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Numero do processo: 13502.720817/2011-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007
MATÉRIA IMPUGNADA E NÃO APRECIADA NO JULGAMENTO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. ANULAÇÃO DA DECISÃO. NECESSIDADE DE NOVO JULGAMENTO.
Comprovado que existiu matéria impugnada que não foi objeto de manifestação no julgamento de primeira instância, deve-se anular o julgamento para que a autoridade a quo realize novo julgamento, apreciando todas as matérias que foram objeto de impugnação.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3201-001.791
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para anular o processo a partir da decisão de primeira instância, determinando que a Unidade Preparadora suspenda a exigência do PIS controlado no Processo Administrativo nº 13502.721078/2013-85, apensando-o ao presente processo para julgamento conjunto dos dois processos.
Winderley Morais Pereira - Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Luciano Lopes de Almeida Moraes e Daniel Mariz Gudino.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ANULAÇÃO DA DECISÃO. NECESSIDADE DE NOVO JULGAMENTO. Comprovado que existiu matéria impugnada que não foi objeto de manifestação no julgamento de primeira instância, devese anular o julgamento para que a autoridade a quo realize novo julgamento, apreciando todas as matérias que foram objeto de impugnação. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para anular o processo a partir da decisão de primeira instância, determinando que a Unidade Preparadora suspenda a exigência do PIS controlado no Processo Administrativo nº 13502.721078/201385, apensandoo ao presente processo para julgamento conjunto dos dois processos. Winderley Morais Pereira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Luciano Lopes de Almeida Moraes e Daniel Mariz Gudino. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 72 08 17 /2 01 1- 50 Fl. 13171DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/11/ 2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 2 Relatório Por bem descrever os fatos adoto, com as devidas adições, o relatório da primeira instância que passo a transcrever. "Contra a empresa qualificada em epígrafe foram lavrados autos de infração de fls. 2/12, em virtude da apuração de falta de recolhimento da Cofins e Contribuição para o PIS/Pasep dos períodos de janeiro a março de 2007, exigindoselhe o crédito tributário no valor total de R$ 7.888.318,41. Conforme Termo de Verificação Fiscal de fls. 13/50 (e anexos de fls. 51/68), a autuação é resultado de procedimento fiscal tendente a verificar a procedência de diversos PER/DCOMP apresentados pela empresa, alegando créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins passíveis de ressarcimento. Primeiramente, a fiscalização apurou indevida utilização de crédito de PIS e CofinsImportação, apurado na forma do art. 15 da Lei nº 10.865/2004, por falta de previsão legal para sua compensação com outros tributos ou ressarcimento, podendo apenas ser utilizado como desconto da contribuição a recolher. Analisando o processo produtivo da empresa, bem como as informações adicionais por ela apresentadas, a autuante glosou os créditos relativos aos produtos descritos à fl. 26, por não se enquadrarem no conceito de insumo geradores de créditos de que tratam o inciso II, art. 3º da Lei nº 10.833/2003 e § 4º, art. 8º da Instrução Normativa SRF nº 404/2004. No tocante aos produtos “óleo combustível”, “carvão REF.CET 3700” e “gás natural Sulgás”, eles seriam fontes energéticas utilizadas para geração de Energia e Vapor. Estes, por sua vez, podem ser classificados como produtos, se forem vendidos a terceiros, ou fatores de produção indiretos, se utilizados em sua produção. No caso de venda a terceiros dessa energia, seus insumos (os produtos mencionados) dão direito a crédito. Em caso de utilização da energia em sua produção, não se enquadram no conceito de insumo e não dão direito a crédito por não comporem o produto final, e a energia consumida também não gera crédito por não ter sido adquirida de pessoa jurídica. Em seu relatório, a autuante explicou (fl. 30): ... A autuada não teria conseguido comprovar ou demonstrar a efetiva utilização, por ela alegada, do gás natural como combustível em fornos de pirólise, sendo glosados seus créditos. Disso resultou (fl. 31): Fl. 13172DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/11/ 2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 13502.720817/201150 Acórdão n.º 3201001.791 S3C2T1 Fl. 13.131 3 Quanto aos serviços utilizados como insumos, da rubrica “Píer IV”, constatouse (fls. 32/33) serem referentes a gastos com logística na operação de exportação do produto acabado e frete de produtos diversos, não ensejando geração de créditos por não se enquadrarem como “serviços aplicados na produção de bens ou serviços”. Glosouse também os créditos relativos aos pagamentos pelo serviço de transmissão de energia elétrica, por não se enquadrarem como energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica (fls. 34/35). No tocante às despesas de armazenagem e frete, a autuante entendeu como indevidos os créditos referentes a transferência de produto acabado entre seus estabelecimentos, ou destes para empresa de armazenagem. Também foram glosados créditos referente a serviços administrativos do navio, por falta de previsão legal para sua apropriação (fls. 36/38). Os créditos de encargos de depreciação também foram glosados (fls. 38/43), por falta de apresentação de documentação necessária para verificação da legitimidade do crédito. Por fim, às fls. 47/49, a autuante detalhou a apuração dos valores lançados no presente processo. O enquadramento legal encontrase a fls. 4, 6, 8 e 10. Cientificada, a interessada apresentou a impugnação de fls. 11122/11173, na qual contestou o procedimento fiscal, aduzindo as razões a seguir. Primeiramente, discorreu sobre a nãocumulatividade da Cofins, partindo de seu suporte constitucional, argumentando ser juridicamente inadmissível qualquer interpretação do conceito de insumo, posto na Lei nº 10.833/2003, “que implique na cumulatividade” da contribuição. Acrescentou que, diferentemente do entendimento da fiscalização, o art. 3º, § 3º da referida lei “preceitua que o direito ao crédito se circunscreve aos bens e serviços adquirido e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei.” Assim, todos os itens que compuserem o custo das mercadorias exportadas, bem com as despesas assumidas para esse fim, ensejam o direito ao creditamento. Não podem ser impostas limitações ao direito conferido pela Lei º 10.833, eis que a única limitação admitida pela Constituição é quanto a “setores econômicos sujeitos à sistemática nãocumulativa.” Em síntese, propugnou pelo direito à apropriação de créditos sobre todos os “gastos incorridos pela pessoa jurídica para fabricar e vender mercadorias enquadradas nas hipóteses” mencionadas, “e não apenas os bens e serviços aplicados diretamente em tais atividades.” Fl. 13173DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/11/ 2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 4 Transcreveu trechos de Acórdãos do CARF e da Câmara Superior de Recurso Fiscais, que dariam guarida à sua argumentação (fls. 11128/11129). Prosseguiu alegando que é na legislação do Imposto de Renda que o intérprete deve buscar a definição do alcance do direito ao crédito, transcrevendo o art. 290 do RIR aprovado pelo Decreto nº 3.000/1999, que trata do custo de produção de bens e serviços, para reafirmar a incidência do direito sobre todos os custos diretos e indiretos de produção. Transcreveu doutrina relativa ao tema (fl. 11132), mencionando ainda, em relação aos gastos classificáveis como custos de produção, cuja Lei das Sociedades Anônimas seria silente, o Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações, da FIPECAF, que discriminaria tais gastos, bem como norma do IBRACON (fl. 11133), trazendo a definição de custo e critérios para sua avaliação. Ainda nessa esteira, acrescenta serem geradoras de crédito, a teor do art. 299 do RIR e da NPC 14 do IBRACON, as despesas incorridas relacionadas às receitas em voga. Tratou da impropriedade da Instrução Normativa SRF nº 404/2004, que teria adotado o conceito de insumo do IPI para fins de apuração de créditos da Cofins, transcrevendo doutrina (fls. 11135/11137). Caso não se aceitem os argumentos até então expendidos, a impugnante reclamou a interpretação de que a “ação direta” de que trata o art. 8º, § 4º, I, a, da IN 404/2004, não fique “adstrita ao contato físico do bem ou serviço (insumo) com a mercadoria em produção, mas sim à sua afetação direta à atividade econômica, em vista da essencialidade daquele para a consecução desta.” Disse ainda (fl. 11139): ... Em resumo, sustentou que a caracterização do insumo se dá pela “imprescindibilidade do bem ou serviço no processo fabril, independente do contato físico direto com o bem produzido”, e que assim, “os bens e serviços adquiridos pela ora Impugnante são essenciais ao desempenho da sua atividade econômica, sendo diretamente afetados às atividades fabris”. Passou a tratar, um a um, dos produtos cujos créditos foram glosados pela fiscalização, descrevendo sua utilização no processo produtivo: I – Insumos utilizados no Tratamento de Água: o sulfato de alumínio, o cloro líquido, o Purate e o Kuriverter são utilizados na obtenção de água desmineralizada, água clarificada e água potável, todos produtos finais da impugnante, e portanto geram direito a crédito (fls. 11141/11143); II – Gás Natural: possui duas funções distintas (laudo técnico – doc. 8, de fls. 11285/11303), sendo utilizado como matéria prima na produção de eteno e como combustível fornecendo energia térmica indispensável ao processo industrial, ambas gerando direito a crédito (fls. 11143/11144); III – Kurita: produto utilizado no tratamento químico da água de caldeira (laudo técnico – doc. 7, de fls. 11270/11284), Fl. 13174DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/11/ 2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 13502.720817/201150 Acórdão n.º 3201001.791 S3C2T1 Fl. 13.132 5 necessário para produção de vapor de boa qualidade, como descrito à fl. 11145, cuja essencialidade ao processo produtivo é inconteste, configurandose em insumo gerador de crédito; IV – Petroflo: solubilizante e antipolimerizante consumidos no processo produtivo, que “têm fundamental importância na obtenção do produto final, visto que é a água tratada com os referidos produtos que dará origem ao vapor que será misturado com a nafta e/ou condensado nas fases seguintes do processo”, restando claro sua natureza de insumo (doc. 7); IV – Carvão e Óleo Combustível: insumos utilizados na produção de vapor, o qual é utilizado como energia térmica e vendido como utilidade para outras empresas do Pólo Petroquímico. Se por um lado a fiscalização não efetuou glosas quanto ao carvão e óleo combustível utilizados na produção de vapor destinado à venda, as promoveu quando o vapor era utilizado como trocador de calor no processo produtivo. A alteração promovida pela Lei nº 11.488/2007, no inciso III do art. 3º da Lei nº 10.833, passou a prever o crédito também sobre a energia térmica consumida pela pessoa jurídica. Seria desarrazoado admitir que a aquisição de vapor gera direito ao crédito e os custos para produzilo não, mesmo restando comprovado que eles estão diretamente vinculados aos seus parques fabris (docs. 7 e 8); V – Betzdearborn: agente neutralizante, cuja principal função é reduzir o potencial corrosivo do meio, promovendo o aumento do pH da água (laudo técnico – docs. 7 e 9, este à fls. 11304), sendo imprescindível ao processo produtivo; VII – Diesel Marítimo (fl. 11149): ... No tocante aos serviços utilizados como insumos no processo produtivo, alegou ter por objeto, além das atividades industriais e comercias, a exploração de terminal portuário, conforme seu Estatuto Social (doc. 10, fls. 11305/11316). Nesse contexto, “o Píer IV era utilizado para exportações através de navio, com o seguinte roteiro: do Píer de Triunfo, os produtos petroquímicos (gases e líquidos) seguiam de navio via Lagoa dos Patos até o Terminal do Rio Grande, de onde eram exportados.” Assim, as despesas com os serviços prestados no Píer IV, de movimentação de contêineres do Terminal Santa Clara para o de Rio Grande, para subseqüente exportação, fazem parte da atividade econômica da impugnante, sendo imprescindíveis para a atividade de exploração de terminal portuário, sendo indevida sua glosa. A seguir, relacionou, a título exemplificativo, cinco serviços cujos créditos foram glosados pela fiscalização, para demonstrar sua imprescindibilidade. São eles: transporte, estufagem, empilhadeiras, descarga e manuseio de contêiner, realocação de pátio e armazenagem de contêiner cheio, manutenção ISPS Code, descritos às fls. 11150/11151. Fl. 13175DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/11/ 2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 6 Com essas considerações, propugnou pela procedência do direito ao crédito, nos termos do art. 3º, IX da Lei nº 10.833. Quanto à glosa de créditos relativos ao “uso e transmissão de rede”, que estavam incluídos nos gastos com energia elétrica, discorreu sobre a reestruturação do setor elétrico (Lei nº 9.074/1995), que previu a obrigatoriedade dos consumidores, para viabilizar a utilização das redes de distribuição e transmissão no ambiente de contratação livre, de firmar Contrato de Uso do Sistema de Transmissão – CUST ou Contrato de Uso de Distribuição com o Operador Nacional do Sistema Elétrico – NOS ou com os concessionários e permissionários do serviço público de distribuição (art. 15, § 6º da referida lei). A Aneel, por meio da Resolução nº 281/1999, disciplinou tal matéria (excertos transcritos à fl. 11154). Em síntese, à data dos fatos objetos do presente, a impugnante estava obrigada a usar a rede de transmissão das concessionárias ou permissionárias, sujeitandose ao pagamento da tarifa remuneratória do USO E TRANSMISSÃO DE REDE. Ressaltou ainda que, após sucessivos ofícios não respondidos pela Receita Federal, que objetivavam apurar eventuais impactos financeiros de seus reajustes e revisões tarifárias, a Superintendência de Fiscalização Econômica e Financeira da Aneel emitiu a Nota Técnica nº 554/2006, que menciona “jurisprudência administrativa” (fl. 11359) concluindo pela inafastabilidade do direito ao crédito em discussão (fls. 11157/11158). Portanto, em se tratando de despesa obrigatória que compõe o custo da energia elétrica consumida, não procede a glosa efetuada. Refutando a glosa dos créditos sobre despesas com frete, efetuada ao argumento de se tratarem de transferência de produto acabado entre estabelecimentos da contribuinte e para empresas de armazenagem, alegou ter se baseado em “interpretação meramente literal do inciso IX, do art. 3º da Lei nº 10.833”. Discorreu sobre as dificuldades que enfrenta para a distribuição de seus produtos “no mais diversos rincões do país”, o que a levou a fixar diversos estabelecimentos que consistem em centros distribuidores em todo território nacional. Assim, a impugnante transfere continuamente os produtos de suas unidades industriais para os referidos centros de distribuição, para armazenamento e posterior venda. A “contínua contratação de serviço de transporte, cujo ônus recai sobre a impugnante”, são despesas consideradas na apuração dos créditos, importando “salientar que as mercadorias transferidas para os centros distribuidores ou remetidas para armazenagem têm sempre por destino a sua posterior comercialização.” Seriam, portanto, “etapas do percurso que os produtos percorrerão até seus destinatários finais.” Acrescentou (fl. 11161): ... Fl. 13176DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/11/ 2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 13502.720817/201150 Acórdão n.º 3201001.791 S3C2T1 Fl. 13.133 7 Transcreveu Acórdão do CARF para embasar seu entendimento (fls. 11161/11162). Com relação às glosas referentes ao “Serviço Administrativo de Navio”, argumentou terem a natureza de frete, sendo legítimo o direito ao crédito. É que, sendo proprietário de Navio Tanque, contratou a empresa COMERCIAL MARÍTIMA OCEÂNICA LTDA. (doc. 13, fls. 11367/11379) para prestar serviços que envolvia “a armação, operação, manutenção de pronto atendimento e o gerenciamento das atividades pertinentes ao uso” do navio. Os referidos serviços administrativos, previstos na cláusula quatro do contrato, correspondem a operações estritamente acessórias à prestação do transporte aquaviário que se realizava de modo manifestamente vinculado às operações de venda. Apresentam, portanto, “evidente natureza de frete marítimo”, o que pode ser constatado dos Conhecimentos de Transporte Aquaviários de Cargas emitidos pela contratada (doc. 14, fls. 11380/11389). No que concerne às despesas com depreciação e aquisição do ativo imobilizado, argumentou que “a prova do direito creditório pode ser feita com base em diversos elementos, e não apenas mediante a apresentação das notas fiscais de aquisição dos bens integrantes do ativo imobilizado do contribuinte, conforme entendeu a autoridade julgadora.” Apelando ao princípio da verdade material, argumentou que os documentos por ela apresentados, “Relatórios Gerenciais extraídos dos seus Sistemas de controle do Ativo Imobilizado” contêm “informações necessárias à análise do crédito”. Como exemplo, os relatórios de fls. 11390/11396 (doc 15) trazem identificações “do bem patrimonial que está sendo depreciado”, “da conta de controle pelo Módulo de Ativo Fixo” e “centro de custo a que o ativo imobilizado está vinculado”, salientando ainda que “tais relatórios encontramse diretamente vinculados à contabilidade da empresa (conforme se infere dos balancetes mensais e razão contábil do 1º Trimestre de 2007 ora colacionados – docs. 16 e 17)” (fls. 11397/11428 e 11429/11522), revelando “os elementos necessários a atestar a regularidade dos créditos aproveitados pela Impugnante”. Após discorrer sobre os procedimentos que poderiam ter sido adotados pela autuante, aduziu que, sendo “a maior indústria petroquímica da América Latina”, “é possível imaginar a gigantesca quantidade de notas fiscais que – caso fosse possível – teriam de ser apresentadas à fiscalização.” Apesar de tal dificuldade, disse ter localizado as notas fiscais de aquisição anexas à impugnação (doc. 18, fls. 11523/11569), requerendo sua juntada, e comprometendose a providenciar a juntada dos demais documentos comprobatórios solicitados, logo que obtidos, para demonstrar a total regularidade do crédito fiscal utilizado. Alegou ainda: Fl. 13177DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/11/ 2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 8 ... Reiterou que a autuante deveria ter avaliado toda a documentação comprobatória apresentada pela impugnante, e se necessário, determinasse a realização de diligência com vistas a validar a apuração dos créditos decorrentes de depreciação. Transcreveu os dispositivos legais que prevêem o aproveitamento de tais créditos, o dispositivo da Lei das S/A que define os bens do ativo imobilizado (art. 179 da Lei nº 6.404/1976), para afirmar que a apuração do crédito informado no DACON está totalmente lastreada nos registros contábeis. Acrescentou tratarse de “empresa séria e conceituada no mercado nacional e internacional”, sociedade anônima de capital aberto, sujeita à fiscalização por parte da CVM, inclusive com auditoria externa independente, em estrito cumprimento ao art. 177, § 3º da Lei nº 6.404, “sendo certo que, feito o registro contábil, como determina a lei, tornase norma jurídica individual e concreta, observada por todos, inclusive a administração, fazendo prova a favor do sujeito passivo (Acórdão 10807.816, 1º Conselho de Contribuintes)”. Fez novas considerações sobre esse mesmo argumento (fls. 11171/11173),para concluir que “a autuação ora combatida merece ser reformada, na parte em que glosa os créditos em virtude da suposta inexistência de prova documental da existência deste”. Por derradeiro, em razão de todas as razões expendidas, requereu que o auto de infração seja julgado improcedente, protestando ainda “pela juntada posterior de documentos e pela realização de diligência fiscal hábil a atestar tudo o quanto pontuado nesta Impugnação”." A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento considerou não impugnado o auto de infração referente ao PIS, em razão da ausência de impugnação contra tal lançamento, determinando a apartação dos débitos referentes a esta contribuição para cobrança imediata. Quanto a exigência da COFINS manteve integralmente o lançamento, nos mesmos termos do auto de infração. A decisão da DRJ foi assim ementada: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 FALTA DE RECOLHIMENTO. A falta ou insuficiência de recolhimento da Cofins, apurada em procedimento fiscal, enseja o lançamento de ofício com os acréscimos legais. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. Para efeitos da apuração de créditos a serem descontados da contribuição pela sistemática da nãocumulatividade, consideramse insumos as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações , tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação Fl. 13178DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/11/ 2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 13502.720817/201150 Acórdão n.º 3201001.791 S3C2T1 Fl. 13.134 9 diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. Apenas os serviços diretamente utilizados na fabricação dos produtos dão direito ao creditamento da Contribuição para o PIS/Pasep nãocumulativa incidente em suas aquisições. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. OUTROS GASTOS. A interpretação relativa a gastos não incluídos no conceito de insumos, mas geradores de créditos da nãocumulatividade por expressa disposição legal, deve ser restritiva, sob pena de criação de benefício fiscal sem previsão em lei. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 IMPUGNAÇÃO PARCIAL. APARTAÇÃO. A parte não litigiosa do crédito, por ausência de impugnação, deve ser apartada para imediata cobrança. SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIA. INÉPCIA. Considerase não formulado o pedido de perícia que não apresente seus motivos e não contenha indicação de quesitos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido.” Cientificada, a empresa interpôs recurso voluntário, alegando que apresentou em 19/01/2012, perante a Delegacia da Receita Federal em Camaçari/BA, duas impugnações, sendo uma relativa à Contribuição para o PIS e uma segunda impugnação referente a COFINS. Cópia dos protocolos das referidas impugnações foram apresentadas no recurso (fls. 11780 e 11832). Diante destes fatos, pede que sejam formados autos apartados para julgamento em primeira instância do auto e infração do PIS; b) sejam cancelados o Termo de Revelia e a Carta Cobrança nº 701/2013 e seja suspensa a cobrança que ora se realiza referente a contribuição para o PIS, controlado no Processo Administrativo nº 13502.721078/201385, tendo em vista, que não existe revelia no caso concreto; c) que o presente processo siga o seu curso natural, com o julgamento do presente recurso no que tange ao mérito da exigência da COFINS. Quanto ao restante do recurso repisa as alegações já apresentadas em sede de impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O recurso é voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isto, ser conhecido. Fl. 13179DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/11/ 2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 10 Inicialmente por tratarse de questão preliminar, merece analise a discussão quanto a existência de impugnação referente a contribuição para o PIS. A Recorrente alega a existência da impugnação conforme recibo de protocolo trazido ao processo. Consultando os autos verificase a existência da impugnação do Auto de Infração referente a exigência do PIS. (fls. 11780 a 11831) Diante dos fatos, não há outro caminho, que não seja a anulação da decisão proferida pela autoridade de piso, sendo necessária a realização de novo julgamento, apreciando todas as matérias impugnadas. Quando aos efeitos da anulação da decisão a quo, ao meu sentir, não existe dúvida quanto ao prejuízo dos atos decorrentes, pois um novo julgamento do auto de infração do PIS, por tratarse de matérias fáticas idênticas, poderá ter caminhos diferentes daquele que foi anulado e sendo assim, eventuais posicionamentos da decisão poderão prejudicar ou trazer novos julgados que poderão ser objeto de questionamento e manifestação pelas partes envolvidas, tanto o sujeito passivo quanto à Fazenda Nacional representada pela sua Procuradoria. Assim, é mister que todos os atos realizados no processo a partir da decisão declarada nula, inclusive o Termo de Revelia e a Carta Cobrança nº 701/2013 e ainda em razão da existência de discussão administrativa quanto a exigência do PIS e da COFINS suspender a cobrança que ora se realiza referente a contribuição para o PIS, controlado no Processo Administrativo nº 13502.721078/201385. Diante do exposto, voto no sentido de anular o processo a partir da decisão da primeira instância, inclusive. Determinando novo julgamento para apreciar as impugnações apresentados do PIS e da COFINS e ainda, que a Unidade Preparadora suspenda a exigência do PIS controlado no Processo Administrativo nº 13502.721078/201385 até a decisão final do julgamento administrativo, atendendo os ritos previstos no Processo Administrativo Fiscal. Winderley Morais Pereira Fl. 13180DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/11/ 2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA
score : 1.0
Numero do processo: 15471.001430/2007-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE.
