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Numero do processo: 10805.001009/2006-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005 Ementa: DESPESAS ESCRITURADAS NO LIVRO-CAIXA . CONDIÇÃO DE DEDUTIBILIDADE, NECESSIDADE E COMPROVAÇÃO. Somente são admissíveis como dedutíveis despesas que, além de preencherem os requisitos de necessidade, normalidade e usualidade, apresentem-se com a devida comprovação, por meio de documentos hábeis e idôneos e que sejam necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, devidamente escrituradas no respectivo livro-caixa.
Numero da decisão: 2202-001.822
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto do relator.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: PEDRO ANAN JUNIOR
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 Ementa: DESPESAS ESCRITURADAS NO LIVRO-CAIXA . CONDIÇÃO DE DEDUTIBILIDADE, NECESSIDADE E COMPROVAÇÃO. Somente são admissíveis como dedutíveis despesas que, além de preencherem os requisitos de necessidade, normalidade e usualidade, apresentem-se com a devida comprovação, por meio de documentos hábeis e idôneos e que sejam necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, devidamente escrituradas no respectivo livro-caixa.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1474; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 1 1 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10805.001009/200620 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 220201.822 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 16 de maio de 2012 Matéria IRPF Recorrente MARCELO FILIPE MOREIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2005 Ementa: DESPESAS ESCRITURADAS NO LIVROCAIXA . CONDIÇÃO DE DEDUTIBILIDADE, NECESSIDADE E COMPROVAÇÃO. Somente são admissíveis como dedutíveis despesas que, além de preencherem os requisitos de necessidade, normalidade e usualidade, apresentemse com a devida comprovação, por meio de documentos hábeis e idôneos e que sejam necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, devidamente escrituradas no respectivo livrocaixa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto do relator. (assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (assinado digitalmente) Fl. 119DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/07/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR 2 Pedro Anan Junior Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Eivanice Canário da Silva, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann (Presidente). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Rafael Pandolfo e Helenilson Cunha Pontes. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/07/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10805.001009/200620 Acórdão n.º 220201.822 S2C2T2 Fl. 2 3 Relatório Foi lavrada contra o contribuinte MARCELO FILIPE MORERIA através da, notificação de lançamento sobre a restituição indevida de imposto de renda da pessoa física do exercício de 2004, no valor total de R$ 16.677,23 (dezesseis mil, seiscentos e setenta e sete reais e vinte e três centavos), conforme descrição dos fatos e enquadramento legal de fls. 02. O lançamento decorreu de declaração retificadora de iniciativa do próprio contribuinte que alterou a declaração original onde havia declarado deduções de livro caixa a maior e na retificadora reduziu tais deduções, ocasionando a redução da restituição do imposto de renda. O contribuinte alegou em síntese que cometera um erro ao preencher a declaração retificadora, mas que, possui o livro caixa e todas as despesas que comprovam os valores declarados. A autoridade recorrida, ao examinar o pleito, decidiu, por unanimidade pela procedência do lançamento através do acórdão DRJ/RPO n° 1.975, de 30 de outubro de 1998, às fls. 25/28, cuja ementa está abaixo transcrita ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 ALEGAÇÃO DE ERRO DE FATO. A alegação de erro de fato pelo contribuinte somente pode ser aceita pela autoridade administrativa, se tal alegação vier acompanhada de provas que confirmem referido erro. Devidamente cientificado dessa decisão em 16/03/2009, ingressou o contribuinte com recurso voluntário tempestivamente em 14/04/2009, onde ratifica os argumentos apresentados na impugnação, bem como apresenta os documentos de fls. 41 a 111. Este é o relatório Fl. 121DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/07/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR 4 Voto Conselheiro Pedro Anan Junior Relator O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade portanto deve ser conhecido. O Recorrente é corretor de seguros autônomos, e requer que as despesas escrituradas no livrocaixa possam ser deduzidas da base de cálculo do IRPF. Antes de mais nada devemos analisar o que dispõe o artigo 76, do Regulamento do Imposto de Renda, RIR/99, cuja base legal é a Lei nº 8.134, de 1990, art. 6º, § 3º e Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso I): Art. 75. O contribuinte que perceber rendimentos do trabalho nãoassalariado, inclusive os titulares dos serviços notariais e de registro, a que se refere o art. 236 da Constituição, e os leiloeiros, poderão deduzir, da receita decorrente do exercício da respectiva atividade (Lei nº 8.134, de 1990, art. 6º, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso I): I a remuneração paga a terceiros, desde que com vínculo empregatício, e os encargos trabalhistas e previdenciários; II os emolumentos pagos a terceiros; III as despesas de custeio pagas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica (Lei nº 8.134, de 1990, art. 6º, § 1º, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 34): I a quotas de depreciação de instalações, máquinas e equipamentos, bem como a despesas de arrendamento; II a despesas com locomoção e transporte, salvo no caso de representante comercial autônomo; III em relação aos rendimentos a que se referem os arts. 47 e 48. A referida norma legal permita deduzir as despesas de custeio pagas, necessárias a percepção da receita e manutenção da fonte produtora. No caso em questão alega o Recorrente que os valores deduzidos do livrocaixa são corretagens e alugal pagas a terceiros, portanto poderiam ser deduzidas, nos termos de referida legal, para tanto apresenta recibos de pagamento dessas comissões e alugueis. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/07/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10805.001009/200620 Acórdão n.º 220201.822 S2C2T2 Fl. 3 5 No caso em questão devemos verificar se os documentos apresentados servem para demonstrar que essas despesas são passíveis de dedução. Entendo que os recibos apesar de demonstrarem o pagamento de tais valores, eles deveriam vir suportados por mais provas, de sorte a torna inequívoca a alegação do Recorrente, como por exemplo junto com os recibos de alugueis deveria ser sido apresentado por exemplo o contrato de locação, junto com os recibos de pagamento de comissão, deveria ter sido apresentado os cheques, ou extratos bancários, demonstrando a movimentação financeira, além do mais tais recibos não estão com as firmas reconhecidas, para confirmar a autenticidade dos mesmos. Desta forma, entendo que não ficou devidamente demonstrado, que tais pagamento de fato ocorreram. Neste sentido, conheço do recurso e no mérito nego provimento. (AssinadoDigitalmente) Pedro Anan Junior Relator Fl. 123DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/07/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10840.906598/2009-51
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu May 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2000
RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PROVA. ÔNUS.
O ônus da prova do crédito tributário pleiteado no Per/Dcomp - Pedido de Restituição é da contribuinte (artigo 333, I, do CPC). Não sendo produzida nos autos, indefere-se o pedido e não homologa-se a compensação pretendida entre crédito e débito tributários.
LUCRO PRESUMIDO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS EM GERAL. COM EMPREGO DE MATERIAIS. COEFICIENTE.
As prestadoras de serviços em geral, com ou sem fornecimento de materiais na execução dos serviços, estão obrigadas a aplicar o coeficiente de 32% sobre a receita bruta auferida para a apuração do Lucro Presumido, pelos serviços não caracterizarem prestação de serviço típico de construção civil, e pela empresa não ser especificamente deste ramo. Somente as obras de construção civil, com emprego de materiais, sem repasse de seus custos, realizadas na modalidade de empreitada são suscetíveis da utilização do coeficiente de 8% para a apuração do Lucro Presumido.
LUCRO PRESUMIDO. ATIVIDADES DIVERSIFICADAS, COEFICIENTES.
É dever da empresa que possui atividades diversificadas - prestação de serviços e comércio - segregar as receitas auferidas de forma a aplicar o coeficiente adequado para a apuração do Lucro Presumido e comprovar esta segregação e o oferecimento à tributação, contabilmente, ainda que na forma resumida permitida aos optantes pelo regime do Lucro Presumido.
Numero da decisão: 1801-001.434
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
João Carlos de Figueiredo Neto - Relator
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otavio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2000 RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PROVA. ÔNUS. O ônus da prova do crédito tributário pleiteado no Per/Dcomp - Pedido de Restituição é da contribuinte (artigo 333, I, do CPC). Não sendo produzida nos autos, indefere-se o pedido e não homologa-se a compensação pretendida entre crédito e débito tributários. LUCRO PRESUMIDO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS EM GERAL. COM EMPREGO DE MATERIAIS. COEFICIENTE. As prestadoras de serviços em geral, com ou sem fornecimento de materiais na execução dos serviços, estão obrigadas a aplicar o coeficiente de 32% sobre a receita bruta auferida para a apuração do Lucro Presumido, pelos serviços não caracterizarem prestação de serviço típico de construção civil, e pela empresa não ser especificamente deste ramo. Somente as obras de construção civil, com emprego de materiais, sem repasse de seus custos, realizadas na modalidade de empreitada são suscetíveis da utilização do coeficiente de 8% para a apuração do Lucro Presumido. LUCRO PRESUMIDO. ATIVIDADES DIVERSIFICADAS, COEFICIENTES. É dever da empresa que possui atividades diversificadas - prestação de serviços e comércio - segregar as receitas auferidas de forma a aplicar o coeficiente adequado para a apuração do Lucro Presumido e comprovar esta segregação e o oferecimento à tributação, contabilmente, ainda que na forma resumida permitida aos optantes pelo regime do Lucro Presumido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (assinado digitalmente) João Carlos de Figueiredo Neto - Relator Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otavio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques e Ana de Barros Fernandes.
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PROVA. ÔNUS. O ônus da prova do crédito tributário pleiteado no Per/Dcomp Pedido de Restituição é da contribuinte (artigo 333, I, do CPC). Não sendo produzida nos autos, indeferese o pedido e não homologase a compensação pretendida entre crédito e débito tributários. LUCRO PRESUMIDO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS EM GERAL. COM EMPREGO DE MATERIAIS. COEFICIENTE. As prestadoras de serviços em geral, com ou sem fornecimento de materiais na execução dos serviços, estão obrigadas a aplicar o coeficiente de 32% sobre a receita bruta auferida para a apuração do Lucro Presumido, pelos serviços não caracterizarem prestação de serviço típico de construção civil, e pela empresa não ser especificamente deste ramo. Somente as obras de construção civil, com emprego de materiais, sem repasse de seus custos, realizadas na modalidade de empreitada são suscetíveis da utilização do coeficiente de 8% para a apuração do Lucro Presumido. LUCRO PRESUMIDO. ATIVIDADES DIVERSIFICADAS, COEFICIENTES. É dever da empresa que possui atividades diversificadas prestação de serviços e comércio segregar as receitas auferidas de forma a aplicar o coeficiente adequado para a apuração do Lucro Presumido e comprovar esta segregação e o oferecimento à tributação, contabilmente, ainda que na forma resumida permitida aos optantes pelo regime do Lucro Presumido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 65 98 /2 00 9- 51 Fl. 113DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) João Carlos de Figueiredo Neto Relator Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otavio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques e Ana de Barros Fernandes. Relatório A empresa recorre do Acórdão nº 1430.727/10 exarado pela Quinta Turma de Julgamento da DRJ em Ribeirão Preto/SP, fls. 85 a 91, que julgou improcedente o direito creditório pleiteado pela contribuinte, bem como não homologar as pertinentes compensações deste crédito com débitos tributários, formalizados nos Per/Dcomp (pedidos de restituição e declaração de compensação) – fls. 01 a 03. Aproveito trechos do relatório e voto do aresto vergastado para historiar os fatos: “Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada Declaração de Compensação (PER/DCOMP), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade (...) com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJlucro presumido, código de arrecadação 2089), concernente ao período de apuração 9/1999. Por despacho decisório, não foi reconhecido direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que os pagamentos informados foram integralmente utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, de acordo com suas próprias razões: que tendo optado pela apuração do imposto pela sistemática do lucro presumido, teria cometido erro ao efetuar o recolhimento relativo ao período de 9/1999, ao percentual de 32%, "como se só houvesse emprego de mãodeobra", quando o correto seria aplicar o percentual de 8%, "por ter utilizado materiais em suas notas fiscais'", nos termos do ADN Cosit nº 6, de 1997; que o alegado crédito teria sido compensado corretamente, sem margem para dúvidas quanto à veracidade da compensação. Ao final, requer seja provido o recurso, desconsiderado o indeferimento do pedido de compensação e extinto o débito apurado. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10840.906598/200951 Acórdão n.º 1801001.434 S1TE01 Fl. 3 3 [...] VOTO [...] A fim de comprovar a certeza e liquidez do crédito, a interessada deve, sob pena de preclusão, instruir sua manifestação de inconformidade com documentos respaldem suas afirmações, considerando o disposto nos artigos 15 e 16 do Decreto n° 70.235/1972, a seguir transcritos: [...] Vale ressaltar que as informações prestadas à RFB por meio de declarações previstas na legislação (DCTF, DIPJ ou PER/DCOMP) situamse na esfera de responsabilidade do próprio contribuinte, a quem cabe demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões, consoante disciplina instituída pelo artigo 16, inciso III, do Decreto n.° 70.235/72 (PAF). Assim, uma vez constatada incongruência entre informações prestadas em declarações originais, e aquelas prestadas nas respectivas declarações retifícadoras, cabe ao contribuinte trazer aos autos os elementos probatórios hábeis a evidenciar a realidade dos fatos. No presente caso, caberia à interessada fazer prova do suposto recolhimento a maior do imposto que, no seu entender, decorreria de errônea mensuração da base de cálculo por aplicação indevida do percentual de 32% sobre a receita bruta, na determinação do IRPJ devido pela sistemática do lucro presumido, nos termos do art. 15 da Lei n.° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, a seguir transcritos: [...] Para tanto, imprescindível a juntada, ao processo, dos registros contábeis e respectivos documentos fiscais capazes de demonstrar o quantum e a composição da base de cálculo do imposto no período em questão, os critérios adotados para aplicação, sobre a receita bruta mensal, dos percentuais previstos no art. 15 da Lei n.° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, a apuração do imposto devido e eventuais deduções. Embora ausentes os registros contábeis, a interessada apresentou os seguintes elementos: a) "planilha de cálculo do IRPJ devido", à fl. 12; b) cópias de notas fiscais de prestação de serviços com fornecimento de materiais, numeração 229, 230, 231, 232, 233 e 235, valor total de R$ 15.845,09, às folhas, 21, 26, 36, 40 e 48; c) cópias de notas fiscais de aquisição de mercadorias junto a fornecedores, às fls. 22/25, 27/35, 37/39, 41/47, 49/69. Verificase, de plano, que as cópias de notas fiscais de aquisição de mercadorias junto a fornecedores não repercutem sobre a análise em curso, por não demonstrada sua correlação com a receita bruta auferida no período e respectiva apuração do imposto devido. [...] Resta assim evidenciado (Coluna E) que o somatório dos valores das notas fiscais apresentadas na impugnação (Coluna D) não corresponde ao valor da receita bruta (Coluna C) considerado para a determinação da base de cálculo e recolhimento do imposto, no período de apuração em foco. Tal constatação remete à necessidade já apontada de verificação dos registros contábeis e respectivos documentos fiscais, concernentes ao período de apuração, os quais não foram juntados aos autos pela interessada. A ausência de tais elementos impossibilita exame da apuração da receita bruta e do IRPJ, na contabilidade da interessada, e seu cotejo com o montante efetivamente recolhido, restando assim prejudicada a comprovação do alegado direito creditório. As cópias de declarações prestadas à RFB e cálculos demonstrativos juntados à impugnação, embora relevantes, mostramse insuficientes à adequada instrução probatória dos autos, nos termos acima. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 [...] Nesse sentido, quanto à declaração de compensação em foco, o alegado indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). E uma vez não comprovada, nos autos, a existência de direito creditório líquido e certo, do contribuinte contra a Fazenda Pública, passível de compensação, cabe indeferimento do pedido, pelo que não se há de cogitar reparos no despacho decisório recorrido.” A empresa interpôs tempestivamente (AR – 23/02/11, fls 92) Recurso – (18/03/11, fls. 93) de fls. 93 a 104, reiterando os termos da defesa exordial. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro João Carlos de Figueiredo Neto, Relator Conheço do recurso interposto, por ser tempestivo. A recorrente, optante pela apuração do Lucro na forma Presumida, pretende por meio de diversos Per/Dcomp alterar o coeficiente de presunção de lucro de 32% para 8º, sob a argumentação de que é prestadora de serviços com emprego de materiais e, por esta circunstância, faz jus ao menor coeficiente, devendoselhe repetir as diferenças de tributos indevidamente recolhidas. Para comprovar o alegado junta ao processo cópia(s) de Nota(s) Fiscal(is) de Prestação de Serviços (receita) emitida para o período (trimestral) e Nota(s) Fiscal(is) de compras de mercadorias de terceiros (para revenda). A tese albergada pela recorrente não merece ser reconhecida por claro desencontro com a norma. Destacase que a recorrente possui vários pleitos apreciados semelhantes neste órgão, sendo alvo de não provimento. Neste sentido, conduzo este voto na mesma esteira do brilhante voto da Conselheira e Relatora Ana de Barros Fernandes – Acórdão 1801001.382 da 1ª Turma Especial em sessão de 10/04/2013. Como bem explicitado no acórdão vergastado, a recorrente não apresenta documentação hábil para comprovar que faz jus ao coeficiente de 8%, nos termos da legislação tributária vigente, por excepcionada do coeficiente de 32% para apuração de seu Lucro Presumido, coeficiente este determinado pela norma às prestadoras de serviço que optam por este regime de tributação. A norma é clara e expressa: Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. (Vide Medida Provisória nº 252, de 15/06/2005) § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: [...] Fl. 116DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10840.906598/200951 Acórdão n.