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Numero do processo: 11080.007580/2009-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2006, 2007, 2008
BOLSAS DE EXTENSÃO. ISENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA.
AUSÊNCIA DE VANTAGEM PARA O DOADOR E NÃO CONTRAPRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. REQUISITOS NÃO ATENDIDOS.
Somente ficam isentas do imposto de renda as bolsas de estudo, pesquisa e extensão caracterizadas como doação, quando recebidas exclusivamente para proceder a seus fins e desde que os resultados dessas atividades não representem vantagem para o doador, nem importem contraprestação de serviços, na forma do art. 26 da Lei nº 9.250, de 1996.
Hipótese em que as bolsas de extensão pagas correspondiam à
contraprestação dos serviços de ensino, coordenação e consultoria prestados em favor da Fundação Médica do Rio Grande do Sul e do Hospital de Clínicas de Porto Alegre.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2101-001.950
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: José Evande Carvalho Araujo
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ISENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. AUSÊNCIA DE VANTAGEM PARA O DOADOR E NÃO CONTRAPRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. REQUISITOS NÃO ATENDIDOS. Somente ficam isentas do imposto de renda as bolsas de estudo, pesquisa e extensão caracterizadas como doação, quando recebidas exclusivamente para proceder a seus fins e desde que os resultados dessas atividades não representem vantagem para o doador, nem importem contraprestação de serviços, na forma do art. 26 da Lei nº 9.250, de 1996. Hipótese em que as bolsas de extensão pagas correspondiam à contraprestação dos serviços de ensino, coordenação e consultoria prestados em favor da Fundação Médica do Rio Grande do Sul e do Hospital de Clínicas de Porto Alegre. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) _____________________________________________ José Raimundo Tosta Santos – Presidente Substituto (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 75 80 /2 00 9- 86 Fl. 465DF CARF MF Impresso em 22/11/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 10/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/11/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11080.007580/200986 Acórdão n.º 2101001.950 S2C1T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Raimundo Tosta Santos (Presidente Substituto), Gilvanci Antônio De Oliveira Sousa, Celia Maria de Souza Murphy, Alexandre Naoki Nishioka , José Evande Carvalho Araujo e Gonçalo Bonet Allage. Relatório AUTUAÇÃO Contra a contribuinte acima identificada, foi lavrado o Auto de Infração de fls. 1 a 22, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2006, 2007 e 2008, para classificar como tributáveis rendimentos originalmente declarados como isentos, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$48.690,06, acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora. IMPUGNAÇÃO Cientificada do lançamento, a contribuinte apresentou impugnação (fls. 69 a 95), acatada como tempestiva. O relatório do acórdão de primeira instância resumiu os argumentos do recurso da seguinte maneira (fls. 415 a 418): As considerações que embasam o lançamento, na análise feita pela AFRF autuante, desconsidera, total e definitivamente, as razões que conduzem ao entendimento da fonte geradora – Fundação Médica do Rio Grande do Sul – que tais rendimentos são, realmente, BOLSAS DE EXTENSÃO ou PESQUISA, conclusão que deflui, inarredavelmente, do que estabelecem os artigos 1°, combinado com o parágrafo 1° do artigo 4°, da Lei 8.958. de 20/12/1994, assim como o artigo 1°, c/c o art. 5°, par. 2°, do Decreto n°5.205, de 14/09/2004, que regulamenta a lei antes referida. Neste contexto, ademais, podese concluir, que a conclusão do fisco federal destoa, frontalmente, do objetivo precípuo e fundamental dessas normas legais, as quais surgiram no mundo jurídico brasileiro exatamente para propiciar um ambiente adequado ao exercício, por funcionários públicos, como os professores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, no desenvolvimento das atividades de uma Fundação de Apoio, umbilicalmente ligada a um HOSPITAL ESCOLA (HCPA), e que exerce o grande papel de impulsionador da pesquisa científica, na área médico assistencial, desse modo propiciando aos profissionais das áreas da saúde o aperfeiçoamento e continuidade de sua formação, com Bolsas de Extensão, mormente na coordenação de ações de formação profissional dos Médicos Residentes. A UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL (UFRGS), prevê, conforme seu Estatuto (Anexo 03), conforme seu artigo 3°, inc. VII: indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão, o que é confirmado, como finalidade precípua, no seu artigo quinto. E, conforme estabelece seu artigo 7°, inc. II, faz parte de sua estrutura o HOSPITAL UNIVERSITÁRIO. Neste aspecto, convém ressaltar que o dito “hospital universitário” se consubstancia no HOSPITAL DE CLÍNICAS DE PORTO ALEGRE (HCPA), o qual, diversamente da totalidade ou maioria dos casos constatados pelo Brasil afora, não é uma entidade componente da própria universidade, mas uma EMPRESA PÚBLICA de direito privado, criada Fl. 466DF CARF MF Impresso em 22/11/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 10/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/11/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11080.007580/200986 Acórdão n.º 2101001.950 S2C1T1 Fl. 4 3 pela Lei n°. 5.604, de 02/09/1970, com patrimônio próprio e autonomia administrativa, vinculada à supervisão do Ministerio da Educação. (Grifos do original). Com a realização das metas dos programas de extensão universitária, voltados, precipuamente, para a preceptoria dos médicos residentes com as Bolsas de Extensão patrocinadas pela Fundação Médica a seus membros (médicos e professores da UFRGS), a Fundação Médica do RGS, atuando junto ao Hospital de Clínicas, faz irradiar para a população por este atendida, a qualificação técnica e cientifica permanente desses profissionais, pois que esta qualificação, decorrente dos programas de extensão, traduzse melhor assistência, maiores e indiscutíveis benefícios à saúde pública e ao tratamento dos pacientes do Sistema Único de Saúde. A Fundação Médica do Rio Grande do Sul e o Hospital de Clínicas de Porto Alegre firmaram Convênios Operacionais para disciplinar as atividades de apoio ao ensino e à extensão. Neste contexto, desde a sua criação e com a sua evolução, a Fundação Médica do Rio Grande do Sul, com a colaboração de seus membros, entre os quais se insere o impugnante, cumpre importante papel educacional e principalmente social, colaborando com o cumprimento da obrigação constitucional cabível ao Estado, de promover e incentivar o desenvolvimento científico, a pesquisa e a capacitação tecnológica, na forma do disposto no Capítulo IV – “Dá Ciência e Tecnologia”, do Título VIII – DA ORDEM SOCIAL, especialmente, no artigo 218 e seus parágrafos, da Constituição da República Federativa do Brasil. Para a realização/consecução de Convênios e seus respectivos programas, portanto, inserese a atuação dos membros da Fundação Médica do R. G. do Sul, que são professores da UFRGS, e que se adaptam ao sistema de bolsistas, uma vez, como funcionários públicos, auferem a sua remuneração com tal vínculo com a Universidade Federal, muitos deles com dedicação exclusiva, não podendo, portanto, manter outros vínculos trabalhistas. Aí se inserem as disposições trazidas pela Lei 8.958/94, especialmente em seu artigo 4° e parágrafos, que define a inexistência de vinculo empregatício de qualquer natureza,... “podendo as fundações contratadas, para sua consecução, concederem bolsas de ensino, de pesquisa e de extensão”. Como se vê, o exercício das atividades de preceptoria, coordenação e controle de alunos (médicos residentes) não pode ser caracterizado como contraprestação de serviços, sugerida pelo Auto de Infração ora impugnado, visto se tratar de atividades inseridas dentro de um modelo de extensão universitária adequadas às exigências definidas e consideradas capazes de promover o processo educativo e científico. Não é compreensível, do ponto de vista da repercussão social de uma atividade eminentemente socializante, voltada ao bem comum, como é a do HCPA, atuando em conjunto com a Fundação Médica, que o fisco federal envide esforços no sentido de obter, junto a esta entidade que não possui fins lucrativos, a arrecadação de importâncias de vulto, desfalcando a Fundação Médica daqueles mesmos recursos que advêm do Governo Federal. É o Poder Central dando com uma mão e tirando com a outra, como se discorre popularmente. Não há como se aceitar a informação, trazida pelo Auditor Fiscal, de que a atividade dos bolsistas se volta, diretamente, aos pacientes do Hospital de Clínicas. A atividade dos bolsistas alcança e beneficia, indiretamente, os pacientes do HCPA, através da Fundação Médica, irradiando, através do aperfeiçoamento dos profissionais e otimização dos serviços do Hospital, o bem estar da sociedade. Neste Fl. 467DF CARF MF Impresso em 22/11/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 10/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/11/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11080.007580/200986 Acórdão n.º 2101001.950 S2C1T1 Fl. 5 4 contexto, não há BENEFÍCIO PARA A FUNDAÇÃO MÉDICA, ou para o HCPA, como afirma o autuante, mas benefício para os pacientes do hospital de Clínicas e para todos os que, de algum modo, se beneficiam dos reflexos desta atividade eminentemente de cunho social. (Grifos do original). A Lei n° 8.958/94 e o Decreto n° 5.205/2004 que a regulamentou, (Anexo 16), deferem amplo amparo à participação do servidor das IFES (Instituição Federal de Ensino Superior) na consecução de projetos de pesquisa, ensino e extensão gerenciados pelas fundações de apoio. Essa participação do servidor proporciona o recebimento de bolsas como incentivos a esses servidores, ou seja, aos funcionários da Universidade Federal do Rio Grande do Sul que, como professores participam, na qualidade de membros da Fundação Médica, dos projetos de pesquisa e de extensão. Destarte, para a execução desses contratos ou convênios, no qual denominamos projetos, lícita é a utilização de pessoal da UFRGS, onde se insere o impugnante, corroborado inclusive pelo art. 4°,§ 1°, da lei n° 8.958/94, autorização esta repetida no decreto regulamentar. A legislação em foco é cristalina e terminantemente expressa, ao determinar que as bolsas concedidas pelas fundações de apoio são ISENTAS da exação de Imposto de Renda, mostrandose, dessa forma, correto o procedimento do impugnante ao declarar a bolsa de extensão como rendimento não tributável. Ainda que, num conceito mais amplo, a atividade dos médicos membros da Fundação Médica, como o autuado, possa ser entendida como prestação de serviço, visto que a atividade pessoal de qualquer profissional, em qualquer contexto e em qualquer circunstâncias assim possa ser entendida, seja pelo esforço mecânico, seja pelo intelectual, esta precípua prestação se insere num contexto estreito e especifico de realização de PROGRAMAS DE FORMAÇÃO EXTENSIVA, que pode ser vista como CURSOS DE PÓSGRADUAÇÃO, somente definidos, em sua essência, em função das normas e dos motivos que lhe dão forma e sustento. E mais, devese gizar e repisar, esta prestação – mesmo que consigne a existência de um CONTRATO, como plasmado no nosso Código civil, arts. 538 e seguintes – não representa benefício para o doador, de maneira alguma, muito embora a doação pressuponha o exercício de uma atividade do profissional beneficiado (contratante), e muito embora a Fundação Médica não tenha qualquer interesse próprio ou exclusivo nesta DOAÇÃO, ou na sua contrapartida, mesmo porque os recursos que viabilizam tais bolsas advém do Hospital de Clínicas e, de certo modo, representam verbas federais. Ora, o impugnante, na condição de bolsista, recebe os valores transferidos pela Fundação Médica a título de doação, como prescreve a lei civil, realizando a doação como forma de incentivar a pesquisa e extensão que serão empregadas em benefício da sociedade como um todo, pois a transferência de conhecimento e treinamento aos alunos (médicos residentes) feitos através do desenvolvimento do programa de extensão resultará em um melhor atendimento assistencial a pacientes do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, justificandose usufruir o benefício da isenção específica criada para o caso – inexistindo qualquer benefício ou contraprestação em favor da Fundação Médica. Mais, ainda, constatase que a concessão de bolsas não representa, em contrapartida, benefício para o doador, a Fundação, vez que esta está apenas repassando verbas públicas, de cunho orçamentário, e que possuem, a priori, esta Fl. 468DF CARF MF Impresso em 22/11/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 10/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/11/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11080.007580/200986 Acórdão n.º 2101001.950 S2C1T1 Fl. 6 5 destinação específica e integral de cobertura para realização dos programas de extensão universitária. A contraprestação de serviço não está presente, no conceito aplicado pela fiscalização da Receita Federal, pois que o beneficiário da bolsa constituise em mera peça de uma grande engrenagem, inserido no sistema de gerenciamento e realização dos projetos de educação e extensão, vinculados a residência médica, refletindo o interesse do Governo Federal (Comissão Nacional de Residência Médica – Resolução n° 02/2006, de 17 de maio de 2006), através do HCPA, mas com a participação permanente e indispensável da Fundação Médica do Rio Grande do Sul, como a Fundação de Apoio que gerencia a consecução dos programas de extensão da Universidade. Ante todos os argumentos expostos, confiando no elevado senso de justiça dos julgadores no âmbito do processo administrativofiscal da Receita Federal do Brasil, acreditandose que a presente impugnação será amplamente analisada, temos que é difícil concluirse de forma diversa à argumentação exposta, em face à clareza da norma que ampara o impugnante. Sendo assim, requer o impugnante seja recebida e conhecida a presente Impugnação, propugnando pela sua integral acolhida, tornando nulo ou insubsistente o Auto de Infração acima referido, isentando o impugnante ao pagamento do Imposto de Renda e seus acréscimos legais lançados, ante a prova cabal de que se trata de rendimentos isentos ao imposto. Requer ainda, a produção de todos os meios de prova em direito admitido, especialmente, até mesmo a prova pericial, se assim entender necessário ou útil a essa Turma de Julgamento, para se confirmar e consagrar a inexigibilidade da inclusão da bolsa de extensão na apuração tributável do Imposto de Renda, daí decorrendo a desconstituição do crédito tributário objeto do Auto de Infração. Buscando corroborar suas razões de defesa, cita ao longo de sua peça contestatória, ementas de decisões administrativas e judiciais exaradas sobre os temas que desenvolve. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou procedente o lançamento, em julgamento consubstanciado na seguinte ementa (fls. 414 a 428): Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2006, 2007, 2008 NULIDADE IMPROCEDÊNCIA. Não procedem as argüições de nulidade quando não se vislumbra nos autos qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS BOLSAS DE EXTENSÃO CONTRAPRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. A bolsa de estudo e pesquisa isenta do imposto de renda é aquela recebida exclusivamente para proceder a estudos ou pesquisas e desde que os resultados dessas pesquisas não representem Fl. 469DF CARF MF Impresso em 22/11/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 10/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/11/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11080.007580/200986 Acórdão n.º 2101001.950 S2C1T1 Fl. 7 6 vantagem pra o doador e nem importem contraprestação por serviços prestados pelo beneficiário do rendimento. Os valores recebidos por pessoa física a título de bolsa de extensão que importem contraprestação de serviços são tributáveis na fonte e na declaração de ajuste anual do beneficiário. DECISÕES JUDICIAIS EFEITOS As decisões judiciais, à exceção das proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade das normas legais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificada da decisão de primeira instância em 20/5/2011 (fl. 431), a contribuinte apresentou, em 9/6/2011, o recurso de fls. 432 a 453, onde afirma que: a) é professora da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul UFRGS em Porto Alegre/RS, e nesta condição tornouse membro da Fundação Médica do Rio Grande do Sul, apta a desempenhar as atividades complementares à docência, sob a forma de atividade de extensão, nos termos da Resolução 02/94 do COCEP, desenvolvendo as atividades lastreada em "TERMO DE COMPROMISSO PARA CONCESSÃO DE BOLSA DE EXTENSÃO"; b) após levar a cabo auditoria fiscal junto à Fundação Médica do Rio Grande do Sul, a Delegacia da Receita Federal de Porto Alegre, por seus auditores, houve por bem penalizar (Auto de Infração) a entidade em face à não retenção de Imposto de Renda sobre os valores que repassa a seus associados, a título de BOLSAS DE EXTENSÃO. Concomitantemente, iniciou procedimentos de auditoria junto a diversos médicos, membros da Fundação, revisando as Declarações de Ajuste Anuais de Imposto de Renda e promovendo lançamentos suplementares, a partir da consideração de se tratar de rendimentos tributáveis; c) a conclusão do Fisco destoa da natureza isenta das bolsas de extensão ou pesquisa, nos termos do artigo 1o, combinado com o parágrafo l e do artigo 4o, da Lei no 8.958, de 20/12/1994, assim como o artigo 1o, c/c o art. 5o, § 2o, do Decreto n° 5.205, de 14/09/2004; d) o objetivo precípuo e fundamental dessas normas legais foi o de propiciar um ambiente adequado ao exercício, por funcionários públicos, como os professores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, no desenvolvimento das atividades de uma Fundação de Apoio, umbilicalmente ligada a um HOSPITAL ESCOLA (HCPA), e que exerce o grande papel impulsionador da pesquisa científica, na área médico assistencial, desse modo propiciando aos profissionais das áreas da saúde o aperfeiçoamento e continuidade de sua Fl. 470DF CARF MF Impresso em 22/11/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 10/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/11/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11080.007580/200986 Acórdão n.º 2101001.950 S2C1T1 Fl. 8 7 formação, com Bolsas de Extensão, mormente na coordenação de ações de formação e aperfeiçoamento extensivo vinculadas à sua área de formação profissional dos Médicos Residentes; e) a Fundação Médica do Rio Grande do Sul é uma fundação de apoio ao Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA), que é o hospital escola da UFRGS, e que teve sua imunidade tributária reconhecida na Ação Ordinária no 2002.71.00.0460139, da Justiça Federal; f) os membros dessa fundação, na condição de professores da UFRGS, atuam como preceptores na formação complementar dos médicos residentes, que participam dos programas de extensão universitária da UFRGS, beneficiando a população que busca o atendimento médicoambulatorial do hospital escola; g) a Lei no 6.932, de 07/07/1981, que dispõe sobre as atividades do médico residente, prevê, no seu artigo primeiro, que a residência médica constitui modalidade de ensino de pósgraduação; h) com o advento da Lei no 8.958/94, que criou o modelo de operacionalidade para o relacionamento das instituições federais de ensino superior e de pesquisa científica e tecnológica, a Fundação Médica do Rio Grande do Sul providenciou sua adaptação estatutária à nova regra, tornandose FUNDAÇÃO DE APOIO credenciada perante o Ministério da Educação e Ministério da Ciência e Tecnologia; i) como fundação de apoio, é rigorosamente fiscalizada pelo TCU e pelo Ministério Público, que garantem o cumprimento das seguintes características: natureza privada (que lhe confere autonomia), a finalidade não lucrativa (pelo desempenho de funções públicas) e administração profissionalizada (que lhe confere eficiência); j) o TCU, no Acórdão no 5682/2010 2a Câmara, reconheceu o atendimento dos requisitos da lei, e portanto a legitimidade do sistema de concessão de bolsas de extensão aos membros da Fundação Médica (e não somente que não há vínculo empregatício, como afirmado na decisão vergastada); k) os professores bolsistas são funcionários da UFRGS, e só com ela mantêm vínculo empregatício. Muitos deles atuam no regime de dedicação exclusiva, e não podem manter outros vínculos trabalhistas; l) neste contexto, o exercício das atividades de preceptoria, coordenação e controle de alunos (médicos residentes) não pode ser caracterizado como contraprestação de serviços, sugerido pela Auto de Infração ora em grau de recurso, visto se tratar de atividades inseridas dentro de um modelo de extensão universitária adequadas às exigências definidas e consideradas capazes de promover o processo educativo e científico; m) as autuações do Fisco estão, de certo modo, tornando inviável a própria atividade da Fundação Médica, com sérias repercussões sociais; n) o fato das bolsas de extensão se repetirem, para o mesmo membro da Fundação Médica, em anos sucessivos, não desnatura a sua natureza, pois os programas e projetos se renovam anualmente; Fl. 471DF CARF MF Impresso em 22/11/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 10/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/11/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11080.007580/200986 Acórdão n.