Nos termos da Súmula CARF n.º 11, não se aplica a prescrição intercorrente aos processos administrativos fiscais.
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE ALUGUÉIS. DEDUÇÃO DE VALORES PAGOS A TÍTULO DE ALUGUEL A TERCEIROS. IMPOSSIBILIDADE.
São dedutíveis das receitas de aluguéis apenas as despesas relativas ao específico contrato de locação, não alcançando, portanto, valores pagos a terceiros pelo locador, a título de aluguel, em decorrência de outra locação.
MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE.
No lançamento de ofício, a Lei n.º 9.430/96 determina a aplicação de multa no percentual de 75%, que não pode ser afastada, sob pena de violação à Súmula CARF n. 2.
JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF n. 4).
Recurso negado.
Numero da decisão: 2101-002.578
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Maria Cleci Coti Martins, Odmir Fernandes e Heitor de Souza Lima Junior.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. Nos termos da Súmula CARF n.º 11, não se aplica a prescrição intercorrente aos processos administrativos fiscais. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE ALUGUÉIS. DEDUÇÃO DE VALORES PAGOS A TÍTULO DE ALUGUEL A TERCEIROS. IMPOSSIBILIDADE. São dedutíveis das receitas de aluguéis apenas as despesas relativas ao específico contrato de locação, não alcançando, portanto, valores pagos a terceiros pelo locador, a título de aluguel, em decorrência de outra locação. MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE. No lançamento de ofício, a Lei n.º 9.430/96 determina a aplicação de multa no percentual de 75%, que não pode ser afastada, sob pena de violação à Súmula CARF n. 2. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais” (Súmula CARF n. 4). Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 47 1. 00 14 30 /2 00 7- 54 Fl. 61DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 05/10/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Maria Cleci Coti Martins, Odmir Fernandes e Heitor de Souza Lima Junior. Relatório Tratase de recurso voluntário (efls. 38/42) interposto em 03 de março de 2011 contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DF) (efls. 26/31), do qual o Recorrente teve ciência em 15 de fevereiro de 2011 (fl. 37), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento de efls. 07/10, lavrado em 25 de junho de 2007, em decorrência de Omissão de Rendimentos de Aluguéis Recebidos de Pessoas Físicas Dimob, verificada no anocalendário de 2004. O acórdão teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 DO PAGAMENTO DE ALUGUÉIS Por falta de expressa previsão legal, não há como considerar como dedução à base de cálculo do imposto, os pagamentos efetuados pelo Contribuinte a título de aluguel. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. É cabível, por disposição literal de lei, a incidência de multa de oficio, no percentual de 75%, e de juros de mora à taxa Selic sobre o valor do imposto apurado em procedimento de oficio, que deverão ser exigidos juntamente com o imposto não pago espontaneamente pelo contribuinte. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” (fl. 26). Fl. 62DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 05/10/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 15471.001430/200754 Acórdão n.º 2101002.578 S2C1T1 Fl. 62 3 Não se conformando, o Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 38/42), pedindo a reforma do acórdão recorrido, para cancelar o lançamento. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Depreendese do relatório fiscal que a exigência do imposto se fez em virtude de o contribuinte ter omitido rendimentos de aluguéis informados na Declaração de Informação sobre Atividades Imobiliárias (DIMOB), sujeitos à tabela progressiva no valor de R$ 18.133,56, no anocalendário de 2004. Sustenta o Recorrente, preliminarmente, que o longo período de duração do processo teria causado prejuízo, motivo pelo qual deveria ser reconhecida a prescrição. Não obstante, nos termos da Súmula CARF nº 11, não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal, motivo pelo qual a preliminar deve ser afastada. No mérito, alega que devem ser deduzidos dos valores recebidos a título de aluguéis os valores que ele paga, também, a título de aluguel, a terceira pessoa. Ocorre, todavia, que não há, no direito brasileiro, qualquer dispositivo legal que embase sua pretensão, conforme muito bem decidiu a DRJ, até porque os valores pagos a título de aluguel pelo Recorrente não tem qualquer relação com as quantias que ele recebe em virtude de outro contrato de locação. A lei admite a dedução de montantes que digam respeito, única e exclusivamente, ao contrato de locação objeto da referida DIMOB; Por fim, quanto à alegação de que os juros de mora e a multa de ofício tornam o valor do crédito tributário abusivo, não há como afastálos, sob pena de incorrer em violação à Súmula CARF n.º 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Aliás, no caso específico dos juros de mora, aplicase ao presente caso, ainda, a Súmula CARF n. 4, segundo a qual: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”. Fl. 63DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 05/10/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 Eis os motivos pelos quais voto no sentido de AFASTAR a preliminar e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 64DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 05/10/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 11041.000667/2009-99
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
OMISSÃO. PASSIVO FICTÍCIO.
A falta de escrituração de pagamentos efetuados pela pessoa jurídica, assim como a manutenção, no passivo, de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada, caracterizam omissão de receita.
OMISSÃO. PASSIVO FICTÍCIO. FATO GERADOR.
O fato gerador da exigência realizada em razão de omissão de receita presumida pela constatação de passivo fictício não se dá na data da operação que gerou o passivo, mas sim na data da sua permanência na contabilidade, conforme constatado na ação fiscal.
Numero da decisão: 1801-002.184
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator. Ausente momentaneamente o Conselheiro Alexandre Fernandes Limiro.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente
(assinado digitalmente)
Neudson Cavalcante Albuquerque Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
Nome do relator: NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006 OMISSÃO. PASSIVO FICTÍCIO. A falta de escrituração de pagamentos efetuados pela pessoa jurídica, assim como a manutenção, no passivo, de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada, caracterizam omissão de receita. OMISSÃO. PASSIVO FICTÍCIO. FATO GERADOR. O fato gerador da exigência realizada em razão de omissão de receita presumida pela constatação de passivo fictício não se dá na data da operação que gerou o passivo, mas sim na data da sua permanência na contabilidade, conforme constatado na ação fiscal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator. Ausente momentaneamente o Conselheiro Alexandre Fernandes Limiro. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente (assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
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PASSIVO FICTÍCIO. A falta de escrituração de pagamentos efetuados pela pessoa jurídica, assim como a manutenção, no passivo, de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada, caracterizam omissão de receita. OMISSÃO. PASSIVO FICTÍCIO. FATO GERADOR. O fato gerador da exigência realizada em razão de omissão de receita presumida pela constatação de passivo fictício não se dá na data da operação que gerou o passivo, mas sim na data da sua permanência na contabilidade, conforme constatado na ação fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator. Ausente momentaneamente o Conselheiro Alexandre Fernandes Limiro. (ASSINADO DIGITALMENTE) Ana de Barros Fernandes Wipprich– Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Neudson Cavalcante Albuquerque – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 1. 00 06 67 /2 00 9- 99 Fl. 756DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por NEUDSON CAVALCANTE A LBUQUERQUE Processo nº 11041.000667/200999 Acórdão n.º 1801002.184 S1TE01 Fl. 757 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich. Relatório ZOILA R V LANGENEGGER & CIA LTDA., pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida no Acórdão nº 1039.347 (fl. 694), pela DRJ Porto Alegra, interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. O processo trata de quatro autos de infração realizados para exigir créditos tributários relativos ao ano 2006, conforme os valores contidos na tabela seguinte: TRIBUTO PRINCIPAL JUROS DE MORA MULTA DE OFÍCIO (75%) TOTAL FLS. IRPJ 139.787,15 40.146,87 104.840,36 284.774,38 141 PIS/PASEP 10.116,61 2.905,49 7.587,45 20.609,55 146 COFINS 46.597,75 13.382,87 34.948,31 94.928,93 151 CSLL 52.483,37 15.073,22 39.362,52 106.919,11 156 Os autos de infração têm como fundamentação fática a constatação da existência, na contabilidade do contribuinte, em 31/12/2006, de passivos para os quais o contribuinte não logrou comprovar a sua existência. As circunstâncias da lide foram assim resumidas no relatório da decisão recorrida (fl. 696): De acordo com o Relatório do Procedimento Fiscal (fls. 133/138), em 31/12/2006 o grupo 2.01.01.001 Fornecedores apresentava as contas e saldos relacionados na planilha de folhas 16/46. Intimado a confirmar ou não a referida relação e a apresentar os documentos comprobatórios da existência dos saldos de algumas das contas em 31/12/2006, o contribuinte informou a existência de alguns erros nos saldos de algumas delas, devido ao registro do pagamento pela pessoa jurídica Zoila Riet Vargas Langenegger, que possuem quadro societário comum. O contribuinte apresentou os documentos de folhas 48 a 64, que tratam de pagamentos de duplicatas anteriores à data de 31/12/2006. A fiscalização entendeu que os esclarecimentos prestados e os documentos não comprovam os saldos em 31/12/2006, procedendo, então, intimação para que o contribuinte apresentasse a documentação comprobatória dos saldos de todas as contas da rubrica fornecedores e para que elaborasse demonstrativo da composição do saldo. Como o contribuinte não apresentou o demonstrativo da composição do saldo da referida rubrica e não apresentou a documentação relativa a maior parte das contas, a fiscalização Fl. 757DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por NEUDSON CAVALCANTE A LBUQUERQUE Processo nº 11041.000667/200999 Acórdão n.º 1801002.184 S1TE01 Fl. 758 3 procedeu a nova intimação para que comprovasse os saldos das contas relacionadas no anexo do Termo de Ciência e de Solicitação de Documentos nº 9705 (fls. 70/73). O contribuinte apresentou o documento de folhas 75 a 90, onde tece seus argumentos em atendimento à referida intimação fiscal, juntamente com os documentos que compõem o Anexo II do presente processo (fls. 317/692). O autuante afirma que os argumentos apresentados pelo contribuinte não foram aceitos, pois ele menciona a existência de saldos de anos anteriores, apresentando páginas do Livro Razão desses anos (1998 a 2004), entretanto, apresenta somente algumas notas fiscais, cuja indicação no próprio corpo da nota demonstra pagamento à vista, ou desdobramentos de duplicatas vencidas naqueles anos. Não apresentou as duplicatas sem quitação mecânica ou com quitação posterior a 31/12/2006. Em outros casos apresentou notas fiscais e respectivas duplicatas quitadas anteriormente a 31/12/2006 e em outros casos não apresentou documento algum relacionado com a conta contábil. A análise detalhada dos esclarecimentos prestados e dos documentos apresentados, conta por conta, em atendimento ao Termo de Ciência e de Solicitação de Documentos nº 9705 está demonstrada na planilha de folhas 94 a 101. Também, não foi aceita a justificativa de que alguns pagamentos foram efetuados pela outra pessoa jurídica cuja titular do contribuinte possui participação societária, pois, nesse caso, haveria uma confusão contábil na escrituração das empresas, já que hão há registro contábil das operações de empréstimos. O contribuinte justificou nesse sentido nove das sessenta contas que foi intimada a comprovar. O autuado apresentou impugnação (fl. 164), cujas alegações foram assim resumidas no relatório da decisão recorrida (fl. 697): O contribuinte apresentou a impugnação de folhas 164 a 181, alegando a nulidade do procedimento fiscal por inobservância dos prazos que regulamentam o Mandado do Procedimento Fiscal – MPFF. Alega ter ocorrido decadência do direito de o Fisco efetuar o lançamento, pois a fiscalização deixou transparecer que o chamado passivo fictício possui um só fato gerador, não sendo possível sua tributação ano a ano. A Fiscalização construiu a planilha contendo valores que diz serem saldos, mas não identifica a que ano se referem, não comprova a existência de pagamentos, mas sugere que existe passivo fictício em 2006, se a base utilizada foram os arquivos magnéticos deveria ter identificado os valores e as datas de pagamentos. Assim, constataria que no ano de 2006 não houve casos de fornecedores pagos mantidos na contabilidade. Os fatos decorrentes de pagamentos por mútuo com a sócia ou a empresa coligada, que de fato não foram corretamente contabilizados, Fl. 758DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por NEUDSON CAVALCANTE A LBUQUERQUE Processo nº 11041.000667/200999 Acórdão n.º 1801002.184 S1TE01 Fl. 759 4 são remanescentes dos ano de 1998 a 2003. O saldo da conta Fornecedores em 31/12/2005, já possuía a irregularidade no saldo no valor de R$ 958.519,44 (fls. 127), registrado na DIPJ, que não foi alterado substancialmente para 31/12/2006, constante da mesma declaração, isto porque, obviamente, no ano de 2006 não ocorreu casos que sugerissem o mesmo erro contábil. Alega que a manutenção de saldos incomprovados de anos anteriores no ano ulterior implica a necessidade de se investigar a partir de quando foram gerados os valores incomprovados, para efeito de fixação do momento da ocorrência da hipótese de incidência. Esse procedimento é condição sine qua non a todo o deslinde da presente lide, de cuja demonstração probatória não cuidou a fiscalização. Alega que o autuante afirma que os documentos de folhas 48 a 64, em resumo, tratam de pagamentos de duplicatas que, conforme autenticação mecânica contida nesses documentos, é possível verificar que todos foram quitados anteriormente a 31/12/2006. Entretanto, ao levantar o saldo da conta Fornecedores em 31/12/2006, no valor de R$ 613,128,36, partiu da premissa totalmente equivocada, primeiro porque não se preocupou com os títulos vencíveis em 2007, que, por óbvio, deveriam de fato constar na conta Fornecedores, e muito menos em exercícios anteriores pois já estavam decaídos por ocasião da ciência do auto de infração em 01/10/2009. Alega que o auditor, ao produzir a planilha com os saldos que teria extraído dos arquivos magnéticos, não se preocupou em verificar as compras com nota fiscal e data, forma de pagamento, etc., pulando etapas ao constatar indícios de irregularidades para concluir que haveria omissão de receitas por passivo fictício. Alega que a jurisprudência é muito farta no sentido de que não prevalece a omissão de receita com base no passivo fictício, quando a fiscalização tributa integralmente o saldo da conta fornecedor sem determinar quais as obrigações e/ou exigibilidades que se encontram pagas e mantidas no passivo, bem como, deixa de apontar quais as exigibilidades que não foram comprovadas. Por outro lado, fica desautorizada a presunção de omissão de receita se o contribuinte comprovar, com base em lançamentos contábeis, respaldado em documentos hábeis e idôneos, que os pagamentos ocorreram no períodobase seguinte a que se referir o balanço. Em razão disso, elaborou a planilha anexa em que relaciona todos os fornecedores e esclarece a situação de cada saldo de conta, que vão desde compras com pagamento programado para 2007, o que bastaria verificar na nota fiscal fatura e constatar que os vencimentos são parcelados, assim como operações de Fl. 759DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por NEUDSON CAVALCANTE A LBUQUERQUE Processo nº 11041.000667/200999 Acórdão n.º 1801002.184 S1TE01 Fl. 760 5 mútuo, ou seja, possui duas empresas e várias lojas, as compras muitas vezes são efetuadas de forma conjunta. Outro fenômeno muito comum é que as empresas do setor atacadista mudam de nome muito freqüentemente e, não são raras as vezes em que a nota fiscal de compra era da empresa substituída e a fatura da nova razão social, gerando, por falta de cuidados da contabilidade, dois códigos de fornecedores, ficando um com os débitos e outro com os créditos. Por isso, entende que a fiscalização deveria ter aprofundado sua investigação. Em relação aos contratos de mútuo, alega que é uma figura comum nas relações comerciais envolvendo as empresas do mesmo grupo e as pessoas dos sócios. Alega que possui prejuízos acumulados, o que demonstra que não tem sentido a omissão de receitas com o objetivo de reduzir impostos. Admitindose a omissão, deveria o cálculo do imposto contemplar os ajustes decorrentes dos prejuízos apurados. A DRJ considerou a impugnação improcedente. A decisão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 2006 IRPJ/CSLL/PIS/COFINS. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. PRAZO PARA A REALIZAÇÃO DO PROCEDIMENTO FISCAL. NULIDADE. O MPF é um ato de controle interno da administração tributária, de caráter gerencial e utilizado para a determinar a realização do procedimento fiscal relativo aos tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. A extrapolação do prazo para a realização do procedimento fiscal diz respeito apenas à administração tributária e não tem o poder de contaminar todo o procedimento, que é regido pelo Código Tributário Nacional e pelo Decreto nº 70.235, de 1972. DECADÊNCIA. IRPJ/CSLL/PIS/COFINS. OMISSÃO DE RECEITAS. PASSIVO FICTÍCIO. CRITÉRIO TEMPORAL DA REGRA MATRIZ DE INCIDÊNCIA. Uma vez constatada circunstância prevista em dispositivo legal, caracterizada pela manutenção no passivo de obrigação não comprovada ou já paga, é lícito exigir o tributo e a penalidade correspondente, tendo como marco temporal de ocorrência do fato gerador o do registro contábil questionado pelo fisco. Não pode prevalecer a alegação de que parte da irregularidade cometida somente teria ocorrido em períodos precedentes, sob o fundamento de que o saldo da conta de Fornecedores tinha origem em lançamento efetuado em anoscalendário anteriores, principalmente quando os elementos constantes dos autos evidenciam o contrário. O direito de a Fazenda Pública proceder ao lançamento, nos casos de ausência de pagamento Fl. 760DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por NEUDSON CAVALCANTE A LBUQUERQUE Processo nº 11041.000667/200999 Acórdão n.