º 1801001.434 S1TE01 Fl. 4 5 III trinta e dois por cento, para as atividades de: (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004 ) a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária Anvisa; ( Redação dada pela Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008 ) b) intermediação de negócios; c) administração, locação ou cessão de bens imóveis, móveis e direitos de qualquer natureza; d) prestação cumulativa e contínua de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção de riscos, administração de contas a pagar e a receber, compra de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços (factoring). § 2º No caso de atividades diversificadas será aplicado o percentual correspondente a cada atividade. (grifos não pertencem ao original) Pelo teor da norma, as prestadoras de serviços em geral, com ou sem utilização de materiais nos serviços realizados, não foram excepcionadas pela norma de regência do coeficiente de 32%. A legislação tributária excepcionou às prestadoras de serviços a utilização do coeficiente de 8%, de forma expressa, somente para as construtoras civis, ainda assim, que, na modalidade de empreitada, e que utilizam materiais nas edificações, sem o repasse dos custos destes materiais (grifei), o que não é o caso. As excepcionalidades admitidas pela Receita Federal do Brasil foram normatizadas na Instrução Normativa RFB nº 480, de 2004, em razão da natureza dos serviços prestados. Dispõe o artigo 1º, §7º, II, sobre o conceito de construção civil, na modalidade total, o empreeiteiro fornece todos os materiais indispensáveis à sua execução sendo incorporados à obra, o que não inclui os instrumentos de trabalho e materiais utilizados nesta execução (§9º): [...] § 7º Para os fins desta Instrução Normativa considerase: [...] II construção por empreitada com emprego de materiais, a contratação por empreitada de construção civil, na modalidade total, fornecendo o empreiteiro todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra. [...] § 9º Para efeito do inciso II do § 7º não serão considerados como materiais incorporados à obra, os instrumentos de Fl. 117DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 trabalho utilizados e os materiais consumidos na execução da obra. O Ato Declaratório Normativo nº 06, de 19971, que versa sobre o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo do imposto de renda mensal na atividade de construção por empreitada, declara: INa atividade de construção por empreitada, o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo do imposto de renda mensal será: a)8% (oito por cento) quando houver emprego de materiais, em qualquer quantidade; b)32% (trinta e dois por cento) quando houver emprego unicamente de mãodeobra, ou seja, sem o emprego de materiais. (grifos não pertencem ao original) A recorrente tem como objeto social, consoante a Consolidação das Cláusulas Contratuais de fls. 14 a 17: “IIDO OBJETO SOCIAL A sociedade tem como objetivo o ramo de "Projetos, consultoria, instalações e administração na área de engenharia elétrica e comércio de materiais elétricos em geral". Em nenhum momento dos autos verificase que a recorrente tenha comprovado que opera no ramo de construção civil. A atividade da empresa descrita no seu Contrato Social, registrado na JUCESP em 23/01/2004, declara ser para realizar projetos, consultoria, instalações elétricas e/ou a venda de materiais elétricos, mas isto não fundamenta o pedido da recorrente para que seja equiparada a obras de construção civil e, implicitamente, sendo contratada na modalidade de empreitada. Ademais, se bem verificarmos o Contrato Social alterado e arquivado na JUCESP em 29/01/2009 (folhas 18 a 20), ali, talvez percebendo a recorrente o seu verdadeiro ofício, readequou o seu objeto social para “instalações elétricas e comércio de materiais elétricos”, enquadrada como EPP no mesmo ano. Retomando a questão principal, à receita proveniente da venda de mercadorias, por ser atividade de comércio, deve ser aplicado o coeficiente de 8% para a apuração do Lucro Presumido, mas a legislação tributária impõe às empresas que exercem atividades mistas (prestadoras de serviços e comércio) o dever de segregarem as receitas de cada atividade para efeito de aplicação do coeficiente pertinente, o que a empresa não comprova ter feito § 2º do artigo 15 da lei nº 9.249/95. 1 019 Qual a base de cálculo para as empresas que executam obras de construção civil e optam pelo lucro presumido? O percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para apuração da base de cálculo do lucro presumido na atividade de prestação de serviço de construção civil é de 32% (trinta e dois por cento) quando houver emprego unicamente de mãodeobra, e de 8% (oito por cento) quando se tratar de contratação por empreitada de construção civil, na modalidade total, fornecendo o empreiteiro todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra. http://www.receita.fazenda.gov.br/Publico/perguntao/dipj2011/CapituloXIIIIRPJLucroPresumido2011.pdf Fl. 118DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10840.906598/200951 Acórdão n.º 1801001.434 S1TE01 Fl. 5 7 A mera apresentação de Nota Fiscal de receitas auferidas (cujo descritivo da mesma é“... instalações elétricas / telefonia e som ...”) e Notas de mercadorias adquiridas de terceiros, que inclusive podem corresponder ao estoque da empresa destinado à venda de mercadorias, ou até para o seu próprio uso e consumo, na forma isolada apresentadas, sem o devido respaldo na contabilidade, ainda que escriturada de forma resumida, e mais documentos que a embasam, primordialmente eventuais os contratos de empreitadas de edificações, não possui qualquer valor probatório para o fim que a recorrente almeja, ou seja, ser considerada empresa do ramo de construção civil e, por conseguinte, fazer jus ao coeficiente de 8% para a apuração de seu lucro. Cito para robustecer este voto, Soluções de Consultas2, como fonte subsidiária na interpretação da norma tributária, em casos práticos análogos: PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS COM EMPREGO DE MATERIAIS É de 32% o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para apuração da base de cálculo do imposto de Renda no lucro presumido, na atividade de prestação de serviços de reforma ou manutenção de motores elétricos com emprego de materiais (SRRF/6ª RF, Solução de Consulta nº 70/05) PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS COM EMPREGO DE MATERIAL, EXCETO CONSTRUÇÃO CIVIL Aplicase o percentual de 32% sobre a receita bruta das empresas prestadoras de serviços, com emprego ou não de materiais, para apuração do lucro presumido, [...] (SRRF/6ª RF, Solução de Consulta nº 170/03) INSTALAÇÃO E MANUTENÇÃO DE SISTEMAS DE AR CONDICIONADO E REFRIGERAÇÃO. As atividades de instalação e manutenção de sistemas de ar condicionado e refrigeração, ainda que realizadas sob a modalidade de empreitada, com fornecimento de materiais, não caracterizam obras de construção civil, estando sujeitas as receitas assim auferidas à aplicação do percentual de 32% (trinta e dois por cento) para determinar a base de cálculo do IRPJ sob regime de tributação com base no lucro presumido. (SRRF/9ª RF, Solução de Consulta nº 305/06). INSTALAÇÃO, MANUTENÇÃO E EXTRAÇÃO DE DADOS DE EQUIPAMENTOS DE COMUNICAÇÃO E DE CONTROLE DE TRÁFEGO. As atividades de instalação, manutenção e extração de dados de equipamentos de comunicação [...] , ainda que realizadas sob a modalidade de empreitada, com fornecimento de materiais, não caracterizam obras de construção civil, estando sujeitas as receitas assim auferidas à aplicação do percentual de 32% para determinar a base de cálculo do IRPJ sob o regime de tributação 2 PEIXOTO, Marcelo Magalhães (coord) et al, Regulamento do Imposto de Renda Anotado e Comentado 2011, 6ª ed, MP Editora Fl. 119DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 com base no lucro presumido (SRRF/9ª RF, Solução de Consulta nº 94/06) A jurisprudência deste colegiado tem se manifestado no mesmo sentido, ora espelhado no Acórdão, cuja ementa transcrevese3: 140201.027, de 08 de maio de 2012 (2ª TO da Quarta Câmara da Primeira Seção do CARF) LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAIS SOBRE A RECEITA BRUTA.PRESTAÇÃODESERVIÇOS.Regularéaaplicaçãodocoefi cientede32%paradeterminaçãodolucropresumidoemrelaçãoarec eitasdecorrentesdeprestaçãodeserviçosemgeral,taiscomo:serviço sdeconsultoria,serviçosdelimpeza,serviçodelocaçãodecontainers, serviçodequeimademadeira,contrataçãodefuncionários,eaautuad anãologracomprovarquesetratoudeconstruçãocivilcomempregod emateriais. RecursoVoluntárioNegado. Com relação ao outro tópico aventado pela recorrente, deve ser esclarecido que as empresas que optam pelo regime do Lucro Presumido estão obrigadas, sim, a manter registros contábeis – ao menos o Livro de Inventário e Livro Caixa com toda a movimentação financeira –, dos quais são apurados os tributos devidos artigo 527 do Regulamento do Imposto de Renda vigente (RIR/99 – Decreto nº 3.000/99): Art.527. A pessoa jurídica habilitada à opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido deverá manter (Lei nº 8.981, de 1995, art. 45): Iescrituração contábil nos termos da legislação comercial; IILivro Registro de Inventário, no qual deverão constar registrados os estoques existentes no término do anocalendário; IIIem boa guarda e ordem, enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica, bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Parágrafoúnico. O disposto no inciso I deste artigo não se aplica à pessoa jurídica que, no decorrer do anocalendário, mantiver Livro Caixa, no qual deverá estar escriturado toda a movimentação financeira, inclusive bancária (Lei nº 8.981, de 1995, art. 45, parágrafo único) Outro ponto relevante, é que para a recorrente proceder à retificação das declarações prestadas ao fisco em tempo hábil, é necessário, igualmente, comprovar de forma cabal a existência de erro de fato dos valores originalmente declarados à Administração Tributária (cujos créditos tributários já foram inclusive extintos pelo pagamento). Determina o artigo 11 da Instrução Normativa RFB nº 903/08: DA RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÕES 3 http://carf.fazenda.gov.br/sincon/public/pages/ConsultarJurisprudencia/listaJurisprudenciaCarf.jsf Fl. 120DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10840.906598/200951 Acórdão n.º 1801001.434 S1TE01 Fl. 6 9 Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. § 4º Na hipótese do inciso III do § 2º, havendo recolhimento anterior ao início do procedimento fiscal, em valor superior ao declarado, a pessoa jurídica poderá apresentar declaração retificadora, em atendimento a intimação fiscal e nos termos desta, para sanar erro de fato, sem prejuízo das penalidades calculadas na forma do art. 9º. Para comprovar o erro de fato mister é a apresentação da contabilidade escriturada à época dos fatos, repito, ainda que na forma simplificada do Livro Caixa com a movimentação financeira registrada por completo e Inventário (possibilita a verificação do faturamento da empresa e a consequente tributação devida). E o ônus probatório da existência do crédito tributário no caso de pedido de repetição do indébito é da empresa. Este princípio é consagrado pelo art. 333, inciso I, do Código de Processo Civil – CPC, aplicado subsidiariamente ao processo administrativo fiscal – Decreto nº 70.235/72 (PAF): Art. 333 O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; Fl. 121DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES 10 [...] Desta forma, há, nos autos, absoluta ausência de provas hábeis para comprovar que os tributos recolhidos à época própria não foram devidos. A recorrente não logra comprovar possuir o crédito que alega no Per/Dcomp objeto deste litígio e que o tributo já recolhido não é devido aos cofres públicos, por fazer jus à utilização do coeficiente de 8% para apuração do Lucro Presumido. Corretos os cálculos dos tributos originalmente recolhidos que incidiram sobre 32% do faturamento da empresa. E no presente caso não há que se falar em qualquer inovação de fundamento nas razões de decidir do acórdão combatido, pois o despacho denegatório fundamentouse justamente na carência de prova da existência do crédito, asseverando que o tributo fora recolhido de forma devida e legalmente exigida, impassível de repetição. Argumento reforçado pela turma julgadora de primeira instância e ora adotado neste decisório para manter tanto o decidido no referido despacho a quo, quanto no acórdão vergastado. No mais, adoto as razões de decidir da turma julgadora de primeira instância por não confrontadas pontualmente pela recorrente. Por todo o exposto, voto em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) João Carlos de Figueiredo Neto Fl. 122DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10980.016311/2008-13
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 2005 RENDIMENTOS DE ALUGUEL DE BEM IMÓVEL. DEDUÇÕES DA BASE DE CÁLCULO. DESPESAS COM IPTU DO IMÓVEL LOCADO. ÔNUS DO LOCADOR. As despesas de IPTU relativas ao imóvel locado somente são dedutíveis dos valores de aluguéis recebidos, quando comprovado, mediante documentação hábil e idônea, que o ônus foi exclusivo do locador, beneficiário dos rendimentos. IRRF. INFORMAÇÕES PRESTADAS EM DIRF PELA FONTE PAGADORA. Os valores recebidos de pessoa jurídica, bem como o respectivo IRRF, informados na DIRF pela fonte pagadora, assim devem ser considerados, salvo prova em contrário. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-002.305
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES
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DEDUÇÕES DA BASE DE CÁLCULO. DESPESAS COM IPTU DO IMÓVEL LOCADO. ÔNUS DO LOCADOR. As despesas de IPTU relativas ao imóvel locado somente são dedutíveis dos valores de aluguéis recebidos, quando comprovado, mediante documentação hábil e idônea, que o ônus foi exclusivo do locador, beneficiário dos rendimentos. IRRF. INFORMAÇÕES PRESTADAS EM DIRF PELA FONTE PAGADORA. Os valores recebidos de pessoa jurídica, bem como o respectivo IRRF, informados na DIRF pela fonte pagadora, assim devem ser considerados, salvo prova em contrário. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães – Presidente e Relator. Fl. 40DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 27/03/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 10980.016311/200813 Acórdão n.º 2801002.305 S2TE01 Fl. 34 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Walter Reinaldo Falcão Lima, Sandro Machado dos Reis, Luiz Cláudio Farina Ventrilho, Tânia Mara Paschoalin e Carlos César Quadros Pierre. Relatório Mediante Notificação de Lançamento, às fls. 03/05, formalizouse exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa ao exercício 2006, anocalendário 2005, no valor total de R$ 8.418,93, assim disposto: imposto suplementar R$ 4.107,94; multa de oficio (75%) R$ 3.080,95; juros de mora (calculados até 31/10/2008) no valor de R$ 1.224,16. De acordo com a descrição dos fatos e o enquadramento legal constantes da peça de autuação, a exigência fiscal decorreu de revisão efetuada na DIRPF/2006 apresentada pela contribuinte. Após análise, a autoridade lançadora apontou a ocorrência de infrações à legislação tributária, a saber: i) omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica decorrente de trabalho com e/ou sem vinculo empregatício – Instituto Nacional do Seguro Social INSS (CNPJ n° 29.979.036/000140) no valor de R$ 10.200,09; ii) omissão de rendimentos de aluguéis ou royalties recebidos das seguintes pessoas jurídicas: Restaurante Violani Ltda. (CNPJ n° 76.556.679/000161) – no valor de R$ 948,78; Centro Empresarial de Curitiba (CNPJ n° 81.501.868/000177) no valor de R$ 4.499,37. iii) compensação indevida de IRRF no valor de R$ 3,93 correspondente aos rendimentos recebidos do Centro Empresarial Curitiba, em razão de só constar em DIRF o valor de R$ 421,10 dos R$ 425,03 declarados no ajuste anual. Cientificado da exigência fiscal o contribuinte apresentou sua impugnação (à fl. 01), em que alegou ser de R$ 11.824,31 o valor liquido recebido a título de aluguel do Centro Empresarial Curitiba, quantia esta obtida pela diminuição do valor bruto de R$ 16.695,56, dos valores pagos a titulo de comissão à Imobiliária Razão e de IPTU, R$ 1.355,66 e R$ 3.535,59, respectivamente. Assim, a omissão de rendimentos em relação a essa fonte pagadora seria apenas de R$ 963,78. Ressaltou ainda que a autoridade lançadora não teria considerado a dedução do IPTU/2005 integralmente arcado por ele, no valor de 3.535,59, acostando os documentos de fls. 06 e 07 para corroborar sua alegação. Ao final, solicitou o impugnante a retificação do lançamento. Na sequência, após apreciar o litígio, a 4a Turma de Julgamento da DRJ/Curitiba/PR julgou improcedente a impugnação, nos termos do Acórdão DRJ/CTA n° 06 Fl. 41DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 27/03/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 10980.016311/200813 Acórdão n.º 2801002.305 S2TE01 Fl. 35 3 32.144, de 07/06/2011, às fls. 16/17. Portanto, em decisão unânime, o Colegiado considerou como matéria não impugnada aquela relativa à omissão de rendimentos recebidos do INSS e do Restaurante Violani, nos valores de R$ 10.200,09 e R$ 948,78, respectivamente, bem como o valor de R$ 963,78 correspondente a parte dos rendimentos recebidos do Centro Empresarial de Curitiba, não questionados pelo contribuinte. Quanto à parte impugnada, concluiu aquele Colegiado pela procedência da exigência fiscal posto que o contribuinte não teria apresentado provas de que teria arcado com o ônus do pagamento do IPTU, nem mesmo documentação que identificasse o imóvel locado pelo Centro Empresarial Curitiba. Decidiu, ainda, pela manutenção da glosa do IRRF, diante da ausência de documentação contrária aos R$ 421,10 informados na DIRF apresentada pela fonte pagadora. Transcrevese, a seguir, o ementário constante do referido Acórdão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase como nãoimpugnada a parte do lançamento contra a qual o contribuinte não se manifesta expressamente. IRRF. ALUGUEL. COMPROVAÇÃO. DOCUMENTO HÁBIL. O documento hábil para comprovação de IRRF sobre rendimentos de aluguéis recebidos de pessoa jurídica é o comprovante de retenção emitido em nome do contribuinte pela locatária. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ALUGUEL. IPTU. ÔNUS DO LOCADOR. COMPROVAÇÃO. O valor do IPTU pode ser deduzido do rendimento de aluguel do imóvel somente se comprovado que o locador arcou com o ônus e não foi ressarcido pelo locatário. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Cumpre ao contribuinte instruir a peça impugnatória com todos os documentos em que se fundamentar e que comprovem as alegações de defesa, precluindo o direito de fazêlo em data posterior. Cientificado da decisão a quo em 28/07/2011, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 09/08/2011, argumentando que: efetuou o pagamento de taxas de comissão referente à administração do imóvel junto à Imobiliária Razão Ltda. no valor de R$ 1.335,66, assim como o IPTU no valor de R$ 3.535,59, resultando no recebimento do valor liquido de R$ 11.823,31, tendo omitido a importância de R$ 883,90 em sua declaração de IR, ou ainda, a importância de R$ 963,78 com base na DIRF, valor este que não foi impugnado anteriormente e já autuado pela Secretaria da Receita Federal; Fl. 42DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 27/03/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 10980.016311/200813 Acórdão n.º 2801002.305 S2TE01 Fl. 36 4 a decisão recorrida deixou de considerar o valor do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) que foi pago pelo locador (recorrente), por não ter sido apresentado juntamente com a impugnação o Contrato de Locação, e porque não estava visível na fotocópia do IPTU a quitação da referida importância de R$ 3.535,59; a autenticação mecânica no documento anteriormente apresentado não estava legível, razão pela qual apresenta nova cópia autenticada em cartório, do documento pago à vista, onde consta a autenticação mecânica, como também a fotocópia do Contrato de Locação datado de 06 de fevereiro de 2001, onde consta na cláusula TERCEIRA que “a locatária está isenta do pagamento de IPTU, água, luz e telefone”, sendo, portanto, de responsabilidade do locador, conforme documentos 3 e 4 anexados aos autos. Ao final, requer o contribuinte que seja dado provimento ao seu recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Relator. O recurso em julgamento foi tempestivamente apresentado, preenchendo os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Não há no documento recursal qualquer alegação preliminar. Passo, portanto, à análise do mérito. A respeito, esclareçase primeiramente que o recorrente reconhece não se encontrar mais em litígio a importância de R$ 963,78 relativa à parte dos rendimentos omitidos da fonte pagadora Centro Empresarial Curitiba, posto que ratifica em sua peça de defesa que referido valor não foi impugnado. Tratase, portanto, de matéria também não questionada nesta segunda instância. Assim, nesta fase recursal, pleiteia o interessado que seja considerado como importância a ser deduzida dos rendimentos de aluguel, recebidos dessa mesma fonte pagadora, o valor de R$ 3.535,59 referente ao IPTU incidente sobre o imóvel locado, e ainda, que seja restabelecido o IRRF de R$ 425,03, ao invés do valor de R$ 421,10 apurado no lançamento. O Decreto n° 3.000, de 1999, art. 50, assim dispõe: “Art. 50. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto, no caso de alugueis de imóveis (Lei n° 7.739, de 16 de março de 1989, art. 14): I o valor dos impostos, taxas e emolumentos incidentes sobre o bem que produzir o rendimento; II o aluguel pago pela locação de imóvel sublocado; III as despesas pagas para cobrança ou recebimento do rendimento; IV as despesas de condomínio. Fl. 43DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 27/03/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 10980.016311/200813 Acórdão n.º 2801002.305 S2TE01 Fl. 37 5 (grifo nosso) Como se observa, o dispositivo acima permite que dos rendimentos de aluguel sejam deduzidas, desde que o ônus tenha sido exclusivamente do locador, as despesas com impostos, taxas e emolumentos incidentes sobre o bem que produzir o rendimento, o aluguel pago pela locação de imóvel sublocado, e as despesas de condomínio referentes ao imóvel locado. Portanto, na espécie, questão primeira a ser decidida diz respeito à alegação do recorrente (locador) de que teria arcado com o pagamento do IPTU incidente sobre o imóvel alugado, e não a pessoa jurídica locatária, no caso, o Centro Empresarial de Curitiba (CNPJ n° 81.501.868/000177). Para fins de prova, o contribuinte trouxe, juntamente com o recurso, os seguintes documentos: Demonstrativo, à fl. 25; Contrato de Locação, às fls. 26/28; extrato DIMOB, à fl. 29; além de carnê de IPTU/2005 de imóvel com inscrição na Prefeitura Municipal de Curitiba sob o n° 12.0.0014.0358.002, à fl. 30. Entretanto, após o exame desta documentação, notase que o Contrato de Locação anexado pelo recorrente especifica o imóvel alugado ao Centro Empresarial de Curitiba como sendo aquele situado na “Avenida Manoel Ribas, ao lado do n° 517, entrando no imóvel à direita da rampa, Bairro Mercês”, enquanto o comprovante de IPTU apresentado pelo contribuinte referese ao imóvel localizado na Av. Manoel Ribas, n° 549 (inscrição imobiliária n° 12.0.0014.0358.002), não se verificando, deste modo, a identidade necessária para reconhecimento do direito à dedução pleiteada. Tais questões relativas à identificação do bem locado e à obrigatória correlação entre os documentos de prova apresentados pelo interessado já haviam sido suscitadas no acórdão recorrido. Todavia, diante da divergência acima apontada, permanece ausente nos autos elementos que possam autorizar a dedução do valor de R$ 3.535,59 reclamado pelo interessado. Com relação ao IRRF glosado pela fiscalização, não foi colacionado aos autos documentação contrária àquela em que se baseou a autoridade lançadora, no caso, a DIRF apresentada pela fonte pagadora (fl. 14), que informa IRRF no valor de R$ 421,10. Diferentemente do que sustenta o recorrente, o extrato da DIMOB anexado ao processo não traz qualquer informação concernente ao IRRF. Ante o exposto, VOTO por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Fl. 44DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 27/03/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 10980.016311/200813 Acórdão n.º 2801002.305 S2TE01 Fl. 38 6 Fl. 45DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 27/03/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA
score : 1.0
Numero do processo: 10320.900252/2008-37
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon May 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3403-002.118
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern - Relator Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
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REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern Relator Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 90 02 52 /2 00 8- 37 Fl. 39DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por ALEXANDRE KERN 2 Relatório FASCEMAR FUNDAÇÃO DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR apresentou o Pedido Eletrônico de Ressarcimento/Declaração de Compensação (PER/DComp) no 28257.65864.250504.1.3.040486, por meio do qual requereu a restituição de indébito, no valor de R$ 1.566,50, por pagamento indevido ou a maior do que o devido a título de PIS, efetuado em 29/08/2003, e declarou sua compensação com débito de Cofins. O Despacho Decisório Eletrônico no de rastreamento 757722441, fl. 14, indeferiu o pleito e não homologou a compensação porque o pagamento indigitado foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DComp. Sobreveio reclamação, fls. 1 e 2, por meio da qual o declarante alega erro no valor do débito de PIS do PA 01/07/2003 a 31/07/2003 e que o crédito utilizado na compensação não foi demonstrado na DCTF original, equívoco sanado na DCTF retificadora enviada depois da ciência do Despacho Decisório. Instruiu sua Manifestação de Inconformidade com cópia do Despacho Decisório, do PER/DComp e da DCTF original. A DRJ/FOR3ª Turma julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente. O Acórdão no 0819.679, de 22 de dezembro de 2010, fls. 24 a 28, teve ementa vazada nos seguintes termos: Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2003 Ementa: DCTF RETIFICADORA POSTERIOR À CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. Não cabe reparo a Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada pelo Contribuinte por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava alocado para a quitação de débito confessado. Modificações efetuadas na DCTF após a ciência do Despacho Decisório Eletrônico, desacompanhados dos elementos de prova do erro alegado, não têm o condão de tornar as informações originais incorretas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cuidase agora de recurso interposto contra a decisão da DRJ/FOR3ª Turma. O arrazoado de fls. 32 a 36, após protesto de tempestividade e síntese dos fatos relacionados com a lide, explica que, ao constatar o erro na apresentação da declaração original e após a expedição do despacho decisório em referência, apresentou DCTF retificadora, oportunidade em que introduziu no sistema de informações da Receita Federal as informações sobre o crédito que dispunha junto à Fazenda Nacional em decorrência do recolhimento à maior. Desta feita, antes da apresentação da Manifestação de Inconformidade que provocou a decisão recorrida, todas as condições para o aproveitamento do crédito em questão já haviam sido atingidas, inclusive com a apresentação de todos os novos documentos que a recorrente dispunha na oportunidade, conforme regramento do art. 16, §4°, "b", do Decreto nº 70.235, de 6 de março 1972 – PAF, que transcreve. No caso, os documentos juntados aos autos foram produzidos posteriormente à apresentação da PER/DComp, mas integraram a Manifestação de Fl. 40DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10320.900252/200837 Acórdão n.º 3403002.118 S3C4T3 Fl. 40 3 inconformidade apresentada pela recorrente em todos os seus efeitos, restando, assim, devidamente comprovados a ocorrência de erro da recorrente na declaração e recolhimento do tributo, ocasionando pagamento à maior e a existência de crédito a compensar. Entende que a decisão recorrida merece reforma, tendo em vista que todos os requisitos necessários para o deferimento da compensação em questão se encontram presentes nos autos, restando cabalmente comprovadas a ocorrência de erro por parte da recorrente quando da declaração e pagamento do tributo em questão e da existência do crédito perseguido. Pelo exposto, requerse que seja julgamento inteiramente provido o presente recurso, reformando integralmente a decisão guerreada para, em reconhecendo a existência do crédito perseguido pelo recorrente, se autorize a compensação requerida, sendo, assim, declarado extinto o crédito tributário. O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo eletrônico. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 24 a 28 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJFOR4ª Turma nº 0819.679, de 22 de dezembro de 2010. Liminarmente, informo que não há, nos autos, qualquer início de prova de que o débito da contribuição do PA de interesse não seja aquele confessado na DCTF original. Há tão somente sua alegação. E, em sede de prova, nada alegar e alegar, mas não provar o alegado se equivalem (allegare nihil et allegatum non probare paria sunt). Nesse sentido, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça: Allegare nihil et allegatum non probare paria sunt — nada alegar e não provar o alegado, são coisas iguais.(HABEAS CORPUS Nº 1.1710— RJ, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 4, (39): 211276, novembro 1992, p. 217) Alegar e não provar significa, juridicamente, não dizer nada. (INTERVENÇÃO FEDERAL Nº 83— PR, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 7, (66): 93116, fevereiro 1995. 99) RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA – APOSENTADORIA – NEGATIVA DE REGISTRO – TRIBUNAL DE CONTAS – ATOS ADMINISTRATIVOS NÃO COMPROVADOS – ART. 333, INCISO II, DO CPC – PAGAMENTO DOS PROVENTOS DE NOVEMBRO/96 E DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO DAQUELE MESMO ANO – IMPOSSIBILIDADE – SÚMULAS 269 E 271 DA SUPREMA CORTE – 1. O ônus da prova incumbe ao réu, quanto à Fl. 41DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por ALEXANDRE KERN 4 existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (art. 333, II, do Código de Processo Civil). Incumbe às Secretarias de Educação e da Fazenda a demonstração de que a professora havia sido notificada da suspensão de sua aposentadoria. 2. Não cabe em mandado de segurança para cobrança de proventos não recebidos, a teor das súmulas 269 e 271 da Suprema Corte. 3. Recurso parcialmente provido. (STJ – ROMS 9685 – RS – 6ª T. – Rel. Min. Fernando Gonçalves – DJU 20.08.2001 – p. 00538) JCPC.333.II TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IMPOSTO DE RENDA– VERBAS INDENIZATÓRIAS – FÉRIAS E LICENÇA PRÊMIO– NÃO INCIDÊNCIA – COMPENSAÇÃO – AJUSTE ANUAL –ÔNUS DA PROVA – O ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito e ao réu quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Cabe ao contribuinte comprovar a ocorrência de retenção na fonte do imposto de renda incidente sobre verbas indenizatórias e à Fazenda Nacional incumbe a prova de eventual compensação do imposto de renda retido na fonte no ajuste anual da declaração de rendimentos. Recurso provido. (STJ – REsp 229118 – DF – 1ª T. – Rel. Min. Garcia Vieira – DJU 07.02.2000 – p. 132) PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO – EXECUÇÃO FISCAL – EMBARGOS DO DEVEDOR – NOTIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO – IMPRESCINDIBILIDADE – ÔNUS DA PROVA – 1. Imprescindível a notificação regular ao contribuinte do imposto devido. 2. Incumbe ao embargado, réu no processo incidente de embargos à execução, a prova do fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (CPC, art. 333, II). 3. Recurso especial conhecido e provido. (STJ – REsp 237.009 – (1999/00996607) – SP – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 27.05.2002 – p. 147) TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IRPF – REPETIÇÃO DE INDÉBITO – VERBAS INDENIZATÓRIAS – RETENÇÃO NA FONTE – ÔNUS DA PROVA – VIOLAÇÃO DE LEI FEDERAL CONFIGURADA – DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO COMPROVADA – SÚMULA 13/STJ PRECEDENTES– Cabe ao autor provar que houve a retenção do imposto de renda na fonte, por isso que é fato constitutivo do seu direito; ao réu competia a prova de eventual compensação na declaração anual de rendimentos dos recorrentes, do imposto de renda retido na fonte, fato extintivo, impeditivo ou modificativo do direito do autor – Incidência da Súmula 13 STJ– Recurso especial conhecido pela letra a e provido. (STJ –RESP 232729 – DF – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 18.02.2002 – p. 00294) A prova do alegado direito creditório é ônus que cabia ao recorrente, segundo o sistema de distribuição da carga probatória adotado pelo Processo Administrativo Federal: o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, segundo o disposto na Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 36: Fl. 42DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10320.900252/200837 Acórdão n.º 3403002.118 S3C4T3 Fl. 41 5 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 330 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC): Art. 333. O ônus da prova incumbe: [...] II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Nem mesmo a DCTF retificadora, transmitida após a ciência do DDE, quando o contribuinte não mais dispunha de espontaneidade hábil para conferirlhe a mesma natureza da DCTF original1, aporta aos autos a prova da liquidez e certeza do crédito oposto na compensação, atributos requeridos pelo art. 170 do CTN. 1 Inteligência do art. 11 da INRFB nº 903, de 2008: Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração riginariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. § 4º Na hipótese do inciso III do § 2º, havendo recolhimento anterior ao início do procedimento fiscal, em valor superior ao declarado, a pessoa jurídica poderá apresentar declaração retificadora, em atendimento a intimação fiscal e nos termos desta, para sanar erro de fato, sem prejuízo das penalidades calculadas na forma do art. 9º. § 5º A pessoa jurídica que apresentar declaração retificadora, relativa ao anocalendário utilizado como referência para o enquadramento no disposto no art. 3º, nos casos em que a retificação implicar seu desenquadramento dessa condição, poderá pedir dispensa de apresentação da DCTF Mensal. § 6º O pedido de dispensa de que trata o § 5º será formalizado, mediante processo administrativo, perante a unidade da RFB do domicílio tributário da pessoa jurídica. § 7º Em caso de deferimento do pedido de que trata o § 5º, a pessoa jurídica estará dispensada da apresentação da DCTF Mensal a partir do anocalendário em que ocorreu o enquadramento com base na declaração retificada, desde que não se enquadre, novamente, na condição de obrigada à DCTF Mensal. § 8º A pessoa jurídica que apresentar DCTF retificadora, alterando valores que tenham sido informados: I na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), deverá apresentar, também, DIPJ retificadora; e II no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon), deverá apresentar, também, Dacon retificador. § 9º A retificação de declarações, cuja alteração de valores resulte no enquadramento da pessoa jurídica segundo as hipóteses do art. 3º, obriga a apresentação da DCTF Mensal desde o início do anocalendário a que estaria obrigada com base na declaração retificada, sendo devidas as multas pelo atraso na entrega das DCTF Mensais relativas ao período considerado, calculadas na forma do art. 9º. Fl. 43DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por ALEXANDRE KERN 6 E não se diga que o contribuinte não teve como apresentar a prova requerida. Nos termos do art. 16 do PAF, que o recorrente demonstrou bem conhecer, o rito do processo administrativo fiscal federal facultalhe a produção probatória até o momento processual da reclamação2, quando a lide é demarcada e o processo administrativo propriamente dito tem início, com a instauração do litígio. A comprovação do valor do tributo efetivamente devido (e, por conseqüência, do direito à restituição de eventual parcela recolhida a maior) no caso concreto deveria ter sido efetuada mediante apresentação de documentos contábeis e/ou fiscais que patenteassem que o valor da contribuição do período de apuração de interesse (01/07/2003 a 31/07/2003) não atingiu o valor informado na DCTF vigente quando da emissão do Despacho Decisório aqui analisado, mas apenas o valor informado na DCTF retificadora. Como tal documentação não foi juntada no momento processual oportuno, quedou sem comprovação a certeza e liquidez dos créditos do contribuinte contra a Fazenda Pública, atributos indispensáveis para a homologação da compensação pretendida, nos termos do art. 170 do CTN. Com essas considerações, nego provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 23 de abril de 2013 Alexandre Kern § 10. A retificação de DCTF não será admitida quando resultar em alteração da periodicidade, mensal ou semestral, de declaração anteriormente apresentada. 2 Até a Manifestação de Inconformidade, nos processos de restituição, ressarcimento e compensação de tributos e contribuições federais. Fl. 44DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 13853.000007/2005-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon May 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/02/1999 a 30/06/2000
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. TRIBUTOS SUJEITOS AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PARA PEDIDO DE RESSARCIMENTO. PEDIDO ANTERIOR AO VACATIO LEGIS DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DO ART. 543-B, DO CPC.
Conforme decisão do STF em Recurso Extraordinário com repercussão geral reconhecida, nos pedidos de ressarcimento efetuados antes do vacatio legis da Lei Complementar nº 118/2005 (09/06/2005), o prazo para o ressarcimento é de dez anos, a contar da data do recolhimento indevido.
