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Numero do processo: 11030.720709/2012-36
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011
SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO
O salário de contribuição, para os segurados empregados, se constitui na totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, incluindo os ganhos habituais sob a forma de utilidades.
A não incidência se limita ao estabelecido no § 9º do artigo 28, da Lei 8.212/91 que textualmente registra que exclusivamente as verbas listadas não integram o salário de contribuição.
EVENTUALIDADE. BÔNUS GERENCIAL. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO.
É eventual o pagamento efetuado pela empresa a título de bônus gerencial quando não caracterizado periodicidade ou habitualidade anual nos pagamentos.
No caso concreto, a ocorrência de três pagamentos mensais a título de bônus gerencial em um período de cinco anos evidencia a eventualidade de tais ganhos, razão pela qual não há que se falar de sua integração ao salário de contribuição e consequente incidência de contribuição previdenciária.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-002.243
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar da tributação a verba "Bônus Gerencial", vencido o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari. 2) Pelo voto de qualidade, manter a tributação do Bônus de Retenção,vencidos os conselheiros Marcelo Magalhães Peixoto, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Marcelo Freitas de Souza Costa. 3) Por maioria de votos, manter a tributação do Pacote de Indenização, vencidos os conselheiros Marcelo Magalhães Peixoto e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Designado para redigir o voto o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari.
Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Designado
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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A não incidência se limita ao estabelecido no § 9º do artigo 28, da Lei 8.212/91 que textualmente registra que exclusivamente as verbas listadas não integram o salário de contribuição. EVENTUALIDADE. BÔNUS GERENCIAL. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. É eventual o pagamento efetuado pela empresa a título de bônus gerencial quando não caracterizado periodicidade ou habitualidade anual nos pagamentos. No caso concreto, a ocorrência de três pagamentos mensais a título de bônus gerencial em um período de cinco anos evidencia a eventualidade de tais ganhos, razão pela qual não há que se falar de sua integração ao salário de contribuição e consequente incidência de contribuição previdenciária. Recurso Voluntário Provido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 72 07 09 /2 01 2- 36 Fl. 1009DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/08 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar da tributação a verba "Bônus Gerencial", vencido o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari. 2) Pelo voto de qualidade, manter a tributação do “Bônus de Retenção”,vencidos os conselheiros Marcelo Magalhães Peixoto, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Marcelo Freitas de Souza Costa. 3) Por maioria de votos, manter a tributação do “Pacote de Indenização”, vencidos os conselheiros Marcelo Magalhães Peixoto e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Designado para redigir o voto o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari. Carlos Alberto Mees Stringari – Presidente e Relator Designado Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Fl. 1010DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/08 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 11030.720709/201236 Acórdão n.º 2403002.243 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto em face do Acórdão nº. 1040.835, fls. 917/931, que julgou totalmente improcedente a Impugnação apresentada para manter a integralidade das imputações dispostas na autuação fiscal, representadas pelos seguintes DEBCAD`s. 1. AI DEBCAD nº. 51.010.9837, no valor de R$ 2.460.454,92 (dois milhões quatrocentos e sessenta mil quatrocentos e cinqüenta e quatro reais e noventa e dois centavos) relativos a parte patronal, incidente sobre remunerações pagas, devidas ou creditadas a segurados que prestaram serviço à empresa; 2. AI DEBCAD nº. 51.010.9845, no valor de R$ 349.461,55, (trezentos e quarenta e nove mil, quatrocentos e sessenta e um reais e cinqüenta e cinco centavos), para cobrança de contribuições sociais destinadas a outras entidades ou fundos – terceiros; As exigências fiscais compreendem as competências de 01/2009 a 12/2011, e se referem ao fato de ter o contribuinte efetuado pagamentos a seus empregados em razão de uma suposta participação nos resultados da empresa, assim como valores relativos a bônus de retenção e pacote de indenização, segundo o Relatório Fiscal de fls. 26/51, os fatos geradores se deram da seguinte forma, in verbis: 3. PROCEDIMENTO FISCAL (...) 3.2.2. Cumpre ressaltar que os autos supracitados englobam créditos tributários relativos: a) A pagamento de remuneração por meio da rubrica ‘PPR/Bônus Gerencial’; b) A pagamento de remuneração com utilização de empresa interposta; c) A pagamento de remuneração por meio de `Bônus de Retenção’’ d) A pagamento de remuneração por meio de ‘Pacote de Indenização’; (...) 3.5. FATOS VERIFICADOS QUE DERAM ORIGEM AOS LANÇAMENTOS Fl. 1011DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/08 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 Pagamento de remuneração por meio da rubrica “PPR/ Bônus Gerencial” 3.5.3. Os valores lançados pela fiscalização tiveram como base valores pagos, a título de Bônus Gerencial, aos empregados. Tais valores, embora transitando pela folha de pagamento, na rubrica 072 – PPR / Bônus Gerencial, foram enquadrados pela empresa como 8 – Não é Base de cálculo previdenciário. Sendo assim, não foram informados em GFIP e nem tiveram a respectiva contribuição previdenciária recolhida. (...) 3.5.6. Em resposta, a fiscalizada não enumerou a cláusula do ajuste sobre participação em lucros e resultados que previa a distribuição de bônus, limitandose a responder que concedeu bônus gerenciais aos seus executivos a título de liberalidade. 3.5.7. Outro fato que compra a desvinculação dos valores pagos na rubrica Bônus Gerencial do programa de participação nos lucros e resultados é que os trabalhadores listados acima também receberam valores na rubrica 013 – Participação nos Resultados paga a todos os trabalhadores da empresa, conforme demonstra o quadro abaixo: (...) 3.5.9. A verba paga aos segurados empregados a título de Bônus Gerencial deve integrar o salário de contribuição devido ao seu caráter contra prestacional pois corresponde claramente, a um bônus, que visa remunerar o empregado pelo seu desempenho nos resultados da empresa. (...) Pagamento de remuneração com utilização de empresa interposta 3.5.12. Da análise dos diversos documentos obtidos durante a ação fiscal, bem como da documentação apresentada pelo contribuinte, verificouse que não houve declaração em GFIP, nem incidência de contribuições sociais sobre fatos geradores relacionados às remunerações pagas a trabalhadores com a utilização de empresa interposta (PN ASSESSORIA E CONSULTORIA EMPRESARIAL LTDA). 3.5.13. A GSI BRASIL IND E COM DE EQUIPAMENTOS AGROPECUARIOS LTDA orquestrou uma série de fatos com o objetivo de remunerar os empregados Sr. Indo Erhardt e Se. Paulo Humberto Neumann sem incidência das contribuições previdenciárias. 3.5.14. (i) Em 04 de maio de 2009, o Sr. Paulo Humberto Neumann apresentou pedido de demissão do emprego à fiscalizada (ANEXO 02). 3.5.15. (ii) Em 15 de maio de 2009 é criada a empresa PN ASSESSORIA E CONSULTORIA EMPRESARIAL LTDA da qual o Sr. Paulo Humberto Neumann é o sócio administrador (ANEXO 03 e 04). Fl. 1012DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/08 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 11030.720709/201236 Acórdão n.º 2403002.243 S2C4T3 Fl. 4 5 3.5.16. (iii) A partir de maio de 2009, a remuneração do Sr. Ingo Erhardt foi reduzida conforme demonstra o quadro abaixo extraído da folha de pagamento da fiscalizada: (...) 3.5.17. (iv) De junho de 2009 a abril de 2010 a PN ASSESSORIA E CONSULTORIA EMPRESARIAL LTDA emite notas fiscais seqüenciais e presta serviços mensais exclusivamente à GSI BRASIL IND E COM DE EQUIPAMENTOS AGROPECUÁRIOS LTDA. Cópias das notas ficais demonstram que essas foram emitidas com numerações seqüenciais e exclusivamente para o sujeito passivo (ANEXO 05). 3.5.18. A análise das GFIP`s da PN ASSESSORIA E CONSULTORIA EMPRESARIAL LTDA revela que ela é unipessoal, o único trabalhador declarado em GFIP é o Sr. Paulo Humberto Neumann (ANEXO 06). Como tal empresa não possui empregados, os serviços foram prestados pessoalmente pelos próprios sócios. Constatouse, inclusive, a prestação de serviços por sócios que eram ou ainda são empregados da própria empresa contratante. (...) 3.5.25.Por outro lado, o outro sócio da PN ASSESSORIA E CONSULTORIA EMPRESARIAL LTDA (Sr. Ingo Erhardt) continuou com vínculo empregatício formal com a fiscalizada. Porém, teve a remuneração reduzida e como veremos a seguir passou a receber complementação salarial por meio da empresa interposta em comento. 3.5.26. Analisando os lançamentos contábeis (ANEXO 12), constatamos que o valor pago à PN ASSESSORIA E CONSULTORIA EMPRESARIAL LTDA subsistiuiu a redução da remuneração do Sr. Ingo Erhardt ( a redução foi em torno de R$ 40.000,00 e passou a receber por meio da empresa interposta R$ 46.000,00 em média) e a remuneração do Sr. Paulo Humberto Neumann (tinha uma remuneração em torno de R$ 24.000,00 e passou a receber por meio da empresa interposta R$ 28.000,00, em média) (...) Pagamento de remuneração por meio de Bônus de Retenção 3.5.34. O Bônus de Retenção revelase como um “prêmio” pela permanência do empregado na empresa durante determinado período de tempo, passado ou futuro, previamente pactuado, representando um acréscimo patrimonial para o beneficiário do pagamento. 3.5.37. Não houve tributação das contribuições previdenciárias sobre os respectivos valores Pagamento de remuneração por meio de Pacote de Indenização Fl. 1013DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/08 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 3.5.42. Da análise de diversos documentos obtidos durante a ação fiscal, bem como da documentação apresentada pelo contribuinte, verificouse que não houve declaração em GFIP, nem incidência de contribuições sociais sobre fatos geradores relacionados às remunerações pagas a trabalhadores que apesar de demitidos continuaram vinculados à fiscalizada como segurados empregados. 3.5.43. A GSI BRASIL E COM DE EQUIPARAMENTOS AGROPECUÁRIOS LTDA orquestrou uma série de fatos com o objetivo de remunerar os diretores e gerentes por meio de Pacote de Indenização sem incidência das contribuições previdenciárias. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a empresa contestou a autuação fiscal em epígrafe por meio do instrumento de fls. 730/761. DA DECISÃO DA DRJ Após analisar os argumentos da Recorrente, a 7ª Turma da Delegacia da Receita do Brasil de Julgamento em Porto Alegre/RS, DRJ/POA, prolatou o Acórdão n° 10 40.835, fls. 917/931, mantendo procedente o lançamento, conforme ementa que abaixo se transcreve, verbis: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011 PRODUÇÃO DE PROVAS. É de nenhum efeito o protesto genérico pela produção de provas. PROCURADOR. INTIMAÇÃO. As intimações devem ser feitas ao sujeito passivo, no domicílio tributário por ele eleito perante a Administração Tributária. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011 SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. Os pagamentos efetuados pela empresa a título de Bônus Gerencial, Bônus de Retenção e Pacote de Indenização, integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias e bem assim daquelas destinas a outras entidades e fundos, na medida em que não inseridos expressamente nas hipóteses de exclusão de incidência dessas exações. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido DO RECURSO Irresignada, a empresa interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário de fls. 940/959, requerendo a reforma do Acórdão da DRJ, utilizandose, afirmando em síntese que os Fl. 1014DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/08 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 11030.720709/201236 Acórdão n.º 2403002.243 S2C4T3 Fl. 5 7 valores pagos são eventuais e, portanto, não estão incluídos no conceito de salário de contribuição, assim como que a verba não é decorrente do trabalho caso se considere como participação nos resultados da empresa É o relatório. Fl. 1015DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/08 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 8 Voto Vencido Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme documento de fl. 940, temse que o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DO MÉRITO Analisando a matriz constitucional da Contribuição Previdenciária prevista no art. 195 da Constituição Federal, temos o que segue: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) b) a receita ou o faturamento; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) c) o lucro; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) II do trabalhador e dos demais segurados da previdência social, não incidindo contribuição sobre aposentadoria e pensão concedidas pelo regime geral de previdência social de que trata o art. 201; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) III sobre a receita de concursos de prognósticos. IV do importador de bens ou serviços do exterior, ou de quem a lei a ele equiparar. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003) Do exposto, verificase que o fato gerador das contribuições previdenciárias é a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício. As exceções à incidência da Contribuição Previdenciária estão elencadas no art. 28, parágrafo 9º da Lei 8.212/91, que trás, dentre eles, as seguintes hipóteses levantadas pelo recorrente e merecem análise: Fl. 1016DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/08 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 11030.720709/201236 Acórdão n.º 2403002.243 S2C4T3 Fl. 6 9 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...) e) as importâncias: (Alínea alterada e itens de 1 a 5 acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10.12.97 (...) 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). (...) No caso concreto, alega o recorrente que o pagamento foi eventual. A DRJ entende por caracterizada a habitualidade por constar nos Discriminativos Analíticos do Débito dos AI DEBCAD n. 37.340.8870, 37.340.8889, 51.010.9837, 51.010.9845, que os empregados receberam o Bônus Gerencial nas competências 03/2008, 04/2009 e 07/2009, caracterizando uma periodicidade, no mínimo, anual, o que caracteriza a uma habitualidade no pagamento. Entendo de forma diversa. O conceito de habitualidade é abstrato e dá margem à diversas interpretações, sobre o conceito, discorre Wladmir Novaes Martinez: A eventualidade tem como face inversa a habitualidade, que é um atributo de ser freqüente ou possuir a intenção de sêlo. A periodicidade define a habitualidade das parcelas; é significativo o espaçamento entre duas delas se compatível com a duração da vida profissional do obreiro. Créditos muito distantes podem ser periódicos. (WLADMIR NOVAES MARTINEZ, Curso de Direito Previdenciário, Tomo II – Previdência Social, p. 500) Fl. 1017DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/08 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 10 Para a doutrina administrativista, estarseia diante de um conceito indeterminado, ou fluido. A sua interpretação deve se dar contextualmente, em função da situação fática para com o conjunto normativo pátrio. Segundo Celso Antônio Bandeira de Mello: Com efeito, em primeiro lugar, temse que aceitar logicamente, por uma irrefragável imposição racional, que mesmo que os conceitos versados na hipótese da norma ou em sua finalidade sejam vagos, fluidos ou imprecisos, ainda assim têm algum conteúdo determinável, isto é, certa densidade mínima, pois, se não o tivessem não seriam conceitos e as vozes que os designam sequer seriam palavras. (...) Ora, as partes só entregam sua realidade exata quando se tem conhecimento do todo. Não é possível apreender o significado de uma parte, sem antes abrigar na mente ao menos uma noção do que seja o todo. Para invocar o mais tosco e rudimentar dos exemplos, basta pensa que ninguém conseguirá entender o que é mãe sem ter a idéia do que é braço; ninguém conseguirá entender o que é braço sem ter idéia do que é um corpo humano. Assim, agiria de modo estatuto quem pretendesse interpretar algum conceito normativo tomandoo desligamento do todo contextual de que faz parte. Esse todo contextual termina por adensar um pouco o que haja de fluidez nesse conceito, embora não elimine sempre, necessariamente e de modo completo, o campo de possíveis dúvidas. (Discricionariedade e Controle Jurisdicional, 2ª Edição, 11ª Tiragem, Malheiros, São Paulo/SP, 2012, p. 2831) Feitas essas considerações, percebo que, conforme informações constante no Mandado de Procedimento fiscal n. 10.1.04.00201100701, de 21 de novembro de 2011, o período verificado no procedimento fiscal foi de janeiro de 2007 a dezembro de 2011. Repitase, foi constatada a ocorrência de pagamento a título de bônus gerencial nos meses de março de 2008, abril de 2009 e julho de 2009. Afirma a DRJ que há periodicidade no mínimo anual. Fere o postulado da razoabilidade, afirmar que existe periodicidade anual para o caso em análise, tendo como parâmetro base temporal analisada pelo fiscal, em 05 (cinco) anos de apuração, apenas foi constatado o pagamento em 03 (três) meses, um em 2008 e outros dois 2009, apenas. PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AUXÍLIOESCOLAR. HABITUALIDADE. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO A FUNDAMENTO SUFICIENTE. SÚMULA 283/STF. 1. Parcelas eventuais não devem integrar o saláriode contribuição. 2. É inadmissível o recurso especial, quando a decisão recorrida assenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos eles (Súmula 283/STF). Fl. 1018DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/08 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 11030.720709/201236 Acórdão n.º 2403002.243 S2C4T3 Fl. 7 11 3. Recurso especial a que se nega provimento. (REsp 381407/RS, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 21/09/2004, DJ 25/10/2004, p. 213) Para caracterizar a habitualidade anual, estes pagamentos deveriam ter sido realizados não apenas nestes dois anos (em três meses), mas em entenderia por habitual o pagamento nos 04 (quatro) ou 05 (cinco) anos, descaracterizandoos como ganhos eventuais/abonos, para qualificálos como distribuição de lucros ou resultados. A partir desse quadro, têmse como eventuais os pagamentos realizados a título de bônus gerencial, em razão da eventualidade caracterizada. DO BÔNUS DE RETENÇÃO O bônus de retenção deve ser observado com cuidado, sob diversos aspectos, para que se possa ser considerado como parcela integrante da remuneração e portanto, integrantes do salário de contribuição. Para tanto, vejase as lições do Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues em capítulo do livro Contribuições Previdenciárias à luz da jurisprudência do CARF – Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, MP Editora, São Paulo, 2012, p. 206, in verbisi: (...) Em razão do exposto, concluise que, conceitualmente, o pagamento do bônus de retenção é realizado apenas quando o trabalhador manifesta a vontade de deixar a empresa, estando atrelado à obrigação de manutenção da relação trabalhista por determinado período de tempo, e à obrigação de ressarcir a empresa em caso de rompimento precoce do contrato, situações em que não se verifica a ocorrência de fatos geradores das contribuições previdenciárias, por ausência de caráter remuneratório e de habitualidade no recebimento dessas verbas pelo trabalhador. Por outro lado, considerando as diversas situações que podem ser verificadas na execução deste tipo de contrato, e as inúmeras peculiaridades que elas podem conter, como exposto acima, há a possibilidade de serem encontrados os elementos aptos a ensejar a incidência das contribuições previdenciárias sobre os pagamentos feitos sob a denominação de bônus de retenção. (...) Roberto Quiroga Mosquera e Maria Isabel Tostes da Costa Bueno também tratam do tema, em capítulo do livro “Grandes Questões Atuais do Direito Tributário”, 14º Volume, Dialética, Coordenado por Valdir de Oliveira Rocha, in verbis: Outro exemplo é o bônus de retenção do executivo no negócio até uma determinada data, após a qual ele estará liberado para buscar outra colocação. Em casos onde houve negociação da empresa, mudança de controle, pode ocorrer que a nova gestão necessite de pessoas consideradas estratégicas no negócio para Fl. 1019DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/08 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 12 auxiliar na transição. E que tais pessoas não desejassem se manter no negócio, e desejassem buscar outra colocação. O estímulo para que os administradores ou técnicos entendidos como "chave" no negócio se mantenham na empresa e auxiliem nessa transição é dado pelo pagamento do bônus de retenção. Não há retributividade, já que o trabalho do executivo continuará a ser pago pela sua remuneração acertada em contrato, aí incluída até a hipótese do pagamento de um bônus de performance. Também não se vislumbra habitualidade a ensejar a incidência das contribuições previdenciárias. A auditoria fiscal montou um quadro de acordos de pagamento de bônus de retenção, a partir dos documentos obtidos da empresa, que pode ser reproduzida conforme o quadro abaixo, com a inclusão da data em que foi pago o referido bônus, conforme fl. 623: Nome Data da Celebração Acordo Data Demissão Bônus Data de pagamento do Bônus Alex Correa Borges 16/12/2009 06/05/2010 26.456,00 31/05/2010 Ingo Erhardt 16/12/2009 26/03/2010 268.783,20 30/04/2010 José Roberto Leimontas 16/12/2009 19/02/2010 22.641,66 26/02/2010 Mauricio Crippa 16/12/2009 04/03/2010 60.000,00 31/03/2010 Paulo Humberto Neumann 16/12/2009 04/05/2009 132.054,80 30/04/2010 Selvino Paula Malheiros 16/12/2009 04/08/2010 30.000,00 31/05/2010 Em suas razões recursais, o recorrente argumentou que o acordo celebrado foi, na verdade, uma contratação por prazo determinado – 18 meses, e em caso de rescisão do contrato, o pagamento da indenização pela perda de oportunidades e rescisão de contratos de trabalho seria devida, conforme prescreve o art. 479 da CLT. No entanto, não merece acolhimento a alegação, uma vez que se tratava de empregados contratados por prazo indeterminado. Os contratos por prazo determinado são exceções à regra, em hipóteses bastante limitadas, definidas no art. 443 da CLT, in verbis: Art. 443 O contrato individual de trabalho poderá ser acordado tácita ou expressamente, verbalmente ou por escrito e por prazo determinado ou indeterminado. § 1º Considerase como de prazo determinado o contrato de trabalho cuja vigência dependa de termo prefixado ou da execução de serviços especificados ou ainda da realização de certo acontecimento suscetível de previsão aproximada. (Parágrafo único renumerado pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) § 2º O contrato por prazo determinado só será válido em se tratando: (Incluído pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) a) de serviço cuja natureza ou transitoriedade justifique a predeterminação do prazo; (Incluída pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) Fl. 1020DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/08 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 11030.720709/201236 Acórdão n.