Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,871)
- Primeira Turma Ordinária (16,379)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,216)
- Primeira Turma Ordinária (16,197)
- Primeira Turma Ordinária (16,160)
- Segunda Turma Ordinária d (15,905)
- Segunda Turma Ordinária d (14,489)
- Primeira Turma Ordinária (13,087)
- Primeira Turma Ordinária (12,511)
- Segunda Turma Ordinária d (12,428)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,468)
- Quarta Câmara (85,170)
- Terceira Câmara (67,786)
- Segunda Câmara (56,453)
- Primeira Câmara (20,645)
- 3ª SEÇÃO (16,216)
- 2ª SEÇÃO (11,306)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,453)
- Segunda Seção de Julgamen (115,046)
- Primeira Seção de Julgame (76,951)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,964)
- Câmara Superior de Recurs (37,972)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,607)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,489)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,270)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,899)
- HELCIO LAFETA REIS (3,843)
- ROSALDO TREVISAN (3,233)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,929)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,781)
- WILDERSON BOTTO (2,640)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,493)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,841)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,600)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2026 (16,157)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 13855.723283/2011-13
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
VERIFICAÇÃO DE SIMILITUDE FÁTICA. CONHECIMENTO.
A constatação da existência de similitude fática e do atendimento dos demais pressupostos de admissibilidade impõe o conhecimento do Recurso Especial.
CONTRATAÇÃO DE MÃO-DE-OBRA POR MEIO DE EMPRESAS INTERPOSTAS OPTANTES PELO SIMPLES. APROVEITAMENTO, PELA CONTRATANTE, DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS RECOLHIDAS PELAS INTERPOSTAS. IMPOSSIBILIDADE.
Verificada a utilização de empresas optantes pelo SIMPLES, interpostas pessoas, para o recrutamento de mão-de-obra, e tendo o vínculo empregatício sido caracterizado na contratante, não é cabível abater do lançamento as contribuições recolhidas pelas empresas contratadas ao regime de tributação favorecido. Inaplicabilidade da Súmula CARF nº 76.
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO.
Não cabe a apreciação de matéria que não tenham sido objeto de impugnação ou de recurso voluntário em virtude de preclusão.
Numero da decisão: 9202-007.687
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (Relator), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201903
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 VERIFICAÇÃO DE SIMILITUDE FÁTICA. CONHECIMENTO. A constatação da existência de similitude fática e do atendimento dos demais pressupostos de admissibilidade impõe o conhecimento do Recurso Especial. CONTRATAÇÃO DE MÃO-DE-OBRA POR MEIO DE EMPRESAS INTERPOSTAS OPTANTES PELO SIMPLES. APROVEITAMENTO, PELA CONTRATANTE, DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS RECOLHIDAS PELAS INTERPOSTAS. IMPOSSIBILIDADE. Verificada a utilização de empresas optantes pelo SIMPLES, interpostas pessoas, para o recrutamento de mão-de-obra, e tendo o vínculo empregatício sido caracterizado na contratante, não é cabível abater do lançamento as contribuições recolhidas pelas empresas contratadas ao regime de tributação favorecido. Inaplicabilidade da Súmula CARF nº 76. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. Não cabe a apreciação de matéria que não tenham sido objeto de impugnação ou de recurso voluntário em virtude de preclusão.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon May 27 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13855.723283/2011-13
anomes_publicacao_s : 201905
conteudo_id_s : 6011800
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon May 27 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 9202-007.687
nome_arquivo_s : Decisao_13855723283201113.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
nome_arquivo_pdf_s : 13855723283201113_6011800.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (Relator), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
dt_sessao_tdt : Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
id : 7755916
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:45:31 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051907756392448
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1680; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 2 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13855.723283/201113 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9202007.687 – 2ª Turma Sessão de 26 de março de 2019 Matéria NORMAS GERAIS COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS RECOLHIDOS NA SISTEMÁTICA DO SIMPLES E PRECLUSÃO Recorrente ACRUX CALÇADOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 VERIFICAÇÃO DE SIMILITUDE FÁTICA. CONHECIMENTO. A constatação da existência de similitude fática e do atendimento dos demais pressupostos de admissibilidade impõe o conhecimento do Recurso Especial. CONTRATAÇÃO DE MÃODEOBRA POR MEIO DE EMPRESAS INTERPOSTAS OPTANTES PELO SIMPLES. APROVEITAMENTO, PELA CONTRATANTE, DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS RECOLHIDAS PELAS INTERPOSTAS. IMPOSSIBILIDADE. Verificada a utilização de empresas optantes pelo SIMPLES, interpostas pessoas, para o recrutamento de mãodeobra, e tendo o vínculo empregatício sido caracterizado na contratante, não é cabível abater do lançamento as contribuições recolhidas pelas empresas contratadas ao regime de tributação favorecido. Inaplicabilidade da Súmula CARF nº 76. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. Não cabe a apreciação de matéria que não tenham sido objeto de impugnação ou de recurso voluntário em virtude de preclusão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 72 32 83 /2 01 1- 13 Fl. 2650DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (Relator), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de Autos de Infração de obrigações principais e acessória, discriminados a seguir: a) AI DEBCAD n.º 37.341.1618 – contribuições previdenciárias patronais; b) AI DEBCAD n.º 37.341.1626 – contribuições devidas a outras entidades e fundos (terceiros); e c) AI DEBCAD n.º 37.341.1600 – multa por descumprimento de obrigação acessória (deixar de declarar em GFIP fatos geradores de contribuições previdenciárias). Em sessão plenária de 13/08/2014, foi julgado o Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2401003647 (fls. 2423/2442), assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 SEGURADOS EMPREGADOS INCLUÍDOS EM FOLHA DE PAGAMENTO DE EMPRESA PRESTADORA DE SERVIÇOS. CARACTERIZAÇÃO COMO SEGURADO DA TOMADORA. DESNECESSIDADE DE EXCLUSÃO DO SIMPLES DA EMPRESA TOMADORA. Nos lançamentos em que o fisco desconsidera os vínculos empregatícios firmados com a empresa prestadora e atribui a relação de emprego diretamente com a tomadora dos serviços, é desnecessária a representação para exclusão daquela do regime tributário do Simples, desde que haja demonstração de que os trabalhadores atuavam a serviço da contratante, sendo a contratada mera empresa interposta. Recurso Voluntário Negado. A Contribuintes interpôs Embargos de Declaração, os quais foram parcialmente acolhidos, mas sem efeitos infringentes, tendo a Turma Ordinária proferido nova decisão (Acórdão nº 2402.004.800 – fls. 2469/2475) cuja ementa se transcreve a seguir: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 Fl. 2651DF CARF MF Processo nº 13855.723283/201113 Acórdão n.º 9202007.687 CSRFT2 Fl. 3 3 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO NO ACÓRDÃO. COMPROVAÇÃO. ACOLHIMENTO. Restando comprovada a omissão no acórdão, na forma suscitada pela embargante, impõese o acolhimento dos embargos de declaração para suprir a omissão apontada, rerratificandose a decisão. MATÉRIA NÃO CONTESTADA NO RECURSO. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO PELA VIA DOS EMBARGOS. Não cabe a apreciação pelo colegiado pela via dos embargos de declaração da questão do recálculo da multa, posto que é matéria que não foi aventada no recurso voluntário. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 Não cabe aproveitar em lançamento fiscal os recolhimentos efetuados na sistemática do Simples, nos casos em que os vínculos empregatícios formalmente pactuados com empresas optantes (contratadas) são desconsiderados, reconhecendose a relação de emprego diretamente com a empresa contratante (a autuada), sem que, todavia, aquelas tenham sido excluídas do regime simplificado. Embargos Acolhidos em Parte. A Contribuinte tomou ciência do acórdão de embargos em 09/03/2016 (Termo de Abertura de Mensagem de fl. 2487) e, em 24/03/2016, apresentou o Recurso Especial de fls. 2496/2521 (Termo de Análise de Solicitação de Juntada de fl. 2588). Ao Recurso Especial foi dado parcial seguimento, conforme despacho de 29/04/2016 (fls. 2592/2602), possibilitando a rediscussão das seguintes matérias: a) apropriação de valores pagos no Simples Nacional; e b) aplicação de ofício da retroatividade benigna. Quanto às matérias devolvidas a este Colegiado, o Sujeito Passivo apresenta os argumentos a seguir resumidos: desde a impugnação havia requerido, caso procedente o lançamento das contribuições sociais, que se pudesse apropriar os valores pagos ao mesmo título nas guias do SIMPLES NACIONAL das empresas ditas interpostas; o requerimento foi refutado no acórdão de embargos de declaração, sob os seguintes argumentos: · a base de recolhimento do SIMPLES ser um percentual da receita bruta da empresa, independentemente do número de empregados a ela vinculados; · o fato de os empregados das empresas contratadas terem sido vinculados pela fiscalização à contratante em nada afeta o seu Fl. 2652DF CARF MF 4 recolhimento à Seguridade Social, haja vista a base de cálculo não ser a folha de pagamento, mas a receita; · o fato de as empresas ditas cedentes de mãodeobra terem suas remunerações vinculadas à suposta tomadora de serviços não representou a exclusão daquelas do Simples, por esse motivo, os pagamentos efetuados naquele regime têm causa jurídica própria e não devem ser objeto de compensação no presente lançamento; tal raciocínio não se sustenta, pois, se a base para o recolhimento das contribuições previdenciárias sob a sistemática do SIMPLES é a receita bruta (art. 13, VI, e art. 18, § 3º, LC 123/06), e, conforme a fiscalização, sendo as empresas prestadoras interpostas pessoas, sua “receita bruta” nada mais era do que o “pagamento” dos serviços pela tomadora/autuada; ao final, a Contribuinte era tanto o responsável pelo surgimento do crédito tributário, quanto pelo pagamento desse crédito pelas prestadoras optantes do SIMPLES; portanto, era uma só empresa (Autuada/Contribuinte) a arcar com o pagamento da CPP, cabendo tão somente a ela a restituição/apropriação dos valores pagos em nome das empresas interpostas; o caso paradigmático também se reporta a autuação pela mesma equipe fiscalizadora, em empresa do mesmo ramo de atividade da Contribuinte (fabricante de calçados), na mesma localidade (Franca/SP); ao contrário do que aqui decidido, o acórdão paradigma alberga o pedido da Contribuinte, sobretudo por reconhecer a aplicação da Súmula CARF nº 76; em unificação aos entendimentos acima cotejados, esperase a adoção para o caso concreto da decisão que acolhe a pretensão da Contribuinte quanto à apropriação dos valores pagos a título de CPP nas guias do SIMPLES das empresas ditas interpostas; em relação à retroatividade benigna, entende que a matéria objeto de sua irresignação teria sido prequestionada por ocasião dos embargos de declaração; tratase de pedido de reconhecimento de ofício dos julgadores quanto a aplicação da retroatividade benigna em face de equívocos cometidos pela Autoridade Fiscal, que, sob o pretexto de perseguir a penalidade menos severa, em verdade contrariou norma legal e majorou as multas no caso concreto; o acórdão de embargos rebateu sua pretensão pelo fato de que a matéria não teria sido ventilada anteriormente e, ao mesmo tempo, concluiu que a cominação das penalidades foi feita corretamente; a matéria objeto da irresignação é de ordem pública, de índole material, prevista no art. 106, II, “c”, do CTN; não contemplada no julgamento ou mal aplicada, deve ser analisada ante ao “ato não definitivamente julgado”, que é a hipótese dos autos (lançamento de ofício ainda não definitivamente constituído arts. 145, I e 174, CTN); o cotejo perpetrado pela autoridade fiscal no lançamento quanto a “penalidade mais benéfica” carece da correta aplicação do citado instituto jurídico; em resumo, para as competências 03 a 07/2007 e 09 a 12/2007, aplicouse multa de mora no importe de 24% e paras as competências 01, 02 e 08/2007 e 01 a 11/2008, optouse pela multa de ofício no importe de 75%; Fl. 2653DF CARF MF Processo nº 13855.723283/201113 Acórdão n.º 9202007.687 CSRFT2 Fl. 4 5 a multa de ofício só tem lugar aos fatos geradores ocorridos após 12/2008; embasado na retroatividade benigna (art. 106, CTN), e que o lançamento se reporta a data do fato gerador (art. 144, CTN), o art. 35A da Lei nº 8.212/91, que dá sustentação a multa de ofício para as contribuições previdenciárias, adentrou ao mundo jurídico somente após 03/12/2008 (MP nº 449/2008); portanto, no caso dos autos, por tratarse de período de lançamento de 01/2007 a 12/2008, somente caberia a multa de ofício, no patamar de 75%, nos lançamentos das contribuições das competências 12 e 13/2008; a multa de mora de 24% aplicada no período fiscalizado também não coaduna com a lei; sob o mesmo fundamento da retroatividade benigna (art. 106, CTN), tratando se de ato não definitivamente julgado, a multa de mora deveria ser calculada conforme o art. 61 da Lei nº 9.430/96, posto que a MP 449/2008 alterou a redação do art. 35 da Lei nº 8.212/91, ou seja, a limitação da multa a 20%; todas essas situações são albergadas pelo acórdão paradigma; é de se reconhecer que sobre os mesmos pontos de relevo jurídico a respeito da aplicação das penalidades, há posições conflitantes, sendo que na hipótese dos autos, o cotejo analítico, a despeito de prever a retroatividade benigna, o fez de maneira equivocada, cabendo, portanto, a revisão de ofício a prestigiar a forma correta adotada no paradigma; Requer, por fim: a apropriação dos valores já recolhidos a título de contribuições previdenciárias nas guias do SIMPLES das empresas interpostas; que se aplique a penalidade mais benéfica, especialmente: a) a exclusão da multa de ofício até a competência 11/2008, impondose exclusivamente a multa de mora no limite de 20%; e b) que nas competências 12/2008 e 13/2008, exijase exclusivamente a multa de ofício de 75%. Cientificada do Recurso Especial e do despacho que lhe deu seguimento, em 12/09/2016 (fl. 2613) a Fazenda Nacional, em 19/09/2016 (fl. 2643), ofereceu as contrarrazões de fls. 2614/2642 ao Recurso Especial, alegando, em síntese, o que segue: Conhecimento os paradigmas trazidos quanto às matérias não são aptos a demonstrar as divergências; quanto à apropriação dos valores recolhidos na sistemática do SIMPLES: § as prestadoras de serviço de “fachada” não foram excluídas do Simples; § logo, o contexto fático esboçado no paradigma é inteiramente diverso; § não se aplica à “legislação” supostamente violada, objeto da divergência o enunciado nº 76 da Súmula do CARF, pois se está diante de suporte fático diverso; com relação à aplicação de ofício da retroatividade benigna: Fl. 2654DF CARF MF 6 § voltando a atenção para a decisão recorrida, observase a existência de dois fundamentos autônomos para o não acolhimento do pleito relativo à multa; § o primeiro fundamento para manter o lançamento da multa referese a fato de que a matéria não foi objeto de recurso voluntário; § em segundo lugar, o acórdão recorrido refuta o pedido feito pela Contribuinte pois o entendimento adotado pelo Fisco está em consonância com o posicionamento da Turma; § em relação ao primeiro fundamento, verificase que não foi objeto de decisão expressa pelo acórdão apontado como paradigma, tampouco foi objeto de questionamento no recurso especial; § a insurgência da Recorrente restringese em apontar equívoco na aplicação da retroatividade benigna pela autoridade fiscal; § para que restassem cumpridos os requisitos de admissibilidade do Recurso Especial seria necessário que o interessado questionasse a natureza da matéria, podendo ser conhecida ou não de ofício, apontando a legislação supostamente violada, que nada tem a ver com os arts. 35 e 35A da Lei 8.212/91, mas sim com normas gerais do processo administrativo fiscal e mesmo com o processo civil; § por falta de insurgência específica no recurso especial e por falta de demonstração de divergência jurisprudencial quanto à matéria, o recurso não poderia ter seu seguimento deferido; § fica assente, portanto, que havia dois fundamentos autônomos e suficientes para o não provimento do recurso voluntário; § desponta a necessidade de se negar seguimento ao recurso especial manejado, pois em que pese constarem dois fundamentos autônomos e suficientes no acórdão recorrido para rejeitar a restituição/compensação pleiteada, o recurso especial foi admitido apenas quanto a um deles, restando o outro intacto por decisão definitiva, não havendo aí interesse processual em alterar apenas um dos fundamentos que alicerçam a rejeição da pretensão da Contribuinte quando o outro já é suficiente por si só para provocar esse mesmo resultado; § o recurso especial, nos moldes em que admitido parcialmente, não seria hábil a favorecer a Contribuinte, pois a decisão quanto ao não conhecimento de matéria que não foi objeto de recurso voluntário permaneceria lídima de qualquer modo; § como há outro fundamento suficiente para manter o acórdão recorrido e cujo pleito recursal não foi admitido por decisão definitiva do Presidente da CSRF, impõese o não conhecimento do recurso especial manejado por falta de interesse; § ainda que se ultrapasse essa alegação, há outras razões que demandam a negativa de seguimento do Recurso Especial; § não há que se falar em aplicação “de ofício” da retroatividade benigna no caso concreto; § em primeiro lugar, a matéria foi devidamente exposta pela autoridade fiscal desde o início, já por ocasião do lançamento, haja Fl. 2655DF CARF MF Processo nº 13855.723283/201113 Acórdão n.º 9202007.687 CSRFT2 Fl. 5 7 vista que à época já se encontrava em vigor a Lei n. 11.941/2009, todavia, não houve impugnação da matéria; § é possível concluir que a matéria que não foi impugnada resta definitiva na esfera administrativa, pois é a impugnação do Sujeito Passivo que delimita a matéria litigiosa; § se a multa não foi objeto de impugnação, sobre ela não se instaurou litígio algum, razão pela qual é definitiva na seara administrativa; § não se trata de “ato não definitivamente julgado” e, como tal, não está sujeita à uma suposta retroatividade benigna a ser aplicada de ofício; § tampouco há que se falar em superveniência de lei mais benéfica. Não há nenhuma superveniência, pois as mudanças legislativas em questão já foram aplicadas por ocasião do lançamento; § essa é a razão pela qual, para ser revisto o procedimento da autoridade fiscal, seria necessária impugnação na boa e devida forma, especificamente em relação à matéria. O mesmo se podendo dizer em relação ao recurso voluntário; § em nenhum momento a Recorrente alegou ou comprovou divergência no sentido de que a multa é matéria de ordem pública, razão pela qual poderia ser revista durante o procedimento administrativo fiscal, de ofício, sem necessidade de insurgência específica; § na situação julgada pelo paradigma, o lançamento não foi realizado desde o início já com base nas mudanças legislativas relativas à multa; § poderseia até alegar que a MP nº 449/2008 já estava em vigor, mas o caso é que não foi aplicada pela autoridade fiscal; § não houve nenhuma fundamentação a respeito no AI. Aliás, lá foi aplicada a multa conforme a legislação anterior à MP nº 449. O mesmo não se pode dizer em relação ao presente feito; § o Fisco trouxe já no relatório fiscal o comparativo das multas e todas as razões para alicerçar seu procedimento. Se o ora Recorrente não impugnou a matéria, no tempo e modo oportuno, foi por sua própria vontade; Mérito no caso concreto, relativamente ao aproveitamento das contribuições das empresas ditas prestadoras de serviço na sistemática do Simples, não se aplica o enunciado nº 76 da Súmula CARF como bem explicado pela decisão recorrida. Reproduz trechos da decisão recorrida para embasar suas alegações; logo, pelos termos acima expostos, fica claro que a decisão recorrida deve ser mantida; com relação à retroatividade benigna, repisa argumentos relacionados à preclusão e pugna pela manutenção do lançamento por considerar acertado o cálculo da multa na sistemática adotada pela Autoridade Autuante. Fl. 2656DF CARF MF 8 Requer a Fazenda Nacional que não se dê seguimento ao Recurso Especial ou, alternativamente, que lhe seja negado provimento. Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho Relator CONHECIMENTO O Recurso Especial é tempestivo, restando perquirir se atende aos demais requisitos de admissibilidade, à luz das contrarrazões também apresentadas tempestivamente. No que se refere ao aproveitamento das contribuições recolhidas sob a sistemática do SIMPLES, a Fazenda Nacional aduz não ter se configurado o dissídio jurisprudencial. Contudo, examinando o caso concreto, constatase que se está diante de situações absolutamente idênticas. Tal fato pode ser facilmente constatado da simples leitura de trechos dos relatórios dos acórdãos recorrido e paradigma reproduzidos no quadro a seguir: Acórdão Recorrido Acórdão Paradigma (nº 2403002.855) O Relatório Fiscal de fls. 55/96, aduziu em síntese que: A ACRUX CALÇADOS LTDA (nome fantasia SAPATOTERAPIA) utilizou as empresas ELI A DE ALMEIDA PESPONTO – EPP, SILVIO HENRIQUE PONCEME, CALOORE IND E COM DE CALÇADOS LTDAME, todas optantes pelo SIMPLES, como interpostas pessoas com a finalidade de contratar segurados com redução de encargos previdenciários, uma vez que, por serem optantes pelo SIMPLES não recolhem a contribuição previdenciária patronal e para outras entidades e fundos. Abaixo seguem trechos do relatório fiscal de fls.74/124: [...] 3. Durante auditoria fiscal realizada na empresa ESTIVAL IMPORTAÇÃO EXPORTAÇÃO LTDA, CNPJ nº 01.145.506/000151, doravante denominada por ESTIVAL, que atua no ramo da indústria, comércio, exportação e importação de calçados, ficou constatado que esta utiliza as empresas P.S. BARBOSA PESPONTO EPP, CNPJ nº 07.418.488/000110, e D M DE SOUZA PESPONTO DE CALÇADOS – EPPP, CNPJ nº 07.418.488/000110, ambas OPTANTES pelo SIMPLES – Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições (Doravante denominadas por P.S.BARBOSA e DM DE SOUZA) como INTERPOSTAS PESSOAS com a finalidade de contratar segurados empregados com redução de encargos previdenciários, uma vez que, por serem optantes pelo SIMPLES não recolhem a contribuição previdenciária patronal, conforme restará demonstrado e comprovado no presente relatório. Vêse, pois, que, em face de contextos fáticos semelhantes, foram adotadas soluções diametralmente opostas. Enquanto no acórdão de embargos, em complemento à decisão originária, entendeuse pela impossibilidade de abater do crédito lançado o valor recolhido pelas empresas nas quais se encontravam registrados os trabalhadores cujo vínculo Fl. 2657DF CARF MF Processo nº 13855.723283/201113 Acórdão n.º 9202007.687 CSRFT2 Fl. 6 9 foi caracterizado com a Recorrente, no paradigma, resolveuse por reconhecer que tais valores fossem compensados até o limite da contribuição patronal, por se considerara aplicável ao caso a Súmula CARF nº 76. A respeito da retroatividade benigna, os trechos do Relatório Fiscal reproduzidos a seguir (fl. 93) demonstram que, no caso presente, sua aplicação foi feita no ato do lançamento. Vejase: 3.3 Considerando finalmente que o lançamento ora constituído contém fatos geradores ocorridos antes e depois da publicação da MP 449/2008, foi efetuada por esta auditoria fiscal a comparação entre as multas a serem aplicadas, da seguinte forma: (1) Multa de mora prevista no inciso II do art. 35 da Lei 8.212/91, com redação dada pela Lei n° 9.876, de 1999 24% (legislação anterior à MP 449/2008); (2) Multa por descumprimento de obrigação acessória prevista no § 5o do art. 32 da Lei 8.212/91, acrescentado pela Lei n° 9.528, de 10.12.97 CFL 68 (legislação anterior à MP 449/2008); (3) Multa de ofício (75%) prevista no artigo 35A da Lei 8.212/91 na redação dada pela MP 449/2008, convertida na Lei n° 11.941 de 27/05/2009; 3.3.1 Após efetuar a comparação das multas [legislação anterior(l)+(2) com a legislação atual(3)] apurouse, por competência, as multas mais benéficas a serem aplicadas, o que resultou nas seguintes situações: a) Competências 03/2007 a 07/2007 e 09/2007 a 12/2007: Aplicamse as multas previstas na legislação anterior (1) multa de mora prevista no inciso II do art. 35 da Lei 8.212/91, com redação dada pela Lei n° 9.876, de 1999 24% (legislação anterior à MP 449/2008), e (2) multa por descumprimento de obrigação acessória prevista no § 5o do art. 32 da Lei 8.212/91, acrescentado pela Lei n° 9.528, de 10.12.97 CFL 68 (legislação anterior à MP 449/2008). b) Competências 01/2007, 02/2007, 08/2007 e 01/2008 a 11/2008: Aplicase a multa de ofício no importe de 75% (setenta e cinco por cento) prevista no artigo art. 35A da Lei n° 8.212/91, acrescentado pela MP 449/2008, convertida na Lei n° 11.941/2009. 3.3.2 Com relação às competências 12/2008 e 13/2008 não cabe comparação entre as multas, por tratarse de período posterior à publicação da MP 449/2008 e para as quais está sendo aplicada a multa de ofício (75%). A despeito do que consta do Relatório Fiscal, a Recorrente não trouxe qualquer questionamento a respeito desse tema na peça impugnatória ou no recurso voluntário. Somente em sede de embargos a Contribuinte insurgiuse contra a metodologia de cálculo da multa mais benéfica. Senão vejamos o que consta do Acórdão nº 2402004.800: O suposto equívoco da autoridade fiscal na fixação da multa não pode ser corrigido mediante embargos de declaração, posto que sequer essa questão foi aventada no recurso voluntário. E mesmo que pudesse ser apreciada de ofício, a metodologia utilizada para definição da multa mais benéfica está em consonância com o entendimento da turma, não havendo possibilidade de retificação da penalidade. (Grifouse) Referida decisão foi registrada nos seguintes termos: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher em parte os embargos para rerratificar o acórdão embargado, sem efeitos infringentes. (Grifouse) Fl. 2658DF CARF MF 10 Em vista disso, a Fazenda Nacional alega a existência de dois fundamentos autônomos para o não acolhimento do pleito da Contribuinte: i) a matéria não teria sido objeto de recurso voluntário; e ii) o entendimento adotado pelo Fisco está em consonância com o posicionamento da Turma Julgadora. Não obstante, muito embora o Relator da decisão fustigada tenha afirmado que “a metodologia utilizada para definição da multa mais benéfica está em consonância com o entendimento da turma”, não há como reconhecer que esse tenha sido um dos fundamentos para afastar a pretensão da Contribuinte pela via dos embargos de declaração. É que, nesse ponto, os aclaratórios sequer foram acolhidos. Vejase que o voto condutor do acórdão de embargos, ao se posicionar favoravelmente ao entendimento do Fisco, utilizase da expressão “mesmo que [a matéria] pudesse ser apreciada de ofício”. E mais, a decisão foi por acolher os embargos em parte. Logo, no que respeita a multa mais benéfica, os embargos da Recorrente não foram acolhidos única e exclusivamente pelo fato de não haver sido objeto de prequestionamento. A asserção de que o cálculo da multa efetuado pela Autoridade Autuante estaria de acordo com o entendimento da Turma prolatora da decisão é mero obiter dictum. Asseverese que a discussão aqui empreendida não diz respeito à sistemática de cálculo da multa mais benéfica, mas à obrigatoriedade de o Colegiado a quo se posicionar sobre matéria que não fora objeto de recurso voluntário, ou seja, o tema em debate é a preclusão e a esse respeito entendo que houve o necessário prequestionamento quando da interposição de embargos pela Contribuinte. Assim, para que reste instaurado o dissídio jurisprudencial é suficiente a indicação de paradigma em que, mesmo Autoridade Autante já tendo aplicado a retroatividade benigna para o cálculo da multa, o Colegiado entenda pela possibilidade de retificar, de ofício, seu valor a partir de sistemática distinta, e foi exatamente isso que ocorreu na decisão colacionada pela Recorrente (Acórdão nº 2403002.855). Confirase: Verificase que a autoridade fiscal realizou um comparativo entre multas tendo em vista o advento da MP 449/08 e da Lei 11.941/09, até a competência de novembro de 2008, tendo aplicado apenas a multa de mora, no entanto, erroneamente, no patamar de 24%, merecendo assim, reforma, conforme os motivos abaixo. [...] Contudo, no que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, cominelhe penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna. Impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. Fl. 2659DF CARF MF Processo nº 13855.723283/201113 Acórdão n.