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Numero do processo: 11080.002380/2009-37
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 31/10/2007 a 31/12/2007
NÃO CONHECIMENTO. RECURSO ESPECIAL.
Não se conhece de recurso especial quando o acórdão recorrido assenta-se em dois fundamentos autônomos e a parte traz divergência jurisprudencial somente com relação a um deles. Assim, o recurso especial não pode ser conhecido quanto à possibilidade de apresentação de provas posteriormente à impugnação.
INSUMOS. FRETES PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS.
Os valores decorrentes da contratação de fretes de produtos acabados entre estabelecimentos da própria empresa geram direito aos créditos das contribuições para o PIS e para a COFINS na sistemática não-cumulativa, pois são essenciais ao processo produtivo da Recorrente e se constituem em despesas na operação de vendas. O direito ao crédito encontra amparo, ainda, no art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.637/02, que contemplam a expressão "frete na operação de venda".
Numero da decisão: 9303-007.094
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto ao direito de crédito das contribuições sobre fretes contratados na transferência de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe negaram provimento. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Demes Brito e Rodrigo da Costa Pôssas.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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CRÉDITO. FRETE DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. Recorrente YARA BRASIL FERTILIZANTES S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/10/2007 a 31/12/2007 NÃO CONHECIMENTO. RECURSO ESPECIAL. Não se conhece de recurso especial quando o acórdão recorrido assentase em dois fundamentos autônomos e a parte traz divergência jurisprudencial somente com relação a um deles. Assim, o recurso especial não pode ser conhecido quanto à possibilidade de apresentação de provas posteriormente à impugnação. INSUMOS. FRETES PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. Os valores decorrentes da contratação de fretes de produtos acabados entre estabelecimentos da própria empresa geram direito aos créditos das contribuições para o PIS e para a COFINS na sistemática nãocumulativa, pois são essenciais ao processo produtivo da Recorrente e se constituem em despesas na operação de vendas. O direito ao crédito encontra amparo, ainda, no art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.637/02, que contemplam a expressão "frete na operação de venda". Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto ao direito de crédito das contribuições sobre fretes contratados na transferência de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidos os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe negaram provimento. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Demes Brito e Rodrigo da Costa Pôssas. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 23 80 /2 00 9- 37 Fl. 636DF CARF MF Processo nº 11080.002380/200937 Acórdão n.º 9303007.094 CSRFT3 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte YARA BRASIL FERTILIZANTES S.A. com fulcro nos artigos 64, inciso II e 67, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, buscando a reforma do Acórdão nº 3403001.998, proferido pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF. Na parte de interesse ao presente julgamento, o colegiado a quo não reconheceu o direito de aproveitamento de créditos da contribuição sobre despesas com fretes para transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa. A Contribuinte interpôs recurso especial alegando divergência jurisprudencial quanto a três matérias: (a) aproveitamento de créditos de PIS e COFINS não cumulativos sobre fretes entre unidades da própria empresa de produtos acabados; (b) aplicação do entendimento mais favorável ao Contribuinte, nos termos do art. 112 do Código Tributário Nacional CTN; e (c) realização de diligência e possibilidade de juntada de novos documentos e elaboração de laudo técnico após a apresentação do recurso em primeira instância. Para comprovar o dissenso, colacionou como paradigmas os seguintes acórdãos, respectivamente: (a) 3401002.075 e 340203.148; (b) 3302002.930; e (c) 3402002.906. No primeiro exame de admissibilidade foi dado seguimento parcial ao recurso, tão somente quanto à possibilidade de aproveitamento de créditos de PIS e COFINS sobre fretes de produtos acabados entre unidades da empresa, consoante despacho de admissibilidade do então Presidente da Quarta Câmara da Terceira Seção de Julgamento. Com a interposição de agravo pelo Sujeito Passivo, também foi dado seguimento ao tema relativo à possibilidade de apresentação de provas após o recurso à primeira instância, tudo nos termos do despacho do Presidente da Terceira Turma da CSRF, que acolheu o agravo nessa parte. Portanto, as matérias suscitadas no recurso especial da Contribuinte, que foram admitidas e serão objeto de análise por este Colegiado, referemse à possibilidade de aproveitamento de créditos de PIS e COFINS decorrentes de fretes de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa e à apresentação de provas após o recurso à primeira instância. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o Relatório. Fl. 637DF CARF MF Processo nº 11080.002380/200937 Acórdão n.º 9303007.094 CSRFT3 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.070, de 11/07/2018, proferido no julgamento do processo 11080.002375/200924, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303007.070): "Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela contribuinte YARA BRASIL FERTILIZANTES S.A. é tempestivo, restando analisarse o atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. As matérias enfrentadas pela Recorrente em sede de apelo especial são referentes à: (a) possibilidade de apresentação de provas após o recurso na primeira instância; e (b) o reconhecimento do direito aos créditos de PIS e COFINS nãocumulativos oriundos de fretes entre estabelecimentos da mesma empresa, tendo sido admitida a discussão apenas em relação aos produtos acabados. 1. Apresentação de provas Para análise da admissibilidade do recurso especial quanto ao pleito de apresentação de provas após o recurso na primeira instância, importa trazer breve retrospecto da lide. A contenda administrativa originouse de pedido de ressarcimento de saldo credor acumulado da contribuição para o PIS/Pasep nãocumulativo, do segundo e terceiro trimestres de 2007, em razão da sua atividade exportadora. Em procedimento fiscal efetuado para confirmação da existência dos referidos créditos, a Autoridade Fiscal concluiu ser parcialmente procedente o pleito, pois (a) teria havido a transferência onerosa a terceiros de créditos de ICMS acumulados na escrita fiscal, sem oferecimento dos valores recebidos à tributação; e (b) a Contribuinte apropriouse de créditos sobre os dispêndios da contratação de frete entre estabelecimentos da própria empresa, com inobservância do art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.833/03, que concede o direito ao crédito somente com relação ao frete pago na operação de venda. A conclusão da Fiscalização pela glosa parcial do pedido de restituição restou formalizada por meio de despacho decisório (fl. 26), contra o qual se insurgiu a empresa por meio de manifestação de inconformidade (fls. 36 a 55), esclarecendo que: não houve transferência onerosa de créditos de ICMS a terceiros, mas sim é beneficiária de contrato celebrado com a Secretaria da Fazenda do Rio Grande do Sul, tendo incentivo fiscal estadual consistente no crédito presumido equivalente a 75% (setenta e cinco por cento) do valor do imposto incidente sobre as operações interestaduais envolvendo fertilizantes de fabricação Fl. 638DF CARF MF Processo nº 11080.002380/200937 Acórdão n.º 9303007.094 CSRFT3 Fl. 5 4 própria; além disso, colacionando aos autos planilha demonstrativa, sustentou serem as remessas realizadas entre seus diversos estabelecimentos do País, em sua imensa maioria, de produtos semielaborados, com processo industrial concluído na unidade de destino, sendo que há apenas uma pequena parcela de transferência de produtos acabados. Defende a existência ao crédito nas duas hipóteses de frete. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão nº 1025.008 2ª Turma da DRJ/POA, de 30 de abril de 2010 (fls. 72 a 75), ensejando a interposição de recurso voluntário (fls. 78 a 101). Na sessão de 03 de junho de 2011, o julgamento do recurso foi convertido em solicitação de diligência ao órgão de origem, consoante Resolução nº 3403000.208 (fls. 199 a 202), solicitando que: (a) trouxesse aos autos elementos documentais, dentre aqueles já colhidos no momento do procedimento fiscal, para comprovar a existência e os montantes das supostas operações de cessão de créditos de ICMS a terceiros; e (b) informasse sobre a possibilidade de segregar, dentre os fretes contratados pela Recorrente para transporte de itens entre suas próprias unidades, aqueles que tinham por objeto a remessa de produtos acabados e aqueles que envolveram itens em fabricação. Após a determinação da diligência, o processo assim se desenrolou: [...] Em resposta à diligência, o órgão de origem elaborou “Termo de Comunicação e Ciência”, por meio do qual (i) diz não ser possível segregar os fretes contratados pela recorrente conforme solicitado pelo CARF e (ii) afirma que, em verdade, não houve cessão de créditos de ICMS a terceiros, mas sim – como reclamara a recorrente – apropriação de crédito presumido deste imposto. Intimado deste despacho, o recorrente manifestase, trazendo aos autos planilhas demonstrativas dos fretes de matériasprimas e de produtos acabados. Por sua vez, o órgão de origem elabora o “Termo de Comunicação e Ciência 2”, através do qual, em síntese, reitera que as planilhas inicialmente fornecidas pelo recorrente não eram capazes de segregar os fretes, porém aquelas trazidas aos autos apenas após a diligência o fazem. Conclui, por fim, que a contratação de frete para transporte de itens entre unidades do próprio sujeito passivo (seja de matériasprimas, embalagens ou produtos acabados) não gera direito ao crédito do tributo, por ausência de previsão legal. Intimado deste segundo Termo de Comunicação, a recorrente novamente manifesta se para argumentar que a eventual manutenção do despacho decisório com fundamento em suposta sujeição da subvenção recebida à tributação importaria inadmissível modificação da acusação fiscal – construída sob a premissa de que a recorrente cedera créditos de ICMS – com prejuízo ao direito de defesa e ao contraditório. [...] (grifouse) Retornados os autos ao CARF para análise do recurso voluntário, foi proferido o Acórdão nº 3403001.994 (fls. 289 a 297) proferido pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, em 21 de março de 2013, ora recorrido, que lhe deu parcial provimento apenas para afastar a glosa dos créditos de PIS nãocumulativo sobre os valores decorrentes das transferências onerosas de créditos de ICMS a terceiros. Por outro lado, indeferiu os pedidos da Recorrente quanto à pretensão de créditos decorrentes da contratação de frete para transporte de itens entre unidades do próprio Sujeito Passivo, seja de matériasprimas e de materiais de embalagem, seja de produtos acabados, sob dois fundamentos: (a) com as provas constantes nos autos quando determinada a realização de diligência não era possível desmembrar do total de fretes, aqueles que tivessem por objeto o Fl. 639DF CARF MF Processo nº 11080.002380/200937 Acórdão n.º 9303007.094 CSRFT3 Fl. 6 5 transporte de itens em fabricação; e (b) as planilhas unilateralmente formuladas pelos contribuintes não são meios aptos a demonstrar a invalidade de glosas efetuadas. Para clareza da assertiva, extraise trecho do acórdão recorrido que trata da matéria: [...] Dito isso, remanesce pendente a análise do direito à apropriação de créditos da contribuição ao PIS, na hipótese de fretes realizados entre estabelecimentos da própria pessoa jurídica recorrente para transporte seja de matériasprimas e de materiais de embalagem, seja de produtos acabados. Quando da conversão do julgamento em diligência, esta Turma expressamente consignou que a medida não se prestaria “a corrigir a incompetência da parte a quem a lei atribui o ônus da prova”, determinando que o órgão de origem se limitasse a juntar aos autos “via impressa dos elementos documentais, dentre aqueles já obtidos junto à recorrente no curso da fiscalização”, capazes de segregar do total de fretes em questão, aqueles que tivessem por objeto o transporte de itens ainda em fabricação. Pois em resposta à diligência, o órgão de origem foi assertivo em afirmar que as provas até então coligidas aos autos não lhe permitiam proceder ao desmembramento. E a separação, a meu ver, seria fundamental à melhor aplicação ao caso do disposto nas Leis nº. 10.637/02 e 10.833/03. E por que? Porque na sistemática da nãocumulatividade do PIS e da COFINS, os dispêndios da pessoa jurídica com a contratação de frete pode se situar em três diferentes posições: (a) se na operação de venda, constituirá hipótese específica de creditamento, referida pelo art. 3º, inciso IX; (b) se associado à compra de matériasprimas, materiais de embalagem ou produtos intermediários, integrará o custo de aquisição e, por este motivo, dará direito de crédito em razão do previsto no artigo 3o, inciso I; e (c) finalmente, se respeitar ao trânsito de produtos inacabados entre unidades fabris do próprio contribuinte, será catalogável como custo de produção (RIR, art. 290) e, portanto, como insumo para os fins do inciso II do mesmo artigo 3º. De seu turno, o transporte de produtos acabados entre estabelecimentos do contribuinte somente do ponto de vista logístico ou geográfico pode ser compreendido como etapa da futura operação de venda. Juridicamente falando não o é e, a meu ver, não se enquadra dentre as hipóteses legais em que o creditamento é concedido. Afirma a origem que, dos documentos constantes dos autos até a interposição do voluntário não lhe é possível fazer a segregação em comento. E mesmo que admitíssemos aqui o exame do material extemporaneamente trazido pela recorrente, já na oportunidade em que se manifestou sobre o relatório da diligência, a ele não se pode atribuir valor probatório. Tratase, com efeito, de uma planilha gerencial, unilateralmente confeccionada e sem comprovação de respaldarse em documentos ou na escrita contábil da pessoa jurídica. Portanto, dois fundamentos alicerçam a conclusão de que deve ser mantida a glosa sobre os créditos de PIS referentes aos fretes contratados entre os estabelecimentos do recorrente: (i) havia expressa vedação à formalização de novas provas, cabendo o contribuinte têlas trazido desde a manifestação de inconformidade, o que – frisese – não foi feito e (ii) planilhas unilateralmente formuladas pelos contribuintes não são meios aptos a demonstrar a invalidade de glosas efetuadas. Por todo o exposto, voto pelo provimento parcial do recurso voluntário para reconhecer a insubsistência das glosas efetuadas na origem com fundamento na não sujeição ao tributo de valores supostamente auferidos em razão da cessão de saldos de ICMS a terceiros e, nesta parte, deferir o ressarcimento pretendido. Fl. 640DF CARF MF Processo nº 11080.002380/200937 Acórdão n.º 9303007.094 CSRFT3 Fl. 7 6 [...] Da fundamentação do acórdão recorrido, depreendese que foram dois os argumentos utilizados para o indeferimento do pedido de juntada de provas após o recurso em primeira instância: (a) a impossibilidade de juntada de novas provas; e (b) ainda que fossem admitidas, as planilhas produzidas unilateralmente pela Contribuinte e juntadas aos autos não têm valor probatório. Tratase de dois argumentos autônomos e cada um deles suficiente, por si só, para manutenção da decisão proferida pelo Colegiado a quo. A Recorrente, por sua vez, ao se insurgir quanto à juntada de provas, enfrentou e comprovou a divergência jurisprudencial tão somente com relação ao primeiro argumento: a (im)possibilidade de juntada de provas após o recurso em primeira instância. No acórdão paradigma nº 3402002.906 a discussão centrase nesse argumento, tanto que naquele caso houve a determinação de realização de diligência semelhante ao caso dos autos que culminou com a elaboração de um Laudo Técnico. Havendo dois fundamentos autônomos e não sendo atacados os dois, não deve ter prosseguimento o recurso especial com relação a essa matéria. Nesse sentido, é a Súmula nº 283 do Supremo Tribunal Federal: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a decisão recorrida assenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos eles". Portanto, não se conhece do recurso especial da Contribuinte com relação a essa matéria. 2 Do Direito ao Crédito de PIS e COFINS nãocumulativos de Produtos Acabados Com relação ao direito ao crédito de PIS e COFINS nãocumulativos decorrentes da contratação de fretes de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa, temse que a divergência foi devidamente comprovada, devendo ter prosseguimento o apelo especial. A priori, explicitase o conceito de insumos adotado no presente voto, para posteriormente adentrarse à análise dos itens individualmente. A sistemática da nãocumulatividade para as contribuições do PIS e da COFINS foi instituída, respectivamente, pela Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002 (PIS) e pela Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003 (COFINS). Em ambos os diplomas legais, o art. 3º, inciso II, autorizase a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda.1 1 Lei nº 10.637/2002 (PIS). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; [...]. Lei nº 10.8332003 (COFINS). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...]II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; [...] Fl. 641DF CARF MF Processo nº 11080.002380/200937 Acórdão n.º 9303007.094 CSRFT3 Fl. 8 7 O princípio da nãocumulatividade das contribuições sociais foi também estabelecido no §12º, do art. 195 da Constituição Federal, por meio da Emenda Constitucional nº 42/2003, consignandose a definição por lei dos setores de atividade econômica para os quais as contribuições sociais dos incisos I, b; e IV do caput, dentre elas o PIS e a COFINS. 2 A disposição constitucional deixou a cargo do legislador ordinário a regulamentação da sistemática da nãocumulatividade do PIS e da COFINS. Por meio das Instruções Normativas nºs 247/02 (com redação da Instrução Normativa nº 358/2003) (art. 66) e 404/04 (art. 8º), a Secretaria da Receita Federal trouxe a sua interpretação dos insumos passíveis de creditamento pelo PIS e pela COFINS. A definição de insumos adotada pelos mencionados atos normativos é excessivamente restritiva, assemelhandose ao conceito de insumos utilizado para utilização dos créditos do IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados, estabelecido no art. 226 do Decreto nº 7.212/2010 (RIPI). As Instruções Normativas nºs 247/2002 e 404/2004, ao admitirem o creditamento apenas quando o insumo for efetivamente incorporado ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, aproximandose da legislação do IPI que traz critério demasiadamente restritivo, extrapolaram as disposições da legislação hierarquicamente superior no ordenamento jurídico, a saber, as Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, e contrariaram frontalmente a finalidade da sistemática da nãocumulatividade das contribuições do PIS e da COFINS. Patente, portanto, a ilegalidade dos referidos atos normativos. Nessa senda, entendese igualmente impróprio para conceituar insumos adotarse o parâmetro estabelecido na legislação do IRPJ Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, pois demasiadamente amplo. Pelo raciocínio estabelecido a partir da leitura dos artigos 290 e 299 do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99), poderseia enquadrar como insumo todo e qualquer custo da pessoa jurídica com o consumo de bens ou serviços integrantes do processo de fabricação ou da prestação de serviços como um todo. Em Declaração de Voto apresentada nos autos do processo administrativo nº 13053.000211/200672, em sede de julgamento de recurso especial pelo Colegiado da 3ª Turma da CSRF, o ilustre Conselheiro Gileno Gurjão Barreto assim se manifestou: [...] permaneço não compartilhando do entendimento pela possibilidade de utilização isolada da legislação do IR para alcançar a definição de "insumos" pretendida. Reconheço, no entanto, que o raciocínio é auxiliar, é instrumento que pode ser utilizado para dirimir controvérsias mais estritas. Isso porque a utilização da legislação do IRPJ alargaria sobremaneira o conceito de "insumos" ao equiparálo ao conceito contábil de "custos e despesas operacionais" que abarca todos os custos e despesas que contribuem para a atividade de uma empresa (não apenas a sua produção), o que distorceria a interpretação da legislação ao ponto de tornála inócua e de resultar em indesejável esvaziamento da função social dos tributos, passando a desonerar não o produto, mas sim o produtor, subjetivamente. 2 Constituição Federal de 1988. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: [...] b) a receita ou o faturamento; [...] IV do importador de bens ou serviços do exterior, ou de quem a lei a ele equiparar. [...]§ 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. (grifouse) Fl. 642DF CARF MF Processo nº 11080.002380/200937 Acórdão n.º 9303007.094 CSRFT3 Fl. 9 8 As Despesas Operacionais são aquelas necessárias não apenas para produzir os bens, mas também para vender os produtos, administrar a empresa e financiar as operações. Enfim, são todas as despesas que contribuem para a manutenção da atividade operacional da empresa. Não que elas não possam ser passíveis de creditamento, mas tem que atender ao critério da essencialidade. [...] Estabelece o Código Tributário Nacional que a segunda forma de integração da lei prevista no art. 108, II, do CTN são os Princípios Gerais de Direito Tributário. Na exposição de motivos da Medida Provisória n. 66/2002, in verbis, afirmase que “O modelo ora proposto traduz demanda pela modernização do sistema tributário brasileiro sem, entretanto, pôr em risco o equilíbrio das contas públicas, na estrita observância da Lei de Responsabilidade Fiscal. Com efeito, constitui premissa básica do modelo a manutenção da carga tributária correspondente ao que hoje se arrecada em virtude da cobrança do PIS/Pasep.” Assim sendo, o conceito de "insumos", portanto, muito embora não possa ser o mesmo utilizado pela legislação do IPI, pelas razões já exploradas, também não pode atingir o alargamento proposto pela utilização de conceitos diversos contidos na legislação do IR. Ultrapassados os argumentos para a não adoção dos critérios da legislação do IPI nem do IRPJ, necessário estabelecerse o critério a ser utilizado para a conceituação de insumos. Diante do entendimento consolidado deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, inclusive no âmbito desta Câmara Superior de Recursos Fiscais, o conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, inciso II da Lei 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária" construída pelo CARF, na qual, para definir insumos, buscase a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte. Conceito mais elaborado de insumo, construído a partir da jurisprudência do próprio CARF e norteador dos julgamentos dos processos, no referido órgão, foi consignado no Acórdão nº 9303003.069, resultante de julgamento da CSRF em 13 de agosto de 2014: [...] Portanto, "insumo" para fins de creditamento do PIS e da COFINS não cumulativos, partindo de uma interpretação histórica, sistemática e teleológica das próprias normas instituidoras de tais tributos (Lei no. 10.637/2002 e 10.833/2003), deve ser entendido como todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo. Nessa linha relacional, para se verificar se determinado bem ou serviço prestado pode ser caracterizado como insumo para fins de creditamento do PIS e da COFINS, impende analisar se há: pertinência ao processo produtivo (aquisição do bem ou serviço especificamente para utilização na prestação do serviço ou na produção, ou, ao menos, para tornálo viável); essencialidade ao processo produtivo (produção ou prestação de serviço depende diretamente daquela aquisição) e possibilidade de emprego indireto no processo de Fl. 643DF CARF MF Processo nº 11080.002380/200937 Acórdão n.º 9303007.094 CSRFT3 Fl. 10 9 produção (prescindível o consumo do bem ou a prestação de serviço em contato direto com o bem produzido). Portanto, para que determinado bem ou prestação de serviço seja considerado insumo gerador de crédito de PIS e COFINS, imprescindível a sua essencialidade ao processo produtivo ou prestação de serviço, direta ou indiretamente, bem como haja a respectiva prova. Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço. O entendimento está refletido no voto do Ministro Relator Mauro Campbell Marques ao julgar o recurso especial nº 1.246.317MG, sintetizado na ementa: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial Fl. 644DF CARF MF Processo nº 11080.002380/200937 Acórdão n.º 9303007.094 CSRFT3 Fl. 11 10 e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. (REsp 1246317/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/05/2015, DJe 29/06/2015) (grifouse) Portanto, são insumos, para efeitos do art. 3º, II da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003, todos os bens e serviços pertinentes ao processo produtivo e à prestação de serviços, ou ao menos que os viabilizem, podendo ser empregados direta ou indiretamente, e cuja subtração implica a impossibilidade de realização do processo produtivo e da prestação do serviço, objetando ou comprometendo a qualidade da própria atividade da pessoa jurídica. Ainda, no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, o tema foi recentemente julgado pela sistemática dos recursos repetitivos nos autos do recurso especial nº 1.221.170 PR, no sentido de reconhecer a ilegalidade das Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004 e aplicação de critério da essencialidade ou relevância para o processo produtivo na conceituação de insumo para os créditos de PIS e COFINS no regime nãocumulativo. Até a presente data da sessão de julgamento desse processo não houve o trânsito em julgado do acórdão do recurso especial nº 1.221.170PR pela sistemática dos recursos repetitivos, pois pendente de julgamento de embargos de declaração interpostos pela Fazenda Nacional. Fazse a ressalva do entendimento desta Conselheira, que não é o da maioria do Colegiado, que conforme previsão contida no art. 62, §2º do RICARF aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, os conselheiros já estão obrigados a reproduzir referida decisão. Assim, os valores decorrentes da contratação de fretes de produtos acabados entre estabelecimentos da própria empresa geram direito aos créditos das contribuições para o PIS e para a COFINS na sistemática nãocumulativa, pois são essenciais ao processo produtivo da Recorrente e se constituem em despesas na operação de vendas. O direito ao crédito encontra amparo no art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.637/02, que contemplam a expressão "frete na operação de venda". No caso dos autos, conforme afirmado pela Contribuinte e não contestado pela Fiscalização, está consolidado que os fretes entre os estabelecimentos da empresa são de matériaprima e uma pequena parte de produtos acabados, defendendo serem ambos passíveis de créditos, em consonância com o acórdão colacionado como paradigma (nºs 3401002.075 e 340203.148). A partir da descrição da atividade da Recorrente na peça do apelo especial, é possível chegarse a melhor compreensão quanto à essencialidade/pertinência do frete entre estabelecimentos, tanto de matériasprimas quanto de produtos acabados, para o seu processo produtivo. Reproduzemse os argumentos constantes às fls. 385 a 387, in verbis: [...] Vejase que no caso em comento os fretes praticados durante o processo produtivo são os seguintes: 1.Frete com a aquisição de matériaprima para fabricar fertilizantes (exemplo nitrogênio, fósforo e potássio); Fl. 645DF CARF MF Processo nº 11080.002380/200937 Acórdão n.º 9303007.094 CSRFT3 Fl. 12 11 2. Remessa para industrialização da matériaprima; 3. Frete do produto até outro estabelecimento da Recorrente para armazenagem e venda final. Ou seja, os produtos da Recorrente como condição para bem desempenharem sua função, são higroscópicos e, portanto, com absorção de umidade apresentam perda de suas plenas qualidades em período relativamente curto (cerca de 18 a 24 meses), não sendo adequado armazenálos por longo tempo. Por isso, é possível afirmar que, tal como ocorre no acórdão paradigma, o caso da Recorrente possui peculiaridades que fazem com que o seu processo produtivo não termine na fábrica, mas somente quando o produto industrializado acabado é entregue ao produtor rural, destinatário final, em condições aptas para uso na lavoura. Para minimizar a deterioração na qualidade e para evitar problemas de segurança no transporte, devese prestar atenção tanto às propriedades iniciais do fertilizante quanto aos procedimentos corretos de manuseio do fertilizante. O manuseio e o transporte correto do fertilizante devem ser baseados nas condições climáticas, no tipo de fertilizante e na forma como é expedido (granel ou sacos): [...] No caso em tela, a Recorrente possui sede em Porto Alegre e unidades em vários Estados da federação, existindo em determinados casos (embora muito menos usual do que a remessa de matéria prima) a remessa de produtos acabados destinados à venda. Isso é fácil de compreender: a unidade de Porto Alegre, por exemplo, pode ter em estoque determinado produto vendido pela unidade de Imperatriz, no interior do Maranhão. A fim de atender à demanda que lhe foi encaminhada, não se deve exigir que a empresa produza, no Maranhão, o fertilizante de que já dispõe estocado no Rio Grande do Sul, já que, como narrado linhas acima, o fertilizante se deteriora rapidamente com o passar do tempo, devendo sempre ser comercializado o produto que se encontra há mais tempo em estoque. Mas ao transportar a mercadoria até suas unidades pelo país, a contribuinte gasta um considerável montante em frete. Porém, se os bens transportados já estão destinados à venda, esse frete também deve estar sujeito aos créditos de PIS e de COFINS previstos nos artigos 3º, IX e 15, II da Lei nº 10.833/03, pois há apenas um deslocamento do trajeto que seria realizado originalmente, caso o produto saísse do estabelecimento industrial de Porto Alegre e fosse transferido diretamente ao comprador. [...] Nesse sentido, esse 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais proferiu os Acórdãos nºs 9303004.673, de 16 de fevereiro de 2017, de relatoria da nobre Conselheira Érika Costa Camargos Autran; e 9303005.156, de 17 de maio de 2017, cuja relatoria foi da ilustre Conselheira Tatiana Midori Migiyama. Os julgados foram assim ementados: Acórdão n.º 9303004.673 Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 28/02/2005 DECADÊNCIA. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação, ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre. Fl. 646DF CARF MF Processo nº 11080.002380/200937 Acórdão n.º 9303007.094 CSRFT3 Fl. 13 12 Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/03/2005 a 31/12/2005 CREDITAMENTO DECORRENTE DA AQUISIÇÃO DE INSUMOS. POSSIBILIDADE, INDEPENDENTEMENTE DO RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO PELOS FORNECEDORES, MAS DESDE QUE COMPROVADO O PAGAMENTO DAS TRANSAÇÕES E A CORRESPONDENTE ENTREGA DAS MERCADORIAS. Realidade em que as aquisições do sujeito passivo estão sujeitas à apuração de crédito básico pela aquisição de insumos previsto no artigo 3°, inciso II, da Lei n° 10.637/02. Direito o qual deverá ser reconhecido uma vez evidenciado nos autos, independentemente do recolhimento da contribuição por parte dos fornecedores, a anotação, no corpo das notas fiscais de entrada, de que as correspondentes operações estão sujeitas à incidência do PIS e da COFINS. associado à comprovação do pagamento das transações e da entrega das mercadorias, o que afasta as conseqüências decorrentes da eventual inidoneidade dos fornecedores. nos termos do artigo 82 da Lei n° 9.430/96. CRÉDITOS BÁSICOS. DESPESAS COM FRETES. As despesas com fretes para transporte de produtos em elaboração e, ou produtos acabados entre estabelecimentos do contribuinte, pagas e/ ou creditadas a pessoas jurídicas, mediante conhecimento de transporte ou de notas fiscais de prestação de serviços, geram créditos básicos de PIS, passiveis de dedução da contribuição devida e/ ou de ressarcimento/compensação. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/03/2005 a 31/12/2005 CREDITAMENTO DECORRENTE DA AQUISIÇÃO DE INSUMOS. POSSIBILIDADE, INDEPENDENTEMENTE DO RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO PELOS FORNECEDORES, MAS DESDE QUE COMPROVADO O PAGAMENTO DAS TRANSAÇÕES E A CORRESPONDENTE ENTREGA DAS MERCADORIAS. Realidade em que as aquisições do sujeito passivo estão sujeitas à apuração de crédito básico pela aquisição de insumos previsto no artigo 3°, inciso II, da Lei n° 10.637/02. Direito o qual deverá ser reconhecido uma vez evidenciado nos autos, independentemente do recolhimento da contribuição por parte dos fornecedores, a anotação, no corpo das notas fiscais de entrada, de que as correspondentes operações estão sujeitas à incidência do PIS e da COFINS. associado à comprovação do pagamento das transações e da entrega das mercadorias, o que afasta as conseqüências decorrentes da eventual inidoneidade dos fornecedores. nos termos do artigo 82 da Lei n° 9.430/96. CRÉDITOS BÁSICOS. DESPESAS COM FRETES. As despesas com fretes para transporte de produtos em elaboração e, ou produtos acabados entre estabelecimentos do contribuinte, pagas e/ ou creditadas a pessoas jurídicas, mediante conhecimento de transporte ou de notas fiscais de prestação de serviços, geram créditos básicos de Cofins, a partir da competência de fevereiro de 2004, passiveis de dedução da contribuição devida e/ ou de ressarcimento/compensação. Recurso Especial do Procurador negado Recurso Especial do Contribuinte negado Fl. 647DF CARF MF Processo nº 11080.002380/200937 Acórdão n.º 9303007.094 CSRFT3 Fl. 14 13 Acórdão n.º 9303005.156 Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2008 a 30/09/2008 CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo. Não obstante à observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02 eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda quais sejam, os fretes na operação” de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo frete na operação de venda”, e não “frete de venda” quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE MATÉRIASPRIMAS ENTRE ESTABELECIMENTOS Os fretes na transferência de matériasprimas entre estabelecimentos, essenciais para a atividade do sujeito passivo, eis que vinculados com as etapas de industrialização do produto e seu objeto social, devem ser enquadrados como insumos, nos termos do art. 3º, inciso II, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso II, da Lei 10.637/02. Cabe ainda refletir que tais custos nada diferem daqueles relacionados às máquinas de esteiras que levam a matériaprima de um lado para o outro na fábrica para a continuidade da produção/industrialização/beneficiamento de determinada mercadoria/produto. PIS. COFINS. CRÉDITO. NÃO CUMULATIVIDADE. FRETES NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS TRIBUTADOS COM ALÍQUOTA ZERO OU ADQUIRIDOS COM SUSPENSÃO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para aproveitamento dos créditos sobre os serviços de fretes utilizados na aquisição de insumos não onerados pelas contribuições ao PIS e a Cofins. (grifouse) Pela argumentação exposta, há de ser reformado o acórdão recorrido e reconhecido o direito ao crédito com relação às despesas de frete de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa. 3 Dispositivo Diante do exposto, o Recurso Especial da Contribuinte é conhecido somente em parte quanto à possibilidade de creditamento de PIS nãocumulativo na contratação de frete de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa, e, no mérito, dáse provimento ao recurso para ser reconhecido o direito ao crédito de PIS nãocumulativo das despesas de frete de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte foi Fl. 648DF CARF MF Processo nº 11080.002380/200937 Acórdão n.º 9303007.094 CSRFT3 Fl. 15 14 conhecido em parte e, na parte conhecida, o colegiado deulhe provimento para reconhecer o direito ao crédito da contribuição sobre as despesas com frete de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 649DF CARF MF
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Numero do processo: 11020.002520/2009-81
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008
NÃO CUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. AQUISIÇÃO DE INSUMOS. BENS E SERVIÇOS. DIREITO AO CREDITAMENTO.