º 2403002.243 S2C4T3 Fl. 8 13 b) de atividades empresariais de caráter transitório; (Incluída pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) c) de contrato de experiência. (Incluída pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) Além das exceções acima, o contrato por prazo determinado pode ser realizado na forma da Lei 9.601/98, que não se aplica também à exclusão da hipótese de incidência da contribuição previdenciária, qual seja, a indenização que trata o art. 479 da CLT, pois aos acordos e convenções realizados conforme a Lei 9.601/98 não se aplica o art. 479. Art. 1º As convenções e os acordos coletivos de trabalho poderão instituir contrato de trabalho por prazo determinado, de que trata o art. 443 da Consolidação das Leis do Trabalho CLT, independentemente das condições estabelecidas em seu § 2º, em qualquer atividade desenvolvida pela empresa ou estabelecimento, para admissões que representem acréscimo no número de empregados. § 1º As partes estabelecerão, na convenção ou acordo coletivo referido neste artigo: I a indenização para as hipóteses de rescisão antecipada do contrato de que trata este artigo, por iniciativa do empregador ou do empregado, não se aplicando o disposto nos arts. 479 e 480 da CLT; Ademais, percebese que além da inaplicabilidade do art. 479, o acordo realizado foi informal, não se tratando de acordo coletivo de trabalho, por ausência de participação sindical, na forma do art. 613 da CLT. Portanto, o bônus de retenção não se confunde com a indenização decorrente do termo antecipado do contrato de trabalho. O bônus de retenção, conforme acima relatado é pago não em contraprestação ao trabalho do obreiro, mas sim para incentiválo a continuar no emprego ao qual ele ocupa por um determinado período, para que possa, assim, posteriormente buscar outro caminho profissional a percorrer. Outrossim, não há como afirmar que há contraprestação ao trabalho, assim como não houve, no caso concreto, habitualidade no pagamento, tendo em vista que o montante foi pago uma única vez, apesar de a característica principal do bônus de retenção ser o cumprimento do prazo de retenção do colaborador. Logo, independentemente da natureza a qual o pagamento foi efetuado, por ter sido realizado uma única vez, está o importe albergado pela exceção do art. 28, parágrafo 9º, “e” 7 da Lei 8.212/91. DO PACOTE DE INDENIZAÇÃO – QUARENTENA Afirma o fiscal que há incidência de contribuições sociais sobre fatos geradores relacionados às remunerações pagas a trabalhadores que apesar de demitidos continuaram vinculados à fiscalizada como segurados empregados, por preencherem os requisitos de pessoalidade, não eventualidade, onerosidade e subordinação. Fl. 1021DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/08 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 14 A subordinação foi constatada em razão de algumas cláusulas de acordos assinados, in verbis: 1.3. Fica entendido que o Empregado auxiliará na transição tranqüila e regular para o novo presidente e gerente geral e auxiliará o novo presidente e gerente geral em seus esforços para atingir os objetivos comerciais da Companhia durante o Período de Retenção. 4.1. (...) de acordo com as seguintes condições (...): A – (...) e em contraprestação o Empregado prestará serviços de Consultoria conforme previsto neste instrumento. (...) B – (...) O Empregado comprometese a estar disponível para auxiliar a Companhia em qualquer litígio, mesmo após ter aceitado um outro cargo em período integral. C – O Empregado concorda com as seguintes restrições durante o Período de Rescisão: Não Concorrência, Não Aliciamento, Não Depreciação e Não Ação Judicial contra qualquer empresa controladora ou subsidiária do Grupo GSI, incluindo a Companhia, conforme previsto na Cláusula 5. (...) 5. Convenções Restritivas. No entanto, as cláusulas acima referidas, que trariam a conclusão de que haveria prestação de serviços por parte dos empregados, nestas condições prestados, independentemente do nome a que as partes tenham dado, podem ser refutados por cláusulas constantes nos termos de quitação e dispensa. Tais documentos estão presentes nas folhas de número 555 (Ingo Erhardt), 571 (Roberto Leimontas), 588 (Maurício Crippa) Fl. 605 (Paulo Neumann). Não há nos autos provas de dispensa da contraprestação consultiva dos Srs. Alex Correa Borges e do Sr. Selvino Paula Malheiros. Com relação a Ingo Erhardt e Paulo Humberto Neumann, a DRJ não considerou que houve a dispensa da consultoria decorrente do pacote de indenizações em razão da previsão da carta enviada pela empresa condicionar a dispensa a um aceite expresso por parte do exempregado. Entretanto, apesar de não haver prova do aceite expresso, há de destacar que Ingo Erhardt e Paulo Humberto Neumann constituíram uma empresa para prestação de serviços a GSI, a PN ASSESSORIA, que realizou serviços, mediante emissão de notas fiscais no período de maio de 2009 à abril de 2010, e tendo sido a carta de dispensa apresentada no mês de maio de 2010, concluise que houve a cessação dos serviços de consultoria demonstrando, portanto, um aceite. Diante do exposto, subsistiram apenas os deveres negativos do acordo celebrado, quais sejam: Não aliciamento de negócios ou contratos da Companhia, venda de produto ou serviço concorrente a Companhia, abdicação do trabalho direta ou indiretamente a qualquer organização concorrente, dentre outros, constantes na cláusula 5. Convenções Restritivas do acordo de retenção e indenização. Fl. 1022DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/08 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 11030.720709/201236 Acórdão n.º 2403002.243 S2C4T3 Fl. 9 15 Concluise assim, que a indenização aqui tratada não está relacionada ao trabalho, ou seja, não é contraprestacional, mas sim, indenizatória das obrigações assumidas pelo antigo empregado. Temse portanto, uma indenização por quarentena. Acerca deste tipo de negociação, leciona o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, na mesma obra acima indicada, fls. 206/208, in verbis: Como característica fundamental do pagamento da indenização por quarentena, temse que o colaborador sequer estará laborando na empresa ou à disposição desta, não há como se notar qualquer retribuição por trabalho prestado. Não obstante, dúvidas podem surgir ao tentar atrelar o pagamento da indenização por quarentena à efetiva necessidade do afastamento, em contrapartida com a possibilidade de essas verbas se referirem a período em que o trabalhador laborava em companhia. Nesse sentido, a existência de contrato expondo as obrigações assumidas pelo excolaborador, bem como, ainda que de modo geral, os fatores que motivaram a realização deste tipo de pagamento, sejam eles relativos à proteção de estratégias comerciais ou processos de desenvolvimento de marcas e produtos, podem auxiliar na averiguação da natureza (se remuneratória) do pagamento deste tipo de verba. Com relação ao segundo aspecto da incidência das contribuições previdenciárias, como o pagamento da indenização por quarentena deverá ocorrer apenas uma vez, por ocasião da rescisão do contrato de trabalho, não é possível constatar qualquer habitualidade. Posto isso, vislumbrase que a indenização por quarentena, via de regra, não deve se sujeitar à incidência das contribuições previdenciárias, por não representar remuneração por trabalho prestado, bem como por não ser verba paga com habitualidade. Diante do presente fenômeno, temse que não há incidência de contribuições previdenciárias uma vez que: a) não há mais vínculo trabalhista entre o empregado e o empregador; b) não há prestação de um serviço, tampouco tempo à disposição do empregador; c) não há habitualidade. No sentido de que não incidem contribuições previdenciárias sob valores pagos a título de indenizações, apesar de ser de fácil conhecimento, colacionase precedente do Superior Tribunal de Justiça, acerca da matéria (verba indenizatória), in verbis: AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. AVISO PRÉVIO INDENIZADO. NATUREZA INDENIZATÓRIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NÃO INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DO STJ. VERBETE N. 83 DA SÚMULA DO STJ. Conforme jurisprudência assente nesta Corte, o aviso prévio indenizado possui natureza indenizatória, não incidindo sobre ele contribuição previdenciária. Fl. 1023DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/08 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 16 Agravo regimental improvido. (AgRg no REsp 1220119/RS, Rel. Ministro CESAR ASFOR ROCHA, SEGUNDA TURMA, julgado em 22/11/2011, DJe 29/11/2011) Nesse mesmo sentido: AgRg no Resp 1.218.883 e Resp nº 1.221.665 e 1.218.797. Portanto, não há que se falar em incidência de contribuição previdenciária sob esta rubrica. DA REMUNERAÇÃO À SUPOSTA EMPRESA INTERPOSTA – DO PARCELAMENTO Conforme narrado nos fatos do relatório do presente voto, a auditoria fiscal analisou diversos documentos e concluiu que a recorrente teria orquestrado uma série de fatos com o objetivo de remunerar os empregados Ingo Erhardt e Paulo Humberto Neumann sem incidência das contribuições previdenciárias. Conclui o auditor fiscal, in verbis: 3.5.30. No caso em comento, percebese claramente a existência de simulação nos negócios jurídicos celebrados entre a GSI BRASIL IND E COM DE EQUIPAMENTOS AGROPECUÁRIOS LTDA e a empresa interposta – PN ASSESSORIA E CONSULTORIA EMPRESARIAL LTDA. Desse modo, a relação de emprego era mascarada e a GSI BRASIL IND E COM DE EQUIPAMENTOS AGROPECUARIOS LTDA burlava o fisco não declarando, nem recolhendo corretamente tributos devidos. No entanto, apesar de existir esse levantamento, a recorrente optou por incluir estes débitos em parcelamento, ensejando o desmembramento no processo n. 11030 000.217/201221, em 08/06/2012, conforme se percebe do documento de fls. 961/974, razão pela qual, não será abordado o seu mérito. CONCLUSÃO Do exposto, conheço do recurso voluntário para, no mérito, dar provimento. Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 1024DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/08 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 11030.720709/201236 Acórdão n.º 2403002.243 S2C4T3 Fl. 10 17 Voto Vencedor Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari – Redator Designado Manifesto neste voto exclusivamente meu posicionamento acerca das rubricas “Bônus de Retenção” e “Pacote de Indenização”. Inicio manifestando entendimento geral acerca da incidência da contribuição previdenciária, com ênfase na Lei 8.212/91, que instituiu o Plano de Custeio da Seguridade Social. A regra geral estabelecida pela legislação é a da tributação da totalidade dos rendimentos do trabalho. A base de cálculo das contribuições previdenciárias, é bastante abrangente, conforme se depreende do artigo 195 da Constituição Federal de 1988: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional n° 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional n° 20, de 1998) A Lei 8.212/91, que institui o Plano de Custeio da Previdência Social, no inciso I do artigo 28 da Lei 8212/91 conceitua o salário de contribuição, para os segurados empregados, como sendo a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, incluindo os ganhos habituais sob a forma de utilidades: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei n° 9.528, de 10.12.97) Fl. 1025DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/08 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 18 A não incidência se limita ao estabelecido no § 9º do acima citado artigo 28, que, textualmente registra que exclusivamente as verbas listadas não integram o salário de contribuição. § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: a) os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o saláriomaternidade;(Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). b) as ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973; c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; d) as importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do TrabalhoCLT;(Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). e) as importâncias: 1. previstas no inciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; 2. relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de ServiçoFGTS; 3. recebidas a título da indenização de que trata o art. 479 da CLT; 4. recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei nº 5.889, de 8 de junho de 1973; 5. recebidas a título de incentivo à demissão; 6. recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 8. recebidas a título de licençaprêmio indenizada; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 9. recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei nº 7.238, de 29 de outubro de 1984; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). f) a parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; ... Fl. 1026DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/08 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 11030.720709/201236 Acórdão n.º 2403002.243 S2C4T3 Fl. 11 19 Quanto ao Bônus de Retenção, devido para a permanência do empregado na empresa, entendo evidente o caráter contra prestacional e a vinculação ao salário (cláusula 2.1). Entendo tais elementos suficientes para estabelecer tal rubrica como sujeita à tributação. Quanto ao Pacote de Indenização, Conforme contratado, mesmo demitidas, as pessoas continuavam a receber o correspondente ao salário mensal e se mantinham obrigadas com a empresa devendo prestar serviço de consultoria, auxiliar a empresa em qualquer litígio, não poderiam vender qualquer produto ou serviço de concorrente, era vedado trabalhar “como empregado, consultor, contratado, agente ou de outro modo”, bem como prestar serviços, “direta ou indiretamente, a qualquer organização concorrente em qualquer país ou território”, etc. Entendo que as pessoas estavam a disposição da empresa e eram remuneradas por isso, sendo correta a tributação. CONCLUSÃO Voto por manter a tributação incidente sobre as rubricas “Bônus de Retenção” e “Pacote de Indenização”. Carlos Alberto Mees Stringari. Fl. 1027DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/08 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
score : 1.0
Numero do processo: 13839.900648/2009-13
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/03/2000 a 31/03/2000
NORMAS PROCESSUAIS. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO OU OBSCURIDADE. NÃO OCORRÊNCIA.
A não configuração das hipóteses previstas no art. 65 do Regimento Interno do CARF impede o acolhimento dos embargos de declaração. Inexistência de omissão, contradição ou obscuridade.
Embargos Rejeitados
Numero da decisão: 3801-004.225
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar os embargos de declaração nos termos do voto do relator. Antecipado o julgamento para o dia 19 de agosto de 2014 a pedido do recorrente.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/03/2000 a 31/03/2000 NORMAS PROCESSUAIS. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO OU OBSCURIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. A não configuração das hipóteses previstas no art. 65 do Regimento Interno do CARF impede o acolhimento dos embargos de declaração. Inexistência de omissão, contradição ou obscuridade. Embargos Rejeitados Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar os embargos de declaração nos termos do voto do relator. Antecipado o julgamento para o dia 19 de agosto de 2014 a pedido do recorrente. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 90 06 48 /2 00 9- 13 Fl. 217DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13839.900648/200913 Acórdão n.º 3801004.225 S3TE01 Fl. 218 2 Relatório O contribuinte com fulcro no art. 65, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF opõe embargos de declaração em face do Acórdão proferido pela Primeira Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento do CARF cuja ementa é a seguinte: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CREDITO TRIBUTÁRIO NÃO COMPROVAÇÃO Compete àquele quem pleiteia o direito o ônus da sua comprovação, devendo ser indeferido pedido de compensação que se baseia em mera alegação de crédito sem trazer aos autos prova da origem e liquidez do mesmo. A Embargante alega omissão e contrariedade, pois apresentou planilhas demonstrativas da origem do crédito e em todas as suas manifestações nos presentes autos, inclusive nas razões de Recurso Voluntário, expressamente consignou que todas as notas fiscais de venda à ZFM estão e sempre estiveram à disposição das Ilustres Autoridades da Administração Tributária Federal, muito embora jamais tenham sido por elas requeridas, não havendo que se falar em ausência de provas. Acrescenta que nesta oportunidade apresenta como Doc. 04 (anexo) o arquivo magnético contendo as notas fiscais de venda para a ZFM do período em voga nos presentes autos, com fundamento no princípio da verdade material, que norteia o processo administrativo fiscal. Por fim, requer que sejam os embargos de declaração recebidos e acolhidos, para que seja reconhecido o direito creditório da Embargante, para o fim de reformar a r. decisão recorrida, a fim de que seja homologada a compensação efetuada. O Presidente da Turma admitiu os presentes embargos. É o que importa relatar. Fl. 218DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13839.900648/200913 Acórdão n.º 3801004.225 S3TE01 Fl. 219 3 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl. Conheço dos presentes embargos porquanto tempestivos, entretanto ao mesmo não dou provimento. Conforme apontado o foi negado provimento ao recurso voluntário tendo em vista que a Recorrente limitouse a apresentar uma planilha indicativa dos supostos valores recolhidos à maior, sendo certo de que referida documentação não possuía o condão de conferir a liquidez e a certeza necessárias ao deferimento da compensação. Agora, em sede de Embargos a Recorrente reafirma que na planilha juntada “encontramse suficientemente comprovadas as vendas de mercadorias à Zona Franca de Manaus, evidenciandose, também, o indevido recolhimento da COFINS em relação às receitas oriundas dessas vendas.”, afirmando, ainda, que as notas fiscais sempre estiveram à disposição da autoridade, “tanto é que a Embargante apresenta como Doc. 04 (anexo) o arquivo magnético contendo as notas fiscais de venda para a ZFM do período em voga nos presentes autos”. O que ficou evidenciado é que no momento do julgamento as referidas notas não estavam juntadas nos autos e que de fato não haviam provas que pudessem autorizar a compensação, tanto é que a Embargante fêlas juntar em sede de Embargos. Entretanto, em que pese a juntada desses documentos, estes foram juntados a destempo e não havia no acórdão embargado qualquer omissão ou obscuridade que autorizassem alterações via embargos. Nesse sentido, conheço dos embargos e por não haver qualquer omissão ou obscuridade no acórdão recorrido os rejeito. É como voto. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator Fl. 219DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 13702.000699/2002-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3302-000.434
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE GOMES - Relator.
