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Numero do processo: 13840.000103/2003-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 09 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Dec 09 00:00:00 UTC 2010
Ementa: ASSUNTO: CON 1 RIBIIKAO PARA 0 FINANCIAMEN 10 DA SEG URI D
SOCIAI - COFINS
Período de apuração: 01/10/1995 a 29/02/1996
DIREITO CREDITORIO.. RESTITUIÇÃO. PRAZO.
0 direito de pleitear a restituição de tributo ou contribuição paga
indevidamente, ou em valor maior que o devido, extingue-se com o deems°
do pi azo de cinco anos, contados da data de extinção do credit() tributário,
assim entendido como o pagamento antecipado, nos casos de lançamento por
homologação. Observáncia aos princípios da estrita legalidade e da segul ança
jurídica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-000.697
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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ementa_s : ASSUNTO: CON 1 RIBIIKAO PARA 0 FINANCIAMEN 10 DA SEG URI D SOCIAI - COFINS Período de apuração: 01/10/1995 a 29/02/1996 DIREITO CREDITORIO.. RESTITUIÇÃO. PRAZO. 0 direito de pleitear a restituição de tributo ou contribuição paga indevidamente, ou em valor maior que o devido, extingue-se com o deems° do pi azo de cinco anos, contados da data de extinção do credit() tributário, assim entendido como o pagamento antecipado, nos casos de lançamento por homologação. Observáncia aos princípios da estrita legalidade e da segul ança jurídica. Recurso Voluntário Negado.
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RESTITUIÇÃO. PRAZO. 0 direito de pleitear a restituição de tributo ou contribuição paga indevidamente, ou em valor maior que o devido, extingue-se com o deems° do pi azo de cinco anos, contados da data de extinção do credit() tributário, assim entendido como o pagamento antecipado, nos casos de lançamento por homologação. Observáncia aos princípios da estrita legalidade e da segul ança jurídica. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Walber Jose da Silva - Piesidente e Relator EDITADO EM: 11/12/2010 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber Jose da Silva, Jose Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Alan Fialho Gandra, Alexandre Gomes e Giteno Gurjão Barseto. ''' ' Rela toil° No dia 14/02/2003 a empresa recorrente ingressou corn o pedido de restituição de PIS, relativo a pagamentos efetuados no período de novembro de 1995 a março de 1996, alegando que a decretação da inconstitucionalidade do art. 18 da Lei n 9.715/98 gera direito a restituição pleiteada. A DRF em Campinas - SP indeferiu o pedido da recorrente e não homologou as compensaçães declaradas, alegando que ocorreu a extinção do direito de a recorrente pleitear a restituição, conforme Despacho Decisório e Relatório de Ms. 82/84. Ciente da decisão , a empresa interessada ingressou com a manifestação de incon for miclade de fls. 88/95, cujas razbes estão sintetizadas no relatório do acórdão recorrido, que leio ern sessão. A 1 m Turma de Julgamento da DRJ em Campinas - SP indeferiu a solicitação da recorrente, nos termos do Acórdão n 05-21.781, de 25/04/2008, cuja ementa abaixo transcrevo: REST IT U100 DE INDÉBITO EX! INCJO DO DIRLITO O direito de a con/i ibuinte pleitern a revinticão de tributo ou cowl ibuição pogo indevidamente extingue-se apás o tianscurso do pra:o de cinco anos contados da data do pagamento Rest/Bess ido - Comp não homologada A recorrente tomou ciência da decisão de primeira instância no dia 10/02/2009, conforme AR de fl, 166, e, discordando da mesma, ingressou, no dia 13/02/2009, com o recurso voluntário de fls. 168/179, no qual levanta a preliminar de nulidade da decisão recorrida pot cerceamento do direito de defesa porque a decisão recorrida não enfrentou o mérito de seu pedido e, quanto ao mérito do recurso , alega que é de 10 anos (5+5) o prazo para pedir restituição de tributo lançado por homologação, que é o caso do PIS. Na forma regimental, o recurso voluntário foi a mim distribuído. É. o Relatório. Voto Conselheiro Walber José da Silva. Relator . , O recurso voluntário deve ser conhecido porque é tempestivo e atende aos demais requisitos legais. A recorrente esta pleiteando a integral restituição do PIS relativo aos períodos de apuração de 10/95 a 02/96, cujos pagamentos ocorreram entre novembro de 1995 e março de 1996. O pedido de restituição foi apresentado no dia 14/03/2003, 2 i • Process() n" 13840 000103/2003-81 S3-C312 Acórdzio a "3302-0a 697 FA 191 A Receita Federal do Brasil (RFB), por meio das suas DRF e DIU, entendeu extinto o direito de a recorrente pleitear a restituição em tela em face do decurso do prazo, que entende ser de 5 (cinco) anos a contar do pagamento tido como indevido e objeto do pedido de restituição. Em seu recurso voluntário a interessada levanta a preliminar de nulidade da decisão recorrida por não ter enfrentado o mérito do seu pedido, ou seja, se houve ou não pagamento indevido relativo aos periodos de apuração objeto do pedido de restituição. Sem razão a recorrente.. Havendo o reconhecimento, por parte da administração da RFB, de que está extinto o direito de pleitear restituição, torna-se absolutamente ineficaz a analise das razões de mérito do pedido formulado pelo contribuinte.. No caso em tela, somente uma eventual reforma da decisão recorrida, em face deste recurso voluntário, para reconhecer que não está extinto o direito de pleitear restituição, é que obrigaria a autoridade da RFB a analisar o mérito do pedido da recorrente. Pelo exposto, rejeito a preliminar de nulidade da decisão recorrida. Quanto ao mérito do recurso voluntário, também não assiste razão recorrente. Entendo improcedentes os argumentos da recorrente quanto ao transcurso do azo para pleitear restituição de eventual pagamento indevido ou a maior do PIS. A administração pública rege-se pelo principio da estrita legalidade (CF, art. 37, capra), especialmente em matéria de administração ti ibutária, que é uma atividade administrativa plenamente vinculada (CTN, art. 3 ° e 142, parágrafo Desta forma, o agente público encontra-se preso aos termos da Lei, não se lhe cabendo inovar ou suprimir as normas vigentes, o que significa, em última análise, introduzir disci icionariedade onde não lhe é permitida. Sobre o prazo e o termo a quo do mesmo para pedir restituição de tributos e contribuições pagos indevidamente, reza o art. 168 do CTN: "Art. 168. 0 direito de piei/cai a restitukao extingue-se com a &cm so do pi 0:0 de 5 (cinco) anos, col:/ado's I - nas hipóteses dos incisos 1 e 11 do ai ligo 165, da data da esIinvelo elo crédito tributdrio; 11 - na hipótese do inciso Ill do artigo 16.5. da data em gnu se 1011101 (Affinitive: a decisiio administrativa on passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado. evogado ou rescindido a deciseio condenatótia". (negritei). Para ter minar de vez a querela sobre o termo a quo da contagem do referido prazo, para os tributos lançados por homologação (se a data do pagamento ou a data da homologação do pagamento), a Lei Complementar ii 8. de 09/02/2005, determinou que a 3 extinção do crédito tributário ocorre no momento do pagamento antecipado. Reza o artigo 3'2 da referida lei: Art. 3"- Para cjiiito de interpretação do awls° 1 do oil 168 da Lei 11 2 5.172, de 25 de outubto c/c 1966 - Código ia Nacional, a extinção do ci (Mao hibachi° ocoi le. no caw de lbw° suiello a lançantento pa bomologa{lio no momento do pagamento antecipado de que tratct o § clo cu t 150 dct ida Lei Mais ainda, o art, 4° da mesma lei deter mina que o disposto no art. 3° aplica- se a ato ou fato pretérito, in ver Art, 42 Emit Lei ear a em vigot 120 (cento e vinte) clic, após sua publicação, observado, quanto ao art. 32, o disposto no art. 106, inciso 1, da Lei WI 5.172, de 25 c/c outubro de 1966 Código r ibutzh ia Nacional (grifei) O citado art, 106, inciso 1, do CTN regulamenta a aplicação da lei tributária no tempo, a saber : ib t 106 A lei aplica-se a ato ou fato pi ad, ho 1 - cai qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluida a aplicação de penalidade er ihfiação dos dispositivos We, proados; Eventuais vícios de inconstitucionalidade de dispositivos da referida Lei Complementar 118/05 ou na legislação da Cofins não podem ser apreciados por esse Colegiado, por absoluta falta de competência, nos termos do enunciado da Súmula CARF 02, abaixo reproduzida: Stinuda CARF n 2 - O CARP não 1.% competente paw se prontinciai sabre a inconstitucionalidade de lei a ibutch la A decisão recorrida esta em per feita harmonia com o entendimento esposado na Lei Complementar FP 118/05 e na Súmula CARF n° 02, de 2009, em nada merecendo reparos. No mais, corn fulcro no art, 50, § l', da Lei n 9.784/1999 1 , adoto e ratifico os fundamentos do acórdão de pr imeira instancia. Poi tais razões, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário (assinado digitalmente) Walber José da Silva I Art. 50 Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fluid:memos juridicos, quando: • .1 .; I° A Inotivai,:ao deve ser explieita, clara e congruente, podendo consistir eia declaração de concordancia coin lundantentos de anteriores pareceres, ink-m:0es decisães ou propostos , que., neste cas o, serão parte integrante do ato 4
score : 1.0
Numero do processo: 19647.006160/2003-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 01 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Dec 01 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 1992
IMPOSTO DE RENDA. RECONHECIMENTO DE NÃO INCIDÊNCIA. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL.
No caso de reconhecimento da não incidência de tributo, a contagem do prazo decadencial do direito à restituição ou compensação tem início na data da publicação do Acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal em ADIN, ou na data de publicação da Resolução do Senado que confere efeito erga omnes à decisão proferida inter partes em processo que reconhece inconstitucionalidade de tributo, ou na data de ato da administração tributária que reconheça a não incidência do tributo em abstrato. Não tendo transcorrido entre a data do reconhecimento da não incidência pela administração tributária do IRPF sobre rendimentos recebidos em PDV (IN SRF nº. 165, de 31 de dezembro de 1998) e a do pedido de restituição lapso de tempo superior a cinco anos, é de se considerar que não ocorreu a
decadência do direito de o contribuinte pleitear restituição de tributo pago indevidamente ou a maior que o devido.
Decadência afastada.
Numero da decisão: 2102-000.982
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, para afastar a decadência e determinar o retorno dos autos para a unidade de origem para o exame das demais questões de mérito, vencida a Conselheira Núbia Matos Moura
(relatora). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos.
Matéria: IRPF- processos que não versem s/exigência cred.tribut.(NT)
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 1992 IMPOSTO DE RENDA. RECONHECIMENTO DE NÃO INCIDÊNCIA. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL. No caso de reconhecimento da não incidência de tributo, a contagem do prazo decadencial do direito à restituição ou compensação tem início na data da publicação do Acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal em ADIN, ou na data de publicação da Resolução do Senado que confere efeito erga omnes à decisão proferida inter partes em processo que reconhece inconstitucionalidade de tributo, ou na data de ato da administração tributária que reconheça a não incidência do tributo em abstrato. Não tendo transcorrido entre a data do reconhecimento da não incidência pela administração tributária do IRPF sobre rendimentos recebidos em PDV (IN SRF nº. 165, de 31 de dezembro de 1998) e a do pedido de restituição lapso de tempo superior a cinco anos, é de se considerar que não ocorreu a decadência do direito de o contribuinte pleitear restituição de tributo pago indevidamente ou a maior que o devido. Decadência afastada.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, para afastar a decadência e determinar o retorno dos autos para a unidade de origem para o exame das demais questões de mérito, vencida a Conselheira Núbia Matos Moura (relatora). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos.
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PDV Recorrente VALDI NUNES DUARTE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 1992 IMPOSTO DE RENDA. RECONHECIMENTO DE NÃO INCIDÊNCIA. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL. No caso de reconhecimento da não incidência de tributo, a contagem do prazo decadencial do direito à restituição ou compensação tem início na data da publicação do Acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal em ADIN, ou na data de publicação da Resolução do Senado que confere efeito erga omnes à decisão proferida inter partes em processo que reconhece inconstitucionalidade de tributo, ou na data de ato da administração tributária que reconheça a não incidência do tributo em abstrato. Não tendo transcorrido entre a data do reconhecimento da não incidência pela administração tributária do IRPF sobre rendimentos recebidos em PDV (IN SRF nº. 165, de 31 de dezembro de 1998) e a do pedido de restituição lapso de tempo superior a cinco anos, é de se considerar que não ocorreu a decadência do direito de o contribuinte pleitear restituição de tributo pago indevidamente ou a maior que o devido. Decadência afastada. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, para afastar a decadência e determinar o retorno dos autos para a unidade de origem para o exame das demais questões de mérito, vencida a Conselheira Núbia Matos Moura (relatora). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 17/12/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2010 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 13/12/2010 por NUBIA MATOS MOURA, 13/12/2010 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO 2 Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente e Redator designado Assinado digitalmente Núbia Matos Moura – Relatora EDITADO EM: 13/12/2010 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Acácia Sayuri Wakasugi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Rubens Maurício Carvalho e Vanessa Pereira Rodrigues Domene. Relatório VALDI NUNES DUARTE requer, petição, fls. 01/07, restituição de Imposto de Renda Retido na Fonte incidente sobre verbas indenizatórias trabalhistas, recebidas em razão de adesão a Programa de Demissão Voluntária (PDV), no ano-calendário 1991. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Recife/PE indeferiu o pedido, Despacho Decisório, fls. 23, em razão de o contribuinte ter deixado de apresentar a documentação necessária para a análise do pleito e também por entender que na data da formalização do pedido, 30/12/2003, o direito de pleitear a restituição de valores recolhidos a título de Imposto de Renda Retido na Fonte, cujo pagamento se deu no ano-calendário 1991, já estaria alcançado pela decadência. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, fls. 26/35, e a DRJ Recife/PE, por unanimidade de votos, indeferiu o pedido, conforme Acórdão DRJ/REC nº 11-21.867, de 10/03/2008, fls. 61/65. Cientificado da decisão de primeira instância em 20/02/2009, fls. 79, o contribuinte apresentou, em 13/03/2009, fls. 92, recurso, fls. 81/91, onde alega, em síntese, que o Primeiro Conselho de Contribuintes, em diversas decisões que restauram o verdadeiro conceito de justiça, concede a todos os contribuintes que não puderam exercer seu direito à repetição do indébito em data anterior à IN-SRF nº165/98, a possibilidade de sanar tamanha injustiça. É o relatório. Voto Conselheira Núbia Matos Moura Fl. 2DF CARF MF Emitido em 17/12/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2010 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 13/12/2010 por NUBIA MATOS MOURA, 13/12/2010 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO Processo nº 19647.006160/2003-46 Acórdão n.º 2102-00.982 S2-C1T2 Fl. 95 3 O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Como se vê do relatório, a matéria em litígio gira em torno do termo inicial de contagem do prazo decadencial do direito de os contribuintes pleitearem a restituição de imposto incidente sobre verbas recebidas a título de PDV. A tese em que se baseia o recorrente é a de que o termo inicial seria a data da publicação da IN/SRF nº 165, de 1998, ou seja: 06/01/1999. Muito embora, esta seja a tese vencedora neste Conselho, com a devida vênia, divirjo desse entendimento. O prazo decadencial do direito de pleitear restituição de indébitos tributário é disciplinado no nosso ordenamento jurídico pela Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional (CTN), que assim dispõe nos arts. 165 e 168: Art. 165 - O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do art. 162 nos seguintes casos: I - cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou a maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; (...) Art. 168 - O direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I - das hipóteses dos incisos I e II do art. 165, da data da extinção do crédito tributário; Ora, o dispositivo acima transcrito define a data da extinção do crédito tributário, e não outra data qualquer, como termo inicial de contagem do prazo decadencial. Argumentam, entretanto, os que sustentam a tese contrária, que os contribuintes só puderam exercer o direito de pleitear a restituição com a publicação da Instrução Normativa, que reconheceu o direito. Tal argumento não é verdadeiro. Antes da vigência da referida Instrução Normativa os contribuinte podiam, sim, pleitear a restituição. A diferença é que antes seus pedidos eram indeferidos. Vale destacar que a Instrução Normativa veio apenas orientar e uniformizar a posição da Administração no sentido de deixar de exigir créditos tributários incidentes sobre essas verbas e, por conseqüência, deferir os pedidos de restituição, desde que formalizados dentro do prazo decadencial. Por outro lado, não se pode desprezar que a razão da existência do instituto da decadência nos diversos ordenamentos jurídicos não é outra senão o de evitar a persistência, de forma indefinida, de situações pendentes. O instituto da decadência prestigia a segurança jurídica, fundamento do ordenamento jurídico. E é precisamente esse princípio que se vulnera Fl. 3DF CARF MF Emitido em 17/12/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2010 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 13/12/2010 por NUBIA MATOS MOURA, 13/12/2010 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO 4 quando se confere à Instrução Normativa nº 165, de 1998 o efeito de interromper a contagem do prazo decadencial do direito de pleitear restituição. Conclui-se, portanto, que o termo inicial de contagem do prazo decadencial do direito de os contribuintes pleitearem a restituição de indébitos tributários é a data da extinção do crédito tributário que, no caso, ocorreu em 03/06/1991 (data do desligamento), extinguindo-se o direito em 03/06/1996. Como o pedido só foi formalizado em 30/12/2003, encontrava-se o direito fulminado pela decadência. Ante o exposto, VOTO no sentido de negar provimento ao recurso. Núbia Matos Moura - Relatora Voto Vencedor A questão do termo de início do prazo decadencial da restituição de tributo declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal – STF, quer em controle concentrado, quer em controle difuso, neste último caso após a Resolução Senatorial, bem como para o tributo reconhecido indevido pela própria administração fiscal, suscitou intenso debate no âmbito do então Primeiro Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda. Ao final, consolidou-se a teoria da actio nata [enquanto não nasce a ação, não pode ela prescrever (actione nun nata non praescribitur) 1 , ou seja, o contribuinte somente poderia pleitear seu direito a partir do reconhecimento em abstrato da violação dele, implicando que o prazo decadencial somente contaria a partir do reconhecimento pelo poder público de que o tributo outrora pago era indevido], como foi exemplo o Acórdão CSRF/04-00.182, prolatado na sessão de 13 de dezembro de 2005, relator o conselheiro Wilfrido Augusto Marques, que restou assim ementado: DECADÊNCIA – PEDIDO DE RESTITUIÇÃO – TERMO INICIAL –Em caso de conflito quanto à inconstitucionalidade da exação tributária, o termo inicial para contagem do prazo decadencial do direito de pleitear a restituição de tributo pago indevidamente inicia-se: a) da publicação do acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal em ADIN; b) da Resolução do Senado que confere efeito erga omnes à decisão proferida inter partes em processo que reconhece inconstitucionalidade de tributo; c) ou, em havendo publicação de ato administrativo, a partir desta data. Como se percebe da ementa acima, o termo a quo do prazo decadencial depende de futura decisão do STF, no controle concentrado, ou da Resolução do Senado Federal, quando a decisão da Suprema Corte ocorrer no controle difuso, ou, ainda, da publicação de ato da administração que reconheça em abstrato que o tributo foi pago indevidamente. Deve-se ressaltar, por oportuno, que se assentou, também, no âmbito dos Conselhos de Contribuintes que o prazo decadencial seria qüinqüenal. 