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Numero do processo: 15578.000095/2007-89
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003, 2004
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. TRIBUTOS DECLARADOS, MAS PAGOS A DESTEMPO. INAPLICABILIDADE.
O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo.
(Súmula nº 360 do Superior Tribunal de Justiça - STJ).
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. COMPENSAÇÃO. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
A extinção do crédito tributário por meio de compensação está sujeita à condição resolutória da sua homologação. Caso a homologação, por qualquer razão, não se efetive, tem-se por não pago o crédito tributário declarado, havendo incidência, de consequência, dos encargos moratórios. Nessa linha, sendo que a compensação ainda depende de homologação, não se chega à conclusão de que o contribuinte ou responsável tenha, espontaneamente, denunciado o não pagamento de tributo e realizado seu pagamento com os acréscimos legais, por isso que não se observa a hipótese do art. 138 do CTN.
(Jurisprudência das Primeira e Segunda Turmas do Superior Tribunal de Justiça - STJ).
Numero da decisão: 9101-002.969
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Cristiane Silva Costa.
(assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Rafael Vidal de Araújo, Gerson Macedo Guerra, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado em substituição ao conselheiro Luís Flávio Neto) e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto e Luís Flávio Neto.
Nome do relator: MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003, 2004 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. TRIBUTOS DECLARADOS, MAS PAGOS A DESTEMPO. INAPLICABILIDADE. O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo. (Súmula nº 360 do Superior Tribunal de Justiça STJ). DENÚNCIA ESPONTÂNEA. COMPENSAÇÃO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. A extinção do crédito tributário por meio de compensação está sujeita à condição resolutória da sua homologação. Caso a homologação, por qualquer razão, não se efetive, temse por não pago o crédito tributário declarado, havendo incidência, de consequência, dos encargos moratórios. Nessa linha, sendo que a compensação ainda depende de homologação, não se chega à conclusão de que o contribuinte ou responsável tenha, espontaneamente, denunciado o não pagamento de tributo e realizado seu pagamento com os acréscimos legais, por isso que não se observa a hipótese do art. 138 do CTN. (Jurisprudência das Primeira e Segunda Turmas do Superior Tribunal de Justiça STJ). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 57 8. 00 00 95 /2 00 7- 89 Fl. 310DF CARF MF Processo nº 15578.000095/200789 Acórdão n.º 9101002.969 CSRFT1 Fl. 311 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Cristiane Silva Costa. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Rafael Vidal de Araújo, Gerson Macedo Guerra, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado em substituição ao conselheiro Luís Flávio Neto) e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto e Luís Flávio Neto. Relatório Por bem descrever os fatos, reproduzo o relatório da decisão recorrida: 1. Nos dias 27 de fevereiro, 31 de março e 30 de abril de 2004, e no dia 5 de abril de 2007, a interessada cientificou a Secretaria da Receita Federal da compensação de diversos débitos de estimativas do imposto de renda – IRPJ – e da contribuição social sobre o lucro líquido – CSLL (fls. 2/51) com saldos negativos da CSLL a pagar dos anoscalendário de 2002 e 2003. O saldo negativo do anocalendário de 2003 foi declarado pela própria interessada (R$ 21.401.363,35 – fls. 55); o do ano calendário de 2002 foi declarado por uma empresa que ela sucedeu (R$ 9.999.359,91 – fls. 83). 2. Ao apreciar a compensação efetuada (fls. 91/95), a DRF/VITÓRIA/ES reconheceu o crédito decorrente dos saldos negativos de CSLL declarados (R$ 31.400.723,27) e homologou a compensação até o limite do crédito reconhecido. 3. Não obstante, por observar que o crédito do qual dispunha a interessada era inferior ao montante dos débitos cuja compensação foi declarada, aquela repartição determinou a cobrança do valor excedente (fls. 119/123), consoante os §§ 7º a 11º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, modificado pela Lei nº 10.833, de 2003. 4. Irresignada com a decisão da qual foi cientificada em 28.12.2007 (fls. 124), a interessada apresentou sua manifestação de inconformidade no dia 28 seguinte (fls. 125/133). Alegou, em síntese: 4.1. que, de acordo com as duas planilhas juntadas à manifestação de inconformidade (fls. 134 e 135), não há nenhum débito remanescente; Fl. 311DF CARF MF Processo nº 15578.000095/200789 Acórdão n.º 9101002.969 CSRFT1 Fl. 312 3 4.2. que, no entanto, como a compensação de alguns débitos foi efetuada após o seu vencimento sem a inclusão da multa – apenas os juros foram incluídos – essa é a única razão capaz de justificar a diferença verificada entre os valores apontados nas suas planilhas e nos anexos à carta de cobrança; 4.3. que, contudo, sendo essa a razão da diferença verificada, a cobrança é equivocada, em face tanto da legislação tributária, quanto da jurisprudência transcrita na manifestação de inconformidade; 4.4. que a legislação estabelece que o atraso no cumprimento da obrigação tributária principal implica a cobrança de multa e juros de mora; o art. 138 do Código Tributário Nacional (CTN), porém, exclui a responsabilidade quando há denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido; 4.5. que, por seu turno, a jurisprudência, seja a administrativa, seja a judicial, é sempre nesse sentido; e 4.6. que, como procedeu à compensação dos seus débitos vencidos antes de qualquer ação fiscal, está livre da imposição da multa de mora, por força do citado art. 138. A DRJ decidiu: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2003, 2004 MULTA DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea, consagrada no art. 138 do Código Tributário Nacional, não tem a elasticidade pretendida pelos contribuintes relapsos ou em apuros financeiros para deixar sem punição o atraso no cumprimento da obrigação tributária principal. A recorrente tomou ciência do acórdão DRJ em 18/08/2009 e apresentou recurso em 16/09/2009. Em seu recurso, reitera os argumentos apresentados em sede de impugnação e, especialmente: Fl. 312DF CARF MF Processo nº 15578.000095/200789 Acórdão n.º 9101002.969 CSRFT1 Fl. 313 4 Ao julgar o recurso, a Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção do CARF proferiu o Acórdão nº 130200.739, de 18 de outubro de 2011, cujas ementa e decisão transcrevo, respectivamente: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 2003, 2004 Ementa: Denuncia espontânea. A extinção de crédito tributário em atraso deverá ser acompanhada do pagamento de multa de mora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Do referido julgado, transcrevo o respectivo voto: O recurso é tempestivo e deve ser conhecido. Não há reparo a fazer ao lançamento e à decisão recorrida. A jurisprudência deste colegiado tem se firmado no sentido de que, apenas em relação a fatos desconhecidos pelo fisco, espontaneamente confessados pelo contribuinte, cabe a aplicação do art. 138 do CTN. Melhor explicando: se o contribuinte, tendo omitido fato do fisco, vem a confessálo e, juntamente com tal ato, paga o tributo e os juros de mora, poderia ser beneficiado com os efeitos da chamada denúncia espontânea. Esse é o entendimento expresso pelo STJ no RESP 20031884340, parcialmente reproduzido pelo acórdão recorrido: “1. O instituto da denúncia espontânea exige que nenhum lançamento tenha sido feito, isto é, que a infração não tenha sido identificada pelo fisco nem se encontre registrada nos livros fiscais e/ou contábeis do contribuinte. 2. A denúncia espontânea não foi prevista para que favoreça o atraso do tributo. Ela existe como incentivo ao contribuinte para denunciar situações de ocorrência de fatos geradores que foram omitidos, como é o caso de aquisição de mercadorias sem nota fiscal, de venda com preço registrado aquém do real, etc.” No caso dos autos, não foi isso que ocorreu. Após o vencimento da obrigação tributária, por meio de Per/Dcomp, o contribuinte tenta compensar seu direito creditório com débitos já vencidos e, portanto, sujeitos à multa de mora. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Inconformado, o contribuinte apresenta recurso especial por divergência, argumentando, em síntese: a) que o entendimento dos ilustres julgadores do acórdão recorrido foi no sentido de que o simples pagamento em atraso não configura denúncia espontânea, e não é suficiente para afastar a incidência de multa de mora; Fl. 313DF CARF MF Processo nº 15578.000095/200789 Acórdão n.º 9101002.969 CSRFT1 Fl. 314 5 b) que a denúncia espontânea afasta qualquer penalidade, seja ela punitiva ou moratória, fazendo incidir, tãosomente, os juros; e c) que se opera a denúncia espontânea quando o contribuinte realiza o recolhimento do tributo acompanhado dos juros devidos, antes de qualquer procedimento administrativo do fisco, ficando dispensado do recolhimento da multa de mora. O recurso especial foi admitido pela presidente da Terceira Câmara da Primeira Seção do CARF. Devidamente cientificada, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, a seguir resumidas: a) que, preliminarmente, os acórdãos confrontados (recorrido e paradigmas) foram proferidos em contextos fáticos distintos (compensação e pagamento, respectivamente), razão pela qual não se pode entender como demonstrado o dissídio jurisprudencial exigido para o conhecimento do recurso especial, nos termos do art. 67 do RICARF; b) que a CSRF manteve aqueles dois paradigmas, mas com fundamento no entendimento do STJ; c) que, no mérito, compensação e pagamento não se confundem, embora ambas sejam formas de extinção do crédito tributário, assim como a prescrição e a decadência, todas modalidades de extinção previstas no art. 156 do CTN; d) que a compensação e o pagamento constituem duas modalidades distintas de extinção do crédito tributário, não cabendo estender o benefício da denúncia espontânea para a compensação, uma vez que o art. 138 do CTN se refere tão somente ao pagamento; e) que, se pretendesse alargar o sentido da norma, o legislador teria nela incluído a expressão “extinção do crédito tributário”, para afastar a aplicação da multa de mora; f) que, contudo, a lei elege claramente apenas o pagamento como o meio apto para excluir a responsabilidade da infração na seara tributária; g) que, como implica no afastamento da multa, a denúncia espontânea configura hipótese de exclusão do crédito tributário; h) que, dessa forma, interpretase literalmente a legislação que dela dispõe, conforme prevê o CTN em seu art. 111; i) que, por seu turno, o mesmo Código traz, em seu art. 138, o instituto da denúncia espontânea, condicionandoa ao “pagamento do tributo devido e dos juros de mora”; j) que, nessa esteira, cabe concluir que o mesmo diploma legal que instituiu a denúncia espontânea, em seu artigo 138, condicionandoa ao “pagamento do tributo”, fez questão de distinguir “pagamento” de “compensação”, razão pela qual não merece guarida a pretensão do ora recorrente em equiparar os efeitos de tais institutos; e Fl. 314DF CARF MF Processo nº 15578.000095/200789 Acórdão n.º 9101002.969 CSRFT1 Fl. 315 6 k) que tanto o STJ quanto o CARF somente aplicam o instituto da denúncia espontânea no caso do pagamento do tributo (que não se confunde com declaração de compensação). É o Relatório. Voto Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão Relator O recurso é tempestivo, entendo que a divergência restou comprovada e, por isso, conheço do especial. Com relação à preliminar de não conhecimento do recurso especial do contribuinte, arguida pela Fazenda Nacional, entendo que não procede, tendo em vista que, tanto em relação ao “pagamento”, quanto em relação à “compensação”, o efeito é o mesmo: a extinção do crédito tributário, restando discutível, contudo, seus efeitos para fins de denúncia espontânea. A matéria posta à apreciação desta Câmara Superior referese ao cabimento da exigência de multa de mora na hipótese de compensação declarada após o vencimento dos respectivos débitos. Sustenta a Recorrente que seria caso de denúncia espontânea da infração (art. 138 do CTN), que excluiria a cobrança de multa de mora. Já a decisão recorrida afirma que “apenas em relação a fatos desconhecidos pelo fisco, espontaneamente confessados pelo contribuinte, cabe a aplicação do art. 138 do CTN”. Entendo que a decisão recorrida está de acordo com a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF) e com a Súmula nº 360 do Superior Tribunal de Justiça (STJ), de seguinte teor: O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo. Significa dizer como a decisão do STJ transcrita pela decisão recorrida que “o instituto da denúncia espontânea exige que nenhum lançamento tenha sido feito, isto é, que a infração não tenha sido identificada pelo fisco nem se encontre registrada nos livros fiscais e/ou contábeis do contribuinte”. Ora, se não tivesse sido declarado o débito em questão, não haveria como solicitar a respectiva compensação. É inerente ao pedido de compensação a declaração prévia do tributo cujo débito se deseja compensar. E só se pede compensação com outro crédito (cuja validade não se está a discutir), se o débito estiver em aberto (em atraso). Não há como pedir compensação de um débito sem declaração, e esta situação automaticamente impõe a multa de mora no cálculo do débito é esta a jurisprudência. O que importa, no caso, é a declaração (ainda que não seja confissão de dívida DCTF). Vejase que não é caso de lançamento por declaração, mas por homologação, e a declaração (DIPJ) se presta a configurar que o contribuinte reconhece a existência do débito, mas, como não é confissão definitiva (DCTF), e não pode ser executada, fazse necessário o lançamento de ofício, caso o tributo não venha a ser adimplido. Fl. 315DF CARF MF Processo nº 15578.000095/200789 Acórdão n.º 9101002.969 CSRFT1 Fl. 316 7 Nesse sentido, em existindo qualquer declaração do contribuinte que informe ao Fisco a existência de créditos tributários, sendo, esses, posteriormente adimplidos em atraso, mas voluntariamente, haverá sempre a incidência de multa de mora. Esta só não incidirá se não houver declaração prévia (qualquer que seja ela), ou se esta é concomitante ao adimplemento em atraso. Ou seja, se havia uma DIPJ, ainda que a DCTF posterior seja acompanhada do adimplemento, haverá multa de mora. Não obstante, ainda que se possa discordar do entendimento acima, é mister reconhecer que o STJ, em situações que tais, não admite a “compensação” como sendo “pagamento”, para o efeito de caracterização de denúncia espontânea, conforme julgados das suas Primeira e Segunda Turmas (grifei): PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. PRETENSÃO QUE ENCONTRA ÓBICE NA SÚMULA Nº 7 DO STJ. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. [...]. 2. A extinção do crédito tributário por meio de compensação está sujeita à condição resolutória da sua homologação. Caso a homologação, por qualquer razão, não se efetive, temse por não pago o crédito tributário declarado, havendo incidência, de consequência, dos encargos moratórios. Nessa linha, sendo que a compensação ainda depende de homologação, não se chega à conclusão de que o contribuinte ou responsável tenha, espontaneamente, denunciado o não pagamento de tributo e realizado seu pagamento com os acréscimos legais, por isso que não se observa a hipótese do art. 138 do CTN. 3. Agravo regimental não provido. (AgRg no AREsp 174.514/CE, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 04/09/2012, DJe 10/09/2012) TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA NÃO CARACTERIZADA. PRECEDENTES. Nos termos da jurisprudência dominante do Superior Tribunal de Justiça, “a extinção do crédito tributário por meio de compensação está sujeita à condição resolutória da sua homologação. Caso a homologação, por qualquer razão, não se efetive, temse por não pago o crédito tributário declarado, havendo incidência, de consequência, dos encargos moratórios. Nessa linha, sendo que a compensação ainda depende de homologação, não se chega à conclusão de que o contribuinte ou responsável tenha, espontaneamente, denunciado o não pagamento de tributo e realizado seu pagamento com os acréscimos legais, por isso que não se observa a hipótese do art. 138 do CTN” (AgRg no REsp 1.461.757/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 03/09/2015, DJe 17/09/2015.). Agravo interno improvido. Fl. 316DF CARF MF Processo nº 15578.000095/200789 Acórdão n.º 9101002.969 CSRFT1 Fl. 317 8 (AgInt no REsp 1585052/RS, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 07/06/2016, DJe 14/06/2016) Do exposto, voto por conhecer e negar provimento ao recurso especial do contribuinte. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Fl. 317DF CARF MF
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Numero do processo: 10925.911405/2011-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2006
ÔNUS DA PROVA. DIREITO CREDITÓRIO
O ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, o despacho decisório que não homologou o pedido de restituição deve ser mantido.
ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO.
