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Numero do processo: 13842.720287/2014-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue May 03 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2012
IRPF. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. Comprovado, através de laudo oficial, que o contribuinte é portador de moléstia grave prevista em lei e que seus proventos são decorrentes de benefício de aposentadoria, é forçoso reconhecer o seu direito à isenção do Imposto de Renda, conforme previsto no art. 6º, incisos XXI e XIV da Lei nº 7.713/88.
Recurso Provido
Numero da decisão: 2301-004.632
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
João Bellini Júnior - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Alice Grecchi - Relatora.
(Assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Ivacir Julio de Souza, Luciana de Souza Espíndola Reis, Alice Grecchi, Julio Cesar Vieira Gomes, Gisa Barbosa Gambogi, Fabio Piovesan Bozza.
Nome do relator: ALICE GRECCHI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2012 IRPF. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. Comprovado, através de laudo oficial, que o contribuinte é portador de moléstia grave prevista em lei e que seus proventos são decorrentes de benefício de aposentadoria, é forçoso reconhecer o seu direito à isenção do Imposto de Renda, conforme previsto no art. 6º, incisos XXI e XIV da Lei nº 7.713/88. Recurso Provido
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ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. Comprovado, através de laudo oficial, que o contribuinte é portador de moléstia grave prevista em lei e que seus proventos são decorrentes de benefício de aposentadoria, é forçoso reconhecer o seu direito à isenção do Imposto de Renda, conforme previsto no art. 6º, incisos XXI e XIV da Lei nº 7.713/88. Recurso Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. João Bellini Júnior Presidente. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora. (Assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Ivacir Julio de Souza, Luciana de Souza Espíndola Reis, Alice Grecchi, Julio Cesar Vieira Gomes, Gisa Barbosa Gambogi, Fabio Piovesan Bozza. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 84 2. 72 02 87 /2 01 4- 31 Fl. 41DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JO AO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por ALICE GRECCHI 2 Relatório Contra a contribuinte acima qualificada foi lavrada notificação de lançamento do anocalendário 2011 (fls. 1316), tendo sido apurada omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, no valor de R$ 26.561,33, da Fonte Pagadora São Paulo Previdência SPPREV. O enquadramento legal consta na notificação de lançamento. Inconformada, a contribuinte apresentou impugnação (fl. 02), alegando ser portadora de moléstia grave, fazendo, portanto, jus ao benefício da isenção. Juntou laudo pericial ( fl.03), bem como exames laboratoriais ( fls. 05 e 06). A Turma de Primeira Instância, julgou, por unanimidade, improcedente a impugnação, por entender que a contribuinte não trouxe documentos atestando sua condição de aposentada. Não houve análise dos documentos acerca da moléstia grave. A recorrente foi cientificada do Acordão nº 13.69.444 18ª Turma da DRJ/RJO, em 03/11/14 ( fl. 29). Sobreveio Recurso Voluntário em 02/12/2014 ( fl. 31), repisando a alegação de isenção por moléstia grave com a juntada de documentos comprobatórios da condição de aposentada, tais como demonstrativo de pagamento ( fl. 34) e página do Diário Oficial onde foi publicada sua aposentadoria ( fl. 35 e 36). É o relatório. Passo a decidir. Voto Conselheira Relatora Alice Grecchi O recurso voluntário ora analisado, possui os requisitos de admissibilidade do Decreto nº 70.235/72, motivo pelo qual merece ser conhecido. Alega a contribuinte ser portadora de patologia identificada como Neoplasia Maligna de Mama, CID 10C50, prevista no art. 6°, inciso XIV, da Lei n° 7.713/1988, conforme laudo médico pericial emitido pelo Consórcio de Desenv. da Região de Governo de S. J. B. Vista (fl. 03), desde 17.11.2005, e por esta razão, isenta do imposto sobre a renda de pessoa física – IRPF. Argumentou a DRJ/JFA que "Como não restou comprovado que os proventos recebidos pela autuada no anocalendário objeto da autuação se referem a proventos de aposentadoria ou reforma e pensão, deixase de analisar o outro requisito indispensável à concessão da isenção, qual seja: se a contribuinte é portadora de moléstia grave em 2011." Fl. 42DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JO AO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por ALICE GRECCHI Processo nº 13842.720287/201431 Acórdão n.º 2301004.632 S2C3T1 Fl. 42 3 O artigo 6º da Lei nº. 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com as alterações do art. 47 da Lei n° 8.541, de 23 de dezembro de 1992 e art. 30, § 2º da Lei nº. 9.250, de 26 de dezembro de 1995, estabeleceu a concessão da isenção do IRPF nos seguintes casos: a) os valores recebidos serem de proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço; e b) ser portador de moléstia prevista no texto legal e comprovada por meio de laudo médico pericial emitido pelo serviço médico oficial da União, Estados, Distrito Federal ou dos Municípios (caput art. 30 da Lei nº 9.250/1995). No tocante ao segundo requisito, a lei faz duas exigências: (i) que a moléstia da qual o contribuinte sofre seja uma daquelas previstas e (ii) que a comprovação seja feita por meio de laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, do Estado, do Distrito Federal ou do Município. Compulsando os autos, verificase que o contribuinte acostou Laudo Médico Pericial, emitido Consórcio de Desenv. da Região de Governo de S. J. B. (fl. 03), que faz remissão ao CID 10C50 – Neoplasia Maligna de Mama, e refere expressamente à moléstia especificada na legislação de regência (art. 1º da Lei 11.052/2004), a qual é isentiva do imposto de renda. Verificase que no presente recurso a contribuinte acostou documentos comprobatórios da condição de aposentada, tais como demonstrativo de pagamento ( fl. 34) e página do Diário Oficial onde foi publicada sua aposentadoria ( fl. 35 e 36). Desse modo, sendo os rendimentos percebidos pela contribuinte decorrentes de aposentadoria, conforme comprovam os documentos supracitados, bem como estando a mesma acometida de moléstia grave, qual seja, Neoplasia Maligna de Mama, a qual se enquadra entre as doenças isentivas do IRPF (art. 6º, inciso XIV, da Lei 7.713/88, com redação dada pelo art. 47 da Lei 8.541/92, que passou a vigorar com a nova redação dada pelo art. 1º da Lei 11.052/04), é de ser reconhecida a isenção requerida. Art. 1o O inciso XIV do art. 6o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pela Lei no 8.541, de 23 de dezembro de 1992, passa a vigorar com a seguinte redação: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (grifei) Ante ao exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso. (Assinado digitalmente) Fl. 43DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JO AO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por ALICE GRECCHI 4 Relatora Alice Grecchi Fl. 44DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JO AO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por ALICE GRECCHI
score : 1.0
Numero do processo: 10830.007278/2004-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jul 19 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1998
Ementa:
PROCESSO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
LEGISLAÇÃO. INAPLICABILIDADE. PROCESSO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE.
Não é possível, no processo administrativo, deixar de aplicar a Lei, ainda que ao argumento de inconstitucionalidade. Somente o poder judiciário tem tal competência. Súmula CARF nº 2. Não há cerceamento do direito de defesa, portanto,
PERÍCIA. PEDIDO NÃO FORMULADO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
Nos termos do art. 16, §1º, devem se considerados como não formulados os pedidos de perícia que não atendam aos requisitos do art. 16, IV, do mesmo diploma. Não há cerceamento do direito de defesa quando a DRJ não realiza perícia nessas circunstâncias.
DECADÊNCIA. CONTAGEM DO PRAZO.
O direito de a Fazenda Pública da União constituir crédito tributário extingue-se em cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se aquele se der após esta data, conforme o disposto no art. 173, I, do CTN.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO.
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF nº 26).
Recurso Voluntário Negado.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 2202-003.457
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Os Conselheiros Márcio Henrique Sales Parada, Júnia Roberta Gouveia Sampaio e Marco Aurélio de Oliveira Barbosa votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dilson Jatahy Fonseca Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto (suplente convocada), Martin da Silva Gesto e Márcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: DILSON JATAHY FONSECA NETO
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 1998 Ementa: PROCESSO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. LEGISLAÇÃO. INAPLICABILIDADE. PROCESSO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. Não é possível, no processo administrativo, deixar de aplicar a Lei, ainda que ao argumento de inconstitucionalidade. Somente o poder judiciário tem tal competência. Súmula CARF nº 2. Não há cerceamento do direito de defesa, portanto, PERÍCIA. PEDIDO NÃO FORMULADO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Nos termos do art. 16, §1º, devem se considerados como não formulados os pedidos de perícia que não atendam aos requisitos do art. 16, IV, do mesmo diploma. Não há cerceamento do direito de defesa quando a DRJ não realiza perícia nessas circunstâncias. DECADÊNCIA. CONTAGEM DO PRAZO. O direito de a Fazenda Pública da União constituir crédito tributário extingue-se em cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se aquele se der após esta data, conforme o disposto no art. 173, I, do CTN. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF nº 26). Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Os Conselheiros Márcio Henrique Sales Parada, Júnia Roberta Gouveia Sampaio e Marco Aurélio de Oliveira Barbosa votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente. (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto (suplente convocada), Martin da Silva Gesto e Márcio Henrique Sales Parada.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2222; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 211 1 210 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.007278/200421 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202003.457 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 16 de junho de 2016 Matéria IRPF Recorrente DIVINA BRAIDO ROQUETO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1998 Ementa: PROCESSO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. LEGISLAÇÃO. INAPLICABILIDADE. PROCESSO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. Não é possível, no processo administrativo, deixar de aplicar a Lei, ainda que ao argumento de inconstitucionalidade. Somente o poder judiciário tem tal competência. Súmula CARF nº 2. Não há cerceamento do direito de defesa, portanto, PERÍCIA. PEDIDO NÃO FORMULADO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Nos termos do art. 16, §1º, devem se considerados como não formulados os pedidos de perícia que não atendam aos requisitos do art. 16, IV, do mesmo diploma. Não há cerceamento do direito de defesa quando a DRJ não realiza perícia nessas circunstâncias. DECADÊNCIA. CONTAGEM DO PRAZO. O direito de a Fazenda Pública da União constituir crédito tributário extingue se em cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se aquele se der após esta data, conforme o disposto no art. 173, I, do CTN. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 72 78 /2 00 4- 21 Fl. 211DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 18/0 7/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIV EIRA BARBOSA 2 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF nº 26). Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Os Conselheiros Márcio Henrique Sales Parada, Júnia Roberta Gouveia Sampaio e Marco Aurélio de Oliveira Barbosa votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto (suplente convocada), Martin da Silva Gesto e Márcio Henrique Sales Parada. Relatório Tratase, em breves linhas, de auto de infração lavrado para constituir IRPF referente ao anocalendário de 1998, pela observação de depósitos bancários de origem não comprovada. A Contribuinte manejou processo judicial visando sustar o acesso da autoridade a seus dados bancários. Também, apresentou impugnação versando sobre diversas matérias, que foi julgada improcedente pela DRJ, mantendose o lançamento. Ainda insatisfeita, a Contribuinte protocolou recurso voluntário, informando que tinha decisão judicial a seu favor. Chegando ao CARF, foi determinada diligência para verificar a decisão final do processo judicial e foi informado pela Procuradoria da Fazenda Nacional que transitou decisão final do STJ reconhecendo o direito do fisco de acessar os dados bancários. Feito o resumo, passamos à análise pormenorizada dos autos. Em 27/05/2004 foi lavrado Termo de Início de Fiscalização (fls. 11/13) no qual a autoridade lançadora intimou pessoalmente a Contribuinte, por meio de procurador Fl. 212DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 18/0 7/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIV EIRA BARBOSA Processo nº 10830.007278/200421 Acórdão n.º 2202003.457 S2C2T2 Fl. 212 3 devidamente constituído (fl. 14), a apresentar movimentação financeira de conta corrente mantida perante o Banco Bradesco, em relação ao anocalendário de 1998, uma vez que, nos termos do art. 11, §2º, da Lei nº 9.311/1996, recebeu dados referentes ao CPMF. Após diversas respostas da Contribuinte, bem como Ofícios ao Banco e respostas deste, fornecendo os extratos bancários, foi lavrado Auto de Infração em 07/12/2004 (fls. 9/10), em desfavor da contribuinte, no qual se constituiu IRPF no valor de R$ 62.126,23, além de juros e multa de 75%, devido à constatação de “Omissão de Rendimentos caracterizada por Depósitos Bancários com Origem não Comprovada”. A ciência da lavratura ocorreu em 09/12/2004 (fl. 62). No Termo de Verificação Fiscal (fls. 54/59), a autoridade lançadora explicou que: · A fiscalização visou inicialmente o anocalendário de 1998, porém posteriormente foi estendida para abarcar também os anoscalendário de 2000 e 2001, uma vez que houve extensão da quebra do sigilo bancário pelo Ministério Público Federal; · Que, por falta de comprovação dos depósitos realizados, fazse necessário lavra impor a presunção legal de omissão de rendimentos; e · Que a Contribuinte não apresentou a DIRPF no exercício 1999, logo deve ser aplicada a regra decadencial do art. 173, I, do CTN. Intimada da lavratura do auto de infração em 09/12/2004 (fl. 62), a Contribuinte apresentou Impugnação em 29/12/2004 (fls. 64/90 e doc. anexo fl. 91). Levado a julgamento, a DRJ proferiu o acórdão nº 1725.253, de 27/05/2008 (fls. 103/122), que restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1998 DECADÊNCIA. O direito de a Fazenda Pública da União constituir crédito tributário extinguese em cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se aquele se der após esta data, conforme o disposto no art. 173, I, do CTN. CONCOMITÂNCIA ENTRE O PROCESSO JUDICIAL E O ADMINISTRATIVO. SIGILO BANCÁRIO. A propositura, pelo contribuinte, de ação judicial contra a Fazenda, por qualquer modalidade processual, implica renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto, naquilo em que houver identidade de objetos. Fl. 213DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 18/0 7/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIV EIRA BARBOSA 4 CONSTITUCIONALIDADE DAS LEIS. À autoridade administrativa julgadora não compete formar juízo sobre a validade jurídica das normas aplicadas na determinação do crédito tributário, sendolhe defeso apreciar argüições de aspectos da constitucionalidade do lançamento. APLICAÇÃO DA LEI NO TEMPO. Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas. OMISSÃO DE RENDIMENTO. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A presunção legal de omissão de receitas, prevista no art. 42, da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. O lançamento encontrase correto, tendo sido consideradas todas as exclusões cabíveis. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. É de se indeferir a solicitação de perícia quando não for necessário o conhecimento técnico especializado, não podendo servir para suprir a omissão do contribuinte na produção de provas que ele tinha a obrigação de trazer aos autos. APRESENTAÇÃO DE PROVAS. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; refirase a fato ou a direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. DOUTRINA. EFEITOS. As decisões administrativas, mesmo as proferidas por Conselhos de Contribuintes, e as judiciais, à exceção das decisões do STF sobre inconstitucionalidade da legislação e daquelas objeto de Súmula vinculante, nos termos da Lei n° 11.417 de 19 de dezembro de 2006, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. A doutrina transcrita não pode ser oposta ao texto explícito do direito positivo, mormente em se tratando do direito tributário brasileiro, por sua estrita subordinação à legalidade. Lançamento Procedente” As razões que justificaram a decisão podem ser assim resumidas: Fl. 214DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 18/0 7/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIV EIRA BARBOSA Processo nº 10830.007278/200421 Acórdão n.º 2202003.457 S2C2T2 Fl. 213 5 · Que, tendo em vista que a decadência do lançamento de ofício é regulamentada pelo art. 173, I, do CTN, e que a Contribuinte não entregou DIRPF relativa ao anocalendário de 1998, então o primeiro dia do prazo decadencial é 1º/01/2000, e o prazo final é 31/12/2004. Tendo o lançamento ocorrido em 09/12/2004, não há que se falar em decadência; · Que, tendo a Contribuinte proposto ação judicial com o fito de impedir a quebra de seu sigilo bancário, não cabe à esfera administrativa conhecer dessa matéria; · Que não é possível apreciar os argumentos de inconstitucionalidade ou ilegalidade de dispositivos legais, por extrapolar a competência da autoridade administrativa; · Que, nos termos do art. 144, §1º do CTN, a Lei nº 10.174/2001 e a Lei Complementar nº 105/2001 podem sim ter aplicabilidade retroativa; · Que, não tendo a Contribuinte comprovado a origem dos recursos depositados em sua conta, é cabível a aplicação da presunção criada pelo art. 42 da Lei nº 9.430/1996; · Que não é cabível a realização de perícia quando os elementos que compõem os autos são suficientes para o convencimento da autoridade julgadora; · Que o momento adequado para apresentar a prova documental é em conjunto com a impugnação, precluindo o seu direito de fazêlo em momento posterior e que, de qualquer sorte, a Contribuinte não apresentou qualquer documento após o protocolo da impugnação, mesmo passados anos até o julgamento na DRJ; e · Que a doutrina e a jurisprudência, judicial ou administrativa, não vinculam os órgãos administrativos, à exceção das decisões do STF sobre a inconstitucionalidade e das Súmulas Vinculantes. Intimada da decisão da DRJ em 02/07/2008 (fl. 125), a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 23/07/2008 (fls. 126/163 e docs. anexos fls. 164/172), apresentando, em resumo, os seguintes argumentos: · Que a decisão é nula por não ter apreciado integralmente a impugnação, especialmente considerando que os órgãos administrativos podem sim decidir sobre a inconstitucionalidade de leis; · Que houve decadência, nos termos do art. 150, §4º, do CTN; · Que houve cerceamento do direito de defesa pela não realização de perícia; Fl. 215DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 18/0 7/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIV EIRA BARBOSA 6 · Que apenas ocorre renúncia à via administrativa, pela propositura de processo judicial, naquilo em que houver identidade de objetos; · Que houve utilização de provas ilícitas, uma vez que a Contribuinte tem decisão judicial impedindo a utilização de informações do CPMF (art. 11, §§2º e 3º, da Lei nº 9.311/1996, em operações ocorridas antes das Lei Complementar nº 105/2001 e da Lei nº 10.174/2001; · Que o sigilo bancário é garantido constitucionalmente pelo art. 5º, X e XII, da Constituição Federal de 1988; · Que não se pode presumir a ocorrência de renda, e que não foram apreciados adequadamente os fatos no caso concreto, tais como o patrimônio e a disponibilidade anterior da Contribuinte; · Que não cabe presunção absoluta em direito tributário; Chegando ao CARF, foi proferida a Resolução nº 220200.215, de 15/05/2012 (fls. 174/181), determinando a intimação da Contribuinte para que juntasse certidão de objeto e pé do processo judicial, uma vez que foram distribuídos recurso especial e recurso extraordinário pela Fazenda Nacional, e não era possível saber qual a decisão final do referido processo judicial. Devidamente intimada em 30/07/2012 (fl. 184), a Contribuinte mantevese em silêncio, de sorte que o processo retornou ao CARF. Foi então proferida a Resolução nº 220200.600, de 02/12/2014 (fls. 187/195), reconhecendo que a Contribuinte não se pronunciou, mas reiterando a determinação de intimar a Procuradoria da Fazenda Nacional para se manifestar sobre a questão do processo judicial. A Fazenda Nacional então se pronunciou em 2015 (fls. 206/209), esclarecendo que transitou em julgado decisão do STJ com a seguinte ementa: RECURSO ESPECIAL Nº 1.020.302 SP (2007/03102108) RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL PROCURADORES : CLAUDIO XAVIER SEEFELDER FILHO REGINA TAMAMI HIROSE E OUTRO(S) RECORRIDO : DIVINA BRAIDO ROQUETO ADVOGADO : MARIA ODETE DUQUE BERTASI E OUTRO(S) EMENTA PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AUTUAÇÃO COM BASE EM DEMONSTRATIVOS DE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. POSSIBILIDADE. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. LEI COMPLEMENTAR 105/2001. APLICAÇÃO IMEDIATA. EXCEÇÃO AO PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE. 1. O Codex Tributário, ao tratar da constituição do crédito tributário pelo lançamento, determina que as leis tributárias Fl. 216DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 18/0 7/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIV EIRA BARBOSA Processo nº 10830.007278/200421 Acórdão n.º 2202003.457 S2C2T2 Fl. 214 7 procedimentais ou formais têm aplicação imediata (artigo 144, § 1º, do CTN), pelo que Lei Complementar 105/2001, por envergar essa natureza, atinge fatos pretéritos. Assim, por força dessa disposição, é possível que a administração, sem autorização judicial, quebre o sigilo bancário de contribuinte durante período anterior a vigência dos aludidos dispositivos legais. Precedentes da Corte: AgRg nos EDcl no REsp 824.771/SC, DJ 30.11.2006; REsp 810.428/RS, DJ 18.09.2006; EREsp 608.053/RS, DJ 04.09.2006; e AgRg no Ag 693.675/PR, DJ 01.08.2006). 2. O artigo 38, da Lei 4.595/64, que condicionava a quebra do sigilo bancário à obtenção de autorização judicial foi revogada pela LC 105/2001. 3. A LC 105/2001 dispõe sobre o sigilo das operações de instituições financeiras, determinando que não constitui violação do dever de sigilo, entre outros, o fornecimento à Secretaria da Receita Federal de informações necessárias à identificação dos contribuintes e os valores globais das respectivas operações artigo 11, § 2º, da Lei 9.311/96, que instituiu a CPMF , e a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2º, 3º, 4º, 5º, 6º, 7º, e 9º, da lei complementar em tela (artigo 1º, § 3º, III e VI). 4. Em seu artigo 6º, o referido diploma legal, estabelece que: "As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária." . 5. Nesse segmento, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça está assentada no sentido de que: "a exegese do art. 144, § 1º do Código Tributário Nacional, considerada a natureza formal da norma que permite o cruzamento de dados referentes à arrecadação da CPMF para fins de constituição de crédito relativo a outros tributos, conduz à conclusão da possibilidade da aplicação dos artigos 6º da Lei Complementar 105/2001 e 1º da Lei 10.174/2001 ao ato de lançamento de tributos cujo fato gerador se verificou em exercício anterior à vigência dos citados diplomas legais, desde que a constituição do crédito em si não esteja alcançada pela decadência" e que "inexiste direito adquirido de obstar a fiscalização de negócios tributários, máxime porque, enquanto não extinto o crédito tributário a Autoridade Fiscal tem o dever vinculativo do lançamento em correspondência ao direito de tributar da entidade estatal. " (REsp 685.708/ES, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 20.06.2005). Fl. 217DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 18/0 7/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIV EIRA BARBOSA 8 6. Tese inversa conduziria a criar situações em que a administração tributária, mesmo ciente de possível sonegação fiscal, ficaria impedida de apurála. 7. Deveras, ressoa inadmissível que o ordenamento jurídico tutele estratégia para ocultar infrações. 8. Isto porque o sigilo bancário não tem conteúdo absoluto, devendo ceder ao princípio da moralidade pública de natureza absoluta. É cediço que a regra do sigilo bancário deve ceder todas as vezes que as transações bancárias são denotadoras de ilicitude, porquanto não pode o cidadão, sob o alegado manto de garantias fundamentais, pretender ocultar ilícitos. O sigilo bancário é garantido pela Constituição Federal como direito fundamental para guardar a intimidade das pessoas desde que não seja servil ao acobertamento de ilícitos. 9. Recurso especial da Fazenda Nacional provido. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos, os Ministros da PRIMEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça acordam, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas a seguir, por unanimidade, dar provimento ao recurso especial, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Teori Albino Zavascki, Denise Arruda (Presidenta), Benedito Gonçalves e Francisco Falcão votaram com o Sr. Ministro Relator. Brasília (DF), 21 de maio de 2009(Data do Julgamento)” Enfim, vieramme os autos. É o relatório. Voto Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator Impende registrar a ocorrência de concomitância entre o processo administrativo e o processo judicial. Nos termos da Súmula CARF nº 1, há que se reconhecer a renúncia, pela Contribuinte, da via administrativa no que toca à mesma matéria. Analisando o acórdão transcrito no relatório, é possível identificar que a Contribuinte discutiu, no processo administrativo, a questão da constitucionalidade da quebra do sigilo bancário e da legalidade da aplicação retroativa da Lei Complementar nº 105/2001 e da Lei nº 10.174/2001. Portanto, impossível conhecer dessa parte do Recurso Voluntário. Fl. 218DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 18/0 7/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIV EIRA BARBOSA Processo nº 10830.007278/200421 Acórdão n.º 2202003.457 S2C2T2 Fl. 215 9 Conheço dos demais pontos ventilados no Recurso Voluntário, uma vez que é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade. Pontos Controvertidos: · Houve preterição do direito de defesa pela falta de análise de questões da impugnação e pela negativa em realizar perícia? · Houve decadência? · O art. 42 da Lei nº 9.430/1996 cria uma presunção absoluta? É possível afastála? Do direito de defesa: Argumenta a Contribuinte que houve preterição do direito de defesa porquanto a autoridade administrativa julgadora de primeiro grau não poderia se abster de julgar a validade jurídica das normas aplicadas, bem como não poderia deixar de se pronunciar sobre a constitucionalidade do lançamento. A verdade é que a autoridade administrativa está adstrita à aplicação da legislação vigente, não podendo deixar de aplicar a lei com base em inconstitucionalidade. Apenas o poder judiciário é quem pode, incidentalmente em qualquer grau, ou de maneira concentrada no STF, afastar a aplicabilidade da Lei. O CARF. inclusive, já tem a Súmula nº 2, segundo a qual não pode se pronunciar sobre a constitucionalidade da Lei Tributária. No mesmo sentido, o art. 62 do RICARF. No tocante à realização de perícia, convém lembrar, inicialmente, que o art. 16 do Decreto nº 70.235/1972 exige, no inciso IV do caput a formulação expressa dos quesitos a serem examinados, bem como no nome, o endereço e a qualificação do seu perito profissional. Já no §1º do mesmo dispositivo, determina que serão considerados não formulados os pedidos de perícia que não atendam aos requisitos acima elencados. In casu, a Contribuinte não formulou os quesitos nem indicou o perito. Não o fez na impugnação e novamente deixou de fazêlo no Recurso Voluntário. Logo, não há cerceamento do direito de defesa ao deixar de realizar a perícia. Portanto, não é possível dar provimento ao pleito da Contribuinte. Da decadência: Argumenta a Contribuinte que houve decadência, nos termos do art. 150, §4º, do CTN. A autoridade lançadora, por sua vez, já esclareceu no TVF (fl. 58) que o caso concreto deve ser regido pelo art. 173, I, do CTN, porquanto a Contribuinte não apresentou DIRPF/1999, anocalendário de 1998. A DRJ seguiu esse posicionamento, negando provimento à impugnação. Equivocase a Contribuinte. Fl. 219DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 18/0 7/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIV EIRA BARBOSA 10 A regra geral da decadência do direito do fisco de constituir o crédito tributário é regida pelo art. 173 do CTN. O art. 150 do mesmo diploma versa sobre os casos de lançamento por homologação, i.e., nas hipóteses em que o Contribuinte faz o autolançamento, cabendo à autoridade fiscalizadora simplesmente homologálo ou corrigilo por atividade vinculada. O §4º, invocado pelo Contribuinte, apenas atribui um prazo máximo para essa fiscalização, determinando a caducidade do direito do Fisco de fiscalizar, caso não o faça no prazo estipulado (cinco anos a contar do fato gerador). Se é verdade que a lei permite que determinadas pessoas deixem de cumprir essa obrigação acessória, todos os cidadãos brasileiros têm o direito de enviar tal declaração. Ao fazêlo (enviar da DIRPF), ainda que não constitua crédito fiscal, atrai a aplicabilidade do art. 150 do CTN. No caso concreto, não houve declaração de ajuste anual. Ao deixar de apresentar a sua declaração, não havia qualquer autolançamento para o fisco analisar ou homologar. Tampouco havia autolançamento que se considerasse tacitamente homologado, nos termos do suscitado art. 150, §4º. Enfim, ante a falta de apresentação de DIRPF/1999, anocalendário de 1998, devem ser aplicadas as regras do art. 173, I, do CTN, não havendo que se falar em decadência no caso concreto. Da presunção legal: Enfim, a Contribuinte ainda busca defenderse do auto de infração, invocando argumentos de inconstitucionalidade, ilegalidade e injustiça da presunção de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Tratase de questionamento de grande valia para o Poder Judiciário, o que é atestado, inclusive, pela recente declaração do STF de que o argumento é objeto de repercussão geral, no Tema nº 842, em decisão que restou assim ementada: “IMPOSTO DE RENDA – DEPÓSITOS BANCÁRIOS – ORIGEM DOS RECURSOS NÃO COMPROVADA – OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA – INCIDÊNCIA – ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996 – ARTIGOS 145, § 1º, 146, INCISO III, ALÍNEA “A”, E 153, INCISO III, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL – RECURSO EXTRAORDINÁRIO – REPERCUSSÃO GERAL CONFIGURADA. Possui repercussão geral a controvérsia acerca da constitucionalidade do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, a autorizar a constituição de créditos tributários do Imposto de Renda tendo por base, exclusivamente, valores de depósitos bancários cuja origem não seja comprovada pelo contribuinte no âmbito de procedimento fiscalizatório. (RE 855649 RG, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, julgado em 27/08/2015, PROCESSO ELETRÔNICO DJe188 DIVULG 21092015 PUBLIC 22092015) Em sede de processo administrativo, entretanto, essa tese não pode prevalecer. A verdade é que a presunção foi criada por Lei, que permanece vigente, não sendo possível a este Conselho afastar a sua aplicação, nos termos do caput do art. 62 do RICARF. Convém ressaltar, ademais, que o CARF tem diversas súmulas tratando sobre a matéria, e Fl. 220DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 18/0 7/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIV EIRA BARBOSA Processo nº 10830.007278/200421 Acórdão n.º 2202003.457 S2C2T2 Fl. 216 11 nenhuma delas questiona a sua legalidade. São os casos das Súmulas CARF nº 30 e 38, sobretudo da Súmula nº 26: “A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.” Em suma, não é possível afastar o lançamento com base nesse argumento, porquanto não pode esse e.CARF afastar a aplicabilidade de Lei fora dos casos expressos no RICARF. Dispositivo: Conforme tudo quanto exposto acima, voto por não conhecer do RV em relação ao sigilo bancário, por concomitância com processo judicial. Na parte conhecida, para rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, negar provimento. (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto – Relator. Fl. 221DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 18/0 7/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIV EIRA BARBOSA
score : 1.0
Numero do processo: 13884.000772/2002-65
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 05 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 02 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1992, 1993, 1994, 1995, 1996, 1997
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. DIVERGÊNCIA ENTRE O RESULTADO DO JULGAMENTO E O VOTO VENCEDOR DO ACÓRDÃO.
