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Numero do processo: 10640.722157/2012-50
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2011
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543-B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizando-se as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência), não constituindo nulidade o fato de ter sido anteriormente calculado com base no regime de caixa.
Numero da decisão: 9202-006.843
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri (relatora), Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes, que lhe negaram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira - Redatora designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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REGIME DE COMPETÊNCIA. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizandose as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência), não constituindo nulidade o fato de ter sido anteriormente calculado com base no regime de caixa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri (relatora), Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes, que lhe negaram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 72 21 57 /2 01 2- 50 Fl. 162DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Redatora designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela Fazenda Nacional contra acórdão que deu provimento ao recurso voluntário do contribuinte para determinar o cancelamento do lançamento por meio do qual exigese IRPF sobre rendimentos recebidos acumuladamente em razão de decisão proferida em ação judicial. O acórdão recorrido recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2011 IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. FORMA DE TRIBUTAÇÃO. JULGAMENTO DO STF EM REPERCUSSÃO GERAL. Nos casos de rendimentos recebidos acumuladamente, deve o imposto de renda ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em deveriam ter sido pagos, sob pena de violação dos princípios da isonomia e da capacidade contributiva, consoante assentado pelo STF no julgamento do RE nº 614.406 realizado sob o rito do art. 543B do CPC, não prosperando, assim, lançamento constituído em desacordo com tal entendimento. Inconformado com a decisão, a Fazenda Nacional apresentou o presente recurso. A recorrente requer a aplicação ao caso do entendimento externado no acórdão paradigma o qual encaminhou pela manutenção do auto de infração, apenas determinando a retificação do montante do crédito tributário com a aplicação das tabelas progressiva vigentes à época da aquisição dos rendimentos regime de competência. Intimado o contribuinte não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Vencido Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10640.722157/201250 Acórdão n.º 9202006.843 CSRFT2 Fl. 163 3 Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora O recurso preenche os requisitos formais razão pela qual, ratificando as razões do respectivo despacho de admissibilidade, dele conheço. Conforme exposto no relatório, por meio do Recurso Especial a Fazenda Nacional devolve a este Colegiado a discussão acerca do critério utilizado para o cálculo do IRPF incidente sobre rendimento recebidos acumuladamente, mais especificamente sobre a possibilidade de retificação de lançamento que na origem utilizouse do critério de caixa para o cálculo do imposto. Discutese sobre a possibilidade ou não do órgão julgador refazer o lançamento na tentativa de corrigir o equívoco perpetrado pela autoridade lançadora. Inicialmente, não tenho dúvidas de que o mérito da questão já foi decidido tanto pelo Superior Tribunal de Justiça quanto pelo Supremo Tribunal Federal, respectivamente sob os ritos do Recurso Repetitivo e da Repercussão Geral. Estamos falando do RESP 1.118.429/SP e do RE 614.406/RS, que receberam as seguintes ementas: RESP 1.118.429/SP TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. RE 614.406/RS IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES – ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. Em relação ao julgado do STJ a tese firmada traz o seguinte texto: O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios previdenciários atrasados pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado, não sendo legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Assim, pelo fato de constar no texto da ementa e também da tese firmada referência ao fato de se ter discutido o pagamento de benefícios previdenciários há quem defenda a aplicação do julgado somente a estes casos. Entretanto, em relação ao julgado do Supremo Tribunal Federal, considerando o tema fixado para a Repercussão Geral é possível darlhe maior abrangência já Fl. 164DF CARF MF 4 que a redação da delimitação do tema ficou assim consignada: Tema 368 Incidência do imposto de renda de pessoa física sobre rendimentos percebidos acumuladamente. Neste último caso, vale mencionar que não foi feita qualquer ressalva quanto a origem dos rendimentos discutidos. Tal fato fica ainda mais cristalino quando nos debruçamos sobre a fundamentação utilizada pelo Ministro Marco Aurélio que levou em consideração o princípio da isonomia e o da capacidade contributiva. Em voto vista, a Ministra Carmem Lúcia citando a exposição de motivos da Medida Provisória nº 497/2010 (convertida na Lei n. 12.350/2010 que deu origem ao art. 12A da Lei 7.713/88) resume bem a questão: “52. Tratase da tributação de pessoa física que não recebeu o rendimento à época própria, recebendo em atraso o pagamento relativo a vários períodos. Nos termos do art. 12 da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, esses rendimentos seriam tributados no mês do recebimento mediante a aplicação da tabela mensal, o que muitas vezes resulta em um imposto de renda muito superior àquele que seria devido caso o rendimento fosse pago no tempo devido” Assim, resta indiscutível a aplicação ao caso do art. 62, §2º, do Regimento Interno do CARF, o qual determina que as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos que lhe foram submetidos. Ocorre que, embora os Tribunais Superiores tenham decido sobre a aplicação do regime de competência para fins de cobrança do IRPF sobre rendimentos recebidos acumuladamente e em que pese haver manifestação em sentido contrário, entendo que em nenhum momento os julgados analisaram a tese acerca da possibilidade de se determinar a correção de um lançamento fiscal que tenha adotado o critério de caixa declarado inconstitucional. Diante do entendimento dos nossos tribunais, vejamos a situação do lançamento: exigese do contribuinte imposto de renda apurado conforme sistemática declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Ainda que o auto de infração não faça menção expressa ao art. 12 da Lei nº 7.713/88, tendo fundamentado a autuação nos artigos 1º a 3º da lei, ainda assim a forma utilizada para cobrança do tributo permanece viciada. E aqui entendo tratarse de vício que leva ao cancelamento do lançamento, pois a inconstitucionalidade impacta diretamente nos critérios quantitativos do lançamento uma vez que a depender da aplicação do regime de caixa ou de competência teremos alterações significativas de base de cálculo e alíquotas. Neste cenário, nos parece pouco razoável admitir a possibilidade de 'refazimento' do lançamento, sob pena de violação ao violação ao art. 142 do CTN: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10640.722157/201250 Acórdão n.º 9202006.843 CSRFT2 Fl. 164 5 A partir do citado dispositivo é pacifico o entendimento de o lançamento tributário ser procedimento de competência exclusiva da autoridade administrativa fiscal, cujo objetivo é verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, culminar penalidade. Com essa premissa, entendo que o julgador administrativo não tem competência para proceder novo lançamento valendose de critério para o cálculo do imposto não ventilado pela autoridade administrativa, novo critério inclusive inexistente quando da ocorrência do fato gerador. Por fim, e mais uma vez, fazendo uma abordagem histórica acerca da criação do art. 12A da Lei nº 7.713/88, o qual trouxe norma para adequar o sistema ao entendimento da jurisprudência que vinha se consolidando, vale mencionar que por meio da Mensagem de Veto nº 702, ao projeto de conversão que deu origem à Lei nº 12.350/2010, consolidouse o entendimento de que um novo critério jurídico não poderia ser aplicado de forma retroativa. Vejamos: MENSAGEM Nº 702, DE 20 DE DEZEMBRO DE 2010. § 8º do art. 12A da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, inserido pelo art. 44 do Projeto de Lei de Conversão “§ 8o O disposto neste artigo aplicase retroativamente aos fatos geradores não alcançados pela decadência ou prescrição.” Razões do veto “A aplicação retroativa da norma tributária gera insegurança jurídica sobre as situações definitivamente constituídas, produzindo efeitos de difícil mensuração nas esferas administrativas e judiciais. Além disso, o CTN, lei materialmente complementar e regra geral do direito tributário, estabelece no art. 144 que o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada.” O próprio art. 12A em seu §7º é expresso ao limitar sua aplicação apenas aos rendimentos recebidos a partir do anocalendário de 2010, o que me parece reforçar a tese da impossibilidade de refazimento do presente lançamento e cobrança do imposto com base no regime de competência. Diante de todo o exposto, nego provimento ao recurso da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Voto Vencedor Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Fl. 166DF CARF MF 6 Pressupostos de Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, conforme despacho de Admissibilidade, fls. 152. Assim, não havendo qualquer questionamento acerca do conhecimento e concordando com os termos do despacho proferido, passo a apreciar o mérito da questão Do Mérito Em face dos pontos trazidos no Recurso especial da Fazenda Nacional e do conteúdo do acórdão recorrido entendo que a apreciação do presente recurso cingise a discussão em relação ao cancelamento da exigência, frente a suposta inconstitucionalidade reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do Recurso Extraordinário nº 614.406/RS, o qual foi submetido à sistemática da repercussão geral prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil, bem como a decisão do STJ na sistemática de recurso repetitivo sobre rendimentos recebidos acumuladamente. Um questão importante que ajudanos a delimitar o alcance da lide, referese ao fato de o relator do acórdão da Câmara a quo descrever em seu voto, mesmo que implicitamente que, o fundamento do cancelamento da exigência, diz respeito sua inconstitucionalidade reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal, porém em momento algum deixa de reconhecer a incidência do tributo, nem faz qualquer referência ao caráter salarial ou indenizatório da verba. Podemos chegar a essa conclusão ao lermos os termos do voto abaixo transcrito: Destarte, restou assim consolidado o entendimento de que a incidência do imposto de renda pessoa física sobre verbas recebidas acumuladamente deve considerar as datas e as alíquotas vigentes na época em que a verba deveria ter sido paga, em respeito aos princípios da isonomia e da capacidade contributiva, firmandose, por conseguinte, a inconstitucionalidade do art. 12 da Lei nº 7.713/88 quanto a esse aspecto. Nos termos do inciso I do § 6º do art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, não se aplica a vedação aos órgãos de julgamento administrativo fiscal ao afastamento de lei sob o fundamento de inconstitucionalidade, nos casos de lei que tenha sido declarada inconstitucional por decisão plenária definitiva do STF no mesmo passo, temse o disposto no art. 62 do RICARF. Cumpre observar, por oportuno, que as decisões do STF exaradas nos moldes do art. 543B do CPC possuem o caráter de palavra final e definitiva daquele tribunal sobre as questões jurídica nelas objetivamente decididas, conforme já alertava, com propriedade, o Parecer PGFN/CRJ nº 492, de 30 de março de 2011. E, nesse contexto, o § 2º do art. 62 do RICARF contém a seguinte regra: [...] Por conseguinte, a decisão definitiva de mérito proferida pelo Tribunal Pleno do STF sob a sistemática prevista pelo art. 543B Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10640.722157/201250 Acórdão n.º 9202006.843 CSRFT2 Fl. 165 7 do CPC deverá ser reproduzida por este colegiado no julgamento do presente recurso voluntário. E essa reprodução da decisão, salvo melhor juízo, significa aplicação da norma jurídica geral, consolidada no julgamento da repercussão geral, no caso em exame. 8 No caso concreto, a Notificação de Lançamento vergastada foi amparada na prescrição contida no art. 12 da Lei nº 7.713/88, não havendo sido observada a tese jurídica vinculante fixada em sede de repercussão geral, segundo a qual "O Imposto de Renda incidente sobre verbas recebidas acumuladamente deve observar o regime de competência, aplicável a alíquota correspondente ao valor recebido mês a mês, e não a relativa ao total satisfeito de uma única vez". Então, não ocorreu apenas uma mera desconformidade superficial ou diminuta entre a base de cálculo apurada e a correta, passível de correção ou ajuste mediante o expurgo do excesso eventualmente constatado, a ser efetuado pela administração tributária. Diversamente, o consequente normativo da regra matriz de incidência tributária foi inequivocamente desatendido no seu aspecto quantitativo, visto que tanto a base de cálculo quanto as alíquotas aplicadas para o cômputo do imposto devido afastaramse em sua essência do entendimento sufragado pelo STF para situações do gênero, acarretando em elevado e significativo gravame tributário a afligir a capacidade contributiva do sujeito passivo. Deve ser registrado não ser o caso de se cogitar de nulidade, ao menos nos termos regrados pelo art. 59 do Decreto nº 70.235/72, visto ter sido o lançamento realizado por autoridade competente, com o devido respeito ao direito de defesa. Contudo, não se vislumbra, de um modo geral, a possibilidade de seu aproveitamento ou recálculo, já que evidenciado flagrante grau de descompasso entre suas facetas constitutivas e a decisão do STF acerca do tema, e tendo em mente a ausência de competência do julgador administrativo em determinar a reconstituição do crédito tributário, quanto mais nessa amplitude. Importa observar alguns aspectos adicionais da situação, como fecho desta fundamentação. Primeiramente, vale anotar que sob o mecanismo de repercussão geral, a suprema corte não gera uma disposição, necessariamente, que se pronuncie acerca da constitucionalidade de uma norma jurídica, à semelhança do que ocorre quando atua no controle concentrado da leis, mas sim julga o mérito de uma determinada questão em controle difuso, em decisão que atinge uma série de processos que versem sobre tal tema. Fl. 168DF CARF MF 8 Sob essa ótica, o enunciado da ementa do "leading case" não prescinde de conter uma prescrição explícita declarando uma norma, parcialmente ou no todo, inconstitucional, porém veicula conclusão definitiva daquele tribunal sobre a matéria controversa, gerando previsibilidade no direito aplicável às contendas travadas em outras esferas judiciais ou administrativas. À ocasião, o caso versava justamente sobre a declaração de inconstitucionalidade do art. 12 da Lei nº 7.713/88 levada a efeito pelo TRF da 4ª Região, a qual, não obstante o recurso da União, quedou mantida por razões de mérito, como evidencia a fundamentação da decisão do STF. Salvo melhor juízo, se essa Corte decidiu no RE nº 614.406 que tal declaração do Tribunal Regional era perfeitamente harmônica com o texto constitucional, firmouse então entendimento quanto à inconstitucionalidade daquela norma. Lembrese que a ementa do acórdão sintetiza as conclusões do Colegiado, não podendo ser lida abstraindose das razões do julgamento. [...] Noutro giro, e no que toca especificamente à espécie, temse que os valores objeto da controvérsia foram pagos entre 1º de janeiro e 27 de julho de 2010, período para o qual o art. 13 da IN RFB nº 1.127/11 facultou opção ao contribuinte pela tributação exclusiva na fonte em separado dos demais rendimentos, mediante informação na DIRPF/2011. Sem embargo, a existência desse permissivo normativo não se sobrepõe ao entendimento do STF acerca inconstitucionalidade da tributação pelo regime de caixa preconizado pelo então vigente art. 12 da Lei nº 7.713/88. Em outros termos, o que se tem é que a existência de faculdade a ser exercida perante a administração tributária de tributar rendimentos recebidos acumuladamente pelo então novel regime do art. 12A daquela lei, não se traduz em motivação para considerar eventuais lançamentos de ofício lavrados no período em questão com base no art. 12 da Lei nº 7.713/88 compatíveis com o ordenamento constitucional, não servindo de amparo, assim, para a autuação contestada. A base do fundamento do acórdão recorrido encontrase na própria ementa do acórdão, fls. 125 e seguintes, assim descrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2011 IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. FORMA DE TRIBUTAÇÃO. JULGAMENTO DO STF EM REPERCUSSÃO GERAL. Nos casos de rendimentos recebidos acumuladamente, deve o imposto de renda ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em deveriam ter sido pagos, sob pena de violação dos princípios da isonomia e da capacidade Fl. 169DF CARF MF Processo nº 10640.722157/201250 Acórdão n.º 9202006.843 CSRFT2 Fl. 166 9 contributiva, consoante assentado pelo STF no julgamento do RE nº 614.406 realizado sob o rito do art. 543B do CPC, não prosperando, assim, lançamento constituído em desacordo com tal entendimento. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e, por maioria, em darlhe provimento. Vencidos os Conselheiros Túlio Teotônio de Melo Pereira, Mário Pereira de Pinho Filho e Kleber Ferreira de Araújo, que davam provimento parcial no sentido de que o crédito tributário fosse recalculado de acordo com o regime de competência. Ou seja, o cerne da questão referese ao questionamento se a decisão do STF que declarou a inconstitucionalidade parcial do art. 12 da 7.713/1988, em sede de repercussão geral, bem como a decisão do STJ, seria capaz de eivar de vício material o lançamento? Entendo que não! Ao apreciarmos o inteiro teor da decisão do STF, e mais, baseado na decisão do STJ, que ensejou o pronunciamento daquela corte máxima, observamos que toda a discussão cingee sobre o regime de tributação aplicável aos RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE RRA, se regime de caixa (como originalmente lançado no dispositivo legal), ou o regime de competência (forma adotada posteriormente pela própria Receita Federal calcada em pareceres, decisões do STJ que ensejaram inclusive alteração legislativa art. 12A da 7.713/1988. Entendo que a decisão do STJ descrita no Resp 1.118.429/SP, se coaduna com a do caso ora apreciado já que, em ambas, discutise a sistemática de cálculo aplicável na apuração do imposto devido: caixa ou competência. Dessa forma, entendo que a aplicação do repetitivo se amolda a questão trazida nos autos, já que a mesma apresentase em estrita consonância com a matéria objeto de repercussão geral no RE 614.406/RS. Na verdade a posição do STF, nada mais fez do que pacificar a questão que já vinha sendo observada pelo STJ em seus julgados e pela própria Receita Federal e PGFN, por meio de seus pareceres. Vale destacar que no âmbito deste Conselho não é a primeira vez que essa questão é enfrentada por essa Câmara Superior. No Recurso Especial da PGFN processo nº 11040.001165/200561, julgado na 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, encontramos situação similar, cujo voto vencedor, do ilustre Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior trata da matéria ora sob apreciação. Vejamos a ementa do acórdão nº 9202003.695: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há que se cogitar de nulidade de lançamento, quando plenamente obedecidos pela autoridade lançadora os ditames do art. 142, do CTN e a lei tributária vigente. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Fl. 170DF CARF MF 10 Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizandose as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência). Ainda, como o objetivo de esclarecer a tese esposada no referido acórdão, transcrevo a parte do voto vencedor na parte pertinente ao tema: Verifico, a propósito, que a matéria em questão foi tratada recentemente pelo STF, no âmbito do RE 614.406/RS, objeto de trânsito em julgado em 11/12/2014, feito que teve sua repercussão geral previamente reconhecida (em 20 de outubro de 2010), obedecida assim a sistemática prevista no art. 543B do Código de Processo Civil vigente. Obrigatória, assim, a observância, por parte dos Conselheiros deste CARF dos ditames do Acórdão prolatado por aquela Suprema Corte em 23/10/2014, a partir de previsão regimental contida no art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Reportandome ao julgado vinculante, noto que, ali, se acordou, por maioria de votos, em manter a decisão de piso do STJ acerca da inconstitucionalidade do art. 12 da Lei no. 7.713, de 1988, devendo ocorrer a "incidência mensal para o cálculo do imposto de renda correspondente à tabela progressiva vigente no período mensal em que apurado o rendimento percebido a menor regime de competência (...)", afastandose assim o regime de caixa. Todavia, inicialmente, de se ressaltar que em nenhum momento se cogita, no Acórdão, de eventual cancelamento integral de lançamentos cuja apuração do imposto devido tenha sido feita obedecendo o art. 12 da referida Lei nº 7.713, de 1988, notese, diploma plenamente vigente na época em que efetuado o lançamento sob análise, o qual, ainda, em meu entendimento, guarda, assim, plena observância ao disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional. A propósito, de se notar que os dispositivos legais que embasaram o lançamento constantes de efl. 12, em nenhum momento foram objeto de declaração de inconstitucionalidade ou de decisão em sede de recurso repetitivo de caráter definitivo que pudesse lhes afastar a aplicação ao caso in concretu. Deflui daquela decisão da Suprema Corte, em meu entendimento, inclusive, o pleno reconhecimento do surgimento da obrigação tributária que aqui se discute, ainda que em montante diverso daquele apurado quando do lançamento, o qual, repitase, obedeceu os estritos ditames da legalidade à época da ação fiscal realizada. Da leitura do inteiro teor do decisum do STF, é notório que, ainda que se tenha rejeitado o surgimento da obrigação tributária somente no momento do recebimento financeiro pela pessoa física, o que a faria mais gravosa, entendese, ali, inequivocamente, que se mantém incólume a obrigação tributária oriunda do recebimento dos valores acumulados pelo contribuinte pessoa física, mas agora a ser calculada em momento pretérito, quando o contribuinte fez Fl. 171DF CARF MF Processo nº 10640.722157/201250 Acórdão n.º 9202006.843 CSRFT2 Fl. 167 11 jus à percepção dos rendimentos, de forma, assim, a restarem respeitados os princípios da capacidade contributiva e isonomia. Assim, com a devida vênia ao posicionamento do relator, entendo que, a esta altura, ao se esposar o posicionamento de exoneração integral do lançamento, se estaria, inclusive, a contrariar as razões de decidir que embasam o decisum vinculante, no qual, reitero, em nenhum momento, notese, se cogita da inexistência da obrigação tributária/incidência do Imposto sobre a Renda decorrente da percepção de rendimentos tributáveis de forma acumulada. Se, por um lado, manterse a tributação na forma do referido art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, conforme decidido de forma definitiva pelo STF, violaria a isonomia no que tange aos que receberam as verbas devidas "em dia" e ali recolheram os tributos devidos, exonerar o lançamento por completo a esta altura significaria estabelecer tratamento antiisonômico (também em relação aos que também receberam em dia e recolheram devidamente seus impostos), mas em favor daqueles que foram autuados e nada recolheram ou recolheram valores muito inferiores aos devidos, ao serem agora consideradas as tabelas/alíquotas vigentes à época, o que deve, em meu entendimento, também se rechaçar. Com base nas questões levantadas pelo ilustre conselheiro Heitor de Souza Lima Junior aqui transcritas, e as quais uso como fundamento de razões para decidir, entendo que a posição tanto do STJ no REsp nº 1.118.429/SP como do STF no RE 614.406/RS não foi no sentido de inexistência ou inconstitucionalidade do dispositivo que definia os valores dos rendimentos recebidos acumuladamente como fato gerador de IR, mas tão somente no sentido de que a apuração da base de cálculo do imposto devido não seria pelo regime de caixa (na forma como descrito originalmente na lei, art. 12 da Lei 7783/88) já que conferiria tratamento diferenciado e prejudicial ao contribuinte, já definindo o novo regime a ser aplicável para apuração do montante devido. Não se trata de alteração de critério jurídico aplicado pela fiscalização, mas de aplicação dos termos de lei, que posteriormente por decisão judicial deixa claro qual a melhor interpretação acerca do regime aplicável. Dessa forma, considerando os termos do acórdão proferido, do recurso voluntário que destacamos a seguir, fica claro que o contribuinte recorreu por não ter o fisco identificado que o imposto não poderia incidir sobre diferenças, quando o valor mensal não for superior ao limite legal fixado para isenção do referido imposto, vejamos a base de seu recurso voluntário: (...) independência e afinco, reformando a supramencionada decisão, com base na jurisprudência judicial pacífica no sentido de que o imoosto de renda não incide sobre os valores dos proventos atrasados oaaos acumuladamente pelo INSS, referentes a diferenças oaaas a menor pela autarquia, guando o reafuste do benefício determinado na sentença não resultar em valor mensal maior aue o limite leaal fixado para isenção do referido imposto, como no presente caso, inclusive porque o recorrente tem mais de setenta anos. Fl. 172DF CARF MF 12 Apenas, quanto a mensagem de veto trazida pela ilustre conselheira relatora em seu voto, a interpreto de outra forma. Quando assim prescreve: “A aplicação retroativa da norma tributária gera insegurança jurídica sobre as situações definitivamente constituídas, produzindo efeitos de difícil mensuração nas esferas administrativas e judiciais. " entendo que não há que se restabelecer recálculo em relação aos recolhimentos já efetuados, ou débitos já efetivamente constituídos, ou seja, para aqueles que não cabe mais recurso. Contudo, estando em análise lançamento ainda pendente de apreciação, nada impede a adequação aos termos da decisão proferida pelo STF. Por fim, considerando a delimitação da lide objeto deste Recurso Especial ser tão somente sobre a nulidade do lançamento, encaminho pelo provimento do Resp da Fazenda Nacional, para afastar a nulidade, contudo, no presente caso, não há retorno a Câmara a quo, tendo em vista que os demais pontos alegados pelo sujeito passivo, já foram enfrentados pelo relator do acórdão recorrido, senão vejamos: Por fim, esclareçase que, caso prevaleça entendimento pelo recálculo da autuação considerando o regime de competência, não prosperam os questionamentos acerca da observância do limite de isenção para maiores de 65 anos, visto que o lançamento não versou sobre o tema, devendo, por outra via, também ser refutada a perícia demandada, pois a matéria enfrentada não requer a realização de perícia para a conclusão do julgamento. Já o efeito suspensivo demandado ao recurso decorre da legislação, sendo despiciendas maiores considerações sobre o tema. Conclusão Diante do exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, para no mérito DARLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 173DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.963694/2011-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 24 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1201-000.507
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima. RELATÓRIO Trata o presente processo de Declaração de Compensação cujo crédito é decorrente de pagamento de IRPJ a maior que o devido. Pelo Despacho Decisório, o crédito não foi reconhecido e a compensação não foi homologada em face de o crédito informado decorrer de "pagamento a título de estimativa RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 63 69 4/ 20 11 -4 4 Fl. 125DF CARF MF Processo nº 10880.963694/201144 Resolução nº 1201000.507 S1C2T1 Fl. 3 2 mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período". Protocolada a Manifestação de Inconformidade, foi julgada improcedente. A decisão de Primeira Instância apresenta a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2005 DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTIMATIVA MENSAL. MODIFICAÇÃO DA NATUREZA JURÍDICA DO CRÉDITO PARA SALDO NEGATIVO. NOVO PER/DCOMP. A modificação da natureza jurídica do crédito não configura inexatidão material (erro de preenchimento ou de digitação), mas, sim, erro no critério jurídico, de forma que para alterála impõese cancelar o PER/DCOMP errado e apresentar outro com a informação correta. PAGAMENTO MAIOR QUE O DEVIDO.DIREITO. Não restou demonstrado o erro que teria provocado o pagamento maior que o devido, razão pela qual não se reconhece o direito creditório pleiteado e nem se extingue por compensação o débito informado. Foi manejado o Recurso Voluntário em que é alegado: a) a nulidade do Acórdão recorrido que modificou a fundamentação do Despacho Decisório; b) O Despacho Decisório havia consignado não ser possível reconhecer o crédito da recorrente ante o erro material verificado no PER/DCOMP. O Acórdão recorrido, por seu turno, mantém a não homologação do crédito, todavia, por fundamentação diversa, consignando que o mesmo não foi devidamente comprovado; c) O Acórdão recorrido não poderia ter simplesmente ignorado a apuração do crédito do imposto procedida pela recorrente. Bastaria comparar o valor lançado mensalmente com os recolhimentos feitos para concluir a existência do crédito; d) Afastada a nulidade, deveria a autoridade " a quo" ter diligenciado ou intimado a parte para a comprovação do crédito compensado, sob pena de nova nulidade por cerceamento do direito de defesa administrativa. É o relatório. Fl. 126DF CARF MF Processo nº 10880.963694/201144 Resolução nº 1201000.507 S1C2T1 Fl. 4 3 VOTO Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, Relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1201000.500, de 11/06/2018, proferida no julgamento do Processo nº 10880.937651/201111, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. No processo paradigma o contribuinte solicitou a compensação de débitos com crédito relativo a pagamento indevido ou a maior de IRPJ, recolhido em 30/05/2005 e, nos presentes autos, o contribuinte solicita a compensação de débitos com crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior que o devido de IRPJ recolhido em 29/08/2006. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1201000.500): "Por presentes os pressupostos de admissibilidade recursal, dele tomo conhecimento. O crédito indicado é relativo a pagamento indevido ou a maior de IRPJ. Consultandose a DIPJ retificadora correspondente ao anocalendário em questão, verificase que, dentre as estimativas de IRPJ a pagar declaradas, não se vê nenhum valor igual ao do crédito pleiteado. Nessa mesma declaração foi apurado saldo negativo de IRPJ, em face da dedução de estimativas pagas durante o anocalendário. Ocorre que o total das estimativas a pagar apuradas mensalmente nas fichas próprias da DIPJ é menor que o indicado para fins de apuração do saldo negativo. Também, o total do IRRF aproveitado para fins de dedução das estimativas mensais devidas tem valor maior que aquele declarado na ficha da apuração anual (saldo negativo). Vêse, assim, que não há certeza quanto ao valor do saldo negativo apurado. Em face do exposto, voto pela conversão do presente julgamento em diligência, para que a unidade da Receita Federal da circunscrição da contribuinte: a) verifique qual é o real montante do saldo negativo do período, em face das estimativas efetivamente pagas, compensadas e do IRRF; b) relacione todas as Dcomps relativas a pagamento a maior de IRPJ do anocalendário em questão, discriminando todos os créditos e débitos indicados para compensação, procedendo à valoração para Fl. 127DF CARF MF Processo nº 10880.963694/201144 Resolução nº 1201000.507 S1C2T1 Fl. 5 4 fins de verificação de suficiência do saldo negativo apurado, considerandose, inclusive, alguma Dcomp porventura já homologada. Para fins dessa verificação, a contribuinte poderá ser intimada a apresentar livros e documentos. Encerrada a diligência, a contribuinte deverá ser intimada para que, querendo, manifestese num prazo de trinta dias. Havendo ou não manifestação da contribuinte, após esgotado o prazo a ela concedido os autos devem retornar ao CARF para julgamento. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, converto o julgamento em diligência, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 128DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16511.720757/2011-54
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
O recorrente comprovou, por documentos idôneos a sua inconformidade.