1 MONTEIRO, Washington de Barros. Curso de Direito Civil. Parte Geral. 32. ed. São Paulo: Savaiva, 1994, v. 1, p. 297. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 17/12/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2010 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 13/12/2010 por NUBIA MATOS MOURA, 13/12/2010 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO Processo nº 19647.006160/2003-46 Acórdão n.º 2102-00.982 S2-C1T2 Fl. 96 5 No caso aqui em debate, somente a partir da publicação da Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal nº 165, de 31 de dezembro de 1998 (DOU de 06 de janeiro de 1999) surgiu o direito do requerente para pleitear a restituição do imposto retido, porque esta Instrução Normativa estampava o reconhecimento da Administração Tributária pela não-incidência do imposto de renda sobre os rendimentos decorrentes de planos ou programas de desligamento voluntário. Assim sendo, seguindo a jurisprudência remansosa dos Conselhos de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, deve-se reconhecer que não ocorreu a decadência do direito de pleitear a restituição em discussão, pois o prazo decadencial somente começou a fluir a partir de 06 de janeiro de 1999, e, em 30/12/2003, data da protocolização do presente processo, ainda não tinha fluído o qüinqüênio decadencial. Ante o exposto, voto no sentido de afastar a decadência acolhida pela decisão recorrida, devolvendo o presente processo para a unidade de origem para o exame das demais questões de mérito. Giovanni Christian Nunes Campos Fl. 5DF CARF MF Emitido em 17/12/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2010 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 13/12/2010 por NUBIA MATOS MOURA, 13/12/2010 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO
score : 1.0
Numero do processo: 10980.001391/2006-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Dec 10 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Fri Dec 10 00:00:00 UTC 2010
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP.Período de apuração: 01/03/2000 a 31/12/2000PRAZO DE RESTITUIÇÃO - Nos termos da Lei Complementar nº 118/05 é de cinco anos o prazo para o pedido de restituição, contados da data do recolhimento a maior ou indevido.RESTITUIÇÃO - LC 118/05 - Inconstitucionalidade do art. 4º da Lei Complementar. É vedado ao julgador administrativo declarar a inconstitucionalidade de dispositivo legal em vigor.Recurso Voluntário Negado.Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Numero da decisão: 3302-000.772
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: ALEXANDRE GOMES
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RESTITUIÇÃO - LC 118/05 - Inconstitucionalidade do art. 4º da Lei Complementar. É vedado ao julgador administrativo declarar a inconstitucionalidade de dispositivo legal em vigor. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Walber José da Silva - Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Gomes - Relator EDITADO EM: 26/01/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Alan Fialho Gandra, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/02/2011 por ALEXANDRE GOMES Assinado digitalmente em 03/02/2011 por ALEXANDRE GOMES, 07/02/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 2 Relatório Trata o processo de Pedido de Restituição de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), protocolizado em 10/02/2006, relacionado aos períodos de apuração 03/1999 a 12/2000, tendo por fundamento a ilegalidade e inconstitucionalidade da Lei n° 9.718/98. A DRF de Ponta Grossa indeferiu o pedido em razão da ocorrência da prescrição dos créditos pleiteados, por aplicação do disposto no art. 168, inciso I, do CTN, ou seja, o prazo para restituição de pagamento indevido ou a maior é de cinco anos. Em sua Manifestação de Inconformidade a interessada defende o prazo de 10 anos para o exercício do direito a restituição dos valores pagos indevidamente e que, no mérito, foi ilegal e inconstitucional a revogação da Lei Complementar nº 70/91 nos moldes preconizados pela Lei nº 9.718/98. A Delegacia de Julgamento de Curitiba manteve o indeferimento em decisão que assim ficou ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/03/1999 a 31/12/2000 PREJUDICIAL. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. DECADÊNCIA. O direito de o contribuinte pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente, ou em valor maior que o devido, extingue-se após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da extinção do crédito tributário. Solicitação Indeferida No Recurso Voluntário são reiterados os argumentos lançados na manifestação anterior. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Gomes, Relator O presente Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os demais requisitos e dele tomo conhecimento. A DRJ afastou a pretensão diante da ocorrência da prescrição dos créditos uma vez que o pedido protocolado em protocolizado em 10/02/2006 abrangia os períodos de apuração 03/1999 a 12/2000. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/02/2011 por ALEXANDRE GOMES Assinado digitalmente em 03/02/2011 por ALEXANDRE GOMES, 07/02/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10980.001391/2006-41 Acórdão n.º 3302-00.772 S3-C3T2 Fl. 73 3 Como já me manifestei em outras oportunidades, coaduno com o entendimento de que o prazo de restituição dos tributos recolhidos indevidamente inicia-se decorridos cinco anos, contados a partir do fato gerador, acrescidos de mais um qüinqüênio, computados a partir do termo final do prazo atribuído à Fazenda Pública para aferir o valor devido referente à exação. Ou seja, considero que somente após a homologação é que se inicia o curso do prazo prescricional qüinqüenal, de modo que, na prática, o prazo total fixado para restituição é de dez anos após o recolhimento indevido. Neste sentido, o E. STJ, após inúmeras reviravoltas, já pacificou seu entendimento, senão vejamos: TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. DECRETOS- LEIS 2.445/88 E 2.449/88. PRESCRIÇÃO. CINCO ANOS DO FATO GERADOR MAIS CINCO ANOS DA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INAPLICABILIDADE DO ART. 3º DA LC N. 118/2005. INÍCIO DA VIGÊNCIA SOMENTE APÓS 120 DIAS CONTADOS DA PUBLICAÇÃO. INTELIGÊNCIA DO ART. 4º DA MESMA LEI. Está uniforme na 1ª Seção do STJ que, no caso de lançamento tributário por homologação e havendo silêncio do Fisco, o prazo decadencial só se inicia após decorridos 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador, acrescidos de mais um qüinqüênio, a partir da homologação tácita do lançamento. Estando o tributo em tela sujeito a lançamento por homologação, aplicam-se a decadência e a prescrição nos moldes acima delineados. O disposto no artigo 3º da Lei Complementar n. 118, de 09 de fevereiro de 2005 é inaplicável, uma vez que ainda não iniciada a sua vigência, a qual somente terá início após 120 dias contados da publicação, a teor do artigo 4º da mesma lei. Agravo regimental não conhecido. 1 Ocorre que, com o advento da Lei Complementar 118/05, a questão da prescrição do direito a repetição do indébito ganhou nova conotação, senão vejamos: Art. 3o Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei n o 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1 o do art. 150 da referida Lei. Art. 4 o Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3o, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei n o 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional 1 AgRg no AGRAVO DE INSTRUMENTO Nº 653.771 - SP (2005/0009539-6). RELATOR : MINISTRO Francisco Peçanha Martins. Segunda Turma. 05/05/2005. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/02/2011 por ALEXANDRE GOMES Assinado digitalmente em 03/02/2011 por ALEXANDRE GOMES, 07/02/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 4 Não obstante afastar a interpretação que vinha sendo consagrada pela doutrina e pelo judiciário, a nova lei ainda determinou sua aplicação retroativa, uma vez que determinou a observância do disposto do art. 106, inciso I do CTN, que assim prescreve: Art. 106. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: I - em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; É bom destacar que a respeito da legalidade do disposto no art. 4º da Lei Complementar 118/05, o STJ já manifestou sua posição, entendendo pela manifesta inconstitucionalidade dos dispositivos, conforme se depreende da decisão proferida no Resp nº 644.736/PE, cuja ementa segue abaixo transcrita: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. LC 118/2005. INCONSTITUCIONALIDADE DA APLICAÇÃO RETROATIVA. 1. Sobre a prescrição da ação de repetição de indébito tributário de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a jurisprudência do STJ (1ª Seção) assentou o entendimento de que, no regime anterior ao do art. 3º da LC 118/05, o prazo de cinco anos, previsto no art. 168 do CTN, tem início, não na data do recolhimento do tributo indevido, e sim na data da homologação – expressa ou tácita - do lançamento. Assim, não havendo homologação expressa, o prazo para a repetição do indébito acaba sendo de dez anos a contar do fato gerador. 2. A norma do art. 3º da LC 118/05, que estabelece como termo inicial do prazo prescricional, nesses casos, a data do pagamento indevido, não tem eficácia retroativa. É que a Corte Especial, em sessão de 06/06/2007, DJ 27.08.2007, declarou inconstitucional a expressão "observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional", constante do art. 4º, segunda parte, da referida Lei Complementar. 3. Embargos de divergência a que se nega provimento. Contudo, como é de conhecimento geral ao julgador administrativo é vedado declarar a inconstitucionalidade de norma tributária vigente, como é o caso do art. 4º da Lei Complementar 118/05, até que haja manifestação plenária do Supremo Tribunal Federal. É o que se extrai do disposto no art. 62 do Regimento Interno do CARF: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: Fl. 4DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/02/2011 por ALEXANDRE GOMES Assinado digitalmente em 03/02/2011 por ALEXANDRE GOMES, 07/02/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10980.001391/2006-41 Acórdão n.º 3302-00.772 S3-C3T2 Fl. 74 5 I - que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II - que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do Procurador-Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da Advocacia-Geral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do Advogado-Geral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. No âmbito do CARF a matéria encontra-se sumulada: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Sumula 2 do 1º e 2º CC. Assim, não havendo possibilidade de afastar, em sede administrativa, a prescrição dos créditos pleiteados, correta a decisão da DRJ que afastou a pretensão do Recorrente. Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Alexandre Gomes Fl. 5DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/02/2011 por ALEXANDRE GOMES Assinado digitalmente em 03/02/2011 por ALEXANDRE GOMES, 07/02/2011 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 10935.007593/2007-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 11 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Nov 11 00:00:00 UTC 2010
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005
IN DUBIO PRO CONTRIBUINTE. INAPLICABILIDADE.
Não havendo dúvida, no caso concreto, quanto à incidência da multa
qualificada, incabível a aplicação do disposto no art. 112 do CTN
Numero da decisão: 1201-000.357
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: Marcelo Cuba Netto
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2003, 2004, 2005 IN DUBIO PRO CONTRIBUINTE. INAPLICABILIDADE. Não havendo dúvida, no caso concreto, quanto à incidência da multa qualificada, incabível a aplicação do disposto no art. 112 do CTN Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Claudemir Rodrigues Malaquias Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto - Relator, Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Claudemir Rodrigues Malaquias (Presidente), Regis Magalhães Soares Queiroz, Marcelo Cuba Netto, Rafael Correia Fuso, Antonio Carlos Guidoni Filho (Vice Presidente), Eduardo Martins Neiva Monteiro (Suplente Convocado) Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto nos termos do art 33 do Decreto ri° Assinado digitalmente c:70235/12D por CLAUDEMR RODRIGUES MALAQU1AS. 22/11/2010 por MARCELO CUBA H ETTO Aute.nficado digitalmente em 22/11/2010 por MARCELO CUBA NETTO 1 Emitido em 25111/2010 pelo Ministério da Fazenda DF CART' MF El. 2 Conforme relatado no termo de verificação fiscal de fls. 137/1.39, a autoridade tributária acusa a contribuinte de haver apresentado declarações de inatividade relativamente aos anos-calendários de 200,3, 2004 e 2005, quando, de acordo com sua própria escrituração, apurou valores devidos a titulo de IRRI e CSLL em vários trimestres daquele período. Em razão da infração apontada, a autoridade constituiu de oficio o crédito tributário, impondo ainda multa qualificada (150%) sob o argumento de que a conduta da contribuinte evidencia o seu intuito de fraudar o Erário Público, Conforme processo administrativo n° 13922.000016/2008-28 (vide fis, 1731179 do presente processo), a contribuinte parcelou os valores lançados a título de IRPJ e CSLL, acrescidos de multa de mora (20%), e impugnou a multa qualificada e a incidência da taxa Selic no cálculo dos juros de mora Havendo a DRJ de origem decidido pela procedência do lançamento (fls. 181/18)), a autuada interpôs recurso voluntário pedindo, ao final, o cancelamento da exigência, sob as seguintes alegações, em síntese (fls, 187/198): a) deve ser observado, no caso da multa qualificada, o disposto no art. 112 do CTN, conforme Parecer PGFN/CRJ n° 2,144/2006; b) a multa em comento viola os princípios constitucionais do não confisco e da proporcionalidade. Voto Conselheiro Marcelo Cuba Netto, Relator 1) Da Admissibilidade e do Alcance do Recurso O recurso atende aos pressupostos processuais de admissibilidade estabelecidos no Decreto n° 70,235/72 e, portanto, dele deve-se tomar conhecimento. O recurso, todavia, limita-se à imposição da multa qualificada, tendo em vista que a interessada parcelou o principal, acrescido da multa de mora e dos juros legais 2) Da Multa Qualificada O art. 112 do CTN assim dispõe: Art. 112, A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpreta-se da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: - à capitulação legal do fato; ii - à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; 111 - à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV - à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação Assinado digitalmente em 25111/2010 por CLAUDEMÉR RODRIGUES MALAQUJAS. 22/11/2010 por MARCELO CUBA N ETTO Autenticado digitalmente em 22/-11/2010 por MARCELO CUBA NETTO Emitido em 25/11/2010 peio Ministério da Fazenda 2 DF CARF MF F1 3 Processo n° 10935 007593/2007-22 S1-C2T1 Acórdão n " 1201-00.357 Fl 206 No caso sob exame, não há dúvida sobre a incidência da multa qualificada, tanto assim que a recorrente não apontou qual seria essa dúvida. Isso posto, incabível a aplicação princípio in dublo pro contribuinte Por outro lado, o alegado Parecer PGFN/CRJ n° 114412006 tem como objeto a retroatividade do art. 61 da Lei 9 430/96, que ao regular inteiramente a incidência da multa de mora, revogou o art. 59 da Lei n° 8.383/91, que tratava da mesma matéria. O citado Parecer não cuida de multa qualificada, daí porque é inaplicável ao caso sob exame. No que concerne à alegada violação supostamente perpetrada pelo art. 44, II, da Lei n" 9A30/96 aos princípios constitucionais do não confisco e da proporcionalidade, o CARF, por intermédio da súmula n" 2 (D.O.U, de 22/12/2009, Seção 1), assim decidiu: Súmula GARP n".2 O CARF não ó competente para se pronunciar sobre a inconstitueionalidade de lei tributária Por fim, deve-se esclarecer que da multa de oficio inicialmente exigida foi excluído o montante da multa de mora correspondente aos débitos de IRPJ e CSLL parcelados, conforme documento de fl. 185. 3) Conclusão Tendo em vista todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Assinado digitalmente em 2511/2010 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS. 22/11/2010 por MARCELO CUBA N ETTO Aulen1icado digitalmente em 22/11/2010 por MARCELO CUBA NETTO Emitido em 2511/2010 pelo tiv1inii3léri0 da Fazenda 3
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Numero do processo: 10480.001906/96-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 03 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Fri Sep 03 00:00:00 UTC 2010
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 1987
Ementa: RECURSO DE OFICIO DENTRO DE NOVO LIMITE DE ALÇADA. A norma que estabelece novo limite para recurso de ofício é de
natureza processual e aplica-se aos processos pendentes de julgamento. Não cabe conhecer do recurso de oficio quanto o valor exonerado está dentro do atual limite de alçada das DRJ.
AUTO DE INFRAÇÃO – REVISÃO DE OFICIO ANTES DO JULGAMENTO EM 1a. INSTANCIA – DENTRO DO PRAZO DECADENCIAL. Não há impedimentos para que a autoridade fiscal, ao tomar conhecimento de erros ou novos fatos que impliquem na alteração de crédito tributário já constituído, inclusive mediante auto de infração, promova
a revisão de ofício com amparo no art. 149 do CTN, ainda que o contribuinte já tenha apresentado impugnação. Caso essa revisão de oficio seja feita após o transcurso do prazo decadencial, somente são cabíveis ajustes na apuração do credito tributário, bem como na bases de cálculos,que não impliquem em agravamento da exigência, podendo ainda a correção de erros formais. Em
qualquer hipótese o contribuinte deve ser novamente cientificado, reabrindo-se o prazo de 30 dias para impugnação.