º 2101001.950 S2C1T1 Fl. 9 8 o) as atividades dos bolsistas não beneficiam a Fundação Médica, mas indiretamente os pacientes do hospital escola, através do aperfeiçoamento dos profissionais e da otimização dos serviços; p) o HCPA possui corpo próprio e plenamente satisfatório de funcionários, principalmente de médicos, de modo que a participação dos membros da Fundação Médica representa mera complementação, justamente por se tratar de programas de extensão da UFRGS, com os objetivos traçados no Estatuto desta Fundação; q) as atividades de extensão dos professoresmédicos vinculados à Fundação Médica do Rio Grande do Sul, na consecução dos programas derivados dos convênios com o HCPA, estão definidas na Resolução no 02/94, do Conselho de Coordenação do Ensino e da Pesquisa da UFRGS, especialmente no seu item 2.3, quando refere às atividades de extensão, referentes ao “PROGRAMA DE ASSISTÊNCIA À SAÚDE DE DOCÊNCIA EM RESIDÊNCIA MÉDICA” e ao projeto de extensão “ATIVIDADES DIDÁTICAS COMPLEMENTARES EM GESTÃO DA INFORMAÇÃO E DA QUALIDADE ASSISTENCIAL NO HCPA”; r) a jurisprudência administrativa e judicial corroboram esse entendimento, já existindo diversas decisões judiciais com trânsito em julgado. É o relatório. Voto Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Não há arguição de qualquer preliminar. A recorrente informou, em suas declarações de rendimentos dos exercícios de 2006, 2007 e 2008 (fls. 50 a 62), rendimentos isentos nos valores de R$57.121,49, R$62.133,39 e R$57.799,88, respectivamente, classificandoos na rubrica “Bolsa de estudo e pesquisa, desde que não represente vantagem ao doador e não caracterize contraprestação de serviço”. Intimada a comprovar a natureza isenta das verbas, informou trataremse de bolsas de extensão recebidas da Fundação Médica do Rio Grande do Sul. Contudo, a autoridade fiscal entendeu que tais rendimentos possuíam natureza tributável, por consistirem em retribuição à contraprestação de serviços, conclusão referendada pelo julgamento de 1a instância. No voluntário, a recorrente reafirma o caráter isento das verbas lançadas. Fl. 472DF CARF MF Impresso em 22/11/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 10/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/11/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11080.007580/200986 Acórdão n.º 2101001.950 S2C1T1 Fl. 10 9 Legislação de regência: Segundo o art. 3o, §1o, da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. Por sua vez, o §4o do mesmo artigo determina que a tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. Ademais, o próprio Código Tributário Nacional CTN estabelece que são irrelevantes para qualificar a natureza jurídica específica do tributo a denominação e demais características formais adotadas pela lei (seu art. 4º). Por outro lado, o art. 176 do CTN determina que a isenção é sempre decorrente de lei, e seu art. 111, inciso II, exige que a sua outorga deve ser interpretada literalmente. Do mesmo modo, o §6o do art. 150 da Constituição Federal exige que qualquer isenção de impostos só possa ser concedida mediante lei específica. Assim, quando a renda auferida pelo contribuinte for enquadrada no conceito de rendimento tributável, tornase irrelevante a denominação que lhe foi dada, somente sendo lícito se falar em isenção quando esta for concedida de forma expressa pela lei. Para o pagamento em discussão, o art. 43 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – Regulamento do Imposto de renda, fazendo um apanhado da legislação federal, determina a tributação das bolsas de estudo e de pesquisa (inciso I). Entretanto, o art. 26 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, traz os requisitos para que tais verbas possam ser consideradas isentas. Transcrevese o texto legal: Art. 26. Ficam isentas do imposto de renda as bolsas de estudo e de pesquisa caracterizadas como doação, quando recebidas exclusivamente para proceder a estudos ou pesquisas e desde que os resultados dessas atividades não representem vantagem para o doador, nem importem contraprestação de serviços. Parágrafo único. Não caracterizam contraprestação de serviços nem vantagem para o doador, para efeito da isenção referida no caput, as bolsas de estudo recebidas pelos médicosresidentes. (Incluído pela Lei nº 12.514, de 2011) Desta forma, para que as bolsas de estudo e de pesquisa não sofram a incidência do imposto de renda, é necessário: a) que sejam caracterizadas como doação; b) que sejam recebidas exclusivamente para proceder a estudos ou pesquisas; Fl. 473DF CARF MF Impresso em 22/11/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 10/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/11/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11080.007580/200986 Acórdão n.º 2101001.950 S2C1T1 Fl. 11 10 c) que os resultados dessas atividades não representem vantagem para o doador; d) que os resultados dessas atividades não importem contraprestação de serviços. Assim, devese verificar se as verbas em discussão atendem, cumulativamente, a todos os requisitos acima elencados. Basta que um deles não ocorra no caso concreto, para que prevaleça a regra geral de tributação. Acrescentese que o simples fato dos rendimentos pagos se denominarem de bolsas de extensão não afasta a aplicação da isenção legal para bolsas de estudo e de pesquisa, desde cumpridos os mesmos requisitos. Neste processo, a recorrente foi remunerada por meio de bolsa de extensão, na forma do disposto no art. 4o, §1o, da Lei n° 8.958, de 20 de dezembro de 1994 e nos arts. 5°, §2o, e 6o, §3o, do Decreto n° 5.204, de 14 de setembro de 2004. Transcrevo os dispositivos legais citados, bem como alguns outros que julgo de importância para o deslinde da questão, com a redação vigente por ocasião da ocorrência dos fatos geradores: Lei n° 8.958, de 1994 Art. 1º As instituições federais de ensino superior e de pesquisa científica e tecnológica poderão contratar, nos termos do inciso XIII do art. 24 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993, e por prazo determinado, instituições criadas com a finalidade de dar apoio a projetos de pesquisa, ensino e extensão e de desenvolvimento institucional, científico e tecnológico de interesse das instituições federais contratantes. (...) Art. 4º As instituições federais contratantes poderão autorizar, de acordo com as normas aprovadas pelo órgão de direção superior competente, a participação de seus servidores nas atividades realizadas pelas fundações referidas no art. 1º desta lei, sem prejuízo de suas atribuições funcionais. § 1º A participação de servidores das instituições federais contratantes nas atividades previstas no art. 1º desta lei, autorizada nos termos deste artigo, não cria vínculo empregatício de qualquer natureza, podendo as fundações contratadas, para sua execução, concederem bolsas de ensino, de pesquisa e de extensão. (...) Decreto n° 5.204, de 2004: Art.5o A participação de servidores das instituições federais apoiadas nas atividades previstas neste Decreto é admitida como colaboração esporádica em projetos de sua especialidade, desde que não implique prejuízo de suas atribuições funcionais. Fl. 474DF CARF MF Impresso em 22/11/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 10/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/11/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11080.007580/200986 Acórdão n.º 2101001.950 S2C1T1 Fl. 12 11 (...) §2o A participação de servidor público federal nas atividades de que trata este artigo não cria vínculo empregatício de qualquer natureza, podendo a fundação de apoio conceder bolsas nos termos do disposto neste Decreto. Art.6o As bolsas de ensino, pesquisa e extensão a que se refere o art. 4o, § 1o, da Lei 8.958, de 1994, constituemse em doação civil a servidores das instituições apoiadas para a realização de estudos e pesquisas e sua disseminação à sociedade, cujos resultados não revertam economicamente para o doador ou pessoa interposta, nem importem contraprestação de serviços. (...) §3o A bolsa de extensão constituise em instrumento de apoio à execução de projetos desenvolvidos em interação com os diversos setores da sociedade que visem ao intercâmbio e ao aprimoramento do conhecimento utilizado, bem como ao desenvolvimento institucional, científico e tecnológico da instituição federal de ensino superior ou de pesquisa científica e tecnológica apoiada. §4o Somente poderão ser caracterizadas como bolsas, nos termos deste Decreto, aquelas que estiverem expressamente previstas, identificados valores, periodicidade, duração e beneficiários, no teor dos projetos a que se refere este artigo. (...) Art.7o As bolsas concedidas nos termos deste Decreto são isentas do imposto de renda, conforme o disposto no art. 26 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, e não integram a base de cálculo de incidência da contribuição previdenciária prevista no art. 28, incisos I a III, da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991. Assim, é fato que a legislação que criou e regulamentou as fundações de apoio às instituições federais de ensino superior e de pesquisa científica e tecnológica determinou que as bolsas de ensino, pesquisa e extensão pagas aos professores daquelas instituições deveriam atender aos requisitos da lei isentiva, e portanto não deveriam ser tributadas pelo imposto de renda. Entretanto, na situação sob análise, concordo com a conclusão do lançamento e do acórdão a quo de que os pagamentos decorreram da contraprestação de serviços, como passo a esclarecer. Caso concreto: A recorrente é professora da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul UFRGS em Porto Alegre/RS, e nesta condição tornouse membro da Fundação Médica do Rio Grande do Sul, onde desempenha atividades complementares à docência, sob a forma de atividade de extensão. Fl. 475DF CARF MF Impresso em 22/11/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 10/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/11/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11080.007580/200986 Acórdão n.º 2101001.950 S2C1T1 Fl. 13 12 A Fundação Médica do Rio Grande do Sul é uma fundação de apoio ao Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA), que é o hospital escola da UFRGS. As verbas lançadas decorrem dos projetos de extensão denominados “PROGRAMA DE GESTÃO DE INFORMAÇÕES HOSPITALARES”, “GESTÃO DA INFORMAÇÃO E DA QUALIDADE ASSISTÊNCIA NO HCPA” e “PROGRAMA DE DOCÊNCIA EM RESIDÊNCIA MÉDICA E ASSISTÊNCIA À SAÚDE”. De acordo com os Termos de Compromisso firmados para participação nos projetos, as atividades a serem desempenhadas eram: a ) Preceptoria: atividades de extensão de supervisão e treinamento e seleção de profissionais de nível superior que sejam alunos de Programa de Residência Médica e outros Programas de Especialização desenvolvidos pelas instituições apoiadas; b) Coordenadoria: atividades de extensão de coordenação dos Programas e Projetos de Extensão em desenvolvimento pelas instituições apoiadas; c) Consultoria: atividades de extensão de suporte acadêmico ao desenvolvimento do ensino, assistência e da pesquisa no âmbito das instituições apoiadas, respeitados os respectivos regimentos internos. Os projetos e os termos de compromisso esclarecem que, em contrapartida às atividades de extensão realizadas, complementares às atividades de docência desenvolvidas pelo professor da UFRGS, seria paga uma bolsa de extensão, na forma do disposto no art. 4o, §1o, da Lei n° 8.958, de 1994 e nos arts. 5°, §2o, e 6o, §3o, do Decreto n° 5.204, de 14 de setembro de 2004. Contudo, apesar de instituídas com base nessa legislação, há que se considerar que as bolsas de extensão sob análise possuem nítido caráter de contraprestação de serviços. Observese que a principal função realizada pela contribuinte é a de supervisão e treinamento dos médicos residentes do Hospital Escola da UFRGS, que possui a mesma natureza da sua ocupação de professora dessa universidade. E isso é ainda mais evidente quando se verifica que a residência médica constitui modalidade de ensino de pósgraduação. Além disso, na função de supervisão e treinamento dos médicos residentes, a contribuinte certamente presta serviço de atendimento médico, atividade própria do hospital escola. O mesmo raciocínio se aplica às outras atividades dos projetos de extensão: a de coordenação de programas e projetos de extensão e de consultoria. Tratase de prestação de serviços em benefício da fundação de apoio e do hospital escola. Acrescentese que, em cada ano fiscalizado, as bolsas pagas pela Fundação equivaliam a cerca de 50% do total de rendimentos pagos pela UFRGS. Não se trata, assim, de parcelas esporádicas e eventuais, mas verdadeira complementação salarial, paga no decorrer de diversos anos, o que reforça a convicção de sua natureza remuneratória. Fl. 476DF CARF MF Impresso em 22/11/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 10/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/11/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11080.007580/200986 Acórdão n.º 2101001.950 S2C1T1 Fl. 14 13 A recorrente centra boa parte do seu recurso na importante função social do hospital escola, que teria sua imunidade reconhecida por decisão judicial, e no fato dos serviços prestados se darem em benefício da sociedade, e não da fundação de apoio. Certamente, não se pretende contestar a importância e a excelência dos serviços prestados à população. Mas o que se deve entender é que a imunidade com relação aos impostos das instituições de assistência social não se estende para as remunerações pagas a seus prestadores de serviço. Se os argumentos do recurso fossem válidos, isentos também seriam os salários pagos aos médicos do hospital escola. Desta forma, entendo que os valores pagos na forma de bolsa de extensão constituem pagamento pelos serviços de ensino, coordenação e consultoria prestados em favor da Fundação Médica do Rio Grande do Sul e do Hospital de Clínicas de Porto Alegre. Decisão do TCU: A recorrente afirma que a fundação de apoio é rigorosamente fiscalizada pelo Tribunal de Contas da União TCU e pelo Ministério Público, que garantem o cumprimento dos termos da lei. Nesse sentido, o TCU, no Acórdão no 5682/2010 2a Câmara (fls. 403 a 412), teria reconhecido o atendimento dos requisitos da lei, e portanto a legitimidade do sistema de concessão de bolsas de extensão aos membros da Fundação Médica, e não somente que não haveria vínculo empregatício, como afirmado na decisão de primeira instância. De fato, a referida decisão reformou, em sede de embargos de declaração, o acórdão que havia concluído que as bolsas de extensão pagas pela fundação de apoio aos professores da UFRGS importavam em contraprestação de serviços, em violação ao art. 4o, §3o, da Lei no 8.958, de 1994, ao art. 6o do Decreto no 5205, de 2004, e à jurisprudência daquele Tribunal. Assim, a decisão final do TCU concluiu que a remuneração em forma de bolsa era compatível com a legislação de regência. Penso que a recorrente tem razão ao afirmar que as conclusões do TCU estendemse à natureza isenta das respectivas bolsas, e não só à inexistência de vínculo empregatício, como entendeu o julgador a quo. Isso porque, se as bolsas concedidas atendem aos requisitos do art. 6o do Decreto no 5205, de 2004, então necessariamente satisfazem aos ditames do art. 7o, sendo isentas do imposto de renda. Entretanto, as conclusões do TCU não vinculam este CARF, e, no meu sentir, estão equivocadas ao retirar das atividades executadas a característica de prestação de serviços. Melhores os argumentos da equipe técnica do Tribunal, referendados pela decisão reformada, que, com base nos fatos concretos analisados, concluiu de forma similar a este voto. Fl. 477DF CARF MF Impresso em 22/11/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 10/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/11/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11080.007580/200986 Acórdão n.º 2101001.950 S2C1T1 Fl. 15 14 Decisões administrativas e judiciais: A recorrente afirma que a jurisprudência administrativa e judicial corroboram o entendimento de que as bolsas de estudo e extensão possuem natureza isenta. Contudo, as decisões do Superior Tribunal de Justiça – STJ e do Conselho de Contribuintes indicadas não se aproveitam ao caso, pois trataram de bolsas de estudo e pesquisa que não representavam vantagem para o doador, nem importavam contraprestação de serviços. De modo contrário, recentes decisões desta 2a Seção de Julgamento têm confirmado a natureza tributária de verbas semelhantes. Dentre muitas, transcrevo a seguinte ementas: BOLSAS DE ESTUDO. DOAÇÃO. ISENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. AUSÊNCIA DE VANTAGEM PARA O DOADOR E NÃO CONTRAPRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. REQUISITOS NÃO ATENDIDOS. Somente ficam isentas do imposto de renda as bolsas de estudo e de pesquisa caracterizadas como doação, quando recebidas exclusivamente para proceder a estudos ou pesquisas e desde que os resultados dessas atividades não representem vantagem para o doador, nem importem contraprestação de serviços, na forma do art. 26 da Lei nº 9.250/96. (Acórdão nº 2102001.216, 2a Turma Ordinária da 1a Câmara, sessão de 13/04/2011, relator Giovanni Christian Nunes Campos) Observese que o lançamento das contribuições previdenciárias na Fundação Médica do Rio Grande do Sul, relativas às bolsas de extensão pagas aos professores da UFRGS, foi apreciado pelo Acórdão no 230201.388, da 2a Turma Ordinária da 3a Câmara da 2a Seção de Julgamento, na sessão de 26/10/2011, sendo relator o Conselheiro Marco André Ramos Vieira, tendo sido negado provimento ao recurso voluntário do contribuinte. Transcrevese a ementa, na parte de interesse à presente discussão: CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. REMUNERAÇÃO. BOLSAS DE ENSINO. LEI 8.958. A condição para que os valores sejam enquadrados como bolsas é justamente não ser contraprestação a serviços executados pelos beneficiários, conforme previsto no art. 6º do Decreto n 5.205. Retribuindo o serviço prestado pelo segurados, os valores não podem ser enquadrados como doação. De acordo com o disposto no art. 538 do Código Civil, considerase doação o contrato em que uma pessoa, por liberalidade, transfere do seu patrimônio bens ou vantagens para o de outra. Assim, os valores foram devidos aos segurados não por uma liberalidade da empresa; pois a liberalidade não teria uma causa jurídica. Os valores foram devidos em virtude de serviços prestados (a verdadeira Fl. 478DF CARF MF Impresso em 22/11/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 10/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/11/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11080.007580/200986 Acórdão n.º 2101001.950 S2C1T1 Fl. 16 15 causa jurídica) no interesse da entidade. Como se sabe, a prestação de serviços remunerada é fato gerador de contribuição previdenciária. Não haveria incidência de contribuição previdenciária se os valores fossem pagos de acordo com a Lei n 8.958. Todavia restou demonstrada a desobediência do comando legal. Quanto à esfera judicial, de fato a recorrente demonstra a existência de diversas decisões da Justiça Federal de Santa Maria/RS que consideraram bolsas de estudo semelhantes como isentas, tendo uma das decisões, a relativa ao processo nº 2010.71.50.0131397, tratado de caso idêntico ao do presente processo. Salvo melhor juízo, um dos principais fundamentos desses julgados é que não houve produção de vantagens para a fundação que concedeu as bolsas, a não ser pela consecução de seus objetivos estatutários. Em outras palavras, o beneficiário dos serviços não seria a Fundação Médica do Rio Grande do Sul, entidade que concedeu a bolsa, mas sim o Hospital de Clínicas de Porto Alegre, e logo o resultado não se daria em proveito o doador. Com todo respeito que o argumento merece, penso que não se sustenta a uma análise mais aprofundada. A uma, porque os recursos que financiaram as bolsas foram repassados pelo HPCA à fundação de apoio, como demonstram os documentos de fls. 230 a 352. Assim, os recursos se originaram da entidade que se beneficiou diretamente com os serviços. E a duas, porque o art. 6o do Decreto n° 5.204, de 2004, determina que os resultados das bolsas de ensino, pesquisa e extensão não revertam economicamente para o doador ou pessoa interposta. Se o argumento fosse correto, estaria aberta uma verdadeira avenida para a supressão de tributos sobre verbas remuneratórias, bastando repassar os valores a serem pagos primeiro a uma fundação de apoio, que pagaria as quantias na forma de bolsas que atendessem às determinações de seus estatutos. Conclusão: Convencido da natureza tributável das verbas em discussão, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José Evande Carvalho Araujo Fl. 479DF CARF MF Impresso em 22/11/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 10/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/11/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11080.007580/200986 Acórdão n.º 2101001.950 S2C1T1 Fl. 17 16 Fl. 480DF CARF MF Impresso em 22/11/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 10/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/11/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 13407.720252/2013-51
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2012
DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
É licita a exigência de outros elementos de prova além dos recibos das despesas médicas quando a autoridade fiscal não ficar convencida da efetividade da prestação dos serviços ou da materialidade dos respectivos pagamentos.
