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Numero do processo: 13603.722816/2011-10
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Nov 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-005.858
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 72 28 16 /2 01 1- 10 Fl. 536DF CARF MF Processo nº 13603.722816/201110 Acórdão n.º 9202005.858 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 15979.000274/200701. Tratase de auto de infração, referente às contribuições devidas ao INSS, destinadas à Seguridade Social. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 537DF CARF MF Processo nº 13603.722816/201110 Acórdão n.º 9202005.858 CSRFT2 Fl. 0 3 Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202005.782, de 26/09/2017, proferido no julgamento do processo 15979.000274/200701, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202005.782): Pressupostos De Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Do mérito Aplicação da multa retroatividade benigna Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade Fl. 538DF CARF MF Processo nº 13603.722816/201110 Acórdão n.º 9202005.858 CSRFT2 Fl. 0 4 benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdãonº9202004.262 (Sessão de23dejunhode2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. Fl. 539DF CARF MF Processo nº 13603.722816/201110 Acórdão n.º 9202005.858 CSRFT2 Fl. 0 5 A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º doart. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pelaMP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas noart. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdãonº9202004.499 (Sessão de 29desetembrode2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: Fl. 540DF CARF MF Processo nº 13603.722816/201110 Acórdão n.º 9202005.858 CSRFT2 Fl. 0 6 I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao Fl. 541DF CARF MF Processo nº 13603.722816/201110 Acórdão n.º 9202005.858 CSRFT2 Fl. 0 7 raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na Fl. 542DF CARF MF Processo nº 13603.722816/201110 Acórdão n.º 9202005.858 CSRFT2 Fl. 0 8 NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). Fl. 543DF CARF MF Processo nº 13603.722816/201110 Acórdão n.º 9202005.858 CSRFT2 Fl. 0 9 § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de Fl. 544DF CARF MF Processo nº 13603.722816/201110 Acórdão n.º 9202005.858 CSRFT2 Fl. 0 10 ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Por fim, destacase que, independente do lançamento fiscal analisado referirse a Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) e Acessória (AIOA), este último consubstanciado na omissão de fatos geradores em GFIP, lançados em conjunto, ou seja formalizados em um mesmo processo, ou em processos separados, a aplicação da legislação não sofrerá qualquer alteração, posto que a Portaria PGFN/RFB nº 14/2009 contempla todas as possibilidades, já que a tese ali adotada tem por base a natureza das multas. Conclusão Face o exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL, para, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. É como voto. Face o exposto, voto por conhecer do Recurso Especial e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 545DF CARF MF Processo nº 13603.722816/201110 Acórdão n.º 9202005.858 CSRFT2 Fl. 0 11 Fl. 546DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.001735/2010-19
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007
PIS/PASEP. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS.
O conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, inciso II da Lei 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária", na qual, para definir insumos, busca-se a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte.
Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço.
COOPERATIVA PRODUTORA DE LACTICÍNIOS. MATERIAL DE EMBALAGEM. PALLETS DE MADEIRA. PLÁSTICO DE COBERTO. FILME PLÁSTICO DO TIPO STRETCH. PROCESSO DE "PALLETIZAÇÃO". DIREITO AO CRÉDITO.
Pela peculiaridade da atividade econômica que exerce, fica obrigada a atender rígidas normas de higiene e limpeza, sendo que eventual não atendimento das exigências de condições sanitárias das instalações levaria à impossibilidade da produção ou na perda significativa da qualidade do produto fabricado. Assim, os pallets utilizados para armazenagem e movimentação das matérias-primas e produtos na etapa da industrialização e na sua destinação para venda, devem ser considerados como insumos. Da mesma forma, os materiais de acondicionamento e transporte - plástico de coberto e filme plástico do tipo "stretch" - são insumos pois indispensáveis ao adequado armazenamento e transporte das mercadorias produzidas pela Contribuinte, face ao tamanho reduzido das embalagens.
Numero da decisão: 9303-006.049
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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CRÉDITO. EMBALAGENS DE TRANSPORTE. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado COOPERATIVA SANTA CLARA LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 PIS/PASEP. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. O conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, inciso II da Lei 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária", na qual, para definir insumos, buscase a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte. Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço. COOPERATIVA PRODUTORA DE LACTICÍNIOS. MATERIAL DE EMBALAGEM. “PALLETS” DE MADEIRA. PLÁSTICO DE COBERTO. FILME PLÁSTICO DO TIPO “STRETCH”. PROCESSO DE "PALLETIZAÇÃO". DIREITO AO CRÉDITO. Pela peculiaridade da atividade econômica que exerce, fica obrigada a atender rígidas normas de higiene e limpeza, sendo que eventual não atendimento das exigências de condições sanitárias das instalações levaria à impossibilidade da produção ou na perda significativa da qualidade do produto fabricado. Assim, os “pallets” utilizados para armazenagem e movimentação das matériasprimas e produtos na etapa da industrialização e na sua destinação para venda, devem ser considerados como insumos. Da mesma forma, os materiais de acondicionamento e transporte plástico de coberto e filme plástico do tipo "stretch" são insumos pois indispensáveis ao adequado armazenamento e transporte das mercadorias produzidas pela Contribuinte, face ao tamanho reduzido das embalagens. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 17 35 /2 01 0- 19 Fl. 355DF CARF MF Processo nº 11020.001735/201019 Acórdão n.º 9303006.049 CSRFT3 Fl. 3 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela FAZENDA NACIONAL com fulcro nos artigos 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, buscando a reforma do Acórdão nº 3802001.622, proferido em 28/02/2013, que possui ementa nos seguintes termos: ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 PIS/PASEP. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITO. INSUMO. CONCEITO. CUSTO DE PRODUÇÃO. DESPESAS DE VENDA. EXIGÊNCIAS REGULATÓRIAS INDISPENSÁVEIS AO EXERCÍCIO DA ATIVIDADE ECONÔMICA. O conceito de insumo, ressalvadas as exceções expressamente previstas na Lei nº 10.833/2003, abrange o custo de produção (DecretoLei n. 1.598, de 1977, art. 13, § 1º; Decreto n. 3.000/1999, arts. 290 e 291) e as despesas de venda do produto industrializado, quando incorridas para atender exigências regulatórias indispensáveis ao exercício de determinada atividade econômica ou à comercialização de um produto. LACTICÍNIOS. MATERIAL DE EMBALAGEM. AQUISIÇÃO DE “PALLETS” DE MADEIRA. PLÁSTICO DE COBERTO. FILME PLÁSTICO DO TIPO “STRETCH”. INSUMO. DIREITO AO CRÉDITO RECONHECIDO. Fl. 356DF CARF MF Processo nº 11020.001735/201019 Acórdão n.º 9303006.049 CSRFT3 Fl. 4 3 Não cabe, à luz das disposições da Instruções Normativas n° 247/2002 e n° 404/2004, restringir o direito ao crédito às embalagens incorporadas ao produto no processo de industrialização. No segmento de laticínios, a paletização que envolve o acondicionamento no “pallet”, plástico de coberto e colocação do filme “strecht” não é realizada apenas para fins de transporte, mas para a própria estocagem do produto no estabelecimento industrial. Decorre ainda de normas de controle sanitário na área de alimentos (Portaria SVS/MS nº 326, de 30 de julho de 1997), que exigem o acondicionamento dos produtos acabados em estrados (item 5.3.10), de forma a impedir a contaminação e a ocorrência de alteração ou danos ao recipiente ou embalagem (item 8.8.1). Tratandose, assim, de acondicionamento diretamente relacionado à produção do bem e que decorre de exigências sanitárias, deve ser reconhecido o direito ao crédito. RECEITAS DECORRENTES DA VENDA DE PRODUTOS SUJEITO À ALÍQUOTA ZERO. CRITÉRIO DE RATEIO PROPORCIONAL. O critério de rateio proporcional, nos termos do art. 3º, §§ 7º e 8º, II, da Lei nº 10.883/2003, deve considerar a totalidade da receita bruta auferida no mês, e não apenas as receitas do estabelecimento produtor de bens sujeitos à alíquota zero. Recurso Voluntário Provido em Parte. Direito Creditório Reconhecido em Parte. Em face da referida decisão, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial alegando divergência jurisprudencial quanto ao reconhecimento do direito de crédito das contribuições não cumulativas com relação a materiais de embalagem, acondicionamento e transporte – empregados na “palletização” – concedidos em sede de julgamento de recurso voluntário. Colacionou como paradigmas os acórdãos 3302002.027 e 310100.795. O recurso especial da Fazenda Nacional foi admitido por meio de despacho proferido pelo Presidente da 2ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento em exercício à época. A Cooperativa Santa Clara apresentou contrarrazões postulando a negativa de provimento ao recurso especial. Na mesma oportunidade apresentou recurso especial, que, todavia, teve o seguimento negado, razão pela qual não será objeto de exame por este Colegiado. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.045, de 12/12/2017, proferido no julgamento do processo 11020.001732/201085, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 357DF CARF MF Processo nº 11020.001735/201019 Acórdão n.º 9303006.049 CSRFT3 Fl. 5 4 Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303006.045): "Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional atende aos pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, devendo, portanto, ter prosseguimento. Mérito A discussão principal posta nos autos referese ao conceito de insumos para determinação se pode ser utilizado pela Contribuinte como crédito de PIS/Pasep os gastos incorridos com os materiais utilizados para a “palletização” – material de embalagem, acondicionamento e transporte dos produtos finais para a venda. Cumpre observar ter sido deferido nos presentes autos o direito ao creditamento das aquisições de matérias de embalagem (pallets de madeira), plástico de coberto e filme plástico do tipo “stretch”, com fulcro na atividade econômica desempenhada pela Contribuinte; na essencialidade dos referidos insumos para a produção e, ainda, nas exigências sanitárias correspondentes para o processo produtivo e de transporte, além da própria estocagem no estabelecimento industrial. Para o reconhecimento do direito ao crédito e reforma da decisão proferida pela DRJ, o acórdão recorrido passou ao largo da apresentação de provas pela Contribuinte, razão pela qual esse aspecto encontrase superado na presente demanda. Portanto, a discussão a ser travada no recurso especial referese à possibilidade de deferimento de créditos de PIS/Pasep dos valores relativos à aquisição de “pallets” de madeira, plástico de coberto e colocação do plástico filme “stretch”. Inicialmente, explicitase o conceito de insumos adotado no presente voto, para posteriormente adentrarse à análise dos itens individualmente. A sistemática da nãocumulatividade para as contribuições do PIS e da COFINS foi instituída, respectivamente, pela Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002 (PIS) e pela Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003 (COFINS). Em ambos os diplomas legais, o art. 3º, inciso II, autorizase a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda.1 1 Lei nº 10.637/2002 (PIS). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; [...]. Lei nº 10.8332003 (COFINS). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...]II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; [...] Fl. 358DF CARF MF Processo nº 11020.001735/201019 Acórdão n.º 9303006.049 CSRFT3 Fl. 6 5 O princípio da nãocumulatividade das contribuições sociais foi também estabelecido no §12º, do art. 195 da Constituição Federal, por meio da Emenda Constitucional nº 42/2003, consignandose a definição por lei dos setores de atividade econômica para os quais as contribuições sociais dos incisos I, b; e IV do caput, dentre elas o PIS e a COFINS. 2 A disposição constitucional deixou a cargo do legislador ordinário a regulamentação da sistemática da nãocumulatividade do PIS e da COFINS. Por meio das Instruções Normativas nºs 247/02 (com redação da Instrução Normativa nº 358/2003) (art. 66) e 404/04 (art. 8º), a Secretaria da Receita Federal trouxe a sua interpretação dos insumos passíveis de creditamento pelo PIS e pela COFINS. A definição de insumos adotada pelos mencionados atos normativos é excessivamente restritiva, assemelhandose ao conceito de insumos utilizado para utilização dos créditos do IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados, estabelecido no art. 226 do Decreto nº 7.212/2010 (RIPI). As Instruções Normativas nºs 247/2002 e 404/2004, ao admitirem o creditamento apenas quando o insumo for efetivamente incorporado ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, aproximandose da legislação do IPI que traz critério demasiadamente restritivo, extrapolaram as disposições da legislação hierarquicamente superior no ordenamento jurídico, a saber, as Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, e contrariaram frontalmente a finalidade da sistemática da nãocumulatividade das contribuições do PIS e da COFINS. Patente, portanto, a ilegalidade dos referidos atos normativos. Nessa senda, entendese igualmente impróprio para conceituar insumos adotarse o parâmetro estabelecido na legislação do IRPJ Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, pois demasiadamente amplo. Pelo raciocínio estabelecido a partir da leitura dos artigos 290 e 299 do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99), poderseia enquadrar como insumo todo e qualquer custo da pessoa jurídica com o consumo de bens ou serviços integrantes do processo de fabricação ou da prestação de serviços como um todo. Em Declaração de Voto apresentada nos autos do processo administrativo nº 13053.000211/200672, em sede de julgamento de recurso especial pelo Colegiado da 3ª Turma da CSRF, o ilustre Conselheiro Gileno Gurjão Barreto assim se manifestou: [...] permaneço não compartilhando do entendimento pela possibilidade de utilização isolada da legislação do IR para alcançar a definição de "insumos" pretendida. Reconheço, no entanto, que o raciocínio é auxiliar, é instrumento que pode ser utilizado para dirimir controvérsias mais estritas. Isso porque a utilização da legislação do IRPJ alargaria sobremaneira o conceito de "insumos" ao equiparálo ao conceito contábil de "custos e despesas operacionais" que abarca todos os custos e despesas que contribuem para a atividade de uma empresa (não apenas a sua produção), o que distorceria a interpretação da legislação ao ponto de tornála inócua e de resultar em indesejável esvaziamento da função social dos tributos, passando a desonerar não o produto, mas sim o produtor, subjetivamente. 2 Constituição Federal de 1988. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: [...] b) a receita ou o faturamento; [...] IV do importador de bens ou serviços do exterior, ou de quem a lei a ele equiparar. [...]§ 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. (grifouse) Fl. 359DF CARF MF Processo nº 11020.001735/201019 Acórdão n.º 9303006.049 CSRFT3 Fl. 7 6 As Despesas Operacionais são aquelas necessárias não apenas para produzir os bens, mas também para vender os produtos, administrar a empresa e financiar as operações. Enfim, são todas as despesas que contribuem para a manutenção da atividade operacional da empresa. Não que elas não possam ser passíveis de creditamento, mas tem que atender ao critério da essencialidade. [...] Estabelece o Código Tributário Nacional que a segunda forma de integração da lei prevista no art. 108, II, do CTN são os Princípios Gerais de Direito Tributário. Na exposição de motivos da Medida Provisória n. 66/2002, in verbis, afirmase que “O modelo ora proposto traduz demanda pela modernização do sistema tributário brasileiro sem, entretanto, pôr em risco o equilíbrio das contas públicas, na estrita observância da Lei de Responsabilidade Fiscal. Com efeito, constitui premissa básica do modelo a manutenção da carga tributária correspondente ao que hoje se arrecada em virtude da cobrança do PIS/Pasep.” Assim sendo, o conceito de "insumos", portanto, muito embora não possa ser o mesmo utilizado pela legislação do IPI, pelas razões já exploradas, também não pode atingir o alargamento proposto pela utilização de conceitos diversos contidos na legislação do IR. Ultrapassados os argumentos para a não adoção dos critérios da legislação do IPI nem do IRPJ, necessário estabelecerse o critério a ser utilizado para a conceituação de insumos. Diante do entendimento consolidado deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, inclusive no âmbito desta Câmara Superior de Recursos Fiscais, o conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, inciso II da Lei 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária" construída pelo CARF, na qual, para definir insumos, buscase a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte. Conceito mais elaborado de insumo, construído a partir da jurisprudência do próprio CARF e norteador dos julgamentos dos processo no referido órgão, foi consignado no Acórdão nº 9303003.069, resultante de julgamento da CSRF em 13 de agosto de 2014: [...] Portanto, "insumo" para fins de creditamento do PIS e da COFINS não cumulativos, partindo de uma interpretação histórica, sistemática e teleológica das próprias normas instituidoras de tais tributos (Lei no. 10.637/2002 e 10.833/2003), deve ser entendido como todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo. Nessa linha relacional, para se verificar se determinado bem ou serviço prestado pode ser caracterizado como insumo para fins de creditamento do PIS e da COFINS, impende analisar se há: pertinência ao processo produtivo (aquisição do bem ou serviço especificamente para utilização na prestação do serviço ou na produção, ou, ao menos, para tornálo viável); essencialidade ao processo produtivo (produção ou prestação de serviço depende diretamente daquela aquisição) e possibilidade de emprego indireto no processo de produção (prescindível o consumo do bem ou a prestação de serviço em contato direto com o bem produzido). Portanto, para que determinado bem ou prestação de serviço seja considerado insumo gerador de crédito de PIS e COFINS, imprescindível a sua essencialidade ao Fl. 360DF CARF MF Processo nº 11020.001735/201019 Acórdão n.º 9303006.049 CSRFT3 Fl. 8 7 processo produtivo ou prestação de serviço, direta ou indiretamente, bem como haja a respectiva prova. Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço. O entendimento está refletido no voto do Ministro Relator Mauro Campbell Marques ao julgar o recurso especial nº 1.246.317MG, sintetizado na ementa: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo únic o, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de não cumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam Fl. 361DF CARF MF Processo nº 11020.001735/201019 Acórdão n.º 9303006.049 CSRFT3 Fl. 9 8 sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. (REsp 1246317/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/05/2015, DJe 29/06/2015) (grifouse) Ainda no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, o tema está novamente em julgamento no recurso especial nº 1.221.170 PR, pela sistemática dos recursos repetitivos, contendo votos pelo reconhecimento da ilegalidade das Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004 e aplicação de critério amplo/próprio na conceituação de insumo para os créditos de PIS e COFINS no regime não cumulativo. O julgamento não foi concluído até a presente data. A posição do Superior Tribunal de Justiça, para definição de insumo, mantémse pela adoção de critério próprio/amplo em função da receita, atendendo aos requisitos da pertinência, relevância e essencialidade. Embora existam casos isolados cujas decisões adotaram o critério restritivo (IPI), não há fato novo ou mudança de entendimento do Tribunal da Cidadania suficiente para acarretar mudança de posição da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Do contrário, estarseia adotando premissa de julgamento equivocada e, ainda, violando frontalmente o princípio da segurança jurídica. Portanto, são insumos, para efeitos do art. 3º, II da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003, todos os bens e serviços pertinentes ao processo produtivo e à prestação de serviços, ou ao menos que os viabilizem, podendo ser empregados direta ou indiretamente, e cuja subtração implica a impossibilidade de realização do processo produtivo e da prestação do serviço, objetando ou comprometendo a qualidade da própria atividade da pessoa jurídica. De posse do critério a ser adotado para definição dos insumos aptos a gerar créditos de PIS e COFINS não cumulativos, adentrarseá a análise do caso concreto. A Contribuinte é pessoa jurídica que, nos termos do art. 2º do seu Estatuto Social (fls. 41 a 63), exerce atividade econômica na área de alimentos e tem por objetivos sociais: Art. 2º A Sociedade objetiva, com base na colaboração recíproca a que se obrigam seus associados, promover: I o estímulo, o desenvolvimento e a defesa de suas atividades econômicas de caráter comum; II A importação, a exportação, a industrialização e a comercialização em comum de sua produção agrícola, produção animal em geral, pecuária e de hortifrutigranjeiros, industrializada ou em espécie, tais como carnes, ovos, peixes, frutas, cereais, verduras, legumes, gorduras, condimentos em geral; café e ervas para infusão, laticínios, margarinas e derivados de soja, massas alimentícias, farinhas e fermentos em geral; doces, pós para fabricação de doces, açúcar e adoçantes em geral, bebidas alcoólicas e não alcoólicas, xaropes e sucos em geral; animais vivos e ovos para incubação; alimentos para animais; plantas e flores naturais, etc, nos mercados locais, nacionais ou internacionais; [...] Fl. 362DF CARF MF Processo nº 11020.001735/201019 Acórdão n.º 9303006.049 CSRFT3 Fl. 10 9 Em razão de sua atividade econômica, sujeitase a controles e exigências de diversos órgãos públicos, exemplificativamente: Agência Nacional de Vigilância Sanitária ANVISA, Ministério da Agricultura, Serviço de Inspeção Federal, Ministério da Saúde. Pela peculiaridade da atividade econômica que exerce, fica obrigada a atender rígidas normas de higiene e limpeza, sendo que eventual não atendimento das exigências de condições sanitárias das instalações levaria à impossibilidade da produção ou na perda significativa da qualidade do produto fabricado. No que concerne às embalagens utilizadas para transporte no processo produtivo da Contribuinte, uma vez essenciais, pertinentes e relevantes para obtenção do produto final, há de se considerarem as mesmas como insumos. As embalagens são realmente necessárias à armazenagem/conservação do produto nas diversas fases do processo produtivo. Considerandose a atividade própria da Contribuinte, temse que os “pallets” utilizados para armazenagem e movimentação das matériasprimas e produtos na etapa da industrialização e na sua destinação para venda, também devem ser considerados como insumos. Para atendimento das exigências sanitárias impostas pelos órgãos públicos responsáveis pelo controle e fiscalização, na movimentação e na armazenagem das matériasprimas e dos bens a serem utilizados na fabricação do produto final, e dos produtos finais em si, não pode haver contato com o chão, justamente para se evitar a contaminação por microorganismos, constituindose em mais uma das razões pelas quais é imprescindível a utilização dos “pallets” na cadeia produtiva. Levandose em conta a significativa quantidade de matériasprimas e produtos que serão empregados no processo produtivo e que precisam ser armazenados e transportados no ambiente fabril, é indispensável à Contribuinte utilizarse de mecanismos e ferramentas que, além de garantirem a observância das normas de higiene e limpeza, impostas pela ANVISA, otimizem o seu processo produtivo. Há de ser destacada, nesse aspecto, a desnecessidade do consumo do produto em contato direto com o bem produzido, admitindose o emprego indireto no processo de produção para caracterizarse determinado bem como insumo. Assim, os pallets guardam nítida relação de pertinência, relevância e essencialidade com a atividade produtiva do Sujeito Passivo, constituindose em insumos do processo produtivo e da fase de comercialização passíveis de creditamento de PIS e COFINS não cumulativos. Com relação a esse item, essa 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais proferiu decisão em casos análogos, nos processos administrativos nºs 10925.720046/2012 12 e 10925.720686/201222, na sessão realizada, em que receberam a seguinte ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITO. INDÚSTRIA AVÍCOLA. INDUMENTÁRIA. A indumentária de uso obrigatório na indústria de processamento de carnes é insumo indispensável ao processo produtivo e, como tal, gera direito a crédito DO PIS/COFINS. PIS/COFINS. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITO PRESUMIDO DA ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. ALÍQUOTA. Após a alteração veiculada pela Lei nº 12.865, de 2013, expressamente interpretativa, indiscutivelmente, os insumos da indústria alimentícia que processem produtos de origem animal classificados Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18, adquiridos de não contribuintes farão jus ao crédito Fl. 363DF CARF MF Processo nº 11020.001735/201019 Acórdão n.º 9303006.049 CSRFT3 Fl. 11 10 presumido no percentual no percentual de 60% do que seria apurado em uma operação tributada. PIS/COFINS NÃOCUMULATIVOS. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS As leis instituidoras da sistemática nãocumulativa das contribuições PIS e COFINS, ao exigirem apenas que os insumos sejam utilizados na produção ou fabricação de bens, não condicionam a tomada de créditos ao "consumo" no processo produtivo, entendido este como o desgaste em razão de contato físico com os bens em elaboração. Comprovado que o bem foi empregado no processo produtivo e não se inclui entre os bens do ativo permanente, válido o crédito sobre o valor de sua aquisição. PIS/COFINS NÃOCUMULATIVOS. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. Nos termos do § 4º do art. 3º das Leis 10.637 e 10.833 "o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subsequentes". Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 TAXA SELIC. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. REP Provido em Parte e REC Provido em Parte Acordam os membros do Colegiado, por maioria, em dar provimento parcial aos recursos especiais da Fazenda Nacional e do sujeito passivo, nos seguintes termos: I) recurso especial da Fazenda Nacional: a) limpeza e desinfecção: por maioria, em negar provimento. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Relator) e Carlos Alberto Freitas Barreto; b) embalagens utilizadas para transporte: por maioria em negar provimento. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres e Carlos Alberto Freitas Barreto; c) despesas de períodos anteriores: por maioria, em negar provimento. Vencido o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres; d) serviços de lavagem de uniformes: pelo voto de qualidade, em dar provimento. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Valcir Gassen, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martinez López; e) percentual de crédito presumido: por unanimidade, em negar provimento; f) juros sobre multa de ofício: por maioria, em dar provimento. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martinez López; e II) recurso especial do sujeito passivo: a) indumentária: por maioria, em dar provimento. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Relator), Júlio César Alves Ramos, Rodrigo da Costa Pôssas e Carlos Alberto Freitas Barreto; e b) pallets: por maioria, em dar provimento. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Relator) e Carlos Alberto Freitas Barreto. Designados para redigir os votos vencedores o Conselheiro Júlio César Alves Ramos em relação às letras "a", “b” e “c” do item I e letra “b” do item II; e o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho em relação à letra a do item II. (grifouse) Há, ainda, de se examinar a caracterização dos materiais de acondicionamento e transporte plástico de coberto e filme plástico do tipo “stretch” – como insumos passíveis de gerar crédito de PIS/Pasep. Na linha relacional traçada no presente voto, considerandose que as mercadorias para serem devidamente armazenadas e transportadas após a produção, até chegarem ao consumidor final, exigem a utilização do plástico de coberto e do filme plástico do tipo “stretch”, é nítida a relação de pertinência, relevância e essencialidade com o processo produtivo, sendo imprescindível o seu reconhecimento como insumo. Fl. 364DF CARF MF Processo nº 11020.001735/201019 Acórdão n.º 9303006.049 CSRFT3 Fl. 12 11 Por fim, cumpre consignar que os itens, analisados no presente recurso especial, são empregados na “palletização” dos produtos a serem estocados e transportados pela Contribuinte, procedimento indispensável à correta armazenagem dos produtos face ao tamanho reduzido das embalagens individuais e, mais ainda, ao atendimento de exigências das normas de controle sanitário da área de alimentos, consoante Portaria SVS/MS (Secretaria de Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde) nº 326/1997. Diante do exposto, negase provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, mantendose o reconhecimento ao direito creditório da Contribuinte. " Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial da Fazenda Nacional foi conhecido e, no mérito, o colegiado negoulhe provimento. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 365DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11070.001676/2008-79
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Nov 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2006 a 28/02/2007
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-005.843
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/2006 a 28/02/2007 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1595; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 2 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11070.001676/200879 Recurso nº 1 Especial do Procurador Acórdão nº 9202005.843 – 2ª Turma Sessão de 26 de setembro de 2017 Matéria CSP RETROATIVIDADE BENIGNA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado COOPERATIVA MISTA SAO LUIZ LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2006 a 28/02/2007 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 0. 00 16 76 /2 00 8- 79 Fl. 589DF CARF MF Processo nº 11070.001676/200879 Acórdão n.º 9202005.843 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 15979.000274/200701. Tratase de auto de infração, referente às contribuições devidas ao INSS, destinadas à Seguridade Social. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 590DF CARF MF Processo nº 11070.001676/200879 Acórdão n.º 9202005.843 CSRFT2 Fl. 0 3 Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202005.782, de 26/09/2017, proferido no julgamento do processo 15979.000274/200701, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202005.782): Pressupostos De Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Do mérito Aplicação da multa retroatividade benigna Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade Fl. 591DF CARF MF Processo nº 11070.001676/200879 Acórdão n.º 9202005.843 CSRFT2 Fl. 0 4 benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdãonº9202004.262 (Sessão de23dejunhode2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. Fl. 592DF CARF MF Processo nº 11070.001676/200879 Acórdão n.º 9202005.843 CSRFT2 Fl. 0 5 A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º doart. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pelaMP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas noart. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdãonº9202004.499 (Sessão de 29desetembrode2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: Fl. 593DF CARF MF Processo nº 11070.001676/200879 Acórdão n.º 9202005.843 CSRFT2 Fl. 0 6 I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao Fl. 594DF CARF MF Processo nº 11070.001676/200879 Acórdão n.º 9202005.843 CSRFT2 Fl. 0 7 raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na Fl. 595DF CARF MF Processo nº 11070.001676/200879 Acórdão n.º 9202005.843 CSRFT2 Fl. 0 8 NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). Fl. 596DF CARF MF Processo nº 11070.001676/200879 Acórdão n.º 9202005.843 CSRFT2 Fl. 0 9 § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de Fl. 597DF CARF MF Processo nº 11070.001676/200879 Acórdão n.º 9202005.843 CSRFT2 Fl. 0 10 ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Por fim, destacase que, independente do lançamento fiscal analisado referirse a Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) e Acessória (AIOA), este último consubstanciado na omissão de fatos geradores em GFIP, lançados em conjunto, ou seja formalizados em um mesmo processo, ou em processos separados, a aplicação da legislação não sofrerá qualquer alteração, posto que a Portaria PGFN/RFB nº 14/2009 contempla todas as possibilidades, já que a tese ali adotada tem por base a natureza das multas. Conclusão Face o exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL, para, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. É como voto. Face o exposto, voto por conhecer do Recurso Especial e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 598DF CARF MF Processo nº 11070.001676/200879 Acórdão n.º 9202005.843 CSRFT2 Fl. 0 11 Fl. 599DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10825.904287/2012-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Dec 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 31/07/2008
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
A alegação de preterição do direito de defesa é improcedente quando a descrição dos fatos e a capitulação legal do despacho decisório permitem à contribuinte contestar todas razões de fato e de direito elencadas no despacho decisório.
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA.
Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional.
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA
É incontroversa a matéria não especificamente contestada em manifestação de inconformidade.
Numero da decisão: 1302-002.434
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Carlos César Candal Moreira Filho, Ester Marques Lins de Sousa e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Data do fato gerador: 31/07/2008 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. A alegação de preterição do direito de defesa é improcedente quando a descrição dos fatos e a capitulação legal do despacho decisório permitem à contribuinte contestar todas razões de fato e de direito elencadas no despacho decisório. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA É incontroversa a matéria não especificamente contestada em manifestação de inconformidade.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/07/2008 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. A alegação de preterição do direito de defesa é improcedente quando a descrição dos fatos e a capitulação legal do despacho decisório permitem à contribuinte contestar todas razões de fato e de direito elencadas no despacho decisório. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA É incontroversa a matéria não especificamente contestada em manifestação de inconformidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 90 42 87 /2 01 2- 41 Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10825.904287/201241 Acórdão n.º 1302002.434 S1C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Carlos César Candal Moreira Filho, Ester Marques Lins de Sousa e Gustavo Guimarães da Fonseca. Relatório Cuida o processo de manifestação de inconformidade oposta a despacho decisório que não homologou a compensação pleiteada via PERDCOMP ao fundamento fático "de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados'" (conforme descrito no acórdão ora recorrido). O crédito, cuja compensação se postulou na PERDCOMP de nº 02603.94892.250112.1.3.042207, teria origem em pretenso pagamento indevido de IRPJ (código de arrecadação: 2089) ocorrido em 31/07/2008. O contribuinte alega, genericamente, que o indébito decorreria do "alargamento" indevido da base de cálculo da exação tendo em conta, "exemplificativamente" a decisão do Supremo Tribunal Federal proferida nos autos do RE 585.235 ("alargamento" da base de cálculo do PIS e da COFINS). Ao manejar a sua insurgência contra o despacho decisório, sustentou, resumidamente: a) em preliminares: a.1) a nulidade do despacho ante a inexistência de fundamentação fática e jurídica a sustentar o indeferimento do pedido de compensação, insistindo ser, inclusive, impossível saber o que se poderia entender pela expressão "indisponibilidade do crédito"; a.2) nulidade por cerceamento de defesa, mormente por não lhe ter sido oportunizada a apresentação de provas e documentos que pudessem, antes da prolação do despacho, demonstrar a existência, liquidez e certeza do crédito, invocando, inclusive, os preceitos do art. 65 da IN 900 (então vigente); b) no mérito, deduz genericamente a existência do crédito apontando que o pagamento realizado em valor superior ao efetivamente devido teria, como já dito, decorrido da inclusão de grandezas estranhas, "por exemplo", ao conceito de faturamento (tal qual definido pelo STF). Ao fim, pede a anulação do despacho decisório, determinandose, por conseguinte, o retorno dos autos à unidade de origem a fim de que as provas necessárias à demonstração do seu direito creditório sejam produzidas; sucessivamente, pede a procedência de sua manifestação a fim de que, reconhecido o crédito, seja homologada a compensação realizada. A DRJ de Ribeirão Preto analisou a predita manifestação e, após afastar as preliminares suscitadas, julgoua improcedente. O contribuinte foi cientificado da decisão supra em 13/06/2013 (AR de fls. 67/68), tendo interposto o seu recurso voluntário em 24/06/2013 (doc. de fl. 70). Em suas razões, o contribuinte discorre longamente sobre as premissas constitucionais e legais em que repousam as normas que tratam do direito à restituição do indébito, assentando a inexistência Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10825.904287/201241 Acórdão n.º 1302002.434 S1C3T2 Fl. 4 3 de condição ao exercício deste direito, arguindo, inclusive, ao fim, uma pretensa ilegalidade/inconstitucionalidade da IN 900. Em seguida, abordou, o procedimento de compensação em si para atacar os argumentos deduzidos pela DRJ para afastar a preliminar concernente à falta de motivação do ato. Alegou, especificamente, que o procedimento fixado na IN 900 induz a erro os contribuintes sustentando, neste particular, que o formulário eletrônico em momento algum vincula o surgimento do direito creditório à retificação de sua DCTF. Afirmou, ainda, que esta "condição" seria ilegítima seja porque a retificação imporia ao contribuinte o "risco de ser autuado para exigência da diferença apontada, já que a Fazenda naquela oportunidade não concordava com a tese tributária apontada". Lado outro, e ainda reforçando a tese da inexigência de retificação da DCTF para que se observe a "disponibilidade do crédito", sustentou que semelhante imposição importaria na reabertura do prazo decadencial preconizado pelo art. 150, § 4º, do CTN , por que imporia nova confissão de dívida. Mais abaixo, afirmou inexistir "na IN RFB 900/2008, ou nas INs que regulamentam a DCTF a determinação de que a DCTF deverá ser retificada, quando houver decisões emanadas do Poder Judiciário no sentido de afastar a incidência de uma Lei ou julgar a pretensão de majoração de alíquota ou alteração de base de cálculo". Por fim, invocando novamente os preceitos do art. 65 da IN 900/2008, reforça a alegação de nulidade do despacho por falta de fundamentação e cerceamento de defesa. Os autos, então, foram distribuídos à este Colegiado para análise e julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos pressupostos legais e regimentais, devendo ser conhecido. Nos presentes autos o contribuinte solicita a restituição do pretenso pagamento indevido de IRPJ (código de arrecadação: 2089) ocorrido em 31/07/2008. O julgamento deste recurso seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.401, de 19.10.2017, proferido no julgamento do processo nº 10825.904255/201245, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.401): O recurso voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual, dele conheço. I. Prefacialmente. Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10825.904287/201241 Acórdão n.º 1302002.434 S1C3T2 Fl. 5 4 Apenas para elucidar a estrutura desta decisão, e a divisão de tópicos que faço a seguir, esclareço de antemão que o recorrente não suscitou preliminares de mérito; em verdade, como ele mesmo afirma, o cerne deste apelo é, justamente, as duas preliminares invocadas na manifestação de inconformidade, quais sejam, a ausência de motivação do despacho decisório e o cerceamento de defesa. Vale destacar que o recorrente não discute (e também não discutiu, verdade seja dita, em sua manifestação de inconformidade) a existência do crédito em si; não juntou documentos que pudessem demonstrálo, nem se ocupou de apontar a sua origem... limitouse a alegar, genericamente, que o crédito poderia (?!?) decorrer de teses jurídicas (?!??!) sancionadas pelo Supremo Tribunal Federal, mas não cuidou, nem mesmo, de individualizálas a fim de que se pudesse, ao menos, verificar a observância pela administração pública ao entendimento firmado pela Suprema Corte (em casos em que tal observância fosse mandatória processos com repercussão geral reconhecida ou relativos à controle concentrado de constitucionalidade). Fiandose, sempre, nas preliminares de nulidade, e, principalmente, no seu entendimento de que eventuais provas teriam que ser produzidas antes do despacho decisório, não se preocupou, de fato, em minimamente demonstrar o crédito sobre o que, como bem aventado pela DRJ, operouse a preclusão. A questão em análise, insistase, está limitada à questões meramente formais do ato, nada mais. Assim, entendam, os tópicos que agora passo analisar são, efetivamente, o mérito desta querela. II. Da alegada falta de motivação do despacho decisório. O ato administrativo, como concretização da ação estatal jungida ao princípio da legalidade, pressupõe, por isso mesmo, a declinação exata, precisa e minudente dos motivos que justificam a sua prática, justamente para permitir ao sujeito passivo, e, frisese, à Administração Pública (em exercício do seu poder/dever de revisão de seus próprios atos), verificar a sua legalidade. Em especial, em atos que cominam penalidades ou que imponham obrigações ou, mais, tenham reflexos patrimoniais, a identificação dos motivos que fundamentam a sua concretização, mormente pela tipificação dos motivos de fato nele declinados à norma legal autorizativa, é da essência deste mesmo ato. A mingua da exposição dos motivos de fato e de direito, o sujeito passivo se vê incapacitado de saber, justamente, porque, e em razão de que norma, a imposição, a pena ou o vilipêndio de seu patrimônio, por vontade do Estado, se sucedeu, ato contínuo, em tais casos, vê limitado o seu direito à ampla defesa. A motivação, pois, além de decorrer de determinações constitucionais explicitas (v.g., o art. 37 da CF), é decorrência da garantia da ampla defesa. Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10825.904287/201241 Acórdão n.º 1302002.434 S1C3T2 Fl. 6 5 Notem, todavia, que, declinados os pressupostos fáticos e jurídicos que embasaram o ato, não mais se estará diante de vício por falta de descrição de seus motivos determinantes (salvo se houver, entre eles, manifesta incompatibilidade)... a partir dai, quaisquer questionamos sobre os efeitos deste ato, perpassam pela interpretação do motivo jurídico e a sua adequação ou não fato concreto, deixandose, evidente, nesta hipótese, que ao destinatário do ato foi garantido saber porque, quando e decorrência de qual norma terseia operado a prática de determinado ato; nesta hipótese, não se observa, mais, qualquer mácula à ampla defesa. O contribuinte, no caso em testilha, sustenta que o despacho administrativo, praticado por meio de sistema eletrônico, não fundamenta os motivos que lhe dariam base; afirma não ser possível identificar, ali, as razões pelas quais não se reconheceu o crédito cuja compensação se postulava, sendolhe, inclusive, impossível entender o que seria a dita "disponibilidade do crédito". Vejamos, então, o ato propriamente a fim de decidir se, realmente, lhe falta este elemento essencial. O despacho decisório foi juntado à fls. 7/10. Lá, observase que, do campo 3, "FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL", consta a seguinte descrição: A análise do direito creditório está limitada ao valor do "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, correspondendo a15.200,00 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Não vou me debruçar sobre a descrição acima... não há nada, aí, que impeça, sob qualquer prisma, o conhecimento dos motivos de fato que justificaram a não homologação do pedido de compensação. A DECOMP (fls. 2 a 6), no caso, vinculou o crédito postulado pelo contribuinte a um DARF descrito na página 3 da aludia declaração, recolhido em 26/05/2008, sob o código 2089, no valor de R$ 17.935,09. Este DARF está vinculado ao pagamento de outra obrigação descrita, por certo, em DCTF (que, é verdade, não foi juntada ao feito sobre isso, me reportarei mais adiante)... a recusa externada no despacho é mais que clara: não há saldo, deste recolhimento, passível de compensação (não há "disponibilidade de crédito"). Este é o motivo fático da decisão (até porque, como o contribuinte mesmo confessa, não houve retificação de DCTF de sorte a permitir à administração fazendária sequer identificar o pretenso indébito). Tal qual afirmei anteriormente, a inexistência de motivação fática eiva de nulidade o ato; a discordância quanto as Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10825.904287/201241 Acórdão n.º 1302002.434 S1C3T2 Fl. 7 6 consequências ou, mesmo, quanto a existência do fato invocado para praticálo culmina, quando muito, no seu cancelamento ou reforma (e não anulação). Em resumo, o motivo fático está suficientemente claro e aposto no despacho decisório, sendo desnecessárias (não minha opinião) ilações adicionais Vejamos, agora, o fundamento jurídico: Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Os artigos 165 e 170 do CTN tratam, respectivamente, da restituição do indébito e da compensação, traçando regras gerais sobre os dois institutos... aqui, peço especial atenção aos preceitos do citado art. 170, cujo teor transcrevo a seguir: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Eis aí parte do motivo de direito: somente créditos líquido e certos são passíveis de compensação; ao pleitear a compensação de crédito estampado em DARF que extinguiu outra obrigação tributária do contribuinte, a despeito dos protestos do recorrente, temse a obliteração, justamente, de sua certeza. Já o art. 74 da Lei 9.430, estabelece o regramento específico concernente à compensação no âmbito federal, e, ao que interessa aqui, preestabelece que a DECOMP extingue o crédito tributário sob condição resolutória, prevendo, outrossim, que não homologada a compensação, será franqueado ao contribuinte opor a sua manifestação de inconformidade. Estes preceitos, digase, somados, revelam, sem maiores esforços exegéticos que, constatado que o crédito cuja compensação se postula é ilíquido ou incerto, a compensação não será homologada... Ou seja, aqui estão presentes os motivos fáticos e jurídicos que justificaram a não homologação. Não há qualquer nulidade reconhecível no despacho decisório. III. Cerceamento de defesa. O contribuinte sustenta, e se fia nesta alegação, de que eventuais provas quanto ao liquidez e certeza do crédito teriam que ser produzidas antes do despacho decisório, mediante iniciativa da autoridade administrativa fiscal. Sustenta, outrossim, que seria dever da Administração Federal perquerir a existência de seu crédito e que, ao não fazêlo, violou o seu direito à ampla defesa. Venia concessa mas razão, não lhe assiste. O problema do caso em análise não revolve a dúvida sobre a origem do crédito; não decorre de dúvidas sobre a apuração do Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10825.904287/201241 Acórdão n.º 1302002.434 S1C3T2 Fl. 8 7 crédito a partir da escrita fiscal ou, mesmo, contábil do contribuinte; em verdade, como não houve retificação da DCTF, o crédito nunca chegou a existir... Como já afirmado anteriormente, e confessado pelo contribuinte, o crédito utilizado na compensação foi declarado em DCTF a fim de quitar a obrigação concernente ao IRPJ devido quanto ao terceiro trimestre de 2007 (esta informação consta da DCOMP); o recorrente, não obstante já ter quitado a obrigação informada em DCTF, transmite o pedido de compensação vinculando o respectivo crédito ao DARF já utilizado para quitação da obrigação concernente ao terceiro trimestre de 2007. Porque, perguntase, seria necessário a intimação do contribuinte para esclarecer qualquer fato que seja, quando a comparação entre a DCOMP e a DCTF já dá o lastro fático probatório necessário para indeferir o crédito? Neste ponto, a DRJ chega a discutir sobre ônus de prova em matéria de compensação, discussão, digase, inóqua! O crédito nunca chegou a existir, reprisese. Insistase que a discussão aqui não gira em torno da origem ou liquidez do crédito, razão, pela qual, improcede, também, a invocação do art. 65 da IN 900/08, que, peço, transcrevo abaixo: Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. As medidas descritas acima, digase, seriam necessárias apenas e tão somente se houver dúvidas sobre a liquidez e certeza do crédito; no caso dos autos, esta dúvida nunca existiu porque o contribuinte nunca cuidou de informar ao fisco a existência deste crédito (mediante retificação da sua DCTF). E aqui, cabe um adendo: como disse anteriormente, a DCTF em questão não foi juntada ao processo. Como, todavia, o contribuinte confessa que não a retificou (inclusive suscitando uma discussão despropositada concernente à desnecessidade de retificação da DCTF como pressuposto normativo para legitimar o pedido de compensação) e, mais, não questiona o próprio "mérito", por assim dizer, do despacho decisório, tal fato restou incontroverso. Ainda que fosse prudente a juntada deste documento, entendo que ele não é essencial ao deslinde da contenta. III Conclusão. A luz do, sucintamente, exposto, voto por negar provimento ao recurso. Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10825.904287/201241 Acórdão n.º 1302002.434 S1C3T2 Fl. 9 8 Ante ao exposto e, em face da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, adoto os fundamentos do acórdão paradigma acima transcritos e voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 108DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.906949/2012-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Nov 30 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1401-000.487
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Declarou-se impedido de votar o Conselheiro José Roberto Adelino da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto e Daniel Ribeiro Silva.