RESTITUIÇÃO DE PIS. AQUISIÇÃO DE ÓLEO DIESEL POR PESSOA JURÍDICA PARA DIRETAMENTE DA DISTRIBUIDORA PARA CONSUMO PRÓPRIO. NECESSIDADE DE BASE DE CÁLCULO DO VALOR A SER RESSARCIDO NA NOTA FISCAL EMITIDA PELA DISTRIBUIDORA.
Para que a pessoa jurídica tenha direito à repetição de indébito do PIS recolhido pela refinaria na substituição tributária, de que trata a IN/SRF nº 6/1999, é necessário que ela tenha adquirido o combustível diretamente da distribuidora, para consumo próprio, e que na nota fiscal emitida pela distribuidora esteja destacada base de cálculo do crédito a ser restituído.
Numero da decisão: 3401-002.065
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente.
JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Emanuel Carlos Dantas de Assis, Odassi Guerzoni Filho, Jean Cleuter Simões Mendonça, Ângela Sartori e Fábia Regina Freitas (Suplente). Ausência justificada do Conselheiro Fernando Marques Cleto Duarte.
Nome do relator: JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA
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TRIBUTOS SUJEITOS AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PARA PEDIDO DE RESSARCIMENTO. PEDIDO ANTERIOR AO VACATIO LEGIS DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DO ART. 543B, DO CPC. Conforme decisão do STF em Recurso Extraordinário com repercussão geral reconhecida, nos pedidos de ressarcimento efetuados antes do vacatio legis da Lei Complementar nº 118/2005 (09/06/2005), o prazo para o ressarcimento é de dez anos, a contar da data do recolhimento indevido. RESTITUIÇÃO DE PIS. AQUISIÇÃO DE ÓLEO DIESEL POR PESSOA JURÍDICA PARA DIRETAMENTE DA DISTRIBUIDORA PARA CONSUMO PRÓPRIO. NECESSIDADE DE BASE DE CÁLCULO DO VALOR A SER RESSARCIDO NA NOTA FISCAL EMITIDA PELA DISTRIBUIDORA. Para que a pessoa jurídica tenha direito à repetição de indébito do PIS recolhido pela refinaria na substituição tributária, de que trata a IN/SRF nº 6/1999, é necessário que ela tenha adquirido o combustível diretamente da distribuidora, para consumo próprio, e que na nota fiscal emitida pela distribuidora esteja destacada base de cálculo do crédito a ser restituído. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 3. 00 00 07 /2 00 5- 55 Fl. 524DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 03 /01/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Emanuel Carlos Dantas de Assis, Odassi Guerzoni Filho, Jean Cleuter Simões Mendonça, Ângela Sartori e Fábia Regina Freitas (Suplente). Ausência justificada do Conselheiro Fernando Marques Cleto Duarte. Fl. 525DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 03 /01/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13853.000007/200555 Acórdão n.º 3401002.065 S3C4T1 Fl. 525 3 Relatório Trata o presente processo de pedido de ressarcimento do PIS recolhido supostamente de modo indevido entre fevereiro de 1999 e junho de 2000. O pedido foi protocolado em 27/01/2005 (fl. 02) e consta a seguinte informação: “A requerente figurou como consumidor final de óleo diesel (consumo próprio), adquirido diretamente da distribuidora, no período de fevereiro de 1999 a junho de 2000, no qual era vigente o regime de substituição tributária. Conforme disposição do art. 6o da IN SRF n. 006, de 29 de janeiro de 1999, a inocorrência do fato gerador presumido assegura ao consumidor final o direito ao ressarcimento dos valores da contribuição ao PIS correspondente à incidência na venda a varejo”. A DRF em Franca/SP indeferiu o pedido por dois motivos: primeiro porque considerou o direito da Contribuinte decaído, sob fundamento de que o prazo decadencial é de cinco anos, a contar da extinção do crédito tributário; segundo, porque as notas fiscais apresentadas pela contribuinte não tem o destaque da base de cálculo do valor a ser ressarcido, conforme exigência do §1o, do art. 6o, da Instrução Normativa nº 06/99 (fls.449/453). A Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls.458/472), mas a DRJ em Ribeirão Preto/SP manteve o indeferimento ao proferir Acórdão (fls.479/486) com a seguinte ementa: “REPETIÇÃO DE INDÉBITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. RESTITUIÇÃO. COMBUSTÍVEIS. INDEFERIMENTO. A restituição e/ou a compensação de PIS/Cofins pagos sob o regime de substituição tributária, na aquisição de combustíveis, está condicionada à comprovação de que a contribuição foi efetivamente apurada e recolhida pelo substituto. COMPENSAÇÃO. INDEFERIMENTO. DECADÊNCIA. O direito de pleitear a restituição/compensação extinguese com o decurso do prazo de cinco anos contados da data de extinção do crédito tributário, assim entendido o pagamento antecipado, nos casos de lançamento por homologação. Fl. 526DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 03 /01/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido”. A Contribuinte foi intimada do acórdão da DRJ em 02/03/2012 (fl.489) e interpôs Recurso Voluntário em 29/03/2012 (fls.491/515), com as alegações resumidas abaixo: 1 No presente caso, o prazo decadencial de cinco anos só começa a ser contado após os cinco anos do prazo para a homologação do lançamento; 2 A pessoa jurídica que adquire óleo diesel diretamente da distribuidora, para uso próprio, tem direito ao ressarcimento do PIS recolhido pela distribuidora na condição de contribuinte substituto; 3 As notas fiscais apresentadas preenchem os requisitos legais, pois em algumas a base de cálculo do PIS está destacada e em outros já há o destaque do próprio PIS. Ao fim, a Recorrente pediu que fosse deferido o seu pedido de restituição. É o Relatório. Voto Conselheiro JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA O Recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. O cerne da questão consiste em duas matérias: o prazo decadencial para repetição de indébito de tributos sujeitos ao lançamento por homologação; e a necessidade de destaque da base de cálculo do valor a ser ressarcido na nota fiscal de aquisição de combustível direto da distribuidora para uso próprio para ter direito à restituição. 1. Do prazo decadencial para a contribuinte pleitear a repetição de indébito de tributos lançados por homologação Um dos motivos de negativa da restituição foi a delegacia de origem ter considerado decaído o direito da Recorrente à repetição do indébito. Em seu Recurso, a Recorrente alega que, neste caso, o prazo de decadência é de dez anos, sendo cinco anos para a homologação e mais cinco anos para pleitear a repetição de indébito. O art. 168, inciso I, do CTN, determina que o direito de pleitear a restituição de tributos sujeitos ao lançamento por homologação extinguese em cinco anos, contados da Fl. 527DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 03 /01/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13853.000007/200555 Acórdão n.º 3401002.065 S3C4T1 Fl. 526 5 extinção do crédito tributário. Por sua vez, a Lei Complementar nº 118, de 09 de fevereiro de 2005, em seu art. 3o, trouxe o seguinte: “Art. 3oPara efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o§ 1º do art. 150 da referida Lei”. Em outros julgamentos, este Conselheiro entendia que a aludida lei complementar era interpretativa, tendo, assim, aplicação retroativa. Apesar disso, em 04/08/2011 o Supremo Tribunal Federal julgou o RE Recurso Extraordinário nº 566621, reconhecendo a sua Repercussão Geral, nos termos do art. 543B, do CPC Código de Processo Civil, e decidiu que a Lei Complementar nº 118/2005, na verdade, trouxe inovação normativa, de modo que a sua aplicação não retroage. Dessa forma, para os pedidos de ressarcimento efetuados antes do vacatio legis da citada lei, isto é, antes de 09 de junho de 2005, aplicase o entendimento firmado pelo STJ, pelo qual o prazo para o ressarcimento é de dez anos. Para os pedido formulados após o vacatio legis, aplicase o prazo de cinco anos, em conformidade com Lei Complementar nº 118/2005. Abaixo segue a ementa do julgamento do RE nº 566621: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACATIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões Fl. 528DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 03 /01/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 6 pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido.(RE 566621, Relator(a): Min. ELLEN GRACIE, Tribunal Pleno, julgado em 04/08/2011, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe195 DIVULG 10102011 PUBLIC 11102011 EMENT VOL02605 02 PP00273) (grifo nosso) Como no julgamento do STF foi reconhecida a sistemática do art. 543B, do CPC, é o caso da aplicação do art. 62A, Caput, do Regimento Interno do CARF, cujo teor é o seguinte: “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF”. O pedido foi protocolado em 27/01/2005, portanto, antes do vacatio legis da Lei Complementar nº 118/2005, de forma que o direito da Recorrente em pleitear a restituição não está decaído. Fl. 529DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 03 /01/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13853.000007/200555 Acórdão n.º 3401002.065 S3C4T1 Fl. 527 7 2. Da necessidade do destaque do PIS na nota fiscal de aquisição do combustível As refinarias de petróleo antecipam o recolhimento do PIS de toda a cadeia de consumo, conforme determina o art. 4o da Lei nº 9.718/98. Ou seja, ela antecipa o pagamento do tributo que presumivelmente será devido pelas distribuidoras e comerciantes varejistas. Contudo, quando o consumidor final pula uma etapa da cadeia, aquele valor recolhido antecipadamente foi superior ao realmente devido. No presente caso, a Recorrente, como consumidora final, pulou uma parte da cadeia, pois não adquiriu o óleo diesel do comerciante varejista, mas sim diretamente da distribuidora. Dessa forma, não houve o fato gerador do PIS da venda do varejista para consumidor final, porque essa operação não existiu. Assim, a parte do PIS que foi antecipadamente recolhida pela refinaria referente à última operação (varejista para consumidor final) na verdade foi o recolhimento indevido. Desse fato surge o direito do consumidor final (contribuinte de fato) de repetir o indébito. O direito ao ressarcimento dessa parte do PIS foi assegurado pela Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal nº 6, de 29 de janeiro de 1999, a qual estabelecia o seguinte, em seu art. 6o: “Art. 6° Fica assegurado ao consumidor final, pessoa jurídica, o ressarcimento dos valores das contribuições referidas no artigo anterior, correspondentes à incidência na venda a varejo, na hipótese de aquisição de gasolina automotiva ou óleo diesel, diretamente à distribuidora”. Até nessa parte não há controvérsia no presente processo. O conflito inicia a partir do § 1o, do art. 6o, da mesma instrução normativa, cuja redação é a seguinte: “§ 1° Para efeito do ressarcimento a que se refere este artigo, a distribuidora deverá informar, destacadamente, na nota fiscal de sua emissão, a base de cálculo do valor a ser ressarcido”. A Recorrente juntou as notas fiscais relativas às compras de óleo diesel nas fls.18/404. Em algumas notas fiscais há o valor do PIS total pago na substituição tributário. Por exemplo, na nota fiscal nº177. 522 (fl.26), há a seguinte observação: “PIS/COFINS substituicao tributaria na refinaria conf art 4 Lei 9718/98 > DIESEL: PIS R$ 42,00 COFINS R$ 195,00 ” (sic). Fl. 530DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 03 /01/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 8 Em outras notas fiscais, como na de fl.364, em que pese ser notória a existência de informações no campo de observações, as informações lá constantes são ilegíveis, o que torna impossível saber qual o valor do PIS foi recolhidos pelas refinarias. Logo, nas notas fiscais, conforme observado pela autoridade fiscal, realmente não está destacada a base de cálculo do valor a ser ressarcido, contudo, está informado o valor do PIS recolhido pelas refinarias. Ocorre que, para se chegar à base de cálculo, é necessário se ter o valor pelo qual a refinaria vendeu o combustível à distribuidora, excluído o ICMS. É essa a conclusão que se extrai do § 2o, do art. 6o, combinado com o parágrafo único do art. 2o, ambos da IN/SRF nº 6/1999, in verbis: “Art. 6o (...) § 2º A base de cálculo de que trata o parágrafo anterior será determinada mediante a aplicação, sobre o preço de venda da refinaria, calculado na forma do parágrafo único do art. 2º, multiplicado por dois inteiros e dois décimos ou por um inteiro e oitenta e oito décimos, no caso de aquisição de gasolina automotiva ou de óleo diesel, respectivamente.” “Art. 2o (...) Parágrafo único. Na hipótese deste artigo, a base de cálculo das contribuições será o preço de venda da refinaria, antes de computado o Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicações ICMS incidente na operação, multiplicado por quatro, no caso de gasolina automotiva, ou três inteiros e trinta e três centésimos, no caso de óleo diesel”. Portanto, apenas com a informação do PIS recolhido pela refinaria não é possível se chegar ao valor da base de cálculo do crédito a ser restituído pela Recorrente. Logo, devese indeferir o pleito da Recorrente, por não preencher o requisito do § 1o, do art. 6o, da IN/SRF nº 6/99. Ex positis, nego provimento ao Recurso Voluntário interposto. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Relator Fl. 531DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 03 /01/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13853.000007/200555 Acórdão n.º 3401002.065 S3C4T1 Fl. 528 9 Fl. 532DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 03 /01/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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Numero do processo: 10680.900230/2008-88
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu May 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2000
PER/DCOMP. PRESCRIÇÃO.
O pedido de compensação do direito creditório anteriormente reconhecido no prazo legal é imprescritível no caso de preenchidas determinadas condições. Nesse sentido, o sujeito passivo pode compensar créditos que já tenham sido objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento apresentado à RFB, desde que, à data da apresentação da Declaração de Compensação, (a) o seu pedido não tenha sido indeferido, mesmo que por decisão administrativa não definitiva, pela autoridade competente da RFB e (b) se deferido o pedido, ainda não tenha sido emitida a ordem de pagamento do crédito.
RETIFICAÇÃO DA PER/DCOMP.
Não se pode tomar conhecimento do Per/DComp retificador que apresente inclusão de novo débito por expressa vedação legal.