Embargos acolhidos para adequar a redação do resultado do julgamento com os fundamentos e a conclusão do voto condutor do acórdão.
Numero da decisão: 9101-002.272
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Decisão dos membros do colegiado: Embargos conhecidos e acolhidos, para rerratificar o Acórdão embargado, sem efeitos infringentes, nos termos do voto do Relator, por unanimidade de votos.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, LUÍS FLÁVIO NETO, ADRIANA GOMES REGO, DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO, ANDRE MENDES DE MOURA, RONALDO APELBAUM (Suplente Convocado), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO (Suplente Convocado), MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ (Vice-Presidente), CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1992, 1993, 1994, 1995, 1996, 1997 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. DIVERGÊNCIA ENTRE O RESULTADO DO JULGAMENTO E O VOTO VENCEDOR DO ACÓRDÃO. Embargos acolhidos para adequar a redação do resultado do julgamento com os fundamentos e a conclusão do voto condutor do acórdão.
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Repetição de Indébito de Multa de Mora. Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado VALECLIN LABORATÓRIO DE ANÁLISES CLÍNICAS S/C LTDA. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1992, 1993, 1994, 1995, 1996, 1997 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. DIVERGÊNCIA ENTRE O RESULTADO DO JULGAMENTO E O VOTO VENCEDOR DO ACÓRDÃO. Embargos acolhidos para adequar a redação do resultado do julgamento com os fundamentos e a conclusão do voto condutor do acórdão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Decisão dos membros do colegiado: Embargos conhecidos e acolhidos, para rerratificar o Acórdão embargado, sem efeitos infringentes, nos termos do voto do Relator, por unanimidade de votos. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, LUÍS FLÁVIO NETO, ADRIANA GOMES REGO, DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO, ANDRE MENDES DE MOURA, RONALDO APELBAUM (Suplente Convocado), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO (Suplente Convocado), MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ (Vice Presidente), CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 00 07 72 /2 00 2- 65 Fl. 601DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/04/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 13884.000772/200265 Acórdão n.º 9101002.272 CSRFT1 Fl. 602 2 Relatório Tratamse de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional em face do Acórdão nº 910100.791, sessão de 14 de dezembro de 2010, proferido pela 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, relator Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho. Na sucinta peça apresentada, a Fazenda Nacional alega a existência de contradição no acórdão embargado, verificada entre o resultado do julgamento e os fundamentos e a conclusão expostos no voto condutor. Nas palavras da embargante: "O voto condutor do acórdão foi no sentido do provimento do recurso fazendário, com base na orientação da jurisprudência do STJ, assim sumulada: "O beneficio da denuncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo" (Súmula n° 360). Tal entendimento, inclusive, encontrase na ementa do acórdão ora embargado. Não obstante, consta, contraditoriamente, na redação do acórdão que, por unanimidade de votos, os membros dessa egrégia Turma negaram provimento ao recurso especial." (negritado e sublinhado no original) A embargante defende que, no afastamento da contradição, deve prevalecer a fundamentação do voto condutor, o que levaria ao provimento do recurso especial fazendário. É o relatório. Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. Acolho os Embargos, por serem tempestivos e por entender, em concordância com a Informação em Embargos assinada pelo então Presidente da CSRF, que há contraditoriedade no Acórdão nº 910100.791. Consta do voto condutor do acórdão embargado: "Consoante jurisprudência sumulada pelo Superior Tribunal de Justiça, "o beneficio da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo" (Súmula 360). Em outros termos, "a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco" (REsp 1.149.022/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, DJe 24/06/2010). No caso dos autos, adotandose como verdadeira a premissa fática do acórdão recorrido no sentido de que os recolhimentos cuja restituição ora se requer deramse posteriormente à declaração do respectivo débito em Fl. 602DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/04/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 13884.000772/200265 Acórdão n.º 9101002.272 CSRFT1 Fl. 603 3 DCTF, oriento meu voto no sentido de conhecer do recurso especial da Fazenda Nacional para, no mérito, darlhe provimento para indeferir o pleito de restituição formulado pelo Contribuinte." (grifouse) Sendo assim, inconteste a conclusão do relator no sentido de dar provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, uma vez que a argumentação abraçada trilha o caminho do indeferimento do pedido de restituição formulado pelo contribuinte. Apesar disso, o resultado do julgamento constante do dispositivo do acórdão traz a seguinte redação: "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Participaram do julgamento os Conselheiro Nelson Losso Filho e João Carlos de Lima Junior. Ausentes, justificadamente os Conselheiros Claudemir Rodrigues Malaquias e Susy Gomes Hoffmann." (grifouse) A contradição verificada é facilmente saneada pela substituição do texto do dispositivo do acórdão, apontando para o resultado condizente com os fundamentos e a conclusão expostos no voto condutor da decisão colegiada. Assim, o dispositivo do acórdão passa a ter a seguinte redação: "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Participaram do julgamento os Conselheiro Nelson Losso Filho e João Carlos de Lima Junior. Ausentes, justificadamente os Conselheiros Claudemir Rodrigues Malaquias e Susy Gomes Hoffmann." Por tratarse de mera correção de erro material, entendo que, apesar de alterar a parte dispositiva do acórdão, o acolhimento dos presentes embargos de declaração não provocam efeitos infringentes. Portanto, o meu voto é no sentido de acolher e prover os embargos de declaração da Fazenda Nacional, para rerratificar o acórdão embargado, sem efeitos infringentes. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 603DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/04/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 13884.000772/200265 Acórdão n.º 9101002.272 CSRFT1 Fl. 604 4 Fl. 604DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/04/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O
score : 1.0
Numero do processo: 10580.729466/2012-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Apr 29 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
LUCROS CESSANTES
Lucros cessantes consistem naquilo que o lesado deixou razoavelmente de lucrar como consequência direta do evento danoso (Código Civil, art. 402).
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LUCROS CESSANTES. RENDIMENTO TRIBUTÁVEL.
Configura-se omissão de rendimentos a não declaração de valores decorrentes de indenização de lucros cessantes, na condição de rendimentos tributáveis, em sua declaração anual de ajuste do ano-calendário respectivo.
São considerados rendimentos tributáveis do Imposto de Renda tanto as verbas que o Recorrente razoavelmente deixou de auferir em razão do evento donoso consistente em seu afastamento do cargo público, quanto a atualização monetária, os juros de mora e quaisquer outras indenizações pelo atraso no pagamento dos rendimentos do trabalho assalariado.
IRPF. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. DECISÃO JUDICIAL. JUROS DE MORA.
São também considerados rendimentos tributáveis do trabalho assalariado a atualização monetária e os juros de mora devidos ao trabalhador pelo atraso no pagamento de quaisquer espécies de remunerações por trabalho prestado no exercício de empregos, cargos e funções, e de quaisquer proventos ou vantagens percebidos pelo obreiro, salvo sobre as verbas trabalhistas pagas no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho, consoante o art. 6º, V, da Lei nº 7.713/88, bem como sobre verba principal isenta ou fora do campo de incidência do IR, conforme a regra accessorium sequitur suum principale.
MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE
É cabível, por disposição literal de lei, a incidência de multa de ofício, no percentual de 75%, sobre o valor do Imposto de Renda apurado em procedimento de ofício, que deverá ser exigida juntamente com o tributo não recolhido espontaneamente pelo contribuinte em suas épocas próprias.
PENALIDADE PECUNIÁRIA. VIOLAÇÃO A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. INOCORRÊNCIA.
Não configura violação a princípios constitucionais a imputação de penalidade pecuniária em razão do não cumprimento tempestivo de obrigação de natureza tributária, quando aplicada em estreita sintonia com as normas legais vigentes e eficazes.
Foge à competência deste Colegiado o exame da adequação das normas tributárias fixadas pela Lei nº 9.430/96 aos princípios e às vedações constitucionais ao poder de tributar previstas na CF/88, eis que tal atribuição foi reservada pela própria Constituição, com exclusividade, ao Poder Judiciário.
IMPOSTO DE RENDA. PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES. TABELA PROGRESSIVA. ALÍQUOTA. RE Nº 614.406/RS.
No julgamento do Recurso Extraordinário nº 614.406/RS, concluído em 23 de outubro de 2014, conduzido sob o regime dos recursos repetitivos assentado no art. 543-B do Código de Processo Civil, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, sem declarar a inconstitucionalidade do art. 12 da Lei nº 7.713/88, reconheceu que o critério de cálculo dos Rendimentos Recebidos Acumuladamente - RRA adotado pelo suso citado art. 12, representava transgressão aos princípios da isonomia e da capacidade contributiva do Contribuinte, conduzindo a uma majoração da alíquota do Imposto de Renda.
A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2401-004.269
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em CONHECER do Recurso Voluntário para, no mérito, por voto de qualidade, DAR-LHE PROVIMENTO PARCIAL, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros RAYD SANTANA FERREIRA, THEODORO VICENTE AGOSTINHO, LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA e CARLOS ALEXANDRE TORTATO, que davam provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer a nulidade do lançamento, por vício material, ante a inobservância do AFRFB da legislação aplicável ao lançamento e a consequente adoção equivocada da base de cálculo e alíquota do lançamento.
André Luís Mársico Lombardi Presidente de Turma.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: André Luís Mársico Lombardi (Presidente de Turma), Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa, Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Theodoro Vicente Agostinho e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2010 LUCROS CESSANTES Lucros cessantes consistem naquilo que o lesado deixou razoavelmente de lucrar como consequência direta do evento danoso (Código Civil, art. 402). IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LUCROS CESSANTES. RENDIMENTO TRIBUTÁVEL. Configura-se omissão de rendimentos a não declaração de valores decorrentes de indenização de lucros cessantes, na condição de rendimentos tributáveis, em sua declaração anual de ajuste do ano-calendário respectivo. São considerados rendimentos tributáveis do Imposto de Renda tanto as verbas que o Recorrente razoavelmente deixou de auferir em razão do evento donoso consistente em seu afastamento do cargo público, quanto a atualização monetária, os juros de mora e quaisquer outras indenizações pelo atraso no pagamento dos rendimentos do trabalho assalariado. IRPF. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. DECISÃO JUDICIAL. JUROS DE MORA. São também considerados rendimentos tributáveis do trabalho assalariado a atualização monetária e os juros de mora devidos ao trabalhador pelo atraso no pagamento de quaisquer espécies de remunerações por trabalho prestado no exercício de empregos, cargos e funções, e de quaisquer proventos ou vantagens percebidos pelo obreiro, salvo sobre as verbas trabalhistas pagas no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho, consoante o art. 6º, V, da Lei nº 7.713/88, bem como sobre verba principal isenta ou fora do campo de incidência do IR, conforme a regra accessorium sequitur suum principale. MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE É cabível, por disposição literal de lei, a incidência de multa de ofício, no percentual de 75%, sobre o valor do Imposto de Renda apurado em procedimento de ofício, que deverá ser exigida juntamente com o tributo não recolhido espontaneamente pelo contribuinte em suas épocas próprias. PENALIDADE PECUNIÁRIA. VIOLAÇÃO A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. INOCORRÊNCIA. Não configura violação a princípios constitucionais a imputação de penalidade pecuniária em razão do não cumprimento tempestivo de obrigação de natureza tributária, quando aplicada em estreita sintonia com as normas legais vigentes e eficazes. Foge à competência deste Colegiado o exame da adequação das normas tributárias fixadas pela Lei nº 9.430/96 aos princípios e às vedações constitucionais ao poder de tributar previstas na CF/88, eis que tal atribuição foi reservada pela própria Constituição, com exclusividade, ao Poder Judiciário. IMPOSTO DE RENDA. PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES. TABELA PROGRESSIVA. ALÍQUOTA. RE Nº 614.406/RS. No julgamento do Recurso Extraordinário nº 614.406/RS, concluído em 23 de outubro de 2014, conduzido sob o regime dos recursos repetitivos assentado no art. 543-B do Código de Processo Civil, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, sem declarar a inconstitucionalidade do art. 12 da Lei nº 7.713/88, reconheceu que o critério de cálculo dos Rendimentos Recebidos Acumuladamente - RRA adotado pelo suso citado art. 12, representava transgressão aos princípios da isonomia e da capacidade contributiva do Contribuinte, conduzindo a uma majoração da alíquota do Imposto de Renda. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. Recurso Voluntário Provido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em CONHECER do Recurso Voluntário para, no mérito, por voto de qualidade, DAR-LHE PROVIMENTO PARCIAL, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros RAYD SANTANA FERREIRA, THEODORO VICENTE AGOSTINHO, LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA e CARLOS ALEXANDRE TORTATO, que davam provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer a nulidade do lançamento, por vício material, ante a inobservância do AFRFB da legislação aplicável ao lançamento e a consequente adoção equivocada da base de cálculo e alíquota do lançamento. André Luís Mársico Lombardi Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: André Luís Mársico Lombardi (Presidente de Turma), Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa, Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Theodoro Vicente Agostinho e Arlindo da Costa e Silva.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 23; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2306; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2‐C4T1 Fl. 160 1 159 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.729466/201211 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401004.269 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 13 de abril de 2016 Matéria IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Recorrente GILBERTO CAETANO DE JESUS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2010 LUCROS CESSANTES Lucros cessantes consistem naquilo que o lesado deixou razoavelmente de lucrar como consequência direta do evento danoso (Código Civil, art. 402). IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LUCROS CESSANTES. RENDIMENTO TRIBUTÁVEL. Configurase omissão de rendimentos a não declaração de valores decorrentes de indenização de lucros cessantes, na condição de rendimentos tributáveis, em sua declaração anual de ajuste do anocalendário respectivo. São considerados rendimentos tributáveis do Imposto de Renda tanto as verbas que o Recorrente razoavelmente deixou de auferir em razão do evento donoso consistente em seu afastamento do cargo público, quanto a atualização monetária, os juros de mora e quaisquer outras indenizações pelo atraso no pagamento dos rendimentos do trabalho assalariado. IRPF. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. DECISÃO JUDICIAL. JUROS DE MORA. São também considerados rendimentos tributáveis do trabalho assalariado a atualização monetária e os juros de mora devidos ao trabalhador pelo atraso no pagamento de quaisquer espécies de remunerações por trabalho prestado no exercício de empregos, cargos e funções, e de quaisquer proventos ou vantagens percebidos pelo obreiro, salvo sobre as verbas trabalhistas pagas no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho, consoante o art. 6º, V, da Lei nº 7.713/88, bem como sobre verba principal isenta ou fora do AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 94 66 /2 01 2- 11 Fl. 160DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 2 campo de incidência do IR, conforme a regra “accessorium sequitur suum principale”. MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE É cabível, por disposição literal de lei, a incidência de multa de ofício, no percentual de 75%, sobre o valor do Imposto de Renda apurado em procedimento de ofício, que deverá ser exigida juntamente com o tributo não recolhido espontaneamente pelo contribuinte em suas épocas próprias. PENALIDADE PECUNIÁRIA. VIOLAÇÃO A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. INOCORRÊNCIA. Não configura violação a princípios constitucionais a imputação de penalidade pecuniária em razão do não cumprimento tempestivo de obrigação de natureza tributária, quando aplicada em estreita sintonia com as normas legais vigentes e eficazes. Foge à competência deste Colegiado o exame da adequação das normas tributárias fixadas pela Lei nº 9.430/96 aos princípios e às vedações constitucionais ao poder de tributar previstas na CF/88, eis que tal atribuição foi reservada pela própria Constituição, com exclusividade, ao Poder Judiciário. IMPOSTO DE RENDA. PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES. TABELA PROGRESSIVA. ALÍQUOTA. RE Nº 614.406/RS. No julgamento do Recurso Extraordinário nº 614.406/RS, concluído em 23 de outubro de 2014, conduzido sob o regime dos recursos repetitivos assentado no art. 543B do Código de Processo Civil, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, sem declarar a inconstitucionalidade do art. 12 da Lei nº 7.713/88, reconheceu que o critério de cálculo dos Rendimentos Recebidos Acumuladamente RRA adotado pelo suso citado art. 12, representava transgressão aos princípios da isonomia e da capacidade contributiva do Contribuinte, conduzindo a uma majoração da alíquota do Imposto de Renda. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em CONHECER do Recurso Voluntário para, no mérito, por voto de qualidade, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros RAYD SANTANA FERREIRA, THEODORO VICENTE AGOSTINHO, LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA e CARLOS ALEXANDRE TORTATO, que davam provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer a nulidade do lançamento, por vício material, ante a inobservância do AFRFB da legislação aplicável ao lançamento e a consequente adoção equivocada da base de cálculo e alíquota do lançamento. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 10580.729466/201211 Acórdão n.º 2401004.269 S2‐C4T1 Fl. 161 3 André Luís Mársico Lombardi – Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: André Luís Mársico Lombardi (Presidente de Turma), Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa, Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Theodoro Vicente Agostinho e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 4 Relatório Exercício: 2010. Data da Notificação de Lançamento: 18/06/2012. Data da Ciência da Notificação de Lançamento: 02/07/2012. Temse em pauta Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador/BA, que julgou improcedente a impugnação interposta pelo Sujeito Passivo do Crédito Tributário formalizado mediante a Notificação de Lançamento nº 2010/488215760721027, a fls. 98/103, consistente em Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza da Pessoa Física (IRPF) relativo ao exercício de 2010, anocalendário de 2009, em razão de Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica, decorrentes de Ação ajuizada na Justiça do Trabalho. De acordo com a citada Notificação de Lançamento, do exame das informações e documentos apresentados pelo Contribuinte e/ou das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, constatouse omissão de rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente em virtude de processo judicial trabalhista no valor de R$ 211.372,84 , auferidos pelo titular e/ou dependentes. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 02/22. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador/BA lavrou Decisão Administrativa aviada no Acórdão nº 1532.514 5ª Turma da DRJ/SDR, a fls. 107/116, julgando procedente o lançamento, e mantendo o Crédito Tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 19/06/2013, conforme Aviso de Recebimento a fl. 119. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 120/143, respaldando seu inconformismo em argumentação desenvolvida nos termos que se vos seguem: · Não incidência de Imposto de Renda sobre danos emergentes; · Não incidência de Imposto de Renda sobre juros moratórios; · Que a multa de ofício deve ser reduzida a patamar dentro dos limites da proporcionalidade e razoabilidade; Ao fim, requer o cancelamento do débito fiscal reclamado. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 10580.729466/201211 Acórdão n.º 2401004.269 S2‐C4T1 Fl. 162 5 É o que importa relatar. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 6 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 19/06/2013. Havendo sido o Recurso protocolizado em 19/07/2013, há que se reconhecer a sua tempestividade. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário, dele conheço. Ante a inexistência de questões preliminares, passamos diretamente ao exame do mérito. 2. DO MÉRITO Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela Parte. Também não serão objeto de apreciação por esta Corte Administrativa as questões de fato e de Direito referentes a matérias substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que em seu louvor, no processo de que ora se cuida, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho, assim como as questões arguidas exclusivamente nesta instância recursal, antes não oferecida à apreciação do Órgão Julgador de 1ª Instância, em razão da preclusão prevista no art. 17 do Decreto nº 70.235/72. 2.1. IRPF – GANHOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE O Recorrente alega não haver incidência de Imposto de Renda sobre os danos emergentes, tampouco sobre os juros moratórios. E para fincar os alicerces sobre os quais será erigida a opinio iuris que ora se escultura, atinese que o nomem iuris atribuído a propósito pelo Sujeito Passivo a uma determinada verba não possui o condão de lhe alterar ou modificar sua natureza jurídica. JULIET: ”Tis but thy name that is my enemy; Fl. 165DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 10580.729466/201211 Acórdão n.º 2401004.269 S2‐C4T1 Fl. 163 7 Thou art thyself, though not a Montague. What's Montague? it is nor hand, nor foot, Nor arm, nor face, nor any other part Belonging to a man. O, be some other name! What's in a name? that which we call a rose By any other name would smell as sweet; So Romeo would, were he not Romeo call'd, Retain that dear perfection which he owes Without that title. Romeo, doff thy name, And for that name which is no part of thee Take all myself”. William Shakespeare, Romeo and Juliet, 1600. Vamos aos fatos: Colhemos dos autos que o ora Recorrente ajuizou em 1979 perante a 3ª Vara da Fazenda Pública da Comarca de Salvador – Bahia, Ação Ordinária de Nulidade e Revogação de Ato Administrativo de Disponibilidade, a fls. 35/61, visando à declaração da nulidade do Ato Administrativo que o havia colocado em disponibilidade, com a consequente indenização por todos os prejuízos sofridos e eventuais danos que viessem a se concretizar em razão do mencionado Ato, tais como a regularização de suas promoções preteridas ao longo do período de sua disponibilidade, com efeitos retroativos, pagamento de diferença de adicionais a partir de 1965; de 1967, diferença de Vencimentos de 1ª para a 2ª entrância; de abril de 1973, de 2ª para a 3ª entrância; 1975, adicionais de 20% (vinte por cento); 03 de março de 1983, entrância especial; 1980, diferença de adicionais, 30% (trinta por cento), repicão; abono férias não recebidos em 1979, 1980 e 1981; N.U. congelado em Cz 0,26 (descongelamento) e mais 10% (dez por cento) de honorários advocatícios. Decisão de 1ª Instância Judicial deu provimento ao pedido formulado para: a) declarar nulo o Decreto que o havia colocado em disponibilidade, assim como todos os demais atos dele consequentes, b) assegurar ao Autor a percepção dos direitos e vantagens decorrentes da decisão, a serem apurados na Execução, e c) condenação em honorários advocatícios de 10% (dez por cento), conforme Sentença a fls. 63/69. O Autor, ora Recorrente, deu entrada no processo de Execução nº 438/88, onde requereu o pagamento da importância de R$ 157.887,05 (cento e cinquenta e sete mil, oitocentos e oitenta e sete reais e cinco centavos), conforme memorial de cálculo a fls. 71/76. Embargos do Devedor opostos pelo Estado da Bahia foram julgados improcedentes, sendo declarada a eficácia da referida Execução e condenando o Executado ao pagamento de verbas advocatícias arbitradas em 15% (quinze por cento) sobre o valor da Execução, nos termos da Sentença a fls. 78/81. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 8 Avulta de todo o exposto que a Decisão proferida pela 3ª Vara da Fazenda Pública da Comarca de Salvador – Bahia, nos autos da Ação Ordinária acima referida, carreou não somente uma obrigação de fazer, consistente na reversão do Autor à sua função pública da qual fora afastado, como, também, uma obrigação de pagar quantia certa correspondente a todas as vantagens salariais que o Autor deixara de auferir em razão do afastamento de sua função pública, consistentes na regularização de suas promoções preteridas ao longo do período de sua disponibilidade, com efeitos retroativos, pagamentos de diferença de adicionais a partir de 1965; de 1967, diferença de Vencimentos de 1ª para a 2ª entrância; de abril de 1973, de 2ª para a 3ª entrância; 1975, adicionais de 20% (vinte por cento); 03 de março de 1983, entrância especial; 1980, diferença de adicionais, 30% (trinta por cento), repicão; abono férias não recebidos em 1979, 1980 e 1981; N.U. congelado em Cz 0,26 (descongelamento). Muito embora o autor atribua às vantagens econômicas citadas no parágrafo anterior o nome genérico de “Danos emergentes”, tal atribuição nominativa não possui o condão de lhe alterar a natureza jurídica, tendo em vista que ela não se coaduna com o conceito jurídico de “dano emergente”, mas, sim, com o de “lucro cessante”, conforme fartamente adotado pela doutrina e jurisprudência pátria. Com efeito, o dano material é o prejuízo financeiro efetivamente sofrido pela vítima, causando diminuição do seu patrimônio. Esse dano pode ser de duas naturezas: a) Dano emergente corresponde ao que efetivamente o lesado perdeu, ao prejuízo imediato e mensurável causado pelo ato danoso; b) Lucro cessante – Corresponde ao que a vitima razoavelmente deixou de ganhar em decorrência do ato inquinado; Como visto, os danos patrimoniais podem ser classificados em danos emergente e lucros cessantes, sendo esta classificação absorvida pela legislação pátria desde o Código Civil de 1916, onde era prevista no artigo 1059, e mantida no Código Civil de 2002, que disciplina a matéria no seu artigo 402. Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 – Código Civil Art. 402. Salvo as exceções expressamente previstas em lei, as perdas e danos devidas ao credor abrangem, além do que ele efetivamente perdeu, o que razoavelmente deixou de lucrar. Partindose da classificação legal, temos que a legislação pátria estabeleceu como dano emergente tudo aquilo o que foi efetivamente perdido no patrimônio da vítima, enquanto os lucros cessantes representam o que a vítima razoavelmente deixou de lucrar em razão do evento donoso. Para Silvio de Salvo Venosa (in Direito civil: Responsabilidade Civil. 3ª ed. São Paulo: Atlas, 2003) o dano emergente é o que mais se realça a primeira vista, por isso chamado de “dano positivo”, eis que traduz uma diminuição imediata e visível do patrimônio da vítima, sendo geralmente, na prática, o dano mais facilmente avaliável, porque depende exclusivamente de dados concretos. Sobre os lucros cessantes, partindose da previsão legal de “o que a vítima razoavelmente deixou de lucrar”, o mencionado autor afirma que se trata de uma projeção Fl. 167DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 10580.729466/201211 Acórdão n.º 2401004.269 S2‐C4T1 Fl. 164 9 contábil nem sempre muito fácil de ser avaliada, e que, nessa hipótese, deve ser considerado o que a vítima teria recebido se não tivesse ocorrido o dano. Não por outra razão Sérgio Severo (in Os Danos Extrapatrimoniais. São Paulo: Saraiva, 1996) afirma que se costuma dividir o dano patrimonial em dano emergente e lucro cessante, também designados, respectivamente, como dano atual e dano futuro, uma vez que seus efeitos se concretizam e podem ser mensurados de imediato (danos emergentes) ou com o decorrer do tempo, até a reparação total dos efeitos do ato, muitas vezes dependentes de sentença judicial (lucros cessantes). Exemplo clássico que reflete a exposição até então apresentada é a do taxista que tem o seu carro abalroado por outro veículo que ultrapassou sinal vermelho de trânsito: Os prejuízos com o sinistro do automóvel, mecânico, peças, lanternagem, etc. compõem os danos emergentes. Já as verbas que o taxista deixou de ganhar com o exercício de sua atividade autônoma, em razão da não disponibilização do veículo para efetuar as corridas ou da falta de tempo, gasto com o tratamento de eventuais danos pessoais, constituem os lucros cessantes da vítima. Caio Mário da Silva Pereira, citado por Silvio de Salvo Venosa (o.c.) leciona que “o dano emergente representa a efetiva subtração no patrimônio da vítima, um dano presente, consagrado no artigo 402 do Código Civil, já o lucro cessante consiste na perda de um lucro esperado, um prejuízo futuro, mas certo.”. Tal compreensão é corroborada pelo disposto no art. 403 do Código Civil, que subdivide as perdas e danos em “prejuízos efetivos” (danos emergentes) e o “lucros cessantes” (o que razoavelmente deixou de lucrar). Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 – Código Civil Art. 403. Ainda que a inexecução resulte de dolo do devedor, as perdas e danos só incluem os prejuízos efetivos e os lucros cessantes por efeito dela direto e imediato, sem prejuízo do disposto na lei processual. Nesse sentido segue a jurisprudência da Suprema Corte de Justiça, conforme se depreende do REsp nº 1.110.417/MA, cuja ementa reproduzimos abaixo: Recurso Especial nº 1.110.417 MA Relatora : Ministra Maria Isabel Gallotti Data do Julgamento: 07/04/2011 RECURSO ESPECIAL. RESPONSABILIDADE CIVIL. VIOLAÇÃO AO ART. 535 DO CPC. INEXISTÊNCIA. CÁLCULO DOS LUCROS CESSANTES. DESPESAS OPERACIONAIS. DEDUZIDAS. TERMO FINAL. ALIENAÇÃO DO BEM. 1. Para o atendimento do requisito do prequestionamento, não se faz necessária a menção literal dos dispositivos tidos por violados no acórdão recorrido, sendo suficiente que a questão federal tenha sido apreciada pelo Tribunal de origem. Ausência de violação do art. 535, do CPC. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 10 2. Lucros cessantes consistem naquilo que o lesado deixou razoavelmente de lucrar como consequência direta do evento danoso (Código Civil, art. 402). No caso de incêndio de estabelecimento comercial (posto de gasolina), são devidos pelo período de tempo necessário para as obras de reconstrução. A circunstância de a empresa ter optado por vender o imóvel onde funcionava o empreendimento, deixando de dedicarse àquela atividade econômica, não justifica a extensão do período de cálculo dos lucros cessantes até a data da perícia. (grifos nossos) 3. A apuração dos lucros cessantes deve ser feita com a dedução de todas as despesas operacionais da empresa, inclusive tributos. 4. Recurso especial provido. Vencidos esses rápidos, porém necessários, prolegômenos, concluise que as verbas auferidas pelo Recorrente em razão da Demanda Judicial em apreço não ostentam natureza jurídica de “danos emergentes”, como assim quer fazer crer o Autuado, mas, sim, de “lucros cessantes”, pois correspondem exatamente ao quanto o Recorrente deixou de receber em razão do evento danoso consubstanciado em seu afastamento indevido da função pública. Nessa perspectiva, assentado que as verbas em exame ostentam natureza jurídica de “lucros cessantes”, nos reportamos às disposições inscritas nos incisos VI e XIV do art. 55 do Regulamento do Imposto de Renda, que rezam nestas palavras: Regulamento do Imposto de Renda Art. 55. São também tributáveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 26, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 24, § 2º, inciso IV, e 70, § 3º, inciso I): (...) VI as importâncias recebidas a título de juros e indenizações por lucros cessantes; (...) XIV os juros compensatórios ou moratórios de qualquer natureza, inclusive os que resultarem de sentença, e quaisquer outras indenizações por atraso de pagamento, exceto aqueles correspondentes a rendimentos isentos ou não tributáveis; Notese que, caso não houvesse ocorrido o evento danoso ora em debate, as verbas ora recebidas pelo Recorrente em atraso, se recebidas em suas épocas próprias, ostentariam natureza jurídica eminentemente salarial e, como tal, base de incidência do Imposto de Renda. Conforme demonstrado, tanto as verbas que o Recorrente razoavelmente deixou de auferir em razão do evento donoso consistente em seu afastamento do cargo público, quanto os juros compensatórios ou moratórios de qualquer natureza decorrentes do atraso no pagamento dessas verbas, compõem a matéria tributável do Imposto de Renda, razão pela qual, nesse específico particular, não conferimos razão ao Recorrente e negamos provimento ao Recurso Voluntário. 2.2. DA MULTA DE OFICIO Fl. 169DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 10580.729466/201211 Acórdão n.º 2401004.269 S2‐C4T1 Fl. 165 11 O Recorrente alega que a multa de ofício deve ser reduzida a patamar dentro dos limites da proporcionalidade e razoabilidade. Com efeito, a Constituição Federal de 1988, no Capítulo reservado ao Sistema Tributário Nacional assentou, em relação aos impostos, os princípios da pessoalidade e da capacidade contributiva do contribuinte. Nessa mesma prumada, ao tratar das limitações do poder do Estado de tributar, o inciso IV do art. 150 da Carta obstou, igualmente, a utilização de tributos com efeito de confisco, estatuindo ipsis litteris: Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 145. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão instituir os seguintes tributos: (...) §1º Sempre que possível, os impostos terão caráter pessoal e serão graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte, facultado à administração tributária, especialmente para conferir efetividade a esses objetivos, identificar, respeitados os direitos individuais e nos termos da lei, o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte. (grifos nossos) Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: IV utilizar tributo com efeito de confisco; Deflui das disposições legislativas ora revisitadas que as vedações constitucionais acima mencionadas referenciamse aos tributos – obrigação tributária principal , e não às penalidades pecuniárias decorrentes do descumprimento da obrigação tributária correspondente. Justificamse tais vedações pelo fato de os tributos serem prestações pecuniárias compulsórias, que não constituem sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada. Sendo compulsória, não há como o Contribuinte, ao praticar o fato gerador lícito, se esquivar do seu recolhimento. Já a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento da obrigação principal correspondente representa sanção pela prática de ato tributário ilícito, o qual é perfeitamente evitável, além de desejável. Olhando com os olhos de ver, avulta que os Princípios Constitucionais suso realçados, além de outros dispostos na CF/88, são dirigidos, sem sombra de dúvida, aos membros políticos do Congresso Nacional, como vetores a serem seguidos no processo de gestação de normas matrizes de cunho tributário, não ecoando nos corredores do Poder Executivo, cujos servidores auditores fiscais subordinamse cegamente ao principio da Fl. 170DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 12 atividade vinculada aos ditames da lei, dele não podendo se descuidar, sob pena de responsabilidade funcional. Não procedem, pois, as alegações do Recorrente relativas à multa de ofício, eis que esta se houve por aplicada em perfeita sintonia com os ditames legais assentados no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/96, fazendo incidir, nos lançamentos de ofício, como é o presente caso, a multa de ofício na ordem de 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488,/2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) II de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488/2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488/2007) §1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) II (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) III (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) IV (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) V (revogado pela Lei nº 9.716/98). (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) §2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488/2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488/2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488/2007) Fl. 171DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 10580.729466/201211 Acórdão n.º 2401004.269 S2‐C4T1 Fl. 166 13 §3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. §4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. Escapa, contudo, à competência deste Colegiado a sindicância da adequação das normas tributárias constantes na Lei nº 9.430/96 ao Ordenamento Jurídico, aos princípios constitucionais e às limitações ao poder de tributar veiculadas nos artigos 145 e 150 da Lei Maior. Revelase mais do que sabido por aqueles que militam com profissionalismo no Direito Pátrio que a declaração de inconstitucionalidade de leis ou a ilegalidade de atos administrativos constituise prerrogativa outorgada pela Constituição Federal exclusivamente ao Poder Judiciário, não podendo os agentes da Administração Pública imiscuíremse ex proprio motu nas funções reservadas pelo Constituinte Originário ao Poder Togado, sob pena de usurpação da competência exclusiva deste. Nesse sentido, no que é atávico ao Processo Administrativo Fiscal, determina o Decreto nº 70.235/72, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, ser vedado aos órgãos de julgamento administrativo afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Decreto nº 70.235/72 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) (...) §6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) Fl. 172DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 14 c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) Ademais, perfilando idêntico entendimento como o acima esposado, a Súmula CARF nº 2, de observância vinculante, exorta não ser o CARF órgão competente para se pronunciar a respeito da inconstitucionalidade de lei de natureza tributária. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Cumpre ainda salientar, por relevante, ser vedado aos membros das turmas de julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar de observar o conteúdo encartado em leis e decretos sob o fundamento de incompatibilidade com a Constituição Federal, conforme determinado pelo art. 62 Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 , do Ministério da Fazenda. Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 Art. 62. Fica vedado aos membros afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Por outro viés, trigo de outra safra, porém, sendo a atuação da Administração Tributária inteiramente vinculada à Lei, e, restando os preceitos introduzidos pelas leis que regem os tributos ora em apreciação plenamente vigentes e eficazes, a inobservância desses comandos legais implicaria negativa de vigência por parte do Auditor Fiscal Autuante, fato que desaguaria inexoravelmente em responsabilidade funcional dos agentes do Fisco Federal. Cumprenos chamar a atenção para o fato de que as disposições introduzidas pela legislação tributária em apreço, até o presente momento, não foram ainda vitimadas de qualquer sequela decorrente de declaração de inconstitucionalidade, seja na via difusa tendo o Recorrente como parte, seja na via concentrada, esta exclusiva do Supremo Tribunal Federal, produzindo, portanto, todos os efeitos jurídicos que lhe são típicos. Fl. 173DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 10580.729466/201211 Acórdão n.º 2401004.269 S2‐C4T1 Fl. 167 15 Desbastada nesses talhes a escultura jurídica, impedido se encontra este Colegiado de apreciar tais alegações e afastar penalidades pecuniárias aplicadas nos estreitos trilhos mandamentais da lei, sob alegação de inconstitucionalidade por violação a princípios constitucionais, atividade essa que somente poderia emergir do Poder Judiciário. 2.3. IRPF – GANHOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. JUROS DE MORA. O Recorrente alega não haver incidência de Imposto de Renda sobre os juros moratórios. De acordo com o Parágrafo Único do art. 16 da Lei nº 4.506/64, são também classificados como rendimentos de trabalho assalariado os juros de mora e quaisquer outras indenizações pelo atraso no pagamento de verbas classificadas como rendimentos do trabalho assalariado. Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964. Art. 16. Serão classificados como rendimentos do trabalho assalariado todas as espécies de remuneração por trabalho ou serviços prestados no exercício dos empregos, cargos ou funções referidos no artigo 5º do Decretolei número 5.844, de 27 de setembro de 1943, e no art. 16 da Lei número 4.357, de 16 de julho de 1964, tais como: I Salários, ordenados, vencimentos, soldos, soldadas, vantagens, subsídios, honorários, diárias de comparecimento; II Adicionais, extraordinários, suplementações, abonos, bonificações, gorjetas; III Gratificações, participações, interesses, percentagens, prêmios e cotaspartes em multas ou receitas; IV Comissões e corretagens; V Ajudas de custo, diárias e outras vantagens por viagens ou transferência do local de trabalho; VI Pagamento de despesas pessoais do assalariado, assim entendidas aquelas cuja dedução ou abatimento a lei não autoriza na determinação da renda líquida; VII Aluguel do imóvel ocupado pelo empregado e pago pelo empregador a terceiros, ou a diferença entre o aluguel que o empregador, paga pela locação do prédio e o que cobra a menos do empregado pela respectiva sublocação; VIII Pagamento ou reembolso do imposto ou contribuições que a lei prevê como encargo do assalariado; IX Prêmio de seguro individual de vida do empregado pago pelo empregador, quando o empregado e o beneficiário do seguro, ou indica o beneficiário deste; X Verbas, dotações ou auxílios, para representações ou custeio de despesas necessárias para o exercício de cargo, função ou emprego; Fl. 174DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 16 XI Pensões, civis ou militares de qualquer natureza, meiossoldos, e quaisquer outros proventos recebidos do antigo empregador de institutos, caixas de aposentadorias ou de entidades governamentais, em virtude de empregos, cargos ou funções exercidas no passado, excluídas as correspondentes aos mutilados de guerra exintegrantes da Força Expedicionária Brasileira. Parágrafo único. Serão também classificados como rendimentos de trabalho assalariado os juros de mora e quaisquer outras indenizações pelo atraso no pagamento das remunerações previstas neste artigo. (grifos nossos) No mesmo sentido também dispõe o §3º do art. 43 do Regulamento do Imposto de Renda, restando patente que a Legislação Tributária conferiu aos juros moratórios e à atualização monetária o mesmo tratamento tributário dado ao principal. Regulamento do Imposto de Renda Art. 43. São tributáveis os rendimentos provenientes do trabalho assalariado, as remunerações por trabalho prestado no exercício de empregos, cargos e funções, e quaisquer proventos ou vantagens percebidos, tais como (Lei nº 4.506, de 1964, art. 16, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º, Lei nº 8.383, de 1991, art. 74, e Lei nº 9.317, de 1996, art. 25, e Medida Provisória nº 1.76955, de 11 de março de 1999, arts. 1º e 2º): I salários, ordenados, vencimentos, soldos, soldadas, vantagens, subsídios, honorários, diárias de comparecimento, bolsas de estudo e de pesquisa, remuneração de estagiários; II férias, inclusive as pagas em dobro, transformadas em pecúnia ou indenizadas, acrescidas dos respectivos abonos; III licença especial ou licençaprêmio, inclusive quando convertida em pecúnia; IV gratificações, participações, interesses, percentagens, prêmios e quotaspartes de multas ou receitas; (...) §3º Serão também considerados rendimentos tributáveis a atualização monetária, os juros de mora e quaisquer outras indenizações pelo atraso no pagamento das remunerações previstas neste artigo (Lei nº 4.506, de 1964, art. 16, parágrafo único). A matéria em apreço já foi bater às portas da Suprema Corte de Justiça, cuja Primeira Seção, em julgamento realizado em 10/10/2012, no julgamento do REsp 1.089.720/RS, DJe 28/01/2012, por maioria, vencido o Sr. Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, firmou orientação, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator Humberto Martins, de que, segundo a regra geral, incide o IRPF sobre os juros de mora, a teor do art. 16, caput e parágrafo único, da Lei nº 4.506/64, também quando reconhecidos em reclamatórias trabalhistas, apesar de sua natureza indenizatória reconhecida pelo mesmo dispositivo legal, salvo quando: · Nos casos em que forem pagos no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho, em reclamatórias trabalhistas ou não; e Fl. 175DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 10580.729466/201211 Acórdão n.º 2401004.269 S2‐C4T1 Fl. 168 17 · Nos casos em que a verba principal é isenta ou fora do campo de incidência do imposto de renda, estendendose a isenção aos juros de mora, mesmo quando na circunstância em que não há perda do emprego, consoante a regra do "accessorium sequitur suum principale". RECURSO ESPECIAL Nº 1.089.720 RS Rel. Min. MAURO CAMPBELL MARQUES DJe: 28/01/2012. PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA Nº 284/STF. IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA FÍSICA IRPF. REGRA GERAL DE INCIDÊNCIA SOBRE JUROS DE MORA. PRESERVAÇÃO DA TESE JULGADA NO RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA RESP. Nº 1.227.133 – RS NO SENTIDO DA ISENÇÃO DO IR SOBRE OS JUROS DE MORA PAGOS NO CONTEXTO DE PERDA DO EMPREGO. ADOÇÃO DE FORMA CUMULATIVA DA TESE DO ACCESSORIUM SEQUITUR SUUM PRINCIPALE PARA ISENTAR DO IR OS JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE VERBA ISENTA OU FORA DO CAMPO DE INCIDÊNCIA DO IR. [...] 2. Regra geral: incide o IRPF sobre os juros de mora, a teor do art. 16, caput e parágrafo único, da Lei nº 4.506/64, inclusive quando reconhecidos em reclamatórias trabalhistas, apesar de sua natureza indenizatória reconhecida pelo mesmo dispositivo legal (matéria ainda não pacificada em recurso representativo da controvérsia). 3. Primeira exceção: são isentos de IRPF os juros de mora quando pagos no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho, em reclamatórias trabalhistas ou não. Isto é, quando o trabalhador perde o emprego, os juros de mora incidentes sobre as verbas remuneratórias ou indenizatórias que lhe são pagas são isentos de imposto de renda. A isenção é circunstancial para proteger o trabalhador em uma situação sócioeconômica desfavorável (perda do emprego), daí a incidência do art. 6º, V, da Lei nº 7.713/88. Nesse sentido, quando reconhecidos em reclamatória trabalhista, não basta haver a ação trabalhista, é preciso que a reclamatória se refira também às verbas decorrentes da perda do emprego, sejam indenizatórias, sejam remuneratórias (matéria já pacificada no recurso representativo da controvérsia REsp. nº 1.227.133 RS, Primeira Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Rel .p/acórdão Min. Cesar Asfor Rocha, julgado em 28.9.2011). 3.1. Nem todas as reclamatórias trabalhistas discutem verbas de despedida ou rescisão de contrato de trabalho, ali podem ser discutidas outras verbas ou haver o contexto de continuidade do vínculo empregatício. A discussão exclusiva de verbas dissociadas do fim do vínculo empregatício exclui a incidência do art. 6º, inciso V, da Lei n. 7.713/88. 3.2. . O fator determinante para ocorrer a isenção do art. 6º, inciso V, da Lei n. 7.713/88 é haver a perda do emprego e a fixação das verbas Fl. 176DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 18 respectivas, em juízo ou fora dele. Ocorrendo isso, a isenção abarca tanto os juros incidentes sobre as verbas indenizatórias e remuneratórias quanto os juros incidentes sobre as verbas não isentas. 4. Segunda exceção: são isentos do imposto de renda os juros de mora incidentes sobre verba principal isenta ou fora do campo de incidência do IR, mesmo quando pagos fora do contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho (circunstância em que não há perda do emprego), consoante a regra do “accessorium sequitur suum principale ”. 5. Em que pese haver nos autos verbas reconhecidas em reclamatória trabalhista, não restou demonstrado que o foram no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho (circunstância de perda do emprego). Sendo assim, é inaplicável a isenção apontada no item “3”, subsistindo a isenção decorrente do item “4” exclusivamente quanto às verbas do FGTS e respectiva correção monetária FADT que, consoante o art. 28 e parágrafo único, da Lei n. 8.036/90, são isentas. 6. Quadro para o caso concreto onde não houve rescisão do contrato de trabalho: Principal: Horasextras (verba remuneratória não isenta) = Incide imposto de renda; Acessório: Juros de mora sobre horasextras (lucros cessantes não isentos) = Incide imposto de renda; Principal: Décimoterceiro salário (verba remuneratória não isenta) = Incide imposto de renda; Acessório: Juros de mora sobre décimoterceiro salário (lucros cessantes não isentos) = Incide imposto de renda; Principal: FGTS (verba remuneratória isenta) = Isento do imposto de renda (art. 28, parágrafo único, da Lei n. 8.036/90); Acessório: Juros de mora sobre o FGTS (lucros cessantes) = Isento do imposto de renda (acessório segue o principal). 7. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, parcialmente provido. Nesse mesmo sentido: RECURSO ESPECIAL Nº 1.555.641 / SC Rel. Min. HERMAN BENJAMIN DJe 02/02/2016 PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA FÍSICA IRPF. REGRA GERAL DE INCIDÊNCIA SOBRE JUROS DE MORA, MESMO EM SE TRATANDO DE RECLAMATÓRIA TRABALHISTA. DIFERENÇA SALARIAL. 1. De acordo com a jurisprudência do STJ, incide imposto de renda sobre juros de mora. Conforme o art. 16, parágrafo único, da Lei nº 4.506/64: "Serão também classificados como rendimentos de trabalho assalariado os juros de mora e quaisquer outras indenizações pelo atraso no pagamento das remunerações previstas neste artigo". Jurisprudência uniformizada no REsp. 1.089.720RS, Primeira Seção, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 10.10.2012. Primeira exceção: não incide imposto de renda sobre os juros de mora decorrentes de verbas trabalhistas pagas no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho, consoante o art. 6º, V, da Lei nº 7.713/88. Jurisprudência uniformizada no recurso representativo da controvérsia REsp. 1.227.133 RS, Primeira Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Rel p/acórdão Min. Cesar Asfor Rocha, julgado em 28.9.2011. Fl. 177DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 10580.729466/201211 Acórdão n.º 2401004.269 S2‐C4T1 Fl. 169 19 Segunda exceção: são isentos do imposto de renda os juros de mora incidentes sobre verba principal isenta ou fora do campo de incidência do IR, conforme a regra do “accessorium sequitur suum principale”. Jurisprudência uniformizada no REsp. n. 1.089.720RS, Primeira Seção, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 10.10.2012". 2. Caso concreto em que se discute a incidência do imposto de renda sobre os juros de mora decorrentes de Reclamatória Trabalhista em que não houve rescisão do contrato de trabalho. Incidência da regra geral constante do art. 16, XI e parágrafo único, da Lei nº 4.506/64, não tendo havido revogação do dispositivo ou sua declaração de inconstitucionalidade. 