Nome do relator: LUIZ RODRIGO DE OLIVEIRA BARBOSA
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Declarouse impedido de votar o Conselheiro José Roberto Adelino da Silva. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto e Daniel Ribeiro Silva. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 82 .9 06 94 9/ 20 12 -7 5 Fl. 58955DF CARF MF Processo nº 16682.906949/201275 Resolução nº 1401000.487 S1C4T1 Fl. 58.956 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 15ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (DRJ/RJ 1), que, por meio do Acórdão 12066.190, de 11 de junho de 2014, julgou parcialmente procedente a manifestação de inconformidade apresentada pela empresa. Por economia, reproduzo o relatório constante no Acórdão da DRJ: (início da transcrição do acórdão da DRJ) O presente processo versa sobre os seguintes PER/Dcomp: · 37117.76052.240708.1.7.024477 · 01392.42882.240708.1.7.028528 · 27960.52280.181108.1.3.027866 · 22477.99164.200810.1.3.023668 · 06679.39750.030512.1.7.023069 · 09021.68130.030512.1.7.020801 · 35172.34088.030512.1.7.028932 · 28922.66818.030512.1.7.020401 Segundo o que consta na Dcomp 37117.76052.240708.1.7.024477, o crédito no valor de R$ 129.683.138,37 (fl. 1066), se refere ao Saldo Negativo de IRPJ do ano calendário de 2007. NO DESPACHO DECISÓRIO (FL. 57), CONSTA O INDEFERIMENTO DOS PER/DCOMP, SOB ALEGAÇÃO DE QUE NÃO HÁ SALDO NEGATIVO DE IRPJ, CONFORME ESPECIFICADO A SEGUIR: · Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 129.683.138,52 · Valor na DIPJ: R$ 129.683.138,37 · Somatório das parcelas de composição do crédito na DIPJ: R$ 516.419.214,41 · IRPJ devido: R$ 386.736.076,04 · Valor do saldo negativo disponível = (Parcelas confirmadas limitado ao somatório das parcelas na DIPJ) (IRPJ devido); limitado ao Fl. 58956DF CARF MF Processo nº 16682.906949/201275 Resolução nº 1401000.487 S1C4T1 Fl. 58.957 3 menor valor entre saldo negativo DIPJ e PER/DCOMP, observado que quando este cálculo resultar negativo, o valor será zero. Valor do saldo negativo disponível: R$ 0,00 · Retenções na Fonte declaradas: R$ 67.317.261,52. · Retenções na Fonte confirmadas: R$ 10.547.568,60. · Pagamentos declarados: R$ 104.825.098,75. · Pagamentos confirmados: R$ 84.914.339,50 · Somatório das parcelas de composição do crédito na DIPJ: R$ 172.142.360,27. · Somatório das parcelas de composição do crédito confirmadas: R$ 95.461.908,10: No documento intitulado “Análise de Crédito” (fl. 58 a 60) constam as parcelas não confirmadas: Pagamentos Fl. 58957DF CARF MF Processo nº 16682.906949/201275 Resolução nº 1401000.487 S1C4T1 Fl. 58.958 4 A interessada se insurgiu, em 19/02/2013, contra o disposto no Despacho Decisório, do qual tomou ciência em 16/01/2013 (fl. 1109), através de manifestação de inconformidade (fl. 9 a 23), apresentando os argumentos que se seguem: · NULIDADE. Deficiência na fundamentação. · Mediante mero cruzamento de dados e sem qualquer informação adicional, o Fisco glosou as estimativas pagas mediante DARF e as parcelas de IRRF. · O Despacho Decisório glosou apenas as seguintes parcelas: (i) IRRF no valor de R$ 56.769.692,92 e (ii) DARF no valor de R$19.910.759,25. O IRPJ devido alcançava R$ 386.736.076,04, e a soma das parcelas utilizadas para a composição do crédito na DIPJ montavam R$ 516.419.214,41. A diferença entre o IRPJ devido e a soma das parcelas utilizadas para a composição do crédito corresponde justamente ao saldo negativo registrado em DIPJ (R$ 386.736.076,04 R$ 516.419.214,41 = R$ 129.683.138,52). · Ocorre que o despacho decisório não analisou a totalidade das parcelas utilizadas para a composição do crédito na DIPJ, mas tão somente o IRRF e parte das estimativas pagas. · Somandose as parcelas glosadas (IRRF e estimativa mensal de setembro/2007) ao saldo negativo registrado na DIPJ, encontrase um saldo negativo disponível, após a análise da DEMAC, no valor de R$ 53.002.686,20. () Somatório das parcelas de composição do crédito na DIPJ: R$ 516.419.214,41 (+) Glosa Estimativa 09/2007 R$ 19.910.759,25 (=) Saldo Negativo Disponível R$ 53.002.686,20 · Percebese, portanto, que há clara deficiência na fundamentação do despacho decisório, pois, apesar de glosar apenas parte dos valores que compõem o saldo negativo, se recusou a reconhecer a parcela de crédito para a qual não apresentou nenhuma objeção. Não há liame lógico entre os fundamentos da decisão e a decisão propriamente dita, denotando a ausência de motivação válida. · O lançamento, bem assim as manifestações fiscais, tais como as decisões em processos de restituição e compensação, são atos administrativos plenamente vinculados (arts. 3º e 142 do CTN), devendo estar revestidos Fl. 58958DF CARF MF Processo nº 16682.906949/201275 Resolução nº 1401000.487 S1C4T1 Fl. 58.959 5 dos seguintes requisitos que o informam: competência, finalidade, forma, motivo e objeto. · Se o ato administrativo encontrase fundamentado em motivos incongruentes, tal como no presente caso, não pode a Administração Pública gozar de seus privilégios e o defeito estrutural do ato estará constituído, levando à sua inevitável nulidade. · De outra feita, o contribuinte terá seu direito de defesa prejudicado, pois não pode impugnar despacho decisório que não traz fundamento para rejeitar seu direito creditório. A conclusão inexorável é pela nulidade do ato. · Da indevida glosa do pagamento da estimativa mensal de setembro/2007 na composição do saldo negativo. Mero erro no preenchimento do PER/DCOMP. · Houve um claro erro no preenchimento do PER/DCOMP, pois o valor total do DARF não era de R$ 4.205.499.321,00. Na DCTF do período, apontou estimativa a pagar no valor de R$ 42.084.993,21, tendo indicado como pagamento DARF (doc. nº 06) no mesmo valor. · Tratase de mero erro material no preenchimento da PER/DCOMP, sendo certo que o referido erro sequer alterou o saldo negativo do período pleiteado pela empresa. O mero erro no preenchimento do PER/DCOMP, devidamente esclarecido, não pode ser considerado óbice ao reconhecimento do direito. · Deve ser cancelada a glosa de R$ 19.910.759,25 que tem como origem o pagamento de estimativa mensal de setembro/2007. · Da comprovação das retenções sofridas em 2007. · A DEMAC deveria ter tomado como parâmetro todas as DIRF que indicam a Requerente (incluindo suas filiais) como beneficiária das retenções, sem limitação aos CNPJ das fontes pagadoras indicadas no PER/DCOMP ou na DIPJ. · A Requerente buscou junto aos sistemas informatizados da Receita Federal as DIRF transmitidas no anocalendário 2007 em que o CNPJ da matriz e filial da empresa constam como beneficiário das retenções (doc. nº 07). · A Requerente colocou em planilha as informações do extrato DIRF e verificou a existência de milhares de lançamentos de retenções conforme tabela anexa (doc. nº 08). · Do IR retido por órgãos públicos (código 6190). Grande parte das retenções glosadas foi realizada por entidades vinculadas ao Poder Público, como o Exército, o Banco do Brasil, o SERPRO, a Petrobrás, o próprio Ministério da Fazenda. · A Requerente tem grandes dificuldades em obter todos os informes de rendimento até a data de entrega da DIPJ ou da transmissão do PER/DCOMP, o que acabou fazendo com que a empresa indicasse o CNPJ equivocado da fonte pagadora no PER/DCOMP. Fl. 58959DF CARF MF Processo nº 16682.906949/201275 Resolução nº 1401000.487 S1C4T1 Fl. 58.960 6 · Apenas para as retenções sofridas por órgãos públicos (código 6190), foi encontrado um IRRF passível de utilização, na composição do saldo negativo, no montante de R$ 28.632.822,79 (doc. nº 08). · Do IR retido por instituições financeiras (códigos 3426 e 6800). Outra parcela expressiva do IRRF glosado da Requerente se refere a retenções realizadas por instituições financeiras no momento da liquidação de aplicações de renda fixa e resgate de fundos de investimento. Ocorre que, não raramente, as instituições financeiras alteram o CNPJ da fonte pagadora do rendimento decorrente da aplicação financeira, o que causa divergências entre o CNPJ declarado na DIPJ ou PER/DCOMP e a DIRF. · Para as retenções sofridas na liquidação de Aplicações Financeiras de Renda Fixa (código 3426), foi encontrado um IRRF passível de utilização na composição do saldo negativo no montante de R$ 19.404.185,28. No resgate de Fundos de Investimento (código 6800), foi encontrado um IRRF passível de utilização na composição do saldo negativo no montante de R$ 11.527.405,65. · Necessidade de reconhecer o IRRF comprovado em DIRF. As retenções nos códigos de receita 6190, 6800 e 3426, comprovadas nas DIRF em anexo, alcançam o montante de R$ 59.564.413,72. Já as DIRF referentes a todos outros códigos somados alcançam R$ 5.170.802,20. · A Requerente comprova, mediante documentos emitidos pela própria Receita Federal, um montante de, ao menos, R$ 64.735.215,92. · Ocorre que o despacho decisório reconheceu retenções de apenas R$ 10.547.568,70. · As DIRF trazidas aos autos são prova da existência das retenções nelas indicadas. · O fato de algumas retenções sofridas terem sido informadas, na DIPJ ou no PER/DCOMP, com o CNPJ errado das fontes pagadoras, ou mesmo com o valor incorreto do IRRF, não impede o direito ao crédito do imposto retido. · Afinal, o que importa é apurar a existência ou não de efetivas retenções contra a Requerente, pois elas, independentemente do correto registro nas declarações fiscais, representam reais antecipações de IRPJ sofridas pela empresa, e por isso devem compor o saldo negativo. · Com efeito, a busca da verdade material impõe a consideração de todas as parcelas que compõem o crédito do contribuinte e possam ser comprovadas, ainda que, por equívoco do contribuinte, tenham sido informadas com o CNPJ incorreto, pois, como já dito, eventual erro no preenchimento de declaração fiscal não pode se sobrepor à realidade dos fatos. Assim, o despacho decisório deve ser reformado também neste ponto para reconhecer o IRRF no montante de R$ 64.735.215,92. Fl. 58960DF CARF MF Processo nº 16682.906949/201275 Resolução nº 1401000.487 S1C4T1 Fl. 58.961 7 · Da Decadência do Direito do Fisco de Revisar a Apuração do Saldo Negativo do Anocalendário de 2007 · Em vista do que consta na documentação fiscal da Recorrente, não poderia o Fisco, em 2013 (data da ciência do despacho decisório), pretender reapurar o saldo negativo do período, questionando a veracidade das retenções informadas. · O Fisco teve o prazo de cinco anos contados do fato gerador para atestar a regularidade dos procedimentos levados a efeito pelo requerente, uma vez que o saldo negativo do anocalendário de 2007 não foi informado por ocasião da transmissão do pedido de restituição. · Tal conduta (a de questionar a validade de fatos já atingidos pelo prazo decadencial) é absolutamente vedada, uma vez que se trata de período já abrangido pela decadência, ou seja, de situação jurídica já consolidada e que não pode mais ser alterada ou desconsiderada. · Os créditos fiscais decorrem de saldo negativo de IRPJ, ano calendário 2007, tributo submetido ao lançamento por homologação, cujo prazo decadencial é previsto no art. 150, § 4o do CTN. Ocorrido o fato gerador do tributo em 31.12.2007, o termo final do prazo decadencial de que dispõe o Fisco para rever a apuração do contribuinte findou em 31.12.2012. A Requerente tomou ciência do despacho decisório apenas em 2013. · Transcorridos mais de cinco anos do fato gerador, sem que a autoridade fiscal tenha contestado, via lançamento de ofício, a apuração do IRPJ de 2007, considerase homologado o lançamento e operase a extinção do crédito tributário. · Da extinção do crédito tributário pela homologação, por sua vez, inferese a certeza e exatidão da apuração feita pelo contribuinte, pois se reconhece, ainda que por ficção, que o todo o tributo devido no período foi pago.Nos termos da legislação, o contribuinte apresenta declarações fiscais, nas quais informa o resultado fiscal do período. Nestas, são demonstradas todas as receitas, exclusões e deduções, que levaram à apuração do imposto devido pela empresa. · Tal declaração é apresentada justamente para permitir que o Fisco conheça resultados da empresa. Caso desconfie que há recolhimento a menor, deverá o Fisco efetuar a fiscalização do contribuinte. · A Fiscalização somente poderá questionar os resultados apresentados nas declarações fiscais do contribuinte dentro do prazo de que dispõe para a constituição do crédito tributário. Afinal, se já não mais é permitido lançar tributo supostamente devido, tampouco poderá ser revista à declaração fiscal do contribuinte. · Tal qual a homologação tácita do pagamento antecipado do crédito tributário os resultados lançados pelo contribuinte em sua declaração também se tornam imutáveis com o decurso do prazo decadencial para lançamento do tributo. F3ara isto, aliás, existe o instituto da decadência. Fl. 58961DF CARF MF Processo nº 16682.906949/201275 Resolução nº 1401000.487 S1C4T1 Fl. 58.962 8 · O Fisco mantevese silente durante o prazo no qual poderia refazer a apuração do saldo negativo em apreço. Logo, não pode agora pretender justificar o indeferimento da compensação com base em supostas divergências entre os valores de retenção declarados pela empresa em suas declarações fiscais e as DIRF das fontes pagadoras, ou glosando as estimativas mensais compensadas. · O crédito da Requerente apurado em sua DIPJ do anocalendário de 2007 representa uma situação jurídica consolidada, impassível de desconstituição pelo Fisco, em razão de preclusão temporal. · Requer a homologação das compensações. (término da transcrição do acórdão da DRJ) A DRJ julgou parcialmente procedente a manifestação de inconformidade deu parcial, reconhecendo, em favor da interessada, um direito creditório no valor de R$ 48.143.850,32, que é resultado da seguinte expressão, conforme consta no acórdão da DRJ: O total das estimativas de IRPJ pagas monta a R$ 424.332.357,76, que somado ao IRRF confirmado de R$ 10.547.568,60, perfaz um montante de R$ 434.879.926,36, sendo este o valor a ser deduzido do IRPJ devido de R$ 386.736.076,04, o que resulta em saldo negativo de IRPJ de R$ 48.143.850,32. Desta forma, restou assim ementada a decisão de piso: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2013 ARGÜIÇÃO DE NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. DEFICIÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Descabe a declaração de nulidade do despacho decisório, por suposta deficiência de fundamentação, quando a descrição dos fatos nele contida e a própria manifestação de inconformidade evidenciam que o contribuinte compreendeu perfeitamente as razões do indeferimento do seu pleito. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2007 VERIFICAÇÃO DE SALDOS CREDORES DE PERÍODOS ATINGIDOS PELA DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE. O prazo decadencial a que se refere o art. 150, § 4º, do CTN, diz respeito à extinção do direito do Fisco de constituir o crédito tributário, não impedindo a autoridade fiscal, todavia, de apurar a veracidade de eventuais saldos credores pleiteados pelo contribuinte relativos a tais períodos. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2007 Fl. 58962DF CARF MF Processo nº 16682.906949/201275 Resolução nº 1401000.487 S1C4T1 Fl. 58.963 9 SALDO NEGATIVO DE IRPJ. RETENÇÕES NA FONTE NÃO COMPROVADAS. Não tendo o contribuinte apresentado comprovantes das retenções informadas, prevalecem os valores informados nas Dirfs das fontes pagadoras SALDO NEGATIVO DE IRPJ. ESTIMATIVAS. Comprovado o recolhimento da estimativa, cumpre afastar a glosa, a fim de computar o montante pago no cálculo do saldo a pagar ou a restituir. Manifestação de inconformidade procedente em parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Cientificada do resultado do julgamento em 1ª instância na data de 30/10/2014 (efl. 1.216), e insatisfeita com a decisão da DRJ, a empresa apresentou recurso voluntário (e fls. 1.220 a 1.240) na data de 01/12/2014 (efl. 6.234), em que repisa os argumentos trazidos na manifestação de inconformidade, basicamente traduzidos conforme abaixo: Com a devida vênia, a Recorrente entende que a decisão acima não trouxe o melhor entendimento da matéria pelos seguintes motivos: 1) Uma vez comprovada por documento emitido pela própria Receita Federal a ocorrência das retenções na fonte, tais valores devem compor o saldo negativo; 2) Nesse sentido, eventuais erros no preenchimento do PER/COMP quanto à indicação da fonte pagadora podem ser sanados pela autoridade julgadora, conforme jurisprudência do CARF; e 3) Por fim, é vedado ao Fisco, em 2013 (ano em que a Requerente tomou ciência do despacho decisório), pretender reapurar o saldo negativo do ano de 2007, em razão do decurso do prazo decadencial (art. 150, § 4º, do CTN). Importante cientificar que a empresa apresentou outros 2 (dois) processos (nº 16682.720017/201407 e nº 16682.720019/201498) que também se referiam a verificação de saldo negativo do IRPJ do ano de 2007. Segundo a empresa, apesar de se tratarem do mesmo período (SN IRPJ 2007), os processos diferem deste processo "principal", pois trazem outros créditos que não foram objeto de pedido neste processo (nº 16682.906949/201275). Os outros 2 (dois) processos foram julgados pela DRJ e tiveram decisão desfavorável à recorrente, uma vez que a DRJ alegou que os supostos créditos que geraram os saldos negativos constantes naquele processo já haviam sido utilizados neste processo de nº 16682.906949/201275. Na sessão de 23/10/2014, a turma da DRJ/RJO 1 juntou a este processo informação (efls. 1.186 e 1.187) de que a empresa não havia sido notificada sobre a decisão dos outros 2 (dois) processos. Assim, a DRJ anexou a este processo informação para que a unidade de origem desse ciência dos referidos processos (citados abaixo) à empresa, vejase: Fl. 58963DF CARF MF Processo nº 16682.906949/201275 Resolução nº 1401000.487 S1C4T1 Fl. 58.964 10 O processo retornou a DRJ sob alegação de que não haviam sido analisados os seguintes PER: 32322.02615.201212.1.2.021302 – processo nº 16682.720017/201407 e 34078.39876.201212.1.2.024206 processo 16682.720019/201498, conforme Despacho de Encaminhamento de fl. 1.185. Os citados processos foram julgados através dos seguintes Acórdãos proferidos pela 5ª Turma da DRJ/RJO, todos negando provimento à manifestação de inconformidade: · PER 32322.02615.201212.1.2.021302 processo nº 16682.720017/201407 Acórdão 12069.536 de 23 de outubro de 2014. · PER 34078.39876.201212.1.2.024206 processo 16682.720019/201498 Acórdão 12069.537 de 23 de outubro de 2014. Face o exposto, o membros da 5ª Turma da DRJ/RJO RESOLVEM encaminhar para a Diort da DEMACRJ o presente processo e apensos, para que seja dada ciência ao contribuinte dos Acórdãos que julgaram os litígios e adote as providências necessárias ao fiel cumprimento do que ficou decidido: Voltando à análise deste processo, em julgamento no CARF, a turma resolveu baixar o processo em diligência, para que a unidade de origem verificasse as informações sobre as retenções e a tributação das receitas que geraram as retenções do imposto de renda na fonte. Tudo isso em razão da anexação ao processo de parecer de auditoria efetuado por empresa de auditoria independente, cujo objeto era de se demonstrar que todas as receitas sujeitas à retenção na fonte, no anocalendário de 2007, foram oferecidas à tributação: Por ser sintético o voto do relator, reproduzoo na íntegra: Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos O recurso atende aos requisitos legais, razão pela qual deve ser conhecido. Inicialmente apresentei meu voto, bastante extenso, negando provimento ao recurso voluntário. No entanto, durante os debates, sensibilizeime com os argumentos apresentados pelos meus pares, particularmente em relação ao laudo pericial realizado pela empresa de consultoria Ernst & Young, com o intuito de comprovar que as receitas que geraram o IRRF glosado e as receitas declaradas são totalmente compatíveis. Assim, proponho a conversão do presente julgamento em diligência, para que a autoridade competente da unidade de origem se manifeste sobre o retrocitado laudo pericial. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de baixar o presente feito em diligência, solicitando que a unidade de origem analise e se pronuncie sobre o laudo pericial realizado pela consultoria Ernst & Young. Após as devidas análises, deve a autoridade diligenciante elaborar um parecer conclusivo, dando ciência à contribuinte para, se desejar, manifestarse no prazo de 10 dias. Fl. 58964DF CARF MF Processo nº 16682.906949/201275 Resolução nº 1401000.487 S1C4T1 Fl. 58.965 11 Insatisfeita com o teor da referida Resolução e temendo uma diligência improfícua em razão do que fora discutido no julgamento e o que foi consignado na Resolução, a recorrente apresentou Embargos sobre a possível contradição e omissão no pedido da diligência. Entretanto, tal pedido não foi analisado pela turma. Eis o pedido da ora recorrente em seus embargos (efls. 57.177 a 57.179): No dia 20.01.2016 o presente processo foi pautado para julgamento, ocasião em que os patronos da Embargante realizaram sustentação oral reiterando os argumentos do recurso voluntário sintetizados acima. Ato contínuo, o Ilmo. Relator Fernando Luiz Gomes de Mattos proferiu voto negando provimento ao recurso voluntário para manter na íntegra a decisão proferida pela DRJ. Entretanto, o Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes abriiu divergência por concordar com os argumentos do contribuinte, e determinar a baixa dos autos em diligência com o seguinte escopo: a) Verificar o oferecimento das receitas de prestação de serviços para órgãos públicos à tributação a partir das premissas adotadas pelo laudo técnico elaborado pela Ernst & Young; e também b) Verificar a comprovação do oferecimento das receitas de aplicação financeira à tributação. A divergência aberta pelo Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes foi seguida pelos demais julgadores, restando vencido o Conselheiro relator. Este foi resultado proclamado em sessão1. Entretanto, no acórdão publicado há notícia de que o relator originário modificou seu voto para concordar com a realização da diligência, cujo escopo restou determinado da seguintes forma: A empresa transcreveu o teor do pedido da diligência, conforme já trazido acima. E continua a ora recorrente em seus embargos: Com a devida vênia, a Embargante entende que há nítida OMISSÃO na Resolução nº 1401000.367, uma vez que, ao contrário do que restou consignado na sessão de julgamento, não foi determinada a análise do oferecimento à tributação das receitas vinculadas ao IRRF de aplicações financeiras. 1 RICARF: "Art. 57. (...) § 3º O conselheiro poderá solicitar ao presidente a alteração de seu voto, desde que o faça antes da proclamação do resultado de julgamento, relativo ao conhecimento, à preliminar ou ao mérito. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) § 4º Os votos proferidos pelos conselheiros, inclusive quanto ao conhecimento e às preliminares, serão consignados na ata da sessão, independentemente de ter sido concluído o julgamento do recurso. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016)" Fl. 58965DF CARF MF Processo nº 16682.906949/201275 Resolução nº 1401000.487 S1C4T1 Fl. 58.966 12 Ademais, o votovencedor determinava expressamente que fosse analisado o oferecimento das receitas de órgãos públicos à tributação de acordo com as premissas adotadas pelo laudo pericial juntado aos autos, e não a mera manifestação da autoridade fiscal sobre o mesmo como consta no acórdão publicado. Tal ponto demonstra CONTRADIÇÃO, pois o escopo da diligência ora definido não será conclusidvo quanto à legitimidade do aproveitamento das retenções em questão. Como dito, os embargos não foram analisados pela turma ordinária e o processo foi baixado em diligência, nos termos requerido pelo relator do processo. Após diligência efetuada, a delegacia de fiscalização emitiu seu parecer sobre o quanto pedido pela turma do CARF. Assim, apresentou suas ponderações e conclusão (efls. 57.823 a 57.825): (...) A parcela não reconhecida do crédito solicitado após o julgamento da DRJRJ1 que permanece em litígio é relativa à IRRF não confirmado, demonstrado como se segue: Valor declarado na DCOMP de IRRF (a) R$ 67.317.261,52 Parcelas confirmadas integralmente pelos sistemas da RFB de IRRF (b) R$ 6.361.724,35 Parcelas confirmadas parcialmente pelos sistemas da RFB de IRRF (c) R$ 4.185.844,25 Valor Glosado de IRRF = a (b+c) R$ 56.769.692,92 (negritei) O contribuinte recorreu à Câmara Administrativa de Recursos Fiscais (CARF), que converteu o julgamento em diligência (Resolução de fls. 6255/6262) para verificar se as receitas que geraram o IRRF glosado e as receitas declaradas são compatíveis. Fundamentação A fim de verificar se há indício de omissão de receita, bem como comprovar o efetivo valor de IRRF, intimamos as 13 (treze) fontes pagadoras cujos valores de IRRF não foram confirmados pelos sistemas da RFB total ou parcialmente, que compõem a linha (c) da tabela acima. Com base nas respostas apresentadas pelas fontes pagadoras (anexadas às fls. 57.240/57.818), e também como os dados extraídos da DIPJ (fl. 57.819) e da DIRF (fls.57.820/57.821), elaboramos as planilhas anexadas aos autos como documento não paginável (fl. 57.822), demonstrando que: A soma da receita apurada em DIRF com as receitas informadas pelas fontes pagadoras em respostas às intimações é bastante inferior ao total de receita declarado na DIPJ, bem como o total de “outras receitas financeiras” declaradas na DIPJ, logo, salvo melhor juízo, não verificamos indício de omissão de receita, sendo os rendimentos relativos às retenções na fonte informadas compatíveis com o total oferecido à tributação. Receita apurada com base na DIRF R$ 772.000.498,78 Receita informada pelas fontes pagadoras R$ 214.418.762,12 Soma R$ 986.416.260,90 Receita com vendas na DIPJ R$ 20.294.641.640,99 Receita Financeira na DIPJ R$ 1.436.068.048,52 Fl. 58966DF CARF MF Processo nº 16682.906949/201275 Resolução nº 1401000.487 S1C4T1 Fl. 58.967 13 Salientamos que o critério acima foi adotado por que os documentos apresentados pelo contribuinte são inconclusivos, pois, nos balancetes não constam as receitas financeiras, e as receitas com vendas não estão individualizadas por cliente. Igualmente são inconclusivas as listagens com a prestação de serviços de telefonia que não especificam o tipo de serviço ou retenção na fonte vinculada. Entretanto, apenas parte das retenções na fonte foram confirmadas pelas fontes pagadoras em resposta às intimações, sendo necessário abater uma parte do valor relativo a fonte pagadora Banco do Brasil S/A que já havia sido confirmado pelos sistemas da RFB (fl. ), de forma que o IRRF confirmado deve ser alterado da seguinte forma: Valor declarado na DCOMP de IRRF (a) R$ 67.317.261,52 Parcelas confirmadas integralmente pelos sistemas da RFB de IRRF (b) R$ 6.361.724,35 Parcelas confirmadas parcialmente pelos sistemas da RFB de IRRF (c) R$ 15.365.557,24 Valor Glosado de IRRF = a (b+c) R$ 45.589.979,93 (negritei) Conclusão Concluímos, salvo melhor juízo da autoridade julgadora, pela compatibilidade das retenções na fonte reconhecidas com a receita total oferecida à tributação, bem como propomos o reconhecimento adicional de R$ 11.179.712,99 (R$ 15.365.557,24 R$ 4.185.844,25) a título de IRRF para compor o saldo do período. (...) Ciente sobre o parecer emitido pela fiscalização, a empresa apresentou manifestação sobre o seu teor, em que repisa pela necessidade de nova diligência, suportada pelo fato de que a diligência anterior não teria sido feita conforme requerido pela turma do CARF. Eis os pedidos efetuados pela recorrente em sua manifestação sobre o resultado da diligência: 1) A empresa pede pela nulidade da diligência em razão da falta de análise dos Embargos propostos por ela, após constatação de que o conteúdo da resolução nº 140100.367, de 20/01/2016, não correspondia ao resultado proclamado no julgamento do processo. 2) Alega que no despacho decisório foi reconhecido apenas o valor de R$ 10.547.568,70 a título de retenção na fonte de imposto de renda. Entretanto, conforme cópia das DIRFs das fontes pagadoras, que têm como beneficiários os CNPJs da recorrente, apresenta o montante de R$ 64.735.215,92 a título de retenção na fonte de imposto de renda. Justifica essa divergência em razão das inúmeras operações que ensejam retenção na fonte, apresentando possíveis erros de transcrição, como informação em CNPJ da matriz, em vez de ser da filial, alteração de CNPJ da fonte pagadora, e outros. Desta forma, justifica que os erros cometidos nas informações prestadas no PER/DCOMP não devem servir como motivação para o indeferimento de seu pedido, pois tenta comprovar que a realidade favorece seu direito creditório. Por fim, alega que não se trata de alterar o valor do crédito, mas sim de alterar informações adicionais prestadas equivocadamente. Fl. 58967DF CARF MF Processo nº 16682.906949/201275 Resolução nº 1401000.487 S1C4T1 Fl. 58.968 14 3) Quanto à necessária análise do laudo técnico preparado pela empresa de auditoria, que tem como objetivo comprovar o oferecimento à tributação das retenções referentes às receitas de órgãos públicos (códigos 6190 e 6147), a empresa apresenta justificativa para a forma de informação dos valores na DIPJ, mas afirma que as receitas advindas de contratos com órgãos públicos foram oferecidas à tributação. Essa situação peculiar levou a empresa, em alguns anoscalendários, como o de 2007, a preencher a ficha da DIPJ, quanto à indicação das fontes pagadoras do setor público, de forma aglutinada. Ou seja, a empresa totalizou, por determinado período de tempo, os valores relativos aos serviços prestados a órgãos públicos federais e as correspondentes retenções. Isso se faz através do chamado "ciclo de faturamento", para os quais seus sistemas contábeis e fiscais estão ajustados. 4) Quanto à comprovação das retenções decorrentes de receitas auferidas com aplicações financeiras, a recorrente alega o seguinte: É que, não raro, as instituições financeiras alteram o CNPJ da fonte pagadora do rendimento decorrente da aplicação financeira (por exemplo, caso de uma empresa financeira que cede seu crédito para uma outro), o que causa divergências entre o CNPJ declarado na DIPJ ou PER/DCOMP e a DIRF. Nesse contexto, temse que, no resgate de Fundos de Investimento (código 6800), considerando apenas a DIRF do CNPJ da matriz, foi encontrado IRRF de R$ 11.527,405,65, referentes a rendimentos no valor de R$ 65.513.042,81 (já reconhecido pela diligência). Já paras as retenções sofridas na liquidação de Aplicações Financeiras de Renda Fixa (código 3426), as maiores fontes pagadoras foram o Banco Itaú BBA (R$ 76.556,80), Tele Norte Leste Participações S/A (R$ 560.963,60), Banco do Brasil (R$ 688.418,68), Banco Safra (R$ 1.748.410,50); CEF (R$ 322.327,21) e Banco do Nordeste (R$ 976.744,25). Apenas o extrato DIRF da matriz comprova a existência de IRRF de R$ 4.515.558,27, referente a rendimentos no valor de R$ 24.245.023,81. Como se vê, os rendimentos de aplicações financeiras (R$ 24.245.023,81) e fundos de renda fixa (R$ 65.513.042,81) que geraram o IRRF glosado, somados, alcançam o montante de R$ 89.758.066,62. Fl. 58968DF CARF MF Processo nº 16682.906949/201275 Resolução nº 1401000.487 S1C4T1 Fl. 58.969 15 Por outro lado, o total de rendimentos declarados na linha 22 da Ficha 06A (outras receitas financeiras), corresponde a R$ 1,4 bilhão, ou seja, valor muito superior aos R$ 90 milhões que geraram o IRRF utilizado na composição do saldo negativo. 17. LUCRO BRUTO 5.397.235.535,02 18. Variações Cambiais Ativas 348.599.885,05 19. Ganhos Aufer. Mercado Renda Variável, exceto DayTrade 6.766.972,41 20. Ganhos em Operações DayTrade 0,00 21. Receitas de Juros sobre o Capital Próprio 0,00 22. Outras Receitas Financeiras 1.436.068.048,52 Logo, as receitas financeiras declaradas na DIPJ são totalmente compatíveis com o IRRF sobre as aplicações financeiras e fundos de renda fixa declarados, de modo que resta claro que as mesmas existem e foram oferecidas à tributação, logo, devem ser consideradas na composição do saldo negativo. 5) E para tratar especificamente do teor do resultado da diligência, a recorrente alega que houve subtração em duplicidade de valores que já haviam sido reconhecido no despacho decisório em relação à fonte pagadora Banco do Brasil, causando um erro na conclusão da diligência. Segundo a recorrente, a fiscalização confirmou retenções de R$ 20.079.154,22, em relação aos CNPJs das fontes pagadoras totalmente glosadas pelo despacho decisório. Desse valor, foi subtraído o valor de R$ 4.713.589,98, que se referia a retenções do Banco do Brasil que já havia sido homologado pelo despacho decisório, apesar de estar vinculado a outro CNPJ, que resultou no montante de crédito adicional de R$ 15.365.557,24. Entretanto, em sua conclusão, a fiscalização extraiu novamente o valor de R$ 4.713.589,98, chegando a um montante de R$ 11.179.712,99 (= R$ 15.365.557,24 R$ 4.713.589,98). E informa o que segue: Assim, mesmo como base no julgamento da DRJ (que reconheceu saldo negativo de R$ 48.143.850,32 fl. 1.154) e na diligência realizada (que reconheceu IRRF adicional de R$ 15.365.557,24) chegase a um saldo negativo apurado de R$ 63.509.407,56, conforme tabelas abaixo: (...) 6) Por fim, a recorrente pede para adicionar ao saldo negativo as estimativas pagas e compensadas que foram ignoradas pelo despacho decisório. De todo modo, a DRJ alegou ter localizado mediante pesquisa no SIEF as estimativas pagas que não foram indicadas pela Recorrente no PER/DCOMP, e incluído as mesmas na composição do saldo negativo (fl. 1.153): "De acordo com as pesquisas no sistema SIEF, verificouse que os valores que constam da tabela não estão incluídos em outros processos de compensação. O total das estimativas de IRPJ pagas monta a R$ 424.332.357,76, que somado ao IRRF confirmado de R$ 10.547.568,60, perfaz um montante de R$ 434.879.926,36, sendo este o valor a ser deduzido do IRPJ devido de R$ 386.736.076,04, o que resulta em saldo negativo de IRPJ de R$ 48.143.850,32. Fl. 58969DF CARF MF Processo nº 16682.906949/201275 Resolução nº 1401000.487 S1C4T1 Fl. 58.970 16 Ocorre que também a DRJ deixou de considerar na composição do saldo negativo todas as estimativas pagas pela Recorrente ao longo do ano de 2007. Com efeito, a DRJ não considerou as compensações de estimativas de fevereiro, junho e julho que perfazem mais de R$ 22 milhões, devidamente declaradas na DCTF (doc. nº 01), e que compõem o total de R$ 516.419.214,41 pleiteado no PER/DCOMP: (...) Além disso, também foram desconsiderados diversos DARFs pagos sob o código 3262 entre janeiro e julho/2007 que alcançam quase R$ 400.000,00 de reais: Assim, ainda que mantida a glosa das retenções (o que se admite apenas por argumentar), devese ao menos adicionar ao saldo negativo reconhecido as estimativas mensais efetivamente pagas por compensação e DARF que foram ignoradas pelo despacho decisório e pela DRJ, chegandose a um crédito de R$ 86.418.349,67. Nessa linha, a recorrente pede o seguinte (efls. 57.862 e 57.863): a) determinada a realização de nova diligência, que fique restrita ao objeto determinado por essa Turma por ocasião da sessão de julgamento do dia 20.01.2016, ou seja, limitandose a aferir, mediante o mesmo método adotado no laudo elaborado pela EY, o efetivo oferecimento à tributação dos rendimentos que geraram as retenções constantes dos relatórios fornecidos pela própria RFB e juntados aos pela empresa, análise essa que deve abranger também as receitas financeiras objeto de retenções listadas no referido documento; b) determinada a inclusão no saldo negativo das estimativas pagas e compensadas que deixaram de ser analisadas pelo despacho decisório, não obstante tenham sido informadas no PER/DCOMP; c) Após a diligência, seja dada vista Recorrente para se manifestar no prazo de 30 dias, na forma do Decreto nº 7.574/2011; e d) Consequentemente, sejam integralmente homologadas as compensações aqui declaradas, extinguindose integralmente o crédito tributário constituído. Retornado o processo ao CARF, e em razão de término do mandato do conselheiro Relator, o processo foi novamente sorteado, cabendo a mim sua relatoria. É o Relatório. Fl. 58970DF CARF MF Processo nº 16682.906949/201275 Resolução nº 1401000.487 S1C4T1 Fl. 58.971 17 Voto Conselheiro Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Relator O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. Inicialmente, mister observar que a proposta da diligência por meio da Resolução nº 140100.367, de 20/01/2016, não teve o condão de vincular este relator ou qualquer outro conselheiro sobre o seu teor. Desta forma, questões apresentadas pela recorrente como "superadas pelo CARF" como a apresentada abaixo não merecem guarida, visto que o julgamento do processo não foi efetuado: Com efeito, caso o entendimento do órgão fosse pela insuperabilidade dos erros no preenchimento do PER/DCOMP, a diligência determinada sequer seria necessária: para quê analisar a comprovação do oferecimento das receitas a tributação se há uma questão prejudicial (erro no preenchimento do PER/DCOMP) resolvida em desfavor do contribuinte? No voto da DRJ, confirmouse o pagamento via DARF de R$ 42.084.993,21, referente à estimativa de 09/2007. A empresa havia informado, no PER/DCOMP, o valor de pagamento de R$ 19.910.759,25, que, por sua vez, não havia sido homologado pela fiscalização no Despacho Decisório. Apesar disso, a DRJ efetuou novo cálculo do saldo negativo de 2007 a partir do recolhimento de todas as estimativas recolhidas pela empresa e de todos os pagamentos já confirmados pelo Despacho Decisório. Assim, em novo cálculo, a DRJ homologou o seguinte crédito adicional (efls. 1.153 e 1.154): PERÍODO PAGAMENTO (R$) 01/2007 51.898.891,77 01/2007 223.962,37 02/2007 36.344.230,29 02/2007 967.288,42 03/2007 40.483.672,75 03/2007 179.338,90 04/2007 34.044.596,97 05/2007 38.778.163,55 06/2007 5.873.198,42 06/2007 20.257.903,77 06/2007 88.487,62 07/2007 27.249.471,09 08/2007 40.973.819,12 09/2007 42.054.993,21 10/2007 50.775.768,37 11/2007 34.138.571,14 12/2007 0,00 TOTAL 424.332.357,76 Planilha de pagamentos via DARF Fl. 58971DF CARF MF Processo nº 16682.906949/201275 Resolução nº 1401000.487 S1C4T1 Fl. 58.972 18 De acordo com as pesquisas no sistema SIEF, verificouse que os valores que constam da tabela não estão incluídos em outros processos de compensação. O total das estimativas de IRPJ pagas monta a R$ 424.332.357,76, que somado ao IRRF confirmado de R$ 10.547.568,60, perfaz um montante de R$ 434.879.926,36, sendo este o valor a ser deduzido do IRPJ devido de R$ 386.736.076,04, o que resulta em saldo negativo de IRPJ de R$ 48.143.850,32. Conclusão Face o exposto, voto por dar provimento parcial à manifestação de inconformidade, para reconhecer o direito creditório de R$ 48.143.850,32 e homologar as compensações até o limite deste crédito. Conforme visto, o valor da estimativa de 09/2007 está contido neste novo cálculo do saldo negativo, proposto pela DRJ. Não obstante a empresa apenas ter informado o total de R$ 19.910.759,25 a título de recolhimento (via DARF) no PER/DCOMP, a DRJ aceitou montante maior. Assim, como a DRJ não recorreu de ofício deste valor permitido como crédito à recorrente, o valor de R$ 42.084.993,21 (09/2007) não faz parte da lide, devendose partir da análise da discussão sobre o montante de R$ 129.683.138,37 48.143.850,32, que foi julgado improcedente pela DRJ. Em seguimento, importa demonstrar que a discussão neste processo resumese em verificar as seguintes questões: i) Cabe aceitar os valores de estimativas que a empresa indica ter a DRJ desconsiderado em sua decisão? ii) Cabe aceitar os valores de retenção na fonte, apresentados pela recorrente a partir dos extratos das DIRFs entregues pelas fontes pagadoras, mesmo que as informações do PER/DCOMP e da DIPJ estejam divergentes em relação às referidas DIRFs? iii) Caso positiva a proposição acima, o laudo apresentado a destempo pela recorrente pode ser aceito por esta turma? iv) Caso positiva a proposição imediatamente acima, há possibilidade desta turma formar uma convicção pelo teor do laudo anexado, do parecer da fiscalização e da manifestação da recorrente sobre o resultado do julgamento? v) Caso positiva a proposição imediatamente acima, o laudo apresentado pela recorrente demonstra, de forma inequívoca, que os rendimentos sujeitos à retenção do imposto de renda na fonte efetivamente foram tributados? vi) A apresentação de valores, de retenção na fonte, que não constam no PER/DCOMP, e que foram apresentados após o Despacho Decisório, equivale a uma retificação do PER/DCOMP após ciência do Despacho Decisório, nos termos do art. 88 da IN RFB nº 1300/2012? É possível aceitálos, em busca da verdade material? Fl. 58972DF CARF MF Processo nº 16682.906949/201275 Resolução nº 1401000.487 S1C4T1 Fl. 58.973 19 vi) Cabe aceitar valores de fonte informados nos processos nº 16682.720017/201407 e nº 16682.720019/201498, mesmo que se refiram ao mesmo período (ac 2007)? vii) Há impedimento legal para apresentar mais de um PER/DCOMP em relação ao saldo negativo de um mesmo tributo e período? Pois bem. Entendo que o processo ainda não está maduro o suficiente para ser julgado. Concordo com a recorrente de que o objeto da diligência distinguiu consideravelmente do que foi acordado pela turma julgadora, na sessão que deliberou sobre a diligência constante na Resolução nº 1401000.367. Outras questões também não foram esclarecidas o suficiente para que forme minha convicção a respeito da decisão a ser prolatada no referido processo, como, por exemplo, verificar se realmente a origem do saldo negativo constante no processo nº 16682.720017/201407 não faz parte deste processo de nº 16682.906949/201275. Desta forma, proponho que este processo seja novamente baixado em diligência, para que a unidade de origem verifique o que segue: 1) Verificar se as receitas decorrentes de contratos com órgãos públicos foram efetivamente tributadas. Sugiro que a fiscalização utilize o método constante no parecer de auditoria acostado ao processo, porém que seja feita nova amostragem, com período distinto do referido parecer. 2) Verificar se as receitas financeiras foram efetivamente tributadas. Sugiro que a fiscalização utilize o método constante no parecer de auditoria acostado ao processo, porém que seja feita nova amostragem, com período distinto do referido parecer. 3) Verificar se as estimativas do período de fevereiro, junho e julho, no montante de 22 milhões, foram efetivamente quitadas por compensação. Peço o favor de juntar a DIPJ completa do exercício 2008, anocalendário 2007. 4) Confirmar se as DIRFs apresentadas pela empresa, referentes às fontes pagadoras que não constam no PER/DCOMP, estão nos sistemas da RFB, mesmo que se refiram a CNPJs das filiais da recorrente. 5) Verificar se houve alteração de CNPJ da fonte pagadora dos rendimentos decorrentes de aplicações financeiras, conforme alegado pela recorrente, para justificar a falta de concordância entre as informações prestadas pela recorrente e as informações prestadas pela fonte pagadora. 6) Verificar se os saldos negativos constantes nos processos nº 16682.720019/201498 e 16682.720017/201407, que também são objeto de diligência, são formados por créditos que não foram utilizados neste processo nº 16682.906949/201275, e viceversa. Fl. 58973DF CARF MF Processo nº 16682.906949/201275 Resolução nº 1401000.487 S1C4T1 Fl. 58.974 20 7) Após isso, favor refazer cálculo sobre os valores que efetivamente foram confirmados na diligência fiscal. 8) Ao final da diligência, favor elaborar parecer conclusivo sobre o teor da diligência, e encaminhálo à recorrente para que se manifeste sobre o seu teor, no prazo de 30 (trinta) dias, conforme estabelecido pela Lei 9.784/1999. 9) Após isso, devolver este processo ao CARF, para prosseguimento de seu julgamento. Observações Observo que a recorrente é quem deve fornecer elementos suficientes para que corroborem suas informações sobre os eventuais erros cometidos na apresentação do PER/DCOMP e da DIPJ, sempre tendo como premissa que os documentos e esclarecimentos devem estar concatenados a tal ponto que se consiga avaliar, nas minúcias que o caso requer, se efetivamente todos os argumentos ofertados pela recorrente são verdadeiros. Além disso, convém mais uma vez repisar que esta diligência não tem o propósito de vincular este conselheiro ou qualquer outro julgador sobre o teor de seu resultado, podendo, inclusive, ser o pedido da recorrente indeferido na integralidade. É como voto! (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Fl. 58974DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10314.729353/2014-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Oct 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010
SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. INDENIZAÇÃO. NÃO INTEGRAÇÃO.
O pagamento de verba de comprovada natureza indenizatória não integra o salário de contribuição, em face da ausência de caráter remuneratório da verba.
PREVIDENCIÁRIO. PRÊMIO APOSENTADORIA. GANHO EVENTUAL. NÃO INCIDÊNCIA
O prêmio concedido a todos os funcionários desligados da empresa em decorrência da política de reestruturação provocada pela própria empresa ou aqueles desligados por aposentadoria compulsória que se aposentem, após cumprir o mínimo de tempo pré-estipulado como funcionário da empresa, amolda-se à característica de ganho eventual de caráter claramente indenizatório, desvinculado do salário, sendo efetuado uma única vez, atraindo o disposto no art. 28, § 9º, e, 7, primeira parte, da Lei 8.212/1991.
BÔNUS DE CONTRATAÇÃO AUSÊNCIA DE CARÁTER REMUNERATÓRIO. NÃO INCIDÊNCIA.
Não integra o salário de contribuição o pagamento único de bônus por força de avença anterior ao contrato de trabalho, que tenha por objetivo que esse venha a ser implementado, nos casos específicos de busca por profissionais singulares. Tais valores não ostentam natureza remuneratória, posto que não decorrem de prestação de serviços de pessoa física e sim de mera obrigação de fazer, promessa de contratar, não relacionada ao fato gerador das contribuições previdenciárias.
BÔNUS DE RETENÇÃO AUSÊNCIA DE CARÁTER REMUNERATÓRIO. NÃO INCIDÊNCIA.
Não integra o salário de contribuição o pagamento único de bônus por força de cláusula acessória ao contrato de trabalho, que tenha por objetivo que esse contrato seja transformado em contrato a prazo mínimo determinado, nos casos específicos de oferta de novo emprego recebida pelo empregado que se pretenda reter. Tais valores não ostentam natureza remuneratória, posto que não decorrem de prestação de serviços de pessoa física e sim de mera obrigação de fazer, manutenção do contrato de trabalho pelo tempo avençado, não relacionada ao fato gerador das contribuições previdenciárias.
AVISO PRÉVIO. INDENIZADO. INEXISTÊNCIA DE CARÁTER REMUNERATÓRIO. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES.
O pagamento do aviso prévio indenizado não tem caráter remuneratório, vez que o empregado, nessa hipótese, é indenizado pela ofensa ao seu direito ao cumprimento do período de pré-aviso de rompimento do contrato de trabalho.
FÉRIAS INDENIZADAS ACRESCIDAS DO TERÇO CONSTITUCIONAL. INEXISTÊNCIA DE CARÁTER REMUNERATÓRIO. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
Os valores pagos a título de férias indenizadas - sejam essas proporcionais, vencidas, ou em dobro - não integram o salário de contribuição, inclusive os valores acrescidos em razão das disposições constantes do inciso XVII do artigo 7º da Carta da República.
RECURSO DESTITUÍDO DE PROVAS.
O recurso deverá ser instruído com os documentos que fundamentem as alegações do interessado. É, portanto, ônus do contribuinte a perfeita instrução probatória.
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. SAT. GRAU DE RISCO DA ATIVIDADE PREPONDERANTE DA EMPRESA CONFORME CNAE.
O enquadramento nos correspondentes graus de risco é de responsabilidade da empresa, devendo ser feito mensalmente, de acordo com a sua atividade econômica preponderante, conforme a Relação de Atividades Preponderantes e Correspondentes Graus de Risco, elaborada com base na CNAE, prevista no Anexo V do RPS, competindo à Secretaria da Receita Federal do Brasil rever, a qualquer tempo, o autoenquadramento realizado pelo contribuinte e, verificado erro em tal tarefa, proceder à notificação dos valores eventualmente devidos.
Numero da decisão: 2201-003.882
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguída. Por maioria de votos, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Redator designado. Vencidos os Conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim (Relator). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente e Redator designado.
(assinado digitalmente)
Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator.
