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Numero do processo: 13888.907915/2011-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. PROCEDÊNCIA.
A contradição entre o resultado do julgamento destacado na ementa do acórdão e sua parte dispositiva merece ser sanada, o que enseja o provimento dos embargos de declaração interpostos.
Recurso de embargos de declaração provido.
Numero da decisão: 3402-004.616
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração para o fim de corrigir erro material, nos termos do voto do Relator.
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente.
Diego Diniz Ribeiro- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. PROCEDÊNCIA. A contradição entre o resultado do julgamento destacado na ementa do acórdão e sua parte dispositiva merece ser sanada, o que enseja o provimento dos embargos de declaração interpostos. Recurso de embargos de declaração provido.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. PROCEDÊNCIA. A contradição entre o resultado do julgamento destacado na ementa do acórdão e sua parte dispositiva merece ser sanada, o que enseja o provimento dos embargos de declaração interpostos. Recurso de embargos de declaração provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração para o fim de corrigir erro material, nos termos do voto do Relator. Jorge Olmiro Lock Freire Presidente. Diego Diniz Ribeiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório 1. Tratase de pedido de ressarcimento relativamente ao saldo credor da Cofins não cumulativa exportação referente ao 3º Trimestre de 2006, no montante de R$ 2.247.959,87. Mediante despacho decisório, a DRF/Piracicaba reconheceu parcialmente o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 79 15 /2 01 1- 12 Fl. 259DF CARF MF 2 direito creditório, no montante de R$ 2.070.088,89, em face das glosas de créditos referente aos seguintes itens: a) aquisição de produtos químicos, fertilizantes e defensivos agropecuários, tributados à alíquota zero; b) gastos relativos a transporte e armazenamento de insumos importados ocorridos após o desembaraço aduaneiro; c) gastos com embalagens de transporte (paletes); d) comissões de compra; e) despesas de energia térmica. 2. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade sustentando, em síntese, que foram indevidas as glosas relativas às (i) despesas com frete e armazenagem de insumos importados após o desembaraço aduaneiro e (ii) aquisições de paletes. 3. Referida manifestação foi julgada improcedente, nos termos do acórdão n. 1452.608, da 4ª Turma da DRJ/RPO, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. Os insumos utilizados no processo produtivo somente dão direito a crédito no regime de incidência nãocumulativa, se incorporados diretamente ao bem produzido ou se consumidos/alterados no processo de industrialização em função de ação exercida diretamente sobre o produto e desde que não incorporados ao ativo imobilizado. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. Somente dão direito a crédito no regime de incidência não cumulativa, os gastos expressamente previstos na legislação de regência. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. 4. Diante deste quadro o contribuinte interpôs recurso voluntário, o qual foi submetido a julgamento por este colegiado que, por maioria, conheceu parte do recurso interposto e, na parte conhecida, lhe deu provimento (acórdão n. 3402004.008 fls. 229/245) nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. O contencioso administrativo instaurase com a impugnação ou manifestação de inconformidade, que devem ser expressas, Fl. 260DF CARF MF Processo nº 13888.907915/201112 Acórdão n.º 3402004.008 S3C4T2 Fl. 260 3 considerandose preclusa a matéria que não tenha sido diretamente contestada. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria atinente à glosa não contestada por ocasião da manifestação de inconformidade. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas são todos aqueles bens e serviços pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, considerando como parâmetro o custo de produção naquilo que não seja conflitante com o disposto nas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03. FRETE E ARMAZENAMENTO. CUSTO DE AQUISIÇÃO DO ADQUIRENTE. CRÉDITO VÁLIDO INDEPENDENTEMENTE DO REGIME DE CRÉDITO DO BEM TRANSPORTADO/ARMAZENADO. A apuração do crédito de frete e de armazenamento não possui uma relação de subsidiariedade com a forma de apuração do crédito do produto transportado/armazenado. Não há qualquer previsão legal neste diapasão. Uma vez provado que o dispêndio configura custo de aquisição para o adquirente, ele deve ser tratado como tal, i.e., custo e, por conseguinte, gerar crédito em sua integralidade. INSUMOS. CREDITAMENTO. EMBALAGENS. TRANSPORTE. POSSIBILIDADE. Os itens relativos a embalagem para transporte, desde que não se trate de um bem ativável, deve ser considerado para o cálculo do crédito no sistema não cumulativo de PIS e Cofins, eis que a proteção ou acondicionamento do produto final para transporte também é um gasto essencial e pertinente ao processo produtivo, de forma que o produto final destinado à venda mantenhase com características desejadas quando chegar ao comprador. Recurso voluntário parcialmente conhecido e, na parte conhecida, provido. 5. Uma vez intimada, a Fazenda Nacional interpôs os embargos de declaração, ao fundamento de contradição, conforme se observa do seguinte trecho do recurso interposto: 1. De uma leitura da ementa do julgado, temos que o Recurso Voluntário foi CONHECIDO APENAS EM PARTE pelo v. acórdão ora embargado, e na parte conhecido, foi provido, verbis: (...). 2. Ocorre que na CONCLUSÃO do julgado NÃO HÁ A MENÇÃO DO CONHECIMENTO PARCIAL do Recurso, Fl. 261DF CARF MF 4 constando apenas que o recurso voluntário teria sido provido, o que evidencia a CONTRADIÇÃO com a ementa. Vejamos, verbis: (...). 3. Diante do exposto, a União (Fazenda Nacional) requer sejam CONHECIDOS e PROVIDOS os presentes Embargos de Declaração, a fim de ser EXTIRPADA a contradição ora apontada. (...). 6. Referido recurso foi admitido pelo Presidente desta turma julgadora, conforme se observa do despacho de fls. 254/257. 7. É o relatório. Voto 8. Atendidos os requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do presente recurso. 9. Com razão a Embargante. De fato há uma contradição entre a ementa do julgado e sua parte dispositiva, uma vez que, na disposição, não há qualquer menção ao conhecimento apenas parcial do recurso voluntário interposto pelo contribuinte. 10. Dessa feita, voto por dar provimento aos embargos de declaração interpostos, de modo que na parte dispositiva do julgado conste o que segue: Acordam os membros do colegiado em conhecer parcialmente o recurso interposto e, na parte conhecida, dar provimento ao recurso da seguinte forma: a) por unanimidade de votos, foram revertidas as glosas relativas às aquisições de paletes "one way"; e b) por maioria de votos, foram revertidas as glosas sobre fretes e despesa de armazenagem sobre as aquisições de insumos. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra e Maria Aparecida Martins de Paula. Designado o Conselheiro Diego Diniz Ribeiro. (grifos nosso). 11. É como voto. Conselheiro Diego Diniz Ribeiro. Fl. 262DF CARF MF Processo nº 13888.907915/201112 Acórdão n.º 3402004.008 S3C4T2 Fl. 261 5 Fl. 263DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13005.721311/2011-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Oct 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010
NÃO CONCOMITÂNCIA. PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL
Não implica em concomitância quando os processos no âmbito administrativo e judicial não contemplam a mesma causa de pedir, com isso, não há renúncia à lide administrativa.
MULTA DE 50% SOBRE O VALOR DO CRÉDITO. INAPLICABILIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA
De acordo com a Lei nº 13.137/2015, que revogou o § 15 do art. 74, da Lei nº 9.430/1996, não se aplica a multa de 50% sobre o valor do crédito objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou indevido, com aplicação do art. 106 do Código Tributário Nacional.
Recurso Voluntário provido.
Numero da decisão: 3301-003.935
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
José Henrique Mauri - Presidente.
Valcir Gassen - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Cassio Schappo, Larissa Nunes Girard, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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AGRO AVÍCOLA INDUSTRIAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 NÃO CONCOMITÂNCIA. PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL Não implica em concomitância quando os processos no âmbito administrativo e judicial não contemplam a mesma causa de pedir, com isso, não há renúncia à lide administrativa. MULTA DE 50% SOBRE O VALOR DO CRÉDITO. INAPLICABILIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA De acordo com a Lei nº 13.137/2015, que revogou o § 15 do art. 74, da Lei nº 9.430/1996, não se aplica a multa de 50% sobre o valor do crédito objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou indevido, com aplicação do art. 106 do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. José Henrique Mauri Presidente. Valcir Gassen Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 5. 72 13 11 /2 01 1- 79 Fl. 3313DF CARF MF Processo nº 13005.721311/201179 Acórdão n.º 3301003.935 S3C3T1 Fl. 3.314 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Cassio Schappo, Larissa Nunes Girard, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 2653 a 2704) interposto pelo Contribuinte, em 27 de março de 2012, contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 10 37.211 (fls. 2646 a 2650), de 8 de março de 2012, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS) – DRJ/POA – que decidiu, por maioria de votos, rejeitar a preliminar suscitada e desconhecer a impugnação. Visando a elucidação do caso e a economia processual adoto e cito o relatório do referido Acórdão: Em ação fiscal foram lavrados contra a empresa acima os Autos de Infração de Multa Isolada referentes a pedidos de ressarcimento de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS (fls. 3/8) e Contribuição para o Programa de Integração Social PIS (fls. 35/40) em virtude da aplicação do percentual de 50% (cinqüenta por cento) sobre valores de créditos objeto de pedidos de ressarcimento indeferidos, conforme demonstrado no relatório do trabalho fiscal de fls. 41/54. O total do lançamento alcançou o valor de R$ 7.712.738,81 (sete milhões, setecentos e doze mil, setecentos e trinta e oito reais e oitenta e um centavos). Ao final, o relatório fiscal também informa que a exigibilidade do crédito tributário lançado encontrase suspensa, por força de sentença no Mandado de Segurança n. 500167956.2010.404.7111 impetrado pela contribuinte, servindo o presente apenas para prevenção da decadência da constituição do crédito da Fazenda Pública. A interessada apresentou, tempestivamente, impugnação do lançamento onde alega, preliminarmente, que o presente lançamento não poderia ter sido lavrado em razão da sentença proferida no Mandado de Segurança n° 500167956.2010.404.7111. Aponta que tal sentença teria determinado que o Ilustríssimo Sr. Delegado da Receita Federal do Brasil em Santa Cruz se abstivesse de aplicar a multa constante dos parágrafos 15 e 17 do art. 74 da Lei n° 9.430/96, em caso de mero indeferimento de pedido de ressarcimento ou de compensação. Transcreve parte da decisão citada e requer a anulação do auto de infração ora combatido “in tottum”. Ainda em sede de preliminar, argüi a necessidade de conexão deste processo com os demais processos administrativos, relativos aos pedidos de ressarcimentos de PIS/COFINS, do 1º ao 4º trimestres de 2010, que tramitam perante à DRJ Porto Alegre, em face da vinculação existente com o mérito do presente auto de infração. Ressalta que o lançamento em questão não se sustentaria numa decisão administrativa definitiva que tenha indeferido o direito creditório utilizado nas compensações em comento, haja vista que a ora Impugnante apresentou Manifestações de Inconformidade aos despachos decisórios que deferiram, parcialmente, os referidos pedidos de ressarcimentos de PIS e COFINS. Fl. 3314DF CARF MF Processo nº 13005.721311/201179 Acórdão n.º 3301003.935 S3C3T1 Fl. 3.315 3 Conclui que para que todos os processos administrativos tenham suas pretensões alcançadas, é necessário que sejam apreciados em conjunto. Desta forma, requer que o presente processo administrativo seja apensado aos demais processos administrativos relativos aos pedidos de ressarcimentos de PIS/COFINS, os quais enumera em tabela demonstrativa. Passa então a tecer comentários sobre a legitimidade dos créditos de PIS e COFINS, referentes ao 1°, 2º, 3º e 4° trimestres de 2010, que estão pendentes de decisão administrativa definitiva nos referidos processos, caso as autoridades julgadoras não entendam pela conexão do presente processo. Ao final, requer o recebimento da presente impugnação para que seja determinada o cancelamento integral do presente auto de infração, em face do disposto na sentença proferida no Mandado de Segurança n° 5001679 56.2010.404.7111 ou então que seja determinada a conexão do presente processo com os demais processos relativos aos pedidos de ressarcimentos de PIS/COFINS. Sucessivamente, caso não seja acolhido o pedido relativo à conexão entre os processos, requer, no mérito, o reconhecimento da legitimidade dos créditos de PIS e COFINS, 1º ao 4º trimestres de 2010 (pleiteados nos processos administrativos relacionados) para que então seja determinado o cancelamento integral do presente auto de infração. (grifouse). Tendo em vista o Acórdão nº 1037.211 da 2ª Turma da DRJ/POA, que, por maioria de votos, rejeitou a preliminar suscitada e desconheceu a impugnação, o Contribuinte ingressou com Recurso Voluntário visando reformar a referida decisão. O Conselho Administrativo de Recurso Fiscais – CARF, por meio da Resolução nº 3403000.464, de 27 de junho de 2013, resolveu converter o julgamento em diligência (fls. 2806 a 2808). Salientase que não foi ofertada resposta ao pedido de diligência no que tange a formulação de quadro comparativo a fim de identificar a porção do crédito definitivamente reconhecida à recorrente e, eventualmente, a parcela que lhe foi recusada. O Contribuinte, por sua vez, apresentou Requerimentos (fls. 2816 a 2819, 2823 a 2826 e 2835 a 2836), sendo os dois primeiros com data de 15 de julho de 2015 e o último de 8 de setembro de 2016. É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen O Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 1037.211 é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. O ora analisado Recurso Voluntário visa reformar decisão que possui a seguinte ementa (fls. 2646): Fl. 3315DF CARF MF Processo nº 13005.721311/201179 Acórdão n.º 3301003.935 S3C3T1 Fl. 3.316 4 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 Ementa: CONCOMITÂNCIA DE AÇÃO JUDICIAL. A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 Ementa: CONCOMITÂNCIA DE AÇÃO JUDICIAL. A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto. Impugnação Não Conhecida Outros Valores Controlados Acórdão Acordam os membros da 2ª Turma de Julgamento, por maioria de votos, rejeitar a preliminar suscitada e desconhecer a impugnação, conforme relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Divergiu da maioria da turma a julgadora Ana Cristina Schneider Martins por entender que existiria conexão entre o processo de multa por ressarcimento indevido e os demais processos que tratam do indeferimento parcial dos créditos. Tendo em vista a já citada decisão da 2ª Turma da DRJ/POA, que, por maioria de votos, desconheceu a impugnação, o Contribuinte ingressou com Recurso Voluntário visando a reforma do referido Acórdão. O Contribuinte no seu Recurso alega o seguinte: De forma preliminar: Ausência de identidade dos processos administrativos e judiciais; Impossibilidade do lançamento da multa; Conexão do ora analisado processo com outros que tramitam na DRJ/POA; Do mérito: Da legitimidade dos créditos de Pis/Cofins referentes ao 1º ao 4º trimestre de 2010; Em resumo requer o Contribuinte em seu Recurso Voluntário às fls. 2703: Fl. 3316DF CARF MF Processo nº 13005.721311/201179 Acórdão n.º 3301003.935 S3C3T1 Fl. 3.317 5 Quando da apreciação do Recurso Voluntário do Contribuinte pela 3a. Turma Ordinária, da 4a. Câmara da Terceira Seção de Julgamento, decidiuse por converter o julgamento em diligência, por meio da Resolução nº 3403000.464 (fls. 2806 a 2808), de 27 de junho de 2013 foram enfrentadas as preliminares de ausência de concomitância entre os processos administrativo e judicial e da conexão entre os processos. Assim ficou estabelecido na Resolução nº 3403000.464: Embora a impugnação e a ação mandamental de iniciativa da recorrente persigam objetivo análogo, qual seja, a exoneração da multa pecuniária que lhe impôs o auto de infração, a distinção clara entre os fundamentos de um e de outro pleito impede que se reconheça a concomitância das discussões e, consequentemente, se pronuncie a renúncia à esfera administrativa. Com efeito, aqui, na órbita administrativa, a recorrente investe contra a penalidade negando que tenha incorrido na respectiva hipótese normativa. Se a sanção tem por pressuposto o indeferimento de um pedido de ressarcimento prévio, a recorrente aduz ter direito à integralidade dos créditos que reivindicara nos processos de origem, pedindo, aliás, a reunião dos feitos para julgamento conjunto. Já na demanda judicial, a interessada persegue o intento sob perspectiva diversa. Sustenta, tão só a inconstitucionalidade do dispositivo de lei que veicula a sanção, argumentando que, mesmo que não fizesse jus à integralidade do ressarcimento reivindicado, não poderia ser sancionada apenas em razão da improcedência do seu pedido. Fl. 3317DF CARF MF Processo nº 13005.721311/201179 Acórdão n.º 3301003.935 S3C3T1 Fl. 3.318 6 Como as causas de pedir são manifestamente diversas, não é correto afirmar que a discussão administrativa esteja sendo simultaneamente mantida pela recorrente em juízo. E se não há concomitância, não há renúncia à lide administrativa. Como relatado pela recorrente, os pedidos de ressarcimento por ela formulados foram parcialmente acolhidos pela DRF em Porto Alegre/RS e, em face dos correspondentes despachos decisórios, foram interpostas manifestações de inconformidade, ao que tudo indica não julgadas em caráter definitivo pelas instâncias administrativas competentes. Assiste razão, portanto, à recorrente no que argui a prejudicialidade entre aqueles feitos e este. Em razão do que estabelece o artigo 77, §6º, da IN RFB n. 1.300/12, inclinome pela conversão do julgamento em diligência, a fim de que os autos retornem ao órgão preparador, onde deverão aguardar a solução definitiva dos processos administrativofiscais em que se debate a existência e a extensão do direito ao ressarcimento (autos cujos números estão relacionados às fls. 2.183/4). Tão logo a cópia da decisão última de cada um deles seja trasladada para estes autos, a autoridade de origem encarregada da diligência deverá elaborar quadro demonstrativo, a fim de identificar a porção do crédito definitivamente reconhecida à recorrente e, eventualmente, a parcela que lhe foi recusada. Cumpridas estas etapas, retornem os autos a este Colegiado para conclusão do julgamento. Constatase às fls. 2811 que em 28 de maio de 2014 tomouse as seguintes providências: DESPACHO DE ENCAMINHAMENTO Sugerimos encaminhamento do presente processo digital para ARF em Montenegro, para aguardar solução definitiva nos processos de pedidos de ressarcimento ns. 13005.720038/201165, 13005.720742/201037,13005.720027/201185, 13005.720363/201168, 13005.720041/201189, 13005.720743/201081, 13005.720025/201196 e 13005.720364/201172, conforme determinado à fl. 2808, na Resolução CARF n.3403000.464 (fls.28062808). Após a emissão das decisões definitivas em cada um desses processos, estas deverão ser juntadas ao presente processo, que deverá ser reencaminhado à SAFIS desta DRF, para elaboração de quadro demonstrativo dos créditos reconhecidos e indeferidos, requerido à fl.2808. Portanto, com a decisão da 3a. Turma Ordinária, da 4a. Câmara da Terceira Seção de Julgamento entendeuse que as causas de pedir são diversas nos âmbitos administrativo e judicial, portanto, afastase a concomitância admitida na decisão ora recorrida. Do pedido do Contribuinte em preliminar em se determinar a conexão do presente processo com os processos 13005.720038/201165, 13005.720742/201037, 13005.720027/201185, 13005.720363/201128, 13005.720041/201189, 13005.720743/2010 81, 13005.720025/201196 e 13005.720364/201172, decidiu a 2a. Turma da 4a Câmara da Terceira Seção de Julgamento, em 24 de agosto de 2016, por intermédio dos Acórdãos nºs 3402000.818; 3402000.814; 3402000.816; 3402000.820; 3402000.819; 3402000.815, 3402000.817 e 3402000.821, respectivamente, em converter o julgamento em diligência para apensar estes processos referidos com o presente. Para melhor precisar a discussão e o entendimento acerca dos fatos e processos referidos e apensados, cabe citar trechos do Acórdão n º. 3402000.819 proferido pela 2a. Turma da 4a Câmara da Terceira Seção de Julgamento, em 24 de agosto de 2016, de relatoria do conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que tem a mesma redação dos demais acórdãos citados acima: Fl. 3318DF CARF MF Processo nº 13005.721311/201179 Acórdão n.º 3301003.935 S3C3T1 Fl. 3.319 7 Relatório Os processos administrativos 13005.720742/201037, 13005.720743/201081, 13005.720027/201185, 13005.720025/201196, 13005.720038/201165, 13005.72041/2011 89, 13005.720363/201128 e 13005.720364/201172, a mim sorteados e em julgamento na presente sessão, referemse, respectivamente, a pedidos de ressarcimento, cumulado com DCOMP no processo 13005.720363/201128, de saldos credores de exportação de COFINS 2Trimestre/2010, PIS 2T 2010, COFINS 3T 2010, PIS 3T 2010, COFINS 1T/2010, PIS 1T/2010, COFINS 4T 2010 e PIS 4T 2010. Encaminhados os referidos pleitos à SAFIS/DRF em Santa Cruz do Sul/RS, esta, em todos esses processos, propôs glosa de valores nos seguintes termos, (transcrevo como exemplo o que consta no PA 13005.720742/201037), o que foi acatado pelo correspondente despacho decisório: Do transcrito, observase que o agente fiscal ao fundar a glosa fez referência ao processo do auto de infração, sem transcrevêla nos processos de ressarcimento/compensação. Nas manifestações de inconformidade opostas aos despachos decisórios nos referidos PA, a requerente adentrou no mérito das glosas conforme consta do processo do auto de infração, de no 13005.721311/201179, a que alude as informações fiscais, e que abrange os períodos objetos dos pedidos de ressarcimento de PIS/COFINS sob análise. Isto porque, como dito, o relatório fiscal que motivou o lançamento e as glosas nos processos em análise não foram anexadas aos mesmos. E justamente por essa omissão foi que a DRJ/POA baixou os processos em diligência para, dentre outras questões, determinar que fosse anexado a esses processos "uma cópia daquele relatório que amparou o referido Auto de Infração", o que veio a ser feito. A DRJ/POA, em 29/04/2014, manteve (fls. 502/534) a glosa em seus termos originais. Não resignada, a empresa recorreu dessa decisão. O Acórdão 3202000.296, de 15/10/2014, converteu o julgamento em diligência para que a Fl. 3319DF CARF MF Processo nº 13005.721311/201179 Acórdão n.º 3301003.935 S3C3T1 Fl. 3.320 8 recorrente fosse intimada a apresentar laudo técnico que descrevesse detalhadamente seu processo produtivo, o que foi feito, conforme acostado aos autos. O órgão local replicou o laudo, em suma concluindo "que fosse a intenção do legislador que o conceito de insumo alcançasse todas as despesas necessárias ao desenvolvimento da atividade econômica, como pretende o contribuinte, não haveria necessidade de elencar uma a uma as hipóteses de creditamento". É o relatório. VOTO Emerge do relato que todos os períodos de apuração dos processos da recorrente por mim pautados para esta sessão de julgamento, arrolados no relatório, estão abarcados pelo auto de infração constante do processo 13005.721311/201179. E o entendimento desta Turma Ordinária é que o destino dos processos de ressarcimento/compensação quando a análise dos mesmo der azo a glosas e que em função dessas tenha havido lançamento de ofício, estarão aqueles vinculados ao decidido neste. Com efeito, julgado o lançamento, a própria unidade local da RFB pode liquidar os processos de ressarcimento/compensação aos termos do que se tornar julgado em definitivo naquele. Por isso, entendo que os processos em questão deveriam estar apensados aos autos do processo de lançamento. Ou, em outros termos, entendese haver prejudicialidade da análise dos processos administrativos de PER/DCOMP em relação ao decidido no processo do auto de infração. Deveras, a decisão nos autos do processo administrativo onde esteja encartada a exigência fiscal vinculará a decisão nos processos de PER/DCOMP dos períodos e tributos abrangidos pelo período da autuação. Justamente por esta causa que esses processos deveriam "correr" apensados ao processo de cobrança de crédito tributário, assim vinculados ao decidido neste. Mas não foi isso que ocorreu in casu, pois embora absolutamente conexos, tiveram seu iter processual apartado, o que, a meu juízo, não faz o menor sentido. No presente caso ocorreu o inverso, pois o julgamento do recurso voluntário no processo do auto de infração a que aludi, examinandoo no eprocesso, nos termos da Resolução 3403000.464, de 27/06/2013, foi convertido em diligência para que "...os autos retornem ao órgão preparador, onde deverão aguardar a solução definitiva dos processos administrativofiscais em que se debate a existência e a extensão do direito ao ressarcimento (autos cujos números estão relacionados às fls. 2.183/4). Tão logo a cópia da decisão última de cada um deles seja trasladada para estes autos, a autoridade de origem encarregada da diligência deverá elaborar quadro demonstrativo, a fim de identificar a porção do crédito definitivamente reconhecida à recorrente e, eventualmente, a parcela que lhe foi recusada". E em cumprimento à essa diligência, o processo 13005.721311/201179 (AI) encontrase na repartição local de origem, na ARF Montenegro/RS. Sem embargo, o que vimos entendendo é que o julgamento do auto de infração é que é prejudicial, vinculando os processos de PER/DCOMP dos mesmos períodos de apuração ao que nele for decidido. Nesse rumo foram julgados os acórdãos 3402003.120, 3402003.121 e 3402003.122, em 23/06/2015, ementados nos seguintes termos: COMPENSAÇÃO VINCULAÇÃO AO LANÇAMENTO O destino da compensação vinculase ao decidido no processo cujo objeto é o lançamento do IPI que glosou os créditos que foram compensados refazendo a escrita do IPI e lançando eventual saldo devedor. Assim, invalidado o lançamento, que abarca o período de apuração do crédito compensado, por decisão do CARF, em decorrência restituise o crédito à escrita fiscal e homologase a compensação Fl. 3320DF CARF MF Processo nº 13005.721311/201179 Acórdão n.º 3301003.935 S3C3T1 Fl. 3.321 9 feita com arrimo naquele. E nosso entendimento não destoa do da Administração Tributária, pois vai ao encontro do que consigna a Portaria RFB no 354, de 11/03/2016 (DOU 14/03/2016), que "dispõe sobre a formalização de processos relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal (RFB)". Estatui seu artigo 3o: (...) Portanto, forte nessa norma administrativa, decido converter o presente julgamento em diligência para determinar que este e os demais processos (13005.720742/2010 37, 13005.720743/201081, 13005.720027/201185, 13005.720025/201196, 13005.720038/201165, 13005.72041/201189, 13005.720363/201128 e 13005.720364/2011 72) retornem à repartição de origem (ARF Montenegro/RS), devendo ser todos apensados ao processo 13005.721311/201179, no qual se controverte o auto de infração, anexando nele (processo do auto de infração) todas as decisões dos processos em referência, acima listados, e ora em julgamento. Feito isso, deve o processo 13005.721311/201179 regressar a esta Terceira Seção do CARF para novo sorteio e posterior julgamento. É como voto. (grifouse). Assim, temse que foi apensado ao presente processo, que trata do auto de infração de multa isolada de 50% sobre valores de créditos referentes a pedidos de ressarcimento indeferidos de PIS/PASEP e COFINS, os processos relativos aos PER/DCOMP do Contribuinte em que pretendeu ressarcimento de valores credores das contribuições não cumulativas vinculadas à receita do mercado externo relativos aos quatro trimestres de 2010. Portanto, a discussão de mérito, da análise e acompanhamento de PER/DCOMP, dos processos apensados acerca do ressarcimento de valores credores de PIS/PASEP e COFINS nãocumulativa, vinculados à receita do mercado externo, relativos aos quatro trimestres de 2010, será objeto de deliberação nos respectivos processos, de relatoria deste conselheiro. Dos pedidos do recorrente cabe enfrentar, por fim, a questão da multa isolada de 50% sobre os valores de créditos referentes a pedidos de ressarcimento indeferidos de e PIS/PASEP e COFINS. Neste sentido o Contribuinte, após a interposição do Recurso Voluntário contra a decisão tomada no Acórdão nº 1037.211, de 8 de março de 2012, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS) – apresentou três Requerimentos, sendo os dois primeiros com data de 15 de julho de 2015 e o último de 8 de setembro de 2016, em que reitera que mudança na legislação lhe socorre no que tange a aplicação da multa de 50%. Nos Requerimentos o Contribuinte solicita a aplicação da Lei nº 13.137/2015 e da IN nº 1537/2015, o que causaria, segundo o alegado, a perda do objeto do referido Auto de Infração. Citase trecho retirado do último Requerimento apresentado para melhor esclarecer: O presente processo originouse em decorrência de Auto de Infração oriundo de procedimento fiscal que, por sua vez, tem sua origem nos despachos decisórios proferidos em processos administrativos, que deferiram, parcialmente, os pedidos de ressarcimentos de PIS e COFINS, 1o ao 4o trimestres de 2010. Em face das glosas demonstradas no relatório fiscal, parte integrante do referido lançamento, foi lançada a multa de 50%, forte no art. 74, § 15, da Lei no 9.430/96, imputando o montante de R$ 6.336.94,37, referente à COFINS e, o valor de R$ 1.375.798,44, referente a PIS. Fl. 3321DF CARF MF Processo nº 13005.721311/201179 Acórdão n.º 3301003.935 S3C3T1 Fl. 3.322 10 Diante do lançamento do Auto de Infração, a ora Manifestante apresentou impugnação em 31/08/2011, requerendo o cancelamento integral do referido Auto de Infração, em face da sentença proferida em Mandado de Segurança no 5001679 56.2010.404.7111, o qual determinou que Ilustríssimo Sr. Delegado da Receita Federal do Brasil em Santa Cruz se abstivesse de aplicar a multa de 50%, constante nos § 15 e 17 do art. 74 da Lei no 9.430/96, em caso de mero indeferimento de pedido de ressarcimento ou compensação. Contudo, a decisão fazendária adveio no sentido de negar provimento à impugnação apresentada pela contribuinte. Em face disso, inconformada, a ora Manifestante apresentou Recurso Voluntário em 28/03/2012, repisando os argumentos expostos na impugnação, o qual, atualmente, aguarda julgamento. Todavia, tornase imprescindível ressaltar que, o § 15 do art. 74, da Lei nº 9.430/96 foi revogado pela Lei nº 13.137, de 2015 , a qual versava sobre a aplicação da multa de 50% sobre o valor do crédito nos casos de indeferimento do pedido de ressarcimento, conforme transcrito abaixo: § 15. Será aplicada multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do crédito objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou indevido. Dessa forma, no caso em apreço, com a revogação do § 15 do art. 74, da Lei nº 9.430/96, que regulamentava a aplicação da multa de 50% no indeferimento de pedidos de ressarcimento, a lide administrativa deve se extinguir no que tange à matéria que era discutida no âmbito do dispositivo legal revogado. Logo, percebese que a referida autuação, em face da revogação do dispositivo legal acima destacado perdeu o seu objeto, devendo a mesma ser arquivada. Diante do exposto, REQUER que a presente petição seja recebida e considerada no julgamento do Recurso Voluntário apresentado, para efeito de registrar a revogação do § 15, do art. 74, da Lei nº 9.430/96, dispositivo legal constante no Auto de Infração imputado à ora Manifestante, para o fim de determinar o cancelamento integral do auto de infração ora combatido. Assiste razão ao Contribuinte visto que o art. 27 da Lei nº 13.137/2015 revogou expressamente o § 15 do art. 74, da Lei nº 9.430/1996 que ficou com a seguinte redação: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...) § 15. Será aplicada multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do crédito objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou indevido. (Revogado pela Lei nº 13.137, de 2015) § 17. Será aplicada multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada, salvo no caso de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (...) No âmbito da Receita Federal do Brasil a IN nº 1573/2015 introduziu alteração na IN nº 1300/2012 que ficou com a seguinte redação: Fl. 3322DF CARF MF Processo nº 13005.721311/201179 Acórdão n.º 3301003.935 S3C3T1 Fl. 3.323 11 Art. 45. O tributo objeto de compensação não homologada será exigido com os respectivos acréscimos legais. § 1º Sem prejuízo do disposto no caput, será exigida do sujeito passivo, mediante lançamento de ofício, multa isolada, nos seguintes percentuais: I de 50% (cinquenta por cento), sobre o valor do crédito objeto de declaração de compensação não homologada; ou I de 50% (cinquenta por cento), sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada; (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1573, de 09 de julho de 2015) Neste caso de alteração legislativa em que determinado comportamento deixa de ser tratado como infração cabe a aplicação do artigo 106 do Código Tributário Nacional que assim dispõe: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; (...) Portanto, de acordo com disposto no art. 74 da Lei nº 9.430/1996, no art. 45 da IN nº 1300/2012, com a alteração dada pela IN nº 1573/2015, no art. 106 do CTN, bem como a sentença no processo judicial nº 500167956.2010.404.7111 (fls. 2235), cabe afastar a aplicação da multa de 50% sobre os créditos referentes a pedidos de ressarcimento/compensação indeferidos de COFINS e PIS objeto do auto de infração no presente processo. Valcir Gassen Relator Fl. 3323DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15956.720062/2011-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008, 2009
ILEGALIDADE E CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA.