A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas - PIS/COFINS - informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre a aquisição de itens e serviços que não sejam utilizados diretamente no processo de produção do produto destinado a venda.
Numero da decisão: 9303-007.331
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial, para restabelecer a glosa de crédito sobre gastos com embalagem de transporte, vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Érika Costa Camargos Autran, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 NÃO CUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. AQUISIÇÃO DE INSUMOS. BENS E SERVIÇOS. DIREITO AO CREDITAMENTO. A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas - PIS/COFINS - informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre a aquisição de itens e serviços que não sejam utilizados diretamente no processo de produção do produto destinado a venda.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial, para restabelecer a glosa de crédito sobre gastos com embalagem de transporte, vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Érika Costa Camargos Autran, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
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CONCEITO DE INSUMO. DIREITO DE CRÉDITO. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado RASIP ALIMENTOS LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 NÃO CUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. AQUISIÇÃO DE INSUMOS. BENS E SERVIÇOS. DIREITO AO CREDITAMENTO. A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas PIS/COFINS informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre a aquisição de itens e serviços que não sejam utilizados diretamente no processo de produção do produto destinado a venda. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento parcial, para restabelecer a glosa de crédito sobre gastos com embalagem de transporte, vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Érika Costa Camargos Autran, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 25 20 /2 00 9- 81 Fl. 398DF CARF MF Processo nº 11020.002520/200981 Acórdão n.º 9303007.331 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela FAZENDA NACIONAL, com fulcro nos artigos 64, inciso II e 67, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, buscando a reforma do Acórdão nº 330201.519, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, em 21 de março de 2012. O Colegiado a quo entendeu por dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito ao crédito e autorizar o ressarcimento tão somente quanto aos seguintes itens: despesas com embalagens e com aquisição de GLP e manutenção de empilhadeiras. Não resignada em parte com a decisão, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial alegando divergência jurisprudencial quanto ao conceito de insumos para fins de utilização de créditos das contribuições para o PIS e a COFINS na sistemática da não cumulatividade. Insurgiuse especificamente quanto aos seguintes itens reconhecidos como insumos pela decisão recorrida: despesas com manutenção de empilhadeiras; com aquisição de GLP e despesas com embalagem de transporte (material de embalagem). Visando à comprovação do dissenso interpretativo indicou, dentre outros, o Acórdão n.º 20312.448, segundo o qual apenas podem ser considerados insumos para fins de cálculo do crédito do PIS nãocumulativo aqueles elencados no art. 3º da Lei nº 10.637/2002 combinado com o art. 66 da IN SRF nº 464/2004, adotando a tese da definição de “insumos” prevista na legislação do IPI. A Recorrente aduz, em síntese, que os insumos aptos a serem considerados como créditos de PIS/Pasep e COFINS no regime nãocumulativo foram tratados de foram taxativa no art. 3º das Leis n.º 10.637/2002 e 10.833/2003, respectivamente. Portanto, para efeitos de crédito do tributo, incluemse no conceito de insumo, além de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, os itens que sejam incorporados ao bem produzido, e os bens que, mesmo não se integrando à mercadoria, sejam consumidos e/ou alterados no processo de industrialização em função da ação exercida diretamente sobre o produto, com exceção daqueles compreendidos no ativo permanente. Segundo a Fazenda Nacional, tais requisitos não são atendidos pelos itens admitidos como insumos pelo acórdão recorrido, merecendo o mesmo ser reformado. Nos termos do despacho de exame de admissibilidade do Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF, foi dado seguimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, por ter sido entendida como comprovada a divergência jurisprudencial, com base no Acórdão paradigma n.º 20312.448. Cientificada a Contribuinte, não foram apresentadas contrarrazões. É o Relatório. Fl. 399DF CARF MF Processo nº 11020.002520/200981 Acórdão n.º 9303007.331 CSRFT3 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.328, de 15/08/2018, proferido no julgamento do processo 11020.000608/201001, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 9303007.328): "Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional atende aos requisitos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 (anteriormente Portaria MF n.º 256/2009), devendo, portanto, ter prosseguimento. Mérito Do Direito ao Crédito de PIS e COFINS nãocumulativos – Conceito de insumos No mérito, adentrase à análise do direito ao crédito de PIS e COFINS nãocumulativos decorrentes de: (1) despesas com empilhadeiras (manutenção e aquisição de GLP) e despesas com embalagem de transporte (material de embalagem). De início, explicitase o conceito de insumos adotado no presente voto, para posteriormente adentrarse à análise dos itens individualmente. A sistemática da nãocumulatividade para as contribuições do PIS e da COFINS foi instituída, respectivamente, pela Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002 (PIS) e pela Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003 (COFINS). Em ambos os diplomas legais, o art. 3º, inciso II, autorizase a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda.1 O princípio da nãocumulatividade das contribuições sociais foi também estabelecido no §12º, do art. 195 da Constituição Federal, por meio da Emenda Constitucional nº 42/2003, 1 Lei nº 10.637/2002 (PIS). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; [...]. Lei nº 10.8332003 (COFINS). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...]II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; [...] Fl. 400DF CARF MF Processo nº 11020.002520/200981 Acórdão n.º 9303007.331 CSRFT3 Fl. 5 4 consignandose a definição por lei dos setores de atividade econômica para os quais as contribuições sociais dos incisos I, b; e IV do caput, dentre elas o PIS e a COFINS. 2 A disposição constitucional deixou a cargo do legislador ordinário a regulamentação da sistemática da nãocumulatividade do PIS e da COFINS. Por meio das Instruções Normativas nºs 247/02 (com redação da Instrução Normativa nº 358/2003) (art. 66) e 404/04 (art. 8º), a Secretaria da Receita Federal trouxe a sua interpretação dos insumos passíveis de creditamento pelo PIS e pela COFINS. A definição de insumos adotada pelos mencionados atos normativos é excessivamente restritiva, assemelhandose ao conceito de insumos utilizado para utilização dos créditos do IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados, estabelecido no art. 226 do Decreto nº 7.212/2010 (RIPI). As Instruções Normativas nºs 247/2002 e 404/2004, ao admitirem o creditamento apenas quando o insumo for efetivamente incorporado ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, aproximandose da legislação do IPI que traz critério demasiadamente restritivo, extrapolaram as disposições da legislação hierarquicamente superior no ordenamento jurídico, a saber, as Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, e contrariaram frontalmente a finalidade da sistemática da nãocumulatividade das contribuições do PIS e da COFINS. Patente, portanto, a ilegalidade dos referidos atos normativos. Nessa senda, entendese igualmente impróprio para conceituar insumos adotarse o parâmetro estabelecido na legislação do IRPJ Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, pois demasiadamente amplo. Pelo raciocínio estabelecido a partir da leitura dos artigos 290 e 299 do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99), poderseia enquadrar como insumo todo e qualquer custo da pessoa jurídica com o consumo de bens ou serviços integrantes do processo de fabricação ou da prestação de serviços como um todo. Em Declaração de Voto apresentada nos autos do processo administrativo nº 13053.000211/200672, em sede de julgamento de recurso especial pelo Colegiado da 3ª Turma da CSRF, o ilustre Conselheiro Gileno Gurjão Barreto assim se manifestou: [...] permaneço não compartilhando do entendimento pela possibilidade de utilização isolada da legislação do IR para alcançar a definição de "insumos" pretendida. Reconheço, no entanto, que o raciocínio é auxiliar, é instrumento que pode ser utilizado para dirimir controvérsias mais estritas. Isso porque a utilização da legislação do IRPJ alargaria sobremaneira o conceito de "insumos" ao equiparálo ao conceito contábil de "custos e despesas operacionais" que abarca todos os custos e despesas que contribuem para a atividade de uma empresa (não apenas a sua produção), o que distorceria a interpretação da legislação ao ponto de tornála inócua e de resultar em indesejável esvaziamento da função social dos tributos, passando a desonerar não o produto, mas sim o produtor, subjetivamente. As Despesas Operacionais são aquelas necessárias não apenas para produzir os bens, mas também para vender os produtos, administrar a 2 Constituição Federal de 1988. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: [...] b) a receita ou o faturamento; [...] IV do importador de bens ou serviços do exterior, ou de quem a lei a ele equiparar. [...]§ 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. (grifouse) Fl. 401DF CARF MF Processo nº 11020.002520/200981 Acórdão n.º 9303007.331 CSRFT3 Fl. 6 5 empresa e financiar as operações. Enfim, são todas as despesas que contribuem para a manutenção da atividade operacional da empresa. Não que elas não possam ser passíveis de creditamento, mas tem que atender ao critério da essencialidade. [...] Estabelece o Código Tributário Nacional que a segunda forma de integração da lei prevista no art. 108, II, do CTN são os Princípios Gerais de Direito Tributário. Na exposição de motivos da Medida Provisória n. 66/2002, in verbis, afirmase que “O modelo ora proposto traduz demanda pela modernização do sistema tributário brasileiro sem, entretanto, pôr em risco o equilíbrio das contas públicas, na estrita observância da Lei de Responsabilidade Fiscal. Com efeito, constitui premissa básica do modelo a manutenção da carga tributária correspondente ao que hoje se arrecada em virtude da cobrança do PIS/Pasep.” Assim sendo, o conceito de "insumos", portanto, muito embora não possa ser o mesmo utilizado pela legislação do IPI, pelas razões já exploradas, também não pode atingir o alargamento proposto pela utilização de conceitos diversos contidos na legislação do IR. Ultrapassados os argumentos para a não adoção dos critérios da legislação do IPI nem do IRPJ, necessário estabelecerse o critério a ser utilizado para a conceituação de insumos. Diante do entendimento consolidado deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, inclusive no âmbito desta Câmara Superior de Recursos Fiscais, o conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, inciso II da Lei 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária" construída pelo CARF, na qual, para definir insumos, buscase a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte. Conceito mais elaborado de insumo, construído a partir da jurisprudência do próprio CARF e norteador dos julgamentos dos processos, no referido órgão, foi consignado no Acórdão nº 9303003.069, resultante de julgamento da CSRF em 13 de agosto de 2014: [...] Portanto, "insumo" para fins de creditamento do PIS e da COFINS não cumulativos, partindo de uma interpretação histórica, sistemática e teleológica das próprias normas instituidoras de tais tributos (Lei no. 10.637/2002 e 10.833/2003), deve ser entendido como todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo. Nessa linha relacional, para se verificar se determinado bem ou serviço prestado pode ser caracterizado como insumo para fins de creditamento do PIS e da COFINS, impende analisar se há: pertinência ao processo produtivo (aquisição do bem ou serviço especificamente para utilização na prestação do serviço ou na produção, ou, ao menos, para tornálo viável); essencialidade ao processo produtivo (produção ou prestação de serviço depende diretamente daquela aquisição) e possibilidade de emprego indireto no processo de produção (prescindível o consumo do bem ou a prestação de serviço em contato direto com o bem produzido). Fl. 402DF CARF MF Processo nº 11020.002520/200981 Acórdão n.º 9303007.331 CSRFT3 Fl. 7 6 Portanto, para que determinado bem ou prestação de serviço seja considerado insumo gerador de crédito de PIS e COFINS, imprescindível a sua essencialidade ao processo produtivo ou prestação de serviço, direta ou indiretamente, bem como haja a respectiva prova. Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço. O entendimento está refletido no voto do Ministro Relator Mauro Campbell Marques ao julgar o recurso especial nº 1.246.317MG, sintetizado na ementa: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os Fl. 403DF CARF MF Processo nº 11020.002520/200981 Acórdão n.º 9303007.331 CSRFT3 Fl. 8 7 efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. (REsp 1246317/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/05/2015, DJe 29/06/2015) (grifouse) Portanto, são insumos, para efeitos do art. 3º, II da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003, todos os bens e serviços pertinentes ao processo produtivo e à prestação de serviços, ou ao menos que os viabilizem, podendo ser empregados direta ou indiretamente, e cuja subtração implica a impossibilidade de realização do processo produtivo e da prestação do serviço, objetando ou comprometendo a qualidade da própria atividade da pessoa jurídica. Ainda, no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, o tema foi recentemente julgado pela sistemática dos recursos repetitivos nos autos do recurso especial nº 1.221.170 PR, no sentido de reconhecer a ilegalidade das Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004 e aplicação de critério da essencialidade ou relevância para o processo produtivo na conceituação de insumo para os créditos de PIS e COFINS no regime nãocumulativo. Até a presente data da sessão de julgamento desse processo não houve o trânsito em julgado do acórdão do recurso especial nº 1.221.170PR pela sistemática dos recursos repetitivos, pois pendente de julgamento de embargos de declaração interpostos pela Fazenda Nacional. Fazse a ressalva do entendimento desta Conselheira, que não é o da maioria do Colegiado, que conforme previsão contida no art. 62, §2º do RICARF aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, os conselheiros já estão obrigados a reproduzir referida decisão. (...) No caso dos autos, conforme já afirmado, a Contribuinte RASIP AGROPASTORIL S/A é pessoa jurídica que desenvolve a atividade econômica principal do cultivo de maçãs. No seu Estatuto Social (fl. 213), art. 3º, como objeto social são listadas as seguintes atividades: "(a) a produção agrícola e pastoril, a fruticultura e apicultura; (b) a criação de rebanhos de diversas espécies; (c) a indústria, o comércio, a importação e a exportação de produtos alimentícios, de produtos da agricultura, da fruticultura e da pecuária, inclusive derivados do leite; (d) a elaboração e execução de projetos e atividades de fruticultura, florestamento e reflorestamento; (e) a produção e comercialização de produtos agrícolas, sementes e mudas; e (f) a prestação de serviços inerentes a essas atividades." Importa ter em perspectiva referida atividade econômica desenvolvida pela Recorrida, pois ao se adotar o critério da pertinência, relevância e essencialidade para a definição do conceito de insumos, tais parâmetros devem ser analisados frente ao processo produtivo do Sujeito Passivo em referência. A Fazenda Nacional, por meio de recurso especial, confronta o acórdão do recurso voluntário no que tange à possibilidade de tomada de créditos de PIS e COFINS não cumulativos pela Contribuinte decorrentes dos seguintes itens, divididos em dois grupos: (1) despesas com empilhadeiras; (2) despesas com embalagem de transporte (material de embalagem). Na perspectiva do conceito de insumos segundo o critério da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo, entendese não assistir razão à Recorrente quanto ao pedido de restabelecimento das glosas, pois as despesas em testilha têm relação direta com a Fl. 404DF CARF MF Processo nº 11020.002520/200981 Acórdão n.º 9303007.331 CSRFT3 Fl. 9 8 atividade econômica principal da empresa contribuinte – o cultivo de maçãs. Para elucidar a assertiva, passase à análise individual dos bens e serviços: (a) despesas com empilhadeiras (aquisição de GLP e manutenção): no Relatório de Verificação Fiscal (fl.96), após visitas da Fiscalização à sede da empresa, foi consignado que as empilhadeiras são utilizadas para diversos fins: “descarregamento da fruta vinda dos pomares, carregamento/descarregamento da fruta nas câmaras frias, movimentação pelo packing (local onde a maçã é selecionada, limpada e embalada), bem como no carregamento das caixas de maçãs na saída dos produtos do estabelecimento”. Entendeu a Autoridade Fiscal que, ante a falta de segregação dos custos, despesas e respectivos créditos vinculados às empilhadeiras pela Contribuinte, não haveria direito ao crédito, por inexistência de previsão legal, já que as mesmas seriam utilizadas para “mero transporte da fruta dentro do processo produtivo (não há transformação ou ação direta sobre a maçã)” e, ainda, “após a finalização do processo produtivo, em suma, no início da operação de venda – carregamento da fruta na saída do estabelecimento (expedição)”. O entendimento da Fiscalização – que também é defendido pela Fazenda Nacional – é pautado pelo critério do conceito de insumos da legislação do IPI, exigindo o contato, desgaste, modificação do bem ou serviço no processo produtivo, bem como que o mesmo entre em contato com a mercadoria a ser produzida. No entanto, à luz da posição intermediária para definição do conceito de insumos, a utilização das empilhadeiras para o transporte das frutas nos pomares e para o seu carregamento na saída do estabelecimento, denota pertinência, relevância e essencialidade, com o processo produtivo do cultivo de maçãs. As empilhadeiras foram utilizadas pela Contribuinte na produção, ainda que de forma indireta, e se mostram indispensáveis à consecução do seu objeto social de produção e venda das maçãs. Além disso, não se pode imaginar que não conte a empresa com o auxílio de máquinas para o transporte do seu produto, em grandes quantidades, ao longo da produção e na saída para a venda, pois hipótese contrária inviabilizaria o próprio cultivo e escoamento da produção. Portanto, deve ser mantido o reconhecimento do direito ao crédito de PIS e COFINS nãocumulativos com relação às despesas com empilhadeiras (aquisição de GLP e manutenção). " (...)3 "Com todo respeito ao voto da ilustre relatora, mas discordo de suas conclusões, quanto ao direito de se aproveitar créditos sobre despesas que não integram o custo do produto industrializado. A discussão gira em torno do conceito de insumos para fins do creditamento do PIS e da Cofins no regime da nãocumulatividade previsto nas Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003. Como visto, a relatora aplicou o entendimento, bastante comum no âmbito do CARF, de que para dar direito ao crédito basta que o bem ou o serviço adquirido seja essencial para o exercício da atividade produtiva por parte do contribuinte. É uma interpretação bastante tentadora do ponto de vista lógico, porém, na minha opinião não tem respaldo na legislação que trata do assunto. 3 Não se transcreveu, do voto da relatora do processo paradigma, a parte que tratou do direito de crédito quanto às despesas com material de embalagem (embalagem de transporte), por ser entendimento que foi vencido na votação, não se aplicando, portanto, à solução do presente litígio. Contudo, a íntegra do voto consta do Acórdão 9303007.328. Fl. 405DF CARF MF Processo nº 11020.002520/200981 Acórdão n.º 9303007.331 CSRFT3 Fl. 10 9 Confesso que já compartilhei em parte deste entendimento, adotando uma posição intermediária quanto ao conceito de insumos. Porém, refleti melhor, e hoje entendo que a legislação do PIS/Cofins traz uma espécie de numerus clausus em relação aos bens e serviços considerados como insumos para fins de creditamento, ou seja, fora daqueles itens expressamente admitidos pela lei, não há possibilidade de aceitálos dentro do conceito de insumo. O objeto de discussão no recurso da Fazenda Nacional, como bem relatado, referese ao aproveitamento de créditos assim separados: 1) Despesas com empilhadeiras 2) combustíveis e lubrificantes; 3) Bens diversos; 4) Materiais utilizados para embalagens de transporte; e 5) Serviços de manutenção de máquinas, tratores, retroescavadeiras e pulverizadores. Porém, como já dito, adoto um conceito de insumos bem mais restritivo do que o conceito da necessidade e da essencialidade, adotado pelo voto vencido. Nesse sentido, importante transcrever o art. 3º das Lei nº 10.637/2002 e 10.833/2003, que trata das possibilidades de creditamento do PIS e da Cofins: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Fl. 406DF CARF MF Processo nº 11020.002520/200981 Acórdão n.º 9303007.331 CSRFT3 Fl. 11 10 X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (...). 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. (...). Ora, segundo estes dispositivos legais, somente geram créditos das contribuições os custos com bens e serviços utilizados como insumos na fabricação dos bens destinados a venda. Note que os dispositivos legais descrevem de forma exaustiva todas as possibilidades de creditamento. Fosse para atingir todos os gastos essenciais à obtenção da receita, não necessitariam ter sido elaborados desta forma, bastava um único artigo ou inciso. Não haveria necessidade de ter descido a tantos detalhes. No presente caso, é incontroverso que as referidas despesas são necessárias para a atividade econômica do contribuinte. Não discordo da conclusão do acórdão recorrido de que os gastos com aqueles bens e serviços estão vinculados às atividades econômicas do contribuinte. Mas o legislador restringiu a possibilidade de creditamento do PIS e da Cofins aos insumos utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda e na prestação de serviços. Portanto, considerando esse conceito de que os insumos devem ser utilizados diretamente na fabricação do produto destinado a venda, passemos à análise de cada item objeto do recurso especial. 1) Despesas com empilhadeiras (combustíveis e peças de manutenção) Nesse ponto só vou justificar as razões porque acompanhei a relatora pela possibilidade de tal creditamento. Verificase pelo relatório fiscal que essas empilhadeiras são usadas dentro do processo fabril de beneficiamento das maças, produto final do contribuinte. Ou seja, os combustíveis e as peças de manutenção, não ativáveis, são consumidas diretamente no processamento das maças, que são efetivamente os produtos destinados à venda. Fl. 407DF CARF MF Processo nº 11020.002520/200981 Acórdão n.º 9303007.331 CSRFT3 Fl. 12 11 2) Materiais utilizados para embalagens de transporte Conforme acórdão recorrido, tratam se dos seguintes itens: "tais como cantoneiras utilizadas para evitar o amassamento das caixas de papelão pelas amarras durante o transporte; pallets e seus acessórios, pregos, etiquetas, utilizados para o empilhamento de caixas para o armazenamento e transporte; fitas e amarras, utilizadas para amarrar as caixas de papelão sobre os pallets". Observe que são todos itens utilizados após o encerramento do processo produtivo. São utilizados para acondicionamento de transporte da produção. Não discordo da conclusão do acórdão recorrido de que o uso da embalagem é essencial para a preservação das características dos seus produtos, durante o transporte até os pontos de venda. Penso inclusive, que em maior ou menor grau, a depender do produto final, esta é a finalidade mesmo da embalagem de transporte. Mas o legislador restringiu a possibilidade de creditamento do PIS e da Cofins aos insumos utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Portanto após o encerramento do processo produtivo não é possível tal creditamento, a não ser nas hipóteses expressamente previstas na legislação, a exemplo do aproveitamento do crédito do frete na operação de venda (situação excepcionada expressamente pela Lei) ou alguém seria capaz de dizer que o frete na operação de venda, suportado pelo contribuinte, não é um item essencial à sua atividade econômica. Se bastasse isso não seria necessária a excepcionadade constante da Lei. Diante do exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, para reestabelecer as glosas de crédito em relação aos itens referentes às embalagens de transporte." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial da Fazenda Nacional foi conhecido e, no mérito, o colegiado deulhe provimento parcial para restabelecer as glosas de crédito em relação aos itens referentes às embalagens de transporte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 408DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13851.000703/2005-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 10/05/1999
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE PIS. PRESCRIÇÃO. 10 ANOS (5+5). LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. SÚMULA 91/CARF. CONEXÃO. Art. 6., §1º, I, Anexo II do RICARF
Nos termos do Art. 6., §1º, I, Anexo II do RICARF, não é obrigatório o Julgador reunir os processos por Conexão.
O pedido de restituição (PER) de tributo por homologação, que tenha sido pleiteado anteriormente à 09/06/05, antes da entrada em vigor de LC 118/05, o prazo prescricional é de 10 (dez) anos, conforme Súmula 91/CARF.
SÚMULA No. 91 - CARF - Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador.
Numero da decisão: 3201-004.241
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que a unidade preparadora, ultrapassada a questão preliminar, aprecie o mérito do litígio.
CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Presidente
(assinado digiltamente)
LAÉRCIO CRUZ ULIANA JUNIOR Relator
(assinado digiltamente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente)
Nome do relator: LAERCIO CRUZ ULIANA JUNIOR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 10/05/1999 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE PIS. PRESCRIÇÃO. 10 ANOS (5+5). LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. SÚMULA 91/CARF. CONEXÃO. Art. 6., §1º, I, Anexo II do RICARF Nos termos do Art. 6., §1º, I, Anexo II do RICARF, não é obrigatório o Julgador reunir os processos por Conexão. O pedido de restituição (PER) de tributo por homologação, que tenha sido pleiteado anteriormente à 09/06/05, antes da entrada em vigor de LC 118/05, o prazo prescricional é de 10 (dez) anos, conforme Súmula 91/CARF. SÚMULA No. 91 CARF Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que a unidade preparadora, ultrapassada a questão preliminar, aprecie o mérito do litígio. CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA – Presidente (assinado digiltamente) LAÉRCIO CRUZ ULIANA JUNIOR – Relator (assinado digiltamente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 1. 00 07 03 /2 00 5- 81Fl. 137DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente) Relatório Tratase de pedido de Restituição de PIS pago indevidamente no período de Abril de 1999, protocolado em 08/06/05 na DRF de Araraquara/SP, conforme constante no Pedido de Restituição. Por traduzir a realidade dos fatos, adoto o Relatório da DRJ: (...) A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Araraquara, por meio do Despacho Decisório de fls. 28/37, indeferiu o pedido, com fundamento na ocorrência da decadência do direito de pedir e na falta de comprovação documental da existência do alegado crédito contra a Fazenda Nacional, de modo a permitir a aferição de sua liquidez e certeza. Cientificado em 04/05/2009, fls. 83, o interessado apresentou manifestação de inconformidade em 03/06/2009, fls. 37/48, alegando, em breve síntese: a) Que, através do Mandado de Segurança n° 1999.61.02.0070375, obteve provimento jurisdicional que lhe autorizou a recolher as contribuições para o PIS e Cofins sem o alargamento da base de cálculo estabelecida pelo S 3° da Lei n° 9.718, de 1998; b) Que, nos meses de março a junho de 1999, auferiu unicamente receitas financeiras e outros tipos de rendimentos não oriundos da venda de bens e serviços, conforme demonstrativo anexado e que, sobre tais rendimentos, aplicou as correspondentes alíquotas do PIS e Cofins, efetuando o recolhimento. c) Que o provimento jurisdicional transitou em julgado e lhe assegurou o direito de calcular o PIS e a Cofins com base na Lei n° 9.715, de 1998 e na Lei Complementar (LC) nO 70, de 1991, ou seja, somente sobre o faturamento, excluindose as demais receitas não caracterizadas como senda da venda de mercadorias ou serviços; A partir da exposição dos fatos que originaram o' alegado crédito contra a Fazenda Nacional, contesta o decidido pela DRF em Araraquara, a saber: Inicialmente alega que houve uma distorção do instituto da decadência e o que se aplica, na realidade, é a prescrição de seu direito de pedir a restituição, e que mostrará a sua inocorrência no caso. Fl. 138DF CARF MF Processo nº 13851.000703/200581 Acórdão n.º 3201004.241 S3C2T1 Fl. 139 3 Alega que conforme entendimento do Superior Tribunal de Justiça, nos casos de lançamento por homologação, o prazo prescricional é cinco contados a partir da homologação tácita, ou seja, de dez anos contados a partir do fato gerador. Que o art. 3° da LC 118, de 2005 modificou, e não apenas interpretou o Código Tributário Nacional CTN e, assim, não pode ser aplicado aos pedidos apresentados anteriormente à entrada em vigor da dita lei, que ocorreu em 09/06/2005. Que, desse modo, o pedido foi apresentado dentro do prazo legal 10 anos, conforme entendimento do Superior Tribunal de Justiça STJ, que declarou a inconstitucionalidade do art. 4°, segunda parte, da LC n° 118, de 2005, que determina a aplicação retroativa de seu art. 3°. Ainda, alega que o ajuizamento do Mandado de Segurança importou em causa interruptiva da prescrição, nos termos do artigo 172 e 173 do Código Civil de 1916, vigente à época. Uma vez que o trânsito em julgado da ação ocorreu em 30/05/2008, não há em que se falar em ocorrência do prazo prescricional, uma vez que este esteve interrompido até o referido trânsito em julgado. Continua, alegando que tem direito à restituição aos recolhimentos efetuados nos meses de março a junho de 1999, que se afiguram indevidos, uma vez que as únicas receitas auferidas pelo Requerente nesse período corresponderam a receitas financeiras e outras receitas não oriundas da venda de bens e prestação de serviços, estas as únicas passíveis de tributação pelo PIS e Cofins, conforme o provimento jurisdicional conquistado. Requer o conhecimento da manifestação, com a reforma da decisão recorrida e conseqüente deferimento do pedido de restituição Assim, seguindo a marcha processual normal, a DRJ julgou improcedente o pleito de Reforma do Contribuinte, por entender, que o estaria prescrito, com a seguinte, que Fl. 139DF CARF MF 4 sintetiza: os fundamentos: Inconformada com r. julgado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, requerendo reforma por entender: a) que o prazo de prescrição é de 10 anos, pois, se trata de lançamento por homologação; b) que houve alteração do prazo prescricional com e entrada em vigor da Lei Complementar 118/05, que ocorreu em 09 de junho de 2005; c) que seu pleito é anterior a data da entrada em vigor da LC 118/05; d) pede reunião de demais processos; É o relatório. Voto Conselheiro LAÉRCIO CRUZ ULIANA JUNIOR O Recurso Voluntário preenche todos os requisitos e merece ser conhecido. Inicialmente é de considerar que a reunião dos processos por conexão é uma faculdade nos termos do art. do Art. 6., §1º, I, Anexo II do RICARF. Ademais, compulsando o sítio eletrônico do CARF, verificase que alguns processos indicados pelo Contribuinte já foram julgados nesse CARF, assim, não existindo qualquer prejudicialidade na ausência de conexão dos presentes autos. Deste modo, não merece prosperar o pleito do Contribuinte em razão do pedido de conexão. É de se trazer a baila que o pleito do Contribuinte é o Pedido de Restituição (PER) de PIS pago a maior no período de Abril de 1999, requerido em 08/06/05. Fl. 140DF CARF MF Processo nº 13851.000703/200581 Acórdão n.º 3201004.241 S3C2T1 Fl. 140 5 Ocorre que a DRF e a DRJ compreenderam que a prescrição para pleitear o PER era de 05 (cinco) anos do pagamento, e não da homologação tácita, que tal fundamentação estaria disposto no art. 3º. da LC 118/05. Contudo, sem mais digressões, é de notório conhecimento que a LC 118/05, inovou em razão da contagem da prescrição, existindo grande debate sobre o termo inicial da aplicação do prazo quinquenal da prescrição ao invés do decimal. Contudo, o assunto encontra se sumulado com efeito vinculante por este CARF, vejamos: Súmula CARF nº 91 Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. De tal sorte, devese afastar a prescrição do presente caso, uma vez, que não decorreu o período de 10 (dez) anos do lançamento, e o pleito sendo anterior a 09/06/05, ressaltase que nos termos do Art. 75, § 2º, Anexo II, do RICARF, a mencionada súmula encontrase com efeito vinculante. Diante disso, devese ser anulado o Despacho Decisório para afastar a prescrição. Concluo, o voto é no sentido de CONHECER e DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para que a unidade preparadora, ultrapassada a questão preliminar, aprecie o mérito do litígio. LAÉRCIO CRUZ ULIANA JUNIOR Relator (assinado digiltament) Fl. 141DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19985.720629/2014-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2011
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DIRF.
A omissão de rendimentos apurada com base em DIRF da fonte pagadora determina a tributação do rendimento omitido.
ARGUMENTOS. COMPROVAÇÃO.
Argumentos desprovidos de provas não podem ser acatados em respeito ao princípio da verdade material que norteia o processo administrativo.
Numero da decisão: 2401-005.799
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Relatora e Presidente.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Rayd Santana Ferreira, José Luiz Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa e Matheus Soares Leite.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2011 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DIRF. A omissão de rendimentos apurada com base em DIRF da fonte pagadora determina a tributação do rendimento omitido. ARGUMENTOS. COMPROVAÇÃO. Argumentos desprovidos de provas não podem ser acatados em respeito ao princípio da verdade material que norteia o processo administrativo.
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Recorrente FLAUZINA LUZIA GATTO CARDOSO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2011 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DIRF. A omissão de rendimentos apurada com base em DIRF da fonte pagadora determina a tributação do rendimento omitido. ARGUMENTOS. COMPROVAÇÃO. Argumentos desprovidos de provas não podem ser acatados em respeito ao princípio da verdade material que norteia o processo administrativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Relatora e Presidente. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Rayd Santana Ferreira, José Luiz Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa e Matheus Soares Leite. Relatório Tratase de notificação de lançamento de imposto de renda pessoa física IRPF, fls. 48/51, decorrente de revisão da Declaração de Ajuste Anual (DAA) anocalendário 2011, exercício 2012, que apurou imposto suplementar de R$ 30.032,15, acrescido de juros de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 98 5. 72 06 29 /2 01 4- 75 Fl. 246DF CARF MF Processo nº 19985.720629/201475 Acórdão n.º 2401005.799 S2C4T1 Fl. 247 2 mora e multa de ofício, em virtude de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, no valor de R$ 166.330,01 (IRRF de R$ 4.989,90), fonte pagadora Banco do Brasil S/A, declarado em DIRF. Em impugnação apresentada às fls. 2/5, o contribuinte alega que os valores se referem a honorários advocatícios recebidos por seu filho e que têm caráter indenizatório. O imposto devido já foi retido na fonte. Que emprestou sua conta para o recebimento e que recebe uma ajuda do escritório do filho. Foi emitido Termo Circunstanciado e Despacho Decisório, fls. 72/73, mantendo o lançamento. Em petição de fls. 78/82, afirma que o quem recebeu efetivamente os honorários foi outra pessoa, a exprocuradora. A DRJ/BSB, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário, conforme acórdão 0370.572 de fls. 222/227, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2012 DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. Para apuração do imposto de renda, na Declaração de Ajuste Anual, são considerados todos os rendimentos percebidos pelo contribuinte no decorrer do anocalendário. ÔNUS DA PROVA. Presumemse verdadeiras as informações prestadas na Dirf. Não compete à administração tributária produzir prova que deve ser trazida aos autos pelo sujeito passivo. Cientificado do Acórdão em 18/5/16 (cópia de Aviso de Recebimento AR de fl. 231), o contribuinte apresentou recurso voluntário em 16/6/16, fls. 233/237, que contém, em síntese: Diz que nunca fez parte de nenhuma ação judicial e que emprestou sua conta bancária para seu filho. Menciona a ação judicial, partes, tempo de duração e valores. Diz que quem advogou para as partes e recebeu os honorários foi a Dra. Célia Regina Santos. Diz que são isentos do imposto de renda as indenizações por acidentes de trabalho. Explica que a autora (Sandra e seus filhos) da ação deu procuração para que seu filho advogado João Jr. recebesse o crédito e pagasse contas pendentes. E repisa que emprestou sua conta bancária a seu filho para recebimento dos valores. Fl. 247DF CARF MF Processo nº 19985.720629/201475 Acórdão n.º 2401005.799 S2C4T1 Fl. 248 3 É o relatório. Voto Conselheira Miriam Denise Xavier, Relatora. ADMISSIBILIDADE O recurso voluntário foi oferecido no prazo legal, assim, deve ser conhecido. MÉRITO Da análise dos autos, vêse que a todo momento a recorrente afirma que emprestou sua conta bancária para que seu filho recebesse valores decorrentes de ação judicial. Cumpre transcrever trechos do acórdão de impugnação, que, por sua vez, transcreve trechos do despacho decisório: Nos termos da Instrução Normativa RFB nº 1.061/2010, foi realizada revisão de ofício por Auditores Fiscais em exercício no Órgão de origem, ficando esclarecido que a Contribuinte não apresentou documentação suficiente para comprovar que os rendimentos pertencem a terceiros. O Termo Circunstanciado destaca que não restou demonstrando em que momento o nome e o CPF da Impugnante foi indicado para recebimento dos valores objeto da omissão de rendimentos, fls. 78/82. [...] A forma de tributação de valores recebidos por proponente de ação judicial patrocinada pelo filho da Impugnante é matéria estranha à matéria discutida nestes autos. Notase que a própria Impugnante assevera que o foco de sua defesa é o fato de que seu filho, advogado, não possuía conta bancária para o recebimento de honorários. Ao mesmo tempo, de forma confusa, a Interessada afirma que referidos honorários foram percebidos por outra advogada também patrona da causa descrita na peça contestatória e na manifestação contrária ao Despacho Decisório. A infração – Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica – tomou como base informações prestadas à Receita Federal pela fonte pagadora – Banco do Brasil S/A – por meio de Dirf. A Dirf é documento que os declarantes estão obrigados a apresentar à Receita Federal e tem por finalidade disponibilizar informações dos rendimentos tributáveis pagos e respectivos impostos retidos na fonte. Fl. 248DF CARF MF Processo nº 19985.720629/201475 Acórdão n.º 2401005.799 S2C4T1 Fl. 249 4 Mencionada declaração caracteriza documento hábil e idôneo para comprovar a ocorrência do fato gerador. Há uma presunção de veracidade dos valores contidos nesta declaração (Dirf), que pode ser afastada por prova em contrário, conforme art. 36 da Lei 9.784/1999. Contudo, os documentos e argumentos trazidos aos autos não ofereceram elementos suficientes para cancelar o lançamento. Esta conclusão ficou bem demonstrada no Termo Circunstanciado e no Despacho Decisório de fls. 78/82 ao anotar que a Contribuinte não apresentou documentação necessária, nem planilha de cálculos, para comprovar que os rendimentos pertencem a terceiros, não ficando claro em que momento o nome e o CPF da Impugnante foram indicados para recebimento dos valores objeto da omissão de rendimentos, os quais pertenceriam a seu filho, fls. 78/82. (grifo nosso) A simples discordância dos fatos não pode ser considerada para afastar o lançamento. A discordância desprovida da indicação dos motivos de fato (devidamente comprovados) ou de direito em que se fundamenta a irresignação é entendida como negativa geral, o que não configura impugnação. Desta forma, não tendo a contribuinte comprovado que os valores recebidos pertencem a terceiros, como alega, correto o lançamento que apurou rendimentos recebidos, informados pela fonte pagadora em DIRF, e omitidos na declaração de ajuste anual. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negar lhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Fl. 249DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10945.000991/2010-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 31/03/2006, 30/06/2006, 30/09/2006, 31/12/2006, 31/03/2007, 30/06/2007, 30/09/2007, 31/12/2007
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. TRANSFERÊNCIAS INTERBANCÁRIAS. INEXISTÊNCIA. T
Inexistindo transferências interbancárias da conta de titularidade de Filial da mesma empresa para a conta da Matriz. a alegação não justifica os depósitos/créditos recebidos na última.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RECEBIMENTOS REFERENTES A VENDAS DE FILIAL. OMISSÃO DE RECEITAS.
A alegação de que os depósitos/créditos recebidos em conta bancária da Matriz, em valor superior ao da receita contabilizada e declarada da empresa, se referem a receitas de venda da Filial, não justifica a omissão de receitas constatada do confronto entre os depósitos/créditos recebidos e a receita da empresa como um todo. escriturada e declarada a menor.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RECEBIMENTOS. RESSARCIMENTO DE FRETES E DESPESAS DE TRANSPORTE.
A alegação de que os depósitos/créditos recebidos em conta bancaria se referem a ressarcimentos de fretes e de despesas de transporte recebidos não justifica a omissão de receita pois não foram comprovados e, mesmo se foram recebidos, não foram contabilizados nem como receita, o que confirmaria a omissão, nem corno redução de custos, o que caracterizaria redução do lucro tributável.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RECEBIMENTOS. RESSARCIMENTO DE ICMS SUBSTITUIÇÃO.
A alegação de que os depósitos/créditos recebidos em conta bancária se referem a ressarcimentos de ICMS substituição recebidos, não justifica a omissão de receita constatada se a Iitigante não estabelece vínculo documental entre cada depósito/crédito recebido e o alegado ressarcimento recebido, não localizado em sua contabilidade.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS.
A Lei nº 9.430. de l996, no seu art. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente. sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprovar mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento.
DECORRÊNCIA. PIS, COFINS E CSLL.
Tratando-se de tributação reflexa de irregularidades descritas e analisadas no lançamento de IRPJ, constante do mesmo processo, e dada a relação causa e efeito, aplica-se o mesmo entendimento ao PIS, Cofins e CSLL.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/03/2006, 30/06/2006, 30/09/2006, 31/12/2006, 31/03/2007, 30/06/2007, 30/09/2007, 31/12/2007
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. OMISSÃO DE RECEITAS DECORRENTES DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM.
A presunção de receitas em face de depósitos bancários de origem não comprovada não autoriza a aplicação da multa de ofício qualificada.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE.
Aplicam-se juros de mora por percentuais equivalentes à taxa Selic por expressa previsão legal.
INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. APRECIAÇÃO. VEDAÇÃO.
Não compete à autoridade administrativa manifestar-se quanto à inconstitucionalidade ou ilegalidade das leis, por ser essa prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário.
INTERPRETAÇÃO MAIS BENIGNA DA LEI TRIBUTÁRIA EM CASO DE DÚVIDAS. ART. 112 DO CTN.
Se, diante das provas contidas nos autos, inexistem dúvidas quanto à prática de infração tributária e à penalidade aplicável ao caso, não há que se falar em interpretação mais favorável, pois o lançamento é ato administrativo vincuIado.
Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 31/03/2006, 30/06/2006, 30/09/2006, 31/12/2006, 31/03/2007, 30/06/2007, 30/09/2007, 31/12/2007
PERÍCIA. DILIGÊNCIAS. NECESSIDADE.
Indefere-se a realização de perícia e de diligências requeridas, quando evidentemente desnecessárias e meramente procrastinatórias.
Numero da decisão: 1201-002.484
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a multa qualificada reduzindo-a de 150% para 75%, nos termos do voto do relator. Vencida a conselheira Eva Maria Los que mantinha a multa qualificada.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Cezar Fernandes de Aguiar - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente).
Nome do relator: PAULO CEZAR FERNANDES DE AGUIAR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2006, 30/06/2006, 30/09/2006, 31/12/2006, 31/03/2007, 30/06/2007, 30/09/2007, 31/12/2007 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. TRANSFERÊNCIAS INTERBANCÁRIAS. INEXISTÊNCIA. T Inexistindo transferências interbancárias da conta de titularidade de Filial da mesma empresa para a conta da Matriz. a alegação não justifica os depósitos/créditos recebidos na última. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RECEBIMENTOS REFERENTES A VENDAS DE FILIAL. OMISSÃO DE RECEITAS. A alegação de que os depósitos/créditos recebidos em conta bancária da Matriz, em valor superior ao da receita contabilizada e declarada da empresa, se referem a receitas de venda da Filial, não justifica a omissão de receitas constatada do confronto entre os depósitos/créditos recebidos e a receita da empresa como um todo. escriturada e declarada a menor. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RECEBIMENTOS. RESSARCIMENTO DE FRETES E DESPESAS DE TRANSPORTE. A alegação de que os depósitos/créditos recebidos em conta bancaria se referem a ressarcimentos de fretes e de despesas de transporte recebidos não justifica a omissão de receita pois não foram comprovados e, mesmo se foram recebidos, não foram contabilizados nem como receita, o que confirmaria a omissão, nem corno redução de custos, o que caracterizaria redução do lucro tributável. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RECEBIMENTOS. RESSARCIMENTO DE ICMS SUBSTITUIÇÃO. A alegação de que os depósitos/créditos recebidos em conta bancária se referem a ressarcimentos de ICMS substituição recebidos, não justifica a omissão de receita constatada se a Iitigante não estabelece vínculo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 00 09 91 /2 01 0- 02 Fl. 3024DF CARF MF 2 documental entre cada depósito/crédito recebido e o alegado ressarcimento recebido, não localizado em sua contabilidade. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. A Lei nº 9.430. de l996, no seu art. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente. sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprovar mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. DECORRÊNCIA. PIS, COFINS E CSLL. Tratandose de tributação reflexa de irregularidades descritas e analisadas no lançamento de IRPJ, constante do mesmo processo, e dada a relação causa e efeito, aplicase o mesmo entendimento ao PIS, Cofins e CSLL. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/03/2006, 30/06/2006, 30/09/2006, 31/12/2006, 31/03/2007, 30/06/2007, 30/09/2007, 31/12/2007 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. OMISSÃO DE RECEITAS DECORRENTES DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. A presunção de receitas em face de depósitos bancários de origem não comprovada não autoriza a aplicação da multa de ofício qualificada. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Aplicamse juros de mora por percentuais equivalentes à taxa Selic por expressa previsão legal. INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. APRECIAÇÃO. VEDAÇÃO. Não compete à autoridade administrativa manifestarse quanto à inconstitucionalidade ou ilegalidade das leis, por ser essa prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário. INTERPRETAÇÃO MAIS BENIGNA DA LEI TRIBUTÁRIA EM CASO DE DÚVIDAS. ART. 112 DO CTN. Se, diante das provas contidas nos autos, inexistem dúvidas quanto à prática de infração tributária e à penalidade aplicável ao caso, não há que se falar em interpretação mais favorável, pois o lançamento é ato administrativo vincuIado. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 31/03/2006, 30/06/2006, 30/09/2006, 31/12/2006, 31/03/2007, 30/06/2007, 30/09/2007, 31/12/2007 PERÍCIA. DILIGÊNCIAS. NECESSIDADE. Indeferese a realização de perícia e de diligências requeridas, quando evidentemente desnecessárias e meramente procrastinatórias. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 3025DF CARF MF Processo nº 10945.000991/201002 Acórdão n.º 1201002.484 S1C2T1 Fl. 3 3 Acordam os membros do colegiado por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a multa qualificada reduzindoa de 150% para 75%, nos termos do voto do relator. Vencida a conselheira Eva Maria Los que mantinha a multa qualificada. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Relatório Adotase o relatório do Acórdão nº 0629.196, da 2ª Turma da DRJ/CTA (fls. 711 a 736), com a complementação necessária em seguida: Trata o processo dos autos de infração de fls. 560/599 e 602/609, em que se exigem: a) Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ, no valor de R$ 1.061.501,65, lavrado exigindo o imposto apurado pelo lucro real trimestral devido a: a.1) omissão de receitas, evidenciada por depósitos bancários não contabilizados e que a contribuinte, intimada, não logrou justificar que se referissem a valores tributados, não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte ou ainda de outra origem justificada: períodos de apuração; 31/03/2006, 30/06/2006, 30/09/2006, 31/12/2006, 31/03/2007. 30/06/2007, 30/09/2007, 31/12/2007; base legal no art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; art..42 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996; arts. 249, II, 251 e parágrafo único, 279, 282, 287 e 288 do Regulamento do Imposto de Renda RIR de 1999 (Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999); a.2) omissão de receitas escrituradas, mas não declaradas, fato gerador em 31/03/2006; base legal no art. 24 da Lei nº 9.249, de 1995; art. 249, II, 241 e parágrafo único, 278. 279, 280 e 288 do RIR de 1999; b) contribuição ao Programa de Integração Social PIS, no valor de R$ 73.277,01, referente a omissões de receitas descritas, apurada com incidência não cumulativa; fatos geradores mensais de 02 a 06/2006, 08, 10, 11 e 12/2006, 01, 03 a 08/2007 e 10 e 11/2007; base legal nos arts. 1”, 3º e 4” da Lei n*' 10.637 de 30 de dezembro de 2002; Fl. 3026DF CARF MF 4 c) contribuição ao Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, no valor de R$ 337.288,43. referente a omissões de receitas descritas, apurada com incidência não cumulativa; fatos geradores mensais de 02 a 06/2006, 08, 10, ll e 12/2006, 01, 03 a 08/2007 e 10 e 1 1/2007; com base legal nos arts. 1°, 3° e 5° da Lei n° 10.833, de 28 de dezembro de 2003: d) Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL no valor de R$ 399.420,57, em decorrência das infrações; d.1) omissão de receitas evidenciada por depósitos bancários não contabilizados e que a contribuinte. intimada, não logrou justificar que se referissem a valores tributados, não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte, ou de ainda outra origem justificada; períodos de apuração; 31/03/2006, 30/06/2006, 30/09/2006, 31/12/2006. 31/03/2007, 30/06/2007, 30/09/2007, 31/12/2007; d.2) omissão de receitas escrituradas, mas não declaradas, fato gerador em 1 31/03/2006; d.3) base legal nos arts. 2º e §§ da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988; art. 24 1 da Lei nº 9.249, de 1995; art. 1º da Lei nº 9.316, de 22 de novembro de 1996; art. ; 28 da Lei nº 9.430. de 27 de dezembro de 1996; art. 37 da Lei nº 10.637 de 30 de 1 dezembro de 2002. 2. Foi aplicada multa de oficio de 150% do art. 44, ll da Lei n“ 9.430, de 1996, e juros de mora segundo o art. 61, § 3º da Lei nº 9.430, de 1996. 3. Às fls. 543/559, descrição dos procedimentos e autuação, no Termo de Verificação Fiscal. 4. O processo consiste em quatro volumes e nove anexos; o autuante informou que apresentou Representação Fiscal para Fins Penais IRPJ. 5. A empresa foi cientificada dos autos de infração e do Termo de Constatação Fiscal mediante Aviso de Recebimento AR postado em 30/08/2010 (fl. 610, verso) e, tempestivamente, em 30/09/2010, apresentou a impugnação de fls. 615/656, com os documentos relacionados as fls. 657/659, objetos dos Anexos I a IX. 6. Depois de descrever o desenrolar da fiscalização e a autuação, pleiteia, preliminarmente, que a impugnação é tempestiva e suspende a exigibilidade do crédito exigido, assim como o desdobramento administrativo da Representação Fiscal para Fins Penais, enquanto não houver decisão final. 7. Aduz que foi constituída com a atividade de comércio varejista de carvão vegetal e lenha, de materiais de construção em geral, e serviços de transporte rodoviário de cargas em geral, intermunicipal, interestadual e internacional. 8. Reconhece que, em casos de omissão de receitas, permitese a autoridade tributária arbitrar a receita por indícios de omissão, conforme arts. 284, 287 e 288, do RIR de 1999, e efetuar o lançamento de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica nesse período de apuração, mas, no presente caso, a presunção de omissão de receitas não se aplica, dado que os ingressos de recursos correspondem a transações entre matriz e filial não contempladas pela fiscalização: a. Que foi constituída filial 001 em Pinhão/PR em 03/05/2006, com o mesmo objeto social e mesma clientela da matriz, tendo sido aberta em seu nome, na agência 245 (sic) do Banco do Brasil S/A, c/c 13.8207; Fl. 3027DF CARF MF Processo nº 10945.000991/201002 Acórdão n.º 1201002.484 S1C2T1 Fl. 4 5 b. Que os livros e documentos exigidos pela fiscalização e entregues, apesar de constar a abertura da filial nas alterações do contrato social, demonstram apenas as operações da matriz, exceto o livro de Registro e Apuração do Lucro Real Lalur, as declarações de contribuições e tributos federais e as declarações de rendimentos, que centralizam informações da matriz e da filial; por isso. a fiscalização considerou apenas as operações comerciais da matriz e não constatou a existência da filial (dado que não intimou a autuada a entregar os livros referentes à última), o que conduz às seguintes conclusões a respeito da fiscalização: i. Que só considerou as notas fiscais de saída da matriz; ii. Os valores dos depósitos recebidos na c/c Banco do Brasil não consideraram os que foram recebidos por conta da emissão das notas fiscais de saída da filial, para os mesmos compradores que da matriz, bem como as transações entre matriz e filial; iii. Desconsiderou que consta das notas fiscais, tanto da matriz como da filial, que o frete e despesas decorrentes do transporte desde a origem até o destino final ficaria por conta do emitente, para ser posteriormente ressarcido pelo comprador, mediante depósitos em conta corrente; iv. Que consta das notas fiscais, tanto da matriz como da filial, que o recolhimento do ICMS/PR é pago por antecipação, por conta da substituição tributária, situação em que o comprador (substituído), depositaria posteriormente na conta da autuada, esse valor que foi adiantado pelo impugnante ao fisco estadual. c. Por isso, junta os demonstrativos, assinados e rubricados pelo contador da empresa relacionados as fls. 21/22 da impugnação (fls. 635/636 dos autos) de notas fiscais de saída, notas fiscais complementares da matriz e filial, guias de pagamento de ICMS, cheques emitidos para pagamento de fretes, recibos de fretes, livros Diário e Razão e de ICMS; e aduz que a escrituração fiscal da empresa observa as leis comerciais e fiscais e abrange todas as operações e resultados apurados em território nacional, conforme art. 251 do RIR de 1999; que se observa a centralização e a não centralização da sua contabilidade, conforme art. 2º do Decretolei nº 2.354, de 1954 (sic), e a tecnologia de escrituração observa a Resolução 684, de 1990, do Conselho Federal de Contabilidade CFC. 9. Aponta inconsistências da fiscalização, que torna a autuação ilegal, conforme art. 153, III da Constituição Federal de 05 de outubro de 1988 CF de 1988, e dos art. 43 do Código Tributário Nacional CTN, Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966: desconsideração de recebimentos de depósitos na conta da matriz, pela emissão de notas fiscais da filial, dos ressarcimentos das despesas de frete, combustíveis, etc, de transporte recebidos na conta da matriz por conta da emissão de notas fiscais de saída desta e da filial, e dos ressarcimentos das antecipações de ICMS/PR pagas por conta da substituição tributária do comprador situado em outra unidade federativa, tanto nas vendas da matriz como da filial; destaca que o lucro líquido tributável deve ser apurado conforme art. 44 do CTN e arts. 247 e 248 do RIR de 1999. 