º 9202007.687 CSRFT2 Fl. 7 11 Desse modo, vêse que, mesmo diante de situações fáticas similares e em face do mesmo arcabouço jurídiconormativo foram adotadas decisões dispares, o que impõe reconhecer a existência de dissenso interpretativo entre as decisões cotejadas. Em virtude disso, voto por conhecer do Recurso Especial. MÉRITO Aproveitamento das Contribuições Recolhidas Sob a Sistemática do Simples De início, importa esclarecer que, diferentemente do exposto na decisão paradigma (Acórdão nº 2403002.855), a Súmula CARF nº 76 foi editada em razão de situação completamente diversa da retratada naqueles autos. E isso pode ser facilmente constatado a partir do exame dos precedentes que fundamentaram a elaboração de referida súmula. Tratam se de decisões relacionadas a Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica, nas quais as empresas autuadas são excluídas dos SIMPLES e os recolhimentos efetuados por elas, e em nome próprio, naquele regime de tributação, são aproveitados, reduzidose os valores originalmente lançados. Abaixo, ementas de alguns desses precedentes: Acórdão nº 180301.000 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 EXCLUSÃO DO SIMPLES. CABIMENTO. Não poderá optar pelo SIMPLES a pessoa jurídica que tenha auferido, no ano calendário imediatamente anterior, receita bruta superior a R$1.200.000,00. A exclusão surtirá efeitos a partir do ano calendário subsequente àquele em que for ultrapassado o limite estabelecido. SIMPLES. EXCLUSÃO. TRIBUTAÇÃO PELO LUCRO ARBITRADO. APROVEITAMENTO DOS PAGAMENTOS.POSSIBILIDADE. Os recolhimentos efetuados com o código do regime de tributação do Simples podem ser aproveitados nos percentuais fixados pela Lei n° 9.317/1996. Acórdão n° 9101000.949 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Exercícios:2001, 2002, 2003 Ementa: RECOLHIMENTOS EFETUADOS NA SISTEMÁTICA DO SIMPLES APÓS A EXCLUSÃO POSSIBILIDADE DE DEDUÇÃO COM OS VALORES LANÇADOS. Legitima a dedução (do montante lançado pela Fiscalização) dos valores recolhidos pelo contribuinte na sistemática do SIMPLES após a data de sua exclusão,observandose, para tanto, as regras de imputação do regime simplificado para cada tributo. Fl. 2660DF CARF MF 12 Repisese que no aresto paradigma, assim como no recorrido, a situação é absolutamente distinta. In casu, a Recorrente utilizouse de empregados contratados por empresas optantes pelo SIMPLES, interpostas pessoas, com fim de reduzir o valor das contribuições previdenciárias patronais e contribuições devidas a outras entidades ou fundos, os denominados terceiros. Asseverese que, ao revés do que se verifica nos precedentes que deram origem à Súmula CARF nº 76, em que se reconheceu o direito de as contribuintes abaterem os tributos por elas recolhidos na sistemática do SIMPLES, antes de efetivada sua exclusão, na circunstância sub examime, o intento da Recorrente é valerse de contribuições recolhidas por outras pessoas jurídicas nesse regime de tributação. E mais, no caso concreto, nem as pessoas jurídicas interpostas e nem a empresa autuada foram excluídas do SIMPLES. De acordo com o Recurso Especial, à luz do entendimento desenvolvido pela Fiscalização, “o Contribuinte era tanto o responsável pelo surgimento do crédito tributário, quanto pelo pagamento desse crédito pelas prestadoras optantes do SIMPLES”, sendo que, para esse efeito, a autuada teria arcado com as contribuições das empresas interpostas“cabendo tão somente a ela a restituição/apropriação dos valores pagos” em nome de tais empresas. Ocorre que, por não ter havido a exclusão dos SIMPLES das empresas ditas de “fachada”, entendo correta a conclusão extraída do Acórdão nº 2402004.800 de que “os pagamentos efetuados naquele regime tem causa jurídica e não devem ser objeto de compensação no presente lançamento”. Além do que, não houve a descaracterização da personalidade jurídica das empresas interpostas, não sendo razoável reconhecer a legitimidade de a Recorrente poder valerse de tributos recolhidos por pessoas jurídicas diversas com o fim de reduzir tributos por ela (Recorrente) devidos. Dito isso, nego provimento ao recurso quanto a essa matéria. Retroatividade Benigna Preclusão Demonstrouse acima que, em razão das alterações advindas da MP nº 449/2008, convertida na Lei n° 11.941/2009, a autoridade autuante, com base no art. 106 do CTN, efetuou, de ofício, o cálculo da multa considerada mais benéfica ao Sujeito Passivo, sendo que não se trouxe, em sede de impugnação ou recurso voluntário nenhum questionamento a esse respeito, tampouco a decisão de primeira instância administrativa fez qualquer tipo de apontamento acerca disso. Sobre o assunto, convém reproduzir o inciso III do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, que estabelece: Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) [...] Por seu turno, o art. 17 do mesmo diploma legal é no sentido de que será considerada não impugnada a matéria que não tenha sido objeto de contestação quando da apresentação da peça impugnatória: Fl. 2661DF CARF MF Processo nº 13855.723283/201113 Acórdão n.º 9202007.687 CSRFT2 Fl. 8 13 Art. 17.Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Ora, não tendo o Sujeito Passivo, ainda na fase impugnatória, insurgidose contra a multa mais benéfica, na forma aplicada pela Fiscalização, operouse a preclusão, não sendo admissível que o tema venha a ser suscitado somente após a decisão de segunda instância administrativa. Ademais, o art. 141 do Código de Processo Civil, norma de aplicação supletiva e subsidiária ao processo administrativo, estabelece que julgadores devem decidir nos limites da lide, sendolhes defeso conhecer de questões cuja lei exige iniciativa do litigante, in verbis: Art. 141. O juiz decidirá o mérito nos limites propostos pelas partes, sendolhe vedado conhecer de questões não suscitadas a cujo respeito a lei exige iniciativa da parte. Assim, andou bem o Colegiado recorrido ao não admitir, neste ponto, os aclaratórios da Recorrente tendo em vista que, além quedarse inerte na via impugnatória, a questão sequer foi alegada pelo Sujeito Passivo em sede de recurso voluntário. Abaixo trecho do acórdão de embargos sobre o assunto: O suposto equívoco da autoridade fiscal na fixação da multa não pode ser corrigido mediante embargos de declaração, posto que sequer essa questão foi aventada no recurso voluntário. E mesmo que pudesse ser apreciada de ofício, a metodologia utilizada para definição da multa mais benéfica está em consonância com o entendimento da turma, não havendo possibilidade de retificação da penalidade. (Grifouse) Todavia, mesmo diante da flagrante inexistência de prequestionamento, a Recorrente aduz que a matéria objeto de irresignação é de ordem pública, de índole material e que “Não contemplada no julgamento ou mal aplicada, deve ser analisada ante ao ‘ato não definitivamente julgado’”. Sem a pretensão de esgotar as discussões sobre o tema, temos que questões de ordem pública são aquelas passíveis de apreciação, inclusive de ofício, pela autoridade administrativa ou judicial. Tratamse de situações ou vícios processuais que não se sujeitam à preclusão, por extrapolarem o direito dos litigantes, isto é, o direito das partes cede espaço ao interesse público que se deve preservar. Recorrendose mais uma vez ao Código de Processo Civil, agora aos incisos IV, V, VI e IX do caput e ao § 3º de seu art. 485 é possível ter uma ideia do que venha a ser matéria de ordem pública. Tratamse de situações em que se constata: a ausência de pressupostos de constituição e de desenvolvimento válido e regular do processo, como, por exemplo, a ilegitimidade passiva; a ocorrência de: · perempção; · litispendência; · coisa julgada; Fl. 2662DF CARF MF 14 a morte da parte, quando a ação é considerada intransmissível por disposição legal. Via de regra, a inexistência de prequestionamento conduz sistematicamente à preclusão. Somente em hipóteses excepcionais, e em que se busca a preservação dos interesses da coletividade, como nas situações descritas na norma processual, à autoridade julgadora é lícito conhecer de ofício de questões não suscitadas pelas partes. Porém, o caso ora examinado não enquadra em nenhuma dessas hipóteses. Assim, admitir a apreciação de matérias que não sejam consideradas como de ordem pública, sem que tenha havido o necessário prequestionamento, implicaria emitir decisão extrapetita, em afronta ao art. 141 do Código de Processo Civil. Em virtude disso, nego provimento ao Recurso Especial também neste ponto. CONCLUSÃO Ante o exposto voto por conhecer do Recurso Especial para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Relator Fl. 2663DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10530.002422/2008-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 20 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 2202-000.860
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Nome do relator: RORILDO BARBOSA CORREIA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201905
camara_s : Segunda Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon May 20 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10530.002422/2008-41
anomes_publicacao_s : 201905
conteudo_id_s : 6008610
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon May 20 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2202-000.860
nome_arquivo_s : Decisao_10530002422200841.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : RORILDO BARBOSA CORREIA
nome_arquivo_pdf_s : 10530002422200841_6008610.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
dt_sessao_tdt : Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
id : 7746286
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:44:49 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051907770023936
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1878; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 160 1 159 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10530.002422/200841 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2202000.860 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 07 de maio de 2019 Assunto SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIA Recorrente PIRELLI PNEUS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para fins de que a Unidade de Origem intime o Ministério da Ciência e Tecnologia para que informe se foi emitido ato autorizativo de migração publicado no Diário Oficial em benefício da Recorrente, nos termos dispostos no § 2º do art. 15 do Decreto nº 5.798/06, juntando a correspondente cópia do ato, bem como esclarecendo, sendo o caso, o alcance temporal dos respectivos efeitos. Na sequência, devese intimar a contribuinte, para se manifestar acerca do resultado da diligência. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) Rorildo Barbosa Correia Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correa, Leonam Rocha de Medeiros, Virgílio Casino Gil (suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson. Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão nº 0540.794 proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas/SP DRJ/CPS, a qual julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade e manteve o Despacho Decisório recorrido, não reconhecendo o direito creditório pleiteado e não homologando as RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 30 .0 02 42 2/ 20 08 -4 1 Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10530.002422/200841 Resolução nº 2202000.860 S2C2T2 Fl. 161 2 compensações tratadas no processo apensado nº 10530.003381/200818, (fls. 105/115 e 125/140). Do Pedido de Restituição/Compensação No tocante ao pedido de restituição/compensação, o relatório que acompanha a decisão da DRJ/CPS (fl. 106) mencionou o seguinte: Tratase de manifestação de inconformidade contra a decisão do Serviço de Tributação da Delegacia da Receita Federal de Santo André que indeferiu a solicitação de restituição/compensação de R$ 529.229,58. Segundo a contribuinte o direito creditório corresponderia a 20% do Imposto de Renda Retido na Fonte sobre remessa ao exterior a título de pagamento de royalties efetivada no âmbito do benefício fiscal concedido pelo Programa de Desenvolvimento Tecnológico Industrial PDTI. Da Análise do Pedido de Restituição/Compensação De acordo com o Despacho Decisório (fls. 48/51), a autoridade administrativa não reconheceu o direito creditório pleiteado, indeferiu o pedido de restituição e não homologou a compensação: "Em conformidade com a competência que me foi delegada pela Portaria DRF/SAE nº 75, de 07 de outubro de 2011, Indefiro o pleito do interessado e Não Homologo a compensação vinculada ao processo nº 10530.003381/200818" (fl. 51). Da Manifestação de Inconformidade Regularmente intimado do indeferimento do pedido de restituição/compensação, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 61/72), como bem sintetizado no Acórdão (fls. 108/110), alegando que: A Portaria do Ministro da Ciência e Tecnologia nº 769, de 2002 especificou os benefícios fiscais a que a requerente poderia usufruir, estando entre eles o crédito de 20% do valor do IRRF incidente sobre o pagamento de “royalties” a beneficiário domiciliado no exterior em razão de contrato de transferência de tecnologia. A mencionada solicitação estaria acompanhada dos documentos relacionados na Portaria do Ministro da Fazenda. Não haver sustentação para o indeferimento do pleito, pois todas as exigências para a concessão do benefício foram cumpridas. A seu ver, a própria autoridade responsável pelo exame do pedido reconheceu ser a interessada titular do benefício fiscal de crédito de 20% do IRRF incidente sobre valores pagos, remetidos ou creditados a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior a título de “royalties” de assistência técnica ou científica e de serviços especializados, conforme Portaria MCT nº 769. O benefício fiscal em discussão foi concedido pelo Ministério da Ciência e Tecnologia com base na Lei 11.196/2005, além do Decreto n° 5798 de 2006 e pela Portaria MF nº 267, de 26 de novembro de 1996. Tal legislação, além de determinar os incentivos fiscais no âmbito do PDTI, também atribuiria ao Ministério de Ciência e Tecnologia a responsabilidade de disciplinar, fiscalizar e manifestarse quanto à execução do PDTI. Nesse sentido, à Receita Federal caberia tão só avaliar os documentos apresentados a fim de reconhecer o direito creditório. Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10530.002422/200841 Resolução nº 2202000.860 S2C2T2 Fl. 162 3 A autoridade fiscal, de forma equivocada, contrariando os documentos apresentados pela Recorrente, teria considerado não comprovada a migração da contribuinte para o novo regime de isenção, instaurado pela legislação antes citada. Entretanto, a Recorrente defende que a migração não só teria sido devidamente requerida e deferida, como também comprovada nos presentes autos. Apresentou decisões administrativas que ratificariam o entendimento da contribuinte, definindo caber ao Ministério de Ciência e Tecnologia a concessão do benefício, restando à RFB apenas a análise quanto à ocorrência do fato gerador. Assim que editado o Decreto n° 5798 de 2006, teria a contribuinte apresentado ao MCT pedido de migração para o novo regime, o que fora prontamente aprovado. Nesse sentido, em 31/10/2006, fora publicada a Portaria MCT n ° 823 que revogou a Portaria MCT n° 769 e aprovou a migração para o novo regime. Bastaria a verificação dos dispositivos legais constantes do Preâmbulo da Portaria MCT n° 823 para se confirmar o deferimento da migração pretendida. Entende ser prova suficiente de seu direito ao benefício o fato de constar ela do “Relatório Anual de Utilização dos Benefícios Fiscais no ano base 2006”, elaborado pelo Ministério de Ciência e Tecnologia. O entendimento de forma distinta do apresentado pela contribuinte contraria os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade. A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas/SP DRJ/CPS (fls. 105/115). Da Decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento Quando da análise do presente caso, a DRJ/CPS apreciou a Manifestação de Inconformidade e proferiu o acórdão nos seguintes termos (fl. 105): "Acordam os membros da 4ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, considerar improcedente a manifestação de inconformidade, para manter o Despacho Decisório recorrido e não reconhecer o direito creditório pleiteado, não homologando as compensações tratadas no processo em apenso, de nº 10530.003381/200818, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado." Conforme ementas a seguir transcritas (fl. 105): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Data do fato gerador: 01/04/2008 INCENTIVOS FISCAIS. PROGRAMA DE DESENVOLVIMENTO TECNOLÓGICO INDUSTRIAL (PDTI). TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA. ROYALTIES. CRÉDITO DE 20% DO IRRF. Não apresentado ato autorizativo requerido pela legislação em vigor para fruição do regime previsto na Lei nº 11.196/2005, inviável reconhecer o crédito ora pleiteado, não se homologando, por conseguinte, as compensações em litígio. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10530.002422/200841 Resolução nº 2202000.860 S2C2T2 Fl. 163 4 A apreciação de questionamentos relacionados à ilegalidade e inconstitucionalidade da legislação tributária não é de competência da autoridade administrativa, sendo exclusiva do Poder Judiciário. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Do Recurso Voluntário A Pirelli Pneus Ltda, devidamente intimada da decisão da DRJ/CPS, em 26/07/2013, conforme Termo de Ciência por Decurso de Prazo (fl. 123), apresentou, conforme termo de juntada (fl. 124), recurso voluntário, em 18/08/2013 (fls. 125/140). Em sede de recurso voluntário, a Recorrente se insurgiu contra a decisão da DRJ/CPS, alegando que: A DRJ rejeitou a Manifestação de Inconformidade, por entender que a Recorrente não provou o deferimento para a migração do novo regime da Lei n° 11.196/2005, mas que a migração requerida foi deferida pelo Ministério da Ciência e Tecnologia, com efeito a partir de 01/01/2006, nos exatos termos da legislação, fato este provado no processo por meio dos relatórios anuais e da declaração todos do MCT. A competência para o deferimento da migração é do MCT, e considerando que o MCT apresentou declaração e mencionou em seu relatório anual que a Pirelli migrou para o PDTI desde 01/01/2006, neste caso a r. decisão recorrida não poderia usar a forma como foi redigida a Portaria para não reconhecer o crédito e não homologar a compensação. Após a edição do Decreto n° 5.798/2006, a Recorrente diligenciou junto ao Ministério da Ciência e Tecnologia e requereu sua migração para o novo regime da Lei 11.196/2005, apresentando pedido formal. O pedido de migração foi recebido e devidamente processado peio Ministério da Ciência e Tecnologia, conforme comprovam os emails sempre de acordo com os tramites internos do Ministério, que aprovou a migração da ora Recorrente. Ao contrário do que entendeu a DRJ, a publicação da Portaria n° 823, em 31/10/2006, acolheu o pedido de migração feito pela Recorrente e revogou a Portaria 769/2002, que tratava do benefício da Recorrente nos termos da Lei n° 8.661/1993. Verificouse que a Recorrente cumpriu todos os requisitos para a migração e o MCT expressamente aceitou esta migração, não podendo ser indeferida a restituição pleiteada. porque de outra forma, restariam violados no caso os princípios da legalidade e da verdade material da ação administrativa, que têm como base jurídica o art. 5°, II da Constituição Federal, dispositivo que figura ha décadas em nosso ordenamento fundamental e estabelece que: "II ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei." Nem se argumente, como sustenta a r. decisão recorrida, que a migração não teria sido deferida pelo Ministério da Ciência e Tecnologia, por tal fato não ter constado expressamente da Portaria n° 823/200. Porque no entendimento da DRJ, a Portaria n° 823 objetivava tão somente revogar o benefício, sem nada mencionar, contudo, acerca da migração para o novo regime, para tanto, caberia a publicação de ato autorizativo da migração pleiteada, ato este que não fora apresentado. Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10530.002422/200841 Resolução nº 2202000.860 S2C2T2 Fl. 164 5 A Recorrente entende que basta verificar os dispositivos legais constantes do preâmbulo da referida Portaria para se constatar que a mesma trata da migração do regime. Que o Ministério da Ciência e Tecnologia, responsável pela apreciação e deferimento do pedido de migração expressamente reconheceu no "Relatório Anual da Utilizado dos Incentivos Fiscais no Ano Base de 2006" que a Pirelli é detentora do beneficio nos termos da Lei n° 11.196/2005 desde 01/01/2006 e que a simples leitura deste relatório afasta qualquer dúvida acerca do fato de que a Recorrente teve seu pedido de migração do regime deferido pelo Ministério da Ciência e Tecnologia MCT, que, como reconhece a r. decisão recorrida, é o único responsável para tanto. Não existe previsão na legislação no sentido de que a RFB só pode deferir a restituição e a compensação nos casos em que seja apresentada cópia da Portaria, mas sim de que os benefícios serão assegurados após o deferimento pelo MCT, a exigência constante da r. decisão recorrida viola inclusive o principio da legalidade. Apesar de entender que os documentos apresentados afastam qualquer possibilidade de questionamento sobre a migração e o direito da ora Recorrente aos incentivos em questão, a Recorrente entrou em contato com o MCT que emitiu a declaração anexa (doc. 02), expressamente reconhecendo que a Pirelli migrou para o novo regime 11.196/2005, desde 2006: Uma vez provado que a migração efetivamente ocorreu e foi deferida a manutenção da r. decisão recorrida, que indeferiu a restituição por não ter sido juntada cópia da Portaria que expressamente reconheça este fato, além de violar a legislação que trata do assunto, representa ainda flagrante violação aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade. Do Pedido Ao final, a Recorrente requer que o recurso seja acolhido para reformar a r. decisão recorrida que indeferiu a restituição e, por consequência, homologar a compensação, nos termos em que foi requerida, extinguindose o crédito tributário, nos termos do art. 156, II do CTN. (fl. 173): Ante o exposto, a Recorrente pede e espera que o presente recurso seja recebido e provido para o fim de reconhecer a improcedência da r. decisão recorrida, com o deferimento da restituição e a homologação da compensação pleiteada, pelas razões acima expostas. Requer, ainda, seja Intimado o subscritor da presente para produção de sustentação oral, quando da inclusão do feito cm pauta de julgamento. É o relatório. Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10530.002422/200841 Resolução nº 2202000.860 S2C2T2 Fl. 165 6 Voto Conselheiro Rorildo Barbosa Correia Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Analisando os autos, percebese que a controvérsia se instalou devido a contestação da Recorrente se insurgindo contra a decisão da DRJ/CPS, a qual decidiu que havia necessidade de apresentar o "ato autorizativo requerido pela legislação em vigor para fruição do regime previsto na Lei nº 11.196/2005". Neste caso, a 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas /SP, apreciando o pleito, concluiu que: "o pedido fundamentase em incentivo fiscal, inicialmente concedido mediante a Portaria do Ministro da Ciência e Tecnologia (MCT) nº 769, de 09 de dezembro de 2002, posteriormente revogada pela de nº 823, de 31 de outubro de 2006." (fl. 110). Além disso, a DRJ/CPS entendeu que houve a revogação do incentivo promovida pela Portaria nº 823, de 31 de outubro de 2006, mas não houve a publicação de ato normativo permitindo migrar para o novo regime, nos seguintes termos: " (...) a portaria nº 823 objetivava tão somente revogar o benefício, sem nada mencionar, contudo, acerca da migração para o novo regime. Para tanto, caberia a publicação de ato autorizativo da migração pleiteada. Ato este que não fora apresentado. Conforme prevê o Decreto n° 5.798/06, em seu artigo 15" e também que "Inexistindo a devida comprovação, inviável reconhecer o direito ora pleiteado." (fl. 113). Por outro lado, a Recorrente contestou afirmando que: "assim é que, ao contrário do que entendeu a r. decisão recorrida, concluindo este procedimento, em 31/10/2006, foi publicada a Portaria 823, que acolheu o pedido de migração feito pela Recorrente e revogou a Portaria 769/2002, que tratava do benefício da Recorrente nos termos da Lei 8.661/1993" (...).(fl. 133). Com o mesmo propósito, a Recorrente continuou afirmando que: "assim não fosse, o que se admite para argumentar, fato é que no caso presente o Ministério da Ciência e Tecnologia, responsável pela apreciação e deferimento do pedido de migração, segundo a própria r. decisão, expressamente reconheceu no "Relatório Anual da Utilizado dos Incentivos Fiscais no Ano Base de 2006" que a Pirelli é detentora do beneficio nos termos da Lei n° 11.196/2005 desde 01/01/2006 " (fl. 136). Além do mais, a Recorrente apresentou declaração do Ministério da Ciência e Tecnologia para corroborar sua tese: "de qualquer modo, apesar de entender que os documentos apresentados afastam qualquer possibilidade de questionamento sobre a migração e o direito da ora Recorrente aos incentivos em questão, a Recorrente entrou em contato com o MCT que emitiu a declaração anexa (doc. 02), expressamente reconhecendo que a Pirelli migrou para o novo regime 11.196/2005, desde 2006:" (fl. 137). Dessa forma, para o deslinde da questão, fazse necessário verificar qual o critério estabelecido para usufruir o incentivo fiscal para capacitação tecnológica da indústria por meio de Programas de Desenvolvimento Tecnológico Industrial PDTI . Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10530.002422/200841 Resolução nº 2202000.860 S2C2T2 Fl. 166 7 Inicialmente, convém esclarecer que o benefício fiscal de que trata este processo foi estabelecido com base na Lei nº 8.661, de 02 de junho de 1993, regulamentada pelo Decreto nº 949, de 5 de outubro de 1993, que contemplava diversos incentivos fiscais para a capacitação tecnológica da indústria, por meio de PDTI e dentre estes incentivos, a lei facultava ao titular do Programa o direito ao crédito de 20% do IRRF sobre os valores pagos, remetidos ou creditados a beneficiário domiciliado no exterior, a título de “royalties”. (o percentual de 20% foi estabelecido pelo art. 2°, inciso II, da Lei n° 9.532/97). Todavia, com a revogação da Lei nº 8.661/93, o benefício fiscal tratado neste processo passou a ser regulado pelo art. 17, inciso V, alínea “a” da Lei n° 11.196/2005, e pelo art. 3°, alínea “a” e parágrafo 4° do Decreto n° 5.798 de 2006. De acordo com o autos, notase que o favor tributário concedido à Recorrente, com base na Lei nº 8.661, de 02 de junho de 1993, regulamentada pelo Decreto nº 949, de 5 de outubro de 1993, por meio da Portaria MCT 769 de 09/12/2002, foi revogado pela Portaria nº 823 de 31/10/2006 do Ministério da Ciência e Tecnologia (fls. 16 e 102). No entanto, mesmo após a revogação do benefício fiscal pela Portaria nº 823 de 31/10/2006 do Ministério da Ciência e Tecnologia, a Recorrente poderia continuar usufruindo o incentivo fiscal para capacitação tecnológica da indústria por meio de Programas de Desenvolvimento Tecnológico Industrial PDTI instituído pelo art. 17, inciso V, alínea “a” da Lei n° 11.196/2005, e pelo art. 3°, alínea “a” e parágrafo 4° do Decreto n° 5.798 de 2006. desde que solicitasse ao Ministério da Ciência e Tecnologia a migração para o novo regime especificado na Lei n° 11.196/2005, nos termos do art. 15 do Decreto n° 5.798/06, que assim dispõe: Art.15. os Programas de Desenvolvimento Tecnológico Industrial PDTI e Programas de Desenvolvimento Tecnológico Agropecuário PDTA, e os projetos aprovados até 31 de dezembro de 2005 continuam regidos pela legislação em vigor na data de publicação da Lei n° 11.196, de 2005. §1°as pessoas jurídicas executoras de programas e projetos referidos no caput deste artigo poderão solicitar ao Ministério da Ciência e Tecnologia a migração para o regime da Lei no 11.196, de 2005, devendo, nesta hipótese, apresentar relatório final de execução do programa ou projeto. §2° a migração de que trata o §1° acarretará a cessação da fruição dos incentivos fiscais concedidos com base nos programas e projetos referidos no caput, a partir da data de publicação do ato autorizativo da migração no Diário Oficial da União. (grifei). Dessa forma, entendo que para a Recorrente usufruir o benefício fiscal pleiteado, seria necessário observar as condições estabelecidas nos §1° e §2° do art. 15 do Decreto n° 5.798/06, solicitando ao Ministério da Ciência e Tecnologia a migração para o novo regime, a qual seria realizada por meio do ato autorizativo de migração. Contudo, a contribuinte não logrou êxito em comprovar a publicação do referido ato autorizativo, porém, como elemento de prova, apresentou Ofício do Gabinete do Ministério da Ciência e Tecnologia (fls. 142/143) e Relatório Anual dos Incentivos Fiscais no Ano Base Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10530.002422/200841 Resolução nº 2202000.860 S2C2T2 Fl. 167 8 de 2006 (fls. 88/99), que no nosso entendimento, não tem o condão de substituir o ato autorizativo do Ministério da Ciência e Tecnologia, por falta de previsão legal. Com efeito, notase que a não apresentação do ato autorizativo estabelecido pelo § 2º do art. 15 do Decreto nº 5.798/06, impede o reconhecimento do direito ao benefício fiscal de que trata a Lei n° 11.196/2005, por outro lado a Recorrente alegou que houve a migração para o novo regime apresentando outros documentos, como o Ofício do Gabinete do Ministério da Ciência e Tecnologia e o Relatório Anual dos Incentivos Fiscais no Ano Base de 2006. Diante desse panorama, proponho então a conversão do julgamento em diligência, para fins de que a Unidade de Origem intime o Ministério da Ciência e Tecnologia para que informe se foi emitido ato autorizativo de migração publicado no Diário Oficial em benefício da Recorrente, nos termos dispostos no § 2º do art. 15 do Decreto nº 5.798/06, juntando a correspondente cópia do ato, bem como esclarecendo, sendo o caso, o alcance temporal dos respectivos efeitos. Na sequência, devese intimar a contribuinte para se manifestar acerca do resultado da diligência. (assinado digitalmente) Rorildo Barbosa Correia Fl. 167DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.000525/2005-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003
DECADÊNCIA. PAGAMENTOS CONFIRMADOS. Demonstrada a liquidação parcial dos débitos apurados no período mediante pagamento, a decadência é regida pelo art. 150, §4º do CTN, devendo ser canceladas as exigências correspondentes a fatos geradores ocorridos há mais de cinco anos antes da ciência do lançamento.
RATEIO DE DESPESAS ENTRE EMPRESAS DO MESMO GRUPO. O fato de a unidade centralizadora dos custos e despesas receber das unidades descentralizadas as importâncias que inicialmente suportou, em benefício destas, não configura receita, mas simplesmente reembolso dos valores adiantados.
Numero da decisão: 1402-003.864
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: i) por unanimidade de votos, acolher a arguição de decadência relativamente aos fatos geradores lançados anteriores a março/2000; e ii) por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário, divergindo o Conselheiro Marco Rogério Borges que convertia o julgamento em diligência e votando pelas conclusões a Conselheira Edeli Pereira Bessa. Manifestou interesse em apresentar declaração de voto o Conselheiro Paulo Mateus Ciccone. Declarou-se impedido de votar o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves, substituído pelo Conselheiro José Roberto Adelino da Silva (Suplente Convocado).
(assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Presidente e Redatora ad hoc
Participaram do julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, José Roberto Adelino da Silva (Suplente Convocado), Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Júnia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa (Presidente).
