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Numero do processo: 15971.000769/2008-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2007, 2008. Ementa: SIMPLES. PRAZO PARA OPÇÃO. 180 DIAS DA DATA DA ABERTURA NO CNPJ. §6º, DO ART. 7º, DA RESOLUÇÃO CGSN n.º 04, de 30/05/07. - Contribuintes com início de atividade no ano-calendário da opção pelo Simples deverá obedecer o prazo de 180 (cento e oitenta) dias, contados da data da sua abertura constante no CNPJ.
Numero da decisão: 1102-000.708
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO
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ementa_s : Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2007, 2008. Ementa: SIMPLES. PRAZO PARA OPÇÃO. 180 DIAS DA DATA DA ABERTURA NO CNPJ. §6º, DO ART. 7º, DA RESOLUÇÃO CGSN n.º 04, de 30/05/07. - Contribuintes com início de atividade no ano-calendário da opção pelo Simples deverá obedecer o prazo de 180 (cento e oitenta) dias, contados da data da sua abertura constante no CNPJ.
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Recorrida 9ª TURMA DRJ/RPO Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Anocalendário: 2007, 2008. Ementa: SIMPLES. PRAZO PARA OPÇÃO. 180 DIAS DA DATA DA ABERTURA NO CNPJ. §6º, DO ART. 7º, DA RESOLUÇÃO CGSN n.º 04, de 30/05/07. Contribuintes com início de atividade no anocalendário da opção pelo Simples deverá obedecer o prazo de 180 (cento e oitenta) dias, contados da data da sua abertura constante no CNPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. Assinado digitalmente ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Presidente. Assinado digitalmente SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima (presidente da turma), Antonio Carlos Guidoni (vicepresidente), João Otavio Oppermann Thomé, Silvana Rescigno Guerra Barretto, PlínioRodrigues Lima e João Carlos de Figueiredo Neto Fl. 80DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente e m 12/06/2012 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 15971.000769/200883 Acórdão n.º 110200.708 S1C1T2 Fl. 81 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão da DRJ que julgou improcedente Manifestação de Inconformidade apresentada contra Despacho Decisório que indeferiu a opção pelo Simples Nacional, em razão de ter sido efetuada a solicitação após 180 dias da data da abertura da empresa constante no CNPJ, com base no art. 7º, da Resolução CGSN n.º 04, de 30/05/07. Assevera a Recorrente que iniciou a abertura da sociedade empresária em 12/09/07, teve deferido o registro na JUCESP em 25/09/07, obtida a Inscrição Estadual em 09/06/08 e, em seguida, requerida e concedida inscrição Municipal, com a ressalva da ausência de apresentação de Atestado de Vistoria de Bombeiro, para justificar a formalização da opção pelo Simples Nacional após 180 dias da data da sua abertura (CNPJ). Defende a Recorrente que a demora teria sido fruto de exigências efetuadas pela Secretaria da Fazenda Estadual de São Paulo em razão de inscrição anterior no mesmo endereço, afirmando que o pedido de inclusão foi efetuado no prazo de 10 (dez) dias contados da abertura no último órgão, consoante autorizaria a Resolução CGSN nº 04, de 30/05/07. É o relatório. Voto Conselheiro SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO O recurso é tempestivo, passo a apreciálo. Insurgese o Recorrente contra decisão da DRJ que indeferiu o pedido de opção pelo Simples Nacional, com fundamento no art. 7º, §3º, I, e §6º, da Resolução CGSN nº 04, de 30/05/07, que confere prazo de até 10 (dez) dias, contados do último deferimento, na hipótese de exigência de inscrições estadual e municipal, desde que não ultrapassados 180 (cento e oitenta) dias, contados da abertura do CNPJ, verbis: “Art. 7º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio da internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. (...) § 3º No caso de início de atividade da ME ou EPP no anocalendário da opção, deverá ser observado o seguinte: I a ME ou a EPP, após efetuar a inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), bem como obter a sua inscrição estadual e municipal, caso exigíveis, terá o prazo de até 10 (dez) dias, contados do último deferimento de inscrição, para efetuar a opção pelo Simples Nacional;(...) Fl. 81DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente e m 12/06/2012 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 15971.000769/200883 Acórdão n.º 110200.708 S1C1T2 Fl. 82 3 §6º A ME ou a EPP não poderá efetuar a opção pelo Simples Nacional na condição de empresa em início de atividade depois de decorridos 180 (cento e oitenta) dias da data de abertura constante do CNPJ, observados os demais requisitos previstos no inciso I do §3º deste artigo.” Consoante expressa determinação do §3º, do art. 16, da Lei Complementar n.º 123/2006, foi atribuída competência ao Comitê Gestor para, através de Resolução, fixar prazos e condições relativos ao início de produção dos efeitos da opção ao Simples, verbis: “Art. 16. A opção pelo Simples Nacional da pessoa jurídica enquadrada na condição de microempresa e empresa de pequeno porte darseá na forma a ser estabelecida em ato do Comitê Gestor, sendo irretratável para todo o anocalendário. § 1º Para efeito de enquadramento no Simples Nacional, considerarseá microempresa ou empresa de pequeno porte aquela cuja receita bruta no anocalendário anterior ao da opção esteja compreendida dentro dos limites previstos no art. 3º desta Lei Complementar. § 2º A opção de que trata o caput deste artigo deverá ser realizada no mês de janeiro, até o seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no § 3º deste artigo. § 3º A opção produzirá efeitos a partir da data do início de atividade, desde que exercida nos termos, prazo e condições a serem estabelecidos no ato do Comitê Gestor a que se refere o caput deste artigo.” (grifos acrescidos) Em se tratando de comprovado transcurso do prazo de 180 (cento e oitenta) dias estabelecido pela Resolução do Comitê Gestor, não há como deferir o pleito da Recorrente, especialmente se observado que, apesar de registrada perante a JUCESP em 25/09/07, apenas solicitada a inscrição no CNPJ em 19/03/08 e deferido o Cadastro Sincronizado Nacional em 06/06/2008. Transcrevo a seguir precedente deste Conselho sobre o tema, verbis: “EMENTA Exercício: 2008 INÍCIO DE ATIVIDADES. PRAZO PARA OPÇÃO. LIMITE. Após efetuar a inscrição no CNJP, bem como obter as suas inscrições Estadual e Municipal, caso exigíveis, a ME ou a EPP terá o prazo de até 10 dias (até 31/12/2008) ou de até 30 dias (a partir de 01/01/2009), contado do último deferimento de inscrição, para efetuar a opção pelo Simples Nacional, desde que não tenham decorridos 180 dias da data de abertura constante do CNJP . (Acórdão 130100.616, 1a. Seção 1a. Turma da 3a. Câmara Decisão CARF, Publicado no DOU em: 11.11.2011) (grifos acrescidos) Em face do exposto, nego provimento ao recurso voluntário. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente e m 12/06/2012 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 15971.000769/200883 Acórdão n.º 110200.708 S1C1T2 Fl. 83 4 É como voto. Assinado digitalmente SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO Relator Fl. 83DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente e m 12/06/2012 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 11030.904996/2009-30
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Apr 19 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3801-000.453
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Flávio De Castro Pontes, Presidente,.José Luiz Bordignon, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e eu, Sidney Eduardo Stahl, Relator
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Flávio De Castro Pontes, Presidente,.José Luiz Bordignon, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e eu, Sidney Eduardo Stahl, Relator
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Flávio De Castro Pontes, Presidente,.José Luiz Bordignon, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e eu, Sidney Eduardo Stahl, Relator RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 30 .9 04 99 6/ 20 09 -3 0 Fl. 42DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11030.904996/200930 Resolução nº 3801000.453 S3TE01 Fl. 42 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de Salvador/BA, abaixo transcrito: Tratase de Manifestação de Inconformidade, fls. 10 a 14, contra despacho decisório eletrônico da DRF/Passo Fundo, nº 842600841, fl. 08, que não homologou a compensação declarada no Per/Dcomp nº 25904.96369.100206.1.3.048383, em virtude do crédito apontado ter sido utilizado integralmente para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no Per/Dcomp. Cientificada do despacho decisório, em 29/06/2009, a interessada apresentou, em 28/07/2009, manifestação de inconformidade, fls. 10 a 14, alegando, em síntese, que: efetuou a opção pelo regime não cumulativo e refez a apuração da Cofins faturamento, referente ao mês de mai/2004, em função da lei no 10.892/2004, que, no seu art. 4o, facultava às cooperativas de produção agropecuária adotarem antecipadamente o regime de incidência não cumulativo da COFINS, em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de maio de 2004, e no parágrafo único do art. 4o, que deu o prazo de até o décimo dia do mês subseqüente ao da publicação da referida lei; após a retificação da apuração do referido mês, o débito que havia sido apurado deixou de existir. A DCTF do período foi retificada; requer o recebimento da manifestação de inconformidade e homologação Per/Dcomp n° 25904.96369.100206.1.3.048383. A DRJ em Salvador (BA) julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/05/2004 COMPENSAÇÃO. DISPONIBILIDADE DO CRÉDITO. O crédito usado em compensação tem que estar disponível na data da transmissão do PER/DCOMP. RESTITUIÇÃO. RECOLHIMENTOS INDEVIDOS. COMPROVAÇÃO. A insuficiência da apresentação de prova inequívoca mediante documentação hábil e idônea acarreta a negação de reconhecimento do direito creditório, em face da impossibilidade da autoridade administrativa aferir a liquidez e certeza do pretenso crédito. Fl. 43DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11030.904996/200930 Resolução nº 3801000.453 S3TE01 Fl. 43 3 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Não concordando com a decisão da DRJ a contribuinte apresenta o presente Recurso Voluntário utilizandose dos mesmos argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. É o relatório, Fl. 44DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11030.904996/200930 Resolução nº 3801000.453 S3TE01 Fl. 44 4 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, Relator O recurso é tempestivo e reúne os demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele se conhece. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre da apuração da Cofins faturamento, referente ao mês de maio/2004, em função da lei nº 10.892/2004, que, no seu art. 4º, facultava às cooperativas de produção agropecuária adotarem antecipadamente o regime de incidência não cumulativo da COFINS, em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de maio de 2004, e no parágrafo único do art. 4º, que deu o prazo de até o décimo dia do mês subseqüente ao da publicação da referida lei para que fosse feita a opção pelo regime não cumulativo. Do exame do despacho decisório que indeferiu a compensação, verificase que essa matéria não foi apreciada. A autoridade fiscal, em síntese, apenas considerou os dados apresentados na DCTF original. Tal fundamentação, por certo, decorre de análise superficial, realizada nos limites de sistema informatizado de informações (batimento entre o pagamento informado como indevido e sua situação no conta corrente – disponível ou não), no qual não se está analisando efetivamente o mérito da questão, cuja análise somente será viável a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. Registrese, por oportuno, que a DCTF retificadora foi apresentada antes da ciência do despacho decisório. Assim, a interessada não foi intimada a justificar a origem de seu crédito, o que de fato lhe trouxe prejuízo. Convém ressaltar que o simples erro de preenchimento da DCTF não pode resultar em enriquecimento ilícito da Fazenda Nacional. Ademais, não há óbice legal para a apresentação de DCTF retificadora antes da emissão do despacho decisório. De sorte que o mero erro de fato no preenchimento da DCTF não é elemento suficiente para afastar o direito à restituição de tributo pago a maior indevidamente. No mérito, analisemos os arts. 4º e 5º da lei nº 10.892/2004: Art. 4oAs sociedades cooperativas de produção agropecuária e as de consumo poderão adotar antecipadamente o regime de incidência não cumulativo da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS. Parágrafo único. A opção será exercida até o 10o(décimo) dia do mês subseqüente ao da data de publicação desta Lei, de acordo com as normas e condições estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal, produzindo efeitos em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1ode maio de 2004. Art. 5oEsta Lei entra em vigor em 1ode outubro de 2004, exceto em relação ao seu art. 4o, que entra em vigor na data da sua publicação. Fl. 45DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11030.904996/200930 Resolução nº 3801000.453 S3TE01 Fl. 45 5 A recorrente, por se tratar de sociedade cooperativa de produção agropecuária, tendo efetuado a opção de antecipação do regime de nãocumulatividade de que trata o art. 4º da Lei nº 10.892, de 2004, deveria apurar as contribuições nesse regime a partir de 1º de maio de 2004. Como a publicação da Lei nº 10.892 ocorreu em 14.7.2004, essa opção deuse de forma retroativa em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de maio de 2004, o que poderia ocasionar divergências em relação às contribuições apuradas pelo regime de incidência cumulativo Neste sentido, os dados da DCTF retificadora apontados no acórdão recorrido e os documentos colacionados são indícios de prova dos créditos e, em tese, ratificam os argumentos apresentados. Em que pese o direito da interessada, do exame dos elementos comprobatórios, constata se que, no caso vertente, os documentos apresentados são insuficientes para se apurar o valor correto da contribuição para a COFINS referente ao período de apuração em discussão. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que a Delegacia de origem: a) Intime a contribuinte para no prazo de 30 dias apresentar a cópia do documento comprobatório da adesão antecipada a que aduz o § único do artigo 4º da Lei nº 10.892/2004, ou confirme a DRF a realização da opção por parte da contribuinte; b) anexe cópia da DCTF retificadora ativa referente ao 2º trimestre de 2004; c) apure o valor devido a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) incidente sobre o faturamento com base na escrituração fiscal e contábil, período de apuração de maio/2004, segundo o regime de incidência não cumulativo, nos termos do art. 4º da Lei nº 10.892/2004; d) cientifique a interessada quanto ao teor dos cálculos para, desejando, manifestarse no prazo de dez dias. Após a conclusão da diligência, retornar o processo a este CARF para julgamento. É assim que voto. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator Fl. 46DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10768.011079/2001-75
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/1995 a 29/02/1996
PEDIDO DE HOMOLOGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. TESE DOS CINCO MAIS CINCO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ.
Nos termos do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543-C do Código de Processo Civil, entendeu, quanto ao prazo para pedido de restituição de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), que o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a chamada tese dos cinco mais cinco (REsp 1002932/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 25/11/2009, DJe 18/12/2009).
DIREITO TRIBUTÁRIO. LEI INTERPRETATIVA. APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. DESCABIMENTO. VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA. NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACATIO LEGIS. APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM REPERCUSSÃO GERAL PELO STF.
O Supremo Tribunal Federal, ao seu turno, declarou a inconstitucionalidade do artigo 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005, considerando válida a aplicação do novo prazo de 5 anos para restituição tão-somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. (RE 566621, Rel. Ministra Ellen Gracie, Tribunal Pleno, julgado em 04/08/2011, DJe-195 DIVULG 10/10/2011).
Recurso Extraordinário Negado.