º 1801002.184 S1TE01 Fl. 761 6 antecipado, decai após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido efetuado. Havendo pagamento antecipado, o prazo decadencial iniciase a partir da ocorrência do fato gerador. OMISSÃO DE RECEITAS. PASSIVO FICTÍCIO. As importâncias integrantes da conta Fornecedores ficam sujeitas à comprovação, sob pena de serem presumidamente consideradas omissão de receitas. Cientificado dessa decisão em 17/08/2012, por via postal (fl. 754), o contribuinte interpôs o presente Recurso Voluntário (fl. 716), em 14/09/2012, trazendo as alegações resumidas a seguir: i) não lhe foi franqueado acesso ao processo, apesar de várias tentativas em várias agências, o que trouxe prejuízos irreparáveis para a sua defesa, que foi elaborada somente com base no acórdão prolatado; ii) o crédito tributário exigido foi atingido pela decadência, uma vez que o lançamento foi realizado há mais de dez anos de seus fatos gerados; iii) a fiscalização não se desincumbiu de sua atribuição legal de determinar o momento de ocorrência do fato gerador; iv) após transcorridos mais de dez anos, não havia mais a necessidade de guarda dos documentos relativos às operações em tela e a sua exigência impede a defesa do contribuinte; v) o início e a conclusão do procedimento preparatório do lançamento não foram assinalados pela fiscalização, demonstrando vício no procedimento suficiente para a anulação do processo. É o relatório Voto Conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerque, Relator. O recurso voluntário apresentado atende aos pressupostos de admissibilidade, sendo digno de conhecimento. O recurso voluntário inicia propugnando pela nulidade do processo em razão de cerceamento do direito de defesa. Afirma o recorrente que não lhe foi franqueado acesso ao processo, apesar de várias tentativas em várias agências, o que trouxe prejuízos irreparáveis para a sua defesa, que foi elaborada somente com base no acórdão prolatado. Compulsando os autos, verificase que o contribuinte recebeu, no dia 17/08/2012 (fl. 754), a intimação de fl. 713 pela qual foi informado que poderia ter vistas do processo na ARF Dom Pedrito. O despacho de fl. 712 demonstra que o processo foi encaminhado para aquela Agência em 05/07/2012. Portanto, o processo estava disponível no Fl. 761DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por NEUDSON CAVALCANTE A LBUQUERQUE Processo nº 11041.000667/200999 Acórdão n.º 1801002.184 S1TE01 Fl. 762 7 local indicado para a sua consulta, não havendo evidências da alegada impossibilidade de acesso, mormente por ser um processo eletrônico e, como tal, podendo ser consultado em qualquer unidade da RFB. O recorrente anexa um pedido de cópia do processo, com a intenção de demonstrar a alegada impossibilidade de acesso. Todavia, o pedido foi entregue em 14/09/2012, mesma data em que entregou o recurso voluntário. Portanto, não demonstra o aventado prejuízo para sua defesa. Ademais, o contribuinte obteve cópia integral do processo em 13/10/2009 (fl. 163), momento imediatamente anterior à sua impugnação. Assim, afasto a preliminar de nulidade. Prossegue o recorrente afirmando que o crédito tributário exigido foi atingido pela decadência, uma vez que o lançamento foi realizado há mais de dez anos de seus fatos gerados. Acrescenta que a fiscalização não se desincumbiu de sua atribuição legal de determinar o momento de ocorrência do fato gerador. O presente lançamento foi realizado em razão da constatação de passivo fictício, infração prevista no artigo 40 da Lei nº 9.430, de 1996, que tem a seguinte redação: Art. 40. A falta de escrituração de pagamentos efetuados pela pessoa jurídica, assim como a manutenção, no passivo, de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada, caracterizam, também, omissão de receita. Como se vê, tratase de uma omissão legalmente presumida a partir da verificação da existência, na contabilidade da empresa, de passivo cuja exigibilidade não foi comprovada. Sobre a presunção legal, assim leciona Paulo de Barros Carvalho (Direito Tributário, Linguagem e Método, 3ª edição, 2009, p. 953): Na presunção legal encontraremos, de um lado, o fato presuntivo e, de outro, o fato presumido. Considerase provado o fato legalmente presumido. E o que justifica essa previsão legal? Por que o fato presumido adquire, de pronto, status de fato provado? Tal se justifica pelo vínculo de associação prescrito pela lei. Desse modo, falase em presunção relativa, que admite prova em contrário; mas, não havendo prova em contrário, a associação se mantém; dado o fato presuntivo, deve ser o fato presumido, porque não houve prova em sentido oposto. Na espécie, a autoridade tributária verificou que em 31/12/2006, final do exercício contábil, permaneciam no passivo várias obrigações que já haviam sido quitadas ou que o contribuinte não logrou comprovar a sua existência. Mesmo após intimado, no procedimento fiscal, e mesmo tendo a oportunidade de manifestarse, por duas vezes, no âmbito do contencioso administrativo, o contribuinte não afastou a existência do falso passivo. Portanto está correta a aplicação da regra prevista no artigo 40 da Lei nº 9.430, de 1996. Por tratarse de presunção legal, a omissão de receita aqui é ficta e não possui qualquer vínculo econômico com as operações de compra que ficaram indevidamente a Fl. 762DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por NEUDSON CAVALCANTE A LBUQUERQUE Processo nº 11041.000667/200999 Acórdão n.º 1801002.184 S1TE01 Fl. 763 8 descoberto. Assim, o fato gerador não se dá na data da operação que gerou o passivo, mas sim na data da sua permanência na contabilidade. No presente caso, isso ficou perfeitamente indicado no auto de infração (fl. 143): 31/12/2006. Portanto, não há que se falar em falta de identificação do fato gerador. Considerando, ainda, que o contribuinte tomou ciência do lançamento em 01/10/2009 (fl. 142), também não há que se falar em decadência. Prosseguindo em sua defesa, o recorrente afirma que, após transcorridos mais de dez anos, não havia mais a necessidade de guarda dos documentos relativos às operações em tela, restando prejudicada a defesa do contribuinte. O argumento não aproveita ao recorrente, considerando as circunstâncias da infração apontada, conforme o que se expõe a seguir. A ação fiscal teve início em 23/12/2008, ocasião em que foi constatado que, em 31/12/2006, o contribuinte registrava em sua contabilidade um certo número de obrigações perante seus fornecedores. A fiscalização intimou o contribuinte a comprovar aquelas obrigações. Portanto, a documentação que se pediu diz respeito a obrigações que existiam há menos de dois anos, razão pela qual o contribuinte ainda estava obrigado a guardála, nos termos do artigo 264 do Decreto nº 3.000, de 1999 (RIR): Art.264. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 4º). ... §3º Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios (Lei nº 9.430, de 1996, art. 37). Portanto, o argumento não aproveita ao recorrente, considerando as circunstâncias da infração apontada. Por fim, o recorrente alega que o início e a conclusão do procedimento preparatório do lançamento não foram assinalados pela fiscalização, demonstrando vício no procedimento suficiente para a anulação do processo. Todavia, essa afirmação não possui suporte fático, uma vez que o início da ação fiscal foi assinalado com o Termo de Início de fl. 3 e o final da ação fiscal foi assinalado com o Termo de Encerramento de fl. 159. Considerando o exposto, voto por negar provimento ao recurso. Fl. 763DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por NEUDSON CAVALCANTE A LBUQUERQUE Processo nº 11041.000667/200999 Acórdão n.º 1801002.184 S1TE01 Fl. 764 9 (ASSINADO DIGITALMENTE) Neudson Cavalcante Albuquerque Fl. 764DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por NEUDSON CAVALCANTE A LBUQUERQUE
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Numero do processo: 19515.008478/2008-71
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 06 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Nov 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. FORNECIMENTO DE ALIMENTAÇÃO SEM ADESÃO AO PAT. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO.
O valor referente ao fornecimento de auxílio-alimentação aos empregados, sem a adesão ao programa de alimentação aprovado pelo Ministério do Trabalho - PAT, não integra o salário-de-contribuição, conforme dispõe o Ato Declaratório PGFN nº 03/2011.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2803-003.849
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Ricardo Magaldi Messetti.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. FORNECIMENTO DE ALIMENTAÇÃO SEM ADESÃO AO PAT. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. O valor referente ao fornecimento de auxílio-alimentação aos empregados, sem a adesão ao programa de alimentação aprovado pelo Ministério do Trabalho - PAT, não integra o salário-de-contribuição, conforme dispõe o Ato Declaratório PGFN nº 03/2011. Recurso Voluntário Provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Ricardo Magaldi Messetti.
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CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. FORNECIMENTO DE ALIMENTAÇÃO SEM ADESÃO AO PAT. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. O valor referente ao fornecimento de auxílioalimentação aos empregados, sem a adesão ao programa de alimentação aprovado pelo Ministério do Trabalho PAT, não integra o saláriodecontribuição, conforme dispõe o Ato Declaratório PGFN nº 03/2011. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Ricardo Magaldi Messetti. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 84 78 /2 00 8- 71 Fl. 216DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 3/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 19515.008478/200871 Acórdão n.º 2803003.849 S2TE03 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) lavrado em desfavor do contribuinte acima identificado, relativamente às contribuições destinadas à Seguridade social (parte da empresa), previstas no inciso I do art. 22 da Lei 8.212, de 1991, e aquelas destinadas ao GILRAT, previstas no item “e” do inciso II do art. 22 do mesmo diploma legal. De acordo com o Relatório Fiscal, constatouse durante o procedimento fiscalizatório, a existência de gastos efetuados pela empresa com alimentação, gastos esses em total desconformidade com a Lei nº 8.212/91, art. 28, § 9º, “e”, apurados nos lançamentos contábeis da conta “Cesta Básica” nº 4.1.2.01.005. O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 17 de outubro de 2012 e ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006 PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR. PAT. INSCRIÇÃO. AUSÊNCIA. INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. Não comprovada a inscrição da empresa no Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT as parcelas pagas a segurados empregados a título de alimentação/refeição e cesta básica sofrem a incidência de contribuição previdenciária. DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO DE EXIBIR LIVROS, DOCUMENTOS OU INFORMAÇÕES. AFERIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LEGALIDADE. Constatada a recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação relacionada aos fatos geradores de contribuição previdenciária, ou sua apresentação deficiente, a administração tributária pode, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO. INAPLICABILIDADE. A Convenção Coletiva de Trabalho constitui fonte normativa para as relações empregatícias, obrigando as partes nela envolvidas, porém não obrigam terceiros e não tem o poder de isentar o contribuinte de suas obrigações definidas em lei. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Após a publicação da Súmula Vinculante nº 8 do STF, via de regra o prazo decadencial a ser aplicado no caso das contribuições previdenciárias, é aquele previsto no artigo 173, I, do CTN, sendo aplicado o prazo decadencial do artigo 150, § 4º, do CTN somente quando o sujeito passivo apura o valor Fl. 217DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 3/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 19515.008478/200871 Acórdão n.º 2803003.849 S2TE03 Fl. 4 3 devido, presta informações ao fisco e antecipa o pagamento de contribuições, mesmo que parcialmente. PEDIDO DE DILIGÊNCIA/PERÍCIA. INDEFERIMENTO. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. A simples alegação desprovida de elementos convincentes de prova, quanto à alegada ocorrência de tributação indevida, impõe o indeferimento do pleito. ÔNUS DA PROVA. O lançamento regularmente efetuado e notificado ao sujeito passivo, tempestivamente por ele impugnado, goza da presunção de legitimidade, transferindose o ônus da prova de invalidade do ato administrativo para quem a invoca. SUJEITO PASSIVO. INTIMAÇÃO. Por expressa determinação legal, as intimações devem ser endereçadas ao domicílio fiscal eleito pelo sujeito passivo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: Tratase de recurso voluntário em face do acórdão de n. 1641.521, prolatado pela 12ª Turma da DRJ/SP1, que, dirimindo a impugnação ofertada nos autos pro esta recorrente, à época a Instituição Educacional São Miguel Paulista, findou por indevidamente julgar improcedente a defesa, sustentando, em única razão, ser possível a incidência de contribuições previdenciárias sobre as parcelas pagas a segurados empregados a título de alimentação/refeição e cesta básica quando não comprovada a inscrição da empresa/instituição no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT). A par desta única perspectiva, portanto, é que todo o lançamento se perfez. A partir desse equivocado pressuposto, então, a fiscalização absurdamente se deferiu o direito de proceder ao lançamento por intermédio de aferição indireta, inadvertidamente transpondo a decadência suscitada (art. 150, § 4º do CTN) e infundadamente desconsiderando a perícia requisitada, assim como a documentação ofertada por esta recorrente. Quanto à temática da isenção da cota patronal sobre o fornecimento de alimento in natura e a desnecessidade de inscrição da entidade no programa de alimentação do trabalhador, para além da pacífica jurisprudência do STJ, fazse de imperiosa observação as conclusões do PARECER PGFN/CRJ/Nº 2117/2011 e o ATO DECLARATÓRIO N. 03/2011, por intermédio do qual a PGFN passou a reconhecer estar definitivamente vencida neste ponto. Fl. 218DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 3/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 19515.008478/200871 Acórdão n.º 2803003.849 S2TE03 Fl. 5 4 Por imperativo legal, portanto, deve o acórdão a quo ser reformado, declarandose a nulidade do lançamento, ante a absurda superação de uma legítima isenção verificada no caso dos autos, conforme precedente desse próprio CARF. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 219DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 3/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 19515.008478/200871 Acórdão n.º 2803003.849 S2TE03 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. O lançamento em discussão foi realizado em razão de a empresa não ter efetuado os descontos das contribuições previdenciárias relativamente aos valores pagos aos segurados empregados sobre a verba auxílioalimentação. Conforme verificado nestes autos, o pomo da discórdia diz respeito à falta de inscrição do contribuinte no Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT, do Ministério do Trabalho e Emprego. A falta da referida inscrição no PAT, como assevera a autoridade administrativa, é motivo para transformar o benefício em saláriodecontribuição. Por seu turno, o contribuinte alega que os gastos referentes à alimentação fornecida aos seus funcionários não compõem a base de cálculo do saláriodecontribuição. No ponto, está correto o contribuinte. Sobre a matéria discutida (fato gerador), concessão de auxílio alimentação sem inscrição no PAT, os membros do CARF (RICARF, art. 62, III) devem se ater às disposições contidas no Ato Declaratório PGFN nº 03/2011, in verbis: A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 24.11.2011, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária”. JURISPRUDÊNCIA: Resp nº 1.119.787SP (DJe 13/05/2010), Resp nº 922.781/RS (DJe 18/11/2008), EREsp nº 476.194/PR (DJ 01.08.2005), Resp nº Fl. 220DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 3/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 19515.008478/200871 Acórdão n.º 2803003.849 S2TE03 Fl. 7 6 719.714/PR (DJ 24/04/2006), Resp nº 333.001/RS (DJ 17/11/2008), Resp nº 977.238/RS (DJ 29/11/2007). O valor referente ao fornecimento de auxílioalimentação aos empregados, sem a adesão ao programa de alimentação aprovado pelo Ministério do Trabalho PAT, não integra o saláriodecontribuição, conforme dispõe o Ato Declaratório PGFN nº 03/2011. Ora, se não há incidência de contribuição previdenciária sobre o pagamento in natura de auxílioalimentação, não haverá por consequência, motivos para o contribuinte ser penalizado. CONCLUSÃO. Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 221DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 3/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10950.904832/2012-63
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/2006
CONTRIBUIÇÃO PIS/COFINS. EXCLUSÃO DOS VALORES DECORRENTES DE VENDAS INADIMPLIDAS. IMPOSSIBILIDADE.
Para as pessoas jurídicas em geral as exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas em Lei, assim os valores decorrente de vendas inadimplidas não podem ser excluídas da base de cálculo.
CONTRIBUIÇÃO COFINS/PIS. VENDAS INADIMPLIDAS APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL.
Nos termos regimentais, reproduz-se as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. Assim sendo, não se pode equiparar as vendas inadimplidas com as hipótese de cancelamento de vendas.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.472
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/06/2006 CONTRIBUIÇÃO PIS/COFINS. EXCLUSÃO DOS VALORES DECORRENTES DE VENDAS INADIMPLIDAS. IMPOSSIBILIDADE. Para as pessoas jurídicas em geral as exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas em Lei, assim os valores decorrente de vendas inadimplidas não podem ser excluídas da base de cálculo. CONTRIBUIÇÃO COFINS/PIS. VENDAS INADIMPLIDAS APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL. Nos termos regimentais, reproduz-se as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. Assim sendo, não se pode equiparar as vendas inadimplidas com as hipótese de cancelamento de vendas. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo.
