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Numero do processo: 13866.000118/2001-99
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/03/2001
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. EMPRESA COMERCIAL EXPORTADORA. FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
No caso de venda à empresa comercial exportadora, para usufruir do benefício do crédito presumido, cabe à contribuinte comprovar o fim específico de exportação para o exterior, demonstrando que os produtos foram remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora.
PROVAS DAS ALEGAÇÕES.
São incabíveis alegações genéricas. Os argumentos aduzidos deverão ser acompanhados de demonstrativos e provas suficientes que os confirmem.
VARIAÇÕES CAMBIAIS.
Os ajustes decorrentes de variações cambiais efetuados por meio de notas fiscais complementares emitidas depois da saída das mercadorias do estabelecimento industrial devem ser excluídos da composição do valor da receita de exportação e desconsiderados no cálculo do crédito presumido de IPI.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-001.937
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Alexandre Gomes e Fabiola Cassiano Keramidas quanto à receita de variação cambial. O conselheiro Gileno Gurjão Barreto declarou-se impedido
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(assinado digitalmente)
MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ - Relator.
EDITADO EM: 20/03/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente); Gileno Gurjão Barreto (vice presidente); Alexandre Gomes; Fabíola Cassiano Keramidas; José Antônio Francisco e Maria da Conceição Arnaldo Jacó
Nome do relator: MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO
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EMPRESA COMERCIAL EXPORTADORA. FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. No caso de venda à empresa comercial exportadora, para usufruir do benefício do crédito presumido, cabe à contribuinte comprovar o fim específico de exportação para o exterior, demonstrando que os produtos foram remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. PROVAS DAS ALEGAÇÕES. São incabíveis alegações genéricas. Os argumentos aduzidos deverão ser acompanhados de demonstrativos e provas suficientes que os confirmem. VARIAÇÕES CAMBIAIS. Os ajustes decorrentes de variações cambiais efetuados por meio de notas fiscais complementares emitidas depois da saída das mercadorias do estabelecimento industrial devem ser excluídos da composição do valor da receita de exportação e desconsiderados no cálculo do crédito presumido de IPI. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 6. 00 01 18 /2 00 1- 99 Fl. 430DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 2 Alexandre Gomes e Fabiola Cassiano Keramidas quanto à receita de variação cambial. O conselheiro Gileno Gurjão Barreto declarouse impedido (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ Relator. EDITADO EM: 20/03/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente); Gileno Gurjão Barreto (vice presidente); Alexandre Gomes; Fabíola Cassiano Keramidas; José Antônio Francisco e Maria da Conceição Arnaldo Jacó Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em 17/02/2012, em face do Acórdão 1435.863 da 8ª Turma da DRJ/RPO proferido em sessão de 22 de novembro de 2011, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, segundo a ementa e dispositivo a seguir transcritos: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI Período de apuração: 01/01/2001 a 31/03/2001 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. A matéria submetida a glosa em revisão de pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI, não especificamente contestada na manifestação de inconformidade, é reputada como incontroversa, e é insuscetível de ser trazida à baila em momento processual subseqüente. VENDAS PARA EMPRESAS COMERCIAIS EXPORTADORAS COM O FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. Diante do conceito dado à expressão “empresa comercial exportadora” em diferentes oportunidades pela SRF e pelo MF, concluise que são admitidas no cálculo do crédito presumido as vendas a empresas comerciais exportadoras com o fim específico de exportação, nos termos da Lei nº 9.532, de 1997, art. 39, § 2º, e não apenas as vendas a empresas enquadradas no Decretolei n° 1.248, de 1972. VENDAS PARA EMPRESAS COMERCIAIS EXPORTADORAS. Fl. 431DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13866.000118/200199 Acórdão n.º 3302001.937 S3C3T2 Fl. 429 3 Não geram direito ao crédito presumido, as vendas para empresas comerciais exportadoras quando não restar comprovada a saída dos produtos com o fim específico de exportação nos termos da legislação do IPI. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao interessado o ônus da prova dos fatos constitutivo do direito que pleiteia. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. VARIAÇÕES CAMBIAIS. O valor das variações cambiais não compõe o valor da receita de exportação no cálculo do crédito presumido de IPI. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Acórdão Acordam os membros da 8ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade.” A contribuinte efetuou em 06/07/2001 pedido de ressarcimento de IPI, acumulado no final do 1 º Trimestre do anocalendário de 2001, no valor de R$ 11 479,40 (onze mil, quatrocentos e setenta e nove reais e quarenta centavos), referente a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, como ressarcimento da contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para a Seguridade SocialCOFINS, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem utilizados no processo produtivo de bens destinados à exportação para o exterior, de que trata a Lei n° 9.363, de 13 de dezembro de 1996, regulamentado pela Instrução Normativa SRF n° 23/97, e pela Portaria MF n° 38/97. Apresentou também, ainda em 06/07/2001, pedido de compensação deste crédito com débito próprio (código 2172), referente ao PA de jun/2001. A interessada é uma empresa agroindustrial do setor sucroalcooleiro, destinada à plantação, extração e industrialização da canadeaçúcar, para produção e comercialização nos mercados interno e internacional de álcool, açúcar e seus derivados. Em decorrência desse e de outros pedidos de ressarcimentos de IPI foi expedido Mandado de Procedimento Fiscal — Fiscalização MPF nº 08.1.07.00200500084 2, para dar início a procedimento de auditoria do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), para análise do crédito presumido de IPI no período de janeiro de 1998 a setembro de 2002, conforme MPF e Termo de Início da Ação Fiscal, com ciência em 02/03/2005. (fls.61 e 65). A autoridade administrativa, por meio do Despacho Decisório de fls. 147 e 148, reconhece parcialmente o direito creditório no valor de R$ 190,09 (Cento e noventa reais e nove centavos) e homologa as compensações pleiteadas, até o limite do crédito deferido, tendo em vistas as retificações procedidas e descritas na informação fiscal de fls. 134/142 conforme transcrevese resumidamente a seguir, do Acórdão recorrido: Fl. 432DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 4 “a) Exclusão das exportações realizadas por terceiros, empresas não constituídas sob a forma preconizada pelo inciso I, art. 2º do DecretoLei nº 1.248/72 (tradingcompany), num total de R$ 1.149.822,00; b) Mudança no critério de rateio dos insumos utilizados nos produtos não acabados e nos produtos acabados mas não vendidos: desconsideração do método adotado pela contribuinte denominado “ATR” (Açúcar Total Recuperável); c) Os custos das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados no processo dos produtos exportados foram apurados conforme demonstrativo de fl. 127.” Regularmente cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade de fls. 164/178, instruída com os documentos de fls. 180/208 do volume I e 212/254 do volume II, defendendo a inclusão, no cálculo da receita de exportação, das exportações realizadas por empresas comerciais exportadoras, mesmo que não estejam formalizadas como uma trading company, por considerar que se encontra atendido o fim específico de exportação. Acrescentou que a exclusão desses valores afrontaria os princípios da legalidade e da isonomia. O Acórdão 1435.863 da 8ª Turma da DRJ/POR ora recorrido resume os argumentos de defesa da contribuinte da seguinte forma: “o parágrafo único do artigo 1º da Lei nº 9363/96, ao estabelecer o crédito presumido para as vendas realizadas para empresas comerciais exportadoras, o fez de forma ampla e irrestrita, abrangendo todas as empresas que tenham por objeto social a comercialização e exportação de produtos, ainda que não atendam aos requisitos exigidos pelo Decretolei nº 1.248/72. Em nenhum momento o texto legal determina ou condiciona que a exportação somente gerará o benefício quando a empresa comercial exportadora, adquirente dessas mercadorias, for constituída conforme os requisitos previstos no artigo 2º do Decretolei nº 1.248/72. Por fim, solicitou que seja conhecida e provida a manifestação de inconformidade, para que seja cancelada a decisão da DRF, com a homologação do ressarcimento e da compensação.” Em vistas das alegações da interessada, os autos foram baixados em diligência (Resolução 1.520 8a Turma da DRJ/POR, de 10/05/2011, fls. 261/262) para que a autoridade administrativa verificasse se as vendas para a empresa Nova Trading S/A cumpriram os requisitos do artigo 2º, § 1º, II, da IN 23/97, ou seja, se foi cumprido o fim específico de exportação, e se essas empresas apresentaram os documentos de que trata o artigo 12 da Instrução Normativa. O resultado da diligência consta da Informação Fiscal de fls. 281/284, no qual restaram constatadas as seguintes conclusões: a) A contribuinte foi intimada para apresentar qualquer documento hábil e idôneo que comprovasse o fim específico de exportação. Todavia, somente apresentou cópia das notas fiscais de venda n°s 33948, 34479 e 34648, que não são suficientes para comprovar o fim específico de exportação. Nada mais foi apresentado; b) A nota fiscal nº 34648 (fl. 254) referese a complemento de preço relativo à nota fiscal nº 33948, ou seja, referese à variação cambial, não sendo portanto, uma receita de Fl. 433DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13866.000118/200199 Acórdão n.º 3302001.937 S3C3T2 Fl. 430 5 exportação que deva compor a base de cálculo das receitas de exportação; c) a empresa Nova Trading foi intimada em 10/06/2011 para apresentar o comprovante de exportação (Declaração de Exportação) fls. 264/266. Todavia, em razão do não atendimento, foi reintimada, em 25/07/2011. Mas, a empresa informou que "não possui em seus arquivos os demonstrativos de exportação que trata o art. 12 da IN SRF n° 23/1997, visto que todas as notas solicitadas pelo D. agente fiscal em questão, são superiores a dez anos." d) Portanto, as vendas efetuadas à empresa Nova Trading não serão consideradas com o fim específico de exportação, razão pela qual devem ser mantidas as glosas efetuadas neste processo. Cientificada do resultado da diligência, a empresa apresentou manifestação de fls. 286/290, na qual teceu os seguintes comentários: a) As conclusões da informação fiscal não devem impactar no cálculo do crédito realizado pela ora manifestante; b) Mesmo que se entenda pela ausência de demonstração, pela empresa comercial exportadora, de que as vendas tinham efetiva finalidade de exportação, é evidente que isso não poderá impactar no cálculo do crédito presumido, uma vez que, nos próprios termos do art. 12 da IN 23/97, compete à empresa comercial exportadora a apresentação dos documentos comprobatórios da operação de exportação dos produtos adquiridos das empresas exportadoras de mercadorias nacionais; c) Se a própria IN 23/97 já prevê as conseqüências de um eventual inadimplemento das obrigações exigidas das empresas comerciais exportadoras, não há como se admitir, adicionalmente, a imposição de um prejuízo complementar à pessoa jurídica produtora, até porque, se a IN 23/97 contempla a necessidade de pagamento do valor equivalente ao crédito presumido pela primeira, presumese o seu reconhecimento no cálculo do direito creditório da segunda; d) Com relação à glosa da receita relativa à nota fiscal nº 34648, a qual decorre da variação cambial do preço pactuado, é evidente que tal montante deverá integrar o cálculo do crédito presumido de IPI, haja vista que atinem verdadeiras receitas de exportação, eis que oriundas da variação lastreada na emissão de nota fiscal complementar. Fl. 434DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 6 Ao proceder a análise dos autos a autoridade julgadora de 1ª instância administrativa federal decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade, segundo as razões expedidas no voto condutor, que resumidamente demonstrase a seguir: · Matéria não contestada a manifestante não questionou as seguintes retificações efetuadas pela fiscalização na apuração do crédito presumido: a) mudança no critério de rateio dos insumos utilizados nos produtos não acabados e nos produtos acabados mas não vendidos; b) os custos das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados no processo dos produtos exportados foram apurados conforme demonstrativo de fl. 127. Em relação a estes procedimentos, efetuados pela autoridade fiscal na diligente revisão da apuração do benefício fiscal, reputamse matérias incontroversas. A postulante não contestou expressamente a correção, reconhecendo tacitamente a licitude do feito. Observese que a questão não pode mais ser abordada em momento processual posterior, principalmente no que pertine a recurso voluntário eventualmente interposto contra o presente acórdão. · Exclusão das vendas a empresas exportadoras a autoridade julgadora de 1ª instância efetua extensa análise à legislação que trata da matéria e afirma que: diante do conceito dado à expressão “empresa comercial exportadora” em diferentes oportunidades pela SRF e pelo MF, concluise que são admitidas, no cálculo do crédito presumido, as vendas a empresas comerciais exportadoras com o fim específico de exportação, nos termos da Lei nº 9.532, de 1997, art. 39, § 2º, e não apenas as vendas a empresas favorecidas pelo tratamento tributário do Decretolei n° 1.248, de 1972. Assim, defende que devem ser incluídas, no cálculo do crédito presumido, as receitas de vendas para empresas comerciais exportadoras, independente de serem favorecidas pelo tratamento tributário do Decretolei no 1.248/72, desde que estas vendas tenham o fim específico de exportação. Mas, por outro lado, ressalva a questão do ônus da prova em pedidos administrativos. Assim, no caso em concreto, o administrado deve carrear aos autos as provas que dão lastro ao direito creditório reclamado. Tratase de postulado do Código de Processo Civil, instituído pela Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, e adotado de forma subsidiária na esfera administrativa tributária. Ou seja, a empresa deve provar o que alegou em sua impugnação: que as vendas para as empresas comerciais exportadoras cumpriram o fim específico de exportação. Afirma que a condição estabelecida no parágrafo único do art. 1º da Lei nº 9.363/96, é que a venda do produto seja com o fim específico de exportação, cuja definição está no § 2º do art. 39 da Lei nº 9.532/97. Tal circunstância não restou comprovada no processo, não há qualquer indicação de que os produtos vendidos à empresas comerciais exportadoras foram remetidos diretamente a embarque para o exterior ou a recinto alfandegado, por conta e ordem do adquirente, e dessa forma, as mesmas não podem ser consideradas como receita de exportação utilizada na determinação do cálculo do crédito presumido de IPI. · Variação Cambial Sobre o pretendido cômputo, na receita de exportação, da variação cambial ocorrida entre a data de emissão da nota fiscal de exportação e a data do efetivo embarque os produtos (nota fiscal nº 34648), demonstra a orientação oficial específica da Secretaria da Receita Federal (SRF), em matéria de cálculo do crédito presumido de IPI, em resposta dada à questão 6, do “Perguntas e Respostas sobre Crédito Presumido do IPI”, encaminhado pela Nota MF/SRF/COSIT/COTIP/DIPEX n° 312, de 3 de agosto de 1998, que determina que a receita de exportação deve ser obtida com base nos valores escriturados nos livros Registro de Apuração do IPI dos estabelecimentos, pelos somatórios dos valores registrados com Código Fiscal de Operações e Prestações (CFOP) 7.11 (saídas para o exterior – vendas da produção do estabelecimento). Ressalta ainda, a orientação do “Perguntas e Respostas – Pessoa Jurídica”, divulgada na página da SRF, na Internet; bem como ressalta que Fl. 435DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13866.000118/200199 Acórdão n.º 3302001.937 S3C3T2 Fl. 431 7 o caput do art. 3º da Lei nº 9.363/96 determina que, para os efeitos dessa lei, a apuração do montante da receita de exportação seja efetuada nos termos das normas que regem a incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devendose considerar que o art. 9º da Lei nº 9.718/98, ao qual remete o caput do art. 3º da Lei n° 9.363/96, que reza o seguinte: Art. 9° As variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função da taxa de câmbio ou de índices ou coeficientes aplicáveis por disposição legal ou contratual serão consideradas, para efeitos da legislação do imposto de renda, da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição PIS/PASEP e da COFINS, como receitas ou despesas financeiras, conforme o caso.” (sublinhado na transcrição) Orientação, no mesmo sentido é encontrada na Nota CONJUNTA FM/SRF/COSIT/COTIP/COTRIN/N° 397, de 29 de setembro de 1998: “Para efeito do cálculo do Crédito Presumido de IPI como ressarcimento do PIS/PASEP, é irrelevante outro valor que não seja o constante da nota fiscal emitida na saída dos produtos do estabelecimento industrial. O que se deve considerar para o cálculo do crédito presumido é o valor da exportação constante na nota fiscal em reais que acobertar a saída para exportação, nada tendo a ver com variação cambial.” A contribuinte irresignada apresenta, em 17/02/2012, recurso voluntário, cujos argumentos resumese a seguir: · Da comprovação da operação de exportação pela empresa comercial exportadora – A recorrente alega que trouxe aos autos cópias das Notas Fiscais Faturas para a Nova Trading SA nº 33948, 34479, bem como a Cópia da Nota Fiscal para a Nova Trading nº 34648 (complemento de preço da NF 33948, de 11/01/2001 (fls. 248 a 250 e 254), cuja análise passou ao largo do julgamento da 1ª instância e cuja apreciação leva à conclusão de que as vendas para a empresa Nova Trading AS ocorreram com o fim específico de exportação. Contudo, argumenta ainda que, independentemente da produção de provas documental da venda para empresas exportadoras com o fim específico de exportação, a sua responsabilidade somente poderia se resumir à demonstração de que as vendas às comerciais exportadoras foram efetivadas com o fim específico de exportação, mas não que estas exportações foram devidamente realizadas pela empresa comercial exportadora. Ressalta que a autoridade a quo, com base no entendimento mais amplo dado pela RFB e pelo Ministério da Fazenda, em diversas oportunidades, à expressão “empresa comercial exportadora”, concluiu as vendas a empresas comerciais exportadoras com o fim específico de exportação devem ser incluídas no cálculo do crédito presumido de IPI, independentemente do tratamento tributário conferido pelo o Decretolei nº 1.248, de 29/11/1972. Contudo, a DRJ impõe ao recorrente o ônus de comprovar que as empresas comerciais exportadoras cumpriram o fim específico de exportação, ou seja, impõe a obrigação de provar a real remessa das mercadorias para o exterior, não obstante terem sido as vendas realizadas em conformidade com a legislação aplicável (parágrafo único da lei nº 9.363/96). Fl. 436DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 8 A DRJ inverte o ônus da prova, sem amparo legal. A exigência contida no caput do art. 1º e parágrafo único da Lei 9.363/96 é apenas de que a empresa produtora exportadora venda para a comercial exportadora com o fim específico de exportação, cabendo lhe efetuar apenas essa comprovação. Inexiste nessa lei qualquer dispositivo que determine ou condicione à aquisição do crédito a comprovação da efetiva exportação da mercadoria. Reside no §4º do art. 2º da Lei nº 9.363/96 o principal fundamento jurídico para sustentar a possibilidade de prosperar essa exigência contida na decisão da DRJ, que atribui à empresas exportadoras o pagamento do PIS/COFINS relativamente aos produtos adquiridos e não exportados no prazo estabelecido. Não responsabilizou o produtor exportador. Igual entendimento foi dado pela Secretaria da Receita Federal no §3º do art. 10 da IN 23, de 03 de março de 1997. A legislação cria mecanismos para que a RFB seja ressarcida na hipótese da comercial exportadora não exportar o produto adquirido do produtor exportador,e, assim, a decisão da DRJ não se coaduna com a legislação aplicável ao caso. Não se pode repassar à recorrente a obrigação de fiscalizar se as comerciais exportadoras efetuaram de fato as exportações pactuadas, bastando que se demonstre que o fim específico de exportação foi buscado, como se verifica no caso concreto. Afirma ser esse o único requisito para suporte do pleito do crédito presumido, conforme jurisprudência do CARF que colaciona. Falhas que existam na apresentação dos documentos pelas comerciais exportadoras não deverão afetar a recorrente, que seguiu todos os ditames estabelecidos na lei 9.363/96 e na IN 23/97. Cita, também, o art. 12 da IN 23/97, que exige documentos e requisitos das comerciais exportadoras, sob pena de multa prevista no art. 17 da própria IN 23/97. Documentos esses cuja responsabilidade de apresentação é unicamente das comerciais exportadoras e não da recorrente. Ademais, alega dupla imposição de penalidade sobre o mesmo fato, acarretando enriquecimento ilícito do fisco, posto que ao tempo em que se responsabiliza a empresa comercial exportadora, inclusive pelo o valor equivalente ao crédito presumido do IPI atribuído à empresa produtora, quando esta não efetuar a exportação do produto destinado á exportação (§4º, do art. 2º da Lei 9.363/96 e art. 10 da IN 23/97), tenta responsabilizar a recorrente por conta da eventual não exportação das mercadorias. Assim, aduz que por vários ângulos restou demonstrado que não há motivo plausível para se sustentar a equivocada desconsideração das receitas advindas das exportações indiretas efetuadas pelas recorrente, diante da ausência de base legal para tanto, uma vez que restaram atendidos os ditames da Lei nº 9363/96 que instituiu o benefício do crédito presumido do IPI, bem como da IN 23/97, que regulamentou tal incentivo fiscal. · Glosas de variações cambiais Reconhecido o direito creditório em relação às vendas efetuadas para empresas comerciais exportadoras, não deve prevalecer a ilegal glosa decorrente da variação cambial apurada entre ao período comprendido entre a emissão da nota fiscal complementar do produto para exportação e o fechamento do câmbio. Explica que em função da natureza da sua atividade, o açucar entregue durante toda a semana, só é pago na semana seguinte. Por isso, é impossível emitir a nota fiscal correspondente à venda para exportação já no valor efetivo dessa comercialização, que se submete, assim, à variação cambial, que é no caso, só ajuste do valor da operação ao efetivo valor pago pelos compradores. Não se trata de receitas financeiras propriamente dita, mas só complemento de preço e, sendo assim, deve integrar as receitas de exportação. Fl. 437DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13866.000118/200199 Acórdão n.º 3302001.937 S3C3T2 Fl. 432 9 Esclarece que emite a Nota Fiscal das mercadorias vendidas quando da sua efetiva saída, considerando o valor do dólar naquela data, emitindo, posteriormente, uma nota fiscal complementar para ajustar o valor da operação ao efetivo preço pago pelos compradores, ou seja, ao valor do dólar no dia imediatamente anterior à data do pagamento. Nesse sentido, colaciona ementa de Acórdão CARF nº 3302. 00.348, de 18/03/2010, DOU 29/03/2011. · Do Pedido Por fim, solicita seja integralmente provido o seu recurso, para reconhecer o direito creditório aqui combatido e homologado pedido de ressarcimento e de compensação. É o relatório. Voto Conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais. Dele se conhece. Passase ao voto: Da comprovação da operação de exportação pela empresa comercial exportadora A Autoridade julgadora a quo, relativamente a este item, concluiu que as vendas a empresas comerciais exportadoras com o fim específico de exportação devem ser incluídas no cálculo do crédito presumido de IPI, independentemente do tratamento tributário conferido pelo o Decretolei nº 1.248, de 29/11/1972, desde que estas vendas tenham o fim específico de exportação. Como relatado, os autos foram anteriormente baixados em diligência, conforme Resolução 1.520 8a Turma da DRJ/POR, de 10/05/2011, (fls. 261/262) para que a autoridade administrativa verificasse se as vendas para a empresa Nova Trading S/A cumpriram os requisitos do artigo 2º, § 1º, II, da IN 23/97, ou seja, se foi cumprido o fim específico de exportação, e se essas empresas apresentaram os documentos de que trata o artigo 12 da Instrução Normativa. Contudo, tendo em vista entender que o resultado de diligência solicitada não logrou comprovar o fim específico de exportação, a autoridade julgadora de 1ª instância manteve a glosa efetuada. Afirma que a parte que invoca direito resistido deve produzir as provas necessárias do respectivo fato constitutivo e entendeu que as provas trazidas aos autos (fls. a 251 e 254), não trazem qualquer indicação de que os produtos vendidos a empresas comerciais exportadoras foram remetidos diretamente a embarque para o exterior ou a recinto alfandegado, por conta e ordem do adquirente, e que, portanto, nas vendas para empresas comerciais exportadoras que houve a perda da característica legal do que é considerado “fim Fl. 438DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 10 específico de exportação”, as mesmas não podem ser consideradas como receita de exportação utilizada na determinação do cálculo do crédito presumido de IPI. Corroboro com a decisão proferida pela autoridade julgadora de 1ª instância administrativa federal de que seja equivocado o entendimento acerca da necessidade de exportação tão somente pelas empresas comerciais exportadoras constituídas ao amparo do DecretoLei nº 1.248/72, conhecidas como “trading companies”, para fins de usufruir o crédito presumido em discussão, uma vez que estas são espécies do gênero empresa comercial exportadora. Conforme esclarecido no PARECER NORMATIVO CST Nº 42/75, transcrito no voto condutor da autoridade a quo, a venda de produtos à empresa comercial exportadora constituída com base no indigitado Decretolei, com o fim específico de exportação, acarreta, de imediato, benefícios fiscais para o produtor vendedor, tornando a operação interna equiparada a uma exportação para todos os efeitos, sendo transferido o ônus tributário para a empresa comercial exportadora, em caso de inocorrência da exportação. De outra banda, a venda à empresa comercial exportadora não regulada pelo precitado Decretolei, com o fim específico de exportação, se traduz numa operação interna beneficiada pela suspensão do IPI, sendo sua atuação de mera intermediária e os estímulos fiscais gerados pela exportação, desde que cumpridos os requisitos necessários, destinamse ao estabelecimento industrial que é, de direito, o exportador. Corroborando o entendimento esposado, assim dispõe o sítio da Receita Federal do Brasil, junto à internet (www.receita.fazenda.gov.br), na parte referente a Perguntas e Respostas sobre IPI, pergunta 031, a qual registra: “031 Tendo em vista a alínea “a” do inciso V do art. 42 do Ripi/2002, a suspensão do IPI prevista para produtos saídos do estabelecimento industrial com destino à exportação é aplicável a todas as empresas comerciais que operam no comércio exterior ou somente às Trading Companies? A suspensão do IPI aplicase a todas as empresas comerciais exportadoras que adquirirem produtos com o fim específico de exportação, aí incluídas as empresas comerciais exportadoras de que trata o DecretoLei nº 1.248, de 1972. Consideramse adquiridos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora.” A condição estabelecida no parágrafo único do art. 1º da Lei nº 9.363/96, é que a venda do produto seja com o fim específico de exportação, cuja definição está no § 2º do art. 39 da Lei nº 9.532/97, verbis: “Art. 39. (...); § 2° Consideramse adquiridos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora” Fl. 439DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13866.000118/200199 Acórdão n.