Numero da decisão: 2002-000.206
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencida a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, que lhe negou provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Fábia Marcília Ferreira Campêlo.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente.
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Fábia Marcília Ferreira Campêlo.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2008 DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. O recorrente comprovou, por documentos idôneos a sua inconformidade.
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COMPROVAÇÃO. O recorrente comprovou, por documentos idôneos a sua inconformidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencida a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, que lhe negou provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Fábia Marcília Ferreira Campêlo. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Fábia Marcília Ferreira Campêlo. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 51 1. 72 07 57 /2 01 1- 54 Fl. 84DF CARF MF Processo nº 16511.720757/201154 Acórdão n.º 2002000.206 S2C0T2 Fl. 3 2 Tratase de Recurso Voluntário (fls.67/68) contra decisão de primeira instância (fls.57/62), que julgou pela improcedência da impugnação do sujeito passivo. Em razão da riqueza de detalhes, adoto o relatório da DRJ, que assim diz: O presente processo, trata de autuação contra o contribuinte acima qualificado, conforme Notificação de Lançamento nº 2009/209983745441994, de fls. 13/18, para cobrança do Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2009, anocalendário de 2008, no valor de R$ 6.656,22 (seis mil, seiscentos e cincoenta e seis reais e vinte dois centavos), valor já acrescido dos juros de mora e multa de ofício, calculados até 29/07/2011, de acordo com a legislação de regência. O lançamento de ofício decorreu de procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo contribuinte, tendo sido constatado Deduções Indevidas de Despesa Médicas, fls. 15, descrição dos fatos e enquadramento lega l da Notificação de Lançamento ora guerreada, onde a repartição de origem glosou o valor de R$ 12.314,03 (doze mil, trezentos e quatorze reais e três centavos), deduzidos àquele título, em virtude de falta de comprovação do efetivo pagamento. Em 18/08/2011, o contribuinte foi cientificado da exigência tributária, AR de fls. 19. No dia 01/09/2011, foi juntada a impugnação de fls. 02/03, instruída com os documentos de fls. 02/03, onde, em síntese, alega que: 1) O sujeito passivo concorda com a glosa do valor do pecúlio no valor de R$ 1.317,03 (um mil, trezentos e dezessete reais e três centavos), pagos à CASSI, CNPJ nº 33.719.485/000127, por não se tratar de despesa médica e sim da Carteira de Pecúlios, indevidamente utilizados como abatimento; 2) Discorda da glosa do valor de R$ 11.000,00 (onze mil, reais), pagos ao Dr. Eduardo Pomiecinski, cujos recibos foram encaminhados anteriormente, sendo o pagamento efetuado em dinheiro. Houvesse a omissão dos rendimentos por parte do beneficiário, poderseia admitir a glosa. Entretanto, tais rendimentos foram declarados pelo mesmo; 3) O fato do pagamento ter sido feito em dinheiro não tira o direito do impugnante a abater tais valores em sua DIRPF, porquanto os mesmos guardam proporcionalidade, não se tratando de valor elevado, não dando direito ao Fisco de glosar pela simples razão de se fazer um pagamento mensal de R$ 1.000,00 a título de despesas médicas em moeda corrente no país; 4) Os pagamentos guardam consonância com o disposto no art. 80 do Decreto 3.000/99, que não cita a forma como o pagamento deve ser feito; Fl. 85DF CARF MF Processo nº 16511.720757/201154 Acórdão n.º 2002000.206 S2C0T2 Fl. 4 3 5) Finalmente requer seja: a) verificada na DIRPF do Dr. Eduardo Pomiecinski o recebimento dos valores declarados; b) acatado o valor de R$ 11.000,00 como abatimento pagos pelo requerente a título de despesas médicas; c) cobrado apenas a diferença de imposto pela glosa do valor de R$ 1.31 4,07 a título de pecúlio. 6) Conforme fls. 02/03, o sujeito passivo não se insurge contra parte do lançamento referente a infração, no valor de R$ 1.3 14,03 (mil, trezentos e quatorze reais e três centavos), não cabendo a manifestação da autoridade julgadora sobre tal matéria, sendo tal considerada como não impugnada, com base no art. 17 do Decreto nº 70.235/72. 7) 8) Assim, em face da impugnação parcial, como preceitua o art. 21, caput, do retro mencionado dispositivo legal, a repartição de origem providenciou a apartação dos autos e cobrança da parte não contestada e seus acréscimos legais (fls. 36/40 e 45), ficando o presente litígio delimitado apenas para o crédito tributário no valor de R$ 3.025,00 (três mil, e vinte e cinco reais), além da multa de ofício de 75% e dos juros de mora. O resumo da decisão revisanda está condensado na seguinte ementa do julgamento: DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. Os recibos emitidos por profissionais da área de saúde são documentos hábeis para comprovar dedução de despesas médicas, salvo quando comprovada existência de indícios de que os serviços consignados nos recibos não foram de fato executados ou o pagamento não foi efetuado. Assim, excepcionalmente, quando devidamente demonstrado pela fiscalização que os comprovantes de prestação do serviço acompanhados dos recibos de quitação necessitam de provas complementares do efetivo pagamento, é idônea a exigência de comprovação financeira do desembolso. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, reiterando as alegações da impugnação e, juntando documentos. É o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro Virgílio Cansino Gil Relator Recurso Voluntário aviado a modo e tempo, portanto dele conheço. O contribuinte foi notificado em 13/07/2016 (fl.82); Recurso Voluntário protocolado dia 01/08/2016 (fl.67), assinado pelo próprio contribuinte. Fl. 86DF CARF MF Processo nº 16511.720757/201154 Acórdão n.º 2002000.206 S2C0T2 Fl. 5 4 Pois bem, razão assiste ao recorrente senão vejamos: O mesmo carreia aos autos uma "Declaração" (fl.69), onde o declarante devidamente qualificado com CRM de nº 12.243, CPF 949.453.30972, com residência fixa diz que "recebi em dinheiro do Sr Luiz Carlos Pomiecinski de CPF 219.282.74900 no ano de 2008, o valor de R$ 11.000,00 (onze mil reais) por serviços médicos prestados". E mais, que "os valores recebidos foram integralmente declarados foram integralmente declarados na minha declaração de IMPOSTO DE RENDA 2009/2008". Assina o profissional com o respectivo carimbo. Ainda junta os recibos pagos mês a mês, num total de 11 (onze) com valor de R$ 1.000,00 cada um. Assim sendo, tendo o sujeito passivo ter efetuado o recolhimento de R$ 361,36, relativos a parte não contestada, entende este relator que o recorrente provou a sua inconformidade. Isto posto, e pelo que mais consta dos autos, conheço do Recurso Voluntário, e no mérito dáse provimento ao mesmo, cancelando a ação fiscal. É como voto. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 87DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.914254/2012-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/10/2004
RESTITUIÇÃO. REQUISITO.
O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN).
Numero da decisão: 3201-003.874
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2004 a 31/10/2004 RESTITUIÇÃO. REQUISITO. O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN). Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório METROBENS AUTOMÓVEIS LTDA. apresentou pedido eletrônico de restituição de crédito da contribuição (Cofins/PIS), pedido esse que restou indeferido pela repartição de origem em razão do fato de que o pagamento informado pelo pleiteante já havia sido utilizado para quitação de outros débitos de sua titularidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 42 54 /2 01 2- 16 Fl. 45DF CARF MF Processo nº 10980.914254/201216 Acórdão n.º 3201003.874 S3C2T1 Fl. 3 2 Cientificado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu a reavaliação do despacho decisório, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) o direito creditório pleiteado se refere a pagamento a maior da contribuição (PIS/Cofins) decorrente da inclusão indevida do ICMS em sua base de cálculo; b) a contribuição (PIS/Cofins) incide sobre o faturamento mensal que corresponde à receita bruta da venda de mercadorias e/ou serviços; c) a Lei nº 9.718/1998 extrapolou a previsão constitucional, instituindo as contribuições sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente do tipo de atividade exercida e/ou da classificação contábil adotada, enquanto que o art. 195, I, "b", da Constituição Federal previa a instituição de contribuições sociais somente sobre o faturamento, o que não abrange o valor pago a título de ICMS, visto que tal valor constitui ônus fiscal e não faturamento. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por meio do acórdão nº 12 078.441, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, diante da não comprovação do crédito pleiteado. Irresignado, o contribuinte interpôs, no prazo legal, Recurso Voluntário, repisando os mesmos argumentos de defesa, destacando a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição (PIS/Cofins), conforme decisão do Plenário do Supremo Tribunal Federal proferida no dia 8 de outubro de 2014, nos autos do Recurso Extraordinário (RE) nº 240.7852/MG, que também reconheceu a repercussão geral da matéria no julgamento do RE nº 574.706. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.778, de 20/06/2018, proferido no julgamento do processo 10980.912250/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.778): O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente apresentou PER/DCOMP por meio do qual requereu a restituição da Cofins apurada em novembro de 2006. Indeferido o pleito ao argumento de que o crédito vindicado estava integralmente utilizado para quitação de débitos do próprio contribuinte, Fl. 46DF CARF MF Processo nº 10980.914254/201216 Acórdão n.º 3201003.874 S3C2T1 Fl. 4 3 a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, por meio da qual alegou, com fundamento em decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal STF, que o direito à restituição decorre do fato do pagamento a maior do PIS/Cofins, em face da inclusão, nas suas respectivas bases de cálculos, do ICMS estadual, argumento repetido no recurso voluntário, ora apreciado. A Recorrente, contudo, não se atentou para o fato – devidamente explicitado no acórdão recorrido – de que a razão para o indeferimento do pedido repousou na utilização integral do crédito para pagamento de débito da mesma contribuição. Noutras palavras, a Recorrente sequer apresentou, antes ou após a ciência do Despacho Decisório (na verdade, nada falou a respeito em suas defesas), DCTF retificadora para permitir a liberação do valor requerido, se fosse o caso, e a sua restituição em pecúnia ou a sua compensação com outros tributos. Ainda que eventualmente seja procedente o argumento que embasa o pedido (isso não significa que concordemos com a tese), a Administração Tributária não podia e não pode restituir valor já alocado para quitação de um tributo. Quem deve fazêlo é o próprio contribuinte, de ordinário antes de apresentar o pedido eletrônico de restituição. É como, aliás, entende a própria RFB, como indica o Parecer Normativo Cosit nº 2, de 28 de agosto de 2015: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido Fl. 47DF CARF MF Processo nº 10980.914254/201216 Acórdão n.º 3201003.874 S3C2T1 Fl. 5 4 objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014. eprocesso 11170.720001/201442 Portanto, para que haja a possibilidade de restituição, o crédito respectivo deve estar liberado, mediante a entrega de DCTF retificadora, exceto quanto às hipóteses de impedimento à sua apresentação, não verificadas, aliás, no caso ora em exame, como, por exemplo, quando o saldo a pagar já tenha sido enviado à Procuradoria da Fazenda Nacional PFN para inscrição em Dívida Ativa. Não cabe, ademais, à RFB fazer a retificação de ofício. Como consignado nos fundamentos do referido PN, "enquanto não retificada a DCTF, o débito ali espontaneamente confessado é devido, logo, valor utilizado para quitálo não se constitui formalmente em indébito, sem que a recorrente promova a prévia retificação da declaração. (Acórdão nº 1302001.571, Rel. Cons. Alberto Pinto Souza Júnior, 25 de novembro de 2014)". A situação aqui enfrentada é, como se percebe, diferente da que comumente se vê no Contencioso Administrativo, em que o interessado costuma apresentar DCTF retificadora, mas não apresenta, na manifestação de inconformidade, documentos contábeis/fiscais Fl. 48DF CARF MF Processo nº 10980.914254/201216 Acórdão n.º 3201003.874 S3C2T1 Fl. 6 5 comprovando o erro cometido na original, ou os apresenta neste recurso, mas o só fato de a DCTF retificadora ter sido apresentada após a ciência do Despacho Decisório leva a DRJ a manter, por esse só motivo, o indeferimento do pedido de restituição. Não tendo sido apresentada DCTF retificadora, o crédito reclamado continua vinculado ao pagamento confessado na DCTF enviada à RFB, de modo que, nesse contexto, não há como restituílo. Contudo, não foi este o entendimento dos demais integrantes da Turma, que, muito embora também negando provimento ao recurso, fizeramno ao argumento de que não haveria provas do direito reclamado pela Recorrente (apenas apresentou planilha discriminando os valores pleiteados, mas nenhum documento fiscal ou contábil). Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 49DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.977126/2016-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2014
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. DOCUMENTAÇÃO FISCAL.
O direito creditório somente pode ser deferido se devidamente comprovado por meio de documentação contábil e fiscal.
REPETIÇÃO DE INDÉBITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza.
Numero da decisão: 1401-002.610
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente)
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2014 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. DOCUMENTAÇÃO FISCAL. O direito creditório somente pode ser deferido se devidamente comprovado por meio de documentação contábil e fiscal. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente)
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DIREITO CREDITÓRIO. DOCUMENTAÇÃO FISCAL. O direito creditório somente pode ser deferido se devidamente comprovado por meio de documentação contábil e fiscal. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 97 71 26 /2 01 6- 35 Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10880.977126/201635 Acórdão n.º 1401002.610 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Iniciemos com o relatório da Decisão de Piso. Trata o presente processo de Declaração de Compensação de crédito de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ, referente a pagamento efetuado indevidamente ou ao maior no período de apuração 31/12/2014, no valor de R$ 113.237,22, transmitida através do PER/Dcomp nº [...]. A Derat São Paulo não homologou a compensação, por meio do despacho decisório eletrônico de fl. [...], pois o pagamento indicado no PER/Dcomp teria sido integralmente utilizado para quitar débito do contribuinte. Cientificado do despacho em [...], o recorrente apresentou a manifestação de inconformidade [...], para alegar que os créditos decorrentes do pagamento a maior já teriam sido “disponibilizados em razão da desvinculação dos mesmos das DCTFs daquele período”. Concluiu, para requerer a homologação do PER/Dcomp. Analisando a manifestação de inconformidade a Delegacia de Julgamento proferiu decisão nos seguintes termos: ASSUNTO: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2014 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. DOCUMENTAÇÃO FISCAL. O direito creditório somente pode ser deferido se devidamente comprovado por meio de documentação contábil e fiscal. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Referida decisão baseouse no fato de a empresa não ter retificado a DCTF antes da decisão do indeferimento da compensação e, ainda, por não ter apresentado comprovação de que não existiria saldo de IRPJ a pagar no período. Cientificado da decisão o contribuinte apresentou recurso voluntário. No entanto, neste recurso, o único objeto de alegação é o pedido de prazo para realizar todas as retificações das declarações de maneira a demonstrar a existência do crédito solicitado. É o brevíssimo relatório. Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10880.977126/201635 Acórdão n.º 1401002.610 S1C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.603, de 17/05/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.977128/2016 24, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.603): "O recurso é tempestivo e preenche os requisitos legais, por isso dele tomo conhecimento. O crédito solicitado pela empresa trata de pagamento a maior ou indevido de IRPJ/CSLL. Inobstante a decisão eletrônica do PER/DCOMP e da Delegacia de Julgamento observo que sequer a DIPJ da empresa do referido período foi juntada a processo para fins de análise. Para o deslinde do caso realizei consultas à DIPJ apresentada referente ao período de apuração do pagamento, assim como sobre a disponibilidade do pagamento realizado. Analisando as informações constantes da DIPJ e da DCTF da empresa verificamos que, efetivamente, a empresa apurou na DIPJ e confessou como devido em sua DCTF o valor de IRPJ/CSLL do período de apuração do DARF. Restando configurado serem devidos os débitos aos quais o pagamento foi alocado. marTendo apurado este valor e pesquisando os pagamentos realizados durante todo o exercício, verificamos que a empresa realizou o pagamento e que este foi o mesmo pagamento objeto de PER/DCOMP analisado no presente processo. Assim, à vista do exposto, demonstrase que foi correta a decisão da delegacia de origem quando não homologou a compensação em face da inexistência de crédito, considerando que o pagamento a cujo crédito fora pleiteado já estava integralmente utilizado na quitação do débito confessado em DCTF, inexistindo saldo de crédito a ser reconhecido. Desta forma, não havendo crédito a ser reconhecido por este CARF, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10880.977126/201635 Acórdão n.º 1401002.610 S1C4T1 Fl. 5 4 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 68DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.912294/2012-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007
RESTITUIÇÃO. REQUISITO.
O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN).
Numero da decisão: 3201-003.822
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2007 RESTITUIÇÃO. REQUISITO. O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 RESTITUIÇÃO. REQUISITO. O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN). Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório METROBENS AUTOMÓVEIS LTDA. apresentou pedido eletrônico de restituição de crédito da contribuição (Cofins/PIS), pedido esse que restou indeferido pela repartição de origem em razão do fato de que o pagamento informado pelo pleiteante já havia sido utilizado para quitação de outros débitos de sua titularidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 22 94 /2 01 2- 23 Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10980.912294/201223 Acórdão n.º 3201003.822 S3C2T1 Fl. 3 2 Cientificado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu a reavaliação do despacho decisório, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) o direito creditório pleiteado se refere a pagamento a maior da contribuição (PIS/Cofins) decorrente da inclusão indevida do ICMS em sua base de cálculo; b) a contribuição (PIS/Cofins) incide sobre o faturamento mensal que corresponde à receita bruta da venda de mercadorias e/ou serviços; c) a Lei nº 9.718/1998 extrapolou a previsão constitucional, instituindo as contribuições sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente do tipo de atividade exercida e/ou da classificação contábil adotada, enquanto que o art. 195, I, "b", da Constituição Federal previa a instituição de contribuições sociais somente sobre o faturamento, o que não abrange o valor pago a título de ICMS, visto que tal valor constitui ônus fiscal e não faturamento. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por meio do acórdão nº 02 065.667, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, diante da não comprovação do crédito pleiteado. Irresignado, o contribuinte interpôs, no prazo legal, Recurso Voluntário, repisando os mesmos argumentos de defesa, destacando a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição (PIS/Cofins), conforme decisão do Plenário do Supremo Tribunal Federal proferida no dia 8 de outubro de 2014, nos autos do Recurso Extraordinário (RE) nº 240.7852/MG, que também reconheceu a repercussão geral da matéria no julgamento do RE nº 574.706. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.778, de 20/06/2018, proferido no julgamento do processo 10980.912250/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.778): O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente apresentou PER/DCOMP por meio do qual requereu a restituição da Cofins apurada em novembro de 2006. Indeferido o pleito ao argumento de que o crédito vindicado estava integralmente utilizado para quitação de débitos do próprio contribuinte, Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10980.912294/201223 Acórdão n.º 3201003.822 S3C2T1 Fl. 4 3 a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, por meio da qual alegou, com fundamento em decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal STF, que o direito à restituição decorre do fato do pagamento a maior do PIS/Cofins, em face da inclusão, nas suas respectivas bases de cálculos, do ICMS estadual, argumento repetido no recurso voluntário, ora apreciado. A Recorrente, contudo, não se atentou para o fato – devidamente explicitado no acórdão recorrido – de que a razão para o indeferimento do pedido repousou na utilização integral do crédito para pagamento de débito da mesma contribuição. Noutras palavras, a Recorrente sequer apresentou, antes ou após a ciência do Despacho Decisório (na verdade, nada falou a respeito em suas defesas), DCTF retificadora para permitir a liberação do valor requerido, se fosse o caso, e a sua restituição em pecúnia ou a sua compensação com outros tributos. Ainda que eventualmente seja procedente o argumento que embasa o pedido (isso não significa que concordemos com a tese), a Administração Tributária não podia e não pode restituir valor já alocado para quitação de um tributo. Quem deve fazêlo é o próprio contribuinte, de ordinário antes de apresentar o pedido eletrônico de restituição. É como, aliás, entende a própria RFB, como indica o Parecer Normativo Cosit nº 2, de 28 de agosto de 2015: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10980.912294/201223 Acórdão n.º 3201003.822 S3C2T1 Fl. 5 4 objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014. eprocesso 11170.720001/201442 Portanto, para que haja a possibilidade de restituição, o crédito respectivo deve estar liberado, mediante a entrega de DCTF retificadora, exceto quanto às hipóteses de impedimento à sua apresentação, não verificadas, aliás, no caso ora em exame, como, por exemplo, quando o saldo a pagar já tenha sido enviado à Procuradoria da Fazenda Nacional PFN para inscrição em Dívida Ativa. Não cabe, ademais, à RFB fazer a retificação de ofício. Como consignado nos fundamentos do referido PN, "enquanto não retificada a DCTF, o débito ali espontaneamente confessado é devido, logo, valor utilizado para quitálo não se constitui formalmente em indébito, sem que a recorrente promova a prévia retificação da declaração. (Acórdão nº 1302001.571, Rel. Cons. Alberto Pinto Souza Júnior, 25 de novembro de 2014)". A situação aqui enfrentada é, como se percebe, diferente da que comumente se vê no Contencioso Administrativo, em que o interessado costuma apresentar DCTF retificadora, mas não apresenta, na manifestação de inconformidade, documentos contábeis/fiscais Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10980.912294/201223 Acórdão n.º 3201003.822 S3C2T1 Fl. 6 5 comprovando o erro cometido na original, ou os apresenta neste recurso, mas o só fato de a DCTF retificadora ter sido apresentada após a ciência do Despacho Decisório leva a DRJ a manter, por esse só motivo, o indeferimento do pedido de restituição. Não tendo sido apresentada DCTF retificadora, o crédito reclamado continua vinculado ao pagamento confessado na DCTF enviada à RFB, de modo que, nesse contexto, não há como restituílo. Contudo, não foi este o entendimento dos demais integrantes da Turma, que, muito embora também negando provimento ao recurso, fizeramno ao argumento de que não haveria provas do direito reclamado pela Recorrente (apenas apresentou planilha discriminando os valores pleiteados, mas nenhum documento fiscal ou contábil). Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 65DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10665.720367/2012-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/02/2007 a 31/01/2008
CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. LEI No 9.363/1996. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. REGIME ALTERNATIVO. LEI No 10.276/2001. CABIMENTO. ENTENDIMENTO STJ. VINCULANTE.
Consoante interpretação do Superior Tribunal de Justiça em julgamento de recurso repetitivo (REsp no 993.164/MG), a ser reproduzida no CARF, conforme Regimento Interno deste Tribunal Administrativo, matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de pessoas físicas dão direito ao Crédito Presumido instituído pela Lei no 9.363/1996, o mesmo ocorrendo, logicamente, em relação ao regime alternativo instituído pela Lei no 10.276/2001.
CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. LEI No 9.363/1996. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. REGIME ALTERNATIVO. LEI No 10.276/2001. NOTAS FISCAIS DE VENDA DO FORNECEDOR. COMANDO LEGAL EXPRESSO.
Conforme art. 3o da Lei no 9.363/1996 (aplicável à Lei no 10.276/2001 por força de seu art. 1o, § 5o), a apuração do crédito tomará em conta o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor.
RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. OPOSIÇÃO ESTATAL ILEGÍTIMA. OMISSÃO. TERMO INICIAL.
É devida a aplicação de juros de mora à Taxa SELIC no ressarcimento de créditos de IPI quando há oposição estatal ilegítima ao seu aproveitamento, conforme REsp no 1.035.847/RS, de observância obrigatória pelo CARF. A oposição estatal ilegítima, no entanto, pode ser manifestada de duas formas: por omissão (ou mora, ao não apreciar o fisco o pedido em prazo razoável, prazo esse que hoje também está delimitado pelo STJ na sistemática dos recursos repetitivos: 360 dias), ou por ação (apreciando-se e negando-se o crédito dentro do prazo de 360 dias, em despacho da autoridade fazendária competente). No caso de oposição estatal ilegítima por omissão (mora), a aplicação da Taxa SELIC é cabível somente a partir de 360 (trezentos e sessenta) dias contados do protocolo do pedido (REsp no 1.138.206/RS) até a efetiva utilização do crédito.