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EXCLUSÃO DOS VALORES DECORRENTES DE VENDAS INADIMPLIDAS. IMPOSSIBILIDADE. Para as pessoas jurídicas em geral as exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas em Lei, assim os valores decorrente de vendas inadimplidas não podem ser excluídas da base de cálculo. CONTRIBUIÇÃO COFINS/PIS. VENDAS INADIMPLIDAS APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL. Nos termos regimentais, reproduzse as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. Assim sendo, não se pode equiparar as vendas inadimplidas com as hipótese de cancelamento de vendas. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 90 48 32 /2 01 2- 63 Fl. 100DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904832/201263 Acórdão n.º 3801004.472 S3TE01 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904832/201263 Acórdão n.º 3801004.472 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Adotase, em regra, o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Tratase de Pedido de Restituição de pagamento que teria sido realizado a maior. A Delegacia da Receita Federal de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico indeferindo o pleito, tendo em vista que o pagamento apontado como origem do direito creditório estaria integralmente utilizado na quitação de débito do contribuinte. Em manifestação de inconformidade a contribuinte afirma que o direito de crédito tem origem no pagamento de contribuição sobre valores de vendas não recebidas que foram incluídos como receita na base de cálculo. Em resumo, argumenta que as cifras relativas às vendas não adimplidas não constituem receitas porque não representam acréscimo patrimonial, cabendo a correspondente exclusão da base de cálculo, nos mesmos moldes do tratamento dispensado às vendas canceladas, já que o inadimplemento do comprador implicaria verdadeiro cancelamento do contrato de venda. Ademais, prossegue, insistir na tributação de valores relativos às vendas não recebidas culmina por ofender o princípio da capacidade contributiva. Dessa forma, conclui, o pagamento da contribuição calculada sobre as vendas não quitadas é indevido e o direito de crédito deve ser restituído. Requer ainda a atualização do direito de crédito de acordo com a variação da taxa Selic. Pretende ainda que sejam examinadas as provas do direito de crédito conforme indica. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita: BASE DE CÁLCULO. VENDAS INADIMPLIDAS. EXCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE. O inadimplemento de clientes não se confunde com cancelamento de vendas, não podendo os valores correspondentes às vendas inadimplidas ser excluídos da base de cálculo do PIS e da COFINS. O pagamento da contribuição calculada sobre os mencionados valores não é indevido sendo correto o indeferimento do correspondente pedido de restituição. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904832/201263 Acórdão n.º 3801004.472 S3TE01 Fl. 5 4 Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário. Em síntese, apresentou as mesmas alegações suscitadas na manifestação de inconformidade em relação à ilegalidade da cobrança das contribuições PIS e Cofins sem a exclusão dos valores referentes às vendas não recebidas. Por fim, requereu que fosse conhecido e provido seu recurso voluntário. Outrossim, postulou que os créditos a serem por fim restituídos fossem acrescidos de juros remuneratórios a base da taxa selic, desde seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. É o relatório. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904832/201263 Acórdão n.º 3801004.472 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto, dele tomase conhecimento. Como relatado, o litígio tem como controvérsia a exclusão da base de cálculo da contribuição dos valores relativos a vendas canceladas. Para o período de apuração em discussão, segundo o código de receita do pagamento a maior, 2172, 8109, 5856 ou 6912, aplicavamse os dispositivos das Leis 9.718, de 1998, 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003: Lei 9.718/98: Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei Art. 3º "O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. Lei 10.637/02 Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. (grifouse) Lei 10.7637/2002 Lei 10.833/03 Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica.(grifouse) Lei 10.833/2003 (...) Fl. 104DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904832/201263 Acórdão n.º 3801004.472 S3TE01 Fl. 7 6 Como visto, as Leis citadas estabelecem a natureza das receitas, em regra, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. Por outro lado, as exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas nas respectivas leis e os valores decorrentes de vendas inadimplidas não fazem parte desse rol, logo não podem ser excluídas da base de cálculo da contribuição. Insistase que a norma estabelece a incidência da contribuição sobre a totalidade das receitas e não prevê estas exclusões. Tenhase presente que a discriminação das exclusões e deduções da base cálculo da contribuição foi uma opção do legislador no período em referência, não sendo a seara administrativa o fórum adequado para questionálo. Para por fim a discussão, como bem colocado pela decisão de primeira instância, o Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento do Recurso Extraordinário n.ºs 586.482/RS, publicado no DJE no dia 19/06/2012, Relator Ministro Dias Toffoli, sistemática de repercussão geral, pacificou o entendimento de que não é permitido a exclusão das chamadas vendas inadimplidas da base de cálculo das contribuições PIS e Cofins Os aludido acórdão foi assim ementado: TRIBUTÁRIO. CONSTITUCIONAL. COFINS/PIS. VENDAS INADIMPLIDAS. ASPECTO TEMPORAL DA HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. REGIME DE COMPETÊNCIA. EXCLUSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE DE EQUIPARAÇÃO COM AS HIPÓTESES DE CANCELAMENTO DA VENDA. 1. O Sistema Tributário Nacional fixou o regime de competência como regra geral para a apuração dos resultados da empresa, e não o regime de caixa. (art. 177 da Lei nº 6.404/¨76). 2. Quanto ao aspecto temporal da hipótese de incidência da COFINS e da contribuição para o PIS, portanto, temos que o fato gerador da obrigação ocorre com o aperfeiçoamento do contrato de compra e venda (entrega do produto), e não com o recebimento do preço acordado. O resultado da venda, na esteira da jurisprudência da Corte, apurado segundo o regime legal de competência, constitui o faturamento da pessoa jurídica, compondo o aspecto material da hipótese de incidência da contribuição ao PIS e da COFINS, consistindo situação hábil ao nascimento da obrigação tributária. O inadimplemento é evento posterior que não compõe o critério material da hipótese de incidência das referidas contribuições. 3. No âmbito legislativo, não há disposição permitindo a exclusão das chamadas vendas inadimplidas da base de cálculo das contribuições em questão. As situações posteriores ao nascimento da obrigação tributária, que se constituem como excludentes do crédito tributário, contempladas na legislação do PIS e da COFINS, ocorrem apenas quando fato superveniente venha a anular o fato gerador do tributo, nunca quando o fato gerador subsista perfeito e acabado, como ocorre com as vendas inadimplidas. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904832/201263 Acórdão n.º 3801004.472 S3TE01 Fl. 8 7 4. Nas hipóteses de cancelamento da venda, a própria lei exclui da tributação valores que, por não constituírem efetivos ingressos de novas receitas para a pessoa jurídica, não são dotados de capacidade contributiva. 5. As vendas canceladas não podem ser equiparadas às vendas inadimplidas porque, diferentemente dos casos de cancelamento de vendas, em que o negócio jurídico é desfeito, extinguindose, assim, as obrigações do credor e do devedor, as vendas inadimplidas a despeito de poderem resultar no cancelamento das vendas e na consequente devolução da mercadoria , enquanto não sejam efetivamente canceladas, importam em crédito para o vendedor oponível ao comprador. 6. Recurso extraordinário a que se nega provimento (grifouse). Destarte, são inúteis e desnecessárias eventuais discussões de outras teses sobre a possibilidade de se excluir da base de cálculo da contribuição as denominadas vendas inadimplidas. As autoridades administrativas têm que se submeter ao entendimento do Supremo Tribunal Federal e, de fato, atribuir eficácia em relação ao mérito. Neste sentido, alterouse o Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria nº 256/2009 do Ministro da Fazenda, com alterações das Portarias 446/2009 e 586/2010. O artigo 62A dispõe que os Conselheiros têm que reproduzir as decisões do STF proferidas na sistemárica da repercussão geral, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. {*} (...) {*} alteraçãos introduzida pela Port. MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010 ( grifouse) Em remate, não é permitido excluir da base de cálculo da contribuição as vendas inadimplidas. Por óbvio, seu pedido e argumentação de atualização dos créditos pela taxa Selic ficam prejudicados Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 106DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904832/201263 Acórdão n.º 3801004.472 S3TE01 Fl. 9 8 Fl. 107DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 11040.721079/2011-17
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2008
MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. REGRA APLICÁVEL.
O Código Tributário Nacional, que dá tratamento específico no que tange a aplicação temporal de norma que trate penalidades, em seu art. 106, prevê que caso a nova lei traga tratamento mais benéfico para o contribuinte, deve se reduzir ou cancelar as multas aplicadas.
No presente caso, em que houve a aplicação da multa prevista no revogado art. 35, II que se refere à sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido no prazo de lei, o cotejo da multa mais benéfica deverá ser feito em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1997.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-003.372
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado) e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Elias Sampaio Freire - Relator
EDITADO EM: 01/10/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: ELIAS SAMPAIO FREIRE
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SIMULAÇÃO. PARCELA PATRONAL, SAT/GILRAT E TERCEIROS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado GASTREL DISTRIBUIDORA LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2008 MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. REGRA APLICÁVEL. O Código Tributário Nacional, que dá tratamento específico no que tange a aplicação temporal de norma que trate penalidades, em seu art. 106, prevê que caso a nova lei traga tratamento mais benéfico para o contribuinte, deve se reduzir ou cancelar as multas aplicadas. No presente caso, em que houve a aplicação da multa prevista no revogado art. 35, II que se refere à sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido no prazo de lei, o cotejo da multa mais benéfica deverá ser feito em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1997. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado) e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 0. 72 10 79 /2 01 1- 17 Fl. 638DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire Relator EDITADO EM: 01/10/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire. Relatório A Fazenda Nacional, inconformada com o decidido no Acórdão nº. 2402 03.524, proferido pela Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF em 17 de abril de 2013, interpôs, dentro do prazo regimental, recurso especial de divergência à Câmara Superior de Recursos Fiscais. A decisão recorrida, por unanimidade de votos, deu parcial provimento ao recurso voluntário do contribuinte, para recálculo da multa nos termos do artigo 35 da Lei nº 8.212/91 vigente à época dos fatos geradores, observado o limite de 75%. Segue abaixo a sua ementa: SIMULAÇÃO. OCORRÊNCIA. PREVALECE O PRINCÍPIO DA PRIMAZIA DA REALIDADE. INCIDÊNCIA ART. 149, VII, DO CTN. Os fatos devem prevalecer sobre a aparência, formal ou documentalmente, ficando a empresa autuada, na condição de efetiva beneficiária do trabalho dos segurados que lhe prestaram serviços por intermédio de empresas interpostas, obrigada ao recolhimento das contribuições devidas, nos termos do art. 149, VII, do CTN. MULTA QUALIFICADA (DUPLICADA). EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. JUSTIFICATIVA PARA SUA APLICAÇÃO. É justificável a exigência da multa qualificada quando o sujeito passivo tenha procedido com evidente intuito de fraude, minuciosamente justificado e comprovado nos autos. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE. O sujeito passivo inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos. Nos termos do enunciado nº 4 de Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), é cabível a cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC para débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. MULTA DE Fl. 639DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11040.721079/201117 Acórdão n.º 9202003.372 CSRFT2 Fl. 10 3 MORA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR. O lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, aplica se multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II da Lei 8.212/1991), limitandose ao percentual máximo de 75%. Recurso Voluntário Provido em Parte. O apelo da Fazenda Nacional visa rediscutir a determinação do recálculo da multa de mora. Nesse ponto, apresenta dois acórdãos paradigmas, de nºs 240102.453 e 9202 02.086, assim ementados: “MPF. PRORROGAÇÃO. NECESSIDADE DE SUBSTITUIÇÃO DA AUTORIDADE FISCAL. INEXISTÊNCIA. Havendo prorrogação de MPF dentro do prazo de sua validade, não há o que se falar em substituição da autoridade fiscal. PREVIDENCIÁRIO. ALIMENTAÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS INDEPENDENTEMENTE DE INSCRIÇÃO NO PAT. APLICAÇÃO EXCLUSIVAMENTE PARA AS PRESTAÇÕES IN NATURA. Independentemente de inscrição no PAT, não incidem contribuições sociais, desde que a empresa faça a prestação in natura. APURAÇÃO COM ESTEIO EM FOLHAS DE PAGAMENTO E RECIBOS. PRESUNÇÃO DA OCORRÊNCIA DOS FATOS GERADORES. INOCORRÊNC1A. Não há o que se falar em presunção dos fatos geradores das contribuições lançadas quando a apuração fiscal se deu com base na documentação exibida pelo sujeito, principalmente em folhas e recibos de pagamento. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. APLICAÇÃO DA MULTA PREVISTA NO ART. 44, I, DA LEI n° 9.430/1996. Nos lançamentos de oficio de contribuições sociais, aplicase a multa prevista no art. 44, I, da Lei n° 9.430/1996, não se cogitando da aplicação da multa moratória prevista no art. 61 da mesma Lei. MULTA CARÁTER CONFISCATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. Não pode a autoridade fiscal ou mesmo os órgãos de julgamento administrativo afastar a aplicação da multa legalmente prevista, sob a justificativa de que tem caráter confiscatório. JUROS SEL1C. INCIDÊNCIA SOBRE OS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS ADMINISTRADOS PELA RFB. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custodia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado.” (AC 240102.453) “AUTO DE INFRAÇÃO. PENALIDADE DECORRENTE DO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DECADÊNCIA. O prazo decadencial aplicável à exigência de multa decorrente de omissão de informações em GF1P é aquele previsto no artigo 173, inciso I, do CTN, ou seja, tem inicio no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Fl. 640DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 PENALIDADE. GFIP. OMISSÕES. INCORREÇÕES. RETROATIVIDADE BENIGNA. A multa prevista no art. 44, inciso I da Lei 9.430, de 1997, decorrente do lançamento de oficio é única, no importe de 75% (se não duplicada), e visa apenar, de forma conjunta, tanto o não pagamento (parcial ou total) do tributo devido, quanto a não apresentação da declaração ou a declaração inexata, sem haver como mensurar o que foi aplicado para punir uma ou outra infração. No presente caso, em que houve a aplicação da multa prevista no revogado art. 32, § 5º, que se refere à apresentação de declaração inexata, e também da sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido no prazo de lei, estabelecida no igualmente revogado art. 35, II, o cotejo das duas multas, em conjunto, deverá ser feito em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1997, que se destina a punir ambas as infrações já referidas, e que agora encontra aplicação no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias. Recalcular o valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a titulo de multa nas NFLDs correlatas. Recurso especial negado.” (AC 920202.086) Observa que os acórdãos paradigmas entenderam que, para efeito da apuração da multa mais benéfica ao contribuinte, em hipóteses como a dos presentes autos, em que houve lançamento da obrigação principal, bem como lançamento da obrigação acessória, devese efetuar o seguinte cálculo: somar as multas da sistemática antiga (art. 35, II, e art. 32, IV da norma revogada) e comparar o resultado dessa operação com a multa prevista no art. 35 A da Lei n° 8.212/91, introduzido pela MP n° 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009 e que remete ao art. 44, I, da Lei nº 9.430/96 (75%). Frisa, portanto, a divergência no que toca ao procedimento a ser adotado para aferição da multa mais benéfica ao contribuinte, pois o Colegiado a quo entende que é desnecessária a soma da multa da obrigação principal com a multa da obrigação acessória para efeitos de comparação como que dispõe o art. 35A da Lei nº 8.212/91. Registra que antes das inovações da MP nº 449/2008, atualmente convertida na Lei nº 11.941/2009, o lançamento do principal era realizado separadamente, em NFLD, incidindo a multa de mora prevista no artigo 35, II da Lei nº 8.212/91, além da lavratura do auto de infração, com base no artigo 32 da Lei nº 8.212/91 (multa isolada). Afirma que com o advento da MP nº 449/2008, instituiuse uma nova sistemática de constituição dos créditos tributários, o que torna essencial a análise de pelo menos dois dispositivos: o art.32A e art. 35A, ambos da Lei nº 8.212/91. “Art. 32A – O Contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mês calendário ou fração, incidentes sobre o valor do montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observando o disposto no § 3º deste artigo.” Fl. 641DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11040.721079/201117 Acórdão n.º 9202003.372 CSRFT2 Fl. 11 5 “Art. 35A Nos casos de lançamento de oficio relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996". Assinala que o art. 32A tratase de preceito normativo destinado unicamente a penalizar o contribuinte que deixa de informar em GFIP dados relacionados a fatos geradores de contribuições previdenciárias, nos termos do art. 32, inciso IV da Lei nº 8.212/91 e que o atual regramento não criou maiores inovações, exceto no que tange ao percentual máximo da multa que, agora, passou a ser de 20%. Assim, a infração, antes penalizada por meio do art. 32, passou a ser enquadrada no art. 32A, com a multa reduzida. Diz que o art. 35A remete a aplicação do art. 44 da Lei nº 9.430/96 (litteris abaixo), que abarca duas condutas: o descumprimento da obrigação principal (totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento) e também o descumprimento da obrigação acessória (falta de declaração ou declaração inexata). "Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata". Argumenta que a única forma de harmonizar a aplicação dos artigos citados é considerar que o lançamento da multa isolada prevista no art. 32A da Lei nº 8.212/91 ocorrerá quando houver tãosomente o descumprimento da obrigação acessória, ou seja, as contribuições destinadas a Seguridade Social forem devidamente recolhidas; e por outro lado, quando houver o lançamento da obrigação principal, além do descumprimento da obrigação acessória, a multa lançada será única, qual seja, a prevista no art. 35A da mesma Lei. Lembra que nessa linha de raciocínio, a autoridade fiscal deve aplicar a multa mais benéfica ao contribuinte considerando os seguintes parâmetros: se as duas multas anteriores (arts. 35, II, e 32, IV, da norma revogada) ou o art. 35A da Lei nº 8.212/91 e que, inclusive, a Receita Federal editou a IN nº 1.027, de 22/04/2010, explicando qual é o procedimento adequado a ser utilizado. É o que se extrai do art. 4º do citado ato, que explica a forma de cálculo da multa: “Art. 4º A Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009, passa a vigorar acrescida do art. 476A: Art. 476A. No caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos: (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 20 de abril de 2010) I até 30 de novembro de 2008, deverá ser aplicada a penalidade mais benéfica conforme disposto na alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei n° 5.172, de 1966 (CTN), cuja análise será realizada pela comparação entre os seguintes valores: a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior a Lei nº 11.941, de 2009, e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e b) multa aplicada de oficio nos termos do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de Fl. 642DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 2009. II a partir de 1º de dezembro de 2008, aplicamse as multas previstas no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996.” Entende que, no caso dos autos, as contribuições previdenciárias em cobrança dizem respeito a período anterior à data de 30 de novembro de 2008 (estabelecida pela IN nº 1.027/2010 como marco divisor para análise da multa cabível) e que, portanto, deve ser aplicado o disposto no inciso I, do art.4º, da citada IN, que determina a comparação entre os seguintes valores para aferição da multa mais benéfica ao contribuinte: a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212/91, em sua redação anterior à Lei nº 11.941/2009, e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212/91, em sua redação anterior à Lei nº 11.941/2009; e b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212/91, acrescido pela Lei nº 11.941/2009. Finaliza dizendo que a autoridade fiscal efetuou o lançamento nos exatos termos determinados pela IN nº 1.027/2010 e requerendo a manutenção da multa na forma constante no auto de infração de obrigação principal. O Despacho 2400637/2013 deu seguimento ao pedido em análise. O contribuinte não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Elias Sampaio Freire, Relator O recurso especial preenche os requisitos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. No presente caso, a obrigação tributária principal foi lançada acompanhada da multa prevista no art. 35, II da Lei nº 8.212, de 1991. Ocorre que a MP n.º 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, ao mesmo tempo em que revogou os referidos dispositivos da Lei nº 8.212, de 1991, promoveu nova sistemática de aplicação de multas. Assim dispunha, à época, o no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, in verbis: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Fl. 643DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11040.721079/201117 Acórdão n.º 9202003.372 CSRFT2 Fl. 12 7 c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999) III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Por certo o Código Tributário Nacional, que dá tratamento específico no que tange a aplicação temporal de norma que trate penalidades, em seu art. 106, prevê que caso a nova lei traga tratamento mais benéfico para o contribuinte, deve se reduzir ou cancelar as multas aplicadas, in verbis: "Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão» desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; Fl. 644DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática." Portanto, é Indubitável a aplicação da multa benéfica, conforme disciplina do art. 106, II, “c” do CTN. O ponto submetido a apreciação deste colegiado resumese em definir como deve ser aplicada a multa nos termos da atual regência normativa. Ante o exposto e em decorrência da alteração legislativa, o acórdão recorrido optou por aplicar a regra contida no art. 32A, I da Lei n.º 8.212, de 1991, in verbis: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Saliento que, sob a égide da sistemática anterior à MP n.º 449, de 2008, a constatação pelo Fisco de que o contribuinte apresentara declaração inexata ensejaria, também, o direito de aplicação da multa do art. 32, § 5º, da Lei 8.212, de 1991, que poderia corresponder a 100% do valor relativo às contribuições não declaradas, limitada aos valores previstos no art. 32, § 4º, da Lei 8.212, de 1991. Ou seja, caso se verificasse, além da declaração incorreta, a existência de tributo não recolhido, terseia, em acréscimo, a incidência da multa prevista na redação anterior do art. 35, inciso II, da referida lei (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009). Vêse, pois, na sistemática revogada, a existência de multas diversas para fatos geradores igualmente distintos e autônomos: uma, prevista no art. 32, § 5°, que tem natureza de multa por descumprimento de obrigação acessória e, portanto, constituirá o próprio crédito tributário, não guardando vinculação com a obrigação principal de pagamento do tributo devido no prazo de lei; e a outra, consistente em penalidade pecuniária que decorre do não recolhimento do tributo devido dentro do respectivo vencimento, prevista no art. 35, II. Entendo que na atual sistemática, nos casos de lançamento de ofício, têmse uma única multa, prevista no art. 35A da Lei 8.212, de 1991, que faz remissão expressa ao art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, in verbis: “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” Fl. 645DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11040.721079/201117 Acórdão n.º 9202003.372 CSRFT2 Fl. 13 9 Ou seja, a multa prevista no art. 44, inciso I da Lei 9.430, de 1997, decorrente do lançamento de ofício é única, no importe de 75% (se não duplicada), e visa apenar, de forma conjunta, tanto o não pagamento (parcial ou total) do tributo devido, quanto a não apresentação da declaração ou a declaração inexata, sem haver como mensurar o que foi aplicado para punir uma ou outra infração. No presente caso, em que houve a aplicação da multa prevista no revogado art. 35, II que se refere à sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido no prazo de lei, o cotejo da multa mais benéfica deverá ser feito em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1997. Isso posto, voto no sentido de conhecer e DAR PROVIMENTO ao recurso especial da Fazenda Nacional, para que se limite o valor das multas aplicadas ao valor da multa prevista no art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996. É como voto. (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire Fl. 646DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 10882.001475/2004-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Oct 17 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2202-000.537
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por JOSE ROBERTO LANZONI.
RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por maioria de votos, sobrestar o julgamento do processo, conforme a Portaria CARF nº 1, de 2012. Vencido o Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa..
