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Numero do processo: 10875.001564/2003-85
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1992
FINSOCIAL. RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. TERMO INICIAL. CONTAGEM DE PRAZO. PRESCRIÇÃO. RESTITUIÇÃO.
O sujeito passivo tem direito à restituição do indébito tributário, independentemente de prévio protesto, seja qual for a modalidade de pagamento, devido em face da legislação tributária aplicável (CTN, art. 165-1).
COMPENSAÇÃO.
A compensação de créditos tributários é possível, mercê do disposto no Art. 1. 0 do Decreto n.° 2.138/97 e em Instruções Normativas SRF decorrentes.
CONTAGEM DE PRAZO.
Em caso de conflito quanto à constitucionalidade da exação tributária, o termo inicial para contagem do prazo decadencial do direito de pleitear a restituição de tributo pago indevidamente inicia-se:
- da publicação do acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal em ADIN;
- da Resolução do Senado que confere efeito "erga omnes" à decisão proferida 'inter partes' em processo que reconhece inconstitucionalidade de tributo;
- da publicação do ato administrativo que reconhece caráter indevido de exação tributária.
Obs.: igual decisão prolatada no Ac. CSRF/01-03.239.
TERMO INICIAL.
Ante a falta de ato específico, a data de publicação da MP n° 1.110/95 no DOU, serve como o referencial para a contagem.
PRESCRIÇÃO.
A ação para a cobrança do crédito tributário pelo sujeito passivo prescreve em cinco anos, contados da data da sua constituição definitiva, consagrando-se, assim, a conhecida tese dos "cinco mais cinco".
(PRECEDENTES do Supremo Tribunal Federal - STF, do Superior Tribunal de Justiça - STJ, do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF e da própria Câmara Superior de Recursos Fiscais - CSRF).
Numero da decisão: 3001-000.500
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acórdão os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco Martins Leite Cavalcante - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Marcos Roberto da Silva, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante
Nome do relator: FRANCISCO MARTINS LEITE CAVALCANTE
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Recorrente ROGER EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1992 FINSOCIAL. RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. TERMO INICIAL. CONTAGEM DE PRAZO. PRESCRIÇÃO. RESTITUIÇÃO. O sujeito passivo tem direito à restituição do indébito tributário, independentemente de prévio protesto, seja qual for a modalidade de pagamento, devido em face da legislação tributária aplicável (CTN, art. 165 1). COMPENSAÇÃO. A compensação de créditos tributários é possível, mercê do disposto no Art. 1. 0 do Decreto n.° 2.138/97 e em Instruções Normativas SRF decorrentes. CONTAGEM DE PRAZO. 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A ação para a cobrança do crédito tributário pelo sujeito passivo prescreve em cinco anos, contados da data da sua constituição definitiva, consagrando se, assim, a conhecida tese dos "cinco mais cinco". (PRECEDENTES do Supremo Tribunal Federal STF, do Superior Tribunal de Justiça STJ, do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF e da própria Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acórdão os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Francisco Martins Leite Cavalcante Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Marcos Roberto da Silva, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante Relatório Este processo já tramitou por este Colegiado, quando foi apreciado pela 3ª Câmara do 2º Conselho de Contribuintes, em sessão de 02 de julho de 2008 (fls. 89/94), ocasião em que foi assim relatado pelo Conselheiro Fernando Cleto Marques Duarte (fls. 90/91), verbis. Em 25.04.2003, após procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias, foi lavrado auto de infração contra a contribuinte Roger Equipamentos Industriais Ltda. por não recolhimento do IPI referente ao período de apuração de maio de 1998, em consequência de compensação indeferida por decadência do direito da contribuinte (PA 10875.000397/9917). Até 31.03.2003, os valores totalizavam R$ 1.378,73, compostos da seguinte forma: Imposto R$ 514,20; Juros de mora R$ 478,89; Multa proporcional R$ 386,64. Em 04.06.2003, a contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, alegando que a exigibilidade do crédito está suspensa, uma vez que: a) o processo de compensação de nº 10875.000397/9917 foi indeferido pela Receita Federal de Guarulhos em 02.07.2001, Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10875.001564/200385 Acórdão n.º 3001000.500 S3C0T1 Fl. 3 3 sendo que em 31.07.2001, foi apresentada manifestação de inconformidade à Delegacia da Receita Federal e Julgamento em CampinasSP. b) em 06.08.2002, a contribuinte recebeu cópia do indeferimento da compensação na delegacia da Receita Federal de Julgamento de Campinas, tendo então interposto recurso ao Segundo Conselho de Contribuintes, que ainda não havia sido apreciado em jun/2003. Assim, requereu a suspensão da cobrança uma vez que o processo de compensação ainda não havia sido julgado pelo Conselho de Contribuintes. A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Ribeirão Preto SP, em julgamento de 22.03.2006, decidiu, por unanimidade de votos, considerar o lançamento procedente, nos termos abaixo: a) os pedidos de compensação efetuados no processo 10875.000397/9917 regemse pela legislação anterior à edição da Lei 10.637/02 e da MP 135/2003 (que conferiu à manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação o poder de suspender os débitos). b) a manifestação de inconformidade no processo de compensação não discute o crédito tributário, mas sim o direito creditório. c) ainda que a manifestação de inconformidade tivesse suspendido a exigibilidade do crédito tributário) (o que o órgão julgador entendeu que não ocorreu), a suspensão não poderia impedir o fisco de constituir o crédito tribvutário, conforme art. 142, § único, do CTN. ...(omissis)... Em Recurso Voluntário protocolizado em 30.05.2006, a contribuinte reiterou o alegado em sua impugnação, requerendo a suspensão da cobrança uma vez que o processo de compensação ainda não havia sido julgado pelo Conselho de Contribuintes. Na ocasião, a 3ª Câmara do 2º Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, baixou o feito em diligência, através da Resolução nº 20300.903, de 02.07.2008 (fls. 89/94), nos termos do voto do Relator (fls. 91/94), que assim concluiu (fls. 93/94), verbis. Face ao exposto e ante à impossibilidade de se prosseguir com o julgamento até haver definição quanto ao direito da recorrente proceder à compensação dos débitos ora exigidos, voto por converter o julgamento em diligência, determinando que se aguarde a decisão final no processo nº 10875.000397/9917, no qual se discute a compensação do débito aqui exigido. Após, devem ser acostadas ao presente processo cópias das decisões proferidas naquele, com retorno destes autos a esta Terceira Câmara do 2º Conselho de contribuintes para apreciação. Fl. 118DF CARF MF 4 Somente em maio do corrente ano o presente processo foi redistribuído a este Relator, vindo como apenso o Processo nº 10875.000397/9917, e tendo a este vinculados os Processos nºs 10875.001565/2003/200320 e 10875.001566/200374. Consequentemente, passo a fazer um pequeno resumo dos 2 processos vinculados, e a relatar o apenso (10875.001564/200385) acima referenciados, providência a meu sentir indispensável para compreensão dos 4 (quatro) processos, muito embora o Processo 10875.001565/200320 seja objeto de julgamento próprio, quanto segue. 1) O Processo nº 10875.001565/200320 também foi objeto de apreciação pela 4º Câmara da 3ª Seção de Julgamento do Carf, na sessão de 17 de novembro de 2009, quando foi baixado em Diligência, através da Resolução nº 340100.021 (fls. 345/348), na relatoria do conselheiro Fernando Marques Cleto Duarte, que assim concluiu (fls. 348), verbis. Isto posto, cabe mencionar que, de acordo com consulta efetuada em 5.11.2009 ao Site do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o processo 10875.000397/9917 foi julgado em 17.6.2008, sendo que a decisão final negou provimento ao pleito da contribuinte, restando, portanto, prejudicada a análise mais extensa do caso. Assim, a fim de evitar a ocorrência de cobrança em duplicidade, voto por determinar que os autos do processo 10875.000397/99 17 sejam juntados a estes, de forma a garantir que a cobrança do crédito tributário seja efetuada em um único processo administrativo. Após a juntada, o crédito tributário deverá ser cobrado no montante apurado no processo de compensação. É como voto. Desta decisão, o contribuinte foi cientificado em 05.08.2010 (fls. 357/359), mas nada requereu; em 30.08.2018, a DRFB de São José dos CamposSP remeteu os autos para a CSRF "para que seja efetuada a juntada do presente ao processo administrativo de nº 10875.000397/9917 (fls. 176), com o objetivo de que a cobrança do crédito tributário seja feita em um único processo administrativo" (fls. 363); e, em 10.07.2018, foi proferido despacho pelo Presidente da 3ª Seção de Julgamento, que assim concluiu (fls. 370), verbis. Desse modo, valhome do disposto no art. 6º, § 3º, do RICARF para determinar que este processo seja entregue ao Conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante, para que ele seja relatado em conjunto com o processo de IPI (10875.001564/200385), a fim de que o colegiado repercuta em ambos a decisão definitiva proferida no processo nº 10875.000397/9917, que já se encontra apensado ao processo de IPI. 2) O Processo nº 10875.001566/200374 é formado, apenas, por 4 (quatro) páginas, sendo 3 certidões de autenticação com o brasão da República (fls. 2/4), e um Termo de Juntada do seguinte teor (fls. 1): "Está o presente processo juntado ao processo 10875.001565/200320 (principal) por apensação." Portanto, nada a decidir sobre ele, já que o seu conteudo foi totalmente imbutido nos demais. (Destaquei). 3) O Processo nº 10875.000397/9917, de fato, pode ser chamado de processo matriz, já que os outros três (nºs 10875.001564/200385, 10875.001565/200320 e Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10875.001564/200385 Acórdão n.º 3001000.500 S3C0T1 Fl. 4 5 10875.001566/200374) deverão ter o mesmo destino quando do julgamento final, como se verá na sequência. Passo a relatar, também, o Processo 10875.000397/9917. Através do Acórdão nº 30130.815, proferido em 05.11.2003 (Processo 10875.000397/9917), foi dado provimento ao Recurso Voluntário do contribuinte (fls. 122/130), pelos fundamentos sintetizados na ementa seguinte (fls. 122), verbis. FINSOCIAL. RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. TERMO INICIAL. CONTAGEM DE PRAZO. PRESCRIÇÃO. RESTITUIÇÃO. O sujeito passivo tem direito à restituição do indébito tributário, independentemente de prévio protesto, seja qual for a modalidade de pagamento, devido em face da legislação tributária aplicável (CTN, art. 1651). COMPENSAÇÃO. A compensação de créditos tributários é possível, mercê do disposto no Art. 1. 0 do Decreto n.° 2.138/97 e em Instruções Normativas SRF decorrentes. CONTAGEM DE PRAZO. Em caso de conflito quanto à constitucionalidade da exação tributária, o termo inicial para contagem do prazo decadencial do direito de pleitear a restituição de tributo pago indevidamente iniciase: da publicação do acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal em ADIN; da Resolução do Senado que confere efeito "erga omnes" à decisão proferida 'inter partes' em processo que reconhece inconstitucionalidade de tributo; da publicação do ato administrativo que reconhece caráter indevido de exação tributária. Obs.: igual decisão prolatada no Ac. CSRF/0103.239. TERMO INICIAL. Ante a falta de ato específico, a data de publicação da MP n° 1.110/95 no DOU, serve como o referencial para a contagem.. PRESCRIÇÃO. A ação para a cobrança do crédito tributário pelo sujeito passivo prescreve em cinco anos, contados da data da sua constituição definitiva. Em 19 de fevereiro de 2003, a Procuradoria da Fazenda Nacional ingressou com Recurso Especial de divergência (fls. 133/141), pugnando pela reforma do Acórdão recorrido a fim de que fosse mantida a decisão de 1ª instância; seguidose as contrarrazões do contribuinte (fls. 179/182). Fl. 120DF CARF MF 6 Em sessão de 17 de junho de 2008, na relatoria da Conselheira Anelise Daudt Prieto, a Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF negou provimento ao apelo da PFN (fls. 187/195), pelos fundamentos resumidos na ementa seguinte (fls. 187), verbis. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1992 FINSOCIAL. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. É entendimento deste Colegiado que o prazo para pleitear a restituição dos valores pagos a título de Contribuição para o Finsocial com alíquotas superiores a 0,5% é de cinco anos contados da data da edição da MP n° 1.110, em 31/08/95. Ressalvada a posição desta Relatora, ao entender que somente os pleitos protocolados até a edição do Ato Declaratório SRF n° 96, em 30/11/99, que alterou o entendimento contido no Parecer COSIT n° 58, de 27/10/98, devem ser considerados tempestivos. Recurso Especial do Procurador Negado. Intimada da decisão da CSRF (fls. 197), ingressou a PFN com Recurso Extraordinário (fls. 199/212), que assim concluiu (fls. 212), verbis. Em face cio exposto, tendo em vista o dissídio jurisprudencial apontado, requer a União (Fazenda Nacional) seja admitido o presente recurso, pugnando para que, no mérito, lhe seja dado provimento, reconhecendose a decadência do direito à restituição do FINSOCIAL, contada a partir da data de cada pagamento indevido eventualmente comprovado. Em 03.07.2009 o Recurso Extraordinário da PFN foi admitido (fls. 216/217) também desacolhido pela CSRF através do Acórdão nº 9900000.624, de 29.08.2012 (fls. 235/245), da lavra do ilustre Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda, pelos fundamentos sintetizados na seguinte ementa (fls. 235), verbis. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1992 FINSOCIAL. RESTITUIÇÃO / COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. TESE DOS “CINCO MAIS CINCO”. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Fl. 121DF CARF MF Processo nº 10875.001564/200385 Acórdão n.º 3001000.500 S3C0T1 Fl. 5 7 Civil, entendeu, quanto ao prazo para pedido de restituição de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), que o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a chamada tese dos “cinco mais cinco” (REsp 1002932/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 25/11/2009, DJe 18/12/2009). DIREITO TRIBUTÁRIO. LEI INTERPRETATIVA. APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. DESCABIMENTO. VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA. NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACATIO LEGIS. APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM REPERCUSSÃO GERAL PELO STF. O Supremo Tribunal Federal, ao seu turno, declarou a inconstitucionalidade do artigo 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005, considerando válida a aplicação do novo prazo de 5 anos para restituição tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. (RE 566621, Rel. Ministra Ellen Gracie, Tribunal Pleno, julgado em 04/08/2011, DJe195 DIVULG 10/10/2011). Recurso Extraordinário Negado. Com o trânsito em julgado do Acórdão CSRF nº Acórdão nº 9900000.624, os autos foram encaminhados à unidade de origem, para execução do julgado (fls. 249), onde foi proferido o Despacho Decisõrio SEORT nº 30/2018, em 25 de janeiro de 2018 (fls. 257/259), verbis. Trata, o presente processo, de pedido de compensação de recolhimentos a maior de Finsocial, períodos de apuração de 09/1989 a 03/1992, com débitos de PIS, Cofins, IPI e Simples. O pleito foi considerado intempestivo pela DRF/Guarulhos e pela DRJ/Campinas, mas o então Conselho de Contribuinte entendeu que o direito à repetição não estava prescrito na data do protocolo, decisão mantida pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que devolveu o processo à origem para análise do mérito. Passo ao exame do crédito. Para as empresas comerciais e mistas, caso do contribuinte peticionário, o Finsocial era exigido com base no Decretolei nº 1940, de 25 de maio de 1982, art.1º, §1º: “Art. 1º Fica instituída, na forma prevista neste decretolei, contribuição social, destinada a custear investimentos de caráter assistencial em alimentação, habitação popular, saúde, educação, Fl. 122DF CARF MF 8 justiça e amparo ao pequeno agricultor. (Redação dada pela Lei nº 7.611, de 8 de julho de 1987) § 1° A contribuição social de que trata este artigo será de 0,5% (meio por cento) e incidirá mensalmente sobre: (Redação dada pelo Decreto Lei nº 2.397, de 21 de dezembro de 1987) a) a receita bruta das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços, de qualquer natureza, das empresas públicas ou privadas definidas como pessoa jurídica ou a elas equiparadas pela legislação do Imposto de Renda; (Incluída pelo Decreto Lei nº 2.397, de 1987) ..............” O art.56 dos ADCT da CF/88 recepcionou essa modalidade de FINSOCIAL, mas apenas com cunho provisório. O art.9º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, pretendeu lhe atribuir caráter permanente e, por isso, foi considerado inconstitucional, transmitindo esse vício às majorações posteriores de alíquota (RE 150.7641/PE). A Medida Provisória nº 1.110, de 30 de agosto de 1995, a despeito de dispensar a constituição de créditos da Fazenda Nacional, a inscrição em DAU, o ajuizamento da respectiva execução fiscal, e cancelar o lançamento e a inscrição, relativamente à parcela do FINSOCIAL considerada inconstitucional, determinava que esses procedimentos não implicariam a restituição das quantias pagas (art.17). Na cadeia de reedições das medidas provisórias oriundas daquela MP, foi editada a MP nº 1.62136, de 10 de junho de 1998, que alterou a redação das anteriores de “não implicará restituição de quantias pagas” para “não implicará restituição ex offício de quantias pagas” (essa redação permaneceu até a MP nº 2.17679, de 23 de agosto de 2001, última da cadeia e que foi convertida na Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, mantendo esse mandamento em seu art.18). O dicionário “Aurélio” assim define a expressão “ex offício”: “1.Por obrigação e regimento; por dever do cargo. 2.Dizse do ato oficial que se realiza sem provocação das partes.” Dessa forma, no contexto legal acima, entendese que o mandamento “não implicará restituição ex offício de quantias pagas” significa que, havendo o pedido de restituição tempestivo por parte do contribuinte, o seu direito creditório deve ser reconhecido. As alíquotas aplicadas à época dos recolhimentos foram: _ 1% a partir de 1º/09/1989 (Lei nº 7.787/1989, declarada inconstitucional) _ 1,2% a partir de 1º/01/1990 (Lei nº 7.894/1989, declarada inconstitucional) Fl. 123DF CARF MF Processo nº 10875.001564/200385 Acórdão n.º 3001000.500 S3C0T1 Fl. 6 9 _ 2% a partir de 1º/01/1991 (Lei nº 8.147/1990, declarada inconstitucional) Após atualização dos saldos de cada recolhimento, o montante do crédito devido ao contribuinte totalizou R$43.506,87 em fevereiro de 1999, mês da primeira compensação. Pelo quadro acima, e com esteio no art.112 do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011; no art.286, inc.I, do Regimento Interno da RFB, aprovado pela Portaria MF nº 430, de 9 de outubro de 2017; e na Portaria RFB nº 1.453, de 29 de setembro de 2016, RECONHEÇO o direito creditório do contribuinte em epígrafe contra a Fazenda Nacional no valor de R$43.506,87 (ref.02/1999), e HOMOLOGO as compensações declaradas até o limite do crédito reconhecido. (Destaque do original). Por despacho de 10 de julho próximo passado, o Presidente da Terceira Seção do Carf determinou que o Processo matriz (nº 10875.000397/9917) "seja apensado ao processo 10875.001564/200385 para que o colegiado repercuta a decisão definitiva aqui proferida, nos dois processos acima citados, que albergam os autos de infração" (fls. 284). É o relatório. Voto Conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante Relator A tempestividade e demais pressupostos processuais de admissibilidade neste processo (10875.001564/200385) já foram examinados quando do seu primitivo julgamento pela 3ª Câmara do 2º Conselho de Contribuintes, ocasião em que foi proferida a Resolução nº 20300.903, de 02.07.2008 (fls. 89/94). Como resumido no relatório, trata o presente processo de pedido de compensação de recolhimentos a maior de Finsocial, períodos de apuração de 09/1989 a 03/1992, com débitos de PIS, Cofins, IPI e Simples. O pleito foi considerado inexistente pela DRF/Guarulhos e pela DRJ/Campinas, mas o então Conselho de Contribuinte entendeu que o direito à repetição não estava prescrito na data do protocolo, decisão mantida pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, e ratificado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais. Naquela ocasião (02 de julho de 2008) o Processo 10875.001564/200385 foi baixado em Diligência à repartição de origem, nos termos da supracitada Resolução 203 00.903, "determinando que se aguarde a decisão final no processo nº 10875.000397/9917, no qual se discute a compensação do débito aqui exigido". Examinandose o mencionado processo apenso nº 10875.000397/9917, verificase que a decadência decretada pela decisão de 1ª instância foi afastada pela 1ª Câmara do 3º Conselho de Contribuintes, em 05.11.2003, através do Acórdão nº 30130.815 (fls. 122/125), decisão esta duas vezes ratificada pela E. Câmara Superior de Recursos Fiscais ao Fl. 124DF CARF MF 10 negar provimento ao Recurso Especial e ao Recurso Extraordinário impetrados pela Procuradoria da Fazenda Nacional, através dos Acórdãos CSRF nº 0305.727, de 17.06.2008 (fls. 187/195) e CSRF nº 9900000.624, de 29.08.2012 (fls. 235/245), respectivamente. Em consequência, os autos do Processo nº 10875.000397/9917 retornaram ao órgão de origem, onde as razões do contribuinte foram integralmente acolhidas através do Despacho Decisório SEORT Nº 30/2018, Após atualização dos saldos de cada recolhimento, o montante do crédito devido ao contribuinte totalizou R$43.506,87 em fevereiro de 1999, mês da primeira compensação. Pelo quadro acima, e com esteio no art.112 do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011; no art.286, inc.I, do Regimento Interno da RFB, aprovado pela Portaria MF nº 430, de 9 de outubro de 2017; e na Portaria RFB nº 1.453, de 29 de setembro de 2016, RECONHEÇO o direito creditório do contribuinte em epígrafe contra a Fazenda Nacional no valor de R$43.506,87 (ref.02/1999), e HOMOLOGO as compensações declaradas até o limite do crédito reconhecido. (Destaque do original). Importante registrar que o Processo 10875.001565/200320 tratava inicialmente somente da lavratura de Auto de Infração por falta de recolhimento de Cofins, e que o Processo 10875.001566/200374 trata de Auto de Infração por falta de recolhimento de PIS. Todavia, com a reunião de ambos, o primeiro passou a tratar conjuntamente da falta de recolhimento de Cofins e de Pis. Como frisado acima, o Processo 10875.001565/200320 (nele já imbutido/anexado/apensado o Processo 10875.001566/200374) será julgado em separado, nesta mesma sessão, e tendo este (nº 10875.001564/200385) como PARADÍGMA. Por sua vez, o Processo ora relatado (nº 10875.001564/200385) trata de Auto de Infração por falta de recolhimento de IPI. Registrese, também, que ambos os processos decorreram do Processo nº 10875.000397/9917, que trata do pedido de compensação de recolhimentos a maior de Finsocial, períodos de apuração de 09/1989 a 03/1992, com débitos de PIS, Cofins, IPI e Simples. Salientese, ademais, que os 3 (três) Processos acima surgiram por conta do indeferimento do pedido de compensação de que trata o Processo matriz 10875.000397/9917 (processo matriz), no qual foi afastada a decadência pela Câmara Superior de Recursos Fiscais e, proferindo novo julgamento, a DRJ de origem, acolheu integralmente a pretensão do sujeito passivo, reconheceu o direito creditório do contribuinte e homologou as compensações declaradas (fls. 257 do Processo 10875.000397/9917). Relevante atentar para o fato de que, relativamente ao Processo nº 10875.001565/200320, devese alertar que a decisão referese tanto ao Auto de Infração da COFINS, quanto aquel'outro referente ao PIS, posto que o processo que trata dessa última exigência foi integrado/unido ao Processo 10875.001566/200374. Diante do exposto, considerando que a decadência decretada pela decisão de 1ª instância foi afastada por este colegiado, decisão esta duas vezes ratificada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao negar provimento unânime aos Recursos Especial e Extraordinário intentados pela Procuradoria da Fazenda Nacional, consagrandose, assim e uma vez mais, a conhecida tese dos "cinco mais cinco"; considerando que, acatando a determinação da CSRF, relativamente ao Processo 10875.000397/9917, a unidade de origem (no caso, a DRF/São José dos Campos São Paulo) acolheu integralmente as razões do Fl. 125DF CARF MF Processo nº 10875.001564/200385 Acórdão n.º 3001000.500 S3C0T1 Fl. 7 11 contribuinte e, através do Despacho Decisório SEORT nº 30/2018 (fls. 256/258), reconheceu o direito creditório do contribuinte em epígrafe contra a Fazenda Nacional, no valor de R$ 43.506,87 (referente a fevereiro de 1999), e homologou as compensações declaradas até o limite do crédito reconhecido (fls. 258); considerando que este (10875.001564/200385) e os outros dois processos a ele vinculados (10875.001565/200320 e 10875.001566/200374) estavam dependendo do julgamento do Processo 10875.000397/9917; considerando que o Presidente da Terceira Seção de Julgamento do Carf, no despacho que encaminhou o Processo nº 10875.000397/9917 para este Relator, determinou fosse ele apensado ao processo ora relatado (nº 10875.001564/200385), e recomendou "que o colegiado repercuta a decisão definitiva aqui proferida, nos dois processos acima citados, que albergam os autos de infração" (fls. 284); considerando, também, que no voto condutor da Resolução nº 20300.903, em que se consagrou o sobrestamente deste Processo 10875.001564/200385 ficou determinado "que se aguarde a decisão final no processo 10875.000397/9917, no qual se discute a compensação do débito aqui exigido"; e, considerando, ainda, diversos precedentes do CARF e da própria CSRF em julgamentos semelhantes, DOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário intentado no Processo 10875.001564/200385, para reconhecer o direito creditório do contribuinte recorrente e homologar as compensações declaradas e alhures referenciadas, a exemplo do que já foi deferido pela DRFJ/São José dos Campos, através do já citado Despacho Decisório SEORT nº 30/2018, nos autos do Processo 20875.000397/9917 (fls. 256/258). (assinado digitalmente) Conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante Relator Fl. 126DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19558.000247/2007-32
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 01/10/2007
RESPONSABILIDADE. FALTA DE DANO À FISCALIZAÇÃO OU AO ERÁRIO PÚBLICO. IRRELEVÂNCIA.