º 3302001.937 S3C3T2 Fl. 433 11 Vêse que a lei não exige a comprovação da efetiva exportação. Se essa fosse a intenção do legislador, terseia acrescida expressamente tal exigência. Nessa hipótese, a exequibilidade de controle do benefício fiscal ficaria prejudicada pelo envolvimento de mais de uma empresa na comprovação do feito. Mas, ao produtor exportador, para usufruir o benefício do crédito presumido, cabe comprovar que suas vendas às empresas comerciais exportadoras o foram feitas com o fim específico de exportação, sendo totalmente irrelevante ter ou não ocorrido a exportação. Assim o fazendo, a partir daí, o descumprimento da obrigação de exportar gera sanção tão somente à empresa comercial exportadora, isentando a empresa produtora de qualquer ônus, vez que teria cumprido sua parte. A recorrente, inclusive, defende esse posicionamento. De se ressaltar que os favores fiscais são devidamente regrados de modo a evitar a saída indevida de valores dos cofres públicos. Nesse passo, cabe ao administrado a observância das regras impostas, e não à administração fazendária se sujeitar a análises casuísticas em contradição com as determinações contidas nas normas que regem a matéria. Destarte, devem ser admitidas no cálculo do crédito presumido as vendas a empresas comerciais exportadoras com o fim específico de exportação, nos termos da Lei nº 9.532/97, art. 39, § 2º, e não apenas as vendas às empresas constituídas na forma do Decreto Lei n° 1.248/72, desde, claro, que fiquem comprovadas as vendas com o fim específico de exportação, de acordo com os termos legais. Cabe, então, verificar, no caso específico, se restou comprovada essa especificidade das vendas efetuadas às empresas exportadoras, ou seja, se os documentos constantes dos autos comprovam se “os produtos foram remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora”. A recorrente reedita seu argumento apresentado na primeira instância, no sentido de que o “fim especifico de exportação” ficou comprovado nos autos pelas notas fiscais apresentadas. Tratase de alegações genéricas. Da análise, verificase que as cópias das Notas Fiscais Faturas para a Nova Trading Saemitidas no 1º trimestre, quais sejam as notas fiscais nº 33948, 34479, bem como a Cópia da Nota Fiscal para a Nova Trading nº 34648 (complemento de preço da NF 33948, de 11/01/2001 (fls. 248 a 250 e 254), comprovam a venda, mas não comprovam que tais vendas se enquadram nas condições legais de “fim específico de exportação”, ou seja, não comprovam que os produtos vendidos foram remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. Não se identificou nos autos documentos que efetivamente comprovem que as vendas se enquadram nas condições legais de “fim específico de exportação.” De modo a comprovar o fim específico de exportação, caberia à contribuinte demonstrar que os produtos vendidos (para exportação) foram remetidos diretamente a embarque para o exterior ou a recinto alfandegado, por conta e ordem do adquirente (empresa comercial exportadora). Não está aqui a se exigir que a recorrente comprove a efetiva exportação, pois, consoante suas próprias argumentações, essa exigência deve ser feita às Fl. 440DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 12 empresas exportadoras, desde que o produtor comprove que as suas vendas ocorreram com o fim específico de exportação, de acordo com os termos exigidos na legislação. Dessa forma, não tem fundamento as alegações da recorrente sobre a existência de abusiva dupla imposição de penalidade sobre o mesmo fato, haja vista, que as penalidades sobre as empresas exportadoras só seriam implementadas se restassem comprovadas pelo industrial as vendas com o fim específico de exportação. O que não ocorreu no presente caso. Os argumentos aduzidos deveriam ser acompanhados de demonstrativos e provas suficientes que os confirmassem. Assim, caberia à contribuinte demonstrar, cabalmente, com documentos e os referenciando às folhas dos autos do processo, de modo a evidenciar o alegado e não atribuindo ao fisco a tarefa de descobrir dentre os documentos apresentados, aqueles que possam eventualmente servir como prova. Imputar a instância julgadora suprir deficiência da contribuinte é subverter as obrigações no processo administrativo. Portanto, em relação ao tema, não há reparos a fazer à decisão recorrida. Da variação cambial A contribuinte aduz ser ilegítima a exclusão das variações cambiais no cálculo do crédito presumido de IPI, vez que se trata de complemento do preço, esclarecendo que emite a Nota Fiscal das mercadorias vendidas quando da sua efetiva saída, considerando o valor do dólar naquela data, emitindo, posteriormente, uma nota fiscal complementar para ajustar o valor da operação ao efetivo preço pago pelos compradores, ou seja, ao valor do dólar no dia imediatamente anterior à data do pagamento. Não possui razão a recorrente. Para demonstrar a improcedência da argumentação da recorrente, trazse o voto do relator, Conselheiro Mauricio Taveira e Silva, no Acórdão 330100.921 proferido, em 02/05/2011, no Processo 13866.000410/200292, com o qual corroboro e adoto: “De se registrar que o art. 3º da Lei nº 9.363/96 assim dispõe: Art.3º Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1o, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador. Assim, acerca da matéria deve ser considerada a lei que rege o PIS e a Cofins, Lei nº 9.718/98, a qual registra em seu art. 9º, o que segue: Art.9° As variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função da taxa de câmbio ou de índices ou coeficientes aplicáveis por disposição legal ou contratual serão consideradas, para efeitos da legislação do imposto de renda, da Contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição PIS/PASEP e da COFINS, como receitas ou despesas financeiras, conforme o caso. (grifei) Nesta mesma linha se manifestou a administração tributária, por meio do “Perguntas e Respostas”, sobre IPI, obtido na internet, conforme anteriormente mencionado, disposto como segue: Fl. 441DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13866.000118/200199 Acórdão n.º 3302001.937 S3C3T2 Fl. 434 13 007 Para fins de cálculo do crédito presumido do IPI como ressarcimento do PIS/Pasep e Cofins, a empresa produtora e exportadora deve emitir nota fiscal para registrar a variação cambial ocorrida entre a data de saída dos produtos do estabelecimento industrial e a data do efetivo embarque do produto? Esta variação cambial compõe a receita de exportação para efeito de cálculo do referido crédito? Não para ambas as questões. O valor da nota fiscal em reais é o preço da operação no momento da ocorrência do fato gerador, não devendo compor a receita de exportação a eventual variação cambial. 008 Empresa considera, para fins de registro contábil, como valor de receita de exportação o apurado na data de efetivo embarque do produto. Nesta situação, por estar levando em conta a variação cambial, haverá divergência entre o valor de receita de exportação, registrado contabilmente, e o registrado com base nas notas fiscais emitidas na saída dos produtos do estabelecimento. Qual o valor de exportação que deverá ser utilizado para cálculo do crédito presumido? O valor em Reais registrado nas notas fiscais emitidas nas saídas dos produtos do estabelecimento industrial. A receita de exportação será o correspondente ao somatório anual dos valores escriturados no Livro Registro de Apuração do IPI, código 7.101, excluídas as saídas para exportação que não foram efetivamente realizadas e acrescido das saídas para comercial 5 exportadora com o fim específico de exportação. Assim, os valores a serem utilizados devem ser os que constaram das notas fiscais emitidas na saída dos produtos do estabelecimento. Quaisquer variações posteriores do preço decorrentes de variações cambiais representam receitas ou despesas financeiras não se confundindo com o valor da operação”. Independentemente da questão de mérito acerca da natureza jurídica da variação cambial para fins de apuração do crédito presumido de IPI, em conformidade com o disposto na Lei nº 9363/96 se receita de exportação ou receita financeira , no caso específico não foi reconhecido o direito creditório em relação à venda efetuada no primeiro trimestre de 2001 para empresa comercial exportadora, por meio da Nota Fiscal 33948, de 11/01/2001, posto que não se logrou comprovar o “fim específico para a exportação”, conforme já fundamentado no item imediatamente acima. Portanto, de qualquer forma, mesmo que haja entendimento de mérito divergente pelos os pares deste colegiado, há de se prevalecer a glosa decorrente da variação cambial apurada entre o período compreendido entre a emissão da referida nota fiscal de saída do produto para exportação e a data da emissão da nota complementar nº 34648, quando do fechamento do câmbio. Portanto, correta a exclusão das variações cambiais ativas no cálculo do crédito presumido. Outras considerações Por ser oportuno, cabe ressalvar que em sessão ocorrida em 02/05/2011, os membros da 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção decidiram, por unanimidade, em Fl. 442DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 14 julgar improcedentes os recursos voluntários, nos termos do voto do relator, conselheiro, Mauricio Taveira e Silva, por meio dos Acórdãos nº 3301000.922 e 330100.921 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, preferidas, respectivamente, nos processos nº 13866.000412/200281 e 13866.000410/200292, nos quais se discutiam matérias idênticas à constante na presente lide, haja vista serem decorrentes do mesmo procedimento fiscal, alterandose unicamente os períodos de apuração ali envolvidos (O processo nº 13866.000410/200292 abrange o período de 01/10/2000 a 31/12/2000 e o processo nº 13866.000412/200281 abrange o período de 01/10/2001 a 31/12/2001), ambos do interesse da mesma contribuinte, ora recorrente, conforme idêntica ementa a seguir transcrita, cujo entendimento é o mesmo defendido neste voto: “Ementa: CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. EMPRESA COMERCIAL EXPORTADORA. FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. No caso de venda à empresa comercial exportadora, para usufruir do benefício do crédito presumido, cabe à contribuinte comprovar o fim específico de exportação para o exterior, demonstrando que os produtos foram remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. VARIAÇÕES CAMBIAIS. Os ajustes decorrentes de variações cambiais não devem de ser consideradosno cálculo do crédito presumido de IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMO NÃO ADMITIDO NO CÁLCULO. Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei no 9.363/96 os insumos que, embora consumidos na produção, não entrem em contato direto com o produto fabricado, não se enquadrando, portanto, no conceito de matériaprima ou produto intermediário, caracterizandose como custo indireto incorrido na produção. CRÉDITO PRESUMIDO. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO NT. A produção e a exportação de produtos não tributados pelo IPI (NT), por se encontrarem fora do campo de incidência do IPI, não podem ser considerados produtos industrializados. Por conseguinte, não podem ser incluídos na base de cálculo do crédito presumido. PROVAS DAS ALEGAÇÕES. São incabíveis alegações genéricas. Os argumentos aduzidos deverão ser acompanhados de demonstrativos e provas suficientes que os confirmem. CRÉDITO PRESUMIDO. APURAÇÃO. A apuração do crédito presumido é feita a partir do total acumulado, desde o início do ano até o mês a que se referir o crédito. O resultado do crédito presumido do mês corresponderá ao total do crédito presumido acumulado desde o início do ano até o mês da apuração, diminuído dos valores obtidos e utilizados nos meses anteriores. Fl. 443DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13866.000118/200199 Acórdão n.º 3302001.937 S3C3T2 Fl. 435 15 Recurso Voluntário Negado.” CONCLUSÃO Tendo em conta a análise e fundamentos efetuados acima, conduzo o meu voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. Maria da Conceição Arnaldo Jacó Relatora Fl. 444DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 10980.723268/2011-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
REPRESENTAÇÃO PARA FINS PENAIS. COMPETÊNCIA DO CARF. AUSÊNCIA
O CARF carece de competência para se pronunciar sobre processo de Representação Fiscal Para Fins Penais.
SUSTENTAÇÃO ORAL. INTIMAÇÃO PRÉVIA. FALTA DE AMPARO LEGAL.
O pedido de intimação prévia dos representantes das partes para a sustentação oral não tem amparo no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF).
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Havendo lançamento de ofício e ocorrendo simultaneamente declaração de fatos geradores na GFIP com erros ou omissões, a multa é única e aplicada com esteio no art. 35-A da Lei n. 8.212/1991.
Numero da decisão: 2401-002.949
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, I) por maioria de votos, declarar a decadência até 05/2006, para os AI n.º 37.298.467-3, n.º 37.298.466-5 e n.º 37.298.465-7. Vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que rejeitava a argüição da decadência. II) Pelo voto de qualidade, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para cancelar o AI n.º 37.298.472-0. Vencidos os conselheiros Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que davam provimento parcial em maior extensão, para no AI relativo a omissões na GFIP, aplicar a regra prevista no art. 32-A da Lei nº 8.212/91.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Os valores repassados aos segurados a titulo de prêmio de incentivo à produtividade, mediante o fornecimento de créditos em cartões eletrônicos, integram o saláriodecontribuição. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. PRAZO DECADENCIAL. O fisco dispõe de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorreu a infração, para constituir o crédito correspondente à penalidade por descumprimento de obrigação acessória. PRAZO DECADENCIAL. OCORRÊNCIA DE APROPRIAÇÃO INDÉBITA DE CONTRIBUIÇÕES. CONTAGEM A PARTIR DO PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE AQUELE EM QUE O LANÇAMENTO PODERIA SER EFETUADO. Verificandose a ocorrência de falta de repasse dos valores arrecadados pela empresa dos segurados a seu serviço, aplicase, para fins de contagem do prazo decadencial, a norma encartada no inciso I do art. 173 do CTN, ou seja, cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. DECADÊNCIA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DE OCORRÊNCIA DE FRAUDE, DOLO OU SIMULAÇÃO. NORMA APLICÁVEL. Quando o fisco alega a ocorrência de fraude, dolo ou simulação para justificar a aplicação do inciso I do art. 173 do CTN na contagem do prazo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 32 68 /2 01 1- 41 Fl. 4373DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/04 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/04/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 decadencial, é necessário que o relatório fiscal demonstre cabalmente que na sua conduta o contribuinte incorreu em intuito doloso. Não havendo essa demonstração e se verificando antecipação de pagamento, a aferição da decadência deve ser efetuada pela norma do § 4.º do art. 150 do CTN. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 APRESENTAÇÃO DE ARQUIVOS DIGITAIS. AFIRMAÇÃO DO FISCO DE QUE A EMPRESA FOI INTIMADA POR DUAS VEZES A DISPONIBILIZAR OS ARQUIVOS. LAVRATURA EFETUADA ANTES DA SEGUNDA INTIMAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Se o fisco justificou a lavratura de auto de infração pela não apresentação dos arquivos digitais no formato requerido no fato de ter efetuado duas intimações ao sujeito passivo, não poderia ter efetuado a lavratura antes de transcorrer o prazo fixado na segunda intimação. RELEVAÇÃO DA PENALIDADE. PEDIDO APÓS A REVOGAÇÃO DA NORMA QUE PREVIA O FAVOR FISCAL. IMPOSSIBILIDADE. Após a revogação do § 1.º do art. 291 do RPS pelo Decreto n.º 6.727, de 12/01/2009, deixou de haver a possibilidade jurídica para dispensa de multas decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias relacionadas às contribuições previdenciárias. MULTA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO E OCORRÊNCIA DE DECLARAÇÃO INCORRETA OU OMISSA EM RELAÇÃO A FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES. DISPOSITIVO APLICÁVEL. Havendo lançamento de ofício e ocorrendo simultaneamente declaração de fatos geradores na GFIP com erros ou omissões, a multa é única e aplicada com esteio no art. 35A da Lei n. 8.212/1991. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 REPRESENTAÇÃO PARA FINS PENAIS. COMPETÊNCIA DO CARF. AUSÊNCIA O CARF carece de competência para se pronunciar sobre processo de Representação Fiscal Para Fins Penais. SUSTENTAÇÃO ORAL. INTIMAÇÃO PRÉVIA. FALTA DE AMPARO LEGAL. O pedido de intimação prévia dos representantes das partes para a sustentação oral não tem amparo no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF). Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, I) por maioria de votos, declarar a decadência até 05/2006, para os AI n.º 37.298.4673, n.º 37.298.4665 e n.º 37.298.4657. Vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que rejeitava a argüição da decadência. II) Pelo voto de qualidade, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para Fl. 4374DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/04 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/04/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10980.723268/201141 Acórdão n.º 2401002.949 S2C4T1 Fl. 4.374 3 cancelar o AI n.º 37.298.4720. Vencidos os conselheiros Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que davam provimento parcial em maior extensão, para no AI relativo a omissões na GFIP, aplicar a regra prevista no art. 32A da Lei nº 8.212/91. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 4375DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/04 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/04/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo acima identificado contra o Acórdão n.º 0636.486 da 5.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ em Curitiba (PR), que julgou improcedente a impugnação em face de seis Autos de Infração – AI, aos quais passamos a nos reportar: a) AI n.º 37.298.4673: contribuições dos segurados incidentes sobre os valores recebidos a título de bônus de premiação; b) AI n.º 37.298.4681: contribuições dos segurados, com desconto registrado em folha de pagamento e não declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP; c) AI n.º 37.298.4665: contribuições patronais para a Seguridade Social, inclusive aquela destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – RAT, incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados; d) AI n.º 37.298.4657: contribuições para outras entidades e fundos, incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados; e) AI n.º 37.298.4690: aplicação de multa pelo fato da empresa haver deixado de informar na GFIP parte das remunerações lançadas em folha de pagamento e os valores pagos aos empregados a título de bônus de premiação; f) AI n.º 37.298.4720: aplicação de multa pelo fato da empresa haver deixado de apresentar arquivos digitais dos livros contábeis nos moldes do que preconiza o Manual Normativo de Arquivos Digitais (MANAD). O relatório fiscal, fls. 54/58, esclarece que os fatos geradores contemplados nos lançamentos foram as remunerações pagas a segurados empregados e não declaradas na GFIP. Afirmase que tais pagamentos foram extraídos das folhas de pagamento e de notas fiscais emitidas pela empresa Incentive House Marketing S. A., relativas ao repasse de prêmios aos empregados da autuada, disponibilizados mediante cartões fornecidos pela prestadora. Foi acostada relação dos valores prêmios repassados a cada empregado, por competência. A multa, ressaltase no relatório fiscal, foi imposta levandose em consideração as alterações promovida s pela Lei n.º 11.941/2009, optandose pelo valor mais favorável ao sujeito passivo, quando se comparou a multa aplicada com base na legislação vigente no momento da ocorrência dos fatos geradores com aquela calculada com esteio na norma atual. Foram lavradas Representações Fiscais para Fins Penais – RFFP pelas condutas de omitir remunerações na declaração da GFIP e de não recolher integralmente a contribuição arrecadada dos segurados. Cientificada do lançamento em 28/06/2011, a empresa apresentou a impugnação de fls. 1.219/1.243, em 27/07/2011. Em 28/07/2011, foi apresentado aditivo à defesa, fls. 3.847/3.852. Fl. 4376DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/04 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/04/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10980.723268/201141 Acórdão n.º 2401002.949 S2C4T1 Fl. 4.375 5 Na decisão recorrida, fls. 3.894/3.901, datada de 19/04/2012, afastouse a alegação de nulidade em razão da falta de Mandado de Procedimento Fiscal. Não foi acolhida a decadência suscitada, por entender a DRJ que seria aplicável para a contagem do prazo a norma do inciso I do art. 173 do CTN, tendo em vista a existência indícios de crime. Foi afastado pelo órgão a quo o argumento de improcedência da autuação pela entrega dos arquivos digitais em desconformidade com a legislação. Afirmou o relator do voto condutor do acórdão que a exigência do formato dos arquivos foi explicitada no Termo de Início de Procedimento Fiscal – TIPF, além de que desde de 28/01/2005, data da publicação da Portaria MPS/SRP n.º 58, é obrigatória a apresentação dos arquivos no formato especificado no MANAD. Acrescentase ainda, quanto a essa questão, o fato do fisco haver reintimado a empresa a corrigir a falta, sem sucesso. Não foi acatado o pedido de relevação da multa, sob a justificativa de que a norma que permitia tal favor fiscal houvera sido revogada pelo Decreto n.º 6.727/2009. Quanto aos valores repassados mediante cartão de premiação, a DRJ manifestou o entendimento de que esses possuem natureza remuneratória, assim, seriam suscetíveis de incidência tributária e de declaração na GFIP. No recurso de fls. 3.906/3.923, a autuada alegou, em síntese, que: a) estão decadentes as contribuições relativas ao exercício de 2006; b) o não reconhecimento da decadência em razão de indícios de crime, deve ser afastado, posto que este entendimento representa violação ao princípio da presunção de inocência; c) a recorrente apresentou toda a documentação pertinente ao cumprimento das obrigações acessórias, juntamente com a impugnação, devendo ser afastadas as multas punitivas; d) a comprovação da correção da falta e da primariedade da autuada é motivo para se relevar a penalidade aplicada por descumprimento de obrigação acessória, conforme tem entendido o CARF (transcreve excertos de decisões); e) a multa mais benéfica por omissões na GFIP é aquela prevista no art. 32A da Lei n.º 8.212/1991; f) a empresa apresentou os arquivos digitais no formato MANAD e não pode ser prejudicada pelo fato do Auditor Fiscal, por falha no sistema, não ter conseguido abrir os arquivos; g) os valores pagos pela autuada a título de prêmios estão expressamente excluídos das parcelas que integram o saláriodecontribuição, por força do item 7 da alínea “e” do § 9.º do art. 28 da Lei n.º 8.212/1991, haja vista trataremse de ganhos eventuais; h) os prêmios fornecidos aos empregados não podem sofrer a incidência de contribuições, tampouco são passíveis de declaração na GFIP; Fl. 4377DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/04 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/04/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 i) a DRJ deixou de apreciar os argumentos contra o AI n.º 37.298.4681 (falta de recolhimento da contribuição descontada dos segurados), restando silente quanto aos fundamentos da defesa, além de que, esta lavratura não pode prosperar posto que os descontos dos empregados foram posteriormente incluídos na GFIP, conforme documentos juntados; j) as retificações não foram efetuadas de pronto, posto que o sistema estava bloqueado, supostamente porque a empresa estava sob ação fiscal, conforme comprovam os documentos acostados à defesa; k) quanto às RFFP, devese ter em conta que a empresa retificou as GFIP e que jamais deixou de recolher as contribuições incidentes sobre a remuneração de seus empregados, exceto sobre os prêmios, que entende não corresponderem a saláriode contribuição; l) não ocorreu na espécie redução ou supressão de tributo que pudesse caracterizar o crime tributário; Ao final, requereu: a) o reconhecimento parcial da decadência; b) o cancelamento da multa decorrente de omissões na GFIP, posto que houve a retificação antes da decisão de primeira instância; c) que sejam apreciados os prequestionamentos manifestados na impugnação acerca de negativa de vigência do art. 142 e § 5.º do art. 156 do CTN e do art. 6.º da Lei de Introdução ao Código Civil, além de afronta à Constituição Federal (art. 5.º, incisos XX, XXV, XXVI e LV); d) a declaração de improcedência de todas as lavraturas constantes do presente processo; e) que sejam reconhecidos os recolhimentos efetuados mediante as GFIP apresentadas; f) a aplicação da norma encartada no art. 32A da Lei n.º 8.212/1991 ao AI decorrente da omissão na GFIP; g) que sejam intimados os advogados da empresa, de modo a produzirem sustentação oral durante o julgamento. É relatório. Fl. 4378DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/04 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/04/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10980.723268/201141 Acórdão n.º 2401002.949 S2C4T1 Fl. 4.376 7 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. A decadência É cediço que, com a declaração de inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n.º 8.212/1991 pela Súmula Vinculante n.º 08, editada pelo Supremo Tribunal Federal em 12/06/2008, o prazo decadencial para as contribuições previdenciárias passou a ser aquele fixado no CTN. Quanto à norma a ser aplicada para fixação do marco inicial para a contagem do quinquídio decadencial, o CTN apresenta três normas que merecem transcrição: Art. 150 (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. ................................................................................................ Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. (...) A jurisprudência majoritária do CARF, seguindo entendimento do Superior Tribunal de Justiça, tem adotado o § 4.º do art. 150 do CTN para os casos em que há antecipação de pagamento do tributo, ou até nas situações em que, com base nos elementos constantes nos autos, não seja possível se chegar a uma conclusão segura sobre esse fato. O art. 173, I, tem sido tomado para as situações em que comprovadamente o contribuinte não tenha antecipado o pagamento das contribuições, na ocorrência de dolo, fraude ou simulação e também para os casos de aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória. Fl. 4379DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/04 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/04/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Por fim, o art. 173, II, merece adoção quando se está diante de novo lançamento lavrado em substituição ao que tenha sido anulado por vício formal. Conforme anunciado no relatório acima, o sujeito passivo tomou ciência do lançamento em 28/06/2011, assim para os AI decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias não há decadência a ser declarada, posto que o período das infrações vai de 01/2006 a 12/2007 e contagem do prazo de caducidade é feito pelo art. 173, I, do CTN. Também para o AI n.º 37.298.4681 (contribuições dos segurados arrecadadas e não recolhidas), há de se aplicar o art. 173, I, do CTN, posto que o fisco demonstrou que o sujeito passivo deixou de repassar contribuições descontadas dos seus empregados. Malgrado não tenha a justiça criminal se pronunciado acerca da ocorrência do crime tipificado no art. 168A do Código Penal (apropriação indébita previdenciária), incluído pela Lei n.º 9.983/2000, os autos demonstram que a conduta típica foi praticada. Assim, nos termos do § 4.º do art. 150 do CTN, in fine, a contagem do prazo decadencial deixa de ser efetuada por esse dispositivo, dada a existência do ilícito de se apropriar das contribuições arredadas dos segurados, deslocandose para o art. 173, I, do CTN. Diante dessas considerações, não ocorreu decadência para o AI n.º 37.298.4681. Para os AI em que não houve retenção da contribuição dos segurados (AI n.º 37.298.4673, AI n.º 37.298.4665 e AI n.º 37.298.4657) o entendimento modificase. Nestas lavraturas estão sendo apuradas contribuições sobre as parcelas pagas a título de bônus de premiação. Na decisão a quo, justificase a contagem do prazo decadencial pelo inciso I do art. 173 do CTN, em razão da ocorrência de fraude, caracterizada pela falta de declaração dos fatos geradores em GFIP, bem como, no fato de ter sido lavrada, por esse motivo, Representação Fiscal para Fins Penais. De fato, como visto acima, a aplicação do § 4.º do art. 150 do CTN, para a contagem do lapso decadencial, é afastada quando se comprova ter ocorrido dolo, fraude ou simulação. Eis o dispositivo: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Está sedimentado na jurisprudência tributária, administrativa e judicial, que havendo dolo, fraude ou simulação a regra aplicável é o art. 173, I, do CTN, segundo o qual a contagem do prazo de decadência iniciase no primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o tributo poderia ter sido lançado. Fl. 4380DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/04 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/04/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10980.723268/201141 Acórdão n.