(Assinado digitalmente)
Pedro Paulo Pereira Barbosa Presidente
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Jimir Doniak Junior (suplente convocado), Pedro Anan Júnior e Pedro Paulo Pereira Barbosa.
Nome do relator: Não se aplica
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RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por maioria de votos, sobrestar o julgamento do processo, conforme a Portaria CARF nº 1, de 2012. Vencido o Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa.. (Assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa – Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Jimir Doniak Junior (suplente convocado), Pedro Anan Júnior e Pedro Paulo Pereira Barbosa. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 82 .0 01 47 5/ 20 04 -2 1 Fl. 326DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/09/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10882.001475/200421 Resolução nº 2202000.537 S2C2T2 Fl. 3 2 RELATÓRIO Em desfavor do contribuinte, JOSE ROBERTO LANZONI foi lavrado o Auto de Infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2000 E 2001 (anocalendário 1.999 e 2000). O Dossiê de Contribuinte emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Osasco indicou que este contribuinte teve no anocalendário de 1999 uma movimentação financeira de R$ 11 982.579,15 (um milhão, novecentos e oitenta e dois mil, quinhentos e setenta e nove reai e quinze centavos) e, no anocalendário de 2000, uma movimentação financeira no valor de R$ 6.339.468,64. Em razão de o contribuinte alegar não possuir outra conta no banco mencionado, foi emitida a Requisição sobre Movimentação Financeira RMF de fls. 213, a fim de apurar o motivo da divergência encontrada.. A .RMF foi entregue naquela instituição financeira em 27/04/2004. Em 18 /05/2004 o Unibanco forneceu os extratos da conta corrente n° 1132102, da agência 0046 (iguais aos fornecidos pelo contribuinte) e, também, os extratos da conta corrente n° 1202315, agência 0048, os quais não haviam sido fornecidos pelo contribuinte. De posse de todos os extratos bancários, foram feitos os Demonstrativos dos Recursos Depositados nas Contas Bancárias; Anexos 01 e 02, referentes aos anoscalendário de 1999 e 2000, exclui idoseos empréstimos bancários, os cheques devolvidos, estornos, resgates de aplicações financeiras, proventos e depósitos ou créditos decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física (fls. 215/239). Notase, da análise cuidadosa do processo, que os depósitos bancários em análise foram sido obtidas as informações mediantes RMFs e parte deles foi obtido através de dados da CPMF relativos ao ano calendário de 1999. É isto que interessa relatar até o momento. Fl. 327DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/09/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10882.001475/200421 Resolução nº 2202000.537 S2C2T2 Fl. 4 3 VOTO Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator Ante de apreciar o recurso cabe discutir se o referido processo estaria sujeito a sobrestamento. Após análise pormenorizada dos autos entendo que cabe aqui sobrestamento de julgado feito de ofício pelo relator, nos termos do art. 62A e parágrafos do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Ocorre que está em Repercussão Geral o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras ao Fisco sem autorização judicial, nos termos do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001 (RE 601314), bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei nº 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. Recurso extraordinário em que se discute, à luz dos artigos 5º, X, XII, XXXVI, LIV, LV; 145, § 1º; e 150, III, a, da Constituição Federal, a constitucionalidade, ou não, do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001, que permitiu o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras diretamente ao Fisco, sem autorização judicial, bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei nº 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. A constitucionalidade das prerrogativas estendidas à autoridade fiscal através de instrumentos infraconstitucionais utilização de dados da CPMF e obtenção de informações junto às instituições através da RMF está sendo analisada pelo STF no âmbito do Recurso Extraordinário nº 601.314, que tramita em regime de repercussão geral, reconhecida em 22/10/09, conforme ementa abaixo transcrita: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE CONTRIBUINTES, PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LEI COMPLEMENTAR 105/2001). POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA LEI 10.174/2001 PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE Fl. 328DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/09/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10882.001475/200421 Resolução nº 2202000.537 S2C2T2 Fl. 5 4 SUA VIGÊNCIA. RELEVÂNCIA JURÍDICA DA QUESTÃO CONSTITUCIONAL. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL Conforme disposto no § 1º do art. 62A da Portaria MF nº 256/09, devem ficar sobrestados os julgamentos dos recursos que versarem sobre matéria cuja repercussão geral tenha sido admitida pelo STF. O dispositivo há pouco referido vai ao encontro da segurança jurídica, da estabilidade e da eficiência, pois ao tempo em que assegura a coerência do ordenamento, confere utilidade à atividade judicante exercida no âmbito do CARF. Assim, reconhecida, pelo STF, a relevância constitucional de tema prejudicial à validade do procedimento utilizado na constituição do crédito tributário, deve ser sobrestado o julgamento do recurso no CARF. Não se desconhece a decisão Plenária do STF no âmbito do RE nº 389.808, que acolheu o recurso extraordinário interposto pelos contribuintes. O Recurso foi pautado pelo Ministro Marco Aurélio (i) poucos dias antes da publicação da Emenda Regimental nº 42, do RISTF, que determina que todos os recursos relacionados ao tema do caso admitido como paradigma, em repercussão geral, devam ser distribuídos ao respectivo Relator, e (ii) quase um ano após o reconhecimento da repercussão geral no RE 601.314, o que gerou confusão quanto à mecânica processual de julgamento dos recursos extraordinários anteriores à Emenda Constitucional nº 45/04. Uma leitura atenta do acórdão revela que o julgamento, inicialmente adstrito à reanálise da medida cautelar requerida pela parte recorrente, desbordou para enfrentamento do mérito a partir da contrariedade manifestada pela Min. Ellen Gracie centrada, sobretudo, na ausência do Min. Joaquim Barbosa e sua consequência à apuração do quorum de votação. A atipicidade do caso, entretanto, não indica posicionamento da Corte afastando as consequências imediatas da repercussão geral, como o sobrestamento dos processos que veiculam o tema da violação de sigilo pela Fazenda. O fato é que, com exceção do inusitado julgamento ocorrido no âmbito do RE 389.808, o posicionamento do STF tem sido uníssono no sentido de sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários que veiculam a mesma matéria objeto do Recurso Extraordinário nº 601.314. As decisões abaixo transcritas são elucidativas: D ESPACHO: Vistos. O presente apelo discute a violação da garantia do sigilo fiscal em face do inciso II do artigo 17 da Lei n° 9.393/96, que possibilitou a celebração de convênios entre a Secretaria da Receita Federal e a Confederação Nacional da Agricultura CNA e a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura ? Contag, a fim de viabilizar o fornecimento de dados cadastrais de imóveis rurais para possibilitar cobranças tributárias. Verificase que no exame do RE n° 601.314/SP, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski, foi reconhecida a repercussão geral de matéria análoga à da presente lide, e terá seu mérito julgado no Plenário deste Supremo Tribunal Federal Destarte, determino o sobrestamento do feito até a conclusão do julgamento do mencionado RE nº 601.314/SP. Devem os autos permanecer na Secretaria Judiciária até a conclusão do referido julgamento. Publiquese. Brasília, 9 de fevereiro de 2011. Ministro D IAS T OFFOLI Relator Documento assinado digitalmente (RE 488993, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, julgado em 09/02/2011, publicado em DJe035 DIVULG 21/02/2011 PUBLIC 22/02/2011) DECISÃO REPERCUSSÃO GERAL ADMITIDA ? PROCESSOS VERSANDO A MATÉRIA ? SIGILO DADOS BANCÁRIOS ? FISCO ? Fl. 329DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/09/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10882.001475/200421 Resolução nº 2202000.537 S2C2T2 Fl. 6 5 AFASTAMENTO ? ARTIGO 6º DA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001 ? SOBRESTAMENTO. 1. O Tribunal, no Recurso Extraordinário nº 601.314/SP, relator Ministro Ricardo Lewandowski, concluiu pela repercussão geral do tema relativo à constitucionalidade de o Fisco exigir informações bancárias de contribuintes mediante o procedimento administrativo previsto no artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001. 2. Ante o quadro, considerado o fato de o recurso veicular a mesma matéria, tendo a intimação do acórdão da Corte de origem ocorrido anteriormente à vigência do sistema da repercussão geral, determino o sobrestamento destes autos. 3. À Assessoria, para o acompanhamento devido. 4. Publiquem. Brasília, 04 de outubro de 2011. Ministro MARCO AURÉLIO Relator (AI 691349 AgR, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, julgado em 04/10/2011, publicado em DJe213 DIVULG 08/11/2011 PUBLIC 09/11/2011) REPERCUSSÃO GERAL. LC 105/01. CONSTITUCIONALIDADE. LEI 10.174/01. APLICAÇÃO PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES À EXERCÍCOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RECURSO EXTRAORDINÁRIO DA UNIÃO PREJUDICADO. POSSIBILIDADE. DEVOLUÇÃO DO PROCESSO AO TRIBUNAL DE ORIGEM (ART. 328, PARÁGRAFO ÚNICO, DO RISTF ). Decisão: Discutese nestes recursos extraordinários a constitucionalidade, ou não, do artigo 6º da LC 105/01, que permitiu o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras diretamente ao Fisco, sem autorização judicial; bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei 10.174/01 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. O Tribunal Regional Federal da 4ª Região negou seguimento à remessa oficial e à apelação da União, reconhecendo a impossibilidade da aplicação retroativa da LC 105/01 e da Lei 10.174/01. Contra essa decisão, a União interpôs, simultaneamente, recursos especial e extraordinário, ambos admitidos na Corte de origem. Verificase que o Superior Tribunal de Justiça deu provimento ao recurso especial em decisão assim ementada (fl. 281): "ADMINISTRATIVO E TRIBUTÁRIO ? UTILIZAÇÃO DE DADOS DA CPMF PARA LANÇAMENTO DE OUTROS TRIBUTOS ? IMPOSTO DE RENDA ? QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO ? PERÍODO ANTERIOR À LC 105/2001 ? APLICAÇÃO IMEDIATA ? RETROATIVIDADE PERMITIDA PELO ART. 144, § 1º, DO CTN ? PRECEDENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO ? RECURSO ESPECIAL PROVIDO." Irresignado, Gildo Edgar Wendt interpôs novo recurso extraordinário, alegando, em suma, a inconstitucionalidade da LC 105/01 e a impossibilidade da aplicação retroativa da Lei 10.174/01 . O Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da controvérsia objeto destes autos, que será submetida à apreciação do Pleno desta Corte, nos autos do RE 601.314, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski. Pelo exposto, declaro a prejudicialidade do recurso extraordinário interposto pela União, com fundamento no disposto no artigo 21, inciso IX, do RISTF. Com relação ao apelo extremo interposto por Gildo Edgar Wendt, revejo o sobrestamento anteriormente determinado pelo Min. Eros Grau, e, aplicando a decisão Plenária no RE n. 579.431, secundada, a posteriori pelo AI n. 503.064AgRAgR, Rel. Min. CELSO DE MELLO; AI n. 811.626AgR Fl. 330DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/09/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10882.001475/200421 Resolução nº 2202000.537 S2C2T2 Fl. 7 6 AgR, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, e RE n. 513.473ED, Rel. Min CÉZAR PELUSO, determino a devolução dos autos ao Tribunal de origem (art. 328, parágrafo único, do RISTF c.c. artigo 543B e seus parágrafos do Código de Processo Civil). Publiquese. Brasília, 1º de agosto de 2011. Ministro Luiz Fux Relator Documento assinado digitalmente (RE 602945, Relator(a): Min. LUIZ FUX, julgado em 01/08/2011, publicado em DJe158 DIVULG 17/08/2011 PUBLIC 18/08/2011) DECISÃO: A matéria veiculada na presente sede recursal ?discussão em torno da suposta transgressão à garantia constitucional de inviolabilidade do sigilo de dados e da intimidade das pessoas em geral, naqueles casos em que a administração tributária, sem prévia autorização judicial, recebe, diretamente, das instituições financeiras, informações sobre as operações bancárias ativas e passivas dos contribuintes será apreciada no recurso extraordinário representativo da controvérsia jurídica suscitada no RE 601.314/SP, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, em cujo âmbito o Plenário desta Corte reconheceu existente a repercussão geral da questão constitucional. Sendo assim, impõese o sobrestamento dos presentes autos, que permanecerão na Secretaria desta Corte até final julgamento do mencionado recurso extraordinário. Publiquese. Brasília, 21 de maio de 2010. Ministro CELSO DE MELLO Relator (RE 479841, Relator(a): Min. CELSO DE MELLO, julgado em 21/05/2010, publicado em DJe100 DIVULG 02/06/2010 PUBLIC 04/06/2010) Sendo assim, tenho como inquestionável o enquadramento do presente caso ao art. 26A, §1º, da Portaria 256/09, ratificado pelas decisões acima transcritas, que retratam o quadro descrito pela Portaria nº1, de 03 de janeiro de 2012 (art. 1º, Parágrafo Único). Nesses termos, voto para que seja sobrestado o presente recurso, até o julgamento definitivo do Recurso Extraordinário nº 601.314, pelo STF. Diante de todo o exposto, proponho o SOBRESTAMENTO do julgamento do presente Recurso, conforme previsto no art. 62, §1o e 2o, do RICARF. Observandose que após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 331DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/09/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
score : 1.0
Numero do processo: 10920.909593/2012-95
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/03/2005 a 31/03/2005
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO.
Não caracteriza pagamento de tributo indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA.
A recorrente deve apresentar as provas que alega possuir e que sustentariam seu direito nos momentos previstos na lei que rege o processo administrativo fiscal.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.744
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl votou pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sergio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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DIREITO DE CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO. Não caracteriza pagamento de tributo indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. A recorrente deve apresentar as provas que alega possuir e que sustentariam seu direito nos momentos previstos na lei que rege o processo administrativo fiscal. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl votou pelas conclusões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 90 95 93 /2 01 2- 95 Fl. 50DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909593/201295 Acórdão n.º 3801002.744 S3TE01 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Relatório O processo iniciouse com Pedido de RestituiçãoPER, apresentado pela contribuinte, ora recorrente. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joinvile, SC, indeferiu o pedido, com fundamento em que o valor recolhido por DARF, indicado como origem do crédito contra a Fazenda Nacional, havia sido integralmente utilizado para pagamento de débito da contribuinte, não restando crédito disponível para a restituição solicitada. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, aduzindo que os créditos pleiteados referirseiam a pagamentos a maior da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, decorrentes da inclusão do ICMS na base de cálculo destas contribuições. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cujo acórdão possui a seguinte ementa: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2006 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. REQUISITO. A certeza e liquidez do crédito é requisito essencial para o deferimento da restituição, devendo restar comprovado o efetivo pagamento indevido ou a maior que o devido.” Fl. 51DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909593/201295 Acórdão n.º 3801002.744 S3TE01 Fl. 4 3 Ciente da decisão, a contribuinte interpôs recurso voluntário no qual assevera que não há previsão legal para exigir a retificação de DCTF como condição para a restituição e pede que seja afastada esta exigência e enfrentados os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Afirma ser indevida a inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição, mas não apresenta argumentos que sustentem esta afirmação. Não há nos autos nenhum documento ou livro fiscal ou contábil nem DCTF retificadora. Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade para julgamento nesta turma especial. Sobre a nulidade da decisão de primeira instância. No acórdão recorrido, a DRJ/Florianópolis decidiu com base no entendimento de que se não foi retificada a DCTF, não ficou comprovado pagamento indevido ou a maior, logo, não há que se falar em crédito líquido e certo e, por isso, correto o indeferimento do pedido de restituição. Está claro, desde o despacho decisório, que a contribuinte não comprovou existência de pagamento indevido ou a maior, pois o pagamento informado no pedido de restituição referiuse a tributo lançado em DCTF não retificada, logo, tributo devido. Não apresentadas provas em contrário, os valores informados na DCTF devem ser considerados verdadeiros. Tal entendimento é semelhante ao que justifica a decisão proposta neste voto, conforme se vê adiante. No voto condutor do acórdão da unidade de primeira instância, afirmouse que apenas com a retificação da DCTF a contribuinte teria crédito contra a Fazenda e que a retificação somente produziria efeitos em relação a pedido de restituição apresentado posteriormente a ela. Apesar de este entendimento divergir do que entendem várias turmas do CARF, que admitem que a retificação da DCTF pode surtir efeitos em relação a pedidos de restituição anteriores à sua transmissão, não se pode assentar que a decisão da DRJ possa ser anulada. Ainda que se entenda prescindível a retificação da DCTF, o fundamento de que o pagamento indevido ou a maior não foi comprovado persiste e é suficiente para manter o Fl. 52DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909593/201295 Acórdão n.º 3801002.744 S3TE01 Fl. 5 4 indeferimento do pedido de restituição, de modo que o despacho decisório e a decisão recorrida estão fundamentados e permitiram à contribuinte o contraditório e a ampla defesa. Sobre o direito de crédito e sua liquidez e certeza O processo se iniciou com pedido de restituição da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior de PI/Pasep. A RFB, baseandose em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pela própria contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar débito da contribuinte, referente a tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido, porque a DCTF, nos termos do art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984, é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, não restando crédito disponível a ser restituído. Com base nisto, o pedido foi indeferido. O fundamento legal está expresso em seu quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL”, no qual consta o artigo 165 da Lei nº 5.172, de 25/10/66 (CTN). Estando o pagamento totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF, o DARF a ele relativo não prova a existência de crédito algum. Assim, não foi atendido o art. 165 do CTN, que diz que a contribuinte tem direito à restituição de tributo nos casos de: cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido; erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; reforma, anulação revogação ou rescisão de decisão condenatória. Caberia à interessada provar o direito à restituição, à luz do art. 333 do Código de Processo Civil (CPC), aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe a quem alega fato constitutivo de direito. Até o momento do protocolo do recurso voluntário, a contribuinte não apresentou documentos que comprovassem erro na DCTF, nem comprovou ocorrência de alguma das hipóteses previstas no art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, que permitiriam apresentação destes documentos em momento posterior. Cito. “Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...) §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: Fl. 53DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909593/201295 Acórdão n.º 3801002.744 S3TE01 Fl. 6 5 a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” Ao contrário da decisão recorrida, várias decisões proferidas pelo CARF admitiram a retificação de DCTF posterior à ciência do despacho decisório. Porém, no âmbito desta turma, esta admissão ocorre somente quando a DCTF retificadora é acompanhada da prova de erro na DCTF retificada, por meio da escrituração e dos documentos fiscais e contábeis. Apenas assim se pode afirmar que o crédito pleiteado existe e é dotado de certeza e liquidez. Vejase a ementa do acórdão 380100.190, de 22/05/2012, relatado pelo Conselheiro Flávio de Castro Pontes, em que se assentou que a contribuinte deveria comprovar a origem do direito de crédito: “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF APÓS A CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. A simples retificação de DCTF não é elemento de prova suficiente para aferir a liquidez e certeza do direito creditório. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INCERTO. A compensação não pode ser homologada quando o sujeito passivo não comprova a origem de seu direito creditório. Recurso Voluntário Negado.” Da 2ª Turma Especial, da 3ª Seção de Julgamento, são exemplos do mesmo entendimento os Acórdãos 3802001.290, de 25/09/2012, relatado pelo Conselheiro José Fernandes do Nascimento, e 3802001.593, de 27/02/2013, relatado pelo Conselheiro Francisco José Barroso Rios, cujas ementas, com grifos meus, são as seguintes: Acórdão nº 3802001.290: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). DIREITO CREDITÓRIO NÃO COMPROVADO NA FASE RECURSAL. DECISÃO NÃO HOMOLOGATÓRIA MANTIDA. Fl. 54DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909593/201295 Acórdão n.º 3801002.744 S3TE01 Fl. 7 6 Na ausência da comprovação da certeza e liquidez do crédito utilizado no procedimento compensatório, deve ser mantida a decisão recorrida que não homologou a compensação declarada pelo mesmo motivo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. ENTREGA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. REDUÇÃO DO DÉBITO ORIGINAL. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DO ERRO. OBRIGATORIEDADE. Uma vez iniciado o processo de compensação, a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, entregue após a emissão e ciência do Despacho Decisório, somente será admitida, para fim de comprovação da origem do crédito compensado, se ficar provado nos autos, por meio de documentação idônea e suficiente, a origem do erro de apuração do débito retificado, o que não ocorreu nos presentes autos. NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. ANÁLISE DE NOVO ARGUMENTO DE DEFESA. MANUTENÇÃO DA NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO POR INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. ALTERAÇÃO DA MOTIVAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. INOCORRÊNCIA. Não é passível de nulidade, por mudança de motivação, a decisão de primeiro grau que rejeita novo argumento defesa suscitado na manifestação de inconformidade e mantém a não homologação da compensação declarada, por da ausência de comprovação do crédito utilizado, mesmo motivo apresentado no contestado Despacho Decisório. DILIGÊNCIA. REALIZAÇÃO PARA JUNTADA DE PROVA DOCUMENTAL EM PODER DO REQUERENTE. DESNECESSIDADE. Não se justifica a realização de diligência para juntada de prova documental em poder do próprio requerente que, sem a demonstração de qualquer impedimento, não foi carreada aos autos nas duas oportunidades em que exercitado o direito de defesa. Recurso Voluntário Negado.. Acórdão nº 3802001.593: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/09/2004 COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DECORRENTES DE RETIFICAÇÃO DE DCTF DEPOIS DE PROFERIDO DESPACHO DECISÓRIO NÃO HOMOLOGANDO PER/DECOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE ERRO Fl. 55DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909593/201295 Acórdão n.º 3801002.744 S3TE01 Fl. 8 7 DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO ORIGINAL. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Uma vez intimada da não homologação de seu pedido de compensação, a interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento.” A 2ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento tem o mesmo entendimento, conforme se vê no acórdão nº. 3402001.668, de 15/02/2012, cuja ementa é: “Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico – CIDE Data do fato gerador: 15/07/2005 NULIDADE POR FALTA DE FUNDAMENTO LEGAL. Em sendo verificado que tanto o ato de indeferimento da compensação quanto a decisão recorrida apresentam os fundamentos legais que sustentam a prolação do ato administrativo, não ocasionando cerceamento do direito de defesa do contribuinte, não há que se decretar a nulidade da decisão administrativa. Igualmente não incorre em nulidade a decisão que deixa de intimar o contribuinte a apresentar seus próprios documentos contábeis e fiscais para comprovar fato que sustenta seu direito ao indébito tributário. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. PROVA DA EXISTÊNCIA, SUFICIÊNCIA E LEGITIMIDADE DO CRÉDITO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Não se homologa a compensação pleiteada pelo contribuinte quando este deixa de produzir prova, através de meios idôneos e capazes, de que o pagamento legitimador do crédito utilizado na compensação tenha sido efetuado indevidamente ou em valor maior que o devido, não bastando a retificação da DCTF como prova do suposto indébito.” O direito de crédito deve ser provado e apenas créditos líquidos e certos podem ser compensados. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909593/201295 Acórdão n.º 3801002.744 S3TE01 Fl. 9 8 Isto vale tanto para compensação com débitos do contribuinte quanto para restituição de pagamento de tributo indevido ou maior que o devido. Não é possível restituir valor referente a pagamento de tributo indevido ou maior que devido se este valor não é líquido e certo. No presente caso, não há prova de que houve pagamento indevido, nem de que o direito de crédito alegado equivale à incidência da contribuição para o PIS/Pasep sobre valores de ICMS. Por isso, não é necessário discutir a questão de mérito sobre a incidência da contribuição social sobre valores pagos a título de ICMS. Conclusão Pelo exposto, tendo em vista não ter sido provado pagamento de tributo indevido ou maior que o devido, com fundamento nos artigos 165 do CTN e 333 do CPC, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose o despacho decisório que não reconheceu o direito de crédito e indeferiu o pedido de restituição. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator Fl. 57DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10882.002680/2008-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jun 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuição para Financiamento da Seguridade Social — COFINS
Período de apuração: 01/01/2003 a 30/11/2003
LANÇAMENTO. MULTA DE OFÍCIO.
