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Numero do processo: 13896.907932/2016-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.939
Decisão:
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Relatório
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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(assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Trata o processo de Recurso Voluntário contra decisão que julgou improcedente a manifestação de inconformidade em face da não homologação da compensação apresentada pela contribuinte. Segundo o despacho decisório, as compensações não foram homologadas em razão de não ter sido apurada a existência de direito creditório. Tais conclusões, ao que consta, encontram amparo no Termo de Verificação Fiscal carreado aos autos. No aludido TVF, emitido em decorrência da necessidade de análise das DCTF retificadoras apresentadas e, também, dos esclarecimentos que posteriormente foram prestados pela contribuinte, consta que “as receitas auferidas pela CATHO, decorrentes de sua atividade RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .9 07 93 2/ 20 16 -6 5 Fl. 422DF CARF MF Processo nº 13896.907932/201665 Resolução nº 3201001.939 S3C2T1 Fl. 3 2 fim, não se enquadram na exceção prevista no inciso XXV do artigo 10 da Lei nº 10.833/2003, estando sujeitas, portanto, ao regime NÃO CUMULATIVO de apuração do PIS e do COFINS.” Consta, portanto, que as DCTF retificadoras não deveriam ser homologadas e que, por não existirem, os créditos não deveriam ser reconhecidos. Na manifestação de inconformidade apresentada, a contribuinte, após resumo dos fatos, esclarece que houve mudança no controle acionário da empresa e que, em razão disso, foi submetida a uma profunda revisão de políticas e procedimentos. Em decorrência, diz que teria identificado que suas atividades vinham sendo indevidamente qualificadas para fins de PIS e de Cofins, sendo necessário, portanto, a retificação das DCTF. A seguir, discorre sobre a sua atividade. Afirma que os serviços prestados não abrangem promessa de emprego ou obrigação presente ou futura de recolocação ou obtenção de emprego para seus clientes. Aduz, ainda, que o seu site na internet “é somente uma ferramenta online que permite ao assinante consultar vagas, enviar currículos e acessar demais conteúdos aí disponibilizados” sem “qualquer garantia de colocação profissional” nem “qualquer cobrança relacionada a essas atividades.” Em suma, conforme afirma, “simplesmente disponibiliza conteúdo na Internet aos Assinantes e não desenvolve qualquer atividade de intermediação.” Salienta que se qualifica como empresa de Internet, com atividade de portal ou empresa provedora de conteúdo e de informações, e que sua atividade vem descrita na Norma 004/95, aprovada pela Portaria nº 148, de 1995, item 3, letras ‘e’ e ‘f’ do Ministério das Comunicações. Objetivando o acesso às informações especializadas que são disponibilizadas, afirma que desenvolveu ferramenta própria (software), “cujo uso é liberado/cedido para seus clientes, os Assinantes.” Insiste que não promove a intermediação de contratação de mão de obra. Aduz que “sua tarefa se esgota em permitir o acesso à informação que integra seus bancos de dados: currículos e vagas.” Chama a atenção para o contido no inc. XXV do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003 e diz que conforme Solução de Consulta nº 309, de 2011, “a RFB confirmou, expressamente, que, para o contribuinte aplicar o regime cumulativo dessas contribuições sociais, basta exercer apenas uma das atividades mencionadas no inciso XXV citado anteriormente.” Na seqüência, diz que se deve destacar “que a simples não homologação das declarações retificadoras não é fato que, por si só, é capaz de fundamentar a não homologação das compensações realizadas.” Diz ser incabível a revisão de ofício da homologação pois ela não teria ocorrido por erro “mas sim pelo correto enquadramento legal da situação ora analisada”. Se houve erro, aduz, ele teria ocorrido com a revisão. Reclama, ainda, que não existe base legal para a revisão de ofício. Insiste na necessidade de cancelamento do despacho decisório. Ao final, requer a reforma do despacho decisório e a homologação das compensações. Subsidiariamente requer o cancelamento do despacho decisório em face da Fl. 423DF CARF MF Processo nº 13896.907932/201665 Resolução nº 3201001.939 S3C2T1 Fl. 4 3 impossibilidade de revisão de ofício no caso de erro de direito. Protesta pelo direito de provar o alegado por todos os meios de prova e informa que “não está questionando judicialmente a matéria discutida nestes autos.” A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR julgou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte e não reconheceu o direito creditório. Inconformada a contribuinte, apresentou recurso voluntário no qual repisa mesmos argumentos pleiteados em manifestação de inconformidade para o deferimento integral dos valores que constam do pedido de restituição. Suscita em seu pedido: i. Seja declarada a nulidade do v. acórdão recorrido, com o retorno dos autos à origem, para que (a) nova decisão seja proferida, com adstrição aos limites objetivos da lide fixados no Termo de Verificação Fiscal e na manifestação de inconformidade; ou (b) subsidiariamente, para que seja devolvido à recorrente o prazo para manifestação, garantindo lhe o exercício do direito de defesa em relação aos pontos novos suscitados pelo v. acórdão, tudo sob pena de contrariedade e negativa de vigência aos arts. 16, 17 e 18, parágrafo 3o, do Decreto n. 70.235, à luz do art. 5o, inciso LIV e LV, da Constituição de 1988; ii. Na eventualidade da superação da preliminar acima, seja reformado o v. acórdão, com o integral cancelamento das exigências fiscais, em razão da declaração: a. da nulidade do r. despacho decisório, por ter configurado revisão de ofício de lançamento, por erro de direito, com violação aos arts. 145 e 149 do CTN; b. da nulidade do r. despacho decisório, por carência de motivação, por ter se baseado em termo de verificação fiscal que não analisou o direito creditório discutido nestes autos, com violação ao art. 9o do Decreto n. 70,235; c. da improcedência do r. despacho decisório, tendo em vista a legitimidade da inclusão das receitas da recorrente no regime cumulativo de apuração da contribuição ao PIS e da COFINS, com a consequente homologação da declaração de compensação, sob pena de contrariedade e negativa de vigência aos arts. 10, inciso XXV e 15, inciso V, da Lei n. 10.833; d. eventualmente, caso se entenda que a requerente se encontra submetida ao regime não cumulativo das contribuições, seja reconhecida a inexistência de crédito tributário passível de cobrança, sob pena de bis in idem. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº Fl. 424DF CARF MF Processo nº 13896.907932/201665 Resolução nº 3201001.939 S3C2T1 Fl. 5 4 3201001.853, de 26 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 13896.720975/201638, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução nº 3201001.8539): "O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Antes de adentrar ao exame do Recurso apresentado, cumpre esclarecer que o presente processo tramita na condição de paradigma, nos termos do art. 47 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015: Art. 47. Os processos serão sorteados eletronicamente às Turmas e destas, também eletronicamente, para os conselheiros, organizados em lotes, formados, preferencialmente, por processos conexos, decorrentes ou reflexos, de mesma matéria ou concentração temática, observando se a competência e a tramitação prevista no art. 46. § 1º Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica questão de direito, o Presidente de Turma para o qual os processos forem sorteados poderá sortear 1 (um) processo para definilo como paradigma, ficando os demais na carga da Turma. § 2º Quando o processo a que se refere o § 1º for sorteado e incluído em pauta, deverá haver indicação deste paradigma e, em nome do Presidente da Turma, dos demais processos aos quais será aplicado o mesmo resultado de julgamento. Nesse aspecto, é preciso esclarecer que cabe a este Conselheiro o relatório e voto apenas deste processo, ou seja, o entendimento a seguir externado terá por base exclusivamente a análise dos documentos, decisões e recurso anexados neste processo. Feito tal esclarecimento, passase ao exame das razões de Recurso. A pretensão da contribuinte de requalificar a natureza jurídica de seus serviço, de intermediação para atividades de internet, enquadrando as receitas auferidas no regime cumulativo foi indeferido no despacho decisório proferido com base nas conclusões do TVF que consta do dossiê nº 10010.014822/021604, formalizado para análise das DCTFs retificadoras transmitidas para espelharem o procedimento de requalificação. De fato, concluiu o procedimento fiscal que os serviços prestados pelo contribuinte não poderiam ser qualificados como serviços de internet (art. 10, XXV e art. 15, V, da Lei nº 10.833/03), mas sim de intermediação, mantendoos no regime de apuração não cumulativo. Fl. 425DF CARF MF Processo nº 13896.907932/201665 Resolução nº 3201001.939 S3C2T1 Fl. 6 5 A principal matéria em litígio envolve a rejeição pela autoridade fiscal em sede de despacho decisório da requalificação das atividades da recorrente e a mudança para o regime cumulativo de apuração da Contribuição para o PIS e para a Cofins. Os argumentos da fiscalização são no sentido de que o regime a que se submete as receitas das atividades desenvolvidas pela Catho para apuração e recolhimento continuava a ser o da não cumulatividade, pois não se tratam de serviços de informática (desenvolvimento de software ou de páginas eletrônicas) nos termos do art. 10, XXV, da Lei nº 10.833/03 uma vez que a atividade seria a prestação de serviços de intermediação ao profissional que busca se posicionar no mercado de trabalho. Nada obstante, o TVF assevera que para que a receita auferida subsumase à sistemática da apuração cumulativa devese comprovar que esta (receita) advenha da prestação de alguns dos serviços listados no referido dispositivo da Lei 10.833/03. Pois bem, compulsando os autos, em especial os termos e demais peças que constam do dossiê nº 10010.014822/021604 verificase que em momento algum a contribuinte fora intimada a comprovar a natureza de suas receitas. Ao contrário, a intimação limitouse a solicitar esclarecimentos e informações que resultaram na requalificação das receitas, como se vê: De ressaltar, contudo, que o fundamento para o indeferimento do pleito creditório é a natureza da receitas das atividades prestadas pela Catho conforme descritos nos autos, que não se qualificam como sujeitas à apuração cumulativa. O acórdão da DRJ trilha o mesmo fundamento de indeferimento e não homologação das compensações exarados no despacho decisório. Evidenciouse naquela decisão que o sítio da internet da Catho é uma mera ferramenta para quer o assinante consulte vagas de trabalho, envie currículos e acesse outros conteúdos. Poderseia concordar com os argumentos daqueles julgadores conquanto não trouxessem argumento subsidiário no qual reconhecem a possibilidade da contribuinte fazer prova de que determinadas atividades auferem receitas cuja apuração se dá no regime cumulativo. Vejase o excerto do voto condutor do acórdão recorrido: É possível concluir, portanto, que algumas de suas receitas podem estar sujeitas à apuração cumulativa das contribuições, ensejando, assim, a real possibilidade de enquadramento da empresa na modalidade de apuração mista das contribuições Fl. 426DF CARF MF Processo nº 13896.907932/201665 Resolução nº 3201001.939 S3C2T1 Fl. 7 6 (circunstância que, sendo eficazmente comprovada, pode evidenciar um possível erro no preenchimento da DCTF original). A forma como a existência de tal erro – que deve ser corrigido via DCTF retificadora – pode vir a ser acatado administrativamente irá depender da apresentação de provas (conforme estabelece o §1º do art. 147 do CTN), baseadas na escrituração contábil/fiscal do período analisado, ou seja, da apresentação de provas capazes de demonstrar, sem possibilidade de dúvida, quais receitas foram efetivamente auferidas nos períodos sob análise e a que tipo de serviço/atividade elas se vinculam. Ressaltese que, para fazer jus à apuração cumulativa, devese comprovar que as receitas advêm efetivamente da prestação de serviços, no caso, de informática (tal como listado no inc. XXV do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, já transcrito). Evidentemente, as receitas assim enquadradas, devem ser passíveis de segregação, com vistas à correta tributação. Sem que tais comprovações existam nos autos, inviável será o deferimento do pleito. Resta claro que no mérito a decisão recorrida reconheceu a possibilidade do contribuinte fazer prova a seu favor, providência esta até então não determinada pela autoridade fiscal e se insere nas situações que o art. 16 do Decreto nº 70.235/72 PAF prevê regra de exceção para a apresentação extemporânea de conjunto probatório após a impugnação (manifestação de inconformidade): Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. [...]Art. 16. A impugnação mencionará: [...]III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. [...]§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 427DF CARF MF Processo nº 13896.907932/201665 Resolução nº 3201001.939 S3C2T1 Fl. 8 7 Assim, entendo que os autos devam retornar à unidade preparadora para apreciação do Laudo Técnico apresentado pela Recorrente. Ante o exposto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, a fim de que a autoridade preparadora analise o Laudo Técnico colacionado aos autos pela Recorrente e identifique as atividades cujas receitas inseremse no regime de apuração cumulativa nos termos do inciso XXV do art. 10 e inciso V do art. 15, ambos da Lei nº 10.833/03. Se entender necessário, deverá intimar a Recorrente para, ainda no curso da diligência, apresentar outros documentos e/ou esclarecimentos a respeito do litígio. Ao término do procedimento, deve elaborar Relatório Fiscal sobre os fatos apurados na diligência, sendolhe oportunizado manifestarse sobre a existência de outras informações e/ou observações que julgar pertinentes ao esclarecimento dos fatos. Encerrada a instrução processual, a Recorrente deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, findo o qual, sem ou com apresentação de manifestação, devem os autos serem devolvidos a este Colegiado para continuidade do julgamento. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, a fim de que a autoridade preparadora analise o Laudo Técnico colacionado aos autos pela Recorrente e identifique as atividades cujas receitas inseremse no regime de apuração cumulativa nos termos do inciso XXV do art. 10 e inciso V do art. 15, ambos da Lei nº 10.833/03. Se entender necessário, deverá intimar a Recorrente para, ainda no curso da diligência, apresentar outros documentos e/ou esclarecimentos a respeito do litígio. Ao término do procedimento, deve elaborar Relatório Fiscal sobre os fatos apurados na diligência, sendolhe oportunizado manifestarse sobre a existência de outras informações e/ou observações que julgar pertinentes ao esclarecimento dos fatos. Encerrada a instrução processual, a Recorrente deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, findo o qual, sem ou com apresentação de manifestação, devem os autos serem devolvidos a este Colegiado para continuidade do julgamento. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 428DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.950268/2008-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/08/1999
ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972.
Nos processos em que as declarações de compensação não são homologadas por constar perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil a utilização integral do crédito para quitação de outro débito, é ônus do Contribuinte apresentar as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito creditório, aplicando-se o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3402-006.165
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais de Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/08/1999 ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972. Nos processos em que as declarações de compensação não são homologadas por constar perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil a utilização integral do crédito para quitação de outro débito, é ônus do Contribuinte apresentar as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito creditório, aplicando-se o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais de Laurentiis Galkowicz.
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DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972. Nos processos em que as declarações de compensação não são homologadas por constar perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil a utilização integral do crédito para quitação de outro débito, é ônus do Contribuinte apresentar as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito creditório, aplicandose o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais de Laurentiis Galkowicz. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 95 02 68 /2 00 8- 45 Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10880.950268/200845 Acórdão n.º 3402006.165 S3C4T2 Fl. 0 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão nº 1629.936, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo/SP, que por unanimidade de votos julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo a decisão administrativa pela não homologação da compensação pretendida. Cientificada desta decisão, a Contribuinte interpôs o Recurso Voluntário ora em apreço, através do qual pede a reforma da decisão de primeira instância, o que fez com os seguintes argumentos: i) Com fulcro na Lei 9.430/96 e alterações posteriores, apresentou diversos pedidos de compensação de créditos tributários oriundos de pagamento indevidos de tributos, os quais foram utilizados para compensação de débitos tributários decorrentes de suas atividades empresariais; ii) O agente administrativo limitouse a lançar um despacho padronizado indeferindo as compensações sob o argumento de que não existia o crédito perseguido pelo contribuinte; iii) Em nenhum momento foi propiciado à Recorrente a oportunidade de demonstrar o seu crédito, se limitando a Autoridade Administrativa a consultar os sistemas informatizados do próprio Fisco; iv) O julgado foi precipitado e invocou como fundamento o fato (verdadeiro) que para homologar as compensações é imprescindível a demonstração pelo contribuinte da "liquidez e certeza dos créditos para a efetivação do encontro de contas."; v) O objeto do presente processo administrativo é justamente garantir ao contribuinte a oportunidade de demonstrar a liquidez e certeza de seus créditos. Todavia, da maneira em que conduzido o processo não está sendo permitido ao contribuinte demonstrar o seu crédito e usase a falta dessa prova para indeferir o pedido. É o relatório. Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10880.950268/200845 Acórdão n.º 3402006.165 S3C4T2 Fl. 0 3 Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402006.148, de 25 de fevereiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.686726/200968, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3402006.148): "Pressupostos legais de admissibilidade Nos termos do relatório o recurso é tempestivo, bem como o preenche os demais requisitos de admissibilidade, resultando em seu conhecimento. Mérito Da análise dos autos, constatase que o objeto principal deste litígio se resume ao ônus da prova sobre o direito creditório perseguido pela Contribuinte. Cabe observar que a origem da base de cálculo do crédito e inconstitucionalidade do artigo 3°, § 2°, inciso III da Lei 9.718/98 não é ponto controvertido a ser analisado, uma vez que não foi a razão do indeferimento e tampouco matéria enfrentada em razões recursais. Em síntese, o argumento principal da parte em Manifestação de Inconformidade e Recurso Voluntário versa sobre a conclusão da Autoridade Administrativa pela inexistência do crédito "sem sequer solicitar ao contribuinte qualquer documento capaz de comprovar ou não a existência e suficiência do crédito utilizado na compensação". A Contribuinte havia requerido em Manifestação de Inconformidade a anulação do despacho decisório e a determinação para que a Autoridade Fiscal efetuasse as diligências necessárias para comprovar a origem e a existência do crédito utilizado nas compensações ou, alternativamente, a homologação da compensação efetuada. Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10880.950268/200845 Acórdão n.º 3402006.165 S3C4T2 Fl. 0 4 Por sua vez, a Autoridade Julgadora de Primeira Instância salientou que a compensação que se pretende é a proveniente de lançamento por homologação, em que o contribuinte apura por sua conta e risco o valor a ser restituído e efetua a compensação, incumbindo ao Fisco verificar se o encontro de contas foi realizado corretamente ou não, consoante o artigo 66 da Lei n° 8.383/1991. Com efeito, em razão da busca pela verdade material, sempre deverá prevalecer a possibilidade de apresentação de todos os meios de provas necessários para comprovação do direito pleiteado. Constatase que a Recorrente instruiu tanto a manifestação de Inconformidade quanto o Recurso Voluntário apenas com o instrumento de procuração, identificação da procuradora, cópias das decisões recorridas, identificação dos sócios proprietários e atos constitutivos da empresa. No entanto, é da Contribuinte o ônus da prova passível de contrapor a constatação de utilização dos créditos declarados para compensação, o que não ocorreu no presente caso, pois a Recorrente em nenhum momento anexou aos autos quaisquer documentos e/ou planilhas de apuração, tampouco apresentou retificação da DCTF para demonstrar o crédito perseguido. Ou seja, não há nos autos sequer um indício da existência de tal crédito. Aplicase o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil, que atribui o ônus da prova ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito, bem como a incidência do artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72. Neste sentido, citase o Acórdão nº 9303007.218, proferido pela 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais1. Com isso, está correta a decisão de primeira instância. Dispositivo Ante o exposto, conheço e nego provimento ao Recurso Voluntário. Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. 1 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do Fato Gerador: 20/04/2007 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10880.950268/200845 Acórdão n.º 3402006.165 S3C4T2 Fl. 0 5 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 76DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11330.000450/2007-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2000 a 30/03/2006
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. RETIFICAÇÃO DA EMENTA. DECISÃO. RERRATIFICAÇÃO. ACOLHIMENTO SEM EFEITOS INFRINGENTES.
Constatada contradição entre a ementa e o decisum do acórdão embargado, impõe-se o acolhimento dos embargos de declaração para o devido saneamento, rerratificando-se a decisão, sem efeitos infringentes.
Numero da decisão: 2402-006.982
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, sem efeitos infringentes, para sanar a contradição apontada.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(assinado digitalmente)
Luís Henrique Dias Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luís Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Wilderson Botto (Suplente Convocado), Maurício Nogueira Righetti, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Denny Medeiros da Silveira.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE DIAS LIMA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/08/2000 a 30/03/2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. RETIFICAÇÃO DA EMENTA. DECISÃO. RERRATIFICAÇÃO. ACOLHIMENTO SEM EFEITOS INFRINGENTES. Constatada contradição entre a ementa e o decisum do acórdão embargado, impõe-se o acolhimento dos embargos de declaração para o devido saneamento, rerratificando-se a decisão, sem efeitos infringentes.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, sem efeitos infringentes, para sanar a contradição apontada. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luís Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Wilderson Botto (Suplente Convocado), Maurício Nogueira Righetti, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Denny Medeiros da Silveira.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2000 a 30/03/2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. RETIFICAÇÃO DA EMENTA. DECISÃO. RERRATIFICAÇÃO. ACOLHIMENTO SEM EFEITOS INFRINGENTES. Constatada contradição entre a ementa e o decisum do acórdão embargado, impõese o acolhimento dos embargos de declaração para o devido saneamento, rerratificandose a decisão, sem efeitos infringentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, sem efeitos infringentes, para sanar a contradição apontada. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luís Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Wilderson Botto (Suplente Convocado), Maurício Nogueira Righetti, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Denny Medeiros da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 33 0. 00 04 50 /2 00 7- 61 Fl. 1307DF CARF MF Processo nº 11330.000450/200761 Acórdão n.º 2402006.982 S2C4T2 Fl. 1.308 2 Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional em face do Acórdão n. 2402006.250 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção Sessão de Julgamento de 06 de junho de 2018 (efls. 1261/1284) com espeque no art. 64, I, do RICARF. A decisão embargada é sumarizada na ementa a seguir: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/08/2000 a 30/03/2006 CORESP RELAÇÃO DE CORESPONSÁVEIS. NÃO ATRIBUIÇÃO DE RESPONSABILIDADE PESSOAL DOS ADMINISTRADORES E SÓCIOS. SUMULA CARF Nº 88. "Súmula CARF nº 88: A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais RepLeg” e a “Relação de Vínculos VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa." DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTOS. REGRA GERAL DO ART. 173, I, DO CTN. SÚMULA CARF 99. NÃO APLICABILIDADE. Ausente recolhimento do tributo, ainda que parcial, incide a regra de decadência estabelecida no art. 173, I, do CTN, afastandose a aplicação do enunciado de Súmula CARF 99. DESCONSIDERAÇÃO DE ATO OU NEGÓCIO JURÍDICO. POSSIBILIDADE. A desconsideração, pela autoridade fiscal, de ato ou negócio jurídico simulado, praticado com abuso de direito ou forma é prevista no art. 116, parágrafo único, do CTN e não se confunde com a desconsideração da personalidade jurídica. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 4. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. NULIDADE DO LANÇAMENTO POR ABARCAR FATO DIVERSO DO LEGALMENTE PREVISTO PARA INCIDÊNCIA. A validade de um lançamento tributário advém da subsunção do fato gerador a hipótese de incidência, sendo a base de calculo essencial a sua caracterização. Ao adotar base de calculo da Fl. 1308DF CARF MF Processo nº 11330.000450/200761 Acórdão n.º 2402006.982 S2C4T2 Fl. 1.309 3 diversa da prevista em lei, tomando como tal o valor recolhido a título de imposto e faturamento das empresas, o lançamento se torna nulo. O dispositivo apresenta o seguinte teor: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares; pelo voto de qualidade, em reconhecer a decadência até a competência 11/2000, vencidos os conselheiros Jamed Abdul Nasser Feitoza (relator), João Victor Ribeiro Aldinucci, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Júnior que reconheceram a decadência até a competência 11/2001; e, no mérito, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo as parcelas destacadas nas notas fiscais a título de tributos. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Luís Henrique Dias Lima. A Procuradoria Geral da Fazenda Nacional suscita contradição entre a parte dispositiva do acórdão e a ementa e o voto do relator, nos seguintes termos: Os presentes Embargos de Declaração têm o intuito de suscitar a existência de contradição entre o entendimento firmado pelo colegiado no dispositivo do acórdão e aquele constante do voto do ilustre Relator. Conforme se observa da parte dispositiva do julgado, a e. Turma a quo deu provimento parcial ao Recurso Voluntário, nos seguintes termos: “Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares; pelo voto de qualidade, em reconhecer a decadência até a competência 11/2000, vencidos os conselheiros Jamed Abdul Nasser Feitoza (relator), João Victor Ribeiro Aldinucci, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Júnior que reconheceram a decadência até a competência 11/2001; e, no mérito, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo as parcelas destacadas nas notas fiscais a título de tributos. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Luís Henrique Dias Lima.” (grifos acrescidos) Analisando o teor do voto do Relator (supostamente vencedor neste tema, apenas vencido quanto à decadência), à luz da parte dispositiva, observase que o r. acórdão incorreu em contradição. Isso porque observouse que o ilustre Conselheiro Relator teceu argumentação no sentido de dar provimento ao recurso, considerando a existência de nulidade no lançamento, pois o lançamento abarcou fato diverso do legalmente previsto para a incidência. Eis trecho do voto e da ementa: Fl. 1309DF CARF MF Processo nº 11330.000450/200761 Acórdão n.º 2402006.982 S2C4T2 Fl. 1.310 4 VOTO “O lançamento em questão, pelo simples fato de ter sido a operação original desconsiderada, toma por premissa a presunção de que a totalidade dos valores compensados foi transferida ao patrimônio das pessoas físicas tidas por contribuintes individuais, entretanto, este não é um racional válido. Conforme já articulado, a hipótese de incidência da contribuição previdenciária em lide consiste na ocorrência de pagamento ou crédito a pessoa física em razão do trabalho, se parte dos valores compensados não se prestava a tal fim, o presente lançamento tende a incidir sobre faturamento e não sobre remuneração em razão do trabalho. (...) De toda sorte, pelo exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso neste ponto.” EMENTA “NULIDADE DO LANÇAMENTO POR ABARCAR FATO DIVERSO DO LEGALMENTE PREVISTO PARA INCIDÊNCIA. A validade de um lançamento tributário advém da subsunção do fato gerador a hipótese de incidência, sendo a base de calculo essencial a sua caracterização. Ao adotar base de calculo da diversa da prevista em lei, tomando como tal o valor recolhido a título de imposto e faturamento das empresas, o lançamento se torna nulo.” Ocorre, todavia, que em outro trecho do voto o ilustre relator tece argumentação no sentido de que, caso considerado apto o lançamento da forma como realizado, a base de cálculo adotada pela fiscalização teria incorretamente abarcado os valores brutos dos pagamentos realizados, desconsiderando valores destacados na nota fiscal para pagamento de tributos. Ora, da leitura do dispositivo, nos parece que o colegiado acompanhou o voto do relator apenas no tocante à exclusão de parte da base de cálculo do tributo, até porque não houve provimento integral do Recurso Voluntário, sequer reconhecimento de nulidade da autuação. Interessante notar que o próprio relator se contradiz, pois, na conclusão de seu voto entende por dar parcial provimento ao recurso para excluir apenas as parcelas relacionadas a tributos destacadas nas notas fiscais, tal qual consta no dispositivo, sem mencionar qualquer nulidade no feito. Possivelmente houve uma mudança de entendimento do Relator não retificada e que merece a devida atenção e correção, sob pena de ensejar equívoco de interpretação. Por fim, cumpre destacar que a ata de julgamento está registrada no mesmo sentido do dispositivo, demonstrando ter o Fl. 1310DF CARF MF Processo nº 11330.000450/200761 Acórdão n.º 2402006.982 S2C4T2 Fl. 1.311 5 colegiado entendido no sentido do provimento parcial, nestes termos: Ante o exposto, requer a União (Fazenda Nacional) que sejam recebidos e acolhidos os presentes Embargos de Declaração para efeito de sanar a contradição apontada, com efeitos infringentes, a fim de retificar o voto do Conselheiro Relator e a ementa do acórdão excluindose menção à suposto reconhecimento de nulidade. (grifos originais) É o relatório. Voto Conselheiro Luís Henrique Dias Lima Relator. Os embargos de declaração em apreço já foram admitidos pelo CARF quanto à tempestividade e à contradição alegada. De plano, verificase a procedência das alegações da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, vez que é notória a contradição apontada. Destarte, com relação à ementa, impõese a sua correção, nos seguintes termos: Onde se lê: "Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/08/2000 a 30/03/2006 CORESP RELAÇÃO DE CORESPONSÁVEIS. NÃO ATRIBUIÇÃO DE RESPONSABILIDADE PESSOAL DOS ADMINISTRADORES E SÓCIOS. SUMULA CARF Nº 88. "Súmula CARF nº 88: A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais RepLeg” e a “Relação de Vínculos VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não Fl. 1311DF CARF MF Processo nº 11330.000450/200761 Acórdão n.º 2402006.982 S2C4T2 Fl. 1.312 6 atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa." DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTOS. REGRA GERAL DO ART. 173, I, DO CTN. SÚMULA CARF 99. NÃO APLICABILIDADE. Ausente recolhimento do tributo, ainda que parcial, incide a regra de decadência estabelecida no art. 173, I, do CTN, afastandose a aplicação do enunciado de Súmula CARF 99. DESCONSIDERAÇÃO DE ATO OU NEGÓCIO JURÍDICO. POSSIBILIDADE. A desconsideração, pela autoridade fiscal, de ato ou negócio jurídico simulado, praticado com abuso de direito ou forma é prevista no art. 116, parágrafo único, do CTN e não se confunde com a desconsideração da personalidade jurídica. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 4. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. NULIDADE DO LANÇAMENTO POR ABARCAR FATO DIVERSO DO LEGALMENTE PREVISTO PARA INCIDÊNCIA. A validade de um lançamento tributário advém da subsunção do fato gerador a hipótese de incidência, sendo a base de calculo essencial a sua caracterização. Ao adotar base de calculo da diversa da prevista em lei, tomando como tal o valor recolhido a título de imposto e faturamento das empresas, o lançamento se torna nulo." Leiase: "Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/08/2000 a 30/03/2006 CORESP RELAÇÃO DE CORESPONSÁVEIS. NÃO ATRIBUIÇÃO DE RESPONSABILIDADE PESSOAL DOS ADMINISTRADORES E SÓCIOS. SUMULA CARF Nº 88. "Súmula CARF nº 88: A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais RepLeg” e a “Relação de Vínculos VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa." Fl. 1312DF CARF MF Processo nº 11330.000450/200761 Acórdão n.º 2402006.982 S2C4T2 Fl. 1.313 7 DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTOS. REGRA GERAL DO ART. 173, I, DO CTN. SÚMULA CARF 99. NÃO APLICABILIDADE. Ausente recolhimento do tributo, ainda que parcial, incide a regra de decadência estabelecida no art. 173, I, do CTN, afastandose a aplicação do enunciado de Súmula CARF 99. DESCONSIDERAÇÃO DE ATO OU NEGÓCIO JURÍDICO. POSSIBILIDADE. A desconsideração, pela autoridade fiscal, de ato ou negócio jurídico simulado, praticado com abuso de direito ou forma é prevista no art. 116, parágrafo único, do CTN e não se confunde com a desconsideração da personalidade jurídica. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 4. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais." No tocante à retificação do voto, entendo incabível, vez que não obstante o i. Relator ter tangenciado uma possível nulidade por erro na base de cálculo, ele afastou a nulidade, entendendo que um ajuste na base de cálculo seria suficiente. Assim, não há que se falar de efeitos infringentes, tendo em vista que a contradição apontada não afetou o decisum. Ante o exposto, voto por acolher os embargos, para reconhecer contradição, retificandose a ementa, sem efeitos infringentes, rerratificandose a decisão embargada. (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Fl. 1313DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13971.721652/2016-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2013
NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. INSUMO.