Recurso de Oficio não conhecido.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1402-000.257
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício, e negar provimento ao recurso voluntário.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Antonio José Praga de Souza
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 1987 Ementa: RECURSO DE OFICIO DENTRO DE NOVO LIMITE DE ALÇADA. A norma que estabelece novo limite para recurso de ofício é de natureza processual e aplica-se aos processos pendentes de julgamento. Não cabe conhecer do recurso de oficio quanto o valor exonerado está dentro do atual limite de alçada das DRJ. AUTO DE INFRAÇÃO – REVISÃO DE OFICIO ANTES DO JULGAMENTO EM 1 a . INSTANCIA – DENTRO DO PRAZO DECADENCIAL. Não há impedimentos para que a autoridade fiscal, ao tomar conhecimento de erros ou novos fatos que impliquem na alteração de crédito tributário já constituído, inclusive mediante auto de infração, promova a revisão de ofício com amparo no art. 149 do CTN, ainda que o contribuinte já tenha apresentado impugnação. Caso essa revisão de oficio seja feita após o transcurso do prazo decadencial, somente são cabíveis ajustes na apuração do credito tributário, bem como na bases de cálculos,que não impliquem em agravamento da exigência, podendo ainda a correção de erros formais. Em qualquer hipótese o contribuinte deve ser novamente cientificado, reabrindo- se o prazo de 30 dias para impugnação. Recurso de Oficio não conhecido. Recurso Voluntário Negado. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 28/12/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 21/12/2010 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 21/12/2010 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 28/12/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício, e negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima - Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Albertina Silva Santos de Lima. Relatório NATUR NAPOLES TRANSPORTE E TURISMO recorreu a este Conselho contra a decisão proferida pela DRJ em primeira instância, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por sua vez, A 3 a. Turma da DRJ em Recife também recorreu de oficio por ter exonerado credito tributário acima do limite da alçada. Em razão de sua pertinência, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): Contra a contribuinte acima qualificada foi lavrado o auto de infração de fls. 87/89, relativo ao ano-calendário de 1987, através do qual foi constituído o crédito tributário referente ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica - IRPJ no valor de Cr$ 32.501.375,27 (moeda vigente à época do lançamento), incluídos multa de ofício de 50% e juros de mora calculados até 18/04/1991. Por decorrência, foram lavrados os autos de infração reflexos concernentes a: PIS/Dedução, no valor de Cr$ 1.710.592,55 (fls. 270/272), PIS /Repique, no valor de Cr$ 1.710.597,20 (fls. 322/324), Finsocial/IR devido, no valor de Cr$ 1.710.597,20 (fls. 374/376) e IRRF no valor de Cr$ 65.429.229,71 (fls. 426/428) Conforme Termo de Encerramento de Fiscalização às fls. 84/86, o lançamento decorreu das seguintes infrações: - realização de reserva de reavaliação não oferecida à tributação, - omissão de receitas operacionais de transportes intermunicipal e interestadual e postergação de pagamento do IRPJ. A contribuinte apresentou impugnação de fls. 92/119, através da qual contestou todas as irregularidades que lhe foram atribuídas. Esta Delegacia de Julgamento proferiu a Decisão de fls. 478/489, mantendo parcialmente a exigência. No que se refere à omissão de receitas operacionais, Fl. 2DF CARF MF Impresso em 28/12/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 21/12/2010 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 21/12/2010 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 28/12/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10480.001906/96-10 Acórdão n.º 1402-00.257 S1-C4T2 Fl. 2 3 infração que será objeto do presente julgamento, este órgão julgador considerou improcedente o lançamento em relação às receitas do transporte interestadual e, em face da não-apresentação de provas pela impugnante, manteve a exação quanto às receitas de transporte intermunicipal, sob a jurisdição da EMTU – Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos. A autuada interpôs recurso voluntário ao Primeiro Conselho de Contribuintes (fls. 495/515), argüindo que a fiscalização, ao apurar a receita de transporte intermunicipal com base na “Taxa de Remuneração por Serviços Técnicos - RST” paga à EMTU, baseou-se em conceito equivocado, porquanto aquela taxa seria calculada a partir de receita presumida, oriunda de médias, não representando a receita efetiva. À peça de defesa foram juntadas planilhas, documentação contábil, mapas de operações de transporte e declaração da EMTU. O Primeiro Conselho de Contribuintes, em Acórdão de fls. 586/592, julgou que a recorrente, ao juntar os aludidos documentos, supriu a lacuna probatória deixada na impugnação e que havia dado causa à manutenção do lançamento pela autoridade julgadora de primeira instância. Entretanto, entendeu que os elementos trazidos pela contribuinte deveriam ser apreciados pelo julgador a quo, em respeito ao princípio do duplo grau de jurisdição. Decidiu, assim, por devolver os autos a esta Delegacia, para que “se manifeste acerca dos referidos documentos, apreciando o recurso nesta parte, juntamente com as razões pertinentes, como complemento da impugnação”. Este órgão julgador baixou o processo em diligência (fl. 595), para que a EMTU informasse o real valor da receita operacional da contribuinte, bem assim para que prestasse esclarecimentos sobre a declaração dada acerca do cálculo da Taxa de Remuneração por Serviços Técnicos. As informações solicitadas foram atendidas pela EMTU (fls. 601/609). Intimada, a contribuinte não aditou suas razões de defesa. A nova decisão da DRJ, proferida em 17/12/2004 (fls. 659 e seguintes), está assim ementada: Ementa: OMISSÃO DE RECEITA. FALTA DE PROVAS. Descabe a exigência de tributo cuja base de cálculo tenha sido apurada por método incerto, carente de elementos probantes da omissão de receita. A unidade de preparo enviou ciência postal ao contribuinte em 20/12/2006, fl. 672-673, que não foi recebida, retornando com a informação “mudou-se”. Somente em 05/03/2009 foi afixado o edital, fl. 677. A seguir, em 5/5/2010 o processo retornou a este conselho para prosseguimento. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 28/12/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 21/12/2010 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 21/12/2010 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 28/12/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA 4 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza - Relator Conforme relatado, este processo foi objeto de decisão pela DRJ Recife em 1995, fls. 477 e 489, julgado procedente em parte, sendo objeto de recurso de oficio e voluntário (fls. 495-575). Na assentada de 26/12/1997 a então Sétima Câmara do 1 o . Conselho, apreciando o recurso voluntário, proferiu o acórdão 107-03.892, da relatoria do ilustre conselheiro Paulo Roberto Cortez, que traz a seguinte ementa e dispositivo: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO - PROVA. Quando o sujeito passivo supre, por ocasião da interposição do recurso voluntário, a falta de elementos comprobatórios que deveriam ser exibidos à autoridade julgadora singular, devem as razões pertinentes e a prova serem apreciados por dita autoridade como se fora impugnação, em respeito ao duplo grau de jurisdição. ACORDAM os Membros da Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, DEVOLVER os autos à repartição de origem, para que o julgador de primeiro grau aprecie os documentos juntados aos autos, juntamente com as razões pertinentes, como complemento da impugnação, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Com a devida vênia, entendo que essa decisão foi absolutamente equivocada, isso porque se as novas provas foram trazidas aos autos somente em sede de recurso, descabe retornar à autoridade a quo para emitir nova decisão em face dessa juntada; deve sim aprecia- las, baixando em diligência para verificações, se for o caso. Não há que se falar em respeito ao duplo grau de jurisdição quanto a novas alegações de defesa e provas trazidas aos autos com o recurso. Todavia, a matéria foi objeto de reapreciação pela DRJ, que aliás também não questionou o retorno do processo, exonerando essa parcela da exigência. Pois bem, de acordo com termo fiscal anexo ao auto de infração, fls. 193 a 195, foram apuradas 2 infrações: - realização de reserva de reavaliação não oferecida à tributação, - omissão de receitas operacionais de transportes intermunicipal e interestadual e postergação de pagamento do IRPJ. Consta na conclusão da 1 a . decisão da DRJ, fl. 488, que a 1. infração foi mantida integralmente e a 2 a , omissão de receitas, apenas a parte relativa as receitas com o transporte intermunicipal, no valor de Cz$ 60.867.264,50 (base de cálculo), relativo ao ano- calendário de 1987. Essa infração foi objeto de exonerada pela nova decisão de 1 a . Instancia, fl. 663. Devendo ser somada a exoneração original para fins de recurso de oficio. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 28/12/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 21/12/2010 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 21/12/2010 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 28/12/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10480.001906/96-10 Acórdão n.º 1402-00.257 S1-C4T2 Fl. 3 5 Ocorre que, após a decisão original, o limite do recurso de oficio foi elevado de 150.000UFIR para R$ 500.000,00 e, em 2008, para R$ 1.000.000,00. O valor total da exigência, incluída a multa de oficio, era de Cr$ 103.062.391,93 (atualizado até 28/02/1991), correspondente a 174.074 UFIR, em torno de R$184.518,70. Portanto, estando certo que o valor de principal e multa lançado é inferior a R$ 1.000,000,00, propugno pelo não conhecimento do Recurso de Oficio. Passo ao recurso voluntário. Remanesce a discussão quanto a 1 a . matéria: realização da reserva de reavaliação. Em seu recurso voluntário apresentado antes da 2 a . decisão de 1 a . instancia, a contribuinte alega quanto a essa acusação, fl 511-513, que houve alteração da acusação fiscal após a lavratura do auto de infração, uma vez que foi verificado na “informação fiscal”, antes do julgamento em 1 a . instancia, que em verdade não houve a realização da reserva de reavaliação e sim da reserva de depreciação. Aduz que esse aperfeiçoamento ou mudança do critério jurídico não é cabível após o lançamento, devendo ser cancelada a exigência. Pois, de fato houve um certo aperfeiçoamento da infração autuada após a lavratura do auto de infração, isso foi reconhecido pela autoridade fiscal em sua informação de fls. 200-205, sendo determina a revisão do lançamento nessa parte, conforme despacho de fl. 206-212, realizada em 02/06/1992, antes do transcurso do prazo decadencial, sendo cientificado ao contribuinte, que pode apresentar nova peça impugnatória (fls. 215 a 217). Registre que tal procedimento tem amparo no art. 149, inciso VIII do CTN: “Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa (...) VIII - quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior (...)” Reitero: Não há vedações para que a autoridade fiscal, ao tomar conhecimento de erros ou novos fatos que impliquem na alteração de crédito tributário já constituído, inclusive mediante auto de infração, promova a revisão de ofício com amparo no art. 149 do CTN, ainda que o contribuinte já tenha apresentado impugnação. Caso essa revisão de oficio seja feita após o transcurso do prazo decadencial, somente são cabíveis ajustes na apuração do credito tributário, bem como na bases de cálculos, desde que não impliquem em agravamento da exigência, ou correção de erros formais. Em qualquer hipótese o contribuinte deve ser novamente cientificado, reabrindo-se o prazo de 30 dias para impugnação. Pelo exposto, o aperfeiçoamento não merece qualquer reparo, tendo sido garantido ao contribuinte amplo direito de defesa. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 28/12/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 21/12/2010 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 21/12/2010 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 28/12/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA 6 Quanto ao cerne da tributação, que não foi diretamente contestada pela recorrente, entendo que a decisão de 1 a . instancia não merece reparos, cabendo ser integralmente confirmada: a depreciação do ativo é uma forma de realização da reserva de reavaliação, nos termos do art. 35 do Decreto-lei 1.598/1979, c/c, art. 1 o , VI, do Decreto-lei 1.730/1979. Diante do exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso de oficio e negar provimento ao recurso voluntário quanto a matéria remanescente, mantendo-se cancelada a tributação a título de omissão de receitas no valor original de Cz$ 86.554.136,30 (Base de cálculo do IRPJ e reflexos). (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza - Relator Fl. 6DF CARF MF Impresso em 28/12/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 21/12/2010 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 21/12/2010 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 28/12/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
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Numero do processo: 15983.000307/2006-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 10 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Nov 10 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2005
Ementa:
Penalidade.
A lei aplica-se a ato ou fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Numero da decisão: 1302-000.425
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reduzir a multa para 50%.
Nome do relator: MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 Ementa: Penalidade. A lei aplicase a ato ou fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reduzir a multa para 50% (documento assinado digitalmente) MARCOS RODRIGUES DE MELLO – Presidente e Relator . Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira , Daniel Salgueiro da Silva, Edijalmo Antonio da Cruz e Marcos Rodrigues de Mello Fl. 161DF CARF MF Emitido em 26/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 26/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 15983.000307/200665 Acórdão n.º 1302000.425 S1C3T2 Fl. 144 2 Relatório Contra a empresa em epígrafe foi lavrado o auto de infração de fls. 04/05, para constituição de crédito tributário relativo à multa isolada, em razão de compensação indevidamente efetuada pelo sujeito passivo. No Termo de Termo de Constatação Fiscal (fls. 07/09), parte integrante do auto de infração, são relatadas detalhadamente as razões pelas quais a unidade de competência originária considerou não declaradas as compensações. As disposições legais encontramse descritas no auto de infração. Em 13/09/2006, a interessada tomou ciência do auto de infração (fl. 44) e, em 29/09/2006, apresentou defesa (fls. 49/57), resumidamente, nos seguintes termos: Respaldada pelo artigo 170 do Código Tributário Nacional, a Lei 9.430/1996 possibilitou ao sujeito passivo a utilização do crédito, mediante compensação com débitos próprios e de quaisquer espécies de tributos, desde que administrados pela Receita Federal. A partir daí, vieram outras legislações permissivas do direito de realizar a compensação (Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 e IN SRF 21/1997 e 210/2002), todas garantidoras do direito do contribuinte de compensar seus créditos. A escritura pública ou instrumento particular de cessão de direitos creditórios, emitidos em razão de ação expropriatória, são legalmente e comumente apresentadas para demonstrar a “propriedade” de direitos e consequentemente noticiam uma cessão de direitos. A impugnante e terceira pessoa participaram de negócio jurídico bilateral, consistente na cessão de direitos creditórios decorrentes de ação expropriatória, a qual já tem o condão de Execução do julgado, vez que o direito à indenização aos expropriados é líquido e certo. A Receita Federal tem punido os contribuintes que tenham pago seus débitos tributários de outra forma que não seja em dinheiro, com a aplicação de multa de 75% sobre o valor do tributo, mesmo nos casos em que os débitos foram objeto de compensação e que estejam “sub judice” na esfera administrativa. Tais multas são abusivas porque violam os princípios da capacidade contributiva e do não confisco, além disso, o procedimento adotado ofende os princípios fundamentais do processo administrativo fiscal, elencados no artigo 2º da Lei 9.784/1999. É cediço que, a partir do indeferimento pela unidade administrativa já se inicia o processo de cobrança, sem ao menos respeitar o direito do contribuinte de ampla defesa, acarretando danos irreparáveis como a negativa da CND e impedimento de participação em licitações. O artigo 151 do Código Tributário Nacional determina que não se pode molestar o contribuinte na tentativa de receber o montante compensado enquanto não houver o trânsito em julgado do processo administrativo em que se discute ser devido a restituição ou o ressarcimento pleiteado. A DRJ decidiu: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Fl. 162DF CARF MF Emitido em 26/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 26/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 15983.000307/200665 Acórdão n.º 1302000.425 S1C3T2 Fl. 145 3 Anocalendário: 2005 COMPENSAÇÃO CONSIDERADA NÃO DECLARADA. MULTA ISOLADA. Aplicase multa isolada sobre débitos objeto de compensação considerada não declarada, nas hipóteses previstas no inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. A apreciação de constitucionalidade ou legalidade de norma é atribuição do Poder Judiciário, não cabendo, em sede de julgamento administrativo, proceder a tal exame a fim de afastar a aplicação de lei corretamente inserida no ordenamento, salvo nas hipóteses legalmente previstas. A recorrente tomou ciência do acórdão DRJ em 09/06/2009 e apresentou recurso em 08/07/2009. Em seu recurso alega: que há nulidade do lançamento por violação ao art. 10 do Decreto 70235, pois quando do lançamento o art. 44 da Lei 9430 havia sido alterada pelo art. 18 do MPV 303 de 29/06/2006, prevendo multa de 50% para a situação descrita nos autos, sendo que o lançamento aplicou multa de 100%; que a Lei 11.488/2007 prevê a aplicação de multa em dobro, mas tal lei não pode retroagir para alcançar fatos pretéritos; que não houve a práticas das infrações previstas nos art. 71 a 73 da Lei 4502/64 e que isso também não foi alegado pela fiscalização; que, em 03/08/2006 (antes da autação) ingressou nos autos do processo administrativo 10845000746/200558 com pedido de desistência das compensações efetuadas, uma vez que pretendia ingressar com pedido de parcelamento dos débitos oriundos de tais compensações; que ingressou com o pedido de parcelamento de todos os tributos objeto das compensações não homologadas Voto Conselheiro MARCOS RODRIGUES DE MELLO O recurso é tempestivo e deve ser conhecido. Início pela análise da argüição de nulidade feita pela recorrente. Afirma a recorrente: Fl. 163DF CARF MF Emitido em 26/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 26/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 15983.000307/200665 Acórdão n.º 1302000.425 S1C3T2 Fl. 146 4 “ A presente autuação fora efetuada em 04/09/2006, constando como enquadramento legal da mesma o artigo 18 da Lei 10.833/03 com redação dada pelo artigo.11.051/2004, in verbis. Art. 18. O lançamento de oficio de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão da não homologação de compensação declarada pelo sujeito passivo nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964. § 1 o Nas hipóteses de que trata o caput, aplicase ao débito indevidamente compensado o disposto nos §§ 6o a 11 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 2o A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso II do caput ou no § 2o do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (grifamos) Ao tratar das alíquotas a serem aplicadas para a apuração da multa isolada, o § 4º do artigo 18 da Lei 10833/2003 remete ao instituído pelo inciso I (75% para os casos de falta de pagamento etc) e II (150% para os casos de evidente intuito de fraude) do caput do artigo 44 da Lei 9.430/96, in verbis: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: (Vide Lei n° 10.892, de 2004) (Vide Mpv n°303, de 2006) (Vide Medida Provisória n°351, de 2007) I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do • inciso seguinte; (Vide Lei n° 10.892, de 2004) (Vide Mpv n° 303, de 2006) (Vide Medida Provisória n°351, de 2007) II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Vide Lei n° 10.892, de 2004) (Vide Mpv n° 303, de 2006) (Vide Medida Provisória n°351, de 2007) § 1° As multas de que trata este artigo serão exigidas: (Vide Mpv n° 303, de 2006) (Vide Medida Provisória n° 351, de 2007) I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; Fl. 164DF CARF MF Emitido em 26/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 26/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 15983.000307/200665 Acórdão n.