Numero da decisão: 1801-001.452
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento em parte ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Relatora
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otávio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Leonardo Mendonça Marques e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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PRESCRIÇÃO. O pedido de compensação do direito creditório anteriormente reconhecido no prazo legal é imprescritível no caso de preenchidas determinadas condições. Nesse sentido, o sujeito passivo pode compensar créditos que já tenham sido objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento apresentado à RFB, desde que, à data da apresentação da Declaração de Compensação, (a) o seu pedido não tenha sido indeferido, mesmo que por decisão administrativa não definitiva, pela autoridade competente da RFB e (b) se deferido o pedido, ainda não tenha sido emitida a ordem de pagamento do crédito. RETIFICAÇÃO DA PER/DCOMP. Não se pode tomar conhecimento do Per/DComp retificador que apresente inclusão de novo débito por expressa vedação legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento em parte ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 02 30 /2 00 8- 88 Fl. 114DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/05/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.900230/200888 Acórdão n.º 1801001.452 S1TE01 Fl. 114 2 Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otávio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Leonardo Mendonça Marques e Ana de Barros Fernandes. Relatório A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nº 18811.69661.130204.1.3.024079 apresentada em 13.02.2004, fls. 3943, utilizandose do saldo negativo de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) no valor original de R$2.283,24 do anocalendário de 1999 apurado pelo regime do lucro real anual, para compensação dos débitos ali confessados. Em 24.02.2006 apresentou o Per/DComp nº 16816.94059.240206.1.3.022097, fl. 4447, utilizandose do saldo negativo de IRPJ no valor original de R$7.498,33 do mesmo ano calendário de 1999 apurado pelo regime do lucro real anual, que inclui o valor já pleiteado de R$2.283,24, para compensação dos débitos ali confessados. Em conformidade com o Despacho Decisório Eletrônico, fl. 54, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido. Restou esclarecido que Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, não foi possível confirmar a apuração do crédito, pois o valor informado na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) não corresponde ao valor do saldo negativo informado no PER/DCOMP. Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$2.283,24 Valor do saldo negativo informado na DIPJ: R$7.498,33 Diante do exposto, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada nos seguintes PER/DCOMP: 18811.69661.130204.1.3.024079 16816.94059.240206.1.3.022097 Para tanto, cabe indicar o seguinte enquadramento legal: art. 165, art. 168 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 3º da Lei Complementar nº 118, de 19 de fevereiro de 2005 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Cientificada em 18.03.2008, fl. 37, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade em 17.04.2008, fls. 0103, com os argumentos a seguir transcritos. DOS FATOS 01. A impugnante recebeu em 18/03/2008 o Despacho Decisório em anexo, n° de rastreamento 749305850, referente às PER/DCOMP's 18811.69661.130204.1.3.02 4079 e 16616.94059.240206.1.3.022097, informando que a(s) declaração(ões) em menção não foi(ram) homologada(s), e que a(s) compensação(coes) efetuada(s) não surtiu(ram) efeito. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/05/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.900230/200888 Acórdão n.º 1801001.452 S1TE01 Fl. 115 3 02. O fato que gerou a não homologação foi a não consistência entre a composição do(s) crédito(s) declarado(s) nesta(s) PER/DCOMP(s) e os da respectiva DIPJ. 03. A(s) declaração(ões) de compensação acima e objeto da Não Homologação foi(ram) retificada(s) em 24/02/2006. Nesta retificação o(s) crédito(s) foi(ram) ajustado(s) à respectiva DIPJ, entretanto foi(ram) acrescido(s) á(s) declaração(ões) novo(s) débito(s) do contribuinte e foi este fato que gerou o indeferimento do pedido de compensação e a não homologação da(s) mesma(s). 04. Antes de tomarmos ciência da Não Homologação tentamos enviar nova(s) retrficação(ões), mas esta(s) não foi(ram) aceita(s) pelo sistema da RFB, pois já tinha(m) sofrido a não homologação. 05. A(s) declaração(ões) de compensação foi(ram) refeita(s) e anexada(s) à este. DO DIREITO 01. Nos termos do art. 165 do CTN [...], deste modo, demonstrado que tem o contribuinte direito de haver o valor pago indevidamente. 02. Não há prescrição do direito ao crédito uma vez que o contribuinte manifestouse tempestivamente para reaver o valor recolhido à maior. Conclui Frente aos fatos e fundamentos acima expostos a impugnante vem solicitar: a) Que seja reconhecido seu direito a utilização do(s) crédito(s) que outrora utilizou no(s) pedido(s) de compensação; b) Que seja(m) aceita(s) e homologada(s) a(s) declaração(ões) de compensação (PER/DCOMP) anexa(s). Nestes termos, pede deferimento. Está registrado como resultado do Acórdão da 2ª TURMA/DRJ/BHE/MG nº 0237.324, de 07.02.2012, fls. 7785: “Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte” por reconhecer direito creditório no valor de R$7.406,91 correspondente ao saldo negativo de IRPJ anocalendário de 1999 e homologar a compensação efetuada no Per/DComp n.º 18811.69661.130204.1.3.024079. Restou ementado ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2000 COMPENSAÇÃO APÓS A EXTINÇÃO DO DIREITO DE PLEITEAR RESTITUIÇÃO. Não se admite a compensação com crédito apurado ou decorrente de pagamento efetuado há mais de 5 anos da data da entrega do PER/DCOMP e que não tenha sido objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento apresentado à RFB antes do transcurso do referido prazo. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/05/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.900230/200888 Acórdão n.º 1801001.452 S1TE01 Fl. 116 4 COMPENSAÇÃO SALDO NEGATIVO. Constitui crédito passível de compensação o valor efetivamente comprovado do saldo negativo decorrente do ajuste anual. Notificada em 07.03.2012, fl. 90, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 05.04.2012, fls. 95100, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge e reitera alguns argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Em relação à Per/DComp n.º 16816.94059.240206.1.3.022097, diz que não há se falar em prescrição. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui Ante o exposto requer: a) a procedência dos pedidos para reconhecer e homologar a compensação efetuada pela Per/DComp n.º 16816.94059.240206.1.3.022097; b) a suspensão do crédito tributário até o julgamento definitivo deste processo administrativo. Nestes termos, Pede deferimento. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional (§ 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). Inicialmente cabe ressaltar que, por expressa vedação legal, não se toma conhecimento do Per/DComp nº 35589.49345.240206.1.7.027946 retificador, fls. 0616, pois apresenta inclusão de novo débito em relação ao Per/DComp original nº 18811.69661.130204.1.3.024079, de acordo com o Despacho Decisório de fl. 5859. Também, não se toma conhecimento dos Per/DComp nºs 37305.45539.110408.1.7.020088 e 23661.43797.150408.1.3.026318, fls. 1721, uma vez nos Despachos Decisórios de fls. 5657 e Fl. 117DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/05/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.900230/200888 Acórdão n.º 1801001.452 S1TE01 Fl. 117 5 6061, consta “compensação não declarada”, por já terem sido objeto dos Despachos Decisórios proferidos pela autoridade administrativa em relação aos Per/DComp nºs 18811.69661.130204.1.3.024079 e 18811.69661.130204.1.3.024079, respectivamente. Ressaltese que é definitiva essa decisão da autoridade administrativa que indeferiu o pedido de retificação, bem como não cabe manifestação de inconformidade contra a decisão que considerou não declarada a compensação, sem prejuízo da aplicação do art. 56 da Lei nº 9.784, 29 de janeiro de 1999, nos termos do art. 77, art. 78 e art. 90 da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012, editada nos termos da competência regulamentar conferida à RFB pelo § 14 art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Nesse sentido, não cabe a essa segunda instância de julgamento reexaminar essas matérias. A Recorrente suscita que as compensações formalizadas no Per/DComp devem ser homologadas. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior1. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais2. Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe à Recorrente detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior 1 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. 2 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/05/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.900230/200888 Acórdão n.º 1801001.452 S1TE01 Fl. 118 6 de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Desta forma, a comprovação, de maneira inequívoca, a liquidez e a certeza do valor pleiteado a título de restituição gera direito à compensação de débito até o valor reconhecido 3. A pessoa jurídica pode deduzir do tributo devido o valor dos incentivos fiscais previstos na legislação de regência, do tributo pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real, bem como o IRPJ ou a CSLL determinado sobre a base de cálculo estimada no caso utilização do regime com base no lucro real anual, para efeito de determinação do saldo de IRPJ ou de CSLL a pagar ou a ser compensado no encerramento do anocalendário, ocasião em que se verifica a sua liquidez e certeza4. Para que haja direito à compensação, a Recorrente deve comprovar, de maneira inequívoca, a liquidez e a certeza do valor pleiteado a título de restituição. Compete antes de examinar as razões da defesa, analisar a objeção de prescrição por ser matéria de ordem pública que pode ser conhecida a requerimento da parte ou de ofício, a qualquer tempo e em qualquer instância de julgamento. Este instituto pode ser definido como a perda da pretensão do direito de a Fazenda Pública cobrar o crédito tributário já constituído pelo lançamento, tendo em vista o decurso do prazo de 5 (cinco) anos previsto em lei 5. O pedido de compensação do direito creditório anteriormente reconhecido no prazo legal é imprescritível no caso de preenchidas determinadas condições. Nesse sentido, o sujeito passivo pode compensar créditos que já tenham sido objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento apresentado à RFB, desde que, à data da apresentação da Declaração de Compensação, (a) o seu pedido não tenha sido indeferido, mesmo que por decisão administrativa não definitiva, pela autoridade competente da RFB e (b) se deferido o pedido, ainda não tenha sido emitida a ordem de pagamento do crédito. Nesse caso, o sujeito passivo pode apresentar Declaração de Compensação que tenha por objeto crédito apurado ou decorrente de pagamento efetuado há mais de 5 (cinco) anos, desde que referido crédito tenha sido objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento apresentado à RFB antes do transcurso do referido prazo de 5(cinco anos)6. Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática. No Acórdão da 2ª TURMA/DRJ/BHE/MG nº 0237.324, de 07.02.2012, fls. 7785, cuja matéria é definitiva na esfera administrativa, nos termos do art. 45 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, consta expressamente: reconhecer direito creditório no valor de R$7.406,91 (sete mil, quatrocentos e seis reais e noventa e um centavos), correspondente ao saldo negativo de IRPJ do exercício de 2000, anocalendário de 1999. 3 Fundamentação legal: art. 37 da Constituição Federal, art. 170 do Código Tributário Nacional, art. 14, art. 15, art. 16, art. 17, art. 26A e art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. 4 Fundamentação legal: art. 170 do Código Tributário Nacional, art. 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e art. 2º da Lei nº 9.430, 27 de dezembro de 1996. 5 Fundamentação legal: art. 170 do Código Tributário Nacional. 6 Fundamentação legal: §§ 5º e 10 do art. 41 da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012, e § 14 da Lei nº 9.430, de 17 de dezembro de 1996. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/05/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.900230/200888 Acórdão n.º 1801001.452 S1TE01 Fl. 119 7 Inferese que à Recorrente de fato foi regularmente reconhecido o direito integral do saldo negativo de IRPJ no valor originalmente pleiteado de R$7.406,91, do ano calendário de 1999 apurado pelo lucro real anual para compensação dos débitos confessados nas Declarações de Compensação. Por conseguinte, tem cabimento ratificar o direito creditório do saldo negativo de IRPJ no valor R$7.406,91, do anocalendário de 1999, e confirmar como legítimo o valor a restituir remanescente de R$5.123,67, que a Recorrente pode compensar com débitos tributários, com a apresentação de Declaração de Compensação ainda que tenha por objeto crédito apurado que há mais de 5 (cinco) anos, pois o referido crédito foi regularmente reconhecido mediante pedido de restituição apresentado à RFB antes do transcurso do referido prazo de 5 (cinco) anos. Ressaltese que a contestação aduzida pela defendente, por isso, pode ser sancionada especificamente com a utilização para homologação das compensações pleiteadas até limite do valor do direito creditório aqui ratificado no valor de R$5.123,67 de saldo negativo disponível de IRPJ do anocalendário de 1999 anteriormente reconhecido pela autoridade de primeira instância de julgamento. Em assim sucedendo, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 120DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/05/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10830.009665/2007-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue May 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
Decadência. Lançamento por Homologação.
Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação e quando efetuado o pagamento antes de qualquer procedimento do ente tributante para constituir, de ofício, o crédito tributário, o Fisco dispõe de 5 (cinco) anos, a contar da data de ocorrência do fato gerador, para efetuar o lançamento, sob pena de perda do direito de lançar.
Sendo a decadência matéria de ordem pública, pode ser apreciada de oficio pelo julgador tributário, independente de provocação da autuada.
No caso, tendo os Autos de Infração, relativos ao período de 01/01/2002 a 31/12/2002, sido cientificados à autuada em 08/11/2007, encontram-se decaídas as exigências de IRPJ e CSLL do 1o. , 2o. e 3o. trimestres de 2002 e os lançamentos de PIS e COFINS dos fatos geradores de janeiro/2002 a outubro/2002, mantidos os demais períodos.
Multa Agravada no Arbitramento - Descabimento.
O agravamento da multa de ofício em face do não atendimento à intimação para apresentação da escrituração ou de esclarecimentos não se aplica nos casos em que a omissão do contribuinte já tem conseqüências específicas previstas na legislação, no caso o arbitramento dos lucros.
Reduz-se a multa de ofício aplicada ao patamar de 75%, conforme exposto no presente Acórdão.
PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO CONTESTADA.
A luz do que dispõe o artigo 17 do Decreto n° 70.235, de 1972, na redação que lhe foi dada pela Lei n° 9.532, de 1997, a matéria que não tenha sido expressamente contestada, considerar-se-á não impugnada.
Decorre daí que, não tendo sido objeto de contestação, carece competência à autoridade de segunda instância para dela tomar conhecimento em sede de recurso voluntário, por afrontar o princípio do duplo grau de jurisdição a que está submetido o Processo Administrativo Fiscal.
Numero da decisão: 1301-001.202
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros deste Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao Recurso de Ofício nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
(documento assinado digitalmente)
Plínio Rodrigues Lima - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Jakson da Silva Lucas - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plínio Rodrigues Lima, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 Decadência. Lançamento por Homologação. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação e quando efetuado o pagamento antes de qualquer procedimento do ente tributante para constituir, de ofício, o crédito tributário, o Fisco dispõe de 5 (cinco) anos, a contar da data de ocorrência do fato gerador, para efetuar o lançamento, sob pena de perda do direito de lançar. Sendo a decadência matéria de ordem pública, pode ser apreciada de oficio pelo julgador tributário, independente de provocação da autuada. No caso, tendo os Autos de Infração, relativos ao período de 01/01/2002 a 31/12/2002, sido cientificados à autuada em 08/11/2007, encontramse decaídas as exigências de IRPJ e CSLL do 1o. , 2o. e 3o. trimestres de 2002 e os lançamentos de PIS e COFINS dos fatos geradores de janeiro/2002 a outubro/2002, mantidos os demais períodos. Multa Agravada no Arbitramento Descabimento. O agravamento da multa de ofício em face do não atendimento à intimação para apresentação da escrituração ou de esclarecimentos não se aplica nos casos em que a omissão do contribuinte já tem conseqüências específicas previstas na legislação, no caso o arbitramento dos lucros. Reduzse a multa de ofício aplicada ao patamar de 75%, conforme exposto no presente Acórdão. PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. A luz do que dispõe o artigo 17 do Decreto n° 70.235, de 1972, na redação que lhe foi dada pela Lei n° 9.532, de 1997, a matéria que não tenha sido expressamente contestada, considerarseá não impugnada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 96 65 /2 00 7- 44 Fl. 722DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 05/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 10830.009665/200744 Acórdão n.º 1301001.202 S1C3T1 Fl. 11 2 Decorre daí que, não tendo sido objeto de contestação, carece competência à autoridade de segunda instância para dela tomar conhecimento em sede de recurso voluntário, por afrontar o princípio do duplo grau de jurisdição a que está submetido o Processo Administrativo Fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros deste Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao Recurso de Ofício nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (documento assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima Presidente. (documento assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plínio Rodrigues Lima, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 723DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 05/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 10830.009665/200744 Acórdão n.