O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.403
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Walker Araujo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES. Recorrente PARATI S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2006 ÔNUS DA PROVA. DIREITO CREDITÓRIO O ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, o despacho decisório que não homologou o pedido de restituição deve ser mantido. ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Walker Araujo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 91 14 05 /2 01 1- 68 Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10925.911405/201168 Acórdão n.º 3302004.403 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Pedido de Restituição (PER) eletrônico por meio da qual a contribuinte solicita restituição de valor que teria sido indevidamente recolhido a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins. Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joaçaba SC pelo indeferimento do pedido de restituição, mediante Despacho Decisório, fazendoo com base na constatação da inexistência do crédito informado, uma vez que o valor recolhido já havia sido integralmente utilizado para extinção do débito relativo ao período de apuração a que se referia, não restando crédito disponível para restituição. Inconformada com o indeferimento do PER, a contribuinte apresenta manifestação de inconformidade na qual alega que o pedido de restituição referese a créditos decorrentes de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. A DRJ julgou, por unanimidade de votos, improcedente a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 07031.516. O fundamento adotado, em síntese, foi: (i) que, pagamentos efetuados mediante DARF (vinculados a débitos declarados em DCTF) somente se caracterizam como indevidos ou a maior, quando o contribuinte retifica a DCTF, informando corretamente o débito (a menor); e (ii) que, não procede a alegação da contribuinte de que o ICMS não compõe as bases de cálculo da contribuição ao PIS/Pasep e da Cofins; e (iii) que o órgão administrativo não pode ser pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. Intimada de decisão piso, a Recorrente interpôs tempestivamente recurso voluntário, aduzindo (i) ausência de previsão legal exigindo a retificação da DCTF como condição para a restituição; (ii) inconstitucionalidade e ilegalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/COFINS; (iii) sobrestamento do feito até o transito em julgado da decisão proferida pelo STF (RE 574.706). É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.379, de 28 de junho de 2017, proferido no julgamento do processo 10925.907614/201298, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.379): Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10925.911405/201168 Acórdão n.º 3302004.403 S3C3T2 Fl. 4 3 "I Tempestividade A Recorrente foi intimada da decisão de piso em 19.03.2014 (fls.43) e protocolou Recurso Voluntário em 07.04.2014 (fls.4653), dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no artigo 33, do Decreto 70.235/721. Desta forma, considerando que o recurso preenche o requisito de admissibilidade, dele tomo conhecimento. II Mérito II.1 Inconstitucionalidade de lei tributária Súmula CARF nº 02 Inicialmente é imperioso destacar que nos termos da Súmula nº 02 "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Deste modo, a análise da inconstitucionalidade da legislação tributária envolvendo a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo do PIS/COFINS resta totalmente prejudicada. II.2 Ausência de retificação da DCTF direito creditório É incontroverso nos autos que a Recorrente não retificou a DCTF antes de apresentar o Pedido de Restituição (PER) Eletrônico nº 15219.42808.210808.1.2.043337, fato este que para fiscalização obsta o direito ao crédito buscado pelo contribuinte. Contudo, o fato de a Recorrente não ter retificado a DCTF antes de apresentar o pedido de restituição, por si só, não é motivo suficiente para que seu crédito não seja reconhecido, podendo, tal procedimento, ser superado com a apresentação de provas capazes de comprovar a existência de erro na apuração contábil/fiscal e consequentemente do pagamento indevido ou a maior alegado pelo contribuinte, nos termos do §1º ao art. 147 do CTN, a saber: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. §1º. A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. No presente caso, a Recorrente não trouxe aos autos documentos necessários e substanciais à comprovar suas alegações e demonstrar a origem do crédito apresentado no Pedido de Restituição (PER) Eletrônico nº 15219.42808.210808.1.2.043337, alegando, pura e simplesmente que o citado pedido referese a créditos decorrentes de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. 1 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10925.911405/201168 Acórdão n.º 3302004.403 S3C3T2 Fl. 5 4 Com efeito, o ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC2). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, o indeferindo do crédito é medida que se impõe. Nesse sentido: "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 31/07/2009 a 30/09/2009 VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/ RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/ PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. (...)" (Processo n.º 11516.721501/201443. Sessão 23/02/2016. Relator Rosaldo Trevisan. Acórdão n.º 3401003.096 grifei) Pertinente destacar a lição do professor Hugo de Brito Machado, a respeito da divisão do ônus da prova: No processo tributário fiscal para apuração e exigência do crédito tributário, ou procedimento administrativo de lançamento tributário, autor é o Fisco. A ele, portanto, incumbe o ônus de provar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária que serve de suporte à exigência do crédito que está a constituir. Na linguagem do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus do fato constitutivo de seu direito (Código de Processo Civil, art.333, I). Se o contribuinte, ao impugnar a exigência, em vez de negar o fato gerador do tributo, alega ser imune, ou isento, ou haver sido, no todo ou em parte, desconstituída a situação de fato geradora da obrigação tributária, ou ainda, já haver pago o tributo, é seu ônus de provar o que alegou. A imunidade, como isenção, impedem o nascimento da obrigação tributária. São, na linguagem do Código de Processo Civil, fatos impeditivos do direito do Fisco. A desconstituição, parcial ou total, do fato gerador do tributo, é fato modificativo ou extintivo, e o pagamento é fato extintivo do direito do Fisco. Deve ser comprovado, portanto, pelo contribuinte, que assume no processo administrativo de determinação e exigência do tributo posição equivalente a do réu no processo civil”. (original não destacado)3 2 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor 3 Mandado de Segurança em Matéria Tributária, 3. ed., São Paulo: Dialética, 1998, p.252. Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10925.911405/201168 Acórdão n.º 3302004.403 S3C3T2 Fl. 6 5 Somase a isso, que a escrituração somente faz prova a favor do sujeito passivo se acompanhada por documentos hábeis à comprovar a origem do crédito pleiteado, conforme previsão contida no artigo 26, do Decreto nº 7574/20114. Superada essa questão, passase a análise da matéria sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo do PIS/COFINS. II.3 ICMS na base de cálculo do PIS/COFINS Conforme relatado anteriormente, alega a Recorrente, sem contudo provar, que o pedido de restituição referese a créditos decorrentes de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. Cita e pede aplicação dos RE´s 240.785 2/MS e 574.706. Para dirimir a controvérsia sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS e afastar a aplicação da decisão proferida pela Suprema Corte ao presente caso, empresto as razões de decidir da i. Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, nos autos do processo administrativo nº 10283.902818/201235 (acórdão 3302 004.158): A controvérsia cingese sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. A situação que permeia os tribunais na atualidade é de dois posicionamentos conflitantes quanto à inclusão ou não do tributo na base de cálculo do PIS e da COFINS. O Superior Tribunal de Justiça no REsp 1144469/PR, em sistema de recursos repetitivos assim decidiu: RECURSO ESPECIAL DO PARTICULAR: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA OU FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. 1. A Constituição Federal de 1988 somente veda expressamente a inclusão de um imposto na base de cálculo de um outro no art. 155, §2º, XI, ao tratar do ICMS, quanto estabelece que este tributo: "XI não compreenderá, em sua base de cálculo, o montante do imposto sobre produtos industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configure fato gerador dos dois impostos". 2. A contrario sensu é permitida a incidência de tributo sobre tributo nos casos diversos daquele estabelecido na exceção, já tendo sido reconhecida jurisprudencialmente, entre outros casos, a incidência: 2.1. Do ICMS sobre o próprio ICMS: repercussão geral no RE n. 582.461 / SP, STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 18.05.2011. 4 Art. 26. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do sujeito passivo dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 9o, § 1o). Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10925.911405/201168 Acórdão n.º 3302004.403 S3C3T2 Fl. 7 6 2.2. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre as próprias contribuições ao PIS/PASEP e COFINS: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 976.836 RS, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.8.2010. 2.3. Do IRPJ e da CSLL sobre a própria CSLL: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.113.159 AM, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 11.11.2009. 2.4. Do IPI sobre o ICMS: REsp. n. 675.663 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 24.08.2010; REsp. Nº 610.908 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 20.9.2005, AgRg no REsp.Nº 462.262 SC, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20.11.2007. 2.5. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre o ISSQN: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP, Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015. 3. Desse modo, o ordenamento jurídico pátrio comporta, em regra, a incidência de tributos sobre o valor a ser pago a título de outros tributos ou do mesmo tributo. Ou seja, é legítima a incidência de tributo sobre tributo ou imposto sobre imposto, salvo determinação constitucional ou legal expressa em sentido contrário, não havendo aí qualquer violação, a priori, ao princípio da capacidade contributiva. 4. Consoante o disposto no art. 12 e §1º, do DecretoLei n. 1.598/77, o ISSQN e o ICMS devidos pela empresa prestadora de serviços na condição de contribuinte de direito fazem parte de sua receita bruta e, quando dela excluídos, a nova rubrica que se tem é a receita líquida. 5. Situação que não pode ser confundida com aquela outra decorrente da retenção e recolhimento do ISSQN e do ICMS pela empresa a título de substituição tributária (ISSQNST e ICMSST). Nesse outro caso, a empresa não é a contribuinte, o contribuinte é o próximo na cadeia, o substituído. Quando é assim, a própria legislação tributária prevê que tais valores são meros ingressos na contabilidade da empresa que se torna apenas depositária de tributo que será entregue ao Fisco, consoante o art. 279 do RIR/99. 6. Na tributação sobre as vendas, o fato de haver ou não discriminação na fatura do valor suportado pelo vendedor a título de tributação decorre apenas da necessidade de se informar ou não ao Fisco, ou ao adquirente, o valor do tributo embutido no preço pago. Essa necessidade somente surgiu quando os diversos ordenamentos jurídicos passaram a adotar o lançamento por homologação (informação ao Fisco) e/ou o princípio da não cumulatividade (informação ao Fisco e ao adquirente), sob a Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10925.911405/201168 Acórdão n.º 3302004.403 S3C3T2 Fl. 8 7 técnica específica de dedução de imposto sobre imposto (imposto pago sobre imposto devido ou "tax on tax"). 7. Tal é o que acontece com o ICMS, onde autolançamento pelo contribuinte na nota fiscal existe apenas para permitir ao Fisco efetivar a fiscalização a posteriori, dentro da sistemática do lançamento por homologação e permitir ao contribuinte contabilizar o crédito de imposto que irá utilizar para calcular o saldo do tributo devido dentro do princípio da não cumulatividade sob a técnica de dedução de imposto sobre imposto. Não se trata em momento algum de exclusão do valor do tributo do preço da mercadoria ou serviço. 8. Desse modo, firmase para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendo se à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações". 9. Tema que já foi objeto de quatro súmulas produzidas pelo extinto Tribunal Federal de Recursos TFR e por este Superior Tribunal de Justiça STJ: Súmula n. 191/TFR: "É compatível a exigência da contribuição para o PIS com o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes". Súmula n. 258/TFR: "Incluise na base de cálculo do PIS a parcela relativa ao ICM". Súmula n. 68/STJ: "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94/STJ: "A parcela relativa ao ICMS inclui se na base de cálculo do FINSOCIAL". 10. Tema que já foi objeto também do recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP (Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015) que decidiu matéria idêntica para o ISSQN e cujos fundamentos determinantes devem ser respeitados por esta Seção por dever de coerência na prestação jurisdicional previsto no art. 926, do CPC/2015. 11. Ante o exposto, DIVIRJO do relator para NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do PARTICULAR e reconhecer a legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃO APLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10925.911405/201168 Acórdão n.º 3302004.403 S3C3T2 Fl. 9 8 de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.158 35, de 2001. Precedentes: AgRg nos EREsp. n. 529.034/RS, Corte Especial, Rel. Min. José Delgado, julgado em 07.06.2006; AgRg no Ag 596.818/PR, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 28/02/2005; EDcl no AREsp 797544 / SP, Primeira Turma, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 14.12.2015, AgRg no Ag 544.104/PR, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJ 28.8.2006; AgRg nos EDcl no Ag 706.635/RS, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJ 28.8.2006; AgRg no Ag 727.679/SC, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 8.6.2006; AgRg no Ag 544.118/TO, Rel. Min. Franciulli Netto, Segunda Turma, DJ 2.5.2005; REsp 438.797/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJ 3.5.2004; e REsp 445.452/RS, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 10.3.2003. 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". 14. Ante o exposto, ACOMPANHO o relator para DAR PROVIMENTO ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL. (REsp 1144469/PR; Relator: Napoleão Nunes Maia Filho; Relator para o acórdão: Mauro Campbell Maques) (grifos não constam no original) Já o Supremo Tribunal Federal, no RE 574.706RG/PR, julgou, no dia 15.03.2017, no sentido de que: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto da Relatora, Ministra Cármen Lúcia (Presidente), apreciando o tema 69 da repercussão geral, deu provimento ao recurso extraordinário e fixou a seguinte tese: "O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da Cofins". Vencidos os Ministros Edson Fachin, Roberto Barroso, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Nesta assentada o Ministro Dias Toffoli aditou seu voto. Plenário, 15.3.2017. (grifos não constam do original) No âmbito do regimento interno deste Egrégio Tribunal Administrativo, existe previsão normativa em seu artigo 62, anexo II, sobre a obrigatoriedade de se observar os precedentes em sistema de repetitivos e/ou repercussão geral na análise dos casos: RICARF Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10925.911405/201168 Acórdão n.º 3302004.403 S3C3T2 Fl. 10 9 § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) O RICARF prevê o requisito da decisão definitiva para a obrigatoriedade da aplicação do precedente, no caso em análise, o REsp 1.144.469/PR transitou em julgado em 10.03.2017 e o RE 574.706 RG/PR ainda espera a modulação de seus efeitos, não havendo, portanto, trânsito em julgado. Logo, devese observar a decisão, já transitada em julgado, do Superior Tribunal de Justiça. Em razão da obrigatoriedade por parte do conselheiro em aplicar o RICARF, acima exposto, os argumentos da Recorrente de desnecessidade de previsão legal para a exclusão do ICMS por respeito ao princípio da capacidade contributiva e da impossibilidade de considerar o ICMS como parte integrante do faturamento ficam, desde já, encontramse fundamentados com a aplicação do precedente obrigatório. Portanto, em conformidade com o REsp 1.144.469/PR, que firmou para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", é negado provimento ao recurso voluntário. II.4 Sobrestamento do processo Por fim, a Recorrente pleiteou o sobrestamento do feito até o julgamento definitivo do RE 504.706, suplicando pela aplicação do princípio da economia processual. Com todo respeito ao pedido formulado pela Recorrente, as hipóteses de sobrestamento do feito previstas no Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, não albergam o pedido do contribuinte, logo, deve ser afastado o requerimento anteriormente citado, por total ausência de fundamento legal. III. Conclusão Diante do exposto, considerando que a Recorrente não comprovou a origem do crédito e, que a decisão do Superior Tribunal de Justiça (REsp 1.144.469/PR), aplicável ao presente caso, é no sentido de manter o ICMS na base de cálculo do PIS/COFINS, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10925.911405/201168 Acórdão n.º 3302004.403 S3C3T2 Fl. 11 10 Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o recurso voluntário também foi apresentado tempestivamente e, não obstante a Recorrente não ter retificado a DCTF antes de apresentar o pedido de restituição, não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, decorrente de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 69DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.004961/98-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2000
EMBARGOS. NÃO PROVIMENTO. FALTA DE DEMONSTRAÇÃO DE REQUISITOS.
Não podem ser admitidos os Embargos que não logram demonstrar as alegadas contradições, omissões e obscuridades.
Numero da decisão: 3401-003.494
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, rejeitar os Embargos de Declaração.
Rosaldo Trevisan - Presidente.
Eloy Eros da Silva Nogueira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice Presidente).
Nome do relator: ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
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NÃO PROVIMENTO. FALTA DE DEMONSTRAÇÃO DE REQUISITOS. Não podem ser admitidos os Embargos que não logram demonstrar as alegadas contradições, omissões e obscuridades. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, rejeitar os Embargos de Declaração. Rosaldo Trevisan Presidente. Eloy Eros da Silva Nogueira Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 00 49 61 /9 8- 66 Fl. 1375DF CARF MF Processo nº 10880.004961/9866 Acórdão n.º 3401003.494 S3C4T1 Fl. 3 2 Tratase de Embargos de Declaração interpostos pela Douta PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL ao amparo do art. 65, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, em face do Acórdão nº 3401003.225, que possui a seguinte ementa: processo n.º 10880.004961/9866 recurso: Voluntário Acórdão n.º 3401003.225 4a Câmara / 1a Turma Ordinária sessão de 24 de agosto de 2016. Matéria: PIS. RESTITUIÇÃO. Recorrente: ITAU UNIBANCO S A. Recorrido: Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 1990, 1991, 1992, 1993, 1994 RESTITUIÇÃO. PRAZO DE PRESCRIÇÃO. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA. Para a contribuinte pleitear a restituição ou a compensação consoante decisão do Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento do Recurso Extraordinário n.° 566.621 (transitado em julgado em 27/02/2012), submetido a sistemática da repercussão geral, ficou pacificado que o prazo qüinqüenal estabelecido na Lei Complementar n.° 118/05 somente se aplica para os processos ajuizados a partir 09 de junho de 2005, e que antes dessa data se aplica a tese de que o prazo para repetição ou compensação é de dez anos contados de seu fato gerador. COMPENSAÇÃO. CÁLCULO. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA. A partir da edição do Ato Declaratório PGFN n. 10/2008, entendo que é mandatório a aplicação nos pedidos de restituição/ compensação, em procedimento pela via administrativa, dos índices de atualização monetária (expurgos inflacionários) previstos na Resolução n.º 561 do Egrégio Conselho da Justiça Federal, inclusive de aplicação do entendimento do E STJ no REsp 1.112.524/DF julgado na sistemática do art. 543C do CPC, com base no artigo 62A do Regimento do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Declarouse impedido o Conselheiro Rodolfo Tsuboi. Fez sustentação oral, pela recorrente, Ana Paulo Gesing Gonçalves, OAB DF n.º 39.387. Robson José Bayerl Presidente. Eloy Eros da Silva Nogueira Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Rodolfo Tsuboi, Fenelon Moscoso de Almeida Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. O embargante afirma que o acórdão recorrido foi omisso, obscuro e contraditório. Ao tratar da atualização pelos expurgos inflacionários, incorreu em omissão por que não delimitou o tema ao não estabelecer sobre quais valores deveria incidir a atualização monetária, nem até quando. E também foi obscuro por que deixou de esclarecer a conciliação com o fato de que o valor pleiteado já havia sido decidido pela instância administrativa e os índices haviam sido decididos pela ação judicial. E foi omisso por que: (a) não considerou o que disciplina a Norma Execução Conjunta SRF COSIT COSAR 08/1997; (b) não decidiu se caberia o retorno dos autos à autoridade de origem para analisar o mérito do pedido objeto do processo, e de sua liquidez e certeza. Fl. 1376DF CARF MF Processo nº 10880.004961/9866 Acórdão n.º 3401003.494 S3C4T1 Fl. 4 3 Despacho de Admissibilidade trouxe estes Embargos à esta sessão. É o relatório. Voto Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira. Trata o presente de pedido de RESTITUIÇÃO de PIS recolhido, para os períodos de apuração de JANEIRO DE 1989 a MAIO DE 1994, com base nos Decretoslei n. 2.445/1988 e 2.449/1988, declarados inconstitucionais pelo Senado e por decisão transitada em julgado em ação ordinária e que a contribuinte foi autora. O pedido de RESTITUIÇÃO foi apresentado à Administração Tributária em 26/02/1998. Foram apresentados pedidos de compensação aproveitando esse crédito. Apensos a este processo 10880.004961/9866 estão os processos administrativos 10880.015129/9697 e 10880.15130/9676, que cuidam de autos de infração que constituíram e exigem PIS para os fatos geradores dos períodos de apuração janeiro de 1993 a maio de 1994 e julho de 1994, respectivamente. Há Despacho Decisório (fls. 259/266 para o primeiro, e fls. 324/330 para o segundo) da autoridade da DEINF SP revisando de ofício a exigência fiscal e reconhecendo a dependência com relação ao processo 10880.004961/98 66. Consta deles informação da existência de decisão proferida nas ações judiciais (MC 94.00.281498, AO 94.00.328079, IVE 95.00.076322; MC 96.03.0782750, AC 97.03.0097782) de que foi autorizada a compensação dos débitos resultantes da exigência fiscal do processo 10880.015129/9697 e do processo 10880.15130/9676 com créditos reconhecidos em favor da contribuinte. A autoridade de administração da jurisdição local deferiu parcialmente o pedido de restituição e homologou parcialmente as compensações, em 27/02/2002 (UFIR 73.711.764,13 em 31/12/1992 para os PAs de 1990 a 1992, e UFIR 66.074.087.70 em 31/05/1994 para os PAs 01/93 a 05/94). Considerou decaído quanto aos PAs de 1989 a março de 1990, pela aplicação do prazo de cinco anos. E, por conseqüência, declararam homologados os pedidos de compensação até o limite do direito creditório reconhecido. Antes de chegar na DRJ, a autoridade de administração reviu sua decisão em 31/05/1994, redefinindo os valores de direito creditório reconhecidos para UFIR 74.987.622,15 em 31/12/1992 para os PAs de 1990 a 1992, e UFIR 68.990.891,99 em 31/05/1994 para os PAs 01/93 a 05/94. Os julgadores de 1º piso consideraram improcedente a manifestação da contribuinte. Eles declararam correta a decisão da autoridade local em 31/05/1994 e, inclusive, ser incontestada a definição do valor de direito creditório desse Despacho Decisório uma vez Fl. 1377DF CARF MF Processo nº 10880.004961/9866 Acórdão n.º 3401003.494 S3C4T1 Fl. 5 4 que a contribuinte não a contestou na oportunidade que lhe foi oferecida. Os Julgadores a quo decidiram ainda a homologação parcial dos pedidos de compensação até o limite do crédito reconhecido e consideraram decaídos os créditos dos PAs de 1989 até 03/1990 (pelo decurso do prazo de cinco anos). De fato, o contraditório se refere a pedido de restituição e o acórdão recorrido dispõe sobre a obrigatoriedade de aplicação dos índices de expurgos inflacionários, e também afasta a prescrição que havia sido adotada pelas decisões administrativas anteriores. Os embargos ressalta o fato que essa decisão do Colegiado de 2ª instância não definiu como a aplicação do índices dos expurgos inflacionário será harmonizada com as decisões anteriores aplicadas ao caso para alegar que houve vício no acórdão embargado. Os Embargos traz, a meu ver, indicação de aparentes e supostas obscuridade, contradição e omissão na redação do voto condutor. Por isso, entendo que ele preenche as condições de admissibilidade de Embargos de Declaração para ser levado à apreciação do colegiado de julgamento desta Turma. O Embargo argumenta que houve obscuridade, omissão e contradição. Vejamos os pontos levantados pelos ilustres embargantes, em suas próprias palavras e argumentação: Todavia, o voto condutor não trouxe a devida delimitação ao tema. Ou seja, não estabeleceu sobre quais valores deveria incidir a atualização monetária determinada, nem até quando. Observandose que parte do valor pleiteado pelo contribuinte já foi objeto de deferimento pela autoridade de origem, é cediço que o acórdão embargado não poderia analisar tais verbas, não mais discutidas na instância administrativa, e cujo índice de atualização monetária já foi definido pelo Poder Judiciário. Contudo, o acórdão embargado não deixa isso devidamente claro. Razão pela qual verificase, além da omissão, o vício da obscuridade. Quanto aos demais valores, não discutidos judicialmente, o acórdão não se manifestou, foi omisso, sobre a autorização legal para que o administrador aplique expurgos inflacionários na inexistência de determinação judicial nesse sentido, mormente diante do disposto na Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR n° 08, de 27/06/97 Na verdade, compulsando o voto condutor, verificase que a matéria foi tratada de modo uniforme, quando se verifica pelo Fl. 1378DF CARF MF Processo nº 10880.004961/9866 Acórdão n.