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Numero do processo: 10783.916047/2009-27
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Apr 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/08/2004 a 31/08/2004
COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO. AUSÊNCIA DE PROVAS.
Aquele que se manifesta contra o Despacho Decisório tem o ônus probatório relativo à comprovação do crédito que alega possuir, o qual deve ser exercido oportunamente e de forma materialmente suficiente à demonstração do direito pleiteado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-003.912
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto do presente acórdão.
(Assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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ÔNUS PROBATÓRIO. AUSÊNCIA DE PROVAS. Aquele que se manifesta contra o Despacho Decisório tem o ônus probatório relativo à comprovação do crédito que alega possuir, o qual deve ser exercido oportunamente e de forma materialmente suficiente à demonstração do direito pleiteado. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto do presente acórdão. (Assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 91 60 47 /2 00 9- 27 Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10783.916047/200927 Acórdão n.º 3402003.912 S3C4T2 Fl. 3 2 Trata o presente processo de compensação declarada em PER/DCOMP apresentada pelo contribuinte, de crédito referente a valor que teria sido recolhido a maior ou indevidamente, a título de COFINS, atinente ao período de apuração indicado na folha de rosto do acórdão. Por meio de Despacho Decisório eletrônico, negouse homologação à compensação declarada, alegando não restar crédito disponível para a compensação dos débitos informados, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. O contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade que foi julgada improcedente pela DRJ sob os seguintes fundamentos: i) o contribuinte não indicou como apurou o crédito que alega possuir e indicado na Declaração de Compensação e ii) o contribuinte não juntou quaisquer provas do referido crédito. Irresignado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário no qual alega inauguralmente que a questão não necessitaria de produção de provas, por se tratar de incidência de COFINS sobre receitas financeiras, declarada inconstitucional pelo STF no RE nº 346.084. Ao final, solicita a realização de diligência. É o relatório. Voto Antonio Carlos Atulim, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.885, de 28 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10783.914970/200924, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.885): "O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. O Despacho Decisório contestado nesse processo administrativo teve sua homologação negada sob fundamento do crédito alegado ter sido utilizado integralmente para quitar débitos da pessoa jurídica. Desde o início, o contribuinte não juntou qualquer documentação fiscal ou contábil que permita determinar o valor do crédito ou pelo menos um mínimo lastro probatório de sua existência. Menos ainda, sequer articulou argumento que sustentasse as razões para a Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10783.916047/200927 Acórdão n.º 3402003.912 S3C4T2 Fl. 4 3 manutenção do crédito pretendido, limitandose a afirmar a sua existência. O Decreto n° 70.235/72, que regulamenta o processo administrativo fiscal, é expresso no sentido de que o contribuinte deve trazer ao litígio todos os motivos de contrariedade, acompanhados dos elementos probatórios que fundamentem suas alegações. Senão vejamos: Art. 15 A impugnação, formalizado por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30(trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;(inciso III com redação determinada pela Lei 8. 748/1993) §4. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razoes posteriormente trazidos aos autos. Como precisamente apontado na decisão a quo, aquele que se manifesta contra o Despacho Decisório tem o ônus probatório relativo à comprovação do crédito que alega possuir alegar e não provar é o mesmo que não alegar. Tampouco se vislumbra nos autos quaisquer das exceções previstas no art. 16, §4º do Decreto 70.235/72. Assim, operouse a preclusão acerca do direito do contribuinte de produzir quaisquer provas do seu crédito, o que nos permite seguramente corroborar as conclusões alcançadas pela DRJ. Em seu Recurso Voluntário, o contribuinte traz uma reconstrução da discussão que culminou na declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718, para afirmar que o crédito se refere a receitas financeiras que compuseram a base de cálculo, o que causou o pagamento indevido das contribuições sociais. Quanto a este argumento, além de encontrar óbice no art. 17 do Decreto 70.235/72 (Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.), não foi corroborado por qualquer prova nos autos, sequer existindo algum indício disto. Tratase de uma afirmação tão vazia quanto à afirmação do crédito na Manifestação de Inconformidade, não merecendo qualquer guarida deste Colegiado. Por fim, alega o Recorrente: Concluindo, o recolhimento a maior de parte do darf de RS 25.045,85 é decorrente do alargamento da base de cálculo do COFINS (código de receita 2172), a qual deu fundamento para a Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10783.916047/200927 Acórdão n.º 3402003.912 S3C4T2 Fl. 5 4 compensação ora não homologada, o que poderá ser comprovado por mera diligência fiscal. O autor simplesmente alega a necessidade de uma diligência fiscal, mas sem atender aos requisitos do art. 14, IV do Decreto 70.235/72: Art. 16. A impugnação mencionará: IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. A despeito da falha do Recorrente em indicar os elementos necessários para a solicitação de uma diligência, ainda assim o Colegiado poderia propor a conversão do julgamento em diligência se entender necessária, nos termos do art. 18 do Decreto 70.235/72: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. Todavia, a diligência não tem a função de, atuando em lugar do Contribuinte, atender a um ônus probatório que não foi observado por este, mas sim esclarecer fatos que foram aventados no processo. Desse modo, nego o pedido de diligência. Conclusão Forte no exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário, por absoluta ausência de provas no processo." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao Recurso Voluntário, por absoluta ausência de provas no processo. assinado digitalmente Antonio Carlos Atulim Fl. 68DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.910962/2011-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Apr 20 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3402-000.908
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Fortaleza/CE que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte, a qual pretendeu a reforma do despacho decisório que, por sua vez, indeferiu a homologação da compensação de créditos da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. Por bem consolidar os fatos ocorridos até a decisão da DRJ, colaciono o relatório do acórdão recorrido in verbis: Consta no referido Despacho Decisório o seguinte motivo para indeferimento do Pedido: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .9 10 96 2/ 20 11 -4 4 Fl. 194DF CARF MF Processo nº 13896.910962/201144 Resolução nº 3402000.908 S3C4T2 Fl. 112 2 Contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. ... De acordo com a Defesa, as operações que destinem mercadorias à Zona Franca de Manaus – ZFM se equiparam, para todos os efeitos fiscais, a uma exportação para o exterior, conforme disposto no art. 4º da Decretolei nº 288/1967. O disposto no referido artigo foi recepcionado pelo art. 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias – ADCT, que garante a manutenção do referido benefício por prazo determinado. No entanto, o § 2º, inciso I, do art. 14 da Medida Provisória nº 1.858/1999, posteriormente reeditada pela Medida Provisória nº 2.037/2000, excluiu da isenção das receitas de exportação das Contribuições PIS/COFINS, as vendas efetuadas a Empresas instaladas na Zona Franca de Manaus. Ocorre que o Plenário do Supremo Tribunal Federal, no julgamento de Medida Cautelar na Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 2.348, em 07/12/2000, por unanimidade, concedeu a liminar pleiteada, para “suspender a eficácia do artigo 51 da Medida Provisória nº 2.03724, de 23 de Novembro de 2000, relativamente ao inciso I do § 2º do artigo 14 quanto à expressão ‘na Zona Franca de Manaus’ ”. Assim, tendo em vista a suspensão da eficácia do disposto no art. 14, § 2º, inciso I, quanto às Empresas instaladas na Zona Franca de Manaus, entende o Manifestante que restou assegurada a isenção das Contribuições PIS/COFINS sobre a receita de vendas efetuadas à Empresa estabelecida na citada região. Com efeito, nos termos do art. 165 do Código Tributário Nacional, deve ser reconhecido o direito à restituição dos valores indevidamente recolhidos pelo Manifestante. Sobreveio então o Acórdão 0831.103, da 3ª Turma da FOR/CE, negando provimento à manifestação de inconformidade da Contribuinte, cuja ementa foi lavrada nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1999 Ementa: PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. Mantémse o Despacho Decisório de não homologação da compensação, quando a Defesa não comprova a certeza e liquidez do crédito pretendido. Irresignada, a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário a este Conselho repisando os argumentos trazidos em sede de manifestação de inconformidade, bem como apresentando notas fiscais por amostragem que dizem respeito às vendas à Zona Franca de Manaus, o que, no seu entender, suprimiria o problema da falta de prova Fl. 195DF CARF MF Processo nº 13896.910962/201144 Resolução nº 3402000.908 S3C4T2 Fl. 113 3 É o relatório Voto Conselheiro Antônio Carlos Atulim, relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402000.905, de 28 de março de 2017, proferida no julgamento do processo 13896.910963/201199, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3402000.905: "Como se depreende do relato acima, o pedido de restituição da Recorrente fundase na alegação de ter tributado indevidamente a Contribuição ao PIS sobre receitas de vendas de produtos à estabelecimentos localizados na Zona Franca de Manaus, sendo que tais receitas seriam isentas pela legislação federal, uma vez que foram equiparadas às exportações (artigo 4º do Decreto lei nº 288/1967). Tal direito ao indébito, em tese, foi reconhecido pelo julgamento da DRJ, que somente não conferiu o direito em concreto por falta de provas a certeza e liquidez do crédito pretendido. Para suprir tal falta, a Recorrente trouxe em seu recurso voluntário cópias de notas fiscais de vendas, do período em questão, de bens para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus. Tais provas, apesar de induzirem à conclusão do direito ao crédito, não lhe confere certeza e liquidez, de modo que não foi completamente suprido o ônus da prova da Recorrente, nos moldes do artigo 373 do Código de Processo Civil, uma vez que se trata de pedido de restituição de indébito, de sua iniciativa. Assim é que tem decidido esse Colegiado, conforme se depreende do conteúdo do Acórdão 3402002.881. 1 Pelos os motivos acima expostos, justifico a necessidade de conversão do presente processo em diligência, como requer o artigo 18 caput do Decreto 70.235/72 (PAF), para o arremate do convencimento deste Colegiado sobre os fatos em discussão. Para tanto, devem ser tomadas as seguintes providências pela Repartição Fiscal de origem: i) analisar os documentos adequados para a verificação do crédito, quais sejam: o Demonstrativo de Apuração da Contribuição ao PIS, cópias das folhas dos livros fiscais (Registro de Saídas e de Apuração 1 Nas palavras do Conselheiro Relator do caso, Antonio Carlos Atulim: “É certo que a distribuição do ônus da prova no âmbito do processo administrativo deve ser efetuada levandose em conta a iniciativa do processo. Em processos de repetição de indébito ou de ressarcimento, onde a iniciativa do pedido cabe ao contribuinte, é óbvio que o ônus de provar o direito de crédito oposto à Administração cabe ao contribuinte. Já nos processos que versam sobre a determinação e exigência de créditos tributários (autos de infração), tratandose de processos de iniciativa do fisco, o ônus da prova dos fatos jurígenos da pretensão fazendária cabe à fiscalização (art. 142 do CTN e art. 9º do PAF). Assim, realmente andou mal a turma de julgamento da DRJ, pois o ônus da prova incumbe a quem alega o fato probando. Se a fiscalização não provar os fatos alegados, a consequência jurídica disso será a improcedência do lançamento em relação ao que não tiver sido provado e não a sua nulidade." Fl. 196DF CARF MF Processo nº 13896.910962/201144 Resolução nº 3402000.908 S3C4T2 Fl. 114 4 do ICMS ou do IPI) e contábeis (Razão) do respectivo período de apuração do crédito pleiteado, notas fiscais, entre outros; ii) elaborar relatório conclusivo a respeito do crédito pleiteado; iii) dar ciência do Relatório à Recorrente, abrindolhe prazo regulamentar para manifestação; e iv) devolver o processo para esta 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, 3ª Seção do CARF, para prosseguimento do julgamento. Importante registrar que os documentos apresentados pelo contribuinte no paradigma são os mesmos que instruem o presente processo, de tal sorte que os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso daquele também se justificam neste. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, determino a conversão do autos em diligência para que a Repartição Fiscal de origem adote as seguintes providências: i) analisar os documentos adequados para a verificação do crédito, quais sejam: o Demonstrativo de Apuração da Contribuição ao PIS/COFINS, cópias das folhas dos livros fiscais (Registro de Saídas e de Apuração do ICMS ou do IPI) e contábeis (Razão) do respectivo período de apuração do crédito pleiteado, notas fiscais, entre outros; ii) elaborar relatório conclusivo a respeito do crédito pleiteado; iii) dar ciência do Relatório à Recorrente, abrindolhe prazo regulamentar para manifestação; e iv) devolver o processo para esta 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, 3ª Seção do CARF, para prosseguimento do julgamento. (Assinado com certificado digital) Antônio Carlos Atulim Fl. 197DF CARF MF
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Numero do processo: 13888.001784/99-65
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Dec 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1992
REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRAZO PRESCRICIONAL.
Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de dez anos, contado do fato gerador. Súmula CARF nº 91.
Numero da decisão: 9900-000.972
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Extraordinário da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento, com retorno dos autos à unidade de origem, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Mendes de Moura, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Demetrius Nichele Macei (suplente convocado em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Heitor de Souza Lima Junior, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gerson Macedo Guerra, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello, Érika Costa Camargos Autran, Andrada Marcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício do CARF). Ausente a Conselheira Patrícia Da Silva. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente) e Daniele Souto Rodrigues Amádio.