10. Pugna contra a aplicação da multa qualificada de 150% e argumenta que se aplicam ao caso a retroatividade benigna do art. 106, II, “e” e também o art. 112, IV, todos do CTN, c/c o art. 18 da Medida Provisória nº 303, de 29 de junho de 2006, portanto a multa deve ser reduzida a 50%; e ainda que seria aplicável o limite de 20% do art. 59 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991; pleiteia a pertinência do princípio do não confisco e afirma que deverá ser editada lei complementar regulando a questão, nos termos do art. 142, II da CF de 1988, porém, enquanto esta Fl. 3028DF CARF MF 6 não é editada, há possibilidade de o devedor se socorrer junto ao Poder Judiciário, para trazer a multa a percentuais razoáveis, dentro dos limites do poder de tributar. 11. Afirma ser ilegal (afronta o art. 5°, II e 150, I da CF, de 1988) e inconstitucional (afronta o art 146 da CF, de 1988, e o § 5° do art. 34 do ADCT) a aplicação da taxa referencial do Sistema de Liquidação e Custódia para títulos federais Selic, para calcular juros de mora, dado que em matéria tributária não há legislação competente que a institua ou a sua metodologia de cálculo, já que deveria ser uma lei complementar a modificar o disposto no art. 161, § 1° do CTN, que tem status de lei complementar, e principalmente por ausência de legislação que determine que a Selic se aplique a questões tributárias; disserta acerca de juros em compensatórios e moratórios, sendo os últimos, pena imposta ao devedor pelo atraso no cumprimento da obrigação, constituindose em indenização, e conclui ser essa a natureza dos juros em matéria tributária; advoga que os juros de mora devem se limitar a 1% ao mês e repudia a Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, que reputa ilegal; reclama que a Selic não tem natureza moratória, mas remuneratória e cita e transcreve voto de ministro do Superior Tribunal de Justiça STJ, no Resp nº 215811/PR nesse sentido; assevera que a Selic remunera capital investido em títulos do tesouro nacional e pode ser manipulada conforme a economia; tratandose de juros moratórios não pode se equiparar a operações financeiras, nem o Estado pode agir como instituição financeira. 12. Requer prova pericial e diligência fiscal, conforme autoriza o art. 16, 1V do Decreto n° 70.235, de 1972. a fim de que seja revista a base de cálculo apurada na fiscalização, que só se baseou na matriz e não considerou que os depósitos recebidos em contas bancárias eram provenientes também da filial, de transações entre esta e a matriz, de ressarcimentos de fretes e despesas de transporte e de ICMS substituição; lista os quesitos e designa o perito às fls. 653/654. 13. Requer diligência fiscal junto ao comprador Siderúrgica Brasileira Ltda, CNPJ 06.151.340/000280, e outros compradores da autuada, a fim de requerer destes a apresentação dos comprovantes dos depósitos/transferências que efetuaram para a autuada, vinculados às notas fiscais de saída emitidas tanto da matriz como da filial para o mesmo comprador, tendo em vista a comercialização de carvão vegetal importado. 14. Conclui, requerendo que se acatem as preliminares e no mérito, em decorrência de existir a filial 01, que se reconheça que os depósitos bancários a partir de 03/05/2006 expressam receita bruta de vendas da matriz e da filial, foram escriturados nos livros contábeis e fiscais, representam ressarcimentos de fretes, transações financeiras entre matriz e filial e ressarcimentos do ICMS/PR pago antecipadamente por ocasião do desembaraço aduaneiro de importação, em nome do adquirente das mercadorias, na etapa produtiva seguinte, espelhados no campo próprio das notas fiscais de saída da matriz e da filial, e no período de 02 a 05/2006, exclusivamente da matriz; reconhecer a ilegalidade e inconstitucionalidade da multa de 150% e da Selic; protesta pela produção de novas provas e que seja deferido o pedido de perícia contábil e diligência. A impugnação foi considerada procedente em parte, conforme a referida decisão ementada da seguinte forma: OMISSÃO DE RECEITAS ESCRITURADAS, DECLARADAS NO SIMPLES. Cancelamse as autuações de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins relativas a receitas escrituradas mas não declaradas no regime do lucro real, relativas ao 1º trimestre de 2006, se a empresa não estava a sujeita a esse regime e declarou e recolheu os tributos pelo Fl. 3029DF CARF MF Processo nº 10945.000991/201002 Acórdão n.º 1201002.484 S1C2T1 Fl. 5 7 Simples, sistemática da qual foi excluída de ofício com efeitos a partir de 01/04/2006, OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Cancelase a autuação por omissão de receitas devido a depósitos/créditos bancários recebidos não contabilizados. nem justificados. relativa ao 1º trimestre de 2006, efetuada na sistemática do lucro real, se a contribuinte estava sujeita ao regime do Simples nesse período. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. TRANSFERÊNCIAS INTERBANCÁRIAS. INEXISTÊNCIA. Inexistindo transferências interbancárias da conta de titularidade de Filial da mesma empresa para a conta da Matriz, a alegação não justifica os depósitos/créditos recebidos na última. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RECEBIMENTOS REFERENTES A VENDAS DE FILIAL. OMISSÃO DE RECEITAS. A alegação de que os depósitos/créditos recebidos em conta bancária da Matriz, em valor superior ao da receita contabilizada e declarada da empresa, se referem a receitas de venda da Filial, não justifica a omissão de receitas constatada do confronto entre os depósitos/créditos recebidos e a receita da empresa como um todo. escriturada e declarada a menor. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RECEBIMENTOS. RESSARCIMENTO DE FRETES E DESPESAS DE TRANSPORTE. A alegação de que os depósitos/créditos recebidos em conta bancaria se referem a ressarcimentos de fretes e de despesas de transporte recebidos não justifica a omissão de receita pois não foram comprovados e, mesmo se foram recebidos, não foram contabilizados nem como receita, o que confirmaria a omissão, nem como redução de custos, o que caracterizaria redução do lucro tributável. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RECEBIMENTOS. RESSARCIMENTO DE ICMS SUBSTITUIÇÃO. A alegação de que os depósitos/créditos recebidos em conta bancária se referem a ressarcimentos de ICMS substituição recebidos, não justifica a omissão de receita constatada se a litigante não estabelece vínculo documental entre cada depósito/crédito recebido e o alegado ressarcimento recebido, não localizado em sua contabilidade. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. A Lei nº 9.430. de 1996, no seu art. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da Fl. 3030DF CARF MF 8 conta bancária, regularmente intimado, não comprovar mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. DECORRÊNCIA. PIS, COFINS E CSLL. Tratandose de tributação reflexa de irregularidades descritas e analisadas no lançamento de IRPJ, constante do mesmo processo, e dada a relação de causa e efeito, aplicase o mesmo entendimento ao PIS, Cofins e CSLL. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. APLICAÇÃO E PERCENTUAL. LEGALIDADE Aplicase multa qualificada, no percentual determinado expressamente em lei, à exigência de impostos e contribuições dolosamente sonegados, identificados do confronto entre depósitos/créditos recebidos em conta bancária não contabilizada e os valores declarados sistematicamente inferiores durante os dois anos examinados. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Aplicamse juros de mora por percentuais equivalentes a taxa Selic por expressa previsão legal. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. APRECIAÇÃO. VEDAÇÃO. Não compete à autoridade administrativa manifestarse quanto à inconstitucionalidade ou ilegalidade das leis, por ser essa prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário. INTERPRETAÇÃO MAIS BENIGNA DA LEI TRIBUTÁRIA EM CASO DE DÚVIDAS, ART. 112 DO CTN. Se, diante das provas contidas nos autos, inexistem dúvidas quanto à prática de infração tributária e à penalidade aplicável ao caso, não há que se falar em interpretação mais favorável, pois o lançamento é ato administrativo vinculado. PERÍCIA E DILIGÊNCIAS DESNECESSÁRIAS. Indeferese a realização de perícia e de diligências requeridas, quando evidentemente desnecessárias e meramente procrastinatórias. Em recurso voluntário (fls. 743 a 771), são repisadas as razões de impugnação. O pedido está veiculado nos seguintes termos: Diante do exposto, pedese: I) o recebimento do presente recurso, posto que tempestivo, em conseqüência que seja dado efeito suspensivo; II) no mérito, que seja considerado procedente para ao fim deferir a produção da prova pericial contábil bem como as diligências requeridas; Fl. 3031DF CARF MF Processo nº 10945.000991/201002 Acórdão n.º 1201002.484 S1C2T1 Fl. 6 9 III no mérito, que o recurso seja julgado improcedente, para não reconhecer a totalidade da omissão de rendimentos, nos anoscalendários de 2006 e 2007, em face de que, como fundamental premissa da razão de decidir, seja juridicamente aceita a 3ª alteração de contrato social formalizada em 03 de maio de 2006, registrada na Junta Comercial do Estado do Paraná em 15/06/2006, sob nº. 41900939951, em que se constitui a filial nº 01, na Rua Amarilio de Lima, s/n, sala 02, Vila Caldas, em Pinhão, Estado do Paraná, CEP 85.170000; II.a, no mérito, em decorrência da aceitação da premissa fundamental existência jurídica e fiscal da filial nº. 1 alternativamente, pedese o reconhecimento de que: a) os depósitos bancários a partir de 03/05/2006, expressam receitas brutas de vendas da matriz e da filial, englobadamente, na mesma conta corrente e pelos mesmos compradores; b) os depósitos bancários a partir de 03/05/2006 estão devidamente escriturados nos respectivos livros fiscais e contábeis; c) os depósitos bancários, a partir de 03/05/2006, além de evidenciarem transações financeiras entre matriz e filial, devidamente escriturados nos livros fiscais revestidos das formalidades legais, ainda representam ressarcimentos de fretes por conta do emitente das notas fiscais de saída, para os mesmos compradores; d) os depósitos bancários, a partir de 03/05/2006, além de evidenciarem transações financeiras entre matriz e filial, devidamente escriturados nos livros fiscais revestidos das formalidades legais, representam ressarcimento de ICMS/PR, pagos antecipadamente por ocasião do desembaraço aduaneiro de importação, por conta do instituto da substituição tributária, em nome do adquirente das mercadorias, na etapa produtiva seguinte, espelhados no campo próprio das notas fiscais de saída da matriz e da filial; e) os depósitos bancários, dos meses 02 a 05/2006, devidamente escriturados nos livros fiscais revestidos das formalidades legais, representam ressarcimento de ICMS/PR, pagos antecipadamente por ocasião do desembaraço aduaneiro de importação, por conta do instituto da substituição tributária, em nome do adquirente das mercadorias, na etapa produtiva seguinte, espelhados no campo próprio das notas fiscais de saída, exclusivamente da matriz; f) reconhecer a ilegalidade a inconstitucionalidade da multa fixada em 150% do valor do crédito tributário; g) reconhecer a ilegalidade e a inconstitucionalidade da incidência de juros moratórios e bem como a correção monetária, pela variação da taxa Selic; IV protestase pela produção de todas as provas em direito; Fl. 3032DF CARF MF 10 V por fim, que seja anulado o auto de infração e julgar improcedentes as exigências de R$ 886.999,64 de IRPJ, R$ 61.313,98 de PIS, R$ 282.415,89 de COFINS, R$ 334.439,87 de CSLL e respectivas multas de ofício de 150% e os juros de mora imputados. Não houve recurso de ofício. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Relator. Admissibilidade. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devendose conhecer. Perícia e diligências. Quanto ao requerimento de perícia e diligência, este será abordado após a análise do mérito, conforme razões que serão aduzidas oportunamente. Mérito. Num primeiro pedido, a recorrente pugna pela improcedência dos lançamentos em face da aceitação da "3ª alteração de contrato social formalizada em 03 de maio de 2006, registrada na Junta Comercial do Estado do Paraná em 15/06/2006, sob nº. 41900939951, em que se constitui a filial nº 01, na Rua Amarilio de Lima, s/n, sala 02, Vila Caldas, em Pinhão, Estado do Paraná, CEP 85.170000". Ocorre que, muito embora não tenha havido menção a essa filial pela autoridade fiscal autuante, a existência dela não interferiu no trabalho fiscal realizado. Explica se: a conta bancária considerada para os lançamentos foi somente a da matriz. Não há qualquer referência à conta bancária da filial. Por óbvio que, se a recorrente comprovasse que algum dos créditos/depósitos tivesse como origem a conta bancária da filial, esse não poderia ser considerado para fins de lançamento, em face do disposto no artigo 42, § 3º, inciso I, da Lei nº 9.430/1996, situação que será mais bem analisada abaixo. Ainda, levandose em conta a existência da filial em tela, a recorrente alega que "os depósitos bancários a partir de 03/05/2006, expressam receitas brutas de vendas da matriz e da filial, englobadamente, na mesma conta corrente e pelos mesmos compradores" (grifouse). Por primeiro, não há, dentre os documentos juntados aos autos, nenhum demonstrativo pelo qual se comprove que determinado crédito/depósito é relativo a vendas da matriz e da filial recebidos "englobadamente". Para a prova de tal alegação, nos termos do artigo 42, § 3º, da Lei nº 9.430 (análise individualizada dos créditos) deveria a recorrente Fl. 3033DF CARF MF Processo nº 10945.000991/201002 Acórdão n.º 1201002.484 S1C2T1 Fl. 7 11 apresentar um quadro em que relacionasse as notas fiscais de venda para determinado cliente, totalizando o valor, fazendo a comparação de tal valor com algum depósito constante nas planilhas de depósitos individualizados elaboradas pelo autuante que estavam anexas às intimações para fosse efetuada a comprovação. Demais disso, como pode ser visto no Termo de Verificação Fiscal às fls. 550, 551, 560 e 561, o lançamento descontou do total das receitas omitidas, o montante declarado: No comparativo movimentação financeira líquida, ou seja, os créditos ingressados na conta corrente n° 10.7824, agência n° 8761 do Banco do Brasil S/A, deduzidos das "devolução cheque depositado" e "estorno de depósito" fica assim demonstrado: [...] ... para efeito fiscais serão consideradas como OMISSÃO DE RECEITAS as diferenças apontadas, longamente detalhadas, em conformidade com o seguir demonstrado: Fl. 3034DF CARF MF 12 Em face disso, as receitas declaradas (matriz e filial) foram deduzidas do lançamento. Ou seja, a receita tributável declarada não foi objeto do lançamento. Se algum depósito/crédito constante da planilha apresentada pelo autuante fosse decorrente de receita "englobada" da matriz e filial (vendas para os mesmos clientes), o que não foi comprovado (frisese), ela já teria sido retirada da tributação. Afirma ainda a recorrente que "os depósitos bancários a partir de 03/05/2006 estão devidamente escriturados nos respectivos livros fiscais e contábeis". Além do quanto aduzido nos parágrafos anteriores (desconto do total das receitas omitidas, o montante declarado), no Termo de Verificação Fiscal (fl. 547) está consignado: Da contabilidade e movimentação financeira. A contabilidade da empresa nos anos calendários de 2.006 e 2.007 não contempla a movimentação financeira, significativamente identificada no Banco do Brasil S/A, mesmo assim para efeito fiscais foi feito o comparativo entre a origem dos créditos nesta conta com as receitas declaradas, motivando desta feita no Termo de Intimação Fiscal n° 0064 de 04/03/20l0(fls.64/65): No voto condutor da decisão de piso constou: 27. Como o atendimento a intimação foi parcial, a contribuinte foi novamente intimada em 05/03/2010, fls. 64/65, cinco meses depois, a entregar extratos bancários das contas correntes da empresa, pois se constatou que não constava a movimentação Fl. 3035DF CARF MF Processo nº 10945.000991/201002 Acórdão n.º 1201002.484 S1C2T1 Fl. 8 13 bancária rios livros Diário e Razão de 2006 e 2007, sendo concedido o prazo de 10 (dez) dias. 28. De fato, no que tange à não contabilização das contas bancárias, temse as fls. 24 e 55, que a autuada informou, nos balanços patrimoniais das respectivas DIPJ, R$ 0,00 (zero) de saldos de Bancos e apenas valores de disponibilidades no Caixa: R$ 48.784,28 em 31/03/2006, R$ 3.842,05 em 31/12/2006 e R$ 3.753,85 em 31/12/2007: à fl. 64 (Termo de Intimação Fiscal n° 64), o fiscal declarou que "(considerando que o atendimento ocorreu de forma parcial, ou seja, os extratos bancários das contas correntes da empresa e nos livros contábeis (Diário e Razão) dos anoscalendário de 2006 e 2007, não encontrarem consignados, e ainda, a constatação da existência de movimentação no Banco do Brasil S/A, INTIMO para (cumprir a exigência (...); também no Termo de Verificação Fiscal. it fl. 544 o autuante informa que "A contabilidade da empresa nos anos calendário 2006 e 2007 não contempla a movimentação financeira, significativamente identificada no Banco do Brasil (...) Junto com o recurso não veio nenhuma documentação adicional, pelo que não se acata a alegação. Aduz ainda a recorrente que alguns dos depósitos/créditos bancários são decorrentes de "ressarcimentos de fretes por conta do emitente das notas fiscais de saída, para os mesmos compradores" e "ressarcimento de ICMS/PR, pagos antecipadamente por ocasião do desembaraço aduaneiro de importação, por conta do instituto da substituição tributária, em nome do adquirente das mercadorias, na etapa produtiva seguinte, espelhados no campo próprio das notas fiscais de saída da matriz e da filial" ou somente da matriz. Quanto aos referidos assuntos, adotamse os fundamentos da decisão de piso como razões de decidir: 54. Afirma que consta das notas fiscais, tanto da matriz corno da filial, que o frete e despesas decorrentes do transporte desde a origem até o destino final ficaria por conta do emitente, para ser posteriormente ressarcido pelo comprador mediante depósitos em conta corrente, ou seja, pretende que se reconheçam depósitos/créditos em suas c/c bancárias como justificados por estes alegados ressarcimentos; juntou. as fls. 112/114 do Anexo Il, a conta Razão relativa a despesas de fretes e carretos dos meses 01 a 03/2007, valores estes transferidos ao final de cada trimestre “Transf da Cta p/Cta Resultado do Exercício"; para ilustrar melhor vejamse, a Demonstração de Resultados da empresa do 1º trimestre de 2007, fls. 9 do Anexo II; a conta Razão Fretes e Carretos, fls. 112/114 do Anexo Il, e a DIPJ 2008/2007, fls. 333, 37, 411, em que se verifica que as despesas de fretes e carretos contabilizadas na matriz foram transferidas para a DRE e lançadas na DIPJ, dado que tanto as Receitas como o lucro líquido apurado na DRE contábil e na DIPJ são de idênticos valores, portanto, a empresa contabilizou e deduziu como despesa a totalidade dos fretes que pagou. Fl. 3036DF CARF MF 14 55. Argumenta que tais pagamentos teriam sido ressarcidos pelos clientes, mas nesse caso, deveria ter contabilizado os ressarcimentos como receita, ou redução de custos de fretes, o que não aconteceu. 56. Também argumenta que consta das notas fiscais, tanto da matriz como da filial, que o frete e despesas decorrentes do transporte desde a origem até o destino final ficaria por conta do emitente, para ser posteriormente ressarcido pelo comprador; verificandose as notas fiscais de venda da matriz e da filial. dos Anexos II a IX. consta em todas "Frete por Conta (do) 1 Emitente", que é a autuada, ou o quadro está em branco, portanto, os fretes foram pagos pela autuada. 57. Não foram apresentados pela autuada quaisquer recibos relativos a ressarcimentos por parte dos clientes. 58. Mas apresentou cópias de notas fiscais de prestação de serviços emitidos por Delazotti Transporte Import. Export. Ltda, CNPJ 05.831.013/0001.26, para a matriz da autuada, relativas a serviços de "Arrendamento", em que consta a anotação de placa de veículo, fls. 3/27, 103/111 e 178/188, do Anexo VI, fls. 5/6, 72/79, do Anexo VII, fls. 2/11, do Anexo VIII; verificandose o cadastro desta empresa, fls. 665verso a 666verso, consta que atua no transporte rodoviário de carga e mudanças intermunicipal, interestadual e internacional, possui elevado valor investido em veículos no seu ativo permanente e também tem como sócio (50% de participação) o mesmo Juselino Zotti, CPF 437.125.92000, que é sócio da autuada (60% de participação), sendo que ele também e sócio de ainda outra empresa (a Juselino Zotti & Cia Ltda CNPJ 04.432.961/000126. que atua no comercio atacadista especializado, fl. 666 verso/667); observase que as notas fiscais apresentadas se referem a despesas de arrendamento de veículos contratadas pela autuada junto à Delazotti, nada tendo a ver com alegado recebimentos de ressarcimentos de fretes. 59. Evidenciase improcedente a alegação de que os depósitos/créditos bancários recebidos em questão fossem justificados pelos depósitos de valores de fretes ressarcidos a interessada pelos clientes, pois não há qualquer prova nesse sentido e, se houver, evidenciaria que tais valores não foram contabilizados nem declarados como receitas ou como redução de despesas operacionais com fretes contabilizadas e declaradas. [...] 60. As notas fiscais de venda dos Anexos II a IX, se referem a vendas de carvão vegetal no País, para outros Estados, não consignam o CFOP, nem o registro de Inscrição Estadual do Substituto Tributário. 61. A empresa juntou, fls. 206 210 Anexo IV, fls. 2/3, 68/69, 118, 120, 149, 151, 173, 194, 212/213, 231 do Anexo v. fls. 28/31, 112/116, 189/192, do Anexo VI, fls. 3/4, 7/10, 80/84, 169/172, do Anexo VII, fls. 1216 e 168/172 do Anexo VIII e fls. 3/6, 88/92, 176 e 259 do Anexo IX, relações de pagamentos de ICMS pela Matriz (e uma paga pela Filial, relativa a 01/2008, fl. 259 do Fl. 3037DF CARF MF Processo nº 10945.000991/201002 Acórdão n.º 1201002.484 S1C2T1 Fl. 9 15 Anexo IX), onde a quase totalidade se refere ao código de receita estadual: 1252 Recolhimento Antecipado Saídas para outros Estados 62. Também ocorreram, em números pequenos, recolhimentos com os seguintes códigos de receitas: 1317 Transporte Recolhimento antecipado ou realizado por contribuinte não inscrito no CAD ICMS/PR 100064 ICMS Autuação Fiscal 100099 ICMS Substituição Tributária por Operação 63. Em nenhuma nota fiscal consta qualquer informação acerca de ICMS substituição, tratandose de operações de saída por venda, tributadas com a alíquota de 12%, e algumas das notas fiscais sendo de simples remessa da filial para a matriz, sem ICMS (fls. 177/182 e 260/278, do Anexo IX). 64. Além do argumento de que teria sido ressarcida por ICMS recolhido antecipadamente em substituição aos clientes, que a teriam ressarcido, o que justificaria os depósitos/créditos recebidos em contas bancárias, argumentou também que se tratariam de ressarcimentos do ICMS/PR pago antecipadamente por ocasião do desembaraço aduaneiro de importação, em nome do adquirente das mercadorias, na etapa produtiva seguinte, espelhados no campo próprio das notas fiscais de saída da matriz e da filial, e no período de 02 a 05/2006, exclusivamente da matriz, mas nenhum documento aponta neste sentido, tratandose de argumentação desprovida de provas. [...] 66. As notas fiscais consignam os destinatários do carvão vendido pela litigante, nos estados de Minas Gerais MG e Rio Grande do Sul RS; em relação ao primeiro, foi agora em 2010 firmado o Protocolo ICMS n° 160, de 24.09.20l0 DOU I de 01.10.2010, publicado no DOU 1 de 01/10/2010, p. 22, pelo Despacho 466/10 do SecretárioExecutivo do CONFAZ, ou seja, a partir dessa data passa a ser substituto tributário, o comprador situado em Minas Gerais: [...] 68. Como se vê, existe a substituição tributária no Estado do Paraná, em se tratando de carvão vegetal. Porém a litigante não apresentou documentos que vinculassem os depósitos/créditos recebidos aos alegados ressarcimentos, destacandose que tais movimentações financeiras não foram contabilizadas. 69. Ainda, confrontandose as DIPJ, fls. 5/63, com os valores de ICMS apurados nos livros Registro de Saídas da Matriz, fls. 115/136 do Anexo II e da Filial, fls. 52/60 do Anexo II, conforme demonstrados no quadro a seguir, verificase que a totalidade do debito de ICMS apurado foi deduzida na apuração do lucro; e as Fl. 3038DF CARF MF 16 fls. 4/21 do Anexo II, consta dos balanços patrimoniais, no ativo circulante, a conta ICMS a recuperar. Portanto, se houvesse depósitos recebidos por conta dessa rubrica, estariam contabilizados e justificados, porém a autuada não os demonstrou. [omissis] 70. À vista do exposto, concluise ser improcedente a alegação desprovida de provas. Juros de mora. Interpretação favorável. Inconstitucionalidade e ilegalidades. Quanto a essas alegações, adotamse também os fundamentos da decisão de piso como razões de decidir: 81. Invoca o art. 112 do CTN, para interpretação de maneira mais favorável ao contribuinte, quando houver incerteza; contudo, considerandose que o entendimento deste voto é de que as provas são confiáveis e de fonte idônea, e que inexistem dúvidas quanto à prática de infração tributária e à penalidade aplicável ao caso, não há que se falar em interpretação mais favorável, pois o lançamento é ato administrativo vinculado 82. Já o art. 18 da MP nº 303, de 2006, reduziu a 50% a multa de ofício, exigida isoladamente sobre carnêleão não recolhido e sobre recolhimentos mensais por estimativa não recolhidos de contribuintes que optaram por declarar pelo lucro real anual com tais recolhimentos; e somente se aplicaria a retroatividade benéfica que invoca se tivesse sido este o caso da autuaçao, mas e não, dado que não houve aplicaçao de multa isolada e a contribuinte optou pelo lucro real trimestral. 83. Quanto a multa de mora do art. 59 da Lei nº 8.383, de 1991, esse dispositivo previu a multa de 20% para os recolhimentos espontâneos de tributos em atraso, que não é o presente caso, em que o lançamento foi de ofício; cabe também esclarecer que o citado artigo foi complementado pela art. 61 da mesma Lei n“ 9.430, de 1996 (...) [...] 86. Conforme indicado no auto de infração, a exigência de juros de mora, que foram apurados pela Selic, encontra respaldo no art. 61, § 3º, da Lei nº 9.430, de l996, que dispõe: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. [...] § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do Fl. 3039DF CARF MF Processo nº 10945.000991/201002 Acórdão n.º 1201002.484 S1C2T1 Fl. 10 17 art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. 87. Por fim, no que se refere às citações de acórdãos administrativos, cumpre destacar que não se aplicam ao presente processo, a teor do art. 100, II do Código Tributário Nacional, por inexistir lei que lhes atribua eficácia normativa; cabe ressaltar ainda que, no tocante as decisões judiciais mencionadas, em que a interessada não figura em qualquer dos pólos da relação jurídica, as mesmas somente tem efeito entre as partes componentes dos respectivos processos judiciais. Ainda, no que tange à alegação de inconstitucionalidade, o assunto está pacificado no âmbito deste colegiado, nos termos da Súmula CARF nº 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Especificamente quanto à taxa de juros, também é matéria sumulada, conforme se vê abaixo: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Qualificação da multa de ofício. No tocante à qualificação da multa de ofício, assim ficou registrado no voto condutor da decisão de piso: 76. Verifica se que a sonegação se caracteriza em razão de uma ação ou omissão, de uma simulação ou ocultação, e pressupõe sempre a intenção de causar dano à fazenda pública, num propósito deliberado de se subtrair, no todo ou em parte, ou retardar uma obrigação tributária. Assim, ainda que o conceito de sonegação seja amplo, deve sempre estar caracterizada a presença do dolo, um comportamento intencional, específico, de causar dano à fazenda pública, onde, utilizandose de subterfúgios escamoteiase ocorrência do fato gerador ou retardase o seu conhecimento por parte da autoridade fazendária; ou seja, o dolo é elemento específico da sonegação, que a diferenciam da mera falta de pagamento do tributo ou da simples omissão de rendimentos na declaração de ajuste, seja ela pelos mais variados motivos que se aleguem. 77. A autuada deixou de escriturar a movimentação bancária da c/c examinada de titularidade da Matriz, bem como daquela de titularidade da Filial, a respeito da qual se manifesta somente na impugnação. 78. De fato, analisandose os autos, verificase que o Termo de início do Procedimento Fiscal, cientificado em 23/11/2009, fls. Fl. 3040DF CARF MF 18 2/4, lhe exigiu livros contábeis e fiscais e todos comprovantes de receitas, custos e despesas, sem entrar em mérito de matriz ou filiais, portanto, a contribuinte estava obrigada a entregar tudo, o que afirma não ter feito, constatação essa que contribui para a conclusão de que o dolo que embasou a aplicação da multa qualificada foi pertinente, pois se evidencia a intenção de ocultar fatos da fiscalização e, quando intimada a entregar extratos bancários, da mesma forma, só entregou os da Matriz, quanto deveria ter apresentado todos os extratos, inclusive da filial 01 em Pinhão/PR na agência 245 do Banco do Brasil S/A a c/c l38207 que, na impugnação, afirma não ter sido percebida nem examinada pela fiscalização; mais uma vez se revela a intenção de ocultar informações da fiscalização, dado que deveria ter apresentado extratos de todas as contas, conforme intimada. 79. O valor dos depósitos/créditos cuja origem não logrou justificar e que excediam as receitas escrituradas e declaradas, aliado ao fato de ter mantido à margem da escrituração toda essa movimentação evidenciam a intenção dolosa de sonegar ao fisco sua real receita e o real valor dos tributos devidos. 80. A omissão apurada resultou, corretamente, na exigência de ofício dos impostos e contribuições dela decorrentes. que foi corretamente apenada com a multa qualificada, pois evidenciados a sonegação e o dolo. 84. Concluise ser correta a aplicação de multa de ofício qualificada, de 150% sobre as exigências. Contudo, não se vislumbra o dolo ou a sonegação na conduta praticada. O que resta evidenciado é a omissão de receitas, uma vez a falta de escrituração e consequente não oferecimento destas à tributação. No que tange a essa questão, também existe súmula deste Conselho, nos seguintes termos: Súmula CARF nº 25 (VINCULANTE): A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Em face do exposto, a multa deve ser reduzida do percentual de 150% para o de 75%. Perícia e diligências. A Lei nº 9.430/1996 determina, em seu artigo 42, que: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Fl. 3041DF CARF MF Processo nº 10945.000991/201002 Acórdão n.º 1201002.484 S1C2T1 Fl. 11 19 Ocorre pois uma inversão do ônus da prova, devendo o contribuinte, devidamente intimado, comprovar a origem dos créditos/depósitos para que não haja o lançamento dos tributos considerados omitidos, por presunção. Como visto acima, a recorrente foi regularmente intimada a provar essa origem, não logrando fazêlo. Além de alegado, não foi apresentado qualquer indício de que os depósitos/créditos teriam origem em valores que não se classificariam como receitas ou como receitas não tributáveis. Em face do exposto, negase o pedido de realização de perícia ou diligências. CSLL, contribuição para o PIS/Pasep e Cofins. Tratandose de tributações reflexas das mesmas irregularidades descritas e analisadas no lançamento de IRPJ, constantes do mesmo processo, e dada a relação de causa e efeito, aplicase o mesmo entendimento às exigências de CSLL, contribuição para o PIS/Pasep e Cofins. Conclusão. Por todo o exposto, conheço do recurso voluntário para, no mérito, DAR LHE provimento parcial, reduzindo o percentual da multa de ofício de 150% para 75%. (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Fl. 3042DF CARF MF
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Numero do processo: 12448.909387/2011-52
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2003
ADMISSIBILIDADE RECURSAL. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. AUSÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece de recurso especial quando não caracterizada a divergência jurisprudencial.