º 3401003.494 S3C4T1 Fl. 6 5 exame do despacho decisório que parte dos valores foram objeto de discussão judicial. Além disso, verificase que o acórdão embargado silenciou sobre o termo ad quem da atualização monetária. Compulsando os autos, verificase diversos pedidos de compensação objetivando utilizar o suposto direito creditório invocado no pedido de restituição. Daí que a atualização monetária somente deveria incidir até a data do encontro de contas pleiteado, haja vista que entendimento contrário representaria enriquecimento ilícito do contribuinte. Todavia, o acórdão embargado não se manifestou a respeito. Daí verificado o vício da omissão. O acórdão embargado não deixa claro se, uma vez afastada a prescrição, caberia o retorno dos autos à autoridade de origem para a verificação do "mérito" do pedido de restituição, ou seja, análise da existência, da certeza e liquidez do direito creditório invocado. Eis a razão pela qual a decisão é também omissa nesse ponto. Esses questionamentos trazidos nos Embargos me parecem importantes, de forma a afastar ou sanear as suspeitas de omissão, contradição e obscuridade. Como vimos acima, a recorrente afirma que o Colegiado, ao apreciar recurso voluntário, não poderia decidir a respeito dos valores em discussão, tendo em vista que a autoridade de origem já os teria decidido, e também que o Poder Judiciário já teria definido os índices de atualização. Todavia, o voto condutor não trouxe a devida delimitação ao tema. Ou seja, não estabeleceu sobre quais valores deveria incidir a atualização monetária determinada, nem até quando. Observandose que parte do valor pleiteado pelo contribuinte já foi objeto de deferimento pela autoridade de origem, é cediço que o acórdão embargado não poderia analisar tais verbas, não mais discutidas na instância administrativa, e cujo índice de atualização monetária já foi definido pelo Poder Judiciário. Contudo, o acórdão embargado não deixa isso devidamente claro. Razão pela qual verificase, além da omissão, o vício da obscuridade. (i) Apreciemos primeiro a afirmação da recorrente de que o acórdão embargado não poderia analisar os valores, uma vez que já havia sido deferido pela autoridade local. Consta do processo administrativo que a autoridade de tributação local adotara prazo qüinqüenal máximo para se reconhecer esse tipo de direito e pedido e proferira Despacho Fl. 1379DF CARF MF Processo nº 10880.004961/9866 Acórdão n.º 3401003.494 S3C4T1 Fl. 7 6 Decisório reconhecendo parte do direito creditório solicitado e homologando parte das compensações apresentadas. E na seqüência, os julgadores de 1º piso mantiveram o entendimento do limite qüinqüenal, mas confirmaram a correção nos cálculos conforme revisado pela autoridade local em seu Despacho Decisório retificador do primeiro. O dispositivo do Despacho Decisório e a Ementa desse Acórdão de 1º piso trazem a síntese dessa decisão: Despacho Decisório (fls. 1.253): APROVO a proposição apresentada na manifestação da Divisão de Orientação e Análise Tributária e DECIDO: a) Pela reratificação do Despacho Decisório anteriormente proferido por esta DEINF/SPO, com o conseqüente reconhecimento do direito creditório decorrente do PIS dos anoscalendário 90, 91 e 92 no montante de 74 .987.622, 15 UFIR; b) Pela homologação da compensação dos débitos do PIS dos períodos de apuração Jan/93 a Maio/94, estes conforme constituídos por meio do Auto de Infração lavrado no PAF nº P10880.015129/9697 restando como crédito remanescente do PIS o montante de 68.990.891,99 UFIR; C) Por fim, propomos, pretendido pelo interessado , pelo deferimento da utilização do referido crédito para , em face da sua suficiência conforme demonstrativo de folhas 1257 a 1261, homologar as compensações tratadas neste processo e naqueles a ele apensos; d) Por fim, após a decurso do prazo de 10 (dez) dias a que alude o art. 44 da Lei no 9.784199, contados da ciência ao interessado, pelo encaminhamento dos autos à DRJ /SPOI, para o processamento da impugnação apresentada. Acórdão n.º 1624.205 8 8 Turma da DRJ/SP1, de 04/02/2010 (fls. 1289) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP O Anocalendário: 1990, 1991, 1992, 1993, 1994 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA. O prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido, inclusive na hipótese de o pagamento ter sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação declaratória ou em recurso extraordinário, extinguese após o transcurso do prazo de 5 anos, contado da data da extinção do crédito tributário. INCORREÇÕES NA APURAÇÃO DO INDÉBITO PELA AUTORIDADE. DEVER DE SANEAR. Eventuais equívocos incorridos pela autoridade na apuração do indébito tributário, in casu, não inclusão na parte reconhecida do indébito, dos acréscimos legais, juros de mora e multa, recolhidos com o principal, e, a não atualização dos créditos de acordo com decisão do STJ, devem ser saneados por dever de ofício. Manifestação de Inconformidade improcedente. Os julgadores de 1º piso entenderam que esses valores seriam incontroversos pelo fato da contribuinte não os ter questionado. Explico, nas próximas linhas, por que não reconheço que tenha havido omissão, contradição ou obscuridade nessas matérias. Primeiramente, esta Corte recebeu, através do recurso voluntário, um contraditório que discute o prazo máximo para se pedir restituição. A unidade local e os julgadores de 1º piso se apoiaram em um prazo de cinco anos. Mas este Colegiado, com fundamento em decisão judicial erga omnes, interveio decidindo ser de 10 anos esse prazo. Fl. 1380DF CARF MF Processo nº 10880.004961/9866 Acórdão n.º 3401003.494 S3C4T1 Fl. 8 7 Aquelas decisões anteriores haviam excluídos os períodos de apuração anteriores aos cinco anos. Tendo sido afastada pelo CARF a razão prescricional para se desconsiderar esses períodos, por óbvio que eles devem ser incluídos para serem computados com os outros períodos que lhes são posteriores. Portanto, discutir esse prazo limite compreende apreciar o pedido de restituição e os pedidos de homologação como um todo, e não somente a parte que não fora reconhecida ou não fora homologada. Na verdade, como venho defendendo em meus votos, quando o processo chega a esta Corte, o que está em análise e sob decisão é o direito, que implica as posições tomadas pelas partes, de um lado o que defende a contribuinte, peticionaria, e, de outro, a Fazenda Nacional, que se opusera à pretensão inicial. Não posso concordar com a recorrente quando ela afirma que a 2ª instância não poderia decidir sobre a matéria já decidida anteriormente no processo. O que temos neste processo demonstra que essa afirmação da recorrente não se sustenta. É justamente o que foi decidido antes que está sendo questionado, e que explica a submissão do processo a esta instância. A recorrente acha incorreto que seus pedidos sejam parcialmente deferidos. A parte deferida não está excluída da apreciação da 2ª instância. Nem tem a decisão da autoridade local ou a dos julgadores de 1ª instância o condão de subtrair do Colegiado sua competência, atribuição e responsabilidade de verificar os indices de atualização (expurgos) aplicáveis ao caso. (ii) Apreciemos agora a afirmação da recorrente de que a decisão de CARF de aplicar os expurgos inflacionários careceria de ordem judicial; ou a afirmação de que o voto teria desconsiderado o teor da Norma de Execução Conjunta SRF COSIT COSAR n. 08/1997. Explico que entendo desnecessária essa ordem judicial específica, uma vez que estamos a integrar a esta lide decisão judicial proferida na sistemática dos artigos 543B e 543C do CPC. Assim como o prazo prescricional de dez anos foi pacificado, com efeitos definitivos, a partir de decisão proferida pelas Mais Altas Cortes, assim também se dá com relação ao reconhecimento dos expurgos inflacionários. Até onde pude compreender, e ao contrário do que questiona a recorrente, a aplicação dessas definições proferidas pelo STF e pelo STJ sob as benções dos ritos dos artigos art. 543B e 543C do CPC não carecem de outra decisão judicial dirigida especificamente ao caso ou aos contribuintes deste processo, pois seus efeitos são gerais erga omnes. E com certeza que o que dispõe o artigo 62 do Regimento Interno do CARF dispensa que o Colegiado exija ordem judicial específica para trazer à lide de determinado processo administrativo o que foi decidido pela sistemática dos artigos do CPC acima citados, bem como se cingir ao que disciplinou a citada Norma de Execução Conjunta COSIT COSAR. (iii) A embargante alega que o voto recorrido conflita com ordem judicial que já teria definido os índices de atualização monetária aplicáveis ao caso. Em minha visão não há esse conflito entre as decisões administrativa e judicial alegada pela recorrente. A contribuinte havia indicado em seu pedido de restituição que seu direito residiria na inconstitucionalidade dos decretoslei n. 2.445 e 2.449, de 1.998 e no excedente recolhido com relação à LC n. 07/1970 e na ordem judicial transitada em julgado: RECOLHIMENTO DE PIS DL'S 2445 E 2449/88 EXCEDENTES AO DEVIDO SOB A MODALIDADE PIS REPIQUE (LC 07/70), Fl. 1381DF CARF MF Processo nº 10880.004961/9866 Acórdão n.º 3401003.494 S3C4T1 Fl. 9 8 CONFORME RESOLUÇÃO DO SENADO FEDERAL 49/95, BEM COMO DECISÃO JUDICIAL FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE TRANSITADA EM JULGADO. As ações judiciais que se relacionam a este processo administrativo, e aos que a este estão apensos (que se referem aos autos de infração decorrentes do que está sendo debatido neste, com as compensações não homologadas), foram relatadas, objetivamente, no Despacho DIORT (fls. 895 a 907). E podemos constatar neste relatório, bem como nos textos das decisões judiciais (cópias às fls. 587 e 602), que as decisões judiciais não definiram exatamente quais índices ou indicadores para se calcular a atualização monetária. Elas decidiram, nesta matéria, por fixar um princípio axiometodológico: os índices de atualização monetária a serem aplicados no direito creditório do contribuinte devem ser os mesmos que seriam aplicados para atualizar os valores a receber de direito da Fazenda Nacional. Logo, não há divergência entre a posição adotada pela ordem judicial citada pela contribuinte em sua petição e a posição posta pelo voto recorrido, pois os índices de atualização monetária seriam adotados pelos débitos do contribuinte e pelos da fazenda Nacional, conforme o caso. Peço licença ao Colegiado para expressar meu entendimento pessoal de que, mesmo que aquela ação judicial tivesse especificado um índice de atualização, deverseia adotar neste processo administrativo a decisão proferida pelo STF ou pelo STJ com efeitos erga omnes, em detrimento daquela decisão judicial específica tendo em vista ele ainda não ter chegado à sua decisão final definitiva na esfera administrativa. (iv) A recorrente alega que parte dos valores deferidos pela autoridade local já teria sido objeto de decisão judicial. A recorrente tem razão, mas apenas em parte. Seria necessário retomarmos essas ações judiciais para compreendermos o que aconteceu. E mais uma vez indico o relatório do Despacho DIORT de fls, 895 a 907. As ações judiciais reconheceram a inconstitucionalidade invocada pela contribuinte e reconheceram o direito a aproveitar por meio de compensação os pagamentos feitos a maior que o devido. E além disso, definiram que se aplicaria ao caso o prazo de cinco anos para o direito da contribuinte obter restituição. Em minha leitura, apesar dessas decisões judiciais transitadas em julgado terem definido o prazo de cinco anos, para o processo administrativo hoje em julgamento, devemos aplicar a decisão judicial obtida pela sistemática dos artigos 543B e 543C do CPC, pois ele prevalece para as lides que ainda não estão findas. E é nessa parte, quanto ao prazo de extinção do direito se de cinco anos, ou se dez anos que entendo ter havido a superposição sugerida pela embargante. Mas, em minha visão, o voto recorrido agiu certo, não se consumando a omissão, ou a obscuridade ou a contradição ditadas pela embargante. (v) A recorrente alega que o acórdão embargado deixou de indicar o termo ad quem da atualização monetária, inclusive por que há vários pedidos de compensação vinculados ao pedido de reconhecimento de direito creditório. Sugere que esses termos deveriam corresponder às datas dos encontros de contas das compensações respectivas. Entendo que essa observação da embargante não acresce nada ao voto atacado. Recordo que o Controle de Arrecadação, em seus sistemas e seções, tem legislação, normas e manuais que definem e orientam a atualização monetária. Não há necessidade do voto recorrido definir os termos ad quem quando a sistemática oficial já traz norma a respeito e ela não está sendo questionada. Fl. 1382DF CARF MF Processo nº 10880.004961/9866 Acórdão n.º 3401003.494 S3C4T1 Fl. 10 9 (vi) Por último, a embargante argumenta que o acórdão recorrido não deixou claro se, afastada a prescrição, caberia o retorno dos autos à autoridade de origem para verificação do 'mérito' do pedido análise da existência da certeza e liquidez do direito creditório. A meu ver, esta alegação não pode ser acolhida. De um lado, o acórdão atacado informa, ao final: Os períodos de apuração objeto do pedido de restituição abrangem de janeiro de 1989 a maio de 1994, aquém de fevereiro de 1988. Assim, a decadência não alcançou qualquer um dos períodos de apuração pleiteados. Proponho a este Colegiado a adoção deste entendimento como definidor do prazo fatal decadencial ou prescricional. Sobre a atualização dos valores pelos expurgos inflacionários: Trago à consideração dos Senhores Conselheiros mais um ponto. A partir da edição do Ato Declaratório PGFN n. 10/2008, entendo que é mandatório a aplicação nos pedidos de restituição/ compensação, em procedimento pela via administrativa, dos índices de atualização monetária (expurgos inflacionários) previstos na Resolução n.º 561 do Egrégio Conselho da Justiça Federal, inclusive de aplicação do entendimento do E STJ no REsp 1.112.524/DF julgado na sistemática do art. 543C do CPC, com base no artigo 62A do Regimento do CARF. Portanto, carece a verificação dos valores de direito creditório da adoção desses índices, nos termos aqui postos. Como se vê, o voto condutor indica que, neste processo, se deve aplicar o prazo decenal e os expurgos inflacionários. A questão do prazo de extinção do direito foi o critério do indeferimento. Esse critério foi afastado. Ao compulsarmos os autos, verificamos que a autoridade local já havia verificado a existência dos pagamentos indicados pela contribuinte, e sobre sua efetividade ela não questionou. Correlato a esse procedimento fiscal, a autoridade fiscal na unidade local lavrou autos de infração por meio dos quais constituiu e exigiu os valores relacionados às questões tratadas neste processo administrativo. Assim, não há necessidade de reverificar a liquidez e certeza dos créditos. Por isso, concluo que não ocorreram as omissões, obscuridades e contradições suscitadas pela embargante, razão por que proponho sejam os embargos conhecidos, mas não providos, por falta de comprovação dos vícios alegados. Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira. relator Fl. 1383DF CARF MF Processo nº 10880.004961/9866 Acórdão n.º 3401003.494 S3C4T1 Fl. 11 10 Fl. 1384DF CARF MF
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Numero do processo: 19726.001811/2008-36
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/2002
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-005.476
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 72 6. 00 18 11 /2 00 8- 36 Fl. 1457DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e João Victor Ribeiro Aldinucci. Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pela Fazenda Nacional face ao acórdão 2301004.034, proferido pela 1ª Turma Ordinária / 3ª Câmara / 2ª Seção de Julgamento. Tratase da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) nº 35.563.0800, lavrada em 15/07/2003, que constituiu crédito tributário relativo a contribuições previdenciárias incidentes sobre remunerações pagas aos empregados, no período de 01/1999 a 03/2002, tendo resultado na constituição do crédito tributário de R$ 48.337.377,25, fls. 01. A fiscalização apurou que a recorrente não fazia jus a isenção que declarava possuir, pois não preenchia os requisitos do DecretoLei 1.577/77 para ser detentora de direito adquirido. O Contribuinte apresentou impugnação na qual apresentou argumentos similares aos constantes do recurso voluntário. Na DecisãoNotificação de fls. 555/561, a DRP/Rio de Janeiro concluiu pela procedência integral do lançamento, tendo a recorrente sido cientificada do decisório, fls. 570. O Contribuinte interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário de fls. 1152, requerendo a reforma do Acórdão da DRJ, alegando, em síntese, inexistir corresponsabilidade dos professores Cândido Antonio José Francisco Mendes de Almeida e Antonio Luiz Mendes de Almeida, já que não se configurou qualquer hipótese prevista no art. 135, inciso III do CTN; não foi respeitado o princípio da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal; a decadência deve ser aplicada até 15/07/1998, pois a fiscalização foi realizada em 15/07/2003; a Sociedade Brasileira de Instrução sempre preencheu todas as condições do favor fiscal. A 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 1373/1397, DEU PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Ordinário, (a) limitar a multa de mora aplicada a 20%; (b) aplicar o conteúdo da Súmula CARF 88 no tocante à responsabilidade de sócios. A ementa do acórdão recorrido assim dispôs: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/2002 RESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS LISTADOS EM ANEXO CORESP OU SIMILAR. APLICAÇÃO DA SÚMULA 88 DO CARF. Súmula CARF nº 88: A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais RepLeg” e a “Relação de Vínculos VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali Fl. 1458DF CARF MF Processo nº 19726.001811/200836 Acórdão n.º 9202005.476 CSRFT2 Fl. 10 3 indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL LANÇAMENTO NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há nulidade no auto de infração lavrado com observância do art. 142 do CTN e 10 do Decreto 70.235 de 1972, mormente quando a descrição dos fatos e a capitulação legal permitem ao autuado compreender as acusações que lhe foram formuladas no auto de infração, de modo a desenvolver plenamente suas peças impugnatória e recursal. DECADÊNCIA. INAPLICABILIDADE. No caso em análise, desnecessária a verificação de recolhimentos para efeito de aplicação da Súmula CARF 99, pois a aplicação da caducidade, sob quaisquer regras, não afeta os fatos geradores lançados. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. AUSÊNCIA DE PROVAS DE QUE DISPUNHA DOS REQUISITOS PARA DESFRUTAR DO DIREITO ADQUIRIDO. Com o advento da Constituição Federal de 1988 e da Lei nº 8.212/1991, somente as entidades de assistência social que já gozassem da isenção prevista na Lei nº 3.577/1959 estavam dispensadas de requerer administrativamente o benefício (inteligência do art. 55, §1º da Lei nº 8.212/1991). Entidade assistencial que não provou possuir os requisitos que lhe garantiriam o direito adquirido conforme consta do DecretoLei 1577/77, pois a declaração de utilidade pública federal apresentada foi concedida para entidade mantida pela recorrente e não por esta. Ressaltese que o direito adquirido aqui mencionado a dispensaria apenas de requerer o benefício fiscal , mas não a dispensaria de continuar preenchendo os requisitos legais para desfrutar da imunidade. LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA “C”, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. LIMITAÇÃO DA MULTA MORA APLICADA ATÉ 11/2008. A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea “c”, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante à multa mora até 11/2008, esta deve ser limitada ao percentual previsto no art. 61 da lei 9.430/96, 20%. Recurso Voluntário Provido em Parte. Às fls. 1399/1400, a Fazenda Nacional apresentou Embargos de Declaração aduzindo contradição, alegando provimento parcial do Recurso Voluntário para uma matéria que não estava em litígio (REPLEG e Relação de Vínculos). Fl. 1459DF CARF MF 4 Às fls. 1403, a 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento rejeitou os Embargos de Declaração, sob o fundamento de que a matéria já está sumulada neste CARF, afastando o interesse de agir da embargante. Às fls. 1409/1438, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de Divergência, alegando divergência jurisprudencial em relação às seguintes matérias: preclusão – impossibilidade de conhecimento de ofício da matéria relativa à multa – observouse que no acórdão recorrido a matéria relativa à multa não foi objeto de insurgência pelo autuado no momento processual adequado. Em consequência, a exigência da multa tornouse definitiva na seara administrativa. Entretanto, não obstante as considerações acima tecidas de que em nenhuma das insurgências do sujeito passivo há impugnação específica da multa aplicada, observase que o acórdão recorrido, em contrapartida, deu procedência (parcial) ao recurso do interessado justamente em relação a essa matéria. No acórdão paradigma a matéria relativa à multa, por não ter sido objeto de insurgência no momento oportuno (impugnação ou manifestação de inconformidade e/ou recurso voluntário), tornouse definitiva na esfera administrativa. Isto é, mostrase como ponto incontroverso no feito e como tal não poderia ser objeto de apreciação pelo Colegiado a quo. Retroatividade benigna observou, inicialmente, que os acórdãos indicados como paradigma, assim como o acórdão recorrido, foram proferidos após o advento da MP nº 449, de 03/12/2008, convertida na Lei nº 11.941 de 27/05/2009, e, portanto, a análise da matéria ocorreu à luz da alteração da redação do caput do art. 35 da Lei nº 8.212/91. Consignou que a hipótese em análise nos acórdãos paradigma é idêntica ao caso concreto. Isso porque o que se encontrava em julgamento era exatamente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito de contribuições devidas à Seguridade Social e o contribuinte declarou em GFIP os dados relacionados aos fatos geradores das contribuições previdenciárias. Ocorre que também naqueles feitos, assim como no presente, travouse discussão acerca da retroatividade benigna, nos termos do art. 106, do CTN, em virtude das alterações promovidas pela Lei nº 11.941/09 (fruto da conversão da MP nº 449/2008) no art. 35 da Lei nº 8.212/91. Contudo, embora diante de situações semelhantes, os órgãos julgadores prolatores do acórdão recorrido e dos paradigmas encamparam conclusões diversas acerca da aplicação e interpretação da norma jurídica, em especial do art. 35, caput (redação revogada e com a novel redação dada pela MP nº 449/2008 posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009) e do art. 35A da Lei nº 8.212/1991. O acórdão recorrido entendeu que deveria ser aplicada ao caso a retroatividade benigna, sob o fundamento de que o art. 35, caput, da Lei nº 8.212/1991 deveria ser observado e comparado com a atual redação emprestada pela Lei nº 11.941/2009. E como na atual redação, há remissão ao art. 61 da Lei nº 9.430/96, entendeu que o patamar da multa aplicada estaria limitado a 20% (§ 2º do art. 61). Ao revés, os paradigmas adotaram solução oposta: o art. 35 da Lei nº 8.212/1991 deveria agora ser observado à luz da norma introduzida pela Lei nº 11.941/2009, qual seja, o art. 35A que, por sua vez, faz remissão ao art. 44, da Lei nº 9.430/96. Na ementa dos julgados paradigmas, a aplicação da retroatividade benigna na forma de aplicação do art. 61, § 2º, da Lei nº 9.430/1996 é rechaçada de forma expressa pelo órgão julgador. Às fls. 1440/1448, a 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento realizou o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, DANDO SEGUIMENTO ao recurso, para admitir as duas divergências arguidas que discute a preclusão para o cálculo da multa. Cientificado à fl. 1453, o Contribuinte mantevese inerte, vindo os autos conclusos para julgamento. É o relatório. Fl. 1460DF CARF MF Processo nº 19726.001811/200836 Acórdão n.º 9202005.476 CSRFT2 Fl. 11 5 Voto Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. Tratase da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) nº 35.563.0800, lavrada em 15/07/2003, que constituiu crédito tributário relativo a contribuições previdenciárias incidentes sobre remunerações pagas aos empregados, no período de 01/1999 a 03/2002, tendo resultado na constituição do crédito tributário de R$ 48.337.377,25, fls. 01. A fiscalização apurou que a recorrente não fazia jus a isenção que declarava possuir, pois não preenchia os requisitos do DecretoLei 1.577/77 para ser detentora de direito adquirido. O Acórdão recorrido deu parcial provimento ao Recurso Voluntário. O Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional trouxe para análise as divergências jurisprudenciais sobre o cálculo da multa. Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, Fl. 1461DF CARF MF 6 conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no Fl. 1462DF CARF MF Processo nº 19726.001811/200836 Acórdão n.º 9202005.476 CSRFT2 Fl. 12 7 caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: Fl. 1463DF CARF MF 8 I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da Fl. 1464DF CARF MF Processo nº 19726.001811/200836 Acórdão n.º 9202005.476 CSRFT2 Fl. 13 9 contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº Fl. 1465DF CARF MF 10 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de Fl. 1466DF CARF MF Processo nº 19726.001811/200836 Acórdão n.º 9202005.476 CSRFT2 Fl. 14 11 obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 1467DF CARF MF
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Numero do processo: 16682.720281/2010-17
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2005
PROVISÕES NÃO DEDUTÍVEIS. TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA.