Numero da decisão: 2002-000.960
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Virgílio Cansino Gil que lhe deu provimento.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Mônica Renata Mello Fereira Stoll - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: MONICA RENATA MELLO FERREIRA STOLL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2012 DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. É licita a exigência de outros elementos de prova além dos recibos das despesas médicas quando a autoridade fiscal não ficar convencida da efetividade da prestação dos serviços ou da materialidade dos respectivos pagamentos.
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COMPROVAÇÃO. É licita a exigência de outros elementos de prova além dos recibos das despesas médicas quando a autoridade fiscal não ficar convencida da efetividade da prestação dos serviços ou da materialidade dos respectivos pagamentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Virgílio Cansino Gil que lhe deu provimento. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 40 7. 72 02 52 /2 01 3- 51 Fl. 123DF CARF MF Processo nº 13407.720252/201351 Acórdão n.º 2002000.960 S2C0T2 Fl. 124 2 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento (efls. 13/18) lavrada em nome do sujeito passivo acima identificado, decorrente de procedimento de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual do exercício 2012, onde se apurou: Dedução Indevida de Despesas Médicas. O contribuinte apresentou Impugnação (efls. 02/10), cujas alegações foram sintetizadas no relatório do acórdão recorrido (efls. 71): Estaria apresentando documentos comprovando o direito a deduzir as despesas pleiteadas. Transcreve trechos de julgados do Conselho de Contribuinte no sentido de que as provas apresentadas seriam suficientes para fazer a comprovação de que as despesas existiram. A Impugnação foi julgada procedente em parte pela 3ª Turma da DRJ/BSB (efls. 69/73) em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2012 DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS COMPROVAÇÃO A validade da dedução de despesas médicas, quando impugnadas pelo Fisco, depende da comprovação do efetivo pagamento e/ou da prestação dos serviços. DEDUÇÕES COM DESPESAS MÉDICAS. Restabelecese parte dos valores glosados a título de dedução com despesas médicas, quando demonstrado nos autos, por meio de documentos hábeis e idôneos, que o contribuinte faz jus a pleitear essas deduções na Declaração de Ajuste. Cientificado do acórdão de primeira instância em 15/09/2015 (efls. 79/80), o interessado ingressou com Recurso Voluntário em 15/10/2015 (efls. 82/90) com os argumentos a seguir sintetizados. Apresenta breve descrição dos fatos processuais e expõe que não concorda com o último julgamento por entender que comprovou adequadamente as despesas, conforme argumentos e provas já carreadas e extratos bancários e cópias de cheques juntados neste ato. Indaga se há alguma norma nacional impeditiva do pagamento de despesas médicas em espécie e alega que o fisco não pode presumir que há uma fraude e, partindo deste principio, aplicar penalidades. Afirma que os extratos bancários da Caixa Econômica Federal e do Bradesco ratificam os argumentos da defesa na medida que comprovam a compensação dos cheques em favor do Centro de Saúde Oral Ltda. Fl. 124DF CARF MF Processo nº 13407.720252/201351 Acórdão n.º 2002000.960 S2C0T2 Fl. 125 3 Assevera que os extratos bancários da Caixa Econômica Federal e do Bradesco comprovam a existência de saldo bancário suficiente e seus respectivos saques para atender as despesas com Dra. Fátima, Dra. Ana Carolina e Dra. Amanda. Discorre sobre o art. 80 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99 e apresenta jurisprudência sobre o tema. Defende que, de acordo com a jurisprudência e, principalmente, com a legislação e os princípios norteadores do direito pátrio, a comprovação da despesa médica é feita através de documento com a indicação do nome, endereço e CPF/CNPJ de quem a recebeu. A presunção deve ser interpretada em favor do recorrente e cabe à recorrida, se compreender que há fraude ou máfé, provar de forma robusta a sua existência. Sustenta que, além da comprovação do efetivo pagamento através de recibos, foi ratificada pelas beneficiárias a efetivação dos serviços, nos termos das declarações já acostadas aos autos, inclusive confirmando o recebimento do pagamento. Afirma ter trazido, ainda, cópia dos cheques e extratos bancários comprovando os saques e saldos positivos da Caixa Econômica Federal e do Bradesco. Externa o desejo de realizar prova oral por ocasião do julgamento, requerendo ser comunicado previamente da audiência para tal fim. Voto Conselheira Mônica Renata Mello Fereira Stoll Relatora O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Cabe esclarecer inicialmente que, no caso de julgamento nas Turmas Extraordinárias, a sustentação oral está condicionada a requerimento prévio apresentado em até 5 dias da publicação da pauta de julgamento, nos termos do art. 61A, Anexo II, do Regimento Interno do CARF RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, com redação dada pela Portaria MF nº 329/2017. Extraise da Notificação de Lançamento (efls. 15/16) que a autoridade fiscal procedeu à glosa das despesas declaradas para Fátima Monteiro, Amanda Coelho, João Ricardo de Barros e Ana Carolina Pereira por não ter o contribuinte, devidamente intimado, demonstrado o seu efetivo pagamento através de cópia microfilmada de cheques, comprovantes de depósitos ou transferências bancárias, etc. O auditor glosou ainda a despesa com Israel Pereira e parte da despesa com Centro de Saúde Oral por falta de apresentação de documentos comprobatórios. A decisão recorrida restabeleceu parcialmente a despesa com João Ricardo de Barros e manteve as demais glosas, conforme excertos a seguir reproduzidos (efls. 72/73): Fl. 125DF CARF MF Processo nº 13407.720252/201351 Acórdão n.º 2002000.960 S2C0T2 Fl. 126 4 O contribuinte traz aos autos cópias microfilmadas de cheques nominais ao médico João Ricardo Dias em valores que totalizam R$3.400,00 (fls.23/27), valor que será restabelecido. Também são apresentadas cópias de cheques para comprovar pagamentos nos valores de R$690,00 (fl.52), R$3.000,00 (fl.54), R$1.000,00 (fl.56), R$1.010,00 (fl.58), R$1.000,00 (fl.60), ao Centro de Saúde Oral Ltda. Esses cheques não contêm autenticação bancária ou carimbos que indiquem sua compensação bancária, de modo que não serão acatados como prova do efetivo pagamento das despesas. Também não serão aceitas declarações dos profissionais que teriam prestado os serviços sem que esteja comprovado que o Dr. Carlos Romero Soares Patriota tenha arcado com o ônus dessas despesas. Em seu Recurso Voluntário o interessado junta cópia de extratos bancários a fim de demonstrar o efetivo pagamento das despesas com as profissionais Fátima Monteiro, Amanda Coelho e Ana Carolina Pereira. Não obstante, não foi apontada qualquer correspondência de datas e valores entre as movimentações realizadas e os recibos de despesas médicas já apresentados, permanecendo a pendência apontada no lançamento. Cumpre esclarecer que a dedução de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual está sujeita à comprovação por documentação hábil e idônea a juízo da autoridade lançadora, nos termos do art. 73 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, aprovado pelo Decreto 3.000/99. Dessa forma, ainda que o contribuinte tenha apresentado recibos emitidos pelos profissionais, é licito a autoridade fiscal exigir, a seu critério, outros elementos de prova caso não fique convencida da efetividade da prestação dos serviços ou da materialidade dos respectivos pagamentos. Havendo questionamento acerca das despesas declaradas, cabe ao sujeito passivo o ônus de comproválas de maneira inequívoca, sem deixar margem a dúvidas. As decisões a seguir, proferidas pela Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF e pela 1ª Turma da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF, corroboram esse entendimento: IRPF. DESPESAS MÉDICAS.COMPROVAÇÃO. Todas as deduções declaradas estão sujeitas à comprovação ou justificação, mormente quando há dúvida razoável quanto à sua efetividade. Em tais situações, a apresentação tãosomente de recibos e/ou declarações de lavra dos profissionais é insuficiente para suprir a não comprovação dos correspondentes pagamentos. (Acórdão nº9202005.323, de 30/3/2017) DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar motivadamente elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados ou dos correspondentes pagamentos. Em havendo tal Fl. 126DF CARF MF Processo nº 13407.720252/201351 Acórdão n.º 2002000.960 S2C0T2 Fl. 127 5 solicitação, é de se exigir do contribuinte prova da referida efetividade. (Acórdão nº9202005.461, de 24/5/2017) IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS E DO CORRESPONDENTE PAGAMENTO. A Lei nº 9.250/95 exige não só a efetiva prestação de serviços como também seu dispêndio como condição para a dedução da despesa médica, isto é, necessário que o contribuinte tenha usufruído de serviços médicos onerosos e os tenha suportado. Tal fato é que subtrai renda do sujeito passivo que, em face do permissivo legal, tem o direito de abater o valor correspondente da base de cálculo do imposto sobre a renda devido no ano calendário em que suportou tal custo. Havendo solicitação pela autoridade fiscal da comprovação da prestação dos serviços e do efetivo pagamento, cabe ao contribuinte a comprovação da dedução realizada, ou seja, nos termos da Lei nº 9.250/95, a efetiva prestação de serviços e o correspondente pagamento. (Acórdão nº2401004.122, de 16/2/2016) O contribuinte deve levar em consideração que o pagamento de despesas médicas não envolve apenas ele e o profissional, mas também o Fisco, caso haja intenção de se beneficiar da dedução correspondente em sua Declaração de Ajuste Anual. Por esse motivo, deve se acautelar na guarda de elementos de prova da efetividade dos pagamentos e dos serviços prestados. É possível que o sujeito passivo tenha feito seus pagamentos em espécie tal como alega, não havendo nada de ilegal neste procedimento. A legislação não impõe que se faça pagamentos de uma forma em detrimento de outra. Não obstante, ao optar por pagamento em dinheiro, o contribuinte abre mão da força probatória dos documentos bancários, restando prejudicada a sua comprovação. Importa salientar que não é o Fisco quem precisa provar que as despesas médicas declaradas não existiram, mas o contribuinte quem deve apresentar as devidas comprovações quando solicitado. Isto porque, sendo a inclusão de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual nada mais do que um benefício concedido pela legislação, incumbe ao interessado provar que faz jus ao direito pleiteado. No que concerne à despesa com o Centro de Saúde Oral, verificase que os cheques acostados ao Recurso Voluntário (efls. 99/103) são exatamente os mesmos trazidos à Impugnação e não acolhidos no julgamento de primeira instância (efls. 52, 54, 56, 58, 60), contendo, contudo, um carimbo do Banco do Brasil que não existia naquele momento, o que causa estranheza uma vez que a compensação dos mesmos já teria ocorrido em 2011. Observa se ainda que o extrato bancário da Caixa Econômica Federal juntado pelo recorrente referese apenas ao período de 04/01/2010 a 16/09/2011 (efls. 104/107), não sendo possível confirmar a compensação dos pagamentos indicados nos cheques nº 900178, nº 900182, nº 900185 e nº 900188. Por outro lado, resta comprovado o valor de R$ 1.010,00 constante do cheque nº Fl. 127DF CARF MF Processo nº 13407.720252/201351 Acórdão n.º 2002000.960 S2C0T2 Fl. 128 6 000004 do Bradesco, conforme movimentação indicada no extrato apresentado (efls. 114). Não obstante tendo em vista que a autoridade lançadora já acatou o montante de R$ 2.700,00 constante em DMED (efls. 15/16), não há reparos a serem feitos na decisão recorrida. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Fl. 128DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.900910/2011-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
MATERIALIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE.
Como a existência e quantificação do crédito não foram objetos de análise, cabe a unidade local proceder tal verificação com a prolação de novo despacho decisório. Dessa forma, não há supressão do rito processual habitual e o direito de defesa da contribuinte permanece preservado.
Somente diante da efetiva análise documental, das diligências necessárias à busca da verdade material, bem como mediante decisão fundamentada por parte das autoridades fiscais, apta a demonstrar que a documentação suporte apresentada pelo contribuinte é insuficiente para comprovar a origem do crédito e/ou não esclarece de forma assertiva e sem contradições a composição dos valores discutidos, que o direito creditório não merece ser reconhecido.