EDITADO EM: 08/09/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Paulo Guilherme Deroulede, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto (ausente momentâneamente).
RELATÓRIO
Nome do relator: Não se aplica
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Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator. EDITADO EM: 08/09/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Paulo Guilherme Deroulede, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto (ausente momentâneamente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 37 02 .0 00 69 9/ 20 02 -1 2 Fl. 100DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 13702.000699/200212 Resolução nº 3302000.434 S3C3T2 Fl. 100 2 RELATÓRIO Por bem retratar a matéria tratada no presente processo, transcrevo o relatório produzido pela DRJ de Juiz de Fora/MG: Tratase de Auto de Infração eletrônico (fls. 14/18) decorrente do processamento da DCTF referente ao trimestre quarto de 1997, exigindo crédito tributário no valor total de R$ 61.122,16, sendo R$ 28.590,86 de IPI; R$ 21.443,15 de multa de ofício (75%, passível de redução); e, R$ 11.088,15 de juros de mora (cálculos válidos até 30/06/2002). Os débitos exigidos referemse aos decêndios 01/10/1997 (R$ 7.940,81) e 02/12/1997 (R$ 20.650,05). Segundo a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal constante do Auto de Infração, o lançamento decorreu de “FALTA DE RECOLHIMENTO OU PAGAMENTO DO PRINCIPAL, DECLARAÇÃO INEXATA, conforme Anexo III”, tendo em vista débito vinculado em DCTF a “Compensação s/ DARF – Outros – PAF” cujo processo informado se trata de Processo de Outro Débito [fl. 16] e, também, débito vinculado a Pagamento Não Localizado [fl. 17]. A ciência do lançamento ocorreu em 12/06/2002, cf. AR fl. 28. Contra o lançamento foi apresentada em 26/06/2002 a impugnação de fl. 03, na qual o sujeito passivo alega, em síntese, que o débito no valor de R$ 7.940,81 fora recolhido e o débito no valor de R$ 20.650,05 fora objeto de compensação através do processo nº 13702.000617/9784. Para comprovar o alegado juntou à fl. 23 a cópia do DARF e às fls. 24/25 a cópia do Pedido de Compensação. Em face da apresentação do pagamento não localizado pelos sistemas de controle da RFB, no valor de R$ 7.940,81 [fl. 23] e constatando a sua disponibilidade no sistema, procedeu a DRF de origem à revisão de ofício do lançamento efetivado, por meio do Despacho de Revisão de fl. 59 e despachos de instrução de fl. 58, considerando improcedente o lançamento do débito discriminado no Anexo I do auto de infração [PA 01/10/1997, valor R$ 7.940,81], mantendose somente o lançamento atinente ao Anexo I do auto de infração [PA 11/12/1997, valor R$ 20.650,05] a ser apreciado por esta DRJ. Nestes termos vieram os autos a esta DRJ para apreciação. É o relato. Passo ao voto. A par dos argumentos lançados na Impugnação apresentada, a DRJ entendeu por bem manter em parte o lançamento em decisão que assim ficou ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 11/12/1997 a 20/12/1997 DÉBITOS DECLARADOS. COMPENSAÇÃO NÃO COMPROVADA. EXIGIBILIDADE. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 13702.000699/200212 Resolução nº 3302000.434 S3C3T2 Fl. 101 3 Não comprovada a alegada compensação dos débitos exigidos mediante lançamento de ofício, e constituindo o lançamento ato perfeito segundo a norma vigente à época em que efetivado, há de se manter a exigência. IIDÉBITOS DECLARADOS EM DCTF. PENALIDADE. DESCABIMENTO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Constituindo a DCTF instrumento de confissão de dívida hábil e suficiente à exigência do crédito tributário, nos termos do artigo 5º do Decreto 2.124/84, e, por força do disposto no art. 18 da Lei n.º 10.833/2003, com as alterações posteriores, e da retroatividade benigna estabelecida no art. 106 do CTN, é incabível a aplicação da multa de ofício em conjunto com tributo ou contribuição espontaneamente declarados em DCTF. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Contra esta decisão foi apresentado Recurso onde são reprisados os argumentos lançados na manifestação de inconformidade apresentada É o relatório. VOTO Conselheiro ALEXANDRE GOMES O presente Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os demais requisitos e dele tomo conhecimento. A respeito do débito remanescente neste processo, a Recorrente alega que efetuou a sua compensação no âmbito do processo nº nº 13702.000617/9784. A DRJ assim delimitou a matéria sob análise, qual seja, a efetiva compensação dos débitos declarados em DCTF como compensados: Por intermédio do despacho de instrução de fl. 53 a DICAT/DEMAC/RJO informa que “após análise do processo 13702.000617/9784 verificamos que no mesmo não consta o pedido de compensação apresentado pelo contribuinte as fls. 19 e que o débito, no valor de R$ 20.650,05 portanto, não foi compensado naquele processo”. Consulta ao Extrato do Processo nº 13702.000617/9784, anexado, nesta data, ao presente processo por esta Relatora, revela que, de fato, o débito do IPI relativo ao PA 11/12/ 1997 [segundo decêndio de dezembro/1997], vencimento 30/12/1997, valor R$ 20.650,05, não consta discriminado entre os débitos objeto de compensação naquele processo. Em seu Recurso Voluntário, a Recorrente reafirma que efetuou a compensação do débito lançado e junta novamente seu pedido de compensação (abaixo), onde estaria inserido o débito aqui cobrado. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 13702.000699/200212 Resolução nº 3302000.434 S3C3T2 Fl. 102 4 Alega que as autoridades não se manifestaram sobre a existência ou não do pedido acima destacado. Apenas se limitaram a informar que o processo nº 13702.000617/97 84 (Processo do Crédito) não estava vinculado o débito discutido. A prova trazida pela Recorrente não foi analisada e nem desconstituída pelas autoridades que analisaram o processo até este momento. A Recorrente alega que houve a homologação tácita da compensação informada, já que até a apresentação do Recurso Voluntário (29/02/2012) não havia sido intimada de decisão no processo de compensação. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 13702.000699/200212 Resolução nº 3302000.434 S3C3T2 Fl. 103 5 Diante destas informações, pareceme necessário baixar o processo em diligência para que a autoridade preparadora informe a este colegiado sobre: a) o destino dado ao pedido de compensação acima copiado, se foi recepcionado pela Receita Federal; b) se houve análise de seu conteúdo, e se positiva a resposta, quando esta análise ocorreu bem como o ser resultado; e, c) a existência de outras informações que ajudem o bom deslinde deste processo. A Recorrente deve ser intimada para que se manifeste a respeito das respostas efetuadas. Por fim, retornem os autos a este colegiado para prosseguiste do julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator Fl. 104DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE GOMES
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Numero do processo: 10140.720589/2012-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Aug 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2009 a 31/12/2010
EMPREGADOR RURAL PESSOA JURÍDICA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE A RECEITA DA COMERCIALIZAÇÃO DE SUA PRODUÇÃO. LEI Nº 8.870/94.
A contribuição do empregador rural pessoa Jurídica que se dedique à produção rural, destinada à Seguridade Social e ao financiamento das prestações por acidente do trabalho, em substituição à prevista nos incisos I e II do art. 22 da Lei no 8.212/91, é de 2,5 % e 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção, respectivamente, nos termos do art. 25 da Lei nº 8.770/94, com a redação dada pela Lei nº 10.256/2001.
PRODUTO RURAL PESSOA FÍSICA SUB-ROGAÇÃO
A empresa adquirente fica sub-rogada nas obrigações do produtor rural pessoa física com empregados e do segurado especial, relativas ao recolhimento da contribuição incidente sobre a comercialização da produção rural estabelecida no art. 25 da Lei n° 8.212/1991, na redação dada pela Lei nº 10.256/2001.
INCONSTITUCIONALIDADE.
A inconstitucionalidade declarada pelo STF no Recurso Extraordinário nº 363.852 não produz efeitos aos lançamentos de fatos geradores ocorridos após a Emenda Constitucional nº 20/98.
INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais- CARF não é competente para afastar a aplicação de normas legais e regulamentares sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula CARF n.º 02
Recurso de Ofício Negado
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-003.289
Decisão: Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso de Ofício, que retificou o lançamento quanto a valores lançados a maior. Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os Conselheiros Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leonardo Henrique Pires Lopes, que entenderam não incidir a contribuição previdenciária sobre a produção rural adquirida de produtor rural pessoa física.
Fez sustentação oral: Dilson Gerent OAB/RS 22.484
Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, André Luís Mársico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Juliana Campos de Carvalho Cruz.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE A RECEITA DA COMERCIALIZAÇÃO DE SUA PRODUÇÃO. LEI Nº 8.870/94. A contribuição do empregador rural pessoa Jurídica que se dedique à produção rural, destinada à Seguridade Social e ao financiamento das prestações por acidente do trabalho, em substituição à prevista nos incisos I e II do art. 22 da Lei no 8.212/91, é de 2,5 % e 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção, respectivamente, nos termos do art. 25 da Lei nº 8.770/94, com a redação dada pela Lei nº 10.256/2001. PRODUTO RURAL PESSOA FÍSICA SUBROGAÇÃO A empresa adquirente fica subrogada nas obrigações do produtor rural pessoa física com empregados e do segurado especial, relativas ao recolhimento da contribuição incidente sobre a comercialização da produção rural estabelecida no art. 25 da Lei n° 8.212/1991, na redação dada pela Lei nº 10.256/2001. INCONSTITUCIONALIDADE. A inconstitucionalidade declarada pelo STF no Recurso Extraordinário nº 363.852 não produz efeitos aos lançamentos de fatos geradores ocorridos após a Emenda Constitucional nº 20/98. INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF não é competente para afastar a aplicação de normas legais e regulamentares sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula CARF n.º 02 Recurso de Ofício Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 72 05 89 /2 01 2- 67 Fl. 607DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/08/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Recurso Voluntário Negado Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso de Ofício, que retificou o lançamento quanto a valores lançados a maior. Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os Conselheiros Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leonardo Henrique Pires Lopes, que entenderam não incidir a contribuição previdenciária sobre a produção rural adquirida de produtor rural pessoa física. Fez sustentação oral: Dilson Gerent OAB/RS 22.484 Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, André Luís Mársico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Juliana Campos de Carvalho Cruz. Fl. 608DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/08/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10140.720589/201267 Acórdão n.º 2302003.289 S2C3T2 Fl. 608 3 Relatório Trata o presente Processo Administrativo Fiscal dos seguintes Autos de Infração de Obrigação Principal, lavrados e cientificados ao sujeito passivo em 23/04/2012, AIOP DEBCAD 51.008.8945 , relativos às contribuições previdenciárias incidentes sobre a comercialização da produção rural própria (gado bovino para abate), bem como da adquirida de terceiros pessoas físicas (gado bovino e produtos agrícolas destinado a alimentação animal), no período de 05/2009 a 12/2010 e AIOP DEBCAD 51.008.8953, relativo às contribuições arrecadadas para o SENAR sobre as mesmas bases e período. O Relatório Fiscal de fls. 31/35, traz que: 5.1.2 – Conforme análise dos documentos apresentados pelo contribuinte, verificouse que a atividade principal do contribuinte é a “ criação de gado bovino para corte”. 5.1.3 – Em decorrência da atividade exercida, o contribuinte está obrigado ao pagamento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a comercialização de produtos rurais (entradas de pessoa física e saídas). 5.1.4 Analisando as informações prestadas pelo contribuinte (registros contábeis, notas fiscais de entradas e saídas, DAP – Declaração Anual de Produtor Rural), 5.2.5 – Apurouse também que os valores desta comercialização não foram informados na GFIP – Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações a Previdência Social. 5.2.6 – Foram anexados neste Processo Fiscal o relatório DAP – Demonstrativo Anual de Produtor Rural, Planilha I – Comercialização de Bovinos e Planilha II – Relação de Notas Fiscais de Entrada (milho e caroço de algodão). Na impugnação o contribuinte alega, dentre outras considerações, que "o Fisco considerou como entradas de gado bovino, um conjunto de operações vinculadas às parcerias, que, como se sabe, não se trata de aquisição de terceiros, as simples entrada de gado para engorda e devolução ao parceiro" e quanto ao levantamento "AR MILHO E CAROÇO DE ALGODÃO", diz que mais de 89% (oitenta e nove por cento) das aquisições foram feitas de pessoas jurídicas, devendo estas, portanto, serem excluídas do lançamento. Diz que examinou cada nota fiscal que embasou o levantamento e junta comprovação de suas alegações com planilhas detalhadas sobre o assunto. Frente aos argumentos exposto, os autos foram baixados em diligência para que o Fisco se pronunciasse quanto aos documentos e alegações do contribuinte. Às fls. 512/515, o Auditor Fiscal autuante se pronunciou pela retificação parcial do crédito lançado, segundo discriminativo que consta da própria informação fiscal. Fl. 609DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/08/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 O contribuinte foi cientificado do resultado da diligência manifestouse para dizer que as bases do lançamento deveriam ser alteradas como acatado pelo auditor fiscal, frente às suas considerações. Acórdão de fls. 525/543, julgou o lançamento procedente em parte, para acatar a retificação proposta pelo Fisco e excluir do lançamento os valores impugnados pela recorrente e que se mostraram improcedentes. Ato contínuo, recorreu de ofício de sua decisão frente ao valor exonerado, conforme disposto pela Portaria n.º 3, que fixou o limite para recorrer de ofício em R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Ainda inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, alegando em síntese: a) que a autoridade administrativa tem o poder e o dever de decidir de acordo com a Constituição Federal e o RICARF estabelece que as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF devem ser seguidas por seus conselheiros; b) que a matéria constitucional deve ser examinada também na esfera administrativa; c) que não incide contribuição para o SENAR sobre as receitas de vendas de produção própria porque se submete às regras de incidência da COFINS e está sujeita à contribuição sobre o lucro, que tem a mesma base da contribuição cobrada na autuação; d) que é inconstitucional a contribuição aqui cobrada por ter a mesma base de cálculo da COFINS; e) que a autuação representa desrespeito aos princípios constitucionais; f) que é improcedente a cobrança da contribuição previdenciária sobre as aquisições dos terceiros pessoas físicas, pela ofensa do artigo 25 da Lei n.º 8.212/91 ao artigo 154, I da Constituição Federal. Requer o provimento do recurso, para determinar o cancelamento do que restou do Auto de Infração, requerendo, também, o provimento do Recurso de Ofício, para manter a exoneração parcial do crédito lançado. É o relatório. Fl. 610DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/08/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10140.720589/201267 Acórdão n.º 2302003.289 S2C3T2 Fl. 609 5 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora Recurso de Ofício De acordo com os elementos constantes dos autos, o levantamento tomou por base os documentos apresentados pelo contribuinte no que concerne à sua produção própria para comercialização, gado para abate, e documentos relativos à aquisição de produtos rurais de terceiros pessoas físicas, também gado para abate e produtos necessários à alimentação animal. Entretanto, no prazo de defesa, o autuado juntou provas de que as bases tomadas continham valores errôneos, o que foi devidamente examinado e retificado pelo auditor fiscal autuante, frente à conclusão da existência de valores relativos à aquisição de produtos rurais de pessoas jurídicas e devolução de gado, provenientes de feiras e exposições, que realmente compunham a base de cálculo originariamente lançada. Procedida a retificação dos autos de infração, com a exclusão dos valores lançados a maior, a decisão de primeira instância julgou o lançamento procedente em parte recorreu de ofício a este colegiado. Frente ao exposto, considerando que os elementos trazidos aos autos por ora da impugnação, realmente se prestaram a retificar o lançamento, nego provimento ao Recurso de Ofício. Recurso Voluntário Quanto à falta de recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a receita bruta da comercialização de produto rural adquirido de pessoas físicas, por sub rogação é de se ver que o Tribunal Pleno do Supremo Tribunal Federal – STF, julgou o Recurso Extraordinário n.º 363852, declarando inconstitucional a exação tributária do artigo 1º da Lei n.º 8540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VIII, 25, I e II e artigo 30, IV da Lei n.º 8.212/91, com a redação atualizada até a Lei n.º 9.528/97. Entretanto, o julgado ressalva “até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional n.º 20/98, venha a instituir a contribuição...”. Sobre a questão peço licença e reproduzo o voto da ilustre Conselheira Ana Maria Bandeira, da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF, que já abordou a questão, cujos fundamentos passo a adotar: É sabido que está em julgamento pelo STF o Recurso Extraordinário nº 363.852, cujo Plenário deu provimento ao recurso em acórdão com a seguinte ementa: RECURSO EXTRAORDINÁRIO – PRESSUPOSTO ESPECÍFICO – VIOLÊNCIA À CONSTITUIÇÃO – ANÁLISE – CONCLUSÃO – Porque o Supremo, na análise da violência à Fl. 611DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/08/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 Constituição, adora entendimento quanto à matéria de fundo extraordinário, a conclusão a que chega deságua, conforme sempre sustentou a melhor doutrina – José Carlos Barbosa Moreira , em provimento ou desprovimento do recurso, sendo impróprias as nomenclaturas conhecimento e não conhecimento. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL – COMERCIALIZAÇÃO DE BOVINOS – PRODUTORES RURAIS PESSOAS NATURAIS – SUBROGAÇÃO – LEI Nº 8.212/91 – ART. 195, INCISO I, DA CARTA FEDERAL – PERÍODO ANTERIOR À EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20/98 – UNICIDADE DE INCIDÊNCIA – EXCEÇÕES – COFINS E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PRECEDENTE – INEXISTÊNCIA DE LEI COMPLEMENTAR – Ante o texto constitucional, não subsiste a obrigação tributária subrogada do adquirente, presente a venda de bovinos, por produtores rurais, pessoas naturais, prevista os artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com as redações decorrentes das Leis nº 8.540/92 e 9.528/97. Aplicação de leis no tempo – considerações (g.n.) Notase que o objeto do RE 363.852 referese à discussão da constitucionalidade dos dispositivos da Lei nº 8.212/1991 nas redações dadas pelas Leis 8.540/1992 e 9.528/1997, ambas anteriores à Emenda Constitucional nº 20/1998. Ou seja, decidiu o STF que a inovação da contribuição sobre comercialização de produção rural da pessoa física não estava albergada na Carta Magna até a Emenda Constitucional 20/98, decidindo expressamente acerca das Leis 8.540/92 e 9.528/97. Tal inconstitucionalidade residiria no fato de que seria necessária lei complementar para a instituição da contribuição incidente sobre a comercialização da produção do empregador rural pessoa física. Esta exigência decorreria do art. 195, §4º, da Carta Magna Até a edição da Emenda Constitucional nº 20/98 o art. 195, inciso I, da CF previa como bases tributáveis de contribuições previdenciárias a folha de salários, o faturamento e o lucro, não havendo qualquer menção à receita como base tributável. Assim, a Lei nº 8.540/1992 ao instituir contribuições sobre receita bruta sobre a comercialização da produção dos produtores rurais pessoas físicas levou ao questionamento sobre sua constitucionalidade, culminando com a decisão plenária do STF no julgamento do RE 363.852. No entanto, a Emenda Constitucional nº 20/98 deu nova redação ao art. 195, inciso I da CF/88, a qual passou a dispor que: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) Fl. 612DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/08/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10140.720589/201267 Acórdão n.º 2302003.289 S2C3T2 Fl. 610 7 a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) b) a receita ou o faturamento; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) c) o lucro; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998 Como se vê, a partir da EC nº 20/1998, a própria Constituição Federal passa a admitir a receita como base tributável para as contribuições previdenciárias. Assim, há que se destacar que a Lei nº 10.256/2001, deu nova redação ao art. 25 da Lei nº 8.212/1991 que passou a assim vigorar: Art. 25. A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22, e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de: (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 2001). I 2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). II 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para financiamento das prestações por acidente do trabalho. Cumpre enfatizar que o fundamento jurídico adotado pelo Relator no julgamento do RE 363.852 demonstra que apenas foi abordada a constitucionalidade da redação do art. 25 da Lei 8.212/91 conferida pela Lei 8.540/92, não havendo apreciação da constitucionalidade da redação atual do art. 25 da Lei de Custeio, conferida pela Lei 10.256/01 e, segundo o Ministro Marco Aurélio, a superveniência de lei ordinária, posterior à EC 20/98 1998, seria suficiente para afastar a pecha de inconstitucionalidade da contribuição previdenciária do empregador rural pessoa física, ao menos no que tange à necessidade de Lei Complementar para sua instituição, conforme se depreende do trecho abaixo transcrito: ...conheço e dou provimento ao recurso extraordinário para desobrigar os recorrentes da retenção e do recolhimento da contribuição social ou do seu recolhimento por subrrogação sobre a “receita bruta proveniente da comercialização da produção rural” de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovinos para abate, declarando a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação atualizada até a Lei nº 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98, venha a instituir a contribuição, tudo Fl. 613DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/08/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 na forma do pedido inicial, invertidos os ônus da sucumbência. (g.n.) Asseverese que a contribuição lançada com fulcro no dispositivo com a redação dada pela Lei nº 10.256/2001 já teve a constitucionalidade confirmada pelo Judiciário conforme se depreende da decisão abaixo colacionada: “TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO INCIDENTE SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA EMPREGADOR. PRESCRIÇÃO. LC 118/05. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. 1 O STF, ao julgar o RE nº 363.852, declarou inconstitucional as alterações trazidas pelo art. 1º da Lei nº 8.540/92, eis que instituíram nova fonte de custeio por meio de lei ordinária, sem observância da obrigatoriedade de lei complementar para tanto. 2 Com o advento da EC nº 20/98, o art. 195, I, da CF/88 passou a ter nova redação, com o acréscimo do vocábulo "receita". 3 Em face do novo permissivo constitucional, o art. 25 da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 10.256/01, ao prever a contribuição do empregador rural pessoa física como incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da sua produção, não se encontra eivado de inconstitucionalidade.” (Apelação nº 000242212.2009.404.7104, Rel. Des. Fed. Mª de Fátima Labarrère, 01ª Turma do TRF4, julgada em 11/05/10) No presente caso, a contribuição cuja omissão em GFIP levou à lavratura do presente Auto de Infração, referese a período posterior à edição da Lei nº 10.256/2001, portanto, sob a vigência da mesma. Além disso, no anexo Relatório de Fundamentos Legais do Débito que ampararam o lançamento da obrigação principal correspondente, cujo recurso também foi objeto de análise por parte desta conselheira, verificase que a contribuição foi lançada com fundamento nos dispositivos já na redação dada pela Lei nº 10.256/2001. Assim, a meu ver, não há que se sobrestar os presentes autos em razão de não estarmos diante recurso que se enquadre no § 1º do art. 62A do Regimento Interno do CARF. A presente autuação se refere às competências de 05/2009 a 12/2010, quando os fatos geradores ocorridos a partir de 11/2001, já se encontram ao abrigo da legislação superveniente, Lei n.º 10.256, de 09/07/2001, publicada no DOU de 10/07/2001 e obedecido o prazo nonagesimal. A Emenda Constitucional n.º 20, de 15/12/12998, incluiu a receita e o faturamento como base de incidência contributiva previdenciária e a Lei n.º 10.256/2001, instituiu a contribuição, ao que, a recente decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal pela inconstitucionalidade formal dos artigos 25, incisos I e II e 30, inciso IV da Lei n.º 8.212/91, não se aplica às competências do presente processo. As contribuições sobre a comercialização da produção rural adquirida de produtor rural pessoa física, e a subrogação até competências até 10/2001, inclusive, foram declaradas inconstitucionais pelo plenário do Supremo Tribunal Federal, devendo ser afastadas da autuação, conforme dispõe o artigo 62, do Regimento Interno do CARF, mas o que não se configura no caso destes autos: Fl. 614DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/08/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10140.720589/201267 Acórdão n.º 2302003.289 S2C3T2 Fl. 611 9 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993. Em relação à contribuição do empregador rural pessoa jurídica, a Lei n.º 8.870/94, instituiu a contribuição à seguridade social em substituição aquela prevista nos incisos I e II do artigo 22, da Lei n.º 8.212/91, de 2,5%, incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção rural, e de 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização de sua produção, para o financiamento da complementação das prestações por acidente de trabalho, além do adicional de 0,25% por cento da receita bruta proveniente da venda de mercadorias de produção própria, destinado ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR). Lei nº 8.870, de 15 de abril de 1994 Art. 25. A contribuição devida à seguridade social pelo empregador, pessoa jurídica, que se dedique à produção rural, em substituição à prevista nos incisos I e II do art. 22 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, passa a ser a seguinte: (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 9.7.2001) I dois e meio por cento da receita bruta proveniente da comercialização de sua produção; II um décimo por cento da receita bruta proveniente da comercialização de sua produção, para o financiamento da complementação das prestações por acidente de trabalho. §1o O disposto no inciso I do art. 3o da Lei no 8.315, de 23 de dezembro de 1991, não se aplica ao empregador de que trata este artigo, que contribuirá com o adicional de zero vírgula vinte e cinco por cento da receita bruta proveniente da venda de mercadorias de produção própria, destinado ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR). (Redação dada pela Lei nº 10.256/2001) §3º Para os efeitos deste artigo, será observado o disposto no §3º do art. 25 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 8.540, de 22 de dezembro de 1992. (Redação dada pela Lei nº 9.528/97) Fl. 615DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/08/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 §5o O disposto neste artigo não se aplica às operações relativas à prestação de serviços a terceiros, cujas contribuições previdenciárias continuam sendo devidas na forma do art. 22 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991. (Incluído pela Lei nº 10.256/2001) A recorrente pauta suas razões apenas na inconstitucionalidade da legislação supra, de forma que me reporto à Súmula n.º 02 do CARF, que veda o exame da constitucionalidade das leis por este colegiado: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ademais, o artigo 72, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, assim dispõe sobre a obediência às Súmulas: Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. Assim, não tratando o recorrente de outro tema que não a inconstitucionalidade das exações lançadas, voto por negar provimento ao recurso. Por todo o exposto, Voto por negar provimento ao Recurso de Ofício, mantendo parcialmente o crédito lançado e por negar provimento ao Recurso Voluntário. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 616DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/08/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI
score : 1.0
Numero do processo: 10935.906253/2012-43
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 14/11/2007
Recurso Voluntário não conhecido
A manifestação de inconformidade apresentada fora do prazo legal não instaura a fase litigiosa do procedimento nem comporta julgamento de primeira instância quanto às alegações de mérito.
Numero da decisão: 3802-003.220
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o presente recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim- Presidente.
(assinado digitalmente)
Cláudio Augusto Gonçalves Pereira- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o presente recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 62 53 /2 01 2- 43 Fl. 55DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 3a Turma da DRJ/CTA, a qual, por unanimidade de votos julgou pelo não acolhimento da manifestação de inconformidade apresentada. Em ato contínuo, o despacho decisório pela DRF de Cascavel/PR, que indeferiu o pedido de restituição formulado por meio do PER/DCOMP, devido à inexistência de crédito pleiteado, já que o pagamento de PIS/PASEP, do período acima indicado, estaria totalmente utilizado na extinção, por pagamento, de débito da contribuinte o mesmo fato gerador, nos termos do Acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 14/11/2007 PIS/PASEP. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PERD/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e à COFINS, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE NORMAS VIGENTES JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Direito Creditório Não Reconhecimento. Em sede de impugnação e de recurso, o contribuinte apresenta os mesmos argumentos, que, em síntese, se referem à inconstitucionalidade da cobrança do PIS e da COFINS, sem a exclusão do ICMS da base de cálculo, já que o conceito de faturamento trazido pela Lei nº 9.718, de 1998 não pode ser alargado ao ponto de abranger o conceito de ingresso. É o relatório. Voto Admissibilidade do Recurso. Tendo em vista que a matéria posta para análise – inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, não está afeta à competência desse Fl. 56DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906253/201243 Acórdão n.º 1802003.220 S1TE02 Fl. 12 3 colegiado, já que não é permitido aos Conselheiros do CARF se pronunciarem sobre os aspectos constitucionais de lei tributária. É de rigor a aplicação da Súmula CARF nº 02 que determina: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Precedentes: Acórdão nº 10194876, de 25/02/2005 Acórdão nº 10321568, de 18/03/2004 Acórdão nº 10514586, de 11/08/2004 Acórdão nº 10806035, de 14/03/2000 Acórdão nº 10246146, de 15/10/2003 Acórdão nº 20309298, de 05/11/2003 Acórdão nº 201 77691, de 16/06/2004 Acórdão nº 20215674, de 06/07/2004 Acórdão nº 20178180, de 27/01/2005 Acórdão nº 20400115, de 17/05/2005. Portanto, pelas razões por mim aqui expostas, NÃO CONHEÇO do recurso ora interposto (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator Fl. 57DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 10074.001381/2009-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Sep 08 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3302-000.431
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSE DA SILVA - Presidente.
(assinado digitalmente)
FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS - Relatora.
EDITADO EM: 02/09/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Paulo Guilherme Déroulède, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) WALBER JOSE DA SILVA - Presidente. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS - Relatora. EDITADO EM: 02/09/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Paulo Guilherme Déroulède, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1315; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 10 1 9 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10074.001381/200981 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3302000.431 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 19 de agosto de 2014 Assunto Comércio Exterior Recorrente HYATS COMÉRCIO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) WALBER JOSE DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora. EDITADO EM: 02/09/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Paulo Guilherme Déroulède, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 00 74 .0 01 38 1/ 20 09 -8 1 Fl. 2193DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 03/0 9/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 11 ___________ Tratase de auto de infração lavrado para o fim de exigir multa decorrente da conversão de pena de perdimento em virtude da impossibilidade da apreensão de mercadoria. Por retratar a realidade dos fatos, reproduzo a seguir o relatório transcrito na decisão de primeira instância administrativa, in verbis: “Seguem alegações da fiscalização aduaneira. I. O presente processo trata de operações do denominado GRUPO MAM: RIO LAGOS TRADING S/A, SUPPORT IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA, MERCOTEX DO BRASIL LTDA, CONTROL COMÉRCIO EXTERIOR LTDA e GHATS COMÉRCIO EXTERIOR LTDA, em que se apurou a ocorrência de interposição fraudulenta que dissimulava a condição da HYATS de real adquirente das mercadorias importadas. Tal ocultação tinha como principal vantagem permitir ao real adquirente fugir da condição de empresa equiparada a estabelecimento industrial na legislação do IPI e também para permitir que fugisse dos controles referentes à importação por conta e ordem de terceiros. II. Mediante análise dos elementos de prova coligidos na “Operação Dilúvio” da Polícia Federal, apurouse que a Hyats Comércio Ltda, dentre outras empresas, foi beneficiária de esquema de importação oferecido pelo chamado Grupo MAM. O Grupo MAM elaborou engenharia fiscal que consistia em inserir diversas empresas nos processos de importação, de forma a ocultar o real adquirente das mercadorias, evitando, assim, a sua equiparação a estabelecimento industrial para efeitos de recolhimento de IPI. III. Sob a coordenação da INTERLOGISTICS CONSULTORIA EMPRESARIAL LTDA, o grupo MAM disponibilizou empresas para realizar as importações por conta e ordem da HYATS, que permaneceu oculta. As empresas importadoras eram a MERCOTEX DO BRASIL LTDA e RIO LAGOS TRADING S/A, que tinham como adquirentes as empresas CONTROL COMÉRCIO EXTERIOR LTDA e GHATS COMÉRCIO EXTERIOR para a primeira importadora e a empresa SUPPORT IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO para a segunda importadora. Além destas empresas, o Grupo utilizou a distribuidora DELPHIS COMERCIAL LTDA, que funcionou como mais uma suposta intermediária que atuava nas importações da MERCOTEX, CONTROL e GHATS, e nas primeiras em nome da SUPPORT. IV. Documentos de folhas 3811906 compreendem declarações de importação, notas fiscais de entrada, notas fiscais de saída, contratos de câmbio, além da verificação das transferências de recursos da Hyats para a Support. De acordo com o Demonstrativo III (fls. 48/51), os quais foram confirmados na resposta da Hyats ao Termo de Intimação (fls 110116), a finalidade era o adiantamento para fechamentos de contratos de câmbio e pagamentos dos tributos aduaneiros. V. Apesar de a SUPPORT tentar vincular os recursos aportados pela Hyats com notas fiscais de venda, na realidade, os valores depositados Fl. 2194DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 03/0 9/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10074.001381/200981 Resolução nº 3302000.431 S3C3T2 Fl. 12 3 serviram ao pagamento dos câmbios ou dos tributos aduaneiros das declarações de importação (DIs) em curso, conforme Demonstrativo III. Em documento de folha 380, a administração da INTERLOGISTICS determina ao sócio Lúcio da Support que “o custo para clientes é de 1%, sendo que nos casos HYA, onde se inclui a Hyats, o percentual é de 0,5%”. VI. Conforme pode ser observado no Demonstrativo III (fls. 4952), para cada fechamento de câmbio, havia um adiantamento realizado pela Hyats. Conforme demonstrativo I (fl. 43), em suas primeiras importações, a Hyats utilizou mais de uma empresa intermediária no intrincado esquema de importação, a DELPHIS COMERCIAL LTDA, CNPJ n° 02.960.388/000106, situada em Vitória/ES, que serviu de ponte na transferência dos recursos para os pagamentos dos câmbios e tributos pela Support. Nessas importações, a Support emitia notas fiscais de saída para a Delphis que, por sua vez, emitia novas notas de saída para a Hyats, sendo que as duas últimas foram encaminhadas, diretamente, à empresa MOBILITA COMÉRCIO INDÚSTRIA E REPRESENTAÇÕES LTDA, CNPJ: 32.121.766/000110, comercial varejista dos produtos da Hyats, e, também, beneficiária da infração. O artifício fiscal utilizado objetivava aparentar que a RIO LAGOS (importadora), já citada, desembaraçava as mercadorias, no Rio de Janeiro, e enviavaas à SUPPORT (adquirente interposta constante da declaração de importação), também no Rio de Janeiro, que as encaminhava a Delphis (distribuidora interposta), em Vitória, para, finalmente, retornar ao Rio de Janeiro com destino à impugnante HYATS (real adquirente), tudo no mesmo dia. VII. Controle de contas bancárias (fls. 328368) pertencentes à DELPHIS demonstram que há somente desconto da CPMF e transferência dos recursos para as interpostas pessoas encarregadas do fechamento de câmbio e pagamento de impostos. Exemplo é o recebimento Hyats de R$ 698.551,20 em 07/11/2005 com transferência do mesmo valor e no mesmo dia para a Delphis (fl. 357) e remessa para Control de R$ 695.884,71 também em 07/11/2005. Outro exemplo é o recebimento Hyats de R$ 1.007.850,96 em 21/11/2005 (fl. 343) e remessa para Ghats de R$ 1.004.009,12 em 21/11/2005 (fl. 357). A diferença entre os valores corresponde