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Numero do processo: 10880.900667/2014-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF)
Data do fato gerador: 31/12/2012
DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE.
Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam todos os requisitos exigidos nas normas legais pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade.
DESPACHO DECISÓRIO. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA.
Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO.
Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
Numero da decisão: 2401-006.376
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.900539/2014-60, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF) Data do fato gerador: 31/12/2012 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam todos os requisitos exigidos nas normas legais pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
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NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam todos os requisitos exigidos nas normas legais pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.900539/2014-60, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Marialva de Castro Calabrich Schlucking. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 06 67 /2 01 4- 11 Fl. 57DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-006.376 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900667/2014-11 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2401-006.258, de 08 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10880.900539/2014-60, paradigma deste julgamento. “Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade contra ato da autoridade administrativa que não homologou a compensação declarada por meio eletrônico (PER/DCOMP), relativamente a crédito de IRRF que teria sido recolhido a maior no período de apuração constante dos autos. Como bem relatado pela instância a quo , o Despacho Decisório não homologou o pedido de compensação em debate, sob o fundamento de que, embora localizado o pagamento que deu origem ao suposto crédito original de pagamento indevido ou a maior, o mesmo estava à época do encontro de contas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados. Notificada da decisão a Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: 1. Sem qualquer fundamento legal ou maiores explicações, a autoridade administrativa não homologou a compensação realizada pela empresa, através do despacho decisório proferido nos presentes autos. 2. A alegação de que não existe crédito disponível não pode ser entendida como fundamento do despacho decisório, sem constar o porquê dessa inexistência. 3. A autoridade administrativa não se deu ao trabalho de motivar sua decisão, a teor do art. 50 da Lei n° 9.784, de 1999. 4. A não homologação dessa compensação ocorreu por sistema informatizado, porque o crédito sequer foi apreciado. Limitou-se a autoridade administrativa em fazer uma verificação prévia se o pagamento realizado indevidamente ou a maior estava disponível em seus sistemas. Ainda inconformada, a Recorrente apresenta Recurso Voluntário, repisando parte de suas razões apresentadas em sede de Impugnação que são, em síntese, as seguintes: a) o V. Acórdão merece reforma, basicamente, porque firmou entendimento equivocado, o ato administrativo que não reconheceu o direito creditório do contribuinte é vinculado, devendo conter os pressupostos de fato e de direito, em obediência ao princípio da legalidade; b) Na mesma esteira de entendimento, o ato administrativo deve ser motivado para se mostrar eficaz, razão pela qual não deve prosperar o acórdão ora guerreado; c) o crédito que se fundou o direito subjetivo do contribuinte foi protocolado por meio de compensação, todavia, sem qualquer fundamentação a autoridade não homologou a compensação realizada pela Recorrente, através de Despacho Decisório Fl. 58DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-006.376 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900667/2014-11 eletrônico, onde se questiona a falta de elementos do ato administrativo, ou seja, falta de fundamentação e nulidades; d) Todavia entenderam os Nobres Julgadores que o Despacho Decisório foi devidamente fundamentado, cabendo ao Recorrente o ônus da prova dos fatos modificativos, impeditivos ou extintivos da pretensão fazendária, julgando improcedente a Impugnação; e) Reitera a necessidade de motivação, a teoria dos motivos determinantes e o cerceamento de defesa como institutos jurídicos a embasarem sua pretensão de reforma do ato administrativo ora em debate ; f) Defende a tese de que a Fazenda Nacional deve rever seus próprios atos, seja para revogá-los (quando inconvenientes) seja para anulá-los (quando ilegais) Cita a Súmula 473 do STF, os arts. 1º e 5º inciso LVI da CF/88., como normas de conteúdo vedatório para obtenção de provas pelo Poder Público que derive de transgressão a cláusulas de ordem constitucional; g) Ao final requer a reforma do v. Acórdão, eis que a controvérsia posta é identificar se o ato administrativo é vinculado ou discricionário. É o Relatório.” Voto Conselheira Miriam Denise Xavier, Relatora. Este processo foi julgado na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão nº 2401-006.258, de 08 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10880.900539/2014-60, paradigma deste julgamento. Transcreve-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2401-006.258, de 08 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária: Acórdão nº 2401-006.258 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária “1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE RECURSO VOLUNTÁRIO O presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, razão pela qual dele CONHEÇO, já que presentes os requisitos de sua admissibilidade 2. DA PRELIMINAR a) nulidade A alegação de nulidade do Despacho Decisório não merece prosperar posto que o mesmo foi realizado dentro dos ditames delineados em lei, apresentando de forma clara e objetiva o motivo da não homologação da compensação, qual seja, a Fl. 59DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-006.376 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900667/2014-11 inexistência de crédito disponível para a compensação dos débitos informados na declaração de compensação - DCOMP. Nesse diapasão, não há cerceamento de defesa em nenhuma fase do curso processual capaz de produzir qualquer tipo de nulidade ou óbice para que se avance na análise de mérito no presente feito. 3. DO MÉRITO Em seu Recurso Voluntário o contribuinte, em síntese, se restringe a alegar que o ato administrativo, que não reconheceu o seu direito creditório, é vinculado , devendo conter os pressupostos de fato e de direito que o motivaram, sob pena de cerceamento do seu direito de defesa e desobediência ao princípio da legalidade. O que se observa é que assim, as alegações preliminares acabam se confundindo com as de mérito. Todavia, razão não assiste à Recorrente, senão vejamos: Conforme esclarecido pela instância de piso e verificado pela análise dos autos, as próprias declarações e documentos produzidos pela Recorrente fundamentaram os motivos da não-homologação do Despacho Decisório in casu, caracterizando assim a prova e a motivação do ato administrativo, sendo de pleno conhecimento do Recorrente já que por ele produzidos. Após análise detalhada, não foi identificado por esta Relatora qualquer erro na decisão de indeferimento da compensação, nem tampouco a Recorrente apontou eventual divergência, capaz de maculá-lo. A causa da não homologação é clara e objetiva, e se deve ao fato de que, nos sistemas da Receita Federal, embora localizado o DARF do pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente foi totalmente utilizado e alocado aos débitos informados em DCTF, não restando dele o saldo apontado na DCOMP como crédito. Logo, não padece de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente, contra o qual o Recorrente pôde exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam todos os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. Conforme se verifica, o débito declarado e pago encontra-se em conformidade com a correspondente DCTF, a qual tem seus efeitos determinados pelo § 1º do artigo 5º do Decreto lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, entre eles o da confissão da dívida e o condão de constituir o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco. Como ja esclarecido acima, quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria contribuinte em sua DCTF. Dessa forma, a recorrente, na data da transmissão do PER/ DCOMP não era detentora de crédito líquido e certo, condição sem a qual não há direito à restituição ou compensação. E não tendo trazido elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF, inexiste razão para se reconhecer o pleiteado direito Fl. 60DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2401-006.376 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900667/2014-11 creditório relativo a pagamento pretensamente maior do que o devido, referente ao período de apuração. Ou seja, de maneira diametralmente oposta às suas alegações recursais, o ato administrativo foi motivado e fundamentado, todavia não foi homologado por absoluta falta de amparo legal para sua concessão. Da análise da DCTF retificadora ativa da Requerente (juntada por imagem no Acórdão de Manifestação de Inconformidade, referente ao tributo e período em análise, verificou-se que ela declarou um débito de IRRF referente ao fato gerador daquela data e vinculou um pagamento de igual valor. Já no quadro reproduzido no voto, podemos verificar que o DARF, pago em atraso com multa de mora e juros de mora, foi integralmente alocado para o saldo a pagar do débito declarado, cujos valores são idênticos. A Requerente pagou em atraso o tributo e corretamente adicionou a multa de mora e os juros de mora, valor que ele agora indevidamente reclama de volta para compensação. Conforme informado pela DRJ , além do DARF constante dos presentes autos, ter sido alocado ao débito normal do período, regularmente declarado em DCTF, a Recorrente solicita sobre esse valor, a homologação de 152 pedidos de compensação que, somados, resultam em um valor de R$ 1.974.130,39, conforme relação dos processos de PER/DCOMP para o mesmo DARF, transcritas no voto do Acórdão ora recorrido. E este fato indica que a Recorrente se movimenta no sentido de efetuar compensação administrativa, não amparada na legislação, para liquidar débitos com créditos inexistentes. Todavia, utiliza-se do expediente de prestação de informação falsa, pois no PER/DCOMP há um campo onde é perguntado se aquele crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior já foi informado em outro PER/DCOMP, ao que a Recorrente respondeu “Não” em todos os PER/DCOMP, em infração que ensejaria a aplicação da Lei n° 10.833, de 2003, art. 18, §2º, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, voto para CONHECER do recurso e, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto. É como voto.” Pelos motivos expendidos, voto para CONHECER do recurso e, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Fl. 61DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2401-006.376 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900667/2014-11 Fl. 62DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.903033/2008-49
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jul 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2005
PER/DCOMP. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. INEXATIDÃO MATERIAL. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO EM QUE SE FUNDE.
O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado.
Somente podem ser corrigidas de ofício ou a pedido do sujeito passivo as informações declaradas a RFB no caso de verificada circunstância objetiva de inexatidão material e mediante a necessária comprovação do erro em que se funde.
APRESENTAÇÃO DE PROVA EM MOMENTO POSTERIOR AO DA INSTAURAÇÃO DA FASE LITIGIOSA NO PROCEDIMENTO.
A apresentação da prova documental em momento processual posterior ao da instauração da fase litigiosa no procedimento é possível desde que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refira-se a fato ou a direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.
RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO.
É possível reconhecer da possibilidade de formação de indébito, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos a DRF de origem para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no Per/DComp com base no conjunto probatório e informações constantes nos autos com a finalidade de confrontar a motivação dos atos administrativos em que a compensação dos débitos não foi homologada, porque não foi comprovado o erro material.
Numero da decisão: 1003-000.802
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao Recurso Voluntário, tendo em vista o início de prova produzido pela Recorrente que apresenta as cópias do Livro Diário com Balanço Analítico e do Livro Razão do ano-calendário de 2005 para reconhecimento da possibilidade de formação de indébito com base no conjunto probatório e informações constantes nos autos, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos a DRF de origem para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no Per/DComp.
(documento assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Wilson Kazumi Nakayama.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2005 PER/DCOMP. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. INEXATIDÃO MATERIAL. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO EM QUE SE FUNDE. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. Somente podem ser corrigidas de ofício ou a pedido do sujeito passivo as informações declaradas a RFB no caso de verificada circunstância objetiva de inexatidão material e mediante a necessária comprovação do erro em que se funde. APRESENTAÇÃO DE PROVA EM MOMENTO POSTERIOR AO DA INSTAURAÇÃO DA FASE LITIGIOSA NO PROCEDIMENTO. A apresentação da prova documental em momento processual posterior ao da instauração da fase litigiosa no procedimento é possível desde que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refira-se a fato ou a direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. É possível reconhecer da possibilidade de formação de indébito, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos a DRF de origem para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no Per/DComp com base no conjunto probatório e informações constantes nos autos com a finalidade de confrontar a motivação dos atos administrativos em que a compensação dos débitos não foi homologada, porque não foi comprovado o erro material.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao Recurso Voluntário, tendo em vista o início de prova produzido pela Recorrente que apresenta as cópias do Livro Diário com Balanço Analítico e do Livro Razão do ano-calendário de 2005 para reconhecimento da possibilidade de formação de indébito com base no conjunto probatório e informações constantes nos autos, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos a DRF de origem para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no Per/DComp. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Wilson Kazumi Nakayama.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2005 PER/DCOMP. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. INEXATIDÃO MATERIAL. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO EM QUE SE FUNDE. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. Somente podem ser corrigidas de ofício ou a pedido do sujeito passivo as informações declaradas a RFB no caso de verificada circunstância objetiva de inexatidão material e mediante a necessária comprovação do erro em que se funde. APRESENTAÇÃO DE PROVA EM MOMENTO POSTERIOR AO DA INSTAURAÇÃO DA FASE LITIGIOSA NO PROCEDIMENTO. A apresentação da prova documental em momento processual posterior ao da instauração da fase litigiosa no procedimento é possível desde que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refira-se a fato ou a direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. É possível reconhecer da possibilidade de formação de indébito, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos a DRF de origem para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no Per/DComp com base no conjunto probatório e informações constantes nos autos com a finalidade de confrontar a motivação dos atos administrativos em que a compensação dos débitos não foi homologada, porque não foi comprovado o erro material. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao Recurso Voluntário, tendo em vista o início de prova produzido pela Recorrente que apresenta as cópias do Livro Diário com Balanço Analítico e do Livro Razão do AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 90 30 33 /2 00 8- 49 Fl. 137DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1003-000.802 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10580.903033/2008-49 ano-calendário de 2005 para reconhecimento da possibilidade de formação de indébito com base no conjunto probatório e informações constantes nos autos, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos a DRF de origem para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no Per/DComp. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva– Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Wilson Kazumi Nakayama. Relatório Per/DComp e Despacho Decisório A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nº 27542.63613.130306.1.7.02-0330, em 13.03.2006, fls. 46-50, utilizando-se do crédito relativo ao saldo negativo de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) no valor de R$7.425,12 do ano-calendário de 2005 para compensação dos débitos ali confessados. Consta no Despacho Decisório Eletrônico, fl. 51, em que as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, constatou-se que não houve apuração de crédito na Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) correspondente ao período de apuração do saldo negativo Informado no PER/DCOMP. Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 7.425,12 Valor do crédito na DIPJ: R$ 0,00 Diante do exposto, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada nos seguintes PER/DCOMP: 27542.63613.130306.1.7.02-0330 36196.89703.150506.1.3.02-1105 28998.83288.090606.1.3.02-7200 12543.46264.310706.1.3.02-2323 13514.20001.140806.1.3.02-3064 [...] Enquadramento legal: Parágrafo 1° do art. 6° e art. 28 da Lei 9.430, de 1996. Art. 5° da IN SRF 600, de 2005. Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Manifestação de Inconformidade e Decisão de Primeira Instância Fl. 138DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1003-000.802 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10580.903033/2008-49 Cientificada, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade. Está registrado na ementa do Acórdão da 1ª Turma DRJ/SPI/SP nº 16-54.677, de 29.01.201, e-fls. 88- 92: DIPJ. APURAÇÃO DO IMPOSTO. SALDO A PAGAR ZERADO. CONTRIBUINTE INTIMADO. OMISSÃO. DIREITO DE CRÉDITO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ. A omissão do contribuinte em atender intimação para corrigir Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica que indica inexistência de saldo credor de imposto de renda impede reconhecer o direito de crédito vindicado, ante a ausência de sua certeza e liquidez. Manifestação de Inconformidade Improcedente Recurso Voluntário Notificada em 23.04.2014, e-fl. 93, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 22.05.204, e-fls. 95-134, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Relativamente aos fundamentos de fato e de direito aduz que: Dos Fatos. A MAXVEL prestou serviços para terceiro relacionado em anexo e sofreu Retenção de IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE no valor de R$ 23.690,15; conforme resta demonstrado através dos registros contábeis exposto no balancete de folhas nº 00386 a 00402 extraído do Livro diário registrado na JUCEB sob ne. 09/023128-7, Razão Contábil folhas 00141 a 00149 e Planilha demonstrativa de imposto de renda retido na fonte. Por este motivo, o contribuinte auferiu resultado Contábil e Fiscal positivo onde gerou IRPJ - Imposto de Renda a Pagar no valor de R$ 16.265,03. Sendo assim, de forma legal foi COMPENSADO todo o saldo de IRPJ - Imposto de Renda a Pagar com o crédito proveniente dos valores retido na fonte informados acima, portanto o valor do IRPJ - Imposto de Renda a Pagar foi MENOR que o valor de IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE, gerando desta forma saldo Credor de IMPOSTO DE RENDA no valor de R$ 7.425,12. Diante do relatado, o profissional contábil que realizou os referidos lançamentos, por descuido não demonstrou corretamente os valores de IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE, R$ 23.690,15, o qual gerou o saldo credor de IMPOSTO DE RENDA no valor de R$ 7.425,12 na Ficha 12 A da DIPJ 2005/2006, sendo assim, apresentamos corretamente os valores retidos demonstrados através dos registros contábeis lançado no balancete de folhas nºs 00386 a 00402 extraído do Livro diário registrado na JUCEB sob ne. 09/023128-7, Razão Contábil folhas 00141 a 00149 e Planilha demonstrativa de imposto de renda retido na fonte. Diante ao exposto o valor do saldo credor de IMPOSTO DE RENDA é verídico, existente de fato e de direito e estão à disposição da RFB em seus registros próprios e deverá ser compensado em sua totalidade, observando que ocorreu apenas Fl. 139DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1003-000.802 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10580.903033/2008-49 um erro material (de lançamento) no preenchimento da obrigação acessória - DIPJ 2005/2006. Da Manifestação de Inconformidade. [...] Disciplina o Art. 2º da Instrução Normativa SRF ne 486, de 30 de dezembro de 2004, publicado no DOU Extra de 30/12/2004, [...] A receita geradora do crédito da Contribuinte foi IRPJ, código 8045, sendo, pois, indiscutível o direito a compensação, conforme estatuído no artigo acima. DO MÉRITO. [...] O que ocorreu na verdade foi erro material quando do lançamento na Ficha 12- A da DIPJ, pois o profissional contábil ao escriturar o valor do IR retido lançou o mesmo a menor, assim demonstrado nos registros contábeis, disponibilizados nos balancetes de folhas 00386 a 00402, extraídos dos Livros Contábeis da empresa contribuinte. O lançamento correto deveria ser no valor de R$ 23.690,15 [...], e de forma equivocada o profissional contábil lançou apenas o valor de R$ 16.265,03 [...], coincidindo o mesmo com o valor do imposto a pagar. Ressalte-se na Ficha 50 (Ficha de Demonstração de Valores Retidos), bem como nos Registros Contábeis e no próprio sistema da RFB, resta claramente demonstrado o crédito de R$ 23.690,15 [...] da contribuinte, ora recorrente. Pelo que explicado ao norte, e não acatado na manifestação de inconformidade, a contribuinte tinha um crédito de R$ 23.690,15 [...] e imposto a pagar de R$ 16.265,03 [...], restando saldo credor de R$ 7.425,12 [...]. Ocorre que, o profissional contábil de forma errada lançou como total do credito o valor de R$ 16.265,03 [...], que era exatamente o valor de impostos que a contribuinte deveria pagar naquela ocasião, resultando em saldo zero, quando na verdade, pelos valores ora demonstrados, o saldo da contribuinte seria no valor de R$ 7.425,12 [...]. Desta forma, como bastante explicitado acima, a contribuinte é credora do valor de R$ 7.425,12 [...], e que espera sua compensação. No que concerne ao pedido conclui que: Dos Pedidos. Ante o exposto, com a certeza de seu direito, vem a Contribuinte: 1) Requerer a retificação de oficio da obrigação acessória - DIPJ 2005/2006 atualizado a Ficha 12 A da DIPJ 2005/2006, demonstrando corretamente o saldo credor de IMPOSTO DE RENDA e Ficha 50 lançando todos os valores retidos na fonte; 2) Validar os valores retidos demonstrados através dos registros contábeis expostos no balancete de folhas nº 00386 a 00402 extraído do Livro diário registrado na JUCEB sob nº 09/023128-7, Razão Contábil folhas 00141 a 00149 e Planilha demonstrativa de imposto de renda retido na fonte e sistema da RFB; Fl. 140DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1003-000.802 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10580.903033/2008-49 3) Requerer a compensação do Saldo Credor de IMPOSTO DE RENDA no valor de R$ 7.425,12, requerido através das PER/DCOMP nºs: -27542.63613.130306.1.7.02-0330. -36196.89703.150506.1.3.02-1105. -28998.83288.090606.1.3.02-7200; -12543.46264.310706.1.3.02-2323, -13514.20001.140806.1.3.02-3064. Conclusão. À vista de todo o exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a recorrente seja acolhido o presente recurso para o fim de assim ser decidido, cancelando-se o débito fiscal reclamado. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora. Tempestividade O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento. Apresentação de Prova em Momento Posterior ao da Instauração da Fase Litigiosa no Procedimento. A Recorrente discorda do procedimento fiscal e para tanto apresenta cópias do Livro Diário com Balanço Analítico e do Livro Razão do ano-calendário de 2005. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizá-lo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo (art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170-A do Código Tributário Nacional, art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 com redação dada pelo art. 49 da Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002, que entrou em vigor em 01.10.2002 e foi convertida na Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002). Posteriormente, ou seja, em 31.10.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos Fl. 141DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 1003-000.802 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10580.903033/2008-49 indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional (§1º do art. 5º do Decreto-Lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, art. 17 da Medida Provisória nº 135, de 30 de outubro de 2003 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003). Os diplomas normativos de regências da matéria, quais sejam o art. 170 do Código Tributário Nacional e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, deixam clara a necessidade da existência de direto creditório líquido e certo no momento da apresentação do Per/DComp, hipótese em que o débito confessado encontrar-se-ia extinto sob condição resolutória da ulterior homologação. O Per/DComp delimita a amplitude de exame do direito creditório alegado pela Recorrente quanto ao preenchimento dos requisitos. Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde da comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado detalhando os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental pré-constituída imprescindível à comprovação das matérias suscitada dada a concentração dos atos em momento oportuno. A apresentação da prova documental em momento processual posterior é possível desde que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refira-se a fato ou a direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. O julgador orientando- se pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos ainda que apresentados em sede recursal com o escopo de confrontar a motivação constante nos atos administrativos em que foi afastada a possibilidade de homologação da compensação dos débitos, porque não foi comprovado o erro material (art. 170 do Código Tributário Nacional e art. 15, art. 16, art. 18 e art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a seu favor dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de registro obrigatório pela legislação fiscal específica, bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal (art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do Decreto-Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995). Cabe esclarecer que a Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) desde a sua instituição a partir de 01.01.1999 tem caráter meramente informativo Fl. 142DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 1003-000.802 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10580.903033/2008-49 1 . Somente a partir do ano-calendário de 2014, todas as pessoas jurídicas, inclusive as equiparadas, devem apresentar a Escrituração Contábil Fiscal (ECF) de forma centralizada pela matriz, que ficam dispensadas, em relação aos fatos ocorridos a partir de 1º de janeiro de 2014, da escrituração do Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur) em meio físico e da entrega da DIPJ. Assim, no ano-calendário objeto de análise os sistemas na RFB não eram supridos com os dados completos da escrituração contábil fiscal da Recorrente (Instrução Normativa RFB nº1.422, de 19 de dezembro de 2013). Ainda, as pessoas jurídicas, inclusive as equiparadas devem apresentar a Declaração de Débitos e Créditos Tributário Federais (DCTF) de forma centralizada pela matriz por via da internet comunicando a existência de débito tributário, constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para sua exigência 2 . Além disso, por via de regra o Per/DComp somente pode ser retificado pela Recorrente caso se encontre pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador, já que alterar dados depois do tempo próprio constitui inovação 3 . Apenas nas situações mediante comprovação do erro em que se funde de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e erros de escrita ou de cálculos podem ser corrigidas de ofício ou a requerimento da Requerente. O erro de fato é aquele que se situa no conhecimento e compreensão das características da situação fática tais como inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos. A Administração Tributária tem o poder/dever de revisar de ofício o procedimento quando se comprove erro de fato quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória. A este poder/dever corresponde o direito de a Recorrente retificar e ver retificada de ofício a informação fornecida com erro de fato, desde que devidamente comprovado. Por inexatidão material entendem-se os pequenos erros involuntários, desvinculados da vontade do agente, cuja correção não inove o teor do ato formalizado, tais como a escrita errônea, o equívoco de datas, os erros ortográficos e de digitação. Diferentemente, o erro de direito, que não é escusável, diz respeito à norma jurídica disciplinadora e aos parâmetros previstos nas normas de regência da matéria. O conceito normativo de erro material no âmbito tributário abrange a inexatidão quanto a aspectos objetivos não resultantes de entendimento jurídico tais como um cálculo errado, a ausência de palavras, a digitação errônea, e hipóteses similares. Somente podem ser corrigidas de ofício ou a pedido do sujeito passivo as informações declaradas a RFB no caso de verificada circunstância objetiva de inexatidão material e mediante a necessária comprovação do erro em que se funde (incisos I e III do art. 145 e inciso IV do art. 149 do Código Tributário Nacional e art. 32 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). 1 Fundamentação legal: Instrução Normativa SRF nº 127, de 30 de outubro de 1998, Instrução Normativa RFB nº 1.028, de 30 de abril de 2010, Instrução Normativa RFB nº 1.149, de 28 de abril de 2011, Instrução Normativa RFB nº 1.264, de 30 de março de 2012, Instrução Normativa RFB nº 1.344, de 9 de abril de 2013, Instrução Normativa RFB nº 1.463, de 24 de abril de 2014 e Súmula CARF nº 92. 2 Fundamentação legal: Instrução Normativa SRF nº 126, de 30 de outubro de 1998, Instrução Normativa SRF nº 255, de 11 de dezembro de 2002, Instrução Normativa SRF nº 583, de 20 de dezembro de 2005, Instrução Normativa SRF nº 695, de 14 de dezembro de 2006, Instrução Normativa RFB nº 786, de 19 de novembro de 2007, Instrução Normativa RFB nº 903, de 30 de dezembro de 2008, Instrução Normativa RFB nº 974, de 27 de novembro de 2009, Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010 e Instrução Normativa RFB nº 1.599, de 11 de dezembro de 2015. 3 Fundamento legal: art. 56 da Instrução Normativa SRF nº 460, de 17 de outubro de 2004, art. 57 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, o art. 77 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, art. 88 da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de dezembro de 2012, a art. 107 da Instrução Normativa RFB nº 1.717, de 17 de julho de 2017 e § 14 do art. 74 da Lei n º 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 143DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 1003-000.802 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10580.903033/2008-49 Sobre a possibilidade de revisão e retificação de ofício de débitos confessados, o Parecer Normativo Cosit nº 8, de 03 de setembro de 2014, orienta que a revisão de ofício de despacho decisório que não homologou compensação pode ser efetuada pela autoridade administrativa da DRF de origem para crédito tributário não extinto e indevido, na hipótese de ocorrer erro de fato em dados declarados em Per/DComp, DCTF, DIPJ, entre outros, observados os demais requisitos normativos. Ademais, salvo exceções legais, verifica-se que a não retificação da DCTF não impede que o direito creditório pleiteado no Per/DComp seja comprovado por outros meios, bem como não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o Per/DComp que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação de acordo com o Parecer Normativo Cosit nº 02, de 28 de agosto de 2015. Vale ressaltar que a retificação das informações declaradas por iniciativa da própria declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde (§ 1º do art. 147 do Código Tributário Nacional). Por conseguinte, cabe a Recorrente a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao Erário para a instrução do processo a respeito dos fatos e dados contidos em documentos existentes em seus registros internos, caso em que deve prover, de ofício, a obtenção dos documentos ou das respectivas cópias (art. 36 e art. 37 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999). Infere-se que os motivos de fato e de direito apostos no recurso voluntário, por si sós, não podem ser considerados suficientemente robustos a comprovar sobre os supostos erros de fato incorridos pela Recorrente, que precisa produzir um conjunto probatório com outros elementos extraídos dos assentos contábeis, que mantidos com observância das disposições legais fazem prova a seu favor dos fatos ali registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (art. 9º do Decreto-Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977). A pessoa jurídica pode deduzir do tributo devido o valor dos incentivos fiscais previstos na legislação de regência, do tributo pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real, bem como o IRPJ determinado sobre a base de cálculo estimada no caso utilização do regime com base no lucro real anual, para efeito de determinação do saldo de IRPJ negativo ou a pagar no encerramento do período de apuração, ocasião em que se verifica a sua liquidez e certeza (art. 170 do Código Tributário Nacional, art. 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e art. 2º da Lei nº 9.430, 27 de dezembro de 1996). A fonte pagadora está obrigada a prestar aos órgãos da RFB, no prazo legal, informações sobre os rendimentos que pagaram ou creditaram a beneficiária no ano-calendário anterior, por si ou como representantes de terceiros, com indicação da natureza das respectivas importâncias, do nome, endereço e número de inscrição no CNPJ, das pessoas que o receberam, bem como o imposto de renda retido da fonte, mediante a Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF). Também aquela que efetuar pagamento com retenção do tributo na fonte devem fornecer a beneficiária, até o dia 31 de janeiro, documento comprobatório, em duas vias, com indicação da natureza e do montante do pagamento, das deduções e do imposto retido no ano-calendário anterior, que no caso é o Informe de Rendimentos. Fl. 144DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 1003-000.802 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10580.903033/2008-49 Assim, o valor retido na fonte somente pode ser compensado pela beneficiária que possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora para fins de apuração do saldo negativo de IRPJ no encerramento do período, em conformidade com o art. 86 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, o art. 11 do Decreto-Lei nº 1.968, de 23 de novembro de 1982 e o art. 10 do Decreto-Lei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983. Em relação à dedução de tributo retido na fonte, a legislação prevê que na apuração de IRPJ, a beneficiária pode deduzir do tributo devido o valor correspondente, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do tributo, em concordância com a Súmula CARF nº 80 de observância obrigatória pelos membros do CARF, nos termos do art. 72 do Anexo II do Regimento Interno do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Tem-se que as importâncias pagas ou creditadas por pessoas jurídicas a outras pessoas jurídicas a título de comissões, corretagens ou qualquer outra remuneração pela representação comercial ou pela mediação na realização de negócios civis e comerciais estão sujeitos à incidência na fonte de IRPJ, cujos valores, considerados como antecipações, podem ser deduzidos com o que for devido no encerramento do período de apuração. O percentual de 1,5% é aplicado sobre a receita de representação comercial ou mediação na realização de negócios, com a utilização do código de receita 8045, de acordo com o art. 53 da Lei n° 7.450, de 23 de dezembro de 1985 e art. 6º da Lei nº 9.064, de 20 de junho de 1995. O Despacho Decisório Eletrônico foi emitido com base nos dados então existentes nos registros da RFB informados pela Recorrente à época da sua emissão que, após confrontados, emergiram incongruências. Ocorre que nenhum outro critério de verificação da liquidez e certeza do direito creditório foi adotado pela Administração Tributária. Relativamente ao saldo negativo de IRPJ do ano-calendário de 2005 tem-se que: - no Despacho Decisório emitido em 09.05.2008 e notificado a Recorrente em 28.05.2008 consta o valor de R$7.425,12, fls. 51-56; - na DIPJ retificadora consta o valor de R$7.425,12 (IRPJ devido de R$16.265,03 – IRRF de R$23.690,15), fls. 21 e 31; e - foram apresentadas cópias do Livro Diário com Balanço Analítico e do Livro Razão do ano-calendário de 2005, e-fls. 101-132. Os efeitos do acatamento da preliminar da possibilidade de deferimento da Per/DComp por falta de comprovação do erro material, impõe, uma vez que se destina a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, o retorno dos autos a DRF de origem que inaugurou o litígio sob esse fundamento para que seja analisado o início de prova relativo ao conjunto probatório produzido no recurso voluntário referente ao mérito do pedido, ou seja, a origem e a procedência do crédito pleiteado, em conformidade com a escrituração mantida com observância das disposições legais, desde que evidenciada por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais em cotejo com os registros internos da RFB. Cumpre registrar, inclusive, que, enquanto a Recorrente não for cientificada de uma nova decisão quanto ao mérito de sua compensação, os débitos compensados permanecem com a exigibilidade suspensa, por não se verificar decisão definitiva acerca de seus procedimentos. E, caso tal decisão não resulte na homologação total das compensações Fl. 145DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 1003-000.802 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10580.903033/2008-49 promovidas, deve ser possibilitada a discussão do mérito da compensação nas duas instâncias administrativas de julgamento, conforme o rito processual do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 (§ 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). Dispositivo Em assim sucedendo voto em dar provimento em parte ao recurso voluntário, tendo em vista o início de prova produzido pela Recorrente que apresenta as cópias do Livro Diário com Balanço Analítico e do Livro Razão do ano-calendário de 2005 para reconhecimento da possibilidade de formação de indébito com base no conjunto probatório e informações constantes nos autos, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos a DRF de origem para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no Per/DComp. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 146DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.904830/2011-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jul 30 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3302-001.139
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em DILIGÊNCIA, para discriminar as receitas contidas na conta "outras receitas", nos termos do voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Relator e Presidente
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente), Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Denise Madalena Green..
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em DILIGÊNCIA, para discriminar as receitas contidas na conta "outras receitas", nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Relator e Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente), Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Denise Madalena Green..