Numero da decisão: 3401-005.213
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para afastar o lançamento para a parcela em que se reconhece o crédito em relação a aquisições de carvão vegetal de pessoas físicas, tomando por base o valor da nota fiscal de venda do fornecedor (e de seus eventuais complementos, conforme a legislação de regência), crédito esse a ser atualizado pela Taxa SELIC a partir de 360 dias do protocolo do pedido de ressarcimento até a data de sua efetiva utilização, se posterior.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/02/2007 a 31/01/2008 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. LEI No 9.363/1996. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. REGIME ALTERNATIVO. LEI No 10.276/2001. CABIMENTO. ENTENDIMENTO STJ. VINCULANTE. Consoante interpretação do Superior Tribunal de Justiça em julgamento de recurso repetitivo (REsp no 993.164/MG), a ser reproduzida no CARF, conforme Regimento Interno deste Tribunal Administrativo, matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de pessoas físicas dão direito ao Crédito Presumido instituído pela Lei no 9.363/1996, o mesmo ocorrendo, logicamente, em relação ao regime alternativo instituído pela Lei no 10.276/2001. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. LEI No 9.363/1996. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. REGIME ALTERNATIVO. LEI No 10.276/2001. NOTAS FISCAIS DE VENDA DO FORNECEDOR. COMANDO LEGAL EXPRESSO. Conforme art. 3o da Lei no 9.363/1996 (aplicável à Lei no 10.276/2001 por força de seu art. 1o, § 5o), a apuração do crédito tomará em conta o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. OPOSIÇÃO ESTATAL ILEGÍTIMA. OMISSÃO. TERMO INICIAL. É devida a aplicação de juros de mora à Taxa SELIC no ressarcimento de créditos de IPI quando há oposição estatal ilegítima ao seu aproveitamento, conforme REsp no 1.035.847/RS, de observância obrigatória pelo CARF. A oposição estatal ilegítima, no entanto, pode ser manifestada de duas formas: por omissão (ou mora, ao não apreciar o fisco o pedido em prazo razoável, prazo esse que hoje também está delimitado pelo STJ na sistemática dos recursos repetitivos: 360 dias), ou por ação (apreciando-se e negando-se o crédito dentro do prazo de 360 dias, em despacho da autoridade fazendária competente). No caso de oposição estatal ilegítima por omissão (mora), a aplicação da Taxa SELIC é cabível somente a partir de 360 (trezentos e sessenta) dias contados do protocolo do pedido (REsp no 1.138.206/RS) até a efetiva utilização do crédito.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/02/2007 a 31/01/2008 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. LEI No 9.363/1996. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. REGIME ALTERNATIVO. LEI No 10.276/2001. CABIMENTO. ENTENDIMENTO STJ. VINCULANTE. Consoante interpretação do Superior Tribunal de Justiça em julgamento de recurso repetitivo (REsp no 993.164/MG), a ser reproduzida no CARF, conforme Regimento Interno deste Tribunal Administrativo, matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de pessoas físicas dão direito ao Crédito Presumido instituído pela Lei no 9.363/1996, o mesmo ocorrendo, logicamente, em relação ao regime alternativo instituído pela Lei no 10.276/2001. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. LEI No 9.363/1996. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. REGIME ALTERNATIVO. LEI No 10.276/2001. NOTAS FISCAIS DE VENDA DO FORNECEDOR. COMANDO LEGAL EXPRESSO. Conforme art. 3o da Lei no 9.363/1996 (aplicável à Lei no 10.276/2001 por força de seu art. 1o, § 5o), a apuração do crédito tomará em conta o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. OPOSIÇÃO ESTATAL ILEGÍTIMA. OMISSÃO. TERMO INICIAL. É devida a aplicação de juros de mora à Taxa SELIC no ressarcimento de créditos de IPI quando há oposição estatal ilegítima ao seu aproveitamento, conforme REsp no 1.035.847/RS, de observância obrigatória pelo CARF. A oposição estatal ilegítima, no entanto, pode ser manifestada de duas formas: por omissão (ou mora, ao não apreciar o fisco o pedido em prazo razoável, prazo esse que hoje também está delimitado pelo STJ na sistemática dos recursos repetitivos: 360 dias), ou por ação (apreciandose e negandose o crédito dentro do prazo de 360 dias, em despacho da autoridade fazendária AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 72 03 67 /2 01 2- 25 Fl. 3663DF CARF MF 2 competente). No caso de oposição estatal ilegítima por omissão (mora), a aplicação da Taxa SELIC é cabível somente a partir de 360 (trezentos e sessenta) dias contados do protocolo do pedido (REsp no 1.138.206/RS) até a efetiva utilização do crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para afastar o lançamento para a parcela em que se reconhece o crédito em relação a aquisições de carvão vegetal de pessoas físicas, tomando por base o valor da nota fiscal de venda do fornecedor (e de seus eventuais complementos, conforme a legislação de regência), crédito esse a ser atualizado pela Taxa SELIC a partir de 360 dias do protocolo do pedido de ressarcimento até a data de sua efetiva utilização, se posterior. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Relatório Versa o presente sobre o Auto de Infração de fls. 2 a 121, lavrado em 27/02/2012, com ciência na mesma data (fl. 3617), para exigência de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) em relação ao período de fevereiro de 2007 a janeiro de 2008, por falta de recolhimento em função de utilização indevida de crédito presumido referente ao ressarcimento das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, previsto na Lei no 10.276/2001, e por saldo negativo, em janeiro de 2018, conforme detalhado em Termo de Verificação Fiscal (TVF). A autuação tem valor original de R$ 2.029.023,15, a sofrer ainda acréscimos de juros de mora e multa de ofício (75%). No TVF (fls. 13 a 22), narra a fiscalização que: (a) a ação fiscal teve por escopo verificar a procedência e o cálculo dos créditos presumidos de IPI vinculados aos pedidos de ressarcimento formalizados em 2007, nos termos da Lei no 10.276/2001, dos artigos 179, 181, e 183 a 188 do Regulamento do Imposto Sobre Produtos Industrializados – RIPI, Decreto no 4.544/2002, e das Instruções Normativas SRF no 69/2001, no 315/2003 e no 420/2004, assim como verificar as bases de cálculo e apuração dos valores devidos das contribuições sociais COFINS e PIS cujos fatos geradores ocorreram nos meses de agosto a dezembro/2007, nos termos das Leis no 9.715/98 e no 9.718/98; (b) os ressarcimentos de IPI pleiteados em 2007 se referem a exportações efetuadas de 2002 a 2007, em virtude de 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 3664DF CARF MF Processo nº 10665.720367/201225 Acórdão n.º 3401005.213 S3C4T1 Fl. 3.664 3 retificação nas DCP acrescentando aquisições de carvão vegetal de pessoas físicas, não computados originalmente, e inseridos com correção pela Taxa SELIC desde os períodos de referência até a escrituração; (c) foram glosados os créditos presumidos referentes às citadas aquisições de carvão vegetal (cf. planilhas que constam como anexos 1 a 3 do TVF), por não haver créditos para operações que não foram tributadas pelas contribuições; (d) foram glosadas as diferenças de valor entre notas fiscais de entradas emitidas pelos estabelecimentos matriz e filial e notas fiscais de venda emitidas pelos fornecedores de carvão vegetal, por não haver emissão de notas complementares pelos fornecedores (cf. planilhas que constam como anexos 4 a 6 do TVF); (e) nos demais anexos do TVF demonstrase o cálculo do crédito presumido e do saldo (negativo) referente ao IPI, a partir da escrituração da empresa e das glosas efetuadas. Às fls. 3468 a 3489, figura Impugnação datada de 23/03/2012, na qual se argumenta, em síntese, que: (a) houve decadência do direito de glosar os créditos lançados em DCP até 27/02/2007; e (b) houve diversos erros cometidos pela fiscalização na apuração do IPI, como (b1) exclusão dos valores relativos a insumos adquiridos de pessoas físicas, matéria já reconhecida pelo STJ (na sistemática dos recursos repetitivos, no bojo do REsp no 993.164/MG), pelo CARF e pela própria Fazenda Nacional (Ato Declaratório no 14/2011); (b2) desconsideração das notas fiscais de entrada de carvão vegetal, considerando apenas as notas de saída dos fornecedores (exemplificando com algumas notas que efetua os pagamentos com base nas notas de entrada, exatamente da forma que escritura); (b3) a base de cálculo eleita pela lei é o valor das aquisições de insumos (e não das vendas, como adotado pelo fisco), e não exclui o IPI; e (b4) deve haver atualização monetária, com fundamento na Lei no 9.250/1996, art. 39, § 4o, e em decisões do STJ e do CARF. Enviado o processo à DRJ, a decisão de primeira instância foi proferida em 18/03/2014 (fls. 3622 a 3635), acordandose unanimemente pela improcedência da impugnação, sob os seguintes fundamentos: (a) é incabível alegar decadência do direito de o Fisco glosar crédito presumido do IPI, com base em dispositivos legais que tratam da decadência do direito de constituir o crédito tributário; (b) o julgamento de recurso especial pela sistemática do art. 543C do CPC, no qual o STJ entendeu ser ilegal a IN SRF no 23, de 1997, por ter ela extrapolado os limites da Lei no 9.363, de 1996, ao excluir da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI as aquisições, relativamente aos produtos oriundos de atividade rural, de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeitos à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS, não afeta a nova sistemática introduzida pela Lei no 10.276, de 2001, específica e explícita quanto à questão; (c) o crédito presumido do IPI deve ser calculado considerandose o valor constante da respectiva nota fiscal de venda, emitida pelo fornecedor ao produtor exportador, pois o documento que legitima as aquisições de insumos a serem incluídas na apuração do crédito presumido é justamente a nota fiscal de venda; (d) o valor da matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, utilizado para a determinação da base de cálculo do crédito, é o valor da mercadoria sem a inclusão do IPI, sobretudo porque o imposto não integra o custo do produto; (e) no caso de pessoa jurídica que não mantiver sistema de custos coordenado e integrado com a escrituração comercial, a quantidade de MP, de PI e de ME utilizados na produção, em cada mês, será apurada somandose a quantidade em estoque no início do mês com as quantidades adquiridas e diminuindose, do total, a soma das quantidades em estoque no final do mês, as saídas não aplicadas na produção e as transferências (cf. Portaria MF no 38/1997, art. 3o, § 7o); e (f) é incabível, por absoluta inexistência de base legal, a atualização monetária de créditos escriturais do imposto ou de seu ressarcimento, pela incidência da Taxa SELIC sobre os montantes escriturados ou pleiteados (cf. Solução de Consulta no 19/2002). Fl. 3665DF CARF MF 4 Ciente da decisão de piso em 15/04/2014 (cf. AR de fl. 3639), a empresa apresentou recurso voluntário em 07/05/2014 (fls. 3640 a 3657), agregando que: (a) em relação à decadência, há precedente do CARF que endossa as razões de defesa (no processo no 10840.003399/200301); (b) o acórdão da DRJ desrespeita o decidido pelo STF na sistemática dos recursos repetitivos, no REsp no 993.164/MG, tendo ambas as leis de regência (no 9.363/1996 e no 10.276/2001) a mesma essência; (c) em relação às aquisições de carvão vegetal, é irrelevante o fato de ter ou não havido incidência das contribuições na etapa anterior, endossando que o pagamento do carvão e a escrituração eram feitos com base nas notas de entrada; (d) não há previsão legal, na legislação de regência, para exclusão do IPI incidente sobre aquisições; (e) também não há previsão legal, na legislação de regência, para que os estoques sejam considerados no cálculo do crédito presumido do IPI; e (f) há precedentes do CARF, inclusive da CSRF, que entendem cabível a atualização, pela Taxa SELIC, dos créditos presumidos de IPI. O processo foi encaminhado ao CARF pelo despacho de fl. 3658, de 15/05/2014, e distribuído a conselheiros que, posteriormente, renunciaram ao mandato, sendo a mim redistribuído, por sorteio, em fevereiro de 2018. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O recurso voluntário atende os requisitos de admissibilidade, dele se tomando conhecimento. Restam contenciosas, após o recurso voluntário, as seguintes matérias: (a) (in)existência de decadência; (b) (des)respeito a precedente julgado na sistemática dos recursos repetitivos (REsp no 993.164/MG); (c) cômputo de valores nas aquisições de carvão vegetal a partir de notas de entrada; (d) exclusão do IPI incidente sobre aquisições e de estoques, no cálculo do crédito presumido; e (e) (im)possibilidade de atualização dos créditos à Taxa SELIC. Incumbe ainda destacar que os processos relativos a pedidos de ressarcimento efetuados em relação ao segundo trimestre de 2007 (fls. 97 a 339 do processo administrativo no 10665.903180/201184 – com transmissão em 30/07/2007) e ao terceiro trimestre de 2007 (fls. 104 a 327 do processo administrativo no 10665.903181/201129 – transmissão em 30/10/2007) estão sendo apreciados por esta turma na mesma data de julgamento do presente, por tratarem das mesmas questões de direito. Da decadência Ainda em sua impugnação, alegou a recorrente que houve decadência de o fisco glosar créditos lançados em DCP ou no RAIPI até 27/02/2007 (cinco anos da data em que Fl. 3666DF CARF MF Processo nº 10665.720367/201225 Acórdão n.º 3401005.213 S3C4T1 Fl. 3.665 5 tomou ciência da autuação – 27/02/2012), pois o crédito tributário exigido se referiria a glosas de crédito presumido de IPI referente ao período de janeiro de 2002 a dezembro de 2007. Afirma também a recorrente que percebeu, em 2007, que apurou crédito presumido a menor, e retificou, ainda em 2007, os DCP relativos ao mencionado período (2002 a 2007), apurando novo valor de crédito presumido de IPI. A alegação de decadência, no entanto, como destacou o julgamento de piso, não encontra guarida na legislação tributária. Endossese que confunde a recorrente lançamento de crédito tributário com glosa de crédito presumido de IPI, e insiste na confusão, em sua peça recursal, ao afirmar que “a glosa é um lançamento”, confundindo o ato de lançar com o efeito de rechaçar um crédito presumido. Assente neste tribunal administrativo o posicionamento neste sentido, sendo minoritário e superado o entendimento contrário externado pela recorrente em precedente de 2005, e pouco relevante o entendimento externado por órgão estadual em relação a tributo distinto. Mencionemse, a título exemplificativo, precedentes desta turma de julgamento: COFINS. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO. GLOSA DE SALDO CREDOR. DIFERENÇAS. A decadência é instituto relacionado à extinção do crédito tributário (cf. art. 156 do CTN), e tanto o comando do art. 173, I, quanto o contido no art. 150, § 4o da mesma codificação são referentes a lançamento de crédito tributário, e não a glosa de saldo credor indevido ou não comprovado. (Acórdão no 3401003.102, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação ao tema, sessão de 23 fev. 2016) “DECADÊNCIA. GLOSA DE CRÉDITOS DE IPI. INAPLICABILIDADE DOS ARTIGOS 150, §4º E 173 DO CTN. Os prazos decadenciais previstos nos artigos 150, §4º e 173 do CTN se referem ao direito de constituir o crédito tributário e não de glosar o crédito de IPI escriturado.” (Acórdão no 3401 004.009, Rel. Cons. Fenelon Moscoso de Almeida, unânime em relação ao tema, sessão de 28.set.2017) Mas, no caso concreto, a situação é ainda mais clara, no sentido da inexistência de decadência, ainda que se venha a discordar, eventualmente, do posicionamento aqui externado de início. Vejase que a recorrente pretende, em 2007, ampliar seu direito a crédito presumido de IPI (no período de 2002 a 2007), mediante retificação das informações prestadas ao fisco, e entende que a fiscalização já não poderia rever tais informações, contando o prazo das entregas originais. Seria o mesmo que registrar, no ano de 2007, uma retificação gerando restituição dos tributos referentes ao período de 2002 a 2007, e entender que o fisco, v.g., em 2010, ao analisar o pedido de restituição decorrente da retificação, já não poderia rechaçar nenhum crédito anterior a 2005. Assim, por uma e por outra razão, cabe, igualmente, afastar a alegação de decadência. Fl. 3667DF CARF MF 6 Das aquisições de pessoas físicas (REsp no 993.164) A fiscalização glosou as aquisições de carvão vegetal de pessoas físicas, não computadas originalmente nas declarações da recorrente. E a DRJ endossou a glosa, entendendo que o precedente do STJ na sistemática dos recursos repetitivos (REsp no 993.164/MG) trata da Lei no 9.363/1996, e não do regime alternativo instituído pela Lei no 10.276/2001. Sustentase, na peça recursal, que o acórdão da DRJ desrespeita o decidido pelo STF na sistemática dos recursos repetitivos, no REsp no 993.164/MG, tendo ambas as leis de regência (no 9.363/1996 e no 10.276/2001) a mesma essência. Nesse aspecto, entendemos assistir razão à recorrente. Colacionese, inicialmente, o que entendeu o STJ, no REsp no 993.164/MG, na sistemática dos recursos repetitivos, vinculante para este colegiado administrativo: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97.CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados , como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. (...) Fl. 3668DF CARF MF Processo nº 10665.720367/201225 Acórdão n.º 3401005.213 S3C4T1 Fl. 3.666 7 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: (...) § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS ." 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciar seão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: (...). 8. Consequentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: (...). (...) 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008” (REsp 993164/MG, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, unânime, julgado em 13/12/2010, DJe 17/12/2010)” (grifos nossos) A leitura da ementa do REsp revela que condena o STJ a limitação imposta pela IN SRF no 23/1997 (e pelas que lhe sucederam, com idêntico teor 313/2003, 419/2004), diante do texto do art. 1o da Lei no 9.363/1996: “Art. 1o A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 Fl. 3669DF CARF MF 8 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. E o regime alternativo da Lei no 10.276/2001 trata da mesma matéria (com sensível alteração de texto) em seu art. 1o, § 1o: “Art. 1o Alternativamente ao disposto na Lei no 9.363, de 13 de dezembro de 1996 , a pessoa jurídica produtora e exportadora de mercadorias nacionais para o exterior poderá determinar o valor do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), como ressarcimento relativo às contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) e para a Seguridade Social (COFINS), de conformidade com o disposto em regulamento. § 1o A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições referidas no caput: I de aquisição de insumos, correspondentes a matériasprimas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem, bem assim de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo; (...)” O regime da Lei no 9.363/1996 e o regime alternativo da Lei no 10.276/2001, são evidentemente construções legislativas diversas, e em relação a isso não há discordância. Contudo, é preciso mencionar que em ambas as leis não se encontra a limitação que o STJ condenou na instrução normativa. Ou seja, nenhuma das leis impõe restrição ao creditamento em relação a aquisições de pessoas físicas. E isso se obtém da simples comparação de ambas, de fácil visualização a partir da tabela a seguir: Observações Lei no 9.363/1996 Lei no 10.276/2001 Ambas as leis tratam de crédito presumido de IPI para empresas (pessoas jurídicas) produtoras e exportadoras de mercadorias “Art. 1o A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, (...). Art. 1o Alternativamente ao disposto na Lei no 9.363, de 13 de dezembro de 1996 , a pessoa jurídica produtora e exportadora de mercadorias nacionais para o exterior poderá determinar o valor do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), como ressarcimento relativo às contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) e para a Seguridade Social (COFINS), (...). Ambas as leis permitem o creditamento como ressarcimento das contribuições incidentes sobre as aquisições de matériasprimas, produtos “Art. 1o A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas § 1o A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições referidas no caput. I de aquisição de insumos, correspondentes a matériasprimas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem, bem assim de energia elétrica Fl. 3670DF CARF MF Processo nº 10665.720367/201225 Acórdão n.º 3401005.213 S3C4T1 Fl. 3.667 9 intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. e combustíveis, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo Vejase que a expressão “incidiram as” que motivaria o entendimento de que há vedação legal literal ao creditamento em aquisições de pessoas físicas existe também no regime da Lei no 9.363/1996 (“incidentes sobre”). A argumentação, assim, guarda identidade com a apresentada em grau recursal pela PGFN (e rechaçada pelo STJ no REsp no 993.164/MG, sob a sistemática dos recursos repetitivos), como narrado no voto do Ministro Luiz Fux: “Por seu turno, a Fazenda Nacional, em suas razões de recorrer, alega, (...). De acordo com a recorrente: "... a Lei nº 9.363/96 não conferiu ao produtor/exportador o direito ao crédito presumido quando o fornecedor não é contribuinte de PIS/PASEP e COFINS (por exemplo, pessoa física, cooperativa, etc.), assim, a IN SRF 23/97 não extrapolou os limites da lei. Isto porque se trata de lei que prevê um incentivo fiscal, a qual, de acordo não só com o disposto pelo Código Tributário Nacional (art. 111, do CTN),mas com a doutrina e a jurisprudência, deve ser interpretada restritivamente. Ademais, o modo com que o 'crédito presumido de IPI se encontra delineado pela Lei 9.363, de 1996, não permite ao intérprete concluir de outra forma, senão que o legislador condicionou a fruição do incentivo ao pagamento de PIS/PASEP e da COFINS pelo fornecedor do insumo adquirido pela beneficiário do crédito presumido. (...) Quando o PIS/PASEP e a COFINS oneram de forma indireta o produto final, isto significa que os tributos não 'incidiram' sobre o insumo adquirido pelo beneficiário do crédito presumido (o fornecedor não é contribuinte de PIS/PASEP e da COFINS), mas nos produtos anteriores, que compõem este insumo. Ocorre que o legislador prevê, textualmente, que serão ressarcidas as contribuições 'incidentes' sobre o insumo adquirido pelo produtor/exportador, e não sobre as aquisições de terceiros, que ocorreram em fases anteriores da cadeia produtiva. Ao contrário, para admitir que o legislador teria previsto o crédito presumido como um ressarcimento dos tributos que oneraram toda a cadeia produtiva, seria necessária uma interpretação extensiva da norma legal, inadmitida, nessa específica hipótese, pela Constituição Federal de 1988 e pelo Código Tributário Nacional (art. 111). (...) Fl. 3671DF CARF MF 10 Assim, a condição legalmente disposta para que o produtor exportador possa adicionar o valor do insumo à base de cálculo do crédito presumido, é a exigência de tributos ao fornecedor do insumo. Sem que tal condição seja cumprida, é inadmissível, ao contribuinte, benefício de crédito presumido.” (grifo nosso) O precedente deu origem ainda à Súmula STJ no 494: “O benefício fiscal do ressarcimento do crédito presumido do IPI relativo às exportações incide mesmo quando as matérias primas ou os insumos sejam adquiridos de pessoa física ou jurídica não contribuinte do PIS/PASEP.” Veja que o regime alternativo da Lei no 10.276/2001 não inseriu impedimento ao crédito decorrente de aquisições de pessoas físicas. Pelo contrário, utilizou a mesma terminologia da Lei no 9.363/1996. Assim, embora se tenha um novo regime, não se tem um novo impedimento, sendo igualmente condenáveis as normas infralegais que restrinjam indevidamente o comando legal. Assim tem decidido o STJ: “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. CRÉDITO PRESUMIDO ALTERNATIVO DE IPI. RESSARCIMENTO DE PIS/COFINS. ARTS 1º E 6º, DA LEI N. 9.363/96 E LEI N. 10.276/2001. ILEGALIDADE DO ART. 5º, §2º, DA IN/SRF N. 420/2004. CORREÇÃO MONETÁRIA. SÚMULA N. 411/STJ. 1. O art. 2º, § 2º, da Instrução Normativa n. 23/97, impôs limitação ilegal ao art. 1º da Lei n. 9.363/96, quando condicionou gozo do benefício do crédito presumido do IPI, para ressarcimento de PIS/PASEP e COFINS, somente às aquisições efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições para o PIS/PASEP e COFINS. Tema já julgado pelo recurso representativo da controvérsia REsp. n.993.164/MG, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 13.12.2010. Lógica que também se aplica ao art. 5º, §2º, da IN/SRF n. 420/2004, especifica para o crédito presumido alternativo previsto na Lei n. 10.276/2001, por possuir idêntica redação. (...)(REsp 1313043/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 02/10/2012, DJe 08/10/2012); (REsp 1231755/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 22/03/2011, DJe 31/03/2011)” (grifo nosso) Portanto, embora reconheçamos que os regimes de crédito presumido de IPI instituídos pelas Leis no 9.363/1996 e no 10.276/2001 são diversos, forçoso é, diante do teor dos textos legais, entender que se uma lei não obstaculiza os créditos em relação a pessoas físicas, a outra logicamente também não o faz. Sustentamos o raciocínio aqui externado desde o Acórdão no 3403002.892. Anteriormente, entendíamos que o precedente do STJ (REsp no 993.164/MG), na sistemática dos recursos repetitivos, tinha escopo restrito à Lei no 9.363/1996. E que no regime alternativo da Lei no 10.276/2001, não havendo incidência dessas contribuições, não haveria o que ressarcir, tendo em vista o comando do art. 1o, § 1o da norma legal. E, nesse aspecto, fui voto vencido (ao lado do relator, Antonio Carlos Atulim) nos Acórdãos no 3403001.948 a no 3403 Fl. 3672DF CARF MF Processo nº 10665.720367/201225 Acórdão n.º 3401005.213 S3C4T1 Fl. 3.668 11 001.953, tendo sido designado para todos os votos vencedores o Cons. Robson José Bayerl (sessão de 19.mar.2013). Aliás, o entendimento sobre a matéria já está consolidado, hoje, no CARF, cabendo mencionar dois precedentes recentes e unânimes da CSRF, na mesma linha adotada neste voto: “CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. REGIME ALTERNATIVO. LEI 10.276/2001. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. POSSIBILIDADE. Mantémse a possibilidade de aproveitamento do crédito presumido do IPI, exercido na forma alternativa da Lei nº 10.276/2001, nas aquisições de insumos de pessoas físicas e cooperativas. Aplicação dos mesmos fundamentos utilizados pelo STJ no RESP nº 993.164, que foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos art. 543 C do CPC.” (Acórdão n. 9303004.682, Rel. Cons. Andrada Marcio Canuto Natal, sessão de 14.fev.2017 – unânime em relação à matéria) “CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. REGIME ALTERNATIVO. LEI 10.276/2001. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. POSSIBILIDADE. Mantémse a possibilidade de aproveitamento do crédito presumido do IPI, exercido na forma alternativa da Lei nº 10.276/2001, nas aquisições de insumos de pessoas físicas e cooperativas. Aplicação dos mesmos fundamentos utilizados pelo STJ no RESP nº 993.164, que foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos art. 543 C do CPC.” (Acórdão n. 9303005.103, Rel. Cons. Erika Costa Camargos Autran, sessão de 16.mai.2017 – unânime) Ademais, recordese que o § 5o do art. 1o da Lei no 10.276/2001, aqui já transcrito ao início do voto, estabelece claramente: “Aplicamse ao crédito presumido determinado na forma deste artigo todas as demais normas estabelecidas na Lei no 9.363, de 1996”. Assim, segundo o entendimento do STJ, vinculante para o CARF, aliado ao referido § 5o, é improcedente a alegação fiscal de que as aquisições de pessoas físicas obstariam o direito ao crédito presumido, no regime alternativo instituído pela Lei no 10.276/2001. Nesse sentido decisões unânimes recentes desta turma de julgamento, nos Acórdãos no 3401004.457 a 459, de 22/03/2018, sob minha relatoria: CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. LEI No 9.363/1996. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. REGIME ALTERNATIVO. LEI No 10.276/2001. CABIMENTO. ENTENDIMENTO STJ. VINCULANTE. Consoante interpretação do Superior Tribunal de Justiça em julgamento de recurso repetitivo, a ser reproduzida no CARF, conforme Regimento Interno deste Tribunal Administrativo, matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de pessoas físicas dão direito ao Crédito Presumido instituído pela Lei nº 9.363/1996, o mesmo ocorrendo, logicamente, em relação ao regime alternativo instituído pela Lei nº 10.276/2001. Fl. 3673DF CARF MF 12 Assim, deve ser dado provimento ao recurso voluntário no que se refere a aquisições de pessoas físicas. Do cômputo de valores nas aquisições de carvão vegetal a partir de notas de entrada A fiscalização glosou, no valor das aquisições de carvão vegetal, a diferença entre o valor da nota fiscal de entrada da recorrente e o valor da nota fiscal de saída do fornecedor, por não terem incidido as contribuições sobre tais diferenças, conforme prescreve o § 1o do art. 1o da Lei no 10.276/2001 (aqui já transcrito), não havendo notas fiscais de venda complementares pelos fornecedores. A recorrente afirma que não há meios adequados ao fornecedor de carvão vegetal, na saída de seu estabelecimento, para medição precisa da metragem do referido produto (adotando metragem referencial), e que, por isso, toma em conta o valor constante de suas notas de entrada, emitidas com medição precisa, destacando que o valor de tais notas corresponde ao efetivamente pago, como busca comprovar exemplificativamente. Como destacou o julgador de piso, a glosa não se deveu a simples aspecto formal (ausência de nota fiscal complementar por parte do vendedor), mas ao fato de não haver incidência das contribuições, requisito estabelecido na lei que concede o crédito presumido de IPI, como atesta o próprio TVF (item 13): 13) (...) Como não foram emitidas notas fiscais de venda complementares pelos fornecedores, sobre tais diferenças não incidiram as contribuições sociais PIS e COFINS, requisito para que integrassem a base de cálculo do crédito presumido de IPI, conforme § 1o do artigo 1 o da Lei 10.276/2001. Por isso, essas diferenças devem ser excluídas na apuração dos custos dos insumos com direito ao crédito presumido. Os dados transcritos no referido anexo foram obtidos dos arquivos digitais entregues pelo sujeito passivo e descritos no item 7 deste termo. (grifouse) E endossou o exposto com o art. 3o da Lei no 9.363/1996 (aplicável à Lei no 10.276/2001 por força de seu art. 1o, § 5o): “Art. 3o Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1 o, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador.” (grifo nosso) Assim, a afirmação de defesa no sentido de que “o fisco, para decidir qual nota considerar, adotou critério sem qualquer fundamento lógico” é absolutamente equivocada, visto que o fisco usou critério expressamente previsto em lei. Em sua defesa, a empresa afirma ainda apresentar, como “prova cabal” do direito ao crédito, alguns conjuntos de notas fiscais e respectivos comprovantes de depósito/cheques, e que, em nenhum momento questionou o fisco que toda a contabilização da empresa (“custos discriminados nos balancetes, balanços, demonstrações de resultado, etc”) é tomada com base nas notas fiscais de entrada. Fl. 3674DF CARF MF Processo nº 10665.720367/201225 Acórdão n.º 3401005.213 S3C4T1 Fl. 3.669 13 Fosse a discussão, no processo, direcionada à simples apuração de créditos básicos das contribuições, decorrentes da nãocumulatividade, até entenderíamos passíveis de análise tais alegações, em nome da verdade material, a exemplo do que decidiu este colegiado no Acórdão no 3403003.449, de minha relatoria, no sentido de que incumbiria ao fisco investigar o valor real das aquisições, e se este condiz com o registrado contabilmente. No entanto, como exposto, estamos aqui a tratar de crédito presumido de IPI como ressarcimento das contribuições, regido por legislação própria, que, como exposto, expressamente faz menção às notas de venda do fornecedor. E, nesse cenário, desnecessário ao fisco perscrutar sobre o cotejo entre contabilização e pagamento. Correto assim o lançamento, nesse aspecto, ao tomar em conta as notas de venda, e não as notas de entrada. De fato, incumbiria à recorrente, em sua defesa, que busca afastar a aplicação expressa do comando legal, apresentar, de forma minuciosa e organizada (não com documentos de amostragem insignificante, e sem detalhamento que os conecte silogisticamente aos valores autuados), provas de que as notas de saída não corresponderam, individualizadamente, aos valores contabilizados, ou que foram complementadas. Assim como incumbiu ao fisco o detalhamento em planilhas (vide Anexos do TVF) de todas as glosas, nota fiscal por nota fiscal, exigese da defesa igual labor, não podendo a argumentação genérica, ou exemplificativa desconectada de indicação expressa de quais tópicos se está a contestar operar em desfavor do lançamento regularmente constituído. Ademais, não se noticia aqui tenha o fisco adotado procedimento semelhante ao que se viu no referido Acórdão no 3403003.449 (uso do valor da nota de entrada somente quando este fosse menor do que o constante da nota de venda, operando sempre em prejuízo do crédito). Pelo contrário, o critério aqui adotado pela fiscalização, como visto, além de uniforme, tem expressa guarida legal (art. 3o da Lei no 9.363/1996, aplicável à Lei no 10.276/2001 por força de seu art. 1o, § 5o). Assim, tanto as aquisições de carvão vegetal de pessoas físicas (aqui reconhecidas no tópico anterior) quanto as de pessoas jurídicas (reconhecidas pela própria fiscalização) devem gerar crédito tomando por base o valor da nota de venda do fornecedor (e de seus eventuais complementos, conforme a legislação de regência). Da existência de erros no cômputo do crédito presumido Alega ainda a recorrente que a fiscalização, erroneamente, excluiu do cômputo do crédito o IPI incidente sobre aquisições e que considerou estoques no cálculo sem previsão legal. Como expôs o julgador de piso, incluindo menção subsidiária à legislação do imposto de renda, a expressão “valor total das aquisições” de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, constante na lei (art. 2o da Lei no 9.363/1996, Fl. 3675DF CARF MF 14 aplicável ao regime alternativo por força do já mencionado art. 1o, § 5o da Lei no 10.276/2001) não inclui, por óbvio, o IPI incidente sobre as aquisições, destacado na nota fiscal. Sobre a tomada em conta os estoques, no cálculo, a própria fiscalização esclarece, no TVF, que decorre do não atendimento de requisitos para cálculo do crédito presumido com base no custo integrado, e que opera em benefício da empresa: 8) Segundo os Demonstrativos do Crédito Presumido – DCP e memórias de cálculo apresentadas, o sujeito passivo optou pela apuração do crédito presumido do IPI com base na contabilidade com Custo Integrado. Porém, verificamos que no período de 2002 a 2007 a escrituração contábil do sujeito passivo não atendia aos requisitos para cálculo do Crédito Presumido com base no custo integrado, pois a atualização dos estoques era efetuada apenas no último dia de cada mês pelo preço médio das compras mensais, mesmo critério adotado para apuração dos custos dos insumos consumidos na industrialização em cada mês. Para utilizar a apuração com base no custo integrado a pessoa jurídica deve manter sistema de controle permanente de estoques, no qual a avaliação dos bens é efetuada pelo método da média ponderada móvel ou pelo método denominado PEPS, em que as saídas das unidades de bens seguem a ordem cronológica crescente de suas entradas em estoque. Além disso, o sistema de custos deve permitir a identificação de Matérias Primas, Produtos Intermediários, Material de Embalagem, energia elétrica, combustíveis e do valor da prestação de serviços na industrialização por encomenda sujeitos à incidência das contribuições sociais PIS e COFINS. (...) 17) No anexo 8, elaborado com base nos balancetes mensais e arquivos digitais da contabilidade, explicitamos os valores dos estoques a serem considerados na apuração dos custos mensais com direito ao crédito presumido do IPI. O valor do carvão vegetal foi excluído do estoque devido à impossibilidade de se determinar se o insumo estocado em cada mês havia sido adquirido de Pessoa Física, Pessoa Jurídica ou recebido em transferência de uma das fazendas do próprio sujeito passivo. Desta forma, considerouse que todo o carvão vegetal adquirido em um mês foi consumido no próprio mês da aquisição, resultando em critério mais benéfico ao sujeito passivo. Como se percebe, diante do não atendimento de requisitos para cálculo do crédito presumido com base no custo integrado, o fisco buscou apurar o crédito com base nos balancetes mensais e arquivos digitais da contabilidade, de modo a não prejudicar a fruição de créditos totalmente pelo fato de não ser possível distinguir o carvão vegetal adquirido daquele, v.g., vindo da própria empresa. Não há argumento da recorrente no sentido de que cumpria os citados requisitos, nem de que o critério adotado pelo fisco não lhe seria mais benéfico. Restringese a defesa a afirmar que foram levados os estoques em consideração ao arrepio das normas que regem a matéria. Fl. 3676DF CARF MF Processo nº 10665.720367/201225 Acórdão n.º 3401005.213 S3C4T1 Fl. 3.670 15 Olvidase a defesa, neste ponto, que a própria lei (art. 3o) remete à regulamentação pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, que é tratada nas Instruções Normativas no 69/2001, 315/2003 e 420/2004, que fundamentaram o cálculo, como explicitado também no TVF (itens 17 e 18), e que expressamente remetem a estoques. Como se percebe, pela simples leitura do TVF, não houve ofensa à legislação, mas mácompreensão, pela defesa, da metodologia adotada, digase, por não ter a empresa cumprido requisitos para cálculo do crédito presumido com base no custo integrado. Nada há de incorreto no procedimento fiscal. Ao que parece, busca paradoxalmente a defesa que o descumprimento dos referidos requisitos a beneficie. Não procedem, assim, as alegações recursais de erro no cômputo do cálculo do crédito presumido. Da atualização do crédito presumido Por fim, demanda a recorrente que seu crédito seja tomado em conta ao longo do tempo, de forma atualizada pela SELIC, com fundamento na Lei no 9.250/1996, art. 39, § 4o, e em decisões do STJ e do CARF, inclusive da CSRF. No julgamento de piso, decide unanimemente a DRJ que é incabível, por absoluta inexistência de base legal, a atualização monetária de créditos escriturais do imposto ou de seu ressarcimento, pela incidência da Taxa SELIC sobre os montantes escriturados ou pleiteados, visto que a Lei no 9.250/1996, em seu art. 39, trata de indébito de tributos, não se alastrando a crédito presumido (escritural), e que tanto a Instrução Normativa SRF no 210/2002 quanto a Solução de Consulta COSIT no 19/2002 são expressas no sentido de que “não incidirão juros compensatórios no ressarcimento de créditos do IPI”. A argumentação do recurso voluntário, em relação ao tema, é predominantemente jurisprudencial, colacionandose diversos precedentes do CARF no sentido de que é legítima a atualização de crédito presumido de IPI pela Taxa SELIC, e que o ressarcimento é espécie do gênero restituição. Também neste tópico assiste razão à recorrente, cabendo destacar que o tema da atualização monetária pela Taxa SELIC dos créditos é matéria que foi pacificada no âmbito administrativo com o advento do julgamento proferido pelo STJ no REsp nº 1.035.847, sob a sistemática dos recursos repetitivos (igualmente vinculante para o CARF, em função de previsão regimental no tribunal administrativo): “PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. Fl. 3677DF CARF MF 16 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o consequente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” Assim, e tendo em conta que houve oposição à fruição do crédito em despachos decisórios específicos, em relação às glosas efetuadas e agora afastadas (referentes a aquisições de pessoas físicas), é de se reconhecer o direito à correção do valor do ressarcimento negado pela autoridade tributária, e posteriormente acolhido no curso deste processo, calculada pela Taxa SELIC. Em precedente de minha relatoria, em agosto de 2014, decidi exatamente nesse sentido, com acolhida unânime do colegiado. Na ocasião, tomei como termo inicial a data do pedido ao qual houve oposição estatal ilegítima: “Assim, e tendo em conta que o despacho decisório representou oposição à fruição do crédito, em relação às glosas efetuadas e agora afastadas, é de se reconhecer o direito à correção do valor do ressarcimento negado pela autoridade tributária, e posteriormente deferido no curso deste processo, calculada pela taxa SELIC, a partir da data do protocolo do pedido, como já vem entendendo unanimemente esta turma, v.g., no Acórdão no 3403002.892”. (Acórdão no 3403003.173, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 21 ago. 2014) (grifo nosso) Fl. 3678DF CARF MF Processo nº 10665.720367/201225 Acórdão n.º 3401005.213 S3C4T1 Fl. 3.671 17 Em sede de embargos, questionou a Fazenda a invocação do REsp nº 1.035.847 para crédito presumido, alegando que o precedente se presta somente a crédito básico, e não a crédito escritural. Os embargos foram unanimemente rejeitados no colegiado. E, na ocasião foram colacionados diversos precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais no mesmo sentido: “CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. POSSIBILIDADE. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. É lícita a inclusão, na base de cálculo do crédito presumido de IPI, dos valores pertinentes às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagens, efetuadas junto a pessoas físicas e a cooperativas de produtores. No ressarcimento/compensação de crédito presumido de IPI, em que atos normativos infralegais obstaculizaram o creditamento por parte do sujeito passivo, é devida a atualização monetária, com base na Selic, desde o protocolo do pedido até o efetivo ressarcimento do crédito (recebimento em espécie ou compensação com outros tributos). RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE PROVIDO. (CSRF, Acórdão no 9303002.881, Rel. Cons. Rodrigo da Costa Possas, unânime, sessão de 20.fev.2014)” (grifo nosso) “CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS E ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. POSSIBILIDADE. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. É lícita a inclusão, na base de cálculo do crédito presumido de IPI, dos valores pertinentes às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagens, efetuadas junto a pessoas físicas e a cooperativas de produtores. No ressarcimento/compensação de crédito presumido de IPI, em que atos normativos infralegais obstaculizaram o creditamento por parte do sujeito passivo, é devida a atualização monetária, com base na Selic, desde o protocolo do pedido até o efetivo ressarcimento do crédito (recebimento em espécie ou compensação com outros tributos). Recurso Especial do Procurador Negado. (CSRF, Acórdão no 9303002.906, Rel. Cons. Rodrigo da Costa Possas, unânime, sessão de 9.abr.2014)” (grifo nosso) Fl. 3679DF CARF MF 18 Consultandose aqueles autos, no acompanhamento processual no sítio web do CARF, percebese que houve interposição de recurso especial pela Fazenda, ainda não apreciado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF). De qualquer sorte, de lá para cá o posicionamento da CSRF caminhou para o seguinte entendimento, externado recentemente: “CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. Não existe previsão legal para incidência da taxa Selic nos pedidos de ressarcimento de IPI. O reconhecimento da correção monetária com base na taxa Selic só é possível em face das decisões do STJ na sistemática dos recursos repetitivos, quando existentes atos administrativos que glosaram parcialmente ou integralmente os créditos, cujo entendimento neles consubstanciados foram revertidos nas instâncias administrativas de julgamento, sendo assim considerados oposição ilegítima ao aproveitamento de referidos créditos. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. TERMO INICIAL. 360 DIAS. A aplicação da taxa Selic, nos pedidos de ressarcimento de IPI, nos casos de oposição ilegítima do Fisco, incide somente a partir de 360 (trezentos e sessenta) dias contados do protocolo do pedido. Antes deste prazo não existe permissivo legal e nem jurisprudencial, com efeito vinculante, para sua incidência.” (Acórdão no 9303006.250, Rel. Cons. Rodrigo da Costa Pôssas, sessão de 26 jan 2018, maioria, vencido o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que dava provimento parcial para considerar como termo inicial a data da ciência do despacho decisório)” (grifo nosso) Realmente, há que se configurar exatamente o momento em que se dá a oposição estatal ilegítima, pois é ela que faz com que o crédito escritural enseje atualização, por força de decisão do STJ na sistemática dos recursos repetitivos. A oposição estatal ilegítima, no entanto, pode ser manifestada de duas formas: por omissão (ou mora, ao não apreciar o fisco o pedido em prazo razoável, prazo esse que hoje também está delimitado pelo STJ na sistemática dos recursos repetitivos: 360 dias), ou por ação (apreciandose e negandose o crédito dentro do prazo de 360 dias, em despacho da autoridade fazendária competente). O voto do relator (Min. Luiz Fux), no citado REsp nº 1.035.847 trata exatamente de um caso de oposição ilegítima por omissão (mora). Isso é notado na leitura do texto do voto condutor do acórdão, unanimemente acatado na parte que se refere à atualização monetária do ressarcimento. Percebese que o julgamento do STJ cuja ementa foi transcrita remete à oposição constante de ato estatal, que poderia ser interpretada tanto na forma de ação (indeferimento do pleito) quanto de omissão (mora na análise do pedido) e que isso exsurge da própria situação fática que enseja o acórdão, relatada pelo Min. Luiz Fux (vejase que não houve indeferimento no caso, mas mora na análise): “Noticiam os autos que MINUANO PNEUS E ADUBOS LTDA., em 29.06.2005, ajuizou ação ordinária em face da FAZENDA NACIONAL, pleiteando a restituição dos valores correspondentes à correção monetária desde a data de Fl. 3680DF CARF MF Processo nº 10665.720367/201225 Acórdão n.º 3401005.213 S3C4T1 Fl. 3.672 19 apuração do saldo credor de IPI até a data da efetiva compensação. Informou que requerera a restituição dos créditos do IPI do período de agosto de 2000 e outubro de 2001, mas somente no ano 2005 foi comunicada do deferimento do pedido. Destacou que apesar de terem sido reconhecidos os créditos, a autoridade fiscal apurou débitos do PIS e COFINS e por esse motivo, iria proceder à compensação dos valores. Argumentou que os débitos das contribuições seriam atualizadas monetariamente, enquanto os créditos do IPI seriam utilizados no seu valor nominal, causando violação ao princípio da isonomia.”(grifos nossos) Assim, e concordando com o fundamento do posicionamento atual da CSRF, que harmoniza distintos precedentes do STJ na sistemática dos recursos repetitivos, no que se refere a oposição estatal por omissão (mora) tenho apenas leve apara a tal entendimento, no sentido de que o termo inicial deve ser a data da ciência do indeferimento do crédito, caso isso ocorra antes dos citados 360 dias do pedido (oposição por ação – análise e indeferimento do crédito). Retornando ao caso em análise nestes autos, percebese, já de início, que os pedidos de ressarcimento foram efetuados em 2007 (itens 1 e 2 do TVF), se referiram a créditos de 2002 a 2007, decorrentes de retificação efetuada em 2007, e foram analisados apenas em 2012: “1) No exercício das funções de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil na execução do Mandado de Procedimento Fiscal MPF no 06107002011001473, vinculado ao sujeito passivo acima identificado, elaboramos o presente TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL para descrever os fatos relativos às irregularidades apuradas nesta ação fiscal que teve como objetivos: 1.a) verificar a procedência e o cálculo dos créditos presumidos de IPI vinculados aos pedidos de ressarcimento formalizados em 2007, nos termos da Lei 10.276/2001, dos artigos 179, 181, e 183 a 188 do Regulamento do Imposto Sobre Produtos Industrializados – RIPI, Decreto 4.544/2002, e das Instruções Normativas SRF nº 69/2001, 315/2003 e 420/2004; (...) 2) Inicialmente, cabe informar que os ressarcimentos de IPI pleiteados pelo sujeito passivo em 2007 se referem a créditos presumidos de IPI vinculados a exportações realizadas nos anos de 2002 a 2007. Tal situação ocorreu pelo fato da empresa ter efetuado retificações, em 2007, dos Demonstrativos do Crédito Presumido – DCP apresentados originalmente ao fisco federal desde o ano 2002, incluindo nas bases de cálculo dos créditos as aquisições de carvão vegetal de fornecedores pessoas físicas, insumos esses que não foram computados nos DCP originais. Além disso, o sujeito passivo, ao escriturar no livro Registro de Apuração do IPI os valores das diferenças de créditos presumidos apuradas nos DCP retificadores, corrigiu tais valores pela taxa SELIC acumulada desde os períodos de Fl. 3681DF CARF MF 20 referência até as datas de escrituração nos livros. Tais procedimentos não encontram qualquer respaldo na legislação tributária federal.” Sendo o pedido efetuado em 2007, retificando dados de 2002 a 2007, jamais poderia ter sido corrigido pela SELIC retroativamente, pois, até a retificação (e, inclusive após ela ter sido efetuada pelo sujeito passivo), não havia oposição estatal ilegítima a seu aproveitamento. A primeira oposição estatal, e que aqui, agora, se considera ilegítima (também por força de precedente vinculante do STJ a referente a aquisições de carvão vegetal de pessoas físicas) ocorreu em 2012, mais de 360 dias após os pedidos de ressarcimento. Tem se, então, um caso de oposição por omissão (mora), e que enseja, adotado o entendimento do STJ, de observância obrigatória pelo CARF, a atualização pela Taxa SELIC, somente a partir de 360 (trezentos e sessenta) dias contados do pedido. De qualquer sorte, não cabe atualização alguma dos créditos para os quais não houve oposição estatal (créditos acatados pela fiscalização, sequer discutidos especificamente neste contencioso), ou para os quais a oposição estatal foi legítima (créditos cuja glosa foi mantida). E, ao que parece nos autos, a utilização dos créditos demandados se daria ainda em 2007, e não prospectivamente, o que torna acessória a menção ao prazo de 360 dias. De qualquer modo, cabe a atualização, pela Taxa SELIC, a partir de 360 dias do protocolo do pedido de ressarcimento, até a data de sua utilização, para créditos decorrentes de aquisições de carvão vegetal de pessoas físicas, tomando por base o valor da nota de venda do fornecedor (e de seus eventuais complementos, conforme a legislação de regência). Cabe à unidade de origem da RFB a verificação das datas efetivas de pedido e de utilização do crédito, devendo este ser corrigido apenas após 360 dias do pedido, e até a data da efetiva utilização, se posterior ao decurso desses 360 dias. Considerações Finais – parte dispositiva Pelo exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso, para afastar o lançamento para a parcela em que se reconhece o crédito em relação a aquisições de carvão vegetal de pessoas físicas, tomando por base o valor da nota fiscal de venda do fornecedor (e de seus eventuais complementos, conforme a legislação de regência), crédito esse a ser atualizado pela Taxa SELIC a partir de 360 dias do protocolo do pedido de ressarcimento até a data de sua efetiva utilização, se posterior. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 3682DF CARF MF Processo nº 10665.720367/201225 Acórdão n.º 3401005.213 S3C4T1 Fl. 3.673 21 Fl. 3683DF CARF MF
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Numero do processo: 11020.721494/2014-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2013
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CORREÇÃO DE EMENTA E JULGADO.
Acolhem-se Embargos de Declaração para excluir do julgado matérias estranhas à lide.
RETIFICAÇÃO DE EMENTA.
Embargos acolhidos para retificação da ementa do acórdão de Recurso de Ofício e de Recurso Voluntário.
RECURSO DE OFÍCIO NÃO CONHECIDO. VALOR DE ALÇADA. PORTARIA MF Nº 63 DE 09 DE FEVEREIRO DE 2017.
O Recurso de Ofício não alcança o limite de R$2.500.000,00 (dois milhões e meio de reais) ampliado pela Portaria MF nº 63 de 09 de fevereiro de 2017 e, portanto, não deve ser conhecido.
NULIDADE. ERRO NO ENQUADRAMENTO LEGAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
O erro na citação do enquadramento legal de determinada infração não causa nulidade do auto de infração quando através da descrição dos fatos é possível a pessoa jurídica compreender os fatos imputados e exercer seu direito de defesa.
NULIDADE. AMOSTRAGEM.
Ao realizar os trabalhos de fiscalização, o Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil pode valer-se de qualquer método de fiscalização não vedado por norma legal ou administrativa, inclusive da auditoria por amostragem.
PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO.
A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, exceto se a impugnante demonstrar, via requerimento à autoridade julgadora, a ocorrência das condições previstas na legislação para apresentação de provas em momento posterior.
ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO PELAS AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS DE JULGAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
No âmbito do processo administrativo fiscal, é vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar lei validamente inserida no ordenamento jurídico, sob fundamento de inconstitucionalidade.
LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. ATIVIDADE FUNCIONAL VINCULADA.
Positivada a norma tributária, é dever da autoridade fiscal aplicá-la, pois o lançamento é uma atividade vinculada, conforme disposição contida no CTN.
AUTO DE INFRAÇÃO. DESCABIMENTO DE DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE OFÍCIO DE 75%.
Com o início do procedimento fiscal, o contribuinte perdeu o direito à denúncia espontânea, sendo, portanto, cabível a multa de lançamento de ofício de 75%.
MULTA QUALIFICADA DE 150%.
A deliberada intenção do contribuinte em impedir o conhecimento, por parte da SRF, da ocorrência do real fato gerador, mediante a subtração de receitas da base de cálculo de tributação, impõe a aplicação de multa qualificada de 150%, na forma do art. 44, §1º, da Lei nº 9.430/1996.
SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA.
Correta a sujeição passiva solidária imputada às sócios gerentes da pessoa jurídica, à época dos fatos geradores, quando constatada infração tributária dolosa, nos termos do artigo 135, inciso III, da Lei nº 5.172/66.