O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância.
O tratamento de resíduos, por decorrer de imposição legal, confere direito AO CRÉDITO. Já os serviços de representação comercial, por se relacionar à venda e ao pós-venda, não apresenta critérios da essencialidade ou relevância, o que não lhe confere direito AO CRÉDITO.
CRÉDITOS DA NÃO-CUMULATIVIDADE. REGISTRO EXTEMPORÂNEO. FALTA DE RETIFICAÇÃO DE DCTD/DACON. FALTA DE DEMONSTRAÇÃO POR OUTRO MEIO. IMPOSSIBILIDADE.
Por expressa determinação legal, o registro de crédito da Cofins somente é permitido (i) adquirido os bens de revenda e os insumos aplicados na produção de bens de venda ou na prestação de serviços, ou (ii) no mês em que incorrido os encargos/despesas geradoras de crédito. Créditos extemporâneos podem ser aproveitados mediante o aproveitamento de saldo credor, desde que demonstrado o repasse do referido saldo, mediante retificações de DCTF e Dacon, ou por outro meio, pelo contribuinte, caso em que podem ser superadas tais retificações..
CRÉDITO PRESUMIDO. ICMS
Os incentivos e os benefícios fiscais ou financeiro-fiscais relativos ao ICMS são considerados subvenções para investimento, desde que seja registrada em reserva de lucros.
O crédito presumido do ICMS, quando vinculado a investimento, é estímulo fiscal que não integra a base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e à COFINS.
MULTA. NÃO CONFISCO.
A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a penalidade de multa nos moldes da legislação em vigor.
MULTA. PRINCÍPIOS DA PROPORCIONALIDADE E DA RAZOABILIDADE.
O emprego dos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade não autoriza o julgador administrativo a dispensar ou reduzir multas expressas na lei, não havendo desrespeito a estes princípios quando a autuação se pauta pelo princípio da legalidade.
CRÉDITOS APURADOS. APROVEITAMENTO DE OFÍCIO.
A autoridade fiscal deve aproveitar de ofício os créditos da não- cumulatividade da Contribuição para o PIS/PASEP e da Cofins sempre que verificar a existência de saldo desses créditos no período em que ficar evidenciada infração à legislação da aludida contribuição.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2013
NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. INSUMO.
O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância.
O tratamento de resíduos, por decorrer de imposição legal, confere direito AO CRÉDITO. Já os serviços de representação comercial, por se relacionar à venda e ao pós-venda, não apresenta critérios da essencialidade ou relevância, o que não lhe confere direito AO CRÉDITO.
CRÉDITOS DA NÃO-CUMULATIVIDADE. REGISTRO EXTEMPORÂNEO. FALTA DE RETIFICAÇÃO DE DCTD/DACON. FALTA DE DEMONSTRAÇÃO POR OUTRO MEIO. IMPOSSIBILIDADE.
Por expressa determinação legal, o registro de crédito do PIS somente é permitido (i) adquirido os bens de revenda e os insumos aplicados na produção de bens de venda ou na prestação de serviços, ou (ii) no mês em que incorrido os encargos/despesas geradoras de crédito. Créditos extemporâneos podem ser aproveitados mediante o aproveitamento de saldo credor, desde que demonstrado o repasse do referido saldo, mediante retificações de DCTF e Dacon, ou por outro meio, pelo contribuinte, caso em que podem ser superadas tais retificações..
CRÉDITO PRESUMIDO. ICMS
Os incentivos e os benefícios fiscais ou financeiro-fiscais relativos ao ICMS são considerados subvenções para investimento, desde que seja registrada em reserva de lucros.
O crédito presumido do ICMS, quando vinculado a investimento, é estímulo fiscal que não integra a base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e à COFINS.
MULTA. NÃO CONFISCO.
A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a penalidade de multa nos moldes da legislação em vigor.
MULTA. PRINCÍPIOS DA PROPORCIONALIDADE E DA RAZOABILIDADE.
O emprego dos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade não autoriza o julgador administrativo a dispensar ou reduzir multas expressas na lei, não havendo desrespeito a estes princípios quando a autuação se pauta pelo princípio da legalidade.
CRÉDITOS APURADOS. APROVEITAMENTO DE OFÍCIO.
A autoridade fiscal deve aproveitar de ofício os créditos da não- cumulatividade da Contribuição para o PIS/PASEP e da Cofins sempre que verificar a existência de saldo desses créditos no período em que ficar evidenciada infração à legislação da aludida contribuição.
Numero da decisão: 3302-006.569
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em lhe dar provimento parcial para reconhecer o creditamento sobre tratamento de resíduos e para excluir as receitas de subvenções para investimento de "Créditos Presumidos" de ICMS da base de cálculo.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède Presidente
(assinado digitalmente)
Jorge Lima Abud Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede.
Nome do relator: JORGE LIMA ABUD
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CRÉDITO. INSUMO. Recorrente KARSTEN S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2013 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. INSUMO. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância. O tratamento de resíduos, por decorrer de imposição legal, confere direito AO CRÉDITO. Já os serviços de representação comercial, por se relacionar à venda e ao pósvenda, não apresenta critérios da essencialidade ou relevância, o que não lhe confere direito AO CRÉDITO. CRÉDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE. REGISTRO EXTEMPORÂNEO. FALTA DE RETIFICAÇÃO DE DCTD/DACON. FALTA DE DEMONSTRAÇÃO POR OUTRO MEIO. IMPOSSIBILIDADE. Por expressa determinação legal, o registro de crédito da Cofins somente é permitido (i) adquirido os bens de revenda e os insumos aplicados na produção de bens de venda ou na prestação de serviços, ou (ii) no mês em que incorrido os encargos/despesas geradoras de crédito. Créditos extemporâneos podem ser aproveitados mediante o aproveitamento de saldo credor, desde que demonstrado o repasse do referido saldo, mediante retificações de DCTF e Dacon, ou por outro meio, pelo contribuinte, caso em que podem ser superadas tais retificações.. CRÉDITO PRESUMIDO. ICMS Os incentivos e os benefícios fiscais ou financeirofiscais relativos ao ICMS são considerados subvenções para investimento, desde que seja registrada em reserva de lucros. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 16 52 /2 01 6- 11 Fl. 1327DF CARF MF 2 O crédito presumido do ICMS, quando vinculado a investimento, é estímulo fiscal que não integra a base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e à COFINS. MULTA. NÃO CONFISCO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a penalidade de multa nos moldes da legislação em vigor. MULTA. PRINCÍPIOS DA PROPORCIONALIDADE E DA RAZOABILIDADE. O emprego dos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade não autoriza o julgador administrativo a dispensar ou reduzir multas expressas na lei, não havendo desrespeito a estes princípios quando a autuação se pauta pelo princípio da legalidade. CRÉDITOS APURADOS. APROVEITAMENTO DE OFÍCIO. A autoridade fiscal deve aproveitar de ofício os créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/PASEP e da Cofins sempre que verificar a existência de saldo desses créditos no período em que ficar evidenciada infração à legislação da aludida contribuição. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2013 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. INSUMO. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância. O tratamento de resíduos, por decorrer de imposição legal, confere direito AO CRÉDITO. Já os serviços de representação comercial, por se relacionar à venda e ao pósvenda, não apresenta critérios da essencialidade ou relevância, o que não lhe confere direito AO CRÉDITO. CRÉDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE. REGISTRO EXTEMPORÂNEO. FALTA DE RETIFICAÇÃO DE DCTD/DACON. FALTA DE DEMONSTRAÇÃO POR OUTRO MEIO. IMPOSSIBILIDADE. Por expressa determinação legal, o registro de crédito do PIS somente é permitido (i) adquirido os bens de revenda e os insumos aplicados na produção de bens de venda ou na prestação de serviços, ou (ii) no mês em que incorrido os encargos/despesas geradoras de crédito. Créditos extemporâneos podem ser aproveitados mediante o aproveitamento de saldo credor, desde que demonstrado o repasse do referido saldo, mediante retificações de DCTF e Dacon, ou por outro meio, pelo contribuinte, caso em que podem ser superadas tais retificações.. CRÉDITO PRESUMIDO. ICMS Os incentivos e os benefícios fiscais ou financeirofiscais relativos ao ICMS são considerados subvenções para investimento, desde que seja registrada em reserva de lucros. Fl. 1328DF CARF MF Processo nº 13971.721652/201611 Acórdão n.º 3302006.569 S3C3T2 Fl. 3 3 O crédito presumido do ICMS, quando vinculado a investimento, é estímulo fiscal que não integra a base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e à COFINS. MULTA. NÃO CONFISCO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a penalidade de multa nos moldes da legislação em vigor. MULTA. PRINCÍPIOS DA PROPORCIONALIDADE E DA RAZOABILIDADE. O emprego dos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade não autoriza o julgador administrativo a dispensar ou reduzir multas expressas na lei, não havendo desrespeito a estes princípios quando a autuação se pauta pelo princípio da legalidade. CRÉDITOS APURADOS. APROVEITAMENTO DE OFÍCIO. A autoridade fiscal deve aproveitar de ofício os créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/PASEP e da Cofins sempre que verificar a existência de saldo desses créditos no período em que ficar evidenciada infração à legislação da aludida contribuição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em lhe dar provimento parcial para reconhecer o creditamento sobre tratamento de resíduos e para excluir as receitas de subvenções para investimento de "Créditos Presumidos" de ICMS da base de cálculo. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinado digitalmente) Jorge Lima Abud Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede. Fl. 1329DF CARF MF 4 Relatório Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 22/06/2016, formalizando a exigência de Contribuições referentes ao PIS e da COFINS não cumulativos, acrescidos de multa de ofício e juros de mora, no valor de R$ 13.875.749,99 O Procedimento Fiscal teve início em 16/11/2015, com a ciência eletrônica, mediante acesso ao DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO ELETRÔNICO DTE, pela contribuinte fiscalizada do TERMO DE INÍCIO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O Termo de Início delimitou, inicialmente, que a auditoria seria relativa ao tributo Imposto de Renda Pessoa Jurídica, dos anos 2011 e 2012, e das contribuições PIS e COFINS, dos anos 2012 e 2013. Posteriormente, o procedimento fiscal foi ampliado para análise das multas em geral, relativas ao período de 2012 a 2014. A contribuinte foi cientificada, em 16/01/2016, da ampliação, através do Termo de Intimação Fiscal n° 02. O presente Processo Administrativo é relativo à apuração das contribuições PIS e COFINS. Como conclusão do procedimento, verificouse a prática de infrações à legislação tributária. Conforme informação contida no TERMO DE INÍCIO DE PROCEDIMENTO FISCAL, esta Auditoria obteve, no sistema SPED, os arquivos da Escrituração Contábil Digital (ECD), relativos aos anos 2011 e 2012, bem como os arquivos EFD Contribuições, relativos aos anos 2012 e 2013. Posteriormente foram obtidas também as EFD Contribuições de 2014. Foram apuradas as seguintes irregularidades: · CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS: utilização de créditos de período anteriores/posteriores aos períodos corretos; · SUBVENÇÕES: concessão de crédito presumido do ICMS devido ao Estado de Santa Catarina, por força de Programa de Desenvolvimento firmado entre a unidade federada e a fiscalizada; · GLOSA DE CRÉDITOS: referentes às comissões pagas a representantes comerciais. A empresa KARSTEN S.A. tomou ciência do Auto de Infração por via eletrônica, em 28/06/2016 (folhas 169). A empresa KARSTEN S.A. ingressou com impugnação em 28/07/2016, de folhas 173 a 205. Foram apresentados argumentos em relação aos seguintes assuntos: ü A prestação de serviços de representação comercial e de tratamento de resíduos gera créditos de PIS e COFINS; ü Os créditos foram aproveitados tempestivamente; ü Equívoco manifesto dos Autos de Infração; ü Não incidem PIS e COFINS sobre créditos presumidos de ICMS; Fl. 1330DF CARF MF Processo nº 13971.721652/201611 Acórdão n.º 3302006.569 S3C3T2 Fl. 4 5 ü Os “créditos presumidos” de ICMS também têm natureza de subvenção para investimento; ü O cumprimento das exigências para o recebimento da subvenção; ü Tratase de subvenção para investimento, e não de subvenção para custeio; ü Tratamento tributário das subvenções para investimento no âmbito do Regime Tributário de Transição (RTT); ü A subvenção recebida não representa ingresso de receitas; ü Não incidiria tributação mesmo que fosse subvenção para custeio; ü Impossibilidade da compensação de ofício da forma como realizada; ü Valor apurado unilateralmente pela Fazenda está incorreto; ü As multas devem ser afastadas. Em 23 de fevereiro de 2017, através do Acórdão n° 1464.543, a 4ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Ribeirão Preto , por unanimidade de votos, JULGOU A IMPUGNAÇÃO IMPROCEDENTE, mantendo o crédito tributário exigido. Entendeu a Turma que os custos com as comissões pagas aos representantes comerciais, embora, em tese, sejam necessárias para a execução da atividade empresarial, não são bens e serviços aplicados ou consumidos diretamente na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviço, motivo pelo qual não é possível o creditamento da contribuição ao PIS e da Cofins não cumulativa. Entendeu a Turma também que os descontos de créditos extemporâneos, ou seja, créditos de PIS e Cofins sobre despesas com armazenagem e fretes anteriores a 12/2011 e/ou 01/213, não podem ser solicitados pela contribuinte em outro período que não seja o originário (art. 3°, parágrafo 1°, da Lei n° 10.833/20032 e o correlato da Lei n° 10.637/2002). Se um determinado crédito não foi apurado no passado, existe sim a possibilidade do seu aproveitamento de forma extemporânea. Contudo, para tal pretensão, obedecido o prazo decadencial, a contribuinte, primeiro, tem que retificar os Dacon e as DCTF correspondentes, ou melhor, retificar as declarações das competências dos créditos, para somente depois pleitear o ressarcimento (dos créditos) naquelas competências (não em outra competência, como pretende a contribuinte), em face do disposto no art. 11 das Instrução Normativa SRF n° 590, de 22 de dezembro de 2005, e nos demais atos normativos que a sucederam. Na impugnação, a impugnante não anexou Demonstrativos de Cálculos, nem documentos fiscais probatórios de suas alegações — créditos de ICMS compensáveis da não cumulatividade, tais como: notas fiscais e registros fiscais das notas fiscais de entrada, onde se discriminam os valores totais das operações, as bases de cálculos do ICMS e o imposto destacado nas notas fiscais de entrada. Por esse motivo, ou seja, em face de a impugnante não ter demonstrado, por meio de documentação contábilfiscal, que os valores de ICMS das notas fiscais de entrada Fl. 1331DF CARF MF 6 eram compensáveis — ou seja, se houve cobrança de ICMS nas operações de entrada (ausência de isenção, diferimento, não incidência etc) — o seu direito de ter revisto o auto de infração não pode ser deferido, pois é ônus desta, nos termos dos arts. 15 e 16 do Decreto n° 70.235/1972; art. 36 da Lei n° 9.784/1999; e art. 373 da Lei n° 13.105/2015, provar o direito legado e/ou o fato modificativo ou extintivo. Da análise da legislação estadual acima reproduzida, não vejo o "animus" do subvencionador no sentido de subvencionar para investimento, há apenas uma obrigação alternativa. Portanto, ao não atender as regras de subvenção de investimentos estabelecidas pelo Parecer Normativo CST n° 112/78, não há como considerar o crédito presumido uma subvenção de investimento. Desta forma, concluo que o incentivo relativo ao crédito presumido de ICMS concedido pelo Decreto Estadual, constitui, para os fins da legislação tributária federal, subvenção corrente para custeio ou operação, devendo integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins, visto tratarse de receita para a qual não há expressa previsão legal de exclusão ou isenção, nos termos da fundamentação da Solução de Consulta Cosit n° 336/2014. A impugnante foi cientificada da Decisão da Delegacia Regional de Julgamento, em 14/03/2017, por via eletrônica, às folhas 975 do processo digital. Em 12/04/2017 (folhas 977), ingressou com RECURSO VOLUNTÁRIO junto ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, apresentando suas razões, de folhas 978 a 1.014. Em síntese, foram alegados os mesmos argumentos apresentados na impugnação. Em 25 de julho de 2018, através da Resolução n° 3302000.814, a 2a Turma Ordinária, da 3a Câmara, da 3a Seção de Julgamento do CARF entendeu necessária a conversão do julgamento em diligência, para que a autoridade fiscal proceda às seguintes providências: 1. Intimar a recorrente a comprovar o registro das subvenções em reserva de lucros e as demais condições estabelecidas no artigo 30 da Lei n° 12.973/2014; 2. Oficiar à Administração Tributária da unidade federada fiscal sobre o cumprimento das exigências de registro e depósito da documentação comprobatória dos atos normativos e concessivos, observados os prazos dispostos nas cláusulas do Convênio ICMS n° 190/2017 e a publicação no Portal Nacional da Transparência Tributária no sítio eletrônico do CONFAZ.o Foi convertido o presente julgamento em diligência nos termos acima mencionados, com elaboração de relatório fiscal ao final, abrindo prazo de trinta dias para manifestação da recorrente nos termos do parágrafo único do artigo 351 do Decreto n° 7.574/2011, com posterior retorno dos autos a esta Câmara. É o relatório. Voto Fl. 1332DF CARF MF Processo nº 13971.721652/201611 Acórdão n.º 3302006.569 S3C3T2 Fl. 5 7 Conselheiro Jorge Lima Abud Da admissibilidade. Por conter matéria desta E. Turma da 3a Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte, considerando que a recorrente teve ciência da decisão de primeira instância em 14 de março de 2017, quando, então, iniciouse a contagem do prazo de 30 (trinta) dias para apresentação do presente recurso voluntário apresentando a recorrente recurso voluntário em 12 de abril de 2017. O Recurso Voluntário é tempestivo. Da controvérsia. A matéria divergente diz respeito à alegação da fiscalização quanto às seguintes irregularidades: · CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS: utilização de créditos de período anteriores/posteriores aos períodos corretos; · SUBVENÇÕES: concessão de crédito presumido do ICMS devido ao Estado de Santa Catarina, por força de Programa de Desenvolvimento firmado entre a unidade federada e a fiscalizada; · GLOSA DE CRÉDITOS: referentes às comissões pagas a representantes comerciais. Das Preliminares – Nulidade do Acórdão É alegado nos itens 04 a 07 do Recurso Voluntário: Impende registrar que, sob a ótica da Recorrente, o Acórdão recorrido é nulo, porque importou no cerceamento do seu direito de defesa, tendose em vista que não realizou análise de todos os pedidos e fundamentos por ela apresentados*. De fato, por ocasião da sua Impugnação, a Recorrente sustentou, dentre outros fundamentos (a) a imprescindibilidade dos serviços de representação comercial e do tratamento de resíduos; (b) a obrigatoriedade legal do tratamento de resíduos; (c) que o Estado de Santa Catarina, responsável pela verificação do cumprimento das exigências para concessão do benefício referente aos créditos presumidos de ICMS, nunca alegou que teria havido descumprimento de qualquer obrigação assumida pela Recorrente; (d) que ela observou as determinações do RTT Regime Tributário de Transição no que diz respeito à contabilização de créditos presumidos de ICMS; (e) que a subvenção recebida não representa ingresso de receitas; e (f) que não incidiriam PIS e COFINS sobre créditos presumidos de ICMS mesmo que se tratassem de subvenção para custeio. Fl. 1333DF CARF MF 8 Contudo, em que pese a Impugnação tenha sido julgada improcedente, os argumentos acima não foram efetivamente analisados. No tocante aos itens “a” e “b”, acima, o Acórdão recorrido entendeu que não poderia apreciar razões relacionadas à inconstitucionalidade e à ilegalidade de normas. Os demais itens foram ignorados. É de se salientar inicialmente que a Recorrente cita 06 (seis) itens, elencados do item a) ao item f), sob à argumentação de que não se realizou análise de todos os pedidos e fundamentos por ela apresentados, o que por si só acarretaria a nulidade do Acórdão guerreado, sob preterição do Direito de Defesa, princípio esse de assento constitucional. O item a) a imprescindibilidade dos serviços de representação comercial e do tratamento de resíduos, é tratado no primeiro tópico do Acórdão de Impugnação, folhas 09 a 12 daquele documento, onde conclui que os custos com as comissões pagas aos representantes comerciais, embora, em tese, sejam necessárias para a execução da atividade empresarial, não são bens e serviços aplicados ou consumidos diretamente na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviço, motivo pelo qual não é possível o creditamento da contribuição ao PIS e da Cofins não cumulativa. O item (b) a obrigatoriedade legal do tratamento de resíduos, às folhas 10 do Acórdão de Impugnação é feita a seguinte ponderação: Feito esses esclarecimentos iniciais, analiso nos parágrafos seguintes a alegação da contribuinte de que a prestação de serviços de representante comercial e de tratamento de resíduos gera créditos de PIS e Cofins, ou seja, se são insumos de acordo com os entendimentos adotados pela RFB. Embora o Acórdão de Impugnação não cite literalmente a obrigatoriedade le gal do tratamento de resíduos, depreendese que sua conclusões quanto a esse item, estão dispostas no seguinte trecho de folhas 12 daquele documento: Concluo, assim, em poucas palavras, que além das matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem que componham visualmente o produto final, poderão ser descontados créditos em relação a produtos que sejam aplicados ou consumidos em ação direta sobre o produto em fabricação, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. Já na prestação de serviço, insumos são somente os bens aplicados ou consumidos nesta atividade e prestados por pessoa jurídica domiciliada no País. O item (c) que o Estado de Santa Catarina, responsável pela verificação do cumprimento das exigências para concessão do benefício referente aos créditos presumidos de ICMS, nunca alegou que teria havido descumprimento de qualquer obrigação assumida pela Recorrente é tratado de folhas 15 a 27 Acórdão de Impugnação, com a seguinte conclusão, às folhas 27 daquele documento: Desta forma, concluo que o incentivo relativo ao crédito presumido de ICMS concedido pelo Decreto Estadual, constitui, para os fins da legislação tributária federal, subvenção corrente Fl. 1334DF CARF MF Processo nº 13971.721652/201611 Acórdão n.º 3302006.569 S3C3T2 Fl. 6 9 para custeio ou operação, devendo integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins, visto tratarse de receita para a qual não há expressa previsão legal de exclusão ou isenção, nos termos da fundamentação da Solução de Consulta Cosit n° 336/2014 acima reproduzida. O item (d) que ela observou as determinações do RTT Regime Tributário de Transição no que diz respeito à contabilização de créditos presumidos de ICMS, é abordado nas folhas 15, 17 e 18 do Acórdão de Impugnação, onde é colacionado trecho da Solução de Consulta nº 336 Cosit, de 12 de dezembro de 2014 — ao responder o questionamento de um outro contribuinte sobre os reflexos de benefício fiscal, concedido pelo Governo do Estado do Ceará, na apuração das bases de cálculo da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, que assim assevera: 19. Atualmente, com a extinção do RTT, essas regras encontram se inseridas no art. 30 da Lei n° 12.973, de 13 de maio de 2014, ipsis literis: (...) Quanto ao item (e) que a subvenção recebida não representa ingresso de receitas, o assunto é tratado nas folhas 15 e 16 do Acórdão de Impugnação, da seguinte forma: A fiscalização adicionou (majorou) na base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins o crédito presumido de ICMS concedido pelo Estado de Santa Catarina, nos termos do Programa de Desenvolvimento firmado entre o Estado e a contribuinte, por entender que se trata de subvenções de custeio — parcela integrante da receita bruta operacional e, por conseguinte, da base de cálculo das contribuições sociais. Já a autuada diz que: primeiro, uma vez que o incentivo fiscal previsto no art. 21, IX, do Anexo II do RICMS/SC constituiu uma forma alternativa de apuração dos créditos normais do ICMS, a fiscalização cometeu um equívoco, pois desprezou os créditos normais (da nãocumulatividade) dos eventuais efetivos créditos presumidos; segundo, os créditos presumidos de ICMS concedidos pelo Estado de Santa Catarina, independentemente de serem subvenção para investimento, não compõe as bases de cálculos do PIS e da Cofins, uma vez que a legislação infraconstitucional dessas contribuições incidem tãosomente sobre o faturamento ou a receita bruta e o benefício fiscal não corresponde a faturamento ou receita bruta; terceiro, caso a tributação não seja afastada pelos motivos listados anteriormente, deve ser afastada ante a natureza de subvenção de investimento dos "créditos presumidos; quarto, cumpriu as exigências prevista no TDD, realizou os investimentos e, caso houvesse dúvida, caberia à autoridade fiscal apurar o cumprimento das exigências previstas no termo, o que não ocorreu; quinto, tratase de subvenção para investimento, e não de subvenção de para custeio, cita os "docs. 9 e 10" anexados, para demonstrar que a subvenção concedida é revertida para investimentos na própria empresa beneficiária. Para corroborar Fl. 1335DF CARF MF 10 com o seu entendimento sobre subvenções de investimentos, citou a ementa de um julgado da Câmara Superior de Recursos Fiscais; sexto, as subvenções pra investimento no âmbito do RTT, nos termos da MP n° 449/08 (convertida na Lei n° 11.941/09), quando contabilizadas em conta de resultado, podem ser excluídas da base de cálculo do PIS e da COFINS; sétimo, a subvenção recebida não representa ingresso de receitas, pois os valores foram contabilizados pela empresa em decorrência da subvenção e utilizados como investimentos. Portanto, a subvenção não pode integrar a base de cálculo do PIS e COFINS; e, último, mesmo que os "créditos presumidos" correspondessem a subvenções para custeio/operação, não poderiam ser tributados, pois não representam faturamento ou receita para a empresa (art. 154, I e 195, §4°, da Constituição Federal. Por fim, o item (f) que não incidiriam PIS e COFINS sobre créditos presumidos de ICMS mesmo que se tratassem de subvenção para custeio é tratado, da mesma forma, de folhas 15 a 27 do Acórdão de Impugnação, com a seguinte conclusão, às folhas 27 daquele documento: Desta forma, concluo que o incentivo relativo ao crédito presumido de ICMS concedido pelo Decreto Estadual, constitui, para os fins da legislação tributária federal, subvenção corrente para custeio ou operação, devendo integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins, visto tratarse de receita para a qual não há expressa previsão legal de exclusão ou isenção, nos termos da fundamentação da Solução de Consulta Cosit n° 336/2014 acima reproduzida. Portanto, o Acórdão de Impugnação enfrentou os itens acima elencados, não devendo assim prosperar a alegação de cerceamento do direito de defesa. Portanto, procedeu adequadamente a 4ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Ribeirão Preto. Do mérito. Os serviços de representação comercial e de tratamento de resíduos geram créditos de PIS e COFINS É alegado nos itens 12 a 17 do Recurso Voluntário: O Acórdão da DRJ, apesar de registrar que o seu posicionamento está em desacordo com a jurisprudência do CARF, deixou de reconhecer os créditos de PIS e COFINS (não cumulativos) oriundos da prestação de serviços de representação comercial e de tratamento de resíduos. Nesse sentido, ele consignou que gerariam créditos apenas os itens que sofram alterações (desgaste, danos ou perdas de propriedades físicas) durante o processo de industrialização. A contribuinte, todavia, não pode concordar com tal alegação. Fl. 1336DF CARF MF Processo nº 13971.721652/201611 Acórdão n.º 3302006.569 S3C3T2 Fl. 7 11 Ora, como já exposto na Impugnação, geram crédi tos todas as despesas/custos necessários à atividade empresarial desenvolvida pela Recorrente. É isso, com efeito, que consta tanto na Lei relativa ao PIS (Lei n° 10.637/02), quanto na Lei referente à COFINS (Lei n° 10.883/03), em seus arts. 3°s: (...) Notase que não há, na Lei, a restrição que o Acórdão criou. Aliás, neste ponto fica evidente o desacerto do Acórdão quando alegou que a contribuinte estaria buscando “declaração de ilegali dade/inconstitucionalidade de leis”. Ao contrário: a empresa está pedindo a aplicação da Lei, coisa que a Receita Federal vem se recusando a fazer. Ademais, a única interpretação dos artigos acima mencionados condizente com a Constituição Federal (art. 195, § 12) é no sentido de que os custos e despesas necessários à atividade industrial geram direito a créditos de PIS e COFINS. Para dirimir a questão, lançase luzes no Parecer Normativo COSIT/RFB n° 05/2018, emitido com base no RESP 1.221.170/PR, que tem por conclusão: a) somente podem ser considerados insumos itens aplicados no processo de produção de bens destinados à venda ou de prestação de serviços a terceiros, excluindose do conceito itens utilizados nas demais áreas de atuação da pessoa jurídica, como administrativa, jurídica, contábil, etc., bem como itens relacionados à atividade de revenda de bens; b) permitese o creditamento para insumos do processo de produção de bens destinados à venda ou de prestação de serviços, e não apenas insumos do próprio produto ou serviço comercializados pela pessoa jurídica; c) o processo de produção de bens encerrase, em geral, com a finalização das etapas produtivas do bem e o processo de prestação de serviços geralmente se encerra com a finalização da prestação ao cliente, excluindose do conceito de insumos itens utilizados posteriormente à finalização dos referidos processos, salvo exceções justificadas (como ocorre, por exemplo, com os itens que a legislação específica exige aplicação pela pessoa jurídica para que o bem produzido ou o serviço prestado possam ser comercializados, os quais são considerados insumos ainda que aplicados sobre produto acabado); d) somente haverá insumos se o processo no qual estão inseridos os itens elegíveis efetivamente resultar em um bem destinado à venda ou em um serviço prestado a terceiros (esforço bem sucedido), excluindose do conceito itens utilizados em atividades que não gerem tais resultados, como em pesquisas, Fl. 1337DF CARF MF 12 projetos abandonados, projetos infrutíferos, produtos acabados e furtados ou sinistrados, etc.; e) a subsunção do item ao conceito de insumos independe de contato físico, desgaste ou alteração química do bem insumo em função de ação diretamente exercida sobre o produto em elaboração ou durante a prestação de serviço; f) a modalidade de creditamento pela aquisição de insumos é a regra geral aplicável às atividades de produção de bens e de prestação de serviços no âmbito da não cumulatividade das contribuições, sem prejuízo das demais modalidades de creditamento estabelecidas pela legislação, que naturalmente afastam a aplicação da regra geral nas hipóteses por elas alcançadas; g) para fins de interpretação do inciso II do caput do art. 32 da Lei ns 10.637, de 2002, e da Lei nfi 10.833, de 2003, "fabricação de produtos" corresponde às hipóteses de industrialização firmadas na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e "produção de bens" referese às atividades que, conquanto não sejam consideradas industrialização, promovem: a transformação material de insumo(s) em um bem novo destinado à venda; ou o desenvolvimento de seres vivos até alcançarem condição de serem comercializados; h) havendo insumos em todo processo de produção de bens destinados à venda e de prestação de serviços, permitese a apuração de créditos das contribuições em relação a insumos necessários à produção de um beminsumo utilizado na produção de bem destinado à venda ou na prestação de serviço a terceiros (insumo do insumo); i) não são considerados insumos os itens destinados a viabilizar a atividade da mão de obra empregada pela pessoa jurídica em qualquer de suas áreas, inclusive em seu processo de produção de bens ou de prestação de serviços, tais como alimentação, vestimenta, transporte, educação, saúde, seguro de vida, etc., ressalvadas as hipóteses em que a utilização do item é especificamente exigida pela legislação para viabilizar a atividade de produção de bens ou de prestação de serviços por parte da mão de obra empregada nessas atividades, como no caso dos equipamentos de proteção individual (EPI); j) a parcela de um serviçoprincipal subcontratada pela pessoa jurídica prestadoraprincipal perante uma pessoa jurídica prestadorasubcontratada é considerada insumo na legislação das contribuições. O repetitivo do STJ REsp 1.221.170/PR, em 22/02/2018, com publicação em 24/04/2018, pacificou o assunto. TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃOCUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E Fl. 1338DF CARF MF Processo nº 13971.721652/201611 Acórdão n.