Numero da decisão: 1201-002.821
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado dar parcial provimento ao recurso voluntário, POR MAIORIA, para determinar o retorno dos autos à Unidade Local Competente para análise de mérito do direito creditório pleiteado, retomando-se, a partir do novo Despacho Decisório, o rito processual habitual. Vencido o conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 10166.900902/2011-70, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Junior, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente convocado), Alexandre Evaristo Pinto e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2002 MATERIALIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE. Como a existência e quantificação do crédito não foram objetos de análise, cabe a unidade local proceder tal verificação com a prolação de novo despacho decisório. Dessa forma, não há supressão do rito processual habitual e o direito de defesa da contribuinte permanece preservado. Somente diante da efetiva análise documental, das diligências necessárias à busca da verdade material, bem como mediante decisão fundamentada por parte das autoridades fiscais, apta a demonstrar que a documentação suporte apresentada pelo contribuinte é insuficiente para comprovar a origem do crédito e/ou não esclarece de forma assertiva e sem contradições a composição dos valores discutidos, que o direito creditório não merece ser reconhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado dar parcial provimento ao recurso voluntário, POR MAIORIA, para determinar o retorno dos autos à Unidade Local Competente para análise de mérito do direito creditório pleiteado, retomando-se, a partir do novo Despacho Decisório, o rito processual habitual. Vencido o conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 10166.900902/2011-70, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Junior, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente convocado), Alexandre Evaristo Pinto e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
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IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE. Como a existência e quantificação do crédito não foram objetos de análise, cabe a unidade local proceder tal verificação com a prolação de novo despacho decisório. Dessa forma, não há supressão do rito processual habitual e o direito de defesa da contribuinte permanece preservado. Somente diante da efetiva análise documental, das diligências necessárias à busca da verdade material, bem como mediante decisão fundamentada por parte das autoridades fiscais, apta a demonstrar que a documentação suporte apresentada pelo contribuinte é insuficiente para comprovar a origem do crédito e/ou não esclarece de forma assertiva e sem contradições a composição dos valores discutidos, que o direito creditório não merece ser reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado dar parcial provimento ao recurso voluntário, POR MAIORIA, para determinar o retorno dos autos à Unidade Local Competente para análise de mérito do direito creditório pleiteado, retomandose, a partir do novo Despacho Decisório, o rito processual habitual. Vencido o conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº 10166.900902/201170, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 90 09 10 /2 01 1- 16 Fl. 2544DF CARF MF Processo nº 10166.900910/201116 Acórdão n.º 1201002.821 S1C2T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Junior, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente convocado), Alexandre Evaristo Pinto e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). Relatório Tratase de processo decorrente de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório nº 915992474 de 01/04/2011 que não homologou o PER/DCOMP nº 28113.48206.290607.1.3.044069. O sujeito passivo declarou, por meio do referido PER/DCOMP, a compensação de débitos de estimativa de CSLL, apurado em maio de 2007, no montante de R$ 12.320,76. Enquanto o crédito declarado no PER/DCOMP é referente a pagamento indevido ou a maior de estimativa de CSLL, no montante original na data de transmissão de R$ 6.964,03, decorrente de DARF recolhido em 29/11/2002no valor de R$ 37.677,78. Sobreveio despacho decisório, no qual a autoridade fiscal, ao analisar as informações prestadas no PER/DCOMP, decidiu por não reconhecer o direito creditório e, por conseguinte, não homologar a compensação declarada. De acordo com a motivação da decisão, o valor recolhido foi integralmente utilizado para liquidar o débito correspondente. Foi exigido da contribuinte o recolhimento do débito compensado equivocadamente, no montante de R$ 12.320,76, acrescido de multa e juros. Devidamente intimada do despacho, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, na qual alega o seguinte: (i) no encerramento do ano a contribuinte apurou resultado inferior ao valor total recolhido por estimativa, e, portanto, haveria um recolhimento a maior de estimativa, passível de ser utilizado em compensação; (ii) houve um erro no preenchimento do PER/DCOMP, pois a contribuinte fez constar o código de receita 5993, quando deveria ser 2362; e (iii) o único motivo do indeferimento foi o erro material de preenchimento, sendo plenamente retificável. Em sessão de 4 de dezembro de 2015, a 4ª Turma da DRJ/REC, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do voto relator, Acórdão nº 1151.574, cuja ementa recebeu o seguinte descritivo: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 COMPENSAÇÃO COM CRÉDITO DE ESTIMATIVA. RECOLHIMENTO INTEGRALMENTE ALOCADO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. É possível a utilização pagamento de estimativa como crédito em compensações declaradas em Dcomp desde que: (i) tenha havia pagamento a maior da estimativa, ou seja, o valor recolhido seja superior ao apurado/confessado, e (ii) este excedente não tenha sido utilizado no ajuste anual para compor o saldo negativo do Fl. 2545DF CARF MF Processo nº 10166.900910/201116 Acórdão n.º 1201002.821 S1C2T1 Fl. 4 3 período. Na espécie, não houve excedente no recolhimento, sendo inexistente o crédito pretendido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido”. A DRJ/REC não homologou a compensação, sob os seguintes fundamentos: (i) o crédito pleiteado não existe, pois não houve excedente no recolhimento do DARF apontado no PER/DCOMP, visto que o valor recolhido corresponde exatamente ao montante de estimativa apurado pelo contribuinte; e (ii) não houve o alegado erro no preenchimento do PER/DCOMP, pois o crédito foi informado no código 2362, conforme entende o contribuinte ser o correto. Cientificada da decisão, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário no qual reitera suas razões de defesa e apresenta os seguintes pontos complementares: (i) o objeto dos presentes autos decorre de mero erro formal, visto que o direito creditório está devidamente comprovado; e (ii) as autoridades administrativas não aplicaram o princípio da verdade material. É o relatório. Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201002.813, de 20/03/2019, proferido no julgamento do Processo nº 10166.900902/2011 70, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201002.813): O Recurso Voluntário interposto é tempestivo e cumpre os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciar. Inicialmente, cumpre consignar que o despacho da DRF (fl. 149) informa a existência de outro processo administrativo fiscal (nº 10166.900837/200887), que trata do mesmo sujeito passivo e direito creditório em litígio nos presentes autos. Em pesquisa, constatei que o processo foi objeto de julgamento pela 1ª Seção de julgamento deste E. CARF, cujo Acórdão de nº 180100.847 foi publicado em 21/03/2012. No referido julgamento, o direito creditório foi reconhecido e determinouse o retorno dos autos à unidade de jurisdição do sujeito passivo, para se pronunciar sobre o valor do direito creditório pleiteado e a respeito dos pedidos de compensação dos débitos, conforme ementa transcrita abaixo: Fl. 2546DF CARF MF Processo nº 10166.900910/201116 Acórdão n.º 1201002.821 S1C2T1 Fl. 5 4 “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2003 PER/DCOMP. SALDO NEGATIVO. ADMISSIBILIDADE. Constitui crédito tributário passível de compensação o valor efetivamente comprovado do saldo negativo de IRPJ decorrente do ajuste anual. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da Per/DComp restringese a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a Recorrente.” A decisão foi mantida após interposição de Recurso Especial de Divergência, pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, conforme Acórdão nº 9101002.904. Questões de Mérito I. A Busca a Verdade Material e a Necessária Observância dos Princípios da Cooperação e Eficiência Processual Antes de enfrentar as circunstâncias fáticas dos presentes autos, cumpre consignar que somente diante da efetiva análise documental, bem como mediante decisão fundamentada por parte das autoridades fiscais, o direito creditório não merece ser reconhecido. Nos termos do artigo 3º, inciso III, da Lei nº 9.784/1999, é direito do contribuinte ver a documentação probatória apresentada devidamente analisada pelo órgão competente. E, mesmo diante das hipóteses previstas no §4º, do artigo 38, da Lei nº 9.784/1999, em que as provas poderão ser recusadas, o normativo dispõe sobre a necessidade de decisão fundamentada por parte da autoridade fiscal. Ademais, alinhome ao entendimento de que a Administração não pode ficar restrita ao que as partes demonstram no curso do processo e, além de fundamentar a decisão com base nas provas apresentadas, deve buscar a verdade material por meio das diligências necessárias. In casu, a douta DRJ poderia, ao invés de julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade, ter realizado a análise da suficiência do crédito e/ou determinado o retorno dos à Unidade Local Competente para tal providência, vez que a contribuinte trouxe fortes indícios da existência de saldo negativo de IRPJ. Tratase de um poder/dever da autoridade fiscal hábil a garantir o direito ao contraditório, a ampla defesa e, fundamentalmente, Fl. 2547DF CARF MF Processo nº 10166.900910/201116 Acórdão n.º 1201002.821 S1C2T1 Fl. 6 5 a busca da verdade material. Sob esse aspecto, é cediça a jurisprudência administrativa e não poderia ser diferente. Os atos praticados pela administração tributária devem ser norteados pelo princípio da verdade material, sob pena de enriquecimento ilícito da União. Vale lembrar que o core business do contribuinte não é arrecadar, mas empreender, empregar, criar, pesquisar, industrializar e prestar determinados serviços. Quando dificultamos a relação entre o Fisco e os contribuintes, naturalmente estamos atravancando o desenvolvimento econômico do país. O setor produtivo se vê obrigado a dividir sua atenção entre a efetiva gestão de seus negócios e a função arrecadatória outorgada pelo Estado – o número de obrigações acessórias no Brasil traz concretude a essa afirmação e a própria sistemática do lançamento por homologação. Considero que esse raciocínio vale tanto para atuações (Estado como suposto credor) como não homologação de pedidos de compensação (Estado como suposto devedor). Não é porque estamos diante de direito creditório do contribuinte que podemos olvidar dos princípios que regem a Administração Pública, em especial do princípio da eficiência, constante do artigo 37, da CF/88 e do artigo 2º, da Lei nº 9.784/19991. A eficiência, por conseguinte, deve ser pensada a partir da cooperação e da obtenção de resultados proporcionais e efetivos à continuidade das atividades empresariais e à justa arrecadação. As autoridades fiscais e julgadoras devem cooperar com aqueles contribuintes que claramente estão dispostos a cumprir os ditames legais, mas que se equivocam diante da pública e notória complexidade do sistema tributário brasileiro. Esta relatoria tem real preocupação para que os valores cooperação e eficiência processual sejam respeitados em prol da satisfatividade das decisões administrativas. De acordo com Prof. Doutor Humberto Ávila2 " para que a administração esteja de acordo com o dever de eficiência, não basta escolher meios adequados para promover seus fins. A eficiência exige mais o que mera adequação. Ela exige satisfatoriedade na promoção dos fins atribuídos à administração. Escolher um meio adequado para promover um fim, mas que promove o fim de modo insignificante, com muitos efeitos negativos paralelos ou com pouca certeza, é violar o dever de eficiência administrativa. O dever de eficiência traduz se, pois, na exigência de promoção satisfatória, para esse propósito, a promoção minimamente intensa e certa do fim”. 1 Lei nº 9.784/1999: "Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência." 2 ÁVILA, HUMBERTO. Moralidade, Razoabilidade e Eficiência na Atividade Administrativa. In: Revista Eletrônica sobre a Reforma do Estado, nº 04, out/nov/dez 2005, p. 2324. Disponível em: https://goo.gl/Hn3CpK. Acesso em: 01/01/2018. Fl. 2548DF CARF MF Processo nº 10166.900910/201116 Acórdão n.º 1201002.821 S1C2T1 Fl. 7 6 Nessa linha, e em última análise, deixar de observar os preceitos aqui descritos violam o princípio da eficiência, pois os litígios acabam sendo levados para o âmbito do Poder Judiciário. Para além do ônus suportado pelas partes, temos o ônus para o própria Administração Pública. O Estado é um só e os custos do contencioso são suportados por todos os cidadãos brasileiros. A eficiência de gestão dos recursos públicos e o cuidado na busca de soluções satisfativas3 são valores legais necessários à promoção do interesse público e não podem ser considerados incompatíveis com esse objetivo. Lembro que, as atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão devem ser realizadas de ofício pela autoridade fiscal, nos termos do artigo 29, da Lei nº 9.784/994. Tendo essas premissas em mente, passo a trazer algumas ponderações em concreto. II. Da Ausência de Análise da Materialidade do Crédito Pleiteado O direito creditório, pleiteado no presente processo, não foi reconhecido pelas doutas autoridades administrativas em razão do DARF indicado no PER/DCOMP ter sido integralmente utilizado para o pagamento da estimativa mensal de IRPJ apurada em junho de 2002, e, portanto, não teria ocorrido nenhum pagamento a maior ou indevido. A Recorrente, por sua vez, afirma que no anocalendário de 2002 apurou saldo negativo de IRPJ, e, consequentemente, teria acumulado crédito passível de compensação. O referido saldo negativo pode ser constatado em sua DIPJ/2003. No mais, foi declarado na DIPJ/2003, o recolhimento de IRPJ por estimativa referente a junho de 2002, no montante de R$ 58.570,75. A DRJ, especificamente, não considerou a alegação de apuração de saldo negativo para o anocalendário de 2002 e se limitou a afirmar que o DARF indicado enquanto origem do crédito foi 3 Sobre o tema, não é demais citar os valores processuais contantes dos artigos 4º, 6º e 8º, da Lei nº 13.105/2015: "Art. 4º As partes têm o direito de obter em prazo razoável a solução integral do mérito, incluída a atividade satisfativa. (...) Art. 6º Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva. (...) Art. 8º Ao aplicar o ordenamento jurídico, o juiz atenderá aos fins sociais e às exigências do bem comum, resguardando e promovendo a dignidade da pessoa humana e observando a proporcionalidade, a razoabilidade, a legalidade, a publicidade e a eficiência." 4 Art. 29. As atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão realizamse de ofício ou mediante impulsão do órgão responsável pelo processo, sem prejuízo do direito dos interessados de propor atuações probatórias. § 1º O órgão competente para a instrução fará constar dos autos os dados necessários à decisão do processo. § 2º Os atos de instrução que exijam a atuação dos interessados devem realizarse do modo menos oneroso para estes. Fl. 2549DF CARF MF Processo nº 10166.900910/201116 Acórdão n.º 1201002.821 S1C2T1 Fl. 8 7 totalmente utilizado para o pagamento da estimativa de IRPJ apurada para junho de 2002 no montante de R$ 58.570,75 e que, portanto, não haveria pagamento a maior ou indevido. Em contrapartida, a Recorrente apresenta diversos documentos contábeis e fiscais, em sede de Recurso Voluntário, para comprovar a origem de seu direito creditório. Dentre eles, cito: (i) Balancete e Balanço relativos ao período entre 2002 e 2007; (ii) Demonstração de Resultado do Exercício (DRE) relativo ao período de 2003 a 2007; (iii) Livro Diário relativo ao período de 2002 a 2007; e (iv) Livro Razão relativo ao período de 2003 a 2007. Cumpre consignar que a controvérsia acerca da possibilidade de restituição ou compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal já foi objeto de longa controvérsia neste E. Conselho, resultando na edição da Súmula CARF nº 84: “Súmula CARF nº 84 É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa.” Diante da alegação da Recorrente de apuração de saldo negativo, a DRJ deveria ter verificado aspectos da apuração do ajuste anual do anocalendário de 2002 antes de reconhecer ou não o crédito pleiteado. Na hipótese de restar comprovado, pela documentação contábil e fiscal da contribuinte, a existência de saldo negativo de IRPJ para o ano de 2002, os pagamentos a título de estimativa de IRPJ, do mesmo período, podem ser admitidos enquanto indébitos passíveis de compensação a partir da data do seu recolhimento, conforme Súmula CARF nº 84. Nesse mesmo sentido, concluiu o Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, relator no julgamento do processo nº 10166.901000/200936, em litígio semelhante no ano calendário de 2004 e referente a mesma contribuinte: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INDÉBITO CORRESPONDENTE A PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR A TÍTULO DE ESTIMATIVA MENSAL. POSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. De acordo com o § 3º do art. 67 do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, que aprovou o atual Fl. 2550DF CARF MF Processo nº 10166.900910/201116 Acórdão n.º 1201002.821 S1C2T1 Fl. 9 8 Regimento Interno do CARF, c/c o art. 5º dessa mesma portaria, não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 ANALISE DO DIREITO CREDITÓRIO COMO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR DE ESTIMATIVA MENSAL OU COMO SALDO NEGATIVO. POSSIBILIDADE. Até a edição da Súmula CARF nº 84, a questão sobre a possibilidade de restituição/compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal foi objeto de longa controvérsia. Os recolhimentos a título de estimativa são referentes, no seu conjunto, a um mesmo período (anocalendário), e embora a contribuinte tenha indicado como crédito a ser compensado nestes autos apenas a estimativa de dezembro/2004, e não o saldo negativo total do ano, o pagamento reivindicado como indébito corresponde ao mesmo período anual (2004) e ao mesmo tributo (IRPJ) do saldo negativo que seria restituível/compensável. Há que se considerar ainda que em muitos outros casos com contextos fáticos semelhantes ao presente, os contribuintes, na pretensão de melhor demonstrar a origem e a liquidez e certeza do indébito, indicavam como direito creditório o próprio pagamento (DARF) das estimativas que geravam o excedente anual, em vez de indicarem o saldo negativo constante da DIPJ. Tais considerações levam a concluir que a indicação do crédito como sendo uma das estimativas mensais (antecipação), e não o saldo negativo final, não pode ser obstáculo ao pleito da contribuinte.” (Processo nº 10166.901000/200936, Acórdão nº 9101002.903, 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, Sessão de 08 de junho de 2017) Em consonância com a ementa acima transcrita, entendo que a indicação do crédito como sendo uma das estimativas mensais e não o saldo negativo final, não deve obstar a análise do direito creditório pleiteado pela Recorrente. No presente caso não houve mudança na origem do direito creditório, mas sim a indicação da parte (estimativa mensal) ao invés do todo (saldo negativo). Vale ressaltar que, conforme já exposto nos itens 13 a 18 deste voto, a desconsideração dos indícios de prova e dos documentos apresentados pela Recorrente viola os princípios da isonomia processual, boafé, cooperação e contraditório efetivo hábeis a assegurar a busca da verdade material e da eficiência Fl. 2551DF CARF MF Processo nº 10166.900910/201116 Acórdão n.º 1201002.821 S1C2T1 Fl. 10 9 processual, conforme prevê os artigos 6º e 7º, da Lei nº 13.105/2015 (Código de Processo Civil), bem como no artigo 2º da Lei nº 9.784/1999. Em análise dos autos, fica evidente que as doutas autoridades administrativas e julgadoras proferiram decisão baseadas no fato de que o DARF apontado como origem do direito creditório foi utilizado integralmente para o pagamento de estimativa mensal de IRPJ declarada e não analisaram a efetiva existência do saldo negativo de IRPJ e suas consequências. Logo, considerando que a origem e a procedência do crédito não foram devidamente analisadas até o momento, entendo que cabe a unidade local proceder a verificação da suficiência do direito creditório para a compensação declarada, considerando a alegação de apuração de saldo negativo. Tal verificação deve considerar a documentação apresentada nos autos e, se entender necessário, intimar a Recorrente para que apresente esclarecimentos complementares. A partir da análise pela unidade local, deve ser prolatado novo despacho decisório, com abertura de prazo para apresentação de nova manifestação de inconformidade e dos demais recursos previstos na legislação. Dessa forma, não há supressão do rito processual habitual e o direito de defesa da contribuinte permanece preservado. No mais, é fundamental que sejam verificados conjuntamente, por meio dos sistemas de informação internos da RFB, os PER/DCOMP’s que tenham por base o mesmo crédito. Conclusão Diante do exposto, VOTO no sentido de CONHECER do RECURSO interposto e, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para determinar o retorno dos autos à Unidade Local Competente para análise do direito creditório na modalidade de saldo negativo, retomandose, a partir do novo Despacho Decisório, o rito processual habitual. É como voto. Aplicase a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, no sentido de CONHECER do RECURSO interposto e, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para determinar o retorno dos autos à Unidade Local Competente para análise do direito creditório na modalidade de saldo negativo, retomandose, a partir do novo Despacho Decisório, o rito processual habitual. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 2552DF CARF MF Processo nº 10166.900910/201116 Acórdão n.º 1201002.821 S1C2T1 Fl. 11 10 Fl. 2553DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.007534/2008-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Data do fato gerador: 23/04/2004
IRRF. COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPROVAÇÃO.