3. Recurso Especial provido. Recentemente, o STF reconheceu a Repercussão Geral no Recurso Extraordinário nº 855.091/RS, interposto pela União contra acórdão em que o Tribunal Regional Federal da Quarta Região aplicou o entendimento consolidado no seu órgão especial (Arguição de Inconstitucionalidade nº 502073211.2013.404.0000), o qual reconheceu a não recepção do parágrafo único do art. 16 da Lei nº 4.506/64 pela Constituição de 1988 e declarou a inconstitucionalidade parcial, sem redução de texto, do § 1º do art. 3º da Lei nº 7.713/1988 e do art. 43, inciso II, § 1º, do Código Tributário Nacional, de forma a afastar a incidência do imposto de renda (IRPF) sobre os juros de mora legais recebidos. REPERCUSSÃO GERAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 855.091 RIO GRANDE DO SUL Rel. Min. DIAS TOFFOLI EMENTA: TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. JUROS DE MORA. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 7.713/1988 E ART. 43, INCISO II, § 1º, DO CTN. ANTERIOR NEGATIVA DE REPERCUSSÃO. MODIFICAÇÃO DA POSIÇÃO EM FACE DA SUPERVENIENTE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI FEDERAL POR TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. No caso específico em debate, extraise dos autos que a verba principal consubstanciase no recebimento em atraso dos direitos e vantagens salariais que o Recorrente deixara de receber em razão de haver sido posto em disponibilidade, inexistindo nos autos qualquer comprovação de que tal importância houvese por paga em contexto de despedida do beneficiário ou de rescisão do contrato de trabalho em reclamatória trabalhista. Ao contrário, a decisão judicial em apreço declarou nulo o Decreto que o havia colocado em disponibilidade ,assim como todos os demais atos dele consequentes, reintegrandoo ao quadro de funcionários, e assegurandolhe a percepção de todos os direitos e vantagens salariais decorrentes da decisão. De outro viés, tais rubricas salariais, consistentes em diferenças do rendimento do trabalho do período de 1981 a 1988, mostramse abraçadas pela abrangência da Fl. 178DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 20 base de cálculo do Imposto de Renda, não se subsumindo a qualquer hipótese de isenção ou fora do campo de incidência do imposto de renda. Logo, não se aplica ao caso dos autos nenhuma das duas hipóteses de exceções à regra geral de incidência do imposto de renda sobre os juros de mora reconhecidas pela remansada Jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. Nessa esteira, configurandose as diferenças do rendimento do trabalho do período de 1981 a 1988 rendimentos tributáveis, nos termos da lei, deflui que os juros moratórios sobre ele incidentes também integrarão a base de cálculo do Imposto de Renda. 2.4. DOS RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Malgrado não haja sido suscitado pelo Recorrente, o comando imperativo assentado no §2º do art. 62 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, impõe aos conselheiros, no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, a reprodução das decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista nos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869/73 Código de Processo Civil. Com efeito, no julgamento concluído em 23 de outubro de 2014, conduzido sob o regime assentado no art. 543B do Código de Processo Civil, o Plenário do Supremo Tribunal Federal decidiu, por maioria, pela improcedência do Recurso Extraordinário nº 614.406/RS, interposto pela União, em razão de a Corte Suprema, sem declarar a inconstitucionalidade do art. 12 da Lei nº 7.713/88, ter reconhecido que o critério de cálculo dos Rendimentos Recebidos Acumuladamente – RRA adotado pelo há pouco citado art. 12, representava transgressão aos princípios da isonomia e da capacidade contributiva do Contribuinte, conduzindo a uma majoração da alíquota do Imposto de Renda. No caso paradigma, o Sodalício Maior acordou, por maioria, que o imposto de renda, mesmo que incidente sobre rendimentos recebidos acumuladamente, deveria ser apurado levandose em consideração as tabelas e alíquotas vigentes nos meses a que se referirem cada uma das parcelas integrantes do pagamento recebido de forma acumulada pelo autor, consoante Acórdão que se vos segue: Recurso Extraordinário nº 614.406/RS Relatora: Min. Rosa Weber. Redator do acórdão: Min. Marco Aurélio. Julgamento: 23/10/2014. IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES – ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. Nessa perspectiva, o fato de o julgamento do Recurso Extraordinário nº 614.406/RS haver sido realizado conforme a Sistemática dos Recursos Repetitivos, prevista no Fl. 179DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 10580.729466/201211 Acórdão n.º 2401004.269 S2‐C4T1 Fl. 170 21 art. 543B do CPC, atrai ao feito a incidência do disposto no §2º do Art. 62 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Regimento Interno do CARF Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal; II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 543 C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária; c) Dispensa legal de constituição ou Ato Declaratório da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; d) Parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, nos termos dos arts. 40 e 41 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; e e) Súmula da AdvocaciaGeral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1973. § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (grifos nossos) De outra via, configurandose o Julgamento Plenário do RE nº 614.406/RS um fato juridicamente relevante, não conhecido na ocasião do lançamento ora em debate, abre se para o Fisco a prerrogativa de rever o lançamento, de maneira que possa aplicar no cálculo do tributo devido o critério adotado pelo STF no julgamento acima indicado, a teor do art. 149, VIII, do CTN. Código Tributário Nacional Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I quando a lei assim o determine; II quando a declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária; Fl. 180DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 22 III quando a pessoa legalmente obrigada, embora tenha prestado declaração nos termos do inciso anterior, deixe de atender, no prazo e na forma da legislação tributária, a pedido de esclarecimento formulado pela autoridade administrativa, recusese a prestálo ou não o preste satisfatoriamente, a juízo daquela autoridade; IV quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; V quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; VI quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceiro legalmente obrigado, que dê lugar à aplicação de penalidade pecuniária; VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; VIII quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior; (grifos nossos) IX quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, ou omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade especial. Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública. Nessa vertente, em atenção ao disposto no art. 62, §2º, do RICARF e no art. 149, VIII, do CTN, e considerando a decisão proferida no Julgamento do RE nº 614.406/RS, conduzido sob a sistemática dos Recursos Repetitivos prevista no art. 543B do CPC, voto no sentido de, nesse específico particular, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que o cálculo do tributo devido relativo aos rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente pelo Contribuinte seja realizado levandose em consideração as tabelas e alíquotas vigentes nas competências correspondentes a cada uma das parcelas integrantes do pagamento recebido de forma acumulada pelo Recorrente, reproduzindose, assim, a decisão definitiva de mérito, proferida pelo Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário acima mencionado. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL para que o cálculo do tributo devido relativo aos rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente pelo Contribuinte seja realizado levandose em consideração as tabelas e alíquotas vigentes nas competências correspondentes a cada uma das parcelas integrantes do pagamento recebido de forma acumulada pelo Recorrente, reproduzindose, assim, a decisão definitiva de mérito, proferida pelo Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário nº 614.406/RS, em atenção ao disposto no art. 62, §2º, do RICARF. É como voto. Fl. 181DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 10580.729466/201211 Acórdão n.º 2401004.269 S2‐C4T1 Fl. 171 23 Arlindo da Costa e Silva, Relator. Fl. 182DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI
score : 1.0
Numero do processo: 10907.002653/2008-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 11/11/2004, 13/11/2004, 14/11/2004, 22/11/2004, 23/11/2004, 03/12/2004, 04/12/2004, 05/12/2004, 18/12/2004
AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. Por expressa determinação legal, o agente marítimo, representante do transportador estrangeiro no País, é responsável solidário com este em relação à exigência de tributos e penalidades decorrentes da prática de infração à legislação tributária. O agente marítimo é, portanto, parte legítima para figurar no polo passivo do auto de infração.
MULTA REGULAMENTAR. CABIMENTO. REGISTRO DOS DADOS DE EMBARQUE DE MERCADORIAS DESTINADAS À EXPORTAÇÃO. REALIZAÇÃO INTEMPESTIVA. A apresentação de registro de dados de embarque de mercadorias feita fora do prazo definido na Instrução Normativa SRF nº 28/94 constitui infração, é devida a multa regulamentar nos termos do art. l07, inciso IV, c c/c e do Decreto-Lei n° 37/1966, com a redação dada pelo art. 77 da Lei n° 10.833/2003.
RETROATIVIDADE DE NORMA BENÉFICA ANTES DE JULGAMENTO DEFINITIVO. De acordo com o art. 106, II, a, do Código Tributário Nacional, deve ser aplicada norma que aumenta o prazo para apresentação do registro de dados de embarque, por deixar de considerá-lo intempestivo no prazo mais exíguo exigido pela regra revogada.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-002.944
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer da matéria preclusa e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente.
(assinado digitalmente)
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Paulo Roberto Duarte Moreira e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
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LEGITIMIDADE PASSIVA. Por expressa determinação legal, o agente marítimo, representante do transportador estrangeiro no País, é responsável solidário com este em relação à exigência de tributos e penalidades decorrentes da prática de infração à legislação tributária. O agente marítimo é, portanto, parte legítima para figurar no polo passivo do auto de infração. MULTA REGULAMENTAR. CABIMENTO. REGISTRO DOS DADOS DE EMBARQUE DE MERCADORIAS DESTINADAS À EXPORTAÇÃO. REALIZAÇÃO INTEMPESTIVA. A apresentação de registro de dados de embarque de mercadorias feita fora do prazo definido na Instrução Normativa SRF nº 28/94 constitui infração, é devida a multa regulamentar nos termos do art. l07, inciso IV, “c” c/c “e” do DecretoLei n° 37/1966, com a redação dada pelo art. 77 da Lei n° 10.833/2003. RETROATIVIDADE DE NORMA BENÉFICA ANTES DE JULGAMENTO DEFINITIVO. De acordo com o art. 106, II, a, do Código Tributário Nacional, deve ser aplicada norma que aumenta o prazo para apresentação do registro de dados de embarque, por deixar de considerálo intempestivo no prazo mais exíguo exigido pela regra revogada. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer da matéria preclusa e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 7. 00 26 53 /2 00 8- 39 Fl. 158DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 25/0 5/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10907.002653/200839 Acórdão n.º 3301002.944 S3C3T1 Fl. 11 2 (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Presidente. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Paulo Roberto Duarte Moreira e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 1ª Turma da DRJ/FNS (Acórdão nº 0717.154), de 14 de agosto de 2009, que julgou procedente o auto de infração no valor de R$ 55.000,00, referente à imposição de multa regulamentar prevista no art. l07, inciso IV, “c” c/c “e” do DecretoLei n° 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei n° 10.833/03. No ano de 2004, foi realizado levantamento no Setor de Exportação da Receita Federal do Brasil na Alfândega do Porto de Paranaguá, que constatou informação fora do prazo, referente a 11 embarques realizados por navios representados pela CMA CGM. Demonstrouse que as mercadorias foram embarcadas, mas os “dados de embarque” no Siscomex foram registrados após o prazo legal de 7 (sete) dias para tal registro. A Recorrente deixou de registrar no SISCOMEX os dados de embarque de mercadorias despachadas através de Declarações de Exportação (DE’s), listadas na “Relação de Dados de Embarque informados fora do prazo (efls. 14/16)”, no prazo de 7 dias estabelecido no art. 37 da Instrução Normativa nº 28/94 com redação dada pela Instrução Normativa nº 510/05. Assim, a autoridade fiscal aplicou a multa de R$ 5.000,00 para o conjunto de informação de dados de embarque não prestada no prazo (7 dias), considerando para tanto os registros que pertenciam ao mesmo navio, resultando um total de 11 navios cujos dados de embarque não foram registrados no prazo disciplinado. Os fatos geradores são os seguintes: Fato Gerador Valor 11/11/2004 R$ 5.000,00 11/11/2004 R$ 5.000,00 11/11/2004 R$ 5.000,00 13/11/2004 R$ 5.000,00 14/11/2004 R$ 5.000,00 22/11/2004 R$ 5.000,00 23/11/2004 R$ 5.000,00 03/12/2004 R$ 5.000,00 04/12/2004 R$ 5.000,00 Fl. 159DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 25/0 5/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10907.002653/200839 Acórdão n.º 3301002.944 S3C3T1 Fl. 12 3 05/12/2004 R$ 5.000,00 18/12/2004 R$ 5.000,00 A Fiscalização lavrou o auto de infração, com base nos seguintes dispositivos do DecretoLei n° 37/66, verbis: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) c) a quem, por qualquer meio ou forma, omissiva ou comissiva, embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, inclusive no caso de nãoapresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento fiscal; e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e A DRJ/FLN manteve integralmente a autuação, com decisão cuja ementa é: REGISTRO NO SISCOMEX DOS DADOS DE EMBARQUE. PRAZO. O registro dos dados de embarque no Siscomex em prazo superior a 7 dias, contados da data do efetivo embarque, para a via de transporte marítima, caracteriza a infração contida na alínea "e", inciso IV, do artigo 107 do DecretoLei n° 37/66. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. Em seu recurso voluntário, insurgese a Recorrente contra a pretensão fiscal, alegando, em preliminar, a impossibilidade de aplicação de penalidade ao agente marítimo, com a consequente ilegitimidade passiva da Recorrente, visto que atuava como mera mandatária da empresa transportadora. E no mérito: 1. A inexistência, nas datas de embarque, de qualquer referência expressa ao prazo de sete dias, prazo que passou a existir apenas com a Instrução Normativa n° 510/05; 2. Houve erro material no momento da aplicação das multas, quanto à contagem do prazo de 7 dias úteis; 3. Não há tipificação da penalidade, por ausência de embaraço à fiscalização; 4. Ocorreu ofensa aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade, nos termos do art. 2º da Lei 9.784/99. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 25/0 5/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10907.002653/200839 Acórdão n.º 3301002.944 S3C3T1 Fl. 13 4 Ao final, requer seja reconhecida a nulidade do auto de infração e, no mérito, julgado integralmente improcedente o lançamento. É o relatório. Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro O recurso voluntário é tempestivo e reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Preliminar de ilegitimidade do agente marítimo Para a Recorrente, o agente marítimo não é considerado responsável tributário, uma vez que não pode ser equiparado ao transportador para efeito da responsabilização tributária, porque esta atribuição não se aplica à natureza de sua atividade de mandatária. Cita a Súmula nº 192 do extinto Tribunal Federal de Recursos: “O agente marítimo, quando no exercício exclusivo das atribuições próprias, não é considerado responsável tributário, nem se equipara ao transportador para efeitos do DecretoLei n° 37, de 1966”, bem como outras decisões. Em vista disso, requer seja dado provimento ao seu recurso voluntário para cancelamento do auto de infração. Não assiste razão à Recorrente neste tópico, conforme se demonstrará a seguir. Dispõe o art. 32 do DecretoLei nº 37/66, verbis: Art. 32. É responsável pelo imposto: (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) I o transportador, quando transportar mercadoria procedente do exterior ou sob controle aduaneiro, inclusive em percurso interno; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) II o depositário, assim considerada qualquer pessoa incubida da custódia de mercadoria sob controle aduaneiro. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Parágrafo único. É responsável solidário: (Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) I o adquirente ou cessionário de mercadoria beneficiada com isenção ou redução do imposto; (Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Fl. 161DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 25/0 5/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10907.002653/200839 Acórdão n.º 3301002.944 S3C3T1 Fl. 14 5 II representante, no País, do transportador estrangeiro; (Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) III adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) c) o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora; (Incluída pela Lei nº 11.281, de 2006) d) o encomendante predeterminado que adquire mercadoria de procedência estrangeira de pessoa jurídica importadora. (Incluída pela Lei nº 11.281, de 2006) Ressaltese que a redação do parágrafo único dada pelo Decretolei n° 2.472/1988, foi mantida na redação dada pela Medida Provisória n° 2.15835, de 24/08/2001. Além disso, a solidariedade tributária passiva encontra guarida no CTN, nos seguintes dispositivos: Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz se: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Art. 128. Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 25/0 5/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10907.002653/200839 Acórdão n.º 3301002.944 S3C3T1 Fl. 15 6 A respeito da legitimidade da solidariedade tributária do agente marítimo em relação ao transportador estrangeiro, citese a decisão do REsp 1.129.430/SP, relator ministro Luiz Fux, Primeira Seção do STJ, DJE de 14/12/2010, em sede de recurso repetitivo, que assentou que o agente marítimo, no exercício exclusivo de atribuições próprias, no período anterior à vigência do DecretoLei nº 2.472/88 (que alterou o art. 32, do DecretoLei nº 37/66), não ostentava a condição de responsável tributário, porque inexistente previsão legal para tanto. Entretanto, a partir da vigência do DecretoLei nº 2.2472/88 já não há mais óbice para que o agente marítimo figurasse como responsável tributário. Em decorrência do exposto, o Agente Marítimo, por ser o representante do transportador estrangeiro no País, é responsável solidário com este, com relação à eventual exigência de tributos e penalidades decorrentes da prática de infração à legislação aduaneira. Nesse sentido já se pronunciou a Câmara Superior, no Acórdão nº 9303 003.276 – 3ª Turma, julg. 05/02/2015: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE IMPORTAÇÃO Período de apuração: 01/04/1998 a 30/06/1998 ILEGITIMIDADE PASSIVA. RESPONSABILIDADE DO AGENTE MARÍTIMO. O Agente Marítimo, representante no país do transportador estrangeiro, é responsável solidário e responde pelas penalidades cabíveis. Recurso Especial da Fazenda provido. Então, comprovada a vinculação entre a Recorrente e o transportador marítimo estrangeiro, não há que se falar em ilegitimidade passiva. Afastada, portanto, a preliminar. MÉRITO Passase à análise das questões de mérito. 1) Inexistência de prazo expressamente previsto à época da suposta infração Alega a Recorrente, que considerando que os embarques referidos na autuação em tela foram realizados anteriormente à alteração da redação do art. 37 da IN 28/94 pela Instrução Normativa nº 510/05, certamente não estaria adstrita ao prazo de 24h, tampouco ao de 7 dias. Não assiste razão à Recorrente nesta alegação: À época da ocorrência dos fatos geradores, o art. 37 da Instrução Normativa nº 28/94 determinava os registros de embarque no SISCOMEX imediatamente após o efetivo transporte da mercadoria exportada: Fl. 163DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 25/0 5/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10907.002653/200839 Acórdão n.º 3301002.944 S3C3T1 Fl. 16 7 Art. 37. Imediatamente após realizado o embarque da mercadoria, o transportador registrará os dados pertinentes, no SISCOMEX, com base nos documentos por ele emitidos. Parágrafo único. Na hipótese de embarque de mercadoria em viagem internacional, por via rodoviária, fluvial ou lacustre, o registro de dados do embarque, no S1SCOMEX, será de responsabilidade do exportador ou do transportador, e deverá ser realizado antes da apresentação da mercadoria e dos documentos à unidade da SRF de despacho. Por sua vez, a Notícia SISCOMEX nº 105/94 esclareceu que a exigência de apresentação imediata comporta até 24 horas de tolerância para o cumprimento da referida obrigação acessória: Por oportuno, esclarecemos que o termo imediatamente, contido no art. 37 da IN 28/94, deve ser interpretado como "em até 24 horas da data do efetivo embarque da mercadoria, o transportador registrará os dados pertinentes no Siscomex, com base nos documentos por ele emitidos". Salientese o disposto no art. 44 da referida IN, ou seja, a previsão legal para autuação do transportador no caso de descumprimento do previsto no artigo acima referenciado. Posteriormente, a Instrução Normativa n° 510/05 deu nova redação ao artigo 37 da Instrução Normativa n° 28/94, estabelecendo o prazo de 7 dias, para a via de transporte marítimo: Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de dois dias, contado da data da realização do embarque. § 1° Na hipótese de embarque de mercadoria em viagem internacional, por via rodoviária, fluvial ou lacustre, o registro de dados do embarque, no Siscomex, será de responsabilidade do exportador ou do transportador, e deverá ser realizado antes da apresentação da mercadoria e dos documentos na unidade da SRF de despacho. § 2° Na hipótese de embarque marítimo, o transportador terá o prazo de sete dias para o registro no sistema dos dados mencionados no caput deste artigo. Apesar da apresentação dos registros de embarque ter superado 24h (imediatamente), o auto de infração lavrado em 13/11/2008 aplicou norma mais benéfica: a redação do dispositivo conferida pela Instrução Normativa nº 510/05, que passou a tolerar a apresentação dos registros de embarque dentro do prazo de 7 dias contados da data da realização do embarque. Com isso, observouse a prescrição do art. 106, II, a, do CTN, que exige a aplicação retroativa da norma que deixe de considerar como infração algum ato não definitivamente julgado. Destarte, devem ser afastados os argumentos da Recorrente, quanto à Fl. 164DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 25/0 5/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10907.002653/200839 Acórdão n.º 3301002.944 S3C3T1 Fl. 17 8 ausência de norma, já que beneficiada pela aplicação da redação da Instrução Normativa nº 28/94 inovada pela de nº 510/2005. 2) Erro material no momento da aplicação das multas, quanto à contagem do prazo de 7 dias úteis Tratase de pedido inédito no curso do presente processo, pois não fora suscitado na impugnação de efls.70/87 e, porquanto, não foi objeto de apreciação da primeira instância de julgamento. O Decreto nº 70.235/1972, que regula o Procedimento Administrativo Fiscal, dispõe sobre a instauração da fase litigiosa do procedimento administrativo fiscal, verbis: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. (...) Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997): b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997); c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (...) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Por isso, não tendo sido apontada a temática na impugnação, não é possível em sede de recurso voluntário conhecêla. Operouse a preclusão. 3) Inexistência da penalidade, por ausência de embaraço à fiscalização Fl. 165DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 25/0 5/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10907.002653/200839 Acórdão n.º 3301002.944 S3C3T1 Fl. 18 9 Conforme já mencionado, a autuação fiscal está lastreada no artigo 107, inciso IV, alínea “c” c/c “e”, do DecretoLei nº 37/66 (redação dada pelo artigo 77 da Lei n° 10.833/03), que prevê a aplicação de multa de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) para quem deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Receita Federal. Por meio da análise da legislação de regência da matéria ora discutida, é possível concluir que a responsabilidade pelos registros dos dados de embarque no Siscomex é da Recorrente, pelo que deve esta suportar a multa prevista no art. 107, inciso IV, alínea “c” c/c “e”, do DecretoLei nº 37/66. O DecretoLei nº 37/1966, art. 107, prescreve em sua alínea “c” que constitui embaraço à fiscalização embaraçar, dificultar ou impedir ação da fiscalização aduaneira por qualquer meio ou forma (omissiva ou comissiva). Nesse caso, a própria IN nº 28/2004, expressamente no art. 44, enquadra este descumprimento do prazo na informação dos dados de embarque como embaraço cabendo, portanto, a multa de R$ 5.000,00. E ainda, no mesmo artigo 107, na alínea “e”; está expresso que deixar de prestar informação nos prazos estabelecidos pela RFB sobre veículo transportador ou carga nele transportada ou suas operações enseja multa de R$ 5.000,00. Como visto no trecho do dispositivo legal acima destacado, a empresa transportadora é a destinatária da penalidade prevista, sobretudo quando interpretado em conjunto com o art. 37 deste mesmo diploma legal, verbis: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) Não bastassem as determinações contidas no DecretoLei nº 37/66 que evidenciam a legitimidade passiva da Recorrente no caso em apreço, a Instrução Normativa nº 28/94, incumbida de disciplinar o despacho aduaneiro de mercadorias destinadas à exportação, é também assente em confirmar a responsabilidade do transportador pela prestação de informações de registro. O art. 37, §2º, da referida Instrução Normativa, com a redação dada pela Instrução Normativa nº 510/05, vigente à época dos fatos, estabelecia o prazo de 7 (sete) dias para que o transportador procedesse ao registro dos dados pertinentes ao embarque da mercadoria contados da data da realização do embarque marítimo: Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de dois dias, contado da data da realização do embarque. (...) Fl. 166DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 25/0 5/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10907.002653/200839 Acórdão n.