Nome do relator: ADRIANA GOMES REGO
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FINSOCIAL. PIS Recorrente FAZENDA NACIONAL Recorrida PACKER & CIA LTDA ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1992 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRAZO PRESCRICIONAL. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de dez anos, contado do fato gerador. Súmula CARF nº 91. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Extraordinário da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento, com retorno dos autos à unidade de origem, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Mendes de Moura, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Demetrius Nichele Macei (suplente convocado em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Heitor de Souza Lima Junior, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gerson Macedo Guerra, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello, Érika Costa Camargos Autran, Andrada Marcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício do CARF). Ausente a Conselheira AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 17 84 /9 9- 65 Fl. 371DF CARF MF Processo nº 13888.001784/9965 Acórdão n.º 9900000.972 CSRFPL Fl. 372 2 Patrícia Da Silva. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente) e Daniele Souto Rodrigues Amádio. Relatório A FAZENDA NACIONAL, irresignada com a decisão prolatada por meio do Acórdão CSRF /03 – 05.844 (fls. 327/334 do volume 2 digitalizado) que, por maioria de votos, negou provimento ao seu recurso especial, interpôs o recurso extraordinário de efls. 357/361, alegando divergência jurisprudencial com o decidido pelo Pleno da CSRF e pela 2ª Turma da CSRF, por meio do Acórdão nº 9900000.742 – Pleno, e do Acórdão nº 9202002.505. O acórdão recorrido recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1992 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. O direito de pleitear o reconhecimento de crédito com o conseqüente pedido de restituição/compensação, perante a autoridade administrativa, de tributo pago em virtude de lei que tenha sido declarada inconstitucional, somente surge com a declaração de inconstitucionalidade pelo STF, em ação direta, ou com a suspensão, pelo Senado Federal, da lei declarada inconstitucional, na via indireta. Ante a inexistência de ato especifico do Senado Federal, o Parecer COSIT n° 58, de 2710/98, firmou entendimento de que o termo a quo para o pedido de restituição começa a contar a partir da edição da Medida Provisória n° 1.110, em 31/08/95, primeiro ato emanado do Poder Executivo a reconhecer o caráter indevido do recolhimento do Finsocial à aliquota superior a 0,5%, expirando em 31/08/2099. Quanto ao PIS o prazo foi até 10/10/2000. No caso presente o pleito do contribuinte foi interposto em outubro/1999. Já os acórdãos paradigmas colacionados foram assim ementados: Acórdão nº 9900000.742 – Pleno ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1990 a 31/03/1992 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRESCRIÇÃO. Quando do julgamento do RE nº 566.621/RS, interposto pela Fazenda Nacional, sendo relatora a Ministra Ellen Gracie, foi declarada a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005, momento em que estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, §4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. Diante das decisões proferidas pelos nossos Tribunais Superiores a respeito da matéria, aplicase ao caso os estritos termos em que foram prolatadas, considerandose o prazo Fl. 372DF CARF MF Processo nº 13888.001784/9965 Acórdão n.º 9900000.972 CSRFPL Fl. 373 3 prescricional de 5 (cinco) anos aplicável tãosomente aos pedidos formalizados após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir dos pedidos protocolados nas repartições da Receita Federal do Brasil do dia 09 de junho de 2005 em diante. Para os pedidos protocolados anteriormente a essa data (09/06/2005), vale o entendimento anterior que permitia a cumulação do prazo do art. 150, § 4º, com o do art. 168, I, do CTN (tese dos 5+5), ou seja, a contagem do prazo prescricional darseá a partir do fato gerador, devendo o pedido ter sido protocolado no máximo após o transcurso de 10 (dez) anos a partir dessa data (do fato gerador). Acórdão nº 9202002.505 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1990 TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PARA REPETIÇÃO DE INDÉBITO. O Supremo Tribunal Federal STF fixou entendimento no sentido de que deva ser aplicado o prazo de 10 (dez) anos para o exercício do direito de repetição de indébito para os pedidos formulados antes do decurso do prazo da vacatio legis de 120 dias da LC n.º 118/2005, ou seja, antes de 9 de junho de 2005 (RE 566621). O Superior Tribunal de Justiça STJ firmou, ainda, entendimento no sentido de que o prazo para pleitear a repetição tributária, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, ainda que tenha sido declarada a inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou exista Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso), é contado da data em que se considera extinto o crédito tributário, acrescidos de mais cinco anos, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118∕05 (09.06.2005). No presente caso, o pedido de repetição de indébito deuse antes do início da vigência da LC nº 118/2005 (22/12/2003), aplicandose, portanto, o prazo decenal para a contagem do prazo para o exercício do direito de repetição de indébito. Entretanto, o presente pedido deuse em período superior a dez anos entre a data do fato gerador (31/12/1990) e a data do pedido de repetição do indébito. Portanto, o pedido formulado pelo contribuinte não merece prosperar, em virtude de ter ultrapassado o decênio posto a sua disposição para o exercício de seu direito. A decisão atacada já havia sido contestada pelo recurso de Embargos de Declaração, manejado pela PFN, que solicitou a aplicação, ao caso, da decisão do STF no sentido de que antes da entrada cm vigor da LC 118/05, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos. Assim, a prescrição teria atingido os fatos geradores ocorridos em setembro de 1989 (fls. 338/339 do volume 2 digitalizado). Fl. 373DF CARF MF Processo nº 13888.001784/9965 Acórdão n.º 9900000.972 CSRFPL Fl. 374 4 No despacho de efls. 353/355, consignouse que o acórdão guerreado foi exarado em 17 de junho de 2008, tendo o julgamento do Recurso Extraordinário nº 566.621 somente sido iniciado em maio de 2010 e, ainda, que as disposições do art. 62A do RICARF somente entraram em vigor em dezembro de 2010, com as alterações promovidas pela Portaria MF n. 586, de 21 de dezembro de 2010, não havendo previsão, à época, para sobrestamento de julgamentos, o que levou a rejeição dos aclaratórios. Cientificada desse despacho a PFN apresentou Recurso Extraordinário. Em síntese, alega a Fazenda que, por um lado, o acórdão recorrido, proferido pela 3ª Turma da CSRF, considerou que o termo inicial para a contagem do prazo que o contribuinte possui para pleitear a restituição do Finsocial é a data da publicação da Medida Provisória nº 1.110/95, ato normativo que reconheceu o caráter indevido da citada cobrança e, em relação ao PIS, afirmou que o direito subjetivo da contribuinte de postular a repetição de indébito nasceu a partir da publicação da Resolução do Senado nº 49, o que ocorreu em 10/10/1995. Mas que tal posicionamento divergiu da jurisprudência do Pleno e da 2ª Turma da CSRF, haja vista que esses colegiados consideram que o prazo para repetição de indébito dos pedidos realizados antes de 09/06/2005 é de 10 anos contados do fato gerador da contribuição. Assinala que a jurisprudência do Supremo colocaria duas situações: 1ª – Para pedidos formulados antes de 09/06/2005, o prazo decadencial será de 10 anos, contados do fato gerador; e 2ª – Para pedidos formulados a partir de 09/06/2005, o prazo será de 5 anos, contados do pagamento indevido. E, no caso em concreto, verificarseia que nem todos os períodos de apuração englobados no pedido de restituição do contribuinte seriam passíveis de deferimento, uma vez que parte deles foi alcançada pela decadência, nos termos da “tese dos cinco+cinco”. Ao final, pede pelo conhecimento e provimento do recurso para que seja reformado o acórdão recorrido. Tal recurso foi admitido pelo Presidente da CSRF e do CARF, consoante Despacho de efls. 363/365. A interessada foi cientificada do Acórdão nº CSRF/0305.844, do Recurso Extraordinário da PGFN e do Despacho do Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em 19/11/2015, mas não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheira Adriana Gomes Rêgo Relatora Tratase de Recurso Extraordinário manejado contra o Acórdão nº CSRF/03 05.844, sob a alegação de que há divergência jurisprudencial entre esta decisão e outros julgados proferidos pela CSRF e pelo Pleno da CSRF. Fl. 374DF CARF MF Processo nº 13888.001784/9965 Acórdão n.º 9900000.972 CSRFPL Fl. 375 5 É certo que a partir da 1º de julho de 2009, o Recurso Extraordinário deixou de existir na forma prevista no Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais com a revogação da Portaria MF nº 147, de 25 de junho de 2007 , e da Portaria MF nº 41, de 17 de fevereiro de 2009, pelo art. 8º da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009. Contudo, o art. 4º da Portaria MF nº 256/2009 c/c art. 3º da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, estabeleceu regra de transição para os recursos apresentados com base na Portaria MF nº 147/2007, determinando que os recursos extraordinários interpostos contra os acórdãos proferidos em sessões ocorridas em data anterior ao dia 1º de julho de 2009 seriam ainda processados de acordo com o rito previsto na Portaria MF nº 147/2007. Como o acórdão Acórdão nº CSRF/0305.844, ora recorrido, foi proferido em sessão realizada no dia 17/06/2008, concluise que há previsão regimental para processálo e analisálo. O Recurso é tempestivo e a divergência arguida restou caracterizada, razão pela qual dele tomo conhecimento. A questão controversa cingese a definir, no caso em apreço, qual o prazo prescricional para repetição de indébitos de Finsocial e de PIS, cujo pedido foi protocolizado em 29/10/1999. Nesse contexto, é certo que o STF já se pronunciou, em sistema de repercussão geral, no sentido de que, o prazo prescricional de cinco anos para reaver indébitos tributários imposto pela LC 118, de 2005, deve ser aplicável às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, para ações ajuizadas a partir de 09/06/2005, a saber: RE 566.621/RS – Rio Grande do Sul – Recurso Extraordinário. Relator(a): Min. Ellen Gracie. Julgamento: 04/08/2011 – Transito em Julgado em 17/11/2011. DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido Fl. 375DF CARF MF Processo nº 13888.001784/9965 Acórdão n.º 9900000.972 CSRFPL Fl. 376 6 prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Por esse entendimento, o prazo prescricional de 5 anos somente atinge repetições de indébitos discutidas em ações ajuizadas a partir de 09/06/2005. As ações de repetição de indébito de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, ajuizadas antes da vigência da LC n º 118, de 2005, como é o caso sob apreciação, se submetem ao prazo prescricional de 10 anos. E o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, assim determina: Art. 62 [...] § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF Tendo em vista que as decisões reiteradas proferidas no âmbito deste órgão de julgamento com a observância do quanto decidido em sede de repercussão geral, foi editada a Súmula CARF nº 91, de seguinte teor: Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. No caso sob apreciação a interessada protocolizou o pedido de restituição de FINSOCIAL e PIS, em 29/10/1999, ou seja, antes de 09/06/2005. Fl. 376DF CARF MF Processo nº 13888.001784/9965 Acórdão n.º 9900000.972 CSRFPL Fl. 377 7 Com relação ao pedido de restituição de Finsocial, os valores recolhidos a maior se referem a fatos geradores que ocorreram mensalmente, a partir do mês de setembro/1989, até março/1992, conforme demonstrativo às fls. 03 e 04, do volume 1 digitalizado. Assim, aplicandose a regra de contagem de prazo prescricional de 10 (dez) anos, a contar do fato gerador, temse que o fato gerador de Finsocial de setembro/1989, encontrava se prescrito, por ocasião do protocolo do pedido de restituição formalizado em 29/10/1999, já que decorridos mais de 10 (dez) anos entre a data do fato gerador e a data do protocolo do pedido. Os demais fatos geradores não foram alcançados pela prescrição. No que toca ao pedido de restituição de PIS, os valores recolhidos a maior se referem a fatos geradores que ocorreram mensalmente, a partir do mês de julho/1989, até agosto/1995, conforme demonstrativo às fls. 05 a 07, do volume 1 digitalizado. Assim, aplicandose a regra de contagem de prazo prescricional de 10 (dez) anos, a contar do fato gerador, temse que os fatos geradores de PIS de julho, agosto e setembro/1989, encontravam se prescritos, por ocasião do protocolo do pedido de restituição formalizado em 29/10/1999, já que decorridos mais de 10 (dez) anos entre as datas dos fatos geradores e a data do protocolo do pedido. Os demais fatos geradores não foram alcançados pela prescrição. Por oportuno, saliento que como o pedido da Fazenda Nacional é pela aplicação da tese ora adotada, ou seja, para o reconhecimento da prescrição relativa a apenas alguns períodos, manifestome por DAR PROVIMENTO integral seu recurso extraordinário para: i) declarar a prescrição do indébito de Finsocial relativo ao fato gerador de setembro/1989 e dos indébitos de PIS, correspondentes aos fatos geradores de julho, agosto e setembro/1989; ii) afastar a prescrição relativamente aos indébitos correspondentes aos demais fatos geradores de PIS e de Finsocial; e, iii) determinar o retorno dos autos ao órgão de origem para que analise a liquidez e certeza dos créditos objeto do pedido de restituição cumulado com os pedidos de compensação, haja vista que o despacho de efls. 142 e seguintes indeferiu o pedido sem analisar esses aspectos do crédito pleiteado. É como voto. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Fl. 377DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10882.001219/2003-52
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 1998 Súmula CARF nº 3: Para a determinação da base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas e da Contribuição Social sobre o Lucro, a partir do ano-calendário de 1995, o lucro líquido ajustado poderá ser reduzido em, no máximo, trinta por cento, tanto em razão da compensação de prejuízo, como em razão da compensação da base de cálculo negativa. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 1803-001.357
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Selene Ferreira de Moraes