à CPMF. VIII. A destinação de recursos da HYATS, por intermédio da DELPHIS, para pagamento de câmbios de importação das empresas interpostas ficou evidenciada na denúncia oferecida pelo Ministério Público Federal, às fls. 171/379, que teve por base os elementos de prova obtidos na Operação Dilúvio. Ali é descrito que através das mensagens eletrônicas de fls. 209/210, o gerente de controladoria da Hyats solicita que sejam transferidos os seus depósitos bancários com o fim específico de fechamentos de câmbios dos processos HYA 040/05 e HYA 041/05, a serem realizados pela empresa interposta CONTROL. Igualmente, na mensagem eletrônica de fls. 218/219, o mesmo gerente de controladoria, a partir dos depósitos efetuados, solicita a adoção dos procedimentos necessários para os fechamentos dos câmbios de importação dos processos HYA86, HYA87, HYA88, HYA89, HYA90, Fl. 2195DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 03/0 9/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10074.001381/200981 Resolução nº 3302000.431 S3C3T2 Fl. 13 4 HYA91, HYA92 e HYA93, a serem realizados pela empresa interposta GHATS. IX. A HYATS era a real adquirente das mercadorias. Percebese, claramente, a partir dos demonstrativos I e II, às fls. 43 a 47, que os produtos foram adquiridos por sua conta e ordem X. Invariavelmente, as datas das notas fiscais RIO LAGOS/SUPPORT, SUPPORT/DELPHIS e DELPHIS/HYATS, ou RIO LAGOS/SUPPORT e SUPPORT/HYATS são as mesmas, ou com pouquíssimas exceções muito próximas e correspondem à data do desembaraço das mercadorias. Esse fato revela que os produtos foram encaminhados diretamente do local de desembaraço aduaneiro para as instalações da HYATS, verdadeira destinatária dos produtos importados. No caso das importações com intermediação da DELPHIS, a ficção se torna mais evidente uma vez que as mercadorias eram desembaraçadas no entreposto aduaneiro de Nova Iguaçu, encaminhadas à SUPPORT no Rio de Janeiro e de lá encaminhadas à DELPHIS em Vitória/ES e reencaminhadas para o Rio de Janeiro (HYATS), tudo no mesmo dia. XI. Os produtos listados nas declarações de importação, nas notas fiscais de entrada e de saída são os mesmos, com as mesmas quantidades e mesmas especificações, indicando que as importações já tinham destino certo, conforme folhas 3811731. XII. Podemse observar, ainda nos Demonstrativos I e II (fls. 4347) que as diferenças de preços entre as notas fiscais de entrada Support e as de saída para Delphis/Hyats são incompatíveis com as práticas normais de comércio, revelando a interposição fraudulenta. A coluna relativa à variação entre os valores das notas fiscais de entrada e de saída apresenta percentuais irrisórios, por vezes negativos, indicando, nestes casos, custo de venda inferior ao de aquisição, o que demonstra que a Support não era remunerada pelo lucro obtido na suposta transação comercial, e sim por comissão pela prestação de serviço de importação, conforme mensagem eletrônica obtida na operação Dilúvio de folha 380. Exemplo disto são as NFs de folhas 1267, 1268, 1613 e 1614. XIII. Além disso, os produtos exportados são da marca VICINI e foram exportados de Hong Kong pela empresa Forewise Enterprise Ltd, cujo direito de marca pertence à HYATS, conforme folha 122. A Lei nº 9.279/1996 assegura ao titular o uso exclusivo da marca em território nacional, o que demonstra que as importações de mercadorias foram realizadas por conta e ordem da Hyats. XIV. Por sua vez, as investigações do Ministério Público Federal comprovaram que a Hyats, além de permanecer oculta nas importações realizadas pela Rio Lagos/Support, também figura como real adquirente das importações processadas pelas empresas MERCOTEX DO BRASIL LTDA, CNPJ n° 01.732.373/000543, situada em Maringá/RJ, CONTROL COMÉRCIO EXTERIOR LTDA, CNPJ n° 02.069.249/000189, e GHATS COMÉRCIO EXTERIOR LTDA, CNPJ n° 68.758.218/000143, essas últimas situadas em Nova Iguaçu, relativamente aos produtos da marca "VICINI". Do mesmo modo que a Support, que tem como importadora a Rio Lagos, a Control e a Ghats integram as DIs como supostas adquirentes das mercadorias, tendo, no Fl. 2196DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 03/0 9/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10074.001381/200981 Resolução nº 3302000.431 S3C3T2 Fl. 14 5 entanto, como importadora a empresa Mercotex do Brasil, a qual consta, também, como suposta adquirente nas quatro primeiras importações sob autuação. XV. O esquema detectado na "Operação Dilúvio" foi criado e disponibilizado a diversas empresas pela INTERLOGISTIC CONSULTORIA EMPRESARIAL LTDA e tinha como objetivo inserir diversas firmas no processo de importação, de forma a manter oculto o verdadeiro adquirente, no presente caso a HYATS, isentandoa da condição de contribuinte do IPI. O encargo de apuração do IPI ficava sob a responsabilidade das empresas interpostas, que devido aos valores ínfimos das notas fiscais de saída incorriam em recolhimento irrisório de tributo. XVI. Em Memorando n° 140/2009/IRF/RJO/Gabinete (fl. 168), solicitouse à DRF Nova Iguaçu diligência fiscal nos estabelecimentos das firmas CONTROL e GHATS, a fim de obter as notas fiscais de venda das mercadorias importadas em 2005 e 2006 com as marcas "VICINI". Nos seus Relatórios (fls. 169/170), o Auditor Fiscal da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Nova Iguaçu, esclareceu que ambas empresas não estão funcionando nos endereços indicados no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), o que impossibilita a obtenção dos documentos. Acrescentou que a Control se encontra na condição de Inapta, enquanto a Ghats está com sua habilitação no Siscomex suspensa automaticamente, por conta da sua inatividade no comércio exterior. Intimada, ingressou a contribuinte com a impugnação de fls. 19351970. Seguem alegações da contribuinte interessada/ autuada/ impugnante. 1. A autuação fiscal se baseia na fiscalização decorrente da IN SRF nº 228/2002 realizada contra a empresa SUPPORT, em que a fiscalização alega que foi comprovada a irregularidade de ocultação do real adquirente das mercadorias, HYATS. Ocorre que desse procedimento de fiscalização nada sabe a Impugnante e nada foi anexado a esse Auto de Infração. Alega nulidade por cerceamento do direito de defesa. 2. O CNPJ da SUPPORT continua ativo. No Comprot, há somente um processo contra esta empresa, sendo que tal processo é um auto de infração com apreensão de mercadorias. 3. À folha 1911, alega que esta autuação trata dos mesmos fatos narrados no relatório fiscal, mas a mesma não foi lavrada contra a Impugnante e do referido processo não foi trazido aos autos nenhuma peça ou informação a não ser a de folha 20. 4. Estranha o fato de o auto de apreensão ter sido lavrado contra a SUPPORT, que, segundo o relato fiscal, seria mera intermediária, pois não é nem a importadora nem a real adquirente. A distinção entre as penalidades aplicadas ao importador ostensivo e ao importador oculto vem sendo reconhecida pelo Conselho de Contribuintes. Fl. 2197DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 03/0 9/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10074.001381/200981 Resolução nº 3302000.431 S3C3T2 Fl. 15 6 5. Tudo indica que o Fisco está ora responsabilizando a Impugnante e a SUPPORT pela mesma infração, como supostos importadores ocultos, pois ambos não foram os importadores efetivos das mercadorias nacionalizadas. Desta forma, resta demonstrado que à Impugnante não foi permitido o total conhecimento acerca das supostas infrações imputadas no relatório fiscal, o que configura cerceamento de defesa a ensejar a nulidade do Auto de Infração. Em outras palavras, a Impugnante não teve conhecimento de diversos pontos trazidos no relatório fiscal, o que por si só já contamina qualquer defesa a ser apresentada pela Impugnante. 6. Solicita a nulidade da autuação fiscal. 7. O auto de infração foi lavrado em mera presunção uma vez que não houve procedimento fiscal contra a DELPHIS, GHATS, MERCOTEX e CONTROL. Se não houve procedimento contra tais empresas, seria impossível considerar as importações das mesmas como interposição fraudulenta por ocultação do real importador 8. Com efeito, a Fiscalização resolveu presumir que as operações praticadas com a empresa DELPHIS teriam a mesma alegada conotação dada pela fiscalização às operações praticadas com a SUPPORT, sem, todavia, comprovar a existência de adiantamentos ou de qualquer outra irregularidade e imputar a ela o ônus da prova, pois como é de conhecimento cediço, a fraude, o ardil, a sonegação não se presumem. 9. A fiscalização não observou o disposto no artigo 112 do CTN e partiu de presunções infundadas e inverídicas visando acusar a impugnante de inexistente interposição fraudulenta. 10. O capital social integralizado da empresa é de R$ 2.000.000,00, faturamento anual de R$ 70.000.000,00 e recolhimento de tributos de R$ 18.000.000,00, sendo que possui autorização para importação de US$ 13.000.000,00 por semestre. 11. As importações foram efetuadas com assistência da INTERLOGISTICS de forma a usufruir benefícios fiscais ou financeiros do ICMS nos Estados do ES (Fundap), RJ (redução de alíquota) e AL (pagamento com precatórios). 12. Não houve operação de importação envolvendo o estabelecimento da Mercotex. No curso da fiscalização, tal fato foi esclarecido textualmente pela Impugnante e muito embora a fiscalização identifique o estabelecimento com o qual a impugnante transacionava pelo CNPJ 01.732.373/000543, fato é que esse CNPJ pertence à filial de Maceió Alagoas, mas a fiscalização repetidamente sustenta que o referido CNPJ pertence à Mercotex. 13. A Impugnante recebia por intermédio da INTERLOGISTIC a cotação dos preços de venda dos produtos encomendados pela impugnante pelas empresas contatadas pela INTERLOGISTICS. Com isso, ajustavase a compra dessas mercadorias no mercado interno, pela única e exclusiva razão de não querer o Impugnante envolverse em uma atividade meio, conforme a própria recomendação da Secretaria da Receita Federal. Fl. 2198DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 03/0 9/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10074.001381/200981 Resolução nº 3302000.431 S3C3T2 Fl. 16 7 14. A operação de importação por conta e ordem era a prática entre as empresas importadoras RIO LAGOS e MERCOTEX com as empresas GHATS, CONTROL e SUPPORT, conforme se depreende das Declarações de Importação (DIs) anexadas a esses autos. As empresas GHATS, CONTROL, MERCOTEX e SUPPORT não são empresas importadoras, mas sim adquirentes das mercadorias importadas. Ao menos em face dos elementos constantes dos presentes autos, o fechamento de câmbio era realizado por estas empresas com os seus próprios recursos, sendo que a impugnante jamais manteve relações comercial ou financeira com as empresas GHATS e CONTROL. 15. No tocante à DELPHIS, não houve transferência de recursos do Grupo MAM no valor de R$ 3.280.571,95, e sim pagamento de notas fiscais de mercadorias que havia encomendado para a DELPHIS. O pagamento era concomitante ou posterior ao recebimento das mercadorias. Apresenta exemplos de pagamentos concomitantes ou posteriores ao recebimento das mercadorias. 16. A fiscalização não comprovou que os pagamentos de notas fiscais tinham natureza de adiantamento. Devese observar o princípio da tipicidade. 17. Ainda que adiantamentos existissem, cada operação de importação deve ser vista isoladamente, para averiguar se na mesma foram utilizados recursos de terceiros, no todo ou em parte. Não pode um adiantamento inquinar todas as demais operações subseqüentes, como se por conta e ordem fossem, se estas operações seguintes foram realizadas exclusivamente com recursos do adquirente da operação por conta e ordem. 18. Não há prova da falta de capacidade financeira da SUPPORT, CONTROL, MERCOTEX e GHATS. 19. O fato de as mercadorias importadas serem da marca VICINI comprova justamente que não houve ocultação alguma. 20. As margens de lucro não são aquelas alegadas pelo Fisco (0,5%3, 0,01% e –2,33%), e sim 6%, o que demonstra que as operações não eram por conta e ordem, e sim meras compra e venda. Apresenta quadro à folha 1935. 21. Jurisprudência entende que não há ilegalidade na emissão de notas fiscais com poucos dias de diferença e sem circulação físicas das mercadorias nos estabelecimentos das empresas envolvidas. A falta de circulação física não transmuta os figurantes do negócio original de compra e venda e nem descaracteriza o papel jurídico do importador. Há previsão legal de emissão de Nota Fiscal sem trânsito de mercadoria. 22. Absurda a alegação da fiscalização de fraude para sonegação do IPI uma vez que houve recolhimento de R$ 8.453.749,52 em tributos, incluindo o IPI. Diante da pequena margem de lucro dos atacadistas e da cumulatividade do IPI, o valor supostamente sonegado seria diminuto. Fl. 2199DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 03/0 9/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10074.001381/200981 Resolução nº 3302000.431 S3C3T2 Fl. 17 8 23. A responsabilidade do encomendante foi instituída pela Lei nº 11.281/2006. 24. A fiscalização não comprova fraude ou simulação, que é de competência do Judiciário, conforme o artigo 168 do Código Civil. A Administração é incompetente para declarar nulidade de atos. Solicita a improcedência da autuação fiscal. À folha 2024, encaminhouse o processo para julgamento e informou se a tempestividade da impugnação. Ainda, consta a solicitação de diligência às fls. 2030/2038, a qual foi solicitada pela seguinte razão:. “Os contratos de câmbio listados às folhas 4952 foram anexados às folha fls. 1797/1906, sendo que às folhas 4952 são listadas às DIs de tais contratos. Cotejando as DIs listadas por contrato às folhas 4952 com as DIs indicadas em cada contrato de câmbio de folhas 1797/1906, percebese que às folhas 1797/1906 há mais DIs por cada contrato de câmbio do que o listado às folhas 4952. Exemplo. Na tabela de folhas 4952, o contrato de câmbio nº 002383 tem duas DIs (06/02178163 e 06/02178155 no valor de R$ 106.359,04 e R$ 53.496,34); todavia, à folha 1806, percebese que o contrato de câmbio inclui quatro DIs e o seu valor total é de R$ 554.698,53, muito acima, portanto, do valor das duas DIs listadas à folha 48. A diferença entre o contrato de câmbio e a soma destas duas DIs corresponde em sua maior parte ao valor das DIs que não estão listadas às folhas 4952 ou 3747 (DIs nº 06/02432566 e 06/02472924), que correspondem a R$ 48.070,24 e 231.134,02. Segundo exemplo. Na tabela de folhas 4952, o contrato de câmbio nº 002440 tem duas DIs (06/02437304 e 06/02471456 no valor de R$ 151.512,95 e R$ 231.134,02); todavia, à folha 1809, percebese que o contrato de câmbio inclui quatro DIs e o seu valor total é de R$775.321,92, muito acima, portanto, do valor das duas DIs listadas à folha 48. A diferença entre o contrato de câmbio e a soma destas duas DIs corresponde em sua maior parte ao valor das DIs que não estão listadas às folhas 4952 ou 3747 (DIs nº 06/02645659 e 06/02645667), que correspondem a R$ 232.070,00 e 152.085,20. Exemplo aleatório. Na tabela de folhas 4952 são listadas três DIs para o contrato nº 06/003528; todavia, à folha 1832 há seis DIs listadas para este contrato.” A partir das considerações acima apresentadas foram feitos alguns questionamentos, os quais, com as respostas da autoridade administrativa competente (fls. 2062/2063), seguem assim descritas: “1 O presente processo envolve apenas DIs em que a RIO LAGOS TRADING é a importadora formal e a SUPPORT IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA é a compradora/adquirente declarada? Fl. 2200DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 03/0 9/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10074.001381/200981 Resolução nº 3302000.431 S3C3T2 Fl. 18 9 Resposta: Não, conforme informado às. fls. n° 33 a 36 onde constam os critérios adotados no lançamento efetuado, os Auditores responsáveis esclarecem que as DI autuadas são as relacionadas às fls. n° 37 a 42. Nesta planilha pode se verificar na coluna correspondente, o importador e o adquirente relacionados a cada DI listada. Assim, constatase que o presente processo também envolve DI nas quais a importadora é a MERCOTEX DO BRASIL LTDA e os compradores/ adquirentes a própria MERCOTEX, CONTROL COMÉRCIO EXTERIOR LTDA. e GHATS COMÉRCIO EXTERIOR LTDA. Anexamos ao presente processo telas do Siscomex (fls. n°2010/2012) demonstrando os diferentes importadores e compradores/adquirentes. 2 – Estas DIs presentes nos contratos de câmbio, mas não listadas às folhas 4952, foram excluídas por não serem DIs contendo mercadorias supostamente destinadas à empresa autuada/impugnante? É necessária explicação de tal questão para entender a relação dos contratos de câmbio com o demonstrativo de folhas 4952. Resposta: Não, as DI excluídas registram mercadorias destinadas a autuada/impugnante, no entanto, conforme informado em diversas páginas do presente processo, o Auto de Infração apenas considera DI contendo produtos da marca "VICINI" e exportados por Forewise Enterprise Ltd., vide fls. n° 26 e 184. Assim, as DI que foram excluídas dos contratos de câmbio listados as fls. n° 48 a 51, não atendem esta condição, e por tal motivo não foram consideradas no presente lançamento. Vide telas do sistema Siscomex Importação (fls. n° 2013/2027) que registram as mercadorias importadas nas DI excluídas. 