Cabe ao contribuinte comprovar o imposto de renda retido na fonte para poder utilizá-lo na compensação de crédito tributário.
PRODUÇÃO DE PROVAS. MOMENTO PRÓPRIO. JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS APÓS PRAZO DE DEFESA.
A impugnação deverá vir instruída com todos os documentos e provas que o interessado possuir, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, salvo nas hipóteses taxativamente previstas na legislação previdenciária.
PRETERIÇÃO DE DIRETO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não há preterição de direito de defesa quando os autos demonstram que o contribuinte teve amplas possiblidade de apresentar suas razões.
Numero da decisão: 2402-006.949
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar proposta de conversão do julgamento em diligência, sendo vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Wilderson Botto, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior (autor da proposta) e, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Wilderson Botto, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 11020.007525/2008-10, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira- Presidente e Relator.
Participaram ainda da sessão de julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Junior, João Victor Ribeiro, Luís Henrique Dias Lima, Maurício Nogueira Righetti, Paulo Sergio da Silva, Renata Toratti Cassini e Wilderson Botto.
Nome do relator: DENNY MEDEIROS DA SILVEIRA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1908; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 2 1 1 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11020.007534/200819 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402006.949 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 12 de fevereiro de 2019 Matéria IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Recorrente UNIMED NORDESTE RS SOC COOP SERV MED Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Data do fato gerador: 23/04/2004 IRRF. COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPROVAÇÃO. Cabe ao contribuinte comprovar o imposto de renda retido na fonte para poder utilizálo na compensação de crédito tributário. PRODUÇÃO DE PROVAS. MOMENTO PRÓPRIO. JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS APÓS PRAZO DE DEFESA. A impugnação deverá vir instruída com todos os documentos e provas que o interessado possuir, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, salvo nas hipóteses taxativamente previstas na legislação previdenciária. PRETERIÇÃO DE DIRETO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há preterição de direito de defesa quando os autos demonstram que o contribuinte teve amplas possiblidade de apresentar suas razões. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar proposta de conversão do julgamento em diligência, sendo vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Wilderson Botto, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior (autor da proposta) e, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Wilderson Botto, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 75 34 /2 00 8- 19 Fl. 204DF CARF MF Processo nº 11020.007534/200819 Acórdão n.º 2402006.949 S2C4T2 Fl. 3 2 julgamento do processo 11020.007525/200810, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente e Relator. Participaram ainda da sessão de julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Junior, João Victor Ribeiro, Luís Henrique Dias Lima, Maurício Nogueira Righetti, Paulo Sergio da Silva, Renata Toratti Cassini e Wilderson Botto. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2402006.938, de 12 de fevereiro de 2019 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 11020.007525/200810, paradigma deste julgamento, com adaptações na forma a seguir apresentada. Tratase de recurso voluntário pelo qual a recorrente se indispõe contra acórdão de impugnação, onde a Turma de DRJ competente acolheu apenas parcialmente pedido de compensação de IRRF apresentado pela empresa. A recorrente apresentou PER/DCOMP requerendo a compensação de débito de IRRF, código 0588, com valores retidos no mesmo mês, por tomadores de serviços prestados por seus associados. A contribuinte foi cientificada da homologação apenas parcial de seu pedido, vindo a apresentar manifestação de inconformidade contra tal decisão. A autoridade de piso, ao examinar o caso, decidiu por converter o julgamento em diligência, a fim de que a fiscalização intimasse, recebesse e analisasse os comprovantes de retenção emitidos em nome da recorrente, bem como emitisse um relatório circunstanciado acerca do montante do crédito comprovado, cientificando ao final a empresa sobre as suas conclusões. Realizado tal procedimento, a recorrente manifestou concordância com a parte do crédito reconhecido pela auditoria, pedindo, entretanto, que a DRJ ordenasse uma complementação da diligencia, para que a auditoria examinasse sua contabilidade e detectasse os casos de retenções não declaradas em DIRF pelos tomadores de seus serviços. Pediu, ainda, que, caso o julgador não concordasse com tal complementação, que ao menos concedesse um novo prazo para a empresa juntar as faturas de sua emissão contendo destaques das retenções sofridas no período. Posteriormente, a Turma de DRJ exarou o acórdão recorrido, decidindo pela procedência parcial da manifestação de inconformidade da contribuinte e indeferindo o novo pedido de diligência, ao argumento de que o ônus de prova seria da contribuinte e que caberia a Fl. 205DF CARF MF Processo nº 11020.007534/200819 Acórdão n.º 2402006.949 S2C4T2 Fl. 4 3 essa, portanto, ter apresentado os elementos probantes de suas alegações junto com inconformidade, em vez de tãosomente disponibilizar sua contabilidade à fiscalização. Irresignada, a contribuinte apresentou o recurso voluntário em apreço, pedindo a anulação do acórdão combatido, por preterição de direito de defesa, e requereu a realização de nova diligência (a fim de comprovar as retenções sofridas) ou que, ao menos, fosse autorizada a juntada de cópias de faturas com os destaques das retenções sofridas. É o relatório. Voto Conselheiro Denny Medeiros da Silveira, Relator. Este processo foi julgado na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2402006.938, de 12 de fevereiro de 2019 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 11020.007525/200810, paradigma deste julgamento. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2402006. 938, de 12 de fevereiro de 2019 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária: Acórdão nº 2402005.938 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária "Da admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais para sua admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Do pedido de anulação da decisão recorrida Quanto ao pedido de anulação do acórdão recorrido, analisados os autos, verificase que a autoridade de piso concedeu amplas possibilidades de a contribuinte apresentar suas razões e juntar todos os elementos de prova que considerasse necessários. Consta, inclusive, que o primeiro grau autorizou a realização de diligência requerida pela empresa, tendo a fiscalização estendido por 80 dias o prazo para a recorrente apresentar as provas constitutivas de seu direito, além de outros 30 dias para, ao final do procedimento, manifestarse sobre as conclusões da auditoria. Foi observado, também, que o acórdão combatido detalha e análise todos os argumentos e pedidos apresentados pela recorrente, expondo de forma clara as razões que motivaram a decisão proferida. Assim, entendese que o indeferimento do segundo pedido de diligência da recorrente, apresentado logo após a conclusão do primeiro Fl. 206DF CARF MF Processo nº 11020.007534/200819 Acórdão n.º 2402006.949 S2C4T2 Fl. 5 4 procedimento, em nada afetou seu direito de defesa, descabendo razão à empresa quanto a esse aspecto. Da diligência requerida Sobre o pedido de diligência apresentado no recurso voluntário, conforme exposto, os autos demonstram que foram disponibilizadas à contribuinte todas as oportunidades para a apresentação dos elementos probantes que desejasse, descabendo ao fisco auditar a contabilidade da empresa a fim de localizar informações que a própria contribuinte afirma possuir, uma vez que, na dicção do Art. 373, I do CPC, é do autor o ônus da prova dos fatos constitutivos de seu direito. Do pedido para apresentação de novos documentos A respeito do pedido para apresentação, neste momento processual, de faturas de emissão da recorrente, contendo destaques das retenções sofridas no período, deve ser observada a norma contida no art. 16, §4º, do DL 70.235/72, in verbis: Art. 16. A impugnação mencionará: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Conforme se verifica, tais provas deveriam ter sido produzidas junto com a impugnação (manifestação de inconformidade), estando precluso o direto de a contribuinte apresentálas em outro momento processual, a menos que se demonstre a impossibilidade de fazêlo anteriormente, seja por motivo de força maior, fato ou direto superveniente ou, ainda, que a prova vise contrapor fatos ou razões trazidas posteriormente aos autos, circunstâncias que não se vislumbram no presente caso, devendo, por isso, ser denegado o pedido. Fl. 207DF CARF MF Processo nº 11020.007534/200819 Acórdão n.º 2402006.949 S2C4T2 Fl. 6 5 Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do recurso voluntário apresentado e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, mantendo o crédito tributário discutido." Ante o exposto, voto por CONHECER do recurso voluntário apresentado e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, mantendo o crédito tributário discutido. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Fl. 208DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10850.900331/2012-36
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2012
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO CERTA E LÍQUIDA DO INDÉBITO. NÃO CONFIGURAÇÃO.
A comprovação deficiente do indébito fiscal que se deseja compensar ou ter restituído não pode fundamentar tais direitos. Somente o direito creditório comprovado de forma certa e líquida dará ensejo à compensação e/ou restituição do indébito fiscal.
PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. SUPORTE PROBATÓRIO. NECESSIDADE.
A mera retificação da DCTF após o despacho decisório denegatório, sem a apresentação de escrituração e documentação contábil e fiscal, não é suficiente para comprovar o crédito pleiteado.
Numero da decisão: 1003-000.712
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Wilson Kazumi Nakayama.
Nome do relator: MAURITANIA ELVIRA DE SOUSA MENDONCA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2012 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO CERTA E LÍQUIDA DO INDÉBITO. NÃO CONFIGURAÇÃO. A comprovação deficiente do indébito fiscal que se deseja compensar ou ter restituído não pode fundamentar tais direitos. Somente o direito creditório comprovado de forma certa e líquida dará ensejo à compensação e/ou restituição do indébito fiscal. PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. SUPORTE PROBATÓRIO. NECESSIDADE. A mera retificação da DCTF após o despacho decisório denegatório, sem a apresentação de escrituração e documentação contábil e fiscal, não é suficiente para comprovar o crédito pleiteado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente (assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Wilson Kazumi Nakayama.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2012 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO CERTA E LÍQUIDA DO INDÉBITO. NÃO CONFIGURAÇÃO. A comprovação deficiente do indébito fiscal que se deseja compensar ou ter restituído não pode fundamentar tais direitos. Somente o direito creditório comprovado de forma certa e líquida dará ensejo à compensação e/ou restituição do indébito fiscal. PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. SUPORTE PROBATÓRIO. NECESSIDADE. A mera retificação da DCTF após o despacho decisório denegatório, sem a apresentação de escrituração e documentação contábil e fiscal, não é suficiente para comprovar o crédito pleiteado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva –Presidente (assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça –Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 03 31 /2 01 2- 36 Fl. 94DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Wilson Kazumi Nakayama. Relatório Tratase de recurso voluntário contra acórdão proferido pela da 5ª Turma da DRJ/RPO que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da Recorrente, não conhecendo do direito creditório. Por bem refletir os fatos, adoto e transcrevo o relatório da decisão de primeira instância, complementandoo ao final: ITAPUÃ EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA contribuinte requerente), com fulcro no art. 15 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF), apresenta manifestação de inconformidade ao despacho que indeferiu o pleito consubstanciado nos processos abaixo relacionados: Tais processos estão sendo juntados por “apensação”, considerando principal o de nº 10850900331201236, visando otimizar os procedimentos processuais e lavratura de atos relativos a todos eles, haja vista tratarse do mesmo contribuinte e mesma matéria em litígio. Tratamse pedidos de reconhecimento de direito creditório, formalizados mediante “Pedidos de Ressarcimento ou Restituição Eletrônicos – Declaração de Compensação” – PERDCOMP juntados aos autos dos aludidos processos. Em todos os pedidos a contribuinte registra que se trata de recolhimento indevido ou a maior, a exemplo da PERDCOMP de fls. 2226 do “processo principal” transmitida em 24/08/2009 que se refere ao recolhimento do IRPJ relativo ao período de apuração de junho/2007. Consoante despachos decisórios da DRF de Origem, a exemplo de fls. 27 do “processo principal”, proferido em 8/6/2011, todos os pleitos foram indeferidos em face da apuração da inexistência do crédito, ou seja, os pagamentos que se alega foram realizados a maior já se encontravam alocados a débitos declarados e confessados pelo próprio contribuinte. Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10850.900331/201236 Acórdão n.º 1003000.712 S1C0T3 Fl. 3 3 Cientificada, a contribuinte apresentou manifestações de inconformidade, tal qual a fls. 24 do processo principal, alegando em síntese que efetuou os recolhimentos a maior, conforme cópia dos DARF que junto ao processo. Ao final requer seja reconhecido o direito creditório pleiteado que entende fazer jus. Ao apreciar a referida manifestação de inconformidade, a DRJ entendeu por bem julgála improcedente e manteve o Despacho Decisório, cuja ementa da decisão segue transcrita: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2012 RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. NECESSIDADE DA EXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A restituição, tal qual a compensação, pressupõe a existência de crédito do devedor para com o credor. No momento em que o sujeito passivo não retificou a DCTF antes da apreciação do pleito na DRF, não fez com que se materializasse junto à Administração Tributária o valor que alega ter recolhido a maior, cujo montante pretendia ver reconhecido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, com o objetivo de reforma da decisão, a Recorrente apresentou o recurso voluntário, cujos argumentos, em síntese, foram: Fl. 96DF CARF MF 4 É o relatório. Voto Conselheira Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Relatora. Compulsando os autos, verifico que o recurso voluntário é tempestivo e cumpre com os demais requisitos legais de admissibilidade previstos nas normas de regência, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciálo. Conforme já relatado, o pleito da Recorrente gira em torno do pedido de reconhecimento de suposto direito creditório, relativo a recolhimentos a maior do IRPJ, mediante apresentação de Perd/Comp eletrônicas, conforme DARF juntado aos processos. Referidas homologações não foram homologadas pela Autoridade Administrativa ante a constatação de inexistência de créditos disponíveis para compensação vez que os recolhimentos, apontados como realizados a maior, já estavam alocados a débitos regularmente confessados. A Recorrente discorda do procedimento adotado. Contudo, pela análise dos autos, está claro que Recorrente não acostou aos autos conjunto probatório robusto que comprovasse existência do crédito alegado. A Recorrente nem ao menos procedeu à retificação das DCTF. Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10850.900331/201236 Acórdão n.º 1003000.712 S1C0T3 Fl. 4 5 Caso a Recorrente tivesse procedido à retificação de suas declarações, mesmo após proferido o Despacho Decisório que não homologou compensação pleiteada, com a apresentação de documentos comprobatórios do erro de fato, a jurisprudência do CARF, na qual me filio, tem aceitado a juntada de documentos posteriormente à manifestação de inconformidade, desde que esclareça pontos fundamentais na ação. Portanto, claro está que a Recorrente não logrou êxito em demonstrar documentalmente a existência de suposto erro de fato que desse guarida à retificação das declarações apresentadas, conforme já dito. Ademais, em um processo de restituição, ressarcimento ou compensação, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito ao aproveitamento do crédito, quer por pedido de restituição ou ressarcimento, quer por compensação, incumbindolhe, na qualidade de autor, demonstrar seu direito. Nesta senda, a compensação válida pressupõe o encontro de valores líquidos e certos, inclusive, harmônicos com todos os registros e declarações do interessado, não podendo estar presentes incertezas e dúvidas para o cotejo de contas. Logo, levandose em conta que o crédito oferecido à compensação deve ser líquido e certo (art. 170 do CTN1), concluise que não deve haver homologação da compensação se ficar configurada a falta de certeza e liquidez, como de fato ocorreu in casu, notadamente com base em informações prestadas pela própria Recorrente. Que fique claro: o crédito usado em compensação deve estar disponível na data da transmissão da PERDCOMP, ou seja, o crédito deve ser líquido e certo, nos termos do art. 170 do CTN, naquele momento, o que não se deu aqui antes as divergências apontadas e não corrigidas, impossibilitando a comprovação de crédito informado nos PER/DCOMP. Lado outro, conforme dito, ainda que se tratasse de erro de fato, aquele erro, por exemplo, que se situa no conhecimento e compreensão das características da situação fática tais como inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos, é certo que cabe à Recorrente o ônus de sua prova. Apenas nas situações comprovadas de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e erros de escrita ou de cálculos existentes no Per/DComp podem ser corrigidos de ofício ou a requerimento da Requerente, como determina o art. 32 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, desde que devidamente comprovadas, e, como já foi dito, isso não ocorreu Tal ausência de comprovação, também, é incompatível com a retificação das declarações após a prolação do Despacho Decisório. Afinal, conforme dito, é importante registrar que a DCTF é confissão de dívida, que confere liquidez e certeza à obrigação tributária. Qualquer alteração da DCTF após o despacho decisório deve ser realizada munida de documentos fiscais suficientes para comprovar eventual erro anterior (Parecer Normativo Cosit nº 02, de 28 de agosto de 2015). 1 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Fl. 98DF CARF MF 6 Outrossim, é em razão do princípio da verdade material que a Recorrente deveria ter colacionado aos autos os documentos contábilfiscais da empresa, que comprovassem o direito creditório alegado. O contrário homologar a compensação sem os documentos contábeis indispensáveis, considerando apenas as declarações da DIPJ e DCTF (sem as retificações) não é observar ao princípio da verdade material, mas agir de forma impudente, pois com base nas declarações e documentos constantes no processo não há como validar os créditos, e, por conseguinte, não pode ser identificada a liquidez e certeza dos créditos em discussão nestes autos (art. 170 CTN). Ressaltase que todos os documentos constantes nos autos foram analisados e constatouse que não foram produzidos no processo elementos de prova mediante assentos contábeis e fiscais que evidenciassem a liquidez e certeza do direito creditório pleiteado. Ante o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo o não reconhecimento do direito creditório em questão, e, por conseguinte, a não homologação da compensação pleiteada. (assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça Fl. 99DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.722005/2017-51
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/1996 a 28/02/2006
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAÇÃO DE SÚMULA VINCULANTE DO CARF.
No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996 (Súmula CARF n.º 119).
Numero da decisão: 9202-007.767
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento para aplicação da Súmula CARF nº 119.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em exercício).