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 1998 Súmula CARF nº 3: Para a determinação da base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas e da Contribuição Social sobre o Lucro, a partir do ano-calendário de 1995, o lucro líquido ajustado poderá ser reduzido em, no máximo, trinta por cento, tanto em razão da compensação de prejuízo, como em razão da compensação da base de cálculo negativa. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998 Súmula CARF nº 3: Para a determinação da base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas e da Contribuição Social sobre o Lucro, a partir do anocalendário de 1995, o lucro líquido ajustado poderá ser reduzido em, no máximo, trinta por cento, tanto em razão da compensação de prejuízo, como em razão da compensação da base de cálculo negativa. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes – Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Viviani Aparecida Bacchmi, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Selene Ferreira de Moraes. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES 2 Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: Tratase de exigência fiscal do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica —IRPJ, referente ao anocalendário 1998, lavrado em 13/05/2003. A autuação repercutiu na exigência de crédito tributário no valor de R$ 239.014,44, incluídos o principal, multa de ofício e juros de mora, calculados até 30/04/2003. 2. Consoante discriminado no quadro "Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal" do auto de infração, à fl. 25 foi apurado o seguinte: "001 — GLOSA DE PREJUÍZOS COMPENSADOS INDEVIDAMENTE INOBSERVÂNCIA DO LIMITE DE 30% Em procedimento de revisão da Declaração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica — DIRPJ do anocalendário 1998, verificamos que o contribuinte efetuou compensação indevida de prejuízo (s) fiscal (is) apurado (s), tendo em vista a inobservância do limite de compensação de 30% do lucro líquido, ajustado pelas adições e exclusões previstas e autorizadas pela legislação do Imposto de Renda. Intimado a justificar a referida compensação indevida, o contribuinte não apresentou base legal ou ação judicial que o permitisse contrariar o limite imposto pelo art. 15 da Lei n°9.065/95, (...) 3. Inconformada com as exigências fiscais das quais tomou ciência por via postal em 21/05/2003, AR de fl. 32, a contribuinte interpôs, em 17/06/2003, por meio de seu bastante procurador, procuração de fls. 69/70, a impugnação de fls. 35/68, acompanhada dos documentos de fls. 69/84, na qual apresenta, em síntese, os seguintes argumentos: 3.1 que a limitação da compensação de prejuízos fiscais é ilegal por acarretar tributação incidente sobre o patrimônio da empresa e por desvirtuar o conceito de renda, além de ser inconstitucional por ferir os princípios da irretroatividade e do direito adquirido, configurandose como verdadeiro empréstimo compulsório; 3.2 que a edição da MP n° 812/94, transformada na Lei n° 8.981/95, não respeitou os requisitos constitucionais de relevância e urgência, o que invalida os efeitos concretos da Lei n° 8.981/95; 3.3 que a multa de ofício aplicada no patamar de 75% fere o princípio da razoabilidade e da proporcionalidade, possuindo nítido caráter confiscatório; Fl. 2DF CARF MF Impresso em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10882.001219/200352 Acórdão n.º 180301.357 S1TE03 Fl. 2 3 3.4 que a taxa SELIC não serve para medir qualquer remuneração de mora, posto que se trata de taxa remuneratória do capital aplicado no mercado especulativo, e que contempla abominável anatocismo, sendo meio de enriquecimento sem causa por parte do Estado.” A Delegacia de Julgamento considerou o lançamento procedente, em decisão assim ementada: LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. ANÁLISE DA CONSTITUCIONALIDADE / LEGALIDADE DE LEI. AUTORIDADE ADMINISTRATIVA.COMPETÊNCIA. Quaisquer discussões que versem sobre a constitucionalidade ou legalidade das leis exorbitam a competência das autoridades administrativas, às quais cumpre aplicar as determinações da legislação em vigor, principalmente em se tratando de norma validamente editada, segundo o processo legislativo constitucionalmente estabelecido. MULTA DE OFÍCIO DE 75%. CABIMENTO. A multa de ofício aplicada de 75% é exigência legal, tendo sido inserida no ordenamento jurídico nacional pelo art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96, e desta forma não pode deixar de ser aplicada pela autoridade autuante sob pena de responsabilidade funcional. TAXA SELIC. CABIMENTO. Procede a cobrança de juros de mora com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (SELIC), por expressa previsão legal. PREJUÍZO FISCAL. COMPENSAÇÃO COM O LUCRO LÍQUIDO AJUSTADO. LIMITE MÁXIMO DE 30%. O prejuízo fiscal apurado a partir do encerramento do ano calendário de 1995, poderá ser compensado,cumulativamente com os prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, com o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação do imposto de renda, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro líquido ajustado, nos termos do art. 15 da Lei n° 9.065, de 1995.” Contra a decisão, interpôs a contribuinte o presente Recurso Voluntário, em que, além de reiterar as alegações contidas na impugnação, corroborando seu entendimento de que a compensação de prejuízos fiscais acima do limite de 30% constitui mero exercício de direito, necessário e suficiente para evitar a tributação inconstitucional. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES 4 Voto Conselheira Selene Ferreira de Moraes A contribuinte foi cientificada por via postal, tendo recebido a intimação em 18/02/2009 (AR de fls. 116 (numeração digital)). O recurso foi protocolado em 13/03/2009, logo, é tempestivo e deve ser conhecido. Todas as matérias discutidas nos autos já encontramse sumuladas pelo CARF. Por conseguinte, basta reproduzirmos o teor das súmulas: Súmula CARF nº 3: Para a determinação da base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas e da Contribuição Social sobre o Lucro, a partir do anocalendário de 1995, o lucro líquido ajustado poderá ser reduzido em, no máximo, trinta por cento, tanto em razão da compensação de prejuízo, como em razão da compensação da base de cálculo negativa. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Assim, é procedente o lançamento, acrescido da multa de ofício e dos juros de mora calculados com base na taxa Selic. A imposição da multa de ofício de 75% é determinada pelo art. 44 da Lei n° 9.430/1996, com a redação dada pela Lei nº 11.488/2007: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;” A hipótese legal de aplicação da multa restou plenamente configurada na situação fática descrita na presente autuação, sendo que as alegações de inconstitucionalidade dos dispositivos legais que determinam o percentual de 75% da multa, não podem ser apreciadas na esfera administrativa, conforme Súmula CARF nº 2: Fl. 4DF CARF MF Impresso em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10882.001219/200352 Acórdão n.º 180301.357 S1TE03 Fl. 3 5 “Súmula CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.“ Ante todo o exposto, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Fl. 5DF CARF MF Impresso em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES
score : 1.0
Numero do processo: 10480.916032/2011-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Mar 06 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3401-001.081
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Robson José Bayerl - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
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COMPENSAÇÃO. ALARGAMENTO. Recorrente RODOBENS CAMINHÕES PERNAMBUCO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Trata o presente processo administrativo de PER que pretende obter reconhecimento de direito creditório das contribuições por suposto pagamento a maior. O sistema informatizado da Receita Federal emitiu o Despacho Decisório em processamento automatizado indeferindo o pedido, afirmando que o valor do DARF de onde viria o crédito já estava totalmente comprometido em quitação de débito constante de declaração prestada pelo contribuinte ao Fisco. A contribuinte manifestou inconformidade, explicando que: 1. A autoridade de administração e a autoridade fiscal não tomaram conhecimento das razões da contribuinte para seu direito, nem se aprofundaram em sua análise, nem buscaram investigar os fatos; a contribuinte não foi intimada a explicar os fundamento do seu pedido antes do despacho decisório; RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 80 .9 16 03 2/ 20 11 -9 8 Fl. 168DF CARF MF Processo nº 10480.916032/201198 Resolução nº 3401001.081 S3C4T1 Fl. 3 2 2. seu direito repousa no fato de que ela indevidamente tinha incluído na base de cálculo do tributo receitas (tais como receitas financeiras, e outras), face a declaração de inconstitucionalidade pelo STF para o § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/1998; pois a base de tributação deve se cingir às receitas de faturamento pela venda de mercadorias e da prestação de serviços. 3. Pede a reunião dos vários processos administrativos que tratam da mesma matéria/tributo, mudando apenas os períodos de apuração, para serem julgados na mesma ocasião. Os Julgadores de 1º piso não acolheram o pedido de reunião dos vários processos. Eles também consideraram improcedente o recurso da contribuinte, entendendo pela insuficiência de provas pelo alegado. Seria da contribuinte o ônus de provar o direito objeto do seu pedido, no momento da interposição da Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legalmente previstas, nos termos do art. 16, caput, III e §4°, do Decreto 70.235/72, conforme consta do voto da decisão recorrida. Concluíram, os Julgadores a quo, pelo não reconhecimento do direito creditório, nos termos do Acórdão 11041.075. Inconformada, a contribuinte ingressou com recurso voluntário por meio do qual repisou as alegações apresentadas na manifestação de inconformidade, e acrescentou as seguintes: ● não é verdade que houve insuficiência de provas, pois apresentou planilha, balancete e livro obrigatório da contabilidade da contribuinte; ● a autoridade fiscal não questionou a efetividade dos pagamentos em discussão; ● não pode prevalecer o entendimento esposados pelos julgadores de 1º piso de que houve preclusão para a juntada de provas; isso fere o disposto na letra "c" do § 4º do artigo 16 do Decreto n. 70.235, de 1972 (apresentar provas que se destine a contrapor fatos e razões posteriormente trazidas aos autos). Cita doutrina, acórdãos e jurisprudências; ● a falta de retificação da DCTF não deve servir de justificativa para não se analisar e se deferir o direito da contribuinte; ● Não procede o entendimento dos Julgadores a quo de que a declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei n. 9.718/1998 proferida pelo STF não seja de observação obrigatória no processo administrativo fiscal; ● a Verdade Material deve prevalecer, e a autoridade deve realizar um exame completo dos fatos. É o relatório Fl. 169DF CARF MF Processo nº 10480.916032/201198 Resolução nº 3401001.081 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3401000.984, de 25 de janeiro de 2017, proferida no julgamento do processo 10480.900040/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela Resolução (3401000.984): "Tempestivo o Recurso e atendidos os demais requisitos de admissibilidade. Temos diante de nós mais um caso de despacho decisório processado automaticamente, sem que haja qualquer intervenção humana para rever o seu teor e a eventual existência de razões para questionar sua conclusão. É freqüente, nessas situações, que a contribuinte somente compreenda totalmente a situação quando recebe a decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento mantendo o indeferimento eletrônico inicial, geralmente por falta de provas ou de contra argumentações por parte da contribuinte. Nessa toada, há os que se escudam no instituto da preclusão probatória para justificar a impossibilidade de reverter as negativas até então impostas à contribuinte. Coerente com minhas propostas de votação anteriores em situações semelhantes, baseado no argumento de que o princípio da verdade material deve prevalecer, relativizando as formalidades e os institutos preclusivos e assemelhados, e no argumento de que não é do interesse público maior praticar a injustiça fiscal qual seja, a manutenção no Tesouro do pagamento indevido , é que proponho que se tome providências para garantir substantivamente o contraditório (e não apenas formalmente) e para se verificar a verdade do alegado pelas partes. As teses que esposo divergem das postas no acórdão de 1º piso: (a) para uma visão absoluta do ônus probatório e do instituto da preclusão probatória, argumento em favor de que prevaleça a Verdade Material, e que os julgadores do processo administrativo possam agir e determinar providências nessa direção, aliás como expus em outros votos quando fiz alusão aos modelos trazidos pelo novo CPC; (b) que a negativa em pedidos de restituição e/ou compensações motivada pela inexistência de créditos líquidos e certos passe a considerar que a liquidez e certeza possam ser demonstradas ao longo do processo administrativo, não se limitando ao que o instruiu antes de sua chegada à instância de julgamento. Ressalto que a contribuinte, segundo que foi relatado, em sua primeira contestação havia juntado balancetes e planilhas, o que poderia ser no mínimo considerado princípio de prova. Fl. 170DF CARF MF Processo nº 10480.916032/201198 Resolução nº 3401001.081 S3C4T1 Fl. 5 4 Por isso, tendo em vista que a administração tributária de jurisdição não apreciou as razões do suposto direito creditório, proponho a este Colegiado a conversão do julgamento em diligência para que a unidade de jurisdição local analise e informe a respeito do alegado pela contribuinte, e também a respeito da existência de retificação realizada ou tentada pela contribuinte com relação ao (débitos e créditos) discutido neste processo administrativo. Que se dê ciência à contribuinte desta decisão e também do relatório conclusivo e da informação fiscal resultantes da diligência, e prazo de 30 dias para ela se manifestar em cada uma dessas intimações." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, converto o julgamento deste processo em diligência para que a unidade de jurisdição local analise e informe a respeito do alegado pela contribuinte, e também a respeito da existência de retificação realizada ou tentada pela contribuinte com relação ao (débitos e créditos) discutido neste processo administrativo. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Fl. 171DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.720062/2013-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Apr 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009, 2010
GANHO DE CAPITAL. IMÓVEL RURAL
Considera-se custo de aquisição o valor da terra nua declarado pelo alienante, no Documento de Informação e Apuração do Imposto sobre a Propriedade Territorial (DIAT).
Numero da decisão: 2201-003.520
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Relator), Dione Jesabel Wasilewski, Marcelo Milton da Silva Risso, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, que negavam provimento. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz.
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator.
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Redatora designada