Nome do relator: LUCAS BEVILACQUA CABIANCA VIEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201904
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 DECADÊNCIA. PAGAMENTOS CONFIRMADOS. Demonstrada a liquidação parcial dos débitos apurados no período mediante pagamento, a decadência é regida pelo art. 150, §4º do CTN, devendo ser canceladas as exigências correspondentes a fatos geradores ocorridos há mais de cinco anos antes da ciência do lançamento. RATEIO DE DESPESAS ENTRE EMPRESAS DO MESMO GRUPO. O fato de a unidade centralizadora dos custos e despesas receber das unidades descentralizadas as importâncias que inicialmente suportou, em benefício destas, não configura receita, mas simplesmente reembolso dos valores adiantados.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 16327.000525/2005-15
anomes_publicacao_s : 201906
conteudo_id_s : 6017673
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1402-003.864
nome_arquivo_s : Decisao_16327000525200515.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : LUCAS BEVILACQUA CABIANCA VIEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 16327000525200515_6017673.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: i) por unanimidade de votos, acolher a arguição de decadência relativamente aos fatos geradores lançados anteriores a março/2000; e ii) por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário, divergindo o Conselheiro Marco Rogério Borges que convertia o julgamento em diligência e votando pelas conclusões a Conselheira Edeli Pereira Bessa. Manifestou interesse em apresentar declaração de voto o Conselheiro Paulo Mateus Ciccone. Declarou-se impedido de votar o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves, substituído pelo Conselheiro José Roberto Adelino da Silva (Suplente Convocado). (assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA - Presidente e Redatora ad hoc Participaram do julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, José Roberto Adelino da Silva (Suplente Convocado), Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Júnia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2019
id : 7771416
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:46:25 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051907786801152
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1910; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 2 1 1 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.000525/200515 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402003.864 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 16 de abril de 2019 Matéria Rateio de despesas COFINS Recorrente ITAÚ UNIBANCO S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 DECADÊNCIA. PAGAMENTOS CONFIRMADOS. Demonstrada a liquidação parcial dos débitos apurados no período mediante pagamento, a decadência é regida pelo art. 150, §4º do CTN, devendo ser canceladas as exigências correspondentes a fatos geradores ocorridos há mais de cinco anos antes da ciência do lançamento. RATEIO DE DESPESAS ENTRE EMPRESAS DO MESMO GRUPO. O fato de a unidade centralizadora dos custos e despesas receber das unidades descentralizadas as importâncias que inicialmente suportou, em benefício destas, não configura receita, mas simplesmente reembolso dos valores adiantados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: i) por unanimidade de votos, acolher a arguição de decadência relativamente aos fatos geradores lançados anteriores a março/2000; e ii) por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário, divergindo o Conselheiro Marco Rogério Borges que convertia o julgamento em diligência e votando pelas conclusões a Conselheira Edeli Pereira Bessa. Manifestou interesse em apresentar declaração de voto o Conselheiro Paulo Mateus Ciccone. Declarouse impedido de votar o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves, substituído pelo Conselheiro José Roberto Adelino da Silva (Suplente Convocado). (assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Presidente e Redatora ad hoc AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 05 25 /2 00 5- 15 Fl. 1314DF CARF MF Processo nº 16327.000525/200515 Acórdão n.º 1402003.864 S1C4T2 Fl. 3 2 Participaram do julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, José Roberto Adelino da Silva (Suplente Convocado), Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Júnia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa (Presidente). Relatório (Na condição de redatora hoc, designada na forma do art. 17, inciso III do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, reproduzo o relatório apresentado na sessão de julgamento de 16 de abril de 2019 pelo Relator original, Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, dispensado do mandato de Conselheiro junto a este Colegiado por meio da Portaria ME/SE nº 713, publicada no Diário Oficial da União de 29 de abril de 2019). Tratase de Recurso Voluntário interposto ante ao julgamento pela improcedência da impugnação apresentada perante a DRJ que entendeu pela indevida redução de base de cálculo PIS/COFINS ante entendimento empreendido pela fiscalização de que as receitas auferidas no âmbito de Contrato de Ressarcimento de Custos Comuns (CRCC) deve compor a receita para fins de tributação. Diante do objetivo e sucinto relatório empreendido pela DRJ peço vênia aos colegas para empreender sua transcrição complementandoo ao final no que necessário: "A empresa em referência foi autuada em decorrência de ação fiscal realizada em seu estabelecimento, tendo sido constituído o crédito tributário no valor de R$ 90.937.458,90, referente à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social — COFINS, acrescidos da multa de oficio (75%) e dos juros moratórios, em virtude da constatação das irregularidades assim descritas no Termo de Verificação de Infração Fiscal de fls. 16121: "....fica cabalmente demonstrado que os valores recebidos, nos anos calendário de 1999 a 2003 das empresas do denominado 'Conglomerado Itaú', em decorrência da efetiva utilização dos serviços discriminados nos contratos denominados 'CONVÉNIO DE RATEIO DE CUSTOS COMUNS' compõem a receita bruta do Banco Itaú S/A.' e, como tais, devem ser adicionadas às bases de cálculo das contribuições ao PIS à COFINS " 2. À fl. 17 estão consolidados os valores relativos ao repasse para o Banco Itaú S/A. nos períodos mensais de 1999 a 2003, os quais, reunidos, serviram como base de cálculo da presente exigência. Os dispositivos legais infringidos estão consignados às fls. 20 e 37. 3. Em 02/05/2005, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 41/51, instruída com os documentos de fls. 52/83, alegando, em síntese, o seguinte: 3.1. Preliminarmente, deve ser declarada a decadência parcial do direito de lançar, tendo em vista que o presente auto de infração foi lavrado em 31 de março de 2005 e abrange fatos verificados no ano calendário de 1999 e janeiro a março de 2000, portanto, há mais de cinco anos da data da ocorrência dos fatos geradores. Esse seria o posicionamento adotado pela doutrina e pela jurisprudência administrativa, conforme entendimentos e julgados que colaciona. ` Fl. 1315DF CARF MF Processo nº 16327.000525/200515 Acórdão n.º 1402003.864 S1C4T2 Fl. 4 3 3.2. No mérito, discorre sobre a natureza e a forma dos contratos de rateio de custos/despesas, citando manifestações doutrinárias e jurisprudência administrativa e judicial, para concluir que "o reembolso de custos e despesas decorrentes do contrato de rateio não caracteriza receita e, portanto, tais valores não devem integrar a base de cálculo do PIS e da COFINS." 4. Requer ao final seja reconhecida a decadência do lançamento fiscal com relação aos períodos de janeiro de 1999 a março de 2000 e com relação ao mérito, seja julgado a improcedência do auto de infração." Ao apreciar a impugnação do contribuinte a DRJ entendeu pela aplicação do prazo decadencial de 10 anos previsto no art. 45, da Lei n. 8.212/1991, logo, ausente decadência e pela indevida redução base de cálculo PIS/COFINS mediante o CRCC em acórdão que restou assim ementado: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 Ementa: COFINS. DECADÊNCIA. O prazo para a constituição do crédito tributário relativo à COFINS é de 10 (dez) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. RATEIO. RECUPERAÇÃO/REEMBOLSO DE DESPESAS. Integram o faturamento, base de cálculo da COTINS, os valores contabilizados como recuperação de despesas. No caso, os valores recebidos em virtude do uso compartilhado de gastos com pessoal, serviços e estrutura, custeados por uma das empresas do grupo e depois rateadas com as demais, representam receitas de serviços e integram o faturamento. Irresignado com a decisão o contribuinte interpôs o presente Recurso Voluntário que inicialmente distribuído ao então 2º Conselho de Contribuintes entendeu por incompetente ratio materiae na medida em que constava, também, do mesmo TVF autuação IRPJ/CSLL pelo mesmo CRCC que, registrase, julgada insubsistente (PAF n.16327000009/200591). É o relatório. Voto (Na condição de redatora hoc, designada na forma do art. 17, inciso III do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, reproduzo o voto apresentado na sessão de julgamento de 16 de abril de 2019 pelo Relator original, Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, dispensado do mandato de Conselheiro junto a este Colegiado por meio da Portaria ME/SE nº 713, publicada no Diário Oficial da União de 29 de abril de 2019.) 1. PRELIMINAR DECADÊNCIA: Conforme consta do relatório o recurso voluntário do recorrente envolve a análise de duas matérias: primeiro a decadência, ou seja, estabelecer se o prazo para a Fl. 1316DF CARF MF Processo nº 16327.000525/200515 Acórdão n.º 1402003.864 S1C4T2 Fl. 5 4 constituição do crédito tributário deve observar a Lei n °8.212/91 ou as regras do CTN. A segunda, quanto ao mérito: base de cálculo da Cofins. A ciência do auto de infração se verificou em 31/03/2005 e compreende o período entre 28/02/99 e 30/12/2003. Entendo estarem decaídos os períodos (fatos geradores) anteriores a março/2000. Entendo que o art. 45 da Lei 8.212/91 não tem aplicabilidade em se tratando de Cofins. Explico: A Lei n2 8.212/91, republicada com alterações no DOU de 11/04/96, no art. 45, diz que o direito de a Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após dez anos contados na forma do art. 173, incisos I e II, do CTN. O art. 45 da Lei n 2 8.212/91 não se aplica à Cofins, uma vez que aquele dispositivo se refere ao direito de a Seguridade Social constituir seus créditos, e, conforme previsto no art. 33 da Lei nº 8.212/91, os créditos relativos à Cofins, matéria dos autos, são constituídos pela Secretaria da Receita Federal, órgão que não integrava (à época dos fatos) o Sistema da Seguridade Social. Dispõem mencionados dispositivos legais, verbis: "Art. 33 Ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas 'a', `b' e 'c' do parágrafo únco do art. 11; e ao Departamento da Receita Federal DRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normalizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas 'd' e 'e' do parágrafo cínico do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente ". (grifei) 'Art. 45 O direito de a Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, a constituição de crédito anteriormente efetuada. § 1° Para comprovar o exercício de atividade remunerada, com vistas à concessão de benefícios, será erigido do contribuinte individual, a qualquer tempo, o recolhimento das correspondentes contribuições. § 2° Para apuração e constituição dos créditos a que se refere o parágrafo anterior, a Seguridade Social utilizará corno base de incidência o valor da média aritmética simples dos 36 (trinta e seis) íntimos saláriosde contribuição do segurado. § 3° No caso de indenização para fins da contagem recíproca de que tratam os artigos 94 a 99 da Lei n° 8.213, de 24 de julho de 1991, a base de incidência será a remuneração sobre a qual incidem as contribuições para o regime específico de previdência social a que estiver filiado o interessado, conforme dispuser o regulamento, observado o limite máximo previsto no art. 28 desta Lei. § 4° Sobre os valores apurados na forma dos §§ 2° e 3° incidirão juros moratórios de zero vírgula cinco por cento ao mês, capitalizados anualmente, e multa de dez por cento. § 5° O direito de pleitear judicialmente a desconstituição de exigência fiscal fixada pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS no julgamento de litígio em processo administrativo fiscal extinguese com o decurso do prazo de 180 dias, contado da intimação da referida decisão." Fl. 1317DF CARF MF Processo nº 16327.000525/200515 Acórdão n.º 1402003.864 S1C4T2 Fl. 6 5 Assim, em se tratando de Cofins, a aplicabilidade de mencionado art. 45 tem como destinatária a seguridade social, mas as normas sobre decadência nele contidas direcionamse, apenas, às contribuições previ denci ári as, cuja competência para constituição é do Instituto Nacional do Seguro Social — INSS. Para as contribuições cujo lançamento compete à Secretaria da Receita Federal, o prazo de decadência continua sendo de cinco anos, conforme previsto no CTN. Portanto, firmado está para mim o entendimento de que, independente de ter ou não ocorrido pagamento, em se tratando de Cofins, as regras de decadência devem ser as estabelecidas pelo Código Tributário Nacional. No mais, considerando os pagamentos promovidos nos períodos autuados, desde o mais remoto fato gerador datado de 28/02/1999, demonstrados às fls. 1153/1165, dispõe o Fisco do prazo de cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador, para exercer seu poder de controle. É o que preceitua o art. 150, § 4º, do CTN, verbis: "Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos tida legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Publica se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação ". Como a inércia da Fazenda Pública homologa tacitamente o lançamento e extingue definitivamente o crédito tributário, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação (CTN, art. 150, § 4º), o que não se tem notícia nos autos, entendo decadente o direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário relativamente à Cofins, para os fatos geradores lançados no auto de infração anteriores a março/2000 tendo em vista que a ciência ocorreu em 31 de março de 2005. 2. DO MÉRITO: O mérito da presente autuação pode ser enfrentado a partir de dois aspectos: (i) primeiro: saber qual a natureza da operação realizada pela autuada, intitulada "Rateio de Custos e Despesas". Receita ou custo/despesa e (ii) segundo: em se tratando de "receita" determinar qual é o efeito da decisão do Pleno do Supremo tribunal Federal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, sobre as importâncias, objeto do presente auto de infração. "Rateio de Custos e Despesas". Em uma primeira perspectiva, temse que a RFB já pacificou seu entendimento desde a expedição da Solução de Divergência COSIT n..23, de 23 de setembro de 2013, consagrando o entendimento segundo o qual: Fl. 1318DF CARF MF Processo nº 16327.000525/200515 Acórdão n.º 1402003.864 S1C4T2 Fl. 7 6 Conforme consta do TVF (fl. 16) "Nos anoscalendários de 1999 a 2003 e de acordo com os contratos denominados "CONVÊNIO DE RATEIO DE CUSTOS COMUNS" (..)firmados com empresas do denominado Conglomerado Itaú, o BANCO ITAU S/A colocou à disposição dessas empresas, seus serviços nas áreas de auditoria, contencioso judicial, consultoria jurídica, contabilidadefiinanceira, marketing, recursos operacionais (sistema de computadores), bem como de recursos humanos. " Consta ainda que: "A titulo de preço desses serviços seriam cobrados das empresas contratantes, tão somente os custos decorrentes da manutenção da estrutura de pessoal mantida pelo Banco Itaú S/A., na forma de rateio com base na efetiva utilização, segundo métodos estatísticos e matemáticos." As fls. 14/15 "Convênio de rateio de custos comuns" e fls 09/13 as "Demonstrações contábeis analítica dos convênios de rateio de custos comuns" . De acordo com Luciana Rosanova Galhardo por meio de CRCC "Cost sharing agreements", empresas de um mesmo grupo econômico escolhem, dentre si, uma determinada empresa (denominada centro de custos, ou sociedademãe) que ficará encarregada de desenvolver bens, serviços ou direitos em proveito de todas, centralizando os custos e despesas, com o intuito de minimizar encargos e maximizar resultados globais do grupo econômico. Nesses casos, tais gastos incorridos pelo centro de custos são rateados, de acordo com os critérios estabelecidos no contrato, entre as demais empresas do grupo que deles se beneficiem de alguma forma." (In: Rateio de Despesas no Direito Tributário. São Paulo: Quartier Latin, 2004.) Fl. 1319DF CARF MF Processo nº 16327.000525/200515 Acórdão n.º 1402003.864 S1C4T2 Fl. 8 7 Há sem dúvida, situações nas quais, rotineiramente, é aplicável o rateio, quer de custos, quer de despesas. A situação mais comum ocorre em grupos empresariais, nos quais a holding ou a empresa líder, objetivando a racionalização dos custos do grupo, centraliza determinadas atividades que, em maior ou menor grau, aproveitam às demais empresas do conglomerado. Em tais situações, a empresa/instituição centralizadora assume, em nome das demais, custos e despesas que, obviamente, não lhe são próprios, merecendo, portanto, ressarcimento pelos dispêndios efetuados. Neste caso, inexiste transação de mercado ou negociação de valores ou de condições de pagamento, tal como se depura da análise dos autos. José Henrique Longo, em trabalho publicado sobre rateio de despesas, analisa que o efetivo ressarcimento no rateio de despesas parte de algumas premissas: "O critério utilizado para se realizar o rateio de despesas deve encontrar respaldo em razões econômicas, preservando a proporcionalidade dos valores pagos pelas empresas envolvidas; as pessoas jurídicas devem pertencer ao mesmo grupo econômico e sobretudo, a empresa que assumiu a despesa relativa a terceiros não pode ter como objeto social o exercício da atividade causadora do dispêndio." (Natureza Jurídica do Ressarcimento no Rateio de Despesas, in Revista Dialética de Direito Tributário n° 77, p. 6873.) Verificase que as despesas rateadas não são parte do objeto social. Diferentemente ocorre em casos outros em que a atividade prestada não é a "atividade fim" dessa pessoa jurídica; naqueles casos, tais atividades passam a ser acrescidas àquelas já desenvolvidas por essa sociedade, caracterizandose em uma autoprestação de serviços, ou serviços intercias, sem conotação de lucro. Como já explicitado, não é de fato a situação presente conforme se depreende das informações acima mencionadas: " ...serviços nas áreas de auditoria, contencioso judicial, consultoria jurídica, contabilidade/financeira, marketing, recursos operacionais (sistema de computadores), bem como de recursos humanos". Do parecer da FIPECAFI (conclusões) acostado aos autos extraise que: "o procedimento está conceitualmente correto, não só sob o aspecto conceitua!, como pelas normas contábeis; nas duas formas de ressarcimento (com base na grade de rateio e com base no custo dos produtos efetivamente comercializados) houve mensuração sistemática, direta e indireta, individualizada por empresa; e que, embora a empresa venha migrando, gradativamente, do ressarcimento feito com base na grade de custeio para o feito com base no custo dos produtos — na medida em que se aperfeiçoa o processo de mensuração de seus custos — não foi detectada utilização assistemática, errática ou aleatória de critérios de rateio, como se houvesse intuito de manipular resultados." De todo o exposto temse que de receita não se trata, logo, não há como se estabelecer a incidência da contribuição social sobre as importâncias discriminadas nos autos. Subsidiariamente, porventura os colegas assim não entendam temse que a manutenção do auto de infração não se encontra de acordo com entendimento do STF ao analisar o conceito de "receita". Para melhor compreender a questão imprescindível trazer breves linhas do escorço jurisprudencial do STF sendo oportuno recordar que a Cofins — contribuição social para financiamento da Seguridade Social — foi instituída pela Lei Complementar nº 70/91, estabelecendo seu art. 2º que a mesma "incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a Fl. 1320DF CARF MF Processo nº 16327.000525/200515 Acórdão n.º 1402003.864 S1C4T2 Fl. 9 8 receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza". Posteriormente, foi editada a Lei nº 9.718/98 que, embora também estabeleça em seu art. 2º o faturamento como base de cálculo da contribuição, dispõe no art. 3º que o 'faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica ", declarando seu § 1º que "entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas ". A base de cálculo sobre a qual pode ser exigida a Cofins na vigência da Lei nº 9.718/98, à luz do decidido pelo STF, restringese apenas à receita oriunda efetivamente da venda de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Considerando que a Lei nº 9.718/98 foi publicada antes da promulgação da EC nº 20/98, que modificou a redação do art. 195 da Constituição Federal para outorgar competência à União Federal para instituição de contribuição social sobre receita, o plenário do Supremo Tribunal Federal julgou inconstitucional aquele § 1º do art. 3º da referida Lei nº 9.718/98, valendo transcrever o seguinte excerto da ementa do acórdão proferido no RE nº 390.485: "CONTRIBUIÇÃO SOCIAL — PIS — RECEITA BRUTA — NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § ]'DO ARTIGO 3° DA LEI N° 9.718198. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional n° 20198, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1 ° do artigo 3° da Lei n° 9.718198, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvidas e da classificação contábil adotada. " Com base nesta decisão, os diversos processos pendentes de julgamento perante o STF passaram a ser julgados monocraticamente por seus Ministros com fundamento no art. 557, § 1º A, do CPC. Em análise à renomada doutrina, a expressão receita está diretamente vinculada ao resultado da empresa. A formação do resultado decorre dos processos de mutação patrimonial das diversas categorias que compõem os elementos do custo e da receita (Cf. Bulhões Pedreira: Finanças e demonstrações financeiras da companhia — conceitos fundamentais, Rio de Janeiro, Forense, 1989). Receita definese, segundo Bulhões, como a "quantidade de valor financeiro, originários de outro patrimônio, tida propriedade é adquirida pela sociedade empresária ao exercer as atividades que constituem as fontes do resultado" (p. 455, grifos não do original). Não é de fato o caso dos autos. Segundo o autor citado, receita 'é o valor financeiro tida propriedade é adquirida por efeito do funcionamento da sociedade empresária." Nesses termos, receita e resultado não se confundem: o segundo é mais extenso (conceito denotativo) que o primeiro. Assim, por força dessa distinção será possível se dizer que receita tem a ver coro valores cuja propriedade, sendo adquirida por força do funcionamento da empresa (atividade típica, receita operacional), excluiria a receita não operacional. Fl. 1321DF CARF MF Processo nº 16327.000525/200515 Acórdão n.º 1402003.864 S1C4T2 Fl. 10 9 Restaria examinar em que sentido se toma o conceito de serviço na definição de receita bruta como a receita bruta das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços e serviços de qualquer natureza. Serviço, em sentido comum, é qualquer esforço humano que tenha por objetivo propiciar a outrem um proveito, uma utilidade, um beneficio, uma vantagem, até um favor. Em termos econômicos, tratase de fornecimento de trabalho, de locação de bens móveis, de cessão de direitos, ou seja, atividades que constituem bens incorpóreos na circulação de mercadorias. Para efeitos constitucionais e tributários (CF, art. 150, I), o terno passa pelo uso jurídico, consistindo em atividade de fazer com vistas a um resultado útil a terceiro (cf. Pontes de Miranda, Tratado de Direito Privado, Rio de Janeiro, 1964, t. XVIII, p. 9). Não dispensa, assim, a idéia de trabalho e, nesses tenros, de um fazer destinado a outrem. Por conseqüência, não há serviço na atividade útil em favor do próprio prestador. Cabe lembrar que, como hipótese de incidência tributária, a doutrina o entende como "prestação a terceiro, de irara utilidade, material ou imaterial, com habitualidade e de contendo econômico, sob regime de direito privado' (cf. Paulo de Barros Carvalho: ISS — diversões publicas, Revista de Direito Tributário, São Paulo, RT, 1981, jul dez, a V. p. 190). No caso dos autos, inexiste conteúdo econômico, tendo em vista que o valor recebido é a título de ressarcimento de custo, proveniente essencialmente da atividademeio. Inexiste a figura de preço. Esta Conselheira tem defendido que determinados "serviços" de financeiras, tais como o serviço de cobrança de duplicatas, o serviço de emissão de talões de cheque e outros do mesmo gênero, não fazem das atividades financeiras um serviço. Na verdade, independentemente da questão referente à definição constitucional de serviço, o problema relativo à Cofins, seja qual for o sentido atribuído a serviço de qualquer natureza, está antes na definição de faturamento. Ou seja, o conceito constitucional de faturamento que autoriza a inclusão nele do conceito de receita bruta em sentido estrito, e não o contrário. É no tratamento dado à receita da venda de serviços como receita bruta em sentido estrito e, por força disso, equiparável a faturamento. em seu sentido constitucional que está a questão. O parecer FIFECAFI acostado aos autos com muita propriedade expõe no sentido de que: "Em suma, ressarcimento de custos não é receita porque não existe preço estabelecido; nem com base no custo mais lucro nem com base no mercado; não há também negociação entre as partes envolvidas e não há opção para o que executa a atividade (o Banco) nem para o que dela se utiliza (empresas ligadas), o que existe é única e exclusivamente rateio de custos. " Oportuno, em tempo, registrar precedente favorável à recorrente (PAF nº 16327.000009/200591), afeto ao IRPJ e CSLL cuja ementa restou assim lavrada: "RATEIO DE DESPESAS ENTRE EMPRESAS DO MESMO GRUPO REGULARIDADE DO RATEIO GLOSA Demonstrado que os valores foram rateados tendo em vista a efetiva utilização dos serviços e a necessidade das empresas, não prevalece a glosa. Recurso provido. " Fl. 1322DF CARF MF Processo nº 16327.000525/200515 Acórdão n.º 1402003.864 S1C4T2 Fl. 11 10 3. CONCLUSÃO: Considerando as definições e as características técnicas do conceito de "receita", não há como confundiIa com o conceito de ressarcimento de custos. Ainda que assim não o fosse, ressarcimento de custos, outro não seria o resultado final, face ao entendimento consagrado no Pleno do Supremo Tribunal Federal. Diante do exposto voto pela procedência do Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa Redatora ad hoc Declaração de Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Manifestome separadamente em razão do que está exposto no TERMO DE ENCERRAMENTO DE DILIGÊNCIA FISCAL (fls. 1279/1283). Rememorando, esta Turma de Julgamento, mediante a Resolução nº 1402 000.673, de 24 de julho de 2018 (fls. 1257/1275), resolveu, por voto de qualidade, pela conversão do julgamento em diligência, cabendo a este Conselheiro ser o Redator Designado e elaborar o voto vencedor em razão do Relator, Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, ter restado vencido em sua proposta original de dar provimento ao recurso voluntário. A decisão da Resolução está assim resumida: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por voto de qualidade, converter o julgamento em diligência, vencidos na votação o Relator e os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella e Leonardo Luis Pagano Gonçalves, que davam provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Designado para redigir o voto vencedor da diligência o Conselheiro Paulo Mateus Ciccone. Na oportunidade, ao redigir a Resolução, consoante expressamente consta de meu voto (fls. 1271/1273), escrevi: “Peço vênia para divergir do substancioso voto proferido pelo I. Conselheiro Relator Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira unicamente por entender que a matéria Fl. 1323DF CARF MF Processo nº 16327.000525/200515 Acórdão n.º 1402003.864 S1C4T2 Fl. 12 11 em discussão ainda necessita de um derradeiro esclarecimento por parte da autoridade fiscal que perpetrou os lançamentos. Como visto nos autos, a refrega cingese em definir se os montantes auferidos pela recorrente de 1999 a 2003 e registrados em sua conta contábil nº 8.1.7.33.00.4, por ela nominada de "Despesas de Pessoal" seriam “meros ressarcimentos de custos/despesas realizados por empresas do grupo”, como apregoa a contribuinte ou se, contrariamente, representariam “receitas de prestação de serviços”, devendo estar contabilizados na conta nº 7.1.9.30.006, intitulada "Recuperação de Encargos e Despesas", como enfatizado pelo Fisco e, por consequência, sujeitaremse à tributação da COFINS. Em síntese, a solução desta divergência é a linha que separa a tributação ou não da Cofins dos montantes apontados pelo Fisco na planilha de fls. 18 do TVF: No pensar do Fisco, a sujeição à COFINS seria indiscutível (TVF – fls. 20): No caso em exame, os valores recebidos pelo Banco Itaú SIA., como acima relatado, não contém qualquer rendimento ou lucro, vez que as despesas foram recuperadas pelo seu valor contábil. Todavia, esses mesmos valores, por representarem receitas decorrentes de "preço" de serviços efetivamente utilizados, e não obstante terem sido, equivocadamente, apropriados a crédito da conta de "Despesas de Pessoal" (8.1.7.33.00.4) ao invés de serem contabilizadas a débito da conta de receita 7.1.9.30.006, intitulada "Recuperação de Encargos e Despesas", compõem necessariamente a "receita bruta" da referida instituição financeira. Posição ratificada pela decisão de 1º Grau (Ac. DRJ/FOR – fls. 101/102): 30. A recuperação, pelo uso compartilhado das atividades e dos bens mencionados, do valor pago pela empresa que arca .com os custos das instalações e do pessoal contratado não se trata de mero ressarcimento, e sim receita decorrente da disponibilização de tais recursos a outra empresa. (...) 32. Neste contexto, é irrelevante o fato de o valor recebido ser simples reposição do ativo e do patrimônio no estado anterior. Ressaltese que todas as receitas, em significativa parcela de seu Fl. 1324DF CARF MF Processo nº 16327.000525/200515 Acórdão n.º 1402003.864 S1C4T2 Fl. 13 12 valor, representam nada mais que recuperação dos custos incorridos para sua obtenção, e tal característica em nada afeta a incidência das contribuições sobre o faturamento. 33. E, ainda que se afaste a caracterização de tais valores como receitas de serviços, cumpre considerar que, após a edição da Lei n° 9.718/98, a base de cálculo do PIS/PASEP e da COFINS passou a abranger todos os ingressos de recursos na empresa, independente da classificação contábil adotada, indicando especificamente as exclusões admitidas e, dentre elas, mencionando apenas as reversões de provisões operacionais e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas (art. 3º, § 2º inciso II), sem qualquer referência aos valores recebidos a título de outra forma de recuperação/reembolso de despesas. (destacouse) Em contraponto, a recorrente bateuse contra tal entendimento sustentando, dentre outros argumentos, que (RV fls. 116/126): O rateio de custos comuns, portanto, é fundado em razões econômicas (economia de escala) e não se confunde com prestação de serviços: não implica reconhecimento de receita, mas de redução de despesa, porque a finalidade aqui é a otimização da estrutura de material e de pessoal (evitar sua multiplicação) distinta à da prestação de serviços. E essa finalidade diversa no rateio de custos tem suporte no fundamento de economia de escala. O prestador de serviço obrigase a entregar o serviço no prazo, na extensão e com a qualidade prevista. Ele responde perante o tomador pelo descumprimento dessa obrigação. Em contrapartida, ele é remunerado (preço do serviço, que não se confunde com o custo da produção do serviço). Nada disso existe no rateio. Nem responsabilidade, nem por conseqüência, remuneração. Não há preço nem receita. Já por aí se nota que o rateio de custos comuns, sobre ser plenamente justificável e nada assimilável à prestação de serviços, não implica reconhecimento de receita, mas redução de despesa”. Nesse ponto, INDISCUTÍVEL o dissenso instaurado, que mais ainda recrudesceu quando a Receita Federal editou a Solução de Divergência Cosit nº 23/2013 tratando exatamente do tema (rateio e compartilhamento de despesas), valendo ver alguns excertos (com destaques acrescidos): “18. Quanto à Contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins, merecem análise a natureza jurídica do valor recebido como rateio de despesas pela pessoa jurídica centralizadora das atividades compartilhadas pelos integrantes do grupo econômico e a forma de apuração de eventuais créditos da não cumulatividade das referidas contribuições em relação às despesas compartilhadas. (...) 20. Cabe acentuar que o fato gerador e a base de incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins circunscrevemse ao alcance semântico dos vocábulos receita e faturamento. A extensão significativa do signo receita vai além do campo de abrangência do signo faturamento, e compreende, além dos valores auferidos pela venda de bens ou pela prestação de serviços, outros recursos auferidos que tenham o condão de aumentar o patrimônio de uma entidade, ainda que fora do Fl. 1325DF CARF MF Processo nº 16327.000525/200515 Acórdão n.º 1402003.864 S1C4T2 Fl. 14 13 contexto de sua atividade ordinária. Assim, a expressão receita por si só representa todo o espectro de incidência dessas exações. 21. O núcleo semântico do vocábulo receita parece exigir de toda operação que pretenda portar tal característica que em seu bojo haja o animus de gerar riqueza. Isto sob a ótica de incremento de valores positivos no patrimônio de uma determinada entidade. Permeia também como aspecto norteador da expressão receita o fato de ela representar o fim perseguido por qualquer entidade, cabendo às despesas o papel instrumental de fomentar a persecução desse objetivo. 22. Neste contexto, impende reconhecer que os valores auferidos pela pessoa jurídica centralizadora como ressarcimento pelos demais integrantes do grupo econômico dos dispêndios que ela suportou com as atividades compartilhadas não constituem receita por lhes faltar essencialmente o elemento caracterizador desse tipo de ingresso, qual seja o ganho, o potencial para gerar acréscimo patrimonial. 23. Com efeito, é peculiar ao gerenciamento concentrado de despesas que uma entidade pertencente ao grupo econômico, normalmente a matriz, assuma inicialmente os custos e despesas necessários para operacionalização da sistemática. Tais dispêndios são de responsabilidade de todas as unidades que usufruam dos bens e serviços consumidos. O fato de a unidade centralizadora dos custos e despesas receber das unidades descentralizadas as importâncias que inicialmente suportou, em benefício destas, não configura receita, mas simplesmente reembolso dos valores adiantados”. Nesse cenário, sem nenhuma dúvida, “reembolso dos valores adiantados”, na forma dissertada pela Solução de Divergência retro, não seria fato gerador e não comporia a base de cálculo das duas contribuições, dando razão à tese da recorrente. Todavia, e é aí que se delineou o quadro que levou a este Conselheiro e os que o acompanharam na votação a pugnarem pela conversão do julgamento em diligência, o agente autuante, EXPRESSAMENTE fez constar em seu TVF (fls. 17/22 numeração do e processo): “2.3 Relativamente à palavra "receita", os dicionários da língua portuguesa a definem como sendo rendimento, quantia recebida, arrecadada ou apurada, somas das entradas, de dinheiro; totalização das rendas; enquanto que "faturamento" é definido como ação ou efeito de faturar e esta é definida como fazer fatura de serviço/mercadoria vendida. Assim, tanto a palavra receita como faturamento indicam a entrada de recursos financeiros. Com isso, as receitas que gerem entrada de recursos financeiros para as empresas, como é o caso dos valores recebidos a título do denominado "Convênio de Rateio de Custos Comuns" deverá compor, necessariamente e a partir de 1º/02/1999, a base de cálculo do PIS e da COFINS. (...) 2.7 No caso em exame, os valores recebidos pelo Banco Itaú SIA., como acima relatado, não contém qualquer rendimento ou lucro, vez que as despesas foram recuperadas pelo seu valor contábil. Todavia, esses mesmos valores, por representarem receitas decorrentes de "preço" de serviços efetivamente utilizados, e não obstante terem sido, equivocadamente, apropriados a crédito da conta de "Despesas de Pessoal" (8.1.7.33.00.4) ao invés de serem contabilizadas a débito da conta de receita 7.1.9.30.006, intitulada "Recuperação de Encargos e Despesas", compõem necessariamente a "receita bruta" da referida instituição financeira. Fl. 1326DF CARF MF Processo nº 16327.000525/200515 Acórdão n.º 1402003.864 S1C4T2 Fl. 15 14 Diante do acima exposto, fica cabalmente demonstrado que os valores recebidos, nos anoscalendário de 1999 a 2003 das empresas do denominado "conglomerado Itaú", em decorrência da efetiva utilização dos serviços discriminados nos contratos denominados "CONVÊNIO DE RATEIO DE CUSTOS COMUNS" compõem a receita bruta do Banco Itaú S/A. e, como tais, devem ser adicionadas às bases de cálculo das contribuições devidas ao P.I.S. e à COFINS”. Pois bem, foi EXATAMENTE em razão desta posição incisivamente adotada pelo Fisco que se resolveu pela conversão do julgamento em diligência e baixa à unidade de origem a fim de que a autoridade autuante ou quem lhe fizesse as vezes respondesse, à luz de tudo o que consta nos autos, inclusive – se necessário pela análise dos livros e documentos pertinentes, “se os valores resumidos na planilha de fls. 18 do TVF e minuciosamente detalhados nos quadros de fls. 10/14, inclusive com a citação de cada rubrica que os compõem, referemse a efetiva “RECEITA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS”, ou seja, riqueza “nova”, ou se congregam tão somente reembolsos de custos/despesas, digase, mera “recomposição patrimonial”. Todavia, contrariamente ao quanto determinado pela diligência, data vênia, penso que esta não foi levada a efeito na forma que originalmente a Resolução previa, tendo o autor do procedimento, depois de breves considerações preliminares acerca da legislação regente do Programa de Integração Social – PIS e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins (legislação sobre a qual, digase, a Resolução não levantou quaisquer dúvidas), tendo, repitase, simplesmente se limitado a afirmar (fls. 1282) que, “na verdade, para responder ao pedido de esclarecimento feito pelo Relator Paulo Mateus Ciccone, bastou compulsar os autos deste processo administrativo fiscal – PAF nº 16327.000525/200515”. (destaquei). Mais, que “no Termo de Verificação de Infração Fiscal (fls. 17 a 22), o próprio autuante informa, de maneira clara, que os valores recebidos pelo Banco Itaú S/A (atual Itaú Unibanco S. A.) a título de receita pela prestação de serviços não constituem receita nova. Tratase, na verdade, de reembolsos de custas/despesas, ou seja, mera “recomposição patrimonial”. Senão, vejamos: Ora, SURPREENDENTEMENTE o autor do procedimento transcreveu tão somente o caput do item 2.7 do TVF, DEIXANDO de reproduzilo naquilo que ele é mais incisivo (e serviu de base para os lançamentos que o Fisco perpetrou), ou seja, ENTENDENDO e CONCLUINDO estarse diante de receita, por isso, tributável pelo PIS e COFINS. Vejase a transcrição INTEGRAL do item 2.7 do TVF (já realizada antes, mas novamente providenciada para fixação do pensamento deste Conselheiro e melhor visualização do quanto aduzido): Fl. 1327DF CARF MF Processo nº 16327.000525/200515 Acórdão n.º 1402003.864 S1C4T2 Fl. 16 15 Com isso, cai por terra a açodada conclusão da diligência (fls. 1283) quando literalmente assenta: “A análise do excerto indica que o autuante reconhece que os valores recebidos pelo Itaú Unibanco S. A. (à época Banco Itaú S/A) correspondem, tão somente, às despesas incorridas na prestação dos serviços; nas palavras dele: “as despesas foram recuperadas pelo seu valor contábil”, sem que houvesse “rendimento ou lucro”, o que, salvo melhor juízo, o Relator Paulo Mateus Ciccone referiu, em seu voto vencedor, como “riqueza ‘nova’”. MUITO AO CONTRÁRIO, como visto na transcrição INTEGRAL do item 2.7 do TVF, o agente autuante claramente aponta que tais montantes “compõem necessariamente a “receita bruta” da referida instituição financeira”, quadro que se fecha com a “conclusão” do TVF (fls. 21), ao registrar que: Portanto, em que pesem as ponderações do autor da diligência de que, “para responder ao pedido de esclarecimento feito pelo Relator Paulo Mateus Ciccone”, bastaria “compulsar os autos deste processo administrativo fiscal – PAF nº 16327.000525/200515”, fato inconteste é que NÃO BASTARIA tão somente isto, posto que as informações do TVF caminharam rigorosamente na linha oposta do que foi concluído pela diligência. Mais, o questionamento deste Conselheiro no voto que converteu o julgamento em diligência arguindo sobre a possibilidade de se estar diante de uma “efetiva “RECEITA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS”, ou seja, riqueza “nova”, ou se congregam tão somente reembolsos de custos/despesas, digase, mera “recomposição patrimonial”, tal questionamento, repisese, ERA ABSOLUTAMENTE PERTINENTE já que, como exaustivamente visto, a posição adotada pelo Fisco foi a primeira das opções, por isso os lançamentos de ofício se concretizaram. Fl. 1328DF CARF MF Processo nº 16327.000525/200515 Acórdão n.º 1402003.864 S1C4T2 Fl. 17 16 Feitos estes registros, independentemente do resultado e conclusões da diligência (assunto já tratado nesta Declaração de Voto), por ocasião do retorno dos autos para julgamento, tendo ouvindo o Relator e meus pares no Colegiado e compulsado os autos, entendi que razão cabia à recorrente, por isso acompanhei o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, votando, nesta oportunidade, pelo provimento do RV. É como voto. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 1329DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.901625/2013-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/05/2008 a 31/05/2008
PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA.
