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Numero do processo: 15540.720219/2011-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2007 a 31/12/2008
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. INADIMPLEMENTO.
Constatado o não-recolhimento, total ou parcial, de contribuições incidentes sobre as remunerações creditadas a segurados empregados e contribuintes individuais, cabe ao Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil efetuar o lançamento do crédito tributário correspondente.
TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÕES PARA OUTRAS ENTIDADES (TERCEIROS).
É devida a contribuição a Outras Entidades - Terceiros (Art. 3° da Lei 11.457/07 e Art. 33 da Lei 8.212/91, na redação da Lei 11.941/2009), incidentes sobre a remuneração paga aos segurados empregados.
SELIC.
Nos termos da Súmula CARF nº 4, a partir de 1o de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - Selic para títulos federais.
INCONSTITUCIONALIDADE.
Nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
MULTA BENIGNA.
Nos termos da Súmula CARF nº 119, no caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996.
Numero da decisão: 2301-005.621
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer das alegações de inconstitucionalidade de lei, e, na parte conhecida, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
João Bellini Junior - Presidente.
(assinado digitalmente)
Alexandre Evaristo Pinto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Mauricio Vital, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos (suplente convocado para completar a representação fazendária), Alexandre Evaristo Pinto, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada para substituir o conselheiro Antônio Sávio Nastureles, ausente justificadamente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Junior (Presidente). Ausente o conselheiro Antônio Sávio Nastureles.
Nome do relator: ALEXANDRE EVARISTO PINTO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/08/2007 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. INADIMPLEMENTO. Constatado o não-recolhimento, total ou parcial, de contribuições incidentes sobre as remunerações creditadas a segurados empregados e contribuintes individuais, cabe ao Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil efetuar o lançamento do crédito tributário correspondente. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÕES PARA OUTRAS ENTIDADES (TERCEIROS). É devida a contribuição a Outras Entidades - Terceiros (Art. 3° da Lei 11.457/07 e Art. 33 da Lei 8.212/91, na redação da Lei 11.941/2009), incidentes sobre a remuneração paga aos segurados empregados. SELIC. Nos termos da Súmula CARF nº 4, a partir de 1o de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - Selic para títulos federais. INCONSTITUCIONALIDADE. Nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA BENIGNA. Nos termos da Súmula CARF nº 119, no caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996.
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OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. INADIMPLEMENTO. Constatado o nãorecolhimento, total ou parcial, de contribuições incidentes sobre as remunerações creditadas a segurados empregados e contribuintes individuais, cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil efetuar o lançamento do crédito tributário correspondente. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÕES PARA OUTRAS ENTIDADES (TERCEIROS). É devida a contribuição a Outras Entidades Terceiros (Art. 3° da Lei 11.457/07 e Art. 33 da Lei 8.212/91, na redação da Lei 11.941/2009), incidentes sobre a remuneração paga aos segurados empregados. SELIC. Nos termos da Súmula CARF nº 4, a partir de 1o de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais. INCONSTITUCIONALIDADE. Nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA BENIGNA. Nos termos da Súmula CARF nº 119, no caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 54 0. 72 02 19 /2 01 1- 50 Fl. 547DF CARF MF 2 referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer das alegações de inconstitucionalidade de lei, e, na parte conhecida, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) João Bellini Junior Presidente. (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Mauricio Vital, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos (suplente convocado para completar a representação fazendária), Alexandre Evaristo Pinto, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada para substituir o conselheiro Antônio Sávio Nastureles, ausente justificadamente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Junior (Presidente). Ausente o conselheiro Antônio Sávio Nastureles. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente o lançamento fiscal com ciência em 31/08/2011 que constituíram créditos tributários de contribuição previdenciária patronal, a contribuição de terceiros, bem como a multa por apresentar as Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes a todos os fatos geradores. Seguem transcrições de trechos do acórdão recorrido: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2007 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. INADIMPLEMENTO. Constatado o nãorecolhimento, total ou parcial, de contribuições incidentes sobre as remunerações creditadas a segurados empregados e contribuintes individuais, cabe ao Fl. 548DF CARF MF Processo nº 15540.720219/201150 Acórdão n.º 2301005.621 S2C3T1 Fl. 3 3 AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil efetuar o lançamento do crédito tributário correspondente. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÕES PARA OUTRAS ENTIDADES (TERCEIROS). É devida a contribuição a Outras Entidades Terceiros (Art. 3° da Lei 11.457/07 e Art. 33 da Lei 8.212/91, na redação da Lei 11.941/2009), incidentes sobre a remuneração paga aos segurados empregados. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. O art. 61, caput e § 3º, c/c art. 5º, § 3º, da Lei nº 9.430/1996, que estabelecem a aplicação de juros moratórios com base na taxa SELIC para os débitos tributários não pagos até o vencimento, estão plenamente em vigor no ordenamento jurídico, devendo, portanto, ser aplicados. MULTA DE MORA. ART. 35, II, DA LEI 8.212/91, NA REDAÇÃO ANTERIOR À MP 449/08, CONVERTIDA NA LEI 11.941/09. RETROAÇÃO BENIGNA. Para fatos geradores ocorridos até 31/10/2008, deve ser aplicada a multa de mora de 24%, na forma do Art. 35, II, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 9.876/99, quando mais benéfica ao contribuinte, de acordo com o Art. 106, II, "c", do Código Tributário Nacional. MULTA DE OFÍCIO. OCORRÊNCIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO É correta a incidência da multa de ofício, quando configurados o não recolhimento das contribuições devidas e a apresentação de declaração inexata. Art. 35A, da Lei 8.212/91, acrescentado pela Lei 11.941/09. ART. 17 DO DEC. 70.235/72 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA A teor do Art. 17 do Decreto 70.235/72, que tem status de Lei Ordinária, a matéria não expressamente impugnada está preclusa. Necessidade da estabilização da relação jurídico processual no contencioso administrativo fiscal. Compatibilidade com a Legalidade Administrativa insculpida no Art, 37, caput, da Constituição da República. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. FATO EXTINTIVO. ÔNUS DA PROVA. A alteração do crédito tributário constituído deve se basear em fatos extintivos ou modificativos, argüidos como matéria de defesa, devidamente demonstrados pelo contribuinte mediante produção de provas. ILEGALIDADE/INCONSTITUCIONALIDADE O julgador no âmbito do contencioso administrativo não tem competência legal para apreciar e declarar ilegalidade ou inconstitucionalidade de dispositivo de Lei ou Decreto, frente ao sistema normativo. O controle da constitucionalidade é exercido, via de regra, pelo Poder Judiciário. Art. 26 a do Decreto 70.235/72 Fl. 549DF CARF MF 4 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário, onde reitera as alegações trazidas na impugnação: Entende que a Taxa Selic não pode ser aplicada, pois utiliza componentes e cálculos não especificamente previstos em lei, mas em norma do BACEN. Requer a aplicação da multa mais benéfica. Sustenta a nulidade do lançamento, tendo em vista que não houve uma adequada motivação e descrição dos fatos geradores. Afirma que a multa aplicada tem efeito confiscatório, não podendo prevalecer pois contraria o art. 150, inciso IV da Constituição Federal. Solicita a exclusão dos diretores como coresponsáveis por entender que não foram atendidos os requisitos dos arts. 134 e 135 do CTN. Alega que fez a opção pelo SIMPLES e nunca foi notificada de sua exclusão. O julgamento foi convertido em diligência para que esclarecimentos sobre o processo de exclusão do SIMPLES, em especial o contraditório sobre o indeferimento da inscrição (fls. 508 e ss). Em cumprimento à diligência, a fiscalização encaminhou ofício à Secretaria de Fazenda do Município de Itaporaí perguntando sobre o meio de comunicação do indeferimento da inscrição no SIMPLES NACIONAL e eventual abertura de processo administrativo (fls. 513 e ss). Em resposta, o Secretário Municipal de Fazenda informou que a comunicação era feita através do "Simples Deferimento" e que não houve recurso contra a decisão (fls. 523 e ss). Em 22 de setembro de 2016, a 1ª Turma da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF emitiu a Resolução n. 2301.000633 (fls. 527 e ss), convertendo o julgamento em diligência para que seja oportunizado ao recorrente o direito de manifestação sobre o resultado da diligência no prazo de 30 dias. A intimação se deu em 1º de dezembro de 2012 conforme comprovante de aviso de recebimento (fl. 536) É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Evaristo Pinto Fl. 550DF CARF MF Processo nº 15540.720219/201150 Acórdão n.º 2301005.621 S2C3T1 Fl. 4 5 O recurso é tempestivo, no entanto, no Recurso Voluntário é mencionada a potencial violação ao princípio da moralidade pela aplicação da multa agravada, o que implica em dizer que a referida multa é inconstitucional. Nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Diante do exposto, conheço em parte do recurso voluntário, não conhecendo da alegação de inconstitucionalidade. Da Questão do Agravamento da Multa e da Não Configuração da Reincidência Segundo o relatório da fiscalização, o agravamento da multa se deu por conta reincidência do contribuinte no mesmo tipo de infração, que seria a infração relativa a não contabilização de forma segregada das contribuições do segurado e da empresa, sendo que a reincidência pode ser observada pela existência de um Auto de Infração anterior. Diante do exposto, tratase de caso claro de subsunção do fato à norma, de modo que o agravamento da multa não pode ser afastado. Em que pese possa haver uma potencial falta de proporcionalidade entre a infração e a multa, o CARF não é órgão competente para um exame de proporcionalidade. Da Questão dos Juros Selic O uso da Taxa Selic como taxa de juros não pode ser afastado, pois trata de matéria pacificada no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) por meio do enunciado da Súmula nº 4 (Portaria MF no 383, publicada no DOU de 14/07/2010), abaixo transcrito, de observância obrigatória, por força do art. 45, VI, do Regimento Interno do CARF1, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015. Súmula CARF nº 4: A partir de 1o de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais. Ademais, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu com base na sistemática dos recursos repetitivos, que é legítima a aplicação da taxa SELIC aos débitos tributários, conforme ementa abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL SUBMETIDO À SISTEMÁTICA PREVISTA NO ART. 543C DO CPC. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. NÃO OCORRÊNCIA.REPETIÇÃO DE INDÉBITO. JUROS DE MORA PELA TAXA SELIC. ART. 39, § 4º, DA LEI 9.250/95. PRECEDENTES DESTA CORTE. 1 RICARF: Art. 45. Perderá o mandato o conselheiro que: ... VI deixar de observar enunciado de súmula ou de resolução do Pleno da CSRF, bem como o disposto no art. 62; Fl. 551DF CARF MF 6 1. Não viola o art. 535 do CPC, tampouco nega a prestação jurisdicional, o acórdão que adota fundamentação suficiente para decidir de modo integral a controvérsia. 2. Aplicase a taxa SELIC, a partir de 1º.1.1996, na atualização monetária do indébito tributário, não podendo ser cumulada, porém, com qualquer outro índice, seja de juros ou atualização monetária. 3. Se os pagamentos foram efetuados após 1º.1.1996, o termo inicial para a incidência do acréscimo será o do pagamento indevido; no entanto, havendo pagamentos indevidos anteriores à data de vigência da Lei 9.250/95, a incidência da taxa SELIC terá como termo a quo a data de vigência do diploma legal em tela, ou seja, janeiro de 1996. Esse entendimento prevaleceu na Primeira Seção desta Corte por ocasião do julgamento dos EREsps 291.257/SC, 399.497/SC e 425.709/SC. 4. Recurso especial parcialmente provido. Acórdão sujeito à sistemática prevista no art. 543C do CPC, c/c a Resolução 8/2008 Presidência/ STJ. (REsp 1111175 / SP, Relatora Ministra Denise Arruda, DJe. 01/07/2009) Multa e Retroatividade Benigna Nos termos da Súmula CARF nº 119, no caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Conclusão Com base no exposto, voto por conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo das alegações de inconstitucionalidade, e, na parte conhecida, negarlhe provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator Fl. 552DF CARF MF Processo nº 15540.720219/201150 Acórdão n.º 2301005.621 S2C3T1 Fl. 5 7 Fl. 553DF CARF MF
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Numero do processo: 11516.722376/2015-70
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/10/2010, 30/11/2010, 31/12/2010
CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. BASE DE CÁLCULO. INOCORRÊNCIA DE DESTINAÇÃO À RESERVA DE LUCROS DE INCENTIVOS FISCAIS. RECEITA PARA FINS DAS CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS.
A partir de 1º de janeiro de 2008, alteração havida na Lei das SA fez com que os créditos presumidos do ICMS, como subvenções para investimento, caso não fossem totalmente destinadas à formação da reserva de lucros de incentivos fiscais, compusessem a receita como base de cálculo para apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da Cofins não cumulativas.
No caso concreto, inexistiu trânsito de tais receitas para as referidas reservas, devendo tais valores serem tributados como receitas omitidas da base dessas contribuições.
Numero da decisão: 9303-007.622
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama (relatora), Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(Assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama Relatora.
(Assinado digitalmente)
Luis Eduardo de Oliveira Santos Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/10/2010, 30/11/2010, 31/12/2010 CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. BASE DE CÁLCULO. INOCORRÊNCIA DE DESTINAÇÃO À RESERVA DE LUCROS DE INCENTIVOS FISCAIS. RECEITA PARA FINS DAS CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. A partir de 1º de janeiro de 2008, alteração havida na Lei das SA fez com que os créditos presumidos do ICMS, como subvenções para investimento, caso não fossem totalmente destinadas à formação da reserva de lucros de incentivos fiscais, compusessem a receita como base de cálculo para apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da Cofins não cumulativas. No caso concreto, inexistiu trânsito de tais receitas para as referidas reservas, devendo tais valores serem tributados como receitas omitidas da base dessas contribuições.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/10/2010, 30/11/2010, 31/12/2010 CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. BASE DE CÁLCULO. INOCORRÊNCIA DE DESTINAÇÃO À RESERVA DE LUCROS DE INCENTIVOS FISCAIS. RECEITA PARA FINS DAS CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. A partir de 1º de janeiro de 2008, alteração havida na Lei das SA fez com que os créditos presumidos do ICMS, como subvenções para investimento, caso não fossem totalmente destinadas à formação da reserva de lucros de incentivos fiscais, compusessem a receita como base de cálculo para apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da Cofins não cumulativas. No caso concreto, inexistiu trânsito de tais receitas para as referidas reservas, devendo tais valores serem tributados como receitas omitidas da base dessas contribuições. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama (relatora), Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 23 76 /2 01 5- 70 Fl. 3242DF CARF MF 2 Tatiana Midori Migiyama – Relatora. (Assinado digitalmente) Luis Eduardo de Oliveira Santos – Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão nº 3402004.393, da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção, que, por: · Unanimidade de votos, negou provimento ao Recurso de Ofício e reconheceu a concomitância em relação aos juros sobre capital próprio; · Voto de qualidade, negou provimento ao recurso quanto a não incidência das contribuições sobre o crédito presumido de ICMS. O Colegiado a quo, assim, consignou a seguinte ementa (Grifos meus): “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/10/2010, 30/11/2010, 31/12/2010 CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. SUBVENÇÃO PARA CUSTEIO. RECEITA TRIBUTÁVEL A subvenção para custeio concedida pelo Governo do Estado de Santa Catarina na forma crédito presumido do ICMS se insere na definição de receita, devendo integrar a base de cálculo das contribuições não cumulativas para o PIS/Pasep e Cofins. CONCOMITÂNCIA. IDENTIDADE ENTRE O OBJETO DISCUTIDO NA INSTÂNCIA JUDICIAL E ADMINISTRATIVA. EXISTÊNCIA. RENÚNCIA A VIA ADMINISTRATIVA. Implica renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo, nos termos da Súmula CARF n. 1. EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. SUSPENSÃO. LANÇAMENTO SEM MULTA DE OFÍCIO. Presente, no momento da constituição do crédito tributário uma das hipóteses de suspensão de exigibilidade previstas nos incisos IV e V do artigo 151 do CTN, não cabe o lançamento da multa de ofício incidente sobre o tributo devido, conforme determina o artigo 63 da Lei n. 9.430/96. Fl. 3243DF CARF MF Processo nº 11516.722376/201570 Acórdão n.º 9303007.622 CSRFT3 Fl. 3.243 3 Insatisfeito, o sujeito passivo interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão, trazendo, entre outros, que: · Os créditos presumidos do ICMS são benefícios utilizados diretamente para reduzir o montante devido a título do próprio gravame estadual na sistemática da não cumulatividade; · O ADI SRF 25/03 explicitou que não há incidência de PIS e da Cofins sobre os valores recuperados a título de tributo pago indevidamente; ou seja, a administração fazendária exclui a recuperação de tributos do campo de incidência dos citados gravames, por se tratar de redutor de custos, e não de incremento advindo da atividade praticada pelos contribuintes; · O Congresso Nacional derrubou o veto presidencial aos arts. 9ª e 10 da LC 160/17, os quais introduziram alterações de forma a qualificar todos os incentivos e benefícios fiscais ou financeiros fiscal pertinentes ao ICMS como subvenções para investimento. Em Despacho às fls. 3171 a 3174, foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo. Contrarrazões ao recurso foram apresentadas pela Fazenda Nacional, que trouxe, entre outros, que: · Da descrição dessas contas contábeis, não é possível identificar a que tipo de subvenção se referem os valores registrados, se de custeio ou de investimento; · Ocorre que como não é todo e qualquer “crédito presumidos de ICMS” que pode ser considerado como sendo subvenção de investimento, para poder se utilizar do benefício fiscal, o contribuinte deve identificar em sua contabilidade a natureza dos ingressos ocorridos a esse título. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Tatiana Midori Migiyama Relatora Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, entendo que devo conhecêlo, eis que atendidos os pressupostos de admissibilidade de recurso previstos no art. 67 do RICARF/2015 – Portaria MF 343/2015 com alterações posteriores. O que concordo com o exame de admissibilidade constante em Despacho. Quanto ao mérito trazido em recurso, vêse que essa turma, independentemente da discussão se subvenção de investimento ou custeio, já havia consolidado Fl. 3244DF CARF MF 4 o entendimento de que o crédito presumido de ICMS não compõe a base de cálculo das contribuições ao PIS e Cofins. Frisemse as ementas do: · Acórdão 9303004.312: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2009 CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO. O valor apurado do crédito presumido do ICMS concedido pelos Estados e pelo Distrito Federal não integra a base de cálculo do PIS. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2009 CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO. O valor apurado do crédito presumido do ICMS concedido pelos Estados e pelo Distrito Federal não integra a base de cálculo da Cofins.” · Acórdão 9303005.454: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/03/2003 a 31/12/2005 CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO. O valor apurado do crédito presumido do ICMS concedido pelos Estados e pelo Distrito Federal não integra a base de cálculo do PIS. [...]. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/03/2003 a 31/12/2005 CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO. O valor apurado do crédito presumido do ICMS concedido pelos Estados e pelo Distrito Federal não integra a base de cálculo da Cofins. [...]” Fl. 3245DF CARF MF Processo nº 11516.722376/201570 Acórdão n.º 9303007.622 CSRFT3 Fl. 3.244 5 · Acórdão 9303005.503: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 30/04/2001 a 30/06/2004 SUBVENÇÕES ESTADUAIS. BENEFÍCIOS FISCAIS. NÃO CONFIGURAÇÃO DE RECEITA PARA FINS DE INCIDÊNCIA DO PIS E DA COFINS NO REGIME CUMULATIVO. A base de cálculo da Cofins é o faturamento que corresponde à receita bruta da venda de mercadorias, de serviços, mercadorias e serviços; o disposto no § 1°, do art. 3°, da Lei n° 9.718/98 foi afastado, por sentença transitada em julgado do STF. Logo, não incide PIS e COFINS sobre valores de créditos de ICMS, decorrentes de subvenção estadual. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS NO REGIME NÃO CUMULATIVO. IMPOSSIBILIDADE. De acordo com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ) o crédito presumido do ICMS não inclui a base de cálculo do PIS e da COFINS no regime não cumulativo por se configurar incentivo voltado á redução de custos.” · Acórdão 9303005.270: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 28/02/2002 a 31/01/2004 BASE DE CÁLCULO. LEI Nº 9.718, DE 1998. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. Em relação ao período que engloba o regime de apuração cumulativo do PIS/COFINS, as contribuições têm por base de cálculo o faturamento, cujo conceito já está consolidado pelo STF no sentido de compreender apenas as receitas decorrentes da venda de mercadorias e serviços. Desse modo, as subvenções não se consubstanciam em entradas financeiras decorrentes da venda de mercadorias ou serviços, logo, esses benefícios concedidos não integram a base de cálculo do PIS e da COFINS na sistemática cumulativa. · Acórdão 9303006.218: “[...] COFINS. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITO PRESUMIDO DO ICMS. Os créditos decorrentes do princípio da não cumulatividade do ICMS, apurados de forma presuntiva, não se constituem em Fl. 3246DF CARF MF 6 receitas da pessoa jurídica e não integram a base de cálculo da Cofins.” · Acórdão 9303005.783: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2001 a 31/08/2003, 01/10/2003 a 31/12/2004 CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO. O valor apurado do crédito presumido do ICMS concedido pelos Estados e pelo Distrito Federal não integra a base de cálculo da Cofins apurada no regime não cumulativo.” · Acórdão 9303005.400: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. NÃO INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO. Os créditos presumidos de ICMS concedidos pelos Governos Estaduais ao Contribuinte não se constituem em receita bruta, restando afastada a incidência do PIS e da COFINS do regime não cumulativo sobre os mesmos.” · Acórdão 9303005.399: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 PIS. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. NÃO INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO. Os créditos presumidos de ICMS concedidos pelos governos Estaduais ao Contribuinte não se constituem em receita bruta, restando afastada a incidência do PIS e da COFINS do regime nãocumulativo sobre os mesmos.” · Acórdão 9303005.398: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 PIS. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. NÃO INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO. Os créditos presumidos de ICMS concedidos pelos Governos Estaduais ao Contribuinte não se constituem em receita bruta, Fl. 3247DF CARF MF Processo nº 11516.722376/201570 Acórdão n.º 9303007.622 CSRFT3 Fl. 3.245 7 restando afastada a incidência do PIS e da COFINS do regime nãocumulativo sobre os mesmos.” · Acórdão 9303004.674: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/1999 a 30/09/2003 REGIME NÃOCUMULATIVO. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITOS INCENTIVADOS DE ICMS. Os créditos incentivados de ICMS, concedidos pelos Estados a setores econômicos ou regiões em que haja interesse especial, não se encartam no conceito e natureza de “receita” para fins de incidência das contribuições destinadas ao PIS e à COFINS, pois não constituem entrada de recursos que refletem aumento de riqueza em seu patrimônio, não podendo, serem assim considerados e, por conseguinte, não compõem a base de cálculo do PIS. Ademais, é de se trazer que, caso não se observe somente a discussão acerca do conceito e essência de receita para fins de afastálos da tributação das contribuições, temse que, como tais incentivos se enquadram como subvenções para investimento, vez que, por óbvio, são concedidos para se estimular a expansão de empreendimentos econômicos, as r. subvenções não devem ser tributadas pelo PIS, em respeito às mudanças normativas que envolveram tal evento ao longo do tempo Lei 6.404/76, PN CST 112/78, ICVM 59/86, DecretoLei 1.598/77, PN 2/78, Lei 11.941/09 e Lei 12.973/14 que, mantendo respeito à Primazia da Essência sobre a Forma e à segurança jurídica, trouxeram explicitamente que, para fins tributários, tais subvenções não seriam tributadas pelas contribuições, eis que consideraram que não possuem em sua essência "natureza" de receita, não devendo sofrer os efeitos tributários como tal, ainda que na forma fossem registradas como receita. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/1999 a 30/09/2003 REGIME NÃO CUMULATIVO. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITOS INCENTIVADOS DE ICMS. Os créditos incentivados de ICMS, concedidos pelos Estados a setores econômicos ou regiões em que haja interesse especial, não se encartam no conceito e natureza de “receita” para fins de incidência das contribuições destinadas ao PIS e à COFINS, pois não constituem entrada de recursos que refletem aumento de riqueza em seu patrimônio, não podendo, serem assim considerados e, por conseguinte, não compõem a base de cálculo da COFINS. Ademais, é de se trazer que, caso não se observe somente a discussão acerca do conceito e essência de receita para fins de Fl. 3248DF CARF MF 8 afastálos da tributação das contribuições, temse que, como tais incentivos se enquadram como subvenções para investimento, vez que, por óbvio, são concedidos para se estimular a expansão de empreendimentos econômicos, as r. subvenções não devem ser tributadas pela COFINS, em respeito às mudanças normativas que envolveram tal evento ao longo do tempo Lei 6.404/76, PN CST 112/78, ICVM 59/86, DecretoLei 1.598/77, PN 2/78, Lei 11.941/09 e Lei 12.973/14 que, mantendo respeito à Primazia da Essência sobre a Forma e à segurança jurídica, trouxeram explicitamente que, para fins tributários, tais subvenções não seriam tributadas pelas contribuições, eis que consideraram que não possuem em sua essência "natureza" de receita, não devendo sofrer os efeitos tributários como tal, ainda que na forma fossem registradas como receita.” Sendo assim, antes de me adentrar à essa discussão, importante recordar o art. 926 do NCPC, in verbis (Grifos meus): “Art. 926. Os tribunais devem uniformizar sua jurisprudência e mantêla estável, íntegra e coerente. [...]” Nesse caso, para manter a segurança jurídica em relação à esse entendimento que foi proferido em 2016, 2017 e recentemente em 2018, entendo que esse dispositivo deveria ser observado, em respeito ao art. 15 do NCPC (Grifos meus): “Art. 15. Na ausência de normas que regulem processos eleitorais, trabalhistas ou administrativos, as disposições deste Código lhes serão aplicadas supletiva e subsidiariamente.” Tais dispositivos subsumem ao caso concreto, vez que o próprio caput do art. 2º da Lei 9.784/99 traz que a Administração Pública obedecerá, dentre outros, ao princípio da segurança jurídica. E insurge em seu parágrafo único que nos processos administrativo serão observadas a segurança e respeito aos direitos dos administrados. Não obstante, trago, para melhor elucidar as questões de direito que sustentam meu entendimento. Na análise do caso vertente, considerando sua especificidade, devese dar observando os argumentos acolhidos pelo Colendo Supremo Tribunal Federal em recente julgado – Recurso Extraordinário 606.107 que tratou da incidência do PIS e COFINS sobre a transferência de saldos credores de ICMS. Eis que se enquadra “o conceito de receita trazido por aquele tribunal” perfeitamente ao presente caso. O que passo forçosamente a discorrer sobre aquele julgamento. O Plenário do Supremo Tribunal Federal julgou, na assentada de 22.5.2013, o RE 606.107, de relatoria da Ministra Rosa Weber, com repercussão geral reconhecida, definindo que os créditos de ICMS transferidos a terceiros por empresa exportadora não compõem a base de cálculo das contribuições para PIS e COFINS. É de se lembrar que o tema teve repercussão geral reconhecida, conforme segue (Grifos meus): “RECURSO EXTRAORDINÁRIO. VALORES DA TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITOS DE ICMS NA BASE DE Fl. 3249DF CARF MF Processo nº 11516.722376/201570 Acórdão n.º 9303007.622 CSRFT3 Fl. 3.246 9 CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. 1. A questão de os valores correspondentes à transferência de créditos de ICMS integrarem ou não a base de cálculo das contribuições PIS e COFINS nãocumulativas apresenta relevância tanto jurídica como econômica. 2. A matéria envolve a análise do conceito de receita, base econômica das contribuições, dizendo respeito, pois, à competência tributária. 3. As contribuições em questão são das que apresentam mais expressiva arrecadação e há milhares de ações em tramitação a exigir uma definição quanto ao ponto. 4. Repercussão geral reconhecida” (RE 606.107 – RG, Relatora a Ministra Ellen Gracie, DJ 20.8.2010). Continuando, é de se recordar que ao julgar o mérito desse RE, o Tribunal negou provimento à pretensão da União e definiu não incidirem as contribuições de PIS e de COFINS sobre créditos de ICMS transferidos a terceiros por empresas exportadoras. Não obstante o julgamento tenha tratado de empresa exportadora, impossível ignorar os fundamentos adotados, pois evidente válidos para o caso em questão. Sendo assim, retornando, temse que o Supremo Tribunal Federal afastou à época a cobrança das contribuições, baseando seu entendimento no fato de que tais créditos de ICMS representariam incentivo à exportação – e que não seriam passíveis de tributação pelas contribuições, pois não se acrescentariam nova riqueza. Trazendo, portanto, o conceito de receita para fins de apuração desses tributos. Compulsando aos autos do processo, notase que o crédito presumido do ICMS não se incorpora ao patrimônio do contribuinte – devendo ser afastado do conceito de receita. Insurgindo ao entendimento do Supremo Tribunal Federal no referido RE 606.107/RS de que o conceito constitucional de “receita bruta” pressupõe um “ingresso financeiro que se integra no patrimônio na condição de elemento novo e positivo, sem reservas ou condições” – peço licença para transcrever o voto da Min. Rosa Weber, para melhor aclarar: “Receita pública é a entrada que, integrandose no patrimônio público sem quaisquer reservas, condições ou correspondências no passivo, vem acrescer seu vulto, como elemento novo e positivo. ” Vêse, assim, esvaziada a discussão sobre qual seria a correta classificação contábil do referido crédito, haja vista que, independentemente da classificação contábil adotada, a Suprema Corte definiu o conceito constitucional de “receita bruta”, entendendo imprescindível a verificação, no caso concreto, se o ingresso se submete ou não a alguma espécie de condição, reserva ou contraprestação pela pessoa que o recebe/ou que tenha direito – e se configura como elemento novo positivo. Para melhor elucidar tal entendimento, impõese a transcrição de trecho da ementa do referido julgado, in verbis (Grifos meus): “(...) Fl. 3250DF CARF MF 10 V – O conceito de receita, acolhido pelo art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, não se confunde com o conceito contábil. Entendimento, aliás, expresso nas Leis 10.637/02 (art. 1º) e Lei 10.833/03 (art. 1º), que determinam a incidência da contribuição ao PIS/PASEP e da COFINS não cumulativas sobre o total das receitas, “independentemente de sua denominação ou classificação contábil”. Ainda que a contabilidade elaborada para fins de informação ao mercado, gestão e planejamento das empresas possa ser tomada pela lei como ponto de partida para a determinação das bases de cálculo de diversos tributos, de modo algum subordina a tributação. A contabilidade constitui ferramenta utilizada também para fins tributários, mas moldada nesta seara pelos princípios e regras próprios do Direito Tributário. Sob o específico prisma constitucional, receita bruta pode ser definida como o ingresso financeiro que se integra no patrimônio na condição de elemento novo e positivo, sem reservas ou condições. (...)” (grifouse)” Na mesma seara, ALIOMAR BALEEIRO no livro “Uma introdução é Ciência das Finanças” havia tratado tal conceito da mesma forma que o julgado no STF ao manifestar: "Receita pública é a entrada que, integrandose no patrimônio público sem quaisquer reservas, condições ou correspondência no passivo, MI, acrescer o seu vulto, como elemento novo e positivo. Frisese também o entendimento de Aires Barreto em seu artigo “A nova Cofins: primeiros apontamentos” contemplado na saudosa Revista Dialética de Direito Tributário: "receita é [...] a entrada que, sem quaisquer reservas, condições ou correspondência no passivo, se integra ao patrimônio da empresa, acrescendoo, incrementandoo„", Cabe trazer, em consonância com esses entendimentos, além do referido precedente do STF – firmado sob a sistemática do artigo 543B do CPC, a jurisprudência pacífica de ambas as Turmas de Direito Público do Superior Tribunal de Justiça, como inclusive ressaltado pelos Ministros Teori Albino Zavascki e Luiz Fux ao proferirem seus votos (Grifos meus): “CRÉDITO PRESUMIDO. ICMS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. BENEFÍCIO FISCAL. RESSARCIMENTO DE CUSTOS. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. TESE DOS "CINCO MAIS CINCO". LC Nº 118/2005. APLICAÇÃO RETROATIVA. IMPOSSIBILIDADE. I "Sobre a prescrição da ação de repetição de indébito tributário de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a jurisprudência do STJ (1ª Seção) assentou o entendimento de que, no regime anterior ao do art. 3º da LC 118/05, o prazo de cinco anos, previsto no art. 168 do CTN, tem início, não na data do recolhimento do tributo indevido, e sim na data da Fl. 3251DF CARF MF Processo nº 11516.722376/201570 Acórdão n.º 9303007.622 CSRFT3 Fl. 3.247 11 homologação – expressa ou tácita – do lançamento. Assim, não havendo homologação expressa, o prazo para a repetição do indébito acaba sendo de dez anos a contar do fato gerador. A norma do art. 3º da LC 118/05, que estabelece como termo inicial do prazo prescricional, nesses casos, a data do pagamento indevido, não tem eficácia retroativa. É que a Corte Especial, ao apreciar Incidente de Inconstitucionalidade no Eresp 644.736/PE, sessão de 06/06/2007, declarou inconstitucional a expressão "observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional", constante do art. 4º, segunda parte, da referida Lei Complementar. (REsp nº 890.656/SP, Rel. Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI, DJ de 20/08/07). II O Estado do Rio Grande do Sul concedeu benefício fiscal às empresas gaúchas, por meio do Decreto Estadual nº 37.699/97, para que pudessem adquirir aço das empresas produtoras em outros estados, aproveitando o ICMS devido em outras operações realizadas por elas, limitado ao valor do respectivo frete, em atendimento ao princípio da isonomia. III. Verificase que, independentemente da classificação contábil que é dada, os referidos créditos escriturais não se caracterizam como receita, porquanto inexiste incorporação ao patrimônio das empresas industriais, não havendo repasse dos valores aos produtos e ao consumidor final, pois se trata de mero ressarcimento de custos que elas realizam com o transporte para a aquisição de matériaprima em outro estado federado. IV. Não se tratando de receita, não há que se falar em incidência dos aludidos créditospresumidos do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. V Recurso especial improvido. ” (Grifouse) (RESP nº 1.025.833 / RS, 1ª Turma do STJ, Rel. Min. Francisco Falcão, Publicado no DJe do dia 17.11.2008) ” Consonante a esse entendimento, disse o Ministro Luiz Galloti no julgamento do RE 71.758: “Se a lei pudesse chamar de compra e venda o que não é compra, de exportação o que não é exportação, de renda o que não é renda, ruiria todo o sistema tributário inscrito na Constituição”. Sendo assim, temse claro que a discussão, de per si, gira em torno da abrangência dos conceitos de receita e faturamento para fins de base de cálculo do PIS e da COFINS. Para melhor compreensão e por não considerar tal benefício como receita, podese ainda aproveitar para decompor a norma tributária que trata da incidência do PIS e da Cofins, invocando a Regra Matriz de Incidência Tributária: Fl. 3252DF CARF MF 12 1. 1ª Regra Matriz – relação obrigacional Autoridade Fazendária/Contribuinte: 1.1. Hipótese: Critério Material: auferir receita. Critério Espacial: perímetro nacional; Critério temporal: mensal 1.2. Consequente: Critério Pessoal: (i) sujeito ativo – via “autoridade fazendária”; (ii) sujeito passivo – quem aufere receita bruta. Critério Quantitativo: alíquota de 3,65% sobre a receita bruta 2. 2ª Regra Matriz – dever de lançamento pela Administração: Hipótese: Critério Material: ser autoridade fazendária Critério Espacial: perímetro nacional; Critério Temporal: até o último dia útil da primeira quinzena subsequente ao de ocorrência dos correspondentes fatos geradores. Consequente: Critério Pessoal: Estado – autoridade fazendária Critério Prestacional: realizar o lançamento 3. 3ª Regra matriz: sancionadora do não pagamento Hipótese: Critério material: não pagar a importância devida; Critério Espacial: perímetro nacional Critério temporal: até o último dia útil da primeira quinzena subsequente ao de ocorrência dos correspondentes fatos geradores Consequente: Critério pessoal: autoridade fazendária e pessoa jurídica que aufere receita bruta Critério Prestacional: pagar com multa e juros de mora. Depreendendose da análise da regra matriz de incidência, é possível identificar que o critério material constante da 1ª Regra Matriz de Incidência Tributária somente se satisfaz para quem efetivamente aufere receita. O que, na hipótese dos autos não se deve chegar ao questionamento de que a lei não previu sua exclusão e que, portanto, deverseia tributar o referido crédito presumido do ICMS pelo PIS e Cofins pois de receita auferida não se trata. Tais créditos presumidos devem Fl. 3253DF CARF MF Processo nº 11516.722376/201570 Acórdão n.º 9303007.622 CSRFT3 Fl. 3.248 13 ser tratados como mero benefício fiscal concedidos pelos EstadosMembros como meio de estabelecer equilíbrio de mercado. Indiscutível que seu efeito econômico, portanto, não caracteriza nova riqueza. O crédito presumido do ICMS não ostenta natureza de receita ou faturamento, não integrando, portanto, a base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS. Ora, no que tange ao conceito contábil de receita, o CPC 30 traz (Grifos meus): “[...] Objetivo A receita é definida no Pronunciamento Conceitual Básico Estrutura Conceitual para Elaboração e Divulgação de Relatório ContábilFinanceiro como aumento nos benefícios econômicos durante o período contábil sob a forma de entrada de recursos ou aumento de ativos ou diminuição de passivos que resultam em aumentos do patrimônio líquido da entidade e que não sejam provenientes de aporte de recursos dos proprietários da entidade. [...] 