Numero da decisão: 3201-003.920
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, apenas para excluir, do voto e da ementa proferidos em sede de julgamento dos Recursos de Ofício e Voluntário, as menções à exclusão da multa majorada em 50%, efetuada pela DRJ, e que não foi objeto de recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Tatiana Josefovicz Belisário - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2013 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CORREÇÃO DE EMENTA E JULGADO. Acolhem-se Embargos de Declaração para excluir do julgado matérias estranhas à lide. RETIFICAÇÃO DE EMENTA. Embargos acolhidos para retificação da ementa do acórdão de Recurso de Ofício e de Recurso Voluntário. RECURSO DE OFÍCIO NÃO CONHECIDO. VALOR DE ALÇADA. PORTARIA MF Nº 63 DE 09 DE FEVEREIRO DE 2017. O Recurso de Ofício não alcança o limite de R$2.500.000,00 (dois milhões e meio de reais) ampliado pela Portaria MF nº 63 de 09 de fevereiro de 2017 e, portanto, não deve ser conhecido. NULIDADE. ERRO NO ENQUADRAMENTO LEGAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. O erro na citação do enquadramento legal de determinada infração não causa nulidade do auto de infração quando através da descrição dos fatos é possível a pessoa jurídica compreender os fatos imputados e exercer seu direito de defesa. NULIDADE. AMOSTRAGEM. Ao realizar os trabalhos de fiscalização, o Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil pode valer-se de qualquer método de fiscalização não vedado por norma legal ou administrativa, inclusive da auditoria por amostragem. PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, exceto se a impugnante demonstrar, via requerimento à autoridade julgadora, a ocorrência das condições previstas na legislação para apresentação de provas em momento posterior. ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO PELAS AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS DE JULGAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, é vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar lei validamente inserida no ordenamento jurídico, sob fundamento de inconstitucionalidade. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. ATIVIDADE FUNCIONAL VINCULADA. Positivada a norma tributária, é dever da autoridade fiscal aplicá-la, pois o lançamento é uma atividade vinculada, conforme disposição contida no CTN. AUTO DE INFRAÇÃO. DESCABIMENTO DE DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE OFÍCIO DE 75%. Com o início do procedimento fiscal, o contribuinte perdeu o direito à denúncia espontânea, sendo, portanto, cabível a multa de lançamento de ofício de 75%. MULTA QUALIFICADA DE 150%. A deliberada intenção do contribuinte em impedir o conhecimento, por parte da SRF, da ocorrência do real fato gerador, mediante a subtração de receitas da base de cálculo de tributação, impõe a aplicação de multa qualificada de 150%, na forma do art. 44, §1º, da Lei nº 9.430/1996. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. Correta a sujeição passiva solidária imputada às sócios gerentes da pessoa jurídica, à época dos fatos geradores, quando constatada infração tributária dolosa, nos termos do artigo 135, inciso III, da Lei nº 5.172/66.
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COM. IMP. LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2013 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CORREÇÃO DE EMENTA E JULGADO. Acolhemse Embargos de Declaração para excluir do julgado matérias estranhas à lide. RETIFICAÇÃO DE EMENTA. Embargos acolhidos para retificação da ementa do acórdão de Recurso de Ofício e de Recurso Voluntário. RECURSO DE OFÍCIO NÃO CONHECIDO. VALOR DE ALÇADA. PORTARIA MF Nº 63 DE 09 DE FEVEREIRO DE 2017. O Recurso de Ofício não alcança o limite de R$2.500.000,00 (dois milhões e meio de reais) ampliado pela Portaria MF nº 63 de 09 de fevereiro de 2017 e, portanto, não deve ser conhecido. NULIDADE. ERRO NO ENQUADRAMENTO LEGAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. O erro na citação do enquadramento legal de determinada infração não causa nulidade do auto de infração quando através da descrição dos fatos é possível a pessoa jurídica compreender os fatos imputados e exercer seu direito de defesa. NULIDADE. AMOSTRAGEM. Ao realizar os trabalhos de fiscalização, o Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil pode valerse de qualquer método de fiscalização não vedado por norma legal ou administrativa, inclusive da auditoria por amostragem. PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 72 14 94 /2 01 4- 51 Fl. 19755DF CARF MF Processo nº 11020.721494/201451 Acórdão n.º 3201003.920 S3C2T1 Fl. 19.756 2 A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, exceto se a impugnante demonstrar, via requerimento à autoridade julgadora, a ocorrência das condições previstas na legislação para apresentação de provas em momento posterior. ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO PELAS AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS DE JULGAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, é vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar lei validamente inserida no ordenamento jurídico, sob fundamento de inconstitucionalidade. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. ATIVIDADE FUNCIONAL VINCULADA. Positivada a norma tributária, é dever da autoridade fiscal aplicála, pois o lançamento é uma atividade vinculada, conforme disposição contida no CTN. AUTO DE INFRAÇÃO. DESCABIMENTO DE DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE OFÍCIO DE 75%. Com o início do procedimento fiscal, o contribuinte perdeu o direito à denúncia espontânea, sendo, portanto, cabível a multa de lançamento de ofício de 75%. MULTA QUALIFICADA DE 150%. A deliberada intenção do contribuinte em impedir o conhecimento, por parte da SRF, da ocorrência do real fato gerador, mediante a subtração de receitas da base de cálculo de tributação, impõe a aplicação de multa qualificada de 150%, na forma do art. 44, §1º, da Lei nº 9.430/1996. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. Correta a sujeição passiva solidária imputada às sócios gerentes da pessoa jurídica, à época dos fatos geradores, quando constatada infração tributária dolosa, nos termos do artigo 135, inciso III, da Lei nº 5.172/66. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, apenas para excluir, do voto e da ementa proferidos em sede de julgamento dos Recursos de Ofício e Voluntário, as menções à exclusão da multa majorada em 50%, efetuada pela DRJ, e que não foi objeto de recurso voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Tatiana Josefovicz Belisário Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Fl. 19756DF CARF MF Processo nº 11020.721494/201451 Acórdão n.º 3201003.920 S3C2T1 Fl. 19.757 3 Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos por pela Fazenda Nacional em face do acórdão nº 3201003.140, de minha relatoria, proferido por esta desta 1ª Turma da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF em 25 de setembro de 2017. A Fazenda Nacional aponta a existência de contradição uma vez que "apesar do Colegiado não conhecer do recurso de ofício, aborda, tanto na ementa, quanto no voto condutor do acórdão, o assunto que já havia ensejado exoneração parcial do lançamento pela DRJ, a saber, o agravamento da multa em 50%." Os referidos Embargos foram admitidos pelo Presidente da desta Turma, nos seguintes termos: No tocante à alegação de contradição na decisão embargada, os excertos do acórdão, transcritos a seguir, são elucidativos: fl. 19539: RECURSO DE OFÍCIO NÃO CONHECIDO. VALOR DE ALÇADA. PORTARIA MF Nº 63 DE 09 DE FEVEREIRO DE 2017. O Recurso de Ofício não alcança o limite de R$2.500.000,00 (dois milhões e meio de reais) ampliado pela Portaria MF nº 63 de 09 de fevereiro de 2017 e, portanto, não deve ser conhecido. (...) Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não se conhecer do recurso de ofício e negar provimento ao recurso voluntário.(grifamos) fl. 19540: MULTA DE OFICIO AGRAVADA EM 50%. DESCABIMENTO. ATENDIMENTO PARCIAL ÀS INTIMAÇÕES FISCAIS. Não cabe o agravamento da multa de ofício de 150 para 225%, na forma do art. 44, § 2º, da Lei nº 9.430/96, quando o contribuinte atende, ainda que parcialmente, às intimações da fiscalização. Analisando os trechos reproduzidos acima e o voto condutor do acórdão, podese constatar que a embargante tem razão quando alega que a decisão embargada padece de contradição. De fato, se o colegiado não conheceu do recurso de ofício, pelas razões expostas na decisão (fl. 19540 e 19574), não deveria ter se pronunciado na ementa (fl. 19540) e no voto condutor (quando endossa a decisão da DRJ: vide, por exemplo, fls. 19551 e Fl. 19757DF CARF MF Processo nº 11020.721494/201451 Acórdão n.º 3201003.920 S3C2T1 Fl. 19.758 4 19574) sobre matéria contestada no recurso de ofício multa agravada que já havia sido excluída pela decisão da DRJ. Em face de evidente contradição, deve a decisão ser saneada. Os autos, foram, então, a mim remetidos para fins de elaboração de relatório e voto e inclusão em pauta de julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário Relatora Conforme consta do Relatório supra, o presente feito foi remetido para fins de julgamento de Recurso de Ofício e Recurso Voluntário. O Recurso de Ofício fora interposto em razão da exoneração, pela DRJ, do valor correspondente ao agravamento da multa de ofício, com a redução da multa do lançamento de ofício do percentual de 225% para 150%. Todavia, quando do julgamento do feito, o valor exonerado encontravase abaixo do limite de alçada redefinido pela Portaria MF nº 63 de 09 de fevereiro de 2017 (R$ 2.500.000,00 dois milhões e quinhentos mil reais), acarretando o não conhecimento do Recurso de Ofício nos termos da Súmula CARF nº 103: Não obstante, quando do julgamento do Recurso Voluntário, o voto foi proferido nos termos do § 3º do art 57 do RICARF, com redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017, ou seja, mediante "a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida." Ocorre que, quando da transcrição da íntegra da decisão recorrida e da respectiva ementa como dito, com fundamento em disposição regimental esta Relatora deixou de suprimir os trechos em que mencionavase a exclusão da multa agravada, que, por óbvio, não integravam o Recurso Voluntário, mas, apenas, o Recurso de Ofício não conhecido. Evidenciase, assim, que os trechos da decisão recorrida que faziam menção à exclusão da multa agravada foram mantidos na transcrição da íntegra da decisão proferida apenas para fins de coerência textual, e não com o intuito de revisar matéria já decidida e não mais passível de revisão nessa instância julgadora. Não obstante, para se atender o pleito da Procuradoria da Fazenda Nacional, conforme Embargos de Declaração admitidos, transcrevese, novamente, a decisão proferida pela DRJ e mantida por esta Turma Julgadora, assim como a respectiva ementa, desta feita, omitindose, quando possível, os trechos em que se abordou o agravamento da multa de ofício: A impugnação é tempestiva e preenche os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, dela, pois, tomo conhecimento. Fl. 19758DF CARF MF Processo nº 11020.721494/201451 Acórdão n.º 3201003.920 S3C2T1 Fl. 19.759 5 Analisaremos em separado as preliminares apresentadas pela Empresa e pelos Sócios. PRELIMINARES de defesa da EMPRESA: 1) A anulação do auto de infração pelo reconhecimento do cerceamento de defesa e da inobservância dos princípios do contraditório e da ampla defesa ante a ausência de análise da documentação apresentada pela empresa no curso da fiscalização à autoridade fiscal; A impugnante alega que a autoridade fiscal, declaradamente, deixou de analisar importantes e relevantes documentos apresentados pela empresa que fundamentam todo o aproveitamento de créditos de PIS e COFINS em sua contabilidade, pelo regime da nãocumulatividade, especificamente vários arquivos, entregues em pendrive, que continham os livros razão da empresa e a relação detalhada dos lançamentos que comprovam a origem dos créditos extemporâneos de PIS e COFINS lançados na DACON, com a informação detalhada de NF, fornecedor, data, valor e conta de contabilização do referido documento fiscal. Conforme consta do Relatório Fiscal (fls. 16126), não foi possível efetuar a leitura e análise destes arquivos, pois os mesmos foram apresentados corrompidos. Entretanto, a empresa alega que NUNCA foi intimada sobre a impossibilidade de leitura parcial do pendrive e que, diante disso, impõese a nulidade do presente auto de infração. Entendo que é importante destacar que a empresa informou à autoridade fiscal que disponibilizaria a documentação física necessária para confrontação dos valores lançados digitalmente e afirmou que, para entregar esta documentação seriam necessários, no mínimo, dois caminhões (fls. 16125/16126 e 16357/16358). Assim, em 13/08/2014, a autoridade fiscal esteve na sede da empresa para verificação dos documentos ainda não apresentados. Entretanto, o Sr. Luis Carlos Postal, administrador da empresa fiscalizada, declarou não possuir qualquer documento da empresa relativo ao período fiscalizado (fls. 16129). Como se vê acima, a maior parte da documentação que seria necessária à comprovação dos lançamentos dos créditos não foi efetivamente apresentada pelo contribuinte, sendo que a parte disponibilizada, de acordo com o Relatório Fiscal e as provas dos autos, foi efetivamente analisada pela fiscalização, ainda que por critério de amostragem. Ademais, em se tratando de reconhecimento de direito creditório, cabe ao contribuinte a demonstração e comprovação, lançamento a lançamento, do crédito alegado. Fl. 19759DF CARF MF Processo nº 11020.721494/201451 Acórdão n.º 3201003.920 S3C2T1 Fl. 19.760 6 Diante do exposto, a argumentação da defesa não merece prosperar. 2) A anulação do auto de infração pelo reconhecimento do cerceamento de defesa e da inobservância dos princípios do contraditório e da ampla defesa ante a ausência de intimação da empresa a se manifestar acerca da prova emprestada de processo diverso e utilizada pela autoridade fiscal como prova para lavratura do referido auto de infração; A impugnante alega que a autoridade fiscal utilizou documentos que foram adquiridos de forma emprestada, advindos de processo diverso, e que não foram levados ao conhecimento da empresa fiscalizada no curso do processo de fiscalização. Assim se expressa a manifestante. A empresa jamais foi intimada a se manifestar, ou prestar explicações, sobre o teor dos documentos utilizados de forma emprestada pela autoridade fiscal. A empresa não tem como saber o teor de tais documentos. (...) Chama a atenção, ainda, o ofício ser datado de 09/01/2014, sendo que o início da fiscalização ocorreu em 24/03/2014 e o fiscal ter utilizado tais documentos no curso do procedimento fiscalizatório. (...) Como se pode observar, a prova emprestada tributária não pode ser considerada suficiente para constituir o fato jurídico tributário. Como destaca a professora Fabiana Tomé, a prova emprestada tributária serve como “indício fraco, que deve ser confirmado por outros elementos indicativos da ocorrência do fato, prestandose, portanto, como ponto de partida para o procedimento fiscalizatório por parte da pessoa política que pretende dela fazer uso. (...) Inerente ao direito de defesa, o Contraditório é decorrente da bilateralidade do processo: quando uma das partes alega alguma coisa, há de ser ouvida também a outra, dandolhe oportunidade de resposta. Ele supõe o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou reação. Conforme trecho do Relatório de Fiscalização (fls. 16129/16130) transcrito abaixo, a fiscalização teve acesso a documentos apreendidos por ocasião das buscas e apreensões determinadas pelo Juiz Mauro Caumo do juízo da 2ª Vara Criminal do Foro Central da Comarca de Porto Alegre, RS, para fins de instrução probatória no processo nº 001/2.13.00095685 contra Luis Adriano Vargas Buchor e Outros, o qual tramita no juízo da 2º Fl. 19760DF CARF MF Processo nº 11020.721494/201451 Acórdão n.º 3201003.920 S3C2T1 Fl. 19.761 7 Vara Criminal do Foro Central da Comarca de Porto Alegre – RS, cujo acesso a esses documentos, pela RFB, foi deferida pelo juiz do feito no ofício nº. 20/2014, de 09/01/2014 (doc. fls. 12321/12323). Nos documentos apreendidos verificouse a troca de correspondências da fiscalizada com a empresa de consultoria: Economia Consultoria Tributária Ltda. – CNPJ nº 05.240.669/000174, cujo sócio é o Sr. Luis Adriano Vargas Buchor. Pela análise desses documentos constatouse que as contribuições a recolher eram determinadas em parceria com essa consultoria e os honorários cobrados pela consultoria correspondiam a um percentual (20,0%) sobre os tributos que a empresa deixava de recolher pela inserção de créditos indevidos (falsos) do IPI, do PIS e da COFINS, bem como do ICMS (doc. fls. 12324/12342). Esse fato pode ser verificado nas informações obtidas junto a documentos apreendidos para instrução probatória no processo nº 001/2.13.00095685 contra Luís Adriano Vargas Buchor e Outros. Em planilha anexa às folhas 12324/12342 pode ser verificado que os honorários pagos à empresa de consultoria realmente correspondem a 20,0% dos tributos omitidos e não recolhidos em decorrência da utilização de créditos inexistentes (falsos) para reduzir as contribuições sociais do PIS e da COFINS devidas. Primeiramente, destaquese que não há irregularidade no fato da data do Ofício ser anterior à data de início do processo fiscalizatório. De fato, é comum que, antes de iniciar a fiscalização, a autoridade fiscal reúna os elementos necessários para justificar e orientar a ação fiscal. Entendo que não cabe neste processo administrativo a discussão sobre as provas ou o mérito do processo judicial, qualquer discussão neste sentido deve ser restrita à esfera judicial. Entretanto, a partir da análise do processo judicial surgiram elementos que nortearam a ação fiscal com o objetivo de apurar a utilização de créditos inexistentes (falsos) para reduzir as contribuições sociais do PIS e da COFINS devidas. No procedimento de fiscalização, o contribuinte foi intimado e reintimado a apresentar diversos documentos e informações objetivando verificar o cumprimento das obrigações tributárias relativas às contribuições sociais do PIS e da COFINS no período de 01/01/2009 a 31/12/2013. Conforme detalhado no Relatório Fiscal, o contribuinte deixou de apresentar diversos documentos necessários para comprovar o suposto direito creditório constante de sua escrituração contábil e as informações constantes de suas declarações (DCTFs, DIPJs, DACONs). Portanto, tendo o contribuinte sido regularmente cientificado do Auto de Infração e do Relatório Fiscal, que discrimina todo o Fl. 19761DF CARF MF Processo nº 11020.721494/201451 Acórdão n.º 3201003.920 S3C2T1 Fl. 19.762 8 procedimento fiscal e faz referência às informações obtidas de processo diverso mediante autorização judicial (fls. 12321/12342), não há que se falar em nulidade por cerceamento de defesa, pois o contribuinte em sua impugnação pode trazer suas razões de contestação. Acrescentese que é pacífico o entendimento na doutrina e na jurisprudência que o procedimento de fiscalização tem caráter inquisitório, nele não havendo que se falar em contraditório, sendo permitido, inclusive, à autoridade fiscal proceder ao lançamento sem prévia intimação do contribuinte, conforme Súmula CARF que abaixo transcrevo. Súmula CARF nº 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. 3) A anulação do auto de infração pelo emprego de presunção e amostragem, equivocadamente utilizados pela autoridade fiscal como fundamento para autuação de períodos não analisados; A impugnante se insurge contra a utilização da Técnica de Amostragem no procedimento fiscal alegando que um levantamento realizado, unicamente, com base em amostragem, probabilidade, porcentagem, não substitui uma fiscalização concreta, plena, incontestável na certeza quanto aos fatos que conferem a precisão para a cobrança do imposto. Urge que os fatos apontados pela fiscalização estejam provados, não pairem dúvidas. A demonstração da alegada infração por amostragem implica em lançamento arbitrário do tributo. Entendo que o lançamento levou em consideração a totalidade das operações sujeitas à glosa por falta de comprovação, segundo as informações prestadas pelo próprio contribuinte em suas declarações apresentadas à RFB, utilizandose do procedimento de amostragem para análise de operações e situações específicas que foram suficientes para indicar a existência da infração tributária. Cabe ao contribuinte o ônus da prova de seu direito creditório. Segundo o entendimento da autoridade fiscal os elementos e documentos apresentados pelo contribuinte, em atendimento às intimações fiscais e diligências efetuadas, não foram suficientes para amparar o direito creditório pretendido. Por outro lado, ainda que a autoridade fiscal, para firmar suas conclusões, tenha se utilizado da técnica de análise por amostragem, tal fato, por si só, não seria causa de nulidade. Neste sentido, trago à colação o entendimento adotado no Acórdão da 5ª Turma da DRJ/RJ2 nº 1333942, de 24/03/2011, segundo o qual ao realizar os trabalhos de fiscalização a ele atribuídos, o Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil pode valerse de qualquer método de fiscalização não vedado por Fl. 19762DF CARF MF Processo nº 11020.721494/201451 Acórdão n.º 3201003.920 S3C2T1 Fl. 19.763 9 norma legal ou administrativa, inclusive da auditoria por amostragem. Amostragem. Ao realizar os trabalhos de fiscalização a ele atribuídos, o Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil pode valerse de qualquer método de fiscalização não vedado por norma legal ou administrativa, inclusive da auditoria por amostragem. Por todo o exposto, rejeito esta preliminar de nulidade. 4) A anulação do auto de infração pela falta de discriminação detalhada dos insumos glosados pela autoridade fiscal, utilizados como base para o creditamento de PIS e COFINS extemporâneos pela empresa; A impugnante alega que num processo de fiscalização regular, cabe à autoridade fiscal identificar, dentro da relação de despesas contabilizadas como passíveis de creditamento, quais são as despesas que não podem servir de base creditável e, por conseguinte, merecem ser glosadas. Contudo, alega ainda a impugnante, no presente auto de infração, a Autoridade Fiscal lançou nos demonstrativos de apuração, os valores totais dos créditos considerados como indevidamente aproveitados, sem, contudo, informar quais foram os insumos lançados individualmente que foram glosados. Se assim não entendido, a impugnante requer a realização das diligências necessárias para a constatação dos reais valores devidos. Entendo que o procedimento fiscal se baseou nas informações constantes dos DACON’s da empresa e nas informações apresentadas pelo contribuinte em atendimento às intimações, conforme especificado no Relatório Fiscal (fls. 16123/16124 e 16134), abaixo transcrito. Outra manifestação do contribuinte deuse em 20/05/2014, nesta data declarou estar apresentando a Memória de Cálculo do PIS e da COFINS dos anos de 2009 a 2013 e as suas justificativas para a origem dos créditos lançados nos DACON’s e planilhas sobre a revisão de créditos extemporâneos do período iniciado no ano de 2004 até 2013, realizado pela empresa. A resposta compõese de uma folha de apresentação (fl. 6365) e 59 folhas contendo planilhas identificadas com os títulos: a) MEMÓRIA DE CÁLCULO CREDITAMENTO PIS E COFINS (duas folhas 6366/6367); b) MOVELPAR CRÉDITO EXTEMPORÂNEOS PIS E COFINS (duas folhas 6368/6369) c) MOVELPAR INDÚSTRIA, COMÉRCIO E IMPORTAÇÃO LTDA – CNPJ: 91.032.383/000135– LUCRO REAL Apresenta, por totais, o cálculo do PIS e da COFINS com a indicação do valor da base de cálculo do crédito extemporâneo dessas contribuições no período de 01/2009 a 12/2013 (trinta folhas 6370/6399); d) Fl. 19763DF CARF MF Processo nº 11020.721494/201451 Acórdão n.º 3201003.920 S3C2T1 Fl. 19.764 10 APURAÇÃO DE CRÉDITO SOBRE ESTOQUE DE ABERTURA 2004 (uma folha 6400); e) RESUMO – BASE DE INSUMOS PARA CREDITAMENTO 2004 2º TRIMESTRE A JUNHO/2013 PIS E COFINS CREDITADOS PELO CLIENTE (vinte e uma folhas 6401/ 6421); f) REVISÃO CREDITAMENTO PIS E COFINS (uma folha 6422); g) MOVELPAR CRÉDITO EXTEMPORÂNEO PIS E COFINS CONTA CORRENTE DE COMPENSAÇÕES – CRÉDITO EXTEMPORÂNEO APURADO DE JAN/2009 A DEZ/2010 (duas folhas 6423/6424). (...) Juntamos cópias dos DACON’s às folhas 9625/11185, onde, na linha 02 das fichas 06A e 16A, foram registrados valores de bens utilizados como insumos superiores àqueles que a empresa tem direito a descontar. Esses valores foram declarados pela empresa como créditos extemporâneos na resposta a intimação apresentada em 20/05/2014 (doc. fls. 6370/6399) e estão relacionados no anexo às folhas 16110 a 16111. Portanto, o Anexo I do Relatório Fiscal (fls. 16110/16111), que discrimina os valores mensais de glosa de Crédito Extemporâneo, foi elaborado a partir das informações constantes dos DACON’s da empresa e foram consolidadas pelo contribuinte em sua resposta à intimação fiscal (fls. 6370/6399), motivo pelo qual se conclui que a impugnante tem pleno conhecimento da composição dos valores referentes aos créditos extemporâneos glosados. Diante do exposto, rejeito esta preliminar de nulidade e o pedido de diligência, em face da sua desnecessidade, e o faço com respaldo no art. 18 do Decreto nº 70.235/72. 5) A anulação do auto de infração pela falta de apresentação de fundamento legal para a glosa de insumos utilizados como base para o creditamento de PIS e COFINS pela empresa, bem como para a glosa de créditos tomados sobre locações pagas à Pessoa Jurídica e sobre vendas canceladas, registradas através de notas fiscais de devolução, e/ou apresentação de fundamentação genérica; A impugnante considera insuficiente a descrição dos fatos e a omissão no enquadramento legal do auto de infração, impossibilitando caracterizar com clareza o ilícito imputado ao sujeito passivo, implicando no descumprimento de formalidade essencial exigida por lei e configurando cerceamento do direito de defesa, assim impondose a decretação de sua nulidade. Argumenta, ainda, que a legislação apresentada é justamente aquela que possibilita o creditamento de insumos, serviços, energia, depreciação e outras despesas incorridas no processo da empresa e não houve, pela autoridade fiscal, qualquer Fl. 19764DF CARF MF Processo nº 11020.721494/201451 Acórdão n.º 3201003.920 S3C2T1 Fl. 19.765 11 fundamentação para a glosa dos créditos utilizados pela empresa. Entendo que o contribuinte não está sendo autuado porque seus créditos não se enquadram em tese no artigo 3º da Lei nº 10.637/02 ou da Lei nº 10.833/03, mas porque as respectivas operações não foram comprovadas e esse fato foi perfeitamente relatado na descrição dos fatos e compreendido pelo autuado, sendo isso suficiente para assegurar a validade do procedimento. O que assegura o direito ao crédito pretendido é a apresentação da documentação hábil para comprovação dos fatos registrados na contabilidade, conforme disposto no art. 923 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto nº 3.000/99), abaixo transcrito. Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º, § 1º). Portanto, não houve erro de enquadramento legal. A mera ausência de referência a este dispositivo do RIR no enquadramento legal não seria suficiente para determinar a nulidade do auto de infração já que a descrição dos fatos foi suficiente para permitir ao autuado a perfeita compreensão da infração que lhe estava sendo imputada. Este também é o entendimento adotado pelo CARF no Acórdão transcrito abaixo. CARF Acórdão 1401001.504 de 20/01/2016 Ementa Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário:2007 NULIDADE ENQUADRAMENTO LEGAL As formalidades procedimentais só ensejam nulidades quando repercutem substancialmente; no caso específico, quando cerceiam o direito de defesa do contribuinte. Nem mesmo um erro evidente no enquadramento legal, algo não caracterizado no presente feito, seria capaz de tornar nulo o procedimento, se a descrição fiscal foi suficiente para a precisa identificação do teor acusatório. Desta forma, rejeito esta preliminar de nulidade. PRELIMINARES de defesa dos SÓCIOS: 6) A anulação do Auto de Infração por erro na descrição do fundamento legal da infração e pela inobservância dos princípios do contraditório e da ampla defesa; Fl. 19765DF CARF MF Processo nº 11020.721494/201451 Acórdão n.