º 3301002.944 S3C3T1 Fl. 19 10 § 2º Na hipótese de embarque marítimo, o transportador terá o prazo de sete dias para o registro no sistema dos dados mencionados no caput deste artigo. Por sua vez, o art. 44 impõe ao transportador a responsabilidade pela omissão dos registros: Art. 44. O descumprimento, pelo transportador, do disposto nos arts. 37, 41 e § 3º do art. 42 desta Instrução Normativa constitui embaraço à atividade de fiscalização aduaneira, sujeitando o infrator ao pagamento da multa prevista no art. 107 do Decreto lei nº 37/66 com a redação do art. 5º do Decretolei nº 751, de 10 de agosto de 1969, sem prejuízo de sanções de caráter administrativo cabíveis. Corroborando com o entendimento acima exposto, as manifestações do CARF em relação ao tema: SISCOMEX. REGISTRO A DESTEMPO DOS DE EMBARQUE. TRANSPORTADOR. MULTA. CABIMENTO. Esgotado o prazo de sete dias para o transportador registrar junto ao SISCOMEX os dados de embarque, cabível a aplicação da multa prevista no art. 107, IV, “e” do Decretolei nº 37/66. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. (CARF, Acórdão 320100.534, julg. 29/07/2010) EXPORTAÇÃO POR VIA MARÍTIMA. DESPACHO ADUANEIRO. AVERBAÇÃO. RESPONSABILIDADE DO TRANSPORTADOR. A incorreta indicação no Siscomex da data de embarque de mercadorias destinadas ao exterior por via marítima, sem oportuna retificação, dificulta as ações de fiscalização aduaneira e é fato típico da multa cominada no Decretolei 37, de 1966, artigo 107, inciso IV, alínea “e” c/c/ alínea “c”, na redação dada pela Lei 10.833, de 2003. (CARF, Acórdão 3101000.547, julg. 01/10/2010) Conforme se observa às efls. 14 a16, foram informadas a data de embarque para cada DDE, e a data de informação no Siscomex dos respectivos dados de embarque, além da relação de dados de embarque informados fora do prazo por navio, que consolida os efetivos embarques por navio (11) em que houve atraso na informação. Assim, a Recorrente prestou as informações relativas à operação de embarque de mercadoria para exportação por meio marítimo em desconformidade com o disposto pelo §2° do art, 37 da Instrução Normativa. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 25/0 5/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10907.002653/200839 Acórdão n.º 3301002.944 S3C3T1 Fl. 20 11 Nos termos do art. 201, caput do CTN e art. 5º, do Decreto 70.235/72, os prazos da legislação tributária são contínuos, ou seja, sem qualquer interrupção em sábados, domingos ou feriados, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o dia do vencimento. Aplicandose a regra da contagem dos prazos, temse a seguinte correspondência entre a data do fato gerador e a data final do prazo: Fato Gerador Data final do prazo 11/11/2004 18/11/2004 13/11/2004 21/11/2004 14/11/2004 21/11/2004 22/11/2004 29/11/2004 23/11/2004 30/11/2004 03/12/2004 12/12/2004 04/12/2004 12/12/2004 05/12/2004 12/12/2004 18/12/2004 26/12/2004 A Fiscalização corretamente aplicou a multa de R$ 5.000,00 uma única vez para cada navio, ou seja, para cada navio embarcado e não em relação a cada despacho de exportação efetuado em cada navio. Como os despachos referemse a onze navios diferentes, é cabível apenas uma vez a multa no montante de R$ 5.000,00 para cada navio. Concluise que não há reparos a se fazer no Acórdão recorrido. 4) Ofensa aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade No caso em tela, ficou comprovado que a Recorrente descumpriu o prazo para prestar informação dos dados de embarque de mercadorias no sistema e, assim sendo, restou caracterizado o descumprimento de obrigações acessórias, portanto, deverá ser aplicada a penalidade prescrita no artigo 107, inciso IV, alíneas “c” e “e”, do DecretoLei nº 37/66 (com a redação dada pelo artigo 77 da Lei n° 10.833/03). Todos os traços da multa aplicada estão previstos em lei, atendendo ao princípio da legalidade, nos termos dos artigos 5º, II e 37, caput da Constituição e artigo 97 do CTN. Cumpre salientar ainda que, de acordo com o parágrafo único do art. 142 do CTN, a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Dessa forma, constatado o atraso das informações no SISCOMEX, a autoridade fiscal não só está autorizada como, por dever funcional, está obrigada a proceder ao lançamento de ofício da multa pertinente. Ademais, a Súmula CARF nº 02, dispõe que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, deve ser afastada a alegação de ofensa aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 25/0 5/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10907.002653/200839 Acórdão n.º 3301002.944 S3C3T1 Fl. 21 12 CONCLUSÃO Do exposto, voto por não conhecer da matéria preclusa relativa ao erro material no momento da aplicação das multas quanto à contagem do prazo de 7 (sete) dias úteis e, no mérito, por negar provimento ao recurso voluntário. Sala de Sessões, em 28 de abril de 2016. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 169DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 25/0 5/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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Numero do processo: 10166.000916/2003-81
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Apr 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/1997 a 01/11/1997
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONFIGURADA CONTRADIÇÃO E OMISSÃO NA DECISÃO EMBARGADA. ACOLHIMENTO.
Os embargos de declaração são o meio processual idôneo para atacar o julgado contraditório e omisso. Uma vez constatada a contradição e a omissão alegada pela embargante, procede-se as devidas retificações, com vistas à correção e integração do julgado embargado
COFINS. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N° 08
Consoante entendimento pacificado do e. Supremo Tribunal Federal expresso na Súmula Vinculante n° 08: "São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5° do Decreto-Lei n° 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". Desse modo, obrigatória a observância do prazo de cinco anos previsto no CTN.
NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STJ. NO RITO DO ART. 543-C DO CPC.
As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62-A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo.
Embargos Providos
Numero da decisão: 9303-003.437
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento aos embargos de declaração, para rerratificar o acórdão embargado, nos termos do voto do Relator.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Demes Brito - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Miyiana, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Rodrigo da Costa Pôssas, Valcir Gassen, Júlio César Alves Ramos, Vanessa Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: DEMES BRITO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/1997 a 01/11/1997 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONFIGURADA CONTRADIÇÃO E OMISSÃO NA DECISÃO EMBARGADA. ACOLHIMENTO. Os embargos de declaração são o meio processual idôneo para atacar o julgado contraditório e omisso. Uma vez constatada a contradição e a omissão alegada pela embargante, procede-se as devidas retificações, com vistas à correção e integração do julgado embargado COFINS. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N° 08 Consoante entendimento pacificado do e. Supremo Tribunal Federal expresso na Súmula Vinculante n° 08: "São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5° do Decreto-Lei n° 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". Desse modo, obrigatória a observância do prazo de cinco anos previsto no CTN. NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STJ. NO RITO DO ART. 543-C DO CPC. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62-A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. Embargos Providos
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento aos embargos de declaração, para rerratificar o acórdão embargado, nos termos do voto do Relator. Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente Demes Brito - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Miyiana, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Rodrigo da Costa Pôssas, Valcir Gassen, Júlio César Alves Ramos, Vanessa Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
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CONFIGURADA CONTRADIÇÃO E OMISSÃO NA DECISÃO EMBARGADA. ACOLHIMENTO. Os embargos de declaração são o meio processual idôneo para atacar o julgado contraditório e omisso. Uma vez constatada a contradição e a omissão alegada pela embargante, procedese as devidas retificações, com vistas à correção e integração do julgado embargado COFINS. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N° 08 Consoante entendimento pacificado do e. Supremo Tribunal Federal expresso na Súmula Vinculante n° 08: "São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5° do DecretoLei n° 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". Desse modo, obrigatória a observância do prazo de cinco anos previsto no CTN. NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STJ. NO RITO DO ART. 543C DO CPC. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. Embargos Providos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 00 09 16 /2 00 3- 81 Fl. 1121DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por DEMES BRITO Processo nº 10166.000916/200381 Acórdão n.º 9303003.437 CSRFT3 Fl. 1.122 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento aos embargos de declaração, para rerratificar o acórdão embargado, nos termos do voto do Relator. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Demes Brito Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Miyiana, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Rodrigo da Costa Pôssas, Valcir Gassen, Júlio César Alves Ramos, Vanessa Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Tratase de embargos de declaração, tempestivamente interpostos, pela Procuradoria da Fazenda Nacional, contra Acórdão nº 9303001.943, proferido pela Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, julgado na sessão de 11 de abril de 2012, que deu parcial provimento ao Recurso Especial do sujeito passivo, concernente à decadência do direito de lançar créditos de COFINS, referentes aos períodos de apuração de 31/01/1998 a 31/12/1998. A ementa do julgado foi proferida com o seguinte teor: COFINS. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N° 08 Consoante entendimento pacificado do e. Supremo Tribunal Federal expresso na Súmula Vinculante n° 08: "São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5° do DecretoLei n° 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". Desse modo, obrigatória a observância do prazo de cinco anos previsto no CTN NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STJ NO RITO DO ART. 543C DO CPC. Consoante art. 62A do Regimento Interno do CARF, "As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF". NORMAS GERAIS. PRAZO DECADENCIAL. TRIBUTOS SUJEITOS MODALIDADE DE LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECISÃO PROFERIDA PELO STJ NO RITO DO ART. 543C. Decisão do e. STJ no julgamento do Resp 973.733: Fl. 1122DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por DEMES BRITO Processo nº 10166.000916/200381 Acórdão n.º 9303003.437 CSRFT3 Fl. 1.123 3 PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 513C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCL4RIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPA DO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CREDITO) TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4", e I 73, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o credito tributário (lançamento de oficio) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo incorre a constatação de cio/o, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28,11.2007, DJ 25.02.2008; AgRgn nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, jjulgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e,consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial rege se pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro",3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito TributárioBrasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). Fl. 1123DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por DEMES BRITO Processo nº 10166.000916/200381 Acórdão n.º 9303003.437 CSRFT3 Fl. 1.124 4 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação exlege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. A embargante insurgese aos autos acusando o acórdão de conter vício de contradição, nos termos que se seguem: Analisandose a ementa do julgado, consta que o Recurso Especial da contribuinte foi DESPROVIDO, in verbis (fls. 1.0357 v): Recurso Especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008." Por outro lado, na conclusão do v. acórdão ora embargado (fls. 1.036), já consta que o Recurso Especial da contribuinte foi DADO PROVIMENTO, litteris: "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado." Finalmente, o votocondutor, destoando das 2 (duas) situações anteriores, é pelo PROVIMENTO PARCIAL do Recurso Especial da contribuinte, ad litteram: "Em consequência, voto pelo reconhecimento da decadência apenas em relação aos fatos geradores ocorridos nos meses de agosto a novembro de 1997, dando provimento parcial ao recurso do sujeito passivo." É o Relatório. Voto Conselheiro Demes Brito, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele conheço. A embargante aponta contradição no acórdão, pois na ementa do julgado do Recurso Especial do contribuinte consta como desprovido, na conclusão do acórdão embargado Fl. 1124DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por DEMES BRITO Processo nº 10166.000916/200381 Acórdão n.º 9303003.437 CSRFT3 Fl. 1.125 5 do Recurso Especial do sujeito passivo foi dado provimento, e no votocondutor destoando das 2 (duas) situações foi dado provimento parcial ao Recurso Especial do sujeito passivo. Assiste razão à embargante, ao propor os presentes embargos, vez que, de fato, houve contradição, nos dispositivos, haja vista que o voto e o colegiado decidiram pelo provimento parcial do Recurso do sujeito passivo, reconhecendo a decadência apenas em relação aos fatos geradores ocorridos nos meses de agosto a novembro de 1997. Dessa forma, nos termos do art. 67 c/c com o art. 76 do Decreto 7.574/2011, acolho os embargos, para que o Acórdão no 9303001.943, de 11 de abril de 2012, da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, seja retificado a ementa, passando, para todos os efeitos, a ter a seguinte redação: COFINS. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N° 08 Consoante entendimento pacificado do e. Supremo Tribunal Federal expresso na Súmula Vinculante n° 08: "São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5° do DecretoLei n° 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei n' 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". Desse modo, obrigatória a observância do prazo de cinco anos previsto no CTN NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STJ NO RITO DO ART. 543C DO CPC As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. Assim, a ementa fica de acordo com o dispositivo e com a ata do julgamento da reunião de 11 de abril de 2012, deixando claro que ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo foi dado parcial provimento. Fica sem efeito também qualquer outra fundamentação, no que tange o Recurso. Portanto, acolho os embargos, sem efeitos infringentes, para retificar o acórdão embargado e, a fim de sanar a contradição constante no dispositivo do voto, que ficou diferente do que foi votado pela 3ª turma da CSRF, conforme preceitua o art. 67 c/c com o art. 76 do Decreto 7.574/2011, devese alterálo conforme proposto acima. É como voto e como penso. Demes Brito Fl. 1125DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por DEMES BRITO Processo nº 10166.000916/200381 Acórdão n.º 9303003.437 CSRFT3 Fl. 1.126 6 Fl. 1126DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por DEMES BRITO
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Numero do processo: 10580.010203/2007-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jun 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/1996 a 30/09/2003
DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA .SÚMULA 99 DO CARF. Súmula CARF nº 99: No presente caso se aplica a regra decadencial prevista no art. 173, I, do CTN, razão pela qual não há que se falar em decadência da competência 12/1998,já que o auto foi lavrado em 30/07/2004
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-004.128
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negar-lhe provimento, nos termos do relatório e voto.
André Luis Marsico Lombardi- Presidente
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: André Luis Marsico Lombardi, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Arlindo da Costa e Silva, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Henrique de Oliveira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/1996 a 30/09/2003 DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA .SÚMULA 99 DO CARF. Súmula CARF nº 99: No presente caso se aplica a regra decadencial prevista no art. 173, I, do CTN, razão pela qual não há que se falar em decadência da competência 12/1998,já que o auto foi lavrado em 30/07/2004 Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negar-lhe provimento, nos termos do relatório e voto. André Luis Marsico Lombardi- Presidente Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: André Luis Marsico Lombardi, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Arlindo da Costa e Silva, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Henrique de Oliveira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1262; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 2 1 1 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.010203/200769 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401004.128 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 16 de fevereiro de 2016 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS AI Recorrente TENACE ENGENHARIA E CONSULTORIA LTDA E OUTRO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/1996 a 30/09/2003 DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA .SÚMULA 99 DO CARF. Súmula CARF nº 99: No presente caso se aplica a regra decadencial prevista no art. 173, I, do CTN, razão pela qual não há que se falar em decadência da competência 12/1998,já que o auto foi lavrado em 30/07/2004 Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 01 02 03 /2 00 7- 69 Fl. 348DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 6/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negarlhe provimento, nos termos do relatório e voto. André Luis Marsico Lombardi Presidente Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: André Luis Marsico Lombardi, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Arlindo da Costa e Silva, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Henrique de Oliveira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Fl. 349DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 6/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI Processo nº 10580.010203/200769 Acórdão n.º 2401004.128 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Período de apuração: 01/02/1996 a 30/09/2003 Data de lavratura das NLFD: 27/07/2004. Data de ciência das NFLD: 30/07/2004. Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela 5ª Turma de Julgamento da DRJ em Salvador/BA que julgou parcialmente procedente a impugnação oferecida pelo sujeito passivo do crédito tributário lançado por intermédio, especificamente em relação a este Processo Administrativo Fiscal, incluídas as seguintes NFLDs: A) NLFD 356907287 – Período: 02/1996 a 12/1998; B) NLFD 356907210 – Período: 01/1998 a 05/1998; C) NLFD 356907368 – Período: 04/1998 a 12/1998; D) NLFD 356907376 – Período: 02/1999 a 09/2003. Os serviços executados pela Recorrente referemse à construção civil e, pelos débitos junto à Seguridade Social, a responsabilidade solidária a ensejar o lançamento contra o sujeito passivo, em relação aos serviços prestados por terceiros está disciplinada no art. 30, inciso VI, da Lei 8.212/91, com redação alterada pela Lei 9.528/97, c/c o art. 43, do Decreto 2.173/97 e Título II da Instrução Normativa 100, de 18 de dezembro de 2003. Inconformada com o supracitado lançamento tributário, a ora Recorrente apresentou Impugnação a fls. 31/45, acompanhada dos documentos juntados às Fls. 46/78. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador/BA lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 1521.559 5ª Turma da DRJ/SDR, às fls. 140 a 145, julgando procedente parcialmente o lançamento. O Recorrente foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 09/04/2010, conforme Aviso de Recebimento à fl. 291. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão julgador a quo, o ora Recorrente interpôs Recurso Voluntário a fls. 151/301, ratificando parte de suas alegações anteriormente expendidas. Sustenta basicamente que houve decadência do débito da competência de 12/1998, tendo em vista que o lançamento foi realizado em 30/07/2004 e a forma correta de realizar a contagem do prazo decadencial quinquenal seria com a aplicação concomitante dos artigos 150 e 173, ambos do CTN. Ao final requer que seja reconhecida a decadência e excluída da apuração do débito o período de 12/1998. Enfim, a discussão que se trava neste recurso cingese à decadência do crédito previdenciário e a forma estabelecida para a contagem do início do seu prazo. Fl. 350DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 6/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI 4 Após, sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 351DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 6/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI Processo nº 10580.010203/200769 Acórdão n.º 2401004.128 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa, Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O Recorrente foi cientificado da r. decisão em debate no dia 09/04/2010, conforme AR juntado à fl. 291, e o presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, no dia 03/05/2010, razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. 2. DA PRELIMINAR 2.1. DA DECADÊNCIA O tema central do Recurso interposto pelo contribuinte referese à decadência e a forma de contagem do respectivo prazo. Antes de adentrar no mérito do recurso, há de se mencionar que a preliminar de decadência foi acolhida por ocasião do julgamento da impugnação apresentada contra as NFLDs, conforme se extrai do seguinte trecho do v. acordão recorrido: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/05/1998 a 30/11/1998 DECADÊNCIA. 0 direito de a Fazenda Pública apurar e constituir os seus créditos extinguese após cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído.” Para se analisar a alegação de decadência, fazse necessário analisar a forma de constituição do crédito tributário. O presente crédito previdenciário foi constituído em face da Recorrente, segundo entendimento do FISCO, na qualidade de responsável tributária – RESPONSÁVEL SOLIDÁRIA pelas contribuições previdenciárias não recolhidas pelos empreiteiros/subempreiteiros de construção civil e cedentes de mão de obra. O Recurso Voluntário questiona especificamente o lançamento do período de 12/1998, à vista de que o lançamento ocorreu apenas em 30/07/2004, entendendo ter decorrido o prazo de cinco anos previstos na legislação para a decadência. Convém destacar que a primeira instância, como já dito, acolheu parcialmente o argumento de decadência suscitado na impugnação ao lançamento, aplicando, no que se refere à contagem do prazo, tal instituto da seguinte forma (fl. 282): Fl. 352DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 6/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI 6 “Devido ao transcurso do prazo, superior a cinco anos entre o primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento deveria ter sido efetuado e a ciência da notificação ao contribuinte (30/07/2004), ocorreu a decadência do direito de o Fisco lançar ao valores atinentes as competências 05/1998 a 11/1998, nos termos do art. 173, inciso I, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional.” O entendimento manifestado na primeira instância do contencioso administrativo fiscal está correto e é reflexo da aplicação, in casu, das disposições do art. 173, inciso I, do CTN, que assim prevê: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado;” Sobre a prevalência dessa forma de contagem do prazo decadencial, confira se a jurisprudência dos tribunais pátrios: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. REDISCUSSÃO. DESCABIMENTO. PREQUESTIONAMENTO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. PRAZO. TERMO INICIAL. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. ART. 173, I, DO CTN. RECOLHIMENTO A MENOR. ART. 150, § 4º, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTS. 150, § 4º, E 173, DO CTN. IMPOSSIBILIDADE. DECADÊNCIA. FATO GERADOR DO MÊS DE DEZEMBRO. TERMO INICIAL. 1 DE JANEIRO DO ANO SUBSEQUENTE. [...] 4. Em relação aos fatos geradores ocorridos no mês de dezembro, o prazo decadencial contase a partir de do dia 1 de janeiro no ano subsequente, que é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (CTN, art. 173, I). Com a ocorrência do fato gerador (dezembro), nasce, ex lege, a obrigação tributária e, a partir desse momento, pode ser efetuado a constituição do crédito tributário dela decorrente por meio do lançamento (STJ, REsp n. 857.614, Rel. Min. Luiz Fux, j. 04.03.08; REsp n. 200802267092, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, j. 17.03.09; TRF 3ª Região, AI n. 200903000368557, Rel. Des. Fed. Vesna Kolmar, j. 05.10.10). [...]” (destaques acrescentados – TRF 3a R., AMS 00130533319984036100, APELAÇÃO CÍVEL – 274993, Relator(a): JUÍZA CONVOCADA LOUISE FILGUEIRAS, Órgão julgador: Quinta Turma – 1a Seção, Fonte: eDJF3 Judicial, Data: 20/01/2014) Por tais razões, não acolho a preliminar de decadência e nego provimento ao Recurso Voluntário. Fl. 353DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 6/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI Processo nº 10580.010203/200769 Acórdão n.º 2401004.128 S2C4T1 Fl. 5 7 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO nos termos do Relatório e voto que integram o presente julgado. É como voto. Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 354DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 6/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI
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Numero do processo: 13896.722883/2012-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 05 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Apr 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2007, 2008
Ementa:
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DOLO.