É proibido o controle de constitucionalidade pela Administração Tributária, consoante norma estabelecida no art. 26-A do Decreto nº 70.235/77, bem como enunciado da Súmula CARF nº 2, razão porque rejeito referidos argumentos.
Não há cerceamento do direito de defesa. A DRJ entendeu como correto a forma de apuração do ganho de capital do modo como determinado no lançamento. Foi mantido a exigência do imposto suplementar e da multa exigida de acordo com o livre convencimento da turma julgadora.
GANHO DE CAPITAL. IMÓVEL RURAL. BENFEITORIAS. CRITÉRIO DE APURAÇÃO.
A partir de 1º de janeiro de 1997, na apuração do ganho de capital de imóvel rural é considerado o valor da terra nua declarado pelo alienante no Documento de Informação e Apuração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (Diat), relativamente aos anos de alienação e de aquisição. Quando as benfeitorias não houverem sido deduzidas como custo ou despesa da atividade rural, o ganho de capital é determinado pela diferença entre o valor da terra nua do ano de alienação do imóvel somado ao valor correspondente às benfeitorias, menos o valor da terra nua do ano de aquisição somado aos custos das benfeitorias.
JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA REFERENCIAL DO SISTEMA DE LIQUIDAÇÃO E CUSTÓDIA (SELIC). INCIDÊNCIA.
Incidem juros de mora à taxa Selic sobre a multa de ofício não recolhida no prazo legal.
Numero da decisão: 2401-005.027
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e rejeitar as preliminares. No mérito, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos a relatora e os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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INEXISTÊNCIA. É proibido o controle de constitucionalidade pela Administração Tributária, consoante norma estabelecida no art. 26A do Decreto nº 70.235/77, bem como enunciado da Súmula CARF nº 2, razão porque rejeito referidos argumentos. Não há cerceamento do direito de defesa. A DRJ entendeu como correto a forma de apuração do ganho de capital do modo como determinado no lançamento. Foi mantido a exigência do imposto suplementar e da multa exigida de acordo com o livre convencimento da turma julgadora. GANHO DE CAPITAL. IMÓVEL RURAL. BENFEITORIAS. CRITÉRIO DE APURAÇÃO. A partir de 1º de janeiro de 1997, na apuração do ganho de capital de imóvel rural é considerado o valor da terra nua declarado pelo alienante no Documento de Informação e Apuração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (Diat), relativamente aos anos de alienação e de aquisição. Quando as benfeitorias não houverem sido deduzidas como custo ou despesa da atividade rural, o ganho de capital é determinado pela diferença entre o valor da terra nua do ano de alienação do imóvel somado ao valor correspondente às benfeitorias, menos o valor da terra nua do ano de aquisição somado aos custos das benfeitorias. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA REFERENCIAL DO SISTEMA DE LIQUIDAÇÃO E CUSTÓDIA (SELIC). INCIDÊNCIA. Incidem juros de mora à taxa Selic sobre a multa de ofício não recolhida no prazo legal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 95 6. 72 00 62 /2 01 1- 81 Fl. 172DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e rejeitar as preliminares. No mérito, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos a relatora e os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. Fl. 173DF CARF MF Processo nº 15956.720062/201181 Acórdão n.º 2401005.027 S2C4T1 Fl. 173 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face da decisão da 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora MG (DRJ/JFA), que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, conforme ementa do Acórdão nº 0957.014 (fls. 145/149): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2008, 2009 GANHO DE CAPITAL. IMÓVEL RURAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO. VALOR DE ALIENAÇÃO. IMÓVEIS ADQUIRIDOS A PARTIR DE 1997. A partir do dia 1º de janeiro de 1997, para fins de apuração de ganho de capital, considerase custo de aquisição e valor da venda do imóvel rural o VTN declarado no Documento de Informação e Apuração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural. Quando o valor das benfeitorias não houve sido computado como custo ou despesa da atividade rural, considerase valor da alienação o valor integral da venda. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O presente processo trata do Auto de Infração – Imposto de Renda Pessoa Física (fls. 03/09), lavrado contra o Recorrente em 08/06/2011, onde foi apurado Imposto Suplementar, relativo aos anoscalendário 2007 a 2008, no valor de R$ 41.343,76, Juros de Mora no valor de R$ 12.795,16 e Multa no valor de R$ 31.007,82, perfazendo um total de Crédito Tributário no montante de R$ 85.146,74. De acordo com o TERMO DE CONCLUSÃO DA AÇÃO FISCAL (fls. 118/124) foram constatadas irregularidades no cálculo dos ganhos de capital, sobre as benfeitorias e terra nua, obtidos pelo Recorrente quando da alienação de 1/3 de um imóvel rural. Verificouse que foi apurado o ganho de capital considerandose para custo de aquisição e alienação o valor da terra nua acrescido das benfeitorias. O Recorrente tomou ciência do lançamento, via Correio, em 15/06/2011 (AR – fl. 126). Inconformado, interpôs sua impugnação (fl. 129/138, instruída com os documentos de folhas 139 a 141) em 13/07/2011, onde, em síntese, alegou: 1. Que segundo o entendimento da Autoridade Fiscal o cálculo de apuração do ganho de capital para fins de recolhimento do IRPF deveria tomar por base o VTN dos anos de compra e venda do imóvel Fl. 174DF CARF MF 4 rural, acrescido dos valores das benfeitorias respectivamente declarados em DIAT; 2. Que a apuração do ganho de capital referente aos imóveis rurais adquiridos a partir de 1997 pautase pelas disposições da Lei nº 9.393/1996; 3. Que, segundo a supracitada lei, o ganho de capital consiste na diferença entre o VTN do imóvel rural declarado do DIAT nos anos de aquisição e alienação; 4. Que a Fazenda Vereda da Onça, objeto da alienação que gerou o Auto de Infração em referência, foi adquirida em 2002 e alienada em 2007, tendo o DIAT sido devidamente entregue nesses dois anoscalendário; 5. Que o valor do ganho de capital da alienação da citada fazenda deve ser apurado segundo o VTN declarado em 2007, de R$ 1.650.000,00, subtraindose o VTN do ano de aquisição (2002), R$ 250.000,00. Finaliza sua impugnação requerendo que seja afastado o Auto de Infração originado pelo MPF nº 08109002011007408 e, no caso de se entender pela elisão do AI lavrado, seja afastada a incidência dos juros sobre a multa, nos termos da fundamentação expedida nas folhas 136 a 138 da impugnação. Diante da impugnação tempestiva, o processo foi encaminhado à DRJ/JFA para julgamento, que, através do Acórdão nº 0957.014, decidiu pela improcedência da impugnação apresentada, mantendo o crédito tributário exigido. O Recorrente foi instado a pagar ou a recorrer através de intimação de fls. 150/151, enviada via Correio, tendo recebido e tomado ciência do Acórdão da DRJ/JFA em 08/05/2015 (AR – fl. 152). Inconformada com a decisão prolatada, em 05/06/2015, tempestivamente, apresentou seu RECURSO VOLUNTÁRIO de fls. 154/166, onde alega: 1. Cerceamento de defesa sob o argumento de que não foi feito uma análise adequada da Impugnação apresentada pelo Recorrente, notadamente, quanto a falta de apreciação das alegações de incidência apenas da Lei nº 9.393/1996, em razão da alienação ter corrido em após 1997 e das ilegalidades contidas na Instrução Normativa nº 84/2001, e incidência de juros sobre a multa aplicada; 2. Que a apuração do ganho de capital referente aos imóveis rurais adquiridos a partir de 1997 é regida pela Lei nº 9.393/1996, onde está previsto que o ganho de capital seria calculado pela diferença positiva entre o VTN do imóvel rural declarado do DIAT nos anos de aquisição e alienação (art. 19); 3. Que nesta mesma Lei, em seu artigo 10, é dito que o VTN do imóvel rural corresponde ao valor da propriedade rural, excetuadas as construções, instalações, benfeitorias, culturas permanentes e temporárias, pastagens cultivadas e melhoradas e as áreas com árvores de florestas plantadas; Fl. 175DF CARF MF Processo nº 15956.720062/201181 Acórdão n.º 2401005.027 S2C4T1 Fl. 174 5 4. Que no caso em tela o ganho de capital deve ser apurado segundo o VTN declarado em 2007, de R$ 1.650.000,00, subtraindose o VTN do ano de aquisição (2002), R$ 250.000,00; 5. A ilegalidade da Instrução Normativa nº 84/2001 por impor condições para utilização do regime de apuração do ganho de capital na alienação de imóveis rurais adquiridos a partir de 1997 acima dos limites impostos pela Lei nº 9.393/96; 6. Que, por falta de amparo legal, o Juros não pode incidir sobre a multa aplicada. Finaliza seu Recurso Voluntário requerendo provimento a fim de que se acolha as preliminares levantadas, determinandose a remessa dos autos à primeira instância para que proferira nova decisão analisando todos os argumentos aduzidos na impugnação ou, alternativamente, que seja reformada a decisão recorrida nos termos da fundamentação do RV apresentado. É o relatório Fl. 176DF CARF MF 6 Voto Vencido Conselheiro Andréa Viana Arrais Egypto Relatora Juízo de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Preliminar Pugna o Recorrente pelo retorno dos autos à primeira instância para que sejam analisados os argumentos aduzidos na impugnação relativos à incidência da Lei nº 9.393/1996, as ilegalidades contidas na Instrução Normativa SRF nº 84/2001, além da incidência de juros sobre a multa aplicada, sob pena de cerceamento do direito ao contraditório e à ampla defesa. Sobre as questões de ilegalidade suscitadas no Recurso Voluntário, imperioso se faz destacar a proibição de controle de constitucionalidade pela Administração Tributária, consoante norma estabelecida no art. 26A do Decreto nº 70.235/77, bem como enunciado da Súmula CARF nº 2, razão porque rejeito referidos argumentos. Quanto à alegação de cerceamento do direito de defesa, da mesma forma, não assiste razão ao Recorrente. O contribuinte teve ampla oportunidade de apresentar suas razões de defesa no âmbito do Processo Administrativo Fiscal. O inconformismo do Recorrente com a manutenção da exigência por parte da turma julgadora de primeira instância, não tem o condão de transformar a decisão exarada em imotivada ou com preterição ao direito de defesa. Segundo a DRJ, está correta a forma de apuração do ganho de capital determinada pela autoridade fiscal. Não há que se falar em nulidade quando a decisão de piso explicitou os motivos do seu convencimento expondo as razões pertinentes à formação de sua livre convicção. Assim, rejeito as preliminares suscitadas. Mérito A demanda em questão se limita à controvérsia sobre a forma de apuração do ganho de capital ocorrido em operações de venda de imóvel rural. Fl. 177DF CARF MF Processo nº 15956.720062/201181 Acórdão n.º 2401005.027 S2C4T1 Fl. 175 7 De acordo com o Termo de Conclusão da Ação Fiscal (fls. 118/124), “existindo VTN de aquisição e alienação, o ganho de capital é determinado pela diferença entre o VTN do ano de alienação somado ao valor recebido pelas benfeitorias menos o VTN do ano de aquisição somado ao custo das benfeitorias”. Cita a IN SRF nº 84/2001. O contribuinte assevera que o ganho de capital na alienação de imóveis rurais, a partir de 1997, deve seguir as regras estabelecidas na Lei nº 9.393/1996 e que, no caso, deve ser apurado a partir da diferença de Valor da Terra Nua VTN declarado no ano da alienação e no ano da aquisição do imóvel rural. Pois bem. A Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996 determina o seguinte: Art. 19. A partir do dia 1º de janeiro de 1997, para fins de apuração de ganho de capital, nos termos da legislação do imposto de renda, considerase custo de aquisição e valor da venda do imóvel rural o VTN declarado, na forma do art. 8º, observado o disposto no art. 14, respectivamente, nos anos da ocorrência de sua aquisição e de sua alienação. Parágrafo único. Na apuração de ganho de capital correspondente a imóvel rural adquirido anteriormente à data a que se refere este artigo, será considerado custo de aquisição o valor constante da escritura pública, observado o disposto no art. 17 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995. Da leitura extraída do dispositivo legal, ressai claro que a partir de 1º de janeiro de 1997, a sistemática para a apuração de ganho de capital na alienação de imóvel rural, deve ser considerada a diferença apurada entre o Valor da Terra Nua no ano de alienação e no ano de aquisição, de acordo com os valores informados em DIAT. Considerase custo de aquisição o valor da terra nua declarado pelo alienante no Documento de Informação e Apuração do Imposto sobre a Propriedade Territorial, conforme dispõe a Instrução Normativa SRF nº 84, de 11 de outubro de 2001: Art. 10. Tratandose de imóvel rural adquirido a partir de 1997, considerase custo de aquisição o valor da terra nua declarado pelo alienante, no Documento de Informação e Apuração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (Diat) do ano da aquisição, observado o disposto nos arts. 8o e 14 da Lei No 9.393, de 1996. § 2o Caso não tenha sido apresentado o Diat relativamente ao ano de aquisição ou de alienação, ou a ambos, considerase como custo e como valor de alienação o valor constante nos respectivos documentos de aquisição e de alienação. Art. 19. Considerase valor de alienação: § 1o Tratandose de imóvel rural adquirido a partir de 1997, considerase valor de alienação da terra nua: Fl. 178DF CARF MF 8 I o valor declarado no Diat do ano da alienação, quando houverem sido entregues os Diat relativos aos anos de aquisição e alienação; II o valor efetivamente recebido, nos demais casos. Compulsando os autos, verificase que foram apresentadas pelo contribuinte as DIATs (fls. 23/28 e 30/36). Assim, o valor de alienação da terra nua a ser considerado é aquele declarado na DIAT e a base de cálculo correta a ser adotada é exatamente a diferença positiva do Valor da Terra Nua da data da alienação e aquisição (art. 19 da Lei nº 9.393/96). Ocorre que ao apurar o ganho de capital, a fiscalização considerou a diferença entre o VTN do ano de alienação somado ao valor recebido pelas benfeitorias menos o VTN do ano de aquisição somado ao custo das benfeitorias, tendo como base o valor constante da escritura pública, não aplicando, dessa forma, a norma de regência para o caso concreto (fl. 123). Como se vê do lançamento, não foi aplicada a sistemática correta para a apuração do ganho de capital relativo a alienação de imóvel rural, quando o contribuinte apresenta o valor da terra nua em DIAT, razão porque, se constata nitidamente o equívoco da fiscalização na base de cálculo tributável. Diante do exposto, tendo em vista a impossibilidade de inovar no lançamento, até mesmo em obediência ao princípio do contraditório e da ampla defesa, deve ser cancelado o lançamento. Caso esta Relatora reste vencida, cabe a análise da exigência dos juros sobre a multa de ofício, conforme pleiteado na peça recursal. Da incidência dos juros sobre a multa de ofício Pleiteia o contribuinte a não incidência dos juros correspondentes à taxa SELIC sobre o montante devido a título de multa de ofício, no caso de não ser cancelada a exigência do lançamento. A exigência combatida no Recurso Voluntário tem como fundamento o artigo 61, § 3º, da Lei nº. 9.430/96, que assim determina: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. Fl. 179DF CARF MF Processo nº 15956.720062/201181 Acórdão n.º 2401005.027 S2C4T1 Fl. 176 9 § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Medida Provisória nº 1.725, de 1998) (Vide Lei nº 9.716, de 1998)(Grifamos). Ocorre que as multas de ofício não são débitos decorrentes de tributos, vez que são penalidades que decorrem de punição aplicada pela fiscalização quando verificadas a falta de pagamento ou recolhimento dos tributos e contribuições, após o vencimento do prazo para tal; e a falta de declaração e declaração inexata, o que enseja a aplicação da multa contida no artigo 44 da Lei nº. 9.430/96: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Dessa forma, a incidência dos acréscimos moratórios previstos no art. 61 da Lei nº. 9.430/96 somente ocorre sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições, ao passo que a multa de ofício não decorre de tributos ou contribuições, mas sim do descumprimento do dever legal de declarálo e/ou pagálo. Acrescentese ainda que o art. 161, § 1º do Código Tributário Nacional, mesmo modo, não autoriza referida incidência, posto que a previsão ali contida está condicionada a edição de uma lei específica regulando a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, conforme se destaca da norma: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. Assim, entendo que assiste razão ao Recorrente, razão porque afasto a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Conclusão Fl. 180DF CARF MF 10 Ante o exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, afastar as preliminares alegadas e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, afastando a exigência contida no lançamento. (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Fl. 181DF CARF MF Processo nº 15956.720062/201181 Acórdão n.º 2401005.027 S2C4T1 Fl. 177 11 Voto Vencedor Conselheiro Cleberson Alex Friess Redator Designado Peço vênia a I. Relatora para divergir do seu voto que deu provimento ao recurso voluntário. A discordância reside na metodologia de cálculo para o ganho de capital na alienação do imóvel rural, adquirido pelos alienantes após o ano de 1997, e na incidência dos juros sobre a multa de ofício. a) Ganho de Capital Diz o art. 19 da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996, a seguir reproduzido: Art. 19. A partir do dia 1º de janeiro de 1997, para fins de apuração de ganho de capital, nos termos da legislação do imposto de renda, considerase custo de aquisição e valor da venda do imóvel rural o VTN declarado, na forma do art. 8º, observado o disposto no art. 14, respectivamente, nos anos da ocorrência de sua aquisição e de sua alienação. Parágrafo único. Na apuração de ganho de capital correspondente a imóvel rural adquirido anteriormente à data a que se refere este artigo, será considerado custo de aquisição o valor constante da escritura pública, observado o disposto no art. 17 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995. (GRIFEI) Ao contrário do ponto de vista da I. Relatora, o dispositivo de lei não prescreve que, a partir do ano de 1997, o ganho de capital é resultado tão somente da diferença do valor da terra nua, obtida a partir dos dados do Documento de Informação e Apuração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (Diat), relativamente aos anoscalendário da ocorrência da aquisição e alienação do imóvel rural. Quando não houver benfeitorias no imóvel rural, a apuração do ganho de capital corresponderá à diferença apenas entre o valor da alienação e o custo de aquisição da terra nua, com base nos valores existentes na Diat relativa aos anos de venda e aquisição, respectivamente. Como cediço, o valor de alienação da terra nua não constitui receita da atividade rural e sujeitase à apuração do ganho de capital. Porém, o ganho de capital é uma figura que pretende refletir a avaliação estática de acréscimo patrimonial derivado do ingresso de riqueza nova, não havendo porque dispensar as benfeitorias da tributação do imposto sobre a renda. Fl. 182DF CARF MF 12 Via de regra, os valores com benfeitorias podem ser deduzidos como dispêndios de custeio na apuração do resultado da atividade rural, pois necessárias à percepção dos rendimentos e à manutenção da fonte produtora. Nessa hipótese, mantendose a coerência da tributação sobre a renda, o valor da alienação referente a elas será considerado uma receita da atividade rural do contribuinte (arts. 4º e 6º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990). Por outro lado, quando as benfeitorias não foram deduzidas como custos ou despesas da atividade rural, o seu valor poderá incorporar o custo de aquisição para fins de apuração do ganho de capital, na medida em que o preço pago pelas benfeitorias será computado como valor de alienação do imóvel rural. Nessa linha de entendimento, nenhuma ilegalidade contém a Instrução Normativa SRF nº 84, de 11 de outubro de 2001, que dispõe sobre a apuração e tributação de ganho de capital nas alienações por pessoas físicas: IMÓVEL RURAL Art. 9º Na apuração do ganho de capital de imóvel rural é considerado custo de aquisição o valor relativo à terra nua. § 1º Considerase valor da terra nua (VTN) o valor do imóvel rural, nele incluído o da respectiva mata nativa, não computados os custos das benfeitorias (construções, instalações e melhoramentos), das culturas permanentes e temporárias, das árvores e florestas plantadas e das pastagens cultivadas ou melhoradas. § 2º Os custos a que se refere o § 1º, quando não tiverem sido deduzidos como despesa de custeio, na apuração do resultado da atividade rural, podem ser computados para efeito de apuração de ganho de capital. Art. 10. Tratandose de imóvel rural adquirido a partir de 1997, considerase custo de aquisição o valor da terra nua declarado pelo alienante, no Documento de Informação e Apuração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (Diat) do ano da aquisição, observado o disposto nos arts. 8o e 14 da Lei No 9.393, de 1996. (...) VALOR DE ALIENAÇÃO Art. 19. Considerase valor de alienação: (...) VI no caso de imóvel rural com benfeitorias, o valor correspondente: a) exclusivamente à terra nua, quando o valor das benfeitorias houver sido deduzido como custo ou despesa da atividade rural; b) a todo o imóvel alienado, quando as benfeitorias não houverem sido deduzidas como custo ou despesa da atividade rural. Fl. 183DF CARF MF Processo nº 15956.720062/201181 Acórdão n.º 2401005.027 S2C4T1 Fl. 178 13 § 1º Tratandose de imóvel rural adquirido a partir de 1997, considerase valor de alienação da terra nua: I o valor declarado no Diat do ano da alienação, quando houverem sido entregues os Diat relativos aos anos de aquisição e alienação; II o valor efetivamente recebido, nos demais casos. § 2º Na alienação dos imóveis rurais, a parcela do preço correspondente às benfeitorias é computada: I como receita da atividade rural, quando o seu valor de aquisição houver sido deduzido como custo ou despesa da atividade rural; II como valor da alienação, nos demais casos. (...) (GRIFEI) Segundo o Termo de Conclusão da Ação Fiscal, apoiado em provas documentais carreadas ao processo administrativo, o instrumento particular de Compromisso de Venda e Compra do imóvel rural, denominado de "Fazenda Vereda da Onça", estabelecia o pagamento total de R$ 11 milhões aos compromitentes vendedores, dos quais R$ 8 milhões representavam o preço da terra nua, a serem pagos aos núsproprietários, divididos em partes iguais entre eles, e R$ 3 milhões, correspondentes às benfeitorias incorporadas ao imóvel no interesse da sua exploração econômica, devidos diretamente aos usufrutuários, com renúncia ao usufruto sobre o imóvel (fls. 44/70). Acontece que na escritura pública de compra e venda e renúncia de usufruto, que efetivou o negócio jurídico, o compromisso foi modificado pelas partes contratantes, sem qualquer discriminação e/ou atribuição de valores para a terra nua e as benfeitorias, havendo o pagamento do preço acordado de R$ 11 milhões somente aos condôminos do imóvel rural, João Ricardo de Almeida Celestino, ora recorrente, e suas irmãs, Fernanda Maria de Almeida Celestino Morato e Renata Maria de Almeida Celestino Gazoto, cada um titular de 1/3 da parte ideal da "Fazenda Vereda da Onça", com renúncia simultânea do direito de usufruto que detinham os usufrutuários, Renato Celestino e sua esposa (fls. 71/85). Tal quadro fático exposto está confirmado e explicado, com detalhes adicionais, pelo recorrente, de acordo com a resposta dada à intimação da autoridade tributária para prestar esclarecimentos e apresentar documentos no curso do procedimento fiscal (fls. 18/21). Como se observa, as benfeitorias integraram o imóvel rural por ocasião da venda, no ano de 2007, da mesma forma que estavam incorporadas quando da compra, em 2002. É irrelevante, para fins do ganho de capital, haja vista o recebimento do preço total pelos núsproprietários do imóvel rural vendido, que eles não detiveram a posse e exploração do mesmo, eis que desenvolvidas as atividades pelos usufrutuários. Além disso, não há qualquer elemento revelador que as respectivas benfeitorias foram consideradas pelos usufrutuários como despesas de custeio ou investimento na atividade rural. Fl. 184DF CARF MF 14 Tornase inviável, portanto, o enfoque do recorrente quanto ao critério de apuração do ganho de capital exclusivamente segundo o parâmetro do valor da terra nua declarado no exercício 2007 subtraído do valor da terra nua do exercício 2002, anos da alienação e aquisição, respectivamente, do imóvel rural. No caso sob exame, uma vez existindo o valor de terra nua de aquisição e alienação, declarado no Diat, conforme fls. 86/87, o ganho de capital foi determinado pelo agente lançador a partir do resultado da diferença entre o valor da terra nua do ano de alienação somado ao valor correspondente às benfeitorias, menos o valor da terra nua do ano de aquisição somado ao custo das benfeitorias (fls. 123). b) Aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício A incidência de juros de mora sobre multa encontra suporte no art. 161 Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, que veicula o Código Tributário Nacional (CTN), a seguir reproduzido: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. (GRIFEI) O art. 161 está inserido no Capítulo IV do Título III do Livro Segundo do CTN, que versa sobre extinção do crédito tributário, especificamente na Seção II, a qual trata do pagamento, uma das formas de extinção do crédito tributário. A análise sistêmica não pode levar a outra conclusão senão que a expressão "crédito não integralmente pago no vencimento" referese ao crédito tributário em atraso, composto por tributo e multa, ou tão somente pela penalidade pecuniária. É certo que multa não é tributo. Porém, a obrigação de pagar a multa tem natureza tributária, tendo recebido do legislador o mesmo regime jurídico, isto é, aplicandose os mesmo procedimentos e critérios da cobrança do tributo, a teor do previsto no § 1º do art. 113 do CTN: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. (...) § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Fl. 185DF CARF MF Processo nº 15956.720062/201181 Acórdão n.