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/1996 a 28/02/2006 DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAÇÃO DE SÚMULA VINCULANTE DO CARF. No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996 (Súmula CARF n.º 119).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento para aplicação da Súmula CARF nº 119. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em exercício).
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PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAÇÃO DE SÚMULA VINCULANTE DO CARF. No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996 (Súmula CARF n.º 119). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento para aplicação da Súmula CARF nº 119. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 20 05 /2 01 7- 51 Fl. 558DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional contra o Acórdão n.º 2301003.666 proferido pela 1ª Turma da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, em 13 de agosto de 2013, no qual restou consignada a seguinte ementa, fls. 307: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/1996 a 28/02/2006 DECADÊNCIA. INCONSTITUCIONALIDADE RECONHECIDA PELO STF DOS ARTIGOS 45 E 46 DA Lei nº 8.212/91. CONTAGEM DO DE ACORDO COM O CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). Havendo pagamento antecipado aplicase a regra decadencial prevista no artigo 150 §, 4º do Código Tributário Nacional. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. DIRETORES NÃO EMPREGADOS A Lei nº 10.101/00 ao tratar da participação dos trabalhadores (gênero) nos lucros das empresas tomou como base apenas a categoria dos empregados (espécie), ou nos termos da Lei de Custeio da Seguridade Social (Lei nº 8.212/91), apenas os segurados empregados arrolados no artigo 12, inciso I. Não estão contemplados, assim, os diretores não empregados, qualificados como segurados contribuintes individuais, nos termos do artigo 12, inciso V, alínea “f” da Lei 8.212/91. Os pagamentos a título de participação nos lucros para os diretores não empregados não estão contemplados pela Lei nº 10.101/00, sendo passíveis, portanto, de incidência da contribuição previdenciária, ex vi, dos artigos 22, inciso III e 28, § 9º “j”, ambos da Lei 8.212/91. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Incide na espécie a retroatividade prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Fl. 559DF CARF MF Processo nº 16682.722005/201751 Acórdão n.º 9202007.767 CSRFT2 Fl. 3 3 Nacional, devendo ser a multa lançada na presente autuação calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. A contribuinte apresentou embargos de declaração, mas eles foram inadmitidos, devido ao reconhecimento da intempestividade, consoante constam das fls. 407 e 447 e seguintes. No que se refere ao Recurso Especial interposto, fls. 320 a 332, houve sua admissão, por meio do Despacho de fls. 334 a 338, para rediscutir a aplicação da multa de ofício após o advento da MP n.º 449/08, convertida na Lei n.º 11.941/09 (retroatividade benigna). Em seu recurso, aduz a Fazenda, em síntese, que: a) o artigo 35 da Lei nº 8.212/91 na nova redação conferida pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, não pode ser entendido de forma isolada do contexto legislativo no qual está inserido, sobretudo de forma totalmente dissociada das alterações introduzidas pela MP nº 449 à legislação previdenciária; b) a redação do art. 35 A é clara. Efetuado o lançamento de ofício das contribuições previdenciárias indicadas no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, deverá ser aplicada a multa de ofício prevista no artigo 44 da Lei nº 9.430/96, que corresponde ao patamar de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição devido e não recolhido; c) no lançamento de ofício, diante da falta de pagamento ou recolhimento do tributo, é exigido, além do principal e dos juros moratórios, os valores relativos à multa de ofício. A multa de ofício é aplicada quando realizado o lançamento para a constituição do crédito tributário e a multa de mora incide quando o sujeito passivo, extemporaneamente, realiza o pagamento ou o recolhimento antes do procedimento de oficio (ou seja, espontaneamente – o que não foi o caso). Essa mesma sistemática deve ser aplicada às contribuições previdenciárias, em razão do advento da MP nº 449 de 2008 posteriormente convertida da Lei nº 11.941/09; d) para se averiguar sobre a ocorrência da retroatividade benigna no caso concreto, a comparação entre normas deve ser feita entre o art. 35, da Lei nº 8.212/91 em sua redação antiga (revogada) e o art. 35 A da LOPS; e) tese encampada pelo acórdão recorrido no sentido de que há retroatividade benigna em razão do advento da MP nº 449/2008 (convertida na Lei nº 11.941/2009) que conferiu nova redação ao art. 35 da Lei nº 8.212/91, portanto, não merece prevalecer, pois a forma de cálculo ali defendida somente pode ser utilizada no caso em que o contribuinte incorreu na mora e efetuou o recolhimento em atraso espontaneamente; Fl. 560DF CARF MF 4 f) a NFLD em testilha deve ser mantida, com a ressalva de que, no momento da execução do julgado, a autoridade fiscal deverá apreciar a norma mais benéfica: se a multa anterior (art. 35, II, da norma revogada) ou o art. 35A da MP nº 449/2008, atualmente convertida na Lei nº 11.941/2009. Devidamente intimada, a Contribuinte apresentou Contrarrazões, fls. 409 e seguintes, sustentando, em síntese, que: a) é incabível a comparação da antiga redação do artigo 35 da Lei 8.12/1991 com o art. 35A, da referida Lei, incluído pela MP n.º 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941/2009, já que este último dispositivo trata da multa de ofício, a qual não existia na legislação previdenciária à época do lançamento em questão; b) tendo em vista que o lançamento se reporta à data da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 144 do CTN, tem se que, em relação aos fatos geradores ocorridos antes do advento da MP 449/2008, aplicase apenas a multa de mora; c) a antiga redação do artigo 35 da Lei 8.212/91 apenas pode ser comparada com o artigo 35, caput, da Lei 8.212/91, com a atual redação dada pela MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, conforme acertadamente decidido pelo v. acórdão n.º 2301003.666, recorrido; d) não há qualquer razão para a reforma do acórdão recorrido, no que se refere à aplicação da multa prevista no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, com redação dada pela Lei n.º 11.941/2009 e remissão ao artigo 61 da Lei n.º 9.430/96. Foi interposto Recurso Especial pela Contribuinte, mas, conforme o Despacho de fls. 503 a 507, foi inadmitido. Posteriormente, foi protocolizada Petição pelo Sujeito passivo informando sobre a realização de um depósito judicial no âmbito do processo n.º 0131952 40.2017.4.02.5101, em trâmite na 12ª Vara Federal da Seção Judiciária do Rio de Janeiro, a qual foi ajuizada com a finalidade de desconstituição dos débitos relativos ao valor principal e aos juros (relativos às contribuições previdenciárias sobre a PLR a diretores não empregados, dos períodos de 04/2003, 04/2004 e 04/2006). Assim, a matéria sob análise no Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional se refere unicamente à multa aplicada, que não foi objeto da discussão judicial e, portanto, não foi incluída no depósito judicial, como se observa do trecho da informação fiscal baixo transcrito, fls. 549: Comparando o depósito judicial com a tela do SICOB fica claro que a empresa depositou o valor principal e os juros, que são os valores devidos atualmente, pois a multa está em discussão pelo Recurso Especial da Procuradoria. Diante da impossibilidade de desmembramento da multa para este processo, o débito foi integralmente suspenso por medida judicial no AI e o presente PAF cadastrado sem crédito tributário, apenas para julgamento. Os documentos que instruem o presente processo foram copiados do Auto de Infração nº 19740.000125/200860. Fl. 561DF CARF MF Processo nº 16682.722005/201751 Acórdão n.º 9202007.767 CSRFT2 Fl. 4 5 É o relatório. Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Conheço do recurso, pois se encontra tempestivo e presentes os requisitos de admissibilidade. No Relatório Fiscal, há o apontamento de que, na mesma ação fiscal, além destes autos, foram lavrados os seguintes, fls. 139: NFLD DEBCAD 37.129.6196 AI DEBCAD 37.129.6153 AI DEBCAD 37.129.6161 AI DEBCAD 37.129.6170 AI DEBCAD 37.129.6188 O objeto do presente lançamento consta do referido Relatório às fls. 131, conforme abaixo transcrito: O presente processo referese a uma NFLD (DEBCAD: 37.129.6145) lavrada para a exigência de contribuições devidas pela empresa, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título aos segurados empregados, contribuintes individuais, bem como glosa de compensação e pagamentos a cooperativas mais a contribuição destinada ao financiamento dos benefícios em razão da incapacidade laborativa, a destinada a outras entidades (terceiros). Em decisão de recurso voluntário os membros do CARF acordaram, através do Acórdão n° 2301003.666: I) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento, devido à regra decadencial expressa no § 4°, Art. 150 do CTN, as contribuições apuradas até a competência 11/2002, anteriores a 12/2002, II) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei n° 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente". Diante disso, a PGFN interpôs o Recurso Especial no qual apenas pede para reformar o acórdão recorrido no ponto em que determinou a aplicação do art. 35, caput, da Lei n° 8.212/91 (na atual redação conferida pela Lei n° 11.941/2009), em detrimento do art. 35A, também da Lei n° 8.212/91, devendose verificar, na execução do julgado, qual norma mais benéfica: se a soma das duas multas anteriores (art. 35, II, e 32, IV, da norma revogada) ou a do art. 35A da MP 449/2008. Fl. 562DF CARF MF 6 Foi então admitida para rediscussão por essa Câmara a aplicação da retroatividade benigna, com relação à multa aplicada, diante das alterações promovidas pela MP n.º 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009. Acerca do tema, consolidouse o entendimento, na seara administrativa, constante do enunciado de Súmula Vinculante CARF n.º 119 abaixo transcrito: Súmula CARF nº 119 No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996.(Vinculante, conforme Portaria ME nº 129, de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). Assim, em obediência ao caráter vinculante da referida súmula, saliento que assiste razão à Procuradoria da Fazenda Nacional em seus argumentos, motivo pelo qual adoto o entendimento esposado. Diante do exposto, voto por conhecer do Recurso Especial Interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, e, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Fl. 563DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13851.901908/2011-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 24 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.857
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Cynthia Elena de Campos.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
1.0 = *:*
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decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Cynthia Elena de Campos.
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(assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Cynthia Elena de Campos. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento no Rio de Janeiro que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte. Versa o processo sobre pedido de ressarcimento e declaração de compensação relativos a crédito de PIS/COFINS não cumulativa. A DRF de origem exarou o despacho decisório, reconhecendo em parte o direito creditório e homologando as compensações objeto da Dcomp analisada, até o limite do direito creditório remanescente após o procedimento especial de ressarcimento de que trata a Portaria MF 348/2010. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, mediante a qual manifestou concordância com a fiscalização em relação aos itens: “6.3. Despesas com alugueis de prédios locados”, “6.4.2. Partes e peças importadas utilizadas na manutenção de máquinas e equipamentos diretamente aplicados na produção” e “6.6. Receita na venda de sucatas”; e RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 51 .9 01 90 8/ 20 11 -2 4 Fl. 387DF CARF MF Processo nº 13851.901908/201124 Resolução nº 3402001.857 S3C4T2 Fl. 3 2 sustentou a legitimidade dos demais créditos, em linhas gerais, sob o conceito de insumo delimitado pelo critério da necessidade/essencialidade dos gastos com bens ou serviços utilizados pela empresa em sua atividade. A Delegacia de Julgamento não acatou os argumentos da manifestante, entendendo que nenhum dos itens glosados contestados poderia ser gerador de crédito, conforme ementa abaixo: (...) NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. Para fins de apuração de créditos da nãocumulatividade, consideramse insumos os bens e serviços diretamente aplicados ou consumidos na fabricação do produto. SERVIÇOS DE TRANSPORTE. MOVIMENTAÇÃO INTERNA. As despesas com serviço de transporte contratado para movimentação interna de produtos não gera direito a crédito a ser descontado no regime nãocumulativo da COFINS, por não se enquadrar no conceito de insumos nem se caracterizar como frete nas operações de venda. INSUMOS. MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. Geram direito à apuração de créditos a serem descontados da Cofins nãocumulativa as despesas com a aquisição de partes e peças de reposição utilizadas em máquinas e equipamentos que atuem diretamente no processo de fabricação ou produção dos bens destinados à venda, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado da empresa. (...) Cientificada dessa decisão em, a contribuinte apresentou recurso voluntário, sustentando o seu direito creditório sob os seguintes tópicos: II 1. Da Legitimidade da Apropriação dos Créditos de COFINS Oriundos dos Serviços Prestados pelas Empresas SERVISYSTEM e TRANSPORTADORA TRANSCARGA (itens 7.2 e 7.5 do Termo de Verificação Fiscal) Essencialidade dos Serviços na Atividade Produtiva da Recorrente. II. 1.2. Sobre os serviços de condução de veículos industriais prestados pela SERVISYSTEM II. 1.3. Serviços de Administração de Almoxarifado. II. 1.4. Ad Argumentandum Tantum Necessidade de manutenção dos créditos de COFINS ao menos em relação ao fornecimento dos veículos industriais pela Servisystem II.2. Do Direito ao Crédito de PIS Decorrente da Aquisição de Partes. Pecas. Lubrificantes, Graxas e Serviços de Manutenção de Máquinas Pertencentes à Recorrente Atuação Direta desse Maquinário no Processo de Fabricação ou Produção (Itens 7.4.1 e 7.4.2 do Relatório de Atividade Fiscal) II.2. a. Nulidade do Acórdão Recorrido Falha da Fiscalização Necessidade de Verificação, In loco, da Utilização dos Insumos e das Máquinas no Processo Produtivo da Recorrente Conversão do Julgamento deste Recurso em Diligência II.2.b. Do Direito da Recorrente aos Créditos de COFINS sobre instintos e serviços essenciais à sua linha de produção e aplicados no maquinário que não entram diretamente em contato com o produto final produzido pela Recorrente. II.2.a. Da Efetiva Participação das Máquinas e Insumos no Processo de Produção da Recorrente. Fl. 388DF CARF MF Processo nº 13851.901908/201124 Resolução nº 3402001.857 S3C4T2 Fl. 4 3 É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Resolução nº 3402 001.855, de 23 de abril de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 13851.721690/2011 26. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela resolução (Resolução nº 3402001.855): "Do conceito de insumo para o PIS e a Cofins não cumulativos O Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR (2010/02091150), pelo rito dos Recursos Repetitivos, decidiu no sentido de que o conceito de insumo deve ser aferido segundo os critérios de essencialidade ou relevância para o processo produtivo da contribuinte, bem como que há ilegalidade no conceito de insumo previsto nas Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004. A Procuradoria da Fazenda Nacional expediu a Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF, com a aprovação da dispensa de contestação e recursos sobre o tema, com fulcro no art. 19, IV, da Lei nº 10.522, de 2002, c/c o art. 2º, V, da Portaria PGFN nº 502, de 2016, o que vincula a Receita Federal nos atos de sua competência. O conceito de insumo delimitado no REsp nº 1.221.170/PR (2010/02091150) não diverge muito do entendimento que já vinha sendo adotado predominantemente neste CARF sobre a matéria, a qual reclama há muito tempo uniformização na jurisprudência em homenagem à segurança jurídica, razões pelas quais se adota desde já o entendimento do STJ veiculado no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR (2010/02091150), cuja ementa consta abaixo: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, Fl. 389DF CARF MF Processo nº 13851.901908/201124 Resolução nº 3402001.857 S3C4T2 Fl. 5 4 efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3º, II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço –para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos realtivos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. Os critérios da essencialidade e relevância considerados são aqueles delimitados no Voto da Ministra Regina Helena Costa, conforme observação que constou na Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFN MF: 35. O STJ, seguindo o voto da Ministra Regina Helena Costa adotou a posição intermediária quanto ao conceito de insumo, ao adotar os critérios de relevância e essencialidade – também adotadas no CARF – e afastando o conceito de insumo da legislação do IPI e IRPJ. De acordo com o voto da Ministra Regina Helena estabeleceuse o critério de relevância – mais abrangente que o de pertinência adotado pelo Ministro Mauro Campbell Marques. Os Ministros Mauro Campbell Marques e Napoleão Nunes Maia Filho realinharam os seus votos para acompanhar Ministra Regina Helena Costa. (...) Observação 1. Observase que o STJ adotou a interpretação intermediária acerca da definição de insumo, considerando que seu conceito deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Devese, pois, levar em conta as particularidades de cada processo produtivo, na medida em que determinado bem pode fazer parte de vários processos produtivos, porém, com diferentes níveis de importância. Vale destacar que os critérios de essencialidade e relevância estão esclarecidos no voto da Ministra Regina Helena Costa, de maneira que se entende como critério da essencialidade aquele que “diz com o item do qual dependa, intrínseca e Fl. 390DF CARF MF Processo nº 13851.901908/201124 Resolução nº 3402001.857 S3C4T2 Fl. 6 5 fundamentalmente, o produto ou serviço”, a)”constituindo elemento essencial e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço” ou “b) quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência”. Por outro lado, o critério de relevância “é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja: a) “pelas singularidades de cada cadeia produtiva” b) seja “por imposição legal.” Vale aqui também fazer as ressalvas efetuadas pela Procuradoria da Fazenda Nacional na Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF no sentido de que foi estabelecido no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR somente um conceito abstrato de insumo, cabendo ao julgador ou aplicador da norma avaliar, em cada caso concreto, se o insumo em questão enquadrase ou não nesse conceito, ou mesmo, se não se trata de hipótese de vedação ao creditamento ou de outras previsões específicas constantes nas Leis nºs 10.637/2002, 10.833/2003 e 10.865/2005. A Receita Federal, por sua vez, trouxe outros delineamentos para a interpretação do conceito abstrato de insumo trazido pelo STJ mediante o PARECER NORMATIVO COSIT/RFB Nº 05, de 17 de dezembro de 2018, cujo entendimento também vincula a fiscalização em seus atos. Observase, no entanto, que, para verificar o enquadramento do caso concreto ao referido conceito abstrato de insumo, algumas questões ainda precisam ser esclarecidas pela fiscalização e pela recorrente. II1. Da Apropriação dos Créditos de Cofins relativos aos serviços prestados pelas Empresas SERVISYSTEM e TRANSPORTADORA TRANSCARGA (itens 7.2 e 7.5 do Termo de Verificação Fiscal) Um dos contratos celebrados em 2010 com a empresa SERVISYSTEM tem o seguinte objeto: “O objeto da presente contratação é a prestação de serviços, pela CONTRATADA, de administração de almoxarifados e serviços administrativos, no Projeto denominado “deficientes” nas dependências indicadas pela CONTRATANTE. Também faz parte da presente contratação, a utilização de mão de obra por parte da CONTRATANTE, no que ser refere ao setor de Análise e Estatística da Qualidade, cujos serviços dizem respeito a desmontagem de produtos avariados.” (...) Embora haja nos autos alguma descrição do que seria a administração de almoxarifados, falta um melhor detalhamento acerca do serviço relacionado ao "setor de Análise e Estatística da Qualidade", bem como quanto aos demais "serviços administrativos" ou ao Projeto denominado “deficientes”. Fl. 391DF CARF MF Processo nº 13851.901908/201124 Resolução nº 3402001.857 S3C4T2 Fl. 7 6 Dessa forma, é conveniente que se solicite à recorrente um laudo técnico com descrição detalhada dos serviços relativos ao Contrato celebrado em 2010 com a empresa SERVISYSTEM que tem como objeto prestação de serviços "de administração de almoxarifados e serviços administrativos", em especial, o eventual enquadramento desses serviços no conceito abstrato de insumo delimitado acima e/ou no entendimento veiculado pelo PARECER NORMATIVO COSIT/RFB Nº 05, de 17 de dezembro de 2018. Caso seja possível, solicitase a segregação das remunerações dos serviços