Numero da decisão: 9101-003.739
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Viviane Vidal Wagner - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luís Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal De Araújo.
Nome do relator: VIVIANE VIDAL WAGNER
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DIREITO CREDITÓRIO INSUFICIENTE. SALDO NEGATIVO. ANTECIPAÇÕES. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado LOGIN LOGISTICA INTERMODAL S/A ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003 ADMISSIBILIDADE RECURSAL. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. AUSÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso especial quando não caracterizada a divergência jurisprudencial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luís Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal De Araújo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 90 93 87 /2 01 1- 52 Fl. 396DF CARF MF Processo nº 12448.909387/201152 Acórdão n.º 9101003.739 CSRFT1 Fl. 397 2 Relatório A FAZENDA NACIONAL recorre a este Colegiado, por meio do Recurso Especial de efls. 352/361, contra o Acórdão nº 1402001.727, proferido pela Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção do CARF, em sessão realizada em 29/7/2014, pelo qual a turma, por unanimidade de votos, deu parcial provimento ao Recurso Voluntário apresentado por LOGIN LOGISTICA INTERMODAL S/A, reconhecendo parte do direito creditório em litígio e homologando as compensações declaradas até o limite reconhecido do crédito (efls. 343/350). Tratase este processo de PER/DCOMP transmitida em 27/09/2006, com o objetivo de quitar, via compensação, diversos débitos de sua responsabilidade com direito creditório a título de saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2003 (efls. 2/6). O saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2003, indicado para fazer frente às compensações pleiteadas, formouse por antecipações a título de IRRF e estimativas mensais do próprio anocalendário 2003, considerandose que o contribuinte informou no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito apenas as parcelas de IRRF, no valor total de R$ 5.063.892,12, embora devesse informar também os R$ 3.601.713,73 que declarou ter pago a título de estimativa, em sua DIPJ/2004 (fl. 48). Parte dessas antecipações a título de estimativas foram objeto de compensações pleiteadas com saldos negativos de anos anteriores objeto de outras PER/DCOMPs, algumas tratadas no processo nº 10768.002054/200342, que restaram não homologadas. Assim, nestes autos, em razão da não confirmação dos valores de antecipações IRRF e estimativas o saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2006 pleiteado foi considerado comprovado no montante de R$ 1.233.326,73, o que resultou na não homologação de parcela das compensações declaradas, conforme despacho decisório à efl. 7. O contribuinte ingressou com manifestação de inconformidade (efls. 8/14), julgada improcedente pela 9ª Turma de Julgamento da DRJ no Rio de Janeiro/RJI, nos termos do acórdão nº 1241.696 (efls. 277/286), com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE PREENCHIMENTO. O erro de preenchimento da declaração de compensação, consubstanciado no fato de se informar apenas as parcelas de composição do crédito suficientes para alcançar o valor do direito creditório pretendido, não justifica por si só a não homologação das compensações efetuadas. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003 Fl. 397DF CARF MF Processo nº 12448.909387/201152 Acórdão n.º 9101003.739 CSRFT1 Fl. 398 3 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO ORIUNDO DE ESTIMATIVAS NÃO PAGAS NEM COMPENSADAS. INTERESSADO QUE LITIGA JUDICIALMENTE, EM EXECUÇÃO FISCAL, PELO NÃO PAGAMENTO. Adota conduta contraditória o Interessado que pleiteia, na esfera administrativa, o reconhecimento de crédito oriundo de estimativas que, segundo decisão administrativa definitiva, não foram pagas nem compensadas e a respeito das quais, em Execução Fiscal, opõe resistência à pretensão de cobrança da Fazenda Pública. A parcela do crédito correspondente a essas estimativas não deve ser reconhecida. COMPENSAÇÃO ENTRE ESTIMATIVAS E SALDO NEGATIVO DE UM MESMO ANOCALENDÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. Antes de extintas as estimativas, não existe o respectivo crédito, que não pode, portanto, ser utilizado na compensação daquelas mesmas estimativas. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. REQUISITOS PARA RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. Para que se reconheça o direito creditório relativo a saldo negativo de IRPJ devem ser confirmados: 1) a retenção do imposto de renda na fonte; 2) o oferecimento das respectivas receitas à tributação; e 3) a extinção das estimativas usadas na constituição do crédito. COMPROVAÇÃO PARCIAL DO DIREITO CREDITÓRIO. HOMOLOGAÇÃO ATÉ O LIMITE RECONHECIDO. Homologase a compensação até o limite do direito creditório reconhecido Na sequência, o contribuinte protocolizou recurso voluntário ao CARF (efls. 310/318), que foi julgado por unanimidade de votos, dando provimento parcial para reconhecer parcela do crédito e homologar as compensações até esse limite, nos termos da seguinte ementa (acórdão nº 1402001.727, de efls. 343/350): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. REQUISITOS PARA RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. Para que se reconheça o direito creditório relativo a saldo negativo de IRPJ devem ser confirmados: 1) a retenção do imposto de renda na fonte; 2) o oferecimento das respectivas Fl. 398DF CARF MF Processo nº 12448.909387/201152 Acórdão n.º 9101003.739 CSRFT1 Fl. 399 4 receitas à tributação; e 3) a extinção das estimativas usadas na constituição do crédito. COMPROVAÇÃO PARCIAL DO DIREITO CREDITÓRIO. HOMOLOGAÇÃO ATÉ O LIMITE RECONHECIDO. Homologase a compensação até o limite do direito creditório reconhecido. Recurso Voluntário Procedente em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito ao crédito no montante de R$ 4.794.060,27 (5.063.892,12 (de IRRF) + 2.960.317,84 + 371.564,04 (de estimativas) 3.601.713,73 (de IRPJ devido), correspondente ao saldo negativo de IRPJ apurado em 31/12/2003; nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. A partir dessa decisão, a PFN apresentou recurso especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, em 10/11/2014, em que aponta divergência jurisprudencial em relação ao tema: "a extinção de estimativas pela simples declaração em DCOMP, posteriormente não homologada.". Indicou como paradigma o acórdão nº 1301001.532. Em suas razões recursais a Fazenda Nacional, após referirse à legislação que rege a compensação, tece, em resumo, os seguintes argumentos: a) nos termos da legislação, a demonstração da existência de crédito líquido e certo deve ser feita desde o momento da apresentação da declaração de compensação, sob pena de desrespeito à própria natureza do instituto da compensação; b) a compensação por iniciativa do sujeito passivo ocorre mediante a entrega, por este, de pedido/declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados; c) até o momento, as estimativas indicadas para compensação em DCOMP não homologada, integrantes do saldo negativo em análise, não foram quitadas; d) a decisão de primeira instância não merece qualquer reparo, pois negou homologação à compensação na parte relativa às estimativas que não foram liquidadas até o momento; e) se não homologada a compensação, a estimativa não pode integrar o saldo negativo postulado em outro processo de compensação, por faltarlhe os atributos de liquidez e certeza; f) não se admite no nosso sistema PER/DCOMPs condicionais, ou seja, créditos ainda não líquidos e certos que poderão gozar desses atributos em momento posterior em razão do reconhecimento do crédito discutido em outro feito, situação que poderá ocorrer ou não. Pede ao final pelo conhecimento e provimento do recurso para reformar o acórdão recorrido. Fl. 399DF CARF MF Processo nº 12448.909387/201152 Acórdão n.º 9101003.739 CSRFT1 Fl. 400 5 O Recurso Especial interposto foi admitido, conforme despacho de efls. 373/374. Em contrarrazões (efls. 383/392), o contribuinte, preliminarmente, defende o não conhecimento do Recurso Especial da PFN, porque ela não teria demonstrado expressamente qual a legislação tributária teria recebido interpretação divergente, bem como por ausência de cotejo analítico que evidencie a identidade de situações entre os casos contemplados. Invoca, ainda, o não conhecimento do recurso porque não teria sido caracterizada a divergência alegada, à vista de situações distintas: enquanto o acórdão ora recorrido elevou que as estimativas estavam compensadas em DCOMP, o acórdão invocado como paradigma teve como base que as compensações das estimativas não restaram homologadas. No mérito sustenta que, qual seja o resultado da execução judicial das estimativas não quitadas por via de compensação, se favorável à Fazenda Pública ou ao contribuinte, o resultado final será o mesmo. Ao final pugna pelo não conhecimento do recurso especial ou, sucessivamente, pelo seu desprovimento, mantendose incólume o acórdão recorrido quanto a parcela do saldo de crédito reconhecido e homologações conferidas. É o relatório. Voto Conselheira Viviane Vidal Wagner Relatora Preliminarmente, cabe analisar a admissibilidade do recurso especial da PFN, em face das alegações trazidas pelo contribuinte em contrarrazões. Especialmente em relação ao questionamento sobre a ausência de divergência jurisprudencial em relação ao paradigma (acórdão nº 1301001532), que não teria tratado de situação fática análoga ao recorrido, entendo que cabe razão ao contribuinte. Esse paradigma não é inédito e já foi analisado em casos semelhantes por esta mesma turma. Refletindo melhor sobre as dissonâncias apontadas em outros casos e neste, me convenci da ausência de divergência em relação ao referido paradigma neste caso. Vejamos. O acórdão nº 1301001532, apresentado como paradigma, tratou de apreciar compensação de débitos com crédito relativo a saldo negativo, trazendo a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2001 Ementa: Fl. 400DF CARF MF Processo nº 12448.909387/201152 Acórdão n.º 9101003.739 CSRFT1 Fl. 401 6 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. IRRF. COMPROVANTE DE RENDIMENTOS. A apresentação de comprovante de rendimentos fornecido pela fonte pagadora, é suficiente para comprovar a retenção do IRRF pleiteado no saldo negativo de IRPJ informado em DCOMP, ainda que a fonte pagadora não tenha informado tais valores em DIRF. COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVAS. QUITAÇÃO POR COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Correta a glosa do saldo negativo de IRPJ, de estimativas que teriam sido quitadas por compensação, mas que não restaram homologadas. Naquele caso, a composição do referido saldo negativo foi analisada pelo órgão de origem que considerou não comprovadas parcelas de antecipação a título de IRRF e estimativa de janeiro/2001. Ocorre que a estimativa não comprovada foi objeto de compensação sem processo com saldo negativo de 2000, este último objeto de pleito em outro processo administrativo. Esse saldo negativo de 2000 foi considerado, no outro processo, insuficiente para compensar todas as estimativas, tanto aquelas indicadas em compensação em processos administrativos, quanto aquelas compensadas sem processo. Isso se extrai do trecho do voto paradigma que reproduz o quanto decidido em primeira instância naqueles autos: 10.2.3. Em relação ao IR Mensal calculado por estimativa relativo a janeiro de 2001, temse a tecer o seguintes comentários: 10.2.3.1. na DCTF (fl. 252) foi informado que o débito no código 2362, período de apuração janeiro/2001, no valor de R$52.138,25, foi compensado “sem processo” com SNIRPJ AC 2000; 10.2.3.2. o processo administrativo nº 11831.001354/200102 controla o crédito referente ao SNIRPJ AC 2000 e compensação com débitos nele indicados. Dentre estes débitos, não se encontra o supracitado (código 2362; janeiro/2001), conforme fls. 256 a 258. Observase que o SNIRPJ AC 2000 deferido foi integralmente utilizado na compensação dos débitos que constavam do processo referido; 10.2.3.3. nada foi trazido de modo a comprovar a alegada compensação com a estimativa referente a janeiro de 2001. Ademais, não restou crédito referente ao SNIRPJ AC 2000. Portanto, correta a Autoridade Administrativa ao não considerar tal valor na apuração do saldo negativo do AC 2001.(grifouse) Assim, analisando o pleito direito creditório ao saldo negativo de 2001, o colegiado que proferiu o paradigma assentou que a estimativa de janeiro/2001 não fora compensada com o saldo negativo de 2000 porque esse débito não foi incluído em DCOMP para compensação, com o saldo negativo de 2000, no processo conexo. Como havia outros débitos atrelados ao saldo negativo de 2000, concluiuse que ele não era suficiente para quitar essa estimativa de janeiro/2001, ainda que sem processo e, assim, o saldo negativo de 2001 Fl. 401DF CARF MF Processo nº 12448.909387/201152 Acórdão n.º 9101003.739 CSRFT1 Fl. 402 7 pleiteado restou reconhecido apenas parcialmente. Eis o trecho do voto que faz referência ao caso: Como se constata do excerto transcrito do acórdão recorrido a diferença referese à estimativa que teria sido quitada por meio de compensação com saldo negativo de IRPJ do ano 2000. Ocorre que tal débito não restou extinto por compensação, na medida em que as compensações relativas ao saldo negativo de IRPJ do ano 2000, analisadas no processo administrativo nº 11831.001354/200102, não incluem este período, uma vez que o crédito reconhecido não foi suficiente para quitar todas as compensações pleiteadas. Relativamente àquele caso, o voto proferido no paradigma foi claro no sentido de que, não tendo sido homologada a compensação da estimativa de janeiro de 2001 com o saldo negativo de IRPJ do ano 2000 pleiteado em outro processo administrativo, deveria ser mantida a glosa do valor da estimativa de jan/2001, de R$ 52.138,25, no cômputo do saldo negativo de 2001 pleiteado no referido processo. Registrese que, à época dos fatos narrados no processo paradigma, a legislação permitia a compensação sem processo, o que foi modificado pela sistemática de compensação instituída pela Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002, convertida na Lei nº 10.637, de 20 de dezembro de 2002, que tratou da declaração de compensação. Por sua vez, o voto condutor do acórdão recorrido, analisando o direito creditório a título de saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2003, registrou o seguinte entendimento: [...] Para análise das compensações realizadas pela Recorrente para quitação do IRPJ mensal pago por estimativa, a decisão recorrida reúne os PER/DCOMP’s transmitidos em três grupos: Análise do Grupo 1 [...] Ainda conforme a decisão recorrida, todos os débitos da tabela acima, objeto do processo 10768.002054/200342, foram inscritos em dívida ativa sob o n°. 70.2.09.00363889 (fls. 272/273), cuja certidão instrui o processo judicial de Execução Fiscal n°. 050330174.2010.4.02.5101 da Seção Judiciária do Rio de Janeiro (fl. 274). Registra, também, que o crédito tributário correspondente está com a exigibilidade suspensa tendo em vista que a Recorrente garantiu o juízo. Nada obstante, a decisão recorrida afirma que a parcela do crédito pleiteado correspondente a este grupo, no total de R$ 2.960.317,84, não deve ser reconhecida por dois motivos: (1) Os débitos que teriam dado origem à parcela encontramse na fase de cobrança executiva, pois a decisão administrativa de não homologar a compensação é definitiva; e (2) a Recorrente adota conduta contraditória, pois, administrativamente, pleiteia o reconhecimento do crédito como se tivesse extinguido os débitos de estimativa, enquanto, na esfera judicial, litiga para não pagar os mesmos débitos. Ora, não merece qualquer amparo a decisão recorrida. Fl. 402DF CARF MF Processo nº 12448.909387/201152 Acórdão n.º 9101003.739 CSRFT1 Fl. 403 8 Segundo orientação da administração tributária, as estimativas compensadas em DCOMP podem ser deduzidas integralmente como antecipação do imposto devido no ajuste final, vez que a não homologação das compensações implica cobrança dos débitos (administrativa ou judicial), por constituir a DCOMP confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, com os acréscimos legais. Nesse contexto, aqui, nos termos do que aduziu a Recorrente, seja pela procedência do pleito da Recorrente na esfera judicial, seja pela improcedência do pleito, que ensejará a quitação dos débitos ou a imediata conversão do valor dos depósitos judiciais em renda para a Fazenda Nacional, os débitos de IRPJ estimativa serão satisfeitos. Portanto, deve ser considerado legítimo o IRPJ mensal pago por estimativa, no valor de R$ 2.960.317,84, “quitado” pelas compensações do Grupo 1, em discussão na esfera judicial [...] Análise do Grupo 2 [...] Nesse ponto, ressalta a decisão recorrida que a Recorrente, quando retificou os PER/DCOMP 31124.37450.140704.1.3.028666, 31761.56469.210604.1.7.023882 e 4268304787.140904.1.3.023047 (fl. 275, 215/218, 2/6 e 223/232), substituiu o crédito de saldo negativo de IRPJ do ano calendário 2002, para o do anocalendário 2003, ou seja, as estimativas de 2003 seriam extintas por compensação com o saldo negativo apurado neste mesmo ano. Diante disso, não considerou tais compensações, haja vista que não se pode usar um crédito antes de sua apuração, e, no caso sob análise, a apuração depende da extinção das estimativas. [...] Correto o entendimento da decisão recorrida. [...] Análise do Grupo 3 [...] A PER/DCOMP do Grupo 3 já havia sido tida em conta pela decisão recorrida, tendo em vista sua homologação tácita. Assim, também deve ser mantida a confirmação do valor de R$ 371.564,04 pago a título de IRPJ mensal pago por estimativa. (g.n.) Assim, embora, inicialmente, a aparente semelhança entre os julgados me levasse a considerar como sendo irrelevante a questão da declaração como confissão de dívida, de fato, as peculiaridades do acórdão nº 1301001532, ademais que analisadas sob o prisma de outro ordenamento jurídico (anterior à vigência da MP nº 66, de 2002), acabam por tornálo imprestável como paradigma do acórdão recorrido. Fl. 403DF CARF MF Processo nº 12448.909387/201152 Acórdão n.º 9101003.739 CSRFT1 Fl. 404 9 Os diferentes arcabouços legais aplicados, em decorrência da diferença temporal entre acórdão recorrido e paradigma, são suficientes para demonstrar a ausência de divergência entre eles. Com base nesses fundamentos, entendo que não há como se caracterizar a divergência jurisprudencial em relação a esse paradigma. Como inexiste outro, o recurso não deve ser conhecido. Conclusão Em face ao exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Fl. 404DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.928043/2009-93
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 15/10/2003
DILIGÊNCIA. PEDIDO. INDEFERIMENTO.
Indefere-se pedido de diligência quando sua realização revele-se prescindível para a formação de convicção pela autoridade julgadora.
INTIMAÇÃO PESSOAL DE PATRONOS DO CONTRIBUINTE. DESCABIMENTO.
O processo administrativo fiscal federal não prevê a possibilidade de a intimação dar-se na pessoa do patrono do contribuinte, tampouco o Ricarf apresenta regramento nesse sentido.
SUSTENTAÇÃO ORAL. TURMAS EXTRAORDINÁRIAS. REGRAMENTO PRÓPRIO. REQUISITOS. NÃO CUMPRIMENTO.
Se o contribuinte deixa de atentar para os requisitos inerentes ao pedido de sustentação oral, resta impossibilitada a hipótese de atendimento do pleito formulado às Turmas Extraordinárias do Carf.
DECADÊNCIA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. DCTF.
Embora tenha o contribuinte deixado de tratar em seu recurso voluntário sobre a decadência em face a homologação tácita do crédito tributário declarado em DCTF, esta matéria poderá ser reapreciada pelo Carf, visto tratar-se de matéria de ordem pública.
RECURSO VOLUNTÁRIO. ADOÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA REPRODUÇÃO. FUNDAMENTAÇÃO.
Registrando o relator que as partes não apresentaram novas razões de mérito perante o Carf e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida, é facultado a transcrição dos termos da decisão de primeira instância, como fundamento para decidir a controvérsia.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/COFINS. EXTINÇÃO.
O direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data da extinção do crédito tributário.
PER/DCOMP. PAGAMENTO A MAIOR. DCTF RETIFICADORA. HIPÓTESE. TRANSMITIDA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO E DO PRAZO DE 5 ANOS DO FATO GERADOR.
Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais -DCTF- retificadora transmitida após a ciência do Despacho Decisório, com objetivo de reduzir o valor do débito ao qual o pagamento estava integralmente alocado e depois de transcorrido cinco anos para pleito da restituição não gera efeitos jurídicos para a compensação pleiteada por meio da apresentação de Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação -Per/Dcomp-, em face da decadência do referido direito.
Constatando-se, conforme evidencia a documentação acostada, inclusive, no recurso voluntário, que sequer tem-se notícia que o contribuinte apresentou, ainda que a destempo, DCTF retificadora para tal finalidade, resta impossibilitada a restituição do crédito que alega possuir quando da apresentação de Per/Dcomp.