º 2401002.949 S2C4T1 Fl. 4.377 9 Nas lides envolvendo falta de declaração de fatos geradores na GFIP, a Auditoria tem corriqueiramente lavrado Representações Fiscais para Fins Penais – RFFP com esteio no art. 337A do Código Penal, o qual trata do crime de sonegação de contribuições previdenciárias, nos seguintes termos: Art. 337A. Suprimir ou reduzir contribuição social previdenciária e qualquer acessório, mediante as seguintes condutas: (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000) I omitir de folha de pagamento da empresa ou de documento de informações previsto pela legislação previdenciária segurados empregado, empresário, trabalhador avulso ou trabalhador autônomo ou a este equiparado que lhe prestem serviços; (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000) II deixar de lançar mensalmente nos títulos próprios da contabilidade da empresa as quantias descontadas dos segurados ou as devidas pelo empregador ou pelo tomador de serviços; (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000) III omitir, total ou parcialmente, receitas ou lucros auferidos, remunerações pagas ou creditadas e demais fatos geradores de contribuições sociais previdenciárias: (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000) Pena reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa. (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000) A despeito da falta de declaração dos fatos geradores autorizar a lavratura de RFFP, com esteio no dispositivo acima, atrevemonos a dizer que essa conduta omissiva não autoriza, por si só, a conclusão de que houve fraude por parte do sujeito passivo que deixou de informar na GFIP a totalidade das contribuições devidas. É que a omissão na GFIP pode se dar em decorrência de divergência de interpretação entre a Fazenda e o contribuinte. A ação fiscal que deu ensejo ao lançamentos em tela colocanos diante de fato cuja incidência de contribuição previdenciária não é tão pacífica quanto se pode pensar. Demonstraremos. A incidência de contribuições sobre os valores pagos empregados a título de prêmios por incremento de produtividade não representa uma unanimidade no mundo jurídico. Parte da doutrina, capitaneada pelo jurista Wagner Balera, entende que a premiação decorrente de marketing de incentivo não se subsume ao conceito de saláriodecontribuição, não parecendo absurda essa tese, embora esse julgador não concorde com a mesma. Assim, temos entendido que, quando se pesquisa sobre a ocorrência de conduta dolosa ou fraudulenta, há de se buscar mais elementos de que a mera falta reiterada da declaração dos fatos geradores em GFIP. O conceito de fraude consta do art. 72 da Lei n.º 4.502/1964, que dispõe: Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou Fl. 4381DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/04 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/04/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Da leitura do dispositivo há de se inferir que a falta de declaração de fatos geradores, cuja existência possa ser comprovada pela documentação da empresa e por sua escrituração contábil, como é o caso dos autos, não autoriza a automática conclusão pela existência de fraude. No caso sob enfoque, verificase que o fisco em nenhum momento cuidou de caracterizar a existência de conduta dolosa tendente a desconfigurar o fato gerador, limitando se a afirmar que a autuada reiteradamente contrariou a legislação ao deixar de declarar na GFIP os pagamentos efetuados a título de prêmios. Esse omissão, de per si, não pode ser tomada como único fundamento para caracterizar a fraude, diferentemente ocorreria se viesse à tona a comprovação de que a empresa houvera pago salários a seus empregado e registrado os valores como compra de insumos, posto que nesse caso restaria evidente a intenção de suprimir fato gerador de contribuição. Embora não se referindo diretamente à questão da contagem do prazo decadencial, mas à aplicação de multa qualificada em razão da ocorrência de dolo, é possível que se ter um indicativo sobre o pensa do tema o CARF, quando se analisa a Súmula n.º 14: “ Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a QUALIFICAÇÃO da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo” Percebese que o Colegiado tende somente a acatar a imposição de efeitos legais decorrentes da ocorrência de fraude, quando o fisco cabalmente comprova a existência do intuito doloso do sujeito passivo. Feitas essas considerações, o caso pede a aplicação, para a contagem do prazo decadencial, do § 4.º do art. 150 do CTN, uma vez que a empresa recolhia as contribuições sobre a sua folha de pagamento (o que caracteriza antecipação de pagamento) e não restou demonstrada a ocorrência de fraude. Esse posicionamento levame à conclusão de que devam ser excluídas pela caducidade as competências até 05/2006, para os AI n.º 37.298.4673, n.º 37.298.4665 e n.º 37.298.4657, uma vez que a ciência das lavraturas pelo sujeito passivo ocorreu em 28/06/2011. Da obrigação de apresentar os arquivos digitais (AI n.º 37.298.4720) De acordo com o fisco, a empresa foi intimada em dois momentos a apresentar os arquivos digitais dos Livros Diário e Razão dos exercícios de 2006 e 2007, no formato prescrito pelo Manual Normativo de Arquivos Digitais – MANAD, todavia, apresentou os referidos conteúdos magnéticos em formato diverso do solicitado, impossibilitando a abertura e análise dos arquivos. Afirma a empresa que apresentou todos os elementos requeridos pelo fisco, não sendo procedente às autuações por descumprimento de obrigação acessória. Vamos aos fatos. O fisco intimou a empresa a exibir os livros contábeis em meio digitais em 10/06/2010, conforme TIPF, fl. 64, onde se especifica inclusive o formato dos arquivos a ser observado. Fl. 4382DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/04 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/04/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10980.723268/201141 Acórdão n.º 2401002.949 S2C4T1 Fl. 4.378 11 Em 30/11/2010, a empresa é reintimada a exibir os mesmos arquivos, fl. 69, todavia, os apresentou em formato não coincidente com o especificado na legislação, impossibilitando o fisco de abrir e analisar o conteúdo magnético disponibilizado. Ocorre que a autuação data de 08/11/2010, ver fl. 50, portanto, em data anterior a segunda intimação. Verificase, assim, que há um descompasso entre o que afirma o fisco em seu relato e os momentos das intimações e da lavratura. O Auditor Fiscal em seu relato (ver item 8.1.1 do relatório) motiva a lavratura no fato do sujeito passivo ter sido intimado e reintimado a apresentar os arquivos digitais e os apresentar em formato diverso do especificado. O que se extrai dos autos, todavia, é que na data da autuação não tinha ocorrido ainda a segunda intimação, levandonos a concluir que a motivação do ato está equivocada. Destaquese que para o fisco efetuar a lavratura bastaria apenas que restasse comprovada a intimação simples, todavia, tendo o relato da auditoria motivado a autuação no fato de ter ocorrido reintimação para apresentação dos arquivos digitais, o AI não poderia ter sido lavrado antes de transcorrido o prazo fixado na segunda solicitação dos arquivos. Diante dessas evidências é de se concluir pela improcedência do AI n.º 37.298.4720, posto que as circunstâncias em que se deu a infração não corresponde aos fatos narrados pelo fisco. Incidência de contribuições sobre os valores pagos a título de prêmios A empresa alega que os valores repassados aos seus empregados, mediante cartões de bônus, decorreram de incentivo à produtividade, os quais foram pagos eventualmente, não possuindo caráter salarial. Acerca dessa questão, iniciamos nossa fundamentação, lançando comentários sobre a legislação que regula a cobrança de contribuições para financiamento da Seguridade Social. As contribuições incidentes sobre as remunerações pagas às pessoas físicas com e sem vínculo empregatício encontram fundamento máximo de validade no art. 195, alínea “a” do inciso I da Constituição Federal de 1988 (redação dada pela EC n.º 20/1998): Art.195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (...) Observese que a Lei Maior, a princípio permite a exação para a Seguridade Social sobre pagamentos efetuados pelo empregador a qualquer título a pessoa que lhe preste serviço, sendo irrelevante o fato da quantia ter sido paga ou creditada ao obreiro. Fl. 4383DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/04 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/04/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 A Lei n.º 8.212/1991 confere eficácia à citada determinação constitucional, tratando da contribuição patronal sobre as remunerações disponibilizadas aos empregados nos seguintes termos: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26/11/1999). (...) Temos que o conceito previdenciário de remuneração, o chamado saláriode contribuição, é bastante amplo, o qual também é cuidado no inciso I do art. 28 da Lei n.º 8.121/1991, nestes termos: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/1997). Como se pode observar, a princípio, qualquer rendimento pago em retribuição ao trabalho, qualquer que seja a forma de pagamento, enquadrase como base de cálculo das contribuições previdenciárias. Não há dúvida de que na espécie as premiações mediante créditos em cartões eram disponibilizadas em razão do vínculo contratual estabelecido entre empresa e os trabalhadores. Todavia, tendose em conta a abrangência do conceito de saláriode contribuição, o legislador achou por bem excluir determinadas parcelas da incidência previdenciária, enumerando em lista exaustiva as verbas que estariam fora deste campo de tributação. Essa relação encontrase presente no § 9.º do artigo acima citado. A tese da recorrente é de que esses ganhos seriam eventuais e por isso estariam livres da tributação em razão da norma inserta no item 7 da alínea “e” do § 9. do art. 28 da Lei n. 8.212/1991. Notase que esse entendimento não se coaduna com a melhor exegese da legislação. Eis a norma citada: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: Fl. 4384DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/04 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/04/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10980.723268/201141 Acórdão n.º 2401002.949 S2C4T1 Fl. 4.379 13 (...) e) as importâncias: (...) 7.recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; (...) A interpretação do dispositivo acima não pode ser dissociada daquele inserto no “caput” do mesmo artigo, acima transcrito, mas que não custa apresentar mais uma vez: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (...) A luz da legislação citada, o melhor entendimento é de que somente não incidem contribuições sobre os ganhos eventuais, se esses forem pagos como mera liberalidade do empregador, sem que possuam qualquer caráter de retributividade. O que, com certeza, não se aplica a situação de pagamento de bônus de incentivo. Na verdade, esses pagamentos, malgrado sejam concedidos em razão do alcance de determinadas metas fixadas pelo empregador, como demonstrado nos autos, não podem ser considerados eventuais, uma vez que o segurado, sabe a priori que, uma vez obtido o resultado fixado no regulamento, fará jus ao bônus. Independe, para fins de tributação, que a verba seja paga diretamente pelo empregador, ou se esse repassa a verba ao empregado mediante a interposição de terceira empresa. Os autos revelam que os valores passaram ao patrimônio dos segurados em razão do contrato de trabalho que têm com a recorrente, a qual incontestavelmente fez o repasse dos valores correspondentes, ainda que os mesmos tenham se dado via empresa prestadora de serviços de marketing promocional. Portanto, afasto a alegada natureza de ganhos eventuais da verba sob comento, até porque a mesma foi disponibilizada aos empregados da recorrente, em razão produtividade dos mesmos, no período de 2006 a 2007, o que afasta totalmente o seu caráter de não habitualidade. Assim, cabível a exigência das contribuições para a Seguridade Social e para outras entidades ou fundos, incidentes sobre a verba em questão, devendo também ser exigida a declaração dos prêmios na GFIP. Fl. 4385DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/04 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/04/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 14 Relevação da penalidade O pedido de relevação da multa carece de amparo jurídico. É que a norma, que permitia a concessão desse favor aos contribuintes primários no cometimento de infrações à legislação previdenciária, que houvessem corrigido a falta até a decisão de primeira instância, foi revogada. O § 1.º do art. 291 do RPS foi expressamente revogado pelo Decreto n.º 6.727, de 12/01/2009, deixando de haver, a partir de então, possibilidade jurídica para dispensa de multas decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias relacionadas às contribuições previdenciárias. Vejase que a data da lavratura é 21/06/2011, portanto, bem depois da revogação do dispositivo do RPS que permitia a relevação da penalidade. Apropriação indébita (AI n.º 37.298.4681) Alega a recorrente que a DRJ deixou de apreciar a alegação defensória que buscava afastar a ocorrência do crime de apropriação indébita. Não merece acolhimento esta alegação. O voto condutor do acórdão de fato deixou de apreciar todas as alegações relativas ao afastamento dos supostos crimes tratados nas RFFP lavradas na ação fiscal. O entendimento da DRJ coincide com a jurisprudência do CARF, posto que apreciação de questões contidas em representações para fins penais não compete a esse colegiado, nos termos da Súmula CARF n. 28: Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Assim também deixamos de conhecer dos pedidos concernentes a questões criminais, que serão objeto de análise pelo órgão competente. Outro ponto trazido pela recorrente acerca das contribuições arrecadadas e não repassadas é que teria havido retificação das GFIP, o que afastaria a infração. Não deve ser acatada essa alegação. É que, mesmo que os valores tenham sido declarados na GFIP, permanece a ilicitude, posto que a empresa não comprovou que tenha efetuado o recolhimento das contribuições de que se apropriou. Portanto, deve ser mantido o AI n.º 37.298.4681, posto que não há provas de que tenham sido adimplidas as contribuições nele contempladas. Aplicação da multa no AI relativo a omissões na GFIP De fato, com o advento da Medida Provisória MP n. 449/2008, convertida na Lei n. 11.941/2009, houve profunda alteração no cálculo das multas decorrentes de descumprimento das obrigações acessórias relacionadas à GFIP. Na sistemática anterior, a infração de omitir fatos geradores em GFIP era punida com a multa correspondente a cem por cento da contribuição não declarada, ficando a penalidade limita a um teto calculado em função do número de segurados da empresa. Quanto havia lançamento da obrigação principal relativo aos fatos geradores não declarados, o sujeito passivo ficava também sujeito à aplicação da multa de mora nos créditos lançados, num percentual do valor principal que variava de acordo com a fase Fl. 4386DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/04 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/04/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10980.723268/201141 Acórdão n.º 2401002.949 S2C4T1 Fl. 4.380 15 processual do lançamento, ou seja, quanto mais cedo o contribuinte quitava o débito, menor era a multa imposta. Com a nova legislação, há duas sistemáticas de aplicação da multa. Inexistindo o lançamento das contribuições, aplicase apenas a multa de ofício prevista no art. 32A da Lei n. 8.212/1991, que é calculada a partir de um valor fixo para cada grupo de 10 informações incorretas ou omitidas, nos seguintes termos: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (...) Todavia pelo art. 35A da mesma Lei, também introduzido pela Lei n. 11.941/2009, ocorrendo o lançamento da obrigação principal, a penalidade decorrente do erro ou omissão na GFIP fica incluída na multa de mora constante no crédito constituído. Deixa, assim, de haver cumulação de multa punitiva e multa moratória, condensandose ambas em valor único. Vejam o diz o dispositivo: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. É que o art. 44, I, da Lei n. 9.430/19961 prevê que, havendo declaração inexata ou omissa de tributo, acompanhado da falta de recolhimento do mesmo, devese aplicar a multa ali especificada. Como já exposto, nessas situações, a multa agora é una para ambas as infrações, descumprimento das obrigações principal e acessória. Diante das considerações acima expostas, não há como se aplicar na situação em tela o art. 32A da Lei n. 8.212/1991, como requer o sujeito passivo, posto que houve na espécie lançamento das contribuições correlatas. A situação sob enfoque pede a aplicação do art. 35A da mesma Lei, o qual pode ou não ser mais benéfico ao contribuinte, posto que, para os casos em que o teto para aplicação da multa previsto na legislação revogada fica muito abaixo do valor da contribuição não declarada, há a possibilidade do valor da penalidade aplicada com fulcro na sistemática legal anterior situarse num patamar inferior àquela calculada com base na norma atual. Nesse sentido, verificase que o fisco, conforme demonstrado às fls. 59/62, aplicou corretamente multa, aplicando a legislação mais favorável ao sujeito passivo. Outras questões 1 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) Fl. 4387DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/04 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/04/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 16 Pede a recorrente que sejam apreciados os préquestionamentos manifestados na impugnação acerca de negativa de vigência do art. 142 e § 5.º do art. 156 do CTN e do art. 6.º da Lei de Introdução ao Código Civil, além de afronta à Constituição Federal (art. 5.º, incisos XX, XXV, XXVI e LV). Localizamos na defesa idêntico pedido, sem que, contudo, fossem verificados no desenvolvimento da argumentação qualquer menção aos citados dispositivos. Isso levando nos a crer que são matérias estranha a lide, que foi incorporada às peças produzidas pelo sujeito passivo por equívoco, não merecendo apreciação. Com relação ao requerimento para que seja dada ciência aos patronos da empresa acerca do julgamento do presente processo, deve ser indeferido. O pedido de intimação prévia dos representantes da recorrente para a sustentação ora não tem amparo no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), que regulamenta o julgamento em segunda instância e na instância especial do contencioso administrativo fiscal federal, na forma do art. 37 do Decreto nº 70.235/72, com redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Entretanto, garantese à parte a publicação da Pauta de Julgamento no DOU com antecedência de 10 dias e na página da internet do CARF, na forma do art. 55, parágrafo único, do Anexo II, do RICARF, devendo ela acompanhar tais publicações, podendo, então, na sessão respectiva, efetuar a sustentação oral, pessoalmente ou por intermédio de patrono. Porém, repisese, não há previsão para prévia intimação nominal aos patronos das partes, informandolhes a data da sessão de julgamento do recurso voluntário. Conclusão Voto por reconhecer a decadência até 05/2006, para os AI n.º 37.298.4673, n.º 37.298.4665 e n.º 37.298.4657 e, no mérito, por dar provimento parcial ao recurso para que seja cancelado o AI n.º 37.298.4720. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 4388DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/04 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/04/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 10983.908274/2009-22
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Mar 11 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3801-000.394
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Bordignon, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Bordignon, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Bordignon, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 83 .9 08 27 4/ 20 09 -2 2 Fl. 109DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/02/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10983.908274/200922 Resolução nº 3801000.394 S3TE01 Fl. 3 2 Relatório Por meio de Declaração de Compensação apresentada eletronicamente, a requerente postula a compensação de débito de contribuição com crédito decorrente de pagamento a maior. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis/SC, nos termos de despacho decisório eletrônico não reconheceu o direto creditório e não homologou a compensação efetuada. Após ter sido cientificado dessa decisão, a interessada interpôs manifestação de inconformidade. A DRJ em Florianópolis (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não homologou a compensação. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário. Em face do bom direito da recorrente, o processo, em julgamento unânime, foi convertido em diligência para que a Delegacia de origem apurasse a correta composição da base de cálculo da contribuição com base na escrituração fiscal e contábil, segundo o conceito de faturamento adotado na Lei Complementar nº 70, de 1991, qual seja, a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Além disso, solicitouse que fosse informado se a recorrente havia proposto ação judicial com o mesmo objeto deste processo administrativo fiscal. A DRF de origem atendeu parcialmente o solicitado na Resolução. Após a realização da diligência fiscal, a autoridade fiscal arguiu que o prazo para apresentação do Recurso Voluntário transcorreu sem qualquer manifestação válida do contribuinte, devendo ser procedida a imediata cobrança dos débitos indevidamente compensados. Sustenta que houve um equívoco no encaminhamento anterior do processo ao CARF, visto que o recurso voluntário foi assinado pelo Sr. Maurício Alvarez Mateos, o qual não tem legitimidade para representar a interessada perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). Outrossim, apurouse com fundamento na escrita fiscal e contábil a base de cálculo e o valor devido da contribuição para o período de apuração em discussão. Assim, os autos administrativos retornaram a esse colegiado para julgamento. É o relatório. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/02/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10983.908274/200922 Resolução nº 3801000.394 S3TE01 Fl. 4 3 Voto O recurso é tempestivo, todavia não atende os demais pressupostos recursais, uma vez que seu conhecimento estará condicionado à regularização da representação processual, conforme será demonstrado. Como constatado pela autoridade fiscal que realizou a diligência fiscal, o signatário do recurso voluntário não comprovou ter poderes para representar a pessoa jurídica, todavia não se deve adotar como solução do litígio a preclusão temporal, ou seja, a declaração de revelia. Registrese que este relator, ao propor a conversão do julgamento em diligência, não atentou para o fato de que o recurso voluntário foi subscrito por advogado sem instrumento procuratório válido. O vício na representação processual não deve resultar na cobrança imediata dos débitos. O artigo 13 do Código de Processo Civil, inciso II, dispõe que: “Art. 13. Verificando a incapacidade processual ou a irregularidade da representação das partes, o juiz, suspendendo o processo, marcará prazo razoável para sanar o defeito. Não cumprindo o despacho dentro do prazo, se a providência couber: (...) II – ao réu, reputarseá revel.”(grifo nosso) Assim, ao receber o recurso voluntário, a autoridade preparadora deveria verificar se o representante legal era detentor de poderes para representar a interessada. Constatado o vício, a recorrente deveria ter sido intimada a regularizar a representação processual. Este procedimento não foi adotado e não pode trazer prejuízos à recorrente. Tenhase presente que o não conhecimento do recurso voluntário nos termos propostos pela autoridade fiscal implicaria em um enriquecimento ilícito da Fazenda Nacional, pois resultaria na cobrança indevida de débito. A administração pública pauta principalmente pelos princípios da legalidade, moralidade e eficiência. De sorte que o presente processo deve retornar à Delegacia de origem para que, no prazo de quinze dias, seja dada à recorrente a possibilidade de regularizar a sua situação processual. Ademais, do exame dos documentos da diligência fiscal, verificase que a diligência não foi cumprida integralmente, pois a recorrente não foi devidamente cientificada de seu teor, em especial dos cálculos efetuados pela autoridade fiscal. A falta de intimação da diligência viola o princípio do devido processo legal e implica ofensa ao amplo direito de defesa administrativa, que é uma garantia individual e reconhecida constitucionalmente. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/02/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10983.908274/200922 Resolução nº 3801000.394 S3TE01 Fl. 5 4 Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que a Delegacia de origem: a) intime à interessada no prazo de 15 (quinze) a regularizar a representação processual; b) cientifique a interessada quanto ao teor da diligência para, desejando, manifestarse no prazo acima. Após a conclusão da diligência, retornar o processo a este CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 112DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/02/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 13971.900567/2010-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 28 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 IPI. CRÉDITOS. FORNECEDORES OPTANTES PELO SIMPLES. A legislação em vigor não permite o creditamento do IPI calculado pelo contribuinte sobre aquisições de estabelecimento optante pelo SIMPLES. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-001.530
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
Nome do relator: ANDREA MEDRADO DARZE
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Recorrente PROAÇO INDÚSTRIA METALÚRGICA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 IPI. CRÉDITOS. FORNECEDORES OPTANTES PELO SIMPLES. A legislação em vigor não permite o creditamento do IPI calculado pelo contribuinte sobre aquisições de estabelecimento optante pelo SIMPLES. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. [assinado digitalmente] Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. [assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Relatora. Participaram ainda da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (presidente), José Adão Vitorino de Morais, Maria Teresa Martinez Lopez, Amauri Amora Câmara Júnior e Antônio Lisboa Cardoso. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da DRJ em Ribeirão Preto que negou provimento à manifestação de inconformidade, por entender que as aquisições de insumos de empresas optantes do SIMPLES não geram direito ao crédito básico de IPI. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 17/07/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE 2 A contribuinte apresentou pedido de ressarcimento de crédito básico do IPI, relativo ao 1º trimestre de 2006. A Delegacia da Receita Federal em Blumenau proferiu Despacho Decisório, indeferindo parcialmente o pleito do contribuinte e homologou as compensações pleiteadas, no limite do crédito reconhecido. Apresentou, como fundamento legal para as glosas efetuadas, os seguintes dispositivos legais: art. 11 da Lei n° 9.779/99; art. 164, inciso I, do Decreto n° 4.544/2002 (RIPI). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Inconformada com o despacho decisório, a ora Recorrente apresentou, tempestivamente, manifestação de inconformidade, alegando, em apertada síntese, que: (i) o despacho decisório é nulo por desrespeito aos princípios da estrita legalidade e da ampla defesa, tendo em vista que ele não observou formalidades essenciais para a produção de efeitos; (ii) não há qualquer dispositivo legal que vede a utilização de créditos de IPI decorrentes da aquisição de empresas optantes pelo SIMPLES. Isso porque a Lei nº 9317/96 que trazia esta disposição foi revogada pela Lei Complementar nº 123/06; (iii) com a revogação da Lei 9.317/96 o art. 166 do RIPI/2002 perdeu sua eficácia, cuja redação somente foi alterada através do art. 228 do novo RIPI em 15/06/2010. Portanto, durante o período de 01/07/2007 a 14/06/2010 não havia legislação vigente vedando a utilização do crédito presumido previsto no art. 165, nas aquisições de micros e pequenas empresas optantes pelo Simples Nacional; (iv) além disso, qualquer vedação a apropriação ou transferência de créditos relativos ao IPI fere flagrantemente o princípio da não cumulatividade bem como o art. 170, caput e inciso IX e 179 da Constituição Federal, além do CTN, que tem status de norma geral. A DRJ em Ribeirão Preto julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SORRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 IPI. CRÉDITOS. FORNECEDORES OPTANTES PELO SIMPLES. A legislação em vigor não permite o creditamento do IPI calculado pelo contribuinte sobre aquisições de estabelecimento optantes pelo SIMPLES. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignado, o contribuinte recorre a este Conselho, repetindo as razões apresentadas na sua manifestação de inconformidade e acrescentado o seguinte: O acórdão traz como fundamentação legal o art. 23 da Lei Complementar n° 123/2006, com a alegação de que tal artigo limita o alcance do aproveitamento do crédito presumido disposto no art. 165 do RIPI/2002. Tal fundamento não pode prosseguir haja visto que, o sistema "Simples Nacional" veio integrar a legislação tributária, a partir de Julho de 2007, com o intuito de simplificar, como diz o próprio nome, e unificar a arrecadação de vários impostos e Fl. 72DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 17/07/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE Processo nº 13971.900567/201022 Acórdão n.º 3301001.530 S3C3T1 Fl. 93 3 contribuições que outrora vinham sendo recolhidos individualmente pelas microempresas e empresas de pequeno porte, implicando em pagamento mensal unificado de imposto e contribuições federais. É o relatório. Voto Conselheira Andréa Medrado Darzé. O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme é possível perceber do relato acima, a presente controvérsia versa, exclusivamente, sobre a possibilidade de se creditar dos valores relativos à aquisição de insumos de empresas optantes do SIMPLES. Pois bem. A matéria em questão foi inicialmente regulada pela Lei nº 9.317/96, que assim dispunha em seu art. 5º: Art. 5º O valor devido mensalmente pela microempresa e empresa de pequeno porte, inscritas no SIMPLES, será determinado mediante a aplicação, sobre a receita bruta mensal auferida, dos seguintes percentuais: § 5° A inscrição no SIMPLES veda, para a microempresa ou empresa de pequeno porte, a utilização ou destinação de qualquer valor a título de incentivo fiscal, bem assim a apropriação ou a transferência de créditos relativos ao IPI e ao ICMS. Esta disposição foi regulamentada pelo Decreto nº 4.544/2002 (RIPI), que determinava igualmente a vedação aos créditos decorrentes de compras de insumos de pessoas jurídicas optantes pelo SIMPLES, em seu artigo 118: Art. 118. Aos contribuintes do imposto optantes pelo SIMPLES é vedada a utilização ou destinação de qualquer valor a título de incentivo fiscal, bem assim a apropriação ou a transferência de créditos relativos ao imposto Em 14 de dezembro de 2006, a Lei nº 9.317/96 foi revogada pela Lei Complementar nº 123. Todavia, diferentemente do que alega a Recorrente, este diploma legal manteve a vedação ao crédito nas compras de insumos de empresas optantes do SIMPLES: Art. 23. As microempresas e as empresas de pequeno porte optantes pelo Simples Nacional não farão jus à apropriação nem transferirão créditos relativos a impostos ou contribuições abrangidos pelo Simples Nacional. Referido enunciado normativo passou a ser regulamentado pelo Decreto nº 7.212/2010 (RIPI), nos seguintes temos: Fl. 73DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 17/07/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE 4 Art. 178. Às microempresas e empresas de pequeno porte, optantes pelo SIMPLES Nacional, é vedada: I a apropriação e a transferência de créditos relativos ao imposto; e II a utilização ou destinação de qualquer valor a título de incentivo fiscal Diante dessas disposições expressas, a conclusão é única: não é permitido a este colegiado, no exercício do controle de legalidade, reconhecer como possível o aproveitamento de crédito decorrente da aquisição de insumos de pessoa jurídica optante pelo SIMPLES. Por outro lado, deixo de apreciar a alegação de que os dispositivos normativos acima citados seriam inconstitucionais, por violação ao princípio da não cumulatividade e aos arts. 170, caput, e inciso IX, e 179 da Constituição Federal, por se tratar de matéria que escapa à competência deste tribunal administrativo: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Em face do exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. [Assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Fl. 74DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 17/07/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE
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Numero do processo: 10725.000819/2005-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2001 Ementa: MOLÉSTIA GRAVE. COMPROVAÇÃO. ISENÇÃO. REQUISITOS. Para a configuração da isenção do imposto de renda aos portadores de moléstia grave, dois requisitos precisam estar presentes, simultaneamente: a existência da doença por intermédio de laudo pericial emitido por serviço médico oficial do qual conste, de forma inequívoca, a existência de moléstia grave prevista no inc. XXVII do art. 40 do RIR/94 e os rendimentos devem estar comprovadamente relacionados à aposentadoria, reforma ou pensão.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2201-001.529
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA
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COMPROVAÇÃO. ISENÇÃO. REQUISITOS. Para a configuração da isenção do imposto de renda aos portadores de moléstia grave, dois requisitos precisam estar presentes, simultaneamente: a existência da doença por intermédio de laudo pericial emitido por serviço médico oficial do qual conste, de forma inequívoca, a existência de moléstia grave prevista no inc. XXVII do art. 40 do RIR/94 e os rendimentos devem estar comprovadamente relacionados à aposentadoria, reforma ou pensão. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA – Presidente em Exercício (assinado digitalmente) RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANÇA – Relatora EDITADO EM: 12/07/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rayana Alves de Oliveira França, Margareth Valentini, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Pedro Paulo Pereira Barbosa (Presidente em exercício). Relatório Fl. 103DF CARF MF Impresso em 16/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 2 Contra a contribuinte acima identificada, foi lavrado Auto de Infração (fls.10/17) relativo ao IRPF, exercício 2001, tendo sido apurado crédito tributário no montante total de R$ 52.768,44, incluindo juros e multa pertinentes, originado da omissão de rendimentos no valor de R$55.888,13 recebidos do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro e dedução indevida R$11.173,78 a título de carneleão. Intimada, do lançamento, a contribuinte apresentou impugnação, fls.01/02, argumentado em síntese que é Portadora de Doença Grave e que declarou apenas o valor de R$45.088,14 como tributáveis, por ter sido considerada portadora de moléstia grave desde julho de 2000, por meio do processo administrativo n.10725.002242/9966. No curso do procedimento fiscal, a contribuinte foi intimada a apresentar o comprovante de rendimentos do exercício 2001, anocalendário 2000, recebidos da fonte pagadora Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (fls.67) e quedouse inerte, sendo assim enviado para Delegacia de Julgamento (fls.69). Após analisar a matéria, os Membros da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro, acordaram, por unanimidade de votos, em julgar improcedente a impugnação, nos termos do Acórdão DRJ/RJO RJ2 n° 1326.871 de 19 de outubro de 2009, fls. 71/72, pelas razoes sintetizadas no seguinte enxerto do voto condutor: “Com relação à moléstia grave ficou comprovado que a partir de julho de 2000 a contribuinte poderia ser considerada portadora do Mal de Parkinson, conforme documento de fl.56, emitido pela Junta Médica da GRA/ NUCAM (fl.56) Quanto a natureza dos rendimentos recebidos não foi provada que é de aposentadoria ou pensão, a contribuinte não apresentou nenhum documento que pudesse alterar os dados prestados por meio da DIRF de fl.70, na qual consta a informação de que se tratam de rendimentos do trabalho assalariado. Por conseguinte, diante das exposições supra, o contribuinte não faz jus A isenção prevista no inciso XIV do artigo 6°, da Lei n° 7.713/1988 com a redação dada pelo artigo 47 da Lei n° 8.541/1992 e alterações introduzidas pelo artigo 30 e §§ da Lei n° 9.250/1995 , por na obter cumprido as duas condições cumulativas. Com relação ao valor de carnêleão não foi apresentado qualquer documento que pudesse afastar a glosa efetuada.” Cientificada da decisão da DRJ em 19/12/2009 (“AR”fls.75), a contribuinte apresentou, através do seu procurador, na data de 15/12/2009, Recurso Voluntário Tempestivo (fls.76/84), argumentando em síntese: • Preliminarmente, nulidade do acórdão de primeira instância “que não apreciou detidamente todas as questões que foram colocadas na Impugnação, notadamente a natureza do rendimento da contribuinte, contrariando posicionamento do próprio fisco nos despachos de fls. 55 e 64, taxativos no sentido proclamar a natureza jurídica do rendimento auferido pela recorrente: "Tratase de Pensão Judicial". Fl. 104DF CARF MF Impresso em 16/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 10725.000819/200578 Acórdão n.º 220101.529 S2C2T1 Fl. 2 3 • No mérito, requer o cancelamento do lançamento por ser a contribuinte comprovadamente portadora de moléstia grave (mal de Parkinson), conforme comprovado pelo atestado médico de fls. 19, emitido por médico do Sistema Uni ficado de Saúde SUS, e Declaração Médica de fls. 20, emitida por médico particular. • Afirma ainda que nunca manteve relação de emprego com Tribunal de Justiça do RJ e que a relação existente sempre foi desde agosto de 1986, decorrente da percepção de pensão alimentícia. É o relatório. Voto Conselheira Rayana Alves de Oliveira França Relatora O Recurso preenche as condições de admissibilidade. Dele conheço. A questão em análise está em se definir se a contribuinte tinha ou não, direito à isenção do IRPF por moléstia grave. Em sede de preliminar a recorrente argúi a nulidade do acórdão de primeira instância, por entender que o mesmo não apreciou detidamente todas as questões que foram colocadas na Impugnação, notadamente a natureza do rendimento da contribuinte, contrariando inclusive o posicionamento do próprio fisco de que o rendimento era decorrente Pensão Judicial. A contribuinte quando intimada a apresentar o comprovante de rendimentos, recebidos da fonte pagadora Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, não apresentou qualquer documento. Por outro lado a autoridade julgadora a quo, tinha uma declaração da própria fonte pagadora – DIPF, na qual constava a informação de que os valores pagos eram referentes ao trabalho assalariado. Havia portanto uma prova escrita que os rendimentos em questão não eram de aposentadoria ou reforma ou pensão e portanto a recorrente, mesmo portadora de moléstia grave, não preenchia os requisitos previsto no artigo 6º, inciso XIV, da Lei nº 7.713/88, com a redação dada pelo artigo 47, da Lei nº 8.541/92, para usufruir do benéfico de isenção de imposto de renda. A autoridade julgadora de primeira instância entendeu que diante do quadro probatório apresentado nos autos, não estava devidamente comprovada a natureza dos rendimentos em questão. Não há portanto que se falar em nulidade, pois os elementos constantes do processo não convenceram os julgadores sobre a questão controversa. Assim não há como acolher essa preliminar. Passemos a análise do mérito da questão, no processo é incontroverso que a contribuinte a partir de julho de 2000, era portadora de Mal de Parkinson, constante no rol das moléstias graves, para fins de isenção do IRPF, nos termos do artigo 39, do RIR/99, inciso XXXIII: Fl. 105DF CARF MF Impresso em 16/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 4 “Artigo 39 Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço, e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma;" (grifei). O importante é definirmos se a contribuinte atende os requisitos para fazer jus à isenção do IRPF por moléstia grave. Tratase de dois requisitos que devem ser observados: 1º. a existência de laudo médico técnico atestando a doença e a data do seu início; 2º. ter a contribuinte proventos oriundos de aposentadoria ou reforma ou pensão, pois são esses os rendimentos alcançados pelo benefício fiscal. Conforme acima explanado, o pressuposto desde a decisão de primeira instância para o não reconhecimento da isenção foi de que não restou comprovado que a natureza dos rendimentos recebidos pela contribuinte, são relativos a aposentadoria ou pensão, visto que na DIRF (fls.70), apresentada pela fonte pagadora consta a informação de que se trata de rendimentos do trabalho assalariado. Assim, não há reparos a fazer ao lançamento. Diante do exposto, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rayana Alves de Oliveira França Fl. 106DF CARF MF Impresso em 16/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
score : 1.0
Numero do processo: 10183.720667/2010-65
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
CONTRIBUIÇÃO À PREVIDÊNCIA PRIVADA. COMPROVAÇÃO.
À míngua de comprovação, rejeita-se a pretensa dedução à título de contribuição à previdência privada.
DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA. REQUISITOS.
A dedução de pensão alimentícia está condicionada à comprovação de que foi estabelecida em decisão judicial ou em acordo homologado judicialmente e que os pagamentos ocorreram, dentro dos limites estabelecidos judicialmente.
DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS.
Acatam-se as deduções quando comprovadas por documentação hábil apresentada pelo contribuinte.
ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. APLICAÇÃO.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4)
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2801-002.836
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer dedução com despesas médicas no montante de R$ 2.550,00, nos termos do voto da Relatora.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente em Exercício e Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Sandro Machado dos Reis, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Walter Reinaldo Falcao Lima e Luiz Claudio Farina Ventrilho.
Matéria: IRPF
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2009 CONTRIBUIÇÃO À PREVIDÊNCIA PRIVADA. COMPROVAÇÃO. À míngua de comprovação, rejeita-se a pretensa dedução à título de contribuição à previdência privada. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA. REQUISITOS. A dedução de pensão alimentícia está condicionada à comprovação de que foi estabelecida em decisão judicial ou em acordo homologado judicialmente e que os pagamentos ocorreram, dentro dos limites estabelecidos judicialmente. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Acatam-se as deduções quando comprovadas por documentação hábil apresentada pelo contribuinte. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4) Recurso Voluntário Provido em Parte.
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COMPROVAÇÃO. À míngua de comprovação, rejeitase a pretensa dedução à título de contribuição à previdência privada. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA. REQUISITOS. A dedução de pensão alimentícia está condicionada à comprovação de que foi estabelecida em decisão judicial ou em acordo homologado judicialmente e que os pagamentos ocorreram, dentro dos limites estabelecidos judicialmente. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Acatamse as deduções quando comprovadas por documentação hábil apresentada pelo contribuinte. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4) Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 72 06 67 /2 01 0- 65 Fl. 183DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 03/02/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10183.720667/201065 Acórdão n.º 2801002.836 S2TE01 Fl. 184 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer dedução com despesas médicas no montante de R$ 2.550,00, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente em Exercício e Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Sandro Machado dos Reis, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Walter Reinaldo Falcao Lima e Luiz Claudio Farina Ventrilho. Relatório Trata o presente processo de notificação de lançamento que diz respeito a Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), referente ao exercício de 2009, por meio do qual se exige do contribuinte o crédito tributário no montante de R$ 872,16. O lançamento é decorrente da apuração de deduções indevidas a título de previdência privada, pensão alimentícia judicial e despesas médicas. Em sua impugnação, o contribuinte alegou, em síntese, que: · O Informe Consolidado de Rendimentos Financeiros do Banco HSBC é documento válido para comprovação da dedução a título de contribuição à Previdência Privada e Fapi, no valor de R$ 7.171,88; · Os comprovantes de pagamentos de pensão apresentados demonstram o valor de R$ 51.750,00 deduzido a título de pensão alimentícia judicial; · Os comprovantes de despesas médicas retificados comprovam ter sido o contribuinte o paciente beneficiário dos serviços prestados por Milton Minoru Matsuoka; · No caso em apreço está comprovada a relação de dependência sendo que os beneficiários são seus filhos e seus pais; · A incidência de multa de 75% sobre o Imposto de Renda é confiscatória e inconstitucional; · É necessário excluir da verba juros de mora a incidência da Taxa SELIC, por afronta à Constituição Federal e ao principio da hierarquia das normas legais. A impugnação foi julgada improcedente, conforme Acórdão de fls. 101/116, que restou assim ementado: Fl. 184DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 03/02/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10183.720667/201065 Acórdão n.º 2801002.836 S2TE01 Fl. 185 3 NULIDADE DO LANÇAMENTO. Presentes os requisitos legais da notificação e inexistindo ato lavrado por pessoa incompetente ou proferido com preterição ao direito de defesa, descabida a argüição de nulidade do feito. Matérias alheias a essas comportam decisão de mérito. DESPESAS COM PREVIDÊNCIA PRIVADA Deve ser mantido o lançamento por glosa de despesa com previdência privada, quando o documento apresentado é insuficiente para comprovar a efetiva ocorrência desta despesa. GLOSA DE PENSÃO ALIMENTÍCIA O direito a dedução por motivo de pagamento de pensão alimentícia, homologada judicialmente, deve ser comprovado pelo efetivo pagamento por meio de provas documentais. GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS. A dedução das despesas médicas só pode ser aceita mediante documentação hábil e idônea, acompanhada de elementos adicionais para a comprovação da efetividade da prestação dos serviços e do pagamento. MULTA DE OFÍCIO. CONSTITUCIONALIDADE. CONFISCO. A multa de ofício é devida por força de lei, aplicável com base no princípio da presunção de legalidade e constitucionalidade das leis e da vinculação do ato administrativo do lançamento. Em caso de apresentação de declaração de ajuste anual com inexatidões e sem recolhimento do tributo, há incidência da multa de ofício de 75% e não da multa de mora de 20%. JUROS MORATÓRIOS TAXA SELIC. Os tributos e contribuições sociais não pagos até o seu vencimento, com fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1995, serão acrescidos, desde o seu vencimento, na via administrativa ou judicial, de juros de mora equivalentes à taxa referencial do SELIC para títulos federais. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS É vedada a extensão administrativa dos efeitos de decisões judiciais contrárias à orientação estabelecida para a administração direta e autárquica em atos de caráter normativo ordinário. Regularmente cientificado daquele Acórdão em 10/01/2012 (AR fl. 140), o interessado interpôs o recurso de fls. 141/159, em 01/02/2012. Em sua defesa, contesta as glosas efetuadas, a cobrança da multa de ofício e a aplicação da taxa Selic, consoante os argumentos expendidos na impugnação. É o relatório. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 03/02/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10183.720667/201065 Acórdão n.º 2801002.836 S2TE01 Fl. 186 4 Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. O recorrente pleiteia o restabelecimento total das deduções a título de previdência privada, pensão alimentícia judicial e despesas médicas. No que se refere à dedução de previdência privada, não merece reparos o lançamento, eis que, como bem ressaltou a autoridade fiscal, o Informe Consolidado de Rendimentos Financeiros do Banco HSBC constante dos autos não tem informação de pagamentos, mas apenas do saldo em 2007 de R$ 6.312,59 e em 2008 de R$ 6.471,88. Melhor sorte não socorre o interessado no tocante à dedução de pensão alimentícia judicial, dado que a dedução de pensão alimentícia está condicionada à comprovação de que foi estabelecida em decisão judicial ou em acordo homologado judicialmente e que os pagamentos ocorreram, dentro dos limites estabelecidos judicialmente. Entretanto, o recorrente não apresentou cópia das peças do processo judicial que registram o valor definido pelo poder judiciário das mensalidades a serem pagas a título de pensão alimentícia. Quanto à dedução de despesas médicas, deverá ser restabelecida a parcela de R$ 2.550,00, referente ao profissional Milton Minoru Matsuoka, que foi motivada pela falta de identificação do paciente nos recibos apresentados, sendo que tal falta foi suprida pelos recibos de fls. 61 e 62, que informa como paciente o próprio contribuinte. As demais despesas médicas devem ser mantidas, seja pelo fato de não se referirem a dependentes elencados na DIRPF, seja pelo fato de os comprovantes não identificarem o paciente beneficiário. Outrossim, é de se ressaltar que a apuração de infrações em auditoria fiscal é condição suficiente para ensejar a exigência dos tributos mediante lavratura do auto de infração e, por conseguinte, aplicar a multa de oficio de 75% nos termos do artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996. Assim, havendo lançamento de ofício, como neste caso, essa multa é devida. No que tange ao suscitado caráter confiscatório da multa, destaquese a súmula nº 2, do CARF, a saber: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por fim, o recorrente se insurge contra a aplicação dos juros Selic. Nesse tocante, cabe trazer à colação a Súmula CARF n° 4, de aplicação obrigatória no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de Fl. 186DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 03/02/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10183.720667/201065 Acórdão n.º 2801002.836 S2TE01 Fl. 187 5 inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso, para restabelecer despesas médicas no montante de R$ 2.550,00. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 187DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 03/02/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN
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Numero do processo: 11065.723040/2011-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Apr 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/07/2009
PRELIMINAR DE NULIDADE. LANÇAMENTO. UTILIZAÇÃO DE DADOS INFORMADOS EM DIMOF.
É legítima a utilização de dados existentes em Declaração de Informações sobre Movimentação Financeira (Dimof), para caracterizar a responsabilidade do sujeito passivo por infração à legislação tributária.
RETIFICAÇÃO FRAUDULENTA DE DCTFs.
A retificação fraudulenta de DCTFs, reduzindo débitos de tributos anteriormente informados nas declarações originais, justifica a formalização da exigência dos débitos indevidamente reduzidos e o lançamento da multa de ofício majorada, de 150%, por circunstância qualificativa (fraude).
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-002.006
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termo do voto do relator.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Relator.
EDITADO EM: 24/03/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Jonathan Barros Vita.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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LANÇAMENTO. UTILIZAÇÃO DE DADOS INFORMADOS EM DIMOF. É legítima a utilização de dados existentes em Declaração de Informações sobre Movimentação Financeira (Dimof), para caracterizar a responsabilidade do sujeito passivo por infração à legislação tributária. RETIFICAÇÃO FRAUDULENTA DE DCTFs. A retificação fraudulenta de DCTFs, reduzindo débitos de tributos anteriormente informados nas declarações originais, justifica a formalização da exigência dos débitos indevidamente reduzidos e o lançamento da multa de ofício majorada, de 150%, por circunstância qualificativa (fraude). Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termo do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 24/03/2013 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 30 40 /2 01 1- 56 Fl. 730DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11065.723040/201156 Acórdão n.º 3302002.005 S3C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Jonathan Barros Vita. Relatório Transcrevo o Relatório do acórdão recorrido, por bem descrever os fatos. Autuação O estabelecimento industrial acima qualificado foi autuado por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil (AFRFB) lotado na Delegacia da Receita Federal do Brasil em Novo Hamburgo (DRF/NHB), por falta de recolhimento de débitos do IPI, que haviam sido informados em Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTFs), declarações essas que, segundo a fiscalização, foram fraudulentamente retificadas, para que os mesmos débitos fossem zerados. A exigência foi formalizada no Auto de Infração das fls. 516 a 519 e se refere ao IPI, no valor de R$ 247.302,94, acrescido de juros de mora e da multa de ofício majorada, de 150%, por circunstância qualificativa (fraude), somando, na data da autuação R$ 667.534,12. Os motivos do lançamento de ofício encontramse explicitados no Relatório Fiscal das fls. 525 a 551, a seguir resumido. O autor do procedimento fiscal apurou que as DCTFs retificadoras que zeraram os débitos do estabelecimento foram elaboradas e apresentadas por terceiro, no caso, o Sr. Cláudio Alexandre Ferreira dos Santos, inscrito no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) sob nº 011.253.95133, que foi favorecido por um pagamento de R$ 59.000,00, depositado em 6 de janeiro de 2010, na conta nº 000037349, mantida pela citada pessoa física na agência nº 0002 da Caixa Econômica Federal. Para operacionalizar a retificação das DCTFs, o citado Sr. Cláudio necessitou do número e de dados das DCTFs originais, do nome do responsável pelo Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) de Industrial Hahn Ferrabraz S/A, além de procuração e de cópia de documento de identidade do responsável pelo mesmo estabelecimento no cadastro CNPJ. A fiscalização ressalta que, embora tenha constatado falsidade no reconhecimento da firma na procuração utilizada e falsidade na autenticação das cópias dos documentos, foi possível concluir que as informações e os documentos antes mencionados somente poderiam ser fornecidos pelo próprio estabelecimento fiscalizado, ou por alguém que tivesse acesso aos mesmos elementos. Segue o AuditorFiscal, referindo que o citado Sr. Cláudio alegou ter sido contratado pelo Sr. Ambrósio Alves da Silva, inscrito no CPF sob nº 088.750.571 68, recebendo desse último toda a orientação para os procedimentos a serem realizados, bem assim os documentos e dados necessários para a retificação das DCTFs, sendo que o Sr. Ambrósio confirmou ter contratado o Sr. Cláudio, a pedido de uma pessoa de nome Márcia. Além disso, o Sr. Cláudio alegou ter sido o Sr. Ambrósio quem depositou os R$ 59.000,00 em sua conta bancária. Apesar de o Sr. Ambrósio negar que tenha efetuado qualquer pagamento ao Sr. Cláudio, a fiscalização analisou o teor da Declaração de Informações sobre Movimentação Financeira (Dimof), referente ao Sr. Ambrósio, relativa ao mês de janeiro de 2010, verificando a existência de débitos de R$ 78.274,68, Fl. 731DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11065.723040/201156 Acórdão n.º 3302002.005 S3C3T2 Fl. 4 3 na conta por ele mantida na Caixa Econômica Federal, movimentação financeira que é compatível com o depósito efetuado na conta do Sr. Cláudio. Na sequência, em relação à Srª Márcia, citada pelo Sr. Ambrósio como sendo quem o havia contratado, a fiscalização localizou duas contribuintes com nomes e outros dados (nome da mãe e data de nascimento) muito semelhantes: Márcia Regina da Paz, inscrita no CPF sob nº 484.285.31153, e Marcya Regina Pas, inscrita no CPF sob nº 060.935.92740, sendo que, com base em informações e documentos obtidos no curso da investigação, foi possível concluir que se trata da Srª Marcya Regina Pas, referindo a fiscalização que, para adquirir imóveis comerciais em Brasília/DF, a Srª Marcya utilizou documentos falsos. Além disso, a Srª Marcya é titular, desde agosto de 2009, da conta nº 0746010, na agência nº 1228 do Banco Bradesco S/A, conta cuja análise da movimentação financeira referente ao mês de janeiro de 2010 revelou que os débitos totalizaram R$ 183.113,81. Tal movimentação, confrontada com o crédito total de R$ 129.973,00 na conta do Sr. Ambrósio na Caixa Econômica Federal, levou a fiscalização a considerar a possibilidade de que a Srª Marcya tenha transferido recursos para o Sr. Ambrósio. Adiante, o AuditorFiscal verificou que, no mês de janeiro de 2010, foram depositados R$ 150.000,00 na conta da Sra. Marcya no Banco Bradesco S/A, pelo Sr. Assilio Simão Pereira, inscrito no CPF sob nº 647.733.02100, que, no mesmo mês, recebeu R$ 300.000,00 de Industrial Hahn Ferrabraz S/A. Apesar da alegação de que não teve conhecimento nem qualquer participação nas retificações das DCTFs, o estabelecimento fiscalizado apresentou contrato celebrado com MP Consultoria e Assessoria Empresarial Ltda., inscrito no CNPJ sob nº 01.456.679/000190, representado pela sócia majoritária Márcia Maria Pereira, inscrita no CPF sob nº 516.778.49134, pessoa jurídica que foi contratada para extinção de débitos de Industrial Hahn Ferrabraz S/A, mediante procedimento administrativo, com a utilização de crédito escritural específico. A fiscalização menciona que os períodos de apuração a que se referem os débitos que seriam extintos são os mesmos em relação aos quais foram apresentadas DCTFs retificadoras, a saber: dezembro de 2008 a outubro de 2009. O AuditorFiscal também refere que, em relação aos períodos de apuração antes mencionados, não foi apresentado, em nome do estabelecimento fiscalizado, qualquer pleito de compensação de tributos, motivo pelo qual não foi possível apurar a natureza do crédito escritural específico, a que aludiu o contrato firmado com MP Consultoria e Assessoria Empresarial Ltda. Além disso, a citada MP Consultoria e Assessoria Empresarial Ltda. revelou a contratação do Sr. Eduardo Scalia da Cunha, para assessorála na execução dos serviços prestados ao estabelecimento fiscalizado, sendo que o referido Sr. Eduardo, por meio de mensagens eletrônicas enviadas aos advogados do estabelecimento, a saber, Hector Furlong e Cassius Zenon da Silva, reportava o estágio dos serviços já executados e cobrava do fiscalizado o pagamento por conta desses serviços. Mensagens eletrônicas enviadas pelo Sr. Eduardo no dia 29 de dezembro de 2009, logo após a retificação das DCTFs, dão conta de que, de um débito superior a R$ 4.000.000,00 (quatro milhões de reais), restariam apenas R$ 804,77, sendo que o restante já teria sido extinto. Para comprovar essa informação, o Sr. Eduardo anexou extrato da situação fiscal do estabelecimento, obtido em 28 de dezembro de 2009, Fl. 732DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11065.723040/201156 Acórdão n.