A responsabilidade pela infração independe da intenção do agente e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, de acordo com o § 2º do art. 94, do Decreto-Lei 37/1966.
MULTA POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 126.
Aplicação da Súmula CARF nº 126: A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3002-000.343
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Alan Tavora Nem (relator) e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves.
(assinado digitalmente).
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente).
Alan Tavora Nem - Relator
(assinado digitalmente).
Carlos Alberto da Silva Esteves - Redator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem (Relator).
Nome do relator: ALAN TAVORA NEM
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FALTA DE DANO À FISCALIZAÇÃO OU AO ERÁRIO PÚBLICO. IRRELEVÂNCIA. A responsabilidade pela infração independe da intenção do agente e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, de acordo com o § 2º do art. 94, do DecretoLei 37/1966. MULTA POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 126. Aplicação da Súmula CARF nº 126: A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Alan Tavora Nem (relator) e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 55 8. 00 02 47 /2 00 7- 32 Fl. 92DF CARF MF Processo nº 19558.000247/200732 Acórdão n.º 3002000.343 S3C0T2 Fl. 93 2 (assinado digitalmente). Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente). Alan Tavora Nem Relator (assinado digitalmente). Carlos Alberto da Silva Esteves Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem (Relator). Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 16070.661 da DRJ/SPO, que manteve integralmente o Crédito Tributário lançado pelo Auto de Infração, que exige do contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre carga transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DecretoLei nº 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei nº 10.833, de 2003, conforme relatório da 23ª Turma da DRJ/SPO (fls. 47/48), exarado nos seguintes termos: "Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 11/10/2007, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência de multa regulamentar, no valor de R$ 5.000,00, em virtude dos fatos a seguir escritos. Por força do disposto nos art. 30 e 40 do Decreto n° 4.543, de 26 de dezembro de 2002 Regulamento Aduaneiro), o transportador de mercadorias procedentes do exterior está obrigado a prestar as informações sobre as cargas transportadas e a apresentar à fiscalização aduaneira, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, o manifesto de carga, com cópias dos conhecimentos correspondentes, e a lista de sobressalentes e provisões de bordo. No âmbito do Terminal Portuário do Pecém, a Portaria ALF/FOR n° 15, de 31 de março de 2006, publicada no Diário Oficial da União do dia 05/04/2006, em seu art. 3°, estabelece que os transportadores ou agentes autorizados devem apresentar os manifestos e conhecimentos de carga à fiscalização aduaneira pelo menos 48 (quarenta e oito) horas antes da chegada das embarcações. Fl. 93DF CARF MF Processo nº 19558.000247/200732 Acórdão n.º 3002000.343 S3C0T2 Fl. 94 3 A autuada, responsável pelo navio "FLAMENGO", descumpriu totalmente os supracitados dispositivos ao promover a descarga das mercadorias transportadas ao amparo dos BL n° ANRM576709315032,ANRM576709315026, ANRM576709315027, ANRM576709315028, ANRM576709315158, ANRM576709315022, ANRM576709315020, ANRM576709315021, ANRM576709315073 e ANRM576709315034 sem haver apresentado qualquer documento à fiscalização aduaneira. Como pode ser observado no "Termo de Entrada", na "Relação de Cargas Autorizadas ) a Desembarcar" e no "Passe de Saída" anexos ao presente Auto de Infração, o navio "FLAMENGO" atracou no Terminal Portuário do Pecém no dia 01/10/2007 e os conhecimentos de carga em questão só foram apresentados à fiscalização no dia 02/10/2007. Por essa razão, foi exigida no presente Auto de Infração a multa prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do Decretolei n° 37, de 18 de novembro de 1966, com a redação dada pela Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Cientificado do auto de infração, pessoalmente, em 16/10/2007 (fls.4), o contribuinte, protocolizou impugnação, tempestivamente em 19/11/2007, na forma do artigo 56 do Decreto nº 7.574/2011, de fls. 31 e 32, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. O impugnante alegou que: No presente Auto, a Autoridade determina à Impugnante o pagamento de multa em decorrência da Impugnante não haver prestado, tempestivamente, informações à fiscalização aduaneira sobre cargas transportadas, tempestivamente, conduta que de acordo com a norma, é suficiente para a imposição da penalidade ora combatida. Da leitura dos presentes Autos constatamos que o prazo para cumprimento dessa obrigação é fixado através da Portaria ALF/FOR n° 15/2006, ou seja, é prazo arbitrado pela autoridade local e ainda, que as cargas desembarcadas sem o devido respaldo documental eram provenientes do porto de Suape PE, cujo “transit time" é muito curto. Em que pese a não observância do prazo, certo é que a Impugnante apresentou a documentação exigida, e nenhum prejuízo foi causado ao erário. Posto isso, requer seja reconsiderada a posição da Autoridade e que esta determine o cancelamento da multa aplicada e o definitivo arquivamento do presente processo." Analisando os argumentos do contribuinte, a DRJ/SPO julgou improcedente a Impugnação (fls. 30/31), por considerar que "para legitimar a sanção, basta a certificação do fato infracional, independente da existência de culpa, demonstração de boafé e ocorrência de Fl. 94DF CARF MF Processo nº 19558.000247/200732 Acórdão n.º 3002000.343 S3C0T2 Fl. 95 4 efetivo dano ao erário público", conforme sintetizados em sua ementa exarada nos seguintes termos: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 01/10/200 A empresa de transporte internacional deixou de prestar informação sobre carga transportada. Por expressa disposição legal, quaisquer pessoas, físicas ou jurídicas, que, de qualquer forma, contribuam para a prática do ilícito devem responder solidariamente. Em momento algum a exigência ora discutida viola os princípios da legalidade e hierarquia das normas, pois não está calcada em Portaria, mas sim em artigo de Lei. Para legitimar a sanção, basta a certificação do fato infracional, independente da existência de culpa, demonstração de boafé e ocorrência de efetivo dano ao Erário." O contribuinte cientificado da decisão, ingressou com Recurso Voluntário (fls. 61/67) requerendo a reforma do Acórdão recorrido, tendo em vista: a) que mesmo tardia a informação no sistema Siscarga não gerou nenhum prejuízo arrecadatório e/ou fiscalizatório em desfavor da RFB e, b) exonerar a totalidade do crédito tributário em razão do instituto da denúncia espontânea. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Alan Tavora Nem Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os requisitos formais de admissibilidade, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias e, portanto, dele tomo conhecimento. A discussão em análise consiste em saber se o contribuinte poderia sofrer a penalidade aplicada pela fiscalização em função do descumprimento do prazo previsto na Portaria ALE/FOR nº 15 de 1996 para prestar informação sobre carga transportada no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal. Importante ressaltar que a partir da nova redação dada ao § 2º do art. 102 do Decretolei nº 37/1966 pelo art. 40 da Lei nº 12.250/2010, na seara aduaneira, o benefício da denúncia espontânea, antes restrito as penalidades de natureza tributária, foi ampliado e incluiu as infrações de natureza administrativas. Fl. 95DF CARF MF Processo nº 19558.000247/200732 Acórdão n.º 3002000.343 S3C0T2 Fl. 96 5 Embora a suposta infração cometida tenha ocorrido antes da nova redação do citado preceito legal, inequivocamente, tratase de situação que se amolda perfeitamente ao que determina o art. 106, II, “b”, do CTN., "in verbis": "Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: II tratandose de ato não definitivamente julgado: b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo;(grifo nosso)" Dessa forma, considerando que o contribuinte comunicou e corrigiu a irregularidade em 02/10/2007 (fls. 08) e o AI só foi lavrado e dado ciência em 11/10/2007 (fls. 24/25), ou seja, antes a qualquer ação fiscalizadora, concluise que a penalidade administrativa exigida do contribuinte deve ser excluída em razão da tempestiva denúncia espontânea, como demonstrado, resumidamente, nos enunciados das ementas dos seguintes Acórdãos nºs (3302 005.244– 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária , 3101000.997 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária e 9101000.344 da Câmara Superior de Recursos Fiscais 1ª Turma). "PENALIDADE ADUANEIRA DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. EXCLUSÃO POR DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO DA RETROATIVA. POSSIBILIDADE. Na seara aduaneira, atualmente, a denúncia espontânea da infração exclui tanto a responsabilidade tanto pelas penalidades de natureza tributária, quanto pelas penalidades de natureza administrativa. E em razão da retroatividade benigna, prevista no art. 106, II, “b”, do CTN, a exclusão da responsabilidade alcança também a penalidades administrativa relativa à infração cometida antes da vigência da nova redação do § 2º do art. 102 do Decreto lei 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei 12.350/2010." "MULTA ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO RELATIVA A NAVIO OU A MERCADORIAS NELE EMBARCADAS. DENÚNCIA ESPONTÂNEA.. POSSIBILIDADE. ART. 102, §2º DO DECRETOLEI Nº 37/66, COM REDAÇÃO DADA PELA LEI N° 12.350, DE 20/12/2010. APLICAÇÃO RETROATIVA. Uma vez satisfeitos os requisitos ensejadores da denúncia espontânea deve a punibilidade ser excluída, considerando que a natureza da penalidade é administrativa, aplicada no exercício do poder de polícia no âmbito aduaneiro., em face da incidência do art. 102, §2º, do DecretoLei nº 37/66, cuja alteração trazida pela Lei n° 12.350/2010, passou a contemplar o instituto da denúncia espontânea para as obrigações administrativas." "DENÚNCIA ESPONTÂNEA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Tratandose de penalidade cuja exigência se encontra pendente de julgamento, aplicarseá legislação superveniente que venha Fl. 96DF CARF MF Processo nº 19558.000247/200732 Acórdão n.º 3002000.343 S3C0T2 Fl. 97 6 a beneficiar o contribuinte, em respeito ao princípio da retroatividade benigna" Portanto, assiste razão o contribuinte no tocante ao não cabimento da multa apesar do caráter objetivo da conduta prevista no art. 37 da Instrução Normativa SRF nº 28 de 1994 e da hipótese de aplicação da penalidade prevista no art. 107, IV, “e”, do DecretoLei nº 37 de 1966. No tocante ao pedido de que "seja alterado o status da Autuação para suspenso aguardando julgamento do Recurso" "permitindo a manutenção de sua Certidão Negativa de Débito", ou seja, o efeito suspensivo requerido pelo contribuinte a fim de garantir a suspensão da exigibilidade do crédito tributário ressalta não ser necessário qualquer provimento por parte do relator, uma vez que tal suspensão já está garantida na forma do art. 151, III do CTN, "in verbis": "Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: III as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo;" Pelo o exposto, com fundamento na retroatividade benigna, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário, cancelando o Auto de Infração. É como voto. (assinado digitalmente). Alan Tavora Nem Fl. 97DF CARF MF Processo nº 19558.000247/200732 Acórdão n.º 3002000.343 S3C0T2 Fl. 98 7 Voto Vencedor Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves Redator Em que pese o voto proferido pela eminente Relatora, data venia, divirjo quanto a sua interpretação da legislação de regência aplicável ao caso concreto. A recorrente alega, inicialmente, que as informações foram prestadas à Receita Federal do Brasil, antes mesmo de qualquer procedimento de fiscalização, o que comprovaria, por conseqüência, que não teria ocorrido nenhum tipo de dificuldade seja para a fiscalização aduaneira, seja para apuração de créditos destinados ao erário. De pronto, afirmemos que não assiste razão a recorrente. Sua primeira afirmação contraria a realidade dos fatos, tendo em vista que foi, justamente, a falta do cumprimento da obrigação acessória dentro do prazo legalmente exigido que motivou a autuação fiscal e, por outro lado, este descumprimento temporal se encontra devidamente comprovado nos autos. Além disso, quanto à falta de prejuízo fiscal, vale lembrar que, conforme o § 2º do art. 94, do DecretoLei 37/1966, a responsabilidade de seus atos independiam da extensão dos efeitos causados por ele: Art.94 Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe inobservância, por parte da pessoa natural ou jurídica, de norma estabelecida neste DecretoLei, no seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completálos. § 1º O regulamento e demais atos administrativos não poderão estabelecer ou disciplinar obrigação, nem definir infração ou cominar penalidade que estejam autorizadas ou previstas em lei. § 2º Salvo disposição expressa em contrário, a responsabilidade por infração independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. (grifo nosso) Com efeito, a simples mora no cumprimento da obrigação acessória de prestar as devidas informações sobre a desconsolidação da carga infringe o disposto na legislação e, ademais, prejudica o controle aduaneiro e, por conseqüência, os interesses nacionais, conforme o disposto no art. 237 da Constituição Federal: Art. 237. A fiscalização e o controle sobre o comércio exterior, essenciais à defesa dos interesses fazendários nacionais, serão exercidos pelo Ministério da Fazenda. Fl. 98DF CARF MF Processo nº 19558.000247/200732 Acórdão n.º 3002000.343 S3C0T2 Fl. 99 8 Dessa maneira, tratandose de responsabilidade objetiva, não assiste razão à recorrente nessas argumentações. Em seqüência, a recorrente assevera que, no caso concreto, embora de forma extemporânea, as informações sobre a desconsolidação da carga foram prestadas antes do início do procedimento administrativo, que culminou com o presente lançamento, assim, estando a situação fática se amoldando às hipóteses legais para a aplicação do benefício da denúncia espontânea. O instituto da denúncia espontânea no Direito Tributário, assim como os seus semelhantes em outros ramos do Direito, visa incentivar o infrator se auto corrigir, através do reconhecimento voluntário do ilícito e da reparação do bem jurídico violado. Contudo, algumas infrações não são passíveis de serem beneficiadas pela denúncia espontânea. Quando a mera conduta do agente é definidor do núcleo do tipo da infração, estamos diante desse caso. Em outras palavras, quando a simples ação ou omissão do agente configurar o ilícito, não há possibilidade jurídica de se reparar o dano cometido. No caso das obrigações acessórias autônomas, em regra, essa situação se configura. Podemos dizer que é, justamente, o atraso no cumprimento de obrigação acessória o exemplo mais contundente desse tipo de infração. Uma vez que, no exato momento em que se exauriu o prazo legal sem que a obrigação tenha sido cumprida, a infração está configurada e o atraso não poderá ser reparado. Considerandose que, como no caso dos presentes autos, a obrigação acessória autônoma descumprida pelo transportador ou pelos seus representantes consiste no dever de o sujeito passivo informar os dados de embarque de mercadorias à Aduana no prazo estabelecido, a simples falta da prestação tempestiva dessas informações já configura a infração e a impossibilidade física do retrocesso temporal impede sua reparação. Por outro lado, se admitíssemos a possibilidade de aplicação da denúncia espontânea aos casos de infrações decorrentes do atraso na entrega de declarações ou da prestação de informações, estaríamos diante de um paradoxo lógicojurídico, o qual tornaria morta a letra da lei. Nesse sentido, me socorro do entendimento do Ilustre Conselheiro Jose Fernandes do Nascimento manifestado no Acórdão 310200.988, do qual extraio o seguinte excerto: "De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia Fl. 99DF CARF MF Processo nº 19558.000247/200732 Acórdão n.º 3002000.343 S3C0T2 Fl. 100 9 espontânea da respectiva infração. Em conseqüência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez." Nesse mesmo sentido, vem se manifestando a jurisprudência de nossos tribunais, conforme se infere da seguinte ementa: MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. (BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 500599981.2012.404.7208/ SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013) Nessa esteira, a Súmula CARF nº 49 preceitua a não aplicabilidade da denúncia espontânea em casos análogos de cumprimento de obrigação acessória de forma extemporânea: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Ademais, esclareçase que, com o advento da MP 497/2010, convertida na Lei nº 12.350/2010, o instituto da denúncia espontânea não passou a alcançar as penalidades de natureza tributária e administrativa, caso em comento. Creio que a legislação supra não alterou Fl. 100DF CARF MF Processo nº 19558.000247/200732 Acórdão n.º 3002000.343 S3C0T2 Fl. 101 10 o impedimento racional da aplicação do instituto da denúncia espontânea aos casos de cumprimento extemporâneo de obrigação acessória e alinhome ao entendimento do Douto Desembargador Rômulo Pizzolatti manifesto no voto condutor do Acórdão já mencionado: A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. Por fim, manifestandose especificamente sobre o tema ora tratado, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais editou a Súmula CARF nº 126, cuja observância é obrigatória pelos Conselheiros em seus julgamentos, conforme art. 72 do RICARF: Súmula CARF nº 126: A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. Por conseqüência do desenvolvimento lógicojurídico esposado ao longo do voto, considero inaplicável ao caso concreto o instituto da denúncia espontânea, pois este não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento do dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à Administração. Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo na íntegra o crédito tributário lançado. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Fl. 101DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10715.001387/2011-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2008
PENALIDADE. LEGISLAÇÃO ADUANEIRA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES EXIGIDAS PELA RFB. PRAZO DE REGISTRO DADOS EMBARQUE. DESCUMPRIMENTO.