º 2401005.027 S2C4T1 Fl. 179 15 Completo a avaliação destacando que o crédito tributário possui a mesma natureza da obrigação tributária principal, na dicção do art. 139 do CTN: Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. O § 1º do art. 161 do CTN estabelece que os juros de mora serão calculados à taxa de um por cento ao mês, salvo se a lei dispuser de modo diverso. Em nível de lei ordinária, o art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, está assim redigido: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...). § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (GRIFEI) Já o § 3º do art. 5º da Lei nº 9.430, de 1996, citado no § 3º do seu art. 61, acima reproduzido, contém a seguinte redação: Art. 5º (...) § 3º As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. A expressão "débitos (...) decorrentes de tributos e contribuições", contida no "caput" do art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, tem sido alvo de interpretações distintas. Acredito inapropriada, com a devida vênia, uma simples exegese literal e isolada desse dispositivo, devendose compreender o conteúdo e o alcance da norma jurídica nele contido como parte de um conjunto normativo mais amplo. Como visto, o débito, ou o crédito tributário, não é composto apenas pelo tributo. Constatado o inadimplemento do tributo pelo sujeito passivo, no prazo concedido pela legislação, há a aplicação da multa punitiva, a qual passa a integrar o crédito fiscal. O atraso na quitação da dívida atinge não só o tributo como a multa de ofício. Fl. 186DF CARF MF 16 Por isso, tendo em conta que a finalidade dos juros de mora é compensar o credor pela demora no pagamento, tais acréscimos devem incidir sobre a totalidade do crédito tributário. Além do que o raciocínio exposto não implica a incidência da multa de mora sobre a multa de ofício, como parece dizer o art. 61. Ambas com viés punitivo, multa de mora e de ofício se excluem mutuamente, de maneira tal que a aplicação de uma afasta, necessariamente, a incidência da outra. Logo, devida e permitida por lei a cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício lançada, calculados com base na Taxa Referencial do Sistema de Liquidação e Custódia (Selic), quando não recolhida dentro do prazo. Conclusão Ante o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 187DF CARF MF
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Numero do processo: 11762.720084/2013-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Aug 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 24/01/2011, 26/01/2011, 02/02/2011, 13/05/2011, 06/06/2011, 13/06/2011, 15/06/2011, 20/06/2011, 24/06/2011, 06/07/2011, 11/07/2011, 23/09/2011, 26/09/2011, 28/09/2011
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE.
A ocultação, pelo importador, do real adquirente do produto importado, mediante fraude ou simulação, tipifica a figura da interposição fraudulenta, punível com a pena de perdimento, convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, caso as mercadorias não sejam localizadas ou tenham sido consumidas.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 24/01/2011, 26/01/2011, 02/02/2011, 13/05/2011, 06/06/2011, 13/06/2011, 15/06/2011, 20/06/2011, 24/06/2011, 06/07/2011, 11/07/2011, 23/09/2011, 26/09/2011, 28/09/2011
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). FALHAS NA SUA EMISSÃO OU PRORROGAÇÃO. NÃO OBSERVÂNCIA, PELA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA, DE SUAS DETERMINAÇÕES.
O MPF é mero instrumento de controle administrativo, de modo que não há falar em nulidade em virtude de eventuais falhas na sua emissão ou na sua prorrogação, assim como a não observância das determinações que foram inseridas pela autoridade competente.
ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3201-002.838
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Ausente, justificadamente, a Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Winderley Morais Pereira, Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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MULTA Recorrente EMINÊNCIA COMÉRCIO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 24/01/2011, 26/01/2011, 02/02/2011, 13/05/2011, 06/06/2011, 13/06/2011, 15/06/2011, 20/06/2011, 24/06/2011, 06/07/2011, 11/07/2011, 23/09/2011, 26/09/2011, 28/09/2011 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE. A ocultação, pelo importador, do real adquirente do produto importado, mediante fraude ou simulação, tipifica a figura da interposição fraudulenta, punível com a pena de perdimento, convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, caso as mercadorias não sejam localizadas ou tenham sido consumidas. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 24/01/2011, 26/01/2011, 02/02/2011, 13/05/2011, 06/06/2011, 13/06/2011, 15/06/2011, 20/06/2011, 24/06/2011, 06/07/2011, 11/07/2011, 23/09/2011, 26/09/2011, 28/09/2011 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). FALHAS NA SUA EMISSÃO OU PRORROGAÇÃO. 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Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Winderley Morais Pereira, Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório Trata o presente processo de auto de infração lavrado contra a contribuinte acima identificada, constituindo crédito tributário decorrente da aplicação de multa proporcional ao valor aduaneiro da mercadoria importada, no montante de R$ 410.356,08. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, transcrevo o Relatório da decisão de primeira instância administrativa, in verbis: Trata o presente processo de lançamento no valor de R$ 410.356,08 (quatrocentos e dez mil, trezentos e cinquenta e seis reais e oito centavos), relativo à multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas através das Declarações de Importação (DI) analisadas, as quais foram identificadas como praticadas mediante interposição fraudulenta em operações de comércio exterior. Foi interposta impugnação. Em sede preliminar, foi arguida nulidade dos lançamentos por vício relativo ao Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Aduziu a defesa que o MPF delimitava o objeto da fiscalização ao exercício 2012 e ao tributo IRPJ. Prosseguiu afirmando que, uma vez tendo sido objeto dos lançamentos as contribuições PIS e COFINS, não haveria outra solução senão a anulação do MPF e, consequentemente, do auto de infração. No mérito, a impugnante aduziu a ausência de provas e que a autoridade fiscal lançou com base em presunção, sem qualquer amparo legal. Ainda, postulou a inexistência de solidariedade com base no art. 124 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional – CTN). Segundo a defesa, todas as operações se caracterizam simplesmente como aquisição de mercadorias no mercado interno. Também foi alegado desproporcionalidade das multas aplicadas e caráter confiscatório, tendo a defesa afirmado que: “A MULTA POR CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO SOMENTE Fl. 942DF CARF MF Processo nº 11762.720084/201329 Acórdão n.º 3201002.838 S3C2T1 Fl. 941 3 PODE SER APLICADA QUANDO A MERCADORIA AINDA NÃO TIVER SIDO DESEMBARAÇADA” (fl. 790). Outro pleito trazido pela impugnante é o da aplicação da retroatividade benéfica da multa aplicada com o advento da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, mormente por seu art. 33, que prevê multa de 10% do valor da operação por cessão de nome para a realização de operações de comércio exterior. Em suas considerações finais, a ora impugnante pleiteou juntada posterior de outros elementos probatórios, dilação de prazo para impugnação e realização de diligência. É o relatório. A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis julgou improcedente impugnação, proferindo o Acórdão DRJ/JFA n.º 0925.550, de 13/08/2009 (fls. 466 e ss.), assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 24/01/2011, 26/01/2011, 02/02/2011, 13/05/2011, 06/06/2011, 13/06/2011, 15/06/2011, 20/06/2011, 24/06/2011, 06/07/2011, 11/07/2011, 23/09/2011, 26/09/2011, 28/09/2011 IMPORTAÇÃO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. CONVERSÃO EM MULTA. A lei prevê a presunção de interposição fraudulenta de terceiros na operação de comércio exterior quando a origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na importação de mercadorias estrangeiras não for comprovada. A interposição fraudulenta de terceiros em operações de comércio exterior, é considerada dano ao erário, punível com a pena de perdimento, que é convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, caso as mercadorias não sejam localizadas ou tenham sido consumidas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário de fls. 854 e ss., por meio do qual basicamente alega, depois de relatar os fatos, os mesmos argumentos já delineados em sua impugnação. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Fl. 943DF CARF MF 4 Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. Segundo consta dos autos, a fiscalização constatou que a Recorrente era a real adquirente de mercadorias importadas pelas empresas PRINCIPAL COMERCIO IMPORTACAO E EXPORTACAO DE PRODUTOS ELETRONICOS LTDA., ASIAMEX IMPORTACAO E EXPORTACAO LTDA. e BRASPLANET COMERCIO EXTERIOR LTDA., que, portanto, ocultaramna em suas importações, o que caracterizou a interposição fraudulenta no comércio exterior. Mantido o lançamento pela instância a quo, a Recorrente apresentou recurso voluntário a este Colegiado Administrativo, no qual, preliminarmente, sustenta ter havido vícios no MPF, o que acarretaria a nulidade do auto de infração. Como reforço à tese, reproduz ementas de decisões administrativas, as quais consubstanciaram o entendimento de que a inobservância de regras sobre a emissão e a vigência do MPF acarretariam a nulidade do procedimento. Ocorre que este entendimento adotado nos precedentes citados no recurso voluntário encontrase hoje absolutamente superado, como comprovam as seguintes ementas de decisões, todas proferidas pela CSRF: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. INSTRUMENTO DE CONTROLE DA ADMINISTRAÇÃO. INEXISTÊNCIA QUE NÃO CAUSA NULIDADE DO LANÇAMENTO. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF, constituise em instrumento de controle criado pela Administração Tributária para dar segurança e transparência à relação fiscocontribuinte, que objetiva assegurar ao sujeito passivo que o agente fiscal indicado recebeu da Administração a incumbência para executar a ação fiscal. Pelo MPF o auditor está autorizado a dar início ou a levar adiante o procedimento fiscal. A inexistência de MPF para fiscalizar determinado tributo ou a não prorrogação deste não invalida o lançamento que se constitui em ato obrigatório e vinculado. (...). (CARF, Acórdão 920200.637, CSRF 2ª Turma da 2ª Câmara, DOU em 12/04/2010). NORMAS PROCESSUAIS MPF. É de ser rejeitada a nulidade do lançamento, por constituir o Mandado de Procedimento Fiscal elemento de controle da administração tributária, não influindo na legitimidade do lançamento tributário. Recurso especial negado (Acórdão CSRF/0202.187) NORMAS PROCESSUAIS MPF. É de ser rejeitada a nulidade do lançamento, por constituir o Mandado de Procedimento Fiscal elemento de controle da administração tributária, não influindo na legitimidade do lançamento tributário. Recurso especial negado (CSRF/0106.085, Sessão de 11.11.08). É que, ainda que tenha havido qualquer deslize da autoridade que subscreveu o MPF ou da autoridade que foi nele indicado, essa falha, por si só, não torna nulo o auto de infração. As irregularidades na emissão ou na prorrogação do MPF, bem como a eventual não observância das determinações que lhe foram inseridas, não invalidam o lançamento que da Fl. 944DF CARF MF Processo nº 11762.720084/201329 Acórdão n.º 3201002.838 S3C2T1 Fl. 942 5 ação fiscal resultou (tampouco respaldam a alegação de cerceamento ao direito de defesa), porque o MPF é mero instrumento de controle interno e planejamento das atividades de fiscalização, daí que não restringe, por impossível, a competência das autoridades administrativas, as quais se encontram plasmadas em normas de maior hierarquia. Alega a Recorrente que a lavratura de um auto de infração contra as empresas BRASALES/PRINCIPAL/ASIAMEX configuraria uma causa de nulidade, pois haveria “...a necessidade de autos de infração distintos para cada contribuinte, conforme art. 9º, § 1º, do Decreto nº 70.235/72”, o que encerraria uma falha de procedimento. O § 1º do art. 9º do Decreto nº 70.235/72 prevê que “Os autos de infração e as notificações de lançamento de que trata o caput deste artigo, formalizados em relação ao mesmo sujeito passivo, podem ser objeto de um único processo, quando a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova”. Como se vê, o dispositivo tem apenas a óbvia finalidade de evitar decisões conflitantes, nada dizendo a respeito da necessidade de lavrarse, em determinado contexto, mais de um auto de infração para cada contribuinte isoladamente considerado. Ultrapassada a questão, digase, agora com relação à impossibilidade de a multa de conversão ter sido aplicada em revisão aduaneira, que inexiste, por determinação legal, a demarcação de uma fase procedimental (momento do desembaraço, revisão aduaneira etc.) apropriada para a formalização da exigência objeto dos autos, que obviamente pode ser cominada até que opere a decadência do direito de o Fisco fazêlo. Sustenta, ainda, a Recorrente que a multa somente poderia ser aplicada no caso de as mercadorias não terem sido localizadas ou terem sido consumidas. Todavia, as mercadorias importadas foram desembaraçadas e comercializadas no país, não entregues ao importador de forma precária (como exemplifica a Recorrente, para garantia de futura discussão). Essa pena de conversão é de ser aplicada não só quando a mercadoria não for localizada (não encontrada) ou tiver sido consumida (utilizada), mas, também, quando tiver sido revendida (vendida, pelo real importador, no mercado interno). Ora, as mercadorias importadas foram revendidas no mercado interno pela Recorrente. Isso é fato inequívoco. Destarte, não resta a menor dúvida que uma das situações ensejadoras da aplicação da multa de conversão encontrase plenamente caracterizada. Por fim, cabe ressaltar que o lançamento encontrase devidamente motivado, vale dizer, a fiscalização enfrentou, com sobras, as razões de fato e de direito em que se fundamentou, tanto que nas duas oportunidades em que compareceu aos autos a Recorrente demonstrou inteira compreensão da controvérsia. Afastadas as preliminares de nulidade, passamos à análise das razões de mérito. E, ao fazêlo, vemos que os fatos sobejam a seu desfavor. É o que se passa a demonstrar. A Medida Provisória – MP n.º 66, de 2002, posteriormente convertida na Lei n.º 10.637, de 2002, encartou, no inciso V do art. 23 do Decretolei n.º 1.455, de 1976, nova hipótese de dano ao Erário, autônoma em relação às demais, mediante a eleição da figura que se costumou chamar genericamente de “interposição fraudulenta no comércio exterior” (aqui a autuação se deu com base no inciso V c/c os §§ 1º e 3º do art. 23 do Decretolei n.º 1.455, de 1976, não com base na presunção estabelecida no § 2º do mesmo dispositivo): Fl. 945DF CARF MF 6 Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...) V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 3o As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) § 4o O disposto no § 3o não impede a apreensão da mercadoria nos casos previstos no inciso I ou quando for proibida sua importação, consumo ou circulação no território nacional. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) (g.n.) De logo percebese que o legislador não previu, pura e simplesmente, a ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, do comprador ou do responsável pela operação de importação ou de exportação como hipótese configuradora de dano ao Erário, mas qualificou tais condutas, pospondo, à preposição “mediante”, os meios por intermédios dos quais se pode entender, no caso, configurado. Portanto, não basta, por exemplo, ocultar o sujeito passivo, mas há de se fazer mediante fraude ou simulação, que podem se dar por qualquer meio (o legislador não o predeterminou!), inclusive (ou seja, até mesmo, olha aí o advérbio!) a interposição fraudulenta de terceiros. Então, quernos parecer que a interposição fraudulenta de terceiros configura uma entre tantas situações em que se entende haja, na hipótese, fraude ou simulação, as quais, portanto, àquela não se limitam. A responsabilidade no caso é, a nosso sentir, subjetiva, devendo a fiscalização comprovar se fraude ou simulação houve, as quais, como cediço, são defeitos dos atos jurídicos – a vontade manifestada não tem, na realidade, a intenção pura e de boafé que enuncia. A primeira é o engano malicioso, promovido de máfé, para fugir ao cumprimento de um dever. Diferenciase do puro dolo, porque, neste, o engano não é oculto. Sempre se caracteriza pela tentativa de furtarse a obrigações contratuais ou legais (como o pagamento de tributo). Já a simulação é uma declaração fictícia de vontade com o propósito de fugir a obrigações também legais ou contratuais. É, digamos assim, o puro fingimento. É, também, uma conduta dolosa, mas a diferença é que, no dolo, a máfé é de uma parte contra a outra, enquanto que, na simulação, é de ambas as partes contra terceiros. Fl. 946DF CARF MF Processo nº 11762.720084/201329 Acórdão n.º 3201002.838 S3C2T1 Fl. 943 7 No comércio exterior, os motivos que levam os operadores a simular as importações como se diretas fossem são bem conhecidos. Podemse destacar: dificultar os controles do Fisco sobre o real importador (inclusive quanto as suas vendas no mercado interno), reduzir o IPI devido pelo contribuinte equiparado a industrial e auferir benefícios fiscais concedidos no âmbito estadual. Traçadas, em poucas linhas, a interpretação que entendemos melhor se ajusta ao caso genericamente chamado de “interposição fraudulenta no comércio exterior”, passamos à análise do caso concreto. Entre os inúmeros fatos elencados pela fiscalização, destacamse os seguintes, todos devidamente comprovados nos autos (não se trata, portanto, de simples presunção, repitase de novo!): 1ª fato: com base no cruzamento de informações e das notas fiscais emitidas pela empresa ASIAMEX, ficou comprovada a integral transferência das mercadorias importadas à Recorrente, a EMINÊNCIA, em datas muito próximas ao desembaraço. Embora a ASIAMEX declarese como real adquirente das mercadorias importadas pela PRINCIPAL (no período de 2010 e 2011, 98% das importações por esta realizadas destinaramse à ASIAMEX), ela é, de fato, uma prestadora de serviços que opera através de encomenda de terceiros. 2ª Fato: a totalidade das mercadorias importadas são miudezas, como bolsas, malas, carregadores de celular, abajures, minirádios, enfeites para festa, carteiras, pastas para notebook, portamoedas, lanternas, secadores de cabelo, mouses, fones de ouvido, enfeites para celular, etc., que compreenderam, somente no ano de 2011, cerca de vinte milhões de itens, a despeito de a ASIAMEX possuir poucos funcionários, nenhum vendedor, showroom, lojas físicas ou virtuais. Embora localizada no Estado do Rio de Janeiro, a ASIAMEX utilizavase, em suas importações, da PRINCIPAL, porque esta era beneficiária de incentivos fiscais concedidos pelo Estado de Rondônia, onde se situava. Esta empresa, a PRINCIPAL, não mantinha nenhuma atividade empresarial no município de Porto Velho, conforme Termo de Diligência e Constatação datado de 6/11/2012 (fl. 25 e ss.). 3º Fato: as operações de importação realizadas pela BRASPLANET foram declaradas como importações por conta própria. Todavia, as mercadorias desembaraçadas eram revendidas quase que imediatamente após o seu desembaraço. Entre as destinatárias das mercadorias importadas, encontrase a Recorrente. 4º Fato: a habilitação da Recorrente para operar no comércio exterior se deu na modalidade simplificada, com estimativa de importações de US$ 150.000,00 e de exportações de US$ 300.000,00, a cada seis meses. Em consulta realizada em 25/5/2013, verificouse que nos 24 (vinte e quatro) meses anteriores a esta data, operou importações, em valor CIF, no valor de US$ 233.807,37, não tendo importado por conta e ordem de terceiros nem como adquirente de mercadoria importada por intermédio de terceiros, tampouco como exportadora. 5º Fato: questionada sobre a origem dos recursos despendidos com as importações realizadas pela PRINCIPAL/ASIAMEX e BRASPLANET, a Recorrente afirmou ter feito os pagamentos parceladamente, que teriam sido quitados com recursos oriundos de faturamento. Afirmou que a quitação se dava através de boleto bancários. Contudo, nenhum boleto foi entregue à fiscalização. 6º Fato: os sócios da Recorrente são proprietários de veículos de luxo, apesar de declararem auferir rendimentos que totalizam valores próximos da isenção do Imposto de Renda. Fl. 947DF CARF MF 8 Esses razões – devidamente comprovadas nos autos – sãonos suficientes para avalizar a autuação. Afinal, juntas – a Recorrente e as empresas PRINCIPAL/ASIAMEX e BRASPLANET – importaram mercadorias, de forma reiterada, em prejuízo dos controles do Fisco, sem que as DIs tenham espelhado a realidade das operações engendradas. A Recorrente foi a destinatária das importações realizadas pelas pessoas jurídicas mencionadas, que, todavia, declararam importar diretamente, quando a realidade, como se viu, era outra. Assim agiram mediante a clara intenção de burlar os controles do Fisco e reduzir, inclusive, o pagamento de tributos devidos nas operações internas, tanto que a Recorrente sequer logrou êxito em comprovar a origem dos recursos utilizados nos pagamentos supostamente realizados às empresas importadoras. Cabível, portanto, a aplicação da multa de conversão da pena de perdimento. Sobre a alegação de que seria de cominar, no caso, a multa prevista no art. 33 da Lei nº 11.488, de 2007, sabese que esta penalidade, como facilmente se percebe, destinase a penalizar as pessoas jurídicas que cedem o seu nome a terceiros, para operar no comércio exterior. Vejase: Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Parágrafo único. À hipótese prevista no caput deste artigo não se aplica o disposto no art. 81 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (g.n.) Seria o caso de aplicála às empresas PRINCIPAL/ASIAMEX e BRASPLANET, não à Recorrente, o que, aliás, foi feito, conforme noticia, à fl. 86, o Relatório de Fiscalização. A propósito, digase absolutamente impertinente o pedido formulado pela Recorrente para que seja levado ao seu conhecimento o conteúdo das peças de defesa apresentadas nestes processos administrativos. Isso porque, neles, nada foi exigido da Recorrente. O caráter confiscatório da multa de ofício aplicada é matéria cujo conhecimento refoge à competência das autoridades administrativas, impedidas que estão de apreciar a constitucionalidade de diplomas legais vigentes com a Constituição Federal (Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária). Pelo exposto, rejeito as preliminares e, no mérito, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 948DF CARF MF Processo nº 11762.720084/201329 Acórdão n.º 3201002.838 S3C2T1 Fl. 944 9 Fl. 949DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10805.900730/2013-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/11/2011
DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO.