º 3302002.005 S3C3T2 Fl. 5 4 por meio do Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal eCAC) pelo Sr. Cláudio, que foi a pessoa que retificou as DCTFs, “zerando” os débitos do estabelecimento fiscalizado. Segue o AuditorFiscal, dizendo que, sob o argumento de extinção dos débitos de Industrial Hahn Ferrabraz S/A, o Sr. Eduardo passou a cobrar o pagamento pelos serviços, o que levou o estabelecimento fiscalizado a efetuar depósito de R$ 300.000,00, em 6 de janeiro de 2010, na conta mantida por Assílio Simão Pereira no Banco Bradesco S/A, sendo que o Sr. Assilio, por sua vez, repassou imediatamente metade dos recursos recebidos (R$ 150.000,00) para a Srª Marcya. O Sr. Assílio, ressalta a fiscalização, é enteado da Srª Márcia Maria Pereira, sóciagerente de MP Consultoria e Assessoria Empresarial Ltda. A fiscalização também destaca que, na mesma data (6 de janeiro de 2010), o Sr. Cláudio recebeu o pagamento pela retificação das DCTFs, por ele realizada. A fiscalização pondera que, embora não tenha tido acesso às contas bancárias do Sr. Ambrósio e da Srª Marcya, as informações e os documentos analisados no curso da auditoria permitiram concluir que o estabelecimento fiscalizado efetuou depósito na conta bancária do Sr. Assílio que, por sua vez, transferiu parte desses recursos para a Srª Marcya. A Srª Marcya transferiu recursos para a conta do Sr. Ambrósio que, por sua vez, realizou o depósito de R$ 59.000,00 na conta do Sr. Cláudio, que, repetindo, é a pessoa que retificou as DCTFs. Segundo o autor do procedimento fiscal, ainda que o estabelecimento fiscalizado alegue desconhecer e não ter participado dos procedimentos de retificação das DCTFs, ficou evidenciado que Industrial Hahn Ferrabraz S/A contratou MP Consultoria e Assessoria Empresarial Ltda. para extinguir débitos tributários relativos a períodos de apuração de dezembro de 2008 a outubro de 2009, que são os mesmos períodos a que se referem as DCTFs retificadas. Além disso, Industrial Hahn Ferrabraz S/A forneceu informações e documentos que permitiram a retificação das DCTFs. Também ficou evidenciado que o estabelecimento sob fiscalização realizou pagamento de R$ 300.000,00, em 6 de janeiro de 2010, depois de tomar conhecimento de que débitos de mais de R$ 4.000.000,00 (quatro milhões de reais) haviam sido extintos, extinção que ocorreu por meio das DCTFs retificadoras apresentadas em 24 e 28 de dezembro de 2009. Em 15 de abril de 2010, quando já estava sob a fiscalização iniciada em 25 de fevereiro de 2010, e após a retificação das DCTFs, Industrial Hahn Ferrabraz S/A promoveu o distrato do contrato de prestação de serviços com MP Consultoria e Assessoria Empresarial Ltda. Neste documento, o fiscalizado isentou MP Consultoria e Assessoria Empresarial Ltda. de qualquer responsabilidade e reconheceu a inocência da citada empresa de consultoria, em relação a qualquer evento, ainda que dele resultasse prejuízo ou dano de ordem material ou moral, vale dizer, ainda que MP Consultoria e Assessoria Empresarial Ltda. tenha retificado DCTFs para extinguir débitos tributários, Industrial Hahn Ferrabraz S/A isentou a contratada de qualquer responsabilidade. Por tudo isso, o AuditorFiscal entendeu que o estabelecimento interessado neste processo é responsável por terem sido zerados indevidamente débitos tributários regularmente declarados, mediante a apresentação de DCTFs retificadoras, contendo informações falsas, o que levou à lavratura dos competentes autos de infração, para formalizar as exigências respectivas. As infrações foram enquadradas nos arts. 34, II, 122, 124, 125, III, 127, 199, 200, IV, e 202, III, do Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002, Regulamento do IPI (RIPI), de 2002. Fl. 733DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11065.723040/201156 Acórdão n.º 3302002.005 S3C3T2 Fl. 6 5 Esse enquadramento sujeitou o interessado à multa de ofício de 150%, conforme os seguintes dispositivos: art. 80, caput, e § 6º, II, da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, com a redação dada pelo art. 13 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007. O mesmo enquadramento tornou devidos juros de mora, previstos no art. 61, § 3º, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Contra o sujeito passivo, também foi formalizada representação fiscal para fins penais, objeto do Processo nº 11065.723324/201142, apensado ao presente, conforme termo na fl. 555. Impugnação O sujeito passivo tomou ciência do lançamento de ofício em 3 de agosto de 2011, conforme consta na fl. 520, e, na sequência, em 2 de setembro de 2011, apresentou impugnação tempestiva, por meio do arrazoado das fls. 558 a 572, firmado por advogados, credenciados pela procuração da fl. 575 e pelos documentos das fls. 576 a 597, e instruído com os documentos das fls. 598 a 717, apresentando os argumentos que seguem: “.................... DA IMPUGNAÇÃO Merece ser julgado improcedente o Auto de Infração acima indicado, na medida em que parte de premissa falsa, ao incluir a ora impugnante em esquema ilícito doloso que objetivava redução de tributos. A leitura do relatório fiscal demonstra trabalho investigativo de fôlego da nobre fiscalização federal e desnuda uma série de procedimentos ilícitos dos quais a ora impugnante foi vítima de quadrilha especializada. De fato, a impugnante contratou a empresa MP Consultoria para revisão administrativa de débitos fiscais vencidos junto ao INSS, RFB e PGFN. E a necessidade de tal contratação se deve ao fato de que a impugnante foi adquirida pela atual empresa controladora dos seus antigos proprietários em meados do ano de 2004 com uma série de dívidas antigas préexistentes, sem que os adquirentes tivessem conhecimento do histórico de tais débitos. Daí a necessidade de contratar empresa especializada para apuração dos débitos e revisão de suas exigibilidades, bem como afastar cobrança indevida que eventualmente incidisse por força de decadência/prescrição, Súmula Vinculante 08 do STF, redução para 20% da multa fiscal (Lei 9430/96), enquadramento na Lei no 11.941, etc. Entre os serviços que seriam prestados estava a extinção pela compensação/pagamento de débitos apurados com créditos escriturais específicos da Receita Federal (cláusula sexta, alínea ‘b’), quando seria pago o valor de R$ 300.000,00 de forma parcelada, conforme cláusula sétima, alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do contrato particular de prestação de serviço, assinado entre as partes celebrantes. Contudo, assinado o contrato válido, não poderia imaginar a impugnante que a realização do trabalho acordado seria feita de forma ilícita, não convencional, à margem do procedimento fiscal correto e do contrato celebrado. Ora, não acordou a impugnante que se fizesse extinção Fl. 734DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11065.723040/201156 Acórdão n.º 3302002.005 S3C3T2 Fl. 7 6 de créditos tributários pela simples entrega de DCTFs retificadoras, ‘zerando’ os débitos já informados em DCTFs anteriores. Para tal procedimento simplório sequer seria necessário contratar e pagar terceiros para se realizar. A própria impugnante o faria por conta própria. Tal procedimento simplório, associado à leitura do relatório fiscal anexo ao Auto de Infração, que denota toda a profundidade do trabalho investigativo da nobre fiscalização federal, não deixa margem de dúvida que a impugnante foi vítima de uma Quadrilha bem organizada de estelionatários, com intuito de lesar o contribuinte mediante promessa de economia tributária lícita, através de procedimento fiscal fraudulento e oneroso para a pessoa passiva. Vejamos os fatos. Narra o relatório fiscal que a procuração de Francisco José Calero de Freitas outorgada para Cláudio Alexandre Ferreira dos Santos, indivíduo que transmitiu as DCTF retificadoras, apresentava irregularidades graves, como instrumento, autenticações e reconhecimento de firmas falsos, originários do 2o Ofício de Notas e Protestos de Brasília e 7º Ofício de Notas do DF (Samambaia). E a falsidade é conformada pelas serventias extrajudiciais que, ou não localizaram a procuração original ou não reconheceram as autenticações ou reconhecimento de firma apresentadas para conferência. Chama atenção também o que o Sr. Cláudio Alexandre, indivíduo que transmitiu as DCTF retificadoras, afirma que o objetivo das retificações das DCTF era para obtenção de CND. Ora, basta a simples conferência nos registros da RFB para se observar que no período indicado das infrações, não houve solicitação da impugnante de expedição de qualquer tipo de certidão (CND, Positiva, CPEN). Contudo, tal observação a nobre fiscalização federal deixou, comodamente, de citar no seu relatório fiscal. Com o trabalho investigativo se chega ao nome do contratante de Cláudio, o Sr. Ambrósio Alves da Silva, que num primeiro depoimento alega que fez o contato com Cláudio a pedido de Márcia (supostamente Marcya Regina Pas). Após, em nova intimação para outros esclarecimentos, o Sr. Ambrósio não é mais encontrado no seu endereço conhecido. Contudo, com base na DIMOF, o trabalho investigativo conclui que o mesmo apresenta movimentação compatível com o valor repassado para o Sr. Cláudio. Após diligências e consulta aos cadastros da DIMOB e da DIMOF, o fisco federal se volta então para Marcya Regina Pas, cujo endereço é desconhecido, pessoa que teria contactado o Sr. Ambrósio, que por sua vez teria contratado o Sr. Cláudio para transmitir as retificações das DCTFs. Essa, por sua vez, utiliza carteira de identidade e comprovante de rendimentos falsificados, além de inadimplir contrato de compra de imóvel, posteriormente rescindido. O trabalho investigativo conclui que a mesma apresenta movimentação compatível com o valor repassado para o Sr. Ambrósio. E as pessoas acima nominadas vinculamse diretamente a Assílio Simão Pereira, enteado de Márcia Maria Pereira, sóciagerente da empresa Fl. 735DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11065.723040/201156 Acórdão n.º 3302002.005 S3C3T2 Fl. 8 7 MP Consultoria, indivíduo cuja conta bancária foi solicitada à impugnante fazer o depósito do valor inicial dos honorários acordados. Parte desses recursos transferidos para Sr. Assílio foi repassado para Eduardo Scalia da Cunha, pessoa de confiança, informalmente contratada por MP Consultoria e que passou a tratar diretamente do serviço junto ao contribuinte. Notese que a fiscalização flagra no depoimento do Sr. Eduardo contradição ao afirmar que não participou da retificação das DCTFs, quando passa a enviar mensagens para representantes do contribuinte cobrando pelo serviço prestado. Este é o liame que junta a empresa MP Consultoria, através do prestador de serviço Eduardo, diretamente a Assílio (enteado da sócia da MP Consultoria Márcia Pereira), que por sua vez ao final do iter se chega a Cláudio (pessoa que transmitiu as retificações de DCTFs), contratado por Ambrósio por ordem de Marcya Pas, cuja conta bancária recebeu depósitos de Assílio no valor de R$ 150.000,00. O caminho percorrido pelo liame de relações e de utilização de documentos falsificados caracteriza bem a teia de fatos sequenciais antijurídicos bem organizados que envolveram a empresa, tornandoa vítima dessas pessoas. Alega o relatório fiscal que as informações prestadas pela fiscalizada, com vistas a informar que não teve qualquer participação com as retificações de DCTFs, são infundadas, pois forneceu informações e documentos que permitiram as retificações glosadas e promoveu distrato contratual posterior com a empresa MP Consultoria, isentandoa de responsabilidades. Ora, parece óbvio que o distrato ocorreu em decorrência dos primeiros sinais de que o serviço inicial estava sendo feito de forma irregular e diversa do acordado, fato que embasa a necessidade premente de encerrar relação comercial (rescisão) que poderia acarretar prejuízo ainda maior ao contribuinte, uma vez que faltava ainda pagar à contratada o valor de quatro milhões de reais pela segunda etapa do serviço acordado. Num primeiro momento, ante a falta de elementos mais concretos de ilícitos, a imposição da MP Consultoria em ser isentada da responsabilidade não foi nenhuma demasia. Somente após, quando a empresa teve noção de toda a extensão das irregularidades cometidas que se concluiu primeiro, pelo envolvimento da MP Consultoria com o ilícito e segundo, a máfé (mais uma) da contratada na imposição de somente assinar o distrato se existisse cláusula de isenção de responsabilidade. Por sua vez, a afirmação da fiscalização de que a impugnante teria fornecido documentos e informações que permitiriam a retificação das DCTF é de toda equivocada. Ora, para elaborar as retificações não era necessário que a empresa repassasse os dados das DCTFs originais. Com a procuração eletrônica falsificada, a quadrilha de estelionatários poderia ter acesso a esses dados pelo próprio e CAC. Ademais, por força contratual a impugnante deveria fornecer todos os documentos necessários para a execução do serviço (Cláusula Quarta), e num primeiro momento (Nov/2009) foilhe solicitada a entrega de documentos das pessoas que estariam responsáveis pela empresa junto a RFB, entre elas o Sr. Fl. 736DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11065.723040/201156 Acórdão n.º 3302002.005 S3C3T2 Fl. 9 8 Francisco Freitas que estava em vias de se afastar da sociedade (substituído por Nelson A. Sobrinho) aguardando apenas o arquivamento da ata na Junta Comercial (10/12/2009) para ser transmitida a sua exclusão de responsabilidade de CNPJ no cadastro do fisco federal, cujo prazo legal é de 30 dias. O que precisa ser registrado pelos nobres julgadores desse contencioso é que a impugnante não obteria nenhum benefício se estivesse envolvida nas irregularidades apontadas no relatório fiscal, pois na época o valor total da dívida era de mais de setenta milhões de reais, não fazendo sentido a empresa buscar economia por via tortuosa de menos de 10% do débito tributário (aproximadamente 4 milhões de reais). Sequer houve solicitação da impugnante de expedição de qualquer tipo de certidão (CND, Positiva, CPEN) no período!!!!! Também não houve baixa na contabilidade da empresa dos créditos ‘extintos’ pela contratada!!!!! E pior, a empresa não foi incluída no programa da Lei no 11.941/09 pela contratada, conforme contrato (talvez pela convicção dos estelionatários que o procedimento ilícito daria certo), nem posteriormente, quando a impugnante buscou acesso ao programa via requerimento à PGFN, evidenciandose mais a máfé dos agentes acima nominados!!!!! O que estava acertado, numa primeira fase dos trabalhos, era que a extinção de débitos decorreria de compensação/pagamento com créditos escriturais específicos da Receita Federal (cláusula sexta, alínea ‘b’), entre esses créditos estariam os residuais de empresas encerradas, os decorrentes de demandas judiciais, pedidos de ressarcimento e outros procedimentos de direito de créditos para consumo. E é nesse sentido a troca de emails entre o Sr. Eduardo e o representante da empresa, quando aquele cobra os honorários iniciais acertados no contrato após o pagamento de dívidas pequenas residuais (R$ 804,77) e ‘extinção’ dos débitos, deixando clara a necessidade de pagar o ‘dono’ do pretenso crédito, o que denota mais uma atitude de máfé daquele integrante da quadrilha contra a impugnante. Tais fatos só vieram à tona após o início do trabalho da fiscalização, confirmando fatos que começavam a trazer desconforto para a impugnante, justificando o fato da empresa, confrontada pelo Termo de Constatação e Intimação Fiscal no 15, nada ter o que manifestar naquele momento na medida em que estava tomando ali conhecimento das pessoas que a haviam envolvido no ilícito. Toda a explanação acima e pelos elementos que constam nos autos evidenciam que a empresa foi tão vítima de quadrilha de estelionatários quanto o erário, motivo pelo qual seria demasia o enquadramento do auto de infração em multa qualificada de 150%. Enfim, tudo conforme já suficientemente evidenciado, de modo a gerar dúvidas quanto à sua exata participação nos eventos ilícitos, algo inexistente na realidade, a impugnante invoca em seu favor a interpretação prevista no art. 112, que contém o seguinte conteúdo: Fl. 737DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11065.723040/201156 Acórdão n.º 3302002.005 S3C3T2 Fl. 10 9 ‘Art 112 A lei tributária que define infrações ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida ................; II à natureza ou circunstâncias materiais do fato, ou à sua natureza ou extensão dos seus efeitos;’ Sobre essa prescrição do CTN, o prof. Luciano Amaro assevera: ‘(...) 7. INTERPRETAÇÃO BENIGNA No direito penal vigora o princípio in dúbio pro reo; no campo das infrações e das sanções tributárias, preceito analógico e utilizado, ao prescrever o Código Tributário Nacional a interpretação benigna (isto é, favorável ao acusado), quando houver dúvida sobre a capitulação do fato, sua natureza ou circunstâncias materiais, ou sobre a natureza ou extensão dos seus efeitos, bem como sobre a autoria, imputabilidade ou punibilidade, e ainda sobre a natureza ou graduação da penalidade aplicável (art. 112).’ (In ‘DIREITO TRIBUTÁRIO BRASILEIRO’ Editora Saraiva, São Paulo SP, 8ª edição 2002, pp. 215/216) Luciano Amaro conclui o estudo sobre o art. 112 do CTN lecionando: ‘(...) De qualquer modo, o princípio in dúbio pro reo, que informa o preceito codificado, tem uma aplicação ampla: qualquer que seja a dúvida, sobre a interpretação da lei primitiva ou sobre a valorização dos fatos concretos efetivamente ocorridos, a solução há de ser mais favorável ao acusado’. (grifamos) (ob. Cit, p. 216 in fine). Por fim, é necessário colocar que o procedimento investigativo fiscal, ao tomar informações financeiras dos investigados pelo DIMOF, foi contaminado por vício insanável conforme se depreende da atual jurisprudência do STF que prevê conflito com a Carta Magna qualquer norma que atribui à RFB o afastamento do sigilo bancário, conforme acórdão in verbis: RECURSO EXTRAORDINÁRIO 389.808 PARANÁ RELATOR: MIN. MARCO AURÉLIO RECTE.(S):G.V.A. INDÚSTRIA E COMÉRCIO S/A ADV.(A/S) :JOSÉ CARLOS CAL GARCIA FILHO E OUTRO(A/S) RECDO.(A/S) :UNIÃO ADV.(A/S):PFN DEYSI CRISTINA DA'ROLT SIGILO DE DADOS AFASTAMENTO. Conforme disposto no inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal, a regra é a privacidade quanto à correspondência, às comunicações telegráficas, aos dados e às comunicações, ficando a exceção a quebra do sigilo submetida ao crivo de órgão equidistante o Judiciário e, mesmo assim, para efeito de investigação criminal ou instrução processual penal. SIGILO DE DADOS BANCÁRIOS RECEITA FEDERAL. Conflita com a Carta da República norma legal atribuindo à Fl. 738DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11065.723040/201156 Acórdão n.º 3302002.005 S3C3T2 Fl. 11 10 Receita Federal –parte na relação jurídicotributária – o afastamento do sigilo de dados relativos ao contribuinte.’ Logo, frente aos fatos acima narrados, concluise que a impugnante foi vítima de quadrilha especializada em vender procedimentos tributários em tese lícitos, com vistas a extorquir dinheiro de empresas através de práticas aparentemente corretas junto ao fisco, mas que na verdade resultam em fraude fiscal. Não foi por outro motivo que a impugnante apresentou queixacrime junto a Delegacia de Polícia de Planaltina/DF, e sempre colaborou com a fiscalização, entregando todos os documentos necessários para o bom andamento do trabalho do fisco federal. Assim, deve ser deferida ao contribuinte a permissão de reconstituir as DCTFs que originaram o débito, ante a sua falta de dolo ou culpa, bem como o não enquadramento do AI na multa qualificada de 150% do imposto. 3. DO PEDIDO Isso posto, a Impugnante confia que os eméritos Julgadores dessa c. Delegacia de Julgamento, dêem integral provimento a esta defesa técnica, com o cancelamento do crédito tributário trazido à luz por intermediário (sic) do AI ora contraditado, tudo tendo em mira os princípios da segurança jurídica, da certeza do direito e o da boafé, de maneira que a JUSTIÇA FISCAL se materialize na sua plenitude, para efeito de anular o procedimento fiscal baseado em dados resultantes do DIMOF frente a jurisprudência do STF acima citada que prevê conflito com a Carta Magna qualquer norma que atribui à RFB o afastamento do sigilo bancário, ou, caso assim não entenda, permitir que o contribuinte faça o cancelamento das DCTFs indevidamente retificadas e a reconstituição dos débitos que dali foram originados, excluindose a multa fiscal de 150%.” Inconformada com a autuação a empresa interessada apresentou impugnação, julgada improcedente pela 3a Turma de Julgamento da DRJ em Porto Alegre RS, nos termos do Acórdão no 1035.990, de 08/12/2011, cuja ementa abaixo se transcreve. PRELIMINAR DE NULIDADE. AÇÃO FISCAL. UTILIZAÇÃO DE DADOS INFORMADOS EM DIMOF. A utilização de dados existentes em Declaração de Informações sobre Movimentação Financeira (Dimof), para caracterizar a responsabilidade do sujeito passivo por infração à legislação tributária, não configura nulidade da autuação. RETIFICAÇÃO FRAUDULENTA DE DCTFs. A retificação fraudulenta de DCTFs, reduzindo a zero débitos do IPI anteriormente informados nas declarações originais, justifica a formalização da exigência dos débitos indevidamente zerados, mediante lavratura de auto de infração, inclusive com lançamento da multa de ofício majorada, de 150%, por circunstância qualificativa (fraude). Fl. 739DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11065.723040/201156 Acórdão n.º 3302002.005 S3C3T2 Fl. 12 11 Ciente desta decisão em 06/01/2012 (AR de fl. 715/716), a interessada ingressou, no dia 17/01/2012, com o recurso voluntário de fls. 717/725, no qual renova os argumentos da impugnação. Na forma regimental, o recurso voluntário foi distribuído para relatar. É o Relatório. Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator. O recurso voluntário é tempestivo a atende aos demais preceitos legais. Dele se conhece. Como relatado, a recorrente apresentou DCTFs retificadoras, do período objeto da autuação, reduzindo o valor do IPI a recolher para valores irrisórios. A operação foi detectada pela RFB e instaurado procedimento fiscal para a sua apuração. O trabalho fiscal desenvolvido está bem descrito no Relatório Fiscal, integrante do auto de infração. Em seu protesto, a empresa autuada, basicamente, alega que as retificações das DCTF foram feitas sem o seu conhecimento e autorização, se constituindo em um golpe contra ela aplicado pelo conjunto de pessoas envolvidas na operação, pleiteando, ao final, o cancelamento da autuação ou, no mínimo, a redução da multa que fora majorada indevidamente. O litígio instaurado não envolve o valor do IPI lançado, restringindose à questão da responsabilidade da recorrente pelas retificações fraudulentas das DCTFs. Sobre a alegação de nulidade do lançamento por ter os agentes do Fisco utilizado informações da Dimof para demonstrar movimentações financeiras das pessoas arroladas na investigação, não há nenhum óbice para a utilização dos dados da Dimof com esta finalidade, ainda mais que os valores movimentados não serviram de base para efetuar lançamento de tributos, embora também não exista vedação neste sentido. Portanto, não há reparos a fazer na decisão recorrida, nesta parte. Sobre o mérito, ou seja, a responsabilidade da recorrente pelas retificações fraudulentas das DCTF, não há nenhuma dúvida de que este fato ocorreu. Quanto à responsabilidade da recorrente, assim se manifestou a decisão recorrida: Sobre o assunto, convém transcrever o art. 465 do Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002, Regulamento do IPI (RIPI), de 2002, em vigor na época: Fl. 740DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11065.723040/201156 Acórdão n.º 3302002.005 S3C3T2 Fl. 13 12 “Art. 465. Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária que importe em inobservância de preceitos estabelecidos ou disciplinados por este Regulamento ou pelos atos administrativos de caráter normativo destinados a complementá lo (Lei nº 4.502, de 1964, art. 64). Parágrafo único. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações independe da intenção do agente ou do responsável, e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato (Lei nº 5.172, de 1966, art. 136).” A retificação fraudulenta das DCTFs torna obrigatória a leitura do art. 481 do mesmo RIPI de 2002, que segue reproduzido: “Art. 481. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento (Lei nº 4.502, de 1964, art. 72).” Pois bem. O impugnante se diz vítima de “quadrilha especializada”, que teria agido ao abrigo do contrato celebrado com a empresa MP Consultoria e Assessoria Empresarial Ltda., para revisão administrativa de débitos fiscais vencidos, perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) e o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), revisão essa que teria sido justificada pela assunção do controle do estabelecimento em meados de 2004, com uma série de dívidas antigas pré existentes, sem que os adquirentes tivessem conhecimento do histórico de tais débitos. Ocorre que o impugnante deixou de evidenciar a espécie de interesse específico que teria movido a referida “quadrilha”, no contexto da infração apurada, que beneficiou sim o estabelecimento Industrial Hahn Ferrabraz S/A, independentemente da extensão dos efeitos, até ser flagrado pela fiscalização, restando despropositada a alegação de que nada teria lucrado com a irregularidade apurada pelo fisco. Dentre os serviços que seriam prestados por força do contrato antes mencionado, figurava a extinção, por compensação/pagamento, de débitos apurados, com “créditos escriturais específicos da Receita Federal”, serviço remunerado pela quantia de R$ 300.000,00 (trezentos mil reais). Vejase que o impugnante não esclareceu a natureza dos tais “créditos escriturais específicos”, que seriam opostos aos débitos de sua responsabilidade, limitandose a aludir vagamente a créditos “(...) residuais de empresas encerradas, os decorrentes de demandas judiciais, pedidos de ressarcimento e outros procedimentos de direito de créditos para consumo (...)”. Tampouco evidenciou ter diligenciado no sentido de se certificar sobre a existência e regularidade de créditos que porventura lhe favorecessem, a partir do que, no mínimo, assumiu o risco da prática de infrações à legislação tributária e ficou caracterizada conduta que revela enorme descuido no trato do assunto. Em Fl. 741DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11065.723040/201156 Acórdão n.º 3302002.005 S3C3T2 Fl. 14 13 razão disso, é inútil, na defesa, imputar máfé à empresa MP Consultoria e Assessoria Empresarial Ltda., por ter imposto cláusula de isenção de responsabilidade no encerramento da relação contratual com o impugnante. No tocante à alegada dúvida quanto à natureza ou circunstâncias materiais do fato, ou à sua natureza ou extensão dos seus efeitos, motivo pelo qual a defesa invocou o art. 112 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN), cabe esclarecer que inexiste dúvida quanto à retificação fraudulenta das DCTFs, cuja responsabilidade, em conclusão, foi corretamente atribuída pela fiscalização ao sujeito passivo, Industrial Hahn Ferrabraz S/A., inclusive com a imposição da multa majorada de 150% sobre o IPI não recolhido. No recurso voluntário a empresa autuada não trouxe nenhum fato novo ou prova nova capaz de infirmar o apurado pela Fiscalização e o acima dito pela decisão recorrida. Portanto, sem reparos a fazer na decisão recorrida. Sobre o pedido para cancelar as declarações retificadoras e fazer uma reconstituição dos débitos, como bem disse a decisão recorrida, não pode ser atendido em face do que dispõe o art. 138, Parágrafo Único, do CTN, e o art. 7º do Decreto nº 70.235/72, transcritos na decisão recorrida. No mais, com fulcro no art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19991, adoto e ratifico os fundamentos do acórdão de primeira instância. Por tais razões, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Relator 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 742DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11065.723040/201156 Acórdão n.º 3302002.005 S3C3T2 Fl. 15 14 Fl. 743DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 11962.000340/2005-00
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Apr 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração:01/10/2004 a 31/03/2005
INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO.