A multa prescrita no art. 107, inciso IV, alínea 'e', do Decreto-Lei nº 37/66 referente ao atraso no registro dados de embarque de mercadorias, destinadas à exportação no SISCOMEX, é cabível quando o atraso for superior a 07 (sete) dias, nos termos da IN SRF nº 1.096/2010.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-005.942
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para negar-lhe provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado em substituição a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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LEGISLAÇÃO ADUANEIRA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES EXIGIDAS PELA RFB. PRAZO DE REGISTRO DADOS EMBARQUE. DESCUMPRIMENTO. A multa prescrita no art. 107, inciso IV, alínea 'e', do DecretoLei nº 37/66 referente ao atraso no registro dados de embarque de mercadorias, destinadas à exportação no SISCOMEX, é cabível quando o atraso for superior a 07 (sete) dias, nos termos da IN SRF nº 1.096/2010. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para negarlhe provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado em substituição a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 13 87 /2 01 1- 80 Fl. 334DF CARF MF 2 Trata o presente processo de Auto de Infração lavrado contra a empresa SOCIÉTÉ AIR FRANCE (fls. 3/10), para constituição de crédito tributário referente à multa regulamentar no valor de R$ 30.000,00, decorrente da prestação intempestiva de informações relativas a 6 embarques aéreos realizados no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro. Segundo a Fiscalização, a Recorrente registrou intempestivamente os dados de embarque de mercadorias, relativos aos Despachos de Exportação (DDE) relacionados na planilha juntada à fl. 11 (informações extraídas do SISCOMEX EXPORTAÇÃO fls. 12/29), descumprindo dessa forma a obrigação acessória prevista no art. 37 da Instrução Normativa SRF n° 28, de 1994, com a redação dada pela Instrução Normativa SRF nº 510, de 2005, sujeitandose por essa infração à multa prevista na alínea 'e' do inciso IV do art. 107 do Decretolei n° n° 37, de 1966, com a redação dada pelo art. 77 da Lei n° 10.833, de 2003. Em seu Relatório, afirma o Fisco que a obrigação do transportador encontra se estabelecida no art. 37 do Decretolei, com observância do prazo estipulado no art. 39, inciso II, da Instrução Normativa SRF nº 28, de 1994. Que o referido prazo deveria ser observado pelo transportador, por veículo, cada um identificado pelo respectivo vôo, em que se transportaram as cargas amparadas pelas Declarações de Exportação (DDE). Cientificado do Auto de Infração, a Recorrente apresentou Impugnação e requereu o cancelamento do lançamento, alegando (i) erro na tipificação do auto de infração, (ii) ausência de prova da intempestividade, (iii) prova imperfeita em razão de indisponibilidades do Siscomex, (iv) inexistência de embaraço à fiscalização, (v) violação da finalidade do ato administrativo e (vi) violação à proporcionalidade e à razoabilidade. Na decisão de piso (prolatada pela DRJ em Florianópolis/SC), destacou o julgador administrativo que o registro dos dados de embarque no Siscomex após o prazo estabelecido pela legislação de regência constitui infração objetiva cominada com a multa de cinco mil reais por viagem cujos dados de embarque foram registrados intempestivamente, em face de expressa determinação legal, sendo mantido o crédito tributário de R$ 30.000,00. Quanto às demais alegações do contribuinte, a Delegacia de Julgamento afastouas, ora por falta de comprovação, ora em razão da necessária observância do princípio da legalidade por parte da Administração Pública, cuja atividade é vinculada e obrigatória. Cientificado da decisão em 13/12/2012 e, não concordando, interpôs em 21/12/2012, o Recurso Voluntário em que reitera seu pedido de cancelamento total do Auto de Infração, repisando os argumentos de defesa apresentados na Impugnação, resumido nas seguintes razões: 1) o Auto de Infração foi lavrado com base em incorreta tipificação dos fatos, bem como em incorreta adequação dos fatos à norma; 2) a multa que trata o presente lançamento tem sido aplicada pela Fiscalização por cada veículo. No entanto, foi incluído dentro dos fatos geradores listados, o vôo AFR447 do dia 29/11/2008 teve seu registro de dados de embarque em 08/12/2008, portanto, realizado tempestivamente dentro do prazo de 07 dias; 3) após alterações do §2º do art. 102 do Decretolei nº 37/1966 pela Lei nº 12.350/2010, o instituo da denuncia espontânea passou a excluir não somente as penalidades de natureza tributária, mas também as penalidades administrativas; 4) prova imperfeita, o SISCOMEX inegavelmente apresenta falhas técnicas (reproduz no corpo recurso) que, por diversas vezes, geram sua indisponibilidade por horas ou Fl. 335DF CARF MF Processo nº 10715.001387/201180 Acórdão n.º 3402005.942 S3C4T2 Fl. 335 3 mesmo dias e impedem a inserção de dados de embarque de mercadorias, não podendo a Recorrente arcar com pesadas multas em virtude de um atraso que ela não deu causa; 5) inexistência de embaraço a fiscalização e violação à finalidade do ato admnistrativo; 6) violação do princípio da proporcionalidade e da razoabilidade; e 7) a fiscalização agiu em desacordo com os dispostos nos artigos 63 e 65, da Lei nº 5.025/1966. Junto ao Recurso Voluntário, trouxe aos autos cópias de acórdãos do CARF sobre a matéria e de um Ofício do SERPRO, datado de 11/11/2011, informando sobre as indisponibilidades ocorridas no sistema SISCOMEX durante o ano 2004. Os autos, então, foram encaminhados a este CARF para análise do recurso que proferiu o Acórdão nº 3803006.265 (3ª Turma Especial), sessão de 22/07/2014 (fls. 167/173), que no voto condutor, o Relator aduz que "Considerando que as informações foram prestadas intempestivamente pelo Recorrente mas antes de qualquer atividade da fiscalização e alguns dias depois das datas dos vôos em que as mercadorias exportadas foram transportadas, temse que nenhuma das exceções acima referenciadas se aplica ao presente caso". Ao final, o Colegiado decide que no caso sob análise, no momento da prestação de informações pelo transportador, as Declarações de Exportação já haviam sido apresentadas, restringindose a obrigação acessória aos registros dos embarques no SISCOMEX, medida essa de controle meramente administrativo, o que em nada afeta o cumprimento das obrigações tributárias principais. E conclui da seguinte forma (fl. 167): "Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, para cancelar o auto de infração. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado que negava provimento". (Grifei) Cientificada do Acórdão mencionado o Representante da Fazenda Nacional apresentou Recurso Especial suscitando divergência quanto à exoneração da penalidade em comento por aplicação da denúncia espontânea prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a nova redação dada pela Lei nº 12.350/2010. Ao julgar o caso, a 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais deste CARF (Acórdão nº 9303003.750, de 26/04/2016, fls. 245/253), deu provimento parcial ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, afastando a possibilidade de aplicação do instituto da denúncia espontânea às penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela RFB para a prestação de informações à administração aduaneira. Na mesma decisão, determinou que os autos fossem remetidos novamente às Turmas Ordinárias (TO) para apreciação e deliberação dos demais argumentos apresentados pelo Contribuinte em seu recurso. O contribuinte opôs Embargos de Declaração cuja a admissibilidade foi negada por despacho do Presidente do CARF. Fl. 336DF CARF MF 4 Por fim, cabe informar que a empresa recorreu ao Poder Judiciário e a Fazenda Nacional (PGFN) recorreu da liminar concedida, culminando que o Tribunal Regional Federal da 1ª Região TRF01, proferiu decisão no Agravo de Instrumento nº 1005165 84.2016.4.01.0000 (Processo Referência: 100696887.2016.4.01.3400), em que restou cassada a liminar concedida do MS 100696887.2016.4.01.3400, impetrada pela SOCIETE AIR FRANCE (fls. 281/332). Os autos foram distribuídos à esta Turma Ordinária, para relatoria do feito. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido por este Colegiado. Como se verifica no relatório, apenas o argumento relativo à aplicação da denúncia espontânea em relação a penalidades decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias foi enfrentado no Acórdão proferido pela 3ª Turma da CSRF, justamente por ter sido o fio condutor do Acórdão proferido na Turma Especial, que deixou de deliberar sobre os demais pontos abordados, a despeito do Relator têlos citados em seu acórdão. Desse modo, cabe a este Colegiado discutir, apenas os demais argumentos aduzidos no Recurso Voluntário da Recorrente. Como relatado, a Recorrente alega em sua Impugnação e repisa no Recurso Voluntário que (i) o Auto de Infração foi lavrado com base em incorreta tipificação, bem como em incorreta adequação dos fatos à norma; (ii) a multa que trata o presente lançamento tem sido aplicada pela Fiscalização por cada veículo. No entanto, foi incluído dentro dos fatos geradores listados, o vôo AFR447 do dia 29/11/2008 teve seu registro de dados de embarque em 08/12/2008, portanto, realizado tempestivamente dentro do prazo de 07 dias; (iii) com as alterações do §2º do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966 pela Lei nº 12.350/2010, o instituo da denuncia espontânea passou a excluir não somente as penalidades de natureza tributária, mas também as penalidades administrativas; (iv) o SISCOMEX inegavelmente apresenta falhas técnicas que impedem a inserção de dados de embarque de mercadorias; (v) inexistência de embaraço a fiscalização; (vi) violação do princípio da proporcionalidade e da razoabilidade e (vii) aplicação do disposto nos art. 63 e 65 da Lei nº 5.025/66. Ressaltase que o argumento da ocorrência de direito superveniente, autorizando a aplicação do instituto da denúncia espontânea às multas administrativas (item (iii) do tópico acima), matéria esta que já foi enfrentada e decidido pelo seu afastamento pelo Acórdão proferido pela 3ª Turma da CSRF. 1. Da alegada Nulidade do lançamento Quanto ao argumento sustentado pela Recorrente que é nulo o lançamento, ao fundamento que ocorreu erro na tipificação do Auto de Infração e também que não haveria provas do cometimento da infração, entendo que nos dois argumentos não assiste razão à Recorrente, explico. Fl. 337DF CARF MF Processo nº 10715.001387/201180 Acórdão n.º 3402005.942 S3C4T2 Fl. 336 5 Vejase o que alega a Recorrente em seu recurso: Pois bem. Verificase no Auto de Infração, no quadro "Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal" (fl. 5/6 dos autos), que a Fiscalização enquadrou a infração na alínea 'e' do inciso IV do art. 107 do Decretolei nº 37, de 1966, na redação conferida pela Lei n.º 10.833, de 2003, que tipifica a conduta de deixar de prestar as informações requeridas, na alínea “c” do mesmo dispositivo, combinado com dispositivos da IN/SRF nº 28/1994 e IN/SRF nº 510/2005. Vejase: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV – de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) c) a quem, por qualquer meio ou forma, omissiva ou comissiva, embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, inclusive no caso de não apresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento fiscal; (...) e) por deixar de prestar informação sobre veiculo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso porta a porta, ou ao agente de carga. (Grifei) Como pode ser visto, o alegado enquadramento incorreto não se verifica. De outra forma, a multa em apreço é decorrente, tãosomente, da impontualidade da interessada quanto ao cumprimento da obrigação acessória de que trata a alínea 'e1 do inciso IV do art. 107 do Decretolei n° 37, de 1966, infração essa que, se não informada, seria passível de conhecimento pela autoridade aduaneira. Portanto, perfeitamente tipificada e enquadramento da a infração à norma. Vejase o consignado no texto do Auto de Infração (fl. 5): "001 NÃO PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE VEICULO OU CARGA TRANSPORTADA, OU SOBRE OPERAÇÕES QUE EXECUTAR No exercício das funções de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, conforme dispõe o art. 147, do DecretoLei 37/66, regulamentado pelo art. 203, inciso VI, da Fl. 338DF CARF MF 6 Portaria MF nº 587, de 21 de dezembro de 2010, com vistas à verificação do cumprimento da obrigação acessória disposta no art 37, da IN/SRF nº 28/1994, alterado pelo art.1º, da IN/SRF nº 1.096/2010, foram apurados registros de dados de embarque intempestivos, referentes aos transportes internacionais realizados em novembro de 2008, no Aeroporto Internacional do Rio de JaneiroALF/GIG". (Grifei) Resta constatado nos autos que os dados que embasaram o lançamento, estão relacionados no demonstrativo de fl. 11, separado por numero de DDE, data do Embarque, Data da Informação e nº do Vôo, sendo que tais informações foram extraídas do Sistema Integrado de Comércio Exterior (SISCOMEX, módulo EXPORTAÇÃO), um Sistema de controle informatizado que reflete, num único ambiente, onde permanecem gravadas todas as informações relativas ao comércio exterior (incluindo o registro de embarque de mercadorias destinadas ao exterior) e no qual é exercido o controle governamental do Brasil, a partir inclusive, de informações registradas pelos próprios importadores, exportadores, depositários e transportadores, por seus empregados ou representantes legais. Os extratos encontramse apensados aos autos às fls. 12/29. Alega também a Recorrente que o SISCOMEX inegavelmente apresenta falhas técnicas que, por diversas vezes, geram sua indisponibilidade por horas ou mesmo dias e impedem a inserção de dados de embarque de mercadorias, não podendo a Recorrente arcar com pesadas multas em virtude de um atraso que ela não deu causa. Ora, se houve alguma das informações relacionadas na planilha de forma incorreta, é ônus da Recorrente demonstrar, trazendo aos autos as provas documentais que comprovem o erro supostamente cometido pela Fiscalização. Afinal, conforme conhecido brocardo jurídico, alegar e não provar é o mesmo que não alegar, devendo o julgador observar as regras de distribuição do ônus probatório. Contudo, a Recorrente nada trouxe que infirmasse qualquer das informações encartadas no demonstrativo elaborado à fl. 11. Quanto ao alegado que o Auto de Infração lavrado não foi instruído com qualquer documento que comprove a infração imputada à mesma, caracterizando o cerceamento do direito de defesa, verificase que o Auto de Infração foi lavrado por autoridade competente e teve origem em auditoria realizada pela Fiscalização da RFB, detalhada no Auto de Infração, onde consta a motivação para o lançamento e as provas que conduziram a autoridade fazendária a sua lavratura. A Recorrente foi cientificada da exigência fiscal e apresentou Impugnação que foi apreciada em julgamento realizado na primeira instância. Irresignada com o resultado do julgamento da autoridade a quo, a Recorrente protocolou recurso voluntário, rebatendo as posições adotadas no acórdão recorrido, combatendo as razões de decidir daquela autoridade, portanto, as motivações para o lançamento, bem como, as do julgamento na primeira instância foram claramente identificadas. Com todo este histórico de discussão administrativa, não se pode falar em cerceamento de direito de defesa ou quaisquer outros vícios no lançamento ou no julgamento da primeira instância, uma vez que todo o procedimento previsto no Decreto nº 70.235/72, foi observado, tanto no lançamento tributário, como no curso do devido processo administrativo fiscal. Assim, a nulidade alegada pela Recorrente quanto ao possível erro de enquadramento legal da penalidade não deve prosperar, haja vista que o tipo infracional está perfeitamente descrito na norma e se coaduna com o fato ocorrido, qual seja, o atraso na prestação dos dados pertinentes ao embarque da mercadoria. No mesmo sentido verificase que as informações das datas foram extraídas do Sistema de controle de exportação, o SISCOMEX. Fl. 339DF CARF MF Processo nº 10715.001387/201180 Acórdão n.º 3402005.942 S3C4T2 Fl. 337 7 2. Do valor da multa Da análise da tabela acostada aos autos à fl. 11, temse que o lançamento só poderia vigorar em relação às Declarações de Despacho de Exportação DDE, cujos embarques foram efetuados e informados nos seguintes dias: 03/11/2008 (vôo AFR443); 11/11//2008 (vôo AFR443); 24/11/2008 (vôo AFR447); 26/11/2008 (vôo AF443) e 29/11/2008 (2 vôos AFR443 e 447), visto que ultrapassado o prazo de 07 dias estabelecido para o registro no SISCOMEX, conforme o estabelecido no artigo 37 da IN SRF nº 28/94 (redação dada pela IN RFB no 1.096, de 13/12/2010). Quanto ao alegado que embora a multa que trata o presente lançamento tem sido aplicada pela Fiscalização por cada veículo, no entanto, foi incluído dentro dos fatos geradores listados, o vôo AFR447 do dia 29/11/2008, que teve seu registro de dados de embarque em 08/12/2008, portanto, pela contagem de prazo (que se iniciam e vemcem em dia de expediente normal), foi realizado tempestivamente dentro do prazo de 07 dias. Afirma a Recorrente que a redação da Solução de Consulta n° 215/04, é clara ao afirmar que não há justificativa para que se considere o início da contagem de prazos às sextasfeiras, sábados, domingos e feriados já que "tal procedimento apenas aumenta o Custo Brasil sem nenhum incremento visível de performance da fiscalização aduaneira". Quanto a contagem dos prazos, o Fisco acertadamente considerou a forma prescrita no caput do artigo 210 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), que determina que os prazos sejam contínuos, excluindose na sua contagem o dia de início e incluindose o de vencimento. No entanto, neste caso, não é de se aplicar, porém, a regra prescrita em seu parágrafo único, segundo o qual os prazos só se iniciam ou vencem em dia de expediente normal na repartição em que corra o processo ou deva ser praticado o ato, uma vez que o cumprimento do prazo em questão não está a depender da intervenção da repartição pública (no caso aduaneira), nem nesta deva ser realizada (obrigação efetuada pela própria Recorrente em seu estabelecimento). Tratase de regra excepcional, destinada apenas a estabelecer uma exceção à disposição encartada na cabeça do artigo. Como se observa, o nosso entendimento é divergente do adotado na Solução de Consulta 9ª RF/DISIT nº 215, de 2004. Contudo, alerto que além de desprovida de caráter vinculante, não resultou de consulta formulada pela Recorrente. Ressaltase que a obrigação de prestar informação sobre veículo ou carga transportada no SISCOMEX independe da interveniência da repartição aduaneira para que o responsável pelo seu cumprimento a satisfaça no prazo de sete dias, contado da data do embarque, conforme estipulado no caput do art. 37 da IN SRF n.º 28, de 2004, alterado pela IN RFB n.º 1.096/2010. A rigor, os sujeitos passivos de tais obrigações são previamente habilitados pela Receita Federal do Brasil (RFB) para acessarem, de forma ininterrupta, o referido sistema informatizado, razão pela qual entendo que, da mesma forma, os prazos concernentes à prestação de informação no SISCOMEX também devem ser contados ininterruptamente, adotandose apenas a disciplina contida no caput do art. 210 do CTN, eis que o fato em exame não reproduz a hipótese da disposição contida no parágrafo único do precitado artigo. Fl. 340DF CARF MF 8 Assim, sem reparos a decisão a quo, uma vez que encontrase correto o critério utilizado para aplicação da penalidade, ao considerar que o valor de R$ 5.000,00 deve ser exigido em relação a cada veículo transportador, ou seja, por embarque/vôo, o que resultou em 06 vôos, no caso em apreço, resultando no valor de R$ 30.000,00. 3. Da alegada prova imperfeita falhas técnicas do SISCOMEX Aduz em seu recurso que o SISCOMEX inegavelmente apresenta falhas técnicas que, por diversas vezes, geram sua indisponibilidade por horas ou mesmo dias e impedem a inserção de dados de embarque de mercadorias. No que diz respeito ao argumento que atribui à ocorrência de problemas no SISCOMEX como sendo motivador do registro dos dados de embarque fora do prazo fixado, tenhoo como daqueles que não transcende de si mesmo, é genérico e desprovido de elementos de prova, e dessa ocorrência não se teve notícia concreta nos autos. Como já asseverado, não basta sustentar que falhas ocorreram no aludido sistema e exemplificálas descrevendo algumas que se teriam verificado inclusive em períodos anteriores ao que ocorreram os embarques das mercadorias objeto dos autos. Assim, a pretensão calçada nesse argumento não tem como prosperar no sentido de afastar a aplicação da multa ora litigada. No que se refere às alegações quanto às informações da Fiscalização de que as datas informadas como sendo do registro dos dados de embarque seriam, na verdade, as datas das averbações ou que as mesmas não refletem as tentativas de registros por parte da transportadora, também são desprovidas de comprovação nos autos. Sobre os argumentos de problemas existentes no registro das informações, as mesmas não foram comprovadas de forma que pudessem afastar a exigência do cumprimento do prazo em questão. Ainda que as decisões administrativa e judicial trazidas aos autos para sustentar sua tese não vincule o julgador, é de se destacar que as ementas aludem à necessária comprovação das falhas no SISCOMEX. Quanto a informação trazido pelo Ofício Resposta expedido pelo SERPRO, oriundo de pedidos judiciais efetuado pela Recorrente, que revela os casos de inconsistência e do desempenho da unidade de monitoração do sistema SISCOMEX, o referido Órgão de processamento de dados apresentou a relação de panes registradas ao longo do ano de 2004, ou seja, período distinto do discutido nesses autos que é referente ao ano de 2008 (fls. 158/164). Com relação às alegações no tocante à aplicação da IN RFB n.º 835/2008, que trata de normas de contingência, é de se destacar que referida norma traz em seu bojo as situações em que se aplicaria e, principalmente, os ritos para que se contingenciassem problemas de origem técnica determinando procedimentos a serem cumpridos pelos interessados. E como se vê da análise dos autos, nada consta que tais procedimentos tenham sido adotados no período da autuação em relação à autuada. Por fim, no que respeita ao encargo de se provar o que se alega, de se ver o disposto no inciso III do art. 16 do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, que diz: Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir: (redação dada pelo art. 1º da Lei n° 8.748, de 1993) Grifei 4. Da alegada inexistência de embaraço à fiscalização Fl. 341DF CARF MF Processo nº 10715.001387/201180 Acórdão n.º 3402005.942 S3C4T2 Fl. 338 9 A Recorrente alega a inexistência de embaraço à fiscalização, desoneração às exportações e violação á finalidade do Ato administrativo. Cabe ressaltar que na vigência da IN SRF nº 28, de 1994, a inobservância da obrigação estabelecida no seu art. 37, era entendida pela RFB como caracterizadora de embaraço à atividade de fiscalização aduaneira, conforme disposto em seu art. 44. No entanto, a partir da edição da MP nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833, de 2003, foi estabelecida para o transportador a obrigação de “prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas”, como se verifica da redação emprestada ao art. 37 do Decretolei nº 37, de 1966 pelo art. 77 da Lei nº 10.833/2003: “Art. 77. Os arts. 1º, 17, 36, 37, 50, 104, 107 e 169 do DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966, passam a vigorar com as seguintes alterações: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado". Posto isto, com a entrada em vigor dessa nova norma legal, o descumprimento da obrigação de prestar à RFB, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, passou a ser cominada com a multa de R$ 5.000,00, prevista no inciso IV, “e”, do art. 107 do Decretolei nº 37/1966, e não mais aquela prevista por embaraço, que veio a ser tipificada no inciso IV, “c”. Portanto, ainda que a IN SRF nº 28/94, como alega, possa definir o atraso como embaraço, o Decreto Lei n.º 37/66, com a redação da Lei n.º 10.833/2003, previu multa específica para a intempestividade na prestação das referidas informações. Assim, para a caracterização de ilícito sujeito à aplicação da referida multa, há que ser apurado o descumprimento da obrigação, o que implica, no caso, a inobservância de prazo fixado pela Administração Tributária para a apresentação dos dados relativos ao embarque. Por fim, tendo em vista o princípio da legalidade a que está sujeito o Ato administrativo, é de se afastar, também, as alegações quanto à inexistência de embaraço à fiscalização e os demais argumentos quanto à desoneração às exportações, violação à finalidade do ato administrativo e que não houve prejuízo ao interesse público, pois nenhum tributo teria deixado de ser recolhido. 5. Violação à proporcionalidade e à razoabilidade caráter confiscatório da multa O argumento de que a multa viola princípios constitucionais não pode ser apreciado pelo julgador administrativo, pois falece competência aos agentes administrativos para afastar a aplicação de dispositivos legais plenamente vigentes. Para que incida a penalidade em questão, basta que se configure a situação fática eleita pelo legislador para a sua aplicação, sendo absolutamente desnecessária qualquer consideração Fl. 342DF CARF MF 10 Além disso, quanto ao argumento de desproporcionalidade e da razoabilidade, a única possibilidade de não aplicação da multa seria pela declaração de inconstitucionalidade da mesma, o que é vedado expressamente pelo artigo 26A do Decreto nº 70.235/72 e pela Súmula CARF nº 02, de observância obrigatória por parte deste Colegiado. Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Nesse diapasão, quanto à aplicação dos princípios da proporcionalidade, da razoabilidade e do não confisco, cabe destacar que uma vez materializada a hipótese de incidência prevista na norma penal, é defeso à Fiscalização aduaneira, à luz dos mencionados princípios, mitigar a aplicação da penalidade imposta pela legislação, eis que a atividade administrativa do lançamento é vinculada e obrigatória, devendo a fiscalização aplicar a sanção em sua inteireza conforme determina a norma legal, em atendimento ao preceito contido no parágrafo único do art. 142 do Código Tributário Nacional, in verbis: Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. 6. Da aplicação do disposto nos art. 63 e 65 da lei nº 5.025/66. Por fim, em seu recurso a Recorrente sustenta que: Muito embora seja um argumento inovador no recurso, analisase a aplicabilidade dos referidos artigos da Lei nº 5.025/66: Art. 63. Ficam os órgãos responsáveis pela fiscalização de embarque obrigados a prestar os mais amplos esclarecimentos sobre os direitos e deveres dos exportadores, bem como dar a necessária assistência à realização normal das operações de exportação, tendo em vista os objetivos da presente lei. Art. 65. Quando ocorrerem, na exportação, erros ou omissões caracteristicamente sem a intenção de fraude e que possam ser de imediato corrigidos, a autoridade responsável pela fiscalização alertará o exportador e o orientará sobre a maneira correta de proceder. Repisese que encontrase correta a tipificação com base no art.107, IV, "e", do DecretoLei37/66, afinal deixaram de ser registrados os embarques no prazo normativo, por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso porta porta, ou ao agente de carga; Fl. 343DF CARF MF Processo nº 10715.001387/201180 Acórdão n.º 3402005.942 S3C4T2 Fl. 339 11 Portanto, não assiste razão as alegações de violação à proporcionalidade, razoabilidade ou isonomia, porquanto se tratar de obrigação de fazer, ensejando o seu descumprimento o apenamento previsto no ordenamento legal (multa de R$ 5.000,00 por fato gerador), não havendo de se falar em ausência de prejuízo ou boafé. É dever da empresa tomar conhecimento das leis e normas vigentes, e à Fiscalização cabe autuar o infrator no caso de cometimento de irregularidade encontrada, tal como ocorrido à espécie, ao passo que os invocados artigos 63 e 65 da Lei nº 5.025/66, em nenhum momento não eximem o transgressor da multa aplicada (obrigação de fazer). Em outras palavras, havendo previsão na legislação aduaneira para o registro do embarque, a omissão ou registro a destempo, por si só, têm o condão de lastrear a sanção imputada. Ademais, como citado acima, a atividade administrativa do lançamento é vinculada e obrigatória, devendo a Fiscalização aplicar a sanção em sua inteireza conforme determina a norma legal, em atendimento ao preceito contido no parágrafo único do art. 142 do Código Tributário Nacional. 6. Dispositivo Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário interposto e negarlhe provimento, mantendose hígida a decisão de piso. É como voto. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 344DF CARF MF
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Numero do processo: 10280.001288/2007-79
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Exercício: 2003
IRPF. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
Caracteriza omissão de rendimentos a constatação de valores creditados em contas bancárias, cuja origem o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, por meio de documentos hábeis e idôneos. Receitas e rendimentos isentos ou não tributáveis declarados somente podem ser excluídos da base de cálculo do lançamento mediante comprovação de que tais valores transitaram pelas contas bancárias
Numero da decisão: 9202-007.160
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial, para reduzir a exclusão da base de cálculo do tributo ao valor de R$ 63.950,16, vencidas as conselheiras Ana Paula Fernandes (relatora), Patrícia da Silva, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa.