A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material.
VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA.
As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado.
COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA.
O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado.
Recurvo Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3201-003.106
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira- Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/11/2011 DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado. Recurvo Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 90 07 30 /2 01 3- 23 Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10805.900730/201323 Acórdão n.º 3201003.106 S3C2T1 Fl. 3 2 Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila. Relatório PETROLOG SERVIÇOS E ARMAZÉNS GERAIS LTDA. transmitiu PER/DCOMP alegando indébito da contribuição social (PIS ou Cofins). A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Em Manifestação de Inconformidade, o declarante informou que o direito creditório decorrera do recolhimento indevido da contribuição e que procedera à retificação da DCTF, com observância de todos os trâmites administrativos adequados à compensação e que inexistia motivo para a negativa do pleito. Juntou cópia da DCTF retificadora. Nos termos do Acórdão nº 02056.969, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a Delegacia de Julgamento fundamentado sua decisão no fato de que o recolhimento alegado como origem do crédito encontravase integralmente alocado para a quitação de débito confessado, não se tendo por caracterizado o alegado pagamento indevido ou a maior, dada a inexistência de comprovação de erro no preenchimento da DCTF original. Destacouse que a retificação da DCTF, operada após a ciência do despacho decisório e sem suporte em nenhum outro elemento de prova, não se presta, por si só, para a comprovação do pagamento indevido ou a maior. Em seu recurso voluntário, o Recorrente alega, sucintamente, que o crédito pleiteado decorre de ativo imobilizado, obtido em atenção à prerrogativa legal outorgada pelas Leis nº 10.865/2002 e 12.546/2011. É o relatório Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201003.103, de 30/08/2017, proferido no julgamento do processo 10805.900727/201318, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.103): O recurso é tempestivo e não havendo outros óbices, dele conheço. Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10805.900730/201323 Acórdão n.º 3201003.106 S3C2T1 Fl. 4 3 Inicialmente, reproduzo quadro da decisão recorrida, para mostrar as datas do Darf, da DCTF, do Despacho Decisório e da DCTF retificadora. A retificação da DCTF foi feita após a ciência do Despacho Decisório, e não houve apresentação de provas ou alegação de direito na Manifestação de Inconformidade. O crédito pretendido não foi demonstrado e provado. Com efeito, o débito de Pis, no valor integral do Darf, foi confessado em DCTF. A DCTF é o instrumento formal para confissão de débito, no lançamento por homologação (Decretolei 2.124/84), de modo que o crédito tributário representado pelo valor integral do Darf foi formalmente constituído. A DCTF retificadora foi apresentada após o início do procedimento fiscal, e desse modo, não substitui a DCTF original, cf. art. 9º, §2º1 da Instrução Normativa da Receita Federal 1.110/2010, combinada com art. 138, § único2 do CTN e art. 16 da Lei 9.779/963. Estando o crédito tributário formalmente constituído, para que se pudesse retificálo, depois do início do procedimento fiscal, seria necessária prova de sua inexatidão, para o alcance da verdade material, que é objetivo do processo administrativo fiscal. Seria preciso demonstrar, documentalmente, a composição da Base de Cálculo e as deduções permitidas em lei, com os livros oficiais, tais como Diário, Razão, ou qualquer escrituração ou documento legal que se revista do caráter de prova. Ora, o ônus da prova cabe ao interessado (art. 36 da Lei 9.784/994, art. 373, I do CPC5). 1 Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. II alterar os débitos de impostos e contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. 2 Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. 3 Art. 16. Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável. 4 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. 5 Art. 373. O ônus da prova incumbe: Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10805.900730/201323 Acórdão n.º 3201003.106 S3C2T1 Fl. 5 4 A recorrente aduz, genericamente, tratarse de direito de crédito relativo a ativo imobilizado, referindo a Lei 12.546/2012. Não aponta especificamente o dispositivo legal que lhe daria direito. (...) O documento trazido como comprovação do alegado crédito relaciona alguns bens do imobilizado, sem demonstrar qualquer cálculo que se assemelhe ao valor requerido. (...) Desse modo, não havendo qualquer argumentação consistente quanto ao direito de crédito, e a ausência de documentos que comprovem o crédito pretendido, não há como ultrapassar os requisitos de certeza e liquidez exigidos para a Declaração de Compensação, cf. art. 170 do CTN6. Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação da compensação. É o voto. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; 6 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Fl. 85DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13884.001826/2007-14
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2012
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Ano calendário:2005
Ementa:
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. ART. 138 DO CTN. DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
A denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da DCTF, uma vez que os efeitos do artigo 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. A entrega extemporânea da DCTF se configura como uma infração formal, impossibilitando a utilização do instrumento da denúncia espontânea.
NORMAS GERAIS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF.
A inobservância de obrigação tributária acessória constitui se fato gerador do auto de infração, convertendo-se em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária aplicada.
OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS E PRINCIPAIS. INDEPENDÊNCIA. AUTONOMIA.
O simples fato da inobservância da obrigação acessória é condição bastante e suficiente para a conversão de sua natureza de obrigação acessória em principal, relativamente à penalidade pecuniária.
Destarte, nos termos da lei, ainda que não tenha ocorrido a obrigação principal ou esta, mesmo tendo ocorrido, já tenha sido adimplida, tais fatos não são suficientes para afastar a observância e/ou os efeitos das obrigações acessórias correlatas impostas pela legislação tributária.
Numero da decisão: 1802-001.186
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em NEGAR provimento recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: DCTF - Multa por atraso na entrega da DCTF
Nome do relator: Marco Antonio Nunes Castilho
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LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2005 Ementa: MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. ART. 138 DO CTN. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da DCTF, uma vez que os efeitos do artigo 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. A entrega extemporânea da DCTF se configura como uma infração formal, impossibilitando a utilização do instrumento da denúncia espontânea. NORMAS GERAIS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. A inobservância de obrigação tributária acessória constitui se fato gerador do auto de infração, convertendose em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária aplicada. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS E PRINCIPAIS. INDEPENDÊNCIA. AUTONOMIA. O simples fato da inobservância da obrigação acessória é condição bastante e suficiente para a conversão de sua natureza de obrigação acessória em principal, relativamente à penalidade pecuniária. Destarte, nos termos da lei, ainda que não tenha ocorrido a obrigação principal ou esta, mesmo tendo ocorrido, já tenha sido adimplida, tais fatos não são suficientes para afastar a observância e/ou os efeitos das obrigações acessórias correlatas impostas pela legislação tributária. Fl. 50DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 14 /05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 13884.001826/200714 Acórdão n.º 180201.186 S1TE02 Fl. 51 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em NEGAR provimento recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Marco Antonio Nunes Castilho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, (Presidente), Marco Antonio Nunes Castilho, Gilberto Baptista, Jose de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Fl. 51DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 14 /05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 13884.001826/200714 Acórdão n.º 180201.186 S1TE02 Fl. 52 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Campinas – SP (“DRJ/CPS”), que julgou improcedente a Impugnação apresentada pela IACIT AERONÁUTICA E TELECOMUNICAÇÕES LTDA (“Recorrente”). Para descrever os fatos, e também por economia processual, transcrevo o relatório constante do Acórdão citado, verbis: “Tratase de exigência de multa por atraso na entrega de DCTF correspondente ao ano calendário 2005. Impugnando, argumenta o contribuinte, em síntese, a espontaneidade da entrega (art. 138 do CTN).” Em sua decisão, a DRJ/CPS houve por bem manter o lançamento através do Acórdão n° 0521/665 de 22 de Abril de 2008, conforme ementa transcrita abaixo: “Assunto: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2005 Ementa: MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA O cumprimento da obrigação acessória – apresentação de declaração – fora dos prazos previstos na legislação tributária sujeita o infrator às penalidades legais. A entrega de declaração em atraso não caracteriza a denúncia espontânea referida no art. 138 do CTN.” Inconformada com a decisão, a Recorrente apresentou, em 27/05/08, Recurso Voluntário (fls. 29/36) no qual aduziu, em síntese, os mesmos argumentos apresentados na Impugnação, requerendo, ao final, que o recurso seja totalmente provido, decretandose a nulidade do Auto de Infração. É o relatório, passo a decidir. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 14 /05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 13884.001826/200714 Acórdão n.º 180201.186 S1TE02 Fl. 53 4 Voto Conselheiro Marco Antonio Nunes Castilho, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Durante a construção da sua tese de defesa a Recorrente alega que o adimplemento voluntário e anterior a procedimento administrativo de fiscalização, de obrigação fiscal acessória, muito embora intempestivo, ensejaria a exclusão do pagamento de multa por atraso da entrega da declaração. No discorrer de sua defesa a Recorrente apropriase de algumas decisões administrativas que defendem a inaplicabilidade de penalidade nos casos de denúncia espontânea baseandose no disposto no artigo 138 do Código Tributário Nacional. A tese da recorrente não deve prosperar. O artigo em comento trata da responsabilidade do agente pela ocorrência da infração tributária e, dentro deste contexto a legislação prescreve que o adimplemento espontâneo da obrigação tributária, antes da ocorrência de procedimento administrativo fiscal, ensejaria a exclusão da responsabilidade tributária do agente, conforme explicitado no trecho abaixo transcrito: “Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração.” “Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração.” Entretanto, considero que o preceituado no artigo 138 do Código Tributário Nacional, não deve ser aplicado no caso de multa proveniente do inadimplemento de obrigação acessória, uma vez que esta tem natureza autônoma. As responsabilidades acessórias autônomas, as quais não guardam qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não são cobertas pelo dispositivo legal supracitado. A entrega intempestiva da DCTF é caracterizada como uma infração formal, não podendo ser considerada como infração de natureza tributária, elegível ao instrumento da denúncia espontânea. Fl. 53DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 14 /05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 13884.001826/200714 Acórdão n.º 180201.186 S1TE02 Fl. 54 5 Saliento que o Superior Tribunal de Justiça já se pronunciou no mesmo sentido, conforme extraído do Acórdão n°.246.963/PR, publicado em 05/06/2000, abaixo transcrito: “Tributário. Denúncia espontânea. Entrega com atraso de declaração de contribuições e tributos federais – DCTF. A entidade “denúncia espontânea” não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a Declaração de Contribuições e Tributos Federais – DCTF. As responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN. Recurso especial provido.” Cumpre salientar que o objeto do Auto de Infração foi a não observância do prazo de entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, referente ao segundo semestre do anocalendário 2005, fato este, inclusive, reconhecido, expressamente pela Recorrente. O referido inadimplemento ensejou o lançamento fiscal, este sim, objeto de contestação pela Recorrente. Considero que o lançamento fiscal por inadimplemento de obrigação acessória é autônomo, subsistindo mesmo nos casos de inexistência de obrigação principal, tal como ocorre no caso ora analisado. Este entendimento encontra subsídio no art. 113, do Código Tributário Nacional, abaixo transcrito: “Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória”. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorrente da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. “§ 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária”. (nosso grifo) Corrobora este entendimento a jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, conforme se conclui do trecho abaixo extraído do Acórdão n°. 230200.856 da 3° Câmara, da 2a Turma Ordinária: Fl. 54DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 14 /05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 13884.001826/200714 Acórdão n.º 180201.186 S1TE02 Fl. 55 6 OBRIGAÇÕES ACESSORIAS E PRINCIPAIS. INDEPENDÊNCIA.AUTONOMIA. O simples fato da inobservância da obrigação acessória é condição bastante e suficiente para a conversão de sua natureza de obrigação acessória em principal, relativamente à penalidade pecuniária. Destarte, nos termos da lei, ainda que não tenha ocorrido a obrigação principal ou esta, mesmo tendo ocorrido, já tenha sido adimplida, tais fatos não são suficientes para afastar a observância e/ou os efeitos das obrigações acessórias correlatas impostas pela legislação tributária. (nosso grifo) No mesmo sentido, destaco trecho do Acórdão n°. 230200.969, proferido pela 3° Câmara, da 2a Turma Ordinária do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, abaixo transcrita: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES CADASTRAIS, FINANCEIRAS E CONTÁBEIS DE INTERESSE DO FISCO. AUTO DE INFRAÇÃO CFL 35. Constitui infração às disposições inscritas no art. 32, III da Lei n° 8212/91 c/c art. 283, II, ‘b’ do RPS, aprovado pelo Dec. n° 3048/99, deixar a empresa de prestar ao Instituto Nacional do Seguro Social todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis do interesse desta Autarquia, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização. A inobservância de obrigação tributária acessória constitui se fato gerador do auto de infração, convertendo se em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária aplicada. (nosso grifo) OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS E PRINCIPAIS. INDEPENDÊNCIA. AUTONOMIA. O simples fato da inobservância da obrigação acessória é condição bastante e suficiente para a conversão de sua natureza de obrigação acessória em principal, relativamente à penalidade pecuniária. Dessarte, nos termos da lei, ainda que não tenha ocorrido a obrigação principal ou esta, mesmo tendo ocorrido, já tenha sido adimplida, tais fatos não são suficientes para afastar a observância e/ou os efeitos das obrigações acessórias correlatas impostas pela legislação tributária. (nosso grifo) Recurso Voluntário Negado Fl. 55DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 14 /05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 13884.001826/200714 Acórdão n.º 180201.186 S1TE02 Fl. 56 7 Sendo assim, considero que o atraso na entrega da declaração é motivo suficiente para a incidência da multa em razão da não entrega tempestiva de obrigação acessória, a qual independe da obrigação principal. Dessa forma, o adimplemento voluntário, fora do prazo, não enseja a exclusão da multa prevista na legislação fiscal. Diante de todo o exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário, mantendo a decisão da DRJ/SP Marco Antonio N. Castilho (documento assinado digitalmente) Fl. 56DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 14 /05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO
score : 1.0
Numero do processo: 16327.721258/2012-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2008
TRIBUTO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA POR FORÇA DO DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL. IMPROCEDÊNCIA.
Conforme o entendimento do STJ, em decisão proferida sob o rito do art. 543-C do Código de Processo Civil, o lançamento de ofício em que o tributo exigido encontra-se com a exigibilidade suspensa por força de depósito do seu montante integral deve ser cancelado. Decisões tais devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, a teor do § 2º do art. 62 do seu Regimento Interno.
Numero da decisão: 1401-002.021
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Lívia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Daniel Ribeiro Silva, José Roberto Adelino da Silva e Luiz Augusto de Souza Gonçalves.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2008 TRIBUTO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA POR FORÇA DO DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL. IMPROCEDÊNCIA. Conforme o entendimento do STJ, em decisão proferida sob o rito do art. 543-C do Código de Processo Civil, o lançamento de ofício em que o tributo exigido encontra-se com a exigibilidade suspensa por força de depósito do seu montante integral deve ser cancelado. Decisões tais devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, a teor do § 2º do art. 62 do seu Regimento Interno.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Lívia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Daniel Ribeiro Silva, José Roberto Adelino da Silva e Luiz Augusto de Souza Gonçalves.
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IMPROCEDÊNCIA. Conforme o entendimento do STJ, em decisão proferida sob o rito do art. 543C do Código de Processo Civil, o lançamento de ofício em que o tributo exigido encontrase com a exigibilidade suspensa por força de depósito do seu montante integral deve ser cancelado. Decisões tais devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, a teor do § 2º do art. 62 do seu Regimento Interno. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Lívia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 12 58 /2 01 2- 42 Fl. 367DF CARF MF 2 Arcângelo Zanin, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Daniel Ribeiro Silva, José Roberto Adelino da Silva e Luiz Augusto de Souza Gonçalves. Fl. 368DF CARF MF Processo nº 16327.721258/201242 Acórdão n.º 1401002.021 S1C4T1 Fl. 368 3 Relatório Por bem refletir os fatos constantes dos autos, adoto o Relatório da decisão recorrida, consubstanciada no Acórdão nº 1654.712 10ª Turma da DRJ/SP1 (v. efls. 133/143), objeto de julgamento em sessão realizada em 30 de janeiro de 2014. Conforme o Termo de Verificação Fiscal de fls.42/45, em fiscalização empreendida junto à Real Seguros Vida e Previdência S.A., CNPJ 04.884.104/000167, empresa sucedida pela Zurich Santander Brasil Seguros e Previdência S.A., CNPJ 87.376.109/000106, o autuante verificou em síntese que: 1. Em 09/11/2009, a contribuinte entregou a DIPJ 2009, por meio da qual, na linha 74 da Ficha 17 (Cálculo da CSLL – fls.34/35), sob a rubrica "() CSLL Mensal Paga por Estimativa", foi declarada uma dedução de R$20.681.018,90, correspondente à soma das contribuições mensais declaradas nas linhas 11 da Ficha 16 (Cálculo da CSLL Mensal por Estimativa – fls.30/33), sob a rubrica "CSLL A PAGAR". 2. Considerandose que no valor de R$20.681.018,90 estão incluídas a CSLL Retida por Órgãos, Autarquias e Fundações Federais (Lei n° 9.430/1996), no valor de R$155,58, e a CSLL Retida na Fonte por Pessoas Jurídicas de Direito Privado (Lei n° 10.833/2003), no valor de R$743.584,76, temos que o valor líquido das estimativas deduzidas foi de R$19.937.278,56. 3. Ocorre que foi paga somente uma parte das estimativas mensais do ano calendário de 2008, no valor de R$13.592.046,78; isso significa dizer que a dedução declarada na linha 74, da Ficha 17, contemplou também as parcelas das estimativas de maio a dezembro de 2008 que tinham a exigibilidade suspensa por força de depósitos judiciais, no montante de R$6.345.231,74 (planilha de fls.44), e, assim procedendo, a Ficha 17 da DIPJ 2009 ficou com o ajuste anual de 2008 reduzido a "zero"; neste caso, a dedução correta seria apenas das estimativas pagas, o que geraria um saldo de “CSLL A PAGAR” no exato valor de R$6.345.231,74, a ser declarado também na correspondente DCTF, sob o código de receita 675801. 4. Destaquese, no tocante às parcelas com exigibilidade suspensa, que a impugnante impetrou mandado de segurança em trâmite na 23ª Vara Federal Cível da Seção Judiciária de São Paulo, nos autos do processo n° 2008.61.00.0143091, o qual teve a segurança denegada (sentença às fls.13/19). Houve rejeição de embargos de declaração (despacho de fls.20/21), permanecendo a sentença tal como prolatada, pelo que a autora interpôs recurso de apelação junto ao TRF da 3ª Região. 5. Face às decisões desfavoráveis, a contribuinte apresentou os depósitos judiciais correspondentes às importâncias questionadas, conforme comprovantes da Caixa Econômica Federal (fls.22/29), suspendendose, assim, a exigibilidade do crédito tributário, nos termos do artigo 151, inciso II, do CTN. 6. No caso, a dedução indevida das estimativas com exigibilidade suspensa afetou o cálculo do ajuste anual que, não tendo seu valor declarado em DCTF sob o código de receita apropriado, sujeitase ao lançamento de oficio. 7. Cumpre observar que, em função dos depósitos judiciais efetuados mensalmente, o crédito tributário será constituído com exigibilidade suspensa, ficando tais Fl. 369DF CARF MF 4 depósitos vinculados não somente aos valores das estimativas mensais declaradas, mas também ao valor do ajuste anual aqui apurado. Sendo assim, em decorrência das constatações feitas pela fiscalização, em 19/10/2012 foi lavrado Auto de Infração de CSLL (fls.46/50), com os valores a seguir discriminados: DA IMPUGNAÇÃO A contribuinte apresentou a impugnação de fls.55/83, protocolizada em 14/11/2012 e acompanhada dos documentos de fls.84/129, expondo, em síntese, que: 1. Quando há depósito judicial, o crédito tributário é constituído pelo contribuinte (autolançamento), sendo desnecessário e indevido o lançamento de ofício por parte do Fisco, pois, com o depósito do montante integral, temse um verdadeiro lançamento por homologação, nos termos do art.150, §4º, do CTN. 2. O julgamento do presente processo administrativo deve ser sobrestado, até que seja proferida decisão definitiva nos autos do Mandado de Segurança nº 0014309 59.2008.4.03.6100 (antigo n° 2008.61.00.0143091), nos termos do art.265, IV, do CPC. 3. Os valores que compõem o presente auto de infração estão eivados de inconstitucionalidade, em razão de ofensa ao princípio da referibilidade, no que diz respeito à majoração da alíquota da CSLL de 9% para 15% pela MP nº 413/08, posteriormente convertida na Lei nº 11.727/2008. 3.1. A distinção da exigência da CSLL promovida pela MP nº 413/08 representa desrespeito ao princípio da solidariedade. 3.2. Considerando que o §9º, do art.195, da CF, teve sua redação alterada em 1998 pela Emenda Constitucional nº 20, sua regulamentação pela MP nº 413/08 é inconstitucional, por ofensa ao art.246, da CF. 3.3. Em relação ao anocalendário de 2008, a majoração de alíquota da CSLL deve ser afastada, já que ofende os princípios da irretroatividade e anterioridade. 4. Não merecem subsistir os juros de mora, pois não há atraso no recolhimento, visto que o crédito tributário está garantido por meio do depósito judicial, o qual está sujeito à respectiva atualização monetária. 4.1. Estando a matéria objeto do presente processo sub judice e com a exigibilidade suspensa por conta do depósito judicial dos valores em discussão, não há que se manter a exigência dos juros de mora. Fl. 370DF CARF MF Processo nº 16327.721258/201242 Acórdão n.º 1401002.021 S1C4T1 Fl. 369 5 A impugnação foi julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo I. Abaixo reproduzo a ementa do Acórdão proferido pelo Colegiado a quo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2008 PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. ALÍQUOTA DA CSLL. A propositura pelo contribuinte de ação judicial contra a Fazenda, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa renúncia às instâncias administrativas. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CABIMENTO. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, mesmo na hipótese de crédito tributário sub judice. PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para o sobrestamento do processo administrativo, que se rege pelo princípio da oficialidade, impondo à Administração impulsionar o processo até o seu término. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 JUROS DE MORA. CABIMENTO. A falta de pagamento do tributo na data do vencimento implica a exigência de juros moratórios, calculados até a data do efetivo pagamento, seja qual for o motivo determinante da falta. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A Contribuinte foi cientificada do referido Acórdão em 25/03/2014, v. efls. 147, apresentando o seu Recurso Voluntário em 23/04/2014, v. efls. 228/260. Suas alegações no Recurso Voluntário são exatamente as mesmas proferidas quando da apresentação da impugnação, razão pela qual deixo de enunciálas, para não ser repetitivo. Afinal, vieram os autos para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 371DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e sua matéria se enquadra na competência deste Colegiado. Os demais pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos. Da impossibilidade de lançamento do crédito tributário suspenso por depósito judicial do montante integral Passo diretamente à apreciação da preliminar de nulidade do auto de infração em decorrência de pronunciamento do STJ, vazado no REsp nº 1140956/SP, da Relatoria do Ministro Luiz Fux, em que adotado o rito dos recursos repetitivos previsto no art. 543C do Código de Processo Civil. Segundo a Recorrente, os termos da referida decisão, combinado com o disposto no § 2º do art. 62 do Regimento Interno do CARF, levam à conclusão de que o Auto de Infração deve ser declarado nulo. Assim dispõe o aludido dispositivo do Regimento Interno do CARF: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Abaixo reproduzo a precitada decisão proferida pelo STJ: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. AÇÃO ANTIEXACIONAL ANTERIOR À EXECUÇÃO FISCAL. DEPÓSITO INTEGRAL DO DÉBITO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO (ART. 151, II, DO CTN). ÓBICE À PROPOSITURA DA EXECUÇÃO FISCAL, QUE, ACASO AJUIZADA, DEVERÁ SER EXTINTA. 1. O depósito do montante integral do débito, nos termos do artigo 151, inciso II, do CTN, suspende a exigibilidade do Fl. 372DF CARF MF Processo nº 16327.721258/201242 Acórdão n.º 1401002.021 S1C4T1 Fl. 370 7 crédito tributário, impedindo o ajuizamento da execução fiscal por parte da Fazenda Pública. (...) 2. É que as causas suspensivas da exigibilidade do crédito tributário (art. 151 do CTN) impedem a realização, pelo Fisco, de atos de cobrança, os quais têm início em momento posterior ao lançamento, com a lavratura do auto de infração. 3. O processo de cobrança do crédito tributário encarta as seguintes etapas, visando ao efetivo recebimento do referido crédito: a) a cobrança administrativa, que ocorrerá mediante a lavratura do auto de infração e aplicação de multa: exigibilidade autuação; b) a inscrição em dívida ativa: exigibilidadeinscrição; c) a cobrança judicial, via execução fiscal: exigibilidade execução. 4. Os efeitos da suspensão da exigibilidade pela realização do depósito integral do crédito exequendo, quer no bojo de ação anulatória, quer no de ação declaratória de inexistência de relação jurídicotributária, ou mesmo no de mandado de segurança, desde que ajuizados anteriormente à execução fiscal, têm o condão de impedir a lavratura do auto de infração, assim como de coibir o ato de inscrição em dívida ativa e o ajuizamento da execução fiscal, a qual, acaso proposta, deverá ser extinta. 5. A improcedência da ação antiexacional (precedida do depósito do montante integral) acarreta a conversão do depósito em renda em favor da Fazenda Pública, extinguindo o crédito tributário, consoante o comando do art. 156, VI, do CTN, na esteira dos ensinamentos de abalizada doutrina, verbis: (...) 6. In casu, o Tribunal a quo, ao conceder a liminar pleiteada no bojo do presente agravo de instrumento, consignou a integralidade do depósito efetuado, às fls. 77/78: (...) 7. A ocorrência do depósito integral do montante devido restou ratificada no aresto recorrido, consoante dessumese do seguinte excerto do voto condutor, in verbis: (...) 8. In casu, o Município recorrente alegou violação do art. 151, II, do CTN, ao argumento de que o depósito efetuado não seria integral, posto não coincidir com o valor constante da CDA, por isso que inapto a garantir a execução, determinar sua suspensão Fl. 373DF CARF MF 8 ou extinção, tese insindicável pelo STJ, mercê de a questão remanescer quanto aos efeitos do depósito servirem à fixação da tese repetitiva. 9. Destarte, ante a ocorrência do depósito do montante integral do débito exequendo, no bojo de ação antiexacional proposta em momento anterior ao ajuizamento da execução, a extinção do executivo fiscal é medida que se impõe, porquanto suspensa a exigibilidade do referido crédito tributário. 10. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008." (grifei) Como visto, o entendimento firmado no Tribunal, adotado em acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC, não admite a lavratura de Auto de Infração para constituição de crédito tributário quando o respectivo tributo (objeto da autuação) encontrase com a exigibilidade suspensa em face de seu depósito integral. In casu, a Recorrente efetuou o depósito integral, fato este acolhido pela própria Autoridade Fiscal e pela Turma Julgadora a quo (v. efls.140). Portanto, os fatos ora em apreço se amoldam perfeitamente à decisão proferida pelo STJ, razão pela qual devese cancelar o Auto de Infração, dando provimento ao recurso da Contribuinte. Por todo o exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário, determinando o cancelamento do auto de infração na sua íntegra. É como voto. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 374DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12448.905172/2014-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 29 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008
PROCEDIMENTO DE COMPENSAÇÃO. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. INEXIGIBILIDADE.