º 1302000.425 S1C3T2 Fl. 147 5 Ii isoladamente, quando o tributo ou a contribuição houver sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora; Ocorre que na época da autuação (setembro/2006) o o artigo 44 da Lei 9.430/96, havia sido alterado pelo artigo 18 da MPV 303 de 29/06/2006, passando por esta razão a vigorar com a seguinte redação: Art. 18. O art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas I de setenta e cinco por cento sobre a totalidade ou diferença de tributo, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de cinqüenta por cento, exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: Tendo em vista que nem a autuação, nem o acórdão recorrido fazem qualquer menção a hipótese prevista no § 2 0 do artigo 44 da Lei 9.430/96, podese concluir que a aliquota a ser utilizada para a pretensa aplicação de multa isolada deveria ser aquela prevista no inciso II do caput do artigo 44 da Lei 9430/96, qual seja de 50%. 13. Ocorre que pela simples analise dos demonstrativos anexos ao Auto de infração podese verificar que a multa isolada cobrada no presente processo é exatamente o mesmo valor das compensações tidas por não declaradas nos autos do Processo Administrativo 10845.000746/200558. Concluise então que o que se cobra através do presente Auto de Infração é multa isolada no percentual de 100% sobre os valores indevidamente compensados, o que não está previsto na legislação utilizada como fundamentação do presente processo, posto que a mesma prevê a aplicação de multa no percentual de 50%. 15. Desta maneira, tendo em vista o flagrante erro cometido pela Administração Pública ao autuar o recorrente com fulcro em legislação que na época da autuação havia sido extirpada do mundo jurídico pela MPV 303/2006 e que a aliquota de 100% sobre as compensações não declaradas, aplicada para o calculo da multa isolada que se pretende cobrar não está prevista na legislação que rege a matéria, resta clara a nulidade do presente processo, devendo a mesma ser decretada por estes nobres julgadores o que desde já se requer. Verifico que a base legal do lançamento da multa isolada foi o art. 18 da Lei 10833, abaixo transcrita: Fl. 165DF CARF MF Emitido em 26/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 26/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 15983.000307/200665 Acórdão n.º 1302000.425 S1C3T2 Fl. 148 6 Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão da nãohomologação de compensação declarada pelo sujeito passivo nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 351, de 2007) § 2o A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso II do caput ou no § 2o do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 351, de 2007) A MPV 303 de 2006 prescreveu: O art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de setenta e cinco por cento sobre a totalidade ou diferença de tributo, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de cinqüenta por cento, exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a)na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b)na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. §1oO percentual de multa de que trata o inciso I do caput será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. §2oOs percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o, serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38. Fl. 166DF CARF MF Emitido em 26/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 26/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 15983.000307/200665 Acórdão n.º 1302000.425 S1C3T2 Fl. 149 7 Somente a Lei 11.488 de 2007 deu a redação abaixo ao § 2º do art. 18 da Lei 10833: § 2º A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Embora possa parecer involuntária a mudança, a verdade é que a multa que deveria ser aplicada no momento do lançamento era de 50 %, conforme o disposto no art. 18 da Lei 10833, que previa o percentual prescrito no inciso II do art. 44 da Lei 9430, que à época era de 50%. Foi a Lei 11488 de 2007 que alterou o percentual de multa a ser aplicado para o previsto no inciso I do art. 44. Poderia se argumentar que a MPV 303 perdeu sua eficácia, conforme o ato abaixo transcrito: ATO DO PRESIDENTE DA MESA DO CONGRESSO NACIONAL Nº 57, DE 2006 O PRESIDENTE DA MESA DO CONGRESSO NACIONAL, nos termos do § único do art. 14 da Resolução nº 1, de 2002CN, faz saber que a Medida Provisória nº 303, de 29 de junho de 2006, que "Dispõe sobre parcelamento de débitos junto à Secretaria da Receita Federal, à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional e ao Instituto Nacional do Seguro Social nas condições que especifica e altera a legislação tributária federal.", teve seu prazo de vigência encerrado no dia 27 de outubro do corrente ano. Congresso Nacional, 31 de outubro de 2006 Senador RENAN CALHEIROS Presidente da Mesa do Congresso Nacional No entanto, no momento da lavratura do auto de infração, setembro de 2006, a MPV estava vigente e tinha plena eficácia, produzindo efeitos até a data descrita no ato acima. Tendo sido prescrita a multa de 50% na MPV 303 e estando esta medida vigente no momento do lançamento este era o percentual a ser aplicado. O lançamento descreve corretamente a base legal, mas se equivoca ao aplicar o percentual, que deve ser reduzido a 50% sobre os valores indevidamente compensados. Diante do exposto, voto no sentido de reduzir a multa isolada para 50% do valor da CSLL que deixou de ser recolhida pela compensação considerada não declarada. (documento assinado digitalmente) MARCOS RODRIGUES DE MELLO Relator Fl. 167DF CARF MF Emitido em 26/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 26/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 15983.000307/200665 Acórdão n.º 1302000.425 S1C3T2 Fl. 150 8 Fl. 168DF CARF MF Emitido em 26/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 26/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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Numero do processo: 10283.003664/2005-78
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Dec 10 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Fri Dec 10 00:00:00 UTC 2010
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP.Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004CRÉDITOS. INSUMOS ADQUIRIDOS COM ISENÇÃO. DILIGÊNCIAInexiste vinculação da autoridade fiscal à diligência anteriormente efetuada. Válida nova diligência que alcance conclusão diversa da primeira, obstando a fruição de créditos solicitados.Recurso Voluntário Negado.Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Numero da decisão: 3302-000.777
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: GILENO GURJAO BARRETO
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INSUMOS ADQUIRIDOS COM ISENÇÃO. DILIGÊNCIA Inexiste vinculação da autoridade fiscal à diligência anteriormente efetuada. Válida nova diligência que alcance conclusão diversa da primeira, obstando a fruição de créditos solicitados. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (Assinado Digitalmente) Walber José da Silva Presidente (Assinado Digitalmente) Gileno Gurjão Barreto Relator EDITADO EM: 05/01/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Alan Fialho Gandra, Fabíola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto (Relator). Fl. 177DF CARF MF Emitido em 12/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Assinado digitalmente em 11/04/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 08/04/2011 por GILENO GURJAO BARRETO 2 Relatório Adotase o relatório do acórdão da 3ª Turma da DRJBELÉM/PA n° 01 14.007, de 19 de maio de 2009: “Trata o presente processo de pedido de ressarcimento de suposto crédito de PIS no valor de R$ 98,117,10, que o contribuinte alega ter direito, conforme fls. 01/05, 38 e 39, referente aos insumos adquiridos com isenção no 1º trimestre de 2004. Os autos foram encaminhados ao Sefis/DRF/MNS, para que adotasse as providências constante do despacho de fl. 40. Após o procedimento de diligência, foi elaborado pela Autoridade Fiscal o Termo de Encerramento de Diligência, fls. 46/47, do qual extraímos os excertos abaixo: "...os documentos juntados ao presente processo são insuficientes para análise do pleito, posto que, não resta demonstrado, de forma clara, os valores realmente pagos aos seus fornecedores, especificados por relação de notas fiscais com os respectivos valores que deram origem ao suposto crédito pleiteado"; "O contribuinte foi regularmente intimado a apresentar as planilhas com demonstrativos dos créditos a serem ressarcidos/compensados, no entanto, apresentou em 05.11.2008, Carta Resposta ao termo inicial de diligência, de maneira genérica, colocando a disposição do fisco nas instalações da empresa, os documentos solicitados e apresentou CD (arquivo Magnético) em desacordo com o Ato Declaratório Executivo COFIS n° 15 de 23 de outubro de 2001, conforme solicitado em termo de intimação, portanto, insuficiente para análise"; “A regra geral, não dá direito ao crédito, a aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento de contribuição, inclusive no caso se isenção, esse último quando revendidos ou utilizados corno insumos e ou produtos ou serviços sujeitos à alíquota zero, isentos ou não alcançados pela contribuição"; "Diante dos fatos acima elencados, somos pelo indeferimento do pleito, conforme formulado, e em razão da inexistência de base legal". Através do Despacho Decisório de fl. 65, baseado no Parecer DRF/MNS/AM/SEORT n° 016 de fls. 60/64, foi indeferido o pleito do contribuinte. Cientificada do indeferimento em 16/02/2009, conforme Aviso de Recebimento — AR de fl. 66, a requerente manifesta sua inconformidade, em arrazoado de fls. 61/76, onde alega que: a) E indústria produtora de bens intermediários (partes e peças para motocicletas), fabricadas, em boa parte, mediante utilização de matéria Fl. 178DF CARF MF Emitido em 12/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Assinado digitalmente em 11/04/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 08/04/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10283.003664/200578 Acórdão n.º 330200.777 S3C3T2 Fl. 2 3 prima adquirida de outras unidades da federação, sobretudo do Estado de São Paulo; b) Comercializa partes e peças para motocicletas com as empresas produtoras de motocicletas, também estabelecidas na Zona Franca de Manaus, ocasião em que a operação, por força de lei, apresenta alíquota zero, no que diz respeito à contribuição ao Programa de Integração Social – PIS; c) Em 28/09/2006, foi expedido o Termo de Encerramento de Diligência Fiscal, no qual fica evidenciada a tempestividade do atendimento à diligência e, especialmente, o prévio reconhecimento de que a empresa tem direito ao Ressarcimento pleiteado, devendo, apenas, fazer ajustes, ali recomendados, no DACON; d) Contudo, em outubro de 2008, foi aberto uma nova Diligência Fiscal na empresa (MPF n° 00.6480), na qual novamente, solicitaram toda a documentação já antes apreciada; e) Afirmase, inadivertidamente, que a diligência de 2006 (MPF — Diligência n° 02.2.01.002006003190) não teve continuidade e apenas a diligência de 2008 (MPF n° 006480) teve continuidade e trabalho conclusivo. f) Autoridades tiveram amplo acesso a todo e qualquer documento solicitado, de onde pode emitir sua conclusão, totalmente favorável aos ressarcimentos, mediante, apenas, pequenos ajustes na DACON; g) Ao contrário do que se afirma na decisão, a segunda diligência, em 2008, se revelou, essa sim, bastante inconsistente, já que, embora tenha se colocado formalmente à disposição, a Manifestante simplesmente recebeu um Termo de Encerramento, sem apreciação de documentos, mas que procurava descaracterizar a regularidade dos créditos da empresa; h) Na realidade a decisão ora combatida se pautou em informações imprecisas, já que a diligência efetivamente completamente realizada foi absolutamente ignorada pela ilustre autoridade julgadora. i) O certo é que a decisão, portanto, não se fundamenta nos elementos já constantes do processo, revelandose, dessa forma, nula; j) De acordo com a decisão, não haveria direito creditório, em razão da falta de previsão legal para tal crédito na aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento de contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo e/ou produtos ou serviços sujeitos à alíquota zero, isentos ou não alcançado pela contribuição, conforme determina a Lei n° 10.637/2002, art. 3°, § 2º (PIS); k) A decisão tenta sustentar também que a referida Lei definiu de forma taxativa os custos e despesas que podem ser objeto do cálculo de crédito da Fl. 179DF CARF MF Emitido em 12/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Assinado digitalmente em 11/04/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 08/04/2011 por GILENO GURJAO BARRETO 4 referida contribuição e, por, exclusão, aquelas que não compõem a base de cálculo dos créditos; l) Ambas as afirmações, entretanto, estão claramente equivocadas; m) A vedação ao crédito no caso em destaque foi introduzida apenas com a Lei nº 10.865/2004, de 30 de abril de 2004; n) No caso especifico das alterações pertinentes da Lei n°10.833/2003 (COFINS) e da Lei n° 10.737/2002 (PIS), o art. 46 da Lei 10.865/2004 estipulou que o inicio da produção dos efeitos de tais novos dispositivos apenas se iniciaram no dia 1° (primeiro) dia do 4° (quarto) mês subseqüente ao de publicação de tal lei; o) Como a Lei 10.865/2004 foi publicada em 30 de abril de 2004, os novos dispositivos passaram a produzir efeito apenas em 01 de agosto de 2004; p) Como o crédito pleiteado pela Manifestante diz respeito ao 1° Trimestre de 2004, já resta inequívoco que, em referido período, não havia a vedação legal destacada pelo fisco em sua decisão, ou seja, a operação dava, inequivocamente, direito ao crédito tomado pela Manifestante; q) A decisão ora combatida também afirma que só há direito à restituição na situação de haver pagamento de PIS e COFINS na etapa anterior, assim como na situação de ter havido pagamento indevido ou a maior de tributo, destacando que a Instrução Normativa n° 460/2004, citada pela Manifestante em seu pleito, autoriza restituição apenas de quantias recolhidas a titulo de tributos ou contribuições da SRF; r) Tais afirmações também carecem de fundamentos, já que a Instrução Normativa SRF 460/2004, assim, como as subseqüentes Instrução SRF n° 600/2005 e a Instrução Normativa RFB n° 900/2008, esta última em vigor, sempre permitiram a restituição e compensação de créditos; s) A IN n° 460/2004, por exemplo, já tinha a previsão da possibilidade de restituição e compensação dos créditos de PIS e COFINS, nos limites estabelecidos na própria Instrução, conforme artigos abaixo transcritos. Transcreveu parte dos arts. 21 e 22 da IN n° 460/2004, com as alterações introduzidas pela IN n° 563/2005; Por fim, requer o conhecimento da Manifestação de Inconformidade, a de que seja definitivamente deferido o ressarcimento do PIS, pleiteado.” Através do acórdão n° 0114.007, os membros da Terceira Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em BelémPA, por unanimidade de votos, julgaram indeferida a manifestação de inconformidade sob o fundamento de que a requerente não apresentou os documentos solicitados em Termo de Diligência/Solicitação de documentos de fls. 45/47, que poderiam demonstrar que a empresa faz jus ao direito creditório referente ao período anterior a vigência da Lei nº 10.865/2004. Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário às fls. 134/171, com intuito de reformar o acórdão a quo, alegando que: Fl. 180DF CARF MF Emitido em 12/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Assinado digitalmente em 11/04/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 08/04/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10283.003664/200578 Acórdão n.º 330200.777 S3C3T2 Fl. 3 5 a) A decisão baseiase em nova diligência realizada em 2008, na qual nenhum documento foi verificado e a recorrente afirma que ignora a diligência realizada em 2006, na qual afirma que restou reconhecido o direito ao crédito da Recorrente; b) A decisão já reconhece expressamente o direito e a existência do crédito tomado pela Recorrente, já que a legislação aplicável permite o desconto de créditos relativos a bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes; c) O DecretoLei n°. 288/67 prevê que a exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, é equivalente a uma exportação para o estrangeiro, de tal forma que tais operações estão abrigadas pela isenção e permitem a tomada dos créditos; d) É plenamente possível o direito a crédito sem pagamento de PIS na etapa anterior, bem como sem ter havido pagamento indevido ou a maior de tributo; e) Os créditos pleiteados sempre existiram e já foram reconhecidos em competente diligência realizada 2006 e também em decisão administrativa; f) Não há, na restituição pleiteada, qualquer prejuízo ao erário público; g) A Lei não autoriza, em qualquer hipótese, que legislação específica limite o direito de compensar, sobretudo no que diz respeito aos créditos passíveis de compensação; h) A decisão se baseia em textos transcritos de maneira incompleta; i) Ao contrário do que sustenta a decisão, a limitação ao aproveitamento de créditos aplicável apenas aos exportadores, não se sustenta, por tratarse de incentivo setorial, sem o condão de restringir o direito à restituição/compensação dos créditos da Recorrente; j) As Instruções Normativas SRF n° 291/03 e n° SRF n°379/03, são igualmente inaplicáveis, já que estavam revogadas à época dos pedidos administrativos; k) Nada importa o fato de o crédito pleiteado ser anterior a 02/09/2005, já que as Instruções Normativas RFB n° 460/2004 e n° 563/2005 apenas regulam a forma de restituição/compensação dos tributos e créditos, sem interferir na existência e manutenção dos créditos anteriores; l) O parágrafo único do art. 16 da Lei n° 11.116/2005, ao contrário do que afirma a decisão, em hipótese alguma versa acerca da impossibilidade de manutenção desses créditos antes de 09 de agosto de 2004; m) A comprovação de que os créditos foram tomados na aquisição de insumos não foi matéria de questionamento anterior, já foi disponibilizada em diligências e não pode ser usada para indeferir um ressarcimento formulado nos exatos limites e requisitos da Lei. É o Relatório. Voto Fl. 181DF CARF MF Emitido em 12/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Assinado digitalmente em 11/04/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 08/04/2011 por GILENO GURJAO BARRETO 6 Conselheiro Gileno Gurjão Barreto, Relator A pretensão recursal é tempestiva e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto dela tomo conhecimento. Preliminarmente A Recorrente é empresa cujos produtos fabricados são classificados como intermediários, uma vez que esta produz componentes a serem utilizados na indústria de motocicletas. Requer, isso posto, o presente recurso, a reforma do acórdão da DRJ que negou provimento ao ressarcimento de créditos sobre as matériasprimas adquiridas, que segundo a recorrente, são insumos para a produção dos referidos componentes. Vale lembrar que o fato gerador é o 3º trimestre de 2003. Dos Fatos Em 2006, a contribuinte fora intimada a apresentar documentação detalhada para a realização de diligência com o intuito de apurar a adequação do crédito pleiteado. A primeira diligência (fls. 38) concluiu pela existência parcial dos créditos, pugnando pelo não reconhecimento daqueles que a autoridade entendeu como não passíveis de creditamento. “(...) informamos que a empresa tem o direito PARCIAL ao Ressarcimento devendo, entretanto, fazer os ajustes necessários no DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DACON ; do 3° Trimestre do Anocalendário de 2003, excluindose, os valores constantes da planilha acima, dos meses de julho (185.681;75), agosto (194.775,77) e setembro (214.740,64, em face da inexistência de previsão legal, que autorize, a utilização como insumo do mencionado crédito.” Novamente intimado em outubro de 2008 a apresentar a documentação relativa aos créditos, apresentoua em novembro de 2008. Ao fim dos trabalhos a autoridade competente concluiu que a documentação apresentada seria insuficiente, e que não atenderia os requisitos exigidos (fls. 44 e 45) Parecer DRF/MNS/AM/SEORT nº 015 de 29 de janeiro de 2009 concluiu pela improcedência do pedido de ressarcimento, por dois motivos. O primeiro, por não ter demonstrado por meio de documentação hábil a existência dos créditos. O segundo, uma vez que não teria havido recolhimento aos cofres públicos do montante que originara o suposto crédito. Do mérito No mérito, a controvérsia cingese à alegada vinculação dos créditos à primeira diligência efetuada 2006. O recorrente alega que a segunda diligência seria inválida, e que ele teria apresentado a documentação requerida. Entendo que não há a alegada vinculação das autoridades fiscais à esta ou àquela diligência, sendo permitido, desde que respaldado documentalmente, às autoridades realizar quantas diligências julguem necessárias para bem apurar e decidir quanto à concessão de quaisquer créditos. Fl. 182DF CARF MF Emitido em 12/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Assinado digitalmente em 11/04/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 08/04/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10283.003664/200578 Acórdão n.º 330200.777 S3C3T2 Fl. 4 7 Isso posto, e diante do claramente relatado na diligência no sentido de que a documentação fora insuficiente para que se alcançasse quaisquer conclusões, não resta a esse julgador alternativa senão julgar improcedente o seu pedido. Isso posto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (Assinado Digitalmente) Gileno Gurjão Barreto Fl. 183DF CARF MF Emitido em 12/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Assinado digitalmente em 11/04/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 08/04/2011 por GILENO GURJAO BARRETO