º 1301001.202 S1C3T1 Fl. 12 3 Relatório Tratase de procedimento fiscal realizado pelo SEFIS/DRF/Campinas SP, amparado pelo Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) n° 08.1.04.002007002123, concluído com a lavratura de Autos de Infração em 08/11/2007, no total de R$ 7.025.197,65, abrangendo o ano calendário de 2002 e contemplando os tributos IRPJ no valor de R$ 2.309.365,03; CSLL no valor de R$ 1.071.110,12; PIS no valor de R$ 649.059,63 e COFINS no valor de R$ 2.995.662,57, incluindose o principal, multa de ofício à razão de 112,50% e juros de mora calculados até 31/10/2007. A ação fiscal baseouse na auditoria dos extratos bancários apresentados de forma incompleta pela empresa autuada. Após varias intimações requerendo o complemento dos extratos bancários e, devido ao não atendimento pela contribuinte o auditor fiscal solicitou ao Delegado a emissão da Requisição de Movimentação Financeira (RMF). De posse dos documentos foi elaborado novo Termo de Constatação e Intimação (ciência em 23/10/2007 fls. 186/187), o Fisco relatou i) que a contribuinte entregou a DIPJ do ano calendário 2002 pelo Lucro Real Trimestral, ii) que não apresentou os Livros e Notas Fiscais de Entradas, Saídas e Prestação de Serviços, iii) não apresentou a relação de seus bens constantes no Ativo Permanente, iv) não atendeu a intimação para esclarecer a origem dos créditos em suas contas correntes em 2002, v) não atendeu a intimação para apresentar os documentos que justificassem as informações de sua sócia de que sua atividade era a de intermediação de negócios no ramo de combustível (contrato de representação comercial, notas fiscais de prestação de serviços de intermediação comercial, etc), vi) que a contribuinte elaborou sua escrita e apurou resultados como se operasse com mercadorias de terceiros e, vii) que a contribuinte não comprovou que exercia atividades comerciais com combustíveis em nome de terceiros, concluindose que exerce comércio de combustíveis em nome próprio. No mesmo Termo, intimou a fiscalizada a reconstituir e apresentar sua escrita, computando os custos e as receitas próprias e não de terceiros e a apresentar Livro Registro de Inventário e LALUR. Ainda na mesma peça, o Fisco cientificou a contribuinte sobre a possibilidade do arbitramento do lucro, em caso de escrituração eivada de erros ou deficiências que a tornem imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária, ou determinar o lucro real, assim como na hipótese da não apresentação dos livros obrigatórios e documentos relativos à escrituração. Ciente da conclusão do procedimento fiscal e da lavratura dos autos de infração, a contribuinte, mediante impugnação manifestase, destacando os seguintes tópicos: IMPOSSIBILIDADE DE ARBITRAMENTO DE VALORES CONTRATO DE PARCERIA. Discorre a impugnante: > que, "a Defendente firmou no ano de 2002 contrato de parceria e investimentos com a empresa Distribuidora Glória de Combustíveis Ltda., conforme contrato em anexo "; Fl. 724DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 05/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 10830.009665/200744 Acórdão n.º 1301001.202 S1C3T1 Fl. 13 4 > que, "a partir daí, os Contratados, sócios da empresa Defendente, passaram a realizar negócios variados, dentre os quais investir capital para a realização dos negócios contratados e, em virtude disso houve entrada e circulação de valores nas contas da Defendente"; > que "assim, muitos dos valores que constavam dos extratos bancários das contas movimentadas pela Defendente no ano de 2002, foram resultantes das atividades comerciais exercidas com a Distribuidora Glória de Combustíveis Ltda., onde certamente sofreram a devida tributação, especialmente pelo fato de que a maioria dos produtos comercializados pelas distribuidoras possuem todos os impostos retidos na fonte"; > que, "a Autuante fez um arbitramento do lucro (...) sob a alegação de que a escrituração mantida pela Defendente seria imprestável para a determinação do lucro real (...) porém o arbitramento não se refere aos reais acontecimentos, tornando ilíquido o presente Auto de Infração e, consequentemente tornandoo nulo"; > que, "o arbitramento do lucro não correspondeu à realidade e está causando à Defendente enormes prejuízos, e, se mantido, redundará em um enriquecimento indevido do Erário Público às expensas da Defendente , que está sendo prejudicada e ficará impossibilitada de arcar com as suas despesas". Afirma que "o entendimento da doutrina dá conta de que o depósito bancário, por si só, não representa aquisição de disponibilidade jurídica e econômica de renda e proventos de qualquer natureza" (sublinhado no original), citando doutrina (sem identificar oautor do texto) e a transcrever jurisprudência do CARF a respeito. DA ILIOUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO IMPOSSIBILIDADE DE INCLUSÃO DO ICMS SOBRE A BASE DE CALCULO DO PIS/COFINS Adentrando neste tópico, a defesa discorre sobre o que chama de "alguns esclarecimentos acerca do PIS/COFINS". Pontifica: > que, "sabemos que a base de cálculo das referidas contribuições é a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, ou seja, o seu faturamento"; > que, "nos cálculos apurados pela Autuante estão incluindo em sua base de cálculo a parcela correspondente ao ICMS pago ao Estado, não tendo sido tal tributo excluído da base de cálculo da exação"; > que, "o Pis e a COFINS não podem incidir sobre eventual parcela devida aos estados a título de ICMS, tendo em vista que tal parcela não tem natureza de "faturamento"; > que, "o ICMS (...) transita provisoriamente pelo patrimônio do contribuinte, devendo ser excluído da base de cálculo das referidas contribuições"; > que, "há entendimentos de que o ICMS não deve ser incluído na base de cálculo da COFINS porque (...) não é abrangido pelo conceito de faturamento". Fl. 725DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 05/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 10830.009665/200744 Acórdão n.º 1301001.202 S1C3T1 Fl. 14 5 Transcreve decisão estampada no site do STF e conclui que "da análise desse trecho do voto, percebemos que o Ministro Relator entende que o valor do ICMS não representa faturamento do contribuinte, mas sim do Estado, e por essa razão não poderia compreender a base de cálculo da COFINS (...)", e que, "dessa forma, o montante apurado na ocasião da lavratura do presente Auto de Infração relativamente à PIS/COFINS denotase ilíquido". DA EXCLUSÃO DA MULTA E JUROS DE MORA Prossegue em sua linha de defesa, afirmando: > que "não é de hoje que diversos contribuintes vêm suportando a cobrança de tributos supostamente não recolhidos no prazo legal, com os respectivos acréscimos de multa e juros de mora, exatamente como está ocorrendo no presente caso". DO CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA APLICADA Em seu último item de defesa, disserta longamente sobre o tema referenciado, destacandose, em síntese: > que "não podemos deixar de mencionar o caráter confiscatório, não razoável e desproporcional à capacidade contributiva da Defendente em que está sendo cobrada a multa nestes autos"; > que, "não podemos negar a existência e a legalidade da aplicação das multas, mas também, não podemos deixar de aceitar que as mesmas devem, em caráter existencial, respeitar a diversos preceitos maiores para que possam obter a eficácia pretendida" (transcreve o artigo 150, IV, da Constituição Federal confisco); > que, "o princípio (não confisco), em comento serve de anteparo entre a res pública e o patrimônio do particular, visto que constitui remédio jurídico contra a arbitrariedade do representante estatal (...) sendo aplicável tanto aos tributos, quanto às penas fiscais (multa)". Fl. 726DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 05/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 10830.009665/200744 Acórdão n.º 1301001.202 S1C3T1 Fl. 15 6 Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas Constatase do relatório e voto recorrido que os autos de infração foram lavrados por ter entendido a autoridade fiscal que a autuada, devidamente intimada, não comprovou a origem dos valores creditados em suas contas correntes mantidas em instituições financeiras (artigo 42, da Lei n° 9.430/1996), caracterizando omissão de receitas. Por conseqüência, impôsse a desclassificação da escrituração pela sua imprestabilidade, o abandono do regime do Lucro Real e a aplicação do artigo 530, II, do Regulamento do Imposto de Renda vigente Decreto n°3.000/1999 com a adoção do Lucro Arbitrado para apuração da base de cálculo do IRPJ, CSLL e reflexos. Conclui, finalmente, que em face da contribuinte não ter atendido, no prazo marcado, às intimações para prestar esclarecimentos, ficou sujeito ao lançamento de oficio do crédito tributário apurado pela fiscalização com multa agravada", na forma do artigo 959,I, do RIR/1999. De sua parte, a autuada irrresignouse contra o arbitramento por alegar possuir contrato de parceria firmado com uma empresa distribuidora de combustíveis, que depósito bancário não se afigura como receita, que o valor do ICMS não pode compor a base de cálculo do PIS e da COFINS e que a multa e juros aplicados devem ser excluídos dos lançamentos, além do caráter confiscatório da primeira. De início assinale que a autoridade julgadora de primeiro grau, manteve parcialmente os lançamentos, exonerando a exigência fiscal do IRPJ e CSLL relativos aos fatos geradores do 1o., 2o. e 3o. trimestres do ano calendário de 2002 e com relação ao PIS e COFINS relativos aos fatos geradores dos meses de janeiro a outubro de 2002, em virtude do instituto da decadência. Também reduziu as multas aplicadas do patamar de 112,50% para 75%. Pelo que recorre de ofício. Observase, que o valor do crédito exonerado supera o limite que sujeita a decisão à revisão necessária (Quadro Demonstrativo ao final do voto), pelo que conheço do recurso de ofício. Constatase dos autos que a ora recorrente foi cientificada por edital da decisão de primeira instância não tendo apresentado recurso voluntário. Assim, a teor do que dispõe o artigo 17 do Decreto n° 70.23 5, de 1972, na redação que lhe foi dada pela Lei n° 9.532, de 1997, a matéria que não tenha sido expressamente contestada, considerarseá não impugnada, tornandose preclusa. Decorre daí que, não tendo sido objeto de contestação, carece competência à autoridade de segunda instância para dela tomar conhecimento em sede de recurso voluntário. RECURSO DE OFÍCIO Fl. 727DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 05/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 10830.009665/200744 Acórdão n.º 1301001.202 S1C3T1 Fl. 16 7 Por pertinente transcrevo os seguintes trechos do voto condutor: DA DECADÊNCIA MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA Ainda que não suscitada pela autuada, não pode o Julgador Administrativo se furtar a analisar matéria de cunho eminentemente de ordem pública. Nessa esteira de raciocínio e no caso concreto, embora a impugnante não tenha feito, em qualquer espaço de sua peça contestatória, a mínima alusão sobre o tema DECADÊNCIA, cabe, como dito, ao Julgador desta esfera administrativa, obediente aos princípios da moralidade administrativa, da segurança jurídica e por se tratar, reconhecidamente, de matéria de ordem pública, apreciar e analisar a possível ocorrência do fenômeno decadencial nos lançamentos sob discussão, pertinentes ao anocalendário de 2002 e cuja ciência da autuada deuse em 08/11/2007. Como é do conhecimento dos que militam na área tributária, o instituto da decadência, a forma de contagem de seu lapso temporal, o início e o fim do interstício que delimita sua vigência, enfim, sua própria aplicação no mundo jurídico está longe da unanimidade, não faltando teses as mais diversas a albergar posicionamentos divergentes, sempre com supedâneo no artigo 150, § 4° ou no artigo 173, inciso I, ambos do CTN. No entendimento desta Turma de Julgamento, no caso dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, nos termos do art. 150 do Código Tributário Nacional CTN, não basta que a legislação ordinária tenha atribuído ao sujeito passivo o dever de apurar e pagar o imposto devido, antes de qualquer procedimento de verificação pelo Fisco. E necessário que o sujeito passivo tenha efetuado a apuração e o pagamento , ainda que parcial do tributo para que a norma de contagem do prazo decadencial possa ser antecipada da regra geral prevista no art. 173,1, do Código Tributário Nacional CTN para a regra especial prevista no art. 150, § 4o , do mesmo diploma legal. A legislação do IRPJ e também, subsidiariamente, a da CSLL, adotam, como regra geral para apuração do ganho ou prejuízo, o chamado período trimestral, quando o referido ciclo temporal se encerra a cada três meses do ano civil, a partir de janeiro, oportunidade em que os valores eventualmente devidos são levantados e devem ser recolhidos ao Erário. Excepcionalmente, os contribuintes podem aderir ao regime de apuração anual, isto é, com encerramento, ao invés de quatro períodos de apuração, de apenas um, em 31 de dezembro de cada ano, sujeitando, nesse caso, a recolhimentos de valores estimados mensais. Exprimase, em um ou outro caso, os fato geradores ocorrem no último dia do período assumido como regime de tributação: se trimestral, ao fim de intervalos de três meses (março, junho, setembro e dezembro); se anual, no dia derradeiro do ano civil. Neste momento é que se exteriorizam os fatos geradores dos dois tributos, valendo dizer, é a partir daí que começa a fluir eventual lapso decadencial, restando definirse a norma legal aplicável (artigo 150, § 4o , ou artigo 173,1, do Estatuto Tributário), sempre tendo em conta que o deslocamento para a regra especial prevista no art. 150, § 4o , exige que o sujeito passivo tenha efetuado a apuração e o pagamento , ainda que parcial, do tributo. Fl. 728DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 05/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 10830.009665/200744 Acórdão n.º 1301001.202 S1C3T1 Fl. 17 8 A opção da fiscalizada para o anocalendário de 2002, como se vê nos autos, foi pelo regime trimestral de tributação, implicando dizer que a contagem do prazo decadencial para o IRPJ e CSLL, se realizados recolhimentos regulares de ambos os tributos, passou a fluir a cada encerramento dos respectivos trimestres, ou seja, 31/03, 30/06, 30/09 e 31/12. Somente com a conclusão do período de tempo que o legislador definiu (trimestral ou anual) é que se pode mensurar o ganho ou perda que nesse intervalo temporal tenha ocorrido, advindo daí a contagem do termo decadencial. No caso presente, considerando que a infração detectada referese ao ano calendário de 2002, quando a contribuinte adotou o regime de tributação trimestral, e que a ciência dos autos lavrados deuse em 08/11/2007, já se encontravam decaídos os fatos geradores relativos ao 1°, 2° e 3° trimestres de 2002, cujos prazos fatais para a constituição do crédito tributário por parte do Fisco encerraramse em 31/03, 30/06 e 30/09 do referido ano. De outro lado, não há que se falar em ocorrência do instituto decadencial com referência ao 4° trimestre/2002, visto que, como exposto, o nascimento do fato gerador só se consubstanciou em 31/12/2002. Lavrados e cientificados os Autos de Infração de IRPJ e CSLL em 08/11/2007, inexistiu a decadência em relação a este período (4° trimestre/2002). Citese, como aditamento, que a autuada fez recolhimentos regulares dos mencionados tributos no anocalendário de 2002, conforme documentos comprobatórios (SINAL.08) juntado por este Relator às fls. 650/657, o que desloca a contagem do prazo decadencial para a norma do artigo 150, § 4o , do Estatuto Tributário. Já no que tange ao PIS e COFINS, o marco inicial para a contagem do prazo decadencial tem outra visão legal. Embora o PIS e a COFINS sujeitemse às mesmas regras atrás expostas para aplicação do instituto decadencial (artigo 150, § 4 °, ou artigo 173, inciso I, do CTN), de forma diversa ao IRPJ e CSLL que têm fatos geradores que ocorrem trimestralmente ou anualmente , mencionadas contribuições subsumemse a regras de apuração mensal, por expressa determinação de suas legislações de regência. Conseqüentemente, ao final de cada período mensal, vale dizer, no último dia de cada mês, surge o fato gerador das contribuições, fluindo, a partir daí, o intervalo temporal de cinco anos para operarse a decadência, DESDE QUE, neste mesmo espaço de tempo, o sujeito passivo tenha efetuado, regularmente, recolhimentos dos valores apurados e declarados à Receita Federal. Pois bem, consoante pesquisas efetuadas nos sistemas da Receita Federal do Brasil (SINAL.08), a contribuinte realizou, de forma regular, recolhimentos de PIS e COFINS nos meses de janeiro a outubro de 2002 (doc. juntado por este Relator às fls. 650/657), embora, obviamente, não os tenha feito em relação à matéria tratada nestes autos, ou seja, omissão de receitas. Assim, ainda que se tenha inquestionavelmente apurado no presente procedimento "omissão de receitas" e sobre ela incidam as duas contribuições, ainda assim, no entender deste Relator, a norma aplicável é a do artigo 150, § 4o. , do CTN. Fl. 729DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 05/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 10830.009665/200744 Acórdão n.º 1301001.202 S1C3T1 Fl. 18 9 Em síntese, pelo exposto e de plano, cancelamse as exigências de IRPJ e CSLL para os fatos geradores do 1o. , 2o. e 3o. trimestres de 2002, mantidos os lançamentos relativos ao 4o. trimestre do mesmo anocalendário. Igualmente, cancelamse os lançamentos pertinentes aos PIS e à COFINS para os fatos geradores de janeiro/2002 a outubro/2002, mantidas as exigências para os meses de novembro/2002 e dezembro/2002. DO AGRAVAMENTO DA MULTA DE OFÍCIO Sobre a majoração da multa de ofício praticada pelo Fisco, baseada no não atendimento integral, pela fiscalizada, das intimações lavradas durante a ação fiscal, impende ver sua aplicação. No entender deste Relator, a imposição da multa de ofício com agravamento em 50% de seu percentual original (75% ou 150%), elevandoa a patamares de 112,50% e 225,00%, exige a ausência total de atendimento, por parte do sujeito passivo, das intimações emitidas pela fiscalização no curso do procedimento investigativo, o que não ocorreu nos autos presentes. É bem verdade que a fiscalizada não atendeu integralmente aquilo que lhe exigiu a fiscalização, mas não é menos verdade que vários documentos e respostas foram trazidos pela autuada no curso do procedimento, conforme expressamente reconhecido pela autuante em diversos termos que lavrou. Isto é, ainda que não tenha fornecido tudo que lhe foi imposto pela autoridade tributária, a autuada não deixou de cumprir vários dos pleitos formulados, tendo providenciada a entrega, dentre outros, dos Livros Diário e Razão, além de parte dos extratos bancários. Se os Livros Diário e Razão estavam irregularmente escriturados (e isso acarretou o arbitramento) e se os extratos bancários entregues pela autuada, como expresso pela Fiscalização "estavam fora de ordem cronológica e pouco legíveis por serem folhas de FAX" (fls. 32 dos autos), tais fatos não descaracterizam o animus da contribuinte em proceder ao atendimento das intimações. Mais ainda, a não apresentação integral dos documentos e livros imposta pela fiscalização e a irregular escrituração acabou por determinar o próprio arbitramento, ou seja, fossem cumpridas, in totum, as requisições fiscais, os autos de infração provavelmente seriam lavrados apoiados no regime de tributação do lucro real e não do lucro arbitrado. Dizendo de forma diversa, a escrituração tida como imprestável e a não entrega integral dos livros e documentos levou a fiscalizada a ter seu lucro arbitrado e esse foi o ônus que teve que suportar pelo seu procedimento, descabendo a aplicação da multa majorada. Em síntese, a aplicação da multa de ofício em percentuais acrescidos de 50% exigiria uma omissão completa da fiscalizada no atendimento àquilo que a fiscalização lhe impôs, o que não se viu nos autos. Pelo exposto, dáse provimento à impugnação neste aspecto, reduzindose as multas aplicadas de 112,50% para 75,00%, conforme descrição nos autos de infração lavrados. Fl. 730DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 05/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 10830.009665/200744 Acórdão n.º 1301001.202 S1C3T1 Fl. 19 10 Pelos fatos e argumentos acima relatados, tomo de empréstimos seus fundamentos, pois, no caso, não há reparos a fazer na decisão recorrida, dado que proferida com observância da lei e da jurisprudência desta Corte Administrativa. Recurso de ofício que se nega provimento. (documento assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 731DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 05/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA
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Numero do processo: 11065.905338/2011-82
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003
COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DO CRÉDITO. NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO MANTIDA.