do contrato, diante da possibilidade de se manter algumas glosas de serviços e reverter outras do mesmo contrato. De outra parte, para uma maior segurança no julgamento pelo Colegiado seria também de grande utilidade um laudo técnico nesses termos relativamente aos demais contratos celebrados com a SERVISYSTEM ou com a TRANSCARGA. II.2. Da Aquisição de Partes, Peças, Lubrificantes, Graxas e Serviços de Manutenção de Máquinas pertencentes à Recorrente Relativamente a este tópico, as glosas foram efetuadas em relação às aquisições diretamente encaminhadas aos centros de custos que não estavam diretamente relacionados ao processo produtivo conforme entendimento da fiscalização (item 7.4.1 do Relatório Fiscal). Os centros de custos foram assim descritos pela fiscalização: Com relação aos centros de custos de "Engenharia de Produtos" e "Desenvolvimento de Novos produtos", relativos ao desenvolvimento de novos processos de fabricação de compressores, haveria a possibilidade de creditamento caso os itens adquiridos para estes centros (partes, peças, lubrificantes, graxas e serviços) atendessem aos Fl. 392DF CARF MF Processo nº 13851.901908/201124 Resolução nº 3402001.857 S3C4T2 Fl. 8 7 requisitos constantes no item 8.1 ("Pesquisa e Desenvolvimento") do PARECER NORMATIVO COSIT/RFB Nº 05/2018. Relativamente aos centros de custos de manutenção, quais sejam, Construção e Reforma de Máquinas; Ferramentaria; Fábrica geral; Funilaria e Manutenção Industrial; há, em tese, a possibilidade de creditamento como insumos somente para os bens e serviços que não devam ser objeto de ativação (creditamento por encargos de depreciação). Essa matéria também foi tratada no Parecer Normativo Cosit/RFB nº 05/2018 no item 7.1 ("Manutenção periódica e substituição de partes de ativos imobilizados"). Assim, a recorrente deve ser intimada para que apresente Laudo Técnico acerca da análise da essencialidade/relevância ao processo produtivo das partes, peças, lubrificantes, graxas e serviços aplicados nos centros de produção de manutenção ou de pesquisa e desenvolvimento, em especial, se atendem aos requisitos de creditamento nos termos dos itens 7.1 ou 8.1 do PARECER NORMATIVO COSIT/RFB Nº 05/2018. Nessa esteira, com fundamento no art. 18 do Decreto nº 70.235/72 e nos arts. 35 a 37 e 63 do Decreto nº 7.574/2011, voto no sentido de determinar a realização de diligência para que a Unidade de Origem: a) Intime a recorrente a, dentro de prazo razoável, apresentar Laudo Técnico com os seguintes quesitos: a.1) Descrição detalhada dos serviços relativos ao Contrato celebrado em 2010 com a empresa SERVISYSTEM que tem como objeto prestação de serviços "de administração de almoxarifados e serviços administrativos", em especial, o eventual enquadramento desses serviços no conceito abstrato de insumo delimitado no Voto da Ministra Regina Helena Costa no REsp nº 1.221.170/PR e/ou no PARECER NORMATIVO COSIT/RFB Nº 05, de 17 de dezembro de 2018. Caso seja possível, solicitase a segregação das remunerações dos serviços do contrato, diante da eventual possibilidade de o Colegiado manter algumas glosas de serviços e reverter outras do mesmo contrato. a.2) Descrição detalhada dos serviços relativos aos demais contratos celebrados com a SERVISYSTEM ou com a TRANSCARGA e do seu eventual enquadramento no conceito de insumo e segregação da remuneração, conforme delineado no item precedente. a.3) Análise da essencialidade/relevância ao processo produtivo das partes, peças, lubrificantes, graxas e serviços aplicados nos centros de produção de manutenção e de pesquisa e desenvolvimento, em especial, se atendem aos requisitos de creditamento nos termos dos itens 7.1 ou 8.1 do PARECER NORMATIVO COSIT/RFB Nº 05/2018. b) Elabore Relatório Conclusivo acerca da apuração das informações solicitadas nos itens acima, manifestandose acerca dos fatos e fundamentos apresentados pela recorrente, inclusive, sobre o eventual enquadramento dos itens glosados contestados no conceito de insumo delimitado no Voto da Ministra Regina Helena Costa proferido no Fl. 393DF CARF MF Processo nº 13851.901908/201124 Resolução nº 3402001.857 S3C4T2 Fl. 9 8 REsp nº 1.221.170/PR e/ou no PARECER NORMATIVO COSIT/RFB Nº 05/2018, ambos de aplicação obrigatória no âmbito da RFB. 3. Após a intimação da recorrente do resultado da diligência, concedendolhe o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, nos termos do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011, devolva o processo a este Colegiado para prosseguimento." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por determinar a realização de diligência para que a Unidade de Origem: a) Intime a recorrente a, dentro de prazo razoável, apresentar Laudo Técnico com os seguintes quesitos: a.1) Descrição detalhada dos serviços relativos ao Contrato celebrado em 2010 com a empresa SERVISYSTEM que tem como objeto prestação de serviços "de administração de almoxarifados e serviços administrativos", em especial, o eventual enquadramento desses serviços no conceito abstrato de insumo delimitado no Voto da Ministra Regina Helena Costa no REsp nº 1.221.170/PR e/ou no PARECER NORMATIVO COSIT/RFB Nº 05, de 17 de dezembro de 2018. Caso seja possível, solicitase a segregação das remunerações dos serviços do contrato, diante da eventual possibilidade de o Colegiado manter algumas glosas de serviços e reverter outras do mesmo contrato. a.2) Descrição detalhada dos serviços relativos aos demais contratos celebrados com a SERVISYSTEM ou com a TRANSCARGA e do seu eventual enquadramento no conceito de insumo e segregação da remuneração, conforme delineado no item precedente. a.3) Análise da essencialidade/relevância ao processo produtivo das partes, peças, lubrificantes, graxas e serviços aplicados nos centros de produção de manutenção e de pesquisa e desenvolvimento, em especial, se atendem aos requisitos de creditamento nos termos dos itens 7.1 ou 8.1 do PARECER NORMATIVO COSIT/RFB Nº 05/2018. b) Elabore Relatório Conclusivo acerca da apuração das informações solicitadas nos itens acima, manifestandose acerca dos fatos e fundamentos apresentados pela recorrente, inclusive, sobre o eventual enquadramento dos itens glosados contestados no conceito de insumo delimitado no Voto da Ministra Regina Helena Costa proferido no REsp nº 1.221.170/PR e/ou no PARECER NORMATIVO COSIT/RFB Nº 05/2018, ambos de aplicação obrigatória no âmbito da RFB. 3. Após a intimação da recorrente do resultado da diligência, concedendolhe o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, nos termos do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011, devolva o processo a este Colegiado para prosseguimento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 394DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13819.902068/2008-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/11/2002 a 30/11/2002
PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Em se tratando de pedido de compensação, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito aos créditos pleiteados.
Numero da decisão: 3402-006.576
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Em se tratando de pedido de compensação, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito aos créditos pleiteados. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 90 20 68 /2 00 8- 18 Fl. 102DF CARF MF Processo nº 13819.902068/200818 Acórdão n.º 3402006.576 S3C4T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Declaração de Compensação (DCOMP) com aproveitamento de suposto pagamento a maior, tendo em vista a venda de produtos para empresas sediadas na Zona Franca de Manaus. A Delegacia da Receita Federal de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação, tendo em vista que o pagamento apontado como origem do direito creditório estaria integralmente utilizado na quitação de débito da contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados no PERDCOMP. Inconformada com o despacho decisório, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, argumentando que o crédito utilizado na compensação teria origem em pagamento da contribuição na parcela calculada sobre vendas realizadas à Zona Franca de Manaus e apresenta suas razões para o acolhimento da compensação efetuada. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pelo colegiado a quo, nos termos do Acórdão nº 05036.545. Devidamente intimado, o contribuinte interpôs o recurso voluntário, ora em apreço, oportunidade em que continuou alegando a juridicidade do seu crédito, uma vez que as operações de vendas destinadas à Zona Franca de Manaus seriam equiparadas à operações imunes. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402006.574, de 25 de abril de 2019, proferido no julgamento do processo 13819.905701/200919, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3402006.574): "5. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos formais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. I. A imunidade das operações de venda à ZFM e a impertinência da discussão no presente caso 6. Para a devida compreensão do presente tópico deste voto, mister se faz destacar que o despacho decisório que Fl. 103DF CARF MF Processo nº 13819.902068/200818 Acórdão n.º 3402006.576 S3C4T2 Fl. 4 3 denegou o pedido de compensação do contribuinte o fez ao fundamento de que o contribuinte já havia compensado o crédito vindicado com outro débito, o que fez nos seguintes termos: 7. Em outros termos, em momento algum a motivação do aludido ato administrativo trata da (in)juridicidade do crédito do contribuinte, mas sim pelo fato do crédito vindicado ter sido integralmente utilizado para previamente saldar outro débito (pagamento n. 3005660928; cód. 2172, PA de 31/05/2001) que não o aqui tratado 8. Acontece que, tanto em sua manifestação de inconformidade quanto em seu recurso, o contribuinte alega que seu crédito seria válido, haja vista que as operações de venda para Zona Franca de Manaus seriam equiparadas a operações imunes. 9. Nesse sentido, convém novamente repisar que o contribuinte figura como titular da pretensão de compensação e, como tal, possui o ônus de prova quanto ao fato constitutivo de seu direito. Em outras palavras, o sujeito passivo possui o encargo de comprovar, por meio de documentos hábeis e idôneos, a existência do direito creditório, demonstrando que o direito invocado existe. 10. Assim, caberia ao sujeito passivo trazer aos autos os elementos aptos a comprovar a existência de direito creditório, capazes de demonstrar, de forma cabal, que a fiscalização incorreu em erro ao não homologar a compensação pleiteada, em conformidade com os arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/19721. Em outros termos, o ônus probatório nos processos de compensação é do postulante ao crédito, tendo este o dever de apresentar todos os elementos necessários à prova de seu direito, no entendimento reiterado desse Conselho: Assunto: Processo Administrativo Fiscal 1 “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;" Fl. 104DF CARF MF Processo nº 13819.902068/200818 Acórdão n.º 3402006.576 S3C4T2 Fl. 5 4 Período de apuração: 31/07/2009 a 30/09/2009 VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. (...) (Processo n.º 11516.721501/201443. Sessão 23/02/2016. Relator Rosaldo Trevisan. Acórdão n.º 3401003.096 grifos nosso). 11. Atentandose para o presente caso, não se vislumbra qualquer fundamento fático ou jurídico trazido pela recorrente capaz de alterar a conclusão em torno do direito ao crédito alcançada no despacho decisório e mantida pela decisão recorrida, a qual limitase a discutir, em abstrato, a validade material do suposto crédito por ela vindicado. Dispositivo 12. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário interposto." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 105DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10845.000326/00-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 01 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 1994,1995
DECADÊNCIA
lançamento de 2000, do ano-base de 1994 decadência reconhecida
APURAÇÃO DE ACRÉSCIMO PATRIMONIAL, A DESCOBERTO.
Constado O acréscimo patrimonial com o patrimônio omitido na Declaração de Ajuste Anual, cabe ao contribuinte comprovar os rendimentos ou demonstrar que não realizou a aquisições de bens e direitos Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 2101-000.876
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a .preliminar de nulidade e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso para acolher jrneliminar de decadência do direito da Fazenda Nacional constituir o crédito tributário relativamente ao ano-ealendario de 1994, nos terido_voto do Relator.
Matéria: IRPF- ação fiscal (AF) - atividade rural
Nome do relator: Odmir Fernandes
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Constado O acréscimo patrimonial com o patrimônio omitido na Declaração de Ajuste Antral, cabe ao contribuinte coin provar os rendimentos ou demonstrar que não realizou a aquisições de bens e direitos Recurs() voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a .preliminar de nulidade e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso para acolher jrneliminar de decadência do direito da Fazenda Nacional constituir o crédito tributário relativamente ao ano-ealendario de 1994, nos terido_voto do Relator.. r- aio Marcos Cândido Presidente EDITADO 1 1 FEV 2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Caio Marcos Candido, Jose Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki -.Nishioka„ Gonçalo .13onet Allage„ Odmir Fernandes e Ana Neyle Olímpio ITolanda, Relatório Trata-se de Recurso Voluntário da deeisao da 6 turrna de Julgamento da DRF de Sao Paulo que manteve a exigência suplementar do IR.P1 ,- do exercieio de 1994 e 1995 decorrente da omissão de rendimentos, por acréscimo patrimonial a descoberto, cam a constatayao fiscal de imóveis e veieulo pa() foram declarados pela autuada: - Apartamento IV 34, na Rua Guedes Coelho, 23, adquirido em 03.11.1994, por R$ 25.000,00; 2 - Apartamento n" 94, na Av. Washington Luiz, 385, adquirido em 03.11. f 994, por R$ 80,000,00; 3 - Apartamento n" 54, na Rua Alexandre Martins, 27, adquirido em 14.10 1994, p01 . R$ 20000,00; 4 - Casa na Rua Fgidio Martins, 166, adquirido em OS 06.1995, por R$ 132 000,00; 5 - Automóvel Seat Cordoba GI ,X, placa CEM 8776, N.Fiscal 34, da Veleiro Imposts Ltda., adquirido em 31.08 95 por R$ 25200,00. A decisão recorrida manteve a exigência diante da falta de provas Lyre intirmassetn a apurayao do acréscimo patrimonial a descoberto (fls. 98). Nas razões de recurso sustenta„ preliminar nulidade da autuaçao e a existência da prescriçao, por receber guias Dart da Receita Federal datadas do ano de 1980.. No mérito sustenta que recebeu empréstimo em dinheiro de sua irrna no valor de R$ 88.076,65 e também de seu pai e as aquisições dos imóveis considerados na apurayao do acréseinio patrimonial &do se concretizararn, outros estilo em litígio judicial , teve prejuízos nos negócios e não recebeu a posse ou o domínio dos bens adquiridos, resrunindo assim os fatos: - Recebeu empréstimo de R.$ 88.076,65 da sua hula, quantia informada na declarayao de rendimentos, não sendo por isso apurada variação patrimonial a descoberto; 2 - 0 imóvel da Rua Guedes Coelho n" 230, está isento, como afirma o próprio auto de intlação, e não houve acréscimo patrimonial a descoberto, posto que adquiriu e alienou o imóvel pelo mesmo valor de R$ 25.000,00; 3 - 0 imóvel adquirido por R$ 80.000,00 esta justificado pelo capital de R$ 88 076,65 recebido de sua irmã, restando ainda saldo de caixa; 2 Processo n' 10845.000326/00-87 S2•C1T1 Aeórd5o n.° 2101-00,876 Fl.. 2 4 - Esse imóvel, sustenta, .1'6 renegociado e sofreu "verdadeiro golpe", pois não teve a posse e quase perdeu seu dinheiro, tendo que recorrer ao judiciatio para ver seus direitos garantidos; 5 - Com relação ao imóvel da Rua Egídio Martins IV 166 teve um golpe e o negócio não se concretizou e não obteve posse do bem; 6 -- Com o imóvel da Rua Alexandre Martins n° 27 ocorreu a mesma situação, havendo ação judicial de consignação em pagamento contra a autuada; 7 - O automóvel Seat-Cordoba, pagou a entrada no valor de R$ 5 000,00, em dinheiro e financiou o restante. o Relatório. Voto Conselheiro Odmir Fernandes, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade e deve ser conhecido. Cuida-se da omissão de rendimentos, por acréscimo patrimonial a descoberto relativa a bens imóveis e de veiculo não declarados na Declaração de Ajuste Anual., Não há nulidade a sanar ou a reconhecer. As guias Daft do débito, recebidas pela autuada, contém erro material ao mencionar o ano de 1980 (121s.. 112), mas não possuem qualquer reflexo corn a autuação OU O recurso, por se tratar de remessa voluntária das guias pela fiscalização. Consta divida inscrita e em fase de execução pela 6`' Vara da Justiça Federal de. Santos em relação a esta mesma exigência, pelo não recebimento do presente recurso, mas há pedido de cancelamento dessa exigência, em face do recebimento e processamento do presente recurso (fls.252). Passo ao exame da alegada de prescrição como decadência, posto que na fase administrativa do lançamento não se fida em prescrição, mas cm decadência. Prescrição 6. perda do direito de ação (cobrança) e esta não iniciou por estar suspensa a exigibilidade e a contagem do prazo, dai porque não se fala em prescrição. Decadência é perda do direito de lançar, de autuar, pelo não exercício desse direito em determinado prazo. A exigência (3 do imposto suplementar do ano-base 1994, exercício de 1995, com isso a fiscalização tinha até o dia 31.12,:1999 para realizar o lançamento (autuação). Não conta dos autos a data da notificação do lançamento, mas consta a data da autuação 18.02.2000 (fls.2), por isso devemos tomar esta data para efeito da contagem do prazo decadencial. Coin isso, o ano base de 1994, esta de fato, alcançado pela decadência que fica aqui reconhecida. Vamos ao exame do naérito, A decisão recorrida desconsiderou o empréstimo feito pela inrrã da autuada no valor de RS 88.076,65 por entender necessário a comprovação desse empréstimo por outros elementos de prova, Como cheques ou extratos bancdrios . Esse empréstimo consta na Declaração de Ajuste da autuada e da sua irmã no ano de. 1993 - 1994 (fis.28, 47, 52, 55, 147, 152, 222), apresentada a Receita muito antes da autuação em 18.022000. Com a declaração do empréstimo na Declaração de Ajuste da autuada e de sua irmã, inverte-se o Onus da prova com a obrigação de o fisco demonstrar e comprovar a inconsistência das informações do empréstimo feita ao contribuinte. Temos assim, coin a declaração efetuada e a ausência de contrariedade, por comprovado o empréstimo e justificado o acréscimo patrimonial dessa importância de R$ 88.076,65 A comprovação dessa importância refere-se ao exereicio de 1994 corresponde ao período da decadência reconhecida, e consta ter sido restituida - paga pela acusada, o que acaba por acrescer a omissão de rendimentos, face à ausência de rendimento declarado para justificar o patrimônio adquirido. A compra e venda do imóvel, no valor de R$ 25.000,00, no mesmo ano e valor, não teve influencia e nem reflexo na omissão de rendimentos, seja para ampliar ou reduzir o acréscimo patrimonial, Tocante ao imóvel adquirido pelo valor de R$ 80,000,00 sustenta que esta justificado pelo empréstimo de R$ 88.076,65, de sua irmã , restando ainda saldo de caixa, Contudo, não lhe assiste razão, a justificativa do acréscimo patrimonial se faz pelo conjunto de bens, direitos e Obrigações. Ao se admitit o empréstimo justifica-se a omissão da mesma importância. Sustenta ainda a autuada que recebeu doação de seu pai. Contudo, ha lançamento na declaração de ajuste ou prova dessa doação, de forma que o argumento não pode ser acolhido, pela ausência de provas. Golpes on prejuízos nos negócios falta de posse au domínio dos imóveis, não justificam e nem excluem o acréscimo patrimonial ou a aquisição dc bens para justificar e inexistência da omissão de rendimentos, Alias, prejuízos podem ampliar o acréscimo patrimonial de bens adquirido e não declarados pela autuada, no lugar de reduzi-los. Realizar os negócios, não receber, ter prejuízo, sofrer golpes, acionar a justiça pain obter a posse ou o domínio não justifica a inexistência das aquisições feitas c comprovadas pela fiscalização ., Ao acusado importa explicar e comprovar a origem dos recursos para adquirir os bens, ou comprovar como fbram obtidos os rendimentos para poder justificar o acréscimo patrimonial, ou demonstrar que não realizou o negócio do acréscimo de que é acusada,. 4 andes Process° n" 10845. 000326/00-87 52-CFUI. Aeórd5o n 2101-10E876 Fl.. 3 Acionar a justiça para obter a posse, o domínio ou desfazer o negócio significa que o realizou esse negocio, do contrário não seria necessário Sc socorrer do Judiciário para obter essa posse ou o domínio dos bens. Também nada comprovou sobre a origem dos rendimentos ou sobre financiamento para adquirir o automóvel documento de -11s. 91, datado de 24.06,1996, libera a autuada da reserva de domínio do automóvel. Ora, reserva de domínio é garantia da divida com o próprio- hem adquirido, assim sua liberação pressupõe quitação e não financiamento do bem adquirido . A falta da declaração de bens e das dividas na Declaração de Ajuste Anual, obriga ao contribuinte a trazer prova firme e extreme de dúvidas sobre o negócio realizado e da condição para se admitir o suposto financiamento. Ante o exposto, conheço e dou parcial provimento ao recurso para rejeitar a preliminar de nulidade, reconhecer a decadência do exercício de 1994 e manter a decisão recorrida e a exigência do exercício de 1995. 5
score : 1.0
Numero do processo: 16682.901638/2013-09
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2011 a 30/04/2011
PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA.