º 3201003.920 S3C2T1 Fl. 19.766 12 Os impugnantes alegam que a Autoridade Fiscal fundamentou o Auto de Infração com base em três dispositivos distintos em três momentos diferentes: 1) No item 6 do Relatório Fiscal do Auto de Infração, que fala da Responsabilidade Tributária, a autoridade fiscal entendeu em responsabilizar solidariamente os administradores da empresa contribuinte pelo presente crédito tributário, pelo comando do Art. 135, Inciso III, da Lei nº 5.172 (CTN). 2) Já no Termo de Sujeição Passiva Solidária contra os sócios administradores, ora impugnantes, pelos débitos apurados objeto deste lançamento de ofício com aplicação da multa qualificada e majorada de 225%, com base no Art. 124, Inciso I da Lei nº 5.172 (CTN), sendo os impugnantes erigidos à condição de responsáveis tributários solidários pelos créditos constituídos contra a pessoa jurídica contribuinte. 3) Ainda, quando da lavratura do Auto de Infração, mais especificamente no Demonstrativo de Responsáveis Tributários, o AuditorFiscal utilizou como fundamento legal para os sócios responderem solidariamente com a empresa fiscalizada o Art. 124, Inciso II da Lei nº 5.172 (CTN). Em seguida, a defesa argumenta que a confusão na descrição da base legal que motivou a formalização da exigência do crédito tributário constitui vício insanável a ponto de ser decretada a nulidade do auto de infração lavrado e que houve gritante cerceamento de defesa aos impugnantes, tendo em vista que a Autoridade Fiscal deixou de observar os princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa ao não definir de maneira clara e precisa qual foi o dispositivo legal considerado infringido pelos impugnantes. Seguese a transcrição dos dispositivos em comento. CTN – Lei nº 5.172/96 Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. (...) Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: (...) III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Fl. 19766DF CARF MF Processo nº 11020.721494/201451 Acórdão n.º 3201003.920 S3C2T1 Fl. 19.767 13 Entendo que, no presente caso, o enquadramento correto da responsabilidade solidária dos sócios é o Art. 135, Inciso III, da Lei nº 5.172 (CTN), conforme descrito no item 6 do Relatório Fiscal. Ainda que, no Termo de Sujeição Passiva Solidária e no Demonstrativo de Responsáveis Tributários do Auto de Infração, a autoridade fiscal tenha utilizado enquadramentos legais diversos, (Art. 124, Incisos I e II, CTN, respectivamente), isso não é suficiente para determinar a nulidade dessa sujeição, já que o enquadramento legal descrito no item 6 do Relatório Fiscal do auto de infração está correto e que, na descrição dos fatos, restou claro que a responsabilização se deu pelo fato de os Srs. LUÍS CARLOS POSTAL e JOSÉ PASQUALINI serem sócios gerentes da empresa na época da ocorrência dos fatos, o que não foi contestado, em nenhum momento, pela defesa. Abaixo transcrevemos trecho do Relatório Fiscal sobre a Responsabilidade Tributária, fls. 16136. De acordo com os sistemas informatizados da RFB, e alterações contratuais apresentadas, LUIS CARLOS POSTAL, (CPF 498.608.87004), e JOSÉ PASQUALINI, (CPF 328.331.05053), eram os administradores da pessoa jurídica no período fiscalizado, sendo, portanto, diretamente responsáveis para que a legislação tributária fosse infringida quando da reiterada prática dolosa de apurar e informar nos DACON’s (doc. fls. 9625/11185) e nas DCTF’s (doc. fls. 11186/11989) da empresa tributo inferior ao efetivamente devido por meio da utilização de artifícios ardilosos, com o evidente intuito de fraude e sonegação. Além de emitir notas fiscais com informações falsas e utilização das mesmas para abater créditos de contribuições devidas sobre o faturamento e lançálas na sua escrituração fiscal e contábil. Destarte, os administradores devem ser responsabilizados solidariamente pelo presente crédito tributário, pelo comando do art. 135, inciso III, do CTN. Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: ... III – os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. O entendimento de que o eventual erro de enquadramento não é , por si só, suficiente para determinar a nulidade do auto de infração é corrente nas Delegacias da Receita Federal de Fl. 19767DF CARF MF Processo nº 11020.721494/201451 Acórdão n.º 3201003.920 S3C2T1 Fl. 19.768 14 Julgamento – DRJ e no CARF, conforme expresso nos Acórdãos abaixo transcritos: Acórdão nº 1136205 da 4ª Turma da DRJ/REC, de 29 de fevereiro de 2012. NULIDADE ERRO NO ENQUADRAMENTO LEGAL. O erro na citação do enquadramento legal de determinada infração não causa nulidade do auto de infração quando através da descrição dos fatos é possível a pessoa jurídica compreender os fatos imputados e exercer seu direito de defesa. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. Correta a sujeição passiva solidária imputada às pessoas físicas ou jurídicas que tenham participação na situação que gerou a obrigação tributária, com base no previsto artigo 135, inciso III da Lei nº 5.172/66. CARF Acórdão 1401001.504 de 20/01/2016. Ementa Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2007 NULIDADE ENQUADRAMENTO LEGAL As formalidades procedimentais só ensejam nulidades quando repercutem substancialmente; no caso específico, quando cerceiam o direito de defesa do contribuinte. Nem mesmo um erro evidente no enquadramento legal, algo não caracterizado no presente feito, seria capaz de tornar nulo o procedimento, se a descrição fiscal foi suficiente para a precisa identificação do teor acusatório. Portanto, ainda que conste erro no enquadramento legal no Termo de Sujeição Passiva Solidária e no Demonstrativo de Responsáveis Tributários do Auto de Infração, a descrição dos fatos contidas no Relatório Fiscal (fls. 16122/16138) permitiu a correta compreensão dos fatos relativos ao Auto de Infração e ao Termo de Sujeição Passiva Solidária e a apresentação da competente impugnação para exercício do direito de defesa. De fato, em suas razões de mérito, o contribuinte demonstrou compreender perfeitamente a natureza da infração, razão pela qual rejeito esta preliminar de nulidade. 7) A anulação do Termo de Sujeição Passiva Solidária em face da equivocada interpretação dada pela autoridade fiscal com fulcro no art. 124, inciso I do CTN (fls. 16157/16172); Os impugnantes alegam que a Fiscalização não pode fundamentar a suposta responsabilidade dos sócios administradores indistintamente no artigo 124 ou no artigo 135, Fl. 19768DF CARF MF Processo nº 11020.721494/201451 Acórdão n.º 3201003.920 S3C2T1 Fl. 19.769 15 ambos do CTN, eis que tais dispositivos partem de pressupostos totalmente diferentes. A defesa argumenta, ainda, que as condutas e circunstâncias elencadas nos artigos 124 e 135 do CTN não possuem nenhum liame com a solidariedade baseada no interesse comum, sendo que a previsão legal na qual restou fundamentado o Termo de Sujeição Passiva Solidária não prevalece e, desta forma, impõe se a nulidade do Termo de Sujeição Passiva Solidária por erro na sua fundamentação. Conforme já explicitado no item anterior, entendo que, no presente caso, o enquadramento correto da responsabilidade solidária dos sócios no Art. 135, Inciso III, da Lei nº 5.172 (CTN) e a correta descrição dos fatos constantes do Relatório Fiscal são suficientes para assegurar a validade do lançamento, já que permitiram ao contribuinte exercer plenamente sua defesa. 8) A anulação do Termo de Sujeição Passiva Solidária em face da ausência de motivação do ato administrativo praticado pela autoridade fiscal quanto a responsabilização dos sócios. Os impugnantes alegam que o AuditorFiscal autuante não se preocupou em provar a infração, carecendo de suporte fático a autuação, por carência de motivação. Sem provas de que os impugnantes teriam agido com dolo, fraude ou simulação, em afronta à lei ou ao contrato social, sem diligências visando a constatar a gestão fraudulenta da sociedade, não se pode pretender a sua responsabilização. A defesa alega, ainda, que nos termos da legislação em vigor, nos casos dos art. 135 e 137 do CTN, há necessidade de comprovação de fato jurídico tributário, distinto da ocorrência do fato gerador, capaz de permitir a inclusão dos sócios e/ou administradores no polo passivo da relação jurídica tributária, razão pela qual o presente Termo de Sujeição Passiva Solidária deve ser declarado nulo. Abaixo transcrevemos trecho do Relatório Fiscal sobre a Responsabilidade Tributária, fls. 16136. De acordo com os sistemas informatizados da RFB, e alterações contratuais apresentadas, LUIS CARLOS POSTAL, (CPF 498.608.87004), e JOSÉ PASQUALINI, (CPF 328.331.05053), eram os administradores da pessoa jurídica no período fiscalizado, sendo, portanto, diretamente responsáveis para que a legislação tributária fosse infringida quando da reiterada prática dolosa de apurar e informar nos DACON’s (doc. fls. 9625/11185) e nas DCTF’s (doc. Fl. 19769DF CARF MF Processo nº 11020.721494/201451 Acórdão n.º 3201003.920 S3C2T1 Fl. 19.770 16 fls. 11186/11989) da empresa tributo inferior ao efetivamente devido por meio da utilização de artifícios ardilosos, com o evidente intuito de fraude e sonegação. Além de emitir notas fiscais com informações falsas e utilização das mesmas para abater créditos de contribuições devidas sobre o faturamento e lançálas na sua escrituração fiscal e contábil. Destarte, os administradores devem ser responsabilizados solidariamente pelo presente crédito tributário, pelo comando do art. 135, inciso III, do CTN. Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: ... III – os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Assim sendo, lavramos Termo de Sujeição Passiva Solidária para os administradores pelos débitos apurados objeto deste lançamento de ofício com aplicação da multa qualificada e majorada de 225%, com base no art. 135, III do CTN. Conforme texto acima transcrito, a autoridade fiscal é expressa em afirmar que os Srs. LUIS CARLOS POSTAL e JOSÉ PASQUALINI eram sócios gerentes da empresa autuada na época dos fatos geradores e que esta praticou atos dolosos com infração da lei, subsumindose esse fato à previsão de responsabilidade solidária de que trata o Art. 135, inciso III, do CTN. Logo, não há que se falar em ausência de motivação da responsabilização solidária. Por outro lado, em sua impugnação, a defesa não contesta o fato de que os Srs. LUIS CARLOS POSTAL e JOSÉ PASQUALINI eram os sócios gerentes da empresa na época dos fatos. Portanto, considerando que houve a infração tributária dolosa, conforme análise de mérito subseqüente, cabível foi a responsabilização solidária dos sócios. Assim, rejeito esta preliminar de nulidade. Em seguida, analisaremos as questões de Mérito da Empresa e dos Sócios. MÉRITO de defesa da EMPRESA: 9) Sejam considerados legais os créditos extemporâneos de PIS e COFINS tomados sobre as despesas e insumos, constantes nas planilhas do anexo I e lançados nos livros razão da empresa, que foram creditados de forma extemporânea a partir de jan/2009 até dez/2013, conforme Fl. 19770DF CARF MF Processo nº 11020.721494/201451 Acórdão n.º 3201003.920 S3C2T1 Fl. 19.771 17 apresentado no item II.1 do mérito, cancelandose o crédito tributário apurado no auto de infração no valor de R$ 382.525,59 para o PIS e de R$ 1.761.936,04 para o COFINS e seus reflexos nas multas; A impugnante limitase a transcrever os artigos 3º da Lei nº 10.637/02 (PIS) e da Lei nº 10.833/03 (COFINS) e anexar diversos julgados do CARF e de Tribunais Regionais Federais sobre o conceito de insumo dentro da sistemática de apuração de créditos pela não cumulatividade de PIS e Cofins, bem como apresentar um demonstrativo com o resumo da apuração de créditos extemporâneos de PIS e COFINS no ano de 2008, extraído dos livros razão, e cópias do razão da conta Serviços Terceiros Laminação e Zincagem. Alega, ainda, que a relação detalhada de TODAS as despesas integrantes em cada conta relacionada nas planilhas de revisão apuradas pela empresa está discriminada no livro razão da empresa, apresentado à autoridade fiscal, e que não há qualquer indício de ilegalidade no procedimento adotado pela empresa e tampouco há legislação que restrinja tal procedimento, muito pelo contrário, pois conforme anteriormente apresentado as leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03 assim definem: § 4º O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. Não se questiona o fato de a legislação assegurar em tese ao contribuinte o direito de aproveitamento de créditos extemporâneos conforme reivindicado pelo contribuinte. Ocorre que no presente caso a glosa não está sendo imposta por não ser permitido o creditamento extemporâneo, mas pelo fato de o contribuinte não haver apresentado a documentação comprobatória das operações que teriam originado os referidos créditos. Notese que, segundo o Relatório Fiscal (fls. 16129), em 13/08/2014, ao efetuar diligência na empresa para confrontação dos valores lançados digitalmente com os documentos físicos, o Sr. Luís Carlos Postal, administrador da empresa fiscalizada, declarou não possuir qualquer documento da empresa relativa ao período fiscalizado e que iria entrar em contato com a sua assessoria jurídica KRÁS BORGES & DUARTE ADVOGADOS para saber onde estariam os documentos da empresa exigidos nas intimações (os dois caminhões de documentos) que declarou possuir em resposta às intimações apresentadas em 02/07/2014. Entretanto, até o final da ação fiscal, não logrou apresentar tais documentos. Desta forma, concluise que a causa da glosa dos créditos extemporâneos foi a falta de apresentação de documentos comprobatórios do crédito pelo contribuinte no atendimento às intimações fiscais e na diligência efetuada em 13/08/2014. A peça impugnatória apresenta a mera transcrição da legislação referente à matéria (Lei nº 10.637/02 e Lei nº 10.833/03) e de Fl. 19771DF CARF MF Processo nº 11020.721494/201451 Acórdão n.º 3201003.920 S3C2T1 Fl. 19.772 18 julgados do CARF e de Tribunais Regionais Federais sobre o conceito de insumo, o que não é suficiente para comprovar o direito creditório alegado pelo contribuinte, nem mesmo quando acompanhada de resumo da apuração dos créditos extemporâneos extraído dos livros razão. Entendo que a questão central não foi atendida pelo contribuinte, ou seja: em sua impugnação, não houve a apresentação de elementos comprobatórios do seu direito creditório, motivo pelo qual rejeito a argumentação da defesa. 10) Subsidiariamente, caso sejam glosados algumas despesas e insumos constantes no anexo I da presente impugnação, então que sejam discriminados individualmente os lançamentos glosados, e sob qual fundamentação legal; A glosa dos créditos extemporâneos é total e foi o próprio contribuinte quem realizou a apuração destes créditos a partir dos lançamentos da contabilidade. O enquadramento legal consta do auto de infração e, como mencionado anteriormente, a glosa foi efetuada por falta de apresentação de documentação comprobatória do direito creditório em atendimento às intimações fiscais e na diligência efetuada em 13/08/2014. Tendo em vista que o contribuinte em sua impugnação não traz novos elementos capazes de demonstrar a origem do crédito alegado, nenhum reparo há que se fazer ao lançamento, motivo pelo qual rejeito a argumentação da defesa. 11) Sejam considerados legais os créditos de PIS e COFINS tomados sobre a despesa de locação paga à Pessoa Jurídica, conforme apresentado no item II.2 do mérito, cancelandose o crédito tributário apurado no auto de infração no valor de R$ 40.561,27 para o PIS e de R$ 186.827,64 para o COFINS e seus reflexos nas multas; Alega a impugnante que a relação comercial de locação decorre dos contratos de locação apresentados pela empresa à autoridade fiscal e que tais documentos, por si só, são aptos a comprovar a veracidade desta relação. Não obstante, alega ainda o contribuinte, os lançamentos contábeis nos livros razão e diário da empresa também comprovam a efetividade dos pagamentos, senão tais pagamentos não poderiam estar ali lançados. Sobre esse tema assim se expressa o Relatório Fiscal (fls. 16133): A prática da infração consiste na tomada de créditos sobre valores escriturados como aluguéis de imóveis cujos valores não tiveram seu pagamento comprovado e sobre direito de usos de marcas. Este último, além de não comprovar o seu efetivo desembolso financeiro, a legislação não contempla o direito de descontar crédito do PIS e da COFINS devidos sobre o faturamento. Fl. 19772DF CARF MF Processo nº 11020.721494/201451 Acórdão n.º 3201003.920 S3C2T1 Fl. 19.773 19 Desta forma, concluise que o contribuinte não logrou êxito em comprovar os pagamentos efetuados a título de aluguéis de imóveis, motivo pelo qual foi efetuada a glosa dos valores do contrato de locação pela autoridade fiscal. A alegada apresentação do contrato de locação, com os respectivos lançamentos nos livros contábeis, não é suficiente para atestar a efetividade da operação, se não acompanhada de documentos mínimos capazes de atestar a efetividade dos respectivos pagamentos, tais como recibos e/ou extratos bancários, o que efetivamente não ocorreu. Com efeito, em sua impugnação, o contribuinte não demonstra o efetivo desembolso financeiro referente ao referido contrato. Assim sendo, rejeito a argumentação da defesa. 12) Sejam considerados legais os créditos de PIS e COFINS tomados sobre as vendas canceladas, apurados através das notas fiscais de devolução de mercadorias, conforme apresentado no item II.3 do mérito, cancelando se o crédito tributário apurado no auto de infração no valor de R$ 136.319,85 para o PIS e de R$ 627.897,41 para o COFINS e seus reflexos nas multas; A impugnante alega que, devido ao grande volume de devoluções, e visando agilizar o processo interno de sua contabilidade, a empresa entendeu por bem concentrar as notas fiscais relativas à devolução de mercadorias, em grupos semanais ou quinzenais, e emitir uma nota fiscal própria, onde constasse o valor das mercadorias recebidas em devolução e os impostos incidentes sobre as operações canceladas, como ICMS e IPI. Como forma de manter registrada a informação de quais notas integravam a nota fiscal própria emitida, a empresa lançava SEMPRE a relação de notas fiscais no campo observação da sua nota fiscal. Tais informações foram prestadas à autoridade fiscal através da petição do contribuinte datada de 11/07/2014 (docs de folhas 95109615 do processo), conforme transcrição abaixo: Em relação às notas fiscais de devolução emitidas pela própria empresa, no período fiscalizado de 01/2009 a 12/2013 (notas fiscais de entradas), com aproveitamento de crédito de IPI, onde a mesma, conforme alegado pelo agente fiscal, não teria identificado o produto recebido em devolução e nem a NCM, a alíquota do IPI aplicada para cada produto, bem como o remetente da mercadoria devolvida, a fiscalizada informa que diante do volume de devoluções havidas no período fez constar nas respectivas notas fiscais de entrada a indicação das notas fiscais de saídas relativas à devolução ocorrida, o que supre a descrição das informações exigidas, porque as notas fiscais de saídas indicadas nas notas fiscais de entrada (CFOP devolução) apresentam o código da mercadoria, a NCM de cada produto, a quantidade, o valor unitário, o valor total, a alíquota do IPI aplicada, o valor do IPI Fl. 19773DF CARF MF Processo nº 11020.721494/201451 Acórdão n.º 3201003.920 S3C2T1 Fl. 19.774 20 destacado e dos dados da pessoa (física/jurídica) que procedeu a devolução da mercadoria. A empresa agrupou e emitiu nota fiscal de entrada relativa às devoluções ocorridas no período (e em períodos anteriores as quais não haviam ainda sido contabilizadas) daqueles clientes que efetivaram a devolução sem emitirem a respectiva nota fiscal de devolução e realizou os lançamentos nos respectivos livros contábeis. A defesa alega que a fiscalização entendeu que as devoluções constantes nas notas fiscais não foram demonstradas pela empresa, sem, contudo, analisar se as respectivas devoluções ESTAVAM COMPROVADAS nos livros de inventário de estoque que foram apresentados pela empresa. Argumenta, ainda, que é inverídica e descabida a alegação da autoridade fiscal de que não existiam as operações correspondentes às notas fiscais relativas às devoluções e que foram relacionadas no campo de informações complementares das notas fiscais próprias emitidas pela empresa. A defesa esclarece que a diferença entre o valor apresentado pela fiscalização nas notas fiscais nº 75167, nº 77543 e nº 83588 refletem um erro de digitação por parte da contabilidade da empresa, mas cumpre referir que este erro não se trata do valor, que certamente está correto, mas sim do número das notas fiscais listadas, que devem ser outras com números semelhantes, por isso, também, o fato destas notas fiscais possuírem data posterior à data de emissão da nota fiscal própria de devolução. Mas a empresa, NUNCA foi intimada pela autoridade fiscal para apresentar justificativas para este erro, não tendo, portanto, oportunidade de defesa no curso da fiscalização, o que por si só, comprova que a atuação da fiscalização foi tendenciosa e preconcebida. A impugnante também afirma que, com base nos documentos apresentados pela empresa no curso da fiscalização, acrescidos das informações disponíveis pela Escrituração Fiscal Digital, pelo convênio firmado com a SEFAZRS e pelas informações constantes no livro de inventário de estoque, a fiscalização tem acesso a todas as notas fiscais relacionadas nas notas fiscais de devolução e aos registros efetivos das devoluções em livros, servindo de prova contundente das efetivas devoluções das mercadorias. Para melhor entendimento da matéria, transcrevemos abaixo o trecho do Relatório Fiscal (fls. 16131/16133) referente às notas fiscais de devolução de mercadorias. Além da infração acima descrita, verificouse outra prática delituosa tendente a reduzir o montante do tributo devido. Tratase da emissão, pelo sujeito passivo, de notas fiscais de entradas relativas a devoluções de mercadorias sem a identificação da mercadoria, da NCM, da alíquota do IPI e do remetente da mercadoria. Isso já basta para tirar do contribuinte o direito ao crédito das contribuições Fl. 19774DF CARF MF Processo nº 11020.721494/201451 Acórdão n.º 3201003.920 S3C2T1 Fl. 19.775 21 já que não comprovou a origem dos valores consignados nas notas fiscais. Acrescentase a isso a não comprovação do efetivo retorno dessas mercadorias ao estabelecimento da fiscalizada mediante apresentação de documentação hábil e idônea, tais como: motivos da devolução das mercadorias, conhecimentos de transporte relativo à devolução da mercadoria, restituição do crédito pela devolução da mercadoria, etc. Tal prática, portanto, consistia em abater créditos indevidos de contribuições sociais emitindo notas fiscais de devoluções de mercadorias. Essas devoluções não existiram ou não foram comprovadas, pois embora intimado e reintimado a comprovar o efetivo ingresso dessas mercadorias no estabelecimento da fiscalizada, a mesma não as comprovou. Esse procedimento baseavase na emissão de notas fiscais de entradas de devoluções de mercadorias com destaque do PIS e da COFINS sem ter havido o efetivo retorno da mercadoria comercializada, o emitente da nota fiscal e aquele que as devolve é o mesmo ente: a empresa fiscalizada. Para justificar essas operações o contribuinte declarou que emitiu as notas fiscais sendo ele cliente e fornecedor, para regularizar uma situação não realizada na data do efetivo ingresso da mercadoria no seu estabelecimento. Porém, apenas declarou, não fez prova do alegado com apresentação de documentos da existência dessas operações de devoluções. Na sua resposta de 11/07/2014 cita que as mercadorias devolvidas são as mercadorias das notas fiscais relacionadas no campo “Observações Complementares” das notas fiscais de devoluções emitidas pela fiscalizada (notas fiscais de entradas). Porém, na análise das notas fiscais de entradas emitidas pela fiscalizada, contatouse que o número das notas fiscais de vendas anotadas no campo “Observações Complementares” das notas fiscais de entradas são insuficientes para confirmar/comprovar essas devoluções, pois as mesmas possuem valores diferentes das notas de devolução e constatouse ainda que algumas notas fiscais de vendas relacionadas nessas notas fiscais de entradas indicadas como mercadorias devolvidas, foram emitidas em datas posteriores às da emissão das notas fiscais de devolução. Ora, essa é uma hipótese improvável de ocorrer: a devolução da mercadoria antes da venda. Citase como exemplo a nota fiscal nº 71742, emitida em 30/11/2012 no valor total de R$ 199.532,74, o valor dor produtos de R$ 187.532,66 e o IPI de 12.105,08, consta no campo “informações complementares” dessa nota fiscal os números das notas fiscais de venda das mercadorias objeto da devolução nºs. 305959, 304304, 317788, 35415, Fl. 19775DF CARF MF Processo nº 11020.721494/201451 Acórdão n.º 3201003.920 S3C2T1 Fl. 19.776 22 83588, 36038, 305750, 324178, 309443, 40101, 25934, 26446, 31880, 328664, 38449, 308682, 319566, 3818, 319371, 305816, 315534, 40589, 321351, 319018, 308502, 33829, 34089, 314004, 75167, 30681, 313787, 329080, 26675, 322699, 31970, 321298, 300090, 77543, 30774, 40088, 312667, 344416, 309789, 318330, 327988. Constatase que a soma de todas essas notas, conforme informações prestadas por intermédio dos arquivos magnéticos das notas fiscais do contribuinte e do banco de dados do Sped, é de R$ 64.664,36, a dos produtos R$ 59.099,77 e do IPI de R$ 4.397,03, inferiores aos informados na nota fiscal de devolução emitida pela fiscalizada. Além disso, constatase que as notas fiscais nº 75167 (22/01/2013), 77543 (19/02/2013) e 83588 (25/04/2013) foram emitidas em data posterior a data da emissão da nota fiscal de devolução nº 71742 ocorrida em 05/12/2012 e muitos produtos dessas notas saíram sem o destaque do IPI. Não temos condições de inferir qual foi o produto devolvido, se foi devolvido. Ainda, se fosse o caso da não regularização na data da efetiva operação, como declara o contribuinte, o mesmo não comprovou esse fato, por exemplo, os motivos da devolução, o acerto financeiro com o cliente que procedeu a devolução da mercadoria, o conhecimento de transporte, e a escrituração desses fatos nos livros contábeis e no livro de controle de produção e de estoque. Portanto, nesse procedimento de emitir notas fiscais de devolução sem identificar a mercadoria devolvida e a classificação fiscal, além de não comprovar o efetivo ingresso no estabelecimento das mesmas e descontar crédito de contribuições sociais (PIS e COFINS) sobre essas notas fiscais, a empresa agiu deliberadamente com o objetivo de inserir créditos inexistentes do PIS e da COFINS, na sua escrituração fiscal e contábil e nas declarações encaminhadas a RFB (DACON’s e DCTF’s) com a finalidade de confundir, impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária dessas informações. E para acobertar o ilícito praticado pelo desconto de crédito falso do PIS e da COFINS, emitia notas fiscais de devoluções falsas. Em anexo às folhas nºs 16112 a 16118, apresentamos relação de notas fiscais de devolução utilizadas para abater crédito do PIS e da COFINS sem a comprovação da efetiva devolução dessas mercadorias. Como são apresentados diversos argumentos pela defesa sobre os créditos de PIS e COFINS tomados sobre as vendas canceladas, faremos a análise de mérito em quatro partes (I, II, III, IV). I) Primeiramente, o contribuinte afirma que a autoridade fiscal não analisou se as respectivas devoluções estavam comprovadas Fl. 19776DF CARF MF Processo nº 11020.721494/201451 Acórdão n.