A matéria já suscitada perante o Poder Judiciário não pode ser apreciada na via administrativa. Caracteriza-se a concomitância quando o pedido e a causa de pedir dos processos administrativos e judiciais guardam irrefutável identidade.
Numero da decisão: 3302-006.846
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201904
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/05/2008 a 31/05/2008 PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. A matéria já suscitada perante o Poder Judiciário não pode ser apreciada na via administrativa. Caracteriza-se a concomitância quando o pedido e a causa de pedir dos processos administrativos e judiciais guardam irrefutável identidade.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri May 17 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 16682.901625/2013-21
anomes_publicacao_s : 201905
conteudo_id_s : 6008100
dt_registro_atualizacao_tdt : Sat May 18 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3302-006.846
nome_arquivo_s : Decisao_16682901625201321.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : PAULO GUILHERME DEROULEDE
nome_arquivo_pdf_s : 16682901625201321_6008100.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado.
dt_sessao_tdt : Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
id : 7744932
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:44:44 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051907796238336
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1652; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16682.901625/201321 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302006.846 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de abril de 2019 Matéria Processo Administrativo Fiscal Recorrente TIM S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/05/2008 a 31/05/2008 PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. A matéria já suscitada perante o Poder Judiciário não pode ser apreciada na via administrativa. Caracterizase a concomitância quando o pedido e a causa de pedir dos processos administrativos e judiciais guardam irrefutável identidade. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado. Relatório Trata o presente processo do Pedido de Restituição (PER), transmitido pelo contribuinte acima identificado, no qual solicita a restituição de PIS. Consta no processo Despacho Decisório Eletrônico proferido pela unidade de origem, o qual concluiu pela improcedência do crédito original informado no PER, sob o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 90 16 25 /2 01 3- 21 Fl. 343DF CARF MF Processo nº 16682.901625/201321 Acórdão n.º 3302006.846 S3C3T2 Fl. 3 2 fundamento de que o pagamento relacionado havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Cientificado desta decisão, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, julgada improcedente pela DRJ, nos termos do Acórdão nº 12088.992. Inconformado com a decisão da DRJ, apresentou recurso voluntário ao CARF, no qual argumenta que: a) A ausência de retificação de DCTF ou de qualquer outra obrigação acessória jamais poderia ser impeditivo do reconhecimento do seu direito ao crédito, na medida em que o Fisco possui outros meios de apurar a existência de eventual indébito tributário. Assim, não restam dúvidas de que a falta de retificação da DCTF não deve implicar na perda do direito ao crédito; b) Não há concomitância entre o presente processo e o Mandado de Segurança n° 002418579.2013.4.02.5101. A lide proposta foi no sentido de que fosse reconhecido o direito líquido e certo da recorrente não se sujeitar à incidência do PIS/Cofins sobre as receitas de interconexão, bem como para reconhecer o crédito referente a eventuais valores pagos indevidamente, relativamente a contribuições apuradas e recolhidas após a impetração do writ. O objeto da ação judicial se destina apenas às contribuições de PIS e Cofins apuradas e recolhidas após a distribuição do referido MS; c) No caso concreto, há uma divisão muito clara. Os pagamentos indevidos de PIS/COFINS sobre receitas de interconexão de redes, apuradas antes de 23.9.2013, foram objeto de pedido administrativo de restituição. Apenas os pagamentos realizados com base em apurações de PIS/COFINS feitas partir de 23.9.2013, foram objeto do pedido judicial formulado no Mandado de Segurança n° 002418579.2013.4.02.5101. Bem verdade que há certa semelhança entre as causas de pedir dos processos administrativos e judicial. Ambos estão fundados na “não incidência do PIS/COFINS sobre receitas de interconexão”. Todavia, os pedidos efetuados para se afastar o PIS e a COFINS sobre as receitas de interconexão, bem como para se reconhecer o crédito sobre pagamentos indevidos realizados envolvem a mesma discussão para períodos de apuração distintos. Frisese: os pedidos administrativos se voltam às contribuições apuradas e pagas antes da impetração do mandado de segurança. Já aquelas apuradas e pagas após o ajuizamento da ação judicial são objeto do mandado de segurança. Diante desse cenário, verificase que não há concomitância entre o mandado de segurança em curso perante o Poder Judiciário e o presente processo administrativo, tendo em vista que os períodos de apuração relativos ao crédito referente ao indébito tributário são distintos; d) Os valores recebidos pela Recorrente e repassados a outras operadoras a título de interconexão de redes não configuram receita tributável pelo PIS e COFINS, pois não se trata de “receita” auferida pela Recorrente, quer do ponto de vista jurídico, quer mesmo do ponto de vista contábil. No caso dos valores recebidos pela Recorrente e repassados a terceiros a título de interconexão de redes, o que se verifica é um mero e transitório ingresso de recursos que devem ser repassados ao terceiro que cedeu seus meios de rede à Recorrente. Não há, portanto, qualquer efetivo acréscimo patrimonial da Recorrente, porque já há um imediato e compulsório destino para aquele valor recebido, que é repassado para as outras operadoras de telecomunicação; e) A tributação nos moldes pretendidos pelo Fisco implica a tributação pelo PIS/COFINS da receita total auferida pela Recorrente pela prestação do serviço de Fl. 344DF CARF MF Processo nº 16682.901625/201321 Acórdão n.º 3302006.846 S3C3T2 Fl. 4 3 telecomunicação, incluindo a parcela que será repassada a terceiros pela interconexão de redes. E, além dessa tributação, nos termos da pretensão fiscal, haveria uma nova incidência do PIS/COFINS pelo terceiro que realiza a interconexão, no momento em que ele apropriar a receita que lhe é repassada, caracterizando o bis in idem tributário; f) A base de cálculo do PIS/COFINS não deve ser integrada por elementos estranhos à receita auferida, notadamente pelos valores que devem ser repassados a terceiros a título de interconexão de redes. Na prática, isso faz com que todo o valor pago pela Recorrente a título de PIS/COFINS sobre esses valores de interconexão de redes seja qualificado como indébito tributário, que lhe deve ser restituído. Termina o recurso requerendo o provimento para que seja reformado o acórdão recorrido, a fim de que seja deferido o pedido de restituição formulado. É o breve relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Acórdão nº 3302006.815, de 25 de abril de 2019, proferido no julgamento do processo 16682.900008/201490, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão nº 3302006.815): "O recurso é tempestivo e apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, de forma que dele conheço e passo à análise. O cerne da questão está em decidir se há concomitância entre esse processo administrativo e o Mandado de Segurança n° 002418579.2013.4.02.5101. Para tanto, é necessário analisar os objetos dos respectivos processos. Conforme já mencionado na decisão a quo, o indébito pleiteado no Pedido de Restituição decorre, nas palavras do contribuinte, “da indevida inclusão na base de cálculo do PIS de valores referentes a ingressos de numerário em razão de contratos de interconexão, os quais não constituem "receita" da Manifestante”. Portanto, defende em processo administrativo a não incidência do PIS/COFINS sobre tarifas de interconexão. Vejamos o objeto do MS nº 002418579.2013.4.02.5101: Pela petição inicial, temos os seguintes pedidos: a) concessão de medida liminar para assegurar o direito liquido e certo da impetrante à suspensão da exigibilidade dos créditos tributários, nos termos do art. 151, IV, do CTN, das Fl. 345DF CARF MF Processo nº 16682.901625/201321 Acórdão n.º 3302006.846 S3C3T2 Fl. 5 4 contribuições ao PIS e a Cofins, sobre os meros ingressos apurados mensalmente pelo regime de competência pela impetrante decorrentes tão somente das tarifas de interconexão recebidas dos usuários pela coprestação dos serviços de telecomunicações prestados pelas demais operadoras e a elas integralmente repassadas (serviços de transmissão, emissão ou recepção de símbolos, caracteres, sinais, escritos, imagens, sons ou informações de qualquer natureza); b) determinação à Autoridade Coatora sobre o contudo da decisão liminar, bem como acerca do conteúdo do presente mandamus, para que no prazo legal, preste as informações que entender necessárias, com a posterior oitiva do representante do Ministério Público; c) Ciência à União Federal, nos termos do art. 7º, II, da Lei nº 12.016/2009; d) ao final, a concessão da segurança para confirmar a liminar requerida e assegurar o direito liquido e certo de a impetrante não se sujeitar à incidência das contribuições ao PIS e à Cofins, sobre meros ingressos apurados mensalmente pelo regime da competência pela impetrante decorrentes tão somente das tarifas de interconexão recebidas dos usuários pela coprestação dos serviços de telecomunicações prestados pelas demais operadoras e a elas integralmente repassadas (serviços de transmissão, emissão ou recepção de símbolos, caracteres, sinais, escritos, imagens, sons ou informações de qualquer natureza), sob pena de violação ao art. 2º da Lei nº 9,718/99 e aos arts. 5º, II; 145 § 1º; 150, I e IV e 195, I, "b" da Constituição Republicana de 1988, com a consequente compensação do indébito dessas contribuições, apurados desde a distribuição do presente writ, devidamente atualizado pela Taxa Selic, após o trânsito em julgado, nos termos dos artigos 165, 170 e 170A do CTN. A sentença de primeiro grau do Mandado de Segurança nº 002418579.2013.4.02.5101, assim decidiu: Tratase de mandado de segurança com pedido de liminar impetrado por INTELIG COMUNICAÇÕES LTDA contra ato atribuído ao DELEGADO DA DELEGACIA ESPECIAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE MAIORES CONTRIBUINTES NO RIO DE JANEIRO DEMAC, objetivando a declaração de não incidência das contribuições ao PIS e à COFINS, sobre os ingressos apurados mensalmente pelo regime de competência pela Impetrante, decorrentes de tarifas de interconexão serviços prestados pelas demais operadoras, que são posteriormente repassados àquelas congêneres, bem como a declaração do direito de compensar o indébito referente a estas contribuições, apurado desde a distribuição do writ. Sustenta, em apertada síntese, que as chamadas "tarifas de interconexão" não constituem receita, e sim meros ingressos econômicos ou financeiros, tendo cm vista que são recebidas, cm um primeiro momento, pela Impetrante, porem repassadas cm seguida às operadoras que efetivamente prestaram os serviços ao cliente usuário da Impetrante. (...) Fl. 346DF CARF MF Processo nº 16682.901625/201321 Acórdão n.º 3302006.846 S3C3T2 Fl. 6 5 Pelo exposto, com fulcro no art. 269. I, do CPC. JULGO PROCEDENTE O PEDIDO e CONCEDO A SEGURANÇA, para determinar ao Impetrado que se abstenha de exigir da Impetrante que recolha o PIS e a Cofins, incluindo na base de cálculo o valor recebido pela Impetrante e posteriormente repassado a operadora congênere, que prestou efetivamente o serviço, a título de "tarifa de interconexão", bem como para declarar o direito da Impetrante à compensação do indébito, apurado desde a distribuição do presente, na forma da lei de regência, de acordo com a modalidade escolhida pelas Impetrantes, aplicandose a SELIC como critério de atualização do indébito, vedada a cumulação com qualquer outro índice, nos termos da fundamentação supra. Analisando as razões jurídicas apresentadas na peça recursal, fico convencido da identidade das demandas administrativa e judicial, pois nas duas esferas o que se discute é a inexistência de relação jurídica tributária do PIS e da Cofins em relação as receitas de interconexão. O próprio recorrente reconhece essa congruência entre os processos administrativo e judicial. Sua alegação para afastar a concomitância se ampara no fato de que os pagamentos indevidos de PIS/COFINS sobre receitas de interconexão de redes, apuradas antes de 23.9.2013, foram objeto de pedido administrativo de restituição, e que apenas os pagamentos realizados com base em apurações de PIS/COFINS feitas partir de 23.9.2013, foram objeto do pedido judicial formulado no Mandado de Segurança n° 0024185 79.2013.4.02.5101. Não comungo do entendimento no qual a concomitância é afastada pela falta de identidade entre os períodos de apuração apontados nos processos judicial e administrativo. O diferencial entre os períodos de apuração, aqueles contemplados pelo mandamus e os não contemplados, na minha visão, referese somente à possibilidade de o recorrente utilizálos para pedido de compensação antes do trânsito em julgado, por ordem judicial, conforme sua solicitação na exordial. Os demais períodos de apuração, os que foram apurados antes da distribuições do writ, deverão esperar o trânsito em julgado da ação para poderem se credenciar a objeto de um pedido de restituição, com possíveis compensações. Digo isso, pois a decisão do Poder Judiciário sobre a incidência do PIS e da Cofins nas receitas oriundas das tarifas de interconexão, terá reflexos para todos os períodos de apuração, independentemente se foi contemplado no pedido do MS nº 002418579.2013.4.02.5101 ou não Isso se deve ao fato de que na existência de processos paralelos, com objeto e finalidade idênticos, não é salutar que haja decisões com efeitos redundantes ou antagônicos. Em qualquer das hipóteses, prevalecerá a decisão judicial, motivo pelo qual a concomitância de processos ofende o princípio da economia processual. Em face disso, a opção do contribuinte pela via judicial encerra o processo administrativo fiscal em definitivo, em qualquer das fases em que ele se encontre. Fl. 347DF CARF MF Processo nº 16682.901625/201321 Acórdão n.º 3302006.846 S3C3T2 Fl. 7 6 Registrese que a coisa julgada a ser proferida no âmbito do Poder Judiciário jamais poderia ser alterada no processo administrativo, pois tal procedimento feriria a Constituição Federal, que adota o modelo de jurisdição una, onde são soberanas as decisões judiciais. Sendo assim, nos casos em que o sujeito passivo opta pela via judicial para a discussão de matéria tributária implica na renúncia ao poder de recorrer nesta instância, nos termos do parágrafo único do art. 38 da Lei nº 6.830/80 e do § 2º, art. 1º do Decretolei nº 1.737, de 1979. Ratificando este entendimento, foi aprovado o enunciado de Súmula CARF nº 01, in verbis: Súmula CARF nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Na linha do entendimento fixado, não conheço do recurso quanto à matéria submetida ao crivo do Poder Judiciário e na parte conhecida, nego provimento ao recurso por enxergar identidade entre os pedidos e as causas de pedir apresentados no MS nº 2007.70.00.0222765 e neste recurso administrativo." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por conhecer parcialmente do recurso e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 348DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.913130/2011-62
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2002
RECURSO VOLUNTÁRIO. DESCUMPRIMENTO DE PRESSUPOSTO PROCESSUAL DE ADMISSIBILIDADE. INÉPCIA RECURSAL.
A falta de impugnação especificada dos fundamentos da decisão recorrida caracteriza a inépcia do Recurso Voluntário por configurar ausência de requisito objetivo de procedibilidade recursal.
ADITIVO AO RECURSO VOLUNTÁRIO. PROTOCOLIZAÇÃO APÓS O PRAZO LEGAL. PRECLUSÃO TEMPORAL.
É assegurado ao contribuinte a interposição de Recurso Voluntário no prazo de 30 (trinta) dias a contar da data da ciência da decisão recorrida. O aditivo ao recurso colacionado aos autos após o vencimento do prazo legal não pode ser conhecido pela instância recursal em razão da ocorrência da preclusão temporal.
Numero da decisão: 1002-000.654
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Rafael Zedral e Marcelo José Luz de Macedo.
Nome do relator: AILTON NEVES DA SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201905
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2002 RECURSO VOLUNTÁRIO. DESCUMPRIMENTO DE PRESSUPOSTO PROCESSUAL DE ADMISSIBILIDADE. INÉPCIA RECURSAL. A falta de impugnação especificada dos fundamentos da decisão recorrida caracteriza a inépcia do Recurso Voluntário por configurar ausência de requisito objetivo de procedibilidade recursal. ADITIVO AO RECURSO VOLUNTÁRIO. PROTOCOLIZAÇÃO APÓS O PRAZO LEGAL. PRECLUSÃO TEMPORAL. É assegurado ao contribuinte a interposição de Recurso Voluntário no prazo de 30 (trinta) dias a contar da data da ciência da decisão recorrida. O aditivo ao recurso colacionado aos autos após o vencimento do prazo legal não pode ser conhecido pela instância recursal em razão da ocorrência da preclusão temporal.
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed May 29 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10120.913130/2011-62
anomes_publicacao_s : 201905
conteudo_id_s : 6013444
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed May 29 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1002-000.654
nome_arquivo_s : Decisao_10120913130201162.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : AILTON NEVES DA SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 10120913130201162_6013444.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Rafael Zedral e Marcelo José Luz de Macedo.