º 3302006.569 S3C3T2 Fl. 8 13 DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos realtivos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. Sob esse critério, devem ser analisados os itens serviços de representação comercial e de tratamento de resíduos. O tratamento de resíduos, por decorrer de imposição legal, é essencial, citam se a Lei Federal n. 12.305/2010 e a Lei Estadual Santa Catarina n. 14.675/2009, o que confere direito AO CRÉDITO. Fl. 1339DF CARF MF 14 Já os serviços de representação comercial, por se relacionar à venda e ao pós venda, não apresenta critérios da essencialidade ou relevância relacionados à produção de bens e/ou serviços, o que não lhe confere direito AO CRÉDITO. Créditos Extemporâneos A controvérsia neste tópico se restringe se a apuração/escrituração dos créditos de 07/2008 a 11/2012 no DACON de 12/2012 e dos créditos de 02/2008 a 05/2011 no DACON de 01/2013 são "créditos extemporâneos" ou "créditos tempestivos". Para aplainar o tema, socorrome de trecho do Acórdão de Recurso Voluntário n° 3302005.594, de 21 de junho de 2018, de lavra do ilustre do Conselheiro Walker Araujo: Sobre isso, entendo que o direito a crédito de PIS/COFINS não cumulativo em período anterior, o qual não foi aproveitado na época própria, prescinde da necessária retificação do DACON e da DCTF, ou de eventual comprovação de não utilização do crédito. Isto porque, tal medida é essencial para que se possa constituir os créditos decorrentes dos documentos não considerados no DACON original e principalmente para que os saldos de créditos do Dacon dos meses posteriores à constituição possa ser evidenciado, propiciando, assim, a conferência da não utilização dos créditos em períodos anteriores. Nesse sentido, transcrevo o entendimento manifestado na Solução de Consulta n° 73, de 2012: SOLUÇÃO DE CONSULTA N° 73, DE 20 DE ABRIL DE 2012 ASSUNTO: Contribuição para o PIS EMENTA: INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. NECESSIDADE DE RETIFICAÇÃO DE DACON E DCTF. É exigida a entrega de Dacon e DCTF retificadoras quando houver aproveitamento extemporâneo de créditos da Contribuição para o PIS. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei n° 10.637, de 2002, art. 3°, caput, e seu § 4o; IN RFB n° 1.015, de 2010, art. 10; ADI SRF n°3, de 2007, art. 2°; PN CSTn° 347, de 1970. Outro não é o entendimento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais no sentido de que o aproveitamento de crédito extemporâneo prescinde de retificação da DACON e DCTF, a saber: CREDITAMENTO EXTEMPORÂNEO. DACON. RETIFICAÇÕES. COMPROVAÇÃO. Para utilização de créditos extemporâneos, é necessário que reste configurada a não utilização em períodos anteriores, mediante retificação das declarações correspondentes, ou apresentação de outra prova inequívoca da sua não utilização. (Acórdão 3403.003.078) *** Fl. 1340DF CARF MF Processo nº 13971.721652/201611 Acórdão n.º 3302006.569 S3C3T2 Fl. 9 15 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. RETIFICAÇÕES. COMPROVAÇÃO. Para utilização de créditos extemporâneos, é necessário que reste configurada a não utilização em períodos anteriores, mediante retificação das declarações correspondentes, ou apresentação de outra prova inequívoca da não utilização. (Acórdão 3403.002.717) Além dos julgados anteriormente citados, trago à baila o entendimento do i. Relator José Fernandes do Nascimento sobre o tema (PA n° 19515.721557201258), o qual adoto como fundamento de decidir: Em relação aos créditos registrados em períodos posteriores, a recorrente ainda alegou que havia apenas dois requisitos para a apropriação de tais créditos, ou seja: a) que os créditos fossem apropriados dentro do prazo de cinco anos contados da data do ato ou.fato do qual se originaram; e b) que os créditos .fossem apropriados sem atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores, consoante dispõe o art. 13 da Lei n° 10.833/2003. A recorrente confunde regime de apuração com regime de aproveitamento de créditos. Inequivocamente, tratamse de situações distintas que submetem a tratamento diferentes na legislação. Ambos os regimes encontramse disciplinados no art. 3° das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, porém, enquanto o regime de apuração é determinado no § 1° o regime aproveitamento é disciplinado no § 4° e no art. 13 da Lei 10.833/2003, que seguem transcritos: Art. 3° Do valor apurado na forma do art. 2° a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] § 1o Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2odesta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei n° 11.727, de 2008) dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; dos itens mencionados nos incisos III a V e IX do caput, incorridos no mês; dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI, VII e XI do caput, incorridos no mês; (Redação dada pela Lei n° 12.973, de 2014) dos bens mencionados no inciso VIII do caput, devolvidos no mês. [...] Fl. 1341DF CARF MF 16 19 § 4° O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sê lo nos meses subseqüentes. [...] Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4° do art. 3°, do art. 4° e dos §§ 1° e 2° do art. 6o, bem como do § 2° e inciso II do § 4oe § 5° do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. (grifos não originais) O disposto no § 1° art. 3°, expressamente, determina que a apuração dos créditos será feita mensalmente, com base (i) nos custos dos bens e serviços adquiridos no mês, (ii) nas despesas/gastos com energia, aluguéis, arrendamento mercantil e armazenagem e frete incorridos no mês, (iii) encargos de depreciação e amortização incorridos no mês e (iv) os bens devolvidos no mês. E a fixação desse procedimento de apuração mensal tem por finalidade assegurar o controle e a verificação da correta apuração do crédito, especialmente, a natureza/tipo de crédito e valor apropriado. Em suma, esse procedimento visa a confirmação/comprovação dos requisitos da certeza e liquidez do crédito, condição indispensável para o aproveitamento sob as diversas modalidades prevista na legislação (dedução, ressarcimento ou compensação). E a segregação dos créditos por períodos de apuração também se justifica pelo fato de a forma passível/admitida de aproveitamento depender da composição do crédito no respectivo período de apuração, especialmente, nos casos de aproveitamento mediante ressarcimento e compensação, para os quais existem específicas restrições legais. Em outras palavras, é indispensável, sob pena de burla indireta às vedações legais, que, para cada período de apuração, exista uma perfeita definição da natureza dos créditos e de que forma o sujeito passivo chegou aos saldos passíveis de ressarcimento ou compensação. Dada essa exigência legal, o ressarcimento ou compensação de eventuais saldos de créditos não aproveitados (deduzidos) no período de apuração pertinente (créditos extemporâneos), necessariamente, deve ser precedida da revisão da apuração (confronto entre créditos e débitos) dos correspondentes períodos de apuração. Sem esse prévio e indispensável procedimento, não há como saber se o saldo de crédito era ou não passível de ressarcimento ou compensação. Portanto, a segregação da apuração dos créditos por período de apuração, inequivocamente, não se trata de mera exigência formal, sem efeito prático. Ao contrário, tratase de procedimento determinado por lei, que visa o controle e a verificação do estrito cumprimento dos requisitos legais. A relevação ou a desconsideração dessa formalidade, além da impossibilidade da verificação da legitimidade do crédito por parte da autoridade fiscal, inequivocamente, poderá resultar no descumprimento das condições legais estabelecidas para o ressarcimento ou a compensação dos saldos de créditos das referidas contribuições. Fl. 1342DF CARF MF Processo nº 13971.721652/201611 Acórdão n.º 3302006.569 S3C3T2 Fl. 10 17 Além da obrigatória apuração dos créditos nos respectivos meses do período de apuração, determinado no referido preceito legal, antes da utilização do Sistema Publico de Escrituração Digital (SPED) e da entrega do arquivo digital EFD Contribuições, a apuração extemporânea de créditos deveria ser seguida da obrigatória retificação do Dacon e, se alterado o valor débito, da respectiva DCTF, conforme expressamente determinava o art. 11 da Instrução Normativa SRF 590/2005, a seguir reproduzido: Art. 11. Os pedidos de alteração nas informações prestadas no Dacon serão formalizados por meio de Dacon retificador, mediante a apresentação de novo demonstrativo elaborado com observância das mesmas normas estabelecidas para o demonstrativo retificado. § 1o O Dacon retificador terá a mesma natureza do demonstrativo originariamente apresentado, substituindoo integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos informados em demonstrativos anteriores. [...] § 40 A pessoa jurídica que entregar o Dacon retificador, alterando valores que tenham sido informados em DCTF, deverá apresentar, também, DCTF retificadora. [...] (grifos não originais) Assim, na vigência do referida legislação que disciplinava o Dacon, apurada a existência de créditos não apropriados/registrados (créditos extemporâneos), além da obrigatória apuração nos pertinentes períodos de apuração, o contribuinte deveria informar a alteração dos valores dos créditos informados nos demonstrativos anteriores mediante apresentação do Dacon retificador e, se fosse o caso, acompanhada da DCTF retificadora. A propósito, cabe registrar que, não é verdade, como afirmado em alguns julgados deste Conselho5, que a “linha 06/31” do Dacon contemplavam o registro de operações de créditos extemporâneos. A simples leitura do texto explicativo do conteúdo da referida linha revela que ela destinavase ao registro de “ajustes positivos de crédito não contemplados na Linha 06A/30”, em que registradas às operações normais de créditos relativas às aquisições de embalagens. E a expressão “créditos não contemplados”, obviamente, não significa créditos extemporâneos. Para que não reste qualquer dúvida a respeito, seguem transcritos os textos extraídos das orientações de preenchimento do Dacon: CRÉDITOS DECORRENTES DA APURAÇÃO DE EMBALAGENS PARA REVENDA (Lei no 10.833/2003, art. 51, § 3o) Fl. 1343DF CARF MF 18 Linha 06A/30 Créditos Apurados A pessoa jurídica comercial que adquirir para revenda as embalagens referidas no art. 51 da Lei n 10.833, de 2003, deve informar nesta linha o valor da Contribuição para o PIS/Pasep referente às embalagens que adquirir no período de apuração em que registrar o respectivo documento .fiscal de aquisição (§ 30 do art. 51 da Lei n010. 833, de 2003, introduzido pelo art. 25 da Lei n0 11.051, de 2004). Linha 06A/31 Ajustes Positivos de Créditos Informar nesta Linha ajustes positivos de crédito não contemplados na Linha 06A/30. Linha 06A/32 () Ajustes Negativos de Créditos Informar nesta Linha ajustes negativos de crédito não contemplados na Linha 06A/30, tais como: Com base nessas considerações, resta demonstrado que, somente quando definida a natureza, certeza e liquidez do saldo de crédito apurado em determinado período mensal cabe analisar as formas de aproveitamento previstas na legislação. Nesse sentido, dispõe o § 4o do art. 3° e o art. 13 que o saldo de crédito apurado em determinado mês pode ser aproveitado mediante dedução, ressarcimento ou compensação nos períodos mesais subsequentes, sem atualização monetária e incidência de juros. E desde que o aproveitamento ocorra dentro do prazo de 5 (cinco) anos, contado do dia seguinte ao mês de apuração do crédito, sob pena da extinção do direito de aproveitamento pela prescrição determinada no Decreto 20.910/1932. No presente caso, além de não demonstrar/comprovar que os créditos extemporâneos não foram apropriados/utilizados nos meses ou períodos de apuração pertinentes, o que era necessário por expressa determinação legal, a recorrente também não procedeu a retificação do Dacon, a que estava obrigada por expressa determinação do art. 11 da Instrução Normativa SRF 590/2005, vigente no período de apuração dos créditos em apreço. Portanto, considerando que não houve retificação do DACON, tampouco prova de não utilização do crédito pleiteado, a manutenção da glosa, independente dos bens e serviços se enquadrarem no conceito de insumo para fins de creditamento, é medida que se impõe. Com base na a Solução de Consulta Cosit nº 21/2011 e nos artigos 3o, § 4o, das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003, o Recorrente argumenta que o prazo para a utilização dos créditos de PIS e Cofins é de 5 (cinco) anos e o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subsequentes, sem vincular este uso à suposta necessidade de se apresentarem DACON retificadores. É de se esclarecer que além da DCTF retificadora, para a jurisprudência pacífica do CARF é aceitável a apresentação de outra prova inequívoca da sua não utilização. O pleito do Recorrente esbarra em dois entraves: Fl. 1344DF CARF MF Processo nº 13971.721652/201611 Acórdão n.º 3302006.569 S3C3T2 Fl. 11 19 1. Os descontos de créditos extemporâneos, ou seja, créditos de PIS e Cofins sobre despesas com armazenagem e fretes anteriores a 12/2011 e/ou 01/213, não podem ser solicitados pela contribuinte em outro período que não seja o originário (art. 3°, parágrafo 1°, da Lei n° 10.833/2003 e o correlato da Lei n° 10.637/2002). Assim determina o artigo: Lei n° 10.833/2003. Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: § 1o Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei n° 11.727, de 2008) (Produção de efeito) I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; II dos itens mencionados nos incisos III a V e IX do caput, incorridos no mês; III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês; IV dos bens mencionados no inciso VIII do caput, devolvidos no mês. (Negrito nosso) 2. Se um determinado crédito não foi apurado no passado, existe sim a possibilidade do seu aproveitamento de forma extemporânea. Contudo, para tal pretensão, obedecido o prazo decadencial, devese retificar os Dacon e as DCTF correspondentes, indicando as declarações das competências dos créditos, para somente depois pleitear o ressarcimento (dos créditos). O Acórdão de Impugnação assim trata o assunto, folhas 13: Entendo que os descontos de créditos extemporâneos, ou seja, créditos de PIS e Cofins sobre despesas com armazenagem e fretes anteriores a 12/2011 e/ou 01/213, não podem ser solicitados pela contribuinte em outro período que não seja o originário (art. 3°, parágrafo 1°, da Lei n° 10.833/20032 e o correlato da Lei n° 10.637/2002). Entendo também que, se um determinado crédito não foi apurado no passado, existe sim a possibilidade do seu aproveitamento de forma extemporânea. Contudo, para tal pretensão, obedecido o prazo decadencial, a contribuinte, primeiro, tem que retificar os Dacon e as DCTF correspondentes, ou melhor, retificar as declarações das competências dos créditos, para somente depois pleitear o ressarcimento (dos créditos) naquelas competências (não em outra competência, como pretende a contribuinte), em face do Fl. 1345DF CARF MF 20 disposto no art. 11 das Instrução Normativa SRF n° 590, de 22 de dezembro de 2005, e nos demais atos normativos que a sucederam: Indispensável frisar que não pode indicar outra competência, como pretende a Recorrente, em face do disposto no art. 11 da Instrução Normativa SRF n° 590, de 22 de dezembro de 2005, e nos demais atos normativos que a sucederam: Art.11. Os pedidos de alteração nas informações prestadas no Dacon serão formalizados por meio de Dacon retificador, mediante a apresentação de novo demonstrativo elaborado com observância das mesmas normas estabelecidas para o demonstrativo retificado. §1° O Dacon retificador terá a mesma natureza do demonstrativo originariamente apresentado, substituindoo integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos informados em demonstrativos anteriores. (...) §4° A pessoa jurídica que entregar o Dacon retificador, alterando valores que tenham sido informados em DCTF, deverá apresentar, também, DCTF retificadora. (Grifo e negrito nossos) O Acórdão n° 1464.543 ainda teve a atenção de reproduzir a seguinte orientação contida na página do Sistema Público de Escrituração Digital Sped na Internet com relação aos procedimentos a serem adotados para o registro de créditos de períodos anteriores (crédito extemporâneo) no novo modelo de Escrituração Fiscal Digital (EFD – Contribuições): 83) Como informar um crédito extemporâneo na EFD CONTRIBUIÇÕES? (...) Em relação aos procedimentos a serem adotados pela empresa, para o registro de créditos de períodos anteriores à obrigatoriedade da EFD Contribuições, ainda não apurados, devem ser adotados os seguintes procedimentos: Retificar o Dacon do correspondente período de apuração, para constituir os créditos decorrentes de documentos não considerados na apuração inicial. Os saldos de créditos dos Dacon dos meses posteriores a constituição do crédito devem ser retificados para evidenciar o novo crédito. Escriturar na EFDContribuições, a partir do mês em que for transmitido o Dacon retificador, a demonstração dessa disponibilidade de créditos, nos registros 1100 (PIS/Pasep) e 1500 (Cofins); Fl. 1346DF CARF MF Processo nº 13971.721652/201611 Acórdão n.º 3302006.569 S3C3T2 Fl. 12 21 Retificar a DIPJ, para ajustar o custo/despesa considerado na apuração do lucro líquido, caso os documentos fiscais não considerados na apuração de crédito no Dacon original tenham sido computados pelo seu valor bruto; Retificar a DCTF, caso seja apurado valor suplementar de PIS, Cofins, IRPJ e de CSLL a recolher, decorrente do ajuste referido nos itens acima. Portanto, é necessário retificar o DACON relativo ao período em que o crédito não foi apropriado, a fim de incluílo na apuração. A apuração extemporânea de créditos só é admitida mediante retificação das declarações e demonstrativos correspondentes, em especial as DCTF e os DACON. É alegado nos itens 57 a 59 do Recurso Voluntário: Quanto à suposta necessidade de DACONs retificadores (para aproveitar esses créditos “extemporâneos”), igualmente sem razão o Acórdão recorrido. Isso porque a Lei relativa ao PIS (Lei n° 10.637/02), bem como a referente à COFINS (Lei n° 10.833/03), preveem, em seus arts. 3°s, §§ 4°s, que “O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subsequentes”. Notase que, além de as Leis autorizarem a utilização de créditos nos meses subsequentes (como fez a empresa), elas não estipula ram nenhuma obrigação no sentido de ser necessária a emissão de DACON retificador. Não houve a retificação da DACON. Uma vez que esse procedimento não foi observado as glosas decorrentes de créditos extemporâneos de PIS e Cofins sobre despesas com armazenagem e fretes anteriores e apurados/apropriados na competência 12/2012 e 01/2013 devem ser mantidas. Devese salientar que créditos extemporâneos podem ser aproveitados mediante o aproveitamento de saldo credor, desde que demonstrado o repasse do referido saldo, mediante retificações de DCTF e Dacon, ou por outro meio, pelo contribuinte, caso em que podem ser superadas tais retificações.. Dos "Créditos Presumidos" de ICMS (art. 21, IX, do Anexo II do RICMS/SC) Nesse tópico específico, os seguintes argumentos se contrapõem: A ação fiscal tomou as subvenções de custeio — crédito presumido de ICMS concedido pelo Estado de Santa Catarina, nos termos do Programa de Desenvolvimento firmado entre o Estado e a contribuinte – por entender ser parcela integrante da receita bruta operacional e, por conseguinte, da base de cálculo das contribuições sociais. Por sua vez, o Recorrente apresenta suas razões condensadas nos seguintes pontos: Fl. 1347DF CARF MF 22 1. O incentivo fiscal previsto no art. 21, IX, do Anexo II do RICMS/SC constituiu uma forma alternativa de apuração dos créditos normais do ICMS; 2. Os créditos presumidos de ICMS concedidos pelo Estado de Santa Catarina, independentemente de serem subvenção para investimento, não compõe as bases de cálculos do PIS e da Cofins, uma vez que a legislação infraconstitucional dessas contribuições incidem tão somente sobre o faturamento ou a receita bruta e o benefício fiscal não corresponde a faturamento ou receita bruta; 3. Caso a tributação não seja afastada pelos motivos listados anteriormente, deve ser afastada ante a natureza de subvenção de investimento dos "créditos presumidos”; 4. A Recorrente cumpriu as exigências prevista no TDD, realizou os investimentos e, caso houvesse dúvida, caberia à autoridade fiscal apurar o cumprimento das exigências previstas no termo, o que não ocorreu; 5. Tratase de subvenção para investimento, e não de subvenção de para custeio, cita os "docs. 9 e 10" anexados, para demonstrar que a subvenção concedida é revertida para investimentos na própria empresa beneficiária; 6. As subvenções pra investimento no âmbito do RTT, nos termos da MP n° 449/08 (convertida na Lei n° 11.941/09), quando contabilizadas em conta de resultado, podem ser excluídas da base de cálculo do PIS e da COFINS; 7. A subvenção recebida não representa ingresso de receitas, pois os valores foram contabilizados pela empresa em decorrência da subvenção e utilizados como investimentos; 8. Mesmo que os "créditos presumidos" correspondessem a subvenções para custeio/operação, não poderiam ser tributados, pois não representam faturamento ou receita para a empresa (art. 154, I e 195, §4°, da Constituição Federal. Para dirimir a controvérsia, transcrevese o artigo 30 da Lei n° 12.973/2014, inclusive com a nova redação dos seus §§ 4o e 5o dada pela Lei Complementar n° 160/2017: Subvenções Para Investimento Art. 30. As subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos, concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos e as doações feitas pelo poder público não serão computadas na determinação do lucro real, desde que seja registrada em reserva de lucros a que se refere o art. 195A da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, que somente poderá ser utilizada para: (Vigência) Fl. 1348DF CARF MF Processo nº 13971.721652/201611 Acórdão n.º 3302006.569 S3C3T2 Fl. 13 23 I absorção de prejuízos, desde que anteriormente já tenham sido totalmente absorvidas as demais Reservas de Lucros, com exceção da Reserva Legal; ou II aumento do capital social. § 1o Na hipótese do inciso I do caput, a pessoa jurídica deverá recompor a reserva à medida que forem apurados lucros nos períodos subsequentes. § 2o As doações e subvenções de que trata o caput serão tributadas caso não seja observado o disposto no § 1o ou seja dada destinação diversa da que está prevista no caput, inclusive nas hipóteses de: I capitalização do valor e posterior restituição de capital aos sócios ou ao titular, mediante redução do capital social, hipótese em que a base para a incidência será o valor restituído, limitado ao valor total das exclusões decorrentes de doações ou subvenções governamentais para investimentos; II restituição de capital aos sócios ou ao titular, mediante redução do capital social, nos 5 (cinco) anos anteriores à data da doação ou da subvenção, com posterior capitalização do valor da doação ou da subvenção, hipótese em que a base para a incidência será o valor restituído, limitada ao valor total das exclusões decorrentes de doações ou de subvenções governamentais para investimentos; ou III integração à base de cálculo dos dividendos obrigatórios. § 3o Se, no período de apuração, a pessoa jurídica apurar prejuízo contábil ou lucro líquido contábil inferior à parcela decorrente de doações e de subvenções governamentais e, nesse caso, não puder ser constituída como parcela de lucros nos termos do caput, esta deverá ocorrer à medida que forem apurados lucros nos períodos subsequentes. § 4o Os incentivos e os benefícios fiscais ou financeirofiscais relativos ao imposto previsto no inciso II do caput do art. 155 da Constituição Federal, concedidos pelos Estados e pelo Distrito Federal, são considerados subvenções para investimento, vedada a exigência de outros requisitos ou condições não previstos neste artigo. (Incluído pela Lei Complementar nº 160, de 2017) § 5o O disposto no § 4o deste artigo aplicase inclusive aos processos administrativos e judiciais ainda não definitivamente julgados. (Incluído pela Lei Complementar nº 160, de 2017) (Grifo e negrito nossos) Nesse sentido, para se verificar o atendimento dessas exigências, em 25 de julho de 2018, através da Resolução n° 3302000.814, a 2a Turma Ordinária, da 3a Câmara, da 3a Seção de Julgamento do CARF entendeu necessária a conversão do julgamento em diligência, para que a autoridade fiscal proceda às seguintes providências: Fl. 1349DF CARF MF 24 1. Intimar a recorrente a comprovar o registro das subvenções em reserva de lucros e as demais condições estabelecidas no artigo 30 da Lei n° 12.973/2014; 2. Oficiar à Administração Tributária da unidade federada fiscal sobre o cumprimento das exigências de registro e depósito da documentação comprobatória dos atos normativos e concessivos, observados os prazos dispostos nas cláusulas do Convênio ICMS n° 190/2017 e a publicação no Portal Nacional da Transparência Tributária no sítio eletrônico do CONFAZ. O Relatório de Diligência Fiscal, às efolhas 1.313, respondeu que: Com relação ao primeiro item, a empresa informou que, conforme previsto no § 3° do artigo 30 da Lei n° 12.973/14, a empresa apurou prejuízo contábil no período da auditoria, 2012 e 2013, e também nos períodos subsequentes. Já com relação ao segundo item, foram apresentadas cópias, extraídas do Diário Oficial do Estado de Santa Catarina, dos Decretos n° 1555/18, 1649/18 e 1724/18. O Decreto n° 1555/18 indica o crédito presumido de ICMS concedido pelo Estado de Santa Catarina à empresa. Foram apresentadas cópias dos Certificados de registro e depósito SE/CONFAZ n° 32/18, 45/18, 54/18 e 63/18, que certificam que o Estado de Santa Catarina efetuou o registro e depósito dos atos concessivos. Esses certificados foram publicados no Portal Nacional de Transparência Tributária do CONFAZ. Portanto, pela resposta apresentada pelo Recorrente, apuração de prejuízo contábil no período da auditoria, anos 2012 e 2013, impõese a regra explicita do § terceiro, que faz a seguinte ressalva: Se, no período de apuração, a pessoa jurídica apurar prejuízo contábil ou lucro líquido contábil inferior à parcela decorrente de doações e de subvenções governamentais e, nesse caso, não puder ser constituída como parcela de lucros nos termos do caput, esta deverá ocorrer à medida que forem apurados lucros nos períodos subsequentes. Logo, pelo apurado, não há qualquer impedimento para que o Recorrente usufrua dos Créditos Presumidos de ICMS. Da alegação de compensações indevidas de Ofício Um esclarecimento se faz necessário, antes de qualquer análise: Não se trata de compensações de ofício, título que inaugura o tópico no Recurso Voluntário, mas de aproveitamento de ofício de crédito. Trazse fragmento do Acórdão n° 1464.543: As Leis n° 10.637/02 e 10.833/03 que trouxeram o regime não cumulativo para o PIS e para a Cofins definem que na apuração da base de cálculo dessas contribuições as pessoas jurídicas Fl. 1350DF CARF MF Processo nº 13971.721652/201611 Acórdão n.º 3302006.569 S3C3T2 Fl. 14 25 descontarão os créditos discriminados nos artigos 3° dessas mesmas leis: “Art. 3°. Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a ... ” (grifei) Portanto, ao apurarmos o valor devido dessas contribuições, a legislação regente determina expressamente que podem ser descontados da base de cálculo todos aqueles créditos discriminados nos diversos incisos do referido artigo. Assim, o aproveitamento de ofício de créditos da não cumulatividade está correto, bem como o lançamento reflexo deste. Inclusive este é o entendimento da RFB, conforme se verifica na ementa da Solução de Consulta Interna n° 24 da Cosit, de 28 de agosto de 2007, verbis: (...) Adequado esse entendimento, assinalando que o aproveitamento de ofício deve ser efetivado independentemente de o crédito ter sido originado no próprio período em que ficar evidenciada infração à legislação, ou em período anterior. Saldo de créditos de PIS no mês de agosto de 2013 Em relação à alegação de que a fiscalização errou ao elencar os valores — saldo de créditos de PIS zerado ao invés de R$ 16.066,00 no mês de agosto de 2013, temse que: 1. A contribuinte foi cientificada em 16/11/2015 do início dos procedimentos fiscais; 2. Após o início dos procedimentos fiscais (16/01/2016) e antes da lavratura do auto de infração (22/06/2016), a contribuinte retificou o DACON da competência ago/2013 (19/02/2016). O crédito remanescente de PIS/PASEP informado no demonstrativo retificador é zero, conforme consulta abaixo reproduzida: Fl. 1351DF CARF MF 26 3. O documento juntado pela contribuinte para demonstrar o erro da fiscalização é o Relatório do ECF emitido em 28/12/2015, ou seja, data anterior ao envio do DACON retificador (19/02/2016): O Recorrente não demonstrou seu direito creditório, ou seja, que havia um erro ou inconsistência nos valores considerados pela fiscalização (DACON). Da Alegação de que as Multas devem ser afastadas A contribuinte pede os afastamentos das multas de ofício (75% dos tributos exigidos), por contrariarem os princípios da proporcionalidade, da razoabilidade e do devido processo legal material (art. 5°, LIV, da CF), representarem verdadeiro esbulho do seu Fl. 1352DF CARF MF Processo nº 13971.721652/201611 Acórdão n.º 3302006.569 S3C3T2 Fl. 15 27 patrimônio, e desprezarem, consequentemente, o art. 5°, XXII, da CF, e terem caráter confiscatório. O princípio do nãoconfisco e da capacidade contributiva dirigese ao legislador com o intuito de impedir a instituição de tributo que tenha em seu conteúdo aspectos ameaçadores à propriedade ou à renda tributada, mediante, por exemplo, a aplicação de alíquotas muito elevadas. Portanto, a observância desse princípio relacionase com o momento de criação do tributo, de modo que, vencida esta etapa, não configura confisco a simples aplicação da lei tributária. O mesmo ocorre com os princípios invocados da razoabilidade e da proporcionalidade que são dirigidos primordialmente ao legislador pois orientadores da feitura da lei. Dessa forma, as alegações de afronta a princípios constitucionais visando o afastamento das multas aplicadas são de todo inócuas no âmbito administrativo, pois a autoridade fiscal, sob pena de responsabilidade funcional, deve cumprir as determinações legais e normativas de forma plenamente vinculada. Assim, uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicála, sem questionar acerca dos efeitos que gerou. Diante de tudo que foi exposto, voto no sentido de conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em lhe dar provimento parcial para reconhecer o creditamento sobre tratamento de resíduos e para excluir as receitas de subvenções para investimento de "Créditos Presumidos" de ICMS da base de cálculo. É como voto. Jorge Lima Abud Relator. Fl. 1353DF CARF MF
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Numero do processo: 12963.720049/2016-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 03 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1402-000.844
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Edeli Pereira Bessa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marco Rogério Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa.