7. Neste Pronunciamento são utilizados os seguintes termos com os significados especificados a seguir: Receita é o ingresso bruto de benefícios econômicos durante o período observado no curso das atividades ordinárias da entidade que resultam no aumento do seu patrimônio líquido, exceto os aumentos de patrimônio líquido relacionados às contribuições dos proprietários. [...]” Vêse claro que o conceito de receita trazido pelo CPC 30 é consonante com o manifestado pelo STF quando especifica, em síntese, que receita é o ingresso de recursos que resulta em aumento do patrimônio líquido da entidade. O que resta, nessas fundamentações, concluir que tal incentivo não poderia ser contabilizado como receita e, por conseguinte, não comporia a base das contribuições. E, caso se pretenda ignorar os dizeres do CPC 30 Receitas, alegando se tratar de norma contábil sem implicação tributária, cabe trazer o art. 58 da Lei 12.973/14: “DAS DEMAIS DISPOSIÇÕES RELATIVAS À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA Art. 58. A modificação ou a adoção de métodos e critérios contábeis, por meio de atos administrativos emitidos com base em competência atribuída em lei comercial, que sejam posteriores à publicação desta Lei, não terá implicação na apuração dos tributos federais até que lei tributária regule a matéria. Fl. 3254DF CARF MF 14 Parágrafo único. Para fins do disposto no caput, compete à Secretaria da Receita Federal do Brasil, no âmbito de suas atribuições, identificar os atos administrativos e dispor sobre os procedimentos para anular os efeitos desses atos sobre a apuração dos tributos federais.” Com tal dispositivo, fica evidente que as normas contábeis publicadas anteriormente à Lei 12.973/14 devem ser observadas para fins de registro contábil, produzindo, inclusive, efeitos tributários. O que é o caso do CPC 30 Receitas. Esse dispositivo somente explicitou o que as normas contábeis internacionais já defendiam – a primazia da essência sobre a forma. Tal teoria é de suma importância aos investidores que suplicavam pela transparência dos eventos e dos reflexos negociais que uma empresa vivenciava. Para eles, a contabilidade deveria refletir o que de fato, no sentido econômico, a empresa estava vivenciando. E, para melhor transmitir essas informações, independentemente da forma legal em que os negócios eram fechados ou contratados, a contabilidade deveria considerar o substrato econômico de cada evento – podendo, assim, o investidor conhecer os efetivos riscos de sua participação naquela empresa. O art. 58 da Lei 12.973/14 nada mais fez do que explicitar o respeito a ser dado às normas internacionais de contabilidade que, por sua vez, trazem como princípio basilar a Primazia da Essência sobre a Forma. E, recordase, por esse princípio basilar, tais incentivos não devem ser considerados como receita. Sendo assim, em respeito à Regra Matriz de incidência das contribuições ao PIS e à Cofins, bem como à análise da essência do crédito de ICMS, não há que se falar em tributação, pois forçoso tributálos pelas r. contribuições – encartandoos como receita. Frisese também outra jurisprudência deste Conselho, conforme julgado pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara dessa 3ª Seção, que analisou situação idêntica, cuja ementa restou redigida (Grifos meus): “[...] PIS NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS DO ICMS. BASE DE CÁLCULO. Não incide PIS sobre os valores de créditos de ICMS, obtidos em razão de subvenção estadual, uma vez sua natureza jurídica não se revestir de receita. Recurso Voluntário Provido” (grifouse) (Acórdão nº 340300.799, P.A. 10283.000091/200521, Rel. Cons. Winderley Morais Pereira, julgado em 03.02.2011)” E o posicionamento exarado pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara desta 3ª Seção no acórdão abaixo transcrito4: “(...) “NÃOCUMULATIVIDADE. BASE DE CÁLCULO. INCENTIVO FISCAL ESTADUAL. REDUÇÃO NA APURAÇÃO DO ICMS DEVIDO. NÃO INCLUSÃO. Não compõe o faturamento ou receita bruta, para fins de tributação da Cofins e do PIS, o valor do incentivo fiscal Fl. 3255DF CARF MF Processo nº 11516.722376/201570 Acórdão n.º 9303007.622 CSRFT3 Fl. 3.249 15 concedido pelo Estado sob a forma de crédito escritural, para redução na apuração do ICMS devido. Recurso Voluntário Provido em Parte.” (Grifouse) (Acórdão nº 3401001.976, P.A. 11618.000542/200563, Redator para acórdão Conselheiro Emmanuel Carlos Dantas de Assis, julgado em 26.09.2012)” Em vista do exposto, é de se já reconhecer que os créditos incentivados de ICMS concedidos não constituem “receita” para fins de incidência das contribuições destinadas ao PIS e à COFINS, na linha do entendimento do Supremo Tribunal Federal ao julgar o RE 606.107/RS, do CPC 30 e do art. 58 da Lei 12.973/14 – pois o crédito de ICMS não se constitui em entrada de recursos passível de registro em contas de resultado, não podendo ser assim considerado, eis que não se acresce ao patrimônio da entidade e, por conseguinte, não compõe a base de cálculo das contribuições. Proveitoso, nessa linha, recordar o decidido pelo STJ, que se manifestou no sentido de que o crédito presumido deve ser sempre entendido como redutor de custos e não como efetivo ingressos de receitas. Ilustram precedentes da Primeira e da Segunda Turmas da Primeira Seção daquela Corte: “TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. PRECEDENTES. 1. As Turmas da Primeira Seção desta Corte firmaram entendimento no sentido de que os valores provenientes do crédito do ICMS não ostentam natureza de receita ou faturamento, mas de recuperação de custos na forma de incentivo fiscal concedido pelo governo para desoneração das operações, de forma que não integram a base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS. Precedentes: AgRg no REsp 1.363.902/RS, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, DJe 19/08/2014 e AgRg no AREsp 509.246/PR, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, DJe 10/10/2014. 2. Agravo regimental a que se nega provimento. (AgRg no AREsp 596.212/PR, Rel. Ministro SÉRGIO KUKINA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 16/12/2014, DJe 19/12/2014) (grifouse) TRIBUTÁRIO. CRÉDITO PRESUMIDO. ICMS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. BENEFÍCIO FISCAL. RESSARCIMENTO DE CUSTOS. 1. A controvérsia dos autos diz respeito à inexigibilidade do PIS e da COFINS sobre o crédito presumido do ICMS decorrente do Decreto n. 2.810/01. 2. O crédito presumido do ICMS consubstanciase em parcelas relativas à redução de custos, e não à obtenção de receita nova oriunda do exercício da atividade empresarial como, verbigratia, venda de mercadorias ou de serviços. 3. "Não se tratando de receita, não há que se falar em incidência dos aludidos créditos presumidos do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS." Fl. 3256DF CARF MF 16 (REsp 1.025.833/RS, Rel. Min. Francisco Falcão, Primeira Turma, julgado em 6.11.2008, DJe 17.11.2008.) Agravo regimental improvido. (AgRg no REsp 1229134/SC, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 26/04/2011, DJe 03/05/2011) (grifouse)” No que tange à discussão sobre a contabilização e regras de tributação da subvenção de investimento, passo também a evoluir sobre o assunto. Caso ignorássemos a discussão acerca do conceito jurídico e contábil de receita e partíssemos para outra discussão – se subvenção para custeio ou se subvenção para investimento entendo que, ainda assim, não deverseia tributar tais créditos para fins de PIS e Cofins, eis que os r. créditos se enquadrariam perfeitamente no conceito de subvenção para investimento, haja vista que, por óbvio, tais incentivos são concedidos para se estimular a expansão de empreendimentos econômicos – incentivos do Estado a setores econômicos ou regiões em que haja interesse especial. E, assim, sendo subvenções para investimentos, não constituem lucro, eis que deverão ser contabilizadas em reservas de capital. Para melhor elucidar, trago o art. 182, § 1º, alínea “d”, da Lei 6.404/76 (Grifos meus): “Art. 182. A conta do capital social discriminará o montante subscrito e, por dedução, a parcela ainda não realizada. § 1º. Serão classificadas como reservas de capital as contas que registrarem: a) a contribuição do subscritor de ações que ultrapassar o valor nominal e a parte do preço de emissão das ações sem valor nominal que ultrapassar a importância destinada à formação do capital social, inclusive nos casos de conversão em ações de debêntures ou partes beneficiárias; b) o produto da alienação de partes beneficiárias e bônus de subscrição; c) o prêmio recebido na emissão de debêntures; d) as doações e as subvenções para investimento. [...]” Continuando, o PN CST 112/78 traz que a subvenção para investimento corresponde efetivamente a uma transferência de recursos do Poder Público para uma pessoa jurídica com a finalidade de darlhe suporte para aplicação específica em bens e serviços para “expandir empreendimentos econômicos” – o que é o caso vertente. Eis o que traz o PN (Grifos meus): “[...] 2.11 – Uma das fontes para se pesquisar o adequado conceito de SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO é o Parecer Normativo CST nº 2/78 (DOU de 16.01.78). No item 5.1. do Parecer encontramos, por exemplo, menção de que a SUBVENÇÃO para INVESTIMENTO seria destinada à aplicação em bens ou Fl. 3257DF CARF MF Processo nº 11516.722376/201570 Acórdão n.º 9303007.622 CSRFT3 Fl. 3.250 17 direitos. Já no item 7, subentendese um confronto entre as SUBVENÇÕES PARA CUSTEIO ou OPERAÇÃO e as SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO, tendo sido caracterizadas as primeiras pela não vinculação a aplicações específicas. Já o Parecer Normativo CST nº 143/73 (DOU de 16.10.73), sempre que se refere a investimento complementao com a expressão em ativo fixo. Desses subsídios podemos inferir que SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO é a transferência de recursos para uma pessoa jurídica com a finalidade de auxiliála, não nas suas despesas, mais sim, na aplicação específica em bens ou direitos para implantar ou expandir empreendimentos econômicos. Essa concepção está inteiramente de acordo com o próprio § 2º do art. 38 do DL 1.598/77. 2.12 – Observase que a SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO apresenta características bem marcantes, exigindo até mesmo perfeita sincronia de intenção do subvencionador com a ação do subvencionado. Não basta apenas o “animus‟de subvencionar para investimento. Impõese, também, a efetiva e específica aplicação da subvenção, por parte do beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado. Por outro lado, a simples aplicação dos recursos decorrentes de subvenção em investimentos não autoriza a sua classificação como SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. [...]” E tal subvenção deve ser registrada em contas de reserva de capital, ainda em respeito à Nota Explicativa da ICVM 59/86: “As reservas de capital representam acréscimos efetivos aos ativos da companhia que não foram originados dos lucros auferidos em suas operações, por não representarem efeitos de seus próprios esforços, mas assim de contribuições de acionistas ou de terceiros para o patrimônio líquido da companhia com o fim de propiciar recursos para o capital (em sentido amplo), inclusive contribuições governamentais sob a forma de subvenções por incentivos fiscais. (...) Quanto às doações e subvenções, fazemse necessários alguns comentários adicionais. As doações recebidas pela companhia poderão ser em bens (imóveis, móveis) ou direitos. A contabilização de bens doados, tendo como contrapartida uma conta de reserva de capital, deve ser feita a valor de mercado pelo valor que custaria adquirir o bem recebido em doação. Em relação às subvenções recebidas pela companhia, elas podem ser classificadas em dois tipos diferentes: subvenções para investimento e subvenções para custeio. As subvenções para investimento são registradas contabilmente como reserva de capital. Normalmente, referemse a valores de que a companhia se beneficia a título de devolução, isenção ou redução de impostos devidos, ou de valores recebidos destinados à expansão de suas atividades, sob a forma de investimentos para capital fixo ou capital de giro. É o caso, por exemplo, de devolução de IPI ou ICMS e de isenção temporária Fl. 3258DF CARF MF 18 de imposto de renda como incentivo regional ou setorial. As subvenções para custeio são constituídas por auxílio financeiro comumente recebido de forma periódica pela companhia para fazer face às suas despesas, insuficientemente cobertas pelas receitas de suas operações (tarifas). São, contabilmente, classificadas como receita extraordinária. É exemplo típico o caso das ferrovias brasileiras.” Tais normas estão em conformidade com o art. 38 do DecretoLei 1.598/77: “Art 38 Não serão computadas na determinação do lucro real as importâncias, creditadas a reservas de capital, que o contribuinte com a forma de companhia receber dos subscritores de valores mobiliários de sua emissão a título de: [...] § 2º As subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, e as doações, feitas pelo Poder Público, não serão computadas na determinação do lucro real, desde que: (Redação dada pelo Decretolei nº 1.730, 1979) a) registradas como reserva de capital.[...]” Tal dispositivo esclarece que devem ser registradas como “reserva de capital”, e não como receitas. Frisese tal entendimento o Parecer Normativo CST 2/1978 que contempla que as subvenções que integram a receita bruta operacional da pessoa jurídica beneficiária são aquelas destinadas ao custeio, não alcançando as que se destinem a investimentos. O que, em breve síntese, com tal registro – não haveria como considerarmos o crédito presumido do ICMS na base de cálculo do PIS e Cofins. Não obstante ao meu entendimento, considerando que invocamos anteriormente a Lei 12.973/14, proveitoso trazer que tal lei trouxe disposições alterando as Leis 10.637/02 e Lei 10.833/03 (Grifos meus): “[...] Art. 1º................................. [...] § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: X de subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos, concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos e de doações feitas pelo poder público; [...]” Tal alteração, nos termos do art. 119 da Lei 12.973/14, passaria a produzir efeitos a partir de 1º de janeiro de 2015. Fl. 3259DF CARF MF Processo nº 11516.722376/201570 Acórdão n.º 9303007.622 CSRFT3 Fl. 3.251 19 Somente pela leitura desse dispositivo, para um intérprete não questionador/indagador, poderseia antecipar que apenas a partir de 1º de janeiro de 2015 as “receitas” de subvenções para investimento não integram a contribuição para o PIS e Cofins. Não obstante, caso assim pensássemos – dessa forma singela estaríamos ignorando a própria Lei 12.973/14 (art. 58), o DecretoLei 1.598/77, o PN e a Nota Explicativa CVM 59/86 – que trazem que tais incentivos não devem ser registrados como receita, mas como reserva de capital. O que, cabe aos profissionais de direito e de contabilidade interpretar essa disposição, visando a segurança jurídica que tanto pede o sujeito passivo. Sendo assim, para que não haja confusão normativa – normas tributárias e normas contábeis, é de se entender que o que fez a Lei 12.973/14 ao trazer “a exclusão da receita de subvenção de investimento para fins de tributação pelo PIS e Cofins não cumulativo” foi esclarecer que, independentemente da contabilização, ainda que como receita, a subvenção para investimento não seria passível de tributação pelo PIS, Cofins, IR e CSLL. Ou seja, que mesmo sendo registrada como “receita” – em respeito à neutralidade concedida quando do advento da Lei que trouxe o RTT, não seria passível de tributação pelos tributos. Nesse sentido, a subvenção de investimento não deveria sofrer a tributação para fins de PIS e Cofins incidentes sobre essa “receita”, se assim for registrada – eis a neutralidade fiscal concedida. Ademais, cabe manifestar que, considerando que o STF tem invocado constantemente o conceito de receita, já descrita anteriormente, para fins de afastar a tributação pelo PIS, Cofins, IR e CS de determinados “ingressos” ou simplesmente “créditos presumidos” em eventos específicos, é de se respeitar tal conceituação predominante para interpretar as disposições legais, superando conflitos de normas dentro da própria norma (por exemplo, na Lei 12.973/14). Recordo que no último julgado do STF onde se analisou o computo do ICMS na base de cálculo do PIS e Cofins, tal conceito foi invocado para se afastar o ICMS da tributação dessas contribuições. Ademais, é de se invocar os precedentes o STJ – no REsp 1.025.833/RS e REsp 596.212/PR. Não obstante a toda argumentação exposta, proveitoso trazer a LC 160/17, que trouxe em seu art. 9º: “Art. 9º O art. 30 da Lei no 12.973, de 13 de maio de 2014, passa a vigorar acrescido dos seguintes §§ 4o e 5o: (Parte mantida pelo Congresso Nacional) "Art. 30. .................................................................................. § 4o Os incentivos e os benefícios fiscais ou financeirofiscais relativos ao imposto previsto no inciso II do caput do art. 155 da Constituição Federal, concedidos pelos Estados e pelo Distrito Federal, são considerados subvenções para investimento, vedada a exigência de outros requisitos ou condições não previstos neste artigo. § 5o O disposto no § 4o deste artigo aplicase inclusive aos processos administrativos e judiciais ainda não definitivamente julgados." Fl. 3260DF CARF MF 20 E a informação de que o único Estado que até o momento que não convalidou os atos que trataram de incentivos fiscais foi o da Amazonas. Ora, constatase que, quanto a publicidade dos incentivos, apenas o Estado do Amazonas se recusou a apresentar sua lista; ingressando, inclusive, com Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI 5.902, buscando afastar a Lei Complementar 160/2017 e Convênio 190/17 do CONFAZ, sem os quais os benefícios concedidos sem convenio seriam considerados nulos. Ademais, sendo, nos termos da LC 160 e, conforme documentos acostados, à época dos fatos, estava em plena vigência, o parágrafo único do art. 21 da Lei 11.941/09 (Grifos meus): “Art. 21. As opções de que tratam os arts. 15 e 20 desta Lei, referentes ao IRPJ, implicam a adoção do RTT na apuração da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS. (Vide Medida Provisória nº 627, de 2013) (Vigência) (Revogado pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) Parágrafo único. Para fins de aplicação do RTT, poderão ser excluídos da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, quando registrados em conta de resultado: I – o valor das subvenções e doações feitas pelo poder público, de que trata o art. 18 desta Lei; e II – o valor do prêmio na emissão de debêntures, de que trata o art. 19 desta Lei.” Vêse que o parágrafo único do art. 21, inciso I, da Lei 11.941/09 traz “o valor das subvenções e doações feitas pelo poder público, de que trata o art. 18 desta Lei;”. Esse dispositivo apenas faz referência ao valor das subvenções para investimento. Não há como interpretar que esse dispositivo ainda trouxe a restrição da “destinação diversa da reserva de incentivo” (distribuição de dividendos) para fins de PIS e Cofins, tal como fez para o IRPJ e a CSLL. Tanto é assim, que a Lei 12.973/14 deixou mais claro que a restrição da “destinação diversa” da reserva de incentivo somente tem implicação para o IRPJ e a CSLL. Eis o art. 30 da Lei 12.973/14 – que, recordando, somente se aplica ao IRPJ e a CSLL (Grifos meus): “Art. 30. As subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos, concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos e as doações feitas pelo poder público não serão computadas na determinação do lucro real, desde que seja registrada em reserva de lucros a que se refere o art. 195A da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, que somente poderá ser utilizada para: (Vigência) I absorção de prejuízos, desde que anteriormente já tenham sido totalmente absorvidas as demais Reservas de Lucros, com exceção da Reserva Legal; ou Fl. 3261DF CARF MF Processo nº 11516.722376/201570 Acórdão n.º 9303007.622 CSRFT3 Fl. 3.252 21 II aumento do capital social. § 1o Na hipótese do inciso I do caput, a pessoa jurídica deverá recompor a reserva à medida que forem apurados lucros nos períodos subsequentes. § 2o As doações e subvenções de que trata o caput serão tributadas caso não seja observado o disposto no § 1o ou seja dada destinação diversa da que está prevista no caput, inclusive nas hipóteses de: I capitalização do valor e posterior restituição de capital aos sócios ou ao titular, mediante redução do capital social, hipótese em que a base para a incidência será o valor restituído, limitado ao valor total das exclusões decorrentes de doações ou subvenções governamentais para investimentos; II restituição de capital aos sócios ou ao titular, mediante redução do capital social, nos 5 (cinco) anos anteriores à data da doação ou da subvenção, com posterior capitalização do valor da doação ou da subvenção, hipótese em que a base para a incidência será o valor restituído, limitada ao valor total das exclusões decorrentes de doações ou de subvenções governamentais para investimentos; ou III integração à base de cálculo dos dividendos obrigatórios.” A Lei 12.973/14 trouxe dispositivo separado para fins de PIS e Cofins para sanar todas as dúvidas de que a restrição de “destinação diversa (distribuição de dividendos) da reserva de incentivo não traz implicação para fins de PIS e Cofins – eis o dispositivo (Grifos meus): “Art. 55. A Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, passa a vigorar com as seguintes alterações: (Vigência) [...] § 3o ............................................................................. .............................................................................................. [...] IX de subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos, concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos e de doações feitas pelo poder público;” Vêse claro que, para fins de se evitar interpretações equivocadas, a Lei 12.973/14 trouxe dispositivo diferente para fins de PIS e Cofins que, por sua vez, nem faz referência ao art. 30 da r. Lei esse último dispositivo é aplicável somente ao IRPJ e CSLL e para tais tributos traz implicação tributária se for dada destinação diversa para a reserva de incentivo fiscal. Sendo assim, entendo que para fins de PIS e Cofins não há como se entender que tal valor seria tributável somente porque foi registrado como “receita” ou foi dada Fl. 3262DF CARF MF 22 destinação diversa para a reserva de incentivo, vez que à época havia disposição legal trazendo que se foi assim registrado deveria, então, ser excluído da sua base de cálculo e a destinação diversa somente traria implicação tributária para fins de IRPJ e CSLL, e não para fins de PIS e Cofins, observando os dizeres da própria legislação à época dos fatos geradores. E clarificada pela Lei 12.973/14. Em vista do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo. É o meu voto. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Voto Vencedor Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Redator designado Introdução Em que pese a clareza dos fundamentos apresentados pela Ilustre Conselheira Relatora, peço vênia para dela discordar, nos termos a seguir colocados. Contextualização do Problema Tratase da discussão acerca do tratamento tributário dado a subvenções deferidas pelo Poder Público Estadual a contribuintes sujeitos a tributos federais. Resumidamente, é discutido se o valor recebido integra, ou não, a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins. Para deslinde da questão, é necessário conhecer os conceitos de subvenção para custeio e para investimento e seu tratamento fiscal ao longo do tempo. Assim, de forma resumida, encontramse apresentados, a seguir, separadamente o referido tratamento em três períodos distintos: (a) durante a vigência da redação original da Lei n° 6.404, de 1976 (Lei das S/A) até o advento da Lei n° 11.638, de 2007, lembrando que nesse período, a partir do biênio 2003/2004 conviveram, durante esse período, as sistemáticas cumulativa e não cumulativa das contribuições sob análise; (b) durante a vigência do Regime Tributário de Transição, instituído pela Lei n° 11.941, de 2009, de 2008 a 2014; e (c) a partir da vigência da Lei n° 12.973, de 2014. Ainda será necessário analisar os efeitos da Lei Complementar n° 160, de 2017, que alterou o art. 30 da Lei n° 12.973, de 2014, para considerar todas as subvenções relativas ao ICMS como sendo subvenções para investimento, inclusive de forma retroativa, aplicandose essa definição a processos administrativos e judiciais ainda não definitivamente julgados. Primeiro Período, até 2007 Fl. 3263DF CARF MF Processo nº 11516.722376/201570 Acórdão n.º 9303007.622 CSRFT3 Fl. 3.253 23 Até 2007, período da vigência da redação original do art. 183 da Lei das S/A, encontravase disposto em seu § 1º, que deveriam ser classificados como reservas de capital as doações e subvenções recebidas para investimento. A seguir, para fins de esclarecimento, encontrase reproduzido o referido dispositivo: Art. 182. A conta do capital social discriminará o montante subscrito e, por dedução, a parcela ainda não realizada. § 1º Serão classificadas como reservas de capital as contas que registrarem: a) a contribuição do subscritor de ações que ultrapassar o valor nominal e a parte do preço de emissão das ações sem valor nominal que ultrapassar a importância destinada à formação do capital social, inclusive nos casos de conversão em ações de debêntures ou partes beneficiárias; b) o produto da alienação de partes beneficiárias e bônus de subscrição; c) o prêmio recebido na emissão de debêntures; d) as doações e as subvenções para investimento. ... (grifos na transcrição) A característica da Reserva de Capital é a de ser composta por valores oriundos da contribuição de proprietários ou outros interessados no resultado da companhia, sem característica de exigibilidade, ou seja, a título definitivo. À época, a Lei das S/A entendeu que subvenções para investimento enquadrarseiam nessa categoria, por serem contribuições do Poder Público para a atividade da companhia, o que é de interesse para o Estado. Por outro lado, diferente era o conceito de subvenção para custeio, composta por contribuições do Estado cujos valores eram utilizados para fazer frente aos custos da atividade e, assim, poderiam influir nos lucros da companhia, que poderia ser distribuído aos proprietários. Nesse sentido, é importante referir que o valor registrado como reserva de capital não pode ser distribuído aos proprietários, sob pena de perder sua natureza, nos termos do art. 200 da Lei das S/A, até hoje vigente na redação original, conforme a seguir reproduzido: Art. 200. As reservas de capital somente poderão ser utilizadas para: I absorção de prejuízos que ultrapassarem os lucros acumulados e as reservas de lucros (artigo 189, parágrafo único); ... Fl. 3264DF CARF MF 24 Assim, vemos que uma subvenção para investimento era reconhecida diretamente como reserva de capital, sem transitar pelo resultado, conforme lançamento contábil a seguir: D = Tributos e Recolher (recolhimento dispensado) C = a Reserva de Capital (aumento do Patrimônio Líquido) XXX,XX O lançamento contábil acima e a respectiva legislação antes referida deixam claro que a subvenção para investimento reconhecida como reserva de capital não caracteriza nem receita nem faturamento. Portanto, não integra a base de cálculo da Cofins ou da Contribuição para o PIS/Pasep, nem na sistemática cumulativa, nem na sistemática não cumulativa. Ora, na sistemática cumulativa, temos a base de cálculo das contribuições sob análise formada pelo faturamento, nos termos da redação original dos arts. 2º e 3º da Lei n° 9.718, de 1999, aplicáveis aos fatos geradores ocorridos no período em análise, a seguir reproduzidos: Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. Portanto, como uma subvenção recebida para investimento caracterizava reserva de capital, não compunha o faturamento e, consequentemente, não integrava a base de cálculo das contribuições na sistemática cumulativa, desde que cumpridos os requisitos para seu reconhecimento como reserva de capital e que não tenha sido dado destino diverso aos correspondentes valores. Da mesma forma, na sistemática nãocumulativa, temos a base de cálculo das contribuições sob análise formada pelas receitas, nos termos do art. 1º da Lei n° 10.637, de 2002, e do art. 1º da Lei n° 10.833, de 2003, ambos reproduzidos a seguir, em sua redação original, aplicável a fatos geradores no período sob análise: Lei n° 10.637, de 2002 Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Lei n° 10.833, de 2003 Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. (Grifos na transcrição) Fl. 3265DF CARF MF Processo nº 11516.722376/201570 Acórdão n.º 9303007.622 CSRFT3 Fl. 3.254 25 Portanto, como uma subvenção recebida para investimento caracterizava reserva de capital, não caracterizava receita e, consequentemente, não integrava a base de cálculo das contribuições na sistemática nãocumulativa, desde que cumpridos os requisitos para seu reconhecimento como reserva de capital e que não tenha sido dado destino diverso aos correspondentes valores. Diferente é o tratamento dado às subvenções que não se enquadravam no conceito de subvenção para investimento, no período. Tais subvenções, denominadas subvenções para custeio eram reconhecidas no resultado das companhias e, compondo o lucro, não tinham qualquer restrição em relação a sua distribuição aos proprietários. O lançamento correspondente a essas subvenções para custeio era o seguinte: D = Tributos e Recolher (recolhimento dispensado) C = a Receita (aumento do resultado) XXX,XX O lançamento acima deixa claro que, em que pese a receita de subvenção para custeio não caracterizar faturamento, ela se enquadra no conceito de receita e, assim: não compunha a base de cálculo das contribuições na sistemática cumulativa; porém compunha a base de cálculo das contribuições na sistemática não cumulativa, nos termos do art. 1º da Lei n° 10.637, de 2002, e do art. 1º da Lei n° 10.833, de 2003, em sua redação original, aplicável a fatos geradores no período sob análise, ambos já reproduzidos anteriormente nesse voto. Segundo Período, de 2008 a 2014 Em 28 de dezembro de 2007, a Lei das S/A foi alterada pela Lei n° 11.638, de 2007, e a nova redação teve vigência a partir de 1º de janeiro de 2008. Entre os vários itens alterados, encontrase o tratamento contábil dado às subvenções para investimento, que antes eram classificadas como reserva de capital e que passaram a ser classificadas como receita, compondo o resultado. Assim, compondo o resultado, as subvenções para investimento, poderiam ser distribuídas aos societários, não mais se aplicando a elas os conceitos antes discutidos de reserva de capital. Deveras, para fins societários, entendeuse que classificar esses valores como reserva de capital não representaria o efetivo reflexo no patrimônio dos valores recebidos. Por outro lado, a própria Lei n° 11.638, de 2007, inseriu o art. 195A na Lei das S/A, criando uma reserva de lucros, denominada Reserva de Incentivos Fiscais, com o objetivo de permitir que a companhia, caso assim desejasse, não distribuísse aos proprietários o valor da subvenção. Portanto, a contabilização da subvenção para investimento passou a ser a seguinte: reconhecimento da receita de subvenção, pelo regime de competência Fl. 3266DF CARF MF 26 D = Tributos e Recolher (recolhimento dispensado) C = a Receita (aumento do resultado) XXX,XX apuração do resultado do exercício considerando a receita de subvenção D = Receita (aumento do resultado) C = a Apuração do Resultado do Exercício (Conta Transitória) XXX,XX transferência do resultado do exercício para o patrimônio líquido D = Apuração do Resultado do Exercício (Conta Transitória) C = a Lucros e Prejuízos Acumulados (PL) XXX,XX destinação do valor da subvenção para a reserva de lucros D = Lucros e Prejuízos Acumulados (PL) C = a Reserva de Incentivos Fiscais (R. Lucro PL) XXX,XX Pelos lançamentos acima, verificase a mesma intenção do legislador, qual seja, permitir que os valores de subvenções para investimento, apesar de compor o lucro, não fossem distribuídos aos proprietários, mas que ficassem no patrimônio da companhia, para incentivo de suas atividades. Em face dessa nova realidade jurídica, para fins societários, a legislação preocupouse em dar um tratamento fiscal adequando. Assim, foi instituído o RTT Regime Tributário de Transição, pela Lei n° 11.941, de 2009. Pois bem, o tratamento fiscal dado às subvenções para investimento, especificamente no tocante à Contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins, encontrase nos arts. 18 e 21 da Lei nº 11.941, de 2009, a seguir reproduzidos, na redação então vigente e aplicável aos fatos geradores ocorridos no período em análise (lembrando que à opção do sujeito passivo, a Lei n° 11.941, de 2009, pode ser aplicada retroativamente, desde 2008): Art. 18. Para fins de aplicação do disposto nos arts. 15 a 17 desta Lei às subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos, concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, e às doações, feitas pelo Poder Público, a que se refere o art. 38 do DecretoLei no1.598, de 26 de dezembro de 1977, a pessoa jurídica deverá: I – reconhecer o valor da doação ou subvenção em conta do resultado pelo regime de competência, inclusive com observância das determinações constantes das normas expedidas pela Comissão de Valores Mobiliários, no uso da competência conferida pelo§ 3º do art. 177 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976,no caso de companhias abertas e de outras que optem pela sua observância; II – excluir do Livro de Apuração do Lucro Real o valor decorrente de doações ou subvenções governamentais para Fl. 3267DF CARF MF Processo nº 11516.722376/201570 Acórdão n.º 9303007.622 CSRFT3 Fl. 3.255 27 investimentos, reconhecido no exercício, para fins de apuração do lucro real; III – manter em reserva de lucros a que se refere o art. 195A da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, a parcela decorrente de doações ou subvenções governamentais, apurada até o limite do lucro líquido do exercício; IV – adicionar no Livro de Apuração do Lucro Real, para fins de apuração do lucro real, o valor referido no inciso II do caput deste artigo, no momento em que ele tiver destinação diversa daquela referida no inciso III do caput e no § 3odeste artigo. § 1o As doações e subvenções de que trata o caput deste artigo serão tributadas caso seja dada destinação diversa da prevista neste artigo, inclusive nas hipóteses de: I – capitalização do valor e posterior restituição de capital aos sócios ou ao titular, mediante redução do capital social, hipótese em que a base para a incidência será o valor restituído, limitado ao valor total das exclusões decorrentes de doações ou subvenções governamentais para investimentos; II – restituição de capital aos sócios ou ao titular, mediante redução do capital social, nos 5 (cinco) anos anteriores à data da doação ou da subvenção, com posterior capitalização do valor da doação ou da subvenção, hipótese em que a base para a incidência será o valor restituído, limitado ao valor total das exclusões decorrentes de doações ou de subvenções governamentais para investimentos; ou III – integração à base de cálculo dos dividendos obrigatórios. ... Art. 21. As opções de que tratam os arts. 15 e 20 desta Lei, referentes ao IRPJ, implicam a adoção do RTT na apuração da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS. (Vide Medida Provisória nº 627, de 2013)(Vigência)(Revogado pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) Parágrafo único. Para fins de aplicação do RTT, poderão ser excluídos da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, quando registrados em conta de resultado: I – o valor das subvenções e doações feitas pelo poder público, de que trata o art. 18 desta Lei; e ... Esclareçase que o art. 18 trata das condições para não tributação pelo Imposto de Renda, porém, como o art. 21 faz expressa referência ao art. 18, entendo que essas mesmas condições devam ser aplicáveis à Contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins. Com efeito, as condições são as mesmas aplicáveis à legislação anterior, resumidamente: o valor da Fl. 3268DF CARF MF 28 subvenção do Poder Público para investimento, desde que não distribuível aos proprietários, não deve ser tributada. Assim, nesse período, tanto a subvenção para custeio, quanto a subvenção para investimento cujo valor não tenha sido totalmente destinado à formação da reserva de lucros de incentivos fiscais, deve ter o seguinte tratamento tributário: por não caracterizar faturamento, não compor a base de cálculo das contribuições na sistemática cumulativa; porém, por caracterizar receita e sem que tenham sido cumpridos os requisitos para sua exclusão, deve compor a base de cálculo das contribuições na sistemática nãocumulativa, nos termos do art. 1º da Lei n° 10.637, de 2002, e do art. 1º da Lei n° 10.833, de 2003, em sua redação original, aplicável a fatos geradores no período sob análise, ambos já reproduzidos anteriormente nesse voto. Terceiro Período, a partir de 2015 Com o advento da Lei n° 12.973, de 2014, para fatos geradores a partir de 2015, temos um tratamento similar àquele dado às subvenções para investimento durante a vigência do RTT, qual seja, a subvenção para investimento, desde seu valor tenha sido destinado para formação da Reserva de Lucros de Incentivos Fiscais, não estaria sujeita a compor a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. O art. 30 da Lei n° 12.973, de 2014, praticamente repete os termos do art. 18 da Lei n° 11.941, de 2009, no tocante às condições de dedutibilidade do valor da subvenção para investimento, da base de cálculo do Imposto de Renda, vejamos: Art. 30. As subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos, concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos e as doações feitas pelo poder público não serão computadas na determinação do lucro real, desde que seja registrada em reserva de lucros a que se refere oart. 195A da Lei no6.404, de 15 de dezembro de 1976, que somente poderá ser utilizada para:(Vigência) I absorção de prejuízos, desde que anteriormente já tenham sido totalmente absorvidas as demais Reservas de Lucros, com exceção da Reserva Legal; ou II aumento do capital social. § 1oNa hipótese do inciso I do caput, a pessoa jurídica deverá recompor a reserva à medida que forem apurados lucros nos períodos subsequentes. § 2o As doações e subvenções de que trata o caput serão tributadas caso não seja observado o disposto no § 1oou seja dada destinação diversa da que está prevista no caput, inclusive nas hipóteses de: I capitalização do valor e posterior restituição de capital aos sócios ou ao titular, mediante redução do capital social, hipótese em que a base para a incidência será o valor restituído, limitado ao valor total das exclusões decorrentes de doações ou subvenções governamentais para investimentos; Fl. 3269DF CARF MF Processo nº 11516.722376/201570 Acórdão n.º 9303007.622 CSRFT3 Fl. 3.256 29 II restituição de capital aos sócios ou ao titular, mediante redução do capital social, nos 5 (cinco) anos anteriores à data da doação ou da subvenção, com posterior capitalização do valor da doação ou da subvenção, hipótese em que a base para a incidência será o valor restituído, limitada ao valor total das exclusões decorrentes de doações ou de subvenções governamentais para investimentos; ou III integração à base de cálculo dos dividendos obrigatórios. § 3o Se, no período de apuração, a pessoa jurídica apurar prejuízo contábil ou lucro líquido contábil inferior à parcela decorrente de doações e de subvenções governamentais e, nesse caso, não puder ser constituída como parcela de lucros nos termos do caput, esta deverá ocorrer à medida que forem apurados lucros nos períodos subsequentes. ... Adicionalmente, para conferir tratamento compatível em relação à Contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins, os art. 54 e 55 da Lei n° 12.973, de 2014, alteraram, respectivamente o art. 1º da Lei n° 10.637, de 2002, e o art. 1º da Lei n° 10.833, de 2003: Lei n° 10.637, de 2002: § 3oNão integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: X de subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos, concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos e de doações feitas pelo poder público; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) Lei n° 10.833, de 2003: § 3oNão integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: IX de subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos, concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos e de doações feitas pelo poder público; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) Nesses termos, em que pese a base legal diferente, o tratamento tributário permanece o mesmo do período anterior. Assim, nesse período, tanto a subvenção para custeio, quanto a subvenção para investimento cujo valor não tenha sido totalmente destinado à formação da reserva de lucros de incentivos fiscais, deve ter o seguinte tratamento tributário: por não caracterizar faturamento, não compor a base de cálculo das contribuições na sistemática cumulativa; Fl. 3270DF CARF MF 30 porém, por caracterizar receita e sem que tenham sido cumpridos os requisitos para sua exclusão, deve compor a base de cálculo das contribuições na sistemática nãocumulativa, nos termos do art. 1º da Lei n° 10.637, de 2002, e do art. 1º da Lei n° 10.833, de 2003, em sua redação original, aplicável a fatos geradores no período sob análise, ambos já reproduzidos anteriormente nesse voto. Efeitos da Lei Complementar n° 160, de 2017 Por fim, cabe analisar os efeitos do art. 9º da Lei Complementar n° 160, de 2017, o qual deu nova redação ao art. 30 da Lei n° 12.973, de 2014, para inclusão dos §§ 4º e 5º ao art. 30 da referida lei. Art. 30. As subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos, concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos e as doações feitas pelo poder público não serão computadas na determinação do lucro real, desde que seja registrada em reserva de lucros a que se refere o art. 195A da Lei no6.404, de 15 de dezembro de 1976, que somente poderá ser utilizada para: ... § 4oOs incentivos e os benefícios fiscais ou financeirofiscais relativos ao imposto previsto no inciso II do caput do art. 155 da Constituição Federal, concedidos pelos Estados e pelo Distrito Federal, são considerados subvenções para investimento, vedada a exigência de outros requisitos ou condições não previstos neste artigo.(Incluído pela Lei Complementar nº 160, de 2017) § 5o O disposto no § 4o deste artigo aplicase inclusive aos processos administrativos e judiciais ainda não definitivamente julgados. (Incluído pela Lei Complementar nº 160, de 2017) Os dispositivos acima determinaram que todos os incentivos relativos ao ICMS sejam considerados como subvenções para investimento, inclusive aplicandose essa consideração retroativamente a processos não definitivamente julgados. Entendo que esses dispositivos sejam aplicáveis a situações em que, cumulativamente: (a) a subvenção tenha sido considerada pelo contribuinte como subvenção para investimento e a autoridade fiscal tenha entendido tratarse de subvenção para custeio; (b) o valor da subvenção tenha sido tratado nos termos das condições para exclusão da base de cálculo das contribuições (basicamente seu registro em reserva, para não distribuição); e (c) essa matéria ainda seja objeto de discussão nos autos do processo. Aplicação dos Conceitos ao Caso Concreto No caso dos autos, restou comprovado que: (a) tratase de valores recebidos entre 31/10/2010 e 31/12/2010, portanto no segundo período acima descrito; Fl. 3271DF CARF MF Processo nº 11516.722376/201570 Acórdão n.º 9303007.622 CSRFT3 Fl. 3.257 31 (b) quanto às condições para exclusão, no Relatório Fiscal à efl. 2698 e 2700, ao tratar dos créditos presumidos do ICMS está posto: Tais receitas não foram somadas nas linhas 02.Demais Receitas Alíquota de 1,65% da Ficha 07A e 02.Demais Receitas Alíquota de 7,6% da Ficha 17A, conforme as memórias de cálculo apresentadas em atendimento ao item 14 da Intimação 003/00236, relativas à linha 2 da ficha 07A,(...) Verificase nos balancetes de outubro a dezembro (fls. 1310 e seguintes) que nenhuma das contas contábeis acima totaliza quaisquer informações sobre o crédito presumido do ICMS.(...); (c) quanto à sistemática a que o contribuinte está sujeito, tratase de contribuição para o PIS e Cofins não cumulativas; Assim, concluise que não foram cumpridas as condições que levassem tais receitas a serem creditadas em contas de Reservas de Incentivos Fiscais ou Reservas de Lucro, implicando a tributação das contribuições do PIS e da Cofins para essas receitas. Conclusão Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial de divergência da contribuinte. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 3272DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.720154/2009-49
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 09/05/2008
PRELIMINAR. NULIDADE DA GLOSA E DA DECISÃO RECORRIDA. INEXISTÊNCIA.