Numero da decisão: 3001-000.474
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para rejeitar a diligência suscitada e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 15/10/2003 DILIGÊNCIA. PEDIDO. INDEFERIMENTO. Indefere-se pedido de diligência quando sua realização revele-se prescindível para a formação de convicção pela autoridade julgadora. INTIMAÇÃO PESSOAL DE PATRONOS DO CONTRIBUINTE. DESCABIMENTO. O processo administrativo fiscal federal não prevê a possibilidade de a intimação dar-se na pessoa do patrono do contribuinte, tampouco o Ricarf apresenta regramento nesse sentido. SUSTENTAÇÃO ORAL. TURMAS EXTRAORDINÁRIAS. REGRAMENTO PRÓPRIO. REQUISITOS. NÃO CUMPRIMENTO. Se o contribuinte deixa de atentar para os requisitos inerentes ao pedido de sustentação oral, resta impossibilitada a hipótese de atendimento do pleito formulado às Turmas Extraordinárias do Carf. DECADÊNCIA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. DCTF. Embora tenha o contribuinte deixado de tratar em seu recurso voluntário sobre a decadência em face a homologação tácita do crédito tributário declarado em DCTF, esta matéria poderá ser reapreciada pelo Carf, visto tratar-se de matéria de ordem pública. RECURSO VOLUNTÁRIO. ADOÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA REPRODUÇÃO. FUNDAMENTAÇÃO. Registrando o relator que as partes não apresentaram novas razões de mérito perante o Carf e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida, é facultado a transcrição dos termos da decisão de primeira instância, como fundamento para decidir a controvérsia. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/COFINS. EXTINÇÃO. O direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data da extinção do crédito tributário. PER/DCOMP. PAGAMENTO A MAIOR. DCTF RETIFICADORA. HIPÓTESE. TRANSMITIDA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO E DO PRAZO DE 5 ANOS DO FATO GERADOR. Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais -DCTF- retificadora transmitida após a ciência do Despacho Decisório, com objetivo de reduzir o valor do débito ao qual o pagamento estava integralmente alocado e depois de transcorrido cinco anos para pleito da restituição não gera efeitos jurídicos para a compensação pleiteada por meio da apresentação de Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação -Per/Dcomp-, em face da decadência do referido direito. Constatando-se, conforme evidencia a documentação acostada, inclusive, no recurso voluntário, que sequer tem-se notícia que o contribuinte apresentou, ainda que a destempo, DCTF retificadora para tal finalidade, resta impossibilitada a restituição do crédito que alega possuir quando da apresentação de Per/Dcomp.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1838; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T1 Fl. 198 1 197 S3C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.928043/200993 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3001000.474 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 15 de agosto de 2018 Matéria PIS RESTITUIÇÃO ELETRÔNICO PAGAMENTO A MAIOR Recorrente KNORRBREMSE SISTEMAS PARA VEÍCULOS COMERCIAIS BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 15/10/2003 DILIGÊNCIA. PEDIDO. INDEFERIMENTO. Indeferese pedido de diligência quando sua realização revelese prescindível para a formação de convicção pela autoridade julgadora. INTIMAÇÃO PESSOAL DE PATRONOS DO CONTRIBUINTE. DESCABIMENTO. O processo administrativo fiscal federal não prevê a possibilidade de a intimação darse na pessoa do patrono do contribuinte, tampouco o Ricarf apresenta regramento nesse sentido. SUSTENTAÇÃO ORAL. TURMAS EXTRAORDINÁRIAS. REGRAMENTO PRÓPRIO. REQUISITOS. NÃO CUMPRIMENTO. Se o contribuinte deixa de atentar para os requisitos inerentes ao pedido de sustentação oral, resta impossibilitada a hipótese de atendimento do pleito formulado às Turmas Extraordinárias do Carf. DECADÊNCIA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. DCTF. Embora tenha o contribuinte deixado de tratar em seu recurso voluntário sobre a decadência em face a homologação tácita do crédito tributário declarado em DCTF, esta matéria poderá ser reapreciada pelo Carf, visto tratarse de matéria de ordem pública. RECURSO VOLUNTÁRIO. ADOÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA REPRODUÇÃO. FUNDAMENTAÇÃO. Registrando o relator que as partes não apresentaram novas razões de mérito perante o Carf e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida, é AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 92 80 43 /2 00 9- 93 Fl. 198DF CARF MF Processo nº 10880.928043/200993 Acórdão n.º 3001000.474 S3C0T1 Fl. 199 2 facultado a transcrição dos termos da decisão de primeira instância, como fundamento para decidir a controvérsia. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/COFINS. EXTINÇÃO. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data da extinção do crédito tributário. PER/DCOMP. PAGAMENTO A MAIOR. DCTF RETIFICADORA. HIPÓTESE. TRANSMITIDA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO E DO PRAZO DE 5 ANOS DO FATO GERADOR. Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF retificadora transmitida após a ciência do Despacho Decisório, com objetivo de reduzir o valor do débito ao qual o pagamento estava integralmente alocado e depois de transcorrido cinco anos para pleito da restituição não gera efeitos jurídicos para a compensação pleiteada por meio da apresentação de Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação Per/Dcomp, em face da decadência do referido direito. Constatandose, conforme evidencia a documentação acostada, inclusive, no recurso voluntário, que sequer temse notícia que o contribuinte apresentou, ainda que a destempo, DCTF retificadora para tal finalidade, resta impossibilitada a restituição do crédito que alega possuir quando da apresentação de Per/Dcomp. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para rejeitar a diligência suscitada e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão 1635.268, da 13ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo 1 DRJ/SP1 que, em sessão de julgamento realizada no dia 12.12.2011, julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório pleiteado no Per/Dcomp 26391.21222.070705.1.3.040719. Da síntese dos fatos Fl. 199DF CARF MF Processo nº 10880.928043/200993 Acórdão n.º 3001000.474 S3C0T1 Fl. 200 3 Por bem sintetizar os fatos, transcrevo o relatório do acórdão recorrido (efls. 42 a 50), verbis: Relatório 1. Trata o presente processo de Declaração de Compensação apresentada pelo Contribuinte em meio eletrônico (PER/DCOMP nº 26391.21222.070705.1.3.040719), na data de 07/07/05 (página 1 PER/DCOMP), pela qual pretende quitar os débitos de PIS 69121, referente à competência de jun05, com supostos créditos decorrentes de recolhimento indevido realizado por meio do DARF de 15/10/2003, no valor de R$ 9.207,12 (código de receita: 6912). 2. Apreciando o pedido formulado, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo (DERAT/SPO) emitiu o Despacho Decisório de fls. 9, datado de 20/04/09, no qual pronunciouse pela NÃO HOMOLOGAÇÃO, por inexistência de crédito da compensação declarada. 3. Cientificada, em 28/04/09, da solução dada à declaração de compensação apresentada, conforme informação constante às fls. 10, a Insurgente, por intermédio de representante constituído, interpôs a Manifestação de Inconformidade de fls. 11 a 13, tempestivamente, conforme fls. 41, com a juntada de documentos de fls. 14 a 40, apresentando, resumidamente, as seguintes alegações: 3.1. O valor do crédito compensado existe, é legítimo e válido, uma vez que deriva de apuração constante no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (DACON), referente ao ano calendário 2003/3º trimestre (set). 3.2. Ademais, informa que, por lapso, deixou de apresentar a devida retificação da DCTF respectiva, para proceder a alteração do campo débito apurado do valor informado de R$ 17.566,81, para o quanto entendido correto, correspondente a R$ 8.359,69. 3.3. Diante do quanto alegado, no intuito de regularizar o crédito defendido, comprometese a retificar a DCTF em questão requerendo, para tanto, o prazo de 45 dias úteis. É o relatório. Da ementa da decisão recorrida A 13ª Turma da DRJ/SP1, ao julgar improcedente a manifestação de inconformidade, exarou o citado acórdão de manifestação de inconformidade, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos, verbis: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 15/10/2003 Ementa: Fl. 200DF CARF MF Processo nº 10880.928043/200993 Acórdão n.º 3001000.474 S3C0T1 Fl. 201 4 DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. É requisito indispensável ao reconhecimento da compensação não homologada a comprovação dos fundamentos da existência e a demonstração do montante do crédito que lhe dá suporte, sem o que não pode ser admitida. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos cabais de prova quanto aos motivos determinantes das alterações nos débitos confessados originalmente por intermédio da DCTF, não é suficiente para reformar a decisão não homologatória de compensação. DCOMP. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Considerando que o DARF indicado no PER/DCOMP (Pedido de Ressarcimento ou Restituição / Declaração de Compensação) como origem do crédito foi totalmente utilizado para quitar outro débito do Contribuinte, a compensação não poderá ser homologada. ALTERAÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PAGAMENTO HOMOLOGADO TACITAMENTE. IMPOSSIBILIDADE. Crédito tributário definitivamente constituído e extinto pelo pagamento em virtude do transcurso do lustro previsto no § 4º, art. 150 do CTN, não é passível de alteração pelo Contribuinte e nem pela Administração Tributária. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Da ciência O contribuinte, conforme depreendese da "INTIMAÇÃO Nº 139/2012" (efl. 51) e do Aviso de Recebimento AR (efl. 52), conheceu do teor do acórdão vergastado em 26.01.2012, razão pela qual, irresignado com a decisão recorrida, em 24.02.2012, protocola, perante a Derat/SP, o presente recurso voluntário, acompanhados de demais documentos, é o que demonstra o carimbo constante em sua "Folha de Rosto" (efls. 53 a 194). Do recurso voluntário Sintetizo os argumentos de defesa apresentado no recurso voluntário, identificando, também, os documentos nele juntados. Depois de historicizar os fatos inerentes ao seu pedido de restituição da contribuição ao PIS, cumulado com o de compensação e sua negativa por parte do colegiado a quo, o recorrente argumenta em sua defesa, que: 1 desde o ano de 2003, está sujeito à incidência da contribuição ao PIS determinada sobre a sistemática não cumulativa, conforme prevê a Lei 10.637 de 2002, estando obrigado, portanto, à apuração mensal de débitos e créditos relativamente a tal contribuição; Fl. 201DF CARF MF Processo nº 10880.928043/200993 Acórdão n.º 3001000.474 S3C0T1 Fl. 202 5 2 apesar de o regime não cumulativo do PIS ter sido estabelecido a partir de dezembro de 2002, foi somente no ano de 2004 que passouse, segundo a IN SRF 387 de 2004, a exigir a entrega do Dacon relativamente aos quatro trimestres do ano de 2003; 3 somente após revisar seus procedimentos para entrega do Dacon respectivo é que constatou que valor do PIS devido para o período era inferior àquele originalmente declarado em DCTF; 4 por equívoco não retificou a respectiva DCTF, de modo que o valor pago indevidamente naquele período constaria nas bases de dados da RFB como devido; 5 na Ficha 04 da mencionada Dacon, declarou a composição da base de cálculo dos créditos que apurou, os quais se lastrearam na aquisição de bens utilizados como insumos, nas despesas com energia elétrica, com aluguéis de prédios locados de pessoas jurídicas e com financiamentos de empréstimos, além dos encargos com depreciação; 6 os mencionados créditos decorrentes das aquisições de insumos referiam se às compras de produtos para industrialização, industrializações efetuadas por encomenda para si e aquisições de material de uso consumo realizadas no período, conforme consta das notas fiscais selecionadas por amostragem, ora anexadas, do Resumo de CFOP do Livro Registro de Entrada e do arquivo do Sintegra do período (Docs. 09, 10 e 11); 7 referidos documentos comprovam a legitimidade dos créditos que apurou, pois que os bens adquiridos foram e aplicados em seu processo produtivo, enquadrandose no conceito de insumo, à exceção dos materiais de uso e consumo, que optou por efetuar o pagamento com a inclusão da multa e dos juros, conforme Darf (Doc. 12); 8 quanto às despesas com energia elétrica, na época apropriava apenas os créditos relativos à produção, conforme razão contábil, pagas conforme o valor constante na respectiva nota fiscal e escrituradas no LRE (Docs. 13/14); 9 quanto às despesas com aluguéis, tais valores são também legítimos, líquidos e certos por decorrerem de pagamento a pessoa jurídica, pela locação do prédio no qual desempenha suas atividades, conforme demonstra o respectivo contrato, bem como sua contabilidade (Docs. 15/16); 10 os créditos de despesas de financiamento se encontram devidamente comprovados pelos documentos que à época deram azo às operações de arrendamento mercantil, conforme se depreende do razão contábil da conta relacionada (Doc. 17); 11 os créditos com os encargos de depreciação do ativo imobilizado foram calculados e regularmente contabilizados (Docs. 18/19); 12 os documentos ora juntados não se tratam de novas provas, pois tratamse de meros detalhamentos do crédito já demonstrado na manifestação de inconformidade, com a apresentação do Dacon. Não obstante, mencionese que o Carf já se manifestou pela possibilidade de juntada de provas em fase recursal, por aplicação do principio da verdade material, ao qual o processo administrativo está intrinsecamente subsumido; 13 a jurisprudência no âmbito administrativo garante que o crédito pago indevidamente pelo contribuinte seja compensado. Cita legislação e jurisprudência; Fl. 202DF CARF MF Processo nº 10880.928043/200993 Acórdão n.º 3001000.474 S3C0T1 Fl. 203 6 14 o mero erro formal, consubstanciado na não retificação da DCTF à época não descaracterizar o direito material legalmente atribuído, devendolhe ser garantida a recuperação, mediante compensação, dos valores pagos a maior em virtude do não cômputo dos créditos legais; 15 as declarações a que está obrigada a apresentar, como, por exemplo, a DCTF, DIPJ, etc., nada mais são do que obrigações acessórias mediante as quais o contribuinte declara as suas informações econômicofiscais. Assim, a falta ou a incorreção do preenchimento do formulário não tem o condão de criar ou extinguir direitos, já que tal nada mais é que um meio para o Fisco "agilizar" o procedimento fiscalizatório; 16 é pacifica a jurisprudência do Carf em admitir que a verdade material deve prevalecer em detrimento da formal quando há erro de preenchimento em DCTF, ainda mais que referido equívoco não causou prejuízo ao Erário Público. 17 acaso necessário, solicita a conversão do julgamento em diligência para que se comprove a existência da totalidade do crédito pleiteado. Formula quesitos a serem respondidos pelas autoridades fiscais; 18 seja intimada, na pessoa de seu procurador/patrono, para fins de realizar sustentação oral. Diante do alegado, requer o provimento do recurso e consequente deferimento do direito creditório pleiteado, homologandose a compensação realizada extinguindo respectivo crédito tributário. Juntamente com a presente peça recursal, o contribuinte apresenta: DOC. 01 Cópia autenticada do Contrato Social e alterações posteriores; DOC. 02 Cópia autenticada do instrumento de procuração pública; DOC. 03 Cópia autenticada do documento do Representante Legal; DOC. 04 DARF de recolhimento da Contribuição para o PIS (8109); DOC. 05 Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF); DOC. 06 Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (DACON); DOC. 07 PERD/DCOMP; DOC. 08 Memória de cálculo do crédito de PIS; DOC. 09 Notas fiscais de aquisição de insumos; DOC. 10 Resumo de CFOP do Livro Registro de Entradas (LRE); DOC. 11 Arquivo do SINTEGRA relativo As entradas de insumos; DOC. 12 DARF de recolhimento do valor inconteste; DOC. 13 Razão contábil da conta de despesas com energia elétrica; DOC. 14 Nota fiscal de aquisição de energia elétrica; DOC. 15 Contrato de locação de bem imóvel firmado com pessoa jurídica; DOC. 16 Razão contábil da conta de despesas com aluguel; DOC. 17 Razão contábil da conta de arrendamento mercantil; DOC. 18 Memória de cálculo de encargos de depreciação; e DOC. 19 Razões contábeis das contas de encargos de depreciação. Do encaminhamento Em razão disso, os autos ascenderam ao Carf em 06.01.2014 (efl. 196), que, na forma regimental, foi distribuído e sorteado para manifestação deste colegiado extraordinário da 3ª Seção, cabendo a este conselheiro o processamento do presente feito. É o relatório. Fl. 203DF CARF MF Processo nº 10880.928043/200993 Acórdão n.º 3001000.474 S3C0T1 Fl. 204 7 Voto Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Relator Da competência para julgamento do feito Observo que, em conformidade com o prescrito no artigo 23B do Anexo II da Portaria MF 343 de 2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Ricarf, com redação da Portaria MF 329 de 2017, este colegiado é competente para apreciar o presente feito. Da tempestividade O recurso voluntário foi juntado aos autos em 24.02.2012, depois da ciência ocorrida em 26.01.2012; portanto, a petição é tempestiva e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos na legislação de regência, de modo que dela conheço. Do pedido de diligência Quanto ao pedido de diligência efetuado pelo recorrente, para melhor apuração do crédito tributário informado e, por consequência, sua habilitação para a compensação pleiteada, entendo que todos os elementos necessários à formação da convicção deste julgador se encontram presentes nos autos. Destarte, aplicase o artigo 18 do Decreto 70.235 de 06.03.1972, que dispõe que a "autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis". Embora o comando legal inserido na norma em referência esteja direcionado ao julgador administrativo de primeira instância, entendo também aplicável a esta instância recursal diante de eventual necessidade de esclarecimento de fatos necessários ao julgamento da lide, o que não ocorre no presente caso. Neste sentido, indefiro pleito. Da intimação ao patrono Registrese que é demandada a ciência dos patronos do contribuinte para fins de sustentação oral. Todavia, para fins de esclarecimento, os incisos I a III do artigo 23 do Decreto 70.235 de 06.03.1972 estabelece que as intimações no decorrer do contencioso administrativo tributário federal serão realizadas pessoalmente ao sujeito passivo, não a seu advogado, inexistindo tampouco permissivo para tanto no Ricarf. Razão pela qual, nego a solicitação. Da sustentação oral Quanto a sustentação oral pretendida perante as turmas extraordinárias convém esclarecer que o artigo 61A do Anexo II do Ricarf, inserido pela Portaria MF 329 de Fl. 204DF CARF MF Processo nº 10880.928043/200993 Acórdão n.º 3001000.474 S3C0T1 Fl. 205 8 04.07.2017, dispõe que referido pleito seja realizado dentro de um prazo regulamentar e mediante apresentação de requerimento próprio, cuja aceitação "implica a retirada do processo para inclusão em pauta de sessão não virtual". Logo, inexistindo, nos autos referido requerimento, resta descumprido o regramento estatuído pela norma de regência. Razão pela qual não provejo o pedido. Da matéria de ordem pública Embora o contribuinte não tenha contestado em seu recurso voluntário os fundamentos da decisão recorrida no que concerne ao instituto da decadência, por conta da ocorrência da homologação tácita do crédito tributário constituído pela apresentação de DCTF, por tratarse de matéria de ordem pública, portanto, cognoscível de ofício, conforme consagrado por sedimentada jurisprudência judicial e deste Conselho, na medida em que tem competência para reapreciar a matéria nesta oportunidade, ainda que seja para confirmar o que decidiu o colegiado a quo. Da fundamentação Da adoção, como razão de decidir, da decisão recorrida Dispõe o parágrafo 3º do artigo 57 do Anexo II do Ricarf, verbis: § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) Em análise do pleito, nada há que deva ser acrescentado por este juízo administrativo aquilo que já foi minuciosamente explicitado pela 13ª Turma da DRJ/SP1, quando da prolação do acórdão recorrido. Com efeito, andou bem o colegiado a quo ao assentar a vinculação estrita das autoridades administrativas às determinações contidas de forma literal em lei. Assim, só cabe aqui reafirmarse aquilo que de forma expressa consta da legislação tributária: o prazo para repetição do indébito é de cinco anos, contados da extinção do crédito tributário (inciso I do artigo 168 do CTN), sendo que o pagamento antecipado, efetuado no âmbito do lançamento por homologação, conformase como uma das hipóteses de extinção, mesmo que pendente a sua homologação (parágrafo 1º do artigo 150 do CTN). De tal sorte, do ponto de vista estritamente legal, o pedido de restituição tem de ser efetuado no período de cinco anos que sucede o eventual recolhimento indevido ou a maior. Desta feita, em sua manifestação de inconformidade, o contribuinte argumenta que o valor do crédito compensado deriva de apuração constante no Dacon, mas que, por lapso, deixou de apresentar a DCTF retificadora respectiva para alterar o valor incorretamente informado no campo débito, uma vez que o correto correspondente a uma importância menor que aquela; tanto que, embora não o fazendo, comprometeuse a retificar a DCTF em questão no intuito de regularizar o crédito indicado no Per/Dcomp. Fl. 205DF CARF MF Processo nº 10880.928043/200993 Acórdão n.º 3001000.474 S3C0T1 Fl. 206 9 Por sua vez, o colegiado a quo, não acolhe o pleito do contribuinte, tendo em vista que o crédito tributário pleiteado em questão está definitivamente constituído e extinto pelo pagamento em virtude do transcurso do prazo previsto no parágrafo 4º do artigo 150 do CTN, não sendo, portanto, passível de alteração pelo contribuinte ou pela Administração Tributária. Desta forma, com amparo no permissivo regimental reproduzido, por concordar com seus fundamentos, adoto como razão de decidir os termos do voto condutor da decisão recorrida, notadamente no que respeita ao tema "Do Crédito em Análise", que reproduzo, verbis: Voto (...) 5. Ademais, cumpre suscitar o quanto previsto pelo artigo 74 da Lei nº 9.430/96, com redação dada pela Lei nº 10.637/02: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. 5.1. Nesses termos, a compensação deve ser implementada pelo Sujeito Passivo com a entrega da declaração correspondente, na qual constam informações relativas aos pretensos créditos (líquidos e certos) a serem utilizados para liquidação de débitos existentes. O efeito da declaração é a extinção do crédito tributário, ainda que sob condição resolutória de sua ulterior homologação. 5.2. Destarte, a Declaração de Compensação, por intermédio do PER/DCOMP, se presta a formalizar a compensação e, por consequência, a extinção dos débitos compensados, sob condição resolutória de sua posterior homologação pela Administração Fiscal. Assim, as informações sobre a origem do direto de crédito e do débito compensado, de inteira responsabilidade do Contribuinte, devem estar conformes, sob o risco de o declarante ver seu procedimento não homologado. 6. No caso concreto, o Contribuinte declarou débitos de PIS 69121, competência jun05, e apontou o documento de arrecadação (DARF) como origem do suposto pagamento Fl. 206DF CARF MF Processo nº 10880.928043/200993 Acórdão n.º 3001000.474 S3C0T1 Fl. 207 10 indevido e, por conseguinte, do reclamado crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela Insurgente foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. 6.1. O ato hostilizado aponta como causa da não homologação o fato de que não foi localizado crédito disponível em favor da Manifestante atinente ao indigitado DARF, vez que integralmente utilizado para quitar o débito correspondente, declarado por intermédio da DCTF, conforme apontado no próprio Despacho Decisório. 6.2. Assim, o exame das declarações prestadas pela própria Interessada à Administração Tributária revelaram a inexistência do pretenso crédito declarado e requerido para compensação. 6.3. Em suma, os motivos da não homologação residiram nas próprias declarações e documentos produzidos pela Insurgente. Estes foram, portanto, a prova e o motivo do ato administrativo. 7. Destaquese, ademais, que as matérias não expressamente questionadas presumemse legítimas e não deverão ser objeto de análise, vez que não se tornaram controvertidas nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, na redação dada pela Lei nº 9.532/97. Do Crédito em Análise 8. O Contribuinte contesta o Despacho Decisório DD que não homologou a compensação afirmando possuir crédito líquido e certo contra a Fazenda Pública. Para sustentar tal afirmação acostou aos autos cópias de DACON que suportaria o crédito que alega possuir e, ainda, solicita prazo para entrega da DCTF Retificadora. 8.1. Primeiramente, é de ser ressaltado que não é suficiente, para os fins pretendidos pela Requerente, a apresentação de DACON Retificador, nos casos em que as informações de débitos restaram inferiores àqueles confessados em DCTF. Permanece a necessidade de o Contribuinte comprovar, por meio de documentos contábeisfiscais idôneos, a origem dos valores declarados e a composição da base de cálculo dos tributos em questão. 8.2. À guisa de complementação, deve ser observado que há grande distinção, mormente no tocante aos efeitos jurídicos, entre as informações prestadas por intermédio da DCTF e do DACON, vez que, enquanto a primeira, consoante predito, revelase como instrumento de constituição de crédito tributário, o segundo desempenha papel meramente informativo, cujo intuito é o de corroborar ou complementar informações de interesse da Administração Tributária. 8.2.1. Ademais, a própria legislação tributária prevê a necessidade de o Contribuinte apresentar DCTF retificadora Fl. 207DF CARF MF Processo nº 10880.928043/200993 Acórdão n.º 3001000.474 S3C0T1 Fl. 208 11 sempre que eventual retificação do DACON acarretar na modificação dos valores declarados em DCTF anterior. É o que se verifica desde a publicação da Instrução Normativa SRF nº 590, de 22/12/2005, que assim dispôs: Art. 11. Os pedidos de alteração nas informações prestadas no Dacon serão formalizados por meio de Dacon retificador, mediante a apresentação de novo demonstrativo elaborado com observância das mesmas normas estabelecidas para o demonstrativo retificado. ... § 4º A pessoa jurídica que entregar o Dacon retificador, alterando valores que tenham sido informados em DCTF, deverá apresentar, também, DCTF retificadora. (destaques não constam do original) 8.2.2. Tal comando normativo permanece vigente até o momento, tendo sido convalido nas instruções normativas posteriores. 8.3. Insta mencionar, neste ponto, tomandose por base as previsões estampadas nos atos normativos que regulam o procedimento de retificação de declarações, conforme o atualmente disposto no inciso II, do § 2º, do art. 9º, da Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24/12/2010, que seria ineficaz qualquer retificação de DCTF após a ciência de início de procedimento administrativo, consubstanciado na não homologação da compensação expressa pelo combatido DD, nos moldes da previsão constante no art. 142 do CTN, especialmente no tocante à matéria tributável e ao cálculo do montante do tributo devido. Transcrevese os termos da citada instrução normativa: § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: [...] II alterar os débitos de impostos e contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. (original sem destaques) 8.4. De outro giro, deve ser observado que a análise em apreço, mormente quanto ao alegado crédito da Manifestante, perpassa questão que envolve lançamento na modalidade por homologação, vez que a Insurgente apurou o montante devido e declarou a ocorrência e quantificação dos fatos geradores verificados por intermédio da DCTF, consoante previsto no art. 150, caput, do CTN. 8.5. Neste ponto, mencionase o que entende a doutrina pátria acerca da modalidade de lançamento em tela, mormente quanto ao seu objeto. Assim, conforme ensina Hugo de Brito Machado1, in verbis: Fl. 208DF CARF MF Processo nº 10880.928043/200993 Acórdão n.º 3001000.474 S3C0T1 Fl. 209 12 Lançamento por homologação, é aquele aplicável aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, no que concerne a sua determinação. (...) Objeto da homologação não é o pagamento, como alguns tem afirmado. É a apuração do montante devido, de sorte que é possível a homologação mesmo que não tenha havido pagamento. (...) O que caracteriza essa modalidade de lançamento é a exigência legal de pagamento antecipado. Não o efetivo pagamento antecipado. 8.6. Por outro lado, cumpre transcrever o que leciona Luciano Amaro2, que traduz a linha de raciocínio também sustentada por Aliomar Baleeiro3 e Eduardo Sabbag4. Na prática, o “dever de antecipar o pagamento” significa que o sujeito passivo tem o encargo de valorizar os fatos à vista da norma aplicável, determinar a matéria tributável, identificarse como sujeito passivo, calcular o montante do tributo e pagálo, sem que a autoridade precise tomar qualquer providência. E o lançamento? Este diz o Código Tributário Nacional operase por meio do ato da autoridade que, tomando conhecimento da atividade exercida pelo devedor, nos termos do dispositivo, homologaa. A atividade aí referida outra não é senão a de pagamento, já que esta é a única providência do sujeito passivo tratada no texto. Melhor seria falarse em “homologação do pagamento”, ... . 8.7. Notese que a homologação, que segundo Celso Antonio Bandeira de Melo5, “é o ato vinculado pelo qual a administração concorda com ato jurídico já praticado, uma vez verificada a consonância dele com os requisitos legais condicionadores de sua válida emissão”, tem por efeito dar ao ato homologado a eficácia que até então não se lhe atribuía. Homologar, portanto, pressupõe não apenas concordar com o ato praticado, mas também, conferirlhe validade ou eficácia que antes não sustentava. É somente diante desta ótica que se pode aceitar a idéia de “autolançamento”, como muitos doutrinadores intitulam esta modalidade, sem entender ferido o art. 142 do CTN. 8.8. Assim, tendo havido apuração do montante devido e a correspondente informação ao Fisco (declaração em DCTF), corroborada pelo pagamento dos tributos reputados devidos, há de ser considerado efetuado o “autolançamento” no caso em tela. Fl. 209DF CARF MF Processo nº 10880.928043/200993 Acórdão n.º 3001000.474 S3C0T1 Fl. 210 13 8.9. Em adição e reforço, é cediço que a DCTF (criada com base no artigo 5º do DecretoLei nº 2.124/84), quando regularmente apresentada, tem o condão de formalizar o crédito tributário, viabilizando a inscrição em dívida ativa do débito denunciado pelo Contribuinte, caso não pago, consoante pacífico entendimento das mais altas cortes do país. Desta sorte, o indigitado documento encerra instrumento de confissão de dívida e constituição do crédito tributário. 8.10. Em decorrência do predito, de acordo com o vaticinado no § 1º, do referido art. 150 do CTN, o pagamento do tributo apurado conforme tal modalidade de lançamento extingue o crédito tributário sob condição resolutória da ulterior homologação daquele. 