Ao tempo de sua existência, o mandado de procedimento fiscal não era exigível para fins de instauração do procedimento de compensação.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008
OFENSA À NORMA DE EXECUÇÃO CODAC/COSIT/COFIS/COCAJ/COTEC n° 6/2007. VIOLAÇÃO AO CONTRADITÓRIO E À AMPLA DEFESA. IMPROCEDÊNCIA.
Eventual desrespeito à Norma de Execução CODAC/COSIT/COFIS/COCAJ/COTEC n° 6/2007 não constitui violação às garantias do contraditório e da ampla defesa.
DECISÃO RECORRIDA VICIADA. DÉFICIT DE TRANSPARÊNCIA. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. COMPREENSÃO DO CRITÉRIO DO JULGADOR. IMPROCEDÊNCIA.
Inexiste o alegado déficit de transparência na decisão recorrida, que se baseara em razoável critério para o cálculo do direito de crédito da recorrente, quando esta explicita que pôde compreender o critério empregado pela instância a quo.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008
COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. VERIFICAÇÃO. DECADÊNCIA. CTN, ARTIGOS 150, § 4º, ou 173, I. IMPROCEDÊNCIA.
A certificação da certeza e liquidez do crédito decorrente de saldo negativo de IRPJ não se submete às regras de decadência dos artigos 173, I, e 150, § 4º, do CTN.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DECORRENTE DE IRRF. CONSTATAÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. CRITÉRIO DA PROPORCIONALIDADE.
Não se pode reconhecer o crédito decorrente das retenções de imposto de renda na fonte incidente sobre a totalidade da receita auferida, já que o cotejo de informações coligidas das fontes de receitas permitiu a conclusão de que parte desse total não foi tributado na declaração. Nessa situação, deve-se admitir o crédito decorrente do imposto de renda retido na fonte, na proporção das receitas tributadas na DIPJ, tendo em conta que a sonegação de receitas tributáveis na DIPJ reduz o IRPJ devido e, por consequência, aumenta indevidamente o saldo negativo de IRPJ.
Numero da decisão: 1301-002.546
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Flávio Franco Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Amelia Wakako Morishita Yamamoto, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Flávio Franco Corrêa, Jose Eduardo Dornelas Souza, Milene de Araujo Macedo, Roberto Silva Junior e Bianca Felicia Rothschild.
Nome do relator: FLAVIO FRANCO CORREA
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 PROCEDIMENTO DE COMPENSAÇÃO. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. INEXIGIBILIDADE. Ao tempo de sua existência, o mandado de procedimento fiscal não era exigível para fins de instauração do procedimento de compensação. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 OFENSA À NORMA DE EXECUÇÃO CODAC/COSIT/COFIS/COCAJ/COTEC n° 6/2007. VIOLAÇÃO AO CONTRADITÓRIO E À AMPLA DEFESA. IMPROCEDÊNCIA. Eventual desrespeito à Norma de Execução CODAC/COSIT/COFIS/COCAJ/COTEC n° 6/2007 não constitui violação às garantias do contraditório e da ampla defesa. DECISÃO RECORRIDA VICIADA. DÉFICIT DE TRANSPARÊNCIA. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. COMPREENSÃO DO CRITÉRIO DO JULGADOR. IMPROCEDÊNCIA. Inexiste o alegado déficit de transparência na decisão recorrida, que se baseara em razoável critério para o cálculo do direito de crédito da recorrente, quando esta explicita que pôde compreender o critério empregado pela instância a quo. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. VERIFICAÇÃO. DECADÊNCIA. CTN, ARTIGOS 150, § 4º, ou 173, I. IMPROCEDÊNCIA. A certificação da certeza e liquidez do crédito decorrente de saldo negativo de IRPJ não se submete às regras de decadência dos artigos 173, I, e 150, § 4º, do CTN. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DECORRENTE DE IRRF. CONSTATAÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. CRITÉRIO DA PROPORCIONALIDADE. Não se pode reconhecer o crédito decorrente das retenções de imposto de renda na fonte incidente sobre a totalidade da receita auferida, já que o cotejo de informações coligidas das fontes de receitas permitiu a conclusão de que parte desse total não foi tributado na declaração. Nessa situação, deve-se admitir o crédito decorrente do imposto de renda retido na fonte, na proporção das receitas tributadas na DIPJ, tendo em conta que a sonegação de receitas tributáveis na DIPJ reduz o IRPJ devido e, por consequência, aumenta indevidamente o saldo negativo de IRPJ.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Amelia Wakako Morishita Yamamoto, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Flávio Franco Corrêa, Jose Eduardo Dornelas Souza, Milene de Araujo Macedo, Roberto Silva Junior e Bianca Felicia Rothschild.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2017-08-22T20:00:10Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2017-08-22T19:59:44Z; Last-Modified: 2017-08-22T20:00:10Z; dcterms:modified: 2017-08-22T20:00:10Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:cde6725d-54f8-4c07-b594-ab2991464470; Last-Save-Date: 2017-08-22T20:00:10Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2017-08-22T20:00:10Z; meta:save-date: 2017-08-22T20:00:10Z; pdf:encrypted: true; modified: 2017-08-22T20:00:10Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2017-08-22T19:59:44Z; created: 2017-08-22T19:59:44Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 20; Creation-Date: 2017-08-22T19:59:44Z; pdf:charsPerPage: 1756; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2017-08-22T19:59:44Z | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 1.694 1 1.693 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12448.905172/201413 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301002.546 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de julho de 2017 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente SERES SERVIÇO DE SELEÇÃO E RECRUTAMENTO DE PESSOAL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 PROCEDIMENTO DE COMPENSAÇÃO. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. INEXIGIBILIDADE. Ao tempo de sua existência, o mandado de procedimento fiscal não era exigível para fins de instauração do procedimento de compensação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 OFENSA À NORMA DE EXECUÇÃO CODAC/COSIT/COFIS/COCAJ/COTEC n° 6/2007. VIOLAÇÃO AO CONTRADITÓRIO E À AMPLA DEFESA. IMPROCEDÊNCIA. Eventual desrespeito à Norma de Execução CODAC/COSIT/COFIS/COCAJ/COTEC n° 6/2007 não constitui violação às garantias do contraditório e da ampla defesa. DECISÃO RECORRIDA VICIADA. DÉFICIT DE TRANSPARÊNCIA. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. COMPREENSÃO DO CRITÉRIO DO JULGADOR. IMPROCEDÊNCIA. Inexiste o alegado déficit de transparência na decisão recorrida, que se baseara em razoável critério para o cálculo do direito de crédito da recorrente, quando esta explicita que pôde compreender o critério empregado pela instância a quo. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. VERIFICAÇÃO. DECADÊNCIA. CTN, ARTIGOS 150, § 4º, ou 173, I. IMPROCEDÊNCIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 90 51 72 /2 01 4- 13 Fl. 1694DF CARF MF Processo nº 12448.905172/201413 Acórdão n.º 1301002.546 S1C3T1 Fl. 1.695 2 A certificação da certeza e liquidez do crédito decorrente de saldo negativo de IRPJ não se submete às regras de decadência dos artigos 173, I, e 150, § 4º, do CTN. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DECORRENTE DE IRRF. CONSTATAÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. CRITÉRIO DA PROPORCIONALIDADE. Não se pode reconhecer o crédito decorrente das retenções de imposto de renda na fonte incidente sobre a totalidade da receita auferida, já que o cotejo de informações coligidas das fontes de receitas permitiu a conclusão de que parte desse total não foi tributado na declaração. Nessa situação, devese admitir o crédito decorrente do imposto de renda retido na fonte, na proporção das receitas tributadas na DIPJ, tendo em conta que a sonegação de receitas tributáveis na DIPJ reduz o IRPJ devido e, por consequência, aumenta indevidamente o saldo negativo de IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Amelia Wakako Morishita Yamamoto, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Flávio Franco Corrêa, Jose Eduardo Dornelas Souza, Milene de Araujo Macedo, Roberto Silva Junior e Bianca Felicia Rothschild. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão de primeira instância que julgou parcialmente procedente a manifestação de inconformidade apresentada em contestação a Despacho Decisório, que homologou parcialmente a compensação declarada pelo PER/DCOMP nº 06009.05774.230310.1.7.023361, e não homologou as compensações declaradas pelos PER/DCOMP nº 29994.78605.040210.1.7.020095 e nº 21688.27067.131011.1.7.029319, com vistas à efetivação de encontros de contas entre débitos tributários e crédito decorrente do saldo negativo de IRPJ do segundo trimestre do ano calendário de 2008, no valor de R$ 524.413,58. Alega a recorrente que o saldo negativo supracitado é o total do IRPJ retido na fonte, no valor de R$ 524.413,58, tendo em conta que o IRPJ calculada na DIPJ é igual a zero, para o referido trimestre. Todavia, consta no Despacho Decisório, à fl. 11, que a Fl. 1695DF CARF MF Processo nº 12448.905172/201413 Acórdão n.º 1301002.546 S1C3T1 Fl. 1.696 3 autoridade fiscal só confirmou a importância de R$ 74.771,06, a título de IRPJ retido na fonte. Assim, a autoridade fiscal apurou saldo negativo de IRPJ do segundo trimestre de 2008 igual a R$ 74.771,06, o que não bastou para compensar integralmente o débito de IRRF – Rendimento do Trabalho Assalariado no País/ Ausente no Exterior a Serviço do País (código 05617), de R$ 323.773,50, conforme PER/DCOMP nº 06009.05774.230310.1.7.023361. Nesses termos, não restou saldo negativo de IRPJ do segundo trimestre de 2008 disponível para as compensações intentadas mediante os PER/DCOMP nº 05084.38536.220310.1.7.033008, 09179.54728.240310.1.3.032950 e 22332.51072.231112.1.3.033562. Com o julgamento da manifestação de inconformidade, proclamouse que o total de retenções na fonte alcançou a importância de R$ 421.156,55, por força do reconhecimento do crédito adicional de R$ 346.385,49, uma vez acolhidos “os valores informados em Dirfs das fontes pagadoras, mesmo que com códigos de arrecadação e CNPJs diversos dos indicados na manifestação e na Dcomp, desde que o código seja relativo ao tributo em tela e os CNPJs básicos sejam coincidentes.” Assim, deduzindose o IRPJ devido no período (zero), determinouse que a recorrente dispunha de saldo negativo de IRPJ, para o primeiro trimestre de 2008, no valor de R$ 421.156,55 (R$ 421.156,55 – zero). Decisão de primeira instância assim ementada: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 SALDO NEGATIVO DE IRPJ. RETENÇÃO NA FONTE. CRÉDITO. Tendo havido retenção na fonte de IRPJ, o correspondente saldo negativo pode ser utilizado como crédito para fins de compensação com outros tributos.” Ciência da decisão de primeira instância no dia 06/11/2015, à fl. 922. Recurso a este Colegiado às fls. 927/953, com entrada na repartição de origem no dia 07/12/2015, conforme fl. 927. Nessa oportunidade, aduz que é pessoa jurídica de direito privado, submetida ao regime de tributação com base no lucro real trimestral, e que apurou, no segundo trimestre de 2008, saldo negativo de IRPJ, no valor de R$ 524.413,58, oriundo de retenções efetuadas pelas fontes pagadoras, no total de R$ 524.413,58, de acordo com o indicado na DIPJ do exercício. Além disso, acrescenta o seguinte: 1) considerando aquele crédito, coubelhe transmitir, como de fato transmitiu, o PER/DCOMP n° 06009.05774.230310.1.7.023361, com objetivo de proceder ao encontro de contas necessário à extinção da dívida tributária; 2) não obstante a entrega regular do referido PER/DCOMP, tomou ciência de que o Despacho Decisório reconhecera parcialmente o crédito pleiteado, limitando o saldo negativo disponível de IRPJ do segundo trimestre de 2008 ao valor de R$ 74.771,06, sob a justificativa de que inexistia comprovação suficiente das retenções na fonte; 3) irresignada com o citado Despacho Decisório, apresentou, tempestivamente, manifestação de inconformidade à primeira instância, perante a qual comprovou a efetiva existência do crédito informado no PER/DCOMP, mediante documentos hábeis e idôneos; Fl. 1696DF CARF MF Processo nº 12448.905172/201413 Acórdão n.º 1301002.546 S1C3T1 Fl. 1.697 4 4) contudo, a DRJ julgou parcialmente procedente a manifestação de inconformidade, reconhecendo um crédito adicional de R$ 346.385,49, o que implicou desprezar parte das retenções sofridas, por deixar de validar informações sobre o IRPJ retido na fonte, em função da aplicação do limite percentual de 80,31%, resultante da relação entre as receitas declaradas na DIPJ do exercício de 2009 (DIPJ/2009) e as receitas informadas em DIRF pelas fontes pagadoras, para o mesmo anocalendário; 5) não é admissível a adoção do percentual de 80,31%, anteriormente citado, pois inexiste na legislação tributária disposição normativa que autorize o agente fiscal, com base em critério estimado, a limitar crédito proveniente de saldo negativo formado por retenções de tributo pela fonte pagadora de rendimentos, presumindo a inexistência de tributação na declaração; 6) a decisão recorrida valeuse da receita anual informada pelas DIRF, quando deveria ter considerado receitas e retenções relativas ao saldo negativo do IRPJ do segundo trimestre de 2008, em consonância com o regime de tributação trimestral adotado pela recorrente; 7) o acórdão recorrido criou metodologia de fiscalização não prevista em lei, ao tentar modificar a apuração do IRPJ do segundo trimestre de 2008 sem que tenha havido a emissão de mandado de procedimento fiscal específico, em respeito às regras do processo administrativo fiscal, nos termos do art. 142, do CTN; 8) qualquer questionamento a respeito do valor apurado no anocalendário de 2008, no que diz respeito aos elementos da formação da base de cálculo e das informações escrituradas na DIPJ correspondente, deveria observar o prazo decadencial de cinco anos, à luz do artigo 150, § 4o, CTN; 9) a autoridade julgadora jamais demonstrou como encontrara os valores que embasaram a decisão recorrida, pois simplesmente alegou que verificara, nas DIRF dos tomadores de serviços, que havia diferenças, embora, pelo exame das DIRF anexadas aos autos, seja inviável localizar os valores apresentados; 10) nas referidas DIRF, verificase que os valores indicados se referem ao total de impostos e contribuições retidos no anocalendário de 2008. Podese ver que não há como verificar os valores referentes ao segundo trimestre do mesmo anocalendário; 11) impõese que se afaste o mencionado limitador, reconhecendose o crédito na integralidade, diante da ausência de fundamentação legal para a aplicação deste critério, até porque a recorrente comprova, por meio da documentação acostada, a existência do crédito relativo ao segundo trimestre do anocalendário de 2008; 12) uma vez atribuída à fonte pagadora a responsabilidade pela retenção e recolhimento do IRPJ, o contribuinte não fica obrigado ao recolhimento do tributo já retido pela fonte pagadora, podendo deduzir o valor do imposto retido em sua declaração de rendimentos, em consonância com o entendimento exarado no Parecer Normativo nº 1/2002, com base no qual expediuse a Solução de Consulta Cosit nº 377/2014, que dispõe no sentido de que, “na hipótese de a compensação ser considerada não homologada ou não declarada, eventual cobrança do débito retido e não extinto recairá exclusivamente sobre a fonte pagadora”; Fl. 1697DF CARF MF Processo nº 12448.905172/201413 Acórdão n.º 1301002.546 S1C3T1 Fl. 1.698 5 13) a glosa de parte do valor oferecido à compensação sob a premissa de não confirmação do tributo retido pelas fontes pagadoras anula o direito creditório em questão, já que equivale a cobrar o imposto em dobro, considerando que este já foi retido na forma de antecipação pelo responsável tributário (fonte pagadora); 14) cabe ainda frisar o decurso do prazo decadencial para a revisão dos valores apurados, referentes ao saldo negativo da DIPJ/2009 e lançados em DCTF, já que transcorrido o interregno superior a cinco anos do fato gerador (31/12/2008); 15) podese afirmar que a ocorrência da decadência fulminou, de plano, a pretensão da autoridade fiscal de glosar o crédito pleiteado, porquanto, na data de ciência do Despacho Decisório (20/06/2014), já havia passado o prazo para a contestação do crédito apurado pela recorrente, na DIPJ/2009; 16) caso se entenda que a decadência que afeta o caso em pauta regerseia pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, ainda assim terá sido superado o prazo de cinco anos para a Fazenda Pública rever a apuração do ano calendário de 2008; 17) não bastassem os documentos já juntados, como as notas fiscais correspondentes aos maiores tomadores de serviços, a recorrente anexa ao presente recurso os extratos bancários do mesmo período, a fim de comprovar definitivamente a integralidade do crédito pleiteado; 18) à luz do extrato da conta corrente, em anexo, o valor bruto da nota fiscal, descontando as retenções, equivale ao valor pago à recorrente, razão por que o Fisco Federal não pode, sob pena de enriquecimento sem causa, cobrar algo que foi retido pelas tomadoras de serviços e recolhidos ao Erário; 19) malgrado o reconhecimento do crédito adicional de R$ 346.385,49, em sede de primeira instância, a autoridade julgadora a quo não foi transparente na prolação da decisão recorrida, pois deixou de explicar o modo pelo qual apurou o valor do antedito adicional, já que se limitou a dizer que verificara, nas DIRF dos tomadores de serviços, que os valores retidos seriam diversos; 20) a respeito do subitem anterior, chama a atenção o fato de ter declarado crédito proveniente de retenções de imposto de renda, efetuadas pela fonte inscrita no CNPJ com raiz nº 33.781.055, no valor total de R$ 439.514,33 (R$ 300.535,48 + R$ 138.978,85), enquanto o julgador a quo só reconheceu o montante de R$ 413.280,34 (R$ 274.301,51 + R$ 138.978,83), sem justificar o critério e a metodologia de apuração do valor encontrado; 21) as DIRF juntadas aos autos pelo julgador denotam que os valores nelas indicados se referem ao total de impostos e contribuições retidos durante todo o ano calendário de 2008, por cada fonte pagadora, não sendo possível identificar os valores a título de IRRF relativos, apenas, ao segundo trimestre do anocalendário de 2008; 22) percebese, por conseguinte, a falta de transparência no critério utilizado pelo acórdão recorrido, o que impossibilitou a discussão das razões determinantes ao provimento parcial do crédito de R$ 524.413,5, declarado em PER/DCOMP; Fl. 1698DF CARF MF Processo nº 12448.905172/201413 Acórdão n.º 1301002.546 S1C3T1 Fl. 1.699 6 23) a glosa de parte do valor oferecido à compensação sob a premissa de não confirmação do imposto de renda retido pelas fontes pagadoras anula o direito creditório em exame, já que equivale a cobrar o tributo em dobro, considerando que este já foi retido na forma de antecipação pelo responsável tributário (fonte pagadora); 24) em casos análogos, a jurisprudência administrativa pátria tem reiterado que, uma vez demonstrado o erro no preenchimento de documentos fiscais e constatada a existência do crédito, deve a verdade material prevalecer sobre a formal, reconhecendose o crédito e homologada a compensação declarada; 25) mesmo quando o CARF não homologa diretamente as compensações transmitidas com equívocos materiais, este órgão julgador determina o retorno dos autos à DRF de origem, para que seja reapreciado o crédito postulado em PER/DCOMP, levando em consideração o erro no preenchimento; 26) caso o Colegiado entenda pela impossibilidade de apreciar o mérito, a recorrente deve ser chamada a demonstrar a legitimidade do crédito, porquanto a autoridade fiscal deixou de intimála para justificar as diferenças e apresentar documentos hábeis à comprovação de seu direito creditório, incorrendo em total violação ao princípio da verdade material, que rege o processo administrativo tributário; 27) não fosse assim, a Receita Federal do Brasil não teria editado a Norma de Execução CODAC/COSIT/COFIS/COCAJ/COTEC n° 6/2007, a qual, ao definir procedimentos relativos ao tratamento de pedidos de restituição, ressarcimento e declarações de compensação formalizadas mediante PER/DCOMP, determinou que, nas verificações de divergências relacionadas ao crédito tributário utilizado nas declarações, a Receita Federal do Brasil deve previamente intimar o contribuinte a demonstrar a regularidade do crédito; 28) tal entendimento é corroborado pela jurisprudência administrativa, em consonância com o que se depreende do acórdão n° 1239.074, pelo qual a 7a Turma da DRJ/Rio de Janeiro anulou despacho decisório proferido nos autos do processo administrativo n° 10725.900.095/200815, ao argumento de que a ausência de intimação do contribuinte para comprovar a regularidade do crédito utilizado em procedimento de compensação viola a Norma de Execução CODAC/COSIT/ COFIS/COCAJ/COTEC n° 6/2007; 29) portanto, a expedição de Despacho Decisório sob o fundamento de que o crédito não seria suficiente, sem a prévia intimação ao contribuinte, ou mesmo a baixa dos autos para realização de diligência fiscal, incorre em nulidade, nos termos do art. 59, inciso II, do Decreto n° 70.235/72 (Regulamento do Processo Administrativo Fiscal Federal reproduzido pelo art. 12, inciso II, do Decreto n° 7.574/11); 30) diante deste cenário, é preciso ressaltar que a autoridade fazendária deve obediência às regras positivadas, sejam elas estabelecidas por diplomas legais ou por atos normativos internos de conduta e execução, emanados dos órgãos da Administração Pública, como é o caso da Receita Federal do Brasil; 31) uma vez presentes os fatos acima expostos, não resta alternativa distinta da pronúncia de nulidade parcial da decisão recorrida, em face da violação aos princípios da verdade material, contraditório e ampla defesa, afora o descumprimento da Norma de Execução CODAC/COSIT/COFIS/COCAJ/COTEC n° 6/2007, motivos que impelem a Fl. 1699DF CARF MF Processo nº 12448.905172/201413 Acórdão n.º 1301002.546 S1C3T1 Fl. 1.700 7 conversão do julgamento em diligência para que a recorrente seja intimada a provar a legitimidade da parcela do crédito vindicado não reconhecida pelo acórdão recorrido; 32) por todo o exposto, a recorrente requer: (a) seja admitido, processado e julgado o presente recurso voluntário, produzindo os efeitos que lhe são próprios, com a suspensão da exigibilidade de todos os créditos tributários objeto de compensação com crédito de saldo negativo de IRPJ do 2º trimestre de 2008, mormente aqueles do processo de cobrança nº 12448.905724/201485; (b) sejam acolhidas as razões ora aduzidas, a fim de que se reconheça o direito creditório ora discutido, homologandose integralmente a compensação declarada no PER/DCOMP nº 21683.27067.131011.1.7.029319, cancelandose os valores apontados como devidos no processo de cobrança nº 12448.905724/201485, pelos seguintes motivos: b.1) decurso do prazo decadencial de a Fazenda Pública glosar o aludido crédito; b.2) impossibilidade de utilização do limitador de 80,31% estimado e definido pelo julgador, haja vista a inexistência de previsão legal; b.3) violação aos princípios da confiança legítima, verdade material, legalidade, razoabilidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, eficiência e impossibilidade de enriquecimento sem causa, que regem o processo administrativo fiscal; e (c) caso se entenda pela impossibilidade de julgamento do mérito, seja determinado o retorno dos autos à DRJ para o efetivo exame dos documentos juntados aos presentes autos, relativamente à parcela do crédito não reconhecido pelo acórdão recorrido e, em cumprimento à Norma de Execução CODAC/COSIT/COFIS/CACAJ/ COTEC Nº 6/ 2007, seja convertido em diligência o presente julgamento, de forma que haja intimação da recorrente para demonstrar a legitimidade dos créditos, declarandose parcialmente nulo o acórdão recorrido na parcela que não reconhece o direito do crédito da recorrente. É o relatório. Voto Fl. 1700DF CARF MF Processo nº 12448.905172/201413 Acórdão n.º 1301002.546 S1C3T1 Fl. 1.701 8 Conselheiro Flávio Franco Corrêa, Relator Na interposição do recurso voluntário, foram observados os requisitos de recorribilidade. Dele conheço. Primeiramente, a questão alusiva à decadência estabelecida no § 4º do artigo 150 do CTN, para "qualquer questionamento a respeito do valor apurado no anocalendário de 2008, bem como dos elementos da formação da base de cálculo e das informações escrituradas na DIPJ correspondente". Para o deslinde da questão, mostrase necessário descortinar que o PER/DCOMP nº 06009.05774.230310.1.7.023361 foi transmitido pela recorrente no dia 23/03/2010 (fl. 830), em retificação ao PER/DCOMP nº 16702.53307.170109.1.3.028364, com vistas à compensação entre o alegado crédito decorrente do saldo negativo de IRPJ do segundo trimestre do anocalendário de 2008, no valor de R$ 524.413,58, e o débito de IRRF (código 05617), de dezembro 2008, na importância de R$ 304.877,22. A diferença entre o crédito e o débito mencionados, de R$ 219.536,36 (R$ 524.413,58 – R$ 304.877,22), também foi objeto de compensação com débitos tributários informados nos PER/DCOMP nº 29994.78605.040210.1.7.020095 e nº 21688.27067.131011.1.7.029319, conforme fl.901 e 905. A compensação veiculada por PER/DCOMP pode se tornar definitiva, por homologação tácita, após o intervalo de cinco anos, contados da data da transmissão do documento que a veicula, na forma do § 5º do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996: “Art. 74 ...... .................. 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.” Levandose em conta que a transmissão do PER/DCOMP nº 06009.05774.230310.1.7.023361 data de 23/03/2010, a homologação tácita da compensação por ele veiculada só poderia ocorrer em 23/03/2015. Entretanto, o Despacho Decisório, à fl. 11, data de 04/06/2014, cientificado à recorrente no dia 20/06/2014, à fl. 851. Nesses termos, revelase patente que não houve homologação tácita da compensação declarada, pois a autoridade fiscal agiu dentro do lapso temporal de que dispunha para revêla. E se podia revêla dentro desse interregno, podia averiguar a certeza e a liquidez do crédito oferecido ao encontro de contas. Porém, nada nos autos demonstra que autoridade fiscal tenha alterado a base de cálculo do tributo, efetuando adição de receitas omitidas ou de despesas ou custos indedutíveis, como também não há o que aponte a efetivação de recálculo do tributo devido, por ato de ofício, com a aplicação de alíquota ou coeficiente de apuração distinto daquele que fora empregado pela recorrente. Enfim, nada nos autos denota que houve lançamento tributário, como tal definido "o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível", nos termos do artigo 142 do CTN. Distintamente, o que se vê nos autos é a atuação da autoridade fiscal em busca da comprovação dos créditos que a recorrente registrou como antecipação do tributo devido apurado na DIPJ. Por conseguinte, é descabida a afirmação de Fl. 1701DF CARF MF Processo nº 12448.905172/201413 Acórdão n.