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Interessado FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em DILIGÊNCIA, para discriminar as receitas contidas na conta "outras receitas", nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Relator e Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente), Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Denise Madalena Green.. Relatório Trata o presente processo de Pedido de Compensação de créditos de PIS/Pasep, transmitido por meio de PER/DCOMP. Após análise eletrônica, a DRF de origem emitiu Despacho Decisório no qual informa que foram localizados um ou mais pagamentos, porém estes teriam sido integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Devidamente cientificada, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, em que afirma que sempre agiu em conformidade com a lei e, por consequência, recolheu indevidamente as contribuições calculadas nos termos do § 1, art. 3, da Lei 9.718/98, cuja inconstitucionalidade foi reconhecida pelo STF. Acrescenta que em virtude desse entendimento procedeu à compensação administrativa, por meio de DCOMPs, dos recolhimentos indevidos da contribuição ao PIS sobre a parcela da base de cálculo excedente ao faturamento, assim entendido como as receitas decorrentes da venda de bens e prestação de serviços. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 65 .9 04 83 0/ 20 11 -3 1 Fl. 143DF CARF MF Fl. 2 da Resolução n.º 3302-001.139 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11065.904830/2011-31 Nesse trilhar, aponta ainda nulidade do procedimento por erro na capitulação legal. Faz um arrazoado sobre a validade do ato processual administrativo tributário, defendendo que o Despacho Decisório, para ser válido e eficaz, deve conter os requisitos fundamentais: agente capaz, forma prescrita ou não defesa em lei e objeto lícito. Por seu turno, a DRJ entendeu que a recorrente deveria ter realizado a plena prova do seu direito, com a juntada da documentação comprobatória do crédito, quando da apresentação da Manifestação de Inconformidade. Concluiu pela improcedência da Manifestação, por não se admitir compensação cuja existência não seja comprovada. Irresignada, a recorrente insurgiu-se contra esta decisão por meio de Recurso Voluntário, no bojo do qual reiterou os argumentos da Manifestação de Inconformidade, ao qual anexou documentos fiscais e demonstração contábil. Alegou ainda que, em se tratando, de despacho eletrônico, foi apenas quando da interposição do Recurso que teve a oportunidade de apresentar tais provas. É o breve relatório. VOTO Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 3302-001.133, de 17 de junho de 2019, proferido no julgamento do processo 13051.720137/2011-91, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcreve-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302-001.133). A discussão do processo diz respeito inicialmente, a (i) qual seria a documentação suficiente a comprovar tal crédito e o momento processual de sua apresentação e, (ii) eventual necessidade de retificação de DCTF e (iii) a análise das receitas que não se amoldam ao conceito de faturamento. Momento da produção da prova no Processo Administrativo Fiscal. Para a análise do direito creditório da Recorrente é necessário que ela se desincumba do seu ônus de provar o recolhimento a maior, o que deve ser realizado na primeira oportunidade processual, qual seja no pedido de compensação. Contudo, sabe-se que o sistema eletrônico não admite juntada de documentação quando do pedido de compensação, e que a primeira oportunidade que a recorrente teve para fazê-lo foi quando da apresentação da manifestação de inconformidade. Nesta ocasião a Recorrente apresentou os documentos que entendeu suficientes para a demonstração do seu direito, tendo feito com aquilo que julgou que seria suficiente, ou seja declaração de compensação e demonstrativo de débito, que constitui uma prova indiciária, todavia por sua pouca robustez, a Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil entendeu que tais documentos eram insuficientes, julgando improcedente a Manifestação de Inconformidade. Fl. 144DF CARF MF Fl. 3 da Resolução n.º 3302-001.139 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11065.904830/2011-31 Desta forma, foi apenas no Recurso Voluntário que a Recorrente pode apresentar a documentação, razão pela qual se admite que tenham sido trazidas apenas neste momento processual. Desnecessidade de retificação de DCTF Neste momento processual também cabe analisar se existe ou não necessidade do contribuinte realizar a retificação da DCTF como requisito para o exercício do direito de compensação. Em relação a este ponto, este colegiado possui entendimento no sentido de que a retificação da DCTF não é um requisito intransponível para a realização do pedido de compensação, razão suficiente a que seja analisado o pedido que constitui o cerne do presente processo. Análise das receitas que a Recorrente apontou como não sendo faturamento. A Recorrente fez acompanhar a sua Manifestação de Inconformidade com uma tabela onde elenca valores que entende não se subsumirem ao conceito de faturamento. Dentre tais valores há alguns que, por uma análise superficial é possível perceber tratar- se de receitas que não se amoldam ao conceito de “faturamento” de uma empresa que fabrica máquinas, como rendimento de aplicações financeiras, juros de mora e variações cambiais sobre exportações, apenas para citar três exemplos relevantes. Todavia há alguns sobre os quais recai dúvida acerca da natureza, se faturamento ou receita bruta, taxativamente: (i) descontos recebidos, (ii) rendas diversas, (iii) incentivos de exportação e (iv) deságio na devolução de mercadorias. Desta feita, a fim de melhor subsidiar o julgamento da lide e de se evitar a exigência de tributo sobre base de cálculo distinta do faturamento, ou de evitar que seja não seja exigido tributo sobre uma receita tributável, voto no sentido de converter o julgamento em diligência à repartição de origem para que a autoridade administrativa adote as seguintes providências: a) intimar o autuado a fazer prova cabal de que os valores recebidos a título de (i) descontos recebidos, (ii) rendas diversas, (iii) incentivos de exportação e (iv) deságio na devolução de mercadorias não se subsumem ao conceito de faturamento, alertando-se o contribuinte de que a atividade de provar não se limita a simplesmente juntar documentos nos autos, sem a necessária conciliação entre os registros contábeis fiscais e os documentos que os legitimam, evidenciando o indébito; b) com base na prova produzida nesses termos pelo contribuinte, reconstituir a escrita fiscal dos períodos de apuração alvo, excluindo-se os débitos porventura indevidamente lançados; c) repercuta a reconstituição da escrita no lançamento de ofício ora sub judice, em parecer circunstanciado, em que deverão ser mencionadas também quaisquer outras informações pertinentes; d) dar ciência desse parecer ao autuado, abrindo-lhe o prazo regulamentar de trinta dias para manifestação, e; e) atendida a diligência, encaminhar o processo a este colegiado, onde terá prosseguimento. É como voto. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Fl. 145DF CARF MF Fl. 4 da Resolução n.º 3302-001.139 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11065.904830/2011-31 Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por afastar a presunção de duplicidade e converter o julgamento em DILIGÊNCIA, para que a autoridade administrativa adote as seguintes providências: a) intimar o autuado a fazer prova cabal de que os valores recebidos a título de (i) descontos recebidos, (ii) rendas diversas, (iii) incentivos de exportação e (iv) deságio na devolução de mercadorias não se subsumem ao conceito de faturamento, alertando-se o contribuinte de que a atividade de provar não se limita a simplesmente juntar documentos nos autos, sem a necessária conciliação entre os registros contábeis fiscais e os documentos que os legitimam, evidenciando o indébito; b) com base na prova produzida nesses termos pelo contribuinte, reconstituir a escrita fiscal dos períodos de apuração alvo, excluindo-se os débitos porventura indevidamente lançados; c) repercuta a reconstituição da escrita no lançamento de ofício ora sub judice, em parecer circunstanciado, em que deverão ser mencionadas também quaisquer outras informações pertinentes; d) dar ciência desse parecer ao autuado, abrindo-lhe o prazo regulamentar de trinta dias para manifestação, e; e) atendida a diligência, encaminhar o processo a este colegiado, onde terá prosseguimento. Após sanadas essas dúvidas, que seja elaborado relatório fiscal, deve ser acultando à recorrente o prazo de trinta dias para se pronunciar sobre os resultados obtidos, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574/2011. Posteriormente aos procedimentos, que sejam devolvidos os autos ao CARF para prosseguimento do rito processual. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 146DF CARF MF
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Numero do processo: 13971.720791/2007-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 2401-000.733
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13971.720212/2008-37, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13971.720212/2008-37, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Miriam Denise Xavier.
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Interessado FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13971.720212/2008-37, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Miriam Denise Xavier. Relatório O presente recurso foi objeto de análise na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto da Resolução nº 2401-000.729, de 09 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 13971.720212/2008-37, paradigma deste julgamento. “KARSTEN S.A., contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da Turma da Delegacia Regional de Julgamento, que julgou procedente o lançamento fiscal, referente ao Imposto sobre a Propriedade Rural - ITR, em relação ao exercício em questão, conforme Notificação de Lançamento e demais documentos que instruem o processo. Trata-se de Notificação de Lançamento, lavrada nos moldes da legislação de regência, contra a contribuinte acima identificada, constituindo-se crédito tributário no valor consignado na folha de rosto da autuação, decorrente da glosa da área de preservação permanente por não restar comprovada e arbitramento do valor da terra nua - VTN. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 39 71 .7 20 79 1/ 20 07 -3 7 Fl. 150DF CARF MF Fl. 2 da Resolução n.º 2401-000.733 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.720791/2007-37 Inconformada com a Decisão recorrida, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário procurando demonstrar a total improcedência da Notificação, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, repisa às alegações da impugnação, motivo pelo qual adoto o relatório da DRJ, vejamos: 9.1. Em A — Nulidade da Notificação Fiscal, alegou cerceamento do direito de defesa com o argumento de ausência de base legal na NL e de elementos indispensáveis exata compreensão da exigência, bem como questionou a alteração do VTN com base no SIPT, por se tratar de sistema de acesso restrito apenas a servidores da Receita Federal, e que nem a base de cálculo foi indicada pela fiscalização, pois, a NL apontou apenas o VTN já calculado, não sendo informado qual seria o valor por hectare arbitrado para o imóvel, bem como observou que o lançamento deve necessariamente determinar a matéria tributável. 9.2. B — Caberia ao Fisco comprovar que seria incorreta a declaração de ITR apresentada pela impugnante. Discordou de que a contribuinte deveria ter comprovado os dados glosados, afirmando que, na realidade, a fiscalização é quem deveria ter comprovado eventual incorreção das declarações. Alongou-se nesta questão destacando, inclusive, a base legal que dispensa a prévia comprovação das áreas isentas declaradas e finalizou este item afirmando que a NL deve ser cancelada, haja vista que o Fisco não comprovou a ocorrência de qualquer fato gerador em relação à impugnante. 9.3. C — A declaração do ITR não depende de comprovação. Neste item, praticamente, reiterou as razões constantes do item anterior. 9.4. Na seqüência dos 10 itens, reproduzindo pareceres doutrinários e jurisprudência que tratam de assunto similar, a impugnante prosseguiu em sua discordância afirmando que não houve questionamento, por parte do Fisco, da existência da APP e AUL ou VTN do imóvel, resumindo-se o lançamento na ausência de comprovação por parte da interessada, não sendo nem mesmo alegado que seriam improcedentes as informações constantes na declaração, sendo flagrante a insubsistência da NL. (...) 9.6. E — A averbação no Registro de Imóveis não é condição à isenção. Como o titulo indica, questionou a exigência da averbação da ARL e, entre outros argumentos, reiterou a não necessidade de prévia comprovação da declaração. 9.7. F — A Area de Reserva Legal é aquela indicada no laudo técnico. Aqui tratou das areas atestadas no laudo e que, independentemente de qualquer averbação, toda a ARL existente no imóvel deve ser considerada isenta do ITR e, sob este aspecto, a NL merece ser cancelada. (...) 9.9. H — O VTN é aquele declarado pela contribuinte. Acrescentou que o VTN do imóvel é exatamente aquele declarado e que não sabe como foi apurado o VTN arbitrado, exageradamente elevado, e que, seguramente, não é compatível com as características e particularidades do imóvel da impugnante, que, além de se localizar na área rural de uma pequena cidade do interior de Santa Catarina, apresenta uma série de restrições ao seu efetivo aproveitamento, como consta do laudo técnico. 9.10. Na seqiiencia, sob títulos específicos, alegando, entre outros, inconstitucionalidade, questionou Da progressividade das aliquotas, Inconstitucionalidade da multa e, a utilização da Taxa SELIC (Sistema Especial de Liquidação e Custódia) para cálculo dos juros de mora. Fl. 151DF CARF MF Fl. 3 da Resolução n.º 2401-000.733 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.720791/2007-37 Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar a Notificação de Lançamento, tornando-o sem efeito e, no mérito, a sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório.” Voto Conselheira Miriam Denise Xavier - Relatora Este processo foi analisado na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido na Resolução nº 2401-000.729, de 09 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 13971.720212/2008-37, paradigma deste julgamento. Transcreve-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Resolução nº 2401-000.729, de 09 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária: Resolução nº 2401-000.729 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária “Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. Não obstante as substanciosas razões meritórias de fato e de direito ofertadas pela contribuinte em seu recurso voluntário, há nos autos questão preliminar, indispensável ao deslinde da controvérsia, que deve ser elucidada, prejudicando, assim, a análise da demanda nesta oportunidade, como passaremos a demonstrar. Com efeito, dentre outras alegações, a contribuinte pretende seja decretada a nulidade do lançamento, uma vez que não foram fornecidas informações indispensáveis referentes aos critérios utilizados no arbitramento do VTN. Pois bem! De fato, verifica-se que apesar de constar dos autos as informações disponíveis no SIPT, foi vislumbrado divergência entre o valor do vtn arbitrado e o constante da "tela SIPT" anexa e, em relação a localização do imóvel. Existe a informação acerca do SIPT utilizado no Termo de Intimação Fiscal, constando apenas o valor considerado pela autoridade lançadora, o qual, como já dito, diferente do constante do documento anexado. De fato, restando clara a divergência nos autos sobre as informações disponíveis no SIPT, para o exercício em análise e o município de localização do imóvel, que foram utilizadas pela autoridade fiscal para proceder o arbitramento contestado pela recorrente. Dessa forma, dada a argumentação da contribuinte e, ainda que as informações do SIPT são indispensáveis para o deslinde da questão, devem os autos serem baixados em diligência para: Fl. 152DF CARF MF Fl. 4 da Resolução n.º 2401-000.733 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.720791/2007-37 I. A autoridade competente anexe aos autos as informações do SIPT para o exercício em análise que embasaram o procedimento fiscal em apreço, assim como junte também a declaração de ITR (DITR). II) A autoridade competente explicite a origem do valor utilizado para arbitramento do VTN, bem como explicite a divergência entre o valor arbitrado e o constante da tela sipt; III) Confirme se o municipio da localização do imóvel que consta da localização é o mesmo dos documentos de registro/matrícula, assim como o municipio que serviu de parametro para o VTN arbitrado; IV) se existe o sipt para o período em questão para o município de localização do imóvel e, caso existente, anexe aos autos a tela do SIPT; Após tais providências e ciência ao contribuinte, devem os autos retornar a este colegiado, devidamente instruídos com as peças que confirmam as informações prestadas, para que se prossiga no julgamento do recurso voluntário. Por todo o exposto, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO E CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, nos termos encimados, devendo ser oportunizado ao contribuinte se manifestar a respeito do resultado da diligência no prazo de 30 (trinta) dias, se assim entender por bem. É como voto.” Por todo o exposto, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO E CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, nos termos encimados, devendo ser oportunizado ao contribuinte se manifestar a respeito do resultado da diligência no prazo de 30 (trinta) dias, se assim entender por bem. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Fl. 153DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19985.721305/2016-16
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2012
COMPENSAÇÃO. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE.