8.11. Em complemento, o § 4º do mesmo artigo do Código Tributário determina que caso a lei não fixe prazo à homologação, será ele de 05 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador, em não havendo pronunciamento da Fazenda Pública dentro de tal interstício, considerandose homologado, tacitamente, o lançamento e definitivamente extinto o crédito tributário dele decorrente. 8.12. Neste ponto, não é despiciendo relembrar que o Direito não socorre àquele que, por largo espaço de tempo, permanece inerte quanto ao exercício de determinado direito/faculdade que lhe possa assistir (“dormientibus non succurrit jus”). 8.13. No caso vertente há de ser ressaltado que se aprecia tributo referente ao período de apuração findado em 31/09/03, sendo considerada esta data, ainda que por ficção legal, a da ocorrência do respectivo fato gerador. 8.14. Assim, não tendo a Administração Fazendária se pronunciado durante o lustro legalmente previsto, cujo termo final se deu em 31/09/08, o crédito tributário em testilha foi, de forma inafastável, definitivamente constituído e extinto pelo pagamento nessa data. Tratase de prazo decadencial a pesar contra a Fazenda e contado a partir do fato imponível. 8.15. Ademais, emerge do quanto articulado que houve a homologação dos tributos com relação aos quais, e na exata medida em que, o contribuinte, por intermédio da DCTF em epígrafe, dimensionou e informou a ocorrência do fato gerador tendo efetuado, inclusive, o correspondente pagamento. 8.16. Assim, tendose operado a homologação tácita (constituição definitiva do crédito tributário), a partir de tal advento resta defeso à Fazenda questionar ou rever o ato comissivo do Contribuinte alcançado por tal instituto jurídico, consubstanciado na apuração e respectiva quitação dos tributos reputados devidos. 8.17. Em adição a tudo quanto articulado, apenas ad argumentandum, fossem superadas as questões já enfrentadas, Fl. 210DF CARF MF Processo nº 10880.928043/200993 Acórdão n.º 3001000.474 S3C0T1 Fl. 211 14 insta mencionar que é lícito ao Contribuinte retificar as informações prestadas ao Fisco, ao menos enquanto não iniciado qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, sempre se resguardando à Administração Tributária o direito de analisar e revisar as informações declaradas, consoante vaticina o art. 149 do CTN, enquanto não verificada a decadência tributária. 8.18. Contudo, no caso vertente, o Contribuinte quedouse inerte, não apresentando DCTF Retificadora dentro do prazo legal em que esta surtiria efeito (antes da ocorrência da homologação tácita), razão pela qual se revelou apático quanto ao direito creditício que ora sustenta deter em face da Fazenda Pública. 8.19. Tão logo teve conhecimento dos fatos capazes de alterar a apuração do tributo que ora alega ter pagado indevidamente, a Manifestante tinha por obrigação dar conhecimento da nova apuração, fatos constitutivos do direito creditório que erige deter, à Administração Tributária pelos meios próprios existentes para tanto DCTF Retificadora. 8.20. Em não o fazendo, frente à relação jurídicotributária, deixou de “retificar” o “autolançamento” e, por via transversa, não formalizou a existência do crédito que pretendeu utilizar por intermédio da DCOMP em apreço. 8.21. No presente caso, mutatis mutandis, tratase da decadência do direito de o Contribuinte modificar fato gerador, ou um de seus aspectos, como o valorativo, de crédito/obrigação tributária já extinta, que se consubstanciaria na gênese do alegado direito de crédito. 8.22. A inércia da Insurgente, aliada ao transcurso temporal, culminou na imutabilidade da situação jurídica sub examine extinção do crédito tributário autolançado declarado por intermédio da DCTF. 8.23. Consoante o sistema jurídico pátrio, as obrigações nasceram para serem extintas. Ocorrida a extinção, cogitarse da possibilidade de reversão de seus efeitos traria grande instabilidade jurídicosocial e, ademais, conspiraria contra os princípios gerais de direito. (...) Da questão material, em complemento aos termos da decisão recorrida Conforme reafirmado, o despacho decisório cerne da peça recursal declarou a inexistência do direito creditório pleiteado pelo recorrente, em razão do pagamento indicado encontrarse totalmente utilizado, vinculado a débito de mesmo valor. Irresignado, o recorrente alega que apresentou o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon informando os supostos verdadeiros débitos correspondentes ao exercício em questão, mas que, por lapso, deixou de apresentar a devida DCTF retificadora. Fl. 211DF CARF MF Processo nº 10880.928043/200993 Acórdão n.º 3001000.474 S3C0T1 Fl. 212 15 Em análise aos elementos constantes nos autos, no período pertinente ao tributo em discussão no presente processo, foi apresentada a DCTF original, no prazo legal para tanto. Igualmente, no seu prazo devido, foi apresentado o Dacon original, referente ao período de apuração do tributo em questão. Percebese que o pagamento efetuado pelo contribuinte mostrase incompatível o que fora declarado no referido Dacon. Destarte, em algum tempo depois, considerando o débito que consta informado no Dacon original, e sem ter retificado a DCTF original, o recorrente apresentou o Per/Dcomp pleiteando, em face do suposto saldo credor, a compensação em exame, que não foi homologada pela autoridade fiscal. Porém, mesmo após ter sido cientificada do despacho decisório, o recorrente, frisese, embora tenha manifestado a intenção de retificar a DCTF original, a fim de semelhar as informações contidas no Dacon, pelo que depreendese destes autos, tal intento não se concretizou. Logo, no caso que se examina, não há dúvidas que o recorrente não retificou sua DCTF original. Aqui, há que se atentar que é por meio da DCTF, e não pelo Dacon, que o débito do sujeito passivo considerase juridicamente constituído, pois, assim como a DIPJ, o Dacon tem caráter meramente informativo, distinto da DCTF, que tem caráter declaratório/constitutivo, significando uma confissão de débitos apurados pela pessoa jurídica. Destarte, por óbvio, pelo que depreendese destes autos, na data da apresentação do Per/Dcomp em apreço, não homologada pela autoridade fiscal, a DCTF original ainda não tinha sido objeto de retificação, significando que o crédito utilizado pelo recorrente em sua compensação, juridicamente, era e é ainda inexistente. Neste caso, não haveria que se falar, juridicamente, no alegado pagamento a maior, o que retiraria do crédito pretendido a liquidez e certeza que a lei impõe para que este possa ser objeto de repetição, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, verbis: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Portanto, ainda que o recorrente pretendesse efetuar a retificação da DCTF original, resta evidente o transcurso do prazo de cinco anos contado da data de ocorrência do fato gerador do débito nela declarado, nos termos do caput do artigo 168 do CTN, de forma que a referida retificação não produziria quaisquer efeitos tributários, o que tornase dispensável a análise fática do direito material do suposto crédito tributário perseguido pelo recorrente, em face da sua peremptoriedade jurídica. Da conclusão Fl. 212DF CARF MF Processo nº 10880.928043/200993 Acórdão n.º 3001000.474 S3C0T1 Fl. 213 16 Diante do exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, para rejeitar os pedidos de diligência, de intimação dos patronos e de sustentação oral e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 213DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.903293/2012-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/2008 a 30/04/2008
RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO
Direitos creditórios pleiteados via Declaração de Compensação - Nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, essencial a comprovação da liquidez e certeza dos créditos para a efetivação do encontro de contas, comprovação esta que é ônus do contribuinte, sendo incabível a transferência da responsabilidade ao Fisco.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-005.625
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimarães, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimarães, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 90 32 93 /2 01 2- 17 Fl. 145DF CARF MF Processo nº 11020.903293/201217 Acórdão n.º 3302005.625 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior ou indevido e aproveitar esse crédito com débitos referentes a impostos e contribuições administrados pela RFB. Por meio de Despacho Decisório Eletrônico, a compensação pleiteada não foi homologada ante a ausência/insuficiência de créditos oponíveis contra a Fazenda Pública, uma vez que o pagamento indicado foi encontrado, encontrandose, todavia, totalmente alocado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificado da decisão o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade alegando em sede de preliminar sua nulidade. No mérito, insurgiuse contra o caráter confiscatório da multa exigida, bem como contra a taxa Selic. A Delegacia Regional de Julgamento de Porto Alegre por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 10 049.306. Cientificada da Decisão da Delegacia Regional de Julgamento, a impugnante ingressou com RECURSO VOLUNTÁRIO junto ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, alegando, em síntese, que: ü A Decisão ora atacada deve ser de plano anulada por esta Colenda Câmara, uma vez que não respeitou os mais basilares princípios administrativos e constitucionais que norteiam os Atos Administrativos, pois ainda que levantados tais pontos na manifestação, os mesmos não foram devidamente apreciados, razão pela qual se impõe sejam eles devidamente analisados nesta instância de julgamento; ü A decisão elaborada não se presta a dar início ao contraditório administrativo, eis que, como visto, carente de fundamentação; ü Não houve qualquer diligência por parte da Fiscalização com o intuito de verificar a natureza do crédito postulado, sendo seu proceder tão somente na injustificada negativa do crédito pretendido e na retórica imposição do ônus da prova do crédito à Contribuinte; ü Pelo exposto, resta claro o prejuízo aos direitos da Contribuinte ao exercício de sua defesa, vez que impossibilitada de defenderse da forma apregoada no Texto Magno. Neste contexto, não pairam quaisquer dúvidas quanto ao direito dos administrados à ampla defesa Fl. 146DF CARF MF Processo nº 11020.903293/201217 Acórdão n.º 3302005.625 S3C3T2 Fl. 4 3 no processo administrativo, sendo este verdadeiro critério de validação dos atos e processos administrativos; ü A decisão recorrida, como visto, teve como fundamento a inexistência de crédito, porquanto o ônus da prova, quanto ao crédito, seria da Contribuinte. Nada mais equivocado, uma vez que, como veremos, o processo administrativo pautase pela verdade material ou verdade real, não havendo espaço para presunções legais ou mesmo de ‘verdades’ processuais decorrentes de eventual distribuição do ônus da prova; ü O valor lançado a título de multa, flagrantemente ilegal como a seguir demonstrarseá, é manifestamente excessivo ferindo, desta maneira o princípio constitucional do não confisco e dos princípios administrativos da razoabilidade e da proporcionalidade. Neste contexto, é princípio básico que a pena, no caso a multa aplicada em face de infrações, não pode ultrapassar os estritos limites da lei ou melhor, do direito como um todo valendo para o caso específico do direito tributário, a definição legal do tributo como insuscetível de servir como instrumento de penalização do contribuinte; ü A inaplicabilidade da TAXA SELIC aos supostos débitos como juros de mora e a limitação dos juros de mora dada pelo código tributário nacional; ü A possibilidade do enfrentamento pelo tribunal administrativo do argumento de inconstitucionalidade de norma legal. DO PEDIDO Pelo exposto, requer a Recorrente seja dado integral provimento ao presente Recurso Voluntário, a fim de que sejam homologadas as compensações declaradas, reconhecendose a relevância dos fundamentos de fato e de direito ora encaminhados ao seu elevado crivo, com a consequente reforma do Acórdão recorrido. É o relatório. Fl. 147DF CARF MF Processo nº 11020.903293/201217 Acórdão n.º 3302005.625 S3C3T2 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302005.615, de 23 de julho de 2018, proferido no julgamento do processo 11020.903279/201213, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302005.615): "Da admissibilidade. Por conter matéria desta E. Turma da 3a Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte, considerando que a empresa MECÂNICA COMERCIAL E IMPORTADORA LTDA foi cientificada Acórdão n° 1049.299, em 15/04/2014, via Aviso de Recebimento, às folhas 76 do processo digital. A empresa MECÂNICA COMERCIAL E IMPORTADORA LTDA apresentou o seu Recurso Voluntário em 09/05/2014, às folhas 78 do processo digital. O recurso é tempestivo. Da controvérsia. Não respeito aos princípios administrativos e constitucionais que norteiam os Atos Administrativos; A decisão elaborada é carente de fundamentação; Ausência der diligência por parte da Fiscalização; A inexistência de crédito e o ônus da prova; O valor lançado a título de multa fere o princípio constitucional do não confisco e dos princípios administrativos da razoabilidade e da proporcionalidade; A inaplicabilidade da TAXA SELIC; O enfrentamento do argumento de inconstitucionalidade. Das preliminares. Não respeito aos princípios administrativos e constitucionais que norteiam os Atos Administrativos É alegado às folhas 03 do Recurso Voluntário: Fl. 148DF CARF MF Processo nº 11020.903293/201217 Acórdão n.º 3302005.625 S3C3T2 Fl. 6 5 A Decisão ora atacada deve ser de plano anulada por esta Colenda Câmara, uma vez que não respeitou os mais basilares princípios administrativos e constitucionais que norteiam os Atos Administrativos, pois ainda que levantados tais pontos na manifestação, os mesmos não foram devidamente apreciados, razão pela qual se impõe sejam eles devidamente analisados nesta instância de julgamento. Assim, de forma mais pormenorizada, passaremos em seguida a expor que a decisão que não homologou as compensações pretendidas pela ora Recorrente deixou de atender o requisito constitucional da fundamentação do ato administrativo, além de ferir os princípios também constitucionais da ampla defesa, contraditório e do devido processo legal. Sem razão a Recorrente. O Acórdão n° 1049.299, ora guerreado, de pronto explicita o motivo pelo qual a Administração não homologou a compensação: os pagamentos tidos como indevidos foram localizados, mas já se encontram “integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no Per/Dcomp”. Portanto, a fiscalização aponta um fato preciso, certo e determinado que fulmina as pretensões da então impugnante. Reafirmando a própria argumentação do Voto exarado no Acórdão n° 1049.299, a fundamentação fática a pouco transcrita explicita o indeferimento do pleito, não necessitando de esclarecimento adicional, uma vez que os controles de conta corrente exercido pela autoridade administrativa indicavam a alocação para outro débito do suposto crédito oponível pela interessada. De outra sorte, a Recorrente não explicita o porquê que os princípios constitucionais da ampla defesa, contraditório e do devido processo legal foram desrespeitados. Assim sendo, por ora, tomase essa argumentação como mera retórica. A decisão elaborada é carente de fundamentação. É alegado às folhas 04 do Recurso Voluntário: Ora, Nobres Julgadores, como pode afirmar a Fiscalização que é inexistente o crédito que a Contribuinte pretende compensar se sequer possui meios de determinar qual seria a natureza deste crédito e sua origem??? Ademais, em atenção ao princípio processual administrativo da verdade material, o procedimento correto da Fiscalização, no caso em tela, seria intimar a Contribuinte para que prestasse informações sobre qual a origem do crédito postulado, bem como seu fundamento de validade. Isto porque não pode a Administração ‘presumir’ a inexistência de crédito e de plano não homologar as compensações declaradas pela Contribuinte. Fl. 149DF CARF MF Processo nº 11020.903293/201217 Acórdão n.º 3302005.625 S3C3T2 Fl. 7 6 Todavia, este foi o nefasto procedimento da Administração que, desta maneira, emitiu decisão desprovida da necessária fundamentação que deve conter o Ato Administrativo. Digase ainda que a necessidade de fundamentação ou motivação dos atos administrativos é obrigatória para o exame de sua legalidade, finalidade e da moralidade administrativa. A argumentação esposada não guarda sintonia com o texto do Acórdão n° 1049.299, a começar pela motivação presente no Voto do Acórdão n° 10 49.299: os pagamentos tidos como indevidos foram localizados, mas já se encontram “integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no Per/Dcomp”. Portanto, o Acórdão n° 1049.299 contém uma fundamentação explicita que inaugura o próprio voto. No mais, depreendese da própria fundamentação transcrita que os créditos apontados pela empresa MECÂNICA COMERCIAL existem! Tanto é que já se encontram integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, e por esse motivo não se prestam a atender a pretensão pleiteada. Quanto à alegação de que o procedimento correto da Fiscalização, no caso em tela, seria intimar a Contribuinte para que prestasse informações sobre qual a origem do crédito postulado, digase, em tempo, que esse é o propósito tanto da Manifestação de Inconformidade como do próprio Recurso Voluntário e em ambos os casos a empresa MECÂNICA COMERCIAL se limitou a se valer de retórica, sem trazer fatos concretos que suportassem sua argumentação e/ou desabonassem a fundamentação trazida no Voto do Acórdão n° 1049.299. Em tempo, há que se diga, que o Voto do Acórdão n° 1049.299 já faz essa advertência ao então impugnante, empresa MECÂNICA COMERCIAL, ao citar e transcrever os artigos 15 e 16 do Decreto n° 70.235/72. Ausência de diligência por parte da Fiscalização. É alegado às folhas 11 do Recurso Voluntário: Frisase novamente que não houve qualquer diligência por parte da Fiscalização com o intuito de verificar a natureza do crédito postulado, sendo seu proceder tão somente na injustificada negativa do crédito pretendido e na retórica imposição do ônus da prova do crédito à Contribuinte. Desta maneira, resta prejudicado o contraditório administrativo e, consequentemente, o devido processo legal e, ainda, a ampla e irrestrita defesa da Contribuinte. A decisão da DRJ deveria exprimir o entendimento Fiscal quanto ao crédito postulado pelo Contribuinte, deixando claro qual o Juízo de Valor utilizado para sua não aceitação. Não houve qualquer diligência nesse sentido, porque a Delegacia Regional de Julgamento se convenceu da existência de fato preciso, certo e determinado que fulmina as pretensões da então impugnante. E como o Recurso Voluntário é árido em trazer elementos de prova que desabonem esse entendimento, não se percebe a necessidade de qualquer Fl. 150DF CARF MF Processo nº 11020.903293/201217 Acórdão n.º 3302005.625 S3C3T2 Fl. 8 7 diligência, tomando essa demanda como uma tentativa de procrastinar o presente processo. Do mérito. A inexistência de crédito e o ônus da prova É alegado às folhas 11 do Recurso Voluntário: A decisão recorrida, como visto, teve como fundamento a inexistência de crédito, porquanto o ônus da prova, quanto ao crédito, seria da Contribuinte. Nada mais equivocado, uma vez que, como veremos, o processo administrativo pautase pela verdade material ou verdade real, não havendo espaço para presunções legais ou mesmo de ‘verdades’ processuais decorrentes de eventual distribuição do ônus da prova. Neste sentido, o artigo 333 do Código de Processo Civil, invocado pelo Juízo administrativo a quo, é manifestamente inaplicável ao procedimento administrativo. A comprovação dos fatos é o próprio objeto do processo administrativo, não havendo que se distribuir o ônus probatório entre as partes. (Negrito próprio) Como já mencionado em questão enfrentada alhures: os créditos apontados pela empresa MECÂNICA COMERCIAL existem! Tanto é que já se encontram integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, e por esse motivo não se prestam a atender a pretensão pleiteada. Por esse motivo, não paira para a fiscalização qualquer dúvida quanto à existência, qualidade, valor e destinação do crédito, não havendo motivos para a realização de diligência. Quanto à solicitação de perícia, o artigo 36 do Decreto nº 7.574, de 29/09/2011, assim explicita: Art. 36. A impugnação mencionará as diligências ou perícias que o sujeito passivo pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, e, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito deverão constar da impugnação (Decreto no 70.235, de 1972, art. 16, inciso IV, com a redação dada pela Lei no 8.748, de 1993, art. 1o). § 1o Deferido o pedido de perícia, ou determinada de ofício sua realização, a autoridade designará servidor para, como perito da União, a ela proceder, e intimará o perito do sujeito passivo a realizar o exame requerido, cabendo a ambos apresentar os respectivos laudos em prazo que será fixado segundo o grau de complexidade dos trabalhos a serem executados (Decreto no 70.235, de 1972, art. 18, com a redação dada pela Lei no 8.748, de 1993, art. 1o). Fl. 151DF CARF MF Processo nº 11020.903293/201217 Acórdão n.º 3302005.625 S3C3T2 Fl. 9 8 § 2o Indeferido o pedido de diligência ou de perícia, por terem sido consideradas prescindíveis ou impraticáveis, deverá o indeferimento, devidamente fundamentado, constar da decisão (Decreto no 70.235, de 1972, arts. 18 e 28, com as redações dadas pela Lei no 8.748, de 1993, art. 1o). § 3o Determinada, de ofício ou a pedido do impugnante, diligência ou perícia, é vedado à autoridade incumbida de sua realização escusarse de cumprilas. A Lei 9.874 que se aplica subsidiariamente ao Decreto nº 7.574, de 29/09/2011, assim dispõe: Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. § 1o Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. § 2o Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. A relevância do fato é caracterizada por haver correspondência entre este e a situação enfocada no processo, bem como por seu reconhecimento desencadear efeitos jurídicos peculiares. A pertinência, por sua, vez, diz respeito ao relacionamento entre o fato e a lide instalada. O mesmo se pode dizer da concludência, entendida como a possibilidade de conduzir o julgador à conclusão acerca dos fatos discorridos no processo. Fato concludente, nessa concepção, não significa o enunciado que, por si só, seja suficiente para formar a convicção do julgador, mas todo fato que, ao lado de outros, possa atuar como argumento para a procedência ou improcedência da demanda, em nada se distinguindo do chamado fato pertinente. Considerado fato inconcludente aquele que leva ao convencimento da ocorrência ou inocorrência de situações não envolvidas na discussão processual (fato impertinente), sua prova seria totalmente inócua. Nesse ponto, notase o intrínseco relacionamento entre os requisitos do fato susceptível de ser objeto de prova e a função que a prova assume no sistema jurídico: sendo destinada ao convencimento do julgador, só tem cabimento a realização de enunciação probatória relativa a fatos que possam levar a essa persuasão. Não foi apresentado qualquer fato, motivo ou justificativa relevante que propiciasse a realização da perícia, a luz do que já foi exposto, mesmo porque toda perícia tem por objetivo auxiliar o julgador na formação de sua melhor convicção racional e na busca da verdade material, ação que já se processou. Das penalidades. Da arguição de confisco e desrespeito aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Quanto ao princípio do nãoconfisco, e por conseguinte o princípio da razoabilidade – proporcionalidade, agasalhase o entendimento o de que vem a ser essa uma limitação imposta pelo Legislador constituinte ao Legislador infraconstitucional (ordinário), portanto, não se podendo dizer que o princípio esteja direcionado à Administração Tributária. Fl. 152DF CARF MF Processo nº 11020.903293/201217 Acórdão n.º 3302005.625 S3C3T2 Fl. 10 9 A inaplicabilidade da TAXA SELIC Sobre o assunto, o art. 161, § 1º, do CTN, abaixo reproduzido, outorga à lei a faculdade de estabelecer os juros de mora incidentes sobre os créditos não integralmente pagos no vencimento, fixando o percentual de 1% na hipótese de a lei não dispor de forma diversa. Art. 161 O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantias previstas nesta Lei ou em lei tributária”. §1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês. Em atenção a tal dispositivo, a Lei nº 9.430/96, em seu art. 61, § 3º, estabeleceu expressamente, para o cálculo dos juros de mora, a aplicação da taxa Selic. Oportuno registrar, conforme reconhecido pela interessada, que, sobre o assunto, já existe Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (antiga súmula do Conselho de Contribuintes, renumerada pela Portaria CARF nº 106, de 21/12/2009), como segue: Súmula CARF nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Assim, estando a exigência devidamente fundamentada, conforme já anteriormente mencionado, não cabe a este órgão administrativo perquirir da legalidade ou inconstitucionalidade dessa norma, uma vez que, enquanto esta não é declarada inconstitucional pelos órgãos competentes do Poder Judiciário e não é expungida do sistema normativo, tem presunção de validade, presunção esta que é vinculante para a administração pública. Portanto, é defeso aos órgãos administrativos jurisdicionais, de forma original, reconhecer alegação de ilegalidade ou inconstitucionalidade de disposições que fundamentam o lançamento, ainda que sob o pretexto de deixar de aplicálas ao caso concreto. Nesse mesmo sentido, está, como já citado, o art. 26A do Decreto nº 70.235/72. Confirmando este posicionamento, já foi editada Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (antiga súmula do Conselho de Contribuintes, renumerada pela Portaria CARF nº 106, de 21/12/2009), dispondo, in verbis: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Todavia, ainda que nos fosse possível enveredar por tais caminhos, cumpririanos lembrar que a jurisprudência do STJ já há muito se consolidou no sentido da legitimidade da aplicação da SELIC nos créditos tributários, como é possível depreender dos julgados abaixo: AgRg no Ag 932732 PRIMEIRA TURMA – Julgado em 18/12/2008: Fl. 153DF CARF MF Processo nº 11020.903293/201217 Acórdão n.º 3302005.625 S3C3T2 Fl. 11 10 “1. Os créditos tributários recolhidos extemporaneamente, cujos fatos geradores ocorreram a partir de 1º de janeiro de 1995, a teor do disposto na Lei 9.065/95, são acrescidos dos juros da taxa SELIC, operação que atende ao princípio da legalidade.(...)” REsp 1028724 PRIMEIRA TURMA – Julgado em 06/05/2008: “(...) 10. É legítima a utilização da taxa SELIC como índice de correção monetária e de juros de mora, na atualização dos créditos tributários.(...)” REsp 1086308 SEGUNDA TURMA – Julgado em 09/12/2008: “(...) 2. É legítima a utilização da taxa Selic como índice de correção monetária e de juros de mora, na atualização dos créditos tributários (Precedentes: AgRg nos EREsp 579.565/SC, Primeira Seção, Rel. Min. Humberto Martins, DJU de 11.09.06 e AgRg nos EREsp 831.564/RS, Primeira Seção, Rel. Min. Eliana Calmon, DJU de 12.02.07).(...)” Diante da mais recente jurisprudência, não haveria como considerar de outra forma. E, como argumento de reforço no sentido da aplicação justa, vale observar que o STJ posicionase no sentido da aplicação da SELIC tanto a favor da Fazenda Pública, quanto a favor dos contribuintes, como se depreende do julgado abaixo: AgRg no Ag 599960 – SEGUNDA TURMA – Julgado em 07/12/2004: “(...)A Primeira Seção deste egrégio Superior Tribunal de Justiça, na assentada de 14.05.2003, consolidou o entendimento no sentido da aplicação da Taxa SELIC, na restituição/compensação de tributos, a partir da data da entrada em vigor da lei que determinou sua incidência no campo tributário, conforme dispõe o artigo 39 da Lei n. 9.250/95.(...)” Também não merece prosperar a alegação de que o CTN, no art. 161 §1o, estabelece taxa de 1% e que uma norma com força de lei complementar não poderia ser contrariada ou modificada por uma lei ordinária, pois que o próprio texto do código já excepciona sua aplicabilidade: CTN Art. 161 § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. (grifo nosso) Passando à questão da revogação dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/91 pela MP 449/08, temos que, inicialmente, estabelecer a natureza dos juros de mora ora revogados. Há de se explicitar que os juros de mora não têm caráter punitivo, mas sim, de compensação pela falta de disponibilidade dos recursos por parte da Fazenda. Destarte, no que tange a retroatividade, as regras de aplicação da legislação tributária previstas art. 106 inciso II do CTN não alcançam os juros de mora, fazendo valer a regra geral de aplicação temporal das leis tributárias prevista no art. 144 do mesmo diploma legal: Fl. 154DF CARF MF Processo nº 11020.903293/201217 Acórdão n.º 3302005.625 S3C3T2 Fl. 12 11 CTN Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Inobstante o fato de a mudança trazida pela nova legislação ser muito pouco significante (diferença de apenas 1% aplicável no mês do recolhimento) tal mudança não se opera retroativamente, continuando a valer a metodologia vigente à época do fato gerador. Não há, portanto, como acatar o afastamento da taxa Selic no cálculo dos juros de mora. O enfrentamento do argumento de inconstitucionalidade. A presente questão relacionase com as hipóteses de aplicação, pelas Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento, de norma declarada inconstitucional pelo STF em controle difuso, quando não há resolução do Senado Federal ou ato do Secretário da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RF), dispensando a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional. No Brasil, em regra, o controle de constitucionalidade de leis e atos normativos compete ao Poder Judiciário e pode realizarse por duas vias distintas: a concentrada (controle abstrato) e a difusa (controle concreto). Na via concentrada, a constitucionalidade da norma é examinada em tese e o que se busca é expelir do sistema jurídico o ato inconstitucional. Não se cuida do julgamento de uma relação concreta, mas sim da validade de uma norma em abstrato frente à Constituição. É por isso que, nesse âmbito, a declaração de inconstitucionalidade tem eficácia objetiva (erga omnes), o que impossibilita a aplicação da norma viciada pelos órgãos de julgamento administrativo. Por outro lado, no controle difuso, o autor da ação não procura a tutela do Poder Judiciário preocupado com a inconstitucionalidade da lei em tese. Seu objetivo é a efetivação de determinado direito subjetivo concreto, exigível em face de alguém. A questão constitucional é apreciada apenas de forma acessória, incidental, a fim de que o Poder Judiciário possa decidir o mérito da causa, reconhecendo ou não o direito subjetivo do autor. Disso se extrai que, na via difusa, a declaração de inconstitucionalidade de ato normativo proferida no bojo de decisão judicial definitiva só alcança as partes do processo (eficácia inter partes) e, por consequência, não vincula objetivamente os órgãos de julgamento administrativo – a não ser na hipótese prevista no art. 52, inciso X, da Constituição Federal (resolução do Senado Federal), ou, no caso das Delegacias de Julgamento da Receita Federal do Brasil, na hipótese prevista no art. 4º, parágrafo único, do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997. Essa última exceção merece maior detalhamento, pois se relaciona diretamente com a questão apresentada. O art. 77 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, autorizou o Poder Executivo a disciplinar as hipóteses em que a Administração Tributária federal pode afastar a aplicação de ato normativo declarado inconstitucional por decisão definitiva do STF: Art. 77. Fica o Poder Executivo autorizado a disciplinar as hipóteses em que a administração tributária federal, relativamente aos créditos tributários baseados em dispositivo Fl. 155DF CARF MF Processo nº 11020.903293/201217 Acórdão n.