dt_sessao_tdt : Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
id : 7760351
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:45:55 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051907801481216
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1389; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T2 Fl. 238 1 237 S1C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10120.913130/201162 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1002000.654 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 07 de maio de 2019 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente CONVIG VIGILANCIA E SEGURANÇA LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 RECURSO VOLUNTÁRIO. DESCUMPRIMENTO DE PRESSUPOSTO PROCESSUAL DE ADMISSIBILIDADE. INÉPCIA RECURSAL. A falta de impugnação especificada dos fundamentos da decisão recorrida caracteriza a inépcia do Recurso Voluntário por configurar ausência de requisito objetivo de procedibilidade recursal. ADITIVO AO RECURSO VOLUNTÁRIO. PROTOCOLIZAÇÃO APÓS O PRAZO LEGAL. PRECLUSÃO TEMPORAL. É assegurado ao contribuinte a interposição de Recurso Voluntário no prazo de 30 (trinta) dias a contar da data da ciência da decisão recorrida. O aditivo ao recurso colacionado aos autos após o vencimento do prazo legal não pode ser conhecido pela instância recursal em razão da ocorrência da preclusão temporal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 91 31 30 /2 01 1- 62 Fl. 238DF CARF MF Processo nº 10120.913130/201162 Acórdão n.º 1002000.654 S1C0T2 Fl. 239 2 Aílton Neves da Silva Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Rafael Zedral e Marcelo José Luz de Macedo. Relatório Por retratar os fatos com propriedade até o momento processual anterior ao do julgamento da Manifestação de Inconformidade contra a não homologação da compensação, transcrevo e adoto o relatório produzido pela DRJ/REC: Trata o presente processo de PER/DCOMP eletrônica (nº 41142.17929.281107.1.6.023864) na qual se indicou, como origem de crédito, saldo negativo de IRPJ , referente ao período de apuração 31/12/2002. Através do despacho decisório eletrônico (fl. 152) a autoridade de primeira instância, DRF/GOIANIA, assim decidiu: Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fl. 02) argumentando que no ano calendário de 2002 havia sido retido na fonte pelos tomadores de serviços o IRF no valor total de R$11.273,11, anexando como prova cópias das notas fiscais. Aduz que por ter tido prejuízo de R$1.163,37, havia ficado com crédito em seu favor no mesmo montante do IRF retido. Fl. 239DF CARF MF Processo nº 10120.913130/201162 Acórdão n.º 1002000.654 S1C0T2 Fl. 240 3 A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela DRJ/REC, conforme acórdão n. 1152.395, de 30 de março de 2016 (efl. 194), que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 RETENÇÃO NA FONTE. COMPROVAÇÃO. O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado se o contribuinte possuir comprovante hábil de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos, o qual deve vir junto com a impugnação. Irresignado, o Recorrente apresenta em 02/05/2016 Recurso Voluntário tempestivo nos seguintes termos (efls. 190): Após a expiração do prazo legal para oferecimento do Recurso Voluntário, ocorrida em 23/05/2016, o Recorrente apresenta Aditivo de Recurso Voluntário em 25/05/2016, o qual denominou de "Recurso Voluntário" (efls. 211, 212 e 231). É o relatório do necessário. Voto Fl. 240DF CARF MF Processo nº 10120.913130/201162 Acórdão n.º 1002000.654 S1C0T2 Fl. 241 4 Conselheiro Aílton Neves da Silva Relator Conforme se demonstrará a seguir, o Recurso não atende os pressupostos de admissibilidade e, portanto, não merece ser conhecido. O artigo 16 do decreto 70.235/72, que regula o processo administrativo de determinação e exigência de crédito tributário, reza em seu artigo 16 os elementos indispensáveis à apresentação de impugnação (destaques deste relator): Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome endereço e qualificação profissional de seu perito; (Redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748/93) No presente caso o Recorrente não indicou os pontos de discordância e tampouco os fundamentos de fato e de direito em que lastreou a contestação do acórdão recorrido, motivo porque o Recurso deve ser considerado inepto por violação ao princípio da dialeticidade recursal. A jurisprudência administrativa e a dos tribunais superiores é pacífica nesse mesmo sentido. Vejase (destaques deste relator): CARF: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 RECURSO VOLUNTÁRIO. INÉPCIA. NÃO CONHECIMENTO. Não deve ser conhecido o recurso voluntário quando, apesar de apresentado tempestivamente um documento com essa identificação, não contém qualquer argumento pelo qual deva ser reformada a decisão de piso. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. INÉPCIA DO RECURSO. REQUISITOS PROCESSUAIS DE VALIDADE NÃO PREENCHIDOS. NÃO CONHECIMENTO. Fl. 241DF CARF MF Processo nº 10120.913130/201162 Acórdão n.º 1002000.654 S1C0T2 Fl. 242 5 Se o recurso voluntário não contesta os fundamentos da decisão recorrida, não preenche os requisitos processuais objetivos de validade, revelase inepto e não há como dele conhecer. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/01/2005 INÉPCIA DO RECURSO. AUSÊNCIA DE DIALETICIDADE RECURSAL. É inepto o recurso não orientado pela dialeticidade recursal, segundo a qual os motivos da contrariedade, bem como a necessidade de reforma da decisão atacada, devem ser expostos de forma clara e objetiva. STF: SINDICAL. LEVANTAMENTO DE DEPÓSITO. DUPLICIDADE DE CREDORES. ARTIGO 8º, INCISO II, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. FALTA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA AOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. MATÉRIA INFRACONSTITUCIONAL. OFENSA REFLEXA. REEXAME DE PROVAS. IMPOSSIBILIDADE EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO. 1. O agravo regimental é inadmissível quando não impugna a decisão agravada, limitandose a reprisar os argumentos do recurso originário indeferido. 2. O agravante não se insurgiu contra todos os fundamentos jurídicos da decisão agravada, limitandose a argumentar que a matéria sub judice é de índole constitucional. 3. Configura princípio básico da disciplina dos recursos o dever que tem o recorrente de impugnar as razões da decisão atacada, por isso que deixando de fazêlo, resta ausente o requisito de admissibilidade consistente na regularidade formal, o que determina, com fundamento no § 1º do artigo 317 do RISTF, o nãoconhecimento do recurso interposto. Precedentes: RE n. 583.833AgR, Relator o Ministro JOAQUIM BARBOSA, 2ª Turma, DJe de 1.10.10; AI n. 744.581AgR, Relatora a Ministra ELLEN GRACIE, 2ª Turma, DJe de 21.5.10; RE n. 458.161AgR, Relator o Ministro EROS GRAU, 2ª Turma, DJe de 1.1.08; AI n. 615.634 AgR, Relator o Ministro CELSO DE MELLO, 2ª Turma, DJ de 18.12.06; AI n. 585.140AgR, Relator o Ministro GILMAR MENDES, 2ª Turma, DJ de 6.6.06. (...) (AI 796770 AgR, Relator(a): Min. LUIZ FUX, Primeira Turma, julgado em 23/03/2011, DJe085 DIVULG 06052011 PUBLIC 09052011 EMENT VOL0251702 PP00424) STJ: PROCESSO CIVIL. AGRAVO INTERPOSTO CONTRA DECISÃO QUE INDEFERE O PROCESSAMENTO DE RECLAMAÇÃO. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA DOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. INÉPCIA RECURSAL. SÚMULA Nº 182/STJ. RECLAMAÇÃO. Mandado de segurança impetrado perante o Tribunal de Fl. 242DF CARF MF Processo nº 10120.913130/201162 Acórdão n.º 1002000.654 S1C0T2 Fl. 243 6 Justiça contra ato coator de juiz relator de turma recursal do juizado especial que indefere pedido liminar em outro mandado de segurança. Ausência de competência originária do TJ e recursal do STJ para exame de recurso ordinário constitucional. Inexistência de usurpação da competência do STJ. Julgamento do mérito do mandado de segurança pela turma recursal do juizado especial. Superveniente perda do interesse de agir. Reclamação indeferida. É inepta a petição recursal que não expõe as razões de inconformismo, contra decisão denegatória de processamento de Reclamação, sem impugnar eventual desacerto da decisão recorrida. A impugnação aos fundamentos da decisão recorrida constitui requisito genérico de admissibilidade dos recursos. Se no recurso não há a impugnação aos fundamentos da decisão atacada, não há como se conhecer do mesmo porquanto ausente um requisito de admissibilidade. Porque é incabível o processamento do recurso ordinário constitucional em mandado de segurança impetrado contra ato acoimado coator de Turma Recursal de Juizado Especial, não há usurpação de competência do STJ pelo indeferimento de seu processamento pelo Tribunal de origem. Há superveniente perda do interesse de agir quando o Reclamante pretende o destrancamento de recurso dirigido ao STJ contra decisão denegatória de pedido liminar em mandado de segurança e a ação originária tem seu mérito julgado no decorrer do processamento da Reclamação. (...) Por outro lado, tendo em conta que a ciência do acórdão de Manifestação de Inconformidade deuse em 20/04/2016 (efls. 188), ficou caracterizada a preclusão temporal do Aditivo ao Recurso Voluntário apresentado em 25/05/2016, eis que foi protocolizado após o vencimento do prazo legal ocorrido em 23/05/20161. Assim, de acordo com as regras de contagem de prazo do Processo Administrativo Fiscal2 configurouse a intempestividade do Aditivo de Recurso Voluntário, tornando inviável o seu conhecimento por este colegiado e definitiva a decisão de primeira instância no âmbito administrativo, a teor do que dispõe o artigo 42 do Decreto n° 70.235/1972: Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; [...] 1 Art. 33 do Decreto 70.235/72: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. 2 Art. 5º, do Decreto nº 70.235/72: Art. 5º: Os prazos serão contínuos, excluindose, na sua contagem, o dia de início e incluindose o dia do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Fl. 243DF CARF MF Processo nº 10120.913130/201162 Acórdão n.º 1002000.654 S1C0T2 Fl. 244 7 Quanto à tempestividade do Aditivo de Recurso Voluntário o Recorrente assim se manifestou: DA TEMPESTIVIDADE A interessada tomou ciência do Acórdão da DRJ dentro do prazo de 30(trinta) dias de que trata o artigo 77, da Instrução Normativa n° 1.300, de 20 de novembro de 2.012. Convém destacar o feriado municipal local decretado para o dia 24 de maio de 2.016. Portanto, é tempestiva a presente manifestação de inconformidade. Não procede a alegação do Recorrente. O feriado municipal do dia 24/05/2016 não interfere no deslinde dessa lide porque a data de 23/05/2016 vencimento do prazo para apresentação do Aditivo de Recurso Voluntário foi dia útil. Logo, o feriado não foi levado em conta na caracterização da intempestividade porque naquela data o prazo legal já estava esgotado. Assim, descumpridos os pressupostos de admissibilidade previstos nos artigos 16 e 33 do Decreto 70.235/72, voto no sentido de não conhecer do recurso voluntário por considerálo inepto. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Fl. 244DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10970.000194/2008-95
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004
VALE-TRANSPORTE. VERBA DE NATUREZA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
O pagamento de verbas a título de vale-transporte, qualquer que seja a forma de pagamento, possui natureza indenizatória, não passível, portanto, de incidência de contribuição previdenciária. Súmula CARF nº 89.
Numero da decisão: 2402-007.075
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Declarou-se impedido de participar do julgamento o conselheiro Gregório Rechmann Junior, substituído pelo conselheiro José Alfredo Duarte Filho.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Sérgio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Wilderson Botto (suplente convocado), Luís Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado) e Denny Medeiros da Silveira.
Nome do relator: DENNY MEDEIROS DA SILVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201903
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004 VALE-TRANSPORTE. VERBA DE NATUREZA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. O pagamento de verbas a título de vale-transporte, qualquer que seja a forma de pagamento, possui natureza indenizatória, não passível, portanto, de incidência de contribuição previdenciária. Súmula CARF nº 89.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Apr 29 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10970.000194/2008-95
anomes_publicacao_s : 201904
conteudo_id_s : 5997441
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Apr 29 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2402-007.075
nome_arquivo_s : Decisao_10970000194200895.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : DENNY MEDEIROS DA SILVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10970000194200895_5997441.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Declarou-se impedido de participar do julgamento o conselheiro Gregório Rechmann Junior, substituído pelo conselheiro José Alfredo Duarte Filho. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Sérgio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Wilderson Botto (suplente convocado), Luís Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado) e Denny Medeiros da Silveira.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
id : 7715243
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:43:16 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051907804626944
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1546; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 2 1 1 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10970.000194/200895 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 2402007.075 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 13 de março de 2019 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente SOC.AN.BRAS. DE EMPREENDIMENTOS SABE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004 VALETRANSPORTE. VERBA DE NATUREZA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. O pagamento de verbas a título de valetransporte, qualquer que seja a forma de pagamento, possui natureza indenizatória, não passível, portanto, de incidência de contribuição previdenciária. Súmula CARF nº 89. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Declarouse impedido de participar do julgamento o conselheiro Gregório Rechmann Junior, substituído pelo conselheiro José Alfredo Duarte Filho. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Sérgio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Wilderson Botto (suplente convocado), Luís Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado) e Denny Medeiros da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 0. 00 01 94 /2 00 8- 95 Fl. 465DF CARF MF Processo nº 10970.000194/200895 Acórdão n.º 2402007.075 S2C4T2 Fl. 3 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na Sistemática dos Recursos Repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2402007.072 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 13 de março de 2019, proferido no âmbito do processo n° 18050.003581/200877, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2402007.072 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária "Cuidase de Recurso Voluntário em face da Decisão de 1ª Instância Administrativa que julgou procedente o lançamento de Contribuições Previdenciárias incidentes sobre verbas pagas pela empresa, a título de "Vale Transporte", a segurados obrigatórios do RGPS, conforme discriminado no relatório fiscal. Irresignado, o Contribuinte apresentou impugnação administrativa em resistência ao lançamento em tela, a qual se houve por julgada improcedente pelo Órgão Julgador de 1ª Instância. Devidamente cientificada da susocitada decisão, a Impugnante, agora Recorrente, interpôs Recurso Voluntário pugnando, ao fim, pela improcedência do lançamento. É o relatório." Voto Conselheiro Denny Medeiros da Silveira Relator. Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2402007.072 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 13 de março de 2019, proferido no âmbito do processo n° 18050.003581/200877, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevemos, a seguir, nos termos regimentais, o excerto de interesse do voto condutor proferido pelo Conselheiro Luís Henrique Dias Lima, digno Relator da decisão paradigma suso citada, o qual versa especificamente sobre a matéria de mérito que permeia o acima referenciado Acórdão nº 2402007.072 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 13 de março de 2019. Acórdão nº 2402007.072 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária "1 Do Conhecimento do Recurso O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72 e alterações posteriores. Portanto, dele CONHEÇO. Fl. 466DF CARF MF Processo nº 10970.000194/200895 Acórdão n.º 2402007.075 S2C4T2 Fl. 4 3 [...] 3 Do Mérito Inicialmente, é oportuno destacar que o art. 28, § 9°, alínea "f", da Lei nº 8.212/1991, estabelece que a parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria, não integra o salário de contribuição. O valetransporte foi instituído pela Lei nº 7.418/85 e regulamentado pelo Decreto nº 95.247/87, definindo um paradigma procedimental no qual o empregador fornecerá os vales a seus empregados para utilização efetiva em despesas de deslocamento residênciatrabalho e viceversa, através do sistema de transporte coletivo público, urbano ou intermunicipal/interestadual, excluídos os serviços seletivos e os especiais. De se observar que a exclusão do valetransporte do saláriode contribuição pressupõe o seu fornecimento de acordo com a legislação, sob pena de incidência de contribuição previdenciária. No que pertine à natureza indenizatória do valetransporte, é oportuno resgatar o estabelecido no Parecer PGFN/CRJ nº 189/2016, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda DOU de 29/03/2016: Parecer PGFN/CRJ nº 189/20 [...] 5. Não obstante, o Pleno do STF, no julgamento do Recurso Extraordinário n° 478.410/SP (não submetido ao rito do art. 543B do CPC), em 10/03/2010, firmou o entendimento de que é inconstitucional a incidência de contribuição previdenciária sobre o valetransporte pago em espécie, já que, qualquer que seja a forma de pagamento, detém o beneficio natureza indenizatória. De acordo com a Corte Suprema, ao admitirse que o valetransporte possa ter a sua natureza alterada pelo fato de ser pago em dinheiro importaria em relativizar o curso legal da moeda. Sendo assim, considerou que a cobrança de contribuição previdenciária sobre o valor pago em pecúnia a título de valetransporte afrontaria a Constituição em sua totalidade normativa. Eis a ementa do julgado: (grifei) EMENTA: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA. VALETRANSPORTE. MOEDA. CURSO LEGAL E CURSO FORÇADO. CARÁTER NÃO SALARIAL DO BENEFÍCIO. ARTIGO 150, I, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. CONSTITUIÇÃO COMO TOTALIDADE NORMATIVA. 1. Pago o beneficio de que se cuida neste recurso extraordinário em valetransporte ou em moeda, isso não afeta o caráter não salarial do benefício. 2. A admitirmos não possa esse beneficio ser pago em dinheiro sem que seu caráter seja afetado, estaríamos a relativizar o curso legal da moeda nacional. 3. A funcionalidade do conceito de Fl. 467DF CARF MF Processo nº 10970.000194/200895 Acórdão n.º 2402007.075 S2C4T2 Fl. 5 4 moeda revelase em sua utilização no plano das relações jurídicas. O instrumento monetário válido e padrão de valor, enquanto instrumento de pagamento sendo dotado de poder liberatório: sua entrega ao credor libera o devedor. Poder liberatório e qualidade, da moeda enquanto instrumento de pagamento, que se manifesta exclusivamente no plano jurídico: somente ela permite essa liberação indiscriminada, a todo sujeito de direito, no que tange a débitos de caráter patrimonial. 4. A aptidão da moeda para o cumprimento dessas funções decorre da circunstância de ser ela tocada pelos atributos do curso legal e do curso forçado. 5. A exclusividade de circulação da moeda está relacionada ao curso legal, que respeita ao instrumento monetário enquanto em circulação; não decorre do curso forçado, dado que este atinge o instrumento monetário enquanto valor e a sua instituição [do curso forçado] importa apenas em que não possa ser exigida do poder emissor sua conversão em outro valor. 6. A cobrança de contribuição previdenciária sobre o valor pago, em dinheiro, a titulo de valestransporte, pelo recorrente aos seus empregados afronta a Constituição, sim, em sua totalidade normativa. Recurso Extraordinário a que se dá provimento. (RE 478410, Relator(a): Min. EROS GRAU, Tribunal Pleno, julgado em 10103/2010, DJe086 DIVULG 13052010 PUBLIC 14052010 EMENT VOL0240104 PP00822 RDECTRAB v. 17, n. 192, 2010, p. 145166) 6. Em sequência, no julgamento de Embargos de Declaração,o STF, utilizando a técnica da declaração de inconstitucionalidade parcial sem redução de texto, fez constar da conclusão do acórdão embargado a proclamação da "inconstitucionalidade da aplicação do art. 5° do Decreto n° 95.247/87 e do art. 4°, caput, da Lei n° 7.418/85 como fundamentos para a incidência de contribuições previdenciária sobre os valores pagos em pecúnia a título de valetransporte aos trabalhadores", sem qualquer modificação, portanto, do teor da deliberação anterior. [...] Na esteira do supra citado Parecer, a PGFN editou o Ato Declaratório nº 004/2016 determinando que nas ações judiciais fundadas no entendimento de que não há incidência de contribuição previdenciária sobre o valetransporte pago em pecúnia considerando o caráter indenizatório da verba. No mesmo diapasão seguiu a Secretaria da Receita Federal do Brasil consoante o entendimento consolidado na Solução de Consulta Cosit nº 146, de 27 de setembro de 2016, sumarizado na ementa abaixo: Solução de Consulta Cosit nº 146/2016 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. VALETRANSPORTE. PAGAMENTO EM PECÚNIA. NÃO INCIDÊNCIA. Não incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos em dinheiro a título de valetransporte. Fl. 468DF CARF MF Processo nº 10970.000194/200895 Acórdão n.º 2402007.075 S2C4T2 Fl. 6 5 A não incidência da contribuição está limitada ao valor pago em dinheiro estritamente necessário para o custeio do deslocamento residênciatrabalho e viceversa, em transporte coletivo, conforme prevê o art.1º da Lei nº 7.418, de 1985. Dispositivos Legais: Lei nº 10.522, de 2002, art. 19, inciso II e §4º, Ato Declaratório nº 4, de 31 de março de 2016, da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional. Súmula AGU nº 60, de 8 de dezembro de 2011. No mesmo sentido segue a Súmula nº 89 do CARF, in verbis: Súmula CARF nº 89 A contribuição social previdenciária não incide sobre valores pagos a título de valetransporte, mesmo que em pecúnia. Nessa perspectiva, considerandose a natureza indenizatória do valetransporte, são procedentes as alegações da Recorrente, impondose o cancelamento do lançamento em apreço, não havendo que se falar de remuneração indireta a atrair a incidência de contribuições previdenciárias. Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima" Nesse contexto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por CONHECER do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, cancelando se integralmente o lançamento. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Relator. Fl. 469DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.720867/2011-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Apr 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007
PROCEDIMENTO FISCAL ANTERIOR. REEXAME. AUTORIZAÇÃO.
Não importa nulidade o lançamento fiscal formalizado em período que já tenha sido objeto de procedimento anterior, em particular quando não se tenha verificado nenhuma alteração de critérios jurídicos.
Não compete ao Colegiado de 2ª Instância administrativa o exame da motivação que levou à instauração do novo procedimento, bastando que este tenha sido autorizado expressamente pela autoridade competente ou que tal autorização expressa tenha sido suprida com a emissão regular de Mandado de Procedimento Fiscal para o novo exame.
PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada.
GANHO DE CAPITAL. PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. CUSTO DE AQUISIÇÃO. RESERVA DE REAVALIAÇÃO.
O custo de aquisição das quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de capital por incorporação de lucros apurados ou de reservas constituídas com esses lucros, será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista, o que não se aplica à incorporação de reservas de reavaliação.
Na alienação, pelo sócio, de quotas ou ações recebidas por conta da incorporação ao capital social de reserva de reavaliação, o custo de aquisição, para efeitos da determinação do ganho de capital, será igual a zero.
MULTA DE OFÍCIO
Tendo o Auditor Fiscal aplicado a multa prevista em lei, agiu em conformidade com o seu dever, em face de a atividade do lançamento ser plenamente vinculada.
JUROS DE MORA
São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. (Súmula CARF nº 5).
Numero da decisão: 2201-005.087
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em rejeitar as preliminares argüidas, vencidos os Conselheiros Marcelo Milton da Silva Risso, Relator, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim e Douglas Kakazu Kushiyama, que acolheram a preliminar de nulidade em razão de falta de motivação para reexame do período fiscalizado. No mérito, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente e Redator Designado
(assinado digitalmente)
Marcelo Milton da Silva Risso - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Debora Fofano, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Suplente Convocada), Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Ausente o Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra.
Nome do relator: MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201904
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2007 PROCEDIMENTO FISCAL ANTERIOR. REEXAME. AUTORIZAÇÃO. Não importa nulidade o lançamento fiscal formalizado em período que já tenha sido objeto de procedimento anterior, em particular quando não se tenha verificado nenhuma alteração de critérios jurídicos. Não compete ao Colegiado de 2ª Instância administrativa o exame da motivação que levou à instauração do novo procedimento, bastando que este tenha sido autorizado expressamente pela autoridade competente ou que tal autorização expressa tenha sido suprida com a emissão regular de Mandado de Procedimento Fiscal para o novo exame. PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. GANHO DE CAPITAL. PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. CUSTO DE AQUISIÇÃO. RESERVA DE REAVALIAÇÃO. O custo de aquisição das quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de capital por incorporação de lucros apurados ou de reservas constituídas com esses lucros, será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista, o que não se aplica à incorporação de reservas de reavaliação. Na alienação, pelo sócio, de quotas ou ações recebidas por conta da incorporação ao capital social de reserva de reavaliação, o custo de aquisição, para efeitos da determinação do ganho de capital, será igual a zero. MULTA DE OFÍCIO Tendo o Auditor Fiscal aplicado a multa prevista em lei, agiu em conformidade com o seu dever, em face de a atividade do lançamento ser plenamente vinculada. JUROS DE MORA São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. (Súmula CARF nº 5).
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Apr 26 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 15504.720867/2011-42
anomes_publicacao_s : 201904
conteudo_id_s : 5996544
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Apr 26 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2201-005.087
nome_arquivo_s : Decisao_15504720867201142.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
nome_arquivo_pdf_s : 15504720867201142_5996544.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em rejeitar as preliminares argüidas, vencidos os Conselheiros Marcelo Milton da Silva Risso, Relator, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim e Douglas Kakazu Kushiyama, que acolheram a preliminar de nulidade em razão de falta de motivação para reexame do período fiscalizado. No mérito, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente e Redator Designado (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Debora Fofano, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Suplente Convocada), Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Ausente o Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra.
dt_sessao_tdt : Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
id : 7714688
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:43:12 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051907831889920