A teor do disposto no art. 150 do Código Tributário Nacional, o denominado lançamento por homologação opera-se pelo ato em que a autoridade administrativa, tomando conhecimento da atividade exercida pelo contribuinte no sentido de apurar o tributo devido, expressamente a homologa. O referido artigo fixa o prazo de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, para que a autoridade administrativa promova essa homologação. Contudo, se comprovada a ocorrência de dolo, tal prazo, tido como decadencial, não é aplicável. Nesse caso, a decadência é regida pelas disposições do art. 173 do mesmo diploma legal.
AUTORIZAÇÃO PARA REEXAME. SUPORTE LEGAL E MOTIVAÇÃO.
Revela-se regular o reexame por parte da autoridade fiscal de período já fiscalizado, na circunstância em que foi precedido de autorização emitida pela autoridade competente, com lastro na lei e devidamente motivada.
MULTA. QUALIFICAÇÃO. PROCEDÊNCIA.
Se os fatos apurados pela Autoridade Fiscal permitem caracterizar o intuito deliberado do contribuinte de subtrair valores à tributação, é cabível a aplicação sobre os valores apurados da multa de ofício qualificada de 150%, prevista no artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996.
REEXAME E REVISÃO DE LANÇAMENTO. PROCEDIMENTOS DISTINTOS.
O REEXAME de período já fiscalizado, na circunstância em que cuida tão somente de complementação de constituição de crédito tributário em relação a matérias diversas das alcançadas pelo procedimento fiscal anterior, não se confunde com REVISÃO DE LANÇAMENTO, não se submetendo, assim, às disposições do art. 149 do CTN.
ARBITRAMENTO DO LUCRO. VIOLAÇÃO DO ASPECTO TEMPORAL DA HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. INOCORRÊNCIA.
Descabe falar em violação do aspecto temporal da hipótese de incidência na circunstância em que a autoridade fiscal, constatando a imprestabilidade da escrituração, abandona o regime de tributação adotado pelo contribuinte e promove o arbitramento do lucro.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. CARACTERIZAÇÃO.
A partir da edição da Lei nº 9.430, de 1996, caracterizam-se omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Numero da decisão: 1301-001.971
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento aos recursos. Houve sustentação oral proferida pelo Dr. José Antônio Homerich Valduga, OAB/SC nº 8.303.
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Flávio Franco Correa, Luís Roberto Bueloni Santos Ferreira, José Eduardo Dornelas Souza e Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DOLO. A teor do disposto no art. 150 do Código Tributário Nacional, o denominado lançamento por homologação operase pelo ato em que a autoridade administrativa, tomando conhecimento da atividade exercida pelo contribuinte no sentido de apurar o tributo devido, expressamente a homologa. O referido artigo fixa o prazo de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, para que a autoridade administrativa promova essa homologação. Contudo, se comprovada a ocorrência de dolo, tal prazo, tido como decadencial, não é aplicável. Nesse caso, a decadência é regida pelas disposições do art. 173 do mesmo diploma legal. AUTORIZAÇÃO PARA REEXAME. SUPORTE LEGAL E MOTIVAÇÃO. Revelase regular o reexame por parte da autoridade fiscal de período já fiscalizado, na circunstância em que foi precedido de autorização emitida pela autoridade competente, com lastro na lei e devidamente motivada. MULTA. QUALIFICAÇÃO. PROCEDÊNCIA. Se os fatos apurados pela Autoridade Fiscal permitem caracterizar o intuito deliberado do contribuinte de subtrair valores à tributação, é cabível a aplicação sobre os valores apurados da multa de ofício qualificada de 150%, prevista no artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996. REEXAME E REVISÃO DE LANÇAMENTO. PROCEDIMENTOS DISTINTOS. O REEXAME de período já fiscalizado, na circunstância em que cuida tão somente de complementação de constituição de crédito tributário em relação a matérias diversas das alcançadas pelo procedimento fiscal anterior, não se AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 72 28 83 /2 01 2- 69 Fl. 18195DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13896.722883/201269 Acórdão n.º 1301001.971 S1C3T1 Fl. 18.196 2 confunde com REVISÃO DE LANÇAMENTO, não se submetendo, assim, às disposições do art. 149 do CTN. ARBITRAMENTO DO LUCRO. VIOLAÇÃO DO ASPECTO TEMPORAL DA HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Descabe falar em violação do aspecto temporal da hipótese de incidência na circunstância em que a autoridade fiscal, constatando a imprestabilidade da escrituração, abandona o regime de tributação adotado pelo contribuinte e promove o arbitramento do lucro. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. CARACTERIZAÇÃO. A partir da edição da Lei nº 9.430, de 1996, caracterizamse omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento aos recursos. Houve sustentação oral proferida pelo Dr. José Antônio Homerich Valduga, OAB/SC nº 8.303. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Flávio Franco Correa, Luís Roberto Bueloni Santos Ferreira, José Eduardo Dornelas Souza e Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro. Fl. 18196DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13896.722883/201269 Acórdão n.º 1301001.971 S1C3T1 Fl. 18.197 3 Relatório KOMLOG IMPORTAÇÃO LTDA e DENISSON MOURA DE FREITAS, apontados como responsáveis tributários na ação fiscal empreendida na pessoa jurídica ÁSIA DISTRIBUIDORA DE UTILIDADES DOMÉSTICAS LTDA, inconformados com a decisão da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas, São Paulo, que manteve, em parte, os lançamentos tributários efetivados, interpõem recursos a este colegiado administrativo objetivando a reforma da decisão em referência. A referida Turma Julgadora, de igual modo, por ter exonerado crédito tributário em montante superior ao seu limite alçada, impetrou recurso de ofício. Aproveito fragmentos do relatório constante na decisão de primeiro grau para descrever a matéria tributária apurada e as sanções aplicadas. Tratase dos Autos de Infração relativos ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, às Contribuições para o Financiamento da Seguridade Social Cofins e para Integração Social Pis e à Multa Regulamentar, lavrados em 10/12/2012, que formalizaram o crédito tributário contra a contribuinte em epígrafe no valor total de R$ 51.234.627,76, incluindo multa de ofício qualificada (150%) e juros de mora calculados até 12/2012, em razão do arbitramento do lucro, da constatação de omissão de receita decorrente de depósitos bancários sem comprovação de origem (2006 e 2007) e de vendas não declaradas (2007), bem como da falta de apresentação de arquivos digitais. O IRPJ foi exigido mediante aplicação do percentual de determinação do lucro de 9,6% e a CSLL mediante aplicação do percentual de determinação do lucro de 12%. O Pis e a Cofins foram exigidos no regime cumulativo, às alíquotas de 0,65% e 3,00%, respectivamente. Foram arrolados os seguintes sujeitos passivos responsáveis: Komlog Importação Ltda (CNPJ: 06.114.935/000185) e Denisson Moura de Freitas (CPF: 104.780.79800). ... Os documentos relacionados à presente auditoria foram anexados no processo nº 13896.722885/201258, em cujo Anexo I constam os livros retidos pela fiscalização (Diário – 2006 e 2007, Razão 2007, LRAIPI – 2006 e 2007 e Registro de Saída – período 01/2007 a 07/2008). Foi formalizada Representação Fiscal para Fins Penais, conforme processo nº 13896.722886/201201, já constando Arrolamento de Bens no processo nº 13896.002952/200919. A contribuinte foi cientificada dos autos de infração, pessoalmente, em 11/12/2012. Os responsáveis Denisson Moura de Freitas e Komlog Importação Ltda foram cientificados dos lançamentos e dos Termos de Sujeição Passiva, por via postal, respectivamente, em 12/12/2012 e 13/12/2012. Fl. 18197DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13896.722883/201269 Acórdão n.º 1301001.971 S1C3T1 Fl. 18.198 4 As impugnações foram apresentadas pela contribuinte e pelos sujeitos passivos arrolados como responsáveis em mesma data de 09/01/2013. A já citada 4a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas, analisando o feito fiscal e as peças de defesa, decidiu, por meio do Acórdão nº. 05 40.627, de 21 de maio de 2013, pela procedência parcial das lançamentos tributários. O referido julgado foi assim ementado: Provas. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal a prova documental deve ser apresentada no momento da impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, a menos que demonstrado, justificadamente, o preenchimento de um dos requisitos constantes do art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, o que não se logrou atender neste caso. Cerceamento do Direito de Defesa. Inexiste ofensa ao princípio da ampla defesa e do contraditório quando o sujeito passivo demonstra ter pleno conhecimento dos fatos imputados pela fiscalização, bem como da legislação tributária aplicável, exercendo seu direito de defesa de forma ampla na impugnação. Nulidade. Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbram nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. Sujeição Passiva. Responsabilidade Tributária Solidária. Matéria Não Impugnada. Operase a preclusão processual relativamente à sujeição passiva da pessoa física e/ou jurídica que deixa de apresentar argumentos de defesa em relação à atribuição da respectiva responsabilidade solidária pelo crédito tributário constituído. Decadência. Afastado, por inconstitucional, o prazo de dez anos para o lançamento das contribuições destinadas à Seguridade Social, a contagem do lapso decadencial rege se pelo disposto no Código Tributário Nacional, nos mesmos moldes do imposto de renda pessoa jurídica. Na ausência de pagamento antecipado, bem como nos casos comprovados de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial de 5 anos, prevista no art. 150, § 4º, do CTN, deslocase para a regra geral, prevista no art. 173, I, do mesmo diploma legal. Cancelase a exigência para a qual restou demonstrado o transcurso do prazo fatal, à vista da ciência dos autos de infração em 11/12/2012. Omissão de Receita. Anocalendário 2007. Livro Registro de Saídas. Falta de escrituração de Notas Fiscais. A falta de escrituração de notas fiscais obtidas em procedimento de diligência é prova direta de omissão de receitas. Fl. 18198DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13896.722883/201269 Acórdão n.º 1301001.971 S1C3T1 Fl. 18.199 5 Omissão de Receita. Anocalendário 2007. Confronto dos Livros Diário e Registro de Saídas. Os livros comerciais mantidos pela pessoa jurídica também fazem prova contra seu autor, ainda que a escrita tenha sido considerada irregular. A falta de lançamento no livro Diário de notas fiscais escrituradas no livro Registro de Saídas configura omissão de receita. Omissão de Receita. Presunção. Depósitos Bancários de Origem não Comprovada. A Lei n.º 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Arbitramento do Lucro. Se a escrituração contábil não é mantida na forma da legislação de regência, inclusive deixando de abranger todos os atos e operações relativos à atividade, nos quais se incluem a totalidade da movimentação financeira, sujeitase a pessoa jurídica ao arbitramento do lucro. Nos percentuais de apuração do lucro arbitrado já se consideram os custos inerentes à atividade desenvolvida. A base de cálculo do lucro arbitrado corresponde à receita bruta conhecida, assim considerada aquela escriturada e/ou declarada acrescida da receita omitida. Multa Qualificada. Se as provas carreadas aos autos pelo Fisco evidenciam a intenção dolosa de evitar a ocorrência do fato gerador, pela prática de sonegação, cabe a aplicação da multa qualificada. Multa Regulamentar. Falta de Apresentação dos Arquivos Magnéticos no Formato Legal. A não apresentação dos arquivos digitais no formato prédefinido na legislação de regência enseja o lançamento de multa regulamentar, incidente sobre a receita bruta no período, consoante previsto no art. 12 da Lei nº 8.218, 1991. Inconstitucionalidade. Instâncias Administrativas. Competência. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade, restringindose a instância administrativa ao exame da validade jurídica dos atos praticados pelos agentes do fisco. Tributação Reflexa. CSLL. PIS. COFINS Lavrado o Auto principal, devem também ser lavrados os Autos reflexos, nos termos do art. 142, parágrafo único, do Código Tributário Nacional, devendo as exigências reflexas seguirem a mesma orientação decisória daquela da qual decorrem. Fl. 18199DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13896.722883/201269 Acórdão n.º 1301001.971 S1C3T1 Fl. 18.200 6 Irresignados, interpuseram recurso voluntário: KOMLOG IMPORTAÇÃO LTDA (fls. 17.964/18.015) e DENISSON MOURA DE FREITAS (fls. 18.018/18.084). KOMLOG IMPORTAÇÃO LTDA, em apertada síntese, sustenta: a ausência de fundamento para reexame de período já fiscalizado; a caducidade do direito de se efetuar o lançamento tributário, excluídos tão somente os fatos geradores ocorridos em 31 de dezembro de 2007; a impossibilidade de aplicação de multa qualificada; a violação expressa e explícita do aspecto temporal do fato gerador; o cerceamento do direito de defesa (violação ao princípio da verdade material); a ocorrência de erro material na constituição do crédito tributário; a inocorrência do fato gerador do IRPJ e reflexos, relativamente ao ano calendário de 2007; e a existência de litispendência administrativa (pendência de julgamento do lançamento de IRPJ e reflexos referentes ao ano calendário de 2006). DENISSON MOURA DE FREITAS, por sua vez, traz razões no sentido de sustentar: a inconsistência da imputação da omissão de receitas, do arbitramento e da acusação de ocorrência de fraude; a duplicidade de tributação; a caducidade do direito de se efetuar o lançamento tributário; a impossibilidade de aplicação de multa qualificada; e a violação expressa e explícita do aspecto temporal do fato gerador. É o Relatório. Fl. 18200DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13896.722883/201269 Acórdão n.º 1301001.971 S1C3T1 Fl. 18.201 7 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço dos apelos. Cuida o presente processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), reflexos (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL; Contribuições para o Financiamento da Seguridade Social COFINS; Contribuição para o Programa de Integração Social PIS) e Multa Regulamentar, relativas aos anos calendário de 2006 e 2007, formalizadas em razão da imputação de omissão de receitas caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada; omissão de receitas decorrentes de vendas tidas como não declaradas; e falta de apresentação de arquivos magnéticos. Os lançamentos tributários foram promovidos com aplicação de multa qualificada de 150%, e os referentes ao IRPJ e à CSLL tiveram por base o lucro arbitrado. Registro que a imputação de RESPONSABILIDADES TRIBUTÁRIAS e a aplicação da MULTA REGULAMENTAR não foram objeto de impugnação, de modo que referidas matérias não compõem a lide. Aprecio, pois, os recursos interpostos. RECURSO DE OFÍCIO A exoneração propulsora da interposição do recurso necessário está representada pelo reconhecimento da caducidade do direito de a Fazenda constituir créditos tributários relativos aos fatos geradores ocorridos nos seguintes períodos: a) janeiro a novembro de 2006 (PIS e COFINS); b) 1º ao 3º trimestres de 2006 (IRPJ e CSLL). No caso, a Turma Julgadora a quo serviuse das disposições do inciso I do art. 173 do Código Tributário Nacional (CTN), afastando a incidência do § 4º do art. 150 do mesmo diploma, por entender que as infrações imputadas à contribuinte fiscalizada decorreram de conduta dolosa. Partindose desse pressuposto (aplicação do inciso I do art. 173 do CTN), o decidido em primeira instância não é merecedor de qualquer reparo, vez que os lançamentos tributários foram efetivados em 11/12/2012, de modo que para os fatos geradores acima mencionados a data limite para constituição dos créditos tributários seria 31/12/2011. Nego, pois, provimento ao Recurso de Ofício. RECURSOS VOLUNTÁRIOS KOMLOG IMPORTAÇÃO LTDA Fl. 18201DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13896.722883/201269 Acórdão n.º 1301001.971 S1C3T1 Fl. 18.202 8 AUSÊNCIA DE FUNDAMENTO PARA REEXAME DE PERÍODO JÁ FISCALIZADO Alega a Recorrente que os Autos de Infração contestados dizem respeito a período já fiscalizado anteriormente (anos de 2006 e de 2007), sendo que a determinação de reexame expedida pelo Superintendente da Receita Federal se deu sem qualquer motivação ou fundamentação legal. Correta a assertiva da Recorrente. De fato, o procedimento refletido nos presentes autos alcança período já submetido a exame, conforme processo administrativo nº 10882.720699/201164. Equivocase, contudo, quando alega que a autorização para reexame foi desprovida de motivação ou fundamentação legal. A autorização para reexame encontrase juntada aos autos às fls. 06. Quanto à fundamentação legal, referida autorização aponta o parágrafo 2º do art. 7º da Lei nº 2.354, de 1954, e o art. 34 da Lei nº 3.470, de 1958, abaixo transcritos. Lei nº 2.354, de 1954 Art. 7º Suprimamse na Seção I, do Capítulo II, do Título II, os artigos 124, 136 [...VETADO...] do decreto nº 24.239, de 22 de dezembro de 1947, e acrescentemse os seguintes: ... § 2º Em relação ao mesmo exercício só é possível um segundo exame da escrita mediante ordem escrita dos delegados seccional ou regional ou do diretor da Divisão do Impôsto de Renda.” Lei nº 3.470, de 1958 Art 34. Os inspetores chefes das Inspetorias do Impôsto de Renda poderão: I designar os agentes fiscais do Impôsto de Renda para procederem ao exame dos livros e documentos de contabilidade dos contribuintes; II aplicar as multas previstas na legislação do impôsto de renda; e III determinar o lançamento " ex officio ". Na seara regulamentar, a autorização para reexame em questão faz referência ao art. 906 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 (RIR/99), abaixo reproduzido. Art. 906. Em relação ao mesmo exercício, só é possível um segundo exame, mediante ordem escrita do Superintendente, do Delegado ou do Inspetor da Receita Federal (Lei nº 2.354, de 1954, art. 7º, § 2º, e Lei nº 3.470, de 1958, art. 34). No que diz respeito à motivação, a autorização é expressa no sentido de que o REEXAME decorre de determinação da Justiça Federal no estado de São Paulo (Ofício nº 1170/2011 EJK, de 01/08/2011, processo nº 000752257.2011.403.6181). Vêse, pois, que a autorização para reexame contestada foi emitida pela autoridade competente, com suporte na lei e foi devidamente motivada. Fl. 18202DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13896.722883/201269 Acórdão n.º 1301001.971 S1C3T1 Fl. 18.203 9 DECADÊNCIA E DOLO Argumenta a Recorrente que em sede de impugnação suscitou a necessidade de aplicação da regra prevista no § 4º do art. 150 do CTN para fins de decadência, circunstância em que o lançamento estaria comprometido em sua quase totalidade, remanescendo apenas os créditos tributários decorrentes dos fatos geradores ocorridos em 31/12/2007. Alega que a constatação e indicação de DOLO se deu por mera suposição, visto a completa ausência de confirmação probatória. Contesta a aplicação da súmula CARF nº 72, vez que para isto deve ficar caracterizado o DOLO, situação que, a seu ver, não se verificou no presente caso. Cita a súmula CARF nº 14 e afirma que apresentou BOLETIM DE OCORRÊNCIA, no qual foram descritos os motivos em virtude dos quais os Livros não se encontravam disponíveis para apresentação. Faz referência à súmula CARF nº 96, sustentando que "ao contrário do entendimento dos julgadores da DRJ, o CARF já assentou que a ocorrência apontada como fraudulenta não o é, até mesmo porque sequer se admite o agravamento da multa de ofício". Em conformidade com o Termo de Verificação Fiscal de fls. 16.333/16.390 e demais elementos reunidos ao processo, os elementos que serviram de base para a exasperação da penalidade podem assim ser sintetizados: i) a contribuinte fiscalizada não foi localizada no domicílio apontado no cadastro da Receita Federal (CNPJ) e, mesmo intimada, não promoveu a regularização, razão pela qual foi proposta a declaração de sua INAPTIDÃO (processo nº 13896.722483/201253), o que foi efetivado por meio do ADE nº 49, de 2012; ii) no local indicado como domicílio fiscal da contribuinte foi constatado que funcionava a empresa 2 ALIANÇAS TRANSPORTES E LOGÍSTICA LTDA, e, de acordo com depoimentos colhidos no local, ali não havia qualquer operação, funcionários ou representantes da ÁSIA DISTRIBUIDORA DE UTILIDADES DOMÉSTICAS LTDA; iii) a Fiscalização constatou que, nos anos de 2006 e de 2007, foram promovidos débitos nas contas bancárias da contribuinte nos montantes de R$ 166.674.948,79 e R$ 311.636.775,40, respectivamente; iv) diante da falta de apresentação de documentos fiscais e arquivos magnéticos por parte da autuada, a autoridade autuante promoveu circularização em seus clientes, momento em que os intimou a apresentar: demonstrativo de notas fiscais de compras, efetivamente realizadas e pagas; cópia das referidas notas fiscais; arquivos magnéticos; e declaração informando a razão social e o CNPJ da empresa fornecedora de equipamentos KOMECO (quanto a este último item, o objetivo foi verificar quem sucedeu a fiscalizada na importação, distribuição e comercialização de produtos da marca KOMECO); v) confrontando as informações colhidas junto às empresas diligenciadas com a escrituração da contribuinte, a Fiscalização constatou a ausência de registro, no ano de 2007, de vendas no montante de R$ 19.923.269,35; vi) foi constatada a entrega, na repartição fiscal, de uma CAIXA contendo documentos fiscais diversos (basicamente, Livros de Saídas e Termos de Abertura e Encerramento de Livros de Entradas), relacionados em uma folha sem identificação do remetente ou destinatário, fato que causou estranheza à Fiscalização, eis que, quando intimada Fl. 18203DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13896.722883/201269 Acórdão n.º 1301001.971 S1C3T1 Fl. 18.204 10 a apresentar os Livros de Entradas e de Saídas de 2006 e de 2007, a fiscalizada informou que eles haviam sido furtados; vii) o fato descrito no item acima foi esclarecido a partir do momento em que representante da contribuinte, alegando entrega indevida da documentação à Receita Federal, solicitou a sua devolução, visto que ela deveria ter sido encaminhada à RECEITA ESTADUAL, o que, para a Fiscalização, deixou evidente a improcedência da argumentação de que os documentos haviam sido furtados; viii) em resposta ao pedido formalizado pela contribuinte, a Fiscalização negou a devolução imediata da documentação encaminhada por equívoco, eis que ela serviria de suporte para a determinação da matéria tributável, além de constituir prova da prática de ilícito penal (cópia da referida documentação foi fornecida à contribuinte); ix) a contribuinte transmitiu em 07/07/2008 declaração de informações relativa ao ano de 2007 (DIPJ 2008/2007) com os campos ZERADOS, e, intimado a prestar esclarecimentos, apresentou declaração retificadora em 01/06/2012, indicando receita no montante de R$ 183.797.562,87; x) a Fiscalização constatou que a contribuinte, a exemplo do que havia feito em relação ao ano de 2007, embora apresentando uma movimentação financeira expressiva e um significativo auferimento de receitas, também apresentou declaração de informações ZERADA para o ano calendário de 2008; xi) com base nos livros de saídas entregues equivocadamente à Receita Federal, a Fiscalização apurou, em 2007, um total de receitas de R$ 190.151.343,45, enquanto a DIPJ retificada, apresentada após o início do procedimento fiscal, apontou, como visto, uma receita de R$ 183.797.562,87; xii) a contribuinte deixou de escriturar a totalidade dos registros de determinadas contas bancárias; xiii) os Livros Diário de 2006 e 2007 apresentados pela contribuinte não foram objeto de registro, e o relativo ao ano de 2006, embora indicasse o CNPJ da matriz em seu Termo de Abertura, indicou o CNPJ de estabelecimento filial em suas páginas internas; xiv) colocando em dúvida a alegação de furto utilizada pela autuada para não apresentar a totalidade da sua escrituração e respectiva documentação de suporte, a autoridade fiscal assinala: O CONTRIBUINTE foi intimado a esclarecer a estranha sequência física e temporal observada nos fatos relatados no BOLETIM DE OCORRÊNCIA, que se inicia às 02:00 hs quando o motorista percebe o furto, segue com o acionamento da polícia, segue com a polícia efetuando buscas na região, segue com a polícia localizando o veículo vazio e abandonado no centro da cidade, e termina às 2:30 hs, com o motorista já registrando o fato na delegacia de polícia, tudo isso em surpreendentes 30 minutos. O CONTRIBUINTE responde o questionamento dizendo que as ilações desta autoridade fiscal não fazem o menor sentido, posto que demorar 40 minutos para fazer uma refeição rápida é mais que razoável, ou seja, se fez de desentendido ou Fl. 18204DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13896.722883/201269 Acórdão n.