EDITADO EM: 06/10/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Daniel Melo Mendes Bezerra, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. INDENIZAÇÃO. NÃO INTEGRAÇÃO. O pagamento de verba de comprovada natureza indenizatória não integra o salário de contribuição, em face da ausência de caráter remuneratório da verba. PREVIDENCIÁRIO. PRÊMIO APOSENTADORIA. GANHO EVENTUAL. NÃO INCIDÊNCIA O prêmio concedido a todos os funcionários desligados da empresa em decorrência da política de reestruturação provocada pela própria empresa ou aqueles desligados por aposentadoria compulsória que se aposentem, após cumprir o mínimo de tempo pré-estipulado como funcionário da empresa, amolda-se à característica de ganho eventual de caráter claramente indenizatório, desvinculado do salário, sendo efetuado uma única vez, atraindo o disposto no art. 28, § 9º, e, 7, primeira parte, da Lei 8.212/1991. BÔNUS DE CONTRATAÇÃO AUSÊNCIA DE CARÁTER REMUNERATÓRIO. NÃO INCIDÊNCIA. Não integra o salário de contribuição o pagamento único de bônus por força de avença anterior ao contrato de trabalho, que tenha por objetivo que esse venha a ser implementado, nos casos específicos de busca por profissionais singulares. Tais valores não ostentam natureza remuneratória, posto que não decorrem de prestação de serviços de pessoa física e sim de mera obrigação de fazer, promessa de contratar, não relacionada ao fato gerador das contribuições previdenciárias. BÔNUS DE RETENÇÃO AUSÊNCIA DE CARÁTER REMUNERATÓRIO. NÃO INCIDÊNCIA. Não integra o salário de contribuição o pagamento único de bônus por força de cláusula acessória ao contrato de trabalho, que tenha por objetivo que esse contrato seja transformado em contrato a prazo mínimo determinado, nos casos específicos de oferta de novo emprego recebida pelo empregado que se pretenda reter. Tais valores não ostentam natureza remuneratória, posto que não decorrem de prestação de serviços de pessoa física e sim de mera obrigação de fazer, manutenção do contrato de trabalho pelo tempo avençado, não relacionada ao fato gerador das contribuições previdenciárias. AVISO PRÉVIO. INDENIZADO. INEXISTÊNCIA DE CARÁTER REMUNERATÓRIO. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. O pagamento do aviso prévio indenizado não tem caráter remuneratório, vez que o empregado, nessa hipótese, é indenizado pela ofensa ao seu direito ao cumprimento do período de pré-aviso de rompimento do contrato de trabalho. FÉRIAS INDENIZADAS ACRESCIDAS DO TERÇO CONSTITUCIONAL. INEXISTÊNCIA DE CARÁTER REMUNERATÓRIO. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Os valores pagos a título de férias indenizadas - sejam essas proporcionais, vencidas, ou em dobro - não integram o salário de contribuição, inclusive os valores acrescidos em razão das disposições constantes do inciso XVII do artigo 7º da Carta da República. RECURSO DESTITUÍDO DE PROVAS. O recurso deverá ser instruído com os documentos que fundamentem as alegações do interessado. É, portanto, ônus do contribuinte a perfeita instrução probatória. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. SAT. GRAU DE RISCO DA ATIVIDADE PREPONDERANTE DA EMPRESA CONFORME CNAE. O enquadramento nos correspondentes graus de risco é de responsabilidade da empresa, devendo ser feito mensalmente, de acordo com a sua atividade econômica preponderante, conforme a Relação de Atividades Preponderantes e Correspondentes Graus de Risco, elaborada com base na CNAE, prevista no Anexo V do RPS, competindo à Secretaria da Receita Federal do Brasil rever, a qualquer tempo, o autoenquadramento realizado pelo contribuinte e, verificado erro em tal tarefa, proceder à notificação dos valores eventualmente devidos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguída. Por maioria de votos, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Redator designado. Vencidos os Conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim (Relator). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente e Redator designado. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator. EDITADO EM: 06/10/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Daniel Melo Mendes Bezerra, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. INDENIZAÇÃO. NÃO INTEGRAÇÃO. O pagamento de verba de comprovada natureza indenizatória não integra o salário de contribuição, em face da ausência de caráter remuneratório da verba. PREVIDENCIÁRIO. PRÊMIO APOSENTADORIA. GANHO EVENTUAL. NÃO INCIDÊNCIA O prêmio concedido a todos os funcionários desligados da empresa em decorrência da política de reestruturação provocada pela própria empresa ou aqueles desligados por aposentadoria compulsória que se aposentem, após cumprir o mínimo de tempo préestipulado como funcionário da empresa, amoldase à característica de ganho eventual de caráter claramente indenizatório, desvinculado do salário, sendo efetuado uma única vez, atraindo o disposto no art. 28, § 9º, e, 7, primeira parte, da Lei 8.212/1991. BÔNUS DE CONTRATAÇÃO AUSÊNCIA DE CARÁTER REMUNERATÓRIO. NÃO INCIDÊNCIA. Não integra o salário de contribuição o pagamento único de bônus por força de avença anterior ao contrato de trabalho, que tenha por objetivo que esse venha a ser implementado, nos casos específicos de busca por profissionais singulares. Tais valores não ostentam natureza remuneratória, posto que não decorrem de prestação de serviços de pessoa física e sim de mera obrigação de fazer, promessa de contratar, não relacionada ao fato gerador das contribuições previdenciárias. BÔNUS DE RETENÇÃO AUSÊNCIA DE CARÁTER REMUNERATÓRIO. NÃO INCIDÊNCIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 72 93 53 /2 01 4- 19 Fl. 1419DF CARF MF Processo nº 10314.729353/201419 Acórdão n.º 2201003.882 S2C2T1 Fl. 1.416 2 Não integra o salário de contribuição o pagamento único de bônus por força de cláusula acessória ao contrato de trabalho, que tenha por objetivo que esse contrato seja transformado em contrato a prazo mínimo determinado, nos casos específicos de oferta de novo emprego recebida pelo empregado que se pretenda reter. Tais valores não ostentam natureza remuneratória, posto que não decorrem de prestação de serviços de pessoa física e sim de mera obrigação de fazer, manutenção do contrato de trabalho pelo tempo avençado, não relacionada ao fato gerador das contribuições previdenciárias. AVISO PRÉVIO. INDENIZADO. INEXISTÊNCIA DE CARÁTER REMUNERATÓRIO. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. O pagamento do aviso prévio indenizado não tem caráter remuneratório, vez que o empregado, nessa hipótese, é indenizado pela ofensa ao seu direito ao cumprimento do período de préaviso de rompimento do contrato de trabalho. FÉRIAS INDENIZADAS ACRESCIDAS DO TERÇO CONSTITUCIONAL. INEXISTÊNCIA DE CARÁTER REMUNERATÓRIO. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Os valores pagos a título de férias indenizadas sejam essas proporcionais, vencidas, ou em dobro não integram o salário de contribuição, inclusive os valores acrescidos em razão das disposições constantes do inciso XVII do artigo 7º da Carta da República. RECURSO DESTITUÍDO DE PROVAS. O recurso deverá ser instruído com os documentos que fundamentem as alegações do interessado. É, portanto, ônus do contribuinte a perfeita instrução probatória. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. SAT. GRAU DE RISCO DA ATIVIDADE PREPONDERANTE DA EMPRESA CONFORME CNAE. O enquadramento nos correspondentes graus de risco é de responsabilidade da empresa, devendo ser feito mensalmente, de acordo com a sua atividade econômica preponderante, conforme a Relação de Atividades Preponderantes e Correspondentes Graus de Risco, elaborada com base na CNAE, prevista no Anexo V do RPS, competindo à Secretaria da Receita Federal do Brasil rever, a qualquer tempo, o autoenquadramento realizado pelo contribuinte e, verificado erro em tal tarefa, proceder à notificação dos valores eventualmente devidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguída. Por maioria de votos, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Redator designado. Vencidos os Conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim (Relator). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira. Fl. 1420DF CARF MF Processo nº 10314.729353/201419 Acórdão n.º 2201003.882 S2C2T1 Fl. 1.417 3 (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente e Redator designado. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator. EDITADO EM: 06/10/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Daniel Melo Mendes Bezerra, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário de fls. 895/976 (posteriormente apresentado de forma completa às fls. 1.191/1.273, tendo em vista a ausência de sua 2ª página), interposto contra decisão da DRJ em Fortaleza/CE, de fls. 837/870, que julgou procedente o lançamento de contribuição patronal e devidas a título de SAT/RAT (DEBCAD 51.053.7138) e das contribuições devidas a terceiros (DEBCAD 51.053.7146), incidentes sobre diversas rubricas constatadas pela fiscalização em folha de pagamento, mas não consideradas em GFIP, conforme auto de infração de fls. 361/445, lavrado em 29/12/2014, relativo às competências de 01/2010 a 12/2010, com ciência da RECORRENTE em 07/01/2015 (fl. 452). O DEBCAD 51.053.7138 também contempla as contribuições devidas a título de SAT/RAT cujos recolhimentos não foram comprovados integralmente pela RECORRENTE. O crédito tributário objeto do presente processo administrativo foi apurado no valor de R$ 12.441.136,44 (DEBCAD 51.053.7138) e R$ 1.932.850,47 (DEBCAD 51.053.7146), já inclusos juros de mora (até o mês da lavratura) e a correspondente multa de ofício no percentual de 75%. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 330/351, quando da análise da documentação apresentada pela RECORRENTE, a autoridade fiscal constatou que a empresa não apurou as contribuições previdenciárias sobre o total das remunerações de seus empregados. Enquadrou nesses casos os valores pagos a título de: · Remunerações (RE) diversas, incluindo indenizações, prêmios e complementos de remuneração, conforme rubricas abaixo: Fl. 1421DF CARF MF Processo nº 10314.729353/201419 Acórdão n.º 2201003.882 S2C2T1 Fl. 1.418 4 · Bônus (BO), discriminados conforme rubricas abaixo: · Aviso Prévio (AP), discriminados conforme rubricas abaixo: · Férias (FE), discriminados conforme rubricas abaixo: Após intimação para justificar a não inclusão dessas rubricas como base de cálculo da contribuição previdenciária, a RECORRENTE informou, em suma, que tais valores não se caracterizam como remuneração destinada à contra prestar o trabalho do empregado. Fl. 1422DF CARF MF Processo nº 10314.729353/201419 Acórdão n.º 2201003.882 S2C2T1 Fl. 1.419 5 A RECORRENTE argumentou que a alínea a, do inciso I, do art. 195, da CF/88 elege a folha de salários e demais rendimentos do trabalho como competência das contribuições previdenciárias, e tais eventos não são rendimentos do trabalho porque não contra prestam a atividade que impôs ao trabalhador o status de segurado obrigatório do RGPS, além de que os pagamentos foram eventuais, o que implica em não incidência de contribuições conforme art. 28, §8º, alínea “e”, item 7 da Lei nº 8.212/91. Mediante dados provenientes do MANAD (Folha de Pagamento Digital), a fiscalização discriminou no Anexo A do Relatório Fiscal (fls. 353/358) os valores mensais apurados no auto de infração, por rubrica e por estabelecimento. Nas razões do lançamento, a autoridade lançadora afirmou o seguinte em seu Relatório Fiscal: todas as rubricas acima apontadas são rendimentos do trabalho, independentemente de sua titulação, pois pagas “pelo trabalho”, com nítida natureza salarial e decorrentes do vínculo empregatício, devendo compor a base de cálculo previdenciária, sendo pagas por força de lei ou liberalidade da empresa; o disposto no art. 195, I, “a” da CF é abrangente e, portanto, já no seu corpo remete aos termos específicos das normas legais pertinentes à matéria, qual seja, a Lei nº 8.212/91, cujo art. 28, I e III, dispõem que independentemente da forma, a remuneração ou rendimentos pagos destinados a retribuir o trabalho constituise em salário de contribuição, quer pelos serviços efetivamente prestados quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador dos serviços. Isto significa que o salário de contribuição não se limita aos serviços efetivamente prestados, devendo ser entendido de forma mais ampla, no contexto da “disponibilidade” estabelecida entre empregador e empregado; sobre a habitualidade, cita o art. 28, § 9º, “e”, item 7, da Lei nº 8.212/91 c/c art. 214, § 9º, V, “j”, do Decreto nº 3.048/99 e afirma que o fato de um ganho ser eventual, ou não habitual, não o exclui automaticamente do salário de contribuição, eis que somente será excluído se exclusivamente desvinculado do salário por força de lei; passou a analisar o grupo de rubricas já citados e que ensejou a fiscalização; em relação ao grupo de rubricas identificado como "Remunerações", afirma que abriga as seguintes denominações ou subgrupos: Indenizações, Prêmios, Complementos e Remunerações Especiais sobre as indenizações, afirmou que nenhuma das rubricas se enquadra nas exclusões admitidas em lei sob este título, assim como a empresa não apresentou qualquer documento que as enquadrasse nas condições estabelecidas em lei, qual seja, o art. 28, § 9º, “e”, itens 1, 2, 3, 4 e 5, da Lei nº 8.212/91 c/c art. 214, § 9º, V, alíneas “a” a “e” do Decreto nº 3.048/99; alega que houve uma tentativa da empresa enquadrar estas remunerações, pagas por mero ato de liberalidade patronal ou por acordo coletivo, como se fossem concessões estabelecidas por lei, sem que, na verdade, atendessem a todas as condições legais estabelecidas. Salientamos que nenhum dos documentos apresentados pela empresa (acordos coletivos, convenções de trabalho e política de benefícios) se enquadram na categoria de planos de incentivo à demissão. Fl. 1423DF CARF MF Processo nº 10314.729353/201419 Acórdão n.º 2201003.882 S2C2T1 Fl. 1.420 6 acrescenta que mesmo a remuneração paga pela empresa a título de indenização por tempo de serviço não se sustenta como não integrante do salário de contribuição, uma vez que a empresa não apresentou qualquer documento que comprovasse que as importâncias pagas destinaramse a empregados não optantes pelo FGTS, ou seja, inclusos no antigo regime de estabilidade. A relação dos trabalhadores que receberam esta indenização está detalhada no ANEXO B do relatório fiscal (fls. 359/360); Portanto, considerou as rubricas denominadas “indenizações” como base de cálculo da contribuição social; sobre os prêmio e remunerações especiais, afirmou que estes não são pagos como ganhos eventuais, mas como incentivo ao trabalho e pelo trabalho. Reforçou o exposto no art. 28, § 9º, “e”, item 7, da Lei nº 8.212/91 c/c art. 214, § 9º, V, “j” do Decreto nº 3.048/99, no sentido de que apenas não integram o salário de contribuição os ganhos eventuais expressamente desvinculados do salário por força de lei. Assim, prêmios e remunerações especiais não são pagos como ganhos eventuais e sim como incentivo ao trabalho e pelo trabalho. afirma novamente que houve uma tentativa de enquadrar estas remunerações, pagas por mero ato de liberalidade patronal ou por acordo coletivo, como se fossem concessões estabelecidas por lei, sem que, na verdade, atendessem a todas as condições legais estabelecidas. argumenta que a importância é paga contra prestação do serviço, o que contempla o conceito de salário nos termos da Lei nº 8.212/91 e art. 457 da CLT. Segundo a autoridade fiscal, o ajuste capaz de gerar o direito do trabalhador à premiação e a consequente obrigação da empresa em concedêlo, resulta da prática do empregador que, concedendoo estabelece a presunção de que contraiu a obrigação de conferilo, se presentes as condições que costumam subordinar o seu pagamento. Assim, a prática de a empresa empregadora utilizarse desses prêmios para saldar a prestação dos serviços e a expectativa criada aos trabalhadores pela premiação, conferemlhes propriedades retributivas e, consequentemente, constituemse em elementos remuneratórios do trabalho. sobre os complementos de salário (aposentado), a fiscalização entendeu que a empresa considerou os complementos salariais como uma das hipóteses de exclusão usando o princípio da analogia. No entanto, de acordo com art. 28, § 9º, “n”, da Lei nº 8.212/91 c/c art. 214, § 9º, XIII, do Decreto nº 3.048/99, apenas os valores de complementação do auxílio doença não integram o salário de contribuição, o que não permite analogia, por estabelecer exclusividade na não incidência de rubricas para ao salário de contribuição; No que diz respeito ao grupo de rubricas identificado como "Bônus", afirmou novamente o exposto no art. 28, § 9º, “e”, item 7, da Lei nº 8.212/91 c/c art. 214, § 9º, V, “j” do Decreto nº 3.048/99, no sentido de que apenas não integram o salário de contribuição os ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário por força de lei. Assim, entendeu que integram a base de cálculo da contribuição previdenciária os bônus vinculados a fatores como eficiência, assiduidade, tempo de serviço e outros de natureza compensatória, assim como valores pagos a título de bônus de forma espontânea e em caráter transitório. Também não há que se falar em verba indenizatória, haja vista que não tem o objetivo de compensar ou reparar dano, já que pagos “pelo trabalho”; Fl. 1424DF CARF MF Processo nº 10314.729353/201419 Acórdão n.º 2201003.882 S2C2T1 Fl. 1.421 7 sobre o grupo de “aviso prévio”, afirma não haver dúvidas sobre a natureza salaria de tal rubrica, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador, nos termos do art. 28, I, da Lei nº 8.212/91; com a revogação da alínea “f”, do inciso V, § 9º do art. 214 do Decreto nº 3.048/99, o aviso prévio indenizado passou a ser base de cálculo das contribuições previdenciárias; esclarece que a Receita Federal do Brasil somente estará vinculada a decisões judiciais a partir da ciência de Nota Explicativa da PGFN, emitida conforme previsto no § 3º da Portaria Conjunta PGFN/RFB N° 1/2014, a qual delimitará as situações a serem abrangidas por decisões e modulações de efeitos, se houver. sobre o grupo de “Férias”, afirmou que, de acordo com art. 28, § 9º, da Lei nº 8.212/91, não integram o salário de contribuição exclusivamente as importâncias recebidas a título de férias indenizadas e o respectivo adicional constitucional, além do valor correspondente à dobra da remuneração de que trata o art. 137 da CLT; no entanto, apesar de intimada para apresentar documentos que dessem suporte à verificação de que estas rubricas se trataram de férias indenizadas, a empresa tão somente alegou que estes eventos não são rendimentos do trabalho, uma vez que não contra prestam a atividade que impôs ao trabalhador o segurado obrigatório do RGPS e que tais pagamentos foram eventuais, sem acostar quaisquer documentos ou explicações adicionais a respeito das referidas rubricas; DA ALIQUOTA RAT E APLICAÇÃO DO FAP informa a autoridade fiscal que, por meio das GFIP(s) entregues pela empresa, antes do início da ação fiscal, e através da consulta interna ao respectivo cadastro da Receita Federal do Brasil, verificouse que o CNAE FISCAL preponderante da empresa é o 32.50705 Fabricação de materiais para medicina e odontologia. O Decreto 6.957/2009, em seu Anexo V, determina que para o CNAE 32.50705 a alíquota de contribuição para o RAT é 3%. O FAP aplicável à empresa é 1,2429. Entretanto verificouse que a empresa não utilizou uniformemente para todas as GFIP(s) dos estabelecimentos o mesmo CNAE, a mesma alíquota de RAT e o mesmo FAP. Assevera que a empresa confirmou que o CNAE preponderante em 2010 era o "3250705", juntando a consulta do FAP ao site da previdência com o valor de 1,2429 No entanto, não apresentou justificativas quanto à fundamentação para a utilização de índices diferenciados de RAT. Considerandose o RAT de 3% e o FAT de 1,2429 aplicáveis para a empresa fiscalizada, a fiscalização recalculou o "Valor RAT", por período de competência, dos estabelecimentos em que foram informados alíquota RAT e/ou FAP diferentes dos adequados, conforme quadro de fls. 347/348. Assim, elaborou o quadro constante no item 7.10 do relatório (fls. 348/349) para demonstrar a diferença entre o valor RAT calculado pela fiscalização e o valor RAT originalmente informado em GFIP, o que corresponde ao valor que a empresa deixou de recolher. Fl. 1425DF CARF MF Processo nº 10314.729353/201419 Acórdão n.º 2201003.882 S2C2T1 Fl. 1.422 8 Em 05/02/2015, a RECORRENTE apresentou a Impugnação de fls. 457/508, oportunidade em que alegou os seguintes argumentos, assim resumidos no acórdão recorrido: “Preliminarmente: a impugnação é tempestiva; AUSÊNCIA DE DESCRIÇÃO DE FATOS IMPONÍVEIS não houve indicação específica dos fatos que justificaram a autuação, prejudicando o contraditório e ferindo o art. 142, do CTN; o auto carece de fundamentação clara e precisa, sendo genérico, privando o contraditório por desconhecer o que deve ser provado; o relatório não descreveu a motivação, periodicidade, requisitos para pagamentos e demais requisitos ontológicos das indenizações e ganhos eventuais, limitandose a transcrição abstrata da Lei nº 8.212/91 e do Decreto nº 3.048/99; complementa que: A auditoria negligenciou, outrossim, o nome dos empregados e contribuintes individuais que receberam as verbas oneradas pelo lançamento fiscal, deixando de especificar, v.g., i) a natureza do valor; ii) a origem do dever; iii) a periodicidade do pagamento; iv) a expectativa de reiteração, elementos sobremaneira importantes à aferição da imputação e dos deveres instrumentais correlatos. houve nulidade material, porquanto prejuízo substancial ao ato administrativo; subsidiariamente, caso não acatada tese de vício material, que seja de vício formal; MÉRITO NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS SOBRE IMPORTÂNCIAS NÃO DESTINADAS À CONTRAPRESTAÇÃO DO TRABALHO complementa que: O artigo 22 da Lei n. 8.212/91, não obstante os vícios sintáticos, descreve a hipótese de incidência das contribuições lançadas através do ato impugnado. O enunciado, na sua acepção lógica, apresentase por meio de "verbo transitivo" + "predicado". O verbo que integra a hipótese é: pagar, creditar ou dever. O complemento da oração é: "remuneração a segurado obrigatório do RGPS". Portanto, temse como hipótese de incidência da contribuição previdenciária o ato de: "pagar ou creditar remuneração": Fl. 1426DF CARF MF Processo nº 10314.729353/201419 Acórdão n.º 2201003.882 S2C2T1 Fl. 1.423 9 A nãoincidência pode ser observada através de três enfoques: i) ausência da ação (pagar, creditar ou dever) como, v.g., doar; ii) ausência de tipicidade do valor pago ou creditado, como, v.g., valores cedidos ou doados; iii) ausência de situação jurídica dos protagonistas, v.g., empresa X nãosegurado. O enfoque ii) está presente no presente caso. a expressão “remuneração”, contida no art. 22, I, da Lei nº 8.212/91 deve ser apreendida em seu sentido técnico, ou seja, aquele contido pela CLT, em seus artigos 457 e 458; os eventos combatidos não integram a remuneração nem retribuem o trabalho prestado; ISENÇÃO DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE GANHOS EVENTUAIS E ABONOS DESVINCULADOS DO SALÁRIO A maioria das hipóteses enunciadas pelo § 9° do artigo 28 da Lei n. 8.212/91 não servem, no entanto, às contribuições previdenciárias das empresas, porque descrevem situações adequadas a nãoincidência. São redundâncias legais, que descrevem situações jurídicas que não integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias das empresas, porque não se classificam como remunerações do trabalho prestado. o artigo 28, § 9º, “e)”, item 7, da Lei nº 8.212/91 prescreve desoneração para ganhos eventuais e abonos expressamente desvinculados do salário; complementa: O item 07 não especifica o ganho, tratandoo na sua generalidade. A interpretação dessa norma, contudo, conduz à redução do signo "ganho" à remuneração. Essa tese se justifica na teoria da isenção. Como a isenção pressupõe a incidência, e esta decorre do ato de pagar ou creditar remuneração, não há alternativa senão caracterizar o signo "ganho" como remuneração. Compreender de forma diversa é o mesmo que equiparar os institutos da isenção e da nãoincidência; algo inadmissível dentro da ciência do direito. Logo, a eventualidade no deferimento de remuneração, por si, exclui pragmaticamente o valor eventualmente pago da base de cálculo do tributo, sem embargo desse valor se caracterizar juridicamente como remuneração. a habitualidade pode ser caracterizada com a expectativa de acontecimento; para além disso, há de existir a periodicidade, reiteração cíclica do acontecimento; abonos desvinculados do salário seriam meras antecipações de dinheiro sem viés remuneratório; Fl. 1427DF CARF MF Processo nº 10314.729353/201419 Acórdão n.º 2201003.882 S2C2T1 Fl. 1.424 10 DOS VALORES PAGOS A TÍTULO DE AVISO PRÉVIO INDENIZADO E AVISO PRÉVIO ADICIONAL PREVISTO EM CONVENÇÃO COLETIVA Conforme se infere da leitura do Relatório Fiscal, entendeu o Auditor Fiscal serem devidas contribuições previdenciárias sobre os valores pagos, devidos ou creditados pela Impugnante a título do acréscimo ao aviso prévio indenizado, por força dos enunciados nas cláusulas 273, item "D", e 56, item "D", da Convenção Coletiva de Trabalho ("CCT")2010/2012 do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Química Farmacêutica de São José dos Campos e Região (doc. 04), que dispõem: Cláusula 26 D) Na rescisão do contrato de trabalho por iniciativa do empregador, sem justa causa, e nos casos de aposentadoria quando não contemplados pela cláusula denominada Empregados em Vias de Aposentadoria, letra "c" desta Convenção, de empregados a partir de 40 (quarenta) anos de idade e, concomitantemente, no mínimo 5 (cinco) anos de trabalho na mesma empresa, será paga por esta, a tais empregados, indenização especial de valor correspondente a 30 (trinta) dias de salário nominal do empregado, vigente à época da rescisão, preservandose o aviso prévio legal, ressalvadas as condições mais favoráveis eventualmente existentes. (Grifouse). Cláusula 56 D) O empregado que retornar do período de férias e for dispensado sem justa causa, antes de decorridos 15 dias, fará jus a uma indenização especial no valor equivalente a 01 (um) salário nominal. (Grifouse). 59.No mesmo sentido, a Cláusula 23 da CCT 2010/2011 do Sindicato do Comércio Atacadista de Drogas, Medicamentos, Correlatos, Perfumarias, Cosméticos e Artigos de Toucador no Estado de São Paulo (doc. 05), também aplicável à Impugnante, prevê o pagamento de indenização, que poderá ocorrer uma única vez, ao empregado demitido em vias de se aposentar: 23. GARANTIA DE EMPREGO DO FUTURO APOSENTADO: Fica assegurado aos empregados em geral, sejam homens ou mulheres, em vias de aposentadoria, nos prazos mínimos legais, de conformidade com o previsto nos termos do artigo 188 do Decreto n. 3.048/99, garantia de emprego, como segue: Parágrafo 2º A concessão prevista nesta cláusula ocorrerá uma única vez, podendo a obrigação ser substituída por uma indenização correspondente aos salários do período não cumprido ou não implementado da garantia, não se aplicando nas hipóteses de encerramento das atividades da empresa e dispensa por justa causa ou pedido de demissão. (Grifouse). Fl. 1428DF CARF MF Processo nº 10314.729353/201419 Acórdão n.º 2201003.882 S2C2T1 Fl. 1.425 11 O pagamento adicional do aviso prévio indenizado, conforme previsto em Convenção Coletiva, não descaracteriza, em absoluto, a natureza indenizatória e eventual do pagamento, realizado em razão da dispensa imotivada e necessariamente apenas uma única vez no curso do contrato de trabalho. aviso prévio é, reconhecidamente, indenizatório pela doutrina e não pode sem entendida como remuneração; o assunto foi debatido nos tribunais, até que o STJ enfrentou o Resp nº 1.230.957/RS, na forma de recurso repetitivo, entendendo pela não incidência de contribuição previdenciária sobre aviso prévio indenizado; O CARF, por meio do artigo 62A de seu Regimento Interno, entende que as decisões definitivas de mérito, do STF ou do STJ, nas sistemáticas de repercussão geral ou recurso repetitivo devem ser por observadas por seus conselheiros; DA COMPLEMENTAÇÃO AO AUXÍLIODOENÇA EXTENSÍVEL A TODOS OS EMPREGADOS a complementação do auxíliodoença é extensível a todos os empregados, conforme cláusula 17ª da CCT, o que faz com que não integre o salário de contribuição por força do art. 214, § 9º, XIII do Decreto nº 3.048/99; DO BÔNUS DE INCENTIVO bônus de retenção aos empregados e bônus de contratação aos candidatos a empregados são deferidos em circunstâncias excepcionais, conforme política interna global da empresa, doc. 06; conforme tal documento: Bônus de retenção Os bônus de retenção de empregados em operações descontinuadas são suplementares aos valores do plano de desligamento e reservados apenas para conservar o pessoal essencial durante o período de transição, onde o compromisso é permanecer com a operação até o fim do período. Bônus de contratação Os bônus de contratação podem ser dados em circunstâncias especiais, tais como: Quando houver remuneração retida; Para posições difíceis de serem preenchidas; Para atrair um conjunto de habilidades únicas; Quando a oferta do salário não puder ser mais alta devido à equidade interna ou nível de pagamento referente aos dados do mercado; Fl. 1429DF CARF MF Processo nº 10314.729353/201419 Acórdão n.º 2201003.882 S2C2T1 Fl. 1.426 12 Quando os candidatos tiverem várias ofertas concorrentes; e em situações críticas. ambos os bônus não objetivam retribuição ao trabalho mas indenização por perda laboral relativa, não estando vinculados a nenhuma meta de produtividade; o CARF, em hipótese assemelhada, afastou a natureza de remuneração sobre “bônus de contratação”; a eventualidade é patente, nenhum empregado recebeu bônus de incentivo mais de uma vez, havendo subsunção clara ao art. 28, § 9º, “e)”, item 7, da Lei nº 8.212/91; DA INDENIZAÇÃO POR TEMPO DE SERVIÇO A Impugnante mantém política interna global (DSPOL229) doc. 07 destinada ao pagamento de benefícios não obrigatórios de desligamento, pagos a critério da família de empresas Johnson & Johnson no Brasil para funcionários qualificados em casos de reestruturação da equipe de trabalho da empresa e/ou aposentadoria compulsória, não se aplicando aos casos de pedido de demissão ou demissão por justa causa. 81.A diretriz da política define que um funcionário qualificado, cujo contrato estiver sendo rescindido, pode receber, a critério da empresa, um bônus não obrigatório baseado na sua idade ou tempo de serviço, observados os seguintes critérios de elegibilidade: > Se ocupar um cargo na banda 30 ou superior pelo menos três anos completos, e se: > Não violar as políticas de conduta profissional (conduta de negócios) e código de conduta de compras; e > Seu supervisor direto uma recomendação justificando a razão, com a aprovação formal do diretor de Recursos Humanos e do diretor da unidade envolvida (banda 40 ou superior); ou > Uma reestruturação organizacional, não importando se o funcionário for pago em base mensal ou por hora, contanto que a política de redução da equipe de trabalho da empresa seja consultada. o benefício não é obrigatório, nem remuneratório, deferido por liberalidade da rescisão do contrato de trabalho e não é verba rescisória devida por força de lei; a eventualidade é patente, é pago em uma única oportunidade, havendo subsunção clara ao art. 28, § 9º, “e)”, item 7, da Lei nº 8.212/91; DA INDENIZAÇÃO COMPLEMENTAR A Impugnante mantém política interna global (DSPOL116) doc. 08 – que define os critérios para substituição e venda de Fl. 1430DF CARF MF Processo nº 10314.729353/201419 Acórdão n.º 2201003.882 S2C2T1 Fl. 1.427 13 veículos da frota no Brasil, a qual impõe essa medida quando: i) completarem 4 anos da data de compra (NF) ou 120.000,00 Km; ii) ocorrerem danos de monta; iii) por parecer negativo de adm. frota (com aprovação do respectivo Diretor), mesmo que não tenha sido ultrapassado o período de uso. Em hipóteses excepcionalíssimas, a Impugnante indeniza o empregado, no momento da rescisão, com valor equivalente ao veículo por ele adquirido e que seria utilizado como ferramenta de trabalho (utilidade). Esse pagamento, de cunho indenizatório e necessariamente realizado em única oportunidade no curso do contrato de trabalho, não integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias sobre a folha. também se trata de verba eventual; DOS PRÊMIOS DE RECONHECIMENTO (PADRÃO DE LIDERANÇA) E PRÊMIO PARA O CLUBE DOS 25 ANOS A Impugnante instituiu política interna global (DSPOL219) doc. 09 objetivando definir as diretrizes para pagamento do prêmio de reconhecimento, que se destina aos funcionários reconhecidos por superarem as expectativas e as responsabilidades das suas atividades regulares e por exibirem atitudes e comportamentos que os tornam excepcionais de alguma forma, observados, dentre outros critérios, a criatividade, a inovação, o compromisso, a capacidade e a satisfação do cliente. A Impugnante mantém, outrossim, política interna global (DS POL176) doc. 10 destinada aos funcionários que completem 25 anos de trabalho nas empresas Johnson & Johnson no Brasil, contemplando os ativos e inativos. O prêmio do Clube dos 25 anos é concedido ao funcionário em forma de crédito em folha de pagamento no mês subseqüente ao mês de aniversário na Cia. tais prêmios não se destinam à majoração de produção, mas à elevação da estima laboral; Essas ações visam recompensar, por mera liberalidade, o empregado que cumprisse condições previamente estabelecidas. O direito à aquisição da recompensa se vincula a: i) exibir atitudes e comportamentos que torna o empregado excepcional de alguma forma, baseado em critérios como criatividade, compromisso, capacidade e satisfação do cliente; ou ii) completar 25 anos de atividade junto à empresa. esses prêmios são pagos apenas aos trabalhadores que implementem tais condições e não para todos os colaboradores, para “motivar os colaboradores elevando o astral nas equipes de trabalho”; também se trata de verbas eventuais, pois raros receberam repetidamente os prêmios; Fl. 1431DF CARF MF Processo nº 10314.729353/201419 Acórdão n.º 2201003.882 S2C2T1 Fl. 1.428 14 os reincidentes não foram contemplados de forma periódica e uniforme, não havendo constância no tempo de pagamentos nem de seu valor, conforme fichas financeiras anexadas; a jurisprudência dos tribunais superiores é consolidada no sentidos de que prêmios não integram o salário de contribuição, operandose regra de isenção por ausência de habitualidade; o mesmo se deu, analogamente, para FGTS sobre tais verbas; DO INCENTIVO DE LONGO PRAZO A Impugnante mantém política interna global (DSPOL237) doc. 11 descrevendo os programas de remuneração de incentivo de longo prazo para os funcionários das empresas Johnson & Johnson, os objetivos de negócios desses programas, as responsabilidades pela determinação da elegibilidade e aprovação dos prêmios de incentivo longo prazo para os funcionários e as aprovações necessárias para quaisquer sub planos específicos do país. Os incentivos de longo incluem: i) opções de ações; ii) unidades de ações restritas (RSUs); iii) certificados de remuneração extra (CECs); iv) acordos de remuneração adicional (AARs); e v) certificados de remuneração de longo prazo (CLCs). As características desses incentivos, independentemente da modalidade, são discricionários, pagos por mera liberalidade da Cia. e desvinculados da remuneração dos empregados. Esses incentivos, à semelhança dos planos de stock options, não se sujeitam à incidência de contribuições previdenciárias, sobretudo porque a opção de compra é realizada a preço de mercado a título oneroso, não havendo gratuidade ou acréscimo patrimonial, no momento da opção, que atribuía natureza remuneratória ao ganho. O TST e os TRTs entendem que planos de stock options não têm natureza salarial; também se trata de verba eventual, nenhum agraciado recebeu a bonificação mais uma vez no período fiscalizado, conforme fichas financeiras anexadas; DO TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS o terço de férias não é salário, mas indenização para período de descanso; STF e STJ entendem que não incide contribuição previdenciária sobre tal verba; DAS FÉRIAS INDENIZADAS diferentemente do afirmado pela auditoria, houve recolhimento regular e tempestivo das contribuições previdenciárias sobre férias usufruídas; aduz que: Fl. 1432DF CARF MF Processo nº 10314.729353/201419 Acórdão n.º 2201003.882 S2C2T1 Fl. 1.429 15 A Fiscalização, apreendendose unicamente ao nome atribuído às rubricas, entendeu que os eventos de férias proporcionais (1520), 1/3 de férias proporcionais (1550), média férias proporcionais (1580), férias mês I (2010), férias 1/3 mês seg (2130), média férias proporcionais I (600), férias proporcionais I (630), e dif. med. Férias proporc. 1/3 (6857), se referiam às férias usufruídas, enquanto se está a tratar, em verdade, das férias indenizatórias e respectivo adicional constitucional. Essa conclusão pode ser inferida facilmente a partir dos valores glosados, que são substancialmente inferiores àqueles pagos, devidos ou creditados pela Impugnante a título de férias gozadas. À comprovação de que os eventos de férias autuadas foram utilizados para o pagamento das férias indenizadas pagas na rescisão, bastaria o Auditor Fiscal ter analisado os resumos de folha de pagamentos disponibilizados pela Impugnante no curso da fiscalização, os quais demonstram, de forma irrefutável, que os valores pagos, devidos ou creditados a título de férias usufruídas são outros, com montantes muito superiores aqueles glosados. o art. 28, § 9º, “d)”, da Lei nº 8.212/91 determina que não incide contribuição previdenciária sobre férias indenizadas e respectivo adicional, inclusive dobra das remuneração de férias (art. 137, CLT), ratificado o entendimento pela Solução de Consulta nº 62, de 29.05.2012; DO SAT INDIVIDUALIZADO POR ESTABELECIMENTO a Súmula nº 351, do STJ, estabelece que o SAT deve ser por estabelecimento da empresa, desde que com CNPJ próprio; no mesmo sentido, a PGFN editou o Parecer PGFN/CRJ/nº 2120/2011, acompanhando jurisprudência do STJ; houve alteração na IN RFB nº 971/09, art. 72, § 1º, I, para adequação ao entendimento supra; a IN RFB nº 1.453/14 determina que devese incluir os segurados empregados que prestam serviços em atividademeio na apuração de grau de risco; complementa: Não obstante a Impugnante ter declarado no campo CNAE preponderante da GFIP o código 32.50705 Fabricação de materiais para medicina e odontologia, essa atividade econômica não condiz com a atividade preponderante dos estabelecimentos autuados, cujo grau de risco é médio, justificando alíquota de 2%. A Impugnante apresentará nos autos, oportunamente, a apuração detalhada das atividades econômicas preponderantes, por estabelecimento, de forma a comprovar que a alíquota SAT de 2%, informada no exercício de 2010, estava correta, enquanto Fl. 1433DF CARF MF Processo nº 10314.729353/201419 Acórdão n.º 2201003.882 S2C2T1 Fl. 1.430 16 o CNAE indicado como preponderante estava equivocado, porque restou identificado a partir da atividade econômica fim (core bussiness). O Auditor Fiscal, desprovido de qualquer método na definição da alíquota SAT dos estabelecimentos autuados, vinculou o CNAE Fiscal declarado em GFIP, ao CNAE preponderante, sem ter apurado, contudo, a atividade que ocupava em cada estabelecimento autuado, no exercício fiscal de 2010, o maior número de empregados. DA NÃO APLICAÇÃO DE JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO há julgado no CARF entendendo a não incidência de juros de mora sobre multa de ofício, já que o § 3º, art. 61, da Lei nº 9.430/96 restringe juros de mora sobre valor do principal lançado; argumenta ainda: a expressão "débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições" não contempla a multa de ofício, pois se assim não fosse, não haveria necessidade alguma para a existência do parágrafo único, do artigo 43, da Lei n. 9.430/96. a análise conjunta dos artigos 161, 139 e 113, todos do CTN, conduzem à interpretação de que não há juros de mora sobre multa de ofício; caso a multa de ofício estivesse incluída na expressão "crédito" sobre o qual incidem os juros de mora nos termos do artigo 161, não haveria razão alguma para a ressalva final constante no referido artigo de que o crédito deve ser exigido "sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis". Logo, conclusão outra não há senão a de que o Código Tributário Nacional não autoriza a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício.” Referida impugnação foi julgada improcedente pela DRJ de origem, conforme acórdão de fls. 837/870, cuja ementa transcrevo abaixo: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÕES PRINCIPAIS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS INCIDENTES SOBRE AS REMUNERAÇÕES DE SEGURADOS EMPREGADOS. Constituem fatos geradores de obrigações tributárias as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÕES PRINCIPAIS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS INCIDENTES SOBRE AS REMUNERAÇÕES DE SEGURADOS EMPREGADOS. Fl. 1434DF CARF MF Processo nº 10314.729353/201419 Acórdão n.º 2201003.882 S2C2T1 Fl. 1.431 17 Constituem fatos geradores de obrigações tributárias as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados. As contribuições incluídas neste lançamento são aquelas destinadas a outras entidades ou fundos (FNDE, INCRA, SESI, SENAI e SEBRAE), cuja responsabilidade pela arrecadação e fiscalização é da Receita Federal do Brasil, conforme preconiza os arts. 2º e 3o da Lei 11.457/2007. REMUNERAÇÃO. CONTRAPRESTAÇÃO. NATUREZA SALARIAL. HABITUALIDADE. DESNECESSIDADE. INCIDÊNCIA. As verbas pagas a título de remuneração do trabalhador decorrente da contraprestação pelo serviço têm natureza salarial e integram a base de cálculo da contribuição, independentemente da habitualidade, que apenas reforça a expectativa do trabalhador de receber um plus na remuneração, seja mensal, semestral ou anual. PLANO DE INCENTIVO DE LONGO PRAZO. "STOCK OPTIONS". REMUNERAÇÃOUTILIDADE. Atuando a empresa para garantir uma efetiva vantagem econômica aos segurados a seu serviço, mitigando os riscos e os custos do exercício de opção de compra de ações, os ganhos configuram remuneraçãoutilidade. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE Conforme disposição constante no Código Tributário Nacional a penalidade pecuniária integra a obrigação principal sujeitando se, assim, à incidência dos juros de mora. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Intimado em 02/12/2015 (fl. 892), a RECORRENTE apresentou o Recurso Voluntário de fls. 895/976 em 23/12/2015. Tendo em vista a ausência da 2ª folha do seu recurso, a RECORRENTE foi intimada a regularizar o feito, oportunidade em que apresentou o Recurso completo às fls. 1.191/1.273. Na oportunidade, reiterou o alegado em sua Impugnação e acrescentou o resultado de alguns julgados sobre as matérias de defesa. No que diz respeito ao lançamento decorrente do ajuste da alíquota SAT, rebateu a argumentação do acórdão recorrido de que a IN RFB nº 1.453/14 não se aplica ao presente caso por ser posterior aos fatos geradores. Na oportunidade, alegou que a “regra administrativa (infralegal), por sua natureza, não tem o condão de incutir normas jurídicas novas no ordenamento jurídico”. Neste sentido, a regra trazida pela IN RFB nº 1.453/14 apenas suprimiu o vício de legalidade contido na IN RFB nº 971/09 (apuração da atividade econômica preponderante para as empresas com mais de um estabelecimento). Ainda assim, afirmou que o fiscal deixou de realizar a apuração da atividade preponderante de cada estabelecimento, preferindo associar o CNAE Fiscal (maior receita, auferida ou esperada) ao CNAE preponderante (maior número de empregados). Fl. 1435DF CARF MF Processo nº 10314.729353/201419 Acórdão n.º 2201003.882 S2C2T1 Fl. 1.432 18 Anexou aos autos planilhas de apuração das atividades econômicas preponderantes, de forma a comprovar que as alíquotas SAT informadas em GFIP estariam corretas, enquanto o CNAE indicados como preponderantes estavam equivocados, porque restou identificado a partir da atividade econômica fim (fls. 1.103/1.110). Também anexou aos autos os comprovantes de declaração das contribuições a recolher do período fiscalizado referente a cada estabelecimento (fls. 1.111/1.184). Quanto ao conceito de atividade preponderante, afirma que este é diametralmente oposto ao conceito de atividade econômica principal; enquanto a primeira consiste na atividade que ocupa, no estabelecimento, o maior número de empregados e trabalhadores avulsos, a segunda é considerada, dentre as atividades constantes no ato constitutivo, aquela de maior receita auferida ou esperada. Neste sentido, compete ao contribuinte realizar mensalmente o enquadramento nos correspondentes graus de risco, nos termos do art. 72, §1º, da IN RFB 971/09. Caso seja verificado erro no enquadramento do SAT, a RFB deve realizar a apuração da atividade econômica preponderante, utilizandose da mesma metodologia prevista na IN RFB 971/09 (prevalecerá, como preponderante, aquela que tem o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos). Ademais, defende não prevalecer o lançamento do diferencial do SAT nas competências 07/2010 e 12/2010 para o estabelecimento de CNPJ 54.516.661/000284 pois, conforme documentação colacionada ao seu recurso, houve efetivamente o recolhimento pela alíquota SAT de 3,0% e FAP de 1,24, totalizando 3,72%. A PGFN apresentou Contrarrazões ao Recurso Voluntário às fls. 1.374/1.412. Este recurso voluntário compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. PRELIMINAR Em preliminar, a RECORRENTE requer a nulidade do lançamento, por entender que não houve indicação específica dos fatos que justificaram a autuação, e ante a ausência de fundamentação clara e precisa da acusação, prejudicando o contraditório e ferindo o art. 142, do CTN. Fl. 1436DF CARF MF Processo nº 10314.729353/201419 Acórdão n.º 2201003.882 S2C2T1 Fl. 1.433 19 Contudo, entendo que não deve prosperar tal alegação de nulidade, na medida em que não foram apontados vícios relacionados ao ato de constituição do crédito tributário especificados no art. 59 do Decreto nº 70.235/72, nem qualquer afronta ao art. 142 do CTN, quais sejam: Decreto nº 70.235/72: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. CTN: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Da leitura do Relatório da NFLD verificase de forma clara que a autoridade fiscal, munida da documentação da RECORRENTE (contas contábeis específicas, folhas de pagamento, DIPJ, GFIPs, DIRFs Acordos Coletivos, Políticas dos Benefícios concedidos ao trabalhador, dentre outros) e de dados provenientes do MANAD (Folha de Pagamento Digital), constatou a não inclusão de diversas rubricas na base de cálculo das contribuições previdenciárias. Assim, intimou o contribuinte a justificar a não tributação das rubricas apontadas, as quais incluíam indenizações, complementos de remuneração, prêmios, férias, aviso prévio, etc., todas discriminadas por período e por estabelecimento às fls. 353/358 (anexo A do Relatório Fiscal). Neste sentido, por entender que não foram justificados os questionamentos apontados pela fiscalização, lavrou o presente auto de infração A autoridade fiscal demonstra que a RECORRENTE remunerou os segurados da Previdência Social sem que o total dessas remunerações fosse considerado como base de cálculo previdenciária, nem entendeu haver justificativa para a não tributação das rubricas. Portanto, o presente lançamento é uma consequência lógica da constatação dos fatos, pois é dever da autoridade fiscal efetuar o lançamento para exigir as contribuições sociais sobre remuneração de segurado empregado. Conforme acima exposto, o lançamento não se encontra eivado de vícios. Tanto que a RECORRENTE, em sua defesa, rebateu os fatos descritos pela autoridade lançadora, demonstrando entender perfeitamente as acusações que lhes foram imputadas. Portanto, não merecem prosperar esses argumentos da RECORRENTE Fl. 1437DF CARF MF Processo nº 10314.729353/201419 Acórdão n.º 2201003.882 S2C2T1 Fl. 1.434 20 MÉRITO I. Contribuições sobre remunerações pagas a empregados A RECORRENTE se insurge sobre o lançamento de contribuições previdenciárias sobre as rubricas detalhadas no Relatório Fiscal, ao argumento de que tais valores não foram destinados à contraprestação do trabalho. A questão envolvendo a incidência das contribuições previdenciárias sobre os valores pagos em retribuição ao trabalho passa pelo estudo do que vem a compor a remuneração do trabalhador. Assim, para cálculo das contribuições destinadas ao custeio do Regime Geral da Previdência Social – RGPS é importante verificar as verbas que compõem o salário de contribuição. A RECORRENTE defende a não inclusão, na base de cálculo das contribuições, das rubricas discriminadas pela autoridade fiscal, ao argumento de que as mesmas não se enquadram no conceito de remuneração e/ou não possuem a finalidade de retribuir o trabalho prestado. Consequentemente, estariam fora do campo de incidência do tributo. No que diz respeito ao salário de contribuição, Frederico Amado leciona que esse é “parcela normalmente composta por verbas remuneratórias do trabalho, podendo também ser excepcionalmente formada por verbas teoricamente indenizatórias, apenas nos casos expressos previstos pela norma previdenciária, em que o legislador entendeu se tratar de remuneração disfarçada” (Direito Previdenciário, 3ª ed., p. 167). Ainda segundo o mesmo autor, a contribuição patronal é, em regra, incidente sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício, na forma da previsão do art. 195, I, “a”, da Constituição, incluindose na base de cálculo dessas contribuições as parcelas remuneratórias do trabalho, excluindose as de cunho indenizatório, a exemplo daquelas listadas no art. 28, §9º, da Lei nº 8.212/91. Sobre a contribuição a cargo da empresa, o art. 22, I, da Lei nº 8.212/91 disciplina que deve ser calculada sobre o total das remunerações pagas devidas ou creditadas a qualquer título aos segurados, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos Fl. 1438DF CARF MF Processo nº 10314.729353/201419 Acórdão n.º 2201003.882 S2C2T1 Fl. 1.435 21 da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. Ou seja, incluise na definição da remuneração outras verbas destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, pagas pelos serviços efetivamente prestados ou pelo tempo à disposição do empregador. Sendo assim, no presente caso, entendo ser necessário observar, uma a uma, as rubricas destacadas pela autoridade fiscal para constatar se as mesmas devem ou não compor a base de cálculo das contribuições patronais devidas pela RECORRENTE. I.a. Verbas contidas no levantamento “Remunerações (RE)” Nos termos do Relatório Fiscal, o grupo intitulado “Remunerações” abriga os seguintes subgrupos: Indenizações, Complementos, Prêmio e Remunerações Especiais. i) Indenizações: A autoridade fiscal levantou que os valores pagos a tal título são os seguintes: No Relatório Fiscal, a autoridade lançadora afirma que nenhuma dessas verbas, pagas por ato de liberalidade patronal ou por acordo coletivo, se enquadra nas exclusões admitidas em lei. Afirmou também que a remuneração paga a título de indenização por tempo de serviço (rubrica 1850) “não se sustenta como não integrante do salário de contribuição, uma vez que a empresa não apresentou qualquer documento que comprovasse que as importâncias pagas destinaramse a empregados não optante pelo FGTS, ou seja, inclusos no antigo regime de estabilidade”. A relação dos trabalhadores que receberam referida indenização consta no Anexo B do Relatório (fls. 359/360). Ainda no que diz respeito à rubrica denominada “indenização por tempo de serviço” (rubrica 1850), a RECORRENTE alega que possui política interna global (DSPOL 229 – fls. 984/991) destinada ao pagamento de benefícios não obrigatórios de desligamento, para empregados qualificados, em caso de reestruturação da equipe de trabalho e/ou aposentadoria compulsória. Neste caso, alegou que tal verba estaria fora do campo de incidência das contribuições previdenciárias (não incidência), além de ser ganho eventual. Da análise do mencionado documento acerca da política interna da RECORRENTE (DSPOL229 – fls. 984/991), é possível constatar que a verba paga pela RECORRENTE em razão do desligamento de funcionário corresponde a um bônus não Fl. 1439DF CARF MF Processo nº 10314.729353/201419 Acórdão n.