Cabível a aplicação de multa de ofício na constituição de crédito tributário cuja exigibilidade não mais estiver suspensa nos termos do art. 151, IV e V do Código Tributário Nacional.
COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS FINANCEIRAS. EXCLUSÃO. COISA JULGADA.
Existindo coisa julgada em ação judicial sobre a matéria, a questão sobre a base de cálculo da COFINS deve seguir expressamente a decisão judicial, sendo impossível a rediscussão na via administrativa.
Numero da decisão: 3201-000.731
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: Contribuição para Financiamento da Seguridade Social — COFINS Período de apuração: 01/01/2003 a 30/11/2003 LANÇAMENTO. MULTA DE OFÍCIO. Cabível a aplicação de multa de ofício na constituição de crédito tributário cuja exigibilidade não mais estiver suspensa nos termos do art. 151, IV e V do Código Tributário Nacional. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS FINANCEIRAS. EXCLUSÃO. COISA JULGADA. Existindo coisa julgada em ação judicial sobre a matéria, a questão sobre a base de cálculo da COFINS deve seguir expressamente a decisão judicial, sendo impossível a rediscussão na via administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário. JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO Presidente. Error! Reference source not found. Relator. EDITADO EM: 26/06/2012 Fl. 141DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDE S ARMANDO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D'Amorim, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Daniel Mariz Gudino e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Esteve presente a Procuradora da Fazenda Nacional. Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância por entender que o mesmo resume bem os fatos dos autos até aquele momento processual: Tratase de impugnação a exigência fiscal relativa à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social — Cofins, formalizada no auto de infração de fls. 85/92. O feito referese a fatos geradores ocorridos entre janeiro e novembro de 2003 e constituiu crédito tributário no total de R$ 771.459,55, somados o principal, multa de ofício e juros de mora. No TERMO DE VERIFICAÇÃO de fls. 82/84, a autoridade autuante diz que o lançamento tem origem no confronto entre os valores de Cofins informados em DIPJ e os confessados como dívida em DCTF. Informa o auditor que, intimada a se manifestar sobre as divergências, a empresa alegou que estas equivalem à diferença de 1% sobre o valor do faturamento, em relação à qual obteve liminar em ação judicial que contestava as modificações na apuração da contribuição introduzidas pela Lei n° 9.718, de 1998. Depois de realizar pesquisa acerca do andamento da referida ação, conclui a auditoria que o Poder Judiciário manteve a submissão da empresa à majoração da alíquota da Cofins de 2% para 3%. Dessa forma, constituiu o crédito tributário correspondente, não recolhido e não confessado em DCTF. Notificada da exigência em 18/08/2008, em 16/09/2008 a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 98/107, alegando, em síntese: a) quando da ciência do auto de infração pela contribuinte, ocorrida em 18/08/2008, já havia transcorrido o prazo de cinco anos contados dos fatos geradores ocorridos entre janeiro e agosto de 2003, não podendo prevalecer a exigência com relação aos citados períodos, diante do transcurso do prazo decadencial, como disposto no §4°, art. 150 do Código Tributário Nacional; b) a não aplicação da alíquota de 3% no cálculo da Cofins se deu em razão de liminar e sentença obtidas no âmbito do Mandado de Segurança n° 1999.61.00.0036337, sendo inaplicável a multa no percentual de 75%; c) a aplicação da penalidade de 75% pressupõe a constatação de dolo do contribuinte, o que não ocorreu; Fl. 142DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDE S ARMANDO Processo nº 10882.002680/200837 Acórdão n.º 3201000.731 S3C2T1 Fl. 133 3 d) a multa de 75% é abusiva e tem caráter confiscatório o que viola a Constituição Federal; e) ao caso em debate aplicase a multa de 20% prevista no §2°, art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996 A decisão recorrida recebeu de seus julgadores a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2003 a 30/11/2003 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PRAZO DECADENCIAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Afastado, por inconstitucional, o prazo de dez anos para o lançamento das contribuições destinadas à Seguridade Social, a contagem do prazo decadencial regese pelo disposto no Código Tributário Nacional. Cancela se a parcela do crédito tributário lançada que já tenha sido extinta pelo transcurso do prazo decadencial. LANÇAMENTO. MULTA DE OFÍCIO. Cabível a aplicação de multa de ofício na constituição de crédito tributário cuja exigibilidade não mais estiver suspensa nos termos do art. 151, IV e V do Código Tributário Nacional. MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. CONFISCO. O percentual da multa de ofício aplicada decorre de lei, não tendo a autoridade administrativa competência para afastálo sob a alegação de confisco. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O contribuinte, restando inconformado com a decisão de primeira instância, apresentou recurso voluntário no qual ratifica e reforça os argumentos trazidos em sua peça de impugnação. Os autos foram enviados a este Conselho e fui designado como relator do presente recurso voluntário, na forma regimental, tendo requisitado a sua inclusão em pauta para julgamento. É o Relatório. Voto Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira Fl. 143DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDE S ARMANDO 4 Entendo que o recurso voluntário é tempestivo e atende aos requisitos legais, portanto, dele tomo conhecimento. O recurso voluntário discute a aplicação da multa de 75% na exigência do tributo não pago pelo contribuinte, alegando que o não recolhimento decorreu de decisão judicial, ocorre que a cobrança da multa foi feita somente depois de cassada a liminar e decorrido o prazo legal sem o recolhimento devido. Quanto às alegações de confisco e inconstitucionalidade, deve ser aplicada a Súmula nº 2 deste CARF, que é vinculante para este Colegiado, verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Quanto ao pedido de afastar a incidência da COFINS sobre receitas financeiras, entendo que o mesmo foi examinado pelo Poder Judiciário nos autos do Mandado de Segurança nº 1999.61.00.0036337, que determinou o ajuste da base de cálculo da COFINS aos precedentes daquela Corte Suprema, ou seja, limitando a incidência às receitas decorrentes diretamente vinculadas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. Portanto, VOTO por conhecer do recurso voluntário e darlhe provimento parcial para determinar que a exigência tributária seja limitada ao determinado pelo Poder Judiciário, na forma da coisa julgada em favor do contribuinte. MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA relator Fl. 144DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDE S ARMANDO
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Numero do processo: 13609.001967/2008-77
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004, 2005, 2006, 2007, 2008
SIMPLES. EXCLUSÃO -
Constatada a interposição de pessoa, admite-se a exclusão do sujeito passivo do regime de tributação do SIMPLES, nos termos do disposto no inciso IV do artigo 14 da Lei n° 9.317, de 1996, e do inciso IV do artigo 29 da Lei Complementar n° 123/2006, retroagindo seus efeitos à data de verificação do fato que ensejou a exclusão.
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO.
Incabível se verificada que o processo obedece a todos os requisitos previstos em lei e que não se apresentam nos autos nenhum dos motivos de nulidades apontados no art. 59 do Decreto n° 70.235/1972
PEDIDO DE DILIGÊNCIA.
Deve ser indeferido, quando for prescindível para o deslinde da questão a ser apreciada ou se o processo contiver todos os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador.
Numero da decisão: 1202-001.092
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas, em não conhecer do pedido de perícia e, no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Carlos Alberto Donassolo Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Nereida de Miranda Finamore Horta - Relatora.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues Lima, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno
Nome do relator: NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA
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EXCLUSÃO Constatada a interposição de pessoa, admitese a exclusão do sujeito passivo do regime de tributação do SIMPLES, nos termos do disposto no inciso IV do artigo 14 da Lei n° 9.317, de 1996, e do inciso IV do artigo 29 da Lei Complementar n° 123/2006, retroagindo seus efeitos à data de verificação do fato que ensejou a exclusão. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Incabível se verificada que o processo obedece a todos os requisitos previstos em lei e que não se apresentam nos autos nenhum dos motivos de nulidades apontados no art. 59 do Decreto n° 70.235/1972 PEDIDO DE DILIGÊNCIA. Deve ser indeferido, quando for prescindível para o deslinde da questão a ser apreciada ou se o processo contiver todos os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas, em não conhecer do pedido de perícia e, no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Carlos Alberto Donassolo – Presidente em Exercício (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 00 19 67 /2 00 8- 77 Fl. 1580DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRAN DA FINAMORE HORTA 2 Nereida de Miranda Finamore Horta Relatora. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues Lima, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno Relatório Tratamse os Autos de exclusão do Simples Federal e do Simples Nacional pelos motivos e nos termos a seguir descritos. Contra a contribuinte, foi formalizada Representação (fl. 01/28), que concluiu pela existência de irregularidades, consistentes na caracterização de “Grupo econômico de fato e irregular”, pela utilização de artifícios para omitir, impedir, mascarar ou dificultar a identificação de seus verdadeiros sócios, buscando entre outros fins se eximir ilegalmente do pagamento de tributos ou suprimir os meios legais de sua cobrança. A autoridade autuante constatou relação entre as seguintes empresas: Casamassima Indústria e Comércio Ltda. (CNP 86.390.234/000108) – “Casamassima” E.B.V Embalagens Boa Vista Ltda. (CNPJ 05.243.633/000144) – “EBV” Chapadão Indústria e Comércio Ltda. (CNPJ 05.790.117/000130) – “Chapadão” Serraria Lagos Ltda. (CNPJ 03.411.738/000130) = Recorrente. Após narrar o histórico da constituição da contribuinte, cujo objeto social seriam de atividades de serraria, aponta que a recorrente foi incorporada pela Casamassima, que apresentou a Impugnação e Recurso Voluntário. Ainda, na mesma data, houve a incorporação pela mesma empresa de E.B.V e da Chapadão. Disto, encontrou existência de várias empresas com regimes tributários diferentes, buscando a mesma atividade econômica, existência de sócios em comum, utilização dos mesmos empregados e cessões gratuitas ou a preços módicos de espaços físicos e equipamentos, causando confusão patrimonial e gestão empresarial atípica. Entende ainda que houve a constituição da contribuinte por interposta pessoa, pelos motivos a seguir descritos: o objetivo social da empresa é o mesmo desenvolvido pelas empresas indicadas; relação de parentesco entre os componentes dos quadros societário das empresas mencionadas, sendo irmãos, marido e mulher, sobrinhos; instalações fiscais e equipamentos – a Casamassima cedeu por comodato ou alugou, a preços módicos, os bens móveis e imóveis utilizados no processo produtivo das empresas citadas. Menciona que, em relação à E.B.V, a Casamassima alugou o local de Fl. 1581DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRAN DA FINAMORE HORTA Processo nº 13609.001967/200877 Acórdão n.º 1202001.092 S1C2T2 Fl. 3 3 funcionamento, por valor simbólico de R$ 150,00, em 16.08.2002 e houve renovações em períodos subseqüentes com manutenção do mesmo valor. Além disso, as instalações eram comum às suas, não sendo possível identificar onde começava uma empresa e terminava outra, citando outras hipóteses que ocorreram. expansão versus retração – indica que com a criação das empresas E.B.V, Chapadão e Serraria Lagos Ltda., houve a contratação de funcionários e a diminuição do quadro de funcionários da Casamassima, trazendo comparativo gráfico. faturamento versus quadro funcional – aponta que a Casamassima, tida como empresamãe, apresenta alto faturamento e reduzido quadro funcional, enquanto as outras citadas ficaram com a maioria dos funcionários e baixo faturamento, trazendo planilha com tais indicações e resultado de receita bruta de todas as empresas. departamentos fiscal, contábil e pessoal – diz que os serviços das empresas E.B.V, Chapadão e Serraria Lagos Ltda. eram realizados por funcionários da Casamassima, conforme verificação “in loco” realizada em 05.11.07. Ainda, aponta que os setores ou departamentos fundamentais das primeiras empresas, inclusive quanto ao local de funcionamento, ficavam sob o controle, comando e supervisão da segunda, indicando ser “prática comum em empresas que desmembrem suas atividades para se enquadrarem no Simples ou no Simples Nacional terem empregados formalmente registrados em determinada empresa e praticarem atos em outras ou em ambas”. da retirada de prólabore – aponta que o valor da retirada do prólabore dos sócios das empresas E.B. V, Chapadão e Serraria Lagos Ltda. era determinado por pessoal que formalmente representava apenas a Casamassima. Entende que este, entre outros pontos, corrobora o entendimento da utilização de interpostas pessoas para constituição das empresas mencionadas. dos preços de produtos, prazos de faturamento e formas de pagamento – aponta que os administradores da Casamassima determinavam os preços de produtos, prazos de faturamento e formas de pagamento, fato indicado por Circular expedida neste sentido e correspondências indicadas. destino de valores oriundos de vendas efetuadas pelas empresas E.B.V, Chapadão e Serraria Lagos Ltda.– indica que em correspondências a clientes que pagamentos devem ser feitos em contas dos administradores/ sócios da Casamassima. representação das empresas E.B.V, Chapadão e Serraria Lagos Ltda. perante terceiros – por meio de diligências realizadas junto a terceiros que mantinham negócios com mencionadas empresas, foi obtida informação de que negociavam com o Sr. Bruno Hebach L´Abbate, Sr. José Silveiro Munhoz e Francisco L´Abbate Neto, sócios da Casamassima á época das negociações investigadas. procurações públicas: diz que, para demonstrar a existência de grupo entre as empresas mencionadas, junta procurações públicas onde a Casamassima indica como sua procuradora a Sra. Isabella Marques Dias e a Serraria Lagos o Sr. Francisco L´Abbate Neto. informações bancárias: aponta que foram constituídos como procuradores da empresa E.B.V. e Serraria Lagos Ltda, os Srs. Bruno Hebach L´Abbate, Francisco L´Abbate Fl. 1582DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRAN DA FINAMORE HORTA 4 Neto e Mauricio Fernandino Magalhães, e, quanto a Chapadão, constavam como procuradores os dois primeiros. Salienta que estes eram sócios da Casamassima. Disto, cabe transcrever a conclusão final da Representação: Não restam dúvidas de que, apesar das empresas Serraria Lagos Ltda, E.B.V. Embalagens Boa Vista Ltda e Chapadão Indústria e Comércio Ltda terem sido constituídas formalmente em nome de determinadas pessoas — "LARANJAS", todas as atividades, sejam comerciais, gerenciais, bancárias, etc, eram exercidas por terceiras pessoas sem vinculo formal com a empresa em referência, sendo, estas últimas, as reais beneficiárias dos negócios efetuados. Assim, documentos oriundos da empresa Casamassima Indústria e Comércio Ltda, informações bancárias, declarações de Clientes e demais informações advindas de terceiros conforme documentos que acompanham a presente, comprovam que a representação e linha de comando interna das empresas Serraria Lagos Ltda , E.B.V. Ltda e Chapadão Ltda eram exercidas pelos sócios constantes dos contratos sociais da empresa Casamassima. Diante do exposto, como a empresa SERRARIA LAGOS LTDA, CNPJ 03.411.738/000130, infringiu o art. 14°, inciso VI, da Lei n° 9.317/1996 ao optar e permanecer no SIMPLES desde sua constituição, ou seja, 23 de setembro de 1999, vez que foi indubitavelmente constituída por interpostas pessoas que não a administraram, geriram e comandaram, o que foi feito pelos verdadeiros sócios e proprietários, os Srs Bruno Hebach L'abbate, CPF 520.483.81634, Francisco José L'abbate Neto, CPF 335.462.82604 e José Silvério Munhoz Costa, CPF 221.307.13653, proponho, fundamentado no art. 15, inciso V, parágrafo 3º, da Lei n° 9.317/1996 que a mesma seja excluída do SIMPLES com efeitos retroativos a 23 de setembro de 1999. No mesmo sentido, efetuamos REPRESENTAÇÃO propondo a exclusão do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES) das empresas Chapadão Indústria e Comércio Ltda, CNPJ 05.790.117/000130, Processo 13609.001968/2008 11, e E.B.V. Embalagens Boa Vista Ltda, CNPJ 05.243.633/000144, Processo 13.609.001969/200866, com base nos mesmos elementos de prova. Solicito que o Chefe da Seção de Fiscalização encaminhe a presente Representação Fiscal ao Sr. Delegado da Receita Federal do Brasil em SETE LAGOAS com proposta de exclusão do contribuinte do SIMPLES, com efeitos retroativos a 23 de setembro de 1999, nos termos do parágrafo 3°., inciso V, do art. 15 da Lei n° 9.317/96. Ante tal representação foram expedidos dois Atos, a saber: Ato Declaratório Executivo do Delegado da Receita Federal em Sete Lagoas — DRF/STL n° 040, de 19 de dezembro de 2008 (fl. 763), que determinou a exclusão da contribuinte do sistema do SIMPLES, previsto no art. 3° da Lei 9.317/96, por ter se Fl. 1583DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRAN DA FINAMORE HORTA Processo nº 13609.001967/200877 Acórdão n.