º 1301002.546 S1C3T1 Fl. 1.702 9 que a autoridade fiscal burlou a regra decadencial do artigo 150, § 4º, do CTN, ou do artigo 173, inciso I, do mesmo Código. Tal argumento tem o objetivo de iludir o julgador, desviando o para um tema que não diz respeito ao fenômeno jurídico ocorrido. Em face, pois, do exposto, proponho a rejeição da preliminar de decadência. Quanto ao tema seguinte, defende a recorrente que o acórdão recorrido criou metodologia de fiscalização não prevista em lei, ao tentar modificar a apuração do IRPJ do segundo trimestre de 2008, sem que tenha havido a emissão de mandado de procedimento fiscal específico, em respeito às regras do processo administrativo fiscal, nos termos do art. 142, do CTN. Antes de tudo, vale salientar que o mandado de procedimento fiscal (MPF), hoje extinto, foi instituído pelo artigo 2º do Decreto n° 3.724/2001, cuja redação, na época da expedição do Despacho Decisório, já havia sido alterada pelo Decreto nº 6.104/2007 (já revogado), verbis: “Art. 2o Os procedimentos fiscais relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil serão executados, em nome desta, pelos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil e somente terão início por força de ordem específica denominada Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), instituído mediante ato da Secretaria da Receita Federal do Brasil. (Redação dada pelo Decreto nº 6.104, de 2007)” Na ocasião, coube aos artigos 2º e 3º da Portaria RFB nº 3.014/2011 (revogada pela Portaria RFB nº 1.687/2014) a regulação das espécies de MPF e dos tipos de procedimentos fiscais sujeitos a controle mediante mandado: “Art. 2º Os procedimentos fiscais no âmbito da RFB serão instaurados com base em Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) e deverão ser executados por AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, observada a emissão de: I Mandado de Procedimento Fiscal de Fiscalização (MPFF), para instauração de procedimento de fiscalização; e II Mandado de Procedimento Fiscal de Diligência (MPFD), para realização de diligência. Art. 3º Para fins desta Portaria, entendese por procedimento fiscal: I de fiscalização, as ações que objetivam a verificação do cumprimento das obrigações tributárias, por parte do sujeito passivo, relativas aos tributos administrados pela RFB, bem como da correta aplicação da legislação do comércio exterior, podendo resultar em lançamento de ofício com ou sem exigência de crédito tributário, apreensão de mercadorias, representações fiscais, aplicação de sanções administrativas ou exigências de direitos comerciais; e II de diligência, as ações destinadas a coletar informações ou outros elementos de interesse da administração tributária, inclusive para atender exigência de instrução processual. Fl. 1702DF CARF MF Processo nº 12448.905172/201413 Acórdão n.º 1301002.546 S1C3T1 Fl. 1.703 10 Parágrafo único. O procedimento fiscal poderá implicar a lavratura de auto de infração, a notificação de lançamento ou a apreensão de documentos, materiais, livros e assemelhados, inclusive por meio digital. No que tange à natureza do MPF, consolidouse na jurisprudência administrativa o entendimento de que tal instrumento constituía mero meio de controle administrativo, despido, como tal, “de aptidão para interferir no procedimento fiscal regulado pelo Decreto nº 70.235/1972, como também carecia de força jurídica suficiente à subtração do poder de fiscalização conferido à autoridade fiscal por ato normativo aprovado pelo Parlamento, no curso de devido processo legislativo” (acórdão nº 1301002.102, 1ª TO/3ª CA/1ª SJ, relator Conselheiro Flávio Franco Corrêa). Quanto à aplicação do MPF, é preciso precedentemente distinguir que o procedimento de compensação abarca atos relacionados entre si e encadeados numa sequência lógica com vistas à extinção do crédito tributário já constituído, ao passo que o MPF se destinava ao controle dos designados: (i) procedimentos de fiscalização, assim considerados os trabalhos fiscais de verificação do cumprimento das obrigações tributárias, por parte do sujeito passivo, relativas aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), bem como da correta aplicação da legislação do comércio exterior. Essas verificações são aquelas que podem resultar em lançamento de ofício com ou sem exigência de crédito tributário, apreensão de mercadorias, representações fiscais, aplicação de sanções administrativas ou exigências de direitos comerciais (artigo 3º, inciso I, da Portaria RFB nº 3.014/2011); e (ii) procedimentos de diligência, assim chamadas os trabalhos fiscais voltados à coleta de informações ou outros elementos de interesse da administração tributária, inclusive para atender exigência de instrução processual (artigo 3º, inciso II, da Portaria RFB nº 3.014/2011). Destaquese do exposto que o procedimento de compensação não visa à constituição de crédito tributário, porque só os créditos tributários já constituídos podem ser compensados. Por outro lado, a lei estabelece que o sujeito passivo deve ser punido com a multa isolada, quando se comprove falsidade da declaração apresentada, na forma do artigo 18 da Lei nº 10.833/2003, com a redação dada pela Lei nº 11.488/2007. Logicamente, a multa em referência deve ser aplicada após a conclusão do procedimento de compensação. Ou seja, uma vez constatada a falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, deve a autoridade fiscal, ao cabo do procedimento de compensação, determinar a abertura de procedimento de fiscalização para a imposição da multa isolada. Assim, é preciso salientar que o procedimento de compensação não resulta em lançamento de ofício, porque se esgota com a decisão sobre a compensação pretendida. Portanto, procedimento de compensação não se confunde com Fl. 1703DF CARF MF Processo nº 12448.905172/201413 Acórdão n.º 1301002.546 S1C3T1 Fl. 1.704 11 procedimento de fiscalização. Este pode decorrer daquele, quando for constatada a falsidade da declaração apresentada. Entretanto, não é de se estranhar que, no curso do procedimento de compensação, o sujeito passivo ou terceiros sejam intimados a prestar esclarecimentos. Nessas circunstâncias, o procedimento de compensação pode dar ensejo à abertura de procedimento de diligência para a obtenção de informações necessárias à conclusão do procedimento de compensação. Aí o que se vê é a instrumentalidade do procedimento de diligência, pois este, nessas situações, apenas se destina à conclusão do procedimento de compensação. Diante disso, realçase a improcedência do argumento de que o acórdão recorrido criou metodologia de fiscalização não prevista em lei, ao tentar modificar a apuração do IRPJ do segundo trimestre de 2008, sem que tenha havido a emissão de mandado de procedimento fiscal específico, em respeito às regras do processo administrativo fiscal, nos termos do art. 142 do CTN. Como adiantado, não houve procedimento de fiscalização, porque não se verificou o cumprimento da legislação tributária, mas apenas se havia prova de retenções de imposto de renda na fonte em montante suficiente à formação do saldo negativo informado. E de modo algum alterouse o IRPJ apurado na DIPJ. Tudo o que se fez não foi além de averiguar se as retenções de imposto de renda na fonte superavam, ou não, o IRPJ que o próprio sujeito passivo apurou em sua DIPJ. Assim vistos os fatos, rejeitase a preliminar arguida. Avançando, no passo subsequente, à questão referente à suposta violação às garantias do contraditório e da ampla defesa, por desrespeito à Norma de Execução CODAC/COSIT/COFIS/COCAJ/COTEC n° 6/2007. A Norma de Execução CODAC/COSIT/COFIS/COCAJ/COTEC n° 6/2007 é mera norma interna corporis que disciplina, no âmbito do órgão fiscal, a atuação de vários agentes que intervêm no procedimento de compensação. De modo algum podese acolher a tese de que o eventual desrespeito a tal disciplina administrativa reflita possível violação às garantias do contraditório e da ampla defesa. Como é cediço, no procedimento de compensação, o direito ao contraditório e à ampla defesa nasce apenas no momento em que a autoridade fiscal não homologa a compensação declarada pelo contribuinte, conforme § 9º do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996, introduzido pela Lei nº 10.833/2003, verbis: “Art. 74 ....... § 9o É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7o, apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) E mais: a teor do § 10 do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996, cabe recurso ao CARF da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade. Já por força do § 11 do citado artigo 74 da Lei nº 9.430/1996, é lícito afirmar que o recurso voluntário ao CARF e a manifestação de inconformidade são espécies do recurso previsto no inciso III do artigo 151 do Código Tributário Nacional, além de se submeterem ao rigor do Decreto nº 70.235/1972, verbis: Fl. 1704DF CARF MF Processo nº 12448.905172/201413 Acórdão n.º 1301002.546 S1C3T1 Fl. 1.705 12 § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9o e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) A linha diretiva que ressai dos §§ 9º a 11 do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996 está espelhada no artigo 119, caput e §§, do Decreto nº 7.574/2011: “Art. 119. É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no art. 110, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação (Lei no 9.430, de 1996, art. 74, § 9o, incluído pela Lei no 10.833, de 2003, art. 17). § 1o Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Lei no 9.430, de 1996, art. 74, § 10, incluído pela Lei no 10.833, de 2003, art. 17; Decreto no70.235, de 1972, art. 25, inciso II, com a redação dada pela Lei no 11.941, de 2009, art. 25). § 2o A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam o caput e o § 1o obedecerão ao rito processual do Decreto no 70.235, de 1972 (Título II deste Regulamento), e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação (Lei no 9.430, de 1996, art. 74, § 11, incluído pela Lei no 10.833, de 2003, art. 17). Como se vê, há um conjunto de regras jurídicas que instituiu, no plano legal, o esquema das garantias do contraditório e da ampla defesa plasmadas no texto constitucional, especificamente direcionadas à efetivação do diálogo entre o Estado Fiscal e o administrado, quando este manifesta que pretende compensar, na forma prevista em lei, débitos tributários e supostos créditos em face do mesmo Estado. Nesse esquema, o desenhista institucional estabeleceu que a decisão que não homologa, total ou parcialmente, a compensação declarada pode ser contestada, não os atos anteriores a ela. Portanto, é descabida a assertiva de que a ausência de intimação do contribuinte, destinada à comprovação da regularidade do crédito utilizado em procedimento de compensação, deve acarretar a pronúncia de invalidade da decisão recorrida, por cerceamento ao contraditório e à ampla defesa, tendo em conta que, no esquema legal de defesas do contribuinte, o direito à manifestação de inconformidade não surge antes da emissão da decisão não homologatória da compensação. Tal é o juízo a ser proferido com suporte nos aludidos preceitos normativos, embora exista outra perspectiva que também acena para idêntica conclusão. Reparese: as disposições normativas do artigo 74, caput e §§ 1º, 2º e 5º da Lei nº 9.430/1996 permitem asselar que a transmissão do PER/DCOMP é um ato material pelo qual o contribuinte manifesta a vontade consciente de efetuar a compensação entre débitos e créditos tributários, desde logo concretizada, tal a simultaneidade da execução do ato (transmissão do PER/DCOMP) com os efeitos compensatórios imediatamente gerados, embora a definitividade de tais efeitos esteja Fl. 1705DF CARF MF Processo nº 12448.905172/201413 Acórdão n.º 1301002.546 S1C3T1 Fl. 1.706 13 condicionada à homologação da compensação pela autoridade fiscal, que dispõe do lapso temporal de cinco anos para realizála, sob pena de homologação tácita. Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Por sua vez, a homologação é um ato administrativo mediante o qual a autoridade estatal examina a legalidade de um ato anterior. Nesse cenário, a homologação não tácita da compensação tributária declarada não dispensa a certificação, pela autoridade homologante, da existência e da suficiência do crédito alegado. Essa certificação implica verificação dos supostos fatos geradores do crédito, o que é executado ao longo de uma etapa logicamente antecedente à homologação. Como já foi dito, o direito ao contraditório e à ampla defesa surge apenas após a edição do ato administrativo que não homologa a compensação declarada. Logo, as verificações anteriores ao ato final da autoridade homologante, enquanto atos despidos de conteúdo decisório, não se submetem às determinações legais que fixaram o contraditório e a ampla defesa. Em outras palavras, antes do despacho decisório da autoridade com atribuição para a homologação da compensação declarada, o trabalho fiscal percorre uma fase administrativa de índole inquisitória, indispensável ao exame da legalidade do declarado encontro de contas. Assim, não procede a tese defensiva que advoga a prática de ato atentatório às garantias do contraditório e da ampla defesa, por desrespeito à Norma de Execução CODAC/COSIT/COFIS/COCAJ/COTEC n° 6/2007. Na questão subsequente, a recorrente salienta que, malgrado o reconhecimento do crédito adicional de R$ 346.385,49, em sede de primeira instância, a autoridade julgadora a quo não foi transparente na prolação da decisão recorrida, pois se limitou a dizer que verificara, nas DIRF dos tomadores de serviços, que os valores retidos seriam diversos. A tal respeito, examinando a decisão recorrida, à fl. 876, vislumbrase o seguinte trecho do voto onde o relator da instância a quo conecta os fatos apurados à decisão tomada em relação a cada uma das fontes pagadoras, registrando, no quadro anexo, o resultado da análise por ele efetuada: Fl. 1706DF CARF MF Processo nº 12448.905172/201413 Acórdão n.º 1301002.546 S1C3T1 Fl. 1.707 14 “Tendose (sic) em vista as “Parcelas Confirmadas Parcialmente ou Não Confirmadas” constantes do detalhamento da análise de crédito referido no parágrafo anterior e em face da manifestação, fezse a comparação dos valores nela indicados e que não foram confirmadas ou o foram parcialmente no despacho decisório, com as Dirfs apresentadas pelas fontes pagadoras informadas (fls. 862 a 873). O valor efetivamente comprovado, já deduzido do reconhecido parcialmente no despacho decisório (considerado o valor zero para o caso de valor reconhecido nesse despacho ser maior do que o confirmado em Dirf), consta na última coluna de quadro ao final deste voto (fls. 877 e 878). Conforme destacado no referido quadro, foram aceitos os valores informados em Dirfs das fontes pagadoras, mesmo que com códigos de arrecadação e CNPJs diversos dos indicados na manifestação e na Dcomp, desde que o código seja relativo ao tributo em tela e os CNPJs básicos sejam coincidentes.” Com o trecho acima reproduzido, o relator da instância a quo expôs os critérios e a metodologia empregados na elaboração do quadro anexo ao acórdão recorrido, que apresenta a configuração abaixo: Fl. 1707DF CARF MF Processo nº 12448.905172/201413 Acórdão n.º 1301002.546 S1C3T1 Fl. 1.708 15 Fl. 1708DF CARF MF Processo nº 12448.905172/201413 Acórdão n.º 1301002.546 S1C3T1 Fl. 1.709 16 Está claro que o acórdão recorrido admitiu todos os valores declarados em DIRF, independentemente (i) do código de retenção e (ii) da distinção entre CNPJ da matriz e CNPJ de filial. Também não há dúvida de que, confirmandose a retenção em DIRF, o acórdão recorrido limitouse ao valor que fora aposto no PER/DCOMP, quando este era inferior ao valor confirmado em DIRF, o que está correto, pois o julgador não pode alterar o planejamento do contribuinte, aumentando, ex officio, o montante do crédito a ser compensado, cujo aproveitamento se submete a prazo prescricional. Percebase, nesses termos, a aglutinação de todas as retenções, independentemente de código, no que toca ao CNPJ com raiz nº 33.781.055, a traduzir um bloco de um mesmo CNPJ. Por todas essas razões, o acórdão recorrido autorizaria o crédito de R$ 413.280,34 (R$ 274.301,51 + R$ 138.978,83), em relação a este CNPJ com raiz nº 33.781.055, não fosse o limitador de 80,31 %. Não obstante o exposto acima, a apreciação do suscitado vício de transparência ainda reclama o exame de outros aspectos trazidos à baila, na peça recursal. Nessa toada, diz a recorrente que não é admissível a adoção do percentual de 80,31%, resultante da relação entre as receitas declaradas na DIPJ do exercício de 2009 (DIPJ/2009) e as receitas informadas em DIRF pelas fontes pagadoras, para fins de aferir o crédito proveniente do saldo negativo de IRPJ do segundo trimestre do anocalendário de 2008, pois inexiste na legislação tributária disposição normativa que autorize o agente fiscal a realizar tal Fl. 1709DF CARF MF Processo nº 12448.905172/201413 Acórdão n.º 1301002.546 S1C3T1 Fl. 1.710 17 inferência com base em estimativa. Também sustenta que, para proceder ao cálculo mencionado, a decisão recorrida valeuse da receita anual informada pelas DIRF, quando deveria ter considerado receitas e retenções relativas ao saldo negativo do IRPJ do segundo trimestre de 2008, em consonância com o regime de tributação trimestral adotado pela recorrente. Nesse contexto, defende que a autoridade julgadora jamais demonstrou como encontrara os valores que embasaram a decisão recorrida, pois simplesmente alegou que verificara, nas DIRF dos tomadores de serviços, que havia diferenças, embora os valores indicados nessas DIRF se refiram ao total de impostos e contribuições retidos no ano calendário de 2008. Assim, não seria possível verificar os valores referentes ao segundo trimestre do mesmo anocalendário, a acarretar o afastamento do mencionado limitador, reconhecendose o crédito na integralidade, diante da ausência de fundamentação legal para a aplicação deste critério, até porque haveria prova, por meio da documentação acostada, da existência do crédito relativo ao segundo trimestre do anocalendário de 2008. Com efeito, podese ver que a própria recorrente menciona, à fl. 930, que o percentual de 80,31 % decorre da relação entre o total das receitas declaradas em DIPJ, para os quatro trimestres de 2008, e o total da receita anual informada em DIRF, para o mesmo período. Portanto, não há o indigitado déficit de transparência que poderia comprometer a efetividade da defesa. Diante disso, propõese a rejeição da nulidade suscitada. Em face do exposto, rejeitamse as nulidades requeridas. Agora, passando ao exame do mérito, constatase que a decisão recorrida valeuse de um critério segundo o qual o crédito decorrente das retenções de imposto de renda na fonte não pode ultrapassar a relação percentual entre a receita anual declarada na DIPJ e a receita anual informada nas DIRF. No caso concreto, a receita anual declarada na DIPJ correspondeu a 80,31 % da receita anual informada em DIRF. Tal percentual foi aplicado pela instância julgadora a quo sobre o total das retenções da imposto de renda na fonte, declarado no PER/DCOMP nº 06009.05774.230310.1.7.023361, no valor de R$ 524.413,58, apurando se o crédito de saldo negativo de IRPJ disponível para compensação, na importância de R$ R$ 421.156,55. Segundo a recorrente, não é admissível a adoção do percentual anteriormente citado, pois inexiste na legislação tributária disposição normativa que autorize o agente fiscal, com base em critério estimado, a limitar o crédito proveniente de saldo negativo formado por retenções de tributo pela fonte pagadora de rendimentos, presumindo a inexistência de tributação na declaração. Além disso, a defesa destaca que a decisão recorrida balizouse pela receita anual, quando deveria ter considerado receitas e retenções relativas ao saldo negativo do IRPJ do segundo trimestre de 2008, em consonância com o regime de tributação trimestral adotado pela recorrente. A recorrente pleiteia o reconhecimento do crédito indicado no PER/DCOMP nº 06009.05774.230310.1.7.023361, escorandose nas provas documentais juntadas na impugnação e no recurso voluntário, a partir das quais alega que, como traduz o extrato da conta corrente, em anexo, o valor bruto das notas fiscais acostadas aos autos, descontando as retenções, equivale ao valor pago à recorrente, razão por que o Fisco Federal não pode, sob pena de enriquecimento sem causa, cobrar algo que já foi retido pelas tomadoras de serviços e recolhidos ao Erário, afinal a retenção do imposto de renda na fonte é forma de antecipação do IRPJ devido ao final do trimestre. Nessas circunstâncias, assinala que as consequências da omissão das pessoas jurídicas tomadoras de serviço que não apresentaram DIRF devem ser Fl. 1710DF CARF MF Processo nº 12448.905172/201413 Acórdão n.º 1301002.546 S1C3T1 Fl. 1.711 18 imputadas às próprias fontes responsáveis pelos pagamentos efetuados em benefício da recorrente, jamais à beneficiária. Diante dos argumentos da recorrente, é necessário sublinhar os seguintes fatos, que devem ser levados em conta: 1) as cópias de notas fiscais reunidas na impugnação, às fls. 28/826, não estão acompanhadas dos respectivos lançamentos contábeis e de extratos bancários aptos a comprovar o recebimento do valor bruto do preço do serviço prestado, descontado do imposto de renda retido na fonte. Tal evidência afasta, por si só, a utilidade dessas notas fiscais para os fins esperados pela recorrente. Isso porque, ainda que as fontes pagadoras das receitas não tenham transmitido a DIRF, admitese a comprovação do tributo retido na fonte à vista dos registros contábeis acompanhados da nota fiscal (ou fatura) respectiva e do recebimento do valor líquido. Confirase: “RETENÇÕES DE IMPOSTO NA FONTE. COMPROVAÇÃO. Na hipótese de a fonte pagadora não fornecer o comprovante anual de retenção, sua prova pode se dar por meio dos registros contábeis do beneficiário, acompanhados da nota fiscal ou fatura e da comprovação do valor líquido quitado pela fonte pagadora.” (Acórdão nº 1101000.988 – 1ª Câmara/1ª Turma Ordinária – sessão de 10/10/2013, rel. Conselheira Edeli Pereira Bessa) Ressaltase do julgado selecionado a exigência de comprovação da entrada de divisas, o que não se revela factível sem o lastro de terceira pessoa, afinal “ninguém pode constituir título de prova a favor de si mesmo, porque é justificável a suspeita de que quem afirma, ou negue, um dado de fato o faça, ainda que contra a realidade, porém unicamente para favorecer seu próprio interesse”1; 2) já as cópias de notas fiscais inseridas nos autos no recurso voluntário, às fls. 1020/1678, não estão acompanhadas dos registros contábeis das receitas recebidas e do crédito decorrente do imposto de renda retido na fonte, o que é imprescindível para a demonstração da existência do crédito e da comprovação de que este decorre da retenção sobre receita contabilizada e submetida à tributação do IRPJ na DIPJ. O imposto de renda retido na fonte poderá formar o saldo negativo a ser restituído ou compensado, sabendose que este saldo negativo é o excedente das deduções legais (nas quais se inclui o imposto de renda retido na fonte), em relação ao IRPJ devido, apurado na DIPJ. Ora, o cômputo, entre os créditos, do imposto de renda retido na fonte, que incidiu sobre rendimento sonegado à tributação do IRPJ na DIPJ, aumenta indevidamente o saldo negativo. Por isso, surgidos os indícios do recolhimento de imposto de renda retido na fonte, a autoridade se depara com o pressuposto lógico da restituição/compensação da respectiva importância: a submissão da receita tributada na fonte ao IRPJ apurado na DIPJ, pois, não sendo assim, podese incorrer no erro de se deferir a compensação de imposto de renda incidente sobre receita não tributada na DIPJ. Aliás, tal questão é de ordem pública, já que, em nome do interesse público, impõese a necessária cautela, vedandose a restituição de qualquer valor a título de imposto de renda excedente, se não restar comprovado que ocorreu a 1 MESSINEO apud SEIXAS FILHO, Aurélio Pitanga. Princípios Fundamentais do Direito Administrativo Tributário – Função Fiscal, 2ª ed.. Rio de Janeiro: Forense, 1996, p. 56. Fl. 1711DF CARF MF Processo nº 12448.905172/201413 Acórdão n.º 1301002.546 S1C3T1 Fl. 1.712 19 tributação da receita na DIPJ. Consignese que esta Turma já registra precedente em sua jurisprudência, verbis: "RESTITUIÇÃO. IRRF.COMPROVAÇÃO DA TRIBUTAÇÃO DO RENDIMENTO. Negase a restituição do imposto de renda retido na fonte se o requerente não comprovar que submeteu à tributação do IRPJ o rendimento sobre o qual incidiu a retenção." (Acórdão nº 1301002.075, relator Cons. Flávio Franco Corrêa) Tal entendimento está em sintonia com a Súmula Carf nº 80: “Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto.” Considerando, pois, todo o arcabouço probatório, não há necessidade de diligências. Estas só se justificam quando existe dúvida a ser solucionada, o que não se confunde com a carência de prova do alegado. Ademais, não há censura ao critério empregado pelo julgador de primeira instância, que se valeu da proporção entre a receita total anual, informada em DIRF pelas fontes retentoras do imposto de renda, e o total anual informado pela recorrente em sua DIPJ. Digase, a propósito, que esta Turma registra decisão recente compatível com a posição ora assumida: "IRRF. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. RENDIMENTOS PARCIALMENTE OFERECIDOS À TRIBUTAÇÃO. PROPORCIONALIDADE. É direito do sujeito passivo computar, no saldo negativo apurado ao final do exercício, o imposto retido as sobre as receitas de aplicação financeira efetivamente contabilizadas e reconhecidas na base de cálculo, pois o tributo não pode ser utilizado como sanção pela omissão parcial de receitas, nos termos do art. 3º do CTN, respeitado o princípio da proporcionalidade." (acórdão nº 1301002.483, relator Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza) O cotejo entre os dados da DIPJ e das DIRF fez surgir o indício de receitas omitidas. Obviamente, não se pode reconhecer o crédito decorrente das retenções de imposto de renda na fonte incidente sobre a totalidade da receita auferida, já que o cotejo de informações permitiu a conclusão de que parte desse total não foi tributado na declaração. Nessa situação, devese admitir o crédito decorrente do imposto de renda retido na fonte, na proporção das receitas tributadas na DIPJ, tendo em conta que a sonegação de receitas tributáveis na DIPJ reduz o IRPJ devido e, por consequência, aumenta indevidamente o saldo negativo de IRPJ. Desse modo, o estabelecimento de um limite ao crédito derivado do imposto de renda retido na fonte, equivalente à proporção das receitas tributadas na DIPJ, obsta a Fl. 1712DF CARF MF Processo nº 12448.905172/201413 Acórdão n.º 1301002.546 S1C3T1 Fl. 1.713 20 dedução de parcela do imposto de renda retido na fonte incidente sobre as receitas sonegadas à tributação do IRPJ na DIPJ Também não há incompatibilidade entre a aplicação de um redutor do crédito fundado na proporção da receita total anual e as retenções trimestrais de imposto de renda na fonte, desde que o anocalendário considerado no cálculo da proporção das receitas tributadas na DIPJ abarque o período trimestral das retenções objeto da compensação declarada. De acordo com essa linha de raciocínio, a recorrente deve fazer jus a um montante de crédito originário das retenções de imposto de renda na fonte na mesma proporção de 80,31 %, aplicado sobre o valor anual total das retenções comprovadas. Acontece, porém, que o total anual confirmado em DIRF das retenções de imposto de renda, segundo a instância julgadora a quo, é igual a R$ 424.430,10, conforme fl. 878. Tal montante compreende as retenções de imposto de renda na fonte sobre receitas tributadas na DIPJ, bem como as retenções de imposto de renda na fonte sobre receitas sonegadas à tributação na DIPJ. Logo, o crédito da recorrente, derivado das retenções de imposto de renda na fonte sobre as receitas submetidas ao IRPJ apurado na DIPJ, deve ser calculado na proporção de 80,31 %, resultando na quantia de R$ 340.859,81. Entretanto, o Despacho Decisório já reconheceu o crédito proveniente de retenção de imposto de renda na fonte na importância de R$ 74.771,06, enquanto a autoridade julgadora de primeira instância garantiu uma parcela de crédito adicional de R$ 346.385,49, totalizando o montante de R$ 421.156,55. Portanto, a recorrente já assegurou o reconhecimento de saldo negativo de IRPJ do segundo trimestre do anocalendário de 2008 na importância de R$ 421.156,55, valor superior àquele que lhe seria devido, como resultado da aplicação do percentual de 80,31 % sobre o total das retenções do imposto de renda na fonte, informadas em DIRF. Diante de tais conclusões, nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Fl. 1713DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.016792/2005-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2002
COFINS. ISENÇÃO DOS ARTS. 13 C/C 14, INCISO X DA MEDIDA PROVISÓRIA N° 2.518-35 DE 2001. RESTRIÇÕES PARA FRUIÇÃO DA ISENÇÃO PELO §2°, ART. 47, INSRF N. 247/2002 NÃO PREVISTAS NO TEXTO LEGAL.