º 3201003.920 S3C2T1 Fl. 19.777 23 nos livros de inventário de estoque que foram apresentados pela empresa. Ao contrário do que afirma o contribuinte, o Auditor Fiscal consigna no seu relatório que o contribuinte não logrou comprovas as devoluções nos livros contábeis e no livro de controle e produção de estoque, conforme transcrição abaixo: (...) Ainda, se fosse o caso da não regularização na data da efetiva operação, como declara o contribuinte, o mesmo não comprovou esse fato, por exemplo, os motivos da devolução, o acerto financeiro com o cliente que procedeu a devolução da mercadoria, o conhecimento de transporte, e a escrituração desses fatos nos livros contábeis e no livro de controle de produção e de estoque. Ademais, entendo que a mera escrituração nos livros de inventário de estoque das supostas devoluções não é suficiente para comprovar o efetivo retorno das mercadorias ao estabelecimento da fiscalizada, conforme descrito no Relatório Fiscal, transcrito abaixo: (...) Acrescentase a isso a não comprovação do efetivo retorno das mercadorias ao estabelecimento da fiscalizada mediante apresentação de documentação hábil e idônea, tais como: motivos da devolução das mercadorias, conhecimentos de transporte relativo à devolução da mercadoria, restituição do crédito pela devolução da mercadoria, etc. II) Argumenta, ainda, que é inverídica e descabida a alegação da autoridade fiscal de que não existiam as operações correspondentes às notas fiscais relativas às devoluções e que foram relacionadas no campo de informações complementares das notas fiscais próprias emitidas pela empresa. Neste aspecto, entendo que a alegação do contribuinte é genérica e desacompanhada de provas, motivo pelo qual não é suficiente para descaracterizar o trabalho desenvolvido pela autoridade fiscal, conforme trecho do Relatório Fiscal transcrito abaixo. (...) Porém, na análise das notas fiscais de entradas emitidas pela fiscalizada, contatouse que o número das notas fiscais de vendas anotadas no campo “Observações Complementares” das notas fiscais de entradas são insuficientes para confirmar/comprovar essas devoluções, pois as mesmas possuem valores diferentes das notas de devolução e constatouse ainda que algumas notas fiscais de vendas relacionadas nessas notas fiscais de entradas indicadas como mercadorias devolvidas, foram emitidas em datas posteriores às da emissão das notas fiscais de devolução. Ora, essa é uma hipótese improvável de ocorrer: a devolução da mercadoria antes da venda. Fl. 19777DF CARF MF Processo nº 11020.721494/201451 Acórdão n.º 3201003.920 S3C2T1 Fl. 19.778 24 A impugnante não apresentou, em sua impugnação, nenhum elemento de convicção capaz de demonstrar minimamente a efetividade das alegadas devoluções de vendas, limitandose a apresentar documentos próprios (notas fiscais de entrada a título de devoluções de vendas) em que figura ao mesmo tempo como cliente e fornecedor, que sequer são capazes de vincular com segurança as respectivas notas fiscais de saída na medida em que os valores não convergem. Diante das constatações acima, afigurase razoável a conclusão, até prova em contrário, pela inexistência das devoluções. III) A defesa alega que “a diferença entre o valor apresentado pela fiscalização nas notas fiscais nº 75167, nº 77543 e nº 83588 refletem um erro de digitação por parte da contabilidade da empresa, mas cumpre referir que este erro não se trata do valor, que certamente está correto, mas sim do número das notas fiscais listadas, que devem ser outras com números semelhantes, por isso, também, o fato destas notas fiscais possuírem data posterior à data de emissão da nota fiscal própria de devolução. Mas a empresa, NUNCA foi intimada pela autoridade fiscal para apresentar justificativas para este erro, não tendo, portanto, oportunidade de defesa no curso da fiscalização, o que por si só, comprova que a atuação da fiscalização foi tendenciosa e preconcebida.” Conforme relatado em item pretérito deste Voto, é pacífico o entendimento na doutrina e na jurisprudência que o procedimento de fiscalização tem caráter inquisitório, nele não havendo que se falar em contraditório, sendo permitido, inclusive, à autoridade fiscal proceder ao lançamento sem prévia intimação do contribuinte. Portanto, o fato de o Auditor Fiscal não haver, no curso da fiscalização intimado o contribuinte para esclarecer a divergência em questão não contamina de nulidade o procedimento, não havendo, portanto, que se falar em cerceamento de defesa, plenamente exercida na presente impugnação, que nada traz de elementos novos que permitam atestar as alegadas devoluções. IV) A impugnante também afirma que, com base nos documentos apresentados pela empresa no curso da fiscalização, acrescidos das informações disponíveis pela Escrituração Fiscal Digital, pelo convênio firmado com a SEFAZRS e pelas informações constantes no livro de inventário de estoque, a fiscalização tem acesso a todas as notas fiscais relacionadas nas notas fiscais de devolução e aos registros efetivos das devoluções em livros, servindo de prova contundente das efetivas devoluções das mercadorias. Entendo que a escrituração contábil da empresa deve ser amparada por documentação comprobatória. Conforme especificado no Relatório Fiscal, transcrito abaixo, o Fl. 19778DF CARF MF Processo nº 11020.721494/201451 Acórdão n.º 3201003.920 S3C2T1 Fl. 19.779 25 contribuinte não logrou êxito em comprovar o efetivo ingresso dessas mercadorias no estabelecimento da fiscalizada. (...) Além da infração acima descrita, verificouse outra prática delituosa tendente a reduzir o montante do tributo devido. Tratase da emissão, pelo sujeito passivo, de notas fiscais de entradas relativas a devoluções de mercadorias sem a identificação da mercadoria, da NCM, da alíquota do IPI e do remetente da mercadoria. Isso já basta para tirar do contribuinte o direito ao crédito das contribuições já que não comprovou a origem dos valores consignados nas notas fiscais. Acrescentase a isso a não comprovação do efetivo retorno dessas mercadorias ao estabelecimento da fiscalizada mediante apresentação de documentação hábil e idônea, tais como: motivos da devolução das mercadorias, conhecimentos de transporte relativo à devolução da mercadoria, restituição do crédito pela devolução da mercadoria, etc. Tal prática, portanto, consistia em abater créditos indevidos de contribuições sociais emitindo notas fiscais de devoluções de mercadorias. Essas devoluções não existiram ou não foram comprovadas, pois embora intimado e reintimado a comprovar o efetivo ingresso dessas mercadorias no estabelecimento da fiscalizada, a mesma não as comprovou. Em se tratando de reconhecimento de direito creditório, cabe ao contribuinte o ônus da prova da origem do crédito pretendido. Neste sentido, cabe ao contribuinte comprovar que a operação de devolução de vendas efetivamente existiu e não ao Auditor Fiscal comprovar a sua inexistência. Por todo o exposto, rejeito a argumentação da defesa em relação aos créditos decorrentes de vendas canceladas. 13) Em não havendo o reconhecimento da máfé praticada pela empresa na tomada de créditos de PIS e COFINS, que seja excluída a multa de 150%, conforme item II.4 do mérito. A impugnante alega que a qualificação da multa para aplicação do percentual de 150%, depende, não só da intenção do agente, como também da prova fiscal da ocorrência da fraude ou do evidente intuito desta, caracterizada pela prática de ação ou omissão dolosa com esse fim. Na situação versada nos autos não restou cabalmente comprovado o dolo por parte do contribuinte para fins tributários, logo incabível a aplicação da multa qualificada. Afirma, ainda, que fraude é, conforme disposto no art. 72 da Lei nº 4.502/64, uma conduta ilícita e intencional através do qual o agente, de má fé, disfarça a ocorrência do fato gerador através de conduta simulada com o intuito de reduzir, suprimir ou postergar o montante devido em função do fato jurídico acobertado. Afirma, ainda, o contribuinte que conforme Fl. 19779DF CARF MF Processo nº 11020.721494/201451 Acórdão n.º 3201003.920 S3C2T1 Fl. 19.780 26 comprovado ao longo da presente impugnação, não houve dolo praticado pela impugnante, não podendo a autoridade fiscal considerar, a título de utilização de créditos fiscais, que a mesma tenha cometido fraude fiscal, até porque, a fraude pressupõe vontade livre e consciente. No entanto, longe fica a configurála, tal como disposto no referido auto de infração. Em seguida, transcreve ementas que espelham o entendimento pacificado e defende que a infração que a autoridade fiscal imputa à impugnante, em realidade, resulta do preenchimento de informação considerada inconsistente pela fiscalização, que seria detectada automaticamente pelos sistemas informatizados da SRF. Discordo do argumento da impugnante de que a infração seria detectada automaticamente pelos sistemas informatizados da SRF, pois não existe sistema informatizado na SRF capaz de constatar a ausência ou inconsistência dos documentos que embasariam a escrituração fiscal e o suposto direito creditório do contribuinte. Ademais, entendo que restou caracterizada no Relatório Fiscal situação que se enquadra no disposto no art. 72 da Lei nº 4.502/64: conduta ilícita e intencional através do qual o agente, de má fé, disfarça a ocorrência do fato gerador através de conduta simulada com o intuito de reduzir, suprimir ou postergar o montante devido em função do fato jurídico acobertado, a saber: Primeiramente, a existência de troca de correspondências da fiscalizada com a empresa de consultoria: Economia Consultoria Tributária Ltda. – CNPJ nº 05.240.669/000174, cujo sócio é o Sr. Luis Adriano Vargas Buchor. Pela análise desses documentos constatouse que as contribuições a recolher eram determinadas em parceria com essa consultoria e os honorários cobrados pela consultoria correspondiam a um percentual de (20,0%) sobre os tributos que a empresa deixava de recolher pela inserção de créditos indevidos (falsos) do IPI, do PIS e da COFINS, bem como do ICMS (doc. fls. 12324/12342). Ressaltese que tais documentos foram obtidos em mandado de busca e apreensão, com utilização neste processo mediante autorização judicial. Destaquese, ainda, que essa prática de reduzir o montante dos tributos devidos alcança também o período anterior ao fiscalizado. Neste caso, o sujeito passivo foi beneficiado pelos tributos não recolhidos em função da inserção de créditos falsos na sua escrituração fiscal e contábil e nas declarações encaminhadas à RFB por pertencer a período alcançado pelo instituto da decadência. Ressaltese que o sujeito passivo não logrou êxito em comprovar a efetiva existência das operações geradoras de crédito no período fiscalizado, especialmente quando se trata da não apresentação dos documentos físicos, Fl. 19780DF CARF MF Processo nº 11020.721494/201451 Acórdão n.º 3201003.920 S3C2T1 Fl. 19.781 27 cujo transporte necessitaria de “dois caminhões”, para confrontação dos valores lançados digitalmente. Da mesma forma, o contribuinte não conseguiu comprovar os supostos créditos de contribuições sociais decorrentes da emissão de notas fiscais de devoluções de mercadorias, com destaque para o procedimento de emitir notas fiscais de devolução falsas, sem identificar a mercadoria devolvida e a classificação fiscal, com a finalidade de confundir, impedir ou retardar o conhecimento dessas informações por parte da autoridade fazendária. Portanto, resta clara a intenção dolosa da empresa em se utilizar, de forma reiterada, de procedimentos para inserir informações falsas nas declarações encaminhadas à Receita Federal (DACON’s e DCTF’s) com o único propósito de evitar que a autoridade tributária tomasse conhecimento da totalidade das contribuições devidas, impedindo, retardando e dificultando a sua regular cobrança, motivo pelo qual entendo que é correta a aplicação da multa de 150%. 14) Haja o reconhecimento de que a empresa prestou todas as informações necessárias ao processo fiscalizatório, extirpandose, assim, a majoração da multa de 50%, conforme item II.5 do mérito; (omissis) [MATÉRIA NÃO OBJETO DE RECURSO DE VOLUNTÁRIO] 15) Seja reduzida a multa para o patamar de 20%, conforme item II.6 do mérito; A impugnante alega que a recente orientação jurisprudencial do STF firmou o entendimento de que a multa fiscal aplicada a contribuinte em percentual acima de 20% não se mostra razoável, configurando na espécie o caráter confiscatório da penalidade pecuniária, vedado expressamente no art. 150, IV da CF/88. Acrescenta, ainda, que a vedação do confisco em matéria tributária representa nada mais que um impedimento ao Estado de se apropriar do patrimônio ou do rendimentos dos contribuintes, fixando assim tributos em patamares suportáveis que não prejudiquem o exercício da atividade profissional e a satisfação das necessidades vitais dos mesmos. O contribuinte defende que não cabe sequer a incidência da multa de 75%, pois as contribuições de PIS e COFINS, e as informações que embasaram a glosa pela autoridade fiscal, foram declaradas pela empresa, ensejando, desta feita a incidência de multa moratória de 20%. Primeiramente, devemos considerar que a mais abalizada doutrina revela que toda atividade da Administração Pública se passa na esfera infralegal e que as normas jurídicas, quando emanadas do órgão legiferante competente, gozam de uma presunção de constitucionalidade, bastando sua mera existência para inferir a sua validade. Fl. 19781DF CARF MF Processo nº 11020.721494/201451 Acórdão n.º 3201003.920 S3C2T1 Fl. 19.782 28 Vale dizer que, inovado o sistema jurídico com uma norma emanada do órgão competente, ela passa a pertencer ao sistema, cabendo à autoridade administrativa tãosomente velar pelo seu fiel cumprimento até que seja expungida do mundo jurídico por uma outra superveniente ou por resolução do Senado da República publicada posteriormente à declaração de sua inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal. Como, no caso concreto, essas hipóteses não ocorreram, as normas inquinadas de inconstitucionais pela impugnante continuam válidas, não sendo lícito à autoridade administrativa absterse de cumprilas nem declarar sua inconstitucionalidade, sob pena de violar o princípio da legalidade, na primeira hipótese, e de invadir seara alheia, na segunda. No curso da fiscalização foram constatadas irregularidades na apuração do crédito das contribuições sociais do PIS e da COFINS, cuja multa está prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/96, o qual estipulou multas de ofício de 75%, pelo não recolhimento de tributo devido – ou pelo recolhimento em atraso e de 150%, no caso de o não recolhimento ter ocorrido com fraude, conforme descrito no Relatório Fiscal, transcrito abaixo: (...) por estarem presentes os pressupostos estabelecidos pela legislação que rege a matéria, cabe a aplicação da multa qualificada de 150%, e majorada em 50% por não atender as intimações, passando de 150% para 225%, ao comando do artigo 44, § 2º, inciso I, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 11.488/2007. Por outro lado, o fato de o contribuinte haver apresentado as declarações referentes às contribuições para o PIS e a COFINS espontaneamente não lhe assegura o direito de aplicação da multa meramente moratória, uma vez que com o início do procedimento fiscal, o contribuinte perdeu o direito à denúncia espontânea, sendo, portanto, cabível a multa de lançamento de ofício de 75%, qualificada no presente caso para 150% em face da caracterização do dolo. Diante do exposto, rejeito o pedido da impugnante. 16) Seja possibilitado o pagamento do débito com desconto de 50% sobre a multa ou o parcelamento com 40% de desconto sobre a multa, mesmo após a apresentação da presente impugnação, conforme item II.7 do mérito; A impugnante alega que o Auto de Infração ora impugnado prevê a concessão de redução de multa de 50% (cinqüenta por cento) se o pagamento for realizado até o vencimento da intimação ou de 40% (quarenta por cento), caso seja requerido parcelamento do débito no prazo legal para impugnação. O contribuinte entende que a vantagem financeira oferecida pela Receita Federal tem estreita relação com a total inexistência de contraditório e ampla defesa, direitos constitucionalmente Fl. 19782DF CARF MF Processo nº 11020.721494/201451 Acórdão n.º 3201003.920 S3C2T1 Fl. 19.783 29 previstos ao contribuinte, motivo pelo qual requer a concessão dos descontos de 50% (para pagamento à vista) ou de 40% (para parcelamento), mesmo após a apresentação da presente impugnação. Abaixo transcrevemos parcialmente o Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011, que disciplina a matéria. DA COBRANÇA ADMINISTRATIVA DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO Seção I Do Pagamento Da Redução da Multa de Lançamento de Ofício Art. 52. Será concedida redução de cinquenta por cento do valor da multa de lançamento de ofício ao sujeito passivo que, notificado, efetuar o pagamento ou a compensação do crédito tributário no prazo previsto para apresentar impugnação (Lei no 8.218, de 1991, art. 6o, com a redação dada pela Lei no 11.941, de 2009, art. 28; Lei no 9.430, de 1996, art. 44, § 3o). § 1o Apresentada impugnação tempestivamente, a redução será de trinta por cento se o pagamento ou a compensação forem efetuados no prazo de trinta dias, contados da data da ciência da decisão de primeira instância (Lei no8.218, de 1991, art. 6o, inciso III, com a redação dada pela Lei no 11.941, de 2009, art. 28; Lei no 9.430, de 1996, art. 44, § 3o). § 2o No caso de provimento a recurso de ofício interposto pela autoridade julgadora de primeira instância, será aplicada a redução de trinta por cento se o pagamento ou a compensação for efetuado no prazo de trinta dias contados da ciência da decisão (Lei no 8.218, de 1991, art. 6o, § 1o, com a redação dada pela Lei no 11.941, de 2009, art. 28). Seção II Do Parcelamento Da Redução da Multa de Lançamento de Ofício Art. 53. Será concedida redução de quarenta por cento do valor da multa de lançamento de ofício, ao sujeito passivo que, notificado, requerer o parcelamento do crédito tributário no prazo previsto para apresentar impugnação (Lei no8.218, de 1991, art. 6o, inciso II, com a redação dada pela Lei no 11.941, de 2009, art. 28; Lei no 9.430, de 1996, art. 44, § 3o). § 1o Apresentada impugnação tempestivamente, a redução será de vinte por cento se o parcelamento for requerido no prazo de trinta dias, contados da data da ciência da decisão de primeira instância (Lei no 8.218, de 1991, art. Fl. 19783DF CARF MF Processo nº 11020.721494/201451 Acórdão n.º 3201003.920 S3C2T1 Fl. 19.784 30 6o, inciso IV, com a redação dada pela Lei no 11.941, de 2009, art. 28; Lei no 9.430, de 1996, art. 44, § 3o). § 2o No caso de provimento a recurso de ofício interposto pela autoridade julgadora de primeira instância, será aplicada a redução de vinte por cento se o parcelamento for requerido no prazo de trinta dias contados da ciência da decisão (Lei no 8.218, de 1991, art. 6o, § 1o, com a redação dada pela Lei no 11.941, de 2009, art. 28). § 3o A rescisão do parcelamento, motivada pelo descumprimento das normas que o regulam, implicará restabelecimento do montante da multa proporcionalmente ao valor da receita não satisfeita e que exceder o valor obtido com a garantia apresentada (Lei no 8.218, de 1991, art. 6o, § 2o, com a redação dada pela Lei no 11.941, de 2009, art. 28). Como se verifica na legislação acima, as reduções de multa pretendidas pelo contribuinte só se admitem nas hipóteses de pagamento ou pedido de parcelamento do débito dentro do prazo de impugnação. No presente caso, ao exercer o direito de impugnação, o contribuinte renunciou às pretendidas reduções de multa. Ressalvese que, caso decida pelo pagamento ou parcelamento do presente lançamento no prazo para apresentação de Recurso Voluntário, as multas poderão ser reduzidas de 30% ou 20%, respectivamente, conforme expresso nos dispositivos acima transcritos. MÉRITO de defesa dos SÓCIOS: 17) Seja julgada procedente a presente impugnação para afastar a responsabilidade solidária dos sócios ora impugnantes LUÍS CARLOS POSTAL e JOSÉ PASQUALINI, excluindoos do pólo de sujeito passivo do crédito tributário exigido, bem como excluindo a imputação da multa qualificada e sua majoração no percentual total de 225% aos sócios ora impugnantes (fls. 16157/16172). Os impugnantes alegam que, pelo comando do art. 135, inciso III, do CTN, para que os administradores sejam responsabilizados solidariamente pelo presente crédito tributário, a Autoridade Fiscal deveria comprovar que os sócios ou representantes da sociedade agiram com dolo, em verdadeiro excesso de poder ou infração de lei, contrato social ou estatutos. A defesa acrescenta que, interpretando a expressão “infração de lei, contrato social ou estatutos”, expressa no mencionado artigo 135 do CTN, é pacífico que não é sempre que a pessoa física pode ser responsabilizada por débitos contraídos pela pessoa jurídica. Tornase necessária a prova de que o administrador da pessoa jurídica tenha se beneficiado pessoalmente com a inadimplência ou tenha dissolvido irregularmente a sociedade, Fl. 19784DF CARF MF Processo nº 11020.721494/201451 Acórdão n.º 3201003.920 S3C2T1 Fl. 19.785 31 para haver eventual caracterização de sua responsabilidade tributária. A defesa afirma, ainda, que não restou comprovado que a obrigação tributária é resultante de atos praticados pelos sócios com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, motivo pelo qual merece ser julgada procedente a presente impugnação para afastar a responsabilidade solidária dos sócios ora impugnantes, excluindoos do pólo de sujeito passivo do crédito tributário. Em seguida, os impugnantes alegam que não há nos autos comprovação do dolo praticado pela empresa autuada, muito menos pelos sócios administradores, ora impugnantes. Não pode a Autoridade Fiscal considerar, a título de utilização de créditos fiscais de que a empresa, e sequer seus sócios, tenham cometido fraude fiscal, até porque, a fraude pressupõe vontade livre e consciente. No entanto, longe fica a configurála, tal como disposto no referido Auto de Infração, pois conforme disposto no art. 72 da Lei nº 4.502/64, Fraude é uma conduta ilícita e intencional através da qual o agente, de má fé, disfarça a ocorrência do fato gerador através de uma conduta simulada com o intuito de reduzir, suprimir ou postergar o montante devido em função do fato jurídico acobertado. A defesa afirma que, no caso concreto, a infração que a Autoridade Fiscal imputa aos impugnantes, em realidade, resulta do preenchimento de informação considerada inconsistente pela fiscalização, que seria detectada automaticamente pelos sistemas informatizados da SRF. Ao final, a defesa alega que, não tendo a Autoridade Fiscal demonstrado nos autos que a autuação dos sócios administradores estava revestida de dolo, utilizandose de recursos que caracterizassem evidente intuito de fraude, não cabe a aplicação da multa qualificada aos sócios administradores ora impugnantes. Transcrevemos abaixo trecho do Relatório Fiscal sobre a Responsabilidade Tributária, fls. 16136: De acordo com os sistemas informatizados da RFB, e alterações contratuais apresentadas, LUIS CARLOS POSTAL, (CPF 498.608.87004), e JOSÉ PASQUALINI, (CPF 328.331.05053), eram os administradores da pessoa jurídica no período fiscalizado, sendo, portanto, diretamente responsáveis para que a legislação tributária fosse infringida quando da reiterada prática dolosa de apurar e informar nos DACON’s (doc. fls. 9625/11185) e nas DCTF’s (doc. fls. 11186/11989) da empresa tributo inferior ao efetivamente devido por meio da utilização de artifícios ardilosos, com o evidente intuito de fraude e sonegação. Fl. 19785DF CARF MF Processo nº 11020.721494/201451 Acórdão n.º 3201003.920 S3C2T1 Fl. 19.786 32 Além de emitir notas fiscais com informações falsas e utilização das mesmas para abater créditos de contribuições devidas sobre o faturamento e lançálas na sua escrituração fiscal e contábil. (...) Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: (...) III – os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Assim sendo, lavramos Termo de Sujeição Passiva Solidária para os administradores pelos débitos apurados objeto deste lançamento de ofício com aplicação da multa qualificada e majorada de 225%, com base no art. 135, III do CTN. Conforme texto acima transcrito, a autoridade fiscal é expressa em afirmar que os Srs. LUIS CARLOS POSTAL e JOSÉ PASQUALINI eram sócios gerentes da empresa autuada na época dos fatos geradores e que esta praticou atos dolosos com infração da lei, subsumindose esse fato à previsão de responsabilidade solidária de que trata o Art. 135, inciso III, do CTN. Logo, não há que se falar em ausência de motivação da responsabilização solidária. Por outro lado, em sua impugnação, a defesa não contesta o fato de que os Srs. LUIS CARLOS POSTAL e JOSÉ PASQUALINI eram os sócios gerentes da empresa na época dos fatos. Portanto, considerando que houve a infração tributária dolosa, conforme a análise já efetuada no item 13 do presente Voto, cabível foi a responsabilização solidária dos sócios. Discordo do argumento da impugnante de que a infração seria detectada automaticamente pelos sistemas informatizados da SRF, pois não existe sistema informatizado na SRF capaz de constatar a ausência ou inconsistência dos documentos que embasariam a escrituração fiscal e o suposto direito creditório do contribuinte. (omissis) [MATÉRIA NÃO OBJETO DE RECURSO DE VOLUNTÁRIO] Diante do exposto, cabe a responsabilização tributária dos sócios com aplicação da multa qualificada de 150%. (omissis) [MATÉRIA NÃO OBJETO DE RECURSO DE VOLUNTÁRIO] 18) Ao final, a defesa REQUER, caso a autoridade fazendária entenda necessário, a juntada dos documentos originais, cujas cópias seguem em anexo, ou outros Fl. 19786DF CARF MF Processo nº 11020.721494/201451 Acórdão n.º 3201003.920 S3C2T1 Fl. 19.787 33 documentos não juntados, devendo o contribuinte ser intimado para tanto; e PROTESTA desde já pela produção de todo o gênero de provas em direito admitidas. No tocante ao protesto da impugnante por todos os meios de prova, cabe dizer que a Lei nº 9.784/99 regula as normas básicas do processo administrativo no âmbito da Administração Federal. Por sua vez, o processo administrativo fiscal federal é regido pelas regras específicas constantes do Decreto 70.235/72, cujos art.15 e 16, a seguir reproduzidos, regulam a impugnação ao lançamento: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (...) § 4.º. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. (Acrescido pelo art. 67 da Lei n.º 9.532/1997) § 5.º. A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Acrescido pelo art. 67 da Lei n.º 9.532/1997) Fl. 19787DF CARF MF Processo nº 11020.721494/201451 Acórdão n.º 3201003.920 S3C2T1 Fl. 19.788 34 § 6.º. Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Acrescido pelo art. 67 da Lei n.º 9.532/1997) Portanto, a apresentação superveniente de provas é admitida nas hipóteses previstas no § 4º, acima reproduzido, mediante requerimento elaborado na forma prevista no §5º. No caso presente, a empresa não demonstrou a ocorrência de nenhuma das situações elencadas no citado dispositivo, limitandose a afirmar de forma genérica seu protesto pela produção de provas, de modo que a impugnante não cumpriu as disposições legais para que sejam apreciadas eventuais provas e documentos ainda não apresentados. CONCLUSÃO Finalizando, por todo o exposto, voto no seguinte sentido: 1) não acolher as preliminares de nulidade suscitadas pela empresa e pelos sócios; 2) No mérito: a. MANTER PARCIALMENTE os lançamentos decorrentes, relativos à Contribuição para o Programa de Integração Social –PIS/PASEP e à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, nos termos constituídos nos autos de infração, (omissis) [MATÉRIA NÃO OBJETO DE RECURSO DE VOLUNTÁRIO] b. RATIFICAR o Termo de Sujeição Passiva Solidária para os administradores LUÍS CARLOS POSTAL e JOSÉ PASQUALINI, nos termos do art. 135, inciso III, do CTN. É o voto. Pelo exposto, voto por ACOLHER os Embargos de Declaração SEM EFEITOS INFRINGENTES apenas para excluir, do voto e da ementa proferidos em sede de julgamento dos Recursos de Ofício e Voluntário, as menções à exclusão da multa majorada em 50%, efetuada pela DRJ, e que não foi objeto de recurso voluntário. Nesse ponto, esclareço que qualquer menção à referida exclusão constante da transcrição do voto proferido pela DRJ efetuada com fundamento no § 3º do art 57 do RICARF é mantida apenas para fins de coerência textual, sem que tenha qualquer impacto no resultado final do julgamento. É como voto. Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário Fl. 19788DF CARF MF Processo nº 11020.721494/201451 Acórdão n.º 3201003.920 S3C2T1 Fl. 19.789 35 Fl. 19789DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13851.000080/2006-28
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2001
CONHECIMENTO. CONVERGÊNCIA. LOCAÇÃO DE MÃO-DE-OBRA. LEI 9.317/1996, ART. 9º, XII. GERÊNCIA.