º 2201003.882 S2C2T1 Fl. 1.436 22 obrigatório, em que são exigidos alguns requisitos para tornar o funcionário elegível, conforme trechos do documento, abaixo colacionados: De acordo com a referida política, o prêmio intitulado “indenização por tempo de serviço” (rubrica 1850) não é um pagamento obrigatório da empresa quando do desligamento do funcionário. Conforme trecho acima, o funcionário que estiver se desligando “pode receber, a critério da empresa, um bônus não obrigatório baseado na sua idade ou tempo de serviço”. Ou seja, no meu entendimento, mesmo que o funcionário se qualifique como elegível ao recebimento de tal verba, seu pagamento pode ou não acontecer, a depender da aprovação dos altos cargos de direção. Além disso, importante destacar que somente são elegíveis para o recebimento de tal verba o funcionário desligado da empresa em decorrência da política de reestruturação provocada pela própria empresa ou aqueles desligados por aposentadoria compulsória. Não fazem jus ao recebimento de tal prêmio os funcionários que pedirem demissão ou aqueles demitidos por justa causa. Neste sentido, não há a previsibilidade para o pagamento da mencionada verba. Sendo assim, entendo que um pagamento desta natureza deve ser compreendido como eventual, justamente por haver apenas uma expectativa de recebimento (e não uma certeza) daqueles funcionários elegíveis. Fl. 1440DF CARF MF Processo nº 10314.729353/201419 Acórdão n.º 2201003.882 S2C2T1 Fl. 1.437 23 Por ser eventual e não obrigatório, a verba se enquadra na isenção prevista no art. 28, § 9º, alínea “e”, item 7, da Lei nº 8.212/91: Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: e) as importâncias: 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; O CARF possui alguns julgados no sentido de que as verbas similares não atraem a incidência da contribuição previdenciária, seja por possuírem natureza indenizatória, seja em razão da eventualidade do seu pagamento: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2004 (...) PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO PRÊMIO APOSENTADORIA GANHO EVENTUAL NÃO INCIDÊNCIA O prêmio concedido a todos os funcionários que se aposentem, na hipótese do caso concreto, com no mínimo dez anos como funcionários da empresa, amoldase à característica de ganho eventual de caráter claramente indenizatório, desvinculado do salário, sendo efetuado uma única vez, atraindo o disposto no art. 28, § 9º, e, 7, primeira parte, da Lei 8.212/1991. (...) (Acórdão nº 2403002.949; julgado em 12/02/2015) Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 (...) PRÊMIO VERBA DE NATUREZA INDENIZATÓRIA NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Não incide contribuição previdenciária sobre o valor pago pela empresa aos segurados que lhe prestam serviços, a título de prêmio e de indenização por tempo de serviço/aposentadoria por possuírem natureza indenizatória (...) (Acórdão nº 2301003.834; julgado em 20/11/2013) Fl. 1441DF CARF MF Processo nº 10314.729353/201419 Acórdão n.º 2201003.882 S2C2T1 Fl. 1.438 24 Portanto, deve ser afastado o lançamento das contribuições previdenciárias sobre a verba de “indenização por tempo de serviço” (rubrica 1850). No que diz respeito à “indenização complementar” (rubrica 1880), a RECORRENTE afirma que a mesma também decorre de política interna global (DSPOL116 – fls. 992/1.004), que consiste na substituição e venda de veículos da frota. Alega que, em hipóteses excepcionalíssimas, indeniza o empregado, no momento da rescisão, com valor equivalente ao veículo por ele adquirido e que seria utilizado como ferramenta de trabalho (utilidade). Assim, afirmou que tal verba não possui natureza remuneratória, além de estar contida na regra de isenção por se tratar de ganho eventual. Segue abaixo trechos do mencionado documento de política interna global (DSPOL116): (...) Da leitura do referido documento, percebese que a política nele tratada diz respeito à venda pela RECORRENTE do veículo da frota utilizado por funcionário, seja para ele mesmo (como funcionárioelegível), seja para outros funcionários da empresa, ou até para terceiros. Não verifico no referido documento qualquer hipótese de indenização paga pela RECORRENTE ao funcionário em decorrência da política interna global contemplada no documento DSPOL116. Sendo assim, não enxergo motivos para afastar a incidência da contribuição previdenciária sobre a verba intitulada “indenização complementar” (rubrica 1880), devendo ser mantido o lançamento neste ponto. No que diz respeito às demais verbas intituladas como de cunho indenizatório, entendo que não foi demonstrada eventual nãoincidência especificamente para cada uma delas. O papel da fiscalização é verificar se foi devidamente recolhida a contribuição previdenciária sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título pela empresa. Assim, caso a verba não contemplasse de fato uma remuneração, caberia à RECORRENTE comprovar a real natureza da mesma a fim de afastar a incidência da contribuição previdenciária. Fl. 1442DF CARF MF Processo nº 10314.729353/201419 Acórdão n.º 2201003.882 S2C2T1 Fl. 1.439 25 Neste sentido, em relação às demais “indenizações”, deve ser mantido o lançamento. ii) Prêmio e Remunerações Especiais: A autoridade fiscal levantou que os valores pagos a tal título são os seguintes: No Relatório Fiscal, a autoridade lançadora afirma que prêmios e remunerações especiais não são pagos como ganhos eventuais e sim como incentivo ao trabalho e pelo trabalho. Neste sentido, entendeu estar ausente o requisito para a isenção prevista no art. 28, §9º, alínea “e”, item 7, da Lei nº 8.212/91. Argumentou também que “a pratica de a empresa empregadora utilizarse desses prêmios para saldar a prestação dos serviços e a expectativa criada aos trabalhadores pela premiação, conferemlhes propriedades retributivas e, consequentemente, constituemse em elementos remuneratórios do trabalho”. Conforme alega a RECORRENTE, referidos valores foram pagos em decorrência de duas políticas internas globais: prêmio de reconhecimento (padrão de liderança), nos termos da DSPOL 219 (fls. 1006/1018); prêmio clube dos 25 anos, nos termos da DSPOL176 (fls. 1020/1031). De acordo com a DSPOL219 (fls. 1006/1018), o prêmio por reconhecimento é pago pela RECORRENTE aos funcionários que forem reconhecidos por superarem as expectativas e as responsabilidades de suas atividades regulares, seja com seu comportamento ou mediante a implementação de projetos. Colaciono abaixo as diretrizes do programa de premiação: Fl. 1443DF CARF MF Processo nº 10314.729353/201419 Acórdão n.º 2201003.882 S2C2T1 Fl. 1.440 26 Ainda conforme a mencionada DSPOL219, foram estabelecidos dois tipos de programas de reconhecimento: Da leitura dos trechos acima, é possível constatar que a premiação por reconhecimento paga pela RECORRENTE possui estreita relação com o trabalho, sendo paga como contraprestação pelo bom trabalho desenvolvido pelo funcionário. Ou seja, é verba destinada a retribuir o trabalho e, portanto, não há como afastála da tributação pela contribuição previdenciária, nos exatos termos do art. 22, I, da Lei nº 8.212/91. Também não há no rol taxativo do art. 28, §9º, regra que isente tal verba. Neste sentido, cito o seguinte julgado do CARF: “Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 (...) SALÁRIO INDIRETO. PRÊMIO. INCIDÊNCIA. Integra o salário de contribuição a parcela recebida pelos segurados empregados a título de prêmio, paga pela empresa por mera liberalidade com o propósito de incentivar e recompensar atributos individuais, tais como a produtividade. (...) Fl. 1444DF CARF MF Processo nº 10314.729353/201419 Acórdão n.º 2201003.882 S2C2T1 Fl. 1.441 27 (Acórdão nº 2401003.983; julgado em 10/12/2015)” Válido também esclarecer que a mencionada premiação é concedida de forma um tanto quanto subjetiva, pois não são definidos critérios esclarecedores a respeito da elegibilidade para tal prêmio, nem da forma de aferição do montante devido a título da premiação. Ou seja, sem que exista uma regra objetiva, a empresa pode livremente definir se vai conceder tal premiação e quais os funcionários merecedores, podendo inclusive ser caracterizado como salário disfarçado. No que diz respeito ao prêmio do Clube dos 25 anos, este é concedido a partir do momento que o funcionário completa 25 anos de trabalho na empresa RECORRENTE, conforme trechos da DSPOL176 (fls. 1020/1031), abaixo transcritos: Fl. 1445DF CARF MF Processo nº 10314.729353/201419 Acórdão n.º 2201003.882 S2C2T1 Fl. 1.442 28 De acordo com o exposto no documento DSPOL176, além de outros benefícios, é concedido um prêmio em dinheiro aos funcionários que completam períodos de cinco anos após 25 anos de serviços (25, 30, 35, 40, etc.). Ou seja, é um valor concedido pela RECORRENTE aos seus funcionários de forma automática, bastando que completem o período aquisitivo, não havendo qualquer tipo de caráter indenizatório da referida verba. Tanto não possui caráter indenizatório que o próprio documento afirma que tal premiação é base de cálculo do imposto de renda. A RECORRENTE afirma que os valores decorrentes das premiações acima são pagos por mera liberalidade da empresa, e visam apenas recompensar o empregado pelo cumprimento das condições estabelecidas. No entanto, não se deve confundir liberalidade com eventualidade. Apenas esta última é que dissocia a verba da remuneração para fins de cálculo da contribuição previdenciária devida. Ora, essa premiação não possui caráter eventual dada a previsibilidade de sua ocorrência. Neste sentido, transcrevo acórdão da CSRF: “Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2002 a 30/11/2003 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. REMUNERAÇÃO. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. PAGAMENTO EM PECÚNIA. INEXIGÊNCIA DO REQUISITO HABITUALIDADE. PRÊMIO POR TEMPO DE SERVIÇO. CARÁTER NÃO EVENTUAL. No campo de incidência das contribuições previdenciárias encontramse: a) a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, inclusive gorjetas (salário em espécie); e b) os ganhos habituais sob a forma de utilidades (salário in natura). A totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, independentemente de serem ou não habituais, encontramse no campo de incidência das contribuições previdenciárias. As importâncias recebidas a título de ganhos eventuais encontramse excluídas da sua base de cálculo por se tratarem de importâncias atingidas pela isenção. Está sendo criada uma grande confusão ao tentarem comparar os conceitos de "habitualidade com o de não eventualidade" ou o "não habitualidade com o de eventualidade". A habitualidade, como requisito para que a prestação in natura, integre o saláriodecontribuição, diz respeito a freqüencia da concessão da referida prestação. Já a eventualidade, como elemento caracterizador da isenção prevista no art. 28, § 9º, alínea ‘e’, item ‘7’, ou seja, que decorram de importâncias recebidas a títulos de ganhos eventuais, dizem respeito a ocorrência de caso fortuito. Fl. 1446DF CARF MF Processo nº 10314.729353/201419 Acórdão n.º 2201003.882 S2C2T1 Fl. 1.443 29 No presente caso há de se assinalar, primeiramente, que foram realizados pagamentos em pecúnia, o que afasta a necessidade de se indagar a habitualidade com que o pagamento foi realizado. Em segundo lugar, então, há de se averiguar se as importâncias foram recebidas a título de ganhos individuais. Não me parece que os pagamentos sob exame, ou seja, os efetuados a título de prêmio aos empregados que completarem 25, 35 e 40 anos de serviço na empresa e proporcionalmente aqueles demitidos após terem completado 15 anos de serviço, decorram de caso fortuito, ante a exata previsibilidade de sua ocorrência. Recurso especial negado. (Acórdão nº 9202003.044; julgado em 12/02/2014)” Portanto, deve prevalecer o lançamento das contribuições previdenciárias sobre as rubricas descritas como Prêmios e Remunerações Especiais. iii) Complemento de Salário (aposentado): De acordo com o relatório fiscal, incluemse neste subgrupo do Levantamento Remunerações (RE) as seguintes rubricas: A autoridade lançadora afirmou que, nos termos do art. 28, §9º, “n”, da Lei nº 8.212/91, apenas a importância para ao empregado a título de complementação ao valor do auxíliodoença não integra o salário de contribuição, desde que esse direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa. Em seu recurso, a RECORRENTE afirma que a Cláusula 17ª da CCT anexada aos autos determina que as empresas do setor complementem o auxíliodoença, acidente de trabalho, doença profissional e o 13º salário a todos os empregados: Fl. 1447DF CARF MF Processo nº 10314.729353/201419 Acórdão n.º 2201003.882 S2C2T1 Fl. 1.444 30 Neste sentido, em relação ao valor do auxíliodoença, afirma não haver incidência de contribuições previdenciárias, sobretudo porque a CCT impõe a extensão do benefício à totalidade dos empregados. No entanto, me inclino ao posicionamento da DRJ de origem, na medida em que não há qualquer indicação de que as rubricas destacadas se referem a complementação do salário em razão do auxíliodoença. Caberia à RECORRENTE demonstrar que os valores pagos sob tais rubricas foram de fato decorrentes de complementação por motivo de auxílio doença. Juntar aos autos o ACT e a CCT prevendo a verba de complementação de auxíliodoença (fls. 555/586 e 587/600), não atesta que houve, de fato, o pagamento a título das mencionadas rubricas. Portanto, não há como afastar a tributação das verbas relativas ao subgrupo “Complemento de Salário”, haja vista que a única complementação que não integra o salário de contribuição é aquela relativa ao auxíliodoença, nos termos do art. 28, §9º, “n”, da Lei nº 8.212/91. I.b. Verbas contidas no levantamento “Bônus (BO)” i) Bônus de incentivo: Um segundo levantamento realizado pela autoridade fiscal contemplou as seguintes rubricas: Segundo o Relatório Fiscal, a tanto a Lei nº 8.212/91 como o Decreto nº 3.048/99 estabelecem exaustivamente as rubricas que não compõem o salário de contribuição; assim, entendeu que “os bônus de qualquer natureza, concedidos em virtude de lei, dissídio coletivo ou contrato ou por mera liberalidade, fixos ou variáreis, integram a base de cálculo”, assim como integram a base de cálculo “os bônus vinculados a fatores como eficiência, assiduidade, tempo de serviço e outros de natureza compensatória, bem como os valores pagos a título de bônus de forma espontânea e em caráter transitório”. No que diz respeito ao Bônus de Incentivo, a RECORRENTE alega que possui política interna global (DSPOL253 – fls. 1048/1056) por meio da qual oferece aos empregados ou aos candidatos, respectivamente, bônus de retenção e bônus de contratação. Afirma que tais bônus são deferidos em circunstâncias específicas, as quais justificam a manutenção do empregado na empresa (bônus de retenção) ou a atração de profissional qualificado (bônus de contratação). São as seguintes as diretrizes da política: Fl. 1448DF CARF MF Processo nº 10314.729353/201419 Acórdão n.º 2201003.882 S2C2T1 Fl. 1.445 31 (...) Bônus dessa natureza são consequência de um novo contrato ofertado ao trabalhador (seja para sua contratação ou sua manutenção) e, em princípio, s.m.j., não são verbas pagas como contraprestação pelo trabalho. Assim, quando verdadeiramente cumprem o seu objetivo, esses bônus estariam fora do alcance da incidência das contribuições previdenciárias, pois o evento que os origina não é o trabalho, mas sim o surgimento de um novo contrato. Funcionam como uma verba visando indenizar eventual perda que o empregado tenha ao rejeitar o contrato oferecido por outra empresa (retenção) ou deixar sua antiga empresa (contratação), até porque não há prestação de serviço que justifique a incidência da contribuição previdenciária. No entanto, para que fique caracterizado o seu cunho indenizatório, é preciso afastar qualquer tipo de exigência para que o trabalhador faça jus ao bônus. Ora, se a Fl. 1449DF CARF MF Processo nº 10314.729353/201419 Acórdão n.º 2201003.882 S2C2T1 Fl. 1.446 32 contratação/manutenção é o evento a ser indenizado, então não se pode exigir que o empregado cumpra outros requisitos para fazer jus ao mencionado bônus, caso contrário pode ser caracterizada a sua natureza salarial. Sendo assim, acredito que esse tipo de indenização deva ser paga de uma vez quando da contratação/manutenção do empregado, além de não ser coerente estabelecer prazo mínimo de permanência ou exigir forma específica de trabalho como condições para pagamento do bônus. No presente caso, nos termos da política interna global DSPOL253 (já colacionados acima), é possível constatar que a RECORRENTE exige a permanência do empregado por um período préestabelecido como condição para pagamento do bônus de retenção. Esse bônus não é pago mês a mês enquanto o empregado permanecer, mas sim de uma só vez “em um valor total ao concluir o período ou condição(ões), desde que o empregado tenha continuado a mostrar desempenho satisfatório”. De logo percebese que existem dois requisitos para o pagamento do bônus de retenção: (i) permanecer o empregado trabalhando na RECORRENTE por um período pré estabelecido; e (ii) continuar a mostrar o desempenho satisfatório. Essas duas condições já desvirtuam o pretenso caráter indenizatório da verba, revelando a sua verdadeira natureza remuneratória, por ser pago como decorrência do trabalho em nível satisfatório, como previsto no documento de política interna global DSPOL253. Igual raciocínio pode ser aplicado ao Bônus de Contratação, na medida em que o documento DSPOL253 estipula como condição para pagamento da verba que o novo contratado deva permanecer na empresa por 24 meses, caso contrário terá que devolver 100% do valor do bônus, conforme trecho abaixo extraído do referido documento de política interna global (fl. 1051): Ora, se tal verba é paga para compensar o que o trabalhador perdeu ao deixar seu antigo emprego, não se pode pretender a sua devolução caso o empregado não permaneça na empresa por um período préestabelecido. Assim, entendo não ser possível defender o caráter indenizatório dessa verba. Neste sentido, transcrevo julgado do CARF sobre a matéria: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 (...) BÔNUS DE CONTRATAÇÃO. HIRING BONUS. Análise dos aditivos contratuais que constam dos autos evidencia que se trata de um adiantamento com natureza salarial para que o empregado preste serviço, no mínimo, por prazo determinado e, inclusive, observe todas as metas estabelecidas pela empresa. Dessa forma, o empregado só tem como seu, finalmente, o direito ao pagamento que recebeu adiantado, se cumprir o Fl. 1450DF CARF MF Processo nº 10314.729353/201419 Acórdão n.º 2201003.882 S2C2T1 Fl. 1.447 33 contrato de trabalho, dentro das regras estabelecidas. Caso contrário, seria obrigado a devolver o adiantamento, o que cabalmente desfigura o caráter indenizatório e desvinculado da prestação laboral que se lhe quis alegar. (...) (Acórdão nº 2202003.438; julgado em 14/06/2016) Portanto, deve ser mantida a tributação da rubrica “Bônus de incentivo (rubrica 1290)”, que compreende os bônus de retenção e de contratação. ii) Incentivo de longo prazo: Afirma a RECORRENTE que possui programa de remuneração e incentivo de longo prazo para os seus funcionários, cujas diretrizes e demais regras da política estão previstas no plano DSPOL237 (fls. 1058/1069). Alega que esses incentivos se assemelham aos planos de stock options e “não se sujeitam à incidência de contribuições previdenciárias, sobretudo porque a opção de compra é realizada a preço de mercado a título oneroso, não havendo gratuidade ou acréscimo patrimonial, no momento da opção, que atribuía (sic) natureza remuneratória ao ganho”. Ponderou também que o acórdão recorrido estaria equivocado quando afirma que a opção de compra ocorria por um preço inferior ao de mercado, na medida em que a fiscalização e a DRJ não apresentaram evidência que pudesse conduzir a essa conclusão. Assim, constrói toda a sua defesa baseada na inexistência de natureza salarial do plano de stock options marcado pela onerosidade, o que caracteriza o negócio como operação mercantil. Colaciono abaixo trecho do referido documento DSPOL237: Fl. 1451DF CARF MF Processo nº 10314.729353/201419 Acórdão n.º 2201003.882 S2C2T1 Fl. 1.448 34 Do acima exposto, percebese que as “opções de ações” são uma forma de incentivo a longo prazo concedido pela RECORRENTE. Outra forma deste incentivo é através dos “acordos de remuneração adicional (AARs)”. Chamo atenção para esse fato pois as rubricas destacadas pela fiscalização referemse a “Bônus Especial AAR” (rubricas 180 e 2110) e não a "plano de opções de ações". No que diz respeito a tal plano, o DSPOL237 prevê que unidades especializadas da RECORRENTE analisam “a elegibilidade e as atribuições de faixa de ‘opções de ações’ e ‘RSUs’ para consistência global do processo, e determinará a elegibilidade e as metas dos prêmios ‘CEC’ e ‘AAR’”: Da forma como apresentada na rubrica, é mais razoável entender que o valor decorrente do “Bônus Especial AAR” possuem relação com os “acordos de remuneração adicional (AARs)” e não com as “opções de ações”. E da leitura dos trechos acima, interpreto que a remuneração decorrente dos incentivos intitulados AARs são verdadeiros prêmios concedidos pela empresa, e não opções de compras de ações. Tanto que em sua própria nomenclatura consta a indicação de “remuneração adicional”. Contudo, o documento DSPOL237 acostado pela RECORRENTE não apresenta detalhes de nenhum dos planos de incentivo a longo prazo, sendo insuficiente para compreendelos em sua plenitude. Tanto que, ao final do documento, há uma indicação de que existe um plano diverso e específico para tratar dos AARs: Por outro lado, a RECORRENTE, desde a sua impugnação, afirma que as rubricas “Bônus Especiais AAR” decorrem do plano de stock options. No entanto, nada no Relatório Fiscal aponta para tal fato. Conforme exposto, ao tratar do Levantamento Bônus Fl. 1452DF CARF MF Processo nº 10314.729353/201419 Acórdão n.º 2201003.882 S2C2T1 Fl. 1.449 35 (BO), a autoridade fiscal aponta que “os bônus de qualquer natureza, concedidos em virtude de lei, dissídio coletivo ou contrato ou por mera liberalidade, fixos ou variáreis, integram a base de cálculo”, assim como integram a base de cálculo “os bônus vinculados a fatores como eficiência, assiduidade, tempo de serviço e outros de natureza compensatória, bem como os valores pagos a título de bônus de forma espontânea e em caráter transitório”. Não há, no Relatório Fiscal, qualquer indicação de que referidos valores foram pagos como decorrência de plano de stock options. Foi a RECORRENTE quem apresentou esse fato nos autos. Então, caberia a essa apresentar de forma veemente que as verbas das rubricas “Bônus Especiais AAR” têm vinculação com plano de stock options. Também deveria comprovar de forma cabal que referidas “opções de compras” seriam operações mercantis marcadas pela onerosidade, conforme defende ao argumentar que “os empregados compram as ações da empresa pelo preço ajustado previamente”. A documentação acostada é insuficiente para comprovar o alegado. Ao contrário. O trecho abaixo destacado do DSPOL237, no sentido de que o preço das ações seriam especificados para um determinado período, leva a crer que o preço das ações oferecidas aos empregados como opção de compras eram, sim, diferentes dos preços praticados no mercado: Portanto, entendo que não há como acatar a defesa da RECORRENTE, pois esta não demonstrou que os “Bônus Especiais AAR” são decorrentes do plano de stock options, assim como não foram apresentados documentação detalhada a respeito do mencionado plano. Neste sentido, deve ser mantida a tributação do Levantamento “Bônus (BO)”. I.c. Verbas contidas no levantamento “Aviso Prévio (AP)” Sobre este levantamento, a fiscalização apresentou as seguintes verbas: A autoridade fiscal argumenta que o Aviso Prévio é rubrica inerente a segurados empregados, assegurado pela Constituição, e possui natureza salarial, quer pelos serviços prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador. Afirma que a RFB somente estará vinculada a decisões judiciais a partir da ciência de Nota Explicativa da PGFN. Em suas razões de defesa, a RECORRENTE afirma que o aviso prévio indenizado não faz parte da remuneração e que há precedente do STJ, julgado sob o rito do art. Fl. 1453DF CARF MF Processo nº 10314.729353/201419 Acórdão n.º 2201003.882 S2C2T1 Fl. 1.450 36 543C do antigo CPC, prevendo a não incidência das contribuições previdenciárias sobre o aviso prévio indenizado. Ademais, alega que houve pagamento de adicionais do aviso prévio, pagos em decorrência do exposto nas cláusulas 27, D, e 56, D, da CCT 2010/2012 do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Química Farmacêutica de São José dos Campos e Região (fls. 1071/1102): Assim, defende a RECORRENTE que esse pagamento adicional do aviso prévio indenizado, previsto na CCT, não descaracteriza a natureza indenizatória e eventual da verba paga, razão pela qual também não deve sofrer a incidência da contribuição previdenciária. A matéria acerca do aviso prévio indenizado já está pacificada tanto no âmbito administrativo como judicial. Sobre o tema, há a Nota PGFN/CRJ nº 485/2016 (posterior ao lançamento ora discutido) o qual orienta que “seja dispensado de contestação e recurso o tema ‘incidência de contribuição previdenciária sobre o aviso prévio indenizado’”. Isto porque o Superior Tribunal de Justiça – STJ, quando do julgamento do REsp nº 1.230.957/RS, em 26/02/2014, sedimentou o entendimento de que não incide Fl. 1454DF CARF MF Processo nº 10314.729353/201419 Acórdão n.º 2201003.882 S2C2T1 Fl. 1.451 37 contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título de aviso prévio indenizado, por não se tratar de verba salarial. Referido com acórdão foi submetido ao regime do art. 543C do antigo CPC e da Resolução STJ 08/2008 (regime dos recursos repetitivos), como Tema Repetitivo nº 478. É importante esclarecer que os efeitos do REsp nº 1.230.957/RS estão suspensos em razão da interposição de Recurso Extraordinário com repercussão geral. No entanto, me inclino ao posicionamento do STJ (mesmo sem o seu trânsito em julgado), uma vez que o aviso prévio indenizado não é rendimento pago, devido ou creditado, destinado a retribuir o trabalho que deixou de ser prestado. Isso porque o empregado não presta serviço para o empregador e nem está à sua disposição. Conforme art. 487 da CLT, a parte que quiser rescindir o contrato deverá avisar a outra da sua resolução com a antecedência mínima estipulada em lei. Inexistindo o aviso prévio por parte do empregador, nasce o direito de o empregado exigir os salários correspondentes ao prazo do aviso (§1º), mesmo sem trabalhar ou permanecer à disposição do empregador. Ou seja, o aviso prévio indenizado não é retribuição de trabalho, mas sim uma indenização para reparar o empregado que não fora alertado em tempo hábil, afastandoo repentinamente do exercício de seu labor e, consequentemente, ferindo um direito social garantido constitucionalmente (art. 6º). Portanto, o aviso prévio indenizado não possui a natureza remuneratória exigida pelo art. 22, I, da Lei nº 8.212/91 para sofrer a incidência da contribuição previdenciária, haja vista não ser destinada a retribuir o trabalho. Como reflexo, as verbas decorrentes desse aviso prévio indenizado também não possuem caráter remuneratório. É que, conforme já exposto, no aviso prévio dado pelo empregador, tanto trabalhado quanto indenizado, o seu período de duração integra o tempo de serviço para todos os efeitos legais, férias, 13º salário e indenizações. Ou seja, o empregado faz jus a uma parcela do 13º salário proporcional ao tempo que corresponde ao aviso prévio indenizado. Neste sentido, o 13º salário é acessório do aviso prévio. Então, sendo este indenizado, entendo que também deve ter caráter indenizatório o 13º salário proporcionalmente calculado. Neste sentido, é mais uma verba que não decorre de retribuição de trabalho, devendo ser considerada uma indenização, assim como o aviso prévio indenizado. Portanto, encontrase fora do alcance do art. 22, I, da Lei nº 8.212/91. Sobre o tema, transcrevo recente acórdão deste CARF: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 30/04/2013 AVISO PRÉVIO. INDENIZADO. INEXISTÊNCIA DE CARÁTER REMUNERATÓRIO. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. Fl. 1455DF CARF MF Processo nº 10314.729353/201419 Acórdão n.º 2201003.882 S2C2T1 Fl. 1.452 38 O pagamento do aviso prévio indenizado não tem caráter remuneratório, vez que o empregado, nessa hipótese, não presta serviço para o empregador e nem está à sua disposição. DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO VINCULADO AO AVISO PRÉVIO INDENIZADO. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. Por ser acessório do aviso prévio indenizado, o décimo terceiro indenizado, dele decorrente, também não sofre a incidência de contribuições sociais. (...) (Acórdão nº 2402.005.795; julgado em 06/04/2017)” Diante do exposto, entendo que deve ser afastado do lançamento das contribuições previdenciárias as verbas decorrentes das rubricas “Aviso Prévio Indenizado” (1440), “Dif Aviso Prévio Inden” (6869) e “13º Salário Aviso Prévio Indenizado” (1470), ante a natureza indenizatória delas. As demais rubricas objeto do lançamento decorrente do Levantamento AP não fazem menção a pagamento a título de aviso prévio indenizado. São elas: “Media Aviso Prévio Especial III” (1020), “Media Aviso Prévio” (1570) e “Dif Medias Aviso Prévio” (6871). Apesar de a RECORRENTE tratar em seu recurso de verba denominada aviso prévio adicional, se olvidou de demonstrar a pertinência de tais verbas com as rubricas ora discutidas. Sendo assim, concluo que, em relação ao Levantamento AP, deve prevalecer o lançamento tão somente em relação às seguintes rubricas: “Media Aviso Prévio Especial III” (1020), “Media Aviso Prévio” (1570) e “Dif Medias Aviso Prévio” (6871) I.d. Verbas contidas no levantamento “Férias (FE)” O Levantamento Férias (FE) comporta as seguintes rubricas: No Relatório Fiscal, a autoridade lançadora esclarece que somente não integram o salário contribuição as importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional. Menciona novamente que a RECORRENTE foi intimada a apresentar justificativa e documentos comprobatórios que explicasse a não inclusão das rubricas acima na base de cálculo da contribuição previdenciária. Fl. 1456DF CARF MF Processo nº 10314.729353/201419 Acórdão n.º 2201003.882 S2C2T1 Fl. 1.453 39 Reitera que, na resposta fornecida, a contribuinte apenas alega que tais eventos não seria rendimentos do trabalho e foram eventuais, sem, contudo, apresentar qualquer documento a respeito do assunto. Em seu recurso, a RECORRENTE afirma que tais valores são relativos às férias indenizadas e não às férias usufruídas. Alega que essa conclusão pode ser inferida a partir dos valores glosados, que são substancialmente inferiores àqueles pagos a título de férias gozadas. É sabido que as contribuições previdenciárias não incidem sobre o valor das férias indenizadas e do respectivo adicional de um terço, nos termos do art. 28, §9º, “d”, da Lei nº 8.212/91. No entanto, mais uma vez a RECORRENTE deixou de apresentar documentação que respalde os seus argumentos. A alegação de que apresentou documentos durante a fiscalização não pode ser utilizado como argumento de defesa com o intuito de derrubar o auto de infração. É necessário que a RECORRENTE prove o que alega por meio de documentos. Neste sentido, além de apresentar documentos, é de rigor que a parte interessada aponte a razão de sua importância como meio probante. O simples fato de alegar que a “conclusão pode ser inferida facilmente a partir dos valores glosados, que são substancialmente inferiores àqueles pagos, devidos ou creditados pela Recorrente a título de férias gozadas” não é suficiente para confrontar o lançamento. Outros documentos poderiam ter demonstrado o pagamento de férias indenizadas no período, como termos de rescisão de contrato, outros documentos contábeis aliados às folhas de pagamento, comprovação de que o funcionário não tirou férias e recebeu valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da CLT, etc. No entanto, nada disso foi apresentado. Sendo assim, não há como afastar o lançamento das contribuições previdenciárias sobre as verbas decorrentes do Levantamento Férias (FE). II. Da diferença do valor RAT Conforme apurado pela autoridade fiscal, a RECORRENTE não calculou a alíquota RAT em conformidade com o CNAE apresentado por meio das GFIP(s) entregues no período (CNAE 32.50705 Fabricação de materiais para medicina e odontologia). Para este CNAE a alíquota de contribuição para o RAT é 3%, e o FAP aplicável à empresa é 1,2429. No entanto, em diversos períodos e para vários estabelecimentos, a RECORRENTE informou a alíquota RAT de 2% em GFIP, mesmo indicando o CNAE 32.50705. A fiscalização intimou a RECORRENTE para esclarecer a situação (fls. 315/317) e, em resposta, a contribuinte confirmou que o CNAE preponderante na época dos fatos foi o 32.50705 e confirmou o FAP de 1,24. Consequentemente, a fiscalização elaborou o quadro constante no item 7.10 do Relatório (fls. 348/349) para demonstrar a diferença entre o valor RAT calculado pela Fl. 1457DF CARF MF Processo nº 10314.729353/201419 Acórdão n.º 2201003.882 S2C2T1 Fl. 1.454 40 fiscalização (com alíquota RAT = 3%) e o valor RAT originalmente informado em GFIP (com alíquota RAT = 2%), em relação aos estabelecimentos em que foram informados alíquota RAT e/ou FAP diferentes dos adequados. Em seu Recurso, a RECORRENTE argumenta que a alíquota de contribuição para o SAT é aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ. Afirma que a IN RFB nº 1453/14 (que alterou a IN RFB 971/09) determina que a empresa com mais de um estabelecimento e com mais de uma atividade econômica, deverá apurar a atividade preponderante de cada um. Em sua defesa, afirma que, a despeito de ter apresentado no campo do CNAE preponderante o nº 32.50705, esta não seria a atividade preponderante da RECORRENTE na maioria dos estabelecimentos. Assim, afirma que as alíquotas SAT informadas em GFIP estavam corretas, ao passo que os CNAEs indicados estavam equivocados. Na tentativa de comprovar o alegado, acostou aos autos planilhas de apuração das atividades econômicas preponderantes por estabelecimento (fls. 1104/1111). Contudo, tais planilhas de apuração apenas indicam o número do CNAE, a quantidade de empregados, a descrição de sua atividade e a alíquota SAT. Ou seja, a despeito das alegações da RECORRENTE, entendo que a documentação apresentada não possui qualquer cunho comprobatório com o fito de indicar a atividade econômica preponderante de cada estabelecimento. São meras planilhas preenchidas com informações pela própria RECORRENTE, sem respaldo em nenhum documento oficial. Portanto, em razão da ausência da comprovação da atividade preponderante, deve prevalecer o CNAE indicado nas GFIPs pela própria RECORRENTE. Aliás, a IN RFB nº 971/2009 determina que é de responsabilidade do contribuinte o enquadramento nos correspondentes graus de risco, de acordo com a sua atividade econômica preponderante conforme a Relação elaborada com base na CNAE, para fins do cálculo da contribuição para o RAT: “Art. 72. As contribuições sociais previdenciárias a cargo da empresa ou do equiparado, observadas as disposições específicas desta Instrução Normativa, são: (...) § 1º A contribuição prevista no inciso II do caput será calculada com base no grau de risco da atividade, observadas as seguintes regras: I o enquadramento nos correspondentes graus de risco é de responsabilidade da empresa, e deve ser feito mensalmente, de acordo com a sua atividade econômica preponderante, conforme a Relação de Atividades Preponderantes e Correspondentes Graus de Risco, elaborada com base na CNAE, prevista no Anexo V do RPS, que foi reproduzida no Anexo I desta Instrução Normativa, obedecendo às seguintes disposições: (...) Fl. 1458DF CARF MF Processo nº 10314.729353/201419 Acórdão n.º 2201003.882 S2C2T1 Fl. 1.455 41 IV verificado erro no autoenquadramento, a RFB adotará as medidas necessárias à sua correção e, se for o caso, constituirá o crédito tributário decorrente.” É de conhecimento que a autoridade fiscal deve adotar as medidas necessárias quando for verificado erro no autoenquadramento pelo contribuinte. No entanto, tal situação não se confundo com o presente caso, em que a fiscalização apenas adequou a alíquota correspondente ao CNAE apresentado pela contribuinte. Ou seja, a fiscalização não deve fazer qualquer prova ou justificativa, pois não efetuou troca do CNAE; apenas adequou a alíquota correta prevista no Anexo V do Decreto nº 3.048/99, qual seja: 3% ao invés dos 2% indicados pela RECORRENTE. Caso o CNAE indicado não fosse de fato relativo à atividade preponderante do contribuinte, este deveria apresentar provas do erro que incorreu quando da indicação do CNAE em GFIP, e não simplesmente fazer alegações sem embasamento documental. Sendo assim, é de rigor a manutenção do lançamento da diferença de contribuição para o RAT que deixou de ser recolhida em razão da utilização de alíquota equivocada em relação ao CNAE indicado pela RECORRENTE. Contudo, conforme bem observou a RECORRENTE, em relação ao CNAE indicado para o estabelecimento 54.516.661/000284, houve a correta indicação em GFIP da alíquota RAT, qual seja: 3% (GFIPs acostadas às fls. 1112/1184). No entanto, a fiscalização acusou a RECORRENTE de ter praticado a alíquota RAT de 2% para o mencionado estabelecimento nos períodos de 07/2010 e 12/2010 (ver quadro às fls. 344/345). Portanto, não merece prosperar o lançamento da diferença de contribuição cobrada nos períodos de 07/2010 e 12/2010, uma vez que a RECORRENTE comprova recolhimento da contribuição ao RAT com a alíquota de 3% e FAP 1,24 para todos os períodos em relação ao estabelecimento 54.516.661/000284 (ver especificamente fls. 1144 e 1168). Ademais, observo que houve erro de cálculo em relação ao valor do levantamento RAT para os outros estabelecimentos das filiais (002732, 004867, 004948 e 005839). Quando da comparação da tabela de fls. 348/349 (item 7.10 do Relatório Fiscal) com os valores indicados no Discriminativo do Débito de fls. 380/388, é possível constatar que os valores da diferença a recolher do RAT estão divergindo. Por exemplo, em relação ao estabelecimento 54.516.661/002732, nos meses de janeiro, fevereiro e março, os valores indicados na tabela de fls. 348/349 como diferença a recolher são de R$ 690,03, R$ 761,60 e R$ 915,72, ao passo que os valores relativos ao mesmo estabelecimento e período indicados no Discriminativo do Débito (fl. 380) são, respectivamente, de R$ 1.375,25, R$ 1.517,90 e R$ 1.825,06. Este erro de cálculo se repete em relação a todos os estabelecimentos, exceto à matriz (54.516.661/000101). Portanto, entendo que deve ser mantido o lançamento relativo à diferença da contribuição para o RAT em relação a todos os estabelecimentos exceto o de CNPJ nº 54.516.661/000284, devendo a unidade preparadora corrigir o valor cobrado dos demais estabelecimentos filiais (002732, 004867, 004948 e 005839) em conformidade com a tabela constante do item 7.10 do Relatório Fiscal. Fl. 1459DF CARF MF Processo nº 10314.729353/201419 Acórdão n.º 2201003.882 S2C2T1 Fl. 1.456 42 III. Dos juros sobre multa de ofício A RECORRENTE insurgese também contra a aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício. Alega, em suma, que não há na legislação previsão de juros sobre a multa, mas apenas sobre o valor da contribuição devida. No entanto, a despeito dos argumentos da RECORRENTE, entendo que a multa fiscal de natureza punitiva integra a obrigação tributária principal e, consequentemente, o crédito tributário. Neste sentido, os arts. 113, §1º, e 139 da CLT dispõem o seguinte: “Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. (...) Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta.” Ou seja, apesar de não ser tributo (art. 3º do CTN), a penalidade pecuniária possui natureza de obrigação tributária principal. E, da leitura dos dispositivos acima, verifica se que a penalidade pecuniária faz parte do crédito tributário estando, pois, sujeita às regras que estabelecem a cobrança de juros de mora sobre os créditos tributários. Neste sentido, transcrevo o art. 161 do CTN: “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária.” Portanto, entendo que o crédito tributário referente à penalidade pecuniária (multa de ofício) não paga no respectivo vencimento está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic. Neste sentido é a jurisprudência das três turmas da Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF, conforme abaixo: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2007 (...) JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Fl. 1460DF CARF MF Processo nº 10314.729353/201419 Acórdão n.º 2201003.882 S2C2T1 Fl. 1.457 43 (Acórdão 9101002.180; 1ª Turma da CSRF; sessão de 19/01/2016) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2006, 2009 (...) JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu inadimplemento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre a qual devem incidir os juros de mora à taxa Selic. (Acórdão 9202003.821; 2ª Turma da CSRF; sessão de 08/03/2016) Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 02/01/1998 a 30/12/1999 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. (Acórdão 9303003.385; 3ª Turma da CSRF; sessão de 26/01/2016). Portanto, não merecem prevalecer as alegações da RECORRENTE acerca da suposta ausência de previsão legal para a cobrança de juros sobre a multa de ofício. CONCLUSÃO Em razão do exposto, voto por afastar a preliminar de nulidade e, no mérito, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para: I. Excluir do lançamento da contribuição previdenciária patronal as seguintes verbas: a) “indenização por tempo de serviço” (rubrica 1850); Fl. 1461DF CARF MF Processo nº 10314.729353/201419 Acórdão n.º 2201003.882 S2C2T1 Fl. 1.458 44 b) “Aviso Prévio Indenizado” (1440); c) “13º Salário Aviso Prévio Indenizado” (1470) d) “Dif Aviso Prévio Inden” (6869); II. Em relação ao lançamento da diferença da contribuição ao RAT: a) Afastar a cobrança relativa ao estabelecimento de CNPJ nº 54.516.661/000284, ante a correta apuração pela contribuinte; e b) Determinar que a unidade preparadora corrija o valor cobrado dos demais estabelecimentos filiais (002732, 004867, 004948 e 005839) em conformidade com a tabela elaborada pela autoridade lançadora, constante do item 7.10 do Relatório Fiscal. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator Voto Vencedor Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Em que pesem a fundamentação e logicidade do voto do ilustre Relator, ouso dele discordar nos pontos abaixo examinados. Antes, porém, de adentrarmos às questões específicas, necessário alguma consideração sobre a incidência das contribuições previdenciárias. Academicamente já nos pronunciamos sobre o tema no livro Tributação da Sáude (Contribuições Previdenciárias das Empresas da Área da Saúde "in" HARET, Florence; MENDES, Guilherme Adolfo.Tributação da Saúde. Ed. Atai, 2013) "Tal forma de contratação recebe, no Brasil, forte influência das chamadas “fontes heterônomas” do Direito do Trabalho, ou seja, das leis trabalhistas. Além dessas, a relação de emprego também é regida pelas fontes autônomas, as fontes emanadas da vontade das partes, as oriundas dos acordos e convenção coletivas, além é claro do regulamento das empresas e das disposições do contrato de trabalho. Todo esse intróito não pode ser desprezado em face da enorme importância que essas fontes exercem sobre a relação de emprego, mormente quanto às parcelas remuneratórias e quanto às parcelas percebidas pelo empregado e que não têm o caráter de contraprestação pelo trabalho, ou seja, não têm natureza Fl. 1462DF CARF MF Processo nº 10314.729353/201419 Acórdão n.º 2201003.882 S2C2T1 Fl. 1.459 45 salarial e, portanto, como visto alhures, não integram o salário de contribuição. O Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº. 3.048, de 1999, dispõe em seu art. 214, inciso I, que se entende por salário de contribuição: “I – para o empregado e o trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa;(...)” (grifos não constam de texto legal) O dispositivo regulamentar acima transcrito, quando bem interpretado, já delimita o salário de contribuição de maneira definitiva, ao prescrever que este é composto pela totalidade dos rendimentos pagos como retribuição do trabalho. É dizer: a base de cálculo do fato gerador tributário previdenciário, ou seja, o trabalho remunerado do empregado é o total da sua remuneração pelo seu labor. Tudo o mais percebido se não decorrer do trabalho, se não for oriundo da retribuição pelo trabalho ou pelo tempo à disposição, não é salário de contribuição segundo o Regulamento da Previdência Social (RPS). Daqui decorre nosso verdadeiro mantra das aulas de Direito Previdenciário de Custeio: é salário de contribuição do empregado tudo o que é pago pelo trabalho, e não é salário de contribuição tudo o que é para o trabalho, e mais as verbas indenizatórias, por óbvio." (sublinhados nossos, negritos originais) A Carta Magna, ao definir os contornos para atribuir competência à União para instituir as contribuições incidentes sobre a o trabalho da pessoa humana destinadas ao custeio do Sistema de Seguridade Social, explicitou no inciso I do artigo 195: "I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei incidente sobre a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo que sem vínculo empregatício." (negritamos) A leitura atenta das disposições constitucionais e das constantes da Lei de Custeio da Previdência não permitem outra conclusão que não a que assevera que incidência tributária previdenciária se dá sobre valores pagos à título de remuneração. Como mencionado acima, o conceito de remuneração engloba não só as parcelas pagas como sinalagma direta da relação de trabalho, ou seja, não só a Fl. 1463DF CARF MF Processo nº 10314.729353/201419 Acórdão n.º 2201003.882 S2C2T1 Fl. 1.460 46 contraprestação pelo trabalho, pelos serviços prestados. Também o tempo à disposição do empregador, os casos de interrupção dos efeitos do contrato de trabalho, e as disposições contratuais, sejam elas individuais ou coletivas, além por óbvio das disposições legais, integram o conceito de remuneração. Analisemos as afirmações acima, que denomino as quatro acepções da remuneração. A doutrina clássica, apoiada no texto legal, define remuneração como sendo a contraprestação pelo trabalho, apresentando o que entendemos ser o conceito aplicável à origem do direito do trabalho, quando o sinalagma da relação de trabalho era totalmente aplicável, pois, nos primórdios do emprego, só havia salário se houvesse trabalho. Com a evolução dos direitos laborais, surge o dever de pagamento de salários não só como decorrência do trabalho prestado, mas também quando o empregado "está de braços cruzados à espera da matériaprima, que se atrasou, ou do próximo cliente, que tarda em chegar", como recorda Homero Batista (Homero Mateus Batista da Silva. Curso de Direito do Trabalho Aplicado, vol 5: Livro da Remuneração.Rio de Janeiro, Elsevier. 2009. pg. 7). O dever de o empregador pagar pelo tempo à disposição, ainda segundo Homero, decorre da própria assunção do risco da atividade econômica, que é inerente ao empregador. Ainda assim, cabe o recebimento de salários em outras situações. Numa terceira fase do direito do trabalho, a lei passa a impor o recebimento do trabalho em situações em que não há prestação de serviços e nem mesmo o empregado se encontra ao dispor do empregador. São as situações contempladas pelos casos de interrupção do contrato de trabalho, como, por exemplo, nas férias e nos descansos semanais. Há efetiva responsabilização do empregador, quando ao dever de remunerar, nos casos em que, sem culpa do empregado e normalmente como decorrência de necessidade de preservação da saúde física e mental do trabalhador, ou para cumprimento de obrigação civil, não existe trabalho. Assim, temos salários como contraprestação, pelo tempo à disposição e por força de dispositivos legais. Não obstante, outras situações há em que seja necessário o pagamento de salários A convenção entre as partes pode atribuir ao empregador o dever de pagar determinadas quantias, que, pela repetição ou pela expectativa criada pelo empregado em recebêlas, assumem natureza salarial. Típico é o caso de uma gratificação paga quando do cumprimento de determinado ajuste, que se repete ao longo dos anos, assim, inserese no contrato de trabalho como dever do empregador, ou determinado acréscimo salarial, pago por liberalidade, ou quando habitual. Nesse sentido, entendemos ter a verba natureza remuneratória quando presentes o caráter contraprestacional, o pagamento pelo tempo à disposição do empregador, haver interrupção do contrato de trabalho, ou dever legal ou contratual do pagamento. Mesmo diante da amplidão conceitual da remuneração, restam ainda verbas corriqueiramente pagas pelo empregador ao empregado que não são abarcadas por esse amplo conceito. Remuneração não é um buraco negro na amplidão cósmica. Fl. 1464DF CARF MF Processo nº 10314.729353/201419 Acórdão n.º 2201003.882 S2C2T1 Fl. 1.461 47 Bens ofertados igualmente a todos os trabalhadores sem caráter contraprestacional, os chamados benefícios como por exemplo os seguros de vida, as assistências médicas, os auxílios farmácia não integram o conceito de remuneração. Não se observa natureza remuneratória nos instrumentos de trabalho, ou bens que mesmo utilizados pelo trabalhador fora dos horários de prestação de serviços ao empregador como um veículo de um vendedor externo posto que destinados ao próprio trabalho avençado. Também não ostenta natureza salarial as indenizações. Por óbvio que não. O conceito mais puro de indenização que diz essa se destinar a repor a situação ao status quo ante, à condição existente anteriormente quando devidamente compreendido, por si só demonstra a impossibilidade pertinência da verba indenizatória ao conceito de remuneração. Indenizase dano. Seja esse ocorrido na esfera patrimonial ou de direito do ofendido. Aqui o ponto fulcral da compreensão. A indenização decorrente de um dano patrimonial causado pelo empregador ao empregado não causa, no mais das vezes, maiores dificuldades. Somente um neófito em tributação para admitir incidência de contribuição previdenciária sobre um reembolso de despesa comprovadamente ocorrida para a prestação do trabalho, como por exemplo, um reembolso quilometragem destinado a reparar as despesas do empregado numa viagem da matriz até a filial da empresa. Porém, não se pode olvidar que o empregado tem direitos previstos na lei trabalhista e que por vezes, o empregador, no curso regular do contratado de trabalho, obsta a fruição desses direitos pelo trabalhador. Como exemplo, basta pensar na verba comumente denominada férias em dobro, ou férias vencidas, devida quando o empregador não permite que o empregado goze suas férias durante o período previsto pela lei (um ano após o período aquisitivo), chamado período de gozo. Tal valor, um salário do empregado segundo a CLT,deve ser pago dois dias antes do empregado entrar em férias e tem nítida natureza indenizatória em face da ofensa ao direito de férias causada ao empregado, pelo empregador. Inúmeras outras hipóteses, fundadas no mesmo raciocínio jurídico, constam do artigo 28, § 9º da Lei nº 8.22/91, como, v g., as férias indenizadas e o respectivo adicional de ferias (alínea 'd'), a do artigo 479 da CLT (alínea 'e', 3), as percebidas em função do incentivo à demissão (alínea 'd', 5), etc. Vejamos. Todas as verbas acima ostentam a natureza indenizatória por ofensa à direito. Observemos uma em particular por sua total semelhança ao aviso prévio indenizado e ao décimo terceiro indenizado. Analisemos as férias indenizadas. O valor percebido a título de férias, mencionado alhures, tem nítida natureza salarial, uma vez que percebido num caso clássico de interrupção do contrato de trabalho. Fl. 1465DF CARF MF Processo nº 10314.729353/201419 Acórdão n.