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Numero do processo: 10665.000519/2006-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Jan 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano calendário:2001, 2002, 2003, 2004
IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. Cancela-se o ato de suspensão da imunidade
tributaria quando não restar devidamente comprovada a remuneração pelo exercício do cargo de dirigente da entidade. O pagamento regular, aos dirigentes, de salários e gratificações a que fazem jus como integrantes do corpo funcional da entidade, de acordo com seu plano de carreira, em iguais condições com os demais funcionários que não exercem cargo de direção, não se identificam como distribuição velada de patrimônio.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 1402-000.424
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausentes, momentaneamente, os Conselheiros Carlos Pelá e Moises Giacomelli Nunes da Silva. Participou do julgamento, o Conselheiro Luciano Inocêncio dos Santos.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: Antonio José Praga de Souza
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Turma da DRJ em Belo Horizonte MG ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004 IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. Cancelase o ato de suspensão da imunidade tributaria quando não restar devidamente comprovada a remuneração pelo exercício do cargo de dirigente da entidade. O pagamento regular, aos dirigentes, de salários e gratificações a que fazem jus como integrantes do corpo funcional da entidade, de acordo com seu plano de carreira, em iguais condições com os demais funcionários que não exercem cargo de direção, não se identificam como distribuição velada de patrimônio. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausentes, momentaneamente, os Conselheiros Carlos Pelá e Moises Giacomelli Nunes da Silva. Participou do julgamento, o Conselheiro Luciano Inocêncio dos Santos. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 08/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 08/02/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 08/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10665.000519/200621 Acórdão n.º 140200.424 S1C4T2 Fl. 2 2 Relatório Fundação Educacional de Divinópolis, FUNEDI, recorre a este Conselho contra a decisão proferida pela DRJ em primeira instância, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Em razão de sua pertinência, transcrevo o relatório da decisão recorrida: O Auto de Infração lavrado contra a empresa acima identificada (fls. 3/15) formaliza a exigência do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ relativo aos exercícios de 2002, 2003 e 2004, contendo exigência baseada no lucro real trimestral não declarado, apurado conforme demonstrativos (fls. 23/25), com fundamento nos arts. 249, 250 e 926 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, que regulamenta a tributação, fiscalização, arrecadação e administração do Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza RIR/99. Cientificada em 08/08/2006, conforme ciência e aviso de recebimento de cópia do auto de infração (fl. 4), a interessada apresenta impugnação em 06/09/2006 (fls. 350/374). A autuação decorre da suspensão da imunidade tributária declarada pela autoridade competente em procedimento formalizado no processo 10665.000926/200477, juntado a este (fls. 425 e seguintes) em atendimento à determinação contida no § 9º do art. 32 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e orientação dos despachos (fls. 348, 423 e 424). A empresa manifestou inconformidade também contra a suspensão da imunidade pelo Ato Declaratório Executivo DRFDIVMG nº 6, de 05 de abril de 2006, (fl. 1.740), do qual foi cientificada em 11/04/2006, conforme Aviso de Recebimento – AR (fl. 1.739, verso). Apresentada no dia 16/05/2006 (fls. 1.741/1.755), a petição aborda questões diversas sem fazer qualquer referência ao prazo. Em 12/06/2006, a empresa protocolizou nova petição (fls. 1.764/1.777), na qual repete as razões anteriormente alinhadas, acrescidas da argumentação seguinte (fl. 1.764): Tempestiva, portanto, a interposição do presente recurso, tendo em vista a republicação, por força de retificação, do Ato Declaratório Executivo nº 06, de 05 de abril de 2006, dessa DRF. Referiase à publicação no Diário Oficial da União (DOU) do dia 29/05/2006, que instrui os autos (fl. 1.761): RETIFICAÇÃO No Ato Declaratório Executivo nº 6, de 5 de abril de 2006, da DRF/Divinópolis MG, publicado no Diário Oficial da União de 10/04/2006, Seção 1, página 20, Onde se lê, no final do artigo único: “... que dispõe o artigo 32 e parágrafos da Lei 9.432/96”, Leiase: “... que dispõe o artigo 32 e parágrafos da Lei 9.430/96”. Onde se lê, no parágrafo único: “Poderão ser efetuados lançamentos de ofício para a constituição dos créditos tributários relativos aos tributos e contribuições devidos e Fl. 2DF CARF MF Emitido em 08/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 08/02/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 08/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10665.000519/200621 Acórdão n.º 140200.424 S1C4T2 Fl. 3 3 administrados pela Receita Federal, cujos fatos geradores ocorreram no período abrangido pela suspensão da imunidade tributária aqui especificada”, Leiase: Poderá ser efetuado lançamento de ofício para a constituição de crédito tributário relativo ao Imposto de Renda da pessoa jurídica, cujos fatos geradores ocorreram no período abrangido pela suspensão da imunidade tributária aqui especificada. A autoridade administrativa cientificou a interessada da retificação uma primeira vez, em 30/05/2006, conforme AR (fl. 1.761 verso) e uma segunda vez, junto com o DESPACHO DRF/DIV/Saort, de 30 de maio de 2006, que consignava (fl. 1.763). Encontrase a fls. 1.319, manifestação do interessado, protocolizada em 16/05/2006, contra o Ato Declaratório Executivo (ADE) nº 6, de 05/04/2006, cuja ciência passouse em 10/04//2006, conforme “AR” de fls. 1.317, ao verso. Tendo em vista que o objetivo do contribuinte é impugnar o ADE citado acima e que essa contestação ocorreu depois de transcorridos os trinta dias para tal, vêse que não é possível instaurar a discussão administrativa, uma vez que não foi cumprida a condição contida no inciso I, do parágrafo 6º, do artigo 32, da Lei 9.430/96, que assim dispõe, com destaques meus: “I a entidade interessada poderá, no prazo de trinta dias da ciência, apresentar impugnação ao ato declaratório, a qual será objeto de decisão pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento competente,” Além da impugnação ao auto de infração (fls. 350/374) e das manifestações de inconformidade contra a suspensão da imunidade tributária (fls. 1.741/1.755 e 1.764/1.777), a empresa manifestouse ainda uma vez nos autos em 17/08/2004 (fls. 1.434/1.461), aproveitando a oportunidade prevista no § 2º do art. 32 da Lei nº 9.430, de 1996. O pedido final que integra a impugnação ao auto de infração sintetiza toda a argumentação desenvolvida em suas manifestações nos seguintes termos (fl. 374): ................................................................................................................... (...) seja porque a Impugnante já tem a garantia legal e judicial de que, em relação a si, devese observar a legislação de regência, em face do direito adquirido; seja em razão do fato de que a Lei 8.212/91 não é aplicável à espécie, seja porque cumpre fielmente o disposto no art. 14 do CTN, no que se refere à imunidade do IRPJ, seja, enfim, porque não remunera quaisquer diretores ou conselheiros pelos cargos que exercem, seja, por fim, em razão do relevante trabalho de cunho beneficente e de assistência social que presta, requer seja acatada a impugnação, determinandose o arquivamento do Auto de Infração contra si emitido. Na linha do pedido acima transcrito, a empresa alega que o imposto foi lançado em franca contrariedade ao seu direito de imunidade. Afirma que, desde o ano de 1966, tem por finalidade colaborar com o poder público no desempenho das atividades típicas de Estado e, como fundação de direito privado sem fins lucrativos, na condição de instituição de ensino e assistência social, encontrase amparada pelo disposto no art. 150, inciso VI, alínea c, e 195, § 7º, da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 art. 19, inciso III, alínea c da Emenda Constitucional nº 1, de 17 de outubro de 1969, art. 20, inciso III, alínea c da Constituição da República Federativa do Brasil de 1967 e art. 31, inciso V, alínea b, da Constituição dos Estados Unidos do Brasil de 18 de setembro de 1946. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 08/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 08/02/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 08/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10665.000519/200621 Acórdão n.º 140200.424 S1C4T2 Fl. 4 4 Alega que os dispositivos referidos tratam da limitação ao poder de tributar, cujas condições para gozo só podem ser estabelecidas por lei complementar, razão pela qual reconhece como aplicável ao seu caso apenas e tãosomente as determinações contidas no art. 14 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN), recepcionado pela CF como lei complementar. Reitera sua convicção de ser entidade imune porque, segundo afirma, cumpre e comprova que cumpre, as determinações do art. 14 do CTN e, conforme revelaram os documentos examinados nos procedimentos de fiscalização, a empresa não distribui qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, aplica os seus recursos integralmente no país na manutenção dos objetivos institucionais e mantém a escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar a sua exatidão. Diz que os incisos II, III e IV do art. 55 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, Lei Orgânica da Previdência Social indicados pela autoridade administrativa, tratam da isenção das contribuições, cuja matriz constitucional são os arts. 149 e seguintes, referências nos arts. 145 e seguintes. Assegura que imunidade não pode ser tratada como isenção, razão pela qual, a despeito do fato de a Ação Direta de Inconstitucionalidade 1.802 (ADI 1.802) encontrarse pendente de julgamento ou não tratar de remuneração, o lançamento deve ser desconstituído, já que a empresa não remunera seus dirigentes pelos cargos estatutários que exercem. Argumenta que, embora seja inadequado confundir imunidade com isenção, ela também possui Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social com prazo de validade indeterminado e comprova a assistência social que presta, fazendo jus ao tratamento como entidade isenta, igualmente desobrigada de recolher o IRPJ. Diz que, mesmo não sendo obrigada, renova periodicamente referidos certificados, tendo inclusive processos em tramitação no Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS), não podendo ser responsabilizada pela morosidade de análise a que não deu causa. Afirma que possui duas sentenças proferidas em seu favor e que ambas atestam sua condição de entidade beneficente de assistência social e instituição de educação sem fins lucrativos, uma transitada em julgado e outra em grau de recurso extraordinário interposto pelo Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS). A impugnante cita vasta doutrina (fls. 354 a 359), que faz referência à decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) proferida no julgamento da Medida Cautelar (MC) integrante do processo da ADI 2.0285/DF (fls. 354/355), e de outros tribunais judiciais (fls. 372/374), com vistas ao fortalecimento de sua defesa. A meio caminho, conclui o raciocínio com a seguinte citação atribuída à doutrina (fl. 359): imunidades tornam inconstitucionais as leis ordinárias que as desafiam. Sobre o atendimento às exigências do art. 12 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, que acrescenta a proibição de remunerar dirigentes, alega que é equivocado o entendimento fiscal de que os valores pagos pela empresa ao professor Gilson Soares caracteriza o descumprimento da vedação legal. Afirma que o profissional é pago pelo trabalho que exerce na Comissão Permanente do Vestibular, como professor, e que a fiscalização transformou referidos pagamentos em remuneração pelo exercício do cargo de dirigente, procedimento que torna abusivo e ilegal o lançamento do IRPJ (fl. 361). Diz que a remuneração de funcionário não ilide a imunidade nem faz desaparecer o benefício constitucional, que incompatível com a imunidade é a remuneração Fl. 4DF CARF MF Emitido em 08/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 08/02/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 08/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10665.000519/200621 Acórdão n.º 140200.424 S1C4T2 Fl. 5 5 exorbitante ou sem causa, que mal consegue esconder a distribuição do patrimônio ou das rendas da instituição. Conclui que o lançamento está eivado de ilegalidade, pelo que requer a sua nulidade. Após citar doutrina e acórdão do Conselho de Contribuintes (fl. 361), transcreve a íntegra do Parecer da Consultoria Jurídica nº 991, publicado no Diário Oficial da União de 09/10/1997 (DOU de 09/10/1997), que, segundo a impugnante afirma, tem feito as vezes de luminar, com grande potencial de brilho, guiando o caminho do intérprete em questões desta natureza. (fls. 362/371). Alega que referido parecer ampara seu procedimento de remunerar o coordenador permanente da comissão de vestibular. No final, afirma que o auditor não encontrou qualquer registro de lançamentos por pagamentos efetuados a dirigentes pelos cargos estatutários que ocupam (fl. 372) e que é o próprio auditor quem faz a defesa da impugnante ao consignar: (...) remuneração da mesma a partir do ano de 2000, como coordenador da Comissão Permanente de Avaliação e Acesso – COPAA, cargo cuja competência para indicação é do próprio Presidente (...). Nas manifestações anteriores (fls. 1.741/1.755 e 1.764/1.777), apresentadas à época da emissão e retificação do Ato Declaratório Executivo DRFDIVMG nº 6, de 2006, que declarou suspensa a imunidade tributária da empresa no período de 1º de janeiro de 2000 a 31 de dezembro de 2003, a impugnante particulariza excerto do despacho decisório para argumentar que esse ato padece de vícios que comprometem o Ato Declaratório que se lhe sucedeu (fl. 1.742). Segundo afirma, as autoridades administrativas cometeram graves ofensas ao princípio constitucional da estrita legalidade (art. 37 da CF) e a outros tantos listados no art. 2º da Lei nº 9.784, de 9 de janeiro de 1999: motivação, razoabilidade, ampla defesa, segurança jurídica e eficiência. Dentre os critérios listados também no art. 2º da lei citada, a autoridade deixou de observar o da atuação conforme a lei e o direito, não se manifestou acerca do direito adquirido (Lei 8.212, de 1991, art. 55, § 1º), tampouco sobre a jurisprudência, as garantias constitucionais e as disposições estatutárias trazidas aos autos pela impugnante. Diz que o Decreto nº 2.536, de 6 de abril de 1998, traz comandos que não decorrem de lei. Alega mais que a decisão da autoridade administrativa carece da motivação explícita, clara e congruente prevista no § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784, de 1999, e nega vigência ao inciso VII do referido artigo, ao deixar de aplicar a jurisprudência firmada sobre a questão. Acerca do mérito da exclusão – posse do Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos, não atendimento ao percentual de 20% de gratuidade e remuneração do presidente da fundação – a impugnante discute amplamente a questão da validade do certificado que possui, diz que a autoridade administrativa recusouse a considerar os protocolos de pedidos de renovação do certificado, faltando com a obediência ao princípio da razoabilidade e que a fundação não pode ser punida pela demora no exame dos procedimentos exigidos, os quais devem ser submetidos ao CNAS, sob pena de se configurar abuso de poder. Sob a premissa de estar protegida pelo princípio da reserva legal do art. 5º, inciso II, da CF, diz que a exigência de aplicação de 20% da receita bruta em gratuidades Fl. 5DF CARF MF Emitido em 08/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 08/02/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 08/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10665.000519/200621 Acórdão n.º 140200.424 S1C4T2 Fl. 6 6 consta de mero decreto regulamentador (fl. 1.770) e que, não obstante, demonstrou que suas ações beneficentes ultrapassaram o montante exigido. Sobre a remuneração do presidente da fundação, alega que as autoridades deixaram de observar as determinações estatutárias e a jurisprudência, interpretação da lei emanada dos tribunais, fonte formal de direito, nas palavras da impugnante. Transcreve jurisprudência dos tribunais judiciais (fls. 1.747/1.751) e administrativa do Conselho de Contribuintes (fls. 1.751/1.754). Alega que juntou documentos que não foram analisados sem indicar que fatos teriam sido desconsiderados . Diz que sua natureza jurídica lhe confere o status de instituição imune e que somente se lhe aplicam os ditames do art. 14 do CTN, embora tenha comprovado também que cumpre os requisitos do art. 55 da Lei 8.212, de 1991. A empresa conclui propugnando pelo cancelamento do ato declaratório e afirmando, textualmente (fls. 1.754 e 1.777): A Recorrente detém Certificado, atende aos requisitos do art. 14 do CTN e do art. 55 da Lei 8.212/91 nos termos descritos na defesa e aqui reforçados, possui decisão judicial transitada em julgado em seu favor. Nada disto, porém, foi considerado pelo despacho decisório. Por tais razões, é de se dar provimento ao presente recurso, para o fim de anular o Ato Declaratório e determinado o arquivamento do Termo de Constatação Fiscal, como medida de JUSTIÇA. Anteriormente à emissão do ato declaratório, a empresa já se manifestara em 17/08/2004, por ocasião da ciência do Termo de Constatação e Notificação Fiscal – IRPJ (fls. 428/471) prevista no § 1º do art. 32 da Lei nº 9.430, de 1996, conforme declaração de ciência e recebimento (fl. 470). Na oportunidade, contestou afirmações fiscais, informando (fl. 1.435): (...) verseá o quão destituído de constitucionalidade, legalidade e razoabilidade são os fatos imputados à Notificada, (...); ................................................................................................................... (...) é uma entidade de personalidade jurídica de direito privado, sem fins lucrativos, colaboradora do poder público, que tem por objetivo principal, manter e desenvolver estabelecimento integrado de ensino e pesquisa, de nível superior e prestação de serviços à comunidade, sempre voltada, em todos os seus procedimentos, para o atendimento das necessidades básicas de contexto regional em que se insere e a participação no processo de desenvolvimento nacional. Sobre o reconhecimento judicial do seu direito de imunidade, alega que o Poder Judiciário decidiu tratarse de direito adquirido e que as decisões proferidas a seu favor também reconheceramlhe a obrigatoriedade de observar apenas os mandamentos dos arts. 9º e 14 do CTN. Nesse sentido, junta cópias de peças processuais extraídas de autos judiciais (fls. 1.469/1.500). Junta cópias de decisões judiciais proferidas no mesmo sentido, porém, a favor de terceiros (fls. 1.501/1.535), transcreve excertos dessa jurisprudência (fls. 1.438/1.441) e apresenta argumentação (fl. 1.441): (...) a Notificada não está obrigada à observância do disposto no Decreto que embasa a Representação, quer porque tal diploma extrapolou sua função meramente Fl. 6DF CARF MF Emitido em 08/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 08/02/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 08/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10665.000519/200621 Acórdão n.