Só pode ser compensado na Declaração de Ajuste Anual o imposto efetivamente retido na fonte, comprovados com documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 2002-001.254
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (documento assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
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IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. Só pode ser compensado na Declaração de Ajuste Anual o imposto efetivamente retido na fonte, comprovados com documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (documento assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário (fls. 44/50) contra decisão de primeira instância (fls. 37/40), que julgou improcedente a impugnação do sujeito passivo. Em razão da riqueza de detalhes, adoto o relatório da r. DRJ, que assim diz: Em procedimento de revisão da Declaração de Ajuste Anual 2013, ano-calendário 2012, do contribuinte acima identificado, procedeu-se ao lançamento de ofício, originário da apuração da(s) infração(ões) abaixo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 98 5. 72 13 05 /2 01 6- 16 Fl. 70DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2002-001.254 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 19985.721305/2016-16 descrita(s), por meio da Notificação de Lançamento do Imposto de Renda Pessoa Física de fls. 28 a 31. Segundo a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fl. 30, foi constatada Compensação Indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte no valor de R$12.717,50, correspondente à diferença entre o valor declarado e o total de IRRF informado pela(s) fonte(s) pagadora(s) em Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF) para o titular e/ou dependentes, conforme o seguinte demonstrativo: A Complementação da Descrição dos Fatos, assim foi redigida (fl. 31): Não comprovados a prestação de serviços, o recebimento do valor, nem a retenção do IRRF. Após a constatação da(s) infração(ões) acima descrita(s), acompanhada(s) do(s) respectivo(s) enquadramento(s) legal(is), o Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, assim ficou definido (fl. 16): Fl. 71DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2002-001.254 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 19985.721305/2016-16 Impugnação Cientificado do lançamento em 22/03/2016 (fl. 32), o contribuinte apresentou em 15/04/2016 (fls. 04 e 33), a impugnação de fls. 03 e 04, acompanhada dos documentos de fls. 05 a 10, na qual alega, em síntese, que: Valor da infração: R$ 12.717,50. Estou questionando o valor de R$ 12.717,50. - O valor contestado refere-se ao imposto de renda retido na fonte informado no comprovante de rendimentos fornecido pela fonte pagadora e os rendimentos correspondentes foram devidamente oferecidos a tributação na declaração de ajuste anual. - Outras alegações: O contribuinte quando da primeira intimação já tinha em 15/06/2014 comprovado o recebimento e o desconto do IRRF. conforme documento anexo. Não é correta a posição do fisco da não prestação de serviços e da não retenção do imposto de renda. Os serviços foram prestados como advogado autônomo. Os documentos que se anexa, comprovam a prestação de serviços (02 recibos de pagamento de R$24.500,00 cada um) e Informação do Município do pagamento e retenção na fonte (DIRF) no valor de R$ 49.000,00 e imposto retido de R$ 12.717,50. Assim requer a Fl. 72DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2002-001.254 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 19985.721305/2016-16 procedência da presente impugnação, com a consequente restituição conforme declarado no respectivo exercício. O resumo da decisão revisanda está condensado na seguinte ementa do julgamento: GLOSA DE IRRF. ÔNUS DA PROVA. As razões de fato e de direito em que se fundamenta a impugnação, para serem acolhidas, devem vir acompanhadas da comprovação correspondente. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, combatendo a decisão de primeira instância, juntando documentos. É o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro Virgílio Cansino Gil, Relator. Recurso Voluntário aviado a modo e tempo, portanto dele conheço. O contribuinte foi cientificado em 12/09/2016 (fl. 42); Recurso Voluntário protocolado em 13/10/2017 (fl. 67), assinado pelo próprio contribuinte. Responde o contribuinte nestes autos, pela seguinte infração: a) Compensação Indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte. Relata o Sr. AFRF que: Da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte, e/ou das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, constatou-se a compensação indevida do Imposto de Renda Retido na Fonte, pelo titular e/ou dependentes, no valor de R$ ********12.717,50. Não comprovados a prestação de serviços, o recebimento do valor, nem a retenção do IRRF. Em julgamento, a r. decisão revisanda, assim se manifestou: O contribuinte foi intimado a apresentar outro documento que viesse a comprovar a alegada retenção de imposto de renda na fonte, a saber: contrato de prestação de serviços (fls. 26 e 27), que é inclusive citado nos recibos de própria lavra do interessado (fls. 07 e 08). No entanto, apesar Fl. 73DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2002-001.254 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 19985.721305/2016-16 de intimado pela fiscalização e citado pelo próprio contribuinte, o contrato de prestação de serviços não foi apresentado até o presente. Assim, sem dispor de elementos de prova inequívocos, não podem as autoridades autuante e julgadora acatar a compensação pleiteada na declaração de ajuste, cabendo ao interessado o ônus da prova de que efetivamente sofreu a referida retenção, conforme dispõe o inciso II do artigo 373 do Código de Processo Civil (Lei nº 13.105/2015): Art. 373. O ônus da prova incumbe: (...) II - ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Irresignado, o contribuinte maneja recurso próprio, juntando documentos, e combatendo o mérito. Observamos que na complementação da descrição dos fatos, assim se manifesta a autoridade fiscal: “ Não comprovados a prestação de serviços, o recebimento do valor, nem a retenção do IRRF. Tendo em vista dos documentos trazidos aos autos pelo próprio contribuinte, outra não poderia ser a decisão proferida pela autoridade julgadora. Ocorre que em sede de Recurso Voluntário o recorrente, junta às fls. 55/61, o contrato de prestação de serviços, bem como às fls. 62 o comprovante de rendimentos pagos e do IRRF. Embora extemporâneos, recebo os documentos apresentados pelo princípio em busca da verdade real, porque assiste razão ao recorrente, que poderia buscar os Tribunais para ter seu direito reconhecido, e ainda evita-se a sucumbência do poder público. Nesta quadra de entendimento, a razão está com o recorrente. Reformo. Isto posto, e pelo que mais consta dos autos, conheço do Recurso Voluntário, e no mérito dá-se provimento. É como voto. (documento assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 74DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2002-001.254 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 19985.721305/2016-16 Fl. 75DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.728605/2016-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2015
REGIME ESPECIAL ART. 56 DA MP Nº 2.15835/ 2001. CRÉDITO PRESUMIDO. FRETE.
O valor do frete somente deve ser segregado na nota fiscal quando esse valor for cobrado ou debitado em separado do adquirente, exigência esta que não é feita pela legislação sob análise, que exige expressamente que os valores de frete "sejam cobrados juntamente com o preço dos produtos" (art. 56, II, 'b', MP 2.158/2001).
Numero da decisão: 3302-006.923
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, para cancelar o auto de infração.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto).
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, para cancelar o auto de infração. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto).
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CRÉDITO PRESUMIDO. FRETE. O valor do frete somente deve ser segregado na nota fiscal quando esse valor for cobrado ou debitado em separado do adquirente, exigência esta que não é feita pela legislação sob análise, que exige expressamente que os valores de frete "sejam cobrados juntamente com o preço dos produtos" (art. 56, II, 'b', MP 2.158/2001). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, para cancelar o auto de infração. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 86 05 /2 01 6- 16 Fl. 1214DF CARF MF Processo nº 11080.728605/201616 Acórdão n.º 3302006.923 S3C3T2 Fl. 1.215 2 Relatório Adoto e transcrevo o relatório da decisão de primeira instância com os adendos necessários, pois não foram referidos os documentos trazidos com a impugnação: Tratase de exigência do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), formalizada no auto de infração de fls. 102/120, lavrado em 02/01/2017, com ciência da contribuinte em 03/01/2017, totalizando o crédito tributário de R$ 91.450.435,50. Segundo a descrição dos fatos e o relatório fiscal de fls. 86/100, foram constatadas as seguintes irregularidades, no período de janeiro/2012 a dezembro/2015: O estabelecimento industrial recolheu imposto a menor em decorrência da escrituração e utilização de CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI SOBRE FRETE, sem observância da letra b, do inciso II do artigo n° 134, do Decreto nº 7.212 de 15/05/2010 (RIPI) sem o destaque do frete na nota fiscal conforme Relatório de Ação Fiscal que é parte integrante deste Auto de Infração. Inconformada com a autuação, a contribuinte protocolizou impugnação de fls. 126/166, aduzindo os seguintes argumentos, em síntese, em sua defesa. "Demonstrando a mais nítida boafé, a impugnante respondeu ao mencionado termo em 23/09/2016, salientando especialmente que: (i) utiliza o frete na modalidade CIF para transporte de suas mercadorias, ou seja, todos os custos e riscos com a entrega da mercadoria, incluindo o seguro e o frete que estão embutidos no preço da mercadoria; (ii) a impugnante é beneficiária do regime especial de apuração do IPI, nos termos do art. 56 da MP 215835/2001, o qual estabelece como condição para utilização do benefício, a inclusão do frete cobrado no serviço de transporte no valor total da mercadoria; (iii) logo, não há que se falar no destaque do frete na nota fiscal, uma vez que a impugnante colaciona o valor CIF Cost, Insurance and Freight, sendo cediço que a sigla CIF significa que o frete e o seguro são pagos pelo fornecedor, que é responsável pela entrega até o local de destino. Não bastasse, a impugnante anexou em resposta:" a) Relatório das Notas Fiscais de Saída de 2012 a 2015; b) Demonstrativo de IPI lançado; Solicita diligência nos termos do artigo 18 do Decreto nº 70.235/72. Fl. 1215DF CARF MF Processo nº 11080.728605/201616 Acórdão n.º 3302006.923 S3C3T2 Fl. 1.216 3 Ainda vieram aos autos: 1) laudo pericial contábil, elaborado por Expert, que demonstra o frete cobrado de clientes; 2) julgados do CARF; e 3) Solução de Consulta 26 SRRF09/Disit, de 7/02/2012. Em 13/06/2017, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2015 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI SOBRE O FRETE. O direito ao crédito presumido de IPI relativamente à parcela do frete cobrado pela prestação do serviço de transporte, previsto na legislação, está condicionado à comprovação de que o frete foi efetivamente cobrado juntamente com o preço dos produtos vendidos. PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimado da decisão em 19/06/20175, consoante Termo de ciência por abertura de mensagem, fl. 643, a Recorrente interpôs recurso voluntário em 13/07/2017, consoante Termo de solicitação de juntada acostado, no qual essencialmente reitera os argumentos iniciais apresentados na impugnação e aduz que a decisão recorrida não pode prosperar, uma vez que concluiu pela improcedência da impugnação, de forma teratológica, diante do mero argumento de que a ausência de destaque do frete na Nota Fiscal obsta, por si só a utilização do regime especial. Por fim, requer reforma da decisão e improcedência do auto de infração. Sucessivamente, seja o julgamento convertido em diligência a fim de se constatar a inclusão dos valores de frete nos produtos comercializados pela Recorrente. Ato seguido, o expediente é encaminhado ao CARF para julgamento. É o relatório. Fl. 1216DF CARF MF Processo nº 11080.728605/201616 Acórdão n.º 3302006.923 S3C3T2 Fl. 1.217 4 Voto Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Em não havendo preliminares, passase de plano ao mérito da lide. DO CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI O decisum a quo assim assentou suas razões de decidir: (...) Assim, são condições ao regime especial de que trata o art. 56 da Medida Provisória nº 215835/2001, dentre outros, que os respectivos serviços de transporte sejam cobrados juntamente com o preço dos produtos e que compreendam a totalidade do trajeto, no País, desde o estabelecimento industrial até o local de entrega do produto ao adquirente. Ou seja, somente fará jus ao gozo do regime especial o estabelecimento industrial ou equiparado que cumpra tais condições, cuja inobservância obriga à restituição do benefício indevidamente usufruído, então caracterizado como falta de recolhimento do imposto sobre produtos industrializados. No caso concreto, o sujeito passivo deixou de destacar em suas notas fiscais de saída o valor correspondente ao frete, sustentando, porém, que tal valor é cobrado juntamente com o preço final dos veículos. Alega, ainda, que como o artigo 56, § 1o, II, “b”, da MP 2.15835/2001 condiciona o regime especial à cobrança do frete juntamente com o preço do produto e não destacada e separadamente da mercadoria, o valor a ele relacionado não foi individualizado na nota fiscal de comercialização. Aduz que nos casos em que o transporte é ajustado por contratação global, não há a remuneração dos transportadores com uma individualização do custo por trechos e, nesse caso, o industrial fica obrigado ao pagamento de remuneração aos contratantes como combinado em contrato e, por assumir o ônus do frete, repassao no preço de venda da mercadoria, como dispêndio relacionado à sua atividade, sem que haja comando que imponha o seu dever de destacálo e segregálo na nota fiscal. Ocorre que o RIPI/2010, ao tratar dos requisitos da nota fiscal, preceitua em seu art. 413 que: “Art. 413. A Nota Fiscal, nos quadros e campos próprios, observada a disposição gráfica dos modelos 1 ou 1A, conterá: Fl. 1217DF CARF MF Processo nº 11080.728605/201616 Acórdão n.º 3302006.923 S3C3T2 Fl. 1.218 5 (...) V no quadro “Cálculo do Imposto”: (...) e) o valor total dos produtos; f) o valor do frete; (...) i) o valor total do IPI; e j) o valor total da nota; (...)” (destacouse) Verificase, de plano, que a indicação do valor do frete, no campo próprio da nota fiscal, é disposição impositiva aos contribuintes do imposto. Nesse passo, o destaque em nota fiscal do valor do frete não se trata de disposição normativa decorativa ou desnecessária que possa, solenemente, ser ignorada pelo contribuinte, haja vista que o montante da despesa com frete (e efetivamente correspondente a frete) integrará o cálculo do imposto devido, posto que compõe o respectivo valor tributável (representado, na hipótese, pelo preço do produto acrescido do valor do frete e demais despesas acessórias). Tenho, pois, que a ausência de destaque do frete na respectiva nota fiscal, na forma regulamentar, obsta, por si só, a pretensão do sujeito passivo. Notese, nesse sentido, que a despesa de frete apresenta a natureza específica de pagamento pela contratação de um meio de transporte para a movimentação externa de bens. Por decorrência, o conceito de frete não alcança despesas que exibam natureza nitidamente diversa e representem e recebam o tratamento de custo geral da produção. Porém, as alegações constantes da impugnação objeto de cognição advogam a tese de que na composição do preço de venda dos respectivos produtos está incluído o frete e, por isso, restariam atendidas as condições necessárias à escrituração do crédito presumido em comento. Em outros dizeres, como todas as despesas encontramse incluídas na formação do preço de venda, então, no preço cobrado, também se encontram inseridas tais despesas, dentre as quais o valor do frete contratado. Ocorre que ao optar por, supostamente, levar as despesas de transporte à composição do preço de venda dos produtos em tela, o sujeito passivo deu a tais dispêndios a natureza de custo da produção, deixando de lhes aplicar o tratamento de frete. Em tal hipótese, o valor do transporte não necessita, de fato, ser destacado em nota fiscal, uma vez que integra o “preço do produto”, mas também perde a natureza de frete. Acrescentese que a própria impugnante reconhece que não há correspondência entre o valor do transporte e o montante arcado pelo adquirente, o que, por si só, é uma demonstração clara do descumprimento da exigência de que os serviços de transporte sejam cobrados juntamente com o preço dos produtos Fl. 1218DF CARF MF Processo nº 11080.728605/201616 Acórdão n.