Por configurar uma situação de solução indefinida, que poderá resultar em efeitos futuros favoráveis ou desfavoráveis à pessoa jurídica, os tributos discutidos judicialmente, cuja exigibilidade estiver suspensa nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional, são indedutíveis para efeito de determinação da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, por traduzir-se em nítido caráter de provisão (Lei 9.249/1995, art. 13, I). Além disso, não há nenhum antagonismo entre as regras da Lei 9.249/1995 (art. 13, I) e da Lei 8.981/1995 (art. 41, §1º, e art. 57). O sentido delas é o mesmo, ou seja, vedar a dedução antecipada de tributo com exigibilidade suspensa, dada a sua condição de incerteza. Nesse contexto, seja como provisão, seja como uma despesa que só pode ser deduzida pelo regime de caixa, os tributos com exigibilidade suspensa não podiam mesmo ter sido deduzidos da base de cálculo da CSLL no ano-calendário de 2005.
Numero da decisão: 9101-002.762
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto (relator), Cristiane Silva Costa e José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado), que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Rafael Vidal de Araújo.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
Luís Flávio Neto - Relator
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Jose Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: LUIS FLAVIO NETO
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2005 PROVISÕES NÃO DEDUTÍVEIS. TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. Por configurar uma situação de solução indefinida, que poderá resultar em efeitos futuros favoráveis ou desfavoráveis à pessoa jurídica, os tributos discutidos judicialmente, cuja exigibilidade estiver suspensa nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional, são indedutíveis para efeito de determinação da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, por traduzir-se em nítido caráter de provisão (Lei 9.249/1995, art. 13, I). Além disso, não há nenhum antagonismo entre as regras da Lei 9.249/1995 (art. 13, I) e da Lei 8.981/1995 (art. 41, §1º, e art. 57). O sentido delas é o mesmo, ou seja, vedar a dedução antecipada de tributo com exigibilidade suspensa, dada a sua condição de incerteza. Nesse contexto, seja como provisão, seja como uma despesa que só pode ser deduzida pelo regime de caixa, os tributos com exigibilidade suspensa não podiam mesmo ter sido deduzidos da base de cálculo da CSLL no ano-calendário de 2005.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2075; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 2 1 1 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 16682.720281/201017 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9101002.762 – 1ª Turma Sessão de 5 de abril de 2017 Matéria DEDUÇÃO DE TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA Recorrente VALE SA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2005 PROVISÕES NÃO DEDUTÍVEIS. TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. Por configurar uma situação de solução indefinida, que poderá resultar em efeitos futuros favoráveis ou desfavoráveis à pessoa jurídica, os tributos discutidos judicialmente, cuja exigibilidade estiver suspensa nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional, são indedutíveis para efeito de determinação da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, por traduzirse em nítido caráter de provisão (Lei 9.249/1995, art. 13, I). Além disso, não há nenhum antagonismo entre as regras da Lei 9.249/1995 (art. 13, I) e da Lei 8.981/1995 (art. 41, §1º, e art. 57). O sentido delas é o mesmo, ou seja, vedar a dedução antecipada de tributo com exigibilidade suspensa, dada a sua condição de incerteza. Nesse contexto, seja como provisão, seja como uma despesa que só pode ser deduzida pelo regime de caixa, os tributos com exigibilidade suspensa não podiam mesmo ter sido deduzidos da base de cálculo da CSLL no anocalendário de 2005. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto (relator), Cristiane Silva Costa e José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado), que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Rafael Vidal de Araújo. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 02 81 /2 01 0- 17 Fl. 634DF CARF MF Processo nº 16682.720281/201017 Acórdão n.º 9101002.762 CSRFT1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Luís Flávio Neto Relator (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Jose Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de recurso especial interposto por Vale S/A (doravante “contribuinte” ou “recorrente”), em face do acórdão n. 1301001.067 (doravante “acórdão a quo” ou “acórdão recorrido”), proferido pela 1a Turma Ordinária da 3a Câmara desta 1a Seção (doravante “Turma a quo”). O recurso especial versa sobre a possibilidade de dedução (não adição) da base de cálculo da CSLL dos valores correspondentes aos tributos e contribuições que se encontram com a exigibilidade suspensa. Os fatos foram assim descritos pelo acórdão recorrido (efls. 532 e seg.): “Conforme dá notícia o Termo de Verificação Fiscal que integra o Auto de Infração, a ação fiscal teve origem em inconsistência apurada por consulta interna aos sistemas informatizados da Receita Federal, representada pelo fato de o contribuinte ter efetuado as adições na apuração do lucro real, mas não tê lo feito na apuração da base de cálculo da CSLL. Antes da lavratura do auto de infração, o contribuinte foi intimado a apresentar documentos e explicar detalhadamente a razão do procedimento adotado (não ter adicionado para fins de CSLL os valores adicionados para fins de IRPJ). Em atendimento, o contribuinte trouxe cópia dos balancetes acumulados, cópia das fls. do LALUR que demonstram a apuração do lucro real acumulado mês a mês, e esclareceu que os valores não foram adicionados por entender que não há base legal para exigir tal adição. No Termo de Verificação Fiscal, a autoridade faz referência à legislação que entendeu aplicável, dando destaque aos artigos 13, inciso I da Lei nº 9.249/95, 57 da Lei 8.981/95, 28 da Lei nº 9.430/96 e 2º, § 1º, alínea “c” da Lei nº 7.689/,88, e conclui que cabe à fiscalização adicionar os tributos suspensos por decisão judicial e os ajustes por diminuição do valor dos investimentos avaliados pelo patrimônio líquido." A DRJ julgou a impugnação administrativa improcedente e restou assim ementada (efls. 485 e seg.): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2005 ADIÇÕES AO LUCRO LÍQUIDO. DIMINUIÇÃO NO VALOR DOS INVESTIMENTOS AVALIADOS PELO PATRIMÔNIO LÍQUIDO. Fl. 635DF CARF MF Processo nº 16682.720281/201017 Acórdão n.º 9101002.762 CSRFT1 Fl. 4 3 Os ajustes por diminuição do valor em investimentos avaliados pelo patrimônio líquido, adicionados ao cálculo do lucro real, devem ser adicionados também à base de cálculo da CSLL. TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. INDEDUTIBILIDADE. Os tributos e contribuições com exigibilidade suspensa são indedutíveis da base de cálculo da CSLL. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Nesse seguir, foi interposto recurso voluntário pelo contribuinte (efls. 496 e seg.). Na decisão ora recorrida, a Turma a quo decidiu: a) pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário, no ponto relativo à dedutibilidade da amortização do ágio da base tributável da CSLL; b) por maioria, negar provimento ao recurso voluntário, no ponto relativo à dedutibilidade dos tributos com exigibilidade suspensa da base tributável da CSLL” (efls. 530 e seg.). O acórdão a quo restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 2006 Ementa: CSLL. TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES COM A EXIGIBILIDADE SUSPENSA. DEDUÇÃO. VEDAÇÃO. Amoldamse a verdadeiras provisões os valores registrados contabilmente como decorrentes de obrigações tributárias cujas respectivas exigibilidades encontramse suspensas, não se admitindo, assim, a dedutibilidade dos correspondentes montantes na determinação da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). ÁGIO. AMORTIZAÇÃO CONTÁBIL. BASE DE CÁLCULO DA CSLL. DEDUÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Em que pese a referência feita, em algumas das disposições, ao lucro real, e o disposto nos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997, o preconizado pelos arts. 22, 23, 25 e 33 do DecretoLei nº 1.598/77 deixam claro que, para fins fiscais, os efeitos decorrentes da aplicação do método da equivalência patrimonial nas contas de resultado só devem ser considerados na baixa do investimento. Assim, considerado o disposto no art. 2º da Lei nº 7.689, de 1988, não há que se falar em dedutibilidade do ágio amortizado contabilmente da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Destacase o seguinte trecho do voto do i. Conselheiro Relator, in verbis (e fls. 543 e seg): “A questão, como se vê, não diz respeito exatamente à aplicação de disposição legal própria do imposto de renda à contribuição social sobre o lucro líquido, mas, sim, de identificação, a partir da interpretação da disposição expressa, da natureza da obrigação revelada pelos tributos e contribuições que se encontram com a exigibilidade suspensa, se provisão, eis que incerta, ou despesa incorrida. Penso que a única razão capaz de impedir a dedução dos tributos que se encontram com a exigibilidade suspensa reside exatamente no fato de a lei ter concebido que, neste caso, os valores registrados contabilmente refletem verdadeiras provisões. Nessa linha, suspensa a exigibilidade por força de mandamento legal, a obrigação perde o atributo de certeza, ficando dependente de pronunciamento futuro, seja judicial, seja da própria Administração.” Fl. 636DF CARF MF Processo nº 16682.720281/201017 Acórdão n.º 9101002.762 CSRFT1 Fl. 5 4 O contribuinte interpôs recurso especial arguindo divergência de interpretação quanto a possibilidade da dedução da base de cálculo da CSLL dos valores referentes aos tributos com exigibilidade suspensa (efls. 558 e seg.), o qual foi admitido por despacho (efls. 623 e seg.). Em breve síntese, o contribuinte alega que: “(...) os tributos suspensos configuramse efetiva obrigação tributária e não mera provisão para riscos, tratandose de obrigação vencida, não merecendo prosperar a decisão recorrida”; Uma provisão seria uma despesa seria uma despesa a ser incorrida, mas cujo valor seria determinado. No caso de uma obrigação tributária suspensa, tratarseia de uma obrigação já existente que tem sua exigibilidade suspensa para a proteção temporário do sujeito passivo; “Com a ocorrência do fato gerador, portanto, já se tem configurada a obrigação tributária do contribuinte para com o Fisco, o que torna impossível a qualificação das obrigações tributárias cuja exigibilidade esteja suspensa como ‘provisão’. Tratamse, em verdade, se (sic) situações – crédito/obrigação tributária com exigibilidade suspensa e provisão – antagônicas”; “O que se observa, portanto, é que a prática adotada pela Recorrente mostrase estritamente em consonância com os preceitos da legislação comercial e aos princípios de contabilidade geralmente aceitos, conforme prescrito no artigo 177, da Lei 6.404/76. Subsumiuse ao postulado contábil da consistência”; “Não se pode deixar de considerar que o tributo é despesa desde que é devido. Mesmo que esteja com sua exigibilidade suspensa, a ocorrência do fato gerador gera a contabilização a débito da correspondente conta de despesa e a crédito da correspondente conta de obrigações a pagar, de forma que inexiste hipótese de se deixar levar em consideração o seu valor para apuração do resultado”; “É que a indedutibilidade dos tributos com exigibilidade suspensa é expressa para fins de apuração do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ, nos termos do parágrafo 1º do artigo 41 da Lei nº 8.981/95 e do artigo 344 do RIR/99, não existindo qualquer dispositivo legal semelhante aplicável à CSLL”. Portanto, restaria ofendido o Princípio da Legalidade, já que inexiste norma que, expressa ou implicitamente, vede o procedimento adotado pelo contribuinte. Cientificada, a PFN apresentou contrarrazões, na qual sustenta, síntese (efls. 627 e seg.): “Pois bem, todo o arcabouço normativo aplicável ao IRPJ pode ser transportado para o regime tributário de apuração e pagamento da CSLL, nos termos do artigo 57, da Lei n.º 8.981/95 (...)”; “Dessa forma, sendo imperativo adicionarse ao lucro líquido os valores concernentes aos tributos com exigibilidade suspensa para fins de apuração do IRPJ, conforme prevê o art. 41, § 1º da Lei 8981/95, o mesmo diploma normativo estabeleceu, no art. 57 suso transcrito, que o regime de apuração do IRPJ fosse estendido ao da CSLL. Com efeito, considerando a natureza reflexa da CSLL em relação ao IRPJ, Fl. 637DF CARF MF Processo nº 16682.720281/201017 Acórdão n.º 9101002.762 CSRFT1 Fl. 6 5 conformarseia uma repetição desnecessária reproduzir todas as normas de apuração do aludido imposto para a CSLL”; “O art. 41, § 1º da Lei 8981/95 resguarda o contribuinte da possibilidade de deduzir, do lucro real, as despesas a título de tributos e contribuições efetivamente incorridas. Se houver qualquer circunstância que impeça a exigibilidade dos tributos, não há que se falar em custo/despesa para fins de abatimento do lucro real”. Ressaltase que a recorrida não questionou a admissibilidade do recurso especial. Concluise, com isso, o relatório. Fl. 638DF CARF MF Processo nº 16682.720281/201017 Acórdão n.º 9101002.762 CSRFT1 Fl. 7 6 Voto Vencido Conselheiro Luís Flávio Neto, Relator Compreendo que o despacho de admissibilidade bem analisou o cumprimento dos requisitos para a interposição do recurso especial de divergência interposto pela PFN, razão pela qual não merece reparo. No mérito, há ao menos duas diferentes perspectivas sobre a questão, que podem ser bem identificadas a partir de dois acórdãos do CARF: acórdão 140100.058, de 17.06.2009, do então i. Conselheiro Marcos Shigueo Takata: "Provisão passiva representa urna obrigação incerta, ou certa mas ilíquida. O ato legal, a lei, tem presunção de constitucionalidade e de legitimidade. A obrigação ex lege tributária desfruta desse atributo e só com o trânsito em julgado favorável ao contribuinte têmse derruídas a certeza e a liquidez: obrigação tributária com exigibilidade suspensa não traduz contabilmente uma provisão, mas um contas a pagar diversamente, por ex., de um passivo relativo a uma reclamação trabalhista ainda em curso". acórdão 1101000.792, de 11.09.2012, da então i. Conselheira Edeli Pereira Bessa: "Ocorre que não está em discussão a existência da obrigação, mas sim a sua certeza que decorre, justamente, de sua exigibilidade. Como dito, o passivo deve ser contabilizado, é originariamente uma obrigação legal, mas a retirada de um de seus atributos relevantes, que é a exigibilidade, altera sua natureza para provisão, e enseja a sua indedutibilidade no âmbito da apuração da CSLL. (...) Se a obrigação tributária foi contabilizada como despesa, e antes de seu vencimento, ou mesmo depois deste, a contribuinte é favorecida com decisão judicial que suspende sua exigibilidade, este passivo tem sua natureza alterada, e deve ser reclassificado como provisão, com o conseqüente estorno de seus efeitos na apuração do lucro tributável no momento em que a suspensão da exigibilidade for verificada, para que a dedução somente se efetive quando a exigibilidade for restabelecida". Embora ambas as correntes apresentem argumentos importantes, permissa vênia, compreendo que apenas a primeiro garante coerência ao sistema jurídico edificado pelo legislador tributário, o que pode ser evidenciado por uma interpretação histórica e sistemática dos enunciados legais geralmente suscitados para a regência da matéria. No caso, a Lei n. 8.981, de 20.01.95, estabeleceu os seguintes enunciados prescritivos: Art. 41. Os tributos e contribuições são dedutíveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência. Fl. 639DF CARF MF Processo nº 16682.720281/201017 Acórdão n.º 9101002.762 CSRFT1 Fl. 8 7 § 1º O disposto neste artigo não se aplica aos tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa, nos termos dos incisos II a IV do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, haja ou não depósito judicial. Como se pode observar, o legislador tributário prescreveu a indedutibilidade, da base de cálculo do IRPJ, de débitos tributários que se encontrem com a exigibilidade suspensa por causas específicas e muito bem delimitadas, quais sejam: o depósito do montante integral (inciso II); as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo (inciso III) e a concessão de medida liminar em mandado de segurança (inciso III). Tal norma, é preciso frisar, se dirige apenas ao IRPJ (e não à CSLL). Expressamente, então, o legislador excluiu hipóteses de suspensão da exigibilidade do crédito tributário dessa norma de restrição de dedutibilidade da base de cálculo do IRPJ, notadamente a "moratória" e outras hipóteses previstas no art. 151 do CTN. Por sua vez, pouco tempo depois, em 26.12.1995, o legislador competente enunciou a Lei n. 9.249, que assim dispõe: Art. 13. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964: I de qualquer provisão, exceto as constituídas para o pagamento de férias de empregados e de décimoterceiro salário, a de que trata o art. 43 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, e as provisões técnicas das companhias de seguro e de capitalização, bem como das entidades de previdência privada, cuja constituição é exigida pela legislação especial a elas aplicável; Essa segunda norma, como se pode verificar, veda a dedução de "qualquer provisão" da base de cálculo tanto do IRPJ quanto da CSLL, salvo algumas exceções. Compreendo que a única forma de interpretar tais enunciados prescritivos sem que se admita a existência de um caos normativo em que convivem normas vigentes, subsequêntes e irremediavelmente conflitantes é assumir que o legislador, ao prescrever o art. 13, I, trata de questão diversa de tributos cuja exigibilidade se encontre suspensa. Portanto, no caso dos autos, em que se discute a dedutibilidade de tributos com exigibilidade suspensa da base de cálculo apenas da CSLL, não há incidência do art. 41 da Lei n. 8.981/95 (pois este é aplicável apenas ao IRPJ), bem como não incide a restrição do art. 13 da Lei n. 9.249/95 (pois este não é aplicável a tributos com exigibilidade suspensa). Portanto, compreendo assistir razão ao contribuinte. O art. 57 da Lei n. 8.981/95 não altera essa conclusão: Art. 57. Aplicamse à Contribuição Social sobre o Lucro (Lei no 7.689, de 1988) as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas, inclusive no que se refere ao disposto no art. 38, mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na Fl. 640DF CARF MF Processo nº 16682.720281/201017 Acórdão n.