Não é conhecido recurso especial quando acórdão recorrido e paradigma convergem na interpretação do artigo 9º, XII, f, da Lei nº 9.317/1996.
Numero da decisão: 9101-003.682
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
Julgado dia 05/07/2018, no período da tarde.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Cristiane Silva Costa- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio Franco Corrêa, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Luis Flávio Neto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto (suplente convocado), Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro André Mendes Moura, substituído pelo conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: CRISTIANE SILVA COSTA
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CONVERGÊNCIA. LOCAÇÃO DE MÃODEOBRA. LEI 9.317/1996, ART. 9º, XII. GERÊNCIA. Não é conhecido recurso especial quando acórdão recorrido e paradigma convergem na interpretação do artigo 9º, XII, f, da Lei nº 9.317/1996. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. Julgado dia 05/07/2018, no período da tarde. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 1. 00 00 80 /2 00 6- 28 Fl. 250DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio Franco Corrêa, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Luis Flávio Neto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto (suplente convocado), Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro André Mendes Moura, substituído pelo conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Relatório Tratase de processo originado por representação do INSS (fls. 5), para análise quanto à exercício de atividade vedada no Simples Federal: locação de mãodeobra. Nesta representação consta que: “Contribuinte dedicase ao ramo da prestação de serviços gerais na lavoura, com cessão de mão de obra, o que constitui óbice à opção pelo Simples”. Esta representação justificava como elementos comprobatórios: Cópia do Contrato de Constituição da sociedade, Comprovante de inscrição e de Situação Cadastral, Consulta situação optante pelo Simples e cópia da notas fiscais n° 026 de 24/04/2003 e nota fiscal n° 028 de 02/06/2003, serviço de plantio de cana prestado à Empresa Agropecuária Boa Vista S/A e Nota Fiscal n° 029 à Empresa Citro Maringá Agricula e Com. Ltda. Sobre todas as notas houve a retenção dos 11% para o INSS pela prestação de serviço com cessão de mão de obra. Esses valores retidos são objeto do Pedido de Restituição protocolado sob n° 35373.001056/200389 em 25/07/03. Diante disso, e sem que tenha o contribuinte prestado informações solicitadas, foi emitido o Ato Declaratório Executivo da DRF / AQA n. 19, de 30/06/2008, excluindoo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES) por (fls. 29): Nome: ELISMARI TRANSPORTES E SERVIÇOS LTDA ME CNPJ: 04.385.285/000187 Data da opção pelo Simples: 11/04/2001 Situação excludente: Conforme apurado no processo administrativo 13851.000080/200628, a empresa presta serviços de locação/empreitada de mão de obra. Data da ocorrência: 11/04/2001 Fundamentação Legal: lei 9317, de 5 de dezembro de 1996, artigo 9°, inciso XII, alínea f. Art. 2° A exclusão do simples surtirá os efeitos previstos no artigo 24, § 1, inciso II da Instrução Normativa SRF 608, de 9 de janeiro de 2006, que regulamenta a lei 9317, de 5 de dezembro de 1996. Fl. 251DF CARF MF Processo nº 13851.000080/200628 Acórdão n.º 9101003.682 CSRFT1 Fl. 251 3 O contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade contra a exclusão do Simples (fls. 31), que foi indeferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora, conforme acórdão ementado da forma seguinte (fls. 139): ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2002 EXCLUSÃO DO SIMPLES. ATIVIDADE VEDADA. Constatado que a empresa realiza serviços impeditivos, cabe exclusão do Sistema Simples, por determinação legal. EFEITOS DA EXCLUSÃO. SITUAÇÃO EXCLUDENTE. Em razão do exercício de atividade excludente ocorrido até 31/12/2001 e da exclusão ter sido efetuada a partir de 2002, a exclusão do simples surte efeitos a partir de 01/01/2002. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 DEVIDO PROCESSO LEGAL E MOTIVAÇÃO. OBSERVÂNCIA. Ato administrativo indicando os pressupostos de fato e de direito não viola o princípio do devido processo legal e da motivação, não havendo que se falar em nulidade do ato. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Improcede a alegação de cerceamento do direito de defesa quando o ato administrativo que excluiu a empresa do Simples traz a fundamentação legal e descreve o fato excludente, permitindo o exercício da ampla defesa e do contraditório. Solicitação Indeferida O contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 157), ao qual foi dado provimento (fls 193), conforme acórdão cuja ementa é a seguir colacionada: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE — SIMPLES. Anocalendário: 2002. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. DEVIDO PROCESSO LEGAL E MOTIVAÇÃO. OBSERVÂNCIA. 0 Ato administrativo indicando os pressupostos de fato e de direito não viola o princípio do devido processo legal e da motivação, não havendo que se falar em nulidade do ato. Fl. 252DF CARF MF 4 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. Não procede a alegação de cerceamento do direito de defesa quando o ato administrativo que excluiu a empresa do Simples traz a fundamentação legal e descreve o fato excludente, permitindo o exercício da ampla defesa e do contraditório. SIMPLES. EXCLUSÃO. ATIVIDADE ECONÔMICA VEDADA. LOCAÇÃO DE MAODEOBRA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Não comprovado nos autos que a atividade desenvolvida se relaciona à locação de mãodeobra afastase a exclusão do SIMPLES. Os autos foram remetidos à Procuradoria em 31/03/2011 (fls. 201), que interpôs recurso especial em 04/04;2011, sustentando divergência jurisprudencial com o entendimento manifestado pelos seguintes acórdãos paradigmas: (i) nº 30236508, no qual consta que " Não pode optar pelo Simples a pessoa jurídica que presta serviços de locação de mãodeobra (art. 9º, inciso XII, alínea "f", da Lei nº 9.317/96). ". (ii) 30331083, do qual se extrai: “Em caso de empreitada exclusivamente de mãodeobra fica caracterizada situação excludente a que se refere o artigo 9°, inciso XII, alínea "f", da Lei n° 9.317/96.” O recurso especial foi admitido pelo então Presidente da 2ª Câmara da 1ª Seção (Rafael Vidal de Araújo) relativamente ao primeiro paradigma (30236508), conforme trechos a seguir reproduzidos (fls. 115): Em relação ao Acórdão no 30236.508, foi reproduzido trecho do voto condutor em que são relacionados os pontos considerados relevantes para a tomada de decisão: (...) A PFN alega que todas essas características estão presentes no caso do recorrido, mas que nele entendeuse que seria fundamental haver a subordinação dos empregados da contribuinte à contratante para caracterizar atividade impeditiva à adesão ao Simples. Verificouse que no caso da recorrente o elemento subordinação dos empregados à contratante foi de fato fundamental para a tomada de decisão de manter a contribuinte no Simples, conforme demonstra trecho extraído de seu voto condutor(...) No caso do paradigma, o elemento subordinação dos empregados à contratante não foi incluído na relação das características que evidenciariam a locação de mãodeobra. Assim sendo, concluise que a divergência de entendimentos foi demonstrada para esse ponto. Para o segundo paradigma, a PFN argumenta que a similitude fática devese ao objeto social da empresa, de prestação de serviços de transporte de lenha e prestação de serviços rurais eventuais, sendo tal fato primordial para a caracterização da atividade da empresa como vedada à adoção do regime Fl. 253DF CARF MF Processo nº 13851.000080/200628 Acórdão n.º 9101003.682 CSRFT1 Fl. 252 5 simplificado e que a questão de fundo discutida no paradigma seria a mesma. (...) Essa descrição, contudo, é insuficiente para caracterizar a similitude entre situações do recorrido e paradigma, uma vez que é insuficiente para caracterizar a forma da prestação de serviços do paradigma. Tendo em vista que a PGF se limitou a indicar esse ponto para demonstrar a divergência de entendimentos, concluise que descumpriu requisito essencial para a demonstração de divergência (art. 67, §6o, do Anexo II do RICARF). (...) Atendidos os pressupostos de tempestividade e legitimidade, e tendo sido comprovada a divergência jurisprudencial por meio de um acórdãos indicados para servir de paradigma, DOU SEGUIMENTO ao recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional. O contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso em 11/08/2014 (fls. 222), no qual alega: (i) Necessidade de não conhecimento do recurso, por falta de demonstração analítica da divergência; (ii) No mérito, sustenta que não é locadora de mãodeobra, a despeito de constar a informação em seu contrato social de que se dedicaria a “prestação de serviços” ; (iii) Sustenta que os seus empregados estão a ela subordinados; (iv) Alega que juntou aos autos contratos que comprovariam prestação de serviços agrícolas. (v) Pede, ainda, sejam afastados efeitos retroativos da exclusão do Simples, na forma prevista pelo artigo 15, II, da Lei n. 9.317/96, com redação conferida pela Lei n. 9.732/98. (vi) Alega, por fim, que o artigo 24, II, da IN 250 contraria disposição legal, não devendo ser aplicada. É o relatório. Voto Conselheira Cristiane Silva Costa, Relatora Conhecimento: Demonstração Analítica da Divergência Fl. 254DF CARF MF 6 O contribuinte pede não seja conhecido o recurso especial diante da ausência da demonstração analítica da divergência. A Procuradoria apresentou recurso especial, indicando dois acórdãos paradigmas: 30236508 e 30331083. O Presidente de Câmara admitiu a divergência apenas quanto ao primeiro destes acórdãos (30236508), e, assim, será reapreciada a demonstração da divergência apenas com relação a este paradigma. Consta do relatório do acórdão paradigma a descrição da situação fática então julgada (30236508): A interessada, após operação de fiscalização promovida pelo INSS (fls. 01 a 13), foi excluída do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — Simples, sob a alegação de que a atividade por ela desenvolvida — locação de mão de obra — obstaria a opção. O mérito foi analisado pela Turma Julgadora do acórdão paradigma (30236508) da forma seguinte: 4. A locação de mãodeobra pode também ser definida como o contrato pelo qual o locador se obriga a fazer alguma coisa para uso ou proveito do locatário, não importando a natureza do trabalho ou do serviço. Os trabalhos são realizados sem a obrigação de executar a obra completa, ou seja, sem a produção de um resultado determinado. Na locação de mãodeobra, também definida como contrato de prestação de serviços, a locadora assume a obrigação de contratar empregados, trabalhadores avulsos ou autónomos sob sua exclusiva responsabilidade do ponto de vista jurídico. A locadora é responsável pelo vínculo empregatício e pela prestação de serviços, sendo que os empregados ou contratados ficam à disposição da tomadora dos serviços (locatária), que detém o comando das tarefas, fiscalizando a execução e o andamento dos serviços.' (Negritos não originais) Na espécie, a cláusula 03 do Instrumento de Contrato Social (fi. 7) da contribuinte estabelece que 'o objetivo da sociedade será o comércio de plantas e flores, bem como a prestação de serviços de jardinagem'. O Termo Aditivo (fls. 10/11) do contrato celebrado entre a defendente (contratada) e a Fundação Percival FARQUHAR (contratante) exemplifica como esses serviços são prestados. Para elucidar a questão, vale destacar os seguintes trechos (grifos não originais): a) 'O objeto do presente contrato é a prestação de serviços, sem vínculo empregatício, por tempo indeterminado, na área de manutenção de jardins e podas de árvores existentes no gramado e serviços equivalentes em geral, localizado no Campus II da UNIVALE, ...'; Fl. 255DF CARF MF Processo nº 13851.000080/200628 Acórdão n.º 9101003.682 CSRFT1 Fl. 253 7 b) 'A Contratada se compromete a prestar o serviço colocando à disposição da contratante a quantidade de pessoal solicitado, ...'; c) 'Para prestação dos serviços, objeto deste contrato, é de responsabilidade da Contratante, na pessoa de seu titular ou seu representante legal, o acompanhamento de toda execução das atividades'; d) 'É de inteira responsabilidade da Contratada a mão de obra para execução dos serviços, ou seja, registro do Ministério do Trabalho, pagamento de salários, recolhimento de Encargos Trabalhistas, ...'; e) 'Responder por reclamatórias trabalhistas em qualquer juízo...' (responsabilidade da contratada). As características extraídas do contrato, retro transcritas, evidenciam a locação de mãodeobra, nos termos já explicitados. Houve, portanto, a subsunção do fato à hipótese descrita no art. 9º, XII, "f', da Lei n° 9.317/96." (grifamos) Efetivamente, o acórdão paradigma trata da interpretação do artigo 9º, XII, f, da Lei nº 9.317/1996 entendendo caracterizada a locação de mãodeobra e, assim, concluindo pela exclusão do contribuinte do Simples Federal. No caso julgado pelo acórdão paradigma, a responsabilidade pelo acompanhamento da obra era do contratante (tomador de serviços), como consta do item c, acima colacionado. Este é o elemento definidor da existência de contrato de locação de mãodeobra, nos exatos termos do paradigma quando “a tomadora dos serviços (locatária) ... detém o comando das tarefas, fiscalizando a execução e o andamento dos serviços Por outro lado, o voto condutor do acórdão recorrido deu provimento ao recurso voluntário, por entender que a responsabilidade pelos serviços era do contribuinte (prestador de serviços), que ainda se responsabilizava por diversos equipamentos agrícolas disponibilizados ao tomador: Anotese que consta no Contrato Social da empresa recorrente, encartado As folhas 47 a 49, seguindose das competentes alterações, que a contribuinte tinha como objeto social (vide Cláusula Primeira) a exploração do ramo de atividade de transporte rodoviário municipal, intermunicipal e interestadual de cargas e passageiros e prestação de serviços gerais na lavoura. (...) Ao analisar os contratos firmados pela recorrente (fl. 90 em diante), com a empresa CITRO MARINGA AGRÍCOLA E COMERCIAL LTDA. (CNPJ n° 50.936.889/000191), por exemplo, depreendese da cláusula primeira que o objeto da contratação consistia na prestação de serviços de carregamento de canadeaçúcar em caminhões, reboques, abastecimento de máquinas, bem como toda a manutenção das máquinas, serviços de munck, engatadores de julietas, transporte dos funcionários do campo, amarrar carga, picar, engatar e a administração dos serviços nas lavouras Fl. 256DF CARF MF 8 de propriedade da contratante ou por ela cultivadas em forma de arrendamentos ou parcerias, e seriam realizados no período de safra canavieira 2002/2003, ficando exclusivamente à cargo da recorrente, então contratada, os serviços acima descritos. (...) Seguindose na leitura do indigitado contrato, tomado para fins exemplificativos já que os demais refletem situação semelhante, temse na Cláusula Terceira dispositivo que responsabilizava a recorrente pela condução dos trabalhos e gerência da mãodeobra utilizada. Já a Cláusula Nona encerra de vez a celeuma acerca do objeto dos contratos, que transcenderam, reafirmo, a mera locação de mãode obra já que a recorrente se comprometia a manter nas lavouras em que estivesse prestando os serviços, uma Carregadeira de cana Santal acoplada, um trator (...), entre tantos outros. Frisese por último que é característica da locação de mão deobra que as pessoas colocadas à disposição da contratante para os serviços que lhe forem contratados estejam à disposição da contratante. Já no caso de cessão de mãodeobra, a empresa prestadora de serviços 'cede' sua mãodeobra para a empresa contratante, ou seja, o objeto do contrato entre as partes é o fornecimento da mão deobra, tendo em vista, como já explicitado, que não se vê no caso o exercício de tais atividades, de rigor afastar a exclusão do SIMPLES (grifamos) A Procuradoria trata da divergência com relação a este paradigma, da forma seguinte: Observase quanto ao paradigma, acórdão n° 30236508 que, naquele feito, tratavase de prestação de serviços, pela recorrente a contratante, sem que ficasse caracterizado o vínculo empregatício entre essa última e os empregados daquela, muito embora restasse estipulado no contrato que esses empregados ficariam à disposição do contratante e que seria a recorrente a arcar com as obrigações trabalhistas daí decorrentes. Cotejandose as cláusulas contratuais tais quais examinadas naquele paradigma e as cláusulas pactuadas pela empresa em epígrafe com as empresas contratantes, verificase inegável similitude fática entre os acórdãos confrontados, muito embora a então Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes tenha esposado entendimento diverso da Câmara a quo. De fato, aquele órgão julgador entendeu, diante de todas as particularidades acima descritas, estar caracterizada a hipótese prevista no art. 9°, inciso XII, aliena "f', da Lei n° 9.317/96, ao passo que a Câmara a quo entendeu ainda faltar um outro requisito fundamental: a subordinação dos empregados da contribuinte à contratante. Frisese: tal requisito não foi considerado indispensável pela decisão paradigma para constatar que se tratava de atividade vedada à opção pelo SIMPLES. Fl. 257DF CARF MF Processo nº 13851.000080/200628 Acórdão n.º 9101003.682 CSRFT1 Fl. 254 9 Ocorre que o acórdão paradigma e acórdão recorrido revelam entendimento convergente, ambos tratando da colocação de mãodeobra à disposição de terceiros, mas concluindo que: (i) quando comprovado que a gerência dos serviços prestados pelo contribuinte caiba ao próprio contribuinte, não caracterizase a locação de mãodeobra (acórdão recorrido); e (ii) quando demonstrado que a responsabilidade pelo acompanhamento e fiscalização dos serviços prestados caiba ao tomador, há locação de mãodeobra (acórdão paradigma). Assim, não está demonstrada a divergência na interpretação do artigo 9º, XII, f, da Lei nº 9.317/1996, razão pela qual não conheço do recurso especial. Conclusão Por tais razões, voto por não conhecer o recurso especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Fl. 258DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.912299/2012-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007
RESTITUIÇÃO. REQUISITO.
O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN).
Numero da decisão: 3201-003.827
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 RESTITUIÇÃO. REQUISITO. O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN). Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório METROBENS AUTOMÓVEIS LTDA. apresentou pedido eletrônico de restituição de crédito da contribuição (Cofins/PIS), pedido esse que restou indeferido pela repartição de origem em razão do fato de que o pagamento informado pelo pleiteante já havia sido utilizado para quitação de outros débitos de sua titularidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 22 99 /2 01 2- 56 Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10980.912299/201256 Acórdão n.º 3201003.827 S3C2T1 Fl. 3 2 Cientificado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu a reavaliação do despacho decisório, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) o direito creditório pleiteado se refere a pagamento a maior da contribuição (PIS/Cofins) decorrente da inclusão indevida do ICMS em sua base de cálculo; b) a contribuição (PIS/Cofins) incide sobre o faturamento mensal que corresponde à receita bruta da venda de mercadorias e/ou serviços; c) a Lei nº 9.718/1998 extrapolou a previsão constitucional, instituindo as contribuições sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente do tipo de atividade exercida e/ou da classificação contábil adotada, enquanto que o art. 195, I, "b", da Constituição Federal previa a instituição de contribuições sociais somente sobre o faturamento, o que não abrange o valor pago a título de ICMS, visto que tal valor constitui ônus fiscal e não faturamento. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por meio do acórdão nº 02 065.672, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, diante da não comprovação do crédito pleiteado. Irresignado, o contribuinte interpôs, no prazo legal, Recurso Voluntário, repisando os mesmos argumentos de defesa, destacando a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição (PIS/Cofins), conforme decisão do Plenário do Supremo Tribunal Federal proferida no dia 8 de outubro de 2014, nos autos do Recurso Extraordinário (RE) nº 240.7852/MG, que também reconheceu a repercussão geral da matéria no julgamento do RE nº 574.706. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.778, de 20/06/2018, proferido no julgamento do processo 10980.912250/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.778): O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente apresentou PER/DCOMP por meio do qual requereu a restituição da Cofins apurada em novembro de 2006. Indeferido o pleito ao argumento de que o crédito vindicado estava integralmente utilizado para quitação de débitos do próprio contribuinte, Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10980.912299/201256 Acórdão n.º 3201003.827 S3C2T1 Fl. 4 3 a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, por meio da qual alegou, com fundamento em decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal STF, que o direito à restituição decorre do fato do pagamento a maior do PIS/Cofins, em face da inclusão, nas suas respectivas bases de cálculos, do ICMS estadual, argumento repetido no recurso voluntário, ora apreciado. A Recorrente, contudo, não se atentou para o fato – devidamente explicitado no acórdão recorrido – de que a razão para o indeferimento do pedido repousou na utilização integral do crédito para pagamento de débito da mesma contribuição. Noutras palavras, a Recorrente sequer apresentou, antes ou após a ciência do Despacho Decisório (na verdade, nada falou a respeito em suas defesas), DCTF retificadora para permitir a liberação do valor requerido, se fosse o caso, e a sua restituição em pecúnia ou a sua compensação com outros tributos. Ainda que eventualmente seja procedente o argumento que embasa o pedido (isso não significa que concordemos com a tese), a Administração Tributária não podia e não pode restituir valor já alocado para quitação de um tributo. Quem deve fazêlo é o próprio contribuinte, de ordinário antes de apresentar o pedido eletrônico de restituição. É como, aliás, entende a própria RFB, como indica o Parecer Normativo Cosit nº 2, de 28 de agosto de 2015: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10980.912299/201256 Acórdão n.º 3201003.827 S3C2T1 Fl. 5 4 objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014. eprocesso 11170.720001/201442 Portanto, para que haja a possibilidade de restituição, o crédito respectivo deve estar liberado, mediante a entrega de DCTF retificadora, exceto quanto às hipóteses de impedimento à sua apresentação, não verificadas, aliás, no caso ora em exame, como, por exemplo, quando o saldo a pagar já tenha sido enviado à Procuradoria da Fazenda Nacional PFN para inscrição em Dívida Ativa. Não cabe, ademais, à RFB fazer a retificação de ofício. Como consignado nos fundamentos do referido PN, "enquanto não retificada a DCTF, o débito ali espontaneamente confessado é devido, logo, valor utilizado para quitálo não se constitui formalmente em indébito, sem que a recorrente promova a prévia retificação da declaração. (Acórdão nº 1302001.571, Rel. Cons. Alberto Pinto Souza Júnior, 25 de novembro de 2014)". A situação aqui enfrentada é, como se percebe, diferente da que comumente se vê no Contencioso Administrativo, em que o interessado costuma apresentar DCTF retificadora, mas não apresenta, na manifestação de inconformidade, documentos contábeis/fiscais Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10980.912299/201256 Acórdão n.º 3201003.827 S3C2T1 Fl. 6 5 comprovando o erro cometido na original, ou os apresenta neste recurso, mas o só fato de a DCTF retificadora ter sido apresentada após a ciência do Despacho Decisório leva a DRJ a manter, por esse só motivo, o indeferimento do pedido de restituição. Não tendo sido apresentada DCTF retificadora, o crédito reclamado continua vinculado ao pagamento confessado na DCTF enviada à RFB, de modo que, nesse contexto, não há como restituílo. Contudo, não foi este o entendimento dos demais integrantes da Turma, que, muito embora também negando provimento ao recurso, fizeramno ao argumento de que não haveria provas do direito reclamado pela Recorrente (apenas apresentou planilha discriminando os valores pleiteados, mas nenhum documento fiscal ou contábil). Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 65DF CARF MF
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