º 140200.424 S1C4T2 Fl. 7 7 regulamentadora, quer porque o § 1º do art. 55 da Lei 8.212/91 expressamente ressalva, das exigências daquele dispositivo, as instituições que já desfrutavam, anteriormente, do direito à isenção/imunidade da quota patronal. A empresa discorre também sobre a obrigatoriedade da observância do princípio da estrita legalidade, sobre a legislação de regência da imunidade e da isenção e sobre como ela continua cumprindo as exigências relativas ao pretendido direito adquirido (fls. 1.442/1.450). Nesse sentido, assevera (...) que seu Estatuto é sua lei de regência, naquilo que não conflita com a Lei Maior e demais diplomas legais aplicáveis. Acresce argumentos diversos, dizendo que (fls. 1.450/1.451): (...) Por força do art. 11, os “membros do Conselho Diretor e do Conselho Curador não serão remunerados pelo exercício do mandato, considerado múnuns público o mesmo ocorrendo com os membros da Assembléia Geral.”(com ênfase da Notificada). (...) as prestações de contas da notificada são anualmente submetidas ao Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (art. 20, XVIII); (...) o Relatório de Atividades do exercício de 2003 (...) a exemplo de todos os outros, traz declaração de seu presidente no sentido que não há distribuição de lucros, nem remuneração dos membros de sua diretoria pelo exercício de suas funções, como da mesma forma não distribui vantagens, dividendos ou bonificação a dirigentes, associados ou mantenedores, sob nenhuma forma, e que aplica a totalidade de suas rendas ao atendimento de suas finalidades. Junta cópia do relatório referido (fls. 1.536/1.647), de convênios que diz exemplificar o teor da assistência social que presta (fls. 1.648/1.682), de declarações do Ministério Público Estadual (fls. 1.683/1.685), de registros no Conselho Nacional de Serviço Social do Ministério da Educação e Cultura (fl. 1.686/1.687), dos decretos, certidões e lei, que a declaram instituição de utilidade pública nos três níveis do poder público – federal, estadual e municipal (fls. 1.688/1.692), de certificados de entidade de fins filantrópicos e beneficente de assistência social e de inscrição e atestados de cadastramento de entidade de ação social emitidos pelo Conselho Nacional de Serviço Social e Conselho Municipal de Assistência Social (CMAS, fls. 1.694/1.698). Sobre os fatos constatados pela ação fiscal, reitera seus argumentos no sentido de que (fl. 1.452): (...) cumpre todos os requisitos da Lei 8.212/91 em sua redação original (...); (...) que suas finalidades sociais coincidem e até mesmo ultrapassam a vontade do legislador (...); (...) foi instituída como Fundação (...); (...) sua essência é desvestida de finalidade lucrativa (...); (...) sua ausência de finalidade lucrativa não se limita, dessa forma, a oferecer mais ou menos que 20% de gratuidade, mas, sim, em renunciar toda, qualquer e a mais mínima possibilidade de lucro, pois, todo e qualquer superávit é obrigatoriamente reinvestido na atividade fim. Especificamente, para a questão da ausência de certificado de fins filantrópicos (inciso II do art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991), alega que não é obrigada a apresentar certificado com validade trienal, embora, como medida de cautela, sempre requereu Fl. 7DF CARF MF Emitido em 08/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 08/02/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 08/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10665.000519/200621 Acórdão n.º 140200.424 S1C4T2 Fl. 8 8 e conseguiu êxito na expedição do certificado. Nessa linha, apresenta cartão de protocolo de pedido de renovação do certificado, postado em 11/04/2000 (fl. 1.699) e outro postado em 04/05/2004 (fl. 1.700) e argumenta (fl. 1.453): (...) os anexos documentos fazem prova de que, se o CNAS não expediu não foi porque a Notificada ficou em mora no que se diz com o requerimento. E o fato de não haver expedido, não significa que o mesmo tenha sido indeferido. Sobre os 20% de gratuidade previstos no inciso III do art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991, fundamento no Decreto nº 2.536, de 1998, amparase em jurisprudência e doutrina para argumentar que (fls. 1.454 e 1.455): (...) nos itens 3.3 a 3.7 os AA. FF. glosam as gratuidades concedidas, a partir de singulares entendimentos do que seria gratuidade. ................................................................................................................... A impropriedade com que os Auditores lançaram a afirmação de que a Notificada é uma entidade com fins lucrativos há de ser rejeitada também pela incorreta compreensão dos trabalhos prestados à comunidade. (...) os convênios noticiados e juntados a esta defesa demonstram que as finalidades estatutárias são rigorosamente cumpridas e que seus alunos não necessitariam fazer quaisquer tipos de trabalho de campo para cumprir etapas acadêmicas. ................................................................................................................... (...) reclama, assim, a correta compreensão dos fatos, reconhecendo os percentuais computados a título de gratuidade, embora, repitase, por pertinente, tal obrigação não conste de nenhuma lei. Sobre a remuneração do presidente da fundação (inciso IV do art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991), a impugnante transcreve excertos de jurisprudência judicial (fls. 1.456/1.458) e determinações estatutárias (fls. 1.458/1.459) para concluir que a remuneração pelo exercício da atividade de professor não conflita com a vedação da lei. Alega que, tomados aleatoriamente, os contracheques – recibos de pagamento de salário ao professor Gilson Soares (fls. 1.724/1.726) combinamse com outros documentos – Resolução Conjunta nº 02/2000 (fls. 1.727/1.729), Portaria nº 05/2000 (fl. 1.730), correspondências relacionadas (fls. 1.731/1.733), solicitação interna (fl. 1.734) e disposições normativas (fls. 1.735/1.736) e comprovam que o professor Gilson Soares não recebe nenhum centavo na condição de presidente da FUNEDI e que a entidade também não remunera quaisquer outros membros de sua diretoria pelo exercício desse cargo específico. Termina sua manifestação inicial com o pedido seguinte (fl. 1.460): (...) seja porque a Notificada já tem a garantia legal e judicial de que, em relação a si, devese observar a legislação de regência, em face do direito adquirido; seja em razão do fato de que o Decreto 2.536/98 manifestamente extrapolou sua função regulamentadora; seja porque a hipótese tratada no art. 195, § 7º da CF é de regra imunizante, devendo ser observado, até que lei específica seja editada, o que dispõe o art. 14 do CTN; seja, por fim, em razão do relevante trabalho de cunho beneficente e de assistência social que presta, requer seja rejeitada a Notificação lavrada pelos Senhores Auditores Fiscais da Receita Federal. A empresa apresenta regularmente, inclusive para os exercícios autuados, DECLARAÇÃO DE INFORMAÇÕES ECONÔMICOFISCAIS DA PESSOA JURÍDICA (DIPJ) na condição de Imune do IRPJ, conforme cópias juntadas (fls. 65/224). Fl. 8DF CARF MF Emitido em 08/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 08/02/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 08/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10665.000519/200621 Acórdão n.º 140200.424 S1C4T2 Fl. 9 9 A decisão recorrida está assim ementada: INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. Tributamse com base na legislação de regência do IRPJ as receitas obtidas pelas instituições de educação que não estejam amparadas pela imunidade tributária. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. Suspendese a imunidade por ato declaratório precedido de notificação fiscal quando ficar constatada a inobservância de requisito ou condição legalmente previstos na legislação de regência da matéria. LANÇAMENTO PROCEDENTE Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido, nos seguintes termos: (...) O ponto alto da celeuma é o entendimento esposado pela Auditoria Fiscal, no sentido de que a Recorrente ofende o art. 12, § 2o, "a", da Lei n° 9.532/1997 e IN/SRF 113/98, o § 4o do art. 4o, por remunerar o Sr. Gilson Soares, Presidente da Recorrente. Durante todo o procedimento administrativo fiscal, a Recorrente vem demonstrando e provando que os pagamentos efetuados ao Prof. Gilson decorrem do exercício da função de Coordenador Geral da Comissão Permanente de Avaliação e Acesso COPAA, órgão colegiado "encarregado de organizar, supervisionar e executar todas as atividades relativas aos processos seletivos para ingresso nos cursos mantidos pela Fundação Educacional de Divinópolis FUNEDI/UEMG". Pelo exercício do cargo de Presidente, ou seja, dirigente, o Prof. Gilson Soares nada recebe nem nunca recebeu. (...) II Da necessidade de reforma do v. acórdão. Ao confirmar a procedência do lançamento, bem não andou a 4a Turma da DRJ/BHE, eis que sua emissão se deu com base em interpretação descompassada da Lei 9.532/97, dada pela IN/SRF 113/98, da Secretaria da Receita Federal. Do mesmo modo, como se demonstrará, o Ato Declaratório Executivo pelo qual a imunidade foi suspensa, teve por fundamento legal dispositivo de lei (art. 14 da Lei 9.532/97) suspenso pela ADIN 1.802/DF. Este, aliás, é o entendimento da Ilustre Desembargadora Federal Maria do Carmo Cardoso, da 8a Turma do Tribunal Regional Federal da Ia Região, ao suspender, liminarmente, em exame do Agravo de Instrumento n° 2006.01.00.0392828/MG, os efeitos do Ato Declaratório Executivo e do Auto de Infração, cuja declaração de nulidade a Requerente vem perseguindo na via administrativa (confirase cópia anexa). a) Contrariedade ao art. 12 da Lei 9.532/1997 ausência de remuneração de dirigente. A letra da lei é clara. Mas, lamentavelmente o Sr. Secretário da Receita Federal, ao interpretala, em muito ampliou o comando legal, distorcendoo pelo edição da IN 113/98. A Recorrente não remunera nenhum de seus dirigentes por serviços prestados nessa condição. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 08/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 08/02/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 08/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10665.000519/200621 Acórdão n.º 140200.424 S1C4T2 Fl. 10 10 Em poucas linhas, recordese que é de sabença geral que nas instituições de ensino, notadamente as que ministram educação superior, convivem mutuamente as instituições mantenedoras (fundações, associações, etc.) e as instituições mantidas (faculdades, centros universitários, etc.). As primeiras são as pessoas jurídicas que se responsabilizam pela gestão administrativa e institucional. Já no âmbito das segundas, se desenvolvem as ações tipicamente acadêmicas. Embora o v. ac. registre que a jurisprudência colacionada é anterior à Lei 9.532/97, o fato insofismável é que tal Diploma não altera o conceito que vige pra a figura do dirigente. Nem este e nenhum outro. A conceituação vem da doutrina e da jurisprudência, esta última, expressão máxima da aplicação da lei aos fatos concretos. Portanto, se a lei nova não alterou os conceitos vigentes, não há porque se desprezar a sabedoria emanada de decisões anteriores. E, neste caso, a singularidade aqui retratada não escapou à interpretação do judiciário, que, para aplicação da lei, bem fez a distinção entre "mantenedora" e "mantida", como se demonstrou na jurisprudência que o v. acórdão rejeitou. Por tais razões é que renovase os argumentos não examinados, no sentido de que a Recorrente não remunera seus dirigentes e isto foi constatado pelo Sr. Auditor Fiscal da Receita Federal, no item 4.6 do MPF: "...remuneração da mesma a partir do ano de 2000, como coordenador da Comissão Permanente de Avaliação e Acesso COPAA, cargo cuja competência para indicação é do próprio Presidente, como descrito nos itens 1.13 e 3.9. Este fato enquadrase como infração também ao disposto no caput do artigo 4o da Instrução Normativa n° 113/98 da Secretaria da Receita Federal conforme § 3odo mesmo artigo” b) IN/SRF 113/98 amplia disposição legal. Força é reconhecer que a IN/SRF 113/98 amplia a vontade do legislador, expressa no art. 12 da Lei 9.532/98, ampliando em muito o comando legal. É meridianamente claro que a vedação imposta pela lei destinase a impedir que dirigentes sejam remunerados pelos serviços que, nessa condição, prestam às instituições imunes. Inexiste vedação legal (e não seria razoável que existisse), para que o dirigente que presta serviços técnicos e administrativos seja por eles remunerado. Eventuais excessos ou desvios de finalidade não justificam ampliar a interpretação de dispositivo tributário, que é sempre restritiva. No exercício de suas funções, caberá aos agentes do Fisco identificar e reclassificar os valores pagos a título de remuneração por serviços técnicos e administrativos prestados em prol de estabelecimento de ensino mantido por instituição imune, nas hipóteses em que tais remunerações excedam os valores habituais e de mercado, com caracterizado e identificável desvio de finalidade. Portanto, para que tivesse tido sua imunidade suspensa por infração ao disposto no art. 12, § 2o, "a" da Lei n° 9.532/96, seria necessário que a Recorrente remunerasse quaisquer de seus dirigentes pelos serviços prestados nessa condição, o que jamais foi afirmado pelo Sr. Auditor Fiscal. Impossibilidade de emissão de Ato Declaratório Executivo de suspensão da imunidadeart. 14 da Lei 9.532/97 com eficácia suspensa. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 08/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 08/02/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 08/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10665.000519/200621 Acórdão n.º 140200.424 S1C4T2 Fl. 11 11 O Ato Declaratório Executivo de suspensão da imunidade, do qual decorreu o Auto de Infração, tem por base a dicção do art. 14 da Lei 9.532/1997, que textualiza: Art. 14. À suspensão do gozo da imunidade aplicase o disposto no artigo 32 da Lein°9.430, de 1996. Como se disse e se comprovou, a Recorrente não remunera seus dirigentes, por qualquer forma. Ainda, no entanto, que fosse diferente, não poderia a Receita Federal suspender a imunidade pelo alegado descumprimento do art. 12, porque os arts. 13 e 14, da mesma lei, que autorizam tal suspensão e remetem ao procedimento prescrito no art. 32 da Lei no 9.430/96, estão com a eficácia suspensa, por força de liminar na ADIN 1.802/DF. (...) Por todas estas razões é que pleiteia a Recorrente seja reformado o v. acórdão proferido pela 4a Turma da DRJ/BHE, para considerar o lançamento improcedente, anulandose, via de conseqüência o Auto de Infração e o Ato Declaratório Executivo pelo qua! foi suspensa a imunidade da Recorrente. É o relatório. Fl. 11DF CARF MF Emitido em 08/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 08/02/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 08/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10665.000519/200621 Acórdão n.º 140200.424 S1C4T2 Fl. 12 12 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Conforme relatado, a recorrente teve sua imunidade e isenção tributárias suspensa por ato declaratório do Delegado da Receita Federal em Divinópolis – MG. Em relação ao IRPJ, a suspensão da imunidade se deu exclusivamente pelo fato de a entidade remunerar o presidente da entidade, o que seria vedado, à luz do art. 12, § 2o, "a", da Lei n° 9.532/1997 e IN/SRF 113/98, o § 4o do art. 4o. Em conseqüência foi lavrado auto de infração para exigência do IRPJ na modalidade do lucro arbitrado. Em sua defesa a recorrente alega que a remuneração do Sr Gilson Soaraes decorre do exercício da função de Coordenador Geral da Comissão Permanente de Avaliação e Acesso COPAA, órgão colegiado "encarregado de organizar, supervisionar e executar todas as atividades relativas aos processos seletivos para ingresso nos cursos mantidos pela Fundação Educacional de Divinópolis FUNEDI/UEMG". Assevera a recorrente que, pelo exercício do cargo de Presidente, ou seja, dirigente, “o Prof. Gilson Soares nada recebe nem nunca recebeu.” Pois bem, compulsando os autos verificase que foi este o único fato motivador da manutenção do ato fiscal pela decisão de primeira instancia recorrida. Verifiquei também que as folhas de pagamento do Sr. Gilson Soares encontramse às fls. 923 e seguintes dos autos renumerados (antes era 499). O salário de jan/2000 foi de 1.699,65 (bruto) considerando quinquênio e cargo de coordenador COOPA. Em dezembro/2003 o salário bruto total era de R$ 2.401,20 (fl. 957). Não há nos autos qualquer outra acusação de desvio de recursos ou de finalidade, remunerações ou benefícios indiretos a dirigentes ou terceiros, tampouco outros descumprimento ao disposto no art. 14 do Código Tributário Nacional. É apenas isso. Delimitada a questão, socorrome do entendimento predominante neste Conselho, ao qual me filio, que dentre outros decisões foi enfrentado no acórdão 140200.009, de 27/07/2009, cujo voto condutor da lavra do ilustre conselheiro Leonardo Andrade Couto, traz a seguinte fundamentação nessa parte: (...) De fato, a jurisprudência administrativa deste Colegiado faz alguma ressalva quanto ao rigor da vedação. O dispositivo restritivo deve ser entendido como uma norma para combater a distribuição do patrimônio ou da renda travestida de remuneração.Tais aspectos devem ser analisados caso a caso. Numa instituição de educação, um professor contratado pode assumir uma função dirigente sem prejuízo da remuneração como docente para a qual foi contratado. Não há violação à norma restritiva. É o caso por exemplo do Reitor universitário. Sobre o tema, a 1a Câmara deste Conselho prolatou o Acórdão 10194.657 nos seguintes termos: Fl. 12DF CARF MF Emitido em 08/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 08/02/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 08/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10665.000519/200621 Acórdão n.º 140200.424 S1C4T2 Fl. 13 13 REMUNERAÇÃO DE DIRIGENTES. O pagamento regular, aos dirigentes, de salários e gratificações a que fazem jus como integrantes do corpo docente da universidade, de acordo com o plano de carreira do magistério, em iguais condições com os demais professores que não exercem cargo de direção, não se identificam como distribuição velada de patrimônio, em nada importando que, enquanto exercendo as funções de reitor, próreitor, e assemelhadas, sejam dispensados da atividade de docência. Deve ser ratificado, nos termos da ementa transcrita, que não há irregularidade na remuneração quando desvinculada do cargo dirigente. No bojo do voto condutor da decisão mencionada, a Relatora SANDRA MARIA FARONI esclarece: A gratificação a título de "Dedicação Exclusiva" não pode ser caracterizada como "vantagem extra" e "distribuição de parcela do patrimônio ou renda". Tal gratificação está prevista no plano de carreira para o corpo docente, que estabelece, para todos os professores em regime de dedicação exclusiva, uma gratificação de 55% sobre o vencimento relativo a quarenta horas semanais. Esse mesmo plano de carreira estabelece gratificações para os portadores de titulação acadêmica de 50%,25% ou 12%, conforme se trate de doutorado, mestrado ou especialização. Essas gratificações, que são pagas a todos os professores que nelas se enquadrem, são semelhantes às concedidas pelas universidades públicas federais... O texto deixa claro que a remuneração aceita como regular, seja em forma de salário ou gratificação, é aquela prevista no plano de carreira do magistério, ou seja, não há vinculação com a função dirigente exercida. Voltando ao presente caso, no Termo de Notificação Fiscal a autoridade lançadora afirma que o presidente da entidade foi remunerado pelo cargo de reitor, o que não contestado pela interessada. Claro está que essa remuneração teve características de comissão pelo exercício da função, o que contraria as disposições da norma.” No caso dos presentes autos, formei convencimento de que são insuficientes as provas trazidas aos pela fiscalização de que o Prof. Gilson Soares é remunerado pelo exercício da presidência da entidade e não pelas funções que exercia antes da designação e teria continuado. Diante do exposto voto no sentido de dar provimento ao recurso, para cancelar a exigência do IRPJ, por considerar não comprovada a remuneração de exercício de cargo de dirigente pela entidade. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 13DF CARF MF Emitido em 08/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 08/02/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 08/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
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Numero do processo: 35464.003624/2006-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 23 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Mar 23 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998
AFERIÇÃO INDIRETA. PREVISÃO LEGAL.
Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Fisco pode, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de oficio importância que reputar devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário, conforme possibilita o § 3º , Art. 33, da Lei 8.212/1991.
AFERIÇÃO. REQUISITOS.
Na utilização da aferição o Fisco deve, de forma clara e precisa, descrever a fundamentação legal, os fatos geradores ocorridos, o débito apurado, os valores aferidos indiretamente, indicando os parâmetros utilizados, bem corno, sempre que possível, os segurados envolvidos.