º 1301001.971 S1C3T1 Fl. 18.205 11 não percebeu que o tempo questionado não era o tempo do lanche, mas sim o tempo dos fatos após o lanche. O CONTRIBUINTE continua a resposta em tom de desafio, dizendo que, no tocante ao fato da autoridade policial realizar a busca em tempo exíguo, a dúvida deve ser dirigida à própria autoridade policial. De fato, caso o boletim de ocorrência citasse os nomes dos policiais envolvidos na ocorrência ou citasse os números das viaturas e o batalhão ao qual pertenciam, talvez fosse o caso de chamálos a prestar esclarecimentos, no entanto, o boletim de ocorrência, estranhamente, não faz qualquer detalhamento das autoridades policiais envolvidas. ... ... é certo que o CONTRIBUINTE não é obrigado a fornecer documentos probatórios, não é obrigado a entender como agem os bandidos, não é obrigado a esclarecer a rapidez dos policiais no caso, bem como não é obrigado a esclarecer quaisquer fatos, no entanto, a falta de documentos e esclarecimentos revela a fragilidade e a inviabilidade dos fatos tal qual relatados, evidenciando que o suposto furto foi simulado, com a intenção dolosa de deixar de fornecer documentos contábeis e fiscais, com o propósito de impedir ou retardar o conhecimento das autoridades fazendárias da ocorrência de fatos geradores de impostos e contribuições, bem como de suas circunstâncias materiais, caracterizando a prática de sonegação. xv) a Fiscalização imputou responsabilidade tributária ao sócio da contribuinte auatuada, Sr. DENISSON MOURA FREITAS, e à pessoa jurídica KOMLOG IMPORTAÇÃO LTDA (como já visto, tais imputações não foram contestadas pelos Recorrentes); e xvi) a pessoa jurídica KOMLOG IMPORTAÇÃO LTDA sucedeu a autuada na exploração do seu objeto social, cabendo ressaltar que, à época da ocorrência dos fatos geradores submetidos a exame (2006 e 2007), a ÁSIA DISTRIBUIDORA DE UTILIDADES DOMÉSTICAS LTDA e a KOMLOG eram administradas pelo mesmo sócio, Sr. DENISSON MOURA FREITAS, e informaram ter o mesmo endereço. Para fins de exasperação da penalidade, a autoridade autuante serviuse das disposições do art. 71 da Lei nº 4.502/64, abaixo reproduzidas. Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Diante dos fatos acima relatados, não me parece restar qualquer dúvida de que ações promovidas em nome da pessoa jurídica fiscalizada objetivaram, de forma livre e consciente, deformar a sua verdadeira condição pessoal, impedindo ou retardando, assim, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da sua real capacidade contributiva. Fl. 18205DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13896.722883/201269 Acórdão n.º 1301001.971 S1C3T1 Fl. 18.206 12 No caso, aliado ao fato de terem sido trazidos ao processo inúmeros outros elementos, a Fiscalização cuidou de apontar prova direta da prática de omissão de receitas, apurada a partir de diligências promovidas em clientes da pessoa jurídica autuada. Em tal circunstância, descabe falar em constatação e indicação de DOLO por suposição. Em síntese, temos uma empresa que não foi localizada em seu domicílio fiscal, regularmente declarada INAPTA; com débitos em contas bancárias substancialmente superiores à receita informada à Fiscalização; em que foi identificada, por meio de prova direta, omissão de receitas; que para o Fisco federal informou ter havido furto dos seus livros fiscais, mas que, ao que tudo indica, para o Fisco estadual, apresentou esses mesmos livros; que, inobstante a elevada movimentação financeira, apresentou à Receita Federal declaração totalmente ZERADA; que não escriturou a totalidade da sua movimentação bancária; que respalda em argumentação duvidosa o motivo pelo qual não apresentou à autoridade fiscal livros de escrituração obrigatória; e que, sem extinguirse de forma regular, transfere a exploração da sua atividade econômica para outra pessoa jurídica, igualmente administrada pelo seu sócio. À evidência, apropriada é a referência à súmula CARF nº 72, eis que caracterizada a conduta dolosa na subtração de receitas à incidência das exações devidas. Não estamos diante, pois, de "simples apuração de omissão de receita", capaz de atrair a aplicação da súmula CARF nº 16. Em que pese o duvidoso relato por parte da Recorrente acerca do furto do qual ela supostamente foi vítima, cabe destacar que a exasperação da penalidade aplicada, como suficientemente demonstrado, não tomou por base a falta de apresentação de livros de escrituração obrigatória. No que tange à súmula CARF nº 96, é importante frisar que ela não guarda relação com a aplicação da penalidade qualificada, mas, sim, com o seu AGRAVAMENTO na circunstância em que INTIMAÇÕES regularmente expedidas não são atendidas pelo contribuinte, hipótese não verificada nos presentes autos. Sendo procedente, portanto, a qualificação da multa de ofício, a caducidade do direito de o Fisco efetuar o lançamento tributário regese pelas disposições do art. 173 do Código Tributário Nacional, de modo que, nos termos do que foi decidido em primeira instância, a extinção por decadência só alcança os créditos tributários decorrentes dos fatos geradores ocorridos no período de janeiro a novembro de 2006 (PIS e COFINS) e do 1º ao 3º trimestres de 2006 (IRPJ e CSLL). LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. EFEITOS DA HOMOLOGAÇÃO EXPRESSA. REVISÃO DO LANÇAMENTO E SUAS REPERCUSSÕES JURÍDICAS Argumenta a Recorrente que o presente processo tem por objeto a constituição de créditos tributários referente a períodos já fiscalizados e expressamente homologados, de modo que a nova ação fiscal somente poderia ocorrer em condições especialíssimas, ou seja, nas hipóteses do art. 149 do CTN. Repisa que não se extrai do documento que autorizou o reexame nenhuma justificativa ou fundamento do qual se possa inferir a ocorrência de qualquer uma das hipóteses previstas no art. 149 do CTN. Abordando a questão da REVISÃO DO LANÇAMENTO, traz considerações no sentido de que: ausente Fl. 18206DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13896.722883/201269 Acórdão n.º 1301001.971 S1C3T1 Fl. 18.207 13 qualquer das hipóteses previstas no art. 149 do CTN e tratandose de lançamento já homologado, é vedado a revisão, já que extinto o crédito tributário por força do disposto no art. 156, VII, do CTN. Repisa que a autorização para reexame não foi fundamentada e que, admitindose que a data consignada no Termo seja 23/08/2011, foi efetuada quando já havia decaído o direito de a Fazenda rever os lançamentos, contrariando, assim, os ditames do art. 149 do CTN. A questão do fundamento para a realização do REEXAME já foi suficientemente apreciada, de modo que em relação a ela me abstenho de fazer qualquer consideração. A decadência do direito de a Fazenda promover os lançamentos tributários, de igual forma, também já foi analisada no presente pronunciamento. No que diz respeito à alegada submissão do ato praticado pela autoridade fiscal aos ditames do art. 149 do CTN, cabe tão somente esclarecer que a situação referenciada (REEXAME DE PERÍODO FISCALIZADO) não se confunde com REVISÃO DE LANÇAMENTO, embora possase admitir que em determinadas circunstâncias uma (o REEXAME) possa abrigar a outra (a REVISÃO), mas que, no caso versado nos autos, não se verifica. Aqui, a autoridade competente, em ato devidamente motivado, autorizou o reexame de período já submetido a procedimento fiscal, sendo que em relação a esse período não houve, por parte da autoridade fiscal, qualquer revisão do lançamento anterior (processo administrativo nº 10882.720699/201164), mas, sim, sua complementação. Além de improcedente, imprópria a alegação de que em 23/08/2011 já havia decaído o direito de a Fazenda rever os lançamentos. Improcedente porque, se de revisão de lançamento estivéssemos tratando, em tal data, considerando o disposto no inciso I do art. 173 do CTN, a autoridade fiscal ainda poderia realizála, e, imprópria, em virtude do fato de que, como já dissemos, o REEXAME não promoveu qualquer revisão no lançamento anterior. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DE MULTA "AGRAVADA" NÃO CONSTATAÇÃO DO DOLO No presente item, a Recorrente reitera os seus argumentos no sentido de que não foi comprovado o dolo, de modo que a exasperação da penalidade não pode subsistir. Tal questão já foi suficientemente apreciada em item precedente. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO VIOLAÇÃO EXPRESSA E EXPLÍCITA DO ASPECTO TEMPORAL DO FATO GERADOR Alega a Recorrente que, embasada em importante precedente do CARF, apontou em sua defesa inaugural as ilegalidades cometidas no lançamento, vez que a autoridade fiscal ignorou a sistemática de apuração por ela adotada (estimativa com tributação anual), realizando a apuração com base na trimestralidade. Diz que, no caso, houve violação ao aspecto temporal da hipótese de incidência. Afirma que a decisão de primeiro grau sequer entra no mérito dessa questão. Argumenta que os precedentes do CARF, a teor do disposto no inciso II do art. 100 do CTN, ainda que sem força vinculativa, são normas complementares. Sustenta Fl. 18207DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13896.722883/201269 Acórdão n.º 1301001.971 S1C3T1 Fl. 18.208 14 que a determinação legal é de que, em caso de omissão de receita, a apuração deve se dar de acordo com o regime a que o contribuinte estava submetido no período. Equivocase a Recorrente. Isto porque não atenta para o fato de que, com base em fundamentos devidamente declinados nas peças acusatórias, a autoridade autuante promoveu o arbitramento do lucro, ou seja, o que ela aponta como "violação expressa e explícita do aspecto temporal do fato gerador" não se pode considerar como tal, vez que a mudança de regime de tributação promovida pela autoridade fiscal deuse em absoluta conformidade com a lei. Como dito, embora reiteradamente intimada, entre outras irregularidades, a contribuinte não apresentou a documentação de suporte para os registros feitos em sua escrituração; embora tenha alegado furto, não adotou providências exigidas pela legislação de regência (publicação e comunicação à Receita Federal); apresentou o Livro Diário sem registro; e deixou de escriturar parcela significativa da sua movimentação financeira. Correto, portanto, o arbitramento do lucro para fins de apuração da base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro, revelandose descabida a argumentação de que houve violação do aspecto temporal da hipótese de incidência. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA VIOLAÇÃO DO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL Argumenta a Recorrente que "o óbice à dilação probatória necessária à demonstração do direito da recorrente configura inegável cerceamento do direito de defesa, malferindo os princípios do contraditório e da ampla defesa". Alega que, embora necessária em algumas situações, a aplicação da preclusão deve ser flexibilizada quando acessível a busca pela verdade material. No presente item, as alegações da Recorrente situamse no campo abstrato, eis que, embora discorra sobre a prevalência do princípio da verdade material sobre a preclusão do direito à dilação probatória, não especifica e não reúne ao processo elementos capazes de materializar a sua pretensão. ERRO MATERIAL CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO SOBRE FATO NÃO TRIBUTÁVEL Sustenta a Recorrente que a autuação tomou por base o art. 42 da Lei nº 9.430/96, porém, há diversos lançamentos de origem comprovada nos extratos bancários que foram tomados como receita. Diz que, diferentemente do entendimento manifestado na decisão recorrida, o dispositivo legal em referência não inverte o ônus probatório, de modo que o Fisco não se desincumbe de demonstrar, com provas, o fundamento fático que dá ensejo ao ato de lançamento. A título de exemplo, cita os créditos com referência 5899, 5900, 6977 e 7300 do ANEXO 02 do Termo de Intimação, que indicam tratarse de empréstimo e/ou transferências entre mesmos titulares, mas que foram considerados como receita omitida para fins de lançamento. De início, um reparo: tratandose da aplicação da presunção trazida pelo art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, inexiste controvérsia acerca da inversão do ônus probatório, eis que isso decorre do próprio texto do dispositivo legal. Fl. 18208DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13896.722883/201269 Acórdão n.º 1301001.971 S1C3T1 Fl. 18.209 15 Ora, nos termos da lei, a omissão de receita fica caracterizada quando o titular de conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Não resta dúvida, portanto, que cabe à contribuinte (titular da conta bancária) a comprovação da origem dos recursos utilizados nas operações. No que tange à suposta comprovação de alguns créditos bancários, fundamentada no argumento de que tratarseiam de empréstimos ou transferências entre mesmo titulares, esclareço inicialmente que a autoridade fiscal assinala de forma expressa que, quando foi possível identificar transferências entre contas da própria empresa, resgates de aplicações financeiras, empréstimos bancários e estornos, ela não incluiu os créditos correspondentes no montante em relação ao qual exigiu comprovação da origem. No mais, por entender que não são merecedores de reparo, sirvome dos fragmentos abaixo reproduzidos, extraídos do voto condutor da decisão de primeira instância, para rejeitar as alegações da Recorrente. [...] A Impugnante alega que a fiscalização teria excluído da incidência vários depósitos/créditos que constavam nos extratos com o histórico ‘Empréstimo’. No entanto, teria deixado de excluir outros tantos créditos em que os históricos também são elucidativos de se referirem a recursos tomados, assim como grande volume de operações qualificadas como simples transferências entre contas correntes. E que cumpriria à fiscalização diligenciar perante as instituições financeiras no sentido de buscar os contratos de empréstimos, para confirmar a descrição considerada dúbia, constante dos históricos bancários. Como já esclarecido, na hipótese da presunção legal fundada na existência de depósitos bancários de origem não comprovada, nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, cumpre à fiscalização apenas a demonstração da prova indiciária do fato presumido pela lei, o que foi devidamente observado pelo Fisco, no presente caso. À contribuinte compete o ônus da inversão da presunção legal acima referida, de modo que ao sujeito passivo cumpre apresentar todos os documentos comprobatórios de sua movimentação financeira, inclusive os contratos de empréstimos e financiamentos firmados perante as instituições financeiras, quando o correspondente histórico bancário da operação supostamente indicativa de empréstimo/financiamento restar questionado pela fiscalização, diante de dúvida levantada nesse sentido, sob pena de se sujeitar ao respectivo lançamento, por omissão de receita. À falta dos contratos de empréstimos e financiamentos, cujo dever de guarda é obrigatório, e em sendo facultada legalmente a recuperação documental, compete ao próprio sujeito passivo diligenciar perante as instituições financeiras no sentido de buscar a necessária prova documental da respectiva operação, como, aliás, a impugnante informou estar procedendo no curso da auditoria. A fim de comprovar a origem de parte dos depósitos bancários questionados, a interessada apresenta planilhas indicativas de empréstimos e transferências, Fl. 18209DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13896.722883/201269 Acórdão n.º 1301001.971 S1C3T1 Fl. 18.210 16 fundadas nos históricos dos lançamentos bancários, bem como nos extratos e contratos que anexa. Confiramse as planilhas apresentadas na impugnação: ... Observese que as planilhas acima, ofertadas por ora da impugnação, são as mesmas apresentadas no curso da auditoria, em atendimento à intimação fiscal. Os ingressos nas contas correntes, indicados sob os históricos de lançamentos “liberação garantida”, efetuados pelo próprio Banco, porque liquidados através de créditos de terceiros, nada mais representam que o próprio adiantamento do recebimento das receitas advindas da atividade operacional da contribuinte, feito a título de empréstimo bancário, como consta do respectivo contrato. Da mesma forma com relação ao histórico de lançamentos “Op.Cred. c/Penhor”, que também representam o próprio adiantamento do recebimento das receitas advindas da atividade operacional da contribuinte, feito a título de empréstimo bancário contra duplicatas oferecidas em garantia, consoante consta do respectivo contrato. Portanto, para afastar a incidência, cumpria à pessoa jurídica demonstrar que referidos ingressos foram regularmente contabilizados e oferecidos à tributação, o que não se logrou comprovar na impugnação. Com efeito, consta das planilhas acima, expressamente, que parte dos depósitos a título de “liberação garantida” e “Op.Cred. c/Penhor” não encontra correspondência no livro Diário da autuada; de outro giro, nenhuma correspondência às folhas do referido livro foi indicada para os demais depósitos feitos a mesmos títulos. Já o histórico de lançamento “Credito – transferência por Cess” (J. Safra – ref. 2767) não permite alcançar, por si só, a conclusão apontada pela contribuinte de se tratar de empréstimo bancário, à falta do correspondente contrato. Acerca das transferências relacionadas pela contribuinte nas planilhas supra como sendo entre contas de mesma titularidade, já foram devidamente aceitas pela fiscalização e excluídas da exigência. Confirase, mais uma vez, excertos do Termo de Constatação: ... Ressaltese que a fiscalização considerou como receita omitida apenas os ingressos bancários não escriturados no livro Diário, presumindo terem sido oferecidos à tributação os demais depósitos bancários questionados, já que a receita operacional declarada também deve transitar pelas contas bancárias mantidas pela própria pessoa jurídica. Por oportuno, transcrevemse, novamente, excertos do Termo de Constatação: ... Assim, com relação aos depósitos bancários para os quais não se comprovou a origem, subsiste a presunção de a movimentação de origem não comprovada corresponder ao que, em regra, ocorre nas empresas comerciais e industriais: o recebimento de valores pelas vendas realizadas ou por serviços prestados. Fl. 18210DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13896.722883/201269 Acórdão n.º 1301001.971 S1C3T1 Fl. 18.211 17 Correto, portanto, o uso dos valores dos depósitos bancários sem comprovação de origem como receitas conhecidas, para fins de apuração da base de cálculo sujeita à tributação. NOTAS FISCAIS NÃO REGISTRADAS EM 2007 VENCIMENTOS E PAGAMENTOS NO ANO CALENDÁRIO DE 2008 INOCORRÊNCIA DO FATO GERADOR DO IRPJ E REFLEXOS RELATIVAMENTE AO ANO CALENDÁRIO DE 2007 Afirma a Recorrente que, relativamente às notas fiscais que tiveram o seu valor tomado como receita omitida, há apenas duas situações possíveis, quais sejam: a) em relação às cinquenta e três notas fiscais arroladas no ANEXO 02 do Termo de Verificação Fiscal que, segundo a autoridade autuante, teriam vencimento no ano calendário de 2007, e que representam o valor de R$ 4.545.614,58, a presunção é de que tal montante já esteja inserido no valor de R$ 36.262.730,83, que representa os créditos bancários não escriturados e de origem não comprovada, o que revela duplicidade de tributação, vez que considerado como receita omitida em duas oportunidades (depósito bancário e nota fiscal não registrada); e b) em relação às oitenta e nove notas fiscais que a própria fiscalização afirma que tinham vencimento após 01/01/2008, é evidente que a renda só foi auferida no ano de 2008, de modo que não poderia compor a base de cálculo para os lançamentos. Diz que os dois casos desaguam na nulidade da tributação. Penso que não merecem acolhimento os argumentos da Recorrente. No que diz respeito à presunção de que o valor correspondente a notas fiscais com vencimento no ano de 2007 estaria inserida no montante representativo dos créditos bancários não escriturados e de origem não comprovada, cabe ressaltar, na linha do sustentado pelo ato decisório recorrido, que, embora intimada, a contribuinte não forneceu à Fiscalização documentos que permitissem a vinculação entre eles. No caso, a presunção de que se serviu a Fiscalização é a prevista na lei, em que, como já visto, o ônus de comprovar que o fato presumido (omissão de receitas) não ocorreu é do contribuinte. Assim, se o contribuinte não consegue comprovar que as notas fiscais correspondem a créditos bancários de origem não comprovada que estão sendo tributados, é cabível a constituição do crédito tributário sobre ambos os montantes, não estando a autoridade fiscal a presumir que um montante engloba o outro. Quanto a essa matéria, tenho por oportuno o pronunciamento da Turma Julgadora de primeira instância. [...] Conforme já fartamente esclarecido neste voto, é da contribuinte o ônus de demonstrar a origem dos depósitos bancários questionados, cumprindo à pessoa jurídica fazer a vinculação das notas fiscais emitidas com os ingressos em suas contas bancárias, a fim de afastar a presunção legal de omissão de receitas, mormente quando verificada em procedimento de auditoria a falta de escrituração da totalidade da movimentação financeira. ... Fl. 18211DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13896.722883/201269 Acórdão n.º 1301001.971 S1C3T1 Fl. 18.212 18 Justamente por tal razão a fiscalização ofereceu à interessada a oportunidade de fazer a vinculação das notas fiscais não escrituradas com os depósitos bancários questionados no ano de 2007, visando afastar sua tributação, o que na oportunidade não logrou ser atendido. Por ora da impugnação, a autuada apresenta planilha na qual relaciona as notas fiscais em questão, pretendendo vincular o recebimento das receitas delas decorrentes a “francesinhas” e extratos bancários ali indicados (Anexo 10 – fls. 16910/16929). Ressaltese que até a presente data a interessada não juntou aos autos a cópia das “francesinhas” relacionadas na referida planilha, tendo sido acostado apenas as cópias dos extratos bancários mencionados como doc. n º 01 a 16. Não obstante, observase que, à exceção de alguns depósitos vinculados às NF nºs 128797, 129456, 129653, 130169 e 136092, para as quais não foram apresentadas as “francesinhas” a eles vinculadas, os demais depósitos relacionados pela contribuinte na planilha constante do Anexo 10, inclusive aqueles comprovados pelos extratos bancários anexados conforme doc. nº 01 a 16, foram efetuados no anocalendário de 2008, confirmando, portanto, que tais valores não se encontram listados nos depósitos bancários questionados pela fiscalização, relativos ao ano de 2007, que deram causa a omissão de receita tributada com base no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Assim, ainda que se pudesse afastar a hipótese da utilização de contas de terceiros, não restaria demonstrada a alegada duplicidade de exigência. Por tal razão, impõese a manutenção da tributação das receitas originadas das notas fiscais não escrituradas no livro Registro de Saídas. Relativamente às notas fiscais com vencimento após 01/01/2008, o equívoco da Recorrente decorre do fato de ela considerar o VENCIMENTO como elemento essencial à definição do momento em que a receita deveria ser tributada. Com efeito, o momento do pagamento correspondente às notas fiscais emitidas só teria relevância na circunstância em que o regime de escrituração adotado pela fiscalizada fosse o de CAIXA, porém, tendo ela optado pela tributação com base no lucro real, não cabe falar em adoção do referido regime. O fato de a Fiscalização ter arbitrado o lucro, alterando, assim, o regime de tributação anteriormente adotado pela Recorrente, não conduz à conclusão diversa, vez que também no regime do LUCRO ARBITRADO a regra na escrituração das receitas é o REGIME DE COMPETÊNCIA. LITISPENDÊNCIA ADMINISTRATIVA PENDÊNCIA DE JULGAMENTO DO LANÇAMENTO DE IRPJ E REFLEXOS NOTIFICADO EM MARÇO DE 2011 REFERENTES AO ANO CALENDÁRIO DE 2006 Argumenta a Recorrente que há uma duplicidade de lançamentos sobre o mesmo período (2006), o que torna inviável o lançamento tratado no presente processo antes do julgamento do que constitui objeto do processo administrativo nº 10882.720699/201164. Adita que, em virtude da préexistência de lançamento de IRPJ e reflexos que abrange a totalidade do ano calendário de 2006, não poderia o presente processo pretender novamente constituir crédito tributário referente ao mesmo período, razão pela qual, ao menos no que diz respeito ao ano de 2006, o crédito tributário tratado neste processo deve ser extinto. Fl. 18212DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13896.722883/201269 Acórdão n.