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 30; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1901; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 740 1 739 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15504.720867/201142 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201005.087 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 10 de abril de 2019 Matéria IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA Recorrente FRANCISCO DE AZEVEDO NETO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007 PROCEDIMENTO FISCAL ANTERIOR. REEXAME. AUTORIZAÇÃO. Não importa nulidade o lançamento fiscal formalizado em período que já tenha sido objeto de procedimento anterior, em particular quando não se tenha verificado nenhuma alteração de critérios jurídicos. Não compete ao Colegiado de 2ª Instância administrativa o exame da motivação que levou à instauração do novo procedimento, bastando que este tenha sido autorizado expressamente pela autoridade competente ou que tal autorização expressa tenha sido suprida com a emissão regular de Mandado de Procedimento Fiscal para o novo exame. PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. GANHO DE CAPITAL. PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. CUSTO DE AQUISIÇÃO. RESERVA DE REAVALIAÇÃO. O custo de aquisição das quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de capital por incorporação de lucros apurados ou de reservas constituídas com esses lucros, será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista, o que não se aplica à incorporação de reservas de reavaliação. Na alienação, pelo sócio, de quotas ou ações recebidas por conta da incorporação ao capital social de reserva de reavaliação, o custo de aquisição, para efeitos da determinação do ganho de capital, será igual a zero. MULTA DE OFÍCIO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 08 67 /2 01 1- 42 Fl. 740DF CARF MF 2 Tendo o Auditor Fiscal aplicado a multa prevista em lei, agiu em conformidade com o seu dever, em face de a atividade do lançamento ser plenamente vinculada. JUROS DE MORA São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. (Súmula CARF nº 5). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em rejeitar as preliminares argüidas, vencidos os Conselheiros Marcelo Milton da Silva Risso, Relator, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim e Douglas Kakazu Kushiyama, que acolheram a preliminar de nulidade em razão de falta de motivação para reexame do período fiscalizado. No mérito, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente e Redator Designado (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Debora Fofano, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Suplente Convocada), Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Ausente o Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra. Relatório 1 Adoto inicialmente como relatório a narrativa constante do V. Acórdão da DRJ (fls. 448/456) por sua clareza e precisão: "Contra o contribuinte foi lavrado Auto de Infração (fls. 03/10), com ciência pessoal em 15/07/2011 (fls. 06), referente a Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, no qual foi apurado o crédito tributário de R$ 2.411.720,38, nele compreendido imposto de R$ 1.094.247,00, multa de ofício de R$ 820.685,25 e juros de mora de R$ 496.788,13. Conforme Termo de Verificação Fiscal de fls. 11/28, o lançamento decorreu da apuração de omissão de ganho de capital no valor de R$ 7.294.980,00, obtido na alienação, em 2007, das 7.798.707 quotas representativas da participação do Fl. 741DF CARF MF Processo nº 15504.720867/201142 Acórdão n.º 2201005.087 S2C2T1 Fl. 741 3 contribuinte no capital social da empresa Cemea Construtora Ltda. Em 11/08/2011 o interessado apresentou por intermédio de procuradores a impugnação da exigência às fls. 379/397, acompanhada dos documentos de fls. 398/443, alegando em síntese o que segue. Preliminarmente, requer que o presente processo seja apensado ao de nº 15504.720939/201151, do contribuinte Nelson Furtado de Azevedo, para julgamento conjunto, tendo em vista que se tratam da mesma situação. Ainda em preliminar, argumenta que o lançamento impugnado diz respeito a período já fiscalizado, onde não foi identificada qualquer diferença de imposto de renda sobre ganho de capital na alienação da participação societária, tendo o reexame alterado os critérios jurídicos que orientaram originariamente o cálculo do custo de aquisição das quotas alienadas em 2007, o que ofenderia o art. 146 do Código Tributário Nacional – CTN, que objetiva a estabilidade das relações jurídicas, e o princípio da irretroatividade, devendo o crédito tributário ser considerado insubsistente. Na hipótese de se negar incidência ao art. 146 do CTN, o impugnante requer o ajuste da exigência fiscal, a fim de se excluírem dela as parcelas referentes à multa e juros, com fundamento no art. 100, I e III do CTN, tendo em vista que o próprio Fisco teve responsabilidade pelo não recolhimento do imposto que agora reputa devido, pois no primeiro exame não opôs qualquer reparo à apuração do contribuinte, incutindo nele a certeza da regularidade de sua conduta. No mérito, o impugnante alega ter sido indevida a atribuição de custo zero às quotas recebidas em virtude do aumento de capital da Cemea mediante incorporação da reserva de reavaliação, valor este que deveria ter sido considerado como custo de aquisição, argumentando que a tributação da incorporação ocorre na pessoa jurídica, e não na pessoa física alienante da participação, o que configuraria duplicidade de tributação, fundamentandose no art. 16, § 2º da Instrução Normativa – IN SRF nº 84/2001. Acrescenta que, considerando a incorporação da reserva de reavaliação como custo de aquisição, este seria de R$ 7.798.707,00, superior ao preço de venda de R$ 7.605.368,53, não havendo, portanto, ganho de capital." 2 – A decisão de piso manteve o lançamento em sua integralidade conforme ementa abaixo indicada: Fl. 742DF CARF MF 4 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 2007 PROCESSOS CONEXOS. APENSAMENTO DISPENSÁVEL. Deve ser indeferido pedido de apensação de processos administrativos conexos de contribuintes diferentes. PRELIMINAR. REEXAME DE PERÍODO JÁ FISCALIZADO. Havendo autorização escrita do Delegado da Receita Federal para iniciar novo procedimento fiscal em relação a período anteriormente já fiscalizado, não há que se falar em nulidade do lançamento decorrente, sobretudo quando não ocorreu hipótese de mudança de critérios jurídicos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 NORMAS COMPLEMENTARES. FISCALIZAÇÃO ANTERIOR. Fiscalização anterior não constitui norma complementar do Direito Tributário, por não se enquadrar no conceito de ato administrativo ou prática reiteradamente observada. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007 ALIENAÇÃO DE QUOTAS. RESERVA DE REAVALIAÇÃO. GANHO DE CAPITAL. Na alienação, pelo sócio, de quotas ou ações recebidas por conta da incorporação ao capital social de reserva de reavaliação, o custo de aquisição, para efeitos da determinação do ganho de capital, será igual a zero. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido 3 – O contribuinte interpõe recurso voluntário às fls. 463/482, mantendo a mesma linha da defesa. 4 Distribuído o processo a esse Relator em sessão do dia 06/02/2018 nessa Turma através de Resolução de fls. 498/503 houve a conversão do julgamento em diligência para que a autoridade administrativa juntase aos autos cópias da primeira fiscalização ocorrida no contribuinte relacionada ao MPF 06.1.01.002009017933 para melhor análise da preliminar arguida uma vez que os documentos juntados não eram suficientes para a análise mais segura da referida preliminar. Fl. 743DF CARF MF Processo nº 15504.720867/201142 Acórdão n.º 2201005.087 S2C2T1 Fl. 742 5 5 Às fls. 508 a D. autoridade lançadora se manifestou acerca da resolução da seguinte forma: Conforme Resolução CARF nº 2201000.299, expedida em 06/02/18 pela 1ª Turma da 2ª Câmara, o presente processo foi encaminhado ao Sefis para “(...) juntada de todos os documentos do início ao encerramento da ação fiscal do MPF 06.1.01.002009017933”. Consta dos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) que a ação fiscal objeto do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) nº 06.1.01.00 2009 017933 teve início em 08/09/2009, tendo sido encerrada em 05/01/2010, sem resultado. Anexei ao processo cópia dos documentos disponíveis, referentes ao procedimento fiscal supra, quais sejam: · MPF nº 06.1.01.002009017933; · Termo de Início de Fiscalização e Intimação Fiscal emitido em 14/09/2009 e respectivo AR da ciência; · Procuração nomeando Leonardo Antunes da Conceição como representante do contribuinte perante a RFB; · Solicitação de prorrogação de prazo apresentada pelo representante do contribuinte em 13/10/2009; · Resposta à intimação apresentada pelo contribuinte em 23/10/09; · Termo de Intimação Fiscal lavrado em 28/10/2009 e respectivo AR da ciência; · Resposta à intimação fiscal entregue pelo contribuinte em 06/11/2009. Após a juntada dos documentos, encaminhese o processo a EQPROSECATDRFBHE MG para ciência ao contribuinte e posterior retorno ao CARF para continuidade do julgamento. 6 Dessa forma foram juntados às fls. 509/716 os documentos relacionados à primeira fiscalização havendo a manifestação do recorrente às fls. 727/737 reiterando o provimento do recurso voluntário quanto a preliminar aventada. Fl. 744DF CARF MF 6 7 É o relatório do necessário. Voto Vencido Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso Relator 8 O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. 9 – O contribuinte alega em preliminar no item 3.1.1. de sua peça recursal e reiterada às fls. 727/737 a impossibilidade de alteração dos critérios jurídicos, com efeitos retroativos, ofensa aos artigos 100 e 146 do CTN alegando que houve a alteração do critério jurídico anteriormente fixado pela fiscalização na medida em que não houve qualquer alteração fática capaz de fundamentar a mudança interpretativa que deu ensejo ao lançamento. 10 – A decisão de piso fundamentou essa parte do r. decisum vergastado da seguinte forma: “Cabe destacar que a vedação à modificação dos critérios jurídicos anteriormente adotados pela autoridade administrativa aplicase apenas a lançamento fiscal efetuado contra um mesmo sujeito passivo. Em outras palavras, o disposto no art. 146 do CTN veda ao Fisco a introdução de modificações, benéficas ou não ao contribuinte, em lançamentos inteiros, perfeitos e acabados, em homenagem à certeza e segurança das relações jurídicas. Dessa forma, findo o processo administrativo em razão do recolhimento do tributo lançado, não é admissível a revisão posterior com novo lançamento de ofício em razão de modificação dos critérios jurídicos. Porém, no caso concreto, não houve modificação de critérios jurídicos, pois no exame anterior não houve lançamento fundamentado em qualquer critério, e os que foram utilizados no lançamento já eram os existentes na época do primeiro exame. Assim, foi possível outra verificação do exercício já fiscalizado, tendo como requisito a existência de ordem escrita emanada do Superintendente, Delegado ou Inspetor da Receita Federal (art. 906 do Regulamento do Imposto de Renda RIR). Essa exigência, como se constata do documento de fls. 34 assinado pela Delegada da Delegacia da Receita Federal do Fl. 745DF CARF MF Processo nº 15504.720867/201142 Acórdão n.º 2201005.087 S2C2T1 Fl. 743 7 Brasil em Belo Horizonte em 05/04/2011, foi atendida. Nele se propõe a realização de nova verificação fiscal, com base nos seguintes fundamentos, acolhidos pela autoridade competente: A necessidade do reexame devese aos fatos e circunstâncias não percebidas quando da fiscalização anterior, bem assim à vista do inteiro teor da SCI nº 378 – SRRF08/Disit, tornandose imperativa a revisão do período já fiscalizado. Assim, constatandose que foram observadas as formalidades legais para a nova fiscalização, rejeitase a preliminar de arguição de nulidade.” 11 Entendo que no caso não se trata de mudança dos critérios jurídicos como indicado pela recorrente, contudo, no caso de período já fiscalizado, necessário se ater aos ditames do art. 149 do CTN e portanto é nesse sentido que vou passar a análise de acordo com o que foi decidido pelo julgador de piso. 12 – Diz o relatório fiscal às fls. 11: 13 – Em seguida a autoridade lançadora às fls. 34 faz o pedido de reexame de exercício já fiscalizado da seguinte forma: Fl. 746DF CARF MF 8 14 – No voto no AC. 2201004.031 j. 09/11/2017 essa Turma já teve a oportunidade de se manifestar a respeito desse tema em Acórdão de minha relatoria assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2005 GANHO DE CAPITAL. CESSÃO DE 'DIREITOS HEREDITÁRIOS. ISENÇÃO. ALIENAÇÃO DO ÚNICO IMÓVEL Está sujeito ao pagamento de imposto de renda a pessoa física que auferir ganhos de capital na cessão de direitos hereditários. LANÇAMENTO. VÍCIO MATERIAL. REABERTURA DE FISCALIZAÇÃO. ART. 149 DO CTN. CONTROLE DA LEGALIDADE DO LANÇAMENTO. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA Cabe ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais o controle da legalidade do lançamento. Nulidade por vício material reconhecida de ofício por ser matéria de ordem pública independente do contribuinte ter tratado do tema. Tendo sido a primeira fiscalização encerrada sem exame, a segunda fiscalização sobre o mesmo período não é um mero prosseguimento daquela, tratandose de uma nova. A segunda Fiscalização foi iniciada sem que tenha havido indicado qualquer das circunstâncias do artigo 149 do CTN, como exigido por lei, indicando o motivo para a nova Fiscalização. Essa falta leva à nulidade substancial da mesma, não obstante a regra de nulidade expressa do art. 59 do Decreto nº. 70.235/72 dela não dispor expressamente. Grifei 15 – Pela análise do processo verificase que a anterior fiscalização auditou praticamente os mesmos documentos (fls. 516/716 juntados quando do cumprimento à resolução e auditados quando do primeiro MPF) solicitados pela nova Fl. 747DF CARF MF Processo nº 15504.720867/201142 Acórdão n.º 2201005.087 S2C2T1 Fl. 744 9 fiscalização que efetuou o lançamento, conforme TIF de fls. 35/38 e de acordo com o Termo de Verificação Fiscal atual não houve qualquer tipo de lançamento quando da primeira fiscalização e por isso do pedido de nova fiscalização alegando para sua reabertura que “fatos e circunstâncias não percebidas quando da fiscalização anterior” foram necessárias para se reabrir a fiscalização. 16 Com acerto o contribuinte em sua manifestação às fls. 729/730 em que diz que não houve mudança do quadro fático entre ambos os procedimentos fiscais e que adoto como parte nas razões de decidir, verbis: Fl. 748DF CARF MF 10 17 – No presente caso entendo ser nulo o lançamento que, apesar de ter havido ordem das autoridades indicadas no art. 906 do RIR/99, mas que de acordo com a Súmula 111 do E. CARF o MPF, por si só, supre a autorização prevista no Decreto 3.000/99 (já revogado), contudo, no caso, o fundamento para a anulação do auto não é esse, mas o fato de que não há no pedido de autorização para reexame de período já fiscalizado, motivo novo ou fato novo devidamente justificado para a fiscalização na forma do art. 149 do CTN, tanto é que o motivo ensejador é o mesmo que deu causa ao primeiro MPF. 18 – Ressalte – se que referida ordem não é aquela consubstanciada no próprio Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), mas sim uma ordem específica, apta a justificar o novo exame pela Fiscalização. Havendo a necessidade de que a ordem indique o motivo para a nova Fiscalização (p. ex. requisição do Ministério Público, comprovada fraude ou falta funcional da autoridade que efetuou a primeira Fiscalização, etc.), não podendo ser o mesmo motivo que originou a fiscalização pretérita. Fl. 749DF CARF MF Processo nº 15504.720867/201142 Acórdão n.º 2201005.087 S2C2T1 Fl. 745 11 19 – Nas palavras do Conselheiro André Almeida Blanco no julgamento do AC. 1201000.788 j. 09/04/03: “Tendo em vista que o citado art. 906, legislação específica relativa ao Imposto de Renda, dispõe que a autorização expressa é um REQUISITO PARA A EXISTÊNCIA da nova Fiscalização, sua falta leva à nulidade da mesma, não obstante a regra de nulidade expressa do art. 59 do Decreto nº. 70.235/72 não dela dispor expressamente. Prevê referida norma que: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Trata se de regra criada por lei específica e que macula de forma insanável todo o procedimento de Fiscalização, vez que sem a autorização, como disposto expressamente na letra da lei, a mesma não pode ocorrer.” 20 – Pois bem, pelo exame da informação às fls. 508 da resposta à resolução há a seguinte indicação: "Consta dos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) que a ação fiscal objeto do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) nº 06.1.01.002009017933 teve início em 08/09/2009, tendo sido encerrada em 05/01/2010, sem resultado." Com grifos no original 21 Isso posto, ao contrário do afirmado pela autoridade fiscal, o lançamento que culminou com a lavratura do auto de infração ora contestado por ser, nova fiscalização, deveria estar motivada de forma prévia e comprovada por um dos motivos elencados no art. 149 do CTN a saber (sem grifos no original): Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I quando a lei assim o determine; II quando a declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária; III quando a pessoa legalmente obrigada, embora tenha prestado declaração nos termos do inciso anterior, deixe de atender, no prazo e na forma da legislação tributária, a pedido de esclarecimento formulado pela autoridade administrativa, Fl. 750DF CARF MF 12 recusese a prestálo ou não o preste satisfatoriamente, a juízo daquela autoridade; IV quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; V quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; VI quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceiro legalmente obrigado, que dê lugar à aplicação de penalidade pecuniária; VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; VIII quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior; IX quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, ou omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade especial. Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública 22 – Portanto a falta de motivação, de acordo com algum dos termos do artigo 149 do CTN, acerca do reexame de período fiscalizado leva à nulidade do lançamento tributário na forma do art. 59 do Decreto 70.235/72 e por isso dou provimento ao recurso para anular o lançamento na forma da fundamentação. 23 Contudo, caso seja vencido na preliminar acima indicada, passo ao julgamento do mérito. 24 Quanto a preliminar do item 3.1.3 em que se alega erro material não analisado pela decisão recorrida, entendo que esse fato, após análise da impugnação apresentada às fls. 379/397 não foi objeto de defesa e portanto sequer analisada pela decisão de piso podendo haver no caso supressão de instância e inclusive houve preclusão consumativa quanto a esse ponto na forma do art. 17 do Decreto 70.235/72 que diz: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Portanto, quanto a preliminar não a conheço. Fl. 751DF CARF MF Processo nº 15504.720867/201142 Acórdão n.º 2201005.087 S2C2T1 Fl. 746 13 25 Outrossim, ainda nesse tópico, adotando como razões de decidir os pontos indicados na decisão no Ac. 2202004.332 julgado em 07/03/2018 do PAF nº 15504.720939/201151 de Relatoria do I. Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias, temos: "[...] Em verdade, conforme aduz o TVF, pg. 6/18, evento 3, o Recorrente adquiriu 100.318 quotas de Eduardo Furtado Azevedo, ao preço de R$ 100.318,00, e 50.864 quotas de Maria Helena Azevedo, ao preço de R$ 50.864,00, ao passo que o quadro que sintetiza os custos e datas de aquisição das quotas indica aquisições de 101.023 quotas de Eduardo Furtado Azevedo, ao preço de R$101.023,00 e de 50.159 quotas de Maria Helena Azevedo, ao preço de R$50.159,00. Com o objetivo de apurar o valor das alienações das quotas da empresa CEMEA CONSTRUTORA LTDA, a fiscalização examinou o contrato de compra e venda e constatou que o objeto do contrato foi a aquisição da totalidade das 15.597.414 quotas da empresa pelo preço pactuado de R$ 15.210.737,05, valor este dividido igualmente entre os dois sócios. Contudo, ao determinar o ganho de capital passível de tributação auferido na operação, o fiscal erroneamente o calculou como sendo R$ 7.294.980,00 o que resultou em um imposto de renda devido no valor de R$ 1.094.247,00. (...) omissis Contudo, na ocorrência de erros que possam ser corrigidos de ofício, entendo pertinente verificar as dúvidas do recorrente em relação aos valores alegados. Assim, de acordo com a alteração contratual (fls. 71/72) a transferência de quotas se deu da seguinte forma: 03 MOVIMENTAÇÃO DE COTAS DE CAPITAL Retiramse da CEMEA CONSTRUTORA LTDA os sócios EDUARDO FURTADO DE AZEVEDO, CELSO FURTADO DE AZEVEDO e MARIA HELENA AZEVEDO DE VASCONCELLOS MELO, transferindo aos sócios NELSON FURTADO DE AZEVEDO e FRANCISCO DE AZEVEDO NETO as suas cotas, da seguinte forma: a) O sócio EDUARDO FURTADO DE AZEVEDO transfere ao sócio NELSON FURTADO DE AZEVEDO 100.318 (cento mil trezentas e dezoito) cotas, pelo valor total R$ 100.318,00 (cento mil trezentos e dezoito reais); b) O sócio CELSO FURTADO DE AZEVEDO transfere ao sócio FRANCISCO DE AZEVEDO NETO 101.023 (cento e um mil e vinte e três) cotas, pelo valor total de R$ 101.023,00 (cento e um mil e vinte e três reais); c) A sócia MARIA HELENA AZEVEDO DE VASCONCELLOS MELO transfere ao sócio NELSON FURTADO DE AZEVEDO 50.864 (cinqüenta mil oitocentas e sessenta e quatro) cotas, pelo valor de R$ Fl. 752DF CARF MF 14 50,864,00 (cinqüenta mil oitocentas e sessenta e quatro reais), e ao sócio FRANCISCO DE AZEVEDO NETO 50.159 (cinqüenta mil cento e cinqüenta e nove) cotas, pelo valor de R$ 50.159,00 (cinqüenta mil cento e cinqüenta e nove reais). (Grifei). Apesar de, no quadro sintético, o Auditor Fiscal ter trocado o valor das quotas adquiridas pelo recorrente de seus irmãos, o custo de aquisição apresentado pelo autuante não se altera, pois o custo médio permanece o mesmo, conforme se verifica nos quadros abaixo: Uma vez que o Auditor Fiscal considerou como custo zero as participações societárias decorrentes da capitalização de reserva de reavaliação, o custo calculado por ele foi R$ 310.326,13, como demonstrado no Termo de Verificação Fiscal. Na determinação do ganho de capital, o valor de alienação foi dividido por 2 (dois sócios), e o resultado deduzido do custo de aquisição das quotas do recorrente: Conforme se verifica, o valor do imposto apurado pelo Auditor Fiscal (R$ 1.094.247,00) é inferior ao demonstrado na tabela acima. Entretanto, tal fato não descaracterizaria o lançamento, nos termos do art. 60 do Decreto nº 70.235/99: Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Fl. 753DF CARF MF Processo nº 15504.720867/201142 Acórdão n.º 2201005.087 S2C2T1 Fl. 747 15 Portanto, conforme acima observado, não haveria razão para qualquer ajuste ao lançamento, que, do contrário, agravaria a exigência fiscal. 26 Portanto, por ter o mesmo fundamento de pedir às fls. 472/473 do Recurso Voluntário e mesmos valores quanto ao do outro caso julgado pela outra Turma, conforme indicado acima, mesmo conhecendo dessa parte era o caso de se afastar de acordo com os fundamentos acima indicados e por isso afasto a preliminar. 27 No mérito, em relação ao ponto 3.2.1 sobre a indevida atribuição de custo zero de aquisição às quotas recebidas pelo Recorrente em virtude do aumento de capital da CEMEA, mediante incorporação da reserva de reavaliação adoto como razões de decidir o mesmo do voto indicado alhures Ac. 2202004.332 julgado em 07/03/2018 do PAF nº 15504.720939/201151 de Relatoria do I. Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias, uma vez tratarse da mesma situação e elementos de fato e de direito relacionados a este lançamento, tanto que a própria recorrente requereu o julgamento em conjunto do PAF acima mencionado do contribuinte Nelson Furtado de Azevedo e que foi indeferido pela DRJ, verbis: "O defendente aduz que, o fato de o parágrafo único do art. 10 da Lei nº 9.249/95 referirse às participações de capitalização de lucro e de reservas com ele constituídas, não permite inferir que as demais formas de aquisição de participações societárias não contempladas pelo dispositivo levariam à atribuição de custo zero à aquisição das quotas, pois seria necessário pontualmente dizer qual a base legal para essa atribuição, e assim o lançamento não teria arrimo de lei, porque o dispositivo citado não prevê expressamente o custo zero às participações decorrentes de aumento de capital por incorporação da reserva de reavaliação. Arrazoa que não socorre ao Fisco a invocação do art. 130 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR), de forma genérica e desarticulada dos fundamentos da autuação, pois o aumento de capital e as quotas recebidas pelo recorrente o foram em 2006, não lhes alcançando o disposto no inciso II do § 2º do artigo citado, que, além disso, referese a lucros e reservas de lucro, sendo contraditório fundamentar a autuação em normas que ele reputa inaplicáveis ao aumento de capital por incorporação da reserva de reavaliação. E interpreta que o termo reservas do dispositivo mencionado é amplo, da mesma forma que no § 4º do art. 16 da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988. Fl. 754DF CARF MF 16 Analisa ainda que esse dispositivo deve ser interpretado em sintonia com a Lei nº 9.249/95, por meio da qual o lucro distribuído deixou de ser tributado na pessoa detentora da participação societária, evitando a bitributação, na pessoa jurídica que realiza o lucro e na pessoa titular da participação nessa sociedade. Diz que da mesma forma, na apuração do ganho de capital decorrente de alienação de participações societárias, passouse a admitir a não tributação na pessoa detentora da participação, da parte relativa ao valor de venda da participação já tributada como lucro na pessoa jurídica, assim a legislação atribuiu custo diferente de zero, passando a corresponder à parcela do lucro ou da reserva constituída com lucros já tributados na pessoa jurídica, conforme art. 10 da Lei nº 9.249/95. Afirma que no caso em comento, a tributação segue a mesma lógica: a reserva de reavaliação é tributada na pessoa jurídica, e o valor de entrada (custo) das quotas oriundas da capitalização da reserva de reavaliação não e tributado na pessoa ao alienante da participação (seja jurídica ou física), precisamente porque a reserva de realização, ainda que capitalizada, é tributada na pessoa jurídica que detém o bem reavaliado. Assevera ser inadmissível tributar a referida reserva duas vezes, argumentando que o custo das participações societárias recebidas por ele em função da capitalização da reserva é a parcela que lhe cabe do aumento de capital. Afirma que a ementa do acórdão nº 10196784, de 30/05/2008, da Primeira Câmara, do Primeiro Conselho de Contribuintes, e a Solução de Consulta nº 282, de 30 de novembro de 2000, da 8ª Região Fiscal corroboram esse entendimento. Acrescenta ser inaplicável a Solução de Consulta nº 415, de 08/12/2006, citada pelo acórdão recorrido. Informa que o bem reavaliado permaneceu entre os bens da Sociedade CEMEA, não se podendo falar em realização, porque o objeto da alienação foi as cotas da sociedade e não o bem imóvel. Entende que apenas com a alienação pelo seu proprietário é que se dará a incidência, não do IRPF, mas do IRPJ, a quem deve ser imputado o ganho de capital, ou seja, à CEMEA, cujo capital foi integralizado por meio da incorporação da reserva de reavaliação do "Sítio Lagartixa". Entendo não assistir razão ao recorrente, o art. 130 do Decreto nº 3.000/99, dispõe sobre o custo de aquisição de bens e direitos, descrevendo em cada situação ou evento ocorrido, como ele é considerado, asseverando que o custo de aquisição nos casos de quotas de capital será a média ponderada de seus custos unitários. Portanto, tal Fl. 755DF CARF MF Processo nº 15504.720867/201142 Acórdão n.º 2201005.087 S2C2T1 Fl. 748 17 dispositivo regulamentar não está desarticulada da fundamentação da autuação como afirma o recorrente, ao contrário, está em perfeita consonância com os fatos, visto que a auditoria demonstrou de forma didática toda a evolução das participações societárias do recorrente, proveniente das alterações do capital social da CEMEA, em que houve redução, aumento, cisão, alienações, tornando perfeitamente aplicável o art. 130 já citado. No mesmo sentido, o § 1º do art. 10 da Lei nº 9.249/95, e o § 1º do art. 130 do Decreto nº 3.000/99 dispõem sobre o custo de aquisição de participações societárias resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros ou reservas de lucros, dispondo que o custo será a parcela desse lucro ou reserva. Dessa forma, os dispositivos apresentam quais os eventos que compõem esse custo de aquisição, ou seja, lucros ou reservas de lucros. Quisesse a Lei incluir outras reservas que não apenas as de lucros, teria expressamente disposto a respeito, nos termos dos artigos 111 e 176 do CTN: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: [...] II outorga de isenção; [...] Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo caso, o prazo de sua duração. Aliás, o acréscimo da parcela de lucro ou de sua reserva ao custo de aquisição das participações societárias é para garantir a não tributação da distribuição de lucros, conforme reconhecido pelo recorrente. Isso é o que se depreende pelo histórico da legislação sobre a tributação dos lucros distribuídos, brilhantemente narrado pelo ilustre conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, relator do Processo 12448.736152/201135, Acórdão nº 9202003.700, julgado em 27 de janeiro de 2016, e que aqui é trazido para esclarecer ao recorrente que o termo reserva incluso no § 3º do art. 16 da Lei nº 7.713/88, bem como no § 2º da IN SRF nº 84/2001, corroborados pelo § 1º do art. 10 da Lei nº 9.249/95, e §1º do art 130 do Decreto nº 3.000/99 só pode ser interpretado segundo essa finalidade: Fl. 756DF CARF MF 18 Para fins de contextualização histórica da questão, cumpre referir que, nos termos da legislação anteriormente vigente, a capitalização de lucros, assim como a distribuição de ações bonificadas, não tinha qualquer efeito na determinação do custo de aquisição da participação societária dos proprietários da pessoa jurídica. Com efeito, naquele período: o lucro distribuído era passível de tributação; e consequentemente, o custo de aquisição das participações societárias não era alterado quando da capitalização de lucros pela pessoa jurídica, inclusive no caso de distribuição de ações bonificadas, cujo valor de aquisição devia ser considerado como igual a zero. [...] Ora, a partir de 1996, temos uma clara mudança de tratamento na distribuição de lucro, que passou a não ser tributada, nem na fonte, nem na declaração de ajuste, nos termos do disposto no art. 10, da Lei nº 9.249, de 1995. Assim: o lucro distribuído deixou de ser tributado; e consequentemente, o custo de aquisição das participações societárias passou a ser alterado quando da capitalização de lucros distribuíveis pela pessoa jurídica, inclusive no caso de distribuição de ações bonificadas, cujo valor de aquisição devia ser considerado igual ao desse lucro capitalizado. [...] Como a distribuição de lucros deixou de ser tributada, a capitalização do lucro distribuível passou a alterar o custo de aquisição da participação societária. Assim, quando a participação societária fosse alienada, o valor do lucro (distribuível isento e capitalizado) não seria alcançado pelo ganho de capital. Em seu socorro, o recorrente afirma que a mesma lógica da aplicação da inclusão dos lucros distribuídos ao valor do custo de aquisição das participações societárias deve ser aplicada à reserva de reavaliação, pois esta é tributada na pessoa jurídica. Ocorre que, no caso dos autos, mesmo que assim fosse, o recorrente deveria trazer elementos suficientes da ocorrência dessa tributação na pessoa jurídica. Nesse sentido, tornase oportuno analisar como se dá a tributação dessa reserva na pessoa jurídica, nos termos dos artigos 434 a 438 do Decreto nº 3.000/99, e art. 4º da Lei nº 9.959, de 27 de janeiro de 2000. Fl. 757DF CARF MF Processo nº 15504.720867/201142 Acórdão n.º 2201005.087 S2C2T1 Fl. 749 19 Decreto nº 3.000/99 Seção II Reavaliação de Bens Subseção I Reavaliação de Bens do Permanente Diferimento da Tributação Art.434. A contrapartida do aumento de valor de bens do ativo permanente, em virtude de nova avaliação baseada em laudo nos termos do art. 8º da Lei nº 6.404, de 1976, não será computada no lucro real enquanto mantida em conta de reserva de reavaliação (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 35, e DecretoLei nº 1.730, de 1979, art. 1º, inciso VI). §1ºO laudo que servir de base ao registro de reavaliação de bens deve identificar os bens reavaliados pela conta em que estão escriturados e indicar as datas da aquisição e das modificações no seu custo original. §2ºO contribuinte deverá discriminar na reserva de reavaliação os bens reavaliados que a tenham originado, em condições de permitir a determinação do valor realizado em cada período de apuração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 35, §2º). §3ºSe a reavaliação não satisfizer aos requisitos deste artigo, será adicionada ao lucro líquido do período de apuração, para efeito de determinar o lucro real (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 43, §1º, alínea "h", e Lei nº 154, de 1947, art. 1º). Tributação na Realização Art.435.O valor da reserva referida no artigo anterior será computado na determinação do lucro real (Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art. 35, §1º, e DecretoLei nº 1.730, de 1979, art. 1º, inciso VI): I no período de apuração em que for utilizado para aumento do capital social, no montante capitalizado, ressalvado o disposto no artigo seguinte; II em cada período de apuração, no montante do aumento do valor dos bens reavaliados que tenha sido realizado no período, inclusive mediante: a) alienação, sob qualquer forma; Fl. 758DF CARF MF 20 b) depreciação, amortização ou exaustão; c) baixa por perecimento. Reavaliação de Bens Imóveis e de Patentes Art.436. A incorporação ao capital da reserva de reavaliação constituída como contrapartida do aumento de valor de bens imóveis integrantes do ativo permanente, nos termos do art. 434, não será computada na determinação do lucro real (DecretoLei nº1.978, de 21 de dezembro de 1982, art. 3º). §1º Na companhia aberta, a aplicação do disposto neste artigo fica condicionada a que a capitalização seja feita sem modificação do número de ações emitidas e com aumento do valor nominal das ações, se for o caso (DecretoLei nº 1.978, de 1982, art. 3º, §2º). §2ºAos aumentos de capital efetuados com a utilização da reserva de que trata este artigo, constituída até 31 de dezembro de 1988, aplicamse as normas do art. 63 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, e às reservas constituídas nos anos de 1994 e 1995 aplicamse as normas do art. 658 (DecretoLei nº 1.978, de 1982, art. 3º, §3º). §3ºO disposto neste artigo aplicase à reavaliação de patente ou de direitos de exploração de patentes, quando decorrentes de pesquisa ou tecnologia desenvolvida em território nacional por pessoa jurídica domiciliada no País (DecretoLei nº2.323, de 26 de fevereiro de 1987, art. 20). Art.437.O valor da reavaliação referida no artigo anterior, incorporado ao capital, será (DecretoLei nº 1.978, de 1982, art. 3º, §1º): I registrado em subconta distinta da que registra o valor do bem; II computado na determinação do lucro real de acordo com o inciso II do art. 435, ou os incisos I, III e IV do parágrafo único do art. 439. Reavaliação de Participações Societárias Avaliadas pelo Valor de Patrimônio Líquido Art.438. Será computado na determinação do lucro real o aumento de valor resultante de reavaliação de participação societária que o contribuinte avaliar pelo valor de patrimônio líquido, ainda que a contrapartida do aumento do valor do investimento constitua reserva de reavaliação (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 35, §3º). (Grifei) Lei nº 9.959/2000 Fl. 759DF CARF MF Processo nº 15504.720867/201142 Acórdão n.º 2201005.087 S2C2T1 Fl. 750 21 Art.4ºA contrapartida da reavaliação de quaisquer bens da pessoa jurídica somente poderá ser computada em conta de resultado ou na determinação do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido quando ocorrer a efetiva realização do bem reavaliado. (Grifei) Diante desses dispositivos, concluise que a reserva de reavaliação só é tributada com a efetiva realização do bem reavaliado. Nesse sentido, veja o que dispõe a Norma Brasileira de Contabilidade T 19.6 Reavaliação de Ativos, D.O.U.: 06/09/2004, (alterada para NBC TG 27, D.O.U.: 04/08/2009): 19.6.11. TRIBUTOS SOBRE A REAVALIAÇÃO 19.6.11.1. A reserva da reavaliação positiva deve ser registrada líquida dos tributos, em conta destacada no patrimônio líquido. 19.6.11.2. A parcela correspondente aos tributos incidentes sobre a reavaliação deve ser registrada no passivo exigível a longo prazo, sendo transferida para o passivo circulante, à medida que os ativos forem sendo realizados. As eventuais oscilações nas alíquotas dos tributos devem ser reconhecidas em contrapartida da reserva de reavaliação. 19.6.11.3. O passivo dos tributos incidentes sobre a reserva de reavaliação não deve ser constituído para ativos que não se realizam por depreciação, amortização ou exaustão, como é o caso de terrenos, e para os quais não haja qualquer perspectiva de realização por alienação. [...] 19.6.13. REALIZAÇÃO DA RESERVA DE REAVALIAÇÃO 19.6.13.1. A reserva de reavaliação é considerada realizada na proporção em que se realizarem os bens reavaliados, devendo ser transferida para lucros ou prejuízos acumulados, sem transitar pelas contas do resultado. 19.6.13.2. A reserva de reavaliação não pode ser utilizada para aumento de capital ou amortização de prejuízo, enquanto não realizada. 