º 2201003.882 S2C2T1 Fl. 1.462 48 Lembremos: o empregado tem direito à ferias. Direito constitucionalmente assegurado (artigo 7º, inciso XVII da Carta). O que motiva a percepção, pelo empregado, das férias indenizadas? A rescisão do contrato de trabalho. Ora, esse rompimento de um contrato com função social relevantíssima, que a lei determina ser em regra por tempo indeterminado, ofende, ao mesmo tempo, dois direitos do empregado: i) direito ao trabalho; ii) direito às férias que ele tinha adquirido ou estava em período de aquisição. Surge o dever de indenizar. Ausente o caráter remuneratório da verba. Impossível a tributação pelas contribuições previdenciárias em razão da nítida não incidência. Assentados no entendimento sobre a base de cálculo das contribuições previdenciárias, passemos a analisar o caso em concreto, ressaltando que me pronunciarei somente sobre os pontos de divergência com o entendimento esposado pelo nobre Relator. INDENIZAÇÕES Sobre o tema, consta da acusação fiscal (fls. 336): "4.11.3 Nenhuma das rubricas a título de indenização pagas pela empresa se enquadra nas exclusões admitidas por lei sob este título; assim como a empresa não apresentou qualquer documento que as enquadrasse nas condições estabelecidas pela lei. 4.11.4 Possivelmente a empresa tenha considerado o pagamento destas indenizações como enquadradas em umas das hipóteses de exclusão usando o princípio da analogia. 4.11.5 No entanto, conforme já tido anteriormente a lei e o decreto estabelecem, respectivamente em seus artigos Art. 28 § 90 e Art. 214 § 9°, quais as hipóteses em que exclusivamente as importâncias recebidas a título de indenização não integram o saláriodecontribuição. Os dispositivos legais ao estabelecerem "exclusivamente", não deixam margem para a utilização do princípio da analogia. 4.11.6 Houve uma tentativa da empresa enquadrar estas remunerações, pagas por mero ato de liberalidade patronal ou por acordo coletivo, como se fossem concessões estabelecidas por lei, sem que, na verdade, atendessem a todas as condições legais estabelecidas. Salientamos que nenhum dos documentos apresentados pela empresa (acordos coletivos, convenções de trabalho e política de benefícios) se enquadram na categoria de planos de incentivo à demissão." Fl. 1466DF CARF MF Processo nº 10314.729353/201419 Acórdão n.º 2201003.882 S2C2T1 Fl. 1.463 49 Como visto acima, a incidência das contribuições previdenciárias se dá sobre a remuneração percebida pelo empregado. Esse foi o limite da competência que a outorga constitucional concedeu ao legislador ordinário. Indenização não é remuneração. Por óbvio, que o 'nomen iuris' não define a natureza jurídica da verba, devendo o Fisco, para provar o seu direito de crédito, evidenciar a natureza remuneratória do valor pago e restando ao contribuinte, como demonstração do fato impeditivo do direito do Fisco, afastar tal característica. Soube o Sujeito Passivo comprovar a natureza indenizatória da verba. Observo às folhas 985: "NÚMERO DA POLÍTICA: 0435 Resumo da política Este documento descreve pagamentos de benefícios não obrigatórios de desligamento pagos a critério da família de empresas Johnson & Johnson no Brasil para funcionários qualificados em casos de reestruturação da equipe de trabalho da empresa e/ou aposentadoria compulsória. Esta política não se aplica aos casos de pedido de demissão ou demissão por justa causa. (...) Diretrizes da política Além de quaisquer somas obrigatórias recebidas, um funcionário qualificado cujo contrato estiver sendo rescindido pode receber, a critério da empresa, um bônus não obrigatório baseado na sua idade ou tempo de serviço. Qualificação A critério da empresa, um funcionário é elegível ao recebimento de somas não obrigatórias após a rescisão do contrato de trabalho nos seguintes casos: • se ocupar um cargo na banda 30 ou superior por pelo menos três anos completos, e se: não violar as políticas de conduta profissional (conduta de negócios) é código de conduta de compras; e seu supervisor direto fizer uma recomendação justificando a razão, com a aprovação formal do diretor de Recursos Humanos e do diretor da unidade envolvida (Banda 40 ou superior); ou • uma reestruturação organizacional, não importando se o funcionário for pago em base mensal ou por hora, contanto que a política de redução da equipe de trabalho da empresa seja consultada. Não há exceções para os critérios de elegibilidade." (grifos nossos) Fl. 1467DF CARF MF Processo nº 10314.729353/201419 Acórdão n.º 2201003.882 S2C2T1 Fl. 1.464 50 Patente a natureza indenizatória da verba. Indenização ajustada quando da rescisão do contrato de trabalho por interesse do empregador, o que, por expressa previsão constitucional (art. 7º, I da CF), enseja o dever de indenizar. Observo o critério importantíssimo da extensão a todos os empregados que cumprirem os requisitos constantes da política de recursos humanos da empresa. Nesse quesito, ausente a discricionariedade do empregador e, portanto, exsurge a generalidade de acesso ao benefício (o que, como dito na parte introdutória de nossa digressão conceitual, caracteriza a ausência de caráter remuneratório de tal verba, explicitando o conceito de benefício, posto que extensivo a todos previamente elencados). Forçoso recordar que o Regulamento da Previdência Social reconhece o caráter não remuneratório das verbas indenizatórias, mormente na rescisão do contrato de trabalho ao asseverar nas alíneas 'a' até 'h' do inciso V do 9º do artigo 214 que as diversas verbas pagas a título de indenização por rescisão do contrato de trabalho não integram o salário de contribuição do empregado. Patente a inteligência do dispositivo regulamentar. Mister, ainda, mencionar que tal indenização é também composta por utilidades diversas, típica manutenção de benefícios, como se comprova pela leitura das disposições constantes das folhas 985 e seguintes, relativa a política de indenização em comento: "Benefícios O funcionário elegível pode ou não receber, a critério da empresa: Seis meses de cobertura médica sob o mesmo plano que era coberto na data do seu desligamento da empresa; e Cl Seis meses de seguro de vida em grupo — apólice principal tendo como base para indenização, o salário da data de desligamento. Se formalmente aprovados, os funcionários elegíveis podem ou não ter, a critério da empresa, o direito a: serviços de recolocação no mercado; e LI equipamentos e itens de utilidade: os usuários de veículos de frota podem ter a opção de comprar um veículo da frota nos termos da política de compra e venda de veículos de frota. Usuários de notebook e palm podem ter a opção de comprar um notebook ou palm nos termos da política de venda de equipamentos usados a funcionários da empresa Johnson & Johnson. De acordo com a política 0435 de Desligamento da empresa fundos nãoobrigatórios (pagamento por desligamento), o funcionário deve devolver os outros ativos da empresa como móveis e equipamentos, incluindo aparelhos de telefones celulares (SU316) e Blackberry (SI011)." Fl. 1468DF CARF MF Processo nº 10314.729353/201419 Acórdão n.º 2201003.882 S2C2T1 Fl. 1.465 51 No tocante a indenização pela compra do veículo, denominada indenização complementar (rubrica 1880), não comprovou a recorrente qual o exato motivo do pagamento de tal verba. Vejamos como o Recorrente trata do tema (fls 918): 72. A Recorrente mantém política interna global (DSPOL116) (doc. 03) que define os critérios para substituição e venda de veículos da frota no Brasil, a qual impõe essa medida quando: i) completarem 4 anos da data de compra (NF) ou 120.000,00 Km; ii) ocorrerem danos de monta; iii) por parecer negativo de adm. frota (com aprovação do respectivo Diretor), mesmo que não tenha sido ultrapassado o período de uso. 73. Em hipóteses excepcionalíssimas, a Recorrente indeniza o empregado, no momento da rescisão, com valor equivalente ao veículo por ele adquirido e que seria utilizado como ferramenta de trabalho (utilidade). Esse pagamento, de cunho indenizatório e necessariamente realizado em única oportunidade no curso do contrato de trabalho, não integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias sobre a folha. 74. A desoneração da indenização complementar (1880), afora se justificar na ausência de natureza remuneratória, estando fora do campo de incidência da norma contida no artigo 22, inciso I, da Lei ng 8.212/91, se legitimaria, outrossim, na regra de isenção do artigo 28, §92, alínea "e", item 7, da mesma lei, que exclui do saláriodecontribuição as importâncias recebidas a título de ganhos eventuais e abonos expressamente desvinculados dos salários. 75. Diferentemente do alegado no Acórdão da DRJ, a Recorrente juntou à Impugnação a Política de Substituição e Venda de Veículo da Frota (DSPOL 116) (doc. 03)., a qual define, dentre outros, os empregados elegíveis e os critérios para substituição, comprovando que a indenização se destinava exclusivamente aos empregados que utilizavam o veículo como ferramenta de trabalho (utilidade)." Esse é o ponto fundante da questão. Ora, se o veículo era utilizado com ferramenta pelo trabalho, não há com o rompimento do contrato motivo para tal indenização, posto que tal bem não integrava o patrimônio do trabalhador e sim era um instrumento para seu labor. Necessário apontar que o fato do trabalhador ter adquirido tal veículo, mesmo que em condições favorecidas, não enseja indenização, exceto se tal veículo fosse devolvido por ocasião do rompimento do contrato de trabalho, o que não restou comprovado. Assim, cabe parcial provimento ao recurso nesse item, devendo ser excluído do lançamento os valores relativos às indenizações pagas, com a única exceção da denominada indenização complementar (código 1880). COMPLEMENTO DE SALÁRIO Fl. 1469DF CARF MF Processo nº 10314.729353/201419 Acórdão n.º 2201003.882 S2C2T1 Fl. 1.466 52 Sobre o ponto, consta do recurso (fls 925): "Ato contínuo, o v. acórdão recorrido julgou devida a incidência da contribuição previdenciária sobre a complementação do auxílio doença, por considerar que "quando do pagamento da referida verba, o contribuinte não provou existir ACT ou CCT que previsse a extensibilidade desse complemento de auxilio doença (sic) a todos os funcionários". 99. Este argumento apenas evidencia que o órgão julgador a quo não se atentou aos temos da Cláusula 17º da CCT, aplicável à atividade econômica preponderante da Recorrente, que determina que as empresas do setor complementem o auxílio doença, acidente do trabalho, doença profissional e do 13º salário a todos os empregados, com a seguinte redação: Cláusula 172 A) As empresas complementarão, durante a vigência da presente convenção, do 162 (décimo sexto) dia da data do afastamento do trabalho e limitado ao 3302 (tricentésimo trigésimo)dia, os salários líquidos corrigidos com os demais salários da categoria profissional, dos empregados afastados por motivo de doença, acidente do trabalho, ou doença profissional. B) A complementação para empregados já aposentados, corresponderá à diferença entre seu salário líquido e o valor da aposentadoria que vem recebendo. (Grifouse). 100. Justamente por desconhecer completamente a natureza jurídica e a motivação dos valores pagos a título das rubricas 760 — Compl. Sal. Ac. Colet., 761 — Dif. Compl. Conv., 765 — Complemento J&J Apos. e 1890 — Ind. Estab. Aux. Doença, operou a glosa das importâncias creditadas sob essas nomenclaturas, contrariando frontalmente o disposto no artigo 214, §92, inciso XIII, do Decreto nº 3.048/99, que prevê: (...)" O motivo do lançamento se encontra às folhas 339. Assim se pronunciou a autoridade lançadora: "Notamos que a lei 8212/91 Art. 28 § 90 alínea "n" e o decreto 3048/99 Art. 214 § 90 item "XIII" tratam em ambos da seguinte hipótese de exclusão de verba do salário de contribuição: importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxíliodoença desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa. 4.11.21 Entendemos que a empresa considerou os complementos salariais como uma das hipóteses de exclusão usando o princípio da analogia. Entretanto, os dispositivos legais ao estabelecerem "exclusivamente", não deixam margem para a utilização do princípio da analogia. Fl. 1470DF CARF MF Processo nº 10314.729353/201419 Acórdão n.º 2201003.882 S2C2T1 Fl. 1.467 53 4.11.22 Mais uma vez houve a tentativa da empresa enquadrar estas remunerações, pagas por mero ato de liberalidade patronal ou por acordo coletivo, como se fossem concessões estabelecidas por lei, sem que, na verdade, atendessem a todas as condições legais estabelecidas. 4.11.23 Pelos motivos expostos estas rubricas são consideradas como base de cálculo da contribuição previdenciária neste relatório e respectivo auto de infração" (destaquei) Assiste razão ao Recorrente. Há previsão em contrato coletivo de trabalho da complementação do benefício previdenciário. Não soube a autoridade fiscal comprovar o motivo do lançamento. Verifico o cumprimento dos ditames legais pelo Contribuinte, posto que não há uma só linha que comprove que a extensão da complementação do auxílio doença não seja extensivo a todos. Ao reverso, observo norma trabalhista que prevê tal obrigatoriedade, o que segundo o Recorrente sem prova pelo Fisco que desconsiderasse a afirmação foi cumprida no caso concreto. Assim, forçoso dar provimento ao recurso nessa parte, afastando do lançamento os valores relativos a complementação do auxílio doença (códigos 760, 761 e 765). BÔNUS DE RETENÇÃO E DE CONTRATAÇÃO Consta da imputação fiscal (fls 340): "Vale relembrar que apesar do dispositivo legal (art. 28, § 9°, letra "e", item 7, da Lei n°. 8212/91) estabelecer que as importâncias "recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário" não integram o salário de contribuição, o Decreto n°. 3.048/99 acrescentou a necessidade de previsão legal, ou seja, determina que os ganhos eventuais e abonos sejam expressamente desvinculados do salário por força de lei — art. 214, § 9°, inciso V, alínea "j": "ganhos eventuais e abonos expressamente desvinculados do salário por força de lei". 4.12.3 Dessa forma, como a lei e o decreto estabelecem exaustivamente as rubricas que não compõem o salário de contribuição, entendese que os bônus de qualquer natureza, concedidos em virtude de lei, dissídio, acordo coletivo ou contrato ou por mera liberalidade, fixos ou variáveis, integram a base de cálculo. Integram também a base de cálculo da contribuição previdenciária, os bônus vinculados a fatores como eficiência, assiduidade, tempo de serviço e outros de natureza compensatória, bem como os valores pagos a título de bônus de forma espontânea e em caráter transitório. Fl. 1471DF CARF MF Processo nº 10314.729353/201419 Acórdão n.º 2201003.882 S2C2T1 Fl. 1.468 54 4.12.4 Estes pagamentos também não tem de qualquer maneira a característica de verba indenizatória, uma vez que não tem o objetivo de compensar ou reparar dano causado ao funcionário, mas tratamse, portanto, de parcelas pagas "pelo trabalho", como incentivos ao trabalho e de nítida natureza salarial. 4.12.5 Pelos motivos expostos estas rubricas são consideradas como base de cálculo da contribuição previdenciária neste relatório e respectivo auto de infração." Assim se manifestou o Recorrente (fls. 928): "109. A política interna global DSPOL253, que descreve as diretrizes dos bônus de retenção e contratação, comprovam a excepcionalidade que cerca o pagamento desses valores, conforme se nota dos seguintes trechos dos documentos: Bônus de retenção Os bônus de retenção de empregados em operações descontinuadas são suplementares aos valores do plano de desligamento e reservados apenas para conservar o pessoal essencial durante o período de transição, onde o compromisso é permanecer com a operação até o fim do período. *** Bônus de contratação Os bônus de contratação podem ser dados em circunstâncias especiais, tais como: • Quando houver remuneração retida; • Para posições difíceis de serem preenchidas; • Para atrair um conjunto de habilidades únicas; • Quando a oferta do salário não puder ser mais alta devido à equidade interna ou nível de pagamento referente aos dados do mercado; • Quando os candidatos tiverem várias ofertas concorrentes; e • Em situações críticas 110. Como se percebe, os bônus de contratação e de retenção, como visto, não objetivam a retribuição do trabalho, mas a indenização de uma perda laborai relativa, consistente na impossibilidade de o empregado se desligar da Cia. durante determinado período (bônus de retenção) ou estimular o candidato à aceitação da proposta de emprego formulada pela Recorrente, observadas, para tanto, as circunstâncias excepcionalíssimas que justificam a oferta de tais bônus. 111. Ademais, os bônus de contratação e de retenção são negociados e pagos, necessariamente, uma única vez no curso do contrato de trabalho, não estando vinculado ao atingimento de metas de produtividade ou quaisquer outros requisitos que poderiam, em tese, caracterizar a natureza remuneratória e/ou salarial das importâncias." Fl. 1472DF CARF MF Processo nº 10314.729353/201419 Acórdão n.º 2201003.882 S2C2T1 Fl. 1.469 55 A leitura das razões recursais apontam para a questão fulcral: há incidência tributária previdenciária sobre os valores pagos à título de bônus de contratação e de retenção? Doutrinariamente já nos pronunciamos sobre o tema (OLIVEIRA, Carlos Henrique. Aspectos Trabalhista e Tributários do Bônus de Contratação e de Retenção 'in' HENARES NETO, Harley e outros. Temas Atuais de Tributação Previdenciária. São Paulo: Ed Cenofisco, 2017, pag. 167)., nos seguintes termos: "Vimos, que a disputa pelos melhores talentos é permanente. Seja em tempos de bonança, ou nos de crise, as empresas sempre estão à procura dos profissionais que se destacam em suas áreas de atuação. Tempos atrás, a atração desses profissionais davase, simplesmente, pelo aumento do pacote de remuneração, assim entendidas como todas as verbas recebidas pelo trabalhador, independentemente de serem verbas salariais ou de outra natureza, como benefícios ou salárioutilidade. Porém, além das questões do custo e da tributação sobre a mão deobra, atualmente, há uma política de remuneração que privilegia a retenção dos profissionais. Tal política foi construída em razão do ótimo momento econômico vivido no país nos últimos anos, que levou à situação de praticamente pleno emprego, tornando a rotatividade dos profissionais de ponta um fenômeno de tal monta que chegou a tipificar no mundo do trabalho8 uma geração, a chamada geração Y, que se caracteriza por não se fixar em nenhum emprego. Como formas de remuneração que favorecem a permanência dos profissionais no emprego, podemos mencionar o pagamento de prêmios, bônus, "gratificações" anuais, participações nos lucros e resultados, além de políticas de retenção, como plano de ações e de carreiras. Diante de um pacote salarial mais complexo, os empregadores viramse obrigados a criar formas mais atraentes de busca pelos novos talentos, pois o simples ato de aumentar o "salário" não tinha mais a capacidade de convencer o trabalhador, uma vez que ele já estava comprometido com o alcance de sua meta, ensejando o recebimento de sua gratificação ajustada em razão desse objetivo. Nesse sentido, os únicos períodos em que o simples aumento do pacote salarial possibilitaria a contratação seriam alguns poucos meses após o recebimento do prêmio ou bônus do período anterior. Claro que tal situação não contempla o interesse daquele que precisa recrutar o profissional. Encontrou se no mundo desportivo a solução. Há tempos que os esportistas profissionais, mais comumente no futebol, recebem um valor para a assinatura do contrato de trabalho com a agremiação desportiva. Fl. 1473DF CARF MF Processo nº 10314.729353/201419 Acórdão n.º 2201003.882 S2C2T1 Fl. 1.470 56 São as denominadas luvas. Valores previamente ajustados referentes somente à assinatura do contrato, como um prêmio para que o desportista atue, pelo prazo constante no contrato, defendendo as cores daquele time. Esse valor pago pela assinatura do contrato de trabalho foi a solução encontrada pelas empresas para a contratação dos profissionais que lhe interessam na hora que necessitam deles. Denominouse bônus de contratação ou 'hiring bonus'. Por seu turno, aquele empregador que já conta com a colaboração do profissional diferenciado, por óbvio, dele não pretende abrir mão. Para retêlo, já lançou mão de medidas compatíveis com o interesse que tem. Remuneração, benefícios, reconhecimento, premiação condizentes com o perfil diferenciado desse trabalhador. Porém, ao saber que seu empregado foi assediado por outrem, vai tentar mantêlo, e nesse mister, ofertará um valor para demovêlo da intenção da mudança. Tal valor, destinado a demover o trabalhador da mudança e comparável com o 'hiring bonus' ofertado, é denominado bônus de retenção ou 'retention bonus'. (...) 2. Aspetos trabalhistas do Hiring Bonus: Como visto , o hiring bouns pode ser entendido como um acordo firmado entre aquele que pretende ser empregador e aquele que pretende trabalhar, pelo qual o primeiro se compromete a pagar determinado valor para que o segundo assine um contrato de trabalho. Da definição simplista, porém claríssima, podemos identificar os seguintes elementos: i) obrigação de pagar do empregador contraposta à obrigação de fazer do trabalhador; ii) acordo prévio ao contrato de trabalho; iii) inexistência de relação laboral entre os sujeitos. Analisemos. O acordo de vontades que se forma visa à assinatura de um contrato de trabalho entre as partes. Para tanto, a parte que se tornará futura empregadora se compromete a pagar a quantia estipulada enquanto a parte que pretende se empregar se compromete a firmar o pacto laboral. Em que pese a total liberdade das partes, a perfeita execução do contrato será obtida com a assinatura por um e com o respectivo pagamento pelo outro. Nesse sentido, ambas as obrigações serão cumpridas anteriormente ao contrato de trabalho, em tese, exaurindo o ajuste Assim ocorrendo, nosso segundo elemento identificador do bônus de contratação terá se consubstanciado, pois o ajuste se resolverá previamente ao contrato laboral. Fl. 1474DF CARF MF Processo nº 10314.729353/201419 Acórdão n.º 2201003.882 S2C2T1 Fl. 1.471 57 Tal repetição de idéias, longe de qualquer tautologia, visa sedimentar que o bônus de contratação, por ser acordo prévio ao contrato de trabalho não pode ser analisado sob determinados dogmas trabalhistas. Recordemos que o objetivo de nosso estudo é encontrar a natureza jurídica da verba paga a título de bônus de contratação. Nesse sentido, devemos perquirir se tal verba se encaixa no conceito de remuneração acima examinado, afastando as armadilhas que uma análise embasada no senso comum pode nos preparar. Em primeiro lugar, ouvemse justificativas para atribuir caráter salarial, uma vez que o pagamento do hiring bonus vem sempre vinculado a um contrato de trabalho e, portanto, deste decorre. Tal argumento padece de um vício inicial, pois a verba – por definição – foi ajustada justamente para a assinatura desse contrato, e por óbvio a ele vinculase. Não obstante, como cediço, nem tudo que é pago pelo empregador ao empregado, mesmo que por força do contrato de trabalho, tem natureza salarial, como ocorre, por exemplo, no caso das indenizações. Aliado ao ‘vínculo’ do bônus de contratação ao acordo de trabalho, aqueles que veem natureza salarial na verba, também se apoiam em usual cláusula de permanência que as empresas imputam como cláusula acessória ao contrato de trabalho que será firmado. Dizem que é típica de cláusula remuneratória aquela que se vincula ao tempo do trabalho. Não se pode concordar com tal afirmação, pois a existência de ajuste prévio de duração mínima do contrato de trabalho faz parte do custo de oportunidade que o empregador considerou para proposta de pagamento de um valor como meio de convencimento do empregado para que ele viesse a trabalhar no contratante. Constituem segurança jurídica típica do acordo de vontades as condições assecuratórias que visam inibir o inadimplemento contratual. Nesse mesmo sentido, ou seja, com esses mesmos argumentos, afastamse as alegações daqueles que enxergam na necessidade de devolução dos valores recebidos no caso de não assinatura do contrato ou de sua ruptura antes do prazo avençado, como sendo uma espécie de pagamento salarial antecipado. Novamente, o que se observa é uma cláusula que previne inadimplemento em um acordo de intenções prévio ao contrato de trabalho. Pouco importa, para a definição da natureza da verba, se o pagamento é realizado antes ou depois da assinatura do contrato de trabalho, ou ainda se é pago em parcela única ou não. É praxe nos ajustes de vontade a determinação do momento do pagamento e de sua forma. Tal acordo, de forma alguma, ofende a lei civil ou desnatura a natureza do pagamento, ou dito de maneira mais direta, não é porque o valor referente ao bônus de contratação foi pago na vigência do contrato de trabalho, ou ainda, em algumas parcelas que venham a ser quitadas já com o Fl. 1475DF CARF MF Processo nº 10314.729353/201419 Acórdão n.º 2201003.882 S2C2T1 Fl. 1.472 58 vínculo laboral formado, que tal valor assumirá natureza salarial20. Não resiste também a uma análise isenta a proposição de que o valor pago como bônus de contratação tem natureza indenizatória e, portanto, não assume feição salarial. A verba paga pelo empregador, que não tem natureza remuneratória em razão de ser uma indenização deve decorrer, por óbvio, de um motivo de reparação surgido no âmbito do contrato de trabalho. Nesse sentido, o empregador indeniza danos patrimoniais decorrentes dos serviços prestados pelo trabalhador, como ocorre nos casos de reembolso de viagens ou pagamento de despesas necessárias ao trabalho suportadas pelo empregado. Também surge o direito à percepção de indenização para o trabalhador que tem um direito violado pelo contratante, v.g., quando as férias adquiridas são concedidas após o período de gozo determinado na lei. Claro, portanto, que o dever de indenizar decorre da própria relação laboral, o que não acontece, por exemplo, se o empregado teve seu carro abalroado por outro quando se dirigia ao trabalho. Não há natureza indenizatória na verba que, casualmente, o empregador dê ao empregado para reparar seu patrimônio, pois ele, empregador, não deu causa ao prejuízo, embora o patrimônio do trabalhador tenha sido afetado. Com o exposto, afastamos alguns argumentos em favor da natureza remuneratória do hiring bonus e outros que repudiam essa natureza. Enfrentemos a questão. Vimos, que uma verba só pode ser considerada remuneratória quando percebida: i) como contraprestação; ii) em razão do tempo do trabalhador colocado à disposição do empregador; iii) nos casos de interrupção dos efeitos do contrato de trabalho, ou finalmente iv) quando previamente ajustado por acordo individual, coletivo ou por força de lei. Havendo pagamento a título de bônus de contratação, não há contraprestação. Não há, simplesmente, porque não existe trabalho. Não podemos esquecer que a essência da verba em apreço é pagamento para que se firme um contrato de trabalho, o que, por óbvio, afasta que exista caráter contraprestacional a algo que é pago justamente para que exista o trabalho. Recordemos, para espancar qualquer dúvida que, segundo o artigo 442 da Consolidação das Leis do Trabalho, o contrato de trabalho é o acordo tácito ou expresso correspondente à relação de emprego. Nesse sentido, é assente a doutrina em afirmar que o contrato de trabalho se inicia pelo ajuste, expresso ou tácito, ou pela efetiva prestação de serviços. Nenhuma das duas condições é encontrada no caso em apreço, pois conceitualmente, o que aqui se analisa é justamente o acordo para que se firme, expressamente ou ainda tacitamente, um contrato de trabalho. Fl. 1476DF CARF MF Processo nº 10314.729353/201419 Acórdão n.º 2201003.882 S2C2T1 Fl. 1.473 59 Em reforço, devemos recordar que, uma vez firmado, o ajuste laboral necessariamente conterá a determinação do pacote de remuneração.Vale ressaltar, ainda, que tal pacote será significativo na medida em que o contrato de trabalho em questão será pactuado com alguém bem posicionado no mercado de trabalho e que já possui um expressivo acordo remuneratório. Não se vislumbra a sinalagma pura entre trabalho e salário na verba em discussão e também não se verifica pagamento pelo tempo à disposição do empregador pelos mesmos motivos acima elencados. Sendo assim, se não há ainda o trabalho, nem contrato, por óbvio que não se pode admitir que o trabalhador colocaria seu tempo sob o talante do empregador. Também não se observa ser o pagamento de um bônus de contratação decorrência de um caso de interrupção de contrato de trabalho, ou seja, não há salário em situação em que não há trabalho, pois, como visto, nem acordo laboral vigente existe nesse momento. Mais tormentosa pode ser a análise sobre o pagamento de o hiring bonus decorrer de ajuste constante do próprio contrato. Não olvidemos que, para muitos, o bônus de contratação é cláusula acessória do contrato de trabalho, desse fazendo parte como se houvesse um deslocamento do início do ajuste laboral para quando do acordo pela contratação, uma vez que, na visão destes, a obrigação de pagar só surge quando a obrigação de assinar se perfizer. Não podemos concordar com essa tese, uma vez que, como definido, o instituto surge justamente para que se concretize o pacto de trabalho, sendo, portanto, uma etapa que o precede, um acordo que, por ser anterior, não se pode confundir com o próprio contrato de trabalho. Isso porque seu objetivo é firmar a existência do contrato. O acordo pela qual se propõe um bônus de contratação, como dito, corresponde a uma obrigação de fazer para o trabalhador, nos dizeres de Caio Mario da Silva Pereira23: “(...) outro tipo de obrigação positiva é a de fazer, que se concretiza genericamente em um ato do devedor. (...). Mas também é “obligatio facendi” a promessa de contratar, cuja prestação não consiste apenas em apor a firma em um instrumento; seu objeto é a realização de um negócio jurídico, a conclusão de um contrato (Savigny), com toda sua complexidade, e com todos os seus efeitos”. Se assim não fosse, estaríamos cometendo um erro lógico, no qual o objeto pretendido misturarseia com as tratativas que o precederam. Nesse sentido, o objetivo a ser alcançado (o contrato de trabalho), já o seria pela própria propositura do bônus, o que –por imperativo lógico – não se pode considerar válido. Do exposto, não podemos considerar o valor pago como bônus de contratação como sendo decorrente do contrato de trabalho. Fl. 1477DF CARF MF Processo nº 10314.729353/201419 Acórdão n.º 2201003.882 S2C2T1 Fl. 1.474 60 Portanto, natureza remuneratória como decorrência de ajuste constante de contrato individual ou coletivo de trabalho, o valor pago como hiring bonus não ostenta. O que se pode afirmar é que o ajuste que resulta no pagamento do bônus de contratação e na assinatura de um contrato de trabalho é um précontrato, regido pelas regras do Direito Civil24. Em conclusão, podemos asseverar que o bônus de contratação não possui natureza remuneratória, pois: i) não apresenta caráter de contraprestação pelo contrato de trabalho; ii) também não decorre do tempo à disposição do empregador; iii) não é recebido em razão de interrupção do pacto laboral; iv) por fim, não é pago em razão de ajuste constante do contrato individual ou coletivo de trabalho. Tratase, portanto, de verba paga pelo empregador ao trabalhador para que esse assine um contrato de trabalho, nos termos ajustados pela parte, não integrando o contrato de trabalho e nem refletindo, para fins fiscais ou trabalhistas, como decorrência desse contrato. Eventuais inadimplementos na execução do ajuste, por qualquer das partes, deve ser demandando na Justiça do Trabalho, por força do artigo 114 da Constituição Federal, porém sob as normas do Direito Civil. 3. Aspetos trabalhistas do Bônus de retenção: Dissemos, que o empregador que mantém vínculo com profissional diferenciado e disputado pelo mercado de trabalho já possui no contrato de trabalho firmado com esse trabalhador medidas de retenção. Porém, ninguém consegue manter uma blindagem absoluta de seus empregados. Existindo uma proposta de contratação desse profissional, por meio da oferta de um bônus, a forma de manutenção do atual contrato de trabalho é o pagamento, pelo empregador, do bônus de permanência, ou “retention bonus”, isto é, de um valor para que o convidado não aceite o hiring bonus, ou o pacote de remuneração ofertados e continue em seu emprego, não obstante por vezes ser necessário uma repactuação dos termos desse contrato, inclusive da remuneração. Assim, cabe a análise sobre a natureza jurídica da verba, segundo o caminho que percorremos para o bônus de contratação. Antes, uma diferença entre os dois pactos, exsurge. Enquanto o bônus de contratação é acordado previamente ao contrato de trabalho, tem na sua essência, como visto, o ajuste prévio, uma vez que o objeto desse acordo é a “obligatio facendi” , a promessa de contratar, no retention bonus já há o contrato de trabalho, ou seja, a obrigação de fazer do empregado resultante do novo pacto é a de manter contrato de trabalho, por ele continuar na relação laboral existente, com os ajustes que decorrerem do novo cenário. Fl. 1478DF CARF MF Processo nº 10314.729353/201419 Acórdão n.º 2201003.882 S2C2T1 Fl. 1.475 61 Assim, é da essência do bônus de contratação a inexistência do contrato de trabalho entre os contratantes. Ao reverso, no bônus de permanência há vínculo laboral vigente. A própria definição do bônus de retenção, sua motivação, já nos permite afastar a natureza remuneratória da verba devida em razão de interrupção do contrato de trabalho ou de tempo à disposição do empregador, pois, o trabalho continua sendo prestado, em regra, com o contrato plenamente vigente. Até por isso, se eventualmente o trabalhador não estiver prestando os serviços avençados, por motivos ensejados pelo contratante, seu tempo à disposição estará sendo remunerado pelo seu salário. Logo, o bônus de contratação não podendo ser considerado remuneração em razão de ser recebido pelo tempo à disposição do empregador, ou por conta de interrupção do contrato de trabalho, só nos resta analisar se ele decorre da própria prestação de serviços ou ainda de ajuste decorrente do contrato, individual ou coletivo de trabalho. Mais tormentosas se tornam tais verificações. Enfrentemos. Assentemos nosso pressuposto que o contrato de trabalho segue o curso usual, com a produção plena de seus efeitos:em essência, o empregado labora e o empregador remunera. Tal pressuposto lógico já nos leva a crer que o esforço do empregado na realização das tarefas inerentes à sua função, e acordadas, está sendo pago por meio de seu salário. Eventuais exigências adicionais, comprometimento com metas individuais ou coletivas, esforço na busca de qualidade, ou produção, suplementares, se acordadas, serão remuneradas por prêmios, bônus salariais, gratificações ajustados ou participação em lucros ou resultados. Nesse sentido, não vemos como encaixar o bônus de retenção como verba salarial de caráter contraprestacional. Pelo seu trabalho, pelo seu esforço usual ou suplementar, o empregado estará recebendo as verbas combinadas, constantes de seu pacote de remuneração. O ajuste que culmina no ‘retention bonus’ tem outra finalidade: demover o empregado da troca de emprego, do pedido de demissão. É sim cláusula acessória do contrato de trabalho ajustada em prol da manutenção deste. Tal motivação, a retenção do talento nos quadros da empresa, em nada se amolda ao caráter de contraprestação da verba salarial. Nem se diga que tal característica surge do próprio interesse que o empregador tem em manter o trabalhador, porque este realiza bem o seu mister, e daí desponta a natureza contraprestativa. Tal raciocínio padece do vício em que tudo que decorre do contrato de trabalho tem interesse fundado na essência desse pacto, a prestação de serviços. Vimos, que assim não é, pois, como contrato complexo que imputa às partes diversas obrigações e direitos, existem sim dispêndios obrigatórios realizados pelo empregador, como pagamentos de vantagens para o trabalhador (despesas com educação, por exemplo), que não ostentam natureza remuneratória, embora Fl. 1479DF CARF MF Processo nº 10314.729353/201419 Acórdão n.º 2201003.882 S2C2T1 Fl. 1.476 62 venham a ser – em última análise – úteis na realização do trabalho pelo empregado, resultando em vantagem para o empregador. Em resumo, pelo trabalho prestado o empregado está recebendo seu salário e, eventualmente, complementos salariais ajustados. O bônus de permanência não tem caráter contraprestativo, tem sim função de manter o contrato de trabalho vigente. Porém, ao ser cláusula acessória ao contrato de trabalho que imputa dever de pagar ao empregador, pode o retention bonus assumir feição salarial em razão da quarta característica da remuneração que o pagamento ajustado decorrente de pacto, individual ou coletivo, de trabalho possui. Não nos parece. Um pagamento por força do contrato de trabalho, para assumir feição salarial, mesmo que não decorra de um fazer específico (o que por óbvio atrairia a regra geral da remuneração que é a contraprestação), deve ser realizado com habitualidade, ou seja, tal pagamento não pode ser eventual, deve criar expectativa de recebimento pelo empregado. Com exemplo se entende melhor: um pagamento aos empregados do RH quando o resultado de marketing da empresa atingir determinado padrão só se torna salarial com a repetição do pagamento(*), ou ainda, com a publicização de que, ao alcançar determinado resultado, a empresa pagará o valor avençado. No exemplo, uma das duas condições deve ocorrer. Se houver a determinação de um resultado, mesmo que desvinculado do esforço do empregado, toda vez que esse resultado for obtido, o empregador deverá pagar o valor pactuado. Mesmo que indeterminado, ocorrendo o pagamento repetido, tal gratificação tornase ajustada pelo costume, assumindo feição salarial. Apoiados no exposto, podemos afastar a natureza salarial da verba paga a título de bônus de retenção em razão do ajuste no contrato. Não há, por óbvio, expectativa de recebimento, habitualidade de pagamento, tampouco obrigação do empregador em pagar tal valor. O empregado não espera receber tal valor, até porque, sua atenção – em regra –estará voltada à sua nova possibilidade de vínculo. Em outro giro, o empregador, nem sabe que tal proposta ocorreu, e não se pode considerar como usual a oferta de bônus de contratação ao longo da vida laboral do empregado, quando mais na constância um único vínculo de emprego. Tais conclusões afastam a habitualidade na concessão do retention bônus, ensejando ainda vislumbrarse pagamento único. Logo, não tem o bônus de retenção caráter salarial, uma vez que não decorre de contraprestação, não é recebido pelo tempo à disposição ou nos casos de interrupção do contrato de trabalho, nem mesmo seu recebimento decorre de uma verba ajustada por contrato individual ou coletivo de trabalho, paga com habitualidade ou que gere expectativa de recebimento pelo empregado. Fl. 1480DF CARF MF Processo nº 10314.729353/201419 Acórdão n.º 2201003.882 S2C2T1 Fl. 1.477 63 (*) A repetição do pagamento que leva à habitualidade, segundo doutrina e jurisprudência majoritárias, se dá com a terceira repetição num intervalo de dois anos, ou seja, até dois pagamentos nesse intervalo não criam a expectativa do recebimento e, portanto, não se tornam habituais" Alicerdados sobre os conceitos teóricos aplicáveis aos bônus de contratação e de retenção examinemos o caso em concreto. Como fonte de direito de crédito, a imputação fiscal precisa comprovar o pagamento da verba e imputar a incidência tributária sobre esta. Em que pesem algumas considerações sobre o relatório fiscal, observo que o Fisco comprovou o pagamento e motivou a incidência, com uma interpretação plausível, fundada na interpretação de que os bônus pagos sem previsão legal integram o salário de contribuição (item 4.12.3, fls 340). Por sua vez, o Recorrente alega a não incidência sobre as verbas denominadas bônus de retenção e de contratação, posto que não objetivam retribuição pelo trabalho prestado e sim a indenização por uma perda de trabalho ofertado em um caso, e no estímulo da aceitação de um posto de trabalho em outro (item 110, pág. 929). Vejamos se as alegações da Recorrente se confirmam no caso em concreto, uma vez que, na essência, tais alegações se coadunam com a natureza jurídica das verbas, examinada acima. Para tal verificação é imprescindível que se constate o motivo e a periodicidade do pagamento do bônus de contratação e de retenção, vez que sua existência só é cabível, nos termos conceituais acima explicitados, nas condições específicas de uma contratação de profissional impar no mercado e na retenção deste. Constato às folhas 1049, o documento que contém a política de recursos humanos da Recorrente (DSPOL253): "Diretrizes da política Bônus de retenção Os bônus de retenção podem ser oferecidos a empregados em circunstâncias específicas para estimulálos a permanecer na Cia. durante um período de tempo préestabelecido. Os bônus de retenção de empregados em operações descontinuadas são suplementares aos valores do plano de desligamento e reservados apenas para conservar o pessoal essencial durante o período de transição, onde o compromisso é para permanecer com a operação até o fim do período. Em geral, os bônus de retenção são iguais a um pagamento de 1% a 2 % do salário anual por mês, depositado ou acumulado durante o período de retenção, e são pagáveis em um valor total ao concluir o período ou condição(ões), desde que o empregado tenha continuado a mostrar desempenho satisfatório. (...) Bônus de contratação Fl. 1481DF CARF MF Processo nº 10314.729353/201419 Acórdão n.º 2201003.882 S2C2T1 Fl. 1.478 64 O bônus de contratação pode ser oferecido a empregados recentemente contratados em certas circunstâncias, sujeitas às aprovações apropriadas. Um bônus de contratação na forma de dinheiro ou Incentivos de Longo Prazo (LTI) pode ser concedido a empregados que são contratados ou recontratados na Família de Cias. da Johnson & Johnson, para compensar monetariamente ou em LTI, o que seria perdido ao deixarem sua Cia. anterior para trabalhar na Johnson & Johnson. O valor e a forma do prêmio de contratação serão avaliados em uma base de casoacaso e alinhados com as diretrizes de elegibidade do novo emprego. Esta política não se aplica a aquisições, que são tratadas sob a Política de Retenção. Os bônus de contratação podem ser dados em circunstâncias especiais, tais como: • Quando houver remuneração retida; • Para posições difíceis de serem preenchidas; • Para atrair um conjunto de habilidades únicas; • Quando a oferta de salário não puder ser mais alta devido à eqüidade interna ou nível de pagamento referente aos dados do mercado; • Quando os candidatos tiverem várias ofertas concorrentes; e, • Em situações de contratação críticas. Geralmente, os bônus de contratação são determinados observandose a diferença entre o pacote de remuneração total na organização anterior e o pacote de remuneração da Johnson & Johnson. Os bônus são criados para substituir remuneração "similar" por uma remuneração "similar" (isto é, dinheiro por dinheiro, LTI por LTI), com base nas diretrizes de elegibilidade do novo emprego" Patente a motivação da política de recursos humanos instituída pelo Contribuinte: de um lado a contratação de profissionais específicos ou com experiência estratégicas, ou ainda para reparar perdas que o profissional venha a obter em razão do aceite da nova oferta de trabalho; de outro, a retenção de trabalhadores específicos por determinado período de tempo com a finalidade de haver descontinuidade de negócios. Não se observa a incidência tributária previdenciárias sobre essas verbas, posto que não integram a remuneração percebida pelos empregados. Mister realçar que não há na imputação fiscal qualquer menção à repetição de pagamento da verba ao mesmo empregado, ao reverso há a comprovação, segundo o Recorrente, nas fichas financeiras apresentadas, da unicidade de pagamento das verbas (cód. 1290). Fl. 1482DF CARF MF Processo nº 10314.729353/201419 Acórdão n.º 2201003.882 S2C2T1 Fl. 1.479 65 Quanto às demais verbas contidas no lançamento a título de bônus (códigos 180 e 2110), denominadas bônus especial AAR e AAR1, me filio ao posicionamento do ilustre Relator, com ele concordando in totum, pelos mesmos motivos e fundamentos. Logo, dou provimento parcial ao recurso nessa parte para determinar a exclusão do lançamento dos valores pagos a título de bônus de incentivo, código 1290. FÉRIAS (FE)” Sobre o ponto, consta da imputação fiscal (item 4.14, fls. 341): "4.14 Passamos agora a analisar o grupo de rubricas identificado como "Férias", cujos valores pagos ocorreram por meio das seguintes rubricas: (...) 4.14.1 Em relação às férias, a Lei 8212/91 dispõe em seu artigo 28, § 9° que não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente, as importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do TrabalhoCLT (Redação dada pela Lei n° 9.528, de 10.12.97). 4.14.2 Conforme já mencionado anteriormente, a empresa foi intimada, por meio do Termo de Constatação e Intimação N° 8, a apresentar justificativas, fundamentação legal e documentos comprobatórios que explicassem o pagamento durante o ano de 2010 destas rubricas destacadas, sem que tivessem sido consideradas como base de cálculo da contribuição previdenciária. 4.14.3 Em resposta, o contribuinte tão somente alega que estes eventos não são rendimentos do trabalho, uma vez que não contra prestam a atividade que impôs ao trabalhador o status de segurado obrigatório do RGPS e, ao mesmo, alega que os pagamentos realizados mediante referidas rubricas foram eventuais. Salientese que não foram juntados quaisquer documentos ou explicações adicionais sobre as referidas rubricas. 4.14.4 Tendo em vista que, diante da ausência de documentos que dessem suporte à verificação de que estas rubricas se tratassem de férias indenizadas, e que o dispositivo legal ao estabelecer "exclusivamente", não deixa margem para a utilização do princípio da analogia, então estas rubricas são consideradas como base de cálculo da contribuição previdenciária neste relatório e respectivo auto de infração" (destaquei) A sua defesa, a Recorrrente argui que (fls.950): Fl. 1483DF CARF MF Processo nº 10314.729353/201419 Acórdão n.º 2201003.882 S2C2T1 Fl. 1.480 66 "144. Segundo se depreende do v. acórdão ora recorrido, entendeu o órgão julgador de origem que "os valores das rubricas de férias em folha de pagamentos não detêm o condão de esclarecer suas naturezas jurídicas, se remuneratórias ou indenizató rias (...). A alegativa de que o terço constitucional incidente sobre as férias tem caráter indenizatório não merece prosperar, visto que, quando o trabalhador efetivamente frui suas férias, o terço constitucional sobre elas incidente acompanha o caráter remuneratório destas, concedidos, ambos, "pelo" e não "para" o trabalho". 145. Para demonstrar o equívoco da decisão recorrida, devemos iniciar a análise da natureza jurídica do terço constitucional a partir da Magna Carta. Neste sentido, o inciso XVII do artigo 72 da Constituição Federal confere ao empregado gozo de férias anuais remuneradas com, pelo menos, um terço a mais do que o salário normal. Esse adicional, diferentemente das férias, não se caracteriza como salário, mas como indenização à supressão da possibilidade de outras remunerações no período de férias. 146. O adicional de férias, portanto, tem por escopo proporcionar ao trabalhador (lato sensu), no período de descanso, a percepção de um reforço financeiro, a fim de que possa usufruir de forma plena o direito constitucional do descanso remunerado." (destaques não constam do recurso) A solução da questão já foi examinada no preâmbulo do nosso voto ao estudarmos o conceito de remuneração. Recordemos: somente as verbas paga a título de: i) contraprestação; ii) tempo a disposição do empregador; iii) nos casos de interrupção do contrato de trabalho; e iv) por força de lei ou de ajuste constante do contrato, coletivo ou individual, de trabalho. Dessa constatação, decorre que as verbas pagas a título de indenização, por não integrarem o conceito de remuneração, não podem sofrer incidência de contribuições previdenciárias. Tais conceitos se aplicam no deslinde da questão em apreço. Há sim incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a título de férias, mas somente pelas férias gozadas e nunca nas modalidades de férias indenizadas, como por exemplo, nas férias vencidas, férias proporcionais ou féria pagas em dobro. Necessário ressaltar, com tintas fortes, que o terço constitucional de férias, com explicitamente posto na Carta de 1988, é um adicional sobre o salário normal, logo somente integra o salário de contribuição no caso das férias gozadas. Relembremos o texto constitucional (art. 7, inciso XVII): "XVII gozo de férias anuais remuneradas com, pelo menos, um terço a mais do que o salário normal" (negritei) Fl. 1484DF CARF MF Processo nº 10314.729353/201419 Acórdão n.º 2201003.882 S2C2T1 Fl. 1.481 67 Inegável a aplicação do brocardo jurídico de que a sorte do acessório segue o principal no caso em análise. Se o valor pago a título de férias integrar o salário de contribuição, o terço constitucional também o integrará; caso contrário, não! Assim, em razão do lançamento se basear em complementação de valores pagos a título de féria proporcionais ou seja, valores relativos a período proporcional de aquisição de férias, pagos nas rescisões do contrato de trabalho não se verifica a incidência tributária em discussão em razão do caráter indenizatório da verba paga. Do exposto, forçoso dar provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento os valores pagos a título de férias proporcionais (códigos 1520, 1550, 1580, 600, 630, 6857) Por concordar com o entendimento do eminente Relator nos demais pontos, passo a conclusão de meu voto. CONCLUSÃO Por todo o exposto e com base nos fundamentos apresentados, em meu voto e no voto do Conselheiro Relator, voto por dar provimento parcial ao recurso para: I. Excluir do lançamento da contribuição previdenciária patronal as seguintes verbas: a. indenizações representadas pelos códigos 1010, 1430, 1445, 1480, 1650, 1660, 1850 e 1860; constantes do item 4.11.1 do Relatório Fiscal (fls. 335); b. complementação de auxílio doença, identificado pelos códigos 760, 761 e 765; constantes do item 4.11.18 do Relatório Fiscal (fls. 338); c. bônus de incentivo, identificado pelo código 1290, constante do item 4.12 do Relatório Fiscal (fls. 339); d. férias proporcionais, identificadas pelos códigos 1520, 1550, 1580, 600, 630, 6857; constantes do item 4.14 do Relatório Fiscal (fls. 341); e. “Aviso Prévio Indenizado” (1440); f. “13º Salário Aviso Prévio Indenizado” (1470) g. “Dif Aviso Prévio Inden” (6869); II. Em relação ao lançamento da diferença da contribuição ao RAT: Fl. 1485DF CARF MF Processo nº 10314.729353/201419 Acórdão n.º 2201003.882 S2C2T1 Fl. 1.482 68 c) Afastar a cobrança relativa ao estabelecimento de CNPJ nº 54.516.661/000284, ante a correta apuração pelo contribuinte; e d) Determinar que a unidade preparadora corrija o valor cobrado dos demais estabelecimentos filiais (002732, 004867, 004948 e 005839) em conformidade com a tabela elaborada pela autoridade lançadora, constante do item 7.10 do Relatório Fiscal. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Fl. 1486DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.720120/2015-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 13 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Nov 23 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2402-000.634
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, converter o julgamento em diligência, retornando-se o Processo Administrativo Tributário PAF à origem, devendo esse ficar ali sobrestado caso o processo administrativo relativo ao Fator Acidentário de Prevenção FAP ainda nã ose encontre definitivamente julgado ou, caso contrário, que seja juntada a decisão administrativa relativa ao FAP ao PAF, restituindo-se o processo administrativo fiscal ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para retomada do julgamento do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci, Ronnie Soares Anderson, Fernanda Melo Leal, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho, Mauricio Nogueira Righetti.