º 3302006.923 S3C3T2 Fl. 1.219 6 e compreendam a totalidade do trajeto, no País, desde o estabelecimento industrial até o local de entrega do produto ao adquirente. Finalmente, registrese que não se trata no caso sob análise, a toda evidência, de mera redução teleológica na interpretação do art. 56 da Medida Provisória nº 2.15835/2001 ou de saberse, apenas em tese, se a diminuição do IPI com o crédito presumido de 3% é ou não compensada com a adição do frete à base de cálculo do imposto e de contribuições sociais (PIS e COFINS), mas exclusivamente de reconhecer que se está diante do descumprimento das condições do regime especial de que tratam as disposições normativas que delimitam a espécie ou, quando menos, da ausência de comprovação que os serviços de transporte foram arcados pelo fabricante, compreenderam a totalidade do trajeto dentro do País e efetivamente integraram o preço dos produtos. Por igual razão, fazse irrelevante que o regime especial em tela seja tomado como benefício fiscal ou “sistema alternativo de cumprimento da obrigação tributária”. A matéria é bastante polêmica e conhecida deste Conselho, tanto que já ganhou foros de discussão na CSRF. Nesse sentido, peço licença para transcrever a ementa e excerto do voto no acórdão nº 9303006.465, de 13 de março de 2018: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Exercício: 2000 REGIME ESPECIAL ART. 56 DA MP Nº 2.15835/ 2001. CRÉDITO PRESUMIDO. FRETE. O valor do frete somente deve ser segregado na nota fiscal quando esse valor for cobrado ou debitado em separado do adquirente, exigência esta que não é feita pela legislação sob análise, que exige expressamente que os valores de frete "sejam cobrados juntamente com o preço dos produtos" (art. 56, II, 'b', MP 2.158/2001). Excerto do voto (...) passamos a reproduzir o art. 56 da Medida Provisória MP n.º 2.15835, de 2001, que disciplina o regime especial de tributação de que aqui se trata: Art. 56. Fica instituído regime especial de apuração do IPI, relativamente à parcela do frete cobrado pela prestação do serviço de transporte dos produtos classificados nos códigos 8433.53.00, 8433.59.1, 8701.10.00, 8701.30.00, 8701.90.00, 8702.10.00 Ex 01, 8702.90.90 Ex 01, 8703, 8704.2, 8704.3 e 87.06.00.20, da TIPI, nos termos e condições a serem estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. § 1o O regime especial: Fl. 1219DF CARF MF Processo nº 11080.728605/201616 Acórdão n.º 3302006.923 S3C3T2 Fl. 1.220 7 I consistirá de crédito presumido do IPI em montante equivalente a três por cento do valor do imposto destacado na nota fiscal; II será concedido mediante opção e sob condição de que os serviços de transporte, cumulativamente: a) sejam executados ou contratados exclusivamente por estabelecimento industrial; b) sejam cobrados juntamente com o preço dos produtos referidos no caput deste artigo, nas operações de saída do estabelecimento industrial; (Redação dada pela Lei nº 11.827, de 2008) c) compreendam a totalidade do trajeto, no País, desde o estabelecimento industrial até o local de entrega do produto ao adquirente. § 2o O disposto neste artigo aplicase, também, ao estabelecimento equiparado a industrial nos termos do § 5o do art. 17 da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. § 3o Na hipótese do § 2o deste artigo, o disposto na alínea "c" do inciso II do § 1o alcança o trajeto, no País, desde o estabelecimento executor da encomenda até o local de entrega do produto ao adquirente. § 4o O regime especial de tributação de que trata este artigo, por não se configurar como benefício ou incentivo fiscal, não impede ou prejudica a fruição destes. (Incluído pela Lei nº 12.407, de 2011) Esse regime especial reclama, tendo em vista o que dispõe a própria Lei, a observância dos seguintes requisitos: a) a execução ou contratação do serviço de transporte pelo próprio estabelecimento industrial (no caso, a Recorrente); b) a cobrança juntamente com o preço do produto vendido e, finalmente, c) o transporte do estabelecimento industrial até o local de entrega do produto ao adquirente. Pois bem. Dos três requisitos antes mencionados, a controvérsia se instaurou apenas quanto ao segundo. Isso porque, nas notas fiscais emitidas pela contribuinte, não houve, como já adiantamos, o destaque do valor do frete pago no transporte dos veículos. Sustenta a douta PFN que esse fato – a falta de destaque do frete nas respectivas notas ficais – é impeditivo à fruição do benefício do crédito presumido de três por cento sobre o valor do IPI destacado. Não nos parece correta a exigência. Notese que, ao dispor que os serviços de transporte "sejam cobrados juntamente com o preço dos produtos", não se está a dizer que os valores a eles correspondentes sejam cobrados destacadamente na nota fiscal, mas que componham o valor Fl. 1220DF CARF MF Processo nº 11080.728605/201616 Acórdão n.º 3302006.923 S3C3T2 Fl. 1.221 8 cobrado e pago pelas concessionárias, o que pode se dar na forma pretendida pela fiscalização, ou seja, em separado, ou embutido no preço dos veículos, como ordinariamente ocorre no comércio internacional. Referimonos aos incoterms CRF ou CIF, em que o importador paga o valor da mercadoria, acrescido do frete, no primeiro caso, e do seguro e do frete, no segundo, mas, em ambos, paga um preço só, sem destaque de qualquer valor em separado, já que a responsabilidade da entrega ao porto de destino fica por conta do exportador. Portanto, e como bem pontuado no acórdão recorrido, o valor do frete somente deve ser segregado na nota fiscal quando esse valor for cobrado ou debitado em separado do adquirente, mas não quando ele integre, "por dentro", o preço exigido. A Solução de Consulta SRRF09/Disit nº 26, de 7 de fevereiro de 2012, que trata do preenchimento, nas notas fiscais, do valor do frete nas vendas destinadas à exportação, transcrita, em parte, no acórdão recorrido, bem elucida a questão: 10. Entendese por “valor do frete” a quantia paga para transportar as mercadorias discriminadas na Nota Fiscal de um local a outro, dentro do território nacional ou alémfronteira. 11. O preenchimento do campo referente ao valor do frete na Nota Fiscal é necessário ainda que não haja imposto destacado (casos, por exemplo, de isenção, nãoincidência, suspensão), uma vez que a legislação não prevê a dispensa do preenchimento nesses casos. Portanto, o preenchimento do valor do frete e sua condição de pagamento são, por regra, dados de preenchimento obrigatório, ainda que se trate de operação não sujeita ao imposto (IPI ou ICMS). 12. Entrementes, importante ressalva fazse necessária: a obrigatoriedade de preenchimento do valor do frete na Nota Fiscal impõese apenas nos casos em que esse valor for cobrado ou debitado em separado do comprador, hipótese em que o valor do frete será adicionado à base de cálculo do IPI e do ICMS. 13. Com efeito, a Lei nº 7.798, de 1989, por meio de seu art. 15, deu nova redação ao art. 15 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964 (que instituiu o IPI), de modo a prescrever que a base de cálculo do IPI “compreende o preço do produto, acrescido do valor do frete e das demais despesas acessórias, cobradas ou debitadas pelo contribuinte ao comprador ou destinatário” (destacouse). 14. É de notar que, anteriormente à edição da Lei nº 7.798, de 1989, o art. 14, inciso II, da Lei nº 4.502, de 1964, excluía expressamente da base de cálculo do IPI, as despesas de transporte e seguro, desde que debitadas ao destinatário ou comprador e escrituradas em separado, na nota fiscal (art. 63, § 1º, do RIPI/1982). 15. Por seu turno, a Lei Complementar nº 87, de 1996, de forma similar à Lei nº 7.798, de 1989, no seu art. 13, § 1º, inciso II, Fl. 1221DF CARF MF Processo nº 11080.728605/201616 Acórdão n.º 3302006.923 S3C3T2 Fl. 1.222 9 alíneas “a” e “b”, veio estabelecer que integra a base de cálculo do ICMS o valor correspondente a “seguros, juros e demais importâncias pagas, recebidas ou debitadas, bem como descontos concedidos sob condição”, e o valor correspondente a “frete, caso o transporte seja efetuado pelo próprio remetente ou por sua conta e ordem e seja cobrado em separado” (destacouse). 16. Em suma, constatase que a exigência de indicação do valor do frete e do seguro na nota fiscal está vinculada à hipótese em que essas despesas sejam cobradas separadamente do preço da mercadoria (situação em que, atualmente, tais importâncias compõem a base de cálculo do ICMS e do IPI), razão por que é lícito inferir que essa informação é dispensada quando não ocorra essa hipótese. (grifamos) A seguir, vão exemplos de algumas soluções de consulta e acórdãos de DRJs que adotam o mesmo entendimento – o de que a cobrança conjunta do frete com o preço do produto não necessariamente exige o seu destaque na nota fiscal. Confirase: ASSUNTO: Obrigações Acessórias EMENTA: NOTA FISCAL. SAÍDA DE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. É exigida a informação do valor do frete e do seguro na nota fiscal emitida por estabelecimento sujeito à legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), no quadro “Cálculo do Imposto”, somente quando essas despesas sejam cobradas separadamente do preço da mercadoria. Nessa hipótese, o valor do frete e o valor do seguro serão somados ao valor total dos produtos para obtenção do valor total da nota. (Solução de Consulta SRRF10/Disit nº17, de 26/01/2012) ASSUNTO: Obrigações Acessórias EMENTA: NOTA FISCAL. SAÍDA DE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. É exigida a informação do valor do frete e do seguro na nota fiscal emitida por estabelecimento sujeito à legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), no quadro “Cálculo do Imposto”, somente quando essas despesas sejam cobradas separadamente do preço da mercadoria. (Solução de Consulta SRRF10/Disit nº14, de 23/01/2012) ASSUNTO: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI EMENTA: Frete. Inclusão na base de cálculo. Destaque na Nota Fiscal. O valor do frete, caso o transporte seja efetuado pelo próprio remetente ou por sua conta e ordem e seja cobrado em separado, compõe a base de cálculo do IPI. A legislação do IPI é silente quanto ao destaque do valor do frete na nota fiscal. Frete. Produtos NT. Destaque na Nota Fiscal. Para a legislação do IPI, sendo o produto NT fora da incidência do imposto, não é necessário que se destaque o valor do frete na nota fiscal. (Solução de Consulta SRRF09/Disit nº 217, de 26/12/2001) ASSUNTO: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração : 12/02/1990 a 30/09/1999 EMENTA: IPI. RESTITUIÇÃO. Incabível a restituição de imposto que não foi Fl. 1222DF CARF MF Processo nº 11080.728605/201616 Acórdão n.º 3302006.923 S3C3T2 Fl. 1.223 10 pago a maior ou indevidamente. IPI. VALOR TRIBUTÁVEL. Inadmissível a restituição do IPI incidente sobre e fretes e despesas financeiras, ainda que cobrados separadamente na nota fiscal, porque se incluem no valor tributável. INCONSTITUCIONALIDADE. A autoridade administrativa é incompetente para se manifestar sobre a inconstitucionalidade da lei e dos atos normativos. RESTITUIÇÃO. EXTINÇÃO DO DIREITO. O direito de pleitear restituição de pagamento espontâneo do IPI, reputado indevido pelo contribuinte, se extingue c om o decurso do prazo de cinco anos, contados da data do pagamento. (Acórdão nº 147888, de 27 de Abril de 2005) ASSUNTO: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração : 01/01/1993 a 31/12/1998 EMENTA: IPI. RESTITUIÇÃO. Incabível a restituição de imposto que não foi pago a maior ou indevidamente. IPI. VALOR TRIBUTÁVEL. Inadmissível a restituição do IPI incidente sobre fretes e despesas financeiras, ainda que cobrados separadamente na nota fiscal, porque se incluem no valor tributável. IPI. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. PRESCRIÇÃO. Inadmissível o ressarcimento de créditos prescritos, referentes à aquisição de insumos cuja entrada no es tabelecimento tenha ocorrido anteriormente a cinco anos contados da data de protocolização do pedido. IPI – RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. CORREÇÃO MONETÁRIA. Inaceitável, por falta de expressa previsão legal, a correção monetária do valor do ressarcimento de crédito de IPI. (Acórdão nº 103699, de 06 de Maio de 2004) Ante o exposto, conheço do recurso especial da Procuradoria e, no mérito, negolhe provimento. No que diz respeito à conjuntura que circunda o lançamento em análise, releva observar que a única acusação da auditoriafiscal para impedir a fruição do regime especial de tributação ora sub analisis foi a falta de destaque do frete na nota fiscal, porque sem o destaque seria impossível saber se, de fato, houve cobrança e quais teriam sido os valores dos fretes. Porém, sob esse aspecto, como se viu da jurisprudência trazida e norma complementar tributária exarada pela própria RFB, o valor do frete somente deve ser segregado na nota fiscal quando esse valor for cobrado ou debitado em separado do adquirente. Corolário disso, a acusação mostrouse fragilizada, na medida em que para impedir a fruição do regime especial de tributação da recorrente teria de haver nos autos prova cabal da não cobrança dos fretes, esta a ser encontrada na escrituração contábil da autuada. Porém, isso não ocorreu, pois entendeu a auditoriafiscal que o indício falta de destaque do frete na nota fiscal seria suficiente para sustentar o lançamento. Fl. 1223DF CARF MF Processo nº 11080.728605/201616 Acórdão n.º 3302006.923 S3C3T2 Fl. 1.224 11 Posto isso, voto por dar provimento ao recurso voluntário, para cancelar o auto de infração. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Fl. 1224DF CARF MF
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Numero do processo: 10725.901572/2008-51
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jul 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do Fato Gerador: 21/01/2003
CRÉDITO DO IPI. ILEGITIMIDADE. NOTA FISCAL. NÃO APRESENTAÇÃO.
A primeira via da nota fiscal (ou sua cópia devidamente autenticada) conforma-se no documento imprescindível para conferir certeza e liquidez (legitimidade) a créditos do IPI aproveitados na escrita fiscal da interessada. A sua não apresentação impossibilita seia atestada a procedência do direito creditório originário de suposto pagamento indevido realizado, em face da não comprovação. via notas l`iscais de entrada, dos créditos escriturados ein períodos de apuração anteriores componentes do saldo credor de período anterior transferido para o período de apuração em análise, no qual se teria apurado saldo credor, tornando indevido, ein tese, o recolhimento efetivado ein 21/Ol/2003.
DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO. NÃO COMPROVAÇÃO. DEFERIMENTO.
Não comprovado o direito creditório atinente ao suposto pagamento . indevido utilizado como lastro da compensação, cabe a sua não homologação em face da ausência da certeza e liquidez do crédito.
Numero da decisão: 3001-000.833
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, , por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marcos Roberto da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco Martins Leite Cavalcante - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Roberto da Silva, Francisco Martins Leite Cavalcante e Luis Felipe de Barros Reche.
Nome do relator: FRANCISCO MARTINS LEITE CAVALCANTE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do Fato Gerador: 21/01/2003 CRÉDITO DO IPI. ILEGITIMIDADE. NOTA FISCAL. NÃO APRESENTAÇÃO. A primeira via da nota fiscal (ou sua cópia devidamente autenticada) conformase no documento imprescindível para conferir certeza e liquidez (legitimidade) a créditos do IPI aproveitados na escrita fiscal da interessada. A sua não apresentação impossibilita seia atestada a procedência do direito creditório originário de suposto pagamento indevido realizado, em face da não comprovação. via notas l`iscais de entrada, dos créditos escriturados ein períodos de apuração anteriores componentes do saldo credor de período anterior transferido para o período de apuração em análise, no qual se teria apurado saldo credor, tornando indevido, ein tese, o recolhimento efetivado ein 21/Ol/2003. DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO. NÃO COMPROVAÇÃO. DEFERIMENTO. Não comprovado o direito creditório atinente ao suposto pagamento . indevido utilizado como lastro da compensação, cabe a sua não homologação em face da ausência da certeza e liquidez do crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, , por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 72 5. 90 15 72 /2 00 8- 51 Fl. 360DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Francisco Martins Leite Cavalcante Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Roberto da Silva, Francisco Martins Leite Cavalcante e Luis Felipe de Barros Reche. Relatório Em analise no presente processo o litígio decorrente do Despacho Decisório de f1. 87, emitido eletronicamente pelo SCC quando da analise no presente processo o litígio decorrente do Despacho Decisório de f1. 87, emitido eletronicamente pelo SCC quando da analise da DCOMP nº 3517lI.23245.190105.1.7114 9696 (retificadora admitida da DCOMP n° 15454.22922.270104.1.3.049465). transmitida pelo contribuinte retro identificado em 19/01/2005. por meio da qual se pretendeu a extinção de débitos no montante de R$ 1.578.112. tendo por lastro credito originário de Pagamento Indevido do IPI realizado em 21/01/2003. na monta de R$ 7287.64. O total do crédito original utilizado nesta DCOMP foi R$ 1.312.94, sendo que o restante foi utilizado nas DCOI\/IPs O2014.59661.1901()5.1.7.042304 (R$ 1842.37), 42781.52806.1<)0l()5.1.7.044412 (RES 483.45) e 3747895391.1408(19.1.7.042293 (R$ 3.648,88), cf. f1s. 91/106. Da análise eletrônica da DCOMP 35170.23245.190105.l.7.04 9696 (em analise no presente processo) resultou a não confirmação da existência do crédito informado em razão da não localização do DARF nos sistemas da Receita Federal, e. conseqüentemente. a nãohomologação da compensação declarada. Cientifieado do Despacho Decisório e intimado a recolher o crédito tributário decorrente da nãohomologação da compensação. em 21/1 1/2008 (fl. 85), manifestou a pleiteante a sua inconformidade em 19/12/2008 (fl. 01), por meio do arrazoado de fls. 01/06, alegando. em síntese => no 0101/2003 não foi apurado lP1 a pagar, conforme cópia do RAIPI anexada aos autos (DOC.3). que evidencia a apuração de saldo credor da ordem de R$ 402,16, sendo que foi realizado em 21/01/2003 um pagamento indevido no valor de R$ 7.287,64 (DOC. 4), originando o crédito utilizado na referida DCOMP; => ao efetuar o preenchimento da DCTF do 1° trimestre/2003 (DOC. 5/pag.16) incorreu em erro, informando valor de débito da ordem de R$ 7.263,67 para o 01 01/2003. informação essa Fl. 361DF CARF MF Processo nº 10725.901572/200851 Acórdão n.