19.6.13.3. A entidade deve considerar realizados os valores de reavaliação de seus bens e os de suas controladas ou coligadas, cujos investimentos são Fl. 760DF CARF MF 22 avaliados por equivalência patrimonial, à medida que ocorrer um dos seguintes fatos:a) depreciação, amortização ou exaustão dos bens reavaliados, que tenham sido registradas como custo ou como despesa operacional;b) baixa dos bens reavaliados;c) baixa de investimentos em controladas ou coligadas que tenham bens reavaliados. (Grifei). Veja que a realização de um bem se dá com sua depreciação, amortização, exaustão ou alienação, e pelas normas contábeis, apenas com a realização do bem reavaliado é que a reserva de reavaliação é transferida para lucros ou prejuízos acumulados. Portanto, apenas nessa situação poderiam integrar o custo de aquisição, caso esses lucros ou reservas decorrentes deles fossem utilizadas para aumento de capital social. Assim, as participações societárias decorrentes de aumento de capital com reservas de reavaliação segue a regra geral do § 4º do art. 16 da Lei nº 7.713/88, em que o custo de aquisição é igual a zero, visto que, conforme informado pelo recorrente, não houve a alienação do imóvel, que permaneceu no patrimônio da CEMEA. Aliás, esse entendimento está em consonância com o fundamento do acórdão nº 10196784, de 30/05/2008, trazido pelo recorrente para suportar seus argumentos, de onde se extrai o seguinte trecho: No entanto, o art. 4º da Lei nº 9.959/2000, com vigência posterior aos dispositivos acima, determina que a contrapartida da reavaliação de quaisquer bens da pessoa jurídica somente poderá ser computada em conta de resultado ou na determinação do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido quando ocorrer a efetiva realização do bem reavaliado, o que, entendo, se aplica ao caso concreto, uma vez que a reserva objeto do presente lançamento é reflexa à reavaliação de bens na pessoa jurídica investida. O dispositivo legal acima, na verdade, vem a assegurar que obrigação tributária esteja vinculada à essência econômica da reavaliação, na medida em que a obrigação tributária somente seja exigível quando economicamente concretizados e confirmados os efeitos da reavaliação. Destaquese que o aumento do capital social, mediante o uso da reserva, não gera qualquer efeito definitivo, econômico ou fiscal, para a contribuinte, já que, caso não confirmado o valor da reavaliação, por ocasião da realização do bem, poderá reconhecer as perdas e reduzir, em igual proporção, o capital social. Apenas em relação aos acionistas da contribuinte é que os efeitos do aumento do capital social podem ser tornar economicamente definitivos, considerando que o aumento de capital social, Fl. 761DF CARF MF Processo nº 15504.720867/201142 Acórdão n.º 2201005.087 S2C2T1 Fl. 751 23 conforme respectiva Assembléia Geral Extraordinária que o autorizou, como se confere na correspondente ata constante dos autos, resultou no aumento do valor nominal de suas ações. Se este aumento do valor nominal for reconhecido, pelos acionistas, como aumento, não tributável, no custo de aquisição das ações, deverá ser realizada a correspondente glosa na apuração de eventual ganho de capital, por ocasião de possível alienação das ações. No entanto, na glosa no custo de aquisição das ações, o sujeito passivo da obrigação tributária, e, assim, do respectivo lançamento, será o seu acionista, e não a contribuinte. (Grifei). Aliás, o voto vencedor no Acórdão nº 9101002.949 da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, de 3 de julho de 2017, teve o mesmo entendimento sobre a tributação da reserva de reavaliação na pessoa jurídica, conforme se extrai do seguinte trecho: Ocorre que o art. 4º da Lei nº 9.959/2000 aplicase somente aos efeitos da reavaliação de bens constantes do ativo da própria empresa, conhecida como reavaliação espontânea. Caso a contribuinte tivesse utilizado reserva de reavaliação de seus próprios bens para fins de aumento de seu capital social, seu caso enquadrarseia nesta hipótese legal, o que efetivamente significaria a impossibilidade de tributação do valor utilizado na operação. O entendimento desse trecho é que, quando a capitalização ocorre com a reserva de reavaliação de bens da própria pessoa jurídica, como ocorreu nos presentes autos, não haverá tributação nela do valor utilizado na operação. Portanto, o recorrente não trouxe aos autos elementos que demonstrasse que tenha ocorrido dupla tributação. E não cabe a alegação de que a tributação ocorrerá em um segundo momento quando a CEMEA alienar o imóvel, porque, conforme transcrito no acórdão nº 10196784, de 30/05/2008, a capitalização da reserva de reavaliação não gera efeitos econômicos ou fiscais definitivos para a pessoa jurídica, pois quando da realização do bem, se não for confirmado o valor da reavaliação, as perdas poderão ser reconhecidas com a consequente redução do capital social, o que levaria à não tributação. Com essa interpretação, fica evidente o porquê de o art. 10 da Lei nº 9.249/95 se referir a reserva de lucros e não qualquer outra reserva, justamente porque nas demais reservas não se pode determinar que haverá a tributação na pessoa jurídica, por isso as reservas de lucro são Fl. 762DF CARF MF 24 expressamente previstas na lei, como integrantes do custo de aquisição das participações societárias. O recorrente aduz que o § 2º do art. 16 da IN SRF nº 84/2001 referese às reservas de forma ampla, não cabendo ao intérprete ignorála, deixandoa de interpretála de forma sistemática. Não concorda com o argumento da decisão recorrida de que essa instrução se trataria de norma hierarquicamente inferior, cujo conteúdo estaria violando o disposto na lei. Disciplina que as instruções expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil têm caráter normativo, com finalidade de interpretar a legislação tributária, e que a Lei nº 9.249/95 veio para interpretar a legislação do imposto de renda relativo às pessoas jurídicas, enquanto a IN SRF nº 84/2001 teve a finalidade específica de apuração e tributação de ganhos de capital na alienação de bens e direitos por pessoas físicas. Não há como acatar as alegações do recorrente. Conforme já ressaltado no acórdão recorrido, cuja fundamentação adoto como razões de decidir, as reservas a que se refere a IN SRF nº 84/2001 não abrange qualquer reserva, mas especificamente as reservas de lucros. Além disso, o § 4º do art. 16 da Lei nº 7.713/88 não trata de reserva de forma mais ampla, tanto que o dispositivo traz a expressão "que tenham sido tributados na forma do art. 36 desta Lei", da mesma forma, o § 1º do art. 130 do RIR também se refere à condição de terem sido tributados: "que tenham sido tributados na forma do art. 35 da Lei nº 7.713/98. Somese a isso que, o art. 41 do Decreto nº 3.000/99 ao se referir a não incidência da tributação sobre os valores decorrentes de aumento de capital mediante a incorporação de reservas ou lucros apurados a partir de 1º de janeiro de 1996, traz como referência o art. 10 da Lei nº 9.249/95, o que reforça o entendimento de que ele deve ser interpretado conforme essa Lei, e, portanto, o termo "reservas" constante no caput do art. 41 daquele Decreto tratase das "reservas de lucro". Art. 41. Não estão sujeitos à incidência do imposto os valores decorrentes de aumento de capital mediante a incorporação de reservas ou lucros apurados: [...] IV a partir de 1º de janeiro de 1996, por pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado (Lei nº 9.249, de 1995, art. 10). (Grifei) É certo que a Lei nº 9.249/95 dispõe sobre o imposto de renda das pessoas jurídicas, mas produz efeitos sobre os Fl. 763DF CARF MF Processo nº 15504.720867/201142 Acórdão n.º 2201005.087 S2C2T1 Fl. 752 25 sócios e acionistas também pessoas físicas, como bem ressaltado no caput do art. 10 c/c seu § 1º: Art. 10. Os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados a partir do mês de janeiro de 1996, pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado, não ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte, nem integrarão a base de cálculo do imposto de renda do beneficiário, pessoa física ou jurídica, domiciliado no País ou no exterior. § 1º No caso de quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de capital por incorporação de lucros apurados, a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, o custo de aquisição será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) (Grifei) Considerando que o parágrafo é interpretado com seu artigo, é certo que o § 1º acima transcrito ao se referir a sócio ou acionista, engloba tanto pessoas físicas quanto pessoas jurídicas. Assim, não se pode cogitar que a interpretação da IN SRF nº 84/2001 seja dissociada do disposto na Lei nº 9.249/95. Por fim, o recorrente entende que a venda das quotas da CEMEA não gerou ganho de capital tributável, e as quotas recebidas em herança têm valor nominal de R$ 1,00, sendo esse o custo a ser considerado, por isso o custo das quotas anteriores é de R$ 252.000,00, e o "custo total das ações alienadas pelo Recorrente é de R$ 7.798.707,00, inferior (sic) ao preço de venda, não havendo, portanto, apuração de ganho de capital.". Sem razão o recorrente. Conforme demonstrado anteriormente, o custo de aquisição das quotas é calculado pelo custo médio unitário, nos termos do art. 130 do Decreto nº 3.000/99, como descrito pela auditoria (fls. 22/23). Por seu turno, o valor da alienação segue o que determina o art. 123 do mesmo Decreto, ou seja, o preço efetivamente recebido, conforme demonstrado pela fiscalização, e constante no Contrato de Compra e Venda de Quotas de Sociedade Empresarial Ltda (fls. 110/118). O recorrente apenas alega genericamente que o custo de aquisição tenha sido R$ 7.798,707,00, entretanto, não apresenta qualquer prova que demonstre essa afirmação. (...)omissis Fl. 764DF CARF MF 26 Portanto, correto o julgamento de primeira instância, não cabendo qualquer alteração na exigência fiscal. 28 Pelo exposto acima, nego provimento ao recurso quanto ao mérito. 29 Quanto ao questionamento para se afastar os juros e multa em decorrência de aplicação dos arts. 100 I e III do CTN entendo que não é aplicável e adoto como razões a da decisão de primeiro grau: "O fato de uma omissão de ganho de capital não ter sido detectada durante uma fiscalização, encerrada sem o lançamento correspondente, não se enquadra na definição de ato administrativo ou de prática reiteradamente observada, tanto que há a possibilidade de reexame do período fiscalizado, o que ocorreu no presente caso, conforme já analisado. Esclareçase ao contribuinte que a cobrança dos juros de mora em percentual equivalente à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic) para títulos federais, acumulada mensalmente, está prevista no artigo 61, § 3º, da Lei nº 9.430, de 1996, conforme constou do lançamento. Já a multa de ofício aplicada teve seu embasamento legal no artigo 44, inciso I, com a redação então em vigor, da mesma Lei nº 9.430, de 1996, em face do lançamento de ofício. Dessa forma, constatado o descumprimento de obrigação tributária pelo contribuinte, a autoridade fiscal, na sua atribuição/obrigação de zelar pela arrecadação dos tributos tem o dever de exigir o crédito tributário com os acréscimos legais previstos em Lei, sendo incontroverso que não cabe à autoridade lançadora qualquer discricionariedade relativa à aplicação dos juros de mora e da multa de ofício." 30 Outrossim, quanto a aplicação dos juros é matéria já sumulada pelo CARF através da Súmula nº 4 e portanto nada a ser provido nesse caso também. Conclusão 31 Diante do exposto, tendo em vista ter sido vencido na preliminar quanto a nulidade do lançamento, por falta de motivação para o reexame de período já fiscalizado, no mérito NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. Fl. 765DF CARF MF Processo nº 15504.720867/201142 Acórdão n.º 2201005.087 S2C2T1 Fl. 753 27 (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Voto Vencedor Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo Redator Designado Em que pese a pertinência das razões e fundamentos legais expressos no voto do Ilustre Relator, ouso discordar de suas conclusões, exclusivamente no que tange ao tema, avaliado em sede preliminar, que envolve a nulidade do lançamento, por falta de motivação para o reexame de período já fiscalizado. Assim, o presente voto de divergência não se estende às demais constatações do Nobre Relator, em particular aquela decorrente da inexistência de alteração de critérios jurídicos. Sobre a questão do reexame de período já fiscalizado, assim dispõe o art. 906 do Decreto nº 3000/1999 RIR/99, vigente à época do lançamento em questão: Art. 906. Em relação ao mesmo exercício, só é possível um segundo exame, mediante ordem escrita do Superintendente, do Delegado ou do Inspetor da Receita Federal. Não se identifica na citada limitação qualquer óbice ao reexame de período já fiscalizado, mas tão só uma garantia ao administrado de não ser vítima do arbítrio decorrente de eventuais atos administrativos levados a termo de forma pessoal ou com excesso de poder. Como isso, resta a segurança ao contribuinte de que, no caso de um período já fiscalizado, deverá haver um envolvimento maior do Órgão fiscalizador, na figura de seus dirigentes, locais ou regionais. Há de se ter em vista, ainda, as demais limitações do poder de tributar inseridas em normas específicas, dentre elas podemse destacar: Lei 5.172/66 (CTN) Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I quando a lei assim o determine; II quando a declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária; III quando a pessoa legalmente obrigada, embora tenha prestado declaração nos termos do inciso anterior, deixe de atender, no prazo e na forma da legislação tributária, a pedido de esclarecimento formulado pela autoridade administrativa, Fl. 766DF CARF MF 28 recusese a prestálo ou não o preste satisfatoriamente, a juízo daquela autoridade; IV quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; V quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; VI quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceiro legalmente obrigado, que dê lugar à aplicação de penalidade pecuniária; VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; VIII quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior; IX quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, ou omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade especial. Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública. Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Grifouse. No caso em questão, temos que a Autoridade fiscal solicitou, ao Delegado da Receita Federal do Brasil em Belo Horizonte, autorização para novo exame da Declaração de Ajuste Anual do exercício de 2008 do recorrente, alegando, em síntese, a existência de fatos e Fl. 767DF CARF MF Processo nº 15504.720867/201142 Acórdão n.º 2201005.087 S2C2T1 Fl. 754 29 circunstâncias não percebidas quando da fiscalização anterior, bem assim em razão da SCI nº 378 SRRF08/DISIT, o que foi pronta e expressamente deferido, fl. 34. Na primeira submissão do presente processo ao Colegiado de 2ª Instância, o julgamento foi convertido em diligência nos termos da Resolução nº 2201000.299, de 06 de fevereiro de 2018, fl. 498 a 503, para que fossem juntados aos autos todos os documentos relacionados ao Mandado de Procedimento Fiscal anterior ( MPF 06.1.01.002009017933), o que foi plenamente atendido pela unidade responsável pela administração do tributo, conforme se vê em fl. 508 e seguintes. Não obstante, por ocasião do primeiro procedimento instaurado, não há um único elemento que indique que tenha havido manifestação expressa do Agente Fiscal acerca da homologação do lançamento a que alude o caput do art. 150 do CTN acima reproduzido, que prevê que o lançamento por homologação operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. Portanto, considerando também a inocorrência da homologação tácita prevista no § 4º do mesmo artigo, não estamos diante propriamente de um novo lançamento, já que o primeiro procedimento não se perfectibilizou com a manifestação expressa da autoridade lançadora acerca da correção da atividade exercida pelo obrigado. Ainda que perfeito e acabado o lançamento por ocasião do primeiro procedimento, o fato gerador em questão não seria insuscetível de nova avaliação, já que o art. 149 do mesmo CTN elenca inúmeros casos em que o lançamento pode ser revisto de ofício, sendo certo que a maioria das hipóteses estão relacionadas à conduta do fiscalizado, mas há, também, situações relacionadas ao procedimento fiscal anterior, em particular quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior e quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, ou omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade especial. Vale ressaltar que não se identifica, no caso em tela, uma revisão propriamente dita, já que não houve homologação expressa ou tácita do lançamento anterior. Não obstante, como se viu alhures, a autorização para nova análise do procedimento foi justificada pela existência de fatos e circunstâncias não percebidas quando da fiscalização anterior, bem assim em razão da SCI nº 378 SRRF08/DISIT, o que, s.m.j., ainda que, em tese, consideremos que tenha ocorrido lançamento anterior, já haveria amparo para a revisão do lançamento nos termos do inciso VIII do art. 149 do CTN. Como é de elementar sabença, constitui um dos atributos dos atos administrativos a presunção de legitimidade, que corresponde a uma presunção relativa de que os atos administrativos são verdadeiros e legais, não precisando a Administração provar que a situação que gerou sua ação realmente existiu, cabendo ao destinatário demonstrar que o agente público autor do ato questionado agiu de forma ilegítima. Neste sentido, entendo que não cabe a este Colegiado aferir os motivos que levaram o Fisco a promover novamente a análise dos fatos geradores ocorridos em determinado período de apuração, mas tão só se o órgão está ciente e se anuiu com a medida, mediante autorização expressa. Fl. 768DF CARF MF 30 Oportuno trazermos à balha o teor da Súmula Carf nº 111, que teve efeitos vinculastes atribuídos pela Portaria do Ministro de Estado da Economia nº 129/2019: O Mandado de Procedimento Fiscal supre a autorização, prevista no art. 906 do Decreto nº 3.000, de 1999, para reexame de período anteriormente fiscalizado. Pelo que se depreende da leitura da Súmula acima, a existência de Mandado de Procedimento Fiscal supre a autorização prevista no art. 906 do Regulamento do Imposto de Renda/1999, naturalmente, por considerar que, sendo a Autoridade administrativa competente para deferir um novo exame a mesma que assina o MPF, há de se presumir que tal autorização está implícita no ato de assinatura do Mandado de Procedimento Fiscal. Portanto, se o MPF relacionado ao novo procedimento, por si só, já supre a autorização de reexame, não compete a este Colegiado imiscuirse nas razões, frisese, presentes nos autos, que levaram o Fisco à instauração de novo procedimento fiscal. Conclusão Por todo o exposto, voto por rejeitar a preliminar arguida, por não identificar qualquer mácula ao lançamento decorrente do reexame dos fatos geradores identificados no período. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Fl. 769DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13839.905347/2015-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2015 a 30/04/2015
ATO ADMINISTRATIVO. MOTIVAÇÃO SUCINTA. INEXISTÊNCIA DE OFENSA AO PRINCÍPIO DA MOTIVAÇÃO E DO DIREITO DE DEFESA.
Decisão sucinta não é sinônimo de decisão imotivada, como já decidido pelo STF em sede de repercussão geral (AI 791.292). Inexistência de nulidade do despacho decisório que negou a compensação realizada pelo contribuinte. Inexistência de cerceamento de defesa
PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Em se tratando de pedido de compensação, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito aos créditos pleiteados.
Numero da decisão: 3402-006.481
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. A Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula acompanhou o relator pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Diniz Ribeiro- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201904
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2015 a 30/04/2015 ATO ADMINISTRATIVO. MOTIVAÇÃO SUCINTA. INEXISTÊNCIA DE OFENSA AO PRINCÍPIO DA MOTIVAÇÃO E DO DIREITO DE DEFESA. Decisão sucinta não é sinônimo de decisão imotivada, como já decidido pelo STF em sede de repercussão geral (AI 791.292). Inexistência de nulidade do despacho decisório que negou a compensação realizada pelo contribuinte. Inexistência de cerceamento de defesa PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Em se tratando de pedido de compensação, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito aos créditos pleiteados.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13839.905347/2015-24
anomes_publicacao_s : 201905
conteudo_id_s : 6007278
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3402-006.481
nome_arquivo_s : Decisao_13839905347201524.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : DIEGO DINIZ RIBEIRO
nome_arquivo_pdf_s : 13839905347201524_6007278.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. A Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula acompanhou o relator pelas conclusões. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro- Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz.
dt_sessao_tdt : Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
id : 7738609
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:44:30 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051907842375680
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1631; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 52 1 51 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13839.905347/201524 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402006.481 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 24 de abril de 2019 Matéria COFINS Recorrente BEBAFRUTA INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ALIMENTOS LTDA. EPP. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2015 a 30/04/2015 ATO ADMINISTRATIVO. MOTIVAÇÃO SUCINTA. INEXISTÊNCIA DE OFENSA AO PRINCÍPIO DA MOTIVAÇÃO E DO DIREITO DE DEFESA. Decisão sucinta não é sinônimo de decisão imotivada, como já decidido pelo STF em sede de repercussão geral (AI 791.292). Inexistência de nulidade do despacho decisório que negou a compensação realizada pelo contribuinte. Inexistência de cerceamento de defesa PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Em se tratando de pedido de compensação, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito aos créditos pleiteados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. A Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula acompanhou o relator pelas conclusões. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 90 53 47 /2 01 5- 24 Fl. 52DF CARF MF 2 Diego Diniz Ribeiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz. Relatório 1. Por bem retratar os fatos aqui debatidos, utilizo como meu o relatório desenvolvido pela DRJ do Rio de Janeiro (acórdão n. 1291.488 fls. 28/35), in verbis: Trata o presente processo do PER/DCOMP nº 000934765818061513044920, transmitido em 18/06/2015 pelo contribuinte acima identificado, no qual solicita a compensação de COFINS paga indevidamente a maior relativa ao período de apuração 04/2015, no valor de R$ 5200,99. O Despacho Decisório proferido pela DRF/JundiaíSP concluiu pela improcedência do crédito original informado no PER/DCOMP, sob o fundamento de que o pagamento relacionado havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificado desta decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade tempestiva, alegando, em resumo: · Preliminarmente, a violação ao principio da ampla defesa e ao princípio do devido processo legal. Afirma que a decisão originária se apresenta genérica, lacônica, beira as raias da inépcia e torna difícil a contra argumentação da recorrente. Afirma também que haviam vários outros elementos que poderiam, e deveriam, ser analisados, e se os fossem, certamente permitiriam inferirse de modo diverso, e que esta decisão (do Despacho Decisório) deve ser anulada. · No mérito, afirma possuir direito a crédito a ser utilizado e homologado, pois pagou indevidamente ou a maior as contribuições para o PIS e a COFINS ao não excluir de suas bases de cálculo os valores ali embutidos referentes ao ICMS. O valor do ICMS não pode ser incluído na base de cálculo do PIS e da COFINS por não integrar conceito de "faturamento", pois esse valor de ICMS é mero "ingresso" na escrituração contábil das empresas. A este respeito cita o voto proferido pelo Min. Luiz Gallotti no Recurso Extraordinário nº 71.758 no STF e o Recurso Extraordinário nº 240785 no STF que tem por relator o Ministro Marco Auréio. · O contribuinte que, por qualquer motivo, apurar crédito de imposto ou contribuição arrecadado pela Secretaria da Receita Federal poderá compensálo com parcelas vencidas ou parcelas vincendas de qualquer tributo por ela administrado, ainda que com destinação constitucional Fl. 53DF CARF MF Processo nº 13839.905347/201524 Acórdão n.º 3402006.481 S3C4T2 Fl. 53 3 distinta, sendo certo, por mais este motivo, que a compensação em questão jamais poderia deixar de ter sido homologada pela Autoridade Recorrida. · Requer, que fique sobrestada qualquer eventual cobrança para o pagamento de impostos atinentes ao caso vertente até o julgamento em definitivo no âmbito administrativo do referido processo. Requer também PROVIMENTO TOTAL à Manifestação de Inconformidade, para ser acatada a matéria preliminar e anulada a decisão, ou, que seja reformada a decisão para HOMOLOGAÇÃO da compensação. (...). 2. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pelo sobredito acórdão, o qual restou assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2015 a 30/04/2015 NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA Não procedem as argüições de nulidade quando não se vislumbra nos autos qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2015 a 30/04/2015 COFINS. BASE DE CÁLCULO. ICMS. EXCLUSÃO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. A base de cálculo da COFINS é o faturamento, que corresponde à receita bruta auferida, não havendo previsão legal para exclusão do valor do ICMS que compõe o preço de venda da mercadoria. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. 3. Devidamente intimado, o contribuinte interpôs recurso voluntário de fls. 42/49, oportunidade em que continuou alegando que despacho decisório seria nulo, porque carente de motivação, o que, por seu turno, implicaria cerceamento de defesa em prejuízo do recorrente, bem como defendeu a juridicidade do seu crédito, decorrente da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. 4. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Diego Diniz Ribeiro Fl. 54DF CARF MF 4 5. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos formais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. I. Preliminarmente (i) Da pretensa ausência de motivação do despacho decisório e suposta ofensa ao direito de defesa do contribuinte 6. A título de preliminar de mérito, o contribuinte se apega ao pretenso fundamento de que o despacho decisório que implicou a denegação da compensação por ele perpetrada seria carente de motivação. Acontece que, apesar de sucinto, o citado despacho é claro ao expor o motivo da denegação aqui combatida: o contribuinte compensou o pretenso crédito com outro débito, sendo este o teor do referido despacho: 7. Embora sucinto, o despacho é claro em apontar o motivo para não homologar o crédito do contribuinte: o pretenso crédito teria sido utilizado para a quitação de outros débitos para com a Receita Federal do Brasil. Aliás, precisando tal assertiva, o citado despacho aponta que tal crédito teria sido utilizado para o pagamento de n. 43687704232, com código n. 2172, referente a processo administrativo de compensação de 30/04/2015. Tais informações são suficientes para identificar o débito para o qual o "crédito" indicado neste processo administrativo foi previamente utilizado. 8. Apesar da objetividade do referido despacho, tal ato atende a exigência da motivação de todo e qualquer ato administrativo, na medida em que justifica em concreto a recusa da compensação efetuada pelo contribuinte no presente caso. O fato de ser sucinta não implica, per si, a nulidade da decisão por carência de motivação, como aliás já decidiu o Supremo Tribunal Federal em sede de recurso julgado sob repercussão geral, in verbis: 1. Questão de ordem. Agravo de Instrumento. Conversão em recurso extraordinário (CPC, art. 544, §§ 3° e 4°). Fl. 55DF CARF MF Processo nº 13839.905347/201524 Acórdão n.º 3402006.481 S3C4T2 Fl. 54 5 2. Alegação de ofensa aos incisos XXXV e LX do art. 5º e ao inciso IX do art. 93 da Constituição Federal. Inocorrência. 3. O art. 93, IX, da Constituição Federal exige que o acórdão ou decisão sejam fundamentados, ainda que sucintamente, sem determinar, contudo, o exame pormenorizado de cada uma das alegações ou provas, nem que sejam corretos os fundamentos da decisão. 4. Questão de ordem acolhida para reconhecer a repercussão geral, reafirmar a jurisprudência do Tribunal, negar provimento ao recurso e autorizar a adoção dos procedimentos relacionados à repercussão geral. (STF; AI 791.292 QORG, Relator: Min. GILMAR MENDES, j. em 23/06/2010, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe149 DIVULG 12082010 PUBLIC 13082010) (grifos nosso). 9. É também neste diapasão o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, bem como deste CARF, conforme se observa das ementas exemplarmente colacionadas abaixo: AGRAVO INTERNO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. ART. 620 DO CPC/1973. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULAS N. 282 E 356 DO STF. REEXAME DE PROVAS. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 7 DO STJ. ALEGAÇÃO DE NULIDADE DA DECISÃO. MOTIVAÇÃO SUCINTA. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO. 1. A ausência de prequestionamento de dispositivo legal tido por violado impede o conhecimento do recurso especial. Incidem as Súmulas n. 282 e 356 do STF. 2. Não cabe, em recurso especial, reexaminar matéria fático probatória (Súmula n. 7/STJ). 3. A decisão que se mostra fundamentada, ainda que de forma sucinta, não dá ensejo ao decreto de nulidade. 4. Agravo interno a que se nega provimento. (STJ; AgInt no AREsp 1.004.066/SP, Rel. Min. MARIA ISABEL GALLOTTI, 4a T., j. em 22/05/2018, DJe 01/06/2018) (g.n.). Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2001, 2002 NULIDADE. ACÓRDÃO DA DRJ. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Não é nulo acórdão da DRJ fundamentado, ainda que de forma sucinta. A fundamentação breve não caracteriza ausência de motivação. Fl. 56DF CARF MF 6 IRPF. COMPROVAÇÃO. DEPÓSITO EM CONTA DE PESSOA FÍSICA. OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. O depósito em conta bancária de pessoa física, sócia de empresa prestadora de serviço, caracteriza a pessoa física como beneficiária da renda, sendo devido IRPF sobre os valores recebidos. Registros contábeis e contratos não são capazes de elidir a natureza fática do depósito bancário. IRPF. REMUNERAÇÃO INDIRETA. DESPESAS COM VIAGEM, ESTADIA E ALIMENTAÇÃO. CUSTEADAS PELA CONTRATANTE. AUSÊNCIA DE FATO GERADOR. Despesas de locomoção, hospedagem e alimentação quando incorridas pelo contratante dos serviços em benefício do prestador do serviço para viabilizar a prestação do serviço não caracterizam remuneração indireta. COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS PAGOS. O CARF não é órgão competente para promover de ofício compensação do crédito tributário mantido em sede de processo administrativo em face de eventuais valores que o contribuinte detenha a seu favor junto a autoridade tributária. (CARF; Processo n. 11080.011496/200614; acórdão n. 2201 002.349; Data da sessão: 19/03/2014) (g.n.). 10. Ressaltese, por fim, que nem sede de manifestação de inconformidade nem no âmbito do recurso voluntário, o contribuinte trouxe qualquer contraprova no sentido de refutar a motivação do ato administrativo, limitandose a aduzir, genericamente, que tal despacho seria carente de motivação. Convém lembrar, todavia, que o presente caso é um pedido de compensação, cabendo ao contribuinte o ônus de provar o fato constitutivo do seu direito, i.e., seu crédito, exatamente como estipulado no art. 373, inciso I do CPC1. 11. Nesse sentido, não há que se falar em nulidade do despacho decisório proferido no presente caso, muito menos em ofensa ao direito de defesa do contribuinte, devendo o r. acórdão recorrido ser mantido em sua íntegra. II. Mérito (i) A exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS e a ausência de prova 12. Quanto ao mérito, convém novamente repisar que o contribuinte figura como titular da pretensão de compensação e, como tal, possui o ônus de prova quanto ao fato constitutivo de seu direito. Em outras palavras, o sujeito passivo possui o encargo de comprovar, por meio de documentos hábeis e idôneos, a existência do direito creditório, demonstrando que o direito invocado existe. 13. Assim, caberia ao sujeito passivo trazer aos autos os elementos aptos a comprovar a existência de direito creditório, capazes de demonstrar, de forma cabal, que a fiscalização incorreu em erro ao não homologar a compensação pleiteada, em conformidade 1 "Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor." Fl. 57DF CARF MF Processo nº 13839.905347/201524 Acórdão n.º 3402006.481 S3C4T2 Fl. 55 7 com os arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/19722. Em outros termos, o ônus probatório nos processos de compensação é do postulante ao crédito, tendo este o dever de apresentar todos os elementos necessários à prova de seu direito, no entendimento reiterado desse Conselho: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 31/07/2009 a 30/09/2009 VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. (...) (Processo n.º 11516.721501/201443. Sessão 23/02/2016. Relator Rosaldo Trevisan. Acórdão n.º 3401003.096 grifos nosso). 14. Atentandose para o presente caso, não se vislumbra qualquer fundamento fático ou jurídico trazido pela recorrente capaz de alterar a conclusão em torno do direito ao crédito alcançada no despacho decisório e mantida pela decisão recorrida, a qual limitase a discutir, em abstrato, a validade material do suposto crédito por ela vindicado. Dispositivo 15. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. 16 É como voto. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro 2 “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;" Fl. 58DF CARF MF 8 Fl. 59DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11543.003217/2008-16
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE.
Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigmas.
Numero da decisão: 9202-007.734
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício.