º 9101002.762 CSRFT1 Fl. 9 8 legislação em vigor, com as alterações introduzidas por esta Lei. (Redação dada pela Lei no 9.065, de 1995). Referido enunciado prescritivo prevê remissão apenas para questões operacionais específicas e não tem o condão de ampliar o escopo do art. 41 da Lei n. 8.981, de 20.01.95 para alcançar também a CSLL. A ressalva expressa do legislador no art. 57 da Lei nº 8.981/95 deixa claro que, assim como a CSLL tem suas “alíquotas” estabelecidas por regras próprias (a alíquota da CSLL em geral é 9%, sem adicional, e não 15% com adicional de 10%, como se dá com o IRPJ, em geral), também para a “base de cálculo” da CSLL não há remissão necessária aos dispositivos que cuidam do IRPJ. A base de cálculo da CSLL é regulada por enunciados específicos ou, ainda, que cumulem expressamente a tutela dessa contribuição e do IRPJ. Nesse seguir, voto por CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso especial do contribuinte. (assinado digitalmente) Luís Flávio Neto Fl. 641DF CARF MF Processo nº 16682.720281/201017 Acórdão n.º 9101002.762 CSRFT1 Fl. 10 9 Voto Vencedor Conselheiro Rafael Vidal de Araújo, Redator Designado Em que pesem as razões de decidir do eminente relator, peço vênia para dele divergir quanto à questão sobre a dedutibilidade de tributos e contribuições com a exigibilidade suspensa, no que toca à base de cálculo da CSLL. Uma dos aspectos em debate é a incidência ou não do inciso I do art. 13 da Lei n. 9.249/1995, que veda a dedução de provisão que não esteja expressamente autorizada: Art. 13. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964: I de qualquer provisão, exceto as constituídas para o pagamento de férias de empregados e de décimoterceiro salário, a de que trata o art. 43 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, e as provisões técnicas das companhias de seguro e de capitalização, bem como das entidades de previdência privada, cuja constituição é exigida pela legislação especial a elas aplicável;(Vide Lei 9.430, de 1996) Em relação a esse ponto, é relevante destacar que o conceito de provisão abarca situações variadas. O que caracteriza uma provisão é sua correspondência a situações sobre as quais paira algum grau de incerteza quanto à existência, ao valor, ao vencimento, etc., de uma obrigação ou de uma perda patrimonial. As provisões não abarcam apenas registros de "riscos" de perda patrimonial, como a "provisão para créditos de liquidação duvidosa". Há também provisões para encargos sociais e trabalhistas. Há ainda a própria "provisão para o imposto de renda" constituída no encerramento do período de apuração, quando já consumado o fato gerador. O próprio texto legal do inciso I do art. 13 da Lei 9.249/1995 não restringe o conceito de provisão às provisões para risco de perda patrimonial, que normalmente apresentam um maior grau de incerteza. Nesse passo, não se pode negar que uma obrigação tributária que está sendo discutida em juízo pela contribuinte, que está com a exigibilidade suspensa no contexto de um processo judicial, possui a característica essencial de uma provisão, que é, no caso, a incerteza quanto à sua própria existência. Fl. 642DF CARF MF Processo nº 16682.720281/201017 Acórdão n.º 9101002.762 CSRFT1 Fl. 11 10 É até contraditório que a contribuinte questione a existência da obrigação tributária, suspendendo inclusive a sua exigibilidade, e ao mesmo tempo defenda sua dedutibilidade como sendo uma obrigação certa. Não há dúvida de que o mesmo questionamento que resultou na suspensão da exigibilidade da obrigação tributária, poderá também resultar na sua própria extinção. Eis aí a incerteza em relação à existência da obrigação, que a contribuinte procura negar. Em reforço ao que está sendo dito, registro o conteúdo do voto que orientou o Acórdão nº 130100.794, de 17/01/2012, exarado pelo conselheiro Waldir Veiga Rocha, que também colaciona variada jurisprudência sobre o tema: O ponto central da discussão é a natureza das despesas com provisões para pagamento de tributos discutidos em juízo e cuja exigibilidade estava suspensa, se despesas efetivamente incorridas, como quer a interessada, ou se provisões, como entende o Fisco. Como corolário dessa questão, discutese também a dedutibilidade, ou não, de tais despesas (ou provisões) para fins de determinação da base de cálculo da CSLL. A matéria é bastante conhecida, e já foi objeto de apreciação por este colegiado, quando do julgamento dos processos nº 16327.000028/200517 e nº 16327.001299/200671, também sob minha relatoria, resultando, respectivamente, os acórdãos nº 130100.275, de 09/03/2010, e nº 1301 00.642, de 04/08/2011. Por bem refletir meu entendimento sobre o assunto, transcrevo, a seguir, excerto do voto proferido no primeiro processo e reproduzido no segundo, sendo em ambas as ocasiões acompanhado à unanimidade pela Turma. [...] Com efeito, as despesas com tributos, na situação em que estes estão submetidos ao crivo do Poder Judiciário e com exigibilidade suspensa, não se revestem da certeza e da liquidez indispensáveis a que sejam consideradas despesas incorridas a pagar. Em conseqüência, suas contrapartidas, registradas no passivo, se caracterizam como provisões para fazer face a evento futuro e incerto. Não se discute a correção do registro contábil, pertinente à luz dos princípios e convenções da contabilidade, especialmente aquele do conservadorismo. Também não se trata de glosa de despesas tidas por desnecessárias ou não usuais. O ponto central é que as despesas discutidas são incertas tanto para o contribuinte, que as considera indevidas e as discute judicialmente, quanto para o ente tributante, que se vê na dependência de manifestação do Poder Judiciário para que possa exigir o tributo. Isso ficou bem claro no voto condutor do acórdão recorrido, no trecho a seguir transcrito: 13 A obrigatoriedade de pagar os valores dependem de eventos futuros e incertos, ou seja, dependem de decisão judicial. Se for incerto, não pode ser classificado como contas a pagar, que por sua natureza, impõe liquidez e certeza. A provisão, por sua vez, não possui um dos Fl. 643DF CARF MF Processo nº 16682.720281/201017 Acórdão n.º 9101002.762 CSRFT1 Fl. 12 11 elementos, quais sejam liquidez e certeza, pois se assim fosse, um termo seria sinônimo do outro. 14 Ao interpor a ação judicial o interessado pretende ver dispensado do recolhimento do tributo. Para a administração tributária demonstra que, segundo seu entendimento, o valor não é devido, como também demonstra para seus sócios e terceiros que luta para não recolher o tributo. Em suma, tanto o interessado, quanto a administração tributária, não têm certeza sobre seus direitos. Ambos aguardam o pronunciamento do poder judiciário. Demonstrada a natureza de provisão dos valores ora discutidos, impõese sua adição para fins de apuração da base de cálculo da CSLL, ex vi do art. 13, inciso I, da Lei nº 9.249/1995. Tal foi exatamente o procedimento do Fisco, o qual reputo correto. [...] A jurisprudência administrativa é farta nessa linha, como se verifica das ementas a seguir transcritas, a título exemplificativo: CSLL — PROVISÕES NÃO DEDUTÍVEIS — TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA — Por configurar uma situação de solução indefinida, que poderá resultar em efeitos futuros favoráveis ou desfavoráveis à pessoa jurídica, os tributos ou contribuições cuja exigibilidade estiver suspensa nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional, são indedutíveis para efeito de determinação da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, por traduzirse em nítido caráter de provisão. (Ac. 10194.491, de 29/01/2004. Rec. 136.214. Rel. Cons. Valmir Sandri) (No mesmo sentido, Ac. 103 23.053, de 13/06/2007, Rec. 156.141. Rel. Cons. Leonardo de Andrade Couto) (No mesmo sentido, Ac. 10517.358, de 17/12/2008. Rec. 164.752. Rel. Cons. Marcos Rodrigues de Mello) CSLL — PROVISÕES NÃO DEDUTÍVEIS — TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA — Por configurar uma situação de solução indefinida, que poderá resultar em efeitos futuros favoráveis ou desfavoráveis à pessoa jurídica, os tributos ou contribuições cuja exigibilidade estiver suspensa nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional, são indedutíveis para efeito de determinação da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, por traduzirse em nítido caráter de provisão. JUROS DE MORA SOBRE TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA POR FORÇA DE MEDIDAS JUDICIAIS — Por constituírem acessório dos tributos sobre os quais incidem, os juros de mora sobre tributos cuja exigibilidade esteja suspensa por força de medidas judiciais seguem a norma de dedutibilidade do principal. Fl. 644DF CARF MF Processo nº 16682.720281/201017 Acórdão n.º 9101002.762 CSRFT1 Fl. 13 12 (Ac. 10195.727, de 20/09/2006. Rec. 135.395. Rel. Cons. Paulo Roberto Cortez) IRPJ — CSLL — PROVISÕES NÃO DEDUTIVEIS — TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA — Por configurar uma situação de solução indefinida, que poderá resultar em efeitos futuros favoráveis ou desfavoráveis à pessoa jurídica, os tributos ou contribuições cuja exigibilidade estiver suspensa nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional, são indedutíveis para efeito de determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, por traduzirse em nítido caráter de provisão. Assim, a dedutibilidade de tais rubricas somente ocorrerá por ocasião de decisão final da justiça, desfavorável à pessoa jurídica. JUROS DE MORA SOBRE TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA POR FORÇA DE MEDIDAS JUDICIAIS — Por constituírem acessório dos tributos sobre os quais incidem, os juros de mora sobre tributos cuja exigibilidade esteja suspensa por força de medidas judiciais a seguem a norma de dedutibilidade do principal. (Ac. 10196.008, de 01/03/2007. Rec. 151.401. Rel. Cons. Paulo Roberto Cortez) CSLL. DEDUTIBILIDADE DE TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. ANOCALENDÁRIO 1998. Os tributos e contribuições que estejam com exigibilidade suspensa, nos termos do art. 151, II a IV, do CTN, constituem provisões e não despesas incorridas, estando vedada sua dedução para apuração da base de cálculo da CSLL. (Ac. 10323.031, de 24/05/2007. Rec. 156.083. Rel. Cons. Aloysio José Percínio da Silva) PROVISÕES — provisões somente podem ser deduzidas das bases de cálculo da CSSL se assim a lei expressamente autorizar. Classificamse como tais, os elementos do passivo, cuja exigibilidade, montante ou data de liquidação, isolada ou conjuntamente, não são certos e determináveis no período de apuração. Assim, valores registrados como tributos, contribuições e demais acréscimos, não passíveis de serem exigidos por força de medida judicial, quadramse nesta classificação e devem ser adicionados à base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, se seu registro contábil reduziu o resultado do exercício. (Ac. 10323.037, de 24/05/2007. Rec. 156.322. Rel. Cons. Guilherme Adolfo dos Santos Mendes) CSLL — BASE DE CÁLCULO — DEDUTIBILIDADE DE TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA — Os tributos e contribuições que estejam com exigibilidade suspensa, nos termos do art. 151, inciso II do CTN, constituem provisões e não despesas incorridas, estando vedada sua dedução para apuração da base de cálculo da CSLL, conforme regra do art. 13, inciso Fl. 645DF CARF MF Processo nº 16682.720281/201017 Acórdão n.º 9101002.762 CSRFT1 Fl. 14 13 I, da Lei 9.249/95. (Ac. 10808.126, de 02/12/2004. Rec. 139.544. Rel. Cons. Luiz Alberto Cava Macieira) Esta 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais também já manifestou entendimento de que os tributos com exigibilidade suspensa têm caráter de provisão e, como tais, não são dedutíveis na apuração da CSLL, conforme os seguintes julgados: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO. DEDUTIBILIDADE DE TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. Por configurar uma situação de solução indefinida, que poderá resultar em efeitos futuros favoráveis ou desfavoráveis à pessoa jurídica, os tributos discutidos judicialmente, cuja exigibilidade estiver suspensa nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional, são indedutiveis para efeito de determinação da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido, por traduzir se em nítido caráter de provisão. O mesmo ocorre com a provisão para juros sobre contingências fiscais os quais, por constituírem acessório dos tributos sobre os quais incidem, devem seguir a norma de dedutibilidade do principal. (Acórdão 910101.214, de 18/10/2011). CSLL. DEDUÇÕES DA BASE DE CÁLCULO. PROVISÕES NÃO DEDUTÍVEIS. TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. Por configurar uma situação de solução indefinida, que poderá resultar em efeitos futuros favoráveis ou desfavoráveis à pessoa jurídica, os tributos ou contribuições cuja exigibilidade estiver suspensa nos termos do art. 151, do Código Tributário Nacional CTN, são indedutíveis para efeito da determinação da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, por traduzirse em nítido caráter de provisão. (Acórdão 9101 001.512, de 20/11/2012). Mesmo aderindo ao entendimento de que os tributos com exigibilidade suspensa têm caráter de provisão, o que já seria suficiente para o deslinde da controvérsia, há ainda outro aspecto a ser examinado. É que a questão sobre a dedutibilidade de tributos e contribuições com a exigibilidade suspensa, no que toca à base de cálculo da CSLL, também costuma ser abordada no contexto das regras previstas no art. 41, §1º c/c art. 57, ambos da Lei nº 8.981/1995: Art. 41. Os tributos e contribuições são dedutíveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência. § 1º O disposto neste artigo não se aplica aos tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa, nos termos dos incisos II a IV do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, haja ou não depósito judicial. [...] Art. 57. Aplicamse à Contribuição Social sobre o Lucro (Lei nº 7.689, de 1988) as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas, inclusive no que se refere ao disposto no art. 38, mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor, com as alterações introduzidas por esta Lei. (Redação dada pela Lei nº 9.065, de 1995) Fl. 646DF CARF MF Processo nº 16682.720281/201017 Acórdão n.º 9101002.762 CSRFT1 Fl. 15 14 Há uma linha de entendimento, adotada inclusive pelo voto do relator, que vê as referidas regras da Lei 9.249/1995 (art. 13, I) e da Lei 8.981/1995 (art. 41, §1º, e art. 57) como hipóteses excludentes e antagônicas. Ou seja, o tributo com exigibilidade suspensa configuraria efetiva obrigação tributária, e não mera provisão. E nesse passo, como obrigação tributária, a regra que poderia incidir seria aquela prevista na Lei 8.981/1995, e não a da Lei 9.249/1995. O problema, conforme apontado no voto do relator, é que o art. 41, §1º, da Lei 8.981/1995 só é aplicável ao IRPJ, de modo que nenhuma restrição legal haveria para que os tributos com exigibilidade suspensa fossem deduzidos da base de cálculo da CSLL pelo regime de competência. Entretanto, também divirjo do relator quanto a esse tipo de entendimento. Não estamos aqui diante de uma situação em que se pretende estender para a CSLL alguma regra que trata de item específico da base de cálculo do IRPJ. Não é esse o caso. Sabese muito bem que as obrigações tributárias configuram despesa dedutível tanto para o IRPJ, quanto para a CSLL, e que essa possibilidade de dedução é prevista individualmente, tanto nas regras que tratam da base de cálculo do IRPJ, quanto nas regras que tratam da base de cálculo da CSLL. O §1º do art. 41 da Lei 8.981/1995 não criou nenhuma dedução específica para o IRPJ. Esse dispositivo simplesmente definiu um regime (regime de competência ou regime de caixa) para o tipo de despesa que está sendo aqui tratado (despesa com tributos), levando em conta que essa despesa pode estar relacionada a uma obrigação tributária com exigibilidade suspensa. A questão da definição de regime para o reconhecimento de receitas e despesas é tipicamente uma "norma de apuração", e se encaixa exatamente no escopo do art. 57 da Lei 8.981/1995. Basta ver que quando é adotado o regime de caixa para o IRPJ (na apuração do lucro presumido, p/ ex.) este mesmo regime é adotado para a CSLL, também por força do art. 57 da Lei 8.981/1995, e ninguém pensa em alegar que esse dispositivo estaria sendo utilizado para desvirtuar a base de cálculo da CSLL, para acrescentar elementos na base de cálculo da CSLL que não estavam previstos nas suas próprias normas, etc. Assim, a regra do art. 41, §1º, da Lei 8.981/1995 é perfeitamente aplicável à CSLL. Não há nenhum antagonismo entre as referidas regras da Lei 9.249/1995 (art. 13, I) e da Lei 8.981/1995 (art. 41, §1º, e art. 57). É preciso ter em mente que a palavra do legislador muitas vezes não esgota as possibilidades de sentido que pode ser a ela atribuído. É sempre a interpretação das normas que dá o seu conteúdo ao longo do tempo, compondo as aparentes contradições e os excessos normativos. Fl. 647DF CARF MF Processo nº 16682.720281/201017 Acórdão n.º 9101002.762 CSRFT1 Fl. 16 15 E quanto à matéria em questão, o sentido das regras contidas na Lei 8.981/1995 (art. 41, §1º) e na Lei 9.249/1995 (art. 13, I) é exatamente o mesmo, ou seja, vedar a dedução antecipada de tributo com exigibilidade suspensa, dada a sua condição de incerteza. Nesse contexto, seja como provisão, seja como uma despesa que só pode ser deduzida pelo regime de caixa, os tributos com exigibilidade suspensa não podiam mesmo ter sido deduzidos da base de cálculo da CSLL no anocalendário de 2005. Correto o posicionamento adotado pelo acórdão recorrido. Desse modo, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso especial da contribuinte. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 648DF CARF MF
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Numero do processo: 13975.000184/2005-55
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Sat Jul 01 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. DESISTÊNCIA
O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso nos termos do artigo 78 , parágrafo 2º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria MF nº 342, de junho de 2015.