Nome do relator: JAMED ABDUL NASSER FEITOZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, converter o julgamento em diligência, retornandose o Processo Administrativo Tributário PAF à origem, devendo esse ficar ali sobrestado caso o processo administrativo relativo ao Fator Acidentário de Prevenção FAP ainda nã ose encontre definitivamente julgado ou, caso contrário, que seja juntada a decisão administrativa relativa ao FAP ao PAF, restituindose o processo administrativo fiscal ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para retomada do julgamento do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci, Ronnie Soares Anderson, Fernanda Melo Leal, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho, Mauricio Nogueira Righetti. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .7 20 12 0/ 20 15 -7 9 Fl. 1248DF CARF MF Processo nº 16327.720120/201579 Resolução nº 2402000.634 S2C4T2 Fl. 2.055 2 RELATÓRIO Após análise do mesmo, resolvemos adotar parte do relatório da decisão recorrida, vez que delineia adequadamente os fatos e os fundamentos do lançamento, da impugnação e dos incidentes ocorridos até então: "Compõe o presente processo o auto de infração 51.060.8310 (parte patronal sat/rat), lavrado em 8/2/2015, com valor originário (sem multa acessória ou juros), de R$ 41.404.607,11. Como motivação do lançamento, consta, no Relatório Fiscal de folhas 885 a 896, o seguinte: ... 2. Do Objeto do Lançamento 2.1 Este Relatório é parte integrante do Auto de Infração de Obrigações Principais AIOP Debcad n° 51.060.8310, relacionado a diferenças de contribuições sociais apuradas pela fiscalização correspondentes à parte destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho RAT (parcela relativa ao Fator Acidentário de Prevenção FAP) sobre a contribuição dos empregados de janeiro a dezembro de 2011 (FAP 2011). 2.2 O AIOP Debcad n° 51.060.8310 foi incorporado ao Processo Administrativo Fiscal PAF n° 16327.720.120/201579. 2.3 Em 30 de novembro de 2010, o Banco Santander impetrou o Recurso Administrativo n° 1011030001443/011 junto ao Ministério da Previdência Social objetivando contestar o FAP que lhe foi atribuído para o exercício de 2011. 2.4 Decisão de 1ª instância, publicada no Diário Oficial da União em 18 de janeiro de 2013, alterou o FAP 2011 do banco, de 1,4804 para 1,4754. 2.5 Em prosseguimento, em 19 de fevereiro de 2013, o banco interpôs Recurso Voluntário em 2a instância (1011030001443/012) contra a decisão que indeferiu em parte a contestação apresentada, o qual não foi apreciado até o presente momento. 2.6 De acordo com o § 30, do art. 202B, incluído pelo Decreto n° 7.126/10, ao Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06 de maio de 1999, o processo administrativo interposto para a contestação do FAP atribuído às empresas pelo Ministério da Previdência Social tem efeito suspensivo. 2.7 O contribuinte possui recurso administrativo em curso. Desta feita, a exigibilidade do crédito tributário encontrase suspensa pela hipótese prevista no Fl. 1249DF CARF MF Processo nº 16327.720120/201579 Resolução nº 2402000.634 S2C4T2 Fl. 2.056 3 inciso III, do art. 151, do Código Tributário Nacional. O lançamento ora realizado dáse, portanto, para a constituição do crédito e prevenção da decadência no interesse da Fazenda Nacional. 3. Do Período do Lançamento do Crédito 3.1 Diferença de Alíquota RAT Ajustada pelo FAP janeiro a dezembro de 2011. 4. Dos Fatos Geradores 4.1 Constituem fatos geradores das contribuições ora lançadas as remunerações pagas aos empregados, durante o exercício de 2011, sobre as quais não foram recolhidas as contribuições ao RAT com o ajuste pelo FAP. 4.2 Foram examinados, durante a auditoria fiscal, documentos tais como Livros Diário e Razão, Folhas de Pagamento, Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP, Guias da Previdência Social GPS, Declarações de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica DIPJ e Declarações do Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF. 4.3 Os valores das contribuições ao RAT ajustado pelo FAP foram apurados através dos salários de contribuição informados pela empresa em GFIP. 4.4 Esses valores encontramse demonstrados nos campos próprios do Relatório de Lançamentos RL em anexo. 5. Da Contribuição Relativa ao RAT ajustada pelo Fator Acidentário de Prevenção... 5.20 A empresa em questão, tendo como atividade econômica o setor dos "bancos múltiplos, com carteira comercial", passou, com as mudanças adivindas do Decreto n° 6.042/07, a partir de julho de 2007, a enquadrarse no CNAE 64221. Ademais, a partir de janeiro de 2010 tem a sua alíquota básica RAT definida em 3% (três por cento), conforme as mudanças implementadas pelo Decreto n° 6.957/09. 5.21 Para o ano de 2011, o FAP atribuído ao Banco Santander foi de 1,4754, após decisão favorável em Ia instância no Processo Administrativo n° 1011030001443011. Desta feita, seu RAT Ajustado é igual a sua alíquota básica RAT, qual seja 3%, multiplicada pelo FAP, ou seja, 3% x 1,4754, Çlue resulta em 4,4262% (alíquota final RAT a ser observada durante o exercício de 2011). 5.22 Durante a auditoria verificouse que, no período de janeiro a dezembro de 2011, do valor total da alíquota relativa à contribuição ao RAT Ajustada, qual seja, 4,4262%, que deveria incidir sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer de cada mês, aos segurados empregados, o contribuinte não recolheu o montante acrescido à alíquota RAT básica pelo FAP, tendo recolhido somente 3%. Ademais, para tal período foram declarados em GFIP: alíquota RAT de 3% e fator FAP de 1,00. Desta feita, nas competências em que a parcela acrescida à alíquota RAT pelo FAP não foi recolhida nem declarada, foram levantadas as diferenças entre os valores devidos e os efetivamente pagos. Fl. 1250DF CARF MF Processo nº 16327.720120/201579 Resolução nº 2402000.634 S2C4T2 Fl. 2.057 4 5.23 O crédito foi apurado tendo como base os valores dos salários de contribuição dos empregados informados em GFIP, conforme Demonstrativo de Contribuição ao RAT Ajustado pelo FAP 2011. ... A ciência do lançamento se deu em 20/2/2015, por procuração, conforme folhas de rosto das autuações. As impugnações foram apresentadas às folhas 906 e seguintes em 24/3/2015, por procuração, nos seguintes termos: Preliminarmente, informa que não houve desistência de sua inconformidade no processo 101103001443/01, “interposto muito antes do início do presente processo administrativo fiscal”. Assim, requer a apreciação dos argumentos de mérito expostos. Em seguida, narra que o RAT deve ser, nos termos legais, de alíquota de 1% a 3% e que o Fator Acidentário de Prevenção (FAP) é um multiplicador variável situandose entre 0,5 e 2,0 sobre a alíquota anterior. Através de “decisão de 1ª instância em procedimento administrativo específico, foi atribuído ao Impugnante o FAP de 1,4754” (folha 912, folha 7 da impugnação). Entende que o FAP imputando é incongruente com sua realidade fática, posto que os acidentes de seus empregados ocorrem em locais distantes de seu poder de gestão. Assim, seria imprescindível o recálculo de seu índice. Alega também inconstitucionalidade para o fator, por ferir princípios constitucionais basilares do Direito Tributário. Entende que a variação do RAT via FAP leva a alíquotas não previstas legalmente com autorização constitucional adequada. A variação do índice encontrarseia apenas em decreto, o que ofende a legalidade. Entende também que os dados utilizados para o seu cálculo são inacessíveis, ofendendo o princípio da publicidade. Também haveria contrariedade ao previsto no art. 195, §9º1 da Constituição Federal, na medida em que, ao contrário do RAT, que se baseia na atividade econômica, é obtido “a partir de índices de freqüência, gravidade e custo” (folha 917). Alega que o FAP não observou o Princípio da Proporcionalidade, por ter majorado a alíquota do RAT em 47,54% pelo desembolso de 575 registros de acidentes, 506 nexos técnicos previdenciários sem CAT e 759 auxíliosdoença por acidente do trabalho no período 2008 e 2009. A redução efetuada de ofício, de 1,4804 para 1,4754 denotaria notórios equívocos na composição de seu Fl. 1251DF CARF MF Processo nº 16327.720120/201579 Resolução nº 2402000.634 S2C4T2 Fl. 2.058 5 montante. Por isso, esse índice deve ser mantido em 1,00. Efetua cálculos para demonstrar que os custos demandados contra o INSS seriam da ordem de vinte e nove milhões, ao passo que o alargamento da alíquota demandaria mais de cinqüenta e sete milhões a serem pagos. Aduz, também, que o FAP colide com o conceito de tributo previsto no art. 3º do Código Tributário Nacional (CTN) e com o Princípio da Isonomia, uma vez que a análise de sua estipulação é personalizada, impedindo a comparação perante os demais contribuintes. Outra ilegalidade do FAP seria a perda da referibilidade, entendida como vínculo entre o valor da exação e do benefício, uma vez que as alíquotas de 1%, 2% e 3% de RAT sempre foram consideradas pela Previdência Social suficientes para fazer frente aos benefícios acidentários. Entende que o presente lançamento deveria ser sobrestado até o trânsito em julgado do processo administrativo que tramita no Ministério da Previdência Social, aplicandose, subsidiariamente, o disposto no art. 265, IV do Código de Processo Civil (CPC), vez que se trata de fato prejudicial. De outro lado, tendo em vista que a autuação foi lavrada para prevenir decadência, as contribuições ao RAT, com ajustes do FAP, são inexigíveis, onde se conclui que a multa de ofício é indevida. Conjuga o art. 202B, §3º do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999, com o art. 632 da Lei 9.430/1996. Entende o cabimento desse último pela sua situação fática peculiar. Por último, alega ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa, ao raciocínio de que multa é penalidade pecuniária, e não tributo. Pede, ao final, o provimento da impugnação com a extinção do crédito tributário lançado e o cancelamento integral do auto de infração. Alternativamente, pede o cancelamento da multa de ofício e o afastamento dos juros sobre a multa. Acompanha cópias de documentos, procurações e atas." Em seu recurso, de fls. 1.182 usque 1.212, pretende o Recorrente, ver modificado o acórdão de fls. 1.167/1.175, da 5ª Turma de Julgamento da DRJ/JFA, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação de fls. 906/928, mantendo o crédito tributário exigido. Alega o recorrente, preliminarmente, que o auto de infração foi lavrado tão somente para evitar a decadência, uma vez que o crédito ora perseguido estaria suspenso, posto que interposto recurso administrativo nº 101103001443/01. Além disso, aduz estar eivado de nulidade o auto de infração, uma vez que o RAT teria sido apurado de forma equivocada, uma vez que alíquota apurada pela d. Fiscalização estaria acima do que determinado na legislação, bem como que deveria ter sido constituído com base no FAP originalmente publicado pelo MPS. Fl. 1252DF CARF MF Processo nº 16327.720120/201579 Resolução nº 2402000.634 S2C4T2 Fl. 2.059 6 Assim, haveria, de pronto, a necessidade de cancelamento do auto lavrado, eis que não preencheria os requisitos necessários (liquidez e certeza) para o prosseguimento do processo administrativo. Ainda preliminarmente, assinala a inexistência de renúncia à esfera administrativa no Ministério da Previdência Social. Nesse passo, ratifica os termos de sua Impugnação no sentido da suspensão da exigibilidade do crédito em testilha, na forma do art. 151, inc. III, do Código Tributário Nacional. No mérito, aduz a incoerência da alíquota utilizada, uma vez que apartada da realidade fática “documentalmente comprovada no que tange aos acidentes de trabalho sofridos por seus empregados, o que torna absolutamente desproporcional a majoração do FAP” (palavra por palavra, fls. 1.195/1.196). Segue aduzindo que os eventos que serviram para o cálculo como espécie acidentária “carecem de fundamentos”, uma vez que a Previdência Social, não teria levado em consideração o ambiente de trabalho dos beneficiários, de tal modo que estaria evidente a improcedência dos números apurados pela Previdência Social. Por estar baseado em tais premissas, o presente lançamento estaria, por via de consequência, com defeitos insanáveis, a saber, a liquidez e certeza. Acentua que o “peso” dos critérios estabelecidos para cálculo do tributo não estariam definidos em Lei, motivo pelo qual afastamse do princípio da estrita legalidade tributária, tornandose, assim, seu total descabimento. Acrescenta que há completa contrariedade ao artigo 195, §9º da Carta da República, eis que o resultado da manipulação decorrente do FAP não haveria obedecido às imposições fundamentais. Em sequência, precisa que há, no presente caso, cobrança completamente abusiva e distante do princípio da proporcionalidade, uma vez que, se a tese se assenta, os valores a serem pagos, mensalmente, pelo contribuinte, seriam exorbitantes. No mais, reprisa os mesmos argumentos lançados em sua Impugnação acerca da impossibilidade de cobrança de multa de ofício, bem como da ilegalidade na cobrança de juros sobre a multa. Assim, pugna pelo integral cancelamento do auto de infração. É o relatório. Fl. 1253DF CARF MF Processo nº 16327.720120/201579 Resolução nº 2402000.634 S2C4T2 Fl. 2.060 7 VOTO Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator O recurso é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade dispostas no Decreto 70.235 de 06 de março de 1972, razão pela qual deve ser conhecido. Da necessidade de sobrestamento do presente processo administrativo fiscal até a conclusão do processo administrativo nº 1011030001443/01. A Fiscalização relata que, no período compreendido entre janeiro e dezembro de 2011 a alíquota do RAT aplicável ao Recorrente era de 3%, em conformidade com o Decreto no 6.042/2007. Com as alterações promovidas pelo Decreto no 6.957/2009, foi atribuído ao Recorrente FAP correspondeu a 1,4754. O mesmo recorre da decisão do Ministério da Previdência Social e obteve decisão favorável em 1ª instância no procedimento administrativo que discute os índices do FAP imputados ao Recorrente, ainda pendente de decisão definitiva. Em decorrência de tal decisão, a alíquota básica do RAT (3%), multiplicada pelo FAP (1,4754), resultou na alíquota final de RAT ajustado de 4,4262% para ano de 2011 ("RAT Ajustado"). Com efeito, no período autuado, o Recorrente (i) recolheu a contribuição previdenciária relativa ao RAT à alíquota de 3%; e (ii) em função do processo administrativo que discute o índice do FAP 2011 suspender a exigibilidade da parcela referente ao RAT ajustado, não houve o recolhimento dessa quantia. A decisão emitida no processo de revisão da FAP foi parcialmente procedente, e, em razão disto, o Banco, interpôs Recurso Voluntário (vide Doc. 03 da impugnação) contra a decisão que indeferiu parcialmente a contestação de FAP apresentada, e referido recurso ainda estar pendente de apreciação e julgamento no momento da lavratura do auto de infração, o lançamento de ofício se deu com a exigibilidade suspensa, tão somente para prevenir a decadência. De fato, o processo Administrativo nº 1011030001443/01 teria impacto no presente feito, eis que em sendo acolhida a pretensão do Recorrente, restaria nulo o presente lançamento. Seguir com este processo sem a decisão final quanto a correta alíquota aplicável, seria atentatório a segurança jurídica. Outrossim, não vislumbramos hipótese de nulidade do lançamento, eis que, uma vez confirmada a alíquota tomada por base pela fiscalização, assistiria razão a fazenda, devendo ser declarado improcedente o recurso. Este relator acredita, que para o caso em questão, o mais adequado seria deferir o pedido de sobrestamento apresentado pelo recorrrente, devendo o processo aguardar na origem até a ultimação do processo administrativo nº 1011030001443/01 Recentemente, este colegiado acordou por sobrestar processo cujo credito estaria com exigibilidade suspensa em razão de parcelamento ativo. Tratase de processo de Relatoria do Conselheiro Mario Pereira de Pinho Filho, acórdão nº 2402005.915 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 05 de julho de 2017. Fl. 1254DF CARF MF Processo nº 16327.720120/201579 Resolução nº 2402000.634 S2C4T2 Fl. 2.061 8 Vejamos, na ocasião, o que foi decidiu pela turma: "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso da Petrobrás, conhecer do recurso da BJ Service do Brasil Ltda, determinando o sobrestamento do processo na unidade de origem até a quitação do parcelamento, quando este deverá ser arquivado, ou retomandose a análise do recurso da BJ Service do Brasil Ltda caso haja a rescisão de referido parcelamento em conformidade com a Portaria RFB nº 2.284/2010. Votaram pelas conclusões os conselheiros Ronnie Soares Anderson e Luis Henrique Dias Lima." Em que pese não ser a mesma situação jurídica a gerar a suspensão da exigibilidade do crédito, os valores jurídicos resguardados são os mesmos, em especial a segurança jurídica. Assim, não vemos como deixar de conceder o pedido do recorrente no que se refere ao sobrestamento. Como não é competência deste colegiado apresentar manifestação quanto a alíquota de FAP, emitir decisão quanto a lançamento antes da definição do processo administrativo em questão, representa uma verdadeira escolha de Sofia. em que restaria sacrificada a segurança jurídica ou a legalidade. Em se confirmando a alíquota, se confirma também a legalidade do lançamento, em sendo provido o recurso do Recorrente junto a MPS, restaria anulado o auto de infração por aplicação de alíquota diversa da definida em lei. Estamos diante de situação sui generis, eis que a legalidade deste lançamento está condicionada a decisão de outro processo administrativo de competência de órgão da administração pública com poderes para definição da alíquota aplicável ao caso. Notem que por lei a exigibilidade do crédito está suspensa, assim, não haveria qualquer prejuízo em aguardar a definição da alíquota aplicável, em contrapartida, decidir o presente feito sem tal definição, a dependem do resultado obtido neste colegiado, combinado com o resultado do processo junto ao MPS, poderia implicar em prejuízo à fazenda pública ou ao recorrente. Ante ao exposto, apresentamos proposta de resolução no sentido de converter o julgamento em diligencia para que os autos sejam baixados a origem para verificação quanto ao andamento do processo administrativo nº 1011030001443/01, estando ultimado, apos instruído com as peças referentes, o processo deverá retornar para novo julgamento, caso ainda esteja pendente de decisão, os presentes autos devem aguardar na unidade de origem, retornandose o recurso para julgamento após a definição, pelo MPS, da alíquota aplicável. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Fl. 1255DF CARF MF
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Numero do processo: 10925.001183/94-39
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Mon Oct 18 00:00:00 UTC 1999
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
A omissão da data e da hora da lavratura do auto de infração,
constitui descumprimento do inciso II do art. 10 do Decreto
70235/72, sem acarretar, porém, a nulidade do ato, uma vez que
plenamente sanável como efetivamente o foi nos presentes autos.
Provido o Recurso Especial da Fazenda Nacional
Numero da decisão: CSRF/03-03.057
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, e retornar os autos à Câmara de origem para apreciação do mérito, na forma do relatório e voto que passa a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Joao Holanda Costa
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MINISTÉRIO DA FAZENDA -- •.. #5 CAMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA TURMA -------, ; 'Iro Processo n° :10925.001183/94-39 Matéria : IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO Recurso n° : RP/301-0.553 Recorrente : FAZENDA NACIONAL Recorrida : 1 a CÂMARA DO 3° CONSELHO DE CONTRIBUINTES Sujeito Passivo : PORTOBELLO AGROPECUÁRIA S/A Sessão de : 18 DE OUTUBRO DE 1999 Acórdão n° : CSRF/03-03.057 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL A omissão da data e da hora da lavratura do auto de infração, constitui descumprimento do inciso II do art. 10 do Decreto 70235/72, sem acarretar, porém, a nulidade do ato, uma vez que plenamente sanável como efetivamente o foi nos presentes autos. Provido o Recurso Especial da Fazenda Nacional Vistos, relatados e discutidos os presentes autos interposto pela FAZENDA NACIONAL. ACORDAM os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, e retornar os autos à Câmara de origem para apreciação do mérito, na forma do relatório e voto que passa a integrar o presente julgado. ,_---'"-- 7Erip- '5= ---_,----------7c.- -, _,..-- <,.., 1SON Pr---44 Re e RIGUES 7' PRESIDEN y ,-71. . ill/i/ I( J0k61-10LANDA COSTA RELATOR I Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros : CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, MOACYR ELOY DE MEDEIROS, HENRIQUE PRADO MEGDA, UBALDO CAMPELLO NETO e NILTON LUIZ BARTOLI. Ausente justificadamente o Conselheiro Fausto de Freitas e Castro Neto. RC Processo n° : 10925.001183/94-39 Acórdão n° : CSRF/03-03.057. RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL RECORRIDA : i a CÂMARA 3° CONSELHO DE CONTRIBUINTES RELATÓRIO E VOTO Com o Acórdão 301-28.351, de 23 de abril de 1.997, a Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, acolheu a preliminar de nulidade do auto de infração pelo fato de não constar desse documento a data e a hora de sua lavratura, considerando tais dados como essenciais à sua validade, na forma do contido. no inciso II do art. 10 do Decreto 70235/72. O relator buscou apoio na doutrina, mencionando o livro "Processo Administrativo Tributário" de autoria de A. A. Contreiras de Carvalho que tem esses requisitos, entre outros como obrigatórios e concorrentes, constituindo a preterição de um deles causa de invalidez do auto de infração, por haverem sido impostos em Lei. Foi, em consequência, declarado nulo o processo desde o auto de Infração, inclusive. O Voto discrepante foi no sentido de que em se tratando de irregularidade extrínseca, plenamente sanável como de fato o foi ante a remessa do auto de Infração através de AR e a impugnação tempestiva do recorrente, não há fundamento legal para declarar a nulidade. O vício de forma só se caracteriza no ato administrativo quando se trata de formalidade essencial. Ora, a essencialidade de fazer constar do auto de infração a data e a hora da lavratura tem por objetivo precípuo a contagem de prazo para a defesa. Prejuízo não sofreu o contribuinte "in casu" pois ele veio aos autos no prazo legal. Deste modo, a omissão da data e da hora foi sanada uma vez que, intimada por AR, a recorrente impugnou o feito. 7 , 2 Processo n° : 10925.001183/94-39 Acórdão n° : CSRF/03-03.057. A Fazenda Nacional, vem recorrer à Câmara Superior de Recursos Fiscais, para dizer que: "3. O art. 59 do Decreto n° 70235/72 dispõe que são casos de nulidade quando os atos e termos forem lavrados por pessoa incompetente ou com preterição do direitode defesa.. O dispositivo é taxativo, não permitindo interpretá-lo extensivamente. 4. Dessa forma, as demais imperfeições ou omissões dos atos, que não recaiam nas hipóteses acima, não acarretarão a nulidade dos mesmos, podendo ser sanáveis como de fato foi no caso dos presentes autos." Acolhendo, como de fato acolho, as razões do Voto Vencido e as da Fazenda Nacional, voto para dar provimento ao recurso especial, devendo, em consequência, retornar o processo à Câmara de origem para o julgamento do mérito. Sala de Sessões, 18 de outubro de 1999. -// JOAO/i-i AN DA COSTA 3 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1
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Numero do processo: 19515.002805/2005-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Oct 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/08/2000
GANHO DE CAPITAL. TRANSMISSÃO CAUSA MORTIS.
Na transferência de direito de propriedade por herança, os bens e direitos poderão ser avaliados a valor de mercado ou pelo valor constante da declaração de bens do de cujus. Se a transferência for efetuada a valor de mercado, a diferença a maior entre esse e o valor pelo qual constavam da declaração de bens do de cujus sujeitar-se-á à incidência de imposto de renda.
Se a transferência realizar-se pelo valor constante da declaração de bens do de cujus, não há fato gerador do imposto de renda e os sucessores devem adotar o valor pelo qual foram transferidos (na declaração final de espólio) para fins de registro desses bens em suas declarações.
Não cabe aos sucessores optar por adotar o valor de mercado, se não foi esse o valor pelo qual deu-se a transferência na Declaração Final de Espólio.
Numero da decisão: 2201-003.950
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, em dar provimento ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Carlos Henrique de Oliveira e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dione Jesabel Wasilewski - Relatora.
EDITADO EM: 16/10/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: DIONE JESABEL WASILEWSKI
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TRANSMISSÃO CAUSA MORTIS. Na transferência de direito de propriedade por herança, os bens e direitos poderão ser avaliados a valor de mercado ou pelo valor constante da declaração de bens do de cujus. Se a transferência for efetuada a valor de mercado, a diferença a maior entre esse e o valor pelo qual constavam da declaração de bens do de cujus sujeitarseá à incidência de imposto de renda. Se a transferência realizarse pelo valor constante da declaração de bens do de cujus, não há fato gerador do imposto de renda e os sucessores devem adotar o valor pelo qual foram transferidos (na declaração final de espólio) para fins de registro desses bens em suas declarações. Não cabe aos sucessores optar por adotar o valor de mercado, se não foi esse o valor pelo qual deuse a transferência na Declaração Final de Espólio. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, em dar provimento ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Carlos Henrique de Oliveira e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 28 05 /2 00 5- 39 Fl. 865DF CARF MF 2 EDITADO EM: 16/10/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls 176/188) apresentado em face de decisão (fls 163/165) que negou provimento à impugnação (fls 150/156) apresentada pelo sujeito passivo ao auto de infração pelo qual se exige crédito tributário relativo ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF, tendo por base de cálculo ganho de capital apurado na suposta transferência de bens no encerramento de espólio por valor superior ao declarado por este. Foi lançado imposto de renda sobre ganho de capital tendo em vista que a contribuinte apresentou DIRPF do exercício de 2001 declarando os bens que lhe foram distribuídos no encerramento do inventário de seu marido por valor superior àquele pelo qual estavam computados na Declaração Final do Espólio (fls 124/125). Originalmente, o lançamento (fl 129) foi realizado contra o espólio, contudo, tendo em vista o trânsito em julgado da decisão homologatória da partilha, foi atribuída responsabilidade aos sucessores, cabendo à viúva meeira a proporção de 50%, o que corresponderia ao seu quinhão. O auto de infração lavrado contra a recorrente encontrase a fls 142 e totaliza um crédito tributário de R$ 240.874,38. A impugnação rendeu ensejo ao Acórdão nº 1518.482 da 3ª Turma da DRJ/SDR (fls 163/165) que julgou procedente o lançamento. A ciência dessa decisão ocorreu em 26/09/2009 (fl 168), um sábado, e o recurso voluntário foi protocolado tempestivamente em 27/10/2009 (fls 176). Em suas razões recursais, a recorrente alega, em síntese, que: 1. preliminarmente, o auto de infração é nulo por falta de motivação, uma vez que a atribuição da responsabilidade com base no art. 131, II, do CTN não seria aplicável ao caso concreto porque não seria devido pelo de cujus e também não seria devido até a data da partilha; 2. no mérito, não houve ganho de capital por ausência de transferência de propriedade/titularidade dos bens objeto da partilha já que a recorrente seria casada com o de cujus sob o regime de comunhão universal de bens anteriormente à Lei nº 6.515/1977; 3. que na Declaração Final de Espólio os bens foram declarados pelo valor histórico e que, na sua declaração, teria consignado por engano os valores venais constantes da partilha, que serviriam apenas para fins de cálculo do Imposto sobre Transmissão Causa Mortis ou Doações ITCMD; Fl. 866DF CARF MF Processo nº 19515.002805/200539 Acórdão n.º 2201003.950 S2C2T1 Fl. 866 3 4. a Autoridade Fiscal deixou de considerar no cálculo do ganho de capital o percentual de redução sobre o ganho de capital apurado dos bens adquiridos até 31/12/1988. Ao fim do recurso, a recorrente requer: “(i) que, pela coincidência de objeto, vez que derivam da transferência de responsabilidade do espólio para a viúva meeira e herdeiros, os processos administrativos 19515.002803/200540 e 19515.002804/200594 sejam julgados em sessão conjunta destinada ao julgamento do presente Recurso; (ii) se entenderem por necessário, o presente Recurso seja convertido em diligência para apurar a verdade documental dos fatos alegados no presente Recurso; (iii) por fim, protesta pela sustentação oral perante este R. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Chegando a este Conselho, houve a conversão do julgamento deste processo em diligência, o que foi determinado pela Resolução nº 2801000.112 1ª Turma Especial, com o objetivo identificado no seguinte parágrafo: Diante destas considerações, para saneamento dos autos, e com vistas a formar convicção acerca da matéria posta em exame, VOTO pela conversão do julgamento em diligência, com a devolução dos autos à unidade de origem para que a contribuinte seja intimada a apresentar as matrículas/registros de todos os bens relacionados no Demonstrativo às fls. 135/136, e ainda, para que a autoridade lançadora, de posse destes novos documentos matrículas/registros dos bens porventura apresentados, e com base na documentação já constante do presente processo, possa identificar e informar quais os bens relacionados em seu Demonstrativo de Ganho de Capital às fls. 135/136 possuem registrado o gravame de incomunicabilidade. A recorrente se manifestou acerca da diligência determinada pelo documento de fls. 696/697, afirmando que restou evidenciado que "todos os imóveis que foram transferidos à Autuada após a partilha não apresentavam o gravame da cláusula de incomunicabilidade" e que "os imóveis relacionados nos itens 14, 15 e 16 do supramencionado demonstrativo possuem registrado o gravame de incomunicabilidade. No entanto, tais bens não foram transmitidos para a Autuada, nem por meação nem por herança, conforme comprovam as matrículas em questão". Essas conclusões foram ratificadas pela informação fiscal de fl. 842. Retornando a este Colegiado, o processo foi sorteado em sessão pública a esta Conselheira, em virtude da extinção da Turma Especial para o qual foi originariamente distribuído, bem como pelo fato de o Conselheiro Relator não mais integrar esta Seção (fl.858). Como providência preliminar ao julgamento, foi solicitada a reunião deste processo com os demais lavrados no curso da mesma ação fiscal (fls. 859/860), pedido que foi acatado pelo Sr. Presidente desta Turma Ordinária (fls. 861/862), mas negado pela Sra. Presidente da 2ª Câmara (fl. 863) e pelo Sr. Presidente da 2ª Seção (fl. 864). Fl. 867DF CARF MF 4 É o que havia para ser relatado. Voto Conselheira Dione Jesabel Wasilewski Relatora O recurso voluntário apresentado preenche os requisitos de admissibilidade e dele conheço. Preliminar Nulidade Ausência de motivação Em sede preliminar, a recorrente alega que o auto de infração é nulo por falta de motivação, uma vez que a atribuição da responsabilidade com base no art. 131, II, do CTN não seria aplicável ao caso concreto porque o tributo não seria devido pelo de cujus e também não seria devido até a data da partilha. O argumento apresentado pela recorrente, entretanto, não merece prosperar, conforme será evidenciado a seguir. O dispositivo legal invocado pela autoridade fiscal ao atribuir responsabilidade à recorrente tem a seguinte redação: Art. 131. São pessoalmente responsáveis: (...) II o sucessor a qualquer título e o cônjuge meeiro, pelos tributos devidos pelo de cujus até a data da partilha ou adjudicação, limitada esta responsabilidade ao montante do quinhão do legado ou da meação; Na interpretação conferida pela defesa, só seriam atingidas por este dispositivo as obrigações devidas pelo de cujus e não por seu espólio. Esta leitura contraria a literalidade do dispositivo em questão, uma vez que afirma textualmente que estão abrangidos por suas determinações os tributos devidos até a data da partilha. Por outro lado, conforme será evidenciado adiante, o tributo ora em discussão é apurado em função da partilha. Pelas razões expostas, nego provimento à preliminar argüida. Mérito O fato gerador em discussão está identificado no auto de infração como 31/08/2000 (fl. 132) e se reporta a "ganhos de capital na transmissão "mortis causa" por valor superior ao custo de aquisição". Segundo o art. 2º da Instrução Normativa SRF nº 81, de 2001, considerase espólio o conjunto de bens, direitos e obrigações da pessoa falecida. Fl. 868DF CARF MF Processo nº 19515.002805/200539 Acórdão n.º 2201003.950 S2C2T1 Fl. 867 5 Pelos esclarecimentos prestados pelo Manual de Perguntas e Respostas publicado anualmente pela Secretaria da Receita Federal do Brasil na rede mundial de computadores, embora a Lei Civil disponha que "aberta a sucessão, a herança transmitese, desde logo, aos herdeiros legítimos e testamentários", considerase indispensável o processamento do inventário, com a emissão do formal de partilha ou carta de adjudicação e a transcrição desse instrumento no registro competente, a fim de que o meeiro, herdeiros e legatários possam usar, gozar e dispor dos bens e direitos transmitidos causa mortis (pergunta 088 do manual publicado em 2017). E prossegue esse manual afirmando que, para fins da legislação tributária, a pessoa física do contribuinte não se extingue imediatamente após sua morte, prolongandose por meio do seu espólio. Assim, somente com a decisão judicial de inventário e partilha, extinguese a responsabilidade da pessoa falecida, dissolvendose, então, a universalidade de bens e direitos. A Declaração Final de Espólio corresponde ao anocalendário da decisão judicial da partilha e abrange o período de 1º de janeiro até a data dessa decisão. Esta declaração encerra a relação jurídica tributária entre o contribuinte (espólio) e o sujeito ativo (ente estatal tributante). A Lei nº 9.532, de 1997, contém dispositivo que disciplina eventual apuração do ganho de capital por ocasião da transmissão de bens e direitos no âmbito de herança, legado ou doação: Art. 23. Na transferência de direito de propriedade por sucessão, nos casos de herança, legado ou por doação em adiantamento da legítima, os bens e direitos poderão ser avaliados a valor de mercado ou pelo valor constante da declaração de bens do de cujus ou do doador. § 1º Se a transferência for efetuada a valor de mercado, a diferença a maior entre esse e o valor pelo qual constavam da declaração de bens do de cujus ou do doador sujeitarseá à incidência de imposto de renda à alíquota de quinze por cento. § 2o O imposto a que se referem os §§ 1o e 5o deverá ser pago: I pelo inventariante, até a data prevista para entrega da declaração final de espólio, nas transmissões mortis causa, observado o disposto no art. 7o, § 4o da Lei no 9.250, de 26 de dezembro de 1995; II pelo doador, até o último dia útil do mêscalendário subseqüente ao da doação, no caso de doação em adiantamento da legítima; III pelo excônjuge a quem for atribuído o bem ou direito, até o último dia útil do mês subseqüente à data da sentença homologatória do formal de partilha, no caso de dissolução da sociedade conjugal ou da unidade familiar. § 3º O herdeiro, o legatário ou o donatário deverá incluir os bens ou direitos, na sua declaração de bens correspondente à declaração de rendimentos do anocalendário da homologação Fl. 869DF CARF MF 6 da partilha ou do recebimento da doação, pelo valor pelo qual houver sido efetuada a transferência. § 4º Para efeito de apuração de ganho de capital relativo aos bens e direitos de que trata este artigo, será considerado como custo de aquisição o valor pelo qual houverem sido transferidos. § 5º As disposições deste artigo aplicamse, também, aos bens ou direitos atribuídos a cada cônjuge, na hipótese de dissolução da sociedade conjugal ou da unidade familiar. Pela literalidade do dispositivo transcrito, na transferência de direito de propriedade por sucessão, os bens poderão ser avaliados a valor de mercado ou pelo valor constante da declaração de bens do de cujus. Se a transferência for feita pelo valor de mercado, a diferença a maior deverá ser oferecida à tributação. O herdeiro deverá incluir os bens em sua declaração pelo valor pelo qual foi efetuada a transferência na declaração final de espólio e este é, necessariamente, o seu custo de aquisição. Pareceme claro que a opção pela transferência a valor de mercado realizase na Declaração Final de Espólio, sendo uma decisão do inventariante. É por essa razão que essa declaração contém uma coluna identificada como "situação na data da partilha" e outra "valor de transferência". Aos sucessores não cabe fazer qualquer opção, devendo adotar em suas declarações o valor pelo qual o bem foi transferido. Nesse sentido, transcrevo do Acórdão nº 2102002.325, de lavra da Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, o seguinte excerto: A Recorrente, por seu turno, defende que o custo de aquisição a ser considerado é de R$ 274.712,30, valor constante do formal de partilha e no Registro de Imóveis. Sua pretensão não merece acolhida. O art. 23 da Lei nº 9.532/97 assim dispõe acerca da apuração do ganho decapital em transferências por sucessão: Art. 23. Na transferência de direito de propriedade por sucessão, nos casos de herança, legado ou por doação em adiantamento da legítima, os bens e direitos poderão ser avaliados a valor de mercado ou pelo valor constante da declaração de bens do de cujus ou do doador. (...) Como se vê, para fins fiscais, o custo de aquisição deve ser para o sucessor herdeiro, como é o caso da Recorrente – o valor constante para o bem na Declaração final do Espólio. Para que fosse considerado aqui o valor do formal de partilha, como pretende a Recorrente, deveria o espólio ter feito constar este mesmo valor em sua declaração final – ocasião em que deveria ter também apurado e pago o ganho de capital então devido, o que não ocorreu. Fl. 870DF CARF MF Processo nº 19515.002805/200539 Acórdão n.º 2201003.950 S2C2T1 Fl. 868 7 Por essas razões, entendo absolutamente equivocado o lançamento realizado, já que a declaração final de espólio (fls. 4/13) registrou a transferência dos bens pelo seu valor histórico, fato não contestado pela fiscalização. Se a cônjuge meeira e os herdeiros registraram esses bens em suas declarações por valor diferente daquele pelo qual foram transferidos pelo espólio, laboraram em erro e os valores adotados devem ser corrigidos para fins de adequar o seu custo de aquisição. No mesmo erro incorreu a decisão de piso, quando procura vincular o valor de transferência na Declaração Final de Espólio com o valor adotado no formal de partilha. O art. 23 da Lei nº 9.532, de 1997, é claro ao estabelecer que o contribuinte poderá optar pelo valor de mercado ou pelo valor histórico dos bens (aquele registrado nas declarações do de cujus). Não há nada aqui que autorize a interpretação de que o contribuinte deve adotar os valores do formal, uma vez que este atende a interesses de outra ordem. Merece destaque, também, a seguinte orientação constante do manual de perguntas e respostas de 2017, que é parcialmente transcrita: TRANSFERÊNCIA DE BENS E DIREITOS 105 — Qual é o tratamento tributário aplicável à transferência de bens e direitos a herdeiros ou legatários? Estão sujeitas à apuração do ganho de capital as operações que importem transferência de propriedade de bens e direitos, por sucessão causa mortis, a herdeiros e legatários, quando a transferência dos referidos bens e direitos for efetuada por valor de mercado, desde que este seja superior ao valor, observada a legislação pertinente, constante da última declaração do de cujus. Nesse caso, a opção é informada na Declaração Final de Espólio, sendo este o contribuinte do imposto. O imposto deverá ser pago pelo inventariante até a data prevista para a entrega da Declaração Final de Espólio. No caso de transferência pelo valor constante na última declaração de bens do de cujus, não há ganho de capital a ser apurado. (grifouse) No mesmo sentido são as informações fornecidas pela Instrução Normativa SRF nº 84, de 2001, que deixa claro ser a opção fiscal dissociada da adotada na partilha: Art. 20. Na transferência de propriedade de bens e direitos, por sucessão causa mortis, a herdeiros e legatários; por doação, inclusive em adiantamento da legítima, ao donatário; bem assim na atribuição de bens e direitos a cada excônjuge ou ex convivente, na hipótese de dissolução da sociedade conjugal ou união estável, os bens e direitos são avaliados a valor de mercado ou considerados pelo valor constante na Declaração de Ajuste Anual do de cujus, doador, excônjuge ou exconvivente Fl. 871DF CARF MF 8 declarante, antes da dissolução da sociedade conjugal ou união estável. § 1o Nos casos em que o de cujus, doador, excônjuge ou ex convivente não houver apresentado Declaração de Ajuste Anual, por não se enquadrar nas condições de obrigatoriedade estabelecidas pela legislação tributária, a avaliação deve ser realizada em função do custo de aquisição conforme o disposto nos arts. 5o a 8o. § 2o O valor relativo à opção por qualquer dos critérios de avaliação a que se refere este artigo, que independe da avaliação adotada para efeito da partilha ou do pagamento do imposto de transmissão, deve ser informado na declaração: I final de espólio e na declaração do herdeiro ou legatário, correspondente ao anocalendário da transmissão; II do doador e donatário, correspondente ao anocalendário do recebimento da doação; III do excônjuge ou exconvivente a quem foi atribuído o bem, correspondente ao anocalendário da dissolução da sociedade conjugal ou união estável. § 3o Se a transferência for efetuada por valor superior ao constante na Declaração de Ajuste Anual referida no caput, ou do custo de aquisição referido no § 1o, a diferença a maior constitui ganho de capital tributável. § 4o Na hipótese do § 3o, o inventariante, no caso de espólio, o doador ou o excônjuge ou exconvivente a quem for atribuído o bem ou direito deve preencher o Demonstrativo de Apuração do Ganho de Capital e anexálo à Declaração Final de Espólio ou à Declaração de Ajuste Anual do anocalendário da doação ou da dissolução da sociedade conjugal ou união estável, conforme o caso. § 5o Na apuração de ganho de capital em virtude de posterior alienação dos bens e direitos de que trata este artigo, é considerado como custo de aquisição o valor a que se refere o § 2o. § 6o Para efeito do disposto no § 5o, a comprovação do custo, constante na Declaração de Ajuste Anual, é efetuada por meio de: I Declaração Final de Espólio, no caso de transmissão causa mortis; II Declaração de Ajuste Anual do doador, na doação, ou do ex cônjuge ou exconvivente declarante, na dissolução da sociedade conjugal ou da união estável, ou do documento comprobatório da aquisição, se o doador, excônjuge ou exconvivente estiver desobrigado da apresentação da declaração; III Documento de Arrecadação de Receitas Federais (Darf) relativo ao pagamento do imposto de que trata o § 3o, quando a avaliação houver sido efetuada por valor superior ao constante Fl. 872DF CARF MF Processo nº 19515.002805/200539 Acórdão n.º 2201003.950 S2C2T1 Fl. 869 9 na última Declaração de Ajuste Anual do de cujus, do doador ou excônjuge declarante, ou do § 1o, conforme o caso. § 7o Na cessão de direitos hereditários, cabe ao cedente apurar, em seu nome, o ganho de capital, considerando como custo de aquisição da parte cedida o valor que, proporcionalmente, lhe couber na partilha, constante na última Declaração de Ajuste Anual do de cujus. Portanto, entendo que o auto de infração é improcedente por não ter identificado corretamente a ocorrência do fato gerador tributário, uma vez que os fatos narrados não se enquadram na descrição contida na norma de regência. Ou seja, a indicação incorreta do custo de aquisição dos bens pelo meeiro ou herdeiros não constitui fato gerador do imposto de renda. Conclusão Com base no exposto, voto por conhecer o recurso voluntário apresentado para, rejeitada a preliminar de nulidade, no mérito, darlhe integral provimento. Conselheira Dione Jesabel Wasilewski Relatora Fl. 873DF CARF MF
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Numero do processo: 10280.723663/2013-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jul 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Oct 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2011
Ementa:
ESTOQUE DE PREJUÍZO FISCAL DE EXERCÍCIOS PRETÉRITOS. DEDUÇÃO ATÉ 30% DA BASE TRIBUTÁVEL DO IRPJ E DA CSLL. PROCEDIMENTO NÃO EXECUTADO PELA AUTORIDADE FISCAL. DEFERIMENTO NESTA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA JULGADORA.
O contribuinte faz jus a compensação de prejuízo fiscal/base de cálculo negativa de CSLL dos períodos anteriores, limitada a 30% do lucro real/base de cálculo positiva de CSLL do ano-calendário 2010, na forma do art. 58 da Lei nº 8.981/95 e do art. 15 da Lei nº 9.065/95.
GLOSA DE CUSTOS DOS BENS E SERVIÇOS VENDIDOS.UTILIZAÇÃO DE CRITÉRIO EQUIVOCADO, QUE MAJOROU OS CUSTOS DOS PRODUTOS VENDIDOS E REDUZIU INDEVIDAMENTE AS BASES TRIBUTÁVEIS. MANUTENÇÃO DA GLOSA DE CUSTO NO TOCANTE AOS BENEFÍCIOS INDEVIDAMENTE FRUÍDOS PELO CONTRIBUINTE. Caso fossem considerados os estoques sem as importações em andamento, critério utilizado até o ano antecedente ao da fiscalização, a diferença entre os estoques, parcela redutora do custo dos produtos vendidos (em decorrência do aumento do estoque final em face do inicial dentro no ano calendário), seria maior que a diferença dos estoques registrada na DIPJ do ano fiscalizado, ou seja, o novo e equivocado critério utilizado pelo contribuinte aumentou indevidamente o custo dos produtos de fabricação própria vendidos, a reduzir, em decorrência, as bases tributáveis do IRPJ/CSLL. Manutenção do critério de informação dos estoques, com glosa do aumento de custo indevidamente fruído pelo contribuinte.
IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA-IRPJ E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO-CSLL. SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
A ausência de fixação de metas claras de investimento em expansão ou modernização, para a concessão do benefício na lei e decreto que regulamentam sua concessão descaracterizam a subvenção como investimento. Os elementos trazidos aos autos demonstram que a concessão do benefício fiscal foi condicionada apenas à apresentação de projeto de viabilidade técnica, econômica e financeira, com indicadores bastante genéricos, no qual, em momento algum, a empresa se compromete a realizar investimentos para ampliar ou modernizar sua capacidade produtiva instalada. Assim, não se pode considerar o incentivo concedido como subvenção para investimento, mas sim uma subvenção para tornar a atividade desenvolvida pela empresa mais competitiva no mercado em que atua. Ou seja, trata-se de subvenção para custeio, não alcançada pela exclusão prevista no art. 443 do RIR/99 que deve ser incluída no lucro operacional, por expressa dicção do art. 392 do mesmo regulamento.
PIS E COFINS. RECEITA. CRÉDITO PRESUMIDO DO ICMS. SUBVENÇÃO PARA CUSTEIO. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO.
Não se aplica às estas contribuições sociais (PIS e Cofins), apuradas sob o regime não cumulativo, previstos nas leis 10.637 e 10.833/2002, a pecha de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98 quanto ao conceito de receita bruta, de modo que as receitas decorrentes das subvenções para custeio recebidas sob a forma de crédito presumido do ICMS devem compor a base tributável daquelas contribuições.
Numero da decisão: 1302-002.304
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso de ofício. Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário quanto ao ajuste de estoques; e, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso quanto a tributação da subvenção (investimento x custeio), vencidos os conselheiros Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Gustavo Guimarães da Fonseca, votando este último pelas conclusões do relator quanto ao Pis e a Cofins. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Redator Designado.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogerio Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Ester Marques Lins de Sousa, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado), e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA
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DEDUÇÃO ATÉ 30% DA BASE TRIBUTÁVEL DO IRPJ E DA CSLL. PROCEDIMENTO NÃO EXECUTADO PELA AUTORIDADE FISCAL. DEFERIMENTO NESTA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA JULGADORA. O contribuinte faz jus a compensação de prejuízo fiscal/base de cálculo negativa de CSLL dos períodos anteriores, limitada a 30% do lucro real/base de cálculo positiva de CSLL do anocalendário 2010, na forma do art. 58 da Lei nº 8.981/95 e do art. 15 da Lei nº 9.065/95. GLOSA DE CUSTOS DOS BENS E SERVIÇOS VENDIDOS.UTILIZAÇÃO DE CRITÉRIO EQUIVOCADO, QUE MAJOROU OS CUSTOS DOS PRODUTOS VENDIDOS E REDUZIU INDEVIDAMENTE AS BASES TRIBUTÁVEIS. MANUTENÇÃO DA GLOSA DE CUSTO NO TOCANTE AOS BENEFÍCIOS INDEVIDAMENTE FRUÍDOS PELO CONTRIBUINTE. Caso fossem considerados os estoques sem as importações em andamento, critério utilizado até o ano antecedente ao da fiscalização, a diferença entre os estoques, parcela redutora do custo dos produtos vendidos (em decorrência do aumento do estoque final em face do inicial dentro no ano calendário), seria maior que a diferença dos estoques registrada na DIPJ do ano fiscalizado, ou seja, o novo e equivocado critério utilizado pelo contribuinte aumentou indevidamente o custo dos produtos de fabricação própria vendidos, a reduzir, em decorrência, as bases tributáveis do IRPJ/CSLL. Manutenção do critério de informação dos estoques, com glosa do aumento de custo indevidamente fruído pelo contribuinte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 36 63 /2 01 3- 83 Fl. 885DF CARF MF Processo nº 10280.723663/201383 Acórdão n.º 1302002.304 S1C3T2 Fl. 886 2 IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICAIRPJ E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDOCSLL. SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. A ausência de fixação de metas claras de investimento em expansão ou modernização, para a concessão do benefício na lei e decreto que regulamentam sua concessão descaracterizam a subvenção como investimento. Os elementos trazidos aos autos demonstram que a concessão do benefício fiscal foi condicionada apenas à apresentação de projeto de viabilidade técnica, econômica e financeira, com indicadores bastante genéricos, no qual, em momento algum, a empresa se compromete a realizar investimentos para ampliar ou modernizar sua capacidade produtiva instalada. Assim, não se pode considerar o incentivo concedido como subvenção para investimento, mas sim uma subvenção para tornar a atividade desenvolvida pela empresa mais competitiva no mercado em que atua. Ou seja, tratase de subvenção para custeio, não alcançada pela exclusão prevista no art. 443 do RIR/99 que deve ser incluída no lucro operacional, por expressa dicção do art. 392 do mesmo regulamento. PIS E COFINS. RECEITA. CRÉDITO PRESUMIDO DO ICMS. SUBVENÇÃO PARA CUSTEIO. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO. Não se aplica às estas contribuições sociais (PIS e Cofins), apuradas sob o regime não cumulativo, previstos nas leis 10.637 e 10.833/2002, a pecha de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98 quanto ao conceito de receita bruta, de modo que as receitas decorrentes das subvenções para custeio recebidas sob a forma de crédito presumido do ICMS devem compor a base tributável daquelas contribuições. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso de ofício. 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Fl. 886DF CARF MF Processo nº 10280.723663/201383 Acórdão n.º 1302002.304 S1C3T2 Fl. 887 3 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogerio Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Ester Marques Lins de Sousa, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado), e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Por bem retratar o processo em análise, adoto o relatório da DRJ/REC à seguir colacionado, complementandoo ao final: “Em face do contribuinte COMPANHIA TEXTIL DE CASTANHAL, CNPJ/MF nº 05.389.812/000194, já qualificado neste processo, foi lavrado, em 22/11/2013 (fl. 48), autos de infração (fls. 46 e seguintes), com ciência postal em 09/12/2013. Ao contribuinte foram imputadas as infrações descritas abaixo, com multa de ofício ordinária no percentual de 75% sobre os tributos lançados: 1. glosa de custos dos bens e serviços vendidos em decorrência da superavaliação do estoque inicial, ocasionando o aumento do custo dos produtos vendidos e, consequentemente, redução do lucro real do fiscalizado, no anocalendário 2010, no importe de R$ 11.603.308,78, com lançamento do IRPJ e da CSLL; 2. exclusão indevida de subvenções, tratadas como para investimento, quando seriam para custeio, no importe global anual (AC2010) de R$ 6.296.807,47, com lançamento de IRPJ, CSLL, PIS/PASEP e COFINS. Assim a fiscalização motivou a primeira das infrações acima (fls. 80/81): (...) 1 – SUPERAVALIAÇÃO DO ESTOQUE INICIAL O acréscimo verificado entre o estoque final do período anterior e o estoque inicial do período seguinte evidencia a superavaliação dos estoques, com a consequente majoração dos custos. No caso em exame, a companhia registrou na DIPJ do ano calendário de 2009 o valor de R$ 11.884.500,52 a título de estoque final de produtos. Contudo, no ano posterior, ou seja, 2010, consignou na DIPJ estoque inicial de R$ 23.514.809,30. A superavaliação do estoque inicial ocasionou aumento do Custo dos Produtos Vendidos e, consequentemente, redução do lucro da empresa. Assim, a diferença escriturada a maior no estoque inicial do ano de 2010, de R$ 11.603.308,78 foi objeto da tributação. Não procede a justificativa da autuada para justificar a diferença: “Importante salientar que no balancete é demonstrado o total de R$ 23.411.203,00 no grupo estoque (1.1.5). A diferença de R$ 11.526.702,48 (R$ 23.411.203,00 – R$ 11.884.500,52) referese a valores que ainda não se tornaram efetivos, que é o caso da importação em andamento e também a Fl. 887DF CARF MF Processo nº 10280.723663/201383 Acórdão n.º 1302002.304 S1C3T2 Fl. 888 4 provisão de quebra de estoque que é mera conta retificadora, como segue: (...)”. Ora, como é possível valores que não se tornaram estoques efetivos em 31/12/2009, o sejam em 01/01/2010? Impossível. A explicação não convence. (grifo do original) Já quanto à segunda infração, a fiscalização asseverou que se tratava de incentivo fiscal concedido pelos Governos do Estado do Pará e do Amazonas que não exigiam nenhuma contrapartida, em termos de investimento, da empresa fiscalizada beneficiária. Assim, fiandose na interpretação do Parecer Normativo CST nº 112/78 e em soluções de consulta, ausente a comprovação do investimento a partir do incentivo recebido, devese computar o incentivo fiscal na base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Indo além, no que concerne ao PIS/PASEP e Cofins não cumulativos, tributos a que a fiscalizada estava sujeita, a subvenção para custeio integra a base de cálculo das contribuições citadas, na forma dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718/98. Inconformado com a imputação acima, o contribuinte, em 07/01/2014, apresentou impugnação ao lançamento, deduzindo as seguintes razões de defesa: 1. no tocante ao lançamento do IRPJ e da CSLL, a autoridade fiscal deduziu corretamente da base de cálculo o prejuízo fiscal e base de cálculo negativa do IRPJ e da CSLL, respectivamente, do próprio anocalendário 2010, porém o impugnante tinha saldo acumulado de prejuízos de anos anteriores, como se comprova com o LALUR acostado aos autos, fazendo jus ao direito de compensar 30% da base positiva do AC2010 com os prejuízos acumulados; 2. em relação à infração decorrente da variação do estoque, o que ocorreu de fato foi um mero erro de preenchimento da Ficha 04 da DIPJ/2011, por mudança no critério adotado sobre o valor de estoque que deveria ser lançado na ficha em referência. Explicase. Em 31/12/2009, o grupo contábil de estoque demonstrado no balancete da impugnante totalizada R$ 23.411.203,00, porém na Ficha 04, linha 20, da DIPJ/2010, o valor informado foi R$ 11.526.702,48. Tal diferença decorria das contas importação em andamento – juta, importações em andamento e provisão para quebra de estoque. As importações em andamento ainda não configuravam um estoque efetivo, foi adotado um critério de não considerá las como estoque final apenas para a informação na DIPJ, além disso, também não foi considerado como estoque a provisão para perdas. Ressalte se que não houve qualquer lançamento contábil que alterasse o valor dos estoques, de 31/12/2009 para janeiro de 2010, ou seja, a diferença de estoques somente refletiu na DIPJ/2010. “Ocorre que, ao elaborar a DIPJ/2011 anocalendário 2010, a impugnante cometeu um equívoco, pois ao invés de manter o critério adotado no ano anterior, ou seja, não considerar como estoque efetivo a importação em andamento, informou como estoque inicial o total do grupo contábil 1.1.5 na ordem de R$ 23.411.203,00, desconsiderando apenas a provisão para perda de estoque na ordem de R$ 103.606,30, o que determinou um estoque inicial de 2010 de R$23.514.809,30, divergindo desta forma do estoque final lançado em 2009 Fl. 888DF CARF MF Processo nº 10280.723663/201383 Acórdão n.º 1302002.304 S1C3T2 Fl. 889 5 na ordem de R$11.884.500,52. É importante salientar também, que no estoque final de 2010, seguiuse o critério de informar na DIPJ o saldo constante no grupo 1.1.5 do Balancete de 31/12/2010 (anexo VII), na ordem de R$ 29.647.101,09, desconsiderando apenas a provisão para a perda de estoque (conta 1.1.5.01.99 no valor de R$ 281.190,41, conforme segue: (...)” (fl. 99). Dessa forma, restou cristalino que se tratou de mero erro formal de preenchimento da DIPJ ocorrido em virtude da mudança do critério adotado para informar os estoques na Ficha 04, pois na DIPJ/2010 foi informado apenas o estoque já internado na sede da impugnante e na DIPJ/2011 foi informado o total do estoque contabilizado, desconsiderando apenas a provisão para perdas de estoque; 3. as subvenções para custeio são aquelas concedidas para as empresas com o intuito de fazer frente aos seus custos comuns e ordinários para a cobertura de prejuízos e déficits. Já as subvenções para investimento são aquelas destinadas à expansão, implementação de parque fabril, ao desenvolvimento de novas atividades econômicas, dentre outras finalidades do gênero, visando o desenvolvimento econômico de uma região ou estado. No caso destes autos, a subvenção foi concedida com base no Decreto nº 2.272/2006, do estado do Pará, cujos considerandos já demonstram que o intuito da concessão do benefício é atrair/manter empresas no estado para a expansão econômica, estando o incentivo contabilizado em conta de reserva de capital. Em linha oposta ao afirmado pela autoridade fiscal, o Decreto nº 2.272/2006 prevê contrapartidas em termos de investimento, só que não repisou as condicionantes que estão na Lei estadual nº 6.489/2002, que dispõe sobre a política de incentivos do desenvolvimento sócioeconômico do Estado do Pará, regulamentado pelo Decreto nº 5.615/2002. Devese registrar ainda que o impugnante apresentou Projeto Técnicoeconômico financeiro à Secretaria Executiva de Indústria, Comércio e Mineração – SEICOM onde explana todos os investimentos previstos para sua área de apuração. Com esse quadro, claramente o subvenção glosada pela autoridade fiscal é da espécie subvenção para investimento, devendo, assim, ser excluída da apuração do lucro real; 4. concluindo, tratandose de subvenção como investimento, temse uma opção do estado em abrir mão de parte de sua arrecadação em favor do contribuinte, portanto, não há que se confundir como receita, uma vez que nem sequer houve entrada de recursos, mas na verdade uma diminuição no desembolso do ICMS devido. Assim sendo, inviável compor a base de cálculo do PIS/PASEP ou Cofins.” A DRJ/REC ao se debruçar sobre o caso exarou o seguinte acórdão, litteris: Fl. 889DF CARF MF Processo nº 10280.723663/201383 Acórdão n.º 1302002.304 S1C3T2 Fl. 890 6 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 2011 ESTOQUE DE PREJUÍZO FISCAL DE EXERCÍCIOS PRETÉRITOS. DEDUÇÃO ATÉ 30% DA BASE TRIBUTÁVEL DO IRPJ E DA CSLL. PROCEDIMENTO NÃO EXECUTADO PELA AUTORIDADE FISCAL. DEFERIMENTO NESTA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA JULGADORA. O contribuinte faz jus a compensação de prejuízo fiscal/base de cálculo negativa de CSLL dos períodos anteriores, limitada a 30% do lucro real/base de cálculo positiva de CSLL do anocalendário 2010, na forma do art. 58 da Lei nº 8.981/95 e do art. 15 da Lei nº 9.065/95 GLOSA DE CUSTOS DOS BENS E SERVIÇOS VENDIDOS. UTILIZAÇÃO DE CRITÉRIO EQUIVOCADO, QUE MAJOROU OS CUSTOS DOS PRODUTOS VENDIDOS E REDUZIU INDEVIDAMENTE AS BASES TRIBUTÁVEIS. MANUTENÇÃO DA GLOSA DE CUSTO NO TOCANTE AOS BENEFÍCIOS INDEVIDAMENTE FRUÍDOS PELO CONTRIBUINTE. Caso fossem considerados os estoques sem as importações em andamento, critério utilizado até o ano antecedente ao da fiscalização, a diferença entre os estoques, parcela redutora do custo dos produtos vendidos (em decorrência do aumento do estoque final em face do inicial dentro no ano calendário), seria maior que a diferença dos estoques registrada na DIPJ do ano fiscalizado, ou seja, o novo e equivocado critério utilizado pelo contribuinte aumentou indevidamente o custo dos produtos de fabricação própria vendidos, a reduzir, em decorrência, as bases tributáveis do IRPJ/CSLL. Manutenção do critério de informação dos estoques, com glosa do aumento de custo indevidamente fruído pelo contribuinte. IRPJ. CSLL. SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO. DESCARACTERIZAÇÃO. Da leitura do Decreto nº 2.722/2006, do Estado do Pará, que deferiu a redução de 95% do ICMS, além de outros benefícios no âmbito do ICMS, vê se claramente que o incentivo foi deferido porque outros Estados estariam assim procedendo, ao arrepio do CONFAZ, ou seja, o incentivo fiscal decorreria de uma necessidade de equalização do ônus tributários interestadual, não havendo a exigência de qualquer investimento. Isso também pode ser visto no Projeto Técnicoeconômicofinanceiro enviado à Secretaria Executiva de Indústria, Comércio e Mineração – SEICOM, no qual se assevera que o projeto não incrementaria nenhum produto novo, além dos já tradicionalmente produzidos pelo autuado, podendo gerar, se as condições mercadológicas permitissem, lançamento de novos produtos. Ora, se não há a comprovação da aplicação de qualquer inversão para investimento, sendo um incentivo fiscal deferido unicamente para equalização de benefícios fiscais interestaduais, não se compreende como tal benefício pudesse ser encarado como subvenção para investimento. Fl. 890DF CARF MF Processo nº 10280.723663/201383 Acórdão n.º 1302002.304 S1C3T2 Fl. 891 7 Assim, à míngua de prova contundente de que a redução do ICMS deferida pelo Estado do Pará tenha sido utilizada para implantar, relocalizar, revitalizar ou ampliar o empreendimento industrial do contribuinte, devese manter intocada a infração imputada à fiscalizada, no âmbito do IRPJ e da CSLL, pois efetivamente a redução do ICMS recebida teve o fito de equalização das condições de concorrência do contribuinte com fabricantes de outros estados, sendo claramente uma subvenção para custeio, para operação da empresa. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. SUBVENÇÕES. CÔMPUTO NA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES CITADAS. CORREÇÃO DA IMPUTAÇÃO FISCAL. O PIS e a COFINS tem como base de cálculo o valor do faturamento (receita bruta) mensal auferido pela pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade exercida ou a classificação contábil adotada para suas receitas. As subvenções obtidas do poder público, tais como os créditos presumidos de ICMS, independentemente de sua classificação contábil, são receitas do subvencionado, devendo, portanto, integrar a base de cálculo da contribuição (Acórdão CARF nº 1402001.277). Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Os motivos suscitados pela DRJ para manter parcialmente a autuação foram, resumidamente, os seguintes: 1) A primeira defesa suscitada referese a não consideração, pela autoridade autuante, do estoque de prejuízos fiscais acumulados até o anocalendário 2009, inclusive, passíveis de serem compensados, até o limite da trava, com os resultados tributáveis de IRPJ e CSLL do anocalendário 2010. Compulsando o LALUR trazido pelo impugnante, vêse o registro de um estoque de prejuízo fiscal de R$ 11.402.867,54, em 31/12/2009 (fl. 196). Tal montante se encontra confirmado no sistema de controle de prejuízo fiscal/base de cálculo negativa da CSLL da Receita Federal (SAPLI), bem como igualmente há estoque de base de cálculo negativa de CSLL, como se vê abaixo: Fl. 891DF CARF MF Processo nº 10280.723663/201383 Acórdão n.º 1302002.304 S1C3T2 Fl. 892 8 Por relevante, devese anotar que, para os períodos posteriores ao AC2010, o SAPLI registra acréscimos de prejuízos fiscais/base de cálculo negativa de CSLL ano a ano, como se vê abaixo: Fl. 892DF CARF MF Processo nº 10280.723663/201383 Acórdão n.º 1302002.304 S1C3T2 Fl. 893 9 Fl. 893DF CARF MF Processo nº 10280.723663/201383 Acórdão n.º 1302002.304 S1C3T2 Fl. 894 10 Fl. 894DF CARF MF Processo nº 10280.723663/201383 Acórdão n.º 1302002.304 S1C3T2 Fl. 895 11 Fl. 895DF CARF MF Processo nº 10280.723663/201383 Acórdão n.º 1302002.304 S1C3T2 Fl. 896 12 Fl. 896DF CARF MF Processo nº 10280.723663/201383 Acórdão n.º 1302002.304 S1C3T2 Fl. 897 13 2) Glosa de custos dos bens e serviços vendidos em decorrência da superavaliação do estoque inicial (infração no importe de R$ 11.603.308,78) A autoridade fiscal imputou a infração em decorrência de o contribuinte ter majorado o estoque inicial na DIPJAC2010 em face do estoque final informado na DIPJAC2009, o que teria o condão de aumentar o custo das mercadorias vendidas (o custo das mercadorias vendidas = CMV = Estoque inicial + compras – estoque final), diminuindo o lucro tributável do AC2010. Devese anotar que o contribuinte, durante a fiscalização, havia asseverado que ratificava o valor do estoque final que constou na DIPJAC2009 (R$ 11.884.500,52), conforme balancete trazido aos autos. O valor majorado do estoque inicial que constou na DIPJAC2010 decorria apenas do cômputo de importações em andamento, as quais ainda não eram estoques efetivos (registrado também no balancete). A fiscalização rejeitou a argumentação apenas asseverando que não seria possível que valores que não se tornaram estoques efetivos em 31/12/2009 pudessem sêlo em 1°/01/2010 (fl. 79). Na impugnação, o recorrente melhor detalhou sua linha defesa, ratificando mais uma vez o estoque final de 31/12/2009 e inicial em 1º/01/2010, no montante de R$ 11.884.500,52, como constaria nos balancetes, não havendo qualquer lançamento contábil Fl. 897DF CARF MF Processo nº 10280.723663/201383 Acórdão n.º 1302002.304 S1C3T2 Fl. 898 14 entre esses dias, a justificar eventual alteração do valor contabilizado. Alegou, entretanto, que havia mudado equivocadamente o critério de informação dos estoques da DIPJAC2009 para a DIPJAC2010, passando nesta última a informar as importações em andamento como estoque, de forma diversa do que fizera no AC2009. Em todo caso, tanto o estoque inicial como o final do AC2010 estavam sensibilizados pelas importações em andamento, como se poderia ver nos balancetes trazidos na impugnação (fls. 207/246), a demonstrar a existência de um mero erro de fato na DIPJAC2010. Na peça impugnatória, o contribuinte trouxe aos autos os balancetes do ano de 2010 e ficou claro que ele alterou o critério de informação dos estoques na DIPJAC2010, tendo informado o valor total da conta Estoque, no início e fim do período, computando as importações em andamento, ou seja, o contribuinte passou a informar o valor total da conta Estoque, com as importações em andamento, de forma uniforme, dentro do ano (vide fls. 207, 208 e 246 em face da Ficha 04A da DIPJAC2010 de fl. 6, esta abaixo colada): Ocorre que o novo e equivocado critério de informação na DIPJ não foi neutro no tocante ao cálculo dos custos dos produtos de fabricação vendidos, pois majorou os custos dos produtos vendidos e reduziu, por conseguinte, as bases tributáveis do IRPJ e da CSLL. Explicase. Caso fossem considerados os estoques sem as importações em andamento (R$ 11.884.500,52 em 1º/01/2010 – fls. 207/208 e R$ 21.294.595,11 em 31/12/2010 – fl 246), critério utilizado até o AC2009, a diferença entre os estoques (R$ 21.294.595,11 R$ 11.884.500,52 = R$ 9.410.094,59), parcela redutora do custo dos produtos vendidos (em decorrência do aumento do estoque final em face do inicial dentro no anocalendário 2010), seria maior que a diferença dos estoques registrada na DIPJAC2010 acima (R$ 29.928.291,50 – R$ 23.514.809,30 = R$ 6.413.482,20), ou seja, o novo e equivocado critério aumentou indevidamente o custo dos produtos de fabricação própria vendidos em R$ Fl. 898DF CARF MF Processo nº 10280.723663/201383 Acórdão n.º 1302002.304 S1C3T2 Fl. 899 15 2.996.612,39 (R$ 9.410.094,59 R$ 6.413.482,20), a reduzir, em decorrência, as bases tributáveis do IRPJ/CSLL. Ora, se o contribuinte confirma que o critério do AC2010 de informação dos estoques foi equivocado, já que deveria ter mantido o procedimento feito até o AC2009, não poderia auferir qualquer benefício desse novel procedimento nas bases de cálculo do IRPJ e CSLL, como de fato terminou ocorrendo. Deveria, sim, ter mantido o critério pretérito (feito até o AC2009), o qual majoraria as bases de cálculo do IRPJ e CSLL, como se viu no parágrafo precedente. Com as razões acima, devese manter a glosa de custos dos bens e serviços vendidos naquilo que o contribuinte se beneficiou pela indevida mudança de critério de informação dos estoques na DIPJ do anocalendário 2010, no importe de R$ 2.996.612,39. 3) Exclusão indevida de subvenções, tratadas como para investimento, quando seriam para custeio, no importe global anual (2010) de R$ 6.296.807,47, com lançamento de IRPJ, CSLL, PIS/PASEP e COFINS À guisa de conclusão, teremos a subvenção para investimento quando essa for a intenção do subvencionador, quando o beneficiário da subvenção for a pessoa jurídica titular do empreendimento econômico e quando houver a efetiva e específica aplicação da subvenção, pelo beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado. Dessa forma, toda a controvérsia destes autos reside em definir se o incentivo fiscal recebido do Estado do Pará, decorrente do créditopresumido oriundo da redução de 95% do ICMS, no valor de R$ 6.296.807,47, enquadrase no conceito de subvenção para investimento ou custeio. O impugnante combateu a imputação alegando, em apertada síntese, que a subvenção foi concedida com base no Decreto nº 2.272/2006, do estado do Pará, cujos considerandos já demonstravam que o intuito da concessão do benefício é atrair/manter empresas no estado para a expansão econômica, estando o incentivo contabilizado em conta de reserva de capital. Em linha oposta ao afirmado pela autoridade fiscal, o Decreto nº 2.272/2006 prevê contrapartidas em termos de investimento, só que não repisou as condicionantes que estão na Lei estadual nº 6.489/2002, que dispõe sobre a política de incentivos do desenvolvimento sócioeconômico do Estado do Pará, regulamentado pelo Decreto nº 5.615/2002. Devese registrar ainda que o impugnante apresentou Projeto Técnico econômico financeiro à Secretaria Executiva de Indústria, Comércio e Mineração – SEICOM onde explana todos os investimentos previstos para sua área de apuração. Com esse quadro, claramente o subvenção glosada pela autoridade fiscal seria da espécie subvenção para investimento, devendo, assim, ser excluída da apuração do lucro real. Indo além, o impugnante, alicerçado em Instruções Normativas da CVM, asseverou que as subvenções para custeio seriam aquelas concedidas para as empresas com o Fl. 899DF CARF MF Processo nº 10280.723663/201383 Acórdão n.º 1302002.304 S1C3T2 Fl. 900 16 intuito de fazer frente aos seus custos comuns e ordinários para a cobertura de prejuízos e déficits. Por outro lado, a subvenção para investimento seria destinadas à expansão das atividades fabris, sob a forma de investimentos para capital fixo ou de giro, como seria o caso da devolução de IPI ou ICMS. Da leitura do Decreto nº 2.722/2006, do Estado do Pará, que deferiu a redução de 95% do ICMS, além de outros benefícios no âmbito do ICMS (fls. 431 e seguintes), vêse claramente que o incentivo foi deferido porque outros Estados estariam assim procedendo, ao arrepio do CONFAZ, ou seja, o incentivo fiscal decorreria de uma necessidade de equalização do ônus tributários interestadual, não havendo a exigência de qualquer investimento. Isso também pode ser visto no Projeto Técnicoeconômicofinanceiro à Secretaria Executiva de Indústria, Comércio e Mineração – SEICOM, no qual se assevera que o projeto não incrementaria nenhum produto novo, além dos já tradicionalmente produzidos pelo autuado, podendo gerar, se as condições mercadológicas permitirem, lançamento de novos produtos (fls. 463). Indo além, neste projeto, vêse que o objetivo do incentivo seria equalizar a competitividade com concorrentes de outros estados, que concederiam 100% de benefícios relacionados ao ICMS (fl. 464). Ora, se não há a comprovação da aplicação de qualquer investimento, sendo um incentivo fiscal deferido unicamente para equalização de benefícios fiscais interestaduais, de indústria em operação desde os anos 60 do século passado, não se compreende como tal benefício pudesse ser encarado como subvenção para investimento. Atentese que aqui não se está aplicando de maneira irrefletida o contido no Parecer CST nº 112, de 29 de dezembro de 1978, quando se determina a efetiva e específica aplicação da subvenção nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado, pois se deve aplicar tal Parecer com um grão de sal, no sentido de que, eventualmente, a subvenção pode ser utilizada para fazer frente a inversões pretéritas, notadamente quando há utilização de capital próprio ou de terceiros para implantar o projeto, o qual terá parte do investimento recuperado pela subvenção fiscal, bem como se sabe que dinheiro não tem carimbo. Entretanto, o contribuinte tem que fazer uma prova de inversão em seu empreendimento industrial, compatível com a subvenção fiscal, para ela ser considerada como subvenção para investimento. Insistese que não há qualquer comprovação de inversões para implantar, relocalizar, revitalizar ou ampliar o empreendimento industrial do contribuinte, no ano de 2010, ou que as subvenções de 2010 tivessem sido utilizadas para fazer frente a dispêndios de capital pretéritos, em montante compatível com a subvenção recebida do ICMS, o que impede de considerála como subvenção para investimento A demonstrar a ausência da prova coligida pelo impugnante para comprovar o seu direito, o contribuinte se alicerçou na apresentação do Projeto Técnico econômicofinanceiro à Secretaria Executiva de Indústria, Comércio e Mineração – SEICOM (fls. 454 e seguintes), de 2003, no qual, em toda a sua extensão, somente se vê a afirmação de que a empresa pretende construir mais um galpão para agrupar melhor os setores produtivos, no valor de R$ 840.000,00, além de adquirir máquinas equipamentos em um cronograma de 15 anos (fl. 482), ou seja, não há a comprovação da execução de qualquer inversão, mas mera afirmação destituída de qualquer prova. Com as considerações acima, à míngua de prova contundente de que a redução do ICMS deferida pelo Estado do Pará tenha sido utilizada para implantar, relocalizar, revitalizar ou ampliar o empreendimento industrial do contribuinte, devese Fl. 900DF CARF MF Processo nº 10280.723663/201383 Acórdão n.º 1302002.304 S1C3T2 Fl. 901 17 manter intocada a infração imputada à fiscalizada, no âmbito do IRPJ e da CSLL, pois efetivamente a redução do ICMS recebida teve o fito de equalização das condições de concorrência do contribuinte com fabricantes de outros estados, sendo claramente uma subvenção para custeio, para operação da empresa. 4) Imputação da subvenção acima (redução de 95% da base de cálculo do ICMS) nas bases de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP Conforme se depreende dos dispositivos transcritos, a COFINS e o PIS têm como base de cálculo o valor do faturamento (receita bruta) mensal auferido pela pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade exercida ou a classificação contábil adotada para suas receitas, observadas as exclusões permitidas no § 2º do art. 3º daquela lei. Cabe ressaltar também que a Lei nº 10.637/02 e a Lei nº 10.833/03, ao instituírem a incidência nãocumulativa dessas contribuições, definiram as bases de cálculo daquelas contribuições nos mesmos termos constantes da Lei nº 9.718, de 1998, qual seja, a receita bruta da venda de bens e serviços e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. Assim, concluise que a base de cálculo da COFINS e do PIS para o tipo de empresa ora em análise é a totalidade da receita bruta mensal por ela auferida, ou seja, com base nas disposições supra transcritas, temse que a base de cálculo daquelas contribuições será formada não somente pelas receitas de vendas, mas também pelas receitas financeiras (rendimentos, juros e descontos condicionais obtidos) e por outras receitas operacionais, podendo as operações efetivadas pela contribuinte serem enquadradas na última modalidade. Questão que importa saber, agora, é se a subvenção obtida a partir da concessão específica de créditos presumidos de ICMS é uma receita do subvencionado. Nesse passo, trazse à baila o enfoque contábil, do Conselho Federal de Contabilidade, que, por meio da Resolução CFC nº 922, de 2001, definiu: ‘ (...) CONSIDERANDO a decisão da Câmara Técnica no Relatório nº 59, de 28 de novembro de 2001; resolve: Art. 1º Aprovar a Norma Brasileira de Contabilidade NBC T 10.16 Entidades que recebem subvenções, contribuições, auxílios e doações. Art. 2º Esta Resolução entra em vigor a partir da data de sua publicação. NORMAS BRASILEIRAS DE CONTABILIDADE NBC T 10 DOS ASPECTOS CONTÁBEIS ESPECÍFICOS EM ENTIDADES DIVERSAS NBC T 10.16 ENTIDADES QUE RECEBEM SUBVENÇÕES, CONTRIBUIÇÕES, AUXÍLIOS E DOAÇÕES 10.16.1 DISPOSIÇÕES GERAIS 10.16.1.1 Esta norma estabelece critérios e procedimentos específicos de avaliação e registro contábil dos componentes patrimoniais, incluídas as informações Fl. 901DF CARF MF Processo nº 10280.723663/201383 Acórdão n.º 1302002.304 S1C3T2 Fl. 902 18 mínimas que deverão constar das notas explicativas, das entidades que recebem aportes de qualquer natureza. 10.16.1.2 As entidades abrangidas são aquelas que recebem aportes financeiros de qualquer natureza, como subvenções, contribuições, auxílios e doações, bem como direitos de propriedade de bens móveis e imóveis. 10.16.1.3 Aplicamse a essas entidades os Princípios Fundamentais de Contabilidade, bem com as Normas Brasileiras de Contabilidade e suas Interpretações Técnicas e Comunicados Técnicos, editados pelo Conselho Federal de Contabilidade. 10.16.1.4 As entidades em causa devem observar, no que lhes couber, os ordenamentos constantes das seguintes normas: NBC T 10.4 Fundações; NBC T 10.18 Entidades Sindicais e Associações de Classe; NBC T 10.19 Entidades sem Finalidade de Lucros e NBC T 4 Da Avaliação Patrimonial, mormente os seus itens 4.2.7.2 e 4.2.7.3. 10.16.1.5 Subvenções são as transferências derivadas da lei orçamentária e concedidas por órgãos do setor público a entidades, públicas ou privadas, com o objetivo de cobrir despesas com a manutenção e o custeio destas, caracterizadas ou não pela contraprestação de bens e serviços da beneficiária dos recursos. As subvenções subdividemse em: a)sociais aquelas destinadas a entidades, públicas ou privadas, sem finalidade lucrativa, de natureza assistencial, médica, educacional ou cultural, com vista a estimular a prestação de serviços essenciais, em suplementação à iniciativa privada; b)econômicas as transferências destinadas a empresas, públicas ou privadas, de natureza industrial, comercial, agrícola ou pastoril, e inclusive para a cobertura de déficits de manutenção das empresas públicas. 10.16.1.6 Contribuições são as transferências derivadas da lei orçamentária e concedidas por entes governamentais a autarquias e fundações e a entidades sem fins lucrativos, destinadas à aplicação em custeio e manutenção destas, sem contrapartida direta do beneficiário dos recursos em bens e serviços, ou determinadas por lei especial anterior, para o atendimento de investimentos ou inversões financeiras. 10.16.1.7 Auxílios são as transferências oriundas da lei orçamentária destinadas a atender a despesas de capital de entes públicos ou de entidades privadas sem fins lucrativos. 10.16.1.8 Doações são transferências gratuitas, em caráter definitivo, de recursos financeiros ou do direito de propriedade de bens móveis e imóveis, com as finalidades de custeio, investimentos e imobilizações, sem contrapartida do beneficiário dos recursos. 10.16.1.9 Consoante legislação específica, os órgãos governamentais somente podem efetuar doação do direito de propriedade de bens móveis. Fl. 902DF CARF MF Processo nº 10280.723663/201383 Acórdão n.º 1302002.304 S1C3T2 Fl. 903 19 10.16.1.10 As entidades privadas podem efetuar doações de recursos financeiros ou do direito de propriedade de bens móveis e imóveis. 10.16.2 REGISTRO CONTÁBIL 10.16.2.1 As transferências a título de subvenção que correspondam ou não a uma contraprestação direta de bens ou serviços para a entidade transferidora, devem ser contabilizadas como receita na entidade recebedora dos recursos financeiros. 10.16.2.2 As transferências a título de contribuição, mesmo que não correspondam a uma contraprestação direta de bens ou serviços para a entidade transferidora, devem ser contabilizadas como receita na entidade recebedora dos recursos financeiros. 10.16.2.3 Os auxílios ou contribuições para despesas de capital devem ser contabilizados diretamente em conta específica de Reserva de Capital, no Patrimônio Líquido. De igual modo, os auxílios ou contribuições devem ser contabilizados em conta específica, designativa da operação, no Patrimônio Social das entidades que se sujeitam às normas contábeis mencionadas no item 10.16.1.4. 10.16.2.4 As doações financeiras para custeio devem ser contabilizadas em contas específicas de receita. As doações para investimentos e imobilizações, que são consideradas patrimoniais, inclusive as arrecadadas na constituição da entidade, devem ser contabilizadas no Patrimônio Líquido ou Social, conforme seja o caso específico da pessoa jurídica beneficiária da transferência. 10.16.2.5 As transferências a título de subvenções, contribuições, auxílios e doações devem ser contabilizadas em contas de compensação, pelo valor total dos recursos recebidos, enquanto perdurar a responsabilidade da entidade beneficiária dos recursos. 10.16.2.6 As transferências a título de subvenções, auxílios, contribuições e doações para custeio ou capital devem ser registradas mediante documento hábil e contabilizadas em contas específicas na entidade beneficiária dos recursos. 10.16.3 NOTAS EXPLICATIVAS ÀS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 10.16.3.1 As demonstrações contábeis devem ser acompanhadas de notas explicativas que contenham, além dos dados compulsórios determinados em outros atos normativos contábeis, as seguintes informações: a) os critérios de apuração das receitas e de constituição de reservas, especialmente as pertinentes a subvenções, doações, auxílios e contribuições; b) as subvenções, os auxílios e as contribuições governamentais recebidos, a aplicação dos recursos e as responsabilidades decorrentes dessas Fl. 903DF CARF MF Processo nº 10280.723663/201383 Acórdão n.º 1302002.304 S1C3T2 Fl. 904 20 transferências, inclusive quanto à prestação de contas correspondente, perante o órgão concedente dos recursos; e c) a evidenciação dos recursos e bens recebidos sujeitos a restrições ou vinculações por parte dos doadores. [grifouse] A teor do que dispõe a Resolução do Conselho Federal de Contabilidade, as subvenções recebidas das entidades públicas devem ser consideradas como receita do subvencionado. Nem se diga que o recebimento de créditos presumidos de ICMS não pode ser considerado como receita por não haver a transferência econômica do recurso, vez que a transferência da disponibilidade jurídica do direito (crédito de ICMS) é motivo suficiente para a realização da receita. No caso, parcela do crédito de ICMS do ente tributante foi transferida ao contribuinte na forma de crédito presumido. De efeito, levandose ainda em consideração que não há na legislação de regência da matéria nenhum dispositivo que permita a exclusão da hipótese pretendida (créditos presumidos de ICMS) da base de cálculo destes tributos, não há razão para deixar de considerar a referida subvenção fiscal de créditos presumidos de ICMS como receita tributável. A recorrente ainda alega que, quando do recebimento dos valores relativos às vendas de seus produtos, já suportou, sobre o montante ingressado na contabilidade a tal título, a incidência do PIS e COFINS. Ocorre que a exação vergastada tem fato gerador distinto da tributação já efetuada pelo sujeito passivo. A primeira, decorrente do receita da subvenção concedida pelo EstadoMembro, a segunda, da venda das mercadorias. Razão porque não há de se falar em duplicidade de tributação. Outrossim, a classificação contábil da subvenção – custeio, operação ou investimento é irrelevante para a exação das contribuições do PIS e da COFINS. Isto porque todas essas subvenções se coadunam, de um ou de outro modo, com a receita bruta conceituada como acréscimo de patrimônio, cuja universalidade foi confirmada pelo art. 3°, §1°, da Lei nº 9.718, de 1998, para determinação da base de cálculo das contribuições. O mesmo se dando com relação à incidência do PIS e Cofins, não cumulativos, sobre as receitas decorrentes das subvenções obtidas. Importa notar que tais valores integram a base de cálculo das referidas contribuições, por força do disposto, quanto à primeira, no art. 1º, da Lei nº. 10.833, de 2003, e quanto à segunda, no art. 1º, da Lei nº. 10.637, de 2002. Inconformado com a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário, alegando, resumidamente, o que segue: 1) Ocorrência de erro formal no instante do preenchimento da DIPJ (ficha 04) por conta da mudança no critério adotado sobre o valor de estoque que deveria ser lançado na ficha em referência, tendo em vista que foi informado apenas o estoque já internado na sede da Recorrente e na Fl. 904DF CARF MF Processo nº 10280.723663/201383 Acórdão n.º 1302002.304 S1C3T2 Fl. 905 21 DIPJ/2011 foi informado o total do estoque contabilizado no grupo 1.1.5, desconsiderando apenas a provisão para perdas de estoque; 2) No caso destes autos, a subvenção foi concedida com base no Decreto nº 2.272/2006, do estado do Pará, cujos considerandos já demonstram que o intuito da concessão do benefício é atrair/manter empresas no estado para a expansão econômica, estando o incentivo contabilizado em conta de reserva de capital. Em linha oposta ao afirmado pela autoridade fiscal, o Decreto nº 2.272/2006 prevê contrapartidas em termos de investimento, só que não repisou as condicionantes que estão na Lei estadual nº 6.489/2002, que dispõe sobre a política de incentivos do desenvolvimento sócioeconômico do Estado do Pará, regulamentado pelo Decreto nº 5.615/2002. Devese registrar ainda que o impugnante apresentou Projeto Técnicoeconômicofinanceiro à Secretaria Executiva de Indústria, Comércio e Mineração – SEICOM onde explana todos os investimentos previstos para sua área de apuração. Com esse quadro, claramente o subvenção glosada pela autoridade fiscal é da espécie subvenção para investimento, devendo, assim, ser excluída da apuração do lucro real; 3) Tratandose de subvenção como investimento, temse uma opção do estado em abrir mão de parte de sua arrecadação em favor do contribuinte, portanto, não há que se confundir como receita, uma vez que nem sequer houve entrada de recursos, mas na verdade uma diminuição no desembolso do ICMS devido. Assim sendo, inviável compor a base de cálculo do PIS/PASEP ou Cofins. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa – Relator. O recurso voluntário e de ofício são tempestivos e atendem aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, deles conheço. Do Recurso de Ofício Conforme depreendese da leitura do relatório acima, a DRJ julgou parcialmente procedente a impugnação perpetrada pela recorrente, para: 1) Deferir o direito do contribuinte a compensação de prejuízo fiscal/base de cálculo negativa de CSLL dos períodos anteriores, limitada a 30% do lucro real/base de cálculo positiva de CSLL do anocalendário 2010, na forma do art.58 da Lei n.º 8.981/95 e do art. 15 da Lei n.º 9.065/95; e, 2) Manter em parte a glosa de custos efetuada pela fiscalização, tendo em vista que mesmo adotando o novo critério de contabilização adotado pelo contribuinte, restou caracterizado o aumento indevido Fl. 905DF CARF MF Processo nº 10280.723663/201383 Acórdão n.º 1302002.304 S1C3T2 Fl. 906 22 do custo dos produtos de fabricação própria vendidos em R$ 2.996.612,39, exonerandose o montante de R$ 8.606.696,39 (R$ 11.603.308,78 – R$2.996.612,39). Da análise dos autos e da decisão recorrida, entendo que não merece reparos a decisão da DRJ em relação aos dois pontos acima suscitados. É fato que o levantamento fiscal levou em consideração somente o prejuízo fiscal/base de cálculo negativa de CSLL do período anterior a autuação, desconsiderando por completo o saldo de prejuízo fiscal/base de cálculo negativa de CSLL de anos anteriores. Nesse sentido, cabe trazer a baila trecho da decisão da DRJ, litteris: Por relevante, devese anotar que, para os períodos posteriores ao AC2010, o SAPLI registra acréscimos de prejuízos fiscais/base de cálculo negativa de CSLL ano a ano, como se vê abaixo: Fl. 906DF CARF MF Processo nº 10280.723663/201383 Acórdão n.º 1302002.304 S1C3T2 Fl. 907 23 Fl. 907DF CARF MF Processo nº 10280.723663/201383 Acórdão n.º 1302002.304 S1C3T2 Fl. 908 24 Fl. 908DF CARF MF Processo nº 10280.723663/201383 Acórdão n.º 1302002.304 S1C3T2 Fl. 909 25 Fl. 909DF CARF MF Processo nº 10280.723663/201383 Acórdão n.º 1302002.304 S1C3T2 Fl. 910 26 Quanto a manutenção de parte da glosa de custos efetuada pela fiscalização, precisa a decisão da DRJ, pois mesmo adotando o novo critério de contabilização fixado pelo contribuinte, restou caracterizado o aumento indevido do custo dos produtos de fabricação própria vendidos em R$ 2.996.612,39, exonerandose o montante de R$ 8.606.696,39 (R$ 11.603.308,78 – R$2.996.612,39). Assim, adoto como razões de decidir os argumentos exarados pela DRJ, verbis: A autoridade fiscal imputou a infração em decorrência de o contribuinte ter majorado o estoque inicial na DIPJAC2010 em face do estoque final informado na DIPJAC2009, o que teria o condão de aumentar o custo das mercadorias vendidas (o custo das mercadorias vendidas = CMV = Estoque inicial + compras – estoque final), diminuindo o lucro tributável do AC2010. Devese anotar que o contribuinte, durante a fiscalização, havia asseverado que ratificava o valor do estoque final que constou na DIPJAC2009 (R$ 11.884.500,52), conforme balancete trazido aos autos. O valor majorado do estoque inicial que constou na DIPJAC2010 decorria apenas do cômputo de importações em andamento, as quais ainda não eram estoques efetivos (registrado também no balancete). A fiscalização rejeitou a argumentação apenas asseverando que não seria possível que valores que não se tornaram estoques efetivos em 31/12/2009 pudessem sêlo em 1°/01/2010 (fl. 79). Fl. 910DF CARF MF Processo nº 10280.723663/201383 Acórdão n.º 1302002.304 S1C3T2 Fl. 911 27 Na impugnação, o recorrente melhor detalhou sua linha defesa, ratificando mais uma vez o estoque final de 31/12/2009 e inicial em 1º/01/2010, no montante de R$ 11.884.500,52, como constaria nos balancetes, não havendo qualquer lançamento contábil entre esses dias, a justificar eventual alteração do valor contabilizado. Alegou, entretanto, que havia mudado equivocadamente o critério de informação dos estoques da DIPJAC2009 para a DIPJAC2010, passando nesta última a informar as importações em andamento como estoque, de forma diversa do que fizera no AC2009. Em todo caso, tanto o estoque inicial como o final do AC2010 estavam sensibilizados pelas importações em andamento, como se poderia ver nos balancetes trazidos na impugnação (fls. 207/246), a demonstrar a existência de um mero erro de fato na DIPJAC2010. Na peça impugnatória, o contribuinte trouxe aos autos os balancetes do ano de 2010 e ficou claro que ele alterou o critério de informação dos estoques na DIPJAC2010, tendo informado o valor total da conta Estoque, no início e fim do período, computando as importações em andamento, ou seja, o contribuinte passou a informar o valor total da conta Estoque, com as importações em andamento, de forma uniforme, dentro do ano (vide fls. 207, 208 e 246 em face da Ficha 04A da DIPJAC2010 de fl. 6, esta abaixo colada): Ocorre que o novo e equivocado critério de informação na DIPJ não foi neutro no tocante ao cálculo dos custos dos produtos de fabricação vendidos, pois majorou os custos dos produtos vendidos e reduziu, por conseguinte, as bases tributáveis do IRPJ e da CSLL. Explicase. Caso fossem considerados os estoques sem as importações em andamento (R$ 11.884.500,52 em 1º/01/2010 – fls. 207/208 e R$ 21.294.595,11 em Fl. 911DF CARF MF Processo nº 10280.723663/201383 Acórdão n.º 1302002.304 S1C3T2 Fl. 912 28 31/12/2010 – fl 246), critério utilizado até o AC2009, a diferença entre os estoques (R$ 21.294.595,11 R$ 11.884.500,52 = R$ 9.410.094,59), parcela redutora do custo dos produtos vendidos (em decorrência do aumento do estoque final em face do inicial dentro no anocalendário 2010), seria maior que a diferença dos estoques registrada na DIPJAC2010 acima (R$ 29.928.291,50 – R$ 23.514.809,30 = R$ 6.413.482,20), ou seja, o novo e equivocado critério aumentou indevidamente o custo dos produtos de fabricação própria vendidos em R$ 2.996.612,39 (R$ 9.410.094,59 R$ 6.413.482,20), a reduzir, em decorrência, as bases tributáveis do IRPJ/CSLL. Ora, se o contribuinte confirma que o critério do AC2010 de informação dos estoques foi equivocado, já que deveria ter mantido o procedimento feito até o AC2009, não poderia auferir qualquer benefício desse novel procedimento nas bases de cálculo do IRPJ e CSLL, como de fato terminou ocorrendo. Deveria, sim, ter mantido o critério pretérito (feito até o AC2009), o qual majoraria as bases de cálculo do IRPJ e CSLL, como se viu no parágrafo precedente. Com as razões acima, devese manter a glosa de custos dos bens e serviços vendidos naquilo que o contribuinte se beneficiou pela indevida mudança de critério de informação dos estoques na DIPJ do anocalendário 2010, no importe de R$ 2.996.612,39. Diante do exposto, NEGO provimento ao recurso de ofício. Do Recurso Voluntário Inconformado com a Decisão da DRJREC, a recorrente interpôs recurso voluntário, alegando, resumidamente, o que segue: 1) Ocorrência de erro formal no instante do preenchimento da DIPJ (ficha 04) por conta da mudança no critério adotado sobre o valor de estoque que deveria ser lançado na ficha em referência, tendo em vista que foi informado apenas o estoque já internado na sede da Recorrente e na DIPJ/2011 foi informado o total do estoque contabilizado no grupo 1.1.5, desconsiderando apenas a provisão para perdas de estoque; 2) No caso destes autos, a subvenção foi concedida com base no Decreto nº 2.272/2006, do estado do Pará, cujos considerandos já demonstram que o intuito da concessão do benefício é atrair/manter empresas no estado para a expansão econômica, estando o incentivo contabilizado em conta de reserva de capital. Em linha oposta ao afirmado pela autoridade fiscal, o Decreto nº 2.272/2006 prevê contrapartidas em termos de investimento, só que não repisou as condicionantes que estão na Lei estadual nº 6.489/2002, que dispõe sobre a política de incentivos do desenvolvimento sócioeconômico do Estado do Pará, regulamentado pelo Decreto nº 5.615/2002. Devese registrar ainda que o impugnante apresentou Projeto Técnicoeconômicofinanceiro à Secretaria Executiva de Indústria, Comércio e Mineração – SEICOM onde explana todos os investimentos Fl. 912DF CARF MF Processo nº 10280.723663/201383 Acórdão n.