º 1202001.092 S1C2T2 Fl. 4 5 constatado que sua constituição se deu por pessoas interpostas, nos termos do art. 23, IV da IN/SRF n° 608/2006, e do art. 14, IV da Lei 9.317/96, com efeitos retroativos a 23/09/1999. Termo de Exclusão do Simples Nacional do DRF/STL n° 001, de 19 de dezembro de 2008 (fls 762), que determinou a exclusão da contribuinte do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições, de que trata o art. 12 da Lei Complementar n° 123/2006, SIMPLES NACIONAL, também pela constituição da contribuinte ter ocorrido por meio de interpostas pessoas, nos termos do art 5°, IV, da Resolução CGSN n° 15, de 23/07/2007 e art. 29, IV da Lei Complementar n° 123/2006, com efeitos desde 01/07/2007. Inconformada, apresentou Impugnação, que aqui transcrevo do Acórdão recorrido, que, em essência, contém os mesmos argumentos que serão indicados na apresentação do Recurso Voluntário: “Preliminares Preliminarmente, requer a nulidade dos atos administrativos por flagrante inconstitucionalidade, diante da inovação legal posterior das normas que os embasaram e sua pretensa retroatividade. Alega que, ainda que legítimos os atos hostilizados, todos os requisitos indispensáveis à sua validade encontramse contemplados por vício de forma ou vício ideológico, que levam à nulidade dos mesmos. Sustenta que estes atos colidem com a moralidade administrativa e que já estariam prescritos. Mérito No mérito, nega a hipótese de constituição da empresa por interpostas pessoas, tendo sido a incorporada, Serraria Lagos Ltda, legitimamente constituída e gerenciada pelas pessoas que figuraram, a seu tempo, nos seus atos constitutivos. Defende não haver a mínima identidade de objetivos sociais entre E.B.V. Embalagens Boa Vista. Ltda, Casamassima Indústria e Comércio Ltda, Serraria Lagos Ltda e Chapadão Indústria e Comércio Ltda. Por outro lado, relação de parentesco não é motivo legal para se concluir pela constituição de empresa por interposta pessoa, tendo sido buscada e efetivada a formalização legal, sem quaisquer artifícios que pudessem omitir, impedir, ou mascarar a identificação de seus verdadeiros sócios. Argumentando que está intimamente ligada às respectivas atividades econômicas de cada um dos respectivos sócios, a impugnante informa a formação profissional dos familiares e sócios das empresas, acrescentando que cada empresário — pessoa da família — assumiu, por opção constitucional, legítima, legal, profissional, ostensiva e efetiva sua iniciativa econômica e uma função coerente com sua formação e sua capacidade. Fl. 1584DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRAN DA FINAMORE HORTA 6 Alega ser impertinente e ilegal qualquer ingerência ou juízo de valor do Estado quanto aos valores de comodato e aluguel, celebrados por livre disposição de quem detenha patrimônio para tal. Constituise, também, de sofisma, a fantasiosa comparação da Representação Fiscal de "expansão versus retração", que, em verdade, demonstra que as iniciativas dos sócios, a cada gestão respectivamente considerada propiciaram uma ampliação de oferta de empregos, sendo que aquelas com mais tecnologia, a exemplo da Casamassima, demandam menor quantidade de mão de obra, sendo o inverso rigorosamente verdadeiro. Os trabalhos dos departamentos fiscal, contábil e pessoal das empresas E.B.V. Embalagens Boa Vista Ltda, Serraria Lagos Ltda e Chapadão Indústria e Comércio Ltda nunca foram executados por empregados da Casamassima Indústria e Comércio Ltda, sendo que os sócios desta última passaram a comandar aquelas três empresas somente após incorporadas. Portanto, ao tempo do procedimento de verificação ocorrido "in loco" no dia 05/11/2007, as cotas de capital das empresas já haviam sido transferidas pelos então exsócios para Bruno Hebach L'abbate, Francisco José L'abbate Neto, e José Simão Munhoz Costa. Afirma que nunca houve determinação estranha ao quadro societário respectivamente considerado no tempo, sobretudo prólabore, sendo imprestáveis como prova os pseudo documentos de fls. 152 a 168, sem qualquer caracterização jurídica válida. Contraditoriamente às suposições relatadas, relativamente às informações das empresas suas clientes, o quadro das participações societárias de fls. 14/15 da representação fiscal, demonstra que Bruno Hebach L'abbate, Francisco José L'abbate Neto, e José Simão Munhoz Costa detiveram, no passado, participação societária nas empresas E.B.V. Embalagens Boa Vista Ltda, Serraria Lagos Ltda e Chapadão Indústria e Comércio Ltda. Impugna diligências e oitivas que não passaram pelo contraditório, pela ampla defesa, por terem valor relativo. Com estas alegações, ora resumidas, a empresa requer a procedência de sua impugnação, e, caso não acolhida, requer que seja reconhecida a contradição quanto à data dos efeitos das exclusões, devendo prevalecer tanto para o Ato Declaratório Executivo DRF/STL n° 040/2008 e o Termo de Exclusão do Simples Nacional DRF/STL n° 001/2008, a data de 01/07/2008.” Julgando o feito no Acórdão n. 0223.262, a 4ª Turma da DRJ/BHE, julgou a Impugnação improcedente. Analisando as preliminares, indica que a empresa foi constituída em 13.09.99 e com registro do contrato social na JUCEMG em 23.09.99. O Ato Declaratório Executivo DRF/STL nº 04, de 19.12.08, foi fundamentado no artigo 14 da Lei n. 9317/96, portanto, anterior à sua constituição. Fl. 1585DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRAN DA FINAMORE HORTA Processo nº 13609.001967/200877 Acórdão n.º 1202001.092 S1C2T2 Fl. 5 7 Diz que o Termo de Exclusão do Simples Nacional DRF/STL n. 001, de 19.12.08, teve como base a Lei Complementar n. 123 de 14.12.06, que instituiu o Simples Nacional, indicando que, nos termos de seu art. 16, a opção pelo sistema será efetuada na forma estabelecida em ato do Comitê Gestor, sendo irretratável para todo o ano calendário. Disto, entende que os diplomas legais citados estão adequados temporalmente, não havendo infração constitucional em relação aos mesmos. Passa a analisar os vícios argüidos (de competência, objeto, forma, finalidade, motivação), indicando que não procede a pretensão, já que a autoridade fiscal apenas aplicou a lei em vigor na época dos fatos, destacando que os argumentos trazidos quanto às supostas inconstitucionalidades não podem ser considerados, eis que a autoridade administrativa não possui competência para apreciar a inconstitucionalidade e/ou a invalidade de norma legitimamente inserida no ordenamento jurídico nacional, como as apontadas pela contribuinte. Indica que os atos de exclusão foram proferidos pela autoridade competente com a regular cientificação da pessoa jurídica, e na fase litigiosa, regida pelo Decreto nº 70.235/72, foram observadas as normas e princípios processuais do contraditório, ampla defesa e devido processo legal, com respeito à forma instrumental e oferecida a oportunidade de apresentar Impugnação, dentro do prazo legal, com todos os meios de prova. Diz que o enfrentamento das questões na manifestação indica perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e a indicação dos enquadramentos legais correspondentes aos ilícitos tributários afastam a indicação de nulidade do ato discutido, conforme artigo 59 do Decreto n. 70.235/72 e artigo 7º da Portaria MF nº 258/2001. Analisando o mérito, transcrevo as considerações contidas no Acórdão sobre o procedimento fiscal: “ o objetivo social da impugnante é o mesmo desempenhado pela Casamassima Indústria e Comércio Ltda., Chapadão Indústria e Comércio Ltda. e E. B. V. Embalagens Boa Vista Ltda. e/ou estritamente necessário às atividades produtivas e comerciais desenvolvidas pelas mesmas, conforme pode ser observado pelos Contratos e Alterações Contratuais anexados às fls. 29/105 e conforme a Carta Circular n° 0004 da Casamassima Indústria e Comércio Ltda, de 19 de agosto de 2003, fls. 164, onde são combinados preços de produtos para serem praticados entre as empresas envolvidas, Chapadão, EBV e Lagos Serraria; a Casamassima cedeu gratuitamente a título de comodato e/ou alugou a preços módicos bens móveis e imóveis utilizados no processo produtivo das empresas, E. B. V. Embalagens Boa Vista Ltda, Chapadão Indústria e Comércio Ltda e Serraria Lagos Ltda. No caso específico desta última, foi anexado às fls. 111/112, o Contrato de Comodato entre a Casamassima e a Serra Lagos; a fiscalização efetuou levantamento, baseado nos documentos de fls. 129/151, Demonstração do Resultado Apurado de cada uma das empresas em questão, demonstrando na Letra E da Representação Fiscal, fls. 20, que a empresa inicial Casamassima apresenta alto faturamento e reduzido quadro Fl. 1586DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRAN DA FINAMORE HORTA 8 funcional, enquanto que as empresas posteriormente criadas ficaram com a maioria dos empregados e baixo faturamento; foi identificado que a localização, funcionamento e envio e recepção de documentos das empresas Serraria Lagos Ltda, E. B. V. Embalagens Boa Vista Ltda e Chapadão Indústria e Comércio Ltda estavam sob o comando e a supervisão da Casamassima, conforme pode ser verificado pelos documentos de fls. 152/161; verificase pelos documentos de fls. 162/163 a ação direta e determinante do Sr. Francisco José L'abbate Neto, sócio da Casamassima, definindo valores de prólabore dos supostos sócios das outras três empresas, agindo assim como verdadeiro gestor das mesmas; pelo documento de fls. 164, Circular n° 0004/2003, de 19/08/2003, já citado anteriormente, a Casamassima definia, para certos produtos, os preços a serem faturados em relações comerciais entre ela e as outras três empresas. Ressaltese que a Casamassima só incorporou as outras três empresas em dezembro de 2007; às fls. 165, consta correspondência da Serraria Lagos para a empresa Cerâmica São Sebastião Ltda, de 10/04/2003, assinada pelo Sr. Francisco José L'abbate Neto, comunicando a forma de faturamento e preço de produto. Ressaltese novamente, que a citada pessoa física só se tornou sócia oficialmente da Serra Lagos em dezembro de 2007; diligências foram realizadas nas empresas Fuchs Agro Brasil Ltda, CNPJ 66.203.050/000184; Precon Industrial S/A, CNPJ n° 23.452.238/000153; Cerâmica Coração de Jesus, CNPJ n° 22.148.803/000120, Cerâmica Cruzado, CNPJ n° 22.176.390/000198; e Cerâmica Marbeth, CNPJ n° 23.454.853/000107, a fim de se verificar quais eram as pessoas responsáveis pela representação das empresas Serraria Lagos Ltda, E. B. V. Embalagens Boa Vista Ltda e Chapadão Indústria e Comércio Ltda. As respostas foram anexadas às fls. 171/179. Nestes documentos as diligenciadas afirmaram que os negócios eram tratados com os Srs. José Silvério Munhoz (Zezão), Francisco J. L'abbate Neto e Bruno Hebach L'abbate, que, à época, não constavam dos contratos sociais daquelas empresas, mas eram cotistas da Casamassima. às fls. 196 a 208 constam cópias de documentos que demonstram que foram dados amplos poderes ao Sr. Francisco José L'abbate Bruno Hebach L'abbate para representar a empresa Serraria Lagos Ltda perante o Banco do Brasil S/A, podendo isoladamente fazerem qualquer operação em nome da outorgante;” Indica, assim, que o conjunto das provas e indicações da Representação Fiscal e do processo, são elementos de prova para caracterizar a situação que ensejou a edição dos atos de exclusão do SIMPLES e SIMPLES NACIONAL, no caso, a constituição de pessoas jurídicas por interpostas pessoas que não os sócios ou acionistas. Indica que cada fato ou aspecto mencionado constitui indício, ou seja, fatos conhecidos e verificados que podem Fl. 1587DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRAN DA FINAMORE HORTA Processo nº 13609.001967/200877 Acórdão n.º 1202001.092 S1C2T2 Fl. 6 9 não ter força de comprovação dos fatos alegados, mas que, considerados em conjunto, fazem prova do ilícito, ao apontar à mesma direção. Em relação à argumentação da contribuinte de que eventuais procurações particulares e específicas entre familiares íntimos, com confiança, dirigidas às instituições bancárias não se confundem com poder de gestão ou transmissão de titularidade de empresas, indicando ainda que os cheques apontados foram assinados pelo sócio legítimo e disponibilizada sua cópia ao fisco, com todos os documentos comerciais, diz que devese lembrar que os Srs. Francisco José L´abbate Neto e Bruno Hebach L´abbate só se tornaram sócios da empresa em 04.12.2007. Quanto à aludida outorga de poderes, não há objeção legal, mas a comprovação material pode ser feita por meios diversos da prova direta, como o conjunto de indícios apontado nos autos. Em relação ao pedido de provas e perícias, indica que o artigo 18 do Decreto nº 70.235/1972 PAF, que justifica, nos casos em que se mostre necessário ao deslinde do litígio, a realização de perícias, que pressupõe a necessidade de conhecimento técnico especializado, fora do conhecimento do julgador para análise do fato a ser provado, ou hipótese de que a prova não possa ser produzida por uma das partes, o que não ocorre no caso, pelo que indefere o pedido. Para o pleito da Impugnante de que os efeitos da exclusão sejam reconhecidos a partir de 1º.07.2007, indica que a exclusão e seus efeitos são regulados pela Lei nº 9317/96, apontando que, no ADE DRF/STL nº 040/2008, há expressa menção ao artigo 15, V deste dispositivo. No caso, com a constatação pela autoridade fiscal da existência de interposta pessoa, incluiuse a contribuinte na hipótese do artigo 14, IV da mencionada lei, indeferindo o pedido. Assim, julga improcedente a Impugnação, mantendo o Ato Declaratório Executivo DRF/STL nº 040/2008 e o Termo de Exclusão do Simples Nacional DRF/STL nº 001/2008. A contribuinte foi intimada por carta, em 24 de agosto de 2009, apresentando Recurso Voluntário em 22 de setembro de 2009, não se conformando com a decisão e trazendo alegações. Indica inicialmente que os atos administrativos objeto do processo são ilegais, pela ausência de justa causa, pelo que pede a invalidação destes. Aponta que a exclusão do Simples/Simples Nacional é ilegal, sendo falsa a alegação da utilização de interposta pessoa, o que desautoriza a exclusão do sujeito passivo do regime, não cabendo a aplicação do artigo 14, IV da Lei n. 9317/96 ao caso, nem a exclusão do Simples Nacional, também inaplicável o art. 29, IV da Lei Complementar n. 123/2006. Destaca também a impossibilidade de aplicação dos efeitos retroativos da exclusão à data da suposta verificação do incidente. Invoca a ocorrência de nulidade, pela não obediência ao art. 59 do Decreto n. 70.235/72. Pede ainda pelo deferimento de diligência, indicando que este deve ser deferido na hipótese de imprescindibilidade para o deslinde da questão discutida. Entende, Fl. 1588DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRAN DA FINAMORE HORTA 10 neste ponto, que o processo não possui os elementos necessários para a formação da livre e legal convicção do legislador, o que evidencia o cerceamento de defesa, violação do contraditório e ofensa ao devido processo legal administrativo, nos termos do art. 5º, LIV e LV da Constituição Federal. No tema da ilegalidade do Ato Declaratório Executivo DRF/STL n. 040/2008 e o Termo de Exclusão do Simples Nacional DRF/STL nº001/2008, indica a existência de flagrante inconstitucionalidade, por inovação legal posterior e pretensa retroatividade, citando o artigo 23, IV da IN/SRF n.° 608/2006 e do inciso IV, do artigo 14, da Lei nº 9.317, de 05/12/1996; e, inciso IV, do artigo 5º, da Resolução CGSN n.° 15, de 23.07.2007 e, do inciso IV, do artigo 29, da Lei Complementar n.° 123, de 14.12.2006, com o que haveria ofensa ao princípio fundamental da segurança (artigo 5º, caput) e da estabilidade das relações entre o indivíduo e o Estado (artigo 5º XXXVI), pela constituição da empresa se dar anteriormente à vigência que fundamentou os atos. Aponta o art. 150, III, “a” e “b”, da CF, trazendo jurisprudência neste sentido. Por outro lado, aponta a falta de observância dos requisitos vinculativos legais indispensáveis à validade do Ato Administrativo, trazendo doutrina de Hely Lopes Meirelles, pelo que entende que os atos guerreados contém vício de forma e vício ideológico. Neste ponto, destaca: “Partindose do pressuposto de legitimidade, dos atos hostilizados, todos os requisitos indispensáveis à sua validade se encontram viciados, destacado o fato de que os dispositivos legais com base nos quais foram fundamentados(respectivamente, inciso IV, do art. 23, da IN/SRF n.° 608/2006 e do inciso IV, do art. 14, da Lei 9.317, de 05/12/1996; e, inciso IV, do art. S.°, d resolução CGSN n.° 15, de 23.07.2007 e, do inciso IV, do art. 29, da Lei Complementar n.° 123, de 14.12.2006) impõe conduta vinculada da administração pública, não se tratando de faculdade legal ou seja de discricionariedade, inexistindo sentido lógico, jurídico e prático para tais atos.” Indica a existência de vício de competência, e nos termos da doutrina de Hely Lopes Meireles, indica que não houve a caracterização da competência legal da autoridade que subscreveu os atos, pelo que necessário o reconhecimento do vício. Aponta a ocorrência de vício de objeto, por ser ilegal o objeto dos atos por não possuírem respaldo na legislação aplicável ao tempo. Quanto ao vício de forma, diz que não há causa comprovada ou motivação legal, não cabendo no caso os fundamentos da Representação Fiscal n. 13.609.001967/2008 77. Diz haver vício de motivação, pois os atos discutidos não revelam o fundamento fático, sendo aleatórios e sem especificação. Indica que a necessidade de motivação contida no art. 93, IX da CF, cuja inobservância gera nulidade também deve ser respeitada pela administração pública, que possui vinculação á motivação cabal e suficiente para a garantia da legalidade dos seus atos, o que não se observou no caso, em claro prejuízo à ampla defesa, ao contraditório e do devido processo legal, conforme artigo 5º, LIV e LV da CF. Traz doutrina de Hely Lopes Meireles sobre o tema. Fl. 1589DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRAN DA FINAMORE HORTA Processo nº 13609.001967/200877 Acórdão n.