Numero da decisão: 9900-000.613
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso extraordinário.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
Rodrigo Cardozo Miranda - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Marcos Tranchesi Ortiz que substituiu Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Mércia Helena Trajano DAmorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: RODRIGO CARDOZO MIRANDA
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/1995 a 29/02/1996 PEDIDO DE HOMOLOGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. TESE DOS “CINCO MAIS CINCO”. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, entendeu, quanto ao prazo para pedido de restituição de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), que o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a chamada tese dos “cinco mais cinco” (REsp 1002932/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 25/11/2009, DJe 18/12/2009). DIREITO TRIBUTÁRIO. LEI INTERPRETATIVA. APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. DESCABIMENTO. VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA. NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACATIO LEGIS. APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM REPERCUSSÃO GERAL PELO STF. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 01 10 79 /2 00 1- 75 Fl. 209DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 18/03/2 013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 O Supremo Tribunal Federal, ao seu turno, declarou a inconstitucionalidade do artigo 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005, considerando válida a aplicação do novo prazo de 5 anos para restituição tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. (RE 566621, Rel. Ministra Ellen Gracie, Tribunal Pleno, julgado em 04/08/2011, DJe195 DIVULG 10/10/2011). Recurso Extraordinário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso extraordinário. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Rodrigo Cardozo Miranda Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Marcos Tranchesi Ortiz que substituiu Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Mércia Helena Trajano D’Amorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão. Relatório Cuidase de recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional, ora Recorrente (fls. 165 a 173), contra o v. acórdão proferido pela Colenda Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (fls. 158 a 161) que, por maioria de votos, negou provimento ao recurso especial, considerando o termo a quo para a contagem do prazo decadencial da repetição de indébito a data da publicação da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), no caso, a ADIn nº 1.4170/DF, de 16 de agosto de 1999, que anulou o artigo 18 da Lei nº 9.715, de 25 de novembro de 1998, que determinava a aplicação retroativa da Medida Provisória nº 1.212, de 28 de novembro de 1995, aos fatos geradores do PIS ocorridos a partir de 1º de outubro de 1995. Verificase que os pagamentos objeto do pedido de compensação ocorreram entre novembro de 1995 e março de 1996 (fls.01 a 10). Fl. 210DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 18/03/2 013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10768.011079/200175 Acórdão n.º 9900000.613 CSRFPL Fl. 188 3 Por bem resumir a controvérsia, adoto o relatório do acórdão a quo, cujo teor, no que interessa às questões ora trazidas ao extraordinário, é o seguinte, verbis: “Tratase de recurso voluntário interposto pela FAZENDA NACIONAL, contra Acórdão da Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes que reconheceu o direito da interessada à restituição dos valores do PIS recolhidos a maior e para o período de outubro de 1995 a fevereiro de 1996, pois que a exação fora exigida com fundamento na MP1212/95. Admitido o apelo em comento, seguiram os autos para minha análise. É o relatório.” A ementa do julgado ora recorrido, que bem resume os seus fundamentos, é a seguinte: “PIS REPETIÇÃO DE INDÉBITO DECADÊNCIA – O termo inicial de contagem do prazo de decadência, para solicitação de restituição/compensação de valores pagos a maior não coincide com o dos pagamentos realizados, quando, o indébito exsurge de situação jurídica conflituosa, mas com a publicação da decisão do Supremo Tribunal Federal que, em sede de ADILA, declarou inconstitucional, no todo ou em parte, a norma legal instituidora ou modificadora do tributo. Recurso especial negado” Irresignada, insurgese a Recorrente contra o acórdão a quo por meio do presente recurso extraordinário. Junta a Recorrente julgados deste Colegiado, satisfazendo, assim, os requisitos para viabilizar seu apelo. Aponta, em síntese, que ao presente caso deve ser aplicado o disposto nos artigos 3° e 4° da Lei Complementar n° 118/2005, e artigos 168, caput e inciso I e 156, I, do CTN, os quais determinam que o prazo decadencial para a repetição de indébito, no caso de tributos sujeitos a lançamento por homologação, é de apenas 5 (cinco) anos, contandose o referido prazo a partir da data do pagamento indevido. A Recorrida apresentou contrarrazões, conforme noticiado às fls. 180 a 185. Verificase, assim, que a matéria trazida a debate diz respeito apenas ao termo inicial do prazo decadencial para a repetição de indébito tributário. O recurso foi admitido através do r. despacho de fls. 176/177. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda, Relator Fl. 211DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 18/03/2 013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 Presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do recurso. No tocante ao prazo para restituição de indébito, é de se destacar, inicialmente, que o Egrégio Superior Tribunal de Justiça já se posicionou quanto à matéria na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, ou seja, através da análise dos chamados “recursos repetitivos”. O precedente proferido tem a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. AUXÍLIO CONDUÇÃO. IMPOSTO DE RENDA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. ARTIGO 4º, DA LC 118/2005. DETERMINAÇÃO DE APLICAÇÃO RETROATIVA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CONTROLE DIFUSO. CORTE ESPECIAL. RESERVA DE PLENÁRIO. 1. O princípio da irretroatividade impõe a aplicação da LC 118, de 9 de fevereiro de 2005, aos pagamentos indevidos realizados após a sua vigência e não às ações propostas posteriormente ao referido diploma legal, posto norma referente à extinção da obrigação e não ao aspecto processual da ação correspectiva. 2. O advento da LC 118/05 e suas conseqüências sobre a prescrição, do ponto de vista prático, implica dever a mesma ser contada da seguinte forma: relativamente aos pagamentos efetuados a partir da sua vigência (que ocorreu em 09.06.05), o prazo para a repetição do indébito é de cinco a contar da data do pagamento; e relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior, limitada, porém, ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da lei nova. 3. Isto porque a Corte Especial declarou a inconstitucionalidade da expressão "observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional", constante do artigo 4º, segunda parte, da Lei Complementar 118/2005 (AI nos ERESP 644736/PE, Relator Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 06.06.2007). 4. Deveras, a norma inserta no artigo 3º, da lei complementar em tela, indubitavelmente, cria direito novo, não configurando lei meramente interpretativa, cuja retroação é permitida, consoante apregoa doutrina abalizada: "Denominamse leis interpretativas as que têm por objeto determinar, em caso de dúvida, o sentido das leis existentes, sem introduzir disposições novas. {nota: A questão da caracterização da lei interpretativa tem sido objeto de não pequenas divergências, na doutrina. Há a corrente que exige uma declaração expressa do próprio legislador (ou do órgão de que emana a norma interpretativa), afirmando ter a lei (ou a norma jurídica, que não se apresente Fl. 212DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 18/03/2 013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10768.011079/200175 Acórdão n.º 9900000.613 CSRFPL Fl. 189 5 como lei) caráter interpretativo. Tal é o entendimento da AFFOLTER (Das intertemporale Recht, vol. 22, System des deutschen bürgerlichen Uebergangsrechts, 1903, pág. 185), julgando necessária uma Auslegungsklausel, ao qual GABBA, que cita, nesse sentido, decisão de tribunal de Parma, (...) Compreensão também de VESCOVI (Intorno alla misura dello stipendio dovuto alle maestre insegnanti nelle scuole elementari maschili, in Giurisprudenza italiana, 1904, I, I, cols. 1191, 1204) e a que adere DUGUIT, para quem nunca se deve presumir ter a lei caráter interpretativo "os tribunais não podem reconhecer esse caráter a uma disposição legal, senão nos casos em que o legislador lho atribua expressamente" (Traité de droit constitutionnel, 3a ed., vol. 2o, 1928, pág. 280). Com o mesmo ponto de vista, o jurista pátrio PAULO DE LACERDA concede, entretanto, que seria exagero exigir que a declaração seja inserida no corpo da própria lei não vendo motivo para desprezála se lançada no preâmbulo, ou feita noutra lei. Encarada a questão, do ponto de vista da lei interpretativa por determinação legal, outra indagação, que se apresenta, é saber se, manifestada a explícita declaração do legislador, dando caráter interpretativo, à lei, esta se deve reputar, por isso, interpretativa, sem possibilidade de análise, por ver se reúne requisitos intrínsecos, autorizando uma tal consideração. (...) ... SAVIGNY coloca a questão nos seus precisos termos, ensinando: "tratase unicamente de saber se o legislador fez, ou quis fazer uma lei interpretativa, e, não, se na opinião do juiz essa interpretação está conforme com a verdade" (System des heutigen romischen Rechts, vol. 8o, 1849, pág. 513). Mas, não é possível dar coerência a coisas, que são de si incoerentes, não se consegue conciliar o que é inconciliável. E, desde que a chamada interpretação autêntica é realmente incompatível com o conceito, com os requisitos da verdadeira interpretação (v., supra, a nota 55 ao n° 67), não admira que se procurem torcer as conseqüências inevitáveis, fatais de tese forçada, evitandose lhes os perigos. Compreendese, pois, que muitos autores não aceitem o rigor dos efeitos da imprópria interpretação. Há quem, como GABBA (Teoria delta retroattività delle leggi, 3a ed., vol. 1o, 1891, pág. 29), que invoca MAILHER DE CHASSAT (Traité de la rétroactivité des lois, vol. 1o, 1845, págs. 131 e 154), sendo seguido por LANDUCCI (Trattato storicoteorico pratico di diritto civile francese ed italiano, versione ampliata del Corso di diritto civile francese, secondo il metodo dello Zachariæ, di Aubry e Rau, vol. 1o e único, 1900, pág. 675) e DEGNI (L'interpretazione della legge, 2a ed., 1909, pág. 101), entenda que é de distinguir quando uma lei é declarada interpretativa, mas encerra, ao lado de artigos que apenas esclarecem, outros introduzido novidade, ou modificando dispositivos da lei interpretada. PAULO DE LACERDA (loc. cit.) reconhece ao juiz competência para verificar se a lei é, na verdade, interpretativa, mas somente quando ela própria afirme que o é. LANDUCCI (nota 7 à pág. 674 do vol. cit.) é de prudência manifesta: "Se o legislador declarou interpretativa uma lei, devese, certo, negar tal caráter somente em casos Fl. 213DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 18/03/2 013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 extremos, quando seja absurdo ligála com a lei interpretada, quando nem mesmo se possa considerar a mais errada interpretação imaginável. A lei interpretativa, pois, permanece tal, ainda que errônea, mas, se de modo insuperável, que suplante a mais aguda conciliação, contrastar com a lei interpretada, desmente a própria declaração legislativa." Ademais, a doutrina do tema é pacífica no sentido de que: "Pouco importa que o legislador, para cobrir o atentado ao direito, que comete, dê à sua lei o caráter interpretativo. É um ato de hipocrisia, que não pode cobrir uma violação flagrante do direito" (Traité de droit constitutionnel, 3ª ed., vol. 2º, 1928, págs. 274275)." (Eduardo Espínola e Eduardo Espínola Filho, in A Lei de Introdução ao Código Civil Brasileiro, Vol. I, 3a ed., págs. 294 a 296). 5. Consectariamente, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a cognominada tese dos cinco mais cinco, desde que, na data da vigência da novel lei complementar, sobejem, no máximo, cinco anos da contagem do lapso temporal (regra que se coaduna com o disposto no artigo 2.028, do Código Civil de 2002, segundo o qual: "Serão os da lei anterior os prazos, quando reduzidos por este Código, e se, na data de sua entrada em vigor, já houver transcorrido mais da metade do tempo estabelecido na lei revogada."). 6. Desta sorte, ocorrido o pagamento antecipado do tributo após a vigência da aludida norma jurídica, o dies a quo do prazo prescricional para a repetição/compensação é a data do recolhimento indevido. 7. In casu, insurgese o recorrente contra a prescrição qüinqüenal determinada pelo Tribunal a quo, pleiteando a reforma da decisão para que seja determinada a prescrição decenal, sendo certo que não houve menção, nas instância ordinárias, acerca da data em que se efetivaram os recolhimentos indevidos, mercê de a propositura da ação ter ocorrido em 27.11.2002, razão pela qual forçoso concluir que os recolhimentos indevidos ocorreram antes do advento da LC 118/2005, por isso que a tese aplicável é a que considera os 5 anos de decadência da homologação para a constituição do crédito tributário acrescidos de mais 5 anos referentes à prescrição da ação. 8. Impende salientar que, conquanto as instâncias ordinárias não tenham mencionado expressamente as datas em que ocorreram os pagamentos indevidos, é certo que os mesmos foram efetuados sob a égide da LC 70/91, uma vez que a Lei 9.430/96, vigente a partir de 31/03/1997, revogou a isenção concedida pelo art. 6º, II, da referida lei complementar às sociedades civis de prestação de serviços, tornando legítimo o pagamento da COFINS. 9. Recurso especial provido, nos termos da fundamentação expendida. Fl. 214DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 18/03/2 013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10768.011079/200175 Acórdão n.º 9900000.613 CSRFPL Fl. 190 7 Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1002932/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 25/11/2009, DJe 18/12/2009) Com isso, restou consolidado no âmbito do Egrégio Superior Tribunal de Justiça a chamada tese dos “cinco mais cinco”. Importante destacar, por outro lado, quanto a eventual alegação de aplicação retroativa da Lei Complementar nº 118/2005, que o Excelso Supremo Tribunal Federal entendeu recentemente que referida norma é aplicável apenas a partir de 09 de junho de 2005, conforme decidido em sede recurso extraordinário com repercussão geral reconhecida. Referido julgado tem a seguinte ementa: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Fl. 215DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 18/03/2 013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 8 Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido.(RE 566621, Relator(a): Min. ELLEN GRACIE, Tribunal Pleno, julgado em 04/08/2011, DJe195 DIVULG 10102011 PUBLIC 11102011 EMENT VOL0260502 PP00273) (grifos e destaques nossos) O Regimento Interno do CARF, por sua vez, na redação dada recentemente pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, tem os seguintes comandos nos seus artigos 62 e 62 A: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B.} § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. (grifos e destaques nossos) Fl. 216DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 18/03/2 013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10768.011079/200175 Acórdão n.º 9900000.613 CSRFPL Fl. 191 9 Verificase, assim, que referidas decisões proferidas respectivamente pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça e pelo Excelso Supremo Tribunal Federal deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Conforme relatado acima, a presente hipótese trata de pedido de restituição/compensação formulado em 14/09/2001 (fls. 1/10), de importâncias recolhidas a título de PIS entre novembro de 1995 e março de 1996. De acordo com o exposto acima, para as ações propostas após a publicação e vacatio legis da Lei Complementar nº 118/2005, ou seja, após 09/06/2005, o prazo para repetição do indébito é de 5 anos, no entanto, para as ações propostas antes, o prazo é de 10 anos. Aplicandose a tese dos “cinco mais cinco”, depreendese que o termo final para a formulação do direito de restituição/compensação seria em 9 de junho de 2005. Como o pedido de restituição/compensação em apreço foi apresentado em 14/09/2001, considerando a tese dos “cinco mais cinco”, ele afigurase tempestivo. Por conseguinte, em face de todo o exposto e com arrimo no artigo 62A do RICARF, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional para considerar o pedido de restituição/compensação tempestivo. Rodrigo Cardozo Miranda Fl. 217DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 18/03/2 013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 13984.001237/2007-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 31/05/2007
INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO DA ALEGAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA.
A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições.
RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA Nº 449.
REDUÇÃO DA MULTA.
As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, sendo benéfica para o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212.
Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase
a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe
comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Numero da decisão: 2302-001.664
Decisão: ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda
Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade em conceder provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições da Medida Provisória n º 449 de 2008, mais precisamente o art. 32A,
inciso II, que na conversão pela Lei n º 11.941 foi renumerado para o art. 32A, inciso I da Lei n º 8.212 de 1991.
Nome do relator: MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Recorrente SCYLLA ANTUNES BAGGIO Recorrida DRJ FLORIANÓPOLIS SC ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 31/05/2007 INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO DA ALEGAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, sendo benéfica para o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade em conceder provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições da Medida Fl. 321DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/03/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Provisória n º 449 de 2008, mais precisamente o art. 32A, inciso II, que na conversão pela Lei n º 11.941 foi renumerado para o art. 32A, inciso I da Lei n º 8.212 de 1991. Marco André Ramos Vieira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco André Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva, Adriana Sato, Manoel Coelho Arruda Júnior e Eduardo Augusto Marcondes de Freitas. Fl. 322DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/03/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 13984.001237/200716 Acórdão n.º 230201.664 S2C3T2 Fl. 310 3 Relatório O presente auto de infração foi lavrado em virtude do descumprimento do art. 32, IV, § 5º da Lei n ° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, II do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. Segundo a fiscalização previdenciária, a recorrente não informou à Previdência Social por meio da Gfip todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias nas competências dezembro de 2001 a julho de 2006, fls. 14 a 19. Inconformada, a autuada apresentou impugnação no prazo normativo, fls. 24 a 28. A unidade descentralizada da Receita Previdenciária comandou diligência fiscal, fls. 246 e 247, para que verificasse se houvera a correção da falta e que fossem prestados esclarecimentos. A fiscalização prestou informações à fl. 250. Cientificada do resultado da diligência, a autuada manifestouse à fl. 253. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento emitiu a decisão de fls. 255 a 259, mantendo o lançamento em parte. Houve o reconhecimento da correção parcial da infração. Não conformada com a decisão, a autuada interpôs recurso na forma das fls. 264 a 273, alegando em síntese: a) as faltas foram oportunamente corrigidas; b) requerendo a relevação da multa aplicada; c) a multa foi aplicada de maneira incorreta; d) deve ser observado o princípio da boafé; e) a multa aplicada é inconstitucional; Não foram apresentadas contrarrazões pelo órgão fazendário. É o relato suficiente. Fl. 323DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/03/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheiro Marco André Ramos Vieira, Relator O recurso foi interposto tempestivamente, conforme fls. 263 e 264. Pressuposto superado, passo ao exame das questões preliminares ao mérito. Quanto ao mérito de serem ou não devidas as contribuições, lide não se instaurou, pois a própria recorrente reconheceu a procedências dos valores, tentando providenciar a correção das faltas. Quanto ao argumento recursal que as falhas já teriam sido corrigidas, não lhe confiro razão. Para as competências abril e agosto de 2002 não houve a correção integral das faltas, destarte impossível a relevação da multa para essas competências. A relevação prevista no art. 291, § 1º do RPS necessita dos seguintes requisitos: a) pedido no prazo de defesa, mesmo que não contestada a infração; b) primariedade do infrator; c) correção da falta até a decisão do INSS; d) sem ocorrência de circunstância agravante. Art.291. Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até a decisão da autoridade julgadora competente. § 1º A multa será relevada, mediante pedido dentro do prazo de defesa, ainda que não contestada a infração, se o infrator for primário, tiver corrigido a falta e não tiver ocorrido nenhuma circunstância agravante. A relevação não é faculdade da autoridade administrativa, uma vez o infrator atendendo aos requisitos do art. 291, § 1º do RPS, quais sejam: primariedade do infrator; correção da falta e sem ocorrência de circunstância agravante; surge para a autoridade o dever de relevar a multa. Contudo, essa autoridade não pode agir de ofício, é necessária a provocação da parte. Analisando os requisitos e os autos, verificase que não houve a correção da falta até a decisão do órgão previdenciário de primeira instância administrativa. O autuado não demonstrou por meio de documentação a correção integral das faltas. Assim, fica demonstrada a necessidade de ser identificada de maneira correta cada etapa processual, para fins de definição dos direitos que assistem aos contribuintes. Caso não seja exercido no tempo correto há a preclusão do direito. A atenuação e a relevação da multa são benefícios concedidos ao infrator, sendo uma contrapartida oferecida pela legislação previdenciária. Caso esse infrator corrija a falta, ficará responsável por um débito de menor valor, caso atenda aos demais requisitos a multa será relevada. Uma vez sendo em beneficio do infrator, é necessário que este atenda aos Fl. 324DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/03/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 13984.001237/200716 Acórdão n.º 230201.664 S2C3T2 Fl. 311 5 requisitos exigidos pela Previdência Social e na forma pelo órgão estabelecida, traduzida no Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. Corroborando esse entendimento foi publicado o Parecer CJ/MPS n ° 3.194/2003, que assim dispõe: 23. Ante o exposto, este membro da AdvocaciaGeral da União, por meio desta Consultoria Jurídica, manifestase no seguinte sentido: a) o pedido de relevação da multa previsto no art. 291, § 1º, do Regulamento da Previdência Social deve ser feito no prazo de impugnação ao auto de infração lavrado pela fiscalização do INSS; b) a autoridade julgadora competente referida no caput do art. 291, citado, é aquela integrante dos quadros da autarquia previdenciária INSS. c) a multa somente será relevada na hipótese de o infrator ter corrigido a falta até decisão originária, ou seja, do órgão próprio do INSS. (grifei) A responsabilidade pela infração é objetiva, independe da culpa ou da intenção do agente para que surja a imposição do auto de infração. Assim, o fato de trazer ou não prejuízo ao Fisco é irrelevante, pois a obrigação sendo instrumental, qualquer descumprimento, por presunção legal, acarreta dificuldade na ação fiscal. Conforme disposto no art. 136 do CTN, a responsabilidade por infrações à legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, a não ser que haja disposição em contrário. Ao contrário do afirmado pela recorrente, o Fisco não possui obrigação de apreciar inconstitucionalidade. Não há possibilidade para a autoridade administrativa recursar o cumprimento de norma supostamente inconstitucional. Toda lei presumese constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, deve o agente público, como executor da lei, respeitála. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes), ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. Conforme expressamente previsto no art. 26A do Decreto n 70.235 de 1972, na redação conferida pela Lei n 11.941 de 2009, no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. De acordo com a Súmula n ° 2 aprovada pelo Conselho Pleno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não pode ser declarada a inconstitucionalidade de norma pela Administração. Fl. 325DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/03/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Contudo, há que se observar a retroatividade benigna prevista no art. 106, inciso II do CTN. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, sendo mais benéficas para o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212, nestas palavras: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3o; e II de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso I do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II a setenta e cinco por cento, se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos.” (NR) Desse modo, resta evidenciado, que a conduta de apresentar a GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitava o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo 4º do artigo 32 da Lei n º 8.212 de 1991. Agora, com a Medida Provisória n º 449 de 2009, convertida na Lei n º 11.941, a tipificação passou a ser apresentar a GFIP com incorreções ou omissões, com multa de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. O núcleo do tipo infracional seja na redação anterior à MP n º 449, seja com o novo ordenamento é o mesmo: apresentar a GFIP com erros. A multa será aplicada ainda que Fl. 326DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/03/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 13984.001237/200716 Acórdão n.º 230201.664 S2C3T2 Fl. 312 7 o contribuinte tenha pago as contribuições, conforme previsto no inciso I do art. 32 A. Resta demonstrado, assim, que estamos diante de uma obrigação puramente formal, devendo ser aplicada a multa isolada. Não há razão para serem somadas as multas por descumprimento da obrigação principal e da acessória antes da MP n º 449 e após, para verificar qual a mais vantajosa. A análise tem que ser multa por descumprimento de obrigação principal antes e multa por tal descumprimento após; e multa por descumprimento de obrigação acessória antes e após. A análise tem que ser realizada dessa maneira, pois como já afirmado tratase de obrigação acessória independente da obrigação principal. A conduta de não apresentar declaração, ou apresentar de forma inexata, somente se subsumiria à multa de 75%, prevista no art. 44 da Lei n º 9.430, nas hipóteses em que não há penalidade específica para ausência de declaração ou declaração inexata. Para a GFIP, assim como a DCTF e a DIRPF, há multa com tipificação específica; desse modo inaplicável o art. 44. Para a GFIP aplicase o art. 32A da Lei n º 8.212 de 1991. Conforme previsto no art. 44 da Lei n º 9.430, a multa de 75% incidirá sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Desse modo, há três condutas no art. 44 que não precisam ocorrer simultaneamente para ser aplicada a multa. Há a conduta deixar de pagar ou recolher; outra conduta é ausência de declaração, e a outra é a apresentação de declaração inexata. Logicamente, se o contribuinte tiver recolhido os valores devidos antes da ação fiscal, não se aplica a multa de 75% prevista no art. 44 da Lei n º 9.430; mas a despeito do pagamento não declarou em GFIP, é possível a aplicação da multa isolada do art. 32A da Lei n º 8.212. Essa aplicação de multa isolada somente é possível, pelo fato de serem condutas distintas. Agora, se o contribuinte tiver declarado em GFIP não se aplica a multa do art. 44 da Lei n º 9.430, sendo aplicável somente a multa moratória do art. 61 da Lei n º 9430, pois os débitos já estão confessados e devidamente constituídos, sendo prescindível o lançamento. Afinal, a multa do art. 44 da Lei n º 9.430 somente se aplica nos lançamentos de ofício. Desse modo, se o contribuinte tiver declarado em GFIP, mas não tiver pago, o art. 44 da Lei 9.430 não é aplicado pelo fato de o contribuinte não ter recolhido, mas ter declarado; de fato, não se aplica o art. 44 em função de não haver lançamento de ofício, pois o crédito já está constituído pelo termo de confissão que é a GFIP. E nas hipóteses em que o contribuinte não recolhe e não declara em GFIP, há duas condutas distintas: por não recolher o tributo e ser realizado o lançamento de ofício, aplicase a multa de 75%; e por não ter declarado em GFIP a multa prevista no art. 32A da Lei n º 8.212. Como já afirmado, a multa será aplicada ainda que o contribuinte tenha pago as contribuições, conforme previsto no inciso I do art. 32 A. Pelo exposto, é de fácil constatação que as condutas de não recolher ou pagar o tributo e não declarar em GFIP não estão tipificadas no mesmo artigo de lei, no caso o art. 44 da Lei nº 9.430/96. Assim, não há que se falar em bis in idem, tampouco em consunção. Pelo contrário, a lei ao tipificar essas infrações, inclusive em dispositivos distintos, demonstra estar tratando de obrigações, infrações e penalidades tributárias distintas, que não se confundem e tampouco são excludentes. Logo, não há consistência nos entendimentos que pretendem dispensar a multa isolada, por ter sido aplicada a multa genérica. A Receita Federal do Brasil editou a Instrução Normativa RFB n º 1.027 de 22 de abril de 2010 que assim dispõe em seu artigo 4º: Fl. 327DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/03/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 Art. 4º A Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009, passa a vigorar acrescida do art. 476A: Art. 476A. No caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos: I até 30 de novembro de 2008, deverá ser aplicada a penalidade mais benéfica conforme disposto na alínea “c” do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), cuja análise será realizada pela comparação entre os seguintes valores: a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. II a partir de 1º de dezembro de 2008, aplicamse as multas previstas no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação de que trata este artigo não será feita no caso de entrega de GFIP com atraso, por se tratar de conduta para a qual não havia antes penalidade prevista.? Entendo inaplicável a referida Portaria por ser ilegal. Como demonstrado, é possível a aplicação da multa isolada em GFIP, independentemente de o contribuinte ter pago, conforme dispõe o art. 32A da Lei n º 8.212. Uma vez que a penalidade está prevista em lei, somente quem pode dispor da mesma é o Poder Legislativo, a interpretação da Receita Federal gera a concessão de uma anistia sem previsão em lei. Nesse sentido, o art. 150, parágrafo 6º da Constituição exige lei específica para concessão de anistia. A Portaria também viola o art. 182 do CTN que exige a concessão de anistia por meio de lei. Além de violar, os artigos 32A da Lei n º 8.212 e 44 da Lei n º 9.430. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Entendo que há cabimento do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN. CONCLUSÃO Fl. 328DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/03/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 13984.001237/200716 Acórdão n.º 230201.664 S2C3T2 Fl. 313 9 Pelo exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para no mérito CONCEDERLHE PROVIMENTO PARCIAL. A multa deve ser calculada considerando as disposições da Medida Provisória n º 449 de 2008, mais precisamente o art. 32A, inciso II, que na conversão pela Lei n º 11.941 foi renumerado para o art. 32A, inciso I da Lei n º 8.212 de 1991. É como voto. Marco André Ramos Vieira Fl. 329DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/03/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10580.721193/2007-91
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Exercício:2005 NULIDADE. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando a decisão motivada de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio. PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL. A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais. SIMPLES.OMISSÃO DE RECEITAS. Caracteriza-se como omissão a falta de registro de receita, ressalvada à pessoa jurídica a prova da improcedência, oportunidade em que a autoridade determinará os valores dos tributos a serem lançados de acordo com o sistema de tributação a que estiver submetida no período de apuração correspondente. JUROS DE MORA. Tem cabimento a incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Selic sobre débitos tributários não pagos nos prazos legais. DOUTRINA.JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade
de lei tributária.
LANÇAMENTOS DECORRENTES.
Os lançamentos de PIS, de CSLL, de Cofins e de INSS sendo decorrentes das
mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a
que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que
foram dados à exigência de IRPJ.
Numero da decisão: 1801-001.017
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1954; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE01 Fl. 499 1 498 S1TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.721193/200791 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 180101.017 – 1ª Turma Especial Sessão de 09 de maio de 2012 Matéria SIMPLES Recorrente MARIA NEIDE NUNES AMPARO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Exercício:2005 NULIDADE. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando a decisão motivada de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio. PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL. A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais. SIMPLES.OMISSÃO DE RECEITAS. Caracterizase como omissão a falta de registro de receita, ressalvada à pessoa jurídica a prova da improcedência, oportunidade em que a autoridade determinará os valores dos tributos a serem lançados de acordo com o sistema de tributação a que estiver submetida no período de apuração correspondente. JUROS DE MORA. Tem cabimento a incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Selic sobre débitos tributários não pagos nos prazos legais. DOUTRINA.JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. Fl. 499DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10580.721193/200791 Acórdão n.º 180101.017 S1TE01 Fl. 500 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Os lançamentos de PIS, de CSLL, de Cofins e de INSS sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente em Exercício Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria de Lourdes Ramirez, Marcos Vinicius Barros Ottoni, Jaci de Assis Junior, Edgar Silva Vidal, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório I Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 0512, com a exigência do crédito tributário no valor de R$84.377,97, a título de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), juros de mora e multa de ofício proporcional, referente ao anocalendário de 2004, apurado no regime tributário do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples). O lançamento fundamentase nas infrações que se seguem: Item 1 – Omissão de receitas apurada pelo cotejo entre os valores informados na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica – Simples (DSPJ – Simples), fls. 5875 e aqueles escriturados no Livro Razão, fls. 76223 e nas Declarações e Apurações Mensais do ICMS (DMA), fls. 224236. Item 2 – Insuficiência de recolhimento decorrente da aplicação incorreta da alíquota incidente sobre a receita bruta, conforme dados informados na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica – Simples (DSPJ – Simples), fls. 5875. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: § 2º do art. 2º, alínea “a” do § 1º do art. 3º, art. 5º, § 1º do art. 7º e art. 18, todos da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, art. 3º da Lei nº 9.732, de 11 de dezembro de 1998 e art. 186, art. 188 e art. 199 do Regulamento do Imposto de Renda constante no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR, de 1999). Fl. 500DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10580.721193/200791 Acórdão n.º 180101.017 S1TE01 Fl. 501 3 Em decorrência de serem os mesmos elementos de provas indispensáveis à comprovação dos fatos ilícitos tributários foram constituídos os seguintes créditos tributários pelos lançamentos formalizados neste processo: II O Auto de Infração às fls. 1320 com a exigência do crédito tributário no valor de R$84.377,97 a título de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), juros de mora e multa de ofício proporcional. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: alínea “b” do art. 3º da Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970, parágrafo único do art. 1º da Lei Complementar nº 17, de 12 de dezembro de 1973, bem como o inciso I do art. 2º, art. 3º e art. 9º da Medida Provisória nº 1.249, de 14 de dezembro de 1995, § 2º do art. 2º, alínea “b” do § 1º do art. 3º, art. 5º, § 1º do art. 7º e art. 18, todos da Lei nº 9.317, de 1996 e ainda art. 3º da Lei nº 9.732, de 1998. III – O Auto de Infração às fls. 2128 com a exigência do crédito tributário no valor de R$134.349,06 a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), juros de mora e multa de ofício proporcional. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 1º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, bem como o § 2º do art. 2º, alínea “c” do § 1º do art. 3º, art. 5º, § 1º do art. 7º e art. 18, todos da Lei nº 9.317, de 1996 e ainda art. 3º da Lei nº 9.732, de 1998. IV – O Auto de Infração às fls. 2936 com a exigência do crédito tributário no valor de R$268.698,22 a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), juros de mora e multa de ofício proporcional. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 1º da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, § 2º do art. 2º, alínea “d” do § 1º do art. 3º, art. 5º, § 1º do art. 7º e art. 18, todos da Lei nº 9.317, de 1996 e ainda art. 3º da Lei nº 9.732, de 1998. V O Auto de Infração às fls. 3744 com a exigência do crédito tributário no valor de R$550.393,96 a título de Contribuição para a Seguridade Social (INSS), juros de mora e multa de ofício proporcional. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: § 2º do art. 2º, alínea “f” do § 1º do art. 3º, art. 5º, § 1º do art. 7º e art. 18, todos da Lei nº 9.317, de 1996 e ainda art. 3º da Lei nº 9.732, de 1998. Cientificada em 26.11.2007, fls. 05, 13, 21, 29 e 37, a Recorrente apresenta a impugnação em 24.12.2007 , fls. 377446, com as alegações abaixo sintetizadas. Aduz que os Autos de Infração são nulos, uma vez que a motivação não é precisa e ofende os princípios da segurança jurídica e da ampla defesa. Suscita que não foi claramente explicitada a metodologia de apuração dos tributos supostamente devidos. Procura demonstrar que não foram considerados os valores já recolhidos no período a título de direito creditório. Apresenta argumentos contra a incidência dos juros de mora equivalentes à taxa Selic e ainda solicita produção de todos os meios de prova. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui que os lançamentos são improcedentes. Fl. 501DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10580.721193/200791 Acórdão n.º 180101.017 S1TE01 Fl. 502 4 Está registrado como resultado do Acórdão da 3ª TURMA/DRJ/FOR/CE nº 0821.373, de 15.07.2011, fls. 465474: “Impugnação Improcedente”. Restou ementado ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário:2004 OMISSÃO DE RECEITAS. Demonstrada a ocorrência de receitas não oferecidas à tributação, cabível a lavratura do Lançamento. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário:2004 ARGUMENTO DE NULIDADE DE AÇÃO FISCAL. Não provada violação das disposições contidas no (artigo) art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN), nem nos arts. 10 e 59 do Decreto 70.235/72, descabe o argumento de nulidade do Lançamento formalizado através de Auto de Infração. INDEFERIMENTO DE REVISÃO FISCAL. Indeferese o Pedido de Revisão Fiscal quando presentes nos autos elementos capazes de formar a convicção do Julgador. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. Havendo o Contribuinte solicitado a juntada posterior de documentos, mas não a tendo feito até a data em que o Acórdão foi prolatado, o Julgamento terá de aterse aos documentos efetivamente constantes dos Autos. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2004 CONSELHOS DE CONTRIBUINTES. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. A teor do art. 100, inciso II, do Código Tributário Nacional (CTN), as Decisões Administrativas, mesmo proferidas pelos Órgãos Colegiados, sem uma Lei que lhes atribua eficácia, de conformidade com as normas de tributação da Secretaria da Receita Federal do Brasil, não constituem normas complementares do Direito Tributário e não podem ser estendidas genericamente a outros casos, somente aplicandose sobre a questão em análise e vinculando as partes envolvidas naqueles litígios. DECISÕES JUDICIAIS. A teor do art. 100, inciso II, do Código Tributário Nacional, as Decisões Judiciais, mesmo proferidas pelos Órgãos Colegiados, sem uma Lei que lhes atribua eficácia, nos termos do Código de Processo Civil (CPC), não constituem normas complementares do Direito Tributário e não podem ser estendidas genericamente a outros casos, somente aplicandose sobre a questão em análise e vinculando as partes envolvidas naqueles litígios. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário:2004 Fl. 502DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10580.721193/200791 Acórdão n.º 180101.017 S1TE01 Fl. 503 5 JUROS DE MORA. TAXA SELIC. É cabível, por expressa disposição legal, a exigência de juros de mora em percentual superior a 1%. A partir de 01/01/1995 os juros de mora serão equivalentes à taxa do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC. São devidos juros da taxa SELIC em compensação de tributos e nos cálculos dos débitos dos Contribuintes para com a Fazenda Pública Federal. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2004 TRIBUTAÇÃO REFLEXA.CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL SIMPLES.CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS SIMPLES. CONTRIBUIÇÃO PARA O PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL PIS SIMPLES. CONTRIBUIÇÃO PARA SEGURIDADE SOCIAL INSS SIMPLES. Aplicase às Exigências Reflexas o que foi decidido quanto à Exigência Matriz, devido à íntima relação de causa e efeito entre elas, ressalvadas as alterações exoneratórias a que se procedeu de ofício, decorrentes de novos critérios de interpretação ou de legislação superveniente. Notificadas em 11.08.2011, fl. 486, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 09.09.2011, fls. 487497, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge e reiteram os argumentos apresentados na peça impugnatória. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos. Cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no exercício da competência da RFB, em caráter privativo constituir o crédito tributário pelo lançamento. Esta atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, ainda que ele seja de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. É a autoridade legitimada para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. Nos casos em que dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário, os Autos de Infração podem ser lavrados sem prévia intimação à pessoa jurídica no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do seu estabelecimento, os quais devem estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Estes atos administrativos, sim, não prescindem da intimação válida para que se instaure o processo, vigorando na sua totalidade os direitos, deveres e ônus advindos da relação processual de modo a privilegiar as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes1. 1 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional. art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 9º, art. 10, art. 23 e 59 do Decreto nº Fl. 503DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10580.721193/200791 Acórdão n.º 180101.017 S1TE01 Fl. 504 6 Os Autos de Infração foram lavrados por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, que verificou a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinou a matéria tributável, calculou o montante do tributo devido, identificou o sujeito passivo, aplicou a penalidade cabível e determinou a exigência com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprila ou impugnála no prazo legal. A decisão de primeira instância está motivada de forma explícita, clara e congruente e da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada. Assim, estes atos contêm todos os requisitos legais, o que lhes conferem existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos, em observância às garantias ao devido processo legal. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente solicita a realização de todos os meios de prova. Sobre a matéria, vale esclarecer que no presente caso se aplicam as disposições do processo administrativo fiscal que estabelece que a peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, precluindo o direito de a Recorrente praticar este ato e apresentar novas razões em outro momento processual, salvo a ocorrência de quaisquer das circunstâncias ali previstas. Embora lhe fossem oferecidas várias oportunidade no curso do processo, a Recorrente não apresentou a comprovação inequívoca de quaisquer fatos que tenham correlação com as situações excepcionadas pela legislação de regência 2. A realização desses meios probantes é prescindível, uma vez que os elementos probatórios produzidos por meios lícitos constantes nos autos são suficientes para a solução do litígio. A justificativa arguida pela defendente, por essa razão, não se comprova. A Recorrente discorda da apuração da omissão de receitas. A autoridade fiscal tem o direito de examinar a escrituração e os documentos comprobatórios dos lançamentos nela efetuados e a pessoa jurídica tem o dever de exibilos e conserválos até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial, bem como de prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos. A pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada, independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, cabendo à autoridade a prova da não veracidade dos fatos registrados. O tratamento diferenciado, simplificado e favorecido denominado Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) é mensal e uma opção do sujeito passivo para todo anocalendário, 70.235, de 6 de março de 1972, Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 6, 8, 27 e 46. 2 Fundamentação legal: art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 504DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10580.721193/200791 Acórdão n.º 180101.017 S1TE01 Fl. 505 7 desde que observados os requisitos legais, devendo ser manifestada mediante a alteração cadastral no prazo previsto em lei. É determinado pela aplicação do percentual correspondente ao valor acumulado mensalmente da receita bruta o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, não incluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos. Abrange o IRPJ, Pis, CSLL, Cofins, INSS e IPI, se for estabelecimento industrial. Está dispensada de escrituração comercial desde que mantenha o Livro Caixa, no qual deve estar escriturada toda a sua movimentação financeira, inclusive bancária, o Livro de Registro de Inventário, no qual deve constar registrados os estoques existentes no término de cada ano calendário, bem como todos os documentos e demais papéis que serviram de base para sua a escrituração. Caracterizase como omissão a falta de registro de receita, ressalvada à pessoa jurídica a prova da improcedência, oportunidade em que a autoridade determinará o valor dos tributos a serem lançados de acordo com o sistema de tributação a que estiver submetida no período de apuração correspondente3. No presente caso o lançamento se fundamenta na omissão de receitas apurada pelo cotejo entre os valores informados na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica – Simples (DSPJ – Simples), fls. 5875 e aqueles escriturados pela própria Recorrente no Livro Razão, fls. 76223 e nas Declarações e Apurações Mensais do ICMS (DMA), fls. 224236. Para fins de apuração dos tributos devidos, os critérios adotados pelas autoridades fiscais estão explícitos, claros e congruentes e os autos estão instruídos com as provas de todos os fatos imponíveis. Não foram produzidos no processo novos elementos de prova, de modo que o conjunto probatório já produzido evidencia que o procedimento de ofício está correto. A inferência denotada pela defendente, nesse caso, não é acertada. A Recorrente discorda da incidência de juros de mora equivalentes à taxa Selic. Os débitos tributários não pagos nos prazos legais são acrescidos de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic, seja qual for o motivo determinante da falta. Este é o entendimento constante na decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em recurso especial repetitivo nº 1.111.175/SP, cujo trânsito em julgado ocorreu em 09.09.20094 e que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF5. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. 3 Fundamentação legal: art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 1º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e art. 2º e art. 5º da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996. 4 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial Repetitivo nº 1111175/SP. Ministra Relatora: Denise Arruda. Primeira Seção, Brasília, DF, 10 de junho de 2009. Disponível em: < https://ww2.stj.jus.br/revistaeletronica/Abre_Documento.asp?sSeq=892437&sReg=200900188256&sData=20090 701&formato=PDF>. Acesso em: 31 ago.2011. 5 Fundamentação legal: art. 161 do Código Tributário Nacional, art. 5º e art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, Súmulas CARF nºs 4 e 5 e art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. Fl. 505DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10580.721193/200791 Acórdão n.º 180101.017 S1TE01 Fl. 506 8 No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso6. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade7. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. O nexo causal entre as exigências de créditos tributários, formalizados em autos de infração instruídos com todos os elementos de prova, determina que devem ser objeto de um único processo no caso em que os ilícitos dependam da mesma comprovação e sejam relativos ao mesmo sujeito passivo 8.. Os lançamentos de PIS, de CSLL, de Cofins e de INSS sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ. Em face do exposto voto por negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 6 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 7 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. 8 Fundamentação legal: art. 9º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 506DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 13707.002210/2003-88
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Ano-calendário: 1998
Ementa: MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. BASE LEGAL REVOGADA.