Mantém-se a não homologação da compensação declarada quando não comprovada a existência do crédito compensado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3802-001.698
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, José Fernandes do Nascimento, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1640; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 20 1 19 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11065.905338/201182 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3802001.698 – 2ª Turma Especial Sessão de 20 de março de 2013 Matéria PIS COMPENSAÇÃO Recorrente CENTRO CLÍNICO CANOAS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003 COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DO CRÉDITO. NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO MANTIDA. Mantémse a não homologação da compensação declarada quando não comprovada a existência do crédito compensado. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, José Fernandes do Nascimento, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 90 53 38 /2 01 1- 82 Fl. 83DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06 /04/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA 2 Tratase de Declaração de Compensação (DComp), em que informada a compensação de crédito proveniente do pagamento indevido da Contribuição para o PIS/Pasep do mês de setembro de 2003, no valor de R$ 4.036,05, com débito da Cofins do mês de janeiro de 2007. Por intermédio do Despacho Decisório (eletrônico) de fls. 02/04, a compensação não foi homologada, em razão da inexistência do crédito informado, sob o fundamento de que o pagamento indevido declarado, embora localizado na base dados, fora integralmente utilizado na quitação de débito da contribuinte. Em sede de manifestação de inconformidade, a contribuinte alegou que o crédito compensado era legítimo, com base nos argumentos de que (i) o valor do débito informado na DCTF estava errado e era indevido; (ii) a comprovação do pagamento indevido era realizado com a simples apresentação do Darf; e (iii) a DCTF e a DIPJ não geravam crédito nem afetavam a compensação. Sobreveio o acórdão da 2ª Turma de Julgamento da DRJ – Porto Alegre/RS, que, por unanimidade de votos, não reconheceu o direito creditório nem homologou a compensação declarada, com base no argumento de que não foram comprovados os requisitos da liquidez e certeza do crédito compensado. Em 23/4/2012, a recorrente foi cientificada da decisão de primeira instância. Em 16/5/2012, protocolou o Recurso Voluntário de fls. 48/64, em que reafirmou os argumentos aduzidos na manifestação de inconformidade. Em aditamento, alegou a nulidade da decisão recorrida por manifesta ilegalidade, sob argumento de que houve (i) alteração da fundamentação/motivação do Despacho Decisório não homologatório da compensação declarada e (ii) falta de intimação para que o contribuinte apresentasse a documentação comprobatória do crédito, conforme previsto no art. 26 da Lei nº 9.784, de 1999, e no Decreto nº 70.235, de 1972. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Da preliminar de nulidade da decisão recorrida. Em preliminar, alegou a recorrente a nulidade da decisão recorrida por manifesta ilegal, sob argumento de que houve (i) alteração da fundamentação/motivação do Despacho Decisório não homologatório da compensação declarada e (ii) falta de intimação para que o contribuinte apresentasse a documentação adequada à comprovação do crédito, conforme previsto no art. 26 da Lei nº 9.784, de 1999, e no Decreto nº 70.235, de 1972. O motivo e o fundamento da não homologação da compensação declarada, consignado no contestado Despacho Decisório, foi a inexistência do crédito compensado. Com base nessa informação, na fase de manifestação de inconformidade, por força do disposto no § Fl. 84DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06 /04/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 11065.905338/201182 Acórdão n.º 3802001.698 S3TE02 Fl. 21 3 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, combinado com o inciso III do art. 161 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 (PAF), cabia ao contribuinte apresentar os elementos probatórios adequados com vistas a comprovação da existência do valor crédito informado, o que não feito. Por essa razão, fundamentadamente, a Turma de Julgamento a quo manteve a não homologação da compensação por ausência de “comprovação da liquidez e certeza do crédito”, que equivale a inexistência do direito creditório. Dessa forma, a decisão recorrida não só manteve o fundamento/motivo da decisão prolatada no Despacho Decisório guerreado (inexistência do crédito), como apresentou a razão pela qual concluíra que o direito creditório não inexistia, ou seja, a ausência das provas hábeis e idôneas para fim de comprovação do valor crédito pleiteado. Também a falta de intimação para apresentar a documentação comprobatória do crédito também não configura motivo suficiente para inquinar a decisão recorrida. Ônus probatória não é da incumbência da autoridade julgadora, mas da parte interessada, nos termos do art. 16 do PAF, combinado com o disposto no art. 333 do CPC. No caso do procedimento de compensação, quem tem que provar a existência do crédito é quem alega possuílo, ou seja, o sujeito passivo autor da declaração de compensação. Por essas razões, a autoridade julgadora não tem o dever intimar o contribuinte para produzir provas. Em consonância com o disposto nos arts. 18 e 29 do PAF, a autoridade julgadora, com vistas a formação de convicção, poderá determinar a realização de diligências ou perícias, mas somente quando entendêlas necessárias e imprescindíveis para o esclarecimento de dúvidas acerca da prova apresentada, situação que não se vislumbra no caso em tela. Por todas essas razões, rejeito a presente preliminar de nulidade. Do mérito. Em relação ao mérito, a recorrente insiste na alegação de que a apresentação do Darf seria prova suficiente para comprovar a existência do crédito. Na verdade, o Darf comprova a realização do pagamento, mas, no caso em tela, tal prova era prescindível, pois, o pagamento já havia sido confirmado pelo Administração Tributária, conforme explicitado no Despacho Decisório. Por força do disposto no art. 170 do CTN, a homologação da compensação depende da prova dos requisitos da certeza e liquidez do crédito compensado, logo, na fase de manifestação de inconformidade, por força do disposto no art. 16 do PAF, a recorrente tinha o ônus de carrear aos autos a prova inequívoca do crédito compensado, ao não se desincumbir adequadamente desse encargo, fica sujeita as consequências dessa omissão. É oportuno ressaltar que, mesmo ciente da necessidade da apresentação da documentação probatória adequada, nesta fase recursal, a recorrente insistiu na omissão, uma 1 "Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; [...]" Fl. 85DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06 /04/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA 4 vez que não trouxe à colação do recurso qualquer documento comprobatório do suposto indébito. No caso, como se trata de suposto crédito decorrente de pagamento indevido da Contribuição para o PIS/Pasep, são considerados adequados, dentre outros, os seguintes documentos: o Demonstrativo de Apuração da Contribuição e as cópias das folhas dos livros fiscais (Registro de Saídas e de Apuração do ICMS ou do IPI) e contábeis (Razão) do respectivo período de apuração do crédito pleiteado. A recorrente não apresentou nenhum dos referidos documentos, inclusive na atual fase recursal, conforme já mencionado. Com base nessas considerações, por falta de prova, resta não comprovado a existência do crédito compensado, logo, deve ser mantida a não homologação da compensação. Da conclusão. Por todo o exposto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso, para manter na íntegra a decisão recorrida. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 86DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06 /04/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA
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Numero do processo: 13839.001177/2003-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 16 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Dec 16 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2001, 2002
Ementa:
COMPENSAÇÃO. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DCOMP. POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DE OFÍCIO. DETERMINAÇÃO PARA QUE OS AUTOS RETORNEM À ORIGEM PROSSEGUIMENTO DA ANÁLISE DO PEDIDO.
Constatado o efetivo pagamento de valores a maior e de erro no
preenchimento da DCOMP, provém-se parcialmente o recurso para
determinar o retorno dos autos à origem para prosseguimento da análise do pedido, alocando os valores comprovadamente pagos a maior, para compensação dos débitos de IRPJ e CSLL informados pelo sujeito passivo.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 1402-000.350
Decisão: Acordam os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira SESSÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a ocorrência de erro material no preenchimento da DCOMP e determinar o retorno dos autos à Unidade de origem para prosseguimento da análise do pedido. Ausente momentaneamente o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, que foi substituído pelo Conselheiro Marcelo de Assis Guerra.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA
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ERRO NO PREENCHIMENTO DA DCOMP. POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DE OFÍCIO. DETERMINAÇÃO PARA QUE OS AUTOS RETORNEM À ORIGEM PROSSEGUIMENTO DA ANÁLISE DO PEDIDO. Constatado o efetivo pagamento de valores a maior e de erro no preenchimento da DCOMP, provém-se parcialmente o recurso para determinar o retorno dos autos à origem para prosseguimento da análise do pedido, alocando os valores comprovadamente pagos a maior, para compensação dos débitos de IRPJ e CSLL informados pelo sujeito passivo. Recurso provido em parte. Fl. 349DF CARF MF Impresso em 21/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 20/01/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Assinado digitalmente em 21/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 20/01/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL 2 Acordam os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a ocorrência de erro material no preenchimento da DCOMP e determinar o retorno dos autos à Unidade de origem para prosseguimento da análise do pedido. Ausente momentaneamente o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, que foi substituído pelo Conselheiro Marcelo de Assis Guerra. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima - Presidente. (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva - Relator. EDITADO EM: 20/01/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 350DF CARF MF Impresso em 21/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 20/01/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Assinado digitalmente em 21/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 20/01/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 13839.001177/2003-73 Acórdão n.º 1402-00350 S1-C4T2 Fl. 2 3 Relatório Inicialmente, conforme demonstram os documentos de fls. 01 e 02, em 14/05/2003, a recorrente apresentou pedido de compensação para quitar débitos vencidos em 31/05/2003, com valores de pagamentos a maior ou indevidos elencados na planilha de fls. 03, a seguir transcrita: Código Trib./Contr. CNPJ do Darf Período de Apuração Data de Vencimento Data do Pagamento Valor total do Darf Valor original do pgto a maior ou indevido 2362 42.59.7823/0001-96 28/02/2002 28/03/2002 28/03/2002 30.870,92 18.998,36 6692 42.59.7823/0001-96 28/02/2002 28/03/2002 28/03/2002 4.745,59 2.258,06 2362 42.59.7823/0001-96 31/03/2002 30/04/2002 30/04/2002 20.174,58 3.776,66 6692 42.59.7823/0001-96 31/03/2002 30/04/2002 30/04/2002 2.894,30 448,88 Em 30/07/2007, conforme despacho de fls. 29, foi proferida a seguinte decisão: “Essa empresa apresentou declaração de compensação para a liquidação de débitos de IRPJ (Código 2362) e CSLL (Código 2484), de competência do mês ABRIL/02 — Vcto MAIO/02, ambos decorrentes da apuração da apuração mensal por estimativa. Tal procedimento não é coerente com a forma de apuração indicado na DIPJ/2003, na qual se observa que essa empresa apurou Lucro Real TRIMESTRAL, no curso do ano calendário de 2002.(sic) Assim sendo, fica essa empresa intimada a rever a compensação declarada no processo acima. É oportuno ressaltar que nas DCTF somente se vinculam pagamentos que se aproveitam ao débito declarado. Qualquer pagamento que não se aproveita ao débito declarado não deve ser vinculado na DCTF do período do pagamento. Os pagamentos a maior ou indevidos devem ser vinculados somente nas DCTF dos períodos que em que houverem a sua utilização/compensação.” Em atendimento à intimação de fl. 29, a recorrente apresentou a petição de fls. 31, nos seguintes termos: Fl. 351DF CARF MF Impresso em 21/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 20/01/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Assinado digitalmente em 21/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 20/01/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL 4 “1 ...vêm, à presença de Vossa Senhoria, solicitar o cancelamento do processo administrativo em epígrafe, pelos motivos argüidos a seguir: 1. O valor informado na Declaração de Compensação referente ao IRPJ no campo de Débitos Compensados foi declarado erroneamente por R$ 25.481,94. O valor correto do débito, código de receita n° 0220, apurado na DIPJ no 2° trimestre de 2003 é de R$ 124.676,45, o qual foi vinculado aos seguintes créditos conforme demonstrativo abaixo: (....) 2. 2. O valor informado na Declaração de Compensação referente a CSLL no campo de Débitos Compensados foi declarado erroneamente por R$ 12.960,70. O valor correto do débito, código de receita n° 6012, apurado na DIPJ no 2° trimestre de 2003 é de R$ 47.755,75, o qual foi vinculado aos seguintes créditos conforme demonstrativo abaixo: (....)” Junto com a petição de fls. 31/32 vieram aos autos os documentos constantes das fls. 33 a 118, a saber: - DIPJ - ano-calendário 2003; - DCTF - 2° trimestre de 2003; - DARFs vinculados aos débitos declarados; - PER/DCOMP: 36353.67502.250505.1.3.02-6045; - PER/DCOMP: 14643.17067.250505.1.3.02-8107; - PER/DCOMP: 21073.71729.250505.1.3.02-4106; - PER/DCOMP: 15979.41784.250505.1.3.03-7019; - PER/DCOMP: 25763.40573.250505.1.3.03-2108; - PER/DCOMP: 35746.89544.250505.1.3.03-9330. O despacho de fls. 119 e seguintes não homologou a compensação com base nos seguintes fundamentos: “Trata-se de processo contendo Declaração de Compensação, formulada nos termos da Instrução Normativa SRF n° 210/2002, visando liquidar IRPJ e CSLL, de competência do mês de apuração Abril/2003, com a utilização de pagamentos de mesma espécie, tidos por indevidos pelo declarante, conforme relacionados às fls. 03 e 04. Porquanto não confirmados os pagamentos indicados às fls. 03 e 04, intimou-se o declarante a prestar esclarecimentos, bem assim a retificar as declarações de compensações, se fosse o caso. Em resposta à intimação apresentou pedido de cancelamento das declarações de compensações juntadas às fls. 01 e 02, ocasião em que também informou os valores corretos dos débitos de IRPJ e CSLL de competência do 2° trimestre de 2003, bem assim a vinculação dos créditos aos débitos respectivos. Parte dos débitos foram liquidados por pagamentos e parte por compensação mediante a apresentação de DCOMP eletrônicas, conforme abaixo indicados: Débito de IRPJ do 2° trimestre/2003 Débito de CSLL do 2° trimestre/2003 36353.67502.250505.1.3.02-6045 15979.41784.250505.1.3.03-7019 14643.17067.250505.1.3.02-8107 25763.40573.250505.1.3.03-2108 21073.71729.250505.1.3.02-4106 35746.89544.250505.1.3.03-9330 Fl. 352DF CARF MF Impresso em 21/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 20/01/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Assinado digitalmente em 21/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 20/01/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 13839.001177/2003-73 Acórdão n.º 1402-00350 S1-C4T2 Fl. 3 5 O presente processo se destina então a analisar essas declarações. Todas as declarações de compensação acima relacionadas indicam como origem do crédito, os saldos negativos de IRPJ e de CSLL, apurados no 2° trimestre de 2003. Os valores dos créditos declarados são: N° da DCOMP Valor do Crédito IRPJ N° da DCOMP Valor do Crédito CSLL 36353.67502.250505.1.3.02-6045 R$ 4.091,29 15979.41784.250505.1.3.03-7019 R$ 4.844,41 14643.17067.250505.1.3.02-8107 R$ 51.045,50 25763.40573.250505.1.3.03-2108 R$ 20.337,34 21073.71729.250505.1.3.02-4106 R$ 13.734,85 35746.89544.250505.1.3.03-9330 R$ 2.484,47 Além de divergentes os valores dos saldos negativos de IRPJ e CSLL, os extratos da DIPJ/2003, juntados às fls. 117 (IRPJ) e 118 (CSLL), não indicam qualquer valor de crédito. Ao contrário, no 2° trimestre de 2003 foram apurados débitos nos seguintes valores: IRPJ R$ 124.676,45 CSLL R$ 47.755,75 Assim sendo, não há crédito a dar suporte à compensação declarada.” Diante do despacho supra, a parte interessada apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 125 e seguintes, alegando que: a) a decisão não se atentou para o fato de que os créditos eram advindos de saldos negativos de IRPJ e CSLL nos períodos de apuração de 2001 e 2002; e não de 2003, conforme se evidencia dos próprios PER/DCOMPs, bem como da respectiva DCTF (fl. 127); b) que os débitos em questão, referem-se aos tributos exigidos a título de IRPJ - período de apuração (fato gerador) do 2° trimestre de 2003; e CSLL do mesmo período de apuração, assim divididos: IRPJ: R$ 18.354,50 R$ 61.638,58 R$ 4.940,32 CSLL: R$ 3.320,11 R$24.557,80 R$ 5.306,85 Na petição de fls. 128 a parte interessada reporta-se detalhadamente em relação a cada um dos valores acima referidos. A título exemplificativo, cita-se as considerações e esclarecimentos feitos em relação ao valor de R$ 18.354,50: “O primeiro débito, refere-se a uma das parcelas do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, devido no 2° Trimestre de 2003. Fl. 353DF CARF MF Impresso em 21/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 20/01/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Assinado digitalmente em 21/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 20/01/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL 6 Referido débito, fora compensado com o saldo negativo de IRPJ do 1° Trimestre de 2001, conforme se verifica da página 3 do PER/DCOMP n° 21073.71729.250505.1.3.02-4106 (doc. 01). Apesar do equívoco cometido na página 2, na qual o Contribuinte, ora Manifestante, informa que o saldo negativo a compensar corresponderia ao 2° Trimestre de 2003. Fica claro quando da análise da página 3 da mencionada PER/DCOMP, que o crédito utilizado corresponde ao (sic.) R$ 55.508,49 Período de Apuração de 31.01.2001, ou seja, do 1° Trimestre de 2001. Dessa forma, o erro anteriormente cometido estaria superado na própria PER/DCOMP (doc. 01), de maneira a assegurar o crédito utilizado na compensação, o que não poderia ter sido ignorada pela Fiscalização. Todavia, a sua análise pela fiscalização, restringiu-se tão somente aos saldos negativos do próprio período de apuração do débito (2° Trimestre de 2003), o que, por questões óbvias, não proporcionou qualquer crédito a compensar/restituir, uma vez que inexistia saldo negativo de IRPJ no próprio período de apuração em que havia débito a extinguir (pagar/compensar). Portanto, o que se pretende nesta(sic) presente manifestação é demonstrar que o equívoco cometido pelo contribuinte, além de não gerar quaisquer prejuízos à fiscalização, ainda restou superado na própria PER/DCOMP.” A Delegacia, na decisão de fl. 242, deixou de homologar a compensação com base nos seguintes fundamentos: - Na apuração do resultado pelo Lucro Real Trimestral não é obrigatória qualquer antecipação de pagamento de IRPJ ou de CSLL; - Os pagamentos a maior do IRPJ ou da CSLL efetuados no curso dos trimestres não se convertem em saldo negativos, exceto as retenções de IRRF e as retenções por Órgão Públicos; - Os pagamentos de IRPJ ou de CSLL, de competência de qualquer trimestre civil, que se revelarem maior do que o débito, devem ser classificados como pagamento a maior, não como saldo negativo; - A administração não pode alterar de ofício a origem dos créditos informados nas declarações de compensação, e - O declarante não logrou confirmar a efetiva existência dos créditos. Desta decisão houve uma segunda manifestação de inconformidade de fls. 252 e seguintes, por meio da qual a parte interessada alega: “O Fisco alega que o recolhimento do IRPJ feito pelo contribuinte nos períodos de janeiro a março de 2001 ( primeiro trimestre de 2001) e janeiro a março de 2002 (primeiro trimestre de 2002), não se referem a saldo negativo de IRPJ mas constitui- se antecipação de pagamento do imposto. No entanto, através do encontro de contas entre os débitos apurados no período (primeiro trimestre de 2001 e primeiro trimestre de 2002) e o valor recolhido pelo Requerente, houve pagamento a maior do imposto, conforme demonstrado pelas Fl. 354DF CARF MF Impresso em 21/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 20/01/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Assinado digitalmente em 21/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 20/01/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 13839.001177/2003-73 Acórdão n.