Não há que se falar em nulidade da glosa perpetrada nem da decisão atacada quando ambas são claras em precisar as circunstâncias fáticas e os fundamentos jurídicos que motivaram tais manifestações.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. PIS E COFINS. PLANILHA COM VÁRIAS GLOSAS DE DIFERENTES PERÍODOS. INEXISTÊNCIA DE PREJUÍZO À DEFESA.
Não há prejuízo à defesa se, diante de vários pedidos de compensação, a glosa é feita com base em um único documento que englobe todas as glosas, desde que o contribuinte possa, em cada processo individual, precisar qual o período do crédito em discussão e que deverá ser objeto de específica impugnação, exatamente como ocorre no presente caso.
Numero da decisão: 3402-005.833
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário e, no mérito, na parte conhecida, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 09/05/2008 PRELIMINAR. NULIDADE DA GLOSA E DA DECISÃO RECORRIDA. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em nulidade da glosa perpetrada nem da decisão atacada quando ambas são claras em precisar as circunstâncias fáticas e os fundamentos jurídicos que motivaram tais manifestações. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. PIS E COFINS. PLANILHA COM VÁRIAS GLOSAS DE DIFERENTES PERÍODOS. INEXISTÊNCIA DE PREJUÍZO À DEFESA. Não há prejuízo à defesa se, diante de vários pedidos de compensação, a glosa é feita com base em um único documento que englobe todas as glosas, desde que o contribuinte possa, em cada processo individual, precisar qual o período do crédito em discussão e que deverá ser objeto de específica impugnação, exatamente como ocorre no presente caso.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário e, no mérito, na parte conhecida, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 09/05/2008 PRELIMINAR. NULIDADE DA GLOSA E DA DECISÃO RECORRIDA. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em nulidade da glosa perpetrada nem da decisão atacada quando ambas são claras em precisar as circunstâncias fáticas e os fundamentos jurídicos que motivaram tais manifestações. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. PIS E COFINS. PLANILHA COM VÁRIAS GLOSAS DE DIFERENTES PERÍODOS. INEXISTÊNCIA DE PREJUÍZO À DEFESA. Não há prejuízo à defesa se, diante de vários pedidos de compensação, a glosa é feita com base em um único documento que englobe todas as glosas, desde que o contribuinte possa, em cada processo individual, precisar qual o período do crédito em discussão e que deverá ser objeto de específica impugnação, exatamente como ocorre no presente caso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário e, no mérito, na parte conhecida, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 01 54 /2 00 9- 49 Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10830.720154/200949 Acórdão n.º 3402005.833 S3C4T2 Fl. 3 2 Relatório A interessada transmitiu PER visando ressarcimento de crédito de contribuição não cumulativa na exportação, em razão de pagamento indevido ou a maior. Posteriormente apresentou DCOMP para compensar o crédito pleiteado com débitos próprios. A unidade de origem reconheceu parcialmente o crédito e homologou as compensações até o limite reconhecido. Diante da homologação parcial da compensação perpetrada, o contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade, oportunidade em que alegou o que segue: (i) nulidade do procedimento administrativo; (ii) direito à compensação do crédito extemporâneo; e (iii) direito à apropriação do crédito sobre valores de aquisição de combustíveis (querosene) no período compreendido entre 10/2008 a 12/2008. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, conforme acórdão nº 09056.350. Diante deste quadro o contribuinte interpôs o recurso voluntário, oportunidade em que repisou as alegações desenvolvidas em sua manifestação de inconformidade, além de vindicar a nulidade da decisão proferida pela instância a quo. É o relatório. Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10830.720154/200949 Acórdão n.º 3402005.833 S3C4T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.825, de 25 de outubro de 2018, proferido no julgamento do processo 10830.720143/200969, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402005.825): "I. Dos pressupostos de admissibilidade do recurso voluntário 6. O recurso voluntário é tempestivo e preenche parcialmente os demais pressupostos de admissibilidade, haja vista a sua falta de interesse de agir. 7. Isso porque o contribuinte se insurge contra a glosa aqui realizada fundamentandose nos seguintes termos: (i) direito a crédito na compra de combustível para aviação anteriores a lei n. 11.787/2008 e (ii) direito de usar créditos, ainda que extemporâneos. 8. Acontece que, no presente caso em particular, as glosas perpetradas não tocam tais questões. Aliás, no que tange à discussão dos créditos extemporâneos, assim se manifestou a decisão atacada: (...). Destaquese que, no tocante ao mérito, a contribuinte discute tão somente a glosa de crédito extemporâneo, específica para o período de apuração 03/2007, e a apropriação de crédito sobre valores de aquisição de combustíveis no período de 10/2008 à 12/2008. Assim, as glosas realizadas para períodos de apuração diferentes dos acima mencionados não foram contestadas, no tocante ao mérito. Como o período de apuração do crédito informado no PER aqui analisado se reporta ao 2º tri/2005 não houve, quanto ao mérito, instauração de litígio. (...). 9. O mesmo vale para a questão quanto à discussão de uma pretensa glosa de crédito na compra de combustível para aviação anteriores a lei n. 11.787/2008, o que demonstra a Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10830.720154/200949 Acórdão n.º 3402005.833 S3C4T2 Fl. 5 4 ausência de interesse recursal do contribuinte nos específicos tópicos aqui destacados. 10. Neste diapasão, deixo de conhecer parte do recurso voluntário interposto, mais precisamente o item III das suas razões recursais. II. Da pretensa nulidade parcial da decisão recorrida 11. Conforme se observa do recurso voluntário, um dos fundamentos trazidos pelo contribuinte em sua peça recursal é a nulidade parcial da decisão proferida pela instância a quo. 12. Antes, todavia, de tratar da sobredita preliminar processual, mister se faz, neste instante, detalhar ainda mais as circunstâncias fáticas que gravitam em torno do presente caso. 13. Nesse sentido, ao se observar os documentos de fls. 03/14, é possível observar que, no presente caso decidendo, o contribuinte alegou possuir um saldo credor de PIS e COFINS, nos termos do art. 16, parágrafo único da lei 11.116/051, o que o motivou a pedir o ressarcimento de tal crédito, ulteriormente convertido em compensação com débitos de agosto e setembro de 2006. 14. Ao glosar tais créditos, a fiscalização deixa clara a fundamentação para tanto, qual seja, a divergência entre as informações fiscais prestadas pelo contribuinte, conforme se observa do seguinte trecho da manifestação de fl. 22: Frisese que os valores divergentes estão de acordo com aqueles informados pelo contribuinte nos DACON's de 01/2005 a 12/2008. Esclarecemos que é facultado ao contribuinte, nos termos da lei, creditarse de valor de contribuições incidentes sobre bens e serviços adquiridos. Ressaltamos que, no período de 01/2006 a 12/2006, não houve informação de créditos de insumos nos DACON's. 15. Ressaltese, todavia, que além do presente pedido de ressarcimento convertido em compensação, a contribuinte apresentou outros inúmeros pedidos no mesmo diapasão, tanto que o presente caso em julgamento é paradigma de outros a ele vinculados e que tramitam neste Tribunal. Essa é a razão, portanto, de a fiscalização trazer as fls. 23/26 uma tabela com a discriminação não só da glosa para o período aqui debatido, mas também para outros períodos que, provavelmente, são 1 " Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: (...). Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestre calendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei." Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10830.720154/200949 Acórdão n.º 3402005.833 S3C4T2 Fl. 6 5 discutidos nos demais pedidos de ressarcimento/compensação apresentados pelo contribuinte. 16. A metodologia alhures indicada não prejudica em precisar quais foram os créditos glosados no presente processo administrativo (2o trimestre de 2005), bem como o motivo de tal glosa, o que afasta uma pretensa nulidade do trabalho fiscal, bem como da decisão atacada. Dispositivo 17. Diante do exposto, deixo de conhecer parte do recurso voluntário interposto e, na parte conhecida, voto por negarlhe provimento." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por conhecer parcialmente do Recurso Voluntário e, no mérito, na parte conhecida, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 167DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10855.000999/2008-55
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Ano-calendário: 2003
DECLARAÇÃO RETIFICADORA. APRESENTAÇÃO APÓS INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. EFEITOS.
Súmula CARF nº 33: A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício.
Numero da decisão: 9202-007.268
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
Assinado digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente.
Assinado digitalmente
Pedro Paulo Pereira Barbosa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Ano-calendário: 2003 DECLARAÇÃO RETIFICADORA. APRESENTAÇÃO APÓS INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. EFEITOS. Súmula CARF nº 33: A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. Assinado digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente. Assinado digitalmente Pedro Paulo Pereira Barbosa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
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Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado EDNALDO JOSÉ CORDEIRO FERREIRA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Anocalendário: 2003 DECLARAÇÃO RETIFICADORA. APRESENTAÇÃO APÓS INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. EFEITOS. Súmula CARF nº 33: A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. Assinado digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente. Assinado digitalmente Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 00 09 99 /2 00 8- 55 Fl. 94DF CARF MF 2 Cuidase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional em face do Acórdão nº 2102001.528, proferido na sessão de 26 de setembro de 2011, assim ementado: OMISSÃO DE RECEITAS E DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS E DE INSTRUÇÃO. DECLARAÇÃO DE IRPF RETIFICADORA COM COMPROVAÇÃO DAS DESPESAS. RECURSO PROVIDO. A dedução de despesas médicas e com instrução através de DIRPF retificadora, apresentada mesmo que posteriormente ao início do trabalho fiscal, mas antes de proferida a decisão, deve ser acolhida, com fundamento no art. 38 da lei 9.784/99. A decisão foi assim registrada: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso. O recurso visa rediscutir a seguinte matéria: Retificação de declaração apresentada após o inicio do procedimento fiscal. Em suas razões recursais a Fazenda Nacional aduz, em síntese que, com base na legislação aplicável, o início do procedimento fiscal exclui a espontaneidade do sujeito passivo; que, no caso, o Contribuinte apresentou declaração retificadora após ciência do auto de infração; que a matéria está disciplinada na Súmula CARF nº 33, de observância obrigatória; que se operou no caso a preclusão administrativa. Cientificado do Acórdão Recorrido, do Recurso Especial da Procuradoria e do Despacho que lhe deu seguimento em 19/03/2013 (AR, fls. 82), o Contribuinte apresentou as Contrarrazões de efls. 84 a 86 nas quais aduz, em síntese, que apresentou a declaração retificadora antes da decisão e que é inaceitável o não acolhimento da retificação em razão do que dispõe o art. 38, da Lei nº 9.784, de 1999. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade. Dele conheço. Quanto ao Mérito, como visto, a matéria em litígio diz respeito à possibilidade de acolhimento de declaração retificadora apresentada após a autuação. Entendeu o acórdão recorrido que sim, com fundamento no art. 38 da Lei nº 9.784, de 1989. Penso que assiste razão à Fazenda Nacional. Como referido pela Recorrente, essa questão inclusive foi pacificada no âmbito deste Conselho, que editou a Súmula CARF nº 33, declarada vinculante pela Portaria MF nº 277, de 2018, e que tem o seguinte enunciado: Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10855.000999/200855 Acórdão n.º 9202007.268 CSRFT2 Fl. 3 3 Súmula CARF nº 33: A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. No caso ora analisado foi o que efetivamente aconteceu: o contribuinte apresentou declaração retificadora na qual reconheceu receitas antes não declaradas e que foram objeto da autuação, além de ter pleiteado deduções. A decisão recorrida acolheu a declaração, mesmo tendo sido apresentada após a formalização da exigência, com fundamento no art. 38, da Lei nº 9.784, de 1999, que, para maior clareza reproduzo a seguir: Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. Registrese, inicialmente, que a Lei nº 9.784, de 1999 aplicase ao processo administrativo tributário apenas em caráter subsidiário, por força do art. 69 dessa mesma lei que prevê que “os processos administrativos específicos continuarão a regerse por lei própria, aplicandoselhes apenas subsidiariamente os preceitos desta Lei”, e no caso, o momento da apresentação de provas é disciplinado pelo Decreto nº 70.235, de 1972, §4º, art. 16. Confirase: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, b) refirase a fato ou a direito superveniente, c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Mas, ainda que se superasse esse obstáculo, o que se admite apenas para argumentar, com a devida vênia, a posição esposada no Recorrido quanto à aplicabilidade ao caso do art. 38, da Lei nº 9.789, desafia conceitos elementares do Direito Tributário e do Direito Processual Tributário, como o instituto da denúncia espontânea. Ora, não se trata aqui de apresentação de prova a destempo, mas de denúncia espontânea e seus efeitos. A matéria está disciplinada às expressa no art. 138 do CTN, verbis: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo e dos juros, ou os depósitos da importância arbitrada pela autoridade administrativa quando o montante do tributo depensa de apuração. Ora, no caso, sequer houve o pagamento do valor correspondente, portanto, não há falar em denúncia espontânea neste caso. Ante o exposto, conheço do recurso interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento. Fl. 96DF CARF MF 4 Assinado digitalmente Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator Fl. 97DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.001251/2010-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2010
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. MULTAS QUALIFICADA. DOLO COMPROVADO.
É devida a qualificação de multa quando comprovada omissão dolosa. Considera-se a omissão quando o fiscalizado devidamente intimado não fornece informações à administração, ou presta informações inexatas e imprecisas.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA AGRAVADA. NÃO ATENDIMENTO DE INTIMAÇÃO PARA PRESTAR ESCLARECIMENTOS. CABIMENTO.
Cabível a aplicação da multa agravada sempre que o contribuinte deixar de, nos prazos estipulados, prestar esclarecimentos em resposta a intimações da autoridade fiscal realizadas consoante o permissivo legal (Lei 9.430, de 1996, art. 44, § 2º, I).
MULTA PREVIDENCIÁRIA. FATOS GERADORES ANTERIORES À MEDIDA PROVISÓRIA Nº 449, DE 2008, NÃO DECLARADOS EM GFIP. RETROATIVIDADE BENIGNA. CRITÉRIO. OBSERVÂNCIA ÀS NORMAS INFRALEGAIS.
Aos processos de lançamento fiscal dos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, e não declarados em GFIP, aplica-se a multa mais benéfica, obtida pela comparação do resultado entre: (a) a soma da multa vigente à época da ocorrência dos fatos geradores (obrigação principal) e da multa por falta de declaração em GFIP vigente à época da materialização da infração (obrigação acessória), com (b) a multa de ofício (75%) prevista no artigo 35-A, da Lei nº 8.212/1991.
Numero da decisão: 2301-005.352
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, (a) pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário em relação aos períodos de apuração até 11/2008 (inclusive); vencidos os conselheiros Wesley Rocha (relator), Juliana Marteli Fais Feriato e Marcelo Freitas de Souza Costa, que entendiam aplicável, a esses períodos, multa de mora, nos termos do voto vencido; (b) por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário em relação aos períodos de 12/2008 em diante; vencidos os conselheiros Wesley Rocha (relator) e Juliana Marteli Fais Feriato, que davam provimento parcial para desagravar a multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 150%. Designado por redigir o voto vencedor o conselheiro Antônio Sávio Nastureles.
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior Presidente
(assinado digitalmente)
Wesley Rocha Relator
(assinado digitalmente)
Antônio Sávio Nastureles - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, João Maurício Vital, Pinto, Marcelo Freitas de Souza Costa, Antônio Savio Nastureles, Juliana Marteli Fais Feriato e Wesley Rocha.
Nome do relator: WESLEY ROCHA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2010 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. MULTAS QUALIFICADA. DOLO COMPROVADO. É devida a qualificação de multa quando comprovada omissão dolosa. Considera-se a omissão quando o fiscalizado devidamente intimado não fornece informações à administração, ou presta informações inexatas e imprecisas. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA AGRAVADA. NÃO ATENDIMENTO DE INTIMAÇÃO PARA PRESTAR ESCLARECIMENTOS. CABIMENTO. Cabível a aplicação da multa agravada sempre que o contribuinte deixar de, nos prazos estipulados, prestar esclarecimentos em resposta a intimações da autoridade fiscal realizadas consoante o permissivo legal (Lei 9.430, de 1996, art. 44, § 2º, I). MULTA PREVIDENCIÁRIA. FATOS GERADORES ANTERIORES À MEDIDA PROVISÓRIA Nº 449, DE 2008, NÃO DECLARADOS EM GFIP. RETROATIVIDADE BENIGNA. CRITÉRIO. OBSERVÂNCIA ÀS NORMAS INFRALEGAIS. Aos processos de lançamento fiscal dos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, e não declarados em GFIP, aplica-se a multa mais benéfica, obtida pela comparação do resultado entre: (a) a soma da multa vigente à época da ocorrência dos fatos geradores (obrigação principal) e da multa por falta de declaração em GFIP vigente à época da materialização da infração (obrigação acessória), com (b) a multa de ofício (75%) prevista no artigo 35-A, da Lei nº 8.212/1991.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, (a) pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário em relação aos períodos de apuração até 11/2008 (inclusive); vencidos os conselheiros Wesley Rocha (relator), Juliana Marteli Fais Feriato e Marcelo Freitas de Souza Costa, que entendiam aplicável, a esses períodos, multa de mora, nos termos do voto vencido; (b) por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário em relação aos períodos de 12/2008 em diante; vencidos os conselheiros Wesley Rocha (relator) e Juliana Marteli Fais Feriato, que davam provimento parcial para desagravar a multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 150%. Designado por redigir o voto vencedor o conselheiro Antônio Sávio Nastureles. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente (assinado digitalmente) Wesley Rocha Relator (assinado digitalmente) Antônio Sávio Nastureles - Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, João Maurício Vital, Pinto, Marcelo Freitas de Souza Costa, Antônio Savio Nastureles, Juliana Marteli Fais Feriato e Wesley Rocha.
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E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2010 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. MULTAS QUALIFICADA. DOLO COMPROVADO. É devida a qualificação de multa quando comprovada omissão dolosa. Considerase a omissão quando o fiscalizado devidamente intimado não fornece informações à administração, ou presta informações inexatas e imprecisas. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA AGRAVADA. NÃO ATENDIMENTO DE INTIMAÇÃO PARA PRESTAR ESCLARECIMENTOS. CABIMENTO. Cabível a aplicação da multa agravada sempre que o contribuinte deixar de, nos prazos estipulados, prestar esclarecimentos em resposta a intimações da autoridade fiscal realizadas consoante o permissivo legal (Lei 9.430, de 1996, art. 44, § 2º, I). MULTA PREVIDENCIÁRIA. FATOS GERADORES ANTERIORES À MEDIDA PROVISÓRIA Nº 449, DE 2008, NÃO DECLARADOS EM GFIP. RETROATIVIDADE BENIGNA. CRITÉRIO. OBSERVÂNCIA ÀS NORMAS INFRALEGAIS. Aos processos de lançamento fiscal dos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, e não declarados em GFIP, aplicase a multa mais benéfica, obtida pela comparação do resultado entre: (a) a soma da multa vigente à época da ocorrência dos fatos geradores (obrigação principal) e da multa por falta de declaração em GFIP vigente à época da materialização da infração (obrigação acessória), com (b) a multa de ofício (75%) prevista no artigo 35A, da Lei nº 8.212/1991. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 00 12 51 /2 01 0- 04 Fl. 1696DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, (a) pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário em relação aos períodos de apuração até 11/2008 (inclusive); vencidos os conselheiros Wesley Rocha (relator), Juliana Marteli Fais Feriato e Marcelo Freitas de Souza Costa, que entendiam aplicável, a esses períodos, multa de mora, nos termos do voto vencido; (b) por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário em relação aos períodos de 12/2008 em diante; vencidos os conselheiros Wesley Rocha (relator) e Juliana Marteli Fais Feriato, que davam provimento parcial para desagravar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 150%. Designado por redigir o voto vencedor o conselheiro Antônio Sávio Nastureles. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior – Presidente (assinado digitalmente) Wesley Rocha – Relator (assinado digitalmente) Antônio Sávio Nastureles Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, João Maurício Vital, Pinto, Marcelo Freitas de Souza Costa, Antônio Savio Nastureles, Juliana Marteli Fais Feriato e Wesley Rocha. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa MOVIMENTA MOVIMENTAÇÃO DE CARGAS LTDA. E OUTROS, contra o Acórdão de Julgamento proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas (6ª Turma da DRJ/CPS), que julgou improcedente as impugnações e manteve o crédito tributário lançado, inclusive a sujeição passiva solidária dos sócios da empresa, Sr. BRUNO GUILHERMINO e Sr. AMÉRICO MATHIAS. O Auto de Infração nº 37.276.2883 foi lavrado para a constituição do crédito relativo às contribuições previdenciárias de que tratam os incisos I a III do art. 22 da Lei nº 8.212/91, incidentes sobre as remunerações pagas pela empresa aos segurados empregados e contribuintes individuais que lhe prestaram serviços no período de apuração de 01/01/2006 a 31/03/2010. Consoante o relatório fiscal (REFISC) anexado às fls. 399 a 409, e descrições lançadas no relatório da DRJ de origem, os fatos que originam as infrações foram as seguintes: 1°) O Auto de Infração é composto pelos levantamentos "EM", relativo às remunerações aferidas diretamente a partir dos valores constantes da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP; "DT1", relativo ao 13° Salário do ano de 2006, cujo montante foi objeto de aferição Fl. 1697DF CARF MF Processo nº 13896.001251/201004 Acórdão n.º 2301005.352 S2C3T1 Fl. 1.696 3 indireta, com base nas remunerações informadas na GFIP da competência 12/2006, considerandose o número de meses trabalhados individualmente por cada empregado, conforme demonstrado no Anexo III; e "RA" e "RA1"relativos às remunerações não informadas em GFIP e, por conseguinte, aferidas indiretamente com base nos dados da Relação Anual de Informações Sociais RAIS; 2°) O desdobramento da exigência fiscal em diversos lançamentos se deu em virtude do advento da Medida Provisória n° 449, de 03/12/2008, e da consequente obrigatoriedade de observância do disposto no art. 106, inciso II, alínea "c", do Código Tributário Nacional, de forma que no levantamentos "RA" prevaleceu o valor da multa aplicada com base na legislação anterior a dezembro de 2008, enquanto no "RA1" foi aplicada a multa com base na legislação atual, embora os fatos geradores tenham ocorrido em competências anteriores a dezembro/2008; 3°) Todas as GPS recolhidas sob os códigos "2100" e "2003" foram consideradas no presente lançamento; 4°) Conforme dados extraídos do SIVEX — Sistema de Vedações e Exclusões do SIMPLES, a empresa foi excluída do Simples Federal em 13/08/2004 pelo ADE 006567967, com data efeito em 01/01/2003, por receita bruta no anocalendário 2002 incompatível com o porte, tendo a ciência do ato de exclusão sido tomada por Edital gerado em 02/02/2005, por não ter sido o contribuinte localizado no endereço constante do cadastro do CNPJ; 5°) Embora, após a exclusão acima noticiada, a empresa não tenha retornado ao Simples Federal, nem aderido ao Simples Nacional de que trata a Lei Complementar n° 123, de 14/12/2006, ela entregou todas as GFIP do período de 01/2006 a 03/2010 com o preenchimento do campo referente ao "Simples" com o código "2 OPTANTE", ou, nas competências 01, 06, 07, 08, 09 e 10/2006, com o código "6 OPTANTE FATURAMENTO ANUAL SUPERIOR A R$ 1.200.000,00 EMPRESAS COM LIMINAR PARA NÃO RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL LC N° 110/2001", além de ter efetuado recolhimentos de parte das contribuições devidas com a utilização, nas respectivas GPS, do código de pagamento "2003 SIMPLES"; 6°) Tanto a ocultação do endereço real da empresa, descrita nos itens 2.3 e 2.7, quanto a informação incorreta de opção pelo Simples na GFIP, configuram sonegação, conforme artigo 71 da Lei 4.502/64, motivo pelo qual a multa descrita no item 4.4 foi duplicada na forma do § 1° do artigo 44 da Lei 9.430/96; 7°) Nas competências em que não foi aplicada a multa prescrita na legislação da época dos fatos geradores, a falta de apresentação dos esclarecimentos descritos no item 8 do Termo de Intimação Fiscal, de 26/05/2010, e dos arquivos digitais Fl. 1698DF CARF MF 4 descritos no item 5 do mesmo documento, motivou o agravamento da multa descrita no item 4.4 em 50%, com base no § 2° do mesmo artigo 44 da Lei 9.430/96; e quis 8°) Pela falta de apresentação de documentos, arquivos digitais e esclarecimentos solicitados pela fiscalização, assim como pela informação incorreta do endereço da empresa e do campo relativo a opção pelo SIMPLES na GFIP comportamentos estes que configuram infração ao disposto nos incisos III e IV do art. 32 da Lei 8.212/91 , foram emitidos TERMOS DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA em nome dos sócios Bruno Guilhermino e Américo Mathias, administradores da sociedade entre janeiro de 2006 e março de 2010, com supedâneo no inciso III do artigo 135 do CTN. A recorrente devidamente intimada, bem como os seus sócios, apresentam razões de seus recursos, conforme transcrevese abaixo. i) Das razões do Recurso voluntário da empresa Movimenta (fls. 162/191): A autuada não apresentou preliminares. Quanto ao mérito a empresa alega que, deveriam ser consideradas, para fins de aplicação da penalidade do presente auto de infração, as informações prestadas nas GFIPs, no sentido de considerar que houve prestação de informações ao fisco dos recolhimentos, ainda que imprecisos ou inexatos. Nesse sentido, a recorrente discorda da imputação de dolo em seus atos, uma vez que no seu entendimento "a auditora fiscal, não avaliou positivamente a transparência de procedimentos praticados pela empresa consubistanciados pela apresentação das respectivas GFIPs e RAIS. Desta feita, não pode prosperar a afirmação de que a empresa agiu com dolo, "artifícios.". Pediu, ainda, a descaracterização de Sonegação fiscal de que trata o artigo 71, da lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1.964, cancelandose o crédito constituído por meio do Auto de Infração n° 37.276.2891, no tocante ao agravamento dos lançamentos de ofício (§1° artigo 44 da Lei 9.430/96). Solicitou, ainda, a irretroatividade de Lei ao caso concreto, ante a aplicação dos artigos 32 e 35 da lei 8.212/ 91, com alterações trazidas pela Medida Provisória 449/2008 e Lei 11.941/2009, bem como o benefício da retroatividade prevista no CTN, artigo 106, inciso II, "c". Registrase que a contribuinte não recorreu aos demais pontos da decisão de primeira instância. ii) das Razões recursais dos sócios solidários AMÉRICO MATHIAS (fls. 107/127) e BRUNO GUILHERMINO (fls. 128/148). Os recorrentes reproduzem as mesmas argumentações do recurso da empresa contribuinte, acrescentando apenas que não houve nenhuma intenção dos sócios em lesar o fisco por alguma atitude dolosa que pudesse configurar sonegação, tendo em vista não terem se ocultado para receber intimações para apresentar documentos e informações, aduzindo que apresentaram, mesmo que de forma imprecisa as informações em GFIP/RAIZ. Por fim, pedem aplicação de multa mais benéfica em razão da retroatividade benigna das normas vigentes. Diante dos fatos, é o relatório. É o relatório. Fl. 1699DF CARF MF Processo nº 13896.001251/201004 Acórdão n.º 2301005.352 S2C3T1 Fl. 1.697 5 Voto Vencido Conselheiro Wesley Rocha Relator Os recursos voluntários apresentados estão revestidos do quesito formal da tempestividade. Portanto, deles o conheço. Cumpre registrar que o auto de infração cumpre os requisitos formais da legislação tributária e do PAF, estando de acordo com as normas legais. DELIMITAÇÃO DA LIDE EM FASE RECURSAL Diante dos recursos apresentados, para fins de análise de mérito, tomo por unificar o julgamento dos recursos apresentados. De todo o julgamento proferido pela DRJ de origem, bem como do auto de infração os recorrentes alegam somente que deveriam ser consideradas, para fins de aplicação da penalidade do presente auto de infração, as informações prestadas nas GFIPs, no sentido de considerar que houve prestação de informações ao fisco dos recolhimentos, ainda que imprecisos ou inexatos, bem como aduzem que não houve sonegação fiscal. Quanto aos demais temas relacionados a empresa recorrente não apresentou novas argumentações, o que entendo estar superado e acabado o que não foi alegado em recurso, tendo, portanto, matéria preclusa quanto à concordância das devidas contribuições sociais. Cabe mencionar também que a argumentação trazida pelos recorrentes sobre as GFIPs são no sentido de que a informação prestada de forma equivocada não poderia ser motivo de penalidade maior. Nesse sentido, passo a analisar a aplicação das multas e do dolo apontado. DA MULTA QUALIFICADA E A MULTA AGRAVADA Como se depreende do relatório fiscal, a qualificação da multa de 75% para 150% se deu em virtude de: i) da ocultação do endereço da empresa; e ii) da informação incorreta de opção pelo Simples na GFIP, enquanto o agravamento desse acréscimo de 150% para 225% resultou de ter a autuada deixado de prestar os esclarecimentos e de apresentar os arquivos digitais descritos, respectivamente, nos itens 8 e 5 do Termo de Intimação Fiscal emitido em 26/05/2010. A multa qualificada está prevista no § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430/96, nos casos previstos nos art. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Referidos dispositivos tratam das figuras da sonegação, fraude e conluio, nos seguintes termos: "Art. 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I – da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; Fl. 1700DF CARF MF 6 II – das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72". Já os percentuais para a multa agravada encontramse prescritos nos §1º e 2§, do art. 44 da referida Lei: "Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; ...................................................................................................... § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1º deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei". Dos fatos narrados no relatório fiscal, entendo que podem constituir convicção de multa qualificada. Porém, entendo que deve ser afastada a possibilidade de aplicação de multa agravada. Isso porque compreendo que nem todo silêncio deve ser penalizado de forma agravada. Explico. No item 5.2 do relatório fiscal, a auditora notificante esclarece que “A falta de apresentação dos esclarecimentos descritos no item 8 do Termo de Intimação Fiscal de 26/05/2010 e dos arquivos digitais descritos no item 5 do mesmo documento motivaram o agravamento da multa descrita no item 4.4 em 50%, conforme § 2º do artigo 44 da Lei 9.430/96, nas competências em que não foi aplicada a multa prescrita na legislação da época dos fatos geradores”. Fl. 1701DF CARF MF Processo nº 13896.001251/201004 Acórdão n.