O conceito de insumo passível de crédito no sistema não cumulativo não é equiparável a nenhum outro conceito, trata-se de definição própria. Para gerar crédito de PIS e Cofins não cumulativo o insumo deve: ser utilizado direta ou indiretamente pelo contribuinte na sua atividade (produção ou prestação de serviços); ser indispensável para a formação daquele produto/serviço final; e estar relacionado ao objeto social do contribuinte.
CRÉDITOS. INSUMOS. DESPESAS COM COMBUSTÍVEL.
As aquisições de combustíveis e lubrificantes utilizados na produção e na operação de entrega direta de produtos industrializados e vendidos pelo produtor/vendedor integram o conceito de insumos e geram créditos dedutíveis da Cofins devida mensalmente. Precedentes.
CRÉDITOS. INSUMOS. DESPESAS COM FRETE. ESCOLTA.
A autorização para o desconto de créditos relacionados às despesas com frete nas operações de venda de mercadorias, desde que o ônus seja suportado pelo vendedor, inclui a escolta de transporte rodoviário de produtos perigosos, expressamente autorizada em lei, que impõe acompanhamento técnico especializado, o transporte preferencialmente em veículos próprios, mediante prévia obtenção de Autorização Especial de Trânsito - AET.
CRÉDITOS. DESPESAS COM FRETE. MOVIMENTAÇÃO DE PRODUTOS EM FABRICAÇÃO OU ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DO CONTRIBUINTE.
As despesas com fretes para transporte de produtos em elaboração e, ou produtos acabados entre estabelecimentos do contribuinte, pagas e/ ou creditadas a pessoas jurídicas, mediante conhecimento de transporte ou de notas fiscais de prestação de serviços, geram créditos básicos de Cofins, a partir da competência de fevereiro de 2004, passiveis de dedução da contribuição devida e/ ou de ressarcimento/compensação. Precedentes.
Numero da decisão: 3803-003.749
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer a ocorrência de erro material na apuração do montante do crédito a que fez jus o contribuinte, cometido no Parecer SEORT/DRF/VIT nº 2.152/2009, e para reverter as glosas atinentes aos gastos com (a) aquisição de combustíveis consumidos no transporte de produtos acabados e (b) serviços de escolta.
(Assinado digitalmente)
ALEXANDRE KERN - Presidente.
(Assinado digitalmente)
JORGE VICTOR RODRIGUES - Relator.
EDITADO EM: 11/03/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração:01/10/2004 a 31/03/2005 INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. O conceito de insumo passível de crédito no sistema não cumulativo não é equiparável a nenhum outro conceito, trata-se de definição própria. Para gerar crédito de PIS e Cofins não cumulativo o insumo deve: ser utilizado direta ou indiretamente pelo contribuinte na sua atividade (produção ou prestação de serviços); ser indispensável para a formação daquele produto/serviço final; e estar relacionado ao objeto social do contribuinte. CRÉDITOS. INSUMOS. DESPESAS COM COMBUSTÍVEL. As aquisições de combustíveis e lubrificantes utilizados na produção e na operação de entrega direta de produtos industrializados e vendidos pelo produtor/vendedor integram o conceito de insumos e geram créditos dedutíveis da Cofins devida mensalmente. Precedentes. CRÉDITOS. INSUMOS. DESPESAS COM FRETE. ESCOLTA. A autorização para o desconto de créditos relacionados às despesas com frete nas operações de venda de mercadorias, desde que o ônus seja suportado pelo vendedor, inclui a escolta de transporte rodoviário de produtos perigosos, expressamente autorizada em lei, que impõe acompanhamento técnico especializado, o transporte preferencialmente em veículos próprios, mediante prévia obtenção de Autorização Especial de Trânsito - AET. CRÉDITOS. DESPESAS COM FRETE. MOVIMENTAÇÃO DE PRODUTOS EM FABRICAÇÃO OU ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DO CONTRIBUINTE. As despesas com fretes para transporte de produtos em elaboração e, ou produtos acabados entre estabelecimentos do contribuinte, pagas e/ ou creditadas a pessoas jurídicas, mediante conhecimento de transporte ou de notas fiscais de prestação de serviços, geram créditos básicos de Cofins, a partir da competência de fevereiro de 2004, passiveis de dedução da contribuição devida e/ ou de ressarcimento/compensação. Precedentes.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer a ocorrência de erro material na apuração do montante do crédito a que fez jus o contribuinte, cometido no Parecer SEORT/DRF/VIT nº 2.152/2009, e para reverter as glosas atinentes aos gastos com (a) aquisição de combustíveis consumidos no transporte de produtos acabados e (b) serviços de escolta. (Assinado digitalmente) ALEXANDRE KERN - Presidente. (Assinado digitalmente) JORGE VICTOR RODRIGUES - Relator. EDITADO EM: 11/03/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues.
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CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. O conceito de insumo passível de crédito no sistema não cumulativo não é equiparável a nenhum outro conceito, tratase de definição própria. Para gerar crédito de PIS e Cofins não cumulativo o insumo deve: ser utilizado direta ou indiretamente pelo contribuinte na sua atividade (produção ou prestação de serviços); ser indispensável para a formação daquele produto/serviço final; e estar relacionado ao objeto social do contribuinte. CRÉDITOS. INSUMOS. DESPESAS COM COMBUSTÍVEL. As aquisições de combustíveis e lubrificantes utilizados na produção e na operação de entrega direta de produtos industrializados e vendidos pelo produtor/vendedor integram o conceito de insumos e geram créditos dedutíveis da Cofins devida mensalmente. Precedentes. CRÉDITOS. INSUMOS. DESPESAS COM FRETE. ESCOLTA. A autorização para o desconto de créditos relacionados às despesas com frete nas operações de venda de mercadorias, desde que o ônus seja suportado pelo vendedor, inclui a escolta de transporte rodoviário de produtos perigosos, expressamente autorizada em lei, que impõe acompanhamento técnico especializado, o transporte preferencialmente em veículos próprios, mediante prévia obtenção de Autorização Especial de Trânsito AET. CRÉDITOS. DESPESAS COM FRETE. MOVIMENTAÇÃO DE PRODUTOS EM FABRICAÇÃO OU ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DO CONTRIBUINTE. As despesas com fretes para transporte de produtos em elaboração e, ou produtos acabados entre estabelecimentos do contribuinte, pagas e/ ou AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 96 2. 00 03 40 /2 00 5- 00 Fl. 771DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/03/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por ALEXANDRE KERN 2 creditadas a pessoas jurídicas, mediante conhecimento de transporte ou de notas fiscais de prestação de serviços, geram créditos básicos de Cofins, a partir da competência de fevereiro de 2004, passiveis de dedução da contribuição devida e/ ou de ressarcimento/compensação. Precedentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer a ocorrência de erro material na apuração do montante do crédito a que fez jus o contribuinte, cometido no Parecer SEORT/DRF/VIT nº 2.152/2009, e para reverter as glosas atinentes aos gastos com (a) aquisição de combustíveis consumidos no transporte de produtos acabados e (b) serviços de escolta. (Assinado digitalmente) ALEXANDRE KERN Presidente. (Assinado digitalmente) JORGE VICTOR RODRIGUES Relator. EDITADO EM: 11/03/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues. Relatório Por descrever de forma objetiva e didática os fatos e elementos contidos nos autos a permitir a sua compreensão peço vênia aos pares para adotar o relatório do acórdão recorrido. Tratase de Declarações de Compensação (DCOMP) destinada a compensar débitos de IRPJ (2362) e CSLL (2484), de fevereiro de 2003 e maio de 2004, com créditos decorrentes da não cumulatividade da Cofins, no período de 01/10/04 a 31/03/05,conforme resumido nas tabelas de fls. 609/610. A autoridade fiscal decidiu (fl. 619) homologar parcialmente as compensações efetuadas, não reconheceu todo o crédito requerido de R$1.708.667,14, e sim R$ 1.443.964,67, argumentando por meio do Parecer SEORT/DRF/VIT nº 2152/09 (fls.608/618), em resumo, que: Fl. 772DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/03/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11962.000340/200500 Acórdão n.º 3803003.749 S3TE03 Fl. 14 3 1. O contribuinte busca valersede créditos relativos às mercadorias adquiridas (carvão vegetal) de pessoas jurídicas, inativas ou omissas, mas os pagamentos referentes a tais compras, quando comprovados, foram realizados em nome de terceiras pessoas físicas, e inexistiu recolhimento de tributo correspondente a cada transação, e; 2. Foram glosados os créditos relativos às compras de carvão vegetal destas pessoas jurídicas; 3. Foram glosados os valores relativos a combustível do cálculo dos créditos, pois a utilização de tais despesas é admitida quando o combustível é usado como insumo do processo produtivo; 4. Foram glosados, do cálculo dos créditos, os valores relativos à despesa com escolta relacionada à comercialização dos produtos,por falta de previsão legal, assim como às despesas vinculadas à movimentação com o produto acabado e serviço de embarque; 5. Foram glosados os valores relativos à despesa com depreciação relacionada à comercialização dos produtos. Cientificada da decisão (fl. 636), em 28/09/09, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 27/10/09, onde alegou, em resumo, que: 1. Inexiste na legislação obrigação de o comprador verificar a regularidade fiscal ou cadastral de seu fornecedor nas aquisições devidamente acobertadas por Notas Fiscais válidas; 2. Os comprovantes de pagamento em nome das pessoas físicas não são suficientes a comprovar que a aquisição se deu daquelas pessoas, pois pagamento é apenas um dos elementos da compra; 3. O que ocorreu no caso em comento foi uma cessão de crédito,instituto jurídico por excelência, daqueles destinados à transmissão de obrigações, previsto no Código Civil; 4. Ainda que sob uma denominação diferente, as despesas incorridas pela impugnante com combustível, despesas com movimentação de produto acabados e escolta, se traduzem em despesa de frete, cujo crédito encontrase autorizado pela legislação; 5. Diante da alta periculosidade, o ferro gusa em estado líquido só pode ser transportado com escolta especializada, nesse sentido, a despesa é inarredável. A impugnante requer, ao final, cancelamento das glosas realizadas pela Fazenda e, conseqüentemente, sejam reconhecidos na integralidade os créditos apurados. Fl. 773DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/03/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por ALEXANDRE KERN 4 DO ACÓRDÃO. Conclusos foram os autos remetidos para julgamento pela 5a Turma da DRJ/RJ2 que, em sessão realizada em 17/11/2011, proferiu decisão por meio do acórdão nº 13038. 321, cuja ementa transcrevese adiante: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins. Período de apuração: 01/10/2004 a 31/03/2005 Regime não Cumulativo. Direito de Crédito. Aquisições de Bens Par Revenda. Comprovação. As notas fiscais de venda, emitidas por pessoa jurídica não caracterizada como inapta, produzem efeitos tributários em favor do adquirente interessado, não sendo suficiente para descaracterizar a aquisição de bens,vinculada ao negócio jurídico de compra e venda, a correspondente falta de pagamento, ou mesmo o pagamento efetuado a terceiro. Créditos a Descontar. Incidência não Cumulativa. A aquisição de combustíveis gera direito a crédito apenas quando usado como insumo do processo produtivo.Não dá direito a crédito o gasto com escolta ou movimentação de cargas ou depreciação de veículos utilizados nas operações de venda, por não corresponderem a insumo para a produção nem a outra hipótese legal de crédito. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte O voto condutor do acórdão em epígrafe resumese à apreciação de dois pontos específicos, a saber: I – Glosa de créditos referentes a despesas realizadas com combustíveis, serviços de escolta e de movimentação de produto acabado e embarque, e depreciação; e II – Glosa de créditos referentes a bens fornecidos por pessoas jurídicas inativas ou omissas. No que atine à glosa de créditos referentes a despesas realizadas com combustíveis, serviços de escolta e de movimentação de produto acabado e embarque, e depreciação, entendeu o juízo a quo que as despesas comerciais com escolta e de movimentação de produto acabado e embarque, as despesas com combustíveis, todas quando relativas ao transporte de produtos na venda, extrapola a previsão legal para o crédito, por não se enquadrarem no conceito de insumo (art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/02 e da Lei nº 10.833/04), e por não contar com qualquer base normativa independente dessa regra geral que exige a aplicação do bem na produção. Portanto, em se tratando de norma que tem efeito de desoneração tributária não se admite interpretação extensiva, consoante regra constante do art. 111 do Código Tributário Nacional (CTN), Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966. Assim, a previsão constante do art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.833/04, para a Cofins, estendido ao PIS pelo art. 15 da mesma Lei, começou a produzir efeitos em fevereiro de 2004, mas vale tão somente para o frete (ou armazenagem) na venda suportado pelo vendedor, não sendo possível estender o direito para abranger outras despesas, mesmo quando relacionadas ao transporte das Fl. 774DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/03/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11962.000340/200500 Acórdão n.º 3803003.749 S3TE03 Fl. 15 5 mercadorias nas operações de vendas, tais como combustíveis, escolta ou depreciação do veículo. Em contrapartida a contribuinte alegou que, sob uma denominação diferente, as despesas incorridas pela impugnante com combustível, movimentação de produto acabado, embarque, depreciação de veículo e escolta, se traduzem em despesa de frete, cujo crédito encontrase autorizado pela legislação. Por outro lado considerou que a questão relacionada à glosa de créditos referentes a bens fornecidos por pessoas jurídicas inativas ou omissas encontrase superada, após a constatação de que os registros contábeis da empresa interessada relativos às aquisições de bens para revenda estão amparados por notas fiscais emitidas por pessoas jurídicas domiciliadas no País. Verificou o i. relator do voto condutor do acórdão que as Notas Fiscais de venda comprovam, em princípio, a aquisição das mercadorias pela empresa interessada, de seus fornecedores, pessoas jurídicas emitentes das notas fiscais, observando que o disposto no art. 9º, § 1º do DecretoLei n.º 1.598 de 1977, consolidado no §1º, do art. 923, do RIR/1999, estabeleceu que: “a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais.”(gn). De outra parte, apesar de a autoridade fiscalizadora formular assertivas no sentido de que glosou créditos relativos às mercadorias adquiridas de pessoas jurídicas inativas, omissas ou com receita declarada incompatível com as vendas realizadas, as mesmas não restaram confirmadas, ou de acordo com os preceitos normativos aduzidos no corpo do voto condutor do acórdão, as consequências tributárias apenas se configuram após a declaração de inaptidão, o que não se verificou, salvo comprovação do pagamento pelo preço da mercadoria e do real ingresso desta no estabelecimento do adquirente. Concluiu o voto condutor do acórdão nº 13038. 321 que devem ser mantidas as seguintes glosas: “combustíveis despesas de comercialização 3.3.2.01.0015”, “despesa de movimentação de produto acabado/serviço embarque 3.3.2.03.0005” e “despesas com escolta 3.3.2.01.0014”, conforme tabela fl. 620, mas rejeitar a glosa procedida pela Administração no tocante a ‘compras de carvão vegetal não comprovadas’: Assim, do crédito requerido de R$1.708.667,14 deve ser deferido a diferença em relação ao valor já reconhecido na Delegacia de origem (R$1.708.667,14 – R$1.443.964,67 =) R$264.702,47, pois não pode a Turma julgadora ultrapassar o que fora requerido. Em outros termos, ao valor já reconhecido deve ser acrescentado o valor de R$264.702,47, declarando o voto no sentido de julgar procedente em parte a manifestação de inconformidade para reconhecer o direito creditório da Cofins relativo ao período pleiteado no valor de R$264.702,47, a ser acrescentado ao valor já reconhecido na origem. DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Ciente do teor do acórdão retromencionado em 24/02/12 por meio de AR, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário em 27/03/12, conforme atesta o protocolo do órgão preparador. Fl. 775DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/03/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por ALEXANDRE KERN 6 Uma vez tornada insubsistente pela decisão recorrida à glosa do direito creditório a título de aquisição de carvão vegetal, veio a Recorrente a argüir acerca da existência de erro material no acórdão recorrido, quanto ao valor efetivo de seu direito creditório de PIS e COFINS de R$ 834.179,78, eis que o valor informado pelo aresto hostilizado é de R$ 264.702,47, portanto restringindoo, sob o enfoque de que esse seria o valor do direito creditório discutido na manifestação de inconformidade (fl. 712). Deduziu a interessada que os julgadores a quo não verificaram a soma total dos créditos analisados no despacho decisório (Parecer SEORT/DRF/VIT nº 2152/2009 – fls. 449/461), o que resultou no erro indicado. Destarte informou que o somatório dos valores creditórios R$ 1.765.046,96 (créditos de papel), mais R$ 713.619,95 (créditos em Per/Dcomp), menos R$ 56.379,82 (setembro/2004), importa em R$ 2.421.711,53. Outrossim esclareceu que a origem dessa falha encontrase na conclusão do aludido parecer fiscal orientador do despacho decisório, quando a autoridade fiscal assim se pronunciou: No presente processo apenas serão analisados os créditos do período contínuo compreendido entre outubro/04 e março/05 os quais totalizam nos documentos apresentados pelo contribuinte R$ 1.708.657,14 (fls. 451/452). Alegou a Recorrente que o valor do crédito a ser reconhecido pela DRJ a título de carvão vegetal deve remontar ao valor de R$ 834.179,78 e não ao valor de 264.702,47, supostamente discutido nos autos. Demais disso a Recorrente reitera de maneira minudente os argumentos expendidos na exordial, acerca da sistemática da não cumulatividade da Cofins, da inclusão do § 12 ao art. 195 da CF/88 pela EC nº 42/03, para aduzir que não é dado ao legislador ordinário prescrever limitações ou vedações à utilização do crédito. A Recorrente deduziu acerca do conceito de insumo que, pela sistemática da não cumulatividade, de acordo com a literalidade da disposição legal contida no inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833/03, extraise que os bens e serviços qualificados como insumos na atividade desenvolvida pela empresa geram direito de crédito de Cofins, exatamente porque concorrem para a formação de suas receitas e, mormente porque o legislador não definiu, no texto legal, a conceituação do que se deveria entender por “insumo”. A Recorrente menciona a doutrina de jurisconsultores para inferir que “no caso da contribuição ao PIS e da Cofins, a materialidade do tributo vai além da atividade meramente mercantil, fabril ou de serviços, alcançando todo o universo de receitas auferidas pela pessoa jurídica”, bem assim para deduzir que a interpretação conferida pelo Fisco ao tema tratado não apenas desconsidera as diferenças entre as materialidades do IPI e da Cofins, como também a diferença metodológica entre a não cumulatividade do imposto e a das contribuições sociais, lastreada em instrução normativa, e não em lei. No seu entendimento, insumo é todo e qualquer gasto incorrido pela pessoa jurídica na produção de seus bens ou na prestação de seus serviços, necessários para que a consecução de sua atividadefim; são os produtos e serviços inerentes à produção, mesmo que não sejam consumidos durante o processo produtivo; deve, necessariamente, compreender os custos e despesas operacionais da pessoa jurídica, na forma definida nos artigos 290 e 299 do RIR/99, e não se limitar apenas ao conceito trazido pelas Instruções Normativas nº 247/02 e Fl. 776DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/03/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11962.000340/200500 Acórdão n.º 3803003.749 S3TE03 Fl. 16 7 404/04, embasadas exclusivamente na (inaplicável) legislação do IPI (Recurso nº 369.519, Acórdão nº 320100.226, Sessão de julgamento de 80 de dezembro de 2010). Ao tratar do direito ao crédito das despesas realizadas com combustível, serviço de escolta, movimentação de produto acabado e depreciação, a Recorrente reiterou o seu entendimento acerca do conceito de insumo e deduziu que todas essas despesas estão compreendidas naquelas intituladas como despesas com frete. Buscou esclarecer, a partir do objeto da empresa constante de seu estatuto social (acerca do exercício das atividades de industrialização, comercialização, inclusive importação e exportação de produtos siderúrgicos, em especial gusa em todas as suas formas), que de acordo com o art. 23, §§ 1º e 2º, do Dec. nº 96.044/88, que enquadra se enquadra como atividade de transporte rodoviário de produto perigoso (de risco elevado), que deve ser tratada como caso especial, que requer acompanhamento técnico especializado, com viaturas próprias, e promovido pelo fabricante. Mencionou no mesmo sentido a Resolução DNIT nº 11/04, notadamente os arts. 3º, 16 e 18, que citam que nenhum veículo transportador de carga indivisível, poderá transitar em Rodoviária Federal, sem oferecer completa segurança e estar equipado de acordo com o previsto nesse normativo; da necessidade de acompanhamento de escolta a ser fixada pela autoridade que fornecer a Autorização Especial de Transporte AET, cujo transporte somente poderá ser efetuado mediante prévia obtenção dessa autorização. Mediante as assertivas acima formuladas aduziu que tais despesas são essenciais para a conclusão de sua cadeia produtiva e consecução de sua atividadefim, eis que decorrentes de imposição legal. Vale dizer: diante da alta periculosidade e da sua indivisibilidade, o ferro gusa em estado líquido só pode ser transportado com escolta especializada (doc. 04), gerando se, pois, despesas com combustível e escolta, bem como a depreciação de máquinas envolvidas nesta etapa, não havendo como negar que a etapa de comercialização faça parte da própria produção. E tudo isto ocorreu de acordo com autorização expressado art. 3º, I e IX, da Lei nº 10.833/03. Admitir o contrário é privilegiar o contribuinte que contrata o frete com terceiros em detrimento daquele que realiza o frete próprio, em clara ofensa ao princípio da isonomia previsto nos arts. 5º, caput, e 150, II, da CF/88. A Recorrente menciona, ainda, a jurisprudência do CARF resultante do julgamento do recurso (RV 148.457), onde se discutia o direito do contribuinte de utilização de créditos da contribuição ao PIS decorrentes de dispêndios com combustíveis e lubrificantes, utilizados pela frota de veículos que serve para o transporte de produtos e insumos entre estabelecimentos, onde tal direito é reconhecido nos termos do art. 3º, II, da Lei nº 10.637/02, sob o entendimento que insumos são todos os ‘custos, despesas, ou encargos’ vinculados ao produto ou serviço vendido, ex vi do art. 21 da IN SRF nº 460/04. Em face do acórdão proferido a PFN interpôs o REsp nº 248.457, veio a 3ª Turma da CSRF a confirmar que o conceito de insumo, para fins de apropriação de créditos de PIS (recolhido na sistemática não cumulativa), abrange todos os gastos gerais da pessoa jurídica (despesa operacional) relacionados à produção ou à venda dos produtos comercializados pela empresa. Significa dizer, todos os custos incorridos na manutenção da receita operacional do contribuinte. Fl. 777DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/03/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por ALEXANDRE KERN 8 Requer ao final a improcedência das glosas mantidas pelo juízo a quo e, consequentemente, pelo reconhecimento na integralidade dos créditos apurados. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Victor Rodrigues O recurso voluntário interposto é tempestivo e preenche os demais requisitos necessários à sua admissibilidade. Dele conheço. O apelo formalizado pela contribuinte devolve a este Juízo para apreciação dois tipos de questionamentos, a saber: (i) A existência de erro material no acórdão recorrido, quanto ao valor efetivo de seu direito creditório de PIS e COFINS de R$ 834.179,78, eis que o valor informado a título de direito creditório pelo aresto hostilizado é de R$ 264.702,47; e (ii) O direito ao crédito das despesas realizadas com combustível, serviço de escolta, movimentação de produto acabado e depreciação. A glosa dos créditos vinculados a despesas com combustível, serviço de escolta, movimentação de produto acabado e depreciação foram efetuadas pela fiscalização sob a égide de que não se enquadram no conceito de insumo e que extrapolam a previsão legal para a constituição do crédito,ex vi do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/02 e da Lei nº 10.833/04. Contrapondose ao decidido no acórdão recorrido a contribuinte reiterou o seu entendimento acerca do conceito de insumo e deduziu que todas essas despesas estão compreendidas naquelas intituladas como despesas com frete. Para a Recorrente insumo é todo e qualquer gasto incorrido pela pessoa jurídica na produção de seus bens ou na prestação de seus serviços, necessários para que a consecução de sua atividadefim; são os produtos e serviços inerentes à produção, mesmo que não sejam consumidos durante o processo produtivo; deve, necessariamente, compreender os custos e despesas operacionais da pessoa jurídica, na forma definida nos artigos 290 e 299 do RIR/99. Por conseguinte a abrangência do conceito de insumo não deve se limitar apenas à definição trazida pelas Instruções Normativas nº 247/02 e 404/04, embasadas exclusivamente na (inaplicável) legislação do IPI (Recurso nº 369.519, Acórdão nº 320100.226, Sessão de julgamento de 80 de dezembro de 2010). Inferese que o deslinde dessas controvérsias passa necessariamente pela compreensão do significado do termo ‘insumo’ e da expressão ‘frete na operação de venda’ vinculados às atividadesfim da Recorrente, com vistas à constituição de crédito de PIS e de Cofins. A Recorrente fundamentou as suas razões de defesa de acordo com o disposto no art. 3º, I e IX, da Lei nº 10.833/031, cujo caput e incisos II, VI e IX, prevê o 1Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...); Fl. 778DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/03/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11962.000340/200500 Acórdão n.º 3803003.749 S3TE03 Fl. 17 9 desconto de créditos calculados em relação a: bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes; máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado adquiridos para utilização na produção de bens destinados à venda, ou na prestação de serviços; e frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor. De forma semelhante ocorre com a contribuição para PIS. Vêse de plano que os termos objeto desta análise encontramse contextualizados no permissivo legal retrocitado, seja sob o ponto de vista da fiscalização ou mesmo pela ótica do contribuinte, portanto, incontroverso quanto a este aspecto, restando,igualmente, o exame quanto à extensão de seus efeitos, onde reside o ponto de discórdia entre as partes litigantes, eis que a autoridade fiscal restringe o alcance da definição do que deva ser insumo e, de outra parte, o contribuinte adota uma interpretação mais abrangente a esse respeito. É fato que o conceito de insumo não se encontra expresso na lei de regência da matéria e que a lista de bens, produtos e serviços nelas contidas não é taxativa. Logo, necessário se faz buscar parâmetros para o balizamento do alcance dos efeitos das definições aqui adotadas como referência, a partir da jurisprudência de Tribunais superiores e do próprio CARF. No que atine ao conceito de insumo percebese que as decisões recentemente emanadas do CARF têm adotado como referência os institutos do imposto de renda, no qual insumo é todo custo necessário, usual e normal na atividade da empresa. Tais assertivas tem conotação de abrangência e não de restrição conceitual. É o que se percebe do teor das ementas adiante transcritas, naquilo que interessa à compreensão do conceito a ser atribuído a insumo, despesas com frete, com aquisição de combustível, de movimentação de produtos em produção e acabados entre estabelecimentos do contribuinte e de depreciação,in casu. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. O conceito de insumo passível de crédito no sistema não cumulativo não é equiparável a nenhum outro conceito, tratase de definição própria. Para gerar crédito de PIS e COFINS não cumulativo o insumo deve: II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Fl. 779DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/03/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por ALEXANDRE KERN 10 ser UTILIZADO direta ou indiretamente pelo contribuinte na sua atividade (produção ou prestação de serviços); ser INDISPENSÁVEL para a formação daquele produto/serviço final; e estar RELACIONADO ao objeto social do contribuinte. (Acórdão nº 3302001.781, Sessão de 10/10/2012). Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 COFINS NÃOCUMULATIVA. CRÉDITO. RESSARCIMENTO. A inclusão no conceito de insumos das despesas com serviços contratados pela pessoa jurídica e com as aquisições de combustíveis e de lubrificantes denota que o legislador não quis restringir o creditamento da Cofins às aquisições de matérias primas, produtos intermediários e ou material de embalagens (alcance de insumos na legislação do IPI) utilizados, diretamente, na produção industrial, ao contrário, ampliou de modo a considerar insumos como sendo os gastos gerais que a pessoa jurídica precisa incorrer na produção de bens ou serviços por ela realizada. (Acórdão nº 3101001.109, PAF 10850.001925/9899, Sessão de 27/06/2012, Rel. Cons. Tarásio Campelo Borges, PMV). No mesmo sentido encontrase o Acórdão 3201000.958 (10976.000158/200871), Sessão de 26/04/2012. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social –Cofins Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 CRÉDITOS. COMBUSTIVEIS E LUBRIFICANTES As aquisições de combustíveis e lubrificantes utilizados na produção e na operação de entrega direta de produtos industrializados e vendidos pelo produtor/vendedor integram o conceito de insumo se geram créditos dedutíveis da Cofins devida mensalmente. (Acórdão nº 20312.902, PAF 11065.003365/200490, Sessão de 08/05/2008). COFINS – NÃO CUMULATIVIDADE – INDÚSTRIA METALÚRGICA DIREITO DE CRÉDITO – RESSARCIMENTO. Lei nº 10.637/02, art. 3º IN SRF nº 460/2004 A expressão “bens e serviços utilizados como insumo” empregada pelo legislador, obviamente não se restringe somente aos insumos utilizados no processo de industrialização, tal como definidos nas legislações de regência do IPI e do ICMS, mas designa cada um dos elementos necessários ao processo de produção de bens e serviços; insumos são os gastos que, ligados inseparavelmente aos elementos produtivos, proporcionam a existência do produto ou serviço, o seu funcionamento, a sua manutenção ou o seu aprimoramento, desde que seja imprescindíveis para o funcionamento do fator de produção. Inserindose no conceito de insumo utilizado na produção de bens destinados à venda (art. 3º, inc. II da lei nº 10.637/02), eis que inseparavelmente ligados ao funcionamento e à manutenção das diversas e imprescindíveis etapas do ciclo produtivo do bem que possibilitam sua destinação final à venda, os gastos com “Lingoteira; Alutap 68C, barro, tijolos refratários, vergalhões, diesel comum, peças de manutenção mecânica; refratários; serviços de revestimento; brita calcária, geram direito ao crédito do PIS. (Acórdão nº 3402001.645, PAF 10218.000546/200591, Sessão de 15/02/2012, Rel. Cons. Fernando Luiz Lobo D Eca, RPPVQ). Fl. 780DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/03/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11962.000340/200500 Acórdão n.º 3803003.749 S3TE03 Fl. 18 11 PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS NÃO CUMULATIVOS. BENS INTEGRANTES DO ATIVO FIXO/IMOBILIZADO/PERMANENTE NA DATA DA ENTRADA EM VIGOR DOS REGIMES DE NÃO CUMULATIVIDADE. POSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO PELOS ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO E AMORTIZAÇÃO APURADOS JÁ NA VIGÊNCIA DO REGIME. ARTS. 3º, §1º, III e §3º, III, DA LEI N. 10.637/2002 E DA LEI N. 10.833/2003. 1. O fato gerador dos créditos escriturais de PIS e de Cofins previstos nos arts. 3º, VI, da Lei n. 10.637/2002 e da Lei n. 10.833/2003 ocorre no momento ("no mês") em que são apurados os encargos de depreciação e amortização, na forma do art. 3º, §1º, III e §3º, III das mesmas leis, indiferente a data de aquisição dos bens. Isto é: "A apuração dos créditos decorrentes dos encargos de depreciação e de amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, alcança os encargos incorridos em cada mês, independentemente da data de aquisição desses bens" (Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 2 de 14 de março de 2003). 2. Desse modo, sem adentrar à análise do art. 31, da Lei n.10.865/2004, os bens existentes em 1o de dezembro de 2002 no ativo permanente das empresas estão aptos a gerar o creditamento pelos encargos de depreciação e amortização para a contribuição ao PIS/Pasep e os bens existentes em 1º de fevereiro de 2004 no ativo permanente das empresas estão aptos a gerar o creditamento pelos encargos de depreciação e amortização para a COFINS. 3. Recurso especial provido. Decisão Vistos, relatados e discutidos esses autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEGUNDA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas, o seguinte resultado de julgamento: "A Turma, por unanimidade, deu provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator, sem destaque." Os Srs. Ministros Cesar Asfor Rocha, Castro Meira, Humberto Martins e Herman Benjamin (Presidente) votaram com o Sr. Ministro Relator. (REsp nº 1256134/SC, Sessão de 10/04/2012). Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/03/2005 a 31/12/2005 CRÉDITOS BÁSICOS. DESPESAS COM FRETES. As despesas com fretes para transporte de produtos em elaboração e, ou produtos acabados entre estabelecimentos do contribuinte, pagas e/ ou creditadas a pessoas jurídicas, mediante conhecimento de transporte ou de notas fiscais de prestação de serviços, geram créditos básicos de Cofins, a partir da competência de fevereiro de 2004, passiveis de dedução da contribuição devida e/ ou de ressarcimento/compensação. RO PROVIDO EM PARTE E RV PROVIDO EM PARTE Restabelecese a exigência das partes dos créditos tributários correspondentes aos créditos básicos das contribuições para o PIS e Cofins, exoneradas pela autoridade julgadora de primeira instância, calculados indevidamente sobre os valores das notas fiscais de entradas emitidas pelo próprio contribuinte e não sobre os valores das notas fiscais dos fornecedores. (Acórdão nº Fl. 781DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/03/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por ALEXANDRE KERN 12 3301001.577, PAF 10680.722403/201035, Sessão de 10/10/2012, Rel. Cons. José Adão Vitorino de Morais). Como visto todos os temas objeto de questionamento por parte da contribuinte e da decisão recorrida devolvidos a esta Corte para exame encontramse contemplados na jurisprudência retromencionada. A partir de uma simples leitura dos textos suso transcritos é possível inferir que o conceito de insumo comporta inserção de custos de produção e despesas operacionais necessárias às atividades da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (RIR/99, art. 299), bem assim que as hipóteses relacionadas nas leis retrocitada são exemplificativas e não exaustivas. Dito isto e considerando a legislação específica, a doutrina e a jurisprudência trazida aos autos pela própria Recorrente, portanto diante do conjunto de elementos disponibilizados, há se concluir que cabe a dedução das despesas ligadas direta ou indiretamente vinculadas à atividade principal da contribuinte (objeto social), relacionada à venda de mercadorias ou o serviço, para fins de constituição de crédito ou de compensação. Ademais, como visto, as Leis nºs 10.637/02 e 10.833//03 autorizaram em seu artigo 3º, IX, o desconto de créditos relacionados às despesas com frete nas operações de vendas de mercadorias, desde que o ônus seja suportado pelo vendedor. Considerando a contextualização do conceito de insumo, bem como que o serviço de frete comporta atividades de coleta, transferência e entrega da mercadoria transportada, além de vários aspectos que devem ser contemplados, como custo com gerenciamento de riscos, percurso, tipo de carga, dentre outros aspectos; Considerando que a carga transportada pela contribuinte é de alta periculosidade e que a contribuinte se sujeita à legislação aplicável ao transporte rodoviário de produtos perigosos, ao ponto de ser tratado como caso especial, que envolve o cumprimento de exigências nela estabelecidas, que impõe acompanhamento técnico especializado, o transporte preferencialmente em veículos próprios e que prevê a necessidade de acompanhamento de escolta, mediante prévia obtenção de Autorização Especial de Trânsito – AET, nos termos da Resolução DNIT nº 11/04; Considerando que o dispêndio realizado para o transporte, mesmo que ocorrendo após o processo produtivo, é necessário à consecução do desiderato e suportado pela própria fabricante, a nosso sentir, deve integrar o conceito de insumo, compreendido dentre as despesas operacionais da contribuinte, classificadas ou não como parte integrante das despesas com frete. E mais, nos termos do já decidido recentemente no Acórdão nº 3301 001.577, PAF 10680.722403/201035, Sessão de 10/10/2012, Rel. Cons. José Adão Vitorino de Morais, posição com a qual me filio, “as despesas com fretes para transporte de produtos em elaboração e/ou produtos acabados entre estabelecimentos do contribuinte, pagas ou creditadas a pessoas jurídicas, mediante conhecimento de transporte ou notas fiscais de prestação de serviços, geram créditos básicos de Cofins, a partir da competência de fevereiro, passíveis de dedução da contribuição devida ou de ressarcimento/compensação”. Ante todo o exposto dou provimento parcial ao recurso voluntário, para o reconhecimento da ocorrência de erro material na apuração do montante do crédito a que faz jus o contribuinte, cometido no Parecer SEORT/DRF/VIT nº 2.152/2009, e para converter as Fl. 782DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/03/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11962.000340/200500 Acórdão n.º 3803003.749 S3TE03 Fl. 19 13 glosas atinentes aos gastos com aquisição de combustíveis consumidos no transporte de produtos acabados e serviços de escolta. É assim que voto. Jorge Victor Rodrigues –Relator Fl. 783DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/03/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 12269.004508/2009-61
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007
Ementa:
ENSINO SUPERIOR. PARCELA INCIDENTE.
A verba relativa ao ensino superior não está fora do campo de incidência das contribuições previdenciárias, prevista no art. 28, § 9º, t da Lei 8.212/91.
BALCONISTA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO.
O pagamento de prêmios a balconistas constitui remuneração sujeita à incidência de contribuições previdenciárias, uma vez que visa retribuir a prestação de serviços.
REMUNERAÇÃO DE DIRIGENTE. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO.
A remuneração a dirigentes a título de empréstimo sob a forma de contrato de mútuo que não preenche as formalidades legais e sem comprovação adequada é base de incidência de contribuição previdenciária.
PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO.
O indeferimento do pedido de perícia não caracteriza cerceamento do direito de defesa, quando demonstrada sua prescindibilidade.
Deve ser indeferido pedido de perícia quando as provas poderiam ter sido trazidas aos autos pelo contribuinte.
PROVA DOCUMENTAL.
A prova documental deve ser juntada por ocasião da impugnação, precluindo o direito do sujeito passivo de fazê-lo em outro momento processual, quando não comprovada nenhuma das hipóteses de exceção previstas na legislação.
Ocorrendo recusa de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, pode a fiscalização, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário, nos termos dos §§ 1º, 3º, e 6o, do art. 33 da Lei 8.212/91.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-001.990
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, I- por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso nos termos do voto do(a) Relator(a), quanto ao levantamento ED - Z1 (valores pagos a título de Formação Escolar e Profissional). Vencido(a)s o(a)s Conselheiro(a)s Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Oseas Coimbra Junior; II- por unanimidade de votos, em relação às demais questões tratadas, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator, mantendo os demais lançamentos constantes dos autos.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007 Ementa: ENSINO SUPERIOR. PARCELA INCIDENTE. A verba relativa ao ensino superior não está fora do campo de incidência das contribuições previdenciárias, prevista no art. 28, § 9º, t da Lei 8.212/91. BALCONISTA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. O pagamento de prêmios a balconistas constitui remuneração sujeita à incidência de contribuições previdenciárias, uma vez que visa retribuir a prestação de serviços. REMUNERAÇÃO DE DIRIGENTE. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. A remuneração a dirigentes a título de empréstimo sob a forma de contrato de mútuo que não preenche as formalidades legais e sem comprovação adequada é base de incidência de contribuição previdenciária. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. O indeferimento do pedido de perícia não caracteriza cerceamento do direito de defesa, quando demonstrada sua prescindibilidade. Deve ser indeferido pedido de perícia quando as provas poderiam ter sido trazidas aos autos pelo contribuinte. PROVA DOCUMENTAL. A prova documental deve ser juntada por ocasião da impugnação, precluindo o direito do sujeito passivo de fazê-lo em outro momento processual, quando não comprovada nenhuma das hipóteses de exceção previstas na legislação. Ocorrendo recusa de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, pode a fiscalização, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário, nos termos dos §§ 1º, 3º, e 6o, do art. 33 da Lei 8.212/91. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, I- por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso nos termos do voto do(a) Relator(a), quanto ao levantamento ED - Z1 (valores pagos a título de Formação Escolar e Profissional). Vencido(a)s o(a)s Conselheiro(a)s Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Oseas Coimbra Junior; II- por unanimidade de votos, em relação às demais questões tratadas, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator, mantendo os demais lançamentos constantes dos autos. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Natanael Vieira dos Santos.
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PARCELA INCIDENTE. A verba relativa ao ensino superior não está fora do campo de incidência das contribuições previdenciárias, prevista no art. 28, § 9º, “t” da Lei 8.212/91. BALCONISTA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. O pagamento de prêmios a balconistas constitui remuneração sujeita à incidência de contribuições previdenciárias, uma vez que visa retribuir a prestação de serviços. REMUNERAÇÃO DE DIRIGENTE. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. A remuneração a dirigentes a título de empréstimo sob a forma de contrato de mútuo que não preenche as formalidades legais e sem comprovação adequada é base de incidência de contribuição previdenciária. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. O indeferimento do pedido de perícia não caracteriza cerceamento do direito de defesa, quando demonstrada sua prescindibilidade. Deve ser indeferido pedido de perícia quando as provas poderiam ter sido trazidas aos autos pelo contribuinte. PROVA DOCUMENTAL. A prova documental deve ser juntada por ocasião da impugnação, precluindo o direito do sujeito passivo de fazêlo em outro momento processual, quando não comprovada nenhuma das hipóteses de exceção previstas na legislação. Ocorrendo recusa de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, pode a fiscalização, sem prejuízo da penalidade AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 9. 00 45 08 /2 00 9- 61 Fl. 447DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/ 02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 12269.004508/200961 Acórdão n.º 2803001.990 S2TE03 Fl. 438 2 cabível, lançar de ofício a importância devida, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário, nos termos dos §§ 1º, 3º, e 6o, do art. 33 da Lei 8.212/91. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, I por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso nos termos do voto do(a) Relator(a), quanto ao levantamento ED Z1 (valores pagos a título de Formação Escolar e Profissional). Vencido(a)s o(a)s Conselheiro(a)s Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Oseas Coimbra Junior; II por unanimidade de votos, em relação às demais questões tratadas, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator, mantendo os demais lançamentos constantes dos autos. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 448DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/ 02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 12269.004508/200961 Acórdão n.º 2803001.990 S2TE03 Fl. 439 3 Relatório DO LANÇAMENTO O lançamento foi efetuado em nome de Cantegril Ind e Com de Espumas e Colchões S/A, que teve sua razão social modificada para CANTEGRIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ESPUMAS E COLCHÕES LTDA, em virtude da alteração do tipo jurídico da Sociedade. O lançamento foi efetuado em nome de Cantegril Ind e Com de Espumas e Colchões S/A, que teve sua razão social modificada para CANTEGRIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ESPUMAS E COLCHÕES LTDA, em virtude da alteração do tipo jurídico da Sociedade, conforme demonstram o documento de fls. 164 a 168. Tratase de crédito referente às contribuições da empresa incidentes sobre remunerações pagas, devidas ou creditadas a segurados empregados e contribuintes individuais, e às contribuições para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre remunerações pagas, devidas ou creditadas a segurados empregados, nas competências compreendidas entre 01/2005 a 12/2007. O Auto de Infração compõese dos seguintes levantamentos: a) Levantamentos ED e Z1: contribuições incidentes sobre valores pagos pela empresa a seus empregados, a título de Formação Escolar e Profissional; b) Levantamentos ND e Z2: contribuições incidentes sobre a diferença entre os valores de salário de contribuição constantes das folhas de pagamento e os declarados em GFIP; c) Levantamentos PPA e Z3: diferenças de contribuições incidentes sobre a remuneração paga a contribuintes individuais, lançadas na conta contábil 3.1.1.500.0005.0005, Serviços de Terceiros, e não declarada em GFIP; d) Levantamentos PRE e Z4: referente a pagamentos de prêmios conforme conta contábil 3.1.2.100.0003.0005 (prêmio mensal a balconistas); e) Levantamentos RA, Z5, RB, Z6, RC, RD e Z7: contribuições incidentes sobre retiradas feitas pelos diretores da empresa (depósito bancário ou pagamentos efetuados pela empresa de despesas pessoais), no próprio nome ou em nome de suas filhas acionistas, conforme contas contábeis 1.2.3.100.0001, 1.2.3.100.0002, 1.2.3.100.0003 e 1.2.3.100.0004. Os valores foram descaracterizados de empréstimos da empresa a seus diretores e acionistas pela ausência de Atas de autorização e histórico dos lançamentos contábeis. Considerando a Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, e em atendimento ao disposto no artigo 106, inciso II, alínea “c” da Lei 5.172, de Fl. 449DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/ 02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 12269.004508/200961 Acórdão n.º 2803001.990 S2TE03 Fl. 440 4 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN), a fiscalização efetuou a comparação das penalidades de multa, para verificar a mais benéfica ao contribuinte. O cálculo da multa e os resultados obtidos estão demonstrados na Planilha de fls. 126 a 128, em anexo ao Relatório Fiscal. No item 9 do Relatório Fiscal está consignado que a falta da informação em GFIP de contribuições devidas à Previdência Social incidentes sobre a remuneração de empregados e contribuintes individuais configura, em tese, ilícito penal, o que seria objeto de comunicação ao Ministério Público Federal, em relatório à parte, para eventual propositura de ação penal. DA CIÊNCIA DO LANÇAMENTO O sujeito passivo foi cientificado da autuação fiscal em 16/11/2009, apresentando impugnação. A decisão de primeira instância administrativa fiscal julgou o lançamento procedente. DO RECURSO VOLUNTÁRIO O contribuinte foi cientificado da decisão, inconformado interpôs recurso voluntário, alegando em síntese: a nulidade da decisão por cerceamento do direito de defesa: ofensa ao devido processo legal e à ampla defesa. na análise dos autos, sua fundamentação e os documentos que os acompanham, percebese as inconsistências existentes nos lançamentos contestados, sobre o levantamento ED – Z1 (valores pagos a título de Formação Escolar e Profissional) e, conseqüentemente, a necessidade de anular a decisão recorrida e determinar a realização da perícia contábil. a inexigibilidade das contribuições sobre os valores pagos a título de Formação Escolar e Profissional, inclusive para cursos de Educação Superior (letra “t” do § 9o do art. 28 da Lei 8.212/91). As entidades SESI/SENAI/SENAC oferecem cursos apenas para aperfeiçoamento e qualificação profissional. As faculdades e universidades mencionadas nos autos também colocam à disposição cursos de especialização e capacitação profissional. Tais verbas não remuneram trabalho algum e nem são destinadas a retribuir o trabalho, mas sim para incentivar a qualificação profissional; a inexigibilidade das contribuições sobre os valores pagos a título de prêmio/comissão a balconistas (conta 3.1.2.100.0003.0005). Os valores eram sempre pagos às pessoas jurídicas, beneficiárias diretas dos pagamentos, sendo os seus balconistas apenas beneficiários indiretos. A distinção contábil nos registros da empresa servia apenas para quantificar as comissões em relação aos beneficiários finais; Houve presunção da fiscalização sobre as verbas guerreadas e sem comprovação, o que ratifica a realização perícia contábil, conforme requerida na impugnação; Fl. 450DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/ 02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 12269.004508/200961 Acórdão n.º 2803001.990 S2TE03 Fl. 441 5 a inexigibilidade das contribuições sobre as supostas retiradas de diretores da empresa. Tratase de contrato de mútuo em 01/07/2005, que em razão de inadimplência houve repactuação em 01/07/2007 e registro na contabilidade. É desnecessária a apresentação de autorização prévia da assembléia geral para a realização dos mútuos. Houve aprovação do balanço pela assembléia geral nos anos de 2006 e 2007, sendo os empréstimos concedidos aprovados, sem necessidade de ata específica para tanto. Os juros não foram contabilizados por que não estavam sendo pagos. Os contratos tinham assinaturas e duas testemunhas sendo irrelevante o reconhecimento de firma. por fim, requer a improcedência do lançamento fiscal. Fl. 451DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/ 02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 12269.004508/200961 Acórdão n.º 2803001.990 S2TE03 Fl. 442 6 Voto Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche todos os requisitos de admissibilidade, razão pela qual passo a analisálo. Analisando os autos, sua fundamentação e os documentos anexos, percebese a consistência existente no lançamento fiscal sobre os levantamentos guerreados (valores pagos a título de Formação Escolar e Profissional), não havendo necessidade de nulidade da decisão recorrida por cerceamento do direito de defesa e ofensa ao devido processo legal, como será demonstrado. Consta do item 7.1 do relatório fiscal, fls. 66/67 dos autos, que a fiscalização excluiu da incidência de contribuição previdenciária os valores de educação básica (ensino fundamental e médio), de cursos de capacitação e qualificação profissional, e de educação superior abrangidos pelos arts. 39 a 42 da Lei 9.394/96 relativos à educação profissional. Embora solicitados, a empresa não apresentou os recibos dos valores pagos ao SESI/SENAI/SENAC constantes em planilha apresentada pela fiscalização, impossibilitando identificar os tipos de cursos contratados. Quanto aos recibos apresentados das faculdades/universidades, informa a fiscalização que se referem a cursos de educação superior nos termos dos arts. 43 a 57 da Lei 9.394/96, e, neste caso, houve incidência de contribuição previdenciária. O § 9º e alínea “t” do art. 28 da Lei 8.212/91 dispõem que não integram o salário de contribuição os valores pagos a título de educação básica e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não sejam utilizados em substituição de parcela salarial, nos termos da Lei 9.394/96, redação dada Lei 9.711/98, inclusive na nova redação da Lei 12.513/2011. Consta do item 7.3 – Levantamento PPA (Z3) do relatório fiscal, fls. 67/68, apuração fiscal de remuneração paga a contribuintes individuais lançadas na conta contábil 3.1.1.500.0005.0005, Serviços de Terceiros, conforme planilha anexa, e não declarados em GFIP (Pagamento de Recibos de Pagamentos a Autônomos RPA). Consta do item 7.4 – Levantamento RPE (Z4) do relatório fiscal, fl. 68, conta 3.1.2.100.0003.0005, Premio, pagamentos definidos como prêmio mensal a balconistas. Foi solicitada da empresa a identificação dos beneficiários dos pagamentos. Como não houve apresentação dos documentos identificando os beneficiários dos pagamentos, os valores constantes na conta contábil foram considerados como pagamento de premiação a balconistas que mantém vínculo empregatício com as lojas responsáveis pela venda dos produtos da autuada e considerados contribuintes individuais, sendo lançada a respectiva contribuição. Consta do item 7.5 – Levantamento R RETIRADAS DE DIRETORES DA EMPRESA [(RA (Z5) CONTA 1.2.3.100.0001, RB (Z6) CONTA 1.2.3.100.0002, RC CONTA 1.2.3.100.0003, RD (Z7) CONTA 1.2.3.100.0004)] do relatório fiscal, fls. 68/69, Fl. 452DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/ 02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 12269.004508/200961 Acórdão n.º 2803001.990 S2TE03 Fl. 443 7 referente a contribuições sociais sobre retiradas feitas pelos diretores da empresa, em seu próprio nome ou em nome de suas filhas, por intermédio de depósitos bancários ou pagamentos de despesas pessoais, conforme planilha anexa. Há ausência de atas de autorização e o histórico dos lançamentos contábeis não demonstram pagamento de juros antes da repactuação, passando a ter tratamento de empréstimo pessoal. Solicitados os documentos e explicações sobre o caso a empresa não os forneceu. Os valores lançados a crédito na conta 1.2.3.100.0001 Nelson Brilman Castan não foram considerados no lançamento fiscal pela impossibilidade de análise detalhada dos de documentos e identificação das competências. As cópias dos contratos de mútuo, repactuação, planilha de atualização saldo créditos com acionistas, recibos de depósitos e pagamentos foram apresentados pela empresa. Consta da decisão recorrida, fls 380/390, que a isenção concedida pelo art. 28, § 9º, alínea “t” da Lei 8.212/91, não contempla o ensino superior de que trata o Capítulo IV, arts. 43 a 57 da Lei 9.394/96, tendo em vista a clara identificação dos diversos níveis e modalidades de educação, bem como, as características estabelecidas nesta lei, nunca foram consideradas como curso de capacitação e qualificação profissional. Acrescenta que este entendimento já era existente na redação original do art. 39 da Lei 9.394/96 e agora foi reforçado pela nova redação promovida pela Lei 11.741/08, que apontou o que constitui educação profissional tecnológica de nível superior no Capítulo III, deixando de fora os demais cursos superiores tratados no Capítulo IV. Assim, a decisão recorrida considerou que os pagamentos efetuados pelo recorrente a título de mensalidades escolares relativos à educação superior estão tratados no Capítulo IV da Lei 9.394/96 e integram o salário de contribuição para efeito de incidência de contribuição previdenciária, por se tratar de valor pago a “qualquer título”, conforme previsto no inciso I, artigo 28 da Lei 8.212/91. A impugnação do contribuinte menciona programa de incentivo ao ensino superior relacionado à atividade profissional da empresa (Formação Escolar Profissional) que concede reembolso parcial do valor da mensalidade e examinado pela fiscalização e decisão recorrida, contudo, sem convencimento de ambos quanto a não incidência das contribuições sociais. O contribuinte formulou quesitos para a perícia no sentido de solucionar duvidas suscitadas. Entretanto, todos os quesitos podem ser solucionados com a apresentação dos documentos solicitados em planilhas discriminadas pela fiscalização. O contribuinte não apresentou tais documentos e informações à fiscalização. Na planilha de solicitação de documentos e informações à empresa (Formação Escolar e Profissional), requerida pela fiscalização, consta nome do beneficiário, histórico (incentivo à educação), valor, descrição e a conta contábil, data do lançamento. O contribuinte não contesta de forma específica os dados. Os valores pagos a título de prêmio a balconistas (conta 3.1.2.100.0003.0005) estão identificados em planilha apresentada pela fiscalização. O contribuinte não contesta ou demonstra, de maneira específica, quais os possíveis erros da fiscalização, tampouco, junta aos autos comprovação de que tais valores eram pagos para pessoas jurídicas, beneficiárias diretas dos pagamentos. Fl. 453DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/ 02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 12269.004508/200961 Acórdão n.