3 – Caso haja diferença ou discordância com a tabela de folhas 1995/1996, apresentar, se possível, outra tabela no mesmo molde com o fluxo financeiro da Trading SUPPORT. Resposta: Não constatei diferenças ou discordâncias entre a tabela apresentada às folhas 19951996, e as informações contidas na tabela de fls. n° 48/51. Em diligência de folhas 20642065, solicitase a intimação da impugnante acerca dos novos elementos acostados aos autos. Às fls. 2066, consta o Termo de Apensação do PAF nº 10074.000546/201031. Este processo trata do auto de infração no valor de R$ 684.753,03 pela mesma suposta infração: importação mediante ocultação de real comprador mediante fraude ou simulação, especificamente a interposição fraudulenta. Pelo fato do auto de infração daquele PAF se basear no Relatório Fiscal deste processo, a impugnante apresenta os mesmos argumentos, acrescidos da alegação de nulidade da autuação pelo fato de a mesma se basear em Relatório Fiscal já encerrado pela lavratura de auto de infração. Intimada, apresenta a impugnante a defesa complementar de folhas 2073/2079. Fl. 2201DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 03/0 9/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10074.001381/200981 Resolução nº 3302000.431 S3C3T2 Fl. 19 10 Seguem argumentos. Alega que o Ministério Público considerou ilícitas todas as provas obtidas através da Operação Dilúvio e concluiu que todas as provas deveriam ser expurgadas do processo. Ao final, solicitou a absolvição sumária dos denunciados. O Relatório Fiscal que acompanha o auto de infração se baseia em suposta ficção contábil na importação de mercadorias que envolveria as empresas Rio Lagos, Mercotex, Support, Ghats e temporária participação da Delphis. Todas estas empresas não foram alvo de investigação fiscal, sendo que todas foram tidas como interpostas pessoas por força daquilo que foi apontado em relatório do Ministério Público Federal. Como já observado, tais elementos probatórios foram tidos como ilegais pelo próprio Ministério Público Federal. A autuação fiscal se baseia em fiscalização realizada contra a Support, sendo que a impugnante não teve conhecimento de diversos pontos do relatório. Cumpre destacar que as DIs provêm de operações distintas e cada uma das operações de importação deve ser analisada isoladamente. O cotejo dos contratos de câmbio firmados pela Support e os valores pagos pela impugnante não pode ser visto como elemento contundente de prova da existência de adiantamento de recursos, pois os contratos em questão contemplam outras operações que não somente aquelas indicadas neste auto. Solicita a nulidade da autuação fiscal.” Após analisar as razões da Recorrente e a resposta da diligencia a 2ª Turma da DRJ/FNS Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento 2.102 em Florianópolis (SC) – proferiu o acórdão no 0729.388, o qual restou da seguinte forma ementado: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 02/05/2005 a 09/08/2006 CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO Convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias que foram importadas mediante operação de interposição fraudulenta oculta. Impugnação Improcedente.” Em resumo, a v. decisão recorrida concluiu que a Recorrente foi a importadora de fato das operações realizadas pelas Tradings em análise, entendeu ter ocorrido a figura da importação por conta e ordem, sendo que a ORDEM da Recorrente estaria comprovada pelos produtos, que são de marca exclusiva da Recorrente e a CONTA estaria comprovada pelos depósitos de valores maiores do que as importações em si e transferidos em momento anterior ao fechamento do câmbio. Ademais, a decisão recorrida apontou que a variação de preço do produto importado (valor de importação e de “venda”) era pequeno, bem como que todos os produtos importados possuíam a mesma marca "VICINI" (exclusiva da Recorrente) e foram exportados de Hong Kong por uma única empresa Forewise Enterprise Ltd. No que se refere à alegação da Recorrente de nulidade do auto de infração em razão de as provas utilizadas na fiscalização serem as mesmas da “Operação Dilúvio”, as quais foram declaradas ilegais pelo Ministério Público, a decisão recorrida, em resumo, negou Fl. 2202DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 03/0 9/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10074.001381/200981 Resolução nº 3302000.431 S3C3T2 Fl. 20 11 provimento por entender que a nulidade apenas alcançaria os julgadores administrativos se houvesse decisão judicial transitada em julgado. Irresignada, a Recorrente interpôs recurso voluntário, por meio do qual reiterou as razões trazidas e sua impugnação informando, ainda, que a declaração de nulidade das provas utilizadas na Operação Dilúvio foi realizada por meio de decisão judicial transitada em julgado. É o relatório. Conselheira FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS O recurso atende aos pressupostos d admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Conforme se denota dos autos do processo administrativo, a alegação acerca da nulidade das provas apresentadas foi indeferida em razão das autoridades administrativas terem concluído que (i) não há decisão judicial definitiva acerca deste assunto e (ii) as decisões proferidas não alcançam este processo administrativo. A saber: Acórdão Recorrido “Passase agora à análise da alegação da impugnante de folhas 20732079 de que o Ministério Público, mediante parecer, considerou ilícitas todas as provas obtidas na Operação Dilúvio e requereu a absolvição dos denunciados, devendo as provas serem expurgadas imediatamente do processo judicial penal. Ao final da impugnação complementar, solicita o acolhimento do Parecer do Ministério Público Federal, para declarar como ilícitas todas as provas, acarretando a nulidade do auto de infração. Improcede a alegação acima por quatro motivos. Primeiro e mais importante dos motivos, parecer, ainda que do Ministério Público, não tem o condão de tornar nulo ato administrativo, sendo que o citado Parecer nem mê\mo é dirigido à Receita Federal. Somente decisão judicial transitada em julgado pode considerar nula prova obtida em procedimento fiscal, sendo que não há nos autos decisão judicial transitada em julgado acerca da matéria tributária objeto do presente processo. Segundo, o parecer em questão é referente a processo penal, que, conforme é sabido, é extremamente rigoroso quanto à condenação da parte ré. Terceiro, ao contrário do alegado pela impugnante, o parecer em comento se cinge a contextualizar o estado em que se encontra o julgamento penal (cumprimento de decisão do STJ) e se dirige ao juízo penal criminal de primeira instância. Fl. 2203DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 03/0 9/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10074.001381/200981 Resolução nº 3302000.431 S3C3T2 Fl. 21 12 Quarto, o parecer trazido aos autos pela impugnante não é nem mesmo conclusivo quanto à questão da possível nulidade do processo fiscal em decorrência de eventual nulidade das provas. Apesar disso, o mesmo demonstra que a extensão de ilegalidade de prova ainda é objeto de processo judicial, ou seja, está pendente de sentença de primeira instância a questão de quais provas seriam ilegais. (...) Quanto a alegação de que “as provas que embasaram a denúncia e demonstravam a autoria e materialidade dos delitos foram consideradas ilícitas, determinandose sua retirada dos autos”, devese observar que os Hábeas Corpus consideraram ilícitas somente as interceptações telefônicas. Tal declaração se refere ao juízo penal, não havendo certeza se todas as interceptações foram consideradas inválidas, sendo que o presente processo administrativo fiscal não trata de interceptações telefônicas. Além disso, a extensão da declaração de invalidade das provas ainda está sendo objeto de processo judicial, conforme visto quando da análise da decisão do STJ, razão pela qual transcrevi praticamente todo o teor do parecer. Somente decisão judicial específica de processo judicial fiscal teria o condão de declarar nulas as provas acostadas ao presente processo administrativo fiscal.” Pelos trechos da decisão acima transcritos, resta claro que as decisões ocorridas no processo administrativos possuem relevância no resultado da lide aqui em análise. Tanto é assim que em sua defesa a Recorrente alega, inclusive, que houve decisão judicial transitada em julgado, trazendoa em sede de recurso ao conhecimento deste colegiado. Todavia, não constam nos autos os elementos suficientes para se aferir se a alegação fazendária de que “devese observar que os Habeas Corpus consideraram ilícitas somente as interceptações telefônicas” realmente procedem. E tal fato é relevante porque o lançamento tributário está totalmente fundamentado em provas, no caso em notas fiscais, declarações de importação e transferência de numerário. A nulidade destas provas e conseqüente “impossibilidade de utilizálas” é absolutamente relevante. Ante o exposto, voto por converter o presente julgamento em diligência para a Recorrente ser intimada a trazer, no prazo de 30 dias, aos autos, cópias das principais peças (inicial, decisões, sentença, acórdão, trânsito em julgado) dos processos judiciais HC 109.205, 123.312, 142.015, 142.045/PR; 2005.61.19.0086130, 2007.70.00.0257019, citados pela autoridade administrativa de julgamento de primeira instância, e todo aquele processo judicial necessário para comprovar suas alegações. É como voto. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora Fl. 2204DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 03/0 9/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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Numero do processo: 10245.000051/2009-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Sep 02 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2802-000.106
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria, sobrestar o julgamento nos termos do §1º do art. 62-A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF nº 01/2012. Vencidos os Conselheiros Jaci de Assis Júnior e Jorge Claudio Duarte Cardoso que votaram por realizar o julgamento.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente
(assinado digitalmente)
Dayse Fernandes Leite Relatora
EDITADO EM: 19/02/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martin Fernandez, Dayse Fernandes Leite, Ewan Teles Aguiar, Sidney Ferro Barros
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Resolvem os membros do colegiado, por maioria, sobrestar o julgamento nos termos do §1º do art. 62A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF nº 01/2012. Vencidos os Conselheiros Jaci de Assis Júnior e Jorge Claudio Duarte Cardoso que votaram por realizar o julgamento. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite – Relatora EDITADO EM: 19/02/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martin Fernandez, Dayse Fernandes Leite, Ewan Teles Aguiar, Sidney Ferro Barros Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração de fls 148 a 160, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, anos calendário 2004 e 2006, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$ 183.026,41, acrescido de multa de ofício e juros de mora. A autuação decorreu da constatação das seguintes infrações, conforme Relatório de Verificação Fiscal, que se encontra às fls 139 a 147, RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 45 .0 00 05 1/ 20 09 -6 9 Fl. 223DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/02/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10245.000051/200969 Resolução nº 2802000.106 S2TE02 Fl. 3 2 001 Rendimentos Recebidos de Pessoas Jurídicas Omissão de Rendimentos do Trabalho com Vínculo Empregatício Recebidos de Pessoa Jurídica, nos meses de janeiro a agosto de 2004 e outubro de 2004, fevereiro, maio e junho de 2006; 002 Rendimentos Recebidos de Pessoas Jurídicas Omissão de Rendimentos do Trabalho sem Vínculo Empregatício Recebidos de Pessoa Jurídica, nos meses de junho a novembro de 2004 e maio de 2006; 003 Omissão de Rendimentos caracterizada por Depósitos Bancários com Origem Não Comprovada, nos meses de janeiro a dezembro de 2004, nos meses de março a junho de 2006, agosto a dezembro de 2006. Era o de essencial a ser relatado. A presente ação fiscal decorre da análise de informações fiscais fornecidas à RFB mediante utilização de dados da CPMF. Após intimação indicando o total da movimentação financeira do período fiscalizado, os extratos bancários foram apresentados pela Recorrente. Irrelevante a entrega “espontânea” dos extratos bancários pelo sujeito passivo, sem a necessidade de obtenção das informações financeiras por ordem administrativa, diante da possibilidade da criação de situação desigual entre contribuintes que se encontram em situação equivalente. Isso porque, a obtenção dos dados bancários após regular intimação da fiscalização, não pode ser chamada de “espontânea”, por decorrente de enunciado legal provido de presunção de validade, portanto, cogente para todos contribuintes. Logo, a aplicação de futuro precedente do Sumo Pretório sobre a obtenção dados bancários sem autorização judicial deve ser isonômica tanto para os contribuintes que confiaram na presunção de validade da legislação vigente, quanto para aqueles que simplesmente decidiram por sua conta e risco não entregar, após regular intimação, os extratos bancários solicitados. As intimações fiscais, por se tratarem de atos administrativos, se revestem de presunção de legalidade, bem como a lei que fundamenta o acesso às informações bancárias (LC 105/2011), possui presunção relativa de constitucionalidade. Daí a colaboração do contribuinte na colheita de provas na fase fiscalizatória, não pode ser chamada de “espontânea”. A negativa na entrega dos extratos bancários, de acordo com a legislação vigente e válida por ocasião da realização dos atos preparatórios do lançamento, implicaria na inevitável, por vinculada, expedição de RMF. Logo, a não entrega dos dados bancários solicitados, se tornaria medida apenas protelatória. Constatada a omissão de rendimentos, foi lavrado Auto de Infração e constituído o respectivo crédito tributário relativo a omissão de rendimentos provenientes depósitos bancários, de que trata o artigo 42 da lei n° 9.430/96. Apesar de se tratar de tema submetido a Repercussão Geral pelo pleno STF (RE 601314, Relator Min. Ricardo Lewandowski), não há determinação expressa naqueles autos pelo sobrestamento dos feitos nas instâncias inferiores, o que, em tese, impõe o julgamento do Fl. 224DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/02/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10245.000051/200969 Resolução nº 2802000.106 S2TE02 Fl. 4 3 feito, nos termos da determinação contida no parágrafo único do artigo 1º da Portaria CARF n. 1/2012. Entretanto, de se constatar, que o posicionamento do STF tem sido no sentido de sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários que veiculam a mesma matéria objeto do Recurso Extraordinário n.º 601.314, a seguir: DESPACHO: Vistos. O presente apelo discute a violação da garantia do sigilo fiscal em face do inciso II do artigo 17 da Lei n° 9.393/96, que possibilitou a celebração de convênios entre a Secretaria da Receita Federal e a Confederação Nacional da Agricultura CNA e a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura – Contag, a fim de viabilizar o fornecimento de dados cadastrais de imóveis rurais para possibilitar cobranças tributárias. Verifica se que no exame do RE n° 601.314/SP, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski, foi reconhecida a repercussão geral de matéria análoga à da presente lide, e terá seu mérito julgado no Plenário deste Supremo Tribunal Federal Destarte, determino o sobrestamento do feito até a conclusão do julgamento do mencionado RE nº 601.314/SP. Devem os autos permanecer na Secretaria Judiciária até a conclusão do referido julgamento. Publique se.Brasília, 9 de fevereiro de 2011. Ministro DIAS TOFFOLI Relator Documento assinado digitalmente (RE 488993, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, julgado em 09/02/2011, publicado em DJe035 DIVULG 21/02/2011 PUBLIC 22/02/2011) DECISÃO REPERCUSSÃO GERAL ADMITIDA – PROCESSOS VERSANDO A MATÉRIA – SIGILO DADOS BANCÁRIOS – FISCO – AFASTAMENTO – ARTIGO 6º DA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001 – SOBRESTAMENTO. 1. O Tribunal, no Recurso Extraordinário nº 601.314/SP, relator Ministro Ricardo Lewandowski, concluiu pela repercussão geral do tema relativo à constitucionalidade de o Fisco exigir informações bancárias de contribuintes mediante o procedimento administrativo previsto no artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001. 2. Ante o quadro, considerado o fato de o recurso veicular a mesma matéria, tendo a intimação do acórdão da Corte de origem ocorrido anteriormente à vigência do sistema da repercussão geral, determino o sobrestamento destes autos. 3. À Assessoria, para o acompanhamento devido. 4. Publiquem. Brasília, 04 de outubro de 2011. Ministro MARCO AURÉLIO Relator (AI 691349 AgR, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, julgado em 04/10/2011, publicado em DJe213 DIVULG 08/11/2011 PUBLIC 09/11/2011) REPERCUSSÃO GERAL. LC 105/01. CONSTITUCIONALIDADE. LEI 10.174/01. APLICAÇÃO PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES À EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RECURSO EXTRAORDINÁRIO DA UNIÃO PREJUDICADO. POSSIBILIDADE. DEVOLUÇÃO DO PROCESSO AO TRIBUNAL DE ORIGEM (ART. 328, PARÁGRAFO ÚNICO, DO RISTF ). Decisão: Discute se nestes recursos extraordinários a constitucionalidade, ou não, do artigo 6º da LC 105/01, que permitiu o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras Fl. 225DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/02/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10245.000051/200969 Resolução nº 2802000.106 S2TE02 Fl. 5 4 diretamente ao Fisco, sem autorização judicial; bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei 10.174/01 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. O Tribunal Regional Federal da 4ª Região negou seguimento à remessa oficial e à apelação da União, reconhecendo a impossibilidade da aplicação retroativa da LC 105/01 e da Lei 10.174/01. Contra essa decisão, a União interpôs, simultaneamente, recursos especial e extraordinário, ambos admitidos na Corte de origem. Verifica se que o Superior Tribunal de Justiça deu provimento ao recurso especial em decisão assim ementada (fl. 281): “ADMINISTRATIVO E TRIBUTÁRIO – UTILIZAÇÃO DE DADOS DA CPMF PARA LANÇAMENTO DE OUTROS TRIBUTOS – IMPOSTO DE RENDA – QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO – PERÍODO ANTERIOR À LC 105/2001 – APLICAÇÃO IMEDIATA –RETROATIVIDADE PERMITIDA PELO ART. 144, § 1º, DO CTN –PRECEDENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO – RECURSO ESPECIAL PROVIDO.” Irresignado, Gildo Edgar Wendt interpôs novo recurso extraordinário, alegando, em suma, a inconstitucionalidade da LC 105/01 e a impossibilidade da aplicação retroativa da Lei 10.174/01 . O Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da controvérsia objeto destes autos, que será submetida à apreciação do Pleno desta Corte, nos autos do RE 601.314, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski. Pelo exposto, declaro a prejudicialidade do recurso extraordinário interposto pela União, com fundamento no disposto no artigo 21, inciso IX, do RISTF. Com relação ao apelo extremo interposto por Gildo Edgar Wendt, revejo o sobrestamento anteriormente determinado pelo Min. Eros Grau, e, aplicando a decisão Plenária no RE n. 579.431, secundada, a posteriori pelo AI n. 503.064AgRAgR, Rel. Min. CELSO DE MELLO; AI n. 811.626AgRAgR, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, e RE n. 513.473ED, Rel. Min CÉZAR PELUSO, determino a devolução dos autos ao Tribunal de origem (art. 328, parágrafo único, do RISTF c.c. artigo 543B e seus parágrafos do Código de Processo Civil). Publique se. Brasília, 1º de agosto de 2011. Ministro Luiz Fux Relator Documento assinado digitalmente (RE 602945, Relator(a): Min. LUIZ FUX, julgado em 01/08/2011, publicado em DJe158 DIVULG 17/08/2011 PUBLIC 18/08/2011) DECISÃO: A matéria veiculada na presente sede recursal –discussão em torno da suposta transgressão à garantia constitucional de inviolabilidade do sigilo de dados e da intimidade das pessoas em geral, naqueles casos em que a administração tributária, sem prévia autorização judicial, recebe, diretamente, das instituições financeiras, informações sobre as operações bancárias ativas e passivas dos contribuintes será apreciada no recurso extraordinário representativo da controvérsia jurídica suscitada no RE 601.314/SP, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, em cujo âmbito o Plenário desta Corte reconheceu existente a repercussão geral da questão constitucional. Sendo assim, impõe se o sobrestamento dos presentes autos, que permanecerão na Secretaria desta Corte até final julgamento do mencionado recurso extraordinário. Publique se.Brasília, 21 de maio de 2010. Ministro CELSO DE MELLO Relator (RE 479841, Relator(a): Fl. 226DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/02/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10245.000051/200969 Resolução nº 2802000.106 S2TE02 Fl. 6 5 Min. CELSO DE MELLO, julgado em 21/05/2010, publicado em DJe100 DIVULG 02/06/2010 PUBLIC 04/06/2010) Sendo assim, é inquestionável o enquadramento do presente caso ao art. 26A, §1º, da Portaria 256/09 (RICARF), ratificado pelas decisões acima transcritas, que impedem a apreciação do mérito do feito. Nesses termos, proponho o sobrestamento do processo, até o julgamento definitivo do Recurso Extraordinário n.º 601.314 pelo STF,. (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite Relatora Fl. 227DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/02/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 10925.001161/2005-65
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Sep 15 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3403-000.567
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Esteve presente ao julgamento o Dr. Rubens Pelliciari, OAB/SP no 21.968.
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente.