º 3001000.833 S3C0T1 Fl. 3 3 corrigida em 18/12/2008 mediante apresentação de DCTF Retifrcadora (DOC. 6); => verificase. daí. a existência de erro formal no preenchimento de documentos entregues à SRF,. devendo prevalecer a verdade material, razão pela qual a compensação efetuada deve ser homologada; Pleiteia ao final. a homologação da compensação utilizandose de créditos decorrentes do pagamento indevido informado. bem como a suspensão da exigibilidade do crédito tributário em discussão, nos termos do inciso III do art. 151 do CTN. Entendeu esta Relatora pela necessidade de retorno do presente processo à DRF de origem [Despacho da Presidência, fls. 112/1131) para averiguação das informações prestadas na manifestação de inconformidade quanto à apuração do 1Pl relativamente ao 01 01/2003. bem como quanto a disponibilidade do saldo do pagamento supostamente indevido, efetuandose, ainda, a simulação do encontro de contas tomandose por base os valores do credito original utilizado e o débito compensado, informados na DCOMP [por se tratar de compensação corn pagamento indevido. sujeito. portanto, a atualização monetária]. Da diligência realizada resultou a Informação Fiscal de tls. 188/189, da qual se extrai. ein síntese: > atraves do 'fermo de Intimação de lls. 1 14 foi solicitada documentação fiscal para subsidiar a analise do credito. sendo que a intimação foi atendida parcialmente; > das folhas autenticadas do Livro RIPIl apresentado (lls. 117/154), se verifica a apuração ao linal do 0101/2003 do saldo credor de R$ 402.16; > o referido saldo credor originouse da compensação dos débitos do período. no total de R$ 7263.67. como o saldo credor advindo de períodos anteriores, do ano de 2002. no montante de R$ 7665.83, cf. folhas do RAIPI relativas a evolução do referido saldos fls.. 118/1471; > não foram apresentadas as notas fiscais que comprovam o referido crédito, tendo sido apresentada somente a “Tabela de Evolução do 1Pl", fl. 184; > a retificação do DARF para o CNPJ da filial 0002 está correta, pois referese ao pagamento do IPI apurado por esse estabelecimento; > na data da transmissão da DCOMP a DCTF apresentada não correspondia a escrita fiscal; ‹> a não apresentação das notas fiscais que teriain originado o credito impossibilita concluir pela certe7.a e liquidez. do crédito pleiteado. Fl. 362DF CARF MF 4 Nestes termos. retornaram os autos a esta DRJ para prosseguimento. A pretensão impugnatória foi rejeitada pela autoridade recorrida (fls. 203/205), pelos fundamentos sintetizados na seguinte ementa (fls. 200), verbis. ASSUNTO : IPI IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. Data do Fato Gerador : 21/01/2003 CRÉDITO DO IPI. LEGITIMIDADE. NOTA FISCAL. NÃO APRESENTAÇÃO. A primeira via da nota fiscal (ou sua cópia devidamente autenticada) conformase no documento imprescindível para conferir certeza e liquidez (legitimidade) a créditos do IPI aproveitados na escrita fiscal da interessada. A sua não apresentação impossibilita seia atestada a procedência do direito creditório originário de suposto pagamento indevido realizado, em face da não comprovação. via notas l`iscais de entrada, dos créditos escriturados ein períodos de apuração anteriores componentes do saldo credor de período anterior transferido para o período de apuração ein análise, no qual se teria apurado saldo credor, tornando indevido, em tese, o recolhimento efetivado em 21/Ol/2003. DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO. NÃO COMPROVAÇÃO. DEFERIMENTO. Nao comprovado o direito creditório atinente ao suposto pagamento . indevido utilizado como lastro da compensação, cabe a sua não homologação em face da ausência da certeza e liquidez do crédito. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Através da Comunicação 183/2011, datada de 12 de julho de 2011 (fls. 211), foi o contribuinte cientificado dos termos do acórdão recorrido (fls. 200/205). Na sequência, constam dos autos (i) solicitação de cópia de documentos pela empresa, datada de 05.09.2011 (fls. 218//219); (ii) um AR da DRFB de Macaé/RJ dirigido à Sonardyne Brasil Ltda. recebido em 26 de agosto de 2011 (fls. 220); (iii) um DARF de R$ 100,00, recebido pelo advogado da empresa em 14.09.2011, que juntou procuração, substabelecimentos, cópias de documentos e atos constitutivos do contribuinte (fls. 222/247); e, (iv) petição da empresa, datada de de 27 de setembro de 2011, dirigida a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Juiz de Fora (fls. 247/251), historiando os fatos em repetição ao resumo trazido com a Manifestação de Inconformidade, insistindo na tese sustentada na impugnação sobre a existência do crédito e do reconhecimento da quitação do débito, e ressaltando (fls. 249/250), verbis. Conforme já esclarecido pela Requerente, e somente para fins de comprovação de seu direito ao crédito alegado, o pagamento realizado em 21.01.2003 via DARF (fls. 22) se mostrou indevido em razão da existência à época de saldo credor de lPl suficiente para abatimento dos débitos de IPI do mesmo periodo, não sendo necessária qualquer compleméntaçao via DARF. Em suma, no primeiro decêndio de janeiro de 2003 a Requerente possuía em seus registros fiscais saldo de créditos de IPI no valor de R$ 7.665,83 e, para aquele mesmo período, foi Fl. 363DF CARF MF Processo nº 10725.901572/200851 Acórdão n.º 3001000.833 S3C0T1 Fl. 4 5 veriflcado débito de IPI no valor de R$ 7.263,67. Como visto, o valor do débito apurado poderia ter sido integralmente abatido do saldo de créditos de IPI. Todavia, por equívoco, a Requerente efetuou seu pagamento indevidamente, via DARF. Esse pagamento indevido, já que existia saldo de crédito de IPI a serem compensados, é a base dos créditos aqui reclamados pela Requerente. Para afastar qualquer dúvida sobre este ponto, e nos termos do r. acórdão (fls. 192), a Requerente traz aos autos cópias' autenticadas das notas fiscais de entrada referentes a todo o exercicio de 2002, de modo'ag legitimar os créditos escriturados e demonstrar a composição do seu saldo credor e sua evolução ao longo do anocalendário de 2002 e início de 2003 (Doc. n° 2). Assim sendo, não há que se falar em ausência de certeza e liquidez quanto ao saldo credor e escrituração de créditos da Requerente. Prosseguindo em seu arrazoado, a empresa requereu a juntada de procuração e documentos dos procuradores, atos constitutivos da empresa, além de "cópias autenticadas de notas fiscais de entrada referentes ao anocalendário de 2002 e planilha demonstrando a composição do seu saldo credor e sua evolução ao longo do anocalendário de 2002 e início de 2003 (fls.251). Finalizando, requereu "o reconhecimento da extinção do crédito via pagamento, sendo este o motivo para a egativa da compensação inicialmente pretendida pela requerente, e não pela ausência ou falta de certeza e liquidez quanto ao saldo credor, este devidamente comprovado pelos documentos constantes dos autos e ora trazidos à apreciação", e arrematou (fls. 251/252), verbis. Oportunamente, e somente a título de argumentação, caso entendam V. Sas. que o pedido formulado pela Requerente é matéria a ser argüida em sede de recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, requer a Requerente, em homenagem aos principios da fungibilidade, instrumentalidade das formas, direito de petição, ampla defesa e contraditório, o recebimento da presente petição como se Recurso Voluntário fosse, nos termos do art. 74, §§ 10 e 11 da Lei n° 9.430/96, art. 33 do Decreto n° 70.235/72 e art. 4°, inciso Ill e art. 7°, §1° do Anexo II da Portaria n° 256/2009 (Regimento Interno do CARF), devendo ser encaminhado à Terceira Seção do Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para processamento e julgamento, para o qual se requer o reconhecimento da extinção do débito via pagamento, sendo este o motivo para a negativa da compensação inicialmente pretendida pela Requerente, e não a ausência ou falta de certeza e liquidez quanto ao saldo credor. É o relatório. Voto Fl. 364DF CARF MF 6 Francisco Martins Leite Cavalcante Relator O recurso é tempestivo e encontrase revestido das demais formalidades, pelo que dele tomo conhecimento, como demonstrado no Recurso Voluntário do contribuinte e acima relatado. Tal como ressaltado no v. Acórdão recorrido o presente litígio decorre do Despacho Decisório (fls. 88), emitido eletronicamente pelo SCC quando da analise da DCOMP n° 02()14.59661.l90l05.l.7.042304 (retificadora admitida da DCOMP n° 07611.16615.230l04.l.3.045418), transmitida pelo contribuinte retro identificado em 19/01/2005, por meio da qual se pretendeu a extinção de débitos no montante de R$ 2.214,34, tendo por lastro credito originário de Pagamento Indevido do IPI realizado em 21/01/2003, na monta de R$ 7.287,64. Baixado o feito em diligência pela ilustre Relatora do Acórdão recorrido(fls. 119/121), vieram aos autos cópias do Livro de Apuração do IPI do 1º decêndio de janeiro de 2003; Livro do ICMS; Livro Razão; e, Nota Fiscal de entrada relativas ao IPI objeto da DCOMP (fls. 124/197). Em manifestação fiscal sobre a documentação apresentada foi emitida nova informação fiscal não acatando os créditos pretendidos, da qual se extrai, em síntese (fls. 201/202), verbis. Através do Termo de Intimação Fiscal n° 324/2010, fl. 114, foi solicitada documentação fiscal para subsidiar a análise do crédito (art. 509 do RIPI). A intimação foi atendida parcialmente, fls. 116/185, e a partir dos documentos apresentados podemos verificar O seguinte: Apresentadas folhas do Livro do RAIPI (fls. 117/154), autenticadas, onde verificamos que o saldo de IPI ao final do período de O1 a 10 de janeiro de 2003 10101/2003) foi credor de RS 402,16; O crédito de IPI no valor de R$ 7.665,83, fl. 150, utilizado para compensar os débitos do período 0101/2003 no total de R$ 7.263,67, seria original de saldo remanescente do ano de 2002. Foram apresentadas folhas do RAIPI relativas a evolução do referido saldo credor no ano de 2002, fls. 118/147; Não foram apresentadas notas fiscais que comprovem O referido crédito, Sendo apresentada “Tabela de Evolução do IPI”, fl. 184. Diz o art. 465 do RIPI (Decreto n" 7.212/10): O valor do saldo anterior da conta 009 “IPI a Recuperar” era de R$ 4.259,57, conforme escriturado no Livro Razão, fl. 164; O valor final de “IPI a Recolher conta 245”, conforme Livro Razão, fl. 171, foi de R$ 5.720,08. Ao longo do mês de janeiro verificamos os pagamentos de valores de IPI a recolher. R$ 7.263.67 (fl. 161) e R$ 2.354,43 (fl. 162), valores estes que não foram estornados; Segundo a decisão recorrida " O litígio decorrente do Despacho Deeisorio de tl. 87. referese a analise da DCOMP n° 35170.23245.l90lO5.I.7.049696 (retilicadora admitida Fl. 365DF CARF MF Processo nº 10725.901572/200851 Acórdão n.º 3001000.833 S3C0T1 Fl. 5 7 da DCOMP n” l5454.22922.270l04.l.3.049465). não homologada em faee do nao reconhecimento do direito creditorio (motivado pela não localização do DARF nos sistemas da Receita Federal). resultando. assim. na cobrança dos débitos que emergiram descobertos apos a nãohomologação da eompensaçao",, e prossegue, verbis. No que se refere ao crédito. compete a esta instância de julgamento formar juízo acerca dos seus elementos formadores. lsso implica dizer, no caso de pagamento a maior ou indevido, a necessidade de verilicação da sua origem. Da analise das alegações da manifestante. corroboradas pela lnforinaçfio Fiscal de ils. l8X/l89 [resultante da diligência realizada] é de se concluir que o credito que deu lastro ii DCOMP originouse do pagamento supostamente indevido realí'/.ado ein 21/Ot/2003. no montante de R$ 7287.64 |valor esse correspondente ao debito do lPl indcvidatncnte informado na DCTF apresentadal. relativo ao lPl do ()lOl/2003. quando o saldo apurado informado no RAlPl apos o confronto do IPI devido nas saidas tributadas do estabelecimento industrial c o credito decorrente das entradas foi da ordem de R$ 402.16. credor. conforme copia do R/\lPl anexada aos autos. lls. 149/I50. .........................................(omissis)........................................... Intimado o contribuinte [_'l`ermo de Intimação de tl. 114] a apresentar as cópias autenticadas das notas tiscais de entrada que deram suporte it escrituração de tais creditos f originéuios de períodos de apuração anteriores c transl`eridos para periodos seguintes. até o 0101/2003 o contribuinte não o fez. limitandose a apresentar a planilha de Il. 184. intitulada “Evolução dos Saldos Fiscais IPI Sonardyne 08/2002 a 01/2003". por intermedio da qual a interessada reproduz. mediante planilha. os valores escriturados no RAIPI de 08/2002 a 01/2003. cuja cópia encontrase anexada às Ils. l 17/150. Ao confirmar o Despacho Decisório e negar guarida à pretensão deduzida na Manifestação de Inconformidade da empresa, ressaltou mais o v. Acórdão recorrido (fls. 204), verbis. Não apresentadas as rcl`eridas notas liscais de entrada. como no caso concreto em análise. impossível se torna conferir legitimidade aos creditos escriturados e. via de conseqüência. atestar a procedência do direito creditório origintirio do suposto pagamento indevido realizado em 21/01/2003. relativo ao 01 01/2003. em face da não comprovação. via notas liscais de entrada. dos creditos eseriturados ein períodos de apuração anteriores componentes do saldo credor de período anterior transt`erido para o período de apuração ein analise. no qual se teria apurado o saldo credor que tornaria indevido, em tese, o recolhimento efetivado cm 21/01/2003. Todavia, com o apelo a este colegiado (fls. 217/221), a empresa trouxe aos autos, em cópias autenticadas, diversos documentos que, a seu juízo, comprovam o direito do recorrente ao crédito perseguido (fls. 222/434), inclusive as "cópias autenticadas de notas Fl. 366DF CARF MF 8 fiscais que deram origem ao saldo credor" , emitidas pela própria recorrente (fls. 244, 249, 253, 260 e 264), e pela empresa BARASOL SYLMAR IDÚSTRIA METALÚRGICA LTDA. (fls. 242, 256 e 258), emitidas em 25.07.2002, 18.11.2002 e 30.01.2003, respectivamente. Esta documentação, porém, fora expressamente solicitada através da Diligência proposta pela Relatora da decisão recorrida, quedandose inerte o contribuinte que, à toda evidência, já era detentor das notas fiscais acima mencionadas, posto que emitidas em datas bem anteriores à solicitação dos julgadores singulares. Consequentemente, as notas fiscais trazidas aos autos com o Recurso Voluntário não foram apreciados pelos ilustres julgadores signatários do v. Acórdão recorrido, e nem poderia sêlo, uma vez que não foram exibidos com a Manifestação de Inconformidade (fls. 2/116), e nem com os documentos exibidos, em 29 de novembro de 2010, atendendo à solicitação da Fiscalização (fls. 120/125 e 126/195), por exclusiva inercia do sujeito passivo Verificase como extreme de dúvida que, por absoluta inércia da empresa, operouse a preclusão relativamente à exibição das notas fiscais em comento, emitidas pela própria recorrente (fls. 244, 249, 253, 260 e 264), e pela empresa BARASOL SYLMAR IDÚSTRIA METALÚRGICA LTDA. (fls. 242, 256 e 258), emitidas em 25.07.2002, 18.11.2002 e 30.01.2003, respectivamente, já que não foram exibidas com a Manifestação de Inconformidade e, mesmo expressamente requisitadas através de Diligência das autoridades julgadores recorridas, também não foram exibidas.. Ressaltese que esta Turma e este Relator têm se posicionado no sentido de que é possível a exibição de documentos em grau de Recurso Voluntário e, ratificando posicionamento outrora adotado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (Acórdão CSRF nº 9303005.065, proferido em 16 de maio de 2017), em tais circunstâncias são os processos baixados em diligência à repartição de origem para tomar conhecimento dos documentos (e argumentos) carreados aos autos após a prolação do v. Acórdão recorrido. No presente caso, todavia, a situação é bem diferente, uma vez que tais documentos foram expressamente solicitados ao contribuinte, através de diligência da Relatora do Acórdão recorrido, antes de ser proferido o voto que negou acolhida aos argumentos de sua Manifestação de Inconformidade; e, como acima já demonstrado, o contribuinte simplesmente se negou a exibílos, embora já fossem eles existentes e do seu conhecimento. Não é demais registrar que a prova dos fatos constitutivos e/ou impeditivos do direito da parte é incumbência dela demonstrála. Por uma questão de compromisso com a verdade material, entretanto, temse flexibilizado essa obrigação, permitindo a exibição de documentos esssenciais para fazer tal prova, mesmo em grau de Recurso Voluntário. Na hipótese dos autos, porém, essa oportunidade já foi expressamente deferida à recorrente que dela não se aproveitou, operandose a preclusão relativamente a esse tema (exibição das notas fiscais em original ou fotocópia autenticada). Diante do exposto, VOTO no sentido de tomar conhecimento do Recurso do Contribuinte para negar provimento ao apelo, mantendose integralmente o Acórdão recorrido, por seus próprios e jurídicos fundamentos. (assinado digitalmente) Fl. 367DF CARF MF Processo nº 10725.901572/200851 Acórdão n.º 3001000.833 S3C0T1 Fl. 6 9 Francisco Martins Leite Cavalcante Relator Fl. 368DF CARF MF
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Numero do processo: 12326.003400/2010-63
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 06 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jul 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. GLOSA PARCIAL DE COMPENSAÇÃO INDEVIDA RETIDO NA FONTE. GLOSA PARCIAL DE DEDUÇÃO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. GLOSA PARCIAL DE DEDUÇÃO DE CONTRIBUIÇÃO À PREVIDÊNCIA OFICIAL. PROCEDÊNCIA. DIRF RETIFICADORA. MULTA DE OFÍCIO. AFASTAMENTO. ERRO DE PREENCHIMENTO. INFORMAÇÕES ERRADAS PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA.
Comprovados, mediante DIRF retificadora, os valores de imposto de renda retido na fonte, bem assim as deduções a título de pensão alimentícia judicial e de contribuição à Previdência Oficial, resta procedente o lançamento que glosou parcialmente tais valores.
Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício.