Nome do relator: MARCO ROGERIO BORGES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa - Presidente. (assinado digitalmente) Marco Rogério Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa Presidente. (assinado digitalmente) Marco Rogério Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 29 63 .7 20 04 9/ 20 16 -5 9 Fl. 2391DF CARF MF Processo nº 12963.720049/201659 Resolução nº 1402000.844 S1C4T2 Fl. 2.392 2 Relatório: Trata o presente de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 1a Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém PA, que julgou IMPROCEDENTE, na sua integralidade, a impugnação do contribuinte em epígrafe. Da autuação: Trata o presente processo de Auto de Infração de IRPJ e CSLL referente aos anocalendário de 2012. A Fiscalização efetuou lançamento pelas seguintes infrações: omissão de receitas de venda e serviços receitas não contabilizadas, conforme notas fiscais de saída emitidas sob os CFOPs códigos fiscais de operações e prestações nºs 5.116 e 6.116; multa isolada sobre a falta de recolhimento do IRPJ sobre base de cálculo estimada. O montante autuado foi de R$ 86.747.570.52, entre principal, mais multas de 75% e multas isoladas, e juros corrigidos até agosto/2016. Por bem retratar a descrição dos eventos que motivaram a autuação fiscal, transcrevo a parte concernente no relatório da decisão a quo: I – DO LANÇAMENTO Tratase de auto de infração de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), referente ao anocalendário de 2012, com os lançamentos discriminados no quadro 1 a seguir (principal, multa e juros, calculados até 08.2016). TRIBUTO IMPOSTO R$ JUROS DE MORA R$ MULTA – R$ MULTA ISOLADA R$ TOTAL – R$ IRPJ 23.990.277,52 9.337.016,01 17.992.708,14 11.672.205,25 62.992.206,92 CSLL 9.047.243,36 3.521.187,11 6.785.432,52 4.401.500,61 23.755.363,60 TOTAL 86.747.570.52 II – DAS INFRAÇÕES A Fiscalização descreve as Infrações nestes termos: 01 OMISSÃO DE RECEITAS DE VENDA E SERVIÇOS INFRAÇÃO: RECEITAS NÃO CONTABILIZADAS Fl. 2392DF CARF MF Processo nº 12963.720049/201659 Resolução nº 1402000.844 S1C4T2 Fl. 2.393 3 Omissão de receita caracterizada pela falta ou insuficiência de contabilização, apurada conforme Relatório Fiscal e Anexos que são partes integrantes deste Auto de Infração. ................................................................................................................................. Após a análise das respostas da contribuinte, sobretudo aos Termos de Intimação Fiscal nºs 01 e 02, constatamos que as notas fiscais eletrônicas de saídas emitidas por ela sob os Códigos Fiscais de Operações e Prestações (CFOP) nºs 5.116 e 6.116 devem compor a sua receita bruta a ser contabilizada. Estes códigos (CFOP) se referem a venda de produção do estabelecimento originada de encomenda para entrega futura, nas saídas ou prestações de serviços para o mesmo estado (5.116) e para outros estados (6.116). São classificadas nestes códigos as vendas de produtos industrializados pelo estabelecimento, quando da saída real do produto, cujo faturamento tenha sido classificado nos códigos “5.922 e 6.922 Lançamento efetuado a título de simples faturamento decorrente de venda para entrega futura”. Vejamos, então, alguns Documentos Auxiliares das Notas Fiscais Eletrônicas (DANFE) que foram apresentados pela fiscalizada em 05/01/16, juntamente com um “Sumário das Vendas com Entrega Futura”, em resposta ao Termo de Intimação Fiscal nº 02: Estes documentos fiscais foram emitidos pelo sujeito passivo para o cliente (participante) Banco Santander Brasil S/A e a transação foi realizada dentro do ano calendário fiscalizado. Verificamos nestes DANFE(s) emitidos sob o CFOP 6.116, no campo de Informações Complementares, a sua vinculação à nota fiscal eletrônica nº 40693 emitida sob o CFOP 6.922. Analisando a sua contabilização e também de outros documentos fiscais, simplificadamente, observamos que quando a contribuinte emitiu notas fiscais eletrônicas de saídas sob os códigos (CFOP) nºs 5.922 e 6.922, ela efetuou o lançamento contábil a débito da conta CLIENTES NACIONAIS/nº 0050150001 (ou a débito de outra conta de clientes) e a crédito da conta FATURAMENTO ANTECIPADO/nº 1170050021. E, no momento em que emitiu notas fiscais eletrônicas de saídas sob os códigos (CFOP) nºs 5.116 e 6.116, ela efetuou o lançamento contábil a débito da conta FATURAMENTO ANTECIPADO/nº 1170050021 e a crédito de contas de vendas (ALUMINUM BARE/nº 2000150100, ALUMINUM INSULATE/nº 2000150101, BUILDING WIRE/nº 2000150200, COPPER POWER/nº 2000150401). Entretanto, ao compararmos o Razão da conta contábil FATURAMENTO ANTECIPADO/nº 1170050021 com as notas fiscais eletrônicas de saídas emitidas sob os códigos (CFOP) nºs 5.922/6.922 e 5.116/6.116, identificamos os seguintes valores (R$): Fl. 2393DF CARF MF Processo nº 12963.720049/201659 Resolução nº 1402000.844 S1C4T2 Fl. 2.394 4 Entendemos que no anocalendário de 2012 a soma dos valores de notas fiscais eletrônicas emitidas sob os códigos (CFOP) nºs 5.922 e 6.922, deveria ter se aproximado do total dos créditos lançados na conta contábil FATURAMENTO ANTECIPADO/nº 1170050021. Por outro lado, no mesmo período, a soma dos valores de notas fiscais eletrônicas emitidas sob os códigos (CFOP) nºs 5.116 e 6.116, deveria ter se aproximado do total dos débitos lançados na conta contábil FATURAMENTO ANTECIPADO/nº 1170050021. Além disso, o saldo inicial desta conta deveria ter apresentado um valor credor maior. Do valor total de R$ 47.215.723,68, dos créditos lançados na conta contábil FATURAMENTO ANTECIPADO/nº 1170050021 no anocalendário de 2012, observamos que, de acordo com a documentação apresentada em resposta ao Termo de Intimação Fiscal nº 02, a importância de R$ 34.771.748,37 era relativa a um único faturamento (nota fiscal eletrônica nº 54393, emitida em 21/12/12, sob o CFOP nº 6.922) da fiscalizada para o cliente Itaú Unibanco S/A, CNPJ 60.701.190/000104. Tal transação não ocasionou nenhum registro de venda pela fiscalizada no anocalendário de 2012, pois se referia a lançamento efetuado a título de simples faturamento decorrente de venda para entrega futura (CFOP nº 6.922), e, portanto, seguiu a forma de contabilização que já descrevemos. Em razão destas considerações e das respostas do sujeito passivo, concluímos que as suas notas fiscais eletrônicas de saídas emitidas que devem compor a sua receita bruta a ser contabilizada no anocalendário de 2012, são as classificadas sob os seguintes Códigos Fiscais de Operações e Prestações (CFOP) e valores (R$): Fl. 2394DF CARF MF Processo nº 12963.720049/201659 Resolução nº 1402000.844 S1C4T2 Fl. 2.395 5 O total de R$ 777.584.701,34, adicionado ao ajuste contábil (“cutoff”) informado pelo contribuinte de R$ 1.622.552,00 (em resposta ao Termo de Intimação Fiscal nº 01), subtraído da receita bruta contabilizada e declarada de R$ 674.186.317,07, resultou na infração de receitas não contabilizadas sob o valor de R$ 105.020.936,27 no anocalendário de 2012. No ANEXO 1 demonstramos os códigos (CFOP) e os seus valores acumulados para cada período de levantamento de balanços de suspensão ou redução. 02 MULTA OU JUROS ISOLADOS INFRAÇÃO: FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ SOBRE BASE DE CÁLCULO ESTIMADA Falta de pagamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, incidente sobre a base de cálculo estimada em função de balanços de suspensão ou redução, apurada conforme Relatório Fiscal e Anexos que são partes integrantes deste Auto de Infração. ....................................................................................................................... Com o acréscimo das receitas não contabilizadas aos balanços de suspensão ou redução mensais do sujeito passivo, verificamos a falta do recolhimento do IRPJ em determinados períodos, que têm como conseqüência o lançamento de ofício da multa isolada, apurada no ANEXO 2 deste Relatório Fiscal, conforme percentual previsto no artigo 44, inciso II, alínea b, da Lei nº 9.430/96 (e alterações posteriores) que transcrevemos abaixo: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica.” III DA CIÊNCIA DO AUTO DE INFRAÇÃO 1 DA CIÊNCIA DO CONTRIBUINTE O Contribuinte tomou ciência do Auto de Infração, via AR nº SF 75862993 3 BR, em 25/08/2016 ( fl. 741). Da Impugnação: Inconformada com a autuação, a recorrente apresentou impugnação, a qual aproveito a sua descrição no relatório do v. acórdão recorrido: IV – DA IMPUGNAÇÃO Não consta na Impugnação a data em que foi protocolada a Impugnação, no entanto, foi juntada a este Processo em 23/09/2016(fl. 2.167), e a Impugnante alega em sintese: A IMPROCEDÊNCIA DA EXIGÊNCIA FISCAL Fl. 2395DF CARF MF Processo nº 12963.720049/201659 Resolução nº 1402000.844 S1C4T2 Fl. 2.396 6 As atividades desenvolvidas pela Requerente e a correta contabilização de suas receitas para fins de tributação As atividades da empresa requer a celebração de diversos contratos com empresas adquirentes, em especial para a comercialização de cabos de energia para linha de transmissão: Esses cabos, destinados a grandes empreendimentos, têm características próprias e são sempre produzidos sob encomenda. Sua entrega aos respectivos adquirentes obedece a cronogramas contratuais que, em muitas ocasiões, são por eles alterados em decorrência de fatores externos, tais como a paralisação ou o atraso no cronograma da obra em que se fará a instalação desses cabos vendidos pela Requerente. 10. Exatamente por isso é que, em determinadas situações, a Requerente celebra contratos de fiel depositário para que mantenha consigo as mercadorias vendidas até que possa remetêlas a seus clientes, como atestam os anexos contratos e termos de depósito (docs. nº 7 a 13). Feita essa breve introdução, na linha do que será detidamente explicado, demonstrado e comprovado nos itens seguintes, a Requerente não excluiu indevidamente nenhum valor de sua receita bruta tributável em relação ao ano calendário 2012. Isso porque: (i) as operações decorrentes de notas fiscais emitidas com o CFOP 6.116 8 foram todas regularmente tributadas quando das vendas previamente efetuadas, contabilizadas e registradas em notas fiscais emitidas com o CFOP 6.922; (ii)as operações decorrentes de notas fiscais emitidas com o CFOP 5.116 9 foram todas regularmente tributadas quando das vendas previamente efetuadas, contabilizadas e registradas em notas fiscais emitidas com o CFOP 5.922. Na linha do que será demonstrado, o que houve nesta hipótese foi apenas uma divergência no critério de contabilização não identificado pela D. Autoridade Fiscal, que, de qualquer maneira, não resultou em omissão de nenhuma receita tributável, na forma do artigo 12, § 1 o do DecretoLei 1.598/77 e no artigo 280 do Decreto 3.000/99 (RIR/99); (iii)o montante de R$ 1.622.552,24, adicionado à base de cálculo do IRPJ e da CSLL do anocalendário 2012 para fins de constituição do crédito tributário demandado nestes autos, pertinente ao procedimento contábil denominado “cutoff”, foi indevidamente apurado e considerado como omissão de receita e, assim, deve ser desconsiderado como base de cálculo, posto que seus efeitos já foram regularmente considerados na apuração e pagamento dos tributos devidos em relação ao período em análise; (iv)as operações decorrentes das notas fiscais 50912, 30468, 39877, 39952, 40277, 44453, 54062, 21745, que foram objeto das devoluções registradas nas notas 23156, 30468, 40264, 40265, 40538, 44492, 54114, 73369, 73370, 73371 e 73373, foram devidamente registradas contabilmente, de forma que passaram a reduzir receita bruta, por força do disposto no artigo 12, § 1 do DecretoLei 1.598/77 e no artigo 280 do Decreto 3.000/99 (RIR/99), que assegura aos contribuintes o direito à não tributação de valores decorrentes de vendas que foram objeto de devolução (DEVOLUÇÕES); (v)as operações decorrentes das notas fiscais 46857 e46860, e 44836 e 44837 deixaram de ser incluídas na receita bruta, por força do disposto no artigo 12, § 1 o do DecretoLei 1.598/77 e no artigo 280 do Decreto3.000/99 (RIR/99), que assegura aos contribuintes o direito à não tributação de valores decorrentes de vendas canceladas (VENDAS CANCELADAS); Fl. 2396DF CARF MF Processo nº 12963.720049/201659 Resolução nº 1402000.844 S1C4T2 Fl. 2.397 7 (vi)as operações decorrentes das notas fiscais 40822, 41829, 43114, 44169, 45441, 47469, 47672, 48805, 52880, 52881 e 53320 (VARIAÇÃO FRETE + SEGURO), 44642 e 47560 e 48447, 48386, 49596, 50112, 52334, 54079, 54080, 54081, 54082, 54083, 54084, 54085, 54086, 54087 (OUTRAS RECEITAS), 43485 (COMPLEMENTO DE PREÇO) e 23 (RECEITA DE SERVIÇOS) foram todas efetivamente tributadas na linha do que ao final restará demonstrado; e (vii) o montante de R$ 32.382,13 corresponde a mera reclassificação contábil que não gerou efeito fiscal (RECLASSIFICAÇÃO CONTÁBIL). 12. Nesse sentido, no que interessa à presente, vale esclarecer que a verificação das operações que geraram ou não receita bruta para a Requerente no anocalendário 2012 passa, necessariamente, pelas operações que foram realizadas nos anos calendários 2010, 2011 e 2012 e que, assim, foram regularmente tributadas naqueles anos. 13. Assim, para que não restem dúvidas quanto aos equívocos incorridos pela D. Autoridade Fiscal na constituição dos créditos tributários que estão em discussão, a Requerente pede vênia para identificar e relacionar, por meio das DIPJs de 2010, 2011 e 2012 (docs. nº 2 a 4), das abas “DIPJ Faturam 2010”, “DIPJ Faturam 2011” e “DIPJ Faturam 2012” da anexa planilha suporte (doc. “Arq_nao_pag”) e dos documentos nelas indicados (docs. nº #A, #B, #C, #D, #E, #F), quais foram as operações que por ela foram praticadas nos anoscalendários de 2010, 2011 e 2012 e que foram geradoras de receita regularmente tributada nesses mesmos anoscalendários. 14. Frisese que essa demonstração é de extrema relevância, haja vista que a Requerente realiza inúmeras operações de vendas para entrega futura. Em respeito ao disposto no artigo 14, caput e inciso I, da Lei 9.718/98, combinado com o artigo 177 da Lei 6.404/76 e com os artigos 247 e 277 do RIR/99 (Decreto 3.000/99), em operações como esta, a receita pertinente deve ser oferecida à tributação por competência, quando da emissão na nota fiscal de venda e não quando da emissão da nota de simples remessa da mercadoria previamente vendida. 15. Nesse contexto, sendo certo que as informações e os documentos (docs. nº 2 a 4 e docs. nº #A, #B, #C, #D, #E, #F)indicados nas abas “DIPJ Faturam 2010”, “DIPJ Faturam 2011” e “DIPJ Faturam 2012” da anexa planilha suporte (doc. “Arq_nao_pag”) comprovam o efetivo momento em que as receitas foram auferidas e tributadas, cabe agora demonstrar, de forma analítica, para cada situação específica, onde estão os equívocos incorridos pela D. Autoridade Fiscal na constituição do crédito tributário exigido nestes autos. Vendas para entregas futuras – Operações com CFOPs 6.922/6.116 – Vendas interestaduais 16. As DIPJs dos anoscalendários 2010, 2011 e 2012 (docs. nº 2 a 4) atestam que a Requerente estava sujeita à tributação pelo Lucro Real e, na forma do artigo 177 da Lei 6.404/76, combinado com os artigos 247 e 277 do RIR/99 (Decreto 3.000/99), à tributação pelo regime de competência. 17. Nessas condições, não restam dúvidas de que por ocasião da emissão das notas fiscais de venda com CFOP 6.922, estava a Requerente obrigada a contabilizar e tributar as receitas decorrentes das vendas realizadas, independentemente da efetiva remessa dos bens pertinentes aos adquirentes. Fl. 2397DF CARF MF Processo nº 12963.720049/201659 Resolução nº 1402000.844 S1C4T2 Fl. 2.398 8 18. Diante disso, a Requerente pede vênia para se reportar às abas “Sumário” e “#B” da anexa planilha suporte (doc. “Arq_nao_pag”), assim como a todos os documentos nelas referenciados (docs. nº #B), na qual se identifica e prova: (i)quais são as notas de venda para entrega futura emitidas pela Requerente com o CFOP 6.922; (ii)qual é o contrato que deu suporte à produção e venda de cada uma das notas emitidas com o CFOP 6.922, bem como que justifica a emissão das notas fiscais de remessa (CFOP 6.116)(docs. nº 6 a 17)10; (iii)qual o anocalendário de emissão dessas notas de CFOP 6.922 (e de consequente tributação das receitas delas decorrentes); (iv)quais são as notas de simples remessa (CFOP 6.116)das mercadorias decorrentes das vendas previamente efetuadas, consubstanciadas em notas fiscais emitidas com o CFOP 6.922; (v)qual é o anocalendário da emissão das notas de simples remessa, emitidas com o CFOP 6.116; e (vi)quais foram as razões comerciais/contratuais pelas quais as notas de venda, emitidas com CFOP 6.922 nos anoscalendários2010 e 2011, deram ensejo a saídas de simples remessa (suportadas por notas de CFOP 6.116) ocorridas apenas no anocalendário 2012. 19. Frisese que a análise dessa planilha e dos documentos nela indicados não deixa dúvidas de que as notas que suportam a exigência fiscal relacionada ao CFOP 6.116 não podem ser base para tributação, haja vista que elas todas se referem a operações de simples remessa de mercadorias que foram previamente vendidas e geraram receitas regularmente tributadas quando das vendas realizadas, contabilizadas e registradas em notas fiscais emitidas com o CFOP 6.922 (seja no anocalendário 2012 ou em anoscalendários anteriores). 20. Sendo assim, resta evidente que não há qualquer fundamentação para que a receita bruta de R$ 99.846.521,41, considerada como omitida pela Requerente e relacionada às notas emitidas com o CFOP 6.116, não podem ser base para incidência o IRPJ e da CSL indevidamente demandados nestes autos. Vendas para entregas futuras – Operações com CFOPs 5.922/5.116 – Vendas no próprio Estado 21. No que tange às notas fiscais com o CFOP 5.116,todas emitidas no ano calendário 2012, sustenta a D. Autoridade Fiscal que em relação a elas houve uma omissão de receita de valor equivalente a R$ 54.333,00. 22. Isso porque, embora a soma dos valores totais dessas notas equivalha a R$ 597.639,89, a Requerente ofereceu à tributação, em razão das vendas delas decorrentes, somente o montante de R$ 543.306,89 o que deu enseja à diferença de R$ 54.333,00 que indevidamente não teria sido oferecida à tributação. 23. Ocorre que essa diferença não é tributável, por se tratar justamente do valor do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) que está destacado nas notas e que, se fosse incluído na linha 03 da Ficha 06A da DIPJ do anocalendário 2012, deveria ser excluída da base de cálculo na linha 15 da mesma Ficha 06A da DIPJ/2012, em respeito ao disposto no artigo 12, § 1 o do DecretoLei 1.598/77 e no artigo 280 do RIR/99 (Decreto 3.000/99) que, em relação aos fatos geradores em discussão, assim dispõem: Fl. 2398DF CARF MF Processo nº 12963.720049/201659 Resolução nº 1402000.844 S1C4T2 Fl. 2.399 9 “Art 12 A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria e o preço dos serviços prestados. § 1º A receita líquida de vendas e serviços será a receita bruta diminuída das vendas canceladas, dos descontos concedidos incondicionalmente e dos impostos incidentes sobre vendas.” “Art. 280. A receita líquida de vendas e serviços será a receita bruta diminuída das vendas canceladas, dos descontos concedidos incondicionalmente e dos impostos incidentes sobre vendas.” 24. As abas “Sumário” “#A” da anexa planilha suporte (doc. “Arq_nao_pag”), assim como os documentos nelas relacionados (doc. nº #A), fazem a devida demonstração dessa afirmação e provam, por consequência, que é totalmente infundada a pretensão da D. Autoridade Fiscal em incluir como receita bruta tributável no ano calendário de 2012 o valor de R$ 597.639,89 decorrente das operações realizadas em decorrência das notas emitidas com os CFOP 5.116, mas sim apenas o valor liquido de R$ 543.306,89 decorrente das notas fiscais com CFOP 5.922 (sem a inclusão do montante de R$ 54.333,00 referente ao IPI incidente nas operações). Ajustes contábeis realizados em 2011 e 2012: “cutoff” Como se verifica da página 7 do Termo de Verificação Fiscal (fl. 475), na constituição do crédito tributário exigido nestes autos, a D. Autoridade Fiscal houve por bem adicionar à receita bruta o valor de R$ 1.622.552,24 a título de “cutoff”. 26. Esse valor, vale esclarecer, foi obtido pela D.Autoridade Fiscal na resposta ao Termo de Intimação TDPF 06.1.12.002015000757, que consta às fls. 83/87 dos autos. Na ocasião, a Requerente esclareceu que o referido valor era pertinente a “cut off”, que é um procedimento por ela adotado para atender à legislação societária vigente. 27. Isso porque, diversamente das regras tributárias vigentes, que exigem a tributação das vendas por competência independentemente do momento da transferência da titularidade do bem (“tradição”), as regras societárias e contábeis impõem que somente as vendas efetivamente realizadas (assim entendidas aquelas em que ocorreu a transferência de titularidade) sejam contabilizadas no próprio período. 28. Nas hipóteses em que a venda seja efetivada, mas a transferência da titularidade ocorra em período subseqüente, somente neste é que deve ser feito o registro contábil. Frisese que a Requerente providencia todos os ajustes necessários para que as bases de cálculo do IRPJ e da CSL não deixem de contemplar todas as receitas e custos relacionados às vendas efetivadas e não concluídas por falta de transferência de titularidade, submetidas ao procedimento de “cutoff”, de forma a não trazer qualquer prejuízo ao fisco. 29. A título ilustrativo, analisandose a já citada planilha suporte (vide células D18 e D19 da aba “Sumário”), os valores das notas fiscais emitidas no mês de dezembro/2011 foram reconhecidos contabilmente apenas no anocalendário 2012, pois, naquelas situações, as vendas aos clientes da Requerente não haviam sido concluídas (em outras palavras, como ainda não havia ocorrido a transferência da titularidade em dezembro/2011, o reconhecimento dos valores se deu apenas no ano calendário seguinte, quanto as operações foram finalizadas com a efetiva entrega das mercadorias vendidas pela Requerente a seus clientes adquirentes). Fl. 2399DF CARF MF Processo nº 12963.720049/201659 Resolução nº 1402000.844 S1C4T2 Fl. 2.400 10 30. A despeito disso, para fins fiscais, a Requerente também (i)registrou a receita apurada em dezembro do anocalendário, (ii)deduziu os custos relacionados a tais operações, (iii)ajustou a base tributável do IRPJ e da CSL em dezembro de 2011, de forma a (iv)tributar regularmente essa receita pertinente em dezembro do ano calendário 2011 (mês em que as notas fiscais foram efetivamente emitidas). Frisese que esse mesmo expediente técnico foi observado pela Requerente em 2012. 31. Nesse contexto, cumpre informar que o montante de R$ 1.622.552,24 não representa todo o efeito do “cutoff” das vendas realizadas no anocalendário 2012, mas tão somente parte dele e, neste caso, decorrente da variação do estorno contábil do faturamento no período analisado. O efeito integral do “cutoff” nesse período (que é composto pelo faturamento das vendas realizadas e também pelos custos a elas inerentes) foi desconsiderado pela D. Autoridade Fiscal, na linha do que se verifica e demonstra nas abas “Sumário” e “#D” da anexa planilha suporte (doc. “Arq_nao_pag”)e toda a documentação nelas indicada, relacionada às notas 39870, 39871, 39872, 29938, 39948,39949, 39928, 39831, 39832, 39842, 39845, 39857, 54398, 54399, 54400, 54401, 54402, 54403, 54404, 54405 e 54406 (docs. nº #D). Assim, concluise em definitivo ser completamente improcedente a tributação do montante indicado pela D. Autoridade Fiscal. Devoluções 32. No regular desenvolvimento de suas atividades, a Requerente submetese a situações em que as mercadorias vendidas são por vezes devolvidas. 33. No que interessa a este tópico, a D. Autoridade Fiscal entendeu que os valores auferidos com vendas efetuadas, contabilizadas e registradas por meio das notas fiscais 50912, 30468, 39877, 39952, 40277, 44453, 54062, 21745 não foram integralmente contabilizados como receita bruta para fins de regular tributação no ano calendário 2012. 34. Ocorre que a D. Autoridade Fiscal deixou de observar que as vendas decorrentes das notas 50912, 30468, 39877, 39952, 40277, 44453, 54062, 21745 foram objeto de devoluções efetuadas, contabilizadas e registradas por meio das notas fiscais 23156, 30468, 40264, 40265, 40538, 44492, 54114, 73369, 73370, 73371 e 73373. O total das devoluções foi diretamente deduzido pela Requerente na Ficha 06A da DIPJ do anocalendário 2012. 35. Ainda que o procedimento mais ortodoxo fosse contabilizar na Ficha 06A na DIPJ do anocalendário 2012 o valor total das notas 50912, 30468, 39877, 39952, 40277, 44453, 54062, 21745 para depois deduzir na Ficha 06A na mesma DIPJ o valor das devoluções efetuadas, contabilizadas e registradas por meio das notas fiscais 23156, 30468, 40264, 40265, 40538, 44492, 54114, 73369, 73370, 73371 e 73373, o fato que o procedimento adotado pela Requerente, de lançar na DIPJ o valor nas notas de vendas já deduzido das deduções pertinentes, não trouxe nenhum prejuízo à Fazenda e, pois, demonstra a total improcedência da exigência fiscal formulada nestes autos, em respeito aos já citados artigos artigo 12, § 1 o do DecretoLei 1.598/77 e 280 do Decreto 3.000/99. 36. Especificamente em relação à nota fiscal 30468,cumpre esclarecer que a devolução foi feita pelo cliente da Requerente de próprio punho no verso da referida nota fiscal. Por esse motivo, a despeito de se tratar de nota fiscal de remessa de entrega futura, essa nota também foi registrada na contabilidade como sendo operação de devolução. Fl. 2400DF CARF MF Processo nº 12963.720049/201659 Resolução nº 1402000.844 S1C4T2 Fl. 2.401 11 37. Além disso, em relação às notas fiscais 73369, 73370, 73371 e 73373, a Requerente esclarece que tais notas foram emitidas pela empresa SOC MICHELIN DE PARTIC IND COM LTDA. e foram registradas diretamente na contabilidade da Requerente como notas de devolução. Por esse motivo, essas notas também devem ser entendidas como relacionadas a operações de devolução por parte dos clientes da Requerente. 38. Para que não restem dúvidas do que aqui se afirma, a Requerente se reporta às abas “Sumário” e “#F” da anexa planilha suporte (doc. “Arq_nao_pag”), assim como os documentos nelas relacionados (docs. nº #F). A análise dessas informações e provas documentaisafasta qualquer pretensão de tributação formulada em relação às notas fiscais que envolvem devolução. Vendas canceladas 39. Parte das receitas consideradas como omitidas pela D. Autoridade Fiscal para constituir os créditos tributários que estão em discussão nestes autos guarda relação com as notas fiscais 44836 e 44837 (doc. nº #E)e 46857 e 46860 (doc. nº #C). 40. Ocorre que, na apuração da alegada omissão de receita, a D. Autoridade Fiscal desconsiderou que as receitas brutas passíveis de tributação em razão das operações de venda realizadas, contabilizadas e registradas nas notas fiscais 44836, 44837, 46857 e 46860foram canceladas e, assim, não podem ser base para tributação, na forma dos já citados artigos 12, § 1 o do DecretoLei 1.598/77 e 280 do RIR/99 (Decreto 3.000/99). 41. Nesse sentido, confirase as informações contidas nas abas “Sumário”, “#C” e “#E” da anexa planilha suporte (doc. “Arq_nao_pag”), assim como a documentação nela mencionada (docs. nº #C e #E), que comprovam o acima exposto e afastam qualquer pretensão de tributação formulada em relação às notas fiscais que envolvem vendas canceladas. Notas fiscais de venda cuja receita foi devidamente registrada e tributada, mas desconsiderada pela D. Autoridade Fiscal 42. Neste ponto, como se observa do relatório fiscal e dos valores supostamente indicados como omissão de receita, a D. Fiscalização igualmente se equivocou em diversos pontos. Confirase a seguir: (A) Notas registradas com o valor do frete e do seguro (VARIAÇÃO FRETE + SEGURO) 43. Segundo a D. Autoridade Fiscal, a Requerente teria deixado de reconhecer a receita decorrente das notas fiscais 40822, 41829, 43114, 44169, 45441, 47469, 47672, 48805, 52880, 52881 e 53320, pelo fato de que o valor declarado na DIPJ 2012 e o valor apurado pela D. Fiscalização serem divergentes. 44. Notese, porém, que os valores indicados na DIPJ pela Requerente são maiores do que aqueles apontados pela D. Autoridade Fiscal, o que por si só já demonstra que não houve omissão de receita e, sim, reconhecimento de receita até superior. 45. Isso se deve ao fato de que, na DIPJ 2012, a Requerente registrou o valor das receitas decorrentes das operações com notas emitidas sob o CFOP 7101 juntamente com os valores de frete e de seguro pertinentes a essas mesmas notas. Em outras palavras, foram registrados e tributados tanto o valor da nota fiscal quanto os valores gastos a título de frete e seguro, os quais foram inclusos no faturamento. Na apuração Fl. 2401DF CARF MF Processo nº 12963.720049/201659 Resolução nº 1402000.844 S1C4T2 Fl. 2.402 12 feita pela D. Autoridade Fiscal, por outro lado, desconsiderouse os valores de frete e seguro para apurar uma divergência que foi sustentada como motivo para fazer nova contabilização das notas emitidas sob o CFOP 7101, majorando de forma indevida a base de cálculo do tributo exigido nestes autos. 6. A constatação desse equívoco é feita nas abas “Sumário” e “#E” da anexa planilha suporte (doc. “Arq_nao_pag”), juntamente com a documentação nelas indicada (doc. nº #E), deixando claro que a exigência fiscal formulada em relação a tais receitas é totalmente improcedente. (B) Notas registradas no campo “Outras Receitas Operacionais” da DIPJ (OUTRAS RECEITAS) 47. A D. Autoridade Fiscal pressupôs que as receitas decorrentes das notas fiscais 44642 e 47560 (CFOP 7101) (doc. nº #E) não foram oferecidas à tributação. Ocorre que essas receitas foram sim devidamente reconhecidas e tributadas no anocalendário 2012. Por um lapso, contudo, em vez de serem registradas nas linhas de receita operacional (receitas decorrentes de vendas de mercadorias), essas receitas foram registradas na DIPJ no campo “Outras Receitas Operacionais” (Ficha 06A, linha 43) (doc. nº 4). 48. A despeito disso, o fato é que tais valores foram devidamente tributados no anocalendário 2012 e não podem ser objeto de tributação novamente, como pretende a D. Autoridade Fiscal. 49. Assim, considerando que as receitas decorrentes relativas às notas fiscais 44642 e 47560 (CFOP 7101) foram reconhecidas e devidamente tributadas, resta demonstrada a improcedência da inclusão desses valores na base tributável do IRPJ e da CSLL por supostamente configurarem omissões de receita. 50. O mesmo ocorre em relação às notas fiscais 48447, 48386, 49596, 50112, 52334, 54079, 54080, 54081, 54082, 54083, 54084, 54085, 54086, 54087 (doc. nº #C), cujas receitas foram devidamente reconhecidas e tributadas no ano calendário 2012. 51. A constatação desse equívoco é feita nas abas “Sumário”, “#C” e “#E” da anexa planilha suporte (doc. “Arq_nao_pag”), juntamente com a documentação nelas indicada (docs. nº #C e #E), deixando claro que a exigência fiscal em relação a tais receitas é totalmente improcedente. (C) Nota fiscal de complemento de preço (COMPLEMENTO DE PREÇO) 52. Em relação à nota fiscal 43485 (doc. nº #F), a Requerente esclarece que ela se refere a uma nota fiscal de complemento de preço que foi desconsiderada pela D. Fiscalização no momento da apuração da suposta base tributável (receita). Nesse sentido, a Requerente informa que tal nota fiscal foi devidamente registrada e sua receita já foi devidamente tributada, motivo pelo qual seu valor não pode ser incluído no montante apurado como suposta omissão de receita pelas DD. Autoridades Fiscais. 