º 2301005.352 S2C3T1 Fl. 1.698 7 Há também a informação que a autoridade procedeu pela aferição direta no lançamento, em razão do descumprimento das informações mencionadas, mas que ao meu ponto de vista o não cumprimento não impediu que a fiscalização pudesse, com base nos elementos trazidos pelo conjunto probatório, realizar o lançamento tributário. Dos elementos trazidos pela autoridade fiscal, entendo que o fato da empresa e os sócios recorrentes entregarem parcialmente a lista de documento exigida para a fiscalização não pode ser motivo de aplicação da multa agravada, pois não verifico ação ou omissão tendente a lesar o fiscal de forma agravada, mas sim como já decorrido pela DRJ de forma qualificada. Outro argumento do fisco para qualificar e agravar a multa, gira em torno da procuradora da autuada. Em que pese existir divergências de datas sobre a entrega de documentos na Delegacia da Receita Federal para a procuradora constituída, mas que não teria poderes para recebimento dos documentos emitidos pela fiscalização, uma vez que não constava essa possibilidade na procuração, verifico que houve a tentativa da recorrente em obter informações sobre o procedimento fiscal, o que entendo que por si só não poderia gerar elemento fático para agravar a multa aplicada. A possível sonegação pode ter ocorrido pela não comunicação para Receita Federal sobre a troca de endereço da empresa, mas que as informações prestadas de maneira incorreta no sistema de processamento de dados da GFIP (SEFIP), em que a recorrente teria alegado estar no regime de recolhimento do SIMPLES, não seria motivo de motivo de agravante, mas sim de multa qualificada1. O fato é que, a situação dos autos de que a autuada não teria dado atendimento à intimação da Fiscalização não inviabilizou o lançamento do tributo. O conjunto probatório levantado pelo fiscal permitiu sem sombra de dúvidas lançar o tributo devido, sem que as omissões ou ações da contribuinte pudesse prejudicar o lançamento. Com isso entendo, como já dito, que nem todo silêncio deve ser levado em consideração para agravar a multa, em que pese a legislação previdenciária atribuir efeito agravante para a não entrega dos documentos necessários à fiscalização. Compreendo que deve ser analisado caso a caso, e que nesse auto de infração, pouco se constatou pelo fisco de atitudes para atribuir o gravame imposto. Em conteúdo didático, produzido pelo jurista Fábio Piovezan Bozza, que já foi Conselheiro deste Tribunal, verificase que: "dolo, fraude ou simulação, referese a um conjunto de vícios produzidos intencionalmente pelo contribuinte que, de máfé, cria uma situação falsa ou de mera aparência e inebria o julgamento do Fisco sobre uma relação tributária já existente, de modo a eliminála, reduzila ou postergála" (in Planejamento Tributário e Autonomia Privada. Série doutrina tributária v. XV. São Paulo: Quartier Latin, 2015, página 199). 1 Nesse sentido, transcrevo a decisão da DRJ de origem, onde constatase que a empresa foi excluída do SIMPLES, com ciência ficta em 2005, e nos anos seguintes optou pela tributação do lucro presumido, mas seguiu informando estar enquadrada dentro do SIMPLES (fl.1.279): "De fato, vejase que nas DIPJ relativas aos anos calendário 1998 a 2003, entregues antes de 01/03/2005, a empresa qualificouse como optante pelo SIMPLES, enquanto nas correspondentes aos anoscalendário subsequentes, entregues após a referida data, apresentouse como optante pela tributação com base no lucro presumido – é dizer, como pessoa jurídica não optante pela referida sistemática simplificada". Fl. 1702DF CARF MF 8 Nesse sentido, entendo ser caso de interpretação do art. 112 do CTN, onde utilizase de dispositivo mais favorável ao acusado quanto restar dúvidas quanto à autoria, imputabilidade ou punibilidade a determinado caso concreto, conforme dispositivo transcrito abaixo: "Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação". Isso porque as alegações dos recorrentes são no sentido de informar que entregaram os documentos solicitados pela fiscalização. Já a fiscalização relatou que houve entrega parcial, ou talvez inexata e imprecisa. Assim, entendo ser possível ser excluída a multa agravada, mantendose a multa qualificada. DA SOLIDARIEDADE ATRIBUÍDA A solidariedade fiscal se deu em razão de que os sócios teriam agido de maneira contrária à legislação não informando o endereço correto da empresa, bem como por registrar informações equivocadas em GFIP, conforme o relatório fiscal (fl. 408), assim transcrito: Nesse sentido, os recorrentes alegam que as informações foram todas prestadas em GFIP, mesmo que de forma equivocada, mas que esse ato não configura a sonegação capaz de mantêlos como solidários do credito fiscal. Quanto à questão de não ter sido informado ao fisco o endereço correto, alegam que a pessoa que recebeu o fisco quando da diligência realizada nas dependências da empresa não teria poderes para responder por ela. Entendo que ao manter a multa qualificada, mas não a multa agravada, deve haver a permanência dos sócios como responsáveis solidários. Apesar dos fatores citados no relatório fiscal não impedirem a fiscalização de lançar o crédito fiscal, tornando elas apenas possivelmente dificultosas, entendo que são reais motivos para manter não só a multa qualificada como também a solidariedade em questão, uma Fl. 1703DF CARF MF Processo nº 13896.001251/201004 Acórdão n.º 2301005.352 S2C3T1 Fl. 1.699 9 vez que precede de exigências legais apresentar os dados, documentos e informações correntes e necessárias para análise e apuração da constituição do crédito, quando da ocorrência do fato gerador. Assim, compreendo que deva ser mantida a solidariedade. MULTA E RETROATIVIDADE BENIGNA A autoridade fiscal, ao aplicar a multa assim descreveu na fl. 43: Assim, a multa foi originalmente aplicada com base no art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.528/97: Art. 35. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de abril de 1997, sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: I – para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) quatro por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) sete por cento, no mês seguinte; c) dez por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; II – para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) doze por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) quinze por cento, após o 15º dia do recebimento da notificação; c) vinte por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; Fl. 1704DF CARF MF 10 d) vinte e cinco por cento, após o 15º dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; III – para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) trinta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; b) trinta e cinco por cento, se houve parcelamento; c) quarenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; d) cinqüenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento". Como se vê, a redação do art. 35 previa a exigência de penalidade sobre as contribuições sociais em atraso – denominada como multa de mora – com percentuais que aumentavam progressivamente, de acordo com a ocorrência de determinados atos administrativos e também com o passar do tempo. A partir de dezembro/2008, com a edição da Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, a redação do art. 35 foi alterada para prever a aplicação da multa de mora da legislação tributária federal (art. 61 da Lei nº 9.430/96) e um novo dispositivo foi inserido na Lei nº 8.212/91, o art. 35A, para dispor sobre a multa de ofício (art. 44 da Lei nº 9.430/96). A apresentação ou não de declaração (GFIP) à autoridade fiscal e o momento da atuação da fiscalização passaram a determinar a aplicação da multa de mora ou da multa de ofício: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Com isso, o tema gerou muita controvérsia quanto a sua aplicação, mas que ao meu entender deve ser aplicado dispositivo mais benéfico ao contribuinte. Para trazer de forma mais didática e explicativa o entendimento aqui lançado, por estar bem fundamentado e claro, transcrevo parte do voto do produzido pelo então Conselheiro Fábio Piovesan Bozza, que lançou entendimento no Acórdão n.º 2301005.011, processo n.º 10380.732714/201178, julgado em 09 de maio de 2017, que por ter sido elaborado com clareza assim transcrevo: "Um tema que tem gerado controvérsia na jurisprudência e que apresenta, ao menos, duas linhas interpretativas referese à Fl. 1705DF CARF MF Processo nº 13896.001251/201004 Acórdão n.º 2301005.352 S2C3T1 Fl. 1.700 11 aplicação da retroatividade benigna, constante do art. 106 do CTN, do novo art. 35 e do art. 35A em relação ao antigo art. 35 da Lei nº 8.212/91: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Eventualmente, a fundamentação jurídica dessas duas linhas de interpretação pode variar, mas o resultado alcançado por quaisquer dessas vertentes será o especificado a seguir. A primeira linha de interpretação sustenta que somente o novo art. 35 poderá retroagir com o objetivo de limitar a 20% o percentual da multa constante do antigo art. 35. Por seu turno, o art. 35A, por inovar a legislação previdenciária de custeio, seria aplicável aos lançamentos de ofício realizados a partir da vigência da Lei nº 11.941/2009. Esta é a posição sustentada de maneira reiterada pelo Superior Tribunal de Justiça. Citese, a esse respeito, o seguinte enxerto do voto do Min. Humberto Martins (os rifos são nossos): A jurisprudência desta Corte é dominante no sentido de que se aplica o disposto no art. 106, inciso II, alínea "c", do CTN na execução fiscal não julgada definitivamente na esfera judicial, independentemente da natureza da multa, sem descaracterizar a liquidez e certeza da Certidão de Dívida Ativa, pois tal normativo estabelece que a lei aplicase a ato ou a fato pretérito quando lhe comina punição menos severa que a prevista por lei vigente ao tempo de sua prática. Verificase que o art. 35 da Lei n. 8.212∕91 foi alterado pela Lei n. 11.941∕09, devendo o novo percentual aplicável à multa moratória seguir o patamar de 20%, que, sendo mais benéfico ao contribuinte, deve lhe ser aplicado, por se tratar de lei mais benéfica, cuja retroação é autorizada com base no art. 106, II, do CTN. (...) Cumpre destacar que o art. 35 da Lei n. 8.212∕91, com a redação anterior à Lei n. 11.940∕09, não distinguia a aplicação da multa em decorrência da sua forma de constituição (de ofício ou por homologação), mas levando em consideração, essencialmente, o momento em que constatado o atraso no pagamento: antes da notificação fiscal, durante a notificação e existência de recurso administrativo, e após a inscrição em dívida ativa. (...) Com efeito, a nova redação do art. 35 da Lei n. 8.212∕91, dada pela Lei n. 11.941∕09, ao prever que as multas aplicadas obedecerão os parâmetros estabelecidos no art. 61 da Lei n. Fl. 1706DF CARF MF 12 9.430∕96, possibilitou a aplicação da multa reduzida aos processos ainda não definitivamente julgados. (...) A distinção quanto à forma de lançamento para fixação de multa somente foi prevista com o advento da Lei n. 11.940∕09, que introduziu o art. 35A à Lei n. 8.212∕91 (...) Com efeito, sua aplicação restringese aos lançamentos de ofício existentes após sua vigência, sob pena de retroação. STJ, 2ª Turma, EDcl no AgRg no RESP nº 1.275.297/SC, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 03/12/2013 No mesmo sentido, citese também o seguinte trecho do voto da Min. Regina Helena Costa (os grifos são nossos): Controvertese acerca do percentual de multa moratória aplicável ao lançamento de ofício após a alteração do art. 35 da Lei n. 8.212∕91 pela Lei n. 11.941∕09 que, ao incluir o art. 35A naquele diploma normativo, determinou a observância do parâmetro mais gravoso do art. 44 da Lei n. 9.430∕96, qual seja, de 75% (setenta e cinco por cento). Com efeito, esta Corte possui entendimento segundo o qual deve ser observado o percentual original da multa moratória previsto no art. 35 da Lei n. 8.212∕91, porquanto as ulteriores disposições do art. 35A cominam penalidade mais severa, autorizando a aplicação do preceito anterior, mais benéfico, a teor do disposto no art. 106, II, c, do CTN. (...) Isto posto, DOU PROVIMENTO ao Recurso Especial para fixar o percentual da multa moratória em 20% (vinte por cento). STJ, 1ª Turma, RESP nº 1.585.929/SP, Rel. Min. Regina Helena Costa, julgado em 19/04/2016 A segunda linha de interpretação considera que o antigo art. 35 da Lei nº 8.212/91 já previa em seu bojo tanto a multa moratória, para os recolhimentos espontâneos, quanto a multa de ofício, em decorrência de autuação da fiscalização (emissão de notificação fiscal de lançamento), não obstante o “caput” do dispositivo faça referência à “multa de mora”. Afinal, não será o “nomen iuris” que determinará o regime jurídico da multa. No fundo, a natureza jurídica dessas multas – moratória ou de ofício – seria a mesma, possuindo caráter sancionador, punitivo e nãoindenizatório. Em consequência, o lançamento de multa relativa a fatos geradores das contribuições previdenciárias ocorridos até 03/12/2008 deverá observar, por essa vertente interpretativa, os percentuais do antigo art. 35 (em respeito ao art. 144 do CTN), ficando limitado ao disposto (i) no novo art. 35 (20%), no caso de declaração entregue pelo contribuinte, ou (ii) no art. 35A Fl. 1707DF CARF MF Processo nº 13896.001251/201004 Acórdão n.º 2301005.352 S2C3T1 Fl. 1.701 13 (75%), no caso de ausência da mencionada declaração e existência de lançamento de ofício. Esta é a posição que tem prevalecido no CARF, pelo voto de qualidade ou, quando menos, por maioria de votos. De forma exemplificativa, vale citar os seguintes julgados: ac. 9202 003.713, de 28/01/2016; ac. 9202004.344, de 24/08/2016; ac. 2202003.445, de 14/06/2016; ac. 2301004.388, de 09/12/2015; ac. 2401004.286, de 13/04/2016). É indubitável a relevância dos fundamentos jurídicos apresentados pelas duas linhas de interpretação. Mas a existência dessa divergência jurisprudencial introduz uma dúvida no sistema, de caráter objetivo, quanto à solução do conflito a respeito da retroatividade benigna da lei nova que define infrações, atraindo a aplicação do art. 112 do CTN: Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I – à capitulação legal do fato; II – à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III – à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV – à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. Nesse cenário de incerteza normativa quando à natureza da penalidade aplicável ou à graduação da multa originalmente lançada (inc. IV), o art. 112 do CTN retrata a adoção do princípio “in dubio pro reo” em matéria de interpretação e deixa transparecer a vontade (vinculante) do legislador de favorecer o acusado com a aplicação da penalidade mais branda. A norma protege o acusado de injustiça na punição, quando houver incerteza a respeito do fato ou do direito aplicável. Assim, nas palavras de Hugo de Brito Machado (“Teoria das Sanções Tributárias”, in Sanções Administrativas Tributárias, Ed. Dialética, p. 177): Se o princípio de Direito Penal do in dubio pro reo exige certeza quanto ao fato, pela mesma razão deve exigir certeza quanto ao direito, pois a verificação da incidência da norma penal depende não apenas da constatação da ocorrência do fato, mas da delimitação do alcance da norma que é indispensável para que se saiba se está aquele fato abrangido, ou não, pela hipótese de incidência, vale dizer, pelo tipo penal. Tratase de corolário que não pode ser ignorado pelo intérprete, ainda que ele particularmente não apresente dúvida acerca do relacionamento entre o antigo art. 35, o novo art. 35 e o art. 35 A. Isso porque a referida dúvida, pressuposto para aplicação do Fl. 1708DF CARF MF 14 art. 112 do CTN, é objetiva e advém das decisões divergentes entre os membros da mesma turma, entre turmas diversas do mesmo tribunal ou entre tribunais diferentes. A jurisprudência judicial não destoa a esse respeito (grifamos): Além disso, o art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação anterior à Lei nº 11.941/2009, estabelece somente multas de mora, inclusive quando houver lançamento de ofício. O legislador considerou irrelevante, para efeito de aplicação da multa de mora, o fato de haver ou não informação a respeito do débito na GFIP. Isso porque as hipóteses de falta de declaração ou declaração inexata eram penalizadas com as multas previstas no art. 32, §§ 4º e seguintes, da Lei nº 8.212/91, que foram revogadas pela Lei nº 11.941/2009. De qualquer sorte, mesmo que haja dúvida quanto à natureza da penalidade aplicável (se é multa de mora ou de ofício), a lei deve ser interpretada da maneira mais favorável ao contribuinte, nos termos do art. 112 do CTN. TRF da 4ª Região, 1ª Turma, Apelação Cível nº 2005.71.11.0045302/RS, Rel. Des. Federal Joel Ilan Paciornik, julgado em 24/02/2010 Posto isso, voto por limitar a multa imposta com base no art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.528/97, ao disposto no art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (20%), por força da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e da interpretação mais favorável ao acusado prevista no art. 112 do CTN". Nessas circunstâncias, voto por limitar a multa em 20%, até o período de autuação de novembro de 2008, em razão dos princípios da retroatividade benigna e de interpretação de norma mais favorável ao acusado contribuinte. CONCLUSÃO Nessas circunstâncias, voto por CONHECER e dar PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário para excluir a multa agravada do auto de infração, mantendose as demais exigências fiscais. Por outro lado, quanto às exigências fiscais mantidas, para fins de aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN, voto por comparar a multa por descumprimento de obrigação acessória e a multa por falta de pagamento de contribuição previdenciária impostas ao contribuinte de forma englobada, limitandoas ao percentual de 20% constante do novo art. 35 da Lei nº 8.212/91 (já com as alterações promovidas pela Lei nº 11.941/2009), por força interpretação mais favorável ao acusado, conforme determina o art. 112 do CTN, devendo ser analisado no momento da execução da decisão à normativa benéfica. É como voto. (assinado digitalmente) Wesley Rocha – Relator. Fl. 1709DF CARF MF Processo nº 13896.001251/201004 Acórdão n.º 2301005.352 S2C3T1 Fl. 1.702 15 Voto Vencedor Antônio Sávio Nastureles Redator designado 1. O caso em exame trata de multa sobre contribuições incluídas em lançamento tributário, referente ao período de 01/2006 a 03/2010, com autuação lavrada em 16/06/2010 (e fls 2), com ciência em 03/07/2010, data posterior à sistemática de cálculo das multas previdenciárias estabelecida pela Medida Provisória nº 449, de 03/12/2008, convertida da Lei nº 11.941/2009. RREETTRROOAATTIIVVIIDDAADDEE BBEENNIIGGNNAA.. CCRRIITTÉÉRRIIOOSS DDOO CCÁÁLLCCUULLOO DDAA MMUULLTTAA MMAAIISS BBEENNÉÉFFIICCAA.. 2. Em relação aos fatos geradores ocorridos antes da alteração legislativa supra citada, ou seja, para o período anterior a 12/2008, existe o dever de observância, pela autoridade administrativa, da aplicação da multa mais benéfica, em obediência ao disposto no artigo 106 inciso II do Código Tributário Nacional. 2.1. Para as competências até novembro de 2008, inclusive, a multa mais benéfica deve ser apurada mediante comparação entre o valor resultante do cálculo vigente à época dos fatos geradores e o valor resultante da multa calculada com base no art. 35A da Lei nº 8.212/91, com a redação da MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Este entendimento está explicitado no art. 476A da Instrução Normativa RFB nº 971/2009: Art. 476A. No caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos: (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 20 de abril de 2010) I até 30 de novembro de 2008, deverá ser aplicada a penalidade mais benéfica conforme disposto na alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), cuja análise será realizada pela comparação entre os seguintes valores: (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 20 de abril de 2010) a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei n º 8.212, de 1991 , em sua redação anterior à Lei n º 11.941, de 2009 , e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei n º 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 20 de abril de 2010) b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei n º 8.212, de 1991 , acrescido pela Lei n º 11.941, de 2009 . (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 20 de abril de 2010) II a partir de 1º de dezembro de 2008, aplicamse as multas previstas no art. 44 da Lei n º 9.430, de 1996 . (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 20 de abril de 2010) Fl. 1710DF CARF MF 16 2.2. Ao tempo da autuação, a fiscalização já havia elaborado o documento intitulado "Anexo I Comparativo das multas aplicadas" (efls 296/297), para verificação da penalidade menos severa ao contribuinte, em observância ao artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN e à Instrução Normativa referida no subitem precedente. 2.3. Detendonos no demonstrativo anexado às efls 297: abrange uma série de comparações em termos quantitativos e por competência, entre os montantes das multas calculadas de acordo com o critério vigente na data do fato gerador e os montantes das multas calculadas de acordo com a lei superveniente (alterações promovidas na Lei nº 8.212/91, pela Lei nº 11.941, de 2009). 2.4. O item 4.4 do Relatório fiscal (efls 404) explicita o critério adotado pela fiscalização para o desiderato de proceder o cálculo da multa mais benéfica. 4.4. — No que respeita à aplicação de multa por apresentação de GFIP com omissões/incorreções, por conta do que prescreve a MP 449/2008 de 03/12/2008, DOU 04/12/2008, convertida na Lei 11.941/2009, de 27/05/2009, DOU 28/05/2009 e ainda de acordo com o prescrito no art. 106, inciso II, alínea "c" do CTN — Lei 5172/1966 de 25/10/1966, foi aplicada a multa mais benéfica ao contribuinte, em relação às competências anteriores à publicação da MP 449, o que está pormenorizadamente demonstrado na planilha anexa a este termo de débito — Anexo I. Quanto às competências posteriores à publicação da MP 449, prevaleceu a multa descrita no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme artigo 35A da Lei 8.212/91. 2.5. No caso em apreço, a multa mais benéfica já foi calculada no momento da autuação, de acordo com o disposto no art. 476A da IN RFB nº 971/2009 (subitem 2.1 supra) e nos termos do art. 3º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 04/12/2009, que dispõe sobre a aplicação dos artigos 35 e 35A da Lei nº 8.212/91. 2.6. Concluise, portanto que a multa foi aplicada de acordo com a legislação que rege o assunto, em estrita observância à retroatividade benigna, não merecendo nenhum reparo no que respeita ao critério elegido para o cálculo da mesma. MMUULLTTAA AAGGRRAAVVAADDAA CCOOMMPPEETTÊÊNNCCIIAASS DDEE 1122//22000088 AA 0033//22001100 3. No caso sob exame, verificase que, a partir da competência 12/2008, a autoridade lançadora aplicou a multa de 225%. 4. Restaram demonstradas tanto pelo Relatório Fiscal (efls 399/409) como pela decisão recorrida Acórdão nº 0540.6022 (efls 1266/1304) as condições necessárias para a duplicação da penalidade administrativa (§ 1º do artigo 44 da Lei nº 9.430/96) e as situações caracterizadoras de potencial embaraço à atuação da fiscalização (§ 2º do artigo 44 da Lei nº 9.430/96). 4.1. Seguese a transcrição do item 5 do Relatório Fiscal (efls 404): 5 — DA MULTA QUALIFICADA E DA MULTA AGRAVADA 5.1 Tanto a ocultação do endereço real da empresa, descrita nos itens 2.3 e 2.7, quanto a informação incorreta de opção pelo 2 Acórdão prolatado pela 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em CampinasSP. Sessão de julgamento de 14 de maio de 2013. Fl. 1711DF CARF MF Processo nº 13896.001251/201004 Acórdão n.º 2301005.352 S2C3T1 Fl. 1.703 17 SIMPLES na GFIP, configuram sonegação, conforme artigo 71 da Lei 4.502/64, transcrito abaixo: LEI Nº 4.502, DE 30 DE NOVEMBRO DE 1964 Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; 5.1.1 — Em virtude do exposto no item anterior, a partir de dezembro de 2008, a multa descrita no item 4.4 foi duplicada, na forma do § 1º do artigo 44 da Lei 9.430/96. 5.2 A falta de apresentação dos esclarecimentos descritos no item 8 do Termo de Intimação Fiscal de 26/05/2010 e dos arquivos digitais descritos no item 5 do mesmo documento motivaram o agravamento da multa descrita no item 4.4 em 50%, conforme § 2º do artigo 44 da Lei 9.430/96, nas competências em que não foi aplicada a multa prescrita na legislação da época dos fatos geradores. 4.2. Como muito bem observado pela decisão de primeira instância, "a qualificação da multa (de 75% para 150%) se deu em virtude (1) da ocultação do endereço da empresa e (2) da informação incorreta de opção pelo Simples na GFIP, enquanto o agravamento desse acréscimo (de 150% para 225%) resultou de ter a autuada deixado de prestar os esclarecimentos e de apresentar os arquivos digitais descritos, respectivamente, nos itens 8 e 5 do Termo de Intimação Fiscal emitido em 26/05/2010" (efls 1295). 5. No julgamento em segunda instância, na sessão realizada em 07/06/2018, a divergência estabelecida se circunscreve ao aspecto do agravamento da multa (de 150% para 225%) e não à qualificação (de 75% para 150%) como se pode observar pela redação do item "b" do dispositivo: (b) por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário em relação aos períodos de 12/2008 em diante; vencidos os conselheiros Wesley Rocha (relator) e Juliana Marteli Fais Feriato, que davam provimento parcial para desagravar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 150%. 5.1. Como se vê, posição majoritária do Colegiado acolheu o entendimento esposado pela decisão de primeira instância, ao reconhecer a caracterização das situações fáticas aptas a motivar o agravamento da penalidade. 5.2. Tais situações fáticas estão relacionadas com as condutas atribuíveis ao contribuinte, ora Recorrente, de não atender a solicitações formuladas pela fiscalização. Vejamos: Fl. 1712DF CARF MF 18 5.2.1. Não apresentação de "Informações em meio digital com leiaute previsto no Manual Normativo de Arq. Dig da SRP atual ou em vigor a época de ocorrência dos fatos geradores"3. 5.2.2. Não apresentação de "justificativa por escrito, com a apresentação de documentos comprobatórios, para a entrega de GFIP's entre 01/2006 e 03/2010 com a informação de "empresa optante pelo SIMPLES" , uma vez que o , contribuinte foi excluído do SIMPLES Federal em:2003 e não fez a opção pelo SIMPLES Nacional"4 5.3. Cabe transcrever excerto da decisão de primeira instância administrativa ao proceder análise minuciosa e concludente sobre o agravamento da penalidade procedido pela fiscalização (efls 1299/1301): Do aumento de metade da multa No item 5.2 de seu relatório, a auditora notificante esclarece que “A falta de apresentação dos esclarecimentos descritos no item 8 do Termo de Intimação Fiscal de 26/05/2010 e dos arquivos digitais descritos no item 5 do mesmo documento motivaram o agravamento da multa descrita no item 4.4 em 50%, conforme § 2º do artigo 44 da Lei 9.430/96, nas competências em que não foi aplicada a multa prescrita na legislação da época dos fatos geradores”. Eis aqui a reprodução do mencionado TIF: Já foi alhures ressaltado neste voto que a autuada não infirma que deixou de atender ao referido Termo de Intimação, limitandose à reclamação de que foi exíguo o prazo concedido para tal atendimento, e de que nem mesmo esse prazo foi observado, eis que o procedimento fiscal teria sido encerrado – com a consequente emissão deste AI e dos TERMOS DE SUJEIÇÃO PASSIVA – apenas quatro dias úteis após a ciência do documento em apreço. Como, no entanto, naquela oportunidade, nossa proposta foi pelo não acolhimento da reclamação do contribuinte, por a considerarmos meramente protelatória, não há como deixarmos de concluir que o fato descrito no item 5.2 do REFISC se amolda com perfeição às hipóteses dos incisos I e II do retro citado § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430/96, in verbis: § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. Com o intuito de evidenciar a improcedência do agravo de que trata o parágrafo em comento, os sócios da empresa ainda arguem, em suas respectivas impugnações, que não é procedente a afirmação da auditora fiscal, de que eles deixaram de apresentar os documentos ou esclarecimentos por ela solicitados – com o que teriam desatendido ao art. 32, inciso III, da Lei nº 8.212/91 –, pois, não obstante a Sra. Rosidete Lucio de Almeida, procuradora da empresa, tenha 3 Conforme item 5 do Termo de Intimação Fiscal, de 26/05/2010 (efls 76/77). 4 Conforme item 8 do Termo de Intimação Fiscal, de 26/05/2010 (efls 76/77). Fl. 1713DF CARF MF Processo nº 13896.001251/201004 Acórdão n.º 2301005.352 S2C3T1 Fl. 1.704 19 comparecido à DRF Barueri em 24/05/2010, com vistas ao cumprimento dos Termos de Intimação emitidos em nome dos sócios em 10/05/2010 (fls. 62 e 64), a autoridade do fisco, “alegando carência de poderes veiculados no instrumento de procuração, não lhe entregou a copio do Termo de Intimação Fiscal tendo por objeto das contribuições previdenciárias, outras entidades e Fundos do período de apuração 01/2006 a 03/2010, o que acabou por dificultar o conhecimento pelo contribuinte das ações fiscais em andamento”. Apesar de verdadeiro que a AFRFB autuante não entregou documento algum à referida procuradora (vejase, a propósito, o item 2.6 do REFISc), também é fato que em 24/05/2010, quando do comparecimento da aludida representante na DRF Barueri, ainda não havia sido sequer emitido o Termo de Intimação Fiscal de fls. 76 e 77, por meio do qual, como sabemos, a empresa foi intimada a prestar os esclarecimentos e apresentar os documentos há pouco mencionados. Em realidade, esse documento veio a ser lavrado apenas em 26/05/2010, tendo a respectiva ciência à empresa ocorrido via o EDITAL SEFIS DRF BARUERI Nº 42/2010, afixado nesta última data e desafixado em 16/06/2010, de modo não era mesmo de esperar que dele fosse dado conhecimento à Sra. Rosidete Lucio de Almeida.. Ressaltese que, mesmo diante da posição adotada pela fiscalização a propósito da alegada insuficiência do instrumento de procuração citado no parágrafo anterior, não houve o retorno da Sra. Rosidete nem o comparecimento dos sócios à DRF de origem, mas apenas, consoante o REFISC, a ida de um “portador apresentando cópia da mesma alteração contratual já apresentada anteriormente, mas com o registro no Cartório de Barueri, datado de 08/06/2010”, o que, diante dos efeitos do Edital nº 42/2010, permite concluir que, efetivamente, “Não houve apresentação de nenhum dos documentos e esclarecimentos solicitados pelo TIPF ou pelo TIF de 26/05/2010”. Assim, por realizadas in concreto as hipóteses descritas nos inciso I e II do § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430/96, impõese o indeferimento do pleito ora deduzido pelo contribuinte e pelos seus sócios, com a conseqüente ratificação deste outro agravo aplicado pela fiscalização. 6. No caso dos autos, não há nenhuma dúvida de que o Contribuinte, ora Recorrido, deixou de atender de modo satisfatório as solicitações feitas pela Fiscalização, tal como descrito no item 5.2 do Relatório Fiscal (subitem 4.1 supra): não houve apresentação de justificativas relacionadas à opção pelos regimes favorecidos (Simples Federal/Nacional) tampouco a apresentação dos arquivos digitais, especificados pelo Termo de Intimação Fiscal de 26/05/2010. E, como se depreende da norma aplicável, a conseqüência jurídica de tal conduta consiste precisamente no agravamento da multa prevista na Lei nº 9.430 (§2º, I do art. 44 da Lei nº 9.430/96). 7. Com a devida permissão a posicionamentos diversos, a exemplo daquele defendido pelo ilustre Relator em seu voto, a mera circunstância da fiscalização ter tido condições de realizar as apurações no âmbito do procedimento fiscal, e de lavrar o autodeinfração, não tem o condão de afastar a aplicação da norma estatuída pelo artigo 44, § 2º, inciso I da Lei nº 9.430/1996. CCOONNCCLLUUSSÃÃOO 8. Para concluir, apresentase breve síntese das considerações delineadas ao longo deste voto. Fl. 1714DF CARF MF 20 8.1. Com relação aos períodos de apuração até 11/2008 (inclusive) já se demonstrou a correção do critério elegido pela fiscalização no cálculo da multa mais benéfica (item 2 supra e respectivos subitens). 8.2. Quanto aos períodos de apuração de 12/2008 em diante, determinase a manutenção do agravamento da multa aplicada no presente feito (itens 4 a 7 supra). 9. De todo o exposto, VOTO por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Antônio Sávio Nastureles Redator designado Fl. 1715DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.908737/2012-94
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/07/2010
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. JUNTADA DE PROVAS.
Deve ser indeferido o pedido de diligência, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo.
DEPRECIAÇÃO. REGIME TRIBUTÁRIO DE TRANSIÇÃO.
As diferenças no cálculo da depreciação de bens do ativo imobilizado decorrentes de revisão e ajuste dos critérios utilizados para determinação da vida útil econômica estimada e para cálculo da depreciação, em face da análise periódica sobre a recuperação dos valores registrados no imobilizado, não terão efeitos para fins de apuração do cálculo dos créditos no regime de apuração não cumulativa das Contribuições para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins e para o Programa de Integração Social - PIS da pessoa jurídica sujeita ao Regime Tributário de Transição - RTT, devendo ser considerados, para fins tributários, os métodos e critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007.
Numero da decisão: 3001-000.533
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar, por prescindível, a diligência suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Francisco Martins Leite Cavalcante e Marcos Roberto da Silva.
Nome do relator: ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/07/2010 PEDIDO DE DILIGÊNCIA. JUNTADA DE PROVAS. Deve ser indeferido o pedido de diligência, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo. DEPRECIAÇÃO. REGIME TRIBUTÁRIO DE TRANSIÇÃO. As diferenças no cálculo da depreciação de bens do ativo imobilizado decorrentes de revisão e ajuste dos critérios utilizados para determinação da vida útil econômica estimada e para cálculo da depreciação, em face da análise periódica sobre a recuperação dos valores registrados no imobilizado, não terão efeitos para fins de apuração do cálculo dos créditos no regime de apuração não cumulativa das Contribuições para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins e para o Programa de Integração Social - PIS da pessoa jurídica sujeita ao Regime Tributário de Transição - RTT, devendo ser considerados, para fins tributários, os métodos e critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007.