O §2°, do art. 47, INSRF n. 247/2002 ao determinar o alcance do conceito de receitas decorrentes de atividades próprias, extrapolou norma isentiva, ao restringi-la apenas aos ingressos decorrentes de aquelas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembléia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores.
As receitas de mensalidades escolares de sociedade civil, filantrópica, sem fins lucrativos e que tem por finalidade proporcionar educação integral em todos os níveis, e assistência social, estão abrangidas pela norma isentiva.
COFINS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI9.718/98
No RE 585235, a questão foi julgada sob a sistemática de repercussão geral, sendo, portanto, de aplicação obrigatória por este Colegiado, nos termos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, e implica afastar as receitas financeiras.
COFINS. INCIDÊNCIA SOBRE LOCAÇÃO DE IMÓVEIS. AUSÊNCIA DE DECISÃO DO STF. RE 599.658/SP. RECEITA NÃO ALCANÇADA PELA ISENÇÃO DO INCISO X, MP 2.158/2001.
A incidência de PIS e Cofins sobre receitas provenientes de locação de imóveis é tema (nº 630) de repercussão geral no STF, não se confundido pois com aquelas exoneradas com a decisão exarada no RE 585235.
A isenção prevista no inciso X, do art. 14 da MP nº 2.158/2001 não abrange atividades de locação de imóveis por não se caracterizar atividade própria da entidade de educação.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3201-002.884
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade dar parcial provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo (relatora), Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, que davam provimento integral ao recurso voluntário. Designado para o voto vencedor e formalização do Acórdão o Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira. Acompanhou o julgamento, pela Recorrente, a Advogada Marina Santana Oliveira de Sá, OAB/MG nº 132.791
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora
(assinatura digital)
Paulo Roberto Duarte Moreira - Redator.
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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ISENÇÃO DOS ARTS. 13 C/C 14, INCISO X DA MEDIDA PROVISÓRIA N° 2.51835 DE 2001. RESTRIÇÕES PARA FRUIÇÃO DA ISENÇÃO PELO §2°, ART. 47, INSRF N. 247/2002 NÃO PREVISTAS NO TEXTO LEGAL. O §2°, do art. 47, INSRF n. 247/2002 ao determinar o alcance do conceito de “receitas decorrentes de atividades próprias”, extrapolou norma isentiva, ao restringila apenas aos ingressos decorrentes de “aquelas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembléia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores”. As receitas de mensalidades escolares de sociedade civil, filantrópica, sem fins lucrativos e que tem por finalidade proporcionar educação integral em todos os níveis, e assistência social, estão abrangidas pela norma isentiva. COFINS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI9.718/98 No RE 585235, a questão foi julgada sob a sistemática de repercussão geral, sendo, portanto, de aplicação obrigatória por este Colegiado, nos termos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, e implica afastar as receitas financeiras. COFINS. INCIDÊNCIA SOBRE LOCAÇÃO DE IMÓVEIS. AUSÊNCIA DE DECISÃO DO STF. RE 599.658/SP. RECEITA NÃO ALCANÇADA PELA ISENÇÃO DO INCISO X, MP 2.158/2001. A incidência de PIS e Cofins sobre receitas provenientes de locação de imóveis é tema (nº 630) de repercussão geral no STF, não se confundido pois com aquelas exoneradas com a decisão exarada no RE 585235. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 67 92 /2 00 5- 07 Fl. 761DF CARF MF Processo nº 10680.016792/200507 Acórdão n.º 3201002.884 S3C2T1 Fl. 94 2 A isenção prevista no inciso X, do art. 14 da MP nº 2.158/2001 não abrange atividades de locação de imóveis por não se caracterizar atividade própria da entidade de educação. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade dar parcial provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo (relatora), Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, que davam provimento integral ao recurso voluntário. Designado para o voto vencedor e formalização do Acórdão o Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira. Acompanhou o julgamento, pela Recorrente, a Advogada Marina Santana Oliveira de Sá, OAB/MG nº 132.791 (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Relatora (assinatura digital) Paulo Roberto Duarte Moreira Redator. Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório Tratase de auto de infração para a exigência de COFINS e seus consectários legais. Para bem descrever os fatos, transcrevese o relatório da Delegacia de Julgamento: Lavrouse contra o contribuinte identificado o Auto de Infração de fls. 03/13,relativo à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, totalizando um crédito tributário de R$ 260.398,25, incluindo multa de oficio e juros moratórios,correspondente aos períodos especificados em fls. 04/05. A autuação ocorreu em virtude de diferença apurada entre o valor escriturado e o declarado/pago. O enquadramento legal encontrase citado em fls. 06. Fl. 762DF CARF MF Processo nº 10680.016792/200507 Acórdão n.º 3201002.884 S3C2T1 Fl. 95 3 Para a compreensão dos fatos referentes ao processo em tela, seguemse excertos do Termo de Verificação Fiscal (TVF). fls. 14/19, elaborado pela Fiscalização: Consta do estatuto que a instituição fiscalizada constituise em uma sociedade civil, filantrópica, sem fins lucrativos e que tem por finalidade proporcionar educação integral em todos os níveis, e assistência social. É detentora de Declaração de Utilidade Pública Municipal e Federal, possuindo registro no Conselho Nacional de Assistência Social e Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, bem como Registro na Secretaria de Educação do Estado de MG. Intimada a comprovar o recolhimento da Cofins e a apresentar peças processuais da justiça, respondeu que sendo uma instituição filantrópica de ensino não recolheu a Cofins, tampouco ajuizou ação sobre a contribuição. A fiscalizada auferiu receitas de atividades tais como: prestação de serviços de ensino (mensalidades escolares, matrículas, taxas por aulas de recuperação), aluguéis de imóveis e aplicações financeiras. A fiscalização procedeu ao levantamento dos valores da Cofins devidos, tendo como base de cálculo as receitas recebidas em caráter de contraprestação pelos serviços prestados na área de educação infantojuvenil, dos aluguéis recebidos, bem como das receitas decorrentes das aplicações financeiras efetuadas, de acordo com os registroscontábeis e com as planilhas apresentadas pela fiscalizada. Cientificado em 30/11/05 (fls. 03), o interessado apresentou, em 29/12/2005, impugnação ao lançamento, conforme arrazoado de fls. 154/165, acompanhado dos documentos de fls. 166/195, com as suas razões de defesa, assim resumidas: Diante do que consta no Auto de Infração, temse que a autuação não encontra amparo legal, impondo seja a mesma desconsiderada, por ser a entidade Instituto Padre Machado, sociedade civil, sem fins lucrativos e de caráter assistencial, a teor do que consta da documentação acostada, reconhecida como isenta do pagamento da Cofins. Indica a Auditora Fiscal que a recorrente não pode ser considerada como de Assistência Social pelo fato da CF ter tratado, em capítulos distintos, as entidades de caráter assistencial e as de educação. que a questão da imunidade é matéria eminentemente constitucional, indiscutível que o reconhecimento do caráter de assistência social é do atual Conselho Nacional de Assistência Social, a quem compete expedir o respectivo certificado. Fl. 763DF CARF MF Processo nº 10680.016792/200507 Acórdão n.º 3201002.884 S3C2T1 Fl. 96 4 Assim estando a instituiçãoimpugnante, regularmente inscrita junto aquele Conselho, e preenchendo todos os demais requisitos para manter não só o título de filantrópica, não distribuindo lucros e não remunerando seus dirigentes, indiscutível que o AI não tem como se sustentar, quanto a natureza jurídica da entidade educacional. Da mesma forma, o Auto de Infração está eivado de vício no que se refere ao adotado conceito de receitas próprias atribuído pela fiscalização. É de se registrar, em que pese, a equivocada redação contida na CF, as entidades beneficentes de assistência social, que reúnam as exigências estabelecidas na legislação infraconstitucional estão imunes das contribuições para a Seguridade Social, a teor do disposto no art. 195, § 70, as quais ficam obrigadas a seguir os requisitos fixados no CTN, em especial no artigo 14. Se com o advento do artigo 14, inciso X, da MP 185861999 as receitas relativas às atividades próprias estavam isentas da Cofins, indiscutível que o conceito não mudou com o passar dos tempos. Conforme julgamento, ocorrido no dia 9 de novembro de 2005, o STF conheceu do RE, deu provimento, em parte, para declarar a inconstitucionalidade do § 1° do artigo 3o , da Lei 9718, de 27/11/98. Como resultado prático do julgamento, temos que volta o regime anterior definido pela LC 70/91, ou seja, receita bruta ou faturamento é o que decorra da venda de serviços ou mercadorias e serviço, não se considerando receita de natureza diversa. É sobre esse conceito de receita que passarão a incidir o PIS e a Cofins, tornando inócua a tentativa de tributação sobre o impugnante, restando prejudicado o Auto de Infração, vez que permanece intacta a isenção prevista no texto da MP 2.15835. A impugnante como instituição de educação filantrópica, que presta serviços para os quais foi instituída e os coloca à disposição, sem fins lucrativos, recolhe o PIS à razão de 1% sobre a folha de salários, estando isenta da Cofins no que se refere à sua receita própria. Também pode ser citado, em abono da tese de que o impugnante é isento da Cofins, o disposto no art. 12 da Lei 9532/97. A receita decorrente de atividade própria do Instituto Padre Machado, somente decorre das mensalidades pagas pelos alunos, podendo ocorrer a percepção de doações e contribuições de terceiros, estas por mera liberalidade. O texto legal que trata das isenções em nenhum momento estabeleceu o referido requisito, tendo ao contrário mencionado Fl. 764DF CARF MF Processo nº 10680.016792/200507 Acórdão n.º 3201002.884 S3C2T1 Fl. 97 5 que a mesma — a isenção — atingia as instituições de educação e de assistência social, bem como as entidades filantrópicas, sem fins lucrativos, o que dá legalidade à situação, vez que pautada no disposto no art. 176 do CTN. O caráter contraprestacional mencionado na IN 247/2002 é o direto, o que não é o caso do impugnante que percebe mensalidade dos alunos. A imposição feita pelo Fisco, pode ser considerada abusiva e ilegal, vez que o autuado em condições de igualdade com as demais entidades de educação, que além de não serem filantrópicas, possuem fins lucrativos, atribuindolhe maior carga tributária, quando resta comprovado que o impugnante está amparado e é isento da referida contribuição. Sendo o impugnante uma entidade sem fins lucrativos e que oferece um serviço — educação básica — suprindo o Estado a quem compete tal atividade, nada mais correto e justo que o mesmo tenha uma desoneração proporcional da carga tributária, sendo imperioso, ainda, lembrar que todo o valor da mensalidade percebida é destinado aos serviços prestados aos seus alunos. De todo o exposto, temse que o Instituto Padre Machado tem direito à imunidade prevista no § 7° do art. 195 da CF, estando de posse de seu título de entidade de assistência social, além de gozar da isenção da Cofins no que toca as suas receitas próprias, vez que é uma entidade de educação sem fins lucrativos nos termos do disposto no art. 15 da Lei n° 9.532/97, e que presta os serviços para os quais foi instituída colocandoos à disposição da sociedade, não remunerando seus dirigentes. Requer o cancelamento do auto de infração. A Delegacia de Julgamento proferiu decisão que julgou improcedente a impugnação apresentada, em decisão assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2002 Consideramse receitas derivadas das atividades próprias somente aquelas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembléia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais. A atividade administrativa, sendo plenamente vinculada, não comporta apreciação discricionária no tocante aos atos que integram a legislação tributária. Lançamento Procedente Fl. 765DF CARF MF Processo nº 10680.016792/200507 Acórdão n.º 3201002.884 S3C2T1 Fl. 98 6 Em sede de recurso voluntário, a Recorrente reitero os argumentos de impugnação, no sentido de que reuniria as exigências estabelecidas na legislação infraconstitucional, estando imune das contribuições para a Seguridade Social, nos termos do disposto no art. 195, §7° da CF, sendo obrigada a seguir os requisitos fixados no CTN, em especial no artigo 14. Ademais, afirmou que as mensalidades pagas pelos alunos são receitas de sua atividade própria. Por ocasião do julgamento do recurso voluntário, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, nos seguintes termos: Antes de adentrar ao mérito do litígio, devese comprovar a situação de regularidade da recorrente junto ao Conselho Nacional de Assistência Social – CNAS. Portanto, persistem nos autos questões fáticas que precisam ser esclarecidas. Destarte, deve ser propiciada ampla oportunidade às partes (Fisco e Recorrente) para que esclareçam os fatos e demonstrem o seu direito, em atendimento aos princípios da ampla defesa e do contraditório. Os princípios constitucionais do contraditório e a ampla defesa referem se à possibilidade do exercício da dialética processual e têm por objeto dar oportunidade às partes de produzirem e apresentarem suas provas, assim como implicam no direito de serem ouvidas nos autos. Em face do acima exposto, nos termos dos artigos 18 e 29 do Decreto n° 70.235/72, proponho que os autos retornem à Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte para que a fiscalização intime o contribuinte a apresentar o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, assim como informar e comprovar a situação dos pedidos de renovação pendentes de julgamento (71010.002499/200370 e 71010.004831/200683). A diligência foi cumprida, retornando o relatório a informação fiscal de que a Recorrente detinha Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos, bem como Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, nos períodos compreendidos pela autuação. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Relatora O presente recurso preenche as condições de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. De acordo com o relatório de autuação, a Recorrente a fiscalizada não teria declarado em DCTF os valores devidos da COFINS, não teria recolhido em DARF, nem Fl. 766DF CARF MF Processo nº 10680.016792/200507 Acórdão n.º 3201002.884 S3C2T1 Fl. 99 7 efetuado depósitos judiciais nem compensação de qualquer natureza, receitas decorrentes de atividades de prestação de serviços de ensino (mensalidades escolares, matrículas, taxas por aulas de recuperação), aluguéis de imóveis e aplicações financeiras. Primeiramente, observese que a autuação deuse com base na interpretação da isenção veiculada pela Medida Provisória n° 2.158, de 2001, de sorte que a decisão recorrida acabou por inovar os critérios do lançamento, ao se manifestar sobre o cumprimento dos requisitos para fruição de isenção. A interpretação da isenção do art. 13, I, veiculada pela Medida Provisória n° 2.158, de 2001 c/c § 2°, art. 47, INSRF n. 247/2002, especificamente, do conceito de “receitas decorrentes de atividades próprias”. Portanto, é de se analisar o conceito de “receitas decorrentes de atividades próprias”, para, após, analisar a aplicação da Lei n. 9718/98. A Medida Provisória n° 2.158, de 2001, prescreveu que: Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: I templos de qualquer culto; II partidos políticos; III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, a que se refere o art. 15 da Lei no 9.532, de 1997; V sindicatos, federações e confederações; VI serviços sociais autônomos, criados ou autorizados por lei; VII conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas; VIII fundações de direito privado e fundações públicas instituídas ou mantidas pelo Poder Público; IX condomínios de proprietários de imóveis residenciais ou comerciais; e X a Organização das Cooperativas Brasileiras OCB e as Organizações Estaduais de Cooperativas previstas no art. 105 e seu § 1o da Lei no 5.764, de 16 de dezembro de 1971. Art.13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: I templos de qualquer culto; [...] Fl. 767DF CARF MF Processo nº 10680.016792/200507 Acórdão n.º 3201002.884 S3C2T1 Fl. 100 8 Art.14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: (...) X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. A Instrução Normativa n° 247, de 21 de novembro de 2002, art. 47 §2° determina que as receitas consideradas como originadas de atividade própria, para fins de isenção de COFINS, não podem ter “caráter contraprestacional direto”, como se depreende: Art. 47. As entidades relacionadas no art. 9° desta Instrução Normativa: I não contribuem para o PIS/Pasep incidente sobre o faturamento; e II são isentas da Cofins em relação às receitas derivadas de suas atividades próprias. (...) § 2° Consideramse receitas derivadas das atividades próprias somente aquelas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembléia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais. Nos termos da autuação temse que: Entendese assim, como atividades próprias aquelas que não ultrapassam a órbita dos objetivos sociais das respectivas entidades. Estas normalmente alcançam as receitas auferidas que são típicas das entidades sem fins lucrativos, tais como: doações, contribuições, inclusive sindical e assistencial, mensalidades e anuidades recebidas de profissionais inscritos, de associados, de mantenedores e de colaboradores, sem caráter contraprestacional direto, destinada ao custeio e manutenção daquelas . ,entidades e à execução de seus objetivos estatutários. Portanto, a isenção não alcança as receitas que são próprias de atividade de natureza econômica financeira ou empresarial, como as resultantes da prestação de serviços, inclusive as receitas de matrículas e mensalidades dos cursos ministrados pelas entidades educacionais, ainda que exclusivamente a seus associados e em seu beneficio, aluguel cobrado pela utilização de salas e outras dependências da instituição, receitas de aplicações financeiras em fundos de renda fixa e variável, juros e multas cobrados pelo atraso do pagamento das mensalidades escolares, conforme o disposto nos arts. 2° e 3°, § 1°, da Lei 9718 de 27/11/1998. Fl. 768DF CARF MF Processo nº 10680.016792/200507 Acórdão n.º 3201002.884 S3C2T1 Fl. 101 9 Assim, foi cobrada a COFINS relativa a receitas oriundas de mensalidades escolares, aluguéis e receitas financeiras, pois nos termos do auto de infração, tais receitas não se subsumiriam ao conceito de receitas originadas de “atividades próprias”. Ora, inicialmente salta à vista que a restrição contida no §2° do art. 47 da Instrução Normativa n° 247, de 21 de novembro de 2002, ao determinar o alcance semântico de “atividades próprias” extrapola o disposto no art.14, X da Medida Provisória 215835/2001, pois não há nada no dispositivo que aponte que as atividades próprias de uma entidade educacional, filantrópica ou qualquer uma das elencadas no art.13 do mesmo diploma legal, restrinjase a donativos, anuidades ou mensalidades pagas pelos seus associados. Essa constatação, por si só, já seria suficiente para afastar a restrição veiculada por norma administrativa, pois é certa a regra segundo o qual não é possível à norma administrativa inovar ou extrapolar as disposições de lei, no caso, de medida provisória, fortes no Princípio da Estrita Legalidade. Seja como for, da mesma forma é certo que, para esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, apenas lhe é vedada a apreciação de constitucionalidade de lei e decreto, o que não abrange a apreciação de legalidade de instruções normativas. E, nessa senda, impõese reconhecer que a aludida instrução normativa criou condicionamentos ao gozo da isenção, que inovaram em relação ao dispositivo legislativo, amesquinhando o direito do contribuinte, não se olvidando, da mesma forma, que o Código Tributário Nacional, em seu art. 111, II, prescreve que será interpretada literalmente a isenção. Ainda que grande parte da doutrina defenda que a “interpretação literal” seja uma contradição em termos, da mesma forma, é inconteste que o que no caso concreto, não se encontra seja na letra da lei, ou em quaisquer outros diplomas normativos que sistematicamente possam constituir o significado da norma jurídica, enunciados normativos que possam compor norma jurídica isentiva, da forma como estabeleceu a aludida instrução normativa.. De acordo com o Dicionário Houaiss da língua portuguesa, uma das acepções do termo “atividade” “é faculdade ou possibilidade de agir, de se mover, de fazer, empreender coisas”. É dizer: pela locução “atividade própria” podese depreender as formas de ação, empreendimento, de determinada entidade para a realização das finalidades inscritas em seu objetivo estatutário, que, por expressa determinação legal, não poderão ter escopo empresarial, além de que, o predicado “própria” aponta que o resultado dessa atividade, deverá se reverter à manutenção da própria entidade. Assim não há nada na legislação que sustente a premissa segundo a qual tais entidades devam ter como único instrumento para a manutenção de suas atividades, o recebimento de doações ou mensalidades, o que, digase, restringiria sobremaneira sua atuação, comprometendo , até mesmo, sua subsistência. No caso em apreço, é indubitável que as mensalidades escolares estão em consonância com o objetivo social da Recorrentes, instituto de ensino que é. Caberia à fiscalização apenas verificar se os resultados dessas atividades foram revertidos para a manutenção da própria Recorrente, o que, contudo, não ocorreu, considerandose que a norma administrativa, inclui no campo de incidência, de plano, quaisquer receitas que sejam “contraprestacionais”. Em suma, quanto a esse item do recurso, entendo que merece acolhida a pretensão da Recorrente, na medida em que a instrução normativa deu interpretação extensiva à isenção do art.14, X da Medida Provisória 215835/2001, ao mesmo tempo que por “atividade Fl. 769DF CARF MF Processo nº 10680.016792/200507 Acórdão n.º 3201002.884 S3C2T1 Fl. 102 10 próprias” , devem ser entendidas como aquelas que constam das finalidades estatutárias de determinada entidade, revertidas para a sua manutenção. Finamente, o último ponto a ser enfrentado, concerne à abrangência do conceito de faturamento, para efeitos de fixação da base de cálculo da COFINS, para efeitos de se verificar a legitimidade da exigência para as receitas de aluguéis e financeiras. Em relação ao argumento da Recorrente segundo o qual base de cálculo alargada da COFINS, prescrita pela Lei n° 9.718/98. foi julgada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, devendose excluir os valores relativos que não se refiram a venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços, ou seja, no caso, as receitas financeiras. Com efeito, a despeito de a decisão recorrida afirmar que a decisão da Suprema Corte não lhe seria vinculante, por ser proferida no âmbito de controle difuso de constitucionalidade, o fato é que pelo RE 585235 / MG, DJe 27112008, a questão foi julgada sob a sistemática de repercussão geral, sendo, portanto, de aplicação obrigatória por este Colegiado, nos termos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Confirase a ementa do referido julgado: EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Decisão: O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. Vencido, parcialmente, o Senhor Ministro Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria,aprovou proposta do Relator para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, que reconhecia a necessidade de encaminhamento da proposta à Comissão de Jurisprudência. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a Senhora Ministra Ellen Gracie e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 10.09.2008. Considerandose que o referido dispositivo declarado inconstitucional, foi revogado apenas a partir da publicação da Lei n° 11.941 de 28 de maio de 2009, os períodos de apuração ora discutidos são abrangidos pelo entendimento esposado. Em face do exposto, voto por dar provimento ao recurso. Fl. 770DF CARF MF Processo nº 10680.016792/200507 Acórdão n.º 3201002.884 S3C2T1 Fl. 103 11 (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Voto Vencedor Conselheiro, Paulo Roberto Duarte Moreira Peço vênia para discordar apenas quanto o alcance da isenção sobre as receitas de locações, uma vez que a decisão em repercussão geral no RE 585235 / MG, implica o afastamento da incidência da Contribuição em relação às receitas financeiras, com as quais as de locações de imóveis não se confundem. Especificamente em relação à incidência do PIS e Cofins sobre as receitas de locação há decisão do Supremo Tribunal Federal no sentido de reconhecer a repercussão geral sobre o tema no RE 599.658/SP, que ainda aguarda julgamento, conforme ementa: REPERCUSSÃO GERAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 599.658 SÃO PAULO CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO. PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL PIS. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS. INCIDÊNCIA SOBRE A LOCAÇÃO DE IMÓVEIS, INCLUSIVE SOBRE A RENDA AUFERIDA NA LOCAÇÃO DE IMÓVEL PRÓPRIO. REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. Decisão: O Tribunal, por maioria, reputou constitucional a questão, vencido o Ministro Marco Aurélio. Não se manifestaram os Ministros Gilmar Mendes, Cármen Lúcia e Rosa Weber. O Tribunal, por maioria, reconheceu a existência de repercussão geral da questão constitucional suscitada, vencido o Ministro Marco Aurélio. Não se manifestaram os Ministros Gilmar Mendes, Cármen Lúcia e Rosa Weber.(Relatoria do Min. Luiz Fux. Sessão do Plenário de 07/02/2013.) Assim, entendo que as receitas de locações de salas e outras partes do imóvel da recorrente incluemse dentre as operacionais; contudo, não relacionadas às atividades próprias das entidades de educação para fins de fruição do benefício da isenção de que trata o inciso X, do art. 14 da MP nº 2.158/2001. Devem, portanto, as receitas provenientes de "locação" ou "aluguel", lançadas na conta "4357 4.1.05.01.001", do livro Razão, submeteremse à incidência da contribuição para a Cofins. Isto posto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir da tributação da Cofins as receitas levadas à base de cálculo, exceto as relacionadas à locação. Paulo Roberto Duarte Moreira Redator Fl. 771DF CARF MF Processo nº 10680.016792/200507 Acórdão n.º 3201002.884 S3C2T1 Fl. 104 12 Fl. 772DF CARF MF
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Numero do processo: 13116.901574/2012-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Aug 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/05/2006
PROUNI. ISENÇÃO FISCAL. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. TERMO DE ADESÃO. ALCANCE.