LEI POSTERIOR MAIS BENIGNA.
A base legal utilizada para a exigência da multa de ofício isolada foi o § 1º do artigo 44, da Lei 9.430/96, que foi revogada pela Lei 11.488/2007. Alteração ocorrida após a lavratura do Auto de Infração, aplicação da legislação
posterior mais benigna, de acordo com o artigo 106, inciso II, alínea "c" do Código Tributário Nacional. Cancela-se a exigência da multa de ofício isolada.
Numero da decisão: 1202-000.797
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: GERALDO VALENTIM NETO
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano-calendário: 1998 Ementa: MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. BASE LEGAL REVOGADA. LEI POSTERIOR MAIS BENIGNA. A base legal utilizada para a exigência da multa de ofício isolada foi o § 1º do artigo 44, da Lei 9.430/96, que foi revogada pela Lei 11.488/2007. Alteração ocorrida após a lavratura do Auto de Infração, aplicação da legislação posterior mais benigna, de acordo com o artigo 106, inciso II, alínea "c" do Código Tributário Nacional. Cancela-se a exigência da multa de ofício isolada.
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BASE LEGAL REVOGADA. LEI POSTERIOR MAIS BENIGNA. A base legal utilizada para a exigência da multa de ofício isolada foi o § 1º do artigo 44, da Lei 9.430/96, que foi revogada pela Lei 11.488/2007. Alteração ocorrida após a lavratura do Auto de Infração, aplicação da legislação posterior mais benigna, de acordo com o artigo 106, inciso II, alínea "c" do Código Tributário Nacional. Cancelase a exigência da multa de ofício isolada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do Relator. Nelson Lósso Filho – Presidente (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto – Relator (documento assinado digitalmente) Fl. 122DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 10/07/201 2 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13707.002210/200388 Acórdão n.º 1202000.797 S1C2T2 Fl. 123 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Nelson Lósso Filho, Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando Jose Gonçalves Bueno. Relatório Trata o presente processo de Auto de Infração (fls. 08/14) lavrado pela Delegacia da Receita Federal de Fiscalização no Rio de Janeiro, por meio do qual foi formalizado o lançamento de multa isolada no valor de R$ 3.193.161,12, em face do recolhimento intempestivo de débitos desacompanhados da multa de mora prevista pela legislação tributária. A base legal da autuação é o artigo 44, incisos I e II e § 1º, inciso II da Lei 9.430/96. Conforme relatório de fls. 09, intitulado “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal – IRPJ/1998”, a autuação resultou de procedimento de auditoria interna nas DCTFs relativas aos 2º e 3º trimestres de 1998. Às fls. 10/11 foram elencados os pagamentos para os quais teria sido constatada insuficiência de acréscimos legais e às fls. 12 consta demonstrativo de cálculo da multa isolada. Inconformada com o lançamento do qual foi cientificada em 19/08/03 (fls. 106), em 18/09/2003 a Recorrida apresentou a Impugnação de fls. 03 na qual alegou que teria espontaneamente realizado os pagamentos tidos como intempestivos, motivo pelo qual não seria cabível a cobrança de multa, em face do art. 138 do CTN. Os autos foram encaminhados para julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro, a qual houve por bem julgar procedente a Impugnação apresentada pela Recorrente, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ. Anocalendário: 1998 MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. LEI POSTERIOR MAIS BENIGNA. Cancelase a exigência da multa de ofício isolada em face da legislação posterior mais benigna (art. 14 da MP 351, de 22/01/2007 c/c art. 106, inciso II do CTN). Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Em razão da exoneração do crédito tributário, decorrente da decisão supracitada, recorreu a DRJ/RJ, via Recurso de Ofício, nos moldes da Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008. Oportunamente, os autos foram enviados a este Colegiado. Tendo sido designado relator do caso, requisitei a inclusão em pauta para julgamento do recurso. É o relatório. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 10/07/201 2 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13707.002210/200388 Acórdão n.º 1202000.797 S1C2T2 Fl. 124 3 Voto Conselheiro Geraldo Valentim Neto, Relator A decisão de primeira instância foi totalmente favorável ao contribuinte, conforme Acórdão nº 1239.675 da Sexta Turma da DRJ/RJ de fls. 108/114, que exonerou o crédito tributário consubstanciado no Auto de Infração. Assim, com vistas à exoneração do crédito tributário, recorreu a DRJ/RJ, via Recurso de Ofício, que recebo nos moldes da Portaria MF nº 3/2008 e do artigo 2º do Regimento interno do CARF, abaixo transcritos: “Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Parágrafo único. O valor da exoneração de que trata o caput deverá ser verificado por processo’`. “Art. 2º À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: I Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ); II Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL);” Conforme relatado, tratase de lançamento de multa isolada em face do recolhimento intempestivo de débitos desacompanhados da multa de mora prevista pela legislação tributária. Como bem entendido pela decisão recorrida, a base legal utilizada pela fiscalização para proceder ao lançamento da multa isolada, qual seja, o § 1º do artigo 44, da Lei 9.430/96, foi revogada pela Lei 11.488/2007. Oportuno se faz transcrever a legislação mencionada. Vejamos: “Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 1° As multas de que trata este artigo serão exigidas: I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; Fl. 124DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 10/07/201 2 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13707.002210/200388 Acórdão n.º 1202000.797 S1C2T2 Fl. 125 4 II isoladamente, quando o tributo ou a contribuição houver sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora; III isoladamente, no caso de pessoa física sujeita ao pagamento mensal do imposto (carnêleão) na forma do art. 8° da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de fazêlo, ainda que não tenha apurado imposto a pagar na declaração de ajuste. IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao recolhimento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2°, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente.”(não grifado no original) Posteriormente, conforme já observado, o aludido diploma lega foi alterado pela Lei n° 11.488/2007, que em seu artigo 14 revogou expressamente a penalidade prevista no inciso § 1º inciso II da Lei n° 9430/1996. Leiase a nova redação: “Art. 14. O art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação, transformandose as alíneas a, b e c do § 2º nos incisos I, II e III: ‘Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8º da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. I (revogado); II (revogado); III (revogado); IV (revogado); Fl. 125DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 10/07/201 2 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13707.002210/200388 Acórdão n.º 1202000.797 S1C2T2 Fl. 126 5 V (revogado pela Lei no 9.716, de 26 de novembro de 1998). § 2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1º deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei ’.” (não grifado no original) Assim, de acordo com os artigos acima transcritos inferese que o artigo 14 da Lei 11.488/2007 deu nova redação ao artigo 44 da Lei nº 9.430/96, que passou a prever a possibilidade de aplicação da multa isolada (no percentual de 50%) apenas nas hipóteses de falta de pagamento mensal, quando apurado pelo regime de estimativa, o que não é o caso dos autos. Neste contexto, não obstante as alterações no artigo 44 da Lei 9.430/1996 terem ocorrido posteriormente à lavratura do presente auto de infração, pelo principio da retroatividade benigna, previsto no artigo 106, inciso II, alínea "c" do Código Tributário Nacional, transcrito abaixo, a multa em questão não merece prosperar. Vejamos: “Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” Este próprio E. Conselho já se manifestou neste mesmo sentido. Vejamos: “(...) Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1998 MULTA ISOLADA DE OFÍCIO DE 75% INCIDÊNCIA NA HIPÓTESE DE PAGAMENTOS FEITOS A DESTEMPO, SEM A COMPETENTE MULTA MORATÓRIA HIPÓTESE LEGAL REVOGADA POR LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE APLICAÇÃO DA RETROATIVIDADE BENIGNA A multa isolada de ofício que incidiria sobre o tributo pago a destempo, sem acréscimo da multa de mora, como no caso aqui em debate, prevista no art. 44, § 1º, II, da Lei nº 9.430/96, foi revogada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/2007, que deu nova redação ao art. 44 da Lei nº 9.430/96. A multa isolada de ofício deve ser afastada, pois este crédito tributário se amolda com perfeição à hipótese do art. 106, II, "a", do CTN, pois se trata de infração tributária pretérita em julgamento na instância Fl. 126DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 10/07/201 2 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13707.002210/200388 Acórdão n.º 1202000.797 S1C2T2 Fl. 127 6 administrativa, que a lei deixou de definila como infração. (Primeiro Conselho de Contribuintes. 6ª Câmara. Turma Ordinária, Acórdão nº 10616918 do Processo 10670000719200281, Data: 29/05/2008)” “(...) MULTA ISOLADA RETROATIVIDADE BENIGNA Aplicase a retroatividade benigna prevista no Art. 106, inciso II, letra c do CTN para afastar a multa isolada, tendo em vista o advento da Lei 11.488, de 15 de junho de 2007, que deu nova redação ao Art. 44 da Lei 9.430/96. Recurso voluntário provido em parte. (Primeiro Conselho de Contribuintes. 6ª Câmara. Turma Ordinária, Acórdão nº 10617174 do Processo 13770000134200221, Data: 06/11/2008)” Ademais, apenas a título de esclarecimento, conforme demonstram as DARFs anexas ao presente processo (fls. 18 e 22), a Recorrida denunciou espontaneamente ao fisco o seu débito fiscal em atraso e recolheu o montante devido somado aos juros de mora. Esse procedimento adotado pela Recorrida já seria suficiente para afastar a aplicação de multa moratória. Este é o entendimento majoritário deste E. Conselho. Vejamos: TRIBUTO RECOLHIDO FORA DO PRAZO DENÚNCIA ESPONTÂNEA INEXIGIBILIDADE DA MULTA DE MORA O Código Tributário Nacional não distingue entre multa punitiva e multa simplesmente moratória; no respectivo sistema, a multa moratória constitui penalidade resultante de infração legal. Considerase espontânea a denúncia que precede o início de ação fiscal, e eficaz quando acompanhada do recolhimento do tributo, na forma prescrita em lei, se for o caso. Desta forma, o contribuinte que denuncia espontaneamente ao fisco o seu débito fiscal em atraso, recolhendo o montante devido com juros de mora, está exonerado da multa moratória, nos termos do artigo 138 do Código Tributário Nacional. (Primeiro Conselho de Contribuintes. 4ª Câmara. Turma Ordinária, Acórdão nº 10422879 do Processo 13977000023200118, Data: 05/12/2007) Portanto, concordo com a decisão da DRJ/RJ, e voto no sentido de negar provimento ao Recurso de Ofício. É como voto. (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto Fl. 127DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 10/07/201 2 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por NELSON LOSSO FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 13603.002794/2003-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2002
EMBARGOS DECLARATÓRIOS.
Devem ser acolhidos os declaratórios na parte em que restar provada a omissão contida no acórdão embargado.
Numero da decisão: 1201-000.684
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, CONHECER dos embargos. Quanto ao mérito, por maioria, ACOLHER parcialmente as razões do recurso para, sem efeitos infringentes, rerratificar o Acórdão. nº 108-08.765, de 23.03.2006, e suprir a omissão apontada no item 4 "Da Alegada Omissão quanto ao Art. 23, nº 4, da Convenção entre Brasil e Espanha", nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Os Conselheiros Regis Magalhães Soares de Queiroz e Claudemir Rodrigues Malaquias acompanharam o Relator por suas conclusões. Vencidos os Conselheiros Rafael Correia Fuso e André Almeida Blanco, que supriam a omissão referida no item 4 acima com efeitos infringentes.