53. A constatação desse equívoco é feita nas abas “Sumário” e “#F” da anexa planilha suporte (doc. “Arq_nao_pag”), juntamente com a documentação nela indicada (doc. nº #F), deixando claro que a exigência fiscal em relação a tal receita é totalmente improcedente. (D) Nota fiscal de prestação de serviço (RECEITA DE SERVIÇO) (E) 54. Em relação à nota fiscal 23 (doc. nº #F), a receita é decorrentes de prestação de serviços, tendo sido reconhecida e tributada em 2012. Assim, Fl. 2402DF CARF MF Processo nº 12963.720049/201659 Resolução nº 1402000.844 S1C4T2 Fl. 2.403 13 considerando que essa receita já foi reconhecida e devidamente tributada, não havendo que se falar em omissão de receita, resta demonstrada a improcedência da inclusão desse valor na base tributável do IRPJ e da CSLL. 55. A constatação desse equívoco é feita nas abas “Sumário” e “#F” da anexa planilha suporte (doc. “Arq_nao_pag”), juntamente com a documentação nela indicada (doc. nº #F), deixando claro que a exigência fiscal em relação a tal receita é totalmente improcedente. Reclassificação contábil que não gerou efeito fiscal (RECLASSIFICAÇÃO CONTÁBIL) 56. Por fim, em relação ao montante de R$ 32.382,13 indicado na aba “Sumário”, linha D31, e aba “#F” da planilha suporte (doc. “Arq_nao_pag”), a Requerente apenas esclarece que tal valor correspondente a mera reclassificação contábil entre as contas de receita de faturamento da DIPJ e as linhas referentes aos impostos sobre as vendas também na DIPJ. 57. Essa reclassificação contábil é decorrente de simples erro de preenchimento da DIPJ, que, a despeito disso, não gerou qualquer efeito tributário. Em outras palavras, esses ajustes realizados não causaram impacto na apuração da receita tributável. Portanto, diferentemente do que pretende a D. Autoridade Fiscal, essa reclassificação contábilnão pode ser entendida como omissão de receita, motivo pelo qual esse valor deve ser desconsiderado para fins de apuração da base tributável pelo IRPJ e pela CSLL. O descabimento da multa isolada de 50%: impossibilidade de aplicação de multa em duplicidade (ofício e isolada) Além da aplicação da multa de ofício (75%), a D. Fiscalização aplicou ainda uma multa isolada de 50% sobre os mesmos supostos fatos geradores que motivaram a lavratura dos Autos de Infração que originaram esse processo administrativo. Neste particular, mais uma vez, merece reparo o equivocado entendimento da D. Autoridade Fiscal. .................................................................................................................................. É improcedente a conduta da D. Autoridade Fiscal em tentar aplicar, simultaneamente, a multa de ofício em razão da suposta redução indevida da base de cálculo do IRPJ e da CSLL e da multa isolada pelo não recolhimento das estimativas mensais. Para fundamentar esses argumentos a Impugnante cita julgados administrativos e judiciais. A impossibilidade de aplicação dos juros sobre a multa de ofício Afirma a Impugnante: Ainda que os juros de mora incidam sobre o valor dos tributos lançados, a atualização do débito não poderá ser feita com a incidência de juros pela taxa SELIC sobre as multas aplicadas. Para fundamentar esses argumentos a Impugnante cita julgados administrativos e judiciais. Fl. 2403DF CARF MF Processo nº 12963.720049/201659 Resolução nº 1402000.844 S1C4T2 Fl. 2.404 14 V – REQUERIMENTO DE DILIGÊNCIA Demonstradas as razões que, no mérito, ensejam o reconhecimento da procedência de seu direito, e visando demonstrar deforma cabal que nenhum valor é devido a título de IRPJ e CSL, a Requerente pleiteia, nos termos do artigo 16, inciso IV, do Decreto 70.235/72, e do artigo 38da Lei 9.784/99, que o presente processo administrativo seja baixado em diligência a fim de que seja realizada perícia documental e contábil que, mediante a revisão da documentação fiscal e contábil pertinente, esclareça se as receitas indicadas pela D. Autoridade Fiscal como tendo sido omitidas são ou não passíveis de tributação pelo IRPJ e a CSLL no anocalendário 2012. 69. Para acompanhamento dos trabalhos periciais, a Requerente nomeia como seu perito o Sr. Reginaldo Carlos Gonçalves, brasileiro, contador, portador do RG nº 4.238.1284 SSPPR, inscrito no CPF sob o nº 580.32.52920 e no CRC sob o nº 1SP191016/O4, com endereço na sede da Requerente à Avenida Alcoa, 5801 – Bairro Aeroporto – CEP 37706178, Poços de Caldas/MG. A Requerente, desde já, protesta pela apresentação de quesitos suplementares e/ou complementares no decorrer da perícia, ante asquestões que dela poderão advir. VI A CONCLUSÃO E O PEDIDO 70. Diante de todo o exposto, a Requerente tem como plenamente demonstrado que: (i) as operações decorrentes de notas fiscais emitidas com o CFOP 6.116 13 foram todas regularmente tributadas quando das vendas previamente efetuadas, contabilizadas e registradas em notas fiscais emitidas com o CFOP 6.922; (ii)as operações decorrentes de notas fiscais emitidas com o CFOP 5.116 14 foram todas regularmente tributadas quando das vendas previamente efetuadas, contabilizadas e registradas em notas fiscais emitidas com o CFOP 5.922. Na linha do que será demonstrado, o que houve nesta hipótese foi apenas uma divergência no critério de contabilização não identificado pela D. Autoridade Fiscal mas que, de qualquer maneira, não resultou em omissão de nenhuma receita tributável, na forma do artigo 12, § 1 o do DecretoLei 1.598/77 e no artigo 280 do RIR/99 (Decreto 3.000/99); (iii)o montante de R$ 1.622.552,24, adicionado à base de cálculo e que é pertinente ao denominado procedimento contábil de “cutoff” das vendas realizadas no anocalendário 2012, não é base de cálculo para incidência do IRPJ e da CSLL e seus efeitos tributários, embora desconsiderados pela D. Autoridade Fiscal, foram todos regularmente observados para apuração dos tributos devidos no período sob análise; (iv)as operações decorrentes das notas fiscais 50912, 30468, 39877, 39952, 40277, 44453, 54062, 21745, que foram objeto das devoluções registradas nas notas 23156, 30468, 40264, 40265, 40538, 44492, 54114, 73369, 73370, 73371 e 73373, deixaram de ser incluídas na receita bruta, por força do disposto no artigo 12, § 1 o do DecretoLei 1.598/77 e no artigo 280 do RIR/99 (Decreto 3.000/99), que assegura aos contribuintes o direito à não tributação de valores decorrentes de vendas que foram objeto de devolução(DEVOLUÇÕES); (v)as operações decorrentes das notas fiscais 46857 e46860, e 44836 e 44837 deixaram de ser incluídas na receita bruta, por força do disposto no artigo 12, § 1 o do DecretoLei 1.598/77 e no artigo 280 do RIR/99 (Decreto 3.000/99), que assegura aos Fl. 2404DF CARF MF Processo nº 12963.720049/201659 Resolução nº 1402000.844 S1C4T2 Fl. 2.405 15 contribuintes o direito à não tributação de valores decorrentes de vendas canceladas (VENDAS CANCELADAS); vi)as operações decorrentes das notas fiscais 40822, 41829, 43114, 44169, 45441, 47469, 47672, 48805, 52880, 52881 e 53320 (VARIAÇÃO FRETE + SEGURO), 44642 e 47560 e 48447, 48386, 49596, 50112, 52334, 54079, 54080, 54081, 54082, 54083, 54084, 54085, 54086, 54087 (OUTRAS RECEITAS), 43485 (COMPLEMENTO DE PREÇO) e 23 (RECEITA DE SERVIÇOS) foram todas efetivamente tributadas na linha do que ao final restará demonstrado; (vii) o montante de R$ 32.382,13 corresponde a mera reclassificação contábil que não gerou efeito fiscal (RECLASSIFICAÇÃO CONTÁBIL). (viii)é descabida a aplicação simultânea de multa isolada e multa de ofício, confirme pacificado pelo CARF / CSRF; e (ix)não podem ser aplicados juros de qualquer natureza sobre a multa imposta à Requerente. 71. Sendo assim, a Requerente requer seja conhecida e julgada INTEGRALMENTE PROCEDENTE a presente Impugnação, para que seja reconhecida a improcedência dos Autos de Infração objeto deste processo administrativo, determinandose, por conseguinte, o cancelamento dos supostos débitos de IRPJ e de CSLL em questão e o consequente arquivamento do presente processo administrativo. 72. Subsidiariamente, se assim não se entender, o que se admite apenas a título argumentativo, a Requerente requer (i)o afastamento da multa isolada, uma vez que não pode ser aplicada conjuntamente à multa de ofício e (ii)a não incidência de juros de qualquer natureza sobre as multas aplicadas. 73. Por fim, caso entendam Vossas Senhorias que seriam necessários novos elementos para que se demonstre o direito ora pleiteado, inclusive em respeito ao princípio da verdade real, a Requerente requer lhe seja assegurada a produção de provas por todos os meios em direito admitidos, em especial pela posterior juntada de novos documentos e realização de diligência/pericia, de forma a comprovar que não pode ser compelida a pagar os débitos que lhe estão sendo demandados. (grifamos) Da decisão da DRJ: A ementa da decisão é a seguinte: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2012 DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. São improfícuos os julgados administrativos trazidos pelo sujeito passivo, pois tais decisões não constituem normas complementares do Direito Tributário, já que foram proferidas por órgãos colegiados sem, entretanto, uma lei que lhes atribuísse eficácia normativa, na forma do art. 100, II, do Código Tributário Nacional. Fl. 2405DF CARF MF Processo nº 12963.720049/201659 Resolução nº 1402000.844 S1C4T2 Fl. 2.406 16 DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões judiciais, com efeito inter partes, não podem ser aplicadas a outros casos. OMISSÃO DE RECEITAS RECEITAS NÃO CONTABILIZADAS A insuficiência de contabilização de receitas sujeitas à tributação caracteriza omissão de receitas. VENDAS DE PRODUTOS DE FABRICAÇÃO PRÓPRIA RECONHECIMENTO DA RECEITA TRANSFERÊNCIA DE TITULARIDADE APURAÇÃO DO IRPJ e DA CSLL Somente as vendas faturadas e que forem transferidas a titularidade podem ser reconhecidas como receita de vendas, e as não entregues têm que ser estornadas( regras aplicadas para fins societários). Destarte, para fins de apuração do imposto de renda e da contribuição social, elas devem ser mantidas. MULTA ISOLADA. IRPJ FALTA DE PAGAMENTO DA ESTIMATIVA MENSAL. CABIMENTO. Na hipótese de a pessoa jurídica sujeita ao pagamento da contribuição social incidente sobre a base de cálculo estimada, efetuar recolhimento a menor ou deixar de recolher, cabível a aplicação da MULTA ISOLADA de 50% (cinqüenta por cento), ainda que tenha apurado prejuízo fiscal no anocalendário. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE PARCELAS MENSAIS DE ESTIMATIVAS. INEXISTÊNCIA DE BIS IN IDEM COM A MULTA DE OFÍCIO. Após o encerramento do período de apuração, é devida multa isolada pelo não recolhimento de parcelas mensais de estimativas no curso do referido período. A aplicação conjunta de multa de ofício no mesmo lançamento tributário, referente a tributo e contribuição devidos ao final do período, não tem o condão de excluir a multa isolada sobre as parcelas mensais de estimativas não recolhidas, haja vista trataremse de infrações distintas, possuidoras de tipificação legal específicas a cada uma delas. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Sendo a multa de ofício classificada como débito para com a União, decorrente de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, apresentase regular a incidência dos juros de mora sobre os valores da multa de ofício não pagos, a partir de seu vencimento. PEDIDO DE DILIGÊNCIA E PERÍCIA. APRESENTAÇÃO DE NOVAS PROVAS. Devem ser indeferidos os pedidos de diligência, quando forem prescindíveis para o deslinde da questão a ser apreciada ou se o processo contiver os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador. Preclui o direito de apresentação de novas provas com a interposição da impugnação. Fl. 2406DF CARF MF Processo nº 12963.720049/201659 Resolução nº 1402000.844 S1C4T2 Fl. 2.407 17 TRIBUTAÇÃO REFLEXA Aplicase à CSLL, no que couber, o que foi decidido para a obrigação matriz, dada a íntima relação de causa e efeito que os une. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Da análise da análise do voto condutor da decisão a quo, que foi acompanhado por unanimidade pelo seus pares, destacase os seguintes pontos que fundamentam seu voto: entendeu que a autoridade fiscal autuante intimou diversas vezes a recorrente para comprovar as divergências de valores entre o escriturado e informado em DIPJ, às quais a recorrente apresentou respostas evasivas; das atividades da recorrente e a correta contabilização de suas receitas para fins de tributação na análise dos documentos nº 7 a 13, realmente confirmaram a alegação da recorrente de que atua como fiel depositário até a remessa das mercadorias vendidas. Contudo, nos termos de depósito ali anexados constam fatos para o anocalendário de 2011, e também os contratos de fiel depositário são distintos nos contratos de fornecimento (doc. 14 a 17); das vendas para entregas futuras operações com CFOPs 5.922/5.116 vendas no próprio estado a diferença seria por conta do IPI destacado, contudo, não há condições de avaliar o alegado na DIPJ, pois linha 15 da ficha 06A da DIPJ/2013 está zerado. Assim, não haveria condições de verificar se o informado na linha 03 é o valor bruto ou líquido; das vendas para entregas futuras operações com CFOPs 6.922/6.116 vendas interestaduais na vinculação de cada NF CFOP 6.116 com NF CFOP 6.922 não são compatíveis nos seus totais. No que concerne à utilização do CFOP 6.922, teriam característica de faturamento antecipado, conforme constatou a fiscalização, e não venda para entrega futura, como alegou a então impugnante. Contudo, suas alegações não ficam demonstradas nos autos; dos ajustes contábeis realizados em 2011 e 2012 "cut off" procedimento que decorre do ajuste do momento da apropriação das receitas de vendas, entre as regras societárias e fiscais fiscalmente, seria o momento da venda, e societariamente, o momento da transferência de titularidade. No caso, a então impugnante não logrou comprovar a ausência das transferências das titularidades das mercadorias das receitas; das devoluções a então impugnante alega que a fiscalização não considerou as devoluções na sua apuração, o que entendeu a DRJ que as alegações da recorrente não foram devidamente comprovadas, pois parte das nfs apresentadas como provas não há evidência que a receita fora contabilizada, e parte se refere ao anocalendário anterior; das vendas canceladas a então impugnante não logrou comprovar o efetivo cancelamento das notas fiscais alegadas como canceladas, nos termos consignados no voto: apontar o real motivo do cancelamento e demonstrar contabilmente os lançamentos de débito e crédito da contabilidade. Como só trouxe demonstrativos e informou que tais documentos foram cancelados não provaria suas alegações; Fl. 2407DF CARF MF Processo nº 12963.720049/201659 Resolução nº 1402000.844 S1C4T2 Fl. 2.408 18 das alegações de notas fiscais de venda cuja receita foi devidamente registrada e tributada, mas desconsiderada pela autoridade fiscal referemse às notas fiscais de CFOP 7.101 (venda exportação e venda exportação coligada), apesar das várias justificativas apresentadas pela então impugnante, todas não convenceram a autoridade julgadora, conforme detalhamento da análise na decisão recorrida; das alegações da reclassificação contábil que não gerou efeito fiscal a então impugnante não apresentou os motivos da reclassificação fiscal, e não apresentou os lançamentos contábeis e/ou documentos que comprovassem seus arguementos; das alegações de impossibilidade de cumulação de multas de ofício e isoladas foram negadas pela DRJ; das alegações de ilegalidade da incidência dos juros Seli sobre a multa de ofício foram negadas pela DRJ; do pedido de diligência do pedido de juntada de provas entendeu a DRJ que não eram necessários. Do Recurso Voluntário: A recorrente tomou ciência da decisão a quo em 18/09/2017 e apresentou o recurso voluntário em 10/10/2017, ou seja, tempestivamente. Veio, igualmente, subscrito por mandatário com poderes para tal, conforme procuração acostada aos autos (fls. 2267 a 2294). Em linhas gerais, reforça os pontos já suscitados na sua peça impugnatória, agregandoos com os elementos contidos no voto da decisão recorrida, bem como pleiteia por sua nulidade. Destaco abaixo os pontos suscitados: pleiteia a nulidade do acórdão recorrido, por desconsiderar provas apresentadas na sua peça impugnatória, e o indeferimento da sua produção (diligência). Irresignase com o fato da decisão recorrida ter mencionado que não apresentara documentação necessária para comprovar seus argumentos, mas indeferira a diligência pleiteada, o que seria contraditório, nas suas palavras. Entende que as provas apresentadas durante o procedimento fiscal e a impugnação não foram adequadamente apreciadas pela autoridade fiscal autuante. Assim, ao negar a diligência, incorreu em nulidade da sua decisão; no mérito, destaca as atividades desenvolvidas pela recorrente e a correta contabilização de suas receitas para fins de tributação reforça a alegação que eventualmente celebra contratos de fiel depositário até remeter as mercadorias aos seus clientes. Todas as suas operações foram devidamente tributadas. Apresenta alguns arquivos para reforçar o alegado na sua impugnação sobre cada ponto autuado e complementar ao alegado como incomprovado na decisão recorrida; clama por improcedência da multa e dos juros aplicados tanto da multa isolada de 50% aplicada em concomitância com a multa de ofício, quanto a impossibilidade dos juros sobre a multa de ofício; Fl. 2408DF CARF MF Processo nº 12963.720049/201659 Resolução nº 1402000.844 S1C4T2 Fl. 2.409 19 requer a realização de diligência/perícia, reiterando o pedido formulado na sua peça impugnatória; Na sua conclusão e pedido, assim consigna: VII. A CONCLUSÃO E O PEDIDO 111. Diante de todo o exposto, a Recorrente tem como plenamente demonstrado que: (i) o Acórdão recorrido (fls. 2.172/2.214) é NULO por não analisar devidamente os documentos acostados à Impugnação da Recorrente, bem como por indeferir, sem qualquer justificativa plausível e com evidente violação ao direito de defesa e contraditório, além de notório cerceamento da busca pela verdade real, o pedido de diligência e de produção de novas provas formulado pela Recorrente; (ii) as operações decorrentes de notas fiscais emitidas com o CFOP 6.116 foram todas regularmente tributadas quando das vendas previamente efetuadas, contabilizadas e registradas em notas fiscais emitidas com o CFOP 6.922; (iii) as operações decorrentes de notas fiscais emitidas com o CFOP 5.11616 foram todas regularmente tributadas quando das vendas previamente efetuadas, contabilizadas e registradas em notas fiscais emitidas com o CFOP 5.922. Na linha do que foi demonstrado, o que houve nesta hipótese foi apenas uma divergência no critério de contabilização não identificado pela D. Autoridade Fiscal mas que, de qualquer maneira, não resultou em omissão de nenhuma receita tributável, na forma do artigo 12, § 1o do DecretoLei 1.598/77 e no artigo 280 do RIR/99 (Decreto 3.000/99); (iv) o montante de R$ 1.622.552,24, adicionado à base de cálculo e que é pertinente ao denominado procedimento contábil de "cutoff" das vendas realizadas no anocalendário 2012, não é base de cálculo para incidência do IRPJ e da CSLL e seus efeitos tributários, embora desconsiderados pela D. Autoridade Fiscal, foram todos regularmente observados para apuração dos tributos devidos no período sob análise; (v) as operações decorrentes das notas fiscais 50912, 30468, 39877, 39952, 40277, 44453, 54062, 21745, que foram objeto das devoluções registradas nas notas 23156, 30468, 40264, 40265, 40538, 44492, 54114, 73369, 73370, 73371 e 73373, deixaram de ser incluídas na receita bruta, por força do disposto no artigo 12, § 1o do Decreto Lei 1.598/77 e no artigo 280 do RIR/99 (Decreto 3.000/99), que assegura aos contribuintes o direito à não tributação de valores decorrentes de vendas que foram objeto de devolução (DEVOLUÇÕES); (vi) as operações decorrentes das notas fiscais 46857 e 46860, e 44836 e 44837 deixaram de ser incluídas na receita bruta, por força do disposto no artigo 12, § 1o do DecretoLei 1.598/77 e no artigo 280 do RIR/99 (Decreto 3.000/99), que assegura aos contribuintes o direito à Fl. 2409DF CARF MF Processo nº 12963.720049/201659 Resolução nº 1402000.844 S1C4T2 Fl. 2.410 20 não tributação de valores decorrentes de vendas canceladas (VENDAS CANCELADAS); (vii) as operações decorrentes das notas fiscais 40822, 41829, 43114, 44169, 45441, 47469, 47672, 48805, 52880, 52881 e 53320 (VARIAÇÃO FRETE +SEGURO), 44642 e 47560 e 48447, 48386, 49596, 50112, 52334, 54079, 54080, 54081, 54082, 54083, 54084, 54085, 54086, 54087 (OUTRAS RECEITAS), 43485 (COMPLEMENTO DE PREÇO) e 23 (RECEITA DE SERVIÇOS) foram todas efetivamente tributadas na linha do que ao final restará demonstrado; (viii) o montante de R$ 32.382,13 corresponde a mera reclassificação contábil que não gerou efeito fiscal (RECLASSIFICAÇÃO CONTÁBIL). (ix) é descabida a aplicação simultânea de multa isolada e multa de ofício, confirme pacificado pelo CARF / CSRF; e (ix) não podem ser aplicados juros de qualquer natureza sobre a(s) multa(s) imposta(s) à Recorrente. 112. Sendo assim, a Recorrente requer, em preliminar, que seja reconhecida a NULIDADE do Acórdão recorrido (fls. 2.172/2.214), em razão da infundada restrição ao direito de contraditório e defesa da Recorrente, ao indeferir o pedido de diligência e de produção de novas provas, sob pena de violação aos termos do artigo 59, inciso II, do Decreto 70.235/72 e da jurisprudência desse CARF. 113. Subsidiariamente, caso assim não entenda esse CARF, o que se admite a título meramente argumentativo, a Recorrente requer, no mérito, que seja DADO PROVIMENTO ao presente Recurso Voluntário, para que seja reconhecida a total improcedência da exigência fiscal formulada por meio dos Autos de Infração que são objeto de discussão neste processo administrativo, determinandose, por conseguinte, o cancelamento dos supostos débitos de IRPJ e de CSLL em questão e o consequente arquivamento deste processo. 114. Ainda de forma subsidiária, se assim não se entender, o que novamente se admite apenas a título argumentativo, a Recorrente requer (i) o afastamento da multa isolada, uma vez que não pode ser aplicada conjuntamente à multa de ofício e (ii) a não incidência de juros de qualquer natureza sobre as multas aplicadas. 115. Sucessivamente, caso entendam Vossas Senhorias que seriam necessários novos elementos para que se demonstre ou ratifique o direito ora pleiteado, inclusive em respeito ao princípio da verdade real, a Recorrente requer lhe seja assegurada a produção de provas por todos os meios em direito admitidos, em especial pela posterior juntada de novos documentos e realização de diligência/perícia, de forma a comprovar que não pode ser compelida a pagar os débitos que lhe estão sendo demandados. 116. Por fim, a Recorrente reitera seu interesse em realizar sustentação oral perante esse E. CARF, nos termos do artigo 58, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, e requer seja mantida a Fl. 2410DF CARF MF Processo nº 12963.720049/201659 Resolução nº 1402000.844 S1C4T2 Fl. 2.411 21 suspensão da exigibilidade do crédito tributário em discussão neste processo administrativo, nos termos do artigo 151, inciso III, do CTN. Termos em que, pede deferimento. É o relatório. Voto: Conselheiro Marco Rogério Borges Relator O recurso voluntário, conforme já exposto no relatório que presente este voto, foi apresentado tempestivamente e atendendo os requisitos para tanto, do qual tomo conhecimento. Da análise do procedimento fiscal e o respectivo processo administrativo O presente procedimento fiscal teve origem nas diferenças apontadas pela fiscalização entre a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ Anocalendário 2012) e das Notas Fiscais Eletrônicas disponíveis no Sistema Público de Escrituração Digital (SPEDNFe) (termo de intimação fiscal nº 01 fls. 72 e segs). Nesta intimação, a recorrente fora intimada a justificar a diferença especificada abaixo: Nesta intimação fiscal nº 01 foram anexados planilhas para justificar os valores acima: informações prestadas na DIPJ ficha 06A; descrição e totalização por CFOP NFe emitidas (de saída); descrição e totalização por CFOP NFe emitidas (de entrada); descrição e totalização das informações de DIRFs prestadas de terceiros. Fl. 2411DF CARF MF Processo nº 12963.720049/201659 Resolução nº 1402000.844 S1C4T2 Fl. 2.412 22 A ciência foi dada em 20/10/2015, sendo que a recorrente pediu algumas prorrogações de prazo, respondendo em 27/11/2015 (fls. 83 e segs). Sua resposta é no sentido que sua atividade possui particularidades que levam a variação entre os dados informados no SPED e na DIPJ. Para tanto, traz uma série de análises que resumidamente envolvem questões de apropriações contábeis de alguns valores, conforme detalhados à folhas 85 a 87 dos autos. Nesta resposta traz o Lalur AC 2012 e um resumo comparativo que procura justificar as diferenças (fls. 88 a 91). Em 07/12/2015, a autoridade fiscal intima a recorrente (termo de intimação fiscal nº 02 (fls. 92 e segs) a detalhar certos aspectos da sua resposta/justificativa apresentada anteriormente, bem como apresentar as notas fiscais respectivas. Em essência, a intimação fiscal foi no seguinte teor: 2Apresentar as suas notas fiscais de prestação de serviços às empresas Toshiba Infraestrutura América do Sul Ltda, CNPJ 08.870.769/000172, e Usinas Siderúrgicas de Minas Gerais S.A. Usiminas, CNPJ 60.894.730/000105, relativas ao anocalendário de 2011, em razão da sua justificativa prestada em 27/11/15; 3Comprovar e efetuar maior detalhamento da sua justificativa prestada em 27/11/15, relativa aos CFOP's 5922 e 6922, tendo em vista que se referem a lançamento efetuado a título de simples faturamento decorrente de venda para entrega futura. Desta forma, no momento da saída dos produtos devese então emitir as notas fiscais sob os CFOP's 5116 e 6116 (venda de produção do estabelecimento originada de encomenda para entrega futura), os quais devem compor a receita bruta a ser contabilizada, conforme os valores de Nota Fiscal Eletrônica/SPED demonstrados abaixo: Após pedido de prorrogação, a recorrente apresentou resposta em 05/01/2016 (fls. 97 a 165), entregando as notas fiscais do item 2 intimado, e notas fiscais envolvidas conforme suas alegações de 27/11/2015 (notas de vendas para entregas futuras). Há então uma intimação fiscal (nº 03 fls. 171 a 172), cientificada em 31/03/2016, que solicita o seguinte: 1 Cópia das últimas alterações e consolidação do contrato social, inclusive a referente a alteração do nome empresarial de Phelps Dodge International Brasil Ltda para General Cable Brasil Indústria e Comércio de Condutores Elétricos Ltda; 2 Cópia dos Documentos Auxiliares de Notas Fiscais Eletrônicas (DANFE) das transações realizadas com a Transmissora Sul Brasileira de Energia S/A, CNPJ 14.820.905/000112, que correspondem aos adiantamentos efetuados por ela de R$ 5.279.131,42 e de R$ 48.555,03, creditados em sua conta do Banco Bradesco S/A em 01/11/12 e em 10/12/12, respectivamente, e contabilizados na mesma data. Fl. 2412DF CARF MF Processo nº 12963.720049/201659 Resolução nº 1402000.844 S1C4T2 Fl. 2.413 23 A resposta foi apresentada em 05/04/2016 (fl. 176 e segs), entregando os DANFEs intimados imediatamente acima. Houve a cientificação do termo de intimação fiscal nº 04 em 07/04/2016 (fls. 178 a 202), em que solicita basicamente informações de saldos de prejuízos fiscais, nos seguintes termos: 1. Comprovar o saldo inicial de prejuízos fiscais que consta na parte B do LALUR do anocalendário de 2012 (R$ 13.663.062,98) e o saldo inicial de base de cálculo negativa da CSLL que consta na parte B do Livro de Apuração da CSLL do anocalendário de 2012 (R$ 6.657.129,04), apresentando cópias impressas dos Livros (LALUR e de Apuração da CSLL), partes A (apurações em 31/12/XX) e B (controle dos saldos a compensar), de anoscalendários anteriores; 2. Justificar por escrito a diferença entre os saldos mencionados no item anterior e os que constam em nossa base de dados (DIPJ e, se for o caso, decorrentes de retificações em ações fiscais anteriores), conforme nossos demonstrativos que seguem em ANEXO a este termo; 3. Justificar por escrito a não segregação na parte B do LALUR, apresentado em 05/01/16 (anocalendário de 2012), de prejuízos fiscais das atividades operacionais e prejuízos fiscais não operacionais. Apresentar o livro retificado se for o caso. Após pedidos de prorrogações, a recorrente apresenta resposta, com respectivos Lalurs em 09/05/2016, fls. 206 a 269. Em síntese, foram estas as interações entre intimações fiscais e respostas entre a autoridade fiscal e a recorrente, até culminar na autuação fiscal. O relatório fiscal (fls. 469 a 477) conclui por receitas não contabilizadas pela recorrente no anocalendário de 2012, no seguinte sentido: Após a análise das respostas da contribuinte, sobretudo aos Termos de Intimação Fiscal nºs 01 e 02, constatamos que as notas fiscais eletrônicas de saídas emitidas por ela sob os Códigos Fiscais de Operações e Prestações (CFOP) nºs 5.116 e 6.116 devem compor a sua receita bruta a ser contabilizada. Estes códigos (CFOP) se referem a venda de produção do estabelecimento originada de encomenda para entrega futura, nas saídas ou prestações de serviços para o mesmo estado (5.116) e para outros estados (6.116). São classificadas nestes códigos as vendas de produtos industrializados pelo estabelecimento, quando da saída real do produto, cujo faturamento tenha sido classificado nos códigos “5.922 e 6.922 Lançamento efetuado a título de simples faturamento decorrente de venda para entrega futura”. No entender a autoridade fiscal autuante, as NFe's emitidas sob o CFOPs 5116 e 6116 ( venda de produção do estabelecimento originada de encomenda para entrega futura) deveriam compor a sua receita bruta a ser contabilizada. Tais CFOPs estão interligados aos CFOPs 5922 e 6922 (lançamento efetuado a título de simples faturamento decorrente de venda para entrega futura). Contudo, haveria discrepâncias significativas de valores de saídas entre os CFOPs 5116/6116 com os CFOPs 5922/6922, o que não seria admissível. Fl. 2413DF CARF MF Processo nº 12963.720049/201659 Resolução nº 1402000.844 S1C4T2 Fl. 2.414 24 Faz algumas considerações sobre a forma de contabilização destes valores, o que seria o esperado e o que encontrou. Por fim, conclui que tais valores são receitas omitidas. Ao final da sua explicação, a autoridade fiscal entende que o ajuste contábil ("cutoff") que subtraiu sua receita bruta contabilizada não era devido. Conforme planilha que anexam o relatório fiscal, haveria também notas fiscais que não foram incluídas na receita bruta. Basicamente fora este o mote da infração autuada, de maneira simplificada explicada aqui, mas detalhada no relatório fiscal. Em sede de impugnação (e também recursal) a recorrente traz uma série de ponderações sobre a sua atividade desenvolvida produção, fabricação, transformação, instalação, distribuição, exportação, revenda e comercialização de fios e cabos e condutores em geral. A recorrente celebra diversos contratos com as empresas adquirentes de seus produtos, em especial, para a comercialização de cabos de energia para linhas de transmissão, geralmente grandes empreendimentos, tendo características próprias e sempre produzidos sob encomenda, podendo em determinadas situações, celebrar contratos de fiel depositário até remeter as mercadorias vendidas. Enfatiza que muitas operações que geraram as notas fiscais de 2012 foram oferecidas à tributação nos anos anteriores. No seu entender, tais operações devem ser oferecidas à tributação por competência, quando da emissão da nota fiscal de venda, e não de quando da emissão da nota fiscal de simples remessa. Em sede de impugnação traz alguns elementos para comprovar tal situação contábil, incluindo uma planilha (processualmente falando, arquivo não paginável fl. 770). Nesta planilha há várias abas, em que a recorrente tenta demonstrar que oferecera à tributação em anos anteriores de parte substancial autuada, bem como para corroborar suas demais alegações. Já na sua peça impugnatória apresenta em anexos, mais de 1000 folhas de documentos, que envolvem contratos e respectivas notas fiscais. Ao final, pede também a realização de diligência/perícia para verificar o oferecimento de tais receitas nos anos calendários anteriores das operações agora consideradas como receitas omitidas. Ao analisar tais elementos, a decisão recorrida, proferida pela DRJ, primeiramente, indeferiu o pedido de diligência. Posteriormente, negou provimento integral à impugnação, no seguinte sentido: houve respostas evasivas da recorrente durante o procedimento fiscal; apesar de haver a confirmação que atuava como fiel depositário até a remessa das mercadorias vendidas, haveria distinção de datas entre esta atuação e os contratos de fornecimento; não haveria condições de avaliar algumas alegações, por conta de que a DIPJ teria linhas zeradas em locais que deveria ter valores, assim, o valores anteriores, não se saberia se são brutos ou líquidos; quanto às operações com CFOPs 6922/6116, não seriam compatíveis tais valores, e não houve a adequada demonstração do alegado; Fl. 2414DF CARF MF Processo nº 12963.720049/201659 Resolução nº 1402000.844 S1C4T2 Fl. 2.415 25 quanto aos ajustes contábeis "cut off", não logrou comprovar a ausência das transferências das titularidades das mercadorias das receitas; quanto às notas fiscais de devolução, não haveria evidências que a receita fora contabilizada; das vendas canceladas, não houve a comprovação do efetivo cancelamento das notas fiscais; Ou seja, no geral, a fundamentação da autoridade julgadora a quo, condutora da decisão recorrida, vai no sentido de que a então impugnante não logrou comprovar suas alegações, não tendo apresentado documentos adequados ou satisfatórios. Tomando ciência da decisão a quo, a agora recorrente, na sua peça recursal (fls. 2230 a 2385) traz aos autos uma série de documentos anexos, sendo 9 arquivos não pagináveis, que são basicamente: demonstração da diferença de IPI em linha na DIPJ, que