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JUNTADA DE PROVAS. Deve ser indeferido o pedido de diligência, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo. DEPRECIAÇÃO. REGIME TRIBUTÁRIO DE TRANSIÇÃO. As diferenças no cálculo da depreciação de bens do ativo imobilizado decorrentes de revisão e ajuste dos critérios utilizados para determinação da vida útil econômica estimada e para cálculo da depreciação, em face da análise periódica sobre a recuperação dos valores registrados no imobilizado, não terão efeitos para fins de apuração do cálculo dos créditos no regime de apuração não cumulativa das Contribuições para o Financiamento da Seguridade Social Cofins e para o Programa de Integração Social PIS da pessoa jurídica sujeita ao Regime Tributário de Transição RTT, devendo ser considerados, para fins tributários, os métodos e critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar, por prescindível, a diligência suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Francisco Martins Leite Cavalcante e Marcos Roberto da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 90 87 37 /2 01 2- 94 Fl. 630DF CARF MF Processo nº 10580.908737/201294 Acórdão n.º 3001000.533 S3C0T1 Fl. 631 2 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão 1467.527, da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto DRJ/RPO que, em sessão de julgamento realizada no dia 20.06.2017, julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório pleiteado no Per/Dcomp 41930.90575.221211.1.3.045479. Da síntese dos fatos Por bem sintetizar os fatos, transcrevo o relatório do acórdão recorrido (efls. 58 a 62), verbis: Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação de crédito de Contribuição para o PIS/Pasep, referente a pagamento efetuado indevidamente ou ao maior no período de apuração 31/07/2010, no valor de R$ 15.210,62, transmitida através do PER/Dcomp nº 41930.90575.221211.1.3.045479. A DRF Salvador não homologou a compensação por meio do despacho decisório eletrônico de fl. 43, já que pagamento indicado no PER/Dcomp teria sido integralmente utilizado para quitar débito do contribuinte. Cientificado do despacho em 18/12/2012 (fl. 44), o recorrente apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 2/5, em 16/01/2013, para alegar que teria revisado a apuração do débito de PIS no Dacon e constatado que teria deduzido a menor os créditos decorrentes de encargos de depreciação sobre os bens do ativo imobilizado. Defendeu que a divergência teria ocorrido, pois não teria observado o Regime Tributário de Transição, tendo revisado a vida útil econômica estimada dos bens e o saldo residual do ativo imobilizado, com amparo no Parecer Normativo nº 1, de 29 de julho de 2011. Alegou que teria retificado a DCTF e o Dacon intempestivamente, motivo pelo qual o crédito não teria sido visualizado à época da emissão do despacho decisório. Concluiu, para requerer a homologação da compensação. Juntou cópia do Dacon e da DCTF. É o relatório. Da ementa da decisão recorrida Fl. 631DF CARF MF Processo nº 10580.908737/201294 Acórdão n.º 3001000.533 S3C0T1 Fl. 632 3 A 5ª Turma da DRJ/RPO, ao julgar improcedente a manifestação de inconformidade, exarou o citado acórdão de manifestação de inconformidade, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos, verbis: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/07/2010 DEPRECIAÇÃO. REGIME TRIBUTÁRIO DE TRANSIÇÃO. As diferenças no cálculo da depreciação de bens do ativo imobilizado decorrentes do disposto no § 3º do art. 183 da Lei nº 6.404, de 1976, com as alterações introduzidas pela Lei nº 11.638, de 2007, e pela Lei nº 11.941, de 2009, não terão efeitos para fins de apuração do cálculo dos créditos no regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep da pessoa jurídica sujeita ao RTT, devendo ser considerados, para fins tributários, os métodos e critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Da ciência O contribuinte, conforme depreendese do "TERMO DE ABERTURA DE DOCUMENTO COMUNICADO" (efl. 64), conheceu do teor do acórdão vergastado em 19.07.2017, razão pela qual, irresignado com a decisão recorrida, em 17.08.2017, conforme depreendese do "TERMO DE ANÁLISE DE SOLICITAÇÃO DE JUNTADA" (efls. 67/68), registra a juntada do presente recurso voluntário (efls. 69 a 77), acompanhado dos anexos 01 a 05 (efls. 78 a 628). Do recurso voluntário Após tomar ciência da decisão vergastada, o recorrente comparece uma vez mais aos autos para, em sede de recurso voluntário, pleitear a reforma do acórdão. Nesta referida petição recursal limitase a repisar os argumentos apresentados na sua manifestação de inconformidade, e apresenta, dentre outros, o denominado "anexo 05", que tratase da "RELAÇÃO DOS BENS DO ATIVO IMOBILIZADO POR CONTA E CENTRO DE CUSTO", referente ao mês julho de 2010, extraído em 21.03.2011. Diante do alegado, requer sejalhe dado provimento, reconhecendose seu direito creditório e homologandose a compensação objeto do presente processo. Do encaminhamento Em razão disso, os autos ascenderam ao CARF em 28.08.2017 (efl. 629), que, na forma regimental, foi distribuído e sorteado para manifestação deste colegiado extraordinário da 3ª Seção, cabendo a este conselheiro o processamento do presente feito. É o relatório. Fl. 632DF CARF MF Processo nº 10580.908737/201294 Acórdão n.º 3001000.533 S3C0T1 Fl. 633 4 Voto Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Relator Da competência para julgamento do feito Observo que, em conformidade com o prescrito no artigo 23B do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, com redação da Portaria MF nº 329, de 2017, este colegiado é competente para apreciar o presente feito. Da tempestividade O recurso voluntário foi juntado aos autos em 17.08.2017, depois da ciência do acórdão recorrido, ocorrida em 19.07.2017; portanto, a petição recursal é tempestiva e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos na legislação de regência, de modo que dela conheço. Do pedido de diligência No processo administrativo fiscal a autoridade julgadora não está obrigada a deferir pedidos de realização de diligência ou perícia requeridas. A teor do disposto no artigo 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pelo artigo 1º da Lei nº 8.748, de 1993, tais pedidos somente são deferidos quando necessários à formação de convicção do julgador. Ou seja, a perícia ou a diligência só têm razão de ser quando há questão de fato ou de prova a ser elucidada, a critério da autoridade administrativa que realiza o julgamento do processo. No presente caso, conforme se verá, não há questão de fato a ser elucidada. Assim, concluo pelo seu indeferimento. Do mérito Reprisando o que já havia argumentado em sua manifestação de inconformidade, o Recorrente reafirma que "a correção da obrigação acessória teve por objetivo atender ao disposto na legislação tributária, especialmente, no tocante ao capítulo 87, Anexo I, da Instrução Normativa nº 162, de 31 de dezembro de 1998, em consonância ao disposto nos itens 29 e 31 do Parecer Normativo Cosit nº 1, de 29 de julho de 2011, fato que resta comprovado através da análise das taxas de depreciação contidas nos controles patrimoniais da Recorrente (anexo 05)". A 5ª Turma da DRJ/RPO proferiu decisão nos termos acima indicados, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. De plano, não assiste razão ao Recorrente, uma vez que, como corretamente concluiu o voto condutor do acórdão recorrido, a justificativa para o não atendimento de seu pleito e consequente não reconhecimento do suposto direito creditório assentase tão somente no fato de que o Parecer Normativo Cosit nº 1, de 29.06.2011, ao tratar das "diferenças no cálculo da depreciação dos bens do ativo imobilizado decorrentes do disposto no § 3º do art. 183 da Lei nº 6.404, de 1976, com as alterações introduzidas pela Lei nº 11.638, de 2007, e Fl. 633DF CARF MF Processo nº 10580.908737/201294 Acórdão n.º 3001000.533 S3C0T1 Fl. 634 5 pela Lei nº 11.941, de 2009" concluiu textualmente, em seu item 32.1., que "não terão efeitos para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL da pessoa jurídica sujeita ao RTT, devendo ser considerados, para fins tributários, os métodos e critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007". Nestes termos, é despicienda a trazida da documentação que demonstra os "controles patrimoniais" do Recorrente, notadamente seu "anexo 05", uma vez que não está aqui tratandose de questão de ordem fática, mas sim jurídica, donde o Parecer Normativo Cosit nº 1, de 29.06.2011, em que o próprio Recorrente arrimase para defender seu pleito, uma vez que confirma que agiu em conformidade com os seus ditames, observou que "não terão efeitos para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL da pessoa jurídica sujeita ao RTT, devendo ser considerados, para fins tributários, os métodos e critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007". Dessa forma, concluo não haver qualquer reparo quanto ao decidido pela instância a quo, ao concluir que "não merecem prosperar as alterações propostas pelo interessado", quando da retificação das informações prestadas no "Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais" Dacon e na "Demonstração de Débitos e Créditos Tributários Federais" DCTF. Ademais, por oportuno, saliento que o fato de a decisão recorrida mencionar "que não foi apresentada qualquer documentação contábil e fiscal que comprovasse a alteração do cálculo dos encargos de depreciação sobre os bens do ativo imobilizado", somente vem reforçar o entendimento acima exposto; qual seja, no sentido que de a questão em trato é de obediência à legislação aplicável às pessoas jurídicas sujeitas ao "Regime Tributário de Transição" RTT, sendo irrelevante, assim como o foi para se chegar à conclusão dada pelo Colegiado recorrido, a apresentação ao não de sua documentação contábil e fiscal, uma vez que esta somente teria como objetivo corroborar as alegações do Recorrente, feitas naquele momento processual, mas como deixou bem claro o acórdão vergastado, a motivação para o indeferimento do pleito recursal transcendeu qualquer razão de ordem fática e/ou probatória, conforme já assentado alhures. Da conclusão Diante do exposto, voto no sentido de rejeitar, por prescindível, a diligência suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 634DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.720619/2011-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006,2007
NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA.
Tendo sido o lançamento efetuado com observância dos pressupostos legais e não havendo prova de violação das disposições contidas no artigo 142 do CTN e artigos 10 e 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se falar em nulidade do lançamento em questão.
NULIDADE. MPF.
O MPF é mecanismo de controle administrativo e nenhuma irregularidade houve em relação ao mandado, uma vez que regularmente emitido e cientificado à Contribuinte.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007
IRPJ. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
O art. 42 da Lei nº 9.430/1996 autoriza a presunção de omissão de rendimentos tributáveis com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários, a qual não pode ser substituída por meras alegações.
BASE DE CÁLCULO. SUBSTITUIÇÃO DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS POR MARGEM DE LUCRO OU FATOR ANFAC. ATIVIDADE DE FACTORING.
Improcedente a substituição da base de cálculo, apurada pelos depósitos bancários de origem não comprovada, por suposta margem de lucro considerada a diferença entre o valor de face e o valor de venda do título de crédito à empresa de factoring ou eventual aplicação do nominado Fator ANFAC, indicador publicado pela Associação Nacional das Sociedades de Fomento Mercantil, se ausentes elementos que permitam aferir e comprovar que a atividade da contribuinte era realmente de faturização.
Numero da decisão: 1402-003.349
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Leonardo Luis Pagano Gonçalves (relator), Caio Cesar Nader Quintella e Lucas Bevilacqua Cabianda Vieira que davam provimento.
Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Redator Designado.
(assinado digitalmente)
Leonardo Luis Pagano Gonçalves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Sergio Abelson (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Leonam Rocha de Medeiros (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2006,2007 NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Tendo sido o lançamento efetuado com observância dos pressupostos legais e não havendo prova de violação das disposições contidas no artigo 142 do CTN e artigos 10 e 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se falar em nulidade do lançamento em questão. NULIDADE. MPF. O MPF é mecanismo de controle administrativo e nenhuma irregularidade houve em relação ao mandado, uma vez que regularmente emitido e cientificado à Contribuinte. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006, 2007 IRPJ. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. O art. 42 da Lei nº 9.430/1996 autoriza a presunção de omissão de rendimentos tributáveis com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários, a qual não pode ser substituída por meras alegações. BASE DE CÁLCULO. SUBSTITUIÇÃO DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS POR MARGEM DE LUCRO OU FATOR ANFAC. ATIVIDADE DE FACTORING. Improcedente a substituição da base de cálculo, apurada pelos depósitos bancários de origem não comprovada, por suposta margem de lucro considerada a diferença entre o valor de face e o valor de venda do título de crédito à empresa de factoring ou eventual aplicação do nominado Fator ANFAC, indicador publicado pela Associação Nacional das Sociedades de Fomento Mercantil, se ausentes elementos que permitam aferir e comprovar que a atividade da contribuinte era realmente de faturização.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Leonardo Luis Pagano Gonçalves (relator), Caio Cesar Nader Quintella e Lucas Bevilacqua Cabianda Vieira que davam provimento. Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Redator Designado. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Sergio Abelson (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Leonam Rocha de Medeiros (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
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IMPROCEDÊNCIA. Tendo sido o lançamento efetuado com observância dos pressupostos legais e não havendo prova de violação das disposições contidas no artigo 142 do CTN e artigos 10 e 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se falar em nulidade do lançamento em questão. NULIDADE. MPF. O MPF é mecanismo de controle administrativo e nenhuma irregularidade houve em relação ao mandado, uma vez que regularmente emitido e cientificado à Contribuinte. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 IRPJ. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. O art. 42 da Lei nº 9.430/1996 autoriza a presunção de omissão de rendimentos tributáveis com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários, a qual não pode ser substituída por meras alegações. BASE DE CÁLCULO. SUBSTITUIÇÃO DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS POR MARGEM DE LUCRO OU FATOR ANFAC. ATIVIDADE DE FACTORING. Improcedente a substituição da base de cálculo, apurada pelos depósitos bancários de origem não comprovada, por suposta margem de lucro considerada a diferença entre o valor de face e o valor de venda do título de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 06 19 /2 01 1- 23 Fl. 1508DF CARF MF Processo nº 19515.720619/201123 Acórdão n.º 1402003.349 S1C4T2 Fl. 1.509 2 crédito à empresa de factoring ou eventual aplicação do nominado Fator ANFAC, indicador publicado pela Associação Nacional das Sociedades de Fomento Mercantil, se ausentes elementos que permitam aferir e comprovar que a atividade da contribuinte era realmente de faturização. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Leonardo Luis Pagano Gonçalves (relator), Caio Cesar Nader Quintella e Lucas Bevilacqua Cabianda Vieira que davam provimento. Paulo Mateus Ciccone Presidente e Redator Designado. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Sergio Abelson (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Leonam Rocha de Medeiros (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). Fl. 1509DF CARF MF Processo nº 19515.720619/201123 Acórdão n.º 1402003.349 S1C4T2 Fl. 1.510 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto face v. acórdão proferido pela DRJ de São Paulo que decidiu manter parcialmente os créditos exigidos no Auto de Infração em epígrafe. Não foi interposto Recurso de Ofício, pois o valor excluído da exigência fiscal é inferior ao limite de alçada previsto em lei. O Auto de Infração exige IRPJ e reflexos (CSLL, PIS/COFINS) dos anos calendário de 2006 e 2007, tributados pelo regime de lucro real anual, imputa multa de 75% e juros de mora, devido a acusação de omissão de receita constatada por meio de depósitos bancários sem comprovação da origem, conforme intimação de fls. 303/372 (eprocesso) e Termo de Verificação Fiscal fls. 383/385. O Termo de Verificação Fiscal (fls. 383/385) relata os seguintes fatos: Fl. 1510DF CARF MF Processo nº 19515.720619/201123 Acórdão n.º 1402003.349 S1C4T2 Fl. 1.511 4 (...) De resto, para melhor descrever os fatos, utilizo o relatório do v. acórdão "a quo": [...] Os extratos da movimentação nas contas bancárias (Ag. 14800, CC 30.9028, do Bradesco, e Ag. 1723, CC 00129504, do SudamerisReal) estão às fls. 71 a 292. As planilhas com os valores autuados estão às fls. 304 a 372 e as demonstrações de compensação de prejuízo fiscal e de base negativa, assim como os autos de infração com as bases legais das autuações constam às fls. 374 a 382 e 386 a 436. O interessado apresentou impugnação, em 12/08/2011 (fls. 439 a 451), por meio de sócio (fls. 452 a 457), acompanhada de elementos que já constam do processo (fls. 458 a 699), bem como cópias de Relações de Títulos Liquidados de Clientes creditados na conta do Banco Santander de 2006 e 2007 (fls. 700 a 1292), alegando, em resumo, que: Fl. 1511DF CARF MF Processo nº 19515.720619/201123 Acórdão n.º 1402003.349 S1C4T2 Fl. 1.512 5 1 a duração da fiscalização é de 120 dias, prorrogável, mas não por quase 2 anos como neste caso, conforme a Portaria 1.265/99: “Dos Prazos Art. 11. Os MPF terão os seguintes prazos máximos de validade: I cento e vinte dias, nos casos de MPFF e de MPFE; II sessenta dias, no caso de MPFD. Art. 12. A prorrogação do prazo de que trata o art. 11 poderá ser efetuada pela autoridade outorgante, tantas vezes quantas necessárias, observado, em cada ato, o prazo máximo de sessenta dias, para procedimentos de fiscalização, e de trinta dias, para procedimentos de diligência. Art. 13. Os prazos a que se referem os arts. 11 e 12 serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento, nos termos do art. 5º do Decreto n.º 70.235, de 1972. Parágrafo único. A contagem do prazo do MPFE farseá a partir da data do início do procedimento fiscal.” (destaque na impugnação) 2 a regra define 120 dias de prazo para o MPF de fiscalização, com previsão de prorrogações por 60 dias, mas em razão de flagrante necessidade em vista de peculiaridades do caso; 3 não tendo havido a identificação dos motivos pelos quais haveria necessidade de mais prazo, dáse a nulidade do ato administrativo, pois a motivação do ato é indispensável; 4 a aplicação do dispositivo legal sobre depósitos bancários está errada, vez que sendo uma factoring, considerálos renda (sic) omitida contraria a realidade da sua atividade, que envolve a intermediação de valores de terceiros (ou seja, lidaria com direitos creditórios de terceiros), conforme seu contrato social; além disso, depósitos bancários, por si só, não constituem fato gerador do IRPJ, de modo que não servem de base de cálculo; 5 o § 3º (do art. 42 da Lei n.º 9.430/96) manda analisar de forma individualizada os créditos, o que não foi feito, neste caso, sendo que o inciso I do parágrafo especifica a exclusão das transferências de outras contas da própria pessoa jurídica, o que tampouco foi feito, assim como não foram desconsiderados estornos e devoluções de cheques; os valores nessas situações estão grifados nos extratos (docs. 06 e 07), que são dos bancos: a) Bradesco, anos 2006 e 2007; e, b) Sudameris, anos 2006 e 2007. 6 junta as relações do Banco Santander (exSudameris) com todos os valores dos títulos mercantis liquidados que constavam como depósitos na sua conta bancária (doc. 10 relação de documentos), provando que são indevidos os valores lançados (doc. 08, do Bradesco e doc. 09, do Sudameris); 7 todos os valores autuados são relacionados a serviços de cobrança, de modo que não são de sua titularidade e não têm relação com o fato gerador, fatos provados pelo documento bancário que “atesta a procedência /origem do documento se referir à liquidação de títulos mercantis ...” Fl. 1512DF CARF MF Processo nº 19515.720619/201123 Acórdão n.º 1402003.349 S1C4T2 Fl. 1.513 6 (sic) e identifica as “empresas constantes nos títulos” (sic); 8 nem todas as operações foram comprovadas até a data do protocolo da defesa, sendo preciso juntar mais provas, vez que os 20 dias dados pela fiscalização e os 30 dias para a defesa foram insuficientes, pois se trata de comprovar mais de 4000 operações financeiras. O processo foi baixado em diligência, em 20/01/2012 (fls. 1304/5), pois: “A fiscalização não referiu ter efetuado quaisquer deduções referentes a transferências, estornos, devoluções de cheques e resgates de aplicações financeiras, de forma que o processo deve ser encaminhado ao órgão de origem para que a fiscalização se manifeste de forma conclusiva a respeito, juntando planilha com a demonstração dos ajustes.” A diligência foi finalizada em 22/06/2012 (fls. 1311/12), concluindo que: “Após a análise dos extratos bancários do contribuinte considerados no já citado Processo, temos que os seguintes valores não foram excluídos das bases de cálculo dos tributos considerados e devem ser. A seguir apresentamos detalhadamente as datas, os valores a serem reduzidos e o motivo da redução da base de cálculo.” Os valores a excluir foram creditados na CC 30.9028, Ag. 14800, do Bradesco e são os seguintes, conforme a diligência: 1 anocalendário de 2006: [...] 2 anocalendário de 2007: [...] O interessado apresentou manifestação de inconformidade, em 27/06/2012, por meio de sócio (fls.1315/1317), alegando, em resumo, que: “... ainda que corretas as exclusões ora verificadas por se tratarem de operações, em sua maioria, inválidas e canceladas, é correto que perante estas classificações de operações mencionadas, quais sejam: estorno, operações irregulares e, devoluções de cheques depositados e, assim se aproveita para acrescentar nova relação de valores por se tratarem de operações da mesma natureza, mas que não foram observadas até o momento ...: Banco Bradesco Agência 14800, c/c 30.9028: • 13.01.06 Operação Irregular R$ 39,00 • 22.02.06 Devolução de Chq R$ 148,29 • 03.03.06 Devolução de Chq R$ 80,00 • 26.05.06 Devolução de Chq R$ 250,00 • 05.07.06 Operação Irregular R$ 130,64 Fl. 1513DF CARF MF Processo nº 19515.720619/201123 Acórdão n.º 1402003.349 S1C4T2 Fl. 1.514 7 • 02.10.06 Estorno de Lançamento R$ 564,26 • 20.10.06 Devolução de Chq R$ 956,00 (1ª apresentação) • 24.10.06 Devolução de Chq R$ 956,00 (1ª apresentação) • 08.05.07 Operação Irregular R$ 25,00 • 28.05.07 Operação Irregular R$ 55,59 • 29.05.07 Operação Irregular R$ 19,00 • 27.07.07 Operação Irregular R$ 46,00 • 24.08.07 Operação Irregular R$ 29,00 • 03.09.07 Estorno de Lançamento R$ 49,20 • 05.09.07 Operação Irregular R$ 63,00 Por óbvio que a relação não se exaure no sentido de que eventuais valores que configurem com a mesma natureza serão necessariamente excluídos da base de cálculo. Ademais, todas as alegações relativas aos procedimentos fiscais e as ponderações equivocadas da fiscalização, esplanadas em sede de impugnação são por ora reiteradas na presente resposta à intimação. (...)” Em seguida, foi proferido v. acórdão, afastando o pedido de nulidade no trabalho fiscal relativo ao prazo de prorrogação do MPF, acolhendo as exclusões indicadas na diligência, bem como excluindo os depósitos apontados na manifestação da Recorrente de fls. 1315/1317 do eprocesso, registrando a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006, 2007 NULIDADE. MPF. FALTA DE IDENTIFICAÇÃO DO MOTIVO DA PRORROGAÇÃO. Não há previsão legal que obrigue a identificar o motivo da necessidade de prorrogação do MPF. Preliminar indeferida. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO LEGAL. Os valores que não se conformam à presunção legal devem ser excluídos. AUTOS REFLEXOS. PIS. COFINS. CSLL. O decidido quanto ao IRPJ aplicase à tributação dele decorrente. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Fl. 1514DF CARF MF Processo nº 19515.720619/201123 Acórdão n.º 1402003.349 S1C4T2 Fl. 1.515 8 Ato contínuo, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário repisando os mesmos argumentos da impugnação. A D. Procuradoria não se manifesta nos autos. Este processo foi posto em pauta e esta C. Turma Ordinário decidiu converter o julgamento em diligência para que a Autoridade Local tomasse as seguintes providências: Desta forma, entendo ser necessário converter o julgamento em diligência para que a autoridade local verifique se os valores dos depósitos ora em análise, são relativos a operações de fomento mercantil (operações com a Factoring autuada), entre terceiros/clientes e a Recorrente. Para isso, a Fiscalização deve realizar a circularização com os clientes indicados nos Títulos de Créditos acostados aos autos fls. 700/1292. Em seguida, deve fazer o cruzamento dos valores indicados para fundamentar omissão de receita nos Anexos 1 e 2 da Intimação Fiscal do Auto de Infração, com os Titulo de Créditos de fls. 700/1292, elaborando Relatório Circunstânciado no prazo de 30 dias. Ato contínuo, intime a Recorrente para se manifestar do Relatório Circunstânciado no mesmo prazo de 30 dias. Após o cumprimento dos atos acima indicados, retornem os autos para este E. CARF/MF para prosseguimento do julgamento. Veio a resposta a diligência informando que não conseguiu intimar a empresa e nem o sócio Recorrente. (Primeiro Relatório Fiscal) Em seguida veio a resposta das circularização feita junto as empresas indicadas nos Títulos de Créditos onde indicavam os supostos clientes da Recorrente. (Relatório Fiscal Complementar fl.1430/1432). É o relatório. Fl. 1515DF CARF MF Processo nº 19515.720619/201123 Acórdão n.º 1402003.349 S1C4T2 Fl. 1.516 9 Voto Vencido Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator Preliminar: Em relação a preliminar de nulidade do MPF devido a falta de motivação para prorrogálo, apesar de não concordar, a jurisprudência desta C. 2 Turma Ordinária segue o entendimento majoritário do E. CARF/MF que vai no sentido de que o mandado de procedimento fiscal é instrumento de controle administrativo e de informação do contribuinte, podendo ser prorrogado varias vezes e eventuais incorreções ou omissões não causam nulidade no Auto de Infração. Vejamos este entendimento que prevalece no E. Tribunal nas ementas colacionadas abaixo. 1 Acórdão 10514859 : “(...) FALTA DE MPF COMPLEMENTAR INOCORRÊNCIA DE NULIDADE DO LANÇAMENTO A falta do MPF Complementar para ampliar o período de apuração previsto no MPFF, bem assim sua ciência ao contribuinte, não acarreta a nulidade do lançamento relativamente aos períodos não alcançados pelo MPFF, tendo em vista que o MPFF é documento de uso interno da SRF. (...)” 2 Acórdão 10516209: “ (...) IRPJ. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL MPF. AUSÊNCIA DE NULIDADE. O MPF Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte. Seu vencimento não constitui, por si só, causa de nulidade do lançamento e nem provoca a requisição de espontaneidade por parte do sujeito passivo. Eventuais omissões ou incorreções no Mandado de Procedimento Fiscal não são causa de nulidade do auto de infração. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL EXTENSÃO AOS TRIBUTOS DECORRENTES Não deve prosperar a alegação de que o MPF só abrangeu o IRPJ, não alcançando o PIS, COFINS e CSLL, de vez que com base na Fl. 1516DF CARF MF Processo nº 19515.720619/201123 Acórdão n.º 1402003.349 S1C4T2 Fl. 1.517 10 Portaria nº 3.007, de 26/11/2001, os tributos decorrentes estarão automaticamente incluídos no MPF, independentemente de menção expressa. (...)” 3 Acórdão 10248796: “NULIDADE DO LANÇAMENTO – MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL – O mandado de Procedimento Fiscal é mero instrumento de controle administrativo. A não observância na instauração, amplitude ou prorrogação do MPF poderá ser objeto de repreensão disciplinar. A incompetência só ficará caracterizada quando o ato não se incluir nas atribuições legais do agente que o praticou.” 4 Acórdão 10423228: “MPF MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL DEMONSTRATIVO DE EMISSÃO E PRORROGAÇÃO CIÊNCIA O MPF Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte. Seu vencimento não constitui, por si só, causa de nulidade do lançamento e nem provoca a reaquisição de espontaneidade por parte do sujeito passivo. Eventuais omissões ou incorreções no Mandado de Procedimento Fiscal não são causa de nulidade do auto de infração. Ademais, o suposto vício estaria em processo estranho aos presentes autos.” 5 Acórdão 10423093: “MPF MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL DEMONSTRATIVO DE EMISSÃO E PRORROGAÇÃO CIÊNCIA O MPF Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte. Seu vencimento não constitui, por si só, causa de nulidade do lançamento e nem provoca a reaquisição de espontaneidade por parte do sujeito passivo. Eventuais omissões ou incorreções no Mandado de Procedimento Fiscal não são causa de nulidade do auto de infração. Ademais, o suposto vício estaria em processo estranho aos presentes autos.” Desta forma, afasto a preliminar alegada pela Recorrente e passo a analisar o mérito. Mérito: Apenas para relembrar, a acusação é de omissão de receita devido a Recorrente não ter conseguido comprovar no momento da fiscalização a origem dos valores depositados em suas contas e indicados no Termo de Verificação Fiscal. Fl. 1517DF CARF MF Processo nº 19515.720619/201123 Acórdão n.º 1402003.349 S1C4T2 Fl. 1.518 11 O v. acórdão recorrido aplicou entendimento de que apesar de a Recorrente ser empresa de fomento mercantil, ela deveria ter produzido prova de que os créditos nas contas bancárias questionadas eram de titularidade de terceiros (por conta de serviço de administração de contas a pagar e a receber) e, por tal motivo, afastou a alegação da Recorrente de que tais valores eram de seus clientes e não acolheu o pedido de exclusão deste montante da base de cálculo do imposto ora exigido neste Auto de Infração. Apenas para esclarecer, não existe dúvida nos autos de que a Recorrente era empresa de fomento mercantil Factoring, conforme Ficha Cadastral fls. 10/15, contrato social, comprovante de inscrição e situação cadastral CNPJ (doc. 1 à 3 da impugnação) e documentos anexos aos autos em sede de impugnação, principalmente os anexos 6, 7 e 10 (extratos bancários, planilhas e relação de títulos mercantis). A Fiscalização, por sua vez, também não aponta qualquer informação de que a Recorrente não seria empresa de Fomento Mercantil Factoring. A dúvida existente nos autos, cingese na origem dos depósitos bancários apontados pela Fiscalização serem ou não de seus clientes. Em sede de impugnação, dentre os diversos argumentos de defesa, a Recorrente alegou que a aplicação do dispositivo legal sobre depósitos bancários está errada vez que sendo uma factoring considerálos renda omitida contraria a realidade da sua atividade comercial, que envolve a intermediação de valores de terceiros (ou seja, lidaria com direitos creditórios de terceiros), conforme seu contrato social. A DRJ de São Paulo, não acolheu tal alegação e converteu o julgamento apenas para verificar a alegação da Recorrente das deduções referentes as transferências, estornos, devoluções de cheques e resgates de aplicações financeiras da mesma titularidade da contribuinte. (fls. 1305) Ou seja, a dúvida quanto a determinados depósitos serem ou não de terceiros/clientes persistiu nos autos. Vejam D. Julgadores, se não existe dúvida nos autos de que a Recorrente é uma sociedade de fomento mercantil Factoring, restou a ser solucionado nos autos se tais valores dos depósitos são ou não de terceiros/clientes e não basta apenas a Fiscalização alegar que a Recorrente deveria ter feito isso. Mesmo porque, ela apresentou Títulos Liquidados de Clientes, creditados na conta do Banco Santander de 2006 e 2007 (fls. 700 a 1292), que são de operações mercantis com terceiros/clientes. Ademais, compulsando os autos notei que a Fiscalização não tinha realizado circularização nos clientes da Recorrente indicados nos extratos e nos títulos para verificar se tais valores dos depósitos questionados pertenciam a operações de fomento mercantil e se haviam sido negociados com a contribuinte em operações típicas de Factoring. Devido a tais dúvidas existentes nos autos, o julgamento do Recurso Voluntário foi convertido em diligência para que a Autoridade Preparadora diligenciasse sobre tais pontos, eis que tal informação é de extrema importância para o processo, pois se for aplicado o entendimento de que deve se aplicar o fator da Associação Nacional das Sociedades de Fomento Mercantil Fator ANFAC, que constitui preço para o mercado nas suas relações com clientes, a base de cálculo do imposto ora exigido seria alterada. Fl. 1518DF CARF MF Processo nº 19515.720619/201123 Acórdão n.º 1402003.349 S1C4T2 Fl. 1.519 12 Passo a explicar meu raciocínio. Se for constatado que tais valores dos depósitos são de terceiros/clientes oriundos de operações de fomento mercantil, existe o entendimento na jurisprudência deste E. CARF/MF de que deve se aplicar nos casos de omissão de receita, constatadas por meio de depósitos bancários, o Fator da Associação Nacional das Sociedades de Fomento Mercantil ANFAC, que constitui preço de preferência para o mercado nas suas relações com os clientes. Existe, inclusive, jurisprudência mais incisiva, no sentido de que se deve cancelar o Auto de Infração. A título exemplificativo, colaciono duas ementas que registram os dois entendimentos acima apontados. Em relação ao primeiro entendimento ( aplicação do Fator ANFC) segue a ementa do v. acórdão numero 1402001.885, onde o voto condutor foi proferido pelo D. Conselheiro Fernando Brasil, cujo excerto de interesse colaciono abaixo: BASE DE CÁLCULO. APURAÇÃO DA RECEITA AUFERIDA. OPERAÇÕES DE FOMENTO MERCANTIL. FATOR ANFAC. Existindo nos autos provas robustas de que a recorrente exerce a atividade de factoring a base tributável deve ser apurada pela aplicação, sobre o valor dos depósitos/créditos bancários, do "Fator de compra", indicador publicado pela ANFAC Associação Nacional das Sociedades de Fomento Mercantil Factoring e que serve de referência para os negócios de fomento no país. O Fator ANFAC constitui um preço de referência para o mercado nas suas relações com as empresas clientes. O Fator é a precificação da compra de créditos, computandose todos os itens de custeio de uma sociedade de fomento. Com este método se apura a receita efetivamente auferida. Já o segundo entendimento, que vai no sentido de cancelar o Auto de Infração, pode ser visto no v. acórdão numero 103225.02 , que registrou a seguinte parte da ementa que nos interessa: ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996 PESSOAS JURÍDICAS QUE EXERCEM ATIVIDADE DE FACTORING. No caso das pessoas jurídicas que exercem atividade de factoring, não há como partir do pressuposto de que os depósitos bancários, sem origem comprovada, reflitam a receita sonegada, como se presume, de ordinário, em relação às empresas comerciais ou prestadoras de serviço. Diversamente, nas pessoas jurídicas do ramo de factoring, os depósitos bancários só podem refletir os valores de face dos títulos adquiridos, enquanto a receita bruta resulta da subtração entre tais valores e as importâncias referentes à aquisição dos respectivos títulos, Fl. 1519DF CARF MF Processo nº 19515.720619/201123 Acórdão n.º 1402003.349 S1C4T2 Fl. 1.520 13 como orientam o ADN Cosit nº 31/97 e o artigo 10, § 3º, do Decreto nº 4.524, de 2002. Em suma, para corresponder à conceituação jurídica relativa à receita bruta da atividade de factoring, apenas os depósitos bancários não promovem a presunção de que, na ausência de comprovação de suas origens, a receita sonegada equivale, justamente, ao somatório dos referidos depósitos, no período de apuração. Vejam D. Julgadores que a informação de que os valores relativos aos depósitos questionados serem relativos a operações de fomento mercantil para os casos de autuação de omissão de receita baseada em depósitos bancários, sem origem comprovada, é de extrema importância segundo a jurisprudência formada neste E. CARF/MF. Assim, considerando que: 1 não existe dúvida nos autos de que a Recorrente é uma Factoring e 2 existe as fls. 700/1292 Relação de Títulos Liquidados de Clientes creditados na conta do Banco Santander de 2006 e 2007 que indicam que ocorreram depósitos relativos a operações de fomento mercantil com clientes no mesmo período dos valores questionadas na autuação, foi convertido o julgamento do recurso em diligência para que a Fiscalização analisasse se tais Títulos de Crédito são correspondentes com os depósitos apontados no Anexo 1 e 2 da Intimação Fiscal, para depois julgarmos qual será o melhor entendimento jurisprudencial a ser aplicado ou não. Na resposta complementar da diligência, restou constatado que parte dos depósitos indicados nos Anexos 1 e 2 da Intimação Fiscal são relativos a operações de fomento mercantil com a empresa Unitech Rio Comercio e Serviços Ltda., conforme apontado na Relação de Títulos e alegado pela Recorrente, vejamos a parte que nos interessa: Desta forma, restou comprovado que parte dos valores dos depósitos ora em análise, são relativos a operações de fomento mercantil (operações com a Factoring autuada), entre terceiros/clientes e a Recorrente, nos levando a conclusão de que a empresa era uma Factoring na época dos fatos geradores e que tais valores eram relativos a operações de fomento mercantil. Fl. 1520DF CARF MF Processo nº 19515.720619/201123 Acórdão n.º 1402003.349 S1C4T2 Fl. 1.521 14 Ou seja, restou comprovado nos autos por meio da resposta a diligência que ocorreram as operações de fomento mercantil relativa a parte dos Títulos de Créditos (fls. 700/1292) pagos pela empresa Unitech Rio e quando cruzados com os valores indicados nos Anexos 1 e 2 da Intimação fiscal acostada ao Auto de Infração constatase que fazem parte dos valores que compõe a receita declarada omitida pela Fiscalização. Sendo assim, tendo em vista que restou comprovado nos autos que a Recorrente exercia atividade de fomento mercantil e que parte dos valores que compuseram a receita declarada omitida pela fiscalização são decorrentes de operações de uma Factoring, entendo que a jurisprudência acima colacionada deve ser aplicada, devendo assim ser cancelado o Auto de Infração pois a base tributável está errada, eis que deveria ter sido aplicado o Fator ANFC. Pelo exposto e por tudo que consta processado nos autos, conheço do Recurso Voluntário e dou provimento. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Fl. 1521DF CARF MF Processo nº 19515.720619/201123 Acórdão n.º 1402003.349 S1C4T2 Fl. 1.522 15 Voto Vencedor Conselheiro Paulo Mateus Ciccone – Redator Designado Com o devido respeito, ouso divergir do substancioso voto exarado pelo I. Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves por fazer uma leitura diferente da matéria de mérito que se estampa nos autos. E assim penso em razão de tudo o que foi pormenorizadamente apurado pela Autoridade Fiscal durante o procedimento investigativo e relatado no seu Termo de Verificação, sem que a recorrente conseguisse contrapor ao trabalho do Fisco provas que o elidissem, quadro que se completa com o resultado da diligência determinada pelo Colegiado (Resolução nº 1402000.405 – sessão de 24/01/2017 – fls. 1397/1408) e expresso em dois Relatórios Fiscais (fls. 1422/1424 e 1430/1432), tudo devidamente corroborado pelos documentos e circularizações levadas a efeito pelo Fisco (fls. 1413/1501). Recordando, tratase de infração imputada pela Autoridade Fiscal com supedâneo no artigo 42, da Lei nº 9.430/1996, que, literalmente dispõe: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Embora na impugnação de 1º Grau e no RV a recorrente tenha focado o tema “omissão de receitas” e “depósitos bancários de origem não comprovada”, sua dissertação limitouse a aspectos teóricos e sobre possíveis inconstitucionalidades, repisando, no mais, insistentemente, praticar atividades de fomento mercantil (factoring) o que lhe permitiria levar à tributação tão somente o valor do “spread”, ou seja, a diferença entre o preço de compra e o preço de venda dos títulos negociados com seus clientes. Em outro dizer, sua receita seria o resultado da aplicação matemática da fórmula “valor de face do título – valor de compra”, exemplificativamente, 100 – 95 = 5, que seria o efetivo valor da receita a ser tributada. E assim, como na sua conta bancária quando da liquidação do título pelo “cliente de seu cliente” estaria entrando o montante integral de 100, restaria justificada a origem do recurso a que alude o artigo 42, da Lei nº 9.430/1996, retro citado. Em síntese, sua receita seria 5, mas a movimentação financeira, pelos motivos expostos, seria 100 e se justificaria. Pois bem, essa linha de pensamento (que foi, inclusive, a adotada, pelo voto vencido), teria razão de ser e seria de plena aplicação se – e aí reside o cerne da questão aqui tratada – se, repitase, a recorrente lograsse comprovar que as vultosas operações financeiras presentes em suas contas correntes mantidas junto a instituições financeiras (12,6 milhões) em total descompasso com a receita informada em DIPJ e tributos sobre ela apurados, originassemse de atividade de “factoring”. Fl. 1522DF CARF MF Processo nº 19515.720619/201123 Acórdão n.º 1402003.349 S1C4T2 Fl. 1.523 16 Nessa linha, sua defesa se consolidaria, como reconhecido pela própria Receita Federal para estes casos, ou seja, desde que as atividades reflitam operações de fomento mercantil, a receita a ser levada a tributação será apenas a diferença entre o valor de face do título e o valor realmente pago: ATO DECLARATÓRIO NORMATIVO COSIT N 51, DE 28 DE SETEMBRO DE 1994 (Publicado(a) no DOU de 30/09/1994, seção , página 14847) Alienação de duplicata a empresa fomento comercial (factoring). O COORDENADORGERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso de suas atribuições, e com base no que dispõem os arts. 226 e 242 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto nº 1.041, de 11 de janeiro de 1994, Declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal e aos demais interessados que: I a diferença entre o valor de face e o valor de venda oriunda da alienação de duplicata a empresa de fomento comercial, (factoring), será computada como despesa operacional, na data da transação; II a receita obtida pelas empresas de factoring, representada pela diferença entre a quantia expressa no título de crêdito adquirido e o valor pago, deverá ser reconhecida, para efeito de apuração do lucro líquido do períodobase, na data da operação. Matéria pacificada no âmbito do Colegiado Administrativo Tributário Federal (dentre outros, Ac. 1201002.083: “FOMENTO MERCANTIL. VALOR DA RECEITA BRUTA. RECONHECIMENTO DA RECEITA. Nas operações de fomento mercantil, a receita bruta é obtida pela diferença entre o valor de aquisição e o valor de face do título ou direito creditório adquirido”. E que comporta mais uma variável, nos casos de Lucros Presumido ou Arbitrado, como já trazido pelo I. Relator (Ac. 1402001.885, desta Turma): BASE DE CÁLCULO. APURAÇÃO DA RECEITA AUFERIDA. OPERAÇÕES DE FOMENTO MERCANTIL. FATOR ANFAC. Existindo nos autos provas robustas de que a recorrente exerce a atividade de factoring a base tributável deve ser apurada pela aplicação, sobre o valor dos depósitos/créditos bancários, do "Fator de compra", indicador publicado pela ANFAC Associação Nacional das Sociedades de Fomento Mercantil Factoring e que serve de referência para os negócios de fomento no país. O Fator ANFAC constitui um preço de referência para o mercado nas suas relações com as empresas clientes. O Fator é a precificação da compra de créditos, computandose todos os itens de custeio de uma sociedade de fomento. Com este método se apura a receita efetivamente auferida. Fl. 1523DF CARF MF Processo nº 19515.720619/201123 Acórdão n.º 1402003.349 S1C4T2 Fl. 1.524 17 Em suma, SE comprovada a atividade de “factoring” (fomento mercantil) a receita a ser tributada pelo IRPJ/CSLL será, 1. a diferença entre o valor de face dos títulos e o valor de compra (para as empresas que adotem o Lucro Real); ou, 2. o montante que resultar da aplicação do fator ANFAC sobre a receita bruta da sociedade (Lucro Presumido ou Arbitrado). Todavia, repisese, este procedimento só alcança as atividades COMPROVADAS de “factoring”, caso contrário caise na regra geral do artigo 42, revertendo para o contribuinte o ônus de provar suas alegações, posto que ao Fisco milita o benefício da presunção, digase, basta apontar o fato indiciário e intimar o sujeito passivo a comprovar a origem de sua movimentação financeira. Incomprovada esta, a presunção se solidifica e a infração de omissão de receitas resta caracterizada. Concretamente, nem durante a ação fiscal, nem por ocasião da impugnação ou do recurso voluntário, a recorrente trouxe aos autos quaisquer comprovações das origens dos recursos que permitiram o aporte de mais de 12 milhões de reais às contas mantidas no Bradesco e Sudameris nos anos de 2006 e 2007 (TVF – fls. 383/385), limitandose a alegar ser sua atividade a de faturização (“factoring”) e que tal comprovação encontrase na Ficha Cadastral (fls. 10/15), contrato social, comprovante de inscrição e situação cadastral CNPJ (doc. 1 à 3 da impugnação) e documentos anexos aos autos em sede de impugnação, principalmente os anexos 6, 7 e 10 (extratos bancários, planilhas e relação de títulos mercantis). Certamente tais documentos têm relevância. Porém, sua importância deve ser contextualizada com o que se vê nos fatos concretos e não apenas na sua forma aparente; em outras palavras, por princípio básico no processo administrativofiscal, a essência deve se sobrepor à forma (“RESOLUÇÃO CFC Nº. 1.121/08 Aprova a NBC TG ESTRUTURA CONCEITUAL – Estrutura Conceitual para a Elaboração e Apresentação das Demonstrações Contábeis “Para que a informação represente adequadamente as transações e outros eventos que ela se propõe a representar, é necessário que essas transações e eventos sejam contabilizados e apresentados de acordo com a sua substância e realidade econômica, e não meramente sua forma legal. A essência das transações ou outros eventos nem sempre é consistente com o que aparenta ser com base na sua forma legal ou artificialmente produzida”. Assim, cabia à recorrente trazer aos autos não apenas a informação de que sua atividade operacional era de “factoring”, mas, muito mais que isso, mostrar inequivocamente tal situação fática e demonstrar, a cada operação bancária, que os créditos havidos em suas contas representavam pagamentos de títulos por ela adquiridos anteriormente. Isto jamais foi feito. Ao contrário, os poucos valores excluídos decorreram de diligência realizada pelo Fisco ainda em sede de impugnação inaugural. Neste eito, o trabalho da Fiscalização se robusteceu e os argumentos da recorrente ficaram exatamente neste terreno (de meros argumentos) e por isso, como diz clássico brocardo jurídico, “allegare nihil, et allegatum non probare paria sunt”, ou, em vernáculo, “alegar e não provar o alegado importa nada alegar”. Há mais em desfavor da recorrente. Prudentemente, o I. Conselheiro Relator propôs em primeiro julgamento realizado em janeiro/2017, que os autos baixassem em diligência (Resolução nº 1402000.405) para as seguintes providências: Fl. 1524DF CARF MF Processo nº 19515.720619/201123 Acórdão n.º 1402003.349 S1C4T2 Fl. 1.525 18 “Desta forma, entendo ser necessário converter o julgamento em diligência, para que a autoridade local verifique se os valores dos depósitos ora em análise, são relativos a operações de fomento mercantil e se ocorreram entre terceiros/clientes e a Recorrente. Para isso, a Fiscalização deve realizar circularização, por amostragem, com pelo menos 10 (dez) clientes indicados nos Títulos de Créditos acostados aos autos às fls. 700/1292. Em seguida, deve fazer o cruzamento dos valores indicados para fundamentar omissão de receita nos Anexos 1 e 2 da Intimação Fiscal do Auto de Infração, com os Titulo de Créditos escolhidos de fls.700/1292, elaborando Relatório Circunstanciado no prazo de 30 dias”. (negritei) A fim de cumprir o quanto determinado, a Autoridade Fiscal da Unidade de origem realizou EXATAMENTE o que foi demandado pela Resolução, intimando a recorrente e mais 10 clientes listados nos autos, tendo juntado documentos e lavrado dois Relatórios Fiscais (fls. 1422/1424 e 1430/1432) nos quais apontou: Ø Relatório Fiscal (fls. 1423): Ø Relatório Fiscal (fls. 1430/1431): Fl. 1525DF CARF MF Processo nº 19515.720619/201123 Acórdão n.º 1402003.349 S1C4T2 Fl. 1.526 19 Fl. 1526DF CARF MF Processo nº 19515.720619/201123 Acórdão n.º 1402003.349 S1C4T2 Fl. 1.527 20 De plano, pela conclusão da primeira diligência, vêse o total desinteresse da recorrente (MAIOR INTERESSADA) em vir aos autos para comprovar as operações que alega ter realizado, posto que, como literalmente descrito pela Autoridade Fiscal, o Termo de Diligência “foi devolvido com o motivo de devolução AUSENTE”; mais ainda, “Envidamos esforços no sentido de ter contato telefônico com o sócio Sr. Vanderley Ferreira de Souza e não logramos sucesso”; para finalizar, “A empresa apresentou DIPJ dos anos calendário de 2004 a 2006, como inativa, ano de 2007 Lucro Presumido e 2008 a 2013 como inativa e 2017 extinção”. E concluir, “Diante dos fatos expostos, não foi possível ser feita a análise requerida nos autos no sentido de se esclarecer a atividade alegada pela recorrente de tratarse de fomento mercantil – Factoring, uma vez que as provas documentais, exigidas para exames, esta Fiscalização não teve acesso”. Ainda assim, em que pese o descaso da recorrente de apontar suas provas, a Autoridade que residiu a diligência empreendeu à intimação de 10 supostos clientes da contribuinte (alguns deles empresas de reconhecido grande porte e até multinacionais), tendo, exceto em um caso, recebido como resposta padrão da circularizada “não possuir relacionamento com a recorrente e não ter realizado qualquer operação com a mesma”. E a exceção citada ficou por conta da empresa Unitech Rio Comércio e Serviços Ltda. que apontou ter realizado dez operações com a recorrente nos dois anos (2006 e 2007) em montante que não chegou a 20 mil reais, infinitamente residual em relação ao total da movimentação financeira detectada pelo Fisco e que suplantou 12,6 milhões de reais. Mais precisamente, os valores envolvendo a Unitech Rio representaram 0,001% do montante carreado às contas bancárias da recorrente. Induvidoso, pois, que tal amostra se revela absolutamente insuficiente para projetar reflexos em todas as demais operações da contribuinte, mais porque todas as outras empresas circularizadas responderam pela negativa. Acresçase, como contido no TFV e nos Autos de Infração, que sequer houve a contabilização de tais valores. Posto o contexto fático, inquestionavelmente o procedimento fiscal se firmou e a linha de defesa não teve fôlego suficiente para rebater a acusação fiscal, consolidandose a presunção de omissão de receitas por depósitos bancários de origem não comprovada e não contabilizados, devendo ser mantidos os lançamentos, à vista do preceitua o artigo 42, da Lei nº 9.430/1996, “Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações”. Pelo exposto, encaminho meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, mantendo a decisão recorrida. É como voto. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 1527DF CARF MF Processo nº 19515.720619/201123 Acórdão n.º 1402003.349 S1C4T2 Fl. 1.528 21 Fl. 1528DF CARF MF
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Numero do processo: 10675.722295/2016-65
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
JUROS MORATÓRIOS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC.