EDITADO EM: 11/04/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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IMÓVEL RURAL Considerase custo de aquisição o valor da terra nua declarado pelo alienante, no Documento de Informação e Apuração do Imposto sobre a Propriedade Territorial (DIAT). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Relator), Dione Jesabel Wasilewski, Marcelo Milton da Silva Risso, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, que negavam provimento. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz. Carlos Henrique de Oliveira Presidente. Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator. Ana Cecília Lustosa da Cruz Redatora designada EDITADO EM: 11/04/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 00 62 /2 01 3- 71 Fl. 2311DF CARF MF 2 Trata o presente processo de Auto de Infração relativo a Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, pelo qual a Autoridade Fiscal constituiu crédito tributário consolidado, em abril de 2013, no valor de R$ 4.065.285,02 (R$ 1.985.732,51 Principal; R$ 1.489.299,39 Multa de Ofício; R$ 590.253,12 Juros de Mora), fl. 1018 a 1024. Tais valores decorrem de omissão/apuração incorreta de Ganhos de Capital na alienação de bens e direitos em outubro de 2009, janeiro e novembro de 2010. O Termo de Verificação Fiscal de fl. 972 a 1016 descreve com clareza o raciocínio utilizado pelo AuditorFiscal até a lavratura do Auto de Infração. De todo seu teor, merecem destaque as seguintes constatações: que o procedimento de fiscalização foi instaurado após coleta de informações junto aos cartórios e à Prefeitura de Biguaçu, quando foi possível identificar as operações de compra e venda, além de constatar que os imóveis negociados estariam localizados em área urbana definida pela Lei Complementar Municipal nº 12/2009, fl. 972/973; que regularmente intimado, o contribuinte apresentou argumentos e documentos que atestam a não tributação dos ganhos de capital obtidos pela venda dos imóveis registrados sob a matrícula 8568 e 13800 à OSX Estaleiros S/A, fl. 974/975; que o contribuinte afirmou que, para todos os imóveis vendidos, foram apurados os Ganhos de Capital com base na legislação do ITR, já que os imóveis se destinavam à criação de gado para consumo próprio e camarão, procedimento contestado pelo Agente Fiscal que considerava o imóvel urbano e que, neste caso, mesmo que os imóveis fossem rurais, a apuração deveria ser feita pela diferença entre o valor efetivo de alienação e de aquisição; que houve venda de terreno de 91.018,90 m² de propriedade de Pessoa Jurídica, pelo valor de R$ 4.000,00, aos próprios sócios e, apenas sete dias depois, o terreno foi vendido para a empresa Chalki Participações S/A pelo valor de R$ 4.200.000,00. Tal operação foi objeto de representação fiscal para apuração de eventual infração na Pessoa Jurídica, já que poderia se destinar a disfarçar o Ganho de Capital obtido e a distribuição de lucros; que o imóvel matrícula 8658, com área de 528.922,50 m², recebido do Espólio de Adolf Herman Kroon, com valor constante da Declaração Final de Espólio de R$ 265.000,00 (fl. 45), foi vendido à OSX Estaleiros S/A por R$ 300.000,00, fls. 983, cuja apuração efetuada pela fiscalização consta de fl. 994 a 998; que o imóvel matrícula 13800, com área de 219.550,00m², recebido do Espólio de Adolf Herman Kroon, com valor constante da Declaração Final de Espólio de R$ 4.163,83 (fl 44), foi vendido à OSX Estaleiros S/A pelo valor de R$ 13.200.000,00, cuja apuração efetuada pela fiscalização consta de fl. 998 a 1002; que a atribuição de valores tão desproporcionais à venda dos imóveis 8658 e 13800, objeto de uma mesma operação, tinha o propósito de evitar a tributação pelo ganho de capital, já que o imóvel que recebeu o maior valor era o mais antigo do patrimônio do falecido (adquirido em 1966, enquanto o de menor valor foi adquirido em 2004), fl 983; que a empresa OSX Estaleiros afirmou que a operação se deu entre partes não envolvidas e que o valor pago pelos dois imóveis estaria em linha com os valores praticados à época e que a negociação considerou o valor total, não interferindo a empresa nos critérios impostos pelos vendedores para alocação de valor entre os imóveis vendidos, fl 984; Fl. 2312DF CARF MF Processo nº 11516.720062/201371 Acórdão n.º 2201003.520 S2C2T1 Fl. 2.298 3 que o imóvel matrícula 9115, com área de 217.215,00m², adquirido de Edson Bitencourt de Souza e esposa, fl. 89/91, pelo valor de R$ 60.000,00, foi vendido à OSX Estaleiros S/A pelo valor de R$ 2.500.000,00, cuja apuração efetuada pela fiscalização consta de fl. 1003: que TRÊS PARCELAS de 16,67 % do imóvel matrícula 9313, com área de 38.440,30m², recebido do Espólio de Adolf Herman Kroon, não constava na Declaração de rendimentos. Havia apenas um documento informal de compra e venda sem qualquer formalidade, apontando valor de aquisição de Cz$ 3.000.000,00, convertidos em R$ 5.440,14 (fl 44), foi vendido à Chalki Participações S/A, cuja apuração efetuada pela fiscalização consta de fl. 1004 a 1005. Segue resumo das apurações efetuadas pela fiscalização: GC apurado/omitido (****) Bem % de Prop. Dt Aquis. (*) Dt alien. C. Aquis. (**) Vlr. alien. (***) PARC 1 PARC 2 A 80% 06/03/2009 07/10/2009 212.000,00 240.000,00 2.540,16 24.675,84 B 80% 06/03/2009 07/10/2009 3.331,06 10.560.000,00 958.101,76 9.307.274,24 C 100% 07/10/2009 08/10/2009 60.000,00 2.500.000,00 312.861,41 1.922.318,69 D 1 16,67% 06/03/2009 25/01/2010 906,87 275.000,00 252.549,32 XX D 2 16,67% 06/03/2009 25/01/2010 906,87 275.000,00 252.549,32 XX D 3 16,67% 06/03/2009 25/01/2010 228.333,33 205.345,98 XX Bens A e B (*) Abertura secessão. Data do óbito de Adolf Herman Kroon, já que o imóvel foi adquirido por herança. (**) 80% do valor constante da Declaração do Espólio de 2010. (***) Valor decorrente da aplicação do percentual da propriedade. (****) Menor valor identificado entre os vários resultados possíveis. Bem C (*) Data da escritura de compra, fl 89/91 (**) 100% do valor constante da escritura de fl. 89/91 (***) Valor da alienação da propriedade, conforme escritura de fl. 881/882 e 889/891. (****) Menor valor identificado entre os vários resultados possíveis. Bens D 1, 2 e 3 Não transitou pela Declaração do falecido. (*) Abertura secessão. Data do óbito de Adolf Herman Kroon, já que o imóvel foi adquirido por herança. (**) 16,67% do custo de aquisição de Adolf Kroon (compra e venda em fl.649/650), corrigido IN 84/01. (***) Valor decorrente da aplicação do percentual da propriedade. (****) Menor valor identificado entre os vários resultados possíveis. Ciente do Lançamento em 08/05/2013, fl. 1073, inconformado, o contribuinte apresentou a impugnação de fl. 1096/1120, a qual foi assim relatada pela 18ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I: Após a ciência do lançamento o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 1.096 a 1.122, alegando, em síntese, que: 1. a fiscalização aduziu que o impugnante não explorava atividade rural, omitindo ganhos de capital na alienação de Fl. 2313DF CARF MF 4 terrenos supostamente urbanos, por estarem inseridos em área urbana, conforme Lei Complementar Municipal de Biguaçu nº 12/2009. Assim, entendeu o Fisco que a apuração deveria ser feita pela diferença entre o valor da alienação e o custo de aquisição, nos termos do art. 10, parágrafo 2º, da IN SRF nº 84/01. Inclusive, que o autuado optou por ser tributado em cem por cento dos ganhos de capital sobre bens comuns que possui com sua esposa; 2. descreve na peça defensória os seis terrenos que foram objeto de autuação e como a fiscalização apurou a omissão de ganhos de capital, contendo o nome dos adquirentes e alienantes, valor de custo, preço de venda, etc. Entre outros elementos de prova, constam nos autos as escrituras de compra e venda dos respectivos imóveis; 3. todos os seis imóveis são de Biguaçu: terreno 1 – matrícula n° 9.313 com 115.320,90 metros quadrados; terreno 2 – matrícula n° 9.313 com a mesma área; terreno 3 – matrícula n° 1.545; terreno 4 – matrícula n° 8.658, terreno 5 – matrícula n° 13.800 e terreno 6 matrícula n° 9.195; 4. o Fisco não teria levado em consideração as declarações de ITR (DIAT), conforme documentação anexa; 5. também discrimina na impugnação a forma na qual o impetrante apurou o ganho de capital dos imóveis, levando em conta o que dispõe a IN SRF nº 84/01 e as DIAT’s, de acordo com a documentação juntada ao processo. Não teria apurado o ganho de capital para o imóvel 6, pois o VTN da aquisição foi igual ao da alienação; 6. alega que conforme documentos emitidos pela Administração Pública, o contribuinte explora a atividade rural de carcinicultura, consistente na criação de camarões em viveiros, possuindo nos imóveis diversos equipamentos (tanques, extratores, aeradores, ...). Seu ingresso nessa atividade foi devido a exploração na mesma atividade praticada por seu pai, Adolf, e tio, Wilhelm, no mesmo local retroagindo a 2002; 7. entende que não obstante os documentos da atividade rural não estarem em seu nome, não têm o condão de tirar a natureza de atividade rural exercida nos imóveis; 8. portanto, com os elementos apresentados e os que serão juntados em momento adequado, estaria comprovada a atividade rural; 9. procurou demonstrar em sua contestação que os imóveis teriam a característica de rurais, devido a ausência de melhoramentos urbanos e pelo critério de destinação econômica; 10. cita o CTN, art. 32, no qual aponta os requisitos para que os Municípios definam, por meio de Lei, os imóveis como de zona urbana para efeito de aplicação do IPTU; 11. em Biguaçu, a matéria é regulada pelo art. 4º da Lei Complementar Municipal nº 3/07 que segue a Lei Complementar Fl. 2314DF CARF MF Processo nº 11516.720062/201371 Acórdão n.º 2201003.520 S2C2T1 Fl. 2.299 5 Nacional. No caso em questão, ainda que os imóveis estejam situados em zona de perímetro urbano, pela Lei Complementar Municipal nº 12/09, as áreas fiscalizadas não possuiriam melhoramentos exigidos na Lei, nem tampouco são objeto de loteamento aprovado pela municipalidade, constituindo indubitavelmente zonas rurais; 12. pretende produzir conjunto de provas documentais e periciais que demonstrem que os imóveis não apresentam meio fio, calçamento, abastecimento de água, entre outros, que são exigidos no art. 32 do CTN e na Lei Complementar Municipal nº 3/07; 13. por ter sofrido grave assalto em 2009 (documentação anexa) somado à procura pelas empresas do grupo OSX para aquisição das terras, o impugnante com seus familiares decidiram encerrar a atividade em 2010; 14. os terrenos 1, 2, 4, 5 e 6 só foram sujeitos ao IPTU a partir de 2012 e o terreno 3 nem possui inscrição. Foi apresentada DIAT dos terrenos 1, 2 e 3 do ano de aquisição (2009) e do ano de alienação (2010). O impugnante elaborou o cálculo do ganho de capital com base na legislação aplicada para imóvel rural; 15. não só os imóveis de área rural estão sujeitos ao ITR, mas aqueles que exploram atividade rural ainda que na zona urbana, art. 15 do DecretoLei nº 57/66. Assim, ainda que o contribuinte não tenha declarado rendimentos dessa atividade, não há como descaracterizar a atividade rural praticada; 16. então, o Fisco estaria equivocado em considerar os imóveis de área urbana, haja vista não existir melhoramentos urbanos e pelo fato de ser praticada a exploração rural alegada; 17. desse modo a fiscalização teria calculado erradamente o ganho de capital dos imóveis, já que não levou em consideração a legislação aplicada para os casos de imóvel rural e nem fundamentou tal motivo para aplicar norma divergente; 18. da mesma forma os imóveis 4, 5 e 6 também devem seguir a sistemática de apuração do ganho de capital com base no valor da terra nua (VTN) por serem imóveis rurais, ao contrário do que afirma o Fisco ao dizer que ainda que os imóveis fossem rurais, a apuração deveria ser feita pela diferença entre o custo de aquisição e alienação; 19. segundo a IN SRF nº 84/01, só teria cabimento apurar o ganho de capital pelo preço efetivo de alienação caso o contribuinte não apresente a DIAT do ano de aquisição do imóvel rural; 20. assim, não teria ocorrido ganhos de capital; 21. lista na peça defensória os documentos que estão sendo anexados para sua defesa e à fl. 1.118 descreve os documentos que serão apresentados posteriormente; Fl. 2315DF CARF MF 6 22. cita decisão administrativa para corroborar o seu argumento de defesa; 23. pede perícia nos termos de fls. 1.118 e 1.119 para comprovação da atividade rural e ausência de melhoramentos e loteamento; 24. por fim, pede o cancelamento do lançamento. Debruçada sobre a impugnação, a DRJ apresentou suas considerações e fundamentos legais para julgar, por unanimidade, improcedente a impugnação, merecendo destaque as seguintes conclusões: (...) Fazse necessário elucidar que não importa o fato de o contribuinte praticar atividade rural nos respectivos imóveis já que a Lei Complementar Municipal supracitada considerou os terrenos em questão como sendo de área urbana. Não é preciosismo destacar que um imóvel para ser considerado urbano precisa estar previsto em Lei Municipal como bem dispõe o art. 32, do CTN. Contudo, escapa à competência desta instância de julgamento averiguar se o legislador municipal observou corretamente os requisitos necessários para a inserção dos imóveis em área urbana. Repisese que não compete a esta Delegacia de Julgamento contestar os fundamentos que levaram o Poder Legislativo Municipal de Biguaçu a enquadrar os respectivos imóveis como área urbana e não rural. (...) Como bem disse a fiscalização, o autuado não poderia ter apurado os ganhos de capital com base na legislação referente a imóveis rurais, pois os imóveis alienados eram urbanos. E, ainda que os imóveis fossem rurais (o que não é o caso da presente fiscalização), a apuração deveria ser feita pela diferença entre o valor efetivo de alienação menos o valor efetivo de aquisição, pois o contribuinte não possuía o Valor da Terra Nua VTN declarado no DIAT para o ano de alienação e para o ano de aquisição, e conforme parágrafos 1º e 2º do artigo 10, da Instrução Normativa SRF nº 84, de 2001, no caso de o interessado adquirir e vender o imóvel rural antes da entrega do DIAT, o ganho de capital é igual à diferença entre o valor de alienação e o custo de aquisição e caso não tenha sido apresentado a DIAT relativamente ao ano de aquisição ou de alienação, ou a ambos, considerase como custo e como valor de alienação o valor constante nos respectivos documentos de aquisição e de alienação. (...) Dessa forma, agiu bem a fiscalização ao ter apurado os ganhos de capital sobre as alienações dos imóveis citados anteriormente, tendo fundamentado o cálculo com base na IN SRF nº 84/2001 considerando os respectivos terrenos como urbanos, haja vista o disposto na Lei Complementar Municipal nº 12/2009 que os enquadrou dessa forma. Sendo assim, deve ser mantida a infração tributária apurada pela fiscalização. Fl. 2316DF CARF MF Processo nº 11516.720062/201371 Acórdão n.º 2201003.520 S2C2T1 Fl. 2.300 7 Ciente do Acórdão da DRJ em 25 de outubro de 2013, ainda inconformado, o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário de fl. 1463/1478. Em 12 de maio de 2015, fl. 1547, o contribuinte junta petição lastreada em Resolução exarada em processo reflexo, para apontar que o tio do recorrente, Sr. Wilhelm Kroon, utiliza argumentos semelhantes aos expressos nos presentes autos. Na mesma oportunidade, junta novos documentos objetivando demonstrar o desenvolvimento de atividade rural nos imóveis em questão e conclui que o presente dispõe de conjunto probatório mais completo, estando, portando, apto à emissão de parecer conclusivo, sem que seja necessária a conversão do processo em diligência. Não obstante, submetido ao Colegiado de 2ª Instância, o julgamento foi convertido em diligência para manifestação da autoridade lançadora sobre as novas provas apresentadas, em particular as que tratam da natureza da atividade desenvolvida nos imóveis em tela. Ademais, deveria a Autoridade verificar junto ao IBAMA e Receita Federal a existência de inscrições de tais imóveis. Em atenção à Diligência, após a busca por informações que julgou necessárias, a Autoridade Lançadora emitiu o Relatório de fl. 2125, apontando que os mesmos elementos foram solicitados nos autos reflexos e concluindo: que os imóveis alienados eram urbanos; que não há provas de que havia exploração de atividade rural nos imóveis em tela; que ainda que fossem rurais, a questão seria irrelevante, já que a apuração do Ganho de Capital também deveria se dar pela diferença do valor de alienação e o custo de aquisição (§ 2º do art. 10 da 84/01); que ainda que se quisesse utilizar Declarações de ITR em nome de terceiros, o que contraria a legislação, tal fato não alcançaria as omissões verificadas nos itens 2.1.4, 2.1.5 e 2.1.6, que teriam ocorrido em 2010, antes da entrega da DITR, não havendo para estes declarações em nome do recorrente ou de terceiro; que o terreno de matrícula 9115 não poderia ter sido adquirido um dia antes à venda e que Sr. Alexander Kroon não apresentou comprovante da data efetiva da compra; que o sistema de apuração do Ganho de Capital por diferença do VTN não é isenção e que, se este reflete o valor de mercado, deveria ser exatamente o valor da venda efetuada; Após tomar ciência do teor do Relatório de Diligência, o contribuinte apresentou a manifestação de fl. 2146, na qual fez um breve resumo da presente lide, inclusive das considerações da Autoridade Fiscal efetuadas em sede de Diligência, para concluir afirmando que os documentos apresentados comprovam que os terrenos alienados eram utilizados para a exploração da atividade rural. Sustenta o recorrente que a Diligência extrapolou os limites definidos na Resolução e que nenhum dos tópicos da conclusão tratava da destinação econômica do imóvel, Fl. 2317DF CARF MF 8 afirmando que o AuditorFiscal teria agido com o fim específico de defender a autuação, o que impõe a rejeição de suas conclusões. Argumenta que este Conselho, em análise de processo conexo, cancelou a auto de infração, lastreadas em fundamentos que são igualmente válidos para o presente caso, o que justificaria a adoção de posicionamento idêntico para evitar a intolerável situação de divergência entre as turmas do CARF. Por fim, cita lide judicial Declaratória de Inexistência de Relação Jurídica Tributária em face do Município de Biguaçu, em que restou pacificado que os imóveis sob matrículas 9313, 1545, 8658, 13800 e 9195 estão estabelecidos em áreas rurais. É o relatório necessário Voto Vencido Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo Por ser tempestivo e por preencher as demais requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário. De plano, afasto a alegação de cerceamento de defesa em razão da negativa da 1ª Instância ao pedido de perícia, em particular pelas afirmações do próprio contribuinte, com a qual concordo, de que o presente está suficientemente instruído e pronto para emissão de parecer conclusivo, fl. 1552. Pela mesma razão, entendo desnecessária a produção de novas provas, razão pela qual indefiro o pedido de perícia, nos termos do art. 18 do Decreto nº 70.235/72. Como se viu acima, a lide em questão restou limitada à forma de apuração do Ganho de Capital ocorrido em operações de venda de imóveis, em que a Fiscalização entende correta sua apuração a partir da diferença positiva entre o custo de alienação e de aquisição, ao passo que o recorrente entende que o correto seria apurar o ganho a partir da diferença de Valor da Terra Nua, já que os imóveis se destinavam à exploração rural. Pelos documentos carreados aos autos, notase que, pelo menos em parte das propriedades alienadas, de fato, havia o exercício de alguma atividade rural, ainda que em nome de condômino, o que imporia observar, nos termos do art. 62, § 2º do Regimento Interno do CARF, o decidido pelo STJ em sede de recurso repetitivo, no tema nº 174 (REsp nº 1.112.646/SP): Não incide IPTU, mas ITR, sobre imóvel localizado na área urbana do Município, desde que comprovadamente utilizado em exploração extrativa vegetal, agrícola, pecuária ou agroindustrial (art. 15 do DL 57/1966). Assim, entendo absolutamente superada a questão dos imóveis estarem situados em área urbana, o que acabou corroborado pela decisão judicial nos autos da Ação Declaratória de Inexistência de Relação Jurídica em face da Prefeitura de Biguaçu. Votando ao mérito, temos que os argumentos do recorrente sempre convergem para o mesmo lastro legal, o art. 19 da Lei 9.393/96: Fl. 2318DF CARF MF Processo nº 11516.720062/201371 Acórdão n.