Matéria: IRPJ - AF- lucro presumido(exceto omis.receitas pres.legal)
Nome do relator: MARCELO CUBA NETTO
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 EMBARGOS DECLARATÓRIOS. Devem ser acolhidos os declaratórios na parte em que restar provada a omissão contida no acórdão embargado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, CONHECER dos embargos. Quanto ao mérito, por maioria, ACOLHER parcialmente as razões do recurso para, sem efeitos infringentes, rerratificar o Acórdão. nº 10808.765, de 23.03.2006, e suprir a omissão apontada no item 4 "Da Alegada Omissão quanto ao Art. 23, nº 4, da Convenção entre Brasil e Espanha", nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Os Conselheiros Regis Magalhães Soares de Queiroz e Claudemir Rodrigues Malaquias acompanharam o Relator por suas conclusões. Vencidos os Conselheiros Rafael Correia Fuso e André Almeida Blanco, que supriam a omissão referida no item 4 acima com efeitos infringentes. (documento assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (Presidente), Claudemir Rodrigues Malaquias, Rafael Correia Fuso, Marcelo Cuba Netto, André Almeida Blanco (Suplente Convocado) e Regis Magalhães Soares de Queiroz. Fl. 415DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 31/08/2012 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MAL AQUIAS, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13603.002794/200350 Acórdão n.º 120100.684 S1C2T1 Fl. 393 2 Relatório Tratase de embargos declaratórios opostos pelo sujeito passivo, contra o acórdão nº 10808.765, prolatado pela Oitava Câmara do extinto Conselho de Contribuintes. Os referidos embargos foram submetidos à apreciação da mesma Oitava Câmara, que resolveu converter o julgamento em diligência, conforme resolução nº 10800.407 (fls. 352/357). Por bem expor os fatos litigiosos, adoto aqui o relatório contido na acima referida resolução: Contra o Acórdão 10808.765, de 23/03/2006, Refratec Produtos Eletrofundidos Ltda. opôs Embargos de Declaração por ter identificado, do seu ponto de vista, uma contradição e duas omissões. No Voto Vencedor, prolatado por este relator, ficou decidido por manter o lançamento de IRPJ relativo ao lucro da subsidiária portuguesa dos anos de 1998 a 2001, e ao lucro da subsidiária espanhola dos anos de 2001 (parte) e 2002. O lançamento de CSL seguiu o principal a partir de 1999, quando passou a ser prevista sua hipótese de incidência (MP18586/99). A manutenção do lançamento referente à subsidiária portuguesa baseouse no fato de que a ora Embargante promoveu a contribuição das ações dessa empresa para formação de capital social de outra, utilizando o valor de investimento que se encontrava nas suas demonstrações financeiras. Como o valor de investimento englobava a equivalência patrimonial decorrente do aumento do patrimônio liquido da subsidiária, cuja tributação estaria diferida para o momento da disponibilização do lucro da empresa portuguesa em favor da controladora brasileira, e como a brasileira — ora Embgte. — alienou esse ativo com aproveitamento do custo cuja tributação estava diferida, restou evidente para o relator que houve a disponibilização (realização) do lucro da subsidiária e, por conseqüência, a hipótese legal para o nascimento da obrigação tributária. No tocante à exigência relativa à subsidiária espanhola, os motivos de ter sido improvido o recurso foram: (i) o art. 74 e parágrafo único da MP 215834/2001 estabeleceu ficção de que o lucro auferido por controlada no exterior estaria disponibilizado a sua controladora no Brasil em 31 de dezembro de cada ano a titulo de distribuição de dividendos. E, por ser uma presunção absoluta (digase, ficção), não pode o julgador administrativo tecer ou acatar considerações acerca da inconstitucionalidade de lei para afastar sua aplicação; (ii) os tributos (IRPJ e CSL) não incidem sobre o lucro da subsidiária, mas sobre os dividendos disponibilizados; Fl. 416DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 31/08/2012 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MAL AQUIAS, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13603.002794/200350 Acórdão n.º 120100.684 S1C2T1 Fl. 394 3 (iii) por isso, não se pode cogitar da proteção da cláusula VII do Tratado Brasil e Espanha; (iv) o artigo 10 do Tratado permite a tributação sobre os dividendos pagos por uma empresa na Espanha para uma empresa no Brasil; e deve entenderse por dividendos pagos aqueles disponibilizados ou empregados em favor do acionista. A contradição alegada pela Embgte. esta na interpretação do alcance do art. VII dos tratados contra dupla tributação entre o Brasil e Portugal e entre o Brasil e a Espanha, pois, apesar de mesmo conteúdo, foram interpretados de maneira distinta. Não se podia exigir IRPJ do lucro apurado pela subsidiária portuguesa nos termos do art. 25 da Lei 9249, porque encontravase no Tratado norma protetiva. O art. 74 da MP 215834 — fundamento para a exigência dos anos de 2001 e 2002 — em nada inovou em relação ao objeto da tributação: os lucros das sociedades controladas no exterior. Assim, inobstante a identidade do objeto da tributação, o voto vencedor concluiu que a partir da norma do art. 74 da MP 2158 34, a tributação pelo IRPJ e CSL não incidem sobre o lucro da empresa espanhola mas sim sobre os dividendos disponibilizados a ora Embgte., controladora. Ademais, alega que o voto vencedor cometeu duas omissões na apreciação do Tratado entre Brasil e Espanha. A 1ª omissão é relativa à questão se a disposição convencional do Artigo 10, n. 1, que menciona "dividendos pagos" se compatibiliza com a tributação de dividendos fictos, previstos pela lei interna. A 2ª omissão diz respeito ao art. 23, n. 4, que prevê o impedimento de o Brasil tributar os dividendos recebidos e que sejam tributáveis na Espanha. Como dito anteriormente, a Oitava Câmara resolveu converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator, a seguir transcrito: Conselheiro JOSÉ HENRIQUE LONGO, Relator Um dos argumentos da Embargante é relativo ao art. 23, n° 4, do Tratado entre Brasil e Espanha, que efetivamente não foi apreciado pelo Acórdão embargado. Embora tal dispositivo e a argumentação a ele relativa não tenham sido sustentados pela ora Embargante no seu Recurso Voluntário, entendo que mereçam ser conhecidos os Embargos em face da relevância do tema (correlação entre os artigos 10 e 23) e para que haja efetivo controle de legalidade do lançamento. Porém, a Embargante não trouxe aos autos elemento necessário ao deslinde deste caso. O dispositivo dispõe: Fl. 417DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 31/08/2012 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MAL AQUIAS, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13603.002794/200350 Acórdão n.º 120100.684 S1C2T1 Fl. 395 4 "4 — Quando um residente do Brasil receber dividendos que, de acordo com as disposições da presente Convenção, sejam tributáveis na Espanha, o Brasil isentará de imposto esses dividendos." Pelos debates havidos, neste processo e em outros, despontam duas interpretações do comando: uma que exige a verificação da efetiva tributação (na Espanha) e outra que se satisfaz com a possibilidade de tributação. Assim, levando em conta que a tributação efetiva pode ser fundamento para decisão por julgador desta Câmara, e para que se tenha a devida apreciação por cada conselheiro, deve ser trazida aos autos comprovação de que, nos anos a que se refere o lançamento (2001 e 2002), os dividendos da subsidiária espanhola Iliama Participações Sociedad Limitada estiveram sujeitos á tributação. Em face do exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que a Secretaria da Receita Federal obtenha, junto ao Fisco Espanhol, as seguintes informações: (1) qual o regime de tributação a que estavam submetidos os dividendos da Iliama Participações Sociedad Limitada, nos anos 2001 e 2002, levando em conta que a sócia beneficiária era pessoa jurídica sediada no Brasil; (2) qual o regime de tributação a que estava submetido o lucro da Iliama Participações Sociedad Limitada, nos anos 2001 e 2002; e (3) se a Iliama Participações Sociedad Limitada gozava de tratamento fiscal favorecido. As informações deverão constar de relatório, do qual a recorrente deve ser intimada a se manifestar no prazo de 20 dias. Após cumprida a diligência e juntada eventual manifestação da contribuinte, os autos devem retornar para julgamento. Ao final da diligência foi elaborado o relatório de fls. 380/381, lastreado nas informações prestadas pelo Fisco espanhol, onde, em síntese, é afirmado que Iliama Participações Sociedad Limitada, controlada da embargante, não auferiu lucros nos exercícios objeto da presente ação fiscal. Intimada a se manifestar sobre o relatório de diligência, a embargante silenciou. O autos foram, então, remetidos a este Colegiado para julgamento dos embargos. Voto Conselheiro Marcelo Cuba Netto, Relator. 1) Da Admissibilidade dos Embargos Fl. 418DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 31/08/2012 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MAL AQUIAS, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13603.002794/200350 Acórdão n.º 120100.684 S1C2T1 Fl. 396 5 Os embargos declaratórios atendem aos requisitos de admissibilidade estabelecidos no art. 65 do Regimento Interno do CARF. 2) Da Alegada Contradição no Acórdão Embargado Sobre os embargos de declaração o art. 65 do Regimento Interno do CARF assim estabelece: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. (...) No caso a interessada afirma ter havido contradição entre: (i) por um lado, a interpretação emprestada pela Oitava Câmara ao disposto no art. VII da Convenção entre o Brasil e Portugal para evitar a dupla tributação em matéria de impostos sobre a renda, combinado com o disposto no art. 25 da Lei n° 9.249/95, e; (ii) por outro, a interpretação dada, no mesmo julgado, ao disposto no art. 7 da Convenção entre o Brasil e Espanha para evitar a dupla tributação em matéria de impostos sobre a renda, combinado com o disposto no art. 74 da Medida Provisória n° 2.15834/2001. Ocorre que a divergência interpretativa, decorrente, como visto, da combinação de normas distintas e relativamente a períodos distintos, de forma alguma acarretou “contradição entre a decisão e os seus fundamentos”. De fato, quanto à parcela do IRPJ incidente sobre os lucros auferidos nos anos de 1996 e 1997 por Iliama Investimentos e Serviços LDA., doravante designada simplesmente como Iliama Portugal, entendeu a Câmara recorrida que a exigência não deveria prevalecer, tendo em vista que a tributação sobre o “lucro” de controlada no exterior instituída pelo art. 25 da Lei nº 9.249/95 esbarrava no art. VII da Convenção entre o Brasil e Portugal. Já em relação ao IRPJ incidente sobre os rendimentos auferidos nos anos de 2001 e 2002 por Iliama Participações Sociedad Limitada, adiante chamada apenas de Iliama Espanha, entendeu a Câmara recorrida que, com o advento do art. 1º da Lei nº 9.532/97, passouse a tributar não o “lucro” de controlada no exterior, e sim os dividendos, e somente no momento de sua disponibilização. Entendeu, ainda, que o art. 74 da Medida Provisória nº 2.15835 não reinstituiu a tributação sobre o “lucro” de controlada no exterior, mas apenas alterou a data em que os dividendos consideramse disponibilizados. Em sendo assim, concluiu a Câmara que não se aplicava ao caso o art. 7, e sim o art. 10 da Convenção entre o Brasil e Espanha, que autoriza a incidência de IRPJ sobre os dividendos distribuídos por empresa sediada na Espanha a sua controladora no Brasil. Isso posto, concluise que a decisão que manteve a incidência do IRPJ (e, pelas mesmas razões, também a incidência da CSLL) sobre os dividendos oriundos da controlada da ora embargante na Espanha está em perfeita sintonia com seus respectivos fundamentos, os quais não contradizem os fundamentos que foram empregados pela Câmara para afastar o lançamento sobre os lucros de Iliama Portugal nos anos de 1996 e 1997. Ademais, tais fundamentos foram os mesmos adotados pela Câmara ao manter o lançamento sobre os dividendos distribuídos por Ilama Portugal no período de 1998 a 2001. Fl. 419DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 31/08/2012 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MAL AQUIAS, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13603.002794/200350 Acórdão n.º 120100.684 S1C2T1 Fl. 397 6 3) Da Alegada Omissão quanto ao Art. 10, nº 1, da Convenção entre Brasil e Espanha Sobre essa questão a interessada assim discorre em seus embargos de declaração (fls. 314/315): 15. Com efeito, o voto vencedor afirma que "(...) o art. 74 e § único da MP 215834 estabeleceu a ficção de que o lucro auferido por controlada no exterior estaria disponibilizado à sua controladora no Brasil em 31 de dezembro de cada ano", acrescentando que "(...), diversamente do que dispunha a Lei 9249, a tributação pelo IRPJ e da CSL não incidem sobre o lucro da Iliama Espanha, mas sim sobre os dividendos disponibilizados à Refratec (art. 10 da Lei 9532 e art. 74 e § ún. da MP 215834)". 16. Desta qualificação — como "dividendo ficto" , o voto vencedor extraiu a conclusão segundo a qual "(...) não ha que se cogitar da proteção da cláusula VII do Tratado Brasil e Espanha (Decreto 76975/1976)", sendo aplicável o Artigo 10, n.° 1 do mesmo tratado, que contém regra de atribuição de competência tributária cumulativa ao país de domicilio da empresa que os distribui (país de fonte, no caso a Espanha) e do país de domicilio da empresa que os aufere (pais de residência, no caso o Brasil). 17. Dispõe na verdade o Artigo 10, n.° 1 do Tratado Brasil Espanha que: "Os dividendos pagos por uma sociedade residente de um Estado Contratante a um residente do outro Estado Contratante são tributáveis nesse outro Estado" 18. Sucede, porém, que na análise de referida disposição o voto vencedor conquanto afirme entender "(...) que deva ser considerado como 'dividendo pago' (item I do Artigo 10) como o dividendo que o sócio tiver direito, que tiver sido disponibilizado ao sócio", omitese em se pronunciar sobre se referida disposição convencional se compatibiliza com a tributação de dividendos fictos prevista (em seu entendimento) pela lei interna. 19. No sentido de sanar a omissão apontada, impõese considerarse que a própria letra do tratado se refere a dividendos "pagos" expressão esta reveladora da vontade de o regime de competência cumulativa nele consagrado apenas se aplicar a rendimentos efetivamente destacados do patrimônio das sociedades e transferidos para o de seus sócios, não permitindo uma interpretação ampla, sem suporte em nenhum elemento hermenêutico, segundo a qual o conceito convencional de dividendo seria de tal sorte amplo que abrangeria lucros das sociedades imputados abstratamente por ficção legal operada pela lei interna. Ocorre que a narrativa da embargante não corresponde àquilo que claramente se depreende do acórdão embargado, conforme transcrito a seguir (fls. 278/279): Fl. 420DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 31/08/2012 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MAL AQUIAS, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13603.002794/200350 Acórdão n.º 120100.684 S1C2T1 Fl. 398 7 Com efeito, o art. 74 e § único da MP 215834 estabeleceu a ficção de que o lucro auferido por controlada no exterior estaria disponibilizado à sua controladora no Brasil em 31 de dezembro de cada ano. (...) É de notar também que, diversamente do que dispunha a Lei 9249, a tributação pelo IRPJ e da CSL não incidem sobre o lucro da Iliama Espanha, mas sim sobre os dividendos disponibilizados à Refratec (art. 10 da Lei 9532 e art. 74 e § ún. da MP 215834). Por isso, não há que se cogitar da proteção da cláusula VII do Tratado Brasil e Espanha (Decreto 76975/1976), cuja redação é a mesma que a do Tratado com Portugal e que acima se transcreveu. É certo que o Tratado Brasil Espanha cuida também da questão da distribuição de dividendos, e que permite a tributação dos dividendos pagos por uma empresa na Espanha (Iliama Espanha) para uma empresa no Brasil (Refratec): ARTIGO 10 Dividendos 1. Os dividendos pagos por uma sociedade residente de um Estado Contratante a um residente do .outro Estado Contratante são tributáveis nesse outro Estado. (...) Entendo que deva ser considerado como "dividendo pago" (item 1 do Artigo 10) como o dividendo que o sócio tiver direito, que tiver sido disponibilizado ao sócio. Caso contrário, qualquer emprego do dividendo que não fosse a transferência para uma conta de titularidade do sócio estaria à margem da incidência do tributo, e, à evidência, não é esse o conteúdo dessa norma jurídica. Como se vê, decidiu a Oitava Câmara que o conceito de dividendo pago alcança não apenas aquele efetivamente pago ao sócio, mas também aquele que o sócio já tiver direito, alcançando assim o dividendo a ele disponibilizado nos termos do disposto no art. 74 da Medida Provisória nº 2.15834. Inexiste, pois, a alegada omissão, uma vez que, ao contrário do afirmado pela interessada, a disposição convencional sob exame foi expressamente mencionada no acórdão embargado, bem como expostos os conceitos de “dividendo ficto” e “dividendo pago”, tal como os entendeu a Oitava Câmara. 4) Da Alegada Omissão quanto ao Art. 23, nº 4, da Convenção entre Brasil e Espanha Na apreciação dos presentes embargos a Oitava Câmara do extinto Conselho de Contribuintes, apesar de afirmar que a interessada não sustentou em seu recurso voluntário a argumentação acerca do disposto no art. 23, nº 4, da Convenção entre Brasil e Espanha, decidiu apreciar a questão em sede de embargos em razão de sua relevância. Fl. 421DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 31/08/2012 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MAL AQUIAS, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13603.002794/200350 Acórdão n.º 120100.684 S1C2T1 Fl. 399 8 Todavia, não havendo nos autos do processo informação sobre se os dividendos de Iliama Espanha sujeitaramse à tributação sobre a renda naquele país, o órgão julgador resolveu converter o julgamento em diligência a fim de que a autoridade tributária espanhola se manifestasse sobre o assunto. O aludido art. 23, nº 4, da Convenção entre Brasil e Espanha assim estabelece, verbis: Artigo 23 Métodos para eliminar a dupla tributação (...) 4. Quando um residente do Brasil receber dividendos que de acordo com as disposições da presente Convenção sejam tributáveis na Espanha, o Brasil isentará de imposto esses dividendos. Ocorre que o resultado da diligência trouxe à luz alguns fatos até então desconhecidos, tanto pela autoridade lançadora quanto pelas autoridades julgadoras que apreciaram a impugnação e o recurso voluntário. Afirmou o Fisco espanhol, entre outras coisas, o seguinte acerca de Iliama Espanha (fls. 365/381): a) que 99% de seu capital pertence à Refratec Participações LDA. (empresa com razão social distinta da ora embargante), e que sociedades do tipo “LDA” são comuns na Ilha da Madeira; b) que detém 100% do capital social da empresa Iliama II Trading LDA; c) que não possui empregados; d) que apresentou declarações correspondentes ao imposto sobre sociedades informando haver apurado prejuízo nos exercícios de 2001, 2002, 2003 e 2004. Tais informações, é certo, contradizem aquela prestada pela própria embargante, ainda na fase de fiscalização, quando, em resposta à intimação, afirmou que sua controlada Iliama Espanha havia auferido lucros de R$ 741.341,26 e de R$ 7.113.998,55 nos anos de 2001 e 2002, respectivamente (fls. 92/97). Isso posto, como até o momento da realização da diligência não havia controvérsia sobre a origem espanhola dos lucros, e como esse pressuposto fático de aplicabilidade da Convenção entre Brasil e Espanha revelouse, agora, controvertido, caberia à embargante reafirmar e provar, nas contrarazões ao relatório de diligência, que embora não informados ao Fisco espanhol, os lucros em comento têm realmente origem espanhola. No entanto, como a embargante, apesar de expressamente intimada para se manifestar sobre o relatório de diligência no prazo de 20 dias (fl. 381, penúltimo parágrafo), silenciou, é de se supor que os referidos lucros realmente não possuam origem espanhola. Diante disso é razoável presumirse que esses lucros tenham sido auferidos por outra empresa estrangeira, controlada direta ou indiretamente pela ora embargante, e sediada em país com o qual o Brasil não mantenha acordo para evitar a dupla tributação. Ou ainda, por controlada sediada em país com o qual o Brasil mantenha acordo para evitar a dupla Fl. 422DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 31/08/2012 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MAL AQUIAS, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13603.002794/200350 Acórdão n.º 120100.684 S1C2T1 Fl. 400 9 tributação, mas localizada em região expressamente excluída do respectivo acordo, como é o caso, por exemplo, da Ilha da Madeira, na Convenção entre Brasil e Portugal (vide Decreto nº 4.012/2001). Por fim, cumpre destacar que a afirmação acima, segundo a qual é bem possível que os lucros sejam oriundos de outra empresa estrangeira controlada direta ou indiretamente pela ora embargante, e não de Iliama Espanha, de modo algum representa inovação ao lançamento. Realmente, o lançamento foi realizado em razão de a ora embargante haver deixado de oferecer à tributação lucros auferidos por suas controladas no exterior, não importando se estivessem sediadas na Espanha, em Portugal ou em qualquer outro país, conforme afirma expressamente o auditor em seu termo de verificação fiscal, verbis (fl. 18, segundo parágrafo): A partir do período de apuração iniciado em 01/01/1996 passou se a adotar no IRPJ o principio da universalidade da renda, que obriga a taxação da pessoa jurídica no Brasil, não importando onde essa renda venha a ser auferida. (grifouse) Notese que a questão acerca da possibilidade de não tributação desses lucros relativamente às controladas sediadas em Portugal e na Espanha, por força de acordos para evitar a dupla tributação, foi suscitada pela interessada somente na impugnação e no recurso, como matéria de defesa. Assim sendo, como neste julgado não se está a promover nem alteração na norma que lastreou a exigência (art. 74 da Medida Provisória nº 2.15835), nem alteração no fato apurado pela fiscalização (auferimento de lucros por empresas sediadas no exterior, controladas pela ora embargante, independentemente do país de sua sede), não há que se falar em inovação. Veja que, até mesmo por entender desimportante a verificação acerca do real país de origem dos lucros distribuídos à controladora no Brasil, o auditor tomou como verídica a afirmação feita pela contribuinte segundo à qual os referidos lucros teriam sido auferidos por suas controladas em Portugal e na Espanha. Tal afirmação, que se constituiu em pressuposto fático para que a defesa pudesse invocar a incidência dos já citados tratados, também não foi questionada nem pela DRJ de origem nem pela Oitava Câmara. A suposta origem portuguesa e espanhola dos lucros foi, até então, tomada como fato incontroverso. Referido pressuposto fático somente veio a se tornar controvertido no momento em que o Fisco espanhol, atendendo solicitação do Fisco brasileiro, informou que Iliama Espanha não havia auferido lucro no período objeto da auditoria. Como a embargante pretende seja sanada omissão no acórdão embargado acerca da aplicação, ao caso concreto, do disposto no art. 23, nº 4, da Convenção entre Brasil e Espanha, deveria haver provado a presença do pressuposto fático imprescindível à incidência desta norma, qual seja, a origem espanhola dos lucros. Como não o fez, restam sem sustentação todas as alegações de improcedência do lançamento escoradas na Convenção entre Brasil e Espanha. Fl. 423DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 31/08/2012 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MAL AQUIAS, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13603.002794/200350 Acórdão n.