Súmula CARF nº 108 - Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.
Numero da decisão: 9202-007.284
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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TAXA SELIC. Súmula CARF nº 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 72 22 95 /2 01 6- 65 Fl. 718DF CARF MF 2 Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pelo Contribuinte face ao acórdão 2301004.440, proferido pela 1ª Turma Ordinária / 3ª Câmara / 2ª Seção de Julgamento. Tratamse os autos de infração a seguir relacionados: a) AIOP – DEBCAD nº 51.034.8939 consolidado em 18/12/2012, no valor de R$ 78.447,48 relativo ao período de 01/11/2009 a 30/05/2010 acostado às fls. 04 dos autos, para cobrança de obrigação principal proveniente da contribuição previdenciária patronal no percentual de 2,5%%, para custeio da seguridade social e contribuição para financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho GILRAT, no percentual de 0,1%, incidente sobre a comercialização de produtos rurais. O fato gerador foi identificado no levantamento AF – AFERIÇÃO INDIRETA – exigindose a contribuição previdenciária patronal de 2,6%, incidente sobre o valor da comercialização dos produtos rurais nas competências 11/2009 a 05/2010 com incidência da multa de ofício de 75%. b) AIOP DEBCAD nº 51.034.8947 consolidado em 18/12/2012, no valor de R$ 7.543,04, relativo às competências 11/2009 a 05/2010 acostado às fls. 10 dos autos, para cobrança da contribuição social para custeio das entidades e fundos – SENAR no percentual de 0,25% incidente sobre a comercialização de produtos rurais. O levantamento indicativo do fato gerador observou as mesmas competências, nomenclatura e valor da multa de ofício do levantamento relacionado para o AIOP DEBCAD 51.034.8939. c) AIOA DEBCAD nº 51.029.2976 lavrado em 18/12/2012, no valor de R$ 16.170,98 acostado às fls. 3 dos autos, por descumprimento de obrigação acessória no Código de Fundamento Legal – CFL 38, por infração ao disposto no art. 33 §§ 2º e 3º, da Lei 8.212/1991 na redação da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941 de 27/05/2009 em razão de a empresa ter deixado de apresentar livro ou documento sem preencher as formalidades legais. No relatório fiscal de fls. 20/22 a autoridade fiscal, sobre o levantamento AF – AFERIÇÃO INDIRETA, explica que em razão de a empresa não ter apresentado os livros e documentos solicitados no Termo de Inicio do Procedimento Fiscal (fls.34/37) e Termo de Intimação Fiscal (fls. 38/41), fundamentado no artigo 33 § 3º da Lei 8.212/1991, com relação ao período de 11/2009 a 05/2010, foi necessário aferir o valor da Receita Bruta. Como critério de aferição, diz o fisco que, mediante exame do Livro Diário e Notas Fiscais de 06/2010 a 12/2011, apurou a média da receita bruta da comercialização do produto rural chegando a um resultado mensal de R$ 213.387,02. As notas fiscais de 06/2010 a 12/2011, utilizadas para cálculo da Receita Bruta Mensal aferida, foram identificadas nos ANEXOS I e II de fls. 23 a 33 dos autos. Sobre o auto de infração por descumprimento de obrigação acessória explica que a empresa deixou de apresentar, no período de 01/2008 a 05/2010 , Livros Diário e Razão, Notas Fiscais de Produtor (saída) e Livro de Entrada e Saída de Mercadoria. A multa foi aplicada em conformidade com os artigos 92 e 102 da Lei 8.212/1991 c/c artigos 283, inciso II alínea “j” e art. 373 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/1999 com valores atualizados pela Portaria Interministerial MPS/MF nº 2 de 06/01/2012 art 8º, inciso V. O Contribuinte apresentou a impugnação, às fls. 73/89. Fl. 719DF CARF MF Processo nº 10675.722295/201665 Acórdão n.º 9202007.284 CSRFT2 Fl. 10 3 A DRJ/SDR, às fls. 433/451, julgou da seguinte forma: a) procedente em parte a impugnação e mantido parte do crédito tributário constituídos nos DEBCAD 51.034.8939 e 51.034.8947; b) improcedente a impugnação e mantido o crédito tributário constituídos no DEBCAD 51.029.2976; c) improcedente a impugnação e mantido o crédito tributário dos lançamentos complementares constituídos nos DEBCAD 51.052.2947 e 51.052.2955. O Contribuinte apresentou Recurso Voluntário às fls. 458/485. A 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 509/526, NEGOU PROVIMENTO ao Recurso Ordinário. A Decisão restou assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2009 a 30/05/2010 PRODUTOR RURAL PESSOA JURÍDICA. COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. É devida a contribuição incidente sobre a comercialização da produção rural em substituição à contribuição sobre a folha de salários pelo produtor rural pessoa jurídica, conforme determina as disposições legais de regência. EXIBIÇÃO DE LIVROS OU DOCUMENTOS. OBRIGAÇÃO AFETA A TODOS OS CONTRIBUINTES DA PREVIDÊNCIA SOCIAL. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. Apresentar documentos e livros relacionados com a previdência social é obrigação que afeta a todos os contribuintes da previdência social. Por isto, configura infração ao artigo 33, §§ 2 e 3, da Lei 8.212/91, deixar a empresa de exibir à AuditoriaFiscal da Receita Federal do Brasil tais livros e documentos. JUROS DE MORA. SELIC. APLICAÇÃO É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC. INCONSTITUCIONALIDADE. É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade. Às fls. 587/600, o Contribuinte interpôs Recurso Especial, arguindo divergência jurisprudencial acerca das seguintes matérias: 1. Impossibilidade de manutenção de autos de infração cujo crédito tributário está sendo exigido em outro auto de infração duplicidade de lançamento – nulidade. O acórdão recorrido entendeu ser nulo o Auto de Infração lavrado com exigência de crédito constituído em outro Auto de Infração ainda não julgado ou cancelado. O acórdão paradigma considerou o auto de infração cancelado, Fl. 720DF CARF MF 4 justamente porque restou demonstrada a duplicidade de lançamentos sobre mesmos períodos de apuração e mesmos fundamentos. 2. Impossibilidade de manutenção da selic aplicada sobre a multa de ofício. O acórdão recorrido concluiu sua posição, basicamente, alargando o signo linguístico “débito” utilizado pelo artigo 61, da Lei n° 9430/96, equiparando, num salto interpretativo, a multa de mora, com a multa de ofício, entendendo que sobre as duas haveria correção pela SELIC. De outro modo, o acórdão paradigma foi no sentido de que não incidem juros de mora sobre a multa de ofício, por carência de fundamento legal expresso. Ao realizar o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial, às fls. 650/660, a 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, DEU PARCIAL SEGUIMENTO ao recurso, concluindo restar demonstrada a divergência de interpretação apenas em relação à segunda divergência arguida pelo Contribuinte: Impossibilidade de manutenção da selic aplicada sobre a multa de ofício. Às fls. 662/668, o Contribuinte peticionou requerendo a “imediata suspensão da exigibilidade dos referidos débitos em razão do Recurso Especial apresentado, ainda pendente de apreciação perante a Câmara Superior de Recursos Fiscais”. Cientificado do Despacho de Admissibilidade parcial, conforme fl. 703/704, o Contribuinte mantevese inerte. Às fls. 710/716, a Fazenda Nacional apresentou Contrarrazões reforçando os argumentos do acórdão recorrido, vindo os autos conclusos para julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora O Recurso Especial interposto pelo Contribuinte é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. Tratamse os autos de infração a seguir relacionados: a) AIOP – DEBCAD nº 51.034.8939 consolidado em 18/12/2012, no valor de R$ 78.447,48 relativo ao período de 01/11/2009 a 30/05/2010 acostado às fls. 04 dos autos, para cobrança de obrigação principal proveniente da contribuição previdenciária patronal no percentual de 2,5%%, para custeio da seguridade social e contribuição para financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho GILRAT, no percentual de 0,1%, incidente sobre a comercialização de produtos rurais. O fato gerador foi identificado no levantamento AF – AFERIÇÃO INDIRETA – exigindose a contribuição previdenciária patronal de 2,6%, incidente sobre o valor da comercialização dos produtos rurais nas competências 11/2009 a 05/2010 com incidência da multa de ofício de 75%. b) AIOP DEBCAD nº 51.034.8947 consolidado em 18/12/2012, no valor de R$ 7.543,04, relativo às competências 11/2009 a 05/2010 acostado às fls. 10 dos autos, para cobrança da contribuição social para custeio das entidades e fundos – SENAR no percentual de 0,25% incidente sobre a comercialização de produtos rurais. O levantamento indicativo do fato Fl. 721DF CARF MF Processo nº 10675.722295/201665 Acórdão n.º 9202007.284 CSRFT2 Fl. 11 5 gerador observou as mesmas competências, nomenclatura e valor da multa de ofício do levantamento relacionado para o AIOP DEBCAD 51.034.8939. c) AIOA DEBCAD nº 51.029.2976 lavrado em 18/12/2012, no valor de R$ 16.170,98 acostado às fls. 3 dos autos, por descumprimento de obrigação acessória no Código de Fundamento Legal – CFL 38, por infração ao disposto no art. 33 §§ 2º e 3º, da Lei 8.212/1991 na redação da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941 de 27/05/2009 em razão de a empresa ter deixado de apresentar livro ou documento sem preencher as formalidades legais. O Acórdão recorrido negou provimento ao Recurso Ordinário. O Recurso Especial, apresentado pelo Contribuinte trouxe para análise a seguinte divergência: Impossibilidade de manutenção da selic aplicada sobre a multa de ofício. O tema foi recentemente julgado no Carf na reunião do Conselho Pleno/2018 que emitiu a seguinte |decisão respeito do tema: Súmula CARF nº 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Desse modo, tendo restada a questão sumulada, não há mais que se discutir a aplicação ou não de juros sobre multa de ofício, muito embora meu posicionamento pessoal seja contrário. Em face ao exposto, conheço do Recurso Especial do Contribuinte para no mérito negarlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 722DF CARF MF 6 Fl. 723DF CARF MF
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Numero do processo: 10935.004917/2009-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/06/2009 a 30/06/2009
PIS. COMPENSAÇÃO. REQUISITO. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E DA LIQUIDEZ DO CRÉDITO.
A comprovação da certeza e da liquidez do crédito constitui requisito essencial à acolhida de pedidos de compensação.
Numero da decisão: 3201-004.291
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Voluntário.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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PROVA DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. Recorrente COOPAVEL COOPERATIVA AGROINDUSTRIAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/06/2009 a 30/06/2009 PIS. COMPENSAÇÃO. REQUISITO. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E DA LIQUIDEZ DO CRÉDITO. A comprovação da certeza e da liquidez do crédito constitui requisito essencial à acolhida de pedidos de compensação. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o Acórdão n.º 06049.862 3ª Turma da DRJ/CTA, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade mantendo o indeferimento da restituição pleiteada, bem como a não homologação das compensações declaradas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 00 49 17 /2 00 9- 32 Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10935.004917/200932 Acórdão n.º 3201004.291 S3C2T1 Fl. 3 2 Em seu pedido de restituição, a contribuinte alega que sofreu a retenção do PIS e da Cofins (no percentual de 3,65%) sobre as operações de comercialização de produtos rurais e prestações de serviço de armazenamento que realizou com a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), e que não conseguiu realizar a dedução dos valores retidos na contribuição devida, uma vez que, estando submetida a apuração da contribuição na modalidade não cumulativa, não apurou valor a pagar da contribuição no período, em face de os créditos gerados terem sido superiores ao valor do débito da contribuição. Por sua vez, a SAORT, da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Cascavel – PR, após analisar o pleito constante do presente processo, emitiu Despacho Decisório indeferindo o pedido de restituição formulado pela interessada. Sustenta a autoridade administrativa, em resumo, que a interessada não logrou êxito na comprovação do direito creditório solicitado, uma vez que não foi possível, com base nos documentos apresentados (arquivos digitais), confirmar se as Notas Fiscais emitidas para a Conab constam declaradas nas receitas que compõem as bases de cálculo das contribuições que foram informadas no Dacon. Diante do indeferimento do pedido de restituição, as compensações declaradas com lastro no pedido de restituição em comento não foram homologadas. A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade. O Acórdão n.º 06049.862 3ª Turma da DRJ/CTA, está assim ementado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/06/2009 a 30/06/2009 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO. Inexistindo comprovação do direito creditório informado em Pedido de Restituição ou em Declaração de Compensação DCOMP, é de se indeferir o crédito solicitado e de considerar não homologada a compensação declarada. Inconformada, a ora Recorrente apresentou, no prazo legal, Recurso Voluntário, por meio do qual requer que a decisão da DRJ seja reformada, alegando, em síntese: Dos Fatos Inicialmente a Recorrente argui que a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Cascavel equivocouse ao analisar o pedido, fazendo confusão com isenções, não incidências e imunidades, e análises que não tem qualquer relação com o pedido formulado, como se o pedido de restituição tivesse sido realizado com base e fundamento no artigo 27 da Instrução Normativa 900 de 2008. A Recorrente argumenta que o pedido de restituição se refere a créditos retidos de PIS, pela prestação de serviços da ora Recorrente à CONAB. Alega ainda que o pedido restituição não se encontra prescrito. Fl. 133DF CARF MF Processo nº 10935.004917/200932 Acórdão n.º 3201004.291 S3C2T1 Fl. 4 3 Do Direito A Recorrente sustenta ter havido pagamento a maior do que o valor devido de PIS para o período em análise (retenção indevida). Fundamenta o pedido restituição no artigo 12, da Instrução Normativa SRF 900/2008. Informa não haver conseguido utilizar os valores retidos na fonte a título de PIS para pagar débitos da mesma espécie no mesmo mês. Assim, adotou o procedimento constante do artigo 34 da IN RFB 900/2008, que trata da compensação de débitos próprios de tributos administrados pela RFB. Sustenta que a única prova necessária para fazer valer o seu direito ao crédito seria da existência da retenção e da quitação dos tributos quando for positiva a sua apuração, o que, segundo a mesma, ocorrera no presente processo. Argumenta quando a suspensão da exigibilidade do crédito nos termos do inciso III, do artigo 151, do Código Tributário Nacional (Lei n° 5.172/1966). Do Pedido Ao final do RV a Recorrente pede que seja dado provimento ao recurso a fim de reformar o acórdão da DRJ com a restituição/compensação das contribuições devidamente acrescida de juros pela taxa acumulada da Selic. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.280, de 23/10/2018, proferido no julgamento do processo 10935.000340/200817, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.280): "O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A seguir passo a análise de cada um dos pontos do Recurso Voluntário. De forma objetiva, a lide cingese quanto a certeza e liquidez do crédito. No julgamento de primeira instância consta exatamente que a Recorrente não conseguiu comprovar tais créditos. Fl. 134DF CARF MF Processo nº 10935.004917/200932 Acórdão n.º 3201004.291 S3C2T1 Fl. 5 4 Sustenta a autoridade administrativa, em resumo, que a interessada não logrou êxito na comprovação do direito creditório solicitado, uma vez que não foi possível, com base nos documentos apresentados (arquivos digitais), confirmar se as Notas Fiscais emitidas para a Conab constam declaradas nas receitas que compõem as bases de cálculo das contribuições que foram informadas no Dacon. (Acórdão DRJ, efl. 206) As manifestações de inconformidade da Recorrente não colaboraram para o esclarecimento da dúvida da autoridade administrativa. Ao contrário, parecem enveredar por caminhos diversos da comprovação fática de retenção nas Notas Fiscais emitidas pela Conab. Sobre a necessidade de comprovação, cito trecho do Acórdão de primeira instância. Entendeu a autoridade fiscal que para se usufruir do direito à restituição/compensação previsto na legislação acima, é necessário que se comprove: (i) a retenção realizada; e (ii) o valor da contribuição devida no mês, a qual deve ser realizada pela demonstração da respectiva base de cálculo, composta por todas as receitas tributáveis e as possíveis exclusões (receitas isentas, não tributáveis, suspensões, imunidades e, no caso, receitas decorrentes de atos cooperativos), bem como dos créditos da não cumulatividade. No entanto, conforme se observa pela leitura do despacho decisório, a auditoria realizada pela fiscalização não conseguiu firmar convicção sobre o direito creditório requerido, uma vez que os documentos apresentados (arquivos digitais) não espelham (ou confirmam) as receitas de bens e serviços declaradas no Dacon, não se podendo afirmar com certeza se os valores das Notas fiscais emitidas para a CONAB constam dentro das receitas tributadas que compõem a base de cálculo da contribuição, e, por conseqüência, se houve a configuração da hipótese de restituição/compensação acima tratada. Ou seja, a autoridade a quo concluiu que o direito à restituição/compensação restou prejudicado, posto que não houve a comprovação material do mesmo. (Acórdão DRJ, efl. 209) O juízo a quo entendeu que a Recorrente pouco colaborou para esclarecer a certeza e liquidez. Cito trecho e uso como razão de fundamentar como se meu fosse: Nesse ponto, é bom que se lembre, que a autoridade a quo não mediu esforços para seu intento, mas, infelizmente, a contribuinte pouco colaborou. Talvez, digase, em face de um entendimento equivocado. E assim dessa mesma forma, como se vê na manifestação de inconformidade, a interessada prossegue insistindo em sua tese. Inverte os papéis, age como se não precisasse provar nada e, também, como se autoridade tributária fosse obrigada a reconhecer o seu suposto direito creditório sem a necessidade de qualquer verificação documental (ou de arquivos eletrônicos). Ora, a interessada esquece, ou simplesmente ignora, que a administração pública tem a sua atividade vinculada à lei e que, no presente caso, a legislação é clara no sentido de que o direito creditório (com direito à restituição ou compensação) somente é devido quando se comprove a impossibilidade de dedução dos valores retidos dos valores a pagar da contribuição no período, consubstanciada, em síntese, na demonstração da base de cálculo e na inexistência da contribuição. Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10935.004917/200932 Acórdão n.º 3201004.291 S3C2T1 Fl. 6 5 Com efeito, é de se dizer que a comprovação da existência de crédito junto à Fazenda Nacional é atribuição da contribuinte, cabendo à autoridade administrativa, por sua vez, examinar a liquidez e certeza de que teriam sido repassadas aos cofres públicos importâncias superiores àquelas devidas pela contribuinte de acordo com a legislação pertinente, autorizando, após confirmação de sua regularidade, a restituição ou compensação do crédito conforme vontade expressa da contribuinte. (Acórdão DRJ, efl. 209) Sobre a necessidade de certeza e liquidez, há farta jurisprudência deste órgão de julgamento. CARF Acórdão nº 3403001.477 do Processo 13882.000037/200271 – Data: 20/03/2012 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ORIGEM CERTEZA. LIQUIDEZ. Compensação de crédito independe de autorização, entretanto, deve ser certo e liquido, constatado por meio de diligência fiscal a certeza, a liquidez decorre do próprio procedimento fiscal, impõe reconhecer o crédito e homologar as compensações efetivadas até o limite dos créditos apurados. CARF Acórdão nº 3403002.579 do Processo 10983.902416/200867 – Data: 24/10/2013 COFINS. COMPENSAÇÃO. REQUISITO. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E DA LIQUIDEZ DO CRÉDITO. A comprovação da certeza e da liquidez do crédito constitui requisito essencial à acolhida de pedidos de compensação. Conclusão Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, de forma a manter o indeferimento da restituição pleiteada, bem como a não homologação das compensações declaradas na Dcomp nº 25265.65884.020408.1.3.046583." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado NEGOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, de forma a manter o indeferimento da restituição pleiteada, bem como a não homologação das compensações declaradas. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 136DF CARF MF
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Numero do processo: 16020.000196/2007-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/1995 a 30/06/1997
DECISÕES DE SEGUNDA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. AUSÊNCIA DE RECURSO. DEFINITIVIDADE.
São definitivas as decisões de segunda instância das quais não caiba recurso ou, se cabível, quando decorrido o prazo sem sua interposição.
RECURSO VOLUNTÁRIO. RAZÕES INOVADORAS. NÃO ACOLHIMENTO.
A menos que seja para contrapor razões trazidas na decisão recorrida, no âmbito do processo administrativo fiscal, os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e prova que o sujeito passivo possuir devem ser apresentados na impugnação ou ainda, em caso de perícia ou diligência das quais sobrevenham fatos ou documentos novos, no prazo estabelecido para manifestação a seu respeito.
LANÇAMENTO ANULADO POR VÍCIO FORMAL. LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO. PRAZO. CONTAGEM. DATA EM QUE SE TORNOU DEFINITIVA A DECISÃO QUE ANULOU O LANÇAMENTO SUBSTITUÍDO.
O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CONSTRUÇÃO CIVIL.
O construtor responde solidariamente com as subempreiteiras pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social.