º 2201003.520 S2C2T1 Fl. 2.301 9 Art. 19. A partir do dia 1º de janeiro de 1997, para fins de apuração de ganho de capital, nos termos da legislação do imposto de renda, considerase custo de aquisição e valor da venda do imóvel rural o VTN declarado, na forma do art. 8º, observado o disposto no art. 14, respectivamente, nos anos da ocorrência de sua aquisição e de sua alienação. Grifouse. A mesma Lei 9.393/96 traz outros preceitos relevantes para a presente demanda: Art. 8º O contribuinte do ITR entregará, obrigatoriamente, em cada ano, o Documento de Informação e Apuração do ITR DIAT, correspondente a cada imóvel, observadas data e condições fixadas pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O contribuinte declarará, no DIAT, o Valor da Terra Nua VTN correspondente ao imóvel. § 2º O VTN refletirá o preço de mercado de terras, apurado em 1º de janeiro do ano a que se referir o DIAT, e será considerado autoavaliação da terra nua a preço de mercado. (...) Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; (...) Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. Grifouse. A legislação acima citada demonstra com alguma clareza a forma como é apurado o Imposto Rural, utilizandose sempre do conceito de Valor da Terra Nua, que seria o valor do solo com sua superfície e respectiva floresta nativa, despojado das construções, das instalações, das benfeitorias, das pastagens cultivadas, das florestas plantadas, etc. Por outro lado define que o VTN refletirá o preço de mercado de terras, apurado em 1º de janeiro do ano a que se referir o DIAT, e será considerado autoavaliação da Fl. 2319DF CARF MF 10 terra nua a preço de mercado. Notase, portando, que a legislação relativa ao Imposto Rural busca manter alguma medida de justiça fiscal com a atualização, ano a ano, do VTN. Ocorre que não é tarefa fácil definir qual seria o valor de mercado de uma terra nua, já que não há mercado para terras nuas, pois cada propriedade tem um conjunto de características que a torna única e lhe atribuem valor diferenciado (benfeitorias, localização, distância dos grandes centros, acesso, disponibilidade de transportes ou serviços, recursos naturais, etc). Mais simples é conceituar "valor de mercado", que, em poucas palavras, seria o preço que poderia ser alcançado na venda de um bem qualquer, o qual, naturalmente, sofre influências de fatores externos, como concorrência, oferta e procura, liquidez da economia, etc. Assim, o valor que um bem pode alcançar no mercado, pode até não ter relação com seu valor real, já que os fatores externos citados podem causar variações positivas ou negativas. Contudo, para fins de tributação pelo ITR, o que interessa é o valor de mercado da terra nua, cuja definição não depende exclusivamente de verificação da DIAT apresentada, mas da identificação do valor de mercado total do imóvel, sendo deste excluídos os valores relativos às benfeitorias, construções, pastagens, florestas plantadas, etc. Portanto, no caso imóveis rurais, temos duas grandezas distintas, o valor da terra nua e o valor de tudo mais que a ela for agregado. Não me parece que o art. 19 da Lei 9.393/96 tenha trazido uma forma excepcional de apuração do ganho de capital ao prever que, para tanto, deveriase considerar como custo de aquisição e valor de venda do imóvel rural o VTN declarado nos anos da aquisição e de alienação, frisese, neste ponto, declarado nos termos do art. 8º, observado o art. 14 do mesmo diploma legal. Não se trata de uma isenção tributária, mas apenas uma forma julgada adequada para imóveis dessa natureza. Assim, o VTN declarado deve corresponder ao valor de mercado, podendo ser desconsiderado pela Receita Federal do Brasil nos casos em que for constatada sua subavaliação. Ademais, como já dito, o VTN não se confunde com o valor tudo mais que foi agregado à terra. A segunda grandeza para fins de ITR é o valor de tudo mais que for agregado à terra, a qual, embora não lembrada pelo contribuinte, não é uma grandeza esquecida pela legislação. Vejamos o que prevê a Instrução Normativa SRF nº 81/01: Art. 10. Tratandose de imóvel rural adquirido a partir de 1997, considerase custo de aquisição o valor da terra nua declarado pelo alienante, no Documento de Informação e Apuração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (Diat) do ano da aquisição, observado o disposto nos arts. 8º e 14 da Lei No 9.393, de 1996. (...) Art. 19. Considerase valor de alienação: (...) § 2o Na alienação dos imóveis rurais, a parcela do preço correspondente às benfeitorias é computada: Fl. 2320DF CARF MF Processo nº 11516.720062/201371 Acórdão n.º 2201003.520 S2C2T1 Fl. 2.302 11 I como receita da atividade rural, quando o seu valor de aquisição houver sido deduzido como custo ou despesa da atividade rural; II como valor da alienação, nos demais casos. Assim, o tratamento dado a essa segunda grandeza do imóvel rural, o valor das benfeitorias, é de suma importância à presente demanda. Notase que, quando deduzida como despesas da atividade rural, a parcela do preço correspondente às benfeitorias é computada como resultado da atividade rural, ao passo que, não tendo sido deduzida como despesas, a parcela do preço correspondente às benfeitorias é computada como valor de alienação. Há se de notar que o contribuinte efetuou alienações em valores muito superiores aos declarados nas DIAT apresentadas (fl. 1229), frisese por, Delminda Souza, Agnese Bif, Adolf e Wilhelm Kroon, embora com diferença de tempo entre as apresentações e as alienações muito pequenas. A título de exemplo, temos que a alienação do imóvel matrícula 13.800 (item B planilha supra) deuse em 07 de outubro de 2009, por R$ 10.560.000,00. Já na DIAT do mesmo imóvel, apresentada pelo proprietário anterior, pouco menos de dois meses antes da alienação, fl. 1258/1262, para o cálculo do Valor da Terra Nua, o valor total do imóvel montou apenas R$ 159.000,00, resultando o VTN em apenas R$ 109.000,00 (diminuído R$ 50.000,00 de valor de culturas). Ora, se o VTN representa o valor de mercado da terra, naturalmente, seu cálculo deve partir do valor de mercado do imóvel. No exemplo acima, em um forçado raciocínio para considerar correto o VTN informado em DIAT, não sobraria outra opção para justificar tamanho disparate que não considerar a diferença como parcela correspondente às benfeitorias. Assim sendo, tal valor deveria ter sido tributado como resultado da atividade rural, contudo, não há nos autos evidências de que o valor em questão tenha sido oferecido à tributação, tampouco evidências de controle de sua dedução como custo ou despesas da atividade rural. Portanto, tal diferença deveria ser considerada valor de alienação. Por outro lado, como o contribuinte não demonstrou em nenhum momento como chegou ao VTN utilizado nas apurações de ganho de capital que fez (na verdade nem poderia demonstrar, já que, de fato, não apresentou nenhuma DIAT, baseandose em cálculo feito por terceiros), não teria a Autoridade Fiscal outra alternativa para aferir o valor de mercado das propriedades se não considerar o valor efetivo da alienação, pois este sim é o inequívoco valor de mercado da propriedade. Desta forma, ainda que dois outros processos conexos tenham sido julgados neste Conselho, ambos concluindo pelo cancelamento da autuação, exclusivamente por considerar comprovado o exercício de atividade rural nos imóveis em tela e, portanto, correta a apuração efetuada pelo contribuinte com base no VTN declarado, pelos argumentos expostos acima, penso de modo diverso, e voto por negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo integralmente a decisão recorrida, bem assim a autuação fiscal. Conclusão Fl. 2321DF CARF MF 12 Tendo em vista tudo que consta nos autos, bem assim na descrição e fundamentos legais acima expostos, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, negarlhe provimento. Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Voto Vencedor Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Conforme narrado pelo Relator, a lide em questão restou limitada à forma de apuração do Ganho de Capital ocorrido em operações de venda de imóveis, em que a Fiscalização entende correta sua apuração a partir da diferença positiva entre o custo de alienação e de aquisição, ao passo que o recorrente entende que o correto seria apurar o ganho a partir da diferença de Valor da Terra Nua, já que os imóveis se destinavam à exploração rural. Entendeu o Relator ser absolutamente superada a questão dos imóveis estarem situados em área urbana, o que acabou corroborado pela decisão judicial nos autos da Ação Declaratória de Inexistência de Relação Jurídica em face da Prefeitura de Biguaçu. Por outro lado, destacou que o contribuinte não demonstrou em nenhum momento como chegou ao VTN utilizado nas apurações de ganho de capital que fez. A divergência suscitada teve como fundamento a ausência de descrição no Termo de Verificação Fiscal sobre a insubsistência do VTN utilizado pelo contribuinte como motivo do lançamento. Pelo que se extrai dos fundamentos dispostos no referido Termo, o motivo elementar foi a consideração de que o terreno era urbano e não rural, conforme se extrai do trecho abaixo, fls. 45: c) que ainda que o terreno fosse rural (o que não era o caso do terreno alienado), a apuração do ganho de capital também seria pela diferença efetiva entre o valor de alienação e o custo de aquisição, conforme parágrafo 2º do artigo 10, da Instrução Normativa SRF nº 84, de 2001; O citado dispositivo da Instrução Normativa 84/2001 assim dispõe: Art. 10. Tratandose de imóvel rural adquirido a partir de 1997, considerase custo de aquisição o valor da terra nua declarado pelo alienante, no Documento de Informação e Apuração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (Diat) do ano da aquisição, observado o disposto nos arts. 8o e 14 da Lei No 9.393, de 1996. (...) § 2o Caso não tenha sido apresentado o Diat relativamente ao ano de aquisição ou de alienação, ou a ambos, considerase como custo e como valor de alienação o valor constante nos respectivos documentos de aquisição e de alienação. Fl. 2322DF CARF MF Processo nº 11516.720062/201371 Acórdão n.º 2201003.520 S2C2T1 Fl. 2.303 13 Dessa forma, tendo sido apresentadas as DIATs, fls. 1229, considerase custo de aquisição o valor da terra nua declarado pelo alienante, no Documento de Informação e Apuração do Imposto sobre a Propriedade Territorial. Diante do exposto, tendo em vista a impossibilidade de inovar no lançamento, até mesmo em obediência ao princípio do contraditório e da ampla defesa, dou provimento ao recurso voluntário, pois caracterizado o imóvel como rural, o que, no presente caso, é fato extintivo do direito da Fazenda. Assinado digitalmente Ana Cecília Lustosa da Cruz Redatora designada Fl. 2323DF CARF MF
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Numero do processo: 11516.002678/2006-37
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Apr 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2001, 2002
DA POSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO DOS DADOS BANCÁRIOS RELATIVOS AO EXERCÍCIO DE 2001 SEM AUTORIZAÇÃO JUDICIAL
"Aplica-se ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas" (Art. 144, §1º do CTN).
O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 601.314/SP, submetido à sistemática da repercussão geral prevista no art. 543-B do CPC/73, afirmou que o artigo 6º da Lei Complementar nº 105/00 não ofende o princípio da irretroatividade.
DECADÊNCIA. IRPF. AJUSTE ANUAL.
"O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário" (Súmula CARF nº38)
A tributação do IRPF só se torna definitiva com o ajuste anual, na forma dos arts. 2°, 10 e 11 da Lei n° 8.134/1990, corroborada por Leis posteriores. Nos casos de lançamento por homologação, em que ocorre a antecipação do pagamento do imposto, deve-se aplicar o Recurso Especial nº 973.733/SC c/c art. 543C do CPC c/c § 2º do art. 62 do RICARF (Portaria MF nº 343/2009), contando o dies a quo a partir da data do fato gerador, conforme prevê § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN), devendo o termo inicial da decadência somente ocorrer no último dia daquele ano-calendário, quando se aperfeiçoa o fato gerador
IMPOSSIBILIDADE DE EXIGÊNCIA CUMULATIVA DE MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO.
Em se tratando de lançamento de oficio, somente deve ser aplicada a multa de oficio vinculada ao imposto devido, descabendo o lançamento cumulativo da multa isolada pela falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnê-leão, pois as bases de cálculo das penalidades são as mesmas.
DEPÓSITO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. VALORES INFERIORES À 12 MIL REAIS CUJA SOMA NÃO ULTRAPASSE 80 MIL.
De acordo com a Súmula CARF nº 61: "os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no ano-calendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física."
DEPÓSITO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. IMPOSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO PARA COMPROVAÇÃO DE MESES SUBSEQUENTES
"Na tributação da omissão de rendimentos ou receitas caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, os depósitos de um mês não servem para comprovar a origem de depósitos havidos em meses subsequentes" (Súmula CARF nº 30)
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO
Na ausência de provas que dêem suporte às informações contidas na Declaração de Ajuste Anual deve ser mantido o lançamento.
APLICAÇÃO DA TAXA SELIC
"A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais." (Súmula CARF nº 4)
Numero da decisão: 2202-003.733
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para: a) excluir da base de cálculo da infração de omissão de rendimentos de depósitos bancários de origem não comprovada, do ano-calendário 2001, o valor de R$ 106.250,00 referente à distribuição de lucros, além de R$ 69.639,48 referente aos depósitos inferiores a 12.000,00 cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00; b) excluir da exigência a multa isolada do carnê-leão, aplicada concomitantemente com a multa de ofício
(Assinado digitalmente)
MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA - Presidente.
(Assinado digitalmente)
JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar Marcio Henrique Sales Parada e Theodoro Vicente Agostinho (Suplente Convocado).