º 120100.684 S1C2T1 Fl. 401 10 5) Conclusão Tendo em vista todo o exposto, voto por conhecer dos embargos opostos e, no mérito, acolhêlos em parte, sem efeitos infringentes, para afirmar que, em relação ao acórdão embargado, todas as alegações da recorrente que tenham sustentação na Convenção entre Brasil e Espanha devem ser rechaçadas, tendo em vista que a contribuinte, apesar da oportunidade que lhe foi concedida, deixou de provar a existência do pressuposto fático indispensável à aplicação daquela Convenção ao caso concreto, e por ela mesma afirmada desde o início do procedimento fiscal, qual seja, de que os lucros sob exame são realmente oriundos de sua controlada na Espanha. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Declaração de Voto Conselheiro Claudemir Rodrigues Malaquias Em razão das peculiaridades presentes neste caso e das extensas discussões que se travaram por ocasião do julgamento, optei por consignar as considerações feitas oralmente na sessão plenária. De plano, peço vênia ao ilustre Relator para aduzir ao acórdão as razões de decidir consideradas no meu voto, as quais, apenas em parte, divergem de seus fundamentos. Quanto à alegada contradição (item 2 do voto) e quanto à omissão sobre a compatibilização da disposição convencional (Artigo 10, Parágrafo 1) com a tributação dos chamados “dividendos fictos” (item 3 do voto), acompanho integralmente os fundamentos e as conclusões do conselheiro Relator, no sentido de rejeitar a pretensão da Embargante. Já em relação à omissão referente ao Artigo 23, Parágrafo 4 da Convenção BrasilEspanha (item 4 do voto), ouso divergir em meu voto quanto às premissas consideradas pelo ínclito Relator, por entender que, no caso, não houve omissão no julgado. Não obstante, pelos motivos expostos a seguir, compartilho integralmente de suas conclusões. 1. Da omissão como pressuposto objetivo dos embargos No âmbito do Direito Processual, os embargos de declaração possuem natureza recursal e são da espécie de fundamentação vinculada. Ou seja, são cabíveis somente nas hipóteses e situações expressamente definidas na lei ou regulamento. Na seara do processo administrativo fiscal federal, os embargos estão previstos apenas no Regimento Interno do CARF (art. 65). Tal como concebidos, os Fl. 424DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 31/08/2012 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MAL AQUIAS, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13603.002794/200350 Acórdão n.º 120100.684 S1C2T1 Fl. 402 11 declaratórios poderão ser opostos quando a decisão apresentar obscuridade, contradição ou omissão, esta verificada em relação a questão sobre a qual a turma julgadora necessariamente deveria se pronunciar1. No processamento dos embargos opostos em face das decisões administrativas são aplicáveis, de forma subsidiária, as disposições do Código de Processo Civil. Os embargos não devem ser admitidos (conhecidos) nas hipóteses e situações em que não estão apontados, de forma precisa, os vícios (omissão, obscuridade e contradição) da decisão embargada. Os embargos de declaração com fundamentação deficiente ou sem fundamentação, não devem ser, desta forma, conhecidos, pois restaria configurada a possibilidade de novo julgamento, o que não é possível no curso regular do processo administrativo fiscal. Observados estes limites, considerase omissa, por exemplo, a decisão que não se manifesta sobre: i) um pedido da parte; ii) todos os argumentos lançados pelas partes, quando se decidir pelo não acolhimento do pedido; ou ainda, sobre iii) questões de ordem pública, não alcançadas pela preclusão, que devem ser apreciadas de ofício pela turma julgadora. Desta forma, no âmbito administrativo, a omissão, assim como a obscuridade e a contradição verificadas no acórdão, constituem os pressupostos objetivos necessários ao acolhimento dos embargos de declaração, os quais devem estar cabalmente demonstrados na peça recursal. A não observância desses requisitos torna inviável o manejo dos embargos. Somente assim é que se permite, por esta via, a correção e o aperfeiçoamento do julgado. Mediante a nova decisão, o acórdão integrador se unirá ao primeiro, tido como imperfeito, formando um novo e único decisum, desta vez, escoimado dos vícios que o maculavam anteriormente. Na forma prevista pelo Regimento, os embargos de declaração constituem meio recursal que visa unicamente esclarecer obscuridade, suprir omissão ou dirimir contradição entre a decisão e seus fundamentos. Não se prestam, portanto, como remédio processual adequado para viabilizar novo exame dos argumentos já apreciados pela decisão 1 Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. § 1º Os embargos de declaração poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Turma, no prazo de cinco dias contado da ciência do acórdão: I por conselheiro do colegiado; II pelo contribuinte, responsável ou preposto; III pelo Procurador da Fazenda Nacional; IV pelos Delegados de Julgamento, nos casos de nulidade de suas decisões; V pelo titular da unidade da administração tributária encarregada da liquidação e execução do acórdão. § 2º O presidente da Turma poderá designar conselheiro para se pronunciar sobre a admissibilidade dos embargos de declaração. § 3º O despacho do presidente será definitivo se declarar improcedentes as alegações suscitadas, sendo submetido à deliberação da turma em caso contrário. § 4º Do despacho que rejeitar os embargos de declaração será dada ciência ao embargante. § 5º Os embargos de declaração opostos tempestivamente interrompem o prazo para a interposição de recurso especial. § 6º As disposições deste artigo aplicamse, no que couber, às decisões em forma de resolução. (Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com a redação dada pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010 RICARF) Fl. 425DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 31/08/2012 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MAL AQUIAS, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13603.002794/200350 Acórdão n.º 120100.684 S1C2T1 Fl. 403 12 embargada, ainda que esta seja deficiente ou imperfeita sob o ponto de vista da aplicação do direito material. Assim é que, no julgamento dos embargos no processo administrativo, o colegiado não profere nova decisão: apenas aclara ou complementa a anterior. Daí a decisão em sede de embargos declaratórios não poder modificar diretamente o conteúdo da decisão embargada, mas apenas completála ou esclarecêla. Desta forma, os julgados se complementam e devem ser lidos conjuntamente para todos os efeitos. Um ponto importante que deve ser ressaltado é que a omissão a ser suprida pela via dos embargos deve ser aquela que possua caráter substancial, ao ponto de tornar evidentemente imperfeita a decisão recorrida, eis que deve recair sobre questão sobre a qual o julgador deveria necessariamente se pronunciar e não o fez. A alegada insuficiência na fundamentação do voto condutor, por exemplo, ou a não consideração de determinado dispositivo legal, ou ainda, a apreciação incorreta de determinado dispositivo, deixando de analisar seus correlatos, efetivamente não constituem, por si só, vícios necessários bastantes para configurar a existência de omissão, na acepção dada como pressuposto objetivo dos embargos de declaração. Nas hipóteses acima exemplificadas ocorre o chamado error in judicando (erro no julgar). Tratase efetivamente de um vício de conteúdo da decisão, que possui natureza material. Ou seja, é de conteúdo o vício que se verifica quando o julgador procede à má aplicação do direito material e não se confunde, portanto, com o error in procedendo (erro no proceder), que é um defeito de forma, extrínseco, de uma decisão. É somente neste último caso, error in procedendo, que se configura a omissão ensejadora da oposição dos embargos. Nos casos de vício de conteúdo, a reversão da decisão desfavorável à parte é viabilizada pelo manejo de recurso que possibilite a reforma da decisão e não o seu simples aperfeiçoamento, que é obtido pelo manejo específico dos embargos de declaração. Nitidamente, em relação aos recursos hábeis e adequados para a reforma das decisões, os embargos de declaração, por buscarem unicamente o aperfeiçoamento da decisão, possuem alcance e amplitude menores, o que não lhes permite sanear seus eventuais vícios de conteúdo. Neste mesmo sentido, é o entendimento já pacificado pelo Superior Tribunal de Justiça, que em um dos acórdãos sobre o tema, assim se manifestou, verbis: “PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERROR IN JUDICANDO . DESCABIMENTO. OMISSÃO, CONTRADIÇÃO E OBSCURIDADE NÃO DEMONSTRADOS. PRETENSÃO DE REDISCUTIR QUESTÕES EXAMINADAS E DECIDIDAS. DESCABIMENTO. 1. A obtenção de efeitos infringentes somente é possível, excepcionalmente, nos casos em que, reconhecida a existência de um dos defeitos elencados nos incisos do mencionado art. 535, a alteração do julgado seja consequência inarredável de sua correção; ou nas hipóteses de erro material ou equívoco manifesto, que, por si sós, sejam suficientes para a inversão do julgado. Fl. 426DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 31/08/2012 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MAL AQUIAS, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13603.002794/200350 Acórdão n.º 120100.684 S1C2T1 Fl. 404 13 2. Mostrase inviável a alteração do acórdão recorrido, na via dos embargos de declaração, em face de error in judicando, na medida em que este não se configura erro material capaz de ser corrigido por meio de embargos de declaração. Precedentes. 3. Constatado que a pretensão veiculada nas razões dos recursos se limita à rediscussão de questões devidamente examinadas e decididas no acórdão embargado, e que, em momento algum os Embargantes logram demonstrar a existência de omissão, contradição ou obscuridade no aresto embargado, vícios capazes de abrir a via eleita, nos termos do art. 535 do Código de Processo Civil, é medida que se impõe a rejeição dos declaratórios. 4. Embargos de declaração da União e de Marco Antônio Gomes rejeitados.” (destacouse) (STJ. Acórdão EDcl no Resp nº 798.283/ES, Relatora Ministra Laurita Vaz. Quinta Turma Documento: 1058121 Inteiro Teor do Acórdão Site certificado DJe:12.05.2011) Assim, à luz destas premissas, nas situações em que se verifica a aplicação incorreta do direito material, inclusive na hipótese em que o julgador faz referência expressa a determinado dispositivo e simplesmente ignora sua relação com outro normativo, resta, a meu ver, configurado o vício de conteúdo na decisão (error in judicando), cujo saneamento devese buscar por meios que possibilitem a reforma da decisão, posto que nestes casos é impossível a perfectibilização do julgado pela via estreita dos embargos. Este me parece ser o caso dos autos. A e. Turma Julgadora do acórdão embargado, com a devida vênia e respeito, incorreu em um error in judicando, ao apreciar de forma imperfeita o direito material aplicável ao caso. A referência ao Artigo 10 da Convenção BrasilEspanha, consignado no voto de modo subsidiário, como forma apenas de justificar a qualificação dos rendimentos e afastar a linha argumentativa da defesa, não permite inferir que o e. Colegiado entendeu ser aplicável a aludida Convenção, o que me parece, com a devida vênia e respeito, é ter ocorrido um lapso na aplicação do direito material, não reversível por esta via. 2) Da “não aplicação” da Convenção pela Turma Julgadora Como dito no início, não obstante o entendimento uniforme dos demais conselheiros, inclusive do ilustre Relator, formei convicção da inexistência da alegada omissão (item 4 do voto). Considero aplicáveis ao caso os critérios jurídicos a seguir expostos, cuja ausência demonstra, ao menos pelos termos do voto condutor da decisão embargada, que efetivamente o e. Colegiado não aplicou a mencionada Convenção. Ao compulsar o conteúdo do voto embargado, proferido pelo ilustre Conselheiro José Henrique Longo, a mim não foi possível constatar a existência de omissão, na acepção dada como pressuposto objetivo dos embargos de declaração, na forma aqui defendida. Fl. 427DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 31/08/2012 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MAL AQUIAS, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13603.002794/200350 Acórdão n.º 120100.684 S1C2T1 Fl. 405 14 Diz o voto, em seu tópico “2. Espanha” (fls. 277/280), verbis: “(...) Com efeito, o art. 74 e § único da MP 215834 estabeleceu a ficção de que o lucro auferido por controlada no exterior estaria disponibilizado à sua controladora no Brasil em 31 de dezembro de cada ano. Convém observar que não há espaço para o julgador administrativo tecer considerações acerca da inconstitucionalidade de lei nem para afastar sua aplicação, de maneira que há de ser respeitada neste âmbito a ficção mencionada com os seus reflexos de caráter tributário. E de notar também que, diversamente do que dispunha a Lei 9249, a tributação pelo IRPJ e da CSL não incidem sobre o lucro da Lliama Espanha, mas sim sobre os dividendos disponibilizados à Refratec (art. 10 da Lei 9532 e art. 74 e § Único. da MP 215834). Por isso, não há que se cogitar da proteção da cláusula VII do Tratado Brasil e Espanha (Decreto 76975/1976), cuja redação é a mesma que a do Tratado com Portugal e que acima se transcreveu. É certo que o Tratado Brasil Espanha cuida também da questão da distribuição de dividendos, e que permite a tributação dos dividendos pagos por uma empresa na Espanha (Lliama Espanha) para uma empresa no Brasil (Refratec): (...) (transcrição do Artigo 10 da Convenção) Entendo que deva ser considerado como "dividendo pago" (item 1 do Artigo 10) como o dividendo que o sócio tiver direito, que tiver sido disponibilizado ao sócio. Caso contrário, qualquer emprego do dividendo que não foste a transferência para uma conta de titularidade do sócio estaria à margem da incidência do tributo, e, à evidência, não é esse o conteúdo dessa norma jurídica. Vale advertir ainda que algumas restrições previstas no texto reproduzido referemse a situações especificas. Explico. A restrição da alíquota máxima de 15% de imposto sobre o dividendo é aplicável apenas ao país em que a empresa geradora do lucro tiver sede, no caso a restrição é para a Espanha (item 2). A limitação de que a tributação sobre os dividendos só será aplicável quando forem efetivamente distribuídos ao exterior referese ao caso em que uma empresa da Espanha tiver um estabelecimento permanente no Brasil (item 5). Assim, em relação aos lucros da Lliama Espanha, devem ser tidos como disponibilizados à sócia brasileira, Refratec, levando em conta que não cabe ao julgador administrativo apreciar a legalidade ou constitucionalidade do art. 74 da MP 215834 (Regimento Interno CC, art. 22A). Desse modo, deve ser mantida a exigência. Em face do exposto, dou parcial provimento para afastar a exigência de IRPJ relativamente aos lucros dos períodos de 1996 e 1997 (valor de R$ 5.018.226,03), e a de CSL relativamente aos lucros dos períodos de 1996, 1997 e 1998 (valor de R$ 6.604.487,68).” (os destaques não constam do original) Pela transcrição da quase totalidade do texto, verificase que a alusão ao Artigo 10 da Convenção foi feita apenas para rechaçar a argumentação da defesa que, na ocasião, pugnava pelo afastamento da exigência no Brasil ao argumento de que a incidência do imposto com base no art. 74 da MP 2.158 (fundamento da autuação), recaía sobre os lucros da Fl. 428DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 31/08/2012 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MAL AQUIAS, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13603.002794/200350 Acórdão n.º 120100.684 S1C2T1 Fl. 406 15 sociedade estrangeira (não residente) e que, por força do Artigo 7 da Convenção poderiam ser tributados unicamente na Espanha. Ao que me parece, foi em razão desta linha argumentativa tecida no recurso voluntário, que o voto condutor do acórdão afirmou, verbis: “...diversamente do que dispunha a Lei 9249, a tributação pelo IRPJ e da CSL não incidem sobre o lucro da Lliama Espanha, mas sim sobre os dividendos disponibilizados à Refratec (art. 10 da Lei 9532 e art. 74 e § Único da MP 215834). Por isso, não há que se cogitar da proteção da cláusula VII do Tratado Brasil e Espanha (Decreto 76975/1976)...” (fls. 278) Com efeito, a referência ao Artigo 10 da Convenção está inserida apenas na discussão sobre a qualificação dos rendimentos objeto do lançamento. Ou seja, nitidamente a Turma Julgadora não estava aplicando o Tratado, o que poderia e deveria ser feito se fosse esse o seu entendimento. O que se verifica no julgado, com a devida vênia e respeito, se aproxima mais de uma hipótese de má aplicação do direito material (erro de julgamento), e que não pode ser equiparada — esta aplicação imperfeita do direito, ao vício de omissão (erro no proceder), tido como pressuposto dos embargos. Assim sendo, retomar a discussão sobre a aplicação do Tratado em sede de embargos, como pretende a embargante, bem como sustentado na tribuna pelo seu ilustre patrono, implica necessariamente operacionalizar a reforma do julgado. Ou seja, é preciso adentrar a um campo não explorado pelo acórdão embargado, uma vez que o e. Colegiado fez no acórdão uma singela alusão aos termos do Tratado. Revolver as razões fundamentais de mérito da decisão, reiterese, é promover a sua verdadeira reforma, impossível de ser manejada pela via dos declaratórios, visto que o acórdão padece efetivamente de um vício de conteúdo (má aplicação do direito material). A conclusão de que a turma julgadora naquela ocasião não assentou o entendimento de que a Convenção BrasilEspanha era aplicável ao caso, também está baseada na ausência do detido exame jurídico, usualmente requerido na aplicação dos tratados internacionais em matéria tributária. Por serem relevantes para minhas conclusões, teço algumas considerações acerca dos procedimentos exigíveis do aplicador das normas convencionais. 3) Do exame jurídico necessário à aplicação dos tratados Como é cediço, os tratados para evitar a dupla tributação constituem normas limitadoras do poder de tributar inerente aos estados soberanos. As restrições e renúncias mútuas ao exercício do direito de tributar se dão em razão do desejo dos Estados em afastar a incidência simultânea de determinadas normas tributárias que, na ausência da disposição convencional, acabariam por submeter a mesma matéria tributária à dupla incidência de tributos, conforme seus respectivos ordenamentos. Dada a natureza destes tratados, sua aplicação deve ser seguida de rigoroso exame jurídico, tendo em vista a necessidade de se assegurar o afastamento ou, ao menos a Fl. 429DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 31/08/2012 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MAL AQUIAS, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13603.002794/200350 Acórdão n.º 120100.684 S1C2T1 Fl. 407 16 tentativa de se atenuar os efeitos indesejáveis da dupla tributação. Por outro lado, devese também cuidar para que o acordo seja observado nos seus exatos limites, isto para que não haja o indevido deslocamento da base tributável de um estado contratante para o outro, o que pode ocorrer com a aplicação incorreta dos termos da convenção. Neste sentido, a prática e a doutrina internacional apontam que na aplicação de um tratado para evitar a dupla tributação deve o operador adotar determinados procedimentos, os quais constituem os pressupostos necessários à realização do iter “interpretação das normas convencionaiselaboração da norma individual e concreta aplicável”, e que, uma vez observados, assegurará a obtenção dos objetivos preconizados pelas normas convencionais. Dentre estes procedimentos, apenas para ilustrar, menciono a identificação dos elementos subjetivos do acordo, que consiste em atestar que as partes efetivamente possuem residência fiscal nos estados contratantes e não apresentam óbice jurídico para serem consideradas beneficiárias da convenção. Isso implica, por vezes, verificar a legislação do outro país, em particular as normas que fixam os critérios espaciais e temporais que definem a residência fiscal. A indicação do domicílio não é suficiente. Devese investigar se efetivamente a sociedade que invoca o tratado está sujeita a exigência de tributos com base no ordenamento daquele país e se é a beneficiária efetiva dos rendimentos, além de outros aspectos como a eventual utilização abusiva do tratado (treaty shopping). Verificado que as partes envolvidas estão sob a égide do tratado, iniciase a investigação dos elementos objetivos, que consiste, dentre outros pontos, apurar se os rendimentos e os tributos estão abrangidos pelo acordo e se resta efetivamente configurada a existência do elemento de conexão2, o qual determina a incidência do ordenamento forâneo e possibilita, pela sobreposição das normas tributárias, invocar a aplicação da disposição convencional para afastar ou atenuar os efeitos da dupla tributação. Referidos elementos de conexão consistem nas relações ou ligações existentes entre o sujeito passivo, os objetos e os fatos com as ordens jurídicotributárias3 e definem a incidência das leis tributárias de determinado ordenamento. A ausência do elemento de conexão, na acepção dada pelo Direito Tributário Internacional, não autoriza, por exemplo, a tributação, pelo país de veraneio, de rendimentos auferidos por um turista onde, sem fixar sua residência fiscal, goza de suas férias. A incidência das leis tributárias deste país sobre os rendimentos do turista depende da existência de um elemento de conexão, que determine a sua sujeição efetiva ao ordenamento jurídico local. Se, na hipótese, os rendimentos forem pagos ao turista por uma fonte situada neste país, poderá, deste modo, restar configurada a conexão, resultando na possibilidade de aplicação das leis tributárias locais, independente de sua residência fiscal situarse no outro país. Enfim, não se tem aqui a pretensão de esgotar a abordagem teórica das categorias jurídicas pertinentes, mas de apenas pontuar os aspectos mais relevantes, os quais 2 "O elemento de conexão é o elemento da previsão normativa que, determinando a "localização" de uma situação da vida num certo ordenamento tributário, tem como efeito típico determinar o âmbito de aplicação das leis desse ordenamento a essa mesma situiação." (XAVIER, Alberto. Direito Tributário Internacional do Brasil. 