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
(Assinado digitalmente)
Pedro Paulo Pereira Barbosa Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Caracteriza omissão de rendimentos a constatação de valores creditados em contas bancárias, cuja origem o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, por meio de documentos hábeis e idôneos. Receitas e rendimentos isentos ou não tributáveis declarados somente podem ser excluídos da base de cálculo do lançamento mediante comprovação de que tais valores transitaram pelas contas bancárias Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento parcial, para reduzir a exclusão da base de cálculo do tributo ao valor de R$ 63.950,16, vencidas as conselheiras Ana Paula Fernandes (relatora), Patrícia da Silva, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 00 12 88 /2 00 7- 79 Fl. 478DF CARF MF 2 (Assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa – Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pela Fazenda Nacional face ao acórdão 280101.546, proferido pela 1ª Turma Especial / 2ª Seção de Julgamento. Tratase o presente processo de Auto de Infração referente ao imposto sobre a renda da pessoa física exercício 2003 no valor total de R$ 715.753,93, sendo o principal de R$ 300.056,15, multa de ofício (75%) e juros de mora de R$ 190.655,67, calculados ate 30/03/2007. A suposta infração cometida seria omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, com fundamento no artigo 42 da Lei n° 9.430/96. O Contribuinte apresentou a impugnação de fls. 222/227. A DRJ/BELPA, às fls. 315/322, julgou procedente o lançamento, mantendo o imposto lançado, acrescido de multa de oficio (75%) e juros de mora. O Contribuinte apresentou Recurso Voluntário às fls. 330/337, requerendo, dentre outros pedidos, que, de acordo com o relatório do acórdão recorrido, a fiscalização decorreu de Ofícios expedidos pelo Juízo de Direito da 2ª Vara de Família da Comarca de Petrópolis/RJ, onde o contribuinte foi acusado de suposta prática de ilícitos criminais, subtraindo indevidamente quantias dos senhores John Thomas Afanasewich e Lydia José de Mattos Afanasewich, o que resultou em pedido para que a Receita Federal fiscalizasse Meta Agroflorestal e seus sócios; no curso da fiscalização, esclareceu que recebia recursos em suas contas bancárias para aquisição de insumos (documentos de fls. 28 a 53); informou que os depósitos efetuados no Banco Rural em fevereiro, março, maio, julho e outubro, totalizando R$ 769.379,82 foram efetuados com recursos de John Thomas Afanasewich, um dos sócios de Meta Agroflorestal, com o propósito de aquisição de insumos; apresentou notas fiscais emitidas por Adubos Trevo S/A, Adubos Agrofertil Fertimar Fertilizantes do Maranhão S/A, Fertilizantes Ouro Verde — Bunge Fertilizantes S/A, emitidas em nome de John Thomas Afanasewich, comprovando a compra de insumos para a empresa que tem por sócios o interessado, John Thomas Afanasewich e Domingos Fachinetti; a existência de fato da sociedade Meta Agroflorestal está documentalmente comprovada; tece considerações acerca dos motivos pelos quais entende que não há, no caso, necessidade de uma correspondência exata entre os depósitos apontados pela fiscalização e os pagamentos efetuados, eis que Fl. 479DF CARF MF Processo nº 10280.001288/200779 Acórdão n.º 9202007.160 CSRFT2 Fl. 10 3 empresas privadas funcionam de forma diversa das empresas públicas, empregando recursos na medida das necessidades, sem preocupação com a coincidência matemática com as transferências; não tinha contrato de mútuo com John Thomas Afanasewich porque, como sempre afirmou, os recursos eram transferidos para o emprego na sociedade Meta Agroflorestal; as autoridades fiscais poderiam ter intimado os Bancos em que John Thomas Afanasewich mantinha conta corrente para apresentar os extratos das contas do mencionado senhor e, assim, verificar as transferências identificadas pelo contribuinte, eis que o recorrente está obstado de fazêlo; além disso, não foram descontados os rendimentos líquidos de pró labore (R$ 48.616,56) e da atividade rural (R$ 76.668,00) declarados no ajuste anual, pelo que protesta. A 1ª Turma Especial da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 395/402, DEU PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Ordinário, para excluir da base de cálculo lançada a quantia de R$ 125.284,56. A ementa do acórdão recorrido assim dispôs: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Exercício: 2003 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RENDIMENTOS CONFESSADOS. TRÂNSITO PELAS CONTAS DE DEPÓSITOS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO LANÇADO. POSSIBILIDADE. É razoável compreender que, além dos rendimentos omitidos, todos os ingressos de recursos declarados oportunamente pelo contribuinte, seja a título de rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributáveis exclusivamente na fonte e receitas da atividade rural, transitam, igualmente, pelas contas bancárias do fiscalizado, devendo, assim, os correspondentes valores serem excluídos em bloco da base de cálculo da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, salvo se demonstrada a incompatibilidade da questionada omissão de rendimentos com a percepção dos valores declarados. Recurso Voluntário Provido em Parte Às fls. 407/419, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, no qual argumentou que o Colegiado a quo, prolator do acórdão recorrido, entendeu que o valor declarado em DAA pode ser considerado como comprovação de origem dos depósitos bancários, independente de identificação entre as fontes e os depósitos. De outro modo, os acórdãos paradigmas firmaram o entendimento de que é necessária a demonstração efetiva da origem dos recursos depositados, sendo incabíveis meras alegações, tais como a de que o valor declarado em DAA estaria englobado entre os depósitos. Cada depósito deve ser justificado individualizadamente, tal como determina a lei. Ao realizar o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial, às fls. 439/441, a 1ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, DEU SEGUIMENTO ao recurso, concluindo restar demonstrada a divergência de interpretação em relação à seguinte matéria: omissão de depósito bancário, pois verificou que a turma decidiu excluir os rendimentos declarados da base de cálculo da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Por outro lado, os paradigmas consideraram indispensável a Fl. 480DF CARF MF 4 individualização e a vinculação de cada depósito aos rendimentos declarados para a comprovação da sua origem, restando, portanto, patente a divergência jurisprudencial nessa matéria. O pedido incidental da Fazenda Nacional não restou apreciado. Cientificado à fl. 451, o Contribuinte mantevese inerte. Na Sessão Plenária, em 25/07/2017, esta 2ª Turma proferiu a Resolução n.º 9202000.123, resolvendo converter o julgamento em diligência à 1ª Câmara, para complementação da análise de admissibilidade do Recurso Especial. Segundo voto vencedor, restou assim consignado: “Com a máxima vênia ao entendimento da nobre relatora, verifico que o pleito fazendário classificou a matéria de inovação de argumentação em sede recursal (alegação de preclusão) como preliminar à argumentação de existência de divergência interpretativa, daí não se ter anexado paradigma algum (vide efls. 408/409). Entendo, a propósito, que caberia manifestação da autoridade competente (in casu, o Presidente da 1ª Câmara da 2ª Seção do CARF) acerca da referida preliminar arguída, em sede de exame de admissibilidade, sob pena de se assumir e se aceitar ter se dado seguimento a argumentação preliminar aduzida em sede de Recurso Especial sem prévia análise, o que, s.m.j., é totalmente incompatível com as disposições regimentais deste Conselho. Diante do exposto, voto por converter o julgamento do recurso em diligência à câmara recorrida, para complementação da análise de admissibilidade do Recurso Especial, em especial no que diz respeito à preliminar aventada no pleito fazendário e não analisada no exame de admissibilidade de efls. 439 a 441.” (Grifo nosso) Às fls. 462/467, em novo Exame de Admissibilidade a 1ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, NEGOU SEGUIMENTO ao recurso, com relação a preliminar de preclusão, por falta de apresentação de acórdão paradigma proferido pelos Conselhos de Contribuintes ou pelo CARF, e, por conseguinte, por não haver demonstração de divergências interpretativas entre julgados, exigido pelo § 6º do art. 67 do RICARF. À fl. 469, a Fazenda Nacional manifestou sua ciência, bem como, à fl. 474, o Contribuinte foi cientificado do despacho de admissibilidade, retornando os autos conclusos para julgamento. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora Fl. 481DF CARF MF Processo nº 10280.001288/200779 Acórdão n.º 9202007.160 CSRFT2 Fl. 11 5 O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. Tratase o presente processo de Auto de Infração referente ao imposto sobre a renda da pessoa física exercício 2003 no valor total de R$ 715.753,93, sendo o principal de R$ 300.056,15, multa de ofício (75%) e juros de mora de R$ 190.655,67, calculados ate 30/03/2007. A suposta infração cometida seria omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, com fundamento no artigo 42 da Lei n° 9.430/96. O Acórdão recorrido deu parcial provimento ao recurso ordinário. O Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional trouxe para análise a divergência jurisprudencial no tocante à Omissão de Rendimentos (depósitos bancários: comprovação da origem dos depósitos). O Acórdão recorrido deu provimento parcial ao recurso, entendendo que o valor oferecido à tributação pelo sujeito passivo na Declaração de Ajuste Anual – DAA pode ser considerado como prova de origem de depósitos bancários, independente de identificação entre as fontes e os depósitos. O Recurso Especial, apresentado pela Fazenda Nacional, trouxe para análise a divergência jurisprudencial no sentido de que a confissão de rendimentos na declaração de ajuste anual não é meio hábil, por si só, para comprovar a origem de depósitos bancários presumidos como renda. Observese que a discussão em tela trata de presunção legal, que permite à Fazenda tributar depósitos bancários sem origem e/ou tributação justificados, cabendo prova em contrário, por parte da contribuinte. Utilizase aqui das lições de Alfredo Augusto Becker, para que possamos compreender o sentido axiológico do instituto em discussão. Assim, "presunção é o resultado de processo lógico mediante o qual do fato conhecido cuja existência é certa se infere o fato desconhecido cuja existência é provável (Teoria Geral do Direito Tributário, 3. ed. São Paulo: Lejus. 1998. pg. 508). No caso da técnica de apuração baseada em presunção estabelecida pelo art. 42 da Lei 9.430/96, o fato conhecido é a existência de depósitos bancários, que denotam, a priori, acréscimo patrimonial. Tendo em vista que renda, para fins de imposto de renda, é considerada como o acréscimo patrimonial em determinado período de tempo, a existência de depósitos sem origem e sem tributação comprovados levam à presunção de que houve acréscimo patrimonial não oferecido à tributação; logo, omitido o fato desconhecido de existência provável. Vejamos o que diz o artigo: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente Fl. 482DF CARF MF 6 intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. “ Podemos deste dispositivo destacar os comandos principais: caracterizase omissão de receitas + contribuinte regularmente intimado + não comprove origem com documentação hábil e idônea. Isso significa que temse uma autorização legal para considerar ocorrido o “fato gerador” quando o contribuinte não logra comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, não havendo a necessidade do fisco juntar qualquer outra prova. Não há dúvidas, portanto, de que o art.42 da Lei 9430/96 é uma presunção legal a favor do fisco que inverte o ônus da prova, trazendo ao contribuinte (caso não se trate de omissão) o dever de fazer prova em contrário capaz de refutar essa presunção disposta em lei. Contudo, se cabe ao contribuinte fazer prova a seu favor, isso rende a esta "presunção legal" uma nota de relatividade. Remetendo a análise das provas dos autos, sob as quais se manifesta pontualmente o acórdão recorrido. No caso em tela, a discussão fica por conta de considerar omitidos também aqueles depósitos cujos valores estejam englobados na declaração de imposto de renda pessoa física DIRPF. Ou seja, para os valores constantes da DIRPF também são necessária aa comprovações pormenorizadas da origem dos depósitos? A insurgência apontada pela Fazenda consiste na alegada necessidade de comprovação da origem mesmo quando se tratar de rendimentos declarados. A insurgência principal do contribuinte neste caso é o de que os valores por ele declarados em suas Declarações de Imposto de Renda não foram excluídos da base de cálculo da omissão de rendimentos, quando deveriam ter sido. Em que pese entender que devo deixar de proceder a análise probatória dos depósitos e das provas, pois a valoração probatória não cabe a esta Câmara Superior, cabendo aqui neste caso tão somente decidir a respeito da tese jurídica matéria que foi admitida qual seja, se os valores declarados na DIRPF prescindem ou não de comprovação de origem, tais como os depósitos não declarados (omitidos), contudo não é o entendimento deste colegiado. O acórdão recorrido deu razão ao contribuinte, conforme excerto abaixo: “Assim de acordo com a DIRPF 2003 sob exame, deve ser excluído o montante R$ 125.284,56 (Rendimentos Tributáveis/Prólabore R$ 48.616,56, Receitas da Atividade Rural R$ 76.668,00). Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo lançada a quantia de R$ 125.284,56. “ Neste ponto, entendo que quanto a tese jurídica assiste razão ao acórdão recorrido, pois o valor declarado pelo sujeito passivo como rendimento da DIRPF (a qualquer título), saliento aqui meu posicionamento isolado no Colegiado, deve ser considerado como prova de origem, pois uma vez que não foi objeto de glosa, não precisa provar identidade entre fonte e depósito. Fl. 483DF CARF MF Processo nº 10280.001288/200779 Acórdão n.º 9202007.160 CSRFT2 Fl. 12 7 Contudo divirjo dos valores apontados pelo recorrido, pois com base na DIRPF do Contribuinte, constante as fls. 185 dos autos, os montantes declarados correspondem a R$ 75.336,60 (valores declarados como tributáveis) e R$ 51.529,41 (declarados como isentos e não tributáveis), cuja soma corresponde a R$ 126.863,01 valor exemplificado pelo auditor fiscal no auto de infração, fls.13. Assim, os valores declarados nas DIRPF's deveriam ser excluídos da base de cálculo da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, já que tais rendimentos não foram objeto de glosa pela autoridade fiscal, ou seja, estes recursos foram tacitamente confirmados pelo Fisco. " Diante do exposto voto no sentido de conhecer do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional para no mérito negarlhe provimento, mantendo o acórdão recorrido na sua integralidade. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Voto Vencedor Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa – Redator designado Divergi da i. Relatora quanto ao valor passível de ser considerado como origens comprovadas dos depósitos bancários. Entendeu a Relatora, concordando com os termos do voto vencedor do Acórdão Recorrido, que a totalidade das receitas declaradas da atividade rural deveriam ser tidas como tendo transitado pela conta bancária do contribuinte, mesmo sem a comprovação do vínculo entre essas receitas e as movimentações financeiras. Lembro que examinamos lançamento com fundamento no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, que estabelece a presunção de que, depósitos bancários, cujas origens não sejam comprovadas de forma individualizada, são rendimentos omitidos. Pois bem, este Colegiado e este Conselheiro em particular tem adotado critério razoável de considerar excluir da base de cálculo da tributação com base em depósitos bancários rendimentos tributáveis efetivamente declarados, mesmo sem a demonstração, de forma individualizada, do vínculo entre esses rendimentos e a movimentação financeira. Tratase de flexibilização, com base na valorização do princípio da razoabilidade, do rigor do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Assumese que,m se o dispositivo visa alcançar rendimentos omitidos, é razoável, embora não obrigatório, se entender que os rendimentos tributados transitaram pela consta bancária do contribuinte e, como isso, evitar possível bis in idem. Esse mesmo raciocínio, contudo, não se estende a valores que não foram Fl. 484DF CARF MF 8 efetivamente tributados, como os rendimentos isentos, por exemplo, e, como neste caso, receitas da atividade rural que não foram efetivamente tributadas. Neste caso, é do contribuinte o ônus de demonstrar que tais valores efetivamente transitaram por suas contas bancárias, como exige a lei, como única forma de elidir a presunção de omissão de rendimentos. Foi esse o entendimento esposado no voto vencido do acórdão recorrido e é a mesma posição que adoto. Se a receita da atividade rural efetivamente transitou pela conta do contribuinte, este não deveria ter dificuldade em demonstrar esse fato. No caso, portanto, embora tenha sido declarada receita da atividade rural no valor de R$ 76.047,32, deste somente R$ 15.333,60 foi efetivamente tributado. Portanto, pelo critério aqui adotado, somente este valor deve ser excluídos da base tributável. Somandose este valor aos R$ 48.616,56 correspondente aos rendimentos de prólabore, em relação ao qual não há controvérsia, deve ser excluído da base de cálculo do lançamento com base em depósitos bancários, apenas o valor de R$ 63.950,16. Ante o exposto, conheço do recurso especial da Procuradoria e, no mérito, doulhe parcial provimento para que seja excluída da base de cálculo do lançamento o valor de R$ 63.950,16. Assinado digitalmente Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 485DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10783.906605/2012-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.907
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, á Unidade de Origem, para que elabore relatório onde se demonstre o critério de rateio adotado para os créditos a serem descontados.