ROSALDO TREVISAN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Esteve presente ao julgamento o Dr. Rubens Pelliciari, OAB/SP no 21.968. ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente. ROSALDO TREVISAN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista. Relatório Versa o presente processo sobre PER/DCOMP (no 36786.89381.310804.1.3.010167) transmitida em 31/08/2004 (fls. 4 a 151) para ressarcir Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) referente ao segundo trimestre de 2004, com base na Lei no 9.779/1999 (insumos utilizados na fabricação de produto tributados à alíquota zero), no montante de R$ 28.986,36 (cópias do Livro Registro de Apuração do IPI às fls. 17 a 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 25 .0 01 16 1/ 20 05 -6 5 Fl. 149DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10925.001161/200565 Resolução nº 3403000.567 S3C4T3 Fl. 674 2 51, e relação/cópias de notas fiscais de compra de embalagens aplicadas em produtos tributados à alíquota zero às fls. 52 a 64). Com base na informação fiscal de fls. 71 a 73, é emitido o despacho decisório de fls. 74/75 em 22/08/2005, deferindo parcialmente o pleito (no montante de R$ 917,30), sob o fundamento de que: (a) houve notas fiscais sem destaque de IPI (notas de transferência de insumos da Unidade Paranaguá, relacionadas à fl. 72), e sem validade legal por serem incompletas, conforme art. 353 do Regulamento do IPI/2002RIPI/2002 (Decreto no 4.544/2002), ocasionando a glosa de R$ 28.069,06. Em sua manifestação de inconformidade (fls. 77 a 83), alega a empresa, em síntese, que: (a) a autoridade fiscal efetuou a glosa por simples irregularidade formal, pois a empresa suportou o encargo do IPI; (b) vislumbrase do texto da informação fiscal que todos os débitos, créditos e estornos do IPI estão devidamente lançados e contabilizados pela empresa; (c) a autoridade fiscal não contesta que a empresa suportou a carga tributária do IPI e tem direito ao ressarcimento; (d) não foi destacado o valor do IPI sobre as transferências de produtos importados no campo específico da nota fiscal porque os valores de estoque dos referidos produtos são compostos do valor importado e dos valores das despesas posteriores ao desembaraço (isso evitou a geração de valores a maior de IPI, pois o sistema utiliza o valor do estoque para o cálculo dos tributos devidos); e (e) houve boafé da empresa, que cumpriu com sua obrigação de recolher e suportar o IPI. Em 14/02/2012 ocorre o julgamento de primeira instância (fls. 97 a 100), no qual se acorda unanimemente pela improcedência da manifestação de inconformidade, sob o fundamento de que: (a) o IPI é regido pelo princípio da autonomia dos estabelecimentos (art. 51 do CTN e arts. 313 e 518, IV do RIPI/2002), devendo a apuração do imposto ser feita por estabelecimento, sendo vedada a centralização; (b) a transferência de insumos entre estabelecimento de uma mesma empresa em regra deve ser efetuada com destaque de IPI, mas pode (cf. art. 42, X do RIPI/2002) ser feita com suspensão, sem o destaque, como no caso em tela; e (c) assim, a glosa não trata de questão formal, mas de descumprimento de requisito (art. 196 do RIPI/2002) para utilização de crédito. Cientificada da decisão de piso em 09/05/2012 (cf. AR de fl. 106), a empresa apresenta recurso voluntário em 17/05/2012 (fls. 107 a 130), no qual reitera os argumentos expostos em sua manifestação de inconformidade, adicionando que: (a) a empresa agiu de acordo com o previsto no art. 42, X do RIPI/2002, que prevê a suspensão do imposto nas transferências para industrialização; (b) a filial pleiteante lançou posteriormente na conta “outros créditos” do Livro Registro de Apuração do IPI o valor do IPI objeto do pedido de ressarcimento, e, havendo débito do imposto pelas saídas devese permitir o crédito correspondente, em função do princípio da nãocumulatividade; (c) sendo certo que a empresa suportou o ônus do IPI, a glosa implica violação à nãocumulatividade; (d) a mesma irregularidade já foi imputada outras vezes à empresa, mas rechaçada pelo antigo Conselho de Contribuintes (v.g. Acórdãos no 20217.100, no 20401.378, e no 20401.782); e (e) aos valores a serem ressarcidos deve ser aplicada a Taxa SELIC (conforme decidiu o STJRESp no 150.345/RS, no 611.905/RS, no 416.247/SC e no 988.032/RS, e o Conselho de Contribuintes Acórdãos no 20173129, no 20401.378, e no 20401.782A). É o relatório. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10925.001161/200565 Resolução nº 3403000.567 S3C4T3 Fl. 675 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. O crédito que a empresa pleiteia é o referido no art. 11 da Lei no 9.779/1999, que dispõe: “Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda.” Reparese que a lei não concede o crédito de IPI. Apenas permite a utilização do saldo credor de IPI já acumulado, segundo a legislação aplicável a tal tributo. E a unidade local entendeu não haver todo o saldo credor indicado, mas apenas parte dele, efetuando glosa em relação às seguintes notas fiscais: As duas primeiras notas fiscais estão relacionadas no demonstrativo de fl. 53, com descrição de base de cálculo do IPI, alíquota e valor de IPI. Nas cópias de tais faturas (fls. 54 e 55), percebese que não há preenchimento dos campos “alíquota do IPI”, “valor do IPI” e “valor total do IPI”, mas a base de cálculo, a alíquota e o valor do IPI estão discriminados no campo “dados adicionais”, com os mesmos dados/valores que no demonstrativo de fl. 53. E percebese que o mesmo comportamento se repete na terceira e a quarta notas fiscais da listagem (fls. 58 e 59, com demonstrativo à fl. 57), e nas duas últimas (fls. 62 e 63/64, com demonstrativo à fl. 61) em que pese a má qualidade da digitalização de algumas imagens. A fiscalização reconhece as menções à base de cálculo, à alíquota e ao valor do IPI nas notas fiscais, mas efetua a glosa ao amparo da invalidade dos documentos porque: Fl. 151DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10925.001161/200565 Resolução nº 3403000.567 S3C4T3 Fl. 676 4 “somente os valores de IPI corretamente destacados, no campo apropriado, é que são passíveis de serem creditados, salvo situações especiais, o que não é o caso das transferências de insumos entre estabelecimentos do mesmo contribuinte”. E o fundamento indicado para a invalidade das notas fiscais é o art. 353, II do RIPI/2002 (vigente à época dos fatos): “Art. 353. Serão consideradas, para efeitos fiscais, sem valor legal, e servirão de prova apenas em favor do Fisco, as notas fiscais que (Lei nº 4.502, de 1964, art. 53, e Decretolei nº 34, de 1966, art. 2º, alteração 15ª): (...) II não contiverem, dentre as indicações exigidas nas alíneas b, f até h, j, e l, do quadro "Dados do Produto", de que trata o inciso IV do art. 339, e nas alíneas e, i, e j, do quadro "Cálculo do Imposto", de que trata o inciso V do mesmo artigo, as necessárias à identificação e classificação do produto e ao cálculo do imposto devido (Lei nº 4.502, de 1964, art. 53, e Decretolei nº 34, de 1966, art. 2º, alteração 15ª);” (grifos efetuados pela autoridade fiscal na informação fiscal fl. 72) De fato, as informações sobre base de cálculo, alíquota e valor do IPI, embora constantes nas notas fiscais, não estavam nos campos indicados pelo dispositivo regulamentar, mas no campo “dados adicionais”. Isso é incontroverso. O julgador de piso encontra uma possível razão para que os valores de IPI, apesar de mencionados nas notas fiscais, não estivessem destacados no campo próprio: “A transferência de insumos entre estabelecimentos da mesma empresa, como regra geral, deve ser realizada com o destaque do IPI. Entretanto, o inciso X, do art. 42 do RIPI/2002, prevê que poderão sair com suspensão do imposto, os insumos transferidos para industrialização, de um estabelecimento para outro, da mesma firma. Essa opção de transferir os insumos sem o destaque de IPI é exteriorizada justamente através da nota fiscal. Não se trata que uma questão meramente formal. Não havendo o destaque do imposto, claro fica que a empresa optou por não transferir os créditos. E é justamente o que ocorreu no caso em tela. Verificase às fls. 54/55, 58/59 e 62/64 que não houve o destaque do IPI, e como consequência, o estabelecimento que recebeu os insumos não faz jus ao credito, que permanece no estabelecimento remetente.” (grifo no original) No recurso voluntário, a própria empresa parece encampar a tese da suspensão, ao afirmar (fl. 111) que: “Desta forma, a autoridade fiscal entendeu que o crédito deveria ser glosado apenas com base na mera formalidade do destaque na nota fiscal. Tal formalidade não pode cercear o direito incontroverso ao creditamento de IPI, porque de fato o tributo foi pago. Além do mais, a empresa agiu de acordo com o previsto no inciso X, do art. 42 da (sic) RIPI/2002, pois este prevê que poderão sair com Fl. 152DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10925.001161/200565 Resolução nº 3403000.567 S3C4T3 Fl. 677 5 suspensão do imposto, os insumos transferidos para industrialização, de um estabelecimento para outro, da mesma firma.” (grifo nosso) Parece haver contradição no excerto: ou o IPI foi pago/destacado pela remetente ou a remessa ocorreu com suspensão (art. 42, X do RIPI). Ou há o equívoco da recorrente em entender que o IPI suspenso na operação de transferência foi “pago”/destacado. Reparese que nas linhas 002, 003, 005, 006, 008 e 009 do PER/DCOMP (fl. 11), correspondentes exatamente às notas fiscais glosadas, há sempre a mensagem “transferência para industrialização”, da filial 004009 para a 003452. Nas demais, há a mensagem “compra para industrialização”. Contudo, nos demonstrativos de fls. 53, 57 e 61, relativos às mesmas notas fiscais de “transferência” (em todas as notas aparece como natureza da operação “transf. de mercad. adquir. ou recebid. de terceiros CFOP 6.152”), há a mensagem “compra de embalagens aplicadas na produção”. Pelos documentos acostados aos autos (Livro de Registro de Apuração do IPI da destinatária, e não da remetente) não é possível saber de forma conclusiva (justamente pela incorreção nas notas fiscais glosadas), se tais notas estavam a amparar uma operação com IPI de fato destacado pelo remetente ou uma operação de transferência com suspensão. E isso deixa claro que a irregularidade no preenchimento da nota fiscal apontada no despacho pode não constituir mera formalidade, mas elemento indicativo do tipo de operação que ampara (transferência com destaque ou transferência com suspensão). Resta dúvida, assim, sobre o potencial infracional de eventual erro cometido na nota fiscal. Essa dúvida, destaquese, não era presente em precedentes apresentados pela recorrente. Vejase o teor do Acórdão no 20217.100 (de 24.mai.2006, relatado pelo Cons. Antonio Zomer, com a participação de dois membros deste colegiado Antonio Carlos Atulim e Ivan Allegretti, no qual houve unanimidade em relação à matéria), que, a nosso ver, bem tratou da questão à luz da verdade material: “IPI. RESSARCIMENTO. LEI 149 9.779/99. CRÉDITOS BÁSICOS RELATIVOS A INSUMOS RECEBIDOS EM TRANSFERÊNCIA. A informação do valor total dos produtos, do IPI e da nota fiscal no quadro da nota fiscal destinado aos Dados Adicionais Informações Complementares, aliada à comprovação do lançamento a débito no livro de apuração do remetente, autoriza o creditamento do imposto pelo estabelecimento recebedor dos insumos transferidos.” (grifo nosso) No mesmo sentido o Acórdão no 20401.378 (de 24.mai.2006, relatado pelo Cons. Júlio César Alves Ramos, no qual também houve unanimidade em relação à matéria): “IPI. RESSARCIMENTO. SALDO CREDOR TRIMESTRAL.INSUMOS TRANSFERIDOS, SEM DESTAQUE DO IMPOSTO, DE UM ESTABELECIMENTO PARA OUTRO DA MESMA FIRMA. Os créditos do IPI são escriturados vista do documento que lhes confira legitimidade. A indicação dos dados essenciais ao lançamento, inclusive do imposto devido pela saída, em campo diverso do previsto na norma não inviabiliza o crédito do adquirente, quando provado que o remetente reconheceu como débito o imposto incorretamente informado.” (grifo nosso) Fl. 153DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10925.001161/200565 Resolução nº 3403000.567 S3C4T3 Fl. 678 6 Assim, em nome da verdade material, para saber com segurança o tipo de operação configurado na transferência (ou compra) efetuada por meio das citadas notas fiscais, necessário se faz baixar os autos em diligência, para que a unidade local ateste conclusivamente se a unidade remetente reconheceu como débito o imposto informado nas notas fiscais glosadas. Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência. Rosaldo Trevisan Fl. 154DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN
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Numero do processo: 10580.727921/2011-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1993, 1994, 1995, 1996, 1997, 1998, 1999
DISCUSSÃO JUDICIAL POR MEIO DE MANDADO DE SEGURANÇA. ACÓRDÃO TRANSITADO EM JULGADO PARA RECONHECER INTEGRALMENTE O DIREITO CREDITÓRIO.
Deve ser respeitado pela autoridade administrativa os termos de acórdão judicial transitado em julgado que reconhece integralmente o direito creditório do contribuinte decorrente do recolhimento indevido do tributo.
PRESCRIÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA. DECISÃO PACIFICADA DO E. STF. LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. ENTENDIMENTO PACIFICADO DOS TRIBUNAIS SUPERIORES. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DA PORTARIA Nº 256/2009 (REGIMENTO INTERNO DO CARF).
Para as ações judiciais ajuizadas até 08/06/2005, a contagem do prazo prescricional para o reconhecimento do direito creditório era de 10 anos. Após 09/06/2005 (vacatio legis da Lei Complementar nº 118/2005), o prazo prescricional deveria ser contado nos termos do artigo 3º de referida lei.
Numero da decisão: 1202-001.156
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que fazem parte do presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Donassolo - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Geraldo Valentim Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo (Presidente), Plínio Rodrigues Lima, Marcos Antonio Pires (suplente), Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno.
Nome do relator: GERALDO VALENTIM NETO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1993, 1994, 1995, 1996, 1997, 1998, 1999 DISCUSSÃO JUDICIAL POR MEIO DE MANDADO DE SEGURANÇA. ACÓRDÃO TRANSITADO EM JULGADO PARA RECONHECER INTEGRALMENTE O DIREITO CREDITÓRIO. Deve ser respeitado pela autoridade administrativa os termos de acórdão judicial transitado em julgado que reconhece integralmente o direito creditório do contribuinte decorrente do recolhimento indevido do tributo. PRESCRIÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA. DECISÃO PACIFICADA DO E. STF. LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. ENTENDIMENTO PACIFICADO DOS TRIBUNAIS SUPERIORES. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DA PORTARIA Nº 256/2009 (REGIMENTO INTERNO DO CARF). Para as ações judiciais ajuizadas até 08/06/2005, a contagem do prazo prescricional para o reconhecimento do direito creditório era de 10 anos. Após 09/06/2005 (vacatio legis da Lei Complementar nº 118/2005), o prazo prescricional deveria ser contado nos termos do artigo 3º de referida lei.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que fazem parte do presente julgado. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo - Presidente. (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo (Presidente), Plínio Rodrigues Lima, Marcos Antonio Pires (suplente), Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno.
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ACÓRDÃO TRANSITADO EM JULGADO PARA RECONHECER INTEGRALMENTE O DIREITO CREDITÓRIO. Deve ser respeitado pela autoridade administrativa os termos de acórdão judicial transitado em julgado que reconhece integralmente o direito creditório do contribuinte decorrente do recolhimento indevido do tributo. PRESCRIÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA. DECISÃO PACIFICADA DO E. STF. LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. ENTENDIMENTO PACIFICADO DOS TRIBUNAIS SUPERIORES. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DA PORTARIA Nº 256/2009 (REGIMENTO INTERNO DO CARF). Para as ações judiciais ajuizadas até 08/06/2005, a contagem do prazo prescricional para o reconhecimento do direito creditório era de 10 anos. Após 09/06/2005 (vacatio legis da Lei Complementar nº 118/2005), o prazo prescricional deveria ser contado nos termos do artigo 3º de referida lei. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que fazem parte do presente julgado. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Presidente. (documento assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 79 21 /2 01 1- 54 Fl. 1330DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 02/09/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10580.727921/201154 Acórdão n.º 1202001.156 S1C2T2 Fl. 1.331 2 Geraldo Valentim Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo (Presidente), Plínio Rodrigues Lima, Marcos Antonio Pires (suplente), Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno. Relatório Tratase o caso de Pedidos de Restituição e de Declarações de Compensação transmitidas eletronicamente pela Recorrente, decorrentes do reconhecimento judicial do direito creditório acerca da ilegalidade da exigência do Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF sobre a remessa de juros para o exterior, ocorrida nos períodos de junho de 1993 a maio de 1999. O direito creditório em questão foi reconhecido judicialmente nos autos do Mandado de Segurança nº 001215161.1999.4.01.3300 (antigo nº 1999.33.00.0121517),cujo acórdão transitou em julgado em 21/11/2008 favoravelmente à Recorrente e que reconheceu a ilegalidade da exigência do IRRF sobre a remessa de juros ao exterior, com ementa proferida nos seguintes termos: “TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. MANDADO DE SEGURANÇA. CABIMENTO. NATUREZA PREVENTIVA. DECADÊNCIA AFASTADA. COMPENSAÇÃO. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE SOBRE REMESSA DE JUROS AO EXTERIOR. DECRETOLEI 1.351/74 E RESOLUÇÕES 644/80 E 1.853/91, DO CONSELHO MONETÁRIO NACIONAL. REDUÇÃO DE 100%. LIMITAÇÃO POR MEIO DE CARTAS CIRCULARES DO BACEN. IMPOSSIBILIDADE. CRITÉRIO DE CORREÇÃO MONETÁRIA. O mandado de segurança constitui ação adequada para declaração do direito à compensação, conforme enunciado da Súmula 213 do STJ. Conforme entendimento desta Corte, não se aplica, no caso, o prazo de 120 dias, estabelecido no art. 18 da lei 1.533/51, para impetração do mandamus, uma vez que se trata de mandado de segurança preventivo, porquanto o ato supostamente abusivo, do qual teme o impetrante (negativa do direito à compensação do tributo), ainda não foi concretizado pela administração (AMS 2004.38.00.0054263/MG, 8ª Turma, unânime, Relatora Desembargadora Maria do Carmo Cardoso). O DecretoLei 1.351/74 delegou ao Conselho Monetário Nacional poderes para proceder à redução do IRRF incidente sobre remessa de juros ao exterior e a ditar o seu alcance, não delegando quaisquer atribuições para delegar o que recebera por delegação. As atribuições concedidas ao Banco Central do Brasil pelos art. 1º da Resolução 644/80 e art. 3º da Resolução 1.853/91, ambas do Conselho Monetário Nacional, para baixar normas complementares se referem às Fl. 1331DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 02/09/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10580.727921/201154 Acórdão n.º 1202001.156 S1C2T2 Fl. 1.332 3 normas de execução, que, em momento algum, compreendem poderes para alterar os benefícios tributários concedidos, nos termos em que efetivados pelas cartas circulares 2.269/92, 2.372/92, 2.546/95 e 2.661/96, ao que se tem por exacerbado o limite de atuação do Banco Central do Brasil. Consolidouse o entendimento desta Turma de que é possível a compensação de créditos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal com qualquer tributo sujeito à sua administração, ainda que o destino das arrecadações seja outro (AMS 2004.40.00.0034293/PI). Precedentes do STJ: REsp 357.692/SC, publicado no DJ/I de 17/11/2003, e REsp 487.173/RJ, publicado no DJ/I de 08/09/2003. O critério de cálculo da correção monetária dos recolhimentos indevidos até 31/12/1995 deve ser aquele contido no Manual de Orientação de Procedimentos para os Cálculos na Justiça Federal – Resolução 242, de 03/07/01 – e, após essa data, pela taxa SELIC, que não se acumula com juros. Apelação a que se dá provimento”. Transitado em julgado o acórdão favorável à tese da Recorrente, proferido pelo E. Tribunal Regional Federal da 1ª Região, foi apresentada habilitação administrativa do crédito, homologada através do Despacho Decisório nº 0245/09, Processo Administrativo nº 18050.003640/200998. Reconhecido o direito creditório e habilitado o crédito administrativamente, a Recorrente apresentou os competentes Pedidos Eletrônicos de Compensação. Após verificações internas e a apresentação de documentos complementares solicitados à Recorrente, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Salvador/BA proferiu Despacho Decisório nº 1167/2011 no sentido de deferir parcialmente a solicitação (fls. 1153/1162). A Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 1167/1178) sob os seguintes fundamentos, em síntese: (i) Existência de coisa julgada no Mandado de Segurança nº 1999.33.00.0121517, que acolheu integralmente o pedido da Requerente e autorizou a compensação pleiteada, cabendo à Administração Pública somente a apuração do montante devido; (ii) Diante da existência da coisa julgada, não é possível revisitar, pela via do processo administrativo, matéria que deveria ter sido objeto do Mandado de Segurança nº 1999.33.00.0121517; (iii) O Supremo Tribunal Federal já proferiu entendimento pacificado, com aplicação dos efeitos da repercussão geral (artigo 543B do CPC) acerca da contagem do prazo para a restituição de tributo ao contribuinte, na modalidade de lançamento por homologação, nas hipóteses de recolhimento indevido; (iv) Este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já teria pacificado o entendimento acerca da aplicação de decisões proferidas pelo E. Supremo Tribunal Federal e pelo E. Superior Tribunal de Justiça nas hipóteses dos artigos 543B e 543C do CPC; Fl. 1332DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 02/09/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10580.727921/201154 Acórdão n.