A matéria já suscitada perante o Poder Judiciário não pode ser apreciada na via administrativa. Caracteriza-se a concomitância quando o pedido e a causa de pedir dos processos administrativos e judiciais guardam irrefutável identidade.
Numero da decisão: 3302-006.859
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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CONCOMITÂNCIA. A matéria já suscitada perante o Poder Judiciário não pode ser apreciada na via administrativa. Caracterizase a concomitância quando o pedido e a causa de pedir dos processos administrativos e judiciais guardam irrefutável identidade. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado. Relatório Trata o presente processo do Pedido de Restituição (PER), transmitido pelo contribuinte acima identificado, no qual solicita a restituição de PIS. Consta no processo Despacho Decisório Eletrônico proferido pela unidade de origem, o qual concluiu pela improcedência do crédito original informado no PER, sob o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 90 16 38 /2 01 3- 09 Fl. 294DF CARF MF Processo nº 16682.901638/201309 Acórdão n.º 3302006.859 S3C3T2 Fl. 3 2 fundamento de que o pagamento relacionado havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Cientificado desta decisão, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, julgada improcedente pela DRJ, nos termos do Acórdão nº 12089.005. Inconformado com a decisão da DRJ, apresentou recurso voluntário ao CARF, no qual argumenta que: a) A ausência de retificação de DCTF ou de qualquer outra obrigação acessória jamais poderia ser impeditivo do reconhecimento do seu direito ao crédito, na medida em que o Fisco possui outros meios de apurar a existência de eventual indébito tributário. Assim, não restam dúvidas de que a falta de retificação da DCTF não deve implicar na perda do direito ao crédito; b) Não há concomitância entre o presente processo e o Mandado de Segurança n° 002418579.2013.4.02.5101. A lide proposta foi no sentido de que fosse reconhecido o direito líquido e certo da recorrente não se sujeitar à incidência do PIS/Cofins sobre as receitas de interconexão, bem como para reconhecer o crédito referente a eventuais valores pagos indevidamente, relativamente a contribuições apuradas e recolhidas após a impetração do writ. O objeto da ação judicial se destina apenas às contribuições de PIS e Cofins apuradas e recolhidas após a distribuição do referido MS; c) No caso concreto, há uma divisão muito clara. Os pagamentos indevidos de PIS/COFINS sobre receitas de interconexão de redes, apuradas antes de 23.9.2013, foram objeto de pedido administrativo de restituição. Apenas os pagamentos realizados com base em apurações de PIS/COFINS feitas partir de 23.9.2013, foram objeto do pedido judicial formulado no Mandado de Segurança n° 002418579.2013.4.02.5101. Bem verdade que há certa semelhança entre as causas de pedir dos processos administrativos e judicial. Ambos estão fundados na “não incidência do PIS/COFINS sobre receitas de interconexão”. Todavia, os pedidos efetuados para se afastar o PIS e a COFINS sobre as receitas de interconexão, bem como para se reconhecer o crédito sobre pagamentos indevidos realizados envolvem a mesma discussão para períodos de apuração distintos. Frisese: os pedidos administrativos se voltam às contribuições apuradas e pagas antes da impetração do mandado de segurança. Já aquelas apuradas e pagas após o ajuizamento da ação judicial são objeto do mandado de segurança. Diante desse cenário, verificase que não há concomitância entre o mandado de segurança em curso perante o Poder Judiciário e o presente processo administrativo, tendo em vista que os períodos de apuração relativos ao crédito referente ao indébito tributário são distintos; d) Os valores recebidos pela Recorrente e repassados a outras operadoras a título de interconexão de redes não configuram receita tributável pelo PIS e COFINS, pois não se trata de “receita” auferida pela Recorrente, quer do ponto de vista jurídico, quer mesmo do ponto de vista contábil. No caso dos valores recebidos pela Recorrente e repassados a terceiros a título de interconexão de redes, o que se verifica é um mero e transitório ingresso de recursos que devem ser repassados ao terceiro que cedeu seus meios de rede à Recorrente. Não há, portanto, qualquer efetivo acréscimo patrimonial da Recorrente, porque já há um imediato e compulsório destino para aquele valor recebido, que é repassado para as outras operadoras de telecomunicação; e) A tributação nos moldes pretendidos pelo Fisco implica a tributação pelo PIS/COFINS da receita total auferida pela Recorrente pela prestação do serviço de Fl. 295DF CARF MF Processo nº 16682.901638/201309 Acórdão n.º 3302006.859 S3C3T2 Fl. 4 3 telecomunicação, incluindo a parcela que será repassada a terceiros pela interconexão de redes. E, além dessa tributação, nos termos da pretensão fiscal, haveria uma nova incidência do PIS/COFINS pelo terceiro que realiza a interconexão, no momento em que ele apropriar a receita que lhe é repassada, caracterizando o bis in idem tributário; f) A base de cálculo do PIS/COFINS não deve ser integrada por elementos estranhos à receita auferida, notadamente pelos valores que devem ser repassados a terceiros a título de interconexão de redes. Na prática, isso faz com que todo o valor pago pela Recorrente a título de PIS/COFINS sobre esses valores de interconexão de redes seja qualificado como indébito tributário, que lhe deve ser restituído. Termina o recurso requerendo o provimento para que seja reformado o acórdão recorrido, a fim de que seja deferido o pedido de restituição formulado. É o breve relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Acórdão nº 3302006.815, de 25 de abril de 2019, proferido no julgamento do processo 16682.900008/201490, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão nº 3302006.815): "O recurso é tempestivo e apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, de forma que dele conheço e passo à análise. O cerne da questão está em decidir se há concomitância entre esse processo administrativo e o Mandado de Segurança n° 002418579.2013.4.02.5101. Para tanto, é necessário analisar os objetos dos respectivos processos. Conforme já mencionado na decisão a quo, o indébito pleiteado no Pedido de Restituição decorre, nas palavras do contribuinte, “da indevida inclusão na base de cálculo do PIS de valores referentes a ingressos de numerário em razão de contratos de interconexão, os quais não constituem "receita" da Manifestante”. Portanto, defende em processo administrativo a não incidência do PIS/COFINS sobre tarifas de interconexão. Vejamos o objeto do MS nº 002418579.2013.4.02.5101: Pela petição inicial, temos os seguintes pedidos: a) concessão de medida liminar para assegurar o direito liquido e certo da impetrante à suspensão da exigibilidade dos créditos tributários, nos termos do art. 151, IV, do CTN, das Fl. 296DF CARF MF Processo nº 16682.901638/201309 Acórdão n.º 3302006.859 S3C3T2 Fl. 5 4 contribuições ao PIS e a Cofins, sobre os meros ingressos apurados mensalmente pelo regime de competência pela impetrante decorrentes tão somente das tarifas de interconexão recebidas dos usuários pela coprestação dos serviços de telecomunicações prestados pelas demais operadoras e a elas integralmente repassadas (serviços de transmissão, emissão ou recepção de símbolos, caracteres, sinais, escritos, imagens, sons ou informações de qualquer natureza); b) determinação à Autoridade Coatora sobre o contudo da decisão liminar, bem como acerca do conteúdo do presente mandamus, para que no prazo legal, preste as informações que entender necessárias, com a posterior oitiva do representante do Ministério Público; c) Ciência à União Federal, nos termos do art. 7º, II, da Lei nº 12.016/2009; d) ao final, a concessão da segurança para confirmar a liminar requerida e assegurar o direito liquido e certo de a impetrante não se sujeitar à incidência das contribuições ao PIS e à Cofins, sobre meros ingressos apurados mensalmente pelo regime da competência pela impetrante decorrentes tão somente das tarifas de interconexão recebidas dos usuários pela coprestação dos serviços de telecomunicações prestados pelas demais operadoras e a elas integralmente repassadas (serviços de transmissão, emissão ou recepção de símbolos, caracteres, sinais, escritos, imagens, sons ou informações de qualquer natureza), sob pena de violação ao art. 2º da Lei nº 9,718/99 e aos arts. 5º, II; 145 § 1º; 150, I e IV e 195, I, "b" da Constituição Republicana de 1988, com a consequente compensação do indébito dessas contribuições, apurados desde a distribuição do presente writ, devidamente atualizado pela Taxa Selic, após o trânsito em julgado, nos termos dos artigos 165, 170 e 170A do CTN. A sentença de primeiro grau do Mandado de Segurança nº 002418579.2013.4.02.5101, assim decidiu: Tratase de mandado de segurança com pedido de liminar impetrado por INTELIG COMUNICAÇÕES LTDA contra ato atribuído ao DELEGADO DA DELEGACIA ESPECIAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE MAIORES CONTRIBUINTES NO RIO DE JANEIRO DEMAC, objetivando a declaração de não incidência das contribuições ao PIS e à COFINS, sobre os ingressos apurados mensalmente pelo regime de competência pela Impetrante, decorrentes de tarifas de interconexão serviços prestados pelas demais operadoras, que são posteriormente repassados àquelas congêneres, bem como a declaração do direito de compensar o indébito referente a estas contribuições, apurado desde a distribuição do writ. Sustenta, em apertada síntese, que as chamadas "tarifas de interconexão" não constituem receita, e sim meros ingressos econômicos ou financeiros, tendo cm vista que são recebidas, cm um primeiro momento, pela Impetrante, porem repassadas cm seguida às operadoras que efetivamente prestaram os serviços ao cliente usuário da Impetrante. (...) Fl. 297DF CARF MF Processo nº 16682.901638/201309 Acórdão n.º 3302006.859 S3C3T2 Fl. 6 5 Pelo exposto, com fulcro no art. 269. I, do CPC. JULGO PROCEDENTE O PEDIDO e CONCEDO A SEGURANÇA, para determinar ao Impetrado que se abstenha de exigir da Impetrante que recolha o PIS e a Cofins, incluindo na base de cálculo o valor recebido pela Impetrante e posteriormente repassado a operadora congênere, que prestou efetivamente o serviço, a título de "tarifa de interconexão", bem como para declarar o direito da Impetrante à compensação do indébito, apurado desde a distribuição do presente, na forma da lei de regência, de acordo com a modalidade escolhida pelas Impetrantes, aplicandose a SELIC como critério de atualização do indébito, vedada a cumulação com qualquer outro índice, nos termos da fundamentação supra. Analisando as razões jurídicas apresentadas na peça recursal, fico convencido da identidade das demandas administrativa e judicial, pois nas duas esferas o que se discute é a inexistência de relação jurídica tributária do PIS e da Cofins em relação as receitas de interconexão. O próprio recorrente reconhece essa congruência entre os processos administrativo e judicial. Sua alegação para afastar a concomitância se ampara no fato de que os pagamentos indevidos de PIS/COFINS sobre receitas de interconexão de redes, apuradas antes de 23.9.2013, foram objeto de pedido administrativo de restituição, e que apenas os pagamentos realizados com base em apurações de PIS/COFINS feitas partir de 23.9.2013, foram objeto do pedido judicial formulado no Mandado de Segurança n° 0024185 79.2013.4.02.5101. Não comungo do entendimento no qual a concomitância é afastada pela falta de identidade entre os períodos de apuração apontados nos processos judicial e administrativo. O diferencial entre os períodos de apuração, aqueles contemplados pelo mandamus e os não contemplados, na minha visão, referese somente à possibilidade de o recorrente utilizálos para pedido de compensação antes do trânsito em julgado, por ordem judicial, conforme sua solicitação na exordial. Os demais períodos de apuração, os que foram apurados antes da distribuições do writ, deverão esperar o trânsito em julgado da ação para poderem se credenciar a objeto de um pedido de restituição, com possíveis compensações. Digo isso, pois a decisão do Poder Judiciário sobre a incidência do PIS e da Cofins nas receitas oriundas das tarifas de interconexão, terá reflexos para todos os períodos de apuração, independentemente se foi contemplado no pedido do MS nº 002418579.2013.4.02.5101 ou não Isso se deve ao fato de que na existência de processos paralelos, com objeto e finalidade idênticos, não é salutar que haja decisões com efeitos redundantes ou antagônicos. Em qualquer das hipóteses, prevalecerá a decisão judicial, motivo pelo qual a concomitância de processos ofende o princípio da economia processual. Em face disso, a opção do contribuinte pela via judicial encerra o processo administrativo fiscal em definitivo, em qualquer das fases em que ele se encontre. Fl. 298DF CARF MF Processo nº 16682.901638/201309 Acórdão n.º 3302006.859 S3C3T2 Fl. 7 6 Registrese que a coisa julgada a ser proferida no âmbito do Poder Judiciário jamais poderia ser alterada no processo administrativo, pois tal procedimento feriria a Constituição Federal, que adota o modelo de jurisdição una, onde são soberanas as decisões judiciais. Sendo assim, nos casos em que o sujeito passivo opta pela via judicial para a discussão de matéria tributária implica na renúncia ao poder de recorrer nesta instância, nos termos do parágrafo único do art. 38 da Lei nº 6.830/80 e do § 2º, art. 1º do Decretolei nº 1.737, de 1979. Ratificando este entendimento, foi aprovado o enunciado de Súmula CARF nº 01, in verbis: Súmula CARF nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Na linha do entendimento fixado, não conheço do recurso quanto à matéria submetida ao crivo do Poder Judiciário e na parte conhecida, nego provimento ao recurso por enxergar identidade entre os pedidos e as causas de pedir apresentados no MS nº 2007.70.00.0222765 e neste recurso administrativo." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por conhecer parcialmente do recurso e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 299DF CARF MF
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