assinado digitalmente
Winderley Morais Pereira - Presidente.
assinado digitalmente
Ari Vendramini - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini (Relator)
Nome do relator: ARI VENDRAMINI
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Por bem descrever os fatos, adoto os dizeres do Relatório do Acórdão nº 09 49350, exarado pela 2ª Turma da DRJ/JUIZ DE FORA : O interessado transmitiu os Pedidos de Ressarcimento (PER) e/ou Declarações de Compensação (Dcomp) relacionados no Despacho Decisório, RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 83 .9 06 60 5/ 20 12 -4 1 Fl. 1785DF CARF MF Processo nº 10783.906605/201241 Resolução nº 3301000.907 S3C3T1 Fl. 1.785 2 visando a compensação dos débitos nelas declarados, com crédito oriundo de PIS/Pasep nãocumulativo referente ao 4º trimestre de 2008; A DRFVitória/ES emitiu Despacho Decisório, no qual reconhece parcialmente o direito creditório e homologa as compensações pleiteadas até o limite do crédito reconhecido; A empresa apresenta manifestação de inconformidade, na qual alega, em síntese que : a) em preliminar: a.1) da imprecisão da apuração fiscal; a.2) da legitima desconsideração de negócios jurídicos. Da ausência de previsão legal para os procedimentos adotados pela fiscalização; b) do mérito: b.1) dos fundamentos jurídicos de validade e correção dos créditos de PIS e Cofins não cumulativos auferidos pela impugnante; b.2) da insubsistência das provas apresentadas pela fiscalização; b.3) da ausência de comprovação por parte da fiscalização, acerca da participação conjunta da impugnante com as empresas laranjas citadas nos itens II.4 e II.5, do Parecer Fiscal; b.4) a contabilidade (aquisições devidamente registradas) como meio de prova em favor da impugnante – a essência sobre a forma; b.5) da patente contradição do fisco frente a atuação pretérita e atual; b.6) das diligências efetuadas sob a denominação “Operação tempo decolheita”. Da ausência de nexo de casualidade para com as operações realizadas pela recorrente; b.7) da impossibilidade de extensão em face da impugnante dos efeitos dos atos praticados no âmbito da denominada “Operação Broca”; b.8) do entendimento das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento sobre a possibilidade do creditamento integral do PIS e da Cofins nas aquisições de cooperativas; b.9) sem dúvida, um dado curioso; b.10) da precariedade do trabalho fiscal – prova produzida pela impugnante; b.11) do restabelecimento integral dos créditos informados pela impugnante; É o breve relatório. 4. Assim restou ementada a decisão da DRJ/JUIZ DE FORA, materializada no retrocitado Acórdão : Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2008 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Incabível anular decisão sem que haja fatos ofensivos ao direito de ampla defesa, ao contraditório ou às normas que definem competência. PIS/PASEP COFINS.NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. ILEGITIMIDADE. PESSOA JURÍDICA IRREGULAR. A realização de transações com pessoas jurídicas irregulares, com fortes indícios de terem sido inseridas na cadeia produtiva com único propósito de gerar crédito na sistemática da não cumulatividade, compromete a liquidez e certeza do pretenso crédito, o que autoriza a sua glosa, sendo insuficiente para afastála, nesse caso, a prova do pagamento do preço e do recebimento dos bens adquiridos. Fl. 1786DF CARF MF Processo nº 10783.906605/201241 Resolução nº 3301000.907 S3C3T1 Fl. 1.786 3 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido 5. Irresignada com tal decisão, a empresa interpôs Recurso Voluntário, tempestivamente, onde, em suas razões de defesa, repisa os argumentos expendidos na impugnação como segue : 01 – FATO RELEVANTE a) aquisições de fornecedores b) aquisições de cooperativas 02 – PRELIMINARES a) da nulidade absoluta do procedimento fiscal, face ao inequívoco cerceamento ao direito de defesa da recorrente b) da descaracterização dos negócios jurídicos – situação tributária de todas as pessoas envolvidas 03 – DO MÉRITO a) da insubsistência das provas apresentadas pela fiscalização b) da contabilidade (aquisições devidamente registradas) como meio de prova em favor da recorrente – a essência sobre a forma c) da patente contradição do Fisco frente á atuação pretérita e atual d) das diligências realizadas sob a denominação “ Operação Tempo de Colheita”. Da ausência de nexo de causalidade para com as operações realizadas pela recorrente e) da impossibilidade de extensão em face da recorrente dos efeitos dos atos praticados no âmbito da denominada “Operação Broca” f) do entendimento das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento sobre a possibilidade do creditamento integral do PIS e da COFINS nas aquisições de cooperativas g) sem dúvida, um dado curioso h) da precariedade do trabalho fiscal – prova produzida pela recorrente i) do restabelecimento integral dos créditos informados pela recorrente 04 – CONCLUSÃO se contornadas a s questões anteriores, o que se cogita apenas como argumento, entende a Recorrente que deve ser dado provimento integral ao presente recurso, visto que de todo corretos os seus procedimentos, em especial, pelos seguintes motivos : Fl. 1787DF CARF MF Processo nº 10783.906605/201241 Resolução nº 3301000.907 S3C3T1 Fl. 1.787 4 É o relatório. Voto Conselheiro Ari Vendramini Relator 6. Peço vênia para reproduzir alguns excertos do voto do julgador da DRJ, constante do processo administrativo nº 15586.720765/201326, ao qual este se encontra apenso, que bem sintetizou as complexas operações envolvidas na autuação Os autos de infração foram lavrados tendo em vista que a empresa apurou créditos indevidos para as contribuições em Fl. 1788DF CARF MF Processo nº 10783.906605/201241 Resolução nº 3301000.907 S3C3T1 Fl. 1.788 5 comento e usou parte desses créditos como dedução do valor a pagar no mês respectivo. A autoridade administrativa glosou parte dos citados créditos e indeferiu o pedido de ressarcimento respectivo e/ou não homologou as compensações correspondentes. Assim, as contribuições devidas foram declaradas a menor na DCTF relativa ao mês de apuração tendo em vista as deduções efetuadas com os créditos glosados. Essas diferenças foram lançadas nos autos de infração ora em análise. Registrase que os PER/Dcomps que deram origem às citadas glosas, constam dos processos abaixo;. PROCESSO CONTRIBUIÇÃO PERÍODO 10783.906589/201297 COFINS NÃO CUMULATIVA 4º TRIMESTRE/2008 10783.906590/201211 COFINS NÃO CUMULATIVA 1º TRIMESTRE/2009 10783.906593/201255 COFINS NÃO CUMULATIVA 2º TRIMESTRE/2009 10783.906594/201208 COFINS NÃO CUMULATIVA 3º TRIMESTRE/2009 10783.906597/201233 COFINS NÃO CUMULATIVA 4º TRIMESTRE/2009 10783.906599/201222 COFINS NÃO CUMULATIVA 1º TRIMESTRE/2010 10783.906601/201263 COFINS NÃO CUMULATIVA 2º TRIMESTRE/2010 10783.906603/201252 COFINS NÃO CUMULATIVA 3º TRIMESTRE/2010 10783.906605/201241 COFINS NÃO CUMULATIVA 4º TRIMESTRE/2010 10783.906588/201242 PIS NÃO CUMULATIVO 4º TRIMESTRE/2008 10783.906591/201266 PIS NÃO CUMULATIVO 1º TRIMESTRE/2009 10783.906592/201219 PIS NÃO CUMULATIVO 2º TRIMESTRE/2009 10783.906595/201244 PIS NÃO CUMULATIVO 3º TRIMESTRE/2009 10783.906596/201299 PIS NÃO CUMULATIVO 4º TRIMESTRE/2009 10783.906598/201288 PIS NÃO CUMULATIVO 1º TRIMESTRE/2010 10783.906600/201219 PIS NÃO CUMULATIVO 2º TRIMESTRE/2010 10783.906602/201216 PIS NÃO CUMULATIVO 3º TRIMESTRE/2010 10783.906604/201205 PIS NÃO CUMULATIVO 4º TRIMESTRE/2010 As manifestações de inconformidade apresentadas pela empresa em face dos processos acima, foram julgadas nesta mesma sessão de julgamento tendo sido prolatados acórdãos que as consideraram improcedentes, conforme voto deste mesmo relator (fls. 1.611 dos autos digitais) ............................................................................................................... Desde a implantação do regime de apuração nãocumulativa doPIS/Pasep e da Cofins, temos notícias de que grandes empresas do ramo cafeeiro vêm realizando operações irregulares com o objetivo de apurar e acumular créditos das citadas contribuições que poderão ser ressarcidos e/ou usados em compensação se o produto for exportado. A estratégia adotada passa pela criação de empresas intermediárias,caracterizadas como agroindústrias. O café adquirido por essas empresas tem origem em produtores rurais (pessoas físicas) ou em cerealistas que ao vender seus produtos conferem ao adquirente o direito de descontar créditos presumidos com percentual de 3,238% do valor das aquisições, ou seja, 35% do crédito ordinário (normal). Posteriormente, empresas exportadoras e/ou grandes atacadistas adquirem o café dessas empresas intermediárias, apurando créditos no Fl. 1789DF CARF MF Processo nº 10783.906605/201241 Resolução nº 3301000.907 S3C3T1 Fl. 1.789 6 montante de 9,25% (1,65% + 7,6%) de PIS/Pasep e Cofins nãocumulativa. Até este momento, pelo menos aparentemente, não existe nenhuma ilegalidade. O grande problema está no fato de que essas “empresas intermediárias”, criadas com a conivência de grandes exportadoras e/ou grandes atacadistas, são, em regra, constituídas por interpostas pessoas, e não pagam os tributos devidos (muitas delas sequer apresentam as declarações a que estão sujeitas). Significa dizer: são empresas de fachada ou empresas laranjas. Em geral, essas empresas de fachada apresentam algumas características em comum. A saber: não possuem estrutura física condizente com as atividades que dizem exercer, visto que o mínimo que se espera de uma empresa atacadista de café é a existência de áreas de armazenagem além de estrutura que a capacite movimentar grandes volumes de café; os endereços que fornecem como sendo o de sua sede, quando existem, não passam de simples “portas de garagem” e não raro os vizinhos nunca ouviram falar de tal empresa; seus sócios, quando encontrados, não possuem capacidade econômica financeira para serem proprietários de empresa deste porte. Muitas vezes não possuem sequer qualificação profissional e/ou intelectual para tal;incompatibilidade entre volume financeiro movimentado e total de tributos recolhidos, acompanhado de situação de omissão contumaz. Quando apresentam as declarações exigidas pela legislação muitas delas declaram não estar em atividade ou apresentam todos os quadros zerados. Resumindo, são empresas criadas unicamente com o objetivo de gerar créditos indevidos sem pagar os tributos correspondentes. A aplicação do regime de apuração nãocumulativa da contribuição para o PIS/Pasep e Cofins no setor agropecuário é complexa. A maior parte das operações com o café é multifásica. A primeira fase ocorre quando um produtor (pessoa física) vende seus produtos a uma pessoa jurídica (comercial atacadista, comercial varejista, agroindustrial ou cooperativa). Se a pessoa jurídica adquirente dos produtos estiver submetida ao regime de apuração nãocumulativa, deveria ter direito de apurar e deduzir os créditos do PIS/Pasep e da Cofins, que corresponderão, via de regra, às mesmas contribuições pagas na fase anterior. Ocorre que o produtor rural (pessoa física) não é contribuinte, e sendo assim não havia pagamento de contribuições que permitisse apurar crédito a ser descontado na fase posterior. Portanto, as compras de produtos e mercadorias de pessoas físicas não geravam o direito de creditamento. A aplicação do regime da forma acima relatada provocava uma distorção no mercado agropecuário. As pessoas jurídicas desse setor, que estivessem inseridas no regime de apuração nãocumulativa da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, rejeitavam a aquisição de produtos e mercadorias diretamente dos produtores pessoas físicas, porque estas aquisições provocavam um aumento do custo tributário de suas operações. Para tentar corrigir essas distorções, o art. 25 da Lei nº 10.684/2003, inseriu os § 10 e 11 no art. 3º da Lei nº 10.637/2002, instituindo crédito presumido para o setor agropecuário. Ao criar este tipo de crédito, o legislador buscou equilibrar,ou pelo menos reduzir, as pressões mercadológicas produzidas pelo novo regime de apuração. Esse Fl. 1790DF CARF MF Processo nº 10783.906605/201241 Resolução nº 3301000.907 S3C3T1 Fl. 1.790 7 crédito presumido foi aperfeiçoado quando da publicação da Lei nº 10.833/2003, cujo § 5º do art. 3º possibilitava a apuração destes créditos também em relação à Cofins. Por fim, a Lei nº 10.925/2004 revogou os dispositivos acima mencionados, e em seus arts. 8º e 9º disciplinou a matéria, verbis: Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (Vigência) (Vide Lei nº 12.058, de 2009) § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) II pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária.(Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2o O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1o deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4o do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. § 3o O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1o deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a: (Vide Medida Provisória nº 582, de 2012) (Vide Medida Provisória nº 609, de 2013) I – (...) II – (...) III 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os demais produtos (Incluído pela Lei nº 11.488, de 2007) § 4o É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do § 1o deste artigo o aproveitamento: Fl. 1791DF CARF MF Processo nº 10783.906605/201241 Resolução nº 3301000.907 S3C3T1 Fl. 1.791 8 I do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; II de crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo. § 5o (...) § 6o Para os efeitos do caput deste artigo, considerase produção, em relação aos produtos classificados no código 09.01 da NCM, o exercício cumulativo das atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004). § 7o O disposto no § 6o deste artigo aplicase também às cooperativas que exerçam as atividades nele previstas. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004). § 8o (...) Art. 9º A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I de produtos de que trata o inciso I do § 1o do art. 8o desta Lei, quando efetuada por pessoas jurídicas referidas no mencionado inciso; (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II de leite in natura, quando efetuada por pessoa jurídica mencionada no inciso II do § 1o do art. 8o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) III de insumos destinados à produção das mercadorias referidas no caput do art. 8o desta Lei, quando efetuada por pessoa jurídica ou cooperativa referidas no inciso III do § 1o do mencionado artigo. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 1o O disposto neste artigo: (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) I aplicase somente na hipótese de vendas efetuadas à pessoa jurídica tributada com base no lucro real; e (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II não se aplica nas vendas efetuadas pelas pessoas jurídicas de que tratam os §§ 6o e 7o do art. 8o desta Lei. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2o A suspensão de que trata este artigo aplicarseá nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal SRF. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) O citado art. 9º suspendeu a incidência da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda dos produtos relacionados no art. 8º, quando efetuada por:cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM pessoas jurídicas que exerçam cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; ou pessoas jurídicas que desenvolvam atividades agropecuárias e cooperativas de produção agropecuária, nas vendas de insumos para produção das mercadorias mencionadas no caput do art. 8º. Fl. 1792DF CARF MF Processo nº 10783.906605/201241 Resolução nº 3301000.907 S3C3T1 Fl. 1.792 9 Em conseqüência, a possibilidade de apuração e desconto dos créditos presumidos foi expandida para as aquisições efetuadas com a suspensão de incidência estabelecida pelo art. 9º.Vale ressaltar o fato de que o crédito presumido, além de ser em valor inferior ao chamado crédito ordinário, não pode ser objeto de ressarcimento e nem de compensação, sendo especificamente destinado à dedução com débitos tributários da mesma espécie contributiva apurados em fases posteriores. Este entendimento foi formalizado por meio do Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 15/2005, cujos arts 1º e 2º não permitem a compensação ou ressarcimento. Uma vez que o crédito presumido, além de ser em valor menor que o normal, não pode ser ressarcido e nem compensado, a exportação dos produtos adquiridos com esse tipo de crédito deixa de oferecer a possibilidade de ressarcimento ou compensação que ocorre em relação aos créditos normais, e, assim, ao final, os grandes prejudicados são o pequeno produtor rural e a pessoa jurídica que vende produtos com suspensão de incidência. Assim sendo, as grandes empresas exportadoras passaram à prática de adquirir produtos e mercadorias de empresas “intermediárias” (que na sua grande maioria, como já se disse, são empresas de fachada) porque essas são (em tese) contribuintes da do PIS/Pasep e da Cofins em relação às receitas de vendas desses produtos e mercadorias. E as contribuições que deveriam ser pagas por essas “intermediárias”, na fase anterior, geram o crédito ordinário de 9,25% ao invés do crédito presumido de 3,238% sobre o valor das aquisições. Os pequenos produtores, para não ficar fora do mercado, são compelidos a vender para estas “intermediárias”, cuja única finalidade é produzir créditos apurados com base no percentual de 9,25%, os quais serão ressarcidos nas exportações. No ramo do café, onde as exportações atingem um grande percentual da produção, este fato produz montantes realmente muito elevados de créditos que podem ser ressarcidos e/ou compensados. Os expedientes até aqui descritos trazem para as empresas que deles se valem duas vantagens cumulativas: além da majoração indevida do crédito gerado, permitem a burla da restrição à compensação e ao ressarcimento imposta aos créditos presumidos. Outra estratégia usada consiste no fato de se adquirir o café de cooperativas e cerealistas como se fossem para revenda. Assim, nos termos da legislação de regência, as vendas devem ser efetuadas sem a suspensão das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins prevista no art. 9º acima, ou seja, o vendedor fica obrigado ao pagamento dessas contribuições. No entanto, a empresa vendedora (muitas vezes uma cooperativa), mesmo informando na nota fiscal que efetuou a venda “sem suspensão”, ao preencher o Dacon respectivo considera a venda como se fosse “com suspensão”, ou seja, como se fosse para industrialização e não para revenda, não pagando a contribuição devida. Quando questionada por uma autoridade fiscal ela simplesmente responde que errou ao emitir a nota fiscal. A questão é que esse fato se repete em praticamente todas as notas fiscais emitidas para um determinado grupo de empresas, todas elas grandes exportadoras, o que induz a se acreditar na existência de acordo escuso entre vendedores e compradores no sentido de se produzir ilegalmente créditos a serem ressarcidos, o que gera enorme prejuízo aos cofres públicos. Fl. 1793DF CARF MF Processo nº 10783.906605/201241 Resolução nº 3301000.907 S3C3T1 Fl. 1.793 10 Tais conclusões ultrapassam a condição de meras conjecturas na medida que as irregularidades apuradas demonstram no caso concreto semelhante modus operandi ao constatado em esquema de vantagens tributárias ilegais entre empresas comerciantes, exportadoras e torrefadoras de café do Espírito Santo (ES) e em Minas Gerais (MG). Esquema desvendado por operações deflagradas pela Receita Federal, Ministério Público Federal e Polícia Federal (Tempo de Colheita e Broca), amplamente divulgado na mídia conforme excerto abaixo, extraído da Revista Cafeicultura, reportagem de 02/06/2010 (http://www.revistacafeicultura.com.br/index.php?tipo=ler&mat=3284 3): Na manhã desta terçafeira (1º), foi deflagrada uma operação, no Espírito Santo, baseada em investigações que sobre um esquema de obtenção de vantagens tributárias ilícitas por parte de empresas especializadas na exportação e na torrefação de café. A fraude teria resultado em um prejuízo aos cofres públicos de R$ 280 milhões. Documentos, computadores e armas foram apreendidos. As investigações apontam 39 empresas exportadoras, ao menos 23 atacadistas laranjas envolvidas no esquema. Na operação conjunta da Polícia Federal, Ministério Público Federal (MPF) e Receita Federal, foram cumpridos mandados de busca e apreensão e prisão em 74 locais. Já foram 25 prisões na operação até o momento, dos 32 mandados expedidos Sete pessoas ainda não foram encontradas. Buscas foram realizadas em 74 endereços entre empresas e residências dos investigados, nos municípios de Colatina, Domingos Martins, Linhares, São Gabriel da Palha, Viana, Vila Velha Vitória e também em Manhuaçu (MG). Cerca de 20 homens foram ao Palácio do Café, na Enseada do Suá, em Vitória, de onde a operação foi desdobrada para outros dois prédios, o Arábica e o Conilon, também na Enseada. No Palácio do Café oito salas foram vistoriadas. Por volta das 9h agentes saíram com dois malotes contendo documentos apreendidos. A operação, denominada \"Broca\", conta com 337 homens da Polícia Fedral, com apoio de agentes de outros estados, além de 107 fiscais da Receita Federal Esquema. As firmas de exportação e torrefação envolvidas no esquema utilizavam empresas laranjas como intermediárias fictícias na compra do café dos produtores. As empresas beneficiárias da fraude eram as verdadeiras compradoras da mercadoria, mas formalmente quem aparecia nessas operações eram as empresas laranjas, que na verdade tinham como única finalidade a venda de notas fiscais, o