6a. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2007, p. 252) 3 Dizse que os elementos de conexão são "subjetivos" quando estão relacionados às pessoas, como a "residência fiscal" ou a "nacionalidade". E, "objetivos", quando se reportam às "coisas" e aos "fatos", como a fonte de produção ou pagamento da renda, o lugar do exercício da artividade ou da situação dos bens, etc. Fl. 430DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 31/08/2012 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MAL AQUIAS, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13603.002794/200350 Acórdão n.º 120100.684 S1C2T1 Fl. 408 17 devem necessariamente ser analisados na aplicação de um tratado internacional em matéria tributária, o que não ocorreu no caso dos autos. De fato, depreendese da simples leitura do voto condutor da decisão embargada que a e. turma julgadora, reiterese, não pretendeu a efetiva aplicação do Tratado. Ao contrário, porém, ao fazer menção ao Artigo 10 da Convenção BrasilEspanha, apenas fundamentou a qualificação dos rendimentos objeto do lançamento. Na verdade, o voto condutor asseverou que o lançamento, escorado no art. 74 da MP 2.1258, recaía sobre os “dividendos” (referidos no Artigo 10 do Tratado), considerados fictamente distribuídos pela sociedade espanhola à controladora brasileira, e não como argumentava a defesa, sobre os “lucros”, cuja tributação sustentava ser vedada nos termos do Artigo 7 da mesma Convenção. Por estas razões, reafirmo que não deve ser reconhecida a alegada omissão no acórdão embargado. A conclusão que me parece possível, ante a ausência do detido exame jurídico usualmente requerido na aplicação dos tratados, é a de que, naquela ocasião, o e. colegiado não assentou o entendimento de que a Convenção BrasilEspanha era inteiramente aplicável à matéria sob litígio. E, neste sentido, o acórdão embargado padece efetivamente de um vício de conteúdo (aplicação do direito material), invencível pelo manejo dos embargos. 4) Do resultado da diligência e suas conclusões Isolado e vencido que fui, no entendimento de que não há omissão no julgado, mas “erro ao julgar” não passível de correção por esta via, devo adentrar ao mérito dos embargos seguindo os meus pares. E, neste ponto, adoto as conclusões a que chegou o ilustre Relator, no sentido de que a diligência realizada fora insuficiente para suprir o processo dos elementos faltantes para a convicção dos julgadores. Ou seja, mesmo após a manifestação do Fisco alienígena, não foi possível atestar se os rendimentos informados pela embargante seriam ou não tributáveis na Espanha, seja pela ausência de norma específica ou por outro regime jurídico aplicável àquela sociedade de participação (holding). Além disso, como se ventilou nos debates, a possibilidade dos resultados positivos (lucros), considerados no lançamento, não serem provenientes da Espanha, tornou prejudicada a adequada aplicação do Tratado. Ante os elementos constantes dos autos, outra conclusão não é possível que não aquela a que chegou o Relator ao afirmar que “todas as alegações da embargante que tenham sustentação na Convenção entre Brasil e Espanha devem ser rechaçadas, tendo em vista que a contribuinte, apesar da oportunidade que lhe foi concedida, deixou de provar a existência do pressuposto fático indispensável à aplicação daquela Convenção ao caso concreto, e por ela mesma afirmada desde o início do procedimento fiscal, qual seja, que os lucros sob exame são realmente oriundos de sua controlada na Espanha.” De fato, os documentos obtidos por meio do intercâmbio de informações com o Fisco espanhol não se coadunam com os quesitos formulados pela Resolução que determinou a diligência (fls. 352/357). Conforme se verifica no documento produzido pela “Agencia Tributária – Oficina Nacional de Investigación del Fraude – Equipo Central de Información” (fls. 367/378), as informações prestadas se resumem a: i) informações cadastrais obtidas junto ao órgão de Registro Mercantil; e a ii) dados disponíveis no âmbito interno da Administração Tributária espanhola, quais sejam, quadro societário; empregados registrados; declarações de Fl. 431DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 31/08/2012 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MAL AQUIAS, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13603.002794/200350 Acórdão n.º 120100.684 S1C2T1 Fl. 409 18 imposto apresentadas no período entre 2001 e 2006, informações contábeis sintéticas constantes de sistema informatizado; e dados financeiros sobre remessas/recebimento de divisas. Ou seja, não foi apurado nenhum elemento consistente que possa ser atribuído ao atendimento dos quesitos formulados àquele País. Além de resultar improfícua a diligência, a incontroversa origem espanhola dos dividendos objeto do lançamento foi infirmada com a informação dos resultados fiscais prestada pela sociedade Lliama ao Fisco estrangeiro. Segundo apontado pela Administração Tributária espanhola, nos anos de 2001 a 2004, a sociedade Lliama teria auferido resultados negativos, o que não é compatível com a informação prestada pela sociedade controladora no Brasil (autuada), acerca de seus lucros auferidos no exterior. Conforme os demonstrativos consolidados (fls. 92/97), apresentados pela própria contribuinte durante o procedimento de auditoria, expressos em língua espanhola e com valores em Reais, as cifras são visivelmente discrepantes. Em razão desta considerável divergência entre as informações trazidas aos autos, caberia a pronta intervenção esclarecedora da Embargante por ocasião da ciência do relatório da diligência, promovida pela unidade preparadora (fls. 380/382). Sobre este ponto do processo, que passou a ser controvertido, deveria a Contribuinte, como assevera o ilustre Relator, ter provado a origem dos lucros objeto do lançamento e dirimido a contradição entre as informações. Como consequência natural no curso do processo, tal como conclui o Relator, restaram infirmadas todas as alegações calcadas na aplicação do Tratado BrasilEspanha, uma vez que não há nos autos elementos que assegurem o fato dos lucros terem sua origem na Espanha, pressuposto fático essencial para a aplicação da aludida Convenção. A simples consolidação, determinada por ato infralegal para fins de apuração do imposto, não implica o deslocamento dos rendimentos do País das controladas/coligadas indiretas para o País da controlada/coligada direta, com o qual se estabeleceu a Convenção. Também é inadmissível imputar à fiscalização o ônus de investigar a procedência de tais rendimentos, uma vez que a própria autuada informou serem da Espanha os lucros por ela auferidos no exterior (fls. 92/97). Além disso, o ônus de comprovar que os rendimentos estão abrangidos pela disposição convencional é do contribuinte que a invoca. É atribuído ao administrado o ônus de juntar provas de que sua real situação fática se subsume aos termos do Tratado. Não o fazendo, ou o fazendo de forma insuficiente, não resta à Administração outro caminho que constituir a exigência na forma preconizada pelas leis internas, tendo como inexistente qualquer disposição convencional aplicável. 5) Da necessária delimitação desta discussão Importa ao final destacar que neste julgado não estão sendo apreciadas as demais questões que envolvem a aplicação ao caso do Tratado BrasilEspanha. Avançar no exame destes pontos implicaria admitir um resultado satisfatório da diligência, o que, a meu ver, não se verificou. Fl. 432DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 31/08/2012 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MAL AQUIAS, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13603.002794/200350 Acórdão n.º 120100.684 S1C2T1 Fl. 410 19 Devese, portanto, consignar que à luz dos elementos carreados aos autos, não foi possível assentar qualquer entendimento no sentido de ser aplicável ou não o aludido Tratado. Nesta mesma linha, também não foi objeto de análise a incidência da norma convencional, em particular o disposto no Artigo 10, Parágrafo 4, na hipótese em que os rendimentos são auferidos pela sociedade controladora por intermédio de sociedades controladas e coligadas indiretas não localizadas no Estado Contratante, cujos resultados são apenas consolidados na sociedade controlada direta, localizada neste País. Pelas mesmas razões, não foi possível também firmar entendimento acerca do alcance e efeitos da norma infralegal que determina a consolidação dos resultados das controladas/coligadas indiretas na sociedade controlada/coligada direta, bem como a possibilidade de se considerar ou não esta consolidação como efetivo deslocamento da base tributável do país de auferimento para o país da controlada/coligada direta. 6) Conclusões Por todo o exposto, acompanho integralmente o Relator quanto aos itens 2 e 3 de seu voto. Quanto à alegada omissão referida no item 4 do voto, no ponto em que o Relator reconhece a omissão e acolhe os embargos, manifestome, de forma diversa, no sentido de rejeitar os declaratórios, uma vez que não reconheço, pelos fundamentos acima expostos, a existência da omissão apontada pela Embargante. Contudo, vencido neste posicionamento e partindo do pressuposto de que o acórdão padece da alegada omissão, como uniformemente entenderam meus ilustres pares no Colegiado, manifestome na mesma linha das conclusões do ínclito Relator. É como voto. (documento assinado digitalmente) Claudemir Rodrigues Malaquias Fl. 433DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 31/08/2012 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MAL AQUIAS, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO
score : 1.0
Numero do processo: 10530.721691/2011-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri May 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2008
JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA.
A autoridade administrativa não é competente para decidir sobre a constitucionalidade e a legalidade dos atos baixados pelos Poderes Legislativo e Executivo e, conseqüentemente, afastar a sua aplicação.
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. REQUISITOS. PRESENTE.
Se o auto de infração possui todos os requisitos necessários à sua formalização, não se justifica argüir sua nulidade.
LEI 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DEFINITIVA DO STF. APLICAÇÃO.
A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, pelo Plenário do STF, não alcança a receita de prestação de serviços de fretes, uma receita da venda de serviços.
MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO.
A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa de ofício, nos moldes da legislação que a instituiu.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-002.038
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Relator.
EDITADO EM: 29/04/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2008 JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. A autoridade administrativa não é competente para decidir sobre a constitucionalidade e a legalidade dos atos baixados pelos Poderes Legislativo e Executivo e, conseqüentemente, afastar a sua aplicação. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. REQUISITOS. PRESENTE. Se o auto de infração possui todos os requisitos necessários à sua formalização, não se justifica argüir sua nulidade. LEI 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DEFINITIVA DO STF. APLICAÇÃO. A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, pelo Plenário do STF, não alcança a receita de prestação de serviços de fretes, uma receita da venda de serviços. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa de ofício, nos moldes da legislação que a instituiu. Recurso Voluntário Negado.
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ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. A autoridade administrativa não é competente para decidir sobre a constitucionalidade e a legalidade dos atos baixados pelos Poderes Legislativo e Executivo e, conseqüentemente, afastar a sua aplicação. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. REQUISITOS. PRESENTE. Se o auto de infração possui todos os requisitos necessários à sua formalização, não se justifica argüir sua nulidade. LEI 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DEFINITIVA DO STF. APLICAÇÃO. A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, pelo Plenário do STF, não alcança a receita de prestação de serviços de fretes, uma receita da venda de serviços. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa de ofício, nos moldes da legislação que a instituiu. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2008 JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 72 16 91 /2 01 1- 13 Fl. 492DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10530.721691/201113 Acórdão n.º 3302002.038 S3C3T2 Fl. 3 2 A autoridade administrativa não é competente para decidir sobre a constitucionalidade e a legalidade dos atos baixados pelos Poderes Legislativo e Executivo e, conseqüentemente, afastar a sua aplicação. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. REQUISITOS. PRESENTE. Se o auto de infração possui todos os requisitos necessários à sua formalização, não se justifica argüir sua nulidade. LEI 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DEFINITIVA DO STF. APLICAÇÃO. A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, pelo Plenário do STF, não alcança a receita de prestação de serviços de fretes, uma receita da venda de serviços. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa de ofício, nos moldes da legislação que a instituiu. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 29/04/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Contra a empresa recorrente foi lavrado auto de infração para exigir o pagamento de PIS e de Cofins, relativa a fatos geradores ocorridos no ano de 2008, tendo em vista que a Fiscalização constatou falta de recolhimento e de declaração das exações, conforme Termo de Verificação de Infração, que integra os autos de infração. Fl. 493DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10530.721691/201113 Acórdão n.º 3302002.038 S3C3T2 Fl. 4 3 Inconformada com a autuação a empresa interessada impugnou o lançamento, cujas razões estão sintetizadas no relatório do acórdão recorrido. A 4a Turma de Julgamento da DRJ em Salvador BA julgou parcialmente procedente o lançamento, para excluir a multa de ofício dos débitos pagos e não declarados, nos termos do Acórdão no 1527.547, de 21/06/2011, cuja ementa abaixo se transcreve. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 MULTA DE OFÍCIO. Tratandose de lançamento de ofício, decorrente de infração a dispositivo legal detectado pela administração em exercício regular da ação fiscalizadora, é legítima a cobrança da multa punitiva correspondente. CRÉDITO TRIBUTÁRIO PAGO MAS NÃO CONFESSADO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Na ocorrência de crédito tributário espontaneamente recolhido, mas sem que tenha havido sua confissão em DCTF, deve ser ele constituído de ofício, em sua totalidade, exonerandose a multa de ofício proporcional à parcela paga. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 MULTA DE OFÍCIO. Tratandose de lançamento de ofício, decorrente de infração a dispositivo legal detectado pela administração em exercício regular da ação fiscalizadora, é legítima a cobrança da multa punitiva correspondente. CRÉDITO TRIBUTÁRIO PAGO MAS NÃO CONFESSADO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Na ocorrência de crédito tributário espontaneamente recolhido, mas sem que tenha havido sua confissão em DCTF, deve ser ele constituído de ofício, em sua totalidade, exonerandose a multa de ofício proporcional à parcela paga. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE Incabível a argüição de nulidade do auto de infração, quando se verifica que foi lavrado por pessoa competente para fazêlo e em consonância com a legislação vigente. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. Fl. 494DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10530.721691/201113 Acórdão n.º 3302002.038 S3C3T2 Fl. 5 4 A Secretaria da Receita Federal do Brasil, como órgão da administração direta da União, não é competente para decidir quanto à inconstitucionalidade de norma legal. O mesmo entendimento vale para o controle de validade das leis quando do choque com outras leis, cabendo, tão somente, o controle de legalidade dos atos administrativos. Ciente desta decisão em 13/10/2011, conforme AR, a interessada ingressou, no dia 10/11/2011, com recurso voluntário, no qual alega, em apertada síntese: 1 preliminarmente, que o julgador administrativo deve apreciar seus argumentos a respeito da inconstitucionalidade de leis 2 preliminarmente, a nulidade da autuação sob o fundamento de que o ato administrativo deve conformarse com a legislação e que “a Autoridade Fiscal elenca fatos e legislação, para justificar sua atitude punitiva, que sequer escamoteiam o ato extrapolador da licitude e legalidade administrativa e fiscal, malferindo cabalmente o ordenamento jurídico pátrio”. Não indica que fatos e legislação se enquadram nesta situação. Discorre sobre a natureza do ato administrativo, inclusive o da autoridade tributária, e da legislação a ele aplicável, no seu entender. 3 no mérito, a inconstitucionalidade da Lei nº 9.718/98 pelo fato de não ser Lei Complementar, por contrariar o art. 195, I, da CF/88, por ser inconstitucional a Emenda Constitucional nº 20 e por ter ocorrido ofensa ao princípio da anterioridade e ao art. 110 do CTN 4 no mérito, que a multa de ofício lançada é confiscatória e afronta os princípios constitucionais que cita; 5 que a Representação Fiscal para Fins Penais tem caráter intimidatório e não está dentro dos limites legais, além das pessoas indicadas não integrarem o quadro social da recorrente. Na forma regimental, o recurso voluntário foi distribuído para relatar. É o Relatório. Fl. 495DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10530.721691/201113 Acórdão n.º 3302002.038 S3C3T2 Fl. 6 5 Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais preceitos legais. Dele se conhece. Em seu protesto, a empresa recorrente alega que é dever da administração apreciar seus argumentos sobre a inconstitucionalidade de leis, para afastálas quando eivadas de vícios. Sobre este tema, o Conselho Administrativo de Recurso Fiscais (CARF), em sessão realizada no dia 08/12/2009, decidiu que a instância administrativa não possui competência legal para se manifestar sobre questões em que se presume a colisão da legislação de regência com a Constituição Federal, atribuição reservada, no direito pátrio, ao Poder Judiciário (Constituição Federal, art. 102, I, “a” e III, “b”, art. 103, § 2o; Emenda Constitucional no 3/1993). Tal decisão resultou na edição da Súmula no 2, abaixo reproduzida, cuja adoção é obrigatória pelos membros do CARF, nos termos do § 4º do art. 72 do Regimento Interno do CARF1: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Quanto à alegada de nulidade do lançamento, a recorrente limitouse a discorrer sobre o ato administrativo, sua validade e a aplicação da Lei nº 9.784/99 sem, contudo, apontar os vícios legais que entende existir no lançamento. Como bem disse a decisão recorrida, o lançamento obedeceu a legislação de regência, sendo praticado por autoridade competente e nele consta a descrição dos fatos que ensejaram a autuação e o respectivo enquadramento legal, requisitos necessários à sua validade. A recorrente faz um longo arrazoado sobre a inconstitucionalidade que entende existir na Lei nº 9.718/98. Esta matéria está superada com o julgamento, em 09/11/2005, pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal, dos Recursos Extraordinários nos 357.950, 390.480 e 358.273 (Diário da Justiça da União de 15/08/2006), no qual restou declarado, incidentalmente e por maioria, a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei no 9.718/98, somente. Referida declaração de inconstitucionalidade em nada aproveita à recorrente porque as receitas incluídas na base de cálculo das exações, objeto do lançamento, são todas decorrentes da prestação de serviço de fretes, conforme cópias dos livros Caixa constantes dos autos. 1 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. [...] § 4° As súmulas aprovadas pelos Primeiro, Segundo e Terceiro Conselhos de Contribuintes são de adoção obrigatória pelos membros do CARF. Fl. 496DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10530.721691/201113 Acórdão n.º 3302002.038 S3C3T2 Fl. 7 6 Com relação à alegação de que a multa de ofício lançada é confiscatória, não cabe à autoridade administrativa, por absoluta falta de competência, conhecer as alegações relativas ao seu caráter confiscatório, a teor dos arts. 97 e 102 da CF/88. Os juízos quanto ao princípio do nãoconfisco tributário e da proporcionalidade da reprimenda em relação à falta têm como destinatário imediato o legislador ordinário e não autoridade administrativa. Estando o percentual da multa fixado em lei, cabe à Administração apenas velar pelo seu fiel cumprimento. No caso em tela, a multa de ofício aplicada foi a prevista no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/962. Sobre a Representação Fiscal para Fins Penais, regulamentada pela Portaria RFB nº 665/2008, falece competência ao CARF apreciar os seus termos, posto que não integra o lançamento. Por fim, ratifico e, supletivamente, adoto os fundamentos da decisão recorrida, que tenho por boa e conforme a lei (art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19993). Por tais razões, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Relator 2 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007). I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007). 3 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 497DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10530.721691/201113 Acórdão n.º 3302002.038 S3C3T2 Fl. 8 7 Fl. 498DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 10510.722643/2011-72
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008
MÚTUO. EMPRESAS DO MESMO GRUPO. PERÍODO DE CARÊNCIA. RECONHECIMENTO E TRIBUTAÇÃO DAS RECEITAS DE JUROS INCORRIDOS. REGIME DE COMPETÊNCIA.