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2001, 2002 DA POSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO DOS DADOS BANCÁRIOS RELATIVOS AO EXERCÍCIO DE 2001 SEM AUTORIZAÇÃO JUDICIAL "Aplica-se ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas" (Art. 144, §1º do CTN). O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 601.314/SP, submetido à sistemática da repercussão geral prevista no art. 543-B do CPC/73, afirmou que o artigo 6º da Lei Complementar nº 105/00 não ofende o princípio da irretroatividade. DECADÊNCIA. IRPF. AJUSTE ANUAL. "O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário" (Súmula CARF nº38) A tributação do IRPF só se torna definitiva com o ajuste anual, na forma dos arts. 2°, 10 e 11 da Lei n° 8.134/1990, corroborada por Leis posteriores. Nos casos de lançamento por homologação, em que ocorre a antecipação do pagamento do imposto, deve-se aplicar o Recurso Especial nº 973.733/SC c/c art. 543C do CPC c/c § 2º do art. 62 do RICARF (Portaria MF nº 343/2009), contando o dies a quo a partir da data do fato gerador, conforme prevê § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN), devendo o termo inicial da decadência somente ocorrer no último dia daquele ano-calendário, quando se aperfeiçoa o fato gerador IMPOSSIBILIDADE DE EXIGÊNCIA CUMULATIVA DE MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. Em se tratando de lançamento de oficio, somente deve ser aplicada a multa de oficio vinculada ao imposto devido, descabendo o lançamento cumulativo da multa isolada pela falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnê-leão, pois as bases de cálculo das penalidades são as mesmas. DEPÓSITO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. VALORES INFERIORES À 12 MIL REAIS CUJA SOMA NÃO ULTRAPASSE 80 MIL. De acordo com a Súmula CARF nº 61: "os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no ano-calendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física." DEPÓSITO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. IMPOSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO PARA COMPROVAÇÃO DE MESES SUBSEQUENTES "Na tributação da omissão de rendimentos ou receitas caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, os depósitos de um mês não servem para comprovar a origem de depósitos havidos em meses subsequentes" (Súmula CARF nº 30) ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO Na ausência de provas que dêem suporte às informações contidas na Declaração de Ajuste Anual deve ser mantido o lançamento. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC "A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais." (Súmula CARF nº 4)
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 19; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2017; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 538 1 537 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11516.002678/200637 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202003.733 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 15 de março de 2017 Matéria IRPF Recorrente FERNANDO DE QUEIROZ SCHERER Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2001, 2002 DA POSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO DOS DADOS BANCÁRIOS RELATIVOS AO EXERCÍCIO DE 2001 SEM AUTORIZAÇÃO JUDICIAL "Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas" (Art. 144, §1º do CTN). O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 601.314/SP, submetido à sistemática da repercussão geral prevista no art. 543B do CPC/73, afirmou que o artigo 6º da Lei Complementar nº 105/00 não ofende o princípio da irretroatividade. DECADÊNCIA. IRPF. AJUSTE ANUAL. "O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário" (Súmula CARF nº38) A tributação do IRPF só se torna definitiva com o ajuste anual, na forma dos arts. 2°, 10 e 11 da Lei n° 8.134/1990, corroborada por Leis posteriores. Nos casos de lançamento por homologação, em que ocorre a antecipação do pagamento do imposto, devese aplicar o Recurso Especial nº 973.733/SC c/c art. 543C do CPC c/c § 2º do art. 62 do RICARF (Portaria MF nº 343/2009), contando o dies a quo a partir da data do fato gerador, conforme prevê § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN), devendo o termo inicial da decadência somente ocorrer no último dia daquele anocalendário, quando se aperfeiçoa o fato gerador AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 26 78 /2 00 6- 37 Fl. 546DF CARF MF 2 IMPOSSIBILIDADE DE EXIGÊNCIA CUMULATIVA DE MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. Em se tratando de lançamento de oficio, somente deve ser aplicada a multa de oficio vinculada ao imposto devido, descabendo o lançamento cumulativo da multa isolada pela falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnê leão, pois as bases de cálculo das penalidades são as mesmas. DEPÓSITO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. VALORES INFERIORES À 12 MIL REAIS CUJA SOMA NÃO ULTRAPASSE 80 MIL. De acordo com a Súmula CARF nº 61: "os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no anocalendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física." DEPÓSITO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. IMPOSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO PARA COMPROVAÇÃO DE MESES SUBSEQUENTES "Na tributação da omissão de rendimentos ou receitas caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, os depósitos de um mês não servem para comprovar a origem de depósitos havidos em meses subsequentes" (Súmula CARF nº 30) ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO Na ausência de provas que dêem suporte às informações contidas na Declaração de Ajuste Anual deve ser mantido o lançamento. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC "A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais." (Súmula CARF nº 4) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para: a) excluir da base de cálculo da infração de omissão de rendimentos de depósitos bancários de origem não comprovada, do anocalendário 2001, o valor de R$ 106.250,00 referente à distribuição de lucros, além de R$ 69.639,48 referente aos depósitos inferiores a 12.000,00 cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00; b) excluir da exigência a multa isolada do carnêleão, aplicada concomitantemente com a multa de ofício (Assinado digitalmente) MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA Presidente. (Assinado digitalmente) JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO Relatora. Fl. 547DF CARF MF Processo nº 11516.002678/200637 Acórdão n.º 2202003.733 S2C2T2 Fl. 539 3 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar Marcio Henrique Sales Parada e Theodoro Vicente Agostinho (Suplente Convocado). Relatório Foi lavrado contra o contribuinte o Auto de Infração de fls. 267 a 276, no qual consta a exigência de Imposto de Renda Pessoa Física, relativo aos anoscalendários de 2001 e 2002, no valor de R$ 192.999.45, ao qual foram acrescidas as exigências de multa de ofício no montante de 75% , multa isolada no percentual de 50% e juros de mora. As infrações apontadas pela fiscalização foram as seguintes: a) Omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoas jurídicas. b) Omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoas física, c) Acréscimo Patrimonial a descoberto no anocalendário 2002; d) Depósitos bancários sem comprovação de origem; e) Falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão. Intimado a prestar esclarecimentos, o contribuinte apresentou, dentre outros documentos, os extratos bancários de fls. 90 a 129 e fls. 219 e 220, relativos às contas correntes do BCN S/A, c/c 386.4349 e Unibanco S/A, c/c nº 131.1705, das quais a fiscalização destacou os depósitos listados na fl, 238. O interessado foi intimado a comprovar a origem e informar a que título ocorreram tais depósitos. Diante do esclarecimentos prestados pelo contribuinte, o histórico relativo a cada um dos depósitos bancário e o fatos destes não terem sido informados na Declaração de Ajuste Anual, a autoridade lançadora considerou parte dos depósitos como rendimentos omitidos, recebidos de pessoas físicas e jurídicas. Os demais depósitos foram considerados sem origem comprovada. O lançamento do Acréscimo Patrimonial a Descoberto ficou limitado ao ano calendário de 2002, está demonstrado na planilha de fls. 265 na qual consta a inclusão como Recursos/Origens dos rendimentos lançados de ofício. Nas fls. 292 constam esclarecimentos sobre a não inclusão dos valores informados na Declaração de Ajuste Anual como "Dinheiro em caixa" e como "rendimentos isentos e não tributáveis", devido a fatla de comprovação por parte do interessado. Da mesma forma, o saldo bancário de R$ 500.000,00 no Lloyds Bank, nos EUA, também foi desconsiderado devido ao silêncio do interessado diante da intimação para que esclarecesse e comprovasse o uso desses recursos na aquisição de bens, em aplicações ou na concessão de empréstimos no Brasil. O contribuinte apresentou a Impugnação de fls. 319 a 357 na qual alegou, resumidamente, o seguinte: Fl. 548DF CARF MF 4 a) Necessidade do sigilo bancário do autuado, em face das determinações contidas no artigo 7º do Decreto nº 3.724/2001; b) anulação do lançamento no tocante ao ano de 2001, uma vez que existia previsão legal sobre a impossibilidade de utilização dos dados da CPMF no período relativo à 25 de outubro de 1996, data da edição da Lei nº 9.311/96 e 1 de janeiro de 2002, data da entrada em vigor da Lei nº 10.174/01, em razão do princípio da anterioridade e irretroatividade. c) cancelamento das exigências fundamentadas em dados bancários, um vez que a LC 105/01, em seu artigo 6º, somente autoriza o exame dos extratos bancários em situações em que estes sejam considerados indispensáveis nos termos do art. 3º, do Decreto nº 3.724/01; d) decadência do Auto de Infração em relação aos meses de janeiro a agosto de 2001, por força do disposto no art. 7º do Decretolei 1968/82, cominado com o §4º do artigo 150 do CTN, inclusive com relação à multa isolada. e) exclusão da multa isolada, por possuir a mesma base de cálculo da multa de ofício. f) que sejam considerados como rendimentos isentos e não tributáveis os valores recebidos do Banco Santander (fls. 62) e da empresa Hammerhead Ltda (fls. 45 e 254) , nos termos do art. 1007 do CC e art. 807 do RIR/99. g) inclusão dos valores existentes em caixa e informados da DIRF (fls. 15) e a doação do Sr. Antônio Scherer (fls. 14 rendimentos isentos e não tributados), em virtude do princípio da presunção de veracidade e do fato de que o ônus da prova, nos termos do art. 924 do RIR, caberia à autoridade fiscal. h) inclusão como origem dos saldos iniciais da conta poupança e de aplicação consumidos durante o ano calendário de 2002, nos valores de R$ 1.001.,00 (fls. 61) e de R$ 33.914,22 (fls. 62) existentes nos bancos CEF e Santander; i) exclusão das parcelas lançadas como depósitos de origem não comprovada, uma vez que os rendimentos informados da DIRPF superam os valores cuja origem o AFRF considerou não comprovado. j) exclusão do valores decorrentes da transferência entre contas do próprio contribuinte (Unibanco fls. 92 e BCN fls. 219); l) a desconsideração dos valores individuais inferiores a R$ 12 mil, em virtude dos itens anteriores não superarem R$ 80.000,00, conforme parágrafo 1º, do art. 3º, da IN SRF nº 246/02 e inciso II, parágrafo 2º do art. 849 do RIR/99; m) sejam considerados os resgates das aplicações como origem para os depósitos futuros, uma vez que o art. 42 da Lei nº 9.430/96 não exige coincidência de datas e valores para que a justificativa seja aceita, bem como não haver prova nos autos do consumo dos referidos resgates; n) aproveitamento dos rendimentos tidos como omitidos como origem das movimentações nos meses seguintes ; o) seja afastada a aplicação dos juros da taxa SELIC. Fl. 549DF CARF MF Processo nº 11516.002678/200637 Acórdão n.º 2202003.733 S2C2T2 Fl. 540 5 Antes que o processo fosse sumbetido à julgamento pela DRJ o contribuinte requereu a juntada dos documentos de fls. 431 a 455, invocando, para tanto, o art. 16, §4º, incisos "a" e "c" o Decreto nº 70.235/72, uma vez que, por ocasião da apresentação da impugnação, o pedido dirigido a instituição financeira ainda estava pendente de atendimento. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis deu parcial provimento ao recurso (fls. 464 a 488) em decisão cuja a ementa é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FíSICA IRPF Anocalendário: 2001, 2002 PRELIMINAR. DECADÊNCIA. IRPF. AJUSTE ANUAL. O direito de a Fazenda lançar o imposto de renda devido no ajuste anual só decai após cinco anos contados de 31 de dezembro de cada anocalendário, momento em que se verifica o termo final do período, se não for constatado dolo, fraude ou simulação. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2001 MULTA EXIGIDA ISOLADAMENTE. FALTA DE RECOLHIMENTO DO CARNÊ LEÃO. A multa isolada, devida pela pessoa fisica no caso de pagamento sujeito ao imposto mensal (carnêleão), quando não recolhida, será exigida concomitantemente com o imposto suplementar apurado na declaração, acrescido da multa de oficio correspondente e de juros de mora. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DO CARNÊ LEÃO. DECADÊNCIA. 1 Decai em cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador mensal, o direito de a Fazenda constituir o crédito relativo à multa isolada, decorrente do não recolhimento do carnêleão. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001, 2002 ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA Fl. 550DF CARF MF 6 APRECIAÇÃO As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIÁRIAS. EFEITOS As decisões administrativas proferidas pelos órgãos colegiados, bem como as proferidas pelo poder judiciário não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. JUROS DE MORA, APLICABILIDADE DA TAXA SELIC. Sobre os débitos Tributários para com a União, não pagos nos prazos previstos em lei, aplicamse juros de mora calculados com base na taxa Selic, nos termos da legislação de regência. Intimado o contribuinte apresenta o Recurso Voluntário de fls. 494 a 527, no qual reitera as alegações formuladas quando da Impugnação. É o relatório. Voto O recurso preenche os pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. 1) PRELIMINARES 1.1) DA IMPOSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO DE DADOS BANCÁRIOS O Recorrente alega que o lançamento fundamentase, integralmente, nas informações extraídas dos extratos bancários fornecidos pelo contribuinte aos AFRF em atendimento ao Termo de Intimação 722/05. Sendo assim, entende que não se pode considerar espontânea a quebra de sigilo bancário do contribuinte, pois este não está legalmente obrigado a revelar sua movimentação bancária, exceto nos casos de decisão judicial. Em face do exposto, requer o cancelamento da parcela do auto de infração apurada com fundamento nas informações bancárias do contribuinte do ano de 2001. Incorreta a alegação do Recorrente. Isso porque, em primeiro lugar, a utilização dos dados bancários do contribuinte não altera os elementos da obrigação tributária principal. É apenas um elemento adicional de investigação a disposição da Fazenda. Sendo assim, não há que se falar em aplicação do artigo 144 do Código Tributário Nacional e sim do §1º do mencionado artigo que assim dispõe: Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído Fl. 551DF CARF MF Processo nº 11516.002678/200637 Acórdão n.º 2202003.733 S2C2T2 Fl. 541 7 novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. (grifamos) É importante destacar que o Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 601.314/SP, submetido à sistemática da repercussão geral prevista no art. 543B do CPC/73, afirmou que o artigo 6º da Lei Complementar nº 105/00 não ofende o princípio da irretroatividade. A mencionada decisão recebeu a seguinte ementa: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO AO SIGILO BANCÁRIO. DEVER DE PAGAR IMPOSTOS. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO DA RECEITA FEDERAL ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. ART. 6º DA LEI COMPLEMENTAR 105/01. MECANISMOS FISCALIZATÓRIOS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS RELATIVOS A TRIBUTOS DISTINTOS DA CPMF. PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE DA NORMA TRIBUTÁRIA. LEI 10.174/01. 1. O litígio constitucional posto se traduz em um confronto entre o direito ao sigilo bancário e o dever de pagar tributos, ambos referidos a um mesmo cidadão e de caráter constituinte no que se refere à comunidade política, à luz da finalidade precípua da tributação de realizar a igualdade em seu duplo compromisso, a autonomia individual e o autogoverno coletivo. 2. Do ponto de vista da autonomia individual, o sigilo bancário é uma das expressões do direito de personalidade que se traduz em ter suas atividades e informações bancárias livres de ingerências ou ofensas, qualificadas como arbitrárias ou ilegais, de quem quer que seja, inclusive do Estado ou da própria instituição financeira. 3. Entendese que a igualdade é satisfeita no plano do autogoverno coletivo por meio do pagamento de tributos, na medida da capacidade contributiva do contribuinte, por sua vez vinculado a um Estado soberano comprometido com a satisfação das necessidades coletivas de seu Povo. 4. Verificase que o Poder Legislativo não desbordou dos parâmetros constitucionais, ao exercer sua relativa liberdade de conformação da ordem jurídica, na medida em que estabeleceu requisitos objetivos para a requisição de informação pela Administração Tributária às instituições financeiras, assim como manteve o sigilo dos dados a respeito das transações financeiras do contribuinte, observandose um translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. 5. A alteração na ordem jurídica promovida pela Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, uma vez que aquela se encerra na atribuição de competência administrativa à Secretaria da Receita Federal, o que evidencia o caráter instrumental da norma em questão. Fl. 552DF CARF MF 8 Aplicase, portanto, o artigo 144, §1º, do Código Tributário Nacional. 