A isenção prevista no art. 8º da Lei nº 11.096/2005 é comprovada com o Termo de Adesão da instituição ao ProUni - Programa Universidade para Todos. Quanto às contribuições, alcança tão somente o PIS e a COFINS sobre receitas, excluído o PIS sobre a folha de salário.
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INSUFICIÊNCIA.
O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendo-se necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes. In casu, a recorrente não logrou êxito em se desincumbir do ônus de provar seu direito líquido e certo.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-002.923
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
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ISENÇÃO FISCAL. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. TERMO DE ADESÃO. ALCANCE. A isenção prevista no art. 8º da Lei nº 11.096/2005 é comprovada com o Termo de Adesão da instituição ao ProUni Programa Universidade para Todos. Quanto às contribuições, alcança tão somente o PIS e a COFINS sobre receitas, excluído o PIS sobre a folha de salário. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INSUFICIÊNCIA. O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes. In casu, a recorrente não logrou êxito em se desincumbir do ônus de provar seu direito líquido e certo. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 90 15 74 /2 01 2- 93 Fl. 79DF CARF MF Processo nº 13116.901574/201293 Acórdão n.º 3201002.923 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório UNIÃO BRASILIENSE DE EDUCAÇÃO E CULTURA transmitiu PER/DCOMP alegando indébito da contribuição para o PIS. A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico indeferindo o Pedido de Restituição, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a restituição pleiteada. Em Manifestação de Inconformidade, o declarante informou que o direito creditório tinha por fundamento a isenção da contribuição para o PIS decorrente da adesão ao Programa Universidade para Todos ProUni, nos termos da Solução de Consulta nº 86 – SRRF/1ª RF/Disit, de 2 de junho de 2009, em que se reafirmou o direito à isenção durante o período de vigência do Termo de Adesão (art. 5º da Medida Provisória nº 213/2004). Nos termos do Acórdão nº 14053.555, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a DRJ fundamentado sua decisão no fato de inexistir comprovação, por meio de documentação contábil e fiscal, do direito creditório pleiteado e por não ter havido a comprovação da adesão da instituição ao ProUni, nos termos do art. 8º da Lei nº 11.096/2005. Em seu recurso voluntário, a Recorrente repisa suas razões de defesa, destacando a existência a seu favor de solução de consulta da Receita Federal assegurando o direito à isenção, o que, segundo ela, tornava "legalmente desnecessária" a exigência de comprovação de sua adesão ao programa. Argumenta, ainda, que, nos casos da espécie, é "faticamente impossível" a apresentação de documentos, por se tratar o pedido de restituição de procedimento eletrônico. Na sequência, sustenta a absoluta desnecessidade dos elementos de prova exigidos pela Delegacia de Julgamento, quais sejam, folhas de salário e contabilidade, por se tratar de questão aperfeiçoada e superada ante a homologação da base de cálculo da contribuição por parte da Fiscalização, tendo em vista que constou do despacho decisório que o valor declarado encontravase exato e perfeito. Supletivamente, pugna, caso o CARF entenda necessário, pela realização de diligência junto à repartição de origem, para que a autoridade administrativa oficie o Ministério da Educação com vistas a elucidar os termos no quais se manteve a sua adesão ao ProUni no período sob comento. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator Fl. 80DF CARF MF Processo nº 13116.901574/201293 Acórdão n.º 3201002.923 S3C2T1 Fl. 4 3 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.885, de 28/06/2017, proferido no julgamento do processo nº 13116.900001/201412, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.885): O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. O dispositivo legal que trata da isenção de impostos e contribuições às instituições de ensino que aderirem ao Prouni é o art. 8º da Lei nº 11.096/2005, reproduzido no que se aplica ao caso (grifei): Art. 8o A instituição que aderir ao ProUni ficará isenta dos seguintes impostos e contribuições no período de vigência do termo de adesão: (Vide Lei nº 11.128, de 2005) (...) III Contribuição Social para Financiamento da Seguridade Social, instituída pela Lei Complementar n° 70, de 30 de dezembro de 1991; e IV Contribuição para o Programa de Integração Social, instituída pela Lei Complementar n° 7, de 7 de setembro de 1970. § 1° A isenção de que trata o caput deste artigo recairá sobre o lucro nas hipóteses dos incisos I e II do caput deste artigo, e sobre a receita auferida, nas hipóteses dos incisos III e IV do caput deste artigo, decorrentes da realização de atividades de ensino superior, proveniente de cursos de graduação ou cursos seqüenciais de formação específica. § 2° A Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda disciplinará o disposto neste artigo no prazo de 30 (trinta) dias. § 3° A isenção de que trata este artigo será calculada na proporção da ocupação efetiva das bolsas devidas. (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). A Lei foi regulamentada pelo Decreto nº 5.493, de 18/07/2005, com os dispositivos que se aplicam ao caso transcritos (grifei): Art. 1o O Programa Universidade para Todos PROUNI, de que trata a Lei no 11.096, de 13 de janeiro de 2005, destinase à concessão de bolsas de estudo integrais e bolsas de estudo parciais de cinqüenta por cento ou de vinte e cinco por cento, para estudantes de cursos de graduação ou seqüenciais de formação específica, em instituições privadas de ensino superior, com ou sem fins lucrativos, que tenham aderido ao PROUNI nos termos da legislação aplicável e do disposto neste Decreto. Parágrafo único. O termo de adesão não poderá abranger, para fins de gozo de benefícios fiscais, cursos que exijam formação prévia em nível superior como requisito para a matrícula. Art. 2o O PROUNI será implementado por intermédio da Secretaria de Educação Superior do Ministério da Educação. Fl. 81DF CARF MF Processo nº 13116.901574/201293 Acórdão n.º 3201002.923 S3C2T1 Fl. 5 4 § 1o A instituição de ensino superior interessada em aderir ao PROUNI firmará, em ato de sua mantenedora, termo de adesão junto ao Ministério da Educação. (...) Art. 12. Havendo indícios de descumprimento das obrigações assumidas no termo de adesão, será instaurado procedimento administrativo para aferir a responsabilidade da instituição de ensino superior envolvida, aplicandose, se for o caso, as penalidades previstas. (...) A Secretaria da Receita Federal em cumprimento ao disposto no § 2º do art. 8º acima, editou a Instrução Normativa SRF nº 456/2004, posteriormente revogada pela IN RFB nº 1.394/2013, que dispunha, no que se aplica ao caso (grifei): Art. 1º A instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao Programa Universidade para Todos (ProUni) nos termos dos arts. 5º da Medida Provisória nº 213, de 2004, ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, das seguintes contribuições e imposto: I Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins); II Contribuição para o PIS/Pasep; (...) § 1º A isenção de que trata o caput recairá sobre o lucro na hipótese dos incisos III e IV, e sobre o valor da receita auferida na hipótese dos incisos I e II, decorrentes da realização de atividades de ensino superior, proveniente de cursos de graduação ou cursos seqüenciais de formação específica. § 2º Para fins do disposto nos incisos III e IV do caput a instituição de ensino deverá apurar o lucro da exploração referente às atividades sobre as quais recaia a isenção, observado o disposto no art. 2º e na legislação do imposto de renda. (...) Art. 3º Para usufruir da isenção, a instituição de ensino deverá demonstrar em sua contabilidade, com clareza e exatidão, os elementos que compõem as receitas, custos, despesas e resultados do período de apuração, referentes às atividades sobre as quais recaia a isenção segregados das demais atividades. (...) O termo de adesão foi previsto no art. 5º da Lei nº 11.096/2005, in verbis (grifei): Art. 5o A instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, poderá aderir ao Prouni mediante assinatura de termo de adesão, cumprindolhe (...) § 1o O termo de adesão terá prazo de vigência de 10 (dez) anos, contado da data de sua assinatura, renovável por iguais períodos e observado o disposto nesta Lei. Fl. 82DF CARF MF Processo nº 13116.901574/201293 Acórdão n.º 3201002.923 S3C2T1 Fl. 6 5 (...) Art. 7o As obrigações a serem cumpridas pela instituição de ensino superior serão previstas no termo de adesão ao Prouni, no qual deverão constar as seguintes cláusulas necessárias: (...) Art. 9o O descumprimento das obrigações assumidas no termo de adesão sujeita a instituição às seguintes penalidades: (...) Art. 16. O processo de deferimento do termo de adesão pelo Ministério da Educação, nos termos do art. 5o desta Lei, será instruído com a estimativa da renúncia fiscal, no exercício de deferimento e nos 2 (dois) subseqüentes, a serusufruída pela respectiva instituição, na forma do art. 9o desta Lei, bem como o demonstrativo da compensação da referida renúncia, do crescimento da arrecadação de impostos e contribuições federais no mesmo segmento econômico ou da prévia redução de despesas de caráter continuado A recorrente alega a desnecessidade de apresentação de qualquer documento que comprove sua regular adesão ao Prouni sob o fundamento de que o documento é totalmente eletrônico e a própria Lei nº 11.096/2005 em seu art. 11, § 1º, remete a competência para tais verificações e exigências ao Ministério da Educação. Não é o que se extrai da leitura dos dispositivos acima. O termo de adesão é documento a ser firmado no qual se inserem requisitos de participação no referido Programa. Os diversos dispositivos transcritos (Lei, Decreto e Instrução Normativa) apontam para vários elementos a serem inseridos no Termo que permitiram não somente a adesão da instituição de ensino, mas o controle de sua permanência, enquanto regular e vigente, a aplicação de penalidade, e, principalmente ao que interessa ao presente litígio, a isenção de contribuições. Dessa forma, a exibição do documento "Termo de Adesão" é essencial ao gozo do benefício fiscal de isenção das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins Ao contrário do que alega a recorrente, o termo de Adesão, ainda que eletrônico, prevê o ato de sua assinatura, para que se dê a devida validade e autenticidade. Realmente é emitido no âmbito do Ministério da Educação, o que demonstra não estar nos sistemas internos (informatizados) da Secretaria da Receita Federal; e, se de fato materializado apenas em formato eletrônico em razão de sua essencialidade, é de se presumir a possibilidade de sua impressão, típica das emitidas por órgãos públicos, com chave de segurança para confirmação da autenticidade. Ademais, documento oficial, que confere benefícios tributários de outra ordem, e firmado entre partes Ministério da Educação e instituição de ensino privada há de ser mantido pela parte interessada para o gozo dos benefícios previstos no Termo. Fl. 83DF CARF MF Processo nº 13116.901574/201293 Acórdão n.º 3201002.923 S3C2T1 Fl. 7 6 Nada obstante, o que a recorrente argumenta para a não apresentação do Termo de adesão ao Prouni outros recorrentes em situação idêntica não se escusaram do cumprimento de singelo mister. Vejase exemplo de julgado proferidos neste Conselho em que se demonstrou a possibilidade fática de apresentar e comprovar a adesão e mantença no Programa (grifei): Autoridade Julgadora de 1ª Instância bem observou ainda que o contribuinte em questão comprovou nos autos (fls. 3.325) a adesão ao Programa Universidade para Todos, trecho que merece ser reproduzido por ser de extrema valia: "60. Para comprovar a adesão ao PROUNI o contribuinte anexou aos autos cópia do correio eletrônico do MEC (fls. 3.118) e cópia do Termo de Adesão (fls. 3.119 a 3.273). (Acórdão nº 3402001.704, processo nº 19515.000260/200879, relatoria do cons. João Carlos Cassuli Junior, sessão de 22/03/2012) Não se pode concluir de outra forma, senão a que a recorrente não se dignou a comprovar a existência e aposição de assinatura no Termo de Adesão e a regular fruição do Programa que aderiu. Tenho que este fundamento é suficiente para negar provimento ao recurso voluntário; contudo, há de se tecer ainda argumentos pertinentes ao ônus probatório a cargo a de quem pleiteia direito seu. Antes, porém, analisase as demais teses suscitadas no recurso voluntário que visam seu provimento Sustenta ainda a desnecessidade de apresentação das folhas de salário e respectivamente contabilidade pois entende que no despacho decisório há o reconhecimento expresso de que a base de cálculo encontrase "exata e perfeita", além de "devidamente homologada". Quanto à exigência de apresentação de documentos fiscais e contábeis, assentou o voto condutor do acórdão recorrido que deveria também ter juntado a folha de salários, a fim de demonstrar a base de cálculo do PIS, e os livros fiscais que demonstrassem os lançamentos relativos a ela. Ora, em que pese a ressaltava da DRJ, com a qual concordo, que a isenção do PIS prevista no art. 8º da Lei nº 11.096/2005 não alcança a parcela que incide sobre a folha de salários, a Solução de Consulta nº 86 – SRRF/1ª RF/Disit, de 2 de junho de 2009 proferiu entendimento cuja interpretação errônea da contribuinte adiante será enfrentado lhe é favorável quanto à isenção do PISfolha de salários. Ad argumentandum tantum, justamente firmada no entendimento favorável que extraiu do ato expedido pela autoridade, a recorrente pleiteia a restituição do PISfolha de salários, código de receita "8301". Se há o entendimento de que faz jus à esta isenção deveras tem o ônus de fazer prova documental de seu pretenso direito, qual seja, a apresentação dos documentos e livros atinentes à rubrica "salários" para que se comprove qual sua dimensão (quantificação) na base de cálculo. Fl. 84DF CARF MF Processo nº 13116.901574/201293 Acórdão n.º 3201002.923 S3C2T1 Fl. 8 7 Por fim, assevera que a controvérsia quanto ao direito à isenção está superado pela conclusão da indigitada Solução de Consulta, que entende terlhe assegurado a isenção do PIS sobre folha de salários. Mais uma vez, sem razão a contribuinte. A Solução de Consulta expressamente consignou que a isenção alcança a Contribuição para o PIS, nada dispondo acerca do PIS folha de salários. Digase que na elaboração da peça a consulente, ora recorrente, apenas informou ter realizada a adesão ao Prouni, sem qualquer comprovação naquele autos de consulta, e apresenta seu entendimento de que a isenção alcançaria o PIS folha de salários, para ao final requerer a manifestação do Órgão quanto ao seu entendimento. Eis a cartaconsulta: Entendo que ao fundamentar a solução da consulta, a autoridade que a proferiu fez constar em seus fundamentos a legislação que trata da incidência do PIS sobre a folha de salários, à alíquota de 1%, deixando assente a tributação sobre esta rubrica, com a transcrição do art. 13 e incisos III e IV, da Medida Provisória nº 2.15835/2001. Colacionou os dispositivos que tratam da isenção do PIS sobre a receita auferida pela instituição de educação que aderir e assim se mantém no Prouni. Transcreveu os arts. 8º caput e incisos, I a IV, §§ 1º e 2º da Lei nº 11.096/2005; arts. 1º caput e incisos, I a IV, §§ 1º e 2º, e 3º caput e parágrafo único da IN SRF nº 456/2004, para em seguida enunciar no mesmo tópico "fundamentos" que: " 5. Ante os dispositivos acima expostos, verificase que a instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao Programa Universidade para Todos (Prouni) nos termos dos arts. 5º da Medida Provisória n° 213, de 2004, Fl. 85DF CARF MF Processo nº 13116.901574/201293 Acórdão n.º 3201002.923 S3C2T1 Fl. 9 8 ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, da Contribuição para o PIS." Conclui a solução da consulta com o enunciado: Conclusão 6. Em face do exposto, concluise que a instituição privada de ensino superior com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao programa Universidade para Todos (prouni) nos termos dos arts. 5º da Medida Provisória nº 213, de 2004, ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, da Contribuição para o PIS. Completase os fatos com a apresentação da ementa da Solução de Consulta SRRF/1ªRF/Disit nº 86, de 2 de junho de 2009: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ementa: PIS. PROUNI. INCIDÊNCIA. A instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao Programa Universidade para Todos (Prouni) nos termos dos arts. 5o da Medida Provisória nº 213. de 2004, ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, da Contribuição para o PIS. Dispositivos Legais: art.13 da Medida Provisória n° 2.15835/2001; art.8° da Lei n° 11.096/2005; arts. 1º e 3o da Instrução Normativa nü 456/2004. Não vislumbro imprecisão no Ato que poderia dar a interpretação de que toda e qualquer incidência do PIS a que se sujeitam as entidades aderentes ao Prouni estaria isenta. A uma, os dispositivos legais da ementa da solução de consulta informam a legislação aplicada, primeiro, a que dispõe acerca do Pis folha de salários tributado à alíquota de 1% e após, a que trata do PIS alcançado pela isenção; a duas, porque nos fundamentos, a autoridade trouxe a legislação que faz distinção entre PISfolha de salário tributada à alíquota de 1%, e o PIS sobre receitas isentos nos termos e requisitos das legislação; a três, a omissão do termo "PIS sobre folha de salários" não tem o condão de fazêlo incluir na isenção pelo motivo a seguir; a quatro, nos termos do art. 111 caput e inciso II do CTN, "interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção"; a cinco, não caberia a autoridade fiscal ou administrativa contrariar preceito legal. Por fim, sacramentando o entendimento do não alcance da isenção ao PIS sobre folha de salários, o Órgão Central da Secretaria da Receita Federal editou a Solução de Divergência Cosit nº 1, de 2015, publicada no D.O.U de 24/12/2015, com a ementa: SOLUÇÃO DE DIVERGÊNCIA Nº 1, DE 10 DE FEVEREIRO DE 2015. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP EMENTA: INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR. PROUNI. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP INCIDENTE SOBRE A FOLHA Fl. 86DF CARF MF Processo nº 13116.901574/201293 Acórdão n.º 3201002.923 S3C2T1 Fl. 10 9 DE SALÁRIOS. A isenção de que trata o art. 8º da Lei nº 11.096, de 2005, não se aplica à Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre a folha de pagamentos da pessoa jurídica que adere ao Prouni. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 9.532, de 1997, art. 12; Decreto nº 4.524, de 2002, arts. 9º e 46; Lei nº 11.096, de 2005, art. 8º; DecretoLei nº 5.172 (CTN), de 1966, art. 111,II; Instrução Normativa RFB nº 1.394, de 2013 e Medida Provisória (MP) nº 2.15835, de 2001. O último argumento da recorrente referese à eventual realização de diligência, oficiandose ao Ministério da Educação acerca da sua manutenção no Prouni, acaso não seja superada os fundamentos ante aduzidos que entende suficiente ao direito à restituição pleiteada decorrente do pagamento indevido da Contribuição. Primeiramente, desnecessária a providência pois como assentado neste voto os fundamentos antecedentes são suficientes para negar provimento ao recurso. Não há dúvidas intransponíveis nos autos que necessitam de serem completadas para decidir o litígio. Nos processos, como o presente, que tratam de solicitação de restituição e compensação, a comprovação do direito aos créditos incumbe ao postulante. É seu dever carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, em especial quando necessário à fruição de benefício tributário de isenção. Caso essa comprovação houvesse sido feita, e ainda restasse dúvida ao julgador quanto a permanência regular e temporal no Programa, cabível seria a diligência. Assim, incabível a solicitação de diligência dirigida ao Ministério da Educação para apresentação do Termo de Adesão, documento primário e essencial ao compromisso assumido e firmado pela instituição educacional que requer o gozo dos benefícios do Prouni e que não se dignou a apresentar aos autos. Até esse ponto, restou assente que a recorrente não apresentou o Termo de Adesão ao Prouni, folhas de salário e escrituração contábil; e não permaneceu silente quanto às exigências. Em todas as peças recursais impugnação e recurso voluntário sustentou a desnecessidade desse dever, pois entendeu que o despacho decisório e a solução de consulta reconheceram expressamente seu direito à isenção do PIS relativo ao Programa, sem colacionar qualquer documento seu aos autos. A ausência de elementos probantes viola a regra jurídica adotada pelo direito pátrio de que a prova compete à pessoa que alega o fato, conforme se depreende do abaixo transcrito artigo 16, caput, III, do Decreto n° 70.235, de 1972 (PAF), que regulamenta o processo administrativo fiscal no âmbito federal, e do artigo 373, do Código de Processo Civil,verbis: Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Lei nº 13.105/2015 CPC Fl. 87DF CARF MF Processo nº 13116.901574/201293 Acórdão n.º 3201002.923 S3C2T1 Fl. 11 10 "Art. 373. 0 ônus da prova incumbe: I — ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II — ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor." Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. As Declarações (DCTF, DCOMP e DACON, PER/DCOMP), os documentos fiscais e contábeis e aqueles pertinentes a benefícios tributários, celebrados com órgãos públicos, são produzidos e celebrados pelo próprio contribuinte ou com sua participação, de sorte que, havendo inconsistências ou omissões, impõe a obrigação da recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, sustentada em documentos, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional/CTN). Conclusão Por todo o exposto a recorrente não se desincumbiu do ônus de provar o alegado direito líquido e certo, decorrente de suposto pagamento a maior ou indevido de PIS. Assim, não encontro razão para modificar a decisão a quo e VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO e NÃO RECONHECER O DIREITO CREDITÓRIO. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 88DF CARF MF
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