Numero da decisão: 9303-005.182
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial, em razão da desistência do processo administrativo fiscal pelo contribuinte através de ação judicial com o mesmo objeto, nos termos do Art. 78, § 2º do RICARF.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer De Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: DEMES BRITO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. DESISTÊNCIA O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso nos termos do artigo 78 , parágrafo 2º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria MF nº 342, de junho de 2015.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. DESISTÊNCIA O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso nos termos do artigo 78 , parágrafo 2º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria MF nº 342, de junho de 2015. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial, em razão da desistência do processo administrativo fiscal pelo contribuinte através de ação judicial com o mesmo objeto, nos termos do Art. 78, § 2º do RICARF. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer De Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 5. 00 01 84 /2 00 5- 55 Fl. 964DF CARF MF Processo nº 13975.000184/200555 Acórdão n.º 9303005.182 CSRFT3 Fl. 955 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional com fundamento no artigo 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais — CARF, aprovado pela Portaria MF 256, de 22 de junho de 2009, contra ao acórdão nº 3102001.740, proferido pela 1º Câmara/2º Turma Ordinária do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que decidiu em dar provimento ao Recurso Voluntário, reconhecendo a possibilidade de se apurar créditos de Cofins não cumulativa sobre dispêndios relativos a extração de madeira, transporte, manutenção de máquinas, frete nacional e armazenagem nas operações de exportação. Transcrevo, inicialmente, excerto do relatório da decisão de primeiro grau: "Trata o presente processo de "Pedido de Ressarcimento" de créditos de Cofins, relativo ao segundo trimestre de 2005, no valor de R$180.051,27, correspondente ao saldo declarado de créditos de mercado externo após as deduções e antes das compensações. A partir da análise feita nos documentos da empresa em diligência fiscal, foi emitido o Despacho Decisório DRF/Blumenau (fls. 597/634) o qual reconheceu parcialmente o direito creditório no valor de R$ 37.085,53, a título de mercado externo, correspondente ao saldo remanescente após as deduções da contribuição apurada em cada mês do trimestre e antes das compensações. A análise teve como base as informações prestada nos documentos apresentados pela interessada e acostados ao processo, bem como as informações obtidas por meio de consultas aos sistemas informatizados da RFB. Consta, ainda, que foram feitos ajustes nos valores das receitas de exportação, com base na análise do Demonstrativo dos Despachos de Exportação, de consultas ao sistema Siscomex e de amostragem de notas fiscais, apresentado novos percentuais de exportação deferidos para efeito de cálculo de créditos de mercado interno e de mercado externo. O Despacho decisório relaciona as glosas efetuadas, pelos motivos que se apresentam abaixo, em breve síntese: 1 Glosas de Valores de "Bens utilizados como insumos"; 2. Glosas a titulo de "Serviços Utilizados como Insumos", 3. Glosa a título de "Despesas de Energia Elétrica"; 4. Glosa de Despesas de Aluguéis de Máquinas e Equipamentos Locados de Pessoas Jurídicas; 5. Glosa de Despesas de Armazenagem de Mercadoria e Frete na Operação de Venda; 6. Glosa de Base de Cálculo do Crédito a Descontar Referente Ativo Imobilizado — Lei nº. 10.833/2003, art. 3°., §§ 14 e 16 e Lei n°. 11.051/2004, art 2º. O Acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Fl. 965DF CARF MF Processo nº 13975.000184/200555 Acórdão n.º 9303005.182 CSRFT3 Fl. 956 3 Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 COFINS NÃO CUMULATIVA. DESPESAS COM BENS E SERVIÇOS INCLUÍDOS NO CONCEITO DE INSUMOS DO ART. 3º DA LEI Nº 10.833/03. As despesas com extração de madeira, transporte, manutenção de máquinas, frete nacional e armazenagem nas operações de exportação estão abarcados pelo conceito de insumo previsto no art. 3º da Lei nº 10.833/2003, para efeito do cálculo dos créditos da COFINS nãocumulativos. Recurso Voluntário Provido em Parte Nada obstante, a Fazenda Nacional opôs Embargos de Declaração, fls.826/828, por entender que o voto condutor do julgado, a DRJ apresentou dois argumentos distintos para manter a glosa de despesas com extração de madeira, transporte, manutenção de máquinas, frete nacional e armazenagem, na apuração de crédito de Cofins não cumulativa. O primeiro argumento se refere à falta de comprovação dos valores das despesas informadas, enquanto o segundo argumento se refere à caracterização de insumo à luz da legislação de regência da matéria. No entanto, o Relator, somente afastou o segundo argumento, sob o entendimento de que as despesas com extração de madeira, transporte, manutenção de máquinas, armazenagem e frete, diversamente da posição firmada em primeira instância, são passíveis de gerar créditos no regime da Cofins não cumulativa. Ao não apreciar a falta de comprovação das despesas informadas, o julgado incorre em relevante omissão, que merece ser sanada. Os embargos foram rejeitados, fls.887/894, a turma entendeu que "uma vez que alterada uma das premissas na quais baseouse a decisão de negar o direito de crédito ao contribuinte, todo o desenrolar do processo acaba sendo alterado. Se reconhece a necessidade de que um conceito mais amplo de insumo seja considerado, novas demandas probatórias haverão de ser necessárias, na medida em que as iniciativas estavam, até então, limitadas por uma baliza que foi removida". Não conformada com tal decisão, a Fazenda Nacional interpõe o presente Recurso, sustentando que "somente devem ser considerados insumos, para fins de creditamento, os bens utilizados no processo de produção da mercadoria destinada à venda e ao ato de prestação de um serviço dos quais decorram a receita tributada, ou seja, os custos relacionados com a atividade fim, diretamente ligados aos processos de prestação de serviços e de fabricação de bens a serem vendidos, dos quais decorrem o auferimento de uma receita é que podem ser considerados insumos". Para comprovar o dissenso jurisprudencial, foi apontado, como paradigmas, os Acórdãos nºs 3801001.885 e 3801002.037. A divergência suscitada pela Fazenda Nacional foi quanto ao direito de crédito das contribuições não cumulativas em relação aos dispêndios realizados com extração de madeira, transporte, manutenção de máquinas, frete nacional e armazenagem nas operações de exportação, que, no seu entender, não geram direito a crédito. O recurso teve seguimento nos termos do Despacho de Admissibilidade, fls. 943/946, com fundamento de que nos acórdãos paradigma adota o entendimento restritivo dado pela normativa da RFB. De outro lado, o acórdão recorrido, conclui haver um alargamento deste conceito, não estando este restrito às definições da legislação do IPI. No caso em apreço, a decisão Fl. 966DF CARF MF Processo nº 13975.000184/200555 Acórdão n.º 9303005.182 CSRFT3 Fl. 957 4 recorrida entende que dispêndios relativos a extração de madeira, transporte, manutenção de máquinas, frete nacional e armazenagem nas operações de exportação estão contemplados no conceito de insumos para fins de direito ao crédito das contribuições, já que foram representam atividades essenciais e necessárias ao processo produtivo. De outra banda, os paradigmas entendem que somente podem ser considerados insumos aqueles que se integrem ou ajam diretamente sobre o produto em fabricação. A Contribuinte não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Demes Brito Relator. O recurso é tempestivo, mas, em razão dos fatos a seguir apontados, dele não tomo conhecimento. Conforme acima relatado, o Pedido de Restituição formulado pelo ora Recorrente, guerreado neste Conselho por meio do Processo Administrativo nº13975.000184/200555, versa sobre a mesma matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário, Processo nº 500358476.2013.404.7213/SC, fls. 405/443, informado junto aos autos, o que configurou desistência do Recurso. Essa questão encontrase no artigo 78, parágrafo 2º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria MF nº 342, de junho de 2015, nos seguintes termos: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. Uma vez submetida determinada matéria à apreciação do Poder Judiciário, cuja decisão prevalecerá na ordem jurídica, qualquer outra discussão paralela mostrase inoportuna e ineficaz, uma vez que suas conclusões, indubitavelmente, quedarseão ao decisum judicial manifesto ou a ser proferido. Diante do exposto, não conheço do Recurso interposto pela Fazenda Nacional, declarandose a extinção do feito, com a devolução dos autos a unidade de origem. É como voto. (Assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 967DF CARF MF Processo nº 13975.000184/200555 Acórdão n.º 9303005.182 CSRFT3 Fl. 958 5 Fl. 968DF CARF MF Processo nº 13975.000184/200555 Acórdão n.º 9303005.182 CSRFT3 Fl. 959 6 Fl. 969DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.012215/2001-58
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Feb 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1997
NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADES.
Apenas configuram nulidade formal os vícios no lançamento que permitam sua mera repetição com a exclusiva supressão do vício. Em oposição, em todos os casos em que necessário novo lançamento, assim entendido aquele que altera a sujeição passiva, a infração apontada ou o enquadramento legal, trata-se de causa de nulidade por vício material.
Numero da decisão: 9303-004.684
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento.
Rodrigo Da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
Júlio César Alves Ramos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: JULIO CESAR ALVES RAMOS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1997 NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADES. Apenas configuram nulidade formal os vícios no lançamento que permitam sua mera repetição com a exclusiva supressão do vício. Em oposição, em todos os casos em que necessário novo lançamento, assim entendido aquele que altera a sujeição passiva, a infração apontada ou o enquadramento legal, trata-se de causa de nulidade por vício material.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento. Rodrigo Da Costa Pôssas - Presidente em exercício. Júlio César Alves Ramos - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1490; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10880.012215/200158 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303004.684 – 3ª Turma Sessão de 16 de fevereiro de 2017 Matéria NULIDADE Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado COOPERATIVA DOS PRODUTORES DE CANADEAÇÚCAR, AÇÚCAR E ÁLCOOL DO ESTADO DE SÃO PAULO LTDA. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1997 NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADES. Apenas configuram nulidade formal os vícios no lançamento que permitam sua mera repetição com a exclusiva supressão do vício. Em oposição, em todos os casos em que necessário novo lançamento, assim entendido aquele que altera a sujeição passiva, a infração apontada ou o enquadramento legal, tratase de causa de nulidade por vício material. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento. Rodrigo Da Costa Pôssas Presidente em exercício. Júlio César Alves Ramos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 01 22 15 /2 00 1- 58 Fl. 438DF CARF MF 2 Relatório A Fazenda Nacional retorna a estes autos para contestar a conclusão da decisão recorrida segundo a qual a inadequação na descrição dos fatos, que não espelhe a real situação quanto ao crédito tributário exigido, é caso de nulidade material do lançamento. No caso, tratase de lançamento decorrente de revisão eletrônica de DCTF que apontou que o processo judicial lá indicado pelo declarante não fora comprovado. Feita a comprovação no ato de impugnação, a DRJ modificou o motivo do lançamento para a insuficiência do montante do direito creditório apurado em decorrência da decisão judicial agora comprovada. Para a Turma recorrida, isso provoca a nulidade por vício material do lançamento. Já para a Turma que proferiu acórdão trazido como paradigma, a mesma situação justificaria a nulidade, mas por vício de forma. Não consta ter havido a apresentação de contrarrazões. É o Relatório. Voto Conselheiro Júlio César Alves Ramos O recurso foi bem admitido na medida em que o paradigma efetivamente analisou a mesma situação e concluiu de forma diametralmente oposta à do recorrido. Dele conheço, pois. Mas lhe nego provimento pelas próprias fundamentações expendidas na decisão atacada que peço vênia para transcrever: De outro giro, saindo dos termos definidos no art. 10, o restante dos componentes do lançamento dizem respeito a motivação e justificativa legal para o lançamento, que consta da descrição dos fatos. assim, a origem da infração tributária, a motivação para o lançamento, as razões de decidir da autoridade lançadora que sustentam a exigência tributária, todos são aspectos intrínsecos ao Auto de Infração e dizem respeito a característica individual do lançamento. Neste ponto estes requisitos, dizem respeito ao fato em si objeto do lançamento, ao mérito do assunto abordado, a matéria objeto da lide e da discussão que a autoridade lançadora entendeu ter ocorrido o descumprido da legislação tributária. Assim, erros, falhas e omissões dizem respeito a essência do lançamento a própria matéria fática que originou a exigência tributária, assim as falhas e omissões são nestes casos, vícios materiais. O Auto de Infração que originou o processo em discussão, teve origem em auditoria eletrônica que não identificou a existência Fl. 439DF CARF MF Processo nº 10880.012215/200158 Acórdão n.º 9303004.684 CSRFT3 Fl. 3 3 de processo judicial, interposto pela Recorrente, que lhe asseguraria o direito a créditos utilizados na compensação de débitos. Em razão da existência apurada na auditoria eletrônica, realizouse automaticamente a exigência dos débitos que estariam compensados com este processo inexistente. Entretanto, ao tomar ciência da exigência a autuada veio aos autos e trouxe a ação judicial em discussão comprovando a sua existência e assim, um erro fático, no lançamento, já que a motivação do lançamento foi a inexistência do processo judicial. Confirmado a procedência da ação judicial, comprovado também o erro fático no lançamento temos um vício material. Neste caminho a lição de Celso Antônio Bandeira de Melo. "Motivo é o pressuposto de fato que autoriza ou exige a prática do ato. É pois, a situação do mundo empírico que deve ser tomada em conta para a prática do ato. Logo, é externo ao ato. Inclusive o antecede. Por isso não pode ser considerado como parte, como elemento do ato. O motivo pode ser previsto em lei ou não. Quando previsto em lei, o agente só pode praticar o ato se houver ocorrido a situação prevista. Quando não há previsão legal, o agente tem liberdade de escolha da situação (motivo( em vista da qual editará o ato. É que, mesmo se a lei não alude expressamente aos motivos propiciatórios ou exigentes de um ato, nem por isto haverá liberdade para expedilo sem motivo ou perante um motivo qualquer. Só serão de aceitar os que possam ser havidos como implicitamente admitidos pela lei à vista daquele caso concreto, por corresponderem a supostos fáticos idôneos para demandar ou comportar a prática daquele específico ato, espelhando, dessarte, sintonia com a finalidade legal. Vale dizer: prestantes serão os motivos que revelem pertinência lógica, adequação racional ao conteúdo doa to, ao lume do interesse prestigiado na lei aplicanda. Além disto, em todos e qualquer caso, se o agente se embasar na ocorrência de um dado motivo, a validade do ato dependerá da existência do motivo que houver sido enunciado. Isto é, se o motivo que invocou for inexistente, o ato será inválido". (grifei) (Bandeira de Melo, Celso Antônio, Curso de Direito Administrativo, 28ª ed., Malheiros, São Paulo, p. 397) A decisão embargada decidiu pela anulação do auto de infração, em razão da empresa autuada quanto da impugnação trazer documentos aos autos comprovando a existência do processo judicial que originou o lançamento. O auto de lançamento foi motivado no fato do processo judicial, não ter sido identificado. Aqui conforme já descrito, existe um erro de fato intrínseco ao lançamento, justificando a sua anulação, assim, o que estamos diante é de um vicio material, pois, fica evidente que a premissa utilizada para o lançamento da não existência do processo era Fl. 440DF CARF MF 4 inconsistente, assim todo o lançamento ficou viciado pois, a motivação do lançamento mostrouse inexistente, portanto, um vício material. A essas judiciosas considerações apenas acresço que a nulidade formal, por ensejar a realização de novo lançamento contandose o prazo da própria decisão que o reconhece, tem de necessariamente decorrer de situação em que o lançamento possa ser refeito na exata dimensão do que antes fora realizado, sanandose apenas aquilo que encontravase formalmente ausente. Em outras palavras, os mesmos fatos geradores, pelos mesmos motivos, a mesma legislação infligida, o mesmo montante devido, todos os atributos intrínsecos do lançamento original devem ser reproduzidos no que vier a se efetivar, de tal modo que sequer seria, a rigor, correto chamálo de novo. Ele é o mesmo de antes, suprimida apenas a causa da nulidade formal, a exemplo da indicação de alguma data ou assinatura obrigatória antes não constante. Em todas as demais hipóteses que exigirem a feitura de lançamento efetivamente novo, isto é, que enquadre novos fatos, modifique a sujeição passiva ou o enquadramento legal da infração é causa de nulidade material. Voto, pois, por negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Júlio César Alves Ramos Fl. 441DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.912113/2009-68
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 15/04/2005
COMPENSAÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO.
Compete ao interessado, em manifestação de inconformidade contra despacho decisório que indefira compensação declarada por compatibilidade entre a DCTF e o valor recolhido, primeiro, mostrar que a DCTF original estava mesmo errada, retificando-a; segundo, apontar a motivação jurídica dessa retificação; terceiro, juntar documentos que embasem tal alegação. Satisfeitos tais requisitos, não se pode continuar a negar o direito pela simples inexistência de indébito apurada entre a DCTF original e o recolhimento.
Recurso Especial do Contribuinte Provido.
Numero da decisão: 9303-004.881
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento com retorno dos autos à turma a quo para análise do mérito, vencido o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas (Relator), que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
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camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 15/04/2005 COMPENSAÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. Compete ao interessado, em manifestação de inconformidade contra despacho decisório que indefira compensação declarada por compatibilidade entre a DCTF e o valor recolhido, primeiro, mostrar que a DCTF original estava mesmo errada, retificando-a; segundo, apontar a motivação jurídica dessa retificação; terceiro, juntar documentos que embasem tal alegação. Satisfeitos tais requisitos, não se pode continuar a negar o direito pela simples inexistência de indébito apurada entre a DCTF original e o recolhimento. Recurso Especial do Contribuinte Provido.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento com retorno dos autos à turma a quo para análise do mérito, vencido o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas (Relator), que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. Recorrente CALÇADOS Q SONHO LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/04/2005 COMPENSAÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. Compete ao interessado, em manifestação de inconformidade contra despacho decisório que indefira compensação declarada por compatibilidade entre a DCTF e o valor recolhido, primeiro, mostrar que a DCTF original estava mesmo errada, retificandoa; segundo, apontar a motivação jurídica dessa retificação; terceiro, juntar documentos que embasem tal alegação. Satisfeitos tais requisitos, não se pode continuar a negar o direito pela simples inexistência de indébito apurada entre a DCTF original e o recolhimento. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento com retorno dos autos à turma a quo para análise do mérito, vencido o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas (Relator), que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 91 21 13 /2 00 9- 68 Fl. 168DF CARF MF Processo nº 11065.912113/200968 Acórdão n.º 9303004.881 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência, tempestivo, interposto pelo sujeito passivo, ao amparo do art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 25 de junho de 2009, em face do Acórdão n° 3803002.176, assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/04/2005 PRECLUSÃO É ilícito inovar na postulação recursal para incluir questões diversas daquelas que foram originariamente deduzidas quando da reclamação junto à instância a quo. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 15/04/2005 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. A matéria de fundo trazida nos autos referese ao não reconhecimento de compensação de créditos de Cofins tendo em vista a utilização integral do crédito indicado na Declaração de Compensação (Dcomp) em amortização de outros débitos, devidamente declarado pelo contribuinte em DCTF. Em sua manifestação de inconformidade, o sujeito passivo alegou (a) erro nos valores informados nas declarações fiscais, tendo procedido, em 2005, a revisão dos créditos tributários dos anos anteriores; (b) que apresentou DCTF retificadora corrigindo o erro, na qual consta o valor correto da contribuição apurada no período em questão; (c) que o não reconhecimento do direito creditório foi acarretado pelo sistema eletrônico da Receita Federal do Brasil, no qual qualquer defeito de informação gera automaticamente um despacho decisório de denegação de crédito. Em seu recurso voluntário, o sujeito passivo alegou que seus créditos eram provenientes de revisão de seus débitos tributários, especialmente pela exclusão das receitas financeiras anteriormente tributadas, retificando posteriormente a DCTF. Apresentou novos documentos para comprovar o alegado. Alegou a possibilidade de retificação da DCTF, invocando o princípio da verdade material, pugnando por seu direito ao crédito pretendido. O e. Colegiado a quo negou provimento ao recurso voluntário, inadmitindo a apreciação das provas trazidas após a manifestação de inconformidade, por não atender aos requisitos do § 4º, do art. 16, do Decreto nº 70.235/72. A referida decisão sofreu embargos de declaração no qual o contribuinte questiona a necessidade de o Colegiado considerar as provas trazidas com o recurso voluntário. Contudo, os embargos não foram acolhidos, de sorte que a decisão embargada não sofreu qualquer alteração. Fl. 169DF CARF MF Processo nº 11065.912113/200968 Acórdão n.º 9303004.881 CSRFT3 Fl. 4 3 O sujeito passivo interpôs Recurso Especial de divergência alegando dissídio jurisprudencial acerca da possibilidade de a Turma de Julgamento do CARF apreciar prova material trazida em sede de recurso voluntário (preclusão). O Recurso Especial do sujeito passivo foi integralmente admitido, conforme despacho de admissibilidade do Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303004.838, de 22/03/2017, proferido no julgamento do processo 11065.108212/200964, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Ressaltese que a decisão do paradigma foi, no mérito, contrária ao meu entendimento pessoal, pois fui vencido na votação quanto à preclusão do direito de apresentar provas. Todavia, ao presente processo deve ser aplicada a posição vencedora, conforme consta da ata da sessão do julgamento. Portanto, transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão, quanto à admissibilidade do recurso e quanto ao mérito (Acórdão 9303004.838): Da Admissibilidade "O recurso interposto pelo sujeito passivo é tempestivo, e foi admitido pelo Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF. A divergência suscitada pela recorrente diz respeito à possibilidade de a Turma de Julgamento do CARF apreciar prova material trazida em sede de recurso voluntário (preclusão), apresentando acórdãos paradigmas para comprovar o alegado dissídio jurisprudencial. Os acórdãos recorrido e paradigmas tratam da possibilidade de juntada de prova material com o recurso voluntário. A decisão recorrida não admitiu as provas trazidas pela recorrente, por não atender aos requisitos do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72. No entanto, as decisões paradigmas admitem as provas mesmo não atendendo aos requisitos do citado dispositivo legal. Fl. 170DF CARF MF Processo nº 11065.912113/200968 Acórdão n.º 9303004.881 CSRFT3 Fl. 5 4 Ainda que o acórdão recorrido tenha se referido a questões de inovação nos argumentos de defesa, constatase que a turma julgadora expressamente apreciou a possibilidade da recorrente em produzir prova documental posteriormente à Manifestação de Inconformidade. Diante da comprovação do dissídio jurisprudencial alegado e atendido os demais requisitos de admissibilidade, conheço do recurso." Do Mérito "Honroume o Presidente com a atribuição de apresentar as razões do colegiado para não concordar com o seu bem fundamentado voto. E, em verdade, para mim e os demais conselheiros fazendários, elas se resumem a uma só. É que partilhamos integralmente o entendimento do dr. Rodrigo quanto à impossibilidade de se banalizar o princípio da verdade material a ponto de permitir que o sujeito passivo simplesmente escolha o momento que mais lhe aprouver par a apresentação das provas de seu direito. Quanto a isso, ao menos entre os fazendários, não há divergência. Ocorre que a nós nos pareceu ser este mais um daqueles casos em que não ocorreu uma mera procrastinação desmotivada de apresentação de documentos. Com efeito, e assim está relatado pelo dr. Rodrigo, o recorrente tentou, desde sua manifestação de inconformidade, fazer a prova do indébito alegado em Dcomp. E isso porque o indébito não nasce da mera divergência entre o que foi declarado e o que foi recolhido, mas entre este último e o valor devido segundo a legislação. Cabe, pois, ao postulante a restituição, já na manifestação de inconformidade, primeiro, mostrar que a DCTF original estava mesmo errada, retificandoa; segundo, apontar a motivação jurídica dessa retificação; terceiro, juntar documentos que embasem tal alegação. Feito isso, acredito, não pode a Administração meramente indeferir a restituição porque a retificação tenha sido feita a destempo. Nessa linha, temos também reiterado que a prova inicial a ser produzida quando da manifestação de inconformidade não pode se resumir a meras alegações, ou, ainda pior, tãosomente à retificação da DCTF, mesmo tendo sido esta a única razão constante do despacho decisório, e nem mesmo à simples apresentação de planilhas de elaboração do próprio interessado desacompanhadas de assentamentos contábeis que as confirmem. No presente caso, entretanto, e assim nos diz o próprio relator, "... Acompanhando sua Manifestação de Inconformidade, a recorrente apresentou assentamentos contábeis referentes à compensação," os quais, no entanto, não foram considerados suficientes pela autoridade julgadora de primeiro grau. Denegado, ainda assim, o direito, complementouas, por ocasião do recurso voluntário, a partir do que fora dito na decisão de piso. Nesses termos, os documentos posteriormente juntados não são meramente aqueles que, sabidamente, o postulante já deveria ter apresentado em sua manifestação de inconformidade e que, por desídia ou máfé, deixou de juntar no momento próprio. Fl. 171DF CARF MF Processo nº 11065.912113/200968 Acórdão n.º 9303004.881 CSRFT3 Fl. 6 5 Com tais considerações, entendeu o colegiado não se tratar da mera apresentação extemporânea e desmotivada de documentos que já deveriam ter sido apresentados no prazo da primeira defesa administrativa e deu provimento ao recurso do sujeito passivo para que os autos retornem à instância a quo a fim de serem examinados os documentos que supostamente comprovam o direito alegado." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial do contribuinte e, no mérito, doulhe provimento, para que os autos retornem à instância a quo a fim de serem examinados os documentos que supostamente comprovam o direito alegado. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 172DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10860.722032/2013-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 19 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3301-000.302
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que sejam feitos os cálculos dos períodos considerados decadentes pelo acórdão de 1ª instância, em comparação com a planilha apresentada pela recorrente.