que garantia a obtenção ilícita de créditos tributários. As empresas exportadoras conseguiam, por meio de criação de empresas laranjas, créditos de Programa de Integração Social (PIS) e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS). Essas empresas de exportação e torrefação usavam esses créditos para quitar seus próprios débitos tributários ou até mesmo para pedir ressarcimento junto ao Fisco. As empresas fictícias, no entanto, não recolhiam esses impostos, até porque não tinham lastro econômico para isso, uma vez que eram laranjas, criadas somente para \"guiar\" com suas notas fiscais o café para os verdadeiros compradores e gerar os créditos tributários. O creditamento para exportadores e torrefadores, portanto, era indevido, Fl. 1794DF CARF MF Processo nº 10783.906605/201241 Resolução nº 3301000.907 S3C3T1 Fl. 1.794 11 já que eram ressarcidos de valores que jamais entraram nos cofres públicos. As empresas, apesar de registradas como atacadistas, não tinham armazéns e funcionavam em pequenas salas. Para o Ministério Público Federal (MPF), está claro que as empresas exportadoras não só tinham conhecimento da fraude, mas também ditavam suas regras. Ao todo existem 300 empresas no Espírito Santo registradas no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ) como atacadistas de café. Segundo a delegada da Receita Federal, Laura Gadelha, grande parte delas foi criada para o esquema de fraudes. Algumas, inclusive, com vida útil em torno de um ano. ................. Crimes seriam praticados desde 2003 As investigações, realizadas em conjunto pela Delegacia da Receita Federal em Vitória, pelo MPF e pela PF, começaram em outubro de 2007 com a deflagração da Operação Tempo de Colheita, quando auditores fiscais da Receita fiscalizavam o setor de comércio de café, inicialmente em empresas localizadas nas regiões Noroeste e Norte do estado. A prática criminosa, ainda segundo o MPF, vem ocorrendo desde 2003. Há indícios consistentes da existência dos crimes de formação de quadrilha, crime contra a ordem tributária, falsidade ideológica e estelionato. Mais recentemente, foi desencadeada a operação denominada de “Robusta”, que culminou na prisão de sete empresários, tendo em vista que “as investigações do MPES e da Receita Estadual apontam que empresas utilizavam notas fiscais irregulares e simulavam a compra de café de outras 25 empresas de fachadas, localizadas em Minas Gerais e no Rio de Janeiro”. (notícia extraída do Portal G1/RJ de 09/04/2013). Ao constatar o tamanho da evasão de divisas em funçãonesse tipo de esquema fraudulento, e, segundo noticiado pela imprensa nacional, a pedido da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) e do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), e visando acabar com essas operações de geração de créditos irregulares foi editada a Medida Provisória nº 545/2011,convertida na Lei 12.599/2012 que introduz nova sistemática de apuração de créditos do PIS/Pasep e da Cofins nos casos de exportação de café. Reportagem sobre a citada MP nº 545/2011 publicada no jornal Valor Econômico, edição de 10/02/2012, de autoria de Carine Ferreira, relata que “segundo os defensores do novo regime, como a Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) e o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), a tributação anterior gerava fraudes, irregularidades e favoreciam algumas poucas empresas”. Quando autuadas pela Receita Federal do Brasil ou quando o pedido de ressarcimento dos créditos apropriados indevidamente é indeferido, via de regra, as beneficiárias apresentam defesa nas quais alegam basicamente as mesmas razões: são compradoras de boa fé; não tinham conhecimento que as vendedoras eram “laranjas” e não podiam apurar esse fato; e a operação mercantil foi realizada. Ora, mesmo tendo em mente a presunção de boa fé das adquirentes, causa profunda estranheza o fato de, ao comprar café de fornecedores estabelecidos em cidades não muito grandes, essas empresas não saibam que aquelas das quais compram grande parte do café que exportam são empresas de fachada. Afinal, Fl. 1795DF CARF MF Processo nº 10783.906605/201241 Resolução nº 3301000.907 S3C3T1 Fl. 1.795 12 considerando o volume das operações efetuadas, para se concretizar a compra seus dirigentes precisariam ir até a sede da vendedora quando e onde certamente constatariam a precariedade ou inexistência de suas instalações. Da mesma forma teriam que se relacionar com os funcionários dessas “laranjas” e se cientificariam de que na verdade não existem. Também, é de se supor, iriam querer ter contato com os sócios das intermediárias e poderiam certamente ver que, quando encontrados, são pessoas sem as mínimas qualificações necessárias para atuar na direção de uma empresa. ................................................................................................................... ......................... Pelo contrário; no presente caso, a autoridade fiscal demonstra, por meio do PARECER FISCAL GAB903/ DRF/VIT/ES nº 007/2013 anexo, que a manifestante adquiriu o café que exporta de empresas que se enquadram perfeitamente na descrição das empresas de fachadas acima. ................................................................................................................. No entanto, como a autoridade fiscal explica no citado PARECER FISCAL GAB903/ DRF/VIT/ES nº 007/2013, “entre os documentos que fundamentam o presente Parecer estão aqueles carreados ao longo da investigação TEMPO DE COLHEITA .– como declarações prestadas a termo por produtores rurais/maquinistas, corretores, sócios e pessoas ligadas às empresas de fachada. 7. Tanto nas preliminares da sua impugnação, como nas suas razões recursais a recorrente alega que " a autoridade fazendária não trouxe aos autos os elementos necessários para demonstrar como foram apurados os ‘rateios’ dos valores por ela discriminados nas Tabelas constantes do referido Parecer, os quais foram utilizados pela mesma como base para a aplicação dos percentuais das glosas sobre as aquisições efetuadas pela Impugnante, falha esta que a prejudica em seu regular e legítimo direito de defesa, inclusive impossibilitando a de infirmar com precisão os supostos débitos indicados pela fiscalização 8. Verificando o Parecer Fiscal GAB903/DRF/VIT/ES nª 007/2013, (fls. 1.095 a 1.344 dos autos digitais do processo 15586.72765/201326), encontramos ás fls.1.331 o item II.6.4 RECOMPOSIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DO CRÉDITO A DESCONTAR APÓS GLOSAS EFETUADAS PELA FISCALIZAÇÃO, E ÁS FLS. 1.333 encontramos a LETRA (G) RATEIO DO CRÉDITO PASSÍVEL RESSARCIMENTO, onde os Auditores Fiscais esclarecem ; " o rateio dos créditos a descontar da linha (F) foi efetuado com base na proporção da receita de vendas de bens e serviços : receita mercado interno (tributada) e receita de exportação" 9. Ás fls. 1.077 do processo 15586.72765/201326 encontrase o Demonstrativo PIS NÃOCUMULATIVO DEMONSTRATIVO DE CÁLCULO DOS CRÉDITOS A DESCONTAR , com os quadros F e G respectivamente F) TOTAL DE CRÉDITOS APURADO NO MÊS SUJEITO AO RATEIO VALOR AJUSTADO PELA FISCALIZAÇÃO Rateio apenas Crédito Integral e (G) Rateio do crédito a descontar com base na proporção da Receita Bruta auferida Receita de Vendas de Mercadorias no Mercado interno (tributada) , Receita de Vendas de Mercadorias p/ o Mercado Externo (Exceto Compra Fim Específio Exportação) Créditos vinculados às operações no Mercado interno , Créditos vinculados às operações no Mercado Externo . Fl. 1796DF CARF MF Processo nº 10783.906605/201241 Resolução nº 3301000.907 S3C3T1 Fl. 1.796 13 10. Entendemos assistir razão á recorrente quando afirma não estar claro o critério utilizado pela fiscalização para o rateio dos créditos a serem descontados, pois que examinando os quadros citados não se vislumbra o critério adotado de forma clara detalhadamente demonstrada, o que pode ser interpretado pela recorrente como um cerceamento de defesa, pois esta alega que teria dificuldade em entender tal rateio. 11. Diante destas considerações, proponho que os autos sejam encaminhados á DRF/VITÓRIA/ES para que, em diligência fiscal : a) seja elaborado relatório onde se demonstre o critério de rateio adotado para os créditos a serem descontados, especificando os detalhes de como foram encontrados os valores do demonstrativo Demonstrativo PIS NÃOCUMULATIVO DEMONSTRATIVO DE CÁLCULO DOS CRÉDITOS A DESCONTAR , com os quadros F e G respectivamente F) TOTAL DE CRÉDITOS APURADO NO MÊS SUJEITO AO RATEIO VALOR AJUSTADO PELA FISCALIZAÇÃO Rateio apenas Crédito Integral e (G) Rateio do crédito a descontar com base na proporção da Receita Bruta auferida Receita de Vendas de Mercadorias no Mercado interno (tributada) , Receita de Vendas de Mercadorias p/ o Mercado Externo (Exceto Compra Fim Específio Exportação) Créditos vinculados às operações no Mercado interno , Créditos vinculados às operações no Mercado Externo . b) seja dada ciência deste relatório á recorrente, facultandolhe manifestação em até 30 dias da data da ciência 12. Após, sejam os autos retornados a este CARF para julgamento dos recursos voluntários apresentados neste e nos processos em apenso. 13. É como voto. Assinado digitalmente Ari Vendramini Relator Fl. 1797DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.729706/2017-10
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2014
PENSÃO ALIMENTÍCIA. DEDUÇÃO.
Somente poderão ser deduzidas na Declaração de Ajuste Anual do contribuinte as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, acordo homologado judicialmente, ou escritura pública a que se refere o art. 1.124-A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 - Código de Processo Civil, desde que comprovadas mediante documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 2002-000.503
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para restabelecer a despesa com plano de saúde Sul América da alimentanda no valor de R$ 25.771,42.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Mônica Renata Mello Fereira Stoll - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: MONICA RENATA MELLO FERREIRA STOLL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2014 PENSÃO ALIMENTÍCIA. DEDUÇÃO. Somente poderão ser deduzidas na Declaração de Ajuste Anual do contribuinte as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, acordo homologado judicialmente, ou escritura pública a que se refere o art. 1.124-A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 - Código de Processo Civil, desde que comprovadas mediante documentação hábil e idônea.
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DEDUÇÃO. Somente poderão ser deduzidas na Declaração de Ajuste Anual do contribuinte as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, acordo homologado judicialmente, ou escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil, desde que comprovadas mediante documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para restabelecer a despesa com plano de saúde Sul América da alimentanda no valor de R$ 25.771,42. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 97 06 /2 01 7- 10 Fl. 140DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento (efls. 73/78) lavrada em nome do sujeito passivo acima identificado, decorrente de procedimento de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual do exercício 2014, onde se apurou: Dedução Indevida de Previdência Privada e Fapi e Dedução Indevida de Pensão Alimentícia Judicial e/ou por Escritura Pública. De acordo com o relatório da decisão de piso (efls. 84/89), o contribuinte apresentou impugnação alegando, em síntese, que declarou despesas médicas (plano de saúde) indevidamente como dedução de previdência privada e que pagou alimentos a Michelle Carles de Abreu e Lima, conforme acordo de divórcio celebrado por escritura pública lavrada em 14 de novembro de 2008, mediante depósitos creditados em conta corrente conjunta com a alimentanda, realizados em parte pela fonte pagadora Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e em parte pelo próprio. A 1ª Turma da DRJ/CGE julgou a impugnação procedente em parte e manteve apenas a Dedução Indevida de Pensão Alimentícia Judicial e/ou por Escritura Pública. Cientificado do acórdão de primeira instância em 24/05/2018 (efls. 95), o interessado ingressou com recurso voluntário em 21/06/2018 (efls. 99/107) transcrevendo trechos de sua impugnação e acrescentando os argumentos a seguir sintetizados: Alega que, apesar de a escritura do divórcio ter estipulado o pagamento de pensão alimentícia in natura, os pagamentos foram feitos em pecúnia através de transferências eletrônicas de sua conta pessoal para a da alimentanda, ainda que conjunta. Indica a juntada dos respectivos comprovantes. Afirma ter anexado ao processo os extratos bancários a partir dos quais se pode verificar o pagamento das despesas com condomínio, IPTU, energia e telefone referentes ao imóvel onde a alimentanda reside. Traz ao recurso, por amostragem, algumas contas pagas à CELPE e à TIM Celular. Aponta a juntada de declaração da Sul América Saúde e do comprovante de rendimentos da Cooperativa dos Médicos Anestesiologistas de Pernambuco a fim de demonstrar o pagamento do plano de saúde da alimentanda no valor de R$ 25.771,42, parte do montante de R$ 59.309,89 declarado a título de pensão alimentícia no ano calendário 2013. Voto Conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll Relatora O recurso é tempestivo e reúne os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. No que concerne à dedução de pensão alimentícia, extraise do art. 78 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, aprovado pelo Decreto 3.000/99, e do art. 4º, II, da Lei 9.250/95, alterado pela Lei 11.727/08, que o valor pago pelo contribuinte a esse título somente pode ser deduzido em sua Declaração de Ajuste Anual se for decorrente de decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou escritura pública a que se refere o art. 1.124A Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10480.729706/201710 Acórdão n.º 2002000.503 S2C0T2 Fl. 141 3 da Lei 5.869/73 Código de Processo Civil (CPC), e se estiver devidamente comprovado mediante documentação hábil e idônea. As pensões pagas por liberalidade não são dedutíveis por falta de previsão legal. Cumpre ressaltar que todas as deduções informadas na Declaração de Ajuste Anual estão sujeitas à comprovação ou justificação, por documentação hábil e idônea, a juízo da autoridade lançadora, nos termos do art. 73 do RIR/99, e que cabe ao contribuinte apresentar em sua defesa todos os documentos necessários à confirmação de suas alegações, conforme disposto no art. 15 do Decreto 70.235/72. No caso em exame a decisão de piso manteve a glosa da pensão alimentícia declarada de R$ 59.309,89 conforme trechos a seguir reproduzidos: Na espécie, consta escritura pública de divórcio consensual, datada de 14 de novembro de 2008, fls. 3136, cuja cláusula "9" dispõe sobre a obrigação de o impugnante pagar pensão alimentícia a Michelle Carles de Abreu e Lima, nos seguintes termos: 9DA PENSÃO ALIMENTÍCIA. O primeiro outorgante e reciprocamente outorgado, Dr. BENEDICTO DE ABREU E LIMA NETTO, concorda e se compromete a pagar a título de pensão alimentícia, todas as despesas necessárias para a manutenção da segunda outorgante e reciprocamente outorgada, Sra. MICHELLE CARLES DE ABREU E LIMA, tais como alimentação, moradia (custos diretos e indiretos com taxa de condomínio, IPTU, DSPU, energia, empregada doméstica, etc), remédios, plano de saúde, e quaisquer outros gastos ou custos que a Sra. MICHELLE CARLES DE ABREU E LIMA possa ter ao longo de sua vida. [...] Na escritura pública em questão deixouse de fixar a prestação dos alimentos em pecúnia. Em relação às parcelas estipuladas "in natura", somente são dedutíveis aquelas destinadas à cobertura de despesas médicas e com instrução, as quais devem ser informadas, na Declaração de Ajuste Anual, como despesas médicas e despesas com instrução dos alimentandos, desde que obedecidos os requisitos e limites legais, por expressa previsão do Art. 8º, II, § 3º, da Lei 9.250/95, in verbis: [...] Portanto, não são dedutíveis as prestações "in natura" previstas no acordo (alimentação, moradia, custos diretos e indiretos com taxa de condomínio, IPTU, DSPU, energia, empregada doméstica e remédios). Ademais, não ficou comprovado o pagamento dessas despesas, mediante recibos de quitação específicos, de modo que não restou demonstrada a pertinência dos supostos valores Fl. 142DF CARF MF 4 depositados em conta corrente com as despesas da alimentanda, previstas no acordo de divórcio. Por fim, os depósitos em conta corrente conjunta presumemse pertencentes a ambos os titulares. Logo, não são hábeis para comprovar a quitação de obrigação específica de um deles. A quitação da obrigação é válida quando dada pelo beneficiário do pagamento, individualmente. Cabe mencionar que seria possível a dedução das despesas médicas da alimentanda. Entretanto, a declaração de fls. 72 não comprova o pagamento do Seguro Saúde Sul América, pois não se trata de documento emitido pela seguradora, que é a beneficiária do pagamento. Em suma, o pagamento de alimentos e despesas, quando a escritura pública de divórcio não estipula seu valor em pecúnia, não é dedutível da base de cálculo do imposto de renda, notadamente quando não se comprova o efetivo cumprimento da obrigação. Com efeito, verificase que a escritura pública não fixou o valor da pensão alimentícia em dinheiro, mas apenas indicou uma relação não exaustiva das despesas de Michelle Carles de Abreu e Lima que deveriam ser pagas pelo recorrente. Nesse ponto, cabe esclarecer que apenas as despesas médicas e com instrução dos alimentandos realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei 5.869/73 Código de Processo Civil (CPC) podem ser deduzidas na Declaração de Ajuste Anual, nos termos do art. 80, §5º, e do art. 81, §3º, do RIR/99. No entanto, estas devem ser consignadas em seus campos próprios, observado o limite anual relativo às despesas com instrução. Os demais valores não são dedutíveis por falta de previsão legal. Tal entendimento está preconizado na orientação constante da publicação do Perguntas e Respostas do Imposto de Renda da Pessoa Física divulgada pela Secretaria da Receita Federal para o exercício 2014: 338 — Quais são as pensões judiciais dedutíveis pela pessoa física? São dedutíveis da base de cálculo mensal e na declaração de ajuste apenas as importâncias pagas a título de pensão alimentícia, inclusive a prestação de alimentos provisionais, conforme normas do Direito de Família, sempre em decorrência de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente ou por escritura pública, a que se refere o art. 1.124A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil. Atenção: As despesas com instrução e as despesas médicas pagas pelo alimentante, em nome do alimentando, em razão de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente ou por escritura pública, a que se refere o art. 1.124A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil, podem ser deduzidas somente na declaração de rendimentos, em seus campos próprios, observado o limite anual relativo às despesas com instrução (R$ 3.230,46). Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10480.729706/201710 Acórdão n.º 2002000.503 S2C0T2 Fl. 142 5 [...] Para efeitos da aplicação da referida dedução, observese que: 1) as importâncias pagas relativas ao suprimento de alimentos, em face do Direito de Família, serão aquelas em dinheiro e somente a título de prestação de alimentos provisionais ou a título de pensão alimentícia; [...] 339 — São dedutíveis os pagamentos estipulados em sentença judicial que excedam a pensão alimentícia? Somente é dedutível a título de pensão o valor pago como pensão alimentícia. As quantias pagas decorrentes de sentença judicial para cobertura de despesas médicas e com instrução, destacadas da pensão, são dedutíveis sob a forma de despesas médicas e despesas com instrução dos alimentandos, desde que obedecidos os requisitos e limites legais. Os demais valores estipulados na sentença, tais como aluguéis, condomínio, transporte, previdência privada, não são dedutíveis. No que concerne às despesas médicas, verificase que o comprovante de rendimentos acostado pelo recorrente (efls. 135/136) confirma o pagamento do plano de saúde Sul América da alimentanda no valor de R$ 25.771,42 para o ano calendário 2013. Dessa forma, ainda que este montante não tenha sido consignado em campo próprio da declaração em exame e sim como parte da pensão alimentícia judicial informada, entendo tratarse de erro de preenchimento, devendo ser restabelecida a dedução correspondente. Em vista do exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, darlhe provimento parcial para restabelecer a despesa com plano de saúde Sul América da alimentanda no valor de R$ 25.771,42. (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Fl. 144DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13857.000429/00-88
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Dec 02 00:00:00 UTC 2002
Ementa: IRPF - MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO.
Incabível a aplicação da multa quando o contribuinte efetua a
entrega espontânea da declaração, mesmo fora do prazo, por
motivo exclusivo de congestionamento no site da Receita Federal.
Recurso negado.
Numero da decisão: CSRF/01-04.333
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Antonio de Freitas Dutra (Relator), Cândido Rodrigues Neuber, Leila Maria Scherrer Leitão, Verinaldo Henrique da Silva, Mário Junqueira Franco Júnior e
Manoel Antonio Gadelha Dias. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Maria Goretti de Bulhões Carvalho.