º 3302005.625 S3C3T2 Fl. 13 12 declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, possa: I absterse de constituílos; II retificar o seu valor ou declarálos extintos, de ofício, quando houverem sido constituídos anteriormente, ainda que inscritos em dívida ativa; III formular desistência de ações de execução fiscal já ajuizadas, bem como deixar de interpor recursos de decisões judiciais. A regulamentação de tal dispositivo legal veio com o referido Decreto nº 2.346/1997, que, em seu art. 4º, estabeleceu o seguinte: Art. 4º Ficam o Secretário da Receita Federal e o Procurador Geral da Fazenda Nacional, relativamente aos créditos tributários, autorizados a determinar, no âmbito de suas competências e com base em decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal que declare a inconstitucionalidade de lei, tratado ou ato normativo, que: I não sejam constituídos ou que sejam retificados ou cancelados; II não sejam efetivadas inscrições de débitos em dívida ativa da União; III sejam revistos os valores já inscritos, para retificação ou cancelamento da respectiva inscrição; IV sejam formuladas desistências de ações de execução fiscal. Parágrafo único. Na hipótese de crédito tributário, quando houver impugnação ou recurso ainda não definitivamente julgado contra a sua constituição, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Ou seja, na hipótese de o Secretário da Receita Federal do Brasil determinar o afastamento da aplicação de lei, tratado ou ato normativo federal declarado inconstitucional pelo STF em controle difuso, os julgadores das DRJs ficam vinculados a essa determinação. Tratase aqui de interpretação do parágrafo único do dispositivo à vista do caput. No entanto, a Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, alterou o Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, retirando a vedação antes existente de afastamento de aplicação de acordo internacional, lei ou decreto, sob o fundamento de inconstitucionalidade, somente para os casos em que a norma já tenha sido declarada inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal. Tal alteração gerou divergência de entendimento acerca da possibilidade de extensão dos efeitos subjetivos de declaração de inconstitucionalidade aos processos administrativos em curso na RFB nas hipóteses em que não se verificam as mencionadas vinculações objetivas, ou Fl. 156DF CARF MF Processo nº 11020.903293/201217 Acórdão n.º 3302005.625 S3C3T2 Fl. 14 13 seja, fora dos casos previstos no art. 52, inciso X, da Constituição Federal, e no art. 4º, parágrafo único, do Decreto nº 2.346/1997. De um lado, estão os que defendem que sim, que, em determinados casos, os julgadores das DRJs podem afastar a aplicação de ato normativo declarado inconstitucional pelo STF em controle difuso. Fundamentamse, para tanto, na interpretação do §6º, inciso I, do art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 (redação dada pela Lei nº 11.941/2009): Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 6º O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; Entendem, portanto, que tal dispositivo, por ser posterior ao Decreto nº 2.346/1997, tacitamente revogou o seu art. 4º, que exigia a edição de ato do Secretário da RFB que autorizasse a não aplicação de norma declarada inconstitucional, com base em decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. Argumentam também que persistir na aplicação de dispositivos legais cuja inconstitucionalidade vem sendo reiteradamente declarada incidentalmente pelo STF traria prejuízos futuros à Fazenda Pública, em razão de eventuais ônus sucumbenciais. A rigor, o caput do artigo 26A do Decreto nº 70.235/72 veda aos órgãos de julgamento administrativo afastar a aplicação de ato normativo sob fundamento de inconstitucionalidade. No entanto, o inciso I do §6º desse mesmo artigo, dispõe que tal vedação não se aplica a ato normativo “que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do STF”. A par disso, para a primeira corrente temse que é perfeitamente cabível o entendimento de que o inciso I do §6º do art. 26A do Decreto nº 70.235/72 estaria circunscrito às decisões tomadas em controle concreto ou difuso de constitucionalidade. Não se vislumbra possível interpretar a vedação de que trata o caput do artigo 26A no sentido de que estaria se referindo às decisões proferidas em controle abstrato ou concentrado de constitucionalidade, porquanto isso significaria esvaziálo de conteúdo, em afronta ao postulado hermenêutico de que não se deve interpretar uma norma de modo a negarlhe aplicabilidade. Afinal, não se pode perder de vista que as declarações de inconstitucionalidade em abstrato excluem a norma viciada do mundo jurídico (em regra, com efeitos ex tunc). Nesse sentido, referida norma não poderia mais ser aplicada pelos órgãos de julgamento administrativo, independentemente do disposto no inciso I do §6º do art. 26A do Decreto nº 70.235/72 Ademais, importa salientar que não se quer dizer que o inciso I do §6º do art. 26A do Decreto nº 70.235/72 determina que os órgãos de julgamento administrativo neguem aplicação a ato normativo “que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do STF” em controle difuso. O que ele faz é afastar a vedação prevista no caput do artigo. Fl. 157DF CARF MF Processo nº 11020.903293/201217 Acórdão n.º 3302005.625 S3C3T2 Fl. 15 14 Assim, concluindo, para esta corrente o inciso I do §6º permite que os órgãos de julgamento administrativo deixem de aplicar ato normativo “que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do STF” em controle difuso. Por outro lado, tem os que são contrários à possibilidade de os julgadores das DRJs afastarem a aplicação de ato normativo declarado inconstitucional pelo STF em controle difuso. Defendem que, em face do princípio da legalidade, nenhuma autoridade administrativa pode negar aplicação a norma vigente; que, para tal negativa, fazse necessário que referida norma seja devidamente excluída do ordenamento jurídico – quer por sua revogação, quer por declaração de inconstitucionalidade na via concentrada, quer ainda na hipótes2e do art. 52, inciso X, da Constituição Federal –, ou que seja ela objeto do ato do Secretário da RFB previsto no art. 4º do Decreto nº 2.346/1997. Em reforço, os adeptos dessa segunda corrente mencionam a Solução de Consulta Interna nº 5 Cosit, de 03 de março de 2009, que consigna em seu parágrafo 17 e 18: 17. Diante desse fato, a Administração Tributária Federal deve reconhecer que, uma vez declarada a inconstitucionalidade das disposições contidas no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, mesmo que em decisão de controle difuso pelo STF, também está prejudicado o comando previsto no art. 10 do Decreto nº 4.524, de 2002, na parte em que define o faturamento (receita bruta) como sendo a totalidade das receitas auferidas pelas pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas exercidas e da classificação contábil adotada para a escrituração das receitas, em relação às pessoas jurídicas detentoras de declaração de inconstitucionalidade prolatada pelo Poder Judiciário, por ser o mencionado Decreto norma de caráter apenas regulamentar. 18. Entretanto, as pessoas jurídicas enquadradas no regime cumulativo de apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, que não possuam quaisquer medidas judiciais declaratórias da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo promovida pelo disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, continuam obrigadas aos recolhimentos mensais das referidas contribuições, tendo como base de cálculo o montante do faturamento (receita bruta) entendido como a totalidade das receitas auferidas, sendo irrelevantes o tipo de atividade por elas exercida e a classificação contábil adota para as receitas. (o grifo é do original) É de se registrar que, recentemente, foram aprovados pelo Ministro da Fazenda os Pareceres PGFN/CRJ nº 492/2010, de 22 de março de 2010, e o Parecer PGFN/CDA nº 2.025, de 27 de outubro de 2011. O primeiro concluiu no sentido de que a PGFN: (i) não mais apresente recursos, ordinários ou extremos, contra as decisões judiciais, desfavoráveis à Fazenda Nacional, que se mostrarem consentâneas com precedente judicial formado sob a nova sistemática de julgamento prevista nos arts. 543B e 543C do CPC; (ii) não mais interponha RESP/RE contra acórdãos proferidos em consonância com jurisprudência reiterada e pacífica do STF/STJ (indicada em lista elaborada e divulgada, periodicamente, pela CASTF/CRJ); (iii) não mais interponha agravo regimental contra decisões monocráticas de Relator (dos TRF´s, do STJ ou do STF) que, com respaldo em jurisprudência reiterada e pacífica daqueles Tribunais Superiores (indicada em lista elaborada e divulgada, periodicamente, pela CASTF/CRJ), também adotada pela respectiva Turma, neguem seguimento Fl. 158DF CARF MF Processo nº 11020.903293/201217 Acórdão n.º 3302005.625 S3C3T2 Fl. 16 15 a recursos, nos termos do art. 557 do CPC; (iv) não mais apresente impugnação/contestação contra pedido(s) formulado(s) com respaldo em precedente judicial oriundo de julgamento submetido à sistemática prevista nos arts. 543B e 543C do CPC. Por seu turno, o Parecer PGFN/CDA nº 2.025/2011, aprovado pelo Ministro da Fazenda, estabeleceu orientações a serem observadas pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e pelos demais órgãos do Ministério da Fazenda, quando caracterizada hipótese de dispensa de contestação e recursos, bem como desistência dos já interpostos, de que trata a Portaria PGFN nº 294/ 2010. Em resumo, como conseqüência da aprovação dos referidos Pareceres pelo MF, a Receita Federal do Brasil passa a estar vinculada às decisões do STJ e STF nas causas repetitivas julgadas na forma dos arts. 543B e 543C do CPC, quando não houver ressalvas por parte da PGFN. No entanto, discutese, ainda, se essa vinculação ocorre para as atividades de julgamento, considerandose que o Parecer PGFN/CDA nº 2.025/2011 trata de aplicação às atividades de constituição e cobrança de créditos no âmbito da RFB, nada mencionando sobre a hipótese de julgamento administrativo. Observase que, até a edição da Lei nº 11.941/2009, que introduziu o § 6º do art. 26A do Decreto nº 70.235/72, a posição majoritária na Primeira Instância do contencioso administrativo era no sentido de não afastar a aplicação de ato normativo declarado inconstitucional pelo STF em controle difuso. A partir dessa alteração legal, essa tendência já não se confirma, uma vez que são identificadas várias decisões que defendem o afastamento da aplicação de ato normativo quando o caso se subsume ao disposto no § 6º, I, do art. 26A do Decreto nº 70.235/72. Decisões favoráveis ao não afastamento aplicação de ato normativo declarado inconstitucional pelo STF em controle difuso: Trecho de ementa: CONTROLE INCIDENTAL DE CONSTITUCIONALIDADE. MODO DIFUSO. EFICÁCIA ENTRE AS PARTES. A decisão do STF em sede de controle difuso de constitucionalidade tem efeito apenas entre as partes, ou seja, não beneficia terceiros não integrantes da lide; para que essa decisão tenha efeitos erga omnes deve haver edição de Resolução do Senado suspendendo a execução do dispositivo declarado inconstitucional, ou, em outra hipótese, para que decisões da espécie obriguem a administração pública ao seu cumprimento, carece que a inconstitucionalidade seja declarada em controle concentrado ou que o STF edite súmula vinculante, nos termos da Lei nº 11.417, de 2006. (Acórdão DRJ/CTA nº 06 34.502, 24/11/2011) Trecho de ementa: EFEITOS DE DECISÕES JUDICIAIS. INCONSTITUCIONALIDADE INCIDENTAL. SÚMULA VINCULANTE. As decisões judiciais produzem efeitos somente às partes envolvidas. A declaração incidental de inconstitucionalidade possui efeito erga omnes quando advinda de Resolução do Senado Federal ou mediante Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal. (Acórdão DRJ/FNS nº 0726.431, de 27/10/2011) Fl. 159DF CARF MF Processo nº 11020.903293/201217 Acórdão n.º 3302005.625 S3C3T2 Fl. 17 16 Trecho de ementa: ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. (Acórdão DRJ/FNS n° 07 19.634, de 23/04/2010) Trecho de ementa: COISA JULGADA MATERIAL. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. RESOLUÇÃO DO SENADO. SEGURANÇA JURÍDICA. INAFASTABILIDADE. A segurança jurídica, como direito fundamental, é limite que não permite a anulação do julgado, sobretudo na esfera administrativa, ainda que a norma legal que serviu de pressuposto à decisão judicial tenha sido posteriormente acoimada de inconstitucionalidade, em decisão do STF. (Acórdão DRJ/CTA nº 0615.022, 15/08/2007) Diante de tudo que foi exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso da Contribuinte. É como voto." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 160DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.009136/2005-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. NÃO COMPROVADA A CONTRADIÇÃO. REJEIÇÃO.
Existindo obscuridade, omissão ou contradição no acórdão embargado, impõe seu acolhimento para sanar o vício.
Numero da decisão: 3302-005.921
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, sem, contudo, atribuir-lhe efeitos infringentes.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Walker Araujo - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado), Vinícius Guimarães (suplente convocado), Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior.
Nome do relator: WALKER ARAUJO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, sem, contudo, atribuir-lhe efeitos infringentes. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araujo - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado), Vinícius Guimarães (suplente convocado), Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior.
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NÃO COMPROVADA A CONTRADIÇÃO. REJEIÇÃO. Existindo obscuridade, omissão ou contradição no acórdão embargado, impõe seu acolhimento para sanar o vício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, sem, contudo, atribuirlhe efeitos infringentes. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado), Vinícius Guimarães (suplente convocado), Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 91 36 /2 00 5- 40 Fl. 317DF CARF MF Processo nº 10680.009136/200540 Acórdão n.º 3302005.921 S3C3T2 Fl. 318 2 Tratase de Embargos de Declaração opostos pela Unidade Preparadora RFB contra o v. acórdão nº 3302004.121, de fls.300307 que, por voto de qualidade parcial provimento ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo da Contribuição (i) o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pagos, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e de beneficiários de outras operadoras, deduzida a importância recebida a título de transferência de responsabilidades; e (ii) a receita decorrente do resultado das aplicações financeiras. Parcialmente vencidos os Conselheiros Domingos de Sá, Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araújo e a Conselheira Lenisa Prado, que também excluíam da base de cálculo o valor do custo com pessoal próprio, classificáveis dentro do grupo "eventos indenizáveis líquidos", constante do PLANO DE CONTAS DAS OPERADORAS DE PLANOS DE ASSISTÊNCIA À SAÚDE. A Embargante (vide fls.311) alega existir contradição no acórdão nos seguintes termos: Para fins de possibilitar a correta execução do Acórdão nº 3302 004.121 (fls. 300 a 306), devolvase o processo ao CARF, para que seja esclarecido se no referido Acórdão foi dado provimento PARCIAL ou TOTAL ao recurso voluntário. Isso porque, na parte inicial da referida decisão (fls. 300 e 301), consta que foi dado "parcial provimento ao recurso", ao passo que, na parte final (fl. 306), o relator votou por "dar provimento ao recurso". Às fls. 314316 foi proferido despacho admitindo os Embargos de Declaração para sanar o vício apontado pela Embargante. É o relatório. Voto Conselheiro Walker Araujo Relator Os embargos de declaração opostos pelo Fazenda Nacional teve o exame de admissibilidade processado regularmente, dele tomo conhecimento. Conforme exposto anteriormente, a Embargante suscitou existir contradição entre o resultados constantes na parte dispositiva e na parte final do voto, posto que na primeira constou provimento parcial ao recurso, ao passo que na segundo o relator deu provimento ao recurso. De fato há contradição no v. acórdão, merecendo, assim, serem acolhidos os Embargos de Declaração para sanar o vício apontado. Da leitura do acórdão, constatase que a conclusão tomada pela Turma Julgadora, foi no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo da Contribuição (i) o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pagos, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e de beneficiários de outras operadoras, deduzida a importância recebida a título de transferência de responsabilidades; e (ii) a receita decorrente do resultado das aplicações financeiras. Fl. 318DF CARF MF Processo nº 10680.009136/200540 Acórdão n.º 3302005.921 S3C3T2 Fl. 319 3 Por lado outro, mantevese a autuação quanto ao valor do custo com pessoal próprio, classificáveis dentro do grupo "eventos indenizáveis líquidos", constante do PLANO DE CONTAS DAS OPERADORAS DE PLANOS DE ASSISTÊNCIA À SAÚDE. Sobre isso, destacasse trecho do voto relator que entendia pela inclusão das referidas receitas na base de cálculo das famigeradas contribuições: Ainda a esse respeito, imperioso destacar que apenas os eventos ocorridos e efetivamente pagos ou, nos termos da Lei, indenizados, são dedutíveis da base cálculo da Contribuição, excluindose deste total, por conseguinte, os eventos prestados diretamente pela rede própria da Operadora do Plano de Saúde. Neste cenário, entendo que: Onde constou: VOTO por dar provimento ao recurso voluntário, para que seja (i) excluída da base de base de cálculo da Contribuições o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pagos, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e de beneficiários de outras operadoras, deduzida a importância recebida a título de transferência de responsabilidades e (ii) excluir da base imponível, também, a receita decorrente do resultado das aplicações financeiras. Deve constar: VOTO por dar parcial provimento ao recurso voluntário, para que seja (i) excluída da base de base de cálculo da Contribuições o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pagos, incluindo se neste total os custos de beneficiários da própria operadora e de beneficiários de outras operadoras, deduzida a importância recebida a título de transferência de responsabilidades e (ii) excluir da base imponível, também, a receita decorrente do resultado das aplicações financeiras. Diante do exposto, acolho os Embargos de Declaração para sanar o vício apontado, contudo, sem atribuirlhe efeitos infringentes. É como voto. (assinado digitalmente) Walker Araujo Fl. 319DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14751.720041/2011-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009
IPI. RESSARCIMENTO DO SALDO CREDOR. IMPERTINÊNCIA DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE.
É de se tomar por improcedente a solicitação de ressarcimento/compensação quando o contribuinte não logra comprovar a legitimidade do pedido formulado.
PEDIDO DE PERÍCIA. REQUISITOS NÃO ATENDIDOS. INDEFERIMENTO.
É de se indeferir o pedido de perícia quando a providência solicitada se mostra desnecessária nos termos do artigo 18 do Decreto 70.235/72. Razões de direito não justificam tal pedido.
Numero da decisão: 3401-005.367
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Tiago Guerra Machado - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente)
Nome do relator: TIAGO GUERRA MACHADO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009 IPI. RESSARCIMENTO DO SALDO CREDOR. IMPERTINÊNCIA DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. É de se tomar por improcedente a solicitação de ressarcimento/compensação quando o contribuinte não logra comprovar a legitimidade do pedido formulado. PEDIDO DE PERÍCIA. REQUISITOS NÃO ATENDIDOS. INDEFERIMENTO. É de se indeferir o pedido de perícia quando a providência solicitada se mostra desnecessária nos termos do artigo 18 do Decreto 70.235/72. Razões de direito não justificam tal pedido.
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RESSARCIMENTO DO SALDO CREDOR. IMPERTINÊNCIA DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. É de se tomar por improcedente a solicitação de ressarcimento/compensação quando o contribuinte não logra comprovar a legitimidade do pedido formulado. PEDIDO DE PERÍCIA. REQUISITOS NÃO ATENDIDOS. INDEFERIMENTO. É de se indeferir o pedido de perícia quando a providência solicitada se mostra desnecessária nos termos do artigo 18 do Decreto 70.235/72. Razões de direito não justificam tal pedido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Tiago Guerra Machado Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 75 1. 72 00 41 /2 01 1- 07 Fl. 545DF CARF MF Processo nº 14751.720041/201107 Acórdão n.º 3401005.367 S3C4T1 Fl. 546 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente) Relatório Cuidase de Recurso Voluntário (fls. 2821 e seguintes) contra decisão da 17ª Turma da DRJ/RJ1, que considerou improcedentes as razões da Recorrente ao refutar o Despacho Decisório, exarado pela DRF João Pessoa, em 29.11.2011, que homologou parcialmente o PERDCOMP 27250.84341.240909.1.5.016464, referente ao IPI, período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009. Do Lançamento Naquela ocasião, a D. Fiscalização homologou R$ 372.568,24 (trezentos e setenta e dois mil, quinhentos e sessenta e oito reais e vinte e quatro centavos) dos R$465.304,37 (quatrocentos e sessenta e cinco mil, trezentos e quatro reais e trinta e sete centavos), pleiteados pela Contribuinte, através do PERDCOMP 27250.84341.240909.1.5.01 6464. Em síntese, as razões que levaram à glosa foram a insuficiência de informações quanto à aplicação de determinados itens no processo produtivo e informações inconclusivas quanto ao tratamento contábil desses produtos, a saber: · Tijolos Básicos · Corpo Moedor · Equipamentos de comunicação · Correia · Aditivos · Concretos “Como visto, bens que devam ser classificados no ativo permanente estão excluídos do conceito estendido de matéria prima e produto intermediário, e assim, também as partes e peças de máquinas e instalações já que, em regra, integram o mesmo grupo de conta. Por isso o contribuinte foi questionado quanto à itens suspeitos de consistirem em partes de máquinas ou de instalações. Fl. 546DF CARF MF Processo nº 14751.720041/201107 Acórdão n.º 3401005.367 S3C4T1 Fl. 547 3 Por indícios de consistirem em bens classificáveis em contas do Ativo Permanente, foram identificados os seguintes itens: 5.1.1.1 Tijolos: Adquiridos de empresa especializada em refratários, provavelmente utilizados na manutenção do Forno de Clinquerização, classificáveis em regra em contas do Ativo Permanente. 5.1.1.2 Corpo Moedor: Indícios de tratarse de parte do Moinho,classificável, em regra, em conta do Ativo Permanente. 5.1.1.4 Equipamentos de comunicação: Itens com indícios de trataremse de equipamentos e acessórios de comunicação, em regra ativáveis. Entretanto como as respectivas entradas foram registradas com o CFOP 1949 (Outra entrada de mercadoria ou prestação de serviço não especificada), os créditos correspondentes foram excluídos dentre os créditos passíveis de ressarcimento pelo próprio aplicativo PER/DCOMP, motivo pelo qual tais créditos não comporão o consolidado de glosas para efeito de pedido de ressarcimento. Entretanto, neste caso, deve o contribuinte estornar tais créditos no RAIPI já que, não tendo integrado o saldo credor solicitado no PER, também não foram estornados do RAIPI quando do estorno relativo ao pedido de ressarcimento. 5.1.1.3 Correia: Indícios de tratarse de parte de máquinas (esteira transportadora e outras), classificáveis, em regra, em conta do Ativo Permanente. (...) Por indícios de consistirem em bens utilizados na fase de mineração do calcário, e portanto não pertencentes ao processo industrial de acordo com os conceitos do RIPI/2002, foram identificados [vários] itens. 5.1.3.1 Aditivos diversos 5.1.3.2 Concretos 5.1.4 Glosas por omissão injustificada de esclarecimentos (...) CONCLUSÃO Por todo o exposto, propomos que, do crédito total solicitado no PER/DCOMP de nº 27250.84341.240909.1.5.016464, seja deferido o montante de R$ 372.568,24, trezentos e setenta e dois mil, quinhentos e sessenta e oito reais e vinte e quatro centavos, tendo em vista as glosas efetuadas, devendo ainda, o contribuinte, proceder ao estorno de créditos indevidos junto ao RAIPI, no valor de R$ 683,00, tratandose de aquisições de itens de natureza não esclarecida pelo contribuinte, que, entretanto, não integraram o montante solicitado no PER acima referido” Da Impugnação A Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 294), rechaçando as glosas realizadas, e suscitando argumentos de linde constitucional contra o despacho decisório (razoabilidade, proporcionalidade) e reforçando a aplicação do principio da Fl. 547DF CARF MF Processo nº 14751.720041/201107 Acórdão n.º 3401005.367 S3C4T1 Fl. 548 4 nãocumulatividade do IPI, sem, no entanto, esclarecer os pontos levantados no Relatório Fiscal. De certo, ao final, juntou algumas notas fiscais, porém sem fazer qualquer análise ou correlação ao objeto da glosa, e alguns prospectos sobre o processo produtivo da contribuinte. Nada foi esclarecido quanto à contabilização da aquisição dos itens que foram objeto de glosa, nem juntado qualquer documento nesse particular. Da Decisão de 1ª Instância Como resultado, sobreveio o Acórdão 0957.254, exarado pela 3ª Turma da DRJ/JFA (fls. 365), através da qual não foi reconhecido o direito creditório pleiteado pela Contribuinte, nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009 IPI. RESSARCIMENTO DO SALDO CREDOR. IMPERTINÊNCIA DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. É de se tomar por improcedente a solicitação de ressarcimento/compensação quando o contribuinte não logra comprovar a legitimidade do pedido formulado. PEDIDO DE PERÍCIA. REQUISITOS NÃO ATENDIDOS. INDEFERIMENTO. É de se indeferir o pedido de perícia quando a providência solicitada se mostra desnecessária nos termos do artigo 18 do Decreto 70.235/72. Razões de direito não justificam tal pedido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignado, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, que veio a repetir os argumentos apresentados na impugnação e apresentar pedido de diligência para que reste evidenciado que os itens glosados participam do processo produtivo do cimento Portland: Fl. 548DF CARF MF Processo nº 14751.720041/201107 Acórdão n.º 3401005.367 S3C4T1 Fl. 549 5 É o relatório. Voto Conselheiro Tiago Guerra Machado Relator Da Admissibilidade O Recurso é tempestivo, uma vez que a ciência do Acordão ocorreu em 28.08.2015 (fl. 373) e o Recurso Voluntário foi protocolado em 29.09.2015 (fl 377 e seguintes), e reúne os demais requisitos de admissibilidade constantes na legislação; de modo que admito seu conhecimento. Fl. 549DF CARF MF Processo nº 14751.720041/201107 Acórdão n.º 3401005.367 S3C4T1 Fl. 550 6 Das Preliminares Quanto ao pedido de suspensão da exigibilidade do crédito, enquanto restar o presente processo pendente de decisão terminativa, nos termos do artigo 151, III do CTN; não há de se falar em exigibilidade do crédito tributário decorrente da não homologação do pleito. Quanto à alegação de nulidade em razão de a decisão a quo não ter acatado pedido de diligência, não há de prosperar. A DRJ não considerou que a Recorrente não havia juntado argumentos ou documentos suficientes que viessem a suscitar receio àquele colegiado. Vejamos: Ou seja, o escopo e as conclusões da auditoria restaram absoluta e totalmente claros a fim de permitir uma defesa completa, fundada em eventos muito bem explicitados pelo Auditor. Porém, a defesa pontual e específica que se esperava não veio. As glosas foram atacadas com frases vazias tais como “as limitações impostas com o objetivo de glosar o crédito da Impugnante além de serem injustas, são inconstitucionais, devendo ser rechaçadas de plano”. Pontos concretos não foram rechaçados; o enquadramento legal foi deixado em paz; a trilha operacional sequer foi citada. A única manifestação da contribuinte que minimamente se encaixa no arcabouço legal do Processo Administrativo Fiscal (Decreto 70.235/72) é o pedido de perícia formulado ao final da peça de inconformidade. Ora, o julgador de primeira instância, tendo em vista a inexistência de provas e argumentos que pudessem refutar os termos apresentados no Relatório Fiscal, valeuse do artigo 18, do Decreto 70.235/1972, e considerou desnecessária a perícia naquela oportunidade: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine Isso, per si, não representa cerceamento de defesa; o que ocorreu foi a inépcia da contribuinte em apresentar sua própria defesa técnica e em trazer um repertório probatório mínimo para ensejar a dúvida naquele colegiado. Portanto, pareceme que, inadvertidamente, o contribuinte cerceou sua própria defesa. Restando inexistente tal vício, não há de se falar em nulidade pois ausentes as hipóteses previstas no artigo 59, do Decreto 70.235/1972. Do Mérito Fl. 550DF CARF MF Processo nº 14751.720041/201107 Acórdão n.º 3401005.367 S3C4T1 Fl. 551 7 A Recorrente reprisa a abordagem realizada na Impugnação, trazendo poucos elementos adicionais que venham a esclarecer os questionamentos quanto a validade dos créditos de IPI decorrente da aquisição dos itens citados no relatório. Em verdade, o Recurso Voluntário apresentado apenas buscou definir, em poucas linhas, a utilização de cada item no processo produtivo. Ao final foram anexados diversos laudos técnicos, porém sem qualquer concatenação entre eles. Contudo, ainda que tais informações venham a esclarecer qual o uso do material adquirido com crédito de IPI, essa não foi a razão principal para a glosa, mas sim o fato que tais itens pareciam ser itens integrantes do ativo imobilizado da Recorrente. Em nenhum momento do processo, houve o esclarecimento dessa questão. Ou seja, a dúvida levantada pela Fiscalização remanesce e sem qualquer novo elemento trazido pela Recorrente. Dessa maneira, pelos mesmos fundamentos que a decisão indeferiu a diligência solicitada, igualmente nego a conversão do presente em diligencia por entender desnecessária nova produção de provas, eis que já encerrada essa fase processual, nos termos do artigo 18, do Decreto 70.235/1972. Por conseguinte, inexistindo arcabouço probatório bastante para reconhecer o direito creditório pleiteado, é de se negar provimento ao Recurso. Diante de todo o exposto, conheço da peça recursal, porém negolhe provimento. (assinado digitalmente) Tiago Guerra Machado Fl. 551DF CARF MF
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