º 1202001.092 S1C2T2 Fl. 7 11 Indica ainda a existência de ofensa à moralidade administrativa, pelo ato combatido ser decorrente de “terrorismo fiscal” e em ofensa ao art. 37 da CF. Pugna pela ocorrência da prescrição, dado que a fundamentação do Auto de Infração é a interposição de pessoas, assim, deverseia considerar desde sua constituição. Como essa (constituição), ocorreu em 13.09.99 e o registro na JUCEMG ter sido feito em 23.09.99, deuse a prescrição, não cabendo, assim, a hipótese do artigo 14, IV da Lei nº. 9317/96. No mérito, aponta que inexiste a hipótese de constituição da empresa por interpostas pessoas. Indica que a Serraria Lagos Ltda. nº CNPJ 03.411.738/000130, foi constituída e gerenciada pelas pessoas que figuraram ao seu tempo nos atos constitutivos, sendo que algumas destas eram de uma mesma família. Diz que, não obstante as conjecturas lançadas na representação fiscal, nada foi indicado que pudesse incriminar quem quer que fosse. Indica que, antes da legítima e legal incorporação desta empresa pela Casamassima Indústria e Comércio Ltda. (CNPJ n. 86.390.234/000108) era optante do Simples Nacional, não cabendo pela alienação das cotas de capital e da incorporação, uma confusão de regimes tributários. Após a incorporação, o regime consolidado passou a ser o praticado pela incorporadora, no caso, o Lucro Presumido/Real. Retornando às alegações de constituição da contribuinte por interposta pessoa, aponta que não há identidade de objetos sociais entre a E.B.V., Casamassima, Serraria Lagos Ltda. e Chapadão. Ainda, que a relação de parentesco existente não é motivo legal para a conclusão de constituição de empresa por interposta pessoa, mas que, pelo contrário, a contribuinte sempre buscou e efetivou a formalização legal, regular e ostensiva de instrumentos de fortalecimento da ação econômica em prestígio aos Princípios Constitucionais da Ordem Econômica, sem artifícios que indicassem omissão, impedimento, mascarassem ou dificultassem a identificação dos verdadeiros sócios e controladores ou eximissem quem quer que seja do pagamento de tributos. Entende que, contrariamente ao exposto nos atos combatidos, que “as relações familiares reforçam a segurança daqueles que se relacionam com seus membros, tendo, tais relações, inclusive, trato Constitucional e legal, dada a sua importância, a reforçar a contraditoriedade da ação fiscal que, arbitrariamente, nega os mais importantes axiomas da sociedade que é a FAMÍLIA, sendo intolerável e de se censurar, da forma mais veemente e. enfática quem entende que as pessoas de uma mesma família, todas probas e sem qualquer mácula, sejam "LARANJAS".” Cita, neste sentido, o art. 226 da CF e os artigos 1543, 1565, 1566 e 1567, todos do Código Civil. Aponta ainda que a formação profissional dos sócios tem íntima relação com a atividade econômica exercida, citando que: “ Francisco José L'Abbate Neto; sua mulher, Maria Fátima de Melo Cassino L'Abbate(casados pelo regime de comunhão de benscertidão anexa); e, seu irmão, Bruno Hebach L'Abbate, são engenheiros especializados em indústria(doc. anexos). Isabella Marques Dias, mulher de Bruno Habach L'Abbate (casados pelo regime da comunhão parcial de benscertidão Fl. 1590DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRAN DA FINAMORE HORTA 12 anexa) é advogada especialista em advocacia de empresa(doc. anexo). Ana Maria Cassini L'Abbate, filha de Francisco José L'Abbate Neto e de Maria Fátima de Melo Cassini L'Abbate; e, sobrinha de Bruno Hebach L'Abbate, é estudante de engenharia industrial(doc. anexo). José Silvério Munhoz Costa e sua mulher, Thais Magda Magalhães Munhoz (casados pelo regime da comunhão parcial de benscertidão anexa) são, respectivamente, especialistas em manejo de florestas, em reflorestamento e em madeira exótica.” Disto, entende que cada um dos citados empresários pessoa da família assumiu, por opção constitucional, legítima, legal, profissional, ostensiva e efetiva, sua iniciativa econômica e uma função coerente com sua formação e sua especialidade e em movimento contrário ao do mundo atual, estes optaram por uma postura de empreendedores, fazendo investimentos, desenvolvendo negócios e tecnologia, gerando empregos renda e riqueza, motor do regime capitalista e sustento do Estado, Estado este que busca por sofismas negar os axiomas da família e da empresa. Aponta que o comodato é relação jurídica legítima e legal, de livre estipulação, sendo impertinente e ilegal ingerência do Estado no tema, especialmente se considerada sua prática no âmbito familiar. O mesmo ocorre para com a fixação do preço de locação privada e da existência ou não de garantidor do contrato de locação, que não indica vício do mesmo. Indica também ser sofisma a comparação contida na Representação fiscal de “expansão versus retração”, o que na verdade indica que as iniciativas dos sócios a cada gestão respectivamente considerada trouxeram uma ampliação de ofertas de empregos, eis que empresas com mais tecnologia como a Casamassima demandam menor quantidade de mão de obra. Aponta que os trabalhos dos departamentos fiscal, contábil e pessoal das empresas E.B.V embalagens Boa Vista Ltda., Serraria Lagos Ltda. e Chapadão Indústria e Comércio Ltda. nunca foram executados por funcionários da Casamassima Indústria e Comércio Ltda., e que, a partir do momento de que os sócios desta adquiriram em outubro de 2007 a integralidade proporcional das quotas de capital daquelas, a consequência foi que a partir de 01.01.2008, os gestores (José Francisco L´Abbate Neto, Bruno Hebach L´Abbate e José Silverio Munhoz Costa) passaram a administrar todas nos moldes da Cassamassima. Indica que assim, ao tempo do procedimento de verificação, ocorrido em 05.11.2007, as cotas de capital da E.B.V embalagens Boa Vista Ltda., Serraria Lagos Ltda. e Chapadão Indústria e Comércio Ltda. já haviam sido transferidas pelos respectivos exsócios para José Francisco L´Abbate Neto, Bruno Hebach L´Abbate e José Silverio Munhoz Costa, indicando que nunca houve determinação estranha ao quadro societário, especialmente em relação a prólabore. Aponta que são imprestáveis como prova os documentos rasurados e sem comprovação de remessa e recebimento, contidos nas fls. 152 a 168 do processo. Afasta as informações trazidas pelas empresas Fuchs Agro Brasil Ltda.; Precon Industrial S.A.; Cerâmica Coração de Jesus; Cerâmica Cruzado e Cerâmica Marbeth Ltda., pois o quadro das participações societárias contidas em fl. 14/15 apontam que José Francisco L´Abbate Neto, Bruno Hebach L´Abbate e José Silverio Munhoz Costa tiveram Fl. 1591DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRAN DA FINAMORE HORTA Processo nº 13609.001967/200877 Acórdão n.º 1202001.092 S1C2T2 Fl. 8 13 participação nas empresas incorporadas e que adquiriram, com vistas a posterior incorporação, a integralidade das cotas de capital destas empresas e mantiveram contato com os clientes destas. Indica que as diligências e oitivas praticadas não se submeteram ao contraditório e assim, possuem valor relativo, o que reforça o pedido de perícia. Afirma que nunca existiram procurações públicas, fato comprovado pelas certidões cartoriais negativas exibidas à fiscalização, não havendo transmissão de gerência, que não se limita à assinatura de cheques, embora em decorrência da relação familiar já apontada, foram outorgados instrumentos particulares e específicos, com poderes limitados “ad hoc”, o que não se confunde com poder de gestão, ocorrendo da mesma forma em relação à procurações particulares e específicas dirigidas à instituições bancárias. Indica que tais documentos foram apresentados ao fisco, sendo absoluta e injustificadamente desprezados por este, o que reforça o pedido de produção de prova pericial. Assim, temse a impertinência e ilegalidade formal e material dos atos de exclusão, pedindo por sua invalidação. Pede pela produção de todos os meios de prova admitidos, especialmente por perícia contábil. Em atenção ao princípio da eventualidade, requer o reconhecimento da contradição quanto à data dos efeitos das exclusões, eis que o Ato Declaratório Executivo DRF/STL n. 040/2008 prevê efeitos desde 23.09.99 e o Termo de Exclusão do Simples Nacional SRF/STL n. 001/2008, prevê efeitos desde 01.07.07, pelo que devem prevalecer para ambos os atos esta última data. É o relatório Voto Conselheira Nereida de Miranda Finamore Horta O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos quesitos de admissibilidade, portanto, dele tomamos conhecimento. Preliminares Dos atos administrativos de exclusão das sistemáticas do Simples e do Simples Nacional e a inconstitucionalidade das normas aplicadas A recorrente alega nulidade dos atos administrativos por inovar aplicando retroativamente as normas, bem como a inconstitucionalidade das normas aplicadas. A decisão da turma julgadora está correta, uma vez que a indicação do artigo 23 da Instrução Normativa n° 608/2006 citado no ato é transcrição do artigo 14 da Lei nº 9317/1996, o qual foi usado como fundamentação do Auto de Infração e cuja publicação se deu Fl. 1592DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRAN DA FINAMORE HORTA 14 antes da constituição da empresa em 1999, em 5 de dezembro de 1996. Assim, não há o que se falar em aplicação retroativa da norma ou norma sem fundamento legal, há lei sim suportando a norma, cuja interpretação ou mesmo orientação se deu em 2006 com a edição da Instrução Normativa. Ainda, o Termo de Exclusão do Simples Nacional DRF/STL nº 001, de 19.12.08, teve como base a Lei Complementar nº123/06, a qual determina, em seu artigo 16, que a opção pelo sistema será efetuada na forma estabelecida em ato do Comitê Gestor, sendo irretratável para todo o anocalendário, ou seja, o determinado pelo Comitê Gestor deve ser observado. Logo, os normativos e diplomas legais retromencionados estão adequados, não havendo qualquer irregularidade em relação a eles, o que fundamenta a rejeição dessa preliminar. Em relação à suposta inconstitucionalidade, esse colegiado não possui competência para apreciar a inconstitucionalidade e/ou a invalidade de norma legitimamente inserida no ordenamento jurídico nacional, consoante Súmula nº 2 do CARF. Assim sendo, também rejeitase essa preliminar. Vícios apontados Para o vício de competência, alega que não há nos atos hostilizados a necessária caracterização da competência legal da autoridade subscritora, o que não procede uma vez que está definido nos artigos 90 ao 16 da Lei nº 9.317/96, e artigos 28 a 39 da Lei Complementar n° 123/2006, constantes dos Atos de exclusão. Aqui também está garantido o Princípio do Contraditório. Em relação ao alegado vício de objeto, que os atos hostilizados são ilegais por não ter base legal. Também aqui não é possível acolher, pois, como já dito, os diplomas legais citados nos atos impugnados estão perfeitamente adequados temporalmente. Quanto ao vício de forma, foi alegado por entender que não tem causa comprovada e por não ter motivação legal, o que será mais detalhado no julgamento do mérito, pois envolve provas e aplicação de lei. Mas, também não cabe ao caso em comento. Quando ao vício de finalidade, por ser "terrorismo fiscal", sem causa, sem motivo e sem fundamentação vinculados, o que também não deve ser acolhido uma vez que os atos estão fundamentados em legislação própria e obedeceram aos ritos do PAF Processo Administrativo Tributário. Em relação ao vício de motivação, onde alega que não tem fundamento fático, sendo totalmente aleatórios e sem qualquer especificação, também não lhe cabe razão, a autoridade fiscal considerou que a empresa foi constituída por interpostas pessoas, de acordo com a documentação que anexou ao processo, enquadrando a infração nos dispositivos da legislação de regência. Ainda, alega a prescrição, tendo em vista que a hipótese legal de suposta constituição da pessoa jurídica por interpostas pessoas que não sejam os verdadeiros sócios ou acionistas, pois a constituição da empresa se deu por Contrato Social de 13 de setembro de 1999, registrado na JUCEMG em 23 de setembro de 1999, sob o nº 31205783401, fl. 29. Também não procede a alegação, pois foi aplicada a lei em vigor na época dos fatos, como já tratado anteriormente. Fl. 1593DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRAN DA FINAMORE HORTA Processo nº 13609.001967/200877 Acórdão n.º 1202001.092 S1C2T2 Fl. 9 15 Nulidades face à autoridade competente, objeto, forma, finalidade e motivação Como bem frisou a turma julgadora, os atos de exclusão do SIMPLES foram proferidos pela autoridade competente com a regular cientificação da pessoa jurídica, a qual, em sede de Impugnação e Recurso Voluntário, demonstrou total entendimento e esclarecimentos sobre os fatos verificados e lançados, foi executado/feito, portanto, nos termos regido pelo Decreto nº 70.235/72, logo, estão sendo atendidas as normas e princípios processuais do contraditório, ampla defesa e devido processo legal. A recorrente entendeu todas as acusações tanto que aqui trata de todas elas, portanto, não há contrariedade ao disposto nos artigos 10 do Decreto nº 70.235/1972 e 142 do CTN. Além do que, também não temos presentes nenhum dos quesitos de nulidade de que trata o artigo 59 do Decreto nº 70.235/72 e artigo 7º da Portaria MF nº 258/2001. Rejeitandose, portanto, essas alegações em sede de preliminares. Pedido de Perícia Em relação ao pedido de provas e perícias, temos que o artigo 18 do Decreto nº 70235/1972 somente é justificável nos casos em que se mostre necessário ao deslinde do litígio e que a realização de perícias pressupõe a necessidade de conhecimento técnico especializado, fora do conhecimento do julgador para análise do fato a ser provado, ou hipótese de que a prova não possa ser produzida por uma das partes. No caso presente, a produção de provas cabe à Recorrente, não há necessidade de trazer terceiros para atuar ou explicar os fatos, portanto, o pedido é indeferido. Assim sendo, rejeitamse as preliminares trazidas e não se conhece do pedido de perícia por inaplicabilidade. Mérito Analisando os fatos aqui trazidos pela autoridade fiscal, vemos que: a recorrente tem o mesmo objetivo social das demais empresas aqui levantadas, isto é, Casamassima Indústria e Comércio Ltda., Chapadão Indústria e Comércio Ltda. e E. B. V. Embalagens Boa Vista Ltda, conforme pode ser observado pelos Contratos e Alterações Contratuais anexados às fls. 29/105 e conforme a Carta Circular n° 0004 da Casamassima Indústria e Comércio Ltda, de 19 de agosto de 2003, fls. 164, onde são combinados preços de produtos para serem praticados entre as empresas envolvidas, Chapadão, EBV e Lagos Serraria. a empresa Casamassima cedeu gratuitamente a título de comodato e/ou alugou a preços módicos bens móveis e imóveis utilizados no processo produtivo das empresas, E. B. V. Embalagens Boa Vista Ltda, Chapadão Indústria e Comércio Ltda e Serraria Lagos Ltda, às fls. 111/112, temos o Contrato de Comodato entre a Casamassima e a Serra Lagos; Com base nas demonstrações financeiras apurado por cada uma das empresas, às fls. 129/151, a empresa Casamassima apresenta alto faturamento e reduzido quadro funcional, Fl. 1594DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRAN DA FINAMORE HORTA 16 enquanto que as empresas posteriormente criadas ficaram com a maioria dos empregados e baixo faturamento; a localização, funcionamento e envio e recepção de documentos das empresas Serraria Lagos Ltda, E. B. V. Embalagens Boa Vista Ltda e Chapadão Indústria e Comércio Ltda estavam sob o comando e a supervisão da Casamassima, conforme pode ser verificado pelos documentos de fls. 152/161; às fls 162/163, há a ação direta e determinante do Sr. Francisco José L'abbate Neto, sócio da Casamassima, definindo valores de prólabore dos supostos sócios das outras três empresas, agindo assim como verdadeiro gestor das mesmas; às fls. 164, na Circular n° 0004/2003, de 19/08/2003, já citado anteriormente, a Casamassima definia, para certos produtos, os preços a serem faturados em relações comerciais entre ela e as outras três empresas. Ressaltese que a Casamassima só incorporou as outras três empresas em dezembro de 2007; às fls. 165, consta correspondência da Serraria Lagos para a empresa Cerâmica São Sebastião Ltda, de 10/04/2003, assinada pelo Sr. Francisco José L'abbate Neto, comunicando a forma de faturamento e preço de produto, o qual só se tornou sócio oficialmente da Serraria Lagos em dezembro de 2007; diligências foram realizadas nas empresas Fuchs Agro Brasil Ltda, CNPJ 66.203.050/000184; Precon Industrial S/A, CNPJ n° 23.452.238/000153; Cerâmica Coração de Jesus, CNPJ n° 22.148.803/000120, Cerâmica Cruzado, CNPJ n° 22.176.390/000198; e Cerâmica Marbeth, CNPJ n° 23.454.853/000107, a fim de se verificar quais eram as pessoas responsáveis pela representação das empresas Serraria Lagos Ltda, E. B. V. Embalagens Boa Vista Ltda e Chapadão Indústria e Comércio Ltda. As respostas foram anexadas às fls. 171/179. Nestes documentos as diligenciadas afirmaram que os negócios eram tratados com os Srs. José Silvério Munhoz (Zezão), Francisco J. L'abbate Neto e Bruno Hebach L'abbate, que, à época, não constavam dos contratos sociais daquelas empresas, mas eram cotistas da Casamassima. às fls. 196 a 208, constam cópias de documentos que demonstram que foram dados amplos poderes ao Sr. Francisco José L'abbate e Bruno Hebach L'abbate para representar a empresa Serraria Lagos Ltda perante o Banco do Brasil S/A, podendo isoladamente fazerem qualquer operação em nome da outorgante. Diante desses fatos, a fiscalização entendeu que, apesar das empresas Chapadão Indústria e Comércio Ltda, Serraria Lagos Ltda e E.B.V. Embalagens Boa Vista Ltda terem sido constituídas formalmente em nome de determinadas e distintas pessoas, todas as atividades, sejam comerciais, gerenciais, bancárias, etc, eram exercidas por terceiras pessoas sem vínculo formal com as empresas em referência, sendo, estas pessoas as reais beneficiárias dos negócios efetuados, quem são os Srs. Bruno Hebach L'abbate, CPF 520.483.81634, Francisco José L'abbate Neto, CPF 335.462.82604 e José Simão Munhoz Costa, CPF 221.307.13653, todos sócios de outra pessoa jurídica, a Casamassima Indústria e Comércio Ltda. Fl. 1595DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRAN DA FINAMORE HORTA Processo nº 13609.001967/200877 Acórdão n.º 1202001.092 S1C2T2 Fl. 10 17 Assim, temos que a empresa SERRARIA LAGOS, ao optar e permanecer no SIMPLES desde sua constituição infringiu a legislação que rege a matéria, vez que foi indubitavelmente constituída por interpostas pessoas como comprovado pela autoridade autuante. O conjunto de provas identificados pela autoridade lançadora indica essa comprovação de interposta pessoas, indicação também da Representação Fiscal e são elementos de prova para caracterizar a situação que ensejou a edição dos atos de exclusão do SIMPLES e SIMPLES NACIONAL, no caso, a constituição de pessoas jurídicas por interpostas pessoas que não os sócios ou acionistas. Indica que cada fato ou aspecto mencionado constitui indício, ou seja, fatos conhecidos e verificados que podem não ter força de comprovação dos fatos alegados se considerados isoladamente, mas quando considerados em conjunto, fazem prova do ilícito, ao apontar a mesma direção de que há receitas auferidas e não apresentadas às autoridades fiscais. A contribuinte argumenta que eventuais procurações particulares e específicas entre familiares, dirigidas às instituições bancárias não se confundem com poder de gestão ou transmissão de titularidade de empresas, citando ainda que os cheques apontados foram assinados pelo sócio legítimo e disponibilizada sua cópia ao fisco, com todos os documentos comerciais. Diz ainda que os Srs. Francisco José L´abbate Neto e Bruno Hebach L´abbate só se tornaram sócios da empresa em 4.12.2007. Ora, a aludida outorga de poderes, não tem qualquer objeção legal, mas a comprovação material pode ser feita por meios diversos da prova direta, como o conjunto de indícios apontado nos autos, como já dito no parágrafo anterior, indica que há pessoas interpostas, o que é, pelos fatos, comprovadamente verdadeiro. Logo, correta está a conclusão da autoridade autuante e da DRJ. Retroatividade da exclusão Caso não seja ultrapassado os argumentos de cancelamento dos atos de exclusão, a recorrente requer que os efeitos sejam reconhecidos a partir de 1º de julho de 2007. Com base no artigo 15, V, da Lei n° 9.317/96, a exclusão ocorrerá a partir, inclusive, do mês de ocorrência de qualquer dos fatos mencionados nos incisos II a VII do artigo 14. Como ficou comprovada a existência de interposta pessoa, portanto, aplicase o artigo 14, IV, da referida lei, que dispõe que cabe a exclusão quando verificado o fato nos termos do artigo 15 acima. O Ato Declaratório Executivo DRF/STL n° 040/2008, fls. 763, indica corretamente esses normativos. Portanto, também não merece prosperar esse pedido da recorrente. Ante o exposto, o voto é no sentido de rejeitar as preliminares, não conhecer da perícia e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. Nereida de Miranda Finamore Horta, relatora. (assinado digitalmente) Fl. 1596DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRAN DA FINAMORE HORTA 18 Fl. 1597DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRAN DA FINAMORE HORTA
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