Nome do relator: Antonio de Freitas Dutra
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PRIMEIRA TURMA Processo n° :13857.000429100-88 Recurso n° : RP/104-126.142 Matéria : IRPF - EX.: 2,000 Recorrente : FAZENDA NACIONAL . Recorrida : QUARTA CÂMARA DO PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Sujeito Passivo : ARIANE FERNANDA MICOCHERO Sessão de : 02 de dezembro de 2002 Acórdão n° : CSRF/01-04.333 IRPF - MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. Incabível a aplicação da multa quando o contribuinte efetua a entrega espontânea da declaração, mesmo fora do prazo, por motivo exclusivo de congestionamento no site da Receita Federal. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL. ACORDAM os Membros da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Antonio de Freitas Dutra (Relator), Cândido Rodrigues Neuber, Leila Maria Scherrer Leitão, Verinaldo Henrique da Silva, Mário Junqueira Franco Júnior e Manoel Antonio Gadelha Dias. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Maria Goretti de Bulhões Carvalho. ON P Á R* DRIGUES PRESIDENTE 411, MARIA GO TTI DE BULHÕES CARVALHO REDATOR DESIGNADA. FORMALIZADO EM: 28 OUT 2004 DFSL Processo n° : 13857.000429/00-88 Acórdão n° : CSRF/01-04.333 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: CELSO ALVES FEITOSA; CÂNDIDO RODRIGUES NEUBER; VICTOR LUÍS DE SALLES FREIRE; REMIS ALMEIDA ESTOL; JOSÉ CARLOS PASSUELLO; ZUELTON FURTADO; WILFRIDO AUGUSTO MARQUES; JOSÉ CLÓVIS ALVES e CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES. i)s( 2 Processo n° : 13857.000429100-88 Acórdão n° : CSRF/01-04.333 Recurso n° : RP/104-126.142 Recorrente : FAZENDA NACIONAL RELATÓRIO A FAZENDA NACIONAL por seu Procurador junto à Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, recorre à Câmara Superior de Recursos Fiscais, pleiteando a reforma do Acórdão n° 104-18.580 de 24/01/2.002, através do qual foi dado provimento ao recurso n° 126.142, interposto por ARIANE FERNANDA MICOCHERO. O Acórdão recorrido apreciou multa por atraso na entrega da declaração de rendimentos e está assim ementado: "MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO — É devida a multa no caso de entrega da declaração de rendimentos fora do prazo estabelecido ainda que o contribuinte o faça espontaneamente, exceto, quando comprovado, documentalmente, que o sujeito passivo deixou de cumprir sua obrigação por impedimento causado pela sistema na recepção via internet. Recurso provido." Nas razões de recurso, que estão alinhadas às fls. 71/79, alega o Procurador da Fazenda Nacional que tendo o contribuinte entregue com atraso a declaração de rendimentos, sujeita-se à multa regulamentar, além de tecer densa argumentação de cunho filosófico Às fls. 80/81 despacho da Presidente da Quarta Câmara dando seguimento ao recurso especial bem como o envio dos autos à repartição de origem para ciência ao contribuinte e abertura de prazo para oferecimento de contra-razões. O contribuinte tomou ciência do recurso especial em 29/04/02 e não apresentou contra-razões. )S,- É o Relatório. , 3 Processo n° : 13857.000429/00-88 Acórdão n° : CSRF/01-04.333 VOTO VENCIDO Conselheiro ANTONIO DE FREITAS DUTRA, Relator: O recurso preenche as formalidades legais dele conheço. Como já mencionado no relatório, a matéria trazida a julgamento desta Câmara trata-se de multa por atraso na entrega da declaração de rendimentos do exercício de 2.000. Preliminarmente saliento que os motivos alegados pelo contribuinte para justificar o atraso na entrega da declaração de rendimentos, não ficou comprovado nos autos. Analisemos agora a questão do instituto da denúncia espontânea, art. 138 do CTN. A questão basilar para o deslinde da matéria é que o lançamento é ato privativo da autoridade administrativa e para tanto a Lei atribui à administração o "jus império" para impor ônus e deveres aos particulares, genericamente denominados de "obrigação acessória" a qual decorre da legislação tributária (e não apenas da lei) e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadacão ou da fiscalização dos tributos (art. 113, § 2° do CTN). Quando a obrigação acessória não é cumprida, fica subordinada à multa específica (art. 113, § 3° do CTN). Desta forma é que a Administração exige do particular diversos procedimentos. No caso concreto, a obrigação acessória implicou não só o cumprimento do ato de entregar a declaração de rendimentos, como também, o dever de fazê-lo no prazo previamente determinado. 4 Processo n° : 13857.000429/00-88 Acórdão n° : CSRF/01-04.333 O fato do contribuinte ter entregue a declaração de rendimentos, por si só não o exime da penalidade, posto que esta está claramente definida, tanto para a hipótese da não entrega, quanto para o caso de seu implemento fora do tempo determinado. Qualquer outro entendimento em contrário implicaria tornar letra morta os dispositivos legais em comento, o que viria a desestimular o cumprimento da obrigação acessória no prazo legal. A norma instituidora da multa ora questionada esta insculpida no artigo 88 da Lei n° 8.981/95 que transcrevo para melhor entendimento da matéria: "Art. 88 — A falta de apresentação da declaração de rendimentos ou a sua apresentação fora do prazo fixado, sujeitará a pessoa física ou jurídica: I— omissis. II — à multa de duzentos UFIR a oito mil UFIR, no caso de declaração que não resulte imposto devido." Por outro lado, a teor do artigo 136 do CTN, a responsabilidade pelo cumprimento da obrigação é objetiva, como objetiva é a penalidade pelo seu descumprimento, devendo esta ser aplicada, mesmo na hipótese de apresentação espontânea, se esta se deu fora do prazo estabelecido em Lei. Por outro lado, o Superior Tribunal de Justiça - STJ tem dado mesmo entendimento à matéria em recentes julgados a saber: Recurso Especial n° 190388/G0 (98/0072748-5) da Primeira Turma cujo Relator foi o Ministro José Delgado em Sessão de 03/12/98 e Recurso Especial n° 208.097 — PARANÁ (99/0023056-6) da Segunda Turma cujo Relator foi o Ministro Hélio Mosimann em Sessão de 08/06/99. Transcrevo abaixo a ementa e o voto das duas decisões do STJ acima mencionadas: RECURSO ESPECIAL n° 190388/ GO (98/0072748-5) 5 Processo n° :13857.000429/00-88 Acórdão n° : CSRF/01-04.333 Ementa "TRIBUTÁRIO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ENTREGA COM ATRASO DE DECLARAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA. I. A entidade denúncia espontânea não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a declaração do imposto de renda. 2. As responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN. 3. Há de se acolher a incidência do art. 88, da Lei n° 8.981/95, por não entrar em conflito com o art. 138, do CTN. Os referidos dispositivos tratam de entidades jurídicas diferentes. 4.Recurso provido." VOTO O EXMO. SR. MINISTRO JOSÉ DELGADO (RELATOR): Conheço do recurso e dou-lhe provimento. A configuração da denúncia espontânea como consagrada no art. 138, do CTN, não tem a elasticidade que lhe emprestou o venerado acórdão recorrido, deixando sem punição as infrações administrativas pelo atraso no cumprimento das obrigações fiscais. O atraso na entrega da declaração do imposto de renda é considerado como sendo o descumprimento, no prazo fixado pela norma, de uma atividade fiscal exigida do contribuinte. É regra da conduta formal que não se confunde com o não pagamento de tributo, nem com as multas decorrentes por tal procedimento. A responsabilidade de que trata o art. 138, do CTN, é de pura natureza tributária e tem sua vinculação voltada para as obrigações principais e acessórias àquelas vinculadas. As denominadas obrigações acessórias autônomas não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN. Elas se impõem como normas necessárias para que possa ser exercida a atividade administrativa fiscalizadora do tributo, sem qualquer laço com os efeitos de qualquer fato gerador de tributo. (grifos do original). 6 /1/' Processo n° : 13857.000429/00-88 Acórdão n° : CSRF/01-04.333 RECURSO ESPECIAL n° 208.097-PARANÁ (99/0023056-6) Ementa TRIBUTÁRIO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA PELO ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. RECURSO DA FAZENDA. PROVIMENTO. VOTO O SENHOR MINISTRO HÉLIO MOSIMANN: Decidiu a instância antecedente, ao enfrentar o tema — aplicação de multa por atraso na entrega da declaração do imposto de renda — que, 'em se tratando de infração formal, não há o que pagar ou depositar em razão do disposto no art. 138 do CTN, aplicável à espécie". A egrégia Primeira Turma, em hipótese análoga, manifestou-se na conformidade de precedente guarnecido pela seguinte ementa: "TRIBUTÁRIO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ENTREGA COM ATRASO DE DECLARAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. 1. A entidade denúncia espontânea não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a declaração do Imposto de Renda. 2. As responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN. 3. Há de se acolher a incidência do art. 88, da Lei n° 8.981/95, por não entrar em conflito com o art. 138, do CTN. Os referidos dispositivos tratam de entidades jurídicas diferentes. 4. Recurso provido." (Resp n° 190.388-GO, Rel. Min. José Delgado, DJ de 22.3.99). Assim sendo, pelo acima exposto e por tudo mais que dos autos consta voto por DAR, provimento ao recurso da Fazenda Nacional. 7 Processo n° : 13857.000429/00-88 Acórdão n° : CSRF/01-04.333 É o meu voto. Sala das Sessões - DF, em 02 de dezembro de 2.002. ANTONIO D FREITAS DUTRA 8 Processo n° : 13857.000429/00-88 Acórdão n° : CSRF/01-04.333 VOTO VENCEDOR Conselheira MARIA GORETTI DE BULHÕES CARVALHO, Redatora Designada. O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade, merecendo ser conhecido. A matéria objeto do presente litígio tem sido objeto de apreciação por este Colegiado em diversas oportunidades e obtendo da mesma forma diferentes interpretações, principalmente no que se refere ao instituto da "Denúncia Espontânea". O Código Tributário Nacional, em seu Título II — Obrigação Tributária, Capítulo I — Disposições Gerais, dispõe: "Art. 113 — A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1 0 - A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extingue-se juntamente com o crédito dela decorrente. § 2° - A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas, no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3° - A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, converte-se em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária." Caracterizada a obrigação acessória, discute-se a hipótese de ser elevada a pena — o pagamento de multa — no caso de o sujeito passivo deixar de cumprir a obrigação, ou fazê-lo extemporâneamente. No caso concreto, o contribuinte, procedeu a entrega de sua Declaração de Rendimentos no dia 29/04/2000, ou seja, dia seguinte a data limite (28/04/2000), alegando ter ocorrido congestionamento na rede de transmissão - INTERNET, anexando como prova os recortes de jornais e contas de telefones. 9 I Processo n° : 13857.000429/00-88 Acórdão n° : CSRF/01-04.333 Portanto, inexistindo ação fiscal anterior, pretende o Contribuinte beneficiar-se da exclusão da responsabilidade pela denúncia espontânea da infração. Não fosse os motivos acima elencados, ao abrigo do artigo 138 do CTN, o contribuinte não poderia ser penalizado com multa pela entrega intempestiva de sua declaração de rendimentos, in verbis: "Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração". Considerando o acima exposto entendo que a denúncia espontânea opera tanto para a chamada muita moratória, peia infração de uma obrigação principal, assim como, para a chamada multa disciplinar, pelo descumprimento de uma obrigação acessória. Por tais razões, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso da Fazenda Nacional, mantendo na íntegra a decisão proferida através do acórdão n° 104-18.580. Sala das Sessões, DF, em 02 de dezembro de 2002 MARIA GO ETTI DE BULHÕES CARVALHO );(fÁ 10 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1 _0001000.PDF Page 1
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Numero do processo: 10140.001441/2003-39
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2002, 2003
Ementa:
DECORRÊNCIA.
O lançamento de PIS sendo decorrente das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que o resultado do julgamento deste feito acompanhe aquele que foi dado às exigências principais de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins.
DEDUÇÕES.
Na determinação dos valores a serem lançados de ofício para cada tributo, após a exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observando-se os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada.
Numero da decisão: 1003-000.283
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que a DRF que jurisdicione a Recorrente deduza dos valores lançados, eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados pelo Simples, nos termos da Súmula Vinculante CARF nº 76.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2002, 2003 Ementa: DECORRÊNCIA. O lançamento de PIS sendo decorrente das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que o resultado do julgamento deste feito acompanhe aquele que foi dado às exigências principais de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins. DEDUÇÕES. Na determinação dos valores a serem lançados de ofício para cada tributo, após a exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observando-se os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que a DRF que jurisdicione a Recorrente deduza dos valores lançados, eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados pelo Simples, nos termos da Súmula Vinculante CARF nº 76. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
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EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2002, 2003 Ementa: DECORRÊNCIA. O lançamento de PIS sendo decorrente das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que o resultado do julgamento deste feito acompanhe aquele que foi dado às exigências principais de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins. DEDUÇÕES. Na determinação dos valores a serem lançados de ofício para cada tributo, após a exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observandose os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que a DRF que jurisdicione a Recorrente deduza dos valores lançados, eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados pelo Simples, nos termos da Súmula Vinculante CARF nº 76. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 00 14 41 /2 00 3- 39 Fl. 246DF CARF MF Processo nº 10140.001441/200339 Acórdão n.º 1003000.283 S1C0T3 Fl. 358 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 300319 com a exigência do crédito tributário no valor de R$5.983,90 a título de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), juros de mora e multa de ofício proporcional, referente ao período de janeiro de 2002 a março de 2003: DESCRIÇÃO DOS FATOS [...]: 001 PIS DIFERENÇA APURADA ENTRE O VALOR ESCRITURADO E O DECLARADO/PAGO Lançamento de Ofício dos valores do Programa de Integração Social PIS, dos meses janeiro a dezembro de 2002 e janeiro a março de 2003, calculados sobre as receitas registradas no Livro de Apuração do ICMS e Registro de Prestação de Serviços. A fiscalizada, enquadrada na condição de EPP no SIMPLES, auferiu no decorrer do . anocalendário de 1999, ano anterior ao da opção, receita bruta omitida em montante acumulado de R$21.501.425,59, mais receita anual escriturada de R$156.969,67, totalizando R$21.658.395,26, valor esse excedente ao limite estabelecido para ingressar, no simples R$1.200.000,00. A receita omitida, obtida com base nos depósitos bancários não escriturados e não justificados, está demonstrada na planilha DEMONSTRATIVO DA TOTALIZAÇÃO MENSAL E ANUAL DOS VALORES CREDITADOS NAS CONTAS BANCÁRIAS. Em função dessa constatação, a contribuinte foi excluída do SIMPLES em 04.06.2003, conforme o Ato Declaratório Executivo DRF/CGE n°10, publicado no Diário Oficial da União de 06.06.2003, desde sua opção, tendo em vista que infringiu o art. 9“da Lei n° 9.317/96, inciso II, ao optar INDEVIDAMENTE, permanecendo no SIMPLES nos anoscalendário 2000, 2001, 2002 e 2003. Os valores do PIS foram apurados, em procedimento de verificações obrigatórias, com base nas receitas de venda e prestação de serviços, escrituradas nos livros fiscais apresentados pela contribuinte e estão demonstrados nas planilhas COMPOSIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO (APURAÇÃO SINTÉTICA)e APURAÇÃO DE DÉBITO, dos anoscalendário 2002 e 2003 da matriz e filial. [...] ENQUADRAMENTO LEGAL Art. 77. inciso III do DecretoLei nº 5.844/43; art. 149 da Lei n° 5.172/66; art. 3° alínea "b", da Lei Complementar nº 07/70, art. 11, parágrafo único, da Lei Complementa n° 17/73, Título 5, capítulo 1, seção 1, alínea "b", itens I e II, do Regulamento do PIS/PASEP, aprovado pela Portaria MF nº 142/82; Arts. 2º, inciso I, 8°, inciso I, e 9°, da Lei n° 9.715/98: Arts. 2º e 3º. da Lei nº 9.718/98. Fl. 247DF CARF MF Processo nº 10140.001441/200339 Acórdão n.º 1003000.283 S1C0T3 Fl. 359 3 Cientificada, a Recorrente apresentou a impugnação. Está registrado no voto condutor do Acórdão da 2ª Turma/DRJ/CGE/MS nº 03.749, de 14.05.2033, fls. 159160: 6. Consoante se vê pelo do Acórdão proferido nos autos do processo 10140.001438/200315 (fls. 140157), foram mantidas as autuações proferidas naqueles autos, e tendo em vista que a impugnação resumese a vincular o resultado deste àquele processo, é de manterse a autuação aqui exigida, face à relação de causa e efeito existente. De outro lado, não cabe nesta sede eventual compensação de tributo recolhido pelo Simples, o qual deverá ser solicitado em procedimento próprio e apreciado pela DRF de origem. 7. Em face do exposto e considerando tudo mais que dos autos consta, indefiro a impugnação e julgo procedente o auto de infração e demonstrativos de fls. 110 e seguintes. Notificada em 11.06.2004, fl. 168, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 08.07.2004, fls. 172179, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Relativamente aos fatos aduz que: Na verdade, a presente autuação é decorrência do procedimento de fiscalização compreendendo os anoscalendário de 1997 a 2003, e que resultou no processo principal de n° 10140.001438/200315 (IRPJ e Reflexos), que também será objeto de recurso voluntário. Todavia, por motivo que se desconhece, o lançamento do PIS compreendendo os fatos geradores de 31/01/2002 a 31/03/2003, foi efetuado no presente auto de infração, em apartado. [...] É certo que o ponto crucial da questão, está no levantamento de suposta omissão de receita no anocalendário de 1999 ano anterior ao de opção da recorrente à tributação pelo Simples, no montante de R$ 21.501.425,59 (excedente ao limite para ingressar no Simples de R$ 1.200.000,00), decorrente do somatório de meros depósitos em contas bancárias da contribuinte. Tal omissão, somada à receita declarada, foi tributada pelo fisco quanto aos tributos IRPJ, PIS, CSLL e COFINS (processo n° 10140.001438/200315). Entretanto, restou comprovada naqueles autos, a ILEGALIDADE DA UTILIZAÇÃO DE DADOS DA CPMF PARA FINS DE LANÇAMENTO DE OUTROS TRIBUTOS, e que a Sra. Auditora Fiscal cometeu ilegalidade pela utilização indevida da movimentação bancária da fiscalizada, contrariando frontalmente a lei pátria e a legislação que regula a matéria. Sem contar que, de acordo com a legislação vigente, a doutrina e a jurisprudência dominantes, inclusive a do Conselho de Contribuintes, o simples depósito bancário não é sinônimo de renda ou receita tributável pelo Imposto de Renda e Contribuições. Dessa maneira, com amparo em julgados que vedam a retroatividade da aplicação da Lei n° 10.174, de 2001, e declaram a ilegitimidade de lançamento que teve como base de cálculo suposta omissão de receita decorrente de depósitos bancários não contabilizados, a omissão apurada pela fiscalização e que causou o excesso de receita no anocalendário de 1999, ano anterior ao de opção pela empresa no SIMPLES (causa de sua exclusão), não merece sustentação, devendo ser declarada improcedente. [...] Portanto, é perfeita e legal a opção da contribuinte pelo SIMPLES a partir do anocalendário de 2000, e correto os pagamentos do PIS relativos aos fatos geradores de janeiro a dezembro de 2002 e janeiro a março de 2003, calculados Fl. 248DF CARF MF Processo nº 10140.001441/200339 Acórdão n.º 1003000.283 S1C0T3 Fl. 360 4 sobre as receitas registradas no Livro de Apuração do ICMS e Registro de Prestação de Serviços na forma simplificada, e, por conseqüência, improcedente o lançamento efetuado pela Sra. Auditora Fiscal. Não obstante, em face da relação de causa e efeito, no julgamento do presente há que ser observado o decidido no processo de n° 10140.001438/200315, por questão de coerência. Além do mais, contrariamente ao que consta da decisão recorrida, caso se decida pela manutenção do presente lançamento, do que se discorda veementemente, é de ser compensado o pagamento efetuado no sistema simplificado, pois, assim não ocorrendo, estará caracterizado o abominável enriquecimento sem causa, coibido pelo direito pátrio. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Concernente ao pedido expõe que: Pelo exposto, requerse o acolhimento do presente Recurso Voluntário, com a reforma da r. decisão recorrida e 0 cancelamento da autuação fiscal, para o fim de afastar a exigência do crédito tributário e determinandose o arquivamento do presente processo. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente alega que o presente lançamento é decorrente do procedimento de fiscalização formalizado no processo principal de n° 10140.001438/200315. Consta no Acórdão da 2ª Turma/DRJ/CGE/MS nº 03.727, de 07.05.2033, de 11.12.2009, proferido no processo principal nº 10140.001438/200315, fls. 140157, foram constituídos os créditos tributários dos tributos de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins relativamente aos anoscalendário de 1997 a 2003: O lançamento ocorreu em virtude dos seguintes fatos: I Omissão de receitas caracterizada pela integralização de capital, cuja efetiva entrega de numerário, pelos sócios, não foi comprovada com documentos hábeis e idôneos, coincidentes em datas e valores, no total de R$ 200.000,00 no ano calendário 2002. Enquadramento legal: art. 24 da Lei n° 9.249/1995; arts. 249II, 251, parágrafo único, 279, 282 e 288 do RIR/1999 (fls. 903904); Fl. 249DF CARF MF Processo nº 10140.001441/200339 Acórdão n.