justificaria parte das diferenças, conforme alegado em sede impugnação e recursal; registros de algumas notas fiscais em litígio; escrituração contábil (ECD); razão contábil; tabela com comprovação das notas fiscais canceladas. Na sua peça recursal reclama em vários momentos do indeferimento do seu pedido de diligência efetuado em sede de impugnação, e várias decisões da DRJ no sentido de que não teria demonstrado documentalmente o alegado. Bem, em síntese, assim se resume a relação fiscocontribuinte encontrada nos autos. Dos pontos suscitados no recurso voluntário a) da preliminar suscitada de nulidade do acórdão recorrido Na sua peça recursal, a recorrente pleiteia a nulidade do acórdão recorrido, por desconsiderar provas apresentadas na sua peça impugnatória, e o indeferimento da sua produção (diligência). Irresignase com o fato da decisão recorrida ter mencionado que não apresentara documentação necessária para comprovar seus argumentos, mas indeferira a diligência pleiteada, o que seria contraditório, nas suas palavras. Entende que as provas apresentadas durante o procedimento fiscal e a impugnação não foram adequadamente apreciadas pela autoridade fiscal autuante. Assim, ao negar a diligência, incorreu em nulidade da sua decisão. Entendo que não houve alegada nulidade do acórdão recorrido, como pleiteado pela recorrente. Fl. 2415DF CARF MF Processo nº 12963.720049/201659 Resolução nº 1402000.844 S1C4T2 Fl. 2.416 26 O indeferimento do pedido de diligência está fundamentado nos autos, tendo a autoridade julgadora a quo entendido que não tinha necessidade para tanto. Em todos os pontos da sua decisão, bem completa, discorreu dos motivos que entendeu para assim decidir. A recorrente teve oportunidade de se defender, tanto da autuação fiscal quanto da decisão a quo, não vislumbrando nenhum prejuízo da sua defesa. Não ocorrendo prejuízo da sua defesa, não vislumbro nulidade. Claro que podem ocorrer perspectivas distintas para analisar e julgar um determinado processo, mas no presente caso, após analisar atentamente os autos, não vislumbrei o aspecto da nulidade da decisão recorrida como pleiteado pela recorrente, pelo qual REJEITO tal pleito. b) do mérito: Considerando o todo exposto acima, quando analisei os autos sob o título no presente voto de Da análise do procedimento fiscal e o respectivo processo administrativo, entendo que o processo não está adequadamente pronto para uma decisão meritória. Analisando o contexto do procedimento fiscal, vislumbro que não há nos autos uma demonstração por parte da autoridade fiscal que tenha analisado as questões trazidas pela recorrente neste momento do processo (e também na sua impugnação) que teria oferecido em anos anteriores tais valores constantes nas operações das notas fiscais em discussão. Diferentemente da decisão recorrida, não vislumbrei a evasividade nas suas respostas durante o procedimento fiscal. Apenas vi que, pelo teor das intimações fiscais, a recorrente não soube adequadamente qual seria a melhor linha de defesa a exercer, algo que só ficou manifesto quais os elementos probatórios a apresentar após a decisão a quo. A recorrente trouxe elementos que tentaram demonstrar suas alegações na peça impugnatória, agora reforçadas na sua peça recursal. As questões envolvidas cingese em parte substancial se houve ou não oferecimento das receitas das operações em questão em anos anteriores. Durante o procedimento fiscal, não vislumbrei tal verificação por parte da autoridade fiscal autuante, em parte por não ter sido devidamente alertado pela recorrente, então fiscalizada, sobre tal situação, trazendo mais aspectos das peculiaridades da sua atividade. A autoridade fiscal, com base nos elementos apresentados, teceu as conclusões que foram cientificadas à recorrente apenas quando da ciência da autuação fiscal, o que gerou, a princípio, a dificuldade da sua melhor defesa. Na sua peça recursal, a recorrente traz alguns elementos, mas impraticáveis de análise adequada nesta instância de julgamento, pois envolveria uma auditoria, envolvendo a Fl. 2416DF CARF MF Processo nº 12963.720049/201659 Resolução nº 1402000.844 S1C4T2 Fl. 2.417 27 contabilidade da recorrente do anocalendário fiscalizado, bem como dos anteriores, com eventuais intimações e respostas para a melhor análise. Assim, entendo que o presente caso deve ser de acatar seu pedido de diligência proposta pela recorrente, reiterado na sua peça recursal. Deverão ser verificados todos os elementos apresentados durante a impugnação e peça recursal, e outros por ventura diligenciados, para esclarecer os seguintes pontos: das notas fiscais emitidas para vendas de entregas futuras operações com CFOPs 6922e 6116verificar quais as operações ali envolvidas, e se os valores foram oferecidos, ou não, à tributação nos anos calendários como alega a recorrente. Se o valor referente ao CFOP 5116 (omissão de receita autuada de R$ 54.333,00), que a recorrente alega ser o valor do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) estão informados na DIPJ; do montante referente ao procedimento de "cutoff" se o valor de R$ 1.622.552,24 está adequadamente contabilizado (faturamento das vendas menos os custos a ela inerentes); das notas fiscais que foram objeto de devoluções se as provas documentais acostadas nos autos e outras por venturas diligenciadas podem demonstrar as alegações da recorrente que as operações em tais notas fiscais foram devolvidas; das notas fiscais referente a vendas canceladas se as provas documentais acostadas nos autos e outras por venturas diligenciadas podem demonstrar as alegações da recorrente que as operações em tais notas fiscais foram canceladas; da reclassificação fiscal notas fiscais de venda cuja receita foi, nas alegações da recorrente, devidamente registrada, mas desconsideradas pela autoridade fiscal. Todas as notas fiscais em litígio estão elencadas nos autos, tanto nos anexos do relatório fiscal quanto nas demais peças do processo administrativo fiscal. Destarte, nos termos do Parecer Cosit nº 2, de 15 de janeiro de 2018, proponho diligência em que a autoridade fiscal designada, em relação a estes documentos anexos à peça recursal, deve fazer uma análise e batimento, além de outros elementos que entender necessários, relacionados aos elementos motivadores da autuação fiscal, possam caracterizar a situação alegada pela recorrente. A autoridade fiscal poderá trazer aos autos, utilizandose dos meios que entender necessários, qualquer elemento ou informação, mesmo que não contemplado nos explicitado acima, mas que no seu entender seja relevante para um melhor resultado da diligência. Caso entendido necessário, seja intimado a recorrente para apresentar esclarecimentos e documentos complementares e adicionais julgado devidos no que concerne a estes documentos. Após estas providências, elabore relatório DETALHADO e CONCLUSIVO circunstanciando todas as informações possíveis e juntando documentos comprobatórios necessários. Fl. 2417DF CARF MF Processo nº 12963.720049/201659 Resolução nº 1402000.844 S1C4T2 Fl. 2.418 28 Do procedimento de diligência, inclusive do relatório referido no parágrafo anterior, cientificar o contribuinte, com reabertura do prazo de 30 (trinta) dias para que, querendo, venha a se manifestar exclusivamente sobre os fatos articulados e narrados na referida diligência, sendo desconsideradas manifestações de outra espécie. Transcorrido o prazo de trinta dias da ciência, com ou sem nova intervenção do contribuinte, o presente processo deverá retornar a esta 2ª Turma da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento, para prosseguimento de seu julgamento. Destarte, PROPONHO A CONVERSÃO DO PRESENTE PROCESSO EM DILIGÊNCIA, nos termos supracitados. (assinado digitalmente) Marco Rogério Borges Fl. 2418DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.001151/2007-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005
IMPOSTO DE RENDA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. FATO GERADOR COMPLEXIVO, PERIÓDICO OU ANUAL. DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA. SÚMULA CARF 38.
Súmula CARF 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário.
IMPOSTO DE RENDA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. ÔNUS PROBATÓRIO DO SUJEITO PASSIVO.
O art. 42 da Lei 9.430/1996 cria um ônus em face do contribuinte, consistente em demonstrar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira. O consequente normativo resultante do descumprimento desse dever é a presunção de que tais recursos não foram oferecidos à tributação, tratando-se, pois, de receita ou rendimento omitido.
DECLARAÇÃO RETIFICADORA. APRESENTAÇÃO APÓS O INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. NÃO PRODUÇÃO DE EFEITOS SOBRE O LANÇAMENTO. SÚMULA CARF 33
Conforme preceitua a Súmula CARF 33, a declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício.
IMPOSTO DE RENDA. DESCONTO SIMPLIFICADO. CÁLCULO SOBRE O TOTAL DOS RENDIMENTOS, OBSERVADO O LIMITE ANUAL.
O desconto simplificado de 20% deve ser calculado não apenas sobre os rendimentos confessadamente declarados, mas também sobre os rendimentos apurados pela fiscalização, observado o limite anual vigente em cada ano-calendário.
Numero da decisão: 2402-007.092
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para que seja refeito o cálculo do imposto de renda devido, aplicando-se o desconto simplificado de 20% não apenas sobre os rendimentos confessadamente declarados, mas também sobre os rendimentos apurados pela fiscalização e mantidos na presente decisão, observado-se o limite anual vigente em cada ano-calendário.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sergio da Silva, Wilderson Botto (Suplente Convocado), Mauricio Nogueira Righetti, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA Recorrente ALDO BARALDI JUNIOR Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005 IMPOSTO DE RENDA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. FATO GERADOR COMPLEXIVO, PERIÓDICO OU ANUAL. DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA. SÚMULA CARF 38. Súmula CARF 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano calendário. IMPOSTO DE RENDA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. ÔNUS PROBATÓRIO DO SUJEITO PASSIVO. O art. 42 da Lei 9.430/1996 cria um ônus em face do contribuinte, consistente em demonstrar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira. O consequente normativo resultante do descumprimento desse dever é a presunção de que tais recursos não foram oferecidos à tributação, tratandose, pois, de receita ou rendimento omitido. DECLARAÇÃO RETIFICADORA. APRESENTAÇÃO APÓS O INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. NÃO PRODUÇÃO DE EFEITOS SOBRE O LANÇAMENTO. SÚMULA CARF 33 Conforme preceitua a Súmula CARF 33, a declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. IMPOSTO DE RENDA. DESCONTO SIMPLIFICADO. CÁLCULO SOBRE O TOTAL DOS RENDIMENTOS, OBSERVADO O LIMITE ANUAL. O desconto simplificado de 20% deve ser calculado não apenas sobre os rendimentos confessadamente declarados, mas também sobre os rendimentos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 11 51 /2 00 7- 43 Fl. 1019DF CARF MF Processo nº 10865.001151/200743 Acórdão n.º 2402007.092 S2C4T2 Fl. 1.020 2 apurados pela fiscalização, observado o limite anual vigente em cada ano calendário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para que seja refeito o cálculo do imposto de renda devido, aplicandose o desconto simplificado de 20% não apenas sobre os rendimentos confessadamente declarados, mas também sobre os rendimentos apurados pela fiscalização e mantidos na presente decisão, observadose o limite anual vigente em cada anocalendário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sergio da Silva, Wilderson Botto (Suplente Convocado), Mauricio Nogueira Righetti, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão que julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada contra lançamento suplementar de IRPF, constituído em face de alegada omissão de rendimentos, decorrente de valores creditados em conta de depósito ou investimento, cuja origem não teria sido comprovada mediante a apresentação de documentação hábil e idônea; e omissão de rendimentos da atividade rural. Segue a ementa da decisão: Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005 NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto n° 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do lançamento, enquanto ato administrativo. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Fl. 1020DF CARF MF Processo nº 10865.001151/200743 Acórdão n.º 2402007.092 S2C4T2 Fl. 1.021 3 Caracterizam omissão de rendimentos, sujeitos ao lançamento de oficio, os valores creditados em contas de depósito mantidas junto às instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Invocando urna presunção legal de omissão de rendimentos, fica a autoridade lançadora dispensada de provar no caso concreto a sua ocorrência, transferindo ao contribuinte o ônus da prova. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ATIVIDADE RURAL A alegação de que a movimentação financeira decorre exclusivamente da Atividade Rural deve estar amparada em provas hábeis e idôneas. ATIVIDADE RURAL. OMISSÃO DE RENDIMENTOS E ARBITRAMENTO DE RENDIMENTOS. A falta de apresentação de Livro Caixa da Atividade Rural enseja o arbitramento da base de cálculo do imposto à razão de 20% (vinte por cento) da Receita Bruta auferida pelo contribuinte. MULTA DE OFÍCIO DE 75%. APLICABILIDADE. A multa de oficio é prevista em disposição legal específica e tem como suporte fático a revisão de lançamento, pela autoridade administrativa competente, que implique imposto ou diferença de imposto a pagar. Não houve a interposição de recurso de ofício. O sujeito passivo foi intimado da decisão em 28/05/2009, através de correspondência com aviso de recebimento (fl. 990 do pdf) e interpôs recurso voluntário em 29/06/2009, no qual reafirmou as seguintes de teses de defesa: decadência dos depósitos bancários efetuados de janeiro de 2002 a dezembro de 2005; contrariedade ao disposto no art. 42, § 2º, da Lei 9430/96: foram apresentadas declarações retificadoras, para todos os exercícios, que incluem na atividade rural a totalidade dos valores considerados omitidos; as citadas declarações foram aceitas e os débitos já estão sendo pagos mediante parcelamento; da indevida presunção de rendimentos sobre depósitos bancários: toda a receita do contribuinte é decorrente da atividade rural, visto que não exerce nenhum outro tipo de atividade profissional; a autoridade fiscal deveria ter deduzido do total dos depósitos considerados omitidos, os rendimentos da atividade rural e os já Fl. 1021DF CARF MF Processo nº 10865.001151/200743 Acórdão n.º 2402007.092 S2C4T2 Fl. 1.022 4 constantes das DIRPFs, além de ter efetuado as exclusões das transferências entre contas, etc; a autoridade fiscal não considerou as despesas dedutíveis; o auditor desconsiderou no valor arbitrado da atividade rural os 20% de desconto simplificado a que o contribuinte teria direito por ter optado pela tributação simplificada; a multa de ofício é indevida, quando o sujeito passivo, após iniciado o processo de fiscalização, oferece à tributação os rendimentos questionados. Sem contrarrazões ou manifestação pela Procuradoria. É o relatório. Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1. Conhecimento O recurso voluntário é tempestivo, visto que interposto dentro do prazo legal de trinta dias, e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. 2. Da decadência parcial O recorrente afirma que houve decadência dos depósitos bancários efetuados de janeiro de 2002 a abril de 2002. Sem razão o sujeito passivo. O critério de determinação da regra decadencial aplicável (art. 150, § 4º ou art. 173, inc. I) é a existência de pagamento antecipado do tributo, ainda que parcial, mesmo que não tenha sido incluída na sua base de cálculo a rubrica ou o levantamento específico apurado pela fiscalização. Se o sujeito passivo antecipa o montante do tributo, mas em valor inferior ao efetivamente devido, o prazo para a autoridade administrativa manifestar se concorda ou não com o recolhimento tem início; em não havendo concordância, deve haver lançamento de ofício no prazo determinado pelo art. 150, § 4º, salvo a existência de dolo, fraude ou simulação, casos em que se aplica o art. 173, inc. I. Expirado o prazo, considerase realizada tacitamente a homologação pelo Fisco, de maneira que essa homologação tácita tem natureza decadencial. Nesse sentido, eis o entendimento do colendo Superior Tribunal de Justiça, em sede de recurso representativo de controvérsia: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO Fl. 1022DF CARF MF Processo nº 10865.001151/200743 Acórdão n.º 2402007.092 S2C4T2 Fl. 1.023 5 POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 163/210). 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs.. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs.. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos Fl. 1023DF CARF MF Processo nº 10865.001151/200743 Acórdão n.º 2402007.092 S2C4T2 Fl. 1.024 6 imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial quinquenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973.733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) (destacouse) Neste caso concreto, não há prova nos autos de recolhimento antecipado parcial no anocalendário 2002, o que impede a aplicação do art. 150, § 4º, do CTN. E mesmo que fosse aplicável o citado dispositivo, ainda assim não teria transcorrido o prazo decadencial. É que, em se tratando de IRPF apurado com base em depósitos bancários de origem não comprovada, seu fato gerador ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário, conforme a Súmula CARF 38, tendo em vista que o imposto de renda é um tributo cujo fato gerador é igualmente anual, ainda que o valor das receitas ou dos rendimentos omitidos seja considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. Veja se: Súmula CARF nº 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 383, de 12/07/2010, DOU de 14/07/2010). Alinhada com a doutrina, a jurisprudência tem reconhecido que o imposto de renda, em regra, tem seu fato gerador efetivamente concretizado em 31 de dezembro, o que se convencionou chamar de fato gerador complexivo ou periódico1 ainda que tal expressão seja criticada por parte da doutrina2. Vejase, nesse sentido, as seguintes decisões do STJ: TRIBUTÁRIO IMPOSTO DE RENDA LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO PAGAMENTO A MENOR INCIDÊNCIA DO ART. 150, § 4º, DO CTN FATO GERADOR COMPLEXIVO DECADÊNCIA AFASTADA. 1. Na hipótese de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando o contribuinte constitui o crédito, mas efetua pagamento parcial, sem constatação de dolo, fraude ou simulação, o termo inicial da decadência é o momento do fato gerador. Aplicase exclusivamente o art. 150, § 4°, do CTN, sem a possibilidade de cumulação com o art. 173, I, do mesmo diploma (REsp 973.733/SC, Rel. 1 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 14. ed. rev. São Paulo: Saraiva, 2008, p. 268/270. 2 SCHOUERI, Luís Eduardo. Direito tributário. 7. ed. São Paulo: Saraiva, 2017, p. 538. Fl. 1024DF CARF MF Processo nº 10865.001151/200743 Acórdão n.º 2402007.092 S2C4T2 Fl. 1.025 7 Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, DJe 18/9/2009, submetido ao regime do art. 543C do CPC). 2. O imposto de renda é tributo cujo fato gerador tem natureza complexiva. Assim, a completa materialização da hipótese de incidência de referido tributo ocorre apenas em 31 de dezembro de cada anocalendário. 3. Hipótese em que a renda auferida ocorreu em fevereiro de 1993 e o lançamento complementar se efetivou em 25/03/1998, o seja, dentro do prazo decadencial de 05 (cinco) anos, uma vez que este se findava apenas em 31/12/1998. Decadência afastada. 4. Agravo regimental não provido. (AgRg no AgRg no Ag 1395402/SC, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 15/10/2013, DJe 24/10/2013) ......................................................................................................... TRIBUTÁRIO. OPERAÇÕES DE SWAP COM COBERTURA HEDGE. IMPOSTO DE RENDA. INCIDÊNCIA. LEI 9.779/99. [...] 3. Os fatos geradores específicos do imposto de renda são as várias situações descritas nas leis ordinárias, como, por exemplo, os rendimentos auferidos nas diversas modalidades de aplicações financeiras, podendo ser complexivos, quando se constituem em diversos fatos materiais sucessivos, que são geralmente tributados em conjunto, principalmente pelo regime de declaração de rendimentos, ainda que recolhidos antecipadamente. Por seu turno, há os fatos geradores simples, que se constituem de circunstâncias materiais isoladas, tributadas em separado, pelo regime na fonte, como por exemplo o imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguro e o Imposto de Renda Retido na Fonte. [...] (REsp 859.022/RJ, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 19/02/2008, DJe 31/03/2008) Em sendo assim, quando o lançamento foi notificado ao contribuinte, em 15/05/07 (fl. 803 do pdf), ainda não havia transcorrido o prazo decadencial de cinco anos, nem contado na forma do art. 173, inc. I, nem na forma do art. 150, § 4º. 3. Dos depósitos bancários de origem não comprovada Neste ponto, o recurso voluntário defende as seguintes teses: contrariedade ao disposto no art. 42, § 2º, da Lei 9430/96: foram apresentadas declarações retificadoras, para todos os exercícios, que incluem na atividade rural a totalidade dos valores considerados omitidos; as citadas declarações foram Fl. 1025DF CARF MF Processo nº 10865.001151/200743 Acórdão n.º 2402007.092 S2C4T2 Fl. 1.026 8 aceitas e os débitos já estão sendo pagos mediante parcelamento; da indevida presunção de rendimentos sobre depósitos bancários: toda a receita do contribuinte é decorrente da atividade rural, visto que não exerce nenhum outro tipo de atividade profissional; a autoridade fiscal deveria ter deduzido do total dos depósitos considerados omitidos, os rendimentos da atividade rural e os já constantes das DIRPFs, além de ter efetuado as exclusões das transferências entre contas, etc; a autoridade fiscal não considerou as despesas dedutíveis; Tais argumentações, contudo, não afastam o lançamento. O art. 42 da Lei 9.430/1996 cria um ônus em face do contribuinte, consistente em demonstrar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira. O consequente normativo resultante do descumprimento desse dever é a presunção de que tais recursos não foram oferecidos à tributação, tratandose, pois, de receitas ou rendimentos omitidos. Tal disposição legal é de cunho eminentemente probatório e afasta a possibilidade de acatarse afirmações genéricas e imprecisas. A comprovação da origem, portanto, deve ser feita de forma minimamente individualizada, a fim de permitir a mensuração e a análise da coincidência entre as origens e os valores creditados em conta bancária. O § 3º do citado artigo, ao prever que os créditos serão analisados individualizadamente, corrobora a afirmação acima e não estabelece, para o Fisco, a necessidade de comprovar o acréscimo de riqueza nova por parte do fiscalizado. A título ilustrativo, segue o texto da regra: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: Fl. 1026DF CARF MF Processo nº 10865.001151/200743 Acórdão n.º 2402007.092 S2C4T2 Fl. 1.027 9 I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Vide Lei nº 9.481, de 19973) §4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) O art. 4º da Lei 9.481/1997 alterou os valores a que se refere o inc. II do § 3º acima para R$ 12.000,00 e R$ 80.000,00, respectivamente. Na mesma toada, a Súmula CARF nº 614. A não comprovação da origem dos recursos viabiliza a aplicação da norma presuntiva, caracterizando tais recursos como receitas ou rendimentos omitidos. Destarte, e de acordo com a regra legal, não é que os depósitos bancários, por si só, caracterizam disponibilidade de rendimentos, mas sim os depósitos cujas origens não foram comprovadas em processo regular de fiscalização. Expressandose de outra forma, o sujeito passivo pode comprovar que o recurso é atinente a venda de imóveis ou recebimento de prólabore e lucros, etc. Não o fazendo, aplicase o consequentemente normativo da presunção, com a consequente constituição do crédito tributário dela decorrente. O verbete sumular CARF 26 preceitua o seguinte: 3 Art. 4º Os valores a que se refere o inciso II do § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passam a ser de R$ 12.000,00 (doze mil reais) e R$ 80.000,00 (oitenta mil reais), respectivamente. 4 Súmula CARF nº 61: Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no anocalendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física. Fl. 1027DF CARF MF Processo nº 10865.001151/200743 Acórdão n.º 2402007.092 S2C4T2 Fl. 1.028 10 Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. O Superior Tribunal de Justiça reconhece a legalidade do imposto cobrado com base no art. 42, como se vê no precedente abaixo: TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. ALEGAÇÕES GENÉRICAS DE OFENSA AO ART. 535 DO CPC. SÚMULA 284/STF. IMPOSTO DE RENDA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ART. 42 DA LEI 9.430/1996. LEGALIDADE. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. INCIDÊNCIA DO ART. 173, I, DO CTN. [...] 4. A jurisprudência do STJ reconhece a legalidade do lançamento do imposto de renda com base no art. 42 da Lei 9.430/1996, tendo assentado que cabe ao contribuinte o ônus de comprovar a origem dos recursos a fim de ilidir a presunção de que se trata de renda omitida (AgRg no REsp 1.467.230/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 28.10.2014; AgRg no AREsp 81.279/MG, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 21.3.2012). [...] (AgRg no AREsp 664.675/RN, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 05/05/2015, DJe 21/05/2015) Mais ainda, aquele Tribunal Superior vem consignando a inaplicabilidade da Súmula 182/TFR, que preconizava a ilegitimidade do imposto lançado com base em extratos bancários (EDcl no AgRg no REsp 1343926/PR, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 04/12/2012, DJe 13/12/2012 e REsp 792.812/RJ, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 13/03/2007, DJ 02/04/2007, p. 242). Ora, a alegação do recorrente, de que teria apresentado declarações retificadoras, para todos os exercícios, que incluiriam na atividade rural a totalidade dos valores considerados omitidos, não lhe socorre, visto que tal conduta é rechaçada pela Súmula CARF nº 33, que tem efeito vinculante, conforme Portaria MF 277/28: Súmula CARF nº 33. A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). É que "o início da ação fiscal, caracterizado pela ciência do contribuinte quanto ao primeiro ato de ofício praticado por servidor competente, afasta a espontaneidade do sujeito passivo em relação a atos anteriores e obsta a retificação das Declarações de Ajuste Anual relacionadas ao procedimento instaurado" (acórdão nº 10616812, de 06/03/2008), mesmo porque, na dicção do parágrafo único do art. 138 do CTN, não se considera espontânea Fl. 1028DF CARF MF Processo nº 10865.001151/200743 Acórdão n.º 2402007.092 S2C4T2 Fl. 1.029 11 a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Eventuais pagamentos relacionados à presente autuação podem ser deduzidos do valor do débito quando da liquidação do julgado, mas em nada obstam o presente lançamento, nem mesmo impedem a cobrança da multa de ofício e dos juros de mora. Em sendo assim, de acordo com a Súmula CARF 33, é equivocada a alegação de que a multa de ofício seria indevida. Tais declarações retificadoras também não comprovam que os rendimentos caracterizados por depósitos bancários de origem não comprovada se refeririam, em verdade, à atividade rural. A DRJ, mediante exame minucioso e individualizado dos documentos juntados em sede de impugnação, excluiu da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários os rendimentos comprovadamente oriundos da atividade rural, conforme quadro demonstrativo de fls. 981/982 do pdf. A despeito disso, e em seu recurso voluntário, o contribuinte não apresentou novos esclarecimentos e nem novo exame das provas já constantes dos autos, que pudessem demonstrar a existência de outros recursos oriundos daquele regime diferenciado. Muito pelo contrário, a afirmação da parte acabou sendo mais genérica, de forma que não demonstrou o desacerto da decisão recorrida neste tocante. E a alegação de que todos os rendimentos do recorrente seriam oriundos da atividade rural não pode ser acolhida, uma vez que, embora verossímil, não está devidamente comprovada. Mais ainda, nas declarações originais de fls. 23 e seguintes, o sujeito passivo havia declarado ter recebido rendimentos tributáveis recebidos de pessoa jurídica, o que, de certa forma, fragiliza a sua tese generalizada. Por outro lado, e ao contrário do que alega o recorrente, vêse no demonstrativo de apuração (fls. 11 e seguintes), que as infrações levantadas em sede de fiscalização foram somadas à base de cálculo declarada pelo próprio contribuinte em suas declarações de ajuste anual procedimento de praxe da Receita Federal , base que já considera o desconto simplificado e, portanto, a despesa dedutível de acordo com tal sistemática. O presente voto, a propósito, abordará no tópico seguintes outros aspectos relacionados ao desconto simplificado. Portanto, e também neste particular, o recurso deve ser desprovido. 4. Do desconto simplificado No entender do recorrente, o auditor desconsiderou no valor arbitrado da atividade rural os 20% de desconto simplificado a que ele (contribuinte) teria direito por ter optado pela tributação simplificada. Sobre essa questão, a DRJ se posicionou nos seguintes termos: Alega, ainda, o contribuinte que o Auditor desconsiderou no valor arbitrado da Atividade Rural os 20% de desconto simplificado a que o contribuinte teria direito por ter optado pela tributação simplificada e que o rendimento arbitrado da atividade rural, após adicionado aos demais rendimentos Fl. 1029DF CARF MF Processo nº 10865.001151/200743 Acórdão n.º 2402007.092 S2C4T2 Fl. 1.030 12 tributáveis, deverá ser submetido às deduções e abatimentos de lei. Sobre o assunto, cumpre notar que como tais infrações evidenciam a obtenção de recursos de origem não conhecida pelo fisco, não há que se falar em dedução de 20% sobre esses rendimentos, a titulo de desconto simplificado, que só deve ser aplicado sobre a soma dos rendimentos tributáveis informados espontaneamente pelo contribuinte nas declarações de ajuste. Pois bem. O Regulamento do Imposto de Renda vigente à época dos fatos geradores dispunha o seguinte a respeito do desconto simplificado: Art. 84. Independentemente do montante dos rendimentos tributáveis na declaração, recebidos no anocalendário, o contribuinte poderá optar por desconto simplificado, que consistirá em dedução de vinte por cento desses rendimentos, limitada a oito mil reais, na Declaração de Ajuste Anual, dispensada a comprovação da despesa e a indicação de sua espécie (Lei nº 9.250, de 1995, art. 10, e Medida Provisória nº 1.75316, de 11 de março de 1999, art. 12). §1º O desconto simplificado substitui todas as deduções admitidas nos arts. 74a 82 (Lei nº 9.250, de 1995, art. 10, §1º). §2º O valor deduzido na forma deste artigo não poderá ser utilizado para a comprovação de acréscimo patrimonial, sendo considerado rendimento consumido (Lei nº 9.250, de 1995, art. 10, §2º). Ao contrário do que alegou a DRJ, vêse no Regulamento que não havia qualquer ressalva segundo a qual o desconto somente seria aplicável sobre os rendimentos tributáveis informados espontaneamente pelo contribuinte nas declarações de ajuste; e, como sabido, o desconto completo ou simplificado tem a função de garantir, num patamar mínimo, a incidência do imposto apenas sobre a efetiva existência de acréscimo patrimonial. Por tal razão, a propósito, o § 2º retro mencionado preleciona que o desconto simplificado "não poderá ser utilizado para a comprovação de acréscimo patrimonial, sendo considerado rendimento consumido" . Mais ainda, todas as despesas dedutíveis no desconto completo estão nitidamente relacionadas a montantes que de forma alguma poderiam caracterizar acréscimo de riqueza nova, tais como contribuições previdenciárias pagas pelo contribuinte (art. 74); despesas escrituradas no livro caixa do trabalhador não assalariado (art. 75); pensão alimentícia (art. 78); dentre outras. Em sendo assim, como as declarações de ajuste anual de fls. 26 e seguintes demonstram que o desconto simplificado não foi calculado no limite máximo (R$ 8000,00 por ano e alterações posteriores, conforme a legislação vigente em cada anobase), e como a autoridade lançadora considerou apenas os valores originariamente calculados pelo sujeito passivo, sem considerar os rendimentos suplementares apurados de ofício (vide demonstrativo de apuração de fls. 11 e seguintes, em comparação com as declarações de ajuste anual originais de fls. 26 e seguintes), entendo que o recurso deve ser parcialmente provido, para que seja refeito o cálculo do imposto de renda devido, de acordo com o desconto simplificado de 20%, a ser calculado não apenas sobre os rendimentos confessadamente declarados, mas também sobre Fl. 1030DF CARF MF Processo nº 10865.001151/200743 Acórdão n.º 2402007.092 S2C4T2 Fl. 1.031 13 os rendimentos apurados pela fiscalização e mantidos na presente decisão, observado o limite anual vigente em cada anocalendário. Nesse mesmo sentido, vejase as seguintes decisões deste Conselho, por unanimidade neste ponto: [...] OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DESCONTO SIMPLIFICADO. Prevalece o lançamento de ofício de rendimentos não oferecidos à tributação na Declaração de Ajuste Anual, admitindose o desconto simplificado no cálculo do imposto devido. (PAF 11516.722925/201263, Data da Sessão 12/05/2016, Relator(a)MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Nº Acórdão 2202003.421) ......................................................................................................... [...] DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. OPÇÃO PELO DESCONTO SIMPLIFICADO. ALTERAÇÃO DOS RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. AJUSTE DO DESCONTO SIMPLIFICADO. Tendo a Recorrente apresentado declaração de ajuste anual com a opção de desconto simplificado, deve ser reajustado o desconto simplificado em face da alteração dos rendimentos tributáveis. Precedentes do CARF. [...] (PAF 11516.722583/201281, Data da Sessão 11/05/2017, Relator(a)MARCELO MILTON DA SILVA RISSO, Nº Acórdão2201003.644) 5. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de conhecer e dar parcial provimento ao recurso voluntário, para que seja refeito o cálculo do imposto de renda devido, aplicando o desconto simplificado de 20%, a ser calculado não apenas sobre os rendimentos confessadamente declarados, mas também sobre os rendimentos apurados pela fiscalização e mantidos na presente decisão, observado o limite anual vigente em cada anocalendário. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Fl. 1031DF CARF MF