º 1301001.971 S1C3T1 Fl. 18.213 19 Equivocase a Recorrente, eis que a duplicidade de lançamentos em relação ao mesmo período, por si só, não constitui elemento caracterizador de litispendência. Ausente também vinculação de qualquer forma capaz de atrair o julgamento conjunto dos processos nos termos do preconizado pelo art. 6º do ANEXO II do Regimento Interno em vigor. Como já dito, o REEXAME de período já fiscalizado é previsto na lei e tornase regular a partir da autorização pela autoridade competente. No presente caso, a autorização foi concedida, e a constituição de créditos tributários representa mera decorrência dessa autorização. Os lançamentos tributários objeto do processo nº 10882.720699/201164 cuidaram de matérias distintas das tratadas nos presentes autos, inexistindo, assim, óbice de qualquer natureza para a coexistência dos créditos tributários constituídos, vez que presente a autorização na forma da lei para o reexame do período já fiscalizado e ausente a duplicidade de exigências sobre o mesmo fato. DENISSON MOURA DE FREITAS ESTRUTURA DO LANÇAMENTO E DO PROCEDIMENTO FISCAL Alega o Recorrente que a Fiscalização, ao eleger três critérios complementares e adicionais para alcançar a base tributável de R$ 246.337.343,63, laborou de forma excessiva e açodada, desaguando em evidente duplicidade de tributação. Diz que, mesmo tendo desconsiderado a escrita, a Fiscalização concluiu pela ocorrência de omissão de receita tomando por base os Livros de Saída. Afirma que, por erro, não foram apontadas na DIPJ/2008/2007 as devoluções no período, de modo que, se Fiscalização tivesse verificado os livros que considerou para o lançamento teria observado que foram escrituradas devoluções e vendas canceladas no montante de R$ 14.828.967,37. Conclui que, diante destes fatos, são inconsistentes a omissão de receita apontada, o arbitramento do lucro e, por decorrência, a acusação de fraude. Aduz que, se o critério foi pelo arbitramento do lucro com base nos depósitos bancários, a adição a essa base de notas não escrituradas implica dupla tributação sobre as mesmas operações. Argumenta que o mais grave é o reconhecimento pela autoridade julgadora de que mais de R$ 15 milhões correspondem a saídas cujo prazo de pagamento estava fixado em 2008, que, por lógica e coerência, não poderiam corresponder a receitas de 2007. Diz que os critérios adotados para fins de arbitramento ora seguem o regime de caixa (depósitos bancários), ora o regime de competência (notas fiscais não escrituradas). Preliminarmente, esclareço que as considerações acerca da qualificação da multa, da duplicidade de tributação e de pagamentos realizados em 2008, já foram apreciadas no presente pronunciamento, não se revelando razoável, portanto, reanalisálas. Quanto aos critérios adotados pela autoridade fiscal para determinar a base tributável (LUCRO ARBITRADO), cabe esclarecer que: a) no ano calendário de 2006, foram considerados apenas os depósitos bancários não escriturados; Fl. 18213DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13896.722883/201269 Acórdão n.º 1301001.971 S1C3T1 Fl. 18.214 20 b) no ano calendário de 2007, foram considerados: depósitos bancários não escriturados; notas fiscais não escrituradas no Livro Registro de Saídas, identificadas a partir de diligências; e receitas registradas no Livro Registro de Saídas; c) no que diz respeito ao ano de 2007, que representa o período contra o qual o Recorrente direciona suas alegações de defesa, cabem as seguintes considerações: a contribuinte foi intimada a comprovar a vinculação dos créditos bancários com as receitas informadas na declaração de informações (DIPJ/2008), porém, não apresentou qualquer esclarecimento; e a Fiscalização afirma que a contribuinte fiscalizada não forneceu documentos que possibilitassem vincular os créditos bancários não escriturados com as notas fiscais que também não haviam sido escrituradas. Observase, pois, que não cabe falar em forma excessiva e açodada para determinação da base tributável, visto que a Fiscalização, decretando a imprestabilidade da escrituração para apurar o lucro real, vez que não foram apresentados os documentos de suporte e parcela significativa da movimentação financeira não havia sido contabilizada, arbitrou o lucro com base na RECEITA CONHECIDA, servindose, para tanto, dos meios disponíveis, quais sejam: aplicação de presunção legal (créditos bancários de origem não comprovada e que não foram escriturados); notas fiscais apuradas por meio de circularização em clientes da fiscalizada; e, por fim, o Livro Registro de Saídas entregue por equívoco à Receita Federal. Inexiste, no caso, duplicidade de tributação, visto que os créditos bancários e as notas fiscais apuradas por meio de diligências fiscais não foram escrituradas no Livro Registro de Saídas, logo não compunham o montante ali registrado, e, apesar de intimada, a contribuinte não apresentou elementos capazes de vincular os créditos bancários às notas fiscais não escrituradas. Relativamente às devoluções e vendas canceladas escrituradas no LIVRO DIÁRIO, penso que elas não podem ser admitidas, visto que referida escrituração foi rejeitada pela autoridade fiscal, haja vista o fato de não encontrarse suportada por documentação comprobatória, cabendo ressaltar ainda que o citado Livro sequer foi registrado. É bom destacar que a receita cuja fonte foi a escrituração da fiscalizada foi apurada com base no LIVRO REGISTRO DE SAÍDAS. Descabe também falar em diversidade de regimes de escrituração de receitas (CAIXA e COMPETÊNCIA), vez que na aplicação da presunção legal estampada no art. 42 da Lei nº 9430/96 inexiste possibilidade dessa aferição, de modo que não cabe dizer que, ali, seguiuse o regime de caixa. OMISSÃO DE RECEITAS DECORRENTE DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS NO ANO DE 2007 Argumenta a Recorrente que muitas das receitas consideradas como omitidas nos ANEXOS elaborados pela Fiscalização decorrem de empréstimos bancários ou transferências, conforme indicação no próprio extrato bancário. Afirma que apresenta documentos suficientes para comprovar o que alega (ao menos em parte). Alega que, no ano de 2007, do total de R$ 36.252.730,83 considerado como receita omitida, R$ 4.037.692,81 se referem a operação de empréstimo (capital de giro), conforme tabela (apresenta quadro demonstrativo). Sustenta que "se através do extrato bancário a Fazenda assume que um Fl. 18214DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13896.722883/201269 Acórdão n.º 1301001.971 S1C3T1 Fl. 18.215 21 determinado crédito é receita omitida, tem o contribuinte o direito de contraditar esse lançamento com base no mesmo extrato". No que diz respeito à alegação de que determinados créditos bancários decorreram de empréstimos, a comprovação por meio do histórico consignado nos extratos bancários já foi objeto de rejeição no presente pronunciamento. Quanto à anexação de documentos que, para o Recorrente, comprovariam que, ao menos no que tange ao montante de R$ 4.037.692,81, os créditos bancários se referem a operação de empréstimo, penso que os aportados ao processo às fls. 18.087/18.152, na medida em que não permitem a efetiva vinculação com os créditos bancários submetidos à tributação, não podem ser admitidos. NOTAS FISCAIS NÃO REGISTRADAS EM 2007 DUPLICIDADE EM RELAÇÃO À PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITA DERIVADA DE DEPÓSITO BANCÁRIOS VENCIMENTOS E PAGAMENTOS NO ANO CALENDÁRIO DE 2008 No presente item, o Recorrente cuida de matérias que já foram apreciadas em itens precedentes, razão pela qual deixo de apreciálas. RECEITA APURADA NO LIVRO DE SAÍDA EXCESSO/2007 Sustenta o Recorrente que a Fiscalização, tendo apurado omissão de R$ 6.353.780,58, jamais poderia ter arbitrado o lucro com base no valor total das receitas apuradas pelo Livro de Saída (R$ 190.151.343,45). Argumenta que o Fisco também não poderia ter efetuado o lançamento com multa qualificada de 150% tendo por base o valor que não foi considerado omitido (R$ 183.797.562,87). Afirma que o Termo de Verificação Fiscal faz menção ao art. 537 do RIR/99, porém, referido dispositivo é claro ao estabelecer que, se for o caso de omissão de receita, apenas o montante omitido deverá ser considerado na determinação da base de cálculo do imposto. Alega que sobre o montante de R$ 183.797.562,87 não poderia ser imposta a multa qualificada de 150%, haja vista que referido valor foi escriturado, declarado e objeto de recolhimento dos tributos sobre ele incidentes. Enganase o Recorrente acerca do montante que deve servir de base para o arbitramento do lucro, visto que, adotado o critério da RECEITA CONHECIDA, todas as receitas apuradas devem integrar a base de cálculo, evitandose, obviamente, a duplicidade de tributação, circunstância que, como já visto, não ocorreu no presente caso. Importante registrar que, em termos estritamente tributários, todo o montante submetido à tributação no ano de 2007, representado pelos créditos bancários e notas fiscais não escriturados e pelo total escriturado no Livro Registro de Saídas, foi omitido ao Fisco, eis que a declaração apresentada pela fiscalizada tinha os campos todos ZERADOS. É importante ressaltar que a declaração apresentada pela fiscalizada apontando o montante de receita de R$ 183.797.562,87 foi transmitida à Receita Federal em 1º de junho de 2012, após iniciado o procedimento fiscal. Nos termos da súmula CARF nº 33, a declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. Fl. 18215DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13896.722883/201269 Acórdão n.º 1301001.971 S1C3T1 Fl. 18.216 22 ARBITRAMENTO COM BASE NA RECEITA BRUTA APURADA NO LIVRO DE SAÍDA DUPLICIDADE EM RELAÇÃO À OMISSÃO DE RECEITA ORIUNDA DA PRESUNÇÃO LEGAL (DEPÓSITOS BANCÁRIOS) 2007 Alega o Recorrente que as rendas lançadas no Livro de Saída estavam contidas nos créditos bancários, ficando caracterizada, assim, duplicidade de tributação. Não é merecedora de acolhimento tal alegação, eis que o Recorrente não aporta aos autos elementos que permitam vincular os créditos bancários de origem não comprovada submetidos à tributação com a receita registrada nos Livros Registro de Saídas. DEVOLUÇÕES DE VENDAS IMPOSSIBILIDADE DE TRIBUTAÇÃO Afirma o Recorrente que a autoridade fiscal, ao levantar o total de receitas do ano de 2007 com base no Livro de Saída (R$ 190.151.343,45), não considerou as devoluções de mercadorias escrituradas no Livro Diário, no montante de R$ 14.828.967,37. Sustenta que, uma vez adotado tal procedimento, teria desaparecido a omissão de receita no valor de R$ 6.353.780,58, elidindo também a acusação de fraude que determinou o "agravamento" da penalidade. Tal questionamento já foi objeto de apreciação no presente pronunciamento. DECADÊNCIA IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DE MULTA "AGRAVADA" NÃO CONSTATAÇÃO DO DOLO NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO VIOLAÇÃO EXPRESSA E EXPLÍCITA DO ASPECTO TEMPORAL DO FATO GERADOR De igual forma, as matérias em relevo também já foram apreciadas no presente pronunciamento, de modo que revelase despicienda nova análise. Por todo o exposto, conduzo meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO aos recursos. "documento assinado digitalmente" Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 18216DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES
score : 1.0
Numero do processo: 15463.001230/2010-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri May 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007, 2008, 2009
MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. SÚMULA CARF Nº 43.
Os proventos de aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, motivadas por acidente em serviço e os percebidos por portador de moléstia profissional ou grave, ainda que contraída após a aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, são isentos do imposto de renda (Súmula CARF nº 43).
Numero da decisão: 2202-003.360
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Márcio Henrique Sales Parada, Martin da Silva Gesto, Márcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Marcela Brasil de Araújo Nogueira (Suplente convocada), Dílson Jatahy Fonseca Neto e José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado).
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007, 2008, 2009 MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. SÚMULA CARF Nº 43. Os proventos de aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, motivadas por acidente em serviço e os percebidos por portador de moléstia profissional ou grave, ainda que contraída após a aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, são isentos do imposto de renda (Súmula CARF nº 43).
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ISENÇÃO. SÚMULA CARF Nº 43. Os proventos de aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, motivadas por acidente em serviço e os percebidos por portador de moléstia profissional ou grave, ainda que contraída após a aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, são isentos do imposto de renda (Súmula CARF nº 43). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Márcio Henrique Sales Parada, Martin da Silva Gesto, Márcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Marcela Brasil de Araújo Nogueira (Suplente convocada), Dílson Jatahy Fonseca Neto e José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 46 3. 00 12 30 /2 01 0- 04 Fl. 58DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 15463.001230/201004 Acórdão n.º 2202003.360 S2C2T2 Fl. 59 2 Relatório Reproduzo o relatório do Acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) DRJ/RJ1, que sintetiza os fatos ocorridos até a decisão de primeira instância. Tratase o presente processo de Pedido de Restituição do IRPF, protocolizado pelo Interessado em epígrafe em 20/05/2010, cujo motivo alegado a seguir se transcreve: Isenção do Imposto de Renda de acordo com o art. 47 da Lei nº 8.541/92, combinado com o art. 6º da Lei 7.713/88, a partir de novembro de 2006, inclusive do Imposto de Renda sobre o 13º salário. Teve o Contribuinte o seu pedido indeferido pelo Despacho exarado em 25/04/2012, do qual foi cientificado em 11/05/2012 (fl. 22), sob o argumento de que a isenção pleiteada somente se refere a proventos oriundos de aposentadoria, reforma ou pensão e a revisão de reforma por idade limite somente ocorreu em 01/07/2009. Em 22/05/2012 foi apresentada Manifestação de Inconformidade pelo Contribuinte (fl. 16), na qual trouxe, em síntese, as seguintes alegações: recebe proventos oriundos de aposentadoria desde fevereiro de 1996, por ter sido nesta ocasião transferido para a reserva remunerada; se houve uma “Revisão de Reforma” é porque já se encontrava na condição de reformado; solicita a restituição do imposto renda sobre o 13º salário, retido na fonte nos anos de 2006, 2007 e 2008. A DRJ/RJ1 julgou, por maioria de votos, improcedente a manifestação de inconformidade, cuja decisão foi assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2009 RESTITUIÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. MOLÉSTIA GRAVE. REFORMA. Somente terá direito à isenção do Imposto de Renda o portador de doença grave comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico da União, dos Estados, do DF e dos Municípios sobre os seus rendimentos de aposentadoria, reforma ou pensão, a partir da data do início da doença quando especificada no laudo, não estando contemplados pela referida Fl. 59DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 15463.001230/201004 Acórdão n.º 2202003.360 S2C2T2 Fl. 60 3 isenção os proventos percebidos por militar integrante da reserva remunerada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A conclusão da DRJ foi no seguinte sentido: Assim, em face da limitação imposta pelo art. 111 do CTN, tendo a lei restringido os efeitos da isenção aos proventos da reforma e não da reserva, não se pode dizer que a isenção aqui examinada atinja também os proventos recebidos nesta última condição. Tal restrição fica clara quando se verifica que a Lei nº 7.713, de 1988, ao dispor sobre o direito à isenção a maiores de 65 anos, se refere a “rendimentos provenientes de aposentadoria e pensão, de transferência para a reserva remunerada ou de reforma” (art. 6º, inciso XV). Portanto, quando a lei quis se referir à reserva remunerada, expressamente o fez, pois utilizou tal termo apenas no inciso XV (e não no inciso XIV). Portanto, os valores recebidos nos anos de 2006 a 2008 não podem ser considerados isentos, uma vez que se referem à reserva remunerada e não a reforma. Cientificado dessa decisão em 11/04/2013, por via postal (A.R. de fl. 39), o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 08/05/2013 (fls. 42 a 52), no qual repisa os argumentos da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Relator. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. São necessárias duas condições para que os rendimentos recebidos por portadores de moléstias graves definidas em lei sejam isentos do imposto sobre a renda: (i) ser a moléstia atestada em laudo emitido por serviço médico oficial da União, Estados, DF ou Municípios; (ii) os rendimentos serem provenientes de aposentadoria ou reforma. Lei nº 7.713/1988 Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: [...] XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose Fl. 60DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 15463.001230/201004 Acórdão n.º 2202003.360 S2C2T2 Fl. 61 4 múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; O primeiro requisito foi devidamente comprovado pelo laudo (Termo de Inspeção de Saúde) de fl. 4, onde consta que o Contribuinte é portador de neoplasia maligna, preexistente desde a data de 11/11/2006. Quanto ao segundo requisito, observase que os rendimentos recebidos a título de 13º salário do período de 2006 a 2008 eram provenientes da reserva remunerada e não de aposentadoria ou reforma. Segundo o Despacho Decisório, somente em 01/07/2009, teria ocorrido a reforma por idade. No entanto, essa matéria não comporta mais discussões no âmbito deste Conselho, tendo em vista a Súmula CARF nº 43, que dispõe: Os proventos de aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, motivadas por acidente em serviço e os percebidos por portador de moléstia profissional ou grave, ainda que contraída após a aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, são isentos do imposto de renda. (destaquei) Vale salientar que, nos termos do art. 72, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF (Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015), o entendimento consubstanciado em súmula é de observância obrigatória para os membros deste Conselho. Diante do exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso voluntário. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Relator Fl. 61DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
score : 1.0
Numero do processo: 19515.004545/2010-01
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 31 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO DESTINADA AOS TERCEIROS.
As contribuições destinadas a terceiros (Salário Educação, INCRA, SENAC, SESC e SEBRAE) possuem a mesma base de cálculo utilizada para o cálculo das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados que lhe prestam serviços, e sujeitam-se aos mesmos prazos, condições, sanções e privilégios.
Numero da decisão: 2803-004.095
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos
PRESIDENTE DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira
Relator ad hoc na data da formalização.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA (Presidente), RICARDO MAGALDI MESSETTI, AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, OSEAS COIMBRA JUNIOR, GUSTAVO VETTORATO (Relator), EDUARDO DE OLIVEIRA.
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO DESTINADA AOS TERCEIROS. As contribuições destinadas a terceiros (Salário Educação, INCRA, SENAC, SESC e SEBRAE) possuem a mesma base de cálculo utilizada para o cálculo das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados que lhe prestam serviços, e sujeitam-se aos mesmos prazos, condições, sanções e privilégios.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos PRESIDENTE DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator ad hoc na data da formalização. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA (Presidente), RICARDO MAGALDI MESSETTI, AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, OSEAS COIMBRA JUNIOR, GUSTAVO VETTORATO (Relator), EDUARDO DE OLIVEIRA.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1548; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 2 1 1 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.004545/201001 Recurso nº 999.999 Voluntário Acórdão nº 2803004.095 – 3ª Turma Especial Sessão de 11 de fevereiro de 2015 Matéria Contribuições Previdenciárias Recorrente TERRAZZO REVESTIMENTOS E APLICACOES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO DESTINADA AOS TERCEIROS. As contribuições destinadas a terceiros (Salário Educação, INCRA, SENAC, SESC e SEBRAE) possuem a mesma base de cálculo utilizada para o cálculo das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados que lhe prestam serviços, e sujeitamse aos mesmos prazos, condições, sanções e privilégios. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos PRESIDENTE DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 45 45 /2 01 0- 01 Fl. 1730DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator ad hoc na data da formalização. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA (Presidente), RICARDO MAGALDI MESSETTI, AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, OSEAS COIMBRA JUNIOR, GUSTAVO VETTORATO (Relator), EDUARDO DE OLIVEIRA. Fl. 1731DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19515.004545/201001 Acórdão n.º 2803004.095 S2TE03 Fl. 3 3 Relatório Conselheiro Marcelo Oliveira Relator designado ad hoc na data da formalização Para registro e esclarecimento, pelo fato do conselheiro responsável pelo relatório ter deixado o colegiado antes de sua formalização, fui designado AD HOC para fazê lo. Esclareço que aqui reproduzo o relato deixado pelo conselheiro nos sistemas internos do CARF, com as quais não necessariamente concordo. Feito o registro. Tratase de Recurso Voluntário contra decisão que manteve totalmente os créditos tributários lavrados no Auto de Infração (AI – DEBCAD nº 37.283.4450), lavrado contra a empresa acima identificada, concernente às contribuições devidas às entidades denominadas Terceiros incidentes sobre parte da remuneração paga aos segurados empregados e não declarada nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP) do período 01/2006 a 13/2007. A empresa teria deixado de informar nas GFIP do período 01/2006 a 12/2007 parte da remuneração paga ou creditada a seus segurados empregados e que foram declarados na Relação Anual de Informações Sociais (RAIS). Esta declaração foi obtida no sistema CNIS – Cadastro Nacional de Informações Sociais Agregadas, conforme consta do anexo “Declarados a maior na RAIS” (fls. 21/66). Observando a ausência de documentos solicitados pela parte, o lançamento foi realizado mediante aferição indireta, com base nas informações da RAIS. Antes do julgamento de primeiro grau, foi realizada diligência, em que os livros e documentos solicitados novamente pela fiscalização, foram novamente solicitados e não entregues, sob a alegação de tratarse de empresa de contabilidade terceirizada. Em recurso voluntário, alega cerceametno de defesa, que fora indevida a aferição indireta e que a diligência deverá ser refeita. É o relatório. Fl. 1732DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira Relator designado ad hoc na data da formalização. Para registro e esclarecimento, pelo fato do conselheiro responsável pelo voto ter deixado o CARF antes de sua formalização, fui designado AD HOC para fazêlo. Esclareço que aqui reproduzo integralmente as razões de decidir do então conselheiro, constantes dos arquivos do CARF, com as quais não necessariamente concordo. Feito o registro. I O recurso é tempestivo, preenchendo os requisitos de admissibilidade, assim deve o mesmo ser conhecido. II – Quanto às alegações de cerceamento de defesa da decisão a quo, bem como nulidade do lançamento, entendo que não merece acolhimento. Tanto o acórdão recorrido e o lançamento demonstraram plenamente os fatos que lhe deram base, bem como a legislação que lhe foi apoiada. Ou seja, não houve prejuízo a defesa da parte, pois respeitouse o disposto no art. 142, do CTN e art. 33, da Lei n. 8.212/1991. Bem como, a aferição indireta foi fundamentada, e utilizou base de dados do próprio empregador (CNIS/RAIS), e a parte, mesmo intimada, duas vezes para apresentar documentos para demonstrar suas alegações, não apresentou. Ou seja, somente foi possível a apuração mediante métodos e critérios alternativos, mas que foram bem especificados. Essa mesma justificativa é dada para fins de negativa de nova diligência. Dessa forma, devese adotar o julgamento anterior em sua integralidade. III – Isso posto, voto por conhecer o recurso voluntário, para, no mérito, negarlhe provimento. É como voto. Foi assim que o conselheiro votou na sessão de julgamento, conforme registro. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator ad hoc na data da formalização Fl. 1733DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19515.004545/201001 Acórdão n.º 2803004.095 S2TE03 Fl. 4 5 Fl. 1734DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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