6. Fixação de tese em relação ao item “a” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”. 7. Fixação de tese em relação ao item “b” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”. 8. Recurso extraordinário a que se nega provimento. (grifos no original) Da mesma forma, a jurisprudência do CARF é pacífica quanto a possibilidade do uso das informações da CPMF de forma retroativa, como se verifica pela Súmula 35 abaixo transcrita: Súmula CARF nº 35 (VINCULANTE): O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente Por fim, conforme bem observou a DRJ: Não assiste razão ao interessado neste tópico, pois não se verifica nos autos qualquer elemento que demonstre a utilização pela fiscalização de informações obtidas em decorrência da CPMF. Como mencionado na peça de impugnação, já no Termo de Início de Fiscalização e Intimação n° 722/05, contido nas fls. 22 e 23, a fiscalização solicitou, entre outras coisas, a entrega de extratos de contas correntes e de investimento mantidas pelo interessado em instituições financeiras no Brasil e no exterior, referentes aos anoscalendário 2001 e 2002. O atendimento à solicitação fiscal ocorreu de forma espontânea, como se vê pelas respostas e os documentos entregues pelo contribuinte, contidos nos autos. Por sua vez, a fiscalização procedeu dentro de suas atribuições, intimando o interessado a apresentar a documentação necessária para a verificação de suas atividades de interesse tributário, o que inclui a análise de extratos bancários. (grifos no original) Em face do exposto, rejeito a preliminar suscitada. 1.2) INEXISTÊNCIA DE FUNDAMENTO FÁTICO PARA ANÁLISE DOS EXTRATOS BANCÁRIOS. VIOLAÇÃO DA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001 Fl. 553DF CARF MF Processo nº 11516.002678/200637 Acórdão n.º 2202003.733 S2C2T2 Fl. 542 9 Alega o Recorrente que, mesmo que reconhecida a possibilidade da Receita Federal, sem autorização do poder judiciário examinar os extratos bancários do contribuinte, ela estaria limitada ao atendimento dos requisitos previstos no artigo 3º da Lei Complementar nº 105/01, que assim dispõe: "Art. 3o Os exames referidos no caput do artigo anterior somente serão considerados indispensáveis nas sequintes hipóteses: 1 subavaliação de valores de operação, inclusive de comércio . exterior, de aquisição ou alienação de bens ou direitos, tendo por base os correspondentes valores de mercado; II obtenção de empréstimos de pessoas jurídicas não financeiras ou de pessoas físicas, quando o sujeito passivo deixar de comprovar o efetivo recebimento dos recursos; III prática de qualquer operação com pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada em país enquadrado nas condições estabelecidas no art. 24 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996; IV omissão de rendimentos ou ganhos líquidos, decorrentes de aplicações financeiras de renda fixa ou variável; V realização de gastos ou investimentos em valor superior à renda disponível; VI remessa, a qualquer título, para o exterior, por intermédio de conta de não residente, de valores incompatíveis com as disponibilidades declaradas; VII previstas no art. 33 da Lei no 9.430, de 1996; VIII pessoa jurídica enquadrada, no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), nas seguintes situações cadastrais: a) cancelada; b) inapta, nos casos previstos no art. 81 da Lei no 9.430,1996; IX pessoa física sem inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou com inscrição cancelada; X negativa, pelo titular de direito da conta, da titularidade de fato ou da responsabilidade pela movimentação financeira; XI presença de indício de que o titular de direito é interposta pessoa do titular de fato. § 10 Não se aplica o disposto nos incisos 1 a VI, quando as diferenças apuradas não excedam a dez por cento dos valores de mercado ou declarados, conforme o caso. § 20 Considerase indício de interposição de pessoa, para os fins do inciso XI deste artigo, quando: Fl. 554DF CARF MF 10 1 as informações disponíveis, relativas ao sujeito passivo, indicarem movimentação financeira superior a dez vezes a renda disponível declarada ou, na ausência de Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda, o montante anual da movimentação for superior ao estabelecido no inciso II do § 3o do art. 42 da Lei no9.430, de 1996; II a ficha cadastral do sujeito passivo, na instituição financeira, ou equiparada, contenha: a) informações falsas quanto a endereço, rendimentos ou patrimônio; ou b) rendimento inferior a dez por cento do montante anual da movimentação." De acordo com o Recorrente, a fiscalização não demonstrou que a situação do contribuinte se enquadre em qualquer dos dispositivos legais acima mencionados. Em face dessa situação as provas obtidas seriam ilícitas. Conforme bem apontado na decisão recorrida, os argumentos e a legislação mencionada pelo interessado estão relacionados a situação diversa da verificada nos presentes autos. Isso porque, a fiscalização recebeu diretamente do interessado os extratos bancários, enquanto a argumentação desenvolvida na impugnação menciona legislação dirigida a hipóteses do fornecimento de informações por instituições financeiras à Administração Tributária. Com efeito, o art. 6° da Lei Complementar n° 105/2001 e do caput dos arts. 1º. 2º e 3º do Decreto n° 3.724/2001, deixam fora de dúvida que as limitações neles previstas referemse ao acesso e uso de informações de terceiros, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e entidades a elas equiparadas: Decreto n'3.724, de 10 de janeiro de 2001 Art. 1º Este Decreto dispõe, nos termos do art. 6ó da Lei Complementar n° 105. de 10 de janeiro de 2001, sobre requisição, acesso e uso, pela Secretaria da Receita Federal e seus agentes, de informações referentes a operações e serviços das instituições financeiras e das entidades a elas equiparadas, em conformidade com o art. 1 °, §§ 1' e 2° da mencionada Lei, bem assim estabelece procedimentos para preservar o sigilo das informações obtidas. Art. 2º A Secretaria da Receita Federal, por intermédio de servidor ocupante do cargo de Auditor.;Fiscal da Receita Federal, somente poderá examinar informações relativas a terceiros. constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis. As regras instituídas pelo diploma legal acima mencionado visa evitar ou restringir os casos em que sejam analisadas operações bancárias pela Administração Tributária sem o conhecimento dos correntistas. Para tanto, a instituição financeira somente poderá fornecer tais informações diante do cumprimento de determinadas formalidades, dentre a quais Fl. 555DF CARF MF Processo nº 11516.002678/200637 Acórdão n.º 2202003.733 S2C2T2 Fl. 543 11 a existência de procedimento de fiscalização em curso e a solicitação por meio da Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF). Todavia, no caso dos autos, os extratos bancários foram fornecidos pelo próprio contribuinte (titular da conta bancária) e, sendo assim, não está sujeito a esses procedimentos. 1.3) DECADÊNCIA DO LANÇAMENTO APURADOS NOS MESES DE JANEIRO A AGOSTO DE 2001; De acordo com o Recorrente, o imposto de renda pessoa física é tributo sujeito ao lançamento por homologação previsto no art. 150. do CTN. Assim, no caso específico da omissão de receitas, apuradas com fundamento no artigo 42, combinado com o disposto no art. 150. §4º do CTN, a contagem inicial do prazo decadencial de cinco anos para o lançamento do crédito deverá ser contado a partir do mês que se considerar recebidos os rendimentos omitidos. Incorretas as alegações do Recorrente quanto à decadência doa valores relativos ao anocalendário de 2001. É entendimento pacificado no âmbito do CARF (Súmula CARF nº 38) que "O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário" . Sendo assim, não há que se falar em decadência dos lançamentos relativos ao anocalendário de 2001. Alega ainda o recorrente que, em relação aos rendimentos tidos como omitidos e recebidos de pessoa física, portanto, sujeitos ao recolhimento mensal via carnê leão, buscase a aplicação do mesmo raciocínio utilizado pela DRJ para afastamento o afastamento da multa isolada: o reconhecimento da ocorrência do fato gerador mensal. É importante esclarecer que a tributação do IRPF só se torna definitiva com o ajuste anual, na forma dos arts. 2°, 10 e 11 da Lei n° 8.134/1990, corroborada por Leis posteriores. Nos casos de lançamento por homologação, em que ocorre a antecipação do pagamento do imposto, devese aplicar o Recurso Especial nº 973.733/SC c/c art. 543C do CPC c/c § 2º do art. 62 do RICARF (Portaria MF nº 343/2009), contando o dies a quo a partir da data do fato gerador, conforme prevê § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN), devendo o termo inicial da decadência somente ocorrer no último dia daquele anocalendário, quando se aperfeiçoa o fato gerador. 1.4) DO IMPOSSIBILIDADE DE EXIGÊNCIA DE MULTA ISOLADA CUMULADA COM MULTA DE OFÍCIO. Antes de mais nada, é importante ressaltar que o presente lançamento ocorreu no ano de 2006.Sendo assim, a multa isolada a nele prevista foi aplicada antes da entrada em vigor da Lei nº 11.488/07. Pois bem. Quanto a questão da multa isolada, aplicada no percentual de 50%, calculada com base no art. 44, §1º, alínea "a", da Lei nº 9.430/96. Insurgese o contribuinte pela impossibilidade de concomitância com a multa de ofício, aplicada com base no art. 44, § 1º, inciso I, da Lei nº 9.430/96, nos percentuais de 75% e 150%. Fl. 556DF CARF MF 12 Em concomitância, a seguinte multa isolada aplicada foi igualmente aplicada sobre a mesma base de cálculo. Acrescento que esta matéria encontrase inclusive com jurisprudência neste sentido da 2a. Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme ementa de acórdão abaixo: IRPF. MULTAS ISOLADA E DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. MESMA BASE DE CÁLCULO. INAPLICABILIDADE. Improcedente a exigência de multa isolada com base na falta de recolhimento do Imposto Sobre a Renda de Pessoa Física IRPF devido a título de carnêleão, quando cumulada com a multa de ofício decorrente da apuração de omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas, uma vez possuírem bases de cálculo idênticas. (Câmara Superior de Recursos Fiscais, Segunda Turma, Acórdão n° 920200.883, sessão de 11/05/2010). Ainda mais recentemente, a 2a. Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais se manifestou no mesmo sentido: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2001 MULTA ISOLADA E DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. BASE DE CÁLCULO IDÊNTICA. Em se tratando de lançamento de oficio, somente deve ser aplicada a multa de oficio vinculada ao imposto devido, descabendo o lançamento cumulativo da multa isolada pela falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão, pois as bases de cálculo das penalidades são as mesmas. Recurso especial negado. (Câmara Superior de Recursos Fiscais, Segunda Turma, Acórdão 9202003.552, sessão de 28/01/2015) Deste modo, entendo por cancelar a multa isolada por aplicação concomitante com multa de oficio. 2) MÉRITO 2.1) DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. De acordo com o Recorrente a decisão da DRJ merece ser reformulada, em relação aos depósitos cuja origem restou comprovada, quais sejam: A) DEPÓSITOS DECORRENTES DA DISTRIBUIÇÃO DOS LUCROS RECEBIDOS DA EMPRESA HAMMER HEAD LTDA. De acordo com a Recorrente, conforme extrato obtido junto à instituição financeira responsável (doc 06 da complementação à Impugnação), apresentado nesses autos, e ainda cópia do Livro Razão da empresa Hammer Head (doc 3 da complementação à impugnação) da qual é sócio, vêse que os depósitos decorrem da distribuição de lucros. Fl. 557DF CARF MF Processo nº 11516.002678/200637 Acórdão n.º 2202003.733 S2C2T2 Fl. 544 13 De acordo com os novos documentos juntados pelo contribuinte e aceitos pela instância julgadora de origem é possível verificar pela comparação entre o comprovante de depósito da conta do contribuinte (fls. 462) com o extrato bancário da empresa a origem/saída, coincidentes em datas e valores dos depósitos bancários de R$97.000,00 e R$ 9.250,00 em 19/06/2001. Ressaltese, ainda, que a referida informação consta da Ficha 42A da DIPJ da empresa (fls. 460). Em relação à doação relativa aos R$ 200.000,00, proveniente do pai do contribuinte, alega o Recorrente que tais valores constam da declaração simplificada do ano base de 2002 e que o próprio Termo de Verificação Fiscal (fls. 293) afirma, textualmente, que "em sua declaração de Ajuste Anual referente ao ano de 2002, apesar de ter incluído 200.000,00 como doação, não apresentou qualquer documento que comprovasse a sua efetividade". Alega ainda o Recorrente que a Instrução Normativa nº 290, de 30/01/2003, que dispõe sobre a Declaração de Ajuste do anocalendário de 2002, não possui qualquer hipótese de obrigatoriedade de entrega no modelo completo, desde que o contribuinte aceitasse o desconto simplificado e não tivesse necessidade de imposto pago no exterior ou resultado negativo de atividade rural. Sendo assim, entende aplicável a norma do art. 924 do RIR/99 que atribui a autoridade administrativa o dever comprovar os valores escriturados. Nesse ponto, entendo incorretas as alegações do Recorrente. Isso porque, como já dito, a tributação com base nos depósitos bancários de origem não comprovada é norma específica, por meio da qual, é feita a inversão do ônus da prova. Sendo assim, caberia ao contribuinte a comprovação da sua efetividade. Nesse sentido, mencionese a decisão proferida pela 2ª Turma Especial da 2ª Seção no Acórdão nº 2802002.556: IRPF. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS. DECLARAÇÃO DE TERCEIROS. DOAÇÃO. Para elidir a presunção de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada, a demonstração da origem dos depósitos deve ser feita documentalmente e de forma inequívoca, correlacionando, de forma individualizada, as apontadas origens a cada um dos depósitos. A declaração de terceiros, desacompanhada de outros elementos de prova, não tem força probante em relação à alegação de doação recebida de exnamorada, ainda que esta tenha falecido. A falta de documentação hábil e idônea, a cargo do recorrente, implica considerar não comprovada a origem dos recursos. Em face do exposto, considero comprovado o valor de R$ 97.000,00 em 19/06/2001 e R$ 9.250,00 em 22/06/2001 realizados a título de distribuição de lucros pela empresa HammerHead Sports Ltda. B) DAS FORMAS DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM PARA FINS DO ART. 42 DA LEI Nº 9.430/96. b.1) Da comprovação da origem da movimentação através dos rendimentos constantes da DIRPF. Fl. 558DF CARF MF 14 Alega a Recorrente que a norma prevista no artigo 849 do RIR/99 não estabelece a presunção de que a comprovação deve ser coincidente em "datas e valores". O mencionado dispositivo exige apenas a comprovação da origem mediante documentação hábil e idônea. Assim, a imposição do fiscal sem levar em conta os demais rendimentos tributados na DIRPF, bem como os demais itens do auto de infração, extrapolaria os limites legais. Assim, virtude da ausência de previsão legal quanto à coincidência de datas e valores para comprovação da origem dos depósitos, bem como, por não haver prova nos autos do consumo da totalidade dos rendimentos tributados, este devem ser considerados como origem das movimentações. Incorreta a alegação do Recorrente. Isso porque o § 3° do art. 42 da Lei nº 9.430/1996, transcrito abaixo, que estabelece ser individual a análise dos depósitos bancários. Conforme esclarece a decisão recorrida: Citado dispositivo liquida a possibilidade de considerar o montante de rendimentos informados da Declaração de Ajuste Anual ou o saldo de meses ou anos anteriores (questão também levantada na impugnação) para justificar depósitos bancários indiscriminadamente. O comando contido no dispositivo citado tornase viável apenas mediante o confronto dos extratos bancários com documentos hábeis e idôneos, coincidentes em data e valor, pois cada depósito foi visto pelo legislador como uma operação em separado. b.2) Da não tributação das movimentações inferiores a R$ 12 mil cuja soma total não ultrapasse R$ 80 mil no anocalendário de 2001 art. 849, §2º, inciso II do RIR/99 Alega a Recorrente que o trabalho fiscal desobedeceu a norma constante do §2º do artigo 849 do RIR/99, pois da listagem final elaborada pelos AFRFs responsáveis (fls. 291) devem ser excluídos os depósitos existentes na conta do BCN de R$ 97.000,00 e R$ 13.250,00 (fl. 100) ocorridos nos dias 19/06/2001, uma vez que são individualmente maiores do que R$ 12.000,00. Além disso, o primeiro depósito teve sua origem comprovada como decorrente de distribuição de lucros da empresa Hammer Head: Com efeito, ao verificar os valores tidos como depósitos de origem não comprovada listados às fls. 296 (numeração do eprocesso) constatase que a soma dos depósitos de valor inferior à R$ 12.000,00 não ultrapassa o montante de R$ 80.000,00 Fl. 559DF CARF MF Processo nº 11516.002678/200637 Acórdão n.