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Numero do processo: 10983.917657/2016-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 22 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3401-001.818
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a unidade preparadora da RFB se manifeste conclusivamente em relação à adequação dos itens objeto de glosa em discussão no presente processo ao tratamento dado a insumos fixado de forma vinculante no Parecer Normativo COSIT nº 5/2018, fundado no Recurso Especial nº 1.221.170/PR, aplicável ao caso em julgamento.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Seixas Pantarolli - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado), Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE DE SEIXAS PANTAROLLI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a unidade preparadora da RFB se manifeste conclusivamente em relação à adequação dos itens objeto de glosa em discussão no presente processo ao tratamento dado a insumos fixado de forma vinculante no Parecer Normativo COSIT nº 5/2018, fundado no Recurso Especial nº 1.221.170/PR, aplicável ao caso em julgamento. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Seixas Pantarolli Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado), Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 83 .9 17 65 7/ 20 16 -1 1 Fl. 2014DF CARF MF Processo nº 10983.917657/201611 Resolução nº 3401001.818 S3C4T1 Fl. 2.015 2 Tratase de procedimento fiscal instaurado de ofício em face da Recorrente para verificar a regularidade dos créditos e débitos de PIS/PASEP e COFINS por ela apurados no 3º trimestre de 2012, tendo sido parcela dos respectivos saldos credores objeto de diversos PER/DCOMP’s transmitidos posteriormente. Do procedimento resultou a autuação de 05 (cinco) processos administrativos fiscais, conforme tabela constante de fls. 02 do Relatório Fiscal: Os processos de ressarcimento/compensação foram apensados ao processo em que foi formalizado o Auto de Infração, cujo Relatório Fiscal serve igualmente de fundamento aos Despachos Decisórios. Dos Pedidos de Ressarcimento/Declarações de Compensação, dos Despachos Decisórios e do Auto de Infração A contribuinte transmitiu Pedidos de Ressarcimento/Declaração de Compensação de créditos de PIS/PASEP e COFINS, relativos ao 3º trimestre de 2012, sendo parte dos créditos pleiteados utilizados para compensação de débitos relativos a outros tributos federais. Em Despacho Decisório, as compensações declaradas não foram homologadas ou o foram parcialmente, tendo em vista as glosas realizadas pela fiscalização nos créditos originalmente apurados pela contribuinte relativos a: a) bens adquiridos à alíquota zero; b) bens e serviços não enquadrados no conceito de insumo previsto nas Instruções Normativas SRF n° 247/2002 e 404/2004; c) operações de transferência entre unidades da empresa; d) aquisição de bens sujeitos a suspensão obrigatória nos termos das Leis n° 12.088/09 e 12.350/10; e) créditos presumidos da agroindústria (Leis n° 10.637/02, 10.833/04, 10.925/04, 12.058/09 e 12.350/10). Ademais, a Recorrente foi autuada por omissão de receitas sujeitas à tributação por PIS/PASEP e COFINS em razão de: haver atribuído classificação fiscal incorreta a diversas mercadorias vendidas no 3º trimestre de 2012; não ter incluído o valor dos créditos presumidos de ICMS na base de cálculo. Da Impugnação e Manifestações de Inconformidade A contribuinte apresentou Impugnação ao Auto de Infração e Manifestações de Inconformidade contra os Despachos Decisórios a alegar, no que se refere às glosas realizadas pela fiscalização, em síntese, o seguinte: 1) a nulidade do Despacho Decisório, por violação ao princípio da verdade material, em razão da fiscalização ter realizado as glosas dos créditos relativos à Fl. 2015DF CARF MF Processo nº 10983.917657/201611 Resolução nº 3401001.818 S3C4T1 Fl. 2.016 3 aquisição de determinados insumos mediante a análise de planilhas, com base em presunções e sem conhecimento da vinculação de cada insumo ao processo produtivo da empresa, dado que não compareceu ao seu estabelecimento; 3) que a atual jurisprudência do CARF reconhece que, em todo processo administrativo que envolver créditos referentes à nãocumulatividade do PIS/Pasep ou da COFINS, deve ser analisado cada item relacionado como ‘insumos’ e o seu envolvimento no processo produtivo; 3) que todos os produtos e serviços glosados pela fiscalização estão diretamente relacionados ao seu objeto social, sendo relevantes e essenciais ao seu processo produtivo, permitindo o aproveitamento de créditos da contribuição nos termos da legislação, não havendo como se manter a glosa dos créditos. 4) o reconhecimento do direito aos créditos apurados pela Impugnante, referentes às contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, na modalidade não cumulativa, de todos os insumos relevantes e essenciais à atividade da empresa, conforme as decisões do CARF e do STJ que colaciona. 5) o reconhecimento dos créditos decorrentes dos produtos adquiridos com alíquota zero, por se tratar de verdadeira isenção e em observância à regra geral de apropriação do crédito das contribuições. 6) a incidência de PIS/PASEP e COFINS sobre os créditos presumidos de ICMS, requerendo o sobrestamento do processo até a manifestação definitiva do STF sobre o tema. 7) a correta classificação, de acordo com as Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado, dos bens reclassificados pela fiscalização. Das Decisões de 1ª Instância A 4ª Turma da DRJ/FNS, ao julgar conjuntamente os processos aqui analisados, em sessão de 07/03/2018, prolatou Acórdão no processo relativo ao Auto de Infração, com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/07/2012, 31/08/2012, 30/09/2012 COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. SUBVENÇÃO. CRÉDITO PRESUMIDO ICMS. INCIDÊNCIA. No regime de apuração não cumulativa da Cofins, valores decorrentes de subvenção, inclusive na forma de crédito presumido de ICMS, constituem, via de regra, receita tributável, devendo integrar a base de cálculo dessas contribuições; ressalvada, a partir de vigência Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, a hipótese da subvenção para investimento, desde que comprovados os requisitos estabelecidos na legislação tributária que a caracterizem. Fl. 2016DF CARF MF Processo nº 10983.917657/201611 Resolução nº 3401001.818 S3C4T1 Fl. 2.017 4 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/07/2012, 31/08/2012, 30/09/2012 PIS/PASEP. REGIME NÃO CUMULATIVO. SUBVENÇÃO. CRÉDITO PRESUMIDO ICMS. INCIDÊNCIA. No regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep, valores decorrentes de subvenção, inclusive na forma de crédito presumido de ICMS, constituem, via de regra, receita tributável, devendo integrar a base de cálculo dessas contribuições; ressalvada, a partir de vigência Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, a hipótese da subvenção para investimento, desde que comprovados os requisitos estabelecidos na legislação tributária que a caracterizem. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/07/2012, 31/08/2012, 30/09/2012 PRODUTOS SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO. COMPROVAÇÃO DA CORRETA CLASSIFICAÇÃO FISCAL. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Cabe ao contribuinte, quando intimado para tanto, levar ao conhecimento da fiscalização todas as características das mercadorias e insumos utilizados na produção de produtos os quais entenda que sejam sujeitos à alíquota zero devido à sua classificação na NCM. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Processo 11516.722531/201710 Acórdão n.º 0741.405 DRJ/FNS Fls. 2 2 Data do fato gerador: 31/07/2012, 31/08/2012, 30/09/2012 NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL. REGRAS GERAIS. NOTAS EXPLICATIVAS. As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Codificação e Classificação de Mercadorias NESH estabelecem o alcance e o conteúdo da Nomenclatura abrangida pelo SH, pelo que devem ser obrigatoriamente observadas para que se realize a correta classificação de mercadoria. CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. REGRAS GERAIS. NOTAS EXPLICATIVAS. ORDEM DE APLICAÇÃO. A primeira das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado RGISH prevê que se determina a classificação de produtos na NCM de acordo com os textos das posições e das Notas de Seção ou de Capítulo, e, quando for o caso, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, de acordo com as disposições das Regras 2, 3, 4 e 5. CARNE. CLASSIFICAÇÃO. Em se tratando de carne, a correta classificação fiscal das mercadorias segundo a NCM não depende apenas da mercadoria ser ou não “in natura”, sendo que toda a carne temperada, exceto se apenas com sal, deve ser classificada no Capítulo 16. BOLSA TÉRMICA. CLASSIFICAÇÃO. A “bolsa térmica” reutilizável que, no conjunto, se destina à estocagem temporária dos produtos, não consistindo de uma embalagem do tipo normalmente utilizado com as mercadorias que acondiciona, deve ser classificada na posição 42.02 que compreende, entre outros, as bolsas, sacos, sacolas e artigos semelhantes, confeccionadas de folhas de plástico. Fl. 2017DF CARF MF Processo nº 10983.917657/201611 Resolução nº 3401001.818 S3C4T1 Fl. 2.018 5 MASSA PARA PÃO DE QUEIJO. CLASSIFICAÇÃO. A massa para “pão de queijo”, em se tratando de preparação alimentícia de farinhas, na forma de pasta crua e congelada, para a preparação de produtos de padaria, que já é vendida modelada na forma do produto final, deve ser classificada na posição 1901.2000, como entende a fiscalização, e não na posição 1902.1100. TORTAS. CLASSIFICAÇÃO. A classificação mais adequada para “torta” não é na posição 19.02, notadamente devido à forma de preparação e apresentação dos produtos dessa posição, mas na posição 19.05, conforme item 10 da NESH da posição. SANDUÍCHES PRONTOS. CLASSIFICAÇÃO. A classificação mais adequada para “sanduíche pronto” não é na posição 19.02, notadamente devido à forma de preparação e apresentação dos produtos dessa posição, mas na posição 16.02, conforme Regra 3, item X, exemplo 1. COXINHA DE FRANGO. CLASSIFICAÇÃO. Processo 11516.722531/201710 Acórdão n.º 0741.405 DRJ/FNS Fls. 3 3 A classificação mais adequada para “coxinha de frango” não é na posição 19.02, notadamente devido à forma de preparação e apresentação dos produtos dessa posição, mas na posição 16.02, conforme Nota “a” do Capítulo 19, Nota 2 do Capítulo 16 e os textos da posição 16.02 e da subposição 1602.32, considerando a RGIHI nº 6. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Nos processos de ressarcimento/compensação, foram prolatados Acórdãos, sem ementa nos termos da Portaria RFB n° 2.724/2017, pela improcedência das Manifestações de Inconformidade para manter as glosas realizadas pela fiscalização. Quanto aos bens e serviços glosados por não caracterizar insumos passíveis de geração de créditos, concluiuse por não estarem intrínseca e diretamente associados ao processo produtivo do bem destinado à venda. Regularmente cientificada, a Contribuinte interpôs Recursos Voluntários, que repisam os argumentos apresentados na Impugnação e nas Manifestações de Inconformidade. Voto Conselheiro Carlos Henrique de Seixas Pantarolli Relator Da Admissibilidade Os Recursos Voluntários são tempestivos e reúnem os demais requisitos de admissibilidade e, portanto, deles tomo conhecimento. Da Proposta de Diligência Fl. 2018DF CARF MF Processo nº 10983.917657/201611 Resolução nº 3401001.818 S3C4T1 Fl. 2.019 6 Verificase que parcela relevante das glosas de créditos decorrentes da não cumulatividade das contribuições sociais, que ensejaram na negativa de direito ao ressarcimento ou à compensação destes valores, está correlacionada ao não reconhecimento de determinados produtos ou serviços adquiridos como insumos da atividade empresarial desenvolvida pela Recorrente. Analisandose o Relatório Fiscal, bem como a decisão de piso, notase que o conceito de insumo utilizado como premissa para o exame da base de cálculo das contribuições sociais tem supedâneo em entendimento já superado pela própria Receita Federal do Brasil após o que restou decidido pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Recurso Especial nº 1.221.170/PR, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos. Com o fim de melhor esclarecer as repercussões da decisão, foi exarado o Parecer Normativo COSIT nº 5, de 17 de dezembro de 2018, que amplificou o espectro para a apropriação de créditos sobre insumos na atividade dos contribuintes: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COFINS. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO ESTABELECIDA NO RESP 1.221.170/PR. ANÁLISE E APLICAÇÕES. Conforme estabelecido pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial 1.221.170/PR, o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços pela pessoa jurídica. Consoante a tese acordada na decisão judicial em comento: a) o “critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço”: a.1) “constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço”; a.2) “ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência”; b) já o critério da relevância “é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja”: b.1) “pelas singularidades de cada cadeia produtiva”; b.2) “por imposição legal”. Dispositivos Legais. Lei nº10.637, de 2002, art. 3º, inciso II; Lei nº10.833, de 2003, art. 3º, inciso II. Acerca da aparente adoção de um conceito de insumo em dissonância com o que deve ser atualmente adotado, vejamse trechos do voto condutor dos Acórdãos proferidos em 1ª instância que embasaram a manutenção das referidas glosas: Os créditos possíveis no âmbitos das contribuições em tela são apenas aqueles expressamente previstos na sua legislação de regência, não estando suas Fl. 2019DF CARF MF Processo nº 10983.917657/201611 Resolução nº 3401001.818 S3C4T1 Fl. 2.020 7 apropriações, ao contrário do que defende a contribuinte, vinculadas à caracterização da essencialidade ou obrigatoriedade da despesa ou do custo. Em verdade, a não cumulatividade da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins está, toda ela, regularmente prevista em legislação ordinária, na qual o legislador adotou o critério de enumerar, de forma exaustiva, os custos, encargos e despesas capazes de gerar crédito, assim como fez ao enumerar de forma minudente as exclusões a serem efetuadas nas bases de cálculo das contribuições.(grifo nosso) Destarte, diante do novo contexto normativo, é pertinente que este colegiado, à semelhança do que resolveu nos autos do PAF n° 13605.000177/200481, em sessão realizada no último dia 29/01/2019, converta o julgamento em diligência para que a unidade preparadora da RFB se manifeste conclusivamente em relação à adequação dos itens objeto de glosa em discussão no presente processo ao tratamento dado a insumos fixado de forma vinculante no Parecer Normativo COSIT nº 5/2018, fundado no Recurso Especial nº 1.221.170/PR, aplicável ao caso em julgamento. Após, cientifiquese a Recorrente para, querendo, manifestarse em 30 (trinta) dias, contados de sua intimação. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Seixas Pantarolli Fl. 2020DF CARF MF
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Numero do processo: 10166.722412/2013-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 02 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3301-001.070
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para a Unidade de Origem refazer os cálculos do crédito de FINSOCIAL, adotando os índices constantes do Manual de Orientação de Procedimentos para os Cálculos da Justiça Federal.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira
(assinado digitalmente)
Marcelo Costa Marques d'Oliveira
Participaram deste julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
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Resolvem os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para a Unidade de Origem refazer os cálculos do crédito de FINSOCIAL, adotando os índices constantes do Manual de Orientação de Procedimentos para os Cálculos da Justiça Federal. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Participaram deste julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância: "Cuida os autos de Despacho Decisório, da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Brasília, em que consta decisão fruto da apreciação de Declarações de Compensação (DCOMP) eletrônicas do sujeito passivo em epígrafe. 2. Às fls. 148 a 162, consta o Despacho Decisório cuja ementa é transcrita a seguir: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 66 .7 22 41 2/ 20 13 -9 8 Fl. 344DF CARF MF Processo nº 10166.722412/201398 Resolução nº 3301001.070 S3C3T1 Fl. 345 2 CRÉDITO ORIUNDO DE DECISÃO JUDICIAL. COMPENSAÇÃO. Poderá ser objeto de compensação o crédito oriundo de tributo ou contribuição administrado pela RFB, decorrente de pagamento espontâneo, indevido ou maior que o devido, ou direito creditório, de natureza tributária, reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, desde que comprovada a homologação pelo Poder Judiciário da desistência da execução do título judicial ou da renuncia a sua execução. COMPENSAÇÃO HOMOLOGADA PARCIALMENTE 2.1. Às fls. 157 a 162, consta que decidiram as Autoridades Fiscais por conceder às DCOMP o tratamento indicado na Tabela 02. (fls. 158 a 161), cuja ciência do respectivo despacho ocorreu em 03/12/2013 (fl. 166). 3. Valese do Relatório (fls. 148 e 149) do Despacho Decisório, transcrito abaixo, para fins de esclarecimento do caso: Em 26/06/2007, a contribuinte acima indicada transmitiu o Pedido Eletrônico de Restituição (PER) nº 16493.81345.260607.1.2.542024 (fls. 05/06), onde solicita a restituição de crédito de pagamentos a maior de FINSOCIAL, decorrente de decisão judicial transitada em julgado, proferida em sede de Recurso Especial nº 383048/DF, Processo Originário nº 95.00.005441, no qual foi reconhecido o direito creditório dos valores pagos a título de FINSOCIAL acima da alíquota de 0,5%; referentes ao período de apuração 01/11/1989 a 01/11/1990 (fls. 11/13). 2. A habilitação prévia do crédito reconhecido pela decisão judicial transitada em julgado, perante a Receita Federal, conforme prevê o art. 51 da Instrução Normativa nº 600, de 28 de dezembro de 2005, ocorreu por meio do Processo nº 10166.004392/200641 (fls. 16/18). A determinação do quantum creditório foi efetuada no Processo nº 14033.001137/200793 [negrejouse] (fls. 02/87), formalizado em 09/10/2007, cujo Despacho Decisório (fls. 22/26), datado de 10/10/2007, determinou o montante de R$ 265.344,14, em 31/12/1995. Desta decisão, proferida pela DRF/Brasília, que homologou parcialmente o crédito pleiteado de R$ 12.700.946,29; a contribuinte apresentou a Manifestação de Inconformidade de fls. 33/36, e teve seu recurso negado na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DRJ), nos termos do Acórdão nº 0337.718 prolatado pela 4º Turma da DRJ, datado de 24 de junho de 2010 (fls. 45/47). Irresignada com a decisão da DRJ, que manteve o Despacho Decisório proferido pela DRF, a contribuinte apresentou o Recurso Voluntário de fls. 55/60, em 17/09/2010, ainda pendente de decisão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF. 3. Ocorre que, posteriormente à ciência (fl. 28) do Despacho Decisório, prolatado pela DRF, que deferiu parcialmente seu pedido de restituição, a contribuinte transmitiu 124 Declarações de Compensação (DCOMP) (fls. 88/93), entre 30/05/2008 a 25/10/10, solicitando a homologação de compensação do crédito analisado no Processo 14033.001137/200793, decorrente da Ação Judicial 95.00.005441, com débitos diversos, apurados no período de 12/2007 a 06/2008, nos montantes relacionados na Tabela 01. [...] 4. Inconformada com a decisão oficial, apresentou a Contribuinte Manifestação de Inconformidade, em 20/12/2013, às fls. 168 a 207, de que se traslada o fragmento abaixo (fls. 205 a 207): [...] Fl. 345DF CARF MF Processo nº 10166.722412/201398 Resolução nº 3301001.070 S3C3T1 Fl. 346 3 VII DO PEDIDO Requerse, o recebimento e o processo do presente recurso para que lhe seja dado provimento, modificando o despacho decisório ora guerreado, reconhecendose in totum o crédito pleiteado, e por conseguinte homologando todas as compensações efetuadas e reconhecendose ao fim o saldo de crédito remanescente, requerse ainda. a) O reconhecimento da IMPOSSIBILIDADE de questionamentos dos cálculos já apresentados em juízo em face do reconhecimento da PRECLUSÃO relativo ao QUANTUM do crédito apresentado pelo credor/contribuinte conforme petição de renúncia à execução e liquidação com as respectivas memórias de cálculos já APRESENTADOS EM JUÍZO no processo judicial 95.00005441. b) reconhecimento do direito à compensação do TOTAL do crédito pleiteado com débitos de tributos federais, os quais foram oportuna e devidamente apresentados em juízo, sem quaisquer contra apresentação de outros valores pela UNIÃO, restando portanto PRECLUSAS quaisquer discussões quanto aos cálculos constantes das fls. dos autos judiciais que instruíram o processo administrativo denominado PEDIDO DE HABILITAÇÃO DE CRÉDITO RECONHECIDO POR DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADA, o que implica expressamente em reconhecimento de "CRÉDITO", ou seja, do "QUANTUM" JÁ EXPRESSAMENTE DEMONSTRADO NO PROCESSO JUDICIAL 95.00005441 e não de mero "direito creditório"; c) cumulativa ou alternativamente, a suspensão de quaisquer débitos compensados que NÃO ultrapassem o TOTAL do crédito pleiteado no presente processo administrativo no valor total de R$ 11.074.767,55 (onze milhões, setenta e quatro mil, setecentos e sessenta e sete reais e cinquenta e cinco centavos), conforme valor do crédito habilitado, sobretudo, as cobranças apuradas do tratamento manual das declarações de compensação transmitidas e representadas pelos DARFs de cobrança anexos ao despacho decisório recorrido; d) seja, conseqüentemente, dado efeito suspensivo ao presente recurso administrativo com relação a todos os supostos débitos apurados na referida decisão recorrida, na sua condição de recurso pertencente ao processo administrativo fiscal e desta forma, sendo suspensa a exigibilidade dos valores legitimamente compensados com o presente crédito e informados à Receita Federal, com base nos ART. 66. § 5°. IN SRFB 900/2008 BEM COMO DO ART. 74. § 2° e/ou § 9° da LEI 9.430/96. Portanto, deve ser imediatamente suspensa ou mantida a suspensão da exigibilidade de todas os valores informados nas declarações de compensação informadas na tabela de fls. 158/161, à partir da DCOMP de número 17, a qual fora homologada somente de forma parcial. e) seja convertido o processo em diligências para que a autoridade fiscal proceda à devida inclusão dos expurgos inflacionários determinados na tabela [à fl. 207] [...]. [...] k) requer ainda que o crédito ou o saldo remanescente do total do crédito a compensar seja devidamente atualizado de acordo com a Lei 9.250/98, artigo 39 e da Instrução Normativa n° 22, aplicandose a Taxa de Juros Selic. [...] 5. O presente processo foi encaminhado a esta Delegacia por conta do despacho à fl. 264." Fl. 346DF CARF MF Processo nº 10166.722412/201398 Resolução nº 3301001.070 S3C3T1 Fl. 347 4 Em 18/12/14, a DRJ em São Paulo (SP) julgou a manifestação de inconformidade improcedente e o Acórdão n° 1664.327 foi assim ementado: "ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Exercício: 2008 DIREITO CREDITÓRIO. LITÍGIO. DECISÃO PROFERIDA EM OUTRO PROCESSO ADMINISTRATIVO. RECONHECIMENTO PARCIAL DO CRÉDITO. Não cabe falar de direito creditório que já foi objeto de discussão em outro processo administrativo cuja decisão, em primeira instância da Fazenda Nacional, foi o deferimento parcial do crédito. Impugnação Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido" Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, em que, basicamente, reitera as alegações contidas na manifestação de inconformidade. Destaco que no relatório acima transcrito, quando sumariadas as alegações de defesa, não foi mencionada a preliminar em que dispôs que as compensações transmitidas até 04/12/08 já se encontrariam tacitamente homologadas. Esta preliminar não foi apreciada pela DRJ em Brasília (DF). É o relatório. Voto Conselheiro Relator Marcelo Costa Marques d'Oliveira O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Adoto o voto proferido por este relator, em sede do processo n° 14033.001137/200793, em que se discute a legitimidade do crédito de FINSOCIAL, utilizado para as compensações objetos do presente. Contudo, antes de transcrever o voto, destaco que a recorrente apresentou preliminar, a qual não foi apreciada pela DRJ: as compensações transmitidas antes de 04/12/08 já teriam sido tacitamente homologadas, haja vista que tomou ciência do Despacho Decisório em 03/12/2013 (fls. 165 e 166). Com efeito, foram transmitidas 123 (cento e vinte e três) DCOMP vinculadas ao referido crédito, no período de 30/05/08 a 25/10/10. À luz do § 5° do art. 74 da Lei n° 9.430/96, verificase que assiste razão à recorrente. Todavia, como há mais de cem compensações realizadas após 04/12/08, a apreciação da alegação não extinguiria o processo. Assim, o tema deverá ser apreciado, quando do retorno da diligência proposta em sede do processo n° 14033.001137/200793,. Dito isto, transcrevo o voto proferido no processo n° 14033.001137/200793: Fl. 347DF CARF MF Processo nº 10166.722412/201398 Resolução nº 3301001.070 S3C3T1 Fl. 348 5 "Tratase de Despacho Decisório (fls. fls 22. a 25) que deferiu parcialmente pedido de restituição de FINSOCIAL, paga nos anos de 1988 a 1991, declarada judicialmente como inconstitucional. A recorrente adotou critérios para cálculo do crédito diferentes dos utilizados pela RFB. Como consequência daquela decisão, em sede do processo administrativo n° 10166.722412/201398, o qual encontrase nesta pauta para julgamento em conjunto com o presente, foram homologadas parcialmente as compensações vinculadas ao citado pedido de restituição. A DRF de Brasília (DF) aplicou os coeficientes previstos na NE SRF COSIT/COSAR n° 8/97, com ajustes que julgou necessários, em razão do provimento judicial obtido pelo contribuinte (tabelas fls. 18 a 20). Na Certidão expedida pela 6° Vara Federal da Seção Judiciária do Distrito Federal (fls. 11 e 12) consta que restou decidido que "(. . .) o crédito a compensar deverá ser monetariamente contido, a partir do seu recolhimento até a data da compensação, aplicandose os seguintes índice: o IPC, no período de março de 1990 a janeiro de 1991. A partir da promulgação da Lei n° 8.177/91, aplicase o INPC, até dezembro de 1991. E a partir de janeiro/1992, a aplicação da UFIR." Importante mencionar que, no voto, o magistrado também determinou o cômputo dos expurgos inflacionários anteriores à criação da UFIR, em janeiro de 1992 (fls. 7 e 8). Isto posto, restanos determinar quais os critérios que devem ser adotados para atualização do valor do crédito. E, para tanto, proponho a realização de diligência, nos termos que adiante apresento. Contudo, antes de dispor sobre diligência, cumpre mencionar que a recorrente apresentou preliminar, no sentido de que o montante do crédito já teria sido determinado, em sede do respectivo processo judicial, cabendonos tão somente aplicar o decidido. Consigno que as peças do processo e a Certidão expedida pela 6° Vara Federal da Seção Judiciária do Distrito Federal não confirmam tal alegação. Naturalmente que esta alegação terá de ser novamente apreciada por esta turma, quando do retorno do processo, se acatada a proposta pela conversão em diligência do julgamento. Todavia, dada a natureza da alegação, julguei absolutamente imprescindível trazêla desde já ao conhecimento dos demais conselheiros. Dito isto, sigo com meu voto pela diligência. O tema concernente aos critérios a serem utilizados para atualização de crédito tributário reconhecido judicialmente já se encontra pacificado no âmbito do CARF, cumprindo mencionar a ementa de dois Acórdãos da CSRF: "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/1989 a 31/10/1991 "FINSOCIAL. AÇÃO JUDICIAL. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. COMPENSAÇÃO. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. APLICAÇÃO DE ÍNDICES QUE MELHOR REFLITAM A DESVALORIZAÇÃO DA MOEDA. PRECEDENTES DO STJ. RECURSO REPETITIVO. ART. 62A RICARF. Fl. 348DF CARF MF Processo nº 10166.722412/201398 Resolução nº 3301001.070 S3C3T1 Fl. 349 6 Nas ações relativas ao reconhecimento de indébitos tributários a favor do contribuinte, ainda que não exista, nas decisões judiciais, a menção expressa à aplicação da correção monetária e dos expurgos inflacionários sobre repetidos, esta é matéria de ordem pública e deve ser observada tanto pelo Poder Judiciário quanto pela Administração Tributária. Aplicável o Manual de Orientação de Procedimentos para os Cálculos da Justiça Federal, nos termos do entendimento do STJ (Recurso Especial nº 1.112.524/DF, Rel. Min. Luiz Fux). Aplicação do artigo 62A do RICARF." (Ac. 9303005.491 , de 27/07/17, e 9303005.038, de 12/04/17)" Por força de previsão regimental, nossas decisões estão vinculadas às proferidas pelo STJ, sob o regime dos recursos repetitivos. Sendo assim, proponho que o presente julgamento, bem como o relativo ao processo n° 10166.722412/201398, sejam convertidos em diligência, para que a unidade de origem refaça os cálculos do crédito de FINSOCIAL, adotando os índices constantes do Manual de Orientação de Procedimentos para os Cálculos da Justiça Federal. Deve ser preparado relatório conclusivo, contendo quadro demonstrativo com i) os valores originais dos créditos, por período de apuração; ii) os índices e respectivos valores de atualização monetária e juros, calculados até as datas das compensações; iii) os montantes dos créditos atualizados, até as datas das compensações; iv) o valor do débito compensado, com indicação do número da respectiva DCOMP; e v) valor de eventual saldo a ser compensado em período seguinte. Deve ser dada ciência às partes e prazo de trinta dias para manifestação. Concluída esta etapa, os autos devem retornar para o CARF, para conclusão do julgamento." É como voto. (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 349DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10314.002438/2007-27
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Data do fato gerador: 21/06/2002
PRECLUSÃO. JULGAMENTO PELO COLEGIADO DE SEGUNDA INSTÂNCIA DE MATÉRIA NÃO SUSCITADA PELO SUJEITO PASSIVO. IMPOSSIBILIDADE.