DIREITO DE DEFESA. CERCEAMENTO. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL.
A ausência de fundamentação legal que possibilita o uso da aferição indireta pelo Fisco constitui-se em cerceamento do direito de defesa, pois não houve a possibilidade do sujeito passivo ter amplo conhecimento dos fundamentos que possibilitaram a lavratura do lançamento.
VÍCIO FORMAL. FUNDAMENTO LEGAL.
A ausência dos fundamentos legais que possibilitaram a lavratura do lançamento constitui-se em vicio formal.
PROCESSO ANULADO
Numero da decisão: 2402-000.730
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em anular o lançamento, pela ocorrência de vicio formal, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998 AFERIÇÃO INDIRETA. PREVISÃO LEGAL. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Fisco pode, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de oficio importância que reputar devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário, conforme possibilita o § 3º , Art. 33, da Lei 8.212/1991. AFERIÇÃO. REQUISITOS. Na utilização da aferição o Fisco deve, de forma clara e precisa, descrever a fundamentação legal, os fatos geradores ocorridos, o débito apurado, os valores aferidos indiretamente, indicando os parâmetros utilizados, bem corno, sempre que possível, os segurados envolvidos. DIREITO DE DEFESA. CERCEAMENTO. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. A ausência de fundamentação legal que possibilita o uso da aferição indireta pelo Fisco constitui-se em cerceamento do direito de defesa, pois não houve a possibilidade do sujeito passivo ter amplo conhecimento dos fundamentos que possibilitaram a lavratura do lançamento. VÍCIO FORMAL. FUNDAMENTO LEGAL. A ausência dos fundamentos legais que possibilitaram a lavratura do lançamento constitui-se em vicio formal. PROCESSO ANULADO
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conteudo_txt : Metadados => date: 2011-08-15T12:52:53Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 7; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2011-08-15T12:52:52Z; Last-Modified: 2011-08-15T12:52:53Z; dcterms:modified: 2011-08-15T12:52:53Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:c13b54af-0dc3-44ff-a157-fca1b8feffdd; Last-Save-Date: 2011-08-15T12:52:53Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2011-08-15T12:52:53Z; meta:save-date: 2011-08-15T12:52:53Z; pdf:encrypted: false; modified: 2011-08-15T12:52:53Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2011-08-15T12:52:52Z; created: 2011-08-15T12:52:52Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; Creation-Date: 2011-08-15T12:52:52Z; pdf:charsPerPage: 1740; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2011-08-15T12:52:52Z | Conteúdo => S2-C4T2 FL 1.121 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 35464.003624/2006-18 Recurso n° 151.171 Voluntário Acórdão n° 2402-00.730 — 4' Câmara / 2 Turma Ordinária Sessão de 23 demarco de 2010 Matéria REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS. SALÁRIO INDIRETO: VEÍCULOS. AFERIÇÃO. Recorrente SCHERING DO BRASIL QUÍMICA E FARMACÊUTICA LTDA Recorrida SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA - SRP ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIARIAS Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998 AFERIÇÃO INDIRETA. PREVISÃO LEGAL. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Fisco pode, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de oficio importância que reputar devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário, conforme possibilita o § 3 0 , Art. 33, da Lei 8.212/1991. AFERIÇÃO. REQUISITOS. Na utilização da aferição o Fisco deve, de forma clara e precisa, descrever a fundamentação legal, os fatos geradores ocorridos, o débito apurado, os valores aferidos indiretamente, indicando os parâmetros utilizados, bem corno, sempre que possível, os segurados envolvidos. DIREITO DE DEFESA. CERCEAMENTO. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. A ausência de fundamentação legal que possibilita o uso da aferição indireta pelo Fisco constitui-se em cerceamento do direito de defesa, pois não houve a possibilidade do sujeito passivo ter amplo conhecimento dos fundamentos que possibilitaram a lavratura do lançamento. VÍCIO FORMAL. FUNDAMENTO LEGAL. A ausência dos fundamentos legais que possibilitaram a lavratura d lançamento constitui-se em vicio formal. PROCESSO ANULADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4' Câmara / 2 Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em anular o lançamento, pela ocorrência de vicio formal, nos termos do voto do relator. E OfiVEIR-A "idente e Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros: Marcelo Oliveira, Ana Maria Bandeira, Rogério de Lellis Pinto, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Maria da Glória Faria (Suplente). 2 Processo n°35464.003624/2006-18 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.730 Fl. 1.122 Relatório Trata-se de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Previdencidria (DRP), Sao Paulo - Sul / SP, fls. 0619 a 0641, que julgou procedente o lançamento, oriundo de descumprimento de obrigação tributária legal principal, fl. 001. Segundo a fiscalização, de acordo corn o Relatório Fiscal (RF), fls. 025 a 030, o lançamento refere-se a contribuições destinadas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração paga a segurados, correspondentes a contribuição dos segurados, da empresa, a contribuição para o financiamento dos beneficios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (SAT) e as contribuições devidas aos Terceiros. Ainda segundo o RF, os valores da base de cálculo são oriundos de veículos utilizados por segurados. 0 valor lançado corresponde, proporcionalmente, somente aos períodos em que os veículos foram utilizados fora do trabalho. Os motivos que ensejaram o lançamento estão descritos no RF e nos demais anexos que o configuram. Em 29/11/2002 foi dada ciência à. recorrente do lançamento, fls. 001. Contra o lançamento, a recorrente apresentou impugnação, fls. 063 a 081, acompanhada de anexos. A Delegacia analisou o lançamento e a impugnação, julgando procedente o lançamento. Inconformada corn a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, fls. 0649 a 0669, acompanhado de anexos, onde alega, em síntese, que: Os veículos foram utilizados para a realização dos serviços, não integrando, como salário indireto, o Salário-de-Contribuição (SC); 0 valor da base de cálculo foi lançado de forma equivocada, pois há despesa embutidas; Há necessidade de proporcionalidade entre a pena e a infração; Em face do exposto, solicita provimento ao recurso. Com as novas alegações da recorrente, a Delegacia solicitou pronunciamento da fiscalização, fls. 0731 a 0734. A fiscalização respondeu aos questionamentos, E. 0736 a 0738. 3 Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão, fls. 0762. A Segunda Câmara de Julgamento (CAJ), do Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS) analisou os autos e decidiu converter o julgamento em diligência, a fim de que a recorrente obtivesse ciência da diligência efetuada, fls. 0764 a 0766. A recorrente obteve ciência e apresentou novo recurso, reafirmando seus argumentos, fls. 0779 a 0784. Os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão, fls. 0791. A CAJ analisou os autos e decidiu converter o julgamento em diligência, a fim de que esclarecimentos fossem prestados pelo Fisco, fls. 0792 a 0797. 0 Fisco respondeu aos questionamentos, fls. 01091 a 01097. A recorrente obteve ciência e apresentou novo recurso, reafirmando seus argumentos, fls. 01108 a 01113. Os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão, fls. 01120. É o relatório. 4 Processo n° 35464.003624/2006-18 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.730 Fl. 1.123 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Sendo tempestivo, CONHEÇO DO RECURSO e passo ao exame de seus argumentos. DA PRELIMINAR Preliminarmente, a recorrente alega que os valores lançados foram equivocados. Sobre essa questão há análise que deve ser efetuada. Como valor de Salário-de-Contribuição (SC) o Fisco utilizou valores proporcionais aos períodos que os veículos permaneciam com os segurados fora do serviço. Claro está que o Fisco aferiu esses valores, mas na análise dos autos não encontramos a devida fundamentação legal para a utilização do arbitramento. Portanto, ocorreu vicio, que cerceou o direito de defesa da recorrente. 0 Fisco poderia ter utilizado a aferição, mas deveria seguir procedimentos e demonstrar sua fundamentação. Esse é o entendimento de várias decisões emitidas na esfera administrativa: PREVIDENCIÁRIO — CUSTEIO — CARACTERIZAÇA -0 DE SEGURADOS EMPREGADO — VÍCIO FORMAL NULIDADE. Toda fundamentação legal que serviu de base para o lançamento do crédito deve ser informada ao notificado para que o mesmo possa exercer plenamente seu direito de defesa. A ausência de fundamentaçao legal é vicio insanável e, conseqüentemente, nulo o lançamento. Preliminarmente, cumpre que sejam efetuadas algumas considerações sobre a base de cálculo utilizada para a apuração das contribuições devidas; A Auditoria Fiscal considerou como base de cálculo para o presente lançamento os valores faturados pelas contratadas. A recorrente, por sua vez, alega que não seria possível considerar tais valores, pois os mesmos não corresponderiam exatamente à contraprestação dos serviços executados, uma vez que estariam incluidas as despesas inerentes as empresas de um modo geral;A recorrente anexou aos autos cópias de demonstrativos contábeis de dez das doze empresas prestadoras de serviços, e com base na análise de tais 5 documentos, bem como das demais informações constantes dos autos, a auditoria fiscal considerou que as despesas inerentes a prestação dos serviços correriam por conta da contratante, conforme estipulado contratualmente; Desta forma, a auditoria fiscal entendeu que as empresas na verdade não teriam despesas e considerou como salário de contribuição os valores das notas fiscais de serviços emitidas pelas prestadoras em sua totalidade; Entretanto, ao considerar que os valores totais das notas fiscais de serviços corresponderiam a efetiva remuneração dos segurados, a auditoria fiscal claramente efetuou um arbitramento, procedimento que tem como base legal, in casa, o § 6', do art. 33, da Lei n°8.212/91, abaixo transcrito; Não obstante, ter-se utilizado da prerrogativa estabelecida em lei de arbitrar o salário de contribuição que reputasse devido, a Auditoria Fiscal não fez constar no Relatório de Fundamentos Legais, bem como do Relatório Fiscal os dispositivos legais que amparam tal procedimento; 0 arbitramento é procedimento utilizado quando não é possível obter a base de calculo da documentação especifica que registra as ocorrências relacionadas a remuneração dos segurados empregados, quais sejam, folhas e recibos de pagamento, RAIS ou GFIP's e outras; Como a ação fiscal se deu na tomadora dos serviços, a apuração do salário de contribuição se deu por meios indiretos, com base nas notas fiscais de serviços prestados pelas empresas, cuja personalidade jurídica foi desconsiderada pela fiscalização e, em nenhum momento o contribuinte foi informado de que o lançamento seria efetuado por arbitramento e qual o amparo legal para esse procedimento;A auditoria fiscal tem o dever de informar ao contribuinte sob ação fiscal que efetuará um arbitramento da importância que -reputou devida. No presente caso, a auditoria fiscal entendeu que seria considerada base de cálculo para a apuração das contribuições a totalidade do valor das notas fiscais emitidas, pois considerou que as despesas inerentes a prestação dos serviços correriam por conta alheia, ou seja, da contratante; A aferição tem fundamento no art. 33, parágrafos 3", 4° e 6°, da Lei le 8.212/91 e tais dispositivos determinam, inclusive, a inversão do ônus da prova. Portanto, a omissão em informar devidamente o contribuinte desse procedimento vicia todo o procedimento em razão de clara violação dos Princípios do Devido Processo Legal, da Ampla Defesa e do Contraditório; 0 art. 201 do Código Tributário Nacional exige que a inscrição em divida ativa ocorra somente após a regular inscrição na repartição competente. Por sua vez o inciso III do art. 202, do mesmo diploma legal, informa que, após o trâmite regular, a notificação sera inscrita em divida ativa, indicando como elementos essenciais a origem e a natureza do crédito tributário, devendo ser mencionada, especificamente a disposição da lei ern que foi fundado; Como o crédito previdenciário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta de acordo com o art. 139 do CTN, resta claro que a exigência contida naquele diploma legal, quanto a necessidade de identificação do fundamento legal do fato gerador da obrigação, deve ser observada; 0 Contencioso Administrativo Fiscal no âmbito do Instituto Nacional do Seguro Social regido segundo as normas contidas na Portaria MPS n" 6 Processo n°35464.003624/2006-18 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.730 Fl. 1.124 520, de 19 de maio de 2004 estabelece os casos de nulidade no Capitulo VIII, conforme verifica-se, in verbis: Art. 31. Sao nulos: I- os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou coin preterigdo do direito de defesa; III — o lançamento não precedido do Mandado de Procedimento Fiscal. § 1° A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2° Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3° Quando puder decidir o mérito a favor do sujeito passivo, a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta. Art. 32 As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo quando o sujeito passivo houver dado causa ou quando não influírem na solução do litígio. Parágrafo único. A nulidade somente deve ser decretada quando o saneamento do vicio for inviável(g.n.) A 4° Câmara de Julgamento tem mantido o entendimento em casos semelhantes de que ocorrendo o lançamento arbitrado, a fundamentação legal que o ampara deverá estar informada nos autos e, diante do vicio formal, esta autoridade julgadora tem como dever declarar a nulidade do mesmo, pois a ausência de fundamentação legal não é vicio passível de saneamento; Cabe salientar que tal cautela já vem sendo observada em boa parte dos lançamentos da espécie que já foram submetidos a análise desta Conselheira; Dessa forma, CONSIDERANDO que a presente notificação foi lavrada em desconformidade com a legislação vigente, sobretudo no que tange as formalidades exigidas pelo CTN; CONSIDERANDO que para garantir a ampla defesa por parte da notificada toda a fundamentação legal deveria ter sido informada a mesma; CONSIDERANDO a impossibilidade de saneamento do vicio apresentado na presente notificação; CONSIDERANDO que constatada a nulidade por vicio formal, a autoridade julgadora devera declará-la. Voto no sentido de ANULAR o presente lançamento, para que os autos sejam devolvidos a Gerência Executiva de origem que devera proceder a novo lançamento observando a correta fundamentação legal; É COMO voto. (Brasilia - DF, 04/10/2004, 7 ANA MARIA BANDEIRA, Representante do Governo, IV° do(a) Acorclão: 2573/2004) Ressalte-se que, como no lançamento analisado na decisão acima, não há fundamentação do arbitramento no RF, nem no anexo "Fundamentos Legais do Débito". Portanto, restou prejudicado o direito de defesa da recorrente, pois foi lhe imputado lançamento sem a descrição de sua fundamentação legal. Sobre nulidade, a legislação determina motivos e atos a serem praticados em caso de decretação de nulidade. Decreto 70.235/1972: Art. 59. Sao nulos.. I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1 0 A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. 6S' 2° Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. ,sç 3 0 Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta. Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. Assim, por ser autoridade julgadora competente para a decretação da nulidade, por estar claro que a ausência de fundamentação cerceou o direito de defesa da recorrente, decido pela nulidade do processo. Em respeito ao § 2°, do Art. 59, do Decreto 70.235/1972, ressalto que a Receita Federal do Brasil deve tomar as devidas providências para que se verifique se há fato gerador na prestação do serviço e lançar, se necessário, o valor devido. Sobre o vicio praticado entendo ser o mesmo de natureza formal. Nos atos administrativos, como o lançamento tributário por exemplo, é no Direito Administrativo que encontramos as regras especiais de validade dos atos praticados pela Administração Pública: competência, motivo, conteúdo, foima e finalidade. 8 Sala das Sessões ço de 2010 ARCFLO OLIVEIRA - Relator Processo n°35464.003624/2006-18 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.730 Fl. 1.125 formal o vicio que contamina o ato administrativo em seu elemento "forma"; por toda a doutrina, cito a Professora Maria Sylvia Zane lla Di Pietro. I Segundo a mesma autora, o elemento "forma" comporta duas concepções: A) Restrita, que considera forma como a exteriorização do ato administrativo (por exemplo: auto-de-infração); e B) Ampla, que inclui todas as demais folinalidades (por exemplo: precedido de MPF, ciência obrigatória do sujeito passivo, oportunidade de impugnação no prazo legal, existência de fundamentação legal), isto 6, esta última confunde-se com o conceito de procedimento, prática de atos consecutivos visando a consecução de determinado resultado final. Forma é requisito de validade através do qual o ato administrativo, praticado porque o motivo que o deflagra ocorreu, é exteriorizado para a realização da finalidade detemiinada pela lei. E quando se diz "exteriorização" devemos concebê-la como a materialização de um ato de vontade através de determinado instrumento. 0 rigor da folina corno requisito de validade gera um grande número de lançamentos anulados. Em função desse prejuízo para o interesse publico é que se inseriu no Código Tributário Nacional (CTN) a regra de novo prazo para contagem de decadência a partir da decisão, a fim de realização de lançamento substitutivo ao anterior, quando anulado por simples vicio na formalização. Por todo o exposto, entendo como formal o vicio presente na ausência de fundamentação legal para o uso da aferição por parte do Fisco. Por todo o exposto, acato a preliminar ora examinada, restando prejudicado o exame de mérito. CONCLUSÃO Em razão do exposto, Voto pela anulação do lançamento, pela ocorrência de vicio formal, nos termos do voto. I DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella: Direito Administrativo, São Paulo: Editora Atlas, 11' edição, paginas 187 a 192. 9 de abril de 2010 Bra MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS QUARTA CÂMARA - SEGUNDA SEÇÃO -Processo n°: 35464.003624/2006-18 Recurso n°: 151.171 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 3° do artigo 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Quarta Camara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão n° 2402-00.730 ELIAS SAMPAIO FREIRE Presidente da Quarta Camara Ciente, com a observação abaixo: [ ] Apenas com Ciência [ ] Com Recurso Especial [ ] Com Embargos de Declaraçdo Data da ciência: / / Procurador (a) da Fazenda Nacional
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Numero do processo: 10183.004214/2006-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 01 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Dec 01 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR
Exercício: 2002
ILEGITIMIDADE PASSIVA ALIENAÇÃO DO IMÓVEL. SUB-ROGAÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO.
Carece de fundamento jurídico a alegada ilegitimidade passiva por sub-rogação do crédito tributário na pessoa do adquirente do imóvel rural quando consta do título aquisitivo a prova de quitação do tributo.
ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL.
OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO DO ADA.
A partir do exercício de 2001 é indispensável a apresentação do Ato Declaratório Ambiental como condição para o gozo da redução do ITR em se tratando de áreas de preservação permanente e de reserva legal, tendo em vista a existência de lei estabelecendo expressamente tal obrigação.
JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO VINCULADA AO TRIBUTO LANÇADO. PERCENTUAL DO ART. 161, § 1º, DO CTN.