º 2202003.733 S2C2T2 Fl. 545 15 Com efeito, a soma desses valores totalizam o montante de R$ 78.889,48, do qual deve ser deduzido R$ 9.250,00 (já reconhecido acima como dedução), o que resulta em 69.639,48 a ser excluído da base de cálculo. De acordo com a Súmula CARF nº 61: "os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no anocalendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física." Fl. 560DF CARF MF 16 Em face do exposto, tais valores devem ser excluídos da base de cálculo do lançamento. b.3) Do aproveitamento dos rendimentos tidos como omitidos em virtude da movimentação bancária como origem das movimentações dos meses seguintes. Conforme se constata do auto de infração, a autoridade lançadora considerou como rendimento a soma da movimentação bancária cuja origem não teria sido comprovada pelo Contribuinte. Todavia alega o Recorrente que, o valor tributado em um mês deve justificar a movimentação do mês seguinte e assim sucessivamente, sempre com vistas à inexistência de previsão legal no sentido de coincidência em datas e valores dos depósitos tidos como omitidos. Incorreta, nesse ponto, a alegação do Recorrente, uma vez que nos termos da Súmula CARF nº 30 "na tributação da omissão de rendimentos ou receitas caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, os depósitos de um mês não servem para comprovar a origem de depósitos havidos em meses subsequentes" C) DO ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO NO ANOCALENDÁRIO DE 2002.. c.1 ) Dos recurso em moeda corrente Conforme constante na DIRPF do anocalendário de 2002, fl. 15, item 10, o contribuinte possuía o montante de R$ 350 mil em moeda corrente que foi consumido naquele ano. Esta parcela não foi considerada na apuração do acréscimo patrimonial a descoberto sob a justificativa da ausência de provas de sua existência. Alega o Recorrente que foram analisados os anoscalendário de 2001 e 2002. e constou na Declaração de 2002 o valor de R$ 200 mil a título de moeda corrente (fl. 09 — item 08 — coluna "ano de 2000"). Tratamse de valores incontroversos, especialmente pelo decurso do prazo decadencial nos termos do art. 150, §40 do CTN.. Não merecem prosperar, nesse ponto, as alegações do Recorrente. Isso porque, conforme esclarece a DRJ: O caso dos autos segue em sentido contrário, o interessado não comprovou a posse do saldo em moeda corrente, que teria ao final do anocalendário 2001, bem como dos valores que diz ter recebido a título de doação de seu pai. Pretende que o valor de R$350.000,00 que declarou possuir em 31/12/2001 (fl.9) estaria comprovado pelo fato de haver declarado saldo de R$200.000,00 em 31/12/2000, que não teria sido questionado pela fiscalização e que já estaria homologado tacitamente pela transcurso do prazo decadencial. Restariam, então, R$150.000,00 acrescidos no anocalendário 2001, para os quais as provas seriam saques feitos em caderneta de poupança de titularidade do interessado, ao longo do ano. Pretende, ainda, estabelecer um vínculo lógico, de que os empréstimos concedidos a Davi Ferreira de Lima no ano calendário 2002 teriam sido efetuados em moeda corrente, com os recursos declarados em 31/12/2001. Fl. 561DF CARF MF Processo nº 11516.002678/200637 Acórdão n.º 2202003.733 S2C2T2 Fl. 546 17 Mais uma vez o interessado deixa de apresentar provas que dêem suporte às informações contidas em sua Declaração de Ajuste Anual. Notese que, ainda que fosse procedente a argumentação relativa ao valor de R$200.000,00 que o interessado declarou possuir em espécie em 31/12/2000, nenhum beneficio traria no caso em análise, pois a questão está em comprovar a posse dos R$350.000,00 em moeda em 31/12/2001, o que o interessado não fez. (...) Da mesma forma, o fato de o interessado ter concedido empréstimos no anocalendário 2002 sem a demonstração de vínculo com sua movimentação bancária não permite concluir que tenham sido suportados com os recursos que declarou possuir em espécie em 31/12/2001. Nas declarações prestadas por David Ferreira de Lima à fiscalização, contidas nas fls. 222 a 234, não há qualquer menção à forma de entrega dos recursos ou outro elemento que permita concluir da maneira pretendida na impugnação. Aliás, nem mesmo nesta (fl. 339) consta afirmação de que os empréstimos foram feitos por meio de dinheiro em espécie, pretensamente possuído ao final de 2001, havendo apenas uma ilação, o que demonstra a insegurança do próprio interessado sobre a procedência da sua pretensão Nessas condições, uma vez que o interessado não comprova a posse em espécie do montante de R$350.000,00 em 31/12/2001, informado em sua Declaração de Ajuste Anual, não há como considerar esse valor como Recurso/Origem para efeito de apuração do Acréscimo Patrimonial a Descoberto. c.2) Da doação recebida do Sr. Antônio Scherer Na DIRPF foi informado o recebimento de rendimentos isentos e não tributados no valor de R$ 230.278,00 (fl. 14), sendo parte deste valor referente ao recebimento de uma doação do Sr. Antônio Carlos Scherer, conforme exposto à fiscalização (fl. 252). Alega o Recorrente que o ônus da prova de que tais valores não eram doação era do fisco. Incorreta a alegação do Recorrente. Isso porque, como bem observou a DRJ: Não procede a argumentação apresentada na impugnação. Basta uma rápida olhada nos extratos bancários de fls. 78 a 89 para se constatar o absurdo de alegar terem sido sacados R$200.000,00 da referida conta bancária, pois somandose todos os créditos ali verificados ao longo do anocalendário 2002 com o saldo trazido do ano anterior, constatase que o total de recursos que ali transitaram somou apenas R$5.820,12, restando saldo positivo em R$27,94 ao final do período. Vale lembrar que o interessado não registrou em sua Declaração de Ajuste Anual, na Declaração de Bens e Direitos, o recebimento de doação no anocalendário 2002,como se vê nas fls.12 (Declaração Original) e na fl. 15 (Declaração Fl. 562DF CARF MF 18 Retificadora entregue em 22/02/2006), local onde deveria ter informado o nome e o CPF do doador, além do valor recebido. C.4) DA ILEGALIDADE DA UTILIZAÇÃO DA TAXA SELIC Como pedido alternativo sucessivo, caso mantidos os valores discutidos integral ou parcialmente, impõese a verificação dos meios utilizados pela Fazenda a fim de atualizar o suposto débito aqui debatido, mais precisamente os juros SELIC Sistema Especial de Liquidação e Custódia, instituída pelo artigo 13, da Lei no 9.065, de 20 de junho de 1995, que a partir de abril de 1995, alterou o artigo 84 da Lei no 8.981/95, e passou a incidir sobre os débitos de natureza tributária, na forma de juros remuneratórios, disfarçados e contrários a determinação legal (art. 161, §, 1º do CTN) que apenas determina a exclusão dos juros moratórios. A aplicação da taxa SELIC é matéria pacificada no âmbito desse Conselho conforme se verifica pela Súmula CARF nº 4 abaixo transcrita: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. 3) CONCLUSÃO Em face do exposto, rejeito as preliminares e, no mérito, dou parcial provimento ao recurso para excluir da base de cálculo: a) a distribuição de lucros nos montantes de R$ 97.000,00 e R$ 9.250,00 efetuada pela empresa Hammer Head cuja origem restou comprovada; b) os depósitos inferiores à 12.000,00 cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00, no montante de R$ 69.639,48. d) a multa isolada do carnêleão, aplicada concomitantemente com a multa de ofício (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio . . Fl. 563DF CARF MF Processo nº 11516.002678/200637 Acórdão n.º 2202003.733 S2C2T2 Fl. 547 19 Fl. 564DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10850.002732/2010-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. CONDIÇÕES. LEI Nº 7.713/1988. PROVA DOCUMENTAL. SÚMULA CARF Nº 63.
Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios (Súmula CARF nº 63).
A isenção passa a ser reconhecida a partir da presença cumulativa desses dois requisitos.
Numero da decisão: 2202-003.784
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cecília Dutra Pillar, Márcio Henrique Sales Parada, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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ISENÇÃO. CONDIÇÕES. LEI Nº 7.713/1988. PROVA DOCUMENTAL. SÚMULA CARF Nº 63. Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios (Súmula CARF nº 63). A isenção passa a ser reconhecida a partir da presença cumulativa desses dois requisitos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cecília Dutra Pillar, Márcio Henrique Sales Parada, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 00 27 32 /2 01 0- 67 Fl. 54DF CARF MF 2 Trata o presente processo de Notificação de Lançamento em face do Contribuinte acima identificado, relativa ao anocalendário 2008, tendo sido exigido crédito tributário no valor de R$ 9.913,47, incluídos multa de ofício de 75% e juros de mora calculados até 31/08/2010, decorrente de Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica da fonte pagadora Instituto Nacional do Seguro Social INSS, no valor de R$ 28.510,25, com imposto de renda retido na fonte no valor de R$ 3.068,22. O Contribuinte apresentou Impugnação alegando que desde 30/03/2007 é portador de Carcinoma Papilifero Tireóide, CID C 73, moléstia referida no art 6.°, inciso XIV, da Lei n° 7.713/88, com nova redação dada pelo art 47 da Lei 8.541/92, sob a rubrica de neoplasia maligna. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP) julgou improcedente a impugnação, cuja decisão foi assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. Os rendimentos recebidos por portadora de moléstia grave definida em Lei e atestada por laudo médico oficial são isentos desde que correspondam a proventos de aposentadoria, reforma ou pensão. Sem a comprovação documental da natureza dos rendimentos auferidos no exercício, mantémse a infração de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica na forma como proposta. A DRJ entendeu que, embora tenha ficado comprovado que o contribuinte é portador de moléstia grave classificada como CID C73 (neoplasia maligna da glândula tireóide), conforme Laudo Médico Pericial emitido pela Prefeitura Municipal de São José do Rio Preto, fls. 04/05, onde consta como data de diagnóstico 30/03/2007 (início), não restou comprovado que os rendimentos recebidos são oriundos de aposentadoria, reforma ou pensão. Cientificado da decisão em 06/02/2015 (fl. 35), o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 05/03/2015 (fl. 37), apresentando em anexo o Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte (fls. 46/47). É o relatório. Voto Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10850.002732/201067 Acórdão n.º 2202003.784 S2C2T2 Fl. 55 3 São necessárias duas condições para que os rendimentos recebidos por portadores de moléstias graves definidas em lei sejam isentos do imposto sobre a renda: (i) ser a moléstia atestada em laudo emitido por serviço médico oficial da União, Estados, DF ou Municípios; (ii) os rendimentos serem provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão. Lei nº 7.713/1988 Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: [...] XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (destaquei) A Súmula CARF Nº 63 assim dispõe sobre as condições para gozo da isenção do imposto de renda: Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão, e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. O Contribuinte apresentou, em sede de impugnação, o laudo oficial de fls. 4/5, emitido pela Prefeitura Municipal de São José do Rio Preto, onde consta que ele é portador de moléstia grave classificada como CID C73 (neoplasia maligna da glândula tireóide), tendo como data de diagnóstico o dia 30/03/2007 (início), estando a moléstia enquadrada no art. 6º, XIV, da Lei nº 7.713/88. A própria decisão recorrida reconheceu o atendimento a esse requisito. Quanto ao outro requisito da isenção, entendo que a decisão da DRJ merece reparo, pois se observa pelo documento de fls. 46/47, acostado aos autos por ocasião do Recurso Voluntário, que os rendimentos do Contribuinte recebidos da fonte pagadora Instituto Nacional do Seguro Social INSS, no valor de R$ 28.510,25, são provenientes de aposentadoria. Cabe destacar que o Contribuinte apenas declarou como isentos tais rendimentos, conforme se verifica pela Declaração de Ajuste Anual de fls. 6/7. Não se desconhece que o Decreto 70.235/72, que regulamenta o processo administrativo fiscal, limita a apresentação posterior de provas, restringindoa aos casos previstos no § 4º do seu art. 16, porém a jurisprudência deste Conselho vem se consolidando no sentido de que essa regra geral não impede que o julgador conheça e analise novos documentos ofertados após a defesa inaugural, em observância aos princípios da verdade material e da instrumentalidade dos atos administrativos, sobretudo quando são capazes de rechaçar em parte Fl. 56DF CARF MF 4 ou integralmente a pretensão fiscal, bem como se prestam a corroborar alegações suscitadas desde o início do processo. Nesse sentido os seguintes acórdãos da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais: 9202002.587, 920201.633, 920202.162 e 920201.914. Dessa forma, entendo que restam atendidas as condições para a isenção do imposto de renda pelo Contribuinte em relação aos rendimentos recebidos a título de aposentadoria. Diante do exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso voluntário. (Assinatura digital) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Relator Fl. 57DF CARF MF
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Numero do processo: 13962.000470/2009-93
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2008
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-004.939
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 96 2. 00 04 70 /2 00 9- 93 Fl. 364DF CARF MF Processo nº 13962.000470/200993 Acórdão n.º 9202004.939 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10380.005876/200753. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.792, de 12/12/2016, proferido no julgamento do processo 10380.005876/200753, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.792): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 365DF CARF MF Processo nº 13962.000470/200993 Acórdão n.º 9202004.939 CSRFT2 Fl. 0 3 Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 366DF CARF MF Processo nº 13962.000470/200993 Acórdão n.º 9202004.939 CSRFT2 Fl. 0 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Fl. 367DF CARF MF Processo nº 13962.000470/200993 Acórdão n.º 9202004.939 CSRFT2 Fl. 0 5 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 368DF CARF MF Processo nº 13962.000470/200993 Acórdão n.º 9202004.939 CSRFT2 Fl. 0 6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há Fl. 369DF CARF MF Processo nº 13962.000470/200993 Acórdão n.º 9202004.939 CSRFT2 Fl. 0 7 que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 370DF CARF MF Processo nº 13962.000470/200993 Acórdão n.º 9202004.939 CSRFT2 Fl. 0 8 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 371DF CARF MF Processo nº 13962.000470/200993 Acórdão n.º 9202004.939 CSRFT2 Fl. 0 9 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 372DF CARF MF Processo nº 13962.000470/200993 Acórdão n.º 9202004.939 CSRFT2 Fl. 0 10 Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Em face do acima exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 373DF CARF MF
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Numero do processo: 35279.000499/2007-54
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2006 a 31/08/2006
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14, DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-004.763
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14, DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 27 9. 00 04 99 /2 00 7- 54 Fl. 356DF CARF MF Processo nº 35279.000499/200754 Acórdão n.º 9202004.763 CSRFT2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10660.722287/201173. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14, de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo ofereceu contrarrazões, pugnando pela negativa de provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.650, de 12/12/2016, proferido no julgamento do processo 10660.722287/201173, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.650): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 357DF CARF MF Processo nº 35279.000499/200754 Acórdão n.º 9202004.763 CSRFT2 Fl. 4 3 Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De início, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime, pacificou o entendimento de que, na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61, da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdãonº9202004.262, de 23/06/2016, cuja ementa a seguir se transcreve: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 358DF CARF MF Processo nº 35279.000499/200754 Acórdão n.º 9202004.763 CSRFT2 Fl. 5 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, é necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o parágrafo anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106, do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA, somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP, não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que, na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991, correspondente aos 75% previstos no art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º doart. 32, da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pelaMP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas noart. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingido pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime, proferido no Acórdãonº9202004.499, de 29/09/2016: Fl. 359DF CARF MF Processo nº 35279.000499/200754 Acórdão n.º 9202004.763 CSRFT2 Fl. 6 5 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 360DF CARF MF Processo nº 35279.000499/200754 Acórdão n.º 9202004.763 CSRFT2 Fl. 7 6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há Fl. 361DF CARF MF Processo nº 35279.000499/200754 Acórdão n.º 9202004.763 CSRFT2 Fl. 8 7 que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 362DF CARF MF Processo nº 35279.000499/200754 Acórdão n.º 9202004.763 CSRFT2 Fl. 9 8 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Nesse passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 363DF CARF MF Processo nº 35279.000499/200754 Acórdão n.º 9202004.763 CSRFT2 Fl. 10 9 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 364DF CARF MF Processo nº 35279.000499/200754 Acórdão n.º 9202004.763 CSRFT2 Fl. 11 10 Em face ao exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. Em face do acima exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 365DF CARF MF
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