Numero da decisão: 2402-007.395
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, cancelando-se a multa de ofício em relação às infrações tipificadas por compensação indevida de Importo de Renda Retido na Fonte; dedução de pensão alimentícia judicial; e dedução de contribuição à Previdência Oficial, e determinando o recálculo do Imposto de Renda Pessoa Física suplementar, considerando-se a alteração dos rendimentos tributáveis de R$ 25.169.532,80 para R$ 24.780.760,72.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(assinado digitalmente)
Luís Henrique Dias Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Paulo Sérgio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Gabriel Tinoco Palatnic (suplente convocado), Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Denny Medeiros da Silveira.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE DIAS LIMA
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GLOSA PARCIAL DE COMPENSAÇÃO INDEVIDA RETIDO NA FONTE. GLOSA PARCIAL DE DEDUÇÃO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. GLOSA PARCIAL DE DEDUÇÃO DE CONTRIBUIÇÃO À PREVIDÊNCIA OFICIAL. PROCEDÊNCIA. DIRF RETIFICADORA. MULTA DE OFÍCIO. AFASTAMENTO. ERRO DE PREENCHIMENTO. INFORMAÇÕES ERRADAS PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. Comprovados, mediante DIRF retificadora, os valores de imposto de renda retido na fonte, bem assim as deduções a título de pensão alimentícia judicial e de contribuição à Previdência Oficial, resta procedente o lançamento que glosou parcialmente tais valores. Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, cancelandose a multa de ofício em relação às infrações tipificadas por compensação indevida de Importo de Renda Retido na Fonte; dedução de pensão alimentícia judicial; e dedução de contribuição à Previdência Oficial, e determinando o recálculo do Imposto de Renda Pessoa Física suplementar, considerandose a alteração dos rendimentos tributáveis de R$ 25.169.532,80 para R$ 24.780.760,72. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 32 6. 00 34 00 /2 01 0- 63 Fl. 205DF CARF MF Processo nº 12326.003400/201063 Acórdão n.º 2402007.395 S2C4T2 Fl. 206 2 (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Paulo Sérgio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Gabriel Tinoco Palatnic (suplente convocado), Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Denny Medeiros da Silveira. Relatório Cuidase de recurso voluntário (efls. 184/201) em face do Acórdão n. 16 63.492 20ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (SP) DRJ/SPOI (efls. 169/177), que julgou improcedente a impugnação (efls. 02/15 e 115/128), mantendo o crédito tributário consignado no lançamento constituído em 17/04/2010 (efl. 129) mediante a Notificação de Lançamento Imposto de Renda Pessoa Física n. 2009/792609140100144 no total de R$ 135.470.63 (efls. 20/28) com fulcro em omissão de rendimentos (do trabalho com/sem vínculo empregatício e relativos a partes beneficiarias e de fundador, juros e indenizações por lucros cessantes, ou multas e outras vantagens); dedução indevida com dependentes; dedução indevida de Pensão Alimentícia Judicial e/ou por Escritura Pública; dedução indevida de Previdência Oficial Relativa à Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica; e compensação indevida de IRRF. Irresignado com o lançamento, o sujeito passivo apresentou impugnação (e fls. 115/128) em 03/05/2010, julgada improcedente pela instância de piso, conforme entendimento sumarizado na ementa abaixo reproduzida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 MATÉRIA NÃO CONTESTADA. A matéria não contestada expressamente na impugnação é considerada incontroversa e o crédito tributário a ela correspondente definitivamente consolidado na esfera administrativa. DECLARAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE DIRF. COMPENSAÇÃO DE IRRF. Sendo a Dirf documento declaratório de rendimentos e de retenção de imposto de renda na fonte, serve como prova relativa aos correspondentes valores. Não havendo nos autos outros elementos robustos de prova que contrariem a informação da Dirf na qual se baseou o lançamento, aquela deve prevalecer, mantendose o crédito tributário apurado. Fl. 206DF CARF MF Processo nº 12326.003400/201063 Acórdão n.º 2402007.395 S2C4T2 Fl. 207 3 PENSÃO JUDICIAL DEDUÇÃO. A dedução a título de pensão alimentícia só é admissível quando demonstrado que o pagamento foi decorrente de decisão judicial ou acordo homologado em juízo, ficando, ainda, sujeito à comprovação do efetivo pagamento. PREVIDÊNCIA OFICIAL. GLOSA. São passíveis de dedução as contribuições à Previdência Oficial, desde que.comprovadas as contribuições. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado do teor do Acórdão n. 1663.492 (efls. 169/177) em 18/08/2016 (efl. 182), o impugnante, agora Recorrente, apresentou recurso voluntário na data de 16/09/2016 enfrentando as infrações tipificadas por compensação indevida de IRRF, dedução de pensão alimentícia judicial e dedução de contribuição à Previdência Oficial. Sem contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Henrique Dias Lima Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n. 70.235/72 e alterações posteriores, portanto dele conheço. O cerne da presente lide restringese às infrações tipificadas por compensação indevida de IRRF, dedução de pensão alimentícia judicial e dedução de contribuição à Previdência Oficial, vez que o Recorrente não se insurgiu contra as demais infrações consignadas no lançamento em apreço, tornandoas matérias preclusas (art. 17 do Decreto n. 70.235/72). Muito bem. Compensação indevida de IRRF Ao apreciar a impugnação (efl. 115/128), a instância de piso concluiu que restou comprovada retenção de imposto de renda no valor de R$ 6.804.565,27, impondose, destarte a glosa de R$ 87.517,29, vez que o Recorrente compensou na Declaração de Ajuste Anual (DAA) ND 07/25.999.597 Exercício 2009 (efls. 130/136) IRRF de R$ 6.892.082,56. Em relação à matéria, esclarece a decisão recorrida: Fl. 207DF CARF MF Processo nº 12326.003400/201063 Acórdão n.º 2402007.395 S2C4T2 Fl. 208 4 [...] Os valores retidos foram informados no COMPROVANTE DE RENDIMENTOS PAGOS E DE RETENÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA NA FONTE (rendimentos tributáveis: R$ 25.169.532,80; IRRF: R$ 6.892.082,56) anocalendário 2008, emitido pela fonte pagadora, CNPJ 30.306.294/000226, fls. 105, o que, a princípio, permitira a compensação efetuada, mesmo que não houvesse o recolhimento dos valores retidos, visto não ser óbice ao direito de o contribuinte oferecer os rendimentos à tributação e compensar o imposto retido, entendimento comum tanto na Administração Tributária quanto no Contencioso Administrativo. Contudo, conforme informa a autoridade notificante, fls. 26, no sistema informatizado da Receita Federal do Brasil consta que a fonte pagadora BANCO UBS PACTUAL S/A, CNPJ 30.306.294/000145 enviou DIRF onde constam informados para o contribuinte R$ 24.780.760,72 de rendimentos tributáveis e R$ 6.804.565,27 de IRRF, o que teria ensejado a glosa de compensação indevida de IRRF no valor de R$ 87.517,29. Conforme pesquisa realizada nos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil, verificase que uma DIRF retificadora foi entregue pela fonte pagadora em 20/04/2012 (conforme tela juntada em fls. 168), mantendo todos os valores acima informados. Deve ser observado que a DIRF é uma declaração cuja apresentação é obrigatória e se realiza sob a responsabilidade da fonte pagadora, tendo sido, no presente caso, regularmente entregue à Receita Federal do Brasil. Não há porque duvidar da confiabilidade dos dados inseridos neste documento. Portanto, não é destituída de força probatória, até por apontar a ocorrência de retenção de imposto de renda na fonte, cujo recolhimento está sob a responsabilidade da fonte pagadora. Como se tratam de rendimentos declarados como recebidos de uma pessoa jurídica, ainda que prova negativa, bastaria que fosse apresentado pelo contribuinte uma Declaração em sentido contrário da fonte pagadora, o que suscitaria dúvidas com relação aos dados nos quais se baseou o Auditor Fiscal para efetuar o lançamento. Esta Declaração como conseqüência ensejaria, ainda, a emissão de uma nova DIRF retificadora pela pessoa jurídica para o ano base fiscalizado. Nada neste sentido foi apresentado aos autos em exame, apenas apresentando o impugnante alegações de que os valores que informa é que seriam os corretos, segundo o setor de contabilidade da fonte pagadora e, embora conste o Comprovante de fls. 105, este é datado de 28/02/2009, sendo a DIRF datada de 20/04/2012. A DIRF é documento declaratório de rendimentos, servindo como prova relativa dos correspondentes valores, devendo haver Fl. 208DF CARF MF Processo nº 12326.003400/201063 Acórdão n.º 2402007.395 S2C4T2 Fl. 209 5 nos autos elementos robustos de prova que contrariem a informação da DIRF. Tendo o lançamento se baseado em DIRF Declaração de Imposto Retido na Fonte entregue pela fonte pagadora, cujos valores foram ratificados pela mesma, e na medida que não foi juntado aos autos nenhum documento comprovando os valores alegados pelo impugnante, é de se manter a glosa de compensação indevida de IRRF, como efetuada. [...] De fato, os valores declarados pelo Recorrente, na DAA ND 07/25.999.597 (efls. 130/136), a título de rendimentos tributáveis (R$ 25.169.532,80) e de IRRF (R$ 6.892.082,56) convergem com aqueles consignados no Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte AnoCalendário 2008 emitido em 28/02/2009 (efl. 105). Todavia, a fonte pagadora (BANCO UBS PACTUAL S/A CNPJ 30.306.294/000226), apresentou, em 20/04/2012, DIRF Retificadora reduzindo os rendimentos tributáveis pagos no AC 2008 ao Recorrente para R$ 24.780.760,72 e respectivo IRRF de R$ 6.804.565,27 (efl. 168). Nessa perspectiva, não resta dúvida quanto à procedência da glosa de IRRF no valor de R$ 87.517,29 efetuada pela autoridade lançadora, impondose, todavia, a alteração dos rendimentos tributáveis considerados no lançamento abrigado na Notificação de Lançamento Imposto de Renda Pessoa Física n. 2009/792609140100144 (efls. 20/28) de R$ 25.169.532,80 para R$ 24.780.760,72, ajustandose à DIRF Retificadora apresentada pela fonte pagadora BANCO UBS PACTUAL S/A CNPJ 30.306.294/000226 (efl. 168). De se observar ainda que em virtude da apresentação da novel DIRF Retificadora (efl. 168), concluise que ocorreu equívoco da fonte pagadora ao emitir, em 28/02/2009, o Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte AnoCalendário 2008 (efl. 105), informando rendimentos tributáveis de R$ 25.169.532,80 e IRRF de R$ 6.892.082,56, induzindo o Recorrente a erro quando da entrega, em 30/04/2009, da DAA ND 07/25.999.597 (efls. 130/136), vez que daquele comprovante retirou as informações necessárias ao preenchimento da retrocitada declaração de ajuste anual. Nesse contexto, impõese o afastamento, no lançamento em litígio, da multa de ofício vinculada à infração tipificada por compensação indevida de IRRF, em conformidade com o teor do Enunciado n. 73 de Súmula CARF, verbis: Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. Em resumo, em face da infração tipificada por compensação indevida de IRRF impõemse duas correções no lançamento abrigado na Notificação de Lançamento Imposto de Renda Pessoa Física n. 2009/792609140100144 (efls. 20/28), a saber: i) alteração dos rendimentos tributáveis de R$ 25.169.532,80 para R$ 24.780.760,72; e ii) afastamento da multa de ofício. Fl. 209DF CARF MF Processo nº 12326.003400/201063 Acórdão n.º 2402007.395 S2C4T2 Fl. 210 6 Dedução de pensão alimentícia judicial Com relação à dedução de pensão alimentícia judicial, no valor de R$ 47.232,00, a instância de piso entendeu que, "embora o contribuinte tenha comprovado existir sentença judicial concedendo pensão alimentícia às filhas, não tinha comprovado a integralidade dos pagamentos a título de pensão alimentícia declarados e deduzidos no ano calendário 2009, no montante de R$ 47.232,00, sendo que, agora na impugnação, nada comprova também, de modo que mantémse a glosa parcial de R$ 31.488,00". Verificase que o Recorrente informou dedução a título de pensão alimentícia judicial na DAA ND 07/25.999.597 (efls. 130/136) no valor de R$ 47.232,00, valor este anotado no Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte AnoCalendário 2008 (efl. 105), emitido em 28/02/2009 pela fonte pagadora BANCO UBS PACTUAL S/A CNPJ 30.306.294/000226. Entretanto, com a apresentação da DIRF Retificadora pela fonte pagadora em 20/04/2012 (efl. 168), é noticiada dedução de pensão alimentícia judicial no valor de R$ 15.744,00, que, entendo deve prevalecer, vez que, não obstante a decisão judicial referente ao processo n. 2003.001.058.5302 que homologou a convenção de separação judicial celebrada entre o Recorrente e sua excônjuge (efls. 29/104) informar obrigação de pagar quantia certa (valor inicial de R$ 3.000,00 mensais) de pensão alimentícia, o Recorrente não faz prova de pagamentos a este título no total de R$ 47.232,00. Dessa forma, é procedente a glosa efetuada pela autoridade lançadora no valor de R$ 31.488,00. Todavia, em observância ao Enunciado n. 73 de Súmula CARF, o mesmo tratamento conferido à infração tipificada por compensação indevida de IRRF, acima detalhada, deve ser estendido à infração em apreço (dedução de pensão alimentícia judicial) quanto ao afastamento da multa de ofício a ela vinculada. Dedução de contribuição à Previdência Oficial Quanto á dedução à Previdência Oficial, o Recorrente deduziu o valor de R$ 3.979,55 vinculados a rendimentos tributáveis de R$ 25.169.532,80, consoante informado no Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte Ano Calendário 2008 (efl. 105). Ocorre que na DIRF Retificadora emitida fonte pagadora em 20/04/2012 (e fl. 168) consta dedução de Previdência Oficial na ordem de R$ 1.305,31 em face de rendimentos tributáveis de R$ 24.780.760,72, dedução essa que deve prevalecer. Dessa forma, é procedente a glosa efetuada pela autoridade lançadora no valor de R$ 2.674,24, tendo em vista que o Recorrente não comprova a dedução em sua totalidade. Todavia, em observância ao Enunciado n. 73 de Súmula CARF, o mesmo tratamento conferido às infrações tipificadas por compensação indevida de IRRF e dedução de pensão alimentícia, acima detalhadas, deve ser estendido à infração em apreço (dedução de de contribuição à Previdência Oficial) quanto ao afastamento da multa de ofício a ela vinculada. Fl. 210DF CARF MF Processo nº 12326.003400/201063 Acórdão n.º 2402007.395 S2C4T2 Fl. 211 7 Ante o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e darlhe provimento parcial para recalcular o IRPF Suplementar Exercício 2009, apurado na Notificação de Lançamento Imposto de Renda Pessoa Física n. 2009/792609140100144 (e fls. 20/28), considerandose a alteração dos rendimentos tributáveis de R$ 25.169.532,80 para R$ 24.780.760,72 e o afastamento da multa de ofício em relação às infrações tipificadas por compensação indevida de IRRF; dedução de pensão alimentícia judicial; e dedução de contribuição à Previdência Oficial. (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Fl. 211DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18186.006440/2009-51
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jul 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2008
MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. ATRASO NA ENTREGA DA DIPJ.
O atraso na entrega da DIPJ pela pessoa jurídica obrigada enseja a aplicação da penalidade prevista na legislação tributária. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato.
Numero da decisão: 1003-000.820
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Votou pelas conclusões a conselheira Bárbara Santos Guedes.