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente
Valcir Gassen - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas, José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que sejam feitos os cálculos dos períodos considerados decadentes pelo acórdão de 1ª instância, em comparação com a planilha apresentada pela recorrente. Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente Valcir Gassen - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas, José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que sejam feitos os cálculos dos períodos considerados decadentes pelo acórdão de 1ª instância, em comparação com a planilha apresentada pela recorrente. Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente Valcir Gassen Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas, José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de Recurso de Ofício e de Recurso Voluntário (fls. 4439 a 4482) interposto pelo Contribuinte contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 1052.392 (fls. 4181 a 4203), de 24 de outubro de 2014, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS) – DRJ/POA – que julgou, por unanimidade de votos, acolher a preliminar de decadência e procedente em parte a impugnação apresentada pelo Contribuinte. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 60 .7 22 03 2/ 20 13 -1 6 Fl. 4496DF CARF MF Processo nº 10860.722032/201316 Resolução nº 3301000.302 S3C3T1 Fl. 4.497 2 Visando a elucidação do caso e a economia processual adoto e cito o relatório do referido Acórdão: Tratase de impugnação tempestiva aos autos de infração das fls. 3 a 8 e 24 a 25, lavrados pela fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Taubaté/SP para formalizar a exigência do Imposto sobre Produtos Industrializados, acrescido de juros de mora e multa de oficio, e de multa regulamentar, totalizando o crédito tributário em R$ 73.907.964,82 à data da autuação. Conforme a descrição dos fatos e o Relatório Fiscal das fls. 29 a 60, o contribuinte incorreu nas seguintes infrações à legislação tributária: a) deu saída a automóveis de sua importação sem lançamento do imposto, por ter se utilizado incorretamente do instituto da isenção em vendas para deficientes físicos, em virtude de: a.1) não possuir a primeira via da autorização da unidade competente da RFB; a.2) não comprovação de que os veículos foram destinados aos beneficiários da isenção, pela ausência da nota fiscal da concessionária; a.3) autorizações com prazo de validade vencido; a.4) venda a pessoa diversa da constante na autorização; a.5) venda tão somente com o despacho decisório que reconheceu o beneficio; e a.6) vendas às concessionárias contrariando disposição normativa que dispõe que a nota fiscal deve ser emitida diretamente ao beneficiário da isenção; b) deu saída a produtos tributados com insuficiência do lançamento do imposto, por não observar o valor tributável mínimo em transferências para outras filiais e remessas a título gratuito; c) creditouse indevidamente do imposto: c.1) por retorno e devoluções de saídas anteriormente tributadas, sem implementar as condições que legitimam os créditos, ou seja, a devida escrituração do Livro Registro de Controle da Produção e do Estoque ou de controle equivalente; e c.2) decorrente de devoluções fictas prevista no art. 3º do Decreto nº 6.687, de 11 de dezembro de 2008, por não ser estabelecimento produtor, nos termos do art. 2º, inc. I da Lei nº 6.729 de 28 de novembro de 1979, e sim comercial atacadista, equiparado a industrial; d) apresentou arquivos magnéticos de documentos fiscais que não atendem ao padrões estabelecidos nos atos normativos que disciplinam a matéria. Em virtude das glosas de créditos e dos débitos apurados, foi reconstituída a escrita fiscal do estabelecimento, conforme demonstrativo das fls. 22 e 23, tendo emergido os saldos devedores que estão ora sendo exigidos. O enquadramento legal das infrações está discriminado às fls. 5 a 8 e da multa de ofício no percentual de 75% e dos juros de mora, no respectivo demonstrativo da fl. 17. O enquadramento legal da multa regulamentar, correspondente a 1% da receita bruta da autuada, consta na fl. 25. Irresignado com a imputação, o interessado, por meio de seus procuradores devidamente habilitados (fls. 4173 a 4178) apresentou suas razões às fls. 3989 a 4028, alegando em síntese, o que segue. Preliminarmente, ressalta que parcela substancial do crédito tributário lançado no Auto de Infração está extinta pela decadência porque, entre a data do fato gerador do IPI exigido e a data de intimação do auto de infração, que constituiu o crédito Fl. 4497DF CARF MF Processo nº 10860.722032/201316 Resolução nº 3301000.302 S3C3T1 Fl. 4.498 3 tributário, transcorreramse mais de 5 (cinco) anos, ou seja, a intimação do auto de infração deuse tão somente em 27/12/2013, pelo que os fatos geradores ocorridos antes de 27/12/2008 estão extintos pela decadência, tal como impõe o prazo qüinqüenal estabelecido pelo art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, e que em todos os períodos ali mencionados, a impugnante apurou, em livros fiscais próprios, e recolheu o IPI mensalmente, de tal modo que se mostra de todo inaplicável a regra constante no art. 173, inc. I, do Código Tributário Nacional. Em relação ao mérito, alega: I) quanto à exigência do IPI nas saídas com isenção para deficientes físicos e/ou mental. I.a) Que não obstante criarem diversas obrigações para regular a fruição do benefício fiscal, a Lei e a Instrução Normativa não imputam qualquer obrigação principal à impugnante, mas somente obrigações acessórias a fim de auxiliar a administração pública na fiscalização do tributo e por isso mesmo, não há um dispositivo sequer na legislação que rege o benefício em comento, determinando que ela efetue o pagamento do tributo, caso não mantenha em seu poder a primeira via da autorização da RFB nas hipóteses de aquisição de veículos com isenção do IPI, por deficientes físicos ou mentais, e nem poderia ser diferente, pois o art. 5° da IN 607/06 determina tão somente que o estabelecimento deve estar de posse da autorização emitida pela RFB na saída do veículo com isenção de IPI, assim sendo, não há que se falar em cobrança do imposto, acrescido de juros e multa proporcional, como quer a fiscalização, pelo descumprimento do referido dispositivo, pela falta de expressa previsão legal para tanto. Acrescenta que, ainda que a impugnante não disponha da primeira via das referidas autorizações fazendárias para cada uma das vendas de veículos para deficientes físicos autuadas pela fiscalização, é certo que: (i) em todas as notas fiscais constam os números dos processos administrativos instaurados pelos adquirentes perante à RFB; e (ii) houve procedimento administrativo próprio tendente à apuração da isenção e esses são absolutamente disponíveis para os Auditores da RFB, requerendo, com lastro no art. 16, §4°, alínea "a", do Decreto n°. 70.235/72, a produção de prova documental pela RFB no sentido de apresentar cópia de todos os processos administrativos de requerimento de isenção de IPI formalizados pelos deficientes físicos e/ou mentais mencionados nas notas fiscais autuadas pela fiscalização. Arremata que para que não se tenha duvidas sobre a lisura de conduta da impugnante, é fundamental pontuar que o preenchimento das notas fiscais evidencia a ausência de fraude por parte da Impugnante, posto que esses documentos só poderiam ter sido preenchidos de maneira completa, com ela de posse da autorização emitida pela RFB para a isenção do IPI, em observância ao art. 5º da IN 607/06, aduzindo que é de se notar também que a segunda via da autorização para a fruição do benefício concedida pela RFB, em processo administrativo próprio, fica em posse da concessionária, em cumprimento ao art. 4º, inc. II da IN SRF 607/06 o que significa que o beneficiário da isenção fica impossibilitado de comprar outro veículo com a mesma autorização da RFB em concessionárias distintas. I.b) Que apresentou algumas autorizações que por pequenos equívocos de grafia do nome dos beneficiários, a autoridade fiscal decidiu rejeitálos, contudo, conforme se verifica nos documentos anexos, fica evidente o mero erro formal. I.c) Alega, por outro lado, ainda que a legislação previsse que o fabricante/importador tinha a obrigação de guardar consigo cópia das referidas autorizações, cumpre ressaltar que o prazo de guarda já teria expirado para grande parte dos documentos em razão do disposto no art. 195, parágrafo único, do CTN que determina que a obrigação de guardar os documentos fiscais se extingue juntamente com a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que Fl. 4498DF CARF MF Processo nº 10860.722032/201316 Resolução nº 3301000.302 S3C3T1 Fl. 4.499 4 se refiram e que, como visto anteriormente, os fatos geradores de IPI ocorridos antes de 27/12/2008 estão extintos pela decadência, e, portanto, tal fenômeno também macula a prescrição no dever de guardar documentos fiscais de operações ocorridas até esse período. II) Quanto aos créditos indevidos por devoluções/retornos de vendas/revendas/remessas em consignação com destaque de IPI diz que o relato fiscal não traz nenhuma justificativa razoável para desconsiderar o controle de mercadorias mantido pela impugnante, não havendo uma descrição minuciosa sobre quais requisitos legais em específico não foram cumpridos. Afirma que todos os veículos que circulam pelo seu ativo ou pelo seu estoque estão plenamente identificados no Livro Kardex que, conforme se verifica no anexo, possui os seguintes campos: Inscrição Estadual; CNPJ; Número da Folha, Produto (Chassi); Classificação Fiscal (NCM); Mês e Ano; Código de Entradas e Saídas (estabelecimento próprio, estabelecimento de terceiros ou outras); Movimentação (saída, entrada, transferência e etc); Quantidade; Valor Final; Fatura; e CFOP. Enfim, todas as informações necessárias para que as autoridades fiscais consigam aferir a regularidade fiscal das operações da empresa. Registrese que, ao final do documento, há um resumo mensal com as quantidades inicial e final dos produtos, os valores iniciais e finais, segregados pela espécie de operação. Diz que para reforçar a precisão desse controle, é fundamental pontuar que todos os veículos que circulam pelo ativo ou pelo estoque da empresa são controlados pela numeração do CHASSI, salientando que, por convenção internacional entre fabricantes de veículos, o número do CHASSI atribui uma identificação única a cada veículo, não sendo possível a existência, no mundo, de dois veículos com o mesmo chassi. Frisa que os arts. 169, 172 e 388 do RIPI/2002 não condicionam o aproveitamento de créditos escriturais de IPI à utilização do Livro de Registro de Controle da Produção e do Estoque; muito ao contrário, autorizam a utilização de controle equivalente, mantendo o direito ao creditamento, e em que pese a autorização legal para utilização de controles próprios de estoque, a fiscalização enveredou na comparação entre o Livro Kardex e o Livro de Registro de Controle da Produção e do Estoque, como se a impugnante fosse obrigada a escriturar e manter esse último, quando, na verdade, estava dispensada pelo próprio RIPI/2002. Menciona novamente que , os veículos que circulam pelo seu ativo ou pelo seu estoque estão plenamente identificados no Livro Kardex cujos campos são suficientes para atender o prescrito no art. 383 do RIPI/2002. No que diz respeito aos requisitos do art. 384 do RIPI/2002, diz que com menos razão ainda a fiscalização pode exigir o seu cumprimento, uma vez que tratam da forma do Livro de Registro de Controle da Produção e do Estoque, mostrandose um verdadeiro roteiro para o seu preenchimento, mas que mesmo não estando obrigada a dispor de controle em formato idêntico ao Livro de Registro de Controle da Produção e do Estoque, a maioria das informações pode ser encontrada nos campos do Livro Kardex, conforme ilustrado em quadro comparativo. Diz que os arts. 385 a 387 do RIPI/2002 reforçam a formalidade moderada que reveste o Livro de Registro de Controle da Produção e do Estoque. Nesse sentido, diz que não há que se falar em ilegitimidade dos créditos em operações de devoluções, retornos de vendas, revendas e remessas em consignação com destaque de IPI por falta de atendimento dos requisitos estabelecidos nos arts. 169, 172, 383 a 388 do RIPI/2002 e que ainda que o Livro Kardex não constituísse documento capaz de atestar o retorno das mercadorias, a Fiscalização Federal deveria ter lançado unicamente penalidade decorrente desse fato (descumprimento de obrigação acessória e não principal), já que todo o resto da documentação fiscal (notas fiscais, Livro de Registro e Apuração do IPI) serviria para comprovar que as devoluções de fato ocorreram e o direito ao aproveitamento de créditos escriturais de IPI existe; em suma, a autoridade fiscal optou pelo caminho mais fácil, na medida em que efetuou a glosa indiscriminada dos créditos Fl. 4499DF CARF MF Processo nº 10860.722032/201316 Resolução nº 3301000.302 S3C3T1 Fl. 4.500 5 apropriados nas devoluções e nos retornos das mercadorias, o que evidencia a completa desídia do levantamento fiscal. III) Quanto aos créditos supostamente indevidos por devoluções fictas Decreto n° 6.687/2008, diz que a acusação fiscal parte de algumas premissas equivocadas: (i) o termo "produtor" utilizado no art. 2º da Lei n°. 6.729/1979 abrange a figura do "importador"; (II) a redução de alíquotas do IPI trazida pelo Decreto n°. 6.687/2008 não fazia distinção entre veículos nacionais ou importados e visava estimular as vendas do setor automobilístico como um todo; e (III) o estabelecimento autuado, embora destinese precipuamente a revenda de veículos importados, por uma questão de logística, é filial de estabelecimento produtor. Aduz que a tese de que os importadores não estão abrangidos pelo art. 2° da Lei n°. 6.729/1979 é completamente desarrazoada, se considerado que a lei foi promulgada na década de 70, os importadores não faziam parte daquela realidade e que mesmo nas alterações sofridas pela legislação na década de 90, a importação de veículos ainda não fazia parte do cenário nacional, e que tão somente em meados daquela década é que os veículos importados começaram a ganhar espaço no mercado brasileiro com volume, portanto, não fazia sentido que a legislação mencionasse a figura do importador. Registra que, nos termos do art 1º da Lei n° 6.729/1979 "a distribuição de veículos automotores, de via terrestre, efetivarseá através de concessão comercial entre produtores e distribuidores", logo, defender que "produtor" e "importador” não estão equiparados significa dizer que esse último não pode comercializar veículos no território nacional, o que é desprovido de qualquer senso jurídico ou fático. Ademais, alega que, como se verifica do art. 1º do Decreto n°. 6.687/2008, a redução de alíquotas do IPI foi aplicada para as posições 8703 e 8704 da TIPI que não fazem qualquer distinção entre veículos nacionais ou importados, não cabendo ao intérprete distinguir onde a legislação não distingue, principalmente em matéria tributária, que, assim como no Direito Penal, se socorre do princípio da legalidade e da tipicidade. Diz que no contexto econômico em que foi aplicada, se os objetivos da redução de alíquotas do IPI para automóveis foram estimular o consumo, aumentar as vendas e esvaziar os estoques das distribuidoras, mostrase ainda mais absurdo o entendimento da fiscalização de que o direito aos créditos de IPI na devolução ficta, criada justamente para fomentar a venda de automóveis e desafogar os estoques, não se aplica aos estabelecimentos importadores. IV) Quanto às transferências tributadas para outras filiais, aduz que a impugnante fez uso do valor do preço de custo como base de cálculo do IPI apenas nas transferências entre filiais, o que restou consignado no relatório fiscal, sendo que, havendo operação de venda ao comércio atacadista, obviamente o preço praticado foi o de mercado, tudo isso em perfeita consonância com o que dispõem os arts. 46 e 47 do CTN, valendo notar que o CTN é lei complementar material, conforme pacífica e consolidada jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, pelo que supre a exigência formal inserta o art. 146, inciso III, alínea "a", da Constituição Federal, que delega à lei complementar a determinação da base de cálculo do IPI, mas que o legislador ordinário, de forma distinta, estabelece um valor tributável mínimo relativamente a certas operações, independentemente do valor real da operação de saída, ou seja, uma lei ordinária determina base de cálculo ficta e incompatível com aquela estabelecida na lei complementar: é o que se infere da leitura do art. 136 do RIPI/2002, que se fundamenta no art. 15 da Lei n° 4.502/64. Agrega que o efeito para a arrecadação é simplesmente nenhum, (i) na medida em que a filial recebe veículos como transferência apenas para fins de cumprimento de estratégias de logística e atendimento de demandas regionais e que (ii) os veículos são vendidos em alguns dias para as concessionárias pelo valor integral de mercado, ou seja, tributar pelo valor tributável mínimo, como quer a fiscalização, ou pelo valor de custo, como fez a impugnante, ou simplesmente não tributar, como na legislação do Fl. 4500DF CARF MF Processo nº 10860.722032/201316 Resolução nº 3301000.302 S3C3T1 Fl. 4.501 6 ICMS (reconhecido pelo STF), tem um efeito meramente temporal e nenhum efeito para a arrecadação, a não ser para antecipála. V) Quanto às remessas com destaque de IPI para armazenagem, esclarece que o procedimento adotado pela impugnante nas remessas para armazenagem nas empresas GEFCO Logística do Brasil Ltda. e GEFCO DO BRASIL LTDA. foi pelo destaque de IPI e ICMS, pelo fato de tais empresas não estarem cadastradas como armazém, entretanto, assim como defendido no tópico anterior, fez uso do valor do preço de custo como base de cálculo do IPI já que as remessas foram para simples armazenagem e quando da venda ao comércio atacadista, obviamente o preço praticado foi o de mercado, tudo isso em perfeita consonância com o que dispõem os arts. 46 e 47 do CTN. Aduz que, em suma, a base de cálculo mínima consignada no art. 133 do RIPI/2002 contraria expressamente o disposto no art. 47 do CTN. que apenas prevê que a base de cálculo é o valor da saída e, por conseguinte, em operações em que o valor da saída (art. 47 do CTN) seja inferior ao valor mínimo (art. 133 do RIPI), devese ignorar a diretriz desta lei ordinária e utilizarse a base de cálculo determinada por aquela lei complementar, até mesmo em atenção ao art. 146, inciso II, alínea "a", da Constituição Federal. VI) Quanto à multa por arquivos magnéticos fora dos padrões normativos, diz que , a cobrança da referida multa não procede, pois: VI.1) deveria ter sido lavrado auto de infração separado para tributo e multa, nos termos do art. 9º do Decreto 70.235/72; VI.2) os arquivos magnéticos previstos na IN 86/2001 foram corretamente preenchidos. O ponto nodal é que o documento entregue à fiscalização foi elaborado à parte, a pedido do Auditor Fiscal e no esforço para colaborar com a Fiscalização, quando, por disposição legal, o documento é entregue pelo CNPJ da matriz e não da filial. VI.3) as informações incorretas/omissas não prejudicaram a fiscalização, já que o auto de infração foi lavrado para cobrar tributo sobre várias rubricas diferentes, com base exatamente na IN 86/2001, documento que o auto de infração afirma ser imprestável; VI.4) as informações constantes nos outros campos dos arquivos magnéticos são suficientes para atestar a correta tributação das operações e a inexistência de prejuízo ao erário (ex. NCM); VI.5) como reconhecido pela fiscalização, a empresa colocou todas informações à disposição em documentos físicos. Colacionou decisões administrativas que diz ampararem suas alegações. Encerra pedindo que seja julgada procedente a presente impugnação para: 1) determinar à competente autoridade da RFB que apresente nos presentes autos, em conformidade com o art. 16, §4°, alínea "a", do Decreto n°. 