O julgamento da causa é limitado pelo pedido, devendo haver perfeita correspondência entre o postulado pela parte e a decisão, não podendo o julgador afastar-se do que lhe foi pleiteado, sob pena de vulnerar a imparcialidade e a isenção, conforme teor do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considera-se não impugnada a matéria não deduzida expressamente no recurso inaugural, o que, por conseqüência, redunda na preclusão do direito de fazê-lo em outra oportunidade.
Numero da decisão: 9303-008.111
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: DEMES BRITO
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ementa_s : Assunto: Regimes Aduaneiros Data do fato gerador: 21/06/2002 PRECLUSÃO. JULGAMENTO PELO COLEGIADO DE SEGUNDA INSTÂNCIA DE MATÉRIA NÃO SUSCITADA PELO SUJEITO PASSIVO. IMPOSSIBILIDADE. O julgamento da causa é limitado pelo pedido, devendo haver perfeita correspondência entre o postulado pela parte e a decisão, não podendo o julgador afastar-se do que lhe foi pleiteado, sob pena de vulnerar a imparcialidade e a isenção, conforme teor do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considera-se não impugnada a matéria não deduzida expressamente no recurso inaugural, o que, por conseqüência, redunda na preclusão do direito de fazê-lo em outra oportunidade.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
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ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 21/06/2002 PRECLUSÃO. JULGAMENTO PELO COLEGIADO DE SEGUNDA INSTÂNCIA DE MATÉRIA NÃO SUSCITADA PELO SUJEITO PASSIVO. IMPOSSIBILIDADE. O julgamento da causa é limitado pelo pedido, devendo haver perfeita correspondência entre o postulado pela parte e a decisão, não podendo o julgador afastarse do que lhe foi pleiteado, sob pena de vulnerar a imparcialidade e a isenção, conforme teor do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considerase não impugnada a matéria não deduzida expressamente no recurso inaugural, o que, por conseqüência, redunda na preclusão do direito de fazêlo em outra oportunidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 24 38 /2 00 7- 27 Fl. 274DF CARF MF 2 Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência, tempestivo, interposto pela Fazenda Nacional, em face do Acórdão nº 380200.836, de 25/01/2012, com fundamento nos artigos 67 e 68, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF á época vigente, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 21/06/2002 DRAWBACK SUSPENSÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO ADEQUADA. INADIMPLEMENTO INTEGRAL DO COMPROMISSO DE EXPORTAÇÃO. COBRANÇA DOS TRIBUTOS SUSPENSOS. POSSIBILIDADE. No âmbito do Regime de Drawback, modalidade suspensão, a forma adequada de comprovar a liquidação do compromisso de exportação darseá mediante o Registro de Exportação (RE) vinculado ao correspondente Ato Concessório (AC). Na falta desse requisito, o RE não se presta como meio de prova da utilização da mercadoria importada nos produtos exportados, cabendo ao beneficiário do regime, por intermédio de outros elementos de provas normalmente admitidos, realizar a mencionada comprovação. Na ausência de ambas as comprovações, resta configurado o inadimplemento integral do compromisso de exportação e, em conseqüência, exigível os tributos suspensos pela concessão do regime, acrescidos dos juros moratórios e da multa de ofício. DRAWBACK SUSPENSÃO. DESCUMPRIMENTO DE REQUISITO FORMAL. MULTA POR INFRAÇÃO AO CONTROLE ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES. AUSÊNCIA DE TIPIFICAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Por se tratar de mero requisito formal relacionado ao adimplemento do regime drawback, modalidade suspensão, o descumprimento do prazo 60 (sessenta) dias, fixado para comprovação do compromisso de exportação previsto no correspondente ato concessório, por absoluta falta de tipificação, não configura infração ao controle administrativo das importação genericamente prevista alínea “b” do inciso III do art. art. 633 do Regulamento Aduaneiro de 2002. Recurso Voluntário Provido em Parte. Fl. 275DF CARF MF Processo nº 10314.002438/200727 Acórdão n.º 9303008.111 CSRFT3 Fl. 275 3 A Fazenda Nacional, suscita divergência no sentido de que a Contribuinte não se insurgiu expressamente quanto à multa por infração administrativa ao controle das importações, devendo pois a decisão ser reformada, uma vez que "deixou de observar os preciosos contornos da lide, analisando matéria preclusa, o que é vedado pelo ordenamento jurídico, de acordo com jurisprudência pacificada deste Conselho". Em seguida, o Presidente da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF, deu seguimento ao recurso, conforme depreendese do despacho de admissibilidade, ás efls. 258/261. A Contribuinte não apresentou contrarrazões. Regularmente processado o apelo, esta é a síntese do essencial, motivo pelo qual encerro meu relato. Devidamente informado passo a decidir. Voto Conselheiro Demes Brito Relator O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a decidir. Primeiramente, se faz necessário relembrar e reiterar que a interposição de Recurso Especial junto à Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao contrário do Recurso Voluntário, é de cognição restrita, limitada à demonstração de divergência jurisprudencial, além da necessidade de atendimento a diversos outros pressupostos, estabelecidos no artigo 67 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Por isso mesmo, essa modalidade de apelo é chamada de Recurso Especial de Divergência e tem como objetivo a uniformização de eventual dissídio jurisprudencial, verificado entre as diversas Turmas do CARF. Neste passo, ao julgar o Recurso Especial de Divergência, a Câmara Superior de Recursos Fiscais não constitui uma Terceira Instância, mas sim a Instância Especial, responsável pela pacificação dos conflitos interpretativos e, conseqüentemente, pela garantia da segurança jurídica dos conflitos. Decido. In caso, trata o presente de auto de infração, fls. 01/08, lavrado contra a Contribuinte em epígrafe, para exigência do Imposto de Importação, da Multa de Ofício do I.I. e da Multa ao Controle Administrativo das Importações. Transcrevo relato da parte que interessa do acórdão recorrido: "Em 30/10/06, teve início uma auditoria interna das operações de drawback compromissadas pela importadora, relativamente aos Atos Concessórios 20020095902, 20030094780 e 20060004304 (este, deixou de ser objeto de análise pois sua validade final só ocorreria em 22/02/2008). Fl. 276DF CARF MF 4 Em 07/12/06, a interessada apresentou parte dos documentos requisitados, pleiteando um prazo adicional até 08/01/07, para cumprir na totalidade a referida requisição. Após o esgotamento do prazo foi emitida nova intimação, recebida pela contribuinte em 15/01/07, para apresentação dos documentos que deixaram de ser entregues à fiscalização, relativos aos atos concessórios 20020095902 e 20030094780. Em 26/01/07, foram deixados na unidade da SRFB diversos registros de exportação e contratos de câmbio, sem vinculação aos referidos atos concessórios, bem como o pedido de prorrogação do prazo por mais trinta dias. Uma terceira intimação foi encaminhada para a entrega dos documentos em dez dias, sendo recebida em 05/02/07. Em 16/02/07, via sedex, foi formulada nova prorrogação; e, nova intimação, a quarta, foi encaminhada e recebida pela contribuinte em 16/02/04, sem qualquer manifestação. Ao final, foram decorridos 97 dias da primeira intimação para o cumprimento das exigências, sem a entrega de documentos essenciais como Notas Fiscais de Entrada e Notas Fiscais de Saída, laudos técnicos de produção, e vinculação entre os contratos de câmbio e registros de exportação, bem como os livros fiscais. Dessa forma, sem documentos que comprovassem o cumprimento do regime drawback suspensão, e em consulta realizada e constatando que nenhuma exportação foi vinculada a ato concessório até a data limite da comprovação das referidas exportações, foi lavrado o presente auto de infração com a exigência do Imposto de Importação, da Multa de Ofício do I.I. e da Multa ao Controle Administrativo das Importações, por descumprimento do regime. A contribuinte foi intimada em 02/04/07, fl.112, tendo apresentado sua impugnação, fls.121/123, onde alega que os documentos requisitados pelas auditoras se encontravam juntados aos autos de outro MPF de nº 08.190.002006001962. Assim, esta julgadora entendeu que o julgamento deveria ser convertido em diligência (art.29 da Lei nº 9.748/99 e art.18 do Decreto nº 70.235/72), no que foi acompanhada pela unanimidade de seus pares (Resolução nº 952/10, fls.137/138)". Por sua vez, o Colegiado recorrido excluiu do lançamento a exigência da multa por infração administrativa ao controle das importações, em que pese o contribuinte não tenha se insurgido expressamente sobre Multa de Ofício do I.I. e da Multa ao Controle Administrativo das Importações, conforme razões da impugnação, ás efls 124/125 e Recurso Voluntário, efls. 184/186. Destarte, Colegiado recorrido considerou ser possível analisar o mérito da questão da possibilidade ou não de cobrança da multa, ainda que tal ponto não tenha sido objeto de insurgência pela Contribuinte, proferindo uma decisão extra petita. Confira se trecho do voto condutor do acórdão (fl. 114): Fl. 277DF CARF MF Processo nº 10314.002438/200727 Acórdão n.º 9303008.111 CSRFT3 Fl. 276 5 Assim, resta cabalmente demonstrada a atipicidade da conduta atribuída à Recorrente, pois, por não dizer respeito a requisito atinente ao controle administrativo das importações, por óbvio, ela não se subsume a hipótese da infração tipificada na alínea“b” do inciso III do art. art. 633 do RA/2002, que trata do “descumprimento de outros requisitos de controle da importação”. Neste sentido, o artigo 17 do Decreto 70.235/72, considera matéria não impugnada que está fora do litígio e o crédito tributário a ela relativo se torna consolidado; na ausência do litígio, a matéria não pode ser analisada em sede de recurso voluntário, ou seja, tendo a Contribuinte impugnado apenas determinado item do lançamento, o julgador não está autorizado a dar provimento ao recurso voluntário por fundamento jurídico diverso. O contencioso administrativo, regido pelo Decreto Lei nº 70.235/72, assim o Código de Processo Civil CPC, impõe limites as fases processuais que devem ser observadas para o perfeito andamento do processo e adequado deslinde do litígio. A lide cravada esta delimitada precisamente pelos contornos jurídicos que foi dado pela Contribuinte, definido pelo pedido e pelos fatos e fundamentos jurídicos que o fundamentam, lançados em sua impugnação e posteriormente em seu recurso voluntário. Nesta linha, recorro aos princípios existentes no âmbito do processo civil, em vista dos permissivos expressos nos artigos 108 do Código Tributário Nacional CTN e artigo 4º da LICC, o qual podese citar o art. 141, do Novo Código de Processo Civil: “Art. 141. O juiz decidirá o mérito nos limites propostos pelas partes, sendo lhe vedado conhecer de questões não suscitadas a cujo respeito a lei exige iniciativa da parte. Deste modo, o citado dispositivo revela que o Código de Processo Civil consagrou o princípio de adstrição do juiz ao pedido e da parte, como decorrente do princípio dispositivo. Portanto, o órgão julgador ao apreciar a legalidade do ato administrativo, deve decidir também de acordo com a matéria inserta na impugnação do autor e/ou recurso voluntário, conforme o caso. Nessa linha, imperioso destacar a inteligência do artigo 17, do Decreto nº 70.235/72, o qual dispõe que: "considera não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante”. Finalmente, corroborando com este entendimento, trago como precedente desta E. Câmara Superior, acórdão nº 9303004.566, de 08 de dezembro de 2016, o qual merece destaque: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/09/1998 a 31/12/2003 Fl. 278DF CARF MF 6 PRECLUSÃO. JULGAMENTO PELO COLEGIADO DE SEGUNDA INSTÂNCIA DE MATÉRIA NÃO SUSCITADA PELO SUJEITO PASSIVO. IMPOSSIBILIDADE. O julgamento da causa é limitado pelo pedido, devendo haver perfeita correspondência entre o postulado pela parte e a decisão, não podendo o julgador afastarse do que lhe foi pleiteado, sob pena de vulnerar a imparcialidade e a isenção, conforme teor do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considerase não impugnada a matéria não deduzida expressamente no recurso inaugural, o que, por conseqüência, redunda na preclusão do direito de fazêlo em outra oportunidade. (Processo nº 19515.000915/200485 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303004.566 – 3ª Turma Sessão de 08 de dezembro de 2016. Relator Conselheiro Demes Brito). Portanto, considero a matéria posta a esta Egrégia Câmara Superior preclusa, conforme art. 17 do Decreto nº70.235/72. Dispositivo Ex positis, dou provimento ao Recurso interposto pela Fazenda Nacional, É como voto. (Assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 279DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10920.907476/2012-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Apr 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2008
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. IRRF. ONUS DA PROVA. IMPOSSIBILIDADE DE HOMOLOGAÇÃO.
A homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo condiciona-se à liquidez do direito, através da comprovação documental do quantum compensável pelo contribuinte. O ônus da prova incumbe ao autor.
Numero da decisão: 2202-004.989
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
RONNIE SOARES ANDERSON - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Virgílio Cansino Gil (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Ausente a Conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2008 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. IRRF. ONUS DA PROVA. IMPOSSIBILIDADE DE HOMOLOGAÇÃO. A homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo condiciona-se à liquidez do direito, através da comprovação documental do quantum compensável pelo contribuinte. O ônus da prova incumbe ao autor.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) RONNIE SOARES ANDERSON - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Virgílio Cansino Gil (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente a Conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
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IRRF. ONUS DA PROVA. IMPOSSIBILIDADE DE HOMOLOGAÇÃO. A homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo condiciona se à liquidez do direito, através da comprovação documental do quantum compensável pelo contribuinte. O ônus da prova incumbe ao autor. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) RONNIE SOARES ANDERSON Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Virgílio Cansino Gil (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente a Conselheira Andréa de Moraes Chieregatto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 90 74 76 /2 01 2- 97 Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10920.907476/201297 Acórdão n.º 2202004.989 S2C2T2 Fl. 3 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2202004.969, de 14 de fevereiro de 2019 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10920.907456/201216, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2202004.969 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária "Tratase de recurso voluntário interposto contra Acórdão de Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis / SC – DRJ/FNS, que considerou improcedente, por unanimidade de votos, manifestação de inconformidade do contribuinte em face de Despacho Decisório eletrônico que não homologou compensação informada em PER/DCOMP. 2. A seguir reproduzse o relatório do Acórdão da DRJ/FNS , o qual retrata adequadamente os fatos ocorridos. Relatório (...) Por intermédio de DESPACHO DECISÓRIO eletrônico a autoridade administrativa assim se manifestou: "Diante da inexistência do crédito, INDEFIRO o Pedido de Restituição. Enquadramento legal: Art. 165 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN)." A Contribuinte – em sua contestação – alega ter efetuado “pagamento indevido ou a maior”, em recolhimento operado com o código de arrecadação 0481 – JUROS E COMISSÕES EM GERAL. Diz que, desde sua fundação, em 2000, “foi obtendo de sua sócia majoritária italiana, remessas para sua ampliação, os quais foram sendo tratados como dívida em aberto e com incidência de juros, sem prefixação de data para devolução do principal e juros incidentes.”. Mais adiante afirma que os valores devidos foram convertidos em “aumento de capital da sociedade Marcegaglia do Brasil Ltda.” Aduz que o Banco Central do Brasil exigiu a prova do pagamento do imposto de renda na fonte incidente sobre remessas ao exterior, nos termos do art. 9º da Lei nº 4.131, de 3 de setembro de 1962: Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10920.907476/201297 Acórdão n.º 2202004.989 S2C2T2 Fl. 4 3 Art. 9º As pessoas físicas e jurídicas que desejarem fazer transferências para o exterior a título de lucros, dividendos, juros, amortizações, royalties assistência técnica científica, administrativa e semelhantes, deverão submeter aos órgãos competentes da SUMOC e da Divisão do Impôsto sôbre a Renda, os contratos e documentos que forem considerados necessários para justificar a remessa.(Redação dada pela Lei nº 4.390, de 29.8.1964)(Vide Decreto nº § 1º As remessas para o exterior dependem do registro da emprêsa na SUMOC e d eprova de pagamento do impôsto de renda que fôr devido.(Renumerado pela Lei nº 4.390, de 29.8.1964) (...) § 3º No caso previsto pelo parágrafo anterior, as transferências sempre dependerão de prova de quitação do Impôsto de Renda.(Incluído pela Lei nº 4.390, de 29.8.1964) Diz que operou o recolhimento do IRRF “sem questionar a existência ou não do fato gerador para a incidência da tributação do imposto de renda, na espécie, são: ‘as remessas para o exterior’.” Entende que, se não houve remessa ao exterior, em razão de haver sido convertida em capital a dívida então existente, não há fato gerador do referido tributo. Em razão disso requer o reconhecimento do indébito e o deferimento de “ressarcimento” dos valores pagos. 3. A DRJ/FNS considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade, nos termos da Ementa da decisão abaixo transcrita: IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. FATO GERADOR. OCORRÊNCIA. A conversão dos juros de empréstimos em participação no capital social de empresa brasileira por pessoa jurídica com sede no exterior constitui fato gerador do IRRF, art. 702 do RIR/99, na medida em que configura quitação da dívida por compensação de maneira equivalente, o que também pode ser definido como pagamento 4. Destaquemse também alguns trechos relevantes do voto do Acórdão proferido pela DRJ/FNS: (...) De início, para esclarecimento, é bom que se diga que o Despacho Decisório eletrônico considerou a inexistência do crédito em razão de haver a vinculação na DCTF, do pagamento com o respectivo débito. (...) Quanto a este fato – exigência do Banco Central do Brasil – da prova do pagamento do IRRF, é prevista no art. 880, do Regulamento do Imposto de Renda, Decreto nº 3.000, de 1999: Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10920.907476/201297 Acórdão n.º 2202004.989 S2C2T2 Fl. 5 4 Art.880. O Banco Central do Brasil não autorizará qualquer remessa de rendimentos para fora do País, sem a prova de pagamento do imposto (DecretoLei nº5.844, de 1943, art. 125, parágrafo único, alínea "c", e Lei nº4.595, de 31 de dezembro de 1964, art. 57, parágrafo único). Parágrafo único.Nos casos de isenção, dispensa ou não incidência do referido tributo deverá ser apresentada declaração que comprove tal fato. Como se vê, o parágrafo único vem relativizar tal exigência, autorizando a entrega de declaração que comprove a isenção, dispensa ou não incidência. Não há nos autos prova de apresentação de tal declaração ao BCB. (...) Ocorre que em 19 de junho de 2008, em reunião na sede da quotista majoritária, Marcegaglia S.p.A, na cidade de Gazoldo Degli Ippoliti – Itália, restou decidido que os empréstimos então concedidos seriam convertidos em participação societária. A Contribuinte entende que em não havendo remessa – dos juros – ao exterior não teria ocorrido hipótese de incidência do IRRF, pois, subentende que a remessa ao exterior é elementar da hipótese de incidência, e, portanto, razão pela qual não teria emergido o fato gerador. Em análise ao texto legal que veicula a norma de incidência tributária em questão, há que se discordar da Impugnante: Art. 702. Estão sujeitas à incidência do imposto na fonte, à alíquota de quinze por cento, as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior, por fonte situada no País, a título de juros, comissões, descontos, despesas financeiras e assemelhadas. Primeiro registro a fazer referese à multiplicidade de ações que o legislador empregou para expressar a tipicidade tributária. Percebese que a remessa ao exterior é uma das hipóteses. Pagar, creditar, entregar ou empregar importâncias ao exterior, a título de juros, também constituem fatos imponíveis da obrigação tributária em exame. Portanto, em conformidade com o art. 702 do RIR/99, o imposto deve ser retido por ocasião do pagamento,crédito, entrega, emprego ou remessa, desses fatos, o que ocorrer primeiro. (...) Pagar juros ao exterior, neste contexto legal, significa adimplir a obrigação de pagar juros a pessoa domiciliada no exterior, independentemente da forma de pagamento, de modo que pode haver incidência do imposto, inclusive, sem que em nenhum momento haja a efetiva remessa de recursos ao exterior. Além disso, não se pode perder de vista o interesse jurídico tributário subjacente à norma de incidência do IRRF. O interesse jurídico em questão é o rendimento de pessoa jurídica domiciliada no exterior, oriundo de fonte situada no País, independentemente de esse rendimento auferido ter sido, ou não, remetido ao exterior. A remessa ao exterior não é a única elementar da incidência tributária em exame. (...) Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10920.907476/201297 Acórdão n.º 2202004.989 S2C2T2 Fl. 6 5 No presente caso, a pessoa jurídica credora dos empréstimos optou por empregálos – incluídos aí dos juros – no aumento de sua participação do capital a empresa brasileira. A capitalização dos empréstimos pode ser entendida como quitação ou pagamento da dívida, com juros. O ato de pagar pode ser também compreendido como compensação de maneira equivalente de benefícios econômicos. (...) Posto isto, podese afirmar que houve sim a ocorrência de fato gerador [pagamento de juros] para a incidência do Imposto de Renda Retido na Fonte e que, desta forma, eram sim devidas as importâncias cuja restituição era pleiteada pela Contribuinte. Manifestome pela improcedência da Manifestação de Inconformidade. 5. Cientificado da decisão a quo, o contribuinte repisa as questões trazidas na Manifestação de Inconformidade e infere ter comprovado do direito creditório pleiteado, uma vez que à época realizou o recolhimento integralmente, de forma equivocada. 6. Requer, por fim, que seja acolhido o recurso com o reconhecimento do indébito, e o deferimento de ressarcimento pelos meios disponíveis. 7. É o relatório." Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10920.907476/201297 Acórdão n.º 2202004.989 S2C2T2 Fl. 7 6 Voto Conselheiro RONNIE SOARES ANDERSON – Relator Este processo foi julgado na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2202004.969, de 14 de fevereiro de 2019 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10920.907456/201216, paradigma deste julgamento. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2202004.969, de 14 de fevereiro de 2019 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária: Acórdão nº 2202004.969 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária "8. O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos, uma vez que é cabível, há interesse recursal, a recorrente detém legitimidade e inexiste fato impeditivo, modificativo ou extintivo do poder de recorrer. Além disso, atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal e apresentase tempestivo. Portanto dele conheço. 9. Ressalto que a recorrente não levanta questões preliminares. 10. Quanto ao Mérito, entendo que não existe razão ao pleito da recorrente e não há motivos que justifiquem uma eventual reforma da decisão proferida pela DRJ, que não homologou a compensação. 12. Não obstante a contribuinte argüir no sentido de que o recolhimento do imposto de renda retido na fonte foi equivocado, por apenas ter aplicado valores de empréstimos no aumento de seu capital, que a seu ver não seria equiparável às remessas ao exterior, para comprovação do alegado deveria ter juntado elementos mínimos de prova documental que fundamentassem plenamente suas alegações sobre as operações. Seria necessário que tivessem sido colacionados aos autos, no momento oportuno, documentos hábeis à comprovação dos registros contábeis relativos à operação, e não apenas Ata de Reunião de Sócios Quotistas e Alteração e Consolidação do Contrato Social, conforme realizado. 13 No caso de pedido de compensação, a liquidez do direito há de ser provada pela comprovação documental do quantum compensável pelo contribuinte. O art. 373, inciso I, do novo Código de Processo Civil, aplicável subsidiariamente ao processo administrativo fiscal, dispõe que o ônus da prova incumbe ao autor, enquanto que o art. 36 da Lei nº 9.784, de 29/01/99, impõe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Em idêntico sentido atua o Decreto nº 70.235, de 1972, Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10920.907476/201297 Acórdão n.º 2202004.989 S2C2T2 Fl. 8 7 que, regendo as compensações por força do art. 74, § 11, da Lei 9.430/96, determina em seu art. 15 que os recursos administrativos devem trazer os elementos de prova. 14. Dessa forma, como cumpria exclusivamente ao contribuinte o ônus de provar a liquidez e certeza de seu alegado crédito, como não o fez, como não resta o crédito devidamente comprovado nestes autos, entendo por não haver motivos para a reforma do Acórdão da DRJ e por não reconhecer o indébito. Conclusão 15. Isso posto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. (assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima." Pelo exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. (assinado digitalmente) RONNIE SOARES ANDERSON– Relator Fl. 110DF CARF MF
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