º 1402-00350 S1-C4T2 Fl. 4 7 guias DARFs acostadas aos autos, sendo este fato reconhecido pelo próprio Fisco na decisão supra transcrita. O que o ilustre auditor fiscal contesta é simplesmente a qualificação dada ao crédito considerando que este não teve origem em saldo negativo de IRPJ mas em CRÉDITO DE PAGAMENTO A MAIOR pois, no caso de saldo negativo de imposto, o valor devido deveria estar grafado nas Declarações do Imposto de Renda (DIPJ) com sinal negativo. Contudo, tal afirmação não merece prosperar já que não há como negar o direito à compensação do contribuinte, assegurado pela legislação pertinente, pautado na alegação de simples erro material cometido nas declarações de ajuste anual (DIPJ). Também não merece prosperar a alegação do Fisco de que o Requerente não comprovou a origem de seu crédito, pois foram acostados aos autos os DARFs devidamente recolhidos nos períodos de 01/01/01 a 03/01/01 (1° trimestre de 2001) e 01/01/02 a 01/03/02 (1° trimestre de 2002), bem como as DCTFs retificadoras onde foram corrigidos os equívocos quanto aos períodos de apuração discriminados como sendo os de origem dos créditos (de primeiro trimestre de 2003 para primeiro trimestre de 2001 e primeiro trimestre de 2002).” A DRJ, por meio do acórdão de fls. 277 e seguintes deixou de homologar a compensação sob o fundamento de que a reclamação de direito creditório de natureza distinta daquela indicada na Declaração de Compensação processada configura novo pedido, sujeito ao rito processual cabível. O acórdão recorrido está alicerçado nos seguintes fundamentos: - Na apuração do resultado pelo Lucro Real Trimestral não é obrigatória qualquer antecipação de pagamento de IRPJ ou CSSL; - Os pagamentos a maior do IRPJ ou da CSSL efetuados no curso dos trimestres não se convertem em saldos negativos, exceto as retenções de IRRF e as retenções por Órgãos Públicos; - Os pagamentos de IRPJ ou de CSSL, de competência de qualquer trimestre civil, que se revelarem maior do que o débito, devem ser classificados como pagamento a maior, não como saldo negativo; - A administração não pode alterar de oficio a origem dos créditos informados nas declarações de compensação, e - O declarante não logrou confirmar a efetiva existência dos créditos. Intimada em 11/05/2009 (fl. 283), a autuada interpôs recurso voluntário em 23/06/2009 (fls. 284/309) , alegando em síntese: a) que realizou a compensação de seus créditos em conformidade os artigos 165 e 170 do CTN, artigo 890 do RIR 1999, Lei n° 10.637, de 2002, e Instrução Normativa SRF n° 210, de 2002, vigentes à época, não havendo qualquer irregularidade nesta operação; Fl. 355DF CARF MF Impresso em 21/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 20/01/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Assinado digitalmente em 21/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 20/01/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL 8 b) que a qualificação dada ao crédito (saldo negativo ao invés de pagamento a maior) configura mero erro material, o qual não lhe retira o direito à compensação; c) que comprovou a origem do crédito, conforme se verifica das DARFs referentes ao 1° trimestre de 2001, 2° trimestre de 2002, bem como das DCTF retificadoras, onde foram corrigidos os equívocos quanto aos períodos de apuração discriminados como sendo os de origem dos créditos; d) que quanto aos débitos relativos à CSLL, cuja compensação também foi contestada pelo Fisco, ilustra os créditos de pagamento a maior de CSLL, do 1° trim/2001 e 1° e 4° trim/2002. É o relatório. Fl. 356DF CARF MF Impresso em 21/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 20/01/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Assinado digitalmente em 21/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 20/01/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 13839.001177/2003-73 Acórdão n.º 1402-00350 S1-C4T2 Fl. 5 9 Voto Conselheiro Relator Moisés Giacomelli Nunes da Silva O recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33 do Decreto n°. 70.235, de 06 de março de 1972, foi interposto por parte legítima e está devidamente fundamentado. Assim, conheço-o e passo ao exame da matéria. Da análise dos documentos existentes nos autos, dentre os quais o de fls. 37, em relação ao segundo trimestre de 2003, a DIPJ de fls. 34 demonstra imposto de renda a pagar no valor de R$ 124.676,42 e CSLL no valor de R$ 47.755,75. Pretende o recorrente quitar tais débitos com valores pagos a maior que foram confirmados pela autoridade fiscal, conforme planilhas e anotações de fls. 31 e 32, a seguir transcritas: IRPJ Débito Apurado R$ Créditos Vinculados R$ Documento 124.676,45 34.327,60 Pagamento de Darf 3.491,25 Pagamento de Darf 1.213,54 Pagamento de Darf 504,53 Pagamento de Darf 206,11 Pagamento de Darf 4.940,32 Per/Dcomp n° 36353.67502.250505.1.3.02-6045 61.638,58 Per/Dcomp n° 14643.17067.250505.1.3.02-8107 18.354,50 Per/Dcomp n° 21073.71729.250505.1.3.02-4106 CSLL Débito Apurado R$ Créditos Vinculados R$ Documento 47.755,75 11.962,67 Pagamento de Darf 1.287,75 Pagamento de Darf 76,52 Pagamento de Darf 219,51 Pagamento de Darf 1.024,54 Pagamento de Darf 5.306,85 Per/Dcomp n° 15979.41784.250505.1.3.03-7019 24.557,80 Per/Dcomp n° 25763.40573.250505.1.3.03-2108 3.320,11 Per/Dcomp n° 35746.89544.250505.1.3.03-9330 A controvérsia teve início quanto à data dos pagamentos a maior e em relação à natureza destes, visto que o sujeito passivo os considerou como saldo negativo e não pagamento a maior. Entendeu a autoridade fiscal que pagamentos a maior do IRPJ ou da CSSL efetuados no curso dos trimestres não se convertem em saldos negativos, exceto as retenções de IRRF e as retenções por Órgãos Públicos. Fl. 357DF CARF MF Impresso em 21/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 20/01/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Assinado digitalmente em 21/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 20/01/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL 10 Diante de tal fato, pretendeu a parte recorrente alterar a natureza do direito creditório de "saldo negativo" para "pagamento indevido ou a maior", sob o fundamento de ter incorrido em erro material no preenchimento de declaração. Tal pretensão não foi acolhida sob o fundamento de que procedimento não implica correção de erro material eis que todas as demais informações prestadas nas respectivas declarações se encontram consistentes em relação ao direito creditório agora nelas considerados pela fiscalização. A retificação pretendida representa, em verdade, inovação na declaração formulada, e não correção de erro material. Além do litígio quanto à possibilidade ou não da pretendida retificação, verificou-se divergências quando as datas dos créditos (pagamentos) utilizados em compensação, inicialmente informados pelo recorrente como sendo 2003, quando o correto, segundo manifestação posterior, referem-se aos períodos de apuração de 2001 e 2002 e não como constou inicialmente. Segundo a recorrente, em razão dos valores abaixo relacionados, faz jus a utilizar as importâncias referidas na última coluna da direita, a seguir elencada, conforme fl. 297 dos autos: TRIBUTO IRPJ Período de apuração Tributo Débito Valores Pagos (Darfs) Saldo de créditos a utilizar (R$) 1°Trimestre/2001 IRPJ 28.637,23 DIPJ fl. 211 55.508,49 – comp. Fl. 212 28.660,19 – comp. Fl. 212 6.993,09 (não localizado) 3.789,99 (não localizado) T: 94.951,76 66.314,53 1°Trimestre/2002 IRPJ 68.591,29 DIPJ Fl. 213 57.188,79 - comp. Fl. 214 30.870,92 - comp. Fl. 214 20.174,58 - comp. Fl. 214 7.853,90 (não localizado) 4.754,50 – comp fl. 25 2.894,30 - comp. Fl. 24 T:123.727,99 55.136,70 Da análise feita a partir dos comprovantes de pagamento cujas folhas acima relacionei, não encontrei nos autos informação sobre o débito de CSLL do 1° trimestre de 2002 e nem o alegado pagamento de R$ 27.270,48, referente a este período de apuração. Quanto ao IRPJ, não identifiquei comprovante de pagamento dos seguintes valores e períodos: - IRPJ - 1° trimestre de 2001: R$ 6.993,09 e R$ 3.789,99; - IRPJ - 2° trimestre de 2002: R$ 7.853,90; TRIBUTO CSLL PERÍODO DE APURAÇÃO Tributo Débito Valores Pagos (Darfs) Saldo de créditos a utilizar (R$) 1°Trimestre/2001 CSSL 14.349,49 DIPJ fl. 215 16.322,32 – Comp fl. 216 24.281,56 - Comp fl. 216 T:40.603,88 26.260,39 1°Trimestre/2002 CSSL 33.460,55 (não localizado) 13.724,68 – comp fl. 27 12.802,73 – comp fl. 28 27.270,48 (não localizado) T:53.797,89 20.337,34 4°Trimestre/2002 CSSL 106.752,51 comp fl. 217 7.991,90 – com. Fl. 218 41.333,85 – com. Fl. 218 62.271,17 – com. Fl. 218 T:111.596,92 4.844,41 Fl. 358DF CARF MF Impresso em 21/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 20/01/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Assinado digitalmente em 21/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 20/01/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 13839.001177/2003-73 Acórdão n.º 1402-00350 S1-C4T2 Fl. 6 11 Por não ter encontrado nos autos a declaração de débito da CSLL do 1° trimestre de 2002 e nem o comprovante de pagamento do valor de 27.270,48 não posso presumir que em relação ao período de apuração do 1 o . trimestre de 2002 há saldo de R$ 20.337,34 a ser alocado para pagamento dos tributos pretendidos pela recorrente. No que diz respeito ao IRPJ, em relação ao primeiro trimestre de 2001, não localizei nos autos comprovante de pagamento dos valores de R$ 6.993,09 e R$ 3.789,99 citados pela recorrente e nem o valor de R$ 7.853,90 que a recorrente afirma ter pago no primeiro trimestre de 2002. No caso concreto, conforme apontado na decisão recorrida, e no quadro acima, em face de procedimento equivocado e do que consta dos autos, a recorrente recolheu a maior os seguintes valores: Período de apuração Tributo Débito Valores Pagos (Darfs) Saldo de créditos a utilizar (R$) 1°Trimestre/2001 IRPJ 28.637,23 DIPJ fl. 211 55.508,49 – comp. Fl. 212 28.660,19 – comp. Fl. 212 T: 84.468,68 55.813,45 1°Trimestre/2002 IRPJ 68.591,29 DIPJ Fl. 213 57.188,79 - comp. Fl. 214 30.870,92 - comp. Fl. 214 20.174,58 - comp. Fl. 214 4.754,50 – comp fl. 25 2.894,30 - comp. Fl. 24 T: 115.874,09 47.282,80 O artigo 74 da Lei n° 9.430, de 1996, com a redação dada ao caput pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002, que resultou da conversão da Medida Provisória nº 66, de 29.08.2002, com efeitos a partir de 01.10.2002, que “o sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão”. No caso dos autos, tendo a parte recorrente recolhido importância a maior do quanto efetivamente devia a título de IRPJ e de CSLL, o procedimento correto, conforme apontado no ato do julgamento pelo Conselheiro Antônio Praga, deveria proceder, de ofício, a retificação da DCOMP para tratar tais valores como recolhimento a maior, alocando-os para compensação dos débitos de IRPJ, no valor de R$ 124.676,45 e de CSLL, no valor de R$ 47.755,75, do segundo trimestre de 2003, observada a correção pela taxa SELIC, nos termos da legislação vigente. PERÍODO DE APURAÇÃO Tributo Débito Valores Pagos (Darfs) Valor recolhido a maior 1°Trimestre/2001 CSSL 14.349,49 DIPJ fl. 215 16.322,32 – Comp fl. 216 24.281,56 - Comp fl. 216 T:40.603,88 26.260,39 4°Trimestre/2002 CSSL 106.752,51 comp fl. 217 7.991,90 – com. Fl. 218 41.333,85 – com. Fl. 218 62.271,17 – com. Fl. 218 T:111.596,92 4.844,41 Fl. 359DF CARF MF Impresso em 21/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 20/01/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Assinado digitalmente em 21/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 20/01/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL 12 ISSO POSTO, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso para reconhecer o ocorrência de erro material no preenchimento da DCOMP e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para prosseguimento na análise do pedido, superando os erros verificados no preenchimento, alocando os valores comprovadamente pagos a maior, para compensação dos débitos de IRPJ, no valor de R$ 124.676,45 e de CSLL, no valor de R$ 47.755,75, do segundo trimestre de 2003, observada a correção pela taxa SELIC, nos termos da legislação vigente. É o voto. (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva - Relator. Fl. 360DF CARF MF Impresso em 21/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 20/01/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Assinado digitalmente em 21/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 20/01/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL
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Numero do processo: 10283.900416/2009-09
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu May 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2004
COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. ERRO DE PREENCHIMENTO. COMPROVAÇÃO.
Descabe considerar-se, como suposta alteração da origem do crédito pleiteado, o comprovado erro no preenchimento de Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp).
Numero da decisão: 1803-001.639
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(Assinado Digitalmente)
Walter Adolfo Maresch - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
Meigan Sack Rodrigues - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Walter Adolfo Maresch, Roberto Armond Ferreira da Silva, Meigan Sack Rodrigues e Victor Humberto da Silva Maizman.
Nome do relator: MEIGAN SACK RODRIGUES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Walter Adolfo Maresch - Presidente. (Assinado Digitalmente) Meigan Sack Rodrigues - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Walter Adolfo Maresch, Roberto Armond Ferreira da Silva, Meigan Sack Rodrigues e Victor Humberto da Silva Maizman.
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PER/DCOMP. ERRO DE PREENCHIMENTO. COMPROVAÇÃO. Descabe considerarse, como suposta alteração da origem do crédito pleiteado, o comprovado erro no preenchimento de Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Walter Adolfo Maresch Presidente. (Assinado Digitalmente) Meigan Sack Rodrigues Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Walter Adolfo Maresch, Roberto Armond Ferreira da Silva, Meigan Sack Rodrigues e Victor Humberto da Silva Maizman. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 04 16 /2 00 9- 09 Fl. 88DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 09/05/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10283.900416/200909 Acórdão n.º 1803001.639 S1TE03 Fl. 112 2 Relatório Tratase, o presente feito, de PER/DCOMP transmitido em 31.10.2005, através do qual foi pedida restituição de IRPJ (PA junho/2004 lucro real estimativa mensal) no valor original de R$ 837.676,26 e efetivada a compensação de débitos da recorrente com esse crédito (fl. 05). A Delegacia de origem, mediante despacho decisório eletrônico (fl. 06), asseverou que "a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP (...) foram localizados um ou mais pagamentos (...), mas integralmente utilizados para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Assim, não homologou a compensação declarada. Devidamente cientificada, a empresa recorrente apresenta suas razões de inconformidade de forma tempestiva, alegando que ocorreu erro formal na elaboração do Per/DCOMP, no que se refere ao tipo de crédito, sendo sua intenção compensar o saldo negativo de IRPJ. Ainda, afere que o erro quanto à indicação do tipo de crédito não deve ensejar o desacordo com os pedidos do contribuinte, merecendo a sua homologação. E, por fim, requer a homologação de seu PERD/COMP e a improcedência ou cancelamento do Despacho Decisório. A autoridade julgadora de primeira instância entendeu por bem manter o lançamento em sua integralidade. Aduz que a Lei 10.637/2002 atribui à compensação efeito extintivo do crédito tributário, mediante apresentação de declaração de compensação, sob condição resolutiva de sua ulterior homologação. Já a lei 10.833/2003 fixou o prazo de cinco anos, contado da data da entrega da DCOMP para a Receita Federal do Brasil homologar compensação declarada pelo contribuinte, reconhecendo a homologação tácita das compensações que, após cinco anos da data do protocolo respectivo, não tenham sido objeto de despacho decisório proferido pela autoridade competente, independentemente da existência e do montante do crédito alegado pelo sujeito passivo. Assim, salienta o julgador de primeira instância que com a referida mudança da sistemática, a compensação deixou de ser um pedido submetido à apreciação da autoridade administrativa, tratandose antes de procedimento efetivo pelo próprio contribuinte, sujeito apenas à posterior homologação do fisco, de forma expressa ou tácita. Em outras palavras, o julgador a quo observa que através do PER/Dcomp em análise, a empresa recorrente efetuou uma compensação na qual o crédito utilizado referese ao DARF apontado no documento. Em sua manifestação a empresa inova, afirmando que a origem do crédito seria o saldo negativo apurado no ano. E, neste contexto, entende que não pode ser acolhida a pretensão da recorrente no sentido de fazer compensar débito informado em seu PER/Dcomp com valores referentes a créditos diversos daquele indicado, os quais simplesmente não integram o seu conteúdo. Finaliza o seu raciocínio referindo não se tratar de negar a apresentação de documentos comprobatórios, inobservando o princípio da verdade material, mas do fato do crédito cuja existência pretende ver discutida a empresa recorrente ser diferente daquele utilizado na compensação cuja "não homologação" está sendo analisada. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 09/05/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10283.900416/200909 Acórdão n.º 1803001.639 S1TE03 Fl. 113 3 Devidamente cientificada da decisão proferida em primeira instância, a empresa recorrente apresenta suas razões em seara de recurso voluntário de forma tempestiva, reiterando os argumentos já dispostos na Impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Meigan Sack Rodrigues, Relatora Tratase, o presente feito, de PER/DCOMP através do qual foi pedida a restituição de IRPJ (PA junho/2004 lucro real estimativa mensal) no valor original de R$ 837.676,26 e efetivada a compensação de débitos da recorrente com esse crédito (fl. 05). A decisão proferida em primeira instância não homologou a compensação porquanto entender que não pode ser acolhida a pretensão no sentido de fazer compensação de débito informado em PERD/COMP com valores referentes a créditos diversos daquele indicado, os quais não integram o seu conteúdo. Ocorre que o presente feito tratase de erro no preenchimento de Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (PERD/COMP) e não de alteração da origem do crédito pleiteado. Ademais, temse que a própria recorrente admite que deveria ter indicado o pagamento de estimativas mensal na dedução do IRPJ devido ao final do período de apuração, compondo assim o saldo negativo correspondente. Neste contexto, podese concluir que o pagamento de estimativa mensal, indicado como direito creditório na PERD/COMP compõe o saldo negativo apurável. Assim, plausível que a Receita Federal aprecie o direito creditório da empresa recorrente, em conjunto com outras PERD/COMP, por ventura tenham a mesma origem. Diante do exposto voto no sentido de DAR provimento parcial ao recurso voluntário, para que a DRF de origem aprecie o direito creditório como o saldo negativo de IRPJ. É como voto. (assinado digitalmente) Meigan Sack Rodrigues – Conselheira Fl. 90DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 09/05/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10283.900416/200909 Acórdão n.º 1803001.639 S1TE03 Fl. 114 4 Fl. 91DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 09/05/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES
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