º 1202001.156 S1C2T2 Fl. 1.333 4 (v) A eventual cobrança de créditos tributários pela Receita Federal Pública deve ocorrer pela realização do lançamento por meio de formalização de Auto de Infração ou Notificação de Lançamento, não sendo autorizada a sua constituição por meio de Despacho Decisório que não homologa pedido de compensação. Submetida à apreciação pela D. Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador/BA, foi proferido o v. Acórdão 1532.466 (fls. 1269/1272) que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade nos seguintes termos: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE – IRRF Anocalendário: 1193, 1994, 1995, 1996, 1997, 1998 e 1999 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. O prazo de prescrição do direito de pleitear a restituição/compensação é de 5 (cinco) anos, contados da data do pagamento indevido ou a maior. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório não reconhecido.” Intimada, a Recorrente interpôs o presente Recurso Voluntário (fls. 1277/1289) sob os seguintes fundamentos, em síntese: (i) A obrigatoriedade de respeito à coisa julgada e aplicação do prazo decenal, tendo em vista o acórdão transitado em julgado e proferido no Mandado de Segurança nº 1999.33.00.0121517, que acolheu integralmente o pedido da Requerente e autorizou a compensação pleiteada, cabendo à Administração Pública somente a apuração do montante devido; (ii) Equívoco no fundamento constante da r. decisão recorrida de que à Autoridade Administrativa não seria restrita a atividade de verificação apenas dos valores a restituir/compensar; (iii) Discussão quanto o prazo para impetração do Mandado de Segurança deveria ter sido arguida no âmbito judicial e não no pedido de habilitação do crédito; (iv) Posicionamento pacificado no E. STF (Recurso Extraordinário nº 566.819/RS) e E.STJ acerca da aplicação e efeitos da Lei Complementar nº 118/2005 após a sua vacatio legis – 09/06/20052; (v) Entendimento pacificado neste E. CARF sobre a obrigatoriedade de aplicação do entendimento pacificado no E. STF e E. STJ nas hipóteses dos artigos 543B e 543C do CPC; (vi) Efetiva comprovação do crédito pleiteado referente ao período de apuração de 07/07/1996; (vii) Obrigatoriedade da constituição do crédito tributário pelo lançamento através de Auto de Infração ou Notificação de Lançamento, nunca por meio de Despacho Decisório que não homologa pedido de restituição/compensação. Fl. 1333DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 02/09/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10580.727921/201154 Acórdão n.º 1202001.156 S1C2T2 Fl. 1.334 5 É o Relatório. Voto Conselheiro Geraldo Valentim Neto, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos de admissibilidade. Dessa forma, dele tomo conhecimento e passo a analisar as questões suscitadas. A primeira questão a ser analisada cingese a determinar, uma vez submetida a questão à apreciação pelo Poder Judiciário, quando transitada em julgado a decisão que autoriza a compensação ou restituição do indébito, qual seria o papel da autoridade administrativa no processo de restituição e/ou compensação e qual o âmbito de sua atuação. Como constou do v. Acórdão proferido nos autos do Mandado de Segurança nº 1999.33.00.0121517, o Mandado de Segurança constitui meio adequado para a declaração do direito de compensação, nos termos da Súmula STJ nº 213. Como havia nos autos prova do recolhimento e esse foi declarado indevido, o direito de compensação – decorrente de lei , era garantido à Recorrente. Quanto ao mérito, resumidamente entendeu a I. Desembargadora Relatora que as Resoluções nºs 644/80 e 1853/91 do Conselho Monetário Nacional reduziram em 100% o Imposto de Renda Retido na Fonte incidente sobre a remessa de juros, comissões e despesas decorrentes de colocações no exterior de determinados títulos de repercussão internacional, com efeito a partir de agosto de 1991, resultando na criação de exigência tributária desprovida de previsão legal – princípio da legalidade, artigo 150, I da CF/88. Conforme consultado no site do E. TRF da 1ª Região, após a prolação do referido acórdão foram opostos Embargos de Declaração pela Fazenda Nacional sob o fundamento de que não analisada a questão da prescrição. Os Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional foram rejeitados, sob o fundamento de que a prescrição não foi objeto das razões recursais, não consistindo em matéria passível de conhecimento de ofício. Não obstante os fundamentos bem articulados no v. Acórdão proferido pelo E. TRF da 1ª Região, a jurisprudência do E. STJ já se encontra pacificada no sentido de que a prescrição consiste em matéria que pode ser reconhecida de ofício, mesmo diante da inexistência de manifestação das partes. No caso concreto, se ocorrida, a prescrição não foi arguida pela Fazenda Nacional nem pelo Banco Central do Brasil – BACEN nas Contrarrazões de recurso. A questão da prescrição também não foi reconhecida de ofício pela D. Desembargadora Relator. Entretanto, o argumento da prescrição foi apresentado somente em sede de Embargos de Declaração, que – frisese foram rejeitados pela I. Desembargadora Relatora. Diante deste indeferimento, até mesmo em decorrência da possibilidade do reconhecimento de ofício, as partes sucumbentes (no caso, Fazenda Nacional e BACEN) tinham a opção de interpor o competente recurso para que fosse apreciada a prescrição, Fl. 1334DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 02/09/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10580.727921/201154 Acórdão n.º 1202001.156 S1C2T2 Fl. 1.335 6 arguível a qualquer momento, faculdade esta que não foi exercida, tendo ocorrido o trânsito em julgado do v. acórdão que reconheceu integralmente o direito creditório do Recorrente. Dessa forma, ocorreu a preclusão do direito da Fazenda Nacional e do BACEN de rediscutirem qualquer questão objeto do v. acórdão transitado em julgado. Assim, certificado o trânsito em julgado no processo judicial, a decisão nele proferida é ordem que deve ser acatada também na esfera administrativa, em especial no Direito Tributário, possibilitada à Administração Pública a verificação somente acerca do quantum a ser restituído ou compensado. Destaquese que o que se está discutindo no presente processo administrativo, além dos valores a serem restituídos, não é a data da apresentação da habilitação do crédito a ser devolvido ou a data da apresentação dos Pedidos Eletrônicos de Compensação. O que pretende a Administração Pública é reanalisar a discussão quanto ao termo inicial para a impetração do Mandado de Segurança, como forma de rediscutir a contagem do prazo prescricional para a restituição e/ou compensação dos créditos pleiteados pela Recorrente. Neste caso concreto, a discussão do termo inicial para a impetração do Mandado de Segurança consiste em matéria preclusa, não podendo mais ser reaberta ou reanalisada em sede administrativa, até mesmo porque, da mesma forma que a regra do artigo 1º do Decreto nº 1.737/79 determina para o contribuinte que o ajuizamento de ação judicial implica na renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa, determina também a impossibilidade de reapreciação da matéria no processo administrativo. Se a Fazenda Nacional e o BACEN não se utilizaram da possibilidade de interposição de recurso com vistas a discutir a questão da prescrição inicial para impetração do Mandado de Segurança, não poderá a Administração Pública sanar esta omissão, equívoco ou faculdade não aproveitada ou exercida no momento e esfera oportunos. Ainda que se considere a possibilidade de reabertura da discussão quanto ao prazo prescricional para a impetração do Mandado de Segurança em questão, o direito da Recorrente não foi atingido pela prescrição. Isto porque, tal como exposto pela Recorrente em sua Manifestação de Inconformidade e agora em seu Recurso Voluntário, a impetração do Mandado de Segurança nº 1999.33.00.0121517 ocorreu em 25/08/1999. Os Tribunais Superiores, em especial o E. STF nos autos do Recurso Extraordinário nº 566.819/RS julgado em 04/08/2011, determinaram que não eram retroativos os efeitos do artigo 4º da Lei Complementar nº 118/2005, tendo sido declarada inconstitucional a segunda parte do referido artigo 4º. Conforme voto da Relatora Ministra Ellen Gracie, na época da publicação da LC nº 118/2005, estava consolidado o entendimento do E. STJ de que, no caso dos tributos sujeitos à homologação, o prazo para a compensação era de 10 anos contados da ocorrência do seu fato gerador, mediante aplicação conjunta dos artigos 150, § 4º, 156, VIII e 168, inciso I do CTN. O julgamento proferido pelo E. STF nos autos do Recurso Extraordinário nº 566.819/RS ainda determinou novo prazo, de acordo com a disposição do artigo 3º da LC nº 118/2005, aplicável somente aos créditos decorrentes de medidas judiciais ajuizadas após a vacatio legis da referida lei, qual seja, 09/06/2005. Fl. 1335DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 02/09/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10580.727921/201154 Acórdão n.º 1202001.156 S1C2T2 Fl. 1.336 7 Dessa forma, para as ações judiciais ajuizadas até 08/06/2005 – como no presente caso , a contagem do prazo prescricional para o reconhecimento do direito creditório era de 10 anos. Após 09/06/2005, vacatio legis da LC nº 118/2005, o prazo prescricional deveria ser contado nos termos do artigo 3º. Se o Mandado de Segurança nº 1999.33.00.0121517 foi impetrado em 25/08/1999 para postular o reconhecimento do direito creditório da Recorrente, há que se considerar o período anterior ao da vacatio legis da LC nº 118/2005 e, portanto, o entendimento do E. STF e do E. STJ no sentido de que o prazo deve ser considerado de 10 anos. Neste ponto também é equivocado o entendimento proferido na r. decisão recorrida ao dispor que a decisão dos Tribunais Superiores não vincula as decisões das autoridades administrativas porque não enquadradas no Decreto nº 2.346/97. Isto porque o Regimento Interno deste Conselho Administrativo (RICARF), instituído pela Portaria nº 256/2009, determina, em seu artigo 62A, a obrigatoriedade de aplicação das decisões definitivas de mérito proferidas pelo E. STF e pelo E. STJ, na sistemática dos artigos 543B e 543C do CPC, tal como no caso concreto, devendo ser reproduzidas pelos Conselheiros nos seus julgados. Portanto, seja por um seja por outro fundamento, não há que se falar na prescrição do direito da Recorrente no caso concreto, direito este já integralmente reconhecido pelo v. Acórdão transitado em julgado no Mandado de Segurança nº 1999.33.00.0121517, sendo possível à Administração Pública, no que tange à prescrição, verificar somente prazo para a habilitação administrativa do crédito e apresentação dos pedidos administrativos de compensação, não sendo possível reabrir a discussão quanto ao prazo prescricional da impetração do Mandado de Segurança. Superada a questão da prescrição, passase à comprovação ou não do recolhimento referente ao período de 07/07/1996. A decisão recorrida determinou a impossibilidade de restituição referente ao período de apuração de 07/07/1996 por falta de comprovação do montante recolhido pela Recorrente no valor de R$ 322.969,41, bem como diante da inexistência de confirmação no sistema da Receita Federal do Brasil RFB. Como atestam os documentos de fls. 1296/1297, a Recorrente apresentou o devido comprovante de recolhimento – DARF, inclusive o obtido no sistema da Receita Federal do Brasil (RFB), período de apuração de julho de 1996. Obviamente que os valores não serão os mesmos, tendo em vista que o montante de R$ 322.969,41 que se pleiteia a restituição referese ao valor atualizado na data da apresentação do Pedido Eletrônico de Compensação. Entretanto, é possível confirmar o período de apuração e o código da receita, conforme fls. acima citadas. Dessa forma, há que ser reconhecido o direito creditório em sua integralidade, tal como pleiteado e reconhecido no Mandado de Segurança nº 1999.33.00.0121517, consoante acórdão transitado em julgado em 21/11/2008. Afastada a questão da prescrição e reconhecido integralmente o direito da Recorrente, não há que se discutir a questão da constituição do crédito tributário por meio do Fl. 1336DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 02/09/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10580.727921/201154 Acórdão n.º 1202001.156 S1C2T2 Fl. 1.337 8 Despacho Decisório que não homologou integralmente a compensação, uma vez que agora reformado. Tendo em vista todo o acima exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário para reformar a r. decisão recorrida e determinar o reconhecimento integral do direito creditório. É como voto. (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto Fl. 1337DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 02/09/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO
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Numero do processo: 13819.904486/2012-26
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/03/2005
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA.
A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN.
A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação.
Recurso a que se nega provimento
Numero da decisão: 3802-003.638
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Adriene Maria de Miranda Veras (suplente), Bruno Maurício Macedo Curi, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/03/2005 PEDIDO DE DILIGÊNCIA DESTINADO À COMPROVAÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. INDEFERIMENTO. A verdade material não se reveste em um direito absoluto. O processo há que ser pautado por alguns limites à cognição probatória, sejam estes de natureza temporal ou material, em sintonia com o formalismo moderado, que guia o processo administrativo. O dever de investigação da Administração Tributária caminha pari passu com o dever de colaboração do particular. Assim, a diligência não é instrumento de inversão do ônus da prova de suposto indébito tributário, não podendo ser utilizada para suprir ação omissiva de sujeito passivo que, mesmo ciente de sua necessidade, não apresenta a documentação necessária à comprovação do direito creditório que alega em seu favor. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/03/2005 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 90 44 86 /2 01 2- 26 Fl. 111DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Adriene Maria de Miranda Veras (suplente), Bruno Maurício Macedo Curi, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 2a Turma da DRJ Juiz de Fora (fls. 39/42 da cópia digitalizada do processo), a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade formalizada pela recorrente, nos termos do acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 21/08/2009 DCOMP. DÉBITO CONFESSADO EM DCTF. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO INDEVIDO. Considerando que o DARF indicado no PER/DCOMP (Pedido de Ressarcimento ou Restituição / Declaração de Compensação) como origem do crédito foi utilizado para quitar débito confessado em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), e que o Contribuinte não logra comprovar que a verdade material é outra, não há que se falar em pagamento indevido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Segundo relata a instância recorrida, a lide decorre da não homologação de Declaração de Compensação – DCOMP mediante a qual o sujeito vislumbrava o reconhecimento de direito creditório por conta de aduzido pagamento a maior de COFINS, no valor de R$ 1.225,88, referente ao mês de mar/2005, em vista da suposta venda de produtos para empresas sediadas na Zona Franca de Manaus. A Delegacia da Receita Federal de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação, uma vez que o pagamento apontado como origem do direito fora integralmente utilizado na quitação de débito da contribuinte, não restando, portanto, crédito disponível para a compensação dos débitos informados no PERDCOMP. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13819.904486/201226 Acórdão n.º 3802003.638 S3TE02 Fl. 112 3 Inconformada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade onde argumenta que o crédito utilizado na compensação teria origem em pagamento da contribuição na parcela calculada sobre vendas realizadas à Zona Franca de Manaus – ZFM. Por seu turno, a DRJ recorrida, muito embora tenha reconhecido que as alíquotas do PIS e da COFINS foram reduzidas a zero para as receitas de vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na ZFM, ressaltou que a reclamante não procedeu à retificação das respectivas DCTF e DACON e não junta aos autos a comprovação suportada por documentação contábilfiscal da inclusão das receitas decorrentes das vendas realizadas para a ZFM [...] na base que serviu para o cálculo do pagamento formador do apontado indébito, não se podendo reconhecer o pretendido direito de crédito aproveitado na compensação. Registrese que a empresa não apresentou sequer notas fiscais que comprovem tais operações. A ciência da decisão que manteve a exigência formalizada contra a recorrente ocorreu em 25/10/2013 (fls. 44). Inconformada, a mesma apresentou, em 26/11/2013, o recurso voluntário de fls. 46/51, onde ressalta haver juntado aos autos a DCTF retificadora, “ou seja, a documentação contábil e fiscal capaz de comprovar a inclusão das receitas decorrentes das vendas realizadas a Zona Franca de Manaus”. Assevera, ainda, o sujeito passivo, que a questão probatória suscitada pela autoridade julgadora, com fulcro nos amplos poderes instrutórios conferidos pelos princípios da oficialidade e da verdade material, deveria ensejar a conversão do julgamento em diligência para que se permitisse a ora recorrente juntar as provas comprobatórias de seu reclamado direito. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios A ciência da decisão recorrida se deu em 25/10/2013 (fls. 44). Por sua vez, o recurso voluntário foi apresentado em 26/11/2013, tempestivamente, portanto. Ademais, o recurso preenche aos demais requisitos formais e materiais de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. A reclamante alega haver incorrido em erro quando do pagamento da contribuição devida no período, e que o débito declarado na DCTF não corresponderia à realidade fática. Mesmo ciente de que a negativa de homologação da compensação decorreu da não retificação da DCTF e da DACON, e ainda, pelo fato de não haver juntado aos autos documentação contábilfiscal comprobatória do aduzido equívoco, comparece novamente aos autos apresentando, unicamente, DCTF retificada ulteriormente, contudo, desguarnecida do necessário lastro probatório indispensável à comprovação dos dados nela consignados. Com efeito, não há como acolher as razões apresentadas pela recorrente. Nos pedidos de compensação, como o presente, a apresentação de DCTF retificadora pode até ser dispensada, mas desde que comprovado o erro, ou, em outras palavras Fl. 113DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 4 o indébito declarado na DCOMP. Com efeito, os dados declarados em DCTF podem até ser retificados de ofício pela autoridade administrativa, mas somente se aludida retificação estiver alicerçada em documentos que comprovem a materialidade da modificação intentada pelo contribuinte, o que não ocorreu no caso presente, como destacado pela primeira instância. Neste comenos, como já ressaltado, a primeira instância de julgamento ressaltou a necessidade de apresentação de “documentação contábilfiscal” comprobatória do direito reclamado. Agora, comparece a recorrente novamente aos autos trazendo unicamente a DCTF retificadora do período desacompanhada de qualquer documentação que alicerce as informações nela contidas, situação que impossibilita sejam acatadas as informações ali declaradas. De fato, é do contribuinte o ônus da prova do direito creditório que aduz em seu favor e é este que detém em seu poder toda a documentação capaz de comprovar o crédito alegado, qual seja, a escrita e os documentos inerentes à sua atividade empresarial. Sem a prova do direito, impossível homologar a compensação. A Lei é clara quando ressalta que a compensação, como uma das formas de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e de certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. É desarrazoada a pretensão do sujeito passivo de buscar seja novamente perquirido para apresentar o que já tem em seu poder e sabe ser necessário para a comprovação do crédito e conseqüente liquidação do débito por compensação, principalmente diante da decisão de primeira instância. Efetivamente, a verdade material, invocada pelo sujeito passivo, não se reveste em um direito absoluto. O processo há que ser pautado por alguns limites à cognição probatória, sejam estes de natureza temporal ou material, em sintonia com o formalismo moderado, que guia o processo administrativo. Ademais, o dever de investigação da Administração Tributária caminha pari passu com o dever de colaboração do particular. Portanto, uma vez não comprovada a certeza e a liquidez do crédito por falta de apresentação probatória suficiente, não é possível autorizar a extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação. Da Conclusão Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário interposto pela interessada. Sala de Sessões, em 16 de setembro de 2014. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 114DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13819.904486/201226 Acórdão n.º 3802003.638 S3TE02 Fl. 113 5 Fl. 115DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM
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