as obrigações contratuais de: (i) confecção de folhas de pagamento dos empregados da contratante, de acordo com os critérios e periodicidade estabelecidos; (ii) efetivação dos procedimentos para admissão de pessoal, incluindo recrutamento e seleção; (iii) cumprimento de todas as obrigações legais atinentes a área trabalhista, previdencidria e fiscal; (iv) execução de rescisões de contratos dos empregados da contratante, acompanhando para homologação do documento, quando for o caso; (v) manter atualizados no estabelecimento da contratante, os documentos legais de ordem trabalhista, previdencidria e fiscal; (vi) fornecimento de uniformes, relatórios, estatísticas, lançamentos contábeis, etc., sempre em apoio a administração da contratante; (vii) dar acessória (não jurídica) no caso de reclamatórias trabalhistas. A Administração Tributária considerou que para o desempenho dessas atividades há exigência legal de habilitação profissional, e por esta razão, os serviços prestados pela recorrente acima listados estariam abrangidos pela vedação do inciso Xliii, do art. 9 0, da Lei n°9.317, de 1996. HA que se levar em conta que conceitualmente, cessão de mão-de-obra é a colocação à disposição da empresa contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de trabalhadores que realizem serviços continuos, relacionados ou não com sua atividade-fim, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação, inclusive por meio de trabalho temporário. Na pratica, a atividade de "seleção e agenciamento de mão-de-obra", de que trata o CNAE Fiscal 74.50-0/1, consiste na (i) divulgação das vagas disponíveis, seja pela imprensa ou outros meios quaisquer; (ii) os interessados (candidatos) são identificados, entrevistados e selecionados de acordo com as exigências apresentadas pela empresa contratante; e (iii) finalmente o profissional selecionado é encaminhado a empresa interessada, com a qual será firmado contrato de prestação de serviços. A lei estabeleceu dezenove hipóteses de vedação à opção ao SIMPLES, não permitindo que a pessoa jurídica seja excluída do regime além do numerus clauslis previstos no art. 9° invocado pela fiscalização, sob pena de impor ao dispositivo interpretação extensiva. Com efeito, a situação excludente - "seleção e agenciamento de mão-de-obra" - não se ajusta literalidade das disposições legais contidas no inciso Xliii, desse dispositivo, qual seja, a de "prestar serviços profissionais de qualquer outra profissão cujo exercicio dependa de habilitação profissional legalmente exigida". Neste particular diz a Lei no 6.839, de 1980: Art. I° 0 registro de empresas e a anota cão dos profissionais legalmente habilitados, delas encarregados, serão obrigatórios nas entidades competentes para a fiscalização do exercício das diversas profissões, em razão da atividade básica ou em relação àquela pela qual prestem serviços a terceiros. (g. n) 6 Processo 11050.003098/2004-10 Si-C1T1 Acen-Sio n.° 1101-00.511 Fl. 4 Da leitura do texto legal sobressai que o registro das empresas nos diversos conselhos profissionais está vinculado à atividade básica por elas exercida ou em relação Aquela pela qual prestem serviços a terceiros. No presente caso, a atividade básica da recorrente prescinde de habilitação dos profissionais por ela utilizados, ou de sua autorização para funcionar, vez que não está sujeita â. fiscalização de qualquer conselho ou entidade de profissão regulamentada, a considerar a descrição dos serviços nas Notas Fiscais de Prestação de Serviços e demais documentos acostados ao processo. Como disse, a exclusão da recorrente do SIMPLES não se subssume vedação descrita no inciso XIII do art. 9° da Lei n° 9.317, de 1996. Assim, por se tratar de ato administrativo vinculado, o Ato Declaratório Executivo DRF/RGE n° 548.312, de 02/08/2004, não produz efeitos válidos vez que praticado sem observância estrita da lei. E importante observar que somente com a edição da Lei Complementar n° 123, de 2006, veio a previsão expressa de exclusão da pessoa jurídica do SIMPLES na hipótese de realização de cessão ou locação de mão-de-obra: Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: ) XII — que realize cessão ou locação de melo-de-obra. CONCLUSÃO A vista de toda documentação acostada ao presente processo e pelas razões expostas, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 01 de julho de 2011 7
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