(documento assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Wilson Kazumi Nakayama.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2008 MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. ATRASO NA ENTREGA DA DIPJ. O atraso na entrega da DIPJ pela pessoa jurídica obrigada enseja a aplicação da penalidade prevista na legislação tributária. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Votou pelas conclusões a conselheira Bárbara Santos Guedes. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva– Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Wilson Kazumi Nakayama. Relatório Notificação de Lançamento Contra a Recorrente acima identificada foi lavrada a Notificação de Lançamento, fl. 05, com a exigência do crédito tributário no valor de R$1.268,54 a título de multa de ofício isolada por atraso na entrega em 30.10.2009 da Declaração Integrada de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) do ano-calendário de 2008, cujo prazo final era 15.07.2009: Descrição dos fatos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 18 6. 00 64 40 /2 00 9- 51 Fl. 54DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1003-000.820 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 18186.006440/2009-51 Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ)- VERSÃO 2.1 entregue fora do prazo fixado enseja a aplicação da multa de 2% (dois por cento) ao mês-calendário ou fração, incidente sobre o montante do imposto de renda da pessoa jurídica informado na DIPJ, ainda que tenha sido integralmente pago, reduzida em 50% (cinquenta por cento) em virtude da entrega espontânea da declaração, respeitado o percentual máximo de 20% (vinte por cento) e o valor mínimo de R$500,00 (quinhentos reais). Enquadramento Legal Art. 7º da Lei n° 10.426, de 24/04/2002, com as alterações introduzidas pelo art. 19 da Lei n° 11.051, de 29/12/2004. Impugnação e Decisão de Primeira Instância Cientificada, a Recorrente apresentou a impugnação. Está registrado na ementa do Acórdão da 2ª Turma/DRJ/BHE/MG nº 02-42.947, de 27.02.2013, e-fls. 20-21: DIPJ. Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação, o descumprimento desta ou seu cumprimento em atraso enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência. Impugnação Improcedente Recurso Voluntário Notificada em 16.12.2014, e-fl. 28, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 07.01.2015, e-fls. 30-50, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Relativamente aos fundamentos de fato e de direito aduz que: I - OS FATOS A empresa acima qualificada teve seu limite do Regime de Apuração do Simples Nacional estourado em 31/12/2007 (R$ 2.638.521,43). Portanto, no decorrer do exercício de 2008, todas as apurações e recolhimentos de impostos seguiram no Regime Apuração Lucro Presumido. No ato da entrega da DIPJ à Receita Federal em 2009, o sistema da Receita não permitiu o recebimento da mesma, com a mensagem de que empresa ainda se enquadrava no regime do Simples Nacional. II - O DIREITO II. 1 - PRELIMINAR Considerando, o estouro e o estabelecido pela própria Receita Federal, a empresa perdeu em 31/12/2007, os benefícios do Regime de Apuração Simplificado, sendo assim, tentamos proceder de acordo. Apesar das tentativas em entregar a Declaração em tempo hábil o sistema da receita só permitiu a recepção em 30/10/2009, Recibo n° 07.02.86.73.79-15 (Anexo). Fl. 55DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1003-000.820 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 18186.006440/2009-51 II. 2 - MÉRITO ( inciso III e IV do art. 16 do Dec.70.235/72) Em face do exposto, diante da impossibilidade do cumprimento do prazo de entrega no prazo previsto, por negação do sistema da Receita (conforme tela impressa anexa), e na sequencia a falta de informações de como conseguir resolver o problema, vimos pelo presente solicitar que aceitem e considerem que todas as outras obrigações acessórias foram cumpridas dentro do prazo, nos concedendo o deferimento da presente solicitação de impugnação. No que concerne ao pedido conclui que: III.2. CONCLUSÃO À vista de todo exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a impugnante seja acolhida a presente impugnação para o fim de assim ser decidido, cancelando-se a Notificação de Lançamento n° 68.79.07.06.72.34- 07 de MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO ref. Ao Processo n° 18186.006440/2009-51. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora. Tempestividade O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento. Multa de Ofício Isolada por Atraso Entrega DIPJ A Recorrente discorda do procedimento de ofício. No que se refere à possibilidade jurídica de aplicação de penalidade pecuniária por falta de cumprimento de obrigação acessória, tem-se que essa obrigação é um dever de fazer ou não fazer que decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos, e pelo simples fato da sua inobservância, converte-se em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Essas obrigações formais de emissão de documentos contábeis e fiscais decorrem do dever de colaboração do sujeito passivo para com a fiscalização tributária no controle da arrecadação dos tributos (art. 113 do Código Tributário Nacional). Ademais, a imunidade tributária não afasta a obrigação do ente imune de cumprir as obrigações acessórias previstas na legislação tributária (art. 150 da Constituição Federal e art. 9º do Código Tributário Nacional). O Ministro da Fazenda pode instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais, cuja Fl. 56DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1003-000.820 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 18186.006440/2009-51 competência foi delegada à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) (art. 5º da Decreto-Lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, Portaria MF nº 118, de 28 de junho de 1984 e art. 16 da Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999). Cabe esclarecer que o obrigação acessória é desvinculada da obrigação principal no sentido de que a obrigação tributária pode ser principal ou acessória. A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extingue-se juntamente com o crédito dela decorrente. A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, converte-se em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária (art. 113 do Código Tributário Nacional). No exercício de sua competência regulamentar a RFB pode instituir obrigações acessórias, inclusive, forma, tempo, local e condições para o seu cumprimento, o respectivo responsável, bem como a penalidade aplicável no caso de descumprimento. A dosimetria da pena pecuniária prevista na legislação tributária deve ser observada pela autoridade fiscal, sob pena de responsabilidade funcional (parágrafo primeiro do art. 142 do Código Tributário Nacional). Além disso, os atos do processo administrativo dependem de forma determinada quando a lei expressamente a exigir (art. 22 da Lei nº 9.784, de 29 de dezembro de 1999). A Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) desde a sua instituição a partir de 01.01.1999, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado (Instrução Normativa SRF nº 127, de 30 de outubro de 1998 e Súmula CARF nº 92). O adimplemento das obrigações tributárias principais confessadas em DIPJ não tem força normativa para afastar a penalidade pecuniária decorrente da entrega em atraso ou a falta de apresentação da mesma DIPJ. Ademais, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato (art. 136 do Código Tributário Nacional). Verifica-se ainda que "a denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração", conforme Súmula Vinculante CARF nº 49, conforme Portaria MF nº 277, de 07 de junho de 2018. Vale ressaltar que todas as pessoas jurídicas, inclusive as equiparadas devem apresentar a DIPJ anualmente de forma centralizada pela matriz por via da internet, que desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado (Instrução Normativa SRF nº 127, de 30 de outubro de 1998, Instrução Normativa RFB nº 1.028, de 30 de abril de 2010, Instrução Normativa RFB nº 1.149, de 28 de abril de 2011, Instrução Normativa RFB nº 1.264, de 30 de março de 2012, Instrução Normativa RFB nº 1.344, de 9 de abril de 2013, Instrução Normativa RFB nº 1.463, de 24 de abril de 2014 e Súmula CARF nº 92): (a) para os anos-calendário de 1999 a 2008 até o último dia útil do mês de setembro do ano-calendário subsequente; (b) para o ano-calendário de 2009 até 30 de julho de 2010; (c) para o ano-calendário de 2010 até 30 de junho de 2011; Fl. 57DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1003-000.820 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 18186.006440/2009-51 (d) para o ano-calendário de 2011 até 29 de junho de 2012; (e) para o ano-calendário de 2012 até 28 de junho de 2013; e (e) para o ano-calendário de 2013 até 30 de junho de 2014. A partir do ano-calendário de 2014, todas as pessoas jurídicas, inclusive as equiparadas, devem apresentar a Escrituração Contábil Fiscal (ECF) de forma centralizada pela matriz, que ficam dispensadas, em relação aos fatos ocorridos a partir de 1º de janeiro de 2014, da escrituração do Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur) em meio físico e da entrega da Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ). A ECF será transmitida anualmente ao Sistema Público de Escrituração Digital (Sped) até o último dia útil do mês de julho do ano seguinte ao ano-calendário a que se refira. A não apresentação da ECF pelos contribuintes que apuram o Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica pela sistemática do Lucro Real, nos prazos fixados, ou a sua apresentação com incorreções ou omissões, acarreta a aplicação, ao infrator, das multas previstas no art. 8º-A do Decreto-Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, com redação dada pela Lei nº 12.973, de 13 de maio de 2014 (Instrução Normativa RFB nº1.422, de 19 de dezembro de 2013). A tipicidade se encontra expressa na legislação de regência da matéria e por essa razão a autoridade fiscal não pode deixar de cumprir as estritas determinações legais literalmente, não podendo alterar a penalidade pecuniária. Desse modo, o sujeito passivo que deixar de apresentar a DIPJ nos prazos fixados pelas normas sujeita-se às seguintes multas: (a) de dois por cento ao mês-calendário ou fração, incidente sobre o montante do IRPJ, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observada na multa mínima de R$500,00 (quinhentos reais); (b) de R$20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. Para efeito de aplicação dessas multas, reputa-se como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não-apresentação, da lavratura do Auto de Infração. As multas serão reduzidas: (a) em 50% (cinquenta por cento), quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; (b) em 75% (vinte e cinco por cento), se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. A multa mínima a ser aplicada deve ser: (a) R$200,00 (duzentos reais), tratando-se de pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo Simples (Lei nº 9.317, de 1996); (b) R$500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos (art. 113 e 138 do Código Tributário Nacional, art. 5º do Decreto-lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, Portaria MF nº 118, Fl. 58DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 1003-000.820 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 18186.006440/2009-51 de 28 de junho de 1984, art. 16 da Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999,e art. 7º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002, alterada pela Lei nº 11.051, 29 de dezembro de 2004 e Súmulas CARF nºs 33 e 49). A Recorrente alega que entregou a DIPJ em 30.10.2009 em razão de o sistema interno da RFB não validar o recebimento em tempo hábil com a mensagem de que ainda estava enquadrada no Simples Nacional. A legislação de regência determina que para o fato gerador tratado no lançamento não há previsão legal de exclusão da penalidade pecuniária aplicada com fundamento nesta alegação. Verifica-se que a sua pretensão não pode ser deferida, pois entregou intempestivamente a DIPJ pelo lucro presumido. No presente caso, restou comprovado que o lançamento fundamenta-se na aplicação da multa de ofício isolada por atraso na entrega em 30.10.2009 da DIPJ do ano-calendário de 2008, cujo prazo final era 15.07.2009. O atraso na entrega da DIPJ pela pessoa jurídica obrigada enseja a aplicação da penalidade prevista na legislação tributária. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, nos termos do art. 136 do Código Tributário Nacional. O fato príncipe está justificado na supremacia do interesse público e no princípio da legalidade (art. 37 da Constituição Federal). Sendo objetiva a responsabilidade por infração à legislação tributária, correta é a aplicação da multa prevista legalmente no caso de transmissão intempestiva da DIPJ. Verifica-se que a Recorrente não produziu no processo novos elementos de prova, de modo que o conjunto probatório já produzido evidencia que o procedimento de ofício está correto. A inferência denotada pela Recorrente, nesse caso, não pode ser acatada. Declaração de Concordância Consta no Acórdão da 2ª Turma/DRJ/BHE/MG nº 02-42.947, de 27.02.2013, e- fls. 20-21, cujos fundamentos de fato e direito são acolhidos de plano nessa segunda instância de julgamento (art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999): No Direito Tributário, deve-se observar o princípio da responsabilidade objetiva do sujeito passivo em relação às suas obrigações tributárias e ao cometimento de infrações, ou seja, a responsabilidade no campo tributário independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, conforme estabelece expressamente o art. 136 do Código Tributário Nacional (CTN). É fato não contestado que a entrega se deu fora do prazo. Assim sendo, a multa foi aplicada conforme previsto na legislação tributária. De acordo com o inciso VI do art. 97 do Código Tributário Nacional, somente a lei pode estabelecer as hipóteses de dispensa ou redução de penalidades. Não há lei que contemple a hipótese invocada como razão para a dispensa da multa em lide. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional (art. 142 do CTN, parágrafo único). Assim, constatado o atraso ou a falta na entrega da declaração/demonstrativo, a autoridade fiscal não só está autorizada como, por dever funcional, está obrigada a proceder ao lançamento de ofício da multa pertinente. Ante o exposto, voto no sentido de julgar improcedente a impugnação para manter a exigência do crédito tributário lançado. Fl. 59DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 1003-000.820 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 18186.006440/2009-51 Princípio da Legalidade Tem-se que nos estritos termos legais este entendimento está de acordo com o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26-A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de julho de 2015). Dispositivo Em assim sucedendo, voto em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 60DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11853.001385/2007-92
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2003 a 30/06/2005
VALE-TRANSPORTE. PAGAMENTO EM DESACORDO COM A LEGISLAÇÃO. SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÃO.
O vale-transporte, quando concedido em desacordo com a legislação que rege a concessão do beneficio, integra o salário-de-contribuição. É o caso dos pagamentos feitos por liberalidade, além dos valores previstos em lei.
Numero da decisão: 9202-007.915
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencida a conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negou provimento.
Assinado digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício.
Assinado digitalmente
Pedro Paulo Pereira Barbosa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em exercício).
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2003 a 30/06/2005 VALE-TRANSPORTE. PAGAMENTO EM DESACORDO COM A LEGISLAÇÃO. SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÃO. O vale-transporte, quando concedido em desacordo com a legislação que rege a concessão do beneficio, integra o salário-de-contribuição. É o caso dos pagamentos feitos por liberalidade, além dos valores previstos em lei.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencida a conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negou provimento. Assinado digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício. Assinado digitalmente Pedro Paulo Pereira Barbosa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em exercício).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1632; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 2 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11853.001385/200792 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202007.915 – 2ª Turma Sessão de 23 de maio de 2019 Matéria Contribuições Previdenciárias Valetransporte Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado EMPRESA BRASILEIRA DE CORREIOS E TELÉGRAFOS ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 30/06/2005 VALETRANSPORTE. PAGAMENTO EM DESACORDO COM A LEGISLAÇÃO. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. O valetransporte, quando concedido em desacordo com a legislação que rege a concessão do beneficio, integra o saláriodecontribuição. É o caso dos pagamentos feitos por liberalidade, além dos valores previstos em lei. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencida a conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negou provimento. Assinado digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em exercício. Assinado digitalmente Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 85 3. 00 13 85 /2 00 7- 92 Fl. 273DF CARF MF 2 Relatório Cuidase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional em face do Acórdão nº 2301002.295, proferido na Sessão de 24 de agosto de 2011 e que deu provimento ao Recurso Voluntário, nos seguintes termos: Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento ao recurso, nos termos do Relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira que votaram pela integração ao Salário de Contribuição das verbas pagas referentes ao vale transporte com desconto parcial da participação do segurado. Declaração de voto: Bernadete de Oliveira Barros. Ausência: Mauro José Silva. O recurso visa rediscutir a seguinte matéria: valetransporte pago pela empresa. Em exame preliminar de admissibilidade, o Presidente da Terceira Câmara da Segunda Seção do CARF deu seguimento ao apelo, nos termos do Despacho de efls. 250/251. Em suas razões recursais a fazenda Nacional aduz, em síntese, que, de acordo com o art. 2º da Lei nº 7.418, de 1.985, o valetransporte somente não teria natureza salarial se concedido nas condições e limites estabelecidos em lei; que, no caso, a contribuinte pagou a verba sem efetuar o desconto de 6%, nos moldes previstos na legislação, o que implica em manifesta desobediência ao disposto no art. 9º, do Decreto nº 95.247/87. A Contribuinte tomou ciência do Acórdão Recorrido, do Recurso Especial da Procuradoria e do Despacho que lhe deu seguimento em 02/04/2013 (efls. 254/255) e apresentou, em 16/04/2013 as Contrarrazões de efls. 256 a 265 no qual rebate, em síntese, os fundamentos do Recurso especial e pugna pela manutenção do Acórdão Recorrido com base nos seus próprios fundamentos. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade. Há similitude fática entre os acórdão recorrido e paradigma: ambos tratam de pagamento a título de vale transporte em desacordo com a norma, porém, o recorrido, diferentemente dos paradigmas, entendeu, que “o simples fato de a empresa pagar, além de sua parte no custeio do valetransporte, uma parcela que caberia aos empregados, tal circunstância não tem o condão de modificar a natureza dessa verba”, configurandose, também, o dissídio jurisprudencial. Conheço do recurso. Quanto ao mérito, a matéria devolvida ao Colegiado restringese à verificação da incidência da contribuição previdenciária sobre verbas pagas a título de vale Fl. 274DF CARF MF Processo nº 11853.001385/200792 Acórdão n.º 9202007.915 CSRFT2 Fl. 3 3 transporte nas circunstância específicas do caso. Conforme descrição dos fatos da autuação, essa circunstância é a seguinte: “...a ECT, além de pagar sua parte no custeio do vale transporte, paga também uma parcela da parte que caberia aos empregados. Essa parcela constitui benefício tributável, sem, todavia, ter sido declarado pela empresa como tal.” Como se viu, o acórdão recorrido entendeu que tal circunstância não alteraria a natureza da verba paga. E é contra isso que se insurge a Fazenda Nacional. Pois bem, o art. 28, § 9º, “f”, da Lei nº 8.212, de 1991 delimita com clareza as verbas que integram o salário de contribuição e define que as verbas recebidas a título de valetransporte não o integra, desde que pagas na forma da legislação própria. Confirase: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: [...] § 9º Não integram o saláriodecontribuição para fins desta leio, exclusivamente: (Redação dada pela Lei mº 9.528, de 1997) [...] f) a parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria. Já a Lei nº 7.418, de 1985, que institui o Valetransporte dispõe o seguinte: Art. 2º O ValeTransporte, concedido nas condições e limites definidos, nesta Lei, no que se refere à contribuição do empregador: (Renumerado do art . 3º, pela Lei 7.619, de 30.9.1987) a) não tem natureza salarial, nem se incorpora à remuneração para quaisquer efeitos; b) não constitui base de incidência de contribuição previdenciária ou de Fundo de Garantia por Tempo de Serviço; c) não se configura como rendimento tributável do trabalhador. E, mais adianta: Art. 4º [...] Parágrafo único O empregador participará dos gastos de deslocamento do trabalhador com a ajuda de custo equivalente à parcela que exceder a 6% (seis por cento) de seu salário básico. Resta claro, portanto, que os valores pagos pelo empregador a título de auxíliotransporte deve corresponder ao valor que exceder a 6% do salário básico do empregado. Pagamentos feitos além deste limite constitui mera liberalidade, devendo integrar, por conseguinte, o saláriodecontribuição. Fl. 275DF CARF MF 4 É precisamente este o caso dos autos: a empresa adotou critério de cálculo pelo qual deduziu dos empregados valor inferior a 6% a título de participação destes no custeio das despesas de transporte. A contribuição exigida na autuação corresponde precisamente a essa diferença, a esse valor pago a maior, como dito, por liberalidade. Nessas condições, considerando que o pagamento excedente constitui mera liberalidade da empresa, este passa a integrar o saláriodecontribuição. Ante o exposto, conheço do recurso e, no mérito, doulhe provimento. Assinado digitalmente Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator Fl. 276DF CARF MF
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