70.235/72, a íntegra dos processos administrativos formalizados pelos deficientes físicos e mentais, nos quais o auto de infração alega falta de recolhimento de IPI, em razão da não apresentação da primeira via da autorização de venda; 2) reconhecer a decadência dos fatos geradores de IPI ocorridos antes de 27/12/2008, e 3) no que couber, declarar improcedente o crédito tributário de IPI e multa regulamentar formalizados no auto de infração ora combatido. Fl. 4501DF CARF MF Processo nº 10860.722032/201316 Resolução nº 3301000.302 S3C3T1 Fl. 4.502 7 Depois de proferida a decisão da DRJ/POA, houve, por parte do Contribuinte, a interposição de Embargos de Declaração (fls. 4380 a 4391), de 11 de novembro de 2014, visando a correção de alegado erro no Acórdão ora analisado. Como resposta a estes Embargos, a DRJ/POA, por meio de Despacho (fls. 4287 a 4291), de 8 de dezembro de 2014, entendeu por bem indeferir o pedido do Contribuinte, alegando que não houve o alegado erro no referido Acórdão. Por fim, tendo em vista a parcial negativa do Acórdão da 3ª Turma da DRJ/POA, que, por unanimidade de votos, acolheu a preliminar de decadência e julgou procedente em parte a Impugnação apresentada pelo Contribuinte, este ingressou com Recurso Voluntário visando reformar a referida decisão. Pelo fato de ter crédito tributário exonerado, para cancelar a exigência do IPI no valor de R$ 3.284.109,78 (três milhões, duzentos e oitenta e quatro mil, cento e nove reais e setenta e oito centavos), e respectivos juros de mora e multa de ofício, exigido no Auto de Infração das folhas 3 a 8, excedendo o limite de alçada, ofertouse Recurso de Ofício. É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen O Recurso Voluntário (fls. 4294 a 4337), de 8 de dezembro de 2014, interposto pelo Contribuinte, em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 1052.392 (fls. 4181 a 4203), de 24 de outubro de 2014, e o Recurso de Ofício são tempestivos e atendem os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual devem ser conhecidos. Os presentes Recurso Voluntário e Recurso de Ofício visam reformar decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/08/2008 a 31/12/2009 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA. O IPI é tributo sujeito à sistemática do lançamento por homologação. Em tendo havido pagamento antecipado, flui o prazo decadencial em cinco anos da ocorrência do fato gerador. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria não expressamente contestada, tornandose definitiva na esfera administrativa. PRODUÇÃO DE PROVAS. As provas devem ser apresentadas junto à impugnação, descabendo ao julgador produzilas quando tal ônus incumbe ao impugnante. SAÍDAS COM ISENÇÃO DO IPI PARA DEFICIENTES FÍSICOS. PRIMEIRA VIA DA AUTORIZAÇÃO EXPEDIDA PELA RFB. REQUISITO. As saídas de automóveis com a isenção do IPI destinados a deficientes físicos exigem que o estabelecimento industrial ou equiparado esteja de posse da primeira via da autorização expedida pela unidade competente da RFB, caso contrário é correta a exigência do imposto que deixou de ser lançado. Fl. 4502DF CARF MF Processo nº 10860.722032/201316 Resolução nº 3301000.302 S3C3T1 Fl. 4.503 8 NOTA FISCAL DA CONCESSIONÁRIA. EXIGÊNCIA NÃO PREVISTA NA LEGISLAÇÃO. Por sua vez a posse da autorização pelo estabelecimento é suficiente para albergar a saída com isenção não havendo de ser exigidas as notas fiscais da concessionária. SAÍDAS DENTRO DO PRAZO HÁBIL. ERRO DE FATO. DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA. Comprovado que: as saídas se deram dentro do período de validade das autorizações; houve tão somente erro formal na menção aos beneficiários nas notas fiscais; e os documentos carreados aos autos suprem a ausência da autorização, é de ser reconhecida como correta a saída com isenção. CRÉDITOS RELATIVOS A DEVOLUÇÕES E RETORNOS DE PRODUTOS. FALTA DE ESCRITURAÇÃO DO LIVRO REGISTRO DA PRODUÇÃO E DO ESTOQUE OU DE SISTEMA EQUIVALENTE. O aproveitamento de créditos de IPI relativos a devoluções e retornos de produtos tributados está condicionado à comprovação de escrituração do Livro de Registro de Controle da Produção e do Estoque ou sistema de controle equivalente. CRÉDITOS POR DEVOLUÇÕES FICTAS. O termo produtor implica em estabelecimento industrial, ou seja, que realize pelo menos uma das operações consideradas industrialização. Se quisesse o legislador alcançar o benefício também aos estabelecimentos equiparados a industrial assim o teria feito. TRANSFERÊNCIAS PARA FILIAIS E REMESSAS PARA ARMAZENAGEM COM LANÇAMENTO DO IPI. OBSERVÂNCIA DO VALOR TRIBUTÁVEL MÍNIMO. Nos casos de transferências para filiais e remessas para armazenagem com lançamento do imposto, em que não há transferência da propriedade dos produtos e, portanto, não há valor da operação, deve ser observado o valor tributável mínimo estabelecido na legislação do imposto. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 19/12/2013 APRESENTAÇÃO DE ARQUIVOS DIGITAIS E SISTEMAS EM DESACORDO COM AS NORMAS QUE REGULAMENTAM. MULTA REGULAMENTAR. A legislação prevê a multa de cinco por cento sobre o valor da operação correspondente, aos que omitirem ou prestarem incorretamente as informações solicitadas, limitada a um por cento da receita bruta da pessoa jurídica no período. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Acórdão Vistos, relatados e discutidos os autos, acordam os membros da 3ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, acolher a preliminar de decadência, declarar definitiva na esfera administrativa a parcela não impugnada, e, no mérito, julgar procedente em parte a impugnação, para cancelar a exigência do IPI no valor de R$ 3.284.109,78 (três milhões, duzentos e oitenta e quatro mil, cento e nove reais e setenta e oito centavos), e respectivos juros de mora e multa de ofício, do crédito tributário exigido no Auto de Infração das folhas 3 a 8, e manter integralmente a Fl. 4503DF CARF MF Processo nº 10860.722032/201316 Resolução nº 3301000.302 S3C3T1 Fl. 4.504 9 exigência da multa regulamentar objeto do Auto de Infração das fls. 24 e 25, nos termos do relatório e voto que integram este julgado. O presidente da Turma recorre de ofício ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em relação ao crédito tributário exonerado, por exceder ao limite de alçada. O Contribuinte, quando do pedido no Recurso Voluntário, requer (fls. 4482): 1) Reconhecer a nulidade do Acórdão no. 1052.392, tendo em vista a preterição ao direito de defesa por não deferir a diligência requerida e determinar a juntada da integra dos processos administrativos formalizados pelos deficientes físicos e mentais, em conformidade com o art. 16, 4o., alínea “a”, do Decreto no. 70.235/72; 2) Caso não se entenda pela nulidade do Acórdão no. 1052.392, que parcialmente se reconheça a sua nulidade, pois 2.1) o Quadro Demonstrativo Anexo do Acórdão no. 1052.392 não considera integralmente o valor a ser cancelado em razão da decadência quanto aos fatos geradores ocorridos antes de 27/12/2008, conforme demonstrado neste recurso, inclusive no que diz respeito à decadência parcial da multa regulamentar, tendo em vista que o Anexo 31 ao auto de infração levou em conta a Receita da Recorrente em 2008, período este abarcado pela decadência até 27/12/2008, e caso seja mantida a penalidade, que o valor da receita considere somente o período compreendido entre 28/12/2008 a 31/12/2008; 2.2. A Recorrente rebateu todos os pontos da autuação em sua impugnação, não havendo o que se falar em matéria não impugnada, sob pena de cerceamento do direito de defesa; 3) Ultrapassadas as referidas nulidades, o que se admite apenas por argumentação, seja reformado o acórdão recorrido para determinar a juntada da íntegra dos processos administrativos formalizados pelos deficientes físicos e mentais, e julgar integralmente improcedente o auto de infração combatido. Em relação ao pedido 1, de nulidade do acórdão ora recorrido por alegado cerceamento de defesa, salientase que assim se pronunciou a autoridade julgadora e cito como razões para decidir (fls. 4191e 4192): Feitas essas considerações iniciais, passase a examinar, caso a caso, as infrações apuradas no procedimento fiscal. Primeiramente, o Anexo 10 ao Relatório Fiscal, das fls. 157 a 163, relaciona as notas fiscais, por período de apuração para as quais não foram apresentadas pela autuada as respectivas autorizações da SRF. A impugnante, por sua vez, vem requerer que se faça prova a seu favor quando à ela este ônus é incumbido. Descabe ao julgador produzir provas. O ônus probandi é de quem alega e deve instruir a peça impugnatória. Os dispositivos do Decreto nº 70.235, de 1972, que fundamentam o pedido da requerente dizem respeito à preclusão da apresentação da prova documental pelo impugnante, e não produção de prova pelo julgador, a saber: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 09 de dezembro de 1993) (...) Fl. 4504DF CARF MF Processo nº 10860.722032/201316 Resolução nº 3301000.302 S3C3T1 Fl. 4.505 10 § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluída pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997) (...) A impugnante, pelo que se depreende dos autos, sequer diligenciou junto às suas concessionárias para obter as vias das autorizações em poder dessas e a comprovação das vendas ao beneficiário da isenção que poderiam fazer prova a seu favor. Assim, deve ser mantido o lançamento do imposto que deixou de ser recolhido, relativo aos períodos de apuração do ano de 2009, em virtude da não comprovação do cumprimento dos requisitos para que as saídas dos veículos se dessem ao abrigo da isenção. No Anexo 11 ao Relatório Fiscal, das fls. 164 e 165, estão relacionadas as notas fiscais que embora tiveram apresentadas pela autuada as respectivas autorizações, a fiscalização não considerou comprovada a destinação do veículo ao beneficiário da isenção por não terem sido apresentadas as notas fiscais de venda da concessionária. Contrariu sensu, tal exigência, ou seja, de que o estabelecimento industrial ou equiparado estivesse em poder de tais documentos fiscais para comprovar a saída com isenção do imposto, não está contemplada entre os requisitos para que o mesmo desse a saída com isenção, bastando que estivesse em poder da primeira via da autorização expedida pela autoridade competente da SRF. Assim o IPI relativo a tais vendas deve ser cancelado. (...) Entendo não ser plausível de nulidade por cerceamento de defesa documentos que o ônus da prova cabe ao Contribuinte e este não os apresenta. Nesta preliminar nego provimento ao Recurso Voluntário. Quanto ao pedido 2, de nulidade parcial, tendo em vista entendimento diverso por parte do Contribuinte e do Fisco acerca do Quadro Demonstrativo Anexo do Acórdão no. 1052.392, no que tange ao período e os valores compreendidos na decadência e multa regulamentar, cabe citar trecho da impugnação (fls. 3991 e seguintes) nas quais o Contribuinte, em preliminar, pleiteia a decadência parcial do crédito tributário do auto de infração nestes termos: Fl. 4505DF CARF MF Processo nº 10860.722032/201316 Resolução nº 3301000.302 S3C3T1 Fl. 4.506 11 Já no Recurso Voluntário, o Contribuinte aduz em sede de preliminar, que apesar de ser reconhecida pela DRJ, por intermédio do Acórdão nº 1052.392, a decadência quanto aos fatos geradores ocorridos antes de 27/12/2008, os valores apresentados no Quadro Demonstrativo Anexo não condiz com os valores apurados pelo contribuinte e requer que sejam refeitos os cálculos conforme abaixo (fls.: 4297 e 4298): Fl. 4506DF CARF MF Processo nº 10860.722032/201316 Resolução nº 3301000.302 S3C3T1 Fl. 4.507 12 Fl. 4507DF CARF MF Processo nº 10860.722032/201316 Resolução nº 3301000.302 S3C3T1 Fl. 4.508 13 Fl. 4508DF CARF MF Processo nº 10860.722032/201316 Resolução nº 3301000.302 S3C3T1 Fl. 4.509 14 Fl. 4509DF CARF MF Processo nº 10860.722032/201316 Resolução nº 3301000.302 S3C3T1 Fl. 4.510 15 (...) Isto posto no pedido e para que se possa decidir acerca da decadência, que implicou no cancelamento de exigência do IPI e respectivos juros de mora e multa de ofício do crédito tributário, objeto, tanto do Recurso Voluntário, quanto do Recurso de Ofício, entendo que é necessário converter o presente julgamento em diligência para que se esclareça as questões suscitadas acerca do Quadro Demonstrativo Anexo. Sendo assim, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que se efetue: a) Elaboração pela autoridade fiscal de relatório comparativo, com base na apresentação das notas fiscais pertinentes, entre o Quadro Demonstrativo Anexo e o que o Contribuinte inferiu em seu recurso voluntário quanto ao montante atingido pela decadência e da pertinência ou não do que foi alegado; b) Comunicação ao Contribuinte e à Fazenda Nacional do resultado apurado para manifestação; c) a devolução para este Conselho para julgamento. Valcir Gassen Relator Fl. 4510DF CARF MF
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Numero do processo: 13888.900318/2014-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 06/06/2012
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE IPI PAGOS INDEVIDAMENTE OU A MAIOR COM DÉBITOS DA COFINS. AUSÊNCIA DE PROVAS DO CONTRIBUINTE. ÔNUS QUE LHE INCUMBE. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Contribuinte que pede compensação, instruindo seu pedido com a DCOMP; sobrevindo decisão dizendo que não há mais créditos a serem aproveitados tem o dever de provar a sua existência por outros meios, dentre outros, por intermédio de DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI, mas não o fez.
Numero da decisão: 3401-003.701
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Augusto Fiel Jorge O'Oliveira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos (relator) e Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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CRÉDITOS DE IPI PAGOS INDEVIDAMENTE OU A MAIOR COM DÉBITOS DA COFINS. AUSÊNCIA DE PROVAS DO CONTRIBUINTE. ÔNUS QUE LHE INCUMBE. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Contribuinte que pede compensação, instruindo seu pedido com a DCOMP; sobrevindo decisão dizendo que não há mais créditos a serem aproveitados tem o dever de provar a sua existência por outros meios, dentre outros, por intermédio de DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI, mas não o fez. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Augusto Fiel Jorge O'Oliveira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos (relator) e Tiago Guerra Machado. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 03 18 /2 01 4- 18 Fl. 62DF CARF MF Processo nº 13888.900318/201418 Acórdão n.º 3401003.701 S3C4T1 Fl. 3 2 Versam os autos sobre PER/DCOMP cujo direito creditório alegado seria oriundo de recolhimento indevido do IPI, a ser compensado com débito de tributo administrado pela RFB. O despacho decisório não homologou a compensação em razão do recolhimento indevido já ter sido integralmente quitado com outros débitos do contribuinte. O contribuinte apresentou tempestivamente sua manifestação de inconformidade, arguindo várias nulidades, mormente que o aludido Despacho não teria fundamentação, teria se desviado de sua finalidade e lhe causado cerceamento de defesa. Sobreveio decisão da DRJ de Ribeirão Preto/SP, na qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cuja ementa possui o seguinte teor: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 06/06/2012 NULIDADES. As causas de nulidade no âmbito do processo administrativo fiscal são somente aquelas elencadas na legislação de regência. O Despacho Decisório devidamente fundamentado é regularmente válido. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. A homologação das compensações declaradas requer créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional. Não caracterizado o pagamento indevido, não há créditos para compensar com os débitos do contribuinte. ÔNUS DA PROVA. Cabe à defesa o ônus da prova dos fatos modificativos, impeditivos ou extintivos da pretensão fazendária. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte interpôs tempestivamente o seu recurso voluntário, asseverando que a decisão não levou em consideração, nas razões de decidir a eficácia dos princípios constitucionais da motivação dos atos administrativos e da ampla defesa, impedindo que a Recorrente apresentasse defesa, bem como demonstrasse a existência do crédito, requerendo a nulidade da decisão, vez que não lhe foi oportunizado conhecer os motivos pelos quais sua compensação não foi homologada. É o relatório. Voto Fl. 63DF CARF MF Processo nº 13888.900318/201418 Acórdão n.º 3401003.701 S3C4T1 Fl. 4 3 Conselheiro Rosaldo Trevisan Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401003.652, de 25 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 13888.900243/201467, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401003.652): Como se viu do relatório, o presente recurso voluntário visa a nulidade da decisão da DRJ de Ribeirão Preto/SP, entendendo que esta não restou motivada, implicando seu cerceamento de defesa. Não merece prosperar as alegações da Recorrente. A uma, disse o Despacho Decisório: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A duas, mencionou expressamente a decisão de piso que a Recorrente não trouxe qualquer prova (DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI), indício ou justificativa que permitisse comprovar o alegado recolhimento indevido. A propósito, merece destaque parte do voto do e. relator: Inicialmente vale verificar o que consta no Despacho Decisório, devidamente assinado pela autoridade competente: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Ou seja, o alegado pagamento indevido não foi restituído porque já tinha sido utilizado para quitar outros débitos. Com efeito, se há erro nos arquivos da Receita, bastaria o interessado juntar a idônea e hábil documentação contraditória (DARF, DCTF e Livro de Apuração e Registro do IPI), até em homenagem o princípio da verdade material tanto invocado, sendo que, se tratam de declarações e livros cuja boa guarda e apresentação imediata estão legalmente determinadas. A manifestação do interessado não traz qualquer prova, indício ou mesmo justificativa que permita comprovar o alegado Fl. 64DF CARF MF Processo nº 13888.900318/201418 Acórdão n.º 3401003.701 S3C4T1 Fl. 5 4 recolhimento indevido, limitandose, tão somente a colecionar julgados e doutrinas sobre nulidades. Considerando que nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, consta que os valores recolhidos no indigitado DARF já foram utilizados para quitar outros débitos e nada o contribuinte a isto contrapõe, não há o que reconsiderar ou anular, sendo que não se justifica a falta de apresentação de documentos que provassem seu direito creditório, na medida que a alegação de cerceamento da defesa não se sustenta. A três, vêse que a decisão fora motivada, embora cingiramse as assertivas da Recorrente apenas e tão somente na juntada da DCOMP, informando que detinha um crédito de IPI, oriundo de pagamento indevido, o qual seria compensado com débitos da COFINS. A quatro, temse que, sobrevindo a decisão da manifestação de inconformidade, deveria a Recorrente fazer prova deste suposto pagamento indevido ou a maior do IPI, conforme determinava o artigo 333 do CPC, vigente à época ademais, como ressalvada pela decisão da DRJ , porém, quedou silente a contribuinterecorrente. A quinto, o processo há de vir devidamente instruído para que o Colegiado possa apreciálo, de modo que, diante da ausência de qualquer prova, a conclusão que se chega é que a decisão de piso não merece reparos. Não maiores ilações a serem feitas e diante da ausência de provas, voto em negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 65DF CARF MF
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