Em face da exigência de tributação das receita pelo regime de competência e não pelo regime de caixa, é devida a tributação dos juros incorridos durante o prazo de carência previsto em contrato.
INCENTIVE HOUSE. NÃO INDIVIDUALIZAÇÃO DO BENEFICIÁRIO.
Ainda que presente a causa do pagamento, à luz do artigo 304, segunda parte, do Regulamento do Imposto de Renda, não são dedutíveis as comissões e bonificações quando o comprovante do pagamento não individualizar o beneficiário do rendimento
MULTA QUALIFICADA. EXAME DA PROVA. ANÁLISE DO CASO CONCRETO. QUALIFICADORA AFASTADA.
O fato da autuada entender que os juros previstos em contrato de mútuo somente deveriam ser oferecidos à tributação quando do efetivo recebimento (regime de caixa) e não pelo regime de competência, não se constitui em fato que enseja a qualificadora da multa, pois não há prova de que estivesse agindo com dolo para impedir, ocultar retardar a ocorrência do fato gerador.
De igual modo, não caracteriza conduta dolosa o fato da contribuinte deduzir da base de cálculo do imposto de renda despesa correspondente à doação de livros escolares ao sistema público de ensino fundamental, bem como benefícios concedidos sob a denominação de INCENTIVE HOUSE, em especial quando a empresa que fornecia tais serviços anunciava em sua página na Internet que se tratava de despesa dedutível.
RESPONSABILIDADE DE TERCEIRO. NECESSIDADE DE INDICAR A CONDUTA ILÍCITA PRATICADA PELO AGENTE E O REFLEXO DESTA NO NÃO PAGAMENTO DO TRIBUTO.
O sócio, o gerente ou administrador pode vir a ser terceiro responsável não lo fato de guardar tal condição, mas sim por ato ilícito que venha a praticar. Neste sentido, para se atribuir responsabilidade aos diretores é necessário apontar a conduta praticada por estes.
No caso dos autos, atribuiu-se a responsabilidade com base no artigo 135, III, do CTN, que trata de "atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos." No entanto, a autoridade autuante não descreveu um único fato supostamente praticado pelos agendes indicados que refletisse conduta destes caracterizando infração à lei ou aos estatutos da empresa. Em síntese, imputou-se responsabilidade pelo simples fato de que o nome das referidas pessoas constava da ata de eleição do Conselho de Administração, situação que revela absolutamente incabível.
Recurso de ofício Negado.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 1402-001.197
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso de ofício e dar provimento parcial ao recurso voluntário para: i) excluir a responsabilização dos coobrigados; ii) reconhecer a decadência em relação aos fatos geradores anteriores a 20/07/2006 e iii) reduzir a multa de ofício ao percentual de 75%, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. O Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza apresenta declaração de voto.
Nome do relator: MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA
1.0 = *:*
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2006, 2007, 2008 MÚTUO. EMPRESAS DO MESMO GRUPO. PERÍODO DE CARÊNCIA. RECONHECIMENTO E TRIBUTAÇÃO DAS RECEITAS DE JUROS INCORRIDOS. REGIME DE COMPETÊNCIA. Em face da exigência de tributação das receita pelo regime de competência e não pelo regime de caixa, é devida a tributação dos juros incorridos durante o prazo de carência previsto em contrato. INCENTIVE HOUSE. NÃO INDIVIDUALIZAÇÃO DO BENEFICIÁRIO. Ainda que presente a causa do pagamento, à luz do artigo 304, segunda parte, do Regulamento do Imposto de Renda, não são dedutíveis as comissões e bonificações quando o comprovante do pagamento não individualizar o beneficiário do rendimento MULTA QUALIFICADA. EXAME DA PROVA. ANÁLISE DO CASO CONCRETO. QUALIFICADORA AFASTADA. O fato da autuada entender que os juros previstos em contrato de mútuo somente deveriam ser oferecidos à tributação quando do efetivo recebimento (regime de caixa) e não pelo regime de competência, não se constitui em fato que enseja a qualificadora da multa, pois não há prova de que estivesse agindo com dolo para impedir, ocultar retardar a ocorrência do fato gerador. De igual modo, não caracteriza conduta dolosa o fato da contribuinte deduzir da base de cálculo do imposto de renda despesa correspondente à doação de livros escolares ao sistema público de ensino fundamental, bem como benefícios concedidos sob a denominação de INCENTIVE HOUSE, em especial quando a empresa que fornecia tais serviços anunciava em sua página na Internet que se tratava de despesa dedutível. RESPONSABILIDADE DE TERCEIRO. NECESSIDADE DE INDICAR A CONDUTA ILÍCITA PRATICADA PELO AGENTE E O REFLEXO DESTA NO NÃO PAGAMENTO DO TRIBUTO. O sócio, o gerente ou administrador pode vir a ser terceiro responsável não lo fato de guardar tal condição, mas sim por ato ilícito que venha a praticar. Neste sentido, para se atribuir responsabilidade aos diretores é necessário apontar a conduta praticada por estes. No caso dos autos, atribuiu-se a responsabilidade com base no artigo 135, III, do CTN, que trata de "atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos." No entanto, a autoridade autuante não descreveu um único fato supostamente praticado pelos agendes indicados que refletisse conduta destes caracterizando infração à lei ou aos estatutos da empresa. Em síntese, imputou-se responsabilidade pelo simples fato de que o nome das referidas pessoas constava da ata de eleição do Conselho de Administração, situação que revela absolutamente incabível. Recurso de ofício Negado. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento parcial ao recurso voluntário para: i) excluir a responsabilização dos coobrigados; ii) reconhecer a decadência em relação aos fatos geradores anteriores a 20/07/2006 e iii) reduzir a multa de ofício ao percentual de 75%, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. O Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza apresenta declaração de voto.
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Numero do processo: 11543.003279/2004-02
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 27 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3302-000.228
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora.
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora. EDITADO EM: 19/07/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Fábia Regina Freitas. Fl. 740DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por WALBER JOSE DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 20/0 7/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11543.003279/200402 Resolução n.º 330200.228 S3C3T2 Fl. 2 2 Trata o presente processo de pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI no valor de R$ 748.694,36, relativo ao ano de 1998, com base na Lei 9.363/96 e Portaria MF 38/97. Registrase, do relatado pela primeira instância, que “o crédito presumido apurado pela filial da empresa situada em Itatiaia/RJ, objeto deste processo, foi originalmente solicitado em ressarcimento por intermédio do processo 11543.002872/200181 (pedido da matriz), segundo relatado às fls. 01/03.” Em resumo, o crédito foi indeferido em primeira instância por ausência de provas: “Para verificação da legitimidade dos créditos solicitados em ressarcimento foi instaurado procedimento fiscal (fls. 71/73) cujo resultado está consolidado no Termo de Encerramento de Diligência de fls. 130/131, ratificado pelo Despacho Decisório de fls.137/138. Nesse último ato, a autoridade competente da DRF/Volta Redonda indeferiu a solicitação da interessada alegando insuficiência de documentação comprobatória, insuficiência essa caracterizada pela falta de apresentação dos seguintes livros/documentos: a) Livro razão de 1998; b) mapa de custo de insumos referentes a MP. PI e ME utilizados na produção de produtos exportados, sujeitos à incidência de PIS e COFINS, bem como seus respectivos registros contábeis no livro Razão; c) incorreção no critério dos cálculos.” Em sua manifestação de inconformidade a interessada alega que apresentou os documentos necessários e, conforme resumido pelo relatório de primeira instância . “a) que não escritura o Livro Razão, sendo os lançamentos contábeis efetuados em um Diário Geral que recebe subsídios de Diários Auxiliares; b) que se o fiscal apontou que existe uma incorreção no cálculo, não deveria ter opinado pelo indeferimento do valor total pleiteado mas apurado o montante correto segundo seu entendimento; c) que a falta de apresentação dos Mapas de Custos no formato solicitado pela fiscalização não é motivo a impedir a apuração do crédito presumido, que pode ser efetuada nos termos do § 7° da IN SRF 23/97.” O Despacho de fls. 161/163 determinou a baixa do processo em diligência, para que fosse apurado o crédito presumido relativo a 1998. Ao término da Diligência (Termo às fls. 282/283) a fiscalização apresentou demonstrativos de fls. 284/285, apurando crédito presumido no montante de R$ 748.872,25 (valor acumulado — fl. 285). Todavia, a autoridade administrativa ressalvou que o contribuinte não apresentou o RAIPI. Fl. 741DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por WALBER JOSE DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 20/0 7/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11543.003279/200402 Resolução n.º 330200.228 S3C3T2 Fl. 3 3 A Terceira Turma da Delegacia de Julgamento de Juiz de Fora proferiu o acórdão nº 0924.178 (DRJ/JFA) por meio do qual indeferiu o crédito pleiteado. O voto condutor do acórdão afirma que a diligência apurou a existência do crédito, todavia o ressarcimento depende da apresentação do RAIPI, verbis: Trecho do voto: “(...) O litígio estaria resolvido, sem necessidade de maiores considerações, com a diligência solicitada. O auditor fiscal conferiu a apuração originalmente apresentada pela empresa, confrontandoa com livros e documentos fiscais colocados à sua disposição, não tendo apontado irregularidades. Apurou, inclusive, valor ligeiramente superior ao solicitado em ressarcimento (fls. 285 e 04/05). É o que se constata da leitura dos itens 6, 7 e 9 do Termo de fls. 282/283. Todavia, fez menção, no item 8, que a contribuinte não apresentou o Livro de Registro de Apuração do IPI. A falta de apresentação do RAIPI é motivo para indeferimento de pedido de ressarcimento de crédito presumido do IPI, pois os valores apurados do beneficio devem ser lançados na escrita fiscal do imposto para, primeiramente, amortizar os débitos do IPI. O ressarcimento só se configura possível se houver excedente dos créditos do imposto após efetuado o confronto dos créditos com os débitos. Tal determinação provém do artigo 4° da Lei 9.363. in verbis: “Art. 40 Em caso de comprovada impossibilidade de utilização do crédito presumido em compensação do Imposto sobre Produtos Industrializados devido, pelo produtor exportador, nas operações de venda no mercado inferno, farseá o ressarcimento em moeda corrente.” E há um detalhe peculiar no caso sob exame que, no meu entender, torna imperiosa a apresentação do RAIPI, não apenas do ano de 1998, mas também dos anos subseqüentes, em virtude da contribuinte ter apurado o beneficio em questão no ano de 1999 (fls. 16 a 19) e ter solicitado o ressarcimento apenas em 2001 (fls. 04 a 07). Ocorre que, do.que consta dos autos, verificase que a contribuinte possui valores elevados de débitos do imposto quando comparados aos valores dos créditos básicos. O RAIPI tem por origem dados que constam dos livros de registros de entradas e registro de saídas, sendo que cópias de partes desses dois livros foram anexadas aos autos pela fiscalização (fls. 221 a 280). Do confronto dos valores, embora estejam faltando dados relativos a vários meses, constatase que os débitos escriturados do IPI, em alguns períodos, foram maiores que os créditos básicos do imposto. (...) Embora essa comparação esteja prejudicada pela ausência de dados de vários períodos, o confronto dos dados acima aponta para impossibilidade de amortização dos débitos do imposto apenas com os Fl. 742DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por WALBER JOSE DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 20/0 7/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11543.003279/200402 Resolução n.º 330200.228 S3C3T2 Fl. 4 4 créditos básicos escriturados, o que resultaria em apuração de saldos devedores. E, diante da existência de montantes de débitos superiores aos créditos básicos, podese inferir que montantes de crédito presumido apurados pela empresa. e lançados a crédito no RAIPI, tenham sido utilizados para amortização de débitos do IPI, o que impossibilita o ressarcimento, ainda que apenas de uma parte,do valor do beneficio apurado. Desta forma, apenas com a apresentação do RAIPI. frisese, não apenas do ano de 1998 mas também de 1999 e 2001, podese averiguar, sem deixar margem a dúvidas, a 'possibilidade de ressarcir o valor apurado do beneficio. E, apesar do decurso do tempo, a existência de processo fiscal pendente de solução obriga o contribuinte a conservar os livros e documentos fiscais enquanto perdurar o litígio. (...)” – destaquei. Irresignada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls. 294/296), por meio do qual, de forma sucinta reproduz decisão da DRJ, de existência de crédito e impossibilidade de ressarcimento por ausência de apresentação dos RAIPI para concluir que se é esta a razão do impedimento, tem direito ao ressarcimento. Anexa, ainda, ao recurso, cópias dos RAIPIs. É o relatório. Conselheira Relatora FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Após análise dos autos, computo que a presente contenda pode ser resumida no seguinte: não há dúvidas sobre a existência do crédito, mas por falta de documentos não se sabe se houve saldo para ressarcimento. Fato é que parece que os documentos faltantes para a concessão do crédito seguiram com o Recurso Voluntário. O processo administrativo tributário é regido pelo princípio da verdade material e, conforme é cediço, não permite análise rasas de documentos, tampouco a prevalência de declarações equivocadas, uma vez que se constate que os fatos se deram de forma distinta daquilo que foi declarado. Ante o exposto, voto por converter o presente julgamento em diligência para que a Recorrente: (a) seja intimada a apresentar os livros RAIPI 1998/1999/2000/2001 originais à autoridade administrativa competente (uma vez que algumas cópias anexadas as autos estão ilegíveis); (b) esclareça porque o objeto deste processo foi originalmente solicitado em ressarcimento por intermédio do processo 11543.002872/200181 (pedido da matriz), segundo relatado às fls. 01/03 e se houve algum aproveitamento ou ressarcimento por parte da matriz. Fl. 743DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por WALBER JOSE DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 20/0 7/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11543.003279/200402 Resolução n.º 330200.228 S3C3T2 Fl. 5 5 A autoridade administrativa competente deverá analisar os documentos cotejados pela Recorrente (caso não sejam apresentadas as vias originais, deverão ser analisados as cópias trazidas aos autos, devendo ainda serem feitas considerações acerca da autenticidade dos documentos e condições dos documentos, se são legíveis e suficientes para a o que se propõe). Ainda, requerse que seja realizado parecer conclusivo acerca da existência do crédito e de saldo para ressarcimento na sede deste processo administrativo. Ademais, a Recorrente deverá ser intimada a se manifestar, no prazo de 30 dias, acerca das conclusões da fiscalização. É como voto. Sala das Sessões...... (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora Fl. 744DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por WALBER JOSE DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 20/0 7/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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