º 1302002.304 S1C3T2 Fl. 913 29 previstos para sua área de apuração. Com esse quadro, claramente o subvenção glosada pela autoridade fiscal é da espécie subvenção para investimento, devendo, assim, ser excluída da apuração do lucro real; e, 3) Tratandose de subvenção como investimento, temse uma opção do estado em abrir mão de parte de sua arrecadação em favor do contribuinte, portanto, não há que se confundir como receita, uma vez que nem sequer houve entrada de recursos, mas na verdade uma diminuição no desembolso do ICMS devido. Assim sendo, inviável compor a base de cálculo do PIS/PASEP ou Cofins. Quanto a manutenção de parte da glosa de custos pela DRJ, entendo que não assiste razão ao contribuinte em virtude dos argumentos já expendidos acima, motivo pelo qual nego provimento ao seu recurso quanto a este ponto. No que pertine a classificação do incentivo fiscal de ICMS concedido a recorrente como subvenção de custeio, como também a sua classificação como receita passível de tributação pelo PIS e pela COFINS, entendo que assiste razão ao contribuinte. Vejamos os motivos: IRPJ E CSLL. SUBVENÇÃO DE INVESTIMENTO X SUBVENÇÃO DE CUSTEIO Reza a decisão da DRJ, litteris: À guisa de conclusão, teremos a subvenção para investimento quando essa for a intenção do subvencionador, quando o beneficiário da subvenção for a pessoa jurídica titular do empreendimento econômico e quando houver a efetiva e específica aplicação da subvenção, pelo beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado. Dessa forma, toda a controvérsia destes autos reside em definir se o incentivo fiscal recebido do Estado do Pará, decorrente do crédito presumido oriundo da redução de 95% do ICMS, no valor de R$ 6.296.807,47, enquadrase no conceito de subvenção para investimento ou custeio. O impugnante combateu a imputação alegando, em apertada síntese, que a subvenção foi concedida com base no Decreto nº 2.272/2006, do estado do Pará, cujos considerandos já demonstravam que o intuito da concessão do benefício é atrair/manter empresas no estado para a expansão econômica, estando o incentivo contabilizado em conta de reserva de capital. Em linha oposta ao afirmado pela autoridade fiscal, o Decreto nº 2.272/2006 prevê contrapartidas em termos de investimento, só que não repisou as condicionantes que estão na Lei estadual nº 6.489/2002, que dispõe sobre a política de incentivos do desenvolvimento sócioeconômico do Estado do Pará, regulamentado pelo Decreto nº 5.615/2002. Fl. 913DF CARF MF Processo nº 10280.723663/201383 Acórdão n.º 1302002.304 S1C3T2 Fl. 914 30 Devese registrar ainda que o impugnante apresentou Projeto Técnico econômico financeiro à Secretaria Executiva de Indústria, Comércio e Mineração – SEICOM onde explana todos os investimentos previstos para sua área de apuração. Com esse quadro, claramente a subvenção glosada pela autoridade fiscal seria da espécie subvenção para investimento, devendo, assim, ser excluída da apuração do lucro real. Indo além, o impugnante, alicerçado em Instruções Normativas da CVM, asseverou que as subvenções para custeio seriam aquelas concedidas para as empresas com o intuito de fazer frente aos seus custos comuns e ordinários para a cobertura de prejuízos e déficits. Por outro lado, a subvenção para investimento seria destinadas à expansão das atividades fabris, sob a forma de investimentos para capital fixo ou de giro, como seria o caso da devolução de IPI ou ICMS. Da leitura do Decreto nº 2.722/2006, do Estado do Pará, que deferiu a redução de 95% do ICMS, além de outros benefícios no âmbito do ICMS (fls. 431 e seguintes), vêse claramente que o incentivo foi deferido porque outros Estados estariam assim procedendo, ao arrepio do CONFAZ, ou seja, o incentivo fiscal decorreria de uma necessidade de equalização do ônus tributários interestadual, não havendo a exigência de qualquer investimento. Isso também pode ser visto no Projeto Técnicoeconômicofinanceiro à Secretaria Executiva de Indústria, Comércio e Mineração – SEICOM, no qual se assevera que o projeto não incrementaria nenhum produto novo, além dos já tradicionalmente produzidos pelo autuado, podendo gerar, se as condições mercadológicas permitirem, lançamento de novos produtos (fls. 463). Indo além, neste projeto, vêse que o objetivo do incentivo seria equalizar a competitividade com concorrentes de outros estados, que concederiam 100% de benefícios relacionados ao ICMS (fl. 464). Ora, se não há a comprovação da aplicação de qualquer investimento, sendo um incentivo fiscal deferido unicamente para equalização de benefícios fiscais interestaduais, de indústria em operação desde os anos 60 do século passado, não se compreende como tal benefício pudesse ser encarado como subvenção para investimento. Atentese que aqui não se está aplicando de maneira irrefletida o contido no Parecer CST nº 112, de 29 de dezembro de 1978, quando se determina a efetiva e específica aplicação da subvenção nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado, pois se deve aplicar tal Parecer com um grão de sal, no sentido de que, eventualmente, a subvenção pode ser utilizada para fazer frente a inversões pretéritas, notadamente quando há utilização de capital próprio ou de terceiros para implantar o projeto, o qual terá parte do investimento recuperado pela subvenção fiscal, bem como se sabe que dinheiro não tem carimbo. Entretanto, o contribuinte tem que fazer uma prova de inversão em seu empreendimento industrial, compatível com a subvenção fiscal, para ela ser considerada como subvenção para investimento. Fl. 914DF CARF MF Processo nº 10280.723663/201383 Acórdão n.º 1302002.304 S1C3T2 Fl. 915 31 Insistese que não há qualquer comprovação de inversões para implantar, relocalizar, revitalizar ou ampliar o empreendimento industrial do contribuinte, no ano de 2010, ou que as subvenções de 2010 tivessem sido utilizadas para fazer frente a dispêndios de capital pretéritos, em montante compatível com a subvenção recebida do ICMS, o que impede de considerá la como subvenção para investimento A demonstrar a ausência da prova coligida pelo impugnante para comprovar o seu direito, o contribuinte se alicerçou na apresentação do Projeto Técnico econômicofinanceiro à Secretaria Executiva de Indústria, Comércio e Mineração – SEICOM (fls. 454 e seguintes), de 2003, no qual, em toda a sua extensão, somente se vê a afirmação de que a empresa pretende construir mais um galpão para agrupar melhor os setores produtivos, no valor de R$ 840.000,00, além de adquirir máquinas equipamentos em um cronograma de 15 anos (fl. 482), ou seja, não há a comprovação da execução de qualquer inversão, mas mera afirmação destituída de qualquer prova. Com as considerações acima, à míngua de prova contundente de que a redução do ICMS deferida pelo Estado do Pará tenha sido utilizada para implantar, relocalizar, revitalizar ou ampliar o empreendimento industrial do contribuinte, devese manter intocada a infração imputada à fiscalizada, no âmbito do IRPJ e da CSLL, pois efetivamente a redução do ICMS recebida teve o fito de equalização das condições de concorrência do contribuinte com fabricantes de outros estados, sendo claramente uma subvenção para custeio, para operação da empresa. (Grifei) Como se sabe, a causa imediata da subvenção é auxiliar o contribuinte na aplicação específica do desenvolvimento do seu estabelecimento industrial, o valor percebido, portanto, nada mais é do que um auxílio pago à sociedade empresarial para desenvolvimento e fortalecimento do comércio da região. Desse modo, o valor a ser recebido como contraprestação pecuniária pela recorrente, com toda a evidência, não se qualifica nem como remuneração de atividade econômica nem como acréscimo patrimonial. O valor não se caracteriza como remuneração de atividade econômica porque o valor não é recebido para compensar financeiramente o uso do trabalho ou do capital. Em vez disso, ele serve simples e unicamente para ajudar a recorrente na execução de um projeto de desenvolvimento comercial da região, um desenvolvimento de interesse público estadual! A natureza jurídica do valor recebido não pode ser outra, portanto, senão a de uma clara e autêntica subvenção para investimento, um valor recebido através de incentivos para auxiliar o parceiro na execução de um projeto específico de interesse público. E subvenção para investimento, por consequência, é pura e simplesmente transferência de capital para execução de projeto específico. Nada mais claro. Em sua obra Curso de Direito Financeiro, Régis Fernandes De Oliveira arremata: “Podemos definir subvenção como o auxílio financeiro, previsto no orçamento público, para ajudar entidades públicas ou particulares a desenvolver atividades assistenciais, culturais ou empresariais. (...) Fl. 915DF CARF MF Processo nº 10280.723663/201383 Acórdão n.º 1302002.304 S1C3T2 Fl. 916 32 O parágrafo 3º do art. 12 da Lei 4320/64 define as subvenções como “as transferências destinadas a cobrir despesas de custeio das entidades beneficiadas”. Podem ser de duas espécies a) subvenções sociais, as que se destinem a instituições públicas ou privadas de caráter assistencial ou cultural, sem finalidade lucrativa e b) subvenções econômicas, as que se destinem a empresas públicas ou privadas de caráter industrial, comercial, agrícola ou pastoril. Tais noções são repetidas pelo Decreto 93.872/86 em seus artigos 59 e 60.” Cabe frisar, que a fiscalização, de acordo com o seu relatório fiscal (fls. 78/84), desconsidera como subvenção de investimento os incentivos fiscais recebidos pela recorrente, lastreado somente na “ausência” de contrapartida, em termos de investimentos, sem apontar que contrapartidas seriam necessárias para que pudéssemos classificar a renúncia fiscal perpetrada pelo Estado do Pará como subvenção de investimento. Conforme destacado pela recorrente no seu recurso voluntário (fls. 534/560) “as considerações iniciais do Dec.2.722/06 deixam claro que o intuito da concessão do benefício é atrair/manter empresas no Estado do Pará para a expansão econômica. Por certo que o Estado do Pará somente concedeu o benefício com o intuito de que a recorrente pudesse investir, gerar empregos e consequentemente auxiliar na expansão sócioeconômica da região.” A subvenção para investimento, como conota a própria expressão, serve para auxiliar determinada aplicação específica, o que a define como subvenção é a efetiva e específica aplicação da subvenção nos investimentos previstos na implantação e expansão do empreendimento econômico do empreendimento econômico de interesse público. A fiscalização e a decisão recorrida entenderam que os rendimentos atrelados ao aproveitamento dessa benesse fiscal representariam espécie de subvenção corrente para custeio ou operação, passíveis de serem acrescidos ao lucro operacional – e, conseguintemente, ao lucro líquido –, para cômputo e cobrança do IRPJ e da CSLL. Assim, em virtude do fato da recorrente não ter demonstrado que os créditos fruídos por ela foram integralmente convertidos em investimento, mediante incremento do ativo não circulante da companhia – o que, na equivocada visão lançadora, corresponderia à forma única de demonstração da imissão do incentivo em prol do Estado concedente. O regime fiscal das relacionadas subvenções de custeio guarda esteio no artigo 392, inciso I, do Decreto nº 3.000/99, abaixo transcrito: Art. 392. Serão computadas na determinação do lucro operacional: I as subvenções correntes para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais (Lei nº 4.506, de 1964, artigo 44, inciso IV); A decisão recorrida refutou a argumentação da recorrente de que os créditos presumidos de ICMS consubstanciariam subvenções para investimento. Esta classe de numerário, como se sabe, não integra as bases imponíveis do IRPJ e da CSLL, consoante preceito do artigo 443, caput, do Decreto nº 3.000/99: Art. 443. Não serão computadas na determinação do lucro real as subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, e as doações, feitas pelo Poder Público, desde Fl. 916DF CARF MF Processo nº 10280.723663/201383 Acórdão n.º 1302002.304 S1C3T2 Fl. 917 33 que (DecretoLei nº 1.598, de 1977, artigo 38, § 2º, e DecretoLei nº 1.730, de 1979, artigo 1º, inciso VIII): I registradas como reserva de capital que somente poderá ser utilizada para absorver prejuízos ou ser incorporada ao capital social, observado o disposto no artigo 545 e seus parágrafos; ou A distinção entre as duas modalidades de subvenção foi primeiramente tratada, com suficiente conotação sistemática, pelo Parecer Normativo CST nº 112/78. O item 7.1 daquele trabalho opinativo, depois de longa exposição, enunciou, à conta de conclusão, que: “7.1 Ante o exposto, o tratamento a ser dado às SUBVENÇÕES recebidas por pessoas jurídicas, para os fins de tributação do imposto de renda, a partir do exercício financeiro de 1978, face ao que dispõe o art. 67, item 1, letra "b", do Decretolei nº 1.598/77, pode ser assim consolidado: (...) II SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO são as que apresentam as seguintes características: a) a intenção do subvencionador de destinálas para investimento; b) a efetiva e específica aplicação da subvenção, pelo beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado; e c) o beneficiário da subvenção ser a pessoa jurídica titular do empreendimento econômico.” As subvenções de investimento, no âmbito do Parecer Normativo CST nº 112/78, qualificavamse, como se pode ver, pela constatação concomitante de 03 (três) características. Primeiramente, a subvenção era reputada para investimento se este fosse, expressamente, o desiderato do subvencionador. A concessão da benesse, qualquer que fosse sua forma de operacionalização, deveria ser justificada, pela autoridade outorgante, com o apontamento da específica destinação dos valores para investimento e aprimoramento regional ou setorial. Se assim não fosse, estaríamos diante de subvenções para custeio – que, antes de terem particular objetivo de promoção de investimentos, eram prescritas para fins de mero suporte das despesas ordinárias do subvencionado. O simples fato de o benefício fiscal ter sido concedido com escopo de fomentar investimentos, realizáveis pelo subvencionado, não bastava, todavia, para que se considerassem os valores percebidos como subvenções de investimento. Mais do que isso, pugnou a Coordenadoria do Sistema Tributário, segundamente, que ditos recursos deveriam, efetivamente, ser investidos em projetos que desembocassem na implantação ou na expansão de empreendimento econômico. A exegese aqui encampada ditava, pois, que a subvenção para custeio, a fim de ser assim reconhecida, precisaria ser integralmente vertida na instauração ou na expansão de empreendimento econômico. Não bastaria que o contribuinte realizasse investimento mediante recursos próprios; era essencial, isto sim, que os próprios valores subvencionados fossem utilizados em projeto de investimento prédelineado. Por derradeiro, seria obrigatório, ainda, para a i. CST, que o empreendimento econômico objeto de investimento fosse de titularidade do subvencionado. Não se admitiria conversão da benesse em proveito de terceiro. Ocorre, contudo, que a orientação do Parecer Normativo pormenorizado é descabida, por dois substanciais motivos. Assim sendo, não há como se aplicar o sentido proposto por aquele instrumento parecerista, sob pena de admissão do desvirtuamento da legislação reinante. Fl. 917DF CARF MF Processo nº 10280.723663/201383 Acórdão n.º 1302002.304 S1C3T2 Fl. 918 34 Ademais, até a edição da Lei nº 11.638/07, instituidora do Regime Tributário de Transição e Neutralidade Tributária, os valores apropriados a título de subvenção de investimento, para não serem tributados, deveriam ser computados como reserva de capital, empregável, exclusivamente, para absorção de prejuízos ou para aumento do capital social da companhia. Ditos montantes não poderiam, noutras palavras, sob pena de incidência de IRPJ ou de CSLL, ser destinados a outros fins – em especial, à aquisição de bens do ativo não circulante. Os incisos I e II do citado artigo 443 do Decreto nº 3.000/99, ao laborar o tratamento contábil concernente às subvenções para investimento, assim dispuseram: Art. 443. Não serão computadas na determinação do lucro real as subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, e as doações, feitas pelo Poder Público, desde que (DecretoLei nº 1.598, de 1977, artigo 38, § 2º, e DecretoLei nº 1.730, de 1979, artigo 1º, inciso VIII): I registradas como reserva de capital que somente poderá ser utilizada para absorver prejuízos ou ser incorporada ao capital social, observado o disposto no artigo 545 e seus parágrafos; ou II feitas em cumprimento de obrigação de garantir a exatidão do balanço do contribuinte e utilizadas para absorver superveniências passivas ou insuficiências ativas. As reservas de capital, por expressa determinação da legislação societária, só podiam ser empregadas para alguns escopos predeterminados. Mais precisamente, nos moldes do artigo 200 da Lei nº 6.404/76, tais reservas não poderiam ser utilizadas para fitos outros que não os de: a) absorção de prejuízos que ultrapassassem os lucros acumulados e as reservas de lucros; b) resgate, reembolso ou compra de ações; c) resgate de partes beneficiárias; d) incorporação ao capital social; e e) pagamento de dividendos a ações preferenciais, desde que tal vantagem fosse estatutariamente assegurada a esta classe de títulos. Com a superveniência da Lei nº 11.638/07, este panorama foi um pouco alterado. Introduziuse, à Lei nº 6.404/76, o artigo 195A, abaixo reproduzido, responsável por determinar, de um lado, que as subvenções para investimento transitassem pela conta de resultados, e, de outro, que estes valores fossem incluídos em reserva específica para incentivos fiscais. Previuse, ainda, na forma do artigo 199 daquele diploma, que as cifras em tela só poderiam ser destinadas à integralização ou ao aumento do capital social, banda uma, ou à distribuição de dividendos, banda outra, contanto que os importes reservados ultrapassassem a monta vigente do capital social: Art. 195A. A assembleia geral poderá, por proposta dos órgãos de administração, destinar para a reserva de incentivos fiscais a parcela do lucro líquido decorrente de doações ou subvenções governamentais para investimentos, que poderá ser excluída da base de cálculo do dividendo obrigatório (inciso I do caput do art. 202 desta Lei).” (...) Art. 199. O saldo das reservas de lucros, exceto as para contingências, de incentivos fiscais e de lucros a realizar, não poderá ultrapassar o capital social. Atingindo esse limite, a assembleia deliberará sobre aplicação do excesso na integralização ou no aumento do capital social ou na distribuição de dividendos.” Fl. 918DF CARF MF Processo nº 10280.723663/201383 Acórdão n.º 1302002.304 S1C3T2 Fl. 919 35 Não é difícil notar, nesses termos, que o tratamento contábil das subvenções para investimento era – e ainda é – rígido, sob pena de incidência do IRPJ e da CSLL. Noutro vernáculo, as cifras subvencionadas, para que não sejam exacionadas, devem ser mantidas em reservas de capitais ou de lucros, conforme o período de apropriação, e só podem ser utilizadas nos estritos lindes da lei. Ocorre, no entanto, que o Parecer Normativo CST nº 112/78 aduz que os valores oriundos da subvenção para investimento tinham que ser diretamente vertidos em projetos de implantação ou de expansão de empreendimentos econômicos próprios do beneficiário. Segundo defendido pela fiscalização e encampada pela decisão recorrida, essa aplicação deveria ser devidamente comprovada pela companhia. Ora, aqui há um flagrante paradoxo. As subvenções para investimento, para serem desta forma caracterizadas, não poderiam ter destinação diversa daquela prescrita pelas normas comerciais e fiscais regentes. Nenhum destes escopos predefinidos autorizava, porém, que as reservas de capitais (até 2007) ou as reservas de incentivos fiscais (a partir de 2008) pudessem ser aplicadas na aquisição de bens componentes do ativo não circulante! Tal escopo, contudo, era exatamente aquele exigido pela Fiscalização, sob pena de incidência do IRPJ e da CSLL. Evidentemente, acaso se admitisse correção ao Parecer Normativo CST nº 112/78, estarseia esvaziando o estatuído pelo artigo 443 do Decreto nº 3.000/99. Afinal, só corresponderiam à subvenção para investimento os montantes que, contabilmente, fossem aportados para incremento de ativo nãocirculante – fato que, automaticamente, impediria a não tributação destas cifras. Observado o tratamento contábil estabelecido às subvenções para investimento, não há como se assegurar, na prática, que os valores atinentes a estes benefícios – no caso, créditos presumidos de ICMS – fossem diretamente destinados a projetos de implantação ou de expansão de empreendimentos econômicos. Não se pode “carimbar o dinheiro”. Só teríamos certeza de que as cifras subvencionadas se destinariam a investimento reto e efetivo em ativo nãocirculante acaso tal transporte constasse da contabilidade – cenário este em que, paradoxalmente, alegarseia desvio de destinação e se pugnaria pela tributação dos valores pelo IRPJ e pela CSLL. A realização do investimento, embora denote a essência da subvenção em trato, não significa, de forma alguma, que o contribuinte tenha de empregar as cifras oriundas do incentivo, direta e imediatamente, no projeto desenvolvimentista objetivado. Vincular, contabilmente, os créditos de incentivo fiscal de ICMS, de um lado, à aquisição de bens e de direitos que viessem a expandir o ativo nãocirculante da companhia (ou a incrementar as atividades operacionais da pessoa jurídica, sob qualquer forma), de outro, seria impossível, por tudo o que já se expôs. A título ilustrativo, não desfigura a subvenção para investimento o fato de o subvencionado realizar investimento com recursos próprios, instaurando ou ampliando empreendimento econômico na região ou no setor incentivado, fruindo a benesse concedida em momento ulterior – inclusive empregando tais resultados, por exemplo, em distribuição de dividendos, nos termos do indigitado artigo 199 da Lei nº 6.404/76. Cronologicamente insustentável seria defender que o contribuinte primeiro recebesse a subvenção, para, a partir daí, implantar novo empreendimento econômico na região abrangida. Alegar tal despautério representaria afirmar que benefícios fiscais de ICMS jamais poderiam consubstanciar subvenções para investimento passíveis de fruição por sujeitos passivos prestes a se instalar na região incentivada. Fl. 919DF CARF MF Processo nº 10280.723663/201383 Acórdão n.º 1302002.304 S1C3T2 Fl. 920 36 O gozo da benesse, obviamente, concretizarseia em momento posterior ao do investimento inaugural – o que imporia reconhecer que a implantação do empreendimento econômico tivesse sido feita à custa de cifras previamente auferidas. Resta evidenciado, pois, que os discríminens postulados pelo Parecer Normativo CST nº 112/78 devem ser temperados. A necessidade de inversão efetiva da subvenção em investimentos de expansão ou de instalação de empreendimento econômico é ilegal. Cremos, portanto, que o único critério servível para a qualificação da subvenção para investimento, em cotejamento com a subvenção de custeio, seja o intuito da autoridade subvencionadora, apreensível a partir da leitura do ato normativo concessor ou da própria natureza do incentivo. Logo, para caracterização da subvenção para investimento, irrelevante é a análise da destinação real dada aos fundos correlatos. O regime contábil a ser outorgado aos montantes desta espécie está prescrito pela legislação, sem margens de escape. Assim, a verificação do escopo investidor da concessão da subvenção deve ser feita de maneira abstrata, desvinculada do emprego prático dos importes subvencionados. Reiterese: a subvenção se toma para investimento, então, se este é o escopo visionado pela entidade pública concedente. Devese analisar, pois, se a instituição do incentivo tem por fim desenvolver o setor ou a região abrangidos, de um lado, ou se tem simples finalidade não desenvolvimentista, de auxílio ao contribuinte no suporte de suas expensas usuais. Este é o derradeiro e único critério de diferenciação, consoante a melhor interpretação da lei! Írrita é a origem dos recursos empregados na implantação ou na expansão do empreendimento econômico do subvencionado. Pois bem. O objetivo desenvolvimentista de promoção de investimentos está acentuadamente presente nos casos de benefícios unilaterais de ICMS, concedidos pelos Estados da Federação. Outra razão não há, afinal, para a implementação destes instrumentos de renúncia fiscal, senão a atração de investimentos para o Estado, a serem operacionalizados por meio da instalação de novos empreendimentos econômicos ou da expansão dos preexistentes. Os termos que informam o Decreto 2.722/06, ratificam o entendimento ora externado. Por fim, há ainda de se ressaltar que a incidência do IRPJ e da CSLL aos incentivos de ICMS consubstanciaria, iniludivelmente, ilegítima inferência da União nos assuntos estaduais. Afinal, corresponderia esta conduta a apropriação parcial, pela primeira, do resultado financeiro da renúncia fiscal engendrada pelos Estados. Com tal comportamento só se pode anuir na específica situação da subvenção de custeio – que, por não ser distinta de qualquer outra receita disponibilizada ao suporte de despesas, jamais poderia ter tratamento tributário diferenciado dos demais rendimentos exacionáveis. O cenário tormentoso da guerra fiscal, é oportuno pisar, não precisa ser agravado pela intervenção federal. Só potencializaria a insegurança jurídica a possibilidade de o Fisco da União mitigar incentivos fiscais estaduais unilateralmente outorgados. O que ocorreria, por exemplo, se o contribuinte fosse obrigado a recolher o ICMS outrora exonerado, em derivação de decisão do Supremo Tribunal Federal que considerasse inconstitucional o benefício estadual? Estariam os cofres federais adstritos a devolver os indébitos de IRPJ e de CSLL computados sobre tais subvenções, não? Na mesma toada de tudo que foi afirmado acima são as decisões do CARF. Vejamos as ementas: Nº Acórdão 1202000.755 Fl. 920DF CARF MF Processo nº 10280.723663/201383 Acórdão n.º 1302002.304 S1C3T2 Fl. 921 37 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2005 EMENTA:ERRO NA CAPITULAÇÃO LEGAL – NULIDADE DO LANÇAMENTO A jurisprudência deste E. Conselho entende que somente o erro na capitulação legal não é suficiente para motivar a anulação de um Auto de Infração quando a descrição fática do mesmo permita ao contribuinte entender a autuação e exercitar seu direito de defesa. MULTA DE OFÍCIO APLICABILIDADE Ao não oferecer ao fisco os valores referentes ao recebimento de patrocínio da Lei Rouanet, a Recorrente incorre na multa de ofício prevista no artigo 957, I, do RIR/99. SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. RECURSOS RECEBIDOS DO MINISTÉRIO DA CULTURA E DA ANCINE NÃO DEVEM SER COMPUTADOS NA DETERMINAÇÃO DO LUCRO REAL. As Subvenções para Investimento são aquelas em que o beneficiário recebe as vantagens financeiras entregues pelo Poder Público com o intuito específico de aquisição de bens e direitos que comporão ou incrementarão seu ativo permanente na finalidade de expandir suas atividades econômicas, a exemplo daquelas recebidas pela Recorrente do Ministério da Cultura e da Ancine. LEI ROUANET. Tratandose de benefício apenas ao patrocinador, o patrocinado é tributado normalmente, conforme estabelece o Regulamento do Imposto de Renda. Nº Acórdão 1101000.661 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2005, 2006, 2007, 2008 SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO. CARACTERIZAÇÃO. CRÉDITOS PRESUMIDOS DE ICMS. As subvenções para investimento – in casu, correspondentes a créditos presumidos de ICMS – diferenciamse das subvenções de custeio, tão somente, na medida em que as primeiras são concedidas com o fito de estimular investimentos regionais ou setoriais, operados mediante instalação ou expansão – inclusive qualitativa – de empreendimentos econômicos. Ao contrário do quanto aduzido pelo Parecer Normativo CST nº 112/78, a caracterização de dado benefício fiscal como subvenção para investimento não pressupõe a aplicação direta e exclusiva das cifras subvencionadas a projeto predeterminado. No mais, para tais fins, irrelevante é a análise das contrapartidas impingidas ao contribuinte, postas, pelo ente outorgante, como pré condições à fruição da benesse. Diante do exposto, DOU provimento ao recurso voluntário da recorrente quanto a este ponto. PIS e COFINS. RESPEITO AO CONCEITO DE RECEITA. IMPOSSIBILIDADE DE INCIDÊNCIA NO CASO SOB ANÁLISE De acordo com o defendido pela fiscalização e pela DRJ, as subvenções para investimentos integram o resultado não operacional, e as subvenções para custeio integram o resultado operacional da pessoa jurídica. Ambas as subvenções coadunamse, portanto, com a receita bruta conceituada como acréscimo de patrimônio, cuja universalidade foi confirmada pelas Leis n. 10.637 de 2002 e 10.833 de 2003, para determinação da base de cálculo das Fl. 921DF CARF MF Processo nº 10280.723663/201383 Acórdão n.º 1302002.304 S1C3T2 Fl. 922 38 contribuições. Além disso, para estas contribuições inexiste hipótese de exclusão ou isenção que contemple as subvenções (sejam de custeio ou de investimento). Como dito no relatório fiscal e complementado pela decisão recorrida, o crédito presumido do ICMS tem natureza de subvenção de custeio que, a teor do Parecer Normativo CST n° 112, de 1978, se caracteriza como "um auxilio que não importa em qualquer exigibilidade para o seu recebedor". Tratase de verba que incrementa o patrimônio da pessoa jurídica, como se tivesse sido aportada pelos sócios, sem que "isto importe na assunção de uma dívida ou obrigação". Isso posto, o benefício fiscal em tela, tido como uma subvenção, indubitavelmente, se constituiu em receita, uma vez que reduziu o ICMS a recolher. Com a redução do ICMS a recolher, o contribuinte auferiu receitas decorrentes de recuperação de custos ou despesas. Ou seja, o PIS e COFINS incidem sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. O seu entendimento encontra suporte no fato de tal universalidade (receita bruta conceituada como acréscimo de patrimônio) encontrar guarida no nas Leis n. 10.637/02 e 10.833/03. Ocorre que, como é cediço, o Supremo Tribunal Federal já declarou a inconstitucionalidade do §1º, do art.3º da Lei n. 9.718/98 ao julgar os Recursos Extraordinários nº 346.084, 357.950 e 390.840, conforme se extrai do acórdão deste último processo, a seguir transcrito: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidou se no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindo as à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. (RE 390840, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 09/11/2005, DJ 15082006 PP00025 EMENT VOL0224203 PP00372 RDDT n. 133, 2006, p. 214215) Tanto que o §1º do art. 3º da Lei n° 9.718/1998 já foi expressamente revogado pela Lei nº 11.941/2009. Nesse contexto, a suposta universalidade que fundamentou a autuação simplesmente não se sustenta mesmo posteriormente a edição das Leis n. 10.833 e 10.637. Após a decretação da inconstitucionalidade de dito dispositivo legal supracitado pelo STF e a Fl. 922DF CARF MF Processo nº 10280.723663/201383 Acórdão n.º 1302002.304 S1C3T2 Fl. 923 39 sua revogação expressa, é cediço que o conceito de receita bruta para fins de cobrança do PIS e da COFINS deve ter interpretação mais restritiva, não representando a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente do tipo de atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Há que se perquirir no caso em análise, portanto, se a subvenção seja ela de “investimento ou custeio relativa a incentivos fiscais estaduais está inserida no conceito de receita bruta para fins de tributação pelo PIS e pela COFINS. Sobre este ponto, entendemos que a pretensão de tributar tais valores encontra limite na legislação federal que dispõe sobre o fato gerador da COFINS e do PIS, que exigia o enquadramento como faturamento, entendido como a receita bruta da empresa. É o que se extrai dos dispositivos legais aplicáveis, in verbis: Lei nº 10.833/2003 (COFINS) Art. 1º A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência não cumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1º Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2º A base de cálculo da contribuição é o valor do faturamento, conforme definido no caput. Lei nº 10.637/2002 Art. 1º A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1º Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. Ou seja, da análise da legislação supra transcrita inferese que, para que possa compor a base de cálculo do PIS e da COFINS, o valor deverá corresponder a uma receita auferida pela empresa. A pergunta a ser respondida, portanto, é se as "subvenções para investimentos ou custeio concedidas pelos Estados podem ser entendidas como uma receita auferida pela empresa beneficiária do correspondente incentivo fiscal. Preliminarmente, é válido destacar que não se sustenta eventual entendimento no sentido de que, não tendo o parágrafo 3º do artigo 1º da Lei nº 10.833/2003 ou o parágrafo 1º do art.1º da Lei n. 10.637/02 excluído expressamente da receita bruta o valor correspondente às a subvenção, este deveria compor a base de cálculo do PIS e da COFINS. Isso porque a essência da questão não está na ausência de previsão expressa determinando tal exclusão, mas sim na possibilidade de se considerar que tal registro integra o conceito de receita para fins de tributação. A exclusão disposta nos referidos parágrafos não pode ser interpretada no sentido de incluir na base de cálculo dessas contribuições valor que não integra o conceito de receita. Ocorre que tanto a subvenção de investimento ou de custeio não se enquadram em tal conceito, pelo que não se justifica a pretensão fiscal de tributação pelo PIS e Fl. 923DF CARF MF Processo nº 10280.723663/201383 Acórdão n.º 1302002.304 S1C3T2 Fl. 924 40 pela COFINS. Isso porque, embora a legislação pátria traga uma definição do que deva ser considerado "receita" para fins de tributação de PIS e de COFINS, entendemos que no caso da subvenção em apreço, tais valores representam, na verdade, uma renúncia fiscal por parte de determinado ente federativo, não correspondendo a uma receita da Recorrente, mas sim a uma redução de suas despesas concedida pelo ente subvencionador, com o intuito de fomentar determinados setores da atividade empresarial. Nesse sentido, inclusive, já decidiu o CARF, vejamos as ementas abaixo: "COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA. CRÉDITO PRESUMIDO DO ICMS. O “crédito presumido do ICMS”, mero incentivo fiscal, não se trata de receita auferida pela empresa, portanto, está fora do campo de incidência do PIS e da COFINS, não de vendo compor a sua base de cálculo. Não há a subsunção do fato concreto (“crédito presumido do ICMS”) com a hipótese normativa (“auferir receita”), portanto, não se instaurará o consequente da norma (relação jurídico tributária/obrigação tributária)." Acórdão nº 3201000.754 CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. NATUREZA JURÍDICA DE SUBVENÇÃO DE INVESTIMENTO. ESCRITURAÇÃO EM CONTA DE RESULTADO. POSSIBILIDADE DA EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO PIS. O PN CST nº112/78 extrapolou dos requisitos de caracterização de uma subvenção de investimentos previstos no Decreto 1.578/77, inovando no ordenamento quando deveria apenas explicitar. Não há exigência legal de aplicação dos recursos recebidos a título de subvenção de investimento na composição do ativo permanente da empresa exigese tão somente que a subvenção tenha sido concedida como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, na forma estipulada no art.38, 2º do DecretoLei 1.598/77. Dessa forma, é inequívoca subsunção dos créditos presumidos de ICMS, concedidos no contexto de guerra fiscal, ao conceito de subvenção de investimentos. Se o legislador ordinário vinculou a não tributação das subvenções de investimento pelo IRPJ e pela CSLL à manutenção de tais valores em conta de reserva de incentivos fiscais, o mesmo não foi estipulado para a exclusão desses valores das bases de cálculo das contribuições. Conquanto o art.38, 2º do Decretolei 1.598/77 traga os elementos caracterizadores da subvenção de investimento, da sua redação resta claro que as alíneas trazem requisitos para o seu não cômputo na apuração do Lucro Real, nada dizendo acerca do PIS e da Cofins, estes regidos pelo art.21 da Lei 11.941/09. INDENIZAÇÕES RECEBIDAS EM RAZÃO DE DANO EMERGENTE. CARACTERIZAÇÃO COMO RECEITA. IMPOSSIBILIDADE. NÃO INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO de um determinado patrimônio. Nos valores recebidos a título de indenização por dano emergente, o que há é apenas recomposição do patrimônio que fora anteriormente lesado, e não o acréscimo de novos elementos a esse patrimônio. Impossibilidade de inclusão dos valores recebidos judicialmente a título de indenização na base de cálculo das contribuições sociais sobre a receita (Processo nº 19515.721790/201311, Acórdão nº 3402002.904, 28/01/2016). Fl. 924DF CARF MF Processo nº 10280.723663/201383 Acórdão n.º 1302002.304 S1C3T2 Fl. 925 41 Há que se reconhecer, portanto, a improcedência do lançamento fiscal em relação a tributação do PIS e da COFINS. Diante do exposto, NEGO provimento ao recurso de ofício e DOU parcial provimento ao Recurso Voluntário do contribuinte, para excluir da base de Cálculo do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS o montante de R$ 6.296.807,47. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Fl. 925DF CARF MF Processo nº 10280.723663/201383 Acórdão n.º 1302002.304 S1C3T2 Fl. 926 42 Voto Vencedor Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Redator Designado Com a devida vênia do i. relator, entendo que neste caso não restou caracterizada a subvenção para investimento que autorizaria a exclusão de sua tributação pelo IRPJ e CSLL. Entendo que para que esta restasse caracterizada o instrumento legal que instituiu a isenção deveria não apenas estabelecer claramente ser este o objetivo da concessão do subsidio estatal, como também estabelecer metas claras para a implantação ou expansão do empreendimento aliado a mecanismos de controle destinados a verificar seu cumprimento. No presente caso, o Decreto nº 5.615, de 29/10/2002 que regulamenta a Lei nº 6.489, de 27/09/2002, que aprovou a concessão do incentivo em momento algum condiciona a concessão do benefício à fixação de metas claras de investimento em expansão ou modernização, condicionandoo tão somente à apresentação de projeto de viabilidade técnica, econômica e financeira, com indicadores bastante genéricos, conforme dispõe o seu art. 13, verbis: Art. 13. Para a concessão dos incentivos, os pleiteantes deverão apresentar projeto de viabilidade técnica, econômica e financeira, com os seguintes indicadores relativos as alíneas correspondentes aos incisos do artigo anterior deste Regulamento, de acordo com as peculiaridades de cada empreendimento: I de caráter sócioeconômico: a) número de empregos a serem gerados e/ou mantidos pelo empreendimento, com os respectivos níveis de qualificação profissional e número de contratações no mercado local; b) quantidade média e valor da produção final, com o respectivo destino de consumo (local/nacional/externo), bem como a equivalente identificação da quantidade média e valor dos diferentes tipos de insumos e o correspondente mercado de origem (local/nacional/externo) utilizados no processo produtivo; c) projeção do ICMS anual que poderá ser gerado pelo projeto até o pleno alcance de sua capacidade produtiva. II de caráter tecnológico e ambiental: a) projeção de produtividade, valor e quantidade de novos equipamentos e de novos processos técnicos de aplicação na produção e na qualidade e sustentabilidade ambiental, gastos com treinamento de mãodeobra e capacitação gerencial; b) superfície de áreas degradadas e/ou alteradas a ser incorporada no ciclo produtivo e/ou no processo de recuperação ambiental; Fl. 926DF CARF MF Processo nº 10280.723663/201383 Acórdão n.º 1302002.304 S1C3T2 Fl. 927 43 c) comprovação, fornecida por órgão competente, do cumprimento de normas nacionais e/ou internacionais de qualidade técnica de produção. III de caráter espacial: a) comprovação que assegure a localização do empreendimento no interior do Estado, em distritos industriais ou em áreas apropriadas à natureza do projeto, consoante com a desconcentração espacial de atividades econômicas dos centros urbanos. Parágrafo único Os pleiteantes poderão apresentar, além dos indicadores acima mencionados, outros que considerem relevantes para definir o cumprimento das condições estabelecidas. Essa exigência genérica se reflete no projeto técnico apresentado pela empresa e aprovado pelo órgão responsável, no qual em momento algum a empresa se compromete a realizar investimentos para ampliar ou modernizar sua capacidade produtiva instalada, conforme se extrai de alguns de seus tópicos: 1.4. Objetivo do Projeto: O projeto ora apresentado não vem incrementando nenhum produto novo, além daqueles que tradicionalmente fizeram e continuam fazendo da COMPANHIA TÊXTIL DE CASTANHAL, um marco na indústria têxtil brasileira. Mas poderá lançar novos produtos, desde que haja condições e necessidades mercadológica para tal. 1.5. O Pedido: Com seus objetivos acima definidos, e com sua unidade industrial já implantada, a COMPANHIA TÊXTIL DE CASTANHAL vem fundamentar este pedido, baseandose na legislação dos benefícios previstos na Lei n° 6.489, de 27/09/2002 e Decreto n° 5.615, de 29/10/2002, que dispõem sobre os incentivos estaduais para o setor produtivo. Esses benefícios serão de vital importância para que o empreendimento se concretize, permitindo que se alcance maior poder de competitividade com relação a concorrentes de outros Estados que concedem 100% de benefícios relacionados ao ICMS. [...] Aspectos Técnicos [...] 4.4.4. Construções Civis: A empresa pretende, no decorrer de 15 anos construir mais um galpão para agrupar melhor os setores produtivos. Esta expectativa faz com que se programe para construções prediais uma área de 2.400 M2 e um valor de R$ 840.000,00. No Fl. 927DF CARF MF Processo nº 10280.723663/201383 Acórdão n.º 1302002.304 S1C3T2 Fl. 928 44 momento, as obras existentes satisfazem perfeitamente o lay out para as linhas do processo de fabricação. 4.4.5. Máquinas e Equipamentos: As máquinas e equipamentos que estão relacionas e que serão adquiridas num cronograma de 15 anos deverão compor o parque industrial do empreendimento numa projeção de substituição daqueles que, com certeza se tornarão obsoletos ou depreciados com o uso. Esperase obter os benefícios do diferencial de alíquota na aquisição desse item. 4.4.6. Produção: 4.4.6.1. Produção e Vendas: Neste projeto, apresentase um programa de produção que tem como destaque à produção de sacos de fibras de juta e malva. São produzidos diferentes tipos de sacos que dependem da sua utilização e das exigências de mercado. O maior mercado e o da sacaria de café para a exportação HCF com capacidade para 60 Kg, timbrado com a marca "Café do Brasil". O projeto ora apresentado não vem incrementando nenhum produto novo, além daqueles que tradicionalmente fizeram e continuam fazendo da COMPANHIA TÊXTIL DE CASTANHAL, um marco na indústria têxtil brasileira. Mas, com os equipamentos existentes e os futuros, a empresa poderá lançar novos produtos, desde que haja condições satisfatórias e necessidade mercadológica para tal. 4.4.8 Mãodeobra: A COMPANHIA TÊXTIL DE CASTANHAL é uma empresa de grande porte, que tem sua importância no contexto regional gerando atualmente em seu quadro de funcionários 869 empregos diretos. Neste projeto não se prevê aumento da Mão deobra. O que se pretende é manter esse quadro existente e a partir do momento em que o Governo conceder os benefícios da Lei n° 6.489/02 e Decreto n° 5.615/02, a CTC terá condições de aumentar sua produção para participar de um mercado com preços competitivos, que hoje está desleal dada às facilidades que os concorrentes estão encontrando para se instalarem, principalmente no Estado do Amazonas, a onde o benefício chega a 100% (cem por cento) do ICMS. [...] Como se vê, o projeto apresentado não se compromete em momento algum à ampliação da estrutura existente ou da capacidade instalada. Sequer se compromete a aumentar a mão de obra. Os termos do projeto denotam que o incentivo fiscal tem como objetivo fundamental para a empresa o aumento de sua competitividade no mercado em que atua, em que estaria sofrendo os efeitos da concorrência de empresas situadas em outros estados da federação, notadamente o do Amazonas, em face de benefícios similares concedidos. Fl. 928DF CARF MF Processo nº 10280.723663/201383 Acórdão n.º 1302002.304 S1C3T2 Fl. 929 45 Aliás, Decreto nº 2.722, de 28/12/2006, que concedeu o benefício à interessada, deixa transparecer claramente o real objetivo do incentivo em suas considerações preambulares: Considerando os termos do Ofício n° 310/2006GS, de 27 de dezembro de 2006, em que o Sr. Presidente da Comissão de Política de Incentivos Fiscais do Estado do Pará declara e ratifica a existência de incentivos fiscais concedidos por outros Estados da Federação que tem prejudicado a competitividade de produtos de empreendimentos sediados no Pará, na forma do art. 24, da Lei n° 6.489/02, O referido Decreto não especifica qualquer condição a ser cumprida pela interessada, além daquelas genericamente estipuladas pelo Decreto que regulamentou o programa de incentivo, limitandose a estabelecer a possibilidade de revogação em caso de descumprimento da legislação que rege a matéria: Art. 6o O tratamento tributário previsto neste Decreto poderá ser revogado e todos os seus efeitos serão considerados nulos, tornandose devido o imposto corrigido monetariamente e acrescido das penalidades legais, na hipótese de descumprimento da legislação que rege a matéria. Com a devida vênia, entendo que não se pode considerar o incentivo concedido como subvenção para investimento, mas sim uma subvenção para tornar a atividade desenvolvida pela empresa mais competitiva no mercado em que atua. Ou seja, tratase de uma subvenção para custeio. Realmente é lamentável que, em face da guerra fiscal instalada entre os Estados da federação, para atrair investimentos muitos desses entes tenham que lançar mão de incentivos até mesmo para manter aqueles empreendimentos já instalados, subvencionando sua própria atividade. Não é sem algum desconforto que constatamos a possibilidade de incidência dos tributos federais sobre esses subsídios ofertados pelos Estados, mas não é dado ao aplicador da lei excepcionar sua aplicação, ainda que lhe pareça injusta sob o ponto de vista social ou econômico. Infelizmente, a exclusão prevista no art. 443 do RIR/99 não alcança as subvenções para custeio que deverão ser incluídas no lucro operacional, por expressa dicção do art. 392 do mesmo regulamento. Assim, voto por negar provimento ao recurso voluntário quanto a este aspecto. Com relação ao Pis e a Cofins, também divergi do entendimento do relator, pois não se aplica às estas contribuições apuradas sob o regime não cumulativo, previstos nas leis 10.637 e 10.833/2002, a pecha de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98 quanto ao conceito de receita bruta, de modo que tais receitas devem compor a base tributável daquelas contribuições. Assim, as receitas decorrentes das subvenções para custeio recebidas sob a forma de crédito presumido do ICMS devem compor a base tributável daquelas contribuições. Fl. 929DF CARF MF Processo nº 10280.723663/201383 Acórdão n.º 1302002.304 S1C3T2 Fl. 930 46 Além disso, ainda que se tratasse de subvenção para investimentos, somente com a edição da Lei nº 12.973/2014, passou a ser prevista expressamente a exclusão dessas subvenções da base de cálculo do Pis e da Cofins, denotando que estas eram alcançadas pela tributação das contribuições. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, quanto a esta matéria. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 930DF CARF MF
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