Sobre a multa de ofício lançada juntamente com o tributo ou contribuição, não paga no vencimento, incidem juros de mora de 1% (um por cento) ao mês, nos termos do art. 161 do Código Tributário Nacional. Entretanto, tal critério não poderá agravar a situação do recorrente, que outrora se submeteu
à incidência dos juros de mora à taxa selic sobre a multa vinculada ao tributo lançado.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2102-000.966
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar a preliminar de ilegitimidade passiva e, no mérito, DAR PARCIAL provimento ao recurso para reconhecer que os juros de mora devem incidir à taxa de 1% a.m. sobre a multa de ofício
vinculada. Ainda, por maioria, decidiu-se que a incidência dos juros de mora não poderá exceder àquela que a fiscalização outrora imputou ao contribuinte (juros de mora à taxa selic
sobre a multa de ofício vinculada), vencidos os Conselheiros Núbia Matos Moura Matos e Rubens Maurício Carvalho. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos. Fez sustentação oral o Dr. Gustavo Froner Minatel, OAB-SP nº 210198.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 ILEGITIMIDADE PASSIVA ALIENAÇÃO DO IMÓVEL. SUB-ROGAÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Carece de fundamento jurídico a alegada ilegitimidade passiva por sub-rogação do crédito tributário na pessoa do adquirente do imóvel rural quando consta do título aquisitivo a prova de quitação do tributo. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO DO ADA. A partir do exercício de 2001 é indispensável a apresentação do Ato Declaratório Ambiental como condição para o gozo da redução do ITR em se tratando de áreas de preservação permanente e de reserva legal, tendo em vista a existência de lei estabelecendo expressamente tal obrigação. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO VINCULADA AO TRIBUTO LANÇADO. PERCENTUAL DO ART. 161, § 1º, DO CTN. Sobre a multa de ofício lançada juntamente com o tributo ou contribuição, não paga no vencimento, incidem juros de mora de 1% (um por cento) ao mês, nos termos do art. 161 do Código Tributário Nacional. Entretanto, tal critério não poderá agravar a situação do recorrente, que outrora se submeteu à incidência dos juros de mora à taxa selic sobre a multa vinculada ao tributo lançado. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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SUB ROGAÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Carece de fundamento jurídico a alegada ilegitimidade passiva por sub rogação do crédito tributário na pessoa do adquirente do imóvel rural quando consta do título aquisitivo a prova de quitação do tributo. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO DO ADA. A partir do exercício de 2001 é indispensável a apresentação do Ato Declaratório Ambiental como condição para o gozo da redução do ITR em se tratando de áreas de preservação permanente e de reserva legal, tendo em vista a existência de lei estabelecendo expressamente tal obrigação. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO VINCULADA AO TRIBUTO LANÇADO. PERCENTUAL DO ART. 161, § 1º, DO CTN. Sobre a multa de ofício lançada juntamente com o tributo ou contribuição, não paga no vencimento, incidem juros de mora de 1% (um por cento) ao mês, nos termos do art. 161 do Código Tributário Nacional. Entretanto, tal critério não poderá agravar a situação do recorrente, que outrora se submeteu à incidência dos juros de mora à taxa selic sobre a multa vinculada ao tributo lançado. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 14/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 14/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar a preliminar de ilegitimidade passiva e, no mérito, DAR PARCIAL provimento ao recurso para reconhecer que os juros de mora devem incidir à taxa de 1% a.m. sobre a multa de ofício vinculada. Ainda, por maioria, decidiuse que a incidência dos juros de mora não poderá exceder àquela que a fiscalização outrora imputou ao contribuinte (juros de mora à taxa selic sobre a multa de ofício vinculada), vencidos os Conselheiros Núbia Matos Moura Matos e Rubens Maurício Carvalho. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos. Fez sustentação oral o Dr. Gustavo Froner Minatel, OABSP nº 210198. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente e Redator designado Assinado digitalmente Núbia Matos Moura – Relatora EDITADO EM: 14/03/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Acácia Sayuri Wakasugi, Carlos André Rodrigues Pereira de Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Rubens Maurício Carvalho e Vanessa Pereira Rodrigues Domene. Relatório Contra MAEDA EXIM EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO LTDA E OUTROS, foi lavrado Auto de Infração, fls. 02/08, para formalização de exigência de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR) do imóvel denominado Fazenda Nova Zelândia, com área total de 24.379,4 ha (NIRF 4.866.2461), relativo ao exercício 2002, no valor de R$ 1.087.698,26, incluindo multa de ofício e juros de mora, calculados até 31/10/2006. A infração imputada à contribuinte foi falta de recolhimento do imposto, apurado em razão da glosa total das áreas de preservação permanente (12.738,2 ha) e de reserva legal (10.651,2 ha), em virtude da nãoapresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA). Inconformada com a exigência, a contribuinte apresentou impugnação, que se encontra assim resumida no Acórdão DRJ/CGE nº 0415.598, de 10/10/2008, fls. 173/181: Em preliminar, aduz ilegitimidade passiva, ao argumento de que com a transferência do imóvel, em 18.02.2003, a responsabilidade deve ser repassada ao adquirente, por sub rogação (CTN, art. 130). No mérito, sustenta que o Auto de Infração é nulo, haja vista que a exigência do ADA é ilegal. Argumenta que a MP 216667 dispensou os contribuintes da apresentação do ADA. Afirma que a alíquota de 20% é Fl. 2DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 14/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 14/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO Processo nº 10183.004214/200610 Acórdão n.º 210200.966 S2C1T2 Fl. 208 3 confiscatória. Insurgese contra os acréscimos legais incidentes no lançamento (multa e juros SELIC), que afirma possuírem caráter confiscatório e estarem acima dos patamares permitidos pela Constituição e pela Lei. A DRJ Campo Grande apreciou a impugnação e, por unanimidade de votos, decidiu pela procedência do lançamento. Cientificada da decisão de primeira instância, em 31/10/2008, fls. 181, a contribuinte apresentou, em 26/11/2008, recurso voluntário, fls. 188/202, trazendo as alegações a seguir resumidas: 4.2. Preliminarmente, o reconhecimento da Ilegitimidade Passiva da Autuada para figurar como CONTRIBUINTE/RESPONSÁVEL pelo crédito tributário lançado, em razão da subrogação pelos adquirentes dos débitos tributários face à transferência da propriedade do imóvel ocorrida em 18.02.03 (fls. 132 a 139) devidamente Registrado sob o n. R2362 na Matrícula 362 fls. 001v do Livro n. 2 do Registro Geral do Cartório de 1° Ofício de Querência, Mato Grosso (fls. 4647), nos termos do art. 130 do CTN. 4.3. No Mérito, a Improcedência dos Lançamentos Tributários, posto que foram realizados em razão da indevida glosa das exclusões da base de cálculo do ITR declaradas no DIAT/DITR 2002, desconsiderandose as ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE e as ÁREAS DE UTILIZAÇÃO LIMITADA (conforme Laudo Técnico fls. 63 a 68 e face à averbação à margem da matrícula do imóvel fls. 46) em razão da não apresentação de solicitação do ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA) junto ao IBAMA, ato esse totalmente desnecessário face à redação dada ao § 7° ao artigo 10 da Lei n° 9.393/96 inserida pela MP 2.16667 de 24 de agosto de 2001. É o Relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 14/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 14/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO 4 Voto Conselheira Núbia Matos Moura O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Antes do exame dos argumentos expendidos pela defesa no recurso, cumpre destacar que da tribuna, quando da defesa oral, o patrono da contribuinte suscitou a não aplicação dos juros de mora sobre a multa de ofício. Preliminarmente, o sujeito passivo da obrigação tributária busca a proteção do artigo 1301 do Código Tributário Nacional para aduzir a impossibilidade de a recorrente responder pelo ITR do exercício de 2002, lançado em 25/11/2006, incidente sobre imóvel alienado em 18/02/2003, data anterior à ciência do Auto de Infração. Da leitura do Instrumento Particular de Compra e Venda, fls. 132/139, devidamente registrado na matrícula do imóvel, fls. 46/47, resta clara a adoção pelo adquirente das cautelas necessárias e previstas em lei com o intuito de evitar a subrogação de quaisquer ônus de natureza tributária vinculados ao imóvel então adquirido, conforme inferese da cláusula 8ª do referido contrato: 8ª) O imóvel objeto do presente compromisso de compra e venda será entregue aos COMPRADORES, até a data de compensação do cheque dado como sinal pelos mesmos, no estado de conservação em que se encontra, absolutamente em dia com todas as taxas, impostos, emolumentos e totalmente desocupado de plantações, coisas e pessoas, sejam empregados, locatários, arrendatários ou comodatários. PARÁGRAFO ÚNICO: Declaram os COMPRADORES, neste ato, o recebimento de toda documentação hábil a comprovar o adimplemento das obrigações legais dos VENDEDORES, a saber: DARFs dos 06 (seis) últimos anos do imóvel, DIAC Declaração de ITR dos 06 (seis) últimos anos, todas as certidões negativas da Empresa Maeda Oeste Agropecuária estadual, federal, INSS, FGTS, procuradoria federal, protesto, memorial descritivo do imóvel, que foram devidamente analisadas pelos COMPRADORES. Quando formalmente declara a inexistência de ônus de natureza tributária e oferece certidão de quitação de tributos e contribuições federais, o alienante dá à situação fática as características da ressalva contida na parte final do caput do artigo 130 do CTN, vale dizer, elimina a possibilidade de subrogação da dívida na pessoa do adquirente. Assim, rejeitase a preliminar de ilegitimidade passiva por subrogação do crédito tributário apurado no Auto de Infração na pessoa do adquirente do imóvel em questão. 1 Art. 130. Os créditos tributários relativos a impostos cujo fato gerador seja a propriedade, o domínio útil ou a posse de bens imóveis, e bem assim os relativos a taxas pela prestação de serviços referentes a tais bens, ou a contribuições de melhoria, subrogamse na pessoa dos respectivos adquirentes, salvo quando conste do título a prova de sua quitação. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 14/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 14/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO Processo nº 10183.004214/200610 Acórdão n.º 210200.966 S2C1T2 Fl. 209 5 No mérito, temse que o lançamento trata de glosa de áreas de preservação permanente e de reserva legal por falta de apresentação de ADA. No recurso, a contribuinte afirma que a apresentação do ADA é desnecessária para a fruição do benefício, face à redação dada ao § 7° ao artigo 10 da Lei n° 9.393/96 inserida pela MP 2.16667 de 24 de agosto de 2001. De pronto, vale destacar que a partir da vigência da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000, que deu nova redação à Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, a exigência de utilização do ADA passou a ter expressa disposição legal. “Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1º A. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA.(Incluído pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000)” (grifei) Do artigo acima transcrito, resta claro que, a partir do exercício 2001, a obtenção do ADA é condição necessária e obrigatória para que o contribuinte usufrua a redução do valor a pagar do ITR quanto às áreas de Preservação Permanente e Reserva Legal. Já no que concerne à alegação da contribuinte de que estaria dispensada de comprovar a apresentação do ADA em razão do disposto no parágrafo 7º2 do artigo 10 da Lei 9.393, de 19 de dezembro de 1996, incluído pela Medida Provisória 2.16667, de 24 de agosto de 2001, devese observar que o Código Tributário Nacional (CTN), visando à simplificação da estrutura necessária à fiscalização e arrecadação de tributos, previu hipóteses em que o sujeito passivo presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à efetivação do lançamento e antecipa o pagamento do tributo sem prévio exame da autoridade administrativa. Tal modalidade de pagamento/lançamento, denominada de lançamento por homologação, hodiernamente, compreende quase que a totalidade dos tributos administrados pela União, dentre os quais se encontra o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural. Contudo, a sistemática do lançamento por homologação não dispensa o contribuinte de fazer prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para a concessão da isenção. 2 § 7º A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1º, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. (Medida Provisória nº 2.16667, de 24 de agosto de 2001) Fl. 5DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 14/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 14/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO 6 Com efeito, mais do que o dever geral de colaboração, a isenção de caráter especial, impõe ao beneficiário o ônus de provar o preenchimento das condições para fruição do tratamento diferenciado. Está claro que o parágrafo 7º apenas dispensa a prévia apresentação dos documentos definidos em lei, no caso apresentação de ADA, como necessários à fruição da isenção do ITR. Entretanto, inarredável é a competência da autoridade fiscal para solicitála, posteriormente, dentro do prazo decadencial, visando a verificação do correto cumprimento da obrigação tributária por parte do contribuinte. Nessa conformidade, considerando que a contribuinte deixou de apresentar o Ato Declaratório Ambiental (ADA), acertada a decisão recorrida em não admitir a exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal, para fins de cálculo do ITR devido. No que se refere à aplicação dos juros de mora sobre a multa de ofício proporcional, alinhome àqueles que entendem que a taxa de juros incidente é de 1% ao mês. Por pertinente, transcrevese a seguir trecho do voto prolatado pela Conselheira Sandra Maria Faroni, no Acórdão nº 10197.077, de 17/12/2008: A questão da incidência dos juros sobre a multa de oficio já foi por mim analisada em outros recursos, e minhas conclusões podem assim ser resumidas: A obrigação tributária pode ser principal, consistindo em obrigação de dar (pagar tributo ou multa) e acessória , obrigação de fazer (deveres instrumentais). De acordo com o art. 139 do CTN, o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Portanto, compreendemse no crédito tributário o valor do tributo e o valor da multa. O Decretolei n° 1.736/79 determinou a incidência dos juros de mora sobre o "valor originário" , definindo como "valor originário" o débito, excluídas apenas as parcelas relativas a correção monetária, juros de mora, multa de mora e encargo do DL 1.025/69. Ou seja, não previu a exclusão da multa de oficio. O art. 161 do CTN determina que o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, ressalvando apenas a pendência de consulta formulada dentro do prazo legal para pagamento do crédito. Seu § 1° determina que, se a lei não dispuser de forma diversa, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. No caso de multa por lançamento de oficio, seu vencimento é no prazo de 30 dias contados da ciência do auto de infração. Assim, o valor da multa lançada, se não pago no prazo de impugnação, sujeitase aos juros de mora. Além dos artigos 2° e 3° do DL 1.736/79, tratam dos juros de mora os seguintes dispositivos de leis ordinárias: Lei 8.383/91, art. 59; Lei 8.981/95, art. 13; Lei 9.430/96, art. 50, § 3°, art. 43, parágrafo único e art. 61, § 3 0; Lei n° 10.522/2002, (cuja origem foi a MP 1.621 31/98), arts. 29 e 30. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 14/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 14/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO Processo nº 10183.004214/200610 Acórdão n.º 210200.966 S2C1T2 Fl. 210 7 O artigo 61 da Lei 9.430/96 regula a incidência de acréscimos moratórios sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 01 de janeiro de 1997, não alcançando, pois, a multa por lançamento de oficio, uma vez que: (a) a multa não decorre do tributo, mas do descumprimento do dever legal de pagálo; (b) entendimento contrário implicaria concluir que sobre a multa de oficio incide a multa de mora. O artigo 30 da Lei 10.522/2002 determina a submissão, a partir de 1° de janeiro de 1997, a juros de mora calculados segundo a Selic, dos débitos cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994 e que não tenham sido objeto de parcelamento, e dos créditos inscritos na Dívida Ativa da União. Em síntese, em se tratando de débitos de tributos cujos fatos geradores ocorreram a partir de 1° de janeiro de 1995 só há dispositivo legal autorizando a cobrança de juros de mora à taxa SELIC sobre multa no caso de multa lançada isoladamente; não porém quando ocorrer a formalização da exigência do tributo acrescida da multa proporcional. Nesse caso, só podem incidir juros de mora à taxa de 1%, a partir do trigésimo dia da ciência do auto de infração, conforme previsto no § 1° do art. 161 do CTN. Nessa conformidade, temse que os juros de mora sobre a multa de ofício proporcional deve ficar limitados à taxa de 1% ao mês. Por fim, devese analisar a solicitação da defesa, formulada durante o julgamento da lide, de que a cobrança de juros de mora sobre a multa proporcional fosse calculada com base na menor taxa, ou seja, quando a taxa Selic fosse menor que 1% os juros exigidos seriam cobrados com base na taxa Selic. O argumento de que nos casos em que a taxa Selic venha a ser fixada em percentual menor do que 1% implicaria em agravamento da exigência, não pode prosperar. O conceito de agravamento da exigência está ligado às infrações imputadas ao contribuinte no lançamento e não aos acréscimos legais devidos. O agravamento da exigência decorre sempre de alterações das infrações ou de sua fundamentação. Já os acréscimos legais são decorrentes da infração e da data do pagamento, sendo certo que na data em que o contribuinte é cientificado do lançamento, ainda não se dispõe dos valores da taxa Selic que serão fixadas no futuro. Portanto, não há que se falar em agravamento, mas sim em definição de qual a legislação aplicável para o cálculo dos juros de mora incidentes sobre a multa proporcional. Destaquese que no Auto de Infração não consta que tais juros seriam cobrados à taxa Selic ou de 1% ao mês. A cobrança realizada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, com base na taxa Selic, advém tãosomente da interpretação da legislação, por parte dos agentes responsáveis pela cobrança do crédito tributário. Nestes termos, temse que os juros de mora incidentes sobre a multa proporcional é de 1% ao mês, sendo irrelevante para a determinação do quantum devido, qual o percentual fixado para a taxa Selic. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 14/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 14/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO 8 Ante o exposto, VOTO por afastar a preliminar de ilegitimidade passiva e, no mérito, DAR PARCIAL provimento ao recurso para reconhecer que sobre a multa de ofício proporcional devem incidir juros de mora à taxa de 1% ao mês. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Voto Vencedor O único ponto de dissenso entre a maioria e a minoria versou sobre a aplicação dos juros de mora à taxa de 1% a.m., apenas no tocante a eventual limite que tal incidência deve ter no caso concreto, pois não ela pode superar o total dos juros de mora que outrora a fiscalização imputou ao fiscalizado, à taxa Selic, visto de forma global. A justificativa para o posicionamento acima é bastante simples, como se mostra a seguir. Os juros de mora sobre a multa de ofício vinculada ao tributo lançado, capitalizados de forma simples à taxa de 1% a.m., quando computados de forma global, do mês seguinte ao vencimento da multa de ofício até o momento da extinção do crédito tributário, não podem ultrapassar a incidência global à taxa Selic outrora imputada ao fiscalizado pela autoridade autuante, sob pena da via administrativa vir a agravar a situação do recorrente, em recurso apenas deste, o que, como é cediço, é vedado, pois a autoridade julgadora não pode agravar a situação do recorrente em recurso voluntário. Dessa forma, a capitalização dos juros de mora de 1% a.m. sobre a multa vinculada no momento da extinção do crédito tributário lançado não poderá exceder ao critério outrora utilizado pela autoridade fiscal (juros de mora à taxa selic sobre a multa vinculada de ofício). É assim como voto. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos – Redator designado Fl. 8DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 14/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 14/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO
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