º 2803001.990 S2TE03 Fl. 444 8 A Fiscalização também apresenta planilha discriminada com valores e histórico de pagamentos para os valores a título de retiradas de diretores da empresa (pagamento de depósito bancário e despesas de diretores e de seus filhos a título de empréstimo não justificados). Entretanto, o contribuinte não contesta os valores, históricos e conta contábil de onde foram extraídos. Apenas apresenta argumentos de contrato de mútuo já analisados pela fiscalização e decisão recorrida que foram indeferidos. Também, não junta aos autos comprovação de seus argumentos. Diante da análise dos dados não vislumbro a necessidade de diligência/perícia para responder os quesitos formulados pelo contribuinte. A apresentação dos documentos indicados/solicitados pela fiscalização é suficiente para esclarecimento e eventuais dúvidas do contribuinte quanto ao lançamento fiscal. Entretanto, desde a ciência das planilhas pelo contribuinte até o presente julgamento não houve apresentação dos documentos solicitados pela fiscalização e os esclarecimentos. Deste modo, indefiro o pedido de perícia/diligência, pois seu objetivo não é produzir provas que deveriam ter sido trazidas aos autos juntamente com a impugnação, nos termos dos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972, e até o momento deste julgamento não apresentadas. Assim, acompanho o entendimento da decisão recorrida pelo indeferimento do pedido de perícia/diligência, nos termos do art. 18 do Decreto nº 70.235/72, e considerando que os elementos constantes dos autos são suficientes para a formação de convicção do julgador. Não houve presunção da fiscalização sobre os valores das verbas debatidas, pois foram comprovadas por intermédio de documentos e da escrita contábil. Não houve cerceamento do direito de defesa nem ofensa ao devido processo legal, pois os procedimentos estão de acordo com as normas legais. O contribuinte alega a inexigibilidade das contribuições sobre os valores pagos a título de Formação Escolar e Profissional, Educação Superior e especialização, do SESI/SENAI/SENAC, capacitação profissional, pois não remuneram trabalho algum e nem são destinadas a retribuir o trabalho, entretanto, não juntou aos autos suas comprovações, nem os documentos e esclarecimentos solicitados pela fiscalização em planilhas, bastante para a solução da lide. O contribuinte, também, não apresenta os documentos relativos às planilhas de valores pagos a título de prêmio/comissão a balconistas (conta 3.1.2.100.0003.0005) e retiradas feitas pelos diretores da empresa (depósito bancário ou pagamentos efetuados pela empresa de despesas pessoais), no próprio nome ou em nome de suas filhas acionistas, conforme contas contábeis 1.2.3.100.0001, 1.2.3.100.0002, 1.2.3.100.0003 e 1.2.3.100.0004. É prerrogativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil o exame de documentos e da contabilidade das empresas, ficando o contribuinte obrigado a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados. Ocorrendo recusa de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário, nos termos dos §§ 1º, 3º, e 6o, do art. 33 da Lei 8.212/91. O crédito tributário encontrase revestido das formalidades legais do art. 142 e § único, e arts. 97 e 114, todos do CTN, com período apurado, discriminação dos fatos geradores por intermédio de Relatórios Fiscais e, ainda, Discriminativo de Débito – DD com informações das alíquotas e os valores das contribuições sociais devidas; a Instrução para o Fl. 454DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/ 02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 12269.004508/200961 Acórdão n.º 2803001.990 S2TE03 Fl. 445 9 Contribuinte – IPC; os Fundamentos Legais do Débito – FLD; a identificação do contribuinte, identificação do Auditor Fiscal notificante, e demais informações constantes dos autos, consoante artigo 33 da Lei 8.212/91. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto em negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Fl. 455DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/ 02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 14033.003352/2008-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/05/2004 a 31/05/2004, 01/06/2004 a 30/06/2004, 01/07/2004 a 31/07/2004 COMPENSAÇÃO. PEDIDO FORA DO PRAZO. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. EFEITOS RETROATIVOS. MULTA DE MORA. INAPLICABILIDADE. Não se considera em mora o pedido de compensação do crédito tributário apresentado fora do prazo, quando decorrente de revisão da metodologia de cálculo dos tributos motivada por nova interpretação da legislação tributária determinada em ato editado pelo Poder Público com efeitos retroativos. Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3102-001.127
Decisão: Acordam os membros do colegiado, pro unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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PEDIDO FORA DO PRAZO. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. EFEITOS RETROATIVOS. MULTA DE MORA. INAPLICABILIDADE. Não se considera em mora o pedido de compensação do crédito tributário apresentado fora do prazo, quando decorrente de revisão da metodologia de cálculo dos tributos motivada por nova interpretação da legislação tributária determinada em ato editado pelo Poder Público com efeitos retroativos. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pro unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. Ricardo Paulo Rosa Relator. EDITADO EM: 30/03/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Paulo Sergio Celani, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama. Ausente justificadamente o Conselheiro Luciano Pontes de Maya Gomes. Relatório Fl. 116DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/05/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por RICARDO PAULO ROSA 2 Por bem descrever os fatos, adoto o relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Tratam os autos de declaração de compensação transmitida em 07/08/2007, pelo Programa Pedido Eletrônico de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação PER/DCOMP, de débitos no valor de R$ 3.847.766,28, relativos à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — Cofins, com crédito relativo a pagamento indevido ou a maior de Cofins (código 5856), arrecadado em 14/05/2004, no valor de R$ 6.328.813,35. Em despacho decisório (fls. 17 e 18) emitido em 29/09/2008, a autoridade fiscal homologou parcialmente a compensação declarada no Per/Dcomp 20208.36290.070807.1.3.044013, sob a alegação de que o pagamento a maior, até a data de transmissão do Per/Dcomp, não é suficiente para compensar os débitos indicados na referida declaração. Cientificada da decisão em 20/11/2009, a contribuinte apresentou sua manifestação de inconformidade ao despacho decisório em 17/12/2008 (fls 25 a 3.8), alegando, em síntese, que: • A Eletronorte é sociedade de economia mista; dedicada às atividades de geração, compra, venda e transmissão de energia elétrica: • Por força da Lei Complementar n° 70, de 30 de dezembro de 1991, a Eletronorte passou à condição de contribuinte da Cofins, sob a modalidade de incidência cumulativa, à alíquota de 2% sobre seu faturamento mensal. • O art. 8° da Lei n°9.718, de 27 de novembro de 1998, elevou a alíquota da Cofins para 3%. • Pela Lei n" 10.833, de 29 de dezembro de 2003, a Cofins passou a ser cobrada sob a modalidade de incidência nãocumulativa à alíquota de 7,6%. • Entretanto, o art. 10, inciso XI; alínea "c"; da referida lei, manteve sob a regra da cumulatividade da Cofins as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços contratados com pessoa jurídica de direito público, empresa pública, sociedade de economia mista ou suas subsidiárias, bem como os contratos posteriormente firmados decorrentes de propostas apresentadas, em processo licitatório, até aquela data. • Ou seja, as receitas oriundas de contratos de fornecimento de bens firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, por sociedade de economia mista, envolvendo preço predeterminado, permaneceram no regime da cumulatividade, sujeitandose à alíquota de 3% para a Cofins. • Segundo a Instrução Normativa SRF n° 468, de 8 de novembro de 2004, as receitas auferidas de contratos fumados anteriormente a 31/10/2003, com cláusula de reajuste de preços, a incidência pela cumulatividade da Cofins se aplica somente até a implementação do primeiro reajustamento, após essa data, adotase o regime da nãocumulatividade. • Em confronto com a Lei n° 10.833, de 2003, a RFB definiu o que a lei não definira — preço determinado — obrigando a contribuinte a recolher Cofins à alíquota de 7,6%. E ainda deu efeito retroativo à 1° de fevereiro de 2004, a essa decisão. • Todo e qualquer contrato, em que de um lado se verifica o fornecimento de um bem ou serviço, e de outro lado o pagamento como contraprestação, já nasce Fl. 117DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/05/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 14033.003352/200818 Acórdão n.º 310201.127 S3C1T2 Fl. 2 3 com preço predeterminado. Não é a sua cláusula de reajuste de preço que vai descaracteriza essa condição. • Entretanto, obedecendo à determinação da IN SRF n° 468, de 2004, a contribuinte efetuou os recolhimentos retroativos. • Posteriormente, o art. 109 da Lei n° 11.196, de 21 de novembro de 2005, definiu que a cláusula de reajustes nos contratos não descaracteriza a condição de preço predeterminado. • Então a Receita Federal editou a IN SRF n° 658, de 4 de julho de 2006, dispondo, em consonância com a Lei n° 11.196, de 2005, que as receitas auferidas de contratos fumados até 31 de outubro de 2003, e com cláusula de reajuste de preços, também estão sujeitos à cumulatividade. Tal determinação retroagiu a fevereiro de 2004. • Assim, a contribuinte procedeu ao recálculo dos recolhimentos da Cofins e apurou recolhimento a maior a título dessa contribuição. • Em conseqüência do recálculo houve alteração nos valores dos débitos e créditos do tributo em comparação com os valores anteriormente calculados, tendo sido apurado crédito que foi compensado conforme o Per/Dcomp n° 20208.36290.070807.1.3.044013 com débitos de Cofins, nos termos na IN SRF n° 600, de 28 de dezembro de 2005. • O Fisco obrigou a contribuinte a refazer sua apuração de Cofins por duas vezes e, apesar da evidente falha administrativa decorrente da errônea interpretação e regulação da Lei n° 10.833, de 2003, impôs à contribuinte pagamento de multa de mora de 20% por suposto recolhimento em atraso. • A multa é inaplicável, uma vez que não houve descumprimento de nenhuma norma que motivasse o recolhimento de tributo em atraso. • É inadmissível exigir pagamento de multa em decorrência de mudanças de regras de apuração de tributo, com efeito retroativo, afinal a contribuinte está sendo punido por cumprir norma emanada da própria administração pública (art. 106, inciso Código Tributário Nacional — CTN). • As normas em questão, de caráter interpretativo, não podem retroagir para prejudicar a contribuinte, impondolhe multa moratória. • A SRF, ao exigir o pagamento da citada multa, busca beneficiarse o seu próprio erro, ao obrigar a contribuinte a aplicar nos contratos em estudo a alíquota de 7,6% (regime nãocumulativo), quando estava em vigor o regime da cumulatividade (3%). • Não há que se falar em pagamento em atraso de tributo em função da compensação efetuada, uma vez que envolveu valores recolhidos indevidamente, a maior, por imposição da própria RFB que interpretou indevidamente o comando legal. • A administração pública está sujeita aos princípios da legalidade e da autotutela. • A RFB ao interpretar a Lei n° 10.833, de 2003, atropelou o princípio da legalidade. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/05/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por RICARDO PAULO ROSA 4 • O reconhecimento tardio do erro pela RFB fez com que a contribuinte refizesse seus cálculos de Cofins, decorrendo daí novos valores de débitos e créditos, gerando a compensação em questão. • A multa cobrada é ilegal e deve ser declarada nula, sob pena da RFB se beneficiar financeiramente por erro administrativo por ela mesma cometido. Por fim, requer que seja dado provimento à manifestação de inconformidade, que seja julgada improcedente e declarada nula a multa de mora e que a Dcomp apresentada seja totalmente homologada. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/05/2004 a 31/05/2004, 01/06/2004 a 30/06/2004, 01/07/2004 a 31/07/2004 RETROATIVIDADE DAS NORMAS TRIBUTÁRIAS. IMPOSIÇÃO DE MULTA MORATÓRIA. ART 10, INCISO XI, ALÍNEA "C" DA LEI N° 10.833, DE 2003. IN SRF N° 658, DE 2006. Não cabe a imposição da multa moratória para os débitos de Cofins cumulativa, decorrentes de receitas que se enquadram naquelas descritas no art. 10, inciso XI, alínea "c", da Lei n° 10.833, de 2003, com vencimento anterior à data de publicação da IN SRF n° 658, de 2006. A litigante não traz aos autos prova de que o débito declarado é decorrente de receitas que se enquadram naquelas descritas no art. 10, inciso XI, alínea "c", da Lei n° 10.833, de 2003. Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a recorrente apresenta recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio do qual repisa argumentos contidos na Manifestação de Inconformidade. Apresenta os documentos que, segundo entente, fazem prova de que as receitas são decorrentes de contratos previstos no inciso XI alíneas “b” e “c” da Lei 10.833/03, e que tais documentos não foram juntados por ocasião da impugnação porque, até então, a falta de comprovação da origem do crédito não havia sido indicada como uma das razões para o indeferimento parcial do pleito. No que se refere ao COFINS nãocumulativa, período de apuração junho/2004, assevera que, ainda que não excepcionados pela norma, os débitos não cumulativos da COFINS foram diretamente afetados pelo recálculo determinado pelo IN 658/2006. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso voluntário. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/05/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 14033.003352/200818 Acórdão n.º 310201.127 S3C1T2 Fl. 3 5 Tratase de pedido de compensação, apresentado em 07/08/2007, Per/Dcomp n° 20208.36290.070807.1.3.044013, compensando o pagamento a maior de Cofins efetuado em 14/05/2004. O vencimento dos débitos que a recorrente pretende extinguir por compensação ocorreu sempre em meados dos meses de junho, julho e agosto do ano de 2004. Fica claro que todos os vencimentos ocorreram bem antes do pedido de compensação, protocolados em 07 de agosto de 2007. Foi por esta razão que, mediante Despacho Decisório, a Secretaria da Receita Federal do Brasil homologou apenas parcialmente o pedido de compensação. Assim consta da decisão. De acordo com a Listagem de Débitos/Saldos Remanescentes e o Demonstrativo Analítico de Compensação das fls. 13 a 15, comprovase que o pagamento a maior apresentado, até a data de transmissão do PER/DCOMP original, não é suficiente para compensar os débitos indicados na referida declaração. 8. Os débitos do PER/DCOMP aqui analisado encontramse devidamente cadastrados no Profisc (fls. 09). 9.Isto posto, e CONSIDERANDO que o crédito apresentado não é suficiente para compensar todos CONSIDERANDO tudo o mais que nos autos consta; 10. DECIDO HOMOLOGAR PARCIALMENTE a Declaração de Compensação de no 20208.36290.070807.1.3.044013 (fls. 02 a 08). 11. Deste Despacho Decisório cabe a interposição de manifestação de inconformidade, ao Delegado da Receita Federal de Julgamento em Brasília — DF, no prazo de 30 (trinta) dias, contados da ciência, consoante o disposto no art. 48 da instrução Normativa SRF n° 600, de 28/12/2005. Da leitura do Demonstrativo Analítico de Compensação resta claro que a razão para que os créditos não tenham sido suficientes para compensar os débitos indicados nas referidas declarações está na exigência de multa de mora sobre o valor devido, por ter sido a compensação realizada depois da data de vencimento do mesmo. No que diz respeito ao atraso identificado, sabese que a extinção dos débitos para com a Fazenda Nacional somente foi requerida depois da data de vencimento por força de modificação no critério jurídico adotado pela Administração em relação à metodologia de apuração dos tributos incidentes sobre as operações objeto da lide. Vejase como manifestouse a respeito o i. Relator do voto condutor da decisão recorrida. A Lei n° 10.833, de 2003, e a Lei n° 10.637, de 2002, estabeleceram o regime da nãocumulatividade para a Cofins e o PIS, respectivamente. Entretanto, o art. 10, inciso XI, alínea "c", da Lei n° 10.833, de 2003, manteve sob a regra da cumulatividade da Cofins as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços contratados com pessoa jurídica de direito público, empresa pública, sociedade de economia mista ou suas Fl. 120DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/05/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por RICARDO PAULO ROSA 6 subsidiárias, bem como os contratos posteriormente fumados decorrentes de propostas apresentadas, em processo licitatório, até aquela data. Ou seja, ás receitas oriundas de contratos de fornecimento de bens e serviços, firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, por sociedade de economia mista, envolvendo preço predeterminado, permaneceram no regime da cumulatividade. Ao regular a matéria, a Instrução Normativa SRF n° 468, de 2004, dispôs que nas receitas auferidas de contratos firmados anteriormente a 31/10/2003, com cláusula de reajuste de preços, a incidência pela cumulatividade da Cofins e do PIS se aplicaria somente até a implementação do primeiro reajustamento, após essa data, adotarseia o regime da não cumulatividade. Tal determinação retroagiu à 1° de fevereiro de 2004. Posteriormente, o art. 109 da Lei n° 11.196, de 2005, estatuiu a regra de que a condição de preço predeterminado não seria descaracterizada pelo reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Então a Receita Federal editou a IN SRF n° 658, de 2006, dispondo em consonância com a Lei n° 11.196, de 2005, que as receitas auferidas de contratos firmados até 31 de outubro de 2003, e com cláusula de reajuste de preços, também estão sujeitos à cumulatividade. Tal determinação retroagiu à fevereiro de 2004, em obediência ao parágrafo único do art. 109 da Lei n° 11.196, de 2005. Em outras palavras, tendo em consta a modificação introduzida pela Lei 11.196/05, a Secretaria da Receita Federal revisou o critério de apuração do PIS e da COFINS para casos como o de que aqui se trata, determinando, com efeitos retroativos, que o cálculo fosse feito pelo critério da cumulatividade e não da nãocumulatividade, como até então havia determinado que fosse feito. A empresa, em atendimento a essa determinação, refez os cálculos dos tributos devidos e requereu a compensação dos débitos recalculados com os pagamentos indevidos, havidos por conta da orientação anteriormente expedida pelo próprio Órgão arrecadador. Ora, se a própria Receita Federal do Brasil determina no ano de 2006 que, a partir de fevereiro de 2004 o cálculo dos tributos devidos fosse feito de modo diverso daquele que ela própria determinara em 2004, é óbvio que a regularização de fatos geradores ocorridos em períodos anteriores vai acontecer após a data do vencimento, sendo completamente desnecessário que se determine expressamente novo prazo de vencimento para a exigência, para fins de caracterização da mora, já que, nestas circunstâncias, não há como a quitação dos tributos acontecer no prazo originalmente previsto. Desta forma, não vejo como admitirse a exigência de multa de mora na compensação depois do prazo de vencimento do PISFaturamento calculado pelo método da cumulatividade, já que tal providência somente foi adotada muito após a data de vencimento do tributo porque, antes, o pagamento havia sido feito pelo critério da nãocumulatividade, sempre em obediência das determinações veiculadas nos Atos Administrativos editados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. É de ser observar que a Delegacia da Receita Federal de Julgamento também não está de acordo com a imposição da multa moratória, pelos menos não pelas razões originalmente informadas no Despacho Decisório. Tal como se depreende do voto condutor da decisão recorrida, a multa foi mantida por outra razão, se não vejamos. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/05/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 14033.003352/200818 Acórdão n.º 310201.127 S3C1T2 Fl. 4 7 Em obediência ao art. 106, inciso I, do CTN, não caberia a imposição da multa moratória, visto que a retroatividade das normas interpretativas exclui a aplicação de penalidade. Entretanto, a multa deve ser mantida porque a impugnante não traz aos autos prova de que o débito é resultante da aplicação da nova norma. Ou seja, não é possível identificar que o débito de PIS se refere a receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços contratados com pessoa jurídica de direito público, empresa pública, sociedade de economia mista ou suas subsidiárias, bem como os contratos posteriormente firmados decorrentes de propostas apresentadas, em processo licitatório, até aquela data. Ou seja, segundo entendeu a Turma de Julgamento responsável pela decisão, não caberia a exigência de multa de mora, em obediência ao artigo 106 do Código Tributário Nacional, que afasta a aplicação de penalidade ao dispositivo interpretado. A Turma manteve a multa por entender que a recorrente não fez prova de que as receitas que serviram de base de cálculo dos tributos sejam aquelas sujeitas ao regime cumulativo. Quanto a isso, como consta da parte final do relatório que precede o presente voto, a recorrente defendese, asseverando que, até este momento, isso nunca esteve em discussão. Assim pronunciase. Conforme já demonstrado na impugnação e no presente recurso voluntário, a Recorrente é sociedade de economia mista, concessionária de serviços públicos de energia elétrica, possuindo diversos contratos de fornecimento de bens e serviços pactuados em datas anteriores a 31 de outubro de 2003, os quais se enquadram, inquestionavelmente, nas hipóteses previstas nas alíneas b e c, inciso XI, art. 10 da Lei 10.833. Tal fato é notório. É o débito, portanto, resultante da errônea interpretação pela SRF da Lei n° 10.833/2003, referindose a receitas relativas aos contratos previstos no inciso XI, alíneas 'b' e 'c', da citada norma. Em anexo, cópias dos contratos e planilhas referentes aos valores relativos a cada empresa contratante. Ressaltese que tais documentos não foram juntados por ocasião da impugnação tendo em vista que os PERD/COMPs 24602.90926.191207.1.3.04 0550 e 00450.67705.150807.1.3.044362 foram parcialmente homologados, não tendo sido questionados a Origem do crédito, tampouco o montante apurado, limitandose à aplicação indevida de multa. Diante disso, temse que os recálculos apresentados pela Recorrente, bem como o valor do crédito apurado, na forma da legislação em comento, foram aceitos e tidos por corretos pelo delegado João Paulo Martins da Silva, que assinou o DESPACHO DECISÓRIO/DRF/BSB/Diort. Não houve questionamentos acerca da existência dos contratos, modalidade de incidência, alíquotas aplicadas, legislação adotada para o recálculo e nem a respeito da origem dos créditos, logo, tais fatos são tidos como incontroversos, razão pela qual versou a impugnação somente sobre a aplicação da multa. De qualquer modo, seguem anexas ao presente, cópias dos contratos e planilhas com os lançamentos no Razão da ELETRONORTE, com os valores relativos a cada empresa contratante. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/05/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por RICARDO PAULO ROSA 8 Com efeito, tal como consta na transcrição feita do teor do Despacho Decisório, absolutamente nada foi dito em relação à veracidade das informações prestadas pela recorrente por ocasião do protocolo dos Pedidos de Compensação em análise, razão primeira para que o fundamento da decisão de piso não possa ser aceito. Explico. Em regra geral, considerase que o ônus de provar recai sobre quem alega o fato ou o direito. A Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código do Processo Civil, fixa responsabilidades com base em idêntico critério. Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Contudo, na relação jurídica entre sujeito passivo e o Estado, o comando legal que atribui ao autor a responsabilidade por apresentar as provas do fato constitutivo do seu direito precisa ser aplicado tendose em conta o modelo sob o qual tais responsabilidades são exercidas. No campo do direito tributário, é do próprio administrado o dever registrar e guardar consigo os documentos e demais efeitos que testemunham a ocorrência dos eventos cuja existência se pretende comprovar. Não sendo da natureza das relações fiscocontribuinte que o primeiro guarde consigo os documentos firmados pelo segundo e mesmo que o fato constitutivo do direito tenha sido formalmente pactuado, a comprovação depende de que o administrado seja intimado a apresentar os documentos que a lei o obriga a produzir e manter em bom estado, ou que manifeste sua vontade por meio de declaração contida em documentos previamente elaborados ou perante a própria fiscalização que a colhe a termo, ou, ainda, pela obtenção desses ou verificação da ocorrência de fatos no local de funcionamento da empresa. Em todas estas situações, a obtenção das provas depende quase sempre de que o administrado exerça em sua plenitude a função de anotar e manter em boas condições os registros contábeis e fiscais e os apresente ao fisco quando exigido. Sem essa providência, salvo algumas poucas exceções, não haverá como comprovar a ocorrência ou inocorrência de um fato. Isto posto, há que se admitir a premissa de que, nas relações fisco contribuinte, a obtenção e a apresentação das provas do fato constitutivo do direito do autor depende quase sempre de o contribuinte colocálas à disposição do fisco, sendolhe negado o direito de negligenciar tal função, sob pena de responsabilidade pela ausência de provas no processo e, corolário, o próprio ônus probante. Contudo, uma vez que se admitem tais pressupostos, o passo seguinte conduzirá à compreensão de que eles não dispensam a administração de laborar em busca da obtenção das provas. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/05/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 14033.003352/200818 Acórdão n.º 310201.127 S3C1T2 Fl. 5 9 Com efeito, se o contribuinte sequer é intimado a apresentar os documentos considerados pela administração como hábeis à comprovação de que a empresa tem o direito discutido no processo, como se pode atribuir a ele a responsabilidade pela omissão? Data máxima vênia, não comungo da opinião do i. Julgador de piso que, ao negar o pleito da recorrente, o faz por considerar não comprovada a origem da receita objeto da lide, sem que em nenhum momento tenha sido dado conhecimento à recorrente de que deveria fazer prova disso. Assim, não vejo como rejeitar as informações prestadas nas PER/DCOMP por alegada falta de comprovação. Noutro vértice, também não me parece que seja essa a mecânica de funcionamento das declarações de compensação. Conforme determina a legislação, tratase de uma modalidade de extinção do crédito tributário de iniciativa do contribuinte e para a qual, não havendo manifesta objeção do Fisco, está prevista inclusive homologação tácita. Ou seja, se dúvidas houver em relação à veracidade das informações prestadas, cabe ao Órgão arrecadador adotar as providências que julgar necessárias, requerendo à contribuinte a apresentação dos documentos que julgar necessários, o que, neste, não foi feito. Finalmente, é preciso acrescentar que, se admitida a necessidade de comprovação da origem a receita que serviu de base de cálculo para os valores extintos a destempo, a consequência da ausência de provas seria, a meu ver, a nãohomologação dos pedidos de compensação e não a manutenção da multa moratória aplicada. No que concerne ao período de apuração correspondente ao mês de junho de 2004, Cofins nãocumulativa, também considero assistir razão à empresa. Como defende, o valor decorre da nova apuração do quantum devido, em face da aplicação retroativa da Instrução Normativa editada pelo Fisco, determinando novo critério de apuração para determinado o tipo de receita em questão, com efeitos também sobre valores recolhimentos segundo a metodologia nãocumulativa. Pelo exposto, VOTO POR DAR provimento ao recurso voluntário, para afastar a multa de mora calculada sobre todos os valores compensados pela recorrente. Sala de Sessões, 08 de julho de 2001. Ricardo Paulo Rosa – Relator. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/05/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por RICARDO PAULO ROSA
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