Numero da decisão: 2402-006.265
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em afastar as preliminares para, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Jamed Abdul Nasser Feitoza (Relator) e Renata Toratti Cassini. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira De Pinho Filho - Presidente e Redator designado
(assinado digitalmente)
Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior, Renata Toratti Cassini e Mário Pereira de Pinho Filho
Nome do relator: JAMED ABDUL NASSER FEITOZA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/1995 a 30/06/1997 DECISÕES DE SEGUNDA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. AUSÊNCIA DE RECURSO. DEFINITIVIDADE. São definitivas as decisões de segunda instância das quais não caiba recurso ou, se cabível, quando decorrido o prazo sem sua interposição. RECURSO VOLUNTÁRIO. RAZÕES INOVADORAS. NÃO ACOLHIMENTO. A menos que seja para contrapor razões trazidas na decisão recorrida, no âmbito do processo administrativo fiscal, os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e prova que o sujeito passivo possuir devem ser apresentados na impugnação ou ainda, em caso de perícia ou diligência das quais sobrevenham fatos ou documentos novos, no prazo estabelecido para manifestação a seu respeito. LANÇAMENTO ANULADO POR VÍCIO FORMAL. LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO. PRAZO. CONTAGEM. DATA EM QUE SE TORNOU DEFINITIVA A DECISÃO QUE ANULOU O LANÇAMENTO SUBSTITUÍDO. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CONSTRUÇÃO CIVIL. O construtor responde solidariamente com as subempreiteiras pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/1995 a 30/06/1997 DECISÕES DE SEGUNDA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. AUSÊNCIA DE RECURSO. DEFINITIVIDADE. São definitivas as decisões de segunda instância das quais não caiba recurso ou, se cabível, quando decorrido o prazo sem sua interposição. RECURSO VOLUNTÁRIO. RAZÕES INOVADORAS. NÃO ACOLHIMENTO. A menos que seja para contrapor razões trazidas na decisão recorrida, no âmbito do processo administrativo fiscal, os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e prova que o sujeito passivo possuir devem ser apresentados na impugnação ou ainda, em caso de perícia ou diligência das quais sobrevenham fatos ou documentos novos, no prazo estabelecido para manifestação a seu respeito. LANÇAMENTO ANULADO POR VÍCIO FORMAL. LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO. PRAZO. CONTAGEM. DATA EM QUE SE TORNOU DEFINITIVA A DECISÃO QUE ANULOU O LANÇAMENTO SUBSTITUÍDO. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CONSTRUÇÃO CIVIL. O construtor responde solidariamente com as subempreiteiras pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 02 0. 00 01 96 /2 00 7- 19 Fl. 201DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em afastar as preliminares para, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Jamed Abdul Nasser Feitoza (Relator) e Renata Toratti Cassini. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho. (assinado digitalmente) Mário Pereira De Pinho Filho Presidente e Redator designado (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior, Renata Toratti Cassini e Mário Pereira de Pinho Filho Relatório Temse Recurso Voluntário (fls. 186 a 193) lançado contra acórdão da 9ª Turma DRJ/POR (fls. 169 a 178), que, por unanimidade de votos, julgou parcialmente procedente a impugnação, cancelando o crédito relativo às competências de 10/1995 e 11/1995, bem como retificou o valor lançado, de R$ 27.910,43 para R$ 24.788,29. Adotaremos o relatório da decisão combatida por bem representar os fatos até agora ocorridos: "Tratase de crédito previdenciário constituído pela fiscalização em nome dos interessados acima identificados (DEBCAD nº 37.076.3823), consolidado em 31/01/2007, no valor de R$ 85.165,55, referente às contribuições destinadas à Seguridade Social, devidas pelos segurados e pela empresa, inclusive para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho. Constituiu fato gerador das contribuições lançadas a remuneração devida aos segurados empregados da empresa TCR Telecomunicações e Construções de Redes S/C Ltda. que prestaram serviços em obras de construção civil da Ellenco Construtora Ltda., no período de 10/1995 a 01/1998. A base de cálculo foi apurada por aferição indireta e correspondeu à alíquota de 40% incidente sobre o valor das notas fiscais prestação de serviços. Fl. 202DF CARF MF Processo nº 16020.000196/200719 Acórdão n.º 2402006.265 S2C4T2 Fl. 202 3 O crédito foi constituído em nome da Ellenco Construtora Ltda., com fundamento na responsabilidade solidária do construtor com as subempreiteiras, prevista no artigo 30, inciso VI, da Lei nº 8.212/91. As contribuições lançadas foram objeto de crédito previdenciário anteriormente constituído, mas anulado, em razão de vício formal, pelo Conselho de Recursos da Previdência Social – CRPS (Acórdão nº 608/2006), com decisão definitiva em 26/04/2006. A empresa Ellenco Construtora Ltda. apresentou impugnação,acompanhada de documentos, na qual requer a nulidade do lançamento ou, subsidiariamente, a sua improcedência ou procedência parcial, sob os seguintes argumentos: Ausência de motivação O artigo 37, caput da Lei nº 8.212/91, estabelece que a NFLD deve discriminar, de forma clara e precisa, os fatos geradores de contribuição previdenciária. A motivação do ato administrativo foi alçada a princípio pelo artigo 2º da Lei nº 9.784/99. O lançamento foi efetuado em nome da impugnante (responsável solidária) em razão desta não comprovar o recolhimento das contribuições previdenciárias de vidas pelas subempreiteiras que contratou para executar obras de construção civil. A imposição dessa responsabilidade solidária depende da comprovação da ocorrência do fato gerador, ou seja, que a subempreiteira executou obra de construção civil. Contudo, a fiscalização não comprovou que os serviços contratados pela impugnante enquadravamse como obra de construção civil, apenas presumiu essa situação,valendose do artigo 33, § 3º da Lei nº 8.212/91. O fato do contribuinte não apresentar a documentação requisitada pela fiscalização não permite a esta praticar o lançamento sem qualquer atividade investigatória. Modificase apenas a qualidade da prova. Ao invés da prova direta, a fiscalização pode se valer da prova indireta, pela verificação de indícios da ocorrência do fato gerador. Entretanto, sequer a prova indiciária foi investigada pela fiscalização. Ela apenas verificou os livros Diário da impugnante, eximindose de verificar as notas fiscais de serviços que descreviam as atividades executadas pelas empresas terceirizadas. Não há nos autos qualquer prova de que os serviços contratados pela impugnante figuram como obra de construção civil. A indicação do nome da empresa terceirizada não constitui Fl. 203DF CARF MF 4 fato que, por si só, convença da existência da execução de obra de construção civil. Ausência de fundamentação legal Por não ter investigado a realidade dos serviços contratados pela impugnante e por esta ser uma empresa construtora, a fiscalização supôs que todos os serviços que ela subempreita são obras de construção civil. Conforme definição estabelecida pela legislação tributária complementar vigente à época da ocorrência dos fatos geradores (Ordem de Serviço INSS/DAF nº 165/1997),obra de construção civil é a construção, demolição, reforma ou ampliação de edificação ou outra benfeitoria agregada ao solo ou subsolo. Ao se examinar a inscrição da empresa terceirizada no CNPJ/MF e as atividades descritas na planilha que instrui o Relatório Fiscal, é possível formar convicção deque ela não executou obra de construção civil, e sim serviços de instalação técnica. Por se tratar de serviços prestados mediante cessão de mão de obra, a responsabilidade solidária do contratante decorre do artigo 31, e não do artigo 30, VI da Lei nº8.212/91. Entretanto, não está registrado no Relatório Fiscal, e tampouco, na planilha Fundamento Legais do Débito, a fundamentação legal que autoriza o lançamento em nome do tomador de serviços de cessão de mão de obra. A omissão de fundamentação legal configura vício insanável e implica em nulidade do lançamento. Decadência Em resposta à consulta formulada pela impugnante quanto à interpretação correta do artigo 45, II da Lei nº 8.212/91, o sujeito ativo informou que o Fisco dispõe do prazo de dez anos, a contar da data em que se tornou definitiva a decisão que anulou a NFLD, para substituíla por outra. Essa interpretação não merece prevalecer. No lançamento, o termo ad quem para a contagem do prazo decadencial do artigo 45, I da Lei nº 8.212/91 é a consolidação da NFLD. Por sua vez, o termo ad quem para a contagem do prazo decadencial do artigo 45, II da Lei nº 8.212/91 é a data em que se tornou definitiva a decisão que anulou a NFLD por vício formal. É que a decadência não se interrompe e não existe previsão legal para a substituição de lançamento tornado nulo. A presente NFLD inclui os créditos lançados na NFLD nº 35.374.5065,anulada, por vício formal, em 26/04/2006, dies ad quem para a contagem do prazo decadencial. Assim, as contribuições relativas aos fatos geradores ocorridos antes de 01/1996 foram atingidas pela decadência. Inexistência de responsabilidade solidária Ao lançamento deve ser aplicada a legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores (artigo 144, caput e §1º do CTN). A responsabilidade solidária do construtor com o subempreiteiro apenas adveio com a Lei nº 9.528/97. Em sua redação original, o Fl. 204DF CARF MF Processo nº 16020.000196/200719 Acórdão n.º 2402006.265 S2C4T2 Fl. 203 5 artigo 30, VI da Lei nº 8.212/91 somente previa responsabilidade solidária entre o proprietário, o incorporador, o dono da obra ou o condômino. Assim, para o período anterior à Out/1997, não existe fundamento legal que autorize a fiscalização a responsabilizar o proprietário, incorporador, dono da obra ou condômino com o subempreiteiro. É nulo de pleno direito qualquer ato administrativo regulamentar que estabeleça a responsabilidade solidária entre as partes, em especial, o item 15 da OSINSS/DAF nº 51/92 e o item 17 da OS INSS/DAF nº 165/97. Tanto porque a responsabilidade solidária é matéria exclusiva de lei (artigo 124, II do CTN), como porque o conteúdo dos atos regulamentares restringese ao alcance da lei em função da qual são expedidos (artigo 99 do CTN). A despeito disso, a fiscalização responsabilizou a impugnante pelas obrigações previdenciárias descumpridas pela subempreiteira de obra de construção civil,relativas ao período de 10/1995 a 01/1998. Inaplicabilidade do artigo 124, I do CTN Caso, ainda, o sujeito ativo pretenda convalidar o lançamento com fundamento no artigo 124, I do CTN, isso não será permitido, pois este dispositivo não foi informado como fundamento legal do lançamento. Contratação de serviços diversos A impugnante faz prova (doc. nº 3) de que os serviços executados pela empresa TCR Telecomunicações e Construções de Redes S/C Ltda., nas competências 10/1995a 01/1998, não constituem obra de construção civil. A empresa TCR Telecomunicações e Construções de Redes S/C Ltda., regularmente notificada, na pessoa de seu representante legal, Sr. Raimundo Severino da Silva, não apresentou impugnação. Remetidos aos autos a DRF de origem para que a autoridade lançadora indicasse os motivos que a levaram a concluir que os serviços foram prestados na atividade de construção civil, ela apresentou Relatório Fiscal Complementar, acompanhado de documentos, no qual precisou os motivos adotados para fundamentar o lançamento. A Ellenco Construtora Ltda, regularmente cientificada do resultado da diligência, manifestouse pela nulidade do lançamento, sob os seguintes argumentos: A motivação inicial do ato administrativo não pode ser modificada após a sua lavratura. Caso a motivação inicial seja insuficiente, o ato administrativo deve ser declarado nulo. Não obstante, a informação fiscal apresentou motivação sem fundamento em fatos, apenas em especulações da autoridade administrativa. Fl. 205DF CARF MF 6 São três os motivos apresentados pela fiscalização: a terceirização do serviço pressupõe sua vinculação à atividade fim da impugnante; a Classificação Nacional de Atividades Econômicas CNAE; e o fato da impugnante não fazer prova do contrário. Contudo, existem inúmeras atividadesmeio que podem ser terceirizadas (p.ex limpeza,manutenção e segurança); o CNAE não pode ser aceito como legislação tributária (art. 100 do CTN), devendo prevalecer a definição do item 1 da OS INSS/DAF nº 165/97, vigente à é focados fatos geradores; e o ônus probatório é sempre da autoridade administrativa, que é obrigada a investigar a ocorrência dos fatos geradores. A fiscalização afirma que faz prova da natureza dos serviços pelas cópias de livro Razão da impugnante, porém, a escrituração contábil não serve como elemento probatório dos serviços prestados por terceiros, porquanto não descreve os serviços tomados pela impugnante. A empresa TCR Telecomunicações e Construções de Redes S/C Ltda., regularmente cientificada do resultado da diligência, por edital, não se manifestou". Em seu recurso apresenta as mesas razoes recursais com alguns elementos de referência a decisão recorrida, entretanto adiciona argumentação quanto a legalidade da aplicação do inciso II do Art. 173 do CTN ao caso, levanta questões relativas a contagem de prazo para realização do segundo lançamento e deixou de abordar questões relacionadas a inaplicabilidade do Art. 124 do CTN. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator 1. Admissibilidade Presentes os pressupostos intrínsecos (legitimidade, interesse, cabimento e inexistência de fato impeditivo ou extintivo) e extrínsecos (tempestividade e regularidade formal) de admissibilidade recursal, votamos por conhecer do recurso e passamos a sua análise. 2. Dos lançamentos. As obrigações objeto de lançamento são referentes a responsabilidade solidária do Recorrente em relação a contribuições previdenciárias devidas por subempreitera TCR Telecomunicações e Construções de Redes S/C Ltda incidentes sobre fatos geradores ocorridos em 01/10/1995 a 30/11/1995, 01/01/1996 a 31/03/1996, 01/09/1996 a 31/12/1996, 01/07/1996 a 31/07/1996, 01/01/1997 a 31/01/1998. No presente caso houve reemissão de lançamento que restou anulado em razão de suposto vício formal, sendo que o primeiro ocorreu em 20/12/2001 através das Notificações de Lançamento de Débitos de nº 35.374.5081; 35.374.5065 e 35.374.5030 Fl. 206DF CARF MF Processo nº 16020.000196/200719 Acórdão n.º 2402006.265 S2C4T2 Fl. 204 7 anulados por meio do Acórdão nº 608/2006 no qual a 4ª CAJ/CRPS, em revisão ao Acórdão nº 819/2003 (Fls 53 a 63). Na ocasião, a 4ª CAJ/CRPS reconheceu a nulidade do lançamento e no dispositivo do voto concluindo ser em razão de vicio formal, registrando na fundamentação da decisão que: Não obstante, ter se utilizado da prerrogativa estabelecida em lei de arbitrar o salário de contribuição que reputasse devido, a Auditoria Fiscal não fez constar no Relatório de Fundamentos Legais os dispositivos legais que amparam tal procedimento O arbitramento é procedimento utilizado quando não é possível obter a base de. cálculo da documentação específica que registra as ocorrências relacionadas â remuneração dos segurados empregados, quais sejam, folhas e recibos de pagamento, ou GFIP'se outras; Como a ação fiscal se deu na tomadora dos serviços, a apuração do salário de contribuição se deu por meios indiretos, com base nos valores pagos à prestadoras e, em nenhum momento o contribuinte foi informado de que o lançamento seria efetuado por arbitramento e qual o amparo legal para esse procedimento; A auditoria fiscal tem o dever de informar ao contribuinte sob ação fiscal que efetuará um arbitramento da importância que reputou devida. A aferição tem fundamento no art. 33, parágrafos 3o , 4 o e 6o , da Lei n° 8.212791 e tais dispositivos determinam, inclusive, a inversão do ônus da prova. Portanto, a omissão em informar devidamente o contribuinte desse procedimento vicia todo o procedimento em razão de clara violação dos Princípios do Devido Processo Legal, da Ampla Defesa e do Contraditório; [...] "No entendimento dessa autoridade julgadora a ausência da fundamentação legal não é vicio passível de saneamento em razão da impossibilidade operacional do sistema informatizado da SRP em reemitir, após o encerramento da ação fiscal, o relatório de Fundamentos Legais do Débito FLD retificado e, assim emitir a CDA Certidão de Dívida Ativa sem qualquer vício. Nãoobstante a ausência de fundamentação legal para o procedimento de arbitramento, cumpre observar que não é possível lavrar o débito em questão da forma como foi efetuado pela autoridade fiscal, isto é, consolidado em uma mesma notificação os débitos correspondentes a diversos prestadores de serviços. Para fins de cumprimento ao disposto no §1º da lei 8.212/91, todos os solidários deverão ser informados do débito levantado, para que possam exercer seu direito constitucional a ampla defesa. Fl. 207DF CARF MF 8 [...] Depreendese que a notificação da forma como foi lavrada não permite que se cumpra o estabelecido no Parecer/CJ n° 2.376/2000, pois não houve a notificação de todos os solidários, para que exercessem seu direito de defesa; Pela necessidade do sigilo fiscal, não seria possível dar conhecimento às subempreiteiras mediante envio de cópia dos autos às mesmas, uma vez que consta numa mesma notificação o lançamento de todas, Portanto, caso a SRP entenda por proceder a novo levantamento deverá. observar o acima exposto. Também é conveniente ressaltar que em vários lançamentos da espécie, já objeto de análise por parte dessa Conselheira, tem sido observado que a auditoria fiscal, não obstante o contribuinte fiscalizado não haver apresentado folhas de pagamento e guias especificas, não tem efetuado o lançamento por solidariedade unicamente com base nesse argumento A fim de se certificar de que efetivamente existe contribuição providenciaria não recolhida por parte da prestadora, a fiscalização tem procurado elementos que formem essa convicção, como por exemplo, a verificação do CFE Cadastro de Fiscalização da Empresa, para análise das ações fiscais desenvolvidas na prestadora, e se a mesma já teria sido.objeto de fiscalização com cobertura contábil nó período referente ao débito lançado, a verificação de adesão por parte das prestadoras aos parcelamentos especiais instituídos pelas Leis n° 9.964/20fJ0,(REFIS).e 10.684/2003 (PAES), com a inclusão das competências, nas quais ocorreram os fatos geradores., Esses procedimentos têm por objetivo evitar a duplicidade do lançamento de contribuições ou o lançamento de contribuições regularmente recolhidas, o que contrariaria o contido no Parecer CJ n° 2376/2000, acima mencionado. [...] O Principio da Verdade Material exprime que a Administração deve tomar decisões com base nos fatos tais como ocorrem na realidade, e se configura como verdadeiro sustentáculo do processo administrativo fiscal, que tem por finalidade garantir a legalidade da apuração da ocorrência do fato gerador e a constituição do crédito tributário; O que está em jogo é a legalidade da tributação, logo, tomase necessário que reste cabalmente comprovado nos autos a existência de obrigação tributária principal não recolhida aos cofres previdenciários, não sendo mais aceitável o lançamento única e exclusivamente pela não apresentação de folhas e guias especificas; [...] Fl. 208DF CARF MF Processo nº 16020.000196/200719 Acórdão n.º 2402006.265 S2C4T2 Fl. 205 9 Voto no sentido de ANULAR o Acórdão n° 819/2003, para CONHECER DO RECURSO e ANULAR a presente notificação por vício formal. Cumpre salientar que nada impede que a SRP proceda a novo lançamento se observar a correta fundamentação legal; O Acórdão proferido, por sua vez apresentou os seguintes termos: "Vistos e relatados os presentes auto, em sessão realizada hoje, ACORDAM os membros da Quarta Câmara de julgament do CRPS, por Unanimidade em ANULAR O ACÓRDÃO DA CÂMARA nº 819/2003 E ANAULAR A NFLD, de acordo com o voto do(a) Relator(a) e sua fundamentação." [Fls 60] Em razão da conclusão do voto da i. Relatora, a autoridade fiscal entendeu ser possível a reemissão do lançamento nos termos do art. 173, II do CTN e com tal supedâneo foi gerada a NFLD de nº 37.076.3823 lavrado na data de 31/01/2007 em substituição da NFLD nº 35.374.5065 de 20/12/2001, visando ajustar a constituição de crédito previdenciário relativo apenas às competências 12/1995 a 01/1998 e devidas pelo recorrente em razão de Responsabilidade Solidária do construtor. Fluxo temporal das NFLDs emitidos ao abrigo do presente processo administrativo tributário: Fatos Geradores 12/1995 a 01/1998 Primeira emissão do lançamento 20/12/2001 Definitividade da anulação do lançamento 26/04/2006 Reemissão do Lançamento 31/01/2007 Ante a tais questões o Recorrente estrutura suas razões recursais com os seguintes pontos: 2.1. NFLD. Nulidade absoluta. Modificação dos motivos determinantes. 2.2. Decadência. Súmula Vinculante nº 8 do STF. 2.3. Responsabilidade solidária do construtor com subempreiteiros; Os pontos recursais, salvo as alegações quanto a responsabilidade, são em essência prejudiciais ao mérito e desta forma serão analisados. Iniciaremos a exposição pela analise de decadência, eis que tem impacto nas demais razões recursais. 2.2. INAPLICABILIDADE DO INCISO II DO ART. 173 DO CTN AO PRESENTE CASO. Desde a impugnação o Recorrente vem sustentando a ocorrência de decadência, entretanto, somente no Recurso passou a questionar a conformação do caso ao disposto no art. 173, II do CTN. Fl. 209DF CARF MF 10 O Recorrente o fez sob o argumento de racional amplamente prolatado no meio jurídico de que decadência não se interrompe e que haveria erro quanto a determinação do termo a quo para reinício do prazo decadencial. Tais argumentos nos parecem inadequados, eis que decadência é conceito jurídicopositivo e sua aplicabilidade esta adstrita aos preceitos legais, por conseqüência, se a norma geral tributária previu hipótese excepcional de interrupção do prazo decadencial, não há o que se opor, outrossim, o termo inicial de reinicio é o momento em que a decisão se tornou definitiva sendo contado tal prazo dali por diante e não do momento do fato gerador até a emissão da decisão, como sustenta o Recorrente. Entretanto, o Recurso desafia análise quanto a ocorrência de decadência e os limites de aplicabilidade do art. 173, II do CTN ao presente caso. Em que pese não nos alinhamos as razões recursais, avaliar a ocorrência da decadência por outros prismas não importaria em inovação na lide por meio da decisão, tão pouco alteração dos motivos determinantes, eis que, ainda que o Recorrente não tivesse apresentado qualquer alegação quanto ao tema, decadência é matéria de ordem pública, não sujeita a preclusão e passível de cognição de oficio. De modo bem objetivo, a possibilidade do julgador ordinário conhecer de oficio matérias de ordem pública, bem como a não incidência de preclusão sobre tais matéria, é questão amplamente aceita na doutrina e jurisprudência, racional aplicável aos processos judiciais e administrativos. Embora haja divergência quando a conhecer de tais matérias em instâncias extraordinárias quando o tema não é objeto de préquestionamento, tal hipótese não se aplica a este colegiado, eis que tratase de esfera ordinária. Nesse sentido, dada a natureza da matéria, o julgador não estaria adstrito aos argumentos do Recorrente, argumentos com os quais não nos alinhamos, o que não importa concluir a inexistência de decadência no presente caso. Para nos, não houve conformação do caso aos preceitos do art. 173, II por motivos diversos dos alegados, o que nos leva a transcendêlos e analisar a matéria por outros prismas sem, no entanto, nos afastar do pedido formulado. Reprisados os pontos fáticos de maior relevância para análise das questões prejudiciais ao mérito, há de se investigar a legalidade do lançamento, originário ou reemitido, frente ao instituto da decadência e sua regra especial prevista no inciso II do Art. 173 do CTN, o que se poderia fazer até mesmo de oficio por tratarse de matéria de ordem pública. Para este relator a verificação da ocorrência ou não de decadência no presente caso impõem uma necessária incursão nas razões decisórias do Acórdão nº 608/2006 no que tangencia a classificação do vício que ensejou a anulação do primeiro lançamento, eis que a razão essencial do Acórdão é supedâneo para validade do presente lançamento. Para este relator a decadência e a existência de contradição entre os fundamentos do Acórdão que anulou o lançamento original e seu dispositivo, são matérias de ordem pública que transcendem aos interesses das partes, sendo cognoscíveis de ofício, não Fl. 210DF CARF MF Processo nº 16020.000196/200719 Acórdão n.º 2402006.265 S2C4T2 Fl. 206 11 estando sujeitas a preclusão, estando tal racional alinhado a alguns posicionamentos jurisprudenciais manifestados pelo STJ, por tribunais ordinários e no próprio CARF.1 Neste sentido, não há como deixar de analisar a correição e perfeita subsunção do presente caso concreto a regra excepcional de que trata o Art. 173, II do CTN, o que impõe análise da própria decisão anulatória, ainda que o pedido realizado não tenha por fundamento tais elementos. Compulsando os autos, verificase que existe clara contradição entre os fundamentos da decisão original e seu dispositivo, fato qualificado como afronta à ordem pública e não sujeito a preclusão, sendo passível de ser conhecido de ofício para se promover a correção da referida contradição, em que pese existirem precedentes em sentido oposto no CARF. Entretanto, apesar de juridicamente possível, este não é o encaminhamento que se pretende dar ao presente caso, pois, nula ou não, corrigida ou não, a análise dos elementos da decisão, para além do dispositivo, compõe a hipótese legal de conformação dos requisitos de aplicação do inciso II, do Art. 173 do Código Tributário Nacional ao presente caso eis que, nos termos do próprio Acórdão prolatado, o resultado do julgamento não se vinculou somente ao dispositivo do voto, mas abrangeu a sua fundamentação. "Vistos e relatados os presentes auto, em sessão realizada hoje, ACORDAM os membros da Quarta Câmara de julgamento do 1 "PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. PREQUESTIONAMENTO. AUSÊNCIA. SÚMULA 211/STJ. ARGUIÇÃO DE NULIDADE DA CITAÇÃO. PRECLUSÃO. INOCORRÊNCIA. 1. A ausência de decisão acerca dos dispositivos legais indicados como violados, não obstante a interposição de embargos de declaração, impede o conhecimento do recurso especial quanto ao ponto. 2. Os pressupostos de constituição e desenvolvimento válido e regular do processo, assim como as condições da ação matérias de ordem pública , não se submetem à preclusão nas instâncias ordinárias. 3. A nulidade da citação constitui matéria passível de ser examinada em qualquer tempo e grau de jurisdição, independentemente de provocação da parte; em regra, pode, também, ser objeto de ação específica ou, ainda, suscitada como matéria de defesa em face de processo executivo. Tratase de vício transrescisório. Precedente. 4. O defeito ou a ausência de citação somente podem ser convalidados nas hipóteses em que não sejam identificados prejuízos à defesa do réu. 5. Recurso especial parcialmente provido. [Superior Tribunal de Justiça. 3ª Turma, REsp 1138281 / SP 16/10/2012]" "Processo 03787131 Apelação Cível 03787131 Origem 22ª vara cível do foro central da comarca da região metropolitana de Curitiba. Relator: Des. Celso Seikiti Saito. Apelação Cível medida cautelar inominada com pedido de liminar sentença que julgou extinto o processo com fundamento no Art. 806 c/c Art.267, IV, DOCPCEM Razão do lapso temporal decorrido a partir do indeferimento da liminar Impossibilidade contagem do trintídio para promover a ação principal não iniciada em face de ausência de liminar CONTRADIÇÃO ENTRE A FUNDAMENTAÇÃO E A DISPOSIÇÃO DA SENTENÇA MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA sentença cassada de ofício recurso de apelação prejudicado." "IRPJ. INCORPORAÇÃO. DECADÊNCIA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. A decadência constitui matéria de ordem pública, razão pela qual não é atingida pela preclusão. Para os tributos lançados por homologação, caso do IRPJ, havendo antecipação de pagamento, e desde que não seja constatado dolo, fraude ou simulação, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial de 5 (cinco) anos, no caso de extinção de empresa por incorporação, é a data da ocorrência do fato gerador, que correspondente à data do evento societário. [Acórdão CARF nº 1201001.643 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária]" "NULIDADE POR VÍCIO MATERIAL. INTERRUPÇÃO DA DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. ACOLHIMENTO DE OFÍCIO. Em havendo a decretação da nulidade de lançamento tributário sob o fundamento de ocorrência de nulidade calcada em vício material, não ocorre a hipótese de interrupção da contagem do prazo decadencial de que trata o inciso II, do art. 173, do CTN, de modo que encontrase colhido pela decadência o lançamento feito há mais de 5 (cinco) [Acórdão CARF nº 2402004.603– 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária]" Fl. 211DF CARF MF 12 CRPS, por Unanimidade em ANULAR O ACÓRDÃO DA CÂMARA nº 819/2003 E ANAULAR A NFLD, de acordo com o voto do(a) Relator(a) e sua fundamentação." (Fls. 60) Assim, nossa orientação cognitiva quanto ao tema, toma o conteúdo decisório em sua integralidade como elemento de verificação da possibilidade de aplicação do prazo excepcional de decadência de que trata o Art. 173, II do CTN, interpretando dispositivo, relatório e voto de modo conjunto. Para boa parte da doutrina tratase de hipótese de interrupção de prazo decadencial, já para autores não se trata de interrupção do prazo decadencial, eis que a decadência restaria prevenida com o lançamento realizado, ainda que por vicio formal, se tratando então do estabelecimento de novo prazo decadencial para promover a correção do lançamento que deve ser reemitido nos exatos termos materiais em que foi inicialmente concebido, ajustandose tão somente os elementos formais que ocasionaram sua nulidade. 2 Perfilamos a tal entendimento, eis que, em se tratando de vicio meramente formal, o fato gerador estaria adequadamente identificado, quantificado e constituído, sendo a reemissão do instrumento de constituição uma continuidade do proceder originário visando resguardar o interesse público, não o sujeitando aos efeitos de correntes de erros de seus agentes, eis que assim como as matérias de ordem pública, o interesse resguardado transcende tais pormenores. Para alguns doutrinadores tal previsão representa quebra do princípio da isonomia e segurança jurídica, por tal motivo tem recebido diversas criticas doutrinárias duras de doutrinadores renomados. 3 2 [Koch, Deonísio Processo Administrativo Tributário e Lançamento, 1ª ed., FlorianópolisSC : Editora Mandamento Atual, 2003 pág. 283/284]. 3 "Cuida o art. 173, II, de situação particular; tratase de hipótese em que tenha sido efetuado um lançamento com vício de forma, e este venha a ser "anulado" (ou melhor, declarado nulo, se tivermos presente que o vício de forma é causa de nulidade, e não de mera anulabilidade) por decisão (administrativa ou judicial) definitiva. Neste caso, a autoridade administrativa tem novo prazo de cinco anos, contados da data em que se torne definitiva a referida decisão, para efetuar novo lançamento de forma correta. O dispositivo comete um dislate. De um lado, ele, a um só tempo, introduz, para o arrepio da doutrina, causa de interrupção e suspensão do prazo decadencial (suspensão porque o prazo não flui na pendência do processo em que se discute a nulidade do lançamento, e interrupção porque o prazo recomeça a correr do inicio e não da marca já atingida no momento em que ocorreu o lançamento nulo). De outro, o dispositivo é de uma irracionalidade gritante. Quando muito o sujeito ativo poderia ter a devolução do prazo que faltava quando foi praticado o ato nulo, Ou seja, se faltava um ano para a consumação da decadência, e é realizado um lançamento nulo, admitese até que, enquanto se discute esse lançamento, o prazo fique suspenso, mas, resolvida a pendência formal, não faz nenhum sentido dar ao sujeito ativo um novo prazo de cinco anos, inteirinho, como "prêmio" por ter praticado um ato nulo." [Amaro, Luciano D|ireito tributário brasileiro 20 ed. São Paulo : Saraiva, 2014 p. 433/434] "Na verdade o legislador quis oferecer tratamento privilegiado à Administração Pública, o que por si só é perfeitamente louvável e defensável, sobretudo em face do primado do principio do interesse coletivo sobre o particular, sustentáculo maior do Direito Administrativo pátrio. A despeito de tal cautela, o que restou normatizado foi um inafastável privilégio dos maus administradores, que se vêem assim albergados e protegidos para sair impingindo lançamentos despudorados e sem a menor sustentação legal, garantidos que estão de posteriormente "rever o erro", principiando novamente no exercício de lançar. Assim, esse preceito legal deixou de configurar respeito ao coletivo para transfigurarse as claras na razão de instabilidade do contribuinte (sentido lato)[ Castro, Alexandre Barros Teoria e prática do direito processual tributário São Paulo : Saraiva, 2000 pág. 75/76]" "a solução do legislador não foi feliz, pois deu para a hipótese excessiva elasticidade a beneficiar o Erário no seu próprio erro. Premiou a imperícia, a negligência ou a omissão governamental" [Martins, Ives Gandra da Silva Comentários ao Código Tributário Nacional São Paulo : 1998, citado por Deonísio Koch na obra já referenciada neste voto, pág. 285] Fl. 212DF CARF MF Processo nº 16020.000196/200719 Acórdão n.º 2402006.265 S2C4T2 Fl. 207 13 De certo, não nos cabe avaliar o dispositivo ante a sua constitucionalidade, eis que tal controle não integra as competências deste colegiado, entretanto, cabe registro quanto ao posicionamento majoritário da doutrina apontando a questão como um privilégio para o qual não há justificativa sustentável frente a princípios como isonomia e segurança jurídica, tese com a qual não comungamos, mas que importa em adoção de postura interpretativa restritiva. Conforme será melhor exposto, a decisão que deu base a reemissão do lançamento apresenta clara contradição entre seus fundamentos e a conclusão proferida em seu dispositivo, eis que a fundamentação indicar haver nulidade material no lançamento, mas o dispositivo conclui equivocadamente tratarse de nulidade formal4. Na mesma linha seguem Paulo de Barros Carvalho e Ruy Barbosa Nogueira ao tecer as mesmas criticas ao dispositivo, apontando como uma benesse injustificada conferida ao Fisco. 4 Vale registrar alguns elementos conceituais quanto a conformação dos vícios formais e materiais, eis que o dominio desses conceitos é essencial para o deslinde da questão: "LANÇAMENTO. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA. NATUREZA DO DEFEITO. POSSIBILIDADE DE CARACTERIZAÇÃO DE VÍCIO FORMAL OU MATERIAL. NECESSIDADE DE ANÁLISE DO CASO CONCRETO. I – O erro na identificação do sujeito passivo, quando do lançamento, pode caracterizar tanto um vício material quanto formal, a depender do caso concreto, não se podendo afirmar, aprioristicamente, em que categoria o defeito se enquadra. II – Se o equívoco se der na “identificação material ou substancial” (art. 142 do CTN), o vício será de cunho “material”, por “erro de direito”, já que decorrente da incorreção dos critérios e conceitos jurídicos que fundamentaram a prática do ato. Por outro lado, se o engano residir na “identificação formal ou instrumental” (art. 10 do Decreto nº 70.235/72), o vício, por consequência, será “formal”, eis que provenientes de “erro de fato”, hipótese em que se afigura possível a aplicação da regra insculpida no art. 173, II, do CTN. Data: 06/03/2014." Para reforçar os meandros conceituais que o referido parecer delineou recorreremos as lições de alguns doutos: De Plácido e Silva: "Vício de Forma. É o defeito, ou a falta, que se anota em um ato jurídico, ou no instrumento, em que se materializou, pela omissão de requisito, ou desatenção à solenidade, que se prescreve como necessária à sua validade ou eficácia jurídica", e ainda: "Formalidade Derivado de forma (do latim formalitas), significa a regra, solenidade ou prescrição legal, indicativas da maneira por que o ato deve ser formado". Leciona Marcelo Caetano que: "O vício de forma existe sempre que na formação ou na declaração da vontade traduzida no ato administrativo foi preterida alguma formalidade essencial ou que o ato não reveste a forma legal". Esclarece, ainda, que: "Formalidade é, pois, todo ato ou fato, ainda que meramente ritual, exigido por lei para segurança da formação ou da expressão da vontade de um órgão de uma pessoa coletiva". Leandro Paulsen: “Vícios materiais são os relacionados à validade e à incidência da lei.” . Luiz Henrique Barros de Arruda , leciona que: "O vício de forma existe sempre que na formação ou na declaração da vontade traduzida no ato administrativo foi preterida alguma formalidade essencial ou que o ato não reveste a forma legal. Marcelo Caetando ao tratar de fomarlidade assim a define: "Formalidade é, pois, todo o ato ou fato, ainda que meramente ritual, exigido por lei para segurança da formação ou da expressão da vontade de um órgão de uma pessoa coletiva" Luís Eduardo Garrosino Barbieri, em excelente obra sobre o tema, apresenta uma definição para ambos os tipos de vícios bem como critérios para sua adequada identificação, o que adotaremos como linha de trabalho neste voto : I) A validade formal, de modo a certificarse se um agente competente executou o procedimento ("ação fiscal") e formalizou o ato de acordo com as normas prescritas pelo direito tributário formal. Nas palavras de Tácio Gama Lacerda, se não houve "incompatibilidade entre o instrumento introdutor e a norma de competência". A validade formal do ato referese à conformidade dos pressupostos extrínsecos do lançamento (...) em sua relação de fundamentação com as normas, gerais e abstratas, do direito tributário formal. Desconformidades nos pressupostos extrínsecos referemse aos vícios formais. II) A validade material, com vistas a aferir se houve desacerto na aplicação das normas do direito tributário material, ou seja, a validade material do ato está relacionada à verificação da conformidade dos elementos intrínsecos do lançamento (...) em seu vínculo de fundamentação com as normas, gerais e abstratas, do direito tributário material. Erros na indicação dos elementos intrínsecos resultam em vícios materiais." Para Fabiana Del Padre Tomé, citada por Barbieri, erros formais: Fl. 213DF CARF MF 14 O ato de lançamento original foi anulado por suposto erro formal, ao menos essa foi a declaração final do voto vencedor emitido pela 04ª CAJ Quarta Câmara de Julgamento, Documento: 0035.374.5065, anexado a partir da Fls 60, dos presentes autos. Nos termos do relatório, o recurso apresentado sagrouse vencedor por unanimidade. A tese recursal, nos termos relatados foi a seguinte: "Segundo a interessada o acórdão em questão teria violado o art 37 da Lei n° 8.212/91 e o art. 2°, inciso VII d a Lei n° 9.784/1999. Que ao lavrar a NFLD, a fiscalização deve indicar os pressupostos de fato e de direito que determinam a sua lavratura, sob pena de nulidade absoluta. Afirma que não sendo possível verificar a real remuneração dos trabalhadores contratados pela empresa, a fiscalização aferiu o valor devido das contribuições devidas e não indicou os dispositivos legais que amparam tal procedimento na NFLD, sendo nula de pleno direito. Que a fiscalização aplicou retroativamente a Lei n° 9.528/1997, de modo a atribuir responsabilidade solidária da empresa em relação a empresas que subempreítaram obras de construção civil e que de acordo com o art. 124, inciso II do CTN, a responsabilidade solidária é matéria exclusiva de lei, "dizem respeito ao procedimento de elaboração do ato administrativo, acarretando defeitos na enunciação enunciada, isto é, na proposição que relata aspectos inerentes ao sujeito produtor, tempo, local e modo de emissão da norma individual e concreta" Já os erros materiais são assim definidos por Del Padre Tomé: "são verificados no próprio enunciado introduzido no ordenamento, sendo internos á norma individual e concreta" Luís Eduardo Garrosino Barbieri, na mesma obra, elaborou ainda um excelente resumo indicando os critérios de identificação de um e outro tipo de vício que vez ou outra acometem os atos de lançamento tributário; "Em conclusão, neste capítulo delineamos as espécies de vícios que podem macular os atos jurídico administrativos de lançamento tributário, nos seguintes termos: (i) Vícios nos pressupostos extrínsecos vícios formais: a) Vício de competência; b) Vício de procedimento; c) Vício de formalização. (ii) Vícios nos elementos intrínsecos vícios materiais: a) Vício de motivação; b) Vício de conteúdo, na indicação dos elementos da relação jurídicotributária. Por sua vez, adotamos a seguinte sistematização para classificar os efeitos destes os vícios: 1º. Critério quanto à existência de prejuízo do ato: a) Sem prejuízo: atos meramente irregulares, que não causam prejuízos às partes, podem ser convalidados por confirmação pela própria autoridade julgadora; b) Com prejuízo: atos suscetíveis de invalidação. 