º 1003000.283 S1C0T3 Fl. 361 5 II Omissão de receitas caracterizada por valores creditados em contas de depósito mantidas em instituição financeira, em relação aos quais a contribuinte, regularmente intimada, não comprovou mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados nessas operações; fato gerador: 31/12/2000. Enquadramento legal: art. 24 da Lei n° 9.249/1995; art. 42 da Lei n° 9.430/1996, arts. 249II, 251, parágrafo único, 279, 287 e 288 do RIR/1999 (fls. 905906); III Omissão de receita caracterizada pela ausência de escrituração da aquisição de bem do ativo permanente (imóveis), em 26/07/1999, no valor de R$ 40.000,00. Enquadramento legal: arts. 281II, 288 e 528 do RIR/ 1999 (fls. 906 907); IV Omissão de receitas caracterizada por valores creditados em contas de depósito mantidas em instituição financeira, em relação aos quais a contribuinte, regularmente intimada, não comprovou mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados nessas operações; fatos geradores: 31/03/1997, 30/06/1997, 30/09/1997, 31/12/1997, 31/03/1999, 30/06/1999, 30/09/1999 e 31/12/1999. Os valores apurados foram tributados com base no Lucro Presumido conforme opção da contribuinte. Enquadramento legal: art. 24 da Lei n° 9.249/1995; arts. 25 e 42 da Lei n° 9.430/1996, art. 528 do RIR/1999 (fls. 907908); V Omissão de receitas caracterizada por valores creditados em contas de depósito mantidas em instituição financeira, em relação aos quais a contribuinte, regularmente intimada, não comprovou mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados nessas operações; fatos geradores: 31/03/1998, 30/06/1998, 30/09/1998, 31/12/1998. Os valores apurados foram tributados com base no Lucro Arbitrado, nos termos do art. 530, III e IV do RIR/1999 e Lei n° 8.981/1995, art. 47IV, vez que a contribuinte optou indevidamente pelo lucro presumido. Enquadramento legal: arts. 16 e 24 da Lei n” 9.249/1995; arts. 539III, 541, 884 e 889 do RIR/1999 e arts. 27I e 42 da Lei n” 9.430/1996 (fls. 909910); VI Lançamento de oficio dos valores do IRPJ calculado sobre o lucro arbitrado do 1° trimestre de 2003, o qual foi apurado a partir das receitas registradas no livro de Apuração do ICMS e Registro de Prestação de Serviços, conforme Demonstrativo da Totalização Mensal e Anual de Valores Creditados nas Contas Bancárias; sendo que a autuada estava enquadrada no Simples na condição de Empresa de Pequeno porte (EPP), contudo, auferiu no anocalendário 1999, ano anterior à opção, receita bruta omitida no montante de R$ 21.494.988,34, e R$ 156.969,67 de receitas escrituradas, no montante de R$ 21.651.958,01, que excedeu ao limite estabelecido para ingressar no Simples, que era de R$ 1.200.000,00. Assim, em 04/06/2003 foi expedido o Ato Declaratório Exec. DRF/CGE nº 10, publicado no DOU de 06/06/2003, que a excluiu do Simples desde sua opção face à infringência do art. 9°, II, da Lei n° 9.317/1996 ao optar indevidamente e permanecer no sistema nos anoscalendário 2000, 2001, 2002 e 2003. A empresa apresentou os livros fiscais, mas não os livros contábeis, apesar de reiteradamente intimada, daí o arbitramento. Enquadramento legal: art. 16 da Lei n° 9.249/1995; art. 27I da Lei n° 9.430/1996 e arts. 531 e 841 do RIR/1999 (fls. 9112); VII Lançamento de oficio da Multa isolada referente à falta de recolhimento do IRPJ, nos AC 2000 e 2002, incidente sobre a base de cálculo estimada, apurada a partir da receita bruta e acréscimos. Enquadramento legal: arts. 2° e 44, § 1°, IV, da Lei n° 9.43 0/1996 e arts. 222, 843 e 957, parágrafo único, inciso IV do RIR/1999 (fls. 912914); VIII Lançamento de oficio da Multa isolada referente à falta de recolhimento da CSLL, nos anoscalendário de 2000 e 2002, incidente sobre a base de cálculo Fl. 250DF CARF MF Processo nº 10140.001441/200339 Acórdão n.º 1003000.283 S1C0T3 Fl. 362 6 estimada, apurada a partir da receita bruta e acréscimos. Enquadramento legal: arts. 28 e 30 c/c art. 2° e 44 § 1° da Lei n” 9.430/1996 (fls. 914915). Houve julgamento do referido processo principal nº 10140.001438/200315, que se encontra no Arquivo Geral da Samf/SP, efl. 245, e está registrado no Acórdão 1º Conselho de Contribuintes/5ª Câmara nº 1055.428, de 07.10.2005, efls. 199234, o qual prevaleceu : ACORDAM os Membros da Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade do lançamento por utilização dos dados da CPMF. Por maioria de votos, ACOLHER a preliminar de decadência do direito de lançar o IRPJ e CSLL cujos fatos geradores ocorreram até o primeiro trimestre de 1998, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. [...] Por maioria de votos, ACOLHER a preliminar de decadência do PIS e COFINS cujos fatos geradores ocorreram até maio de 1998. [...] No mérito por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso em relação à omissão de receitas por integralização de capital e também à COFINS e PIS FATURAMENTO. Por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso para afastar a tributação de omissão de receitas por falta de contabilização de bens de natureza permanente. Por maioria de votos, DAR provimento ao recurso em relação a omissão de receitas depósitos bancários ano calendário de 1998. [...] Por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso em relação a omissão de receitas depósitos bancários ano calendário de 1999. Por maioria de votos, DAR provimento ao recurso em relação a omissão de receitas depósitos bancários ano calendário de 2000. [...] Por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso em relação a omissão de receitas depósitos bancários ano calendário de 2003. Por unanimidade de votos, REDUZIR a multa de oficio de 112,5% para 75%. O nexo causal entre as exigências de créditos tributários, formalizados em autos de infração instruídos com todos os elementos de prova, determina que devem ser objeto de um único processo no caso em que os ilícitos dependam da mesma comprovação e sejam relativos ao mesmo sujeito passivo (art. 9º do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). O somatório da base de cálculo apurada no presente processo referese às "receitas de venda e prestação de serviços, escrituradas nos livros fiscais apresentados pela contribuinte e estão demonstrados nas planilhas COMPOSIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO (APURAÇÃO SINTÉTICA)e APURAÇÃO DE DÉBITO, dos anoscalendário 2002 e 2003 da matriz e filial". Nessa matéria, o lançamento formalizado no processo principal nº 10140.001438/200315 não foi modificado. Por conseguinte, o presente lançamento de PIS sendo decorrente das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa, leva a que o resultado do Fl. 251DF CARF MF Processo nº 10140.001441/200339 Acórdão n.º 1003000.283 S1C0T3 Fl. 363 7 julgamento deste feito acompanhe aquele que foi dado às exigências principais de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins formalizados no processo principal nº 10140.001438/200315. Sobre o pedido da Recorrente de aproveitamento dos recolhimentos a título de Simples temse que a Súmula CARF nº 76 determina que "na determinação dos valores a serem lançados de ofício para cada tributo, após a exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observandose os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada". A competência para revisão de ofício é da Autoridade Administrativa (inciso III do art. 149 do Código Tributário Nacional) que jurisdicione a Recorrente, nos termos do art. 270 da Portaria MF nº 430, de 09 de outubro de 2017, que aprova o Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). Cabe a DRF que jurisdicione a Recorrente concretize as determinações do Súmula CARF nº 76 com efeito vinculante em relação à administração tributária federal, conforme Portaria MF nº 277 de 07 de junho de 2018. Em assim sucedendo, voto em dar provimento parcial ao recurso, para que a DRF que jurisdicione a Recorrente deduza dos valores lançados, eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados pelo Simples, nos termos da Súmula Vinculante CARF nº 76. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 252DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.955030/2010-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/11/2002
COFINS. INCIDÊNCIA SOBRE SOCIEDADES UNIPROFISSIONAIS. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE INCONSTITUCIONALIDADE DO TRIBUTO POR FORÇA DA SÚMULA CARF N. 02.
Em conformidade com a Súmula CARF n. 02 é vedado a este colegiado analisar a constitucionalidade de norma tributária em vigor.
REMISSÃO DE DÉBITOS
Dentre as competências atribuídas ao julgador de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento não se inclui a concessão de remissão de débitos.
Numero da decisão: 3302-005.951
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.903059/2011-16, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimaraes (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/11/2002 COFINS. INCIDÊNCIA SOBRE SOCIEDADES UNIPROFISSIONAIS. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE INCONSTITUCIONALIDADE DO TRIBUTO POR FORÇA DA SÚMULA CARF N. 02. Em conformidade com a Súmula CARF n. 02 é vedado a este colegiado analisar a constitucionalidade de norma tributária em vigor. REMISSÃO DE DÉBITOS Dentre as competências atribuídas ao julgador de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento não se inclui a concessão de remissão de débitos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.903059/2011-16, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimaraes (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1652; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.955030/201021 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3302005.951 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de setembro de 2018 Matéria COFINS Recorrente CENTRO DE PREVENÇÃO DE ODONTOLOGIA LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/11/2002 COFINS. INCIDÊNCIA SOBRE SOCIEDADES UNIPROFISSIONAIS. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE INCONSTITUCIONALIDADE DO TRIBUTO POR FORÇA DA SÚMULA CARF N. 02. Em conformidade com a Súmula CARF n. 02 é vedado a este colegiado analisar a constitucionalidade de norma tributária em vigor. REMISSÃO DE DÉBITOS Dentre as competências atribuídas ao julgador de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento não se inclui a concessão de remissão de débitos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10880.903059/201116, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimaraes (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 95 50 30 /2 01 0- 21 Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10880.955030/201021 Acórdão n.º 3302005.951 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório A recorrente acima qualificada apresentou Declaração de Compensação pleiteando a compensação de débitos referentes a impostos e contribuições administrados pela RFB com créditos decorrentes de pagamento supostamente indevido ou a maior. Por meio de Despacho Decisório Eletrônico, a compensação pleiteada não foi homologada ante a ausência/insuficiência de créditos oponíveis contra a Fazenda Pública, uma vez que o pagamento indicado foi encontrado, encontrandose, todavia, totalmente alocado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificado da decisão o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade. Sinteticamente, sustenta a inconstitucionalidade da COFINS recolhida em razão de no período estar em vigor a Súmula STJ n. 276 e entender que a exigência da contribuição sobre sociedades uniprofissionais seria indevida até 17 de setembro de 2008, quando admite que tributo finalmente teve sua constitucionalidade declarada pelo STF, quando do julgamento da ADI 4071. Sobreveio então o julgamento da DRJ, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 16038.299. Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário ao CARF, por meio do qual suscitou os argumentos já submetidos à DRJ, enfatizando a inconstitucionalidade da exação bem como a existência de remissão promovida pela lei 11.941/2009. É o relatório. Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10880.955030/201021 Acórdão n.º 3302005.951 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302005.932, de 26 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.903059/201116, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302005.932): "O Recurso Voluntário foi apresentado de forma tempestiva e revestese dos demais requisitos legais, razão pela qual o admito. Não tendo sido arguidas preliminares, é de se passar à análise do mérito. O cerne da controvérsia é deveras interessante, não é de competência deste colegiado, mas sim do Poder Judiciário, contudo merece ser mencionada para a devida contextualização da matéria em discussão: Tratase da à possibilidade ou não de uma lei formalmente complementar, contudo materialmente ordinária, ser revogada por uma lei ordinária. Da solução desta polêmica decorre a tributação, ou não, das sociedades uniprofissionais, isentadas da COFINS pela Lei Complementar n. 70/91, mas que a referida isenção foi revogada pela Lei Ordinária n. 9.430/96. Na tentativa de pacificar a matéria, no dia 14.05.2003 o STJ editou a Súmula n. 276 que dispunha que "As sociedades civis de prestação de serviços profissionais são isentas de COFINS, irrelevante o regime tributário adotado". Contudo, no julgamento do RE 377.457/PR e RE 381.964/MG o STF admitiu a constitucionalidade da revogação da Lei Complementar (materialmente ordinária) pela Lei Ordinária e a Súmula STJ 276, o que na prática chancelou a tributação das sociedades uniprofissionais pela COFINS desde a entrada em vigor da Lei Ordinária n. 9.430/96. Em que pese o fato da enorme insegurança jurídica promovida pela alteração jurisprudencial, por força da SÚMULA CARF N. 02 a este Colegiado é vedado apreciar eventual inconstitucionalidade de norma jurídica em vigor. Em relação à exigência da COFINS sobre as sociedades uniprofissionais, este Colegiado possui entendimento consolidado no sentido de que deve ser reconhecida a isenção para sociedade civil prestadora de serviços profissionais em período anterior à publicação da Lei 9.430/96, sendo irrelevante o regime tributário que esta adote para fins do Imposto de Renda, conforme prevê a Súmula 276 do STJ, como se aduz do Acórdão n. 9303 Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10880.955030/201021 Acórdão n.º 3302005.951 S3C3T2 Fl. 5 4 002.036 proferido no Recurso Especial n. 15374.002049/0063, de relatoria da Ilma. Conselheira Nanci Gama, julgado em 10 de julho de 2012. Contudo, os valores tratados nos presentes autos dizem respeito a período posterior, no qual encontrase em vigor legislação que determina a tributação das sociedades uniprofissionais pela COFINS, cuja constitucionalidade foi reconhecida pelo Pretório Excelso. Neste sentido vale destacar que a declaração da constitucionalidade da revogação pelo STF, por ter natureza declaratória, possui efeitos ex tunc, ou seja, retroagido à data da entrada em vigor da norma revogante. Estando a atividade da Recorrente na região de incidência de norma fiscal impositiva, não há de se reformar a decisão atacada, que nega direito ao crédito tributário pretendido pela Recorrente. Em relação ao argumento da existência de remissão promovida pela lei 11.941/2009, também é certo que a concessão ou o reconhecimento da remissão não é matéria de competência da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil, razão pela qual deve ser mantida a r. decisão atacada. Pelos motivos já expostos é de se negar provimento ao Recurso Voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 86DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.901930/2006-67
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1002-000.028
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso voluntário em diligência, para que a Unidade de Origem possa tentar obter junto à Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos ECT e aos sistemas informatizados de controle de postagens e correspondências da RFB informações que identifiquem a data em que o contribuinte tomou ciência do Acórdão de Manifestação de Inconformidade DRJ/REC n.º 11-46.786.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente
(assinado digitalmente)
Angelo Abrantes Nunes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Angelo Abrantes Nunes.
RELATÓRIO
Nome do relator: ANGELO ABRANTES NUNES
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso voluntário em diligência, para que a Unidade de Origem possa tentar obter junto à Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos — ECT e aos sistemas informatizados de controle de postagens e correspondências da RFB informações que identifiquem a data em que o contribuinte tomou ciência do Acórdão de Manifestação de Inconformidade DRJ/REC n.º 1146.786. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Presidente (assinado digitalmente) Angelo Abrantes Nunes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Angelo Abrantes Nunes. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .9 01 93 0/ 20 06 -6 7 Fl. 183DF CARF MF Processo nº 10830.901930/200667 Resolução nº 1002000.028 S1C0T2 Fl. 184 2 RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário em razão de não provimento de Manifestação de Inconformidade interposta contra o Despacho Decisório de efls. 44 a 46, de 16/05/2008, que não havia reconhecido o direito creditório alegado porque já utilizado para compensar débito de responsabilidade do contribuinte. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife PE indeferiu a Manifestação de Inconformidade por meio do Acórdão n.º 1146.786 (efls. 107 a 112), no qual consta a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2000 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. ALTERAÇÃO DE BASE DE CÁLCULO DO TRIBUTO E GLOSA DE DEDUÇÕES. PRAZO LIMITE. PRAZO DA HOMOLOGAÇÃO. Para a verificação da liquidez e certeza do crédito postulado por ocasião da análise de direito creditório em compensação declarada pelo contribuinte, é possível glosar deduções do tributo devido apurado ou alterar a base de cálculo ou a alíquota aplicável por meio de despacho decisório enquanto não transcorridos cinco anos contados a partir da transmissão da Dcomp. EXIGÊNCIA DO DÉBITO DECLARADO. TERMO INICIAL. NÃO HOMOLOGAÇÃO. O débito confessado em Dcomp somente é passível de ser exigido em procedimento de cobrança na hipótese de a compensação pretendida não ter sido homologada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Por discordar da decisão, o contribuinte apresentou recurso voluntário no qual enumera as razões abaixo: A Nota Técnica Cosit n.º 05/2013, que permite à autoridade fiscal realizar as alterações necessárias para a correta determinação do saldo negativo informado em DCOMP em caso de constatação de irregularidade, ainda que o período examinado corresponda a período alcançado pela decadência quanto a lançamentos tributários, não está em consonância com a Constituição Federal, CTN e legislação correlata. Não pode haver revisão de "valores já decaídos", devendo ser reconhecidos sua certeza e liquidez, resguardandose o princípio da segurança jurídica. A contribuinte teve retenção do valor R$ 72.791,98, e não R$ 61.129,32, conforme ficha 43 de sua DIPJ 2001. Fl. 184DF CARF MF Processo nº 10830.901930/200667 Resolução nº 1002000.028 S1C0T2 Fl. 185 3 As informações das fontes pagadoras são inexatas, e os documentos que a fiscalização entender necessários para a verificação da correta retenção estão à disposição na empresa, devendo a fiscalização buscar a verdade material. A totalidade do crédito informado pelo recorrente seria suficiente para compensar inclusive o IRRF, código 05611, do período de apuração 1.º sem/jul/02. A divergência restringese às retenções na fonte não reconhecidas pela Auditoria Fiscal. O recorrente junta aos autos movimentação bancária para comprovar o imposto efetivamente retido, e o erro consignado nas informações constantes das DIRFs. Se não reconhecido o crédito pretendido pelo recorrente se estará tributando fato que não corresponde ao conceito de renda. Às declarações prestadas pelas fontes pagadoras não se pode atribuir valor maior que às declarações do recorrente, devendo as autoridades fiscais procederem à fiscalização e apuração necessárias junto aos extratos bancários e documentos fiscais das fontes pagadoras. Ao final, requer a homologação de suas compensações, de forma integral. É o relatório. VOTO Conselheiro Angelo Abrantes Nunes, Relator. Entendo que o recurso voluntário não preenche as condições para ser julgado, conquanto haja dúvidas quanto a sua tempestividade, conforme se demonstrará. Constatase no AR juntado ao processo, à efl. 114, que há identificação do recebedor da correspondência (Comunicação n.º 157/2014), mas o preenchimento da data de recebimento se encontra ilegível. Da mesma forma um dos carimbos se encontra ilegível, enquanto outros dois carimbos informam as datas 20/08/2014 e 11/08/2014, não sendo possível concluir acerca da real data de recebimento, pelo contribuinte, do Acórdão de Manifestação de Inconformidade. O carimbo com data ilegível só mostra essa inconsistência quanto ao dia, podendo ser verificado que o mês e ano são 08/2014. E mesmo quando ao dia, há certeza quando ao primeiro numeral, "1", mas não quanto ao segundo numeral. Ocorre que tal carimbo é o normalmente aplicado pela agência postal de destino após a entrega da correspondência, já em procedimento de devolução do Aviso de Recebimento ao remetente. Sob este carimbo encontrase a assinatura do Encarregado de Tesouraria Lázaro Itacir, matrícula 8.871.2702. Estes e outros aspectos do AR podem contribuir para apontar a data correta da ciência do Acórdão da DRJ/REC pelo sujeito passivo. Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10830.901930/200667 Resolução nº 1002000.028 S1C0T2 Fl. 186 4 Sob as balizas descritas acima, podese inferir apenas que a ciência se deu num dos dias contidos no período de 11 a 19/08/2014, e o recurso voluntário foi recebido em 16/09/2014, mediante carimbo que atesta esta data. Dado o contexto da insuficiência de certeza quanto à tempestividade do recurso voluntário, na linha da mais ampla investigação, as pesquisas junto aos sistemas informatizados integrados da RFB que contêm dados sobre o controle de correspondências, e junto a outros sistemas que possam somar informações de interesse, associadas aos esclarecimentos que podem ser fornecidos pela Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ETC), poderão afastar a dúvida e determinar a conclusão pela tempestividade ou não do recurso voluntário. Sendo assim, voto por converter o julgamento em diligência, para que a Unidade de Origem tente obter junto à Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos — ECT e aos sistemas informatizados de controle de postagens e correspondências da RFB: a) Informação sobre a data exata em que o contribuinte tomou ciência do Acórdão DRJ/REC n.º 1146.786, efls. 107 a 112, dada a condição de ilegível dessa informação aposta no AR respectivo (campo "Data de recebimento"), efl. 114; b) Somente na impossibilidade de se apontar com exatidão o dia em que se deu a referida ciência, conforme item "a", acima, informação acerca do intervalo temporal dentro do qual, inequivocamente se teria efetivado a cientificação do contribuinte; c) Somente se frustradas as constatações a que visam os itens "a" e "b", acima, verificação, se possível — com os dados e informes obtidos na diligência, numa construção lógica que os leve em consideração juntamente com os carimbos apostos no AR de fl. 114, nem todos legíveis —, que indique com precisão o período em que não poderia ter sido realizada a ciência; d) Elementos indicativos da impossibilidade de se apontar a data ou período em que se deu a ciência do Ac. DRJ/REC n.º 1146.786, ou mesmo o período em que não poderia ter sido assegurada a cientificação do sujeito passivo, caso não haja sucesso nas demandas dos itens "a", "b" e "c", anteriores; e) Quaisquer conclusões que entenda pertinentes e úteis no sentido de se definir a data da ciência, pelo contribuinte interessado, do mencionado acórdão. Ao final dos procedimentos de diligência, na forma do parágrafo único do art. 35 do Decreto n.º 7.574/2011, pedese à Unidade de Origem cientificar o contribuinte recorrente sobre o seu resultado, possibilitando sua manifestação no prazo de 30 dias, e retornar os autos a esta 2.ª Turma Extraordinária da 1.ª Câmara da 1.ª Seção de Julgamento do CARF, para o relator, a fim de que seja dado seguimento ao julgamento. É como voto. Fl. 186DF CARF MF Processo nº 10830.901930/200667 Resolução nº 1002000.028 S1C0T2 Fl. 187 5 (assinado digitalmente) Angelo Abrantes Nunes. Fl. 187DF CARF MF
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