Patrícia da Silva - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201903
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigmas.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon May 27 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 11543.003217/2008-16
anomes_publicacao_s : 201905
conteudo_id_s : 6011818
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon May 27 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 9202-007.734
nome_arquivo_s : Decisao_11543003217200816.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : PATRICIA DA SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 11543003217200816_6011818.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício. Patrícia da Silva - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
dt_sessao_tdt : Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
id : 7756046
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:45:31 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051907847618560
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1380; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 203 1 202 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11543.003217/200816 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9202007.734 – 2ª Turma Sessão de 28 de março de 2019 Matéria PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Recorrente DEO ROZINDO DA SILVA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigmas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício. Patrícia da Silva Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 32 17 /2 00 8- 16 Fl. 203DF CARF MF 2 Tratase de Recurso Especial interposto pelo Contribuinte contra acórdão nº 2801002.957, proferido pela 1ª Turma Especial da 2 ª Seção, proferido na sessão do dia 13 de março de 2013, que restou assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2007 PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. FILHOS MAIORES. DEDUÇÃO. Somente são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda as pensões alimentícias pagas aos filhos menores ou aos filhos maiores de idade quando incapacitados para o trabalho e sem meios de proverem a própria subsistência, ou até 24 anos se estudantes do ensino superior ou de escola técnica de segundo grau. Ressalvase, ainda, a hipótese de sentença judicial expressa determinando o pagamento de alimentos após a maioridade, desde que não resultante de acordo celebrado entre interessados. Recurso Voluntário Negado Na origem, tratase de lançamento para cobrança de IRPF relativo referente ao exercício 2007, anocalendário 2006, em razão dedução indevida de pensão alimentícia Judicial – glosa de dedução de pensão alimentícia judicial, pleiteada indevidamente pelo contribuinte na Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física. Em seu Recurso Especial, o Contribuinte destaca que houve inovação da DRJ nos fundamentos do lançamento para manter a autuação e impossibilitar a dedução pretendida, cita como divergência o acórdão 2802001.816: IRPF GLOSA DE DESPESA MÉDICA COM DEPENDENTE POR FALTA DE COMPROVAÇÃO DA RELAÇÃO DE DEPENDÊNCIA COMPROVAÇÃO IDÔNEA LANÇAMENTO DESCONSTITUÍDO Glosada despesa médica com dependente por falta de comprovação da relação de dependência, uma vez comprovada tal relação, não cabe à DRJ inovar nos fundamentos do lançamento para rejeitar a dedução por fundamentos outros, por tratarse o lançamento de ato vinculado. Recurso provido. Conforme despacho de admissibilidade de efls. 193/196, foi dado seguimento ao REsp nos seguintes termos: No caso em análise, o voto vencedor manteve a glosa de pensão alimentícia aos filhos do contribuinte por entender que, no ano calendário de 2006, eles tinham mais de 24 anos de idade e não houve qualquer comprovação da incapacidade de ambos para o trabalho. Ocorre que o lançamento fundamentase em outro fato: a ausência de comprovação dos pagamentos da pensão. Fl. 204DF CARF MF Processo nº 11543.003217/200816 Acórdão n.º 9202007.734 CSRFT2 Fl. 204 3 Intimada, a Fazenda Nacional apresentou Contrarrazões de efls. 198/201, requerendo o não conhecimento do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte, pois, tem por objeto a rediscussão de prova e, em relação ao mérito, que seja negado provimento. É o relatório. Voto Conselheira Patrícia da Silva Relatora. O Recurso Especial interposto pelo Contribuinte é tempestivo entretanto, resta perquirir o preenchimento dos demais requisitos. De acordo com o constante do a quo: Dedução Indevida de Pensão Alimentícia Judicial. Glosa do valor de R$ ********46.693,66, indevidamente deduzido a título de Pensão Alimentícia Judicial, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. Devidamente intimado, o contribuinte declarou que a Ação de Oferta de Alimentos foi impetrada por deliberação pessoal e ainda por acordo familiar. Dessa forma, é de se glosar o valor pleiteado por falta de previsão legal, tendo em vista ser fruto de uma mera liberalidade entre as partes, sem lastro nas normas do direito de família, pois, não houve dissolução da sociedade. conjugal. Enquadramento Legal: Art. 8.°, inciso II, alínea 'f', da Lei n.° 9.250/95; arts. 49 e 50 da Instrução Normativa SRF n.° 15/2001, arts.73, 78 e 83 inciso II do Decreto n.° 3.000/99 RIR/99. A DRJ, ao analisar a questão destaca: Assim, mantida a unidade familiar e não caracterizada, conforme estabelecido pelo art. 24, da Lei 5.478/68, a saída da residência do responsável pelo sustento da família, mas sim uma mera transferência profissional de uma cidade para outra, as despesas a que o contribuinte faz jus para fins de dedução da base de cálculo do imposto de renda são aquelas inerentes aos deveres familiares, quais sejam: dedução com os dependentes (cônjuge, filhos etc), despesas médicas e despesas com instrução por serem estas mais específicas. O fato de existir a homologação judicial do acordo não altera a natureza de suas despesas, em razão de não ter havido saída efetiva nem tampouco o animus de o , contribuinte deixar a residência em comum com sua família. São estas características Fl. 205DF CARF MF 4 do fato concreto em exame que demonstram, às claras, que os pagamentos efetuados não possuem' a natureza própria das despesas com pensão alimentícia e não podem se beneficiar de deduções irrestritas da base de cálculo do imposto Verifica que o acórdão nº 2802001.816 utilizado pelo Contribuinte trata de glosa de despesa médica com dependente por falta de comprovação da relação de dependência. Veja que o acórdão utilizado pelo Contribuinte revestese de natureza diversa da questão colocada, que a dedução de pensão alimentícia. Nesse sentido, voto por negar conhecimento ao Recurso Especial do Contribuinte por ausência de similitude fática. Patrícia da Silva Fl. 206DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.914294/2012-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 13/06/2003
ÔNUS DA PROVA. DIREITO CREDITÓRIO
O ônus probatório do crédito tributário é do contribuinte, e não sendo produzidas nos autos provas capazes de comprovar o pretenso direito ao crédito, deve ser mantido o despacho decisório que não homologou o pedido de restituição.
Numero da decisão: 3302-006.900
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro José Renato Pereira de Deus votou pelas conclusões por entender que o ICMS a ser excluído deveria ser o destacado e não o ICMS a recolher.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Raphael Madeira Abad - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Deroulede (Presidente), Gilson Macedo Rosemburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado).
Nome do relator: RAPHAEL MADEIRA ABAD
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201904
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 13/06/2003 ÔNUS DA PROVA. DIREITO CREDITÓRIO O ônus probatório do crédito tributário é do contribuinte, e não sendo produzidas nos autos provas capazes de comprovar o pretenso direito ao crédito, deve ser mantido o despacho decisório que não homologou o pedido de restituição.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon May 27 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10830.914294/2012-81
anomes_publicacao_s : 201905
conteudo_id_s : 6011913
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon May 27 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3302-006.900
nome_arquivo_s : Decisao_10830914294201281.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : RAPHAEL MADEIRA ABAD
nome_arquivo_pdf_s : 10830914294201281_6011913.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro José Renato Pereira de Deus votou pelas conclusões por entender que o ICMS a ser excluído deveria ser o destacado e não o ICMS a recolher. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente. (assinado digitalmente) Raphael Madeira Abad - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Deroulede (Presidente), Gilson Macedo Rosemburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado).
dt_sessao_tdt : Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
id : 7756575
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:45:35 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051907889561600
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1550; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.914294/201281 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302006.900 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de abril de 2019 Matéria ICMS NA BASE DE CALCULO DAS CONTRIBUIÇOES Recorrente PLASTIPAK PACKAGING DO BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 13/06/2003 ÔNUS DA PROVA. DIREITO CREDITÓRIO O ônus probatório do crédito tributário é do contribuinte, e não sendo produzidas nos autos provas capazes de comprovar o pretenso direito ao crédito, deve ser mantido o despacho decisório que não homologou o pedido de restituição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro José Renato Pereira de Deus votou pelas conclusões por entender que o ICMS a ser excluído deveria ser o destacado e não o ICMS a recolher. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Raphael Madeira Abad Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Deroulede (Presidente), Gilson Macedo Rosemburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 42 94 /2 01 2- 81 Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10830.914294/201281 Acórdão n.º 3302006.900 S3C3T2 Fl. 3 2 Por bem retratar os fatos ocorridos no processo, transcrevo o Relatório elaborado pela DRJ quando da prolação da decisão ora recorrida. Trata o presente processo de manifestação de inconformidade apresentada em face do indeferimento de pedido de restituição (PER) de nº 36973.86670.090608.1.2.04 6704, nos termos do Despacho Decisório emitido em 03/01/2013 pela DRF Campinas/SP (rastreamento de nº 042023311). No aludido PER, transmitido eletronicamente em 09/06/2008, a contribuinte indicou um crédito no valor de R$ 3.495,69, referente ao pagamento efetuado em 13/06/2003, de PIS/Pasep, código de receita 6912, no valor total de R$ 3.495,69. Segundo o despacho decisório, o DARF indicado como crédito estava totalmente utilizado para extinção de débito de mesmo tributo e período de apuração, de acordo com as informações da DCTF transmitida pela interessada. Assim, com base no art. 165 do CTN, o PER foi totalmente indeferido. Cientificada em 21/01/2013, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 20/02/2013, alegando, em síntese, o seguinte. Após uma breve descrição dos fatos, explica o conceito de receita bruta, concluindo o que “só há receita se o ingresso de recursos tornarse parte integrante do patrimônio do contribuinte”; e que é necessário “que o referido ingresso tenha origem, direta ou indireta, do exercício da atividade da empresa”. Na sequência, assevera que o ICMS é receita do Estado. Diz que o “valor do imposto é apenas retido pelo contribuinte e na sequência repassado ao Estado. Portanto, esse valor não integra o patrimônio do contribuinte; nem corresponde ao exercício da sua atividade”. Com base no Recurso Extraordinário de n° 240.785/MG, afirma que a posição dominante dos votos é no sentido de que “o ônus do ICMS é transferido ao adquirente das mercadorias e dos serviços, mas o valor recebido por decorrência dessa transferência, presente no preço da mercadoria e do serviço, não incorpora ao patrimônio do contribuinte, mas do Estado que detém a capacidade tributária ativa ”. Afirma ser possível o “controle administrativo interno dos atos administrativos centrados nessas leis”. Diz não se tratar de juízo de inconstitucionalidade das normas que regulam o PIS e a Cofins, mas de juízo que determina o alcance dessas normas, perfeitamente possível de ser proferido no âmbito administrativo. Traz aos autos trechos do citado Recurso Extraordinário. Explica que tal RE conta com seis votos a favor da exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições (PIS/Pasep e Cofins), o que aponta para a declaração de inconstitucionalidade. Aduz Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10830.914294/201281 Acórdão n.º 3302006.900 S3C3T2 Fl. 4 3 que tal decisão a ser proferida pelo STF tornará obrigatória para a RFB e alcançará os casos em andamento. Todavia, a DRJ entendeu que não assistia direito ao contribuinte pelo fato de que os fatos não se encontravam devidamente comprovado e que a decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal não era vinculante em sede da Receita Federal do Brasil. A Recorrente apresentou Recurso Voluntário no bojo do qual sustenta (i) a força vinculante do artigo 110 do CTN, (ii) que o conceito de Receita Bruta não coincide com o de ingresso (iii) que o valor pago a título de ICMS é de titularidade do Estado e não da Recorrente , (iv) a força vinculante da decisão proferida pelo STF no RE 574.706/PR, (v) a viabilidade do controle administrativo do ato questionado e, finalmente, (vi) que só não foram produzidas mais provas em razão do fato de que os sistema eletrônico não a permite. O processo foi regularmente distribuído a este Relator. É o Relatório. Voto Conselheiro Raphael Madeira Abad. Relator. 1 Admissibilidade do Recurso Voluntário. O Recurso Voluntário é tempestivo e a matéria é de competência deste colegiado, razão pela qual o admito. 2 Tese do ICMS na base de cálculo das contribuições. Este Colegiado, na sessão de 30 de janeiro de 2019 firmou o entendimento de que o montante a ser excluído da base de calculo mensal da contribuição é o valor mensal do ICMS a recolher, conforme Solução de Consulta Interna nº 13 Cosit, de 18 de outubro de 2018, interpretando entendimento firmado no julgamento do Recurso Extraordinário nº 574.706/PR, pelo Supremo Tribunal Federal, conforme Acórdão n. 3302006.452 de Relatoria do Ilmo Conselheiro Walker Araújo, que adoto e transcrevo,. "Já em relação ao segundo ponto, sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, é de conhecimento notório que o Plenário do Supremo Tribunal Federal no RE 574.706, com repercussão geral reconhecida, decidiu que o ICMS não integra a base de cálculo das famigeradas contribuições. Contra a decisão proferida no RE 574.706, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional opôs embargos declaratórios da decisão, pleiteando a modulação temporal dos seus efeitos e realizou outros questionamentos, em especial, se o valor a ser excluído é somente aquele relacionado ao arrecadado a título de ICMS e/ou se o valor a ser excluído da base de cálculo abrange, Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10830.914294/201281 Acórdão n.º 3302006.900 S3C3T2 Fl. 5 4 além do arrecadado, aquele destacado em Notas Fiscais de Saída, sendo que referidos questionamentos aguardam sua análise e julgamento pelo Supremo Tribunal Federal. Entretanto, em que se pese inexistir trânsito em julgado da decisão proferida pela Suprema Corte, entendo que se tornou definitiva a matéria quanto ao direito do contribuinte ao menos de excluir da base de cálculo do PIS/COFINS a parcela do ICMS pago ou a recolher, restando àquela Corte apenas decidir se o direito de exclusão será concedido em maior extensão, abrangendo, além do arrecadado, aquele destacado em Notas Fiscais de Saída. A respeito do direito do contribuinte excluir da base de cálculo do PIS/COFINS a parcela do ICMS pago ou a recolher, matéria está incontroversa no RE 574.706 temos a Solução de Consulta Interna nº 13 Cosit, de 18 de outubro de 2018, emitido nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CALCULO DA CONTRIBUIÇÃO. Para fins de cumprimento das decisões judiciais transitadas em julgado que versem sobre a exclusão do ICMS da base de calculo da Contribuição para o PIS/Pasep, no regime cumulativo ou não cumulativo de apuração, devem ser observados os seguintes procedimentos: a) o montante a ser excluído da base de calculo mensal da contribuição e o valor mensal do ICMS a recolher, conforme o entendimento majoritário firmado no julgamento do Recurso Extraordinário no 574.706/PR, pelo Supremo Tribunal Federal; b) considerando que na determinação da Contribuição para o PIS/Pasep do período a pessoa jurídica apura e escritura de forma segregada cada base de cálculo mensal, conforme o Código de Situação tributária (CST) previsto na legislação da contribuição, fazse necessário que seja segregado o montante mensal do ICMS a recolher, para fins de se identificar a parcela do ICMS a se excluir em cada uma das bases de calculo mensal da contribuição; c) a referida segregação do ICMS mensal a recolher, para fins de exclusão do valor proporcional do ICMS, em cada uma das bases de calculo da contribuição, será determinada com base na relacao percentual existente entre a receita bruta referente a cada um dos tratamentos tributários (CST) da contribuição e a receita bruta total, auferidas em cada mês; d) para fins de proceder ao levantamento dos valores de ICMS a recolher, apurados e escriturados pela pessoa jurídica, devemse preferencialmente considerar os valores Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10830.914294/201281 Acórdão n.º 3302006.900 S3C3T2 Fl. 6 5 escriturados por esta, na escrituração fiscal digital do ICMS e do IPI (EFDICMS/IPI), transmitida mensalmente por cada um dos seus estabelecimentos, sujeitos a apuração do referido imposto; e e) no caso de a pessoa juridica estar dispensada da escrituracao do ICMS, na EFDICMS/IPI, em algum(uns) do(s) período(s) abrangidos pela decisão judicial com transito em julgado, poderá ela alternativamente comprovar os valores do ICMS a recolher, mês a mês, com base nas guias de recolhimento do referido imposto, atestando o seu recolhimento, ou em outros meios de demonstração dos valores de ICMS a recolher, definidos pelas Unidades da Federação com jurisdição em cada um dos seus estabelecimentos. Dispositivos Legais: Lei no 9.715, de 1998, art. 2o; Lei no 9.718, de 1998, arts. 2o e 3o; Lei no 10.637, de 2002, arts. 1o, 2o e 8o; Decreto no 6.022, de 2007; Instrução Normativa Secretaria da Receita Federal do Brasil no 1.009, de 2009; Instrução Normativa Secretaria da Receita Federal do Brasil no 1.252, de 2012; Convenio ICMS no 143, de 2006; Ato COTEPE/ICMS no 9, de 2008; Protocolo ICMS no 77, de 2008. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CALCULO DA CONTRIBUIÇÃO. Para fins de cumprimento das decisões judiciais transitadas em julgado que versem sobre a exclusão do ICMS da base de calculo da Cofins, no regime cumulativo ou não cumulativo de apuração, devem ser observados os seguintes procedimentos: a) o montante a ser excluído da base de calculo mensal da contribuição e o valor mensal do ICMS a recolher, conforme o entendimento majoritário firmado no julgamento do Recurso Extraordinário no 574.706/PR, pelo Supremo Tribunal Federal; b) considerando que na determinação da Cofins do período a pessoa jurídica apura e escritura de forma segregada cada base de calculo mensal, conforme o Código de Situação tributaria (CST) previsto na legislação da contribuição, fazse necessário que seja segregado o montante mensal do ICMS a recolher, para fins de se identificar a parcela do ICMS a se excluir em cada uma das bases de calculo mensal da contribuição; c) a referida segregação do ICMS mensal a recolher, para fins de exclusão do valor proporcional do ICMS, em cada uma das bases de calculo da contribuição, será determinada com base na relação percentual existente entre a receita Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10830.914294/201281 Acórdão n.º 3302006.900 S3C3T2 Fl. 7 6 bruta referente a cada um dos tratamentos tributários (CST) da contribuição e a receita bruta total, auferidas em cada mês; d) para fins de proceder ao levantamento dos valores de ICMS a recolher, apurados e escriturados pela pessoa jurídica, devemse preferencialmente considerar os valores escriturados por esta, na escrituração fiscal digital do ICMS e do IPI (EFDICMS/IPI), transmitida mensalmente por cada um dos seus estabelecimentos, sujeitos a apuração do referido imposto; e e) no caso de a pessoa jurídica estar dispensada da escrituração do ICMS, na EFDICMS/IPI, em algum(uns) do(s) período(s) abrangidos pela decisão judicial com transito em julgado, poderá ela alternativamente comprovar os valores do ICMS a recolher, mês a mês, com base nas guias de recolhimento do referido imposto, atestando o seu recolhimento, ou em outros meios de demonstração dos valores de ICMS a recolher, definidos pelas Unidades da Federação com jurisdição em cada um dos seus estabelecimentos. Dispositivos Legais: Lei no 9.718, de 1998, arts. 2o e 3o; Lei no 10.833, de 2003, arts. 1o, 2o e 10; Decreto no 6.022, de 2007; Instrução Normativa Secretaria da Receita Federal do Brasil no 1.009, de 2009; Instrução Normativa Secretaria da Receita Federal do Brasil no 1.252, de 2012; Convenio ICMS no 143, de 2006; Ato COTEPE/ICMS no 9, de 2008; Protocolo ICMS no 77, de 2008. Neste cenário, entendo que o montante a ser excluído da(s) base(s) de calculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins é o valor mensal do ICMS a recolher." Por este motivo, voto no sentido de que o montante a ser excluído da base de cálculo das contribuições é o valor mensal a recolher. Todavia, para que sejam apurados os valores é necessário investigar se o direito aos créditos pleiteados encontrase suficientemente comprovado nos autos. 3 O ônus probatório nos processos administrativos. Uma das razões do indeferimento do pleito da Recorrente junto à DRJ foi o fato de ela não teria trazido aos autos provas do direito ao crédito por ela alegado. Esta matéria foi tratada com brilhantismo pelo Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho nos autos do processo 13856.000175/200782, que adoto e transcrevo, verbis: "A regra fundamental do sistema processual adotado pelo Legislador Nacional, quanto ao ônus da prova, encontrase cravada no art. 373 do Código de Processo Civil, in verbis: Art. 373. O ônus da prova incumbe: Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10830.914294/201281 Acórdão n.º 3302006.900 S3C3T2 Fl. 8 7 I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. § 1º Nos casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa relacionadas à impossibilidade ou à excessiva dificuldade de cumprir o encargo nos termos do caput ou à maior facilidade de obtenção da prova do fato contrário, poderá o juiz atribuir o ônus da prova de modo diverso, desde que o faça por decisão fundamentada, caso em que deverá dar à parte a oportunidade de se desincumbir do ônus que lhe foi atribuído. § 2º A decisão prevista no § 1o deste artigo não pode gerar situação em que a desincumbência do encargo pela parte seja impossível ou excessivamente difícil. § 3º A distribuição diversa do ônus da prova também pode ocorrer por convenção das partes, salvo quando: I recair sobre direito indisponível da parte; II tornar excessivamente difícil a uma parte o exercício do direito. § 4º A convenção de que trata o § 3º pode ser celebrada antes ou durante o processo. Tal dispositivo é a tradução do princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. E esta formulação também foi, com as devidas adaptações, trazida para o processo administrativo fiscal, posto que a obrigação de provar está expressamente atribuída para a autoridade Fiscal quando realiza o lançamento tributário, para o sujeito passivo, quando formula pedido de repetição de indébito/ressarcimento. Definida a regra que direciona o onus probandi no âmbito do processo administrativo fiscal, resta estabelecer o conceito de prova, sua finalidade e seu objeto. O conceito de prova retirado dos ensinamentos de Moacir Amaral Santos: No sentido objetivo, como os meios destinados a fornecer ao julgador o conhecimento da verdade dos fatos. Mas a prova no sentido subjetivo é aquela que se forma no espírito do julgador, seu principal destinatário, quanto à verdade desse fatos. A prova, então, consiste na convicção que as provas produzidas no processo geram no espírito do julgador quanto à existência ou inexistência dos fatos. Compreendida como um todo, reunindo seus dois caracteres, objetivo e subjetivo, que se completam e não podem ser tomados separadamente, apreciada como fato e como indução lógica, ou como meio com que se estabelece a Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10830.914294/201281 Acórdão n.º 3302006.900 S3C3T2 Fl. 9 8 existência positiva ou negativa do fato probando e com a própria certeza dessa existência. Para Carnelutti: As provas são fatos presentes sobre os quais se constrói a probabilidade da existência ou inexistência de um fato passado. A certeza resolvese, a rigor, em uma máxima probabilidade. Dinamarco define o objeto da prova: ....conjunto das alegações controvertidas das partes em relação a fatos relevantes para todos os julgamentos a serem feitos no processo. Fazem parte dela as alegações relativas a esses fatos e não os fatos em si mesmos. Sabido que o vocábulo prova vem do adjetivo latino probus, que significa bom, correto, verdadeiro, seguese que provar é demonstrar que uma alegação é boa, correta e portanto condizente com a verdade. O fato existe ou inexiste, aconteceu ou não aconteceu, sendo portanto insuscetível dessas adjetivações ou qualificações. Não há fatos bons, corretos e verdadeiros nem maus, incorretos mendazes. As legações, sim, é que podes ser verazes ou mentirosas e daí a pertinência de proválas, ou seja, demonstrar que são boas e verazes. Já a finalidade da prova é a formação da convicção do julgador quanto à existência dos fatos. Em outras linhas, um dos principais objetivos do direito é fazer prevalecer a justiça. Para que uma decisão seja justa, é relevante que os fatos estejam provados a fim de que o julgador possa estar convencido da sua ocorrência Em virtude dessas considerações, é importante relembrar alguns preceitos que norteiam a busca da verdade real por meio de provas materiais. Dinamarco afirma: Todo o direito opera em torno de certezas, probabilidades e riscos, sendo que as próprias certezas não passam de probabilidades muito qualificadas e jamais são absolutas porque o espírito humano não é capaz de captar com fidelidade e segurança todos os aspectos das realidades que o circulam. Para entender melhor o instituto “probabilidade” mencionado professor Dinamarco, aduzo importante distinção feita por Calamandrei entre verossimilhança e probabilidade: É verossimil algo que se assemelha a uma realidade já conhecida, que tem a aparência de ser verdadeiro. A verossimilhança indica o grau de capacidade representativa de uma descrição acerca da realidade. A verossimilhança não tem nenhuma relação com a veracidade da asserção, Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10830.914294/201281 Acórdão n.º 3302006.900 S3C3T2 Fl. 10 9 não surge como resultante do esforço probatório, mas sim com referência à ordem normal das coisas. A probabilidade está relacionada à existência de elementos que justifiquem a crença na veracidade da asserção. A definição do provável vinculase ao seu grau de fundamentação, de credibilidade e aceitabilidade, com base nos elementos de prova disponíveis em um contexto dado., resulta da consideração dos elementos postos à disposição do julgador para a formação de um juízo sobre a veracidade da asserção. Desse modo, a certeza vai se formando através dos elementos da ocorrência do fato que são colocados pelas partes interessadas na solução da lide. Mas não basta ter certeza, o julgador tem que estar convencido para que sua visão do fato esteja a mais próxima possível da verdade. Como o julgador sempre tem que decidir, ele deve ter bom senso na busca pela verdade, evitando a obsessão que pode prejudicar a justiça célere. Mas a impossibilidade de conhecer a verdade absoluta não significa que ela deixe de ser perseguida como um relevante objetivo da atividade probatória. Quanto ao exame da prova, defende Dinamarco: (...) o exame da prova é atividade intelectual consistente em buscar, nos elementos probatórios resultantes da instrução processual, pontos que permitam tirar conclusões sobre os fatos de interesse para o julgamento. Já Francesco Carnelutti compara a atividade de julgar com a atividade de um historiador: (...) o historiador indaga no passado para saber como as coisas ocorreram. O juízo que pronuncia é reflexo da realidade ou mais exatamente juízo de existência. Já o julgador encontrase ante uma hipótese e quando decide converte a hipótese em tese, adquirindo a certeza de que tenha ocorrido ou não o fato. Estar certo de um fato quer dizer conhecêlo como se houvesse visto. No mesmo sentido, o professor Moacir Amaral Santos afirma que a prova dos fatos fazse por meios adequados a fixálos em juízo. Por esses meios, ou instrumentos, os fatos deverão ser transportados para o processo, seja pela sua reconstrução histórica, ou sua representação. Assim sendo, a verdade encontrase ligada à prova, pois é por meio desta que se torna possível afirmar idéias verdadeiras, adquirir a evidência da verdade, ou certificarse de sua exatidão jurídica. Ao direito somente é possível conhecer a verdade por meio das provas. Posto isto, concluímos que a finalidade imediata da prova é reconstruir os fatos relevantes para o processo e a mediata é Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10830.914294/201281 Acórdão n.º 3302006.900 S3C3T2 Fl. 11 10 formar a convicção do julgador. Os fatos não vêm simplesmente prontos, tendo que ser construídos no processo, pelas partes e pelo julgador. Após a montagem desse quebracabeça, a decisão se dará com base na valoração das provas que permitirá o convencimento da autoridade julgadora. Assim, a importância da prova para uma decisão justa vem do fato dela dar probabilidade às circunstâncias a ponto de formar a convicção do julgador. Retornando aos autos, afigurase oportuno assinalar que o objeto da lide é o indeferimento de um pedido de restituição e não um lançamento tributário. Partindo desta premissa, é lícito concluir que cabe requerente a comprovação dos fatos jurídicos alegados. Sintome obrigado a tecer poucas linhas acerca do trabalho para se identificar a existência de pagamentos indevidos ou maior que o devido. Neste passo, partirei para um curto estudo acerca da restituição. Nos casos de pagamento indevido ou a maior, fatos que justificam uma eventual repetição do indébito, a idéia de restituir é para que ocorra um reequilíbrio patrimonial. O direito de repetir o que foi pago emerge do fato de não existir débito correspondente ao pagamento. Portanto, a restituição é a devolução de um bem que foi transladado de um sujeito a outro equivocadamente. Deve ficar entre dois parâmetros, não podendo ultrapassar o enriquecimento efetivo recebido pelo agente em detrimento do devedor, tampouco ultrapassar o empobrecimento do outro agente, isto é, o montante em que o patrimônio sofreu diminuição. O Novo Código Civil, em seu artigo 876, estabelece a obrigação de restituir a “todo aquele que recebeu o que lhe não era devido”, para fins de evitar um enriquecimento sem causa.. Posta assim a questão é de se dizer que para fazer jus à repetição do indébito, necessário se faz a ocorrência de um pagamento indevido ou a maior que o devido, caso contrário, estaríamos diante de um enriquecimento sem causa de uma das partes. Desta forma, não havendo tais condições, não há direito liquido e certo a restituição. Neste momento, surge a necessidade de verificar a ocorrência de um recolhimento indevido ou maior que o devido. A solução para esta questão encontrase no confronto entre o valor recolhido e o valor que deveria ter sido recolhido. A comprovação do valor recolhido se faz por meio do comprovante de recolhimento – DARF. Já a apuração do valor devido está condicionada à análise da base de cálculo combinada com a alíquota a ser aplicada. Quanto à alíquota, não temos problemas, pois está determinada em lei e não precisa ser objeto de prova. Todavia, a base de cálculo deve ser comprovada pela escrituração nos livros fiscais. Neste sentido, determina o art. 923, do RIR/99, “a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10830.914294/201281 Acórdão n.º 3302006.900 S3C3T2 Fl. 12 11 contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados com documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais”. O art. 226 do Código Civil ratifica o entendimento quando define que os livros e fichas dos empresários provam contra as pessoas a que pertencem e, em seu favor, quando escriturados sem vício extrínseco ou intrínseco, forem confirmados por outros subsídios. Em suma, os livros legalizados, escriturados em forma mercantil, sem emendas ou rasuras, e em perfeita harmonia uns com os outros, fazem prova plena a favor ou contra os seus proprietários. Portanto, o sujeito passivo deveria ter apresentado para instruir seu pedido de restituição, no mínimo, uma memória de cálculo de apuração do PIS e da COFINS e do consequente crédito pleiteado, os comprovantes dos recolhimentos das exações e um resumo de apuração do ICMS. Contudo, a única prova acostada aos autos foi uma planilha onde constam as seguintes informações: período de apuração; crédito pretendido; taxa selic e o crédito atualizado. Com esses dados não é possível averiguar se houve a inclusão do icms nas bases de cálculo do PIS e da Cofins. Sendo assim, nego provimento ao recurso do sujeito passivo, uma vez que não restou provado o indébito tributário por ele alegado. " Assim, por não haver nos autos quaisquer elementos probatórios do direito alegado, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado digitalmente) Raphael Madeira Abad Fl. 83DF CARF MF
score : 1.0