2º. Critério: quanto à gravidade do prejuízo: a) Com prejuízo menos grave, assim considerados os vícios nos pressupostos extrínsecos (vício de competência, vício de procedimento e vício de formalização): atos relativamente inválidos (atos anuláveis), que podem ser convalidados por ratificação pela autoridade lançadora; b) Com prejuízo grave, assim considerados os vícios nos elementos intrínsecos (vício de motivação e vício na indicação do sujeito ativo, do sujeito passivo, da base de cálculo e na alíquota): atos absolutamente inválidos (atos nulos) não podem ser convalidados. Com base nesses critérios, entendemos que o controle da validade do lançamento tributário, efetuado pela própria Administração Tributária (autotutela) ou pelo Poder Judiciário (com jurisdição), resultará, ao final, em uma das providências por parte do julgador: (i) Confirmar a procedência do ato de lançamento, quando ausente de vícios, declarandoo válido; (ii) Confirmar a procedência do ato meramente irregular, quando existirem pequenas incorreções que não acarretem prejuízo às partes, também o validando; (iii) Declarar o ato relativamente inválido ou anulável, quando detectados defeitos com prejuízos menos graves às partes (vícios formais), para posterior convalidação, com a edição de um novo ato saneador; (iv) Declarar o ato absolutamente inválido ou nulo, quando detectados defeitos com graves prejuízos às partes (vícios materiais), extirpandoos definitivamente do ordenamento." Fl. 214DF CARF MF Processo nº 16020.000196/200719 Acórdão n.º 2402006.265 S2C4T2 Fl. 208 15 sendo defeso a todo e qualquer ato regulamentar estabelecer esta obrigação. Afirma que a motivação inicial foi completamente modificada pela DecisãoNotificação, uma vez que a motivação inicial do lançamento fiscal é a responsabilidade solidária da recorrente com construtores de obras de construção civil de acordo com o art. 30, inciso VI da Lei n° 8.212/91. Posteriormente, a DN menciona o art. 31, da Lei n° 8.212/91 e que o Acórdão utilizou ambos os dispositivos legais para justificar a manutenção da NFLD. Alega que não estava obrigada a descontar guias específicas de todo o ocorrido. Dois de acordo com o Parecer CJ n° 1.830/1999, somente com o advento da Lei n° 9.032/1995, pode ser exigida guia especifica para fins de elisão de responsabilidade solidária.. Por fim, solicita a concessão de efeito suspensivo." g.n. O Acórdão em questão reconhece estar o recorrente com a razão em suas alegações: "Da análise das razões da recorrente, verificase que assiste razão à recorrente de que a ausência de fundamento legal que ampare o lançamento arbitrado tem sido considerado vício insanável pela 4a Câmara, de Julgamentos em razão, da impossibilidade operacional da reemissão do relatório de Fundamentos Legais do débito retificado para uma ação fiscal já encerrada, o que impede a emissão da Certidão de Divida Ativa CDA sem vícios;" g.n. A nulidade assento na falta de fundamentação legal e também na clara descrição do fato ou sua caracterização de forma plena de modo a autorizar a aplicação do método de apuração por aferição indireta. Não se trata de mero vicio exterior ao ato, mas essencial a sua introdução válida no mundo jurídico, vejamos: "Ao efetuar a aplicação do percentual sobre os valores dos lançamentos efetuados para obter a base de cálculo de incidências das contribuições previdenciárias, a auditoria fiscal claramente efetuou um arbitramento, procedimento que tem como base legal, in casu, o § 3o , do art. 33, da Lei n° 8.212/91" (...) "Não obstante, ter se utilizado da prerrogativa estabelecida em lei de arbitrar o salário de contribuição que reputasse devido, a Auditoria Fiscal não fez constar no Relatório de Fundamentos Legais os dispositivos legais que amparam tal procedimento; O arbitramento é procedimento utilizado quando não é possível obter a base de cálculo da documentação específica que registra as ocorrências relacionadas â remuneração dos segurados empregados, quais sejam, folhas e recibos de pagamento, ou GFIP´s e outras; Como a ação fiscal se deu na tomadora dos serviços, a apuração do salário de contribuição se deu por meios indiretos, com base nos valores pagos à prestadoras e, em nenhum momento o Fl. 215DF CARF MF 16 contribuinte foi informado de que o lançamento seria efetuado por arbitramento e qual o amparo legal para esse procedimento; A auditoria fiscal tem o dever de informar ao contribuinte sob ação fiscal que efetuará um arbitramento da importância que reputou devida. As falhas na construção do Ato de Lançamento representaram sim um grave prejuízo ao recorrente, prejuízo insanável, nulidade absoluta. O ato, conforme reconheceu a própria decisão, afrontou os princípios da ampla defesa e contraditório. Além de dificultar a apresentação de defesa adequada, eximia o poder público de provar que estavam presentes os requisitos para aplicação da aferição indireta: "A aferição tem fundamento no art. 33, parágrafos 3o , 4 o e 6o , da Lei n° 8.212791 e tais dispositivos determinam, inclusive, a inversão do ônus da prova. Portanto, a omissão em informar devidamente o contribuinte desse procedimento vicia todo o procedimento em razão de clara violação dos Princípios do Devido Processo Legal, da Ampla Defesa e do Contraditório;" Por último, a relação jurídica do recorrente no presente do ato em questão é a de Responsável Solidário, assim, apesar da solidariedade estabelecida por lei, não há como estabelecer tal responsabilidade sem a realização de fiscalização dos contribuintes ou, ao menos, com sua notificação, eis que somente contra o Responsável foi lavrado NFLD: "Não obstante a ausência de fundamentação legal para o procedimento de arbitramento, cumpre observar que não é possível lavrar o débito em questão da forma como foi efetuada pela autoridade fiscal, isto é, consolidando em uma mesma notificação os débitos correspondentes a diversos prestadores de serviço. Para fins de cumprimento ao disposto no § 1 do art. 37, da Lei 8.212/91, todos os solidários deverão ser informados do débito levantado, para que possam exercer seu direito constitucional da ampla defesa" (...) "Pela necessidade do sigilo fiscal, não .seria possível dar conhecimento às, subempreiteiras mediante envio de cópia dos autos às mesmas, uma vez que consta numa mesma notificação o lançamento de todas" (...) "A fim de se certificar de que efetivamente existe contribuição previdenciária não recolhida por parte da prestadora, a fiscalização tem procurado elementos que forma essa convicção, como por exemplo, a verificação do CFE Cadastro de Fiscalização da Empresa, para analise das ações fiscais desenvolvidas na prestadora, e se a mesma já teria sido objeto de fiscalização com cobertura contábil no periodo referente ao débito lançando" (...) Esses procedimentos têm por objetivo evitar a duplicidade do lançamento de contribuições ou o lançamento de contribuições regularmente recolhidas, o que contrariaria o contido no Parecer CJ n° 2376/2000, acima mencionado. O Principio da Verdade Material exprime que a Administração deve tomar decisões com base nos fatos tais como ocorrem na Fl. 216DF CARF MF Processo nº 16020.000196/200719 Acórdão n.º 2402006.265 S2C4T2 Fl. 209 17 realidade, e se configura como verdadeiro sustentáculo do processo administrativo fiscal, que tem por finalidade garantir a legalidade da apuração da ocorrência do fato gerador e a constituição do crédito tributário; O que está em jogo é a legalidade da tributação, logo, tomase necessário que reste cabalmente comprovado nos autos a existência de obrigação tributária principal não recolhida aos cofres previdenciários, não sendo mais aceitável o lançamento única e exclusivamente pela não apresentação de folhas e guias especificas" Percebam que existe acentuada dúvida até mesmo quanto a ocorrência do fato gerador, pois o Recorrente relata que não se tratou de serviços de construção civil, mas de serviços técnicos e dada a falta de qualquer diligência ou lançamento contra as empresas que deveriam constar como contribuintes, resta não comprovada a própria materialidade do fato gerador. Isso foi claramente reconhecido na exposição da motivação da decisão que anulou o lançamento originário e mesmo no lançamento reemitido foi objeto de diligencia visando aclarar tal situação, gerando um lançamento complementar. Ora, não há nos autos prova de que os contribuintes tenha deixar de recolher, ainda que parcialmente, as contribuições em questão, sento tal presunção baeada no fato da Recorrente não ter produzido tais provas. Nas palavras da relatora da decisão recorrida: "A fim de se certificar de que efetivamente existe contribuição previdenciária não recolhida por parte da prestadora, a fiscalização tem procurado elementos que forma essa convicção, como por exemplo, a verificação do CFE Cadastro de Fiscalização da Empresa, para analise das ações fiscais desenvolvidas na prestadora, e se a mesma já teria sido objeto de fiscalização com cobertura contábil no periodo referente ao débito lançando" (...) Esses procedimentos têm por objetivo evitar a duplicidade do lançamento de contribuições ou o lançamento de contribuições regularmente recolhidas, o que contrariaria o contido no Parecer CJ n° 2376/2000, acima mencionado. O Principio da Verdade Material exprime que a Administração deve tomar decisões com base nos fatos tais como ocorrem na realidade, e se configura como verdadeiro sustentáculo do processo administrativo fiscal, que tem por finalidade garantir a legalidade da apuração da ocorrência do fato gerador e a constituição do crédito tributário; Portanto, isso foi claramente reconhecido na exposição da motivação da decisão que anulou o lançamento originário e todo relatório e fundamentação do voto caminham em posição contrária a conclusão registrada na decisão original. Esta por sua vez, não articulou uma única linha apta a fundamentar a classificação das nulidades como meramente formais, ao contrario, os fundamentos da decisão levantam dúvidas até mesmo quanto a verdade dos fatos geradores. Fl. 217DF CARF MF 18 Assim, para este relator, ao contrário do que consta na conclusão do voto da Relatora da decisão anulatória dos lançamentos originários, os vícios apontados na decisão em questão não tinha características de meros vícios formais. A própria decisão indica serem os vícios insanáveis e prejudicais a ampla defesa do recorrente, demandando, para sua existência, a realização de um novo ato. Isto, denota uma contradição lógica no julgado e inviabiliza a classificação do vicio como formal. O novo termo a quo de contagem do prazo decadencial excepcionalmente previsto no inciso II do Art. 173 do CTN pressupõe que a decisão que anulou um primeiro lançamento tenha lastro em vícios meramente formais do ato, vícios exteriores ao ato, em regra passiveis de convalidação. Este não foi o caso do presente processo eis que, como já sustentamos nos itens anteriores, apesar da declaração errônea proferida no diapositivo da decisão da 4º CAJ (Fls 55 e seguintes), os vícios do ato de lançamento tangenciam a materialidade, integram a substância, são intrínsecos, portanto, inquestionavelmente, vícios materiais. Os Acórdãos proferidos no âmbito do PAF não devem ser interpretados unicamente por seus termos dispositivos, mas por todo o conjunto, isso inclui relatório e voto. No âmbito administrativo, marcado por fundamentações fáticas detalhadas e por dispositivos mais sumários, quase sempre referenciando os termos do próprio voto, relatório e voto apresentam maior relevâncias para o entendimento adequado do ato decisório que o próprio dispositivo. E ainda que se entenda que o dispositivo é que faz coisa julgada, quando este próprio dispositivo faz remissão as motivações expostas no voto vencedor, como ocorre no presente caso, não há como negar que seus termos devem guardar alinhamento e a exata interpretação do ato somente pode ser obtida através da análise conjunta de tais elementos. De certo, as conclusão apresentadas até aqui tem ancoragem em precedentes jurisprudenciais e doutrinários, contudo, tal entendimento está alinhado a melhor interpretação de dispositivos legais incidentes no processo administrativo tributário. Tendo em conta que, apesar de tratarse de atividade administrativa marcada por ritualística própria e litigiosidade, indubitavelmente as decisões de órgãos administrativos colegiados como o CARF revestemse da natureza jurídica de ato administrativo, emanando manifestação de vontade da Administração Pública eis que também objetivam constituir, resguardar, conservar ou extinguir direitos, e impor obrigações a si própria ou a terceiros. Como tal, as decisões em foco estão sujeitas aos preceitos da Lei nº 9.784, de 23 de Janeiro de 1999. 5 5 "Art. 2o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: I atuação conforme a lei e o Direito; [...] VII indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão; VIII – observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; IX adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados; [...] Fl. 218DF CARF MF Processo nº 16020.000196/200719 Acórdão n.º 2402006.265 S2C4T2 Fl. 210 19 Percebam que tais dispositivos reforçam o entendimento quanto a exigência de indicação dos motivos de fato e de direito que determinam a decisão, emitida conforme a lei e o Direito e com observância das formalidade essenciais à garantia dos direitos dos administrados [Art. 2º, I, VII, VIII]. Exige ainda que, quando importem anulação, revogação, suspensão ou convalidação, os atos administrativos sejam motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos que o determinaram. [Art. 50, VIII]. E, por derradeiro, mesmo quando o recurso não é conhecido, ainda que após o exaurimento da esfera administrativa não há impedimento para a Administração de rever de ofício o ato ilegal, desde que não ocorrida preclusão [Ordem Pública]. [Art. 63, IV, §2º] Como ultimação argumentativa, cabe registrar entendimento manifestado por Deonísio Koch e perfilado por este relator, nos seguintes termos: "Quando o cancelamento tiver motivação diversa, ainda que a decisão em seu dispositivo indique como razão de cancelamento vício formal, não cabe o benefício da dilação do prazo decadencial para a Fazenda Pública. Suponhamos que o lançamento contenha erros materiais (erro de calculo, por exemplo) e o julgador atribua a esta irregularidade um vício formal. Não estará a Fazenda Pública autorizada a se beneficiar da interrupção da decadência para reemissão deste lançamento." [ob. cit. pag. 294] O entendimento ora manifestado resta fundamentado, cabendo reprisar que o instituto representa regra excepcional, que apesar de atender a questões de interesse público resguardando o direito do erário, para uso do benefício deve haver uma subsunção perfeita entre as disposições contidas no inciso II do Art. 173 do CTN e o caso concreto, fato que para verificação demanda análise integral da decisão anulatória e não apenas seu dispositivo. Registrase que não há, neste voto, encaminhamento no sentido de se declarar a nulidade da decisão, apesar de ser juridicamente possível tal proceder é desnecessário para fins de avaliação da legalidade do lançamento em foco. A análise realizada está centrada no atendimento de requisito essencial para o advento da hipótese autorizativa da dilação de prazo decadencial, o que se faz pela análise integral do julgado. Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [...] VIII importem anulação, revogação, suspensão ou convalidação de ato administrativo. [...] Art. 63. O recurso não será conhecido quando interposto: [...] IV após exaurida a esfera administrativa. [...] §2o O não conhecimento do recurso não impede a Administração de rever de ofício o ato ilegal, desde que não ocorrida preclusão administrativa." Fl. 219DF CARF MF 20 Não se verificando a adequação da decisão aos preceitos normativos em foco, a autoridade fiscal, no presente caso, não estaria autorizada a reemitir o lançamento sob o abrigo de prazo decadencial excepcional, razão pela qual há de se reconhecer a decadência no presente caso. Sendo matéria de ordem pública dela conheço de oficio eis que as alegações recursais apenas tangenciam o tema e, por todo exposto, verifico a não subsunção do caso a hipótese descrita no inciso II, Art. 173 do CTN, eis que a motivação da anulação exposta no decisório em foco indica expressamente a ocorrência de nulidade absoluta, material, revelando contradição entre tais elemento, levando a conclusão de que o lançamento reemitido não estava salvaguardado pelo prazo decadencial excepcional de que trata Art. 173, II do CTN. 3. NULIDADE DA NFLD E DA DECISÃO RECORRIDA, POR ALTERAÇÃO DOS MOTIVOS DETERMINANTES. Dada a possibilidade de restar vencido quanto ao posicionamento exarado nos itens anteriores, prosseguiremos na análise das razões recursais. Mesmo após toda conturbação processual decorrente da nulidade do lançamento original, ao reemitir o lançamento, o i. Agente fiscal comente novos equívocos que importam em vício material. Na presente NFLD foram objeto de lançamento fatos geradores em relação a contribuições previdenciárias devidas por subempreitera TCR Telecomunicações e Construções de Redes S/C Ltda incidentes sobre fatos geradores ocorridos em 01/10/1995 a 30/11/1995, 01/01/1996 a 31/03/1996, 01/09/1996 a 31/12/1996, 01/07/1996 a 31/07/1996, 01/01/1997 a 31/01/1998 e atribuídas a Recorrente por responsabilidade solidária. Percebam que o documento de Fls 02 a 38 não teve o esmero de registrar qualquer construção de demonstre, minimamente, ter o fisco realizado qualquer procedimento nas empresas contribuintes para alem das consultas em sistemas próprios ou mesmos sustentação quanto as razões legais de atribuição de responsabilidade solidária da Recorrente com a descrição dos serviços tidos pelo i. agente fiscal como sendo de construção civil. Esse elemento era fundamental para um perfeito enquadramento da relação jurídica da Recorrente com os contribuintes em questão, no que tange a regra matriz geradora de responsabilidade solidária, eis que não se tratando de construção civil tal responsabilidade nao restaria conformada. Tal falha é tão patente que foi objeto de resolução e emissão de ato de lançamento complementar. Ora, novamente, tentouse emendar o ato eivado de nulidade material através de expediente que gera grave prejuízo a ampla defesa e contraditório. Não cabe, ao nosso ver, emendas quanto ao elemento central de identificação do ato. E por se tratar de reemissão de lançamento este não poderia se afastar dos registros materiais contidos no lançamento originário, é o que leciona Deonísio Koch: "É notória a conclusão de que a reconstituição do lançamento com o uso do novo prazo decadencial previsto no art. 173, II, do CTN, não comporta inovações ou inserções de elementos novos que não figuravam no lançamento anterior, cancelado por vício formal. Deve o novo lançamento ser uma reprodução do antorior, apenas corrigindo a falha que deu causa ao seu cancelamento. Tratase de reedição de lançamento com mesmo Fl. 220DF CARF MF Processo nº 16020.000196/200719 Acórdão n.º 2402006.265 S2C4T2 Fl. 211 21 conteúdo descritivo, ressalvada apenas a medida corretiva. [Koch, Deonisio Processo Administrativo Tributário 1ª ed., Editora Momento Atual, FlorianópolisSC, 2003. pag. 294]' Como se percebe, tal proceder não foi observado e não poderia, eis que o vício condutor da nulidade era essencialmente material, reeditar o lançamento nos mesmos termos conduziria ao mesmo resultado, razão pela qual se tenta a todo o custo emendar desventuras em série de que padece tal lançamento. Os atos praticados pelos julgadores que nos precederam, com todo respeito e deferência devida aos ilustres, indiciam a possibilidade de haver uma certa parcialidade na função de revisar o lançamento, eis que mesmo diante de tantos equívocos cometidos no lançamento original e repetidos na versão reeditada, ainda permitem que se complemente o instrumento de lançamento, mesmo diante de vícios materiais e os elementos desta complementação como fundamentos para manutenção de ato nulo. Tais condutas, portanto, ultrapassam os limites aceitáveis de busca da máxima efetividade da lide, ferindo uma série de direitos e garantias fundamentais do Recorrente. Os termos do despacho nº 0041 8a Turma da DRJ/RPO, de 04 de setembro de 2008, corroboram a tese recursal de modo indiscutível, pois, antes de tal diligência, o lançamento carecia de motivação e base probatória. Vejamos seus termos: "No relatório fiscal consta a informação de que os fatos geradores das contribuições apuradas foram os pagamentos efetuados a várias subempreiteiras. Consta ainda, que a empresa Ellenco apresenta em sua contabilidade dois centros de custos mais utilizados: Custos/Obras de Terraplenagem e Custos/Obras da Telesp, onde são lançadas, entre outras, as despesas com as subempreiteiras. No entanto, no relatório fiscal não há qualquer indicação de que as notas fiscais de prestação de serviços foram lançadas dentro dos centros de custos acima citados, nem qualquer outra prova de que tais serviços foram prestados na atividade de construção civil. Assim, retornamos os presentes autos para que a autoridade fiscal lançadora indique os motivos que a levaram a concluir que os serviços foram prestados na atividade de construção civil, juntando, quando possível, os elementos de provas que possuir." Mas grave do que a fragilidade das provas acostadas em lançamento re emetido, seja por ordem do lançamento, seja em razão da diligência, é a complementação da informação fiscal do lançamento contido as fls 86/88, que representa verdadeira inovação no lançamento, eis que, pela primeira vez, insere motivação adequada. E justamente tais elementos foram determinantes para formação do convencimento do Relator da decisão objurgada. É cristalino o fato de ter o Relator construído Fl. 221DF CARF MF 22 seu convencimento integralmente calcado em tais provas, provas esses produzidas de modo extemporâneo e por intervenção do julgador. A relação processual deve ser marcada pela isonomia e uma vez realizado o lançamento ou apresentada a impugnação, salvo as exceções previstas em lei, não cabe a produção de novas provas, a apresentação de manifestação complementar a impugnação ou ao lançamento, tão pouco a diligência pode ter por finalidade, mais uma vez, auxiliar no aprimoramento de lançamento que foi reemitido devido a anulação anterior ou a juntada de provas de deveriam acompanhar tais expedientes desde a origem. Este é posicionamento que tem prevalecido nesta turma.6 Em que pese os precedentes referidos versarem sobre juntada de novas provas, complementação das razões originais e impossibilidade de uso da diligência para produção de provas que deveriam instruir as manifestações dos contribuintes nos momentos propícios, tal racional tem aplicabilidade mutatis mutandis aos atos fiscais. A decisão recorrida foi proferida com base em tais elementos, seus termos deixam claro serem tais documentos a motivação suficiente de convencimento do órgão colegiado a quo, o que implica em alteração dos motivos determinantes. É válido lembrar a lição de Hely Lopes Meirelles sobre a teoria dos motivos determinantes, a ser observada nos atos administrativos: “(...) A teoria dos motivos determinantes fundase na consideração de que os atos administrativos, quando tiverem sua prática motivada, ficam vinculados aos motivos expostos, para todos os efeitos jurídicos. Tais motivos é que determinam e justificam a realização do ato, e, por isso mesmo, deve haver perfeita correspondência entre eles e a realidade. Mesmo os atos discricionários, se forem motivados, ficam vinculados a esses motivos como causa determinante de seu cometimento e se sujeitam ao confronto da existência elegitimidade dos motivos indicados. Havendo desconformidade entre os motivos e a realidade o ato é inválido.(...)" [Curso de Direito Administrativo Brasileiro. São Paulo: Malheiros, 25 ed., pp. 186/187.] Ao promover alteração nos termos originais do lançamento reemitido e, com base na nova conformação de motivos apresentada em razão da diligencia solicitada pelo i. Relator da DRJ, a decisão recorrida transcendeu os motivos determinantes originários, que 6 RELATÓRIO DE DILIGÊNCIA. CONTRARRAZÕES DO RECORRENTE. LIMITAÇÃO AO RESULTADO DA DILIGÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. Não se deve conhecer de recurso complementar ou de provas apresentadas por ocasião de diligência quando referidos elementos não tenham relação com seu objeto. APRESENTAÇÃO DE NOVAS PROVAS E DE RECURSO VOLUNTÁRIO EXTEMPORÂNEO EM VIRTUDE DE DILIGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE. Somente é cabível a apresentação de novas provas ou de razões recursais em face de diligência quando essas se refiram a fato ou a direito superveniente ou destinemse a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos em decorrência do resultado desse procedimento. [Acórdão 2402005.842] NULIDADE. INDEFERIMENTO DE PEDIDO DE PERÍCIA E DE DILIGÊNCIA. Estando devidamente fundamentado pela instância de primeiro grau a rejeição dos pedido de diligência e de perícia, procedimentos que não se prestam à produção de provas cujo ônus de apresentar é do contribuinte, não há nulidade a ser declarada. [Acórdão nº 2402005.006] PEDIDO DE JUNTADA POSTERIOR DE PROVAS. DESCABIMENTO. Rejeitase pedido genérico de juntada posterior de provas, mormente em etapa processual inapropriada do rito processual administrativo. [Acórdão 2402005.094] Fl. 222DF CARF MF Processo nº 16020.000196/200719 Acórdão n.º 2402006.265 S2C4T2 Fl. 212 23 mais do que esclarecer pontualmente algo, alterou substancialmente os motivos expostos no lançamento original em claro prejuízo a ampla defesa e contraditório promovido em desfavor da Recorrente. Não só a desconformidade entre o evento (real) e o fato descrito na norma individual e concreta (lançamento) é causa de decretação da improcedência do lançamento pelo mérito, com base na teoria dos motivos determinantes, mas também o é a alteração de tais motivos, quando a motivação original é inexistente. Por todo o exposto, voto por dar provimento ao recurso neste ponto. 4. Responsabilidade Solidária. Neste tópico, essencialmente, o Recorrente o recorrente reagita a mesma tese levada a lide por ordem da impugnação, basicamente, afirma que não haveria base legal para o estabelecimento de responsabilidade solidária do construtor antes da Lei nº 9.528/97. Sem embargos, quanto a dubiedade da própria natureza do serviço e validade do lançamento, restando vencido quanto aos pontos anteriores e promovendo a analise unicamente com base no lançamento reemitido, nosso posicionamento quanto a possibilidade de estabelecer a solidariedade do construtor se coaduna com o exposto na decisão recorrida, razão pela qual adotaremos integralmente seus termos neste ponto; "Responsabilidade solidária A impugnante aduz que a responsabilidade solidária do construtor com o subempreiteiro somente adveio com a redação dada ao artigo 30, VI da Lei n° 8.212/91 pela Lei n° 9.528/97. Diante disso, alega a ilegalidade do item 15 da OS 1NSS/DAF n° 51/92 e do item 17 da OS INSS/DAF n° 165/97. O argumento não deve ser acatado. A responsabilidade solidária do construtor com as subempreiteiras pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, exigidas neste lançamento, tem por fundamento legal o artigo 30. VI da Lei n° 8.212/91 combinado com o item 15 da OS INSS/DAF n° 51/92 (vigente no período de 01/94 a 07/97) ou item 17 da OS INSS/DAF n° 165/97 (vigente no período de 08/97 a 12/98). As arguições de ilegalidade de normas inlralegais não devem ser conhecidas, vez que é vedado a este órgão de julgamento afastar a aplicação de atos normativos por ilegalidade, ante o disposto no artigo 18 da Portaria RFB n° 10.875/2007. Por fim, o artigo 124. I do CTN não foi utilizado como fundamento legal da responsabilidade solidária no presente lançamento." Assim, voto por negar provimento ao recurso neste ponto. Conclusão Fl. 223DF CARF MF 24 Por todo exposto voto por conhecer do recurso acolhendo a preliminar de decadência para, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator Voto Vencedor Mário Pereira de Pinho Filho – Redator designado Não obstante as razões suscitadas pelo i. relator, que o levaram a reconhecer a decadência do lançamento em litígio e em dar provimento ao recurso voluntário, não vejo como com elas anuir. A respeito da solidariedade, estou de acordo com as conclusões voto vencido. Lançamento Substituído – Natureza do Vício No caso em tela, temse um lançamento substituto, decorrente da anulação de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD, relativa aos Debcad nº 35.374.5081; 35.374.5065 e 35.374.5030. Referidos lançamentos foram anulados, por vício formal, pela decisão consubstanciada no Acórdão nº 608/2006 (fls. 53/59), da Quarta Câmara de Julgamento do Conselho de Recursos da Previdência Social (4ª Caj/CRPS). Vejamos a conclusão do decisum: Voto no sentido de ANULAR o Acórdão n° 819/2003, para CONHECER DO RECURSO e ANULAR a presente notificação por vício formal. A despeito disso, entendeu o i. relator que, em vista dos argumentos que embasaram a decisão do CRPS, a natureza do vício que levou à anulação do lançamento seria material, tendo, por essa razão, afastado a aplicação do inciso II do art. 173 do Código Tributário Nacional – CTN e declarado decadentes os créditos tributários na sua totalidade. Com a devida vênia, não há como considerar pertinentes as considerações insertas no voto vencido a respeito desse tema. É que o inciso II do art. 42 do Decreto 70.235/1972 é expresso no sentido de que, no âmbito do Processo Administrativo Fiscal – PAF, sendo incabível a oposição de recurso ou tendose esgotado o prazo para sua interposição, as decisões administrativas de segunda instância tornamse definitivas. Senão vejamos o teor do dispositivo: Art. 42. São definitivas as decisões: [...] II de segunda instância de que não caiba recurso ou, se cabível, quando decorrido o prazo sem sua interposição; [...] No caso concreto, não se tem notícias sobre a interposição de qualquer espécie de recurso pelo sujeito passivo, questionando a natureza do vício que anulou o primeiro lançamento, ou seja, a decisão materializada pelo Acórdão nº 608/2006 do CRPS tornouse definitiva, não sendo mais admissível qualquer questionamento a seu respeito na esfera Fl. 224DF CARF MF Processo nº 16020.000196/200719 Acórdão n.º 2402006.265 S2C4T2 Fl. 213 25 administrativa. Com a devida vênia, a norma processual impossibilita a adoção de decisões tendentes a reverter algo que, nos termos da lei processual, tenha tornadose imutável. E mais, no presente PAF a recorrente, em nenhum momento, questionou a natureza do vício declarado em relação ao lançamento substituído. Não é plausível que o julgador administrativo, ainda que a pretexto de conhecer de questão de ordem pública, adote decisão com base em fundamentos estranhos aos erigidos no recurso do contribuinte. Aliás, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/1970, os motivos de fato e de direito em que se fundamenta a discordância do sujeito passivo em relação ao lançamento devem ser por ele suscitados, e não pelo julgador administrativo. Confirase: Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) [...] Além do que, o art. 141 do Código de Processo Civil, que abaixo se transcreve, é expresso quanto à vedação imposta aos julgadores em conhecer de questões que não tenham sido fomentada por quem, em virtude de lei (como é o caso), tinha a incumbência de fazêlo: Art. 141. O juiz decidirá o mérito nos limites propostos pelas partes, sendolhe vedado conhecer de questões não suscitadas a cujo respeito a lei exige iniciativa da parte. Por tudo o que até aqui se expôs, voto no sentido de afastar as razões arguidas no voto vencido quanto à alteração da natureza do vício reconhecido pelo Acórdão nº 608/2006 do CRPS (de vício formal para material), tendo em vista que referida decisão há muito se tornou definitiva na esfera administrativa. Do mesmo modo, entendo as questões afetas à decadência devem ser analisadas à luz dos argumentos apresentados pela recorrente, o que será feito adiante, devendo ser também afastadas as razões suscitadas no voto do i. Relator a esse respeito. Decadência Alega a recorrente que o lançamento foi realizado após o prazo legal estabelecido e que, por essa razão, o crédito objeto da autuação ora analisada estaria decaído. O art. 173 do CTN, no seu entender, não estabelece hipótese interrupção do prazo decadencial. Aduz que: “se o lançamento é anulado, não há previsão legal para sua substituição. Ele deve ser praticado, novamente e, como se trata de novo lançamento, operase em seu desfavor a decadência”. Segundo infere: Fl. 225DF CARF MF 26 se é um novo lançamento, ele deve respeitar o termo inicial do prazo decadencial, isto é, a data da decisão definitiva que anulou a NFLD. Não são, portanto, mais cinco anos para a Fazenda Pública constituir tributos lançados no auto de infração anulado. São cinco anos, contados da data em que o auto de infração foi anulado! A decisão que anulou a primeira NFLD foi proferida pela 4ª Caj, em 26/ABR/2006, o dias ad quem para a contagem do prazo decadencial. Interpretandose, pois, sistematicamente o art. 173, inciso II do CTN, concluise, então, que os tributos anteriores a ABR/2001 foram atingidos pela decadência. Como consequência última, a NFLD inclui apenas tributos já decaídos, razão porque o auto de infração, data vênia, deve ser anulado. (destaques do original) Embora as razões recursais sejam de difícil compreensão, ao que nos parece, a recorrente entende que uma NFLD feita em substituição a outra, por se tratar de novo lançamento, tem como termo inicial para fins de contagem da decadência a data de ocorrência dos fatos geradores a que se referir. Ocorre que essa interpretação não se coaduna com o que estabelece o inciso II do art. 173 do CTN: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: [...] II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. [...] Consoante estatuem os dispositivos encimados, o prazo decadencial quinquenal para constituição do crédito tributário será contado a partir da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Assim, a despeito dos argumentos arrolados na peça recursal, em havendo anulação de lançamento anterior por vício formal, há reabertura do prazo para novo lançamento, cujo início da contagem é a data em que se tornar definitiva a decisão a esse respeito. Na doutrina, é uníssono o entendimento segundo o qual essa norma implica a reabertura do prazo extintivo. É o que demonstra Leandro Paulsen, recorrendo aos professores Paulo de Barros Carvalho, Luciano Amaro e Ives Gandra da Silva Martins7. A inexistência de celeuma doutrinária ou mesmo jurisprudencial a esse respeito certamente se deve à clareza do dispositivo legal transcrito alhures. 7 PAULSEN, Leandro. Direito tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 10. ed. rev. atual. Porto Alegre: Livraria do Advogado; ESMAFE, 2008, p. 1164. Fl. 226DF CARF MF Processo nº 16020.000196/200719 Acórdão n.º 2402006.265 S2C4T2 Fl. 214 27 No caso concreto, segundo informa o acórdão recorrido e o recurso voluntário, a decisão que anulou, por vício formal, o primeiro lançamento tornouse definitiva em 26/04/2006. Portanto, como os sujeitos passivos da obrigação tributária foram notificados do novo lançamento em 22/02/2007 (Ellenco) e 19/04/2007 (TCR), ou seja, dentro do prazo legal que a Fazenda Pública dispunha para tal, não há que se falar em decadência. Nulidade Absoluta – Modificação dos Motivos Determinantes De acordo com apelo recursal, ainda na fase impugnatória, a recorrente arguiu a nulidade do lançamento pelo fato de esse “não descrever sequer o serviço executado pela subempreiteira, quanto mais, afirmar que ele se definia como ‘obra de construção civil’. Isto é, por não possuir motivação”. A nulidade não teria passado desapercebida pela autoridade julgadora de primeira instância administrativa, que determinou a realização de diligência, tendo dado à autoridade administrativa a oportunidade de proceder conforme o art. 142 do CTN c/c o caput do art. 37 da Lei nº 8.212/1991. Aduz ainda que: A autoridade administrativa respondeu à diligência, instruindo a NFLD com cópias de notas fiscais de serviços e da escrituração contábil da recorrente. E, diante desses documentos, complementou o relatório fiscal original, mediante informação fiscal. Alega que o lançamento tributário, enquanto ato administrativo, respeita os seus princípios, dentre eles, a impossibilidade de se modificar a sua motivação, sob pena de nulidade. Prossegue afirmando que, na tentativa de convalidar um ato nulo, a autoridade julgadora teria faltado com a verdade, pois, no seu entender, a Informação Fiscal não complementou o Relatório Fiscal, e sim modificou os fatos originariamente verificados pela autoridade administrativa, visto que “a NFLD nunca se baseou em um único elemento de prova, sequer a prova indiciária. Ela se fundamentou, exclusivamente, na documentação contábil da recorrente, seu livro Razão”, sendo que “a escrituração contábil não se presta como elemento probatório dos serviços, prestados por terceiros, porquanto não descreve os serviços tomados pela recorrente”. A despeito dessas e de outras questões abordadas no tópico do recurso voluntário denominado pela recorrente de “NFLD. Nulidade absoluta. Modificação dos motivos determinantes”, o fato é que os fundamentos ali erigidos não foram apresentados em momento processual oportuno. Conforme já se esclareceu neste voto, o inciso III do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972 prescreve que, no âmbito do processo administrativo fiscal, os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que o sujeito passivo possuir devem ser mencionados ainda na impugnação. É certo que a autoridade julgadora a quo, acostada no art. 18 do Decreto nº 70.235/1972, converteu o julgamento em diligência, tendo o Fisco prestado importantes esclarecimentos para a sua tomada de decisão e, em casos como esses, o art. 28 da Lei nº 9.784/1999 impõe à Administração o dever de intimar o interessado, vejase: Fl. 227DF CARF MF 28 Art. 28. Devem ser objeto de intimação os atos do processo que resultem para o interessado em imposição de deveres, ônus, sanções ou restrição ao exercício de direitos e atividades e os atos de outra natureza, de seu interesse. Aliás, o parágrafo único do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011 é ainda mais claro quanto à necessidade de cientificação do contribuinte quando, em virtude de perícia ou diligência, fatos ou documentos novos seja trazidos aos autos, estabelecendo inclusive prazo para manifestação: Art. 35. A realização de diligências e de perícias será determinada pela autoridade julgadora de primeira instância, de ofício ou a pedido do impugnante, quando entendêlas necessárias para a apreciação da matéria litigada (Decreto no70.235, de 1972, art. 18, com a redação dada pela Lei no8.748, de 9 de dezembro de 1993, art. 1o). Parágrafo único. O sujeito passivo deverá ser cientificado do resultado da realização de diligências e perícias, sempre que novos fatos ou documentos sejam trazidos ao processo, hipótese na qual deverá ser concedido prazo de trinta dias para manifestação (Lei no 9.784, de 1999, art. 28). (Grifouse) Apercebase que referidas normas conferem ao contribuinte a oportunidade de complementar sua defesa, mediante reabertura do prazo impugnatório, de forma garantirlhe o pleno exercício à ampla defesa e ao contraditório. Contudo, é no prazo definido no parágrafo único do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011 que as razões adicionais de defesa devem ser apresentadas, não havendo como o sujeito passivo fazêlo em momento processual posterior, a menos que para contrapor razões referidas na decisão objeto de recurso, o que não é o caso. Porém, o contribuinte foi regularmente intimado do resultado da diligência (vide Informação Fiscal de fls. 128/130) e, conforme expediente de fl. 137 não apresentou qualquer tipo de manifestação. Não cabe agora, já por ocasião do recurso voluntário, trazer à lide argumentos inovadores. Em vista disso, não acolho essas novas razões recursais a respeito do presente tema, dada sua perempção. Conclusão Por todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 228DF CARF MF
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